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EDITORIAL

Colheita de café avança no país

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colheita de café praticamente se encerrou nas regiões cafeeiras do país. Mesmo em ano de baixa, os cafeicultores estão preocupados com a qualidade do café colhido neste ano e, em alguns casos, já preocupados com a safra do próximo ano. Há uma “préocupação” de que as lavouras estão debilitadas para manter a carga após as floradas dos próximos meses. Assim como em qualquer atividade econômica, não é recomendável “sentar e aguardar o tempo passar”. É o momento de investir na cultura. Aproveitar os bons preços do café no mercado e investir em tecnologia de adubação, irrigação, podas e maquinários. Mãos à obra. Mas sempre com planejamento e atenção! Nesta edição destacamos a realização da 3ª EXPOVERDE. A proposta do evento é mostrar aos agricultores o que se tem de melhor em máquinas e implementos agrícolas, bem como tecnologias na produção de frutas, hortaliças, agricultura orgânica, plantas nativas e plantas medicinais. Também envolve o lado paisagista, com a comercialização de flores, orquídeas e plantas ornamentais. Na atividade leiteira, apresentamos matéria importantíssima sobre o tema “Pagamento e Qualidade do Leite”. Também destacamos a importância do manejo e da higiene na ordenha para o incremento dos ganhos na atividade. Na cafeicultura, destaque maior para o 9º Concurso de Qualidade de

e-mails PAULO JOSÉ GOMES LIMA Técnico Agrícola. Franca (SP). “Gostaria de receber a Revista Attalea Agronegócios”. JOSÉ LUIZ DE SANTANA Agricultor. Cássia dos Coqueiros (SP). “Trabalho com café, cana-de-açúcar e palmito pupunha. Gostaria de assinar a revista”. REGINALDO SAMPAIO PEREIRA Agricultor. Batatais (SP). “Gostaria de atualizar o meu endereço e continuar recebendo a revista. Parabéns e obrigado”. HELTON TADEU INÁCIO DA SILVA Agricultor. Ribeirão Preto (SP). “Gostaria de receber a Revista Attalea Agronegócios”.

Café da Alta Mogiana, safra 2011/2012, realizado pela AMSC - Associação de Cafés Especiais da Alta Mogiana, que tem agora nova diretoria, tendo na presidência André Cunha, da Monte Alegre Soluções Agrícolas. Na questão tecnologia cafeeira, apresentamos artigo do amigo Tomás Matuo, que aborda o tema “armadilha sonora no combate às cigarras”. Queremos, em particular, parabenizar as empresárias Célia Aparecida e Rosemar Cintra pela criação do Monte Alegre Soluções Contábeis, o mais novo escritório de contabilidade de Franca (SP). Boa leitura a todos!

MARIA JULIA PEREIRA MADEIRA. Cafeicultora. Nova Resende (MG). “Quero receber a Revista Attalea Agronegócios”. SILAS NEVES CARNEIRO JUNIOR. Agricultor. Uberaba (MG). “Gostaria de assinar a revista”. ANTONIO CARLOS LEMOS GARCIA. Engº Agrônomo. Batatais (SP). “Profissional da Divisão Agrícola da Marchand Agrícola e Pecuária, gostaria de receber a revista. FRANCISCO LUIS M. PEREIRA Empresário. Batatais (SP). “Gostaria de assinar a Revista Attalea Agronegócios”


CONTABILIDADE RURAL

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DESTAQUE

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FOTO: Divulgação - Grupo GCN

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mpresários, agricultores tradicionais, agricultores orgânicos, bem como os amantes de plantas e flores, já tem data marcada para se encontrarem em Franca (SP). Entre os dias 29 e 30 de setembro e 1º e 02 de outubro, acontece a 3ª EXPOVERDE – Feira de Máquinas e Implementos Agrícolas, Insumos, Flores, Frutas, Hortaliças, Plantas Nativas, Ornamentais e Medicinais; e Agricultura Orgânica da Região de Franca. O evento será realizado das 9h às 19 horas, no recinto do Parque de Exposições “Fernando Costa”, em Franca (SP). Será realizado pela Associação dos Produtores Rurais do Bom Jardim, com o apoio técnico da Prefeitura de Franca, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento. De acordo com Claudionor Eurípedes da Silva, presidente da Associação do Bom Jardim, a feira tem um caráter técnico. “O objetivo da feira é a promoção de negócios nos diversos setores da agricultura da região, como horticultura, fruticultura, silvicultura e cultivo de grãos em geral. A feira propõe trazer novidades tecnológicas nos estandes e também através de cursos e palestras”, diz. Além do caráter técnico voltado à agricultura, a feira também busca atender a população em geral, que será prestigiada com a possibilidade de adquirir a bons preços flores, mudas de frutas, plantas ornamentais e insumos

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

3ª EXPOVERDE acontece em setembro no Parque de Exposições “Fernando Costa”

em geral. “A EXPOVERDE propõe ser um espaço diferenciado, no qual será permitido mostrar os produtos aos clientes finais, num grande showroom de Franca e região. Queremos fazer do Parque ‘Fernando Costa’ um ponto de referência regional nesta época do ano, com possibilidade de conhecer e comercializar máquinas, equipamentos, insumos e implementos agrícolas”, observa Alexandre Ferreira, Secretário Municipal de Desenvolvimento. A feira abrigará ainda várias empresas do setor paisagístico da região, com exposição e comercialização de orquídeas, flores, gramas, plantas ornamentais diversas e outros produtos, máquinas e equipamentos paisagísticos”, orienta o secretário municipal. ESPAÇOS COMERCIAIS - A Comissão Organizadora informa que foram disponibilizados apenas 60 espaços comerciais e que a procura está sendo grande por parte das empresas. “Será um evento diferenciado, voltado aos negócios e com entrada gratuita. A cidade de Franca e as cidades em seu entorno possuem muitas empresas e revendas que trabalham o setor agrícola e paisagístiAlexandre Ferreira, Secretário Municipal de Desenvolvimento

co. A EXPOVERDE foi criada exatamente para mostrar a força deste setor, promovendo e gerando negócios para atender o público local e regional”, explica Alexandre Ferreira. PROGRAMAÇÃO - Além da visitação aos estandes de expositores e empresas comerciais dos diversos segmentos envolvidos, a 3ª EXPOVERDE abrigará ainda o 5º Seminário de Agricultura Orgânica, que acontecerá no dia 30 de setembro com palestras técnicas com os mais renomados pesquisadores do setor orgânico do país. “Nossa proposta é contribuir diretamente para a evolução dos agricultores orgânicos da região, sejam eles já certificados ou não. Queremos mostrar não apenas a teoria, mas trazer orientações práticas, com técnicas que venham valorizar e incrementar a atividade orgânica na região de Franca”, afirma Alexandre Ferreira. Também está previsto a realização de um Mini-Curso sobre Cultivo de Orquídeas, no dia 30 de setembro/1º de outubro, ministrado por Jânio Miras Henrique, chefe do Orquidário Municipal “Yayá Jacintho”; de um MiniCurso sobre Plantas Medicinais, no dia 1º de outubro; e de outras palestras que ainda estão sendo definidas pela Comissão Organizadora. A

EM TEMPO

EXPOVERDE 29 e 30 de setembro / 1º e 02 de outubro Franca (SP) - (16) 3711-9482 www.franca.sp.gov.br/expoverde E-mail: expoverde@franca.sp.gov.br


MĂ QUINAS

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EVENTOS

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erminou no último dia 12 de agosto, com a presença do deputado federal Odair Cunha (PT), a 3ª SINAGRO - Feira Regional de Agronegócios do Sinrural de Passos (MG), aberta dois dias antes pelo Secretário de Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento, Elmiro Alves Nascimento. O evento foi pródigo, nos três dias em que foi realizado, em contar com a presença de lideranças que demonstraram seu apoio à realização da feira. Ainda sem um fechamento final, os organizadores estimam que o volume de negócios ultrapasse os R$40 milhões. A previsão inicial era de que este valor atingiria R$15 milhões. Mas o decorrer dos dias mostrou que este valor seria superado. “Teve empresa que vendeu 33 tratores, outras 3 carros, 6 motos, e a perspectiva de negócios futuros foi muito boa”, informa Arnaldo Maia, um dos coordenadores. Para Anselmo Figueiredo, coordenador de vendas, agora coordenando a coleta de dados de uma pesquisa, o valor já atinge R$30 milhões. “Mas ainda temos cerca de 35% para coletar”. Fora desse volume estimado está o Banco do Brasil, que fechou contratos da ordem de R$3 milhões só na feira. “Ainda estamos fechando contratos gerados dentro da feira, só que na agência”, explica Lanário José da Silva gerente geral do Banco do Brasil. Também não está incluso o valor conseguido nos dois leilões especiais realizados no evento, Segundo José Carlos, gerente do Sinrural, os dois bateram na casa de R$ 1 milhão. “Foram dois leilões que superaram a

FOTO: Divulgação SINAGRO

SINAGRO supera expectativa e volume de negócios supera R$ 40 milhões

Elmiro Alves do Nascimento, titular da SEAPA - MG - é recebido na 3ª SINAGRO

expectativa”, avalia. Na abertura do evento, Elmiro Nascimento disse que a iniciativa merece todo apoio por parte do governo e que se cumpria com ela o estímulo que o agronegócio precisa ter no Brasil. “Um País com todas as condições de alimentar o mundo todo”, afirmou. O deputado estadual Cássio Soares foi outra liderança que destacou a importância da SINAGRO. “A aproximação entre os vários atores do meio rural, só facilita o fomento ao agronegócio”, disse. O subsecretário de Políticas Urbanas, Renato Andrade, lembrou a ligação que tem com o Sinrural, já que seu pai, Jones Andrade, presidiu a instituição. “Tenho uma ligação emocional forte com este sindicato e fico muito satisfeito quando percebo que a instituição faz ações como essa, no sentido de fortalecer o produtor”, destacou. Leonardo Medeiros concordou

que a Feira de Agronegócios cumpre o papel de fomentar negócios da atividade rural, mas também é o fórum adequado para discutir temas de interesse do setor. “Como já aconteceu com a discussão aberta na primeira edição e que levou ao fim da zona tampão que impedia o comércio da carne produzida aqui para a comunidade européia”, ressaltou. Também citou o caso da Ponte Passos – Glória que “teve a sua construção assumida aqui pelo então governador Aécio Neves e que hoje é uma realidade”. Leonardo entregou ao secretário o documento com sugestões para o Desenvolvimento Sustentável do Agronegócio na região, elaborado por secretários de agricultura da região e outras lideranças. Feirantes afirmam que SINAGRO superou expectativas - Para o deputado Antonio Carlos Arantes que visitou


FOTO: Divulgação SINAGRO

EVENTOS

Da esq para a dir: Dep. Cassio Soares; Secr. Elmiro Nascimento; Leonardo Medeiros; o Prefeito José Hernani; e a Presidente da Câmara Municipal de Passos, Tia Cenira.

Lideranças também fazem avaliação positiva da SINAGRO - A presidente da Câmara de Passos, vereadora Cenira de Fátima Gomes Macedo, a Tia Cenira, avalia que “a feira, com certeza vai superar as expectativas tanto no volume de vendas como na aquisição de equipamentos”. O secretário de Assistência Social da prefeitura de Passos avalia que a realização da feira é importante porque possibilita a geração de emprego e renda, além de fixar o homem no campo “evitando problemas sociais nas cidades”. O prefeito de Guapé (MG), Nelson Lara, disse que a realização da “feira é de grande importância para todos os envolvidos na

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os estandes no dia 11, um dia depois da abertura, o evento merece apoio por parte do governo e “no que depender de mim estou pronto a ajudar”. Não é diferente a maneira de pensar do deputado federal Odair Cunha, que ressaltou estar feliz de ter participado “da assinatura do primeiro PRONAF MULHER da região e vejo que a agricultura no Brasil se torna cada vez mais competitiva”. A primeira mulher da região a assinar um contrato do PRONAF MULHER é Márcia Helena Freitas, de Passos. Rodrigo Calixto, da Delaval, afirma que ficou “muito satisfeito com o resultado conseguido e fizemos muitos negócios aqui”, disse. Leonel Oliveira, da Casmil, disse que a “3ª SINAGRO superou nossas expectativas tanto em venda como em público”. O prefeiro de São José da Barra, Carlos Barzaga, avalia a feira como excelente. “Se no ano que vem melhorar mais é tudo que a nossa região precisa”, afirmou. Para Cleide Maria, da Móveis Castelo, a feira superou as “expectativas em número de visitante, é uma feira nova que tem tudo para crescer”, destacou. Marcio Augusto, da Innovar, afirma que a participação na feira “foi uma experiência positiva e fizemos bons negócios aqui”, disse. João Cardoso, da Mistubshi, avalia que a feira foi “muito boa, tanto que conseguimos vender aqui quatro veículos e ainda temos expecattiva para o pós feira”, contou. Para Sebastião Pedroso, da Cooparaiso, a “3ª SINAGRO é uma recuperação das anteriores. O resultado para a Cooparaiso foi excelente, muitas visitas e, fechamos bons negócios, tanto que vendemos mais de 30 tratores durante esses três dias”, informou.

produção rural”. Telmo Santiago, chefe de Gabinete da Prefeitura de Passos, avalia que “a feira foi um sucesso, que a gente percebe nos produtores, feirantes, que expuseram e que permitiram a compra de equipamentos em condições especiais. Por isso o apoio que a prefeitura deu a esta feira não para aqui, tanto é que nós ja incluímos uma emenda ao orçamento que permite a prefeitura repassar recursos para a 4ª SINAGRO que, se Deus quiser, o ano que vem será realizada”, relata. Para Eduardo Leal, Delegado do Ministério da Agricultura em Minas Gerais, feiras como a SINAGRO “devem ser realizadas e repetidas, porque é uma iniciativa louvável”. Davi Oliveira, avalia que a feira foi positiva, porque “pudemos mostrar o nosso projeto sócio-ambiental, de grande importância para a região, informamos aos deputados qual o nosso objetivo e pleiteamos ajuda para levá-lo em frente”. Leonado Medeiros avalia que “superamos todas as expectativas, embora muita gente não acreditasse que seríamos capazes de realizar o evento em 50 dias, ainda mais no nível que foi, mas o importante é que o sindicato cumpriu o seu papel, porque vejo todo mundo contente e elogiando e, no ano que vem vamos trabalhar para fazer um evento melhor ainda”, conclui A


LEITE

Cuidados com o manejo e a higiene na ordenha só revertem em ganhos

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urante a ordenha, é possível reduzir a contaminação bacteriana, prevenir os animais de novas infecções intramamárias e garantir a obtenção de leite seguro, sem patógenos e resíduos de medicamentos veterinários. No manejo e higiene da ordenha, as Boas Práticas Agropecuárias (BPA) mostram a importância de alguns cuidados durante o processo, como o treinamento de mão de obra e da adoção de medidas que evitem problemas à saúde da glândula mamária e a obtenção de leite com elevadas contagens bacterianas totais (CBT) e células somáticas (CCS). Segundo a professora Mônica Pinho Cerqueira, da Escola de Veterinária da UFMG, é preciso começar conduzindo os animais à sala de ordenha de forma tranqüila e sem agressões, evitando o estresse, que pode comprometer a descida do leite e afetar a sua qualidade. Outro procedimento é a formação da linha de ordenha, por meio da qual ordenhamse primeiro os animais mais jovens e saudáveis (primíparas), seguidos das vacas sadias e das vacas com mastite subclínica, terminando com os animais com mastite clínica. Quando possível, recomenda- se a separação dos animais portadores de infecção por Staphylococcus aureus e a ordenha desse lote em separado. O patógeno é altamente contagioso e por ser de difícil controle requer mais cuidado, explica a professor Mônica Pinheiro Cerqueira. Na seqüência, mostram as BPA, que é fundamental a correta preparação do úbere antes da ordenha, com a realização do teste da caneca e do predipping, tomando-se o cuidado de cobrir totalmente o teto com o desinfetante, deixando-o agir por aproximadamente 20 a 30 segundos. Depois, é preciso secar os tetos com papel toalha descartável e não demorar mais de 1 minuto a 1 minuto e meio na preparação dos animais. Tempo mais elevado pode significar mais leite residual na glândula mamária e mais risco de mastite. Antes da ordenha, tetos com muito barro e sujidades devem ser lavados com água de boa qualidade mi-

crobiológica. Não se deve usar grande quantidade de pressão nos tetos dos animais. No momento da colocação e do alinhamento das teteiras, é preciso evitar a entrada de ar no equipamento, o que pode comprometer a eficiência da ordenha e a saúde da glândula mamária. A ordenha manual também deve ser higiênica, completa e ininterrupta. Ao término da ordenha, deve-se desligar o vácuo, retirar cuidadosamente as teteiras e realizar o pósdipping, uma das principais medidas na prevenção da mastite contagiosa. Daí a importância da escolha de um produto comercial com elevado poder bactericida, cobrindo-se totalmente o teto. Mas também é preciso evitar a ocorrência de “sobreordenha”, que ocorre quando o fluxo de leite termina e a unidade continua funcionando com o vácuo nos tetos, o que pode causar lesões e predispor à ocorrência da mastite, explica a professora da UFMG. Avaliar os tetos dos animais é uma outra recomendação. Muitas vacas com lesões, como calosidades na extremidade dos tetos, pode indicar problemas no manejo e no equipamento de ordenha, responsáveis pela maior taxa de mastite subclínica e prejuízos econômicos decorrentes da baixa qualidade do leite. Além disso, BPA implicam a manutenção das boas condições da instalação, uso adequado e manutenção preventiva do equipamento de ordenha. A troca periódica dos componentes, como teteiras e mangueiras de leite, é fundamental para que a ordenha seja realizada de maneira adequada, diz a professora da UFMG. De outro lado, alerta, a limpeza incorreta dos equipamentos pode comprometer muito a CBT do leite do tanque e causar prejuízos ao produtor e à indústria. Por isso, diz, o melhor seria solicitar um checklist do técnico ou representante do equipamento. Importante também dar atenção às condições higiênicas do ordenhador e, principalmente, da higiene, limpeza e manutenção dos equipamentos de ordenha (tanque, mangueiras, teteiras e insufladores do conjunto). (Fonte: Itambé) A

Dicas de Limpeza e Manutenção dos Equipamentos Troque as mangueiras, teteiras e insufladores do conjunto de ordenhadeira a cada 6 meses. Água de boa qualidade (microbiológica e quanto à concentração de sais), pois mais de 95% da solução de limpeza é composta por água. Se a água apresentar dureza elevada, é preciso ajustar a concentração do detergente e a freqüência de uso dos produtos na limpeza. Assim os sais presentes na água não reduzem a ação do produto, tornando a limpeza menos eficiente. Utilize detergentes e sanitizantes próprios para esse fim. O detergente alcalino dissolve a gordura do leite e suspende a lactose e proteína, os quais, com auxílio de turbulência (ou agitação manual), podem ser removidos. O cloro, adicionado ao detergente alcalino, remove depósitos de proteína. Nunca usar os dois tipos de detergentes ao mesmo tempo; cada um têm seu momento e forma de uso específicos. Temperatura inicial da água para a limpeza com detergente alcalino clorado: 70 a 75 °C. No final, deve estar ente 40 a 45°C. O detergente ácido remove os minerais que aderem à superfície do equipamento de ordenha, evitando a formação da pedra do leite. Calcule os volumes de água necessários para cada etapa e sistema de ordenha, garantindo a concentração correta dos produtos de limpeza. Treine as pessoas para executar as rotinas de limpeza e realizar o monitoramento periódico. Antes do início da ordenha, circular solução sanitizante para reduzir a carga microbiana que pode contaminar o leite. A sanitização do tanque refrigerador também é fundamental para garantir que a CBT do leite seja baixa. A


LEITE

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LEITE

Como o pagamento influencia a qualidade do leite?

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pós a recente prorrogação por 6 meses para a entrada em vigor de novos padrões legais de qualidade do leite cru no Brasil (Instrução Normativa 32 do MAPA, 30/06/2011), a cadeia produtiva do leite tem aguardado com grande interesse a definição de quais medidas concretas deverão ser aplicadas para evitar futuros adiamentos. Houve certo consenso entre representantes dos vários segmentos (produtores, indústrias, governo) de que, a despeito de alguns avanços na questão da qualidade do leite, ainda são enormes os desafios para atingirmos padrões internacionais, principalmente quanto à higiene e saúde da glândula mamária. Desse modo, parece ser justificável esta prorrogação dos prazos, no entanto não se pode perder esta oportunidade para definição de um conjunto de medidas para alavancar a qualidade do leite. Muitas destas medidas necessárias para a melhoria da qualidade são amplamente reconhecidas em relação à importância, eficácia e resultados esperados. Por exemplo, é inquestionável a necessidade de treinamento e capacitação de mão de obra, com foco principal nas boas práticas agro1 - Professor Associado da FMVZ-USP Campus de Pirassununga (SP). Site: www.marcosveiga. net.

FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

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Marcos Veiga Santos 1

Seja qual for o sistema de ordenhadeira é extremamente importante a adoção de medidas de limpeza e manutenção que mantenha a qualidade do leite.

pecuárias (manejo de ordenha, controle de mastite) dentro da fazenda e treinamento de transportadores (coletas de amostras). Isto somente para citar os pontos mais críticos na capacitação de toda a cadeia produtiva. No entanto, programas de treinamento de forma pontual têm resultados limitados e transitórios, caso não seja feito um monitoramento dos resultados e a adequação de medidas mais específicas dentro de cada propriedade. Outro ponto de igual importância é a existência de uma boa assistência técnica, visto que o produtor necessita de apoio técnico-científico para a tomada de decisões e para identificar os pontos que podem ser melhorados. Atualmente, contamos com um conjunto de tecnologias simples e altamente eficientes para produção de leite de alta qualidade, dentro dos mais variados sistemas de produção do país. Recentemente, em um diagnóstico da cadeia produtiva do Estado de Goiás, cerca de 1/3 dos produtores apontou que o fator que mais contribui para a melhoria da qualidade do leite é uma assistência técnica eficiente. O terceiro fator deste tripé de medidas básicas para melhoria da qualidade do leite é o sistema de pagamento. Todos os esforços para o aumento da qualidade devem ter como premissa básica a sustentabilidade econômica

da atividade. Sem uma perspectiva de aumento de lucratividade, o avanço da qualidade é muito limitado. Com base neste conceito, desde a década de 1980, muitos países produtores de leite adotaram sistemas de pagamento com incentivos e penalizações sobre o preço do leite, em função de critérios objetivos de qualidade, como a contagem de células somáticas (CCS) e a contagem bacteriana total (CBT). De todos as medidas apontadas anteriormente (treinamento, assistência técnica e sistema de pagamento), o papel indutor das empresas processadoras é fundamental, visto que grande parte das responsabilidades quanto a melhoria de qualidade deveriam ser compartilhados entre produtores e indústrias. Não se deve esperar do produtor investimentos para aumentar a qualidade do leite se não houver sinalização de retorno econômico. Considero que grande parte da motivação dos produtores para a melhoria da qualidade está ligada ao potencial de valorização do preço do leite, mas esta não é a única questão. O pagamento diferenciado do leite baseado em critérios de qualidade da matéria-prima é, sem dúvida, um assunto altamente relevante, pois pode representar uma evolução do sistema de comercialização do leite e um aprimoramento das relações entre


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Práticas como a adoção de sistemas de ordenha mecanizado e a atenção com a troca das mangueiras, insufladores e das teteiras a cada 6 meses garantem a qualidade do leite.

em 65.000 células/ml após a aplicação do programa. Da mesma forma, a CBT média dos rebanhos sofreu redução de cerca de 60%. Sendo assim, podese concluir que políticas de premiação por qualidade podem ser ferramentas importantes para a indústria, uma vez que as bonificações podem ser estabelecidas conforme as necessidades e objetivos de processamento da matériaprima. Em termos de composição, não se observou os mesmos impactos, o que indica necessidade de um trabalho de médio e longo prazo para obtenção de resultados. A aplicação somente de premiações, sem nenhuma política de penalização, mostra-se pouco efetiva, o que indica que uma combinação entre os programas de bonificação e penalização pode ser mais eficiente para redução da CCS e CBT. É importante destacar que o produtor é o fator mais importante para explicar variações na qualidade do leite, sendo que outros fatores como volume de leite diário e sazonalidade são aspectos de menor relevância. Isso indica que tanto produtores com pequena ou grande escala de produção podem responder aos incentivos dos sistemas de valorização da qualidade. Para a implantação de um bom sistema de valorização da qualidade alguns aspectos operacionais são essenciais. Deve-se adotar procedimentos adequados e padronizados para coleta, transporte e análise de amostras de leite, assim como uma rápida comuni-

cação dos resultados das análises para os produtores. A adoção de critérios realistas para bonificação e penalização é outro aspecto fundamental, pois se o produtor não perceber que os critérios para obtenção de premiações é compatível com a realidade, perde-se a credibilidade e o potencial de adesão do produtor é reduzido. A implantação de sistemas de pagamento por qualidade pode permitir ganhos tanto dos produtores quanto das empresas. Estas últimas podem se beneficiar com o recebimento de matéria-prima de qualidade superior, o que permite ganhos potenciais de rendimento de fabricação, aumento da vida de prateleira dos derivados lácteos, melhoria de imagem frente ao consumidor e maior capacidade de competitividade. Para os produtores, além da possibilidade de diferenciação do preço (tanto pelo aumento quanto pela redução), é uma importante sinalização sobre quais as medidas e investimentos devem ser adotados visando ao atendimento de padrões de qualidade e qual a demanda dos consumidores em relação a qualidade. Ainda que sejam essenciais, os sistemas de valorização da qualidade não devem ser as únicas estratégias a serem empregadas. Entretanto, quando usado de forma conjunta com programas de treinamento e assistência técnica pode ser uma excelente ferramenta melhoria consistente da qualidade do leite. (Fonte: Inforleite). A

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indústria e produtores. Isso permite premiar com uma bonificação extra aqueles produtores que dedicaram esforços e recursos financeiros para produzir uma matéria-prima superior, assim como penalizar o preço do leite de qualidade inferior. A implantação de sistemas de valorização da qualidade pode ser considerada uma tendência em várias regiões e empresas do setor, contudo, é importante frisar que não existe vinculação entre pagamento por qualidade e regulamentação da qualidade (padrões legais mínimos de qualidade do leite). O objetivo de novos padrões legais de qualidade é definir critérios mínimos, os quais passam a ser obrigação de quem produz leite. Já o pagamento por qualidade não depende de novas normas, uma vez que estes programas consistem no pagamento de um prêmio para o produtor que fornece a matéria prima com características diferenciadas, o que gera retorno para a indústria e consumidor. Isto se configura essencialmente como um acordo entre fornecedor e comprador, na dependência de peculiaridades de cada indústria e de cada região. Desta forma, mudança de legislação e pagamento por qualidade não devem ser considerados sinônimos, e em muitos casos não têm relação direta entre si. Além disso, as exigências de qualidade para o produtor receber bonificação do leite são muito superiores aos padrões legais, o que confirma que são dois temas que devem ser vistos de forma separada. Para demonstrar a maneira como os produtores são influenciados pelos incentivos oferecidos nos programas de pagamento por qualidade, foi feito um estudo em uma cooperativa da região Sul do Brasil, durante o período de 3 anos. A cooperativa recebia leite de aproximadamente 1100 produtores, os quais foram submetidos previamente a um programa de treinamento e capacitação. Os produtores foram avaliados individualmente em relação a CCS, CBT e porcentagem de proteína e gordura, totalizando cerca de 20.000 análises realizadas durante o período. O sistema de pagamento incluía penalizações e bonificação em função dos resultados mensais das análises realizadas no leite. A CCS e a CBT foram altamente influenciadas pela introdução do programa de pagamento. Por exemplo, a CCS média dos rebanhos foi reduzida

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

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CAFÉ

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Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (AMSC) prepara a nona edição do Concurso de Qualidade de Café da Alta Mogiana Safra 2011/2012. A edição fará uma homenagem póstuma ao Dr. Orestes Quércia, que foi o primeiro presidente da instituição. Os cafeicultores cujas propriedades estejam estabelecidas nos municípios paulistas de Altinópolis, Batatais, Cajuru, Cristais Paulista, Franca, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Santo Antônio da Alegria e São José da Bela Vista, poderão inscrever as suas amostras até o dia 28 de setembro nos armazéns e sindicatos de suas cidades. A exemplo da edição passada, o local da realização do júri e seleção será no Santoro Café, localizado à Rua Marrey Junior, 2381, Centro, Franca (SP) entre os dias 01 e 02 de outubro. A tradicional festa de premiação acontecerá no dia 15 de outubro às 20h, no Clube de Campo de Franca, onde também será realizado o 4º Leilão AMSC, no qual serão vendidos os melhores lotes de café classificados no concurso a empresas nacionais e internacionais, especialmente convidadas para a ocasião.

FOTOS: Divulgação AMSC

AMSC prepara a 9ª Edição do Concurso de Qualidade de Café da Alta Mogiana

Mauricio Aguilar recebe o prêmio de 1º colocado na categoria Cereja Descascado, em nome do proprietário, Francisco Rios Corral, de Pedregulho (SP).

É importante lembrar que as amostras de café deverão corresponder exatamente àquele produzido na propriedade inscrita e referir-se à safra 2011/2012. Somente poderão ser inscritos cafés arábicas (espécie Coffea arabica), de bebida fina preparado por via seca, café natural ou por via úmida (cereja descascado). Uma atenção especial está sendo dada aos pequenos produtores, cujas propriedades forem menores ou iguais a 10 hectares, que poderão inscrever-se na categoria mi-

cro-lote. O objetivo do concurso é selecionar os melhores cafés produzidos na Alta Mogiana além de torná-los visíveis ao importante mercado de cafés especiais. Além disso, os primeiros colocados serão inscritos no 10º Concurso de Qualidade do Café do Estado de São Paulo. A

Bules personalizados que foram entregues aos cafés vencedores e as xícaras entregues aos 30 melhores classificados no 8º Concurso.

Importador Bill Letbetter participa do 3º Leilão AMSC.


POLĂ?TICA

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CAFÉ

Durante o 44º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, BASF incentiva discussões sobre novos fungicidas

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om o intuito de difundir novas tecnologias que contribuam para o agricultor produzir mais e melhor, a BASF apresentou durante o 44º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, realizado em Bento Gonçalves (RS), o modelo de manejo conhecido como Sistema AgCelence®, para os cultivos de soja, batata, uva, tomate, café e cana-de-açúcar, além de novos fungicidas. “O Congresso é um palco de ricos debates sobre um dos problemas fitossanitários que mais preocupam os agricultores. A BASF atua ativamente no evento porque acredita que, por meio da tecnologia e da inovação, auxilia o agricultor a ter lavouras mais produtivas e com produtos agrícolas de melhor qualidade”, explica o gerente técnico de Desenvolvimento de Mercado Brasil da BASF, Sérgio Zambon. Durante o evento, a BASF também apresentou palestra sobre novos fungicidas. O engenheiro agrônomo Msc Carlos Antônio Medeiros apresentou as inovações tecnológicas da empresa. A BASF trouxe este ano para o mercado o fungicida Abacus® HC, produto que contribui para atender às necessidades das lavouras de milho e trigo que são acometidas por doenças foliares e de espigas. Os fungos causadores das doenças podem reduzir consideravelmente o rendimento desses cultivos. Para a cultura do milho, o fungicida é eficiente no controle das

Ferrugens (Puccinia sorghi e Puccinia polysora) e Mancha-de-Phaeosphaeria (Phaeosphaeria-maydis). Já o biofungicida Serenade®, também lançado este ano, é fruto de uma parceria entre a BASF e a AgraQuest. Seu princípio ativo, a bactéria gran-positiva Bacillus subtilis, é um agente biológico não patogênico e comum no meio ambiente. O Serenade® tem como característica principal inibir o desenvolvimento de outros agentes biológicos nocivos às plantas e presentes na natureza. Indicado para o manejo de resistência de fungos e possibilitando flexibilidade de aplicação em intervalos mais curtos de pré-colheita e de reentrada no campo, Serenade® apresenta-se eficaz no controle de importantes doenças, além de auxiliar o aumento da produtividade e qualidade das lavouras, aliado ao melhor gerenciamento dos limites máximos de resíduos. Inicialmente, o biofungicida está registrado e poderá ser utilizado nas culturas de cebola, maçã e morango. No estande da BASF, os participantes do evento puderam conhecer o Digilab. O serviço consiste na união de um microscópio digital, capaz de aumentar a imagem em até 200 vezes, e um software com banco de dados e imagens das principais pragas e doenças. Ao suspeitar que a lavoura está sofrendo o ataque de uma doença, o técnico recolhe algumas amostras das

plantas, como folhas, hastes, raízes. Com a amostra em mãos, o profissional realiza uma avaliação comparativa entre o material e as imagens da biblioteca virtual do Digilab. O software com o banco de dados foi desenvolvido com base na literatura especializada e com apoio de pesquisadores universitários. Os usuários contam com suporte técnico da equipe BASF e de pesquisadores que fazem parte da comunidade Top Ciência por meio de chats e fóruns de discussão. Produtividade Top - Na esteira do sucesso alcançado pelo Sistema AgCelence® Soja de Produtividade Top, a BASF apresenta também sua versão do manejo para os cultivos de café, uva, batata, tomate e cana-de-açúcar. Os estudos realizados para essas culturas apontaram que os benefícios proporcionados vão além da proteção de cultivos e do aumento de produtividade. “Os modelos de manejo desenvolvidos no Brasil apresentam características únicas. Além do melhor controle fitossanitário, a ação conjunta dos produtos proporciona melhor relação de transformação da água, luz e nutrientes em energia. É com este modelo de manejo que assegura a qualidade, quantidade e controle fitossanitário que estamos trabalhando para ajudar o agricultor a produzir ainda mais, além de contribuir para uma agricultura sustentável”, esclarece Zambon. Integram os Sistemas AgCelence® para os diferentes cultivos os fungicidas Opera®, Comet® e Cabrio®Top. Consultores, agricultores e pesquisadores puderam conhecer as inovações da BASF durante o Congresso. “Não podemos deixar de destacar a importância da Sociedade Brasileira de Fitopatologia, que promoveu o evento, como principal veículo de pesquisa e divulgação na área de doenças de plantas cultivadas. Os estudos desenvolvidos pelas instituições participantes envolvem modelos matemáticos eficientes no controle de doenças, estudo de plantas resistentes, controle químico, biológico, organismos geneticamente modificados, entre outros”, finaliza Zambon. A


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Fernando Jardine 1

nfim chegou a hora da colheita, que devidos aos preços da saca de café vem cada vez mais animando os produtores e, principalmente, os que visam uma lavoura de alta produção, ótima qualidade, uniformidade na granação e maior peso dos frutos. Levando em conta esses aspectos, a Nutriplant - empresa pioneira no segmento de micronutrientes - lançou no mercado o fertilizante foliar NutriK-Star (Fert K Star) onde nos ensaios de campo e vendas realizadas em

FOTO: Fernando Jardine

Nutriplant inova em lançamento de produto para finalização de colheita de café

1 - Engenheiro Agrônomo e Supervisor de Vendas da Nutriplant em Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Email: fernando.jardine@nutriplant.com. br.

Rastreabilidade traz benefício a cafeicultor do Alto Paranaíba (MG)

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riada no final de 2008, porém pesquisando a tecnologia desde 2006, a Safe Trace Café é uma empresa especializada em rastreamento de café, assegurando e disponibilizando informações confiáveis sobre a origem, qualidade e sanidade do produto em todas as etapas de produção, desde o cultivo nas fazendas até a ponta de comercialização para o consumidor final. Prova disso é que a Fazenda Baú, localizada na região do Alto Paranaíba (MG) está exportando café rastreado para o Japão; país onde uma xícara de café pode chegar a custar o equivalente a R$14,00. O sistema não só agrega valor como ajuda abrir mercados qualificados para o produto nacional. Nesse sentido, o processo de rastreabilidade desenvolvido pela Safe Trace Café vem se firmando como uma alternativa inovadora e de valoração do produto brasileiro. A TECNOLOGIA - Para permitir a agregação de valor ao café

através da comunicação de seus diferenciais aos consumidores, foi desenvolvido o Sistema de Rastreabilidade Total do Café, que possibilita a identificação e o acompanhamento do produto, desde o talhão de origem até a torrefação do grão, embalagem e distribuição, fazendo uso da tecnologia de códigos de barras e eventualmente RFID (identificador por rádio freqüência), associada a um sistema de computadores e banco de dados, tendo como resultado a criação de um mecanismo eficiente e auditável de identificação de origem, coleta de informações de produção, teste de sanidade, certificação e rastreabilidade do café, sendo que todas essas informações são disponibilizadas ao consumidor para consulta através da Internet, telefone celular ou equipamento de consulta no local de venda do produto. Este sistema é a primeira solução apresentada ao mercado capaz de comunicar simultaneamente ao consumidor a origem, qualidade, rastreabilidade e sanidade do café, quatro aspectos fundamentais

para a satisfação dos mais exigentes consumidores. Para atender às especificidades de cada cliente, o sistema é dividido em módulos funcionais. Todos os registros são validados pela Safe Trace Café e auditados também por uma empresa independente. O objetivo é dar a opção aos clientes finais e intermediários de selecionar o café não apenas pelas classificações tradicionais: espécie, tipo e bebida. Nesse sentido, os clientes tem informações adicionais, confiáveis e auditáveis associadas às propriedades ou unidades por onde o produto tenha passado. Já os clientes intermediários (armazéns gerais, torrefadoras e distribuidores) tem maior controle de sua cadeia de suprimentos, podendo atingir mercados cada vez mais específicos. Bancos e instituições financeiras podem controlar e acompanhar as informações da cadeia cafeeira como um todo, oferecendo pacotes especiais de créditos associados ao produto com origem garantida. A


várias regiões cafeeiras do país mostraram ótimos resultados, com um desempenho muito bom no final da granação e excelente coloração dos frutos, ajudando a melhorar a maturação sem gasto adicional de energia pela planta. Esse processo acontece através do contato direto do produto Nutri-K-Star (Fert K Star) com o grão. O produto age translocando com uma maior rapidez os carboidratos da folha para o fruto; a denominada relação fonte-dreno. Deste modo, acelera-se a uniformidade de maturação, ajudando no aumento de peso dos grãos devido a presença do macronutriente Potássio (K). DESTAQUE - São inúmeros os resultados de

FOTOS: Fernando Jardine

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Acima, Toninho David mostra os resultados da aplicação do Fert-K-Star em outro talhão do Sítio Santa Izabel. À esquerda, Edmilson Bezerra (CASA DAS SEMENTES) e Toninho David mostram cafeeiro tratado com o produto..

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campo obtidos pela equipe técnica da Nutriplant. E todos sempre acompanhados pelo responsável técnico ou pelo proprietário da fazenda. Mas destaco o experimento realizado no Sítio Santa Izabel, na região cafeeira de Franca (SP) e Ribeirão Corrente (SP), mais especificamente na propriedade do cafeicultor Antonio Carlos David. Os resultados do Nutri-K-Star (Fert K Star) foram excelentes e contribuiram diretamente para a uniformidade da maturação, além de produzir grãos mais pesados. A

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Carambolas lógicas

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Celso Luis Rodrigues Vegro 1

o país das jabuticabas, ninguém presta atenção nas carambolas. Eis um caso perverso da burra unanimidade. A jabuticaba (árvore e fruto), cantadíssima em verso e prosa, alcançou notoriedade pelo exotismo, singularidade e exclusividade das terras tupiniquins. A carambola, embora reúna todas as características para ser ainda mais esquisita (fruto ovóide que em seção transversal tem formato de estrela), permanece relegada. Curiosamente, o contrário dessa evidência acontece quando consideramos o sentido figurado de “carambola”: tramóia, trapaça, trambique... Nisso o Brasil é imbatível, pois somos, verdadeiramente, o país das interruptas carambolas públicas e privadas. Investigar os motivos mais profundos para um fenômeno recente da balança comercial do agronegócio café é a proposta deste artigo. O crescimento exponencial das importações de café torrado e moído e torrado em grãos (T&M), observado no primeiro semestre deste ano, promove uma inversão na trajetória das transações internacionais do produto passando a ser deficitário ao país esse comércio. Argumentar dialeticamente com as unanimidades que já se formaram, consiste no objetivo desta análise. No primeiro semestre de 2011, a balança comercial do Brasil registrou importações de US$15,9 milhões em T&M, sendo US$13,9 diretamente da Suíça1. Esse montante representa expansão de 114% frente ao primeiro semestre de 2010! Em contrapartida ocorre um movimento de encolhimento das exportações brasileiras do produto (Tabela 1). A trajetória de declínio das exportações em quantidade e oscilante em valor ocorre mesmo sob a importantíssima alavanca representada pelo Programa Setorial Integrado (PSI-Café) da Agência de Promoção das Exportações (APEX). Desde 2002 a agência injeta recursos públicos para que o segmento promova suas exportações, financiando parte dos gastos com: viagens de negócios para torrefadores interessados em prospectar o mercado externo; montagem de estantes em feiras internacionais; elaboração de estudos de assessoria e consultoria sobre oportunidades de negócios no 1 - Engº Agrônomo, MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP, São Paulo (SP).

Tabela 1 - Exportações de T&M, quantidade e valor, Brasil, 2009 -2011

comércio exportador; apoiar a vinda ao país de empresários da indústria e do varejo para conhecerem o segmento de torrefação brasileiro e demais elos desse agronegócio e com eles transacionarem, etc... Legalmente impedida de compor ligas contendo especialidades trazidas de fora, a torrefação doméstica convive com uma espécie de “concorrência desleal”, na medida em que aos torrefadores internacionais se permite explorar no mercado interno os diferenciais de seu produto, enquanto os locais vêem-se restritos aos tipos de bebidas aqui produzidas. Entretanto, não se limita ao imbróglio do draw back a limitação competitiva da torrefação verde e amarela (nacionais e transnacionais). A indústria enfrenta custos crescentes que cumulativamente roubam-lhe competitividade. Desde a excessiva valorização cambial; pesadíssima carga tributária; taxas de juros estratosféricas; custos elevados para a contratação de mão de obra; logística precarizada pelos lamentáveis adiamentos dos cruciais investimentos (portuário, ferroviário, armazenagem, colapso na oferta de energia), entre outros, formam aquilo que se convencionou denominar Custo Brasil. Esse conjunto de fatores tem induzido o fenômeno da commoditização da pauta aliada à desindustrialização. Até esse ponto temos argumentos do tipo jabuticaba, ou seja, o decantadíssimo discurso da unanimidade. Passemos ao capítulo ignorado pela maioria e no qual são poucos os que se aventuram a enfiar o nariz (exceto os míopes) essa é a carambola. A indústria de torrefação brasileira carece de cultura em transferir riscos por meio de contratos (colaterais, futuro e opções). Tal posicionamento comercial fragiliza, acentuadamente, qualquer empreendimento em que seu principal custo (aquisição de matéria prima) tem sua formação de preços pautada pelo jogo especulativo das bolsas de Nova Iorque (arábica) e de Londres (robusta). Até existe o interesse em fazer hedge seus custos, mas a decisão não ultrapassa a fronteira da intenção devido ao “elevado” padrão de qualidade para os grãos contratualmente estabelecidos. Aqui já se denuncia uma postura retrógrada da indústria, pois o discurso da qualidade esta presente em todas as peças publicitárias de qualquer torrefadora quando, em contrapartida, essas mesmas firmas se mantêm alijadas do mercado em que essa qualidade é arbitrada. Vem a pergunta, mas o que isso tem em haver com as exportações. Sem cultura do hedge é absolutamente impossível formalizar contratos de longo prazo (180 a 210 dias para recebimento) comuns em âmbito do comércio internacional. E o hedge necessário para esse tipo de transação envolve além do risco de preço do café verde outro ainda mais vo-


CAFÉ porte empresarial similar aos grandes grupos transnacionais que atuam no segmento. Ironicamente, há poucos meses atrás, a Sara Lee - Divisão de Café esteve à venda. Por incapacidade dos gestores públicos (BNDES) o negócio não se concretizou embora houvesse grupo nacional (JBS) disposto a entrar no negócio da torrefação. Por outro lado deve-se reconhecer, ou melhor, felicitar casos de êxito na exportação de T&M. A empresa Café do Centro, por exemplo, construiu alianças com empreendedores de casas de café no Japão e na Tailândia, tornando-se numa das mais destacadas companhias brasileiras na exportação do T&M. Concentrados no mercado de especialidades e buscando incessantemente inovações, a dupla de empresários dessa firma exibe ano a ano saltos no faturamento de vendas e da carteira de clientes. Uma honrosa exceção. Outros fracassaram como foi o caso da frustrada tentativa de abrir o mercado chinês capitaneada por cooperativa mineira. A desconsideração para com os apreciadores da bebida pautou a ação do lobby da torrefação, pois tiveram

êxito ao incluir na Instrução Normativa 16, o limite de até 5% de água adicionada no T&M. O decantado discurso da modernização, certificação, qualidade cai por terra diante da produção legalizada do lucro fácil e do engodo de inocentes consumidores. Diante desse panorama sobre o assunto, cabe perguntar: será que se justifica a manutenção do PSI-café (convênio ABIC-APEX), ou ao contrário dever-se-ia suspender à subvenção pública, jogar a toalha e colaborar com o esforço macroprudencial federal, economizando-se a inversão financeira prevista para o programa? Aparentemente, não há como reverter o quadro de crescimento exponencial das importações e concomitante declínio das exportações. Assim, recuar com a política guardando munição para um momento mais oportuno parece a decisão mais apropriada. O debate público carece de visões menos unilaterais e percorram a problemática com diagnósticos que contemplem a totalidade do assunto. As importações de café escancaram a debilidade competitiva da torrefação nacional consistindo numa oportunidade para que as carambolas se destaquem A para a inveja das jabuticabas.

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látil vinculado às oscilações do câmbio. Outra deficiência da torrefação brasileira é sua baixíssima propensão para a inovação (produtos e processos). O detalhe que escapou aos seletíssimos membros da unanimidade foi à origem do produto importado: SUÍÇA!!!! Está claro que o grosso das importações consiste em cápsulas (dose de café) para operação das máquinas de espresso (de padrão doméstico e/ou institucional). O conjunto de inovações introduzido pelo mercado de doses contempla diversas ações: alta qualidade do blend de características sempre surpreendentes; facilidade de preparo; certeza de excelência, certificação; equipamentos de desenho encantador com ares de requinte de uma cafeteria no lar. Juntando-se a isso se tem a distribuição das cápsulas por meio de logística própria estruturada em clubes de consumidores. Há ainda a necessidade inadiável de concentração do capital no segmento, pois não se espera que a torrefação doméstica (de controladores nacionais como internacionais) alcance patamar de competitividade internacional sem reunir antes musculatura para tal projeto. O jogo concorrencial disputado na arena do comércio internacional exige


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Tomás Kanashiro Matuo 1

xistem várias espécies de Cigarras associadas à cultura do café no Brasil, porém a maioria não causa danos à produção. Somente a espécie Quesada gigas, a maior de todas, é considerada praga-chave do café em Minas Gerais e no Nordeste do Estado de São Paulo. Esta cigarra causa prejuízo durante sua fase imatura do desenvolvimento (período de ninfa), quando vive sugando a seiva das raízes, durante vários anos. Devido ao grande tamanho dessa espécie, a sucção de seiva é tanta que um pequeno número de cigarras (35 por planta) já causa danos à planta, representada pela clorose e queda das folhas, com conseqüente redução da produção. Uma vez completado o período ninfal (subterrâneo), que pode durar vários anos para essa espécie, a ninfa vem para a superfície, sobe em um substrato vertical e se fixa, para então passar pela metamorfose e tornar-se adulta, passando a ter a forma típica de cigarras que é popularmente conhecida. A pele (casca) da ninfa fica presa no tronco. A crendice popular diz que essa casca é a “cigarra que estourou de tanto cantar”. A saída da ninfa do solo, e posterior transformação em adulto com asas, ocorre durante a noite para escapar das aves predadores, pois é necessário algum tempo para que a asa se enrijeça e a cigarra possa voar. O período de emergência da cigarra inicia nos meados de setembro prolongando-se até meados de outubro, sendo que o pico de saída de machos ocorre cerca de 10 dias antes das fêmeas. Somente os machos possuem órgão produtor de som. Os machos cantam para atrair as fêmeas para o acasa-

1 - Diretor Comercial IDEA (www.maquideia.com.br)

FOTO: Divulgação

O combate sonoro das cigarras no cafezais

lamento. Após o acasalamento, as fêmeas colocam os ovos nos ramos secos, localizados preferencialmente no terço superior das plantas. Dos 300 ovos que cada fêmea possui, ela distribui em cada local de postura de 3 a 19 ovos, sendo média de 12 ovos. Iniciadas as chuvas intensas de verão os ramos secos caem ao solo. Para que ocorra a eclosão das ninfas, os ramos devem permanecer imersos na água por alguns minutos. Uma vez “afogados” os ramos, as ninfas nascem e procuram por uma raiz para se alimentarem e vão se aprofundando no solo. O cafeeiro oferece condições ótimas para a sobrevivência dessas ninfas por apresentarem raízes abundantes e superficiais necessárias para as primeiras horas da vida dessas ninfas. Armadilha Sonora para Cigarras - É uma inovação tecnológica que faz uso do próprio comportamento da cigarra para atraí-la para um sistema de pulverização. Por meio do estudo do som da espécie Quesada gigas foi possível desenvolver uma “isca sonora” que atrai uma grande quantidade dessas cigarras, tanto fêmea como macho. As cigarras atraídas são eliminadas por inseticida. Como o canto do acasalamento é próprio para cada espécie, a armadilha atrai somente as cigarras da espécie Quesada gigas não interferindo com nenhuma outra espécie de insetos. Funcionamento - A armadilha emite o som que atrai centenas da cigarras Quesada gigas, que ao irem em direção à fonte emissora do som (alto-falantes) recebem a pulverização de uma calda inseticida. As cigarras morrem após receberem a pulverização. A calda inseticida é coletada e redirecionada aos bicos de pulverização. Trata-se de um circuito fechado de pulverização onde a calda inseticida é recirculada. Uma das grandes vantagens da armadilha está no aspecto ambiental, pois ela atua apenas sobre a espécie-alvo (Quesada gigas) e o inseticida não é aplicado no ambiente (planta e solo), ou seja, preserva as espécies benéficas à cultura, não contamina o solo, lençol freático ou corpo de água, e não deixa resíduo de inseticida no produto a ser comercializado. O objetivo da armadilha é reduzir o número de fêmeas, evitando que estas realizem a postura de ovos, reduzindo assim o número de ninfas que irão sugar a seiva na raiz.


FOTO: Divulgação

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Resultados - Em geral, os produtores que estão utilizando a armadilha se mostram muito satisfeitos. Há relatos de produtores que em apenas meia hora conseguiram coletar mais que 4.000 cigarras que caíram dentro da armadilha. Imaginando 50% de fêmeas, e que cada fêmea produz cerca de 300 ovos, seriam 600.000 ovos a menos, considerando somente as cigarras que morreram dentro da armadilha. Deve-se acrescentar ainda, as cigarras que morreram fora da armadilha, espalhados pelo cafezal, que são em quantidade ainda maior. Isso em meia hora! Em propriedades que utilizaram a armadilha por três anos consecutivos, o nível de infestação caiu bastante, a ponto de dispensar os tratamentos químicos convencionais. Comparado ao custo do método convencional de se utilizar inseticidas no solo, o uso da armadilha tem custo incomparavelmente mais baixo. Basta comparar o custo dos inseticidas em 100 hectares durante cinco anos (vida útil da armadilha sonora) contra o custo de aquisição de uma armadilha. O total de horas de serviço do trator para a operação da armadilha é muito próximo ao da aplicação do inseticida convencional, que deve ser aplicado “rua por rua”, ao passo que a armadilha passa a cada 160 metros. As vantagens associadas ao uso da armadilha sonora, quais sejam a incomparável economia, a seletividade absoluta, e a preservação do ambiente, credenciam esse método como um instrumento indispensável para a sustentabilidade da cafeicultura moderna. A

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Utilização - A armadilha é deslocada em baixa velocidade, em torno de 2 a 3 km/h, dentro do cafezal, colocada em uma carreta, em posição elevada de modo que as cornetas fiquem acima do topo das plantas para a livre propagação do som. Como o som atrai as cigarras de até 80 metros, a passagem consecutiva da armadilha poderá estar distanciada em até 160 metros, isto é, a armadilha trata uma faixa de 160 metros por passada. Com esse procedimento, a armadilha trata mais de 100 hectares por dia. Essa operação deverá ser repetida, se possível, todos os dias durante o período de emergência das ninfas, pois todas as noites emergem novas cigarras do solo. Entretanto, existe um período de maturação sexual das cigarras após a emergência do solo, período esse, ainda desconhecido. Levando-se em conta a existência dessa “janela de amadurecimento sexual” é provável que não seja necessária a passagem diária da armadilha no mesmo local, podendo haver intervalo seguro de alguns dias entre as passadas. Somente o avanço no conhecimento da biologia dessa espécie poderá fornecer essa informação com exatidão. Por segurança, a recomendação atual é passar todos os dias, recomendação essa que poderá ser flexibilizada quando surgirem novos conhecimentos sobre a vida dessas cigarras. O uso da armadilha deve ser iniciado nos meados de setembro, quando a população é predominantemente de machos e ainda não se ouvem o canto das cigarras. Nessa época um grande número de machos já emergiu e estão à espera da emergência das fêmeas e ainda não há “cantoria” das cigarras, mas o som da armadilha é capaz de atrair essas cigarras, poucas fêmeas e muitos machos. O uso sistemático da armadilha nessa época faz com que em torno do dia 20 de outubro já não encontre mais cigarras no cafezal, enquanto em outras lavouras é possível ver esses insetos até por volta de 10 de novembro ou até mais tarde. Essa armadilha tem potencial para o uso em cultura orgânica também, desde que o inseticida utilizado seja compatível com a certificação. Outro manejo adotado por alguns produtores orgânicos é a seguinte: a armadilha vai montada

numa carreta de trator e caminha apenas com o som acionado e as cigarras se deslocam atrás dele, formando um “trio elétrico”. Este trio elétrico é conduzido para uma área que não seja orgânica, onde é permitido o uso de inseticida. Nesta área vizinha, o sistema de pulverização é acionado.


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Cafeicultores da região de Alfenas (MG) criam a primeira associação ligada ao Certifica Minas Café

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governo de Minas fez a parte dele oferecendo ao setor produtivo a oportunidade de certificar as propriedades cafeeiras que atendem às exigências do mercado internacional. Para aproveitar ainda mais as oportunidades que a certificação pode trazer, produtores da região de Alfenas (MG) criaram a ASCAFEA - Associação dos Cafeicultores Certificados de Alfenas e Região. A ideia é agregar valor ao café certificado mineiro. São 22 propriedades associadas, buscando um mercado diferenciado para a exportação do produto certificado. Em associação, também fica mais fácil a compra conjunta de insumos. O desempenho das propriedades certificadas é acompanhado de perto por técnicos da EMATER-MG, que sinalizam positivamente a união dos produtores para aproveitarem ainda mais os benefícios da certificação, possibilitando ao café mineiro conquistar novos mercados. Podem se associar à Ascafea somente cafeicultores contemplados pela certificação estatal, sendo este o diferencial que os une na busca pela sustentabilidade social, econômica, cultural e ambiental dos empreendimentos rurais. O Certifica Minas Café é um dos programas estruturadores do Governo de Minas, coordenado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA), com a finalidade de atestar a conformidade das propriedades produtoras de café quanto às exigências do comércio mundial. Com a execução técnica da EMATER-MG, o gerenciamento

do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a auditoria da certificadora internacional IMO Control, da Suíça, promove o aperfeiçoamento contínuo da gestão da propriedade cafeeira, sendo uma alternativa democrática e acessível para todos os cafeicultores mineiros. A

Site ‘Pragas Agrícolas’ viabiliza identificação de pragas na agricultura

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cada safra, os profissionais envolvidos nas produções agrícolas enfrentam grandes desafios para identificação e controle de pragas, plantas daninhas e doenças. Movido pelo objetivo de auxiliá-los nessa tarefa, o agrônomo Henrique Moreira, especialista no assunto, criou o site Pragas Agrícolas (www.pragasagricolas.com.br), maior portal brasileiro sobre pragas, que reúne informações específicas sobre insetos, plantas daninhas e doenças de praticamente todas as lavouras cultivadas no Brasil, além de fornecer informações sobre como combatê-las. O portal tem tudo para se tornar fonte de referência entre os agricultores. A vantagem é a busca facilitada e as orientações de manejo. Antenado com as últimas tendências, o portal é formato também para ser acessado por celular e tablets.“O Pragas Agrícolas é fruto de anos de trabalho e pesquisa. A ideia é que faculdades e cursos técnicos possam utilizá-lo como ferramenta de estudo. No futuro, queremos abrir espaço para que os visitantes possam postar imagens e informações também, gerando um grande fórum de informações na rede”, afirma Moreira. Para o professor doutor da ESALQ, José Otávio Machado Mentem, o portal é muito prático, ilustrado e fácil de ser utilizado. “Uma ferramenta muito útil, pois a identificação correta da praga é fundamental para definir as medidas de manejo/controle”. Mentem acrescenta ainda que “o portal é de extrema importância para professores, já que poderá ser utilizado para ilustrar diversas aulas, para os estudantes de Ciências Agrárias. A


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Ampliados limites para colheita, estocagem e aquisição de café

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futuro e para a recuperação de lavouras atingidas por granizo serão permanentes. A partir de agora, a linha de crédito criada para apoiar produtores que tiveram grandes perdas por causa das chuvas de granizo vai incluir recursos para cafeicultores prejudicados por qualquer problema climático, como vendavais e geadas. Outra mudança importante é o preço de referência do café dado em garantia nos financiamento de aquisição (FAC) e estocagem. Antes, o produtor/ cooperativa ou indústria que acessavam essas linhas de crédito deveriam entregar o café em garantia pelo preço mínimo fixado pelo governo, hoje em R$ 261,69 (tipo arábica). A partir de agora, quando o preço de mercado do café superar o valor do mínimo em 30%, o preço de referência para garantia do produto poderá ser até 80% do valor de mercado do grão financiado. CRÉDITO PARA A INDÚSTRIA DE SOLÚVEL - Também foi aprovada a criação de linha de crédito de R$ 150 milhões para a indústria de café solúvel. Com isso, o setor terá recursos do governo para financiamento de capital de giro. A linha de crédito será permanente e vai integrar as ações do FUNCAFÉ - Fundo de Defesa da Economia Cafeeira. “O governo quer estimular o parque industrial brasileiro, que vem diminuindo nos últimos cinco anos. Precisamos ampliar a competitividade do setor, que está crescendo em países concorrentes do Brasil, como Colômbia, Vietnã, Índia e México”, explica o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel

Bertone. O secretário afirma ainda que a linha de crédito vai aumentar a rentabilidade do segmento, prejudicada pelas tarifas aplicadas às exportações brasileiras. Hoje, aproximadamente 90% do café solúvel produzido no mercado interno são destinados a outros países. Em 2010, o Brasil exportou o equivalente a 3,2 milhões de sacas de café de 60 kg. As empresas terão limite de R$ 40 milhões para contratação até 30 de novembro deste ano. A partir de 2012, o prazo será de 1º de março a 30 de novembro. Os recursos poderão ser reembolsados em até 24 meses, incluindo seis meses de carência, e os juros aplicados serão de 6,75% ao ano. SAIBA MAIS - O FUNCAFÉ Fundo de Defesa da Economia Cafeeira é um fundo administrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com recursos destinados ao financiamento do custeio, colheita, estocagem e comercialização de café. Os recursos também são direcionados a linhas especiais, à promoção do café brasileiro nos mercados interno e externo e para apoiar eventos do setor. Em 2011, o Fundo movimentou R$ 2,29 bilhões, sendo R$ 600 milhões para custeio, R$ 500 milhões para aquisição de café (FAC); R$ 500 milhões para estocagem; R$ 300 milhões para colheita; R$ 50 milhões para operações em mercado futuro e R$ 40 milhões para recuperação de lavouras atingidas por granizo. Outros R$ 300 milhões serão direcionados ao refinanciamento de dívidas. (FONTE: Ministério da Agricultura). A

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Conselho Monetário Nacional autorizou, no final do mês passado, alterações nas linhas de crédito do FUNCAFÉ - Fundo de Defesa da Economia Cafeeira. As medidas englobam ampliação de limites e prazos de contratação, unificação de linhas de crédito e inclusão permanente de financiamentos, até então, temporários. Com isso, produtores de café terão condições mais facilitadas para acessar recursos do governo. Um das medidas é a junção das linhas de crédito de custeio e colheita, para dar maior agilidade à contratação dos recursos demandados pelos cafeicultores na mesma época. “Em vez de dois contratos, como ocorre hoje, será apenas um, tornando o processo mais rápido e menos dispendioso”, informa o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone. O limite de contratação também subiu de R$ 400 mil, por produtor, para R$ 650 mil. O Financiamento para Aquisição de Café também sofreu alterações. O valor máximo que pode ser acessado pelas indústrias dobrou, passando de R$ 20 milhões para R$ 40 milhões. Já o prazo de contratação foi estendido até 30 de dezembro deste ano. Antes, o recurso podia ser acessado até 30 de setembro. A norma aprovada hoje permitirá ainda que cooperativas beneficiadoras, torrefadoras ou exportadoras possam contratar o FAC. Cafeicultores terão maior limite de recursos para estocagem. O valor máximo de contratação será de R$ 1,3 milhão. Até então, esse valor era de R$ 750 mil. Além disso, os financiamentos para as operações de café no mercado


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ema muito discutido em fóruns e entre agricultores por todo o país, a transgenia é um assunto que gera muitas controvérsias. Segundo Dimas Del Bosco, coordenador técnico de vendas da Pioneer, toda região quente tem uma incidência muito grande de pragas e o híbrido transgênico trouxe certa tranqüilidade. Isso porque, antigamente, os produtores faziam muitas aplicações de inseticida indiscriminadas e sem controle. Com isso, a produtividade era afetada porque o índice de infestação na planta continuava elevado. A introdução da transgenia, principalmente nessas regiões, trouxe um benefício para a produtividade de 15% a 20% — afirma o coordenador. De acordo com ele, a transgenia foi muito vantajosa, tanto para o produtor, que aumentou sua produtividade, quanto para o meio ambiente, que deixou de receber de 3L a 4L de inseticida por cada safra. A única recomendação para o produtor, como diz Del Bosco, é que o agricultor mantenha 10% da lavoura dele como milho convencional. Isso serve para quebrar a resistência do inseto à proteína do milho transgênico. Ele explica ainda que outro cuidado é com relação à lei da coexistência. Segundo o coordenador, deve ser respeitado o direito do produtor que quer plantar milho convencional através da área de coexistência, que seriam 10 linhas mais 20m de distância da lavoura do vizinho que planta o milho convencional. Já em relação às diversas discussões do público sobre o tema transgenia como, por exemplo, o risco que poderia causar à saúde humana, Del Bosco tem opinião formada. “Temos a transgenia como próxima ao natural. Na verdade,

FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

Transgenia utiliza mesma bactéria utilizada em pulverizações na agricultura orgânica

ela nos proporciona o ganho de vários anos. Isso porque, em vez de tentar introduzir isso de uma forma demorada, com a descoberta do DNA, conseguimos fazer combinações. Essa tecnologia já existe há 18 anos e não existe nenhum relato de problemas causados pelo milho transgênico, seja de alergia, doenças ou desencadeamento ambiental”, explica. Ele explica que existe um produto chamado Dipel, à base de Bacillus thuringiensis, mesma bactéria que é introduzida no DNA do milho transgênico. Esse produto, de acordo com ele, é recomendado para a agricultura orgânica. “É um produto feito a base de uma bactéria retirada da natureza para ser pulverizado na planta. É aí que perguntamos qual a diferença de se pulverizar a planta e esse mesmo produto ir no DNA do milho. Desse jeito, o milho produz essa bactéria nas folhas e nas espigas, acabando com o problema do ataque de lagartas”, esclarece Del Bosco. (FONTE: Portal Dia de Campo - www. diadecampo.com.br). A


FERTILIZANTES

Resultados no Triângulo Mineiro comprovam eficácia do fertilizante orgânico Vitória Fertilizantes

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Empresa Vitória Fertilizantes, em parceria com Revendas, Cooperativas e Consultores, leva aos produtores informações técnicas atualizadas com o objetivo de melhoria de produtividade e qualidade nas colheitas. Posicionamos o índice ideal do Fertilizante Orgânico Classe A e a Adubação Complementar Mineral a ser aplicada diante do histórico de cada talhão, estimativa de produção, análise de solo e folha atualizada de cada área, para que os produtores utilizem adubações visando eficiência econômica viável com bons resultados. Mesmo aos clientes de vários anos de parceria, solicitamos que deixem pelo menos uma pequena área sem aplicar o Fertilizante Orgânico Classe A para comprovação da viabilidade do investimento. Comparem as análises de solo, as de folhas e os índices de produção, qualidade da colheita e estruturas das plantas pós-colheita, no caso do café. Ao lado, apresentamos duas planilhas de resultados comparativos de cafeicultores do Triângulo Mineiro. A

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PARCEIROS DA VITÓRIA FERTILIZANTES

Ecomagri Araxa (MG) Tel. (34) 3664 3355

Sollum Agronegócios Ibiá (MG) Tel. (34) 3631 1023

Cafeeira Francana Franca (SP) Tel. (16) 3724-3255

Acesso Rural São Gotardo (MG) Tel. (34) 3671-4802

Rodrigo Souza (Representante) Belo Horizonte (MG) Tel (31) 9789- 7477 Clóvis Guilherme (Representante) Distrito Federal (DF) Tel. (61) 9625-9307


CONTABILIDADE

Franca (SP) tem novo escritório de contabilidade

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oi criado recentemente um novo escritório de contabilidade na cidade de Franca: o Monte Alegre Soluções Contábeis Ltda. A idéia surgiu da motivação e incentivo dos irmãos Luis Cláudio e André Cunha (Cooperfran) e hoje está sendo colocada em prática com o apoio e aval dos sócios Gustavo Balduíno e José Alberto Balduíno. É uma parceria com a empresa Cooperfran, sob a administração das contadoras Célia Aparecida da Silva Souza e Rosemar Alves Cintra, bacharel em Ciências Contábeis. Célia conta já com 20 anos de trabalho na área atuando por muitos anos no ramo de contabilidade rural. Expressa gratidão por tudo que conseguiu realizar até hoje, em primeiro lugar a Deus, aos familiares e ao amigos. Seu lema é humildade, honestidade e comprometimento com o que faz. Rosemar, apesar de estar a menos tempo no mercado, iniciou no trabalho e nas responsabilidades desde cedo, estando sempre em busca de novos conhecimentos e aprendizado. “A contabilidade é uma ferramenta muito importante e, com as leis exigindo cada vez mais, é preciso estar sempre buscando novos conhecimentos e se especializando. Hoje a carga tributária é muito alta exigindo um controle cada vez mais eficaz para se obter o lucro”, afirma Célia Aparecida. A

O que é Conectividade Social?

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Silvia Macedo Aguieiras 1

rata-se do canal eletrônico da Caixa Econômica Federal para realização de transmissão via internet dos arquivos gerados pelo programa SEFIP Sistema de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social assinado com certificado digital. Além do envio dos arquivos, o canal permitirá que o empregador (Pessoa Jurídica) conceda uma “Procuração Eletrônica” a seus funcionários (Pessoas Físicas) ou a Pessoas Jurídicas terceirizadas, como por exemplo, um escritório de contabilidade ou de recursos humanos. Por meio de uma procuração eletrônica, o empregador concederá a eles a função de realizar as operações no canal com utilização de seus próprios certificados de Pessoa Física ou Pessoa Jurídica, em nome do concessor dos direitos. O aplicativo e seu certificado são obrigatórios para recolher o FGTS e para o envio da GFIP – Guia de Informações do FGTS e à Previdência Social. Serve também para receber comunicados genéricos da Caixa com relação ao FGTS e também para envio de informações do Aplicativo GRRF – Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS. O Conectividade Social Empregador – CSE

1 - SESCON SP - Certificação Regional Franca (SP) Email:silvia.macedo@ sescon.org.br


CONTABILIDADE

Não será necessário fazer um novo e-CPF com a inclusão do número do NIS (PIS/PASEP/ NIT) para os procuradores. Os e-CPFs já existentes poderão ser utilizados para acesso ao sistema, pois a Caixa Econômica Federal informa que: “Se o certificado não continha o PIS/PASEP, o sistema tentará localizar essa informação em outras bases do FGTS, a partir do CPF informado”, segundo informações constantes no Guia de Orientações ao Usuário elaborado pela instituição e datado de 01/03/2011. Ao solicitar seu certificado digital, caso irá atuar como procurador da sua empresa, preencha no formulário o número do seu PIS/PASEP/NIT. Não se esqueça de levar o comprovante juntamente com a documentação original referente ao seu certificado digital. São aceitos como comprovantes do PIS: Cartão Cidadão, Extrato do fundo de garantia

ou Cartão do PIS. Se acaso for atuar como procurador pessoa física (procurador) e já possuir um certificado digital e-CPF que não possui o número do NIS (PIS/PASEP), siga os seguintes procedimentos: a) - Seu empregador (Empresa) deverá acessar o Conectividade Social ICP para te passar a Procuração Eletrônica. O sistema da CAIXA irá rastrear o Cadastro do FGTS e caso localize o número do CPF na conta vinculada do empregado e desde que esta esteja consistida (FGTS x, PIS), o sistema permitirá a realização da procuração, vinculando este CPF ao PIS. b) - Caso não seja localizado, dirija-se a uma agência da Caixa para solicitar a inclusão deste dado, informando que necessita desta atualização para operar as funcionalidades do Conectividade Social. No caso de profissionais que não possuem CNPJ (contadores autônomos), este poderá se utilizar de Certificado Digital de Pessoa Física e-CPF para acesso ao novo canal, desde que conste obrigatoriamente o CEI (Cadastro Específico do INSS). Assim, o profissional autônomo de contabilidade, por exemplo, terá que ter no mínimo o CEI. E quando tirar o certificado digital e-CPF, deverá informar esse número na solicitação. O empregador que não tiver CNPJ precisará de um certificado digital e-CPF com o número do CEI para acessar o Conectividade Social ICP. Ao solicitar seu certificado digital, preencha no formulário o número do seu Cadastro Específico no INSS (CEI). Não se esqueça de levar o comprovante juntamente com os demais documentos obrigatórios. A comprovação de inscrição no Cadastro Específico do INSS é feita mediante comprovante de matrícula do INSS. Caso não haja como comprovar a inscrição no CEI será aceito a impressão da página da DATAPREV . A impressão da consulta garante a identificação do “site” e a data da consulta, além do número da inscrição e nome. A consulta tem validade de 30 dias, salvo disposição em contrário do órgão expedidor. Após a emissão do certificado digital, nenhum dado poderá ser alterado ou incluído, por medida de segurança e características técnicas do próprio certificado digital. Portanto, se você precisar informar o CEI, preencha o seu número no momento da solicitação. Além disso, no momento da validação presencial, é necessário apresentar o impresso da página da matrícula do CEI no site da Receita Federal, além das documentações padrão exigidas. O nãopreenchimento do campo CEI no momento do pedido do Certificado Digital, impedirá o usuário de utilizar o sistema, já que a chave alternativa de um empregador que não possui número de CNPJ é o CEI (Cadastro Específico do INSS). A

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permite consulta de saldos do FGTS, informar desligamento de trabalhadores, retificar informações, emitir procuração eletrônica, entre outras funções. O prazo para as empresas migrarem para o certificado digital ICP-Brasil é até 31/12/2011, conforme cronograma estabelecido pela Caixa Econômica. A partir desta data, as empresas já deverão estar em posse do certificado digital ICPBrasil. O Certificado Digital mais apropriado para acesso ao Conectividade Social depende do papel que você irá exercer: a) - Para as empresas em geral ou escritórios de contabilidade: o certificado digital é o e-CNPJ, podendo ser do tipo A3 ou A1. b) - Para procuradores pessoas físicas, o certificado digital é o e-CPF, também podendo ser do tipo A3 ou A1. Neste caso, ao solicitar um certificado digital, informe o número do PIS/PASEP/NIT. c) - Empregador pessoa física (profissional autônomo), o certificado digital também é o e-CPF, mas neste caso, de acordo com a Caixa Econômica, é imprescindível conter o número do CEI (Cadastro Específico do INSS) para que o Conectividade Social o reconheça como Pessoa Jurídica. O certificado digital de qualquer CNPJ completo poderá acessar as informações das filiais. Não é obrigatório a aquisição de um certificado digital para cada filial, mas se quiser, a empresa pode ter quantos certificados achar necessário. Se uma empresa fizer uma procuração para um escritório de contabilidade, esse escritório poderá poderá utilizar-se da funcionalidade de “Procuração Eletrônica” para substabelecer procurações para seus funcionários, lembrando que eles deverão utilizar seu(s) próprio(s) certificado(s) digital(is) e estar registrados no sistema. Os requisitos para o empregado (procurador) acessar o Conectividade Social ICP são:a) - Possuir Certificado Digital e-CPF b) - Possuir vínculo empregatício com o empregador (OUTORGANTE); e c) - Ter sua conta vinculada do FGTS consistida (Dados dos Cadastros do FGTS e PIS batidos).


artigo

Será que a cana é nossa? Olivier Genevieve - presidente da ONG Sucre-Ethique e Professor na

Escola de Comércio INSEEC. Lyon - Paris. [ogenevieve@sucre-ethique.org / ogenevieve@acucar-etico.org]

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petróleo é nosso. É uma frase que se tornou famosa ao ser pronunciada pelo então presidente da república Getúlio Vargas (1882 – 1954) durante a campanha, denominada Campanha do Petrólo. Naquela época o Brasil dividiu-se, então, entre os nacionalistas e os defensores do capital estrangeiro (apelidados pejorativamente de entreguistas por seus opositores). A Campanha do Petróleo resultou vitoriosa, com a criação da Petrobrás em 1953 impedindo o capital estrangeiro em ampliar-se no Brasil. De fato, poder controlar a fonte de energia que alimenta a máquina industrial do mundo é uma imensa oportunidade do setor privado Sempre o Brasil teve medo da internacionalização do país, como ao mesmo tempo se espandiu. O exemplo de medo é resumido nas palavras “Amazônia é nossa” apesar de que a Amazônia se divide entre o Brasil (com 60 % da bacia amazônica), seguido pelo Peru com 13% e com pequenas quantidades na Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e até a…... França (Guiana Francesa). Mas será que o inferno verde vale mais – talvez para as próximas gerações – do que a terra agrícola de hoje? Será que as discussões de hoje em cima da diminuição dos espaços protegidos pela lei ambientalista vale mais do que uma futura discussão em cima do capital estrangeiro investido no campo brasileiro? Nos anos noventa do século passado, a política da “amazônia é nossa” não impediu em chamar uma tecnologia estrangeira com a instalação de um sistema de radar norte americano e até possibilitou um sistema de corrupção para os políticos não perder o “jeitinho”. Falamos num artigo anterior “Os Caminhos das Sociedades Rurais num Mercado Globalizado” sobre as origens do valor entre agricultura e comércio. De fato, se Deus é brasileiro o campo parece o paraíso para as grande empresas internacionais e estrangeiras de trading graças à possibilidade de investir no campo desde uns dez anos. Além de companhias de negócios, com lucros puxados pelas bolsas de valores em cima de mercados internacionais solventes (as fomes na Somália não interessa ao mercado a não ser com os subsidios da ONU), existe fundo soberano de olho no Brasil, sobre tudo na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, ou seja o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso. De fato, o Brasil expandiu-se muito desde a descoberta, sendo que a última fronteira nacional o Acre, em 1903, extraído da Bolívia. Este caminho de expansão continua com os fluxos migratórios de próprios brasileiros estabelecendo no Paraguai e na Bolívia, sobretudo nos Departamentos

de Alto Parana e Canindeyú, no Paraguay – com cerca de 40 % das terras - e na Provincia de Santa Cruz Della Sierra, na Bolívia ou que alguns chamam de sub-imperialismo, mas que é o resultado, sobretudo de subdesenvolvimento e que pode acabar com uma colonização de uma população de origem estrangeira. Todavia, o imperialismo das multinacionais no campo brasileiro pode ser também considerado como “light” e fica até legal. Mas o que pode ser feito frente as terras retiradas do interesse nacional brasileiro por alimentar o mercado internacional sem possibilidade de estabelecer um preço justo pelo produto a não ser do famoso equilíbro entre a oferta e a procura ? Acabar com a idéia de que especulação é um palavrão . O ministro da agricultura francês, Bruno Le Maire – no qual a França está atualmente na presidência do Grupo dos 20 - grupo reunindo os 20 países mais ricos do Planeta em cima dos problemas financeiros do planeta (e não confundir com grupo dos 20 países emergentes, que é quase uma “invenção” da diplomacia brasileira em 2003 e que focaliza mais em cima da agricultura) – explicou numa viagem em 25 de Julho, no Quênia, frente a uma multidão dos migrantes puxados pela faminta Somália, que precisava acabar com o a especulação. Tudo bem, as imagens fortes de crianças sem carne nos faz acreditar nesta idéia de não deixar os especuladores fazer os preços subir de maneira artifical. Mas como resolver a equação e não impedir que as terras sejam controladas por interesses estrangeiros? Isso é uma questão de propriedade como também de nacionalismo “sustentável”, ou seja, uma nação que quer ter um futuro de fonte alimentícia. “A terra é nossa”, por não ser o Grito dos Famintos não deve ser usado pelos movimentos de sem-terra, mas pela União e a Comunidade Nacional. Todavia, o que está na onda é mais os entreguistas. O caminho é de fato entre o negro e o branco jogado nas damas, ou seja, poder usar o melhor da tecnologia estrangeira, deixando um país aberto ao progresso sem esquecer as pessoas morando fora no país. A não ser deixar fugir uma população para um futuro melhor o que para mim é uma prova de avanço sem ordem… Isso será uma nova forma de positivismo, da mesma forma do que o coronel Rondon nos anos 1910 com os índios. A não ser que os índios A sejam os Brasileiros e a coronel as multinacionais….


MELIPONICULTURA

Prefeitura de Franca realiza 2º Seminário de Meliponicultura

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FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

Secretaria Municipal de Desenvolvimento inova mais uma vez e fortalece sua atuação no setor agropecuário no município de Franca (SP). Com o objetivo de difundir a Meliponicultura (Criação de Abelhas Sem Ferrão), gerando renda nas propriedades rurais e estimulando a preservação ambiental das matas e das próprias es- Abelha Boca-de-Renda (Melipona seminigra) pécies de Abelhas Sem Ferrão nativas do Brasil, a Prefeitura de Franca realizará entre os dias 27, 28 e 29 de outubro o 2º Seminário de Meliponicultura de Franca (SP). O evento será realizado no Parque de Exposições “Fernando Costa”, no Auditório e Laboratório da Unifran e também no Meliponário Abelha Brasil. Contará com palestrantes renomados das mais importantes instituições de pesquisa do país, como a Embrapa e a USP. “Convidamos os produtores rurais a participarem do seminário para conhecerem as técnicas utilizadas e gerarem renda em suas propriedades”, afirma Célio Augusto Pereira Rodrigues, biólogo e técnico em agropecuária do município. Após a realização do 1º Seminário, no ano passado, a atividade vem expandindo na região. “O município está cumprindo o seu papel ao organizar um evento de estímulo à esta nova atividade agropecuária. Aos agricultores, ressalto a facilidade do manejo das colméias e o alto valor de mercado dos gêneros produzidos”, afirma Alexandre Ferreira, Secretário Municipal de Desenvolvimento. A

Marcos Pignatari (Meliponário Abelha Brasil), Célio Augusto Pereira Rodrigues (Prefeitura de Franca), Cristiano Menezes (Embrapa) e Ayrton Vollet Neto (USP)

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EM TEMPO

SECRETARIA MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTOFranca (SP) - (16) 3711-9483 www.franca.com.br/abelhas - celioaugusto@franca.sp.gov.br

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Alexandre Ferreira, Secretário Municipal de Desenvolvimento


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Edição 60 - Revista de Agronegócios - Agosto/2011  

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