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Ano XXIII • Nº 97 • Novembro/Dezembro de 2013

r e v i s ta b r a s i l e i r a d e a d m i n i s t r a ç ã o

Entrevista

Presidente do jornal Valor Econômico, Adm. Alexandre Caldini concede entrevista à RBA

Opinião

É essencial ter motivação para enfrentar desafios do ambiente de trabalho

Evolução por meio do coaching

Em tempos de competitividade acirrada no trabalho e na vida pessoal, profissional pode contribuir para aflorar novas habilidades

TI, um caminho para fazer o bem

Tecnologia da Informação (TI) favorece a transparência das organizações e é fundamental para o aumento da produtividade e da eficiência

A Administração em sala de aula No Brasil, futuros Administradores somam mais de 850 mil. Cursos superiores na área se proliferaram. Mas e a qualidade, como está?

R$ 9,90

Em um mundo cada vez mais complexo, a simplicidade vale ouro


Administrador e Tecnólogo, não fiquem de fora da promoção

Quitou, Garantiu! Quite sua anuidade no CRA até 31 de Janeiro de 2014 e garanta 1 ano de assinatura RBA A revista do Profissional de Administração

A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração O envio da RBA está sujeito ao recebimento - por parte dos CRAs - da lista dos participantes.


www.revistaRBA.com.br

CDI

Revista Brasileira de Administração a revista que contribui com o crescimento profissional


Editorial

Busca por qualidade

Q

uantidade e qualidade

nanças e legislação, Caldini acumula experiências na Du Pont,

não

necessa-

Diageo, Colgate, Novartis e Editora Abril. Para ele, “um Admi-

andam

riamente juntas. Uma

nistrador não é um especialista focado apenas num determi-

pena, pois deveriam. O pecado é

nado assunto. Discordar é impossível, pois os Administradores

ainda mais grave quando esses dois

são preparados para atuar com diversos campos profissionais

substantivos femininos aparecem

da Ciência da Administração. Vale a pena conferir a entrevista!

próximos da palavra educação. Não ADM. SEBASTIÃO LUIZ DE MELLO Presidente do CFA

se pode admitir que a quantidade de oferta de cursos superiores prejudique a qualidade do ensino nas universidades e faculdades brasileiras.

O caso da Administração é emblemático. Dados do Ministério da Educação (MEC) apontam que mais de 900 mil acadêmicos hoje estudam para serem Administradores. É o recorde do Brasil em pessoas matriculadas. Preocupante é constatar que o elevado número de matrículas não é acompanhado de melhorias e avanços na forma de ensinar os universitários.

A parceria entre HSM Management e RBA faz render para esta edição duas grandes reportagens, que tratam muito bem do comportamento humano no ambiente de trabalho. A primeira expõe reflexão sobre a simplicidade. Num mundo corporativo cheio de nós complicados de desatar e de cotidiano estressante, o simples significa a solução viável e recomendada. Mais adiante, se trata da recorrente insatisfação daqueles que passaram a ganhar mais e, mesmo assim, não conseguem conter a sanha de consumir e invejar as posses dos colegas. A luta para encontrar a felicidade no trabalho parece ter se tornado algo distante, inatingível. Porém, é

Nos últimos anos, os conceitos do Exame Nacional de De-

perfeitamente possível ser feliz trabalhando.

sempenho de Estudantes (Enade), um dos indicadores uti-

Mantendo a discussão no ambiente laboral, a ajuda de um coa-

lizados pelo MEC para avaliar os cursos, estão em alta. Providências devem ser tomadas para que o Brasil tenha Administradores melhor preparados para enfrentarem os desafios impostos pela globalização e realidade econômica-social do país. É possível identificar experiências que contribuem com a qualificação dos novos profissionais. Há instituições que possuem parcerias com universidades de ponta no mundo e abrem para seus alunos a possibilidade de expandirem seus conhecimentos por meio dos estudos e da vivência com uma cultura diferente da sua. Diante da importância de se discutir o assunto e da relevância que é o tema formação universitária, a Revista Brasileira de Administração (RBA) se propôs abordar na matéria de capa da presente edição como anda a formação dos Administradores do amanhã. Especialistas foram ouvidos e ficou a certeza de que há como melhorar, como evoluir. Basta trabalhar com seriedade e priorizar a qualidade. A quantidade pode ser deixada de lado. O Adm. Alexandre Caldini é o entrevistado deste número.

ching pode provocar grandes transformações, pois modificar o comportamento e melhorar o desempenho profissional não são coisas impossíveis de se conquistar. E isso em nada está relacionado a treinamento. O raio de ação dos coaches é bem maior. A Tecnologia da Informação (TI) está ligada ao dia a dia do Administrador. Tanto em âmbito empresarial quanto no cotidiano como cidadão. A TI permite aos consumidores mais acesso, mais interação e cidadania. E, para as empresas possibilita ganho de competição, melhor posicionamento no mercado, mais sustentabilidade na cadeia produtiva e menos risco. Em pauta nesta edição, o assunto é atual e dominá-lo é quase uma obrigação. A RBA está rica e foi feita para você, profissional de Administração. Além de tudo o que foi mencionado, ainda há reportagens sobre os benefícios proporcionados pela Lei Seca, curiosidades e efeitos do consumo de café para a saúde, a história de sucesso do Nescau e muito mais.

Chief Executive Officer (CEO) do jornal Valor Econômico, influente veículo de comunicação de negócios, economia, fi-

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rba | revista brasileira de administração

Boa leitura!


Sumário Ano XXIII • Nº 97• NOVEMBRO/DEZEMBRO de 2013

ENTREVISTA

BEM-ESTAR

LEI SECA

10

35

58

Adm. Alexandre Caldini defende

Após diversos estudos, pesquisas

Operações para autuar motoristas

que uma das grandes virtudes da

e

dos

embriagados dão resultado e

carreira na Administração é que o

benefícios e malefícios do café

inibem atos inconsequentes.

profissional administra empresas, no

ficou

certa

Dados comprovam que, ainda, 60

plural, e não está focado em um único

propriedade, que o consumo de

mil brasileiros morrem ao ano em

ramo de negócio. Está apto a atuar

quatro xícaras diárias da bebida é o

acidentes ocasionados por bêbados

em qualquer área.

ideal para o ser humano.

ao volante.

Administrador não é profissional para um só ramo

Na dose certa, café não traz problemas discussões

comprovado,

LEITOR | 08

ARTIGOS

CONEXÃO | 50

16

CONSELHO | 51

em

torno com

Unidas, lei e política pública salvam vidas

EDUARDO PEDREIRA Motivação no trabalho

26

ADM. LEANDRO VIEIRA O renascimento da Administração

66

ADM. EDILSON DOS SANTOS ALVES Administração como ciência: fonte de anseio para a gestão de negócios

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rba | revista brasileira de administração


revista brasileira de administração

CAPA

28

Como estão os cursos de Administração pelo Brasil Mais de 850 mil. Essa é a conta aproximada do número de alunos que hoje cursam Administração no Brasil. Tratase do curso superior com o maior número de estudantes matriculados nas Instituições de Ensino Superior (IES). Os dados são do Ministério da Educação (MEC). Mas será que somente o volume de universitários basta? E a qualidade do ensino e, consequentemente, da preparação dos futuros profissionais da área como está?

18

25

38

O cotidiano é tão corrido que não

O Nescau foi lançado no Brasil em

Dossiê

há como encontrar meios e tempo

1932, o primeiro achocolatado a

comportamento humano no ambiente

para repensar os caminhos que

entrar no mercado nacional, e passou

de trabalho. A primeira matéria

estão sendo seguidos, sejam eles no

a ser admirado desde então por

expõe reflexão sobre a simplicidade.

trabalho ou na vida pessoal. Mas há

crianças, jovens e adultos. O slogan

A

como melhorar e o coaching pode

“energia que dá gosto” não sai da

insatisfação daqueles não conseguem

ajudar nessas horas de incerteza.

cabeça das pessoas.

conter a sanha de consumir.

Evoluir sempre! Coaching pode ajudar nessa missão

Gosto de chocolate fixado na lembrança de gerações

62

VIVER

Tecnologia para informar e disseminar o que há de bom

HSM: o alto valor da simplicidade e o consumo cruel revela

segunda

mais

trata

da

sobre

o

recorrente

TRABALHAR

Para os consumidores, ela possibilita mais

acesso,

cidadania.

mais

Para

as

interação

e

empresas,

favorece a competição, melhora o posicionamento no mercado e reflete sobre a sustentabilidade. Essa é a Tecnologia da Informação, ou só TI.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

7


LEITOR

As mensagens para a RBA podem ser enviadas para SAUS, Quadra 1, Bloco L, Edifício Conselho Federal de Administração, Brasília/DF, CEP 70070-932, e-mail: rba@cfa.org.br ou fanpage: facebook.com/cfaadm

A opinião do Dr. Eduardo Rosa Pedreira, editada na edição nº 95 da RBA, páginas 16-17, assemelha-se com a vida das empresas as quais definem os seus valores perante a sociedade. Todos os Administradores precisam levar consigo os seus valores durante a jornada profissional, a fim de garantirem um comportamento moral em quaisquer organizações nas quais venham desempenhar as atribuições concernentes à ciência administrativa." Adm. Saullo Albuquerque

ERRATA A edição 96 da Revista Brasileira de Administração (RBA) traz uma informação equivocada na seção de entrevista. No quadro onde são apresentados os dados curriculares do entrevistado, o secretário de Estado Chefe da Controladoria e Ouvidoria Geral do Ceará, Adm. João Alves de Melo, foi publicado que ele seria o presidente da Academia Cearense de Administração (ACAD) desde janeiro de 2011, quando a fundação da entidade se deu em 6 de fevereiro de 2013, conforme consta na publicação do Diário Oficial do Estado do Ceará datada de 25 de abril de 2013, página 151. Tendo tomado posse no dia 18 de outubro de 2013.

Parabenizo a todos pelo excelente trabalho desenvolvido nas edições da RBA. Recebi os exemplares 93 a 95 este ano de 2013, após minha inclusão no CRA-BA. Em especial, "tecerei" comentário sobre a edição RBA 95, que aborda a matéria O espetacular (administrador) homem-aranha. Além de ser um admirador deste super-herói desde a infância, tenho hoje a referência do que aprendi, a respeito dos valores e responsabilidades que nos rodeiam todo o tempo, e este aprendizado soma-se com a graduação em Administração. Adm. Jubiraci Teixeira

8


Leitor da RBA, mantenha sempre o seu endereço atualizado. Se houver qualquer alteração, encaminhe-a para rba@cfa.org.br ou pelo telefone: (61) 3218-1818.

EXPEDIENTE

Editor | Conselho Federal de Administração Presidente | Adm. Sebastião Luiz de Mello Vice-Presidente | Adm. Sergio Pereira Lobo CONSELHEIROS FEDERAIS DO CFA 2013/2014 Adm. João Coelho da Silva Neto (AC) • Adm. Armando Lobo Pereira Gomes (AL) • Adm. José Celeste Pinheiro (AP) • Adm. Nelson Aniceto Fonseca Rodrigues (AM) • Adm. Ramiro Lubián Carbalhal (BA) • Adm. Francisco Rogério Cristino (CE) • Adm. Rui Ribeiro de Araújo (DF) • Adm. Hércules da Silva Falcão (ES) • Adm. Dionízio Rodrigues Neves (GO) • Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (MA) • Adm. Alaércio Soares Martins (MT) • Adm. Sebastião Luiz de Mello (MS) • Adm. Gilmar Camargo de Almeida (MG) • Adm. Aldemira Assis Drago (PA) • Adm. Lúcio Flávio Costa (PB) • Adm. Sergio Pereira Lobo (PR) • Adm. Joel Cavalcanti Costa (PE) • Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha (PI) • Adm. Rui Otávio Bernardes de Andrade (RJ) • Adm. Ione Macedo de Medeiro Salem (RN) • Adm. Valter Luiz de Lemos (RS) • Adm. Paulo César de Pereira Durand (RO) • Adm. Carlos Augusto Matos de Carvalho (RR) • Adm. José Sebastião Nunes (SC) • Adm. Silvio Pires de Paula (SP) • Adm. Adelmo Santos Porto (SE) • Adm. Renato Jayme da Silva (TO) CONSELHO EDITORIAL Prof. Adm. Idalberto Chiavenato • Prof. Carlos Osmar Bertero • Prof. Milton Mira de Assumpção Filho

Venho por meio deste comunicar o não recebimento da RBA 94 (maio/ junho 2013) e da RBA 95 (julho/agosto 2013). Gostaria por gentileza, se possível, estar recebendo estes exemplares, pois são de muita importância. Aproveito a oportunidade para parabenizá-los pelos excelentes conteúdos e matérias abordadas. Sou um Administrador orgulhoso da profissão e considero a revista um ótimo canal entre todos os que de alguma maneira se envolvem com a Ciência da Administração. Deixo aqui minhas considerações e apreço pela equipe que faz este ótimo trabalho editorial e nos premia com uma agradável leitura. Adm. Cristiano Miranda Informação CFA Caro leitor, caso não tenha recebido alguma edição da RBA do ano de 2013 mande e-mail para rba@cfa.org.br ou ligue para (61) 3218-1818

Recebi os exemplares nº 93, 94 e 95.

Gostaria de agradecer pela

Obrigada pela rápida solução do

publicação de artigo Lidando com

ocorrido. Deixo aqui registrada a

pessoas em uma empresa, publicado

minha congratulação pela qualidade

na edição da RBA na segunda

dos conteúdos que em muito

quinzena de junho. Teve uma ótima

contribuem para o dia a dia de um

repercussão na minha cidade e no

Administrador.

meu estado.

Kamila Rodrigues

Adm. Rodolpho Sá

CONSELHO DE PUBLICAÇÕES Adm. João Coelho da Silva Neto • Adm. Gilmar Camargo de Almeida • Adm. José Sebastião Nunes • Adm. Renato Jayme da Silva • Adm. Francisco Rogério Cristino COORDENAÇÃO DOS CONSELHOS EDITORIAL E DE PUBLICAÇÕES Adm. Adelmo Santos Porto PRODUÇÃO Coordenação Editorial: Straub Design • Diretor Executivo: Adm. Wilgor Caravanti • Editor–Chefe: Francisco José Z. Assis • Diretor de Criação: Ericson Straub • Diretora de Arte: Indianara de Barros • Redação: Ana Graciele, Cinthia Zanotto, Mara Andrich, Nájia Furlan e Raquel Bocato • Revisão: Mônica Ludvich • Diagramação: Fernando Ratis, Indianara Barros e Rafaela Lech • Colaboradores: Cícero Nogueira, Cristina Teresa Santos e Marina Lourenção • Impressão: Plural Indústria Gráfica • Tiragem: 118 mil exemplares REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Conecta Marketing Direto (Wladimir Reis) Tel.: (11) 98969-6075 E-mail: publicidade@cfa.org.br ASSINATURAS E-mail: rba@cfa.org.br Portal: www.revistarba.com.br Telefone: (61) 3218-1818 Fax: (61) 3218-1833 A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração sob a responsabilidade da Câmara de Desenvolvimento Institucional, Conselheiros: Adm. Adelmo Porto, Adm. Dionizio Neves e Adm. Carlos Augusto, e da coordenadora técnica RP Renata Costa Ferreira. As matérias não refletem necessariamente a opinião do CFA. A RBA é certificada pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) como de circulação controlada de conteúdo dirigido

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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ENTREVISTA POR_Mara Andrich | FOTOS_DIvulgação valor econômico

Alexandre caldini

CEO do jornal Valor Econômico

Pra

FRENTE 10

rba | revista brasileira de administração


P

ara Alexandre Caldini, ninguém pode se deixar abater pelos desafios e dificuldades que a vida oferece, tampouco deixar de acreditar que em um país onde a população está indo para a rua reivindicar seus direitos

não se deve perder a esperança de que pode haver melhorias. Administrador formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e com cursos de especialização no Insead, na França, e em Harvard, nos Estados Unidos, ao longo dos seus 30 anos de carreira trabalhou com marketing e negócios na Editora Abril, Colgate, Novartis, Diaggeo, DuPont e Valor Econômico. Foi, ainda, professor das faculdades de Economia e Administração de Empresas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Nos últimos 15 anos tem atuado no setor de mídia dirigindo a revista Exame, sendo que desde 2012 preside o jornal Valor Econômico. Em 2011 Caldini recebeu o prêmio Caboré como “Profissional do ano de veículo” e em 2012 foi agraciado como “Administrador de Destaque” pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP).

REVISTA

DE

empresa, qualquer negócio, qualquer

enfim de tudo. E isso varia muito pouco

ADMINISTRAÇÃO (RBA) - O se-

BRASILEIRA

organização, qualquer iniciativa. Somos

entre empresas de setores diferentes. E o

nhor tem uma larga experiência

treinados para isso. Eu tive a felicidade

que varia e é específico de cada empresa

na área de Administração, pois já

(e o cuidado, pois isso foi planejado) de

é justamente o que dá um gostinho todo

passar por vários segmentos, e estou à

especial ao trabalho do Administrador.

frente do Valor faz um ano e meio. Nos

Aprender as (ínfimas) diferenças e como

meus 30 anos atuei em seis empresas,

lidar com aquela indústria é fascinante!

em cinco segmentos: indústria química

No mais é tocar o barco, feliz e motivado,

(DuPont), bebidas (Diaggio), higiene e

rumo a um belo futuro.

atuou em grandes grupos – e não só no setor jornalístico. E agora está há um ano e meio à frente de um grande veículo de imprensa, o jornal Valor Econômico. Como o senhor avalia essa sua passagem por empresas de setores diversos para o setor jornalístico? Foi difícil se afeiçoar? Qual foi (ou quais foram) o maior desafio? Alexandre

Caldini

(AC)

-

Uma das grandes belezas da carreira na Administração é exatamente isso: se administram empresas, no plural. Um Administrador não é um especia-

limpeza (Colgate), alimentos (Novartis Nutrition) e imprensa (Abril e Valor). Em todas aprendi muito. A soma das experiências tidas nessas indústrias forma a base do meu conhecimento atual. Então, respondendo a sua pergunta, eu digo que foi muito simples me adaptar a uma nova indústria, a mídia. E foi fácil me adaptar porque uma empresa é... uma empresa! Como outra empresa de qualquer segmento. O papel do Administrador,

RBA - À frente de um dos grandes veículos de jornalismo econômico do país e acompanhando todos os dias, bem de pertinho, toda a movimentação política e econômica, como o senhor avalia o momento econômico atual do governo Dilma? Quais ações do governo federal estão sendo positivas? O que ainda falta melhorar, na sua opinião?

lista focado apenas num determina-

seja qual for a empresa em que atua, é

AC - Minha opinião nesse assunto

do assunto. Não é como um médico

o mesmo: você precisa cuidar das pes-

pouco importa. Não tem mais peso que

oftalmologista,

engenheiro

soas, dos produtos, da distribuição, dos

a de qualquer outro Administrador ou

eletrônico, um advogado trabalhista.

diferenciais mercadológicos, da tecno-

profissional. O que de fato importa é ver

Um Administrador pode dirigir qualquer

logia, das operações, dos aspectos legais...

o quanto caminhamos recentemente.

ou

um

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Entrevista Reconhecer o que conquistamos,

lutamente relevantes para a iniciativa

que não foi pouco.

privada em sua interação com o go-

Acho que nos

deixamos abater muito facilmente por coisas menores ou temporárias. Recentemente, ouvi dois estudiosos que eu (e o mundo) respeito, falando coisas muito interessantes sobre o Brasil: ouvi em eventos recentes Michael Porter e Jim O’Neil. Porter mostrava para uma plateia de executivos e empresários desanimados que o

Um Administrador pode dirigir qualquer empresa, qualquer negócio, qualquer organização, qualquer iniciativa. Somos treinados para isso.”

Brasil, comparativamente com os de-

novo código comercial, a indústria farmacêutica, inovação, gestão pública, relações comerciais bilaterais, saneamento etc. Neste ano trouxemos o novo presidente da OMC – Organização Mundial do Comércio, o brasileiro Roberto Azevedo, para uma conversa com o empresariado. São ações como essa que aproximam governo e inicia-

mais países do chamado BRICS, tem

tiva privada, a bem de todos.

uma posição muito interessante quan-

ciativa privada e os governos, sobre-

do se compara PIB versus qualidade de

tudo o governo federal. Penso que o

vida. Estamos bastante bem. Ele frisa-

preconceito do governo em relação ao

va que isso é meritório e que aconteceu

empresariado e do empresariado em

por conta de inúmeras ações que to-

relação ao governo tem diminuído. Em

AC - Desafios e dificuldades sem-

mamos recentemente. O’Neil – o cria-

ambas as partes há gente mal intencio-

pre haverá. Para Administradores e

dor do termo BRICS – disse várias ve-

nada. Mas também em ambos os lados

para todos os profissionais de todas

zes em seu discurso que discordava e

há muita gente séria trabalhando pelo

as categorias. E isso não é ruim, pois

não entendia por que estávamos todos

bem da economia e do país. A novidade

nos leva a achar soluções, buscar

tão pessimistas com relação à econo-

é que essas pessoas têm conversado.

caminhos, inventar coisas, aprimo-

mia brasileira. Mostrou dados e fatos e

Têm buscado compreender o outro

rar processos e ampliar horizontes.

disse acreditar que o Brasil pode cres-

lado. Têm feito concessões importan-

Penso que o principal desafio que nós,

cer 4% em 2014. Citou como exemplo

tes, de lado a lado. O Valor Econômico

Administradores, encontramos é não

de sua indignação com o nosso pes-

tem papel fundamental nessa dinâmi-

nos deixar abater por esses mesmos

simismo a qualidade de nossa preo-

ca. É lido por líderes empresariais e,

desafios e dificuldades. É fácil achar

cupação: enquanto os empresários

também, por líderes governamentais.

que está difícil. E está mesmo. Mas

espanhóis preocupam-se com níveis

E, interessante, esses dois públicos –

quando foi fácil? Hoje temos um mer-

de desemprego que batem 50% entre

empresários, investidores, executivos,

cado muito maior, muito mais compe-

seus jovens nós, os Administradores

ministros, parlamentares e regulado-

tidores internacionais, a velocidade

brasileiros, estamos aborrecidos com

res –, ambos veem o Valor como um

dos acontecimentos é enorme, a nova

a falta de mão de obra qualificada por

jornal isento, imparcial, direto e prag-

geração vem com pressa e com novas

conta do quase pleno emprego!

mático. Essa aceitação e esse reco-

necessidades. E tudo isso é fascinan-

nhecimento do Valor como relevante

te. O bom Administrador se encanta

e influente órgão de informação abre

com tudo isso, pensa, pensa, pensa,

portas para o entendimento entre as

negocia, elabora, motiva, discute e age.

partes, a bem do desenvolvimento do

Administrar não é menos que isso.

ambiente de negócios e da própria eco-

É isso e mais. Pensando na carreira

nomia brasileira. Temos ainda aqui no

de Administrador de Empresas, não

RBA - Existe uma proximidade entre a iniciativa privada e o governo? Por quê? O que pode ser feito para melhorar? Em relação aos jornais e revistas – suas últimas experiências –, como tem sido isso?

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verno. Temas como a infraestrutura, o

RBA - Quais as maiores dificuldades e desafios enfrentados pelo Administrador no Brasil?

Valor uma excelente ferramenta para

sei se há um país melhor que o Brasil

AC - Percebo, e esse na minha opinião

promover essa aproximação: nossos

para se estar nos dias de hoje. Meu

é outro dado relevante e bom, de fato

seminários e eventos. Fazemos mais

filho de 18 anos está prestes a come-

uma maior aproximação entre a ini-

de 30 seminários/ano em temas abso-

çar uma faculdade de Administração.

rba | revista brasileira de administração


E eu estou feliz por ele. Ele atuará como Administrador num país que evoluiu muito, nos últimos 10 ou 20 anos, em diversos aspectos, como distribuição de renda, liberdade de expressão, democracia, perfil demográfico, desenvolvimento regional, diversidade, matriz energética, produção agropecuária... Enfim, a lista é enorme! Mas ele e os Administradores de sua geração ainda terão muito a fazer em temas como infraestrutura, burocracia, eficiência na gestão dos impostos, mobilidade urbana, segurança, gestão político-partidária e sobretudo ética e corrupção. Uma lista ainda maior! O que é mais bacana é que essa nova geração (e nela estão os novos Administradores) tem consciência desses desafios. Exige e fará as mudanças necessárias para um novo país. Basta ver o ocorrido em junho, nas primeiras – e pacíficas – manifestações de rua. Vimos e veremos mudanças extraordinárias neste país. Que melhor lugar pode haver que um país vivo, vibrante e jovem, onde praticamente tudo ainda há para fazer? Dificuldades e desafios? Oba! RBA - O Valor Econômico fez 13 anos neste ano. O que os grandes veículos – e até mesmo o Valor –

oportunidade – e a obrigação – de fo-

administração correta e justa. E o que

mentar entre os líderes empresariais e

seria uma administração correta e jus-

governamentais do país a consciência e

ta? É a gestão que cuida de ser honesta

ação no bem agir. Temos que insisten-

com todos os seus stakeholders, em to-

AC - O Valor foi criado para falar com

temente não apenas denunciar as fal-

das as suas ações. É uma gestão regi-

os Administradores. Nesse sentido

catruas e os gestores desonestos, mas,

da por princípios, valores, propósitos

penso que ele cumpre a contento sua

sobretudo, divulgar, fomentar e cele-

e significados. É uma administração

missão. O que o Valor já faz muito bem,

brar aqueles que agem corretamente.

que paga salários justos, respeita seus

mas penso que tanto o Valor quanto os

Veja, não falo aqui de ações de beneme-

funcionários, paga todos os seus im-

demais órgãos de comunicação sempre

rência, caridade, voluntariado e ações

postos, não suborna nem aceita subor-

devem fazer ainda mais, é contribuir

sociais. Não falo aqui de ONGs. Ainda

no, não pratica concorrência desleal, é

para o crescimento moral da gestão

que respeite quem atua nesse campo,

transparente em sua comunicação e na

privada e pública. E o que exatamente

o que falo aqui é algo muito mais radi-

relação com a comunidade. Simples?

isso significa? Significa que temos a

cal e profundo: falo da prática de uma

Sim, simples. Viável? Sim, viável.

ainda não trazem e devem trazer para os Administradores? E para o público em geral?

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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Entrevista

Tem gente agindo assim? Sim, a

RBA - Na era da expansão digital,

tícias apenas, sofram mais que o Valor

cada dia mais Administradores op-

como o Valor Econômico “está se

Econômico. Nossa notícia e, sobretu-

tam por serem corretos. Ninguém

virando”? A expansão digital afe-

do, nossa análise são muito específicas,

precisa ser desonesto para com-

tou os veículos impressos? Como

focadas, profundas e profissionais. Nós

petir. Se discordamos da carga tributária, por exemplo, ajamos! Protestemos! Busquemos influenciar o legislativo para mudar tal situação. Mas não soneguemos. Se discordamos do modo como os impostos são aplicados na sociedade, se achamos que recebemos muito pouco pelo que pagamos, novamente, ajamos, protestemos contra a corrupção e o desvio de verbas, influenciemos. Mas não soneguemos. Penso que discussões desse teor é

14

o senhor avalia esta questão? O número de leitores do impresso ainda cresce? AC - A indústria da comunicação, no Brasil e no mundo, passa por transformações radicais. Grandes desafios! Como Administrador, é um privilégio poder atuar nesta indústria num momento fascinante como este. No exterior os jornais e revistas vêm sofrendo muito com a queda da publicidade e da circulação de notícias no

somos o mais influente veículo de economia e negócios do Brasil. Existimos para os Administradores. Somos reconhecidos e admirados por isso. Por isso o Valor cresce. Cresce em publicidade em cima de um excelente crescimento que tivemos no ano de 2012. Neste complexo ano de 2013, tivemos os melhores meses de julho, agosto e setembro da história do jornal! Tivemos recordes de páginas pagas de publicidade no nosso principal anuário, o Valor 1000. Apresentamos crescimento de

são que nós, da imprensa, devemos

meio impresso. No Brasil e na maioria

fomentar. Temos os meios para isso.

dos países emergentes ainda estamos

Valor. Conquistamos nada menos que

Temos, no caso do Valor, a comuni-

num outro estágio. Temos problemas,

389 novos anunciantes no primeiro se-

dade de negócios no nosso entorno.

mas ainda há, penso, bom espaço para

mestre deste ano. Conquistamos gran-

Nosso papel também é esse: influen-

crescimento. Talvez publicações que

des contas como Bradesco, Banco do

ciar e educar.

cubram assuntos mais genéricos, no-

Brasil, Vale, Gerdau e Citi na publici-

rba | revista brasileira de administração

47% na publicidade on line no Portal


dade legal. Na audiência também cres-

AC - Fiquei obviamente muito con-

RBA - Qual conselho o senhor

cemos. No ano de 2012, segundo o IVC,

tente com o reconhecimento do CRA-

daria a quem está iniciando a

passamos de 224 mil para 358 mil lei-

SP. E fiquei feliz porque penso que o

profissão

tores. Na audiência de nosso site cres-

que se reconheceu ali foi um estilo de

AC - Vai fundo! Aproveite, curta, encante-

cemos em 27% em visitantes únicos e

gestão. Um estilo que busco seguir e

se com o que a profissão de Administrador

50% em páginas vistas. Respondendo

que vejo inúmeros Administradores

pode lhe oferecer: vivências, aprendizado,

ainda mais especificamente à sua

no Brasil e no mundo – gente que me

contatos, desafios, crescimento intelec-

pergunta sobre a expansão digital,

inspira – praticando e criando o tem-

tual, oportunidade de atuar para a me-

crescemos também em assinantes do

po todo. Esse estilo de administrar

lhora da humanidade. Pense bem no que

Valor Econômico na versão digital:

não tem dono, não tem livro único,

você de fato quer fazer, de forma ampla,

76% versus 2012. Ou seja: para o Valor

não tem fórmula, nem está finalizado.

para além dos muros da empresa, pela

Econômico, o momento atual e a pers-

É como dizem os de fala inglesa, um a

humanidade. Preocupe-se ou ocupe-se

pectiva futura são excepcionais. Ainda

work in progress. E o que é esse modo

apenas um tanto da questão do sucesso

no mundo digital vale ressaltar um

de administrar? É um pouco do que

financeiro, da carreira e da glória. Tudo

grande investimento que os acionistas

falamos ainda agora: buscar agir no

isso importa e pode ser bom, mas se você

do Valor Econômico (Organizações

bem, também na administração dos

mirar um objetivo mais nobre, maior e

Globo e Grupo Folha) fizeram nos últi-

negócios e das pessoas.

mais amplo, tudo isso vem junto. 

de

Administrador?

mos três anos. Investiram mais de 110 milhões de reais para criar o mais arrojado e moderno serviço de informações em tempo real do mercado brasileiro: o Valor PRO. Valor PRO é um sistema de

ALEXANDRE CALDINI

cotações, informações e notícias em tempo real (milésimos de segundo) que traz junto com tecnologia de ponta (+ de 300.000 horas de desenvolvi-

Registrado no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) sob o número 75810.

mento, programação e testes) e navegação intuitiva o que só o Valor tem: as

Administrador formado pela Pontifícia Universidade Católica de São

análises, furos e bastidores apurados

Paulo (PUC-SP), com especializações na escola francesa de negócios

pelos jornalistas do Valor Econômico.

Insead, na universidade norte-americana de Harvard e na Fundação

Lançado neste ano, o Valor PRO já tem

Getúlio Vargas (FGV).

quase 1000 pontos instalados nos principais bancos, corretoras e nas mesas de investidores e nos CEOs, CFOs e

Atual CEO do jornal Valor Econômico, influente veículo de comuni-

tesoureiros das maiores empresas do

cação de negócios, economia, finanças e legislação, traz experiên-

país. Esse é mais um passo decisivo

cias na Du Pont, Diageo, Colgate, Novartis e Editora Abril. Também

para o futuro do Valor Econômico.

lecionou na Faculdade de Administração e Economia da PUC-SP. Na

RBA - O senhor recebeu do CRASP no ano passado a distinção de “Administrador Destaque”. Na sua opinião, quais as características que um Administrador deve ter para ser “destaque” em sua profissão?

Editora Abril exerceu diversos cargos, sendo que nos últimos seis anos dirigiu as revistas Exame, Você S/A e Info. Recentemente recebeu dois importantes reconhecimentos da comunidade de negócios brasileira: em 2011, foi eleito “Profissional de Veículo do Ano” no Prêmio Caboré, o mais importante prêmio do mercado publicitário brasileiro, e, em outubro de 2012, foi homenageado como o “Administrador de Destaque” do CRA-SP.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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OPINIÃO Ilustração POR_Rafaela lech

Motiva O

humano

o estresse vale a pena, a energia gas-

é motivacional. Sāo as

ta parece ter um sentido, o cansaço é

motivaçōes

comportamento

emu-

recompensado, as baterias se recar-

lam a nossa açāo, dando-nos a real

que

regam e levantamos cheios de energia

sensaçāo de estarmos vivos. Viver

para continuar. Agora imagine outro

é a contínua resposta que damos a

cenário oposto a este: passar horas e

elas. Se nos faltam, ou se sāo pobres

horas fazendo algo mecanicamente

e desestimulantes, entāo sentimos

sem a menor motivaçāo. Neste estado,

a vida perder sua força. Quando isso

operamos no modo automático, repe-

acontece, experimentamos em algum

tindo sem vida alguns protocolos para

nível o gosto amargo de uma tristeza

manter uma máquina funcionando,

que nos leva à prostraçāo. Uma von-

da qual somos apenas mais uma peça.

tade de nada fazer. Uma dificuldade

Nāo é sem razāo que numa mesma

para fazer o que se tem para fazer.

empresa encontram-se pessoas vivas

Arrastamo-nos sem vida, pois as mo-

e motivadas convivendo com outras

tivaçōes que nos energizam nāo estāo

deprimidas e sem motivaçāo alguma.

lá. Eis por que eu costumo dizer que

Este estado motivacional vai ser de-

depressāo é a morte das motivaçōes.

terminante no como fazemos o nosso

Se existe uma dimensāo da nossa vida

16

trabalho e os resultados dele advindos.

na qual as motivaçōes sāo essenciais,

Mas atençāo: nāo basta apenas buscar

esta é a profissional. É na arena cor-

motivaçāo, é necessário qualificá-la.

porativa, no mundo do trabalho, onde

Existem motivações destrutivas, ne-

vamos sentir com mais força a presen-

gativas e nāo éticas. Elas podem ener-

ça ou ausência delas. Ao acordarmos

gizar facilmente aquilo que fazemos.

e lembrarmos que vamos passar dez,

É perfeitamente possível alguém ir feliz

doze ou mais horas do dia fazendo

para um trabalho no qual seus desejos

um trabalho que nos enche de força,

mais egoístas de vingança, vanglória,

rba | revista brasileira de administração


ção

no trabalho

vaidade, poder, vāo ser satisfeitos com

pais responsáveis por acender ou apagar

isso é menos nobre. Simplesmente fa-

açōes inescrupulosas. Lembremos: ca-

em nós as chamas da motivaçāo.

zer bem feito nosso trabalho, buscar

mem, sāo pessoas altamente motivadas. A motivaçāo é uma força neutra e como tal podemos canalizar sua energia para o bem ou para o mal. Quando ousamos descartar motivaçōes daninhas e doentias nos focando nas benéficas e saudáveis, descortinam-se diante de nós possibilidades de um rico aprendizado.

A perda da motivaçāo, em muitos casos, coincide com a chamada crise da meia-idade. Aquele momento no qual o tédio assume quase total controle da nossa vida. Nada que fazemos tem sabor e começamos a questionar tudo quanto construímos até aqui. Além disso, a simples repetiçāo de estar fazendo já há muito tempo a mesma coisa, a ine-

Às vezes a natureza do nosso traba-

xorável familiaridade que adquirimos

lho, os líderes de nossa organizaçāo,

nos leva a conhecer bem o nosso traba-

o ambiente organizacional, sāo tāo

lho, deixando pouco espaço para o novo

bons que a motivaçāo vem de fora, o

e o desafiante. Seria hora de mudar? Ou

sistema nos motiva. Vezes há, porém,

tentar redescobrir coisas novas em ca-

quando é lá do recanto mais profun-

minhos já trilhados? Sair para um novo

do do nosso interior de onde deve vir

desafio ou desafiar o que já é antigo?

a motivaçāo. Uma força interior para nos dar o que o exterior nos nega.

os melhores resultados usando os melhores meios e ao final de tudo ganhar nosso salário, podem ser motivaçāo capaz de nos trazer muita vida. Essas pequenas liçōes que aprendi ao longo dos anos têm me ajudado a encontrar prazer nos dias alegres do meu trabalho e energia naqueles momentos nos quais a vontade de desistir se torna uma possibilidade. Afinal, pessoas motivadas tornam-se fontes de motivaçāo para outros, transformando o ambiente de trabalho em algo estimulante e sustentável.  Foto: Divulgação

nalhas e imbecis raramente se depri-

Existem motivaçōes básicas, simples e mesmo banais em contraste com ou-

No ambiente do trabalho pessoas sāo

tras que sāo complexas e estimulantes.

as principais fontes de motivaçāo. É

Trabalhar simplesmente para pagar as

bem verdade que trabalhar em lugares

contas, dar suporte financeiro a quem

EDUARDO PEDREIRA

nos quais os processos estāo bem defi-

amamos, pode nāo ser uma motivaçāo

nidos e gerenciados é uma ajuda extra.

que vai mudar o mundo e escrever o

Todavia, líderes e colegas sāo os princi-

nosso nome na história, mas nem por

é professor de Sustentabilidade Corporativa da Fundação Getúlio Vargas e coautor do livro “Gestão Sustentável de Negócios”.

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COACHING

A minha história está bem contada? Todas as pessoas, algum dia na vida, já se perguntaram se estavam no caminho certo ou se trilharam a melhor estrada. E o coaching pode ajudar muito nesse processo

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rba | revista brasileira de administração

Foto: Shutterstock

POR_Mara Andrich


pessoal e profissional, na busca do al-

que pode melhorar no tra-

cance dos seus objetivos e metas por

balho e na vida pessoal?

meio do desenvolvimento de novos e

Se ainda não o fez, é bom pensar nisso.

mais efetivos comportamentos”. Ou

Em tempos de competitividade acir-

seja, o coaching oferece instruções às

rada, as organizações estão cada vez

pessoas que precisam mudar.

mentos e ações novas, sem estereótipos e que tragam resultados. E na vida pessoal não é diferente: autorrealização, aliás, é uma palavra que deve estar presente em todos os setores da vida. E o coaching pode ajudar muito nisso. No entanto, o próprio termo “coaching” merece uma reflexão. Esta palavra vem do inglês e significa “treinamento”. Porém, nos dias de hoje o termo deveria até ser modificado, pois a atividade já não se resume mais a apenas um simples treinamento. Aliás, os especialistas consultados pela RBA deixam bem claro: coaching não é treinamento. A atividade ou ocupação – como chamam os coaches, profissionais treinados para entregar o processo de coaching – tomou proporções bem maiores desde que se tornou “moda” no Brasil e busca melhorias nas atividades desenvolvidas pelos indivíduos de um modo geral, seja na vida pessoal, seja no ambiente corporativo. Quem procura o coaching pode querer melhorar seu desempenho no trabalho, mas

No início, a atividade era voltada apenas aos executivos e gestores – o chamado coaching executivo. A ideia vigente era que o coaching deveria “consertar” um problema, o que até poderia constranger a pessoa. Hoje o termo tomou proporções que levam quem faz a atividade a um nível de reconhecimento, ou seja, quem faz coaching dentro de uma empresa é reconhecido, tem prestígio. Sem falar que há diversas vertentes, como o life coaching, o coaching ontológico, o coaching conectivo etc. Com exceção do coaching executivo, que é mais focado na resolução de pontos de uma organização, pode-se concluir que todos os tipos acabam convergindo para um mesmo ponto: melhorias no comportamento e resultados positivos, em todos os ambientes. E dentro desta definição mais ampla de coaching, “o administrador precisa desenvolver maturidade pessoal, escola tradicional. Ele precisa achar o sentido de sua trajetória”, afirma o professor da Escola de Administração

temente, conseguir a autorrealização

de Empresas da FGV São Paulo, João

em todos os aspectos da vida.

Baptista Brandão. O autoconhecimen-

(ICF) Brasil define coaching como “uma parceria entre o coach (profissional treinado para entregar o processo de coaching) e o coachee (pessoa que

Jorge Oliveira revela que a procura por coaching vem crescendo no Brasil

competências que não encontra na

também na vida pessoal e, consequen-

A International Coaching Federation

Foto: Divulgação

mais exigindo habilidades, comporta-

Foto: Divulgação

V

ocê já se questionou no

to se torna extremamente importante – não só na vida pessoal, mas também no ambiente corporativo. “Sem isso ele não consegue comandar pessoas”, observa o professor.

passará pelo processo de coaching), em

Não há dados específicos que apon-

um processo estimulante e criativo que

tem, mas é evidente que a procura por

os inspira a maximizar o seu potencial

coaching vem crescendo no Brasil.

Ana Luisa Pliopas aponta que organizações exigem mais competências

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

19


Foto: Divulgação

de Empresas de São Paulo da

O coach empresta o olhar dele para que você possa enxergarse e escolher diferente, para ter um resultado diferente daquilo que te incomoda” FlÁvio Resende

Fundação

Getulio

Vargas

(FGV-

EAESP), Ana Luisa Pliopas, diz que o aumento da procura se dá pelas mudanças nas competências exigidas pelas organizações. E o gestor é o mais cobrado e o que tem mais dificuldades, principalmente no que diz respeito às relações interpessoais. “Hoje esperamos que o gestor seja participativo, facilitador, menos autocrático, e ele não está preparado para isso”, acredita. A professora Ana Luisa lembra que uma das principais vantagens do coaching é

Brandão. Ele diz que os motivos que

Brasil, Jorge Oliveira. O ICF é uma or-

levam à procura do coaching são o ba-

ganização sem fins lucrativos que cer-

lanço que as pessoas querem fazer da

tifica a atividade e atua em 120 países.

vida – “como cheguei até aqui e o que

Hoje o ICF conta com 384 coaches que

posso fazer para ser mais” – e, em es-

necessitam ter pelo menos 60 horas da

pecial, a necessidade de ter maturida-

atividade para fazer parte. No Brasil,

de profissional. “O que é muito recor-

o coaching se tornou mais conhecido

rente é a pessoa colher o que plantou lá

há dez anos – iniciando pelo coaching

atrás. No coaching ela busca um apoio

executivo, justamente pelas necessi-

para o futuro. Pensar no futuro e fazer

dades das empresas. Segundo Oliveira,

uma espécie de agenda. Hoje em dia as

o coaching aparece para atender à in-

pessoas não têm esse treino para pen-

Um dos problemas mais comuns nos

quietação de dois lados: organização e

sar no futuro”, salienta o professor.

coachees de Ana Luisa é o excesso de

funcionário. “O coaching cresce porque é, antes de tudo, resposta às perguntas das organizações. Hoje as organizações estão bem mais conscientes sobre o que os profissionais precisam, eles não ficam mais à mercê”, comenta.

E engana-se quem pensa que só os jovens fazem coaching. É cada vez mais comum as pessoas mais maduras procurarem a atividade. Até mesmo aqueles que vão se aposentar – e precisam se acostumar com isso – procu-

E a mescla de vários tipos de coaching

ram a atividade para obter um apoio.

também vem se tornando inevitável.

“As pessoas buscam o coaching não

Até porque, segundo Oliveira, é muito

para ter respostas, mas para ter uma

difícil dissociar a vida profissional e a

vida mais estimulante, para aprender

pessoal nos dias de hoje. “O coach trata

sobre si, para aprender a pensar por

do indivíduo por inteiro”, salienta.

conta própria e encontrar respostas”,

Visão compartilhada pelo professor da

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a valorização do profissional como um

Quem confirma é o presidente do ICF

define Brandão.

ser individual, e não que deve ser treinado em grupo – aliás, ela também reitera: coaching não é treinamento, tampouco consultoria. “Os treinamentos não são exclusivos, e expõem mais as pessoas. O coaching é confidencial. Por meio de uma metodologia de conversa, de confiança entre o cliente e o coach apresentam-se perspectivas e possibilidades para a mudança”, comenta.

trabalho e competências que, muitas vezes, não são deles. E o pior: o gestor não percebe que está errado e, consequentemente, não conseguem se desenvolver. “O gestor não é pago somente para dar respostas. No processo de coaching temos mudado essa crença. O executivo que passa segurança no ambiente de trabalho torna o clima melhor, diminui turn over etc.”, diz.

Será que funciona? Não é fácil medir os resultados “pós

Escola de Administração de Empresas

Já a coordenadora da Coordenadoria

coaching” em uma organização. Como

de São Paulo da Fundação Getulio

de Estágios e Colocação Profissional

explica Jorge Oliveira, isto tem sido,

Vargas (FGV-EAESP) João Baptista

(CECOP) da Escola de Administração

nos últimos anos, ponto-chave na

rba | revista brasileira de administração


atividade. “Em geral as pessoas não

empresa. Ele conta que procurou o co-

ção ao que falo e ao que faço, consigo

deixam muito claro o problema a ser

aching porque queria mais resultados.

mobilizar mais as pessoas para os ob-

resolvido na organização, a questão a

E assim está sendo. “Descobri um es-

jetivos da empresa e, principalmente,

ser trabalhada. Ainda precisamos de

pelho que me ajuda a ver as coisas sob

me sinto em condições de poder apoiar

mais aprendizado para podermos me-

uma ótica imperceptível para mim até

o outro a ser melhor, onde ele quiser

dir melhor os resultados”, aponta.

então. E enxergando as minhas esco-

ser. Pareço viver outra realidade como

O jornalista com ampla experiência na

lhas e os resultados que tenho a partir

gestor”, comemora o jornalista.

delas, entendi que precisava mudar al-

Resende reitera ainda que o coach não

área, com duas pós-graduações e empresário Flavio Resende, de 36 anos,

guns parâmetros, de modo a alcançar

é um conselheiro. “Ele empresta o

teve o primeiro contato com coaching

os resultados que almejava, em todas

em 2009. Na época, o termo não era tão

as áreas da vida”, conta. Resende lem-

gar-se e escolher diferente, para ter

difundido no Brasil, mas já o auxiliou

bra ainda que o problema dele era, na

um resultado diferente daquilo que te

muito. De lá pra cá fez coaching três

verdade, foco. O que mudou o seu jeito

incomoda”, observa.

vezes – o último foi o chamado coa-

de se relacionar com o mundo e com

ching conectivo, utilizando-o inclusi-

as pessoas que estão no seu entorno.

ve como ferramenta de gestão em sua

“Hoje me sinto mais coerente em rela-

olhar dele para que você possa enxer-

Para Jorge Oliveira, é fundamental medir os resultados do coaching. No entanto, ele acredita que a cada dia as

Foto: Shutterstock

empresas têm incorporado mais essa cultura. O que é muito positivo. “A tendência é esta. Na medida em que as organizações incorporam o coaching ao seu dia a dia não será mais preciso medir resultados”, acredita. O professor Brandão, da FGV, também acredita nos resultados positivos. Ele diz que percebe claramente que após o coaching as pessoas continuam cuidando dos pontos discutidos, fazendo perguntas, o que é um indicador de que o coaching “mexeu” com elas positivamente.

Tome cuidado Antes de contratar um coaching: • observe a formação do coach. Com isso você poderá verificar será capaz de lhe atender em suas demandas; • veja se ele possui alguma certificação. De preferência, o ideal é que a certificação do coach não seja da mesma instituição onde ele fez a atividade; • verifique a quantidade de horas de atuação do coach; • busque informações com outras pessoas que já fizeram coaching. (Fonte: Jorge Oliveira, presidente do ICF Brasil)

Valores médios Os valores cobrados pelas sessões de coaching variam muito de estado para estado. Mas de um modo geral, em São Paulo, a média cobrada por hora para o coaching executivo, por exemplo, pode variar entre R$ 400 e R$ 1.200. Já o life coaching oscila entre R$ 150 e R$ 500. Entre as variantes estão o tempo de experiência do coach e os objetivos do coachee. (Fonte: Jorge Oliveira, presidente do ICF Brasil) 

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desafio do ócio POR_Cinthia Zanotto | FOTOS_ARQUIVO PESSOAL

Em favor da qualidade de vida Amante e praticante assíduo de diversas modalidades esportivas, administrador mostra como planejamento,

O

Adm.

Marco

Antonio

Mendes é de Teresina, Piauí. Tem 47 anos, é casa-

do e dessa união de quase duas décadas nasceram suas filhas; a mais velha, de 18, e a caçula, com 16. Ele dedica parte de sua vida à prática de esportes. Até os

comprometimento, logística e marketing

25 anos, teve a chance de jogar futebol

pessoal, aliados ao lazer, resultam em

causa de uma lesão. Também dedicou

qualidade de vida

de campo e salão. Precisou parar por 30 anos ao basquetebol e 25 à sinuca, tendo a chance de disputar e conquistar lugares no pódio em todas essas modalidades. Frequenta academia desde os 16 anos e, atualmente, pratica kitesurf

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rba | revista brasileira de administração


Os conhecimentos administrativos de Mendes o auxiliam na hora de saber utilizar corretamente o seu tempo, nos planejamentos dos treinos específicos do dia a dia e, também, no bom relacionamento por meio do marketing pessoal e da logística “para que tudo aconteça da forma planejada. Por exemplo: fiz um projeto de participação na São Silvestre (15 quilômetros) no fim do ano, pela qual precisei determinar o tempo de treinamento, a forma, o objetivo, o orientador, os custos e a logística de viagem”, explicou. Para ele, a Administração se

e corrida de rua. A meta para este ano

na casa do pai, onde montou um estú-

é sair com uma boa colocação na São

dio, e ainda nadar e andar de skate aos

Silvestre, em São Paulo. Adepto e aman-

domingos. Para conciliar todos os ho-

te de exercícios físicos, o esportista é,

rários e alcançar o objetivo proposto,

nas demais horas do dia, Administrador

ele levanta, de segunda a sexta-feira,

No sentido inverso, o piauiense tam-

às 5 horas e segue uma planilha de

bém enxerga os reflexos da prática

treinos voltada para alcançar a meta

do esporte na jornada profissional

traçada para este ano. O kitesurf ele

e pessoal. A qualidade de vida afeta

guarda para os feriados e férias, pois

diretamente a sua disposição para o

são as únicas datas que dão a ele a

trabalho, pois concede a ele energia

chance de viajar os 340 quilômetros

preciso ter planejamento, dispo-

para desenvolver com eficácia suas

até o litoral do Piauí. “Para fazer tudo

atividades cotidianas. Ainda é sua

sição e foco, segundo ele, pois o

isso é preciso se planejar, para que

fonte de prazer, “liberdade, interação

Administrador também inclui na sua

você possa fazer bem e não prejudicar

social e equilíbrio mental”, reconhe-

rotina tocar bateria, violão e guitarra

as demais atividades”, acrescentou.

ceu o Administrador.

e contador, dono de uma empresa de fomento mercantil e sócio de outra companhia de tecnologia da informação, onde atua como diretor financeiro. Com uma agenda bem ocupada, é

faz necessária em qualquer atividade desenvolvida pelo homem. No esporte, não seria diferente.

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Desafio do Ócio

Perseverança e influência Nem tudo foi fácil durante a trajetória atlética de Mendes. Aos 25 anos, enquanto praticava futebol, rompeu os ligamentos do joelho esquerdo, mas só realizou uma cirurgia para corrigir esse problema em 2005. Após a recuperação, voltou a praticar corrida de rua, em provas de 10 quilômetros, mas outra intervenção cirúrgica foi necessária para corrigir o menisco do mesmo joelho. Isso não foi o suficiente para pará-lo e mais uma vez ele voltou às ruas para a corrida e competições. A determinação, o compromisso e os resultados alcançados com os exercícios físicos o tornaram influência para suas A troca de benefícios entre esporte e profissão parece dar certo. Desde os 18 anos no mercado de trabalho, Mendes diz que sempre se destacou nas empresas por onde passou. Como atleta, a história foi a mesma. Os bons resultados o levaram a fazer parte da seleção do estado onde mora. Na sinuca, conquis-

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rba | revista brasileira de administração

filhas e amigos. Como os sábados ele reserva para o descanso, no domingo à tarde ele conta com a companhia da filha para dar umas voltas de skate, após nadar pela manhã. Ulli e Hannah, o nome das suas duas filhas, seguindo o exemplo do pai, também frequentam academia e ainda dançam e jogam tênis.

tou o vice-campeonato realizado pela

Mas a qualidade de vida é o principal

Federação do Piauí, em 2009. Na corri-

motivo pelo qual ele acredita ter conse-

da de rua já conseguiu o 5º melhor tem-

guido entusiasmar tanta gente. “Tenho

po nas últimas duas provas principais

muitos amigos que consegui influen-

de Teresina, na categoria 45-49 anos,

ciar pela postura e qualidade de vida

e venceu a primeira prova realizada no

que tenho. Faço tudo o que eles fazem.

Zoobotânico. O segredo para se sobres-

Tomo minhas ‘biritas’, saio para me

sair em todas as áreas é, para ele, “estar

divertir e curto muito a vida. Porém,

disposto a contribuir, ser educado, au-

dentro de um limite. Nunca deixo o ex-

têntico, saber ouvir e aprender sempre.

cesso atrapalhar as minhas atividades

Encarar bem os desafios e pressões. Ser

físicas. Dá para você fazer tudo, desde

focado nas metas traçadas e procurar

que priorize o que te dá prazer e a qua-

fazer o ‘algo mais’’’.

lidade de vida”, finalizou. 


POR_FRANCISCO JOsÉ z. ASSIS | FOTOGRAFIA_VAL CUNHA

LEITE COM SABOR

de chocolate O s slogans “o que é gostoso como uma tarde no circo” e

“energia que dá gosto” estão fixados no imaginário tanto de pessoas com cerca de 50 anos de idade quanto de

crianças e jovens. São presentes no mesmo grau de intensidade, e

até de afeto, que o sabor de chocolate misturado ao puro e branco leite. É um caso de amor entre o primeiro achocolatado lançado no mercado nacional e a população brasileira. Desde 1932, o Nescau é consumido em mamadeiras pelos pequenos e em grandes copos pelos mais crescidos. E não é difícil encontrar pessoas que jamais abandonaram o gosto pela bebida.

O NOME

O LÍDER

A LATA

No início batizado de Nescáo pela fabri-

Não se chega à liderança à toa. Nescau ain-

Nescau nasceu embalado por uma lata de

cante, a Nestlé, o produto era recomen-

da é o preferido dos brasileiros, que, além

aço. A cor da embalagem era, no princí-

dado através de ações publicitárias às

de se afeiçoarem ao sabor do produto, fo-

pio, amarela. A fase durou alguns anos e,

mães preocupadas com a nutrição dos

ram impactados por ações de marketing

depois, as cores azul e vermelha, típicas

seus filhos. O nome vem da junção do

precisas. Os constantes sorteios de brindes

da marca, já assumiram o recipiente.

nome da empresa, Nestlé, com o nome

e as robustas campanhas em veículos de co-

Mais recentemente, a lata ganhou formas

do fruto utilizado na fabricação do cho-

municação reforçaram a presença do acho-

retorcidas, parecidas com um tornado. A

colate, o cacau. Sob tal denominação,

colatado dentro das residências de todo o

ideia do fabricante era passar, através da

também foi lançado na Itália, na Espa-

país. Os comerciais exploravam as quali-

embalagem, os conceitos de movimento e

nha, na Argentina e na França. Em 1954,

dades nutritivas do alimento e descreviam

energia explorados pela marca. Contudo,

o alimento passou a se chamar Nescau. A

aventuras dos seus jovens consumidores. As

para não se distanciar das raízes e matar

explicação para a mudança foi a maneira

frequentes inovações promovidas na marca

a saudade dos consumidores com idades

equivocada que as pessoas pronuncia-

e nas embalagens colocaram cada vez mais

mais avançadas, a Nestlé colocou há pou-

vam o antigo nome. O acento agudo de

o Nescau próximo do seu público-alvo. Tal

co tempo no mercado edições limitadas

Nescáo era lido como se ali estivesse um

sucesso fez com que a Nestlé aproveitasse

de quatro latas com rótulos antigos, que

“ão”. Diziam “Nescão”.

o nome para lançar outros produtos, como

eram comercializados nos anos de 1932,

cereais matinais, chocolates e biscoitos.

1960, 1986 e 1998.

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OPINIÃO

O Renascimento da Administração

E

m nenhuma outra época da

das para explicar como uma cidade com

dos sete anos de idade passavam a mo-

humanidade houve um flu-

menos de 50 mil habitantes (algo como

rar com os seus mestres por períodos

xo tão grande e tão intenso

Campos do Jordão dos dias de hoje)

de cinco ou dez anos. Uma verdadeira

de produção artística e de surgimento

conseguiu, em apenas meio século, fa-

estufa de treinamento profundo.

de gênios quanto o período conhecido

zer surgir dezenas de gênios: prosperi-

como Renascença, que teve na pequena

dade, paz, liberdade, mobilidade social,

Florença o seu epicentro. O que explica

paradigma cultural. Apesar de plau-

o desencadeamento de um potencial

síveis, é difícil acreditar que apenas a

criativo praticamente infinito que, mes-

convergência desses fatores justifique

mo séculos mais tarde, ainda não fomos

o sucesso renascentista. Inclusive,

capazes de reproduzir ou muito menos superar? Quais os métodos adotados pelos mestres renascentistas em seus processos criativos e no desenvolvimento de suas habilidades? E o melhor: o que

pelos registros históricos, o que ainda nos deixa sem resposta. Escreve o autor: “A Florença quatrocentista não era excepcionalmente próspera, nem

isso tem a ver com Administração?

pacífica, tampouco oferecia mais liber-

Em 1997, David Banks, estatístico da

desvendar o mistério?

Universidade Carnegie Mellon, escreveu um breve artigo intitulado The problem of excess genius (O problema do excesso de genialidade). Banks observou que os gênios não se distribuem uniformemente no tempo e no espaço. A história da humanidade está marcada justamente pela concentração de gênios em determi-

dade que outros lugares”. Pronto para O boom artístico florentino se explica por uma poderosa invenção social: as guildas. Talvez você não se recorde muito bem de suas aulas de história do colégio, por isso vou explicar. Guildas eram associações de artistas (tecelões, pintores, ourives, artesãos, entre ou-

ram seus mestres. Leonardo da Vinci foi discípulo de Andrea Verrocchio, Verrocchio estudou sob a supervisão de Donatello (não, não é a Tartaruga Ninja), Donatello sob a de Ghiberti, e assim por diante. Por milhares de horas, esses aprendizes aprendiam o ofício por completo, na prática, da mistura de tintas e preparo das telas à execução de verdadeiras obras-primas, um sistema calcado na produção sistemática de excelência. Coyle compara essa experiência à de um estagiário de 12 anos de idade que passasse uma década sob a supervisão de Steven Spielberg – “o fato de esse estagiário um dia virar um grande diretor de cinema não seria nenhuma surpresa, mas algo quase inevitável”.

tros), que se organizavam para regular

Beleza, você pode computar o talento

a concorrência e controlar a qualidade

singular de um Da Vinci a alguma

de suas produções. Verdadeiras em-

bênção divina – ou, como sugere um

presas, essas organizações contavam

famoso programa do History Chanel,

com uma administração, taxas e regras

à influência de extraterrestres. O

bem estabelecidas sobre quem poderia

cara era realmente excepcional. Mas

Daniel Coyle resgata essa questão no

exercer determinado ofício. A razão de

teria o jovem Leonardo despertado

brilhante livro O Código do Talento, e

seu sucesso era um sistema de forma-

a sua genialidade caso não tivesse a

elenca as razões normalmente utiliza-

ção de aprendizes. Meninos por volta

oportunidade de ter sido aprendiz de

nados períodos e localidades especiais: Atenas, entre 440 e 380 a.C., Florença, de 1440 a 1490, e Londres, entre 1570 e 1640, sendo o período florentino o mais produtivo – e o mais intrigante.

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vários desses pontos são desmentidos

Todos os gênios renascentistas tive-

rba | revista brasileira de administração


Verrocchio, outro gênio (porém, não tão famoso)? E, se houvesse nascido em nosso tempo, teria o potencial único de Da Vinci sobrevivido ao nosso sistema educacional, à rotina estressante e banal imposta pelos pais de hoje, aos valores de nossa sociedade, às mensagens do Whatsapp e à frivolidade do Facebook? Tenho minhas dúvidas. Michael Gellb, autor de How to think

com empresas. Tragam as empresas

Os cursos de Administração devem ser as guildas dos futuros administradores, um ambiente de treinamento profundo, onde não apenas a teoria faz parte da formação"

para dentro do ambiente acadêmico. O Brasil conta atualmente com quase 13 milhões de empresas. Permitam que os alunos se aproximem desse universo e contribuam com o seu avanço. Ganha o aluno, ganha a organização, a instituição de ensino e, o mais importante, ganha a sociedade. Não é esse o sentido maior de tudo isso? Os cursos de Administração devem ser as guildas dos futuros Administradores,

like Leonardo da Vinci, coloca uma questão mais pragmática e pertinen-

tuição de ensino, o tempo em que o fu-

um ambiente de treinamento profun-

te: os fundamentos renascentistas de

turo Administrador passa em seu pro-

do, onde não apenas a teoria faz parte

aprendizagem e cultivo da inteligência

cesso de formação é sub-aproveitado.

da formação, mas sobretudo a prática

podem ser aplicados para nos inspirar

Apenas escutar o professor em sala de

incessante supervisionada por mes-

e guiar à realização de todo o nosso po-

aula e ler suas apostilas em véspera de

tres talentosos, rigorosos e exigentes.

tencial? A resposta é sim. Tais princí-

prova não são suficientes para formar

Condescendência e excelência não

pios podem ser estudados, emulados e,

um Administrador. Meus caros, isso é

combinam. À frente de uma sala de

perfeitamente, aplicados. Podem não

enganação. Tal qual a formação de um

aula, o professor deve inspirar seus

nos tornar gênios, mas com certeza

artista renascentista, o nosso aprendi-

alunos a darem o seu melhor, mas deve

nos conduzirão em uma jornada que

zado deve ser também essencialmente

ser exigente na mesma medida. Deve

nos tornará melhores do que já somos.

prático. O gap entre a teoria e a práti-

propor desafios por uma busca jamais

ca não deve ser suprido apenas após

satisfeita pela excelência. Nada menos

maior carreira universitária do país.

a formatura. No momento em que se botam os pés em sala de aula, do pri-

A Administração é um curso superior

meiro ao último período da faculdade,

levado a cabo entre 4 a 5 anos nos ban-

deve ser proporcionada ao estudante

cos universitários. Algumas institui-

de Administração a chance de praticar

ções são reconhecidas pela qualidade

o objeto de seu estudo. A experiência é

ímpar de seu ensino, mas a maior par-

a fonte da sabedoria.

te delas navega na média, e um número inaceitável fica abaixo da crítica. Para se ter uma ideia precisa desse panorama, no último ENADE, pouco mais de 6% dos cursos obtiveram a nota máxima (5). 13,8% obtiveram nota 4; 43,2% registraram nota 3 (que é o mínimo para o curso ser considerado como “satisfatório”) e o restante, pasmem, conseguiu tirar nota 2 ou 1, representando praticamente 36% das nossas faculdades. Independente da qualidade da insti-

A exigência de estágio, por exemplo, dá-se comumente nos últimos períodos do curso. Por quê? É um absurdo subestimar a capacidade dos estudantes mais novos. Imaginem se todo calouro de Administração tivesse a oportunidade de ingressar na facul-

que isso importa. Estou seguro de que esse modelo impulsionará os nossos jovens a irem muito além do que eles mesmos pensam que são capazes. Esse é o caminho para que libertem todo o seu potencial criativo e desenvolvam com maestria a sua capacidade de levar nossas organizações adiante. Esse é o caminho para o Renascimento da Administração.  Foto: Arquivo pessoal

Tomemos o exemplo da Administração,

dade e, ao mesmo tempo, desenvolver alguma espécie de trabalho voluntário em uma organização do terceiro setor. Isso é algo que pode ser facilmente articulado entre a instituição de ensino e ONGs sérias. O mesmo pode ser feito

ADM. LEANDRO VIEIRA, criador do Administradores.com e autor do livro Seu Futuro em Administração (Campus/Elsevier)

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

27


CAPA

Foto: Shutterstock

POR_Mara Andrich

SOMOS MUITOS...

Mas será que somos grandes? O

28

s Administradores são muitos no Brasil.

como está? Na opinião do diretor da Câmara de Formação

O curso superior de Administração é o que tem

Profissional do Conselho Federal de Administração (CFA),

o maior número de estudantes matriculados

Samuel Melo Júnior, apesar de os dados do censo da educa-

nas Instituições de Ensino Superior (IES): mais de 850

ção superior realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e

mil, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).

Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) serem

Fazendo uma comparação entre o Censo da Educação

animadores e mostrarem uma evolução, eles não são sufi-

Superior de 2011 e o de 2012, houve um crescimento de

cientes mesmo. Ele lembra que a avaliação oficial do Exame

14,5% no número de ingressos de alunos nos cursos que for-

Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em 2012

mam Administradores e de 5,8% no número de concluintes.

apresenta aumento expressivo nos conceitos 3, 4 e 5 e uma

Mas será que somente números altos bastam? E a qualidade,

redução significativa do conceito 1 do ENADE dos cursos de

rba | revista brasileira de administração


? ?

?

Administração, 4 dos dados do censo

da que são utilizados diferentes crité-

da educação superior realizado pelo

rios de ranqueamento, com base em

Inep/MEC, o que significa que o cená-

diferentes indicadores de avaliação,

rio apresenta desafios e que a “culpa”

para classificar instituições de ensino

dos cursos não serem tão bons quanto

superior. Mas quais seriam, então, as

deveriam não é apenas de um ou ou-

características que devem ser valo-

tro, mas deve ser compartilhada (ava-

rizadas nos cursos de Administração

liações abaixo de 3 são consideradas

já existentes e o que pode mudar para

insatisfatórias pelo MEC. Para esta-

torná-los ainda melhores?

rem em um nível aceitável de presta-

As opiniões dos especialistas se

ção de serviços de educação, é preciso tirar de 3 a 5, a nota máxima.). A nota média do Enade de Administração em 2012 foi de 2,33 – em 2009 ela foi de 2,29. E, para Melo Júnior, providências devem ser tomadas. “Embora o processo de avaliação das IES no Brasil esteja institucionalizado, é necessária uma maior sinergia entre os fatores envolvidos nesse processo – leia-se IES e sua comunidade acadêmica, Conselhos de Classe, MEC e sociedade – como forma de melhorar as modelagens de avaliação”, opina. Já o professor Mário Cesar Barreto Moraes, vice-presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), acredita que há cursos da área excelentes no Brasil, tanto em instituições privadas como em públicas. “Em que pesem as críticas ao ranqueamento derivado das

complementam. A coordenadora da Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo (Insper-SP), professora Luciana Yeung, acredita que a formação do Administrador deve ser abrangente, uma vez que se trata de uma profissão que demanda muitas habilidades. Segundo ela, o aluno de Administração deve ter disciplinas que contemplem a área humanística e a quantitativa, o que já é comum no exterior, para conseguir resolver problemas – demanda frequente do Administrador. “Hoje, grande parte das instituições relegam o lado quantitativo”, critica. “Claro que cada escola tem que escolher a sua visão, a sua missão, e às vezes os gestores têm visões diferenciadas. Mas acredito que a formação aprofundada, geral, é a mais indicada. Um curso somente teórico não vai formar um profissional completo”, opina.

notas do Enade, é importante destacar

A opinião de Luciana é compartilhada

que neste conjunto encontram-se IES

pelo professor Moraes, vice-presiden-

públicas e privadas, faculdades, cen-

te da Angrad. Ele acredita, inclusi-

tros universitários e universidades”,

ve, que a formação específica é mais

comenta. O professor acrescenta ain-

apropriada para uma pós-graduação.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

29


Foto: arquivo pessoal

O aluno de Administração deve ter disciplinas que contemplem a área humanística e a quantitativa, o que já é comum no exterior, para conseguir resolver problemas – demanda frequente do Administrador" Luciana Yeung

“Na pós, o egresso pode optar por

mentação teórica é importante. “Para

aprofundar um dado conhecimento e

que um curso forme os melhores pro-

melhorar sua especialidade, ou mes-

fissionais torna-se fundamental que as

mo defini-la”, afirma. Para Moraes,

metodologias de ensino retratem um

o projeto pedagógico de um curso de

ensino e aprendizagem fundamenta-

Administração deve ser adequado à

dos teoricamente e que haja conexão

realidade do mercado de trabalho e da

com o mundo real, com problemas

sociedade e integrado às atividades de

práticos aplicados aos conteúdos e que

extensão, pesquisa e iniciação cien-

disponha de projetos de investigação

tífica, tendo em sua composição em-

multidisciplinares”, observa. O profes-

presa-júnior, laboratório, incubadora

sor, desta forma, torna-se fundamental

de negócios, biblioteca com um bom

como um orientador, e não apenas um

acervo, experiência de estágio e docen-

transmissor de conhecimento. “O uso

tes “antenados” com o mercado. “Há al-

de estudos de caso, aulas-laboratório,

gum tempo ouvi falar de um secretário

trabalhos em grupo, aplicação de co-

de estado, que dizia que lamentava que

nhecimentos na solução de problemas

as instituições de ensino estejam dan-

simulados, uso de recursos tecnológi-

do as costas para a sociedade. Acho que

cos, atividades que buscam aproximar

isso pode ser um alerta”, comenta.

mais os alunos da prática nas empresas

Samuel Melo Júnior, por sua vez, acre-

Foto: Shutterstock

dita que não há um tipo “perfeito” de

30

rba | revista brasileira de administração

somente terão significado se o aluno for o protagonista”, afirma.

curso, mas sim modelos que devem ser

O professor do Instituto Federal de

revisados, repensados e desconstruí-

Educação, Ciência e Tecnologia do

dos constantemente. Para ele, as ins-

Maranhão, especialista em Gestão de

tituições devem formar profissionais

Pessoas, Lindemberg Costa Júnior,

que façam a diferença em suas organi-

acredita que o corpo docente é que faz

zações e, consequentemente, na socie-

toda a diferença em uma IES, além da

dade. Ele defende as disciplinas das ci-

oferta de pós-graduação stricto-sensu.

ências exatas, mas afirma que a funda-

Ele comenta que as faculdades devem


fortalecer a pesquisa e a extensão, já que algumas, segundo ele, focam ape-

OS MAIS CONCEITUADOS*

nas na graduação. “Essa é uma das maiores dificuldades encontradas pelos professores de Administração – não estou afirmando a inexistência dos cursos, mas em comparação com outras áreas, é muito pequena a oferta de mestrados e doutorados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste”,

1.

University of Virginia (EUA)

2.

Universidad de Navarra

3.

4.

Thunderbird School of Global Management (EUA)

6.

London Business School (Inglaterra)

(Espanha)

conta. Lindemberg ressalta a questão do profissional abrangente que é o

5.

7.

MIT Sloan School of Management (EUA)

Institute of Management Development (Suíça)

8.

Stanford University (EUA)

Harvard Business School (EUA)

9.

Bentley College (EUA)

Administrador. “Ele é valorizado jus-

* Faculdades citadas pelos entrevistados.

tamente por isso”, diz. O professor Alexander Berndt, ex-presidente da Angrad e conselheiro conEducacional (ADHOMINES-SP) também acredita que a qualificação dos professores é determinante para um bom curso. A Associação, inclusive, se dedica ao treinamento docente, desenvolvendo nas instituições um programa de 12 horas de atividades com até 25 do-

zar suas metodologias dos cursos de bacharelado. Ele afirma que a maiocionais e parecidos, com deficiências nos processos de avaliação do ensino. Ele defende as empresas-juniores, os simuladores em laboratórios e os está-

centes. “A receita é simples: competir

gios supervisionados obrigatórios.

com cursos vizinhos atraindo melhores

O CFA desenvolveu a Pesquisa

alunos e oferecendo melhores professores. Convém ter um bom ‘cozinheiro’ para fazer esta receita funcionar – um bom gestor”, brinca. Ele faz críticas ao ensino no Brasil, lembrando que a área ainda é recente por aqui. “Há baixíssima especialização e variedade entre os cursos, a ingerência regulamentadora

Nacional Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Administrador para identificar tendências do mercado de trabalho. O Sistema CFA/CRAs participa também da avaliação das IES de forma opinativa, mas sinalizando a pertinência e a

do governo é grande, e inibidora de ex-

relevância de algumas inovações nos

periências. A área de Administração é

cursos. “A participação tem como ob-

ainda considerada burocrática, secun-

jetivo agregar valor e colaborar para

dária em relação às outras”, observa.

a efetiva melhoria da educação em

Entre as atividades vivenciais desen-

Administração. Os empregadores pro-

volvidas pela ADHOMINES para os

curam pessoas diferentes, que sejam

docentes estão valores, comportamento assertivo e a inteligência emocional.

Mas quais seriam, então, as características que devem ser valorizadas nos cursos de Administração já existentes e o que pode mudar para torná-los ainda melhores?" MÁRIO CESAR BARRETO MORAES

ria delas, hoje, adota processos tradi-

talentosas na maneira de pensar, no ato de fazer e de traduzir resultados

Samuel Melo Júnior, do CFA, alerta

constantes, sem perder a singularida-

que as instituições precisam atuali-

de”, afirma Melo Júnior.

Foto: arquivo pessoal

sultivo da Ad Homines Associação

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

31


Capa

Exige-se pouco dos alunos e a maioria dos professores releva o baixo desempenho nas avaliações de aprendizagem. Além disso, os conteúdos programáticos são parecidos” Samuel MELO JÚNIOR

OPÇÕES PARA O ADMINISTRADOR

32

Na área da Administração, o profissional ou o estudante tem di-

A mobilidade também é uma opção para os Administradores –

versas opções. Uma delas são os Cursos Superiores de Tecnologia

quando os profissionais fazem intercâmbios institucionais.

em Determinada Área da Administração, que vêm se destacando

O mais comum é a mobilidade para a Europa, América do Norte

nos últimos anos. Segundo o MEC, existem 3.800 cursos deste

e Oceania. Segundo o professor Moraes, em outros países se

tipo no país, com cerca de 675 mil alunos matriculados. Isso re-

estimula também a mobilidade para a Ásia. “Normalmente, a

presenta 12% do total de cursos ofertados. “Isso acompanha a

mobilidade é estimulada a partir do terceiro semestre do curso

demanda do mercado de trabalho e a intenção dos jovens que

concluído e, em muitas IES, possibilita a validação de disciplinas

concluem o nível médio. Devemos nos preocupar com os mais

e, em outras, a realização de estágio internacional”, conta.

de 8 milhões de estudantes de nível médio que desejam cursar

O professor Berndt observa que há alguns anos havia mais alunos

o nível superior e ocupar seu lugar no mercado de trabalho”,

cursando MBA e Doutorado em Administração no exterior do que

destaca Melo Júnior.

nos cursos regulares no Brasil. “Com a globalização e ampliação

Os Cursos Superiores de Tecnologia (CST) têm uma carga ho-

do conhecimento de inglês esta tendência deve aumentar”, diz.

rária menor do que a dos Cursos de Bacharelado. Os primeiros

Outra opção bastante difundida no Brasil é o diploma duplo.

possuem entre 1.600 e 2.400 horas e os segundos possuem

O diploma duplo é um intercâmbio em que o discente ganha o

entre 2.400 e 7.000 horas. Há duas situações que podem

direito de obter dois diplomas: o da instituição brasileira que ele

ocorrer: uma delas é quando o bacharel que já está no mer-

iniciou os estudos e da estrangeira onde já concluiu a gradua-

cado busca uma especialização em determinada área – já que

ção. Sendo assim, ele precisa revalidar o diploma aqui no Brasil.

o bacharelado traz uma formação mais geral. Outra situação

Como explica Samuel Júnior, esta prática tem sido muito co-

ocorre quando a pessoa já tem o CST e busca uma graduação.

mum, especialmente em um momento em que a Europa passa

“Claro que a primeira opção é a mais procurada, pois sempre

por crises. “Temos verificado a procura de muitos portugueses,

se busca mais”, observa.

por exemplo. Em especial os docentes que vêm para cá tentar a

rba | revista brasileira de administração


OS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL BACHARELADO 2.160 cursos

850.000 alunos

Fonte: Censo da Educação Superior 2012.

registrados no

Tecnologia em Determinada Área da Administração 3.800 cursos

Profissionais CFA: 330 mil Fonte: CFA

675.000 alunos

Fonte: Censo da Educação Superior 2011.

revalidação do diploma estrangeiro”, comenta. Quando o profissional que já possui um diploma fora do país quer atuar por aqui, a revalidação pode resultar em deferida totalmente ou parcialmente. “Quando é deferida parcialmente o profissional terá que cumprir algumas exigências, que podem variar. Como

tando a adaptação no novo país”, observa Lindemberg. Quem quer obter um diploma duplo deve se informar em sua instituição de ensino. Segundo Samuel Júnior, a revalidação deve sempre ser feita em uma universidade pública.

por exemplo, fazer algum estágio ou cursar alguma disciplina

O professor Moraes lembra de uma antiga prática de dupla

que não tinha em seu país”, explica Samuel Júnior. Em alguns

diplomação que era associada à realização de um curso supe-

casos há acordos de cooperação técnica entre as universidades,

rior de tecnologia dentro da matriz curricular de um curso de

o que reforça e facilita a revalidação.

graduação. “Em que pese tal prática ter sido comum até cerca

O professor Lindemberg, por sua vez, destaca como ponto positivo do diploma duplo os aspectos culturais e de mercado.

de cinco anos atrás, foi considerada ilegal pelo MEC e não mais realizada”, orienta.

“O primeiro promove ao discente uma visão holística de mun-

Outra opção para o Administrador, assim como para profissio-

do, agregando importante valor à carreira profissional. O se-

nais de outras áreas, é buscar a dupla formação. Muitos admi-

gundo pela questão de currículo, pois com posse do diploma

nistradores acabam fazendo mais um, dois anos para conseguir

estrangeiro aumenta as possibilidades de egresso no mercado

o diploma de Economia, por exemplo. Mas isso ainda não tem

de trabalho exterior, enquanto no Brasil a remuneração tende a

sido tão comum, como lembra a professora Yeung. “Claro que

ser mais valorizada.

é interessante, pois o profissional aprende a pensar mais, a olhar

Mas é preciso pensar também nos pontos negativos para se obter um diploma duplo. “Como ponto negativo destaco os aspectos

o mundo de maneira diferente. Mas o custo ainda é um grande empecilho para isso”, comenta ela.

pessoais e afetivos, como a distância da família e a “frieza” dos

Samuel Júnior acredita que a busca pelo conhecimento é ilimita-

estrangeiros, que é bem diferente do calor dos brasileiros, dificul-

da e que buscar duas formações é sempre bem-vindo. 

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

33


BEM-ESTAR POR_cinthia zanotto

A dose

certa O café é a segunda bebida mais consumida no Brasil. Só perde para a água. Se ingerido na medida certa, pode ser um aliado da saúde daqueles que o apreciam

A

pós diversos estudos, pes-

mais de quatro xícaras (de 250 milili-

quisas e discussões em

tros cada) de café por dia”, divulgou o

torno dos benefícios e

canal de notícias BBC Brasil, no dia 16

malefícios do café, pode-se dizer, com certa propriedade, que o consumo de quatro xícaras diárias da bebida é o ideal para o ser humano.

de agosto deste ano. Para chegarem a tal conclusão, foi analisada a saúde de 43.727 pessoas na faixa etária de 20 a 87 anos, du-

Segundo o último estudo realizado

rante uma média de 17 anos, entre o

por cientistas da Universidade da

período de 1971 e 2002. No total foram

Carolina do Sul, nos Estados Unidos,

contabilizadas 2.512 mortes, em que

e divulgado na publicação científica

“homens e mulheres com menos de

Mayo Clinic Proceedings, pessoas com

55 anos mostraram ter mais tendência

menos de 55 anos aumentam o risco de

à mortalidade mesmo que tivessem

morrer prematuramente “se tomarem

consumido menos café".

Pessoas com menos de 55 anos aumentam o risco de morrer prematuramente se tomarem mais de quatro xícaras (de 250 mililitros cada) de café por dia"

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

35


Bem-estar Mas, no caso de um consumo de mais

complexo B. “A bebida café, obtida por

do, assim, “em importantes passos na

de 28 xícaras por semana, os cientistas

meio de uma solução aquosa a partir

síntese do DNA e na divisão celular”,

comprovaram um aumento de mais de

do café torrado e moído, possui ca-

explica o estudo.

50% na incidência de óbitos (56% no

feína, ácidos clorogênicos, quinídeos,

caso de homens), incluindo-se todas

niacina, sais minerais e centenas de

as causas de morte, em relação aos que

compostos voláteis responsáveis pelo

bebiam menos café”, divulgou a rede de

aroma e pelo sabor. Seu valor calórico

notícias de origem inglesa.

é mínimo, a não ser que seja adicio-

Embora os dados divulgados pela pesquisa não sejam otimistas, o médico Miguel Moretti, assistente da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo — FMUSP), aponta vários dos benefícios do café quando ingerido com moderação (500 mililitros diários de cafeína), uma vez que o grão contém diversas substâncias importantes para a saúde do homem, além da mais

estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) intitulado “Café e Saúde”, de 2003, que foi publicado pelo engenheiro agrônomo Ronaldo Encarnação e pelo médico

no café é outro dos seus aspectos positivos. Sua ingestão pode ajudar a prevenir a depressão. Por consequência, a bebida torna-se uma aliada dos agentes da saúde no tratamento de pessoas com problemas de dependência química, pelo estímulo gerado por certas propriedades do grão em algumas importantes áreas do cérebro.

Darcy Lima.

Ainda em relação ao cérebro, a cafeína

Algumas dessas propriedades po-

é um dos mais poderosos estimu-

dem diminuir o risco de uma pessoa desenvolver o câncer na vesícula, por exemplo, apontou Moretti. Já em 2003 os pesquisadores afirmavam que estudos revelavam o efeito bené-

lantes do sistema nervoso central, e esse é um dos motivos pelo qual essa substância presente no café ganhou o lugar de destaque em pesquisas desenvolvidas ao redor do mundo. E

fico do café quanto à proteção contra

mais: foi vista com maus olhos por boa

os diversos tipos de câncer em está-

parte da população durante anos. Mas

Sais minerais, como potássio, ferro e

gio inicial. A cafeína, considerada por

a verdade é que, se ingerida em uma

zinco, fazem parte de sua composição

anos como uma vilã à saúde do ho-

“quantidade adequada, a cafeína reduz

e, também, uma quantidade conside-

mem, passou a ser a “mocinha”, pois é

a sonolência, a apatia e a fadiga, além

rável de lipídios, açúcares, aminoá-

a substância apresentada no grão que

de favorecer a atividade intelectual do

cidos e vitamina PP – a vitamina do

é capaz de inibir a mitose, interferin-

indivíduo, aumentando a capacidade

Foto: ShutterStock

famosa delas, a cafeína.

36

nado açúcar à bebida”, divulgou o

A abundância de ácidos clorogênicos

rba | revista brasileira de administração


de atenção, concentração e memória”,

A torra do café, o tempo e a forma

explicou o estudo da Embrapa.

como é consumido influenciam, con-

Sob essa perspectiva, o café com leite adicionado ao pão com manteiga foi considerado uma boa combinação para a dieta da merenda escolar, reconheceu Moretti, ao citar uma pesquisa realizada em Campinas. Quem divide essa mesma opinião é o também médico Darcy Lima. Ele diz em texto publicado no site da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), com o título “Café e Crianças”, que o “café tomado logo na primeira hora, após o despertar em casa, suplementado pela xícara de café na escola, pode trazer um grande benefício a

Foto: Arquivo pessoal

A torra do café, o tempo e a forma como é consumido influenciam, consequentemente, nos benefícios e malefícios apresentados pelo grão”

sequentemente, nos benefícios e malefícios apresentados pelo grão. Se excessivamente torrado, o café perde substâncias importantes na sua composição. “A partir dos ácidos clorogênicos, que são mais abundantes que a cafeína no café (7% a 9%), durante o processo adequado de torra, são formados inúmeros isômeros derivados do ácido químico (...). Assim como outros componentes (exceto a cafeína), estas substâncias também são destruídas com uma excessiva torra do café”, informou o estudo de 2003.

Miguel Moretti

De acordo com Moretti, o café causa reações diferentes em cada pessoa. Para algumas, a quantidade de café tomada antes de dormir não deve afetar o sono, enquanto para outras

crianças, adolescentes e jovens do Brasil

surtirá efeito contrário. De forma se-

e mesmo em todos os países do mundo”.

Efeitos contrários

Embora a ingestão de forma moderada

Rafael Rafagnin é designer e toma

possa trazer outros diversos benefícios,

cerca de sete xícaras ao dia, quando

como ajudar na prevenção da doença de

não precisa de mais para se sentir

Parkinson e do mal de Alzheimer, o con-

bem. Ele é um amante do café e, se

sumo da bebida não é considerado bom

não bebê-lo nas primeiras horas da

para quem apresenta úlceras, problemas

manhã, seu rendimento cai e passa

gástricos ou é sensível ao café. Quando

o dia com dor de cabeça. Além disso,

servido sem ser filtrado, há tendência de

ingerir a bebida antes de dormir não

sará incluí-lo em sua dieta, bem como

aumentar o nível de colesterol na bebi-

afeta em nada o seu sono, disse o pai

quem faz seu uso não precisa parar de

da. De forma quase óbvia, então, os even-

de família de 28 anos. Porém, se o

fazê-lo. Mas sempre é necessário lem-

tos cardíacos são menores para aqueles

consumo exceder o habitual, o desig-

brar que, como tudo o que é ingerido, o

que ingerem a bebida filtrada.

ner sente desconfortos estomacais.

uso moderado é a melhor indicação. 

melhante, o médico diz que mesmo com os benefícios apontados com as pesquisas realizadas, as pessoas não devem mudar seus hábitos, pois os estudos ainda não conseguiram comprovar um efeito de intervenção do café na saúde do homem. Em outras palavras, quem não toma café não preci-

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

37


POR_ SÍLVIO ANAZ , colaborador de HSM MAnagement

Para INOVAR

e simplificar

COMPANHIAS INCORPORAM PALESTRAS FILOSÓFICAS PARA AJUDAR SEUS COLABORADORES A inovar e a reencontrar a simplicidade em um ambiente cada vez mais complexo, SEGUNDO REPORTAGEM HSM MANAGEMENT

C

ada vez mais empresas e

do para a indagação dos porquês”, ex-

predominam em certos momentos

líderes estão levando a fi-

plica ele. “Como um pensar crítico de

nas organizações e não ajudam nos

losofia para seus gestores

libertação, de recusa ao automatis-

processos de inovação e criação.

e funcionários, e isso também está

mo, à robotização da ação ou à mera

ocorrendo no Brasil. Os objetivos,

alienação da consciência, a filosofia

contudo, não têm a ver com aumen-

tem papel especial no campo empre-

tar o nível de felicidade, embora esse

sarial, porque ela leva a perguntar

possa ser também o resultado. Esti-

sobre o propósito daquilo que se faz,

mular os colaboradores a ultrapassar

para impedir a desumanização do

pensamentos confortáveis e robóti-

processo econômico e para acelerar a

cos, e, desse modo, inovar, é o que cos-

capacidade criativa.”

tuma motivar a adesão das empresas à filosofia, segundo Mario Sergio Cortella, filósofo e professor convidado da Fundação Dom Cabral. “A filosofia é um pensar crítico volta-

38

rba | revista brasileira de administração

Em tempos em que a inovação – a competência para fazer diferente – dá as cartas, a filosofia ganha espaço nas empresas à medida que patrocina uma nova forma de pensar o próprio trabalho e suas relações com o mundo, confirma Clóvis de Barros Filho, professor de ética da Universidade

Autor de 19 livros, entre eles Qual É

de São Paulo. “Muitos executivos têm

a Tua Obra? (ed. Vozes), Cortella tem

buscado na filosofia recursos concei-

sido requisitado pelas empresas para,

tuais para pensar diferente –‘fora da

por meio da filosofia, “estilhaçar um

caixa’, como costumam dizer. Perce-

pouco alguns confortos mentais” que

beram que, sem esses novos recursos,


a tendência é que produzam mais do

gação. “Transformar a filosofia em uma

mesmo. O senso comum corporativo

disciplina universitária foi sua des-

mostra-se circular, remetendo sem-

graça, pois o ser humano a terceirizou

pre às mesmas conclusões. Assim,

para a universidade e para os filósofos

um arcabouço conceitual distante

de profissão.” Professor da Fundação

do jargão das empresas permite ver o que estava obscurecido pelas evidências tão veneradas. A título de exemplo, repete-se muito o valor da transparência como dogma de fé e, ao mesmo tempo, nunca os negócios exigiram tanto sigilo em todas as suas fases de implementação.”

Getulio Vargas e da Fundação Instituto de Administração e autor do livro Ser Executivo: Um Ideal? Uma Religião? (ed. Ideias e Letras), Bartoli destaca que o esforço filosófico é um esforço de discernimento. “Qualquer pessoa que tenta enxergar além do próprio nariz está fazendo filosofia.” Ele vê filósofos

Para o filósofo, economista e teólogo

e escolas filosóficas comow amigos que

Jean Bartoli, o filosofar, além de ser

encontramos no caminho e que nos

uma capacidade que temos, é uma obri-

ajudam a enxergar mais longe.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

39


RESPOSTAS À complexidade Pensar com a ajuda dos amigos filósofos pode devolver a simplicidade perdida, respondendo a pelo menos três desafios:

1

Excesso de informações

e

escassez

de

tempo. Esse parece ser um

dos paradoxos mais evidentes atualmente. Bartoli crê que a escassez de tempo é o mais fácil de resolver, pois há maneiras de administrá-lo melhor, como reduzindo o tempo que se passa nas redes sociais e o que se gasta em

l’eau]. Hoje há quatro grandes repre-

batalha sangrenta. Nessa hora, é pre-

sentações: Adam Smith (mercado),

ciso trazer à tona o otimismo crítico,

Keynes (circulação da moeda), Marx

capaz de enxergar as possibilidades

(economia como relação de poder) e

sem negar as dificuldades.”

Karl Polanyi (crescimento dos tota-

A filosofia problematiza a pertinência

litarismos a partir da crise de 1929).

dos indicadores econômicos apresentados pelos meios de comunicação, segundo Barros Filho. “Todos sabemos quanto a mídia obedece a rígidos parâmetros ideológicos. Isso faz com que

Um pensador econômico filósofo vai olhar as quatro, vai fazer um discernimento. Não pode pegar uma e excluir as outras. A filosofia é importante nesse aspecto, mas ela depende tam-

esses dados sejam exibidos, interpre-

bém de uma honestidade intelectual.”

tados e julgados com base na consagra-

Ética e valores. As em-

ção ou deslegitimação das autoridades responsáveis por eles. O número nu e

3

presas já debatem esses temas há tempos, mas agora sentem a ne-

cru, por si só, não significa nada.”

cessidade de ser mais criteriosas no em-

“Esse é um exame de consciência que

Bartoli acrescenta que a economia é

prego deles. Para Bartoli, é comum o uso

cada um deveria fazer, e coletivamen-

uma representação do mundo e, as-

do termo “ético” para qualificar alguém,

te também, pois as organizações têm

sim, determinada visão não deve ser

mas isso nada revela sobre ele. Nesse

de pensar nisso. A questão toda é de

hegemônica, transformando-se em

sentido, é melhor dizer que a pessoa é

discernimento.”

dogma e fazendo com que se despre-

íntegra, confiável e honesta. O filósofo

zem todas as outras. “Acabo de ler

explica que a ética é uma reflexão sobre

um livro que é uma obra-prima. Cha-

“viver juntos”. “Se a grande questão da

ma-se La Dispute des Économistes,

economia é como vamos sobreviver,

de Gilles Raveaud [ed. Le Bord de

a grande questão da ética é como vamos

reuniões ou tarefas desnecessárias.

2

Pessimismo situação

sobre

a

econômica.

A tendência ao pessimismo para-

lisante em relação à situação econômica quando o necessário é agir constitui outro ponto no qual a filosofia tende a contribuir para os negócios. Visões otimistas ou pessimistas podem alimentar círculos virtuosos ou viciosos na economia e nas empresas. Cortella destaca, por exemplo, que

Vida profissional: um meio ou um fim? Questões filosóficas como o “ter” e o “ser” estão na origem de muitas das angústias que afligem os executivos, entre elas a ameaça de demissão ou a aposentadoria. Para Jean Bartoli, é fato que atualmente a inserção na sociedade se dá por meio da vida profissional. Ele ressalta, no entanto, que cabe a cada um olhar a vida profissional como um

apenas o otimismo honra o ser hu-

meio ou um fim. “Há pessoas para as quais o fundamental é a vida

mano. “O pessimismo aproxima-se

familiar. A vida profissional serve como sustento da família do indivíduo

muitas vezes da inação, da imobili-

e não o impede de ser um profissional absolutamente honrado, digno e

dade, e a história humana é a negação

eficiente. Isso não muda nada em termos de desempenho.”

do pessimismo. Aderir a ele é, acima de tudo, ser incapaz de mover-se em

40

dos mundos mesmo no meio de uma

Mario Sergio Cortella acredita que essa angústia que aflige os profissionais no momento de um desligamento está associada a uma simbologia, a um senti-

uma direção que seja melhor. É ne-

mento de pertencimento a um grupo, cada vez mais forte na sociedade ociden-

cessário que o otimismo que se tem

tal. Ele explica que esse sentimento de ligação a uma comunidade em muitos

não seja ingênuo, não seja aquele do

momentos foi identificado com a religião, com o “ser católico”, “ser espírita”

personagem Cândido, de Voltaire, em

ou “ser neopentecostal”. Hoje a demissão ou a aposentadoria fazem com que a

que ele supõe que estamos no melhor

pessoa retorne a sua estrutura individual. “Ela perde um sobrenome corporativo

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que em grande medida lhe dá uma identidade mais ampla.”


conviver. As duas são necessárias para

preconceito, e o preconceito advém

que possamos responder: como vamos

quando se aceita ou se refuga algo sem

viver? Por isso, hoje a economia faz par-

que ele seja compreendido.”

te da filosofia, assim como a ética.” Cortella entende que a ética passou a ser, inclusive, um valor de mercado, tanto que “há uma série de regulações que fazem com que os princípios éticos sejam seguidos para impedir o apodrecimento da estrutura de negócios”. A incorporação pelas empresas de determinados valores caros à sociedade contemporânea, como diversidade e tolerância, precisa de reflexão, segundo os filósofos. Para Bartoli, uma organização tem de pensar sobre valores muito antes de escrever seus códigos. “Ela pode estar entregando o ouro para o bandido, porque a pessoa que ler esses valores vai começar a checar se são isso mesmo e, se não forem, vai dizer que a empresa é hipócrita, não é

O CARÁTER DAS EMPRESAS A prática da filosofia no interior da empresa é importante também para definir ou redefinir o caráter da organização. Como explica Bartoli, à medida que os colaboradores refletem mais sobre seu agir, essa reflexão qualifica melhor suas ações. “O que se vê nas empresas é que muitas decisões são levianas. E são levianas não porque as pessoas são más ou burras, mas porque não tiveram tempo suficiente para pensar bem. E pensar forja o caráter.”

Segundo Mario Sergio Cortella, apenas o otimismo honra o ser humano. O pessimismo aproxima-se muitas vezes da inação, da imobilidade, e nossa história é a negação do pessimismo”

Para Cortella, a filosofia ajuda até a repensar o caráter da companhia.

confiável. Esse não é um problema só das organizações, e sim de todas as instituições, das universidades, das Foto: Ilustração Shutterstock

igrejas, dos partidos políticos.” A filosofia faz lembrar, também, que os princípios éticos não são imutáveis, inamovíveis ou atemporais, segundo Cortella, mas devem ser postos dentro dos contextos. “Há toda uma lógica em relação à ética que está ligada à vivência de determinada comunidade durante certo tempo. Não existe ética individual; a ética é sempre de uma comunidade, de um coletivo, de um tempo. Mas há uma diferença entre compreender e aceitar. Uma empresa pode sem dúvida trabalhar com a percepção do acolhimento à diversidade sem que isso implique aceitar; ela acima de tudo compreende. Isso porque um valor importante é a recusa ao

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41


PRODUTIVISMO VERSUS HEDONISMO POSITIVO Nos anos 1980, o sociólogo francês Michel Maffesoli apontou cri-

• Outro, que ele vê como positivo, é o que recusa a “laborlatria”

ticamente que a vida nas sociedades ocidentais estava totalmen-

e defende o que é essencial para nossa vida, como amorosida-

te pautada pelo produtivismo, tanto nos momentos de trabalho

de, afetividade, sexualidade e religiosidade.

como nos de lazer. E apostou que uma visão mais hedonista da vida estava ganhando espaço para combater esse utilitarismo. O

“Produtividade, rentabilidade, lucratividade e a ideia de compe-

filósofo Mario Sergio Cortella vê dois tipos de hedonismo muito

titividade são fundamentais, mas não essenciais. O fundamental

presentes na contemporaneidade:

é aquilo que ajuda a chegar ao essencial. Por exemplo, dinheiro

• Um, que ele considera maléfico, refere-se ao aproveitar a vida como sendo o descompromisso com os valores coleti-

blemas. Contudo, ele em si não resolve. Existe, portanto, esse

vos – portanto, um compromisso consigo mesmo e com o

hedonismo positivo, que é o de reivindicar e construir o direito à

próprio prazer.

fruição da vida e não ao produtivismo obsessivo.”

Filosofar sobre o caráter da organi-

dade econômica necessária em um

individualista, egoísta por natureza,

zação traz à tona diferentes visões

princípio de compreensão totalizante

que tenta se ajeitar com a sociedade

filosóficas sobre o mundo dentro da

da atividade econômica.”

por meio do mercado, ou se ele nasce

empresa, ainda que isso não seja tão evidente para os envolvidos. Bartoli considera, por exemplo, que em várias grandes companhias predomina uma visão de que o mais importante é a rentabilidade. “Há nessa visão um pensamento utilitarista – a dialética custo-retorno – que idolatra o mercado. É uma espécie de ‘fundamentalismo de mercado’ (termo cunhado por George Soros) que manda nas organizações, o que está mais para teologia

Na percepção de Bartoli, essa visão, no entanto, é diferente da diretoria para baixo. Dentro da organização há toda uma liderança que está preocupada com o cliente, na qual a visão laboral predominante foca a qualidade total, a obra conjunta e a reciprocidade. “Nas empresas, que

interdependente e não consegue sobreviver sem vínculos sociais. O filósofo conclui que, queiramos ou não, somos interdependentes, e por isso hoje a reflexão ética é fundamental. “Mas não a reflexão ética com base em códigos, e sim a reflexão sobre a experiência do viver juntos.”

hoje dependem do mercado financeiro, a lógica do mercado está mais forte do que a lógica do cliente. Na

AMOR É SABEDORIA

visão do mercado está Adam Smith,

Com a filosofia, as empresas estão, pela

só que essa visão não é a que agora

primeira vez, cultivando o “amor à sabe-

Bartoli ressalta que o mercado é uma

se apresenta. Para Smith, precisava

doria”. Bartoli é quem explica: “Sabedo-

necessidade, mas uma necessidade

haver um equilíbrio entre o ganho de

ria é saber como você vai viver e morrer.

utilitária, um espaço para trocas. O

capital e o ganho de trabalho. Ele fez

E perguntas da vida e da morte não são

problema, segundo ele, é que se cons-

tal afirmação muito antes de Marx,

individuais, mas coletivas”. Para que

truiu uma ideologia em que o merca-

porque viu que sem esse equilíbrio

seja possível responder a elas coleti-

do se tornou uma espécie de superego

o sistema não funcionava. Há uma

vamente, a filosofia é necessária. E, em

coletivo. “As pessoas estão apavora-

filosofia por trás de tudo isso, que é

um mundo em que as empresas são uma

das diante do que o mercado vai ou

a do individualismo.” Para Bartoli, a

instituição cada vez mais importante,

não vai dizer. Isso é uma ideologia

discussão filosófica nesse caso é se

essa discussão precisa ser levada para

implícita: transforma-se uma reali-

o ser humano é fundamentalmente

dentro delas, explicam os filósofos. 

do que para filosofia.”

42

não é essencial, mas é fundamental, pois sem ele você tem pro-

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POR_ LAURA BABINI, colaboradorA de HSM MAnagement, COM A COOPERAçÃO DE SÍLVIO ANAZ

Para ficar menos

triste, irritado, enlouquecido

VIVER

COMPREENDER O PAPEL DO TRABALHO NA VIDA E OLHAR MENOS O QUE O OUTRO TEM E MAIS PARA SI MESMO É A PRIMEIRA PROPOSTA DESTE DOSSIÊ PARA QUE OS GESTORES ENFRENTEM OS DESAFIOS PROFISSIONAIS QUE OS ESPREITAM, CONFORME REPORTAGEM QUE INCLUI ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O FILÓSOFO SUíçO ALAIN DE BOTTON 44

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TRABALHAR


E

mbora tenham alcançado um sucesso espetacular em tornar as pessoas mais

ricas, as sociedades contemporâneas vêm estimulando os apetites individuais tão continuamente que acabam por anular parte dos ganhos obtidos. Quem afirma isso é o suíço Alain de Botton, uma das grandes referências

Tende a ser danosa a crença de que o trabalho é virtuoso. Muitos trabalham só para ter momentos de ócio, quando se é feliz, segundo Aristóteles"

da filosofia mundial, autor de livros como As Consolações da Filosofia, Desejo de Status, A Arquitetura da Felicidade e Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho (todos, ed. Rocco). “Nas sociedades avançadas, pagamnos salários elevados que aparentemente nos fazem mais ricos, mas na verdade o ‘efeito de rede’ (quando o valor de algo aumenta à medida que mais pessoas o consomem) pode estar nos empobrecendo, ao encorajar expectativas ilimitadas e manter aberta a brecha entre o que queremos e o que podemos ter”, afirma ele, em entrevista exclusiva a HSM Management. Expectativas tão altas dificilmente podem ser satisfeitas e o resultado é uma sociedade de pessoas “tristes, irritadas, enlouquecidas” – e, como consequência, também pouco produtivas. Para Alain de Botton e um número crescente tanto de filósofos como de

DIAGNÓSTICO: CARÊNCIA ENORME E PERMANENTE As vantagens alcançadas em 2 mil anos de civilização ocidental são enumeradas por De Botton: aumento da riqueza, provisão de alimentos, conhecimento científico, diversidade de bens de consumo, segurança física, expectativa de vida e oportunidades econômicas. “Porém”, adverte ele, “menos evidente e mais desconcertante do que tudo isso é a maneira pela qual tais avanços mate-

e um trabalho prazeroso, mas descobrimos, em uma reunião de ex-alunos, que alguns de nossos velhos amigos (não há grupo de referência mais forte) estão vivendo em casas maiores que a nossa, adquiridas com o rendimento que obtêm em ocupações mais sedutoras, provavelmente nos sentiremos infelizes. “O sentimento de que poderíamos ser outro e não o que somos, gerado pelos ganhos superiores daqueles que consideramos iguais, nos provoca ansiedade e ressentimento”, explica De Botton.

riais podem perder sentido com o crescimento dos níveis de ansiedade por status entre os cidadãos do Ocidente, agora mais preocupados do que nunca com o prestígio, a renda e o lucro.” O sentimento de carência se mostra, além de imenso, permanente: o que alguém é e tem nunca é suficiente. A

NUNCA FOI ASSIM O filósofo suíço sustenta que vivemos em uma época diferente de todas as outras, uma vez que é a ideia de oportunidade individual que ocupa o primeiríssimo plano. “No passado, vivíamos e morríamos no mesmo degrau

economistas e consultores de empre-

explicação do filósofo é que nosso sen-

sas, a melhor solução para o problema

timento sobre o limite apropriado para

nossos pais determinava a nossa. Os

tende a ser a filosofia como uso pessoal,

algo, como a riqueza e a estima, surge

mercados financeiros eram primiti-

que põe o dedo nas feridas individuais,

da comparação de nossa condição com

vos e não era fácil ter acesso ao capi-

fazendo cada um distanciar-se de seu

a de um grupo de referência, formado

tal. Os avanços tecnológicos surgiam a

quadro para compreendê-lo melhor e,

por aqueles que consideramos nossos

cada 200 anos e as mudanças políticas

então, realmente encaixar-se.

iguais. Se temos uma casa confortável

eram ainda menos frequentes.”

da escada social”, diz. “A ocupação de

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

45


Hoje, teoricamente, não há mais li-

O esnobismo tornou-se um fenômeno

mites que não possam ser superados,

mundial, segundo o filósofo: esnobe é

e abundam nos jornais histórias de

“a pessoa que toma uma pequena par-

iniciativas de mudar, perseveran-

te do outro para fazer um julgamento

ça, trabalho duro e autorrealização.

completo sobre quem o outro é”. O tipo

“Presume-se que tudo é possível para

de esnobismo que se vê por aí é o que

quem é criativo e obstinado, e dar-se

De Botton chama de “esnobismo ocu-

por satisfeito com uma condição mo-

pacional”, referindo-se às pessoas que

desta parece ser um grave erro ou até

“condicionam a atenção que nos darão

sinal de transtorno mental.”

a nossa carreira e a nossos bens mate-

O que De Botton argumenta é que a realidade mostra o contrário: o êxito que altera a escada social é incomum, alcançado apenas por alguns entre muitos. Diferentemente do que as notícias sugerem, explica ele, “a maioria

Em vez de zombar das religiões, deve-se entender que suas ideias são úteis para melhorar a qualidade de vida e satisfazer necessidades humanas, como a conexão"

dos negócios fracassa; poucos filmes trajetórias profissionais são extraordinárias; corpos e rostos, em sua maior parte, não são belos nem perfeitos, e habitualmente essas pessoas estão quase sempre tristes e preocupadas”. E a tristeza decorre do fato de medirmos nossa condição com base em parâmetros profundamente irreais. É por isso que, apesar de dizer-se ateu ainda que não religioso, De Botton se confessa identificado com uma ideia de Santo Agostinho: é pecado julgar um homem por sua condição ou posição social. “Podemos ser iguais perante a lei e as urnas, mas não há garantia de tratamento digno no escritório, na vida social ou nos âmbitos das burocracias governamental e comercial, especialmente nas grandes cidades,

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pessoas sejam particularmente materialistas, e sim que a sociedade vincula certas recompensas emocionais com a aquisição de bens materiais. “Não são os bens materiais o que queremos, mas suas recompensas”, afirma.

são bem-sucedidos; apenas algumas

e vir de um lar culturalmente judeu,

46

riais”. No entanto, ele não crê que as

ATITUDE EM RELAÇÃO AO TRABALHO Em seu livro Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho, De Botton analisa por que trabalhamos, como trabalhar de maneira mais tolerável e o que é uma vida profissional com significado, entre outros temas. “Estamos vivendo uma época estranha, com demissões, desemprego, globalização e rápidas transformações tecnológicas, porém o aspecto mais extraordinário no campo do trabalho talvez seja psicológico mais do que econômico ou industrial”, analisa. “Tem a ver com nossa atitude em face do trabalho e, mais especificamente, com a ampla expectativa de que o trabalho possa nos fazer felizes e ser o centro de nossa vida.”

onde o respeito é uma commodity ra-

Novamente, nem sempre foi assim. Du-

cionada e escassa e a indiferença é

rante milhares de anos, o trabalho era

a norma. Basta você colocar o pé em

visto como uma obrigação inevitável,

uma grande metrópole para que al-

algo que devia ser feito o mais rápido

guém lhe dispare a inevitável pergun-

possível e do qual se fugia recorrendo

ta: ‘O que você faz?’.”

ao álcool ou à “intoxicação religiosa”.


sofos a afirmar que ninguém poderia ser livre se estava obrigado a ganhar a vida trabalhando. Ter um trabalho, qualquer que fosse, era similar à escravidão e negava toda possibilidade de grandeza ou excelência, aponta De Botton. E acrescenta: “A ideia de que o trabalho pode ser divertido teve de esperar até o Renascimento para obter alguma adesão”. Gênios das artes como Rafael e Leonardo da Vinci mostraram que uma pessoa poderia sentir-se melhor fazendo um trabalho extraordinário do que vivendo como um aristocrata ocioso e que o trabalho talvez fosse a maior das bênçãos. De Botton relaciona essa mudança de perspectiva com aquela registrada em relação ao amor. Na era pré-moderna, estava amplamente estabelecido que ninguém podia apaixonar-se e casar com o sujeito de sua paixão. O matrimônio se realizava por razões puramente comerciais, para herdar a granja familiar ou garantir a continuidade dinástica, e o amor era reservado à amante, com o prazer desvinculado das responsabilidades de criar os filhos. Então, vieram os novos filósofos do amor, advogando que era possível casar-se com a pessoa amada. Da mesma forma, pensadores como Adam Smith e Max Weber destacaram a importância do trabalho para o progresso humano e muitos filósofos disseram ser possível trabalhar por dinheiro e também para transformar os sonhos em realidade. “Herdamos essas duas cren-

Saiba mais sobre Alain de Botton Prolífico autor que transita entre o romance e o ensaio, combinando ficção com não ficção, Alain de Botton abarca em suas obras uma diversidade de temas, não restritos à filosofia; pode falar de amizade e de amor, e também de viagens e arquitetura, por exemplo. Mas a questão essencial que atravessa seus escritos e conferências é a preocupação com a natureza humana: como vivemos, como nos apaixonamos e como podemos encontrar felicidade e satisfação em nossa vida cotidiana, pessoal e profissional. De Botton nasceu na Suíça em 1969 e atualmente reside em Londres. Formou-se em história pela Cambridge University e começou a escrever muito jovem. Alcançou a fama mundial em 1997, com a obra Como Proust Pode Mudar Sua Vida (ed. Rocco), que marcou o início de sua bem-sucedida carreira de escritor. Assíduo colaborador de jornais e revistas, é membro do painel de literatura do conselho de artes da Inglaterra. Além disso, tem participado da realização de documentários para a TV e ajuda a dirigir a própria produtora, a Seneca Productions. Recentemente contribuiu para a criação de organizações como The School of Life e Living Architecture, empresa que constrói casas para aluguel de veraneio no Reino Unido com base em projetos ousados de arquitetos renomados que proponham outros modos de vida. O fato é que essas ambiciosas ideias sobre o trabalho, embora tragam ganhos, também fazem várias vítimas. “Pense na quantidade de empreendedores que perderam tudo porque desejaram excessivamente”, diz De Botton. Ele explica: “A ideia de lançar um novo negócio é a chave da moderna noção de realização, introduzida na sociedade por meio dos admiráveis perfis de empreendedores de alta importância e associada a um relativo silêncio sobre os fracassos e os não muito raros suicídios entre os menos afortunados”. O filósofo complementa esse conceito: “A probabilidade de alcançar o ponto mais alto na sociedade capitalista é

ças ambiciosas: que uma pessoa pode

hoje somente um pouco maior do que

apaixonar-se e casar-se (com o sujeito

era há quatro séculos a probabilidade

por quem se apaixonou) e ter um tra-

de ser aceito na nobreza francesa – e

balho que traga bons momentos. Mais

a época aristocrática era mais amável,

ainda: tornou-se impossível pensar que

porque nela não se equiparava cruel-

alguém pode ser feliz sem o trabalho.”

mente uma vida normal a um fracasso”.

Foto: Mathias Marx

Aristóteles foi o primeiro de muitos filó-


O leitor pode observar isso com uma

No entanto, com a reforma luterana e

de realização e alegria por algo ben-

reflexão simples: se alguém crê since-

calvinista, quando passou a ter força a

feito. Vivemos as duas dimensões.”

ramente que o trabalho pode ser tudo

ideia de que o trabalho dignifica o ho-

em sua vida, o que faz quando se sente

mem, colocando-o como ferramenta

insatisfeito ou é demitido? “Se as coisas

de salvação, isso mudou. O problema é

no trabalho vão mal, nós nos sentimos

que agora chegamos a uma situação de

AUTOAJUDA x AUTOPRESERVAÇÃO

infelizes, entre outras coisas, porque

“laborlatria”, como Cortella denomina

nossa promessa mais profunda de feli-

a percepção do trabalho como um ponto

Compreendido o papel protagonista e

cidade foi frustrada”, afirma De Botton.

polêmico do trabalho em nossa vida, os

de referência exclusivo. “A ‘laborlatria’ é

filósofos têm se dedicado a estudar ca-

a adoração do trabalho a ponto de este

minhos para estarmos “um pouco me-

não ser mais algo que realiza, e sim algo

nos tristes, irritados e enlouquecidos e

que escraviza e fere”, diz o filósofo bra-

alcançarmos certa sabedoria e calma no

sileiro. Por isso, ele procura fazer uma

Alguns filósofos já apontaram que é

mundo atual”, como diz Alain de Botton.

distinção entre trabalho e emprego:

imenso o dano causado pela crença de

Em geral, trata-se de medidas que os cé-

“Emprego é fonte de renda e trabalho é

que o trabalho é virtuoso. Por exemplo, o

ticos se apressam em rotular de “autoa-

fonte de vida”.

juda”, mas que também podem ser vistas

O PARADOXO DE TRABALHAR

filósofo e matemático britânico Bertrand Russell defendeu, no começo do século 20, a ideia de que o caminho para a felicidade está na redução organizada do trabalho. Não à toa, nas empresas é comum encontrar pessoas ansiosas pelas férias, confirmando a observação de Aristóteles de que, para muitos, a felicidade depende do lazer e que trabalhamos apenas para ter momentos de ócio. Além disso, a palavra “trabalho” vem do latim “tripalium”,

Para o filósofo e economista francês radicado no Brasil Jean Bartoli, o tra-

como uma decisão mais profunda em prol da vida com qualidade e dignidade.

balho vai sempre oscilar entre as duas

Em comum, essas medidas levam a

dimensões, de realização e de sofri-

pessoa a olhar menos para o outro e

mento, e o dia a dia o comprova. “Por

mais para si mesma. Dois dos princi-

mais que você goste de seu trabalho,

pais pontos que De Botton tem desen-

em determinados momentos há coisas

volvido giram em torno de uma rea-

que o limitam, atrapalham e pesam. De

proximação da religião e de uma forma

outro lado, em uma situação de traba-

diferente de educação, que reclassifica

lho difícil, sofrida, você tem momentos

o conhecimento humano.

técnica de tortura em que um condenado era preso a três paus fincados no chão. De todo modo, o trabalho é paradoxal. O filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella afirma que as sociedades ocidentais herdaram as duas visões de tra-

3

lições de AlaiN DE BOTTON, entre a filosofia e a autoajuda

balho – como sofrimento e como realização. “As sociedades escravagistas, como foram a sociedade grega clássica, a sociedade romana e, por herança, as sociedades ocidentais, tiveram a ideia do trabalho como castigo ou indignidade. O escravagismo pressupõe que há uma distinção entre aqueles que têm direito ao esforço meramente

Não viva se

Resgate as boas

comparando com

práticas de campos

seus colegas.

como a religião

Concentre-se

e estenda-as à

em sua zona de

empresa.

conforto e tenha anseios realistas.

intelectual e de direção e outros que precisam suar o corpo.”

Trabalhe para se tornar uma pessoa melhor.

48

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TRABALHO = REALIZAçÃO Utilidade

da

TRABALHO = SOFRIMENTO

religião

Novo modelo de ensino

critores e decidiu criar, no centro de

Algumas das mais interessantes refle-

Uma das realizações mais polêmicas

Londres, a The School of Life. “No

xões de De Botton encontram-se nesse

de Alain de Botton é a The School of

currículo de nossa escola, não se en-

front. “Em vez de limitar a questão aos

Life (a escola da vida), um tipo de uni-

contram temas como filosofia, francês,

grupos de fanáticos religiosos enfren-

versidade ideal, “onde se tem a oportu-

história ou os ‘clássicos’, mas cursos

tando um grupo de ateus fanáticos,

nidade de escapar das pressões comer-

sobre morte, matrimônio, escolha de

tomo um caminho diferente. Acredito

ciais e examinar as grandes questões

carreira, ambição, envelhecimento

que, mesmo para quem é ateu ou não

da vida, em um ambiente cheio de gen-

ou ‘mudar seu mundo’. Com o tempo,

religioso, é possível considerar as re-

te fascinante, para se tornar uma pes-

aprende-se sobre livros e ideias que as

ligiões esporadicamente úteis, inte-

soa melhor, mais sábia e interessante”.

universidades tradicionais oferecem.”

ressantes e reconfortantes e pensar

Ele imaginava que qualquer univer-

Da mesma forma, a livraria da The

sidade era assim, até ingressar em

School of Life eliminou as catego-

uma e descobrir que as universidades

rias tradicionais, como “ficção” ou

cumprem a função de treinar as pes-

“história”, e reclassificou as obras

soas para uma carreira específica ou

de acordo com problemas particu-

oferecer rudimentos em temas como

lares: “Para os que se preocupam

literatura ou história. Para ele, o dis-

durante a noite” ou “como ser feliz

tanciamento em relação às religiões

estando casado”, por exemplo. De

explica o problema. “Monastérios e

Botton chama essa livraria de “remédio

seminários preocupavam-se em ofe-

para a alma” e descreve sua The School

recer um aprendizado prático para a

of Life como uma modesta tentativa de

vida; buscavam salvar sua alma, ensi-

mudar a maneira pela qual se pratica o

nar-lhe a ser bom e sábio. Em uma so-

ensino em quase todo o mundo, capa-

ciedade mais secular, a ideia do corre-

citando as pessoas a tornar a vida mais

to e do incorreto, ou do bom e do mau,

administrável e interessante.

em importar algumas de suas ideias e práticas para o campo secular.” O filósofo suíço sugere que, em vez de zombar das religiões, devemos entender que as ideias do mundo religioso podem ser úteis para melhorar a qualidade de vida e satisfazer a necessidade humana de conexão e transcendência. “Alguém pode ser indiferente às doutrinas da Trindade cristã e ao Caminho Quíntuplo budista e ainda assim estar interessado no modo pelo qual as religiões geram um espírito de comunidade, fazem uso da arquitetura e da arte, inspiram viagens, treinam a

infelizmente nos envergonha.”

A The School of Life promove cursos no

mente e encorajam a gratidão diante

Em 2008, o filósofo juntou-se a um

Brasil desde abril deste ano, onde é lide-

da beleza da primavera”, afirma.

grupo de acadêmicos, artistas e es-

rada por uma prima do filósofo, Jackie. 

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

49


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50

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Câmara dos Deputados faz homenagem aos

profissionais de Administração

N

o os

dia 9 de setembro, profissionais

Administração

de

recebe-

ram uma homenagem na Câmara dos Deputados. A Sessão Solene fez parte das comemorações dos 48 anos da regulamentação da profissão. O evento foi proposto pelos deputados federais Izalci Lucas (PSDBDF), Carlos Alberto (PMN-RJ) e Sandro Mabel (PMDB-GO). A Sessão foi presidida pelo deputado federal Mauro Benevides (PMDB-CE) que, na ocasião, representou o presidente da Casa,  Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ao abrir o evento, ele ressaltou o orgulho que tem em ser Administrador e parabenizou todos os profissionais de Administração. Já Izalci Lucas afirmou que o problema do Brasil é de gestão. Ele citou alguns programas do Governo Federal e enfatizou: “Precisamos de mais Administradores cuidando deste país.”. Além disso, o deputado defendeu a inclusão do curso de Administração no programa “Ciência sem Fronteira”. Em seguida, o deputado Carlos Alberto iniciou seu pronunciamento demonstrando seu profundo orgulho em ser Administrador. Entretanto, ele falou

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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que a categoria ainda não está pre-

instrumentos de viabilização das po-

também ressaltou a importância do

sente, em plenitude, nos diversos

líticas públicas que podem solucionar

Administrador para o país. “Nós so-

segmentos empresariais, inclusive na

os problemas brasileiros”, disse.

mos, sem falsa modéstia, profissio-

administração pública. “Essas áreas

Profissão forte – “Estamos aqui para

precisam dessa mão de obra específica e que, por várias razões, que aqui não cabe enumerar, relegam a segundo plano a nossa profissão, contratando profissionais de várias outras profissões, como se fôssemos de segunda classe”, questionou o parlamentar. Outro ponto destacado por Carlos Alberto é o excesso de leis que o Brasil

52

mostrarmos nossa força”, bradou o presidente do Conselho Regional de Administração do Distrito Federal (CRA-DF),

Adm.

Carlos

Alberto

Ferreira Júnior. Em seu breve, porém marcante pronunciamento, ele foi enfático: “Que me desculpem as outras profissões, mas quem pode fazer a coisa acontecer neste país é o

nais estrategicamente necessários ao desenvolvimento brasileiro, pois atuamos em várias etapas da cadeia produtiva e em todos os níveis organizacionais e a nossa participação é decisiva para a construção de novos modelos de gestão no país”, falou.

Casa lotada A Sessão Solene na Câmara dos

possui, sendo que muitas delas não

Administrador”, defendeu.

têm eficácia. Para ele, isso acontece

O presidente do Conselho Federal de

deputados federais, conselheiros fe-

porque faltam políticas públicas efi-

Administração (CFA), Adm. Sebastião

derais, presidentes de CRAs e conse-

cazes. “Sem corporativismo, entendo

Luiz de Mello, citou os projetos que a

lheiros regionais. Além disso, mais de

que a Ciência da Administração e os

autarquia vem realizando para pro-

250 alunos das faculdades Projeção,

Administradores constituem-se nos

mover a valorização profissional e

Fortium, UPIS, IESB, Facitec e da

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Deputados contou com a presença de


Universidade Católica de Brasília

Abordagem Sistêmica. O evento acon-

trumento de apoio à decisão, bem como

(UCB), acompanhados de profes-

teceu no Salão Verde da Câmara dos

de empoderamento humano para a con-

sores e coordenadores de cursos de

Deputados, em Brasília.

cepção de um novo sistema logístico do

A obra é fruto do projeto Plano Brasil

país, que trará o desenvolvimento que

Administração, lotaram o Plenário Ulysses Guimarães.

de Infraestrutura e Logística (PBLog),

tanto almejamos”, disse Sebastião Mello.

“Nunca vi, em uma segunda-feira, esta

criado pelo CFA. Para o presidente

Casa tão cheia, cheia de esperança.

do CFA, o PBLog é um estudo macro

Essa é uma área muito importante

que, analisado conjuntamente com os

para o país, em todos os segmentos.

estudos regionais, disponibiliza aos

Viva a Administração!”, parabenizou

governos, empresários, universidades

o deputado federal Francisco Escórcio

e outros segmentos sociais informa-

O

(PMDB-MA).

ções que auxiliem o planejamento, a

Administração também foi come-

organização, a direção e o controle de

Lançamento de livro Após a Sessão Solene, o CFA promoveu o lançamento do livro Plano Brasil de Infraestrutura e Logística – Uma

projetos no tocante à mobilidade de produtos, dando ao Brasil maior competitividade com impacto positivo no posicionamento de liderança no cenário mundial. “Nossa intenção é que o livro seja um ins-

CRAs também comemoraram a data Dia

do

Profissional

de

morado nos Conselhos Regionais de Administração (CRAs) de todo o país. A programação dos Regionais foi bastante variada. Tiveram palestras, cursos, workshops, apresentações teatrais, shows musicais, homenagens, entre outros.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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Conselho

XIII FIA e IX Congresso Mundial de Administração são sucesso de público Mais de 800 pessoas participaram dos eventos, realizados em Gramado/RS Gramado/RS recebeu, de 30 de outubro a

O presidente do CRA-MG, Adm.

dos Graduados em Administração

2 de novembro, o XIII Fórum Mundial de

Marcos Silva Ramos, complementou,

(ANGRAD), Adm. Mauro Kreuz;

Administração (FIA) e o IX Congresso

reforçando que “hoje é o primeiro dia

e do presidente do Sindicato dos

Mundial de Administração (CMA).

do futuro da Administração. Nós va-

Administradores do Estado do Rio

Os eventos, realizados pelo Conselho

mos escrever essa história daqui para

Grande do Sul (SINDAERGS), Adm.

Federal de Administração (CFA) em

a frente”, pontuou.

João Alberto Fernandes.

parceria com os Conselhos Regionais de Administração do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais (CRARS/CRA-RJ/CRA-MG), reuniram mais de 800 congressistas, envolveram cinco países – Brasil, Estados Unidos, México, Canadá e Áustria – e trouxeram renomados profissionais para trocar experiências e debater acerca do tema “O futuro: da Administração, das carreiras e dos negócios no mundo em reconfiguração”. Na solenidade de abertura, a presidente do CRA-RS, Adm. Cláudia de Salles Stadlober, agradeceu a presen-

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Para o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, a participação dos Administradores em eventos como o FIA e o Mundial contribui para a consciência profissional. O presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello, falou sobre o tema do evento. “Não podemos prever o futuro. Mas nós, Administradores, sabemos que podemos imaginá-lo e buscar meios para construí-lo e isso é feito com planejamento. Administrar é isso! É imaginar o futuro e buscar meios para que ele se concretize”, defendeu.

Conferências Internacionais O XIII FIA e o IX CMA apresentaram uma extensa programação que contou com a participação de renomados palestrantes internacionais. Um dos destaques foi a conferência “Megatendências para o futuro: o que podemos fazer agora para o futuro da Administração e dos Negócios”, com John e Doris Naisbitt. Na ocasião, eles debateram as relações econômicas

ça do público e falou do empenho dos

A solenidade de abertura também

mundiais no passado, no presente e no

Regionais na organização do evento.

contou com a presença da secretá-

futuro, apresentando as perspectivas

“Agradeço a todos que se dispuseram a

ria de Administração de Gramado,

de vários países, entre eles os Estados

estar aqui hoje. Foram muitos e-mails

Christiane Bordin; do secretário de

Unidos. “Não podemos avaliar com

trocados, reuniões realizadas e quanto

Estado da Administração e dos Direitos

certeza o que acontecerá nos próximos

envolvimento das pessoas que realiza-

Humanos, Adm. Alessandro Barcelos;

anos. Essa incerteza está deteriorando

ram esse trabalho”, disse.

do presidente da Associação Nacional

o setor econômico do país e as nações

rba | revista brasileira de administração


Fotos: Dinarci Borges e Márcio Queiros

emergentes vão passar o PIB dos EUA, em breve”, projetou John. O casal recebeu, ainda, um seleto grupo de Administradores e autoridades para um meeting exclusivo. A ocasião permitiu um rico debate sobre a China porque, para os conferencistas, “o futuro passa pela China”. Além disso, o público pôde conferir o painel internacional sobre a sustentabilidade do planeta Terra. Os painelistas Stéphane Lavoie, diretor-geral do Tohu, e Alex Luiz Pereira, presidente da Coopermiti, compartilharam com o público um pouco das experiências sustentáveis das empresas que gerenciam. A programação também contou com conferências nacionais, comandadas por profissionais renomados no país. Foram discutidos temas como inovação, liderança, empreendedorismo, resiliência, comportamento ético, entre outros temas.

Trabalhos científicos No penúltimo dia do XIII FIA e IX CMA, os participantes conferiram a

a apresentação do livro “Plano Brasil

apresentação de 28 trabalhos cien-

de Infraestrutura e Logística – Uma

tíficos selecionados pelo Comitê

abordagem Sistêmica”. Fruto do pro-

Gestor dos eventos. Ao todo, foram

jeto Plano Brasil de Infraestrutura e

recebidas inscrições de 185 traba-

Logística (PBLog), o livro reúne o re-

lhos, sendo que 32 foram aprovados.

sultado do trabalho realizado pelo CFA,

A listagem completa dos trabalhos

em parceria com instituições nacionais.

apresentados está disponível no site

Por quase um ano, a equipe do PBLog

do CRA-RS (www.crars.org.br).

percorreu as regiões brasileiras a fim de debater questões acerca da logística

Lançamentos

brasileira. Desses seminários saíram propostas para a melhoria da infraes-

O terceiro dia do XIII FIA e do IX CMA

trutura brasileira com foco na mobilida-

foi encerrado com dois lançamentos

de de produtos para o aumento da com-

promovidos pelo CFA. Um deles foi

petitividade nacional e internacional.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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Não podemos prever o futuro. Mas nós, Administradores, sabemos que podemos imaginá-lo e buscar meios para construí-lo e isso é feito com planejamento. Administrar é isso! Adm. Sebastião Luiz de Mello

Em seguida, o CFA realizou o lançamen-

poderão solicitar a certificação os

Vamos trabalhar juntos”, pediu o mi-

to oficial do programa de Certificação

Administradores e tecnólogos com

nistro, que é o primeiro Administrador

Profissional do Sistema CFA/CRAs. A

registro

a assumir a presidência do TCU.

proposta da iniciativa é contribuir para o

formações, inscrições e o edital da

fortalecimento da imagem e credibilida-

Certificação estão disponíveis no site

de da profissão perante a sociedade. “Com

certificacao.cfa.org.br.

profissional.

Outras

in-

o paradigma da Certificação, o Sistema CFA/CRAs quer apresentar para a so-

O encerramento do XIII FIA e X CMA foi marcado pela emoção. O presidente

ciedade e as organizações públicas ou

Gestão Pública

privadas profissionais  que  sejam refe-

A conferência de encerramento do

rência na ciência e arte de administrar”,

evento foi comandada pelo presidente

explicou o conselheiro federal e membro

do Tribunal de Contas da União (TCU),

da Comissão da Certificação, Adm. José

ministro Adm. Augusto Nardes. Na

Samuel de Miranda Melo Júnior. O lan-

oportunidade, ele falou sobre governan-

çamento teve, ainda, a presença do con-

ça e mostrou ao público o modelo ado-

selheiro federal, Adm. Carlos Henrique

tado pelo TCU. “O Brasil, para se conso-

Mendes da Rocha; do coordenador da

lidar como um dos líderes mundiais em

Os presidentes do CRA-RS, CRA-RJ

Comissão da Certificação, Adm. Alberto

termos de desenvolvimento, tem que

e CRA-MG foram homenageados. Em

Whitaker, do presidente do CFA, Adm.

fortalecer a governança pública”, disse.

seguida, o conselheiro federal do CFA,

Além disso, Nardes propôs ao CFA

Adm. Valter Luiz de Lemos, e o Adm.

Sebastião Luiz de Mello, e do presidente do CRA-SP, Adm. Walter Sigollo.

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Final emocionante

uma parceria para a melhoria da ges-

do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello, agradeceu a presença de todos. “Viemos aqui para adivinhar o futuro e saímos convictos de que nós, Administradores, somos agentes transformadores que a sociedade precisa e está esperando”, declarou Sebastião Mello.

Rogério de Moraes Bohn, membros do

A certificação será opcional e, na

tão pública no país. Segundo ele, os

Comitê Gestor do FIA e do Mundial,

primeira etapa do projeto, a ava-

administradores são essenciais nesse

anunciaram o local do X Congresso

liação será realizada por uma área

diálogo. “O Brasil não vai avançar sem

Mundial de Administração, a ser rea-

da Administração, a de Recursos

a coletividade, sem a participação de

lizado em setembro de 2014: Lisboa-

Humanos – RH. Nessa primeira fase,

pessoas competentes e capacitadas.

Portugal e Barcelona-Espanha.

rba | revista brasileira de administração


CRAs

Conselhos Regionais de ADministração

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ACRE (CRA-AC) Presidente: Adm. MARCOS CLAY LÚCIO DA SILVA Av. Brasil, nº 303 - Sala 201 - 2º andar - Centro Empresarial Rio Branco - Centro - 69900-191 RIO BRANCO/AC Fone: (68) 3224-1369 E-mail: craacre@gmail.com Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE ALAGOAS (CRA-AL) Presidente: Adm. ALAN HELTON DE OMENA BALBINO Rua João Nogueira, nº 51 - Farol - 57051-400 MACEIÓ/AL Fone: (82) 3221-2481 - Fax: (82) 3221-2481 E-mail: gabinete@craal.org.br Home page: www.craal.org.br Horário de funcionamento: das 7h às 13h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAPÁ (CRA-AP) Presidente: Adm. EDILJANE MARIA CAMPOS DA FONSECA Rua Jovino Dinoá, nº 2455 - Centro - 68900-075 MACAPÁ/AP Fone: (96) 3223-8602 E-mail: cra.macapa@gmail.com Horário de funcionamento: das 8h às 17h Atendimento público: das 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAZONAS (CRA-AM) Presidente: Adm. JOSÉ CARLOS DE SÁ COLARES Rua Apurinã, nº 71 - Praça 14 - 69020-170 MANAUS/AM Fone: (92) 3303-7100 - Fax: (92) 3303-7101 E-mail: conselho@craamazonas.org.br Home page: www.craamazonas.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO MARANHÃO (CRA-MA) Presidente: Adm. ISABELLE CRISTINE RODRIGUES FREIRE MARTINS Rua José Bonifácio, 920 - Centro - 65010-020 SÃO LUÍS/MA Fone: (98) 3231-4160/3231-2976 Fax: (98) 3231-4160/3231-2976 E-mail: crama@cra-ma.org.br Home page: www.cra-ma.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO (CRA-MT) Presidente: Adm. LUIS CESAR SIMÕES DE ARRUDA Rua 5 - Quadra 14 - Lote 5 - CPA - Centro Político e Administrativo - 78050-900 - CUIABÁ/MT Fone: (65) 3644-4769 Celular: (65) 8401-2485/8157-0160 - Fax: (65) 3644-4769 E-mail: cra.mt@terra.com.br Home page: www.cramt.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL (CRA-MS) Presidente: Adm. HARDUIN REICHEL Rua Bodoquena, nº 16 - Amambaí - 79008-290 CAMPO GRANDE/MS Fone: (67) 3316-0300 E-mail: presidencia@crams.org.br Home page: www.crams.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MINAS GERAIS (CRA-MG) Presidente: Adm. MARCOS SILVA RAMOS Avenida Afonso Pena, nº 981 - 1º andar - Centro Ed. Sulacap - 30130-907 - BELO HORIZONTE/MG Fone: (31) 3274-0677/3213-5396 Fax: (31) 3273-5699/3213-6547 E-mail: presidencia@cramg.org.br Home page: www.cramg.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA BAHIA (CRA-BA) Presidente: Adm. ROBERTO IBRAHIM UEHBE Av. Tancredo Neves, nº 999 - Ed. Metropolitano Alfa Salas 601/602 - Caminho das Árvores - 41820-021 SALVADOR/BA Fone: (71) 3311-2583 - Fax: (71) 3311-2573 E-mail: cra-ba@cra-ba.org.br Home page: www.cra-ba.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h30

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARÁ (CRA-PA) Presidente: Adm. JOSÉ CÉLIO SANTOS LIMA Rua Osvaldo Cruz, nº 307 - Comércio - 66017-090 BELÉM/PA Fone: (91) 3202-7889 - Fax: (91) 3202-7851 E-mail: gabinete@crapa.org.br Home page: www.crapa.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 15h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO CEARÁ (CRA-CE) Presidente: Adm. ILAILSON SILVEIRA DE ARAÚJO Rua Dona Leopoldina, nº 935 - Centro - 60110-001 FORTALEZA/CE Fone: (85) 3421-0909 - Fax: (85) 3421-0900 E-mail: presidente@cra-ce.org.br Home page: www.craceara.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 18h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA PARAÍBA (CRA-PB) Presidente: Adm. FRANCISCO DE ASSIS MARQUES Av. Piauí, nº 791 - Bairro dos Estados - 58030-331 JOÃO PESSOA/PB Fone: (83) 3021-0296 E-mail: crapb@crapb.org.br Home page: www.crapb.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 12h e das 13h às 17h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (CRA-DF) Presidente: Adm. CARLOS ALBERTO FERREIRA JÚNIOR SAUS - Quadra 6 - 2º Pav. - Conj. 201 - Ed. Belvedere 70070-915 - BRASÍLIA/DF Fone: (61) 4009-3333 - Fax: (61) 4009-3399 E-mail: presidencia@cradf.org.br Home page: www.cradf.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO (CRA-ES) Presidente: Adm. MARCOS FELIX LOUREIRO Rua Aluysio Simões, nº 172 - Bento Ferreira - 29050-632 VITÓRIA/ES Fone: (27) 2121-0500 - Fax: (27) 2121-0539 E-mail: craes@craes.org.br Home page: www.craes.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE GOIÁS (CRA-GO) Presidente: Adm. SAMUEL ALBERNAZ Rua 1.137, nº 229, Setor Marista - 74180-160 GOIÂNIA/GO Fone: (62) 3230-4769 - Fax: (62) 3230-4731 E-mail: presidencia@crago.org.br Home page: www.crago.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARANÁ (CRA-PR) Presidente: Adm. GILBERTO SERPA GRIEBELER Rua Cel. Dulcídio, nº 1565 - Água Verde - 80250-100 CURITIBA/PR Fone: (41) 3311-5555 - Fax: (41) 3311-5566 E-mail: presidencia@cra-pr.org.br Home page: www.cra-pr.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO (CRA-PE) Presidente: Adm. ROBERT FREDERIC MOCOCK Rua Marcionilo Pedrosa, nº 20 - Casa Amarela 52051-330 - RECIFE/PE Fone: (81) 3268-4414/3441-4196 - Fax: (81) 3268-4414 E-mail: cra@crape.org.br Home page: www.crape.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h Atendimento público: das 8h às 12h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PIAUÍ (CRA-PI) Presidente: Adm. PEDRO ALENCAR CARVALHO SILVA Rua Áurea Freire, nº 1349 - Jóquei - 64049-160 TERESINA/PI Fone: (86) 3233-1704 - Fax: (86) 3233-1704 E-mail: administrativo@cra-pi.org.br Home page: www.cra-pi.org.br Horário de funcionamento: das 12h às 19h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO DE JANEIRO (CRA-RJ) Presidente: Adm. WAGNER SIQUEIRA Rua Professor Gabizo, nº 197 - Ed. Belmiro Siqueira Tijuca - 20271-064 - RIO DE JANEIRO/RJ Fone: (21) 3872-9550 - Fax: (21) 3872-9550 E-mail: secretaria@cra-rj.org.br Home page: www.cra-rj.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (CRA-RN) Presidente: Adm. KATE CUNHA MACIEL Rua Coronel Auriz Coelho, nº 471 - Lagoa Nova 59075-050 - NATAL/RN Fone: (84) 3234-6672/9328 - Fax: (84) 3234-6672/9328 E-mail: cra-rn@crarn.com.br Home page: www.crarn.com.br Horário de funcionamento: das 12h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL (CRA-RS) Presidente: Adm. CLÁUDIA DE SALLES STADTLOBER Rua Marcílio Dias, nº 1030 - Menino Deus - 90130-000 PORTO ALEGRE/RS Fone: (51) 3014-4700/3014-4769 - Fax: (51) 3233-3006 E-mail: diretoria@crars.org.br Home page: www.crars.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RONDÔNIA (CRA-RO) Presidente: Adm. ANDRÉ LUIS SAONCELA DA COSTA Rua Tenreiro Aranha, nº 2988 - Olaria - 76801-254 PORTO VELHO/RO Fone: (69) 3221-5099/3224-1706 - Fax: (69) 3221-2314 E-mail: presidencia@craro.org.br Home page: www.craro.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h Atendimento público: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RORAIMA (CRA-RR) Presidente: Adm. UBIRAJARA RIZ RODRIGUES Rua Prof. Agnelo Bitencourt, nº 1620 - São Francisco 69305-170 - BOA VISTA/RR Fone: (95) 3624-1448 - Fax: (95) 3624-1448 E-mail: craroraima@gmail.com Home page: www.crarr.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h Atendimento público: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA (CRA-SC) Presidente: Adm. ANTONIO CARLOS DE SOUZA Av. Pref. Osmar Cunha, 260 - 8º andar - Salas 701 a 707/ 801 a 807 - Ed. Royal Business Center - 88015-100 FLORIANÓPOLIS/SC Fone: (48) 3229-9400 - Fax: (48) 3224-0550 E-mail: crasc@crasc.org.br Home page: www.crasc.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO (CRA-SP) Presidente: Adm. WALTER SIGOLLO Rua Estados Unidos, nº 865/889 Jardim América - 01427-001 - SÃO PAULO/SP Fone: (11) 3087-3208/ 3087-3459 - Fax: (11) 3087-3256 E-mail: secretaria@crasp.gov.br Home page: www.crasp.com.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 Atendimento público: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SERGIPE (CRA-SE) Presidente: Adm. DIEGO CABRAL FERREIRA COSTA Rua Senador Rollemberg, nº 513 - São José - 49015-120 ARACAJU/SE Fone: (79) 3214-2229/3214-3983 Fax: (79) 3214-3983/3214-2229 E-mail: cra-se@infonet.com.br Home page: www.crase.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE TOCANTINS (CRA-TO) Presidente: Adm. ROGÉRIO RAMOS DE SOUZA 602 Norte - Av. Teotônio Segurado - Conj. 1 - Lote 677006700 - PALMAS/TO Fone: (63) 3215-1240/3215-8414 E-mail: atendimento@crato.org.br Home page: www.crato.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

Listagem atualizada até o dia 17/09/2013

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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LEI SECA

Foto: Shutterstock

POR_Cinthia Zanotto

Políticas públicas

salvam vidas

Operação Lei Seca, colocada em prática no Rio de Janeiro há quatro anos, mostra como as leis só são eficazes se seguidas de políticas públicas

58

rba | revista brasileira de administração


E

ra feriado de 12 de outubro e a versão online da Folha de S. Paulo publicou uma

notícia com o título “Motorista embriagado atropela e mata um na zona sul de SP”. Naquela madrugada, Silvio Vieira, de 40 anos, perdeu a vida porque o jovem Thiago Marta de Oliveira, de 25 anos, não conseguiu frear seu carro ao avistar o pedestre atravessando a rua, por conta da alta velocidade em que dirigia. “Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o exame do bafômetro, realizado com o

ACIDENTES NO TRÂNSITO CAUSADOS POR MOTORISTAS ALCOoLIZADOS

NO MUNDO

1,3 milhão 50 milhões 500 bilhões

de pessoas morrem anualmente

de feridos

de dólares gastos

rapaz, constatou 0,64 mg de álcool por litro expelido”, divulgou o jornal. Esse é um exemplo das inúmeras histórias divulgadas nas páginas dos jornais, todos os anos, em decorrência da combinação “bebida alcoólica + direção”. De acordo com números divulgados pelo deputado federal Administrador Carlos Alberto Lopes, morrem no mundo, anualmente, em torno de 1 milhão e 300 mil pessoas e 50 milhões ficam feridas em decorrência de acidentes de trânsito causados por motoristas alcoolizados. Isso gera um gasto no valor de US$ 500 bilhões. Ainda conforme o deputado, em território nacional contabilizam-se em

NO BRASIL

60 mil 50 mil 140.000 40 bilhões

pessoas mortas

feridos

com sequelas irreversíveis

de reais gastos

torno de 60 mil vidas perdidas, 500 mil feridos, sendo que, destes, 140 mil

mais eficaz, houve um endurecimento

2008, que era necessário formular

apresentam algum tipo de sequela ir-

na lei no final do ano passado, elevando

uma política pública para realizar

reversível, gerando um gasto de R$ 40

as multas e ampliando “as possibilida-

ações contínuas de fiscalização, cons-

bilhões ao governo brasileiro, referen-

des de provas da infração de dirigir sob

cientização, sensibilização e educação

tes a despesas médico-hospitalares,

a influência de álcool ou de qualquer

da população no trânsito. A ideia sur-

judiciais, de seguros e previdenciárias.

substância psicoativa”, publicou o

giu após as tentativas sem sucesso de

Centro de Informação sobre Saúde e

atuações como as blitze realizadas no

Álcool (CISA), em seu site.

Natal, Ano Novo, Carnaval e feriados.

a vigorar em 2008, com o objetivo cla-

Para usar a lei a seu favor e combater

A política pública foi, então, planeja-

ro de reduzir as taxas de mortalidade

os números expressivos divulgados,

da e estruturada, recebendo o nome

e de feridos quanto à embriaguez ao

o governo e a Secretaria de Estado

de Operação Lei Seca. Lançada em 19

volante. Na tentativa de torná-la ainda

do Rio de Janeiro entenderam, já em

de março de 2009, pela Secretaria de

O governo federal, de olho nesses dados, sancionou a Lei Seca, que passou

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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Lei seca Do Rio para o Brasil Se as leis não forem seguidas de políticas públicas, tornam-se letras mortas" Deputado Carlos Alberto

Atualmente, a eficácia da operação é reconhecida por outros estados brasileiros, que têm utilizado o exemplo carioca para colocar em prática ações em seus municípios. Tal afirmativa é utilizada como motivação para o deputado Carlos Alberto apresentar na Câmara o novo Projeto de Lei n° 6520/13, com o objetivo de instituir o Programa Nacional de Redução de Acidentes de Trânsito, tendo como base o programa em ação

Estado do Rio de Janeiro, em caráter permanente, a operação, por meio de campanhas educativas e de fiscalização, abordou, até a madrugada de 17/10/2013, 1.293.945 motoristas, entre os quais 245.332 foram multados. Ainda rebocou 49.734 veículos e recolheu a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de 98.676 pessoas. “Um total de 100.972 condutores sofreram sanções administrativas e 3.197, criminais. Os agentes realizaram 1.130.229 testes com o etilômetro”, informou o Núcleo de Imprensa do Governo do Estado do

mentar Carlos Alberto foi chamado em 2009 pelos então governador e secretário de Estado do Rio de Janeiro para assumir a tarefa, tendo em vista utilizar os conhecimentos de planejamento, controle e coordenação, pertinentes à ciência da Administração, na formulação, como reconheceu o deputado. Após os quatro anos de ações realizadas durante os sete dias da semana em todo

ração atingiu suas metas. Primeiro, o

tivos não relacionados ao consumo de bebida alcoólica. “Desse total, Foto: GovRJ | Marcelo Horn

Administrador por formação, o parla-

Os benefícios da operação não pa-

202 pessoas foram presas por mo-

rba | revista brasileira de administração

pública da Operação Lei Seca no estado.

o estado, o Administrador consegue

Núcleo, desde o início da operação,

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o encarregado por formular a política

Rio de Janeiro. ram por aqui. Ainda segundo o

Operação Lei Seca leva atos de conscientização a ensaios de escolas de samba no Sambódromo

no Rio de Janeiro, uma vez que foi ele

80 eram considerados foragidos da Justiça e 122 foram presos em fla-

fazer um levantamento de como a opecaráter permanente da política pública. Também, a coordenação centrada em um único órgão, no caso, a Secretaria de Estado, envolvendo vários outros setores para não haver desvios de conduta. Houve participação de cadeirantes, todos vítimas de acidentes envolvendo

grante. Foram apreendidas ainda 22

bebida e direção – seja porque foram os

armas e 40 veículos provenientes de

causadores dos acidentes, ou por terem

crimes foram recuperados. Os agen-

sido atingidos por alguém que consu-

tes também recolheram 29 carteiras

miu bebida alcoólica – no trabalho de

de habilitação falsas. Em média, 47

conscientização, sensibilização e edu-

blitze da Operação Lei Seca são rea-

cação em casas noturnas, restaurantes,

lizadas por semana, no estado do Rio

bares e por aí vai. A adesão de diferentes

de Janeiro”, completou.

segmentos da sociedade na divulgação


cotidiana dos acidentes de trânsito, tan-

essa política pública”, disse. Entre eles

to em mídias, como em táxis e metrô. A

estão São Paulo, Rio Grande do Sul,

não aceitação de subornos e daquilo que

Pernambuco e Distrito Federal.

chamou de “carteiradas”. Por último, “o fundamental mesmo é o exercício, ao pé da letra, do comando, da coordenação e do controle, que não abrimos mão em nenhuma hipótese”, reconhece o deputado.

de 0,1 a 0,29 mg de álcool

por litro de ar expelido dos pulmões

Em São Paulo, após o enrijecimento

Infração

da Lei Seca em janeiro deste ano, foi

Gravíssima

possível perceber uma boa redução no

Penalidade

número de homicídios culposos por acidente de trânsito, “número 29%

Multa de R$ 957,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses

Todos os passos tomados para a re-

menor do que o registrado no mesmo

alização da Operação Lei Seca e os

período de 2012. As lesões culposas

resultados alcançados foram publi-

por acidente de trânsito também caí-

cados pelo Administrador no livro de

ram – 5,7% com registros de 1.836 ca-

sua autoria Salvando Vidas – Drama

sos”, divulgou o jornal O Estado de S.

e Esperança nas Ruas do Rio de

Paulo, no dia 25 de fevereiro de 13. Em

Janeiro, lançado em 2012 pela Editora

Pernambuco, durante o Carnaval deste

Manticore. A publicação nasceu com a

ano, houve um aumento de 68% nas

finalidade de ajudar agentes de outros

abordagens de veículos em relação a

estados e municípios a implantarem e

2012. A Secretaria de Estado da Saúde

adaptarem a política pública às suas

(SES) informou que 150 CNHs foram

particularidades. Segundo o autor, ou-

apreendidas, “registradas 73 recusas

tros 16 estados da federação já foram

ao teste do bafômetro e aplicadas 694

ao Rio de Janeiro para “saber como

multas, sendo 132 por alcoolemia –

(acima):

formulamos

destas, seis pessoas foram autuadas

Penas

criminalmente”, publicou o portal G1,

Detenção de seis meses a três

em 13 de fevereiro de 2013.

anos, multa e suspensão ou

Para o deputado, esses números mos-

proibição de se obter a permissão

e

operacionalizamos

OPERAçãO LEI SECA NO RIO DE JANEIRO

1.293.945

tram a eficácia da política pública em salvar vidas. “Se as leis não forem seletras mortas. O exemplo mais recente

245.322

sancionada pela presidente Dilma

49.734

veículos foram rebocados

dessa assertiva é a Lei nº 12.760/12, Rousseff às vésperas do Natal e do Ano Novo, no final de 2012, com a intenção de diminuir os acidentes de trânsito nessas datas. O que aconteceu no país, com exceção do Rio de Janeiro? Houve um aumento de 38% no número de

98.676

mortos em relação ao mesmo período

(CNH) recolhidas

da não estabeleceram políticas públi-

Carteiras Nacionais de Habilitação

Dados levantados até a madrugada de 17/10/2013

Retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação

mais de 0,3 mg de álcool

por litro de ar expelido dos pulmões

Além das penalidades da infração de trânsito para o artigo 165

ou a habilitação para dirigir veículo automotor

guidas de políticas públicas, tornam-se

motoristas foram abordados

foram multados

Medida Administrativa

de 2011. Por quê? Porque os estados brasileiros, com exceção de alguns, aincas como o Rio de Janeiro”, concluiu. 

1 dose de uísque ou vodca, 1 cálice de vinho do Porto, vermutes ou licores, 1 taça de vinho ou 1 lata de cerveja ou chope Corresponde:

0,14 0,11

Homem de 60 kg

Homem de 70 kg

0,09

Homem de 80 kg Fonte: Departamento de Polícia Rodoviária Federal

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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EM DISCUSSÃO POR_Nájia Furlan

TECNOLOGIA PARA OS CONSUMIDORES: MAIS ACESSO, MAIS INTERAÇÃO E CIDADANIA. PARA AS EMPRESAS: MAIS COMPETIÇÃO, MELHOR POSICIONAMENTO NO MERCADO, MAIS SUSTENTABILIDADE NA CADEIA PRODUTIVA E MENOS RISCO

A

pesar de muitos estarem

usada para a construção de um Brasil

Segundo Reinhard, as tecnologias de

acostumados a uma vida

melhor. Ao se fundir – ou confundir –

informação e comunicação (TICs)

mais “high tech” e uma

com o futuro, o presente com certeza

permitem às empresas aumentar a sua

comunicação mais fácil (e quase sem

está ficando mais justo e transparente

produtividade por meio do crescimen-

limites), o avanço tecnológico ainda é

que o passado.

to da eficiência das suas operações

um tema polêmico. Há quem diga que a tecnologia caminha a tão largos (e ligeiros) passos que acaba por atro-

Administração de Empresas, a RBA

internas, terceirização de atividades e ampliação dos mercados.

buscou especialistas. Um deles é o

“Os benefícios para a sociedade em ge-

professor Nicolau Reinhard, titular

ral vêm das novas possibilidades de co-

da Faculdade de Economia, Adminis-

municação e acesso a informações que

tração e Contabilidade da Universi-

têm permitido maior interação entre as

dade de São Paulo (USP). Ele coordena

pessoas, acesso a novos mercados por

Em meio a esse debate, uma questão

o curso MBA em Gestão de Tecnologia

intermédio do comércio eletrônico e da

é inegável: a tecnologia, principal-

de Informação da Fundação Instituto

democratização de informações e par-

mente da informação, pode e deve ser

de Administração (FIA).

ticipação cidadã”, comenta.

pelar os que ainda tentam se adaptar. Outros, porém, já não conseguem viver sem aplicativos, softwares e, mesmo ainda, redes sociais.

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Para analisar o assunto no ramo da

rba | revista brasileira de administração


EFICIÊNCIA DAS SUAS OPERAÇÕES INTERNAS.

Ilustração: Fernando Ratis

para o bem EXEMPLOS No ano passado, se tornou obrigató-

Ainda de acordo com o doutor da

ria a discriminação dos impostos (Lei

FEAUSP, as TICs têm possibilitado

12.741/12) nos cupons e notas fiscais.

um conhecimento mais rápido e com-

Isso significa mais transparência e informação. Outra ferramenta que se destaca quando o assunto é Tecnologia e Democratização é a nota fiscal eletrônica (NFe), que surgiu com o objetivo de diminuir a sonegação. “Esta lei tornou a carga tributária mais visível para o consumidor e mais transparente o relacionamento com o vendedor. Com estas informações os consumidores terão mais condições de exercer a sua cidadania. Especificamente sobre a nota fiscal eletrônica, esta torna a competição entre as empresas mais equitativa, na medida em que as diferenças de preços não são mais devidas a eventual sonegação

TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADES

pleto da realidade, o que tem permitido identificar melhor as necessidades locais e criar intervenções muito mais efetivas. A possibilidade de manter grandes cadastros de beneficiados pelos programas de assistência social e distribuição de renda, atendê-los de modo eficaz através de meios eletrônicos, são recursos que permitiram a extraordinária abrangência e resultados dos programas sociais recen-

E AMPLIAÇÃO DOS MERCADOS

temente implantados em todos os níveis da Administração pública, por exemplo. “As tecnologias também têm permitido articular os diversos atores

e reduziu o custo de processamento dos

em situações de emergência e crise,

dados. Além disto reduz o risco tributário

aumentando a efetividade das inter-

para o comprador”, explica o professor.

venções”, completa Reinhard.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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Em discussão ADAPTAÇÃO Questionado sobre como as empresas podem se adaptar e investir em TI, o especialista afirma que os benefícios somente serão obtidos se estiverem associados a melhorias nos seus modelos de negócios e processos operacionais. “Na medida em que esta associação seja criativa e bem gerenciada (e apenas neste caso), os benefícios podem ser muito grandes, como mostram tantas histórias de sucesso divulgadas na mídia”, diz ele. Entretanto, segundo Reinhart, muitos destes inves-

Os profissionais brasileiros de sistemas são muito valorizados no mercado internacional pela competência técnica, mas sobretudo pela flexibilidade e capacidade de relacionamento” NICOLAU REINHARD

timentos em sistemas e infraestrutura visam ao auFoto: Arquivo Pessoal

mento da sustentabilidade e redução de risco operacional, ou então são feitos por imposição de parceiros de negócios ou governos. “Quantificar estes benefícios neste caso é mais difícil, razão pela qual eles devem ser justificados mais pela manutenção da continuidade dos negócios”, afirma.

Professor Nicolau Reinhard crê que tecnologias de informação e comunicação permitem às empresas aumentar a sua produtividade

EFEITO COLATERAL Um dos efeitos da evolução tecnológica e dos benefícios

preendedores de TI que consigam preencher lacunas

que traz, associada a um mercado ainda mais dinâmico,

de mercado com a criação e distribuição de produtos e

tem provocado uma consequência que ainda precisa ser

serviços de qualidade.

gerenciada. “O Brasil tem atualmente uma grande carência de profissionais de TI em todos os níveis”, revela o professor da USP.

entre as áreas de Administração e de tecnologia, o que leva muitos jovens a buscarem inicialmente uma for-

Com isto, segundo Reinhart, a competência em TI pas-

mação mais técnica que lhes facilitará o início na car-

sa a ser cada vez exigida também de profissionais de ou-

reira e alguns anos depois complementá-la com cursos

tras áreas. “Se tivéssemos mais profissionais com bom

de formação gerencial, como um MBA, para permitir

domínio do idioma inglês, nossas empresas de software

assumir funções gerenciais ou mais ligadas aos negó-

e serviços poderiam ser mais ativas no mercado inter-

cios”, afirma Reinhart.

nacional”, comenta.

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“É nestas funções que temos uma integração maior

O professor garante que os profissionais brasileiros

Para funções de análise e gestão de sistemas, o que se

de sistemas são muito valorizados no mercado inter-

busca, de acordo com o especialista, são profissionais

nacional pela competência técnica, mas sobretudo

que, além dos conhecimentos de TI, também conhe-

pela flexibilidade e capacidade de relacionamento.

çam bem o negócio, para poder adicionar valor aos ne-

“No entanto, os altos custos dos encargos sociais e

gócios pelo uso inovador da TI e pela gestão eficaz das

tributos comprometem a competitividade global das

operações nas organizações. Buscam-se também em-

nossas empresas de TI”, conclui.

rba | revista brasileira de administração


Foto: Arquivo Pessoal

Fernando da Silva, gerente de produto da Senior, constata que a tecnologia da informação ajuda a simplificar os processos administrativos

TECNOLOGIA A FAVOR DA GESTÃO Fernando da Silva é gerente de produto ERP

Para ele, para atender à nova legislação

na empresa Senior. O produto que desenvol-

que preconiza a democratização e fa-

ve é software, ou seja, tecnologia. “A Senior

zer frente à acessibilidade que aumenta

é uma das maiores desenvolvedoras brasilei-

cada vez mais no mundo da tecnologia

ras de sistemas para gestão. As soluções em

e da informação, as empresas têm que

softwares, serviços e infraestrutura de TI são

se preparar. “De fato a informação está

direcionadas a clientes de todos os portes e

cada vez mais acessível, o uso das redes

garantem total domínio sobre informações e

sociais faz com que uma notícia que po-

processos empresariais”, afirma.

deria levar horas ou dias para ser divulga-

Fundada em 1988 em Blumenau, Santa

da passe a levar segundos. E as empresas

Catarina, a empresa possui cinco filiais –

precisam se preparar para este cenário,

em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de

minimizando ao máximo seu tempo de

Janeiro, Mato Grosso do Sul e Pernam-

resposta. Um comentário feito em uma

buco – e mantêm cerca de cem canais de

rede social, por exemplo, pode ser devas-

distribuição em todo o Brasil, envolvendo

tador para a empresa, mas isto irá de-

o trabalho de três mil pessoas, entre co-

pender do tempo e do tipo de resposta

laboradores, parceiros comerciais e canais

desta empresa”, orienta o gerente.

de distribuição. Atualmente, mais de 10

O gerente da Senior conclui que a TI

mil clientes compõem a carteira da Se-

não deve ser vista como um custo para

nior. Isso significa que aos poucos as em-

Ilustração :Fernando Ratis

presas estão se adaptando aos avanços.

a empresa, mas, sim, deve ser utilizada para gerar diferencial competitivo

Segundo Silva, o principal benefício da TI

para seu negócio. “Cada vez mais a TI

na Administração é o aumento da produ-

terá papel importante na estratégia das

tividade pela disponibilização rápida das

empresas, seja auxiliando na redução

informações e também pela automação

de custos operacionais, trazendo in-

de processos rotineiros. “A TI ajuda a sim-

formações para tomadas de decisão ou

plificar os processos administrativos, ge-

gerando processos/soluções inovadores

rando redução de custos e aumento dos

para a diferenciação da empresa no

resultados”, garante.

mercado”, diz Silva.

Novembro/dezembro – 2013 | nº 97

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ARTIGO DO LEITOR

Administração como ciência:

fonte de anseio para a gestão de negócios

P

ara que a Administração

cessidade de aprimorar novas técnicas

como Empresa Totalmente Voltada para

surgisse de fato, como ciên-

na execução de suas atividades, preci-

o Cliente e Organização Socialmente Sus-

cia, ela passou por um longo

sando adotar, para isso, um sistema or-

tentável, dando certo em algumas em-

processo histórico.

ganizado de gestão para seus negócios.

presas, em detrimento de outras.

A história da Administração é recente.

Difícil é precisar até que ponto os ho-

Sistematizar as atividades na Adminis-

No decorrer da história da humani-

mens da Antiguidade, da Idade Média

tração, lidar com pessoas, técnicas, diante

dade, a Administração se desenvolveu

e até mesmo do início da Idade Moder-

de novas realidades ou de uma nova con-

com uma lentidão impressionante.

na tinham consciência de que estavam

juntura econômica em que o mundo vive

Somente a partir do século 20 é que ela

praticando a arte de administrar.

passou a ser um desafio para as empresas.

Foi a partir das consequências deixa-

Tudo isso porque a Administração

surgiu e apresentou um desenvolvimento de notável pujança e inovação. Nos dias de hoje, a sociedade típica dos países desenvolvidos é uma sociedade pluralista de organizações, na qual a maior parte das obrigações sociais (como a produção de bens ou serviços

Administração como ciência passou a tornar-se necessária. A moderna Administração surgiu em resposta a duas consequências provo-

propõe apenas modelos de gestão de negócios e não impõe um padrão administrativo aplicado a todas as empresas. Cabe, portanto, ao profissional escolher o modelo de gestão mais adequado para sua organização, tendo

em geral) é confiada a organizações

cadas pela Revolução Industrial, a saber:

(como indústrias, universidades e

a) crescimento acelerado e desorgani-

cos de Administração: planejar, orga-

escolas, hospitais, comércio, comuni-

zado das empresas, que passaram a exigir

nizar, dirigir e controlar, conquistando

cações, serviços públicos etc.) que são

uma Administração científica capaz de

o seu próprio espaço e fazendo de si

administradas por dirigentes para se

substituir o empirismo e a improvisação;

mesmo um vencedor, um campeão.

b) necessidade de maior eficiência e

No final do século 19, contudo, a socie-

produtividade das empresas, para fa-

dade era completamente diferente. As

zer face à intensa concorrência e com-

organizações eram poucas e pequenas:

petição no mercado.

predominavam as pequenas oficinas, artesãos independentes, pequenas escolas, profissionais autônomos (como médicos e advogados, que trabalhavam por conta própria), o lavrador, o armazém da esquina etc. Apesar de o trabalho sempre ter existido na história da humanidade, a história das organizações e de sua administração é um capítulo que teve seu início há pouco tempo.

A Administração passou por várias fases, desde a publicação do livro Princípios da Administração Científica, produzido por Frederick W. Taylor, em 1911, até os modernos conceitos de Administração. Teorias administrativas (Teoria das Relações Humanas, Estruturalista, da Burocracia, de Sistemas, da Contingência, da Qualidade Total etc.) foram sendo criadas no decorrer do tempo para ten-

A Administração foi surgindo como ci-

tar resolver os problemas organizacio-

ência à medida que o homem tinha ne-

nais, impulsionando modelos de gestão,

rba | revista brasileira de administração

sempre em mente os princípios bási-

Foto: Arquivo pessoal

tornarem mais eficientes e eficazes.

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das pela Revolução Industrial que a

Adm. Aluízio da Silva Ribeiro Neto bacharel em Administração pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialista em Turismo e Desenvolvimento Local pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e professor do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública no Centro de Estudos Superiores de Parintins (CESP/UEA) E-mail: aluizio.popular@bol.com.br/ aluizio.gospel@hotmail.com


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