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ALMANÁUTICA

PRA QUEM TEM O MAR NA ALMA E QUER MAIS CONTEÚDO! www.almanautica.com.br

Informativo Brasileiro de Náutica e Esportes do Mar – Ano VI – nº 31 – julho/agosto 2017

ISSN: 23577800 31

Foto: Refeno por Augusto Froehlich

Leia nesta edição:

Refeno 2017: A regata dos sonhos vem aí! Aratu-Maragojipe mostra as belezas da Bahia A formação de técnicos e treinadores na vela Vela para surdocegos ganha espaço Calendário da Vela

E mais: As novidades nos Clubes pelo Brasil Vela e Batom: a força feminina Causos e coisas da vela Passatempo


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EDITORIAL

Até logo, filhos!

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lá se vão mais 17 veleiros costa acima pelo Cruzeiro Costa Leste da ABVC. Desde que comecei a organizar esse passeio em flotilha quando era Presidente em 2007/2008, passaram-se 10 anos de trabalho voluntário para que literalmente, centenas de veleiros subissem a costa. Só em 2010 foram 63 veleiros e mais de 200 pessoas. Esse foi o recorde de uma média de mais de 20 por ano (cá entre nós, uma loucura...). Um sentimento de responsabilidade e alegria, por poder proporcionar aos novatos a oportunidade de se transformarem em verdadeiros cruzeiristas após enfrentarem travessias de até 40 horas indo para Abrolhos, e ancoragens complicadas como em Santo André ou Camamú. É comum que depois alguns ainda participem da Aratu-Maragojipe, sigam para a Refeno, depois Caribe, enquanto quem não é “vagabundo profissional”, volte para trabalhar e sonhar em voltar, ou deixe seu veleiro no Aratu Iate Clube para depois voltar para curtir os recantos maravilhosos da Baía de Todos os Santos. Soltar as amarras e conquistar limites, vencer medos e adquirir mais conhecimento. Com segurança, amizade e companheirismo. Como foi no início em 1987 pelas mãos de Newson Campos e Paulo Monteiro, do ICRJ. Como é até hoje, apesar de alguns terem abandonado o barco. Mas com novos amigos que tem o cruzeirismo na veia: alô Charitas, “tamo” chegando! Obrigado por receber o Costa Leste de braços abertos. E bons ventos meus novos filhos de 2017. Vão com Deus e voltem com Ele e com muitas lembranças desse maravilhoso cruzeiro! Ricardo Amatucci - Editor

Murillo NOVAES A Copa da Escuna América Quando em 1851, o comodoro John Cox Stevens, membro fundador do New York Yacht Club (NYYC), formou um sindicato de seis pessoas para construir um veleiro com a intenção de levá-lo para a Inglaterra e competir em regatas de grandes barcos, por mais ambiciosa que a ideia parecesse, certamente ele não imaginaria que hoje, 166 anos depois, aquela então “Taça dos 100 Guinéus”, ganha pela escuna “América” em águas britânicas, seria o troféu esportivo mais antigo em disputa por esta nossa humanidade. O mais longevo. E, na vela, o píncaro da glória. Que enredo os deuses engendram pros velejadores!! Naquele 22 de agosto no meio do século 19, a “América” correu contra 15 barcos do Royal Yacht Squadron na regata anual de 53 milhas ao redor da Ilha de Wight, no famoso Solent. A “América”, por óbvio, venceu, terminando oito minutos antes do rival mais próximo que, dizem, encalhou por alguns momentos em um banco de areia. Diz a lenda ainda que a rainha Victoria, que estava assistindo na linha de chegada, teria perguntado ao comandante do almirantado inglês ao seu lado quem seria o segundo colocado, obtendo a famosa resposta: “Sua Majestade, não há segundo!”. Foi criada assim, curiosamente em uma regata de flotilha, a ‘base moral’ do match race, onde ser o segundo é ser o último e único perdedor. E, claro, nasceu ali também a rivalidade entre nações que persiste até hoje. Na real, foram os membros sobreviventes do sindicato da escuna “América” – a sociedade investidora original –que doaram o troféu de prata ao NYYC, a hoje conhecida ‘velha caneca’ (“Auld Mug”, na corruptela em inglês), por meio de uma escritura pública de doação (“Deed of Gift”). Lá especificaram, com uma série de

Crônicas Flutuantes Morte na Disney O rato é animal populoso, sendo que, vez ou outra, há possibilidades de aparecer só. Mexe e remexe em tudo sem autorizações explícitas. Quando macho o estrago acontece em menor escala, sendo fêmea parece que já vem imbuída em curiosidades... coisas do gênero talvez, mas isso são apenas juízos sem anuência das ciências experimentais estabelecidas que não envolvem quaisquer preconceitos... espero. Moramos num pequeno barco, eu e a patroa. O acanhamento do espaço exige ordem; bom alvitre são lugares mais ou menos certos para as coisas, sob pena de se sumirem. Não é difícil a gente se estar esbarrando mais do que dita a normalidade, mas, enquanto apaixonados, quase tudo anda dentro dos conformes. A vida é boa, distinta, a cada dia novidades. Pois que, de primeiro, foram barulhinhos assim, risck risck... rosck rosck... atiçando considerações, mas a gente achando é que eram esses bichinhos que ficam grudados pelo lado de fora do casco e, sendo grande a quantidade de silêncios, era sempre possível escutar. O dia, terceiro ou quarto, depois dos barulhinhos, foi que a patroa possa ter avistado a sombrinha furtiva deslizando em astúcias para o porão. Uma coisinha assim, efêmera, de quase se ter dúvidas se era mesmo algo ou apenas mais uma das assombrações que costumam acompanhar os que vivem no mar. Tempinho para frente o rádio perdeu a voz. Em busca apurada de causas se descobriu um fio todo assim roído e roído mesmo por animal de dentes próprios. Ficar sem rádio é proibição por autoridades competentes. A presença indesejável já era tida como certa devida a outros indícios vários. A corroborar mesmo vieram as

bostinhas, tais e quais sementinhas de gameleira só que pretas e com um cheirinho... De dia para noite a vida ali se transformou em objetivo único de exterminar o existir de criaturinha tão causadora de repugnâncias. Na vila, perto dali coisa de três quilômetros, um armazém, raro em dias atuais, a vender de quase tudo, sendo o dono um fulano pachorrento, parcimonioso, aroma de cachaça! Ia atendendo por graça de Pierre Brudô – nome estrangeirado fora dos conformes para a localidade. Esmiuçadas as prateleiras, havia quantidade de duas ratoeiras, sendo uma em madeira e a outra em metal com bordas cheias de serrilhados. Arrematamos. Que não se pense em facilidades para armar aquelas esparrelas; por duas vezes quase me partem uma falangeta. Dominado o jeito, por cinco noites consecutivas se armou as arapucas em distintos lugares. Praticamente tudo se usou na sedução; desde obviedades como queijo e carne até bolo de fubá e pedacinhos de chocolate alemão com avelãs. A sombrinha surrupiava todos os acepipes sem que se ouvisse o esperado pleck da armadilha. Nesse ínterim foram aparecendo dois furos na mangueira do combustível que produziram uma meleca fedorenta no porão do barco, um tubo de dentifrício esburacado, páginas do almanaque náutico assim amassadinhas e cortadas, várias cordas roídas e, que atrevimento!, uma tentativa de me devorar as cutículas do dedão do pé, que ficava sempre para fora da coberta. E... sementinhas por todos os cantos. Iniciamos-nos, então, em especulações sobre como, por todos os capetas caolhos que habitam o Itamaraty!, possa ter vindo a bordo pernície dessa natureza. Coisa de desconhecimento geral. Porquanto não se cria a bordo em geração espontânea, apenas suposições disto ou daquilo. O veneno veio como seguinte opção. Devido Pierre Brudô ser criatura mais ou menos atrasada em questões

regras mínimas e peculiares, que ela deveria obrigatoriamente ser confiada como um troféu de desafio perpétuo à vela, em disputa barco contra barco, um match race, para promover a competição amigável entre nações. Bem, para os advogados particularmente, este aspecto, de um documento jurídico perfeito na origem, gerou infindáveis – e chatíssimos! – ‘match races’ judiciais nas cortes de Nova Iorque em diversas ocasiões. Em duas, quando o defensor da taça e o desafiante principal (“Challenger of Record”, em inglês) não se entenderam de jeito algum, é permitido que es-

tes acertem praticamente todos os detalhes da disputa, de data e local a formato das regatas e tipos de barco, rolou o falado “Deed of Gift Match”. A competição regida pelas regras mais simplistas do documento de 1857. O que gerou, lá na frente, coisas ‘grotescas’. Como em 1988 quando Dennis Conner (sempre antecipando tendências) correu em um velocíssimo catamarã contra o mamute monocasco neozelandês de 90 pés de linha d’água (o máximo permitido pela regra original) de Michael Fay . Ou em 2010 quando o trimarã gigantesco da Oracle bateu o super catamarã suíço do Alinghi e levou o troféu de volta pros EUA inaugurando a era dos multicascos na velha disputada. Passando pelos belíssimos Classe J, nos anos 1930, pelos tradicionais Classe 12 Metros, a classe que mais matchs disputou na história da taça, e pelos gigantes IACC do fim

do século passado e começo deste, a Copa da América (ou America’s Cup para os anglófilos) sempre pautou o gosto e o sonho de velejadores pelo mundo afora. Agora, que chegou aos aeroespaciais catamarãs de 50 pés ‘calçados’ por fólios e impulsionados por uma enorme vela-asa rígida, com a força humana sendo usada mais para gerar pressão hidráulica para os apêndices dos veleiros do que para qualquer outra coisa (o que redundou nos ‘ciclistas ‘do barco neozelandês), com apenas dois ou três cabeças pensantes na tripulação, a polêmica se instalou. Nada que tirasse completamente a magia da disputa entretanto. Com o defensor Oracle USA determinando, com a anuência de vários desafiantes, regras consideradas esdruxulas por muitos da comunidade da vela pelo globo, o nêmesis kiwi, Emirates Team NZ, passou a receber a torcida de milhares de fãs neste fim de junho. E deu certo! Depois da maior virada em uma final na história do desporto mundial, quando os americanos reverteram um 8 a 1 sobre os neozelandeses na última disputa da copa, em São Francisco, para um 9 a 8 histórico (era melhor de 17), neste ano, nas lindíssimas ilhas Bermudas, a surpresa não apareceu. A equipe kiwi fez um 7 a 1 na melhor de 13 regatas (na real, foi 8 a 1 na água porque os americanos tinham a vantagem de um ponto trazida da série anual pré-disputa-final e o ETNZ entrou com menos um, vai vendo...). Com isso, o time que disputa com o rugby a preferência nacional esportiva em seu país, garantiu a volta da prova para lá. Bom para o mundo da vela, penso eu. Quem não gostou nada foi Larry Ellison, o bilionário dono da Oracle, que viu ainda seu desafeto declarado, Patrizio Bertelli, da italiana Prada, se tornar o desafiante principal. Muitas mudanças virão! E novamente como fazemos há quase dois séculos, os velejadores do planeta vão se dedicar com paixão a este maravilhoso tema pelos próximos anos. Quem viver verá! Murillo Novaes é jornalista especializado em náutica. Mantém o blog www.murillonovaes.com

Coluna do escritor José Paulo de Paula químicas, havia na venda só os convencionais de arsênico, chumbinho, sendo que desses mais modernos, que rato come e seca sequer com direito ao feder em paz, não se tinha conhecimento. Fizemos testes, mas o Míckey – a gente dava nome pra tudo no barco – ó, nem tchum! Rato com inteligência evoluída, sem sombra de dúvidas! Pois que, para ser levada a cabo, a estratégia, a substância secadora teve que ser importada da capital via sedéquis. Mais seis dias de convivência onde ainda foram tentados outros encaminhamentos; visgo de jaca mole, arapuca com o escorredor de macarrão, guloseimas dentro do puçá de pesca e etc, sendo que o maldito parecia ter conhecimento prévio de todos esses aspectos. Chegando o pacote... alívio, agora sim! O extermínio vinha com garantia em bula de laboratório com boa fama. Por de consistência pastosa a peçonha foi aplicada com circunspecção em miolinhos de pão. Havia, segundo as instruções escritas, a necessidade de tratamento continuado com o engodo. Conto e não se acredita! Em análise apurada sobre o comportamento do Míckey chegamos à seguinte conclusão: O condenado – já havia dúvidas quanto à sentença –, ciente da nova intentona, adrede, apenas ia a roer as bolinhas de miolo pelo lado bom. Chegando perto da pasta esverdeada, pasme-se, largava a isca e se escafedia às catacumbas do barco. Devido tão demonstrada inteligência houve momento de desânimo com a patroa querendo se por dali até que eu me acertasse naquela pendenga. Pensei em gatos. Descartei; cheiros e pelos não. Por assim ser, acontecia que, em segredos, eu guardava uma f’lobé* herdada de avô meu pelas partes das Minas Gerais. Punheteira vinte e dois, carregava coisa de dezoito cartuchos. Calculei perigos de ricocheteio e conciliei com a idéia da derradeira tentativa. Na noite escolhida, por precaução de acidentes, a mulher foi para

barco de vizinhos. Preparei quantidade boa de café, delimitei local para a carnada, delicatesse irresistível de toicinho, em predeterminado sítio por cima da tampa do motor. Apoiei a carabinazinha no jeito e, fléxilaiti com três pilhas novas na mão, aguardei pelos risck-riscks e rosck-roscks. Em par de horas começaram. Mudo, esperei quase sem respirar. Percebi a constância estabelecida na faina gastronômica do Mickey indício certo de desatenção. Fiz on no botão da lanterna. O rato, mais de palmo, tirante o rabo, com um bocado semi mastigado segurado nas patinhas da frente, olhou pra mim d’um jeito!, mas d’um jeito... Durasse segundo mais aquele olhar e se ia a resolução pro tiro. Encorajei e dei na espoleta, pá! Não sou ruim de miras e distancia quase não havia. O chumbo entrou por debaixo da mãozinha esquerda e saiu com estragos consideráveis bem pelo quarto traseiro direito. Ali estava, portanto, o roedor, morto... defunteado para sempre. E eu, o assassino! Peguei o finado pelo rabo, suspendi até a altura do rosto e olhei por bom tempo... era uma fêmea. O fim da existência não lhe havia cerrado as pálpebras, mas nada restava daquele olhar. Fui subindo a escadinha assim, olhando cheio de remorso o cadáverzinho. A noite era linda. Joguei o bicho ao mar. Fui iluminando sua trajetória com o fléxilaite. Na limpidez da água deu pra ver quando peixinhos coloridos apareceram para mordiscá-la, a Minnie.

*f’lobé: corruptela de Flaubert, fabricante francês de armas de fogo... José Paulo é biólogo, artista plástico, capitão amador, violeiro, cervejeiro artesanal e autor dos livros “É proibido morar em barco” e “Divã Náutico” que podem ser encomendados em zepearte@gmail.com


Umas e Outras

Formação de treinadores e técnicos é prioridade em sua Federação?

Histórias de um navegante im pre ciso

Tinha uma pedra no meio do caminho Foi no Cruzeiro Costa Leste de 2006, quando nos preparávamos para levantar ferro da ilha de Santa Bárbara, no arquipélago dos Abrolhos, num fim de tarde. O Maurício, comandante do catamarã Sanuk, viu a movimentação e nos ofereceu o almoço que seus clientes mal haviam tocado. Como nosso bote já estava amarrado no turco, ele pediu a um tripulante seu para fazer o delivery aquático de uma salada de penne com camarão que devoramos em seguida. Ele ainda nos gritou do Sanuk: cheguei ontem de Caravelas, tem muitas baleias na área! Espera amanhecer que é mais seguro. Saímos assim mesmo. Estávamos em cinco num catamarã de 46 pés. Tínhamos hora para chegar à vila de Santo André, para entrar com a maré enchendo. Não por conta do calado, já que multicascos não carregam apêndices subaquáticos, mas por conta da barra do rio João de Tiba que, como toda barra, deve ser demandada perto do estofo da maré alta. Os ribeirinhos baianos costumam dizer que com a maré enchendo você não encalha, só encosta. Noite de lua cheia, a perna estava tranquila, exceto por um tripulante que não conseguia dormir. Os turnos, as horas que devíamos ficar lá fora, se repetiam: velejada gostosa, sem regulagens de velas, só cuidando para o barco ir para onde queríamos, para não atropelarmos algum barco de pesca, ou um navio passar por cima da gente. No meu turno, o tal tripulante levanta e vai me fazer companhia. Em noites assim prefiro ficar sozinho lá fora, olhando a lua, escutando o barulho do mar, imerso em pensamentos. Mas tudo bem, a companhia era agradável e fiquei torcendo para que ele logo pegasse a doença das vigílias: muito sono.

Nosso Brasil é um gigante em vários aspectos, só de costa temos 7.367 km fora lagos, represas e rios que cortam o nosso país! Temos o potencial de sermos formadores de técnicos e instrutores de vela e mudar a situação de vários municípios deste Brasil onde só o futebol reina. Sabemos que o esporte a vela tem a capacidade de mudar vidas, crianças que velejam são mais atentas, conseguem raciocinar mais rápido, tomam decisões com mais facilidades, e se desenvolvem melhor em matemática, física e ciências. Se depender da Fevesp (Federação de Vela do Estado de SP) cada município onde se tem acesso a água navegável terá um instrutor de vela, já é o caso de Santos, São Vicente, Praia Grande, Ilhabela, Ubatuba, São Sebastião, Caraguatatuba, entre outros. Só no Estado de São Paulo a Fevesp já formou mais de 85 instrutores com curso Nível 1, onde se aprende como ensinar vela, como alcançar o velejador visual, o auditivo, o sinestésico. Também se aprende a planejar aula, montar currículos, entre outras coisas. Foram mais de 2 cursos por ano nos últimos 3 anos. Há dois meses atrás, a Fevesp através da CBVela e World Sailing, realizou o primeiro curso nível 2 em São Paulo, que é voltado para gerenciamento de escolas de vela, clubes e formação de assistentes de instrutores. Tivemos a participação de 20 instrutores e técnicos de vela de 3 estados, Brasília, Espirito Santo e São Paulo. Segundo John Bennet, Vice Presidente da CBvela, São Paulo sediará o primeiro curso Nivel 3 da World Sailing ainda este ano, juntamente com outro curso Nível 1 e Nível 2. Infelizmente nenhuma outra Federação Estadual realizou estes cursos e veja que temos Federações em 7 Estados e em pleno exercício! Só com a capacitação dos instrutores e técnicos é que cresceremos na vela. Todos estes cursos estão em linha com a World Sailing e todas as Confederações Nacionais de Vela. O objetivo maior da CBVela é a padronização do ensino do esporte a vela no Brasil, e com mais instrutores, teremos mais escolas de vela e mais clubes com potencial de formação de atletas. Quanto maior a base mais alta fica a pirâmide. A Federação Argentina começou este ano a se alinhar com a padronização mundial do ensino a vela. Eu estive 2 vezes este ano na Argentina e estarei voltando no final de Julho para formar mais 40 instrutores através do programa da Solidariedade Olímpica e Comitê Olimpico Internacional. Eles estão querendo ser a primeira Federação Nacional a ser reconhecida através de seu programa de instrução e treinamento na América do Sul. Estão se empenhando como país, todos os clubes de todo o país estão com esta mentalidade. A Federação Equatoriana, também saiu na frente, acabo de voltar do curso nível 3 onde formamos 19 técnicos de vela para regatas. Nicolas Francchia técnico da federação Equatoriana, tem como objetivo formar técnicos em cada província e Estado do Equador e padronizar todas as

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a lio Vian Por Hé

Eduardo Sylvestre é Diretor do Programa de Desenvolvimento da CBVela, Expert da ISAF, técnico nível 3 da USSailing e ISAF World Youth Sailing Lead Coach.

6 anos do Almanáutica Almanáutica:

Editor: Jornalista Ricardo Amatucci (MTB 79742/SP) Publicação bimestral Distribuição nacional

Hélio Viana é cruzeirista de carteirinha, mora a bordo do MaraCatu, leva a vida ao sabor dos ventos e mantém o maracatublog.com

escolas de vela, além de instalar várias outras em lugares onde não existe acesso a vela naquele país. No Rio de Janeiro, centro da vela Olimpica, ainda não foi dado nenhum curso nesta nova linha de ensino e em acordo com as novas diretrizes da World Sailing. Começamos este processo em 2014! Só seremos uma potência no nosso esporte se nos empenharmos, e tem que começar com capacitação e padronização. Temos um sonho de ter nossa CBVEla ser reconhecida com instrução, treinamento e padronização de técnicos de vela, mas para isso precisamos arregaçar as mangas, correr contra o tempo e sensibilizar nossas Federações de Vela estaduais. Só desta forma seremos fortes e teremos um programa alinhado com as maiores potências mundiais de ensino da vela como as federações da França, Inglaterra, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, Espanha, Canada, Estados Unidos, entre muitas outras, mas para isso é preciso investir em nossos técnicos.

Seguindo as novas tendências da Europa e Estados Unidos, o chamado PWYW (Pay What You Want), o Almanáutica dá ao seu leitor a oportunidade de avaliar o quanto quer pagar pelo seu serviço de assinatura. Funciona assim: Em alguns casos de PWYW – como na proposta do Almanáutica – existe um valor mínimo praticado para que os custos sejam pagos. A partir desse preço mínimo, você avalia quanto acha que o nosso trabalho vale. Se você acha que esse conteúdo e nossa proposta valem um pouco mais do que simplesmente cobrir os custos e se isso cabe no seu orçamento ANUAL. Aí basta solicitar um boleto ou fazer um depósito no valor que decidiu pagar. Mande um email para falecom@almanautica.com.br com sua proposta de valor e solicite um boleto ou dados para depósito! Ou visite nosso site: www.almanautica.com.br

Jornalista Responsável: Paulo Gorab

Passado um tempinho, o agora parceiro de turno timidamente me avisa: parece que tem uma pedra ali na frente. Eu, que recentemente havia checado o horizonte, falei que estava tudo bem, que já tinha feito este trecho várias vezes e que não existem pedras nessa parte do Atlântico. O tripulante insone então retruca, agora com a voz mais tensa: tem uma pedra ali na frente! Homi rapaz, vá dormir, aqui não tem pedra, respondo já de mau humor, ao que ele, quase desesperado: mas custa você dar uma olhadinha?!? PQP! Só deu tempo de correr para o comando, desligar o piloto automático e guinar o barco para bombordo. Passamos a menos de dez metros da tal pedra que, com a proximidade do barulho, abre o olho e mergulha. O tripulante neófito, que não à toa se chama Salvador, me salvou a reputação. Não seria nada agradável encaixar uma baleia entre as bananas do catamarã. Pena que Salvador não conseguiu mais dormir, só lhe vinha à mente aquele olho grande, e vermelho!

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Eduardo Sylvestre

Ano 06, número 31 junho/julho de 2017 ISSN: 23577800/30 Depto. Jurídico: Dra. Diana Melchheier Contato: falecom@almanautica.com.br

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Foto da capa: A foto de nossa capa mostra a volta da Refeno no ano, de 2005, fotografada por Augusto Froehlich

Estamos fazendo aniversário! O Jornal Almanáutica foi criado há seis anos como uma alternativa às notícias nacionais do meio náutico. Muito trabalho, alguns contratempos (nada que nos tirasse o foco) e 2.190 dias depois aqui está a edição 31, a primeira do sexto ano!. Ao contrário das revistas tradicionais onde a publicidade e o merchandising ocupam até 70% do conteúdo editorial, o Jornal Almanáutica é focado na qualidade e no conteúdo, dando espaço aos fatos importantes da náutica - principalmente da vela - nos mais diversos polos brasileiros, mesmo que distantes e pequenos, porque entendemos que a grandeza de um clube, marina ou evento de alguns poucos velejadores está em seu trabalho sério em prol da vela. E deve ser divulgado, de maneira isenta e séria. Do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, passando pelo interior do Brasil, se é importante para você, abrimos espaço. Isso é respeito ao anunciante e ao leitor, buscando a qualidade sempre. Missão: Informar, instruir e valorizar atividades relacionadas à vela, seus protagonistas e colaboradores. Visão: Ser reconhecido como o melhor meio de comunicação da vela no Brasil Valores: Transparência, ética, relações duradouras e construtivas Obrigado a você que anuncia, a você assinante e a você, leitor de Alma. Náutica!


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4 A Bordo

regata

Guarapiranga - SP

Campeonato Paulista da Classe Flash 165 Aratu-Maragojipe 2017

A animada turma da Flash 165 no YCSA para a foto comemorativa A maior festa da vela baiana dia 26/8 Já estão abertas as inscrições da 48ª Regata Aratu-Maragojipe! Este ano o evento acontece no dia 26 de agosto, reunindo embarcações das classes Oceano, Escunas e Saveiros em uma grande festa na Baía de Todos os Santos e no Rio Paraguaçu, ao longo de 35 milhas de mar e rio. Considerada a maior Regata-Percurso do Brasil, a Aratu-Maragojipe leva velejadores e entusiastas do evento para cenários históricos da Bahia durante um dia inteiro de competição e confraternização entre os inúmeros participantes que, a bordo de grandes veleiros ou de pequenas embarcações, enchem de beleza a Regata. Inscrições e mais informações no site:

www.aratumaragojipe.com.br Numa ação de parceria inédita entre a Flotilha e os Clubes Saveiro, Aratu e Angra dos Veleiros, juntamente com a Marina Aratu, os Campeões do Campeonato Baiano de Vela de Oceano de 2017 terão como prêmio a isenção do pagamento de inscrição de todas regatas válidas pelo Campeonato do ano de 2018. Cada barco terá a isenção correspondente à inscrição individual do Comandante e mais dois tripulantes. A isenção dos tripulantes dos barcos que competirem com menos de 3 tripulantes não poderá ser transferida para outra embarcação. Serão agraciados os campeões das classes: RGS Geral (A+B), Mocra Geral (A+B), RGS Cruiser Geral (A+B), Mini Transat, HPE 25, RGS C e IRC (válido para Circuito Salvador e Taça FVOBA). A iniciativa só foi possível graças à colaboração dos Clubes e da FENEB neste passo importante para incentivar a participação dos velejadores no campeonato baiano. A Bordo vai ao ar todos os domingos das 10h às 11h pela Metrópole FM de Salvador: metro1.com.br Baixe o app e ouça em qualquer lugar!

Porto Alegre - RS

Aconteceu em junho na Guarapiranga (SP) a segunda edição do Campeonato Paulista da Classe Flash 165. Sediado pelo YCSA – Yacht Clube de Santo Amaro e organizado pela classe, com apoio da FEVESP, o campeonato reuniu nove duplas em quatro dias de disputas. Marcelo Monteiro/Marco Del Porto (Pera Náutica/YCSA) do veleiro Bigorrilho levaram o título. Em segundo lugar a dupla Paulo Braz e João Toledo do Cielo e Mare, e fechando o pódio Paulo Pera e Georgia Bruder a bordo do Zinhos (Pera Náutica) em terceiro lugar. Em quarto Alice 3 (Paulo/Claudio), seguido por Serendipity (Ian/Jairo) e com Oregon (Lísias/Paulo Filho) em sexto, Baires (Cristiano/Luz P.) em sétimo. O troféu Tartaruga foi para o penúltimo da raia, a dupla Josas/Edgard, e fechando a raia o Horizon (Alessandro/Fernando). A competição teve apoio do restaurante “Seu Chalita, o Árabe”, que forneceu os salgados da comemoração. O apoio de mídia foi do Jornal Almanáutica que sorteou brindes na festa de entrega dos prêmios.

Yacht Club Paulista: 85 anos bem vividos

Brasileiro da Classe Nacra 17 Samuel Albrecht e Bruna Martinelli conquistaram o título brasileiro da classe Nacra 17 em junho no Rio de Janeiro. A dupla do Veleiros do Sul liderou todo o campeonato. Samuca, que representou o Brasil nos Jogos do Rio 2016 na classe Nacra comentou o desempenho no campeonato com sua nova proeira: “Foi uma estreia acima da expectativa, parecia

até que já velejávamos há mais tempo. Fiquei surpreso com o desempenho da Bruna, que ainda não completou 20 velejadas no barco. Nosso esforço e trabalho dos últimos dias valeram a pena e nos deixam animados para seguir na campanha olímpica com mais empenho”.

Samuca e Bruna: Campeões da Nacra 17

Comemorações na água e em terra firme marcaram a festa dos 85 anos do Yacht Club Paulista. A vocação para a vela foi demonstrada na 5ª Etapa da Copa Paulista, com 50 barcos competindo. E à noite o Comodoro do YCP, José Agostini Roxo, recebeu cerca de 150 convidados na sede social para a comemorar a data. “É gratificante constatar o empenho de associados e diretores na construção de uma vitoriosa história de 85 anos. Nossos campeões mundiais são exemplos de dedicação ao esporte, mas também tenho orgulho da eficiência do clube em formar cidadãos”, disse Roxo. Presentes à cerimônia, o vice-almirante Antônio Carlos Guerreiro, comandante do 8º Distrito Naval, e o presidente vitalício do Conselho Deliberativo do YCP, Jorge Prada, pai do tetracampeão mundial e medalhista olímpico, Bruno Prada, enalteceram a relevância do clube nos âmbitos esportivo e social. Também foram homenageados os fundadores do YCP, Eurico Sodré e Alaíde Borba. (Ary Pereira Júnior)

Veleiros do Sul apresenta equipamentos Comitê Brasileiro de Clubes e VDS fizeram convênio que permitiu ao clube a compra de veleiros e outros... A apresentação de Equipamentos adquiridos por meio dos convênios entre o Veleiros do Sul e Comitê Brasileiro de Clubes foi mais do que uma simples amostra de materiais. O Clube Veleiros do Sul (RS) apresentou os equipamentos adquiridos por meio dos convênios entre o Veleiros do Sul e Comitê Brasileiro de Clubes. O evento ocorreu em maio e mostrou a dimensão dos Projetos de Formação de Atleta e Olímpica, que construirão uma nova base no clube. O presidente do Comitê Brasileiro de Clubes Jair Pereira e o Superintendente Técnico da CBC, Lars Grael, estavam presentes.

O total de aquisições com os recursos foram de 65 barcos da classe Optimist, nove da classe Laser, quatro da classe 420, um da classe 470, nove botes, além de equipamentos de rádios, coletes, entre outros. Jair e Lars foram recebidos pela Comodoria do VDS liderada por Eduardo Ribas. Cerca de 120 pessoas estiveram presentes. “Porto Alegre sempre foi um polo da vela nacional. O Veleiros do Sul tem mantido essa tradição neste esporte. Os seus projetos esportivos confirmam isso. Quando eu iniciei na vela as dificuldades eram muitas, tudo dependia da abnegação dos velejadores que não contavam com nenhum apoio governamental. Hoje isso mudou, há uma estrutura e temos grande esperança de vermos vocês represenO Comodoro Eduardo Ribas e o Presidente tando o Brasil nas principais competições”, disdo CBC, Jair Pereira durante a festa se Lars.


Rio de Janeiro - RJ

Recife - PE

Optimist na Búzios Sailing Week

E só deu mulher na Classe Optimist da Búzios Sailing Week. Ao todo, 68 velejadores, 54 veteranos e 14 estreantes, participaram das regatas mas quem levou foi Marina da Fonte (Cabanga) na categoria veterano e Helena Bethlem Mirow (RJ) na categoria estreante. Você pode ver os resultados completos na página da OptBra na web que fica em

www.optibra.com.br

Clínica ABCL no Rio Mais de 20 velejadores participaram de uma clínica promovida pela Associação Brasileira da Classe Laser (ABCL). O evento aconteceu no Rio de Janeiro e contou com apoio do Yacht Clube Santo Amaro. Nicolas Garcia, Diretor Presidente da ABCL disse ao site Notícias Náuticas, ter diversos projetos que colocará em prática ao longo dos próximos meses. “Assumi a diretoria da classe em fevereiro e este é um trabalho de longo prazo, que visa um aumento do nível técnico combinado com uma elevação do numero de velejadores”, explicou Nicolas.

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A nova geração de velejadores do Brasil vai entrar nas águas da capital pernambucana em setembro. Pela primeira vez, Recife será palco da Copa da Juventude, evento organizado pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela). As inscrições estão abertas até o dia 04/09. O Campeonato será realizado de 02 a 08 de setembro, no Cabanga Iate Clube – Sub Sede de Maria Farinha, e é o evento classificatório para a equipe que disputará o Mundial da Juventude da World Sailing em Sanya (China), em dezembro deste ano. Mais detalhes no site da CBVela A Copa da Juventude terá disputa nas classes Laser Radial (Masc. e Fem.), 420 Charitas recebe o (Masc. e Fem.), RS:X (Masc. e Fem.), Hobie Cat 16 (Aberto) e 29er (Masc. e Fem.). Podem ser Cruzeiro Costa Leste inscritos na competição barcos cujos tripulantes cumpram os seguintes requisitos: 1) ter nacionalidade brasileira; 2) data de nascimento após 31 de dezembro de 1998; 3) registro como atleta na O Clube Naval Charitas recebeu Federação Internacional de Vela, com um “Sailor ID” no site da World Sailing (www.sailing.org). pela primeira vez os participantes do Cruzeiro Não haverá cobrança de taxas de inscrição. Costa Leste, cruzeiro em flotilha organizado pela ABVC, que sai da Baía da Guanabara e vai até a Bahia, passando por Búzios, Vitória, Abrolhos, Santo André, Ilhéus, Camamu, Salvador e finalmente Aratu. Esse ano a turma tem 17 veleiros e Terra das Cataratas 60 pessoas, que farão um jantar para marcar O Iate Clube Lago de Itaipu (ICLI) promoveu a tradicional Regata Terra das Cataratas, em a saída do Rio de Janeiro. O Clube Naval Charitas ofereceu homenagem ao aniversário de 103 anos de Foz vagas, e abriu sua estrutura aos participan- do Iguaçu. A competição nas classes Optimist e tes com muito carinho e simpatia. “Vamos Laser reuniu mais de 30 velejadores do Projeto recebê-los com alegria”, disse Bruno Paim, Velejar é Preciso, que conta com o patrocínio Diretor de Vela do Clube. “A largada do Cos- da Itaipu Binacional. A premiação aconteceu ta Leste a partir de Niterói marca uma nova no hangar do clube. Gabriel Lopes venceu na fase na história desse cruzeiro, comentou classe Laser 4.7 e Ana Laura Maihack venceu Pedro Alves (3º lugar). Na Optimist, Alessando no Feminino. Os demais classificados no Laser Alves foi o grande campeão e Lauane da Silva Paulo Fax, Presidente da ABVC. foram: Luiz Henrique da Silva (2º lugar), João venceu no Feminino.

A mulherada esbanjou talento na Búzios Sailing Week

Paraná - PR


ALMANÁUTICA

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XXIX REFENO A regata dos sonhos

A cada dia cresce o número de inscritos na XXIX Refeno. No fechamento desta edição já eram quase 40 confirmados e mais de 13 na fila com alguma pendência para resolver. Mas se você der um pulinho no site agora (www.refeno.com.br) certamente vai constatar que essa lista já está maior. Entre os inscritos há – como todos os anos – figurinhas carimbadas, aqueles que sempre participam, e os novatos, os que pela primeira vez sentirão a emoção de chegar à Noronha a bordo de um veleiro. O velejador Emílio Russell, do veleiro Jangadeiro IV se destaca na história da vela brasileira por um fato importante. Atuando desde o início da Refeno, é o único velejador a participar de todas as edições até hoje, sendo sempre o primeiro a se inscrever. Se você for até o site e olhar as inscrições, seu veleiro é o primeiro confirmado na lista, assim como todos os anos. Entre os novatos, estão os veleiros Pappi e Canella. Helano Landim Frota Leitão (58) vai com os amigos no Pappi, o Delta 36 ano 2002 que foi o garoto propaganda do estaleiro na época do lançamento. Segundo Helano “é 2002 mas com um corpinho de 2006”... “Noronha é um sonho antigo. Não há como comparar com as outras regatas no Brasil. A tripulação é mais competitiva que seu Capitão, mas eu também boto a faca entre os dentes,

Fotos: Assessoria de Comunicação do Cabanga/Maurício Júnior

A Refeno foi criada por velejadores do Cabanga para velejadores do mundo. Um grande encontro”

na hora H”, completou. Já Richard Prazeres Canella, de Florianópolis vai com a esposa Kenya, duas filhas Luiza de 10 anos e Laura de 4 e mais 3 amigos. “Velejamos há apenas 6 anos e logo que soubemos da REFENO, a regata passou a ser um objetivo que será alcançado agora. Já estivemos em Noronha, mas é a primeira vez em nosso barco. Somos fãs daquele paraíso! Vamos para a regata com o objetivo de participarmos da festa, não pra competir”, contou Richard. Seja qual for o motivo - competir ou simplesmente conhecer a ilha - todos os anos muitos velejadores realizam seu sonho de conhecer Noronha através da Refeno. O atual recorde é do veleiro Adrenalina Pura, da Bahia, com o seu comandante George Ehrensperger. Em 2001 ele conquistou a marca de inacreditáveis 15h30min59s, e em 2007 bateu seu próprio recorde, estabelecendo a marca de 14h34min54s. Para se ter uma ideia, o tempo

médio de percurso é de 35 a 40 horas. Se ele sair um pouco antes do amanhecer, dá para pegar o pôr-do-sol e o jantar em Noronha! Entre os monotipos, é do Camiranga. A embarcação do Rio Grande do Sul conquistou esse título no ano passado com o tempo de 19h56min40, quebrando seu próprio recorde de 2015, de 20h26min37. Como vem acontecendo nos últimos anos, as embarcações percorrerão um total de 298 milhas náuticas, o equivalente a 545 quilômetros de distância entre a partida, no Marco Zero do Recife, e a chegada, em frente ao Mirante do Boldró, no Arquipélago de Fernando de Noronha. “Uma festa da vela brasileira. Uma confraternização dos velejadores. É com esse propósito que organizamos todos os anos da Refeno, considerada hoje uma das cinco maiores

regatas oceânicas do Brasil e da América do Sul. Mais do que uma regata, a Refeno foi criada por velejadores do Cabanga para velejadores do mundo. Um grande encontro”, disse o Comodoro Jaime Monteiro. Social

O lado social também possui um grande peso na Refeno. Há alguns anos a travessia entre Recife e Fernando de Noronha realiza, também, uma ação social no Centro Integral de Educação Infantil Bem-Me-Quer, no Arquipélago, contando mais uma vez com a parceria da equipe Itajaí Sailing Team. Anualmente são distribuídos kits escolares com lápis de cor e cera, borrachas e canetas para as crianças do local. O Cabanga Iate Clube de Pernambuco também contribui mensalmente com uma quantia para ajuda na compra de materiais didáticos.


Calendário Nacional

Projeto introduz expressões náuticas na linguagem de libras

Confira o calendário das principais com- Desenvolvido pela velejadora Luisa Ganpetições dos meses de julho e agosto! dolpho, o projeto Velejando Por Um Mundo Julho (dias / evento / local) 24/6 a 1/7 RSX Mundial Juvenil (Itália) 30/6 a 2/7 Semana de Vela Ilhabela Monotipos 1 e 2 Taça Cri Cri de Snipe (Brasília) 1 e 2 Copa Inverno (3ª etapa Copa ICRJ) 1 e 2 Búzios Winter Series (Snipe) 7 a 15 Semana de Vela de Ilhabela 8 Aniv. Flotilha Ventania Dingue (RJ) 8 e 9 Campeonato da Flotilha Dingue/Campeonato Master de Laser (Brasília) 8 e 9 Aniv. Clube de Regatas Guanabara (válido Estaudal de Brasília 32 e Brasília 23) 8 a 15 Mundial da Juventude (Israel) 11 a 21 Optimist - Mundial (Tailândia) 12 Regata do Totó (Pernambuco) 13 a16 Campeonato Europeu de Soling 15 Taças Benjamin Sodré: J24, Carlos Sansoldo: Star e Chico Mendes: R22, Oceano 15 e 16 Campeonato Flotilha Paranoá Star (BSB) Cruzeiro e Multicascos (RJ) 15 e 16 Aniversário do Clube Naval Piraquê (RJ) 16 Taça Enrique Palmer: Star (RJ) 20/23 Raceboard Brasileiro (Pernambuco) 21/23 Copa Star (Ilhabela) 22 e 23 Regata 24 Horas (Brasília) 22/23 Snipe Challenge e Mini Circuito (Niterói) 27 II Regata Reunião de vela/Taça Conselheiro (Pernambuco) 27/30 Campeonato Bras Classe Star (IC BSB) 29 Festvela – 5ª Etapa (Guarapiranga) 29 e 30 Campeonato Estadual J24 (RJ) 29/7 a 05/8 Campeonato Mundial 29er (USA) 30 Regata Bobby Lorenz (SPYC Guarapiranga) 30/07 a 06/08 Opt Camp.Europeu (Bulgária) 10/ago a 14/ago Campeonato Mundial Snipe

Melhor promove uma metodologia inovadora de inclusão de Vela para deficientes auditivos. Luisa aplica aulas para crianças entre 10 e 13 anos, utilizando movimentos com bandeiras e criando novas simbologias em libras para facilitar a comunicação à distância nas aulas práticas. O projeto - que começou em março deste ano e tem previsão de duração de um ano - está sendo realizado em duas partes: a primeira ensinando a parte teórica e construindo uma nova simbologia náutica em Libras e a segunda, pratica, apoiada pelo Clube Naval Piraquê. O apoio é da PUC Rio, FEVERJ, Clube Naval Piraquê e está incubado no Instituto Genesis. Houve recentemente um encontro com Renata Araújo, do Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI), para pensar outras formas de inclusão no esporte. Luisa Gandolpho está desenvolvendo junto com o CVI uma cadeira especial para ajudar o Vitor Prudêncio (Vitor Prudi, na foto) a Velejar. Vitor sofreu um AVC aos 16 anos e o esporte é uma das formas de ajudar na sua reabilitação. Ele mantém um canal no Youtube mostrando suas peripécias no esporte. Basta ir no Youtube e procurar por Vitor Prudi. Vale a pena ver! Também vale ver a página do projeto que fica em www.facebook.com/velejandoporummundomelhor

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A tradicional linguagem de Libras usada pelos surdos está sendo adaptada para incluir termos náuticos

Ilhabela - SP

C30 em Warm-Up

Com duas vitórias nas duas regatas finais pela classe C30, o veleiro Caiçara faturou a 2ª Etapa da Copa Suzuki e manteve a liderança do Circuito Ilhabela de Vela Oceânica. Caballo Loco foi o segundo colocado na classificação geral, enquanto a tripulação do +Realizado eCycle ficou com as medalhas de bronze por apenas um ponto de vantagem Agosto (dias / eventos / local) sobre o Barracuda. O chamado Warm Up para a Semana de 5 Regata Noturna (Guarapiranga) Vela de Ilhabela foi concluído na Ponta das Canas com vento leste em torno de oito nós 5 Regata Comodoro do IC Brasília (15km/h). Ao longo da etapa o Caiçara co5 Copa Castelão Optimist (RJ) mandado por Marcos de Oliveira Cesar ob6 Regata Comodoro do IC Brasília teve a expressiva marca de seis vitórias em 6 Seis horas da Lagoa Optimist (RJ) 5 e 6 Raceboard - RS:X - Techno 293 Ranking oito regatas. A regularidade do Caiçara mantém o otiPaulista 5ª Etapa (Guarapiranga) mismo dos tripulantes para a principal compe5 e 6 MT19 Campeonato Paulista (Guarap.) tição do ano, a Semana de Vela de Ilhabela, 5 e 6 Copinha Paulista de Estreantes (Guarap.) de 7 a 15 de julho, também com sede no Ya5 e 6 Copa Paulista 8ª Etapa (Guarapiranga) cht Club de Ilhabela. “Nessa etapa estreamos 5 e 6 Aniv. Sava Clube (RS) velas e fizemos os ajustes necessários. O re5 e 6 Campeonato Estadual J24 (RJ) sultado foi positivo e o barco ficou mais rápi5 e 6 Copa HPe 30 (4ª etapa) (RJ) do. A tripulação estava muito bem preparada, 5 e 6 J70 Cup (Angra dos Reis) o que faz a diferença nas regatas da classe 12 Regata de Abertura 2º Semestre (Guarap.) 12 Circuito Guarapiranga (Guarapiranga) 12 CSVO – 4ª Etapa Santos/SP 12 Copa Castelão (2ª et) Optimist (RJ) 12 Ninotchka Star e Snipe (RJ) 12 Aniv. do Praia Clube S. Fco. (RJ) 12 e 13 Camp da Flotilha 516 de Snipe Brasília 12 e 13 Trofeu Amizade Soling/monotipos (RS) 12 e 13 Búzios Laser Senior Cup (RJ) 13 Regata SPYC Bill Treacher Trophy (Guarap.) 19 Circuito Marreco 4ª Etapa (Guarapiranga) 19 Copa Veleiros de Monotipos 5ª Etapa (ICSC) 19 e 20 MT19 Camp. Paulista (Guarapiranga) 19 e 20 Taça Humboldt (Guarapiranga) 19 a 20 1ª Etapa Pernambucano de Optimist 19 e 20 Regatas de monotipos (RS) 19 e 20 Copa Flotilha Alô Água Optimist (RJ) 19 e 20 Taça Rei Olav (RJ) 19 e 20 Campeonato Estadual Star (RJ) 20 Regata do Quintino Oceano (Pernambuco) 26 FESTVELA 6a Etapa (Guarapiranga) 26 Copa Veleiros de Oceano 5ª Etapa (ICSC) 27 Copa de aniv. do Dingue (Pernambuco) 26 e 27 Ranking P. High End 4ª Et. Guarap.) 26 e 27 Taça Comodoro (RJ) 26 e 27 Taça Leopoldo Geyer (RJ) 26 e 27 Copa Quebra Gelo (RS) 27 Regata SPYC Frank Ford Cup (Guarap.) 27 1ª Etapa do Pernambucano de Snipe 27 4ª Etapa do Pernambucano Day Sailer

C30, quase sempre disputadas metro a metro. Espero que possamos manter o nível durante a Semana de Vela”, observou o experiente proeiro Gabriel de Capitani. A Semana de Vela terá importância redobrada para a classe C30 que disputará simultaneamente a segunda e decisiva etapa do Campeonato Brasileiro, iniciado em fevereiro, em Florianópolis. Os catarinenses Katana Energia e Zeus Sailing Team ocupam as duas primeiras colocações seguidos pelo paulista Caballo Loco. A 2ª Etapa da Copa Suzuki reuniu mais de 40

O tradicional Warm-Up teve Caiçara em primeiro

embarcações das classes: C30, HPE 25, RGS, IRC e Clássicos no Canal de São Sebastião. 1 – Caiçara (Marcos de Oliveira César) : 2 – Caballo Loco (Mauro Dottori) : 3 – +Realizado eCycle (José Luiz Apud) : 4 – Barracuda (Humberto Diniz) : Informações: Ary Pereira Júnior.


ALMANÁUTICA

8 Meteorologia & Oceanografia

Por: Luciano Guerra

Inicio esta coluna feliz mais uma vez, e recitando um forte e grandioso: Funcionou!. Isso mesmo. Funcionou! Esta é a palavra que fará a regência desta matéria importante e, que explica como paradigmas podem ser quebrados, utilizando-se de estudos e informações técnicas de qualidade. Na matéria anterior escrevi a respeito do planejamento criterioso que eu estava desenhando para realizar uma determinada singradura. Este projeto tinha como único objetivo trazer de volta ao Brasil com segurança um veleiro de 36 pés, dois tripulantes e eu. O local de saída seria o Caribe. Lendo apenas esta curta frase, você pode estar se perguntando: “O que há de complexo nisto?” Eu respondo: ao longo de muitos anos diversos comandantes sairam, e continuam saindo, do Caribe em direção ao Brasil utilizando-se de duas opções de rota. A primeira delas, e a mais comentada atualmente, tem sido a opção não sustentável e cara de vir mais aterrado pela costa da América do Sul, reabastecendo o motor com diesel ou gasolina, deixando um rastro de queima de combustível fóssil e, da mesma forma, a queima de muito dinheiro com reabastecimento. Sem falar nas condições de mar e de segurança, que não são das melhores naquela região. A segunda opção é a de seguir as correntes predominantes, subir até o ponto onde a corrente deriva para a Europa, continuar até o Velho Continente e, por fim, de lá, direcionar a proa para

Na prática: Caribe (parte 2) a Costa Nordeste Brasileira. Esta última opção demanda muito mais tempo de mar do que qualquer outra opção. Ao ser contratado pelo proprietário da embarcação para trazer o veleiro, eu sabia que seria a oportunidade de provar, na prática, a existência da contracorrente norte equatorial, que é um fluxo de água superficial que flui no sentido Caribe-Brasil, próximo a coordenada 07ºN 050ºO. Este fluxo é contrário ao fluxo normal e, por muitas vezes jogado “às favas” por diversos velejadores. Indicação da contra corrente em modelos matemáticos Eu já havia realizado na Universidade Federal Fluminense um trabalho de pesquisa, junto com o Professor e

Indicação da contra corrente em modelos matemáticos

Oceanógrafo André Belém, a respeito de vórtices e meandros oceânicos. Me recordo claramente de ter esbarrado com muita informação simulada matematicamente e nenhum dado concreto coletado in loco. Mas o que ficou gravado na minha mente foi a possibilidade de se utilizar de mais esta ferramenta da natureza em prol da vela e da nave-

que a embarcação iria dar na costa do Suriname, que eu ia queimar um caminhão de diesel. Para mim, com apenas 42 anos de idade, era quase uma afronta a todos os ensinamentos que eu tinha adquirido daqueles mestres. Mas desta vez resolvi acreditar na Ciência. Funcionou! Após 33 dias, 3 dias a menos do Luciano Guerra, é Capitão Amador, esque o planejado, jogava o ferro em areias pecialista em meteorologia pela UFF/RJ e trabalha com modelos meteorológicos.

Joca Signorini na Volvo Ocean Race

Sailing Sense: uma luz na escuridão Surdocegos e portadores de necessidades especiais também participam das atividades na vela Vinte participantes do Projeto Promuvi Transformando vidas, de Santos/SP, participaram de mais uma etapa das atividades do Sailing Sense, que promove a vela para surdocegos, e outros tipos de portadores de deficiência. A atividade aconteceu no Píer 26, Guarujá, SP em abril. O Projeto Promuvi é uma orquestra de cegos da cidade de Santos, e que realiza um trabalho musical promovendo também inúmeras apresentações em toda São Paulo e litoral, com a regência de Paulo Mauá organizador, fundador e maestro.

Atividade

Acompanhados de 6 pessoas da equipe de trabalho do Sailing Sense, foram realizadas saídas com 3 participantes e 3 profissionais em cada velejada. Nelas, cada participante vivenciou como usar o leme e conduzir o veleiro, como manobrar as catracas e os procedimentos durante os bordos, além de regulagens das velas (trimar e recolher a genoa). Em terra, havia três estações temáticas. A primeira era a oficina de nós, com cabos e material para dar as primeiras noções sobre a arte da marinharia em nós e cabos. A oficina “Tocar para Ver”, com exploração dos veleiros e suas partes em terra. Ali era mostrado o leme, quilha e casco de lanchas e veleiros, dando a oportunidade dos cegos poderem e comparar os tipos de barcos. E a “Oficina Mini Me”, com um

gação oceânica. Enviei o planejamento ao proprietário, um ex-piloto de avião, e ele simplesmente confiou naquele calhamaço de mensagens. Os primeiros cálculos davam conta de algo em torno de 30 a 35 dias, e por fim, ao extrair a última previsão, fiz um cálculo de 36 dias. Durante encontros, reuniões, bate papos presenciais e virtuais com outros comandantes, me deparei com a parte mais dura da travessia. Imagine você escutar dos comandantes mais experientes – pessoas que durante toda a sua vida foram seus professores, cujo respeito e admiração é imenso – que era meio maluco, que a contracorrente não existia,

brasileiras. Uma outra parte muito dura da travessia, mas que havia toda uma previsão a respeito, foi em relação às tempestades tropicais. Foram mais de 50 ao longo de toda a rota. Mas quando se trabalha com planejamento e responsabilidade, o resultado, quase em 100% dos casos é o sucesso. Se pegarmos todas as edições do Almanáutica e juntarmos, ainda sim faltaria papel para descrever com riqueza de detalhes o início, o meio e o fim desta história, no entanto, vamos ver se o espírito de Bernard Moitessier recai sobre mim consigo compartilhar a história completa. Para esta travessia fora utilizadas as seguintes ferramentas digitais: - Fastseas (planejamento de longo curso) - Fastseas (forecast de corrente e ventos) - Naviweather (forecast) - OpenCPN (navegação) - OpenCPN (plotagem da singradura e dos pontos notáveis) - Carta sinótica (forecast) - Site do NOAA (forecast e verificação dos modelos de corrente - Modelo GFS (forecast) - Modelo OSCAR (forecast de corrente oceânica) Sem falar nas ferramentas analógicas normais, tais como cartas, bússola, etc. A navegação, é uma Arte, mas também é Ciência e é com este conceito, já conhecido por todos nós que me despeço. Até a próxima!

Participante, na foto de Helena Tadros veleiro em miniatura, cujo objetivo era dar uma maior noção espacial de um veleiro. Para encerrar o evento, os músicos do Projeto Promuvi tocaram algumas músicas para todos os que estavam no Píer 26 (veja ou ouça aqui).

Sobre o Sailing Sense

O Sailing Sense é uma a instituição cujo objetivo é oferecer oportunidades de participação e prática esportiva na vela, de forma contínua e supervisionada por professores e especialistas, orientando sobre a forma correta de lidar com a população de portadores de deficiência e atua desde 2007. O Jornal Almanáutica é parceiro do Sailing Sense, divulgando suas atividades.

O time holandês AkzoNobel anunciou a contratação do brasileiro Joca Signorini para defender a equipe holandesa na Volvo Ocean Race 2017-18, que começa em outubro e terá um percurso de 45 mil milhas náuticas pelos mares do mundo. O carioca de 40 é um dos nove integrantes do barco, que terá o holandês Simeon Tienpont, como comandante. Tienpont já correu outras duas edições da Volvo Ocean Race e é bicampeão da America’s Cup. Nascido no Rio de Janeiro, mas com residência atual em Estocolmo, na Suécia, Joca Signorini se tornou um dos maiores nomes da vela brasileira. O atleta foi campeão sul-americano em diversas categorias e representou o Brasil na classe Finn nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Participou três vezes da Volvo Ocean Race. Sua estreia como tripulante foi em 2005-06 com o barco nacional Brasil 1. Na temporada seguinte, o carioca foi campeão com a equipe do Ericsson 4, comandada pelo compatriota Torben Grael. Em 2011-12, o velejador fez parte do Telefônica (Espanha) e na edição de 2014-15 mudou de função, passando a ser técnico da tripulação feminina Team SCA.

Novidades...

Joca é tripulante para a próxima edição da Volvo Ocean Race

As próximas edições da Volvo Ocean Race já estão marcadas para ciclos de 2 anos: 2019-20, 2021-22... A mudança terá um impacto positivo no valor comercial do evento, e nas cidades-sede. “Um ciclo mais curto significa que podemos encurtar cada edição por alguns meses. O atual formato é de até nove meses”, disse Mark Turner, CEO da Volvo Ocean Race”. Ao reduzir o ciclo, não será necessário ir a todos os mercados comercialmente importantes em todas as edições, o que significa que os organizadores poderão escolher o melhor percurso, proporcionando equilíbrio certo entre a integridade desportiva e os interesses comerciais das marcas envolvidas. Outra novidade para a 14ª edição a partir de 2019-20, será a entrada de novos barcos monocasco com foils para as etapas, também chamadas pernas. A prova terá multicascos “voadores” para regatas costeiras – as In-port Races.


cruzeiro Em tempo real. Tenho feito meus escritos no passado, seguindo nosso roteiro de 2013 a 2015, mas me vejo obrigada a pular uma baita etapa: 2016, EUA, Bahamas e tantas, mas tantas dificuldades com nosso falecido motor (que o mar o tenha), para hoje: Bermudas, maio de 2017. Nesta temporada tudo começou com Rubão indo reencontrar nosso veleiro Dóris em Trinidad para colocar o novo e maravilhoso motor Yanmar, e após muito trabalho (eu ainda presa às dentições do nosso Brasil) subiu o Caribe até as BVI’s com nosso amigo Ronaldo de Ilhabela, que foi um tripulante maravilhoso, aguentando a bagunça que minha lista de compras de uns dois metros gerou na desarrumação. Na temporada passada, após ciclones, quebras constantes com muitas saídas e entradas em locais perigosos com o motor em falência, tudo o que sonhavamos eram as BVI’s novamente, e só restou uma semaninha para curtir de fato. O trauma da temporada anterior não extinguiu o desejo de continuar nessa vida que vicia, pelo contrário, gerou planos audaciosos: a travessia do Atlântico, e como podem perceber, já fizemos uma pequena parte, 850 milhas das BVI’s até aqui, e amanhã provavelmente, para que o divórcio não seja o destino, pois estou temendo as rajadas de até 35 Knots na saída e as ondas de 3,2 metros do meu Grib, mas Rubão está motivado e estou me convencendo e preparando o meu balde, vulgo Hugo... O período nas BVI’s foi mágico! Quando cheguei em Tortola, Rubão havia feito um jantar especial, uma maionese de lagostas caçadas por ele, e aliás, devo me redimir sobre seus dotes culinários, e Rodrigo que me perdoe, mas Rubão foi o caçador dessa temporada! Aliás, amigos reencontrados são uma grata surpresa nessa vida: Rodrigo do Sotália, que não sei se é irmão ou filho de tão próximo que é, Mauriane e Luís do Cascalho, tão amados e amigos novos como Nádia, Chico, filha linda e genro do MM2000. Tantos jantares com lagostas a todos os modos: assada, ceviche, sashimi, moqueca... Dois aniversários foram comemorados em Salt Island, nossa ilha deserta, o níver do Luís e o do Rodrigo, com direito a lagostada, fogueira, bolo, e muita cerveja. Fizemos até um segundo tempo no aniversário

Rita e Rubens a bordo do Dóris nos contam suas aventuras e novidades. Depois de uma temporada de furacões no Brasil para rever os amigos, pé na estrada (ou na água?) novamente...

do Rodrigo pois esta ilha é mágica. E vem o GRAN FINALE... Na véspera de nossa partida, estávamos em uma ancoragem com uns oito barcos em uma ilha chamada Norman Island e seis destes barcos eram tripulados por Brasileiros: Nós do Dóris, Cascalho, Sotália, MM2000, Unforgettable e o catamarã Avalon com Carla, brasileira, e seu marido canadense. Quando a tarde soube que a brasileirada que tinha acabado de chegar de S. Marteen estava rumando para Norman, já chorando desde a manhã por deixar os amigos da ancoragem, soube pela nossa promoteur eleita, Nádia, que Carlinha e seu marido tinham oferecido o baita barcão para a nossa despedida e virei cachoeira, kkk. Foi inesquecível! Na chegada do Piatã (Edna e Éder já amigos da temporada anterior), Fisker, Tá Lento, Tantomar e Prix, somamos acho que 24 brasileiros formando uma “balsa de botes” na popa do Piatã , o papo rolando e as BVI’s virando BVI’s ABVC! A festa a noite foi regada a violão, vinho, muita conversa e

Na véspera de nossa partida estávamos com uns oito barcos, seis tripulados por brasileiros

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causos e o meu sofrimento aumentando por deixar esses amigos novos e antigos, mas tentando lembrar o quanto foi difícil deixar os amigos tão especiais da nossa vida em terra, e quanto esta nova vida nos trouxe. No dia seguinte, quando cada bote vinha carregado a nossa popa para um último adeus, e principalmente quando Rodrigo e Luís nos acompanharam de bote tocando cornetas e vuvuzelas até bem longe (fdp’s, quase me mataram de chorar) e depois de Rubão me dar uma bronca dizendo que desidrataria antes da hora, foquei no que estava por vir: Bermudas. Foram quase 8 dias de travessia, mas valeu a pena. É um dos lugares mais belos que já vimos. Bem cuidado, arquitetura linda, várias construções históricas, tudo com telhados branquinhos para combater o calor e um povo extremamente simpático. Imperdível! Açores, descrito por quase todos os velejadores como um dos lugares mais lindos do mundo é o nosso próximo destino. Temos quase 1.800 milhas pela frente e estimamos entre 15 a 20 dias de velejada. Ai meu Deus! Estamos sendo ajudados pelo Sérgio do Travessura que nos manda previsões pelo Iridium, baita ajuda, e que através do grupo criado no Wathsapp pelo

Rubão, ao receber nossas mensagens tranquiliza nossos amigos e familiares, e além disso, acionamos o spot duas vezes ao dia para que acompanhem nosso progresso. Provavelmente não será uma travessia fácil, eu mareio às vezes e acho travessias longas difíceis, tipo 70% uma m.... 10% legal e 20% ótimo, principalmente os meus longos turnos na madrugada, quando tenho conseguido ler. Quem me conhece sabe que é o que mais amo, e as estrelas, e o mar, o mar, o mar... P.S. - Mandaremos notícias de Flores, a primeira ilha dos Açores...

gamos um atum de 17 Kg, fizemos um pouco de sashimi e o restante foi armazenado no nosso freezer. Chegamos por volta das 15:00 e demos Marcelo Ferreira nos conta como foi uma parada para um mergulho. realizar seu sonho: Polinésia Francesa Pegamos uma poita para pernoite no restaurante Bloody Mary. Fomos lá tomar uns drinques Dar volta ao mundo no seu próprio veleiro e conhecer o local, muita gente famosa passou com a família, é um sonho de todos os vele- por lá: tem um portal com os nomes dos fajadores... O destino que mais me encantou foi mosos.. a Polinésia Francesa, e o sonho distante era Bora Bora. Após comentar com amigos eles me disseram que gostariam de ir juntos para uma viagem à Polinésia. Me pediram para pesquisar a melhor época e se eu poderia fazer uma reserva de um veleiro. Um jovem casal conhecido deles iria junto. Avaliei a situação de ventos e chuvas e cheguei ao mês de maio. Fizemos uma reserva com uma empresa de charter e reservamos passagens aéreas. Como a Polinésia fica do outro lado do mundo, vale a pena parar na Ilha de Páscoa na ida e na Nova Zelândia No outro dia acordamos e fomos para a na volta. baía Topua, lada oeste da ilha, ver as arraias Fechamos um grupo com 4 casais, alugamos e tubaröes. Jogamos ancora com 1.5m de proum catana 47 pés com 4 suítes. Escolhemos a fundidade. Dava para descer e ficar de pé na base em Raiatea, que nos permitiria conhecer popa do veleiro. Bora Bora, Tahaa, Huahine e Raiatea. Muitas arraias se aproximaram, mas os tuNosso vôo chegou e já tínhamos negociado barões chegaram somente quando jogamos uns o transfer com passagem pelo supermercado. pedaços de atum na água. Os tubarões ficavam Fizemos a compra da semana, deixando o pei- a uma distância de uns 10 metros, dando volta, xe para ser pescado. Em caso de insucesso mas as arraias se aproximavam e até encostacomprar depois... vam nas nossas pernas. Saímos cedo no dia seguinte de Raiatea em Na sequencia demos toda a volta na ilha. No direção a Bora Bora. No meio do caminho fis- final da tarde fomos fazer snorkel no coral gar-

Charter na Polinésia

Notícias do Caribe

den, muitos peixes coloridos e um verdadeiro jardim aquático. No dia seguinte fomos até o porto local comprar pão fresco, frutas e gelo no supermercado e na sequência saímos para a ilha de Tahaa. A primeira parada foi no Coral river, Motu Tautau, um outro jardim submerso com peixes coloridos dentro desta piscina gigante, protegida pelos gigante recife em volta da ilha. Era só ficar boiando que a corrente nos levava na direção do nosso veleiro. Uma beleza submersa em rochas, vegetação e peixes coloridos. Almoçamos e fomos conhecer uma fazenda de perolas e dar um mergulho em outro paraiso mais a frente. Entramos na baía Haamene, que me lembrou muito Paraty e fomos dormir próximo a uma vila local, com o mesmo nome. Passado mais um dia, fomos conhecer uma plantação de baunilha e depois jogamos âncora próximo a uma pequena ilha dentro da grande piscina, com coqueiros e praia. Nadamos por ali, fizemos um almoço, dormimos a tarde e no final realizamos uma cerimônia de casamento para aquele casal jovem do grupo, que tinha o sonho de casar no Tahiti. As meninas montaram um altar com palhas de coqueiro na ilhas. Foi mágico, fui o mestre de cerimônias. Todos choraram de emoção. Como capitão é a autoridade máxima, preparei um script e encerrei: ”Com o poder de capitão da embarcação Chappe eu os declaro marido e mulher”. Acordamos e saímos em direção a ilha de

Huahine. Depois de uma volta pelo local fiz a reserva no restaurante para o jantar da tripulação. No ante penúltimo dia pegamos uma poita próxima de umas ruínas na mata. Depois soubemos que aquele local era um dos maiores hotéis da região, Julio Iglesias frequentava e

cantava lá. Um furacão passou e levou tudo... No sul de Raiatea jogamos âncora avistando a vila Fareera, Neste dia começou a garoar, até então, só sol durante o dia e lua durante a noite. Mesmo assim no penúltimo dia fomos para a ilha Tipaemau, em frente a baía Averarahi, no caminho de volta para a base e passamos o dia nadando e nos divertindo. No final da tarde voltamos para a base e fomos jantar num restauruante local. No último dia fizemos o check-out, alugamos um carro e demos uma volta na ilha. À noite voltamos para Papeete e seguimos viagem de volta. Fim do Sonho....


ALMANÁUTICA

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Cervejeiros que Navegam

Atento cervejeiros que navegam! Você está em cruzeiro (ou não...) e quer achar as melhores cervejas na região onde se encontra? Saber o local onde a galera que curte uma cerveja artesanal está? Ou ainda onde achar a cerveja com o melhor preço? Saber qual cerveja harmoniza melhor com sua comida ou vice-versa? Agora é fácil. Os Applets cervejeiros vão te ajudar. Anote aí... (Lembre-se: se beber não navegue! Se for navegar, na beba. Agora se estiver ancorado e for pernoitar... acenda a luz de top antes, assim você não precisa lembrar de mais nada...). Criado por dois amigos, o Litrão GO surgiu com o objetivo de fazer com que o usuário ache os preços mais baratos de diversas marcas de cerveja. Com uma interface simples, o aplicativo busca os preços mais baratos de cervejas em bares ao redor de sua posição. O nome é meio infeliz, já que induz o interrnauta cervejeiro a pensar que se trata de cervejas em litro tipo Skol (eca!). Mas você pode procurar por garrafas de 600ml, 250ml e long neck. É um App colaborativo, portanto funciona graças aos usuários que compartilham os preços. Como rede colaborativa, as cidades menores podem ter menos registros confiáveis mas, mesmo assim, a gama de cadastros é grande. Depois que você compartilha a sua localização, o mapa notifica os preços nas proximidades. O App também compartilha um ranking baseado na pontuação que os usuários deram para os lugares cadastrados. Só para Android.

beHoppy

Esse App é mais útil se seu caso for obter informação sobre a cerveja. Se você está no supermecado e não sabe qual cerveja comprar, ou está no restaurante e precisa saber qual comida harmoniza com a sua cerveja o beHoppy pode te ajudar. Você selecione o leitor de rótulos e tira uma foto do rótulo que deseja saber mais informações. Em alguns segundos as informações vão estar disponíveis. O App possui um catálogo completo com mais de 10.000 avaliações, além de um guia com harmonizações e até o copo ideal para beber a cerveja escolhida. O beHoppy também é um App colaborativo, ou seja, reflete a opinião da comunidade cervejeira. Por enquanto, para usar o beHoppy é necessário ter uma conta no facebook. Os desenvolvedores dizem que estão terminando uma versão com opção de login via e-mail e senha.

m o t a VelaeAs B mulheres no Leme Into the wild... “Liberdade e natureza são boas demais para serem recusadas” Christopher Johnson McCandless Também conhecido como Alexander Supertramp, o autor dessa citação foi uma personalidade sobre a qual muitos já devem ter lido. Ele foi o jovem que inspirou o filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007) escrito e dirigido por ninguém menos que Sean Penn. É um filme biográfico baseado no livro que leva o mesmo nome, escrito por Jon Krakauer e publicado em 1996. O filme conta a história de um jovem que, após terminar a universidade, entrega seu diploma aos pais e escolhe viver uma vida de plenitude e autoconhecimento em meio à natureza, cruzando o caminho de pessoas com as quais se enriquece grandemente. Ao longo desse caminho o jovem apresenta inúmeros momentos de clareza e reflexão alimentados pela pureza e energia que encontra na natureza ao seu redor, vivenciando grande parte de seu crescimento em meio à exuberante paisagem do Alasca. Foi exatamente a busca esse por algo mais que nos faz sentido que permeou sempre minhas conversas com a velejadora de hoje: Aline Senna, uma paulistana que acaba de soltar as amarras da cidade de pedra e mudar-se para o mar. Essa mulher encantadora tem 46 anos, é formada em comunicação e, atualmente, é sócia e produtora executiva da AiÁ Produtora de Vídeos. Tem seu canal próprio no YouTube chamado #FlordeSal, uma playlist dentro do conhecido canal #SAL produzido por ela e seu marido Adriano. Sua história com a vela, segundo ela, começou de maneira despreten-

Remembeer – Cerveja Artesanal

Através do Applet Remembeer, você pode encontrar growler stations, restaurantes, bares, empórios e lojas de bebidas com seus rótulos favoritos. Poderá também ver as cartas de cervejas e filtrar suas buscas. A ideia por trás do Remembeer é interessante e vem de uma tendência mundial que incentiva o consumo dos fornecedores locais. É o #DrinkLocal. No App você acha a maneira mais fácil de encontrar onde encher o seu growler com cerveja local. Fica sabendo dos eventos e promoções e pode

Caça Pala

vras

conhecer o ambiente, seus serviços e produtos disponíveis nos locais mais próximos a você. O Remembeer é constantemente desenvolvido em Curitiba, um dos principais polos de cervejarias artesanais do país. Saúde!

siosa quando, em 2009 comprou uma revista Veja São Paulo, que continha uma matéria sobre a Represa de Guarapiranga e as atividades de lazer interessantes que proporcionava através do aluguel de barcos à vela, caiaques, pranchas de windsurf e stand up paddle. Guardou a revista engavetando com ela uma vontade de iniciar algum curso que incluísse uma dessas atividades. Mais tarde, em 2011, quando ela e seu marido passeavam pela Ilha Grande, viram um churrasco acontecendo à bordo de um veleiro e bateu a vontade de ter um barco semelhante. Nessa ocasião, Aline resolveu desengavetar aquela revista que guardara e dirigiram-se à represa para realizar o seu primeiro curso de vela na escola Pera Náutica. Foi então que a vela passara a fazer parte de sua vida. Após anos velejando como proeira de um veleiro Flash 165 junto ao seu marido, o ca-

sal resolveu comprar o Brutus, um Newport 26, que desde 2012 presenteia o casal experiências incríveis em meio à baía de Paraty, local em que escolheram apoitar o 26 pés. Ao contrário de quando velejavam em São Paulo quinzenalmente, ao adquirir o Brutus ela explica que passou a velejar com menor frequência pois o barco passou a ser para Aline o que ela definiu como “uma sala de relaxamento instalada em meio a um projeto paisagístico ultrassofisticado” – e indaga – “O que é essa baía de Paraty? Um espetáculo! ”. E eu desafio alguém a discordar! Perguntamos a Aline sobre o anúncio feito em seu canal e a grande decisão de mudar-se para Paraty e viver a bordo do Brutus. Como está sendo esta experiência? “Após tantas histórias retratadas no #SAL, essa nos pareceu uma oportunidade de mudar nossas próprias vidas e reduzir nosso custo fixo. Já há algum tempo nossas reuniões com clientes acontecem via Skype e após as diárias de gravação, passamos muito tempo nos computadores editando e finalizando vídeos. É incrível como o tempo tem passado muito rápido por aqui.”. Sobre sua viagem solo realizada recentemente pelos rios e estradas da região da Provence, na França, Aline nos conta: “A vida náutica na França é intensa e esse foi o motivo que me estimulou a levar duas câmeras para gravar e produzir o episódio para o #FlordeSal. Ter acesso a um lugar tão lindo me deixou com um sentimento de gratidão enorme. Também conheci mulheres com mais de 60 anos que viajavam sozinhas e tinham um preparo físico inacreditável. Duas delas, inclusive, eram triatletas. Algo que me fez rever alguns padrões de pensamento. Além disso, muitas delas viajavam pelo mundo, algo que eu adoraria fazer, mas que nunca havia imaginado ser possível realizar de uma maneira tão simples. Tudo isso, então, contribuiu para que eu entendesse que viver a bordo está ligado a essa simplicidade.”. Questionamos sobre possíveis barreiras existente no mundo da vela para as mulheres: “Não vejo barreiras – responde Aline – mas uma enorme porta aberta nos convidando para entrar. Ouço sempre: como faço para convencer minha mulher ou namorada a estar aqui no veleiro também? Confesso que não sei dizer. Essa inclusive foi uma pergunta feita pelo Adriano ao entrevistado do primeiro episódio do #SAL. Tenho visto um número crescente de mulheres se interessando pela vela e tenho a impressão de que a mulher que se aproxima espontaneamente da vela será motivo de inspiração para as outras. Acho que a maior participação feminina é apenas questão de tempo. ”. Que conselhos você daria para as mulheres que desejam velejar? Aline afirma: primeiramente, explore esse mundo você mesma. Sinta a natureza e se permita observar até onde um barco pode te levar. A sensação de sentir a vela sendo impulsionada pelo vento, a experiência de encarar a força da natureza e as lições sobre o verdadeiro significado de ‘rumo’ são motivos de sobra para se divertir, mesmo que só por um final de semana, seja numa represa ou no mar. Só isso já será uma lembrança cheia de metáforas intensas para sua vida! ”. Dê-se uma chance para aventurar-se e bons ventos! Gostou da nossa coluna ‘Vela e Batom’? Escreva para nosso jornal!

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Priscilla Marjorie Olivastro é Pediatra, velejadora e Diretora Feminina da ABVC

CURTAS

f O 44º Campeonato Brasileiro da Classe Laser será sediado pelo Yacht Clube da Bahia, em Salvador, de 16 a 21 de janeiro de 2018.

f De 30 de junho a 2 de julho acontece a Semana de Vela de Monotipos de Ilhabela, com sede na Escola Municipal de Vela de Ilhabela “Lars Grael”.

Monotipos para todos os gostos, dos mais modernos aos clássicos. Esse é o mote do nosso Caça-Palavras desta edição. Vale em qualquer direção... Em caso de desistência ou insanidade tentando achar todos contate-nos: falecom@almanautica.com.br Boa Sorte: Standard - Radial - Snipe - Hobie - Dingue - Optimist - Holder - Byte - Finn - Star

f Aleixo Belov a bordo do Fraternidade chegou em Seward, no Alasca, no final de junho após atravessar o Pacífico e percorrer 2.400 milhas. f O Clube Internacional de Regatas de Santos completou em maio 119 anos! A comemoração, claro, foi com regata, válida para a 2ª Etapa do Santista de Vela de Oceano.


Memórias do Avoante tos Filho

Por Nelson Mat

Histórias de Bordo

inventada por minha mãe para prevenir enjôo” Não preciso dizer o tamanho das gargalhadas a bordo. A verdade é que não sei se por obra da simpatia ou se por força do meclim, mas para quem nunca tinha velejado, Marcelo teve apenas um ligeiro mal-estar. De uma coisa eu e Manoel, outro tripulante, tivemos certeza: Com simpatia ou sem simpatia, Marcelo nunca mais bota os pés em um veleiro no rumo de Noronha. O pior foi ele passeando sem camisa na Ilha, com a marca branca na pele no centro da barriga. A turma olhava, se espantava, queria perguntar, mas o difícil mesmo era esconder o riso. Tem também aqueles que querem apenas realizar um sonho é assim embarcam cheio de entusiasmo. Esse foi o caso do nosso amigo Airton, quando embarcou no Avoante para sua primeira REFENO. Airton não queria mais nada a não ser fazer a velejada até Noronha. Nessa viagem batemos o recorde de tripulantes a bordo, sete pessoas. Era muita gente para fazer turno de comando e justamente nessa viagem o barco estava sem piloto automático. Airton não se fez de rogado. Pegou no timão em Recife e somente não largou em Noronha, porque às vezes eu tinha pena e pedia para ele descansar um pouco. Os outros nem tiveram o gostinho de comandar por alguns segundos. Chegando à ilha, Airton desembarcou, pegou o primeiro avião e voltou para Natal. Isso é que matar a vontade de realizar um sonho! É sabido que enjôo é um mal que atingi quase todos que entram pela primeira vez em um barco, mas certa vez recebi a bordo a visita de meu irmão Iranilson e fiquei impressionado como o bicho agiu rápido. O Avoante estava no píer do Iate Clube do Natal, um lugar abrigado e quase sem balanço. Iranilson chegou com um isopor cheio de cervejas estupidamente geladas. Já que não íamos velejar, ficamos batendo papo dentro do barco. Após a primeira cerveja, ele me perguntou: “Meu irmão, quantas cervejas já tomamos?” Eu respondi que tínhamos tomado apenas uma latinha. Então ele disse: “Vamos parar que eu já estou muito bêbado” Nunca mais ele pisou no Avoante. O pior foi fazer o sacrifício de tomar, sozinho, as cervejas que ele deixou para trás.

Existem várias histórias engraçadas de marinheiros de primeira viagem e muitas de tripulantes acostumados com a vida no mar, mas que sempre contribuem para o folclore da vida a bordo. No Avoante tivemos muitas cenas hilárias que quando conversamos com colegas velejadores, vemos que a coisa é disseminada. Numa velejada Natal/Recife, tivemos o prazer de ter a bordo nosso amigo e velejador Marcelo China. China é dessas pessoas que o mundo se acaba do lado e ele não sabe nem o que se passa. Foram 83 horas de velejada sobre um mar virado com vento soprando na casa dos 23 nós e debaixo de muita chuva. Para piorar a situação, tivemos que dar vários bordos para vencer algumas poucas milhas. Com todas essas intempéries, todas as tardes nosso amigo tinha um ritual que fazia a alegria do resto da tripulação. Ele descia, trocava a roupa molhada, calçava o tênis, se perfumava, pegava um pacote de biscoito recheado e vinha para o cockpit tomar mais banho de chuva. Quando não era isso e nem era seu turno de comando, ele deitava no cockpit, debaixo de muita chuva, cruzava os braços e caia num sono tão profundo que o ronco fazia a alegria do Pedrinho, nosso tripulante mais assíduo. Dormir na chuva e com o mar virado daquele jeito, tinha que ser coisa do China. Na REFENO 2008, recebemos a bordo nosso amigo Marcelo Flôr. Marcelo nunca havia velejado, mas resolveu que iria a Noronha com a gente. No dia da largada, ele pegou um esparadrapo de mais de palmo de diâmetro e colou no umbigo. Eu olhei para aquela arrumação é fiquei a espera da explicação, pois não estava entendo nada. Lúcia, que não deixa por menos, olhou para o esparadrapo gigante, pregado na barriga de Marcelo, e foi logo perguntando: - “Que danado é isso homem? ” - “Você se feriu?” Marcelo Nelson Mattos Filho muito sério, respondeu: - “Isso é uma simpatia Velejador

Adaptada, da Embaixada dos Emirados Árabes Unidos, da Travel Ace, da Hamburg Süd e do A Velejadora Ana Paula Marques Iades - Instituto Americano de Desenvolvimenrepresentante do Projeto Vela Para Todos do to. Não é de hoje que o Cota Mil abriga esse Cota Mil Iate Clube de Brasília sagrou-se Vice- excelente trabalho da vela adaptada. Parabéns! -Campeã no Campeonato Mundial da Classe Hansa 303, da vela adaptada. O atleta Estevão Lopes finalizou sua participação numa disputada flotilha masculina na 17ª colocação. Ao final da competição a Federação Internacional anunciou de que o próximo mundial da Vela Adaptada Paralímpica será realizado em setembro de 2018 em Wisconsin (EUA). Os velejadores estão na Alemanha com o apoio D E I N OVAÇ ÃO do Cota Mil Iate Clube, do Comitê Paralimpico Brasileiro, do Banco de Brasília - BRB, do GDF através do programa Compete Brasilia, da CBVA, da Federação Brasiliense de Vela

Mundial da Classe Hansa 303

(11) 2914-5662

MB

Marinha do Brasil

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Diretoria de Portos e Costas completa 110 anos

Primeira sede da DPC, em 1907, denominada à época Inspetoria de Portos e Costas No dia 11 de junho, a Diretoria de Portos e Costas (DPC) completou 110 anos de serviços prestados ao País. Fundada em 1907, a DPC, denominada à época como Inspetoria de Portos e Costas, foi criada com a missão de fiscalizar e coordenar as Capitanias dos Portos, a Marinha Mercante Nacional e os serviços de praticagem. Desde então, tem assumido inúmeras tarefas e enfrentado os desafios que se apresentam relacionados à segurança da navegação, salvaguarda da vida humana no mar e hidrovias interiores, a prevenção da poluição hídrica causada por embarcações e suas instalações de apoio, bem como a formação e qualificação do pessoal de Marinha Mercante, por meio do Ensino Profissional Marítimo (EPM). São esses os pilares da DPC, uma das representantes da Autoridade Marítima Brasileira responsável por atualizar, divulgar e fiscalizar o cumprimento das Normas da Autoridade Marítima (NORMAM), sempre em consonância com as convenções e resoluções da Organização Marítima Internacional (IMO). Subordinada à Diretoria-Geral de Navegação (DGN), a DPC é uma Organização Militar da Marinha do Brasil com proximidade do público, prestando diversos serviços à sociedade, além de apoio técnico às 27 Capitanias, 14 Delegacias e 22 Agências distribuídas por todo o território brasileiro. A DPC não para. Novos desafios surgem no horizonte e sua tripulação jamais envidará esforços para superá-los. Por mares e rios sempre seguros e limpos!

NOVO VISUAL DA LINHA QUE MAIS ENTENDE DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO

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INFORMATIVO

ABVC

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VELEJADORES DE CRUZEIRO

Palavra de

PRESIDENTE

Caro Associado,

É com grande satisfação que escrevo para dar as boas novas da ABVC. Neste período de férias, a ABVC promove para você e sua família cruzeiros incríveis em flotilha, que irão levar a sua experiência na vela a patamares muito mais altos. Além é claro de poder curtir eventos únicos, fazer novas amizades, conhecer lugares diferentes com toda segurança que um cruzeiro proporciona. Em julho teremos o Costa Leste, que parte de Rio a Salvador, o Costa Verde na região da Baía da Ilha Grande e o Cruzeiro da Hidrovia Tietê Paraná, que vai de Barra Bonita a Adolfo, ida e volta passando nas eclusas. Seja bem vindo, participe dos nossos cruzeiros e pra quem já fez, merece o repeteco. Este ano, estamos reformulando a ABVC, melhorando os processos internos e toda nossa estrutura de mídia digital. Pedimos a sua compreensão caso tenha tido algum problema com o seu login ou registro na ABVC. Paralelo a isso, a ABVC vem trabalhando e tomando frente as questões relacionadas a navegação, turismo e segurança. A ABVC é membro ativo do Fórum Náutico desde 2013 e apresentando propostas e cobrando melhorias para as marinas, segurança aos velejadores na região de Paraty com o VP Murilo Junqueira, e em Santos, com o VP Max Gorissen nestes pontos nos quais houveram problemas com assaltos a velejadores. A polícia e a Prefeitura já estão tomando providências e a ABVC esta trabalhando para sanar estes incômodos. Neste trimestre a ABVC estabeleceu novos convênios, o mais importante deles no Clube Naval Charitas, em Niterói, sediando a partida do Costa Leste. Através da nomeação do Comodoro Luiz Paulo em Itupararanga, já estabelecemos convênio com o São Roque Iate Clube, bem pertinho de São Paulo para associados de monitores. No segundo semestre teremos o Encontro Nacional da ABVC, no feriado de finados, e iremos promover diversas oficinas e palestras em todas as nossas vice-presidências. Não deixe de participar, pois serão bastante instrutivas e você terá a oportunidade de rever os amigos e falar do que mais gostamos: vela!

Bons ventos!

Paulo Fax

Presidente da ABVC

6º Cruzeiro Hidrovia Tietê - Paraná 2017 e Cruzeiro Costa Leste Quando você estiver lendo esse artigo, alguns felizardos velejadores da ABVC estarão curtindo duas maravilhosas viagens – que só quem já as fez pode descrever! O Cruzeiro Costa Leste sobe a costa, saindo do novo parceiro Clube Naval Charitas, em direção ao paraíso nordestino, passando por Búzios e Vitória antes de seguir para Abrolhos, e voltar para a costa já no sul da Bahia. Festas, jantares, churrascos e muita confraternização estão na programação. Como todos os anos, cada veleiro faz uma inscrição solidária pagando uma taxa que é revertida em ação social e doação ao ICMBio em Abrolhos. Esse ano a turma está levando um bote de apoio de de 3,5 metros e fundo rígido com o nome Parnam Abrolhos no bordo. Outros velejadores estão no Hidrovia Tietê-Paraná, fazendo as eclusagens e navegando nesse mar de água doce chamado rio Tietê, que ao contrário do que muitos pensam, tem águas limpas, cristalinas e permitem que se pesque tucunarés com arpão. Passando por cidades interioranas de lindas paisagens e acolhimento sem igual, ninguém volta com o mesmo peso. Come-se muuuito e muito bem nessa viagem... Se você nunca foi, vale a pena pensar em se programar para 2018. É Fale conosco! inesquecível! Começe a se programar. Mesmo sem veleiro, dá pra pegar carona ou ir a bordo de uma ambracação colocada à disposição especialmente para quem quer Presidente Nacional: Paulo Fax participar. presidente@abvc.com.br Costa Verde Diretor Financeiro: Volnys Bernal tesoureiro@abvc.com.br O CCV foi idealizado para Diretor de Comunicação: Ricardo Amatucci que velejadores sem muita amatucci@abvc.com.br experiência possam fazer Diretor de Informática: Juca Andrade um cruzeiro de curto perinformática@abvc.com.br curso em águas abrigadas Diretores de Responsabilidade Social: e parcialmente abrigadas, Eduardo Schwery (sudeste) ao lado de velejadores mais eduardo.schwery@gmail.com experientes, com segurança Maurício Rosa (Demais Regiões) e tranquilidade. A largada veleiroalphorria@yahoo.com.br será em Paraty. Como de Diretora Feminina: Priscilla Marjorie costume, o roteiro do cruprimarjorie@gmail.com zeiro passará pelo lado de Interior Sudeste – SP/MS: Paulo Abreu dentro de Ilha Grande e p.abreu@terra.com.br prosseguirá para o baía de Sepetiba. O programa preliminar é o seguinte: saída de São Paulo - Capital: Marcelo Rustigue Paraty rumo Ilha do Cedro - Saco do Céu - baía de Sepetiba (praia da Estopa ou Praia marcelo.newway@uol.com.br Grande - praia de Quitiguara e parada em Itacuruça (abastecimento) - Ilha do Martins Santos – SP: Max Gorissen - Enseada do Abraão - Praia da Tapera. gorissen@sailbrasil.com Rio de Janeiro e Niterói: Matheus Eichler matheus.eichler@gmail.com Paraná: Werner Schrappe bengal@uol.com.br O Fórum Náutico Paulista, foi instituíParaty/RJ: Murilo Junqueira do junto à Secretaria de Desenvolvimento mclimasist@gmail.com Econômico, Ciência, Tecnologia e InovaUbatuba: Claudio Renaud ção, em outubro de 2016 pelo Governador renaud@uol.com.br do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, Brasília – DF: Elson Fernandes com o objetivo apoiar, coordenar e fomentar capitaomucuripe@yahoo.com.br as ações voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura, indústria e turismo do setor náutico no Estado. Entre seus objetivos estão: – Promover a participação de instituições Consulte o site para mais detalhes e condições públicas e privadas e demais agentes enIate Clubes e Marinas volvidos no setor náutico do Estado, colaAratu Iate Clube, Cabanga Iate Clube, Iate Clube borando para a integração de suas políticas trensiva através de nosso Presidente Pau- Guaíba, Iate Clube de Rio das Ostras, Iate Clube e ações; lo Fax, discutindo e trabalhando por ques- do Espírito Santo, Marina Bracuhy, Marina Porto – Contribuir com os diversos segmentos do tões como a segurança e furtos/roubos Imperial: 50% de desconto nas duas primeiras setor náutico relacionados aos esportes, que tem acontecido no litoral paulista, bem diárias consecutivas em vaga molhada. turismo, indústria e comércio, no acompa- como questões como a altura das linhas Descontos nhamento e articulação das ações voltadas de transmissão que cortam o Rio Tietê, Brancante Seguros, Botes Remar, CSL Marinhapara a implementação das atividades do dificultando a navegação de veleiros na ria, Geladeiras Elber, SetSail Inteligência Náutica setor; hidrovia. (Iate Clube de Santos): descontos em vistoria/ – Contribuir de forma participativa em proPara Marco Antonio Castello Branco, Survey, assinatura semestral de previsão de gramas, projetos e eventos do setor náu- chefe de gabinete da Secretaria de Enertempo e mar, contratação de Navegação Platico; gia e Mineração de São Paulo, presiden– Elaborar e coordenar a divulgação das te do Fórum “A maior missão do fórum é nejada, Serviços e manutenções. Dream Yacht potencialidades do setor náutico no Estado; buscar soluções para o segmento, além de Charter Brasil aluguel de embarcações no ex– Colaborar para o aprimoramento de polí- apresentar um diagnóstico das dificuldades terior, Cusco Baldoso cursos de vela oceânica: ticas públicas para o setor náutico paulista. encontradas”. O mandato de presidente e desconto e Isenção da taxa de matrícula, isenção da taxa de pernoite, 10% de desconto nos cursos A ABVC tem participado de maneira in- membros tem duração de dois anos.

Forum Náutico Paulista

Convênios

e atividades.

O Boletim Oficial da ABVC é uma publicação independente. As opiniões e notícias do jornal Almanáutica não representam necessariamente a opinião da entidade, e vice-versa.

Almanautica 31  

Pra quem tem o mar na alma e quer mais conteúdo!

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