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INSPETORIA SANTA CATARINA DE SENA

Inspetoria Santa Catarina de Sena

| Ano 40 | n° 58 janeiro fevereiro março e abril | São Paulo | SP

“Abraçar o Senhor para abraçar a esperança”


Editorial “Agradeçamos de verdade o Senhor que nos faz tantas graças” Prezados Leitores, estamos vivendo um tempo forte de “espera” e de “esperança”! Temos a plena certeza de que o Senhor Ressuscitado caminha conosco, está presente em nossa história e nos sofrimentos, provocados pela pandemia do coronavirus que a humanidade vive. Acredito que, para todas nós, esse é um tempo forte de conversão, de mudança de atitudes e de mentalidade, de confronto da própria vida com a Palavra, de revisão da caminhada vocacional em busca da santidade e de conhecimento pessoal e comunitário. São momentos de “graça” pois, nos ajudam, a partir de uma realidade diferente, sofrida, desconcertante e cheia de incertezas, a acolher, com paciência e calma, o “dia-a-dia” sem medo, ansiedades e angústias. O nosso Deus é um Deus surpreendente! Reavivemos a fé no seu amor por nós e por todas as criaturas! Reanimemos a nossa esperança na força da Ressurreição e da Vida Nova! Cultivemos o amor, a comunhão e a fraternidade entre nós e, tenhamos um coração sensível e solidário para com os que sofrem. Minhas Irmãs, as encorajo a ser “Mulheres pascais”, Mulheres profetas da esperança e missionárias da Boa Notícia: Ele está vivo! Com Maria, Mulher pascal, vivamos, cada dia, o mistério da Ressurreição com amor, pois o tempo vivido no amor se eterniza! Fraternalmente,

Ir. Helena Gesser Redação, produção e distribuição Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Andréa Pereira Projeto gráfico: 6 Andréa Pereira Capa : Foto VaticanNews Revisão Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker Fotos Inspetoria Santa Catarina de Sena Google, Pixabay Colaboração Irmãs e Comunidades da Inspetoria Santa Catarina de Sena Contato editorial@fmabsp.org.br 2 | Em Família

EM FAMÍLIA | Ano 40 | nº 58

Centro de Comunicação Marinella Castagno Rua Três Rios, 362, Bom Retiro 01123-000 São Paulo | SP Tel. 55 11 3331 7003 www.salesianas.org.br Em Família é uma publicação formativa que divulga e informa sobre o cotidiano das comunidades das Filhas de Maria Auxiliadora na Inspetoria Santa Catarina de Sena, e suas frentes de trabalhos.


Sumário

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MENSAGEM URBI ET ORBI

Papa Francisco

Relembre e fique sabendo o que aconteceu em nossas comunidades nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril programe-se para as próximas atividades. Divirta-se, emocione-se, Em Família.

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QUERIDA AMAZÔNIA

Ir. Celia Apparecida

02 04 10 34 44 54 54

Editorial Capa Artigo Entrevista Registro É Festa Lembrança

Programação para o Mês Mariano

janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Capa

A mensagem Urbi et Orbi na íntegra

(Domingo de Páscoa, 12 de abril de 2020) Queridos Irmãos e Irmãs, feliz Páscoa! Hoje, ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»! Como uma nova chama, esta Boa Nova se acendeu na noite: a noite de um mundo envolvido por vários desafios e, agora, oprimido pela pandemia, que aflige a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou! » (Sequência da Páscoa). É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração a todo o coração humano que aguarda esta Boa Notícia. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou! » Não se trata duma fórmula mágica que 4 | Em Família


Capa

dissolve os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «anula» o sofrimento e a morte, mas transforma o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus. O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram aberturas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada. Hoje penso, sobretudo, nos que foram atingidos diretamente pelo coronavirus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e,, por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus. O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança

O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram aberturas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada. a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Capa que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões. (...) Esta pandemia não nos privou apenas dos afetos, mas também do consolo dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível o acesso a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo, a cada um: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano). Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo parte oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham ininterruptamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência, para os responsáveis pela ordem e aos militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão. Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo perigo da perda do emprego e, por tantas outras consequências provenientes da atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retomada das atividades diárias habituais. 6 | Em Família


Capa Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

Este não é tempo para a indiferença porque o mundo inteiro está sofrendo, mas é tempo para unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, os medicamentos e, sobretudo, a possibilidade duma assistência sanitária adequada, agora, mais difíceis de serem encontradas devido à paralização de muitas atividades, Em consideração às presentes circunstâncias, sejam abrandadas, também, as sanções internacionais que impedem os países atingidos apoiar adequadamente aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados socorres as maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres. Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavirus, penso, de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este amado Continente pode ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo, nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, a União Europeia enfrenta um desafio, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Que esta ocasião não seja perdida para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Capa

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar.

povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.

Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos enfrentando não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida se mostre próximo das populações da Ásia e da África que atravessam graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. Faça com que na Venezuela particulares e a tentação dum regresso ao se chegue a soluções concretas e imediatas, passado, com o risco de colocar a dura prova a destinadas a permitir a ajuda internacional convivência pacífica e o progresso das próximas à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária. gerações. Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo de um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se coloque fim à longa guerra que ensanguentou a Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que retomem o diálogo israelitas e palestinenses para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os 8 | Em Família

Queridos Irmãos e Irmãs, Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.


Capa

Queridos Irmãos e Irmãs, Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.

Papa Francisco

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Artigo

Ressurreição de Jesus e nossa ressurreição: alimento de esperança de um mundo novo Por Ir. Ivone Brandão de Oliveira

A experiência da Ressurreição de Jesus foi uma surpresa para todos os discípulos. Tratase da revelação de um mistério escondido desde a criação do mundo, mistério que continua até nossos dias. Basta dizer que Cristo Ressuscitou ou algo novo aconteceu para que se torne visível a nossos olhos essa revelação? A Ressurreição traz uma re-significação na vida dos discípulos e das comunidades, depois do impacto da morte daquele que era esperança do Reinado de Deus. Tentarei refletir sobre a experiência vivida pelos discípulos/as, segundo a narrativa dos 10 | Em Família

evangelistas, para daí tirar algumas conclusões para nossa vida. Precisamos ter presente que os evangelhos foram escritos 30, 40 e 50 anos depois da morte de Jesus, tendo nesse intervalo um tempo grande de amadurecimento da fé dos discípulos e das comunidades. O evangelista Marcos, o primeiro a escrever o evangelho, não fala da aparição do Ressuscitado. Simplesmente diz que as mulheres encontram a pedra do sepulcro removida (isso é presente em todos os evangelistas) e viram um jovem sentado à direita, vestido de uma túnica branca... e ele


Artigo lhes diz: “Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Mas ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis, como vos tinha dito” (Mc 16,7). Mateus, ao escrever o Evangelho, mostra em seu escrito muito conflito com a comunidade dos judeus. Como tem por fonte o evangelho de Marcos, mantém fidelidade a ele, num primeiro momento, modificando somente o personagem que aparece, um anjo, depois de um terremoto para remover a pedra do sepulcro. Jesus depois aparece às mulheres e lhes pede que avise os irmãos que os encontrará na Galileia, e aí o verão. Ao encontrá-los, Jesus os envia em missão: “Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizandoas ... E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28,18-20) Seguindo a tradição de Marcos, Lucas também fala das mulheres que vão ao sepulcro. A mensagem da ressurreição é feita por dois homens. O anúncio feito pelas mulheres aos discípulos provoca muita dúvida, mas logo depois, Lucas narra a aparição de Jesus a dois discípulos que iam para Emaús. Um desconhecido aparece e se surpreende com a tristeza das palavras e expressões, pelo que acontecera com Jesus. O desconhecido censura sua incredulidade e ilumina-os com textos das Escrituras, passando por Moisés e os profetas. O desconhecido é convidado para ficar com eles e, “uma vez na mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois, partiu-o e deu-o a eles. Então seus olhos se abriram e o reconheceram; ele, porém, ficou

A Ressurreição traz uma re-significação na vida dos discípulos e das comunidades, depois do impacto da morte daquele que era esperança do Reinado de Deus. invisível diante deles (Lc 24,.13-31). Logo depois, eles retornam a Jerusalém para narrar o que lhes acontecera e Jesus lhes aparece dando-lhes a paz, dizendo: “Por que estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho” (Lc 24, 38-39). A narrativa de João é um pouco mais extensa. Depois que Madalena diz aos discípulos que o sepulcro estava aberto, Pedro e João vão até lá e constatam o fato. Eles veem o lençol e o sudário no chão, amarrado, símbolo da morte que foi vencida. Madalena retorna e recebe a revelação de dois anjos; logo depois, no jardim, ela vê Jesus enviando-a aos discípulos para dar-lhes a notícia. Segue uma nova narrativa: Jesus aparece aos discípulos dando-lhes a paz e confiando-lhes a mesma missão que Ele tinha recebido do Pai. Tomé não estava presente e janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo não acreditou no relato dos companheiros. Jesus aparece oito dias depois e diz a Tomé: “Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos”! (Jo 20,27) e logo depois: “Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram”. (Jo 20,29). Que podemos concluir dessas narrativas? Os estudiosos concordam que não se trata de uma narrativa histórica, pelas formas diferentes que os evangelistas apresentam a ressurreição. As narrativas revelam que entre a morte de Jesus e sua Ressurreição, a comunidade foi tomada de medo e cada um reagiu de uma forma diferente: as mulheres, indo ao sepulcro, dois outros, fugindo para Emaús, outros retornando

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à Galileia. Depois de um tempo, o medo desapareceu e os discípulos entenderam que a experiência que tinham vivido era por demais significativa para não levá-la a diante. Quero acentuar as vezes que o texto utiliza o verbo ver. Marcos começa dizendo que os discípulos o verão na Galileia. O que isso significa? O evangelista está desafiando não só os discípulos, mas também ou leitores a crer na Ressurreição assumindo a missão de Jesus vivida na Galileia, fazendo o que Ele fez nessa região: anunciar a proximidade do Reino com acolhida misericordiosa dos necessitados. Esse retorno ao local que Jesus iniciou sua missão significa que a mensagem da proximidade do Reino está na comunidade, mesmo que essa prática leve os discípulos a Jerusalém para morrer como Jesus. Em Mateus, esse retorno está ligado ao poder que receberam de Jesus para batizar e fazer discípulos, com a garantia que ficaria com eles todos os dias, até a consumação dos séculos. Assim, a comunidade de Marcos e Mateus viram no retorno à Galileia e na missão recebida, a presença viva do Ressuscitado entre eles. Ver e tocar nas chagas de Jesus é uma das formas privilegiadas de se encontrar com o Ressuscitado. Tomé não crê na possibilidade de Jesus estar ressuscitado, mas ao mostrarlhe as chagas, Tomé se rende. Tomé ao tocar nas chagas do Crucificado, toque visível, dá um salto qualitativo de fé. Ao ver o visível confessa o invisível: “Meu Senhor e meu Deus”. Assim, a comunidade aprende que tocando os crucificados da história encontram com o Ressuscitado. Confirma-se assim o que Jesus tinha dito no último discurso do evangelho de Mateus, quando dizia: “Vinde benditos de meu


Artigo

Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a criação do mundo. Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me acolheste. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me” (Mt 25,34-36). Ponto significativo da narrativa da Ressurreição foi feita por João, ao falar de lençol e o encontro de Madalena no jardim. Lençol lembra o leito nupcial e o jardim lembra o Éden, local do diálogo de Deus com os primeiros pais. Com essa narrativa, João quer revelar que a Ressurreição de Jesus é um selo definitivo das núpcias de Deus com a humanidade. Aqui acontece a oferta de novos céus e nova terra para os que creem em Jesus. Compreender a Ressurreição como experiência da comunidade possibilita a todos nós fazer a

mesma experiência em nossa vida. Isso implica: . assumir a missão de Jesus de anunciar a proximidade do Reino com palavras e atos de misericórdia, . tocar nas chagas e nas dores dos pobres e dos últimos da sociedade, acolher a mensagem da Palavra de Deus nos sinais de nosso tempo, . participar da Eucaristia como momento privilegiado de comunhão e partilha, . viver a alegria da transformação de nossa vida com a Paz e as núpcias deixadas por Jesus, na certeza de que Ele está conosco todos os dias até os confins do mundo.

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Artigo

Querida Amazônia Por Ir. Célia Apparecida da Silva

Como suaves modulações de uma sinfonia que faz eco ao cantar do Santo de Assis – “Irmão sol...irmã luz...- a atuação pastoral de Papa “Francisco”, sua Encíclica “Laudato Si’, sua Exortação Apostólica “Querida Amazônia” chegam a nós como forte interpelação ao cuidado com a “casa comum” preparada pelo Pai para o ‘habitat’ de suas criaturas chamadas a interagir fraternalmente em meio a linda natureza que as envolve. Na verdade, a centralidade bíblica do ser humano na obra da criação, o “dominai a terra” (Gn.1,28b) não é interpretado acertadamente fora do contexto da Palavra de Deus. O individualismo reinante na sociedade leva, não ao cuidado, mas à exploração egoísta da “casa comum” pretendendo transformá-la em propriedade privada, ou propriedade de grupos 14 | Em Família

minoritários poderosos. Com Paulo Apóstolo, mergulhemos no mistério escondido desde toda a eternidade no seio da Trindade e, na plenitude dos tempos, revelado a nós; contemplemos o Verbo eterno do Pai que assumiu a nossa humanidade e se fez Homem para nos ensinar o quê, de fato, significa “ser homem”, ser “filho no Filho eterno do Pai” convivendo, pois, como irmãos, cuidando da “casa comum” e respeitando o magnífico espaço preparado por Ele para seus filhos, indistintamente. Nosso Papa jesuíta – de nome “Francisco” por escolha simbólica, pessoal – ungido por Deus para, no momento, fazer conosco o caminho percorrido pelo Verbo Encarnado em meio a nós, qual Bom Pastor nos precede nas trilhas da verdadeira encarnação na realidade em que


Artigo habitamos, nos caminhos da inculturação da fé. Na verdade, “em sua compreensão mais extensa, a cultura representa o modo particular com que os homens e os povos cultivaram sua relação com a natureza e com seus irmãos, consigo mesmos e com Deus a fim de conseguir uma existência plenamente humana”. “Enquanto tal, a cultura é patrimônio comum dos povos e, também, da América Latina e Do Caribe”. (Doc. Ap., 476). “O encontro da fé com as culturas as purifica, permite que desenvolvam suas virtualidades, enriquece-as, pois todas elas procuram, em última instância a verdade, que é Cristo” (Doc. Ap., 480). No 5º. Aniversário de publicação do Documento Laudato Si’, Francisco nos presenteia com a Exortação Apostólica Pós Sinodal “Querida Amazônia”. Mais uma vez, ele nos quer levar pela palavra e “por contágio”, através do tempo, a descobrir, acolher e cultivar com respeito as sementes do Verbo presentes nas diferentes realidades culturais e assumir nossa responsabilidade de “humanos” em face às ricas e incontáveis diversidades naturais que nos envolvem neste amplo espaço de mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados, mais de três milhões de indígenas, trezentos e noventa povos e nacionalidades que, efetivamente foram escutadas na preparação do Sínodo para a Amazônia e possibilitaram a elaboração do “Instrumentum Laboris”. Texto pontifício que pertence ao magistério ordinário do Papa, a “Querida Amazônia” difere do Documento Final do Sínodo dos Bispos ( 2 019 ) constituído por propostas que devem ser lidas à luz da Exortação Apostólica Pós Sinodal, como explicita Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. UMA CARTA EM QUATRO SONHOS A esperada Exortação Apostólica Pós Sinodal

“Querida Amazônia”, publicada em 02 de fevereiro (2020) chega a nós, trazendo em quatro capítulos, a modo de sonhos, as reflexões, expectativas e esperanças de Papa Francisco. Quatro sonhos para um “todo plurinacional interligado, um grande bioma partilhado por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, Guiana Francesa e, alargado na palavra de Papa Francisco, para o mundo inteiro (Q.A 5 ) Esta Exortação reflete um longo caminho sinodal. Com seus “sonhos” para a Amazônia Francisco lança a aplicação das orientações sinodais e “ abre uma janela de esperança para o futuro da Amazônia”. Em ampla visão de síntese visitemos os sonhos de Francisco para fazê-los também nossos: SONHO SOCIAL ( Q.A.,8-27 ) Diz o Papa em sua Exortação Apostólica: “Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida” Francisco propõe, de fato, o “diálogo social” “para encontrar formas de comunhão e luta conjunta”.Um diálogo que comece “pelos últimos”, pois são eles os “principais interlocutores”. Suas palavras, suas esperanças, seus receios, deveriam ser a voz mais forte em qualquer mesa de diálogo sobre a Amazônia. SONHO CULTURAL ( Q.A., 28-40 ) “Sonho com uma Amazônia que preserve a riqueza cultural que a caracteriza e na qual brilha, de maneira tão variada a beleza humana. Tal sonho janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo “Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e de se encarnar na Amazônia, a tal ponto que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos” ( Q.A.7 )

evidencia, sem dúvida, a importância do cuidado com as raízes dos povos da Amazônia, verdadeira “riqueza cultural”, transmitida oralmente, com os seus “mitos, lendas, narrações”. Papa Francisco propõe a necessidade do encontro intercultural mas, explicita também que, “em qualquer projeto para a Amazônia é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos e das culturas, dando assim, provas de compreender que o desenvolvimento de um grupo social...requer, constantemente, o protagonismo dos atores sociais locais, a partir de sua própria cultura” SONHO ECOLÓGICO ( Q.A., 41-60 ) “Sonho com uma Amazônia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche seus rios e suas florestas”. Um sonho ecológico “feito de água”: “seu eixo principal é o grande rio, filho de muitos rios”, escreve Papa Francisco. “Para cuidar da Amazônia é bom conjugar a sabedoria ancestral com os conhecimentos técnicos contemporâneos, procurando, porém, intervir no território de forma sustentável, escreve Francisco, salientando a importância da Amazônia para a vida do planeta. Nosso Papa propõe uma ecologia integral para a qual não bastam as componentes técnicas, políticas, jurídicas e sociais. Ele realça, de modo especial, a importância do aspecto educativo,” em vista do desenvolvimento de novos hábitos nas pessoas e nos grupos humanos”.

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SONHO ECLESIAL ( Q.A., 61- 110 ). “Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e de se encarnar na Amazônia, a tal ponto que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos”( Q.A.7 ) Com estas palavras Papa Francisco desenha seu sonho eclesial para a Amazônia: sonho de “inculturação “social e espiritual, feito com “amor ao povo... cheio de respeito e compreensão”. Ele reafirma aqui o que explicitou na Exortação Evangelii Gaudium a propósito da inculturação: esta se baseia na convicção de que “a graça supõe a cultura, e o dom de Deus encarna-se na cultura de quem o recebe ( E.G., 15 ) “Não faria , pois, justiça à lógica da encarnação, pensar em um cristianismo monocultural e monocórdico”( E.G., 117 ). Não se trata, porém - diz a “Querida Amazônia”( 76 ) – de propor “uma religiosidade alienante ou individualista que faça calar as exigências sociais de uma vida mais digna, mas, também, não se trata de mutilar a dimensão transcendente e espiritual, como se bastasse ao ser humano o desenvolvimento material”. Isto nos convida não só a combinar as duas coisas, mas também a ligá-las intimamente, diz o Papa. Grande destaque Papa Francisco dá à presença da Eucaristia “fonte de luz e renovação para nossas preocupações pelo meio ambiente” e que nos leva “a ser guardiões da criação inteira” Os Sacramentos, diz ele, não devem ser vistos como separação da criação, pois constituem um modo privilegiado em que a natureza é assumida por Deus e transformada em mediação de vida sobrenatural” ( 81 – 90 ) Para a vida das comunidades, a Exortação Apostólica sublinha a importância dos sacerdotes, dos diáconos permanentes e dos leigos, mas, muito particularmente, das mulheres, pois, foi “graças à presença de mulheres fortes e generosas” que a Igreja se manteve “de pé nesses lugares”. “Batizaram, catequisaram, ensinaram a rezar”, diz Papa Francisco ( 102 – 103 ).


Artigo

EVIDENCIANDO ALGUMAS CONCLUSÕES instituições da sociedade civil na Amazônia. – entre muitas: Como estão? O “Instrumentum Laboris” do Sínodo refere-se a “uma cultura que envenena Dirigida “Ao Povo de Deus e a Todas as o Estado e suas instituições, permeando todos Pessoas de Boa Vontade’ a Exortação Apostólica os estratos sociais, inclusive as comunidades Pós Sinodal “Querida Amazônia” quer ser uma indígenas, não isentos, por vezes, membros carta de amor, um grito esclarecido, luminoso, da Igreja que, em certas situações, silenciam transbordante de afeto, rico em projetualidade, em troca de ajudas econômicas para obras de alcance não só nacional, Pan-Amazônico eclesiais”(25). mas, efetivamente internacional, que chega a nós como forte interpelação em favor da vida, *“É preciso garantir para os indígenas e para da fraternidade universal, da casa comum: os mais pobres, uma educação adequada, que desenvolva sua capacidade, empoderamento e *O desafio, escreve Papa Francisco, citando protagonismo” (17,27). S. João Paulo II é “assegurar uma globalização na solidariedade, uma globalização sem *Necessário é “cuidar das raízes (33-38) pois “a marginalizações”( Mensagem para o Dia visão consumista do ser humano, incentivada Mundial da Paz: 08/12/97 ). pelos mecanismos da economia globalizada atual, tende a homogeneizar as culturas e a *Urge condenar as graves violações dos debilitar a imensa variedade cultural que é um direitos humanos e novas escravidões que tesouro da humanidade” (L.S.144). atingem especialmente as mulheres, a praga Isso afeta muito os jovens quando se tende do narcotráfico que procura submeter os a “dissolver diferenças próprias do seu lugar de indígenas, ou o tráfico de pessoas que se origem, transformá-los em seres manipuláveis aproveita daqueles que foram expulsos de seu feitos em série” ( Ch.V., 186) contexto cultural ( Q.A., 14) e os migrantes que *Não é preciso destruie as culturas locais chegaram ao longo dos séculos passados. para implantar uma nova. É possível “cultivar *Importa analisar com visão crítica as sem desenraizar, fazer crescer sem debilitar a janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo

“É preciso aprender dos povos indígenas a contemplar a Amazônia e não apenas analisála...amá-la como precioso mistério e não só usá-la, sentir-nos intimamente unidos a ela e não só defendê-la... reconhecendo os laços com que o Pai nos une a todos os seres” ( 55).

identidade, promover sem invadir” (Q.A.,28). Papa Francisco, porém, adverte que não é sua intenção “falar de um indigenismo completamente fechado, a-histórico, estático, que se negue a toda e qualquer forma de mestiçagem”(37). Pelo contrário, importa valorizar as diferenças mantendo-se aberto ao encontro com elementos de outras culturas, como ao diálogo entre gerações para preservar as raízes ( Doc.Ap., 34). *Vale ainda recordar que se o cuidado das pessoas e o cuidado dos ecossistemas são inseparáveis – pois “tudo está estreitamente interligado” (L.S., 16, 91, 117, 138, 240) - isso se torna particularmente significativo lá onde “a floresta não é um recurso para explorar, é um ser ou vários seres com os quais se relacionar”(citado em Q.A., 42). *Importa, pois, ter presente que o equilíbrio da terra depende, também, da saúde da Amazônia, juntamente com os biomas do Congo e do Bornéu. 18 | Em Família

Da diversidade de suas florestas dependem os ciclos das chuvas, o equilíbrio do clima e uma grande variedade de seres vivos (48). *Urge, porém, convir (50) que a solução para os problemas decorrentes dos interesses de empresários e políticos locais, assim como dos enormes interesses econômicos internacionais ( L.S., 38) não está na “internacionalização da Amazônia”. Louvável, porém, a tarefa de organismos internacionais e organismos da sociedade civil que colaboram de forma crítica utilizando legítimos instrumentos de pressão para que cada governo cumpra o próprio dever (Q.A., 50). *É preciso aprender dos povos indígenas a contemplar a Amazônia e não apenas analisála...amá-la como precioso mistério e não só usá-la, sentir-nos intimamente unidos a ela e não só defendê-la...reconhecendo os laços com que o Pai nos une a todos os seres ( 55). Oxalá todos nós, fieis, possamos encontrar na Amazônia um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus se manifesta e chama seus filhos (57). *Importa ter presente que para tornar possível a construção de uma Igreja com rosto amazônico, para tornar possível


Artigo a encarnação da Igreja e do Evangelho na Amazônia, o grande anúncio missionário deve ressoar incessantemente rumo a uma harmonia pluriforme (61). Não é suficiente uma mensagem social. Os povos amazônicos têm direito ao anúncio do Evangelho em muitas modalidades distintas (64). *É necessário aceitar corajosamente a novidade do Espírito, capaz de criar sempre algo de novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo. Não tenhamos medo, não cortemos as asas ao Espírito, nos diz Papa Francisco (69). *Não se trata apenas de facilitar a presença maior de ministros ordenados que possam celebrar a Eucaristia...mas é preciso suscitar uma nova vida nas comunidades...promover o encontro com a Palavra e o amadurecimento na santidade por meio de vários serviços laicais, que supõem um processo de maturação – bíblica, doutrinal, espiritual e prática – e distintos percursos de formação permanente( 53). Assim, poderá nascer uma santidade com rosto amazônico, chamada a interpelar a Igreja universal (77-80). *Necessário se faz reconhecer que em uma Igreja sinodal as mulheres realizam um papel central nas comunidades amazônicas. “Elas deveriam – diz o Papa – ter acesso a funções e, inclusive, serviços eclesiais que não requeiram a Ordem Sacra. Ter ainda incidência real e efetiva na organização, nas decisões mais importantes e na guia das comunidades “conforme seu estilo feminino”(99 – 103). *Importante ainda ressaltar – afirma Francisco – o papel da Vida Consagrada, capaz de diálogo, síntese, encarnação e profecia e das comunidades de base sempre que souberem integrar a defesa dos direitos sociais com o anúncio missionário e a espiritualidade (95-96). *É preciso que, “em uma Amazônia plurirreligiosa, os crentes encontrem espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum e a promoção dos mais pobres...sem esconder as convicções próprias... pois quanto mais

profunda, sólida e rica for uma identidade, mais enriquecerá os outros com sua contribuição específica (106 – 109). *Urge, pois, como cristãos, “lutar juntos, rezar juntos, trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia, mostrar o rosto santo do Senhor e cuidar de sua obra criadora (110). Papa Francisco conclui a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, erguendo os olhos a Nossa Senhora e convidando-nos a nos dirigir a Ela:

“Mãe da vida, no vosso seio formou-se Jesus, Senhor de tudo... Ele vos fez Rainha de toda a criação... vos pedimos que reineis no coração palpitante da Amazônia... mostrai-vos como mãe de todas as criaturas...e de tudo que vibra nas florestas. Pedi a Jesus que derrame seu amor nos homens e mulheres que lá habitam... Fazei nascer vosso Filho nos seus corações para que Ele brilhe na Amazônia, nos seus povos e culturas, em sua mensagem de fraternidade e justiça. Que em cada Eucaristia se eleve também tanta maravilha para a glória do Pai. Mãe, olhai pelos pobres da Amazônia porque seu lar está sendo destruído... Tocai a sensibilidade dos poderosos... Reinai na Amazônia, juntamente com vosso Filho. Reinai de modo que ninguém mais se sinta dono da obra de Deus. Em vós confiamos, Mãe da vida! Não nos abandoneis nesta hora escura. Amém. ”

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Artigo

A graça de transformar dor em amor Por Ir. Celene Couto

As Filhas de Maria Auxiliadora, no ano 1898, abriram o Colégio em Junín de los Andes para atender à educação das meninas. A mãe, Mercedes Piño, desejosa de dar uma boa educação às suas filhas, Laura e Júlia Amanda, colocou-as no Colégio das religiosas. Laura, iniciou o segundo ano escolar, no ano de 1900, um grande júbilo que seu coração não podia conter de tanta alegria. Percebeu logo que ali era possível desenvolver suas características e potencialidades, suas dimensões mais profundas, orientando toda a sua existência para o bem. No ambiente salesiano encontrou não apenas um espaço físico, mas a oxigenação 20 | Em Família

e revitalização do corpo e do espírito. Uma atmosfera saudável onde se vivia intensamente os valores humanos e cristãos. Um lugar onde o espírito de família alicerçado na alegria, na fé, na doçura, na escuta, na firmeza, na espontaneidade, na corresponsabilidade nos trabalhos e na partilha de vida levava ao encontro da verdadeira Verdade libertadora que dá sentido à vida. Rapidamente, as Irmãs se deram conta da virtude da pequena Laura. Seu caráter sossegado, seus modos simples e modestos, sua afabilidade e doçura no trato com as pessoas, revelaram sua índole caridosa e inocente, de maneira que logo se tornou apreciada e querida


Artigo por todos. Desde as primeiras lições de catequese, demonstrou um grande interesse por aprender aquelas grandes verdades e se sentia impelida por um ardente desejo de praticá-las. Se antes de entrar no Colégio, sua conduta sempre foi edificante, desde que começou a conviver com as Irmãs salesianas e conhecer melhor as coisas de Deus, aumentaram sua bondade e delicadeza. Afirmava constantemente, seu desejo de ser boa e não media esforços para levar a cabo seu objetivo. O CAMINHO DO DESENVOLVIMENTO PSICO ESPIRITUAL É bem típico das crianças o entusiasmo por grandes ideais e o sonhar grandes propósitos. Mas, ao mesmo tempo, é próprio o esquecimento rápido de suas promessas e o cair, com facilidade, em pequenas falhas próprias de suas personalidades. Isto não por má vontade, mas por não refletirem, não por malícia ou por falta de caráter, mas sim pela leveza, entusiasmo e imaginação do mundo infantil. Nelas, o caráter está sendo formado, e, é nesse ponto que está a causa das faltas ordinárias dos mais pequeninos. E, se logo esquecem o

As crianças trazem em si, por meio de suas brincadeiras, a leveza do mundo da imaginação, independente de suas dores silenciosas que, muitas vezes derivam das diversas situações que vivem em suas casas, como: violência, fome, falta de atenção, falta de cuidado, famílias desestruturadas e tantos outros problemas que poderíamos aqui elencar.

mal que recebem do outro, logo também, esquecem o bem que prometem. Erick Erikson, apresenta o desenvolvimento da personalidade em 8 (oito) estágios que abrangem toda a existência. Articulam-se e entrelaçam-se entre si, nem sempre numa ordem rígida e numa sucessão cronológica. Cada estágio do desenvolvimento é resultado de uma crise interpessoal, com os pais, colegas, educadores e pessoas de seu círculo de convivência. Por isso, indicam um aspecto do processo de formação da identidade, sendo que, os quatro primeiros estágios consistem no alicerce e os seguintes são consequências e/ou resultado da identidade estabelecida.

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Artigo As crianças trazem em si, por meio de suas brincadeiras, a leveza do mundo da imaginação, independente de suas dores silenciosas que, muitas vezes derivam das diversas situações que vivem em suas casas, como: violência, fome, falta de atenção, falta de cuidado, famílias desestruturadas e tantos outros problemas que poderíamos aqui elencar. No entanto, essa fragilidade interior não deve ser negligenciada, mas, pelo contrário, para que a educação seja frutífera, é necessário insistir com muita paciência e firmeza em combatê-la. Madre Mazzarello, afirmava que não devemos fazer as pazes com nossos defeitos (C17,1), mas, sim, darmos um passo por vez para combatêlos. Portanto, é essencial criar propostas para que as crianças passem a entender e valorizar, as vantagens da reflexão sob suas ações e as desvantagens de não levar em conta suas faltas. Na vida de Laura, ao relermos sua biografia, podemos constatar que fatos como: a perda do pai, a migração para a Argentina, a luta da mãe para criar as filhas e até seu relacionamento abusivo com Manuel Mora influenciaram em seu modo de ser, compreender e de sentir o mundo. Fatores como o sentimento de incompreensão e falta de cuidado por parte de sua mãe, foram ressignificados e integrados em sua vida por meio das virtudes da esperança e da fé. Tal fato, só foi possível, pois sentia-se acolhida, amada, protegida e valorizada pelas Irmãs salesianas que não mediam esforços para potencializar o que ela tinha de melhor dentro de seu coração. Laura, por sua vez, correspondia com docilidade, pois, ali, encontrou um novo modo de ser e de viver. A educação para a conscientização dos danos 22 | Em Família

e das consequências de uma ação impulsiva, de não se deixar levar pelo entusiasmo do imaginário infantil para tomar decisões e, também, não se esquivar das dificuldades que podem aparecer durante o percurso, consiste inegavelmente em um processo educativo. Ao fazer isso, torna-se possível formar corações ternos e um caráter puro, reto e santo. Para tudo isso, nos parece que Laura já estava pronta, não como um produto acabado, mas sim, pronta para ser modelada. Seu coração, era terra já adubada esperando o cuidado do agricultor. Não se observava nela aquela ânsia de prometer e tomar resoluções e depois não pensar mais sobre elas. AS MEDIAÇÕES Se alguma vez, devido à sua tenra idade, não conseguia escolher os meios necessários para realizar suas aspirações e bons propósitos, procurava alguém que pudesse e soubesse indicar e ensinar como proceder. Muitas vezes, seus mediadores e conselheiros eram “a Ir. Angela Piai, considerada como sua segunda mãe, a Ir.Rosa Azocar professora e assistente que para Laura, é modelo de total dedicação e a Ir.Ana Maria Rodriguez, professora e catequista, que a prepara para a primeira comunhão e a vê apaixonada por Jesus”(2007). Com humildade e simplicidade, perguntava como isso poderia ser feito, ou, o que deveria fazer para praticar esta ou aquela outra virtude, ou, para cumprir esse ou aquele outro dever. Esse era seu procedimento habitual em tudo. Um belo costume que nos revela uma alma interessada em sua própria perfeição e ardentemente desejosa por conhecer e aprender tudo o que seria necessário para alcançar sua salvação.


Artigo De fato, em seus registros escolares, tanto para o estudo quanto para o trabalho, nota-se que, devido ao seu empenho, Laura, sempre foi uma das alunas mais destacadas daqueles anos, especialmente em religião e conduta. Laurinha já estava acostumada a viver perto de Jesus, gostava muito da vida calma e pacífica que toda alma pura encontra nas escolas religiosas. Assim, pode, aos poucos, tomar sua vida nas próprias mãos, assumir suas fragilidades e enxergar a vida com confiança. Para ela, a escola era um ninho tão bonito que desejava nunca sair.

Inegavelmente, a vida de Laura é exemplo a ser imitado, pois nos mostra que as dores que nos atingem, durante diferentes fases de nossa vida e que nos causam marcas tão profundas, necessitam passar por um processo curativo por meio da via do amor.

A TRANSFORMAÇÃO DA DOR EM AMOR No tempo em que esteve junto das Irmãs salesianas, a pequena Laura aprendeu a conhecer melhor a Deus e a amá-lo mais perfeitamente. Seu confessor, padre Augusto Crestanello, “conhecia seu mundo interior e caminhava discretamente ao seu lado, encorajando-a a superar dificuldades” (2007). A confiança inabalável em Nossa Senhora das Nieves - posteriormente em Nossa Senhora Auxiliadora – e, o amor a Deus foram os meios pelos quais se encorajou a fazer o grande sacrifício de sua vida. Inegavelmente, a vida de Laura é exemplo a ser imitado, pois nos mostra que as dores que nos atingem, durante diferentes fases de nossa vida e que nos causam marcas tão profundas, necessitam passar por um processo curativo por meio da via do amor. Somente corações curados pelo Amor, podem amar e fazer com que tantas pessoas que cruzam com nosso caminho, sintam-se amadas e impelidas a tornar Jesus, que é a fonte de todo bem, cada vez mais conhecido e amado.

EDEBE 2015 BILLORDO Susana - DUPONT Silvia “Laura Vicuña. Transformar el dolor en amor”, Buenos Aires, 2017. CASTANO, Luis. Laura Vicuna: A heroica Filha de Maria dos Andes Patagônicos. Editora Salesiana, 1958 GONZALEZ, Antonio: (2007), LAURA VICUÑA. Bahía Blanca, Argentina, MIRANDA, Alex Barbosa Sobreira de. O Desenvolvimento Humano na Perspectiva de Erick Erikson [online]. Psicologado, (2012) [viewed date: 15 Apr 2020]. Available from: https://psicologado.com.br/psicologiag e r a l /d e s e n v o l v i m e n t o - h u m a n o /o desenvolvimento-humano-na-perspectivade-erick-erikson

Referências Bibliográficas BECCALOSSI. A Mensagem de Laura Vicuña. janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo

LINHAS João Carlos Teixeira é professor e está tentando aproveitar a quarentena para aprender a costurar. As LINHAS são uma fonte inesgotável de metáforas, certamente por sua abrangência funcional: Da liberdade delas no campo das artes, como o desenho, por exemplo, temos ao rigor de seu uso em conceitos geométricos da matemática, passando pela fascinante ideia de LINHAS imaginárias na geografia, contornos que demarcam territórios e meridianos... Mas de todas as possibilidades acima citadas e outras tantas não lembradas, tomemos emprestada a noção de LINHA na história (cronologia, sucessão, passagem, contagem do tempo etc.). Em um esforço de imaginação, tomemos duas LINHAS históricas como pontos de partida (já que uma das definições de linha é a de sucessão de pontos), começando pela LINHA da história particular de cada uma e de cada um, decidindo marcos que tenham relevância na trajetória

de uma pessoa: O nascimento do primeiro dente, os primeiros passos, as primeiras palavras, a alfabetização, a maioridade... A outra LINHA usaremos para a História da humanidade, desta escrita com ‘H’ maiúsculo e que aprendemos na escola: A criação da escrita, a Queda do Império Romano no Ocidente, a Queda de Constantinopla, a Queda da Bastilha etc. Notem que, invariavelmente, dividimos a noção de memória por meio de marcos, acontecimentos, fatos, pontos significativos. Já que mencionei importantes quedas ao longo da História, recorro a uma outra muito famosa para aprofundar a reflexão, a do Muro de Berlim. Me recordo de reportagens, entrevistas e até uma novela citando o acontecimento e, ver hoje suas menções nos livros didáticos ou documentários me retomam o frescor daquilo tudo. Ao mesmo tempo que, o “apagamento” desta LINHA que separava alemães ocidentais de orientais (além de regimes e ideologias) teve outro significado para mim, um menino de então seis anos incompletos, que acompanhava, após uma série de desentendimentos, a separação dos pais. A imagem daquelas pessoas desferindo marretadas àquele muro, cruzando livremente de um lado para o outro e celebrando o feito, até os dias de hoje, está intimamente relacionado a um drama pessoal. A queda de um muro e o erguimento de outro. Algo que, muitas vezes, não nos damos conta é que a LINHA da história não se resume à narrativa de acontecimentos de um passado empoeirado, de personagens a nós terceiras e alheias, 24 | Em Família


Artigo registradas em parcas fotografias em preto e branco ou pinturas de museus. A história acontece o tempo todo e está, neste momento, sendo registrada em fotografias de alta resolução de câmeras de repórteres fotográficos ou pelas lentes atentas de nossos telefones celulares, e é neste ponto que a LINHA deste texto pretende se apoiar. Vivemos a emergência do novo, o tempo todo (isso sempre), contudo, o momento que estamos vivendo exatamente agora

no

mundo,

cer tamente entrará para a História global como um capítulo de poucos ou nenhum precedente. Não perguntaram se aceitaríamos que nossas LINHAS pessoais fossem atingidas por esta LINHA atual que parece ter espessura e cumprimento muito maiores do que jamais teríamos força para tratar (e a esta altura do texto a atenta leitora e o atento leitor já perceberam a que nó nesta LINHA me refiro), mas não há outro jeito, somos a geração eleita para lidar com isso e seremos lembrados – e cobrados – pelos livros didáticos e documentários da posteridade pelo que (todas e todos) fizemos – ou não, frente a tudo isso. As LINHAS disponíveis são estas e estão interligadas em um emaranhado que parece não ser capaz de resultar em nada produtivo. É neste momento que devemos ter a serenidade de quem, corajosamente, toma o novelo nas mãos e começa a costurar, fiar ou bordar algo totalmente novo não se omitindo nem se desviando dessa LINHA.

“Que cada LINHA seja um ato de amor a Deus”.

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HOSPITALIDADE “Não vos esqueçais da Hospitalidade, pela qual, alguns sem o saberem, hospedaram anjos” Hebreus 13:2 Estamos passando por uma importante mudança de valores em nossa sociedade. Grande parte da humanidade vive em grandes aglomerados, ao lado de milhões de pessoas, mas de forma surpreendente, encontramo-nos cada dia mais sozinhos e isolados. O estresse cotidiano, a violência urbana, as relações de trabalho cada vez mais competitivas, a busca constante de melhorar os ganhos financeiros e a falta crônica de tempo são as possíveis causas do afastamento das relações humanas. Precisamos com urgência da hospitalidade e da gentileza em nossas vidas atribuladas. 26 | Em Família

Ser hospitaleiro é ter sempre um sorriso no rosto e uma vontade natural de ajudar. Trabalhar a hospitalidade é aprimorar a sensibilidade, a capacidade de gostar das pessoas, das suas histórias, das suas particularidades. É exercitar o amor ao próximo. É acolher e hospedar o irmão com o coração.

“Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos”. Churchill.


Artigo Acolher as pessoas de forma educada e hospitaleira no lar, nas interações sociais ou no trabalho material é uma excelente maneira de praticarmos a educação emocional no dia a dia. Nos evangelhos, encontramos diversas lições de hospitalidade, que muitas vezes passam despercebidas em uma primeira leitura, Contanos os evangelistas, que Jesus não tinha residência fixa e durante toda a sua jornada terrestre precisou da boa vontade de diversas pessoas. Ao chegar às cidades e vilarejos da época, ele e seus discípulos hospedavam-se na casa de amigos e conhecidos. Marta e Maria mostraram-se hospitaleiras e atenciosas a ponto de lavarem os pés de Jesus e o perfumarem com ungüentos e alabastros. A passagem em que ele pede a Zaqueu para jantar em sua casa também se tornou famosa. A falta de recursos materiais não é empecilho para se exercer a hospitalidade em nossas vidas. Podemos hospedar todos que cruzarem nossa estrada pelos vínculos da alma e do coração. Desabrigados existem, que não carecem de alimento, teto ou cobertor. Muitos precisam apenas de um sorriso, de um apoio, ou simplesmente de um diálogo amigo. Ofereçamos aos carentes do caminho a palavra de encorajamento, a amizade sincera e desinteressada, a capacidade de ouvir sem julgar as atitudes. A casa e os recursos materiais, muitas vezes, podem ser insuficientes, no entanto, para um coração hospitaleiro e acolhedor o limite é o infinito. Era uma vez uma jovem chamada Lin, que se casou e foi morar com o marido na casa da sua sogra. Após alguns meses, verificou que não se adaptava aos seus hábitos e costumes. Os temperamentos eram muitos diferentes. Com o passar dos meses as coisas foram piorando, a crítica passou a ser contumaz, a

ponto das coisas tornarem-se insuportáveis, no entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem de estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo. Não suportando mais aquela situação, Lin foi consultar um velho mestre, amigo de seu pai. Após ouvi-la, o mestre lhe entregou algumas plantas medicinais e disse-lhe: - “Misture um pouco destas ervas todos os dias na comida da sua sogra, ela vai se envenenar lentamente. Mas, para não levantar suspeitas a seu respeito, a partir de hoje, trate sua sogra com carinho e deferência”. Semana após semana, Lin serviu a refeição para sua sogra, e obedecendo a recomendação do mestre, tratava a mãe do seu marido com respeito, cortesia e educação. Depois de alguns meses, aquela família sofreu uma sensível transformação, o respeito mútuo e o amor imperavam naquele lar. Como a relação com a sua sogra tinha mudado radicalmente, Lin correu procurar o velho mestre e aos prantos foi logo dizendo: - “Senhor quero salvar minha sogra da morte iminente, ela mudou muito nestes meses e tenho-a agora como mãe prestimosa”. Com um sorriso o mestre respondeu: - “Acalme-se, sua sogra não mudou, quem mudou foi você. As ervas que te dei eram vitaminas. O veneno estava nas suas atitudes, mas felizmente, ele foi substituído pelo antídoto do amor”. “ACIMA DE TUDO SEJA BOM. A BONDADE, MAIS DO QUE QUALQUER OUTRA COISA DESARMA O CORAÇÃO”. Lacordaire.

Paulo Pio www.projetoeducapais.com.br www.apoioestrategico.com.br janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo

Resiliência e Espiritualidade: uma longa travessa Por Ir. Valentina Augusto

Reflexões sobre o envelhecimento enfrentado pelo Âmbito para a Formação e “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite pelas Conferências interinspetoriais, pois as vem chegando”(Lc 24,29) Capitulares pediam: “uma reflexão séria e concreta, com a constituição de uma Comissão 1- FAZENDO MEMÓRIA Internacional ampliada, na qual confrontarEstamos nos aproximando da realização do se, compartilhar as experiências e individuar Capítulo Geral XXIV. No entanto, do Capítulo caminhos concretos, em vista de escolhas Geral XXII, ainda ecoa um apelo: “Pede-se ao oportunas de natureza carismática”. Âmbito para a Formação, de aprofundar o tema Do ano de 2009 a 2014 foi então percorrido do envelhecimento no Instituto...” um longo caminho de envolvimento de todo Enfrentar o desafio do envelhecimento das o Instituto em um processo que promoveu “ o Irmãs e a elevação da idade média no Instituto, estudo e o aprofundamento da terceira idade, em “significaria também refletir sobre a diminuição interação com as outras idades, para pesquisar das vocações e as implicações para a nossa linhas essenciais de acompanhamento, missão educativa, sobretudo na Europa e no animação e gestão de recursos”. Continente americano”. No dia 25 de março de 2014, Ir. Maria Américo E o desafio do envelhecimento foi Rolim, Conselheira Geral – Âmbito para a 28 | Em Família


Artigo Formação entregou a todo o Instituto das FMA precioso material intitulado: “Uma geração narra a outra. Da reflexão sobre o envelhecimento no Instituto ao diálogo intergeracional” com quatro fascículos. O primeiro fascículo “Dar vida aos anos em uma comunidade para todas as idades” apresenta as linhas indicativas elaboradas a partir dos dois Seminários realizados na 1ª fase do processo de reflexão sobre o envelhecimento no Instituto, no ano de 2012. O segundo “Terceira idade adulta... para uma inculturação do Projeto Formativo” identifica as “reflexões amadurecidas na Comissão sobre a Terceira Idade Adulta – Europa e América -, integradas com elementos atribuídos, no Projeto Formativo, à Terceira Idade”. O terceiro “Ancianidade. Integrações do Projeto Formativo” responde aos aspectos surgidos na primeira fase do trabalho como demandas urgentes da parte das Inspetoras e dos Conselhos Inspetorias, com uma reflexão “séria e concreta” sobre o envelhecimento no Instituto. O quarto fascículo “O diálogo intergeracional. Estratégias para uma “ comunidade para todas as idades” parte da escuta fecunda das comunidades de uma grande parte do mundo, pois 55 Inspetorias responderam à minissondagem e em diálogo com a vasta literatura que se interroga sobre o futuro da vida consagrada, encerra a grande contribuição pedida pelas capitulares do CG XXII. Deixa-nos também uma provocação. “Compreender ainda não é viver: o caminho é longo, requer uma mentalidade nova e uma autoformação apaixonada, humildade paciente e fé inabalável no dom confiado por Deus à sua Igreja”. 2- RESILIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE Sim. O Caminho é longo. O grande escritor Guimarães Rosa já dizia: “Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia”. Os que estão envelhecendo não recusaram a travessia. Vão dizendo sempre mais “sim” para a finitude, para a diminuição de forças corporais e para os limites que se impõem. Sabem, claramente e com a

Aceitar a própria velhice e buscar o seu sentido parece ser, assim, o caminho em direção a um envelhecimento saudável. graça de Deus, a busca que escolheram. Busca essa, diariamente assumida, mesmo sabendo que a estrada da velhice está coberta de dúvidas, de medos, de ciladas. Gilbert Cesbron nos diz: “Ao se tornarem idosos, muitos adotam semblantes mesquinhos, quase maus. É que o medo passou a habitar permanentemente neles: medo de fazer falta, de ser abandonado, de sofrer além das próprias força, medo da morte”. Aceitar a própria velhice e buscar o seu sentido parece ser, assim, o caminho em direção a um envelhecimento saudável. Ao refletirmos sobre resiliência e espiritualidade partilharemos, nesta travessia, a busca por um envelhecer menos sofrido. Esperamos que o pareamento entre resiliência e espiritualidade possa contribuir para a percepção da importância da espiritualidade para o bom desenvolvimento humano, construção da personalidade, estabelecimento de vínculos saudáveis e condições positivas profissionais, emocionais e sociais. A religião, que é arte das mais profundas questões da humanidade, precisa ser agregada pela Psicologia, uma vez que ambas fazem parte da totalidade do ser humano e se completam. Atualmente, há estudos que favorecem a janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Artigo A resiliência representa a capacidade concreta das pessoas de não só retornarem ao estado natural de excelência, superando situações críticas, mas também de utilizálas em seus processos de desenvolvimento pessoal, se se deixarem afetar negativamente, capitalizando as forças negativas de forma construtiva.

investigação do valor de aspectos espirituais na formação do ser humano, sua personalidade, seu desenvolvimento saudável e sua permanência na esfera da saúde mental. Assim, a interface entre resiliência e espiritualidade é importante, e a contribuição da espiritualidade como fonte de resiliência para o ser humano é muito grande, ajudando-o a vivenciar adversidades e passar por elas de forma mais saudável. Analisaremos, nesta reflexão, inicialmente a compreensão de resiliência para depois caminharmos com foco na espiritualidade e sua importância para a sociedade e para o indivíduo, mas sobretudo para o idoso. A- O que é resiliência? --De que forma podemos definir resiliência? A palavra resiliência apresenta várias definições de acordo com a área que o termo é empregado. Tem origem no latim resilio que significa retornar a um estado anterior. A resiliência representa a capacidade concreta das pessoas de não só retornarem ao estado natural de excelência, superando situações críticas, mas 30 | Em Família

também de utilizá-las em seus processos de desenvolvimento pessoal, se se deixarem afetar negativamente, capitalizando as forças negativas de forma construtiva. Nessa trajetória, os pesquisadores apresentaram a resiliência mais como invulnerabilidade, depois como bom manejo do estresse. Nas duas últimas décadas, a resiliência é entendida e apresentada como uma capacidade de ser flexível ao atribuir significados com equilíbrio nos momentos de dificuldades e desafios da vida. --Mas o que é exatamente resiliência? Alguns cientistas para explicá-la, seguem mais para a teoria do estresse, ligando-as às habilidades de resolver traumas, recorrendose aos mecanismos de fuga ou de ataque que temos. Outra vertente dos cientistas costuma explicá-la, utilizando das teorias da terapia cognitiva e psicologia positiva, e nesse caso, apresentam a resiliência como a capacidade de uma pessoa atribuir significados adequados em seus pensamentos e crenças. Portanto, “resiliência é a capacidade de ser flexível ao atribuir significados com equilíbrio nos momentos de dificuldades e desafios da vida”. A resiliência então pode ser considerada presente ao longo do desenvolvimento humano, sendo possível uma criança, adolescente, adulto ou idoso demonstrar atitude resiliente diante das dificuldades que a vida lhe apresentar. “A resiliência só se interessa pelos modos de recosturar os dilaceramentos traumáticos. Mas, para pensar a resiliência, é preciso fazer de nossa história uma imagem em que cada encontro é uma escolha de vida. Esse modo de dar um sentido à própria vida demonstra uma capacidade de liberdade íntima. Autoriza mil roteiros possíveis, com as hesitações, os golpes de sorte e as angústias que toda escolha provoca...” (Boris Cyrulnik).


Artigo FATORES QUE CONSTROEM A RESILIÊNCIA Ao desenvolver resiliência por meio do treino das competências internas, aprendemos e adquirimos um modo positivo, coerente e flexível de enfrentar as situações de adversidades. A resiliência é um processo dinâmico e mutável, associado à saúde mental, ao apoio social e à presença ou ausência de algum fator específico que seja desencadeador de algum tipo de desequilíbrio psicológico e emocional. A resiliência é composta por agrupamentos de crenças que aprendemos ao longo da vida. Essas crenças ou verdades determinam a forma como as pessoas se comportam, principalmente as atitudes que estão relacionadas com enfrentamentos de problemas e superação de desafios. Os fatores de resiliência defendidos por vários autores são: a) autoeficácia b) autoconfiança c) autoestima d) empatia e) otimismo f) temperança g) solução de problema h) tenacidade i) espiritualidade.

B -Espiritualidade Nesta travessia de reflexões nos deteremos apenas num dos fatores de resiliência denominado – espiritualidade. “Recentemente, o campo da psicologia tem mostrado um crescente interesse no impacto das crenças e práticas religiosas sobre o bemestar psicológico do indivíduo. A religiosidade e espiritualidade fazem parte da experiência humana, sendo transversais em qualquer área que envolva a atividade humana, como a arte, música, poesia, guerra, inspiração, aspiração, sacrifício, moral, devoção, contemplação, conflito, etc.” (Taranu). Sob o ponto de vista da Psicologia, espiritualidade pode ser entendida como busca por uma transcendência interior, que pode ou não estar conectada com um grupo religioso. Neste sentido, é possível que a espiritualidade esteja vinculada a dogmas religiosos e seus grupos variantes, mas principalmente estar conectada a uma necessidade pessoal e íntima do ser humano, referente a desenvolver aspectos da sua busca subjetiva intrapessoal. Espiritualidade pode também ser compreendida como “a dimensão biológica, as sensações, os afetos, a cognição, o comportamento, a identidade, o sentido da vida, a moralidade, as relações interindividuais, os papéis, a criatividade, a personalidade e a autoconsciência”. (Taranu). Para o psicólogo Artur Arruda “a espiritualidade é a essência do homem, é o seu

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Artigo ser, é a maneira de se comportar, agir, pensar”. Assim, a espiritualidade engloba vários aspectos da vida humana, incluindo um composto amplo de vertentes que possibilita à pessoa estar em contato consigo mesma de uma maneira ampla e completa. Do ponto de vista antropológico e teológico podemos definir “espiritualidade cristã como “vida com espírito de Jesus” ou ainda como “experiência de vida movida pelo Espírito, no seguimento de Jesus, buscando e praticando a vontade do Pai”, experiência de vida fundamentada e motivada no encontroconversão com o Deus de Jesus, como o Deus da Vida que cuida dos pobres e excluídos da sociedade e os convida a participar do banquete do Reino”. (M.C. Bingemer). Do ponto de vista bíblico, L. Boff afirma: “o, espírito se move em todas as coisas, em tudo penetra, recria a face da terra. Espiritualidade é captar esse movimento do mundo, o seu dinamismo, a presença do Espírito nas coisas todas. E o Espírito, biblicamente, não é tranquilidade. É o vendaval, o vento forte, aquilo que cria, que desestrutura a ordem estabelecida e inventa o novo. “Viver segundo o Espírito” é a definição que Paulo dá à vida cristã”. E o Espírito é vida e o que se opõe a essa vida e a esse Espírito é morte. Tudo o que produz vida, expande vida, defende a vida, se organiza em função da vida, é espiritualidade. Espiritualidade: fonte de resiliência para o ser humano, sobretudo para o idoso. Conceitualmente tem sido proposto que a espiritualidade pode facilitar a resiliência em quatro formas: a) construir e manter as relações pessoais; b) facilitar o acesso ao suporte social; c) fortalecer os valores morais; d) oferecer oportunidades para desenvolvimento e crescimento pessoal.

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A dimensão da espiritualidade tem sido descrita como sendo relevante, por exemplo, na atribuição de significado ao sofrimento advindo de uma doença crônica e, também, como recurso de esperança face às mudanças no estado de saúde provenientes do decorrer da idade. A fé religiosa é apontada como um importante recurso de resiliência, com um papel vital no apoio a pessoas que experienciam uma crise. A prática religiosa continuada é um fator relevante na promoção de qualidade de vida da população idosa e promove estados positivos de saúde mental que, consequentemente, contribuem para o sucesso cognitivo, emocional e envelhecimento ativo no geral. (Dr. Harold G. Koenig- co-fundador do Centro de Espiritualidade, Teologia e Saúde, na Universidade Duke dos Estados Unidos). Boris Cyrulnik, considerado o mais importante estudioso de resiliência na França, no seu livro “De corpo e alma – a conquista do bem-estar” escreve: “O Idoso responde a uma representação tranquilizadora internalizada, impregnada em sua memória. Por isso, os velhos que retornam a Deus costumam ser aqueles que já conviviam com ele quando crianças.... O Psiquismo tem horror do vazio, então, quando uma pessoa idosa tenta imaginar o depois da morte, sente uma espécie de vertigem na beira do abismo e se sente apaziguada quando coloca Deus ali”....


Artigo “Deus, como base de segurança internalizada, torna-se um parceiro da vida cotidiana”.(Pag. 150). E este “parceiro da vida cotidiana” caminha conosco na travessia existencial, para vivermos a espiritualidade como experiência trinitária: vida no Espírito, no seguimento de Jesus, buscando e interpretando a vontade do Pai. O Deus cristão é um Deus comunhão de pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, que nos chama a viver em comunhão com ele e com os irmãos. (M.C. Bingemer). E com o envelhecimento o que nos restará? O que vai nos restar será o tempo dos significados. A vida assume ainda outra dimensão. Chegaremos ao final de nossa travessia, com serenidade e gratidão. “Devemos confiar que estaremos, para sempre, em nós e com Deus, quando ele vier a nós na morte. Então, tudo em nós chegará à plenitude. Teremos chegado ao lar para sempre”. (A. Grun) Uma espiritualidade resiliente nos encaminhará para o definitivo: Deus. E o que teremos nas mãos será o resultado do nosso AMOR! Referências Bibliográficas BOFF, Leonardo. Mística e Espiritualidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1994 CYRULNIK, Boris. Falar de amor à beira do abismo. Tradução de Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2006 _____________ De corpo e alma. Tradução de Claudia Berliner. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009 GRUN, Anselm. A sublime Arte de Envelhecer. Tradução de Edgard Orth. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008 ____________ Vive-se apenas uma vez. Tradução de Paulo Ferreira Valério. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011 NOUWEN, Henri J.M. Mosaicos do presente: Vida no Espírito. Tradução de Américo Casado. São Paulo: Paulinas, 1998

A fé religiosa é apontada como um importante recurso de resiliência, com um papel vital no apoio a pessoas que experienciam uma crise. A prática religiosa continuada é um fator relevante na promoção de qualidade de vida da população idosa e promove estados positivos de saúde mental que, consequentemente, contribuem para o sucesso cognitivo, emocional e envelhecimento ativo no geral. BARBOSA, George. O que é Resiliência. SOBRARE. Apostila. São Paulo, 2018 Caminhos de Vida: a reflexão teológica na trajetória da CRB/ Equipe de Reflexão Teológica da CRB. São Paulo: Paulinas, 2004 Da reflexão sobre o envelhecimento no Instituto ao diálogo intergeracional / Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (Org.); tradução Ir. Maria Aparecida Nunes – Brasília: EDB, 2016 LEÃO, Elisa Mara Silveira Fernandes. Novas perspectivas entre resiliência e espiritualidade através de escalas psicológicas [doi:10.11606/T.47.2017.tde-12122017-093851]. São Paulo : Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, 2017. Tese de Doutorado em Psicologia Social. [acesso 2020-03-31].

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Entrevista

Entrevista com Ir. Maria Gazetto 1. SUAS ORIGENS Tenho poucas informações dos meus antepassados. Não conheci os avós maternos. Conheci a maioria dos doze irmãos da minha Mãe, Gemma Bison. Ela era a décima primeira, de oito mulheres e três homens. Com tios e primos da família Bison, agricultores, tínhamos contatos por ocasião de colheitas, quando eles precisavam de mão-de-obra complementar e pagavam com gêneros. Minha Mãe e meus irmãos adolescentes colaboravam com interesse e amizade . Convivi meus primeiros 12 anos com os avós 34 | Em Família


Entrevista paternos e com dois irmãos do meu Pai: a tia Giusseppina e o tio Giovanni, solteiros e jovens. Cheguei a conhecer um irmão e uma irmã da minha avó paterna, Luisa Santi, e os primos. Costumava acompanhar a avó, todos os anos, por ocasião da colheita de uva, em uma única visita anual aos parentes. A avó paterna era uma mulher ativa, alegre, comunicativa, cheia de energia e mais autoritária e egoísta do que o avô. Cuidava muito dos poucos bens que a família possuia e não gostava de emprestar suas coisas para os vizinhos. Dos antecedentes, Fernandinho Gazzetto, nada soube e nada se contava em família. Tenho dele as lembranças mais agradáveis. Homem generoso em auxiliar todos os vizinhos em suas necessidades, desde fazer vassouras, consertar guarda-chuvas, sapatos, panelas e quase todos os utensílios domésticos e agrícolas da população do entorno. Trocava seus serviços por gêneros, quando possível, e, quase sempre por um “muito obrigado seu Nando”: sentindoo-se igualmente recompensado. E isso, às vezes, irritava minha avó e até os quatro filhos , dois homens e duas mulheres. Meu pai, Antonio Gazzetto, era o segundo filho. A primeira filha casou-se bem jovem ainda. Convivi seis anos com os dois tios, antes deles, também, constituirem suas famílias. Nasci em Legnaro, periferia de Pádua, Itália, no dia 12 de outubro de 1934, após os irmãos Lino e Egídio. Seguiram-se Luigi, Achille, Francesco, Giorgio e Giovanni. O sétiomo e oitavo, gêmeos, nasceram logo após a II guerra mundial: 11 de junho de 1945. Quando nasci, meu pai trabalhava em uma oficina de marceneiro, fabricando e restaurando móveis, auxiliado por seu irmão Giovanni, e ainda sob os conselhos do meu avô. Os três, em período de plantio e colheita, dedicavam algumas semanas aos cuidados com o pedacinho de terra, propriedade do avô, que conseguia extrair, com arte e suor, a maior parte do necessário à sua família. Mas a família

Guardo a mais alegre lembrança dos primeiros seis anos de vida: convivência com os avós pacientes e carinhosos e cheios de sabedoria de vida. Algumas vezes, a permissividade para com os netos contrariava as atitudes mais exigentes dos meus jovens pais. do meu pai estava crescendo. A economia do mini módulo agrícola, completado com o trabalho de marceneiro, tornava-se insuficiente. E meu pai foi trabalhar em uma fábrica de órgãos para igrejas. A nova atividade garantia mensalmente a entrada do necessário sustento, completando a produção de alimentos básicos retirados do trabalho da terra. Guardo a mais alegre lembrança dos primeiros seis anos de vida: convivência com os avós pacientes e carinhosos e cheios de sabedoria de vida. Algumas vezes, a permissividade para com os netos contrariava as atitudes mais exigentes dos meus jovens pais. Algumas vezes, sogra e nora não estavam completamente unânimes. Mas, estas situações também são lições de vida. O conflito geracional não é problema tão novo. A convivência com o tio Giovanni e a tia Giuseppina, ainda muito jovens, seus períodos de namoro e noivado, seu casamento e a formação das duas novas famílias, são vivências que alargam amizades e o sentido da vida. Participei do sofrimento de toda a família quando o tio Giovanni foi chamado para a janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Entrevista guerra, pela segunda vez. Já havia estado na Abissínia de onde retornara doente de malária que o fez sofrer longo tempo. Agora, era a vez da II Guerrra Mundial, sendo enviado para lutar na Iuguslávia, voltando doente de pneumonia. Último trimestre de 1939: II Guerra mundial já declarada e inicio da minha caminhada na Escola Elementar.

paralelamente ao programa de catequese para a iniciação cristã. Participava de reuniões da “Ação Católica” desde os 6 anos, entre os “piccolíssimi”. Orgulhava-me de levar no peito o “distintivo” e era muito generosa e empenhada nas práticas religiosas e renúncias que compunham o programa de formação. A certa altura, foi-nos proibido o uso do distintivo religioso e obrigado a exibição do distintivo Percorria quase 3 km com meus irmãos mais fascista. Estava revoltada. Meu pai tranquilizouvelhos, Lino e Egídio, para ir até a escola. Já tinha me dizendo: “ você continuará a usá-lo quando frequentado odis anos de “Jardim de Infância”, a voltarem os tempos normais”. Ao terminar a educação infantil daquele tempo. guerra, terminei meu Curso Elementar. Os cinco anos do Curso Elementar correram paralelos com os acontecimentos da II Guerra Mundial. Participei do programa da educação fascista, todos os sábados. Colaborei, com entusiasmo e patriotismo, das campanhas pela coleta de ferro, coleta de cobertas e vestuário, coleta de ouro (colares, brincos, alianças...) e tantas outras coisas, para o sustento dos soldados em guerra. Na escola, em casa, por toda a parte as notícias eram as das batalhas ganhas ou perdidas, as baixas humanas, os bombardeios das cidades, as táticas das lutas, campos de concentração, trabalhos forçados, campos de extermínios, espionagem, novas turmas de sempre mais jovens chamados para a guerra, alarmes, correria para os refúgios (de dia e de noite) mortos por toda a parte. À noite reuniam-se meus pais com os adultos das duas famílias que pediram abrigo em nossa casa, fugidos da cidade e falavam em tempos normais “para fugir dos tempos de guerra” e sustentar em todos, a esperança da sobrevivência, especialmente nas crianças, obrigá-las a enfrentar medos, perigo de vida, frio, fome, falta de tantas outras condições de vida.

SONHO DE VIDA

Neta de agricultores e filha de operários não pensava em continuar o estudo. Abaixo de mim,única fiha mulher, existiam cinco meninos e minha mãe precisava do meu trabalho, em casa. Foi um momento de grande renúncia. Queria aprender uma profissão. Queria trabalhar fora. Costura, fábrica, qualquer coisa... menos em casa. Aos poucos ,surgiu no horizonte o sonho da vida Religiosa Salesiana. Sonho que começou a ser realidade, em outubro de 1951, quando iniciei, em Turim, o Período de Formação, na Congregação das Filhas da Maria Auxiliadora, Salesianas de Dom Bosco. Paralelamente cursei o 2º. Grau, magistério. 2. COMO NASCEU A SUA VOCAÇÃO RELIGIOSA DE FMA?

Ao longo dos cinco anos de Escola Primária, paralela aos anos da 2º. Guerra mundial, nós alunos, aos sábados, pela manhã, recebíamos “ educação fascista” por meio de reuniões, por idade, onde éramos informados sobre o Movimento Fascista, seus métodos e ideais, andamento das frentes de guerra, vitórias e Seguindo hábito e exemplo de família, derrotas, cantos, marchas e saudações ao ” comecei, bem pequena ainda, a frequentar Duce”, visando manter alto o patriotismo e a fé as atividades religiosas na Paróquia e na “revolução fascista”. 36 | Em Família


Entrevista

Os textos dos cantos que “ marchávamos” alimentavam o orgulho a pátria e o ideal fascista. Em paralelo, o Papa Pio XII instituiu o movimento eclesial da “ Ação Católica” e,, em reuniões semanais após a catequese, recebíamos “ formação católica” onde aprendíamos o amor, o perdão, a caridade generosa, o sacrifício para ajudar o próximo em necessidade e em perigo.

condições de ir ajudar. Esta experiência não me abandonou nunca, e eu alimentava o “ sonho da África” inclusive o tio que tinha estado em guerra, na Abissínia, gostava de me animar.

Foi em uma destas reuniões da Ação Católica que a “animadora” falou da situação de tantas crianças africanas, que sofriam, ainda mais do que nós, pela guerra e que os missionários precisavam de ajuda e dinheiro para socorrer tanta fome e miséria.

Logo após a guerra, o Pároco ao restaurar as coisas destruídas pelas bombas na igreja, colocou Dom Bosco em um dos vitrais novos. No domingo de inauguração, durante a missa falou de Dom Bosco a meninos e meninas. A nós meninas, com muita satisfação, contou que havia conseguido a vinda da Salesianas, professoras, para o 4º e 5º ano da escola (só para as meninas). As Irmãs trouxeram a escola e o Oratório, que nós adolescentes adorávamos.

Naquele momento, sua fala calou fundo em mim, e foi então que desejei ser grande o suficiente para ir logo para a África e ajudar, pois se demorasse muito o meu crescimento, os missionários resolveriam tudo antes de eu ter

Passaram alguns anos de “silêncio vocacional” muito ocupada em ajudar em casa e muito ocupada, também, em reuniões, ações caritativas, diversões, amizades, novidades... (é a adolescência) que revirá tudo... janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Entrevista

Aos 16 anos explode a necessidade de realizar o sonho = missionária! Não sei escolher entre: a) Os salesianos só falam em missões no Uruguai, Paraguai, Patagônia ...(não me interessa) b) Eu contínuo a alimentar o sonho da África lendo revistas, livros e tudo que encontro sobre Comboni, as religiosas combonianas, África e etc... Em longas conversas com o Diretor Espiritual, eu falo tudo que sei sobre Comboni e a África e, por outro lado, das Salesianas que muito pouco falava da África. Ele me interrompe e com autoridade fala: “Chega!, você vai ser salesiana e muito feliz!”.

realmente a minha saída se constituiria no problema de sobrecarregar minha Mãe. E isso me doía profundamente. Mas, o que fazer? Deveria renunciar ao meu sonho em vista de ser importante para a família? Eu já teria nascido privada de uma escolha vital tão importante?. Realmente não tive a coragem de abrir, pessoalmente, o jogo. Solicitei à Diretora das Irmãs Salesianas para que ela conversasse com a minha Mãe e, ao Pároco, meu diretor espiritual que fizesse o mesmo com o meu pai. Alguns dias depois, houve uma conversa com todos, após o jantar, quando meu pai comunicou a todos a minha escolha. Surpresa e alvoroço! Meu irmão mais velho sentenciou logo: “ Você 3. OBTEVE APROVAÇÃO DOS SEUS não pode ter esta vocação porque quando Deus FAMILIARES? chama... dá também as condições para realizar. E você não tem!... Você é necessária aqui!”. Todos Devido a composição física do nosso os outros expressaram sua surpresa e tristeza. A grupo familiar: oito homens e duas mulheres, mãe só chorava! 38 | Em Família


Entrevista Entrevista O Pai concluiu: cada um de vocês tem o direito de poder escolher seu futuro e porque só ela não vai poder? Por que a julgamos necessária para o nosso serviço e bem estar? Realmente é muito bom ter ela aqui, nos servindo e ajudando a Mãe. Mas, não podemos negar-lhe a sua liberdade. Ela irá sim, não já, tem dezesseis anos. Ficará mais um ano. Enquanto isso, ela e nós todos nos prepararemos. Todos choravam, inclusive eu! 4. QUAIS AS LEMBRANÇAS MAIS MARCANTES DE SUA CHEGADA AO BRASIL ? (EXPERIÊNCIAS PASTORAIS, COMUNITÁRIAS, ATIVIDADES, EXERCIDAS) Em 24 de outubro de 1956, desembarcava em Santos, com destino a São Paulo, Inspetoria Santa Catarina de Sena. Recebi a melhor acolhida possível, carinhosa e paciente para colaborar na minha adaptação à lingua, costumes e atividades. Inicio a legalização dos documentos e dos estudos já feitos, enquanto isso pude trabalhar entre os alunos e continuar minha formação profissional. Trabalhei: - Ginásio “ São José” – São José dos Campos – (1960 – 1964). - Instituto Maria Auxiliadora - Rio do Sul – SC – (1965 – 1966). - Instituto Nossa Senhora Auxiliadora – Cambé – PR (1967- 1973). - Instituto Santa Teresa – Lorena – SP (1974 – 1976). - Instituto “ Coração de Jesus “ - Santo André – SP ( 1977-1980). - Colégio Santa Inês – São Paulo – SP (19811984). Orientação Educacional - Instituto São José – São José dos Campos (1964-1966) Direção - Instituto Nossa Senhora Auxiliadora - Cambé – PR (1967 – 1974).

Aos poucos ,surgiu no horizonte o sonho da vida Religiosa Salesiana. Sonho que começou a ser realidade, em outubro de 1951, quando iniciei, em Turim, o Período de Formação, na Congregação das Filhas da Maria Auxiliadora, Salesianas de Dom Bosco. Paralelamente cursei o 2º. Grau, magistério. Orientação Pedagógica - Instituto Nossa Senhora Auxiliadora - Cambé – PR durante os mesmos anos (1967-1974) . Já se passaram 20 anos de atividades na Escola!... Aos poucos, surgiram novos horizontes. O Concilio Vaticano II da Igreja Católica, sensível às mudanças sócio-econômico- culturais, avançados no Brasil, e acentuando sempre mais as desigualdades sociais, estimula a Igreja a fazer sua “ opção preferencial pelos pobres”. A utopia cristã da “ igualdade e fraternidade “ força a Igreja brasileira a preocupar-se com as massas de migrantes pobres que se deslocam pelo o território nacional em busca de melhorias de vida. São expulsos do campo pela mecanização e o avanço do latifúndio (bóias- frias, pequenos agricultores...) e são atraídos pela industrialização das capitais que, pela ideologia do “ milagre brasileiro” absorvem muita mãode-obra na indústria automobilística e na construção civil, porém as pessoas não estão preparadas para as exigências da vida na cidade. Não encontram trabalho . Incham-se periferias, janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Entrevista originando miseráveis condições de vida e moradia. As crianças, sem escola, começam a perambular pelas ruas... Aumenta a violência, por toda parte... Em nossa região Zona Sul de São Paulo, Santo Amaro e mais precisamente na área da atual sub-prefeitura de Cidade Ademar são características deste crescimento aglomerado e desordenado. No Guacuri o povo adquiriu e habita em lotes clandestinos. No Jardim Santa Lúcia, diversas famílias iniciaram o pagamento de um lote e construíram a precária moradia. Correram vozes que se encontravam num certo “ corredor”, viriam a ser desapropriadas para dar lugar à execução do projeto de uma estrada de ferro em direção à baixada Santista . No Jardim do Sol, algumas famílias chegaram a receber a

indenização. Porém a família Cavalcanti, da Rua Ferrucio, continuou morando na casa, aguardando o inicio da obra para se deslocar. Aguarda até hoje! Mas, diversas outras famílias, do jardim Santa Lúcia, que ocupavam a faixa destinada às obras , suspenderam o pagamento das prestações. As imobiliárias as consideraram desistentes e por meio de novos contratos, os que quiseram permanecer no local, tiveram que adquiri-los novamente, perdendo as parcelas já pagas. Essa e outras “injustiças” ocorriam freqüentemente. Por isso e por razões de presença religiosa, a Igreja de São Paulo solicitava a migração de religiosos e religiosas, do centro para periferia. Nossa congregação, Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) ou Salesianas de Dom Bosco, sensibilizada pelo apelo do Bispos, consentiu que diversas religiosas migrassem dos colégios, onde lecionavam, para a periferia, em meio ao povo que estava chegando de todos os Estados do Brasil. Eu, também por dois anos, frequentei a área do Guacuri, aos sábados e domingos. Não tendo onde dormir, recebia generosa acolhida pelas Irmãs do Colégio Santa Maria. Vinha de Lorena depois de Santo André. Então, também a Irmã Maria Guadalupe Lara Briceño começou sua vinda e seu trabalho nesta área. A esta altura, a Paróquia havia recebido da Cúria, um terreno, adquirido com recursos da campanha da Fraternidade, na Rua Tomasso Giordani, 31 – Jd Celía- Guacuri (limite São Paulo- Diadema). Logo oito colunas sustentavam um telhado, funcionando como capela,e, no fundo um quarto – cozinha, que abrigava as Irmãs no fim de semana.

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Entrevista ATIVIDADES NA PASTORAL DAS COMUNIDADES DE BASE DA PARÓQUIA

Enquanto buscava realizar as atividades religiosas que o povo pedia às Irmãs: catequese, celebrações, reuniões, novenas, etc...) aconteciam tantas outras, pois, aproximação, a convivência com o povo, a percepção de suas necessidades e carências, foi indicando as ações que poderiam ajudar de algum modo

A paróquia Santa Terezinha era territorialmente, imensa e cada bairro se diferenciava pela a origem dos novos habitantes pela posição geográfica no conjunto de área social, pelas lideranças que iam se manifestando, etc... O Padre Bruno do PIME (jovem missionário) entregou-às Irmãs a tarefa da formação das catequistas nas comunidades: Guacuri, Santa Lúcia, Monte Libano, três bairros próximos entre si e à residência das Irmãs. Semanalmente , as catequistas participavam da reunião, preparando o conteúdo do que elas transmitiriam às crianças: um grupinho, ia na casa de alguém, e não mais de 7-8 crianças. Acompanhávamos também os líderes dos grupos de Rua que se reuniam por ocasião de novenas e festas, e os animadores grupo de anos mais tarde e funcionando por muitos anos jovens. no Santa Lúcia e no Grajaú. Trabalhamos bastante: saúde, auto-estima, ATIVIDADES SÓCIO- CULTURAIS Enquanto buscava realizar as atividades promoção e cidadania da Mulher. As atividades de promoção social do local, religiosas que o povo pedia às Irmãs: catequese, celebrações, reuniões, novenas, etc...) adquiriram mais consistências a partir de aconteciam tantas outras, pois, aproximação, a transferir nossa moradia para o meio do povo. Iniciamos por reunir mulheres para cursos: convivência com o povo, a percepção de suas 02 grupos de corte e costura; necessidades e carências, foi indicando as ações 02 grupos de atendente de enfermagem, que poderiam ajudar de algum modo. 01 grupo de artesanato, etc... Serviam, os grupos, para abordar os ATIVIDADES EXERCIDAS – NA PROMOÇÃO problemas pessoais, os conflitos familiares, os SOCIAL Por ser professora, a primeira atividade foi econômicos, os culturais, além de realizar a de alfabetizar alguns jovens ou prepará-los confecção dos objetos, materiais que serviam para “ provas de suficiência” para a 3ª, 4ª ou para a “feirinha” do artesanato. Destas atividades 5ª series. Recordo os dois primeiros alunos, grupais, surgiu um grupo mais politizado: “ os irmãos Edmar e Ezio Moreira. Seguiram-se Clube de Mães” A esta altura, para elas, os grupos de adultos, durante diversos anos, na cursos já não interessavam tanto. Percebiam as favela do Rubilene e no Jardim Santa Lúcia. necessidades dos bairros e, juntas, realizamos a Foi gratificante ver as pessoas aproveitando reivindicação das melhorias na infra-estrutura. e progredindo na leitura e na escrita. Esse O bairro precisava de quase tudo: • Transporte para o centro de Santo Amaro trabalho foi continuado e melhor organizado • Escolas de 1º e 2º grau pela a Ir. Célia Regina Querido, durante os três • Centro de saúde anos de sua permanência entre nós, retomado • Coleta de lixo janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Entrevista • Luz nas casas e nas ruas • Água canalizada • Asfalto das ruas principais • Algumas pessoas precisavam adquirir os documentos básicos e alguns idosos tinham direito ao benefício da renda vitalícia. Aprendemos e os ensinamos a conquistá-los. O aguerrido “ clube de mães” participou, com outros grupos da região e da cidade de São Paulo: A) Do “movimento por creches” a fim de garantir, não apenas uma acolhida das crianças em ambiente saudável e seguro, mas uma adequada alimentação, segurança e educação. B) Do “ movimento contra a carestia” e o da “panela vazia” , em rede com outros grupos, especialmente o da Vila Remo, com os quais estreitaram laços de amizade, partilharam vivencias, ideais, lutas e problemas. C) Do “ movimento Posto de saúde e pelas

Escolas de 1º Grau” que foram conquistas de extrema dificuldade. Exigiram uma energética persistência em solicitar e demandaram inúmeros abaixo-assinados, audiências, manifestações públicas, incalculáveis idas e vindas ao Gabinete Executivo Municipal. A escola Municipal de 1º grau foi solicitada a partir da apresentação de um primeiro abaixoassinado à SME em 04/08/1993. A escola “Pe Aldo da Tofani” veio a luz apenas em 2002. E o nosso espírito de luta nas defesas do direito das crianças e pela Escola não poderia ter acabado nunca. Como professora, vejo tanto desperdício de oportunidades para o crescimento e cultura das crianças. Elas não esperam, crescem e podem perder para sempre! Dói muito! O que adiantou a escola construída em 2002 para às crianças que tínhamos diante dos olhos, perambulando pelas ruas, sem chances, para as quais olhávamos em 1993 e que foram objeto de nosso longo e sofrido movimento? Onde elas estão agora. Assim como foi longa e pouco frutuosa a luta por escolas aqui descrita, todas as outras reivindicações por respeito aos direitos, foram árduas, longas, com gosto de semi- decepção, de impotência . Ou faltou a nós, do Movimento das Mulheres, mais garra e determinação? Juntas, aprendemos muitas lições: cidadania e direitos não são realidade iguais para todos; as administrações municipais divergem muito uma das outras quanto ao prioritário na gestão. Resultou, de tantas atividades, uma boa iniciação à Política. 5. DE TODAS AS EXPERIÊNCIAS PASTORAIS VIVIDAS EM NOSSO PAÍS, QUAL A QUE MAIS LHE MARCOU? FALE-NOS UM POUCO DELA.

Após 20 anos de atividades, como professora, nos nossos colégios, há uma virada na minha vida. E, a partir da ida ao povo na periferia, as experiências são todas muito dolorosas: 42 | Em Família


Entrevista

- A situação dos migrantes nordestinos narrando seu sofrimento e mortes por ocasião das secas... atualmente o abandono forçado de seu “pedacinho”, as condições miseráveis em que viveram... - A situação em que se encontram aqui: barraco, sem água, sem luz, o que comprar, como viver... onde ir para melhorar... o que fazer? Onde e como deixar as crianças?... analfabetismo... - Abandono político- Cultural: cidadãos brasileiros sempre desconhecidos, ignorados... - Mas a mais dolorida é a do “ abandono” de crianças, bebês... É muito frequente nas famílias do povo, encontrar entre os filhos, um adotivo! Isso me impressionou sempre. Se de um lado é uma atitude louvável, acolher um “abandonado” por outro, questiono o porque! Ajudei 30- 32 adoções; a maioria muito bem sucedidas, mas mesmo as muito sucedidas, há sempre alguma coisa que “ reage” ao abandono. O “abandonado” sofre de um trauma insanável muito profundo! E o trabalhar com crianças abandonadas, nos abrigos, proporcionou-me as ocasiões de

conhecer a “ miséria” em que se encontra uma certa camada da população, miséria não só econômica ou cultural, mas humana: um porão tenebroso , misterioso, inacessível... onde a “humanidade” chega nos seus últimos limites. 6. UMA MENSAGEM PARA AS JOVENS VOCACIONADAS. Eu era ainda bastante pequena quando comecei a sonhar “ minha África!” É que alguém com sua palavra e vibração, conseguiu “tocar minha sensibilidade” e estimular o amor para com os sofredores. Um “toque” que não se apegou nunca dentro de mim! Se você, menina-moça está sonhando o seu futuro, projete-o como possibilidade de doação-sacrifício-dedicação aos outros, amor doado sem retorno, amor cristão. Garanto que não lhe faltarão muitas oportunidades de realização e chances de chegar aos “86” anos com a certeza de nem sempre tudo ter dado certo, mas também de não ter vivido em vão. Sonhe, com o amor, a sua África! janeiro | fevereiro | março e abril 2020


Registro

Pe. Ángel Fernández Artime é reeleito Reitor-Mor da Congregação Salesiana Na manhã da quarta-feira, 11 de março de 2020, durante o Capítulo Geral 28 (CG28) que acontece este ano, o Pe. Ángel Fernández Artime foi reeleito como Reitor-Mor da Congregação Salesiana para o sexênio 2020-2026. De acordo com as Constituições Salesianas, o “O Reitor-Mor, superior da Sociedade Salesiana, é o sucessor de Dom Bosco, pai e centro de unidade da Família Salesiana. É sua principal solicitude promover, em comunhão com o Conselho Geral, a constante fidelidade dos sócios ao carisma salesiano para cumprir a missão confiada pelo Senhor à nossa Sociedade”. SOBRE PE. ÁNGEL FERNÁNDEZ ARTIME O Pe. Ángel Fernández Artime, 59 anos, nasceu em 21 de agosto de 1960 em GozónLuanco, Espanha. Fez a primeira profissão em 3 de setembro de 1978, os votos perpétuos em 17 de junho de 1984 e foi ordenado sacerdote 44 | Em Família

aos 4 de julho de 1987. Originário da Inspetoria de Leão, foi Delegado da Pastoral Juvenil (PJ), Diretor da escola de Ourense, membro do Conselho e Vigário Inspetorial e, de 2000 a 2006, Inspetor de Leão. É Laureado em Teologia Pastoral e Licenciado em Filosofia e Pedagogia. Foi membro da comissão técnica que preparou o Capítulo Geral 26(CG26). Em 2009, foi nomeado Inspetor da Argentina Sul. Em virtude desse encargo, teve também a oportunidade de conhecer e colaborar pessoalmente com o então Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco. No dia 23 de dezembro 2013, foi nomeado Superior da nova Inspetoria da “EspanhaMaria Auxiliadora” encargo que nunca ocupou, porque o Capítulo Geral 27 (CG27) o elegeu, no primeiro escrutínio, novo Reitor-Mor da Congregação Salesiana e X Sucessor de Dom Bosco.


Registro O Capítulo Geral 28 da Congregação Salesiana confirmou no mandato de Reitor-Mor o Pe. Ángel Fernández Artime para o próximo sexénio, 2020-2026. O Pe. Ángel Fernández Artime é o X Sucessor de Dom Bosco. Que Maria Auxiliadora seja sua MESTRA e GUIA! Conhecendo os sucessores de Dom Bosco:

Pe. Miguel Rua foi o I Sucessor de Dom Bosco e Reitor-Mor de 1888 a 1910. Pe. Paulo Albera (1910-1921). Pe. Filipe Rinaldi (1922-1931). Pe. Pedro Ricaldone (1932-1951). Pe. Renato Ziggiotti (1952-1965). Pe. Luís Ricceri (1965-1977). Pe. Egídio Viganó (1977-1995). Pe. João Edmundo Vecchi (1996-2002). Pe. Pascoal Chávez Villanueva (2002-2014).

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Registro

5º Encontro do Projeto de Fortalecimento de Capacidades da América Social Salesiana De 3 a 7 de fevereiro de 2020, foi realizado, em Medellin/Colômbia, o 5º e último encontro da primeira fase do Projeto das Oficinas de Planejamento e Desenvolvimento (OPDs) e Oficinas dos Centros de Formação Profissional (CFPs) da América Latina. O projeto, fruto de muitas mãos, é liderado pela ONG Don Bosco Mondo da Alemanha, em coordenação com o Escritório Boliviano de Planejamento e Desenvolvimento (OPD) OFPROBOL e é financiado pelo Ministério Alemão de Cooperação para o Desenvolvimento (BMZ). Participaram 80 representantes, entre gestores, leigos e salesianos de 23 Províncias Salesianas (18 SDB e 5 FMA) de 17 países: República Dominicana, Argentina, Bolívia, Brasil, El Salvador, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Chile, Colômbia, Equador, Haiti, 46 | Em Família

México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Também participaram representantes das ONGs Don Bosco Mondo (Alemanha), VIA Don Bosco (Bélgica), VIS (Itália) e Juventude e Desenvolvimento (JyD). O Brasil foi representado por quatro inspetorias. Da Inspetoria Santa Catarina de Sena, das Filhas de Maria Auxiliadora, participaram: Irmã Ana Luiza Medeiros, Irmã Celene Couto e Rosemeire Gomes, gestora de projetos sociais da inspetoria e animadora do Polo São Paulo da Rede Salesiana de Ação Social. Também estiveram representadas as inspetorias dos salesianos: Nossa Senhora Auxiliadora, representada por Padre Rosalvino, Ana Lúcia Batista, e Julia de Paolis, responsável pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento. Inspetoria São João Bosco/ BH, com a participação de Karina Bolzam, e,


Registro Inspetoria São Domingos Sávio/Manaus, com as presenças de Padre Rypel e Padre Slawomir. O projeto tem como objetivo fortalecimento de OPDs e CFPs, por meio de aprendizado mútuo, e em rede afim de que se formem multiplicadores para as realidades em que as obras estão presentes. Assim, podemos melhor atender às necessidades dos beneficiários preferenciais e diretos de nossas atividades, incluindo jovens, homens e mulheres vulneráveis, em risco de exclusão social e econômica, com ênfase na formação técnica e profissional. Durante este encontro, as OPDs trabalharam no levantamento e avaliação dos indicadores do Projeto de Fortalecimento de Capacidades visando a elaboração de uma segunda fase do projeto. Os CFPs aprofundaram a gestão dos centros de formação técnica e foi conduzida por uma equipe de facilitadores formada por três países da América Salesiana: Brasil, Peru e Colômbia. Vale ressaltar, que Cristiane Vitale, diretora executiva da Obra Social Dom Bosco, participou de toda a concepção e elaboração da oficina, mas, por motivos pessoais não pode estar presente. A equipe brasileira, mostrou a força da Rede e do polo São Paulo, com muito empenho e corresponsabilidade assumiu inteiramente a parte que seria conduzida pela Cristiane, que se fez presente por meio de um vídeo, utilizado na abertura, que emocionou a todos. Padre Rosalvino, Ana Lúcia e Irmã Celene foram os facilitadores dos temas: Direção estratégica e organização dos centros de formação técnica e Administração do talento organizacional e a dimensão Pedagógica pastoral tendo por embasamento o Sistema Preventivo Salesiano de Dom Bosco e Madre Mazzarello. O Peru e a Colômbia, conduziram as temáticas da gestão de avaliação e os indicadores de qualidade para os centros de formação salesianos da América Latina. No terceiro dia, Rosemeire Gomes e Ana Lucia, animadoras do Polo São Paulo, trabalharam a temática do Sistema de Gestão de Obras Sociais. Apresentaram o SIGAR, ferramenta de gestão e animação de projetos sociais desenvolvida pela Rede Salesiana de Ação Social do Brasil.

Como previsto no projeto inicial, foi desenvolvido um exercício conduzido por avaliadores externos, com o objetivo de perceber os passos dados, aspectos positivos e os a melhorar, e, os frutos desse trabalho em rede que já podem ser percebidos. Tudo isso para fortalecer ainda mais o trabalho em rede entre OPDs e CFPs. No último dia, visitamos a Cidade Dom Bosco, obra dos salesianos de Medellin que acolhem crianças, adolescentes e jovens resgatados de diversas situações de alto risco, mas, sobretudo das guerrilhas. Ali, vivem e recebem uma formação técnica, humana e social. E, o mais importante, são muito felizes! Retornamos trazendo na bagagem um coração agradecido a Deus pelas experiências vividas e compartilhadas na certeza de que pertencemos a uma família, que a exemplo de seu pai fundador, pelos jovens estudamos, trabalhamos e somos capazes de doar a vida afim de que todos tenham vida e vida em abundância. Equipe Participante

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3º Acampamento de Voluntariado VIDES Por Alan Nardi | Fotos: Marcos Rogerio da Silva

Entre os dias 06 e 08 do mês de março de 2020 foi realizado, na sede da OSAF em ArarasSP, o 3º Acampamento de Voluntariado VIDES, iluminado pelo tema “Meu Futuro Nosso Planeta. ” Estiveram presentes jovens das Casas das Filhas de Maria Auxiliadora São Paulo, Santo André e Araras, prontos para vivenciar uma experiência de partilha e envolvimento na ação voluntária. Foram dias intensos que não serão esquecidos. Começamos nossas atividades na noite de sexta-feira, dia 06, com uma apresentação musical e a realização de dinâmicas destinadas ao acolhimento da juventude. As atividades visavam não somente a apresentação e interação 48 | Em Família

entre os participantes, mas a provocação em relação ao cuidado com a Casa Comum, com o futuro do nosso planeta. Concluímos o primeiro dia com a certeza de que somos responsáveis diretos pela preservação de nosso ambiente e de que a ação voluntária é fundamental para transformar o mundo ao nosso redor. Nosso segundo dia começou cedo, com a sensibilização a partir da Campanha da Fraternidade, especialmente focada na figura do Bom Samaritano. Fomos provocados a entender o quanto não olhamos com atenção nossos semelhantes e o quanto estamos cegos diante de suas maiores necessidades. Renovados pelo espírito do Bom Samaritano,


Registro partimos para a ação voluntária, em grupos que se dedicaram ao Oratório Salesiano, à pintura dos brinquedos do parquinho, à preparação da terra e plantio de mudas na horta, à visita aos idosos da Comunidade e às atividades de artesanato. O Bom-Dia, no final do Oratório, contou com a presença de todos e celebrou a importância do Dia Internacional da Mulher com a reflexão a partir conquistas em prol da igualdade entre os gêneros. Ao fim do dia, reunidos em grupos de trabalhos, os jovens elaboraram apresentações acerca do tema da Campanha da Fraternidade, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. Nos emocionamos e nos alegramos ao redor da fogueira, concluindo a noite felizes e, ao mesmo tempo tristes por se aproximar o final do acampamento. No domingo, dia 08, os jovens celebraram as Ações Voluntárias do Acampamento participação da Celebração junto à comunidade de Santo Antônio. A Igreja estava lotada e pudemos agradecer toda a hospitalidade a nós oferecida, além de apresentar os objetivos do Acampamento VIDES. O momento da despedida estava próximo, mas ainda restava energia. A avaliação do encontro foi realizada e vídeos acerca da experiência foram produzidos pelos jovens. Após o almoço, nos despedimos com a certeza do dever cumprido e com o desejo de multiplicar as ações voluntárias em nossas casas. Olhando para os jovens que choravam e se abraçavam, era possível ver o brilho no olhar pela experiência vivida. A percepção deles em relação ao outro nunca mais será a mesma.

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Ação missionaria da Igreja Eslovena Por Ir. Metka Kastelic

No mês de fevereiro de 2020 veio ao Brasil, em visita, o Diretor do Centro Missionário Esloveno (MISSIO Slovenija - http://www.missio. si/), Matjaž Križnar. O Escritório do Missio faz parte da Conferência dos Bispos Eslovenos e o Padre Matjaž, com a sua equipe, é o responsável pela animação missionária no pais. Foi a primeira vez que visitou os missionários eslovenos no território brasileiro e veio conhecer as obras onde o Missio vai colaborar com os seus recursos. Padre Matjaž é um sacerdote diocesano, ligado ao Movimento dos Focolares e há 3 anos anima 50 | Em Família

a ação missionaria na Eslovênia. Em sua visita passou por Corumbá, mais precisamente, na Obra Cidade de Dom Bosco, onde atualmente, trabalha a missionária leiga Alenka Oblak, contribuindo na formação dos educadores sociais. Aí, há mais de 18 anos, padrinhos colaboram economicamente com as crianças, desde os tempos em que lá trabalhava Ernest Saksida, um salesiano esloveno. Mais de uma semana do seu tempo foi dedicado às nossas Irmãs da Inspetoria Santa Terezinha, onde há 30 anos vive a sua vocação


Registro “ad gentes” Ir. Agata Kocper, atual ecônoma Inspetorial. Padre Matjaž, acompanhado pela Alenka Oblak, como tradutora, pode conhecer algumas comunidades ribeirinhas e nossa casa da formação inicial. Ficou encantado ao conhecer um pouco os lugares sobre quais a Igreja viveu o seu último Sínodo. A conclusão da sua visita ao Brasil foi dedicada ao Estado de São Paulo. Como missionária, após quase seis anos no Brasil, fiquei comovida ao experimentar como o meu povo de origem, através das mediações, cuida da gente. Primeiramente visitamos o Santuário Nacional de Aparecida e fomos acolhidos na Comunidade do Carmo. Logo no dia seguinte a estrada nos levou até Araras onde a OSAF preparou acolhida no período diurno e noturno. A Obra será, neste ano, beneficiada com os equipamentos em valor de 20.000 euros e os recursos serão implantados no Curso Noturno. A doação foi feita por meio do projeto “Campanha dos Três Reis” que envolve a Infância e Adolescência Missionária (IAM) Eslovena.

o carro de verdade, iria permanecer em Itapevi. No início de março também a Associação dos Escoteiros Católicos Eslovenos – ZSKSS enviou uma doação em valor de 5.200 euros para a reforma da cozinha da OSAF. Os jovens escoteiros, no tempo de Advento, fizeram a tradicional campanha “Luz De Belém”. Um terço dos donativos recebidos queriam enviar para ex-escoteira Ir. Metka, em homenagem aos 30 anos do reinício das atividades dos escoteiros eslovenos após serem suprimidas no tempo de ditatura comunista. A Igreja Eslovena tem uma rica história apostólica no decorrer dos tempos com mais de 6.000 missionários. Atualmente somos 70 missionários de diversas congregações, leigos e consagrados fazendo a missão pelo mundo. Entre eles somos sete Filhas de Maria Auxiliadora trabalhando nas Ilhas de Salomão, Moçambique, Jordânia, Madagascar e Brasil. A palavra que fica é: obrigada, Senhor pelo povo que ama sua Igreja.

O penúltimo dia foi reservado para a Comunidade de Itapevi. Após a acolhida e almoço na Casa Santa Teresinha fomos entregar o novo carro Chevrolet S10, para a Comunidade da Cruz Grande. O carro tem todas as caraterísticas para poder acessar os lugares mais difíceis e suprir as necessidades da comunidade em missão. A doação foi feita por meio do outro projeto: “Campanha MIVA”. Os devotos de São Cristóvão, fazem no dia da festa, uma doação espontânea e pedem sua bênção pelas próprias viagens. Encantados pela acolhida muito alegre e salesiana, fomos recebidos ao som de samba, as crianças pintaram lindos cartazes e teve até uma fala comovente de uma aluna que perguntou se, janeiro | fevereiro | março e abril 2020


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Comunicadores inspetoriais se reúnem virtualmente Encontro previsto para acontecer em Brasília é reorganizado para o ambiente virtual, atendendo às orientações governamentais de prevenção ao COVID-19 Nos dias 24 e 25 de março, os coordenadores e delegados inspetoriais de Comunicação da Rede Salesiana Brasil (RSB) estiveram reunidos, virtualmente, para a realização de seu encontro anual. A reunião estava prevista para acontecer em Brasília (DF), mas, dada a impossibilidade do encontro presencial, optou-se por mantê-lo de forma on-line. O encontro que foi presidido pela DiretoraExecutiva da Rede Salesiana Brasil de 52 | Em Família

Comunicação (RSB-Comunicação), Ir. Márcia Kofferman, contou com a participação do Sr. Cláudio Stacheira, o qual fez o repasse do Planejamento Estratégico da RSB para os anos 2021-2031. Os coordenadores e delegados tiveram acesso ao conteúdo do Planejamento Estratégico e puderam expor os principais problemas do âmbito da Comunicação que as Inspetorias do Brasil vêm enfrentando. Este levantamento servirá como base para a elaboração dos projetos trienais que serão desenvolvidos pela RSB. Também estiveram presentes os assessores


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Jakson Pereira e Alcino Ricoy Júnior, trabalhando Apesar de ter sido um encontro virtual, o tema “Gerenciamento de Crises”, o qual foi possível concluir toda a pauta prevista e será abordado também nas Inspetorias e nos perceber a maturidade e a seriedade da equipe encontros de Polo. Ainda durante as reuniões, na articulação dos processos. foi feito o repasse do relatório de atividades da RSB-Comunicação 2019 e do planejamento da Fonte: RSB-Comunicação RSB-Comunicação 2020. Os coordenadores e delegados puderam discutir sobre a realização dos encontros de Polo, que acontecerão nas Inspetorias, alinhando as propostas a serem desenvolvidas. No segundo dia do encontro, os comunicadores puderam ainda conhecer e discutir sobre a nova Campanha de Matrículas (2020-2021) pensada para a RSB-Escolas. O grupo, juntamente com a equipe interna de comunicação da RSB, alinhou a proposta e refletiu sobre os objetivos e características da nova campanha. janeiro | fevereiro | março e abril 2020


É Festa

Celebrando a vida - Aniversariantes ABRIL

02. Maria do Carmo de Carvalho Martins 11. Maria José Gabriel 18. Vilma Santoro Bertini 24. Maria Apparecida Delphino 24. Neyde Enid Alves da Silva 25. Alaíde Deretti – (Cons. Geral – Missões) 29. Denize Salvador MAIO

02. Terezinha Mafalda de Almeida 03. Ana Alzira Fogaça 05. Anna Maria Orlando 05. Cecília Tredezini – Celene Couto Rodrigues t. 06. Chiara Cazzuola – Vigária Geral 13. Vilma Tallone – Ecônoma Geral 14. Valéria Timóteo Soares 17. Wilma do Carmo Antonelli 20. Lucy Rose Ozhkayil – Conselheira Visitadora 23. Ilza M. Beinotti 24. Phyllis Neves – (Conselheira Visitadora) 27. Maria da Glória Moreira

07. Alice de Souza Sant´Anna 20. Jandyra Hummel 29. Piera Cavaglià (Secretária Geral) JULHO

01. M. Aparecida Nunes 03. Maria Luiza Ravanhani 04. M. Ap. Sartorelli – Maria Tavares 04. Cláudia Regina Correia Ribeiro – Jandira Rodrigues Camargo 05. Diva Mucci – Maria Luiza Novais 09. Maria da Encarnação – Cleonice Aparecida Lourenço 10. Adelina Silva 12. Rosalba Perotti 18. Susana Walchak – Marija Pece (Conselheira. Visitadora) 20. Lúcia Aparecida dos Santos 25. Maria do Socorro Oliveira 29. Maria Bernadette Camargo

JUNHO

01. Ivone Braga de Rezende 04. Celina Gerardi – Maria Eliete Lopes 06. Jocilária Pimentel Lana (nov.)

LEMBRANÇA + 18 de janeiro, Maria Rita Correa Garcia, irmã de Ir. Maria Genoveva Corrêa; + 22 de janeiro, a Sra. Odete de Freitas, irmã de Ir. Aparecida Geralda de Freitas. + 23 de janeiro, o Sr. Lorival Rodrigues Coelho, pai da nossa Irmã Gisele + 05 de fevereiro, Sra. Dulce Soares, irmã de Irmã Iríde Soares + 05 de fevereiro, a Sra. Severina Franco, irmã de Ir. Giuseppina Franco + 18 de fevereiro, Fernanda, sobrinha de Ir. Flávia Maria Gonçalves Romeiro + 13 de abril, Sr. Wilson Barbosa - 52 anos, primo da Ir. Iraydes Corrêa Dias. + 16 de abril, Sra. Eva de Souza, irmã de Irmã Maria Nair

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Mensagem

PROGRAME-SE

Que Maria, Mãe Aparecida, Senhora e Auxiliadora em seu mês, abençoe o nosso Brasil! Romeiro O velhinho veio de longe, no terno de “ver a Deus” Perdido, entre os romeiros, seus olhos buscam a Virgem, Aparecida a pescadores, Aparecida de todos nós. Reverência é pouca, para tanta graça. Três vezes, sua cabeça encosta no chão. Satisfeita a devoção ainda tem gesto de adeus, que ele não sabe ir embora não. Toca a mão no chapéu em piedoso cumprimento, os joelhos no pavimento, Senhora Dona do Brasil. Ir. Olga de Sá

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Revista em Família nº58  

Publicação das Filhas de Maria Auxiliadora de São Paulo

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