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Rumo para micro e pequenos

Investir no capital

Empresários devem

humano traz retorno

estar atentos e não

e retém talentos

parar no tempo

CFA tem nova Diretoria

Conselheiros são empossados e CFA teve eleição da Diretoria

R$ 9,90

Lucro para todos os lados

A regra é

A inovação deixou de ser uma opção para organizações. O “novo” é lei para quem deseja crescer e ainda ser sustentável no mundo da competitividade

Educação executiva renasce em formatos atualizados, mas a metodologia de ensino não atingiu níveis satisfatórios e tem de evoluir

Adm. Idalberto Chivaneto Referência mundial em Administração concede entrevista à RBA

Ano XXV • Nº 104 • Janeiro/Fevereiro de 2015

R E V I S TA B R A S I L E I R A D E A D M I N I S T R A Ç Ã O


eu PÓS na


EDITORIAL

Inovar é (sempre) preciso

A Existem

lguns dizeres não se

E vejam só o ensinamento deixado pelo Vicente Atz,

tornam

populares

gerente do local: “Sustentabilidade não é só verde, mas é

por obra do acaso.

muito maior e abrangente. Ela está inserida no contexto

explicações

que

justificam o gosto das pessoas em repetir frases prontas ao longo do tempo. Uma delas é a ponta de verdade que dá respaldo e sobrevida às velhas (e boas) máximas. Exemplo: ADM. SEBASTIÃO LUIZ DE MELLO

“O que se faz do mesmo jeito e por muito tempo está errado”.

A necessidade de buscar a inovação é a raiz que sustenta

aprender e aplicar. É inegável a importância do papel das micro e pequenas empresas na economia brasileira. Elas são gigantes da geração de empregos e renda. Mas sua difícil sobrevivência é preocupante. Muitas delas fecham logo nos primeiros anos de funcionamento por problemas relacionados à gestão. A solução pode estar no combate à acomodação, na identificação das oportunidades, na busca por fazer o novo.

C

M

a frase, é o toque de veracidade que a faz ser aceita

O que é uma corporação se não as pessoas que nela traba-

Y

e passada adiante.

lham? Homens e mulheres com suas formações e aptidões

CM

é que fazem tudo funcionar. Máquinas vêm para compor

MY

A ordem de inovar é ainda mais imperativa no universo empresarial. Não é opcional. Inovação é regra para alcançar crescimento e sustentabilidade. É o caminho para o sucesso e negar isso pode ser o primeiro passo para o fracasso. O tema, de tão importante, ganhou a capa da primeira edição de 2015 da Revista Brasileira de Administração (RBA), que também está recheada com muitas

e facilitar o dia a dia. As empresas sabem disso e apostam na valorização do capital humano. Aposta que aumenta a produtividade, melhora os resultados gerais e traz lucro. Já que todos conhecem os benefícios de investir nos talentos da casa, não é razoável perder mais tempo: é hora de aplicar! Outros destaques não podem passar despercebidos na

outras pautas de interesse dos profissionais de Adminis-

presente edição da RBA. O ano de 2015 marca o cinquen-

tração e que merecerão comentários nas próximas linhas.

tenário da Administração como profissão regulamen-

Nas páginas dedicadas ao conteúdo compartilhado com a HSM Management, publicação respeitada e que serve de referência, estão em discussão os sinais de renascimento da educação executiva. As escolas passaram a incorporar novas tecnologias e a se utilizar de inovadores modelos de aprendizado. Porém, segundo especialistas, a transformação precisa ser ainda mais ampla e profunda, atingindo os conteúdos e as metodologias de ensino. Contar histórias de êxito profissional é bom e estimula os mais empreendedores. O caso é da Don Ramon, que se consolidou como a primeira pousada & spa sustentável do Brasil e faz uso de um sistema de gestão focado em realizar ações na área ambiental, sociocultural e econômica.

4

da gestão para fazer a empresa durar mais”. É para

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

tada. Um marco que mobiliza o Sistema CFA/CRAs para a organização de ações, eventos e homenagens. Também cabe festejar o anúncio dos vencedores do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração 2014 e a diplomação dos novos conselheiros federais, bem como a eleição do presidente, vice-presidente, diretoria executiva e comissões do Conselho Federal de Administração. E, como é o ano do Jubileu de Ouro da Administração, os leitores serão brindados com convidados mais que especiais na seção de entrevista. A honra de abrir a série é do professor Idalberto Chiavenato, uma referência para todos os Administradores e que aconselha as empresas a priorizarem as pessoas. Boa leitura!

CY

CMY

K


SUMÁRIO ANO XXV • Nº 104 • JANEIRO/FEVEREIRO DE 2015

ENTREVISTA

REFERÊNCIA

10

18

40

Entrevistado pela equipe da Revis-

A importância da participação dos

Se estivesse vivo, Alberto Guerreiro

ta Brasileira de Administração

empreendimentos de micro e pequeno

Ramos completaria 100 anos em 2015.

(RBA), o administrador Idalberto

porte na economia nacional é inques-

O polêmico e aclamado sociólogo bra-

Chiavenato, referência na área de Ad-

tionável e, a cada ano, ganha maior

sileiro foi um dos precursores da socio-

ministração no Brasil, foi enfático ao

destaque. Porém, para que esses negó-

logia nacional e um teórico importante

apontar que as empresas devem priori-

cios sigam de portas abertas é preciso

para a Administração. Em parceria,

zar as pessoas e o Administrador deve

lembrar que só amplia lucros e avança

CFA e FGV resgataram durante semi-

ser um grande estrategista.

no mercado quem não para de inovar.

nário vida e obra do pensador.

As pessoas são prioridade, sentencia ADM. Chiavenato

Para micro e pequenas é proibido parar no tempo

Seminário reverencia vida e obra de Guerreiro Ramos

LEITOR | 08

ARTIGOS

CONSELHO | 33

16

ADM. LEANDRO VIEIRA

Alavancando talentos através da visão

22

EDUARDO PEDREIRA

De volta do futuro

CONEXÃO | 50

6

EMPRESAS

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

CAPA

24

Forte concorrência faz da inovação constante uma ordem Na acirrada concorrência do mundo empresarial, a inovação deixa de ser uma opção e torna-se regra para crescimento e sustentabilidade das organizações. Não há para onde fugir ou deixar para depois. A hora é agora o momento é já. Inovar sempre, com ações contínuas de melhorias incrementais em produtos, serviços e processos, além de aprimorar competências, estrutura e conhecimentos técnicos, faz toda a diferença. E quem fechar os olhos para essa realidade estará condenado ao fracasso.

42

52

54

A educação executiva dá sinais de renas-

Alguns têm a dança como profissão,

As empresas já sabem o quanto rende a

cimento tanto no aspecto econômico

mas muitos outros escolhem a moda-

valorização do capital humano. Rende

como na incorporação de novas tecno-

lidade para tirar proveito dos bene-

mais produtividade, melhores resul-

logias e inovadores modelos de apren-

fícios físicos, psicológicos e sociais

tados e, consequentemente, os lucros

dizado, mas a transformação precisa ser

proporcionados a cada novo passo

aparecem. Valorizado e reconhecido, o

ainda mais ampla e profunda.

dado no salão.

profissional trabalha mais e melhor.

HSM: AS METODOLOGIAS TÊM QUE MUDAR

DANÇA ALIVIA TENSÕES E GERA BEM-ESTAR

RETER TALENTOS TRAZ LUCRO A TODAS AS PARTES

62

SUSTENTÁVEL, POUSADA FAZ SUCESSO Em meio às conhecidas atrações da serra gaúcha, a Don Ramon conseguiu se tornar a primeira Pousada & Spa Sustentável do Brasil. Com 15 anos de história, esse paraíso está localizado na cidade de Canela.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

7


LEITOR

As mensagens para a RBA podem ser enviadas para SAUS, Quadra 1, Bloco L, Edifício Conselho Federal de Administração, Brasília/DF, CEP 70070-932, e-mail: rba@cfa.org.br ou fanpage: facebook.com/cfaadm

Pessoal, muitíssimo obrigado pela atenção e retorno tão rápido. Os arquivos que me enviaram completam a matéria e nos ajudarão muito com o trabalho prático que estamos realizando em sala de aula. Mais uma vez, obrigado e um abraço!  ADM. ÁTILA DE FREITAS

Em 2014, a RBA contribuiu muito para a minha carreira acadêmica. Que continue assim em 2015, trazendo conteúdo que nos auxilie.

Gostaria de agradecer pelas revistas.Recebi pelo correio e peço desculpas por qualquer coisa e obrigado de novo. Abraços CHARLYTON VASCONCELOS

Gostaria de informar que recebi o exemplar 103. Muito obrigada pela atenção e atendimento. PATRÍCIA JACOB DA SILVA

GERLANE OLIVEIRA

Os assinantes da RBA que não tenham recebido algum exemplar da revista deverão comunicar pelo e-mail rba@cfa.org.br que o CFA providenciará o reenvio. 8

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Leitor da RBA, mantenha sempre o seu endereço atualizado. Se houver qualquer alteração, encaminhe-a para rba@cfa.org.br ou pelo telefone: (61) 3218-1818.

EXPEDIENTE

EDITOR | Conselho Federal de Administração PRESIDENTE | Adm. Sebastião Luiz de Mello VICE-PRESIDENTE | Adm. Sergio Pereira Lobo CONSELHEIROS FEDERAIS DO CFA 2015/2016 Adm. Marcos Clay Lucio da Silva (AC) • Adm. Armando Lôbo Pereira Gomes (AL) • Adm. José Celeste Pinheiro (AP) • Adm. José Carlos de Sá Colares (AM) • Adm. Tânia Maria da Cunha Dias (BA) • Adm. Ilaílson Silveira de Araújo (CE) • Adm. Carlos Alberto Ferreira Junior (DF) • Adm. Marly de Lurdes Uliana (ES) • Adm. Dionizio Rodrigues Neves (GO) • Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (MA) • Adm. Alaércio Soares Martins (MT) • Adm. Sebastião Luiz de Mello (MS) • Adm. Sônia Ferreira Ferraz (MG) • Adm. Aldemira Assis Drago (PA) • Adm. Marcos Kalebbe Saraiva Maia Costa (PB) • Adm. Sergio Pereira Lobo (PR) • Adm. Joel Cavalcanti Costa (PE) • Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha (PI) • Adm. Jorge Humberto Moreira Sampaio (RJ) • Adm. Ione Macêdo de Medeiros Salem (RN) • Adm. Ruy Pedro Baratz Ribeiro (RS) • Adm. Paulo César de Pereira Durand (RO) • Adm. Antonio José Leite de Albuquerque (RR) • Adm. José Sebastião Nunes (SC) • Adm. Mauro Kreuz (SP) • Adm. Diego Cabral Ferreira da Costa (SE) • Adm. Rogerio Ramos de Souza (TO)

Conteúdo abordado de extrema importância, para nós Administradores. Parabéns RBA! PAULO ANDRADE

CONSELHO EDITORIAL Prof. Adm. Idalberto Chiavenato • Prof. Carlos Osmar Bertero • Prof. Milton Mira de Assumpção Filho CONSELHO DE PUBLICAÇÕES Adm. Mauro Kreuz • Adm. Rogério Ramos de Souza • Adm. Sergio Pereira Lobo • Adm. Tânia Maria da Cunha Dias COORDENAÇÃO DOS CONSELHOS Adm. Carlos Alberto Ferreira Júnior

Boa tarde! Gostaria de informar que acabo de receber os exemplares da revista RBA. Muito obrigado! MURILO FERNANDES Estou muito satisfeito pela eficácia no atendimento de minha solicitação. ADM. HARRI LUIZ KORMANN  Informo-lhes que recebi as revistas 101 e 102. Agora posso aproveitar a leitura. ALEXANDRE P. ZÔRZO

Agradeço imensamente a atenção e ficarei no aguardo das revistas. FERNANDO GUERRA Parabéns! Está muito boa esta nova fase da RBA. JACKSON MOREIRA Parabéns pela qualidade das matérias da RBA. Cada vez mais surpreendente. LAURA FERREIRA

PRODUÇÃO Coordenação Editorial: Straub Design • Diretor Executivo: Adm. Wilgor Caravanti • Editor–Chefe: Francisco José Z. Assis • Diretor de Criação: Ericson Straub • Diretor de Arte: Fernando Ratis • Redação: Adriana Franco, Ana Graciele Gonçalves, Cinthia Zanotto, Mara Andrich, Nájia Furlan e Wellington Penalva • Revisão: Mônica Ludvich • Diagramação: Amanda Camargo e Fernando Ratis • Impressão: Ediouro Gráfica e Editora Ltda • Tiragem: 120 mil exemplares REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Conecta Marketing Direto (Wladimir Reis) Tel.: (11) 98969-6075 E-mail: publicidade@cfa.org.br ASSINATURAS E-mail: rba@cfa.org.br | Portal: www.revistarba.com.br Telefone: (61) 3218-1818 | Fax: (61) 3218-1833 A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração sob a responsabilidade da Câmara de Desenvolvimento Institucional e da coordenadora técnica RP Renata Costa Ferreira. As matérias não refletem necessariamente a opinião do CFA. A RBA é certificada pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) como de circulação controlada de conteúdo dirigido.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

9


ENTREVISTA POR_MARA ANDRICH

Visão

ESTRATÉGICA PARA O PROFESSOR ADMINISTRADOR IDALBERTO CHIAVENATO, REFERÊNCIA NA ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL, AS EMPRESAS DEVEM PRIORIZAR AS PESSOAS E O ADMINISTRADOR DEVE SER UM GRANDE ESTRATEGISTA

As empresas mais bem-sucedidas põem as pessoas em primeiro lugar – e antes mesmo dos clientes –, pois elas, quando engajadas, irão encantar e reter os clientes”

Além de tecer críticas ao governo

tem formação em Filosofia e Pedagogia,

atual, Chiavenato acredita que quem

outras duas áreas do conhecimento

governa deve ser um Administrador e

que lhe proporcionaram vivência e ati-

estrategista, e não apenas um político.

tude para desenvolver seus trabalhos

Para os Administradores que estão

bem-sucedidos na Administração.

iniciando a carreira, o professor aler-

O professor acredita que o ensino da

ta: é preciso um misto de percepção

Administração no Brasil deve ser rein-

crítica que envolva visão sistêmica –

ventado, tornando o aluno participante,

ver o todo e não apenas uma de suas

ativo e proativo, e não apenas um es-

partes; visão periférica – sair da caixa

pectador. “O importante é que o novo

e entrever o que está fora dela ao seu

assim que o professor Idalberto

Administrador seja preparado com

redor; e visão antecipatória – entrever

Chiavenato, referência na área

ferramental

adequado

as decorrências ou consequências fu-

da Administração no Brasil, de-

para constituir um agente de mudança

turas das suas decisões atuais. “Tudo

fine o sucesso de uma corporação. Além

organizacional a partir de uma visão

isso ao mesmo tempo, como se tivesse

de ter ampla experiência na área, prin-

crítica e sistêmica”, alerta.

três visões simultâneas.”

É 10

cipalmente em RH, o professor também

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

cognoscitivo


Divulgação JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

11


Entrevista

REVISTA

BRASILEIRA

DE

ADMINISTRAÇÃO (RBA): Um dos grandes temas tratados hoje é como as organizações bem-sucedidas se mantêm bem, o que fazem em meio a crises etc. Agora, por exemplo, vemos grandes empresas (como as montadoras de veículos) demitindo muita gente por conta de vários problemas. O que o senhor considera primordial para que as empresas se mantenham bem? Quais os principais pecados dos empresários, hoje? IDALBERTO CHIAVENATO (IC): Em primeiro lugar, meus cumprimentos a todos os leitores da Revista RBA. É sempre um imenso prazer estar em contato. O fato é que estamos vivendo uma era de intensas mudanças, que envolvem transformações, tanto positivas como negativas, em um fluxo dinâmico e interminável. Claro, muitas dessas mudanças são ótimas para a saúde organizacional, enquanto outras são até perigosas, como o caso das crises que estamos vivendo há meses no nosso país. Jogo de cintura é pouco quando tantas interferências externas devidas à má gestão da coisa

lidade – precisa caber em um esque-

vemos tanta gente insatisfeita

ma de integração e alinhamento para

com o trabalho? O que as empre-

alcançar determinados objetivos co-

sas, por um lado, podem fazer

muns. Contudo, as pessoas precisam

para segurar mais funcionários

receber algo em troca, como retorno de

bons e satisfeitos e, de outro lado,

seus investimentos pessoais ou coleti-

como o funcionário também deve-

vos na atividade organizacional. Esse

ria agir pra estar nessa situação?

é o segredo para não somente reter

IC: RH trata de gente, de suas com-

talentos e capital humano, mas, prin-

petências e realizações. Na verdade, organizações e empresas são entidades fictícias que ocupam certo espaço e tempo. Elas são constituídas de conjuntos integrados de pessoas que utilizam recursos para trabalhar.

cipalmente, para encantar e engajar pessoas – o parceiro mais importante do negócio, aquele que define o sucesso ou fracasso do empreendimento. Tanto que as empresas mais bem-sucedidas põem as pessoas em primeiro

Podem até mesmo ter um endereço

lugar – e antes mesmo dos clientes –,

físico ou virtual, mas o endereço pode

pois elas, quando engajadas, irão en-

mudar e elas continuam exatamente

cantar e reter os clientes. É bom lem-

as mesmas. Elas não são prédios ou

brar que a qualidade externa nunca é

instalações. São conjuntos integrados

maior do que a qualidade interna. E a

de pessoas que formam organizações

qualidade interna está na mescla oti-

e empresas. Elas são entidades so-

mizada de uma cultura corporativa

RBA: O senhor tem vários traba-

ciais. E toda essa diversidade humana

incorporadora; na arquitetura interna,

lhos na área de RH. Em sua opi-

– afinal, as pessoas se caracterizam

que serve de plataforma para conectar

nião, quais os principais proble-

pelas suas diferenças individuais, que

as pessoas; e no estilo de gestão huma-

mas enfrentados hoje nessa área

lhes dão personalidade e individua-

na que os líderes e gestores adotam.

pública colocam pedras pela frente das empresas. Quase sempre, os pecados não são dos empresários, que precisam partir para planos contingenciais, mas de quem deveria cuidar melhor do entorno geral.

12

nas grandes empresas? Por que

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Esse é o arcabouço que proporciona o

organizacional a partir de uma visão

feedback adequado e torna os colabora-

crítica e sistêmica.

dores engajados e satisfeitos. em

duação em Filosofia e Pedagogia.

Administração e também com for-

Por que decidiu buscar essas duas

mação em Pedagogia, como o se-

áreas também? O que lhe fascina

nhor vê o ensino de Administração

na Filosofia e na Pedagogia? Como

hoje? E a profissão? Vejo que se

elas auxiliam na boa atuação

trata de uma área bastante abran-

como Administrador?

RBA:

Como

doutor

RBA: O senhor também tem gra-

gente, que abre um leque muito grande para os profissionais. Quais seriam as tendências, tanto no ensino quanto na profissão do Administrador hoje?

IC: A Filosofia me deu uma visão ampla e dinâmica da vida e do mundo, enquanto a Pedagogia ajudou-me com alguma facilidade de comunicação e didática. Minha passagem pela

IC: Não quero entrar no mérito da

Filosofia e Pedagogia em minha pri-

questão, mas é claro que a formação de

meira universidade me ensinou mui-

novos Administradores requer novas

tas coisas na vida e agora estou apro-

posturas e práticas pela frente. Afinal,

veitando tudo isso na minha maneira

o mundo mudou e está mudando a

de explicitar abordagens, conceitos,

todo vapor e não podemos mais prepa-

práticas e mudanças com uma didáti-

rar nossos futuros talentos com meto-

ca simples em meus livros e uma von-

dologias e conceitos antiquados, que,

tade maluca de escrever.

aliás, nem sempre foram razoáveis no passado. Acontece que o mundo da Administração se tornou extremamente complexo, mutável e diversificado. Precisamos reinventar o currículo, o conteúdo, as ferramentas de apoio à aprendizagem e proporcionar uma nova e criativa plataforma de ensino que torne o aluno um participante ativo e proativo, e não simplesmente

Diferente das demais, a Administração requer e exige que o profissional desenvolva tanto competências técnicas como comportamentais.”

RBA: Como brasileiro e referência na área de Administração hoje, como o senhor avalia a situação política do nosso país? Estamos no caminho certo? Em sua opinião de Administrador, o que deveria ser feito em termos de Administração pública para melhorar a Administração do país?

em constante ascensão, monitoramento precário, falta de controles e de métricas – afinal, tudo aquilo que sempre combatemos e o que se pode lamentar profundamente. Isso não é Administrar. Um total descaso com o contribuinte que sente que o pagamento de impostos altíssimos não lhe proporciona o menor retorno. E sente que toda a sua contribuição desaparece no meio do caminho, como se evaporasse pelos ralos da corrupção e da gestão totalmente ineficiente. Em resumo, a nossa Administração pública vai muito mal. Tudo o que acreditamos e pregamos é ignorado. Não temos Administradores, mas pessoas que cuidam da Administração pública sem saber exatamente o que fazem, por que fazem ou como fazem. Precisamos de

um espectador passivo e inerte. O foco

IC: É uma pena que em decorrência

deve estar no aprender e incorporar

de decisões erradas e eivadas de ide-

conhecimento e competências e não

ologias ultrapassadas e malsucedidas

apenas no transmitir e ensinar temas

chegamos à situação atual em nosso

e conceitos. O importante é que o novo

País. Total des-Administração: pro-

Administrador seja preparado com

jetos paupérrimos, superficiais e mal

RBA: Para quem pretende atuar na

ferramental cognoscitivo adequado

planejados, execução amadora e to-

área de Administração no Brasil,

para constituir um agente de mudança

talmente ineficiente, perdas e custos

que conselhos o senhor daria?

Administradores e de estrategistas, e não de curiosos, amadores ou políticos. O lugar de políticos é na política, e não na Administração.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

13


Entrevista

IC: Há dez anos escrevi o livro Cartas a

operações, excelência, concorrência,

repleta de problemas, burocracia rígi-

um Jovem Administrador, no qual me

competitividade, sustentabilidade e

da e trabalhosa, total falta de apoio às

preocupei em dar alguns conselhos e

um sem-número de outros desafios.

empresas. E de lambuja trabalha com

uma visão ampla e geral da área a es-

Isso me lembra da figura daquele ar-

gente – aliás, com equipes de pessoas,

tudantes de Administração. Ela é uma

tista de circo que precisava equilibrar

aspecto que constitui a essência do

profissão diferente das demais, pois

vários pratos, girando-os simulta-

seu trabalho e que representa a parte

envolve competências que as outras

neamente sobre palitos. Além dessa

positiva de seu trabalho.

profissões não requerem tanto para

miríade de circunstâncias que giram

o sucesso do profissional. Diferente

ao seu redor, o Administrador preci-

das demais, a Administração requer

sa atender e satisfazer uma enorme

e exige que o profissional desenvolva

variedade de stakeholders, cada qual

tanto competências técnicas como

com suas diferentes expectativas e

comportamentais. E que lide com uma

exigências. Além disso, enfrenta a

amplitude de variáveis muito mais

concorrência de amplitude planetá-

amplas e complexas: como mercado,

ria. E as pedras no meio do caminho

organizações, negócios, público, so-

que a gestão pública lhe oferece em

ciedade, ecologia, produtos, serviços,

termos de complexidade tributária,

metas e objetivos, estratégias, táticas,

infraestrutura basal insuficiente e

Mas isso tudo não deve meter medo em ninguém. Pelo contrário, isso tudo impõe a quem deseja atuar na área de Administração o desenvolvimento de uma visão estratégica. E o que é isso? A meu ver, um misto de percepção crítica que envolva visão sistêmica – ver o todo e não apenas uma de suas partes; visão periférica – sair da caixa e entrever o que está fora dela ao seu redor; visão antecipatória – entrever as decorrências ou consequências futuras

IDALBERTO CHIAVENATO Registrado no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) sob o número 1142 Presidente do Instituto Chiavenato, consultor, professor e conferencista das principais Universidades de Administração do Brasil, Espanha e América Latina, possui dois títulos Honoris Causa no exterior por sua contribuição à área de Recursos Humanos e é reconhecido e prestigiado pela excelência de seus trabalhos em Administração e em Recursos Humanos

das suas decisões atuais. E tudo isso ao mesmo tempo, como se tivesse três visões simultâneas. Além disso, essa visão estratégica impõe um quarto foco no insight ou intuição – uma percepção a respeito de para onde as coisas estão indo. Você pode até pensar que é muito, mas até um excelente jogador de futebol consegue reunir todo esse conjunto de percepções: em um rápido relance de olhar ele sabe o posicionamento dos colegas e adversários

Autor de mais de 30 publicações em língua portuguesa, autor de 17 livros em espanhol, sendo o escritor brasileiro com o maior número de

no campo de futebol (visão sistêmica),

publicações na língua espanhola.

seus colegas e adversários (visão pe-

ouve os gritos e pedidos da plateia aos riférica), percebe para onde colegas e adversários estão correndo (visão an-

É doutor e mestre em Administração pela City University of Los Angeles-CA (EUA) e especialista em Administração de Empresas pela FGV-EAESP. Desta última, também foi professor convidado. Além disso, é graduado em Filosofia e Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP e em Direito pela Universidade Mackenzie. Hoje, entre outras atividades, atua como conselheiro do CRA/SP

tecipatória) e imagina onde a bola vai estar (insight e intuição). E é lá que ele vai estar para marcar o gol que definirá a partida. Difícil? Acho isso maravilhoso! É só saber juntar essas visões e o estrategista estará pronto para o que der e vier. E boa fortuna para todos.

14

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


OPINIÃO

Alavancando talentos através

DA VISÃO 16

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

CUIDADO COM A FORMA COMO VOCÊ ENXERGA SEU TIME. SUA VISÃO PODE SE REFLETIR DIRETAMENTE NO DESEMPENHO DA EQUIPE

Na verdade, porém, a única diferença

tratassem dessa forma e, no final das

profecia autorrealizável?

entre os dois grupos era somente a

contas, os resultados desse grupo foram muito superiores aos dos demais alunos.

O termo foi cunhado

expectativa dos professores, que nada

em 1949 pelo sociólogo americano

sabiam sobre o experimento que estava

Robert Merton e diz respeito às

sendo realizado. No fim do ano, todas as

“previsões” que costumamos fazer

crianças foram testadas novamente. As

e que, por acreditarmos tanto nelas,

crianças que os professores foram indu-

acabamos moldando o nosso próprio

zidos a acreditar que fossem as mais

comportamento de forma que a profecia acaba se tornando real. Nas palavras do próprio autor: “A profecia autorrealizável é, no início, uma definição falsa da situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira”. Um exemplo prático desse efeito foi comprovado pelos professores Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, na década de 1960. Eles conduziram um estudo em uma escola fundamental da Califórnia que consistia basicamente no seguinte: no começo do ano, realizaram um teste de inteligência para medir o QI das crianças. Em cada sala

sores que aquelas crianças tinham um grande potencial intelectual e

enxerga o verdadeiro valor da sua equipe, irá materializar inevitavelmente sua visão estreita nos resultados. Ele é aquele cara que está sempre resmungando para si mesmo: “São uns

Para inspirar pessoas, você deve saber, antes de tudo, inspirarse com elas. Saber reconhecer o talento e a singularidade de cada colaborador é o primeiro passo para alavancar a força de uma organização e conduzi-la a patamares superiores.

de aula, separaram aleatoriamente 20% dos alunos e disseram aos profes-

O administrador míope, que não

inteligentes tiveram um desempenho

incompetentes mesmo!” – e não estará errado, pois a tendência de que essa “profecia” se concretize é muito forte. Para inspirar pessoas você deve saber, antes de tudo, inspirar-se com elas. Saber reconhecer o talento e a singularidade de cada colaborador é o primeiro passo para alavancar a força de uma organização e conduzi-la a patamares superiores. Liderar não é só dar o exemplo. Liderar é também saber enxergar a riqueza que cada membro da equipe traz dentro de si. Foto: Arquivo pessoal

V

ocê já ouviu falar em

bastante superior às demais crianças da escola. Notem: apenas o olhar dos

que deveriam apresentar um desem-

professores sobre um grupo alea-

penho surpreendente durante o ano,

tório de crianças, esperando que elas

enquanto as demais eram crianças

fossem mais inteligentes e talentosas

com “potencial normal”.

do que a média, determinou que eles as

ADM. LEANDRO VIEIRA, criador do Administradores.com e autor do livro Seu Futuro em Administração (Campus/Elsevier)

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

17


EMPREENDEDORISMO POR_ADRIANA FRANCO

Caminho para

MICRO E PEQUENAS

EMPRESAS PAPEL DESSES EMPREENDIMENTOS NA ECONOMIA NACIONAL GANHA MAIOR DESTAQUE, MAS É PRECISO LEMBRAR QUE, PARA SE DESTACAR E CRESCER, É PRECISO INOVAR CONSTANTEMENTE

U

ma pesquisa feita pela

com faturamento de até R$ 90 milhões

Fundação Getulio Var-

ao ano, criou, em 2014, o programa

gas, encomendada pelo

MPME Inovadora. A iniciativa, se-

Serviço de Apoio às Micro e Pequenas

gundo a gerente no Departamento de

Empresas (Sebrae) e publicada em ju-

Financiamento a Projetos de Investi-

lho de 2014, revela o perfil da partici-

mento, dentro da Área de Operações

pação das micro e pequenas empresas

Indiretas do BNDES, Paola Goulart,

(MPEs) na economia brasileira. De

tem como objetivo facilitar a vida dos

2001 a 2011, a participação dos pe-

micro, pequenos e médios empreende-

quenos negócios no Produto Interno

dores que sofrem para conseguir apro-

Bruto (PIB) nacional subiu de 23,2%

vação de crédito para projetos ligados

para 27%. Os números em relação às

à inovação. Para isso, o programa con-

empresas desses portes são cada vez

ta com o Banco Regional de Desen-

mais expressivos no país, mas junto

volvimento do Extremo Sul (BRDE)

com isso também crescem a competi-

como principal agente financeiro.

tividade e a necessidade de inovar para se destacar e sobreviver no mercado. Mas quais são os incentivos oferecidos para que essas empresas invistam em inovação e mantenham-se ativas?

18

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Os financiamentos oferecidos garantem o suporte do BNDES FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) como forma de facilitar o acesso ao crédito. Um dos critérios do programa MPME Inovado-

O Banco Nacional de Desenvolvimen-

ra é que a empresa tenha patente regis-

to Econômico e Social (BNDES), pen-

trada no Instituto Nacional da Proprie-

sando nas empresas de menor porte,

dade Industrial (INPI) e tenha em seu


Foto: BNDES/Divulgação

Para adquirir o Cartão basta acessar

Investir em projetos de inovação ajudam os empreendedores a alcançar um salto no faturamento de suas empresas e a alcançar um espaço de muito mais destaque em termos de competitividade” Paola Goulart, gerente no Departamento de Financiamento a Projetos de Investimento, dentro da Área de Operações Indiretas do BNDES

histórico algum investimento em inova-

do BNDES porque sentiu a necessida-

ção feito, preferencialmente, com ins-

de de se destacar em sua área atuação.

tituições parceiras. Os recursos podem

“Com apenas alguns ajustes nos cami-

ser solicitados, inclusive, sob a forma de

nhões e na forma de prestar o serviço, o

capital de giro.

empresário passou de um faturamento

A participação do BNDES é de até 90% do valor dos itens financiáveis para financiamentos com taxa variável e de 100% para os de taxa fixa. Cada cliente pode financiar até R$ 20 milhões por ano, com prazo para pagamento de até dez anos. Já para os casos de capital de

anual de R$ 1,2 milhão para R$ 10 milhões, em apenas um ano. E diante do sucesso, não hesitou em patentear as inovações feitas e a pensar nos próximos passos a serem dados. Entre os quais está construção de uma fábrica nova, para atender ao aumento da de-

o site www.cartaobndes.gov.br, clicar no menu “Solicite seu Cartão BNDES”, preencher a proposta de solicitação e encaminhá-la ao banco emissor, com os demais documentos necessários. Para facilitar o processo, a empresa deve ter conta no agente financeiro escolhido. Isso vai garantir melhor definição do limite do financiamento. A concessão do crédito e a cobrança são de responsabilidade do banco emissor do Cartão BNDES. Tomassini ressalta que podem obter o Cartão BNDES as empresas de micro, pequeno e médio portes, de controle nacional, com faturamento bruto anual de até R$ 90 milhões e que estejam em dia com o INSS, FGTS, RAIS, tributos federais e legislação ambiental. Sobre as vantagens oferecidas, Tomassini diz que um dos grandes trunfos do Cartão BNDES é a simplicidade e uniformização de suas condições e processos. “Os serviços tecnológicos são financiáveis nas mesmas condições dos demais itens apoiados pelo

manda”, conta.

Cartão BNDES, com taxa de juros de

é de R$ 10 milhões, com prazo de fi-

CARTÃO BNDES

três a 48 meses”, acrescenta.

nanciamento de até três anos.

E, para quem precisa de mais agilidade

Para Paola, as empresas de menor porte são extremamente importantes para o mercado, por isso a necessidade de facilitar o acesso à inovação. “Investir em projetos de inovação ajuda os empreendedores a alcançar um salto no faturamento de suas empresas e a conquistar um espaço de muito mais destaque em termos de competitividade”, ressalta.

em termos de financiamentos para investir em inovação, sem a necessidade de apresentação de projetos, é possível contar com o Cartão BNDES. “Atualmente, já é possível financiar, desde

0,99% ao mês e prazo de pagamento de

Foto: BNDES/Divulgação

giro isolado, o limite anual por cliente

o design e a prototipagem, passando pelos testes de conceito, ensaios e avaliação de conformidade, até a contratação de serviços especializados para proteção da propriedade intelectual”,

A gerente lembra-se de um pequeno

explica o gerente de Produto do Cartão

empresário dono de uma fábrica de ca-

BNDES, no Departamento de Opera-

minhões-cegonhas que buscou apoio

ções de Internet, Rodrigo Tomassini.

Rodrigo Tomassini, gerente de Produto do Cartão BNDES, no Departamento de Operações de Internet

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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Foto: Rogerio Rangel/Finep

Empreendedorismo R$ 150 mil a R$ 10 milhões por ano,

Nosso objetivo é chegar a R$ 800 milhões até o final de 2016, mas para isso também precisamos que os empresários apresentem seus projetos e busquem investir em inovação”

direcionados para empresas de menor

Marcelo Camargo, gerente do Departamento de Produtos Financeiros Descentralizados da Finep

ficar se é viável ou não.

porte. O Tecnova está presente em 19 estados do Brasil e a seleção dos projetos é feita por meio de chamada em edital em datas específicas. Já o Inovacred é contínuo, basta o empreendedor procurar um agente financeiro, que vai avaliar a pertinência do projeto e veriCom o BRDE como principal parceiro, o Inovacred, de acordo com Camar-

FINEP A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), desde o final de 2012, passou a aumentar a escala atuação e número de projetos com o objetivo de descentrali-

como ignorar esse fato e deixá-las sem suporte adequado para investir em inovação”, diz o gerente do Departamento de Produtos Financeiros Descentralizados da Finep, Marcelo Camargo.

go, já liberou cerca de R$ 120 milhões para quase 70 empresas ao longo de um ano, em todo o país. Pelo menos R$ 300 milhões seguem em análise. “Nosso objetivo é chegar a R$ 800 milhões até o final de 2016, mas para isso também

zar os recursos. “Hoje, pelo menos 96%

A Finep conta com dois programas

precisamos que os empresários apre-

das empresas no País se enquadram

voltados para projetos com foco em

sentem seus projetos e busquem inves-

nos portes de micro e pequenas, não há

inovação, com financiamentos de

tir em inovação”, acrescenta o gerente.

INVESTIMENTO COM ORIENTAÇÃO Pensando nas empresas de pequeno porte, com faturamento anual de no máximo R$ 3,6 milhões, o Sebrae conta com o Sebraetec (Serviços em Inovação e Tecnologia). Criado desde os anos 1990, o programa disponibiliza até R$ 120 mil por ano, por empresa, para projetos voltados para inovação e tecnologia, com subvenção de até 80%. O suporte de consultores especializados do Sebrae, que ajudam a identificar as necessidades reais de investimento dos empreendedores é fundamental para essas empresas que sequer têm condições de elaborar projetos, muito menos concorrer com outras grandes em editais lançados pelo governo. De acordo com o gerente de Ambiente de Negócios do Sebrae no Paraná, Cesar Rissete, a contratação dos parceiros para executar os projetos é

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

feita pelo programa e o empresário torna-se o cliente do Sebrae, que vai ajudar a gerenciar todo o processo. O Sebraetec é subdividido em três modalidades: orientação, para demandas de baixa complexidade; adequação, para mudanças de processos, alteração de layout e de embalagens, por exemplo; e diferenciação. Esta última é para avaliar projetos elaborados entre entidades cadastradas no Sebrae e empresas que vislumbram lançar novos produtos no mercado. Rissete conta que só em 2014 foram atendidas mais de 100 micro e pequenas empresas em todo o país com o Sebraetec. “Muitos desses empreendedores não teriam condição nenhuma de disputar recursos ou de ter o crédito aprovado em outros programas nacionais”, diz.


Foto: Sebrae/Divulgação

Com inovação, Fulgêncio Torres qualificou seu produto e conquistou o mercado dos Estados Unidos

CACHAÇA PREMIADA

Hoje, pelo menos 96% das empresas no País se enquadram nos portes de micro e pequenas, não há como ignorar esse fato e deixá-las sem suporte adequado para investir em inovação” MARCELO CAMARGO

PARCERIA PARA CRESCER No dia 7 de outubro de 2014, o Conselho Federal de Administração (CFA) e a Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (SMPE-PR) firmaram um acordo de cooperação técnica com o objetivo de promover ações destinadas à promoção e ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras, estabelecendo um canal convergente de acesso às informações de interesse dos empreendedores. Por meio da parceria, o CFA pretende capacitar Administradores em métodos e processos que permitam a aplicação de habilidades e conhecimentos técnicos (áreas do conhecimento), interpessoais (apoio, assertividade, confrontação, saber ouvir, estilo, processos grupais e saber ouvir) e de consultoria (contratação, diagnóstico, feedback, decisão) em micro e pequenas empresas, além de oportunizar a atuação dos Administradores capacitados em MPE. A estimativa é de que, ao final de cinco anos, todos os Conselhos Regionais de Administração (CRAs) estejam contemplados, sendo essa uma das metas de resultados a serem alcançadas, especialmente considerando a contribuição do Sistema CFA/ CRAs na formação de agentes multiplicadores do conhecimento, com práticas de consolidação de projetos nas MPEs.

O empresário Fulgêncio Torres fundou a Agroecológica Marumbi, mais conhecida como Porto Morretes, em 2004 e há cinco anos mais da metade da produção de suas cachaças é exportada para os Estados Unidos. Diante de um mercado bastante competitivo e exigente, percebeu que era hora de inovar. Como sempre esteve em contato com o Sebrae, desde o início dos negócios, não hesitou em buscar ajuda com a equipe do Sebraetec. Fulgêncio conta que já tinha uma ideia prévia do que queria fazer para ampliar sua linha de cachaças artesanais de alambique orgânicas, mas com a assistência da consultoria especializada do Sebraetec conseguiu dar um direcionamento adequado e proveitoso a seu projeto. O desenvolvimento de barris feitos da madeira amburana, para o armazenamento de cachaça, durou cerca de seis meses e o resultado já trouxe bons frutos à marca. A Porto Morretes participou do 15º Spirits Selection, o Concurso Mundial de Bruxelas, em junho de 2014, e foi premiada com cinco medalhas, incluindo a Medalha Dupla de Ouro para a cachaça envelhecida no barril de amburana. “A técnica envolve um envelhecimento duplo. Primeiro no carvalho e depois na amburana, dando um sabor muito especial”, diz Torres. Participaram da premiação mais de 200 rótulos de cachaça, de 720 marcas de destilados de 40 países.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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OPINIÃO

DE VOLTA DO

FUTURO E

ra uma mistura de spa com hotel cinco estrelas. Um oásis verde plantado

em meio à selva urbana. Um córrego de águas cristalinas corria próximo a apartamentos e chalés. A equipe, composta por médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, recreadores, dava conforto nos mínimos detalhes aos ilustres hóspedes. Apesar de toda essa atmosfera vibrante e cheia de vida, aquele era um lugar onde a morte era uma vizinha muito próxima. Tratava-se de uma casa de cuidado a idosos. Muito chique é verdade, mas todo aquele conceito butique não era capaz de anular a solidão, o abandono, a impotência na qual estavam submetidos alguns homens e mulheres outrora poderosos, ocupando posições estratégicas dentro de famosas empresas. Foi chocante ver em cadeira de rodas pessoas um dia tão cortejadas, cheias de poder, agora totalmente dependentes de cuida-

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

doras para sobreviver, esperando apenas

do trabalho hoje é um ambiente na

o inexorável momento no qual o último

maioria das vezes mais propenso ao

Perguntei ao meu cicerone com que frequência alguns daqueles pacientes-hóspedes recebiam visitas de seus familiares. Ironia das ironias: quanto mais ricos e poderosos foram, tanto mais solitários estavam. O dinheiro acumulado era útil para pagar o luxo de suas velhices solitárias. Não pude conter minha imaginação. Visualizei algumas daquelas pessoas não tendo tempo para os filhos, colecionando casamentos, cercadas de falsos amigos,

Não basta apenas saber para onde se está indo, necessário é também definir como se vai. O processo é tão importante quanto o produto. Felicidade não é um lugar a que se chega, é uma maneira como se vai. "

pela carreira, respirando trabalho todo

uma espécie de retribuição divina por

o tempo, alimentadas pela arrogância

terem sido o que foram. Mas não é essa

tão natural quando o sucesso é uma

a moral desta história. Ver como estava

realidade, que não tiveram tempo para

terminando a vida daquelas pessoas

cultivar relacionamentos significati-

fez-me reforçar verdades já sabidas,

vos capazes de durar apesar de quem

porém, tantas vezes esquecidas na cor-

somos. Eram caricaturas frágeis do

reria cotidiana. Não basta apenas saber

Vi nos seus olhares certa tristeza, quem sabe advinda de um profundo arrependimento de terem conduzido suas vidas numa direção cujo final não era dos mais felizes. Voltei para casa emocionalmente muito mexido. Sentei-me no meu sofá com a forte sensação de ter visitado o futuro e retornado ao presente, como se enxergasse a vida de trás para frente, do momento final para o momento agora vivido, do fim para o começo.

saúde emocional. Faça terapia formal. Busque um profissional competente que te ajude a lidar com questões conscientes e inconscientes. Use um celular mais barato, uma roupa menos cara, repita peças do seu guarda-roupa, um carro menos sofisticado, pare de ostentar uma vida exterior que não te deixa pagar para cuidar da interior. Abra-se com pessoas sensatas, amigos ou não tão próximos assim, capazes de dizer o que você não gosta de ouvir. Cuide dos seus relacionamentos mais

pois estavam tão ocupadas, obcecadas

que um dia projetaram de si mesmos.

desenvolvimento de doenças do que de

significativos. Todas as vezes em que o trabalho fragilizar os seus vínculos mais significativos, tire férias, dê uma pausa, viva um fim de semana melhor, chegue em casa mais cedo, quebre a rotina, faça tudo, mas faça o favor, não se descuide dos seus relacionamentos

para onde se está indo, necessário é

mais caros a você.

também definir como se vai. O processo

A maneira como vivemos o hoje pode

é tão importante quanto o produto. Felicidade não é um lugar a que se chega, é uma maneira como se vai. Seja o seu trabalho sonho, pesadelo ou uma experiência rotineira, insos-

nos dizer muito de como será o nosso amanhã. Não temos controle sobre como terminaremos nossa vida. Podemos, sim, ter influência direta em como a viveremos até que seu final chegue.

sa, sem maiores emoções, sentido,

Foto: Divulgação

suspiro seria dado.

significado, não deixe de ter o devido cuidado com você mesmo. Se lhe parece obviedade, então óbvio seja, cuide de sua saúde. Não permita ser seu corpo um saco de pancadas das suas

Minha, e quem sabe sua também, pode

emoções e energias negativas. Não se

ser a tentação de tirar uma lição equi-

entupa de lixo que ironicamente tem

vocada deste episódio. Parece que há

o nome de comida. Não tombe sob a

algo errado com o sucesso, o dinheiro,

força do sedentarismo. Oscar Wilde

o poder e pessoas que experimentam

disse, certa vez, que depois dos 50 todo

isso um dia vão ser punidas na velhice.

mundo tem a aparência que merece.

Algo de ruim vai lhes acontecer, como

Cuide também de sua alma. O mundo

EDUARDO PEDREIRA é professor de Sustentabilidade Corporativa da Fundação Getulio Vargas. É um dos autores do livro “Gestão Sustentável de Negócios”. prof.eduardofgv@terra.com.br

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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CapaCAPA POR_ WELLINGTON PENALVA

INOVAR

A ordem é

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

NA ACIRRADA CONCORRÊNCIA DO MUNDO EMPRESARIAL, A INOVAÇÃO DEIXA DE SER UMA OPÇÃO E TORNA-SE REGRA PARA CRESCIMENTO E SUSTENTABILIDADE DAS ORGANIZAÇÕES.


C

seu

diferença e quem fechar os olhos para

Honório Pinheiro deixando claro que é

universo

essa realidade estará condenado ao

hora de “I-NO-VAR”.

cresceu

fracasso. “Não há como se manter em

sob constante processo de mutação.

um mercado cada vez mais competitivo

A competitividade é o principal

sem inovar”, afirma o CEO da Martins

MAS, AFINAL, O QUE É INOVAÇÃO?

combustível propulsor de mudança,

Comércio e Serviços de Distribuição,

evolução

Walter Faria.

ompetitivo

desde

nascimento,

o

organizacional

e

amadurecimento

das

organizações. Embora o motivo da transformação seja o mesmo desde o fordismo, o modo de fazer e o foco foram alterados completamente, de acordo com o período e o cenário mercadológico vigente.

A expressão “pensar fora da caixa” nunca fez tanto sentido. Sair do circuito convencional de raciocínio e assumir riscos são requisitos indispensáveis quando se fala em inovação. O presi-

Segundo o Manual de Oslo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 1990, inovação é: “Implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de

dente da Federação das Câmaras de

marketing, ou um novo modelo orga-

“No período taylorista e fordista

Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-

nizacional nas práticas de negócios, na

as empresas se preocupavam com

CE), Honório Pinheiro elucida: “Inovar

organização do local de trabalho ou nas

a

mais

está mais ligado a questões culturais e

relações externas”.

priori-

quebra de paradigmas do que à capa-

zaram a qualidade. Agora o foco está

cidade intelectual e econômica do

Complicado? Só na aparência. O

na inovação como estratégia competi-

mundo de construir novos modelos de

tiva de mercado”, explica a gerente de

desenvolvimento”.

Projetos de Inovação da Inventta BGI,

De certo, a competitividade do mundo

produtividade

gastando

menos).

(produzir Depois,

Tiara Bicalho.

organizacional ficou mais acirrada,

conceito é realmente muito abrangente e variado, mas é bem mais simples do que parece. “De forma sucinta, considero que inovação é a exploração, com sucesso, de novas ideias”, comenta a

A internet surgiu e fez o mundo caber

o que é bom, segundo especialistas.

na palma da mão. A informação circula

Quanto maior a concorrência, mais

o globo com um click (ou touch). Como

ideias inovadoras surgem e melhores

as ferramentas e tecnologias são,

produtos e processos ficam. “A era do

quase sempre, universais e disponí-

conhecimento e da tecnologia chegou

veis a todos, processos e produtos de

e vem com mais força do que a própria

Assim como a competitividade, as difi-

concorrentes – em todos os setores

revolução industrial. O momento

culdades e crises são cavalos tratores

do mercado – se assemelham. Ou não.

para se capacitar e enfrentar as novas

puxando a inovação. “A necessidade é

Afinal, a inovação chegou para fazer a

estradas tecnológicas é agora”, afirma

mãe das mudanças.

Tiara Bicalho, gerente de Projetos de Inovação da Inventta BGI.

Walter Faria, CEO da Martins Comércio e Serviços de Distribuição

gerente da Inventta BGI. De acordo com essa afirmação, fica claro que a atividade inovadora está ligada à criatividade e à experimentação.

Honório Pinheiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE)

Maurício Vianna, CEO global da MJV

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

25


Capa

A primeira etapa do processo de inovação consiste em estudar um problema para desenvolver soluções”, considera o CEO global da MJV, Maurício Vianna. O agente da inovação, dotado de criatividade e capacidade de experimentação, é o ser humano. Ele é o ponto de partida de todo o processo. Muitos gestores e especialistas no assunto afirmam, categoricamente, que o capital humano de uma empresa é o recurso mais importante. “As pessoas são a chave em qualquer processo de inovação, porque são elas que possuem as habilidades necessárias para inovar”, afirma o sócio-fundador da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, Valter Pieracciani. Com essa percepção, as organizações mais antenadas têm se voltado para o desenvolvimento humano. Todos os setores de uma empresa passam a ser igualmente importantes quando se pensa em inovar. A idealização de novos processos, produtos ou serviços, ou de melhoria dos já existentes, pode partir de qualquer colaborador. “Uma nova ideia pode surgir diretamente do ‘chão de fábrica’ de uma empresa por meio de pessoas que estão no dia a dia da operação”, considera Tiara Bicalho. Diante do panorama que apresenta criatividade, capacidade de arriscar, quebra de paradigmas e sensibilidade como prerrogativas para inovar e o capital humano como maior bem transformador, surge o conceito de “cultura de inovação”. Para implantar essa nova filosofia e administrar o processo inovador nas empresas, uma figura é indispensável: “o gestor”. De acordo com Valter Pieracciane, “ele tem um papel fundamental no processo e a responsabilidade de cultivar a cultura de inovação”.

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

CAMINHOS DA INOVAÇÃO Stage-gate – metodologia que separa o projeto em etapas claramente definidas. Ao final de cada estágio de desenvolvimento é feita uma avaliação para decidir se é viável a continuidade do processo. De acordo com essa checagem o projeto pode seguir; ser readaptado e continuado; ou descartado, evitando gastos desnecessários. Dentro de cada etapa (stage), uma série de atividades multifuncionais é executada, sendo que essa equipe multifuncional deve ser coordenada pelo gerente do projeto. Fonte: www.ufrgs.br/cbgdp2011/downloads/9152.pdf De acordo Valter Pieracciane, “a inovação está ao alcance de todas as empresas, não importando o setor de atuação, tempo de mercado, número de funcionários ou faturamento”. Contudo, é preciso um motivo e, principalmente, viabilidade para inovar. Como afirma Maurício Vianna, “a inovação só faz sentido quando agrega valor à organização. Não adianta criar um produto que ninguém quer comprar”. “A inovação nasce a partir da urgência de resolver um problema ou, na melhor das hipóteses, por meio de um visionário da organização que detecta necessidade de mudança antes que o problema se instaure”, conta Honório Pinheiro. “Por meio do compartilhamento da equipe em torno da situação, chega-se à decisão e é pactuada a precisão de inovar”, conclui o presidente da FCDL-CE. Já está mais do que provado que a criatividade é peça-chave na inovação, porém, não é tudo. Tiara Bicalho defende que “para tornar uma empresa inovadora é preciso estruturar e implementar processo e ferramentas de gestão da inovação. Essas soluções devem ser customizadas, levando em consideração diversos fatores, como o tamanho da empresa, setor de atuação, ambiente no qual está inserida, sua estratégia, cultura e estrutura organizacional”. Mesmo usando o PDCA (planejamento, desenvolvimento, controle e ação) como base, o processo de inovação é particular em cada empresa. “Nas pequenas empresas, o método para inovar é dinâmico e orgânico, acontece no dia a dia graças à proximidade entre o operacional e o estratégico”, afirma Tiara. A especialista acrescenta que “as grandes empresas precisam de um procedimento mais definido que, geralmente, parte da geração de ideias, passando por sua seleção, priorização, concepção do projeto, desenvolvimento e implementação”. Independentemente da forma que a organização escolhe para inovar, é importante realizar a gestão dos riscos inerentes a qualquer atitude inovadora. Os arrojos podem ser tecnológicos, financeiros, ambientais, mercadológicos, entre outros. “Existem muitas ferramentas para gestão dos riscos, a mais comum é a metodologia de stage-gate (estágios e portões de decisão)”, conclui Tiara Bicalho. No mais, é pôr a engrenagem cerebral para trabalhar e desenvolver soluções e maneiras novas de chegar ao sucesso.


ENTÃO... CONTINUE INOVANDO A inovação chegou e chegou para ficar.

investir. Os especialistas recomendam

O empresário, gestor, administrador ou

que uma porcentagem do lucro obtido

empreendedor que pretende se manter

com novos produtos seja investida exclu-

competitivo e ter sucesso precisa inovar.

sivamente no processo de inovação.

Mudanças são essenciais para enfrentar a

“Só assim o processo será sustentável”,

forte concorrência no mercado.

confirma Valter Pieracciani.

“As inovações permitem que as empresas

Tenha uma ideia, acredite nela e invista.

acessem novos mercados, aumentem

Sua criatividade pode mudar a sua

suas receitas, realizem novas parce-

empresa, o mundo organizacional e

rias, adquiram novos conhecimentos e aumentem o valor de suas marcas crescendo de forma sustentável em um mercado altamente competitivo”, defende a gerente de Inovação da Inventta BGI, Tiara Bicalho.

fazer história. Use a sensibilidade para perceber o que falta no mercado ou o que precisa ser melhorado. Crie, recrie e quando estiver pronto inove outra vez. Como diz Alair Martins, fundador da Martins Comércio e Serviços de Distri-

Uma boa dica para manter os bons resul-

buição S.A, “nada é tão bom que não

tados na organização é poupar para

possa ser melhorado”.

GESTÃO DA INOVAÇÃO Toda atividade realizada em uma empresa deve ter um responsável por sua elaboração, aplicação e resultado. Quando a ordem é inovar, essa regra também vale. Entra em ação o gestor. “A inovação é um processo com etapas definidas que pode ser estruturado, sistematizado e gerenciado. É o gestor que vai definir qual será a estratégia de inovação da organização em conjunto com os gerentes de outras áreas envolvidas”, explica Valter Pieracciani. Administrativamente falando, o caminhar da inovação segue uma lógica estruturada, cadenciada por etapas predefinidas (na maioria dos episódios). E nesse caso, o administrador precisa ser claro com a equipe e calculista com a operação. “O gestor deve agir como um estrategista”, diz Honório Pinheiro. “Bons resultados podem ser alcançados por meio de uma administração transparente, que estimule a participação em todos os níveis da empresa”, afirma Walter Faria. Fazendo uma analogia tão inventiva quanto as ideias inovadoras, o gestor da inovação e seus colaboradores são como um maestro e sua filarmônica. Primeiro ele monta a orquestra, “multidisciplinar, com pessoas de diferentes

Valter Pieracciani, sócio -fundador da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas.

características: criativas, de conhecimento técnico e de ação”, comenta Maurício Vianna ao falar da formação da equipe. Depois o maestro conduz seus músicos na escolha do repertório (ideias), ensaios (testes) e, por fim, apresentação (execução). A figura regedora do processo de inovação precisa, também, arraigar em seus colaboradores o pensamento inventivo e libertador. Sozinho o gestor não tem o que gerir. “Ele deve agir como catalizador de ideias, formando um ambiente permissível para que os integrantes da equipe se expressem”, comenta Honório Pinheiro. Tiara Bicalho complementa: “A inovação deve vir acompanhada de uma mudança cultura na organização. Cabe ao gestor prover essa mudança e alinhar a estratégia de inovação aos objetivos da empresa”. Líder de um time que joga entre o campo da ideia e da realização, o gestor da inovação terá êxito proporcional à sua ousadia, organização, percepção e, claro, potencial inovador. “O gestor deve propor, liderar ou cooptar novos caminhos, ações e projetos que diferenciem sua empresa das outras”, confirma Walter Faria ao falar da finalidade do gestor da inovação.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

27


Capa

MENTES BRILHANTES Design Thinking – É uma metodo-

seu ambiente de influência.

toda informação da rede mundial de

logia criativa e prática para reso-

Além do livro, que é uma poderosa

computadores em um site que faria

lução de problemas e concepção de projetos, podendo ser usada por diversas organizações na busca por inovação em negócios, processos, produtos e serviços.

de Agentes de Inovação contará com o apoio de diversas ferramentas. O hotsite do projeto é abastecido constantemente por conteúdos, metodolo-

buscas por palavras-chave. Com uma pequena empresa e, sem muitos recursos, tentaram fusão com o Yahoo. Os donos do consolidado site não deram credibilidade e a fusão não aconteceu. Então eles continuaram

"Design Thinking, ou pensamento de

gias, artigos e notícias. Palestras com

Design, é uma abstração do modelo

o tema Educação para Inovação serão

mental utilizado há anos pelos desig-

ministradas para levar sensibilização

ners para dar vida a ideias. Esse

e conteúdo aos pais e educadores.

modelo mental e seus poderosos

Peças de teatro interativas contarão a

conceitos podem ser aprendidos e

história do livro às crianças, levando

e sua empresa é a Google Inc.

utilizados por qualquer pessoa e apli-

diversão e provocando uma interação

cados em qualquer cenário de negócio

educativa e construtiva.

A história da criação do Google é

ou social" – Tim Brown.

Fonte: averdadeiramagica.com.br/educadores/

grandes ideias que foram subesti-

Brown ainda define que o design

Em

madas. Mas, como o próprio nome

thinking é orientado pelo equilíbrio de três restrições: praticabilidade (a parte tecnológica, o que é funcionalmente possível num futuro próximo), viabilidade (a parte dos negócios, o que provavelmente se tornará parte de um modelo de negócios sustentável) e desejabilidade (a parte humana, o que faz sentido para as pessoas). Fonte: www.gestordemarketing.com/page/voce-sabe-o-que-e-design-thinking-descubra-aqui

A Verdadeira Mágica – é o primeiro livro de um projeto que levará conhecimento prático sobre inovação para pais, educadores e crianças. É um investimento em educação que estimula a capacidade criativa, sem inibir o potencial que toda criança naturalmente tem em si. O projeto visa criar uma comunidade de agentes de inovação, formada por

pais

educadores,

executivos,

instituições de ensino, empresas e entidades. Estes Agentes de Inovação interagem diretamente com as crianças de 28

ferramenta de ensino, a comunidade

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

1996

dois

universitários

norte-americanos perceberam uma deficiência nos sistemas de busca da internet. Tiveram uma ideia: agrupar

desenvolvendo a ideia e uma década depois a empresa figurava entre as mais valiosas do mundo. Os rapazes se chamam Sergey Brin e Larry Page

apenas mais uma entre muitas de

diz, inovar é pensar algo novo e toda novidade

vem

acompanhada

do

risco. Então é preciso arriscar. Valter


Pieracciani define os grandes inova-

conceito do design thinking para

dores da história como “pessoas

dentro da organização”.

sonhadoras, sensíveis, capazes de perceber as situações de forma diferente, transformadoras, que desafiam o convencional e assumem riscos”.

A criatividade é uma qualidade inata do ser humano. Toda transformação

É importante levar o conceito do design thinking para dentro da organização”

e criação realizada pelo homem é

MAURÍCIO VIANA

fruto da criatividade, fato irrefu-

É consenso entre gestores e especia-

tável. Por não terem um senso crítico

listas que, para ter uma postura inova-

baseado nos dogmas e padrões da

No prisma da criatividade como

dora, as empresas precisam reposi-

sociedade, as crianças têm essa

chama da inovação pode-se iden-

cionar-se ideologicamente criando e

habilidade latente. “A capacidade de

tificar que a liberdade também

incentivando a cultura da inovação.

inovar é uma característica natural

é importante, já que para criar

O ambiente organizacional precisa

das crianças e uma das mais requi-

é preciso esquecer as amarras.

ser propício à criatividade. “Espaços

sidas hoje no mercado. É preciso

Walter Faria, então, conclui que um

físicos próprios para cada atividade,

incentivar essa aptidão, mas o ensino

ambiente

mais flexibilidade, e valorização do

rígido e antigo das escolas acaba

para a cultura da inovação deve “se

erro como aprendizado são alguns

se tornando um entrave”, afirma

basear na confiança e no respeito,

fatores que ajudam a construir a

Valter Pieracciani. “Pensando nisso

oferecer liberdade e oportunidades

cultura da inovação na empresa”,

elaboramos o projeto A Verdadeira

de interação. Dessa forma, o colabo-

ressalta Maurício Vianna. Ele ainda

Mágica, em que a pulsão criativa das

rador será muito mais espontâneo

completa, “É importante levar o

crianças é estimulada”, conta.

em sua criação e interatividade”.

organizacional

voltado

ENBRA: O MAIOR CONGRESSO DE ADMINISTRAÇÃO DO PAÍS Entre os dias 28 e 31 de outubro de 2014, o maior evento de

cada, o XXIII ENBRA trouxe renomados especialistas para

Administração do país abordou a inovação como essência

falar sobre inovações tecnológicas, estratégias sustentá-

do seu tema central “Gestão da Inovação Tecnológica”.

veis, gestão corporativa pública, seca e gestão da inovação.

Realização do Conselho Regional de Administração do Ceará (CRA-CE), em parceria com o Conselho Federal

Ao final do evento, foi apresentada a “Carta de Fortaleza”.

de Administração (CFA), o XXIII Encontro Brasileiro

O documento aborda as propostas e ideias discutidas

de Administração (ENBRA) reuniu em seus quatro dias

durante o XXIII ENBRA. Um dos tópicos da Carta trata

de evento mais de 2 mil pessoas no Centro de Eventos

da importância do papel do Administrador na inovação,

do Ceará, em Fortaleza.

conferindo a esse profissional a competência exclusiva

As discussões durante o evento aconteceram por meio de

para desenvolver as estratégias para promover a inovação

conferências e talk shows. Com uma programação diversifi-

e o crescimento das empresas.

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O XXIII ENBRA proporcionou a oportunidade de uma discussão saudável, acerca de conceitos e ideias relevantes com vistas ao fortalecimento de uma profissão antenada com a modernidade nos campos de negócios privados e públicos" ADM. ILAÍLSON SILVEIRA ARAÚJO

Em entrevista à Revista Brasi-

enfatizando seu uso em benefício da

leira de Administração (RBA),

melhoria da qualidade, voltada para o

o então presidente do CRA-CE,

cidadão e para a sociedade.

Adm. Ilaílson Silveira Araújo, falou sobre a realização do evento, sua relevância

e

contribuição

para

a inovação no Brasil.

Revista

Brasileira

de

Admi-

nistração (RBA): Como foi o XXIII ENBRA? Adm. Ilaílson Araújo (IA): O XXIII ENBRA foi um sucesso, quer sob a ótica técnica, quer do ponto de vista de prestígio da categoria. Os palestrantes foram excelentes em suas abordagens, enfocando os respectivos subtemas, do tema central “Gestão da Inovação Tecnológica”, com muita propriedade. Nos preocupamos em não tratar de Inovação Tecnológica de uma maneira estritamente técnica, mas principalmente, de forma conceitual. Por isso, colocamos

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RBA: Como se deu a escolha do tema? IA: Em uma Reunião reunião de Diretoria diretoria do CRA-CE, ficou decidido sobre a constituição de um Comitê comitê técnico- cientiífico com o objetivo de desenvolver a programação temática do “XXIII ENBRA”. Selecionamos criteriosamente os nomes para a composição do referido comitê. Praticamente, houve consenso acerca do tema central do evento e, a partir daí, os subtemas foram sendo definidos após inúmeras sugestões apresentadas, não obstante as dificuldades e incongruências, por se tratar de uma temática bastante crítica e que exigia o seu enquadramento às expectativas do nosso público, Administradores e tecnólogos de todo o Brasil.

o nome “gestão” à frente e selamos

RBA:

o tema com o titulo acima referido,

escolha

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Qual dos

o

critério

de

palestrantes?


O ENBRA é, em si, o maior evento

dois assuntos importantes e urgentes:

saudável, acerca de conceitos e ideias

nacional, na área da Administração.

o problema da seca, que já não é um

relevantes com vistas ao fortaleci-

Por isso, tivemos o cuidado de buscar

problema exclusivo do Nordeste, e a

mento de uma profissão antenada com

conferencistas da mais alta repu-

forma de gerenciar sua ocorrência por

tação, com vivência prática nas áreas

a modernidade nos campos de negócios

se tratar de fenômeno cíclico, no caso

privada e pública e, sobretudo, com

privados e públicos. Foram três dias de

nordestino. A gestão pública tem sido

experiência comprovada na temática

debates com a participação de Admi-

responsável, não obstante algumas

nistradores, Tecnólogos e Estudantes

ações pontuais, por grande parte das

de Administração do país inteiro, numa

central do encontro. RBA: Qual a importância do evento para o Ceará e para o Nordeste, em geral? IA: O evento, além de seu singular

perdas materiais e pelo sofrimento das populações, em face da ausência de um planejamento adequado para prevenir seus efeitos nefastos.

sintonia com as novas tendências tecnológicas praticadas mundialmente, em diversas áreas afins. Especificamente nesta edição, conseguimos mostrar que

RBA: Qual a importância do

(nós Administradores) temos condições

importância para o Estado do Ceará

ENBRA para a Administração?

de gerir a inovação com qualidade e bons

e também para o Nordeste. Mais do

IA: O XXIII ENBRA proporcionou

resultados, para definir os novos rumos

que o tema central, abordamos outros

a oportunidade de uma discussão

da gestão a ser praticada no país.

significado

nacional,

teve

grande

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Capa

RBA: O ENBRA obteve o sucesso

que, antes da realização do evento, nos

IA: Este tipo de evento, sempre

esperado?

incomodava a dúvida se seria bem-

resulta em legado para a profissão,

IA: Certamente. Antes do início do

sucedido em razão do tema central,

sobretudo, por ser o ENBRA um

evento, estabelecemos alguns indica-

que nos parecia bastante técnico,

encontro tradicional, conceituado

dores para sua avaliação, baseada nos

além do tema sobre seca. O receio era

seguintes tópicos: organização geral

o de que os assuntos não tivessem

do evento, assuntos abordados, sua exposição nas palestras e talk shows, localização do evento, hospedagem e traslado. Feita a avaliação final, os resultados apresentados superaram a expectativa, com a aprovação surpreendente por parte dos CRAs que se

receptividade. Ledo engano. O XXIII ENBRA foi um grande sucesso! O nível de discussão dos subtemas, as abordagens dos conferencistas e os questionamentos técnicos da plateia nos surpreenderam positivamente.

A edição realizada abordou uma temática que está em evidência e que a cada dia se torna mais importante, indispensável para o desenvolvimento das instituições, tanto públicas quanto privadas. A gestão da inovação será o desafio a ser enfrentado na carreira de muitos

fizeram representar, assim como pelos

RBA: Qual o legado que o XXIII

Administradores/tecnólogos, sendo

participantes em geral. Cabe destacar

ENBRA deixou?

que para alguns, já o é.

Nos preocupamos em não tratar de Inovação Tecnológica de uma maneira estritamente técnica, mas principalmente, de forma conceitual. Por isso, colocamos o nome “gestão” à frente e selamos o tema com o titulo acima referido, enfatizando seu uso em benefício da melhoria da qualidade, voltada para o cidadão e para a sociedade" ILAÍLSON ARAÚJO

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e consolidado no seio da categoria.

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CONSELHO POR_ ANA GRACIELE GONÇALVES E WELLINGTON PENALVA

CFA inicia 2015

A PLENO VAPOR AUTARQUIA REALIZA PRIMEIRA REUNIÃO PLENÁRIA E TOMA DECISÕES FUNDAMENTAIS NO ANO DA ADMINISTRAÇÃO

O

ano que comemora o cinquentenário do

Após a diplomação, foi a vez dos novos conselheiros

Sistema CFA/CRAs começou agitado na sede

federais tomarem posse. A ocasião foi dirigida pelo

do Conselho Federal de Administração (CFA).

presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello. Ele

Ainda na primeira quinzena de janeiro, os novos c conse-

falou da importância do momento e, também, saudou os

lheiros federais tomaram posse, apresentaram candidatos

novos conselheiros que passam a compor o Plenário. “Esta

à presidência do CFA, votaram e anunciaram quem estará

casa fica mais rica e dinâmica com a chegada de vocês. São

à frente do Conselho nos próximos dois anos. Na primeira

novas ideias e propostas que, com certeza, ajudarão na

reunião plenária do ano, os conselheiros definiram,

construção de propostas e projetos para fortalecimento da

também, a composição das Câmaras e Comissões do CFA.

profissão e dos Administradores”, disse Sebastião Mello.

DIPLOMAÇÃO DOS NOVOS CONSELHEIROS FEDERAIS No dia 12 de janeiro os novos conselheiros federais do Conselho Federal de Administração (CFA) foram

Confira, abaixo, a relação dos conselheiros empossados e que receberam seus respectivos diplomas:

PLENÁRIO DO CFA REELEGE PRESIDENTE

diplomados e tomaram posse. A solenidade aconteceu na

Após a solenidade de diplomação e posse o plenário do

sede da autarquia, em Brasília. Os Administradores que

CFA se reuniu para eleger o presidente e o vice-presidente

passam a compor o Plenário do CFA foram eleitos nas

da autarquia. Duas chapas entraram na disputa: a chapa

eleições do Sistema CFA/CRAs realizadas nos dias 15 de

Administração em Primeiro Lugar, formada pelo Adm.

outubro e 24 de novembro de 2014.

Sebastião Luiz de Mello (presidente) e pelo Adm. Sergio

A solenidade de diplomação foi presidida pelo presidente da Comissão Eleitoral do CFA, Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior. Na oportunidade, ele falou do avanço do processo eleitoral realizado pelo Sistema CFA/CRAs e

Pereira Lobo (vice-presidente); e a chapa Renovação e Orgulho de Ser Administrador, formada pelo Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (presidente) e pelo Adm. José Sebastião Nunes (vice-presidente).

deu boas vindas aos novos conselheiros. “O CFA é a casa

Por 16 votos a 11, o Plenário do CFA elegeu a chapa

dos Administradores, local onde são decididos assuntos da

formada por Sebastião Mello e Sergio Lobo. Ambos

Administração”, lembrou o conselheiro.

foram reeleitos para a gestão do biênio 2015/2016.

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Conselho

O programa de trabalho apresentado pela chapa contempla a continuidade e ampliação de projetos já iniciados na gestão passada, como o Plano Brasil de

Recebo esse resultado com muita humildade, reconhecendo que ainda há muito a ser feito pelos Administradores e pela profissão" SEBASTIÃO MELLO

Infraestrutura e Logística (PBLog), o AdmEmpregos, a capacitação de Administradores para atuarem em micro e pequenas empresas, entre outras ações. Foi destacado, ainda, que neste ano o país celebrará os 50 anos de regulamentação da Administração e que os

Câmara de Formação Profissional

esforços do CFA estão concentrados nos preparativos

Adm. Mauro Kreuz – Diretor

do Jubileu de Ouro da profissão.

Adm. Tânia Maria da Cunha Dias – Vice-diretora

“Recebo este resultado com muita humildade,

Adm. Sônia Ferreira Ferraz – Membro

reconhecendo que ainda há muito a ser feito pelos Administradores e pela profissão. Mas é evidente que já crescemos muito e estamos caminhando para os 400 mil registros e, para alcançarmos essa meta, precisamos

Câmara de Desenvolvimento Institucional

de um trabalho conjunto e ousado. Obrigado pelo

Adm. Carlos Alberto Ferreira Júnior – Diretor

apoio e por acreditarem em nossas propostas”, disse o

Adm. Diego Cabral Ferreira da Costa – Vice-diretor

Adm. Sebastião Mello em seu primeiro discurso como

Adm. Dionízio Rodrigues Neves – Membro

presidente reeleito.

CÂMARAS E COMISSÕES DO CFA

Câmara de Relações Internacionais e Eventos

Na primeira reunião plenária do ano o CFA elegeu, também, a composição das Câmaras e das Comissões

Adm. Marcos Clay Lúcio da Silva – Diretor

Permanentes, que ficou da seguinte maneira.

Adm. Aldemira Assis Drago – Vice-diretora

Câmara de Administração e Finanças

Câmara de Gestão Pública

Adm. Armado Lôbo Pereira Gomes – Diretor

Adm. Ione Macedo de Medeiros Salem – Diretora

Adm. Rogério Ramos de Souza – Vice-diretor

Adm. Marly de Lurdes Uliana – Vice-diretora

Adm. Marcos Kalebbe Saraiva Maia Costa – Membro

Câmara de Fiscalização e Registro

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Câmara de Estudos e Projetos Estratégicos Adm. Alaércio Soares Martins – Diretor

Adm. Jorge Humberto Moreira Sampaio – Diretor

Adm. José Sebastião Nunes – Vice-diretor

Adm. Ilaílson Silveira de Araújo – Vice-diretor

Adm. Antônio José Leite de Albuquerque – Membro

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Conselheiros Federais do Conselho Federal de Administração

COMISSÕES PERMANENTES

Comissão Permanente de Tomadas de Contas

Comissão Permanente de Planejamento Estratégico

Adm. José Carlos de Sá Colares – Coordenador

Adm. Ilaílson Silveira de Araújo – Coordenador

Adm. Joel Cavalcanti Costa – Membro

Adm. José Celeste Pinheiro – Vice-coordenador

Adm. Mauro Kreuz – Vice-coordenador Adm. Diego Cabral da Costa – Membro

Comissão Permanente de Licitação Comissão Permanente de Regimentos Internos do Sistema CFA/CRAs

Adm. Diego Cabral Ferreira da Costa – Coordenador

Adm. Armado Lôbo Pereira Gomes – Coordenador

Tec. Cont. Alberto Lopes de Barros

Adm. Carlos Alberto Ferreira Júnior – Vice-coordenador

Assist. Tatiana Almeida Galdeano

Adm. Aldemira Assis Drago – Membro

Adm. Kátia Luciane Granjeiro

Comissão Permanente Eleitoral

Comissão Permanente de Mediação e Arbitragem

Adm. Rogério Ramos de Souza– Coordenador

Adm. Ruy Pedro Baratz Ribeiro – Coodenador

Adm. Jorge Humberto Moreira Sampaio – Vice-coordenador

Adm. Marcos Clay Lúcio da Silva – Vice-coordenador

Adm. Marly de Lurdes Uliana – Membro

Adm. Tânia Maria da Cunha Dias – Membro

Adm. Joaquim Luciano Gomes Faria

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Conselho

Sul e sudeste ficam com o PRÊMIO GUERREIRO RAMOS DE GESTÃO PÚBLICA 2014 DESTA VEZ O PRÊMIO FOI PARA OS INDICADOS DE SANTA CATARINA E MINAS GERAIS

MG

SC

A

última reunião plenária de 2014 do Conselho

Ramos utilizadas e que serviram de referencial teórico para

Federal de Administração (CFA) apresentou

chegar à conclusão de que, segundo os autores, as fenono-

os vencedores do Prêmio Guerreiro Ramos de

mias contribuem para a construção de uma economia plural,

Gestão Pública. Após se reunir para discutir os trabalhos inscritos nas categorias Pesquisador Guerreiro Ramos e Gestor Público, o Comitê de Julgamento do prêmio definiu os ganhadores. O Comitê Julgador, que foi formado pelos Administradores Sergio Pereira Lobo, José Samuel de Miranda Melo Júnior, Ione Macedo de Medeiros Salem, além dos professores doutores José Arimatés e Dr. Fernando Coelho, destacou a boa qualidade dos artigos inscritos. Na modalidade Pesquisador Guerreiro Ramos, o prêmio foi para a dupla Fabiana Besen Santos e Maurício Serva, com o trabalho “Fenonomias na formação de uma nova economia na direção do desenvolvimento territorial sustentável”, in-

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abrindo possibilidades para novas realidades econômicas. Já na modalidade Gestor Público, o premiado foi o ex-prefeito do município de Nazareno/MG, Adm. José Heitor Guimarães de Carvalho, indicado do Conselho Regional de Administração de Minas Gerais (CRA-MG). José Heitor é mineiro, da cidade de São João Del Rei, mas foi criado em Nazareno. Administrador graduado pela Universidade Federal de São João Del Rei e pós-graduado em Administração Financeira, ainda muito jovem Heitor desenvolveu interesse pela política. Em Nazareno, foi eleito para cargos eletivos de vereador aos 25 anos. Anos mais tarde, tornou-se vice-prefeito

dicado pelo Conselho Regional de Administração de Santa

daquela cidade.

Catarina (CRA-SC).

Criado em 2010, o Prêmio Guerreiro Ramos de Gestão

O trabalho vencedor faz um estudo das atividades não valori-

Pública tem a finalidade de divulgar e valorizar os estudos e

zadas pelo mercado e que podem representar escolhas de pes-

ações de gestores públicos, bem como de estudantes e profes-

soas que buscam a realização e satisfação profissional. Para

sores que pesquisam e estudam a obra de Alberto Guerreiro

tanto, os autores fizeram um estudo de campo com fenono-

Ramos. Por meio do Prêmio Guerreiro Ramos, o CFA preten-

mias de Santa Catarina, onde se empregaram métodos quali-

de resgatar e valorizar este saber construído no pensamento

tativos de análise. Destacam-se, ainda, as obras de Guerreiro

crítico em conexão com a realidade social.

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Prêmio Belmiro Siqueira

de Administração 2014 divulga ganhadores APÓS REUNIÃO DO COMITÊ DE JULGAMENTO, CFA ANUNCIA VENCEDORES DA PREMIAÇÃO Em dezembro, o Conselho Federal de Administração (CFA) julgou e divulgou os vencedores do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração 2014. O Comitê de Julgamento do prêmio, composto pelos Administradores Sergio Pereira Lobo (coordenador), João Coelho da Silva Neto, Adelmo Santos Porto, pelo professor e coordenador do curso de Administração do Centro Universitário FACITEC, Tarcísio Santa’Anna, e pelo professor da Universidade do Estado de Santa Catarina, Adm. Nério Amboni, reuniu-se no dia 10 de dezembro para escolher os trabalhos vencedores. Nesta edição, o CFA recebeu 21 trabalhos, sendo oito na categoria Artigo Acadêmico, nove na categoria Artigo Profissional e quatro na modalidade Pós-Graduação Stricto Sensu. “Em 2014 tivemos uma ampla concorrência do Prêmio Belmiro Siqueira. Isso demonstra que as instituições de ensino estão mais preocupadas em buscar melhorias para o sistema de ensino e que melhoramos na divulgação. Isso é uma satisfação muito grande”, afirma o Adm. Sergio Lobo.

VENCEDORES ARTIGO ACADÊMICO 1º | CRA-PR | Autora: Acadêmica Caroline Spies de Araújo | Título: “Prós e Contras da Meritocracia Como Parte do Sistema de Gestão de Pessoas”. 2º | CRA-GO | Autores: Acadêmicos Juliana Machado Pereira, Camila Marcolina D’Abadia e Jailton Jadson Santos Castro; Título: “Perspectivas do Conceito de Competência: Teoria e Aplicações”. 3º | CRA-BA | Autor: Acadêmico Vilmar Silva Santos; Co-autor: Acadêmico Cristiano Márcio Lima França; Título: “A Importância dos Colaboradores Ditos “Invisíveis” para Promover a Imagem do Hospital e Fidelizar Clientes”.

Para o professor Nério Amboni, os trabalhos vencedores fizeram por merecer o prêmio. Ele

VENCEDORES ARTIGO PROFISSIONAL

aproveitou para agradecer pelo convite para participar do Comitê e sugeriu que, nas próxi-

1º | CRA-ES | Autor: Adm. Robson Malacarne | Título: “Implicações do BSC nas Práticas Cotidianas que Envolvem a Gestão de Pessoas: Um Estudo de Caso em uma Instituição de Ensino de Educação Profissional”.

mas edições do prêmio, os CRAs se envolvam mais na divulgação. Os vencedores de cada uma das modalidades desta edição receberam certificado e troféu. A premiação em dinheiro é de R$ 5 mil para o primeiro colocado na categoria Artigo Acadêmico e de R$ 6 mil para as modalidades Artigo Profissional e Pós-Graduação Stricto Sensu. Histórico – O Prêmio Belmiro Siqueira de Administração foi criado pelo CFA, em 1988, com o objetivo de divulgar e promover a valorização dos estudos realizados por Administradores e estudantes dos cursos de Bacharelado em Administração que contribuam para o desenvolvimento da profissão e da ciência da Administração no Brasil. O prêmio recebe o nome do professor e Administrador Belmiro Siqueira, patrono dos Administradores, título que lhe foi outorgado “post-mortem”. Belmiro, que entrou para a história por conta da sua luta em prol da valorização da Administração, lecionou no Departamento Administrativo do Serviço Público.

Em 2014 tivemos uma ampla concorrência do Prêmio Belmiro Siqueira. ” SERGIO LOBO

NÚMEROS EM 2014

21 TRABALHOS RECEBIDOS

8 9 4

modalidade

ARTIGO ACADÊMICO modalidade

ARTIGO PROFISSIONAL modalidade

PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

2º | CRA-MG | Autora: Adm. Iala Magalhães da Silva | Título: “Gestão de Recursos Humanos: Um Estudo de Municípios Mineiros”. 3º | CRA-AM | Autores: Adm. Ronison Oliveira da Silva, Adm. Leandro Sérgio Neves de Campos e Adm. Maria Elisângela Lima Gomes. | Título: “Avaliação de Desempenho em recursos Humanos nas Micro e Pequenas Empresas: Estudo de Caso em uma Empresa de Eventos”.

VENCEDORES PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 1º | CRA-BA | Autor: Adm. Marcos Gilberto dos Santos | Título: “A Aprendizagem Organizacional e suas Modalidades: Um Olhar Sobre o Processo de Formação de Gestores a Partir de Programas Trainee”. 2º | CRA-GO | Autor: Adm. Wender Rodrigues de Siqueira | Título: “Inteligência Competitiva e Cooperação em Arranjos Produtivos Locais: Um Estudo no Setor Moveleiro de Uberlândia”. 3º | CRA-RS | Autor: Adm. Rodilon Teixeira | Título: “As Culturas Organizacionais de uma Autarquia Pública do Setor de Transportes”.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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CRAs

CONSELHOS REGIONAIS DE ADMINISTRAÇÃO

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ACRE (CRA-AC) Presidente: Adm. FÁBIO MENDES MACÊDO Av. Brasil, nº 303 - Sala 201 - Centro Empresarial Rio Branco - Centro - 69900-076 - RIO BRANCO/AC Fone: (68) 3224-3365 – 3223-3808 E-mail: craacre@gmail.com Home Page: www.craac.org.br Horário de funcionamento: 7h às 16h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE ALAGOAS (CRA-AL) Presidente: Adm. CAROLINA FERREIRA SIMON MAIA   Rua João Nogueira, nº. 51 - Farol - 57051-400 MACEIÓ/AL Fone: (82) 3221-2481 - Fax: (82) 3221-2481 E-mail: cra@craal.org.br Home Page: www.craal.org.br  Horário de funcionamento: das 8h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAPÁ (CRA-AP) Presidente: Adm. EDILJANE MARIA CAMPOS DA FONSECA Rua Jovino Dinoá, nº 2455 - Centro- 68900-075 MACAPÁ/AP Fone: (96) 3223-8602 E-mail: cra.macapa@gmail.com Home Page: www.craap.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h Atend. público das 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAZONAS (CRA-AM) Presidente: Adm. ANTONIO JORGE CUNHA CAMPOS Rua Apurinã, 71 - Praça 14 - 69020-170 - MANAUS/AM Fone: (92) 3303-7100 - Fax: (92) 3303-7101 E-mail: conselho@craamazonas.org.br Home Page: www.craamazonas.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA BAHIA (CRA-BA) Presidente: Adm. ROBERTO IBRAHIM UEHBE Av. Tancredo Neves, nº 999 - Ed. Metropolitano Alfa Salas 601/602 - Caminho das Árvores 41820-021 – SALVADOR/BA Fone: (71) 3311-2583 - Fax: (71) 3311-2573 E-mail: cra-ba@cra-ba.org.br Home Page: www.cra-ba.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO CEARÁ (CRA-CE) Presidente: Adm. LEONARDO JOSÉ MACEDO Rua Dona Leopoldina, nº 935 - Centro - 60110-484 FORTALEZA/CE Fone: (85) 3421-0909 - Fax: (85) 3421-0900 E-mail: presidente@cra-ce.org.br Home Page: www.craceara.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (CRA-DF) Presidente: Adm. MÔNICA COVA GAMA SAUS - Quadra 6 - 2º. Pav. - Conj. 201 - Ed. Belvedere 70070-915 - BRASÍLIA/DF Fone: (61) 4009-3333 - Fax: (61) 4009-3399 E-mail: presidencia@cradf.org.br Home Page: www.cradf.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO (CRA-ES) Presidente: Adm. HÉRCULES DA SILVA FALCÃO Rua Aluysio Simões, 172 - Bento Ferreira - 29050-632 - VITÓRIA/ES Fone: (27) 2121-0500 - Fax: (27) 2121-0539 E-mail: craes@craes.org.br Home Page: www.craes.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE GOIÁS (CRA-GO) Presidente: Adm. SAMUEL ALBERNAZ Rua 1.137, nº 229, Setor Marista - 74180-160 GOIÂNIA/GO Fone: (62) 3230-4769 - Fax: (62) 3230-4731 E-mail: presidencia@crago.org.br Home Page: www.crago.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

Listagem atualizada até o dia 02/02/2014

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

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DEBATE POR_CINTHIA ZANOTTO

GUERREIRO RAMOS,

polêmico e essencial

Seminário Internacional Guerreiro Ramos reuniu em outubro de 2014, no Rio de Janeiro, admiradores e pessoas que conviveram com o pensador brasileiro

PARCERIA ENTRE FGV E CFA PROMOVE UM RESGATE DA VIDA E OBRA DE UM DOS MAIORES PENSADORES BRASILEIROS NO CAMPO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

S

e estivesse vivo, Alberto Guer-

pelo Estado do Rio de Janeiro no Con-

reiro Ramos completaria 100

selho Federal de Administração (CFA).

anos em 2015. O polêmico e

aclamado sociólogo brasileiro, nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, foi um dos precursores da sociologia nacional e, embora tenha atuado em muitas áreas, foi um teórico importante para o campo da Administração. Estimado por uns e contrariado por outros, o baiano conhecido como o “Velho Guerreiro” fez de tudo um pouco e defendeu suas ideias e posições acirradamente, colecionando desafetos durante a carreira. Além do grande legado de obras acadêmicas construídas enquanto profissional, a sua personalidade é uma das lembranças mais

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Guerreiro Ramos se consolidou na carreira após passar a lecionar em cursos de graduação. No Brasil, destacou-se dando aula para a Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (EBAP-FGV) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fora conquistou seu espaço na Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos. Mas ele não é reconhecido somente pela dupla cidadania acadêmica. O professor atuou como deputado federal pelo PTB da Guanabara, pesquisador, poeta e militante do movimento negro.

Eric Heikkila, representante da Universidade do Sul da Califórnia

conhecimento de todos os lugares, mas para aplicar dentro da nossa realidade e isso movia muito o coração dos alunos”, declara Bianor Scelza Cavalcanti, diretor internacional da FGV. Segundo o Adm. Adilson de Almeida, dentro da universidade norte-ame-

marcantes para aqueles que puderam

E a lista de atividades não para por aqui.

conviver com ele.

“Ele foi um pensador de grande contri-

“Ele dava aula se movimentando de lá

buição e os alunos dele na FGV eram

para cá em sala e depois se sentava de

chamados de ‘guerreiristas’. Um dos

locais da instituição. Quando os diri-

pernas cruzadas no estilo de um Buda”,

seus últimos trabalhos, A Redução

gentes da instituição assistiram a al-

conta o Administrador Adilson de Al-

Sociológica – Introdução ao Estudo da

gumas dessas reuniões, descobriram a

meida, que já foi conselheiro federal

Razão Sociológica, falava em absorver

genialidade do sociólogo brasileiro.

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ricana os acadêmicos iam ao encontro dele após as aulas para ouvir seus discursos feitos nos mais inusitados


Fernando Tenório, o coordenador acadêmico do Seminário Internacional Guerreiro Ramos

Rio Grande do Sul (UFRS) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Este foi um evento muito bonito. Os participantes ficaram emocionados com o resgate da obra, pois Guerreiro Ramos é um ícone e referência na área de Administração, que estava um pouco esquecido. Por isso era importante realizá-lo”, afirma Lilian Sant’Anna,

Participantes do seminário debateram sobre a vida e a obra de Guerreiro Ramos

diretora internacional da FGV, que junto ao professor Fernando Tenório, o coordenador acadêmico do evento,

Professor e pesquisador nas áreas do Pensamento Social Brasileiro, Educação Superior em Administração, História Intelectual e Teorias das Organizações, Ariston Mendes disse, em seu trabalho de pesquisa acadêmico A Sociologia Antropocêntrica de Alberto GuerreiRo Ramos, que esta obra foi um dos mais abrangentes compêndios sobre Administração Pública assinados

exílio, pois o Comando Supremo da Revolução, em abril de 1964, havia incluído seu nome na lista dos brasileiros

certo, pois foi realizado próximo da data que marcaria os 100 anos de vida do Velho Guerreiro. “Ele era um macropensador, capaz de pensar no todo e incentivar a construção de novas teorias de forma abrangente. Fazem falta pensadores assim”, acrescenta.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

O evento também foi uma oportunida-

resolveu aproveitar as comemorações

para os Estados Unidos em busca de

do sociólogo aconteceu no momento

CÁTEDRA

construído por Guerreiro Ramos, a FGV

Guerreiro Ramos precisou se mudar

Já para Cavalcanti, o resgate da obra

por um brasileiro.

Em virtude da importância do legado

Bianor Scelza Cavalcanti, diretor internacional da FGV

organizou o seminário.

dos 70 anos da instituição para rever vida e obra do sociólogo em um seminário de um dia, realizado em 15 de outubro de 2014, no Rio de Janeiro. Na data, es-

de para contextualizar o novo projeto da FGV em parceria com a USC, a Cátedra Guerreiro Ramos. Após viabilizada a cadeira nas duas instituições, haverá incentivos a pesquisas, trabalhos e outros estudos passíveis de serem desenvolvidos pelos alunos das duas organizações.

tiveram presentes pessoas que convive-

“Para nós, da USC, este é um evento mui-

ram com Guerreiro Ramos, a maior par-

to especial, pois compartilha uma antiga

te, ex-alunos nacionais e estrangeiros.

herança que temos com a FGV, personificada por meio da vida de Guerreiro Ra-

com direitos políticos cassados. Porém,

O Seminário Internacional Guerreiro

antes de partir, escreveu o livro Admi-

Ramos: O legado de Uma Dupla Cida-

nistração e Estratégia do Desenvolvi-

dania Acadêmica contou com o apoio

Em 2015, a FGV deve trazer um novo

mento, publicado em 1966, por meio

e patrocínio do CFA e a presença da

simpósio sobre o Velho Guerreiro para

da bolsa de pesquisa patrocinada pela

USC Price School of Public Policy e

dar continuidade ao processo da cáte-

Fundação Ford. Nessa época, o sociólo-

outras instituições de ensino brasilei-

dra e de resgatar os trabalhos desen-

go ministrava aulas na FGV.

ras, como a Universidade Federal do

volvidos pelo autor.

mos”, afirma Eric Heikkila, da USC.

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POR_ SÍLVIO ANAZ, COLABORADOR DE HSM MANAGEMENT

AS METODOLOGIAS

TÊM DE

MUDAR A EDUCAÇÃO EXECUTIVA DÁ SINAIS DE RENASCIMENTO TANTO NO ASPECTO ECONÔMICO COMO NA INCORPORAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS E INOVADORES MODELOS DE APRENDIZADO, MAS A TRANSFORMAÇÃO PRECISA SER AINDA MAIS AMPLA E PROFUNDA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS A edição 2014 do ranking de educação

várias instituições estão mais curtos,

oferecidos pelos provedores da área

executiva do jornal britânico Financial

incorporam o uso intensivo de tecno-

– universidades, escolas de negócios,

Times mostra uma reviravolta em um

logias, combinam aulas presenciais e a

firmas de consultoria etc. – capacitem

cenário que se mostrava prostrado na

distância, e buscam atender à deman-

muito mais seus ocupados executivos a

década passada.

da das empresas em temas essenciais

navegar bem as turbulentas águas dos

no atual cenário de negócios, como big

negócios atuais e, em consequência, dei-

data, uso de mídias sociais e coaching.

xem-nas mais competitivas. Para elas,

recem em desempenhos como o da Saïd

Também contribuem para a mudança

a educação executiva tem de passar por

Business School, da Oxford University,

do cenário o exponencial crescimento

que registrou um salto de faturamento

de cursos online – que, além de oferece-

anual de US$ 9 milhões para US$ 15 mi-

rem enorme flexibilidade de horário, são

cem pedir é um verdadeiro renascimen-

lhões em 2013, e o das dez escolas de ne-

mais baratos – e a abertura de várias uni-

to, algo que os pensadores dos negócios

gócios latino-americanas ranqueadas,

versidades corporativas de alto padrão,

têm discutido intensamente.

que tiveram aumento de receita médio

principalmente na América Latina.

E como seria esse renascimento? Ainda

Os primeiros sinais de um possível renascimento da educação executiva apa-

de 17% no mesmo período.

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uma transformação ainda mais ampla e radical ou terá seu fim. O que elas pare-

Os sinais são animadores, mas as mu-

não há unanimidade, mas a maioria dos

Uma das principais razões para o vi-

danças ainda não se mostram à altura

especialistas parece concordar que os

gor parece ser a transformação dos

das expectativas das empresas. Estas

objetivos da educação executiva devem

programas oferecidos. Os cursos em

querem que conteúdos e metodologias

ser revisados e, talvez principalmente,

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que as metodologias educacionais precisam mudar.

dos programas oferecidos, detectada no ranking do Fi-

Quanto aos objetivos, Johan Roos, diretor da Jönköping Inter-

nancial Times, sinaliza as novas direções, com o aumento

national Business School (JIBS), da Suécia, afirma que agora

da oferta de cursos curtos e de programas online.

o principal deles deve ser o de formar futuros líderes com um

Alguns dos principais pensadores da gestão têm sugerido,

novo conjunto de habilidades, composto principalmente de pensamento global sustentável, talento inovador e empreendedor e processo de decisão baseado no saber prático.

conjugando estudos teóricos e observação prática, abordagens metodológicas que poderiam ser implementadas para fazer renascer a educação executiva e HSM Management

Quanto às metodologias, a revigorante transformação

as relaciona aqui.

CHRISTENSEN E EYRING: UNIVERSIDADE DEVE INOVAR É o ensino oferecido pelas universidades que precisa ser re-

O resultado é que as universidades raramente alteram a si

pensado, sugere Clayton Christensen, professor da Harvard

próprias e isso lhes dificulta lidar com as inovações de rup-

Business School e reconhecido como um dos maiores espe-

tura que ocorrem nas organizações nos tempos atuais.

cialistas em inovação e estratégia. Em conjunto com Henry J. Eyring, ele escreveu, em The Innovative University: Changing the DNA of Higher Education from the Inside Out (ed. Jossey-Bass), que a mudança na educação em gestão oferecida pelas universidades deve abranger o curso de graduação, os MBAs, o mestrado e o doutorado stricto sensu e a educação continuada (especialização e extensão), e requer inovação de ruptura.

Christensen e Eyring dizem-se, contudo, otimistas quanto à inversão dessa tendência, por conta de suas experiências pessoais no ensino superior. Entre outros exemplos, eles se entusiasmam com as novas ferramentas de aprendizado online, que, acreditam, expandirão enormemente a capacidade do ensino universitário e suas comunidades. Para os especialistas, as comunidades universitárias

As universidades norte-americanas têm um DNA uni-

serão bem recompensadas se se comprometerem com a

forme, inspirado em universidades pioneiras, como Yale

verdadeira inovação, mudando seu DNA de dentro para

e Harvard, e incessantemente replicado, argumentam os

fora – seja em metodologias, seja em conteúdo. A cha-

autores. Isso produz culturas acadêmicas muito pareci-

ve para isso, conforme Christensen e Eyring, é inovar

das, fazendo com que mesmo as menores universidades

olhando para o futuro, mas construindo sobre as pró-

tenham traços essenciais das grandes.

prias conquistas passadas.

PESQUISAS ACADÊMICAS ENSINAM? Para Henry Mintzberg, a resposta é “sim, embora nem todas”. O especialista canadense diz que pode haver soluções e insights valiosos nas pesquisas acadêmicas da área de Administração. Encontrá-las, contudo, é como garimpar ouro: enfrentam-se lodo e pedras sem valor antes de achar uma pepita. É um trabalho tedioso que muitos gestores experientes evitam, o que torna as publicações de divulgação científica ou especializadas mais relevantes, especialmente se soubeClayton Christensen, “As universidades têm de ensinar as empresas a inovar, mas raramente se alteram ou empreendem”

rem construir uma ponte entre a pesquisa e a prática. Outro desafio é fazer com que os executivos as leiam – para Mintzberg, eles deveriam ler.

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SOLUÇÕES PONTOS COMUNS NAS PROPOSTAS DOS EDUCADORES INDICAM TENDÊNCIAS DE INOVAÇÃO DA OFERTA DE CURSOS

1. NOVO PAPEL DE QUEM APRENDE. Os gestores, antes consumidores de conteúdo, agora se tornam cocriadores e executores da educação executiva, afirma Rivadávia Drummond, especialista em educação executiva e presidente da HSM. Isso é fruto do novo imperativo de modelos mais centrados no participante, levando em conta a necessidade de que haja protagonismo da parte deles.

2. NOVO PAPEL DE QUEM ENSINA.

3. INDIVIDUALIZAÇÃO.

A prática docente exige sólida formação acadêmica, experiência profissional relevante e

A educação executiva está se tornando mais

amplo repertório de técnicas e práticas pedagógicas/metodológicas (para além da aula

personalizada, segundo Johan Roos, diretor da

unicamente expositiva). Para Richard Elmore, especialista em educação da Harvard

Jönköping International Business School (JIBS), da

University, o professor não é apenas aquele que tem papel formal de docente, mas

Suécia, cada vez mais oferecendo os conteúdos que

qualquer um que tenha conhecimento e competência técnica.

participantes e empresas necessitam.

4. HUMANISMO. Para Johan Roos, a filosofia e outras ciências humanas devem

8. UBIQUIDADE.

voltar para o centro da educação executiva para que os líderes

Richard Elmore entende que o conteúdo está em todos os lugares, assim

saibam lidar com a complexidade e gerar um planeta habitável. A

como os professores estão em todos os lugares, e que as redes de

administração científica, focada em lucros e custos, não pode mais

relacionamentos são as novas salas de aula, porque o aprendizado se dá

se sobrepor ao humano.

ao redor de pessoas que compartilham os mesmos interesses, estejam elas em uma sala de aula ou não. Ou seja, para Elmore, o aprendizado acontece em todos os lugares. As novas tecnologias nos ambientes de

5. EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS. O aprendizado experiencial é uma prática que se estabelece em definitivo, conforme Drummond. O gestor precisa cada vez mais experimentar, de modo simulado ou real, o que aprendeu.

aprendizado possibilitam isso e estão embarcadas, segundo Drummond, em conceitos como flipped classroom (sala de aula invertida), blended learning (combinação presencial com virtual), adaptative learning (aprendizado adaptativo) e gamificação (uso de princípios de jogos para resolução de problemas e aprendizado). A educação executiva do futuro deve ser híbrida (virtual e presencial), por

6. ENTRETENIMENTO.

razões como os problemas de mobilidade urbana, os custos crescentes com espaços físicos e a grande dificuldade de executivos e gestores em

De acordo com Drummond, também veio para ficar a introdução do

abandonar suas empresas. Para Morten Hansen, especialista da University

conceito do entretenimento na educação executiva, com a criação de

of California em Berkeley e do Insead, na França, há ruptura à vista no

ambientes de aprendizado engajadores, estimulantes e criativos.

setor, que fará com que todo conhecimento formal seja transmitido

Trata-se de revigorar a educação pelo prazer.

online – e, por tabela, o tácito requererá encontros presenciais. Escolas de todo o mundo experimentam o online: a London School of Business and Finance (LSBF) oferece um MBA em mídias sociais; o Insead

7. RAPIDEZ E FLEXIBILIDADE. Cursos mais curtos, integração mais rápida e flexibilidade curricular são

vende conteúdos pela iTunes Store; a MIT Sloan School of Management disponibiliza programas sem custo pela internet; Harvard e MIT se uniram em torno do programa online EDX etc.

itens importantes nos cursos voltados para gestores. Vale acrescentar que esse princípio da inovação que gera a diversidade de ofertas no mercado não precisa aplicar-se apenas a universidades; pode ser estendido a quaisquer provedores de educação executiva.

Da esquerda para a direita, Richard Elmore, Johan Roos e Morten Hansen


DATAR, GARVIN E CULLEN: DUAS MUDANÇAS Os especialistas em gestão e liderança Srikant Datar, David Garvin e Patrick Cullen, autores do livro Rethinking the MBA: Business Education at a Crossroads (ed. Harvard Business Re-

No campo do conteúdo, o trio de autores resume a revisão que deve ser feita:

view Press), sugerem basicamente duas mudanças, uma meto-

1. Ter visão global: identificar, analisar e praticar

dológica e outra de conteúdo. Os autores argumentam que as

qual é a melhor maneira para gerenciar situações em que há diferenças culturais, econômicas e institucionais nos países.

metodologias educacionais devem mudar, porque as teorias ensinadas têm limitações que precisam ser enfatizadas. Dizem que as escolas de negócios não conseguem fazer com que o aluno vislumbre a real extensão dos desafios e a complexidade de usar, na prática, as teorias aprendidas ou que adquira as habilidades necessárias e as atitudes exigidas para o eficaz uso delas. Segundo eles, as escolas fracassam também em desenvolver no estudante lentes críticas e o discernimento necessário para avaliar contextos específicos com precisão e tirar boas conclusões.

2. Ter habilidades de liderança: entender as responsabilidades de liderança; desenvolver abordagens alternativas para inspirar, influenciar e guiar os outros; aprender habilidades como a de conduzir uma avaliação de desempenho com feedbacks cruciais; reconhecer o impacto das ações e comportamentos de uns sobre os outros. 3. Ter melhores habilidades de integração: pensar sobre questões de ângulos diversos para enquadrar problemas holisticamente; aprender a tomar decisões com base em múltiplas e frequentemente conflituosas perspectivas funcionais; construir discernimento e intuições dentro de situações desestruturadas e confusas. 4. Reconhecer as realidades organizacionais para implementar cursos de maneira eficaz: fazer com que as coisas aconteçam mesmo com agendas não reveladas, regras não escritas, coalizões políticas e pontos de vista divergentes.

“Para inovar, é preciso prática e imersão em processos de inovação” DAVID GARVIN E SRIKANT DATAR

5. Atuar de modo criativo e inovador: encontrar e enquadrar problemas; coletar, sintetizar e filtrar grandes volumes de dados ambíguos. 6. Pensar criticamente e comunicar-se com clareza: elaborar e articular argumentos lógicos, coerentes e persuasivos; organizar dados de apoio; distinguir fatos e opiniões.

E qual a razão do fracasso? Na opinião deles, apenas o “saber” não prepara o participante da educação executiva para, por exemplo, ter um pensamento inovador no local de trabalho. Para inovar, os gestores têm de viver na pele como obter insights, como pensar fora da caixa, como criar e testar soluções

7. Entender o papel, as responsabilidades e o propósito do negócio: balancear os objetivos financeiros e não financeiros enquanto julga as demandas das diversas partes, como stakeholders, colaboradores, clientes, reguladores e sociedade.

criativas, com prática e imersão em processos de inovação,

8. Entender os limites de modelos e mercados:

explicam os especialistas, e as escolas devem proporcionar

formular perguntas difíceis sobre riscos e padrões emergentes; procurar entender o que pode dar errado; aprender sobre as fontes de erros que conduzem a tomadas de decisões equivocadas e sobre as salvaguardas organizacionais que reduzem sua ocorrência; entender a tensão entre as atividades regulatórias que objetivam evitar prejuízo social e os incentivos baseados no mercado desenhados para encorajar inovação e eficiência.

isso. E, para inovar, os gestores têm de trabalhar com outros e por meio de outros, necessitando inspirar e influenciar pessoas por períodos prolongados, o que requer cuidadosa reflexão sobre as próprias forças, fraquezas, valores e atitudes, e sobre o impacto da ação deles nos demais. Datar, Garvin e Cullen propõem, assim, que a educação executiva se baseie no tripé “saber-fazer-ser”.

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MINTZBERG: PORTFÓLIO DE PROGRAMAS Segundo o especialista em estratégia Henry Mintzberg, da McGill University, de Montreal, Canadá, a educação executiva e, especialmente, as escolas de negócios estão fracassando em seu propósito principal: elevar a qualidade da liderança na sociedade. No livro Managers, Not MBAs: A Hard Look at the Soft Practice of Managing and Management Development (ed. Berrett-Koehler), ele diz que o fracasso é percebido pelo único critério possível para definir a excelência de um programa educacional como o MBA, que é o de prover a melhor perspectiva de carreira para os formandos. A proposta de Mintzberg para mudar a situação é que os provedores de educação executiva montem um portfólio com cinco tipos diferentes de cursos de educação executiva:

1. Programa de MBA especializado para gestores inexperientes: em vez de cursos generalistas sobre gestão, deve-se oferecer algo especializado, como um MBA em marketing ou em finanças. Esse tipo de mudança possibilita ao profissional aprofundar-se mais exatamente naquilo em que está interessado e é mais útil ao futuro empregador também. Esse seria, no entanto, um curso voltado para estudantes com pouca ou nenhuma experiência profissional.

2. Programa de MBA para gestores experientes: destinado a pessoas que estão no meio da carreira, com idade entre 35 e 45 anos e significativa experiência gerencial em uma empresa específica ou em um setor de atividade, o programa deve fazer uma atualização e questionamento dos conhecimentos práticos. Ele não pode, jamais, imitar o desenho daqueles que são criados para pessoas sem experiência (como às vezes acontece).

3. Programa de desenvolvimento para gestores experientes: os programas de desenvolvimento costumam ficar em segundo plano em relação aos

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MBAs, mas não deveriam, pois podem ser altamente inovadores, segundo Mintzberg, especialmente quando algum professor de renome está envolvido. A má notícia é que poucos grandes nomes participam deles e há grande oferta de programas padronizados unicamente com a finalidade de serem caça-níqueis. O ideal seria que o desenho desse programa fosse tratado como uma aventura por seu provedor – como uma oportunidade para gerar ideias e não apenas dinheiro.

4. Programa de graduação como se fosse mestrado: conforme Mintzberg, o real conteúdo de mestrado de uma escola de negócios atualmente é encontrado nos programas de doutorado. Ele acredita que isso deve ser antecipado, com o mestrado trazido ao nível da graduação. “Muitos professores de escolas de negócios dirão que os estudantes da graduação tendem a ser mais criativos e energéticos do que os do MBA e também mais inclinados ao empreendedorismo”, argumenta. Para ele, isso sugere que uma ampla educação baseada nas ideias pode servir aos gestores e à sociedade melhor do que uma limitada à técnica e que os planejadores do currículo da graduação devem relaxar e deixar as ideias criativas fluírem.

5. Programa de doutorado para experientes: Mintzberg sugere programas de doutorado para quem tem experiência profissional desenhados com cinco características. A primeira delas é que os estudantes se candidatem a áreas nas quais eles desejam estudar – não há áreas previamente determinadas – e um comitê analise e aceite os melhores com o aval de membros da faculdade que desejem trabalhar diretamente com eles. A segunda é a não existência de caminhos preestabelecidos, sendo cada caminho customizado para o aluno individualmente. A terceira característica se refere ao período após o primeiro estágio de preparação – demonstração de conhecimentos

Muitos professores de escolas de negócios dirão que os estudantes da graduação tendem a ser mais criativos e energéticos do que os do MBA e também mais inclinados ao empreendedorismo” básicos em assuntos do negócio principal. Nele devem vir as etapas de especialização e dissertação, com a formação de comitês de supervisão para cada uma. Conforme a quarta característica, um programa de estudos de especialização precisa ser desenvolvido pelo estudante com seus comitês. Por fim, o programa deve conter cursos eletivos apropriados (cerca de 50 são oferecidos cada ano), dois cursos na área de apoio e duas dissertações teóricas.


OLSON E STOTZ: REALISMO E RELACIONAMENTOS A educação executiva de agora em diante deve ser, ao mesmo tempo, radical, realista e relacional, pregam Steven Olson e Daniel Stotz, respectivamente professor e diretor de educação executiva da Georgia State University.

Eles mencionam pesquisa patrocinada

resultados imediatos aos negócios.

pela IBM com mais de 1,5 mil CEOs do

Elas querem que seus profissionais

setor privado e gestores experientes

adquiram o conhecimento, as habi-

do setor público, no mundo todo, a qual

lidades e a criatividade necessários

mostrou que eventos, ameaças e opor-

para conduzi-las por territórios inex-

tunidades estão chegando até as orga-

plorados enquanto simultaneamente

nizações de maneira cada vez mais

resolvem problemas estratégicos.

rápida e menos previsível, criando situações inteiramente únicas.

rados e da resolução de problemas,

representar a chave para manter o

os executivos têm de trabalhar mais

melhor dos melhores dentro das orga-

intimamente com os professores das

nizações. A retenção dos melhores

escolas de negócios na definição dos

talentos tornou-se tão ou mais impor-

programas de treinamento.

tante do que o desenvolvimento deles,

Eles ainda enfatizam que os futuros

segundo os dois especialistas, uma

programas de educação executiva

vez que os colaboradores, mais do que

devem oferecer um conteúdo equili-

novos produtos, serviços ou tecnolo-

brado entre teoria e prática, pois teoria

gias, é que conduzirão o futuro cresci-

sem prática é irrelevante e prática sem

mento e sucesso da empresa.

Os profissionais trazem experiências diárias para a aula e assim têm uma visão realista do mundo” PAULO FREIRE

Olson e Stotz citam o livro Employees First, Customers Second: Turning Management

State University, para atingir o duplo objetivo dos territórios inexplo-

Ela deve ser radical no sentido de

Conventional

Conforme os especialistas da Georgia

Upside

Down (ed. Harvard Business Review Press), de Vineet Nayar, como fonte de importantes lições sobre como CEOs usaram a abordagem “colaboradores

teoria é insustentável.

primeiro, consumidores depois” para transformar companhias lentas e burocráticas em poderosas máquinas no

Esse fenômeno requer inéditos

mercado. E acrescentam que enviar

graus de criatividade, que, por

funcionários com alta performance

sua vez, têm se tornado uma das

e alto potencial para programas de

qualidades mais importantes

educação executiva é uma das melhores

da

maneiras de retê-los, pois demonstra a

bem-sucedidas são aquelas

aposta da organização no futuro deles,

que têm aprendido a integrar

assim como é um agradecimento por

criatividade e inovação com lide-

suas contribuições passadas.

rança e estratégia, insistem os autores.

Segundo Olson e Stotz, a educação

Quanto ao aspecto relacional, a educação

executiva deve ser realista no sentido

executiva deve sê-lo no sentido de trabalhar

de considerar a liderança adaptável e

com a empresa para entregar resultados dese-

a inovação estratégica os tópicos mais

jados. Cada vez mais as companhias demandam

importantes atualmente.

programas de educação executiva que agreguem

liderança.

Organizações

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

47


HEIFETZ: CASE-IN-POINT

PAULO FREIRE E A ANDRAGOGIA

Case-in-point é o método de ensinar liderança desenvolvido por Ronald Heifetz, professor e diretor do Center for Public Leadership, da Kennedy School, de Harvard. Seu método resulta em uma forma de praticar a liderança em tempo real durante o curso, conforme seus usuários.

O educador brasileiro Paulo Freire não é um nome normalmente associado à educação executiva, mas ele foi um dos grandes expoentes mundiais da andragogia, a ciência que estuda as melhores práticas para orientar adultos a aprender, com atuação inclusive na Harvard University.

A abordagem de Heifetz sustenta-se em uma estrutura para entender e praticar a liderança baseada em quatro distinções: • autoridade versus liderança, • problemas técnicos versus desafios adaptáveis, • poder versus progresso e • personalidade versus presença. Na verdade, o método case-in-point integra a teoria sobre liderança adaptável desenvolvida durante 15 anos de estudos conduzidos por Heifetz, Marty Linsky e outros pesquisadores da Kennedy School. Envolve usar as ações e comportamentos dos participantes do curso, assim como focar os grupos aos quais eles pertencem. É um processo imersivo e um exercício reflexivo mediado por um instrutor, mas modelado pelos participantes. O método desenvolve dois componenteschave do processo de liderança: • ensina do modo mais realista possível cada participante a ter vigor, resiliência e boa vontade para trabalhar com os outros no meio de transformações, com o objetivo de se adaptar a essas situações; • ajuda o participante a ter consciência ampliada sobre si, os impactos de suas atitudes e dos sistemas que integra. Pesquisa sobre essa abordagem feita com 165 ex-alunos de Heifetz mostrou que mais de 50% considerou o método case-in-point mais útil do que todos os outros métodos usados em Harvard ou em outros cursos de gestão frequentados.

48

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Entre as principais propostas da andragogia estão a abertura de espaço para a intervenção do aluno no processo de aprendizado e a autonomia para o estudante dialogar, interagir, apresentar propostas de mudanças e questionamentos, ser criativo e proativo, que vestem como uma luva os desafios atuais da educação executiva. Em estudo que desenvolveram sobre a educação executiva, as pesquisadoras Karina Roglio e Christianne Coelho sugerem que os princípios do aprendizado vivencial de Freire orientem as atividades dos programas de educação executiva e MBA para profissionais que ocupam posições de liderança nas organizações. Nessas situações, segundo as pesquisadoras, a andragogia é a abordagem ideal, pois permite a todos os participantes aprender com experiências primárias que os profissionais trazem de sua prática diária para dentro da sala de aula, gerando uma visão realista do mundo dos negócios. Elas destacam que o processo de compartilhar experiências precisa ser fortemente encorajado nas interações formais e informais e que executivos o avaliam como uma das mais valiosas práticas que vivenciam.


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de textos, ele tem funções colabo-

gital da Revista Brasileira de

ciar tarefas como agenda e programa-

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Administração (RBA), veículo de

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BEM-ESTAR POR_CINTHIA ZANOTTO

A dança como um

(Crédito: Daniel B. Tortora)

ESTILO DE VIDA

Rodrigo Nantes e Mariana Oliveira em dia com a dança de salão

INDEPENDENTE DA IDADE E DO MOTIVO, QUEM DECIDE PRATICAR A ATIVIDADE PODE SENTIR MELHORAS NO CORPO, NA MENTE E ATÉ NA VIDA SOCIAL 52

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


A

lguns têm a dança como

fortalecer a parceria no relacionamen-

profissão, mas muitos outros escolhem a modali-

dade para tirar proveito dos benefícios físicos, psicológicos e sociais proporcionados pelos passos dados no salão. Além de ser um bom passatempo para quem gosta de se movimentar, dançar libera endorfina, levanta a autoestima e interfere positivamente em aspectos como disciplina, organização, postura corporal e até na forma de se portar diante da vida. “Dançar é um estilo de vida e indi-

Dançar é um estilo de vida e indicado para qualquer pessoa, pois é um exercício bem completo, que lida com alongamento, força e equilíbrio” CAROLINA CARRASCO, PROFESSORA DE JAZZ

cado para qualquer pessoa, pois é com alongamento, força e equilí-

ciso expor o corpo e a personalidade,

brio”, conta a professora de jazz Ca-

a dança pode ajudar a superar alguns

rolina Carrasco.

bloqueios ocasionados pela timidez e

senvolvimento físico, a modalidade também mexe com o lado psicológico e social do ser humano. Como é pre-

do os dois começam a dançar juntos, melhora a união entre eles, pois ao alcançarem o objetivo da aula, é uma conquista do casal. Tem ainda a questão de confiança e segurança para se deixar ser conduzido e, por outro lado, conduzir”, declara Carolina. Porém, o professor de dança de salão Rodrigo Nantes diz ser necessário ao casal estabelecer um limite de até onde devem chegar durante as aulas, se não a intimidade entre eles pode levar a brigas. De acordo com ele, os par-

um exercício bem completo, que lida

Embora tenha muito a ver com o de-

to, a dança pode ser um auxílio. “Quan-

ainda melhora a sociabilização, seja quando é preciso se movimentar sozinho ou com o apoio de um parceiro. Para os casais que estão à procura de

ceiros acabam exigindo mais um do outro, por terem liberdade para falar e cobrar, diferente do que fariam se estivessem dançando com outro aluno. E esse comportamento gera vários desentendimentos. “Se os dois souberem dosar, é bem legal, porque tem tudo para dar certo”, acrescenta.

ESTILO CERTO Embora as pessoas escolham a dança por motivos diferentes,

entram com o objetivo de se divertir e nem tanto pela quali-

é preciso ter em mente que quanto mais cedo se começar a

dade dos passos, embora com o passar do tempo percebam

dançar, melhor será o resultado para o corpo e para o desem-

uma evolução nos movimentos. “Na dança de salão não há um

penho de cada um. Mas isso não impede os adultos de se joga-

objetivo estabelecido. Cada um procura por uma razão dife-

rem na dança se estiverem determinados a aprender.

rente”, acrescenta.

A professora de jazz Amanda Ravedutti Amaral diz que para

E, para obter bons resultados em qualquer idade, vale a mes-

ser uma bailarina, por exemplo, é preciso começar a dar os

ma dica. Primeiro, experimentar todas as danças e escolher

primeiros passos ainda na infância. Já para quem busca

aquela mais adequada ao seu perfil. Segundo, ter força de

praticar a dança mais tarde, é necessário encarar o exercí-

vontade para progredir a cada nova aula.

cio como uma atividade física que também vai trazer muitos benefícios para a vida da pessoa. No estúdio onde trabalha existem turmas fechadas para dançarinos adultos.

Carolina explica que encontrar o estilo certo para dançar é importante, pois a diferença entre as modalidades é notada já na hora de se vestir. Há danças em que será necessário cal-

Na escola de Rodrigo, o aluno mais velho tem 86 anos e ini-

çar sapatilhas; em outras, tênis ou até sapatos. “O estilo vai

ciou na dança há sete. Segundo o professor, no salão os alunos

de acordo com a personalidade do aluno”, completa.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

53


RECURSOS HUMANOS POR_NÁJIA FURLAN

TALENTOS:

um investimento lucrativo para todos

O FATO DE QUE INVESTIR NO CAPITAL HUMANO TRAZ RESULTADOS POSITIVOS JÁ NÃO É SEGREDO PARA AS EMPRESAS. MAS, ALÉM DE CONHECER É PRECISO APLICAR

Cada vez mais, as empresas percebem o

titivos, “a alta rotatividade de inte-

clientes e cidadãos estão mais atua-

quanto a valorização do capital humano

grantes de uma organização pode

lizados, mais conscientes dos seus

rende. Rende mais produtividade,

conduzi-la

mentes

direitos e mais exigentes quanto às

melhores resultados e, consequen-

brilhantes que poderiam contribuir

possibilidades de satisfazerem neces-

temente, os lucros aparecem. Não é

para o crescimento organizacional

sidade e desejos. E nesse contexto,

segredo para ninguém que, ao se sentir

consistente e em menor tempo”.

completa: “a necessidade de valori-

valorizado e reconhecido, o profissional trabalha mais e melhor. E, satisfeito no trabalho, ele fica na empresa.

54

à

perda

de

Quem faz essa observação é a Adm. Kátia Guimarães Sousa Palomo, mestre e professora da área de Gestão e Negó-

zação dos integrantes das organizações, portanto, é fundamental para a sobrevivência e perpetuação das mesmas”.

É exatamente esse o ponto que, segundo

cios do Instituto Federal de Educação,

“Assim, entendo que a consolidação,

especialistas, faz com que as empresas

Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB).

crescimento e perpetuação das orga-

reconheçam a importância de apostar

Segundo ela, as organizações são

nizações estão diretamente ligadas à

nos indivíduos que as compõem. Em

constantemente

por

valorização dos seus integrantes com

ambientes

ambientes de alta competitividade; os

expertises nas atividades profissionais

extremamente

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

compe-

influenciadas


a serem executadas, potencializando a inovação e a eficácia. Não há organizações privadas ou públicas sem pessoas. Os indivíduos são componentes fundamentais para a constituição, crescimento e perpetuação das mesmas. Valorizá-lo é reconhecer a sua importância para o sucesso”, afirma a Administradora, que também é coordenadora de Publicações da Editora IFB.

COMO? De acordo com a especialista, “a valorização dos integrantes de uma organização não deve ser uma ação pontual e esporádica, mas, sim, princípio organizacional alicerçado por variadas ações, adaptadas a cada contexto profissional e pessoal”. Mas, afinal, como fazer com que o profissional permaneça? “Pela flexibilidade de jornada; a

QUEM?

possibilidade de carreiras em outras

Nesse processo de investir na valo-

unidades da organização; o investi-

rização, não é qualquer profissional

mento contínuo em educação e treina-

que “vale a pena”. Existem caracte-

mento; o pacote de benefícios de assis-

rísticas, perfis e conhecimentos que

tência médica, odontológica; plano

são fundamentais.

de aposentadoria consistente; espaço para lazer e esportes”, exemplifica. Segundo Kátia, ainda são tímidas as inciativas de empresas que incentivam financeiramente e que possibilitam uma jornada flexível de trabalho aos seus integrantes que desejam conquistar maior formação. “Geralmente de curto prazo, a capacitação ofertada é focada na aplicabilidade e na melhoria do desempenho das atividades que os indivíduos executam e não necessariamente no seu desenvolvimento profissional. Nas orga-

grantes. “Alguns profissionais podem não responder de modo satisfatório e as organizações privadas passam acreditar que este profissional não vale a pena principalmente pela vasta gama de profissionais disponíveis no mercado. Em se tratando do setor público, esta

“As organizações buscam pessoas

percepção é minimizada à medida que

capazes de trabalhar com ideias

os seus integrantes, geralmente estáveis,

complexas, pois são capacitadas para

precisam desenvolver-se, pois não há

o exercício das tarefas; dedicadas;

pelo qual trocar”, observa.

que possuam como característica a

Investir na equipe via treinamento

resiliência, ou seja, a capacidade de se adaptar a novos contextos; que saibam liderar ou relacionar-se colaborativamente com integrantes da organização ou de fora dela; que sejam solidárias e éticas; empreendedoras e otimistas”, orienta a Administradora.

e desenvolvimento, para a mestre e professora do IFB, é essencial, pois tais aspectos incentivam, minimizam as frustrações e maximizam as perspectivas de futuro. “Outro

aspecto

importante

é

o

feedback regular aos seus integrantes

nizações públicas, comparativamente

No entanto, segundo ela, encontrar um

para que os mesmos possam aper-

às privadas, os incentivos e os financia-

profissional com todas estas caracte-

feiçoar suas habilidades e se desafiar

mentos são muito mais comuns, sendo

rísticas é uma tarefa desafiadora para

constantemente em prol da melhoria

este um aspecto reconhecido de valori-

as organizações, por isto é que buscam

contínua enquanto profissional e inte-

zação dos seus integrantes”, comenta.

capacitar e desenvolver seus inte-

grante da organização. A comunicação

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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Recursos Humanos

GESTÃO DE CONHECIMENTO

A necessidade de valorização dos integrantes das organizações é fundamental para a sobrevivência e perpetuação das mesmas”

Como para o integrante da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC), quando se fala em valor humano, fala-se em conhecimento, é preciso desenvolver uma prática que, aos poucos, tem avançado nas empresas: a Gestão do Conhecimento. Isso, segundo Pereira, inclui várias práticas de como se faz a transferência do conhecimento tácito (que pertence às pessoas, é tudo o que você sabe) para o conhecimento explícito (registro do conhecimento tácito) e que, na prática, se transforma em informação e permite a disseminação do conhecimento entre as pessoas e equipes de projeto/processos organizacionais.

aberta também é um instrumento eficaz de integração e de participação efetiva nas ações e decisões organizacionais”, completa Kátia.

PARA CONCLUIR Nesse debate que se instala sobre o porquê, como e quem valoriza no capital humano de uma empresa, tem um quesito que todos precisam compreender, segundo Kátia Palomo, que são as motivações humanas. “Lidar com pessoas, subordinadas ou superiores, implica em respeitar os valores que os motivam, suas

56

Adm. Kátia Guimarães Sousa Palomo: organizações são constantemente influenciadas por ambientes de alta competitividade

crenças, seus costumes, suas dife-

social, político enquanto outros

renças. A valorização de cada indi-

consideram valoroso não a osten-

víduo depende do conhecimento

tação mas a discrição. Assim, reco-

que se tem acerca dos aspectos que

nhecer e respeitar as diferenças é

este indivíduo considera valoroso.

o primeiro passo para conseguir

Alguns valoram a remuneração que

valorizar os integrantes de uma

recebem, outros o reconhecimento

organização”, conclui a especialista.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

“Ao mesmo tempo, cada profissional também deve fazer a própria gestão de sua carreira, que podemos chamar de “Gestão do Conhecimento Individual”. Na medida em que cada um se conscientiza de que é um capital humano/intelectual da empresa e percebe a necessidade de manter e ampliar constantemente seu conhecimento e suas habilidades, pode co-gerenciar sua carreira em paralelo aos processos organizacionais de gestão de competências e educação corporativa, estes a cargo do RH da empresa”, garante.


INVESTIR EM PESSOAS É INVESTIR EM CONHECIMENTO

Como as pessoas não são iguais, assim, cada pessoa precisa ser gerenciada como uma individualidade, com suas competências próprias, algumas exclusivas."

Doutor em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV), professor do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE, conveniado à FGV no Paraná) e membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC), Heitor José Pereira define: “o capital humano, do ponto de vista da organização, é o conjunto de conhecimentos; habilidades e atitudes e valores detidos pelas pessoas que trabalham na organização. Como as pessoas não são iguais, assim, cada pessoa precisa ser gerenciada como uma individualidade, com suas competências próprias, algumas exclusivas. Daí vem o conceito de capital humano no sentido que é o recurso mais importante

Como explica o professor, as empresas detêm dois tipos de recursos: os tradicionais ativos tangíveis (recursos físicos e financeiros), normalmente reconhecidos e registrados na contabilidade fiscal da empresa; e os ativos intangíveis, que, segundo Pereira, são formados a partir de três valores corporativos: o capital humano (pessoas e seu conhecimento tácito); capital clientes (valor de mercado da empresa a partir das suas relações com o mercado: marca; imagem e reputação da empresa; carteira de clientes; fidelidade; market share, entre outros); e, finalmente, o capital estrutural (sistemas próprios de gestão criados pela empresa, traduzindo o know-how do negócio). Esses, segundo ele, têm importância estratégica.

da empresa e cada vez mais o mercado

é predominantemente intangível, onde o capital humano é a parcela mais expressiva deste valor”. Pereira afirma que, ao pensar sobre isso, as empresas chegam à conclusão de que a fonte de inovação é só uma: as

de

desenvolvimento

de

softwares,

games, e soluções de TI; escritórios de arquitetura e agencias de publicidade; produtos e serviços intensos em tecnologia, entre outros), o principal ativo é o capital humano, único capaz da criar e agregar valor ao negócio. O Santo Graal para estas empresas é quando o cliente percebe o benefício e está disposto a pagar preço “premium” pelas características inovadoras do produto/serviço: ex. o IPAD quando foi lançado no mercado pela Apple”, explica. De acordo com o professor, o profissional alcança o reconhecimento no momento que, a partir do comprometimento com a organização e seus valores, consegue

reconhece as chamadas “empresas inteligentes”, aquelas cujo valor corporativo

conhecimento, por exemplo (empresas

Lidar com pessoas, subordinadas ou superiores, implica em respeitar os valores que os motivam.”

catalizar os recursos disponíveis para gerar novos negócios; novas parcerias e, sobretudo, produtos e serviços que agreguem valor ao negócio. “Daí porque nos últimos anos estas empresas ‘quebraram as regras’ em relação a sistemas tradicionais de remu-

pessoas. “Só os seres humanos detêm

neração e cada vez mais adotam modelos

conhecimento e por sito são capazes de

inovadores de reconhecimento e recom-

gerar ideias a partir das quais a empresa

“As empresas estão cada vez mais atentas

pensa, tais como a participação em resul-

atinge objetivos estratégicos, sobretudo

a estratégias de captação e retenção de

tados; bonificação por metas conquis-

com inovações no mercado. Portanto,

talentos,

enten-

tadas; participação societária através de

a verdadeira vantagem competitiva das

deram que é o único recurso com que

cotas de capital da empresa, e recom-

empresas está nas pessoas e não apenas

contam(arão)

futuro

pensas não financeiras (oportunidades de

em recursos técnicos, financeiros e

para agregar valor e criar inovações no

cursos avançados e viagens técnicas, por

operacionais”, afirma.

mercado. Nas empresas intensivas em

exemplo)”, completa.

exatamente no

porque

presente

e

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

57


Recursos Humanos

Independentemente da posição que o profissional ocupe, o aprendizado contínuo, o cuidado com as relações e o constante aprimoramento de suas competências devem fazer parte do seu dia a dia" MARIA DE LOURDES SCALABRIN

DO OUTRO LADO...

essa valorização. E a resposta foi direta: um

Como completa Lourdes, para ser valori-

Maria de Lourdes Scalabrin é Administra-

profissional sente-se reconhecido e valori-

zado e galgar novos cargos e posições mais

zado quando: consegue estabelecer uma

bem remuneradas faz-se necessário um

dora e tem mais de 20 anos de experiência

relação de confiança e passa ter autonomia

planejamento de carreira e um olhar mais

executiva em empresas de consultoria e

para tomar algumas decisões; recebe

profundo para si mesmo para o momento

serviços na área de Recursos Humanos,

trabalhos desafiantes e interessantes; suas

atual. “Independentemente da posição

dos quais 14 anos atuando em posições

opiniões são respeitadas; recebe os devidos

que o profissional ocupe, o aprendizado

de diretoria estratégica e operacional em

créditos pelos seus feitos; reconhece seu

contínuo, o cuidado com as relações e o

empresas

Atualmente,

desenvolvimento profissional e consegue

constante aprimoramento de suas compe-

atua como diretora de Planejamento Estra-

vislumbrar oportunidades de crescimento

tências devem fazer parte do seu dia a dia.

tégico no Grupo EMPZ e tem como missão

na organização que trabalha.

Formar alianças e cultivar bons relaciona-

multinacionais.

promover e liderar a integração estratégica das diferentes áreas de negócios da empresa e atuar diretamente na definição e implementação de um portfólio de

zação não é algo que se possa exigir, mas, sim, conquistar. “Se o profissional está se

mentos dentro da empresa é muito importante para quem almeja uma posição de destaque na organização”, garante.

sentindo desvalorizado ou desprestigiado,

E como perceber se é ou não valorizado, a

a primeira coisa a ser feita é buscar por

diretora estratégica do Grupo EMPZ, mais

meio de uma autoanálise respostas que o

uma vez responde: “o profissional deve

A Revista Brasileira de Administração

levem a estabelecer uma estratégia dife-

ficar atento quando reconhece alguns

(RBA) foi conversar com ela para, nesse

rente de como lidar com essa situação. Esse

dos sinais elencados: não é convidado

diálogo sobre valorização do capital

exercício levará o profissional a reconhecer

a participar de projetos desafiantes

humano, trazer também o viés do profis-

seus pontos fortes, pontos que merecem

ou reuniões estratégicas; diante da

sional. Como este, em qualquer nível - da

atenção, e a definir as ações necessárias

conclusão de um bom trabalho não

base à diretoria - pode reconhecer ou não

para mudar seu status atual”, orienta.

costuma receber os devidos reconhe-

projetos que ofereça maiores resultados, tanto operacionais quanto financeiros.

58

Porém, segundo a especialista, a valori-

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


As organizações buscam pessoas capazes de trabalhar com ideias complexas, pois são capacitadas para o exercício das tarefas; dedicadas; que possuam como característica a resiliência.”

cimentos ou créditos; há uma percepção, por parte de outros, que não faz mais do que sua obrigação; sua remuneração não é condizente com suas responsabilidades; tem dificuldade para falar e ser ouvido”. E quando isso acontece... “Para sair dessa condição é preciso identificar saídas que levem a uma mudança positiva. Essas saídas dependem de cada um, da percepção que o profissional tem da situação e de si mesmo. Compartilhar essa percepção com alguém confiável e imparcial pode ajudar a enxergar um caminho para mudar o status em que o profissional se encontra hoje”, sugere. Existe, também, um momento em que o profissional vê no seu crescimento na empresa uma oportunidade de alçar voos mais novos e surge a vontade de buscar novos horizontes. Por outro lado, nessa importância ao “capital humano” a empresa vai fazer questão que ele fique. Nesse momento, segundo a administradora, sair da “zona de conforto”, abrir mão de uma condição favorável e partir para um futuro com desafios interessantes, mas incertos, requer coragem e determinação por parte do profissional. “Correr riscos faz parte do crescimento profissional, mas, antes de qualquer mudança neste sentido, é preciso que ele tenha bem claro quais são os objetivos que quer alcançar. Essa transição tem que ser muito bem planejada e alguns cuidados devem ser tomados para que não haja arrependimentos depois”, afirma.  Além de levar em consideração a proposta salarial, os desafios e as perspectivas, segundo Lourdes, é recomendável que o profissional investigue se está alinhado aos valores e crenças da nova empresa.  Investigar quais são os valores vivenciados pelos colaboradores que, de fato, traduzem a cultura organizacional da empresa contribui para uma decisão mais consciente.

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

59


Recursos Humanos

BOM EXEMPLO PARA EMPRESA

E PROFISSIONAL

O

Linton

Estas são condições sine qua non para

esta certificação para as áreas como

Barros Junior, de João

alcançar resultados para toda a corpo-

marketing, finanças, logísticas e outras

Pessoa, na Paraíba, atuou

ração, seja ela privada ou pública”.

que são de exclusividade dos adminis-

Administrador

por mais de 28 anos na hotelaria tendo ocupado cargos nas diversas áreas: reservas, gerente de alimentos e bebidas, gerente residente, gerente geral e diretor de novos negócios. Já desenvolveu trabalhos na área de restruturação

administrativa

com

Recentemente, junto ao Conselho Federal de Administração (CFA), Barros recebeu a certificação profissional exatamente na área de RH. Confira o bate-papo que a RBA teve com ele: Revista

Brasileira

de

Admi-

vendas de aeronaves, financeira, conta-

nistração (RBA): Por que buscou

bilidade, gestão de pessoas, manu-

essa área? Quais os destaques para

tenção predial e relação com presta-

Recursos Humanos hoje no mercado

dores de serviços por intermédio de

profissional?

contratos, com movimentação de mais

Linton Barros Junior (LBJ): Por

de R$ 200 milhões por ano e mais de

tradores, valorizando a profissão e os profissionais que abraçaram a administração nas áreas privadas e públicas, fazendo a diferença no mercado com formação sólida na área. Daí a Certificação Profissional, que tem validade de 3 anos, faz com que o profissional de administração possa ficar em constante movimento buscando a cada dia desempenhar melhor sua função por meio da busca sucessiva da educação contínua. Destaco aqui o nosso colaborador líder

orientação dos meus pais, dos vários

da área de Gestão de Pessoas, o Admi-

mestres e profissionais que encon-

nistrador José Augusto Lopes Júnior,

trei e que ainda encontro na minha

com mais de 35 anos de experiência

caminhada, a educação é uma meta

em empresas como o Metrô de São

que deve ser seguida e continuada, da

Paulo, Maksoud Plaza, Rede Tropical

pré-escola até onde tivermos moti-

de Hotéis e que está conosco há 6 anos,

Um profissional multifuncional e um

vação para inovar e buscar a qualidade

profissional com expertise na área e que,

gestor com muita experiência que,

através dos conhecimentos adquiridos

nos últimos dois anos, tem se atualizado

quando questionado pela RBA sobre o

nas

empresas/escolas/faculdades/

na área de gestão de pessoas na Walt

seu currículo, respondeu: “excelência

universidades. Acredito que o CFA deu

Disney (Flórida), sendo esta a maior

só se alcança com estas premissas:

um grande passo em direção a valori-

empresa de entretenimento do mundo.

paixão pelas pessoas, paixão pelo

zação dos administradores, começando

Pessoas são o seu foco e, juntamente

trabalho, inovação, responsabilidade

com a Certificação em RH e devendo

com seu grupo de colaboradores, tem

social e respeito ao meio ambiente.

nos próximos anos aplicar também

realizado um trabalho espetacular.

200 colaboradores. Há nove anos, é superintendente executivo da Federação Interfederativa das Unimed’s do Norte e Nordeste, que tem mais de 250 mil clientes/usuários na carteira.

60

Adm. Linton Barros Junior: a educação é uma meta que deve ser seguida e continuada.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


RBA: Qual o senhor considera ser a

todo o grupo de colaboradores por meio

ordinário na área de gestão de pessoas e

importância do capital humano para a

de entrevistas e pesquisa de avaliação

consequentemente no capital humano

uma empresa?

dentro da competência que cada um

com treinamentos contínuos, estímulo

exerce. São pontuados vários quesitos

para o estudo de línguas, troca de expe-

desenvolvidos pela empresa de consul-

riências com profissionais de outros

toria e gestão de pessoas. Após análise

países nos quais a indústria de turismo

criteriosa, é dado o feedback aos cola-

é a sua principal fonte de receita, como

boradores e implantados por pura meri-

Portugal, Espanha e França, intercâmbio

tocracia os enquadramentos dentro da

de brasileiros no exterior e finalmente, a

nossa política de cargos e salários, além

estabilização da inflação no Brasil por

dos benefícios: plano de saúde, odon-

intermédio do Plano Real que permitiu

tológicos, plano de medicamento, vale-

um maior investimento das redes hote-

-refeição e, em estudo, a participação

leiras brasileiras, a exemplo de Othon,

sobre resultados. O capital humano é

Deville, Bourbon e outras. A evolução foi

condição sine qua non para obtermos

extraordinária, o que era um segmento

os resultados. Avaliamos o indivíduo, o

um tanto quanto esquecido por falta de

esquecer que, quem avalia esta sendo

coletivo e seus riscos.

incentivos do governo, passou a ser um

avaliado. O resto é um prédio, uma

RBA: Como era nas empresas (do

LBJ: Capital humano, principalmente na área de serviços, tem que ser uma paixão. Tem que haver interatividade, respeito, estímulo, participação ativa side by side com todos os colaboradores, avaliações periódicas, orientações diuturnas, cobrança dentro dos parâmetros pré-estabelecidos, contrapartida, diálogo full time e resultados dentro do planejamento, feito por intermédio de orçamentos, budgets ou outros programas orçamentários, sem jamais ficar na zona de conforto e, não

casa, com paredes e equipamentos sem alma alguma. RBA: Como é a valorização do capital humano na empresa onde o senhor atua? LBJ: Há exatamente 6 anos, apesar da empresa completar, no próximo ano, 37 anos no mercado, transformamos o nosso Departamento Pessoal em

ramo de hotelaria) que o senhor administrava? LBJ: Quando iniciei na hotelaria tínhamos apenas a área de pessoal, onde se fazia recrutamento, folha de pagamento, admissão e demissão, advertências, com um discreto enfoque no capital humano. Infelizmente para quem vende um produto tão intangível como um

segmento bem valorizado. Os maiores exemplos são a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas no Rio em 2016 onde houve sensível melhora na nossa infraestrutura aeroportuária (ainda há muito que melhorar), porém nos próximos 20 anos, o Brasil deverá ser a quarta maior economia do mundo e a hotelaria será de vanguarda neste País. RBA: Como o profissional pode se preparar para ser valorizado?

Gerência de Recursos Humanos e, mais

quarto, um banho quente, uma roupa

recentemente em Gestão de Pessoas.

de cama limpa e um café da manhã, são

Vale salientar o apoio incondicional do

muito pouco. Um turn over alto e um

presidente da Federação Interfederativa

serviço de qualidade duvidosa. Além

LBJ: O profissional de administração

das Unimed’s do Norte e Nordeste, por

de que vivíamos em período de inflação

deve estar em sintonia constante com

meio de seu presidente Dr. Reginaldo

alta, planos econômicos mirabolantes,

o mercado, não pode haver zona de

Tavares, que foi o grande condutor da

uma economia fechada e um governo

conforto. A educação deve ser conti-

implantação da gestão por compe-

autoritário. Porém, com a chegada das

nuada e o conhecimento aprimorado,

tência - meritocracia, que começou a

redes internacionais no Brasil, como a

estando sempre “antenado” com os

ser implantado por intermédio do nosso

Hilton ainda na década de 70, Holiday

cenários nacional e internacional.

gestor de Gestão de Pessoas, o Adm.

Inn e Accor (que tem uma academia

A Certificação é a cereja do bolo que

José Augusto Lopes Júnior, em parceria

para formação de seus profissionais) e

depois de alcançada não se pode pensar

com a BRH PB e a Nacional, fazendo as

outras redes instaladas em todo terri-

no status, mas, sim, na responsabilidade

avaliações anuais por profissionais com

tório nacional. Tivemos um ganho extra-

enquanto profissional e cidadão.

Buscando, por exemplo, a certificação é uma maneira?

JANEIRO/FEVEREIRO – 2015 | Nº 104

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CASE POR_CINTHIA ZANOTTO

RELAXAMENTO interfere nos lucros DON RAMON SE CONSOLIDA COMO A PRIMEIRA POUSADA & SPA SUSTENTÁVEL DO BRASIL, POR MEIO DE UM SISTEMA DE GESTÃO FOCADO EM REALIZAR AÇÕES NAS ÁREAS AMBIENTAL, SOCIOCULTURAL E ECONÔMICA

E

m meio às conhecidas atrações da Serra Gaú-

sucesso conquistado pela Pousada & Spa Don Ramon nos

cha, a Don Ramon conseguiu se tornar a primei-

anos seguintes. A empresa conta hoje com a certificação

ra pousada & spa sustentável do Brasil. Com 15

pela Norma Brasileira ABNT NBR 15.401, que garante os

anos de história, localizada na cidade de Canela (RS), a em-

selos ISO 9001, ISO 14001 e ISO 16001 fornecidos pelo IN-

presa do ramo hoteleiro se destaca frente às concorrentes

METRO. Também foi vencedora na etapa regional e nacio-

utilizando um sistema de gestão sustentável, com foco em

nal do Prêmio MPE Brasil e garantiu os Selos de Excelência

realizar ações não só na área ambiental, mas também nas

do TripAdvisor e o Verde do Guia Quatro Rodas, além de ter

áreas sociocultural e econômica. A pousada abriu as portas no ano 2000, mas foi depois de sete anos que a direção implantou um sistema com base em sustentabilidade para perceber, por meio de indicadores, quais eram as reais necessidades dos clientes.

Para continuar a manter a boa fama e agradar a toda a rede de relacionamento do spa, os serviços e produtos passam por adaptações a cada ano, acompanhando as tendências do mercado. Segundo o gerente geral Vicente Atz, o sistema

A partir dos números coletados, puderam definir os objeti-

de gestão inclui não só os hóspedes como os colaboradores,

vos para iniciar um processo de implementação de serviços

fornecedores, parceiros e a comunidade local, e precisa tra-

e produtos de relaxamento no ano de 2008, uma vez que

balhar com ações permanentes em todos os setores consi-

quem lá se hospedava procurava justamente por um espaço

derados sustentáveis pela empresa.

para descansar e se desestressar. E foi necessário somente um ano para estar 100% implantado. O sistema de gestão adotado foi o responsável por todo o

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sido reconhecida pela Rain Forest Alliance.

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“Sustentabilidade não é só verde, mas é muito maior e abrangente. Ela está inserida no contexto da gestão para fazer a empresa durar mais”, acrescenta Atz.


SER SUSTENTÁVEL Conforme explica Vicente Atz, o primeiro passo para a sustentabilidade é ser saudável de todas as formas possíveis e manter a taxa de ocupação elevada, para sustentar as finanças e assegurar o trabalho para quem depende da renda adquirida na pousada. Os recursos financeiros também garantem o conforto para os hóspedes e geram mais intervenções dentro da comunidade local. A Don Ramon tem como parte de sua filosofia interagir com o ambiente à sua volta e promover a qualidade de vida para a população, seja empregando e capacitando pessoas, ou consumindo e divulgando produtos artesanais da região. De acordo com Atz, a empresa busca

Até os restos de sabonete e shampoo

Por meio dessas ações, foi possível le-

levar a entidades que necessitam de

gerados na empresa são reaproveita-

vantar um valor de mercado baseado em

trabalho permanente – como Alcoóli-

dos por organizações locais para tra-

dados reais e não em preço cobrado por

cos Anônimos, asilos e postos de saúde

balhar em um produto para combater

outras instituições do ramo. Atualmente

– serviços de terapias de relaxamento e

piolhos, que é posteriormente enviado

a empresa está entre 5% e 6% mais cara

complementares, para servir de auxilio

a escolas da vizinhança.

diante das concorrentes e mantém os

a tratamentos médicos convencionais. Na parte ambiental, a pousada tenta minimizar qualquer impacto negativo no ecossistema. Para economizar água e trabalhar com sua reutilização, são utilizadas cisternas. Também foram instalados nos chuveiros e nas torneiras aparelhos que pressurizam o ar na água. O gestor declara que foi possível

Sustentabilidade não é só verde, mas é muito maior e abrangente. Ela está inserida no contexto da gestão para fazer a empresa durar mais”

gastos na mesma média do que os demais hotéis. Isso torna o estabelecimento um dos mais lucrativos da região. Durante os últimos anos, a Don Ramon, encontrou formas de diminuir a sazonalidade, outro problema enfrentado por boa parte das empresas do ramo. Ou seja, a pousada recebe hóspedes regularmente e não somente

minuto na vazão das torneiras.

FINANÇAS E REDES SOCIAIS

Para a coleta seletiva foram estabeleci-

Com todos os programas e projetos

das algumas práticas, como separar o

realizados por meio do sistema sus-

lixo orgânico produzido no restaurante

tentável, a empresa conseguiu conso-

Para

para enviar aos minhocários da própria

lidar suas práticas de gestão. A pou-

mas desenvolvidos pela Don Ra-

pousada. Já o seco é reutilizado por

sada também passou a investir em

mon e saber mais sobre a estru-

meio de trabalho voluntário desenvol-

mídias sociais e hoje conversa com seu

tura do estabelecimento, acesse:

vido pelos colaboradores e parceiros.

público periodicamente.

www.pousadadonramon.com.br.

diminuir de 16 litros para 4 litros por

em épocas de férias e fins de semana. Os pacotes com programas de relaxamento de cinco dias foram uma das soluções encontradas pelos gestores. conhecer

outros

progra-

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PRODUTIVIDADE POR_CINTHIA ZANOTTO

Produtividade em baixa.

O QUE FAZER? A POSTURA PROFISSIONAL E A FORMA DE ENXERGAR EXPLICAM O BAIXO RENDIMENTO DO BRASILEIRO

E

m 2014, voltou a ser notícia nos meios de comunicação a produtividade

no Brasil e os motivos pelos quais o desempenho do trabalhador nacional não consegue avançar. Entre as diferentes razões está a forma como o brasileiro se relaciona com o emprego. Esse é um dos principais fatores a sabotar a evolução da eficiência produtiva do trabalhador nos diferentes setores do mercado nacional. O professor do Ibmec-MG e especialista em Relações de Trabalho e Negociação João Bonomo diz que a produtividade brasileira é afetada pela maneira como o trabalho se desenvolveu no Brasil, o que influencia até hoje no olhar do brasileiro em relação ao cargo que ocupa. “O trabalho é encarado como um castigo e os frutos advindos deste devem ser repartidos. O brasileiro vê o trabalho como uma ‘purgação’, como uma etapa que poderá redimi-lo e amainar

64

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


seus pecados. O trabalhador tem um perfil de homem gentil, subserviente, obediente, o que torna essa perspectiva ainda mais real, pois com a obediência consegue um trabalho e, pelo esforço impetrado na atividade laboral, ele se redime e poderá conseguir o que deseja”, declara. E tal pensamento tem uma influência histórica. Na visão do professor, o Brasil se desenvolveu sob o aspecto do colonizador. Como sempre houve senhores, feitores e capangas para supervisionar e vigiar, o trabalha-

PROFISSIONAL E EMPRESA Buscar constante atualização é im​ portante para o desenvolvimento da capacidade e da produtividade de um funcionário. Mas, para o professor, é preciso mais. “Saber se relacionar com os demais membros de sua categoria profissional, priorizar possibilidades de atuação, perceber-se como um ser colaborativo, cooperativo e também estar constantemente inconformado com a sua situação”, acrescenta. Numa empresa, o papel do trabalha-

dor é estar disponível, ter senso de auto-organização, ser proativo e interessado, embora a companhia também tenha sua parcela de colaboração para incentivar a produtividade. Remunerar adequadamente, fazer investimentos em treinamento e qualificação, possibilitar a criação de estrutura e processos empresariais mais dinâmicos e voláteis permitem ao funcionário se ver livre das escalas e hierarquias que o fazem se sentir preso aos modelos preestabelecidos e à sensação de falta de autonomia.

dor brasileiro aprendeu a descansar quando não fosse observado. “Se não houver autodisciplina, como poderemos ser produtivos? Elementos legais reforçam a tese de que o brasileiro vê o lucro como algo proibitivo e aliciador, e que só é alcançado mediante o esforço do outro. O capital é, culturalmente falando, decorrência do esforço de alguém que está abaixo e que serve a esta finalidade

Saber se relacionar com os demais membros de sua categoria profissional, priorizar possibilidades de atuação, perceber-se como um ser colaborativo, cooperativo e também estar constantemente inconformado com a sua situação” JOÃO BONOMO, PROFESSOR DO IBMEC-MG

proibida”, completa. ​A colonização do país, feita por diferentes povos, também formou populações desiguais em ternos de produtividade. Conforme explica Bonomo, outros fatores, como o tipo e o tempo de industrialização, a base econômica e a dificuldade de acesso às regiões mais afastadas do mar, como o centro-oeste e o norte, barram os avanços no setor educacional. Assim, a qualificação profissional não acontece, interferindo na eficiência do trabalhador.

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Produtividade

Segundo Bonomo, não existe uma regra de ouro para empresas alcançarem os padrões de produtividade tão desejados no Brasil. “Contudo, pode-se pensar em alternativas que dão certo em outros locais e que podem ser aplicadas nas empresas brasileiras, tais como melhorar o clima do trabalho, entender as limitações de seus colaboradores internos – estabelecendo procedimentos para a qualificação deles – e entender que somente redução de custo não é suficiente para

MAIS PRODUTIVIDADE Mesmo tido como o setor mais produtivo por aqui, a área agrícola e pecuarista também não consegue bater os níveis de produtividade de outros países. De acordo com Bonomo, o Brasil ainda está na monocultura nesse sentido. Só há uma sensação de eficiência nessas áreas, pois é mais fácil verificar o desempenho de produção de algum produto por alqueire do que colher os números de um atendente de loja, por exemplo.

pelo grupo, para alcançar resultados gerais e não específicos. E os efeitos de tais medidas serão percebidos no cotidiano profissional dos colaboradores, além de haver impactos positivos na vida pessoal e social de cada um deles. “É sabido que a educação consegue impactar positivamente na renda do trabalhador. Portanto, à medida que ele passar a encarar o trabalho como uma dádiva, certamente poderá entender que se tem dois braços e pernas é

que uma empresa seja mais competi-

Para ter um país mais produtivo, ​

porque poderá trabalhar e transformar

tiva do que outra”, declara.

então, é preciso mudar a mentali-

o universo. Não somente por meio

dade dos trabalhadores. Eles devem

da intervenção que o dinheiro pode

entender a produtividade como uma

proporcionar, mas também como ele

característica louvável e não um sinal

pode fazer do mundo um local melhor

de individualismo. A eficiência no

para viver”, aponta o professor.

E essa é uma tarefa para as empresas estrangeiras presentes em território brasileiro também, pois boa parte delas não consegue efetuar tais mudanças, por conhecem o nível de eficiência do trabalhador brasileiro. Para alcançarem bons resultados, elas estabelecem metas a serem batidas em troca de benefícios, como talvez a única alternativa para se adaptar ao cenário nacional. “Desse modo, precisam rever as metas no mercado brasileiro”, diz o professor.

É sabido que a educação consegue impactar positivamente na renda do trabalhador. Portanto, à medida que ele passar a encarar o trabalho como uma dádiva, certamente poderá entender que se tem dois braços e pernas é porque poderá trabalhar e transformar o universo”

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trabalho deve ser sentida e desejada

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


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