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INSPETORIA SANTA CATARINA DE SENA

Inspetoria Santa Catarina de Sena

| Ano 41 | n° 52 | janeiro fevereiro março e abril | São Paulo | SP

O Carisma Educativo e os Valores da Pedagogia Salesiana vividos no estilo feminino


Editorial

Cristo ressuscitou: buscai as coisas do alto! Prezados Leitores, Para ressuscitar com Cristo e buscar as coisas do alto, - é preciso ter uma meta, uma busca pelas coisas eternas; - é preciso desprender-se das coisas terrenas; - é preciso e alargar a mente e o coração para grandes horizontes; - é preciso caminhar de esperança em esperança! - é preciso acreditar na força da semente! - é preciso viver no dia-a-dia o “encontro que forma e transforma”; - é preciso ser missionária de esperança e de alegria! Ao lermos o “Em Família”, podemos com alegria perceber tantos sinais de vida e ressurreição presentes em nossa Inspetoria, no início de 2018: - sinais de vida e ressurreição nas diversas iniciativas e atividades; - sinais de vida e ressurreição nas celebrações e festas; - sinais de vida e ressurreição nos cursos e encontros; - sinais de vida e ressurreição nas reflexões, retiros, partilhas; - sinais de vida e ressurreição no cotidiano de nossas vidas! Ao Deus da Vida, o nosso louvor pelos • 100 anos do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora – Belém/SP • 100 anos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora – Ribeirão Preto. São anos de uma história marcada de vida, esperança, fecundidade apostólica e fidelidade ao Carisma de Dom Bosco e Madre Mazzarello! São 100 anos vividos sob a proteção da Mãe Auxiliadora, Aquela que tudo fez e tudo continua fazendo em nossa Congregação! Por tudo dai graças! Dai graças por tudo! Dai graças! Continuemos nossa caminhada, vivendo as alegrias da Ressurreição e agradecendo a presença Daquele que permanece conosco. Maria, no próximo mês a ela dedicado, seja para todos presença de Mãe, Mestra e Educadora. Fraternalmente, Ir. Helena Gesser Redação, produção e distribuição Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Andréa Pereira Projeto gráfico Andréa Pereira Capa : Banco de Imagens Revisão Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Fotos Inspetoria Santa Catarina de Sena Colaboração Irmãs e Comunidades da Inspetoria Santa Catarina de Sena

Contato editorial@fmabsp.org.br

2 | Em Família

EM FAMÍLIA | Ano 41 | nº 52

Centro de Comunicação Marinella Castagno Rua Três Rios, 362, Bom Retiro 01123-000 São Paulo | SP Tel. 55 11 3331 7003 www.salesianas.org.br Em Família é uma publicação formativa que divulga e informa sobre o cotidiano das comunidades das Filhas de Maria Auxiliadora na Inspetoria Santa Catarina de Sena, e suas frentes de trabalhos.


Sumário

MADRE MAZZARELLO Carisma Educativo: e os valores da Pedagogia Salesiana vividos no estilo feminino

UMA HISTÓRIA CHEIA DE VIDA 100 do Colégio Auxiliadora de Ribeirão Preto

Relembre e fique sabendo o que aconteceu em nossas comunidades nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril. Programe-se para as próximas atividades. Divirta-se, emocione-se, Em Família.

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Editorial Capa Artigo Entrevista Registro Poema

O POÇO DE JESUS E A SAMARITANA

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Um diálogo profundo, fundado na verdade, carregado de esperanças e de promessas

PRIMEIROS TEMPOS

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100 anos de história do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora

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Cartas Che bello. Grazie mille per condividere. La copertina è stupenda. Buon Natale a tutte Sr. Runita FMA

Obrigada, pela linda revista. Bela arte gráfica e artigos. Um grande abraço, Ir.Maria Helena Moreira

Parabéns! Sei do trabalho que dá um produto desses! Boas Festas!! Ir. Quiterina

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Capa

Madre Mazzarello: O Carisma Educativo e os Valores da Pedagogia Salesiana vividos no estilo feminino Por Irmã Silvana Soares

1. A INSPIRAÇÃO EDUCATIVO

DE

UM

CARISMA

O itinerário histórico-espiritual de Maria Domingas Mazzarello foi breve, 44 anos, realizado no contexto de um ambiente rural, numa vida simples vivida em Mornese, pequeno lugarejo da Itália. Nasceu e se formou no seio de uma família patriarcal que encontra o seu sustento e sobrevivência no cultivo de vinhedos. O trabalho e a profunda piedade cristã caracterizaram a sua vida familiar. Uma formação moral marcada por uma natureza sincera e permeada pelos valores, relações de afetividade positiva e comunicativa. Na família, Madre Mazzarello aprendeu o valor do trabalho, o sentido de Deus, o empenho na vida cristã e na oração. Além do rico ambiente familiar, encontrará em outras pessoas que realizaram uma mediação fundamental para a sua formação em todos os sentidos. Sabemos que Maria Domingas Mazzarello não frequentou cursos acadêmicos e a sua formação 4 | Em Família


Capa aconteceu no ambiente das relações familiares e na participação assídua na comunidade cristã. Porém, é importante considerar que apesar de não ter tido a oportunidade de frequentar a formação escolar, Mazzarello recebeu uma formação cristã muito consistente, vinda da sua participação ativa na Igreja. Padre Pestarino acompanhou o seu processo de formação na fé e ofereceu um itinerário formativo consistente que colaborou intensamente para que Maria Domingas Mazzarello pudesse construir uma identidade humana e cristã profunda. Padre Pestarino orientou a formação de Maria Domingas Mazzarello para a proposta de uma vida de fé fundamentada no amor à Eucaristia, centralizada em Jesus Cristo, na busca da transformação da própria vida por meio da abertura à graça de Deus em sua vida, no amadurecimento da vida de fé e assimilação dos valores cristãos. Esse caminho formativo conduziu Maria Domingas Mazzarello para uma interiorização e unificação de uma vida centrada em Cristo e inspirada na sabedoria da oração e contemplação. Na adolescência e juventude participou ativamente no grupo de Jovens das Filhas de Maria Imaculada. Foi uma experiência muito importante e que influenciou toda a sua vida em relação à construção do seu projeto de vida e dos referenciais significativos que orientou muito das suas escolhas e da sua formação. O grupo das Filhas da Imaculada teve a oportunidade de estar em contato com os contributos da formação oferecida não somente pelo Padre Pestarino, mas também por Padre Giuseppe Frassinetti, sacerdote de Genova, que, como amigo de Pestarino. esteve presente acompanhando a formação do grupo das Filhas de Maria Imaculada. Ambos

“O trabalho e a profunda piedade cristã caracterizaram a sua vida familiar. Uma formação moral marcada por uma natureza sincera e permeada pelos valores, relações de afetividade positiva e comunicativa” possuíam uma formação teológica e espiritual profunda. Naturalmente a presença dessas duas figuras no processo de formação espiritual e humana de Mazzarello marcou e influenciou significativamente o caminho formativo. Com isso, podemos observar que Maria Domingas Mazzarello formou em si valores e referenciais significativos que orientaram o seu projeto de vida e a sua prática como educadora. O clima de intensa vida espiritual, de forte contemplação de Deus e espiritualidade Mariana, a participação ativa no grupo das Filhas de Maria Imaculada possibilitou que Madre Mazzarello cultivasse motivações profundas para a consagração de sua própria vida a Deus. Na verdade, grande parte de sua vida Madre Mazzarello viveu como leiga consagrada, segundo as orientações espirituais do grupo das Filhas de Maria Imaculada. Além disso, o grupo das Filhas da Imaculada significou para Madre Mazzarello um espaço janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 5


Capa de abertura apostólica, de novas relações, de uma experiência de consagração a Deus por meio do exercício da caridade. Foi essa caridade que a motivou a abraçar a missão de cuidar dos parentes afetados pela doença do tifo. Nesta missão de caridade foi contagiada por essa doença. A experiência dessa grave enfermidade provocou em Maria Domingas Mazzarello uma crise profunda que a fez refletir sobre o sentido da sua vida e da missão que deveria realizar no tempo da sua existência. Madre Mazzarello era uma jovem forte, cheia de vitalidade que de repente se encontra fragilizada, perde as suas forças físicas, o que a deixa impossibilitada de dar continuidade aos trabalhos que realizava no campo. Porém, o sofrimento, a crise, o amadurecimento espiritual, nesta fase da vida em que se encontrava, permitiu alargar os horizontes da sua existência, da sua missão. Após a superação da enfermidade inicia o caminho em direção a uma intuição educativa, que muda a sua vida de direção. No ano de 1864, aparece a figura de Dom Bosco, em sua vida, que como sacerdote, educador e fundador da congregação salesiana, em Turim, busca realizar as intuições pessoais e a solicitação vinda da Igreja para realizar a fundação de uma congregação feminina que se dedicasse ao bem das jovens. Padre Pestarino apresenta para Dom Bosco o grupo das Filhas da Imaculada, e certamente neste encontro Dom Bosco intuiu os dons naturais de Maria Domingas Mazzarello e do grupo da Imaculada verso a uma possibilidade de efetivação do projeto que deveria empreender em relação à fundação da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. Trilhando os caminhos de Mornese, Madre Mazzarello compartilha com a amiga Petronilla a sua visão em relação ao futuro e aos projetos que Deus inspira no seu coração. Sente-se inspirada a realizar uma missão educativa para as meninas. 6 | Em Família

Essa inspiração nasce de uma voz interior que a interpela: “A ti as confio”. A inspiração divina nasce a partir da visão de um futuro em meio as jovens. Essa voz interior: “A ti as confio” representa a inspiração de viver uma vocação como educadora e da missão de cuidar das pessoas nas suas diversas dimensões humanas, espirituais, sociais e culturais. A pessoa toda é confiada à sua missão de cuidar e orientar para a vida. A origem da missão educativa das Filhas de Maria Auxiliadora nasce de uma perspectiva plenamente antropológica, a pessoa humana nos é confiada e a nossa atenção se desdobra para o todo da vida humana. O encontro com Dom Bosco permitiu um caminho de aproximação de realização de um grande projeto de comunhão nas intenções de concretização de um carisma educativo. Madre Mazzarello se empenha em colaborar efetivamente com Dom Bosco na missão de fundação do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora tornando-se a co-fundadora do projeto idealizado por Dom Bosco. 2. MADRE MAZZARELLO EDUCADORA A sua tarefa como primeira superior geral do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, e depois reconhecida como co-fundadora, será a de trabalhar insistentemente em primeiro lugar no sentido de construir a chama viva do carisma educativo e de formar o Instituto, ou seja, as primeiras Filhas de Maria Auxiliadora a partir do carisma e do projeto salesiano de São João Bosco. É neste contexto que Maria Domingas Mazzarello desempenha e faz crescer o seu ideal como educadora. Embora o arco da sua existência e vivência como Filha de Maria Auxiliadora tenha sido pequeno, Madre Mazzarello nos transmite uma experiência sólida e firme no caminho que realiza como educadora.


Capa A opção pela educação das jovens nasce no contexto das vivências do grupo das Filhas da Imaculada, e na intuição da possibilidade de oferecer para as jovens um caminho formativo e educativo a partir da experiência em um laboratório de costura. A partir dessa experiência os caminhos se abriram para muitas possibilidades humanas e espirituais, mas também para a projeção de um projeto social que visava dar atenção e cuidado as jovens. O projeto de Maria Domingas Mazzarello não foi somente uma ação simples de uma costureira que possui a intenção de ensinar e fazer a oficina de costura, Maria Domingas procura também oferecer para as jovens a proposta de um caminho formativo como observamos nas suas pequenas ações e nas relações que estabelece com as jovens na casa da Imaculada. Maria Mazzarello se apresenta como a primeira educadora da nascente família religiosa, é educadora da primeira comunidade e desenvolve uma forte maternidade espiritual e de estímulo ao crescimento humano e espiritual. A delicadeza de uma verdadeira pedagoga que soube muito bem encaminhar as pessoas pelas vias do caminho espiritual e de contribuir para que se inserissem no Mistério de Deus. Neste processo de acompanhamento, Madre Mazzarello recebeu de Deus o dom do discernimento dos espíritos. Madre Mazzarello via a pessoa na sua profundidade de valores, potencialidades, além dos limites humanos. Não se intimidava de estimular a pessoa ao crescimento, ao caminho interior que deveria realizar no conhecimento de si mesma, no amadurecimento humano e espiritual. A sua capacidade de orientar e acompanhar a pessoa foram sendo amadurecidas no tempo e nos espaços no qual desenvolve a sua missão. É a partir dessa percepção que Mazzarello

A inspiração divina nasce a partir da visão de um futuro em meio as jovens. Essa voz interior: “A ti as confio” representa a inspiração de viver uma vocação como educadora e da missão de cuidar das pessoas nas suas diversas dimensões humanas, espirituais, sociais e culturais. constrói o seu perfil de educadora salesiana, e que se torna modelo de educadora e pedagoga salesiana vivendo a proposta do sistema educativo salesiano, conforme as orientações oferecidas por Dom Bosco, mas de acordo com o estilo feminino. Madre Mazzarello vive o sistema Preventivo no estilo feminino, ou seja, assume os valores da pedagogia salesiana: alegria, amor demonstrado, familiaridade, no estilo feminino que traz em si especialmente as características da dialogicidade, da reciprocidade, da relação e da amorosidade. Porém, orientada por uma firmeza no acompanhar a pessoa nos processos educativos e formativos. Estabelecia uma relação de proximidade e de diálogo aberto com as educandas, a partir de uma relação educativa que parte das vivências cotidianas: [...] Vão, vêm parece que em nada se envolvem; entretanto, seu nome é repetido por todos, janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 7


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porque todos delas recebem um conselho, um favor, uma palavra de estímulo e simpatia. A própria Maria, antes tão reservada, sabe aproximar-se agora desta ou daquela com naturalidade; acompanha-a a igreja [...] E, coisa digna de nota, Maria não procurava as melhores, como fazia antigamente: suas preferências são agora para as mais travessas. Mas, as travessas em pouco tempo se lhe afeiçoam, são impelidas, mau grado seu, a imitá-la. (Cronistória I, p. 66) As relações cotidianas são espaços onde se procura orientar a pessoa a tocar os aspectos da sua vida interior, do seu temperamento que precisa ser transformado ou reorientado para um crescimento. “No retalho de tempo, a madre se coloca à disposição de todas que desejassem abrir a ela seu coração. Revela sempre grande afeição, prudência e zelo pela glória do Senhor, pela perfeição religiosa das almas a ela confiadas e pela salvação da juventude. Não revela nenhum ar de superioridade e conservando sua habitual atitude de sentar-se num banquinho na sala de costura ou sobre os degraus de uma escada, escuta, anima, incentiva para o bem, ao maior bem as almas generosas e as incertas e débeis. 8 | Em Família

Para cada uma tem a palavra mais precisa: “Este defeito que lhe dá tanto trabalho e lhe causa tanta dor, tenho-o também eu e me faz suar” Mas, encorajemo-nos, procuremos combate-lo sem misericórdia”. (Cronistória II, p. 264-265) As atitudes de Maria Domingas Mazzarello como educadora demonstram que sua prática educativa parte da realidade da vida, da realidade humana da pessoa. O seu método é extremamente voltado para um caminho processual, atento à experiência da pessoa e a compreensão daquilo que faz parte do seu mundo interior. A dialogicidade é o caminho para se chegar a tocar a pessoa na sua interioridade, o diálogo é o caminho que colabora para que a pessoa possa pensar e refletir sobre a sua vida, e em seguida fazer as escolhas que a permitem amadurecer e dar os passos para o amadurecimento e crescimento humano e espiritual. A relação educativa inspirada na amorevolezza, no amor demonstrado favorece a relação como lugar de encontro e de crescimento humano. 3. OS VALORES EMERGENTES NA EXPERIÊNCIA EDUCATIVA DE MADRE MAZZARELLO


Capa A partir das citações realizadas anteriormente, podemos aprofundar a emergência de muitos valores presentes na atuação e na presença da educadora Madre Mazzarello. Esses valores demonstram a sua sabedoria e intuição pedagógica. Os valores do diálogo, da proximidade, da amorosidade, da relação atenta e cuidadosa com o outro, são aspectos que emergem de forma significativa na sua prática educativa. Além desses valores observamos que Madre Mazzarello deixa transparecer alguns valores do seu estilo feminino de educar: Uma visão antropológica: Encontramos nas práticas educativas de Madre Mazzarello a intenção de colocar no centro a pessoa, transmite com as suas ações um sentido profundamente antropológico. As intenções educativas de Madre Mazzarello são permeadas por uma compreensão de que a pessoa possui em si mesma uma riqueza de possibilidades. Diante dos limites humanos desafia a pessoa para um desenvolver um processo de superação de si mesmo e realizar um projeto de crescimento. A pessoa não pode viver na superficialidade ou orientar a sua vida somente pelos valores passageiros ou materiais, mas para o sentido profundo, e isso significa caminhar constantemente em busca de atingir a plenitude do ser, a plenitude de si mesmo. Outro valor que Madre Mazzarello deixa transparecer é o seu olhar atento à pessoa humana e suas necessidades. A capacidade de compreender e conhecer a pessoa em profundidade com seus limites e possibilidades, da sua capacidade de interioridade e da sua interioridade constituída pela bondade e pelo amor. A busca por uma relação qualificada tem em vista, formar a pessoa na sua interioridade, na sua identidade mais profunda. O ambiente educativo vivido na tensão contínua por intensificar os valores, é o espaço propício para se atingir o ideal

Os valores presentes na atuação e na presença da educadora Madre Mazzarello, demonstram a sua sabedoria e intuição pedagógica. Os valores do diálogo, da proximidade, da amorosidade, da relação atenta e cuidadosa com o outro, são aspectos que emergem de forma significativa na sua prática educativa. da interioridade humana plena de bondade e amor. É nesse percurso que o sistema educativo salesiano se constrói como mediação para a formação da pessoa, da sua identidade de valores e da sua capacidade de viver a cidadania. O cultivo da interioridade humana: Na carta que escreve a irmã Marianna Lorenzale, Madre Mazzarello convida a convida para cultivar o jardim do próprio coração, compara o jardim ao coração, ou seja, ao seu centro mais profundo. Isso demonstra a intenção educativa de Madre Mazzarello em ajudar a pessoa a entrar na própria interioridade, a conhecer-se e orientar a totalidade da própria existência para o bem. Esse caminho se realiza no processo, ou seja, como afirma que precisa olhar para o coração e ver se existem sentimentos que impedem o crescimento da pessoa. A Pedagogia de Madre Mazzarello se fundamenta na vida cotidiana, a sua concepção de educação é uma concepção que acredita na janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 9


Capa formação da pessoa a partir da sua realidade pessoal, da vida cotidiana, não é algo distante ou uma construção de um conjunto de referenciais teóricos. Mas, de uma intencionalidade prática de formar a pessoa e de favorecer para que a mesma pudesse encontrar-se profundamente consigo mesma e com Deus. E tudo isso acontece por meio das relações cotidianas. A perspectiva relacional da educação: Na relação educativa deixa transparecer a empatia, a reciprocidade, a compreensão da realidade da vida e das experiências da pessoa. O fio condutor é a amorevolezza vivida como a espiritualidade do amor, a pedagogia do amor e o caminho para a formação da pessoa. “Parecia o Anjo custódio: essa sabia tudo, via tudo e a tudo providenciava”. Como observava uma das irmãs: “[...] nos deixava sempre com uma boa palavra que nos fazia conhecer o seu único desejo do nosso bem, a sua grande bondade fazia sim que ela fosse amada por todos e que as suas correções fossem quase desejadas pelas primeiras irmãs”. (CRONISTÓRIA II, p. 235) Essas relações significativas construídas no ambiente educativo permeado pela tensão em busca da positividade possui a intenção antropológica de contribuir para a formação da interioridade da pessoa. Não existe uma vivência dos valores somente porque se pretende criar uma atmosfera de dinamicidade, mas o fim dessa experiência do ambiente propositivo de vida e valores possui a finalidade de formar a pessoa. O valor da Reciprocidade: Uma das dimensões típicas da reciprocidade é a atitude do cuidar. Esta categoria do cuidar define Madre Mazzarello, como educadora e mãe. O cuidar da vida representa um colocar-se na mesma situação que o outro; é ser mãe, ajudar o outro. A atitude do Cuidar é entendida como pedagogia salesiana e implica uma atitude de confiança, acompanhamento que provoca o diálogo que estreita as relações e favorece o espaço pedagógico como o ambiente propício para ser pessoa. A comunidade: lugar privilegiado de educação da pessoa para a reciprocidade. A primeira comunidade de Mornese vivia a simplicidade das relações e do encontro cotidiano, passavam grande parte da jornada nos mesmos locais e por isso teciam relações profundas, intensas, recíprocas. È na comunidade educativa que acontece o espaço da reciprocidade. A importância da comunidade na missão educativa dos jovens é um dos pontos significativos para Dom Bosco e Madre Mazzarello que não deixam de utilizar constantemente a via da comunidade como lugar de prevenção, de educação e projeção das ações educativas. Mas, sobretudo o lugar da amorosidade e do verdadeiro ambiente familiar. Madre Mazzarello, como guia da comunidade, assume o papel de animadora e formadora da comunidade por meio de uma presença boa, flexível e atenta 10 | Em Família


Capa às necessidades de cada uma, como em uma família onde a convivência é permeada de docilidade, amabilidade e de alegria. Neste sentido, Madre Mazzarello valoriza a comunidade educativa como espaço de relações humanas e de vivência concreta do amor evangélico, em suas cartas escreve diversas expressões e pensamentos de estímulo para que as irmãs e jovens educandas vivessem na unidade, no amor recíproco. Além desses valores é importante ressaltar o sentido da amizade espiritual como caminho de colaboração para o crescimento humano, as relações significativas devem ser iluminadas pelo verdadeiro sentido de uma amizade que acompanha e colabora para o crescimento espiritual da pessoa. Madre Mazzarello soube cultivar o dom do amor nas relações numa tensão para o crescimento espiritual e humano. Enfim, constatamos que Madre Mazzarello como educara se propõe a percorrer o caminho de uma espiritualidade educativa, ou seja, realizar um processo formativo inspirado em valores humanos e espirituais. A formação da pessoa deverá acontecer num ambiente que constrói o percurso de um itinerário formativo que permite à pessoa descobrir as suas potencialidades e as riquezas que habitam a sua interioridade humana. Neste sentido, o pensamento da pedagogia preventiva vivido ao feminino se orienta por uma intenção antropológica que se preocupa intensamente com a formação da pessoa humana. Traduzir a prática educativa vivida ao feminino de acordo com Maria Domingas Mazzarello é problematizar situações educativas voltadas para a formação da pessoa e da sua interioridade. Viver o carisma educativo no estilo feminino significa formar uma nova humanidade, inspirados na plenitude do amor, que torna a pessoa a sua fonte original como filhas e filhos de Deus, nascidos do amor. Essa referência de Madre Mazzarello deve animar os educadores e educadoras salesianas a não perder a esperança na humanidade mergulhada em diversos tipos de conflitos que muitas vezes a impedem de se realizar plenamente como pessoa, como ser humano. A categoria da reciprocidade pode contribuir para a formação da pessoa, da sociedade.

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Artigo

O Poço Jesus e a Samaritana Por Irmã Ivone Brandão de Oliveirar

O relato é um processo de iniciação ao discipulado, animando-nos a dar novos passos no caminho de nossa ação evangelizadora. “Era preciso passar pela Samaria”: era necessário para a missão messiânica de Jesus. O Esposo, Filho herdeiro do Pai, oferecerá seu amor-Espírito à Samaria, a prostituta que o aceita. A aliança, anunciada em Caná, dirige-se à humanidade inteira e não aos seus que o recusam. O encontro da samaritana com Jesus muda sua própria vida e atinge outras vidas porque quem faz essa experiência não pode guardar para si. Vai levá-la aos outros. Um diálogo profundo, fundado na verdade, 12 | Em Família

carregado de esperanças e de promessas, atento aos anseios das pessoas, ao respeito por elas e por suas buscas. Jesus chega ao manancial de Jacó. Estava fatigado. Era por volta da hora sexta. A única referência ao poço de Jacó, no AT, encontra-se em Gn 29,10, no encontro de Raquel com Jacó. O Poço, na tradição judaica, convertese em elemento mítico, que sintetiza os poços dos patriarcas e o manancial que Moisés abriu na rocha do deserto. É figura da própria Lei. Do poço da Lei brota água viva da sabedoria. O poço chega a significar todas as instituições judaicas: Lei, templo, sinagoga e Jerusalém.


Artigo Jesus está fadigado: A fadiga é resultado da semeadura que está fazendo, é o trabalho necessário para que produza fruto. Sexta hora é a mesma do momento de sua morte (19,14). A atividade de Jesus antecipa a Hora, referindo-se ao culto que se deve prestar ao Pai. Jesus fica sentado no manancial, ocupa o seu lugar de Jacó. Ele mesmo se identificará com o templo de onde corre a torrente de água (7,37-39). Substitui assim, o templo de Jerusalém. O diálogo começa com uma mulher que não tem nome, pois representa a Samaria. As alusões ao profeta Oséias, da Samaria, são frequentes.

1º Passo: “Dá-me de beber” (Jo 4,7) Jesus se dirige para uma região em que viviam os considerados distantes do verdadeiro culto. O “poço” é um lugar de encontros que suscitaram belas experiências de comunhão amorosa. Aponta para um desígnio de Deus. Tudo sugeria adversidade recíproca, pluralismo, diferença, contraste. Dar água, elemento escasso e precioso, era sinal de acolhida, solidariedade, hospitalidade. Jesus apresenta-se como um homem necessitado.

2º Passo: “Se conhecesses o dom de Deus” (4,10) São muitas barreiras: sociais, culturais, religiosas e políticas presentes neste encontro. O uso do verbo “conhecer” é proposital. Conhecer para o evangelista significa experienciar, viver o encontro pessoal, deixar-se marcar pela presença da pessoa encontrada. A mulher não conhece o dom de Deus, como em Os 4,1: “Não há verdade nem lealdade, nem conhecimento de Deus.” A samaritana não conhece o dom, nem quem é aquele que o pode dar. Ela conhece somente o poço da Lei, e pensa que a água só é obtida pelo esforço pessoal. Não conhece nem imagina o dom gratuito de Deus. Não sabe o que pedir, mas vai viver uma experiência transformadora, janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 13


Artigo vai conhecer a verdadeira “água viva”. O dom que ela conhecia era apenas aquele de Jacó, “que nos deu esse poço”. Na tradição bíblica, o símbolo da água é muito rico: restaura, purifica, produz frutos, faz lembrar o Espírito de Deus (Is 44,3-4); simboliza salvação (Is 12,3; Ez 47,1-12). Deus é fonte de água viva (Jr 2,13). “De onde” tiras a água viva: (4,11). A expressão “de onde” aparece outras vezes em João. Em Caná, os serventes sabiam “de onde” viera o vinho bom (Jo 2,9). Nicodemos não sabia “de onde” vinha o vento que faz nascer do Espírito.

3º Passo: “Quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede” (4,14) Jesus mostra a insuficiência do dom feito por Jacó, sua pobreza. A água que Jesus oferece é dada gratuitamente. Basta aceitá-la. Quem assim o fizer, também se tornará fonte “uma fonte jorrando para a vida eterna” (4,14). Este ato de beber corresponde ao novo nascimento (3,3.5s) que dá vida nova. Só uma água perene e sempre disponível pode tirar a sede do homem. Esta é a promessa de Jesus. O Espírito que Ele comunica converte-se em manancial que brota continuamente e que dá vida e fecundidade. O Espírito é manancial interior, e não exterior como a Lei e o poço de Jacó. O homem deve receber vida em sua raiz mesma (dentro), na profundidade de seu ser, que faz nascer vida nova e a mantém, e abre o horizonte do reino de Deus. Sendo a mesma água, cria unidade com ele e entre todos, fecundando a terra e produzindo fruto diversificado. Ela, agora, deseja a nova fonte. O dom de Deus aponta para algo vinculado à salvação. A promessa de vida, despertou o anseio da 14 | Em Família

mulher; ela quer nascer de novo. Rompem-se as barreiras: a mulher samaritana pede a ele, o judeu.

“Vai e chama o teu marido” A passagem brusca é incompreensível no plano histórico. O diálogo ganha sentido com o profeta Oséias que fala da prostituta (1,2) e da adúltera (3,1), símbolos do Reino do Norte, que tinha Samaria por capital. Samaria está insatisfeita com seu passado. Ela mesma tinha dito: “quero voltar ao meu primeiro marido, pois eu era outrora mais feliz do que agora”. A mulher vê horizonte novo na oferta de Jesus. Isso lembra também Oséias: “... naquele dia me chamarás ‘Meu marido’ e não mais ‘Meu Baal’”; “eu mesmo, vou seduzi-la conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração” (2,16) Jesus a convida a tomar consciência de que o seu culto está prostituído e agora aparece a chance de um princípio da nova comunidade humana, superando a pertença étnica. Sua água matará a sede e será possível o encontro definitivo com o Deus verdadeiro.

4º Passo: “Sou eu que estou falando contigo” (4,26) Ela reconhece em Jesus um profeta. Ela descobrira que, fala de Jesus, sua própria história repleta de “muitos maridos”. Não havia condenação. Não havia juízos ante os erros. Diante da atitude acolhedora de Jesus, sentiu-se encorajada a abordar o tema do culto verdadeiro: em Jerusalém ou na Samaria? A mudança é radical: terminou a era dos templos: o culto a Deus não terá lugar privilegiado. A alternativa é o próprio Jesus, lugar da comunicação com Deus (1,51) e novo santuário (2,19-22), do qual brota a água do Espírito (7,37-39; 19,34).


Artigo

Deus recebe um nome novo: Pai (4,21). É esta a razão pela qual encontrá-lo não depende de lugar e/ou de formato do culto. O Pai quer adoradores em “espírito e verdade” (4,23-24). O culto em espírito e verdade é a pratica do amor fiel do homem; é colaborar em sua obra criadora, estando a favor do homem. “É amor que quero e não sacrifício, conhecimento de Deus mais do que holocaustos” (Os 6,6). Para aquela samaritana chegara a “hora”. Confessa-se disposta a aceitar o Messias, quando Ele chegar (4,25). “Sou eu que estou falando contigo” (4,26). Chega-se ao ápice daquele encontro. O que antes era esperança mal definida, agora é presença, é pessoa encontrada. Ao ouvir “Sou eu”, certamente afloram na samaritana as antigas experiências de libertação (Ex 3,14). Jesus ainda vai dizer no evangelho de João: “eu sou o pão vivo” (6,35); “eu sou o bom pastor” (10,11); “eu sou a ressurreição e a vida” (11,25); “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (14,6); “eu sou a videira” (15,1). “A mulher deixou o seu cântaro” Este como as talhas de Caná são imagem da Lei. Abandonando

o cântaro, a mulher rompe coma Lei. Esta é sua resposta ao Messias.

5º Passo: “Vinde ver... Não será ele o Cristo:” (4,29) Os verbos “Vir” e “Ver” apresentam uma verdade de fé, possível de ser conhecida somente por meio da experiência. É momento indispensável para a adesão amadurecida ao Senhor. “Não será ele o Cristo?” Seu conhecimento acerca daquele “homem” estava apenas no início, mas ela já sentia o desejo de propor a outros a mesma experiência. Os samaritanos também têm sede. Percebem pelo anúncio daquela mulher, que algo de essencial lhes faltava. Como Natanael veio ao encontro de Jesus e se tornou discípulo (1,4551), este mesmo movimento é realizado pelos samaritanos. Foram ao encontro da fonte de água viva.

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Artigo

6º Passo: “Nós mesmo ouvimos e sabemos... é verdadeiramente o Salvador do mundo” (4,42) A resposta dos habitantes é unânime e imediata. Todos tinham sede e vão buscar a água nova. Estão conscientes que algo essencial lhes falta. O seu caminho é o da liberdade a esperança. A fé em Jesus nasce de um encontro com Ele. Mas tudo começou com um testemunho. Eles sedentos, pedem para que permanecessem com eles (4,40). Jesus permaneceu com eles dois dias. “Permanecer” indica continuidade, indispensável na alimentação da fé. O que se iniciara por uma experiência pessoal e individual, desdobrou-se em vivência de comunidade de fé. São os samaritanos que dizem à mulher “este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (4,42). As palavras de Jesus são cantos de triunfo. A esterilidade de Jerusalém e da Judéia transformou16 | Em Família

se na fecundidade a Samaria. O Messias/Esposo encontrou aí a sua esposa. A colheita, já presente, convida à ceifa e é estímulo para os discípulos. A missão de Jesus é, não só ensinar ou anunciar, mas completar a obra da salvação do homem; isto é: realizar a transformação da água em vinho, erguer o novo templo, trazer a possibilidade do nascimento no espírito, dar a água viva que jorra para a vida eterna, consentir à humanidade uma vida verdadeiramente espiritual ou divina. Esta narrativa é exemplo perfeito da maneira como Jesus se faz conhecer àqueles que o procuram. Trata-se de conhecer progressivamente. No início do diálogo, Ele era simplesmente um judeu (4,9); depois ela descobre que é “um profeta (4,19); depois, é o Messias (4,26) e no final, os samaritanos o reconhecem como Salvador (4,42). Conclusão Deus define-se como Espírito, como princípio


Artigo dinâmico de amor. O substrato do universo é um amor pessoal, ativo e sem fronteiras e que por Jesus chega a todo homem que o acolhe em sua realidade humana. Deus-Espírito é chamado de Pai. Esta denominação suprime as discriminações e os condicionamentos sociais. O único Pai da humanidade cria a fraternidade e a igualdade de todos. Referências Bibliográficas - O Evangelho de João. Juan Mateos e Juan Barreto. São Paulo: Paulinas,1989. - Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários. Documento da CNBB 107, 2017 - Dodd, Charles. A interpretação do quarto evangelho. São Paulo: Paulus, 2003 Referências bíblicas em relação ao Poço Gn 16,13-14: “A Iahweh, que lhe falou, Agar deu este nome: Tu és El-Roi, pois, disse ela, ‘vejo eu ainda aqui, depois daquele que me vê’. Foi por isso que Agar chamou este polo de Laai-Roi” Gn 21,30: Abraão cavou um poço e fez aliança com Abimelec e o lugar foi chamado Bersabéia, “porque ali ambos fizeram juramento” (o mesmo faz Isaac com Abimelec em Gn 2615-33). Gn 24,10-67: Junto ao poço, as mulheres pegam água e aí é revelado quem será a esposa de Isaac, pois oferecerá água ao servo e aos camelos. Quem o fez foi Rebeca. Gn 29,1-14: Jacó se encontra com Raquel, filha de seu tio Lobão, junto ao poço. E aí é dado água para o rebanho. Ex 2,15: Moisés foge do faraó e se assenta junto a um poço. As filhas do sacerdote de Madiã vinham dar de beber ao rebanho e os pastores as expulsaram daí. Moisés toma a defesa das moças

e é chamado por Ragüel, o pai, e depois este deu a Moisés sua filha Séfora. Pr 5,15: “bebe a água da tua cisterna, a água que jorra do teu poço”. As fontes de água eram cavadas na terra e a descoberta de águas se tornava ocasião de regozijo, celebrado em cânticos (Gn 26,32; Nm 21,17-18). Naturalmente a água tinha de ser tirada, de maneira que um manancial era particularmente providencial. A água era tirada pelas mulheres, e o poço serviu de local de encontro para o servo de Abraão e Rebeca (Gn 24,11s.), para Jacó e Raquel (Gn 29,2s.) e para Moisés e Séfora (Ex. 2,15s). O poço é imagem da bem-amada (Ct 4,12-15), da esposa (Pr 5,15). Em Is 36,16 beber água do próprio poço é uma imagem de paz e prosperidade. Algumas referências bíblicas em relação á Água, no Evangelho de João Jo 1,26: Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália. Jo 1,33: Eu não o conhecia, mas aquele que me enviou para batizar com água, disse-me. ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é o que batiza com o Espírito Santo’. Jo 3,5: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” Jo 7,38: Se alguém tem sede, venha a mim e beberá, aquele que crê em mim! conforme a palavra da Escritura: De seu seio jorrarão rios de água viva. (anunciam fonte que regenerará Sião Is 12,3; Zc 14,8; Ez 47,1s) Jo 19,34: mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com lança e imediatamente saiu sangue e água.

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A Santidade de Madre Mazzarello Por Pe. José Antenor Velho

A santidade na Bíblia, mais do que um atributo divino entre outros, é a forma especifica do ser de Deus,a sua natureza. Só Deus é Santo, segundo a Bíblia. Separado do que não seja Ele mesmo, revela sua alteridade radical e uma magnificência estupenda: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, diz Naamã depois de ser curado pelo profeta. Participam da santidade de Deus, coisas, lugares e tempos e pessoas que foram 18 | Em Família

separadas para o seu serviço. É santo tudo que lhe pertence, por escolha d´Ele ou por livre consagração. Naqueles que são de Deus, a santidade é qualidade moral e pode ser projeto de vida; é consequência de sua pertença a Deus. Separado por Deus, por Ele consagrado, deve viver separado para Deus, consagrado a Ele: “Sereis santos, porque Eu sou santo, o Senhor vosso Deus” (Lv). A santidade de Deus concedida ao homem/mulher prefixa e

exige viver santamente. E isso não só para padres e religiosas, mas para todos os batizados! A Igreja, Mestra e Pedagoga, ajuda-nos a perceber no meio das multidões pessoas separadas por Deus, que se dispuseram, não tanto com a palavra, mas com a vida, a esforçar-se para serem santas à semelhança de Deus. Entre essas pessoas “separadas por Deus”, temos Santa Maria Domingas Mazzarello. Ela não foi uma Edith Stein pela cultura, nem uma


Artigo princesa como Santa Edwiges, ou uma marquesa di Barolo, rica e influente na sociedade de Turim dos Reis, mas na pequena cidade de Mornese, no interior do Piemonte. Não iniciou um Instituto religioso com mulheres doutas ou ricas, mas com jovens simples do povo; não abriu escolas para meninas da sociedade, mas para crianças da “periferia”: às quais ensinava o catecismo e corte e costura... Não deixou grandes obras de espiritualidade, apenas cartas cheias de riqueza da simplicidade evangélica. Procurou realizar na sua vida o “sentido da pequenez diante de Deus”, vivendo “na simplicidade de coração”, sendo “humilde”. Diversamente do que o mundo valoriza, como diz São Paulo: os “sábios”, os “poderosos”, os “nobres”, porque Deus valoriza os “fracos”, os “desprezíveis”, aos olhos do mundo. Os “pequenos”, como Madre Mazzarello, são os “escolhidos” por Deus, no dizer de São Paulo, para confundir os poderosos e os sábios. Os “pequenos”, os escolhidos de Deus, tornam-se, em Cristo, “e como Ele, “sabedoria, justiça e santificação”. O próprio Jesus exultou porque o “Pai escondeu essas coisas aos doutos e sábios, e revelou-os aos pequenos.” A Mazzarello jamais foi

“grande” segundo os critérios do mundo. Deus e suas Irmãs sabiam, porém, que ela possuía um coração simples, um espírito doce, uma alma transparente, uma sensibilidade misericordiosa... (P. Vecchi). Ela era assim e queria que as suas filhas espirituais e, por extensão, aqueles/as que entram em comunhão com o seu espírito fossem “humildes em todas as ações”; interessava-lhe a sinceridade e não as aparências: digam às postulantes (dizia numa carta às diretoras) que não pensem somente em vestir-se com o hábito negro, mas (revestir-se) de todas as virtudes necessárias: espírito de mortificação, de humildade, de desapego de tudo o que não seja Deus. Quando Jesus apresenta aso discípulos as bemaventuranças tem em mente o modo de escolher Deus e libertar-se do resto (como o lema da Família Salesiana: Daime as almas e ficai com o resto), ou seja, buscar antes de tudo o Reino de Deus, ter o coração orientado para Deus. Modo não fácil, mas insubstituível. A Santa escreveu numa carta que para chegar à santidade é preciso: “colocar a nossa boa vontade; que ela seja verdadeira, resoluta, enquanto Jesus fará o resto”. E recomenda agir “para agradar somente a Jesus.

Ela repetia com frequência às Diretoras: “mantende alegres todas as Irmãs”. E “para viver alegre é preciso caminhar com simplicidade, não buscar satisfação nas criaturas, nem nas coisas deste mundo. Pensai somente em realizar bem as vossas obrigações por amor a Jesus; Ele fará o resto” O Papa Francisco (16 de agosto de 2017) refletia sobre: “as grandes coisas que o Senhor fez com as pessoas humildes, as grandes coisas que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio que dá lugar a Deus. O humilde é poderoso, porque é humilde, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde e da humildade. Essa é a simplicidade evangélica vivida pela nossa Santa. Esse é o espírito que impregna a vida do Instituto fundado por ela e deveria impregnar a vida dos seus colaboradores. Maria Mazzarello ensine a todos nós a viver assim, que é justamente o que Jesus nos pede: ser como “crianças” diante d´Ele e dos outros: simples, transparentes, verdadeiros na caridade, caridosos na convivência. Porque só assim herdaremos o Reino dos Céus.

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Inspetoria ”Santa Catarina de Sena” por que? Por Irmã Rosalba Perotti Penso não ter sido eu, a única Irmã, a perguntar-se: por que nossa Inspetoria tem o nome de “Catarina de Sena”? Uma grande Santa italiana do século XIV, mas talvez pouco conhecida entre nós. Supõe-se, com base no bom-senso histórico, que a escolha do nome de Catarina, tenha sido motivada pelo afeto e gratidão para com Madre Catarina Daghero, que esteve à frente do Instituto por 43 anos. E não foi escolhida Santa Catarina de Alexandria, martirizada no século IV,em Alexandria doEgito, mas a Santa cuja biografia era bem conhecida e bem mais próxima da realidade italiana que a da mártir de Alexandria. Para refrescar nossa memória, permitimo-nos traçar de forma breve, alguns fatos da vida de nossa santa Patrona. Catarina de Sena foi o protótipo da mulher atuante na sociedade e na Igreja de seu tempo. Se ainda hoje, o desempenho das mulheres não encontra muitos espaços livres para expressa-se, com muito mais razão no que se refere a ela, que viveu em uma sociedade tradicional, na Idade Média, do século XIV. Catarina deixou uma marca indelével na Igreja de seu tempo e continua a nos impressionar, pela sua forte personalidade. Podemos dizer que Catarina, nascida no ano de1347, em Siena, Itália, possuía uma inteligência brilhante e grande profundidade espiritual e mística. Desde cedo, foi agraciada com favores celestes; fazia contínuas penitências, embora fosse frágil de saúde: (foi a 24ª de 25 irmãos!), recebeu os estigmas da Paixão de Cristo e outros dons místicos. Com 15 anos, tornou-se Terciária Dominicana. Daí seu apreço e devoção para com São Domingos de Gusmão. É conhecida e reconhecida pela importância de suas obras, escritas por ela ou ditadas : “Dialogo sobre a Divina Providência” e suas 382 “Cartas”, além de escritos menores. Dirigia um grande número de discípulos, os 20 | Em Família


Artigo à grande mudança do “Catolicismo Social” e, como consequência do balanço da crise modernista, ao esforço de renovação dentro do próprio catolicismo. A Igreja desenvolve assim uma renovada presença cristã na sociedade fortemente sacudida pela primeira guerra mundial. O Instituto vive um grande esforço de organização e de crescimento determinado internamente pelo aumento dos membros e por um notável crescimento das fundações: na Europa na América, na Ásia e na África. É muito viva a preocupação com a formação religiosa e cultural das irmãs, junto à tomada de consciência de uma tradição espiritual que se deve conservar e passar adiante. A abertura às novas exigências da sociedade, da Igreja e da juventude leva a novas formas de apostolado: internatos para jovens trabalhadoras, orfanatos e obras assistenciais para acolher crianças sobreviventes da guerra, escolas de todos os tipos e graus para educar a juventude que se prepara para uma nova fase histórica e cultural. O Instituto, com Madre Daghero, realiza oito Capítulos Gerais e se encaminha gradualmente para a fundação de Inspetorias com sua respectiva casa de formação. Na sua consolidação organizativa o Instituto passa, em 1907, da situação de “agregada” à Sociedade Salesiana” à sua autonomia jurídica. No dia 7 de setembro de 1911, o Instituto obtém a aprovação Nasceu em Cumiana (Turim), no dia 7 de maio de pontifícia com o “Decretum Laudis”. No mesmo 1856, morreu em Nizza Monferrato (Asti) no dia 26 de ano abre-se o processo diocesano para a causa de fevereiro de 1924, depois de 43 anos como Superiora beatificação de Madre Mazzarello, Co-fundadora do geral do Instituto. Governou o Instituto de 1881 a Instituto. Madre Catarina Daghero, de 1881 a 1923, 1924: um período histórico marcado por processos visitou o Instituto na Itália, França, Bélgica, Inglaterra, de secularização e pelo início da industrialização. Espanha, Palestina e África e América, onde esteve Profundas mudanças atingem o mundo feminino mais ou menos dois anos em Visita, fiel ao seu princípio: que fornece preciosa mão de obra à incipiente ”É preciso ver com os próprios olhos, tocar com as industrialização e que dá vida ao movimento próprias mãos.” “Esta necessidade de ver, para poder empenhado na luta pelo reconhecimento dos direitos ajudar ou avaliar as várias modalidades estimulou- a civil e jurídico da mulher. Neste período a Igreja a visitar obras educativas presentes nos vários Países mostra a vitalidade de sua fé tanto na renovação onde o Instituto se estabeleceu”. espiritual que a caracteriza, como no surpreendente fortalecimento da atividade missionária. Assiste-se “caterinnati,” entre os quais havia: gente do clero, da nobreza e gente simples, do povo. Um, dentre seus discípulos, foi o bem-aventurado Raimundo de Cápua, seu confessor, e seu primeiro biógrafo. Por ele é que sabemos muitos pormenores de sua surpreendente vida. Sobretudo, amou a Igreja, que atravessava então, uma grave crise interna e externa: lutas entre cidades italianas e também com a França Obteve a volta do Papa Gregório XI de Avinhão para Roma, em janeiro de 1377. Morreu em Roma, aos 33 anos. Ainda hoje, suas obras são clássicos da literatura religiosa e mística. Como São Francisco de Assis, é Patrona da Itália e também da Comunidade Europeia. Como dissemos acima, não temos documento escrito que comprove esta escolha, em relação a Madre Daghero, mas conhecendo os fatos de seu longo e fecundo tempo de governo, reconhecemos nela a Superiora de larga visão, amada não só por ser a imediata sucessora de Madre Mazzarello, mas por sua bondade de trato, sua fidelidade ao carisma, pela preocupação com a educação das meninas e pela grande expansão que o Instituto teve em seu tempo, como Superiora Geral. Transcrevemos agora alguns traços do perfil de Madre Catarina Daghero:

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Artigo Nossa Inspetoria foi visitada por Madre Catarina Daghero, no ano de 1896, portanto, a poucos anos da fundação do Colégio do Carmo( (1892) , quando já surgiam outras Casas nossas, não só no Estado de São Paulo, mas em outros Estados do Brasil. E foi no ano seguinte à grande tragédia de Juiz de Fora, em novembro de 1895, que ainda repercutia no ânimo dos SDB e FMA, atingidos pela morte de Irmãs e Sacerdotes, sendo Dom Luís Lasagna e Madre Teresa Rinaldi, os que encabeçavam o grupo missionário. Tinham o objetivo de fundar novas presenças em Minas Gerais e Mato Grosso. Tendo como ponto de referência a Crônica do Colégio do Carmo, focalizamos alguns fatos da Visita às Casas de São Paulo, iniciando com a Visita à então sede da Inspetoria, que era o Colégio do Carmo. Vejamos como a Crônica documenta esta Visita: AGOSTO - ano 1896 Dia 20: Às 11 horas da manhã, chegou de São Paulo,vindo de \montevideo, S.Excia o Reverebdíssimo Mons. João Cagliero, uBispo Titular de Magida e Vigário Apostólico da Patagônia, representante de Montevidéu, S. Exa. Rev.ma., como representante do Sr. D Reitor Maior da Congregação Salesiana. Sua Exa. vinha acompanhado do seu Secretário, o Sr. Pe. João Crippa, e do Sr. Inspetor, Pe. Carlos Peretto, e de diversos Sacerdotes Salesianos, Diretores das diversas Casas da Inspetoria, que tinham ido ao Porto de Santos receber Sua Exa. No mesmo comboio chegou a Revda. Madre Geral Catrina Daghero acompanhada de sua Secretária, a Revda. Ir. Felicina Fauda, da Revda. Diretora interina do Colégio Nossa Senhora do Carmo, Ir. Ana Masera, e das Revdas. Diretoras dos Colégios de São Paulo, Araras e Pindamonhangaba que foram a Santos receber a Revda. Sra. Madre Geral. Era a primeira vez que o Exmo. Sr. Bispo D. João Cagliero e a Revda. Madre Geral Catarina Daghero visitavam esta Casa. Entraram na Capela do Colégio e foi cantada a Antífona “Sacerdos et Pontifex”. Depois de alguns momentos de oração, S. Exa. Rev.ma. D. 22 | Em Família

João Cagliero agradeceu ao público a demonstração de apreço de que fora alvo e penetrou no interior do Colégio. Foi grande a alegria que experimentou toda a Comunidade. A Revda. Sra. Madre Geral entreteve-se com as Irmãs dando-se por feliz de encontrar-se entre as suas filhas de região tão distante e prometendo que aproveitaria de sua estada entre elas para dar aqueles conselhos próprios, a fazer de todos os membros de nosso Instituto, um coração só, baseando-se nos mesmos moldes do nosso venerando Fundador, o Pe. João Bosco. A todas em geral, e a cada uma em particular, dispensou palavras recomendando a observância religiosa./...../ Dia 23: Com a Bênção do SS. Sacramento terminou a bonita festa religiosa. À tarde, as alunas obsequiaram S. Exa. Mons. Cagliero e a Revda. Madre Geral, com um belo certame literário-musical. Dia 24: Às 9 horas da manhã, S. Exa. Revma. Mons. Cagliero admitiu a tomar o Santo Hábito Religiosa às Postulantes:/.../ Assistiram o ato os Pe. Carlos Peretto, Inspetor das Casas Salesianas do Brasil, Tomé Barale, Diretor de Lorena, mais seis sacerdotes e o Rev. Mons. João Filippo. A Revda. Madre Geral também assistiu o ato. Terminou este solene ato com a Bênção do SS. Sacramento. Às 2 horas da tarde, teve lugar a eleição do primeiro Conselho das Filhas de Maria Imaculada, externas. Dia 25: Às 6 horas da tarde, a Rev. Sra. Madre Geral convocou a Comunidade para uma Conferência extraordinária que foi feita por S. Exa. Mons. João Cagliero. Este, depois de ter animado as Irmãs a prosseguirem na conquista das almas para o Céu /....../ Setembro Dia 07: Neste mesmo mês, o Exmo. Sr. D. João Cagliero que se achava hospedado no chalé, residência do Capelão, visitou as diversas Casas salesianas desta Inspetoria. A Rev. Madre Geral que se hospedou neste Colégio saiu juntamente com a sua Rev. Secretária e a Rev. Madre Visitadora Ana Masera para fazer visitas às diversas Casas das Filhas de Maria Auxiliadora desta Inspetoria.


Artigo OUTUBRO Dia 25: As Irmãs e alunas, pesarosas pela próxima retirada dos Amadíssimos Superiores, o Exmo. Sr. D. João Cagliero e a Rev. Madre Geral, Catarina Daghero, ofereceram-lhes, mais uma vez, um tributo de sua gratidão e amor filial por meio de modesto certame literário. Findo o certame, o Exmo. Mons. Cagliero abençoou a todas e fez suas despedidas. Neste mesmo dia, S. Exa. tomou o trem para Lorena devendo seguir depois para o Rio de Janeiro e, em seguida, para Montevidéu. Dia 26: “A Rev. Sra. Madre Catarina Daghero, de manhã até às dez horas, ainda deu audiência particular às Irmãs. Depois do almoço, quando ainda estavam reunidas no refeitório, dirigiu-lhes palavras repassadas de afeto e de santo interesse pelo bem das almas, demonstrando quanto amor dedica às Irmãs desta Inspetoria. Depois fez suas despedidas. Como exprimir o sentimento que se apoderou de cada uma de suas filhas pela retirada da querida Madre Superiora? Partiram do Colégio às 10 horas da manhã a Rev. Madre Geral, a sua digna Secretária a Rev. Ir. Felicina Fauda para o Rio de Janeiro. Foram acompanhadas até a bordo do paquete pela Rev. Madre Visitadora Ana Masera, a Rev.da Vigária Tersila Tabasso e a Rev. Ir. Francisca Roggero, acompanharam-nas té a Estação do Cruzeiro.” E ela parte para continuar a Visita às Casa do Brasil, numa viagem que durou quase 2 anos. Neste ano de 2018, estamos celebrando os 110 anos do reconhecimento canônico da nossa Inspetoria. É justo que lembremos também as duas Casas que celebram os 100 anos: Instituto Nossa Senhora Auxiliadora do Belém, São Paulo e o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Ribeirão Preto. E para terminar, uma reflexão bem prática. Costuma-se dizer que quem não considera o passado, não terá futuro. A história será sempre mestra de vida. “Alargando o olhar”, como nos pede o nosso CG XXIII, também no empenho de re-

significação das nossas Inspetorias, nos sustentam e estimulam em direção ao futuro, a fidelidade e a coragem de quem, como Madre Daghero e tantos Superiores e Superioras, missionários ou não, que entregaram a própria vida para a consolidação do nosso carisma no Brasil. Agradeçamos a Deus esta história fecunda pela fé e fidelidade dos que nos precederam! Bibliografia - Dados fornecidos pelo Site do Instituto das FMA e pela Crônica do Colégio N.Sra do Carmo, de Guaratinguetá.

Madre Catarina Daghero

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Uma história cheia de vida! 100 anos do Colégio Auxiliadora de Ribeirão Preto

“No ano de Nosso Senhor, mil novecentos e dezoito, ocupando a Cátedra de São Pedro SS. Bento XV e a Sede Episcopal de Ribeirão Preto S. Excia. Mons. Alberto José Gonçalves; sendo Vigário da Catedral o Revmo Dom Archibaldo Ribeiro e sendo Superior Maior da Congregação Salesiana o Revmo. Sr. Dom Paulo Albera e seu Representante, nesta Inspetoria, o Revmo. Padre Pedro Rota. Sendo a Superiora Geral das FMA a Revma. Madre Catarina Daghero e sua Representante nesta Inspetoria a Revda. Madre Teresa Giussani; sendo Presidente da República do Brasil o Sr. Dr. Venceslau Braz e do Estado de São Paulo o Sr. Altino Arantes, sendo presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto o 24 | Em Família

Sr. Dr. Giovanni Meira Junior, o Conselho Inspetorial, atendendo às urgentes circunstâncias, resolveu abrir este Externato na cidade de Ribeirão Preto, baseando-se na confirmação das Reverendíssimas Madres do Conselho Generalício conforme se confirmou alguns meses depois.” (Crônica da Casa – arquivo inspetorial) Começava o século XX. O café transformava a pequena cidade de Ribeirão Preto em um Eldorado. Imigrantes italianos, trazidos para substituir os escravos, trabalhavam a terra fértil. Os proprietários das terras enriqueciam e se tornavam os reis e rainhas do café. Transformada em cidade grande, Ribeirão Preto preocupava-se com a cultura e a


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educação. Foi com o objetivo de criar uma Escola para moças que três irmãs Salesianas vieram de São Paulo, no dia 24 de janeiro de 1918: a Diretora, Ir. Modesta Martinelli, Ir. Hortência Van Moerkerke e Ir Onorina Obliqui. “Na manhã do dia 24 de janeiro de 1918 chegaram as três primeiras Irmãs destinadas à abertura da Casa: Ir. Modesta Martinelli, Ir. Ortensia Van Moerkeche, Ir. Onorina Obliqui. Vieram fraternalmente esperálas na Estação a boa Ir. Virginia Miracca, Diretora do Hospital, onde ficaram até o dia 4 de fevereiro. Neste tempo foram várias vezes ao Externato para conferir à Casa um aspecto de futura habitação.” Numa pequena casa, cedida pelo Dr. Antônio Carlos Tinoco Cabral, na Rua Duque de Caxias, nº 23, primeira residência das Irmãs, foi instalado o Externato Nossa Senhora Auxiliadora. No dia 04 de fevereiro, com seis carteiras emprestadas e 10 alunas, uma em cada série da escola elementar,

iniciou-se o Curso Primimário com aulas, trabalhos manuais e formação religiosa. A Crônica, com vivacidade, nos faz reviver os primeiros dias da nova Casa de Educação: “Dia 5: A ecônoma inspetorial se dirigiu a Batatais para providenciar os livros, cadernos e objetos escolares, generosamente oferecidos pela Diretora do Colégio daquela cidade. Dia 6: O Diretor do 1º Grupo Escolar nos emprestou 24 carteiras e 12 pranchas. Chegou mais uma aluna, mas a escola se fechou às 2horas por falta de alunos. Dia 9: Inauguração oficial do Externato. O Exmo. Sr. Bispo abençoou a Casa com a presença de vários janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 25


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Sacerdotes e de distintas famílias e de 10 alunas. Na simples festa foi desenvolvido o seguinte programa: Hino Pontifício, Saudação ao Exmo. Sr. Bispo, Oração pela Igreja, Discurso do Sr. Pároco e Hino Nacional. No final foi oferecido um coquetel aos convidados com doces e refrigerantes, gentilmente oferecidos por uma Comissão de Senhoras da cidade.” Apesar da pobreza da Escola nascente, o Curso Primário foi autorizado oficialmente em junho de 1918 e aceito pela comunidade local e pelas autoridades que contribuíam para o seu bom êxito, como a cronista nos relata: “No dia 10 de março, honrou-nos, com sua visita, o ilustríssimo Cônsul Italiano que, vendo nossa pobreza, fez-nos a oferta de 1000 cadernos, 90 livros didáticos, 5 cartas geográficas e alguns recursos para o estudo de Ciências Naturais. Deixando-nos, fez votos de prosperidade para o nosso Externato.” Procurando atender as necessidades das jovens que não tinham condições de estudar no período da manhã, ou que não tiveram a oportunidade de 26 | Em Família

frequentar a escola por diversos motivos, principalmente os econômicos, no dia 04 de março, com autorização da Madre Inspetora, foi aberta a Escola Noturna com a presença de oito alunas. No dia 18, foram surpreendidas pelo pedido do Diretor do Grupo Escolar, solicitando a devolução das carteiras que lhes foram emprestadas e foram socorridas pela Diocese que lhes ofereceram 36 carteiras até que obtivessem o material escolar vindo de São Paulo. Apesar de todas as dificuldades econômicas no final do primeiro mês de funcionamento, o Externato contava com 47 alunas: 23 da escola diurna, 20 da escola noturna e 04 alunas de trabalhos femininos. Durante o segundo semestre de 1918, todo o país foi atingido pela epidemia de febre espanhola. Por essa razão, as aulas foram interrompidas e as Irmãs assumiram o Hospital de Emergência da Cruz Vermelha para atendimento dos enfermos. Outubro 31: Tendo despontado em todo o Brasil a epidemia da “gripe espanhola”, por ordem das autoridades, a fim de se evitar o contágio, precisamos fechar o Externato, terminando improvisamente o 1º ano letivo. A escola já estava com 90 alunas distribuídas nos períodos diurno e noturno. Novembro 8: Duas Irmãs foram dirigir um hospital aberto provisoriamente na Delegação para socorrerem os pobres doentes atingidos pela gripe. 12: A Diretora com uma Irmã do Hospital, dirigido pelas FMA, em Ribeirão Preto, assumiram a


Artigo direção do novo Hospital da “Cruz Vermelha” para acolherem as pessoas golpeadas pela epidemia da gripe espanhola. 18: Adoeceu a companheira da Diretora, no hospital acima indicado e por isso, seguiu outra das nossas Irmãs do Colégio para substituí-la, ficando aí apenas uma Irmã e duas alunas. 28:A Diretora, não se sentindo bem se ausentou do hospital da “Cruz Vermelha” por alguns dias e foi substituída pela Diretora do nosso Hospital, Ir. Virginia Miracca. Dezembro 1: Retornou para junto dos doentes a nossa boa Diretora. 8: Festa da Imaculada! Devido à epidemia não se pôde celebrar com a solenidade desejada esta festa. As Irmãs responsáveis pelas Filhas de Maria se dirigiram à catedral para a missa e reunião programada. 11: Graças a Deus se fechou o hospital da “Cruz Vermelha” e as Irmãs puderam retornar para casa.”

ministravam aulas de pintura, bordado, confecção de flores, piano e aulas de francês (ministradas pela Ir Hortência, de origem francesa). Dedicavam-se também a dar catecismo, assistência à Pia União das Filhas da Imaculada e Oratório Festivo. A casa contava com sala de visitas, diretoria, algumas salas de aula, salão para atividades manuais, Capela e um grande pátio de mangueiras. Realizava-se mais uma vez o sonho de Dom Bosco e Madre Mazzarello: uma casa para acolher meninos e meninas! Entre as primeiras benfeitoras das Irmãs deve ser lembrada de modo especial Dona Amélia Junqueira. Em 1924 assumiu a direção do Colégio, Ir. Tersila Tabasso, responsável pela abertura do internato, para receber meninas que moravam nas cidades vizinhas. Em vista disso, em 1928, o estabelecimento passou a ser designado Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. De 1927 a 1933, esteve à frente do Colégio, Ir. Hortência Van Moerkerke, substituída em 1934 por Ir. Teresa Quadros. A Escola cresceu junto com a cidade. Em 1937, a então Diretora, Ir. O tempo passou... Teresa Quadros fundou o Curso Ginasial. Ir. Vitória Ceron iniciou, em 1938, a construção do atual Em razão da falta de espaço para as aulas, no dia prédio, ocupando todo o quarteirão. 05 de maio de 1921, Ir Olívia Fachini, em nome das Com a atual Comunidade Educativa do Colégio Irmãs, compra o prédio onde, por quinze anos, Nossa Senhora Auxiliadora, rendemos graças funcionara o Ginásio do Estado, situado na rua a Deus por tanto bem que já se fez e se faz nas Duque de Caxias, esquina com Cerqueira César. O terras quentes de Ribeirão Preto e pedimos que preço estipulado, quarenta contos, sendo metade o Externato Maria Auxiliadora de 1918, continue à vista. Ao perceber as dificuldades econômicas educando e evangelizando e evangelizando por que passavam as Irmãs, a aluna Zoé Gusmão educando à juventude dos anos dois mil. comunicou o fato a Ziloca Junqueira do Val, a qual obteve de sua sogra, Dona Chiquinha do Val, proprietária do mesmo imóvel, o perdão da dívida Fonte: Crônica do Externato Maria Auxiliadora restante. Arquivo Inspetorial As Irmãs se mudaram para o novo prédio, inaugurado solenemente, no dia 19 de junho de 1921. Além da instrução elementar, as Irmãs janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 27


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Primeiros tempos Instituto Nossa Senhora Auxiliadora 100 anos de história

Atendendo ao pedido do Arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva, a fim de suprir as necessidades da juventude da região, as Irmãs Domingas Oddone, Emma Zannone, Cândida de Paula e Frederica Hummel, residentes no Colégio de Santa Inês de São Paulo, percorreram as ruas da região

Ano 1918 Casa de São Paulo – Braz Título - Maria Auxiliadora Inspetoria Santa Catarina de Sena Diretora - Ir. Domingas Odonne Professoras Ir. Emma Zannoni Ir. Candida de Paula Ir. Cecilia Galvão Porteira - Ir. Frederica Hummel Enc. da Crônica - Ir. Domingas Odone

em procura de alunas. E, assim, conforme reza a Crônica da Casa de 1918 (arquivo inspetorial), há 100 anos nascia mais uma Casa Salesiana das Filhas de Maria Auxiliadora, na Avenida Rangel Pestana, número 29, no Brás: “No Ano do Senhor 1918, sendo Sumo Pontífice Bento XV, Arcebispo Diocesano de São Paulo Dom 28 | Em Família


Artigo

Duarte Leopoldo e Silva, Pároco e Vigário Pe. paróquia Pe. Higino de Campos. Estavam presentes Higino de Campos, Presidente da República, Sr.

ainda a Revda. Ir. Constância Storti, Vigária

Dr. Venceslau Brás, Governador do Estado de São

Inspetorial, representando a Madre Inspetora, Ir.

Paulo, Sr. Dr. Altino Arantes, Prefeito Municipal Dr.

Teresa Giussani, que se encontra enferma, muitos

Washington Luís Pereira de Souza, Superiora Geral

sacerdotes, famílias do bairro e numerosas Irmãs do

das FMA Madre Catarina Daghero, representada

Colégio de Santa Inês.

nesta Inspetoria de Santa Catarina de Sena pela

Tomou a palavra o Arcebispo que congratulou o

Madre Teresa Giussani, foi aberta esta Casa em São

bairro pela presença das FMA nessa grande obra.

Paulo, Capital homônima do Estado, à Rua Rangel

Foram apresentadas as Irmãs da Comunidade

Pestana nº 29, Brás, com o nome de Externato Nossa

com suas atividades locais, sendo que as funções

Senhora Auxiliadora.

litúrgicas e de piedade seriam na paróquia.

Foram abertas as matrículas para as meninas dos

No dia 17 (fevereiro), houve a abertura do Oratório

dias 11 a 15 (fevereiro) pela Conselheira Inspetorial,

festivo com 45 crianças; no dia 18 (fevereiro)

Ir. Enrichieta Leme e a Diretora Ir. Domingas Odone. abertura da Escola com 29 crianças divididas em No dia 16 (fevereiro), inauguração solene da

quatro classes elementares e no dia 24 do Oratório

Casa com a Benção do Sr. Arcebispo Dom Duarte festivo já com 140 elementos. (...) No dia 8 de abril, Leopoldo e Silva, com a presença do Inspetor

as atividades da Escola Noturna para as operárias

de Mato Grosso Dom Pedro Rota e o Vigário da que trabalham de manhã à tarde nas fábricas de janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 29


Artigo

tecidos e outras. São jovens de quinze a vinte anos

enfermaria do Colégio de Santa Inês, transformado

que iniciaram suas aulas de religião.”

em Hospital.”

Em

outubro,

em

seu

primeiro

ano

de

O número de alunos foi aumentado e o imóvel

funcionamento, o Externato, conforme a Crônica,

se tornou pequeno; foi comprado, então, um

abriu suas portas para atender os atingidos pela

terreno na Av. Celso Garcia, no Belém, onde as

mortal gripe espanhola:

Chácaras começavam a dar lugar à indústria têxtil.

“Por ordem das autoridades governamentais as

No dia 11 de fevereiro de 1924, embora a Casa

escolas são fechadas, a partir do dia 18, devido fosse pequena, pois o número de alunas chegava à epidemia da gripe espanhola que assolava a

a noventa e três, foi realizada a mudança para o

cidade. Além das orações, o Sr. Arcebispo pede que,

novo local, com o nome de Instituto Nossa Senhora

em nossa Casa, seja distribuída diariamente a sopa

Auxiliadora. Continuaram funcionando os Cursos

e o “brodo” a todos os doentes, que são mais de de Datilografia, Corte e Costura, Bordado e Tricô 70, quase todos italianos; todos se mostram muito

para moças operárias que trabalhavam, sobretudo,

reconhecidos. Irmã Cândida de Paula é chamada na Fábrica Matarazzo. Essas mesmas jovens vinham pela Inspetora para ser enfermeira na Imigração

almoçar debaixo das grandes árvores que ladeavam

Italiana e Ir. Emma Zannone vai também atender na

o pátio de terra da Escola.

30 | Em Família


Artigo

Em 1933, abrem-se as primeiras matrículas para

formação integral e evangelizadora das crianças e

o Jardim de Infância e do lº ao 4º Anos do Curso dos jovens para que, possam ser protagonistas na Primário, hoje, Ensino Fundamental. O bairro do Belém era habitado, sobretudo, por

construção de uma sociedade mais ética, solidária e participativa.

imigrantes de origem Italiana. Seus descendentes

Que Maria Auxiliadora, padroeira desta Casa,

viam com simpatia a Escola, cujas Irmãs pertenciam

continue passeando pelos seus corredores e

a uma Congregação Italiana, e com isso, o número

abençoando toda a Comunidade Educativa.

de alunos foi aumentando a ponto de, na década de 50, o casarão tornar-se fisicamente pequeno para acolher as crianças e jovens. Devido a isso,

Fontes: Crônicas do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora – SP Arquivo da Inspetoria Santa Catarina de Sena

iniciou-se a construção do atual Instituto Nossa Senhora Auxiliadora (INSA), com entrada pela Rua Passos, nº 36 e o prédio, conforme as necessidades, continua passando por reformas, até hoje. O Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, desde sua fundação, vem contribuindo para o processo de janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 31


Artigo

E Deus continua chamando Não deixemos de viver a profecia! Por Celene Couto Rodrigues , noviça

A primeira grande vocação é à vida e esta vocação é universal. Recebemos o dom da vida para vivê-la em abundância. Todos nós somos chamados a viver esta plenitude como filhos e filhas muito amados(as) de Deus. Toda vocação tem sua origem no olhar amoroso de Jesus, nasce no meio do povo de Deus e é verdadeiro dom da misericórdia divina. “A Igreja é a casa da misericórdia e também a terra onde a vocação germina, cresce e dá fruto”(2016). Somos chamados a fazer parte da missão da Igreja e, após um certo amadurecimento, Ele nos dá uma vocação específica a fim de fazermos um caminho vocacional, ou seja, um caminho de crescimento em seu amor. 32 | Em Família

O chamado é eminentemente gratuito e é uma iniciativa inteiramente de Deus. Ele considera seriammente cada pessoa e por nos conhecer tão bem e como ninguém, nos olha, nos ama, nos valoriza, nos escolhe e nos chama. Com essa escolha privilegiada e esse chamado, nos tornamos os seus eleitos, por isso, planta em nosso coração o desejo insaciável de estabelecermos uma amizade mais profunda com o Ele e de partilharmos de sua vida íntima. O Papa emérito Bento XVI, na Conferência episcopal Regional Sul 2 do Brasil, afirmou que “a vida religiosa consagrada nunca poderá faltar nem morrer na Igreja: foi querida pelo próprio Jesus como parcela irremovível da sua Igreja” (05/12/2009).


Artigo Constatamos isso por meio de sua origem que se deu com o próprio Senhor que escolheu para Si esta forma de vida: casta, pobre e obediente. Podemos, então, afirmar que a Vida Religiosa Consagrada é fruto do toque delicado e amoroso de Deus na pessoa que se deixou transformar pela alegria de sentir-se imensamente amada por Ele e não mais pode guardar essa experiência somente para si mesma, colocando-se inteiramente a seguir Jesus Cristo mais de perto, levando incessantemente sua Boa Nova a todos. Cada consagrada(o) é chamada(o), por Jesus Cristo, a segui-lo mais de perto e pela ação do Espírito Santo fazer, como Ele, em tudo, a vontade do Pai. E, é aqui que está a fonte inesgotável da alegria de toda a nossa consagração, como nos afirma Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelli Gaudium “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Com Jesus Cristo sempre nasce e renasce a alegria” (2013). Irmã Madalena Morano vivia e inspirava a todas a respirar essa atmosfera da alegria e afirmava que era preciso ter “a consciência de sermos consagradas para sempre a Jesus, e isso deve bastar para ficarmos sempre alegres” (1901). A consagração é o fundamento da vida religiosa

e o “respiro” do ar puro do Espírito Santo que nos faz todas(os) de Deus para os outros. Por isso, a vida consagrada é hoje, sinal dos bens futuros, pois reflete e revela o rosto de Deus por meio da opção de viver livremente como Jesus Cristo, casto, pobre e obediente, guiadas(os) pelo Espírito Santo, a vivência plena do amor. Portanto, a consagração é o caminho para Deus e seu Reino e exige compromisso e fidelidade a fim de vivermos a promessa que Deus fez com cada um(a) de nós: a vivência da nova e eterna aliança, fundamentada e alicerçada de uma vez por todas na pessoa de Jesus Cristo. Como partícipe da vida e santidade da Igreja, a vida religiosa consagrada é dom de Deus à sua Igreja, nas diferentes dimensões (global e local) e diversas manifestações carismáticas, puro dom e graça do Espírito. “Há diversidade de carismas, mas um só é o Espírito; há diversidade de ministérios, mas um só é o Senhor; há diversidade de operações, mas um só é Deus que opera tudo em todos” (1Cor12,4-6). Não obstante, cada carisma revela a resposta generosa de seus Fundadores, a partir da experiência do Espírito, frente aos problemas sociais de sua época. Sendo assim, podemos afirmar que os carismas são a materialização da intervenção de Deus que vem salvar seu povo, sobretudo àqueles que mais

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Artigo sofrem. Como herdeiras do carisma salesiano deixado para nós, por Dom Bosco e Madre Mazzarello, somos responsáveis de viver essa consonância espiritual vivida entre nossos santos fundadores: a consagração total a Deus para a salvação dos jovens, por meio de um projeto de educação cristã integral, próprio do Sistema Preventivo. O contato com as fontes de nosso carisma, o “mergulho” em Valdocco e em Mornese é, para cada uma de nós, a oportunidade concreta de reavivar a experiência vocacional, pois nos permite reler a nossa vida e a nossa vocação à luz da experiência carismática vivida por nossos santos fundadores. Ir.Madalena Morano expressava toda a sua alegria quando dizia: “Eu vi Dom Bosco, falei com ele! Estive em Mornese, respirei aquele clima, conheci Madre Mazzarello…”. Para ela, mais do que um simples motivo de alegria, ter estado em contato direto com os fundadores, significava a vivência em seu mais profundo de uma experiência que carregava em seu coração, como um verdadeiro tesouro em vasos de argila. A nossa missão é única, mas as suas realizações são diversas, tantas quantas as situações e os contextos históricos, geográficos, religiosos e culturais que vivem os jovens. Somente uma análise da realidade e o acompanhamento personalizado nos permite conhecer as necessidades dos nossos jovens. É preciso estar claro que acompanhar uma pessoa no discernimento vocacional à vida religiosa é acompanhá-la no seguimento de Jesus para participar de sua missão na Igreja. Tal fato nos pede que anunciemos com clareza que toda vida é vocação, compromisso, responsabilidade. Portanto, é importante ajudar as(os) jovens a discernirem, realizarem sua vocação pessoal, seja qual for, com uma atitude de profunda gratuidade. Um imperativo precisamos ter presente em nossa mente e em nosso coração: propor às(aos) jovens o seguimento radical de Jesus Cristo. Para isso, precisamos acompanhá-las(los) em suas perguntas 34 | Em Família

e interrogações existenciais e educá-las(los) a encontrar o sentido mais profundo de suas vidas. Na certeza de que em cada jovem existe uma corda que dá acesso ao bem, e de que neles, existe o desejo de descobrir o fascínio, sempre atual, da figura de Jesus, o fascínio de saborear sua presença, de aprender com Ele e de se permitir enamorar por Ele, precisamos propor experiências que os interpelem e os provoquem por Suas palavras e gestos e assim trilhar o caminho da descoberta de uma vida plenamente humana e feliz em gastar-se inteiramente no amor. A participação dos jovens em nosso XXIII CG nos mostra que a chama da profecia continua acesa e nos aponta que o caminho é estar insieme com os jovens. Recordemos a fala do jovem Jacopo no XXIII CG: “Para nós, vocês são testemunhas daquela “casa alicerçada sobre a Rocha”, na qual o Amor a Deus se manifesta na comunhão fraterna, sinal tangível que fascina os jovens e os faz sentir-se em casa. Um espírito de família que contagia e que, passo a passo, permite chegar àquela “porta estreita” que leva ao encontro com Jesus. Então reconhecemos que o carisma nos foi dado como presente naqueles gestos cotidianos que acompanharam nosso crescimento. Cada gesto e atenção aos mais pequenos têm, assim, um sentido novo: a alegria verdadeira de ser instrumento de evangelização. Ao lado de vocês, nós nos sentimos protagonistas de uma mesma missão educativa: ser para outros jovens casa que evangeliza” (p.171). Quanto mais o carisma for vivo em nossas comunidades, quanto mais a alegria resplandecer em nossos olhos e os jovens se sentirem profunda e particularmente amados, mais, as nossas vidas serão testemunhos proféticos e terão força de encantamento e convocação. Ainda hoje, Deus continua chamando jovens, para viver com Ele e segui-lo mais de perto, consagrandose totalmente ao seu Reino para educar e evangelizar as juventudes, nas diferentes realidades


Artigo aonde existe uma Filha de Maria Auxiliadora que mostra, por meio de sua alegria de viver o quanto é bom ser toda de Deus e dos jovens. Não percamos a esperança e não deixemos de viver a profecia! Continuemos rezando para o Senhor da Messe para que envie boas, perseverantes e santas vocações para o nosso Instituto e que Maria, Mãe e educadora de Jesus, continue a acompanhar e formar o coração de nossas formandas a fim de se tornarem autênticas Filhas de Maria Auxiliadora, todas de Deus para a salvação dos jovens. Referências Bibliográficas BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém. SÃO PAULO: PAULUS, 2002. INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. Acima de tudo o amor. Atos do Capítulo Geral XXII, ROMA, 2008, N. 37. INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. Alargai o Olhar. Atos Do Capítulo Geral XXIII, ROMA, 2014. INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. Para que todos tenham vida e vida em abundância. Linhas orientadoras da missão educativa das FMA. TURIN: ELLEDICI, 2006 CAVAGLIÁ, PIERA. Maddalena Morano e o clima

vocacional das comunidades. ROMA 2009. PAPA BENTO XVI. Discurso do Papa Bento xvi aos prelados da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil Regional 3. 2009. https://w2.vatican.va/content/benedictxvi/pt/speeches/2009/december/documents/hf_benxvi_spe_20091205_ad-limina-brasile.html Acesso em 16/04/2018. PAPA FRANCISCO. Discurso do Papa Francisco para o 53º dia mundial de orações pelas vocações. 2016. https:// w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/ documents/papa-francesco_20151129_53-messaggiogiornata-mondiale-vocazioni.html Acesso em 16/04/2018. PAPA FRANCISCO. Evangelii Gaudium. Exortação Apostólica. VATICANO: LIBRERIA ED. VATICANA, 2013.

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Artigo

Robotização das Redes Sociais

Azuis, vermelhos, robôs e bolhas: Ponderações sobre dois polos de um mesmo limbo Por João Carlos Teixeira Quem nunca se flagrou perdido em devaneios fantasiosos a respeito do futuro, com suas traquitanas eletrônicas e facilidades digitais? Como não se entusiasmar com filmes que narram a epopeia de máquinas, cada vez mais presentes nas ações humanas, nas mais ordinárias, como serviços bancários, às mais complexas, como viagens interplanetárias e o tão fetichizado teletransporte. Nada escapa à nossa criatividade, e, no campo tecnológico o infinito é o limite. E o é. Neste sentido, qual seria a reação de alguém do século XIX ao desembarcar em nosso tempo, tomar conhecimento da existência da internet, de ferramentas de busca como o Google ou ainda das redes sociais? Aliás, há nestes três exemplos mais surpresas do que a maioria de nós, cidadãos do século XXI, podemos imaginar (inclusive membros mais novos, pertencentes às gerações Z e Alfa). A saber, em agosto último, uma pesquisa da FGV, de nome ‘Robôs, Redes Sociais e Política no Brasil’, revelou a influência de posts gerados automaticamente por robôs em episódios políticos determinantes da história recente. 36 | Em Família

Segundo o estudo, (...) esse tipo de conta chegou a ser responsável por mais de 10% das interações no Twitter nas eleições presidenciais de 2014. Durante protestos pelo Impeachment, essas interações provocadas por robôs representaram mais de 20% do debate entre apoiadores de Dilma Rousseff, que usavam significativamente esse tipo de mecanismo. Um outro exemplo analisado mostra que quase 20% das interações no debate entre os usuários favoráveis a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014 foi motivado por robôs. (FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, 2017 p.6) Conforme o estudo, após os bots (forma como são chamados os robôs virtuais) terem seus perfis criados, rapidamente passam a seguir páginas de famosos, identificados com a linha ideológica programada, e adicionam outros robôs e usuários que curtem e comumente debatem conteúdos destas páginas. Depois disto, comentários de apoio, em páginas relacionadas ou críticas em páginas de orientação contrária à sugestionada aos robôs, fazem com que os debates inflamem e, mais usuários os adicionam a seus núcleos


Artigo de amigos virtuais. Os bots, ainda conforme a pesquisa, atuam com mais volume e influência no Twitter, porque esta rede tem número de caracteres menor, por postagem, e por ser uma rede em que as pessoas buscam seguidores indistintamente (ao contrário do Facebook que permite os famosos ‘textões’ e pelo seu critério de adicionar apenas pessoas realmente conhecidas). Para o leitor ou leitora que não conhecia este tipo de mecanismo – como eu até alguns meses atrás – assusta pensar que máquinas ou simplesmente programações digitais tenham papel tão relevante na ‘produção de opiniões’, e que estas, de alguma forma, balizam o que nós, seres humanos, pensamos de assuntos nossos, como por exemplo, a política. A pesquisa salienta que os agentes políticos, mencionados nos dados, não necessariamente estão diretamente envolvidos com a administração dos robôs. Os referidos mecanismos são utilizados também em outras frentes, além da política, de modo especial, no mercado, na promoção de marcas e produtos. Outro fator que tem sido influente nos posicionamentos ideológicos são as chamadas “bolhas de informação”, verdadeiros redutos de opiniões gerados por algoritmos das plataformas digitais, que visam cercar o usuário apenas de opiniões semelhantes às deles. Na prática funciona assim: as redes sociais e sites de busca ‘percebem’ as páginas e comentários que um determinado internauta curte, além das pesquisas em sites e endereços digitais realizadas por ele. Com essas informações, monta um perfil com suas preferências e o condiciona a sempre receber notificações que se relacionem com este perfil. Com este modus operandi, o usuário vai, cada vez mais, se aproximando de quem pensa igual a ele e, obviamente, se afastando de opiniões diversas. Experimente, por exemplo, buscar no Google sites de restaurantes vegetarianos. Além de propagandas de opções culinárias próximas de sua região, você receberá, em sua rede social, anúncios de lojas que vendem roupas para um público mais alternativo, além de receber notificações de bandas de estilo musical mais contemporâneo e propagandas de barbearias vintages

– se for homem. O nobre leitor não receberá sugestões de páginas de candidatos políticos reacionários para curtir. Não que vegetarianos possam ser eleitores de candidatos de orientação neoliberal tradicional, mas porque comumente não o fazem, e o sistema já ‘sabe’ disso. Em um cenário como este, somado à condição política brasileira – que conta com parcas opções partidárias ao centro – parece inevitável que a maioria das pessoas se alinhem à direita ou esquerda (obviamente que estas classificações ideológicas podem ser problematizadas, pois poucos destes partidos têm práticas fiéis a seus programas): é a chamada polarização, presente nas mídias digitais e nas ruas com mais contundência, ao menos, desde as últimas eleições presidenciais. O debate de ideias é saudável e necessário para o exercício maduro da democracia. Enxergar que entre o vermelho e o azul existem infindáveis – e belíssimos – tons de roxos, violetas e magentas nos torna mais perspicazes às sutilezas do jogo político, e menos suscetíveis às canalhices de candidatos que se valem de nosso daltonismo no que se refere ao que é bom para a polis. Votar como se torce não é bom para ninguém, a não ser para os partidos, que assistem de camarote ao povo se digladiando com argumentos muitas vezes baseados em fake news ou em ideias criadas ou exponenciados por robôs. Somos uma democracia jovem, ainda aprendendo como tudo isso funciona. Extremismos são perigosos, na medida em que não contemplam ponderações. Política é algo muito sério, para ser feito com as vísceras e não com o cérebro, tampouco com a ‘massa cinzenta’ de um provedor de inteligência artificial. #eleicoes2018 #preocupado. (Escrito por João Carlos Teixeira, assessor de pastoral do Colégio de Santa Inês) Bibliografia: Robôs, redes sociais e políticas no Brasil (recurso eletrônico): estudo sobre interferências ilegítimas no debate público na web, riscos à democracia e processo eleitoral de 2018 / Coordenação Marco Aurélio Ruediger. – Rio de Janeiro : FGV, DAPP, 2017. (Encontrado em: http://dapp.fgv.br/wp-content/ uploads/2017/08/Robos-redes-sociais-politica-fgv-dapp.pdf) http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,redes-sociaistem-de-responder-pela-polarizacao-que-causam,70001749156 (acessado em 1 de abril, às 20h32min janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 37


Entrevista

Entrevista com Ir. Adelina Augusto da Silva Ir. Adelina, uma história de amor: 75 anos de Vida Consagrada a Deus como Filha de Maria Auxiliadora EM FAMÍLIA: Conte-nos um pouco de sua vida. Sou baiana. Nasci em Euclides da Cunha, Vila Cumbé, na Bahia, no dia 10 de julho de 1923. Meu pai faleceu quando eu era muito pequena. Seu nome era Ismael Augusto da Silva e minha Mãe, Mariana de Campos Silva faleceu logo. Não tive contato com eles. Mas, tive um único irmão, Dorival. Fui morar no Estado do Rio, em Niterói com minha Tia, irmã de minha mãe, e primos que me trataram muito bem. 38 | Em Família


Entrevista

EM FAMÍLIA: Como nasceu a sua vocação? Desde pequena eu queria ser ‘freira’. Um dia, minha Tia perguntou-me: “Adi, quando você crescer deseja ser como a Estelinha?” Estelinha era uma prima que havia se casado. E eu logo respondi: “Eu quero ser freira”, mas salesiana. Eu tinha duas primas salesianas, Irmã Maria Augusta e Irmã Maria de Lourdes Medeiros, ‘Lourdinha’ a quem eu admirava e era próxima de mim. Ela morava no Colégio do Carmo de Guaratinguetá e, por meio dela, fui estudar no Carmo, como interna e cursei o primário e o ginasial. No Colégio do Carmo, percebi mais de perto a vida das Irmãs e conheci Dom Bosco e Madre Mazzarello e decidi-me a fazer-me

também Irmã salesiana. Com 16 anos, comecei a vida de aspirante e postulante. Depois fui para o Noviciado, Casa Nossa Senhora das Graças, em São Paulo. Professei em 1941 e fui para a Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora de Ponte Nova, Minas Gerais onde me formei como Professora Primária. janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 39


Entrevista

EM FAMÍLIA: Fale-nos de sua missão como educadora salesiana

Lembro-me com saudades do meu tempo de aluna no Colégio do Carmo, dos inícios da minha formação como aspirante, postulante e noviça, da minha Mestra, do dia da profissão. Gostava, também, das mudanças de Casa, do pátio cheio com as Irmãs brincando com as crianças.

Durante muitos anos, fui professora primária. Gostava da missão de educar as crianças. Ensinei muitas crianças de várias cidades, Lorena, Ribeirão Preto, Santo André, São Paulo, São José dos Campos, EM FAMÍLIA: Neste ano a Sra. faz 75 anos de Guaratinguetá, Itapevi e outras. Sentia-me Vida Religiosa, como foi a comemoração? bem com crianças, principalmente as mais pobres como as da Casa Puríssimo Coração A celebração foi uma alegria especial em de Maria de Guaratinguetá e do Recanto da minha Vida de Consagrada como Filha de Cruz Grande em Itapevi. Maria Auxiliadora. Uma festa linda, em nossa Capela, com a presença de muitas EM FAMÍLIA: Quais foram os momentos Irmãs que, também, festejavam suas Bodas, bonitos vividos pela Senhora no Instituto de muitos amigos, da Inspetora e de Irmãs de várias Comunidades da Inspetoria. Nesta das FMA? celebração, lembrei-me de minha juventude 40 | Em Família


Entrevista

religiosa, das Comunidades em que morei, de Maria Auxiliadora. das crianças que eduquei, da minha família, das minhas Tias Irmãs Lourdes e Maria EM FAMÍLIA: Deixe uma mensagem para Augusta. um jovem que está lendo a Revista. EM FAMÍLIA: para quem a Senhora reza?

Leia a Palavra de Deus, procure conhecer

Eu rezo pela minha família, pelas/os EM FAMILIA: Qual a presença de Nossa vocacionadas/os, pela Congregação e por senhora em seus 75 anos de Vida de FMA todos os que me pedem orações. Ela sempre esteve presente em minha vida. EM FAMÍLIA: uma mensagem para uma Ela é guia e Mãe e como Filha de Maria vocacionada, para uma Noviça, para uma Auxiliadora somos, como disse Dom Bosco: Irmã jovem? monumentos vivos de gratidão a Nossa Senhora. Digo sempre para elas que é muito bom ser esposa de Jesus. Continuem neste caminho, porque vocês serão muito felizes com Filhas janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 41


Artigo

Não desista de você

A dor faz parte do mundo em que vivemos, mas o sofrimento é uma escolha.

Por Ivan da Cunha No dia a dia encontramos enorme contingente de pessoas que há muito desistiram de si mesmas. São pessoas tristes, amarguradas, que não conseguem ver mais nenhuma beleza à sua volta. Vivem em um mundo de pessimismo ou então vivem em uma rotina aterradora que serve somente para que não vejam o dia passar. Claro que a vida não é fácil e o tempo pode criar rugas no rosto, mas não podemos permitir que crie rugas na alma. Este estado mental é perturbador e faz com que nos tornemos verdadeiros mortos-vivos. Certa vez, ouvi uma frase, de cujo autor não me recordo o nome, mas diz que: “Embora aquele que quase morreu esteja vivo, aquele que quase vive já morreu”. Devemos buscar ajuda urgente, seja no campo espiritual, seja na medicina e seus processos terapêuticos, o que não podemos é continuar a permitir que os anos passem sem que nenhuma gota de paz aplaque nossa sede interior. A dor faz parte do mundo em que vivemos e, aliás, é o elemento mais democrático que existe, pois não importa se somos ricos, pobres, nossa religião ou raça, todos deveremos enfrentá-la. Porém, o sofrimento 42 | Em Família

é uma escolha. Por exemplo, todos passarão pela dor de ver um ente amado morrer, mas sofrer mais ou menos por isso é a opção que a vida nos dá. O sofrimento se alivia à medida que nos preparamos para enfrentar nossas dificuldades interiores. Não é necessário o sofrimento para que encontremos Deus, mas onde há o sofrimento pode-se encontrar Deus de inúmeras maneiras. Li certa vez que o sofrimento quando bem entendido é como enxada cavando terra seca. Vai aos poucos abrindo o íntimo de nossa alma e permitindo que sentimentos escondidos venham à tona e sejam tratados. A fé não se desenvolve na casa da certeza. É necessária a coragem de caminhar, de errar, de aprender e de amar. Lembro-me de Augusto Cury, no livro O Futuro da Humanidade, dizer em certo trecho que “ricos são os que extraem muito do pouco e livres os que perdem o medo de ser o que são”. E não se esqueça de que quando o mundo nos abandona, a solidão é tolerável; mas quando nós mesmos nos abandonamos ela é insuportável. Pense nisso!


Registro

Encontro de Coordenadores Pedagógicos e Orientadores Por Olívia Negreiros

Nos dias 15 e 22 de março, em São Paulo, foram realizados os Encontros de Coordenadores (Pedagógicos e Educacionais) – com o tema “Fidelização, Escuta e Acompanhamento” em consonância com as Metas da Mantenedora da Associação Educacional das Irmãs Salesianas de São Paulo e da Estreia do Reitor Mor. Iniciamos os encontros com a oração e o “Bom Dia”, conduzido por Ir. Dorcelina de Fátima Rampi que, no dia 15/03, refletiu conosco sobre o papel do orientador educacional como aquele que escuta a exemplo de Madre Mazzarello e Dom Bosco. No dia 22/03 enfocou a liderança em vista da Missão, a partir da “parábola” Rolha Pedagógica. As pautas contemplaram os seguintes itens: dinâmica de entrosamento, apresentação de projetos, oficinas temáticas, reflexão sobre a profissionalização do cargo de Coordenador/Orientador e o mais importante, a partilha das atividades dos diferentes segmentos. Procedemos aos plenários dos grupos e depois encaminhamos propostas de alinhamento dos procedimentos pedagógicos e educacionais: - Reunião de pais-prioridade da formação;

- Estudo de aprofundamento para a equipe educativa; - Orientação de estudos: projeto gradativo e continuado; - Análise de resultados para intervenções que se façam necessárias; - Verticalidade do conteúdo; - Projetos de Prevenção ao Bullying e Desenvolvimento da Moralidade; - Acompanhamento do Professor e da aula. Para finalizar, recebemos as orientações da Andréa Pereira, Gestora de Comunicação, para alinharmos os processos e o conhecimento das mídias sociais e seu uso educacional. As atividades foram encerradas com a oração e com as bênçãos de nossos Santos Educadores, D. Bosco e M.Mazzarello. Agradecemos a todos que colaboraram para formação desta reunião participativa e eficaz em vista da Excelência Acadêmica e da construção de Valores genuinamente humano-cristãos. Este é o tempo favorável em que fomos chamados a “cultivar a arte de Escutar e Acompanhar” (Estreia 2018). janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 43


Registro

Obras Sociais do Vale celebram Páscoa em unidade Casa do Coração, Casa Betânia e Cemari realizaram momento de espirituliadade pascal. No dia 29 de março, quinta-feira santa, as comunidades educativas pastoral da Casa Betânia (Guaratinguetá), Cemari (Lorena) e Casa do Puríssimo Coração de Maria (Guaratinguetá) vivenciaram as sete dores de Maria, refletindo sobre as dores atuais da nossa sociedade. Todos os educadores que participaram deste momento forte de nossa Igreja, compreenderam melhor o importante sentido da Semana Santa. Após o levantamento das “cruzes” que pesam na nossa vida pessoal e na do povo, fomos convidados a deixar as ‘dores’ nas mãos de Deus, durante a adoração ao Santíssimo Sacramento. No final do encontro, a alegria da confraternização como família salesiana tomou conta de todos. 44 | Em Família


Registro

Semana de Cidadania provoca reflexões sobre os Direitos Humanos, ECA e Bullying Casa Betânia prepara uma semana de reflexão e oficinas voltadas para a cidadania no exercício de seus direitos e deveres Nos primeiros dias de abril, a Casa refletissem sobre o bullying dentro da escola . Betânia preparou uma semana especial de conscientização sobre os Direitos Humanos e E para encerrar a Semana de Cidadania, um o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ‘oratório festivo’ foi preparado, de acordo com os com todos os educandos. temas abordados nas oficinas, com recreações, jogo de perguntas sobre os temas que foram Todas as oficinas do projeto trabalharam sobre abordados na semana e um campeonato de esses temas com o objetivo de despertar os adolescentes para a consciência de seus direitos ping pong. e deveres como cidadãos.

Como toda casa salesiana, alegria e festa não Além das oficinas práticas, uma sessão especial faltaram nesses dias. com o filme “Extraordinário” fez com que janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 45


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Encontro Nacional de Formadoras FMA Como numa Festa de Casamento, em Cana Galileia

Por Ir. Nilza Fátima de Moraes Entre os dias 24 de fevereiro ao 1º de março de 2018, realizou-se no Colégio de Santa Inês, em São Paulo, o Encontro Nacional de Formadoras, promovido pelo Instituto das FMA e conduzido pelas Irmãs Maria Nieves Reboso e sua Assessora, Maria Fisichella, responsáveis pelo Âmbito da Formação. O Documento, “Orientações para a Etapa Formativa do Juniorato”, objeto primeiro de estudo e aprofundamento do Encontro é fruto de um trabalho conjunto do Âmbito da Formação, fundamentado num riquíssimo material sobre a realidade do Juniorato em todo o mundo. Como responder aos questionamentos das jovens FMA, cuja existência é plasmada pela cultura 46 | Em Família

contemporânea? O livro foi organizado tendo como referência os Documentos de Indicações da Igreja, as Constituições das FMA, o Projeto Formativo “Nos sulcos da Aliança” e as Linhas Orientadoras da missão educativa das Filhas de Maria Auxiliadora “Para que tenham vida em abundância”. A estrutura do livro é composta por uma apresentação da Madre Yvonne Reungoat, Superiora Geral do Instituto das FMA, por uma Introdução e seis capítulos, a saber: 1. Desafios do contexto global que questionam mais de perto a formanda; 2. Escuta das Junioristas, da Comunidade formadora e das Formadoras; 3. Maria em Caná: ícone inspirador; 4. Convicções amadurecidas na escuta da realidade local e inspetorial; 5. Opções


Registro privilegiadas; 6. Indicadores para o percurso do Juniorato e para a experiência do Segundo Noviciado, seguidos pela conclusão, pelos anexos e pelas referências bibliográficas. Todas as presentes foram motivadas a participar de forma ativa, deixando-se envolver na dinâmica do percurso. Após a abertura do Encontro pela Presidente da CIB, Ir. Ana Teresa Pinto, seguiu-se a oração inicial com a invocação ao Espírito Santo. Na sequência, foi proposta às participantes uma reflexão pessoal e em grupo sobre o que cada uma se sentia disposta a doar de si e quais eram suas expectativas para o Encontro. Dessa experiência de partilha nos grupos, as Irmãs se dispuseram à abertura ao Espírito, à acolhida, à escuta atenta, à disponibilidade, gratidão e a viver as alegrias e os desafios do acompanhamento. Quanto às expectativas, convergiram para a busca de aprofundamento, iluminação, partilha, transformação do coração e aprendizagem em relação ao “novo” das vocações e das junioristas. A juniorista é uma mulher enamorada de Jesus Cristo e do seu projeto, que decidiu se doar incondicionalmente a Ele para que seja conhecido, amado e seguido por todos, especialmente pelos jovens. O futuro é daqueles que se enamoram e são capazes de dar a vida para “tornar eterno”, no tempo, o seu amor (cf. Projeto Formativo, p. 5-6). O ícone bíblico inspirador do Encontro e, de modo especial, da etapa do Juniorato é Maria em Caná (João 2, 1-11). É um texto cristológico que exprime a identidade mariana, o modo de estar presente, hoje, entre os jovens, e de envolver todos para antecipar a hora de Deus. Este ícone constitui a referência a docibilitas (abertura e disponibilidade ao Espírito) das Junioristas, no caminho em direção ao dom de si a Deus, no seguimento de Cristo, para sempre; ao serviço mistagógico da Formadora, ao envolvimento da Comunidade que celebra com alegria a festa gerada pela transformação da água

em vinho. O “vinho novo” da felicidade continuará a alegrar a nossa mesa fraterna, enriquecida pelo “vinho novo” das jovens Irmãs que oferecem às Comunidades, aos jovens e aos pobres, no hoje da história, a novidade profética do anúncio feliz e revigorante do Evangelho. Assumir o processo formativo das Junioristas na perspectiva das Bodas de Caná, isto é, da Aliança que Deus quer estabelecer com as novas gerações, é criar condições de vida a fim de que outros, no processo de humanização, cresçam em comunhão com o Senhor da Vida. Por isso, é necessário escutar o “Fazei tudo o que Ele vos disser”. A jovem Irmã, que se compreende como “espaço” capaz de gerar vida, empenha-se cotidianamente, a viver a espiritualidade da amorevolezza na comunidade, amando-a como lugar de crescimento. A imagem da “casa” de Caná e nela, a “mãe de Jesus” é ícone da Comunidade das FMA com a sua Animadora, que recebe e acompanha as Junioristas na celebração da festa da vida e da Aliança, que Deus estabeleceu com Dom Bosco e com Madre janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 47


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Mazzarello, da qual participamos com grandes investimentos e desejamos que se eternize. As novas gerações convidaram Jesus para partilhar com Ele o cotidiano, procurando ser cada dia, com Maria, auxiliadoras dos jovens. O agir maternal da Comunidade, e particularmente da Formadora é participação à paternidade-maternidade de Deus Trindade, de Maria, que torna a Igreja casa, família, lar, lugar de crescimento humano-divino; lugar onde Deus pode realizar as suas promessas (cf. Constituições 62). O agente principal da formação da Juniorista é o Espírito Santo e, a Formadora, junto à Comunidade, acompanha e facilita esse processo. Por sua vez, Maria, a “mãe de Jesus”, está imersa no contexto, dentro do qual, percebe potencialidades e fragilidades, intui que a festa da vida está para se arruinar, seja pela ação dos noivos e da “casa” deles, ou seja, porque deram tudo o que tinham 48 | Em Família

e chegaram ao limite dos seus recursos. Nas Bodas de Caná, tornam-se evidentes a presença e a ação de Maria como mãe Auxiliadora, mestra, guia e companheira, no caminho daqueles que desejam seguir Cristo e celebrar a Aliança que Deus estabeleceu com a humanidade. Ela ilumina o mistério da Igreja e da sua missão, em particular da nossa vocação de Filhas de Maria Auxiliadora, enquanto sinal e expressão do amor preveniente de Deus pelos jovens. Algumas convicções amadurecidas, fundamentam e sustentam as Orientações para a Etapa Formativa do Juniorato:

1. A Palavra de Deus é o eixo da Vida Consagrada e o critério de referência para as escolhas que somos chamadas a fazer na experiência cotidiana.


Registro 2. A Eucaristia e a Reconciliação são as colunas que regem e alimentam a fidelidade vocacional, na experiência cotidiana da própria fragilidade. 3. A escuta autêntica leva a obedecer e agir, fazer florescer na vida a justiça e o amor, integrar Palavra de Deus e vida, fé e retidão, religiosidade e compromisso social. 4. O discernimento favorece a docilidade ao Espírito, a acolhida do próprio ser, a progressiva purificação das motivações, a interiorização e a personalização dos valores, a capacidade de escolhas livres e responsáveis. 5. Uma nova Vida Consagrada de FMA, que seja encarnação da mística, da profecia e da esperança. 6. A formação favorece o deixar-se transformar e configurar pelo Espírito Santo à imagem de Cristo, proporcionando a maturação integral. 7. O acompanhamento sistemático, contínuo e processual, que alimenta a Vida Religiosa da FMA favorece a consolidação da identidade carismática, além de promover o desenvolvimento, a inculturação e o futuro do Carisma. 8. A mística do encontro, vivenciada pelo espírito de família, fundamentase na relação e na experiência de amor da Trindade, e é condição para viver relações humanizantes. 9. Os rostos sofredores dos jovens pobres são os rostos sofredores de Cristo, que nos impulsionam a sair em direção às novas fronteiras e periferias existenciais, com a paixão do da ‘mihi animas cetera tolle’. Em relação aos objetivos do Encontro, destacam-se algumas ações a serem encaminhadas: - Envolver as Junioristas na reelaboração do itinerário formativo em confronto com as Orientações; - Promover um encontro nacional de junioristas e diretoras; - Retomar em nível de CIB a formação de diretoras e neo-diretoras; - Estudar o fascículo sobre o diálogo Inter geracional; - Estudar o italiano e fazer com que aprendam a língua. Finalizando, invocamos as Luzes do Espírito para a concretização do que foi discernido no Encontro e a intercessão de Maria, a fim de alargar o olhar sobre a formação hoje, qualificando o acompanhamento e o testemunho das Formadoras e Comunidades Vocacionais, tendo presente a importância da escuta aos apelos mais profundos das formandas, dos jovens e da realidade. janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 49


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Páscoa Juvenil Salesiana 2018 Por Irmã Monaliza Machado

Entre os dias 28 de março a 01 de abril de 2018, foi realizada a tradicional “Páscoa Juvenil Salesiana”, promovida pela Pastoral Salesiana das Inspetorias Santa Catarina de Sena (FMA) e Nossa Senhora Auxiliadora (SDB). Estiveram presentes 51 jovens vindos das diversas Comunidades Salesianas, além de Padres, Irmãs e Seminaristas. O grupo hospedouse no Espaço Jovem, local apropriado dentro do Colégio de Santa Inês, para encontros de formação, grupos e palestras. Os jovens participaram das cerimônias da Pásoca na Paróquia Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora do Bom Retiro, juntamente com a Comunidade paroquial que, com os jovens, vivenciou momentos fortes e intensos. A experiência pascal deseja proporcionar aos jovens um encontro pessoal com Jesus de Nazaré, 50 | Em Família

agora ressuscitado. Por isso, a experiência baseiase em preparação, vivência e celebração. Pela manhã ou à tarde, os jovens aprofundam o mistério litúrgico, a ser vivenciado naquele dia ou à noite, e podem experimentá-lo nas Celebrações junto à Comunidade paroquial. O Tríduo Pascal teve início com a Celebração da Ceia do Senhor ou Instituição da Eucaristia na Paróquia e, em seguida, o grupo teve uma acolhida especial da Inspetora FMA, Ir. Helena Gesser. Em seguida, Ir. Metka Kastelic animou um momento de descontração e apresentação do grupo. Na sequência, deu-se a Vigília com a Adoração ao Santíssimo Sacramento, preparada pelos teólogos Kleber Oliveira, Geraldo Albuquerque e Ruan Oliveira.


Registro Na sexta-feira, dia de oração e silêncio, as reflexões foram: “Páscoa: partilha e serviço”, com Ir. Silvana Soares; “O mistério da cruz”, com o padre José Rodolfo Galvão; “O Jejum”, com os Teólogos Kleber, Ruan e Geraldo. À tarde, a Celebração de Adoração à Santa Cruz, dividida em três partes: a primeira, leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda, a adoração da Santa Cruz e a terceira, a Comunhão Eucarística. Estas três partes juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. No período da noite, Ir. Gisele Rodrigues conduziu o “Projeto de Vida com a Via Sacra”. A cada estação, os jovens eram interpelados a pensar sobre a própria vida e suas escolhas. No sábado santo, houve a Celebração Penitencial e a Renovação das Promessas do Batismo com o padre Rafael Galvão. Em seguida, Ir. Fabiana Cavalcante conduziu o grupo para assistir o filme

“As cartas de Madre Teresa de Calcutá”, enquanto os jovens se preparavam para o sacramento da Reconciliação, com os padres: Roque Sibioni, Rafael Galvão e Alexandro Santana. No período da tarde, Ir. Graça Rodrigues dirigiu a “Lectio Divina” com o texto do Evangelho de Marcos, 16,1-7. À noite, participaram da Vigília Pascal na Paróquia e, com a luz do “fogo novo”, foi celebrada com alegria a Ressurreição de Jesus. Em seguida, os teólogos prepararam jogos e brincadeiras, com o “Cristo Vive”. No domingo de Páscoa, o dia começou com um delicioso café da manhã seguido pela avaliação. O encontro foi encerrado com a Celebração Eucarística, presidida pelo padre Roque Sibioni, que, na homilia, lembrou que “tudo aquilo que ouvimos, sentimos e vimos, agora deve ser anunciado em nossas Comunidades e a todos aqueles com os quais nos encontrarmos”!

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Encontro Nacional da Rede Salesiana Brasil de Comunicação Social 2018 Por Ir. Maria de Lourdes Becker O Encontro anual da Rede Salesiana Brasil de Comunicação, nos dias 13 e 14 de março próximo passado, teve como cenário as majestosas montanhas de Cachoeira do Campo e a acolhida característica do coração mineiro. Estiveram presentes os Delegados dos SDB e Coordenadoras Inspetoriais das FMA para a Comunicação Social que compõem a instância consultiva da RSB-Comunicação, Irmã Ana Teresa Pinto, Inspetora referente, Irmã Márcia Kofferman e P. João Carlos Ribeiro Rodrigues, Diretores Executivos da RSB de Comunicação, e Irmã Maria Helena Moreira, Conselheira para o Âmbito da Comunicação, com sua assessora, 52 | Em Família

Irmã Gabriella Imperatore. Na abertura do encontro, Ir. Maria Helena Moreira nos animou, afirmando que a nossa Dimensão tem uma função vital e essencial na Congregação, que é a de “tocar o coração” dos nossos interlocutores, sobretudo dos jovens e convidou-nos a olhar os passos dados pela Rede com o intuito de perceber a caminhada feita, ousar o futuro e planejar em parceria com o Deus Comunicativo. Em sintonia com o Pe. Filiberto Gonzáles Plasencia, Conselheiro para a Comunicação Social SDB, Ir. Maria Helena também recomendou que não percamos de vista as


Registro realidades juvenis para que nossa Comunicação seja lúcida, profética e capaz de impactar os jovens. A seguir, Ir. Márcia e o Padre João Carlos apresentaram o Relatório Anual de Atividades da RSB Comunicação 2015-2017. Com alegria, recebemos impressos o fruto do trabalho de nossos encontros anteriores: as Diretrizes Nacionais de Comunicação da Rede Salesiana Brasil e o Manual de Redação da Rede Salesiana Brasil. O restante do dia ficou sob a orientação das Irmãs Maria Helena e Gabriella que apresentaram os temas “Valdocco e Mornese como Ecossistema Comunicativo” e o “Plano de Comunicação Institucional do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora”com os objetivos de partilhar a Política de Comunicação do nosso Instituto e favorecer uma reflexão conjunta em vista da consolidação da missão da Rede Salesiana. Em primeira mão, Irmã Maria Helena nos presenteou com o Plano de Comunicação do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. O dia 14 foi todo dedicado, sob a orientação da Conselheira Geral, ao planejamento da RSBComunicação para o próximo triênio. Na avaliação, ressaltamos a alegria e a disponibilidade das Irmãs da Comunidade, de Irmã Silvia Fonseca e da Inspetoria Madre Mazzarello; o clima de família existente na Equipe. Agradecemos à Irmã Maria Helena e Ir. Gabriella por nos animarem na ótica do Carisma e ampliarem os horizontes do sentido de Rede. Acredito que para todos nós, ficou o desafio: “Como pensar na contribuição da RSB-Comunicação para a Animação Vocacional?

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Encontro da ECOSBRASIL Por Ir. Maria de Lourdes Becker

Após o Encontro da RSB – Comunicação, nos dias 15,16 e 17 de março de 2018, sob a coordenação de irmã Maria Helena Moreira, Conselheira Geral para o Âmbito da Comunicação e de Irmã Gabriella Imperatore membro de sua Equipe, foi realizado o Encontro da ECOSBRASIL, com a presença das Coordenadoras da Comunicação das nove inspetorias das FMA do Brasil e da Inspetora referente, Irmã Ana Teresa Pinto fma, BRJ. Ir. Maria Helena iniciou sua fala, afirmando que: “O momento da reconfiguração, que estamos vivendo no Brasil, tem tudo a ver com os processos comunicativos; aos processos do Instituto na ótica da Comunicação, as Políticas de Comunicação. 54 | Em Família

Precisamos, portanto, celebrar esse evento, pelo fato, de termos consolidado uma cultura para ressignificar a vida das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA e, consequentemente, dos destinatários da nossa missão. Trazemos o abraço das Irmãs da comunicação e da Madre Geral. (...) O processo da Nova Configuração deve ter, sem dúvida, o nosso olhar de comunicadoras. Quando e onde nasce a Comunicação no Instituto? Nasce com os Fundadores: Dom Bosco e Madre Mazzarello! Portanto, temos nossos referentes seguros. Nossa cultura vocacional é altamente comunicativa. Vamos tentar trabalhar a Comunicação de forma unitária e não mais fragmentada. A Comunicação no


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Instituto nasce com o rosto altamente comunicativo, em se tratando de DB e de MM. Devemos olhar, hoje, com carinho para a pessoa de MM. Vamos tentar trabalhar e costurar todas as dimensões da Comunicação. A Comunicação não é um setor, nem uma área, é o AR que respiramos. Temos que voltar a Mornese e trilhar o olhar comunicativo de MM. Como era MM, como ela foi crescendo na comunicação? O mundo de hoje é fragmentado, diluído, líquido, e o nosso carisma é uma resposta para este cenário. A interação e a abertura para Deus, e a espiritualidade são as referências para a comunicação da FMA. Estamos nesse serviço fazendo a vontade de Deus! O Espírito é o humanizador de todos os processos comunicativos. É importante estarmos sempre abertas, pedindo ao Espírito de Deus que seja a nossa luz.” Ir. Maria Helena continuou: “Como nos comunicar diante deste mundo fragmentado? E diante dessa fragmentação como ser sinal de Deus? Madre Mazzarello testemunha em suas atitudes e em seu olhar, a força comunicativa. Para nós, não deve ser suficiente falar de Deus, mas, fazê-lo ser percebido e experienciado. Encontro que forma e transforma! Comunicamos com a nossa presença e

com o testemunho. Em MM a Paroquia é o centro irradiador! Somos seres relacionais. Se eu não quiser a comunidade, ela não me toca em nada. É preciso eu estar inteira! (...)Uma das dimensões educomunicativas de Madre Mazzarello é o respeito pela pessoa. A equipe da EcosBrasil é a promotora da comunicação nas inspetorias! Devemos chegar em todas as casas. Temos luzes internas, o que se entende por acompanhamento. Esta palavra tem mil sentidos. Quanto estou acompanhando, sintome acompanhada? A essência da comunicação e a transparência! Não mudamos ninguém de uma hora para outra, portanto, temos que ter paciência no acompanhamento. Cada pessoa é uma casa. Todas somos casas. A Comunicação não é uma área, um setor, ela é o Ar que tem uma identidade forte. É a comunicação que dá a nossa marca! (...) A espiritualidade da Comunicação é o grande contributo para a pós modernidade: a comunicação é contrária à cisão! A não comunicação já é uma comunicação! A interação é anterior a comunicação. É a espiritualidade que faz a diferença na comunicação. Como comunicar sem a fragmentação: Como comunicar Deus nesse janeiro | fevereiro | marco e abril 2018 | 55


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mundo liquido? A força comunicativa de Madre Mazzarello vem de sua intimidade com Deus. Da fé que provém dessa relação. Somos uma inteireza! Cuidar dos interesses de Deus é cuidar dos interesses das pessoas. Os ambientes da casa ressignificamos como ecossistemas. Os ecossistemas são propostas de comunhão. No encontro não se fala o tempo inteiro! Deixar-se inspirar é abandonar todas as pré-fabricações e deixar-nos conduzir pelo Espírito. Atenção ao contexto das pessoas e atenção a pessoal. Atenção aos novos contextos da configuração. Incluir a todos, acolhendo-os, sem nenhuma discriminação. Evangelizar pela comunicação. Para isso, precisamos de contextos de grande humildade! Contexto da pessoa, vê-la como ela é por inteiro. Deixar-se salvar, corajosamente, pela irmã, pelo jovem. No Reino de Deus não cabe protagonismo, mas interlocutores. Onde há protagonistas, há figurantes. Na comunidade toda somos interlocutoras. Nossa espiritualidade é de muita simplicidade. Estar inteira é o desafio! A espiritualidade comunicacional de Madre Mazzarello: um profundo respeito às pessoas! 56 | Em Família

Acolhia a todas com respeito, amor, compromisso de mudança. Dom Bosco e Madre Mazzarello não excluíam ninguém! A EcosBrasil é promotora de relações comunicativas positivas, construindo comunhão. A EcosBrasil tem responsabilidade sobre as Comunidades Educativas. Não é simples acolher a todos integralmente! Onde fica o testemunho entre o falar e o viver? Qual impacto a EcosBrasil tem nas Comunidades Educativas?” Após, reflexão pessoal e em grupo, Ir. Maria Helena retomou a plenária e houve a partilha dos valores, levantados pelos grupos, que devem fundamentar o Planejamento da EcosBrasil, como: * Consciência de ser rede, rede de sustentabilidade: cuidado com a economia, com a mãe terra, com a revitalização e a perenidade do Carisma Salesiano e com a sustentabilidade das relações... relações sólidas, sérias e duradoras. * Interculturalidade – valor que o Instituto está muito atento. * Profecia da Contemporaneidade (novo modo de comunicar, diálogo interativo). * Evangelização-educação, amor, solidariedade, testemunho vocacional, Sistema Preventivo,


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cidadania evangélica, sinergia-comunhão, mentalidade projetual, comprometimento com a missão. Na manhã do dia 16 de março, Irmã Gabriella Imperatore introduziu a temática da Gestão de Comunicação, dos passos para um Planejamento Institucional, ressaltando o trabalho da EcosBrasil nas Inspetorias. E, por fim, ressaltou os pontos de convergência: a projetualidade dos processos, acompanhamento, missão e a animação da EcosBrasil. Tanto Ir. Gabriella como Ir. Maria Helena insistiram na necessidade da mentalidade projetual, pois sem ela, há o risco da o risco da fragmentação. Pontuaram ainda o esforço que o Instituto está fazendo para atender a todas as coordenadoras de Comunicação dentro de sua respectiva cultura, afirmando que o Plano do Instituto é a referência dos nossos Planos e quando o Instituto propõe um Manual, quer salvaguardar a Identidade da FMA e, de forma minuciosa e completa, apresentaram o processo de construção do Manual de Identidade

visual do Instituto. Após o rico momento de formação, com a orientação de Ir. Maria Helena, todo o tempo restante, nos debruçamos na revisão do Planejamento Estratégico da EcosBrasil 2018-2021, levando em conta a Nova Configuração e atentas às competências e o perfil da coordenadora de comunicação inspetorial. Os dias vividos no Retiro das Rosas foram de profunda vivência comunicativa, marcada pela presença do Instituto, pela espiritualidade salesiana, competência, segurança e simplicidade nas colocações. As presenças de Ir. Maria Helena e de Ir. Gabriella deram-nos consistência, confiança e grande abertura em termos de processos, despertando-nos esperança e forças para caminhar com maior competência.

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Celebração de Iniciação à Vida Noviciado Interinspetorial Nossa Senhora das Graças / SP.

Segundo o Projeto Formativo das Filhas de Maria Auxiliadora, entendemos que “o chamado de Deus

de modo especial, nessa etapa do noviciado, tão importante na vida da FMA.

nos insere na aliança de amor que ele estabeleceu

O carinho, a alegria e a oração não faltaram por

com Dom Bosco e Madre Mazzarello. ”( Nos Sulcos

parte das Irmãs que nos acompanharam naquele

da Aliança, p. 15)

momento. Para a nossa celebração de Iniciação à

Mediante nossa resposta de seguimento a Jesus

Vida Religiosa, escolhemos a seguinte frase bíblica:

Cristo, o Bom Pastor, dos dias 13 a 19 de janeiro

“Levamos esse tesouro em vasos de barro.” (2 Cor

estivemos em retiro, aprofundando, rezando o tema

4,7a). No dia 19, celebramos juntas esse grande

proposto: “A vida da FMA como lugar da acolhida momento, do qual expressamos um pouco da de Deus. ”

alegria experimentada por esse nosso sim:

O pregador do Retiro, Pe. Valdecir Ferreira, nos

“Não temas arriscar-te, porque contigo eu

proporcionou reflexões profundas que nos fizeram

estarei”. Dar este novo passo de ingresso ao

chegar, no último dia, com tranquilidade de coração, noviciado, confirma em mim a presença dinâmica e abertas à acolhida de Deus em nossa caminhada, 58 | Em Família

permanente de Deus, ao longo do meu processo de


Registro formação. Foi uma alegria inexplicável o momento de receber a medalha de noviça; de confirmar, diante da comunidade e do Instituto, o desejo de continuar a construir um sonho que vem se concretizando: ser uma feliz e fiel FMA. Foi um dia de muita graça e delicadezas de Deus. Que Dom Bosco e Madre Mazzarello nos ajudem a cumpri os nossos bons propósitos durante essa nova etapa. (Bruna Elias / BSP) “Neste dia especial, senti uma profunda alegria, por dar mais um passo na etapa formativa do Noviciado, junto com minhas irmãs. Satisfação pelo entusiasmo, próprio do nosso carisma, que me envolveu até agora e, com mais profundidade, adentrar nesse bonito projeto de Deus, que é ser FMA. Dar início a esta experiência foi, para mim, sentir e contar com a graça de Deus, que trabalhou e trabalhará nesse caminho onde Jesus é o centro, o modelo ao qual devo configura-me. ” (Bruna Rodrigues / BBH) “Tenho dentro de mim uma convicção muito forte de que a maior alegria que podemos ter é dar passos no caminho do Senhor, segundo aquilo que Ele sonhou para nós. Para mim, a entrada no noviciado foi isso: uma alegria profunda por ter a certeza de estar dando mais um passo certo para responder ao chamado de Deus, em minha vida. É Uma alegria que brota do maia profundo de meu ser, pois, tem começo, meio e fim no Senhor, na certeza de que Ele me chama para ser só Sua. ” (Isadora Chilliani / BSP) “A celebração de entrada no noviciado foi de muita emoção e alegria. Foi um momento de gratidão ao Deus da vida, que me chama e, com seu jeito amoroso de me acompanhar, me molda e me faz crescer, para que eu possa realizar os sonhos que Ele tem para mim. E assim, inicio mais uma etapa, confiando no cuidado daquela que tudo fez e faz em minha vida: Maria, companheira de caminhada. ” (Luana Oliveira / BSP)

“Foi um momento muito significativo na minha caminhada, dar início à etapa do Noviciado. Senti uma alegria imensa que transbordava do meu coração, pela presença do Espírito Santo e de nossa mãe Maria. Quero responder com amor e fé ao chamado que o Senhor me faz. ” (Natalina Melo / BMT) “No momento em que recebi a medalha, senti algo que me preencheu, dando-me forças para entregarme a Jesus Cristo. Ele e me chama para segui-Lo. Foi um dia muito especial, de agradecimento a Deus, por me fazer feliz na Congregação. E juntamente com sua Mãe Maria, me chamou para realizar meu projeto de vida. ” (Justiane Pinheiro / BMT) “Receber a medalha de Maria Auxiliadora foi a continuação de um grande sonho que está se concretizando. Um sonho há muito pensado por Deus para mim. A alegria de viver esse momento especial, me leva a continuar agradecendo a Deus por Suas obras em minha vida e a responder, com amor e fidelidade, ao chamado que Ele me faz a cada dia. Maria nos acompanha, e quer que sejamos, no mundo, a expressão de Sua face materna. ” (Rafaela Moraes / BMA) Em nós, habita a gratidão por esse momento significativo que nos ajudou a refletir sobre a beleza de sermos vasos que carregam o grande tesouro que é Jesus Cristo, seguindo-O nas pegadas de Dom Bosco e Madre Mazzarello. Seguimos na certeza de que “os nossos formadores principais são o Espírito Santo e Maria”, como nos disse nossa Inspetora, Ir. Helena Gesser, durante a celebração. Que Maria nos conduza nessa caminhada de configuração ao seu Filho Jesus.

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Celebração dos Jubileus de 65, 60, 50 e 25 anos

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É Festa

Celebrando a vida - Aniversariantes ABRIL 02. Maria do Carmo de Carvalho Martins 11. Maria José Gabriel 12. Lina Silvestrin 13. Isadora Chiliani Oliveira (nov) 18. Vilma Santoro Bertini 24. Maria Apparecida Delphino 24. Neyde Enid Alves da Silva 25. Alaíde Deretti – (Cons. Geral – Missões) 29. Tatiane Cristina das Graças – (nov.) MAIO 02. Terezinha Mafalda de Almeida 03. Ana Alzira Fogaça 05. Anna Maria Orlando – Cecília Tredezini 05. Celene Couto Rodrigues (nov.) 06. Chiara Cazzuola – Vigária Geral 13. Vilma Tallone – Ecônoma Geral 14. Valéria Timóteo Soares 17. Wilma do Carmo Antonelli 20. Lucy Rose Ozhkayil – Conselheira Visitadora 23. Ilza M. Beinotti – Maria da Conceição Silva 24. Phyllis Neves – (Conselheira Visitadora) 27. Maria da Glória Moreira 31. Aldina Andreazza

JUNHO 01. Ivone Braga de Rezende 04. Celina Gerardi – Maria Eliete Lopes 07. Alice de Souza Sant´Anna 13. Madre Antonia Colombo 20. Jandyra Hummel 29. Piera Cavaglià (Secretária Geral) JULHO 01. M. Aparecida Nunes 03. Maria Luiza Ravanhani 04. M. Ap. Sartorelli – Maria Tavares 04. Cláudia Regina Corrêa Ribeiro 04. Jandira Rodrigues Camargo 05. Diva Mucci – Maria Luiza Novais 09. Maria da Encarnação 09. Cleonice Aparecida Lourenço 10. Adelina Silva 11. Bruna Rodrigues Lôbo (nov.) 12. Rosalba Perotti 18. Susana Walchak – Marija Pece (Conselheira. Visitadora) 20. Lúcia Aparecida dos Santos 25. Maria do Socorro Oliveira 29. Maria Bernadette Camargo

LEMBRANÇA + 27 de dezembro, Sr. Brás Gonçalves de Oliveira, tio de Irmã Lúcia Aparecida. + 15 de janeiro, Sr. José Lopes, irmão da Ir. Eliete. + 01 de fevereiro, Sr Fausto Dallabona, irmão de Ir. Beatrice Dallabona. + 26 de fevereiro, o Sr. Celso Roberto Querido, irmão de Ir. CeRê. + 06 de março, Sr. Mário de Freitas, irmão de Ir. Maria Aparecida Freitas + 16 de março, Irmã Maria da Conceição Silva. + 18 de março a Sra. Iva Primitiva, irmã de Irmã Maria Luiza Novais. + 18 de março, Sra. Maria Lucinda Marques Tobia, irmã de Ir. Ana Francisca. + 22 de março, Ir. Maria do Rosário Leite Cintra. + 27 de março, Sr. Luís Carlos B. Neves da Silva, irmão de Ir. Célia Apparecida da Silva. + 16 de abril, Sra. Maria de Lourdes Costa, mãe de Ir. Maria Nair de Souza. 62 | Em Família


Programe-se

PROGRAME-SE

Anunciando o mês de maio: mês de Maria, Mãe de Deus Romeiro O velhinho veio de longe, no terno de “ver a Deus”. Perdido, entre os romeiros, seus olhos buscam a Virgem, Aparecida dos pescadores, Aparecida de todos nós, Reverência é pouco, para tanta graça. Três vezes, sua cabeça encosta no chão. Satisfeita a devoção ainda tem o gesto de adeus, que ele não saber ir embora não. Toca a mão no chapéu em piedoso cumprimento, os joelhos no pavimento, Senhora Dona do Brasil Sá, Olga de - Coisas Faladas – Lorena, São Paulo, 1965

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Revista em Família nº52  

Informativo das Filhas de Maria Auxiliadora

Revista em Família nº52  

Informativo das Filhas de Maria Auxiliadora

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