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ALMANÁUTICA

PRA QUEM TEM O MAR NA ALMA E QUER MAIS CONTEÚDO!

Informativo Brasileiro de Náutica e Esportes do Mar – Ano V – nº 30 – maio/junho 2017

www.almanautica.com.br ISSN: 23577800 30

Foto: Christophe Jouany (Jouany@vds2017)

Leia nesta edição:

Seu resgate pode gerar um pedido de indenização? (Saiba mais sobre Lei de Salvatagem e abandono)

Aplicativos que ajudam em sua navegação Izabel Pimentel na nova Golden Globe Les Voiles de St. Barth 2017

teúdo! n o c s i a m Muito

As principais competições pelo Brasil O que acontece nos clubes Aprenda sobre cerveja artesanal Colunistas e matérias de conteúdo!


ALMANÁUTICA

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EDITORIAL Blá-blá-blá

N

ada mais atual do que a crise. Financeira, política, mas – e principalmente – moral. Dos amalucados Kin Jong-um e Donald Trump, aos políticos larápios e seus conluios... otras cocitas que passam pelo esporte e... enfim, motivos para o pessimismo não faltam. Hoje em dia as ferramentas digitais facebookianas e whatsappeiras criam legiões de sábios e videntes do dia seguinte. Muito mimimi, muita falação, pouca ação, pouco tempo dedicado ao trabalho efetivo para mudar o mundo. As pessoas se esqueceram que trabalho requer opinião, mas a opinião não é o trabalho. Sentem-se realizadas apenas em palpitar... falar... achar... Não que seja preciso vestir-se de super herói e sair por aí mudando as coisas pela força, pelo berro, pela coerção, o que seria o extremo oposto. Na década de 80 os americanos (sim existe vida inteligente off-Trump!), cunharam o termo “pensar globalmente, agir localmente”, com a ideia de que nossas atitudes do dia-a-dia é que mudam o mundo. Não vamos conseguir reflorestar a Amazônia, mas que tal nosso bairro? Não vamos mudar a cabeça de um velho político desonesto, mas que tal a de nossos filhos? A sociedade caminha em seu próprio passo - lentamente segundo nossos anseios imediatistas, rapidamente pela sua própria história (lembre-se que 3 ou 4 gerações passadas a lei nos permitia ser donos de outros seres humanos e de suas vidas apenas pela diferença da cor da pele). Ninguém vai mudar o Brasil com mensagens pelo Facebook ou Whatsapp, mas com o trabalho diário, plantando o bem, transformando essa sociedade com esse trabalho. O erro está em plantar e querer colher com imediatismo. Tudo tem seu tempo e a confiança no que é certo é que nos levará ao progresso. Faça um teste e reveja suas mais recentes opiniões. Troque-as por uma pergunta: o que vou fazer (ação) sobre isso? Se você responder com algo concreto, útil e que agregue, leve adiante e ofereça-se ao auxílio. TRABALHE. Do contrário, feche a boca e poste uma foto com beicinho mesmo... Ricardo Amatucci - Editor

Murillo NOVAES Tristes Reflexões Outonais... Olá, querido leitor de alma mais que náutica. Eis que estamos aqui neste outono do hemisfério sul, entocados no covil frio da cidade que fica próxima do cabo homônimo, refletindo sobre a atmosfera que nos envolve. Começando pela física, claro, que com 1016hPa de pressão barométrica ao nascer destas mal traçadas, viu a passagem de uma frente fria, que foi precedida de um cavado, como bem explicou o mestre dos magos meteorológicos, João Hackerott, no grupo “Previsão para Velejadores” do WhatsApp. Muito bom! O fato é que a atmosfera geral anda estranha. A atmosfera política então?... Está tudo meio com cara de provisório, não? Tudo meio fora do lugar. Pelo menos aqui no barômetro da minha cuca, o tempo é instável, com uma pequena depressão se aproximando rápido pelo sul. E como bom tempo nunca fez bons marinheiros, vamos navegando no mar da vida com galhardia, serenidade e assertividade. Rumo ao destino! Seja ele qual for. Não priemos cânico. O problema é que o recente conjunto de vídeos pornôs revelados, com as mais criativas, variadas e profundas modalidades de sacanagem explícita, onde as estrelas que levam os ferros “negônicos” mais avantajados somos nós mesmos, os tais do cidadãos comuns, deixou a coisa nacional toda em perspectiva. E como nossas vidas são parte integrante da vida nacional, depreende-se que estamos meio que em suspense também. Animação suspensa. No sentido literal da falta de animação mesmo. O estupro coletivo do qual fomos vítimas, perpetrado por tarados meliantes – sedentos dos prazeres do dinheiro, do poder e das prazerosas benesses do prestígio –, de todos os tipos, raças, cores, credos, religiões, partidos, times de futebol, signos, tipos sanguíneos, preferências estéticas e românticas, etc., etc., nos fez perceber a real natureza do nosso Estado e dos nossos (des)governos. E em última instância, a nossa própria natureza como povo e civilização. Em tempos de declaração do imposto

Crônicas Flutuantes Teorias

Sempre achei que em longas viagens à vela, ao invés de um odômetro, o melhor seria um bom calendário. As percepções de tempo e distâncias mudam, e abrimos nossas mentes para outras dimensões. Passamos então a falar sozinhos. Conversas com nós mesmos ou com outras entidades mais distantes podem se tornar frequentes. São famosos os colóquios de Slocum com um dos pilotos de uma das caravelas de Colombo, não me traindo a memória a Pinta. Creio que é uma condição quase geral aos navegadores, principalmente os solitários. Não é o meu caso quando se trata de longas jornadas. Mas, mesmo assim, naquele turno da meia noite às duas a cabeça fatalmente envereda por caminhos pouco trilhados, às vezes complexos, outras vezes muito simples. E lá estávamos nós num ponto indefinido entre ilhas Canárias e o arquipélago do Cabo verde. Era meu turno. Bom vento de popa, íamos em asa de pombo. Um barulho já conhecido e Saio do cockpit para buscar o peixe voador que se estatelara perto do mastro. Fritos na manteiga com tiquinho de sal são deliciosos ao café da manhã. O mar ligeiramente irritado obrigava uma mão ocupada para a certeza da permanência a bordo. Aconteceu que ao passar o braço em volta do mastro para, com a outra mão, segurar o coitado do

voador, senti uma forte dor na palma da mão, como se alguém estivesse me enfiando uma agulha. E a dor foi aumentando rapidamente sem que eu soubesse o que era. Deixei o breakfast se debatendo no convés e voltei à cabine. Peguei uma lanterna e iluminei a mão. Estava vermelha e inchada com um ponto meio esbranquiçado ao centro do inchaço e doendo cada vez mais. Uma abelha! Macaco véio, tirei o ferrão. A dor arrefeceu quase que imediatamente. Com a lanterna na mão voltei ao local do crime e procurei. Lá estava ela, a abelha... morta! Aqui começa o monólogo. É incrível a potência de um veneno destes. Se causa tanta dor num sujeito de oitenta quilos o que não faria com um ser do mesmo tamanho dela? As abelhas, como todos sabem, vivem numa sociedade altamente especializada. Há diferentes indivíduos para diferentes funções. Soldados, obreiras, zangões e rainhas e tudo funciona em direção a um mesmo objetivo. Caso raro entre animais, os machos zangões são haploides – já fui um biólogo – e produzem espermatozóides por mitose. Poxa!, ainda me lembro destas coisas... há mais de 25 anos não dou aulas. Aquilo que fica no local da picada é um pequeno saco de veneno com um ferrão numa extremidade e um feixe de músculos na outra; músculos que ficam se contraindo e bombeando a peçonha

de renda, sentindo o bafo quente do leão nas savanas do cangote em recessão, quem não se familiariza com caixa dois que atire a primeira pedra... Como o que vimos no espelho das nossas profusas telas cotidianas, nos onipresentes espertofones em nossas mãos e nas tevês-jornais das paredes de todos os bares, não foi bonito, bateu aquela baixa entrando pela alta. Firme. O tal cavado supracitado. E qual maridos traídos, oscilamos bipolarmente entre o desejo masoquista de conhecer toda a verdade e a vontade escapista de não saber mais nada. No céu coalhado de cumulus congestus, os embriões dos tenebrosos nimbus, vamos tentando achar o melhor rumo para nossas vidas e nosso país. Que a alta se reestabeleça logo e os ventos quentes, secos e bem-vindos pintem novamente de azul nosso firmamento. Isto posto, a base emocional geral onde assenta nossa humilde reflexão outonal, podemos prosseguir com a onda de pensamentos negativos. Um swell sinistro de bad vibes, traduzindo em surfistês zona sul. Desculpe, leitor! A fase é bem ruim mesmo...

Apesar do velejo sensacional de batera anteontem em Búzios, a classe mais charmosa da vela mundial hoje, fui assaltado por um pensamento sombrio sobre nosso desenvolvimento náutico, sistema educacional e trato com o meio ambiente. Tudo junto e misturado. Ao mesmo tempo. Indo e voltando hipnoticamente como um funk engasgado num disco arranhado. A minha velha Armação, da infância pelada em João Fernandes, do filé de cação na idade das cavernas da futura rua das pedras (sacada genial de marquetingue local), em tem-

pos de feriado e escunas lotadas de turistas é algo que não anima nem Poliana. Aliás, Poliana adquiriu tendências suicidas depois do verão posterior à última novela filmada no balneário. A visão do inferno. O verdadeiro terror em alto mar. Para não mencionar o barulho do capeta que aquelas caixas de som gritam com ferocidade para espantar qualquer traço de pensamento inteligente que porventura possa tentar prosperar naquelas mentes que acreditam, frenética e compulsivamente, estar se divertindo. Talvez a depressão que chega das altas latitudes seja um pouco mais forte do que previa o índio guru. Teria este navegador sido otimista demais no seu próprio pessimismo crônico? A ver. Sigamos. O tempo não para, já dizia Cazuza. Quando, instado por um amigo que peregrina há meses para construir um mísero píer em sua casa, fui pensar sobre nossas autoridades, aquáticas, anfíbias e terrestres, répteis ultra desenvolvidos, e seu fetiche escatológico pela bu(r)rocracia a coisa nublou de vez. Nem uma forte oração para São Lexotan resolveu! Deu pane! Tico e teco se aliaram, cada um, a um petista e um tucano, e entraram em conflito eterno e insolúvel! Incompatibilidade de gênios. Deu ruim! Um muro mexicano e cisjordaniano construído simultaneamente em plenos lóbulos frontal, parietal, occipital e et cetera e tal. Que nostalgia de quando tudo era apenas muito ruim. Melhor não pensar mais nada porque o espaço está acabando. Assim como nossa paciência. Ainda bem... De repente comecei a refletir sobra a ligação que a violência urbana tem com esta falta de investimento em educação proporcionada por um estado corrupto e burocrático... Nãoooo!... Baratas kafkianas venham nos salvar! No dia 23 de abril e nem o escudo generoso de São Jorge me impediu de ler a pichação no muro da comunidade da Boca do Mato, mais uma franquia do Comando Vermelho nesta região de tantos lagos. “Deus proteja o CV. E as criança (sic) da favela”. E, se tiver tempo, que me proteja também. Porque estou pensando em ir rapidinho ali me suicidar um pouquinho e já volto. Uma ópera odebrechtiana de muito mais que três vinténs. O suduca entrou rasgando desta vez!... Murillo Novaes é jornalista especializado em náutica. Mantém o blog www.murillonovaes.com

Coluna do escritor José Paulo de Paula para dentro da vítima. É a guerra química! A morte do inseto me parece um contra-senso; a artilharia de defesa ficaria desfalcada a cada picada, mas a abelha não aguenta deixar seu saco de veneno no inimigo, é como um violentíssimo estupro ao contrário. Por outro lado, as abelhas são insetos que voam, todo mundo sabe... Acho. Pelo menos aquela que me picou, antes de morrer deveria voar, senão, como poderia ter chegado ali? Ora! Se ela voava antes de me picar e, ao fazer isso deixa sua bolsa de veneno pendurada em minha mão, fato este que provoca sua morte e depois de morta ela não voa mais, sequer se mexe, parece absolutamente conclusivo que o órgão responsável pelo voo seja aquele saco com veneno e músculos agregados. A lógica parece inatacável. Se Sócrates tivesse se baseado nesse tipo de raciocínio possivelmente não teria sido condenado à cicuta. Hummm! Acho que criei uma teoria fresquinha. Eu sei que já há estudos rigorosamente científicos sobre o assunto, mas me agrada imaginar coisas que os cientistas jamais pensariam. Moitessier, por exemplo, durante sua volta e meia ao globo sem parar, imaginava uma espécie de plâncton aéreo que serviria de alimento aos grandes pássaros marinhos que plainavam dias e dias e dias seguindo seu Joshua. Pensou nisso porque, não raro, ficava

muito tempo sem vê-los se alimentando e não achava possível que pudessem ficar tanto assim sem combustível. Pois então, voltando às abelhas, acho que a energia gasta na produção do veneno e na inoculação deste é enorme. Assim, para um animalzinho tão frágil ter que se livrar da bolsa deixando-a presa ao inimigo da colmeia seria fatal. Isso então a mataria e, uma vez morta, não poderia mais voar. Fica claro então, o porquê de um número tão grande de soldados presentes na colmeia. Some-se a isso o balanço constante do barco nas ondas e chegaremos à conclusão que... Mas... peraí! Não há uma colmeia – no máximo um pote de mel industrializado que custou os olhos da cara – a bordo e estamos a mais de 400 milhas da terra mais próxima! Como, por todos os capetas chifrudos e mancos que saltitam alegremente pelos corredores do palácio do governo, essa abelha chegou até aqui????!!!! A teoria para essa questão terá que esperar meu próximo turno porque já ouço o outro cientista se preparando para me substituir. Ele é médico cirurgião e fala muito sozinho; isso faz que durmamos com um olho fechado e outro aberto. José Paulo é biólogo, artista plástico, capitão amador, violeiro, cervejeiro artesanal e autor dos livros “É proibido morar em barco” e “Divã Náutico” que podem ser encomendados em zepearte@gmail.com


Umas e Outras

Histórias de um navegante im pre ciso

a lio Vian Por Hé

A viagem do Samba e outras histórias Eu já falei aqui neste espaço, na edição 22, que Renato Botelho e Susy Collingwood, o 1º casal brasileiro a circum-navegar o globo em um veleiro, estavam escrevendo um livro. Pois é, a espera valeu a pena. Trinta e dois anos depois do fim da viagem – o casal partiu da Marina da Glória em novembro de 1979 e voltou no Natal de 1985 – saiu do prelo “Águas Navegadas – a viagem do Samba ao redor do grande mundo”. O lançamento e noite de autógrafos foi após palestra no Rio Boat Show. Quando na faculdade, Renato achou um livro que o arrebatou: A Expedição Moana, sobre um grupo de franceses que fez uma circum-navegação praticando caça submarina. “Começaram então os sonhos, se eles fizeram é possível!”. A ideia original era “viajar, conhecer outros lugares, mergulhar e velejar”. Águas Navegadas descreve as alegrias, tristezas, dramas, perigos, conflitos, encontros e desencontros ocorridos durante os seis anos de viagem, 35 mil milhas navegadas e 316 ancoragens em 35 países.

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Eduardo Sylvestre Lei de Salvatagem e abandono Acabei de chegar de Mossel Bay, na África do Sul. Uma baia linda a 500 quilômetros de Capetown, na província do Cabo Ocidental banhado pelo oceano Índico. Foi lá o lugar escolhido para a Clínica de laser para países emergentes da World Sailing (ENP Clinic) e fui um dos dois técnicos responsáveis por executá-la. O objetivo destas clinicas é melhorar o nível técnico tanto dos velejadores como dos técnicos do continente africano preparando-os para o campeonato mundial da Juventude que este ano será em Sanya, China. Participaram conosco 13 velejadores e 7 técnicos de 7 países africanos. O lugar é fascinante, uma pequena cidade portuária limpa e segura com pouco mais de 80 mil habitantes com um mar lindo, claro, com muitos tubarões , focas e ventos de moderados a forte com ondas que podem chegar a 9 metros de altura. Ao chegar no MYC (Mossel Bay Yacht Club), reparei 4 veleiros de porte médio (26 a 40 pés) apoitados na frente do clube. No primeiro dia da clínica, tivemos ventos extremamente fracos pela manhã, cerca de 3 a 6 nós. Já a tarde passamos para 8 a 16 e a noite percebi um vento extremamente forte e ondas e vagas ganhando um certo volume. No segundo dia o vento já estava bem mais forte e constante com rajadas de 20 a 24 nós e ondas por volta de 3 metros. No terceiro dia reparei que só tinham 3 barcos na frente do clube e como sou curioso, perguntei se o veleiro tinha saído para navegar. Fui informado que devido as fortes ondas e ventos da noite anterior o veleiro havia se desprendido da poita e foi recolhido por uma empresa de salvatagem ao encalhar na praia. Esta notícia me pegou de surpresa pois tinha passado ao redor do veleiro no dia anterior. Neste dia começamos nossos treinos com 16 nós de vento e depois de certo tempo o vento começou a apertar bastante.

Quando as rajadas começaram a aumentar cancelamos a parte prática e voltamos para a teoria, as rajadas estavam entre 25 e 30 nós. No quarto dia a primeira coisa que me chamou a atenção na baia foi que só havia 2 veleiros apoitados e novamente descobri que houve outro resgate pelo serviço de salvatagem da cidade. Conversando com o Comodoro do clube,

No Brasil temos uma lei no código civil (1.233 a 1.237 da Lei 10.406/02), onde o descobridor de uma embarcação à deriva não tem o direito imediato do achado, mas tem o direito de uma compensação que é de no mínimo 5 por cento do valor da embarcação mais despesas com a salvatagem, que pode chegar a 30 por cento do seu valor. No entanto após publicação em jornal e boletim de ocorrência, caso não se ache o dono o barco, ele pode ser transferido ou vendido para o seu salvador. Isso vale também para pedido de ajuda no mar, ou seja, cuidado quando precisar de ajuda, pois o ajudante pode reclamar direito de indenização em relação ao barco. Todos temos o dever de acudir e salvar a vida humana no mar, mas não a embarcação.

ele me explicou que é extremamente comum perder barcos por desprendimento de poitas: “Aqui na África do Sul qualquer pessoa que resgata uma embarcação à deriva e previne esta de afundar ou bater nas pedras se torna “dono” da embarcação”, disse Rob Holden o Comodoro. A lei de salvatagem na África do Sul dá direitos a quem recupera a embarcação de requerer a propriedade sobre a mesma, esta é uma lei muito antiga que remonta à idade média e em alguns países é levada bastante a sério o que infelizmente motiva pessoas a comprar rebocadores para fazer salvatagem com o único intuito de capturar o barco e sua carga para recompensa ou apropriação. Nos Estados Unidos um resgate vale de 20 a 35 por cento do valor barco e carga, e caso não haja reclamação pode até chegar a apropriação da embarcação com valor de até 100 por cento dela...

Nossa lei civil também dá direito de reclamação no valor de 5 por cento do valor da embarcação mais valor de despesas como mão de obra, resgate etc., o que também pode elevar o valor até 30 por cento do valor real deste barco. Voltando a Mossel Bay, no sexto dia as ondas já estavam beirando os 6 metros e ventos variavam 9 a 18 nós, e no último dia só havia o Veleiro do Comodoro na frente do clube!! Quando você tiver a oportunidade de visitar este lugar encantador, se for de veleiro tenha alguns cabos extra e ancoras extras para não passar nenhum apuro, pois caso haja algum incidente infelizmente poderá perder seu veleiro... Bons Ventos! Eduardo Sylvestre é Diretor do Programa de Desenvolvimento da CBVela, Expert da ISAF, técnico nível 3 da USSailing e ISAF World Youth Sailing Lead Coach.

Almanáutica muito mais que um jornal! O livro, bem ilustrado, descreve aspectos técnicos da navegação oceânica a vela. No tempo que se usava sextante para localização (lembre-se que até os anos 80, o GPS era usado apenas pelos militares americanos) e a previsão de tempo chegava por código Morse! No Panamá Renato instalou um rádio SSB, o FT707 que era o modelo mais recente da Yaesu, a partir daí, interpretando os “dí-dá” entre vários “crics-cracs” que chegavam pelo éter, ele desenhava as isóbaras em um plástico por cima da carta náutica e tinha, assim, uma sinótica de previsão. Trabalho de monge budista, ou de velejador raiz. Nessa época estavam na água o baiano Aleixo Belov, em solitário no Três Marias, o que rendeu o melhor dos seus livros, e o velejador boa-praça Hélio Setti Jr., que além de muitas peripécias também fazia pesca submarina, cujo livro póstumo é considerado o melhor relato de viajem a vela em língua brasileira. De volta à Salvador, a tripulação do Samba foi a uma cerimônia na Capitania dos Portos em homenagem a Amyr Klink, que acabara de completar a travessia a remo do Atlântico. Seus “100 dias entre céu e mar” e “Do Rio à Polinésia” do Cabinho, são também dois livros cult da nossa literatura náutica. No fim, Renato chegou à conclusão que “a riqueza da viagem acabou sendo o contato humano com pessoas de origens, raças, costumes e culturas diferentes”. A mesma coisa que um dia ouvi de Lin Pardey: people – that’s what cruising is all about. Se você quer participar dessa experiência de vida e de aventuras, mande e-mail para veleirosamba@yahoo.com.br Hélio Viana é cruzeirista de carteirinha, mora a bordo do MaraCatu, leva a vida ao sabor dos ventos e mantém o maracatublog.com

fazer um depósito no valor que decidiu pagar. Gostou? Entre em contato e faça agora sua assinatura. E pague o quanto quiser (veja no site os detalhes e opte pelo tipo de pagamento: boleto cartão de crédito, PayPal, PagSeguro...). Mande um email para falecom@almanautica.com.br com sua proposta de valor e solicite um boleto ou dados para depósito!

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Seguindo as novas tendências da Europa e Estados Unidos, o chamado PWYW (Pay What You Want), o Almanáutica dá ao seu leitor a oportunidade de avaliar o quanto quer pagar pelo seu serviço de assinatura. O quanto você acha importante e o que cabe no seu orçamento. Funciona assim: Em alguns casos de PWYW – como na proposta do Almanáutica – existe um valor mínimo praticado para que os custos sejam pagos. A partir desse preço mínimo, você avalia quanto acha que o nosso trabalho vale. A partir deste valor, você avalia quanto o Almanáutica merece receber a mais pelo conteúdo e trabalho. Se você acha que esse conteúdo e nossa proposta valem um pouco mais do que simplesmente cobrir os custos e se isso cabe no seu orçamento ANUAL. Aí basta solicitar um boleto ou Almanáutica: Jornalista Responsável: Paulo Gorab Editor: Jornalista Ricardo Amatucci MTB 79742/SP ISSN: 23577800/30 Publicação bimestral, distribuição nacional Ano 05, número 30 maio/junho de 2017

Você tem uma história engavetada? Na cabeça? Pensou em contar suas velejadas? Escreve poemas, contos, ou tem um romance para publicar? Ganhe dinheiro vendendo seus livros. Agora o Almanáutica também é editora. Ajudamos você a realizar seu sonho e de quebra damos as dicas de como ganhar com isso. Dê um pulinho no site do Almanáutica e saiba mais sobre os custos envolvidos e sobre como poderemos ajudá-lo com esse projeto. Não deixe seu sonho engavetado. Publique seu livro! Nós assessoramos você da capa à diagramação, passando pelo registro na Biblioteca Nacional, elaborando a ficha catalográfica, o ISBN, o código de barras, tudo para que sua obra fique profissional, bem apresentada, bonita e correta. Nada de amadorismo. Você entrega seu original em word e recebe as caixas de livros com cheirinho de novos! No site do Almanáutica existe uma ideia de custos e de como você vai poder ganhar dinheiro com seu sonho. Dê um pulinho lá e veja os detalhes. Depois mande um email pra gente!

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Depto. Jurídico: Dra. Diana Melchheier Contato: falecom@almanautica.com.br Almanáutica é uma marca registrada. Proibida a reprodução total ou parcial. Visite nosso site: www.almanautica.com.br

Foto da capa: A foto de Christophe Jouany (Jouany@vds2017) mostra a flotilha navegando durante a Voiles de St. Barth 2017


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4 A Bordo

regata

Guarapiranga - SP

Encontro de campeões e Semana de vela Mundial de Freeride A Marina Jacob Adventure é sinônimo de aventura, esporte, náutica e muito lazer. Tem experiência alcançada não só pela sua tradição desde 1994, mas também pela continuidade na representação e comercialização de novos e modernos produtos. Através dos grandes eventos realizados com freqüência a empresa encurta cada vez mais a relação entre a empresa e seus clientes.

Bruno manobra, na foto de Lucciano Cruz

Recentemente realizaram a Travessia Náutica Ribeira Itacimirim. Foi um sucesso e movimentou bastante o litoral de Camaçari em março, partindo da Praia da Ribeira em Salvador com destino a praia da Espera em Itacimirim, com 103 jets vindos de diversos municípios como, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Alagoinhas e de Salvador. Na foz do Jacuípe ocorreu o encontro de todo esse pessoal com o grupo de Camaçari que saiu da Marina Jacob Adventure e da marina Pro Jet. Nas 47NM navegadas em todo o roteiro foi acompanhado por uma equipe com três camionetes 4X4m com dez integrantes, para apoio aos navegantes. Na chegada na Praia da Espera todos foram recebidos com música e boas vindas, em torno de trezentas pessoas estavam na praia esperando e aproveitando as belezas naturais. O campeão de Freeride (manobras radicais) Bruno Jacob segue na preparação para o circuito mundial, que ocorrerá nas datas abaixo: Biscarrose, França - 05 a 08 de maio Newquay, Inglaterra - 12 a 15 de maio Nazaré, Portugal - 19 a 22 de maio Oregon, EUA - Setembro Florianópolis, Brasil - a confirmar Kamisu, Japão - 03 a 06 de novembro “Desde que finalizei em 2º lugar ano passado numa crescente dos anos anteriores, tenho me dedicado mais a cada dia desafiando toda a minha equipe na preparação do equipamento na Jacob Adventure e do meu corpo com o time de profissionais da melhor categoria”, conta Bruno Jacob. A Bordo vai ao ar todos os domingos das 10h às 11h pela Metrópole FM de Salvador: metro1.com.br Baixe o app e ouça em qualquer lugar!

As gerações de Campeões Brasileiros da Classe Optimist de 1973 a 2017 encontram-se no YCSA. Encontro de campeões O YCSA – Yacht Club Paulista é um celeiro de campeões há muitos anos. E não estamos falando de Robert Scheidt, embora ele seja do clube paulista da Guarapiranga. Neste mês de março, três campeões brasileiros de Optimist de diferentes gerações se encontraram no clube. Eduardo Melchert, nosso primeiro campeão brasileiro de Optimist em 1973 (e depois em 1975); seu filho, Gabriel Melchert, campeão brasileiro de Optimist em 2004, e Nicolas Bernal, o mais recente campeão brasileiro deste ano. Gabriel Melchert é treinador de Nicolas há dois anos. Você pode acompanhar a carreira de Nicolas através do site dele em www.nico.blog.br

Semana de Vela

A Semana de Vela de São Paulo agitou o feriado de Tiradentes em nada menos que três raias da Represa Guarapiranga. Com sede no YCSA e apoio da FEVESP, do Yacht Club Paulista e do Clube de Campo São Paulo, as regatas foram válidas para mais três campeonatos: 1ª etapa do Paulista de Lightning, 4ª etapa da Copa Paulista e a 4ª etapa da Copinha de Estreantes 2017. Na Raia 1 (YCP), estavam as Classes FD, 470 e 49er, 420 e 29er, DS, DI e Opt. Entre a 1 e a 2, batizada de Raia 1,5 (YCSA), ficaram as classes da Copinha de Estreantes.

O encontro dos Campeões no YCSA: Gabriel Melchert, Nicolas Bernal (no centro) e Eduardo Na Raia 2 (YCSA), as Classes LightMelchert ning, Star, Snipe e Laser. (pai de Entre a 2 e a 3 (Raia 2,5) ficou o Gabriel) Windsurf. E na Raia 3 (CCSP), HPE25, HC14/ HC16/A-Class/Nacra, MO, MI, F16,5 e demais classes de rating.

Rio de Janeiro - RJ Brasil Centro de Optimist

Junto com o Campeonato Brasileiro da Classe Optimist, o Brasil Centro define os nomes para campeonatos internacionais O Campeonato Brasil Centro de Optimist 2017, válido como 2ª etapa da seletiva para classificação aos campeonatos internacionais aconteceu em abril. O campeonato foi disputado na raia Pão de Açúcar e Escola Naval, no Rio de Janeiro e contou com a participação de 131 velejadores veteranos e 39 estreantes. Lorenzo Balestrin (veteranos) e Pedro H. Silva (estreantes), ambos do Clube dos Jangadeiros foram os campeões. Marina da Fonte velejadora do Cabanga Iate Clube de Pernambuco foi o grande destaque ao liderar a classificação feminina em praticamente todos os dias de regata, encerrando a competição em primeiro lugar entre as mulheres e terceiro lugar na geral entre os veteranos. Assim ela se classificou para o Campeonato Mundial da modalidade, que acontece entre 11 e 21 de julho, na Tailândia. Veteranos após 11 regatas: Lorenzo Balestrin - Clube dos Jangadeiros Roberto Cardoso - Cabanga Marina da Fonte - Cabanga Estreante após 7 regatas: Pedro H G Silva - Clube dos Jangadeiros Rafael B B Vial - Yacht Clube da Bahia Valentina M S P Cunha Yacht Clube da Bahia

Equipe brasileira de Optimist já embarcou rumo ao Sul-Americano, no Paraguai

Optimist - Entenda o ranking Em 2017 o ranking de classificação para os campeonatos internacionais da classe foi estabelecido a partir das regatas do Campeonato Brasileiro de Optimist e do Campeonato Brasil Centro de Optimist. Esse ranking estabelece a prioridade de preenchimento das vagas para os seguintes campeonatos: Campeonato Mundial de Optimist de 11/07 a 21/07 – Tailândia – 5 velejadores. Campeonato Europeu de Optimist de 30/07 a 6/08 – Bulgária - 4 velejadores, um de cada gênero no mínimo. Campeonato Norte Americano de Optimist de 25/06 a 02/07 – Canadá 15 velejadores, sendo 4 velejadores de cada gênero no mínimo. A atual colocação no ranking para preencher essas vagas está assim:

1) Nicolas Bernal (YCSA/SP) 2) Marina da Fonte (Cabanga Iate Clube de Pernambuco) 3) Bernardo Pereira (Yacht Clube da Bahia) 4) Leonardo Crespo (ICRJ) 5) Luiz Correia (Charitas) 6) José I S da Silva (Iate Clube de Santa Catarina) 7) Guido V Hirth (ICRJ) 8) Lucas M Stolf (Veleiros do Sul) 9) Germano B Santos (Veleiros do Sul) 10) Vinicius C Koeche (Jangadeiros)

Outros atletas estão classificados, já que as categorias também são levadas em consideração. Acompanhe no site do Almanáutica as principais competições!


Porto Alegre - RS

Copa Veleiros de Monotipo começa no ICSC

Santa Catarina - SC

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Sul-Americano Júnior de Snipe Tiago Brito e Antônio Rosa (Jangadeiros/ RS) conquistou o título Sul-Americano Júnior da classe Snipe. O campeonato aconteceu em San Isidro, Argentina em abril. Na geral o título ficou com Luis Soubie e Diego Lipszyc (AR), atuais vice-campeões mundiais. ”Saímos muito satisfeitos com o resultado no geral. Na terceira regata a gente estava em primeiro, mas infelizmente a prova foi cancelada. O título no Júnior e o sexto lugar no geral diz muito que estamos no caminho certo”, contou Tiago Brito. É o segundo título Sul-Americano na carreira dele. Em 2014, na cidade de Porto Alegre (RS), a vitória foi ao lado de Victor Sabino. Tiago Brito também foi campeão Mundial da Juventude de Limassol 2013 na classe 420.

João Pessoa - PB

Brasília - DF

Flotilha de Oceano de Cabedelo

Regata Comodoro 2017

Com apoio do Iate Clube da Paraíba foi reativada a Flotilha de Oceano de Cabedelo - FOCA. Com um bom trabalho do qual participa Edvaldo Sobreira Barbosa, foi realizado em 2016 o campeonato Paraibano com 6 etapas, e com uma média de 10 barcos por regata. Para 2017 já serão oito regatas. A maioria dos veleiros são multicascos e a flotilha conta somente com cinco monocascos.

O Clube Cota Mil de Brasília reuniu muitos atletas na Regata Comodoro 2017, em abril, para comemorar o aniversário de Brasília. A regata é um dos mais importantes eventos náuticos da cidade e teve três dias de muitas atividades. Entre muita festa, diversas regatas agitaram as águas do Paranoá: a tradicional 3ª Taça Cota Mil de Vela Adaptada foi uma delas. Além dela, regatas para a Classe Optimist (veteranos e estreantes), regata de Monotipos para as Classes Finn, Laser, Standart, Radial, 4.7 e Dingue. Houve ainda a regata de Oceano para SMP2, RGS A, RGS B, Regra de Cruzeiro e para as Flotilhas Delta 26, Fast 230, Ranger 22, Velamar 22. Parabéns aos brasilienses e ao Cota Mil pela brilhante festa!

Escolinha de vela no I.C. da Paraíba Nessa toada a ABVO já indicou a realização do Campeonato Brasileiro da Classe MOCRA de 2017, nos dias 12 a 14 de outubro. Edvaldo tem trabalhado há vários anos pela vela brasileira, com destaque para a nordestina. Em 2014 já trabalhava pelo ressurgimento da Flotilha de Laser em Natal, como vice-Presidente ABCL e Coordenador da Regional Nordeste. Também atuou para organizar o Circuito Nordeste realizado nos estados de RN, PB, PE e Al. Atualmente é o Capitão da Flotilha de Oceano, Coordenador da Classe BRA RGS na Paraíba e na ABVO, está como Coordenador da Classe MOCRA, além de Coordenador da Classe Laser no Nordeste. Por falar em Laser do NE, o Regional Nordeste da Classe Laser acontecerá nos dias 7 a 9 de setembro em João Pessoa.

Marinha determina regras para Banana Boat

A DPC atualizou as regras relacionadas às atividades para “banana boat”. Agora é proibido o transporte de crianças menores de 7 anos. De 7 a 12, só acompanhadas ou autorizadas pelos pais ou responsáveis. É de responsabilidade do condutor ou proprietário da embarcação obter a anuência dos pais. A criança deverá ter condições de apoiar seus pés no local apropriado e mãos segurando na alça. Recomenda-se que as crianças estejam posicionadas entre dois adultos e o número de passageiros está limitado a cinco. A embarcação rebocadora, quando comercial deverá ser conduzida por um aquaviário e dispor de um outro tripulante a bordo, que poderá ser amador, para observar a operação. Item 0112 do Capítulo 1 da NORMAM-03/DPC, em www.dpc.mar.mil.br.

A Copa Veleiros de Monotipos do ICSC começou em março, na subsede do clube catarinense em Jurerê. A flotilha de Optimist contou com excelente número de velejadores mostrando que o trabalho feito com a vela de base tem dado bons resultados. Que o diga Sofia e Isabela Rocha. Isabela também foi a quarta colocada entre as meninas no Centro Sul de Optimist e garantiu uma vaga na equipe brasileira que disputará o Campeonato Norte-Americano. (veja a matéria sobre o Optimist na página 04). E Sofia garantiu o título Catarinense com apenas dois pontos de vantagem sobre Isabela. Fernando Menezes completou o pódio na terceira posição. Nos Estreantes, Felipe Costa venceu a etapa com um ponto de vantagem sobre Gean da Cruz, e entre as meninas Maria Sambatti foi a campeã. Jose Irineu da Silva e João Gerônimo da Silva também foram destaque no Optimist do ICSC e já embarcaram ruma ao primeiro compromisso internacional, o Sul-Americano de Optimist no Paraguai, Já na classe Snipe, esteve representada com treze duplas (Adriano Santos e Christian Franzen com o título da etapa), com Felipe Linhares e Andreis Castro em segundo e Daniel Matos e Michel Durieux terminando a etapa na 3ª posição. Na Dingue Henrique Grisard e Marilia Fragoso conquistaram a etapa. A dupla Rafael Servaes e Samer Kayali disputaram a primeira etapa na classe 420, recém saídos da classe Optimist. A etapa marcou também a vitória de Matheus Dellagnelo - um dos principais nomes da classe Laser Standard no país. Com Alex Veeren, vice-campeão, essa dupla promete aparecer no próximo ciclo ao lado do velejador olímpico Bruno Fontes. Pedro Paulo da Silva foi o vencedor na Laser Radial. Como em outros (poucos) clubes do Brasil, o Iate Clube de Santa Catarina colhe frutos dos investimentos que tem feito na vela de base.


ALMANÁUTICA

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Guarapiranga - SP

Les Voiles de St. Barth 2017

Classe Marreco terá Campeonato Paulista O crescimento da Classe Marreco na Represa Paulista da Guarapiranga tem sido surpreendente nos últimos anos. Tanto que 2017 terá um Campeonato Paulista da classe, apoiado e reconhecido pela FEVESP. De uma classe quase esquecida nos anos 2000 para a organização do campeonato paulista passaram-se anos de trabalho de alguns abnegados velejadores e fãs da classe que foi sucesso desde seu surgimento na década de 80. O veleirinho cabinado de 16 pés foi um dos veleiros do estaleiro Velamar, divisão de vela da Cabrasmar. A Carbrasmar foi fundada em 1956 e teve como seu principal engenheiro à época, o alemão Joachim Kürsters. No inicio Logo oficial da Classe Marreco 16 só fabricavam lanchas, mas nas décadas de 70 e 80 o mercado de veleiros iniciou uma expansão no Brasil, estimulando a empresa a entrar no mercado da vela. O projeto do Marreco fez tanto sucesso que teve alguns “clones” fabricados na própria represa, como o “Paturi” e o “Boto”, ambos feitos a partir de moldes baseados no projeto original de Antonio José Ferrer. Com seus 4,90 m (16 pés), linha d’ água de 4,10 m e uma boca de 2,10 m, Na orça, com ventos mais fortes, é preciso habilidade e conhecimento para que o casco não acabe freando mais do que adquirindo velocidade. Nada que desestimule os apaixonados pela classe, ao contrário. Só em 2016 o Circuito Marreco levou uma média de 14 veleiros para as 7 etapas, muito mais – em número de etapas e de participantes - do que disputas tradicionais de classes consagradas e mais ativas como Snipe ou mesmo a Star. O ano de 2017 será intenso para os Marrecos, que terão o Campeonato Paulista e o Circuito

O Windfall briga e vence na Classe Maxi 1, aqui na foto de Christophe Jouany Cerca de 70 equipes participaram da 8ª edição da renomada regata Voiles de Saint Barth, que aconteceu entre 10 e 15 de abril. Saint Barth, ou São Bartolomeu, é oficialmente a “Coletividade de São Bartolomeu”, um território pertencente à França, com 21 km², envolvendo a ilha de São Bartolomeu e outros territórios pequenos próximos à ilha no Caribe. “Foram belos dias de vela”, disse Ian Walker, tático do Windfall 94, que venceu na Classe Maxi 2. Walker acrescentou que a equipe teve algumas boas batalhas com o Sojana de Sir Peter Harrison, assim como com o Aragon de Van Nieuwland, que ficou em segundo lugar, menos de dois minutos atrás Windfall no tempo corrigido. Uma curiosidade na Les Voiles de St. Barth, é que não há opção para pagar 360 ou voltar para a linha e reiniciar se queimar uma largada: ao invés disso é acrescido 10% do seu tempo à pontuação final. Os multicascos formaram uma flotilha eclética, variando entre catamarãs e trimarãs, de 30 a 66 pés, com barcos vintage e barcos de última geração. O Fujin (Greg Slyngstad) ganhou recentemente o St. Marteen Heineken Regatta, também levou esta edição da Saint Barth. Muitas das equipes chegaram para o último dia de competições com a esperança de bater os líderes de sua classe ou tesourar os concorrentes que estavam subindo no ranking. No entanto, devido à falta de vento, o Comitê de Regatas foi forçado a tomar a difícil decisão de cancelar o dia final. Prevaleceram os resultados dos dias anteriores. Mesmo assim ninguém ficou decepcionado. Por lá, a festa é sempre muuuito animada...

Confira os resultados: Maxi 1: 1) Proteus, 2-Prospector, 3-SFS. Na Maxi 2, 1) Windfall, 2-Aragone 3-Plis Play. E na multicascos 1) Fujin, 2- Triple Jack e R-SIX fechando o pódio. CSA 0: 1- Sorcha/2- Fomo/3Earlybird; CSA 1: 1-Fortunata/2-Hotel California tôo/3-Spirit; CSA 2: 1- Oystercatcher XXXI/2Lazy Dog/3- Kick’em Jenny 2; CSA 3: 1- Blitz/2- Liquid/3 – Better Than; CSA 4: 1- Pasco’s Jaguar/2- Solstice/3 – Touch2Play Racing; Melges 24: 1- Team Island Water World/2- GFA Caraibes/3- Boost’n sail.

O Marreco cresce a cada competição e esse ano acontece o estadual da Classe Marreco nas suas agendas. Você pode acompanhar pelo site do Almanáutica (www.almanautica.com.br) as competições, resultados e ver as fotos. O Jornal Almanáutica é o patrocinador do Circuito Marreco.

Angra - RJ

A 1ª Regata JL Bracuhy levou ao mar de Angra nada menos que 300 velejadores

A 1ª Regata JL Bracuhy foi um absoluto sucesso. Tanto que antes mesmo de encerrarem as inscrições após atingiram mais de 300 pessoas e 70 veleiros, eles já preparavam a realização da segunda edição. A regata já estreou fazendo parte do Campeonato de Vela Oceânica organizado pela FARVO – Flotilha Angra dos Reis de Vela Oceânica. Durante a festa de premiação foram sorteados diversos brindes aos participantes. O Jornal Almanáutica sorteou 5 exemplares do Anuário Brasileiro de Vela, de Murillo Novaes (nosso colunista), e forneceu um kit com protetores solares Anasol, contendo protetores masculinos e femininos (com base), e a edição atual do jornal. Afinal por alí todos tem o mar na alma e querem mais conteúdo! Na Classe RGS o resultado foi: 1° Lugar: Staccato, 2° Sinergia e 3° Kybyxu. Na “Clássicos” ficou assim: 1° Lugar: Tha-rado, em 2° Cangrejo e em 3° Lugar, o Marisco.


Submarinos no mar da corrupção?

A Rede Globo divulgou dia 18 de abril que parte do orçamento de R$ 31 bilhões do submarino nuclear brasileiro foi desviado para dois militares de alta patente da Marinha e para o caixa 2 do PT. Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura explicou que a empresa francesa DCNS, escolhida para executar o projeto, procurou a Odebrecht para uma parceria, mas para isso exigiu repasses ilegais O executivo Luiz Eduardo Soares do departamento de pagamentos ilegais da Odebrecht disse que parte do dinheiro era destinada a ex-almirante identificado por ele como “almirante Braga”. Ainda segundo Benedicto, outro almirante também foi beneficiado no esquema, o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz da Silva Pinheiro (que está preso por corrupção). Marcelo Odebrecht, afirmou que parte desse dinheiro foi desviada para repasses ilegais ao PT. O projeto do submarino nuclear brasileiro ainda está em andamento e até o momento já foram repassados para a Odebrecht, que integra o consórcio responsável pelo projeto, mais de R$ 6 bilhões. A Marinha informou que desconhece qualquer irregularidade envolvendo o programa de submarinos e que também desconhece o “almirante Braga” citado na delação. Em que pese a gravidade das denúncias, lembramos que não podemos julgar toda uma instituição pelos atos reprováveis de uns poucos desonestos. E mesmo, que é preciso aguardar com serenidade a apuração dos fatos antes de fazermos um juízo de valor...

Bronca do leitor

Recebemos do leitor Cristiano F. o email bem-humorado (pelo menos no começo...) a seguir, denunciando o não funcionamento dos faróis da Ponta Grossa de Ubatuba, da Joatinga e da Ilha da Moela durante o feriado de Páscoa:

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“ - E ai meu velho? Mudou pra Santos? - Opa! Agora estou perto do mar e do meu barco. A propósito, vamos dar um chego por Paraty este finds? Vai ter um churrasco de amigos mais que legal por lá. Um único porém, é que meu GPS que anda com o Osmar... “osmarcontato”... - Não tem problema, saindo de madrugada fazemos uma navegação estimada e logo que amanheça teremos visual de ilhabela, seguimos o canal e logo que anoiteça teremos os lampejos do farol da Ponta Grossa em Ubatuba, e logo o farol da Joatinga. No retorno o farol da Ilha da Moela nos trará de volta com segurança. - Legal, aproveitamos e tiramos o mofo das cartas impressas. - Legal, a Marinha Brasileira é sábia, mantêm o tradicional e de tecnologia conhecida. Imagina se os gringos resolvem desligar o sinal publico de GPS – como já fizeram, acho que na guerra do golfo... A Aeronáutica Brasileira, se não me engano, também obriga que aeronaves homologadas para vôo por instrumentos ainda utilizem o ILS... O diálogo acima é uma ficção. O GPS não estava com mau contato e tínhamos outro de reserva. Além disso dois dos nossos celulares tinham instalado apps de navegação marítima por GPS. O que é verdade... O churrasco estava ótimo, cheio de amigos e o vento não deu as caras. Os faróis da Ponta Grossa de Ubatuba, da Joatinga e da Ilha da Moela não estavam funcionando. Se você atrasar um imposto vai ter que pagar de um jeito ou de outro, com juros e multa. Não há contrapartida adequada do governo civil, e pelo visto, também a Marinha não cumpre com o mínimo para a a segurança da navegação marítima. Se ficássemos sem sinal de GPS teríamos que aguardar amanhecer para chegar em terra – e olha que quase o circo pegou fogo lá na Coréia do Norte neste finds. O que podemos fazer a respeito?”.

Bem Cristiano, nesse momento de crise que o Brasil atravessa, é bastante fácil entender sua chateação. Infelizmente a Marinha do Brasil também é atingida pela falta (ou deveríamos dizer desvios) de recursos, trabalhando com muito pouco de repasse federal há bastante tempo. Isso afeta grandemente a manutenção de navios, equipamentos entre outros. Nossa sugestão é, sempre que se depare com algo assim entre em contato com a DHN e faça um registro formal. No mais, agradecemos seu email e o prestígio de sua leitura. Fica seu registro! Almanáutica

Mais um drink com Oleg...

Gutemberg Felipe Martins da Silva é um velejador veterano. No início de 2011 ele esteve com o saudoso Oleg Belly em uma de suas expedições na Antártica. É ele quem conta:

“Na ocasião (2011), pretendendo impressionar o Comandante, comprei em Ushuaia um Blue Label antes de embarcar e o entreguei com toda cerimônia dizendo dos 21 anos em que essa maravilhosa bebida fica destilando pelas terras escocesas até chegar em nossos copos. Oleg guardou a bebida agradecido e disse que quando chegássemos no continente Antártico, em nossas ancoragens , beberíamos um bom gole juntos, todos os dias. Isso bastou para me animar. Tradição da Royal Navy aos seus marinheiros, em troca de uma boa faina, um bom copo de scotch. Aproximávamos de Decepcion Island, nossa porta de entrada no Círculo Polar Antártico, o Comandante deu ordens ao seu Imediato (e filho) Igor Belly, que pegasse uma pedra de gelo no mar, já um bom sinal de nossa proximidade do Continente Branco e Igor assim o fez, colocando a pedra de gelo em um balde no convés. Chegada a hora de nosso importante compromisso, já ancorados em segurança em Telephone Bay, dentro de Deception Island, ele me serviu uma boa dose do famoso e antiquíssimo Blue Label, pedindo no entanto que Igor quebrasse o gelo pego ao mar, e servindo um bom whisky on the rocks. O momento não poderia ser mais especial. Antártica, a bordo do emblemático Kotic, na presença do famosíssimo Comandante Oleg Belly, prestes a desfrutar de toda gentileza de um Blue Label, com 21 anos de idade! E ainda on the rocks...uau! Whisky nas mãos, Oleg pede para que eu preste atenção no estalar que vinha da pequena de pedra de gelo imersa no Blue Label, fragmento de, um dia, um imponente “iceberg”. Encostei os ouvidos junto ao copo (aqueles de requeijão) e ele me perguntou: - ”Quantos anos tem esse whisky, Guta? Respondi ainda orgulhoso, tentando disfarçar o desapontamento de experimentar pela primeira vez um Blue em um copo de requeijão (risos): - ”21 anos Oleg!”... ao que ele me falou: - ”Está ouvindo essa bolhas de ar? Estão presas ai a milhares de anos...” engolindo de uma só vez a dose do já não mais tão excelente whisky.... Bom, assim era Oleg! Sua pátria se chamava MUNDO. O conheceu como poucos. Admirava cada detalhe da natureza e desfrutava desses momentos como se nunca houvesse ido à Antártica. Eu ficava impressionado em ver sua empolgação com uma baleia surgida na proa do veleiro, uma orca que com nós cruzou em rumos inversos no Estreito de Gerlach e assim por diante... isso era importante para ele. O simples.... O que era uma bebida com 21 anos de destilação se o gelo em que ela estava possui o ar de milhares de anos?

Snipe homenageia Bibi Juetz

O 1º Campeonato Sudeste Brasileiro da classe Snipe realizado no Yacht Club Paulista entre 29/4 e 1/5 homenageou a mais longeva velejadora de Snipe da história do Brasil, Bibi Juetz. Campeã Mundial Masters (1998 com Felipe Vasconcellos), atualmente com mais de 80 anos de idade, Bibi é uma lenda do Snipe. Ela começou a velejar com 7 anos com seu pai, num 20 metros. Em 1948 no Rio de Janeiro ela conheceu e velejou pela primeira vez de Snipe. O Sudeste Brasileiro de Snipe ocorre na mesma raia do Brasileiro da Classe em 2019. A previsão é de 50 barcos na raia, com o comando de juízes que participaram do comitê da Rio 2016.


ALMANÁUTICA

8 Meteorologia & Oceanografia

Por: Luciano Guerra

Grande parte dos programas, aplicativos e sites solicitam as seguintes informações de configuração inicial para um cálculo de derrota seguro: - Percentual de desempenho da embarcação em relação à sua curva polar. Com o tempo, a embarcação vai perdendo desempenho por uma série de fatores, tal como velas expandidas, cabos velhos, etc., sem conseguir atingir 100% do desempenho, obrigando o comandante a inferir um valor percentual menor que o total exibido no gráfico; - Velocidades máximas para cada ângulo de vento. Cada embarcação possui uma relação de velocidade do casco para cada ângulo de incidência de vento, e estes valores devem ser informados ao software como fator de ajuste de desempenho. - Vento máximo de rajada. Em algumas ferramentas o comandante tem a opção de informar o valor máximo de rajada que ele encara. - Vento máximo de proa. É o valor máximo que o comandante deseja tolerar no contravento. - Vento máximo de popa. É o valor máximo que o comandante deseja tolerar no vento de popa. Após configurar a curva polar da embarcação defini-se o ponto inicial e final da derrota e, por fim comandar o cálculo. Cabe ressaltar que após o terceiro dia de

(Continuação da ed. 29)

Aplicativos que usam meteorologia para traçar sua derrota (Parte 2) singradura, a previsão se torna cada vez mais degradada, fazendo-se necessário um novo cálculo de derrota a cada três dias, configurando a time-zone da região. Os mais sofisticados programas de Weather Routing permitem configurar níveis de conforto para a derrota pretendida, como altura das ondas, rajadas máximas, entre outos parâmetros. Há opções para todos os gostos – digo bolso – do freguês. Os mais famosos são, Weather4D (http://www. weather4d.com), PredictWind (https:// www.predictwind.com), qtVlm (https:// sourceforge.net/projects/qtvlm), Nobeltec (http://www.nobeltec.com) e NaviWeather (http://www.naviweather.eu). Não podemos negar que antes e durante uma longa travessia, a utilização de ferramentas de Weather Routing é de extrema importância, no entanto não se esqueça que elas só funcionam se você possuir meios de aquisição das informações (aquisição de grib files), que atualmente são enviadas, em grande parte, através de uma conexão internet. Em sua maioria, as ferramentas costumam trabalhar da mesma forma, no entanto temos as nossas preferências. Atualmente utilizo o site www.fastseas.com para auxiliar na determinação das minhas derrotas, pelo simples motivo dele (o site) considerar não somente as condições de vento, mas também de corrente, resultando em previsões muito mais acertadas.

Cálculo feito pelo site fastseas para a derrota Noronha - Floripa Posteriormente realizo uma comparação dos dados baixados no site GRIB US (http://62.148.188.51/Home.aspx) visualizados no NaviWeather. Quando em navegação na América do Sul, nunca deixo de consultar a carta sinótica emitida pela Marinha do Brasil. No mais, sejam muito criteriosos quando o assunto for previsão de tempo e nunca se arrependerão de ter saído para velejar. Bons ventos. Luciano Guerra, é Capitão Amador, especialista em meteorologia pela UFF/RJ e trabalha com modelos meteorológicos.

Izabel Pimentel na Golden Globe Race

Izabel Pimentel, veterana na Mini Transat e primeira mulher da América Latina a completar uma volta ao mundo em solitário agora encara mais uma aventura: vai somar às mais de 66 mil milhas em solitário outra volta ao mundo na nova versão da nova Regata Golden Globe, conforme anunciou dia 15 de abril em sua página do Facebook. A regata pretende reviver a volta ao mundo em solitário e sem escalas realizada por lendas como Sir Robin Knox-Johnston e Bernad Moitessier, na Sunday Times Golden Globe Race de 1968. A atual edição prevê a não utilização de equipamentos modernos como GPS, telefone celular, radar e outros, como na edição original. Izabel já negociou seu novo veleiro para a aventura: um Rustler 36. Ela já tem patrocínio mas procura novos parceiros: “ainda tem lugar para mais adesivos no casco!”, contou, numa entrevista exclusiva que você pode ler em nosso site. Gustavo Pacheco é o outro brazuca na competição. A nova Golden Globe - como a original - também parte de Falmouth, inglaterra, no dia 14 de junho de 2018.

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cruzeiro Notícias do Caribe

Cuba, seus encantos e desencantos... Para quem está acompanhando nossa odisséia, após nossa segunda temporada de Caribe, dois anos fora do Brasil em nossa casinha flutuante, elegemos Cuba como o local de repouso de Dóris enquanto voltávamos ao Brasil por um período ainda indefinido. Muitos navegadores lendo isso estranharão nossa decisão, afinal Cuba está na rota dos furacões, mas ela foi motivada por um fato a que todos nós que com essa opção de vida permanecemos tanto tempo longe de nossas famílias estamos sujeitos a enfrentar: a enfermidade de alguém que amamos, e o desespero que te acomete - se pudesse voltava a nado! Não me estenderei neste assunto tão triste, mas que já adianto, teve um desfecho feliz. Eu também tinha compromissos de trabalho no Brasil, portanto toca correr para o lugar mais próximo e mais acessível financeiramente e revelou-se uma boa opção, mas foram dias curiosos, em um país cheio de disparidades. Fomos preparando o barco e conseguindo uma janela para turistar: para Havana passar três dias. Belíssima, embora um canteiro de obras a céu aberto, preparando-se para a abertura eminente. Lá as teorias do nosso amigo Aristo sobre a perfeição do sistema Cubano caíram por terra para nós: nos ofereceram drogas, vimos moradores de rua (embora em pequena quantidade) e muita pobreza. A prostituição foi o que mais me chocou, pois ao nos informarmos sobre algum lugar mais típico, que tivesse música local, fomos encaminhados a uma casa de shows. Ao chegar nos deparamos com umas 30 garotinhas entre 13 a 20 anos, e eu, ingênua observei que elas furavam a fila, e que todas eram parecidas com cabelos com mechas e esticados por chapinhas, micro vestidos e saltos gigantescos. Pareciam clones. Formou-se uma fila paralela, onde senhores que pagavam 10 CUCs extras entravam sem enfrentar a fila, mas em contra partida, várias famílias também aguardavam para entrar. Bom, lá dentro ficou óbvio. Naquele ambiente misto, a prostituição era descarada, um nítido mercado de turismo sexual com menores envolvidas. Uma lástima! Parece crítica mas não pensem isso. Me encantei com o povo, com a música, com a

Meteorologia & Oceanografia na prática: Caribe (parte 1)

Aproveitando sua viagem pelo Caribe, nosso colunista especialista em meteorologia, Luciano Guerra escreveu um artigo extra, sobre a prática do aplicativo que usa meteorologia para traçar sua derrota... Em 2014, ano em que o assunto “Mudanças Climáticas” estava em alta, a temporada caribenha foi fantástica. Naveguei de uma ilha para outra sem qualquer preocupação. Eram ventos de LE a NE, variando entre 12 e 18 nós, iniciando sempre por volta das 10 da manhã e enfraquecendo ao iniciar da noite. Não encarei qualquer condição extrema ao longo da minha permanência entre as chamadas Windward Islands (As ilhas à barlavento do anel caribenho) e as demais ilhas ao norte. Este ano, iniciei a travessia do Caribe até o Brasil já ao término da temporada, um momento onde os ventos não são tão propícios para quem sai do norte do Caribe e vai para Noronha. Qual a reação da Natureza nesta época do ano nesta rota da paciência (Caribe / Noronha)? No mês de maio, véspera da temporada de furacões, acontece uma menor incidência dos ventos de NE e uma maior incidência de ventos LE. É o e que eu chamo de Esboço da Temporada de Furacão. O Esboço da Temporada de Furacões

arquitetura, com os lindos carros antigos... é um lugar que vale a pena conhecer, embora eu aconselhe que isso seja feito se desligando um pouco do lado só turístico e muito maquiado e irreal. Bom, antevéspera da partida, Rubão foi para Havana pegar uma última autorização da companhia aérea para o embarque de Bebê, a gata mais perfeita dos sete mares, kkk, e eu fiquei esperando a visita da veterinária que daria a autorização de viagem do ministério da agricultura Eis que a mesma surge, e me informa que eu teria que ir até Matanzas, uma cidade a uns 40 km naquele dia mesmo com a gata, passar por um veterinário e pelo ministério. E detalhe, não havia mais ônibus de turismo, portanto, ela me ensinou algumas frases, e disse que em função da minha côr eu passaria por cubana e conseguiria viajar clandestina nos ônibus deles. Ela só se esqueceu que eu meço uns

Ao chegar nos deparamos com umas 30 garotinhas entre 13 e 20 anos...

Lindos carros antigos estão por toda Cuba...

20 centímetros a mais que a média, e que carregaria uma gata numa bolsa verde limão. Foi cômico, peguei o primeiro ônibus ajudada por duas senhoras para quem a própria veterinária explicou a história. Me fizeram descer numa estrada e puseram o dedão em riste até uma carona parar. Cinco minutos depois desceram, e me disseram que aquele desconhecido, no carro mais enferrujado que vi na vida me deixaria na estrada, ao largo de Matanzas. Fui pegar no “puta que pariu”, e ele caiu... fui me apoiar na porta, abriu... era cômico. Mas tudo deu certo. A rebeldia do povo, o desejo de burlar regras, fez com diferentes grupos me ajudassem, desde ser guiada após ter que usar um coletivo local por um rapazinho de uns 15 anos que me tratou como uma vovozinha parando o trânsito e “me atravessando” a rua, até virar uma celebridade numa imensa lanchonete quando descobriram que eu era brasileira. Aí eu ouvia: Lucélia Santos, Rubem de Falco, kkk. Evidentemente amavam Escrava Isaura na sua primeira versão. Cheguei intacta e no dia seguinte Rubens foi ao escritório acertar as contas, pois o barco subiria à tarde, e resolvi dar banho em Bebê na plataforma de popa. Ao tentar escapar, a bandida caiu na água. Nem pensei, pulei atrás para salvá-la de roupa e tudo com dois óculos pendurados no pescoço, agoniada com o afogamento iminente. Quando não a vi por perto temi o Cuba encanta pelo povo, música... mas tem prostituição infantil pior. Comecei a nadar para a proa e descobri que ela dá de dez em mim, kkk já tinha dado a volta completa e voltado para me encontrar. Coloquei a bandidinha no píer, o que foi difícil porque a maré estava baixa e tinha muitas cracas. Só então me lembrei que estávamos sem escadinha. Olhei ao redor, e nenhum dos poucos barcos que estavam por lá tinha algum lugar em que eu conseguisse subir... toca nadar até a pqp para subir num molhe cheio de pedras pontiagudas, molhada que nem um pinto na chuva. Bem feito, nin-

guém mandou ser tão atrapalhada! No dia seguinte, a despedida! Deixar Dóris lá, sozinha e correndo riscos não foi fácil! Mas no fim, tudo sempre dá certo quando você sabe o que quer. Tanto deu certo, que numa próxima prosa contarei o nosso reencontro com Dóris e nossas experiências, pra variar bem atrapalhadas, nos Estados Unidos e Bahamas. Até lá!

1) Acesse o site www.fastseas.com; 2) Posicione o mapa e o zoom nas coordenadas que permitam visualizar o caribe e a costa norte do Brasil; 3) Clique na ferramenta de exibição de corrente Vórtice que forma a contra corrente 4) Por fim observe o vórtice cinada mais é do que a torção do vento LE, que tado. vem de 15ºN 50ºW, para vento SE na altura de St. Martin e Anguilla, percorrendo exatamente o mesmo trajeto dos furacões e exigindo um pouco mais de atenção da tripulação. Para garantir um melhor ângulo, o correto seria fazer a volta do Atlântico, no entanto o plano foi subir até a latitude 20ºN e posteriormente descer no sentido Noronha, em orça mais folgada. Já sabendo da possibilidade de sair mais atrasado, incluí no plano de navegação o monitoramente diário de um vórtice que se localiza, aproximadamente, na LAT 7ºN 48ºW. Em sua parte inferior existe uma contra corrente que flui no sentido CARIBE/BRASIL. Foram plotados portais, através de waypoints, que me permitissem passar exatamente por dentro da contra corrente e aproveitar esta ajudinha da Mãe Natureza. Para auxiliar na compreensão do que fiz, incluo um pequeno tutorial da ferramenta fastseas que mostra a contra corrente.

Vento LE com torção para SE na altura de Anguilla


Cervejeiros que Navegam A Fermentação e suas famílias...

m o t a VelaeAs B mulheres no Leme A vela cura

Nesta edição você vai aprender um pouco mais sobre como escolher Quando falamos em sonhos e desafios, há uma a sua cerveja, baseado nas características da fermentação. Vai poder velejadora que provavelmente muitos de vocês já degustar (ou arrumar uma boa desculpa para beber), baseado em in- conheçam, que rapidamente salta à nossa mente: formações técnicas, o que ajudará a desenvolver seu paladar... Elfriede Galera, do veleiro Augenblick. Conheci esse encanto de mulher em uma conA fabricação da cerveja começa com a elevação da temperatura da água com diversos tipos de versa despretenciosa no Encontro Nacional de malte dentro. É o chamado “mosto”. O resultado filtrado (coado, decantado), é um chá concen- Velejadores de Água Doce, há um tempo atrás. Ela nasceu no oeste de Santa Catarina, em trado e bem doce. Para transformar isso em cerveja, entra em cena a levedura, pequenos fungos transformam o açúcar em álcool e como subproduto exalam o CO2. Para que isso aconteça, uma cidade chamada Videira. Vivia em uma fadependendo do tipo de levedura, a temperatura para essa “magia” vai variar. As duas grandes zenda cercada por rios e para visitar o vizinho, atravessava-os de canoa. famílias de fermentação nos levam a diferentes estilos: as Ales e as Lagers. Quando perguntei sobre como a vela entrou em sua vida, contou que um primo velejador no Alta Fermentação: Nela, usa-se fermentos (Saccharomyces Cerevisiae, por exemplo) que “Riacho Grande”, verdadeiro apaixonado pela começam seu trabalho entre 14º e 25º C. A levedura fica boiando no mosto e por isso tem o vela, a contagiou. Mas foi muitos anos mais tarnome de “alta fermentação”. Conhecidas também como Ales, sua fermentação é mais rápida e de, quando enfrentava dificuldades para engravidura entre 4 a 6 dias. Esse é o processo mais antigo de produção de cerveja. Elas são mais en- dar que um conselho médico a reaproximou dessa corpadas, com sabores e aromas complexos e mais perceptíveis, com toques de flores e frutados antiga paixão. O último médico que consultavam mais perceptíveis. Dentro do grande grupo Ale, existem vários subgrupos: Pale Ale, Brown Ale, teria dito ao casal, após terem passado por diRed Ale, India Pale Ale (IPA), American PAle Ale (APA), Stout, Porter, etc. versos especialistas e tratamentos na tentativa de ter filhos: “Não pense em bebês, Elfriede, isso Não há nada te deixa ansiosa e só atrapalha. Pense em algo como os sabores diferente, faça algo que te dê prazer e te deixe e os aromas feliz. Compre um cavalo, por exemplo”. Até gostei marcantes das da ideia - conta Elfriede – mas eu queria algo que cervejas de alta me desse mais liberdade. E foi assim, em uma viagem de férias passefermentação. ando pela Marina da Glória, que ela e seu marido Mas se você Jadyr pensaram em comprar um barco. No entanto, se depararam com o que seria apenas o quer algo mais primeiro de muitos desafios: não poderiam custear suave, vá de a compra de um veleiro pronto. “Mas por que baixa... não costruir um?”. Apoiados por Carlos, primo de Elfriede, compraram de Roberto Barros, o Cabinho, em 26 de Abril de 1988, o projeto de um Samoa 29. O nome do veleiro surgiu assim que começaram a espalhar a notícia da grande conquista: iniciariam a construção de um veleiro! É claro que todos nos achavam loucos - explica Elfriede - inclusive meu pai, um alemão de 80 anos, que respondeu com um belo “Ein augenblick (um moBaixa Fermentação: Conhecidas como Lager (pronunmento, em alemão)! Eu pensei que fossem conscia-se “láguer”), as cerveja desse tipo são fermentadas truir uma família, e não um veleiro...”. em baixas temperaturas entre 6ºC e 12ºC e levam mais Indagada sobre momentos que teriam marcatempo nessa fermentação. Esse estilo só começou a ser do a sua vida, envolvendo o veleiro Augenblick, fabricado por volta de 1.400. As leveduras se depositam Elfriede faz um breve resumo de sua história: no fundo durante o processo, por isso “baixa fermen“Muitos foram os momentos marcantes! O pritação”. A fermentação mais fria reduz a produção de meiro foi o nascimento de minha filha Nicole e componentes de sabor, por isso o paladar é mais leve e cinco anos após, meu segundo filho, o Patrick. as cervejas são mais carbonatadas (gás). Os estilos mais Nesse período também conquistei minha realizaconhecidos são a Bock, Schwarzbier, Malzebier, Pilsen. ção profissional, sou formada em Artes Pláticas e Agora que você já conhece essas características, sugiComercio Exterior. Com o nascimento dos filhos, ro que compre garrafas de uma boa marca cada estilo tivemos que dividir nosso tempo entre a família e alta e baixa fermentação - e faça uma degustação, para comparar e perceber melhor essa teoria. o Augenblick. Isso foi importante para que eles Você pode comprar duas APA’s de marcas diferentes, ou escolher dois sub estilos dentro do partilhassem nosso carinho pelo veleiro”. mesmo, por exemplo, uma Black IPA, um Red Ale e uma IPA tradicional, colocá-las uma em cada “Entre problemas financeiros, compra de uma copo e perceber seus aromas e gostos. Ou ainda comparar uma boa APA com uma Pilsen. Ou casa maior, falecimento de nossos pais - conta ainda duas IPA’s com lúpulos diferentes. Ou ainda... Há inúmeras maneiras de se divertir fazendo Elfriede corajosamente - paramos por 8 anos a degustação. Mas não se preocupe. Na pior hipótese você vai beber umas boas cervejas... construção do veleiro. Nesses 8 anos, no entan-

vras

Caça Pala

ALMANÁUTICA

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história: o diagnóstico de um câncer de mama metastático, que em um segundo momento também ressignificou a construção do Augenblick, momento em que a vela desempenhou um papel muito importante em seu tratamento. O Augenblick foi para o mar em 19 de Junho de 2014 e se encontra atualmente no Saco da Capela, em Ilhabela-SP. “Velejamos na região quando temos disponibilidade. Desde que o Augenblick foi para o mar, passei por 3 tipos de quimioterapias e mesmo assim não deixamos de ir para o veleiro, muitas vezes até sem velejar, por causa dos efeitos colaterais. Só o fato de estar lá já era maravilhoso e eu me sentia bem melhor. Muitas vezes a melhora era inexplicável. A vela cura!” – conta Elfriede com entusiasmo. Pergunto a ela: que sensação você tem, após tanto tempo de construção, ao velejar no Augenblick atualmente? “De que o verdadeiro amor existe. Olhar para todos os detalhes que planejamos e realizamos juntos durante 26 anos, é muito amor. Só o amor constrói tudo!”. “Outra coisa que sinto é de poder. Você pode tudo! Também me sinto super orgulhosa de saber tudo sobre a construção, onde está e como foi feita a instalação de cada equipamento. Recentemente tive uma visita que ficou num hotel próximo e eu fui dormir a primeira noite no veleiro sozinha, para abrir, ligar e desligar ou seja para provar

para mim mesma de que sou capaz. Pensa num enorme temporal as duas da manhã? É para se sentir orgulhosa mesmo”, completa. Pergunto se, sendo mulher, ela enxerga alguma barreira no mundo da vela para nós atualmente. “Não. A maior barreira somos nós mulheres quem colocamos. Se você quer velejar mas seu marido, amigo ou namorado não gosta ou não quer, então procure outro!”. E que conselhos daria para mulheres que desejam velejar? “Arregaçar as mangas e partir, desapegar, jogar tudo para alto e ser feliz, mesmo que seja por um tempo e depois voltar. Sonhar, e sonhar alto, com um companheiro que goste de velejar e de aventuras, pois velejar é uma das maiores aventuras da vida. Não deixar nada para amanhã, talvez amanhã a realidade seja outra...”. E a última pergunta: o que hoje em sua vida você desejaria às velejadoras que é proporcionado pela vela e pelos seus momentos no Augenblick? “Ver o mundo com outros olhos. Fazer amigos sem perguntar quem são ou o que fazem”... Elfriede Galera tem 61 anos. Atualmente divide seus momentos entre sua família, seu veleiro, seus amigos, palestras motivacionais, trabalho voluntário com pacientes em quimioterapia no

to, nunca deixamos nosso sonho esfriar... Nosso primo Carlos também não deixava! (risos). E com isso descobrimos o quanto estávamos unidos por uma causa maior, aprendemos a esperar e passamos isso aos nossos filhos. Quanto mais as pessoas nos cobravam com um ar pessimista hospital, seu tratamento e seu novo pelo término da construção, mais transformáva- projeto com o veleiro Augenblick... mos isso em combustível para voltar e concluir Priscilla Marjorie Olivastro é Pediatra, o projeto”. velejadora e Diretora Feminina da ABVC Elfriede relata outro momento marcante de sua

l

CURTAS f A chapa Recondução, encabeçada por Admir Dacorreio, venceu a eleição da Direto-

ria e Conselhos do Iate Clube Lago de Itaipu para o biênio 2017-2019. Foram 199 votos contra 135 para a Chapa da situação. Parabéns aos eleitos!

f Em abril o Iate Clube de Brasília comemorou 57 anos, com regatas, show do grupo

Blitz e muita festa. Parabéns ao tradicional clube e ao Comodoro Edison Garcia pelo festejo em alto nível.

f O Conselho do Yacht Clube de Ilhabela reuniu-se em abril para eleger sua diretoria. Você está familiarizado com a nomeclatura das partes de uma vela? Então ache as 10 palavras que selecionamos, ligadas ao assunto. Boa Sorte: TOPE; TESTA; TALAS; CUNINGHAM; PUNHO; VALUMA; ESTEIRA; RIZO; FORRAS; OLHAL

Carlos Eduardo de Macedo Costa foi reeleito presidente do Conselho. José Yunes Comodoro, e José Luiz Gandini vice-comodoro.

f A tradicional regata Taça dos Lagos, realizada pelo YCSA completa 78 anos em sua mais recente edição que este ano acontece em 13 de maio. E só cresce: em 2014 foram 88 barcos, em 2015, 109 e em 2016, 114. Teremos novo recorde?


Memórias do Avoante tos Filho

Por Nelson Mat

Refeno 2009, uma regata - Avoante, copia Mary Mary! Avoante, copia Mary Mary! - Aqui veleiro Avoante, quem chamou veleiro Avoante. - Avoante, se segura por aí. Acabamos de pegar um vendaval muito forte. Vento de 35 nós e com muita chuva. A coisa aqui está endiabrada! - Muito obrigado Mary Mary, vamos nos preparar. - Avoante riza tudo que a coisa é feia. - Ok!

Tudo pronto para a REFENO 2009, Regata Recife/Fernando de Noronha, e mais uma vez o Avoante se fez presente nesse congraçamento da vela de oceano que movimenta o mundo náutico brasileiro. Este ano, 92 barcos estavam escritos para o desafio das 300 milhas em busca das belezas da Ilha de Noronha. O prêmio pode não ter muito valor, apenas alguns troféus e umas medalhas aos participantes. Mas a alegria e o prazer de chegar a ilha maravilha, que tem as mais bonitas praias do Brasil e uma paisagem fascinante, é o que faz a grandeza da competição. No ano passado ganhamos o troféu Tartaruga Marinha, o penúltimo barco a chegar. Este ano não almejávamos o Tartaruga, mas se viesse seria muito bem recebido. Faríamos história se fôssemos bicampeões. As previsões sobre os ventos não eram tão animadoras, teríamos vento leste e fraco. Em outras palavras, teríamos vento contra durante todo o percurso. Eu como velejador cruzeirista não me surpreendia com essas previsões, apenas achava que iria demorar para chegar a Ilha, mas se assim fosse, assim seria. Nada melhor do que algumas horas a mais entre o céu e o mar. Este ano o Avoante estava com uma tripulação bastante populosa. Eu, Lucia, Fernando, Marta, Milito e Simarone. Muita gente, porém, de qualidade. Seis pessoas naquele barquinho, enfrentando 300 milhas de mar. Era mais um

desafio que iríamos enfrentar. Largamos Sábado 19 de setembro, às 15 horas. O Marco Zero, local da largada, fervia de animação com muita gente prestigiando o evento e incentivando cada barco que desfilava para a platéia. Um locutor irradiava com emoção, e certa dose de encantamento, tudo o que se passava na água. Nossa tripulação ficou tão empolgada com a saudação do público, que fez até coreografia. A turma balançava os braços como se estivesse voando. Ainda bem que a platéia sorriu, senão seria um vexame, aqueles marmanjos balançando os braços, querendo voar. Sei não viu Milito! Como sempre, não largamos bem, o vento fraco não era bom para nosso barco/casa, com sobrepeso e entupido de tripulantes. Mas quando seguimos pelo canal do Porto do Recife, a coisa foi mudando de figura e ao chegar à boca da barra, já brigávamos lado a lado com os primeiros colocados do nosso grupo. Muito Bom! Animado, assumi uma postura de comandante regateiro e instiguei a tripulação a entrar no clima da competição. Mas, como regateiro é regateiro e cruzeirista é cruzeirista, fui com tanta sede ao pote que meti os pés pelas mãos. Numa manobra mais ousada tentei mexer na esteira da vela grande, em plena disputa por uma boa colocação. Cada um na sua e aquela não era minha praia. A manobra foi por água abaixo e para tentar consertar a situação, larguei o timão e fui ajudar na faina com a vela. Resultado: A roda de leme quebrou, e para nossa decepção, ficamos a ver navios com a turma tomando o rumo da ilha e nós abandonando a regata, temporariamente, e retornando a Recife para consertar minha besteira. Fiquei desolado com essa atitude intempestiva e envergonhado diante de minha brava tripulação, principalmente de Lucia, que tinha tentado me substituir no timão quando aconteceu a quebra. Comunicamos nosso retorno à comissão de regata, para resolver o problema, e ancoramos no Pernambuco Iate Clube onde passamos longas três horas de manutenção. Tudo resolvido, inclusive com meu pedido de desculpas, levantamos vela e aproamos a Ilha. Mas aí, a história da regata já era outra!

Nelson Mattos Filho

Velejador avoante1@gmail.com

Aplicativos para úteis para quem navega! Cada vez mais comuns em nossos celulares, os programas (chamados applets ou simplesmente Apps) são úteis também para quem navega e quer tirar uma dúvida no meio do caminho. Neste edição destacamos dois deles que têm versões gratuitas e pagas. Vale a pena uma olhada! O Windfinder traz informações sobre vento, ondas, tempo e marés pelo mundo. São previsões para mais de 40 mil pontos com observações de mais de 18 mil estações meteorológicas. As unidades e favoritos são configuráveis. O aplicativo é gratuito, com anúncios. A versão “Pro” (paga) apresenta mais widgets, com cartas mundiais de previsão do tempo e WindPreview.

MB

Marinha do Brasil Novas corvetas a caminho!

Projeto mostra como serão as novas corvetas A Marinha do Brasil (MB) vai investir US$ 1,8 bilhão na construção de quatro corvetas médias da nova classe Tamandaré. Serão navios avançados, com ampla carga digital, sistemas e armamento de última geração. O projeto vai renovar os meios de escolta e de emprego geral, abrindo caminho para futuros negócios no mercado internacional de equipamentos de Defesa. Cada unidade custará US$ 450 milhões. Os estaleiros nacionais envolvidos no empreendimento trabalharão consorciados com empresas estrangeiras, especializadas na produção e desenvolvimento de embarcações militares, com ampla transferência de tecnologia. O processo licitatório se encerra em 2018 e o início da construção está previsto para 2019, com as entregas entre 2022 a 2025, um navio por ano. A frota de oito fragatas da MB, está completando 40 anos de atividade. Após um ciclo de modernização e novos recursos de aperfeiçoamento uma segunda renovação teria custos elevados, levaria muito tempo e com resultados não tão benéficos, ou seja, a questão custo-benefício levou ao novo projeto. Essas fragatas serão gradualmente retiradas de operação. As novas corvetas são praticamente minifragatas. A geração anterior, (como por exemplo a V-34 Barroso), construída no Brasil, são os menores modelos de navios de combate: pouco confortáveis para a tripulação, menor capacidade de autonomia e menor raio de ação, e menores alcances dos sensores de vigilância e das armas. A nova classe terá espaço para receber os tubos de lançamento dos mísseis antinavio Mansup, brasileiros, da mesma classe dos Exocet MM-40/3, e os casulos de disparo vertical dos Sea Ceptor, antiaéreos, comprados da MBDA europeia. O desenho crítico das linhas do casco reduz a visibilidade nas telas do radar, dando à embarcação uma certa condição “stealth”, de furtividade. A bordo haverá acomodações para 136 pessoas - tripulantes, mergulhadores, fuzileiros, mais pilotos e mecânicos do helicóptero orgânico, configurado para o combate antissubmarino.

OPERANTAR O navio polar “Almirante Maximiano” e o navio de apoio oceanográfico “Ary Rongel” atracaram em abril no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro depois de concluírem seis meses de missão no continente Antártico na 35ª Operação Antártica (Operantar). Os navios partiram em outubro de 2016 para prestar apoio logístico e de reabastecimento e para colaborar junto aos projetos de ciência e tecnologia em diversas áreas. Na ocasião aconteceu o transporte de uma nova chata para a Estação Comandante Ferraz, que ampliará a capacidade de apoio logístico à estação transportando 10 mil litros de óleo diesel antártico e 10 mil quilos de carga.

NOVO VISUAL DA LINHA QUE MAIS ENTENDE DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO D E I N OVAÇ ÃO

Marinus - Boating rules Este aplicativo reúne várias informações como bandeiras (código internacional), meteorologia, tipos de nuvens e suas características, escala Beaufort, código Morse, manobras, rádio, bóias, luzes, RIPEAM, manobras, cartas e até um quiz. Como no caso do Windfinder, a versão “Lite” é gratuita e traz anúncios. A versão paga, além de não ter os anúncios, é mais completa.

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(11) 2914-5662

WWW.NAUTISPECIAL.COM.BR


INFORMATIVO

ABVC

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VELEJADORES DE CRUZEIRO

Palavra de

PRESIDENTE

Caro Associado,

Não esqueça de renovar a sua anuidade ABVC e poder desfrutar dos nossos eventos. Este ano, estamos reformulando todos os nossos processos internos, melhorando as ferramentas digitais e instituindo novas Vice Presidências. A partir do segundo semestre, vamos criar novos eventos e cruzeiros, inovando e modernizando a nossa ABVC. Exemplo disso é o nosso Encontro Nacional, que este ano acontecerá no segundo semestre, em meados de novembro, mais perto do verão e em locais diferentes. No ultimo dia 15 de abril, aconteceu mais um tradicional evento da ABVC “Páscoa no Cedro”, que reuniu velejadores na ilha do cedro para um enorme confraternização, regada a musica, brincadeiras, sorteio de brindes e um delicioso churrasco com direito a muitos ovos de páscoa para as crianças. A primorosa organização do VP Paraty, Murilo Pigão e da nossa Diretora Feminina Priscila Marjori, fez do evento um sucesso. No dia 13 de maio, sábado, a 12ª Edição do Churrasco de Confraternização dos Velejadores de Agua Doce, que acontecerá em Itirapina, interior do Estado de São Paulo. No evento um belo churrasco, dentro do Broa Golf Resort. Lugar excepcional, vale a pena o passeio almoço. Haverá a apresentação do próximo Cruzeiro da Hidrovia Tietê Paraná, que acontece em julho. Já na Guarapiranga em São Paulo, no dia 06 de Maio, acontecerá a Clinica de Motores de Popa com Feijoada, com o palestrante Ricardo Amatucci. Excelente oportunidade de aprender mais sobre o seu motor de popa. Temos outros eventos a seguir como o Costa Leste, Costa Verde entre outros. Por fim a ABVC está estabelecendo novos convênios, com clubes, operadoras de mergulho e serviços, para deixar a ABVC mais perto de você, oferecendo vantagens e descontos aos nossos associados! Bons ventos!

Paulo Fax

Presidente da ABVC

6º Cruzeiro Hidrovia Tietê - Paraná 2017 Acontece em Julho próximo o 6º Cruzeiro Hidrovia Tietê-Paraná 2017, organizado pela Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro – ABVC, através da sua diretoria Sudeste, organizada pelo Comodoro e agora Presidente da ABVC Paulo Fax e o Vice Presidente do Interior, Paulo Abreu em sua 6ª incursão pela hidrovia. O passeio de 13 dias tem o objetivo de levar adultos e jovens para uma experiência cultural única e enriquecedora, conhecendo de um ponto de vista diferente, pelo rio, os atrativos turísticos das cidades ribeiras, seus costumes e folclores, sabores coloniais e sua importância histórica. A Flotilha, já esperada anualmente, passará por 11 Cidades, entre Yacht Clubes, Marinas, Condomínios e Atracadouros Públicos. Em cada parada será oferecida uma palestra a toda comunidade ou seus associados, demonstrando o potencial turístico fluvial da hidrovia e suas belezas. O roteiro poderá sofrer uma ou outra alteração de paradas, mas as datas permanecem! Lembrando que no dia 15 de julho a Flotilha se divide em 2 partes: A primeira Flotilha será do grupo que faz a volta para o local de partida Sunset BTC ou Clube Água Nova onde estarão carros e carretas, encerra no dia 19/7. A segunda Flotilha , segue o Tietê até Três Lagoas no Rio Paraná, (20/7). Em seguida fazem a descida do Rio Paraná até Presidente Epitácio (26/7). Retorno e término em Três Lagoas/MS, dia 01/8. Poder explorar de forma segura e divertida, os nossos rios e seus afluentes, com suas margens repletas de natureza viva, fauna e flora convivendo com as imensas e coloridas plantações que sustentam nosso país, afirma o organizador. A experiência e a segurança de se navegar em flotilha, realizar eclusagens, radio e navegação eletrônica. Em sua maioria o Cruzeiro é formado por veleiros e velejadores de todo interior do sudeste. Através de um trabalho sério e dedicado, as cidades ribeiras se envolvem apresentando seu turismo regional, e recebem os partici-

Fale conosco!

Uma das muitas eclusagens durante a viagem: os desníveis do Tietê são vencidos assim pantes com muita alegria, festas típicas e atividades, tornando a viagem um verdadeiro festival gastronômico e cultural. Os preparativos serão realizados no dia 05 de Julho (quarta) e a partida será no dia 06 de julho, no Clube Água Nova em São Manuel. Na sequência, também é possível adentrar a Flotilha na Marina Sunset em Pederneiras no dia 08/07, na passagem do Cruzeiro. O retorno previsto para 18 e 19 de julho, nos mesmos locais. A qualquer tempo as pessoas que possuem ou não embarcação podem se programar entre as datas e locais onde estará a flotilha, a entrada no Cruzeiro e fazer quantos dias desejar. O 6º Cruzeiro é aberto a participação de todos, com embarcações a vela ou a motor, de 16 a 37 pés, obrigatório quilha. As inscrições para o 6º Cruzeiro 2017 deverão ser feitas pelo site www.abvc.com.br Demais informações: diretoria.interior@abvc.com.br

Oficina para motor de popa 3.3 Organizado pelo Vice-Presidente de São Paulo, região da Guarapiranga, Marcelo Rustiguer, a oficina para manutenção de motores de popa 3.3 acontece no Clube Itaupu, seguido de uma deliciosa feijoada. A manhã é dedicada ao desmonte e manutenção de um Mercury 3.3, a verificação de seus principais problemas e sua manutenção preventiva. Os inscritos foram convidados a le-

var seus próprios motores e colocar a mão na massa. Depois... bem, depois todos poderão se atracar (para usar um termo náutico) a uma bela feijoada que será feita e servida a partir das 12:30h no salão do clube Itaupu, que fica no bairro da Riviera (lado oposto ao da Av. Atlântica, antiga Robert Kennedy). Não perca!

Páscoa ABVC

Costa Leste 2017

O Vice-Presidente de Paraty, Murilo “Pigão” e a nossa Diretora Feminina Priscila Marjori organizaram uma linda festa de Páscoa na Ilha do Cedro (região de Paraty). A festa foi intensa e um excelente programa de feriado, com direito a brincadeiras, ovos de Páscoa, churrasco, muita diversão e bate papo entre os amigos. Em breve acontecerão outras atividades na região. Aguarde!

Continuam abertas as inscrições para a edição 2017 do Cruzeiro Costa Leste. Nosso Comodoro para esta edição é o velejador Ricardo Montenegro, experiente e velho conhecido do Costa Leste desde a sua primeira edição. Ele já iniciou os contatos com os Comodoros do clubes pela costa, que receberão os veleiros do Rio até Aratu, na Bahia. Além do cronograma, regulamento e inscrições, você poderá saber das novidades para esta edição no site da ABVC. Acesse agora mesmo o site www.abvc.com.br e inscreva-se. Dúvidas? costaleste@abvc.com.br

Presidente Nacional: Paulo Fax presidente@abvc.com.br Diretor Financeiro: Volnys Bernal tesoureiro@abvc.com.br Diretor de Comunicação: Ricardo Amatucci amatucci@abvc.com.br Diretor de Informática: Juca Andrade informática@abvc.com.br Diretores de Responsabilidade Social: Eduardo Schwery (sudeste) eduardo.schwery@gmail.com Maurício Rosa (Demais Regiões) veleiroalphorria@yahoo.com.br Diretora Feminina: Priscilla Marjorie primarjorie@gmail.com Interior Sudeste – SP/MS: Paulo Abreu p.abreu@terra.com.br São Paulo - Capital: Marcelo Rustigue marcelo.newway@uol.com.br Santos – SP: Max Gorissen gorissen@sailbrasil.com Rio de Janeiro e Niterói: Matheus Eichler matheus.eichler@gmail.com Paraná: Werner Schrappe bengal@uol.com.br Paraty/RJ: Murilo Junqueira mclimasist@gmail.com Ubatuba: Claudio Renaud renaud@uol.com.br Brasília – DF: Elson Fernandes capitaomucuripe@yahoo.com.br

Convênios Consulte o site para mais detalhes e condições Iate Clubes e Marinas Aratu Iate Clube, Cabanga Iate Clube, Iate Clube Guaíba, Iate Clube de Rio das Ostras, Iate Clube do Espírito Santo, Marina Bracuhy, Marina Porto Imperial: 50% de desconto nas duas primeiras diárias consecutivas em vaga molhada. Descontos Brancante Seguros, Botes Remar, CSL Marinharia, Geladeiras Elber, SetSail Inteligência Náutica (Iate Clube de Santos): descontos em vistoria/ Survey, assinatura semestral de previsão de tempo e mar, contratação de Navegação Planejada, Serviços e manutenções. Dream Yacht Charter Brasil aluguel de embarcações no exterior, Cusco Baldoso cursos de vela oceânica: desconto e Isenção da taxa de matrícula, isenção da taxa de pernoite, 10% de desconto nos cursos e atividades.

O Boletim Oficial da ABVC é uma publicação independente. As opiniões e notícias do jornal Almanáutica não representam necessariamente a opinião da entidade, e vice-versa.

Almanautica 30  

Pra quem tem o mar na alma e quer mais conteúdo!

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