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editorial

Desoneração justa

Sergio Watanabe é presidente do SindusCon-SP, vicepresidente da CBIC e diretor da Fiesp Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: presidente@ sindusconsp.com.br

Imaginemos a cena. Com a melhor das intenções de colaborar para a elevação da produtividade e da competitividade da construção, a equipe econômica reúne-se no final de 2012 para incluir o setor entre aqueles a serem beneficiados com a desoneração da folha de pagamentos. Surge na mesa um número: as construtoras recolhem anualmente um total de R$ 6,2 bilhões em contribuições previdenciárias, o que corresponde a cerca de 3,8% de seu faturamento. Daí resulta a decisão do governo: o recolhimento não seria mais sobre a folha e passaria a ser feito à alíquota de 2% sobre o faturamento, resultando numa desoneração de R$ 2,8 bilhões. Simples assim. Reivindicação antiga da construção, a intenção do governo foi muito bem recebida pelo setor. Entretanto, da forma como saiu a Medida Provisória 601, será onerada a maioria das construtoras de edificações, aquelas que contam com uma folha reduzida e subcontratam uma série de serviços. Se esta nova regra não mudar ao longo de março, elas já não poderão deduzir os recolhimentos feitos pelas subcontratadas.

reajustados por esses índices. Diante destes problemas, deveria se deixar à opção de cada construtora migrar ou não para a nova sistemática da contribuição. Há um precedente: as empresas podem escolher entre lucro real ou presumido, e isso não cria ônus adicional à fiscalização da Receita. Também seria justo permitir ao contratante principal o abatimento das contribuições ao INSS feitas pelas terceirizadas para a construção da mesma obra. A contribuição deveria incidir somente sobre a receita da venda da obra e não sobre a totalidade do faturamento. Se a construtora vender um terreno para uma Sociedade de Propósito Específico que construirá o empreendimento, não será correto contabilizar esse valor para efeito de cálculo da contribuição. Também serão necessárias regras de transição tanto para a construtora que entrar na nova sistemática como para aquela que sair no final do período de vigência da medida. E uma tabela de conversão precisa ser criada, para evitar distorção no valor dos créditos a serem recebidos pelas construtoras. No momento em que redigíamos este editorial, no início de março, o setor buscava solucionar essas questões junto com a equipe econômica. Contudo, diante da complexidade do problema, seria conveniente encontrar uma fórmula mais simples para que a desoneração ocorra a partir de abril de 2013 beneficiando todas as construtoras. O ideal seria reduzir de 20% para 10% a contribuição previdenciária das empresas do setor. Isto não somente viabilizaria a necessária desoneração da produção, como permitiria a todas as empresas do setor usufruírem de recursos para a elevação dos seus investimentos e de sua produtividade.

O ideal seria baixar a alíquota sobre a folha e criar tabela de conversão Com a entrada em vigência da medida em abril, as construtoras que tivessem recolhido o INSS relativo a obras concluídas ou em estágio avançado teriam de recolher novamente a contribuição, desta vez sobre a receita auferida. Outra questão preocupante será a queda brusca dos indicadores de custos da construção, como o CUB, ajustando para baixo as prestações e o saldo devedor dos contratos

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v o z do l e i t o r

sumário

MAIS VERGALHÃO - 1

Neste momento em que o consumo de vergalhões cresce numa velocidade maior que a produção e os fabricantes de vergalhões pedem ao governo a elevação da alíquota de importação de 12% para 35%, o melhor a fazer seria zerar o imposto, para que a siderurgia nacional seja estimulada a investir na ampliação de sua capacidade instalada e na melhora de seus custos, tornando-se mais competitiva frente aos preços do mercado internacional. Mauricio Bianchi Vice-presidente de Relações Institucionais do SindusCon-SP

MAIS VERGALHÃO - 2

Capa NORMA DE DESEMPENHO VALE PARA MAIS DE CINCO ANDARES........... 6 • Desempenho requer “cinto e suspensório” • NBR abandona limite de andares QUALIDADE.......................................................10 • Argamassas: Consitra dará dicas CARGA TRIBUTÁRIA...........................................14 • Desoneração acabará onerando • CUB poderá ter queda OBRAS PÚBLICAS..............................................18 • Começa revisão do Sinapi MEIO AMBIENTE................................................21 • Resíduo terá consulta pública • Simão Pedro abre canal de diálogo HABITAÇÃO....................................................... 22 • Centro ganhará 20 mil casas populares • Prefeitura avalia Aprov eletrônico RELAÇÕES CAPITAL-TRABALHO..........................24 • Lei do trabalho escravo vigora • Nota sobre terceirização: retrocesso SINDUSCON-SP EM AÇÃO................................. 28 • Watanabe dá dicas a futuros engenheiros • Segurança: revista homenageia o sindicato • Missão Técnica irá ao Japão • Eletropaulo cria canal para o setor • Escopo: manuais ganham novo site

Em vez de elevar a alíquota do Imposto de Importação sobre vergalhões, o governo não somente deveria zerá-la, como elevar a competitividade da siderurgia brasileira, estimulando-a a incrementar sua produtividade e incentivando siderúrgicas do exterior a virem produzir aços longos no Brasil. Eduardo Zaidan Vice-presidente de Economia do SindusCon-SP

Escreva para esta Seção

e-mail: noticias@sindusconsp.com.br correio: R. Dona Veridiana 55, 2º andar, 01238-010, São Paulo-SP

OBRAS ESPORTIVAS......................................... 30 • Obra da Arena Corinthians avança RESPONSABILIDADE SOCIAL............................ 33 • ConstruSer: é hora das inscrições REGIONAIS....................................................... 30 • Prefeito de S. André promete habitação • Santos visita novos secretários • Baixada verá planejamento na Ficon • Mogi forma novos mestres • Cursos para mestres são disputados • Campinas quer acelerar aprovações • Bauru quer agilizar projetos • Rio Preto treina para trabalho em altura colunistas Conjuntura | Robson Gonçalves...................................5 Gestão da Obra | Maria Angélica Covelo Silva..............12 Jurídico | Alexandre Navarro Pereira Gonçalves..............16 Gestão Empresarial | Maria Angelica L. Pedreti..........26

Presidente Sergio Tiaki Watanabe Vice-presidentes Cristiano Goldstein Eduardo May Zaidan Francisco Antunes de Vasconcellos Neto Haruo Ishikawa João Claudio Robusti João Lemos Teixeira da Silva Luiz Antonio Messias Luiz Claudio Minniti Amoroso Maristela Alves Lima Honda Maurício Linn Bianchi Odair Garcia Senra Paulo Rogério Luongo Sanchez Yves Lucien de Melo Verçosa Diretores Paulo Brasil Batistella (Jurídico) Salvador de Sá Benevides (Relações Internacionais) Diretores das Regionais Antonio Carlos Ribeiro Abibe (Sorocaba) Eduardo Nogueira (Ribeirão Preto) Emilio Carlos Pinhatari (São José do Rio Preto) José Luiz Goulart Botelho (São José dos Campos) Luís Gustavo Ribeiro (Presidente Prudente) Márcio Benvenutti (Campinas) Renato Tadeu Parreira Pinto (Bauru) Ricardo Beschizza (Santos) Sergio Ferreira dos Santos (Santo André) Representantes junto à Fiesp Titulares: Eduardo Ribeiro Capobianco, Sergio Porto Suplentes: João Claudio Robusti; José Romeu Ferraz Neto Assessoria de Imprensa Rafael Marko - (11) 3334-5662 Nathalia Barboza - (11) 3334-5647 Fabiana Holtz - (11) 3334-5701 Conselho Editorial Delfino Teixeira de Freitas, Eduardo May Zaidan, José Romeu Ferraz Neto, Maurício Linn Bianchi, Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, Odair Senra, Salvador Benevides, Sergio Porto

SUPERINTENDENTE José Luiz Machado editor responsável Rafael Marko REDAÇÃO Nathalia Barboza e Fabiana Holtz (São Paulo) com colaboração das Regionais: Ester Mendonça (São José do Rio Preto); Giselda Braz (Santos); Homero Ferreira (Presidente Prudente); Enio Machado, Elizânio Silva e Tatiana Vitorelli (São José dos Campos); Marcio Javaroni (Ribeirão Preto); Sabrina Magalhães (Bauru); Ana Diniz e Simone Marquetto (Sorocaba); Sueli Osório (Santo André); Vilma Gasques (Campinas). Secretaria: Antonia Matos Arte e diagramação Marcelo da Costa Freitas/Chefe de Arte Sanders Caparroz Giuliani/ Designer Gráfico PUBLICIDADE Vanessa Dupont comercial@sindusconsp.com.br (11) 3334-5627 Pedro Dias Lima diaslimaconsultoria@globo.com (11) 9212-0312 Bruna Batista Avelino bavelino@sindusconsp.com.br (11) 3334-5659 ENDEREÇO R. Dona Veridiana, 55 CEP 01238-010, São Paulo-SP Central de Relacionamento SindusCon-SP (11) 3334-5600 CTP/ impressão: Pancrom Indústria Gráfica Tiragem desta edição: 15,4 mil exemplares Opiniões dos colaboradores não refletem necessariamente posições do SindusCon-SP noticias@sindusconsp.com.br www.sindusconsp.com.br

Saúde | Claudia Nakamura.........................................32 Marketing | Antonio Jesus de Britto Cosenza.................34

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Solução Inovadora | Claudio Mitidieri e Anne Waelkens 44 Construção da Carreira | Felipe Scotti Calbucci..........46

“O papel desta revista foi feito com madeira de florestas certificadas FSC e de outras fontes controladas.”


Co n j u n t u r a

Terceiro tempo

Robson Gonçalves é professor dos MBAs da FGV e consultor da FGV Projetos Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: robson.goncalves@ fgv.br

Janeiro de 2013 se tornou um marco na história da política econômica brasileira. Em algum momento na segunda quinzena do mês, teve início o terceiro tempo da política econômica do governo Dilma Roussef. Esclareço. Desde que assumiu em janeiro de 2011 até 31 de agosto daquele ano, a presidente manteve os três pilares da política econômica herdada de seus antecessores: metas de inflação, superávit primário e flutuação cambial administrada. Foi uma decisão prudente naquele momento. Afinal, mudanças bruscas nas regras do jogo econômico trazem tristes lembranças do passado. Mas, no final de agosto de 2011, o Banco Central reverteu abruptamente a trajetória da Selic, embora a meta inflacionária ainda estivesse sob ameaça. Começava uma espécie de regime de transição: maior tolerância com a inflação, sem descuidar do teto da meta de 6,5% ao ano para o IPCA, combinada, meses depois, com uma taxa de câmbio quase fixa que progressivamente deslizou para mais de R$ 2 por dólar.

do real compensou em parte o aumento dos preços dos combustíveis nas refinarias, com reflexos sobre o IGP que tem 60% de sua variação atrelada aos preços no atacado. No varejo, as altas de preços de ônibus, como as ocorridas na região metropolitana de BH, e o repasse da alta dos combustíveis na bomba, foram parcialmente anulados por duas ações: a redução expressiva do preço da energia elétrica e o adiamento e escalonamento dos reajustes de ônibus e metrô na capital paulista, a pedido do Ministério da Fazenda. No campo fiscal, ficou explícito que o superávit primário de 2012 só ficou em 2% do PIB graças a algumas práticas contábeis lícitas, mas não recomendáveis. Colocados os pingos nos “is”, que dizer do terceiro tempo? Ao final de fevereiro, ainda tínhamos câmbio quase fixo, embora abaixo de R$ 2 por dólar. Mas, até quando? Serão necessários novos artifícios fiscais para bater as metas de superávit? Por que? O centro da meta inflacionária foi abandonado? E qual o instrumento de combate à inflação em uso: a taxa de juros básica, como antes, ou os pedidos da Fazenda? A despeito das melhores intenções em garantir o crescimento e a melhora contínua da distribuição de renda, o terceiro tempo da política econômica do governo Dilma está deixando muitas dúvidas no ar. E a incerteza sempre foi e sempre será inimiga mortal do investimento produtivo. Mudanças são sempre bem-vindas e, para problemas novos, muitas vezes é preciso encontrar soluções novas, ou novas combinações dos mesmos ingredientes tradicionais. Mas tudo precisa ser feito da forma mais explícita possível.

Boas intenções do governo ainda deixam algumas interrogações no ar A partir de meados do segundo semestre de 2012, surgiram alguns balões de ensaio indicando um novo regime de política econômica, bastante distinto dos anteriores. Quando janeiro chegou, tudo ficou mais claro. Depois de uma série de medidas de proteção à indústria nacional, com destaque para a elevação do Imposto de Importação e o combate à “Guerra dos Portos”, o governo permitiu que o câmbio recuasse, voltando a níveis abaixo de R$ 2 por dólar. A valorização

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capa

Norma de Marco na história da normatização técnica de edificações no país, NBR 15.575 confrontará a qualidade prometida com o desempenho fornecido em prédios habitacionais de todos os portes NATHALIA BARBOZA

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Foi publicada em 19 de fevereiro, pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a NBR 15.575 – Desempenho de Edificações Habitacionais, a chamada Norma de Desempenho. A partir de 19 de julho de 2013 ela passará a ser exigida nos novos projetos de prédios habitacionais de todos os portes protocolados em órgãos públicos. A Norma de Desempenho é só o início de um novo tempo na construção civil. Sua importância é indiscutível e seu mérito é introduzir no setor o conceito de desempenho de uma edificação, alinhado às tendências internacionais, em complemento às normas prescritivas. A NBR 15.575 traduz tecnicamente as necessidades dos consumidores brasileiros de imóveis, levando em conta o estágio técnico e socioeconômico do Brasil. A abordagem de desempenho está ligada ao comportamento que se espera de uma edificação quando em uso, dentro de determinadas condições, tendo como foco as necessidades de seus usuários, ao longo do seu tempo de vida útil. Ela institui parâmetros técnicos para vários requisitos (condições que expressam qualitativamente

um impacto com relação a todos os insumos do setor, desde a sua forma de embalagem, na qual todas as informações devem ser prestadas de maneira clara e transparente”, afirma Paulo Eduardo Fonseca de Campos, superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-02). “As normas prescritivas ditam a receita do bolo. Se o construtor fizer tudo o que lhe for exigido, terá um bolo. A Norma de Desempenho não entra neste mérito. Ela só diz que quer um bolo fofinho e quentinho. Cabe à empresa se esforçar para chegar a isto”, compara Fabio Villas-Boas, conselheiro do SindusCon-SP e membro do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade), que trabalhou como coordenador da Comissão de Estudos responsável pela recente revisão da NBR 15.575, publicada originalmente em 2008. “Construtoras, incorporadoras, diretores de marketing e corretores de imóveis deverão ter muito mais cuidado ao anunciarem ‘janelas acústicas’, ‘pisos antiderrapantes’, ‘fachadas autolimpantes’, ‘cobertura térmica’, ‘instalações com magnífica durabilidade’ e outros jargões, todos passíveis de serem qualificados ou quantificados”,

os atributos que o edifício habitacional e seus sistemas devem possuir, a fim de que possam satisfazer as exigências do usuário) e critérios de desempenho (especificações quantitativas mensuráveis dos requisitos). Exige-se o cumprimento de um nível mínimo obrigatório de desempenho acústico, desempenho térmico, durabilidade e garantia, por exemplo. “A Norma de Desempenho também representa a pedra fundamental de uma nova correlação de responsabilidade sobre a execução da edificação e, com certeza, trará

comenta o engenheiro do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Ercio Thomaz, que fez parte do grupo de revisão da norma. “A versão de 2010 da norma já era aplicável; não estava errada, mas o mercado sabia que ainda não se mostrava madura, e por isso não foi colocada em exigência. O lado bom desta revisão é que aparentemente conseguimos uma grande concertação em todos os itens. As revisões anteriores tornaram a norma cada vez mais conhecida, e o interesse agora foi muito maior e mais abrangente”, diz Villas-Boas.

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CAPA

É consenso no mercado que a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15.575) estabelece uma relação de corresponsabilidade ainda mais forte e transparente entre projetistas, fabricantes, construtores, incorporadores e consumidores. Mas o rol de encargos dos projetistas a partir da exigência da norma fica ainda maior. Por isso, Fabio Villas-Boas, coordenador da Comissão de Estudo de Revisão da NBR 15.575, e conselheiro do SindusCon-SP, recomenda que os construtores passem a usar como prática pedir ao projetista que assine um Termo de Declaração de Conformidade. “Projetista não pode descumprir normas. A exigência de um termo destes funciona tal qual o chamado ‘cinto e suspensório’: garantiria ao construtor que o profissional esteja cumprindo o que o arcabouço normativo determina”, afirma. Conferência Ele lembra que o número de normas técnicas que interferem em um projeto “é enorme” e acredita que em breve as próprias construtoras terão de criar estruturas de avaliação e conferência dos seus projetos. “Não é necessário buscar os laboratórios para testar os sistemas. Vários fornecedores já informam a qualificação de desempenho dos seus produtos. A Associação Drywall, por exemplo, oferece isso há bastante tempo”, comenta Villas-Boas. Segundo ele, há também universidades e empresas que farão novas pesquisas sobre o assunto. “Em 99% dos casos, as construtoras vão se utilizar de informações já divulgadas.” Significa que a NBR 15.575 traz implícita uma visão holística da obra. A partir dela, não é mais possível olhar só para uma determinada vedação vertical sem preocu8

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par-se com o desempenho da cobertura e de tudo aquilo que influencia nos níveis de desempenho térmico e acústico. “O foco é de fato o usuário”, afirma Paulo Campos, superintendente do CB-02. “As boas empresas vão colocar a norma no catálogo de vendas. O consumidor vai questionar os concorrentes e os fornecedores de materiais que não fizerem o mesmo”, garante Villas-Boas. Segundo ele, será muito fácil até para um leigo verificar o desempenho de uma edificação. “O dedo preso numa maçaneta, por exemplo, é um bom sinal de que algo não vai bem. Antes, como havia apenas normas prescritivas, era preciso lançar mão de peritos para verificar”, diz. “As pessoas entendem o que é desempenho, se um ambiente é quente demais, frio e úmido ou muito barulhento. Ninguém precisa ensiná-las sobre isso. Além do mais, já existe uma cultura do Selo Procel, que nada mais é do que uma indicação de desempenho. Em pouco tempo, o Selo Procel Edifica vai orientar o consumidor de edificações”, aponta. Para os dois, a cadeia da construção precisa rapidamente tomar conhecimento da Norma de Desempenho e fazer com que ela seja de fato um instrumento de evolução do setor como um todo. Pelo lado do construtor, o negócio também fica mais seguro. “Um talher caindo no chão não é critério para medir o isolamento acústico dos ambientes. A norma diz exatamente como fazer esta medição e em quais condições”, exemplifica Villas-Boas. “Po­dese fazer um apartamento padrão e mandar ensaiar. Os laboratórios ficariam só para coisas novas ou projetos diferenciados.”

Foto Bruno Mooca

Desempenho requer “cinto e suspensório”

Para Villas-Boas, usuário comum saberá detectar o desempenho e vai exigi-lo do mercado


NBR abandona limite de andares A versão anterior da NBR 15.575 definia sua abrangência para os edifícios de até cinco pavimentos. Isto foi derrubado na versão final, o que significa que não há mais restrições sobre sua utilização para todos os tipos de prédios residenciais novos (não abrange obras prontas, retrofit nem reformas). A NBR 15.575 foi dividida em seis partes: Requisitos Gerais (NBR 15.575-1); Sistemas estruturais (NBR 15.575-2); Sistemas de pisos (NBR 15.575-3); Sistemas de vedações verticais internas e externas (NBR 15.575-4); Sistemas de coberturas (NBR 15.575-5), e Sistemas hidrossanitários (NBR 15.575-6). Ela influenciará todas as demais normas técnicas relativas à construção de edificações, com uma visão absolutamente objetiva do que deve ser exigido. “Tudo foi feito com base técnica sólida, pelos melhores especialistas e de uma forma bastante realista para o mercado atual. Não há fantasia ou idealização”, garante Paulo Campos, do CB-02. Novo conteúdo Acústica e pisos foram os itens que mobilizaram o maior número de modificações na revisão. O prazo de vida útil para estrutura também subiu de 40 anos para 50 anos. Na NBR 15.575-3, de desempenho de pisos, mudou-se a abrangência, não restringindo-se mais aos pisos internos e incorporando os externos. A norma traz uma nova concepção do que é sistema de pisos e cada camada que o compõe, afetando os critérios de avaliação do dano e de segurança contra incêndio. A parte de desempenho acústico também foi revisada e um texto explicativo dos fatores que afetam o escorregamento foi adicionado à norma. Quanto ao ruído aéreo, a exigência subiu, segundo o engenheiro mecânico Vítor Litwinczik, professor na Universidade Federal de Santa Catarina especialista em acústica. O desempenho do sistema de piso

entre unidades autônomas em que um dos recintos seja dormitório deverá ser igual ou superior a 45 dB, 5 dB mais restritiva do que propunha a versão anterior. Já o nível de ruído mínimo de impacto do piso (Nível de Pressão Sonora de Impacto Padronizado Ponderado, LnT’w) entre unidades autônomas passou a ≤ 80 dB (era < 80 dB). Mas foi feita referência a áreas de uso coletivo sobre unidades habitacionais que, nesse caso, exige ≤ 55 dB para o desempenho mínimo da laje. Se houver salão de festas, sala de jogos ou similares em cima do apartamento, a laje precisa garantir desempenho de 55 dB. Na parte 4 da NBR, de vedações verticais internas e externas, ressalta Litwinczik, os critérios relativos ao Estado Limite de Utilização ou de Serviço e os critérios relativos ao Estado Limite Último. “No caso das esquadrias externas, por exemplo, houve mudanças nas exigências ligadas à estanqueidade à água e nos requisitos de isolação a ruídos aéreos de fachadas, constando agora três situações a serem consideradas (locais pouco ruidosos, locais muito ruidosos e situação intermediária). Nas vedações verticais internas, a principal modificação foi para isolação a ruídos aéreos: o critério relativo a isolação entre hall e apartamento deu lugar ao critério relativo à isolação entre apartamentos, passando pelo hall”, comenta. A maioria das sugestões de alteração da norma que foram reprovadas pela Comissão de Estudo serão encaminhados para uma nova revisão. Para adquirir a ABNT NBR 15.575 (Partes 1 a 6) é preciso ir ao site da ABNT (www.abntcatalogo. com.br/) ou entrar em contato pelo (11) 3017-3652.

Norma é realista e adequada ao mercado brasileiro, diz Paulo Campos, do CB-02


qualidade

Para melhorar a argamassa Mudar a prática de aplicação de argamassas na construção civil, trazendo para o canteiro métodos e procedimentos mais eficientes e seguros e promover a inovação em revestimentos argamassados, é a grande missão do Consitra 2 (Consórcio Setorial para Inovação Tecnológica em Revestimento de Argamassa – fase 2), reativado em 2012. Em breve, o consórcio oferecerá ao mercado uma série de Recomendações Técnicas. “Ou a gente se propõe a controlar certas coisas no canteiro ou nada vai melhorar”, desafiou a professora Mercia M. S. Barros, da Poli-USP, coordenadora do Consitra 2, ao lado da consultora Maria Angélica Covelo Silva, da NGI Consultoria e articulista de Notícias da Construção. O grupo tem ainda o apoio de Yorki Estefan, representante do SindusCon-SP, e dos professores da Poli-USP Rafael Giuliano Pileggi e Vanderley John.

Consitra recomendará práticas e padrões para revestimentos No final de fevereiro, uma reunião no prédio da Engenharia Civil da Poli-USP definiu os próximos passos para formatar como serão transmitidas ao setor as suas recomendações do consórcio, que reúne 10 universidades do país­, a cadeia produtiva de fornecedores e as construtoras, por meio de entidades como SindusCon-SP, Abai (Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas) e Sinaprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento). A ideia do Consitra é ter o texto das Recomendações Técnicas pronto em meados de abril e depois trabalhar no sentido de criar estratégias de treinamento de engenheiros que atuam diretamente nos canteiros de obra e de divulgação de informações para os 10

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empreiteiros que trabalham para as empresas do consórcio, além de buscar dialogar com os laboratórios para discutir novas metodologias de controle tecnológico das argamassas e revestimentos. O SindusCon-SP terá papel importante neste item. Yorki Estefan, que também coordena a Comissão de Trabalho de Vedações e Revestimentos do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do ­SindusCon-SP, vai sugerir ao comitê que convoque os laboratórios de análise para participar deste debate. “Precisamos mostrar todas as variáveis que o preparo e a aplicação de uma argamassa implicam e estudar como elas serão controladas”, afirmou Maria Angélica. Vanderley John expôs o que considera as propriedades mais importantes de uma argamassa, o que de fato deveria preocupar os agentes do mercado. “É muito comum, à medida que a obra ergue novos pavimentos, os problemas começarem a aparecer. Então é importante dizer que não adianta fazer os testes de aderência, módulo de elasticidade, resistência superficial, estanqueidade, acabamento e sensibilidade frente às condições de aplicação no térreo”, comentou John. “Nos andares mais altos, tanto em superfícies internas quanto em externas, o problema é mais crítico”, apontou. Segundo ele, o envelhecimento da argamassa reduz a aderência devido à fadiga associada a ciclos de deformação, e quanto maior a espessura do revestimento, maior tende a ser o risco de fissurar. Estudos destacados por John mostram que a presença de rugosidades na base aumenta a sua área de contato, tendendo a aumentar a resistência de aderência. “Mas só são preenchidos poros com abertura dez vezes maiores que o diâmetro das partículas. Por isso é importante fazer um apicoamento ou chapisco”, recomendou.

Para Maria Angélica, ferramental usado ainda hoje no Brasil lembra o da Roma antiga


Mesmo assim, segundo John, para garantir que a argamassa vá penetrar nos vãos do bloco, é preciso fazer testes diretamente na obra. “Onde estiver úmido é porque a argamassa aderiu. Se estiver seco, é sinal de que ela não chegou lá.” Projeção mecânica O grupo chegou à conclusão de que a projeção mecânica da argamassa na fachada dá resultados melhores e muito mais homogêneos que a aplicação manual. “O método manual torna a obra incontrolável. Temos de mudar a mentalidade para encontrar o que é o ótimo para o resultado final da obra”, justificou Mercia Barros. Baseado nisso, o Consitra recomendará a projeção mecânica de eixo horizontal e, em último caso, a redução do tamanho da colher de pedreiro. “Estudos mostram que a colher menor melhora a aderência”. Mas Yorki Estefan alegou não ser possível controlar hoje o uso deste ferramental na obra. “Teremos de mergulhar nesta questão da mecanização. Ou a gente enfrenta isso e segue os países civilizados ou vamos continuar tupiniquins. É vergonhoso; as ferramentas que usamos são rústicas, como no Império Romano. Temos de agir rápido para incrementar nosso ferramental”, comentou Maria Angélica. No entanto, ela admitiu que será preciso ter cuidado com um período de transição. Segundo o grupo, a argamassa projetada resulta em ganhos de área de estocagem, de recebimento do material na obra e de produtividade (se bem utilizada), além de melhorar exponencialmente a qualidade da aplicação e liberar as de pranchas para outras tarefas. Para melhor desempenho, deve-se controlar bem o processo de mistura na argamassadeira e nunca na betoneira, considerada inapropriada para uma mistura eficiente. Mercia defendeu uma ação do Consitra no sentido de pressionar os fornecedores de misturadoras de argamassa para que sejam incorporados à máquina um timer e um mecanismo de desligamento automático.

“É preciso padronizar a argamassadeira disponíveis no mercado brasileiro”, concluiu Rafael Pileggi. John lembrou da importância de controlar a reologia da argamassa e sua qualidade. “Os testes de dosagem na obra definem apenas o acerto de um material, aplicado sob determinadas circunstâncias, que nunca se reproduzem em toda a obra, nem mesmo todo o tempo. Se a massa unitária mudar, acende-se o sinal vermelho”, disse. Segundo ele, desde que não prejudique a reologia da argamassa, um aumento limitado do teor de ultrafinos, como a cal hidratada, pode melhorar a aderência, pois melhora o preenchimento da superfície da base, diminuindo micro-defeitos de interface. Outro item crítico é a limpeza da base. “A presença de contaminantes (sujeira, partes soltas, filmes de desmoldante) impede o contato com ela. Por isso é fundamental la­vála­de cima para baixo sob pressão”, afirmou Mercia. Segundo ela, a cura da argamassa aumenta o seu grau de hidratação. “Em São Paulo, a cura da argamassa não é comum. Em Brasília, se faz isso todos os dias”, disse. Se o chapisco não for curado, cai junto com o revestimento, afirmou. “De manhã cedo, use uma lavadora com pressão mínima e lave até onde ela alcançar”, ensinou. “Se repetir a cura por três dias, a resistência vai aumentar muito.” O Consitra também recomendará para fachada argamassas com módulo dinâmico de elasticidade o menor possível. “Um que tenha até 8 GPa, para dar pouca resistência a compressão e boa aderência”, explicou John. Segundo ele, o teste laboratorial do módulo dinâmico é “barato, confiável e rápido”. (Nathalia Barboza)

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G EST Ã O D A O B RA

É hora de agir

Maria Angelica Covelo Silva é engenheira civil, mestre e doutora em engenharia, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: ngi@ngiconsultoria. com.br

Os acidentes com mortes dos últimos meses –como o incêndio na boate em Santa Maria, os desabamentos de marquises em São João da Barra e Belo Horizonte, o desmoronamento de uma estrutura metálica na Bahia e a queda de uma criança ao passar por um “vão” no guarda-corpo da varanda de um hotel no Rio de Janeiro– são apenas algumas das ocorrências diárias com relação à segurança em edificações. Aparentemente, nada têm a ver com o setor “organizado” da construção a negligência do proprietário da boate, as falhas de engenharia no desabamento das marquises ou a falta de observância da norma técnica no projeto do guarda-corpo do hotel. E se somos um setor “organizado”, por que permitimos que nada se faça contra o fato de que espuma de poliuretano sem aditivos retardantes de chama possa ser vendida livremente no mercado, se é de conhecimento técnico claro que este produto sem os aditivos queimará muito rapidamente, gerando um gás altamente letal (isocianato) que matou as pessoas sem lhes dar chance de tentarem se salvar?

é aprovado se a velocidade de queima Vq for < 100 mm/min ou se a chama se extinguir antes da primeira marca de referência colocada no corpo de prova. A não conformidade às normas técnicas é um fantasma que assombra a construção civil brasileira há décadas e que, a despeito de todos os avanços do setor, nos coloca como subdesenvolvidos, porque em países desenvolvidos esta não conformidade desmedida não está presente no setor da construção. Desta vez o fantasma não só assombrou como, até o fechamento desta edição, fez 239 vítimas fatais em Santa Maria. Outras inúmeras continuarão a ser vítimas de materiais que não atendem normas e estão no mercado livremente, de projetos elaborados sem atender suas respectivas exigências normativas ou projetos inexistentes, ou que resolvem por pura opção do projetista desrespeitar normas técnicas por considerarem que “sempre fizeram de outra forma e a norma é exagerada” ou por execução totalmente amadora da obra. O relatório emitido pelo Crea-RS, com a participação de conselheiros e de professores/pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aponta de maneira precisa e técnica as causas do incêndio em Santa Maria. Por que não usamos este importante documento para analisarmos, de forma madura, como setor verdadeiramente “organizado”, o que é preciso fazer para educar proprietários, aprimorar conhecimento técnico, declarar guerra à não conformidade e outras ações, em vez de fazermos de conta que não é conosco e ficarmos esperando a próxima tragédia envolvendo edificações?

Mais uma vez a não conformidade com normas técnicas causou mortes A concentração deste gás necessária para matar é de apenas 0,5 mg por m³ de ar contra 3,9 mg do monóxido de carbono, por exemplo. A norma NBR 9178:2003 - Espuma flexível de poliuretano - Determinação das características de queima estabelece o método de determinação das características de queima (velocidade de combustão) em espumas flexíveis de poliuretano e o material

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CAR G A TRI B UTÁRIA

Desoneração acabará onerando RAFAEL MARKO

A maioria dos responsáveis pelas construtoras de edificações estava desconcertada no início de março, data do fechamento desta edição. Faltando pouco menos de um mês para a entrada em vigor da nova forma de cálculo da contribuição previdenciária patronal, era visível o desconforto. Feitas as contas, grande número dessas construtoras constatava que teria prejuízo financeiro com a mudança de cálculo do valor do recolhimento, que passará a ser de 2% sobre a receita em vez de 20% sobre a folha. Embora a desoneração fosse uma antiga reivindicação da construção, a Medida Provisória 601, de 28 de dezembro de 2012, determinou que essa mudança obrigatória, válida para o período de abril de 2013 a dezembro de 2014, não mais permitirá às construtoras o abatimento das contribuições feitas pelas subcontratadas. A MP também determinou que a alíquota da contribuição previdenciária sobre o valor de empreitadas parciais caia de 11% para 3,5%, de abril de 2013 a dezembro de 2014. E baixou de 6% para 4%, desde 1º de janeiro de 2013, a alíquota do Regime Especial de Tributação (RET), sobre a receita mensal recebida das incorporações feitas em patrimônio de afetação. Orientações Caso em março não haja alterações, a partir de abril, as construtoras de edificações ainda deverão atentar para duas hipóteses, se exercerem outra atividade que não tenha sido enquadrada na nova Rosilene: atenção para eventuais mudanças e para as disposições da Receita

regra de recolhimento, tais como obras de infraestrutura ou incorporação: • caso a receita da atividade não enquadrada seja superior a 5% da receita bruta da empresa, as receitas originárias das diversas atividades devem ser segregadas e a empresa recolherá 2% sobre a receita da atividade enquadrada e 20% sobre a folha de pagamentos; • caso a receita da atividade não enquadrada na desoneração seja inferior a 5% da receita bruta da empresa, não haverá segregação e a contribuição deve ser calculada exclusivamente à alíquota de 2% sobre a receita. Ao alertar sobre isso, a advogada Rosilene Carvalho Santos, da assessoria jurídica do SindusCon-SP, informa que todas as empresas de edificações e suas terceirizadas deverão atentar para mais dois procedimentos: • manter proporcionalmente a contribuição previdenciária patronal incidente sobre o 13º salário, relativamente aos meses de janeiro a março de 2013; • a partir de abril, para efeito da base de cálculo do recolhimento de 2% sobre a receita bruta, esta deve ser considerada sem o ajuste a valor presente das operações a longo prazo e dela poderão ser excluídas as receitas decorrentes de vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos, o IPI quando incluído na receita bruta e o ICMS, quando cobrado na condição de substituto tributário. Segundo Rosilene, aguardava-se orientação da Receita sobre como segregar as receitas, quais serão os códigos de recolhimentos etc.. A advogada ressalva que tudo isso poderá mudar se a MP 601 for aprovada com emendas e/ou se novas mudanças forem feitas na Lei 12.546. Recomenda que as construtoras atentem para a tramitação da legislação e para as futuras disposições da Receita.


CUB poderá ter queda No fechamento desta edição, a construção aguardava uma posição do Ministério da Fazenda com relação a pleitos apresentados em fevereiro, para evitar prejuí­zos com a mudança da contribuição previdenciária. As propostas haviam sido formuladas por representantes do S ­ indusCon-SP, da CBIC e de outras entidades. Na reunião com o governo, a coordenadora de projetos da FGV, Ana Maria Castelo, mostrou que a mudança provocará uma queda brusca nos índices de custos da construção. Se a medida tivesse sido aplicada em dezembro, por exemplo, a taxa do CUB daquele mês cairia 6,58%, quase anulando o crescimento de todo o ano de 2012, que foi de 7,29%. Isso levaria a uma distorção: uma queda desproporcional no reajuste das prestações e do saldo devedor dos créditos a serem recebidos pelas construtoras. A economista também demonstrou o efeito negativo da mudança para construtoras com pouca mão de obra própria. E alertou para outro prejuízo: no momento em que ocorrerem as mudanças, aquelas construtoras que já tiverem recolhido a contribuição sobre obras concluídas terão de efetuar novamente esse recolhimento, desta vez em cima da receita. Adiamento Pesquisa nacional realizada pela CBIC com o apoio do SindusCon-SP apontou que 64% das construtoras querem que a mudança só vigore a partir de janeiro de 2015 e que entre abril de 2013 e dezembro de 2014 a contribuição previdenciária das construtoras se reduza de 20% para 10% sobre a folha. Das empresas consultadas, 61% não consideraram interessante que, na mudança da contribuição previdenciária, as construtoras estejam impedidas de deduzir,

da base de cálculo do encargo, as contribuições feitas pelas subcontratadas. Das respondentes, um terço foi de construtoras do Estado de São Paulo, entrevistadas pelo Sin­ dus­Con-SP. No universo destas empresas, 83% ­manifestaram-se pelo adiamento e 69% não consideraram interessante a impossibilidade de abatimento das contribuições das subcontratadas. No Congresso No projeto de conversão de outra MP, a 582, a Câmara dos Deputados aprovou em fevereiro dispositivo que permitiria às empresas de atividades incluídas na desoneração optarem entre mudar ou não para a nova fórmula de cálculo da contribuição. O dispositivo ainda dependia do crivo do Senado e da Presidência da República, mas o Ministério da Fazenda sinalizava que seria vetado. Já na tramitação da MP 601, os deputados Ricardo Izar (PSD-SP), Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Eduardo Sciarra (PSD-PR) apresentaram seis emendas. Izar propôs que, quando a empresa estiver enquadrada em mais de uma CNAE, poderá escolher a forma de recolhimento. Ele também sugeriu a dedução dos recolhimentos feitos pelos subcontratados. As outras três emendas são de Arnaldo Jardim: que a empresa possa optar pela forma de recolhimento, redução da alíquota de 2% para 1%, e contribuição de 2% facultativa para as empresas que abrirem o CEI da obra até 31 de março de 2013. Sciarra pediu que a contribuição previdenciária das empresas de infraestrutura e incorporação imobiliária (não incluídas na MP 601) seja reduzida de 20% para 10% sobre a folha de pagamentos.

Ana Castelo: declínio no índice quase anularia o aumento dos últimos doze meses

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JUR Í D IC O

Estorvo legal

Alexandre Tadeu Navarro Pereira Gonçalves é advogado em São Paulo, sócio da Navarro Advogados, especialista em estruturação de operações e negócios imobiliários e membro do Conselho Jurídico do SindusCon-SP desde 2001 Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: tadeu@ navarro.adv.br

A Lei 12.744/12 alterou a chamada Lei de Locações (Lei 8.245/91), com a intenção de regular os contratos usualmente denominados de built to suit (bts) ou “locação por encomenda”, que já vêm sendo praticados há mais de 15 anos no Brasil apesar das dúvidas iniciais quanto à interpretação que poderia ser dada pelo Judiciário ante a atipicidade de suas condições, livremente contratadas, extrapolando os limites estreitos de uma mera relação locatícia. O Congresso Nacional, uma vez mais, mostra o quanto distante está da realidade, ao produzir uma norma totalmente desnecessária e obtusa, repetindo o vício do excesso de regulação, indesejado em ambientes que somente conseguem prosperar com liberdade e criatividade. Pretender criar uma tipicidade onde ela não cabe, ao contrário de contribuir para maior segurança jurídica, poderá trazer indesejáveis e desnecessários questionamentos e dúvidas. A norma até seria um útil alguns anos atrás, quando ainda havia grande número de incertezas e insegurança; hoje, certamente, é um estorvo, piorando sem qualquer razão o ambiente jurídico, que já estava estabilizado.

Os contratos built to suit ganham norma mambembe Mostramos de modo objetivo os motivos da irresignação e do espanto: • limita-se sua aplicação a “locação não residencial de imóvel urbano”, já expondo o quanto desconhecem a realidade do mercado, uma vez que muitas operações de bts são de centros de distribuição e logística, fora das áreas urbanas; 16

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• o modelo legal prevê que “o locador procede à prévia aquisição, construção ou substancial reforma, por si mesmo ou por terceiros”, excluindo sem razão muitas outras formas jurídicas usuais, tais como o direito de superfície, o comodato e a cessão onerosa. Também ficou difícil saber se são três as hipóteses contempladas (aquisição – construção – substancial reforma) ou se a construção ou reforma foram instituídas como subcondições alternativas e subsequentes à aquisição; • o final do art. 54-A confessa sua inutilidade, ao dispor que “prevalecerão as condições livremente pactuadas no contrato”. Se a lei diz que prevalece a liberdade, é porque não se faz necessária a lei, por óbvio; • a previsão de que “poderá ser convencionada a renúncia ao direito de revisão do valor dos aluguéis”, apesar de positiva, poderá trazer a dúvida quanto à efetiva possibilidade de outras renúncias a direitos (por exemplo, os de compensação e à ação renovatória), igualmente essenciais para uma operação de bts. Ao menos houve por bem a presidenta Dilma vetar a inacreditável obrigação de registro do contrato em Cartórios de Títulos e Documentos, cujo benefício seria apenas dos próprios cartórios. Estamos infelizmente diante de uma novidade normativa que poderá tumultuar um mercado que se desenvolve positivamente e é essencial para o crescimento do país, contribuindo para a implantação de infraestruturas. Lamentamos ser a iniciativa totalmente desprovida de nexo mínimo com a realidade desse mercado por estar desvinculada dos verdadeiros interesses do setor e ser plenamente desnecessária.


O B RAS P Ú B LICAS

Começa revisão do Sinapi Com o objetivo de aferir e ampliar o banco de composições do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), contratada pela Caixa Econômica Federal para realizar a missão, chamou o Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) para coordenar o trabalho, que já foi iniciado. A revisão do Sinapi é uma das notícias mais esperadas entre as empresas que trabalham em obras com financiamentos de construção da Caixa Econômica Federal e em licitações de obras e serviços de engenharia do governo federal. O sistema baseia a elaboração e análise de orçamentos, as estimativas de custos, os reajustamentos de contratos e os planejamentos de investimentos. “Este trabalho tem uma grandeza significativa e sem paralelo, no Brasil e no exterior”, disse o professor Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, coordenador do trabalho. O trabalho vai requerer muito fôlego e deverá durar cinco anos. Para começar, Espinelli organizou dois grupos, um deles formado por especialistas em cada classe de serviços que compõe o Sinapi e o outro por experts em avaliação de eficiência na produção. O primeiro passo será a aferição dos composições de serviços. Para isso, serão feitas 5 mil coletas de informações em campo, em centenas de obras representativas de todas as regiões do Brasil, que balizarão a aferição dos indicadores orçamentários. Segundo Espinelli, todo o banco de composições de serviços será aferido e novas composições serão criadas. “A necessidade se baseia no fato de que a eficiência na produção varia ao longo do tempo, seja por mudanças técnicas ou organizacionais e, portanto, periódicas aferições são necessárias para manter sempre o sistema o mais 18

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fiel possível à realidade vigente”, explicou. As composições estão divididas em três grandes lotes, sendo que representam as obras de edificações, de saneamento e de infraestrutura urbana. Para determinar os itens mais significativos nos custos das obras por onde se iniciaria a revisão do Sinapi, o vice-presidente de Obras Públicas do SindusCon-SP, Luiz Antônio Messias, sugere que seja feita uma curva ABC para infraestrutura e outra para edificações. “Na sequência, as mudanças nas composições de preços unitários, apontadas pela FDTE, deveriam ser convalidadas pelo segmento empresarial e não somente pela Caixa”, opinou. “Precisariam, também, ser implementadas imediatamente, à medida que fossem validadas”, recomendou Messias. Critérios Os critérios conceituais e práticos do trabalho visam “reconhecer o resultado (produtividade da mão de obra, consumo unitário de materiais e eficiência no uso dos equipamentos) como função de um conjunto de fatores presentes (características do produto, do processo e da gestão do cotidiano de uma obra), criando a base para que um conjunto relativamente grande de levantamentos em campo (de resultados e de fatores) permita chegar a uma aferição o mais confiável possível para as composições”, disse Espinelli. Ele afirmou esperar que o setor colabore em todas as etapas do processo e que as construtoras facilitem o acesso às obras das pessoas responsáveis da FDTE pela coleta de dados, “essenciais para a viabilidade do trabalho”. Segundo Espinelli, após a aferição de cada lote de serviços, a Caixa disponibilizará o resultado em consulta pública. “Nesse momento, esperamos que os agentes contribuam na discussão técnica das composições.” (Nathalia Barboza)

Messias: Sinapi deve ter curvas ABC diferentes para infraestrutura e edificações


Fotos Divulgação

MEI O AM B IENTE

Resíduo terá consulta pública Órgão gerenciador de limpeza pública na cidade de São Paulo, a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana), ligada à Secretaria Municipal de Serviços, está disposta a debater em profundidade com representantes da construção civil a gestão de resíduos sólidos do setor. Esta foi a mensagem do presidente do órgão, Silvano Silvério da Costa, transmitida em entrevista exclusiva a Notícias da Construção. Silvério destacou o papel do SindusCon-SP como referência do mercado por ter desenvolvido diversos estudos e trabalhos a respeito do tema e reforçou que a Secretaria de Serviços quer a contribuição dos empresários (veja na pág. ao lado). Segundo o presidente da Amlurb, o SindusCon-SP poderá contribuir muito durante o processo de consultas públicas que a Prefeitura promete que irá acontecer ao longo deste ano para o debate do Plano Municipal de Resíduos Sólidos. Ele reconheceu que o Plano Municipal criado em 2012 não passou pela discussão com a sociedade. “Corrigiremos isto em 2013. Discutiremos com a cidade inteira ações para gestão de todos os resíduos, especialmente os da construção civil. Vamos definir diretrizes e estratégias de atuação”, afirmou. “Queremos debater com mais profundidade a gestão de resíduos não só dos grandes geradores mas também dos pequenos e das obras públicas.” Uma das metas a incluir será a elevação de 80 para 140 ecopontos no município. Solução de mercado São Paulo conta com quatro aterros de inertes licenciados pela Cetesb na Região Metropolitana e outros três contratados na 20

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cidade. A despeito da queixa do setor em relação a isto, Silvério considerou a quantidade “razoável” e disse que uma solução no sentido de elevar o número de ATTs na Capital só poderá ser dada pelo mercado. “Mais aterros de inertes e de reciclados só serão abertos à medida que tivermos mais demanda por materiais desta reciclagem”, comentou. Para ele, antes disso, o melhor seria que houvesse plantas de reciclagem nos próprios canteiros de grandes obras. “Assim, só se descartaria o que não dá mesmo para reciclar”, afirmou. Da mesma forma, um número crescente de recicladoras só apareceria “se o mercado demonstrar atratividade para a compra de material resultante de agregados, pó de pedra ou brita”, apontou. Segundo ele, a Prefeitura deverá trabalhar para garantir mecanismos que tornem a atividade atrativa. “Uma discussão que teremos de desenvolver é a das compras sustentáveis do município”, admitiu. Já o Plano de Gerenciamento de Informatizado de Resíduos da Construção, gestado pelo SindusCon-SP há mais de cinco anos, recebeu o apoio da Prefeitura de São Paulo, que pretende aderir à ferramenta no futuro para acompanhar a logística dos resíduos sólidos da construção civil na cidade. Silvério declarou que a plataforma online de declaração e acompanhamento confiável e verificável da gestão de resíduos da construção “é uma ideia muito positiva”. Entre as vantagens do sistema está a padronização do gerenciamento de resíduos, que beneficia sobretudo as pequenas e médias construtoras. (Nathalia Barboza)

Silvério: meta do município é aumentar número de ecopontos de 80 para 140


Simão Pedro abre canal de diálogo O secretário Municipal de Serviços, Simão Pedro Chiovetti, abriu o diálogo da Prefeitura de São Paulo com o ­SindusCon-SP sobre a gestão de resíduos sólidos da construção civil na cidade. O fato ocorreu durante reunião na qual recebeu, em janeiro, na sede da Secretaria, o presidente do ­SindusCon-SP, Sergio Watanabe, e o vicepre­sidente de Meio Ambiente, Francisco Vasconcellos Neto. Simão Pedro quer avançar na discussão do tema, e pediu ao SindusCon-SP que apresente os gargalos que travam ou impedem a gestão de resíduos e as ações que seria fundamental implementar. Vasconcellos lembrou que desde 2000 o sindicato vem discutindo o tema resíduos e avançando no processo por meio de um bom canal de discussão com a SMA (Secretaria de

Meio Ambiente) do Estado de São Paulo, que assinou convênio com o SindusCon-SP, e do Grupo de Resíduos da Câmara Ambiental da Construção Civil, ligada à Cetesb. Entretanto, ele afirmou que o assunto não conseguiu avançar no âmbito da Prefeitura. Watanabe citou a preocupação do setor com “o pequeno número de aterros na cidade de São Paulo disponíveis para destinação de resíduos da construção”, além da distância em relação às obras, o que, segundo ele, “acaba encarecendo o custo de um empreen­ dimento”. Pelo SindusCon-SP também participaram da reunião o coordenador do Comasp (Comitê de Meio Ambiente), André Aranha Campos, e o gerente de Produção e Mercado, Elcio Sigolo. Silvano Silvério, presidente da Amlurb, acompanhava o secretário.

Secretário pediu informações sobre gargalos da gestão de resíduos


H A B ITA Ç Ã O

Centro ganhará 20 mil casas populares Foi autorizada no final de fevereiro pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, a abertura de licitação para a construção de mais de 20 mil unidades habitacionais no centro expandido da capital. Na ocasião, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também assinou um protocolo de intenções para participação da prefeitura na Parceria Público-Privada (PPP), que viabilizará a iniciativa. Além do governador e do prefeito, estiveram presentes ao evento o ­vice-governador e presidente do Conselho Gestor de PPP, Guilherme Afif Domingos, o secretário de Estado da Habitação, Silvio Torres; e o secretário Municipal da Habitação, José Floriano de Azevedo Marques Neto. O SindusCon-SP foi representado por João Claudio Robusti, vice-presidente de Habitação Popular. Os investimentos iniciais são estimados em R$ 4,6 bilhões, sendo R$ 2,6 bilhões das empresas participantes e R$ 1,6 bilhão do governo estadual. A prefeitura da capital deve apoiar o projeto com R$ 404 milhões, sendo R$ 20 mil por unidade habitacional. A perspectiva do governo é de que após consulta pública, o edital de licitação deva ser aberto até maio. Segundo Torres,

os primeiros contratos devem ser assinados em outubro. O projeto pretende atender famílias com renda de até R$ 10.848, priorizando as famílias com renda de até R$ 3.775. Serão beneficiados trabalhadores do centro que não possuírem imóveis em seu nome.

Torres, Afif, Azevedo Marques, Alckmin e Haddad durante anúncio dos planos para Habitação Popular

Requalificação A estratégia será promover a requalificação de imóveis subutilizados em bairros ou áreas próximas aos corredores de transporte e avenidas centrais. A maior parte dos empreendimentos será viabilizada em pontos ainda não explorados dentro das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), que já foram definidas no Plano Diretor da cidade, elaborado em 2002. De acordo com os planos anunciados em solenidade na Sala São Paulo, os empreendimentos devem ser concluidos entre dois e seis anos. Em um segundo momento, o governo pretende iniciar o processo de licitação de PPPs para outras áreas da região metropolitana de São Paulo. Na fase inicial, a perspectiva é a geracão de mais de 60 mil empregos a partir do programa. (Fabiana Holtz)

Prefeitura de São Paulo revisa Aprov eletrônico No final de fevereiro, a nova gestão da Prefeitura de São Paulo avaliava o Aprov eletrônico e analisava mais de 300 processos de licenciamento de empreendimentos que deram entrada pela nova sistemática. A informação foi dada pela titular da Secretaria Especial de Licenciamento da Prefeitura de São Paulo, Paula Motta Lara, 22

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ao receber o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe. Ele convidou a secretária para dar uma palestra no sindicato e salientou a importância de a Prefeitura continuar a ser parceira na realização do seminário anual sobre licenciamentos do SindusCon-SP. Paula agradeceu e afirmou que a Prefeitura seguirá apoiando o evento.


RELA Ç Õ ES CAPITAL - TRA B AL H O

Lei de combate ao trabalho escravo vigora em São Paulo Transparência é a melhor defesa contra irregularidades A perspectiva de ser punido com a cassação da inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS por irregularidades trabalhistas cometidas por terceiros relacionadas a condições análogas à escravidão, prevista pela Lei Estadual 14.946, tende a levar mais transparência aos canteiros de obra. É o que sugere o v­ ice-presidente de Relações Capital-Trabalho do Sindus­Con-SP, Haruo Ishikawa. “Para evitar surpresas acho válida a criação e manutenção de um arquivo de imagens dos alojamentos. O papel fiscalizador desse registro inibiria as irregularidades”. Segundo Ishikawa, por estar ciente de sua responsabilidade subsidiária, recentemente uma construtora se viu em apuros após o empreiteiro sumir com o dinheiro que lhe foi repassado para pagamento do salário dos subcontratados. Em represália, os trabalhadores destruíram os alojamentos. Na Justiça, os subcontratados obtiveram parecer favorável e a construtora acabou assumindo a responsabilidade de pagamento por todo o passivo. Aliado ao registro fotográfico, as empresas precisam refinar seu processo de contratação dos empreiteiros. “É fundamental ter referências e conversar com empresas que já utilizaram seus serviços antes de contratar”, disse Ishikawa. Ele considera que ainda existe muita informação truncada. “O problema está na não definição do que vem a ser trabalho escravo e do que seriam condições análogas”, acrescentou, ao afirmar que se a lei existe é para ser cumprida. 24

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Parecer jurídico Renato Romano Filho, assessor jurídico do SindusCon-SP, informa que a Portaria CAT 19, de 22/02/2013, da Secretaria da Fazenda de São Paulo, estabelece que a penalidade prevista na lei estadual somente será aplicada após “comunicação, expedida pelo Poder Judiciário ou Ministério Público, da condenação das pessoas envolvidas no crime de redução de pessoa a condição análoga à de escravo”. Romano chama a atenção para o fato de que a competência para legislar sobre matéria trabalhista seria da União. “Quem tem competência para apurar esse tipo de irregularidade é o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho. A competência para julgar é do Judiciário Trabalhista.” Orientações Em fevereiro, o SindusCon-SP participou de audiência de esclarecimento sobre a lei no Ministério Público do Trabalho da 2ª Região, que contou com a presença do Procurador-Geral do Trabalho, Luís Antonio Camargo de Melo. O encontro, que tinha como objetivo tirar dúvidas, acabou levantando diversas questões que ainda precisam ser esclarecidas. “Em determinados momentos o próprio MP reconheceu que é preciso dialogar mais com a sociedade e entender melhor o alcance da lei”, observou. Romano participou do encontro ao lado de Ishikawa e da advogada Izabel Flores de Oliveira. Ishikawa e Paulo Vanzetto Garcia, presidente do SindusCon-RS, foram convidados para falar sobre o assunto na CPI do Trabalho Escravo, em Brasília, o que estava previsto para março. Veja a lei na íntegra em http:// alturl.com/nmp6j . (Fabiana Holtz)

Romano aguarda regulamentação da lei para entender melhor sua aplicabilidade


Nota sobre terceirização pode gerar transtornos O Ministério do Trabalho emitiu em dezembro a Nota Técnica 394/2012, que trata da fiscalização de serviços terceirizados na construção civil. Seu texto revoga a NT 88/2008, que determinava a não distinção entre as atividades meio e fim com o propósito de atestar a legalidade ou não das terceirizações. Na avaliação da assessoria jurídica do SindusCon-SP, a nova orientação é confusa e coloca na mesma condição a subempreitada e a terceirização fraudulenta.

Não é possível que alguém domine todas as etapas de um empreendimento Para Renato Romano Filho, assessor Jurídico do sindicato, a subcontratação de serviços é inerente à atividade econômica da construção civil. “Tanto é assim que o artigo 455 da CLT a autoriza explicitamente; e o setor não é capaz de empreender sem subcontratar. Além do mais, definir o que vem a ser atividade meio e atividade fim na construção civil não é tarefa fácil. O que deve ser levado em conta é a realidade do setor. Uma construtora subcontrata serviços desde a terraplenagem até o acabamento de uma obra. Não é possível que alguém domine todas as etapas de um empreendimento”, pondera. Na opinião de Romano, a NT 394 poderá trazer muitos transtornos. “O mais sensato é a fiscalização verificar se os serviços subcontratados estão sendo executados por empresa idônea, se os trabalhadores estão

registrados e se as condições fixadas na lei e na norma coletiva estão sendo cumpridas”, acrescenta. O assessor jurídico chama a atenção também para o que considera mais importante: as construtoras são responsáveis por escolher bem seus subcontratados e fiscalizar se estes trabalham de acordo com a lei.

Ishikawa considera o novo texto inoportuno

Inoportuna Para Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP, a NT 394 veio em um momento totalmente inoportuno, confundindo ainda mais o entendimento sobre o que é a terceirização dentro da construção civil. “A subcontratação na construção é claramente um contrato de serviços especializados”, afirmou, ao ressaltar que a terceirização não representa a deterioração do setor, como alguns afirmam. Na avaliação de Ishikawa, a NT anterior esclarecia muito bem o que é subcontratação e o seu cancelamento torna a decisão de punir ou não uma empresa completamente subjetiva. No Estado de São Paulo, em particular, o vice-presidente considera que os auditores-fiscais têm capacitação suficiente para entender a estrutura administrativa de um canteiro de obras. A nova orientação, porém, abre espaço para injustiças. No sentido de reestabelecer a NT 88/2008, o­Sindus­Con-SP tem feito gestões no governo federal em conjunto com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Para ler a NT 394/2012 na íntegra, aces s e h t t p : / / www. s i n p ai t . co m . b r/ download/pdf/nt3942012sitmte.pdf . (Fabiana Holtz)

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G EST Ã O EMPRESARIAL

Vantagens da SOX

Maria Angelica Lencione Pedreti é professora de Contabilidade e Finanças da FGV e mestra em Administração de Empresas; trabalha em Planejamento Estratégico Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: maria.lencione@fgv.br

Em consonância com nossos últimos artigos, abordaremos nesta edição a famosa Lei Sarbanes-Oxley (SOX). Datada de julho de 2002, a SOX t­ ornou-se obrigatória para companhias negociadas nos Estados Unidos, inclusive aquelas estrangeiras em níveis 2 e 3. Esta lei foi criada em resposta aos escândalos contábeis daquela época, com o objetivo de proteger os investidores, por intermédio do aprimoramento da precisão e da garantia de maior confiabilidade das informações divulgadas pelas empresas. A SOX possui 11 seções, das quais gostaria de destacar: • responsabilidade do CEO (Chief Executive Officer – em português, Diretor Presidente) e CFO (Chief Financial Officer – em português, Diretor Financeiro) sobre os controles e seus testes periódicos, de processos e sistemas;

consultoria, por exemplo) pelas empresas de auditoria. Esta seção entende que a empresa de auditoria independente só será mesmo considerada como tal se não participar das decisões da empresa a qual ela mesma audita; • aumento da responsabilidade do Comitê de Auditoria, principalmente no sentido de garantir fé pública sobre as informações divulgadas pela empresa. Como podemos perceber pelas seções acima, a intenção da legislação é sempre a de aumentar a transparência das informações. Desta forma, os acionistas sem participação no cotidiano das empresas poderão entender melhor o que acontece no dia a dia delas e o que explica as decisões tomadas pelos seus respectivos gestores, que culminam nos resultados das Demonstrações Financeiras. Em outras palavras, esta lei se aplica muito mais a empresas e países em que as empresas têm seu controle acionário pulverizado e, como consequência, um presidente de companhia tem mais informação e mais poder de decisão que um acionista não participante do dia a dia da empresa. Não podemos nos esquecer de que o mercado de capitais no Brasil ainda está em processo evolutivo e se caracteriza muito mais por empresas cujo poder está concentrado nas mãos de poucos acionistas. Estes, então, possuem toda a informação de que necessitam para a tomada de decisão. Por este motivo, muitos argumentam que a SOX não pode resolver os problemas de agência das empresas brasileiras (quando seus profissionais decidem mais motivados por benefícios pessoais) tão bem como ela resolve esses problemas em países de controle acionário pulverizado.

Legislação norte-americana funciona melhor quando controle é pulverizado • estabelecimento de penalidades criminais pela violação de leis do mercado de capitais; • proibição de empréstimos para administradores; • exigência de devolução dos bônus recebidos pelos agentes em caso de retificação das Demonstrações Financeiras: afinal, se o resultado foi revisto, a premiação pode não ser justificada; • Divulgação de Código de Ética, contando com os direitos e as obrigações de que tratamos na última edição de Notícias da Construção; • Restrições à prestação de serviços (de

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SIN D USC O N - SP EM A Ç Ã O

Uma formação acadêmica sólida, ser um bom interlocutor, buscar especialização contínua e estar bem informado sobre preços de insumos e novos processos produtivos são condições básicas para um bom engenheiro, afirmou Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP, ao palestrar para estudantes do primeiro ano de engenharia da Faap. No painel “As perspectivas da construção civil em 2013 – demanda por engenheiros”, Watanabe ressaltou que o mercado é extremamente demandante, mas como em qualquer lugar do mundo o engenheiro precisa estar bem preparado. Diante da perspectiva de manutenção de um crescimento moderado da economia para os próximos anos, Watanabe considera que o mercado voltará a valorizar o engenheiro por seu desempenho. “Por isso, se preparem para essa nova fase de crescimento do Brasil”. Em 2013, o SindusCon-SP estima que a construção civil brasileira crescerá cerca de 3,5%, enquanto o PIB nacional deve apresentar um crescimento da ordem de 3% a 3,5%. Para Watanabe, o principal desafio do

setor se tornou elevar a produtividade da mão de obra. O presidente da Fiabci/Brasil, Basílio Jafet, que também participou do painel, disse considerar boa a visão acadêmica dos engenheiros formados hoje, mas ainda falta mais contato com o mundo dos negócios. Em sua apresentação, Cláudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, chamou a atenção para o desenvolvimento urbano com sustentabilidade. Para Aloizio Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia, a engenharia está sendo chamada de volta após 25 anos de crise. “Não vejo necessidade de recorrermos aos estrangeiros”, comentou ao lançar a ideia de um pacto pelo progresso. O evento contou com aula magna do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A mesa do painel foi coordenada por Antonio Muscat, diretor da Faculdade de Engenharia da Faap. Também compareceu pelo SindusCon-SP o vice-presidente de Imobiliário, Odair Senra. (Fabiana Holtz)

Foto Gabriel Pevide

Watanabe palestra para futuros engenheiros

Watanabe afirma que elevar a produtividade da mão de obra é o principal desafio

SindusCon-SP recebe homenagem da Cipa O lançamento da 400ª edição da revista da Cipa em fevereiro foi comemorado ao lado de todos os seus parceiros e apoiadores na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Homenageado na categoria de parceiro institucional, o SindusCon-SP foi representado pelo superintendente, José Luiz Machado. A cerimônia foi comandada por José Roberto Sevieri, diretor de operações do grupo Cipa, e contou com a participação da deputada estadual Célia Leão (PT); do secretário do Estado do Emprego e Relações do Trabalho, Carlos Ortiz; do superintendente Regional do Trabalho e Emprego no Estado de São Paulo, Carlos Frederico Zimmermann Neto; e do presidente do Sintracon-SP, Antonio de Sousa Ramalho. (FH) Deputada Célia Leão foi a anfitriã da cerimônia


Missão Técnica irá ao Japão A Diretoria de Relações Londres 2013, realizada pela Internacionais (DRI) do Sinagência ArqTours no início dusCon-SP, conduzida pelo de março, visitando o evento diretor Salvador Benevides, considerado um dos maiores iniciou as tratativas para orde sustentabilidade do plaganizar a Missão Técnica do neta; e a visita que a Intersindicato que viajará ao Japão business Tours programou neste ano, possivelmente no para a 30ª Bauma – Feira início de setembro. Internacional de Máquinas de A programação deverá Construção, Máquinas para ter como foco a produtividaMateriais de Construção, de nas obras. Além de visitas Máquinas para Mineração, a canteiros, também haverá Veículos e Equipamentos contatos com instituições de para Construção, em MuniBenevides prepara a programação ensino e pesquisa. Um dos que (Alemanha), em abril. dias deverá ser dedicado a Outro apoio do Sindusconhecer uma “cidade sustentável”. Con-SP por intermédio da DRI foi dado a A DRI também proporcionou o apoio uma visita a ser feita à Batimat-Paris em institucional do ­SindusCon-SP a duas ou- novembro. A programação será divulgada tras missões: a 4ª Missão Técnica Ecobuild em breve.

Eletropaulo cria Escopo: manuais canal para o setor ganham novo site Em prosseguimento às reuniões realizadas com a Eletropaulo, o CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do S ­ indusCon-SP iniciou um projeto piloto com aquela concessionária, destinado à agilização dos processos de ligação provisória e defintiva. Para tratar da questão, visitaram o sindicato em fevereiro o gerente de Marketing da Eletropaulo, Rogério Jorge; o coordenador de Clientes Varejo, Silvio Duarte Jr. e o coordenador de Clientes Corporativos, Fernando Arruda. Eles foram recebidos pelo vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, Paulo Sanchez, e pelo coordenador do CTQ, Jorge Batlouni. A Eletropaulo informou as providências em andamento para um atendimento especializado às demandas da construção, que serão testadas no projeto piloto pelos membros do CTQ.

Com apoio técnico do SindusCon-SP e do Sindinstalação, foi lançada em fevereiro, no Secovi-SP, a versão 2.0 do site dos Manuais de Escopo para a indústria imobiliária (www.manuaisdeescopo.com.br). Nos últimos dois anos, os 14 manuais passaram por uma revisão e atualização de conteúdo, com destaque para questões como sustentabilidade, Norma de Edificações Habitacionais – Desempenho e tecnologia BIM. Na ocasião também foi lançado o 15º volume, que trata de encargos da incorporação imobiliária. Entre as novidades do site, agora os usuá­rios podem fazer consultas on-line de todos os guias, além de checklists. Os manuais também estão disponíveis para montagem de uma proposta técnica, através da utilização específica e gratuita de uma versão do Sistema Navis. Hoje, 26 mil usuários estão cadastrados no site.


O B RAS ESP O RTIVAS

Finalmente em casa Uma das obras mais vigiadas do país, a Arena Corinthians estava 63% concluída em 22 de fevereiro. Mais de 1.800 trabalhavam na obra, quando Antonio Gavioli, diretor de Contrato da Odebrecht Infraestrutura, apresentou os detalhes da construção a um grupo de jornalistas latino-americanos, entre eles a reportagem de Notícias da Construção. A grandiosidade da obra, que ocupa 189 mil m² de um terreno de 198 mil m², pode ser percebida em vários números. São 45 km de estacas profundas (no total, 3.520 pré-moldadas e estacas raiz), 900 pilares, 2.500 vigas-jacaré, 4.000 degraus e 9.700 lajes (perfazendo 11 mil m³), tudo em concreto pré-moldado. A cobertura metálica atinge 31.500 m². Cerca de 1 milhão m³ de terra foi movimentado, sendo que 200 mil m³ foram descartados e o restante reaproveitado. O muro de proteção do terreno, um fundo de vale, também é o maior deste tipo no país. Há ainda 98 camarotes, 502 sanitários, 59 lojas, 1 auditório, 15 elevadores, 4 restaurantes/bares, 1 cozinha industrial, 10 escadas rolante, 990 vagas cobertas e 1.943 descobertas. Sem vidros verdes Único em tamanho no país, painel de LED, estruturado em 8.900 m² de pele de vidro branco no prédio Oeste, terá 200 metros de largura por 20 m de altura e servirá como uma das fachadas da arena. A face oposta será de vidro com geometria orgânica. “Os vidros não podem ser verdes por conta do rival. Então estamos importando um lote de vidros brancos da Bélgica”, conta Gavioli. A cobertura será revestida por uma manta plástica branca da Firestone e terá células fotovoltaicas que gerarão 0,5 megawatt. O sonho dos corintianos mereceu outro 30

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cuidado inédito. A Odebrecht montou o guindaste Liebherr 11350, o de maior capacidade já utilizado em uma obra na América Latina. O equipamento suporta até 1.500 toneladas e foi fundamental para erguer com segurança peças metálicas enormes montadas no chão, evitando acidentes e perdas no canteiro. “Nossa opção foi trabalhar o maior número de homens/hora no solo e levantar peças prontas de até 350 toneladas”, releva Gavioli. O prédio Oeste abrigará 60% da infraestrutura do estádio, desenvolvido para 48 mil torcedores –durante a Copa do Mundo serão 65 mil. Muitas instalações internas precisarão ser modificadas por conta dos jogos da Copa. “Toda a área de vagas cobertas será revertida para abrigar a infraestrutura de imprensa e muitos camarotes darão espaço a mais sanitários”, conta Gavioli. A área central começava a ser escavada em fevereiro e preparada para receber o sistema de drenagem a vácuo e o gramado. O prazo de entrega é dezembro de 2013. Uma amostra da Arena poderá ser vista no Salão de Grandes Construções da Construction Expo 2013, que acontecerá no Centro de Exposições Imigrantes, de 5 a 8 de julho. (Nathalia Barboza)

Caldeirão: torcedores ficarão bem próximos do campo de jogo

Operários checam estrutura metálica. Abaixo, guindaste carrega peça moldada no chão


ABRIL 2013 S Ã O PAULO

R IB E IR Ã O PRE TO

DIAS 5 e 12 Planejamento Estratégico para Obtenção de Melhores Resultados

DIAS 8 e 9 NR 35 - Trabalho em Altura

DIA 9 Gestão de Resíduos e os Processos para Certificação Ambiental Voluntária na Construção Civil DIA 23 Responsabilidade das Empresas de Construção Civil no Momento de Terceirizar Serviços DIA 25 Licitações de Obras e Serviços de Engenharia

DIA 18 Desoneração da Folha de Pagamento no Segmento da Construção Civil

S A N TO S DIA 4 Classificação Fiscal de Mercadorias (NCM) e os Impactos no Sped Fiscal, EFD Contribuições e NF-e DIAS 11 e 12 NR 35 Trabalho em Altura

DIAS 19 e 20 Planejamento Estratégico para Obtenção de Melhores Resultados

DIA 23 Fundamentos Fiscais sobre o ICMS, IPI e ISS, Aplicados à Construção Civil

C A MP I N A S

S . J . D O RIO PRE TO

DIAS 17 Desoneração Previdenciária da Folha de Pagamento no Âmbito da Construção Civil

DIA 25 Desoneração Previdenciária da Folha de Pagamento no Âmbito da Construção Civil

BAUR U


PREVEN Ç Ã O E SA Ú D E

Controle da rinite

CLAUDIA NAKAMURA é pediatra do Seconci-SP, formada pela Unifesp/ EPM, com especialização em Alergia Infantil Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: comunicacao@seconcisp.org.br

A rinite, irritação e inflamação aguda ou crônica da mucosa nasal, atinge 30% das pessoas; entre as crianças, 40%. A doença pode ser causada por vírus e bactérias ou por fatores ambientais como pó, mudança de temperatura e fumaça. A rinite não alérgica pode estar associada à mudança brusca da temperatura ou decorrer de problemas anatômicos das vias aéreas. A mais comum, no entanto, é a alérgica, relacionada a alérgenos como poeira, pólen, ácaros, substâncias químicas e descamação da pele de animais domésticos. Os sintomas mais comuns são coceira, obstrução nasal, crise de espirros e coriza, geralmente clara. A coceira pode acometer também os olhos, a garganta e o céu da boca, podendo provocar também tosse seca irritativa.

de dormir, como livros, revistas e bichos de pelúcia; • Evite colchões e travesseiros de pena ou pluma; • Envolva colchão e travesseiro com capas plásticas impermeáveis; • Troque a roupa de cama ao menos uma vez por semana, lavando-a em água aquecida; • Se possível, use pisos laváveis, como madeira, cerâmica ou vinil; • Evite tapetes, carpetes, cortinas e almofadas. Dê preferência a persianas ou painéis de fácil limpeza; • Combata o mofo e a umidade nas paredes do quarto, mantendo os ambientes sempre bem arejados; • Evite espanadores, vassouras, aspiradores de pó e produtos de limpeza com cheiro forte; • Evite inseticidas, perfumes, talcos, desodorantes sob forma de spray e amaciante de roupa; • Evite fumaça de cigarro direta ou indiretamente; • Substitua cobertores de lã por edredons. Mantenha as roupas de inverno sempre bem limpas e arejadas, lavando-as antes do uso, de preferência também com água aquecida. A obstrução nasal causada pela rinite pode forçar à respiração pela boca, prejudicial às vias aéreas inferiores por não aquecer o ar inspirado. Isso pode levar também a alterações de oclusão dentária e do desenvolvimento facial, principalmente nas crianças. A diminuição ou ausência de ventilação nasal facilita o aparecimento de sinusites e otites. A rinite alérgica pode acarretar danos à qualidade de vida, trazer problemas de con­ centração, comprometer o sono e limitar a interação social. Por todas essas razões, procure o médico diante dos primeiros sintomas.

Evite tudo o que acumule poeira, como tapetes, carpetes, cortinas e almofadas O diagnóstico da rinite alérgica é clínico e leva em conta os sintomas do paciente, dados sobre o ambiente domiciliar e profissional, seus hábitos, antecedentes familiares de alergia, utilização de medicamentos, fatores agravantes e desencadeantes, e o exame físico. O tratamento inclui medidas de higiene ambiental, limpeza nasal com solução fisiológica diária e uso de medicamentos ­anti-histamínicos e corticosteróides em forma de spray, sempre sob orientação médica. Na rinite alérgica, observa-se um fenômeno peculiar: quanto mais a pessoa fica exposta aos alérgenos, menores quantidades destes são necessárias para desencadear a reação. Daí a importância que assume o controle ambiental. Algumas orientações: • evite objetos que acumulem poeira no quarto

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RESP O NSA B ILI D A D E S O CIAL

Hora de inscrever os trabalhadores Representantes de várias empresas de construção civil aceitaram o convite da vice-pre­sidente de Responsabilidade Social do SindusCon-SP, Maristela Honda, para conhecer melhor, num café da manhã, em fevereiro, os detalhes do 6° ConstruSer (Encontro Estadual da Construção Civil em Família), que acontecerá em 13 de abril. Os integrantes dos setores de Responsabilidade Social, RH e Segurança do Trabalho de empresas como Mendes Jr., MRV, Conx e Praia Grande obtiveram informações do ConstruSer por meio de um vídeo sobre o 5° ConstruSer e de outro, que mostra como é o processo de inscrição no canteiro de obra. Para Maristela, a participação massiva das empresas será importante para atingir a

meta de 10 mil participantes na Capital nesta sexta edição do ConstruSer –para o Estado, a expectativa é de chegar a 53 mil. Roseane Petronilo, gerente de Estratégia e Produtividade do SindusCon-SP­, lembrou a necessidade de as empresas agendarem a visita gratuita aos seus canteiros o mais rápido possível, para que os agentes do Sindus­ConSP­possam informar os trabalhadores sobre os benefícios de participar e efet ivar as fichas de inscritos. “Estamos ao inteiro dispor das construtoras interessadas”, completou José Luiz Machado, superintendente do sindicato. As inscrições devem ser feitas até o dia 8 de abril, uma semana antes do ConstruSer. (Nathalia Barboza)


marketing

Criação integrada

Antonio Jesus de Britto Cosenza é consultor de empresas e professor da EAESPFGV e da BBS Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: cosenza@ cosenzaeassociados. com.br

Alguns alunos meus de graduação da EAESP/FGV pediram-me auxílio em um trabalho sobre “sound marketing”, segundo eles, a mais recente ferramenta conceitual na área. Disse-lhes que a ferramenta não era recente nem conceitual, mas apenas um tipo de criação elaborado por qualquer agência. Orientei-os a visitarem o museu da propaganda, na ESPM, e conhecerem peças brilhantes criadas a partir dos anos 50. Zigmunt Bauman chama isso de “fragmentação do conhecimento”. Ela é tão grande que chegaremos a encontrar alguém especializado em uma mínima parte de uma única atividade que integra um simples processo. A formação ampla não mais existirá. É uma grande perda para cada um dos seres humanos.

cia atrevida o aprendizado dos jovens futuros executivos, empreendedores ou empresários. Esses “livros” (se é que podemos ­chamá-los de livros) eu enquadro na categoria “autoajuda”, isto é, que ajudam o autor e mais ninguém. Eles ganham dinheiro dando vazão à sua ignorância ambiciosa e contribuindo para que ela se espalhe rapidamente pelas redes sociais. Até quando ficarão impunes? No nosso país, para todo o sempre, infelizmente. Já há até agências especializadas em “sound marketing”. Só trabalham com isso. Só focam o sensorial, a experiência emocional do shopper –argh!!–, seu “envolvimento” com a marca através da audição, do olfato, da visão (haja quantidade de tons). Envolvimento emocional com a marca é importante para reter clientes, mas sejamos profissionais de marketing e não “marqueteiros”. Vamos atribuir a uma vinheta o seu papel. Ela precisa ser criada de forma integrada ao nome de marca, ao logotipo, à ambientação do ponto de venda, ao perfil do público alvo. Não é a imprensa a responsável por essa confusão e sim alguns militantes da área de marketing. São marqueteiros, marreteiros, aproveitadores. Nenhum dos instrumentos de uma orquestra pode atuar isoladamente. É o conjunto que cria a beleza da peça musical e envolve emocionalmente a plateia. O profissional de marketing é um regente. Ele é o maestro que harmoniza todos os instrumentos necessários à execução de uma peça. A agência faz a “orchestration”, como dizia David Ogilvy. A “fragmentação do conhecimento” não leva à compreensão do contexto e inibe o crescimento do ser humano.

Vinhetas precisam ser harmonizadas com demais elementos de marketing Eles ficaram surpresos e me mostraram um texto no site www.learnmarketing.net/ soundmarketing.htm . Argumentei que o texto não continha heresias, mas que tudo não passava de um nome novo para uma antiga peça do “P” de Promoção do marketing mix. Assim como o marketing mix continua sendo formado por quatro Ps, as vinhetas continuam sendo “vinhetas”. Difícil esquecer o “plin, plin” da Globo, os acordes do repórter Esso, a chamada dos cobertores Parahiba, o jingle do Leite Paulista, os acordes da Varig e o seu jingle de Natal, a liquidação do Mappin (“até meia noite, Mappin”) e tantas outras. Argumentei ainda que esses novos nomes eram uma brincadeira ou irresponsabilidade de pessoas que, ao pretenderem ganhar dinheiro facilmente, prejudicavam com a sua ignorân-

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Excelência na educação profissional e inovação tecnológica é no SENAI-SP Cursos na área de Construção civil Aprendizagem industrial   

Construtor residencial Eletricista instalador Instalador hidráulico

Formação de mão-de-obra para construção civil   

Curso técnico de edificações 

Qualificações técnicas:  Desenhista de edificações  Laboratorista de ensaios de materiais Habilitação:  Técnico em edificações

         

Curso mestre-de-obras

  

Especialização – Planejamento e supervisão de obras

   

Pintura Elétrica Alvenaria Auto CAD Cobertura Vidraceiro Hidráulica Carpintaria Redes de gás Desenho técnico Gesso acartonado Aquecimento solar Impermeabilização Serralharia de alumínio Elevação de cargas e pessoas Soldador de tubos de polietileno Instalação e montagem de elevadores NR18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção NR33 – Capacitação para trabalhadores em espaços confinados NR10 – Segurança em instalações e serviços com eletricidade

Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo” Rua Teixeira de Melo, 106 – Tatuapé – São Paulo - SP Tel.: (11) 2227 6900 www.sp.senai.br/construcaocivil www.sp.senai.br/redessociais


regionais

Prefeito de S. André promete mais habitação e saneamento Em entrevista a Notícias da Construção, o novo prefeito de Santo André, Carlos Alberto Grana (PT), afirmou que pretende retomar os programas de reurbanização, construir 3 mil unidades habitacionais em parcerias com os governos estadual e federal, e implantar um programa de abastecimento de água e coleta de esgoto. Eleito deputado estadual em 2010, Grana atuou na articulação do acordo na Câmara Setorial para a revitalização da indústria automobilística. Integrou o Codefat e no Grande ABC participou da criação do Fórum da Cidadania, da Câmara Regional e da Agência de Desenvolvimento Econômico. Nascido em São Bernardo em 1966, cresceu na Vila Palmares, bairro carente de Santo André. Iniciou sua militância política aos 14 anos, na Pastoral da Juventude. Formou-se ferramenteiro pelo Senai, trabalhou na Metalúrgica Brosol e ocupou cargos de destaque no movimento sindical, chegando à presidência da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. Quais as suas prioridades? Santo André já viveu período intenso de dinamismo em que todos reconheciam o crescimento e as transformações na cidade. Temos de recuperar a autoestima do povo andreense. O município é muito grande para apontar uma ou outra prioridade. O PT, historicamente, faz governo muito pautado por ações sociais. Basta comparar o que foi feito durante as gestões de Celso Daniel em Santo André, e pelos presidentes Lula e Dilma em nível nacional. Mudamos o Brasil e Santo André para melhor. As administrações petistas que se seguiram na cidade, ainda que interrompidas por breves períodos, contribuíram para consolidar modelo de trabalho 36

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reconhecidamente vitorioso, o qual alçou o município ao patamar de exemplo de implantação de políticas públicas, fazendo nossas gestões ganharem prêmios regionais, estaduais, nacionais e até mesmo internacionais. Nosso retorno ao governo andreense representa a retomada de projetos bem-sucedidos e o avanço em áreas que estavam estagnadas, como saúde, educação, habitação, desenvolvimento social e econômico e mobilidade urbana. Tudo envolvendo e incentivando a participação popular nas decisões. O que pretende realizar na área habitacional? O déficit habitacional de cidade é preo­ cupante. Nada foi feito nos últimos quatro anos. Entre as várias ações, vamos retomar os programas de reurbanização e regularização fundiária, garantindo a titularidade da moradia aos cidadãos andreenses que moram em núcleos habitacionais; construir 3 mil unidades habitacionais em parcerias com os governos estadual e federal, priorizando famílias com renda de até três salários mínimos; e implantar nos núcleos e conjuntos habitacionais programa de abastecimento de água e coleta de esgoto. Temos de dar vida digna ao povo. Qual a importância da construção civil para o município? A construção civil cresceu muito em Santo André nos últimos anos, acompanhando a pujança da cidade. O setor também aproveitou a privilegiada localização geográfica do município, próximo ao porto de Santos e aos aeroportos de Congonhas e Cumbica. O segmento contribui muito e pode fazer ainda mais para o desenvolvimento andreense. (Sueli Osório)

Grana: construção contribui muito para o crescimento da cidade


Santos visita novos secretários A Regional Santos, representada pelo seu diretor Ricardo Beschizza, realizou visitas de cortesia aos secretários municipais Ângelo José da Costa Filho, da Infraestrutura e Edificações; Luciano Cascione, do Meio Ambiente; e Nelson Gonçalves de Lima Júnior, do Planejamento. Conforme Beschizza, já é uma tradição esse primeiro contato, logo após a posse de cada nova administração municipal.

“Procuramos os representantes das pastas diretamente ligadas à construção, como forma de apresentar o SindusCon-SP aos secretários, e colocar a Regional Santos à disposição da municipalidade”, disse Beschizza. Segundo ele, o objetivo é deixar a entidade aberta para discutir problemas e soluções com as autoridades, bem como propor melhorias que visem ao desenvolvimento do município. (Giselda Braz)

Baixada Santista verá planejamento no Ficon O planejamento das cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista será debatido entre empresários santistas e autoridades no 3º Ficon (Fórum da Indústria da Construção de Santos e Região), em 6 e 7 de maio, no Mendes Convention Center. “Depois de cinco anos de expansão da construção na região, agora é o momento de planejar as cidades para que o crescimento não afete a qualidade de vida”, disse o diretor da Regional Santos do SindusCon-SP,

Ricardo Beschizza. “No caso de Santos, quase restrita à ilha, é importante encontrarmos formas de aproveitar melhor o espaço, com estacionamentos subterrâneos e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)”. O 3º Ficon, iniciativa de A Tribuna de Comunicação, prevê visita técnica entre 13 e 19 de abril a Chicago (EUA), famosa pelos telhados verdes. Ainda serão debatidos o cenário econômico nacional e a tendência do mercado imobiliário regional. (GB)


15 a 21 de abril de 2013, em Munique Vagas liMitadas. inscreVa-se! Mais inforMações:

(11) 5585-3874

realização e organização:

apoio:

A 30ª edição da BAUMA - Feira Internacional de Máquinas de Construção, Máquinas para Materiais de Construção, Máquinas para Mineração, Veículos e Equipamentos para Construção – realizada em Munique a cada 3 anos é a maior e uma das mais impressionantes feiras de negócios do mundo. A edição de 2013 contará com 555 mil m² de espaço de exposição, com 3.250 expositores e são esperados mais de 420 mil visitantes.

roteiro 13 de abril (sábado) - são paUlo / london Apresentação no aeroporto internacional de Guarulhos para embarque com destino a Londres. 14 de abril (domingo) - london / MUnich Chegada ao aeroporto de Londres e conexão para Munique. Chegada, traslado ao hotel e acomodação. 15 a 19 de abril (segunda à sexta) – MUnich Dias dedicados a Bauma. 20 de abril (sábado) – MUnich / london / são paUlo Em horário determinado, traslado ao aeroporto e embarque para São Paulo com conexão em Londres. este pacote inclui: • Hospedagem no hotel Sheraton West Park München ou similar com café da manhã em Munique; • Passagem aérea, São Paulo/London/Munich/London/São Paulo em classe econômica British (via Londres); • Traslados aeroporto/hotel/aeroporto em Munich; • Ingresso da feira; • Seguro viagem; • Acompanhamento de 1(um) representante da operadora desde o Brasil este pacote não inclui: • Taxa de embarque; • Despesas pessoais como refeições, documentação, passeios opcionais; • Tudo que não constar como incluído. Valores por pessoa (em euros) para saída de são paulo* Apto Individual: € 4.420 Apto Duplo: € 2.990 * Consulte-nos sobre condições de pagamento especiais para empresas associadas do SindusCon-SP e para saídas de outras cidades.


Foto Evaldo Fortunato

REGIONAIS

Mogi forma novos Mestres A Delegacia de Mogi das Cruzes do SindusCon-SP comemorou a formação de mais 27 mestres de obra na cidade. Autoridades, parceiros do SindusCon-SP, formandos e seus familiares se reuniram no Sesi de Mogi das Cruzes em fevereiro, para celebrar a conclusão de mais um curso. Para o Diretor da Delegacia, Mauro Rossi, essa foi uma conquista não só do SindusCon-SP, mas de todo o município. “Estamos formando novos profissionais de uma categoria fundamental nos canteiros de obras e que vai agregar qualidade e produtividade nas construções. É um ganho que

trará frutos a médio e longo prazo”, afirmou. O sucesso desse curso também está refletido no novo processo seletivo realizado pela entidade. Quase 110 pessoas realizaram a prova de seleção, para 32 vagas. As aulas tiveram início em fevereiro. O programa de formação acontece em parceria com a Escola Senai e, ainda segundo o Diretor da Delegacia, novas ações estão previstas para este ano. “Buscamos parceiros para a qualificação de mão de obra e atualmente estamos planejando junto ao Senai um novo curso que possa atender a Lei do Menor Aprendiz”, informou. (Tatiana Vitorelli)

Os formandos com os diplomas, no Sesi local


REGIONAIS

Cursos para Mestres são disputados A Regional de São José dos Campos do SindusCon-SP comemorou os excelentes resultados nas inscrições para o curso de Mestre de Obras, que teve início no final de fevereiro nas cidades de São José, Taubaté e Mogi das Cruzes. Na cidade sede da Regional, foram mais de 320 inscritos, em Mogi; 110 profissionais participaram do processo de seleção, e 100 pessoas em Taubaté. Para esse ano, São José comemorou também uma conquista: a abertura de mais uma turma para o curso, que formará 64 novos profissionais ao final do ano letivo, em vez de 32. Em cada uma das demais cidades, o número permanece em 32 vagas. Fazem parte dos componentes curriculares matérias como Comunicação Oral e Escrita, Processos Construtivos, Segurança e Controle Ambientais, Técnicas de Supervisão e Controle e Projeto de Planejamento da Obra. Sucesso em Ribeirão O curso de Mestre de Obras, promovido pela Regional Ribeirão Preto do ­S­indusCon-SP, Senai-SP e Prefeitura, recebeu 116 inscrições, para 32 vagas. O índice de candidatos por vaga (3,63) é semelhante ao de cursos oferecidos pela USP-Ribeirão, como Química (3,53), Enfermagem (4,25) e Pedagogia (4,28). “A procura cresce e dobrou em relação ao ano passado”, comentou a coordenadora da Regional, Maria Cecília Rocha. “A qualificação é um dos grandes gargalos da construção, por isso não medimos esforços para oferecer treinamentos e cursos como esse.” Gratuito, o curso está na sétima edição. (Tatiana Vitorelli e Marcio Javaroni)


Campinas quer acelerar aprovações O diretor da Regional Campinas do ­ indusCon-SP, Márcio Benvenutti, reuniu-se S com o prefeito da cidade, Jonas Donizette, em fevereiro. No encontro, ele abordou os entraves à aprovação de projetos. As propostas de rever a legislação urbanística de Campinas e retirar dos textos das leis as subjetividades já haviam sido feitas ao prefeito antes das eleições. As subjetividades dão margem a interpretações diversas, dificultam a análise de projetos e foram responsáveis pela aprovação irregular de empreendimentos na cidade, que acabaram embargados pelo Ministério Público. “Foi uma iniciativa muito boa do prefeito buscar a opinião do setor para resolver o problema”, ressaltou Benvenutti. O Grupo Pró Urbe (GPU), recém-criado e formado por integrantes da construção, entregou um documento a Donizetti, pedindo

a retirada total dos textos das leis, de termos como “dependendo de estudos específicos”, “a critério da Prefeitura”, “mediante laudo técnico” e “sob consulta ao Poder Executivo”, porque essas expressões deixam a cargo de funcionários decisões que trazem grandes impactos e custos maiores para a construção. O prefeito considerou que a falta de clareza em artigos das leis também abre espaço para a corrupção, já que favorece interpretações. Por isso, solicitou a formação de um grupo de trabalho envolvendo as secretarias, com participação da sociedade, para apontar incongruências e subjetividades na legisla��ão que disciplina as construções na cidade. O foco serão as leis de uso e ocupação de solo, de parcelamento do solo, de Empreendimentos Habitacionais de Interesse Social (Ehis), de planos urbanísticos e de polos geradores de tráfego. (Vilma Gasques)


REGIONAIS

Bauru quer agilizar projetos Diretores da Regional Bauru do SindusCon-SP receberam em fevereiro a visita do novo secretário municipal de Planejamento, Paulo Ferrari. Os empresários apresentaram as principais demandas da construção e ouviram as propostas do secretário para atender às reivindicações. Uma das solicitações da construção foi a otimização da análise e aprovação de projetos de obras, que têm demorado meses para sair. Segundo Ferrari, a demora se deve às exigências da legislação, complexas e minuciosas. “O caminho para agilizar é simplificar as leis”, disse. Ferrari informou estarem em andamento as revisões da Lei de Zoneamento, do Código de Obras e da Lei de Parcelamento do Solo. “A ideia é deixá-las mais simples e claras, seguindo as determinações do Plano Diretor. Elas devem determinar o essencial e deixar os detalhes para normas técnicas e regulamentadoras. Se simplificarmos as leis, 50% dos

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problemas estarão resolvidos”, comentou. Os empresários pediram para participar das revisões. “Muitas leis são redigidas por pessoas que não atuam na construção. Aí aprovam exigências inexequíveis. Depois de aprovada a lei, é muito mais difícil mudá-la. O ideal seria podermos debater e opinar desde o início”, ressaltou o diretor da Regional Bauru do SindusCon-SP, Renato Parreira. Ferrari comprometeu-se a atender à solicitação e ainda pediu que o setor apresente sugestões de melhorias. “Se vocês tiverem conhecimento de leis de outras cidades que funcionam bem, tragam para nós. Vamos adotar tudo que for bom para Bauru”, acrescentou. (Sabrina Magalhães)

Ferrari e Parreira, na sede do sindicato: consenso sobre revisão da legislação

Rio Preto treinará para trabalho em altura O SindusCon-SP oferecerá às construtoras treinamentos para trabalho em altura, informou a coordenadora da Regional São José do Rio Preto, Mércia Godoy. A partir de 27 de março, os trabalhadores que precisarem trabalhar em alturas acima de dois metros, bem como as equipes de emergência e salvamento, precisarão ter recebido treinamento específico comprovado, de acordo com a Fiscalização exigirá comprovação do treinamento

Norma Regulamentadora 35 - Trabalho em Altura. O técnico de segurança do trabalho da Regional, Douglas William Hakini, participou do curso “Preparação Didática de Instrutores do Curso NR-35”, em São Paulo, junto com os técnicos de segurança de outras regionais. O objetivo foi capacitar os profissionais para multiplicar o conhecimento das novas regras. Douglas também coordena os grupos de estudos de segurança organizados pela Regional Rio Preto. Segundo ele, este trabalho já tem apresentado resultados. “Estamos estudando estas alterações e nossas associadas estão se adaptando”. (Ester Mendonça)


S O LU Ç Õ ES IN O VA D O RAS

Projetos e BIM Cláudio Vicente Mitidieri Filho é mestre pelo IPT – Mestrado Profissionalizante em Habitação: Planejamento e Tecnologia

A comprovação do desempenho das edificações é um desafio para os profissionais de projetos que pode ser superado. A necessidade dessa comprovação conforme norma técnica e adoção dos conceitos e softwares BIM podem se complementar se forem incorporadas como premissas para o desenvolvimento do projeto. A partir da publicação da norma ABNT NBR 15575: Edificações habitacionais – Desempenho, abre-se novo horizonte: obter e organizar os dados de desempenho de sistemas, para que sejam devidamente adotados nos projetos de edificações, em particular nos de arquitetura.

informações são agregadas ao projeto em diversos momentos e é necessário um local onde possam ser armazenadas de forma organizada, “identificado com uma base de dados ou como um modelo de informações”. Este modelo precisa contemplar produtos, processos, documentos, informações geométricas, de desempenho e outras pertinentes na sua criação ou acrescentadas após em um só local, além de permitir o estabelecimento de relações entre as informações adicionadas, de forma organizada.

Projetos e ferramentas A organização e apresentação do projeto em softwares CAD 2D são semelhantes à­ s produzidas em pranchetas. Trata-se de melhora de uma ferramenta, saindo da prancheta física para a digital. As melhoras oferecidas estão na eliminação de trabalhos repetitivos e demorados, pela possibilidade de edição de desenhos, impressão de múltiplas cópias, aproveitamento de desenhos para elaboração de revisões. A inclusão da terceira dimensão nos programas de projeto de arquitetura representou um aumento considerável na quantidade de informações visualizáveis do projeto. No entanto, assim como os softwares de CAD 2D, os de CAD 3D não apresentaram uma revolução na forma de desenvolvimento do projeto, mantendo-se a fragmentação da informação em vários arquivos e formatos, sem interoperabilidade entre si. Segundo Ferreira, R. C., “o projeto pode ser visto como uma forma organizada de informações que devem ser compartilhadas pelos intervenientes na construção do objeto”. As

BIM é um processo que centraliza informações de um edifício com o estabelecimento de relações entre as mesmas, em um modelo, com auxílio de ferramentas digitais. Seu objetivo é otimizar o processo de projeto, com significativa melhora na organização e acessibilidade de informações em relação a processos de projeto anteriores, e redução das incertezas ao longo de toda a vida útil.

Mudança é irreversível mesmo com lacunas de dados sobre desempenho

Anne Catherine Waelkens é design intern no escritório Thornton Tomasetti em Nova York Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: claumit@ipt.br AWaelkens@ thorntontomasetti.com

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Objetos paramétricos O que torna um modelo interessante é a informação que contém em seus diversos “objetos”. De acordo com Eastman, C. et al., objetos paramétricos possuem definições geométricas e são associados a dados e regras, não são redundantes, modificam geometrias associadas quando inseridos em um modelo, podem ser definidos em diversos níveis de agregação, estabelecer relações, exibir ou exportar conjuntos de atributos, como propriedades estruturais, características dos materiais, dados de comportamento acústico, energético, entre outros,


a outros aplicativos e modelos. Tais objetos podem estar relacionados a características e informações de desempenho de produtos de mercado, de responsabilidade dos respectivos produtores. Supondo que houvesse abundância de dados de desempenho de componentes e sistemas construtivos, a utilização de filtros em bibliotecas digitais para a localização de produtos parametrizados reduziria o tempo gasto na busca pelos sistemas construtivos mais adequados para determinado projeto e viabilizaria a utilização do modelo para análises complexas, envolvendo ferramentas de apoio como programas de simulação, análise estrutural e verificação de normas. A identificação de não conformidades motivaria ações corretivas já nas fases iniciais do projeto. Projeto, desempenho e BIM Com a organização de informações e características de desempenho de sistemas construtivos, a elaboração e disponibilização de famílias de objetos paramétricos correspondentes, o processo de projeto considerando a norma de desempenho torna-se mais acessível. A ausência de dados de desempenho para alguns sistemas construtivos e a escassez de objetos nas bibliotecas de objetos virtuais existentes ainda são obstáculos ao método de trabalho. No entanto, o desenvolvimento destas questões é uma tendência irreversível com grande potencial de modificação sobre as estruturas de desenvolvimento de projeto existentes. Em países como os EUA e alguns da Europa, já é comum o uso de ferramentas BIM em grande parte ou totalidade do projeto. Ainda há restrições relacionadas à interoperabilidade, o que gera a perda de informação na tradução de arquivos ou mesmo a necessidade de produção de diversos modelos semelhantes. O projeto e análises realizadas com base em modelos têm credibilidade e ajudam na visualização de problemas do projeto por meio de gráficos diversos projetados sobre a geometria. Após a configuração do código pictórico para expressão do fenômeno físico

estudado, é possível identificar as áreas críticas. Por exemplo, em uma análise de estruturas, configura-se determinado componente para que mude de cor assim que as deformações ou os deslocamentos sofridos excedam o limite colocado pelo projetista, que pode ser aquele da Norma de Desempenho. Ou, em uma análise dos níveis de iluminação ,determinada área se destaca, assim que sair do intervalo de aceitação definido como critério de projeto. Análise das perspectivas É viável identificar de imediato sistemas construtivos com potencial de atendimento às exigências da norma, com acesso aos critérios da ABNT NBR 15.575, com dados de desempenho de sistemas construtivos e algumas referências de boas práticas de projeto, O pleno aproveitamento das ferramentas disponíveis depende de uma série de fatores como revisão dos processos de projeto mais utilizados atualmente, formação quanto a questões técnicas como desempenho de sistemas construtivos e treinamento na utilização de software, além de desenvolvimento de bibliotecas virtuais com objetos paramétricos repletos de informações e com formato que permita a interoperabilidade. A superação das questões colocadas será feita gradualmente, porém, caracterizando uma tendência irreversível de desenvolvimento no processo de projeto. É importante, antes da utilização de softwares de modelagem, entender seu funcionamento e avaliar se este é próprio para a avaliação desejada. Além disso, é fundamental, como em qualquer avaliação, manter um olhar crítico sobre o conjunto dos resultados.

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C O NSTRU Ç Ã O D A CARREIRA

Um líder melhor

Felipe Scotti Calbucci é graduado em Comunicação Social e gerente de Property & Construction da Michael Page, com foco em recrutamento de gerentes e diretores para construtoras e incorporadoras Envie seus comentários, críticas, perguntas e sugestões de temas para esta coluna: felipecalbucci@ michaelpage.com.br

Compartilho um texto sobre 11 conceitos para se tornar um líder melhor, de Dave Kerpen, presidente da empresa norte-americana Likeable Media. Os conceitos são simples, frequentemente ignorados em detrimento do faturamento, e surgiram a partir de entrevistas com líderes bem sucedidos de empresas de diferentes setores. 1) Ouvir. Quando falarem com você, procure escutar completamente. A maioria das pessoas não ouve. Ouvir é base para qualquer bom relacionamento. Os grandes líderes escutam atentamente seus clientes, fornecedores, colegas e sua equipe. Além disso, estão abertos a novas ideias. 2) Contar histórias. É a melhor maneira de implementar suas ideias. Líderes têm a habilidade de vender seus produtos e, principalmente suas ideias de maneira mais convincente, muitas vezes usando boas analogias. Essa é a melhor maneira de fazer as pessoas colocarem suas ideias em prática.

5) Trabalho em equipe. Não importa o tamanho de sua empresa, você terá interação diária com pessoas. Deixe os outros brilharem e crescerem, incentive suas ideias, pratique a humildade. Dessa forma você terá uma equipe leal. 6) Capacidade de resposta. A diferença está em como você reage às adversidades. Os melhores líderes respondem a todas as situações junto a seus clientes, fornecedores, colegas e equipe. Responder de maneira positiva mostra que você se importa com os problemas dos outros. Não há nada pior para um funcionário do que pedir inúmeras vezes uma resposta, com um cliente nem se fala. 7) Adaptabilidade. O mundo muda, bem como os negócios e as pessoas. Um grande líder deve se adaptar rapidamente, assim sua equipe e seu negócio mudarão primeiro e poderão liderar seu mercado. 8) Paixão. A única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz! Um líder trabalha com paixão e contagia todos à sua volta. 9) Surpresa e alegria. Um grande líder sempre guarda uma surpresa na manga para surpreender positivamente seus clientes, fornecedores e equipe. Isso estimula a equipe a fazer o mesmo com seus clientes, gerando ótimos resultados. 10) Simplicidade. As melhores ideias são as simples. Quanto mais simples a ideia, maior será a capacidade de entendimento do interlocutor e sua adesão. 11) Gratidão. Agradecer aos seus clientes, fornecedores, colegas e equipe é fazê-los se sentirem importantes. Para finalizar, uma regra de ouro: Trate os outros como gostaria de ser tratado!

Conheça as atitudes que fazem a diferença na gestão dos negócios 3) Autenticidade. “Eu não tinha ideia de como ser autêntica me faria ganhar tanto dinheiro” (Oprah Winfrey). Os maiores líderes são exatamente como dizem serem e têm a integridade de se deixarem comparar. Costumamos ajudar as pessoas autênticas a ter sucesso. Estas tendem a conseguir coisas improváveis de seus clientes, fornecedores, colegas e equipe. 4) Transparência. A verdade é o melhor caminho. Nos negócios não há espaço para segredos ou mentira, algum dia a verdade vem à tona e basta apenas uma crise para que as pessoas percam a confiança em você. 46

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SindusCon-SP: inovar, desenvolver e construir um Brasil cada vez melhor Razões para associar-se ao SindusCon-SP: 1 - SindiCato atuante na defesa, promoção e desenvolvimento do setor

9 - CondiçõeS eSPeCiaiS para eventos e treinamentos

2 - rePreSentação PolítiCa junto aos governos federal, estaduais e municipais

10 - aCeSSo exCluSivo às informações do setor

3 - amPla rede de relacionamento profissional 4 - aSSeSSoria jurídica

11 - informaçõeS eStratégiCaS, pesquisas e dados do setor para tomadas de decisões

5 - rePreSentação nas principais regiões administrativas do estado

12 - CaPaCitação profissional, elevação de escolaridade, qualidade de vida e centro de atividades através do sesi - senai-sP

6 - rePreSentação nas negociações sindicais e trabalhistas

13 - ConliCitação - informação sobre licitações no estado de são Paulo

7 - orientação sobre saúde e segurança no Trabalho (ssT)

14 - ComPraCon-SP - filiação automática à associação de Compras da Construção Civil

8 - manuaiS téCniCoS sobre tecnologia, inovação e meio ambiente

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Informações: (11) 3334-5600



Surpresa!