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ano 14 l nº 60 www.revistahost.com.br

by Auroraeco Viagens FORA DA ROTA

Belezas do Salar de Uyuni, na Bolívia, e maravilhas do Japão – muito além de Tóquio

TOP 5 BIKE TRIPS

Destinos perfeitos para viajar de bicicleta em grande estilo

SURPREENDENTE

Viagem de trem leva você aos tesouros da antiga Rota da Seda


publisher e editor Flavio Mendes Bitelman MTB 68810/SP

fbitelman@revistahost.com.br curadoria de conteúdo Guilherme Padilha guipadilha@auroraeco.com.br coordenação editorial Eliana Castro eliana@ideiascustomizadas.com.br projeto gráfico e direção de arte Ana Luiza Vilela analuvilela@gmail.com gerente financeira Juliana Vasconcelos colaboradores desta edição Daniel Almeida (ilustração) José Américo Justo (revisão) impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. tiragem 12.000 exemplares redação, administração, publicidade e correspondência

Rua Cônego Eugênio Leite, 920 Pinheiros, São Paulo, SP – CEP 05414-001 telefone (11) 3061-9025

A revista Host & Travel by Auroraeco Viagens é uma publicação da editora Jobson Brasil Ltda.

Fotos Analice Diniz Auroraeco Viagens Bernardo Negri Bruna Arcangelo Toledo DuVine Cycling + Adventure Co. El Otro Lado - Private Retreat Elizeu Souza Flavio Bitelman Guilherme Lima Guilherme Padilha Hacienda Bambusa Ion David Maria Christina S. Q. Alvarenga Rancho do Peixe Shutterstock Surfin Sem Fim Tierra Hotels


editorial

Viajar é experimentar a vida

É

preciso saber viver. Melhor: é preciso saber viver bem. Respeitar o momento de parar, recarregar as energias e ter novas experiências para voltar ao cotidiano mais humano e inspirado. Renovar é preciso para não cair na monotonia de fazer sempre tudo igual. E, sobretudo, para não enxergar tudo sob a mesma perspectiva. Diariamente somos bombardeados por infinitas informações que chegam aceleradas e sem filtros, via internet. Engolidos pela correria do cotidiano, queremos acreditar – ou simplesmente acreditamos – que estamos recebendo cultura através das telas dos nossos monitores e celulares. E enquanto passamos horas debruçados em nossas janelas high-tech, perdemos a chance de apreciar paisagens distintas, olhar nos olhos das pessoas, conversar sem pressa, observar e entender diferentes histórias para, então, tirar nossas próprias conclusões e ter opiniões muito mais bem formadas sobre o que acontece no mundo real. É por isso que, mais do que nunca, é importante viajar para refletir, ver, sentir e renascer. Aprender a curtir o presente com a paciência dos monges zen-budistas do Japão. Sentir o vento e o sol batendo no rosto ao pedalar por caminhos nunca experimentados, dividir refeições e bater papo com pessoas que moram nesses lugares. Mergulhar nas lindas águas turquesa do mar de delícias e histórias da Grécia, berço do pensamento ocidental. Se desconectar em meio à imensidão branca do Salar de Uyuni, na Bolívia. Pôr a mão na terra, plantar, colher, processar e tomar uma xícara do melhor café colombiano – compreendendo que, além de aroma e sabor, ele está impregnado de cultura. Voltar no tempo e sacolejar no trem que vai nos revelar o antigo caminho que aproximou dois mundos, Ocidente e Oriente, e viver esse encontro de culturas que permeia a região da antiga Rota da Seda. Viver não é preciso, diz o célebre verso. E é justamente nessa imprecisão da diversidade que está a beleza da vida. Boa viagem! Gui e Flavio

Kriz Knack

Guilherme Padilha Presidente – Auroraeco Viagens Flavio Bitelman Publisher – revista Host & Travel

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60 Capa: Mesquita em Bukhara, UzbequistĂŁo / Shutterstock.com Contracapa: Vista das montanhas sagradas de Kumano, no JapĂŁo / Auroraeco


sumário

edição nº 60 | 2018

Seções 6 Travel online

Tecnologia para ajudá-lo em suas viagens

8 Travel journal

A empresária Maria Christina conta por que quer voltar à Chapada dos Veadeiros

20 Navegar é preciso

A alegria de reunir literatura, música e natureza nesse passeio mais que especial

68 Auroraeco news

Curiosidades sobre o Vietnã, as estrelas do Atacama e um projeto para proteger os pumas

69 Personagens do Brasil

Jean-Daniel Vallotton conta como, junto com seu Miguel, tem ajudado a transformar Novo Airão

70 Agenda

Programe-se desde já

72 Vistagram

Belas imagens para curtir

10 Top 5 bike tours

Roteiros incríveis para você curtir pedalando em grande estilo

24 Panamá

Descubra El Otro Lado e a rica cultura desse belo país

28 Surfin sem fim

Maravilhas: o Delta do Parnaíba e os Lençóis Maranhenses para desvendar de kitesurfe

34 Chiloé 42 Rota da seda

Esse arquipélago do Chile tem identidade própria

Descubra joias da Ásia Central nesse mágico percurso de trem

52 Colômbia 60 Fora da rota

Há muito o que desvendar nesse paraíso

Belezas do Salar de Uyuni, na Bolívia, e do Japão para quem busca experiências únicas 5


Embarque na tecnologia Aplicativos e site que ajudam a viajar bem

Você nos melhores lounges dos aeroportos

Consultor financeiro para todas as horas Precisa calcular moedas on-the-go? Com o XE Currency App, você pode acessar as taxas de câmbio ao vivo, visualizar gráficos históricos e calcular preços em seu smartphone ou tablet. O aplicativo tem dados de mais de 180 moedas, as cotações estão sempre atualizadas e você pode armazenar as informações pesquisadas para uso off-line. Bem prático, está disponível para dispositivos móveis Android, iOS, BlackBerry e Windows Phone. Também tem versões para Windows 8, web e extensão para Firefox.

XE Currency www.xe.com/apps/

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Com este aplicativo gratuito – para iOS e Android –, você não precisa ser VIP para entrar em alguns dos melhores lounges de aeroportos do mundo. Depois de preencher seu perfil no LoungeBuddy sobre itinerário, programas e status de viajante frequente, associações e cartões de crédito, você receberá informações dos lounges mais próximos, bem como fotos, comodidades disponíveis e comentários de quem passou por lá. Para desfrutar desse conforto, você pode se inscrever no programa de passageiro frequente. Há lugares em que isso basta para ter entrada gratuita. Mas, em alguns casos, será preciso pagar uma taxa única para acessar o lounge.

LoungeBuddy www.loungebuddy.com/


t rav e l o n l i n e

APP PERFEITO PARA AVENTUREIROS DuVine na rota de importante prêmio da internet O site da DuVine Cycling + Adventure Co., que tem parceria exclusiva no Brasil com a Auroraeco para tours de bike no Hemisfério Norte, recebeu indicação do 22º Annual Webby Awards, na categoria Design. Aclamada como a “maior honraria da internet” pelo jornal The New York Times, a premiação é realizada pela Academia Internacional de Artes e Ciências Digitais (Iadas), principal organização de prêmios internacionais da internet. “Nomeados como a DuVine estão estabelecendo o padrão de inovação e criatividade na internet”, declarou Claire Graves, diretora executiva do The Webby Awards. Com essa indicação, a DuVine agora poderá concorrer a outra importante premiação: a Webby People’s Voice Award. A votação é feita online por qualquer pessoa do mundo todo.

Com o aplicativo Komoot (para Android e iOS), basta planejar os roteiros de suas aventuras de caminhada, bike ou mountain bike para ser guiado em todas as trilhas, estradas (pavimentadas ou não) ou caminhos, mesmo quando estiver off-line. Fora isso, você pode consultar os lugares favoritos da comunidade do app para decidir quais os percursos mais legais, saber onde tem lanchonete, lugares para dar um tempo e curtir a paisagem. Também pode – e deve – compartilhar suas fotos e opiniões para contribuir com outros aventureiros que estão na comunidade. Os usuários dos dispositivos Garmin podem se conectar ao aplicativo Komoot para maior precisão e coleta de dados adicionais. O aplicativo e o primeiro download regional são gratuitos, com segmentos adicionais disponíveis por US$ 3,99. E o inventário completo de mapas da Komoot sai por US$ 29,99.

Komoot www.komoot.com/

Webby People’s Voice Award www.webbyawards.com DuVine Cycling + Adventure Co. www.duvine.com

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SAUDADE DA CHAPADA DOS VEADEIROS

Ion David

A jornalista e empresária Maria Christina Souza Queirós Alvarenga conta por que quem vai para lá sempre quer voltar

“Foi uma experiência tão legal que já estou me programando para voltar lá”, conta Maria Christina, que foi com a filha e adorou caminhar pela região e tomar banhos nas cachoeiras

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Ion David

t rav e l j o u r na l

A

doro fazer viagens que juntam caminhada e natureza. Depois de já ter ido à Chapada Diamantina, achei que seria ótima ideia conhecer a Chapada dos Veadeiros, porque fazia tempo que ouvia as pessoas comentarem maravilhas sobre essa viagem. Escolhi o feriado de Páscoa para passar lá os quatro dias na companhia da minha filha Isabel, que tem 20 anos e gosta desse tipo de experiência. A Chapada dos Veadeiros tem uma paisagem linda e é um lugar bastante singelo. O vilarejo de São Jorge, onde fiquei hospedada, tem três ruas na horizontal e oito na vertical. A pousada em que me hospedei é simples, tem um belo jardim e chalés confortáveis. Mas quem precisa de mais? Afinal, uma pessoa que escolhe um destino como esse não está em busca do luxo convencional. Quer mais é desvendar as belezas naturais. E isso lá tem de sobra. Nunca vi nem mergulhei em cachoeiras tão bonitas como as de Veadeiros, o que para mim, que estou acostumada com

viagens assim, foi bem surpreendente. O que eu mais amei é que, além de as quedas-d’água serem fortes, elas não são tão frias – coisa que, em outros lugares, como a Chapada Diamantina, sempre me desencoraja a dar aquele mergulho prolongado. Mas ali, não. Tomei vários banhos e deixei que as águas fizessem aquela deliciosa massagem que espanta todo o estresse que a gente carrega em função da correria do dia a dia. O ponto alto da viagem é a caminhada dentro do Parque dos Veadeiros. Ela é puxada, porque são 12 quilômetros, mas vale porque o lugar é muito bonito – e, para mim, que costumo andar cerca de 8 quilômetros por dia em São Paulo, foi tudo bem. Todos os passeios são acompanhados por um guia local, muito atencioso e que pode nos tirar as dúvidas e contar curiosidades sobre os lugares por onde vamos passando. Foi uma experiência tão legal que já estou me programando para voltar lá. Essa é uma viagem daquelas que quando a gente volta, sente saudade e quer repetir.” l 9


Experiências inesquecíveis para curtir sobre duas rodas Viajar de bicicleta é uma fantástica experiência sensorial. Sobre o selim da bicicleta você consegue cobrir dezenas de quilômetros por dia e, ao mesmo tempo, curtir – dentro do seu próprio ritmo – cada pedaço por onde passa

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top 5 bike

C

aminhar por entre parreiras, colher no pé uma fruta, degustar vinhos onde são produzidos, deliciar-se com a culinária da região em um restaurante estrelado ou na casa de um morador local... Esses são apenas alguns dos prazeres que os viajantes sobre duas rodas têm a chance de experimentar dentro do seu próprio ritmo. E o melhor de tudo é que, cada vez mais, existem roteiros fantásticos para percorrer mesmo que você seja apenas um ciclista de fim de semana. Selecionamos cinco roteiros incríveis para você curtir suas férias sobre duas rodas. Mais do que uma viagem, esses destinos oferecem surpreendentes experiências culturais, com excelentes opções gastronômicas e até de refeições caseiras, preparadas com carinho por moradores locais, que adoram receber os viajantes. Também contam com superguias que são ótimos “anfitriões”, suporte de van para atender às suas necessidades, hotéis charmosos e confortáveis para relaxar. Escolha o roteiro que mais combina com seu estilo e divirta-se. Você merece!

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A escandalosa beleza e gastronomia de Bordeaux

Este roteiro é perfeito para quem deseja explorar, sem pressa, as delícias de Bordeaux, uma das mais famosas e respeitadas áreas vinícolas localizadas a sudoeste da França. A viagem começa em Graves, sub-região de Bordeaux. Além de pedalar entre vinhedos, conhecer châteaux e charmosas vilas, você vai experimentar vinhos maravilhosos. A região possui aproximadamente 250 produtores que cultivam as melhores cepas tintas de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, petit verdot e malbec; e de brancos como sauvignon blanc, sémillon, muscadelle e sauvignon gris. No Château Smith Haut Lafitte, uma das mais antigas e festejadas propriedades vinícolas de Bordeaux, você faz uma pausa para curtir a piscina ou, simplesmente, relaxar em um luxuoso quarto. Depois de degustar os melhores vinhos, claro. No segundo dia, vai conhecer vilarejos e vinhedos de Paysage Bordelais, às margens do Rio Garonne, cruzar a região de Entre-Deux-Mers até chegar ao Rio Dordogne. O passeio termina no deslumbrante hotel Château Grand Barrail.

Em Bordeaux, os passeios de bike são sempre muito bem recompensados com deliciosas comidas e hospedando-se em belíssimos châteaux

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Sua construção data do século 19 e ele é o único hotel-castelo na margem direita de Bordeaux, aos pés do famoso vinhedo e do belo vilarejo de Saint-Émilion, Patrimônio Mundial da Unesco. À noite, você vai ter um jantar inesquecível no luxuoso restaurante do hotel. Na manhã seguinte, o dia será de visitas às mais importantes propriedades de Pomerol e Saint-Émilion: Cheval Blanc, Château Figeac, Petrus e Angelus. Nelas, claro, irá provar vinhos excelentes. O almoço será no restaurante do Château Candale, que tem um menu criativo. Mas o melhor está reservado para a noite: ao retornar para Saint-Émilion, será convidado de uma adega VIP para fazer degustação exclusiva. Depois, você pode escolher um dos excelentes restaurantes locais para jantar – La Terrasse Rouge e L’Envers du Decors são duas top escolhas. Em Saint-Émilion, não deixe de visitar a Igreja Monolítica, obra do período medieval esculpida em uma única rocha. No mesmo local, na Place de Créneaux, são encontradas as famosas catacumbas, que eram os locais onde se enterravam as pessoas mais importantes da cidade, e muitas


top 5 bike

galerias subterrâneas abrigam, há séculos, vários quilômetros de adegas, que guardam garrafas das melhores safras da região. E foi graças aos 1 400 anos de viticultura, que Saint-Émilion recebeu a nomeação pela Unesco de Patrimônio Universal em 1999 – a primeira área de cultivo de vinho no planeta a receber essa distinção. Pedalar às margens da foz do Gironde é mais um dos passeios que você vai adorar. Especialmente porque vai visitar regiões vinícolas de Bourg e Blaye. Elas são pouco conhecidas, mas vale ir, porque essa região combina os prazeres do vinho com igrejas romanas e sítios arqueológicos. Entre os destaques estão a Fortaleza de Blaye, o Forte Pâté e o Forte Médoc, listados como Patrimônio Mundial pela Unesco. E será ali, rodeado por esse ambiente histórico, que você vai almoçar antes de cruzar o Gironde em uma balsa para chegar a Médoc, o berço das uvas cabernet sauvignon. Mais algumas pedaladas adiante e voilà: chega-se ao luxuoso hotel Cordeillan-Bages, construído em meados do século 19. Após um ótimo descanso, o circuito é iniciado por Estèphe. Momento de conhecer célebres propriedades de Bordeaux: Château Mouton Rothschild, Château Lafite Rothschild e Château Latour. Momento de descobrir o porquê de seus vinhos serem tão incríveis. E prepare-se, porque no fim dessa jornada você tem encontro marcado com o chef Jean-

-Luc Rocha, do Cordeillan-Bages, restaurante que recebeu duas estrelas no Guia Michelin: ele irá preparar um jantar especialmente para o seu grupo.

Navegar, pedalar e deliciar-se com a culinária do Mediterrâneo

Navegar pelo Mediterrâneo rumo às intocadas ilhas gregas, muito bem instalado a bordo de um sofisticado gulet – veleiro turco com dois ou três mastros –, é apenas parte da aventura que você irá experimentar neste roteiro que une o melhor da comida mediterrânea aos ótimos vinhos gregos. Tudo isso com direito a mergulhos no maravilhoso Mar Egeu (situado entre a Grécia e a Turquia), prática de caiaque ou stand up paddle. Durante toda a viagem você vai visitar belas enseadas antes de retornar para o merecido descanso em sua confortável cabine. Dodecaneso, um conjunto de ilhas gregas no sudeste do Mar Egeu, entre Creta e Turquia, guarda relíquias. São ruínas com influência bizantina, casas caiadas de branco e falésias vulcânicas que são reveladas a cada pedalada que você dará pelas estradas costeiras, ao longo de crateras vulcânicas queimadas e por entre as lindas aldeias com as típicas casinhas em tons de branco e cobalto. Você tem a opção de começar essa viagem inesquecível fazendo o pré-tour (opcional) em Atenas, coração da antiga 13


Grécia, onde os passeios históricos são o grande destaque. Se preferir, pode iniciar sua jornada diretamente de Kos, onde seguirá de ferry para Turgutreis, para se instalar no Kaya Guneri Plus, nosso iate particular, e receber o jantar de boas-vindas no convés. Você vai navegar até a ilha deserta de Pserimos, local em que poderá mergulhar naquelas águas de esplêndido azul. À tarde, a âncora é lançada em Kalymnos, onde você irá receber e ajustar a sua bicicleta e partir para a Baía de Emporios. O primeiro desafio será subir até o ponto mais alto da ilha. Mas pode ficar tranquilo, porque esse caminho será percorrido gradualmente, com paradas para mergulhos e tempo para curtir as estonteantes vistas para o Mar Egeu. Na extremidade norte da ilha, onde um barco estará à sua espera, ainda poderá refrescar-se com mais um mergulho revigorante ou, se preferir, saborear um legítimo café grego. Depois, você escolhe se prefere relaxar em um cruzeiro panorâmico ou seguir andando de volta à costa ocidental de Kalymnos. Bem cedo nosso iate retorna à Ilha de Kos. E, na parte

Acima, a chegada de barco privativo à Ilha de Kos. Na imagem do alto, bicicleta descansando com vista para o vilarejo de Zia. Ao lado, um saboroso almoço à beira do vinhedo em Rodes

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da manhã, você vai se divertir percorrendo de bicicleta a ilha e conhecendo vilarejos pitorescos. O ponto máximo dessa rota é Zia, comunidade muito charmosa que conta com a mais incrível vista para a Ilha de Kalymnos. E continuará rumo às ruínas do antigo templo da cura, o Asclepion, onde o Juramento de Hipócrates foi formulado. Depois de um delicioso almoço no nosso gulet, poderá passar o resto do dia se banhando no Egeu ou dar um pulo até a Cidade Velha, em Rodes, onde as enormes fortificações medievais chamam a atenção. Na Ilha de Nisiros, durante a subida até seu topo, prepare-se para se deslumbrar com as vistas do Mar Egeu, das ilhas gregas e do imponente litoral da Turquia. E a emoção não para por aí. Em Nikia, vilarejo localizado no ponto mais alto da ilha, você poderá olhar dentro da boca de um vulcão ativo. A pausa será para provar um autêntico almoço na taverna local, em Mandraki. E o novo desafio será não se encantar com suas casas de telhados planos, ruas de pedra-pomes e a acrópole do século 4. Em Symi, entre casas neoclássicas e igrejas do final do século 19, está o Santo Mosteiro de Arcanjo Miguel Panormitis. Esse monastério da Igreja Ortodoxa grega fica ao lado de um belo bosque de oliveiras e ciprestes. E é um importante sítio de peregrinação, reconstruído em 1783, após os extensos danos que sofreu durante a Guerra da Independência grega.

Ao chegar a Rodes, a maior das ilhas de Dodecaneso, Patrimônio Histórico da Humanidade e famosa devido ao Colosso de Rodes (estátua considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo), o passeio de bicicleta será por essa esplêndida cidade medieval rumo a uma pequena adega grega. Ali, você terá a chance de selecionar alguns vinhos para comprar, sempre com a ajuda especial da simpática proprietária dessa vinha. Durante todos esses dias, você vai deliciar-se com a culinária mediterrânea. Peixe fresquíssimo grelhado no azeite, moussaka e salada coberta com fatias de feta salteadas em ervas – devidamente acompanhadas pelos saborosos vinhos da Grécia e da Turquia – certamente deixarão saudade.

Enogastronomia e arquitetura surpreendentes de Mendoza

Prepare-se para degustar os melhores vinhos (e com eles, deliciosos pratos) produzidos em Mendoza, o coração da região vinícola da Argentina. São mais de 900 vinícolas aos pés dos Andes, conhecido por ter uma das mais deslumbrantes paisagens da América do Sul. Você vai passar dias inesquecíveis muito bem hospedado, porque a região tem uma excelente oferta de hotéis pequenos e luxuosos à beira dos vinhedos, além de oferecer uma experiência gastronômica fantástica. 15


A geografia plana de Mendoza é uma excelente opção para quem está pouco acostumado a andar de bicicleta. No ritmo suave das pedaladas você vai desvendar os vinhedos dessa região repleta de casarões e fazendas em que modernas construções arquitetônicas abrigam suas bodegas. A Bodega Catena Zapata, em Luján de Cuyo, é considerada uma das melhores do país e possui uma inusitada construção em formato de templo maia. Você vai adorar a biblioteca de vinhos, onde estão armazenados alguns dos melhores do mundo para que se possa fazer uma comparação entre eles e os produzidos localmente. O almoço do primeiro dia será em grande estilo, na belíssima Bodega Ruca Malen. Seu prédio moderno e funcional abriga uma sala com varanda que dá vista para os picos El Plata e Tupungato, parte das Cordilheiras. Ela foi a primeira vinícola de Mendoza a desenvolver um menu degustação para os visitantes. Sua cozinha prioriza ingredientes frescos, criando pratos que se harmonizam com as bebidas produzidas na propriedade. A qualidade, o sabor e o esmero valeram o reconhecimento internacional: em 2013 recebeu o prestigiado prêmio de Melhor Restaurante de Vinícola do Mundo, concedido pela associação Great Wine Capitals.

Em Mendoza, as pedaladas são entre as alamedas de álamos, árvore típica regional. No Rio das Antas, na região do Vale dos Vinhedos, vale parar para apreciar a vista e molhar os pés. A roda-d’água, na Casa do Mate, também no Vale dos Vinhedos, ainda hoje funcionando no preparo da erva para consumo

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Aqui, vale uma pausa para contar um pouco mais sobre Tupungato, que significa “janela de estrelas” na língua indígena huarpe. A cidade está localizada no Vale do Uco, entre o Chile e Mendoza, e é a décima quarta montanha mais alta de toda a Cordilheira – e também da América do Sul (são estonteantes 6 565 metros de altitude). E sua fama não para somente em suas belezas naturais: também é célebre por ter as melhores uvas da região e quilômetros de cultivo de ameixas, pêssegos e maçãs, o que lhe rendeu a alcunha de “corredor produtivo”. Impossível descrever o que é pedalar ali, com direito a colher de suas saborosas frutas para comer em uma ou outra parada. O cuidado é não exagerar porque o almoço será na Bodega Andeluna. Com projeto arquitetônico imponente, sua cozinha é inspirada em receitas que nasceram da mistura dos povos que migraram para a região. O menu de seis passos é delicioso e muito bem acompanhado de vinhos maravilhosos. Fora isso, o que cativa é o ambiente aconchegante. Na área do restaurante, a cozinha aberta permite o contato com os chefs e com produtos recém-colhidos da horta exposta em cestinhas. Um charme.


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Outra parada imperdível é a Bodega Salentein, onde está Killka, dedicado às artes e aos vinhos. A ideia original desse espaço era unir cultura e natureza. Ali, além de apreciar a valiosa coleção de arte contemporânea argentina e holandesa dos séculos 19 e 20, você experimentará vinhos excelentes em um ambiente arquitetônico moderno.

Vale dos Vinhedos: saboreie o pedaço mais gostoso do Brasil

É no triângulo formado pelas cidades de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Garibaldi, localizado na Serra Gaúcha, que está aninhado o Vale dos Vinhedos. A região traz, literalmente, o sabor da herança deixada pela forte imigração italiana. Os vinhos produzidos no Vale são os únicos do país a apresentar o selo de indicação de procedência (desde 2002) e o de denominação de origem (desde 2011) – garantias da qualidade dos vinhos. Pedalar por ali é uma delícia no mais amplo sentido da palavra. Você vai adorar o belo cenário composto por suaves colinas cobertas por parreiras, plátanos e araucárias, pequenas propriedades rurais e vinícolas renomadas. Na pequena cidade de Pinto Bandeira, irá pedalar pelos Caminhos de Pedras, Patrimônio Histórico do Rio Grande

do Sul desde 2009, onde está concentrado o maior acervo arquitetônico da imigração italiana em meio rural do país e, por isso, chamado de “museu vivo”. A primeira parada será na Casa do Mate, onde você visitará uma fábrica de processamento artesanal de ervas e degustará um típico chimarrão. Depois, irá visitar a Vinícola Cave Geisse. Ela foi fundada em 1979 por Mario Geisse, engenheiro agrônomo e enólogo que se mudou para o Brasil com a missão de dirigir a Moët & Chandon no país. Ele logo percebeu o potencial para a produção de vinhos, em especial espumantes, e decidiu ficar e formar sua própria vinícola. Soube aproveitar ao máximo as características ideais da microrregião, implantando em todos os seus vinhedos o sistema de espaldeira – e, com isso, o seu foi o primeiro vinhedo de espaldeira de chardonnay da região. Não por acaso, o local é considerado um dos marcos da viticultura brasileira na busca de qualidade. Hoje 100% dos vinhedos Geisse são tratados de maneira ecoeficiente, sem utilização de agrotóxicos, por meio do sistema TPC (Thermal Pest Control), que permite harmonia com o meio ambiente, além de garantia de matéria-prima de alto nível. Em Bento Gonçalves, irá visitar a Igreja Nossa Senhora das Neves, “a Igreja dos Vinhos”. Ali, a pedalada iniciará pela Rota das Vinícolas – passando por Marco Luigi, 17


Milantino, XV da Graciema, Estrada do Vinho, Vale Aurora e Alma Única. O roteiro termina com um brinde no jardim da Vinícola Wine Garden, onde você vai poder relaxar em esteiras ou toalhas estrategicamente colocadas sobre o gramado e, contemplando a paisagem e o ar fresco da Serra Gaúcha, deliciar-se com delicados sanduíches, empanadas, tábuas de frios, queijos selecionados, pizzas artesanais e bruschettas. Tudo regado a ótimos vinhos e, claro, espumantes.

Arte e natureza regados aos espetaculares vinhos do Vêneto

O Vêneto, na Itália, é a terra natal de algumas das mais conhecidas denominações italianas, como Prosecco, Valpolicella e Bardolino. Foi na década de 1990 que a região ganhou mais atenção dos amantes do vinho por concentrar a produção de alguns dos melhores vinhos italianos, como os tintos Valpolicella e Amarone, além do maravilhoso vinho branco Soave e do espumante Prosecco. Para curtir os prazeres da enogastronomia italiana, você sairá da charmosa cidade de Verona – famoso cenário da trágico-romântica história de

A viagem pela região do Vêneto, além de brindar os visitantes com os vinhos e Proseccos mais aclamados da Itália e sua excelente gastronomia, é uma aula de história, artes e arquitetura

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Romeu e Julieta – e irá para a encantadora Borghetto sul Mincio. A pequena cidade faz jus ao título de “I borghi più belli d’Italia” (que pode ser traduzido como “um dos burgos mais bonitos da Itália”). No luxuoso hotel, você vai desfrutar de um copo de Prosecco regional enquanto revisamos a montagem da sua bicicleta. E de lá fará seu primeiro passeio por Custoza, uma pequena aldeia do norte da Itália, na província de Verona. Ao longo do caminho, visitará a fazenda da família de nosso amigo Gianni para provar sua ótima seleção de vinhos. A noite termina no hotel com o melhor tortelli da região, servido nos salões de afrescos do requintado restaurante. Descansar no conforto do seu quarto e acordar ao suave som do Rio Mincio vai ajudá-lo a carregar as energias para a visita a Mântua, onde vai desvendar uma das maiores concentrações de arte da Itália renascentista. Em seguida, pedalará seguindo o sinuoso curso do Mincio. No Palazzo Ducale, com seu estonteante estilo gótico italiano, será impossível não se surpreender com a beleza dos muitos (e famosos) afrescos. Outra parada que vale é o Teatro Bibiena, considerado um dos projetos arquitetônicos mais im-


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portantes da Europa do final do século 18. Ele foi inaugurado em 16 de janeiro de 1770 por ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart. Com apenas 14 anos de idade, o gênio da música clássica chegou a Mântua, que fazia parte de sua primeira turnê italiana. Lá, fez um concerto memorável com seu pai, Leopold. Importante lembrar que a cidade possui excelentes trattorias, então, não perca a chance de almoçar em uma delas. O sofisticado Aquila Negra e o familiar Osteria dell’Oca são alternativas que você deve considerar. O destaque deste roteiro é a visita à Vinícola de Bardolino. Para chegar lá, subirá o Mincio. As pedaladas serão feitas ao longo de uma serra idílica repleta de oliveiras e vinhas com vista para o deslumbrante Lago Garda. A pausa será na bela Vinícola LaCa, de nossa amiga Marina, para saborear seus vinhos Bardolino. O passeio será aproveitado para explorar as ruas de paralelepípedos e parar em um restaurante local para um merecido descanso e um gostoso almoço. E, como nenhuma visita a Garda está completa sem um passeio de barco, você pegará uma balsa para contemplar as deslumbrantes vistas alpinas enquanto atravessa o lago até chegar ao aconchego do hotel. Outro passeio incrível que você vai fazer será na região produtora de vinho da Valpolicella. O percurso pode ser feito de bike ou, se preferir, pode usar nosso serviço de transfer. Seja qual for sua escolha, vai adorar a subida feita pelas

pequenas estradas agrícolas que oferecem uma vista linda. Ao chegar ao vale do Rio Adige, nosso amigo Stefano irá recebê-lo para um agriturismo chique no coração das vinhas, com pausa para um almoço degustação regado aos melhores vinhos locais. Você irá desvendar as vinhas ao redor do nosso exótico hotel, o Byblos Art. Depois, terá tempo para relaxar e jantar. As Montanhas Lessini também fazem parte do roteiro. E uma boa pedida é fazer a caminhada pelas pastagens e assistir, sem pressa, ao famoso queijo da montanha Veronese ser preparado. E, claro, provar ao menos um pedacinho. As vistas panorâmicas das Dolomitas e dos vales perto de Verona são destaques e o conselho é experimentar fazer parte desse percurso sozinho antes de pegar a bicicleta para uma suave descida ao longo das Cordilheiras da Valpolicella. O almoço será em uma osteria local, onde é possível conhecer histórias da região ao puxar prosa com os anfitriões – eles adoram papear com os viajantes. Um conselho: não se esqueça de checar o calendário de ópera em Verona. Assim, quando estiver na cidade, poderá assistir a um ótimo espetáculo no maravilhoso Quem leva anfiteatro romano de Verona. Auroraeco Viagens & Outro prazer que você precisa Duvine Cycling Co. – e merece – ter. l www.auroraeco.com.br 19


A Amazônia (nos) muda

O sucesso do Navegar é Preciso, que em 2019 comemora 9 anos, está na mágica experiência de cortar a exuberante paisagem amazônica sobre as águas do Rio Negro. A bordo de um barco, escritores, artistas e passageiros celebram a paixão pela leitura e pela música por Mariana Lima fotos Guilherme Lima

Harmonia entre as pessoas que estão no barco, proximidade com o paraíso natural amazônico e pausas para saraus: tudo isso torna a experiência inesquecível

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enhum ano lembra o outro. Nem a Amazônia segue a mesma algumas centenas de dias depois de nossa última visita. As águas sobem, descem e raramente repousam no mesmo nível. A marcação é vista a olho nu: o trecho escurecido dos troncos que compõem os infindáveis igapós das regiões por onde passamos contam sobre as cheias passadas. Algumas árvores caem, outras brotam, cipós se enroscam, preguiças mastigam o verde mais macio que encontram e a vida segue seu curso enquanto ninguém olha. Uma vez ao ano, nós da Auroraeco e nossos parceiros da Livraria da Vila comparecemos aos mesmos locais do ano anterior para testemunhar as mudanças – na floresta e em nós mesmos. A Amazônia, imensa, nos joga para dentro. Impossível não acordar contemplativo numa paisagem feita de céu acima e abaixo – refletido no líquido enegrecido de folhas oxidadas no fundo do rio largo. A capacidade de análise se alastra dentro do barco, quando as palavras dos outros nos invadem nos encontros literários com ares de confessionário. Todo ano o cronograma muda um pouco, sofrendo ajustes em um dia ou atividade, mas continua preciso, calculado, recalculado, testado e aprovado. Do outro lado, o impreciso: a matéria humana, que é a peça central da viagem. Novos convidados cercados por navegantes de primeira viagem ou de navegantes recorrentes. Alguns nomes reaparecem em nossas listas, mas seus detentores carregam olhos que viram mais dias, testas que muito se franziram tensas e barrigas que se sacudiram rindo de coisa boa. Clarice Niskier é veterana, mas a cada Navegar a encontramos mais solta fora do palco e mais firme nele. A cada leitura, mais densa, sem endurecer. Os olhos cansados da Clarice têm um brilho alerta de quem presta dedicada atenção infantil a tudo e todos à volta. Clarice sempre captura. De algum modo, o que ela faz no tablado é literatura. Na sua fala nos descobrimos lendo e aprendendo letra a letra, coisa de livro. Ela combina com o Navegar e por isso tende a ressurgir, sempre bem-vinda – venha! Os autores sempre surpreendem, difíceis de prever. Muitas vezes uma característica reclusa toma a raia central e esquecemos dos personagens que tecemos com pesquisas prévias. Em 2018, vimos a doçura do Bernardo Carvalho colocar em riste as bochechas de uma face romana. Inundado pela voz da Lívia Nestrovski e pela musicalidade de seu parceiro Fred Ferreira, Bernardo voltou 21


Todos no mesmo navegar: Leandro Karnal, Maitê Proença, Bernardo Carvalho, Clarice Niskier, Beatriz Bracher, Lívia Nestrovski e seu parceiro Fred Ferreira

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a ser menino e brincando (ou não) jurou “stalkear” os novos ídolos – e amigos. Nesta hora descolou-se do medo, do fracasso, da controvérsia – temas duros que o interessam e o compõem. A tímida Beatriz Bracher conduziu a entrevista de Maitê Proença como se fosse uma profissional do ramo. Após o evento, elogios a sua linha condutora dançaram de proa a popa. Ela também impressionou Leandro Karnal, que durante os primeiros dias da viagem ausentou-se dos passeios, focado na tarefa de concluir a leitura da obra completa da autora que entrevistaria no barco. Por sua vez, ele deixou marca nítida no Navegar, nem tanto pela profundidade assustadora do conhecimento angariado, mas pela simplicidade do homem, sempre acessível e didático. Maitê chamou atenção como não lhe é permitido deixar de fazer. Mostrou-se leve, às vezes engraçada. Foi uma entre tantos convidados que tivemos o condão de receber. Navegar adentro, a alguns nomes demos rosto, a algumas caras demos almas. E nos revimos. Tocamos lisos botos e frios jacarés. Nos tocamos do valor da Amazônia – é preciso viver a floresta para entendê-la. Soa clichê, mas é apenas a realidade. Às vezes ela é autoevidente. Alguns bons livros nos levam a boas pessoas e o caminho contrário em geral é verdadeiro. No Navegar essa equação flui com vazão máxima e pessoas e livros são mútuos afluentes de si próprios. Mananciais de retroalimentação. No próximo ano, o Navegar é Preciso será todo diferente. A cada edição o projeto renasce e vale sempre viver mais uma vez – ou pela primeira vez. Em 2019, esperareQuem leva mos você de 29 de abril a 3 de maio no mesmo Livraria da Vila e porto de sempre, em Manaus, preparados para Auroraeco Viagens descobrir como será a viagem desta vez. l www.auroraeco.com.br/navegar 23


Panamá: você precisa descobrir essa maravilha

Praias banhadas pelo azul cristalino do Caribe, habitat de plantas e muitos bichos tropicais, uma capital moderna... Bem-vindo a esse país que tem tudo de bom para receber você. Incluindo El Otro Lado, um retreat em Portobelo para você passar dias tranquilos em meio à bela paisagem

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Panamá tem a maior floresta tropical do Hemisfério Ocidental fora da Bacia Amazônica. Abriga várias ilhas e praias banhadas pelo azul-turquesa cristalino do Caribe. E é morada de um enorme conjunto de plantas tropicais, animais e pássaros, alguns deles não encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Somente essas características já seriam suficientes para que fosse um reconhecido destino de viagem. Estranhamente, durante anos o país ficou mais conhecido por seu célebre canal. Um desperdício. Isso porque estamos falando de um país vibrante, com paisagens deslumbrantes e uma ótima infraestrutura para receber muito bem seus visitantes, que encontram ali um clima de verão o ano todo – as médias registradas na Cidade do Panamá são de 30 °C. 24

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A capital do país é uma metrópole movimentada, com muitas árvores, e reúne história e contemporaneidade. No centro da cidade, você pode conferir modernos edifícios envidraçados ocupando as avenidas largas. Na área do Panamá Viejo, o cenário é diferente: lá estão os antigos e belos casarões de pedra. Em Casco Antiguo, as ruelas são um convite para fazer uma caminhada e admirar com calma construções da época colonial.

Um pouco de história

A história do Panamá é bastante curiosa. O país conseguiu sua independência da Colômbia com a ajuda dos Estados Unidos, que, em 1904, assumiram as obras do Canal do Panamá e, em contrapartida, dividiram a administração dele, que foi inaugurado em 1914. O objetivo dessa obra


Descobrindo a AmĂŠ erica

Fim de tarde na BaĂ­a de Portobelo com direito a passeio de barco e mergulho no mar

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iniciada pelos franceses em 1881 era conectar o Oceano Atlântico ao Pacífico para facilitar o comércio marítimo internacional. Apenas em 1999 o país retomou sua soberania; só então o Panamá passou a ter controle absoluto sobre seu Canal e sua receita. Sua rota é muito importante para transporte de cargas, fazendo com que os navios que passam por suas águas economizem tempo e dinheiro, por não precisarem dar a volta no extremo sul do continente. Atualmente, o Panamá é o país mais internacionalizado da América Latina, segundo o Índice de Globalização das Nações Unidas. O dólar é sua moeda corrente, o inglês é comumente falado nas ruas. Entre as atrações, o Panamá dispõe das águas mornas e transparentes do Mar do Caribe, paraíso dos mergulhadores, de cruzeiros luxuosos e dos esportes aquáticos. As praias do Caribe têm as areias mais brancas e os resorts mais procurados do país. Portobelo e Isla Grande são as mais famosas. A mais procurada para o surfe é Santa Catalina. A pouco mais de 80 quilômetros do Atlântico – ou uma hora de distância – é possível chegar até a costa do Pacífico, onde o mar revolto tanto agrada aos surfistas. Além de admirar a natureza exuberante, você poderá fazer compras em lojas duty free, fazer um passeio em uma ferrovia do século 19 e, claro, visitar o Canal do Panamá, obra de engenharia que impressiona tanto pela extensão quanto pelo seu mecanismo de funcionamento.

El Otro Lado

Um destino que precisa estar no seu roteiro é Portobelo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A região, que já foi destino cobiçado pelos piratas, é, atualmente, o paraíso almejado por quem deseja passar dias tranquilos em harmonia com a verdejante reserva tropical. Se na época colonial a região era ponto estratégico para o escoamento das

riquezas extraídas da América do Sul para a Coroa espanhola, hoje em dia um de seus maiores tesouros atende por El Otro Lado Private Retreat, hospedagem exclusiva à beira-mar recoberta pela floresta do Parque Nacional de Portobelo. Localizado na costa norte do istmo do Panamá e situado exatamente do lado oposto (ou seja, do “outro lado”) da vila de Portobelo, esse é o lugar ideal para relaxar e curtir a natureza. A exuberância natural que cerca El Otro Lado, a 130 quilômetros da capital, encanta. Nesse recanto mágico, o design e a decoração foram cuidadosamente integrados ao conceito de luxo, mas sem ostentação. A piscina de borda infinita com vista para o mar é o melhor lugar para você curtir na hora de calor intenso. Na Sala de Massagem “Com Sentimentos” os hóspedes recebem tratamentos aromáticos que ajudam a carregar as energias depois de um dia de diversão. A gastronomia do El Otro é um capítulo à parte. Os chefs elaboram menus diários com ênfase na culinária caribenha e influências mediterrâneas e orientais. Privilegiam produtos orgânicos tropicais nativos, com refrescantes variações de ceviche, a onipresente banana em inesperadas e deliciosas versões e, claro, o brilho sem igual dos frutos do mar. Há opção por menus vegetarianos, veganos e sem glúten. Você pode se hospedar em uma das vilas ou bangalôs, cada um com seu estilo e decoração próprios, todos extremamente confortáveis. Forest House é um chalé com 65 metros quadrados, com suíte, varanda e sala de estar independentes, com vista para o mar. Ele fica próximo a uma cachoeira que emite aquele delicioso som que ajuda a gente a relaxar. A Sun House está dentro da mata. A partir das varandas você pode avistar a beleza da baía. Spirit House fica debruçada sobre o mar. É o típico “pé na areia”, com duas suítes e uma arejada sala de estar. Todos os ambientes

El Otro Lado, em Portobelo, reúne tudo do bom e do melhor para relaxar e desvendar a cultura local

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Descobrindo a Amé erica

estão integrados a uma varanda de onde se avista a baía. A Casa Grande é uma estrutura que possui área comum no térreo e ainda três outros quartos independentes no andar superior. Embaixo estão a sala de estar, um bar e espaços para refeições. Na parte de cima, duas das suítes acomodam dois adultos e duas crianças ou adolescentes, enquanto a outra tem duas camas de solteiro. A equipe de funcionários conta com nativos que, por conhecerem bem a área, podem ajudá-lo a fazer passeios muito bacanas e exclusivos. Caminhadas na exuberante floresta tropical, passeios de caiaque, mergulhos no mar e pesca são ótimas opções para você se conectar com a esplêndida natureza. Para momentos de relaxamento, basta escolher uma das maravilhosas praias desertas: La Huerta, Puerto Frances e Playa Blanca são paradisíacas e você vai adorar. Ou ainda entregar-se a um dos deliciosos tratamentos do SPA. Vale a pena reservar parte do seu tempo para andar sem pressa pela charmosa Portobelo. A cidade tem muita história

para contar e sua arquitetura colonial de antes do século 17 foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. Entre os destaques estão os fortes de San Jeronimo e Santiago de La Gloria. Fora isso, há muitas atrações culturais. Além de ser um paraíso na Terra, El Otro Lado mantém um trabalho de inclusão social, resgate e valorização da cultura nativa, a Fundação Portobelo. Grupo musical, oficinas de carpintaria e festivais de danças folclóricas, além da Casa da Cultura Congo, que conta com uma galeria dedicada a artigos artesanais vendidos dentro do conceito de fair-trade, fazem parte desse projeto que você vai curtir conhecer. Uma verdadeira fonte de experiências inesquecíveis, El Otro Lado transporta você até um lugar de sonho em um ambiente harmonioso e equilibrado com todas as comodidades da vida moderna. Complicado vai ser Quem leva sair de lá sem ficar com Auroraeco Viagens saudade. l www.auroraeco.com.br 27


Existe um outro jeito de VIAJAR PELO MAR

Imagine só você passar suas férias percorrendo as paradisíacas praias do litoral do Nordeste brasileiro deslizando sobre a imensidão do mar com o vento batendo no rosto. Já é possível curtir esse gostinho de liberdade. O programa Surfin Sem Fim oferece viagens inesquecíveis (e seguras) de kitesurfe e indica os melhores caminhos para quem deseja iniciar-se no esporte. Prepare-se para essa aventura que ainda conta com charmosas hospedagens e outras comodidades para você ter essa prazerosa experiência 28

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v i a g e m at i va

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ento soprando 300 dias por ano, água cristalina e quente, dias quase sempre ensolarados, recantos paradisíacos... Se você adorou a ideia de ter férias assim, precisa conhecer os roteiros do Surfin Sem Fim,

que vão levar você a desvendar de kitesurfe a linda e selvagem natureza dessa costa que abriga o Delta do Parnaíba e os Lençóis Maranhenses. Nessas viagens, com sabor de aventura, você vai descobrir diversos rios que chegam até o mar e curtir aqueles incríveis lugares – e ainda sem

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Bruna Arcangelo Toledo

Bernardo Negri

nome – onde os carros não chegam, e nem mesmo os barcos conseguem passar. E não se preocupe com o fato de nunca ter praticado o esporte. No litoral onde acontece o Surfin Sem Fim há escolas de kitesurfe. É o caso do Rancho do Kite, anexo à pousada Rancho do Peixe, na Praia do Preá, perto de Jericoacoara, que abriu suas portas em 2006. Por lá já passaram mais de 10 mil alunos e, hoje, ele é uma das maiores e mais respeitadas instituições do mundo, com 20 instrutores formados pela International Kiteboarding Organization (IKO) ensinando diariamente – e em seis idiomas. Fora isso, há percursos para todo mundo – e de qualquer idade – vivenciar a magia de brincar pelas ondas, fazer saltos, velejar calmamente em superfícies flats e sentir a liberdade guiar. Uma das alternativas light é a rota de Preá a Camocim, com todas as facilidades e confortos que você pode sonhar. São diversas opções de roteiros de quatro a 13 dias, planejados para todos os níveis – do aprendiz ao experiente. O melhor de tudo é que, seja qual for o destino que escolher, você poderá contar com ótima estrutura e logística oferecidas pelas equipes do Surfin Sem Fim e com o apoio de 19 pousadas locais. Todas são muito charmosas e garantem o conforto para você relaxar após atividades, com direito à sua excelente gastronomia.


Analice Diniz

Elizeu Souza

v i a g e m at i va

Analice Diniz

Elizeu Souza

No litoral onde acontece o Surfin Sem Fim há escolas de kitesurfe para todos os níveis. E mesmo quem está aprendendo já vai se divertir

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Analice Diniz

A kitesurfista profissional Marcela Witt, uma das entusiastas das viagens do Surfin. Do lado direito, detalhes das confortáveis e charmosas pousadas em que você ficará hospedado

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Como nasceu o Surfin Sem Fim

A história do Surfin Sem Fim começou nos anos 1990, quando Marco Dalpozzo aprendeu a velejar de kitesurfe na Praia do Preá, no Ceará. Naquela época, os meninos nativos da região organizavam corridas de windsurfe entre si, sempre a favor do vento leste, indo de um ponto a outro do mapa. A diversão despertou uma ideia e o instinto explorador dele. “Eu queria ver onde ia dar. Queria descobrir as distâncias, o tempo, as respostas físicas do meu corpo e o comportamento da minha cabeça. Mas esse primeiro impulso ficou pequeno ao fim da minha primeira travessia. Tudo que eu vi e senti diante daquela imensidão, velejando sozinho em direção ao infinito sem saber o que ia encontrar, me emocionou e me reconectou com a natureza de tal forma que pensei: outras pessoas precisam ter a oportunidade de experimentar essa mesma emoção”, conta Marco. Isso o levou a convidar um amigo, o aviador francês Vincent, que, durante o percurso de Cumbuco a Flexeiras (114 quilômetros), também ficou impressionado com a experiência, a beleza da região, o mar morno e a constância do vento. Imaginaram se seria possível fazer trajetos mais longos. Começaram, então, a planejar uma expedição mais

madura, e organizada, até Jericoacoara, calculando que conseguiriam fazê-la em três dias. Deu certo. “O Vincent tinha aproveitado as ondas durante o percurso e o meu ‘sem fim’ se juntou ao ‘surf’ dele”. Nascia, assim, o nome do projeto. A partir de então, a região começou a ser mapeada, distribuída em diferentes rotas e graus de exigência (que vão de 15 até 1 000 quilômetros) e ganhou uma operação logística eficiente. Cada viagem tem um capitão e um copiloto, um chefe da equipe em terra e dois carros 4x4, além de equipamentos de comunicação via satélite que conectam quem está no mar ao pessoal de apoio. “Montamos uma operação análoga à das companhias aéreas, assim quem participa pode ficar tranquilo para curtir o trajeto com muita segurança”, explica Marco. Atualmente, o Surfin Sem Fim atrai kitesurfistas do mundo inteiro, gente que está se aprimorando no kite e deseja experimentar esse outro jeito de viajar pelo mar. Todos amam – e a maioria volta para repetir a aventura, Quem leva escolhendo, a cada vez, um Auroraeco Viagens novo e incrível destino. l www.auroraeco.com.br 33


Encantos de Chiloé: um outro país dentro do Chile

Deixe-se enfeitiçar por esse arquipélago que preserva uma cultura completamente diversa da chilena. Cercado de mar e de colinas, esse deslumbrante destino aos pés dos Andes é perfeito para curtir atividades ao ar livre

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chiloé

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eograficamente, apenas uma estreita faixa de água formada pelo Canal de Chacao separa o Arquipélago de Chiloé do restante do Chile. Mas não é só isso. A história, a gastronomia, as lendas e o modo de vida

das cerca de 150 mil pessoas que habitam a região também são outro ponto de ruptura com o país. E elas têm orgulho disso. Converse com qualquer morador de uma das vilas de pesca espalhadas pelas suas 30 ilhas e vai ouvir que não são chilenos, mas chilotes.

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Ainda não há um consenso sobre como o arquipélago foi povoado. Há teses variadas. Algumas afirmam que a origem dos chilotes vem dos polinésios, outras sugerem que descendem de mongóis. Também existe a teoria de que os huilliches, “homens do sul”, na língua mapuche, foram os primeiros a povoar a região. Acredita-se que os huilliches seriam um dos muitos grupos de imigrantes que se instalaram nas ilhas, junto com os chonos, ou “payos”, e os cuncos. Apesar de não haver uma resposta precisa, o mais aceito é que os chilotes originais fizeram contato com os cuncos, huilliches, araucanos e, só depois, com os espanhóis. Eram excelentes marinheiros e navegavam milhares de quilômetros, desde o Canal de Chacao até ao Canal do Beagle ou desde o Golfo de Penas até a Ilha de Navarino. Tudo a bordo de suas dalcas, espécie de embarcação construída de tábuas. E foi assim que se espalharam pelo arquipélago e cultivaram seus campos. Nas montanhas, eles produzem até hoje diversas variedades de batata. No mar, pescam, colhem mariscos e algas, e também criam salmões. Ingredientes básicos da gastronomia local. A Ilha Grande de Chiloé é a maior da região. Ali estão as comunidades de Castro e Ancud, principais centros urbanos. Não espere nada muito moderno. São lugares charmosos, mas rústicos. 36

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Ancud, no extremo norte de Chiloé, tem vários vestígios históricos de fortes espanhóis, construídos para proteger a ilha dos ataques de piratas e corsários. Vários deles, na Costanera Salvador Allende. Aproveite para curtir a vista panorâmica sobre a baía. Tire um tempo para circular e conhecer o artesanato, outra grande atração. Tecidos de lã de ovelha, esculturas de madeira, trabalhos de couro e muitos objetos feitos de conchas são marcas registradas da arte local. A cidade mais importante da Ilha Grande é Castro. Em seu porto, atracam navios de todo o mundo. Isso impulsionou o comércio e os festivais de folclore, que atraem viajantes.

Sabores únicos da gastronomia chilota

Um dos pontos altos da região é a gastronomia própria, que pouco tem a ver com a chilena. Não deixe de provar uma das mais famosas iguarias chilotas, o curanto. Esse prato típico e saboroso tem origem araucana, povo do sul da Argentina. Para fazê-lo, cava-se um buraco de 15 centímetros de profundidade na terra. Dentro dele, são colocadas pedras retiradas dos rios da região. Elas são aquecidas nas brasas de uma fogueira até que fiquem em temperatura de brasa também. Sobre as pedras são colo-


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Folhas aromáticas entram na preparação do curanto, deliciosa iguaria chilota. À direita, ingredientes frescos, base do menu local. Abaixo, montanha, águas cristalinas e arquitetura: belos cenários de Chiloé

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Ainda hoje, os chilotes preservam um mundo fantástico. Seus mitos e lendas são próprios e ajudam a explicar a história e os fenômenos naturais de Chiloé.

Lenda bastante conhecida, o Caleuche é um navio fantasma usado por feiticeiros para navegar à noite. O detalhe é que ele pode fazer isso tanto na superfície do mar quanto abaixo dele, sempre em altas velocidades e muito brilhante. As festas, com muitas danças e músicas, atraem os navegadores que percorrem as ilhas. Uma vez na embarcação, tornam-se escravos dos feiticeiros, que estão envolvidos com contrabando. É muito difícil achar o navio, porque, quando é perseguido, transforma-se em rocha, tronco de árvore ou algas marinhas. Avistar o Caleuche é o pior que pode acontecer a alguém: a pessoa fica com a boca torta e com o rosto virado para as costas ou, em casos extremos, morre.

De acordo com esse repertório popular, há milhares de anos, a região era terra firme. Até que Caicavilu, cobra do mal, inundou todo o território. Foi aí que apareceu Tentenvilu, cobra do bem, deusa da terra e da fertilidade, que ajudou os chilotes a proteger seus domínios da invasão do mar. Durante anos de luta, Caicavilu elevava o nível da água e, para contra-atacar, Tentenvilu formava colinas. A cobra do bem venceu e, com isso, os vales ficaram enterrados sob o mar e as colinas foram transformadas nas belas ilhas.

Voladora é uma mulher que pode virar um pássaro para ser mensageira dos feiticeiros. Para isso, ela toma o suco amargo de uma planta chamada hueique. Seus intestinos são mantidos dentro de um pote de cobre. E ela sai voando noite afora, soltando gritos terríveis parecidos com risos exagerados e levando as mensagens. Pela manhã, ela retorna ao lugar em que deixou o pote com suas entranhas. Mas se não as encontrar, permanecerá até o fim da vida – que será breve – como pássaro. Trauco, o mais famoso de todos os mitos das ilhas mora no meio das florestas e seu tamanho é de, no máximo, 90 centímetros. Ele se protege da chuva e do sol com um chapéu cônico e é casado com Fiura. Carrega sempre um machado de pedra, usado para derrubar árvores com apenas três golpes, não importando o tamanho ou a dureza delas. Ao encontrar um homem, pode entortar sua boca ou até matá-lo. Já com as mulheres... ele tem fama de ser um irresistível sedutor. Tanto é que muitas solteiras que aparecem grávidas dizem que a culpa foi dele, capaz de exercer uma enorme atração a ponto de se entregarem – e, caso resistam, são condenadas a ter sonhos eróticos.

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chiloé

As casas multicoloridas, construídas sobre palafitas, quedas-d’água e o contato com a fauna encantam

cadas folhas aromáticas, de nalca ou maqui. Por cima, vão os ingredientes: carne de vaca, de cordeiro, porco, frangos, linguiças, batatas, batatas-doces, maçãs e abóboras ocas recheadas com queijo, creme e ervilhas. Tudo isso tampado com as mesmas folhas aromáticas, sobre as quais se colocam lenços úmidos para manter o calor. Aí, tudo é coberto com terra, formando uma espécie de forno a pressão. Fios de fumaça saindo da terra avisam quando a receita está pronta. O milcao, uma espécie de pão frito feito com batatas raladas, e o chapalele, que tem uma preparação semelhante, mas é cozido, também fazem parte da culinária de Chiloé. E você deve experimentar, porque vale a pena. Um dos lugares em que pode ter essa experiência é no Mercado de Castro. E já que estará lá, aproveite para conhecer as diferentes formas e cores das batatas chilotas.

Arquitetura multicolorida

A arquitetura do arquipélago é única. As casas chilotas, construídas sobre palafitas, são feitas de cedro – madeira local. E formam um lindo conjunto multicolorido e repleto de detalhes charmosos. A Igreja de São Francisco de Castro, localizada na Plaza de Armas, é famosa por suas torres altas com vitrais e por seu interior, construído com madeira. Na Ilha de Quinchao, onde fica Achao, está a bela Igreja 39


A arquitetura moderna e aconchegante e a alta gastronomia são marcas registradas do Tierra Chiloé, opção top para se hospedar muito bem

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chiloé

Santa María de Loreto de Achao, de 1730, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. De lá, fica fácil chegar a Curaco de Vélez, que possui mirantes, feira de artesanato e uma arquitetura chilota – e suas casas com telhas feitas de cedro. Na ribeira da Península de Rilán, a 18 quilômetros de Castro, chama a atenção uma construção contemporânea. Ali, está o Tierra Chiloé, sofisticado hotel com design geométrico e de vanguarda inserido na paisagem deslumbrante da Patagônia.

Luxo e conforto para descansar

Instalado em um terreno com mais de 10 mil hectares, ele oferece uma harmoniosa combinação entre campo e praia, verdes prados, florestas e mar. Apesar do projeto arrojado, a identidade cultural chilota está representada em cada detalhe da decoração. Ficar hospedado ali pode ser uma excelente opção. Não apenas pelo luxo e conforto oferecidos por esse hotel-butique, com apenas 12 quartos – todos com sala de

estar e terraços com vista para o mar, ilhas e Cordilheira dos Andes. Mas pela comodidade dos serviços de uma equipe de guias (cada um atende a grupo de, no máximo, oito pessoas) muito bem preparados e que desenham, sob medida, os passeios que mais combinam com o seu estilo para que você tenha a chance de desvendar a cultura e a natureza de Chiloé, tornando cada dia único. Fora isso, o hotel possui sua própria embarcação, o Williche, perfeito para você curtir atividades no mar, nos canais e nos fiordes da região. Cavalgadas, trekking, roteiros de bicicleta e passeios culturais são outras atividades que você pode ter sem se preocupar com o planejamento delas e pensar apenas na diversão. Para relaxar, você terá o SPA do Tierra Chiloé, com saunas (seca e úmida), sala de massagem, jacuzzi para até oito pessoas e espreguiçadeiras onde pode se acomoQuem leva dar e contemplar o Pantanal Auroraeco Viagens de Pullao. l www.auroraeco.com.br 41


Desvende a magia da

Rota da Seda

por Flavio Bitelman

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r o ta da s e da

Em meio às deslumbrantes paisagens, você vai se surpreender com os tesouros arqueológicos, a imponência da arquitetura e a exótica cultura do Turcomenistão, Uzbequistão e Cazaquistão, na Ásia Central, antigo elo entre o Ocidente e o Oriente

A Madraça Miri-Arab é uma das joias de Bukhara

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S

e você procura por uma experiência realmente exótica, precisa conhecer a antiga Rota da Seda. O charmoso Orient Silk Road Express oferece viagens, de dez a 16 dias, em que você poderá conhecer alguns destaques da mágica Ásia Central. Percorrendo o trajeto de trem, você terá tempo para desvendar as belezas naturais e, nas paradas, admirar as maravilhas arquitetônicas. E na volta, além da saudade da deliciosa culinária e das fotos, vai trazer na bagagem o conhecimento da riquíssima cultura local. O melhor é que esses roteiros, que entre o século 2 a.C. e meados do século 16 eram percorridos em lombo de camelo, hoje são feitos nos vagões do Orient Silk Road Express, que foi inteiramente reformado em 2013. Sua decoração tem aquele divertido estilo kitsch dos asiáticos. A bordo desse trem, você terá a sensação de ter voltado no tempo: as cabines são privativas – mas pequenas para os padrões dos trens atuais – e a simpática equipe garante bons serviços. Importante saber que independente de qual seja o percurso escolhido, você dormirá algumas noites embalado pelo chacoalhar do trem. Em outras noites, ficará muito bem acomodado em encantadores hotéis. Apesar de a Rota da Seda ser famosa pelo seu aspecto comercial, essa rede de estradas que conectava o Extremo Oriente ao Mediterrâneo teve um papel ainda mais importante na história, por se tratar do principal canal de 44

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comunicação entre os povos dos dois lugares. Através dele, os europeus tiveram acesso às invenções chinesas, entre elas, pólvora, tecnologia do papel e impressão. E os orientais tomaram conhecimento dos avanços ocidentais nas áreas da astronomia, medicina e matemática. Diferentes religiões também foram difundidas pelos mesmos caminhos que ligavam essas duas partes do mundo. Foi assim que o budismo se propagou pela Índia, China e Japão; bem como o Islão se espalhou pela Ásia Central e Índia. A Legendária Rota da Seda é o roteiro de 14 dias. Ele pode ser feito de Almaty (Cazaquistão) a Ashgabat (Turcomenistão) – ou no sentido contrário.

CAZAQUISTÃO

Almaty é uma linda metrópole que fica aos pés do poderoso cume das Montanhas Alatau e, apesar de não ser a atual capital do Cazaquistão, que hoje é Astana, ela é a maior cidade e abriga cerca de 8% da população do país – em torno de 1,18 milhão de habitantes (2004). Em 1854, o local, erguido no sopé das montanhas de Tian Shan por cossacos da região de Omsk, era um forte batizado como Zailiysky. Um ano depois, passou a ser chamado de Verny. Um tremor de terra ocorrido em 1911 deixou quase toda a cidade em ruínas: o único edifício alto que não ruiu foi a catedral russo-ortodoxa. Na década de 1920, recebeu o nome Alma-Ata (que signi-


r o ta da s e da

Cenas da imponente Praça do Registan. Ela fica em Samarcanda, uma das mais belas cidades da Ásia Central, que preserva a cultura do povo e a riqueza arquitetônica

fica algo como lugar ou cidade das maçãs) e logo se tornou o mais importante ponto intermediário do trajeto de trem. Há muito o que ver em Almaty. A Catedral Zenkov é uma maravilha feita toda de madeira. Em sua construção, no ano de 1904, não foi utilizado um único prego de metal. Além de ter essa característica marcante, ela chama a atenção por ser colorida. Vale lembrar que esse é um dos únicos edifícios que restaram da época dos czares, pois todo o restante foi destruído. À sua volta, você vai apreciar o bonito jardim do Parque Panfilov, próximo ao Parque Gorky – homônimo do famoso parque de Moscou. Você vai se encantar com a Mesquita Central de Almaty e seus cinco minaretes com abóbadas azul-turquesa. Essa é a maior mesquita do Cazaquistão, e a “caçula” da cidade. Ao chegar ao Turquistão, vai conhecer uma das construções mais significativas da arquitetura timúrida, o mausoléu construído em 1394 por Khoja Ahmed Yasawi, Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O edifício erguido pelos persas tem 39 metros de altura e é coroado por uma gigantesca e maravilhosa cúpula – são 12,8 metros de diâmetro e 28 metros de altura.

Uzbequistão

Esse é um dos mais belos países da Ásia Central. Uma parada em Tashkent, capital do Uzbequistão, com suas belíssimas fortalezas e madraças construídas de tijolos e 45


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adornadas com azulejos turquesa. No dia seguinte, estará em Shakhrisabz desvendando essa charmosa e colorida cidade em que as atrações são o Palácio Ak-Saray, o complexo memorial Dorut Tilovat, a Mesquita Kok-Gumbaz e os mausoléus Dorus Siodat, Shamsad-Dina Kulyala, Gumbazi-Seyidan. Há muito o que admirar em Samarcanda, que durante o Império Tamerlão foi considerada a cidade mais bela e mais importante do mundo. A Necrópole de Shahi-Zinda, as escavações de Afrosiab (e, aqui, vale fazer uma visita guiada ao museu) e a Praça do Registan formam o conjunto de obras arquitetônicas mais impressionantes da Ásia Central. Aqui vale um parágrafo para falar um pouco mais sobre essa praça que, sem exagero algum, já vale a viagem. Ela fica entre três belíssimas madraças bem restauradas, que trazem em seus edifícios adornos coloridos delicados e, ao mesmo tempo, deslumbrantes. E não tem como estar lá sem se lembrar das histórias contadas por Sherazade ao sultão, em As Mil e Uma Noites. Arrume um tempo para visitar uma fábrica de tapetes de seda e uma das famílias de artesãos uzbeques que produzem papel usando a casca da amoreira. Essas são vivências que vão tornar sua experiência ainda mais fantástica. O observatório astronômico de Ulugbek e as ruínas da Mesquita Bibi Khanum, bem como o interior do mausoléu palaciano Gur Emir, são atrações que você não deve perder também. Através da fronteira sul da região de Sete Rios, você chega ao oásis de Khiva. E, ao cruzar as suntuosas muralhas da

Durante o percurso do Orient Silk Road, você pode degustar bons vinhos da região

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Acima, o mausolĂŠu palaciano Gur Emir, uma obra de arte. Abaixo, especiarias e artesanato local. Na pĂĄgina ao lado, a belĂ­ssima vista de Bukhara

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cidade, com seus portões e bastiões feitos de tijolos de argila, vai sentir-se em outro mundo. Será impossível não ficar fascinado pelos palácios, mesquitas, mausoléus e escolas do Corão com a original arquitetura urbana da Idade Média oriental. Um dos mais belos minaretes (torre das mesquitas, de onde o muezim – pregoeiro – conclama os muçulmanos às orações) é o Kalta Minor. Esse minarete de azulejos turquesa foi erguido em 1851 por Mohammed Amin Khan, que, segundo a lenda, queria que ele fosse tão alto que pudesse ser avistado de muito longe. Quatro anos depois, ele morreu e a estrutura ficou inacabada, o que não tira a sua beleza majestosa. O próximo destino será Bukhara, esplêndida cidade histórica – e que fabrica os célebres tapetes de seda. Nos séculos 9 e 10, ela foi a capital de Samanidas (primeira dinastia iraniana que dominou a região) e, portanto, era um dos principais pontos comerciais da Rota da Seda. Antigamente, a cidade era local onde armazenavam e comercializavam especiarias exóticas, peles e, sobretudo, sedas em caravançarais (termo persa que designa um conjunto de pousadas e estalagens). Também teve importância religiosa, tendo sido um dos pilares do Islã.

Apesar do crescimento ao longo dos anos, a cidade conseguiu preservar suas madraças, mercados, mausoléus, mesquitas e outros dos muitos monumentos que narram sua história. E ainda mantém seu maravilhoso estilo arquitetônico persa. Na Cidade Velha, que faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco, está o imponente Minarete de Kaljan – com seus quase 50 metros de altura – e a Praça Lyabi-Hauz. Prepare-se para jantar no pátio de madraça (casa de estudos islâmicos), com direito a ótimas iguarias, música, danças e apresentação de trajes coloridos típicos que são belíssimos. Essa cidade é um grande museu arquitetônico que conserva seu estilo oriental antigo. Ali está a mais bela construção da Ásia Central, o Mausoléu de Samani. A cidadela fortificada de Ark (ainda dentro de Bukhara) é outra maravilha: abrigou, em outras épocas, a residência dos emires locais. A cerca de 15 quilômetros dali, fica o complexo Sufi, um centro de peregrinação onde está instalada a única mesquita para mulheres do mundo. Encerre essa etapa da viagem degustando ótimos vinhos uzbeques a bordo do Orient Silk Road Express.

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A Madraça Mohammad Amin Khan, em Khiva, é uma das mais lindas visões. Abaixo, algumas das pessoas que moram na área, ligadas ao artesanato, à criação e à dança

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TURCOMENISTÃO

No Turcomenistão, você vai curtir Merv, a Pérola do Oriente, atual cidade de Mary. Ela foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco (1999). Não por acaso. As ruínas dessa cidade chamam a atenção, já que abrangem cerca de 4 mil anos de história da humanidade. Durante o século 12, Merv foi considerada a maior cidade do mundo. Ali, você vai visitar essa espécie de “coleção” de ruínas das várias e antigas cidades construídas no local, e que receberam diferentes nomes. Vale a pena desvendar suas riquezas. Entre elas, o Mausoléu do Sultão Sanjar, a Fortaleza das Virgens (Kis Kale), as grutas geladas e outras maravilhas. A pausa será feita na hora do almoço, servido no pitoresco pátio interior de uma família local – uma experiência única. Você começa o dia no local da antiga cidade de Nisa. Depois, segue para a grandiosa Ashgabat, nova capital do país. Onde vai para conferir a exposição das ruínas de Nisa que estão no Museu Nacional. Ali, também pode conferir outros tesouros arqueológicos. Ashgabat contou com bilhões de dólares investidos em seu projeto para mostrar ao mundo as glórias e as realizações dos turcomenos. Fazer um passeio panorâmico é a melhor forma de contemplar os cenários hollywoodianos de Ashgabat, que traz a marca inconfundível de Turkmenbashi, o grande líder dos turcomenos.

Outras ótimas opções

Se você tiver 16 dias livres, poderá fazer o roteiro A Incrível Rota da Seda. Além de percorrer Turcomenistão, Uzbequistão e Cazaquistão – e incluir alguns pontos de visitação extras nesses países –, vai conhecer Tajiquistão e Quirguistão. O primeiro foi colônia da Pérsia em 3 mil a.C. e depois foi ocupado pelos árabes, a partir de 327 a.C., que islamizaram os habitantes da região, que até hoje têm a cultura muçulmana ainda muito presente. Após passar pelos domínios de mongóis e turcos otomanos, os russos se estabeleceram ali até o século 19. Durante a segunda fase da Revolução Russa de 1917, o país tornou-se uma república socialista soviética. A independência só chegou em 1991, com o colapso da URSS. O Quirguistão guarda mais de 2 mil anos de história e sua geografia montanhosa ajudou a preservar sua cultura, embora esteja na Rota da Seda e tenha convivido com diferentes povos. Também esteve sob dominação estrangeira periodicamente por estar em uma área estratégica. Sua soberania aconteceu no século 20, com a dissolução da URSS, da qual fez parte. Mas se tiver menos tempo de descanso para viajar, vale fazer O Coração da Rota da Seda, que dura dez dias. O trem atravessa o Uzbequistão e você pode conhecer as cidades mais importantes, históricas e fascinantes ao longo da Rota da Seda – Tashkent, Samarcanda, Khiva e Bukhara. l

Paisagens arrebatadoras, como as dos lagos e montanhas do Kolsaiskie Lakes National Park, estão espalhadas ao longo do percurso de trem

A Legendária Rota da Seda, 14 dias: Ashgabat (Turcomenistão)–Almaty (Cazaquistão) > 16 de outubro a 29 de outubro de 2018 > 9 de abril a 22 de abril de 2019 > 15 de outubro a 28 de outubro de 2019 Almaty (Cazaquistão)–Ashgabat (Turcomenistão) > 28 de março a 10 de abril de 2019 > 3 de outubro a 16 de outubro de 2019

A Incrível Rota da Seda, 16 dias: > 27 de agosto a 11 de setembro de 2018 > 14 de setembro a 29 de setembro de 2019 O Coração da Rota da Seda Tashkent–Bukhara (Uzbequistão) > 22 de setembro a 1o de outubro de 2018 Quem leva Auroraeco Viagens www.auroraeco.com.br

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COLÔMBIA: CURTA ESSE ROTEIRO FANTÁSTICO

A beleza do Centro Histórico de Cartagena

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ordilheira dos Andes, Floresta Amazônica, Oceano Pacífico e Mar do Caribe. Dizem que Deus é brasileiro, mas ao criar a Colômbia, certamente, ele estava extremamente inspirado. Afinal, reuniu nada menos que todas as belezas latino-americanas em um único país. Diante de tantas ótimas opções, é normal ficar indeciso na hora de escolher qual o melhor destino para conhecer a cultura colombiana. Mas que tal juntar qua-

tro destinos top para suas próximas férias? Este roteiro fantástico, que pode ser feito até com a família toda, inclui a já célebre Cartagena das Índias e sua primorosa arquitetura; Bogotá, que além de centro financeiro é uma cidade histórica incrível para visitar; Medellín, uma esplêndida cidade que transpira cultura; e mais uma superexperiência na Hacienda Bambusa, em Armenia, uma requintada fazenda típica da Colômbia, onde se produz um dos melhores cafés do mundo.

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Cartagena, Bogotá ou Medellín? Se você realmente deseja conhecer a cultura colombiana, melhor ficar com as três cidades e ainda incluir uma surpreendente experiência no interior, bem no eixo cafeeiro do país, cercado dos confortos e da esplêndida natureza do hotel-butique Hacienda Bambusa, em Armenia

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CARTAGENA DAS ÍNDIAS

A simpática Cartagena das Índias, ou simplesmente Cartagena, atrai viajantes do mundo todo – especialmente brasileiros – para apreciar sua arquitetura que mistura o charme de construções históricas com edificações modernas. Em quatro dias você consegue conhecer essa cidade que é Patrimônio Cultural da Unesco desde 1984. Banhada pelo Mar do Caribe, ela foi fundada por espanhóis em 1533 e era o principal porto que enviava o ouro retirado na Colômbia para a Espanha. Muitos de seus edifícios originais estão preservados dentro das muralhas de 11 quilômetros de extensão que protegiam Cartagena dos ataques de piratas. Hoje, a muralha é um dos melhores passeios a pé para fazer em um fim de tarde. Você vai adorar andar por ruelas charmosas, igrejas, praças, restaurantes, museus, bares e edifícios de arquitetura colonial com varandas floridas que encantam todos os turistas que a visitam. O Museu do Ouro, o Palácio da Inquisição e o Museu da História são pontos que merecem atenção. E, caso você queira desvendar melhor os mistérios dos monumentos, igrejas, conventos e casarões da cidade, poderá solicitar um guia especialista em arquitetura. Em Cartagena, você pode ver cenários que estão presentes 54

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nas obras do renomado escritor Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 1982. Faça uma pausa no Café del Mar para bebericar algo enquanto vê o pôr do sol. Encerre a experiência indo ao Mercado Bazurto, local realmente autêntico e pouco visitado por turistas. Se você desejar, ainda pode fazer um programa opcional: uma aula de culinária, com duração de duas a cinco horas, com um chef local. Assim, vai aprender como preparar frutos do mar à moda de Cartagena, fazer o delicioso arroz de coco e treinar outras receitas.

BOGOTÁ

Durante anos a capital da Colômbia foi mais conhecida como o centro financeiro do país. Por conta disso, se tornou destino de viagens de negócios. Mas, pouco a pouco, isso está mudando. Afinal, mais do que uma cidade grande (possui 7 milhões de habitantes), Bogotá guarda tesouros históricos. A maior parte está concentrada no centro, chamado de La Candelaria. Ali estão os principais museus, belas igrejas e a Praça Bolívar, onde estão o Palácio Presidencial, o Congresso, o Palácio da Justiça e a Catedral.


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Charmosas casas coloridas, em Bogotá, e a Catedral de Santa Catalina de Alejandría, em Cartagena

Em quatro dias, você conhece essa que é a terceira capital mais alta do mundo, onde o frio é predominante (geralmente em torno dos 14 °C). Isso a torna uma cidade ideal para andar a pé, mas, se quiser, poderá usar o eficiente transporte público ou pedalar por sua enorme malha dedicada aos ciclistas. O friozinho também é perfeito para apreciar a ótima gastronomia, que, em função da temperatura, oferece uma variedade de pratos e bebidas quentes: caldos, cafés, chocolates, ensopados, pãezinhos e chás – aqui vale destacar o chá de folha de coca, indicado para amenizar o mal-estar causado pela altitude. Experimente a aguardente de anis, bebida extremamente popular na Colômbia. A viagem conta com um guia expert em história. Com ele, você vai visitar e entender detalhes durante sua visita ao Museu do Ouro, enquanto aprecia a Coleção Botero. E, se desejar, é possível organizar uma atividade especial que explore a história do catolicismo ou do judaísmo em Bogotá. O Jardim Botânico de Bogotá, com sua beleza natural, é um ótimo ponto para fazer uma pausa antes de ir ao estúdio do renomado pianista e compositor Pedro Crump, que irá explicar tudo sobre a música colombiana. A Catedral de Sal Zipaquira também vale a visita. Fora isso, tem alguns programas extras: conhecer os únicos cavalos “passo fino” na Fazenda Normandia, ir a uma fazenda

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Duas atrações de Medellín: Pueblito Paisa, na Montanha Nutibara, é reprodução de um tradicional município colombiano antigo. Abaixo, a Plaza Botero, com esculturas do artista colombiano

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onde são cultivadas flores exóticas (a Colômbia é a maior exportadora mundial desse tipo de flor) ou praticar trekking no belo Parque Nacional Chingaza, que fica a 1h45 de Bogotá. Existe um passeio excepcional que também é optativo: ir de helicóptero até a região das minas de esmeralda e conhecer uma área maravilhosa.

MEDELLÍN

Museus, vida noturna, música e gente simpática. Medellín, capital do departamento de Antioquia, é, hoje, uma cidade vibrante e se tornou importante polo cultural colombiano. Nos anos 1990, Medellín era uma das cidades mais perigosas do mundo, quando o cartel de drogas de Medellín estava no auge. A partir de 2002, Medellín começou a mudar. Políticos locais começaram a investir pesadamente em infraestrutura e educação pública. Atualmente, a Cidade da Eterna Primavera é uma das mais inovadoras da América Latina. Passear pelo centro é um excelente modo de curtir a agitação local. Você irá até a famosa Plaza Botero, marco da cidade graças a uma coleção das esculturas do célebre artista Fernando Botero. E se você é mesmo fã dele, aproveite para entrar no Museu Antioquia, que abriga uma grande coleção desse artista colombiano conhecido por suas personagens arredondadas. Lá, também poderá ver obras de outro artista célebre, Pedro Nel Gómez. Na saída, curta o charmoso Parque Berrio. De noite, deixe-se levar pelo ritmo da salsa. Não sabe? Experimente fazer uma breve aula particular com professor especializado. Ele vai ensinar os primeiros passos para você passar as férias dançando. Atravessando por cerca de duas horas as belas paisagens montanhosas, você encontrará Santa Fé de Antioquia. Declarada Monumento Nacional devido a sua arquitetura colonial com belas igrejas e seu valor histórico, você vai adorar fazer essa visita. Desvende as ruas estreitas da vila e desfrute de um delicioso almoço em uma das praças. Ali na cidade, você também poderá ver bem de perto as típicas e encantadoras pinturas coloridas que decoram as casas da aldeia. Tradicional, as silletas, suportes de madeira redondos que sustentam gigantescos e multicoloridos arranjos florais, são o destaque do Festival da Flor, que acontece em agosto. Se não for na época dessa festa, poderá ver essas verdadeiras esculturas florais nas aldeias montanhosas de Antioquia, em Santa Elena. A região possui uma fazenda de flores orgânicas que vale uma pausa para admirar. Em Guatapé, você terá a chance de ver uma das mais deslumbrantes vistas. Basta subir no monólito de 200 metros de altura encarando uma escada de 740 degraus. Seu

esforço será recompensado com a incrível vista para as ilhas de montanhas verdes e um enorme lago azul. Experimente a tradicional cultura do café em uma típica fazenda colombiana. Em menos de 3 hectares, Don Octavio e sua família produzem sua própria marca de café orgânico. Lá, você vai entender todo o processo do café: da planta ao copo. E, claro, provar o tão festejado café colombiano. Essa visitação já vai preparar você para a próxima – e surpreendente – etapa da viagem.

HACIENDA BAMBUSA: A GRANDE EXPERIÊNCIA

Prepare-se para viver uma das mais inesquecíveis experiências, cercado de uma esplêndida natureza na encantadora e rústica Hacienda Bamubusa. Localizada em Armenia, capital do departamento de Quindío, essa fazenda fica entre Bogotá, Medellín e Cali, região conhecida por sua arquitetura colorida, seu clima agradável e, sobretudo, por ser um dos principais centros da economia nacional e do eixo colombiano do cultivo de café. Decorada em estilo colonial-chique, a construção desse hotel-butique foi feita com materiais locais, como bambu e barro, e mantém perfeita harmonia com as plantações e as vegetações locais. Tudo isso faz com que seja um refúgio maravilhoso para você passar dias de total relaxamento. A propriedade tem apenas oito quartos espaçosos, todos com banheiro privativo, varanda ou terraço privativo, uma pequena área de estar e rede para o merecido dolce far 57


Dias esplêndidos, cercado de natureza, na encantadora e rústica Hacienda Bambusa

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Nos cafezais de Quindío, um dos principais polos cafeeiros, você vai conhecer todo o processo: do plantio até a xícara

niente, com vista para os jardins e as montanhas ou para a piscina do hotel. No sossego da fazenda, você terá à sua disposição uma série de atividades. Nas caminhadas ou em cavalgadas entre as florestas de bambu, mergulhos em rios e riachos, prática de parapente e voo de balão para admirar as montanhas da Cordilheira dos Andes. Dentro da Hacienda Bambusa também há outras deliciosas experiências para compartilhar com a família, mas que casais também vão gostar muito. Uma opção que as crianças adoram é visitar o fazendeiro John logo cedo para acompanhá-lo e participar de sua rotina diária: cuidar e ordenhar as vacas, aprender a fazer queijo e, claro, tomar um tradicional café da manhã, com direito a leite tirado na hora, o delicioso café local, frutas tropicais, contemplando a vista espetacular dos rios Quindío e Vieja, que se estendem do lado de fora da varanda. Amantes de café terão a chance de conhecer os diferentes tipos – comerciais, tradicionais e especiais –, suas origens, características e passear pelas propriedades de cada café. Para terminar, na companhia de um barista, você vai degustar seis cafés de origens distintas – alguns bons e outros ruins – para entender a verdadeira diferença que torna o café cultivado na região do café colombiano tão especial. Outra atividade saborosa é colher, secar e moer a semente do cacau – a região também é famosa por sua produção cacaueira – e preparar uma deliciosa xícara de chocolate

para tomar com queijo fresco estilo colombiano ou com um arepa, delicioso pão de milho tradicional da Colômbia. Tudo com a orientação do chef da Hacienda Bambusa. Ainda com o chef, você pode se divertir aprendendo a preparar as típicas comidas que são sempre feitas com ingredientes frescos do local. Há programas especiais para aproximá-lo ainda mais da incrível natureza local. Com mais de 110 espécies de aves, 3 mil borboletas de 40 espécies diferentes e rodeado por uma extensa floresta de bambu guadua, o Jardim Botânico local é um dos projetos de preservação mais valorizados da região. Vale a visita. Também vale reservar um tempo para passear pelas redondezas. Salento, bela cidade do eixo cafeeiro, é parada obrigatória. Nela, você poderá ver de perto as plantações de café e visitar o Valle de Cocora, dentro do Parque Nacional Los Nevados. Também na região do vale, em Carlacá, está o Jardim Botânico do Quindío, um passeio para ver as multicoloridas borboletas. O melhor de tudo é saber que, após esses passeios, a Hacienda Bambusa o aguarda com todo o conforto para descansar. E você pode dar aquele gostoso mergulho na piscina ou se entregar a um dos fantásticos tratamentos oferecidos pelo SPA. E encerrar o dia deliciando-se com Quem leva os pratos maravilhosos do Auroraeco Viagens restaurante da Hacienda. l www.auroraeco.com.br 59


Viagens magníficas que você quer fazer – e nem imaginava

Impossível não se impressionar com este cenário do Salar de Uyuni

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Há destinos na Bolívia e no Japão que a gente jamais pensa em conhecer até saber que existem – e que são simplesmente o máximo. Selecionamos dois roteiros que saem do convencional. O Salar de Uyuni, na Bolívia, surpreende e encanta com seu cenário ímpar formado pela brancura do deserto de sal em contraste com o céu azul, sua lagoa cor de sangue onde vivem flamingos cor-de-rosa e pela cultura local. Em um roteiro mais que especial do Japão, você vai muito além de Tóquio. Essa experiência inclui inesperadas hospedagens em um ryokan e no mosteiro do Monte Koya, banhos em termas naturais e passeios por aldeias incrivelmente preservadas, onde vai conhecer a rica história japonesa

Salar de Uyuni, uma surpreendente Bolívia

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au! Essa será a primeira palavra que você irá pronunciar ao pisar no Salar de Uyuni (ou Salar de Tunupa) – e se não for exatamente essa, certamente, fará alguma outra declaração espontânea que possa expressar aquele sentimento que mistura encanto e surpresa. Localizado nos departamentos de Potosí e de Oruro, no sudoeste da Bolívia, na borda da Cordilheira dos Andes, esse é o maior e mais alto deserto de sal do mundo. Possui vastos 10 582 quilômetros quadrados de extensão e está a 3 656 metros acima do nível médio do mar. Para dar ideia da imensidão que esses números representam, basta lembrar que esse é o único ponto natural brilhante

que pode ser avistado do espaço. Não por acaso, serviu de orientação para os astronautas da Apollo 11, que chegaram à Lua em 1969. Ali, a formação do Salar é resultado das transformações ocorridas em diversos lagos pré-históricos devido ao levantamento da Cordilheira dos Andes, que criou uma barreira entre o Altiplano boliviano e o Oceano Pacífico. De acordo com especialistas, o fato de ser cercado de montanhas por todos os lados impediu o escoamento da água. Ao longo do tempo, a evaporação da água, somada a camadas de sedimentos, formou uma crosta, onde há cerca de 42 mil anos estava o gigantesco Lago Minchin. Mas pergunte a algum morador da área indígena local como se deu o surgimento desse imenso deserto de sal. Provavelmente, ele irá lhe contar outra versão, bem mais 61


Obras de arte na imensidão do deserto

poética, sobre como o Salar de Uyuni foi formado. De acordo com a lenda aymara – como são conhecidos os índios dali –, as montanhas Tunupa, Kusku e Kusina, que circundavam a região, eram pessoas gigantes. Tunupa casou-se com Kusku, mas ele fugiu para ficar com Kusina. Entristecida com a perda do seu amor, Tunupa começou a chorar enquanto dava de mamar para seu filho. Suas lágrimas se juntaram ao leite e formaram o Salar. Tunupa é uma importante divindade regional e, por essa razão, a localização também é conhecida como Salar de Tunupa. Atualmente, seu terreno fértil é a principal via de transporte em todo o Altiplano boliviano e ali vivem várias espécies de flamingos cor-de-rosa. A geologia rara e a fauna espetacular tornaram esse destino ímpar. Existem dois roteiros para o Salar. Se puder tirar oito dias de férias, você vai conhecer, antes de chegar a esse lugar único, as encantadoras cidades bolivianas de La Paz, Sucre e Potosí. O início da viagem é em La Paz, capital federal da Bolívia, com direito a uma visita ao famoso Vale da Lua e uma volta de teleférico, de onde poderá contemplar a vista panorâmica. Na sequência, você irá a Sucre, capital constitucional do país. Nela, irá curtir o Parque Bolívar e conhecer o belo Museu La Recoleta, antigo convento franciscano. No interior desse mosteiro, uma pintura da última Santa Ceia, logo na entrada, nos convida a percorrer o espaço que abriga um grande acervo de pinturas dos séculos 18 e 19. Outra atração é a Igreja San Felipe Nery, de estilo neoclássico, construída entre 1795 e 1799, pelo Frei Antonio de San José. Para erguer o edifício, que chama a atenção pela alvura, foram usadas pedras do Monte Churuquella e depois cobertas com uma camada de estuque. Faça uma 62

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pausa na torre do sino e tenha para ver de cima a linda Sucre. Perto dali, poderá conhecer as pinturas rupestres nos sítios arqueológicos de Incamachay e Pumamachay, em Chuquisaca. Em Potosí, você vai visitar as minas de garimpo, atualmente administradas pelos próprios mineiros. Foi nessa região que, na época colonial, se extraiu boa parte da prata que fez a riqueza da Espanha. A cidade, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, tem muito para agradar: a Igreja de San Lorenzo, a Torre da Companhia de Jesus, o Arco de Cobija e a Casa da Moeda. Quando chegar ao Salar de Uyuni, no seu sexto dia de viagem, você será recebido com um saboroso almoço na Ilha do Pescado (também conhecida como Incawasi). O local é um inesperado oásis com formação de algas e fósseis, coberto por uma imensa quantidade de cactos – alguns com mais de 100 anos e já ultrapassando os 12 metros. Também poderá ir ao Museu do Sal, primeiro hotel de sal da Bolívia, que preserva as antigas características – inclusive as esculturas de, é claro, sal. O roteiro termina no Deserto de Siloli, considerado um dos mais áridos do mundo, a sudoeste do departamento de Potosí. Suas formações rochosas, resultantes dos fortes ventos que sopram na região, são de uma beleza única. A próxima parada será na incrível Laguna Colorada (ou Lagoa Vermelha), já na fronteira com o Chile. Sua cor de sangue se deve à mistura de sedimentos vermelhos e de algas na água. Vai ser difícil não se impressionar com várias espécies de flamingo cor-de-rosa. Da Lagoa, você vai avistar o Vulcão Licancabur, que está


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O efeito espelho de um dos mais belos fim de tarde do planeta

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a quase 6 mil metros de altitude, no Deserto do Atacama, divisa com a Chile. Hito Cajon, fronteira entre Bolívia e Chile, é a última parada antes de você retornar para casa com a mala repleta de fotos e de experiências incríveis. Se o seu tempo é curto, fazer o roteiro de três dias é uma ótima opção. Você começará a viagem em San Pedro de Atacama, no Chile, e seguirá para Hito Cajon, localizada na Bolívia. E já entra com os dois pés direitos, passeando pelo Parque Nacional Eduardo Abaroa. São mais de 700 mil hectares, localizados a sudoeste de Potosí, província de Sud Lipez, onde vive uma grande diversidade de animais.

De lá, fará um percurso de paisagem deslumbrante até chegar à lindíssima Laguna Colorada. Após esse passeio, o destino será Uyuni, onde irá se hospedar. No outro dia, você vai ver a extração de sal feita com métodos tradicionais em Colchani. Curiosidade: é lá que se processa grande parte do sal consumido na Bolívia. O almoço será na Ilha do Pescado, que recebeu esse nome por ter o formato de um peixe. A seguir, seu rumo será o fantástico Deserto de Siloli. Depois dessa aventura, o merecido descanso no conforto do hotel para, no dia seguinte, retornar a San Pedro de Atacama.

O show dos flamingos cor-de-rosa que moram na Laguna Colorada é outro espetáculo de Uyuni

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Um Japão que poucos conhecem

Você jamais será o mesmo depois de se hospedar em um ryokan. Trata-se de um tipo de pousada tradicional japonesa que existe desde o século 8 d.C., durante o Período Keiun, para servir aos viajantes que percorriam estradas japonesas. Dificílimos de encontrar em Tóquio e em outras grandes cidades do país, eles ainda existem e geralmente estão localizados nas montanhas ou perto do mar, onde a paisagem é linda. Se você já ficou empolgado, saiba que essa será apenas uma das muitas experiências incríveis que vai ter ao embarcar neste roteiro de 14 dias no Japão. A viagem começa em Tóquio, uma das maiores megalópoles do planeta e cidade altamente tecnológica – embora preserve seu passado histórico. Um passeio pelo Jardim Hama-Rikyu, localizado no distrito Chuo, é prova desse contraste entre passado e presente na capital japonesa. Cercado por edifícios modernos e reluzentes, ele foi construído durante o Período Edo (1603-1868). Sua paisagem é composta de flores coloridas. Entre as atrações do Hama-Rikyu está Shio-iri-no-ike, lagoa com água do mar. Nela habitam peixes marinhos, entre eles, a tainha riscada, a enguia e o caboz, além de caranguejos. Existem também duas kamobas, construídas no século 18, para caçar patos. A próxima visita será Nihonbashi, a “Ponte do Japão”. Ela é considerada o centro do Japão e é o marco zero para todas as principais estradas do país. A área concentra bancos, empresas e comércio. A loja de departamentos Mitsukoshi Main Store Nihonbashi, conhecida com a alcunha de Harrods do Japão, está lá, com seus produtos sofisticados. Desse ponto de Tóquio você vai para Ginza, outra famosa área comercial de luxo da cidade, com muitas lojas de 64

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departamento de renome internacional, butiques, restaurantes e cafés localizados nas proximidades. É considerada uma das ruas mais caras, elegantes e luxuosas do mundo. O passeio continua até o Grand Meiji, santuário xintoísta, religião japonesa ligada à família imperial. Bem perto, está Harajuku, área de Tóquio frequentada por jovens de estilo alternativo. Prepare-se para ver uma variedade de pessoas com cabelos, maquiagens e modelitos extravagantes. Saindo de Tóquio, você vai conhecer a pequena e atraente cidade de Obuse, na província de Nagano. Escolhida pelo famoso artista Katsushika Hokusai, renomado xilogravurista do Período Edo. Autor da célebre obra A Grande Onda de Kanagawa, passou os últimos anos de sua vida ali. Não por acaso, vários destaques da cidade estão relacionados ao artista e seu patrono, incluindo o Museu Hokusai e o Museu Takai Kozan, no centro da cidade, e o teto pintado de um templo local. Em Obuse você vai visitar Masuichi-Ichimura, destilaria de saquê fundada em 1755. E vai conhecer o processo de produção dessa típica bebida japonesa. O roteiro segue e a próxima parada é em Yudanaka Onsen, uma tradicional vila de águas termais. Curiosamente, ela é mais conhecida por seus macacos-das-neves, porque lá perto fica o Jigokudani Monkey Park, onde moram cerca de 200 desses macacos, que começaram a frequentar o local para tomar banho na fonte quente para espantar o frio do rigoroso inverno e se tornaram habitués. Ainda em Nagano, você irá a Matsumoto conhecer seu castelo, um dos mais completos e bonitos entre todos os castelos originais do Japão. Desse ponto você vai seguir para o Vale de Kiso, ao lado


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das montanhas dos Alpes Centrais, até alcançar a pequena cidade de Narai, um exemplar súper bem preservado de uma cidade-posto no antigo caminho de Nakasendo entre Quioto e Tóquio – ou Edo, como a cidade era conhecida no período feudal. Após uma breve viagem de trem, você vai visitar Tsumago, outra cidade-posto situada na antiga trilha Nakasendo. Atualmente, é considerada uma das cidades mais bem preservadas do Japão. Tsumago recria a atmosfera da cidade postal mantendo seu honjin e wakihonjin. Em todas

as cidades dos correios, o honjin era a principal pousada e servia aos funcionários do governo que viajavam. Quando mais alojamentos eram necessários, os wakihonjin serviam para acomodar os viajantes de menor status. Passeie pelas suas charmosas ruas e saboreie gohei-mochi, bolas de arroz cobertas com uma pasta doce de missô, gergelim e nozes. Aproveite para visitar o Museu do Folclore. Percorrendo o Passo de Magome, trilha que leva até a cidade vizinha de Magome, a 8 quilômetros de Tsumago,

Na página ao lado, a arrebatadora vista do Monte Fuji. Tóquio mistura a modernidade high-tech (no alto) com a tradição (ao lado). Tudo isso e mais a culinária fantástica tornam a experiência dessa viagem ao Japão ainda mais rica

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você irá encantar-se com a paisagem da floresta e do campo, passando por fazendas, campos de arroz, casas tradicionais e belos jardins. De Magome você vai para Takayama, cidade localizada na região montanhosa de Hida, na província de Gifu. Ela também é chamada de Hida-Takayama para diferenciá-la de muitas outras cidades que levam o mesmo nome. Sua arquitetura tradicional está muito bem conservada e seu artesanato é muito prestigiado. Não deixe de reservar um tempo para relaxar tomando um revigorante banho de águas termais. O mercado, com suas coloridas barracas de

Cerejeiras em flor marcam a primavera no Monte Fuji (no alto). Acima, os trajes orientais revelam como seu povo valoriza a identidade cultural. Na página ao lado, o Templo Daigo-ji e todo o esplendor do seu jardim

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legumes, picles e lembranças artesanais, vale uma visita. A atração mais relevante é Yoshijima Heritage House, uma antiga fábrica de saquê com preciosa estrutura de madeira e um interior arquitetônico refinado, considerado um Tesouro Cultural Nacional importante. Passeie por Sanmachi Suji, um conjunto de três ruas principais no coração de Takayama. Seus edifícios têm mais de 300 anos e estão bem preservados. Muitos ainda funcionam como restaurantes, lojas de lembranças e depósitos de saquê. A aldeia de Ogimachi, situada na área de Shirakawa-go,


f o ra da r o ta

a noroeste de Takayama, é seu próximo destino. Na vila é impossível não admirar as casas gassho-zukuri, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1995. São grandes casas de madeira com telhados de colmo íngremes projetados para resistir à neve pesada – o termo gassho-zukuri se refere aos telhados em formato de mãos em oração. Para ir a Quioto, você fará uma parte da viagem de ônibus – até Kanazawa – e depois de trem para o destino final. Na cidade você vai conhecer o distrito de Gion, famoso por seus muitos ryotei (restaurantes particulares exclusivos) e pelas geiko (gueixa de pleno direito) ou maiko (aprendiz de gueixa). Também vai visitar a Ponte Sanjo-ohashi, no extremo oeste da antiga trilha de Nakasendo. Prepare-se para conhecer Kinkaku-ji, o Pavilhão Dourado, oficialmente chamado Rokuon-ji. Ele é um dos templos budistas zen mais populares do Japão e foi construído pelo shogun Ashikaga no século 14 como um lugar de contemplação e descanso. Ele está entre os 17 locais que compõem os Monumentos Históricos da Antiga Quioto, que são Patrimônio da Humanidade. No Templo Ryoan-ji, você vai ver de perto seu famoso jardim de pedras de cascalho e suas 15 pedras cobertas de musgo. Tanto o templo quanto o jardim fazem parte dos Monumentos Históricos da Antiga Quioto, além de serem reconhecidos como Patrimônio Mundial da Unesco. A antiga cidade de Nara, que precedeu Quioto como capital do Japão, de 710 a 784, fica a uma hora ao sul de Quioto por trem. É para lá que você segue nessa fantástica viagem. Surpreenda-se com o Templo de Todai-ji, um dos mais significativos do Japão. Ele foi construído em 752 para ser o principal entre todos os templos budistas provinciais japoneses.

O salão principal de Todai-ji, o Daibutsuden (Grande Salão do Buda), é o maior edifício de madeira do mundo, apesar do fato de, hoje, ter apenas dois terços do tamanho original, após ser reconstruído em 1692. O enorme edifício abriga uma das maiores estátuas de bronze do Buda sentado (Daibutsu), com espantosos 15 metros de altura. Em seguida, seu passeio pode continuar pelas ruas estreitas do antigo distrito mercantil de Nara-machi, onde estão lojas, cafés e restaurantes. Ou, se preferir, poderá fazer uma caminhada pela estrada secundária de Todai-ji até o Templo Kasuga Taisha. Continue sua aventura fazendo uma viagem de trem para Osaka ao longo da cênica Nankai Railway Line, que leva você ao Monte Koya, um vale em forma de tigela cheio de cedros no alto das montanhas da Península Kii. Desde o século 9, a área tem sido um local de devoção religiosa e palco de cerimônias. Hoje existem mais de 100 mosteiros, muitos dos quais têm shukubo, hospedagem típica de peregrinos e viajantes. E você terá a chance de hospedar-se em um dos elegantes templos, onde vai degustar um legítimo jantar shojin-ryori, cozinha vegetariana budista. Na região está o cemitério Okuno-in, local do Mausoléu de Kobo Daishi (também conhecido como Kukai), o fundador do budismo Shingon e uma das pessoas mais reverenciadas na história religiosa do Japão. Também estão lá milhares de sepulturas e memoriais para os senhores feudais e outros luminares do passado. Este deslumbrante roteiro termina com a emocionante viagem de trem-bala, que você fará ao retorQuem leva nar para Tóquio via Auroraeco Viagens Osaka. l www.auroraeco.com.br 67


news curiosidades sobre o Vietnã Não é só a rica história, a deliciosa gastronomia e as belas paisagens que chamam a atenção de quem visita o Vietnã. O país tem muitas curiosidades culturais. Olhe só: 1. Dragões em sua árvore genealógica: De acordo a lenda local, vietnamitas são descendentes do dragão Lac Lon Quan e da fada Au Co. Isso explica a quantidade de estátuas, desenhos de dragões e até uma ponte de meio quilômetro em formato de dragão. 2. Motos são multiúso: Cerca de 44 milhões de motocicletas circulam nas ruas do país. Mas elas não servem apenas de transporte. Sobre duas rodas, existem restaurantes, lojas de diversos tipos de objetos e até cama para um cochilo no meio do dia. 3. Descanso, nem na eternidade: Vietnamitas acreditam que os mortos continuam trabalhando em outro plano. Por isso é comum o enterro de corpos em plantações: assim eles continuarão a produzir e a ajudar nas colheitas.

Atacama: duas ótimas chances para observar as estrelas O Deserto do Atacama, no Chile, é um dos melhores pontos da Terra para observar as estrelas. Seu céu é o mais escuro e nítido do globo terrestre graças ao clima seco (é o lugar mais árido do mundo), a sua grande altitude (de 2 410 a 4 270 metros a nível do mar) e à ausência de poluição luminosa dos centros urbanos. A boa notícia é que a Auroraeco tem ótimas oportunidades para você fazer essa maravilhosa viagem à região, com direito a guias especializados em astronomia. O magnífico Explora Patagônia, que entre abril e setembro tem 40% de desconto nas diárias. E o luxuoso hotel Tierra Atacama, que, até o final do ano, oferece hospedagem cortesia de crianças e adolescentes, além de noites extras cortesia em hotéis excelentes em Santiago.

PUMA O hotel Awasi Patagônia expandiu sua reserva privada de 600 para 4 500 hectares. O objetivo é criar uma reserva privada para proteger a população de pumas dentro e no entorno do Parque Nacional Torres del Paine. Cientistas e pesquisadores estão envolvidos nesse projeto, coletando informações sobre os padrões comportamentais dessa espécie.

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P e r s o na g e n s d o B ras i l

Jean-Daniel e a transformação de Novo Airão

O

k: Jean-Daniel Vallotton é franco-suíço. Mas o coração dele é do tamanho do Brasil. E, como há anos se dedica a transformar vidas em Novo Airão, no Amazonas, ele já é um brasileiro de alma, figura querida na região. Não por acaso. A relação de Jean-Daniel com o país começou em um barco, sobre as águas do Rio Negro. Durante a viagem, conheceu Miguel Rocha da Silva. Mas antes de saber o que aconteceu, é preciso rebobinar o tempo... O primeiro contato dele com um projeto social foi no Gabão, na África, onde ajudou a construir um hospital. “Saí de Genebra, onde temos de tudo, e fui parar em um lugar degradado, em que há muito sofrimento do ser humano. Foi um eletrochoque”, lembra. O trabalho voluntário e o envolvimento com a realidade local fizeram com que ele retornasse à Suíça diferente. “Meu sonho era continuar ajudando as pessoas e voltar a trabalhar na África. Mas queria estar em um projeto social pequeno.” Enquanto não achava algo assim, trabalhou em grandes empresas de marcenaria para aprender sobre a gestão do negócio. Criou seu próprio negócio de restauração de móveis antigos. “Um dia, na oficina, ouvi em um anúncio no rádio que um etnólogo procurava voluntários para ir à Guiana Francesa. Eu fui. Assim, conheci a Floresta Amazônica. Fiquei seis meses com os índios. Adorei”, diz. Agora, dá para entender qual foi o impacto que Jean-Daniel teve ao saber, durante o papo no barco, o plano de seu Miguel: capacitar a população de Novo Airão, que precisava encontrar alternativas de trabalho. E a ideia era aproveitar os resíduos de madeira da construção naval para produzir móveis e artesanato. O projeto era o que Jean-Daniel buscava havia anos. Assim nasceu, em 1997, a Fundação Almerinda Malaquias (FAM) – homenagem aos pais de Miguel. Os dois conseguiram implantar um centro de educação e formação profissional em Novo Airão, transformando a vida de muitas pessoas da comunidade. Com infraestrutura e equipamentos que permitiram seu desenvolvimento ao longo dos anos, a FAM oferece atividades de formação profissional com geração de renda através de um polo multidisciplinar de educação ambiental para crianças, adolescentes e famílias da comunidade. “As crianças, desde cedo, entendem que existem opções de geração de renda, ligadas à preservação e à alimentação de melhor qualidade. Temos várias vertentes dentro do projeto. É um trabalho de longo prazo”, afirma. l

O franco-suíço Jean-Daniel Vallotton tem o coração do tamanho do Brasil. Há anos transformando vidas em Novo Airão, no Amazonas, ele já é um brasileiro de alma, figura querida na região

Saiba mais sobre a Fundação Almerinda Malaquias: www.fundacaoalmerindamalaquias.org

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26 a 31 BORDEAUX BIKE TOUR FRANÇA

1º a 14 JAPÃO

8 a 13 Feriado de Nossa Senhora Aparecida

1º a 8 Feriado da Independência ILHAS GREGAS BIKE TOUR GRÉCIA

6a9 DETOX & YOGA AMAZÔNIA

7a9 Feriado da Independência BOGOTÁ COLÔMBIA

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VÊNETO BIKE TOUR ITÁLIA

12 a 14 Feriado de Nossa Senhora Aparecida SALAR DE UYUNI BOLÍVIA

2a4 Feriado de Finados CARTAGENA DAS ÍNDIAS COLÔMBIA

14 a 18 Feriado da Proclamação da República CHAPADA DOS VEADEIROS - GO

15 a 18 Feriado da Proclamação da República TIERRA CHILOÉ CHILE


a g e n da

2a5 Carnaval MENDOZA BIKE TOUR ARGENTINA

13 a 18 PORTOBELO PANAMÁ

24 a 27 28/12 a 2/1

VALE DOS VINHEDOS BIKE TOUR - RS

Réveillon PATAGÔNIA ARGENTINA

29/12 a 2/1 Réveillon ATACAMA CHILE

9 a 22 ROTA DA SEDA ÁSIA CENTRAL

29/4 a 3/5 25/2 a 1º/3

NAVEGAR É PRECISO AMAZÔNIA

SURFIN SEM FIM PRAIA DO PREÁ - CE

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v I S TA G RA M

Janela para o mundo Viajar é mais que conhecer lugares. É provar e compartilhar experiências... instagram.com/auroraeco

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