Page 1


As cidades são construídas de histórias, memórias e mistérios, feitas de um estuário de afetos, retóricas, discordâncias, interesses, apegos, datas e festas. Grandes celebrações. São os homens com seus sólidos perfis que constroem e desmancham as cidades todos os dias. A Coleção Pajeú, publicada por meio da Secretaria da Cultura do Município de Fortaleza, é uma proposta editorial que pretende reafirmar o patrimônio material e imaterial dos bairros da nossa cidade, permeada por uma consciência histórica e cidadã. Esta terceira etapa contempla os livros Conjunto Palmeiras, José Walter, Montese, Pirambu, Praia de Iracema e Rodolfo Teófilo. Além de Música de Fortaleza, da Série Fortaleza Plural; e os infantis Teatro São José e Maracatu. Foto da capa Trecho da avenida Gomes de Matos.


Montese


Obra realizada com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza – Secultfor. Prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra Vice-Prefeito de Fortaleza Gaudêncio Gonçalves de Lucena Secretário Municipal da Cultura de Fortaleza Francisco Geraldo de Magela Lima Filho Secretária-Executiva Paola Braga de Medeiros Assessora de Políticas Culturais Nilde Ferreira Assessor Jurídico Vitor Melo Studart Assessora de Comunicação Paula Neves Coordenadora de Ação Cultural Germana Coelho Vitoriano Coordenadora de Criação e Fomento Rejane Reinaldo

Coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural Jober José de Souza Pinto Coordenadora Administrativo-Financeiro Rosanne Bezerra Diretora da Vila das Artes Cláudia Pires da Costa Diretora da Biblioteca Pública Dolor Barreira Herbênia Gurgel Diretor do Teatro São José Pedro Domingues

Secretário da Regional IV Francisco Wellington Sabóia Vitorino


Raimundo Nonato Ximenes

Montese


Copyright © 2016, Raimundo Nonato Ximenes

Concepção e Coordenação Editorial Gylmar Chaves Projeto Gráfico e Diagramação Khalil Gibran Revisão Milena Bandeira Lívia Leitão Fotos da Capa e Contracapa Rafael Crisóstomo Assessoria Técnica Adson Pinheiro Graça Martins Dados Internacionais de Catalogação na Publicação X7m

Ximenes, Raimundo Nonato Montese / Raimundo Nonato Ximenes. - Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2016. 60 p. (Coleção Pajeú) ISBN: 978-85-420-0800-5 1. Bairros- aspectos sociais 2. Montese- usos e costumes 3. Hisória e memórias I. Título

CDD: 918.1310


Sumário Introdução 9 Aqui finquei minhas raízes 13 Estrada do Gado – Caminho dos Bois – Avenidas – Ruas e becos do Montese 17 A rua 15 de Novembro 21 Avenida Gomes de Matos 25 Ocupação do solo e famílias 31 Ruas, becos e mitos 33 Botecos, bares e boticas 35 Serviços de alto-falante 39 Gosto por associações 41 Religiosidade e o “Milagre” 45 Meios de locomoção 47 Sistema Educacional 49 O Sistema de Saúde no bairro 51 Um trágico acidente e seus milagres 53 Vi, vivi e me contaram 55 Referências 57


Apresentação Neste ano de 2016, a nossa cidade de Fortaleza completa 290 anos e continua a nos envolver com seu traçado urbano, história de lutas, celebrações e benquerença de nossa gente. Ao editarmos a Coleção Pajeú, que reúne escritores, memorialistas, pesquisadores, fotógrafos, revisores e designers, queremos reafirmar a trajetória histórica da nossa Capital, ao mesmo tempo que anunciamos ao universo dos nossos bairros um itinerário constituído de litoral e sertão, espaços de afetos e de memórias, singularidades e pluralidades que compõem o conjunto de nossas relações enquanto cidade e cidadãos. Nossa Coleção percorre oralidades, referências bibliográficas, travessias, séculos, perfis, datas e festas. Uma escrita fina que, muito bem, pode ser lida sob a brisa forte de nossa terra e a sombra dos palmares, mas, sobretudo, que resgata e eterniza nossos traços e belezas. Parabéns, Fortaleza! Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra Prefeito de Fortaleza


Introdução

E

xiste um axioma que diz: “Feliz o povo que tem alguém interessado em contar sua história”. Então, aqui estou eu, trazendo a lume, para a Coleção Pajeú, o bairro Montese, o que faço com o objetivo de repassar um pouco da história do bairro que presenciei nascer. Para evitar anacronismos, convencionei o dia 14 de abril de 1946 como data oficial de sua fundação.

Pelo impulso da inquietação e de reter o conhecimento histórico do bairro onde resido há 70 anos, e de onde só sairei para a morada definitiva, perscrutei os arquivos da memória e revi em documentos os fatos importantes que acabaram por originar este livro. Como a História é um verdadeiro devir, e registrá-la nos leva à clareza e à compreensão dos fatos, quero deixar meu testemunho sobre a trajetória do Montese, na certeza de que isso será útil tanto para seus moradores de hoje quanto para as gerações futuras.

Cordiais saudações do autor.

9


Como nasceu Montese Quisera ser poeta Para em versos proclamar Que nasci em Groaíras No sertão do Ceará Mas fui trazido pra Fortaleza Com a esperança de voltar Pois lá deixei a noiva Com o compromisso de casar Fui chamado pra guerra E não podia me esquivar Digo agora ao leitor Por que vim aqui morar Se o leitor me perguntar Respondo com alegria Onde resolvi morar No Montese, assim diria Deus me deu por moradia Neste bairro, um bom lugar! Pra ficar com a família E ver tudo prosperar De Pirocaia eu teria Este nome que mudar 11


E assim nasceu Montese Ocupando o seu lugar Com isso eu só queria Feito da FEB exaltar Que ela bem merecia Ninguém pode contestar Ao leitor eu pediria Que me queira acreditar Pois quero com alegria Esta história contar R. Ximenes

12


Aqui finquei minhas raízes

A

ntes de ser denominado Montese, o lugar era chamado de Pirocaia, topônimo que vem do Tupi, e é formado por três elementos: pira = pele; oka = casa, morada, aldeia; e caia = queimada. Por aglutinação, cai a vogal de pir(a), a última sílaba de o(ka), permanecendo caia, temos a Pirocaia, que é traduzido como Aldeia dos Pele Queimada, referência, talvez, a alguma tribo que teria habitado estas terras, segundo Raimundo Batista Aragão, em sua Gramática Tupi, publicada em 1996.

Nestas terras existiam puras e cristalinas fontes de água potável, a afamada Água da Pirocaia, que era vendida por toda a cidade em tonéis de madeira sobre carroças puxadas por burros, para o consumo da população de Fortaleza. Era considerada a melhor água da região e a que abastecia a cidade antes da chegada da CAGECE. O principal posto de fornecimento da referida água ficava na rua Romeu Martins (antigo Beco da Itaoca), situada entre a avenida João Pessoa e a rua Desembargador 13


João Firmino, nas terras do doutor Manuel Sátiro, que hoje é nome de um bairro de nossa capital. Os mais idosos lembram ainda a preciosidade daquela água, que o progresso do Montese conseguiu destruir. Na casa onde ainda hoje resido, na avenida Gomes de Matos, a água de consumo era proveniente de cacimbas abertas no meu próprio quintal. Atualmente, não só aquela fonte, mas também todo o lençol freático do bairro está com altíssimo índice de poluição, por causa das fossas, o que acarreta sérios problemas para a saúde pública, pois nem toda residência possui água do Sistema de Saneamento Básico que no Montese foi instalado. Na realidade, a origem deste bairro está atrelada a minha convocação para o Serviço Militar, em setembro de 1944, no 23º Batalhão de Caçadores (atual sede da 10ª Região Militar), onde fui incorporado e treinado para servir ao Brasil na guerra que se propagava na Europa. Tive, então, de deixar Groaíras, cidade situada no noroeste do estado, a 247 km de Fortaleza, meus familiares e a noiva de quem sentia imensa saudade. Porém, a defesa da pátria estava em primeiro lugar, como diziam os instrutores. Para minha felicidade, não combati no front, pois, enquanto aguardava embarque, fui destacado para o Paiol da Pólvora, na antiga Lagoa Seca, onde hoje está situado o bairro 14


Pirambu. Foi nesse local que tive um dos maiores alívios de minha vida, no dia 8 de maio de 1945, quando foi anunciado o fim da guerra na Europa, com a rendição total da Alemanha. Livre do pesadelo da guerra, como sertanejo nato e agricultor que era, planejava, após meu licenciamento do serviço militar, retornar as minhas labutas no campo, cuidar do roçado, da criação de animais e casar. Mas o destino reservou-me outro caminho: permanecer em Fortaleza. No fervor do momento, redigi algumas linhas para minha noiva Libânia Feijão Ximenes (Lili). Na época, eu ainda não tinha cursado nem o primário, mas aquela carta era o bastante para ela entender os rabiscos de um analfabeto apaixonado. Ainda nas comemorações do fim da guerra, foi que minha história com o bairro Montese começou. Deparei-me com um amigo de infância de meu pai que me ofereceu um terreno na Pirocaia, onde eu poderia construir minha casa e ficar morando em Fortaleza. Quanto ao pagamento, eu não precisaria me preocupar, pois pagaria como pudesse. “O interior não tem futuro para você, é na cidade que se fazem os homens” dizia ele, tentando persuadir-me a ficar aqui. Conheci o terreno. Era um imenso matagal por onde passava um riacho que o alagava. Mesmo assim, aceitei a sugestão do amigo. E, nesse lugar, no início de 1946, construí uma casinha de taipa, minha primeira residência, que se localizava na antiga Estrada do Gado. 15


Estrada do Gado – Caminho dos Bois – Avenidas – Ruas e becos do Montese

H

á registro que foi a partir de 1873, ano aproximadamente da inauguração do trecho da ferrovia Estrada de Ferro de Baturité ligando Parangaba à Estação Central, que se construiu a Estrada do Gado, antiga Caminho dos Bois. A história do Montese advém dessa estrada, por onde passavam os rebanhos destinados ao abate, no matadouro situado no atual bairro Otávio Bonfim; e, a partir de 1926, também do Matadouro Modelo, construído às margens da lagoa do Tauape, onde hoje está o Colégio Paulo VI. Na Estrada do Gado, havia uma fileira de postes dos Correios e Telégrafos, que transmitiam mensagens por meio do código Morse. Em frente a minha residência, na avenida Gomes de Matos, conserva-se um desses postes. Principal avenida do bairro, a antiga 14 de Julho recebeu essa denominação dos franceses residentes no Ceará, que, a partir do 2º quartel do século XIX, exerceram grande influência na vida sociocultural e econômica de Fortaleza. 17


A avenida 14 de Julho substituiu a antiga Estrada do Gado. O nome fazia referência à Queda da Bastilha, data marcante na história dos povos, que têm suas raízes na Revolução Francesa, movimento popular desencadeado na França contra o absolutismo da monarquia reinante. A queda da fortaleza da Bastilha, no dia 14 de julho de 1789, simbolizava o início do fim da época do mais despótico e injusto dos regimes, em que se oprimia o povo de modo arbitrário e cruel. Foi a partir de então que teve andamento o processo de libertação socioeconômica do camponês vassalo, já iniciado no século XII, contra os abusos do senhor feudal, o suserano, que espoliava e mantinha o domínio, até mesmo da vida privada dos seus súditos. Tudo isso teve repercussão ideológica no mundo do trabalho em vários países, principalmente na Europa, com reflexo também no Brasil, servindo de base para que, no primeiro governo de Getúlio Vargas, fosse gerado o embrião de nossa Justiça do Trabalho que teve sua implantação definitiva como poder competente, conferido pela Constituição de 1946, ano de fundação do Montese. Em 1955, na gestão do prefeito Paulo Cabral de Araújo, já com a denominação de Boulevard aportuguesada para avenida, a 14 de julho foi pavimentada e calçada com pedra tosca, um dos primeiros melhoramentos 18


que o Montese recebeu do poder público, e ainda assim, em parceria com os proprietários de imóveis, modo como também foram, gradativamente, conseguidos outros benefícios, inclusive os postes para a instalação da primeira rede de fiação elétrica. O asfalto, que ainda está sobre a avenida, foi colocado em 1968, no segundo ano de administração do engenheiro José Walter Barbosa Cavalcante, então prefeito de Fortaleza, quando foi batizada pela câmara municipal como avenida Professor Gomes de Matos, em homenagem ao eminente professor e jurista cearense, Raimundo Gomes de Matos. Essa mudança de nome da rua não foi bem aceita de imediato pelos moradores do bairro. Tanto é que muitos continuam chamando a Gomes de Matos de 14 de Julho. Não se sabe se por hábito ou por protesto. Argumentam alguns que foi arrancada importante página da história sem consulta prévia aos moradores. À época, houve uma série de protestos por parte dos moradores do bairro com o aval da colônia francesa radicada em Fortaleza. Houve, também, manifestação contrária da imprensa, na tentativa de anular a decisão do prefeito José Walter. O jornal O Povo publicou matéria em forma de editorial do jornalista e historiador Blanchard Girão, mostrando a importância histórica ignorada até mesmo pelos vereadores que endossaram tal mudança sem, contudo, deixar de mostrar alternativas para perpetuar a figura de Gomes de Matos. 19


Algumas das ruas do Montese receberam nomes de personalidades francesas de destaque da sociedade local. Outras são referências a nossa própria história e ao nosso folclore.

20


A rua 15 de Novembro

I

nicialmente avenida e posteriormente rua, a denominação desta rua é uma alusão à proclamação da República. É de quando o Montese ainda era chamado Pirocaia. Era apenas uma ruela margeada de cerca de arame farpado, desde a Avenida João Pessoa até um sítio de propriedade da família Monteiro. Com a construção do campo de pouso do Cocorote, em 1942, o qual foi ampliado no ano seguinte, a propriedade foi cedida aos americanos aquartelados em Fortaleza. Uma capelinha, dedicada a Nossa Senhora Aparecida, existente naquele recanto, foi demolida em julho de 1943. Em mesma época, a antiga estrada foi pavimentada com pedra tosca, revestida de cimento, passando a servir de acesso único ao aeroporto, durante e após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Antes do início da década de 1960, com um quilômetro de extensão, ela começava na avenida João Pessoa, onde se localiza o Bar Avião, e terminava no portão que também dava acesso à Base Aérea. Atualmente, ela termina na avenida Carlos Jereissati. 21


Por esta rua, passaram importantes personalidades nacionais e estrangeiras, que desembarcavam no campo de pouso do Cocorote, como chefes de Estado; presidentes da República, dentre eles, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Café Filho, Marechal Dutra; líderes políticos, como Juarez Távora, Luís Carlos Prestes, Adhemar de Barros; ministros; embaixadores; além de comandantes militares norte-americanos em viagem de inspeção às tropas aqui sediadas durante o período de guerra. Destaque-se, também, a passagem de artistas famosos, como Lúcio Alves, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Carmem Costa e muitas outras figuras reconhecidas. As celebridades, sempre em carro aberto, recebiam os aplausos dos moradores. Os veículos, de modelos Ford, Hudson e Mercury, cujo proprietário era o senhor Altenor Ribeiro Câmara, que morava nas proximidades do portão da Base Aérea – a família ainda mora na mesma casa, quase esquina com a rua Equador –, eram alugados à Panair do Brasil para o transporte daquelas pessoas consideradas importantes. Com a pavimentação da rua 15 de Novembro, sítios e mansões foram dando lugar a novas construções. Mas muitas daquelas mansões ainda resistem. Dentre as antigas residências, conhecemos as dos cirurgiões-dentistas Walter Bezerra, Francisco de Castro Bonfim e Walfrido Teixeira Chagas; a do coronel Tito Canto; a do inspetor Joaquim Simão; a de Antônio Carneiro; a de Guálter Marques; a 22


de Ubiratan Costa; a de Edmar de Oliveira; a de Chico Amâncio; a de José Amauri Rocha; a de Pedro Capoulard; e a de Antonio Pinto, onde era montada uma sofisticada lapinha de Natal. Não se sabe exatamente o ano, mas presume-se que tenha sido no período da guerra, por ocasião da transferência do campo de pouso do Pici para o Cocorote, que Antônio de Paulo Lemos, inspirado pela presença constante de aeronaves, teve a ideia de construir, em frente ao hospital São Vicente de Paulo, início da 15 de Novembro, uma caixa d’água com o formato de um avião bimotor, o que deu origem ao famoso Bar Avião (Bavião), que foi ponto de encontros, inclusive dos soldados americanos com as “garotas coca-cola”1. Atualmente, é referência de limite entre os bairros Montese e Parangaba. Foi pela rua 15 de Novembro que saíram do Ceará, rumo ao exterior, as primeiras remessas de lagosta. Nessa rua, instalou-se também a fábrica Santa Cecília, que tanto contribuiu para o desenvolvimento da indústria têxtil no Ceará. Sempre, às 4h30 da manhã, ouvia-se seu apito anunciando mais um novo dia de trabalho. Destacavam-se também, na rua 15 de Novembro, as padarias dos Góis e do Guálter Marques; o açougue do 1 Denominação dada às moças de famílias tradicionais que saíam em busca de agitação com os soldados americanos vindo ao Ceará em virtude da guerra, em meados de 1940.

23


“Caboco”; o bar do Neném Pio, avô do saudoso repórter fotográfico Edson Pio, do jornal O Povo; e a presença infalível dos seresteiros Raimundo Faustino, José Lopes, João Gafieira, Cabo Linhares – o “Careca” da sanfona –, Raimundo Bonifácio com seu plangente violão, dente outros boêmios que transformavam as noites da velha avenida em momentos de encanto e de muita poesia. Havia também o quarteirão da boemia, que o exvereador Narcílio Andrade, quase sempre acompanhado de Iatagan Costa, seu cunhado, frequentavam antes de os dois se filiarem aos alcoólatras anônimos. Atualmente, há um projeto de alargamento de 14 metros que, se executado, a rua 15 de Novembro voltará à categoria de avenida, título que perdeu com a evolução do bairro.

24


Avenida Gomes de Matos

A

atual avenida Gomes de Matos, uma das sucessoras do Caminho dos Bois, provavelmente, iniciou-se pelos idos de 1873. Embora ainda haja quem a chame pelo nome antigo de Estrada do Gado, já teve sua denominação mudada umas quatro vezes. Convido o leitor para percorrer os mais de dois mil metros de extensão dessa avenida. Pela Lei Municipal 3.566/68, de 09 de julho de 1968, na gestão do então prefeito de Fortaleza, engenheiro José Walter Barbosa Cavalcante, a antiga Boulevard 14 de Julho, com suas areias movediças e seus atoleiros, passa a ser chamada de avenida Gomes de Matos, já asfaltada. Sua inauguração aconteceu no dia 28 de março de 1969, data em que os moradores tomaram conhecimento da mudança do nome. De acordo com o dispositivo com que a avenida Gomes de Matos foi criada, ela deveria ter início na avenida 13 de Maio e término na via férrea que faz o trecho da Parangaba ao Mucuripe. 25


A rua Jorge Dummar obedecia ao mesmo traçado da avenida Gomes de Matos, que tem início no entroncamento com a rua PRE-Nove, e término na confluência das ruas Isaie e Aquiles Boris com Antônio Fiúza, Barão de Sobral e César Rosas. A partir do número 8 até o final, que contém o número 1970, fazem conexão com a avenida Gomes de Matos as ruas Jorge Dummar, PRE-Nove, Ana Néri, Delmiro de Farias, André Chaves, Samuel Uchôa, Aberto Magno, Professor Costa Mendes, Afrodísio Gondim, Das Flores, Dulcinéia Gondim, Raul Uchôa, Desembargador Praxedes, Benjamim Carneiro Girão, Sátiro Dias, Vasco da Gama, Eduardo Angelim, Alfredo de Castro, Venezuela, Álvaro Fernandes, Alan Kardec, Irmã Bazet, Coronel Alexandrino, Romeu Martins, Tenente Moacir Matos, Antônio Fiúza, Barão de Sobral e César Rosas, somando, assim, um total de 28 ruas. Historicamente, poderíamos comparar a avenida Gomes de Matos com a avenida Paulista, em São Paulo, que, também, já foi passagem de boiadas para o matadouro antigo daquela capital. Foi a partir de 1890 que a avenida Paulista passou a ser o ponto preferido dos magnatas do café, onde construíram luxuosas residências, criaram grande centro comercial e inúmeras agências bancárias. A avenida Gomes de 26


Matos, assim como a avenida Paulista, teve a influência dos franceses, pelo menos no que diz respeito ao estilo das mansões ali edificadas, tornou-se um referencial para o bairro e liga o centro da capital ao interior. Pela sua posição geográfica, despertou o interesse dos investidores a ponto de tornar-se um grande e movimentado centro comercial. Voltando à comparação com a avenida Paulista, relativamente ao setor bancário, aqui, atualmente, dispomos também de mais de 10 agências. No tocante ao comércio, há uma variedade imensa de lojas de tecidos e de casas comerciais com predominância das de autopeças, além de pequenas indústrias, restaurantes, bares, farmácias, postos de combustível, funerárias e floriculturas. Há também, em pleno funcionamento, uma agência dos Correios e Telégrafos (ECT). Por sua potencialidade, a Gomes de Matos já se transformou num grande corredor de tráfego, o que obrigou as autoridades do trânsito a instalarem oito semáforos em toda a sua extensão, contudo, não ficou mais fácil trafegar por ela livremente. Agora, no final de 2015, no intuito de reparar essa situação, a avenida ganhou o binário, melhorando, com isso, a mobilização de veículos, principalmente dos ônibus. Em 1947, quando era prefeito de Fortaleza o doutor José Leite Maranhão, foi aprovado um plano de urbanização para a cidade de Fortaleza, o chamado Plano Saboia Ribeiro, elaborado pelo urbanista cearense José Otávio 27


Saboia Ribeiro. Esse plano previa, para a atual avenida Gomes de Matos, duas pistas de rolamento com um canteiro central. O projeto acabou abandonado e as consequências desse abandono são facilmente percebidas. No centro comercial do Montese, que fica também na avenida, estabeleceu-se o maior mercado ambulante do bairro, onde de tudo se pode encontrar, como peixe fresco, vários tipos de carne, aves vivas ou abatidas, queijo, feijão verde, milho verde, legumes e todo tipo de frutas. Foi ali que, também, começou a especulação imobiliária, desrespeitando o Plano Urbanístico da cidade e gerando uma desordem no local. Esta, no entanto, vem diminuindo desde a inauguração do Mercado do Peixe, já na gestão do atual prefeito Roberto Cláudio, no dia 11 de setembro de 2013, na Gomes de Matos. O progresso é bom, mas é demolidor. Quando a avenida Gomes de Matos ainda era Estrada do Gado, lembro-me que, vez por outra, o silêncio das madrugadas era rompido apenas pelo barulho dos chocalhos das tropas de jumentos que passavam com cargas rumo ao centro para abastecer a cidade. Com a chegada do calçamento, aquele barulho suave foi substituído pelo ruído agressivo dos pneus de automóvel em contato com as pedras toscas do calçamento. Barulho 28


perturbador e estranho ao ouvido de quem estava acostumado com a quietude e com o silêncio daquelas madrugadas. A intensidade do trânsito, carros de som, motos em disparada com suas descargas “envenenadas”, freadas bruscas, buzinas em meio a engarrafamentos também provocam ruídos ensurdecedores nas horas de maior movimento. Nos fins de semana, quando os amantes da boemia saem dos bares e restaurantes cheios de “manguaça” ou “carraspana”, mesmo dentro de casa, ouve-se muito barulho, sobretudo das buzinas de automóveis e das turbinas dos aviões de grande porte que aterrissam e decolam, ali próximo, no Aeroporto Internacional Pinto Martins em grande número diurno e noturno. Assim, a poluição sonora constitui verdadeiro desconforto para os moradores. A denominação Gomes de Matos à avenida devese a Raimundo Gomes de Matos, cearense ilustre nascido no Crato, no dia 10 de outubro de 1886, a quem o ex-prefeito José Walter quis homenagear. Gomes de Matos, muito jovem ainda, iniciou, em Recife, o Curso de Humanidade. Depois, migrou para a Faculdade de Direito, especializando-se em Ciências Jurídicas e Sociais e acabou concluindo seus estudos em 1907, na Faculdade de Direito do Ceará. No ano seguinte, foi nomeado juiz de direito da comarca de Barbalha, onde 29


já havia exercido as funções de promotor de justiça ainda como acadêmico. Exerceu importantes cargos na administração pública e na magistratura cearense, foi professor de Direito, inclusive diretor de faculdade. Amigo pessoal do padre Cícero, foi seu advogado, defendendo-o nas questões em que este se envolvia. Mesmo que por uma hora, foi interventor do Ceará, no dia 21 de janeiro de 1946, ano de fundação do Montese. O advogado foi casado com Lea Pompeu Gomes de Matos, com quem teve quatro filhos. Faleceu, em sua residência, na rua 24 de Maio, 692, no dia 10 de maio de 1968. Seus biógrafos, mais de 30 intelectuais cearenses, integram uma monografia editada pelo seu filho, Thomaz Pompeu Gomes de Matos, na comemoração de seu centenário de nascimento, em 1968. A inauguração da avenida Gomes de Matos ocorreu no dia 28 de março de 1969, em um palanque armado no triângulo formado pelas ruas Jorge Dummar e PRENove com a nova avenida. Fizeram-se presentes várias autoridades, tendo à frente o prefeito José Walter e o doutor Thomaz Pompeu Gomes de Matos, filho do homenageado.

30


Ocupação do solo e famílias

A

maioria dos terrenos que forma hoje o bairro Montese pertencia aos franceses, cuja influência, em Fortaleza, ainda hoje é sentida, visto algumas ruas receberem nomes de personalidades francesas. A Imobiliária Boris Frère & Cia. liderou a venda de terrenos quando o Montese ainda se chamava Pirocaia, no loteamento “Parque Coqueirinho”, que fazia limites com a antiga avenida 15 de Novembro, a avenida João Pessoa, a rua Raul Cabral e o Sítio da família Dummar. Muitos dos compradores desses terrenos foram atraídos pelas promessas de enriquecimento fácil na Amazônia, que era apresentada como um verdadeiro paraíso por meio do slogan: “A extração da borracha da vitória”. Mais de 30 mil cearenses formaram o “Exército da Borracha”, cuja missão era extrair o látex, considerado, à época, o ouro branco para a fabricação de pneus, de isolantes, de calçados e de outros produtos derivados da borracha. 31


Com o declínio comercial do pós-guerra, os emigrantes foram abandonados na selva, e os que conseguiram escapar das matas fechadas não tiveram condições financeiras de retornar aos seus lares, a maioria falecendo vítima da febre amarela. Então, os terrenos adquiridos no loteamento do Coqueirinho ficaram abandonados e ocupados por invasores, razão pela qual ainda continuam com a documentação irregular, à exceção de quem requereu e ganhou na Justiça o direito de usucapião. Todavia, estes não ficaram isentos de pagar o laudêmio, uma espécie de imposto que se refere a terreno foreiro, por força da enfiteuse, um instituto jurídico de transferência de bens, atribuindo a outrem o domínio útil de um imóvel, reminiscência das chamadas comunidades “mão morta”, do tempo do feudalismo. Assim, todos os terrenos desta região estão dentro do mesmo sistema. Exemplo disso é que até a escritura da terra onde foi erigida a igreja matriz de Nossa Senhora Aparecida, registrada no cartório de imóveis da 2ª zona, com data de 20 de agosto de 1951, a Arquidiocese de Fortaleza, representada, na ocasião, por Dom Antônio de Almeida Lustosa, teve que contribuir com 3% referentes ao laudêmio sobre o valor do imóvel, que foi de 21.300 cruzeiros (reais na época) pagos à Imobiliária Boris Frère.

32


Ruas, becos e mitos

N

os tempos em que o bairro Montese ainda era chamado Pirocaia, poucas ruas tinham denominação. Várias delas, por muito tempo, ficaram conhecidas por becos. As ruas somente foram surgindo, proporcionais ao crescimento da população, a partir do fim da década de 1940, quando a prefeitura passou a exigir obediência ao cumprimento do Plano Urbanístico da cidade, que, depois, foi completamente abandonado. Na rua Romeu Martins, antes chamada Beco da Itaoca, conhecida pela sua famosa água, conforme já citamos, também foi instalado o Centro Espírita Joana D’Arc, às margens de um riacho, na cabeceira de uma lagoa, onde hoje está a rua Edite Braga. Dessa lagoa, originou-se o canal do bairro Jardim América. Uma das primeiras unidades associativas de que participei, fundada em 1950 pelos primeiros moradores do bairro, foi a Associação Pró-melhoramento Rural da Itaoca, posteriormente transformado no Clube Romeu Martins, que 33


ficou popularmente conhecido como Gigantão do Montese. Esse clube também não existe mais. Em seu lugar, construíram um conjunto residencial. O nome da rua Romeu Martins é uma homenagem ao canindeense Romeu Coelho Martins, que, além de outras funções administrativas de destaque, foi prefeito de Fortaleza de julho a outubro de 1946 e residiu no Beco da Itaoca. Este faz parte de nossa história devido a uma lenda que tinha como protagonista o “cão da Itaoca”, contada pelo jornalista Oseas Martins, em reportagens publicadas nos jornais Unitário e Correio do Ceará, por volta de 1940. A lenda afirmava que o cão apareceu ali muitas vezes, fato que perturbou a tranquilidade da população na época, e ainda hoje é lembrado pelos moradores mais antigos.

34


Botecos, bares e boticas

A

ntes do bairro tornar-se Montese, havia alguns botequins, também conhecidos por botecos ou bodegas. Neles, vendia-se da comida à canjebrina, querosene, carvão vegetal e até produtos medicinais, como o Melhoral, comumente receitado para alívio de dores de cabeça. Além dos botecos e dos botequins, havia o Bar Avião (Bavião), um dos mais frequentados à época. Na atual avenida Gomes de Matos, muitos desses estabelecimentos também se tornaram ponto de encontro da boemia local. Havia o Bar da Noite, anexo aos estúdios da Radiadora Cacique do Ar, sempre frequentado por personalidades ilustres e por populares. O Bar do Pebinha, assim como foi o do Jacaré da Lagoa do Seu “Manêis” – Manuel Menezes de Oliveira –, ambos localizados bem próximo à igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Eram proprietários do Pebinha os irmãos Antônio Fernandes Sobrinho e Francisco Fernandes, que oferecia aos fregueses variados tira-gostos de caça do mato, tais como avoante, nambu, sericora, marreca, jaçanã, juriti, tatu, além do peba, a especialidade da casa. 35


Outro bar famoso era o Volta do Boêmio, localizado à beira de um riacho, nas imediações de onde foi construído o Shopping Solaris. Porém, uma das maiores atrações, em termos de boemia na rua 15 de Novembro, era o Bar da Neném Pio. Na rua Álvares Fernandes, quando apenas uma vereda dava acesso à avenida João Pessoa, funcionou o Bar da Gaguinha. Esse estabelecimento, posteriormente, virou cabaré, assim como o bar da Almerinda – o Mangueiral –, no final da então rua Pedro Álvares Cabral, hoje rua Venezuela. Voltando ao Bar da Gaguinha, assim conhecida por se tratar de uma pessoa que tinha problema de gagueira, cujo nome completo era Irene Alves Cabral, filha do ator José Alves Cabral, que não gostava nem pouco das presepadas da filha. Ainda como pontos e locais de lazer que marcaram época no bairro Montese, existiu o Forró do Arão, conhecido por rala-bucho, de propriedade do subtenente Beltrão, o do Januário e outros estabelecimentos afins. Curtiam também esses pontos de diversão soldados das diversas corporações militares. E, geralmente, quando se encontravam, a farra terminava em briga e em perturbação da ordem pública. A repressão a esses elementos de má conduta era feita por um pelotão de choque do 36


Exército, pela cavalaria (patrulhas montadas) da polícia ou do Exército e pela força motorizada da Aeronáutica. Pela voraz ação do tempo, esse tipo de comércio foi pouco a pouco desaparecendo e surgindo, em seu lugar, churrascarias e restaurantes. Quanto às boticas ou drogarias, quando se precisava de um medicamento mais eficaz, buscava-se no bairro Parangaba, na farmácia do Seu Carneiro, ou mesmo no centro, embora muitos dos moradores tivessem preferência pelas afamadas Pílulas de Mato, fabricadas aqui mesmo no bairro, que, na opinião de alguns, serviam até para curar feiura. Consideradas prodigiosas, cuja fórmula remonta ao século XIX, as conhecidas pílulas do doutor Mattos foram desenvolvidas pelo cirurgião Francisco José de Mattos, nascido na cidade de Aracati, no dia 12 de outubro de 1810. O laboratório, onde eram manipuladas as tradicionais Pílulas de Mato, funcionou num beco que deu origem à atual rua Barão de Sobral. Em 1958, José Mauri Rocha instalou, na atual rua 15 de Novembro, a primeira farmácia do Montese, com a razão social Farmácia Santa Cecília, denominação análoga à da fábrica localizada na mesma via. No botequim ou no bar, procura-se alívio para as tensões e para os males do espírito. Na farmácia, o remédio 37


é receitado para as mazelas do corpo, enquanto no bar, o álcool ingerido serve para fomentar a alegria ou para fazer esquecer as decepções do momento. Atualmente, no Montese, existem muitas farmácias e muitos bares e restaurantes, que são procurados, inclusive, por moradores de outros bairros.

38


Serviços de alto-falante

N

ão podemos deixar de lembrar as amplificadoras com seus alto-falantes, meio de comunicação pelo qual se propagavam as primeiras informações de interesse da comunidade que começava a se formar. Essa ferramenta de comunicação desempenhou importante papel e muito contribuiu para o desenvolvimento do Montese. Por meio desta, noticiavam eventos, transmitiam mensagens românticas, anunciavam achados e perdidos e faziam a divulgação de produtos existentes no comércio local. Mas esses instrumentos comunicativos saíram de cena forçados pela modernidade e foram substituídos por aparelhos de som fixados em imóveis, em carros e até em bicicletas e, muitas vezes, em paredões ensurdecedores. O serviço de alto-falante de Manuel Ferreira dos Anjos, sargento do Exército, instalado na esquina da avenida Gomes de Matos com a rua André Chaves, ficava em frente à residência do tenente César, proprietário da empresa Viação César, onde hoje está situado o Cartório Péricles Júnior. 39


Outras amplificadoras foram surgindo no Montese, como a Tamoio, instalada no Bar da Noite, que funcionava na residência de Moisés Amorim, situada na avenida Gomes de Matos. Foi através dessa amplificadora que tomamos conhecimento de fatos marcantes de nossa história, sobretudo dos relacionados à política, como o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1945.

40


Gosto por associações

O

s moradores do Montese fundaram várias entidades representativas. Foram muitas as associações que figuraram na história do bairro. A maioria delas teve vida efêmera, outras continuam perseguindo seus objetivos. A primeira que surgiu foi o Comitê Pró-Melhoramento do bairro, fundado no final de 1949. Através desse comitê, recebemos os primeiros benefícios. No início da década de 1950, foi criada a Associação Pró-Melhoramento Rural do bairro Itaoca, entidade que deu origem ao Clube Romeu Martins, mencionado anteriormente. Outra entidade também fundada no Montese, no dia 22 de abril de 1951, com solenidade bastante concorrida e realizada nas Escolas Reunidas Domingos Brasileiro, foi a União Social do Montese, sociedade beneficente que objetivava o crescimento do bairro. No campo religioso, destacamos a Irmandade São Vicente de Paulo que ainda hoje permanece na Paróquia de Aparecida, prestando relevante serviço de assistência aos idosos, tanto na parte espiritual quanto na material. 41


Tivemos diversas associações de cunho cultural, como foi o caso do Grêmio Literário Capistrano de Abreu e do Centro Cultural Clóvis Bevilácqua, fundados em 1952 por um grupo de estudantes, funcionando por um tempo nas residências de seus membros. No dia 15 de março de 1953, foi fundado o Círculo Operário dos Trabalhadores Cristãos, cujo prédio da sede ficava na rua Aquiles Boris onde se abrigavam vários movimentos. Atualmente, o histórico imóvel merece um tombamento para que estranhos não ousem apoderar-se dele. O Clube Recreativo dos Funcionários da Fábrica Santa Cecília – conhecido como Cotó –, situado na rua Elvira Pinho, 383, também se fez presente na animação dos fins de semana dos moradores do bairro e festejou muitos carnavais. Em seu lugar está, hoje, o Hospital da Criança. No dia 20 de junho de 1953, nas Escolas Reunidas Domingos Brasileiro, que funcionava na esquina da avenida Gomes de Matos com a rua Coronel Alexandrino, foi fundado o grupo dos Escoteiros de Terra Nosso Elo, composto por filhos de operários. Várias agremiações esportivas remontam a épocas anteriores à criação jurídica dos bairros. Alguns times de futebol, formados no Montese, tiveram as seguintes denominações: Damasco, Batman Futebol Clube, Penharol, Atlético Cearense, I.V.L., Nab Futebol Clube, Fluminense Esporte Clube, A. A. Ponte Preta e Clube Recreativo Asa Branca. 42


Para organizar todas essas agremiações, foi criada, em 14 de abril de 1987, a Liga Esportiva do Montese. Essa liga promovia, sistematicamente, no segundo semestre de cada ano, o campeonato entre os clubes filiados locais e circunvizinhos. Imbuído de imenso espírito esportivo, o professor Flávio França coordenou a Copa Montese, que teve disputa por estabelecimentos de ensino, tendo à frente o Centro Educacional Carolino Sucupira. Esse belo momento do esporte praticado aqui no Montese não existe mais. Um registro à parte, vivenciado pelos habitantes do Montese, que pode enaltecer o espírito de amor ao esporte em alguns ou trazer frustração para outros, é o caso do jogador Jardel, cujo nome completo é Mário Jardel Almeida Ribeiro, que, por meio da Liga Esportiva do Montese, onde iniciou sua brilhante e bem-sucedida carreira profissional até no exterior. Em 1964, Manuel Marcelo de Oliveira fundou, com outros companheiros, o Clube de Mães, o qual funcionou por muitos anos na sede do Círculo Operário. Nesse mesmo espírito de gosto por associação, em 1º de janeiro de 1991, foi criada a Associação dos Moradores do Montese, hoje praticamente desativada. Em 15 de abril de 1993, a Associação dos Empresários do Grande Montese (ASSEGRAM) foi fundada 43


com o intuito de defender os interesses não apenas de seus associados, como também os do bairro. Essa associação teve vida efêmera e dela não se ouve mais falar. Com objetivos similares, no dia 13 de agosto de 1994, um grupo de moradores fundou a Associação das Famílias do Montese Contra a Violência, entidade que se comprometia a lutar contra a violência e em favor do bem-estar dos moradores do Grande Montese. Para evidenciar mais o gosto por associações, no dia 14 de junho de 2002, foi fundado o Lions Clube Fortaleza Montese do Distrito LA-4, o qual ficou somente no papel. Atualmente, existe o Encontro de Casal com Cristo (ECC), atuante no Montese desde 1985, assim como a Renovação Carismática Católica (RCC). Há, também, a Associação dos Alcoólatras Anônimos (A.A.A.), a qual desempenha importante papel junto aos alcoólatras do Montese e de bairros circunvizinhos. A Organização Não Governamental Instituto Montese, cuja missão é preservar os laços de amizade entre o bairro Montese e a cidade italiana Montese, é outra que existe. Na verdade, são essas associações que nos transmitem a garantia de um povo totalmente conectado com a cidadania. Entretanto, os tempos mudaram e muitas dessas entidades não existem mais no Grande Montese, bairro nascido de uma vitória dos brasileiros, como diz seu próprio hino. 44


Religiosidade e o “Milagre”

F

oi a história de um “milagre” que apressou a construção da segunda capela de Nossa Senhora Aparecida no bairro Montese, que, em 1958, foi elevada à categoria de matriz.

Com a demolição da capelinha de mesmo nome, construída no sítio da família Monteiro, em 1941 (cujas terras se estendiam do atual Aeroporto Internacional Pinto Martins ao bairro da Serrinha), para ampliação do campo de pouso do Cocorote, ficou estabelecido que a Paróquia de Parangaba receberia uma indenização para a edificação de um outro templo nas cercanias do aeroporto. Somente em 1948, entre as ruas Aquiles Boris e Isaie Bóris, foi escolhido o novo terreno, que, no entanto, depois de limpo e de feita a terraplenagem, transformouse em campo de futebol. Então, para chamar a atenção dos fiéis, Manuel Marcelo de Oliveira teve a ideia de enfeitar aquele campo, colorindo-o com flores naturais, cuidadosamente colocadas, como se ali elas tivessem nascido, dando a impressão também de que, à noite, havia caído uma chuva de pétalas de rosas de diferentes matizes. Isso ele fez 45


nas caladas da noite, discretamente. Pela manhã, ao passarem pelo local as primeiras pessoas, o fato foi percebido e a notícia do “milagre” logo se espalhou por toda a região, chamando a atenção dos moradores que, curiosos para ver o ocorrido, dirigiram-se ao campo, onde passaram a fazer orações, recitação do terço e até promessas, acreditando tratar-se de um fenômeno sobrenatural. Esse fato chegou ao conhecimento do arcebispo Dom Antônio de Almeida Lustosa, que aconselhou prudência dos fiéis. A atitude de Marcelo de Oliveira apressou a regulamentação da compra do terreno e a construção da nova capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 7 de setembro de 1951. A edificação foi concluída em 1956 sob a responsabilidade dos padres salvatorianos de Parangaba. Nada disso ficou, por muito tempo, sem o devido esclarecimento, pois o próprio Marcelo confessou depois e a história do falso milagre foi devidamente esclarecida. O Montese é um bairro naturalmente religioso, haja vista que, além do catolicismo, há outras igrejas cristãs no bairro, como a Presbiteriana, a Assembleia de Deus, a Igreja Adventista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e a Universal, todas convivendo em harmonia.

46


Meios de locomoção

P

odemos afirmar que os primeiros meios de transportes que surgiram pelo bairro Montese foram de tração animal, como as carroças puxadas a burro, tropas de jumentos e cavalos que conduziam tanto cargas quanto moradores. No começo da década de 1950 não havia calçamento em rua alguma do bairro. A única exceção era a rua 15 de Novembro, porque era caminho para o aeroporto do Cocorote. Uma das primeiras empresas de viação urbana a transitar pelo Montese foi a Viação César. Com o tempo, muitas outras empresas foram instalando-se, como a Autoviária Cearense; a Viação Montese, que, posteriormente, foi transformada em Auto Viação Fortaleza; assim como a Viação Tabajara, que fazia o trecho via João Pessoa e alcançava o bairro pelo antigo Beco da Itaoca. Cada um dos ônibus de sua frota era caracterizado com figuras e com nomes de índios, como Jacaúna, Araquém, Tupã, Pajé e Cacique Tabajara. Os carros Chevrolet, Ford e GMC, com seus lastros de carrocerias, eram adaptados para transportar passageiros. O Montese, atualmente, é servido por ônibus de várias linhas que ligam o terminal de Parangaba ao de Papicu. 47


Em virtude de o bairro ter se tornado um grande centro comercial, presume-se que diariamente circulem por suas principais vias mais de 40 mil veículos, o que afeta, inclusive, a mobilidade urbana. Como exemplo, a própria Gomes de Matos, onde moro há 70 anos. Recentemente foi instalado o sistema binário, a partir do qual espera-se resolver o problema. É assim o Grande Montese, em se falando de meios de locomoção.

48


Sistema Educacional

U

ma das primeiras escolas surgidas no Montese foi o Centro de Catequese, fundado em 1939 pelo padre Belarmino Krause, então Vigário de Parangaba. Depois, veio a escola da professora Maria Elisa Costa Lima, no início da década de 1940 e também a Escola Medalha Milagrosa, que funcionava, anteriormente, no antigo bairro do Matadouro Modelo, cujo território marca, nos dias atuais, o limite do Jardim América com o Montese. A partir de 1946, foram surgindo outros estabelecimentos educacionais, como as Escolas Reunidas Domingos Brasileiro e o Instituto Santo Amaro, ambos já extintos. Pertinentes à rede oficial, integram o sistema educacional do Grande Montese os colégios Castelo Branco, João Matos e Estado do Paraná. Existiu, também, o Centro Educacional Carolino Sucupira Sobrinho, construído pela Companhia Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC). Colégios de irmandades católicas e particulares figuram no bairro, tais como Colégio Nossa Senhora do Carmo, Colégio Monteiro Lobato, Colégio Mesquita Mendes e Colégio Agnus (antigo Juvenal Galeno). 49


O Montese hoje é servido pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), que funciona nas dependências do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Sempre em busca de novos horizontes, o Montese caracteriza-se também como um bairro de tradição e sempre atento às instalações de novos equipamentos educacionais, mesmo assim, ainda há carência no sistema educacional devido ao crescimento constante da população.

50


O Sistema de Saúde no bairro

R

etrocedendo um pouco no tempo, podemos constatar que, há 60 anos, não havia nada no bairro no tocante à saúde. Os moradores dependiam da Assistência Municipal e do Centro de Saúde do Estado, localizados no centro da cidade, para atendimentos médicos, assim como para emergências. Somente no final dos anos 1950, passou a funcionar, no Montese, um serviço ambulatorial com atendimento médico uma vez por semana. Tempos depois, o líder comunitário e subdelegado do bairro, João Correia da Silva, na gestão do prefeito Cordeiro Neto (1959-1963), conseguiu um posto médico para o bairro, o qual funcionou nas dependências da Escolas Reunidas Domingos Brasileiro, onde hoje está sediada uma loja de tecido. Também houve tempo, no bairro, em que o cuidado com a saúde cabia às parteiras, às rezadeiras e aos enfermeiros práticos, aqueles que não possuíam diploma. Eram profissionais que tinham a confiança dos moradores e, por isso, eram prestigiados por eles. Eram chamados para atender parturientes, enfermos ou até para fazer um simples curativo. 51


Da iniciativa privada, atualmente, há uma infinidade de consultórios e de clínicas médicas e dentárias. No início dos anos 1950 já existiam, no Montese, alguns consultórios odontológicos com atendimento particular. Faz parte do Montese a Clínica Irmã Vasconcelos, que funciona junto à Casa de Nazaré; e o Hospital da Criança, inaugurado em 13 de abril de 1998, atendendo 24 horas restritamente a faixa de 0 a 18 anos. Este último, no entanto, deixa muito a desejar por não poder atender a todas necessidades e por não poder resolver o acúmulo das filas intermináveis compostas por pessoas quase sempre acometidas de doenças graves ou mesmo virais.

52


Um trágico acidente e seus milagres

P

or volta das 15h do dia 22 de junho de 1967, um estranho ruído chamou a atenção dos moradores do bairro. Um jato T-33, da Força Aérea Brasileira – FAB, surgiu em voo rasante coberto de chamas e, depois de atingir um poste de iluminação que servia de sinalizador na cerca do aeroporto, ocasionou a morte de uma burra que por ali pastava; arrancou parte do telhado da Escola de Primeiro Grau São José, na rua Boa Noite; e destroçou-se sobre seis casas, localizadas na rua Aquiles Boris, por trás da igreja de Nossa Senhora Aparecida, restando apenas um monte de escombros envolto numa fumaça negra e em línguas de fogo que se repartiam, liberando calor insuportável. O pânico logo se generalizou, principalmente, entre as famílias que foram atingidas pela tragédia. Atraídos pelo barulho e pela notícia, curiosos misturaram-se aos familiares das vítimas que, em desespero, procuravam identificar os corpos carbonizados e mutilados de seus parentes e vizinhos. Os irmãos Tibúrcio, Luís e Francisco de Freitas Barros, que mantinham, no local, um posto de conserto 53


e de aluguel de bicicletas, viram sua oficina desaparecer, escapando todos eles milagrosamente. Um dos motores da aeronave caiu em chamas sobre uma oficina de carpintaria, nos fundos de uma casa na rua Isaie Bóris, pertencente a Otaviano Miranda Brasil, que também escapou por milagre, embora com alguns ferimentos, como aconteceu com dona Glorinha, moradora no mesmo local. O senhor José Bederode e a dona Maria Alice, sua esposa, residentes na mesma rua, também foram testemunhas com seus familiares daquele dia sinistro, que ainda hoje é lembrado por ter causado a morte de 12 moradores e deixado 35 feridos.

54


Vi, vivi e me contaram

E

is o bairro Montese, zona sul de Fortaleza, Ceará, que surgiu em abril de 1946, cujo nome constitui uma homenagem à Força Expedicionária Brasileira (FEB), pela sua heroica participação na Segunda Guerra Mundial, com destaque na memorável batalha de Montese, cidade situada no norte da Itália, no dia 14 de abril de 1945, o que concorreu para a rendição total da Alemanha e para o fim da guerra na Europa. É um bairro com vida independente, densamente povoado, com 100% de seu território ocupado por edificações residenciais e comerciais. Sua população já foi estimada em 60 mil habitantes, embora os dados oficiais do IBGE, senso de 2013, só registre 26.000, mas certamente já alcançou os 28.000. Isso porque muitos prédios residenciais foram transformados em casas comerciais. Conta com mais de 10 agências bancárias, como já foi dito, um extraordinário comércio, inúmeras indústrias de confecção, ricas habitações, pavimentação com asfalto na totalidade de suas ruas e com o tráfego de veículos já característico dos grandes centros urbanos. Dispõe de boa iluminação pública; de uma 55


variedade de estabelecimentos comerciais, onde de tudo se encontra; já tem importantes instituições de ensino; e já ocupou o 3º lugar em renda per capta na capital. É um bairro de classe média, de tradição católica, inclusive sedia a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Assim, o Montese é um lugar bom para se morar e naturalmente para se viver. Por esse motivo só pretendo sair daqui quando de minha aposentadoria definitiva, comum a todos os mortais, embora o comércio tenha expulsado todos os meus vizinhos e, muitas vezes, eu tenha medo até de abrir meu portão. É aí que me bate uma vontade imensa de voltar para o meu sertão, mas, no meu quintal, tenho um sítio que produz frutas diversas, o que me alegra o coração e aumenta minha estima por meu bairro de adoção.

56


Referências

ALMEIDA, Adhemar Rivermar. Montese, marco glorioso de uma trajetória. 1. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1985. ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que canto cá. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. AZEVEDO, Stênio; NOBRE, Geraldo. O Ceará na II Grande Guerra. Fortaleza: ABC, 1998. BATISTA, R. Aragão. Gramática Tupy. Fortaleza: Barraca do Escritor Cearense, 1996. BELLISI, Walter. Arrivano I Nostri. Itália: Editore Golinelli, 1995. BERNARDINI, Stefano. Sassi Al Sole – “Poesia e Graffiti”. I Quademi del Battello Ebbro - Colina de Gaggio Montano (BO). Itália, 2003. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada Edição Católica. Editora Ave-Maria, 2009. BUENO, Silveira. Vocabulário Tupi-Português. 7. ed. Nagy, 1982. CÂMARA CASCUDO, Luís. Dicionário do Folclore Brasileiro. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia Ltda., 1954. CANSANÇÃO, Elza. E foi assim... que a cobra fumou. 4. ed. Imago, 1987. COSTA RIBEIRO, Esaú. Porangaba – Sua História e suas tradições. Fortaleza: s.n., s.d.

57


FALCÃO, Márlio Fábio Pelúcio. Fortaleza em Preto e Branco. Fortaleza: Fundação Instituto de Planejamento do Ceará, 1996. FILHO, Antônio Martins. Reflexões sobre Augusto dos Anjos. Fortaleza: Edição UFC, 1987. GIRÃO, Blanchard. O Liceu e o Bonde. 2. ed. Fortaleza: ABC, 1997. GIRÃO, Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza. 2. ed. Banco do Nordeste do Brasil S. A., 1979. IBGE. Censo Demográfico 2013. Estimativas de população. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/ estimativa2013/>. Acesso em: 08 out. 2015. INSTITUTO do Ceará. Revista. Ed. Especial, 1987. LEHMANN, Pe. João Batista. Na Luz Perpétua. 5. ed. Juiz de Fora/ MG: Editora “Lar Católico”, 1959. LEITÃO, Juarez. A Praça do Ferreira. Fortaleza: Livro Técnico, 2002. LIMAVERDE, Narcélio. Fortaleza, Histórias e Estórias. Fortaleza: ABC,1999. LOPES, Marciano. Royal Briar (Fortaleza dos anos 40). Fortaleza: Armazém da Cultura, 2012. MORAES, Vicente. Anos Dourados em Otávio Bonfim: à memória de Frei Teodoro. Fortaleza: IURIS, 1998.

58


NEPOMUCENO, Alberto Oliveira. Páginas que ficaram. Fortaleza: Premius Editora, 2002. NIREZ, Miguel Ângelo de Azevedo. Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Vol. I e II. Fortaleza: UFC, 2001. POMPEU, Thomaz Gomes de Matos. Gomes de Matos – Itinerário de uma vida. Fortaleza: UFC, 1986. REVISTA DO CLUBE MILITAR. Agosto/2000, Rio de Janeiro. REVISTA GRANDE MONTESE. Fortaleza, s/d. REVISTA ULTIMATO. Ed. Novembro/Dezembro, 2002. REVISTA VERDE OLIVA. Nº. 160. Ano XXV. Brasília/DF. RIBEIRO, Darcy. Os Brasileiros: Estudos de Antropologia de Civilização. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. SOMBRA, Waldir. Rodolfo Teófilo – Vida e Obra. Fortaleza: s/n, 1997. STUDART, Dr. Guilherme. Dicionário Bibliográfico Cearense. Vol. I, II e III. Fortaleza: Typo-Lithographia a Vapor, 1915. XIMENES, Luís. Paixão Ferroviária. Fortaleza: s/n, 1984. XIMENES, Raimundo Nonato. Montese – Crônicas e Memórias. Fortaleza: Tipo Gráfica & Editora, 1998.

59


Este livro foi impresso em Fortaleza (CE), no outono de 2016. A fonte usada no miolo é Times New Roman, corpo 11/13,5. O papel do miolo é pólen 90g/m², e o da capa é cartão supremo 250g/m².


Primeiro Ă´nibus a circular na avenida Gomes de Matos (1951). Fonte: Arquivo pessoal do Dr. Raimundo Nonato Ximenes.


Casa do autor na avenida Gomes de Matos, antigo Boulevard 14 de julho (1954). Fonte: Arquivo pessoal do Dr. Raimundo Nonato Ximenes.


Raimundo Nonato Ximenes é cirurgião-dentista, escritor memorialista e considerado fundador do bairro Montese. Sua incansável pesquisa sobre o bairro configura-se como grande contribuição para a história de Fortaleza e para a preservação da nossa memória.

Foto da contracapa Igreja da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida.


Montese raimundo nonato ximenes  
Montese raimundo nonato ximenes  
Advertisement