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30 anos de luta não serão em vão

VAMOS REAGIR! 1986

marcou o início oficial do nos-

so sindicato, embora a mobilização para a criação do Sinpro/Caxias tenha começado alguns anos antes. Naquela época, o Brasil vivia uma efervescência de mo-

vimentos políticos experimentando a liberdade, ainda um tanto restrita, após duas décadas de ditadura militar.

Os que vivenciaram aquele precioso momento

conhecem a emoção de inaugurar tanto: organizações,

encontros, reuniões, debates, conquistas, lutas e leis. Tudo parecia novo e tinha sabor de algo há muito reprimido e finalmente liberto.

O sindicato não tinha nada: nem teto, nem es-

trutura, não tinha experiência ou dinheiro. Eram ape-

nas pessoas. E as salas alugadas ficavam pequenas para

abrigar os colegas na hora das reuniões, dos cursos de formação, das assembleias e, principalmente, da greve. Os professores ainda contavam com um gran-

2016

nos deixa estupefatos. Partici-

pamos de três décadas de construção democrática do país e agora enxergamos tudo sob ameaça.

Lutamos pelas Diretas Já e assistimos a um golpe

se sobrepor ao voto.

Lutamos pela aprovação da Constituição de 1988

e estamos vendo a tramitação de medidas provisórias que são o mesmo que rasgá-la em praça pública.

Festejamos a justiça da aposentadoria especial

do professor e agora vivenciamos a perspectiva de uma perniciosa Reforma da Previdência.

Batalhamos palmo a palmo pelo cumprimen-

to dos direitos registrados na CLT e estamos com uma espada na cabeça ameaçando nosso emprego, com a

possibilidade de terceirização, e as nossas condições de trabalho, com a temida Reforma Trabalhista.

Gastamos dinheiro, tempo e inteligência orga-

de prestígio social, as instituições privadas de ensino

nizando cursos de formação e buscando a valorização

confessionais.

ensino médio afirmar que um subjetivo “notório saber”

da cidade eram pouco mais de uma dezena, a maioria A “década perdida”, como muitos economistas

designam os anos 80, foi da crise do Milagre Brasileiro,

do professor, para ver agora uma medida provisória do pode substituir uma vida dedicada à pedagogia.

Defendemos a democratização da educação e

de recessão e enorme crescimento da dívida externa.

somos surpreendidos com o movimento Escola Sem

para presidente e aprovação da Constituição Federal.

cesso sem precedentes.

Mas também de redemocratização, eleições diretas

Partido, uma Lei da Mordaça que representa um retro-

Neste cenário, a coerência com a trajetória do sindicato nos obriga, além de comemorar, a resistir e reagir. Você, que faz parte dessa história, não permita que ela seja em vão. Diretoria Colegiada


Desde 1994, o Sinpro/Caxias é administrado por uma Diretoria Colegiada. Enquanto, no presidencialismo, a gestão fica concentrada em uma pessoa que sempre tem a última palavra, no colegiado as decisões são compartilhadas: todos são chamados a contribuir e a decidir coletivamente. As responsabilidades são divididas conforme a instância de decisão e no âmbito de cada área de atuação.

Diretoria do Sinpro/Caxias Gestão 2015/2017 Adriana Speggiorin

Liane Kolling

Alexandre Casal

Liliane Maria Viero Costa

Alexandre Foch Severo da Silva

Lonis Paulo Gedoz

Anelise Cecília Casara

Lourdes Bender

Cristiane Bacelar Dorneles

Marili Vergani Libardi

Cristiane Guazzelli Boschi

Nádia Pinto Bento Alves

Doralice Polly

Olga Neri de Campos Lima

José Arthur Martins

Paulo Eugênio Gedoz de Carvalho

José Carlos Monteiro

Ramon Victor Tisott

Lademir Luiz Beal

Segundo José Ernesto de Oliveira

Revista 30 anos do Sinpro/Caxias Publicação do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul Sinpro/Caxias Coordenação: Olga Neri de Campos Lima Organização, pesquisa e redação: Rose Brogliato - MTB 1104/RS Colaboração e revisão: Lisiane Zago - MTB 12375/RS

Projeto gráfico e diagramação: Voxmidia Comunicação e Editora Impressão: Lorigraf Tiragem: 500 exemplares Caxias do Sul Outubro de 2016


ROSE BROGLIATO


SUMÁRIO

Sinpro/Caxias nasce da mobilização de muitos professores e carrega o DNA da luta por democracia, educação e direitos

33

Mudança é obviamente difícil, mas não mudar é fatal. Educar para um outro mundo ou para um outro tempo é o desafio

11

Lutando pela dignidade profissional fizemos greve palavra proibida, gesto atrevido

38

Humor e Consciência

15

O ser humano professor como centro da atuação Formação, confraternização lazer e cultura

40

30 anos e duas interrupções no governo federal NA LUTA: pelo impeachment de Collor contra o golpe que tirou Dilma

21

Campanhas salariais e negociações com o patronal garantiram direitos que os professores têm hoje

42

Lei da Mordaça Não Manifesto da Frente Gaúcha Escola Sem Mordaça

25

A saúde dos trabalhadores em educação sempre esteve na pauta das ações do Sinpro/Caxias

45

No Caminho com Maiakóvski

5

27

Lançamento das comemorações dos 30 anos do sindicato

46

O Sinpro/Caxias sempre se articulou com outras entidades Quais são as ameaças? Os desafios comuns?

29

Concurso cultural motivou produção literária

53

Sindicalize-se

31

Exposição da história na Câmara de Vereadores

55

Agradecimento


MÁRCIA - JORNAL PIONEIRO

5

Sinpro/Caxias nasce da mobilização de muitos professores e carrega o DNA da luta por democracia, educação e direitos “Os professores sempre foram considerados

uma categoria especial, diferenciada das demais. Com formação e desempenho profissional qualificado e sta-

tus social peculiar, os professores não se organizavam como trabalhadores e não participavam do movimento sindical.”

Essa é a frase de abertura do editorial do primeiro

informativo do Sinpro/Caxias, o Informe Sindical, publi-

cado e distribuído na metade de 1988. Em seguida, o editorial afirma que o papel do professor na sociedade estava sendo redefinido naqueles anos e cresciam as or-

ganizações de defesa dos direitos dos docentes e que buscavam mudanças na educação brasileira.

{

Uma das primeiras ações do Sinpro/Caxias foi a organização do Congresso pela criação de uma Universidade Estadual gaúcha em 16/10/1988, em Caxias do Sul (foto). A UERGS foi criada 13 anos depois, em 2001, pelo governador Olívio Dutra e agora está sendo sucateada pelo governo de José Ivo Sartori.


{

ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

6

A partir da Carta Sindical obtida em 1986, a primeira diretoria foi eleita e tomou posse em 13/01/1988 (foto). Um concurso foi realizado para a escolha do primeiro logotipo da entidade e imediatamente o sindicato se envolveu nas lutas da classe trabalhadora naquele período.

Naquele momento, já eram levantados aspectos

do capital. Surgiu o “novo sindicalismo”, com o crescen-

que ainda hoje prejudicam a organização dos profes-

te fortalecimento e autonomia dos sindicatos frente ao

ausência de estabilidade e os mitos que consideram a

na legislação vigente), negociações livres entre patrões

sores da rede privada de ensino como a rotatividade, a docência como vocação em vez de profissão e as escolas como grandes famílias.

Com o golpe militar de 1964, o movimento sindi-

cal foi esfacelado. Lideranças foram presas, torturadas,

Estado, a criação das centrais sindicais (fato não previsto e empregados e o uso do recurso da greve como forma de pressão. Os sindicatos passaram a reivindicar, em primeiro lugar, a manutenção dos empregos.

Nos anos 80, o Brasil viveu uma explosão inflacio-

levadas ao exílio e à morte. Com a censura, os professo-

nária com o fim do padrão de acumulação que caracte-

liberdade de opinião.

um estado desenvolvimentista, herdeiro e multiplicador

res também foram condenados ao silêncio, perdendo a

rizou o “Milagre Brasileiro”. A ditadura deixou o saldo de

O sindicalismo brasileiro seguia as normas esta-

do déficit público. Um país sem garantia de direitos so-

tar, que garantiam ao Estado o controle da vida sindical

É nesse contexto que os trabalhadores das insti-

belecidas na CLT de 1943 e na legislação complemen-

ciais, com uma cultura dependente.

e das relações coletivas de trabalho. As disputas entre

tuições privadas de ensino de Caxias do Sul organizam

empregados e patrões eram solucionadas abafando o conflito aberto.

No final da década de 70, desenhou-se uma aber-

tura política, por um lado correspondendo à pressão da sociedade civil insatisfeita, por outro respondendo à exi-

gência internacional num momento de reordenamento

o seu sindicato.

A criação de um sindicato local

Durante quase 50 anos, o Sindicato dos Profes-

sores do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) foi a única representação da categoria no estado. O contato com os pro-


fessores de Caxias era precário. Havia pouco mais de 30

Inspirados pela mobilização dos colegas

instituições de ensino privado em Caxias do Sul e cerca

da rede estadual, que fizeram a primeira greve

nas 12 eram associados ao Sinpro/RS e não chegavam

em 23 de novembro de 1979, a Associação dos

de 1.100 professores contratados pela CLT. Desses, ape-

naquele ano, um grupo de 20 professores criou,

informações sobre benefícios, convênios ou mobiliza-

Docentes da Universidade de Caxias do Sul

ções, enquanto eram descontadas contribuições dos

(Aducs), com o objetivo de vir a constituir um sindicato.

salários para aquele sindicato. Essa situação incomoda-

Pouco mais de dois meses depois, em 15 de fevereiro

va os professores e eles começaram a se organizar em

de 1980, professores e funcionários das instituições de

associações por estabelecimento de ensino. Mas essas

ensino fundavam a Associação Profissional dos Profes-

agremiações não desempenhavam uma atuação com-

sores e Auxiliares de Administração Escolar de Caxias

uma organização mais ampla que as congregasse e o

tificado de registro, habilitando-a a transformar-se em

bativa quanto às reivindicações da categoria. Faltava

do Sul. Apenas 32 dias depois, a associação obteve cersindicato, num prazo de dois anos.

reconhecimento político e legal de um sindicato.

PRIMEIRA DIRETORIA ELEITA 1988/1990

SUPLENTES DA DIRETORIA Aldo Dillon / Ilza Maria F. de Oliveira José Dario Perondi / Luiz Cichelero Nilo da Rocha / Olivar M. Mattia Sônia Maria Leitão CONSELHO FISCAL Diógenes Antônio Fogaça Selma N. de Campos / Vitorino Borgheti SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL Aldo Chagas / Antônio Carlos K. Soares Luiz Antônio Gallina DELEGADOS REPRESENTANTES Agostinho Pereira / Rosmeri Brogliato SUPLENTES DE DELEGADOS REPRESENTANTES Paulo Carvalho / Isidoro Zorzi

ROSE BROGLIATO

DIRETORIA EXECUTIVA José Carlos Monteiro - Presidente Sebastião Carlos Velho - 1º Vice-presidente Gelça R. Lusa Prestes - 2º Vice-presidente Clarice N. Gonçalves - 1ª Secretária Magaly Ruwer - 2ª Secretária Vilmar Merchiori - 1º Tesoureiro Pedro Ernesto Baumgartem - 2º Tesoureiro

{

Inicialmente, o Sinpro/Caxias funcionou em uma sala junto à Aducs, na UCS. Depois, ocupou uma sala na Galeria Martinatto. Em 1991, foi instalado junto à sede do Sindicato dos Bancários (foto). Depois, com muito esforço, o sindicato adquiriu a sede própria, no bairro N. Sra. de Lourdes.

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8

Em setembro de 1982, uma assembleia

na sede dos Sindicatos Reunidos aprovou o

estatuto padrão e elegeu a diretoria provisória para levar adiante a tarefa de formalizar a cria-

ção do sindicato. O folheto de chamamento

dessa assembleia alertava: “Sindicato é união, é força e vantagem para todos.” Em abril de 1983, o processo

foi enviado para Brasília, mas retornou indeferido, em novembro de 1984, porque não seria possível manter as

duas categorias, de professores e auxiliares, numa mesma entidade sindical. Os auxiliares em administração es-

colar desmembraram-se da associação e conseguiram,

em 23 de outubro de 1985, aprovar o SAAE/Caxias, hoje Sintep/Serra.

{ ARQUIVO sINPRO/CAXIAS

A primeira diretoria eleita do Sinpro/Caxias de imediato inseriu o sindicato no movimento organizado dos trabalhadores da educação. Os professores participavam de encontros estaduais e nacionais e passaram a integrar a FeteeSul (foto).

O recomeço da organização

Em 29 de junho de 1985, foi criada a Associação Profissional dos Professores de Caxias do Sul, em assembleia geral na sede dos Sindicatos Reunidos. Os estatutos foram aprovados e a diretoria e o conselho fiscal foram eleitos. Em 14 de novembro do mesmo ano, novo processo para constituição do Sinpro/Caxias foi encaminhado. O Ministério do Trabalho solicitou no processo parecer favorável do Sinpro/RS sobre o pedido, que foi anexado em agosto de 1986. Finalmente, após quase oito anos de mobilização, no dia 10 de dezembro de 1986, o então Ministro do Trabalho Almir Pazzianotto assinou a aprovação e o reconhecimento do “Sindicato dos Professores de


{

Em 1992, a defasagem salarial alcançava índices alarmantes e os salários estavam congelados pelo Plano Collor. Em 1994, o sindicato divulgava o Acordo Coletivo em tempos de Plano Real. As fotos são montagens que ilustraram os informativos do Sinpro/Caxias na época.

Caxias do Sul”. A Carta Sindical foi publicada no Diário Oficial, em 18 de dezembro de 1986.

Para a formalização do Sinpro/Caxias, foi institu-

ída uma diretoria provisória, formada pelos professores

Isidoro Zorzi, Luiz Antonio Gallina, Armando Andreazza, José Clemente Pozenato, Dario Perondi, Mariza Helena Corso Zaro, Evanil João Pires e Dora Lúcia Dalpan. Esse grupo organizou a primeira campanha salarial da categoria, unificada com os outros sindicatos do ensino privado gaúcho.

Naquela época, o salário dos professores da rede

privada era muito baixo se comparado com a rede es-

tadual, que tinha acabado de conquistar o piso de 2,5 salários mínimos.

Uma das principais reivindicações da primeira

pauta encaminhada pelo Sinpro/Caxias ao sindicato

patronal era o aumento real de 50% nos salários, para recuperação de parte das perdas acumuladas

(calculadas em 90% a partir de 1982). A limitação de alunos por turma já constava na pauta, assim como o DIRCE RECH PERINI

DIRCE RECH PERINI

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pagamento de atividades extraclasse.

Foram então convocadas as eleições para a dire-

toria sindical. Apenas uma chapa se inscreveu. O edito-


10

rial do primeiro informativo diz que era formada por professores que “desejavam construir uma entidade forte e representativa, com atuação marcante na defesa dos direitos dos professo-

res caxienses, nas lutas pelas melhorias da edu-

cação e nas lutas democráticas em geral”.

Nascido com o DNA da luta Era um tempo de inflação galopante: conforme

registros, o Acordo Salarial de 1988 determinava um re-

ajuste salarial de 396,67% sobre os salários de março de 1987, incluído nesse percentual 10% de aumento real.

Em setembro de 1988, nos dias 3 e 4, o Sinpro/

As eleições transcorreram normalmente. Com-

Caxias realizou o primeiro encontro de formação para a

res habilitados a votar e a chapa única foi considerada

ção nas lutas dos professores e desenvolver uma cons-

pareceram às urnas mais de dois terços dos professoeleita.

A posse ocorreu no dia 13 de janeiro de 1988,

às 17 horas, na Sala do Sindicato da Alimentação, com

diretoria e lideranças. O objetivo era ampliar a participa-

ciência crítica quanto à situação do ensino privado em Caxias e da educação em geral.

Ainda naquele mês, integrantes da diretoria do

a presença de vários professores, outros sindicatos da

sindicato participaram do 1º Encontro Nacional Intersin-

ração dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensi-

onde foi discutida uma pauta mínima de reivindicações

cidade, representantes de partidos políticos e da Fede-

no do Rio Grande do Sul (FeteeSul). A primeira diretoria trabalhou então para organizar a estrutura do sindicato e desenvolver a campanha salarial daquele ano.

dical de Trabalhadores em Educação, em Praia Grande, para todo o país.

No primeiro ano de atuação, o Sinpro/Caxias fi-

liou-se à FeteeSul e assumiu um cargo naquela entida-

de, fundada dois anos antes. O Sinpro/Caxias filiou-se

também ao Departamento Intersindical de Estatíticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em outubro de 1988, o Sinpro/Caxias organizou

o Congresso Pró-UERGS com a presença de representantes de 45 instituições de ensino superior e sete uni-

versidades privadas do estado. O objetivo do congresso era criar uma universidade pública estadual.

O Sinpro/Caxias nasceu com o DNA de luta.

Além de melhores condições de trabalho e salário para

os professores, já nos primeiros anos, o sindicato lutou

DIRCE RECH PERINI

MÁRCIA - JORNAL PIONEIRO

pela criação de uma universidade pública estadual, pela aposentadoria especial de professor, pelo fortalecimento da Federação (FeteeSul), por eleições diretas para reitor e democratização da UCS.


ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

11

Lutando pela dignidade profissional fizemos greve palavra proibida, gesto atrevido Em janeiro de 1989, em um seminário realizado

pela FeteeSul, os sindicatos dos professores e técnicos

administrativos do ensino privado gaúcho decidiram unir esforços para a campanha salarial. A partir daí foi deflagrado um amplo movimento que viria a resultar na

maior greve já realizada na história dessas categorias. O balanço dos primeiros três anos de gestão do Sinpro/ Caxias afirma: “Lutando pela dignidade profissional fize-

mos greve: palavra proibida, gesto atrevido. Quebramos

o tabu secular, rompemos o corporativismo decorrente

{

Em 1989, os professores de Caxias do Sul participaram intensamente da mobilização estadual dos trabalhadores em educação. Caravanas organizadas pelo Sinpro/Caxias fortaleciam as assembleias realizadas em Porto Alegre (foto).


FOTOS ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

12

da falsa ideia de que cada escola particular é uma gran-

pessoas de Caxias do Sul, para a discussão das estraté-

de família...”

gias de luta. Em 11 de março, uma plenária conjunta

da de 80 no Brasil era de desemprego, perdas salariais

Sindicatos Reunidos, ampliou a discussão sobre a cam-

O cenário econômico e social do final da déca-

e aumento sucessivo dos preços dos produtos. Com instituição do Plano Verão (que previa congelamento

de preços e salários) pelo governo Sarney, as perdas salariais e o quadro caótico se agravaram. Mobiliza-

de professores e técnicos administrativos, na sede dos panha salarial.

Assembleias históricas A primeira assembleia estadual da campanha sa-

ções pipocaram, categorias diversas reivindicavam a

larial de 89 foi realizada em 18 de março, em Porto Ale-

mensais de acordo com o índice real da inflação, con-

sentada a proposta do sindicato patronal, que apenas

recuperação das perdas salariais acumuladas, reajustes

gelamento real dos preços, combate à recessão e ao desemprego. Nos dias 14 e 15 de março, uma greve geral chamada pela Central Única dos Trabalhadores

(CUT) e pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) paralisou cerca de 70% da população economicamente ativa do país.

No dia 4 de março, foi realizado um encontro de

lideranças em Porto Alegre, com a participação de 40

gre, com a presença de mais de cem caxienses. Foi apre-

previa o pagamento do Plano Verão, 7,8% de reajuste salarial. Os participantes da assembleia, indignados, re-

jeitaram a proposta e concederam o prazo de 8 de abril para que o patronal a melhorasse. Em 8 de abril, uma

assembleia histórica com mais de 2 mil participantes,

sendo 200 caxienses, rejeita a nova proposta patronal, de 20% de reajuste e aprova, em ampla maioria, uma greve por tempo indeterminado.


Entre os professores caxienses, surge a dúvida

e ameaçam os professores. Tentam vincular o

que seria inédito nas instituições privadas de ensino de

dades. Criam-se comissões de negociação, são

greve de 46 dias em 1986 e outra de uma semana em

dica largo espaço ao assunto.

sobre a viabilidade de um movimento grevista, fato Caxias, com exceção da UCS, que já havia sofrido uma

1988. A maioria aprova a greve, porém ficou decidido que cada escola definiria as possibilidades do movi-

mento.

E começa a greve No dia 10 de abril de 1989, uma segunda-feira,

várias escolas em todo o estado paralisam. Em Caxias do Sul, os professores reúnem-se em cada escola e marcam assembleias. Na UCS, cerca de 80 professores referen-

dam a posição estadual e decidem pela greve. A partir de 13 de abril, os professores do Colégio São José e do La Salle aderem ao movimento grevista.

Nas outras escolas, se estabelece o impasse. Te-

ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

mendo mais adesões à greve, as direções chantageiam

reajuste salarial com o aumento nas mensali-

13

chamadas assembleias de pais e a imprensa de-

Em todo o estado ocorrem atos públicos, pas-

seatas, enterros simbólicos, esclarecimentos e debates na imprensa. A polêmica cresce. A partir do movimento salarial dos trabalhadores em educação, vêm à tona as

contradições do ensino privado: lucro versus qualidade, “opção pelos pobres” (os estabelecimentos de ensino privado eram, em sua maioria, confessionais), “educação libertadora”, relações de trabalho mascaradas...

No dia 19 de abril, os professores do Colégio La

Salle retornam às aulas e, no dia 21, os do São José, me-

diante acordos internos e continuação das negociações. No dia 3 de maio, uma nova assembleia estadual

decide encaminhar o dissídio para julgamento no Tri-


14

bunal Regional do Trabalho (TRT), após 13

reuniões realizadas com o sindicato patronal sem sucesso. A assembleia decide também sus-

pender formalmente a greve, embora diversas instituições de ensino mantivessem a mobiliza-

ção. Na UCS, após 35 dias de greve, os professores re-

tornaram às aulas, no dia 16 de maio. Em acordo com a

reitoria, foi definido reajuste de 92% nos salários, sendo que as demais cláusulas do acordo seriam negociadas por uma comissão.

Em 1989, por conta da primeira eleição direta

para presidente em 20 anos, ao mesmo tempo em que

lutavam por reajustes salariais para enfrentar a inflação no final do governo Sarney, os sindicatos passavam por um momento ímpar.

No final daquele ano, o dissídio dos professores

de Caxias ainda não havia sido julgado pelo TRT, en-

quanto os dissídios dos outros sindicatos de professores e técnicos do estado tiveram julgamentos determinan-

do índices aleatórios e contraditórios entre si, variando

de 7,12% até 102,11% de aumento. Na iminência do julgamento do dissídio, o Sinepe/RS recomenda às dire-

ções que paguem o percentual total reivindicado pelos sindicatos, reconhecendo assim, ainda que tardiamente, que a reivindicação era justa. Quando saiu o julga-

mento, a decisão para os professores de Caxias do Sul

foi a melhor do Estado, 396,67% sobre março de 1987, do o piso dos professores para praticamente o dobro dos outros docentes do ensino privado gaúcho.

ARQUIVO JORNAL PIONEIRO

servindo de precedente para outras categorias e elevan-

{

A greve realizada em 1989 acirrou a relação do sindicato com as escolas e nos anos seguintes gerou conflitos e demissões. A comunidade escolar também se envolvia. Alunos do Colégio do Carmo se manifestaram contra a demissão de professores (foto), em 1992.


SCHIAVO FOTOGRAFIAS

15

O ser humano professor como centro da atuação Formação, confraternização lazer e cultura Acreditando que a profissão docente exige a for-

mação continuada, o Sinpro/Caxias sempre reivindicou

ao sindicato das direções de escolas que seja propiciada aos professores. E também fez a sua parte.

Ao longo de 30 anos, foram vários cursos de for-

mação, organizados pelo Sinpro/Caxias ou com parcerias. Entre eles, formação nas áreas de informática, cur-

sos artísticos, de musicalização, de orçamento familiar,

um concurso literário, lançamento de filmes, seminários nacionais de educação e palestras.

Na abertura do Primeiro Seminário Nacional de

{

Em março de 2002, o Sinpro/ Caxias realizou o I Seminário Nacional de Educação (foto) com a presença de nomes como Içami Tiba, Gerd Bornhein e Alicia Fernandez. Mais de 750 profissionais participaram do evento no Teatro da UCS.


16

Educação, realizado pelo Sinpro/Caxias em

balizada, escola no mundo contemporâneo, pesquisa e

“Sabemos que o ‘professor por inteiro’ está no

profissionais participaram do evento realizado no Tea-

sola afirmou, em nome da diretoria sindical:

cotidiano: é profissional, é afeto, é emoção, é

pensamento, comportamento, ações... mas também é reflexo do excesso de trabalho, dos salários, cujos rea-

justes não acompanham as necessidades pessoais e so-

ciais... é também desgaste diante das situações novas e urgentes que se impõem a cada dia. Foi pensando em

nós, professores por inteiro, profissionais desafiados contiuamente, que organizamos este evento. O Sinpro/ Caxias deseja contribuir nesta busca permanente de for-

mação empreendida pelos professores aqui presentes. “ O Seminário com o título “A Educação em Cons-

trução”, contou com palestras de Içami Tiba, Carlos Hen-

rique Aguiar Serra, Bautista Vidal, Maria Luiza Xavier, Jussara Hoffmann, Gerd Bornhein e Alicia Fernandez e

MÁRIO ANDRÉ COELHO

tratou de temas como limites e disciplina, educação glo-

março de 2002, a professora Margarete Camas-

tecnologia, avaliação e questões de gênero. Mais de 750 tro da UCS, com participação de nove municípios.

O Seminário “Ser Humano, a medida da educa-

ção”, realizado em março e abril de 2007, trouxe Hamil-

ton Werneck e Tania Zaguri para falar de autoestima,

{

No primeiro semestre de 2011, como mais uma atividade em comemoração aos 25 anos do sindicato, foi promovido o seminário “Educação: debates contemporâneos” (foto), com palestrantes conhecidos em âmbito nacional e até internacional.


SIMONE RAMME

17

{

formação continuada, motivação e os mitos da escola moderna. O evento reuniu cerca de 450 profissionais da educação no Teatro São Carlos.

Em 2011, o seminário “Educação: debates con-

temporâneos”, trouxe intelectuais reconhecidos para a cidade: o advogado e jornalista Marcos Rolim, o pe-

dagogo Simon Schwartzman, o francês Doutor em

Educação pela Universidade de Paris, Bernard Charlot, a Doutora em Ciências Telma Pantano e o psicólogo e pe-

dagogo Cezar Braga Said. As palestras aconteceram em

abril, maio e junho e apresentaram questionamentos sobre as perspectivas, contradições e desafios da pro-

fissão docente, violência e bullying, neurociências, além das preocupações em saúde características da atividade, como a síndrome de Burnout e o estresse.

“Eventos de Primavera”, foi o encontro cultural

promovido em setembro de 2014, no Auditório do Colé-

gio Madre Imilda, envolvendo música, teatro e palestras

DIRCE RECH PERINI

com Telma Pantano e Fabrício Carpinejar.

Em 1994, o Sinpro/Caxias trouxe a educadora Esther Pillar Grossi (foto) para falar de “Construtivismo e paixão de aprender”, na Casa da Cultura.


SIMONE RAMME

18

Oportunizar aos professores o acesso à cultura é

uma preocupação constante do Sinpro/Caxias. O sindi-

cato promove regularmente atividades culturais, man-

tém videoteca e biblioteca a serviço dos associados,

assina diversos periódicos relacionados à educação e tradicionalmente oferece um vale-livro para os associa-

SIMONE RAMME

dos, em homenagem ao Dia do Professor.


SIMONE RAMME

19

Nos últimos anos, o Sinpro/Caxias promoveu es-

petáculos culturais muito requisitados, exclusivos para os professores, como o grupo teatral Homens de Per-

to, o musical Rádio Esmeralda, o grupo circense Tholl, o

admirado Tangos e Tragédias, a Família Lima, Nenhum

de Nós, Papas da Língua e Pouca Vogal, entre outros. O

SIMONE RAMME

sindicato também promoveu a cultura local.


RICARDO BARP

20

Para promover a confraternização, a convivência

e a solidariedade, o Sinpro/Caxias realiza eventos como o Almoço dos Professores e os jantares dançantes, em datas significativas. Além disso, entrega um vale-jantar aos docentes, em homenagem ao Dia do Professor. Es-

ses eventos também sinalizam a defesa do sindicato do

RICARDO BARP

direito da categoria ao descanso e ao lazer.


DAIANI CEREZER

21

Campanhas salariais e negociações com o patronal garantiram direitos que os professores têm hoje O Sinpro/Caxias desenvolveu todas as campa-

nhas salariais desde 1987. Para se fortalecer, o sindicato articulou com a federação (FeteeSul) e a confederação (Contee), atuando em conjunto com os outros sindica-

Assim, todos os anos o Sinpro/Caxias estabelece

um processo de negociação com o sindicato patronal

(Sinepe/RS), na data-base, mês de março. O primeiro passo do processo é o envio da pauta de reivindica-

tos de trabalhadores do ensino privado. Acreditando

ções contendo as exigências da categoria, previamen-

tamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioe-

representativas dos sindicatos fazem várias reuniões

na luta coletiva dos trabalhadores, filiou-se ao Deparconômicos (Dieese) e à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

te discutida e aprovada em assembleia. As comissões e negociam o que está na pauta. Se houver acordo, as

partes assinam a Convenção Coletiva. Se o acordo não


22

foi possível, é ajuizada uma ação na justiça trabalhista, chamada de Dissídio Coletivo.

Dessa forma, com Convenções e alguns Dissí-

dios, os professores caxienses alcançaram 72 cláusulas na Convenção Coletiva da Educação Básica e 64 na Con-

venção Coletiva da Educação Superior. (Convenções ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

Coletivas de Trabalho 2016/2017) estabelecendo direitos e normatizando o trabalho.

Há muitos anos, no Rio Grande do Sul, as ne-

gociações são conduzidas em conjunto entre todos os

sindicatos que representam os trabalhadores do ensino privado, organizados na Federação (Fetee-Sul).

Durante a data-base, os sindicatos realizam uma

campanha, para esclarecer a sociedade sobre as reivindicações e denunciar situações que precisam ser mu-

dadas. Greve, paralisações, atos públicos, assembleias, reuniões por escola e divulgação nos veículos de comunicação são algumas das ferramentas que foram utiliza-

SIMONE RAMME

DAIANI CEREZER

das nessa luta.


SIMONE RAMME

23

Muitas reivindicações dos professores são leva-

das para a mesa de negociações e acabam sendo rejeitadas pelo Sinepe/RS.

A limitação do número de alunos nas turmas é

uma das mais antigas reivindicações dos docentes do ensino privado gaúcho, negada de forma intransigente pelo Sinepe/RS, negociação após negociação. O exces-

sivo número de alunos por turma é considerado como um dos fatores de adoecimento dos professores e de comprometimento da qualidade de ensino.

Ações de prevenção em saúde vêm sendo reivin-

dicadas nos últimos anos, especialmente depois que a

pesquisa realizada com os docentes, em 2009, revelou que a saúde dos professores está em uma situação-limite.

A remuneração do trabalho extraclasse também

é cobrada há anos nas negociações coletivas. Cada vez mais, os docentes têm sua jornada de trabalho expandida para além da contratada.

{

Em setembro de 2009, foi assinado o Plano de Carreira Docente da UCS, fruto de um processo democrático e legalizado por um Acordo Coletivo de Trabalho (foto). O Sinpro/Caxias defende que todas as instituições de ensino superior tenham plano de carreira.


Novas burocracias foram acrescentadas às já

24

existentes, atividades que se somam às rotineiras tarefas que os docentes já exerciam fora da sala de aula, como correção de trabalhos, provas e orientação de TCCs, en-

tre outras. Além disso, a evolução das novas tecnologias de comunicação aumentou sensivelmente a disponi-

bilidade dos professores ao acesso de coordenadores, direções e alunos, o que, por consequência, demanda cada vez mais tempo de dedicação.

realização das mesmas e sem remuneração.

Domingo de Greve - essa foi a estratégia utilizada no mês de outubro de 2011 para dar visibilidade ao excesso de trabalho dos professores do ensino privado. A campanha teve muita divulgação e repercussão (foto abaixo).

Conseguir que essas e outras reivindicações se ma-

terializem na Convenção Coletiva é um desafio do Sinpro/

SIMONE RAMME

JAIR MOTTA RENÉ CABRALES

Caxias e depende da participação dos professores.

SIMONE RAMME

{

Todas essas atividades extraclasse passaram a inte-

grar o trabalho docente, porém sem limites claros para a


ARTE D3

SIMONE RAMME

SIMONE RAMME

ROSE BROGLIATO

25

A saúde dos trabalhadores em educação sempre esteve na pauta das ações do Sinpro/Caxias Há muitos anos a saúde dos trabalhadores da

Estudos e Pesquisas da Saúde e dos Ambientes de Tra-

educação é uma preocupação crescente entre os espe-

balho (Diesat) e demonstrou uma realidade alarmante.

do Sinpro/Caxias.

causam sofrimento mental, emocional e desgaste físico

cialistas e este tema sempre esteve na pauta das ações

O assédio moral foi apontado como um dos fatores que

Em 2009, foi realizada uma pesquisa em conjun-

no trabalho. Dos professores que responderam a pes-

e a FeteeSul, com o objetivo de investigar e mostrar a

sempre ou frequentemente fora do horário de trabalho,

to com os outros sindicatos do ensino privado gaúcho realidade das condições de saúde da categoria. A pes-

quisa foi realizada pelo Departamento Intersindical de

quisa, 70% afirmaram trabalhar nas tarefas de docência prejudicando o descanso e o lazer e 45% relacionaram

problemas de saúde física ou mental ao trabalho. Entre


26

as dores mais presentes na vida do professor,

pelo Departamento de Pós-Graduação em Psicologia da

pés, pernas, ombros e costas. A metade dos do-

a multiplicação de tarefas burocráticas, as salas de aula

estavam dores de cabeça, nos braços, mãos, centes apontava perda de voz ou rouquidão .

A pesquisa serviu como base para que o

Unisinos. O estudo revelou que o acúmulo de trabalho, superlotadas, o relacionamento com alunos e pais as atividades extraclasse on-line afetam a saúde dos pro-

Sinpro/Caxias entregasse ao sindicato patronal (Sinepe/

fessores e se constituem em fatores de estresse.

dicando entre outras coisas a limitação de alunos por

“Professor no Limite - verdades inconvenientes sobre o

venção às doenças profissionais e a destinação de 20%

sindicato, Deise Vilma Webber, analisando as principais

RS) uma pauta específica de saúde naquele ano, reivin-

turma, a sonorização das salas de aula, oficinas de preda carga horária para atividades extraclasse, mas o Si-

nepe/RS negou diálogo sobre o tema da saúde naquele momento.

A campanha salarial de 2010 teve a saúde docen-

te como foco: “Ensino Privado: a saúde do trabalhador está no limite”. Como material de divulgação da campa-

nha, os professores e a imprensa receberam uma caixa de remédio com um coração antiestresse e uma bula detalhando os objetivos da campanha.

Em 2012, o Sinpro/Caxias realizou nova pesqui-

sa, juntamente com a FeteeSul e outros sindicatos. A “Avaliação do Nível de Estresse em Professores do En-

sino Privado do Rio Grande do Sul” foi desenvolvida

Ainda em 2012, o Sinpro/Caxias lançou o livro

exercício da profissão”, escrito pela assessora jurídica do doenças ocupacionais que atingem o professor.

A saúde mental dos professores se tornou no-

vamente objeto de pesquisa em 2015, com o trabalho do Departamento de Pós-Graduação em Psicologia da Unisinos que vai ser exposto em uma cartilha para a categoria.

{

Com grande repercussão na imprensa (foto), a pesquisa sobre o estresse entre os trabalhadores de educação reforçou as reivindicações do sindicato por melhores condições de trabalho.


LISIANE ZAGO

27

Lançamento das comemorações dos 30 anos do sindicato No dia 29 de março, o Sinpro/Caxias lançou as

comemorações do aniversário de 30 anos de fundação da entidade.

modernizar e marcar o novo momento da entidade a partir dos 30 anos.

O Sinpro/Caxias também passou a contar oficial-

Foram apresentados para a imprensa, lideranças

mente com um personagem representativo para gerar

novo logotipo do sindicato, o selo comemorativo dos

ciais. A coruja foi escolhida porque é o símbolo da sabe-

sindicais e de organizações relacionadas à educação o 30 anos e a programação que seria realizada durante o ano.

O novo logotipo incorpora a necessidade de

simpatia e identificação, especialmente nas redes so-

doria, da Pedagogia e da Filosofia, tem olhar atento e a capacidade de enxergar no escuro.

Já o selo comemorativo dos 30 anos pretende

identificar claramente a base territorial do sindicato,

destacar as principais lutas do Sinpro/Caxias ao longo

Noroeste e Sinpro/RS. Além disso, tem a proposta de

palavras Democracia, Educação e Direitos.

pois são três Sinpros no estado – Sinpro/Caxias, Sinpro/

de sua existência e por isso traz uma bandeira com as


28


Concurso cultural motivou produção literária

29

O Sinpro/Caxias incentivou a produção literária

dos associados realizando o concurso cultural “30 histó-

rias de professores”, entre maio e junho de 2016.

Os professores participantes concorreram a uma

hospedagem no Hotel Casa da Montanha, em Gramado. O professor Marco Antonio Gonçalves foi o ganhador.

“Ao ver no site do Sinpro a informação do Con-

curso, acreditei ser uma oportunidade de manifestar meus agradecimentos pela ajuda que tive em deter-

minado momento histórico. Com relação ao sorteio da Marcelo Caon 7 anos de categoria Professor no Colégio La Salle Carmo

hospedagem, foi uma surpresa agradável pois não me considero uma pessoa de sorte neste tipo de coisa”, afir-

mou o professor. Marco Antonio Gonçalves leciona nos colégios Madre Imilda e Murialdo. Ele trabalha no ensino privado de Caxias do Sul há 23 anos.

ACERVO PESSOAL

“‘Não preciso de mais nada’ cantarolava

Em destaque, trechos das histórias de alguns dos

participantes.

alto e feliz a dona Maristela pelos corredores da Escola. Era noite, intervalo de aula, e ela passea-

va livre, contando esvoaçante seu feito, como se fosse borboleta. Sim. A educação é a arte de ver borboletas voarem. Aliás, de ver, de borboletear, de voar. Talvez a maior catástrofe para um pro-

fessor seja que, no geral, quase sempre está com seus alunos quando ainda tecem secretamente

Aline Rebechi Zampieri 27 anos de categoria Professora no Colégio São José

seus corações dentro de seu casulo. Raras vezes

vemos outra cena e, quando o fazemos, sempre é uma exceção. Nessa história, dona Maristela repetia que não precisava de mais nada. Sim, depois de uma longa trajetória, era ela quem dese-

nhava junto do som de sua própria letra, de sua

ANDREI CARDOSO

“A missão do professor é saber comparti-

própria escrita, de sua escrita-voz. Com 53 anos,

lhar, no sentido mais amplo da palavra, compar-

recém-formado, assistia a um dos casos raros em

respostas, certezas e incertezas, enfim, compar-

alfabetizava-se pela primeira vez. Eu, professor que o casulo se desfazia, testemunhando o or-

gulho daquela senhora em exibir sua conquista estimada.”

tilhar experiências, conhecimentos, perguntas e tilhar a vida com suas frustrações e realizações, contribuindo para um mundo verdadeiramente mais humano.”


30 Elisabet Romilda Tonezer Cirne 29 anos de categoria Professora no Colégio Murialdo

Marco Antonio Gonçalves 23 anos de categoria Professor nos Colégios Madre Imilda e Murialdo RICARDO BARP

“Um aspecto pouco salientado na ação

sindical é o lado humano e solidário, que deve permear as relações. Há 25 anos atrás, vivíamos

ACERVO PESSOAL

“Felicidade é poder desfrutar das apren-

dizagens de cada dia - boas ou ruins. É ver cada

vida que ajudamos a modificar e melhorar. Essa é

uma felicidade diferenciada. Talvez alguns não a encontrem, mas muitos encontrarão.

Educar é transformar pensamentos e tam-

bém é doação, sentimento e coração. Minha fun-

ção foi cumprida, meu esforço, recompensado, em cada aluno que hoje segue o seu caminho; em cada agradecimento, em cada sorriso... ”

momentos críticos e tensos nas negociações

salariais, inclusive foi deflagrada uma greve que mobilizou a categoria. Eu tinha uma certa lide-

rança e após a greve fiz parte de um grupo que foi colocado à disposição. Ao realizar a rescisão

no Sinpro, o representante do colégio verbalizou

que se eu tivesse bom senso, deveria pegar as minhas coisas e voltar para São Paulo, pois aqui em Caxias não arrumaria mais trabalho nas es-

colas. Recém casado, com um filho pequeno de dois anos, óbvio que isso assustou. A afirmação tão explícita e escandalosa mexeu com os diri-

gentes sindicais. Aquela diretoria me ajudou e apoiou naquele momento díficil.” Daniela Adriane Arce da Silva 4 anos de categoria Professora na Rede de Ensino Caminho do Saber

Ana Cristina Tassinari Ignacio Bertussi 10 anos de categoria Professora no Colégio São João Batista

NATÁLIA DAMIAN

“A maturidade me ajudava a entender

que precisamos buscar uma educação nova e comprometida com a escola, os alunos e a fa-

mília, para isso é necessário muito mais do que

conhecimentos e prática, é necessário motivação e coragem.”

ACERVO PESSOAL

“Aprendi a compreender o direito e o

motivo de fazer greves, sinetas tocando, carta-

zes na rua, indignação. Aprendi que sempre terá alguém querendo ensinar aos professores como educar, ignorando os anos e anos de estudo e as infinitas práticas que já construíram. (...) Aprendi que perceber o aluno como um

ser humano inteiro é respeitá-lo como a um igual, como queremos ser respeitados.”


31 31

FOTOS RICARDO BARP

Exposição da história na Câmara de Vereadores A exposição Sinpro/Caxias 30 anos foi aber-

e amigos. A professora Olga Neri de Campos Lima, coor-

ta para visitação gratuita e pública entre os dias 23 de

denadora de comunicação do Sinpro/Caxias, saudou os

da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.

mente nos 30 anos do sindicato. Olga lembrou e home-

agosto a 6 de setembro, no espaço cultural Mário Crosa Por meio de painéis ilustrativos, a exposição

mostrou os principais momentos da entidade, enfocando as etapas iniciais do sindicato, os eventos de forma-

ção, cultura e confraternização, as datas marcantes, as principais lutas e as campanhas salariais realizadas.

Abertura reuniu fundadores

No dia 23 de agosto, o Sinpro/Caxias realizou a

abertura da exposição, em evento que reuniu fundado-

res, diretorias, lideranças sindicais, vereadores, imprensa

participantes e destacou a história construída coletiva-

nageou os professores Clarice Gonçalves, Edita Poloni, Olivar Mattia, Arlete Aguzzoli, Dario Perondi e todos os outros que não estão mais entre nós, mas deixaram seu exemplo de participação na defesa de ideais comuns.

A seguir, o professor Luiz Antônio Gallina, que in-

tegrou o primeiro grupo de professores que discutiu a

formação do sindicato e a primeira diretoria eleita, falou

em nome dos fundadores relatando a história do Sinpro/

Caxias. Gallina afirmou que no tempo de existência do sindicato, os professores enfrentaram as crises sempre


32

buscando alternativas. Ele deixou um recado: “Aos professores que trabalharam para que a

fonte germinasse, a minha gratidão. Nunca esmoreçam!”

O professor Paulo Luiz Zugno, que in-

tegrou diretorias da entidade e é articulista

do Informativo Presença, destacou que completar três décadas é uma glória: “Poucas iniciativas de caráter coletivo estão sempre vigilantes como o Sinpro/Caxias”.

José Carlos Monteiro, presidente da primeira di-

retoria eleita do sindicato, relatou a própria história ao

ser contratado para lecionar na Universidade de Caxias do Sul (UCS) quando ainda havia reflexos da ditadura

militar na sociedade. Monteiro contou que, logo que o sindicato foi criado, as dificuldades eram muitas: “Não havia negociação, apenas imposição por parte das direções das instituições de ensino. Tivemos sérios percalços internos, em muitos momentos não havia con-

dições financeiras para realizar as ações. Mesmo assim, conseguimos participar de uma greve geral histórica, superar os problemas e manter a unidade. Hoje, ainda que o número de associados seja aquém das expecta-

tivas devido à rotatividade, somos uma entidade sólida. Nossos diretores sindicais não têm liberação, estão den-

tro da sala de aula, vivendo a experiência do dia a dia. Nessa trajetória, agradecemos a todos os que nos aju-

daram, como o Sindicato dos Bancários, o Sintep/Serra e a FeteeSul”, afirmou.

Vitorino Borgheti, que integrou diretorias do

Sinpro/Caxias e atuou durante algum tempo com a co-

municação da entidade, recordou os tempos em que trabalhava no Colégio São Carlos e se envolveu com a atuação sindical.

No final do evento, Olga retomou a palavra e des-

tacou os desafios atuais do sindicato, entre eles a luta

contra a Lei da Mordaça, ou seja, a tentativa de censurar a liberdade de pensamento crítico dos alunos disfarçada com o nome ilusório de Escola Sem Partido. “Precisa-

mos ficar atentos, o Escola sem Partido é um retrocesso, precisamos impedir que essas leis sejam aprovadas”, denunciou Olga. Marília Rodrigues, representante da

União Nacional de Estudantes (UNE), concordou: “É um alento ver que estamos juntos contra a Lei da Mordaça. É muito importante ter professores que incentivem a liberdade de pensamento.”


33

FOTOS RICARDO BARP

Mudança é obviamente difícil, mas não mudar é fatal. Educar para um outro mundo ou para um outro tempo é o desafio Como parte da programação comemorativa dos

Universidade de São Paulo (USP). Autor de vários livros

lestra “Educando no Mundo Líquido”, apresentada por

Karnal trabalha com capacitação para professores e rea-

30 anos do sindicato, o Sinpro/Caxias promoveu a pa-

Leandro Karnal, no dia 08 de setembro, às 19 horas, no Teatro Murialdo, com apoio da FeteeSul, Do Arco da Velha Livraria e Café e TV Caxias.

O gaúcho Leandro Karnal é professor na Uni-

camp, historiador, graduado em História pela Universi-

dade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e doutor pela

sobre a história dos países e sobre o ensino de História, liza palestras em todo o país.

Educando no Mundo Líquido

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é o arau-

to da modernidade líquida como uma substituição do termo “pós-modernidade”, em contraposição à moder-


34

nidade sólida que seria a modernidade propriamente

posicionamento e disposição de luta para defender a

Na modernidade líquida, a economia é desregulamen-

com Maiakóvski, escrito na década de 60 por Eduardo

dita, da época da guerra fria e das guerras mundiais. tada, o capitalismo se baseia sobre a desordem, os in-

divíduos passaram de produtores a consumidores e as

hierarquias se dissolveram. Com a perda de referenciais

a partir do fim das utopias, há dificuldade de pensar em

longo prazo, existe uma incerteza produzida e impera a busca do prazer individual. Esse contexto e o mundo ultrassaturado de informações desafiam os educadores. Por isso a preocupação do Sinpro/Caxias em propor a discussão do tema.

democracia e os direitos. Olga leu o poema No Caminho Alves da Costa.

Leandro Karnal iniciou a paletra justamente fa-

lando sobre o momento político atual e a mudança na presidência do país. Ele destacou que o Brasil tem uma tradição histórica de interrupções. “Lutamos contra a di-

tadura, pensamos que as diretas ajudariam muita coisa. Aí veio Sarney e como resposta veio Collor. Talvez este-

jam certos aqueles que acham que marido e mulher é melhor não trocar”, brincou. Segundo Karnal, a expec-

tativa sobre o país é de que “Ou o paciente melhora ou

Bem-humorado e incisivo

empaca de vez”. Mas, para ele, os otimistas não estão

de Campos Lima, coordenadora de comunicação do

bem informados. Aliás, falou que pessimismo é sinal de realismo, mas um dos problemas é que o pessimista não faz parte da solução e sim do problema: “Ou eu faço parte da solução ou eu sou um personagem secundário”, vaticinou. Como exemplo, contou que imaginava um desastre na abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, mas o que viu foi uma abertura emocionante: “A capacidade do brasileiro de fazer festa foi subestimada”, afirmou.

passar o ano de 2016 recordando a história da entida-

nal ironizou o fato de todos terem opinião, mesmo sem

Leandro Karnal chegou no horário combinado,

acompanhado da mãe, que mora em São Leopoldo. Pa-

cientemente, conversou com a imprensa durante quase uma hora. No palco, assumiu domínio total do ambiente, instigando, questionando e provocando riso no auditório lotado.

Na abertura do evento, a professora Olga Neri

Sinpro/Caxias, disse que a intenção do sindicato era de e festejando os 30 anos, mas o cenário do país exige

Sobre o comportamento atual do brasileiro, Kar-

fundamento e odiarem, pelas redes sociais, pessoas que


nem conhecem. Para ele, uma das grandes pautas do

com todos aqueles conteúdos. A ordem e a

todos os comportamentos como ocorre atualmente.

caráter. Essa escola nos formou, buscando a

momento é o equilíbrio. Isso evitaria a medicalização de Sendo um professor e trabalhando com ideias,

Karnal lamentou ter sido aluno na década de 70, quan-

do os professores eram donos da razão e ser professor hoje, quando os alunos são os donos da razão. Esse foi o mote cômico para enfatizar que vivemos o conceito de Bauman de que este é um mundo líquido. “Não te-

mos mais certezas, nem capacidade de educar para o que não conhecemos, para habilidades que ainda não temos. Como educar para um futuro que ainda não

existe e no qual não estaremos?” Karnal relatou que, na adolescência, não tinha noção do futuro, mas o que vive hoje é fruto das escolhas feitas naquela época. Para ele, o preparo ajuda bastante e o futuro é mais palatável se o indivíduo tiver valores. Porém, reclama das reformas na

educação: “Não sei quais valores serão impostos pelos legisladores da educação.”

Mudança de paradigma

Karnal falou sobre as mudanças na sociedade:

“Quando eu era aluno, voltava para casa e tinha que pesquisar na Barsa (enciclopédia). Decorar era um valor,

saber fórmulas era precioso, a repetição era o patamar dominante e eu era o mais nerd dos nerds. Se ensina-

vam, eu tinha que saber. Um dia, eu oprimiria alguém

disciplina eram tão importantes quanto ter

35

uniformidade comportamento, buscando a

eliminação da diversidade – o diferente era combatido. Lembro que alunos canhotos ti-

nham os braços amarrados para escrever com

a mão direita. A altura da saia das meninas era verificada, aos garotos cabia serrar madeira e às meninas bordar, nas matérias especiais. Fui educado com habilida-

des técnicas inúteis como saber usar um retroprojetor. Agora o paradigma mudou. A internet transformou a maneira de acessar o conhecimento. O professor hoje

tem um modelo de aula do século XIX, nasceu no século XX e está falando com a geração do século XXI, preparando uma realidade para o XXII”, concluiu.

Para Karnal, qualquer mudança é obviamente di-

fícil, mas não mudar é fatal. “Educar para um outro mun-

do ou para outro tempo é o novo desafio. É mais difícil ser professor hoje. Tudo o que é sólido desmanchou no

ar. Temos diante de nós uma dificuldade enorme de escolher caminhos. O desafio epistemológico é a ma-

neira como validar o conhecimento. O que valida esse mundo? É necessário educar para fornecer ferramentas

para o conhecimento, ensinar o aluno a reconhecer o preconceito, assim voltaremos a ter valores.” Para Karnal, mais do que no passado, educar é consciência e cidadania.


36 36

Escola Sem Partido? Leandro Karnal se posicionou contra o movimen-

to Escola Sem Partido: “É impossível trabalhar um conte-

údo neutro, a não ser que se entenda que aula é apenas

expor fatos e datas. Escola sem partido... mas quais são os partidos? De combate ao racismo? Combate à miso-

ginia, à cultura do estupro, discussão sobre o aborto? É

este tipo de questionamento que deve ser feito para os alunos.”

Conforme Karnal, o Magistério não é para fracos,

pois em 30 segundos uma turma de alunos já descobre o ponto fraco do professor. É necessário ter muita se-

gurança. “Em uma sala de aula, é preciso ter ao menos um adulto e é muito bom que seja o professor”, brincou

novamente. “Educar na democracia é mais difícil, porém mais gratificante do que educar na ditadura”, afirmou, destacando que é necessário refletir sobre discursos excludentes. Para ele, a quebra de respeito rompe qual-

quer processo e respeito é entender que estamos diante de seres humanos. “Os alunos que não entregam traba-

lhos, que são ruins, que desafiam o professor, esses são os que mais precisam de respeito, pois educar é um permanente exercício de paciência”, completou.

Para Karnal, temos a tendência de colocar o pro-

blema sempre no outro, não buscamos conhecer a nós mesmos. Tentamos convencer os outros daquilo em

que acreditamos e não ouvimos. “A vida é muito curta para perdermos tempo com catequese”, afirmou.


37

O filósofo falou que sempre tivemos uma mas-

sa conservadora e uma esquerda barulhenta no Brasil. Hoje, porém, temos direita e esquerda barulhentas, pois a direita está impondo as suas pautas, como o movimen-

to Escola Sem Partido. Ele denunciou que o movimento é ligado a partidos e interpreta que todos os professo-

res são marxistas e doutrinam os alunos. “O projeto da Escola Sem Partido diz que a sala de aula tem que ser

plural, mas isso já está na Constituição e na LDB. Porém

introduz uma novidade ilegal, a censura prévia. Esse movimento é mais antigo nos Estados Unidos, onde 4 milhões de crianças recebem educação domiciliar e en-

tre os motivos disso está a crença de que a criança deve

ser educada nos mesmos valores da sua comunidade, sem aprender a questioná-los.” Karnal entende que a fa-

mília raramente está presente no processo educativo da escola e o que é ainda pior, na escola privada, a família

aparece apenas como cliente. Para ele, escola e família precisam dialogar mais e o professor jamais deve ser catequista.

Para Karnal, os professores precisam de mais autoestima porque têm muita responsabilidade. Eles devem evitar a disseminação do preconceito, devem entender o que é democracia, entender que as pessoas são diversas e têm o direito de serem de direita ou de esquerda. Os professores devem trazer o debate e não a convicção. “Não é uma função do professor resolver todos os problemas, não temos tempo e nem conhecimento para isso, mas acima de tudo temos a tarefa de não reforçar o preconceito. Os professores devem ter a consciência de que são transformadores de vidas, pois as pessoas são marcadas pelo conhecimento”, destacou o filósofo. No seu depoimento final, respondendo a uma pergunta da plateia, Karnal falou como se sente em ser um intelectual reconhecido. Ele disse que é atacado, há pessoas que o odeiam, mas quando é um nazista ou um neofascista, se sente honrado. “Não ser unanimidade é fundamental”, declarou.


38

Humor e consciĂŞncia 1988

Charges exclusivas ram que ajuda ido a dar sent o Ă s lutas d xias Sinpro/Ca

2006

2007

2014


39 2010

2012

2015

2016


ARQUIVO SINPRO/CAXIAS

40

30 anos e duas interrupções no governo federal pelo impeachment de Collor NA LUTA contra o golpe que tirou Dilma O golpe de 2016, por meio do processo de im-

peachment da presidenta Dilma Rousseff, recorda o

episódio do impeachment de Fernando Collor de Mello. Foram os casos em que esse instrumento constitucio-

nômica, além dos problemas com a dívida externa. Os planos econômicos criados para tentar frear a inflação e trazer estabilidade à moeda fracassaram.

Assumindo a presidência com a imagem de um

nal foi usado na história do Brasil. Esses dois momentos

líder jovem e ousado, Collor decidiu confiscar a poupan-

O impeachment de Collor foi um movimento

velou-se ineficaz, pois a inflação continuou a subir. Uma

marcaram o Sinpro/Caxias.

que surgiu da sociedade organizada. O Brasil começou a década de 90 ainda sem ter superado as inúmeras crises da década anterior, quando a inflação alcançou níveis estratosféricos, mesmo em meio à estagnação eco-

ça de praticamente toda a população. O ato ousado resituação tão complicada que ninguém defendia Collor.

Já o golpe de 2016 foi orquestrado por grandes

lideranças políticas e econômicas e as organizações sociais e movimentos em favor da democracia foram con-


trários. Dilma recebeu um apoio significativo das ruas. Poucos dias após os protestos de 13 de março, foi a vez

e os nossos direitos. O campo democrático

milhares de pessoas. Além disso, a base jurídica do im-

direitos. Esse golpe vem na esteira de uma

de manifestações pró-governo reunirem centenas de peachment gerou polêmica e grande parte do processo

foi conduzida por Eduardo Cunha, que depois veio a ser cassado por corrupção.

O impedimento da presidente Dilma tem um

é constituído pela criação e manutenção de ampla hegemonia do capitalismo no âmbito

internacional. Não é um produto de erros ou

acertos de pessoas que estavam em espaços de poder, é também isso, mas em pequena parcela”, contextuali-

ingrediente amargo para os trabalhadores: permite o

zou o advogado Darci Frigo (da Plataforma de Direitos

mas delas resgatadas do governo de Fernando Henri-

nário “Direitos Humanos e Democracia”, realizado em

avanço das propostas que ameaçam os direitos, alguque Cardoso. O alerta foi feito por várias centrais sindi-

cais em 2015: mais de 200 propostas contra os direitos

adquiridos pelos trabalhadores tramitam em comissões do Congresso, que inclui Câmara e Senado. O mais em-

blemático deles é o projeto de lei (PL) 4302, apresentado pelo Executivo em 1998 e que libera as terceirizações no âmbito das relações de trabalho. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que pretende congelar por 20 anos os investimentos em políticas públicas e sociais,

atingirá diretamente a educação e a saúde públicas e deixará milhões de brasileiros desamparados.

ROSE BROGLIATO

“O golpe fere de morte a democracia

Humanos – Dhesca Brasil / Terra de Direitos) no semi-

setembro, em São Paulo. Portanto é um golpe contra as conquistas e direitos do trabalhador brasileiro.


42


43 O Sinpro/Caxias se posicionou em relação ao movimento Escola Sem

Partido, repudiando essa verdadeira Lei da Mordaça. Promoveu campanha de conscientização com a distribuição de camisetas, bottons e a divulgação na mídia, pelas redes sociais, rádio e televisão. Abaixo, o manifesto da Fren-

te Gaúcha que o Sinpro/Caxias integra.

Manifesto Frente Gaúcha Escola sem Mordaça A Frente Gaúcha Escola sem Mordaça, composta

tência de instituições públicas e privadas de ensino. De-

doras, estudantes, comunidade escolar, profissionais

Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê que “a

por entidades representativas de educadores e educa-

atuantes na cultura, na pesquisa, na comunicação, no direito, em ações comunitárias e por movimentos sociais, constitui-se como um espaço coletivo suprapar-

tidário e plural, em defesa da democracia e da justiça social, repudiando os projetos de lei Escola sem Partido, a terceirização e a privatização da Educação Pública.

fende-se também o cumprimento integral do Art. 53 do

criança e o adolescente têm direito à educação, visando

ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para

o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”. Além disso, propõe a consolidação de processos educacionais democráticos que incluem: •

A Frente considera fundamental o processo de

escolarização da população brasileira, intensificado a partir da democratização do país e posiciona-se em

defesa das conquistas dos movimentos sociais inscritas

lências étnico-raciais e de gênero; •

A Frente defende a manutenção e o respeito à

na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexis-

A implantação e a ampliação de políticas de ações afirmativas para a promoção da equidade étnico-racial e de gênero nas institui-

Constituição Federal, que em seu Art. 5º garante a li-

I – igualdade de condições para o acesso e permanência

dades socioeconômicas, à sustentabilidade humanos, tais como as discriminações e vio-

cialmente excludente, bem como prevenir a violação

outros, os seguintes princípios para a Educação no país:

O estudo de temas relacionados às desigual-

socioambiental e às violações dos direitos

quente, e que visam reparar um processo histórico so-

berdade de expressão e no Art. 206 estabelece, dentre

dos servidores e dos estudantes no ambien-

te escolar e no espaço público;

na Constituição Federal de 1988 e na legislação subse-

aos direitos humanos.

A liberdade de expressão dos professores,

ções de ensino e na sociedade; •

O oferecimento de matérias científicas as-

sociadas à saúde sexual e reprodutiva, bem como à evolução biológica, de forma a promover o conhecimento necessário à susten-

tabilidade socioambiental e à transformação


44 de uma realidade desigual, injusta e exclu-

defensores do Movimento Escola sem Partido: Projeto

Uma escola pública, gratuita e laica, bem

dos) e do Projeto de Lei do Senado nº 193/2016; Projeto

de promover o desenvolvimento pleno dos

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a Frente

mônio científico-cultural e tecnológico, bem

Projeto de Lei nº 190/2015, que representa no Estado o

dente; •

equipada e com equipe profissional capaz

de Lei nº 1.411/2015, que tipifica assédio ideológico. Na

educandos, aprendizagens, acesso ao patri-

Gaúcha Escola sem Mordaça solicita o arquivamento do

como o exercício pleno da cidadania;

programa Escola sem Partido e solicita também o arqui-

A constituição de ambiente de respeito mú-

vamento dos projetos municipais correlatos.

de confiança visando a saúde nas institui-

produzir uma escola sem reflexão crítica sobre a reali-

tuo e de promoção de relações interpessoais ções educacionais;

de Lei nº 7.180/2014 (e demais projetos a ele apensa-

A gestão democrática das instituições de ensino por meio de eleição das equipes di-

retivas pelas comunidades de professores, servidores, estudantes e seus responsáveis.

Tais projetos de lei, inconstitucionais, buscam

dade, impedir a formação para a cidadania e a liberdade de expressão no exercício profissional, incentivando a delação anônima de professores por estudantes e fami-

liares e a coação por meio de notificações extrajudiciais, que ameaçam os docentes com processos de perda do

A Frente Gaúcha Escola sem Mordaça adere à luta

direito ao exercício profissional, perda patrimonial e

solicita o arquivamento de projetos de lei no Senado

forma de pensar, impedindo a pluralidade de ideias pró-

da Frente Nacional Escola sem Mordaça, que repudia e

prisão. Esses projetos pretendem constituir uma única

Federal e na Câmara dos Deputados, protocolados por

pria à educação pública.


No Caminho com Maiakóvski Assim como a criança

Os humildes baixam a cerviz;

Vamos ao campo

a imagem do herói,

com os senhores do mundo,

no plantio.

humildemente afaga

assim me aproximo de ti, Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer

por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos,

aprendi a ter coragem. Tu sabes,

e nós, que não temos pacto algum

e não os vemos ao nosso lado,

por temor nos calamos.

Mas ao tempo da colheita

a ousadia me afogueia as faces

e acabam por nos roubar

No silêncio de meu quarto, e eu fantasio um levante; mas manhã,

diante do juiz,

talvez meus lábios calem a verdade

como um foco de germes

lá estão

até o último grão de trigo. Dizem-nos que de nós emana o poder

mas sempre o temos contra nós. Dizem-nos que é preciso defender nossos lares

mas se nos rebelamos

conheces melhor do que eu

capaz de me destruir.

Na primeira noite,

Olho ao redor

e roubam uma flor

e acabo por repetir

E por temor eu me calo,

Mal sabe a criança dizer mãe

de falso democrata

a velha história.

eles se aproximam

e o que vejo

do nosso jardim.

são mentiras.

E não dizemos nada. Na segunda noite,

já não se escondem: pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada. Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

e a propaganda lhe destrói a consciência.

contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.

por temor aceito a condição e rotulo meus gestos

com a palavra liberdade,

A mim, quase me arrastam

procurando, num sorriso,

à porta do templo

diante de meus superiores.

pela gola do paletó

e me pedem que aguarde até que a Democracia

se digne aparecer no balcão. Mas eu sei,

esconder minha dor Mas dentro de mim, com a potência

de um milhão de vozes,

o coração grita – MENTIRA!

porque não estou amedrontado

a ponto de cegar, que ela tem uma espada

Nos dias que correm

a lhe espetar as costelas

repousar a cabeça

é uma tênue cortina

a ninguém é dado

e o riso que nos mostra

alheia ao terror.

lançada sobre os arsenais.

Poema escrito na década de 1960 como manifestação de revolta à intolerância e violência impostas pela ditadura militar por Eduardo Alves da Costa, poeta nascido em Niterói, em 1936, e que vive em São Paulo.

45 45


46

O Sinpro/Caxias sempre se articulou com outras entidades Quais são as ameaças? Os desafios comuns? A luta dos trabalhadores é um processo coletivo. O Sinpro/Caxias

sempre se articulou, desde antes da fundação, com outras entidades dos trabalhadores da educação e de organização da classe trabalhadora.

Perguntamos aos representantes das principais entidades relacio-

nadas ao Sinpro/Caxias quais são as ameaças e os desafios do momento

presente. Nas respostas, está o indicativo do caminho que devemos trilhar no próximo período. Contamos com todos nessa caminhada.


ARQUIVO CONTEE

A luta pela organização 47 dos trabalhadores em educação é parte inerente da luta pela democracia, liberdade e direitos sociais

O Sinpro/Caxias tem quase o mesmo tempo de

existência da própria Contee, uma vez que a Confedera-

ção foi fundada em 1990 e a filiação do sindicato se deu

no dia 6 de junho de 1991. Esse é um motivo de muito

orgulho e honra: contar, praticamente desde o princípio de nossa atuação, com um sindicato combativo como o Sinpro/Caxias.

O fato de o Sinpro Caxias ter nascido em 1986

mostra que a história de sua formação segue lado a lado

à história da redemocratização no Brasil. Mais do que isso, porque a luta pela organização dos trabalhadores em educação e pela reestruturação do movimento sin-

dical é parte inerente à batalha em prol da democracia,

da liberdade e dos direitos sociais. E essa marca de luta permanece no trabalho do Sinpro/Caxias.

Esse é um ponto fundamental num momento

como este, em que o Brasil passa novamente por uma

ruptura do Estado democrático de direito. Já vínhamos vivendo tempos difíceis para os trabalhadores da edu-

cação e para a educação como um todo. No âmbito da representação dos professores e técnicos administrati-

vos do setor privado, já enfrentamos há algum tempo

os efeitos nocivos dos processos de mercantilização do ensino, seja no nível superior e agora de forma mais

acintosa na educação básica. A lógica do setor privatista de transformar educação em mercadoria afeta não ape-

nas a qualidade do ensino, mas também precariza as condições de trabalho e expõe os trabalhadores à des-

Alan Francisco de Carvalho Coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Contee

valorização, a salas de aula lotadas, à não remuneração

de atividades extraclasse, à terceirização desmedida, etc. Tudo em nome de uma sanha infindável por lucro.

Todas essas questões são ameaças graves e, nes-

te momento turbulento do país, em que as forças golpistas estão no poder, prometem se agravar ainda mais.

Como exemplo, temos a Lei da Mordaça e a reforma do

ensino médio proposta pelo governo ilegítimo. De um lado, tem-se um projeto de lei que pretende criminali-

zar professores e eliminar da sala de aula a liberdade de

expressão e de pensamento. Isso representa um ataque

direto à docência e à liberdade de cátedra. De outro lado, uma medida provisória que impõe uma reforma

do ensino médio de cima para baixo, sem diálogo com a

comunidade escolar e com a sociedade civil organizada. Uma reforma que, entre tantos pontos prejudiciais aos estudantes e ao processo pedagógico, também serve

tanto aos interesses de quem tenta cercear a liberdade do professor e o pensamento crítico quanto às vontades do capital.

{

Enfrentar todo esse cenário catastrófico exige uma atuação unitária e fortalecida: a participação e atuação política do Sinpro/Caxias é de fundamental importância.


Os desafios dos trabalhadores em educação são os mesmos de toda a sociedade brasileira

ARQUIVO FETEESUL

48

Celso Woyciechowski Coordenador Geral da FeteeSul

Os sindicatos são a base da sustentação da pi-

mas na vida das pessoas. A ameaça à democracia é ou-

sendo a Federação e a Confederação, entidades chama-

escolar. Além disso, a mercantilização do ensino põe em

râmide da estrutura de organização dos trabalhadores, das de grau superior. Porém, entendemos que a relação da FeteeSul com o Sinpro/Caxias acontece de forma horizontalizada, com parceria e complemento ao traba-

lho comum. Se existe uma federação forte, é porque os sindicatos da base são assim.

O Sinpro/Caxias é uma entidade engajada na luta

do cotidiano da categoria, na construção de um projeto

tro elemento que contagia negativamente o ambiente

perigo a qualidade na educação e, quando combinada com a terceirização, torna-se uma bomba psicológica, pois ameaça constantemente o emprego do professor.

Fortalecer as entidades de classe Os desafios dos trabalhadores em educação são

os mesmos de toda a sociedade brasileira, ou seja, de-

coletivo de ampliação de direitos. Um sindicato com 30

fender a democracia e os direitos duramente conquis-

do entre os professores e professoras, comprometido

avalanche de projetos que destroem a educação, a saú-

saúde, mas também atuante na comunidade escolar,

ça, Reforma do Ensino Médio, reformas trabalhista e da

educação.

contra tudo isso e fortalecer as entidades de classe para

anos de história e de conquistas, muito bem alicerça-

tados ao longo da nossa história. Quando vemos uma

em melhorar as condições do ambiente de trabalho, de

de e a Constituição, como, por exemplo, Lei da Morda-

buscando a integração e a socialização de quem faz a

previdência, PEC 241, etc, qual é o nosso desafio? Lutar

Retirada de direitos é a maior ameaça Neste momento, há muitas ameaças aos traba-

lhadores em educação, como ao conjunto da classe trabalhadora. Em especial, os educadores hoje enfrentam projetos como a Lei da Mordaça, as constantes mu-

danças e reformas de ensino que criam instabilidade na

educação, que desconstroem o processo pedagógico. Mas, as ameaças mais fortes estão na retirada de direi-

tos, como os previdenciários e trabalhistas, pois estes

não criam instabilidade somente no cotidiano da escola,

{

resistir a esse desmonte.

O grande desafio dos trabalhadores em educação é, também, escrever esse capítulo da história real, do golpe à democracia, sem maquiagem. É sermos protagonistas na defesa dos direitos conquistados e de uma sociedade justa, humana, solidária, democrática e fraterna.


ARQUIVO CUTRS

A grande ameaça é o que atinge de morte a identidade do professor a terceirização da atividade-fim cujo projeto está no Senado

49

Claudir Nespolo Presidente da CUT RS

Consideramos o Sinpro/Caxias um sindicato fi-

mas que atinge de morte a identidade do professor. É

da luta que a conjuntura nos apresenta. Tem tido foco

30/2015) encontra-se no Senado. Além disso, há o pro-

liado à CUT que tem assumido bandeiras importantes e centralidade em questões estratégicas, como o com-

bate à terceirização da atividade-fim das empresas e a resistência ao processo de flexibilização dos direitos em curso no nosso país. Mesmo em uma região, que é reco-

nhecidamente conservadora, a CUT-RS tem no Sinpro/ Caxias um parceiro importante nas lutas da Central.

a TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE-FIM, cujo projeto (PLS

jeto que pretende amordaçar os docentes de exercerem sua atividade de forma livre, que é a tal de “Escola sem Partido”, cortina de fumaça para tutelar a atividade do professor.

Mais recentemente e de forma absolutamente

descabida, via Medida Provisória, o governo Temer en-

A região da Serra Gaúcha é bastante conserva-

viou proposta de uma reforma do ensino médio. Pro-

de apoiar a luta por mais direitos e mais democracia.

siva, formadora de cidadãos e inclinada à formação de

do interesse do governo ilegítimo instalado no Brasil, o

Os desafios são imensos e é preciso nos juntar-

dora quando se trata de sindicato de trabalhadores e

posta que atenta contra a ideia de uma educação inclu-

Nessa hora de franca retirada de direitos, sendo objeto

mão de obra barata e alienada.

Sinpro/Caxias tem buscado ser coerente com a luta de

mos para defender a educação, a valorização dos pro-

tos, linguagens e demandas específicas para, com isso,

dores. Em relação a isso, o governo não disse nada. Ao

resistência dos trabalhadores, adequando instrumen-

somar consciências em defesa dos direitos duramente conquistados.

Além das permanentes informações e convoca-

ções que temos feito, no sentido de unificarmos as lutas, a CUT-RS tem realizado com sistematicidade reuniões ampliadas com as federações e sindicatos de base es-

tadual. E a FeteeSul tem sido o elo da Central com as entidades de base na área da educação.

A grande ameaça aos trabalhadores em educa-

ção é o que também ameaça os trabalhadores em geral,

fissionais e a conquista de bons salários para os educa-

contrário, entregou o pré-sal para as multinacionais do

petróleo, abrindo mão de bilhões de reais para a saúde

{

e educação.

Os trabalhadores em Educação têm o dever de mostrar para a sociedade os riscos das reformas em curso e se juntar à classe trabalhadora nas lutas.


A mudança de perfil do ensino privado é uma das graves ameaças à educação de qualidade

RICARDO BARP

50

Ademar Sgarbossa Diretor de Administração e Assuntos Intersindicais do Sintep/Serra

Existe uma relação histórica entre o Sinpro/

moral. Ao mesmo tempo, está em curso uma tentativa

dicatos começaram juntos e procuram trabalhar em

reforma da previdência, o fim do critério de idade para

Caxias e o Sintep/Serra, desde a fundação. Os dois sin-

conjunto, são entidades coirmãs. As duas categorias respondem ao mesmo patrão, com as mesmas lutas, os

mesmos problemas e desafios. Empenham-se em lutas conjuntas, respeitando as particularidades de cada cate-

goria. Existe também uma relação de amizade entre as direções que transcende a institucionalidade.

No momento atual, o Sinpro/Caxias tem uma

presença muito relevante junto à categoria, em âmbito nacional, estadual e aqui na cidade, com uma posição

do governo Temer de flexibilizar as leis trabalhistas. A se aposentar, o fim da aposentadoria especial nas séries iniciais e a prevalência do legislado sobre o negociado são outros ataques. A terceirização na atividade-fim

pode até acabar com a categoria, com a possibilidade

de haver escolas inteiras com professores contratados por empresas terceirizadas. Somos contra a medida pro-

visória do ensino médio e temos consciência de que a Escola Sem Partido é uma estratégia para amordaçar o professor.

clara em defesa da democracia. Tem se posicionado

também sobre as reformas trabalhista e previdenciária, sobre os ataques ao ensino médio, bem como sobre a

Lei da Mordaça (Escola Sem Partido). São temáticas que exigem posicionamento e o Sinpro/Caxias está fazendo isso de modo exemplar.

Quando a educação vira mercadoria Neste momento histórico, enfrentamos graves

ameaças. O ensino privado está saindo da mão das

escolas confessionais e sendo transferido para grupos

empresariais. Essa mudança de perfil das instituições de ensino faz com que a educação se transforme em

mercadoria. O crescimento do ingresso de instituições comerciais na educação avilta as relações de trabalho

e oprime os trabalhadores da educação com o assédio

{

Os trabalhadores do Brasil têm pela frente uma luta de resistência diante dos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, bem como diante da ameaça da terceirização.


ROSE BROGLIATO

Parceria para barrar os ataques à educação Unindo as lutas das categorias somos mais fortes

51

Antônio José Staudt Diretor-Geral do 1º Núcleo do CPERS

O CPERS, em Caxias do Sul, tem com o Sinpro/

e nos tirar a voz. A mídia noticia um lado da questão e

professores. Com essa parceria, ficamos mais fortes para

diador, ajuda no posicionamento, respeitando a opinião

Caxias uma relação de parceiros que representam os enfrentar ataques como a Lei da Mordaça e a Refor-

ma do Ensino Médio, pois são questões que atingem tanto a escola pública como o ensino privado e tam-

bém os trabalhadores (professores e funcionários) que

representamos. Unindo as lutas das categorias, somos mais fortes. Um exemplo de boa parceria é o evento que promovemos em conjunto com o Sinpro/Caxias e

outros sindicatos trazendo o senador Paulo Paim para debater sobre o futuro dos trabalhadores. A Reforma da Previdência é uma ameaça e se os sindicatos estiverem

juntos, vamos poder enfrentar. Mesmo na nossa greve, o Sinpro/Caxias apoiou a gente. Sempre nos ajudamos e, até mesmo, compartilhamos estrutura.

O Sinpro/Caxias tem lutas e avanços significati-

vos, como os reajustes salariais que conquista e a resistência que tem representado neste momento histórico.

Aluno não pode ser massa de manobra Nos somamos à luta contra a Escola Sem Parti-

do, fazendo o debate nas escolas. Dentro da categoria existem pessoas de todos os partidos, mas o aluno é cidadão e precisa ter uma visão crítica sobre a importân-

cia da política, não pode servir de massa de manobra. A Lei da Mordaça é uma maneira de calar o professor

o professor pode fazer o contraponto. Professor é medo aluno.

A PEC que limita o orçamento em educação é

uma ameaça porque a educação exige investimentos. O congelamento do orçamento da União por 20 anos nos preocupa.

A mudança do Ensino Médio é prejudicial porque

mexe na formação do aluno e na expressão dele como cidadão. E quando é obrigado o optar por área, as man-

tenedoras ficam reféns das demandas dos educandos. Isso afeta todo o ensino médio e cria uma dificuldade

de gerenciamento. E o acesso à formação do professor para ter atualização diante desse novo cenário? Como fica isso? É preocupante: só com parceria para enfrentar

{

e barrar os ataques e reverter o que está em andamento.

A categoria precisa estar junto com os sindicatos. Para fazer o enfrentamento, é preciso participar da luta sindical. O desafio é de todos os trabalhadores e da comunidade escolar, que deve se mobilizar para reverter esses projetos.


A falta de valorização dos trabalhadores é lamentável e a educação está sofrendo um ataque nos últimos tempos

MAURÍCIO CONCATTO

52

A relação entre o Sindiserv e o Sinpro/Caxias é

de parceria nas lutas em defesa da educação e dos di-

reitos dos trabalhadores. O Sinpro/Caxias é referência

de sindicato combativo na luta e na defesa dos direitos dos professores e por uma educação inclusiva e transformadora.

Ataques preocupam

João Dorlan Silva Presidente do Sindiserv

de pensamentos, condições socioeconômicas, credos, etnias, e orientações sexuais.

Desafio dos trabalhadores Acredito que além de resistir pela valorização da

profissão, o desafio dos trabalhadores é buscar novas

práticas para adequar os conteúdos à realidade social dos estudantes. Porque acredito que além do conteú-

A falta de valorização dos trabalhadores da edu-

do programático e fundamental para o aprendizado, é

tempos temos visto muitos ataques que vão desde

mercado de trabalho, mas para o mundo do trabalho,

cação é lamentável em nosso país, mas nos últimos os cortes e as limitações de investimento na área fun-

damental, os baixos salários, a falta de incentivo e de

condições de trabalho, à não qualificação. Passando pela reestruturação de currículos sem ouvir, sem discu-

tir com a comunidade escolar, até ao cerceamento de pensamento.

Uma afronta às liberdades Acredito que qualquer proposta de Lei que ve-

nha para cercear pensamento ou expressão, seja dos

professores ou alunos, é incompatível com o estado

democrático. Defendo a liberdade de expressão em todos os níveis. Acredito que o programa Escola sem Partido é mais ideológico, representa uma versão dos fatos que hoje não existe. Vejo como uma afronta às

liberdades que tanto defendemos para uma sociedade

democrática, soberana e com respeito às diversidades

preciso preparar as crianças e adolescentes não para o para a vida. É preciso que, além da matéria, os estudan-

tes saibam pensar e decifrar a sociedade em que se vive.

{

Qualquer proposta de Lei que venha para cercear pensamento ou expressão, seja dos professores ou alunos, é incompatível com o estado democrático.


Enquanto a educação é tratada como mercadoria, surgem cada vez mais instituições de ensino, a educação à distância e o trabalho on-line são uma realidade ainda não adequadamente regulamentada, vemos as relações de trabalho se fragilizarem, ameaçando as conquistas históricas dos professores e impedindo avanços. Por isso precisamos de um sindicato forte e atuante. O Sinpro/ Caxias tem 30 anos de história em defesa dos direitos dos professores. Mas há muito por fazer!

53

O ato de sindicalização fortalece a entidade representativa. É este ato que adquire maior expressão e consequência para o novo sócio, pois o crescimento da representação do sindicato dá força às ações na luta pela manutenção das conquistas, pela ampliação dos direitos da categoria e pela dignidade e respeito do trabalho. Faça a sua parte, convide os colegas para se associarem ao sindicato. Alguns direitos dos associados: - acesso à Biblioteca e Videoteca; - desconto de 50% no transporte coletivo; - desconto no comércio e serviços; - desconto em ingressos para o cinema; - desconto para hospedagem na Casa do Professor, em Porto Alegre; - gratuidade em eventos promovidos pelo Sinpro/Caxias, como seminários, cursos, almoços e jantares de confraternização e espetáculos culturais; - desconto em eventos com o apoio do Sinpro/Caxias; - assessoria jurídico-trabalhista, cível e previdenciária. - informação qualificada.


54


55 A todos os que fazem parte dessa história, nosso mais sincero agradecimento O Sinpro/Caxias existe pela atuação de um conjunto muito grande de

pessoas e organizações.

Agradecemos a todos os professores que se envolveram na década

de 80 criando as condições para o surgimento do nosso sindicato.

Agradecemos as primeiras diretorias que, com a cara e a coragem,

foram construindo a estrutura dessa entidade. E a todos os professores que,

ao longo de 30 anos, participaram das instâncias diretivas do Sinpro/Caxias, contribuindo para o patrimônio de direitos que temos hoje.

Nosso muito obrigado a todos os professores associados, aos que

acompanham as ações do sindicato e especialmente aos que dedicam um pouco do seu tempo nessa jornada coletiva.

Saudamos todas as organizações que ajudaram para que o Sinpro/

Caxias viesse a existir e foram fundamentais no enfrentamento dos desafios que surgiram, em especial à FeteeSul e ao coirmão Sintep/Serra.

Deixamos registrado um agradecimento carinhoso a todos os funcio-

nários do sindicato, que não medem esforços para atender os professores e

para cumprir as funções do cotidiano. Agradecemos a assessoria jurídica, os queridos e diligentes advogados que são a guarida das nossas ousadias na defesa dos direitos. E as assessorias contábil e de comunicação, que ajudam a organizar o dia a dia e manter a categoria informada e interagindo.

A história é um eterno recomeço e lá vamos nós para os próximos 30

anos. A luta continua.

Diretoria Colegiada


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Estamos prontos para mais 30 anos. Vamos juntos!


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Revista Sinpro/Caxias 30 anos  
Revista Sinpro/Caxias 30 anos  

Revista dos 30 anos do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul - História - Eventos - Lutas

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