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Arquitetura do Sagrado

percepção, sensação e reflexão

Gabriella Neri Gutierrez


Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sรณs Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz Gilberto Gil 1980


Gabriella Neri Gutierrez

Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido no curso de Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Senac sob a orientação da Prof. Dra. Myrna de Arruda Nascimento.

São Paulo 2016


Agradecimentos Quando vencemos uma etapa em nossa vida, o sucesso se deve ao apoio que recebemos ao longo da caminhada. Por essa conquista tão importante, quero expressar minha gratidão a todos aqueles que me apoiaram, me entenderam e me ajudaram a trilhar este percurso. À Deus em primeiro lugar, por tudo que tem me dado: saúde, família, amigos, determinação e inspiração para criação deste trabalho. À Prof. Dra. Myrna Nascimento, em especial, pelos 5 anos de apoio e dedicação, como professora, amiga e orientadora, acreditando sempre em mim, em todos os anos de iniciação cientifica, monitoria e agora neste trabalho e, cuja convivência, me possibilitou o privilégio de compartilhar de seu conhecimento e experiência. Ao corpo docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, pelos conhecimentos compartilhados e aprendizagens proporcionadas e, em destaque, aos professores que de alguma forma, também contribuíram na realização desse trabalho: Prof. Paulo Magri, Prof. Dra. Valeria Fialho, Prof. Artur Katchborian, Prof. Fabio Robba e Prof. Bebete Viegas.


À minha querida família, por estar presente em todos os momentos da minha formação, me ajudando em cada etapa e vibrando em cada conquista. Vocês foram essenciais para a pessoa que eu me tornei hoje e onde consegui chegar. Minha querida mãe Kátia, pelo carinho e amor incondicional e, pelo

companheirismo mesmo a distancia; meus avôs Wanda e Sylvio, por cuidarem de mim nesses anos de faculdade; meus tios, Fabio, Fabinho e Roberta e meu padrasto Bráulio, que ao longo desses anos me ajudaram na minha formação. E, principalmente, minha tia Vivian que dedicou grande parte do seu tempo me ajudando de perto a trilhar esse caminho, sendo fundamental para esta conquista.

Ao meu namorado e parceiro Luis Garcia, que desde o inicio cursou comigo esta faculdade, e me ajudou a todo momento, em todas as nossas atividades acadêmicas, inclusive neste trabalho, sempre acreditando em mim, me incentivando e encorajando nos momentos mais difíceis. À minha chefe, Karen Bianco pela compreensão, apoio, paciência, e incentivo à minha dedicação a este trabalho. As verdadeiras amigas que cruzaram meu caminho na vida acadêmica e que levarei para sempre.


Resumo

Abstract

Este Trabalho de Conclusão de Curso objetiva analisar a

This Final Work intends to analyze the architecture, as well

arquitetura, não só pelos seus atributos funcionais e

as their functional and aesthetic attributes, but as a

estéticos, mas como uma experiência perceptiva, sensorial

perceptual experience, sensory and cognitive (conscious

e cognitiva (vivência consciente), a partir da abordagem

experience),

Fenomenológica. O foco do trabalho é a aplicação dos

focusing on the application of relevant concepts used in

conceitos característicos desta abordagem na concepção

this approach to the creation of a sacred space (space for

de um espaço sagrado (espaço destinado à manifestação

the expression of spirituality) named of “Seven Symbols”

da espiritualidade) denominado Santuário “Sete Simbolos”,

Sanctuary, whose particularity it is to be an architectural

cuja particularidade é constituir-se em um “artefato

object that can be reproduced and built in different

arquitetônico”, passível de ser reproduzido e construído

locations.

from

the

phenomenological

approach,

em distintas implantações. Palavras chave: Fenomenologia, Percepção, Experiência

Key – Words: Phenomenology, Perception, Architectural

Arquitetônica, Espaço Sagrado.

Experience, Sacred Space.


Sumário Introdução

09

Capítulo 1- A Origem Capítulo 2- Fenomenologia e a Arquitetura Capítulo 3- Os estudos de caso Capítulo 4- Vivência consciente Capítulo 5- A percepção do sagrado Capítulo 6- Um local de fé 6.1 Ensaios 6.2 Projeto Capítulo 7- Considerações Finais

13 21 33 61 87 101

Referências Lista de Imagens

131 135

129


Introdução


Introdução | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

O presente trabalho de conclusão de curso a visa explorar a arquitetura para além de seus atributos funcionais

e estéticos, estimulando os sentidos e as percepções por meio da uma abordagem fenomenológica, decorrentes da presença e permanência das pessoas em um determinado espaço arquitetônico. Como objeto de estudo para a aplicação destes conceitos, este projeto analisou lugares destinados à manifestação da espiritualidade ou seja, locais sagrados, voltados ao exercício da fé. A autora intencionou observar e analisar a vivência consciente das pessoas nestes recintos arquitetônicos, compreendendo a qualidade destes espaços sob o ponto de vista sensorial, perceptivo e cognitivo. A escolha por este tipo de espaço foi resultante da “leitura” do cenário mundial atual, alicerçado em situações conflituosas decorrentes de guerras, de preconceitos, de doenças, de problemas sócio-político-econômicos, de abandono, de miséria, de violência, enfim, de circunstâncias limitantes e favorecedoras de um ritmo de vida

desgastante emocionalmente e com relacionamentos mais superficiais e efêmeros, podendo gerar nas pessoas uma sensação de temor, incerteza e preocupação existencial, levando-as a buscarem na espiritualidade uma alternativa, um significado para a vida e a necessidade de um elo com algo maior. Além disso, foi intenção também deste trabalho ampliar o olhar sobre a forma como a arquitetura pode ser

percebida e estudada, a partir da consciência destas experiências e de alguns questionamentos importantes: Como as pessoas interagem em diferentes espaços arquitetônicos? 10


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Como as pessoas percebem e se sentem nestes diferentes espaços? Quais as diferenças notadas/sentidas pelas

pessoas nos diversos espaços existentes na sociedade? Para responder a estas questões e outras surgidas posteriormente, este trabalho foi estruturado em oito capítulos, a saber: motivações pelo tema estudado e algumas conceituações sobre a Fenomenologia e Espaço Sagrado (cap.1); abordagem fenomenológica e sua aplicação na arquitetura (cap.2); seleção e análise teórica-

iconográfica de obras sagradas cristãs, ao redor do mundo, produzidas por arquitetos renomados, na segunda metade do séc. XX (cap.3); visita da autora a locais pré-selecionados, com o registro de sua vivencia consciente em cada um, a partir de relatos, imagens e vídeos (cap.4); atributos do projeto e respectivo memorial descritivo (cap.5); ensaios preliminares e apresentação do objeto final (cap.6) e, por fim, as considerações finais (cap.7). Estão incluídas ainda referencias bibliográficas e a lista de imagens vide arquivo.

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A Origem Motivações pelo tema ; definições de Fenomenologia e de Espaço Sagrado


A Origem | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

As primeiras inquietações, que deram origem à essência deste Trabalho de Conclusão de Curso, foram

despertadas a partir do processo de pesquisa, subjacente ao Programa de Iniciação Científica – do qual participei por dois anos – em que busquei identificar possíveis relações/conexões, em obras contemporâneas de renomados arquitetos, com algumas premissas do Movimento Construtivista Russo (do início do século passado), especialmente os atributos estéticos de que aquele movimento tratava.

Naquele processo senti a necessidade de me aproximar das obras que estava estudando, a fim de aprofundar meu entendimento sobre os aspectos da criação arquitetônica, flagrando afinidades destes aspectos com as particularidades da arquitetura daquele Movimento, como: equilíbrio, aberturas, sobreposições de planos, texturas, uso de materiais brutos/aparentes e outros, além da relação entre a forma de articulação dos elementos e a vinculação do entorno com a experiência cotidiana. A partir das visitas realizadas, pude vivenciar cada obra de uma maneira diferente, estabelecendo associações empíricas do espaço percebido com a natureza e com outras características, tais como: temperaturas, cheiros, cores e texturas, sentidas in loco em uma dimensão que vai além dos livros estudados e das fotografias analisadas. Deste modo, passei a compreender a relevância que a experiência individual exercia na construção do

significado do espaço arquitetônico. Iniciei por isso uma consulta a obras de filósofos e arquitetos (críticos ou acadêmicos), que abordassem este aspecto de forma mais evidente, destacando não só a importância desta 14


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vivência consciente, na apreensão do espaço arquitetônico, mas também as percepções e sensações que os

atributos do espaço podiam transmitir para as pessoas. Optei então, por estudar como a Fenomenologia pode ser aplicada ao estudo da Arquitetura, a partir da análise de diferentes trabalhos, com vistas ao desenvolvimento de um projeto baseado nesta abordagem. A Fenomenologia, de acordo com a visão mais ampliada de Edmund Husserl¹ (1859-1938), é algo que dá

consciência às nossas vivências e nos permite associar significados a elas. Pode ser vista como o estudo do fenômeno ou de tudo que aparece (CUNHA, 1999). Trazendo para o universo arquitetônico, Steven Holl² (2011) como um dos representantes dos arquitetos contemporâneos que utilizam essa abordagem, foi escolhido como suporte teórico para esta pesquisa.

Em seu livro Cuestiones de Percepcion: Fenomenología de la arquitectura (2011), Holl demonstra a pertinência da associação da Arquitetura com a Fenomenologia quando afirma: ¹ Edmund Husserl (1859-1938), matemático e filósofo de origem Tcheca. Descobriu sua vocação filosófica em 1884, sob a influência de Franz Brentano e estabeleceu a escola da fenomenologia. Era judeu e em 1887 converteu-se a igreja luterana. ² Steven Holl (1947), arquiteto norte-americano, graduou-se na Universidade de Washington (Seattle) e, posteriormente, deu continuidade aos seus estudos em Roma e em Londres. Abriu seu primeiro escritório de arquitetura em Nova York em 1976 e recebeu diversas premiações desde a década de 80. Atualmente é professor universitário em instituições americanas de ensino superior, como: Universidade de Washington, Colúmbia, dentre outras. Além da vasta criação de projetos desenvolvidos e obras construídas, Steven Holl é autor de diversas publicações.

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“...só a arquitetura pode despertar simultaneamente todos os sentidos, todas as complexidades da percepção...”

(HOLL, 2011,p.10) Também considerando a experiência espacial como uma operação plena - sob o ponto de vista sensorial - o autor ainda destaca o papel da arquitetura como a mais completa dentre as formas de manifestações artísticas: (...) mais plenamente do que o resto das outras formas artísticas, a arquitetura capta o imediatismo de nossas percepções sensoriais. A passagem do tempo, da luz, da sombra e da transparência; os fenômenos cromáticos, a textura, o material e os detalhes…, tudo isso participa na experiência total da arquitetura(...) (HOLL, 2011, p. 9)

Como acréscimo à compreensão da abordagem fenomenológica, tornou-se também necessário e relevante entender os conceitos de espaço e de sagrado, complementando a reflexão que originou este trabalho. Assim, de acordo com Lalande (1999), a palavra Espaço significa: Lugar ideal caracterizado pela exterioridade das suas partes, no qual se localizam as nossas percepções e que contém, por consequência, todas as extensões finitas. Para

Machado (1990), a palavra Sagrado vem do latin Sacrãtu, que significa consagrado, santificado, santo, venerável. A palavra Sagrado tem como prefixo sacra, do latin Sacrã que, para Cunha (1999) significa: consagrar, dedicar a Deus, aos deuses ou ao serviço divino. Na obra Das Heilige (1917), Rudolf Otto (apud ELIADE, 1992), esforça-se por clarificar o caráter específico dessa experiência de estar 16


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com o sagrado, do sentimento de “temor” espiritual diante do sagrado, que exala uma superioridade de poder e se expande a perfeita plenitude do ser. O sagrado manifesta-se sempre como uma realidade totalmente diferente das realidades “naturais” (ELIADE, 1992). (...) Para o homem religioso, o espaço não é homogêneo: o espaço apresenta roturas, quebras; há porções de espaço qualitativamente diferentes das outras. “Não te aproximes daqui, disse o Senhor a Moisés; tira as sandálias de teus pés, porque o lugar onde te encontras é uma Terra Santa” (Êxodo, 3:5). Há, portanto, um espaço sagrado e, por consequência, “forte”, significativo e há outros espaços não sagrados e, por consequência, sem estrutura, nem consistência. Mais ainda: para o homem religioso essa não homogeneidade espacial traduz-se pela experiência de uma oposição entre o espaço sagrado – o único que é real, que existe de fato – e todo o resto, a extensão que o cerca (ELIADE, 1992, pág 17).

Para Eliade (1992), todo espaço sagrado conduz a “hierofania” – que é irrupção do “sagrado” em um território cósmico que o torna qualitativamente diferente e, por isto segundo este autor, a experiência de um espaço sagrado se opõe à experiência de um espaço profano. Essa antítese se constitui porque, de acordo com este estudioso do tema, o espaço profano é neutro e homogêneo – nada diferencia qualitativamente suas partes e ele, por completo. A experiência profana mantém a relatividade do espaço. Para esclarecer estes conceitos, vale pensar em espaços ou locais que se tornaram “sagrados” para diferentes pessoas, em razão da experiência vivida por eles: a terra natal de uma pessoa; o local em que dois jovens deram o primeiro beijo; o local visitado na primeira viagem ao exterior, dentre outros. 17


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Todos estes locais suscitam a atribuição de algumas qualidades únicas ou excepcionais, que os tornam “sagrados”

para estas pessoas – é a revelação de uma outra realidade diferente daquela em que elas vivem sua experiência cotidiana. Essa ressignificação de um espaço cósmico comum para um espaço sagrado, segundo Eliade (1992), é chamada de “cosmogonia” – toda consagração a um espaço (valência cosmológica). E não necessariamente este espaço

tem que ser um Templo para que isto ocorra; a cosmogonia, para este autor, corresponde a uma “hierofania” espacial. Neste trabalho, entretanto, o enfoque foi compreender a “cosmogonia” ocorrida em espaços sagrados religiosos (igrejas e capelas) e analisar a experiência fenomênica, gerada no contato com a arquitetura destes espaços,

aonde a manifestação da espiritualidade e a consagração a algo superior são estimuladas. Vivenciar, perceber, observar, analisar, interpretar e projetar tornaram-se operações imprescindíveis para se propor, através de experimentações, o projeto, voltado ao sagrado. Esse tipo de espaço passou então a ser o objeto de estudo e análise, com a intenção de, posteriormente, converter-se no projeto arquitetônico idealizado. Segundo Holl (2011) “(...) o sentido intelectual não é o teste final; o teste é a experiência da arquitetura – a

arquitetura precisa ser experimentada pelo público (espaço e corpo atuando juntos, aceitando diferentes ângulos, vistas, texturas, cheiros e detalhes)”. 18


Fenomenologia e a Arquitetura Fundamentos


Fenomenologia e a Arquitetura | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Para entender sobre o conceito de Fenomenologia no campo da Arquitetura, foi buscada a origem desta

corrente na Filosofia. Para tanto, consultou-se bibliografia acadêmica e diferentes autores que discutiram como se processa o raciocínio ao identificar os fenômenos, a partir das manifestações ocorridas em nosso aparelho sensorial. Partindo da visão dicotômica de Platão³, o mundo se divide em dois universos do conhecimento: o Sensível e o Inteligível. O campo do Sensível é ligado as artes, ao impressionável, ao perceptível e ao mundo corpóreo dos sentidos. Por outro lado, o campo do Inteligível, é ligado ao raciocínio, aquilo que só pode ser conhecido pela inteligência e compreendido pela razão (LALANDE,1999). É necessário, em primeiro lugar, do meu ponto de vista, colocar esta dupla questão: em que consiste o que existe sempre, sem ter nascido? Em que consiste o que deve sempre e nunca é? O primeiro é apreensível pelo pensamento auxiliado pelo raciocínio, porque é sempre o mesmo, enquanto o segundo é conjecturado pela opinião acompanhada pela sensação irracional, porque nasce e morre, mas não existe jamais realmente (PLATÃO, citado e traduzido por ALVES, 2010 p.30)

Para Platão, o Sensível e o Inteligível são sinônimos de Ser e Devir, duas formas fundamentais de nos

relacionarmos com o mundo. ³ Platão (427 a.C. - 347 a.C.), filósofo grego do período clássico da Grécia Antiga, considerado um dos principais pensadores do mundo, com forte influência na filosofia ocidental. Discípulo de Sócrates, Platão fundou a Academia de Atenas – escola de filosofiaem 387 a.C. Suas ideias baseavam-se na diferenciação do mundo Sensível e o Inteligível.

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No campo do Ser e do Sensível, está aquilo que é apreensível pela sensação irracional, que é tangível, visível e estável. No campo do Devir e Inteligível, há um conhecimento desenvolvido pelo raciocínio/opinião sobre o que foi sentido, é mutante e está em continua transformação. Segundo Alves (2010), “quem criou o mundo, criou-o com os olhos postos no imutável, no inteligível, mas, ao criá-lo, tornou-o sujeito ao Devir”. Para este autor: Assim é o facto de ser visível, tangível e corpóreo que torna o mundo sujeito ao devir, à mutação, ao nascer e à finitude, visto que tudo o que vemos, ouvimos e tocamos está sujeito a uma transformação contínua, seja ela verificável num menor ou maior lapso de tempo. O próprio tempo, como imagem, é uma imagem móvel da eternidade, do infinito inamovível (ALVES,2010 p.31).

Com o intuito de estabelecer uma combinação entre os dois aspectos, Platão nos trouxe a existência de uma terceira substância que participa da natureza do Ser e do Devir, ou seja, que une o Sensível ao Inteligível. Esta terceira entidade denominada Chora tem a qualidade de não ter forma, de ser invisível e não estar sujeita a transformação (ALVES 2010). Esta substancia de transição, torna-se imprescindível, pois sem ela o Inteligível e o

Sensível não poderiam nunca se interligar, dada as suas origens opostas. O esquema a seguir, ilustra a função desse terceiro elemento que combina o Ser e o Devir.

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SER

Sensível divisível substância corpórea realidade Cópia Outro

DEVIR

CHORA

Inteligível

Receptáculo 3ª substancia sem forma

invisível

indivisível substância indivisível mundo das ideias

imutável

Modelo Mesmo

Buscando aprofundar o entendimento sobre esta visão de mundo, a partir das ideias de Platão e com o objetivo de estabelecer uma conexão entre elas, identificou-se a abordagem fenomênica do filósofo francês, Maurice Merleau-Ponty 4 (1908-1961), como a mais próxima, pois também trabalha com três elementos, a saber:

Corpo, Mundo e Quiasma. Para este filósofo, Corpo é um pedaço do Sensível, daquilo que podemos perceber pelos sentidos e, o Mundo, é uma parte do Inteligível, daquilo que podemos compreender pela razão. 4 Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), filósofo francês da corrente fenomenológica. Católico até 1930, quando se mostrou insatisfeito com elementos da hierarquia da igreja. Lecionou em diversos liceus e universidades da Europa. Influenciado por Edmund Husserl, fundamentou sua teoria no corpo e na percepção, sendo autor de várias publicações sobre o assunto.

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Quiasma é o cruzamento permanente entre o Corpo e o Mundo e expressa uma ininterrupção entre a reflexão e a

intuição – um não envolve o outro, envolvem-se reciprocamente, entrelaçam-se (ALVES, 2010). Quiasma simboliza o cruzamento entre o corpo e o mundo, pondo em causa as dualidades cartesianas de visível/invisível, extensão/pensamento, corpo/alma, porque mostra como uns estão para os outros, como o avesso está para o direito, como duas faces diferentes, mas complementares (...) Podemos então imaginar um cruzamento entre o nosso corpo e o espaço da arquitetura. (ALVES, 2010, pag. 63)

Abaixo o diagrama ilustra os três elementos identificados por Merleau-Ponty.

CORPO

MUNDO

visível

invisível

extensão

pensamento

corpo

alma QUIASMA - (entrelaçamento)

De acordo com Alves (2010), a posição de “entre” (Quiasma) é significativa, pois estabelece a ligação entre os dois lados, sem pertencer a nenhum deles. 25


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É uma continuidade das experiências perceptivas que estão na base de todo o conhecimento e também da

vivencia arquitetônica (cruzamento entre o nosso corpo e o espaço da arquitetura). Quando vinculada à geometria e a racionalidade construtiva, a arquitetura aproxima-se do Inteligível; se pensarmos nela como espaço, luz e matéria, tende para o lado de uma experiência Sensível (ALVES, 2010). Se fizermos , então, um questionamento se a arquitetura está mais próxima do Sensível ou do Inteligível, Alves

(2010) assume a arquitetura como um Quiasma: “a experiência do espaço será sempre mais ampla do que a nossa capacidade de a constituir pelo raciocínio”. Sob a perspectiva fenomenológica de Merleau-Ponty, no contexto de um projeto, não devemos separar a forma da construção material, assim como dentro da experiência da arquitetura construída, não se separa o lado

sensível, pois o sentir e o pensar são processos inter-relacionados desde o início da percepção. Segundo Lalande (1999) a palavra Percepção vem do ato ou efeito de perceber; da ação de conhecer independente dos sentidos; da tomada de conhecimento sensorial de objetos. Na percepção não há passividade, ou seja, o ato perceptivo é um ato intencional, constituindo-se como uma “intencionalidade sensorial” e a partir dessa intencionalidade, estabelece- se a relação entre o Sensível e o pensamento, porque a percepção é sempre “percepção de algo” (ALVES, 2010). É pela percepção que nos relacionamos com o mundo. 26


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Para Merleau-Ponty (1999), a Percepção não é uma “ciência do mundo” e: (...) o mundo não é um objeto do qual possuo comigo a lei de constituição; ele é um meio natural e o campo de todos os meus pensamentos e de todas as minhas percepções explícitas. (MERLEAUPONTY,1999, p.3)

Edmund Husserl na segunda metade do século XIX, em continuidade ao trabalho desenvolvido por Franz Brentano 5 sobre a compreensão da nossa relação com o mundo, descobriu que a Percepção é a base de todo o conhecimento, o que deu origem a corrente filosófica da Fenomenologia. Segundo Alves (2010), a Fenomenologia é o estudo das essências e, ao contrário da Ciência, ela não pretende explicar o mundo ou o homem, mas apenas descreve-lo. A diferença está, conforme este autor, na questão do

lugar: a fenomenologia nunca deixa de se dirigir ao mundo concreto e localizado; já o pensamento científico, coloca este mundo num plano ideal. Para Brentano (apud ALVES,2010, p.105), nossa “percepção exterior” é captada pelos fenômenos físicos, enquanto a nossa “percepção interior” é relacionada com os fenômenos mentais. Holl (2011) afirma que: “O desafio

da arquitetura consiste em estimular tanto a percepção interior como a exterior, em realçar a experiência fenomênica enquanto, 5 Franz Brentano (1838-1917), filósofo e psicólogo alemão de grande influência, deu origem ao conceito da fenomenologia.

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simultaneamente, se expressa o significado, e ainda desenvolver esta dualidade em resposta às

particularidades do lugar e da circunstância”. Já de acordo com Alves (2010), a arquitetura é ao mesmo tempo intuitiva e racional, trabalha sobre a fisionomia e o entendimento das coisas, sobre a estrutura perceptiva e a geometria (medida objetiva). Para ele, o Sensível e o Inteligível estão unidos pela Percepção. Quando isto é associado ao espaço arquitetônico, é possível

verificar que as representações mais intuitivas das estruturas espaciais, mostram uma variedade de fatores que interagem entre si e influenciam a nossa percepção e posterior reflexão. Assim a reflexão não constitui, mas reconstitui o espaço, uma vez que várias perspectivas não são suficientes para representar a experiência de um espaço arquitetônico, mas uma única perspectiva pode ser tão significativa quanto as várias (ALVES, 2010 p. 86/111). Para Merleau-Ponty (1999), o juízo pode ter um papel importante na Percepção: “ A percepção é um juízo, mas que ignora suas razões”. O filósofo, ao citar Descartes, afirma que o sentido da Percepção não é Inteligível, faz parte dela e, portanto, é um conhecimento originário. Ao falar da experiência da arquitetura construída, Holl (2011) defende também que precisamos ter uma consciência da nossa existência única e própria no espaço, para assim desenvolvermos a consciência da percepção. 28


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Segundo Holl (2011): A arquitetura tem o poder de inspirar e transformar nossa existência do dia-a-dia. O ato cotidiano de agarrar a maçaneta de uma porta e abri-la a um campo banhado de luz pode se converter num ato profundo se o experimentamos com uma consciência sensibilizada. Ver e sentir estas qualidades físicas significa tornar-se o sujeito dos sentidos. (HOLL,2011, p.8).

Por este ângulo, compreender a arquitetura parece estar vinculado à construção de uma experiência

arquitetônica, já que esta experiência parecer ser a origem da capacidade de imaginar, de relacionar e de estruturar o espaço arquitetônico. O arquiteto Peter Zumthor6 (2005) esclarece este ponto: Quando me concentro num determinado lugar para o qual devo elaborar um projeto, tento explorálo, perceber a sua figura, a sua história e as suas qualidades sensoriais. É então, neste processo de olhar preciso, que começam lentamente a penetrar imagens de outros lugares. Imagens de lugares que conheço e que em tempos me impressionaram. Imagens de lugares vulgares e especiais, cuja figura interiorizo como um arquétipo de determinados ambientes e qualidades. Imagens de lugares ou situações arquitetônicas oriundas do mundo das artes plásticas, do filme, da literatura, do teatro (...) (ZUMTHOR, 2005, p. 34).

Esta citação demonstra a relevância da experiência arquitetônica como ferramenta de criação. Segundo Damasio (apud ALVES,2010, p.158), a experiência é a capacidade que a nossa mente possui para relembrar imagens já vividas, facilitando assim o processo criativo. O arquiteto precisa transformar a sua percepção do universo espacial, em arquitetura. Peter Zumthor (1943), arquiteto suíço formado em Nova Iorque, ganhador do Prémio Pritzker de 2009. Autor de várias obras importantes. Ligado a corrente fenomênica na arquitetura. 6

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Fenomenologia e a Arquitetura | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Para Alves (2010), é preciso entender o significado da experiência do espaço (interpretação) não como um

raciocínio analítico ou dedutivo, mas a partir da descoberta de seu significado de maneira direta (experiência vivida). Assim, fazer uma leitura adequada do espaço arquitetônico remete às diversas experiências, buscando as referências anteriores de forma articulada. A aprendizagem e a aplicação da arquitetura implicam então, não

somente em conhecimentos teóricos, mas também no entendimento de como relacionar as experiências arquitetônicas - em resumo, significam: Perceber, Interpretar e Projetar. É sob esta linha de pensamento da tríade citada a cima, que o projeto deste trabalho foi desenvolvido. Vale destacar também que, aspectos mais específicas e pertinentes aos diferentes elementos que compõem a

fragmentação do fenômeno estudado (zonas fenomênicas identificadas por Holl (2011). Visando a integrar os conceitos tratados nos capítulos 1 e 2 e o objetivo principal deste trabalho, construiu-se o diagrama a seguir, com a intenção de mostrar a intersecção entre os temas selecionados.

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Fenomenologia e a Arquitetura | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Espiritualidade

Filosofia

Divino

Fenomenologia

Local de consagração

Explorar as sensações Ambiente que induz a isso

Espaço sagrado

Arquitetura Concretização dos conceitos luz / textura / água / cor Seleção de espaços

Recorte temporal e religioso

Arquiteturas Sacras Cristãs A partir de 1950

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Os estudos de caso Exemplos


Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Este capítulo tem a finalidade de ampliar o repertório projetual da autora, na arquitetura sacra, a partir de

exemplos variados de espaços sagrados, estudos de casos selecionados de acordo com os seguintes critérios – utilização de atributos arquitetônicos que favorecem o desperta de sensações nas pessoas, tais como: a presença da água, diferentes cores, textura, relação com a natureza, transparência e escala arquitetônica, dentre outros. Aqui são apresentadas 12 obras arquitetônicas cristãs - organizadas de forma cronológica e demonstradas na linha do tempo abaixo - produzidas por conceituados arquitetos, na segunda metade do século XX, em diferentes partes do mundo. São elas: 1- Capela dos Capuchinhos, 2- Santuário Dom Bosco, 3- Igreja da Cruz Torta, 4- Capela São Pedro apóstolo, 5- Capela de Santo Inácio, 6- Igreja da Luz, 7- Capela Veneza, 8- Igreja do Santíssimo Redentor, 9Capela de campo Bruder Klaus, 10- “Igreja Transparente”, 11- Igreja da Semente e 12- Capela Joá. Como ilustrado adiante em uma visão geográfica (fig.1), é possível constatar que cinco destes espaços sagrados estão concentrados no Brasil e sete localizados em outros países.

1953 34

1963

1976

1987

1997

1999

2002

2004

2007

2011

2011

2014


Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 1. Diagrama elaborado pela autora

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

1- Capela dos Capuchinhos (1953): projetada pelo arquiteto mexicano Luis Barragán, que além de não ter recebido qualquer remuneração para projetá-la, ainda colaborou financeiramente para a construção da obra. Por esse motivo, ao longo dos 7 anos de construção, o arquiteto esteve presente em cada momento, o que fez toda a diferença na execução da obra. A forma com que os detalhes, as cores e o jogo de luz e sombra foram projetados, surpreende as pessoas a cada instante. O espaço é composto por duas capelas, a principal e a secundária. Entre elas há um pátio central (fig 2) com paredes brancas, que contém uma “piscina” de pedra com flores flutuando, além das escadas de acesso para as capelas (fig 3). A luz que passa pelos vitrais amarelos das capelas, quando se encontra com as paredes texturizadas na core avermelhada e com o piso de madeira, preenche o ambiente com

cores quentes (figs. 4, 5 e 6). E por fim, o pé direito elevado, favorece a sensação de monumentalidade para o espaço.

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Capela dos Capuchinhos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 3 | Planta baixa Capela dos Capuchinhos

Figura 2 | Pátio central Capela dos Capuchinhos

Figura 4 | Nave central Capela dos Capuchinhos

Figura 5 | Corredor Capela dos Capuchinhos

Figura 6 | Vitral Amarelo Capela dos Capuchinhos

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

2- Santuário Dom Bosco (1963): foi construído em homenagem ao padroeiro de Brasília, São João Bosco – padre italiano que previu, em 1883 o surgimento de uma Terra prometida exatamente na localização da atual cidade de Brasília. Projetado pela arquiteto Alvimar Moreira, o santuário é formado por 80 arcos góticos de 16 metros de altura (fig.7), que abrigam vitrais em tons azuis e lilás, compondo as quatro fachadas do edifício em forma de cubo, banhando o ambiente de cor azul (figs. 8 e 9). Em seu interior, um grande lustre constituído de mais de 7.000 peças de vidro, ocupa posição central no espaço e, à noite, ilumina o santuário mudando a percepção do ambiente (fig.10). No altar, feito de mármore, uma cruz de madeira - de 8m remete ao momento da crucificação de Jesus (fig.11) .

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Santuário Dom Bosco | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 7 | Vista externa Santuário Dom Bosco

Figura 8 | Vitrais Santuário Dom Bosco

Figura 10 | Visão noturna Santuário Dom Bosco

Figura 9 | Vista interna Santuário Dom Bosco

Figura 11 | Cristo Santuário Dom Bosco

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

3- Igreja da Cruz Torta (1976): oficialmente denominada Nossa Senhora Mãe do Salvador, foi projetada pelos arquitetos Cláudio Joaquim Barretos e Francisco Segnini, como uma arquitetura de urgência (rápida construção), utilizando materiais como: concreto, madeira e vidro. O nome desta obra deve-se por que, na primeira proposta para a sua construção, havia uma cruz tombada que seguia a estrutura inclinada da cobertura da capela. Atualmente essa “cruz torta” localiza-se na entrada do terreno, no Alto de Pinheiros-SP (fig.12). Ao fundo, no altar, há o painel da artista plástica Maria Bonomi, nomeado “Ascensão”, originário de seu trabalho de xilogravura, que se converteu nas cruzes de concreto estilizadas em alto relevo - que transformam a percepção do local através destas “texturas”. Na mesma parede há uma cruz vermelha suspensa e, por trás dela, uma clara boia oculta permite a entrada da luz natural

(fig.13). Nas laterais do espaço estão localizadas as janelas com brises de madeira que regulam a entrada de luz (fig.14).

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Igreja da Cruz Torta | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 12 | Vista externa Igreja da Cruz Torta

Figura 13 | Vista frontal Igreja da Cruz Torta

Figura 14 | Vista lateral Igreja da Cruz Torta

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4- Capela São Pedro apóstolo (1987): localizada na cidade turística de Campos do Jordão e projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, está implantada em um terreno com 3 metros de desnível, o que permite à capela ter dois pavimentos, sendo que o acesso é feito pelo pavimento superior (fig.15). A estrutura é apenas de concreto armado e todo o fechamento, de vidro, proporcionando a visão das montanhas ao fundo (fig.16). No pavimento inferior, encontrase um espelho d’água, que deixa o ambiente mais ameno e traz suavidade para o local. Apenas um pilar relevante central, sustenta não somente a laje do altar, como outra laje para o coro. Na parte inferior do coro, uma grande pintura de São Pedro, justifica o nome do local (fig.17). Existe no edifício quatro elementos importantes que o compõem: o altar, o sacrário, a pia batismal e a escada que conecta altar e batistério, além da escultura de São Pedro, de Elvio Becheroni, na

entrada da capela (figs.18 e 19). O piso da nave e do altar formam um volume único e o acesso ao coro é feito através de um degrau sobre a nave (fig.20). Todo este roteiro entre os níveis é proposital, gerando um percurso espiritual.

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Capela São Pedro apóstolo | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 15 | Vista lateral Capela São Pedro apóstolo

Figura 18 | Escada Capela São Pedro apóstolo

Figura 16 | Vista frontal Capela São Pedro apóstolo

Figura 19 | Escultura São Pedro Capela São Pedro apóstolo

Figura 17 | Pintura São Pedro Capela São Pedro apóstolo

Figura 20 | Corte Capela São Pedro apóstolo

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

5- Capela de Santo Inácio (1997): projetada por Steven Holl, está situada na Universidade de Seattle – nos Estados Unidos (fig.21). Holl buscou no significado dos “exercícios espirituais” jesuítas (diversos métodos que podem ajudar pessoas diferentes), o conceito para o projeto da obra. Por este motivo, o espaço é concebido por volumes diferentes que, juntos em sua base, formam uma unidade em forma de retângulo alongado (fig.22). São denominados de “7 garrafas de luz” (fig.23 e 24), pois cada painel colorido, disposto na cobertura destes sete volumes (fig.25) - durante o dia, captam a luz solar e refletem cores diferentes no interior da capela (fig.26 e 27) – e, durante a noite, o espaço torna-se uma espécie de farol, pois as luzes coloridas emitidas na capela, são refletidas no campus da Universidade (fig.28). A experiência visual exercida pelas cores - que se complementam ao combinar com a superfície branca das paredes - contribuem

para o conceito fenomênico da capela.

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Capela São Pedro apóstolo | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 21 | Vista frontal Capela Santo Inácio

Figura 22 | Corte e Planta baixa Capela Santo Inácio

Figura 25 | Vista lateral Capela Santo Inácio

Figura 26 | Vista interna Capela Santo Inácio

Figura 23 |Croqui Steven Holl Capela Santo Inácio

Figura 27 | Vista interna Capela Santo Inácio

Figura 24 | Croqui Steven Holl Capela Santo Inácio

Figura 28 | Vista noturna Capela Santo Inácio

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

6- Igreja da Luz (1999): projetada pelo arquiteto japonês Tadao Ando, está situada em Ibaraki, uma pequena cidade do Japão. Esta igreja corresponde ao pensamento filosófico de Ando sobre a relação entre natureza e arquitetura, pois utiliza a luz para definir o espaço e criar novas percepções dele. O arquiteto considera esta obra como uma arquitetura de dualidades: sólido / vazio; claro / escuro; austero / sereno. Estas dualidades ocorrem pela concepção construtiva da igreja, que por se constituir de uma grande caixa de concreto puro, sem qualquer ornamento (fig.29), torna o espaço para o culto mais escuro (fig.30). A intersecção da luz, emitida pela cruz, que sutilmente rasga a parede de trás do altar (fig.31), tende a elevar a consciência espiritual, mesmo sendo esta a única referencia religiosa.

Embora tenha sido construída de forma

minimalista - com apenas seis paredes e uma cobertura - a forma com que Ando projetou a

capela realçou os detalhes e tornou o espaço simples e sutil (fig.32).

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Igreja da Luz | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 29 | Maquete volumétrica Igreja da Luz

Figura 30 | Vista posterior Igreja da Luz

Figura 31 | Vista frontal Igreja da Luz

Figura 32 | Corte e Planta baixa Igreja da Luz

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

7- Capela Veneza (2002): situada em uma propriedade particular na cidade de Valinhos (interior de São Paulo), foi projetada pelo arquiteto Decio Tozzi, a pedido da proprietária da fazenda, para funcionar como templo para o casamento de suas netas. A capela, com apenas 225 m² de área construída, fica implantada à beira de um lago e, com poucos elementos construtivos, é capaz de prover uma interação com a natureza (fig.33 e 34). O conceito do arquiteto é o de assumir um caráter transcendente, atemporal, que possibilita a meditação da plenitude de Deus e da Natureza. Além disso, dois símbolos representam a obra: um, a grande concha branca de concreto que faz a cobertura do espaço e que remete ao abrigo do homem (fig.35); o outro, a cruz vermelha emersa na água, que remete a Cristo (fig.36). A capela é constituída pelos itens representados na fig.37. Durante a noite, o espaço iluminado se destaca

na paisagem (fig.38 e 39).

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Capela Veneza | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 33 | Vista frontal Capela Veneza

Figura 37 | Planta baixa Capela Veneza

Figura 34 | Vista posterior Capela Veneza

Figura 38 | Vista noturna Capela Veneza

Figura 35 | Capela Capela Veneza

Figura 36 | Cruz Capela Veneza

Figura 39 | Vista noturna Capela Veneza

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

8- Igreja do Santíssimo Redentor (2004): projeto do escritório Menis Arquitectos e localizada em La Laguna (uma cidade da Espanha), foi pensada para abrigar todas as crenças, sendo um local para reflexão, pois pode se tornar um templo ou um centro cultural (fig.40). O volume do espaço é dividido em quatro pedaços de concreto, separados e reajustados, permitindo um movimento diferente para cada um deles (figs.41 e 42). A luz entra pelos cortes entre cada volume por grandes vitrais (fig.43). Por ser um local sem elementos alusivos, torna o espaço mais fluido e propício para a reflexão espiritual (fig.44). As propriedades do material – concreto, combinadas a outros agregados, permitem uma clara eficiência acústica e energética (fig.45). Além disso, a articulação da forma com o desempenho dos componentes utilizados - texturas, luz, cheios e vazios e monumentalidade - traz uma percepção espiritual atemporal (fig.46).

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Igreja do Santíssimo Redentor| Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 40 | Implantação Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 41 | Planta Baixa Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 42 | Corte Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 45 | Esquema solar - Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 43 | Vitrais Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 44 | Vista interna Igreja do Santíssimo Redentor

Figura 46 | Vista interna Igreja do Santíssimo Redentor

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

9- Capela de campo Bruder Klaus (2007): projetada pelo arquiteto suíço Peter Zumthor e implantada em local de agricultura na cidade de Mechernich, Alemanha (figs.47 e 48), foi construída pelos próprios agricultores locais, para homenagear seu santo padroeiro Klaus Bruder. São evidentes os contrastes utilizados, que a capela apresenta do seu exterior para o seu interior, por Zumthor: na forma (retangular> curva), na textura (lisa>rugosa) e no material (pedra>concreto), (figs.49 e 50). O método adotado para a construção do espaço foi o uso de 112 troncos de árvore amarrados entre si, servindo como gabarito para a concretagem. Em seguida, os troncos foram incendiados deixando a cavidade oca e as paredes de concreto irregulares e carbonizadas. A forma obtida atrai o olhar das pessoas para cima, aonde a superfície é aberta (fig.51). Deste modo, a luz solar, as estrelas e também a chuva fazem parte do

espaço, mudando a percepção dele de acordo com o clima/ período do dia.

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Capela Bruder Klaus | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 47 | Implantação Capela Bruder Klaus

Figura 49 |Vista Externa Capela Bruder Klaus

Figura 50 |Vista Interna Capela Bruder Klaus

Figura 48 | Implantação Capela Bruder Klaus

Figura 51 |Vista Interna Capela Bruder Klaus

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

10- “Igreja Transparente” (2011): faz parte do projeto “Lendo nas Entrelinhas”, desenvolvido pela dupla de jovens artistas/ arquitetos belgas Pieterjan Gijs e Arnout Van Vaerenbergh. Foi projetada como uma intervenção no espaço e fica exibida em uma área rural da região de Borgloon-Heers, na Bélgica (fig.52). O conceito da obra transfere o questionamento sobre o papel da igreja na sociedade que, para eles, não é bem definido. Por esse fator, a instalação artística, em forma de igreja tradicional (fig.53), é concebida por placas espaçadas na horizontal (fig.54), que dão a sensação de: estar transparente em um momento e, em outro, parecem até paredes de uma construção normal. Deste modo,

a igreja e a paisagem podem ser

consideradas partes de um só projeto, favorecendo uma experiência subjetiva. Para a construção desta obra de arte, foram utilizadas 30 toneladas de aço e 2 mil colunas (fig.55). A obra faz parte

do projeto Z-OUT do museu de arte contemporânea, localizado em Hasselt, Bélgica.

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“Igreja Transparente” | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 52 | Implantação “Igreja transparente”

Figura 54 | Vista interna “Igreja transparente”

Figura 53 | Vista frontal “Igreja transparente”

Figura 55 | Construção “Igreja transparente”

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

11- Igreja da Semente (2011): situada em uma das sete famosas montanhas da China (Montanha Kuofu) e projetada pelo escritório de arquitetura chinês O Studio Architects. A obra leva esteve nome devido a sua aparência volumétrica ter sido baseada na forma de uma semente – elemento metafórico nas histórias Bíblicas (fig.56). Apesar da existência de vários templos taioítas e budistas na região, este espaço foi concebido para a fé ocidental cristã, uma vez que a mensagem cultural e religiosa é passada pela arquitetura pelo jogo de texturas de luz e de sombra (figs. 57 e 58). A curva em sua volumetria é dividida em 3 partes, que dão lugar aos acessos, permitem a entrada de luz na parte da manhã e na parte da tarde e a fachada mais densa, que acomoda as instalações sanitárias (fig.59). Além disso, as pessoas também podem subir ao terraço e, do mirante, observar a paisagem montanhosa peculiar (fig. 60). A estrutura

principal é feita de concreto moldado in loco com uma estrutura de bambu, dando uma textura diferente ao espaço (fig.61).

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Igreja da Semente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 56| Esquema Semente Igreja da Semente

Figura 57| Vital Igreja da Semente

Figura 59 | Planta Baixa Igreja da Semente

Figura 60 | Mirante Igreja da Semente

Figura 58| Vista interior Igreja da Semente

Figura 61 | Textura Igreja da Semente

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Os estudos de casos | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

12- Capela Joá (2014): localizada no morro do Joá no Rio de Janeiro e projetada pelo escritório Bernardes Arquitetura. Esta pequena capela de apenas 43m² foi definida pela fundação topográfica irregular do terreno, a partir da presença dos elementos naturais – floresta, céu e mar considerados como pressupostos básicos para a implantação neste local (fig.62). A concepção do conceito de simplicidade neste projeto, veio da seguinte forma: duas vigas metálicas fazem a sustentação do deck elevado e estão apoiadas em dois únicos pontos - no caminho de acesso existente e no pilar que nasce na parte mais baixa do terreno (fig.63 e 64). Este, no final da construção, eleva-se e transforma-se na cruz, que surge emoldurada junto à paisagem, os pórticos de madeira, que fazem parte da estrutura, envolvem o interior do espaço direcionando o olhar das pessoas, para o oceano e para a cruz (fig.65) e, por fim, os panos de

vidros fazem a vedação de forma quase imperceptível, permitindo uma total interação com a natureza (fig.66).

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Capela Joá | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 62| Implantação Capela Joá

Figura 63|Perspectiva explodida

Figura 65 | Vista interna Capela Joá

Figura 64 | Corte Capela Joá

Figura 66 | Vista interna Capela Joá

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VivĂŞncia consciente Relatos


Vivência Consciente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Este capítulo pretendeu abordar as visitas realizadas ao longo da pesquisa com a intenção de revelar a

importância da vivencia consciente na arquitetura (busca de sensações e percepções plenas da obra), conforme já discutido no capítulo 2. É por este motivo que as visitas aos espaços sagrados selecionados tornaram-se tão relevantes para este trabalho. Foram escolhidos, quatro espaços sagrados, apresentados em forma de testemunhos vivenciais, segundo o

olhar fenomenológico, junto com imagens colhidas pela autora in loco. A seleção desses locais, dentre os doze apresentados no capítulo 3, ocorreu devido a localização e disponibilidade dos espaços para visitas técnicas. São eles: a Capela Veneza (Valinhos), a Paróquia da Cruz Torta (São Paulo), o Santuário Dom Bosco (Brasília) e a Capela de São Pedro apóstolo (Campos do Jordão). Na Capela Joá os proprietários não permitiram a visitação.

Também foram produzidos vídeos autorais de todos os espaços visitados; sem cortes, pois a intensão é de o leitor possa te uma aproximação das experiências sonoras e espaciais destes locais - disponibilizados no CD que acompanha este volume.

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Capela Veneza


A viagem a Valinhos começou. Por ser interior de São Paulo o clima lá é quente; fui em Março, outono, mas aquele era um dia como os outros por lá, de muito calor... era meio dia quando entrei na fazenda. Muitas árvores. Cachorro latindo. A casa do caseiro. Aos poucos vou descobrindo o grande lago que margeia a casa... é quando ao fundo da paisagem, avisto a cruz vermelha, imponente e só... Flutuando sobre as águas. Como complemento, uma edificação aparece quase que sutil, como uma folha de papel que veio do céu e planou sobre a mata. Ao me aproximar, os detalhes começam a surgir... Um pequeno tanque batismal bem no canto na cor amarela me intriga. Por que aqui? Por que nesta cor? As frestas entre a estrutura “pousante” e as muretas de pedra que saem do solo, deixam o ambiente mais leve. Então me deparo com o lindo cenário que se forma ao me colocar no centro do espaço edificado, me sinto abraçada debaixo daquela grande concha com sua sombra... A cruz, os patos que estavam a nadar no lago... É possível sentir a presença Divina. Ao descer ao altar, quanto mais me aproximo da cruz , maior ela parece ser. Olho para trás... O fundo agora é a floresta, aquele lugar parece estar no meio dela. Tão poucos elementos, tanta harmonia.

Gabriella Neri


Capela Veneza | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 67 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora

Figura 68 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora

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Vivência Consciente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 69 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora

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Figura 70 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora


Capela Veneza | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 71 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora

Figura 72 | Fotografia Capela Veneza - Acervo da autora

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Igreja da Cruz Torta


Alto de Pinheiros, São Paulo. Lá, bairro residencial, fresco, com muita arborização pelas ruas. Era começo do dia, Maio... No caminho pude notar muitas pessoas saindo de suas casas para passear com os cachorros, havia aquela movimentação matinal; chego a passar pela paróquia, mas ela, quase imperceptível, não me chama a atenção; até que volto pela mesma rua, desta vez com o olhar bem atento e, finalmente, encontro o lugar desejado.

Na esquina, logo à frente, vejo a cruz tão mencionada. À medida em que vou entrando no terreno, o barulho dos carros vai diminuindo e chega a nulo. No espaço, vem de cima, uma luz natural iluminando o altar e uma cruz suspensa, menor e na cor vermelha. A cobertura inclinada, que cresce quando se aproxima da cruz, realça a sensação de me levar para o alto. E aquela luz natural vindo de cima... que maravilha!

Ao lado esquerdo estavam lá, José, Maria e o menino Jesus, talhados a mão, feitos de madeira, parecia que saíam da parede, junto com vários filetes de concreto dispostos de forma aleatória, compondo o cenário e induzindo o olhar para cima... Nas laterais do espaço, grandes janelas horizontais criam um ritmo para a entrada de luz, que ora avança sobe as pessoas, ora é barrada por perfis de madeira que fazem a vedação.

De repente, um senhor adentra no espaço, se ajoelha nos bancos e olha para a cruz. E aquela luz natural vindo de cima... Por lá ele fica durante um bom tempo; parece estar em paz com as suas reflexões. Não posso estar no meio de São Paulo; a temperatura amena, a luz calibrada, o silencio pairando... É possível sentir a presença Divina.

Gabriella Neri


Igreja da Cruz Torta | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 73 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora

Figura 74 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora

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Vivência Consciente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 75 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora

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Figura 76 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora


Igreja da Cruz Torta | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 77 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora

Figura 78 | Fotografia Igreja da Cruz Torta - Acervo da autora

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Santuรกrio Dom Bosco


Era uma viagem acadêmica, estávamos em Brasília, Setembro, o inverno estava por acabar e aquela cidade imersa pela alta temperatura. Cansados, apesar de ser de manhã, o calor estava forte. - Próxima parada, Santuário Dom

Bosco. Por fora, naquela caixa de concreto, um desenho de uma cruz rasga uma das fachadas e vários arcos góticos em sequência compõem a vista externa. Por dentro... Que maravilha! Aqueles arcos eram vitrais, imensos vitrais na cor azul, que me trazem, mais do que tudo, uma sensação de paz. Quanto azul, azul, azul, lilás? Reparo que os quatro

vitrais situados nas arestas do cubo são da cor lilás – que sutileza, que diferença! No altar, a cruz e Jesus estão lá, como no momento da crucificação; mesmo assim aquele azul não me permitiu sentir tristeza por ver aquela cena, e sim, sentir paz. Ao olhar para cima, quão alto, quão pequena sou, quão grandioso é Deus! As nervuras na cobertura levam o olhar para o centro dela, de onde pende um grande lustre, está desligado; também, não havia necessidade de acendê-lo, quanta luz penetra naquele lugar! A luz do sol já fazia seu papel, como se um pedaço do céu estivesse dentro daquele espaço. Gabriella Neri


Santuário Dom Bosco | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 81 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora

Figura 82 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora

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Vivência Consciente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 83 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora

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Figura 84 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora


Santuário Dom Bosco | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 85 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora

Figura 86 | Fotografia Santuário Dom Bosco- Acervo da autora

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Capela Sรฃo Pedro Apรณstolo


Capela São Pedro Apóstolo O inverno chegou! A melhor época para visitar aquela cidade... Campos estava recebendo muitos turistas por

ocasião do tradicional Festival de Inverno. Era sábado, fim de tarde, o sol já estava por sumir e o frio aumentava a cada instante. Enquanto isso as musicistas, do Trio Piratininga, se preparavam para tocar no recinto da Capela.

Que lindo vê-las ensaiando com o cenário do cair do sol nas montanhas; elas estavam “flutuando” na paisagem. A natureza invadia o espaço construído e elas faziam parte dessa cena... A transparência me permitia enxergar além. Já é noite e o espetáculo começa. Rapidamente os espectadores lotam o local, mas o único som que se ouve é o

dos instrumentos, que ecoam por cada canto, tocam na água e voltam aos meus ouvidos. Agora o cenário muda: elas são o foco e a natureza, tímida, permanece em seu lugar, dando vez às estrelas. A cada música, os sentimentos mudavam. O olhar no horizonte e um pensamento: Deus concedeu toda essa plenitude e pureza

para nós.

Gabriella Neri


Capela São Pedro apóstolo | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 87 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora

Figura 88 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora

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Vivência Consciente | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 89 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora

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Figura 90 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora


Capela São Pedro apóstolo | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 91 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora

Figura 92 | Fotografia Capela São Pedro apóstolo - Acervo da autora

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A percepção do Sagrado Atributos do projeto


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Os capítulos anteriores deste Trabalho de Conclusão de Curso, permitiram à autora: aprofundar o conhecimento sobre a corrente filosófica da Fenomenologia; investigar, a partir dos estudos de caso, como os pressupostos fenomenológicos se manifestam na arquitetura e, compreender os conceitos de espaço sagrado, a

partir das visitas técnicas aos locais com as arquiteturas sacras. Consubstanciando a hipótese de que o estilo de vida do século XXI (conturbado, competitivo, violento, acelerado, complexo, virtual e demandante) mobiliza as pessoas a buscarem uma conexão com algo maior, que as ajude a conviver com essa realidade, optou-se por projetar um espaço sagrado - ambiente favorável a meditação

e reflexão - possível de ser implantado em diferentes lugares. Nesse capítulo então foi descrito o processo de criação deste espaço sagrado, no qual recursos sensoriais foram explorados, experimentados e aplicados no projeto arquitetônico. Os atributos do projeto foram escolhidos a partir de critérios específicos, visando a criar uma atmosfera espiritual particular.

Assim, o ponto de partida para o projeto foi imaginar um espaço arquitetônico, que pudesse ser reproduzido/reimplantado/recriado em diferentes territórios e condições geográficas. Além disso, este espaço deveria apresentar qualidades arquitetônicas, geradoras de uma atmosfera intimista para o indivíduo que o frequenta, a partir de uma abordagem fenomênica.

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A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Tais qualidades, frequentemente presentes nas arquiteturas estudadas e tratadas por Holl (2011) como Zonas

Fenomênicas, podem ser identificadas como: água, luz, sombra, cor, transparência, textura, escala harmônica e relação com a natureza. O modo como estas qualidades foram dispostas e como elas se articularam no projeto, acentua a ideia de que podem suscitar diferentes experiências sensoriais às pessoas que interagirem com a obra. Adicionalmente aos aspectos físicos e concretos aqui abordados, também foi estabelecida, na proposta da criação arquitetônica do espaço sagrado cristão, uma correlação de sete simbolismos, a partir de seis fatos bíblicos e de uma explicação matemática, conforme apresentados a seguir.

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A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

O projeto em questão, pode ser reimplantado em diversos lugares; mas para isso, os locais devem ter alguns

critérios de implantação.

Oliveiras; e os discípulos o acompanharam. Chegando ao

lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis

fator

em tentação. Ele, por sua vez, se afastou cerca de um tiro de

fundamental para que esta atmosfera

pedra; e, de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres passa de

aconteça, pois a vista para um horizonte

mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, e sim a

A

altura

do

terreno

é

um

longínquo, pode permitir às pessoas uma outra mundo.

perspectiva de visão sobre o Em

paralelo,

outro

critério

relevante é a forte presença da natureza, que envolve um

clima ameno, som

neutro e que desperta a sensação paz e tranquilidade interiores.

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“E, saindo, foi, como de costume, para o Monte das

de

tua. Então lhe apareceu um anjo do céu, que o confortava.” Lucas 22: 39-43. Bíblia Sagada ARIB


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

O espaço foi concebido para que as pessoas caminhem em uma única direção, através de um formato longilíneo e curvo, cujos limites laterais evocam um símbolo bíblico. Este

percurso é composto por três “eventos” arquitetônicos, que

“E tomando pão, tenho dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo,

oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.

estimulam diferentes sensações em distintos lugares do

Semelhantemente, depois de cear, tomou o

espaço. O primeiro evento é formado por paredes laterais que

cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança

se abrem e convidam à entrada no local. Além disso, o nível

no meu sangue, derramado em favor vós. “

do piso vai se elevando, a partir de uma rampa ascendente e a cobertura vai sendo rebaixada. O segundo espaço qualificado

Lucas 22: 19e 20. Bíblia Sagrada ARIB

é estreito em todos os sentidos e iluminado por uma cortina de luz, que adentra no templo através de um rasgo criado nas fachadas, marcando a divisão entre o primeiro e o último

espaço. Por fim, o terceiro evento é um espaço nitidamente mais amplo do que os anteriores em relação a altura, largura e profundidade, culminando com a vista para o horizonte.

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A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

As duas paredes laterais que dão forma ao primeiro espaço, são revestidas de pedra e nelas circula

água

corrente

constantemente,

vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar que se

tornou terra seca, e as águas foram divididas. E os filhos de Israel entraram

estimulando as pessoas a entrarem

pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à

na atmosfera criada, imersas no

sua esquerda.... E viu Israel o grande poder que o Senhor operara contra os

som da água rolando sobre as

egípcios; e o povo temeu ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu

pedras,

em

contato

temperatura úmida e

com

a

com a

claridade mais baixa e deslocandose para um nível superior pela rampa. A experiência pode resultar também

em

uma

analogia

à

renovação/purificação ao transitar entre as paredes de águas.

92

“Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor, por um forte

servo.” Êxodo 14: 21,22 e 31. Bíblia Sagrada ARIB


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

O terceiro e último espaço pode ser correlacionado com três símbolos: o primeiro é a cruz, que aparece através de uma fenda

na cobertura do edifício

arquitetônico. Este rasgo tem a vedação em vidro colorido, priorizando o reflexo da cor azul no interior

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao

mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus,

do ambiente, aludindo ao céu e à sensação de paz.

mas em que ele nos amou, e enviou seu Filho como

A disposição em que o edifício é implantado (sempre

propiciação pelos nossos pecados.

voltado para o norte e com a entrada para o sul),

1 João 4: 9 e 10. Bíblia Sagrada ARIB

permite que a imagem da cruz seja projetada, no interior do mesmo, durante o dia todo, ora no piso, ora nas paredes. Além desta cruz na cobertura, o espaço também possui aberturas translúcidas - em

forma de fragmentos de cruz nas paredes laterais que em determinado horário do dia, compõe o desenho da projeção.

93


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Os outros dois símbolos do projeto arquitetônico podem ser observados no fim do percurso. Após passar pelo

processo de reflexão nos doze bancos

açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os discípulos, ao

dispostos ao lado da rampa principal, as

verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e disseram: É um

pessoas caminham por um piso de

fantasma! E tomados de medo, gritaram. Mas Jesus imediatamente lhes

vidro, que permite a visualização de um

falou: Tende bom ânimo! sou eu; não temais! Respondendo-lhe Pedro,

grande espelho d’agua, compondo um

cenário natural. A presença da água neste

ponto,

pode

evocar

outras

qualidades fenomênicas relacionadas à água corrente já citada,

propiciando

também uma sensação de confiança, fé, força e segurança.

94

“Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra,

disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E Ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas, foi ao encontro de Jesus.” Mateus 14: 24-29. Bíblia sagrada ARIB


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Por fim, a presença de uma árvore frutífera, como parte da entrega do projeto arquitetônico,

encerra o cenário de visão das pessoas, levando-as à confirmação da natureza viva e da continuidade da existência. O uma

fragrância

ambiente,

ativa

fato dela exalar particular mais

um

“Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem uma

árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” Mateus 7: 17-20. Bíblia Sagrada ARIB

no dos

sentidos e, além disso tudo, ainda oferece os frutos que ela produz, como alimentação às pessoas.

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A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Para concluir essa seção da analogia do simbolismo, também foi considerado - na criação do projeto do espaço sagrado – o conjunto dos princípios visuais da composição geométrica, que busca compreender os sistemas clássicos de proporções - como a seção áurea - e as relações entre as formas e os traçados reguladores. No contexto tanto do ambiente humano quanto na natureza, parece existir, de fato, uma preferencia cognitiva pelas dimensões baseadas na seção áurea (também conhecida como Divina Proporção) - proporção entre os lados, cujo valor é igual a 1:1,618. O primeiro estudioso a tratar deste assunto foi o psicólogo alemão Gustav Fechner, que abordou no final do século XIX, a predileção estética, arquetípica e transcultural pelas proporções da

seção áurea - o rosto e o corpo humano exibem as mesmas relações proporcionais matemáticas, constatadas em todos os seres vivos. Le Corbusier (1923). tempos depois, também já chamava a atenção para a relevância da seção áurea em todos os aspectos da Humanidade: “A geometria é a linguagem do homem, mas

ao determinar as distancias

respectivas dos objetos, ele inventou ritmos, ritmos sensíveis aos olhos, nítidos nas suas relações. E esses ritmos estão no nascimento de comportamentos humanos. Ressoam no homem por uma fatalidade orgânica, a mesma fatalidade que faz com que as crianças, os velhos, os selvagens, os letrados tracem a seção áurea.”

96


A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Uma das mais antigas investigações sobre as proporções anatômicas e arquitetônicas também pode ser encontrada nos tratados de um arquiteto latino do primeiro séc. DC., Marcus Vitruvius Pollio. Este artista recomendava que a arquitetura dos templos fosse baseada nas proporções ideais de um corpo humano, em que todas as partes estão em perfeita harmonia.

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A percepção do Sagrado | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Para complementar a descrição do projeto, apresentado neste capitulo, é preciso também explanar sobre a seleção do material que constituiu o edifico arquitetônico. O concreto foi escolhido pois, além de ser um material que viabiliza a construção das formas curvas e dos rasgos nas fachadas, é um produto construído pelo homem,

advindo da matéria prima oferecida por Deus, a pedra.

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Um Local de Fé - Ensaios - Projeto


Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Este capitulo se propõe a apresentar os ensaios realizados durante o desenvolvimento do projeto, por meio de croquis e maquetes, bem como a produção do projeto final, a partir de desenhos técnicos, detalhes construtivos, imagens em 3D e colagens conceituais de implantação.

102


Ensaios | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figuras 92-95 | Maquete para estudo de Iluminação Acervo da autora

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Informações Técnicas - O edifício arquitetônico tem como premissa a utilização de poucos elementos construtivos, com o caráter de uma arquitetura mais fluida. É todo estruturado por uma casca de concreto autoportante e engastado em apenas uma viga longitudinal na parte inferior. - No interior do edifício, há dois pontos em que a água está presente, no começo do percurso e no final. Esta água circula constantemente por sistemas de bombeamento separados em si, o primeiro sistema, bombeia a água para cima, para escorrer pelas paredes laterais. O segundo capta a água da natureza e circula no espelho d’água do espaço construído. - Os doze bancos do espaço foram projetados para oferecer melhor conforto para o usuário. Visando duas diferentes posições: a de sentar (reflexão) e a de ajoelhar (oração). - Ao anoitecer, o edifício fica iluminado por luzes artificiais embutidas em todos os rasgos das fachadas (por meio de fitas de led), para que as pessoas possam continuar tendo a sensação de uma claridade vindo de fora do espaço. A luz também está presente nos cenários que comtemplam as águas, com o mesmo acabando das anteriores. 104


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Implantação - Partindo do discurso de que projeto seja recriado em diferentes territórios, a autora visitou diversos lugares com as características pré-estipuladas e, então, 3 locais foram selecionados para representar as possibilidades de implantação. Esses terrenos - localizados em cidades próximas a São Paulo, o primeiro na cidade de Cotia, o segundo em Caieiras e o terceiro Mairiporã - foram selecionados em virtude da inclinação propícia e da vista que eles oferecem para as pessoas, cuja paisagem prioriza a natureza, o recolhimento e o distanciamento da cidade. As imagens a seguir, trazem também coordenadas geográficas dos lugares escolhidos.

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

COTIA | SÃO PAULO | BRASIL 106


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

VISTA TERRENO | COTIA

Fig.98, acervo da autora.

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

CAIEIRAS | SÃO PAULO | BRASIL 108


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

VISTA TERRENO | CAIEIRAS

Fig.97, acervo da autora.

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

MAIRIPORÃ | SÃO PAULO | BRASIL 110


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

VISTA TERRENO | MAIRIPORÃ

Fig.96, acervo da autora.

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112

IMPLANTAÇÃO – exemplo local: pico do olho d'água, Mairiporã

0 3

1110 m

1120 m

1130 m

1170 m

Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

5

10 m


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PLANTA

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

CORTE A

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CORTE B


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

CORTE C

CORTE D

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

CORTE E

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Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Detalhes técnicos

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PERSPECTIVA

118


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PERSPECTIVA

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

120

PROJETO FINALIZADO – VISTA INTERNA


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PROJETO FINALIZADO – VISTA INTERNA

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

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PROJETO FINALIZADO - IMPLANTADO EM COTIA


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PROJETO FINALIZADO – VISTA DA PAISAGEM- COTIA

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

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PROJETO FINALIZADO - IMPLANTADO EM CAIEIRAS


Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PROJETO FINALIZADO – VISTA DA PAISAGEM- CAIEIRAS

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Um local de fé | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PROJETO FINALIZADO - IMPLANTADO EM MAIRIPORÃ

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Projeto | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

PROJETO FINALIZADO – VISTA DA PAISAGEM- MAIRIPORÃ

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Considerações Finais | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Considerações Finais Este Trabalho de Conclusão de Curso originou-se de temas intrigante para a autora: de que maneira os espaços arquitetônicos podem interagir com as pessoas? E que qualidades arquitetônicas estão presentes em espaços destinados ao contato do homem com o que julga ser Divino? Partindo desses questionamentos, o trabalho direcionou a arquitetura para além de seus atributos funcionais e estéticos, identificando recursos e estímulos que pudessem conferir ao projeto arquitetônico uma

abordagem

fenomenológica. Intitulado “Santuário Sete Símbolos", esse espaço sagrado foi projetado para ser implantado em diferentes territórios, servindo de abrigo para que pessoas sintam-se acolhidas e envolvidas numa atmosfera de conforto emocional e

tranquilidade. O resultado, traduzido na criação desse projeto, revelou-se para a autora uma oportunidade especial para conciliar - seu interesse pela influência da espiritualidade, com os conhecimentos arquitetônicos aprendidos durante sua formação. A intenção da autora, após a experiência desse trabalho, é de que esse rico processo, não se feche somente nela,

mas se estenda às demais pessoas e que as mesmas sintam o desejo de se aprofundar nesse estudo tão atraente da fusão do Criador e da criatura. 129


Referências Bibliográficas


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Lousiana

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Lista de Imagens


Lista de Imagens | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 1 – Diagrama elaborado pela autora Figura 2 – Capela dos Capuchinhos. Retirada de <www.plataformaarquitectura.com> Figura 3 - Capela dos Capuchinhos. Retirada de <www.news.urban360.com.mx>

Figura 4 - Capela dos Capuchinhos. Retirada de <www.noticias.arq.com.mx> Figura 5 - Capela dos Capuchinhos. Retirada de <www.arinsp.tumblr.com> Figura 6 - Capela dos Capuchinhos. Retirada de <www.lavalise.com.mx> Figura 7 - Santuário Dom Bosco. Retirada de <www.vemviverbrasilia.blogspot.com> Figura 8 - Santuário Dom Bosco. Retirada de <www.ex-tudos.com.br> Figura 9 - Santuário Dom Bosco. Retirada de <www.flickr.com> Figura 10 - Santuário Dom Bosco. Retirada de <www.blog.cancaonova.com> Figura 11 - Santuário Dom Bosco. Retirada de <www.flickr.com> Figura 12 - Igreja da Cruz Torta. Retirada de <www.cruztorta.org.br> Figura 13 - Igreja da Cruz Torta. Retirada de <www.ricardoamado.fot.br> Figura 14 - Igreja da Cruz Torta. Retirada de <www.ricardoamado.fot.br> Figura 15 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 16 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 17 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.archdaily.com.br>

Figura 18 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.archdaily.com.br> 136


Lista de Imagens | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 19 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.umpouquinhodecadalugar.com> Figura 20 - Capela São Pedro apóstolo. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 21 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br>

Figura 22 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 23 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 24 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 25 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 26 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 27 - Capela Santo Inácio. Retirada de <www.archdaily.com.br> Figura 28 – Capela Santo Inácio. Retirada de <www.b9.com.br> Figura 29 – Igreja da Luz. Retirada de <www.mediation.centrepompidou.fr> Figura 30 - Igreja da Luz. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 31 - Igreja da Luz. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 32 - Igreja da Luz. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 33 – Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 34 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 35 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com>

Figura 36 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com> 137


Lista de Imagens | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 37 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 38 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 39 - Capela Veneza. Retirada de <www.archdaily.com>

Figura 40 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 41 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 42 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 43 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 44 – Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 45 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 46 - Igreja do Santíssimo Redentor. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 47 - Capela Bruder Klaus. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 48 - Capela Bruder Klaus. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 49 - Capela Bruder Klaus. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 50 - Capela Bruder Klaus. Retirada de <www.snpcultura.org> Figura 51 - Capela Bruder Klaus. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 52 - “Igreja transparente”. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 53 - “Igreja transparente”. Retirada de <www.archdaily.com>

Figura 54 - “Igreja transparente”. Retirada de <www.archdaily.com> 138


Lista de Imagens | Arquitetura do Sagrado - percepção, sensação e reflexão

Figura 55 - “Igreja transparente”. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 56 – Igreja da Semente. Retirada de<www.openbuildings.com> Figura 57 - Igreja da Semente. Retirada de <www.archdaily.com>

Figura 58 - Igreja da Semente. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 59 - Igreja da Semente. Retirada de <www.metropolismag.com> Figura 60 – Igreja da Semente. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 61 - Igreja da Semente. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 62 – Capela Joá. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 63 - Capela Joá. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 64 - Capela Joá. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 65 - Capela Joá. Retirada de <www.archdaily.com> Figura 66 - Capela Joá. Retirada de <www.archdaily.com> Figuras 67 a 72 – Fotografias Capela Veneza. Acervo da autora (Março 2016) Figuras 73 a 80 - Fotografias Igreja da Cruz Torta. Acervo da autora (Maio 2016) Figuras 81 a 86 - Fotografias Santuário Dom Bosco. Acervo da autora (Setembro 2016) Figuras 87 a 92 - Fotografias Capela São Pedro apóstolo. Acervo da autora (Julho 2016) Figuras 92 a 95 - Maquete para estudo de Iluminação. Acervo da autora (Setembro)

Figuras 96 a 98 – Fotografias Terrenos escolhidos. Acervo da autora (Outubro) 139

Arquitetura do Sagrado: Percepção, Sensação e Reflexão  

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para obtenção do título de bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Aluna: Gabriella Neri Gutierrez. Orient...

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