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EDITORIAL

Revista Attalea participa da 14ª EXPOCAFÉ

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elo terceiro ano consecutivo a Revista Attalea Agronegócios participa da EXPOCAFÉ - maior evento da cadeia produtiva do café no país, realizada na cidade de Três Pontas (MG). Foi a 6ª feira em que a revista participa neste ano e já com vistas de participar da Crop World Sul América 2011, que acontecerá no início de julho, em São Paulo (SP). Nesta edição, publicamos diversas matérias envolvendo a colheita mecanizada na cultura do café. O tema chave mostra que a escassez da mão de obra eleva consideravelmente os custos do cafeicultor. Apresentamos, também, características importantes de dois modelos de colhedoras da Jacto, representada na região da Alta Mogiane e na região de São Sebastião do Paraíso (MG) pela Sami Máquinas. Também importante são os resultados da análise de material orgânico do Sítio Santa Izabel, realizada pela Ribersolo, comprovando a importância do Manejo da Braquiária no cafezal do produtor Toninho David, em Franca (SP). Também na cafeicultura, destaque para o artigo do Dr. Hélio Casale, falando sobre a Desbrota do Cafeeiro x

e-mails JUVENAL LOPES DE FREITAS Médico Veterinário e pecuarista. Itirapuã (SP). “Solicito alteração do meu cadastro”.

IAF - Indice de Área Foliar”. Publicamos também artigo importante do consultor Carlos Cogo com as Projeções para a Cafeicultura até o ano de 2020. Na pecuária de leite, com o apoio do empresário Luis Antônio da Silva, da LWS Equipamentos para Refrigeração, mostramos que com as novas regras da IN 51 o pecuarista tem mais a ganhar financeiramente do que perder com a modernização da propriedade. Inovamos, nesta edição, com a primeira reportagem sobre veículos. Com o apoio da VEMAFRE publicamos matéria sobre a Chevrolet Montana. Em parceria com o Escritório Alvorada e com o Escritório Labor, publicamos artigo interessante sobre a “Importância do Planejamento Tributário para a Produtor Rural”. Boa leitura a todos!

DÉBORA GOULART Médica Veterinária. Belo Horizonte (MG). “Bom dia, Sou veterinária formada pela UFMG e recentemente voltei de um intercâmbio nos EUA. Trabalhei em uma fazenda de gado de leite e tive experiência em 2 universidades americanas (Universidade de Minnesota e Universidade de Wisconsin) na área de qualidade do leite. Gostaria de saber se a revista teria o interesse em publicar um artigo sobre as experiências que adquiri no exterior. Aguardo resposta, obrigada.”. TATIANA MANHANI Funcionária de Agroindústria. Taquaritinga (SP). “Conheci a revista através de uma amiga que a recebe. Fiquei muito interessada e gostei bastante do conteúdo da mesma. Trabalho na Via Néctare Tecnologia em Bebidas e Alimentos, indústria de polpas e sucos concentrados de frutas tropicais (manga, goiaba, acerola, abacaxi e maracujá). Processamos estas frutas em regime de safra e exportamos mais de 70% de nossa produção para os países do hemisfério norte (EUA, Europa) e também para alguns países asiáticos e árabes. SAMUEL FERNANDES RINO Secretário Municipal de Agricultura. Divinésia (MG). “Gostaria de parabenizar pelas excelentes matérias veiculadas pela Revista Attalea Agronegócios. Como faço para receber as próximas edições?”


MÁQUINAS

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ntre os dias 14 e 17 de junho a cidade de Três Pontas (MG), recebeu mais uma edição da Expocafé, feira que reúne todos os setores ligados à produção cafeeira e que este ano teve como novidade o lançamento da versão cabinada do trator modelo 1155 Cafeeiro de 55 CV e Super Redução da Yanmar Agritech. O modelo 1155 Cafeeiro, com potência de 55 cv e 45,6 cv na tomada de força, chegou à Expocafé com sua nova versão visando atender uma necessidade solicitada pelo mercado para a realização de trabalhos com mais conforto e segurança, como o de pulverização. Segundo Sami El Jurdi, diretor da Sami Máquinas Agrícolas, uma das maiores concessionárias Yanmar Agritech do Brasil, “a versão cabinada do trator 1155 vem ao encontro das necessidades do cafeicultor brasileiro e agrega ao trator este item de segurança importantíssimo ao operador, atendendo as exigências das normas brasileiras”. “Desde o início de nossa produção de tratores no Brasil focamos a cultura do café. O 1155 é um sucesso e a máquina sempre foi muito bem recebida pelos

FOTO: Divulgação Agritech

Líder em vendas na sua categoria, trator cafeeiro da Yanmar Agritech ganha versão cabinada


cafeicultores. Hoje é o trator mais adequado para cultura do café”, destaca o gerente de vendas da Agritech, Nelson Watanabe. Os visitantes da Expocafé puderam conferir o desempenho dos tratores da Yanmar Agritech nas dinâmicas de campo promovidas durante o evento. “Nossos tratores foram desenvolvidos especialmente para a utilização em pequenas e médias áreas. São mais leves e por conta disso não compactam o solo, além de serem bastante econômicos”, afirma Watanabe. Por possuir uma linha voltada especialmente para as necessidades da agricultura familiar, a Agritech é a empresa líder em vendas do programa do governo federal “Mais Alimentos”, na categoria de tratores até 57 cv.

FOTO: Revista de Agronegocios

MÁQUINAS

EM TEMPO

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SAMI MÁQUINAS Franca (SP) - (16) 3713-9600 São Sebastião do Paraíso (MG) - (35) 3531-7000 www.samimaquinas.com.br / www.agritech.ind.br

Modelo 1155 Super Redução, em exposição no estande da Yanmar Agritech, durante a 14ª EXPOCAFÉ

Pesquisa orienta sobre colheita mecanizada

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Julio Cesar Freitas Santos 1

colheita do café pode ser totalmente mecanizada de forma direta, realizada através de colheitadeiras automotrizes ou tracionadas por tratores, que promovem a derriça e o recolhimento dos frutos, os quais são em seguida ventilados e ensacados, ou ainda, depositados na própria máquina ou despejados por tubulação em carretas. Para que esta colheita mecanizada seja efetivada, exige-se um alto investimento inicial, com este custo sendo amortizado na média de quatro anos, cujo retorno do capital investido é rapidamente visualizado na redução de custos e no aumento do rendimento da colheita. Esse sistema de colheita é geralmente utilizado por grandes cafeicultores, que chegam a pagar elevadas quantias na aquisição de colheitadeiras, visando a mecanização total de suas lavouras, entretanto os pequenos e médios cafeicultores podem fazer uso desse sistema através da locação de máquinas por hora ou por empreitada com comerciantes e produtores. Para que seja alcançada maior eficiência na operação da colheita mecanizada do café, deverão ser observados as seguintes recomendações: • Dimensão da lavoura – na de1 - Pesquisador Fitotecnista da Embrapa Café / Epamig Patrocínio

terminação da área total da lavoura cafeeira considera-se como expressiva a plantação acima de 50 ha para que seja viabilizada a colheita mecanizada, havendo estudos comparativos com outras formas de colheita para ser definida a forma mais adequada para aquisição ou para locação de colheitadeiras; • Topografia do terreno – de preferência que a área seja plana ou levemente ondulada, não ultrapassando os 15% de declividade, para não haver dificuldade de deslocamento e operacionalização das colheitadeiras; • Uniformidade da lavoura – deve-se efetuar o plantio em nível e na forma de renque com pouco espaço entre as plantas para não existir falhas, devendo as mesmas serem bem alinhadas em linhas bastante compridas para reduzir as manobras das máquinas; • Altura das plantas – manter os cafeeiros na faixa de altura de 2,5 à 3,5 m, fazendo a condução de uma haste por cova e realização constante de podas e desbrotas, evitando que as máquinas tenham falhas na coleta dos frutos ou causem danos as plantas de café; • Espaçamento de plantio – nas entrelinhas o espaçamento adequado será mais aberto não podendo ser inferior a 3,5 m e nas linhas o espaçamento entre plantas pode variar de 0,7 à 1,0 m, possibilitando a passagem da colheitadeira com bom recolhimento dos frutos; • Tamanho dos carreadores –

tanto os carreadores de acesso e de trânsito na lavoura deverão ser mais largos, tendo espaço médio de 6 à 8 m principalmente no final das linhas de café para facilitar as manobras das máquinas; • Maturação dos frutos – quanto maior a uniformidade de maturação dos frutos maior será a eficiência da colheitadeira, com a mesma colhendo melhor frutos maduros e secos do que frutos verdes, evitando assim atraso na realização da colheita mecânica ou necessidade de se efetuar mais de uma passada da máquina na lavoura; • Produção da lavoura – deve ser avaliado o potencial produtivo da lavoura, cuja apresentação de produtividade mais elevada proporcionará maior incremento no rendimento operacional da colheitadeira e consequente diminuição dos custos; • Características da colheitadeira – na escolha da colheitadeira devese considerar seu custo de aquisição, locação e operação, sua adequação às condições da lavoura, sua regulagem de varetas e de velocidade e sua capacidade de rendimento operacional; • Instalações de pós-colheita – considera-se importante existir instalações de preparo e secagem necessárias para atender o alto rendimento das máquinas e o grande volume de frutos colhidos, para não prejudicar a operação de colheita e a qualidade da produção. A


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KTR ADVANCE - Lançada em 1997, com um projeto robusto e arrojado, a KTR Advance foi desenvolvida para o cafeicultor que busca maior produção diária com grande eficiência na colheita. Se adapta perfeitamente às mais severas condições de trabalho. A KTR Advance possui bica com descarga angular, cabine com excelente visibilidade e proteção, computador para monitoramento do equipamento

FOTO: Divulgação - Sami Máquinas

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evido à intensa pesquisa por novos produtos, a crescente mecanização da agricultura brasileira e a busca de maior competitividade, o mercado brasileiro expandiu-se. Para atender uma agricultura extremamente diversificada, a Jacto possui uma linha de colhedoras de café que atendem do pequeno ao grande agricultor. Merecem destaque dois modelos da empresa: a KTR Advance, tracionada com trator; e a automotriz K3 Millenium.

FOTO: Revista de Agronegocios

Tracionada ou automotriz, colhedoras de café Jacto atendem a pequenos e grandes

Modelo KTR Advance em exposição na 14ª EXPOCAFÉ, no estande da Jacto.

K3 Millenium: operação de colheita facilitada mesmo em terrenos desnivelados.

e um excelente conjunto para colheita e limpeza de grãos. Através do sistema hidráulico para nivelamento da máquina, o operador pode levantar ou abai-

xar a KTR Advance de acordo com a altura do cafeeiro e incliná-la para um lado ou para o outro, acompanhando a disposição das plantas e a caracterís-

Colheita é intensificada e escassez de mão-de-obra eleva custos do cafeicultor

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om o início da colheita de café, os produtores do grão voltaram a enfrentar problemas para contratar mão de obra, que, além de escassa, fica mais cara a cada ano. Em algumas regiões, os custos com os colhedores cresceram mais de 60%, se comparados com os de 2010. De acordo com representantes de cooperativas do segmento, os gastos com a colheita não mecanizada chegam a representar 50% do valor final da saca de café, hoje cotada a R$ 500. Para evitar prejuízos, os cafeicultores devem ficar muito atentos para as despesas com mão de obra e, sempre que possível, investir na mecanização da cultura. Entre os fatores que reduzem a oferta de trabalhadores para a colheita estão o aumento da escolaridade da população rural, o que abre novas oportunidades de empregos, e a demanda aquecida, principalmente na construção civil.

De acordo com o gerente de desenvolvimento técnico da COOXUPÉ Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (MG), Joaquim Goulart de Andrade, com a diversificação das oportunidades de empregos, os trabalhadores têm optado por cargos efetivos e não temporários, como a colheita do grão. “A mão de obra é o principal componente dos custos da saca de café. Para amenizar os gastos, os cafeicultores estão investindo cada vez mais na mecanização. Porém, devido ao relevo em algumas regiões do Estado, muitas vezes não é possível mecanizar o processo”, diz. Segundo Andrade, a mão de obra na região de Guaxupé está 62,5% mais cara que a contratada em 2010. No ano passado, o valor pago por 60 litros de grãos colhidos era de R$ 8, hoje está em torno de R$ 13. O encarecimento dos custos foi amenizado pela valorização da saca, que passou dos R$ 250 para os atuais R$ 500.

MECANIZAÇÃO – A mecanização dos cafezais tem reduzido os custos dos produtores associados à COOPARAÍSO - Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso. De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo Almeida, cerca de 40% dos cooperados já mecanizaram os cafezais. O aumento dos custos com mão de obra e a redução do números de trabalhadores foram os principais impulsos para os investimentos. Na região de atuação da COOPARAÍSO, o custo com os colhedores responde por 30% dos preços finais da saca, e a mão de obra no restante dos processos compromete 15% do valor. “Mesmo com os rendimentos comprometidos nos últimos anos, os cafeicultores da região têm preferido investir na mecanização a pagar alto pelos colhedores. A tendência é que seja ampliada a cada ano”, diz Almeida. (Fonte: Diário do Comércio)) A


MÁQUINAS FOTOS: Divulgação - Sami Máquinas

tica do terreno. O ângulo de trabalho da descarga mecânica pode variar de 0 a 90°, permitindo que a carreta caminhe por diferentes espaçamentos da lavoura. Toda a operação de regulagem da descarga é feita por comandos, localizados dentro da cabine. Este sistema proporciona uma chegada muito mais rápida do café ao terreiro, reduzindo os custos e garantindo a qualidade da produção. A KTR Advance dispõe de colheita por ensaque na mesma máquina. Seu conjunto possui hastes vibratórias que atuam na planta causando, assim, a queda dos grãos. Lâminas retráteis fecham o espaço sob a saia do cafeeiro, coletando os grãos, que são depositados em uma esteira, onde é feita a primeira separação e folhas e galhos maiores. Em seguida, são levados por transportadores in- Colhedora Modelo K3 Millenium, em operação em cafezais da região de Franca. ternos onde as demais impurezas são separadas por processo de ventilação. O sistema garante pamento, além da extrema leveza proporcionada pela direção excelentes resultados na colheita, além da certeza de um hidráulica. café livre de impurezas. Através do sistema hidráulico especial, o operador pode levantar ou abaixar a K-3, de acordo com a altura do cafeeiro, e inK3 MILLENIUM - A colhedora de café K-3 ope- cliná-la para um lado e para outro, acompanhando a disposição ra a cavaleiro nas linhas das plantas, com as hastes vi- destes e a característica do terreno. bratórias atuando em torno de cada planta. Assim, os A eficiência de colheita da K-3, vai de 85 a 97% com vegrãos se soltam e são coletadas por um conjunto de lâmi- locidade de trabalho variando de 500 a 1500 metros/hora, chenas retráteis, que fecham o espaço sob a saia do cafeeiro. gando a colher até 200 sacas por hora, alcançando declividade Os frutos colhidos são levados até o sistema de limpeza, de até 10%. A colhedora K-3 é comercializada em duas versões, a por transportadores internos nos sentidos horizontais e verticais, onde as impurezas são separadas por um pro- versão com sistema de ensaque e a versão com sistema duplo de cesso de ventilação. Depois de limpos, os grãos são en- ensaque e à granel. A sacados e retirados por operadores auxiliares. Os comandos da K-3 são de fácil manejo, possibilitando ao operador perfeito domínio sobre o equi-

ITEM

Motor Transmissão Freios Sistema de direção

Medidas ponderais e dimensionais

ESPECIFICAÇÃO

Marca Perkins nº de cilindros = 4 em linha potência 110 cv combustível óleo diesel-consumo: 6 l/h hidrostática frenagem principal = freio motor frenagem auxiliar = freio tambor C3 peso total = 7.000 kgf comprimento total = 5,80 m largura total = 3,10 m bitola = 2,70 m altura total abaixada = 3,40 m variação da altura = 0,40 m velocidade de transporte = 15 km/h velocidade de operação = 0,5 - 3,0 km/h rendimento horário = 0,2 a 1,2 ha/h jornada de trabalho =10 a 18 h altura de colheita = 2,6 m (faixa vertical útil de ação dos vibradores) espaçamento linhas = a partir de 3,0 m

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TABELA 1 - Especificações técnicas da colhedora K3.

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CAFÉ

BASF amplia benefícios do Sistema AgCelence® para outros cultivos

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a esteira do sucesso alcançado pelo Sistema AgCelence® Soja de Produtividade Top, a Unidade de Proteção de Cultivos da BASF lança sua versão do manejo para os cultivos de café, uva, batata e tomate. Os estudos realizados para essas culturas apontaram que os benefícios proporcionados vão além da proteção e do aumento de produtividade. “A qualidade desses produtos é fator preponderante para garantir a comercialização. Com isso, o modelo criado pela BASF vai ajudar a assegurar que o agricultor tenha maior rentabilidade no negócio”, explica o gerente de Marketing de Cultivos de Especialidades da BASF, Redson Vieira. No cultivo do café, a uniformidade na maturação dos grãos se destaca como um dos principais benefícios do sistema. O modelo de manejo desenvolvido pela BASF no Brasil ajuda a proteger o cafeeiro de colheita a colheita. Os procedimentos do Sistema AgCelence® Café têm início logo após a colheita dos frutos, quando aparecerem os primeiros sinais da doença, com aplicação do fungicida Cantus® que ajuda a garantir a proteção das folhas e ramos. Já nos períodos de pré e pós florada são utilizados os fungicidas Cantus® e Comet®. Nesta fase, a proteção é importante para aumentar a proteção das flores e pegamento dos frutos. A última etapa é a proteção dos frutos e folhas utlizando o consagrado fungicida Opera® que proporcionará, além do controle fitossanitário, maior quantidade de grãos cereja. Hortifruti – na cultura da uva, os fungicidas Collis® e o

Cabrio® Top serão empregados em diferentes etapas do manejo fitossanitário. Esse modelo proporciona maior teor de graus brix, o que torna o fruto mais doce e palatável. Para os cultivos de tomate e batata, o Sistema AgCelence® integra a aplicação sequencial dos fungicidas Cantus® e Cabrio® Top para melhor manejo fitossanitário. Além disso, a alternância entre os dois produtos ajuda a garantir o melhor manejo de resistência de fungos a fungicidas. Os estudos realizados para esse cultivo constataram, além do excelente controle fitossanitário, aumento de produtividade, melhoria na qualidade e maior uniformidade do produto final. Os sistemas já estão disponíveis para os agricultores. Vieira ressalta a importância da qualidade do produto final em cultivos de especialidades: “É isso que estamos considerando como sustentabilidade para o agricultor, um modelo de manejo que ajuda a assegurar controle fitossanitário, produtividade e qualidade dos produtos agrícolas proporcionando, naturalmente, A maior rentabilidade para o negócio”.

BASF e EMBRAPA anunciam acordo de cooperação

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BASF, química líder mundial, e a EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária anunciaram mais uma parceria público-privada pioneira voltada à agricultura. A parceria terá foco em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de biotecnologia, melhoramento genético, fertilidade e mecanização de solos, proteção de plantas e fisiologia vegetal. As instituições podem acionar uma à outra ao identificarem oportunidades de desenvolvimento de novas tecnologias nas quais julguem agregação de valor ao projeto. Os dois primeiros projetos desta nova parceria tratam de produtos biológicos. Um deles é voltado ao estudo de uma bactéria destinada ao manejo de fungos na cultura da soja e, o outro, a uma bactéria com fixadora de nitrogênio para a cana de açúcar. Sistema de Produção Cultivance® - a primeira soja geneticamente modificada totalmente desenvolvida no Brasil e tolerante a herbicidas. Este sistema estará disponível no mercado nacional na safra 2012/2013 por meio do mercado legal de sementes. Além deste projeto, foi anunciado em fevereiro de 2011 o lançamento de uma nova cultivar de arroz tolerante ao herbicida Only®, intitulada BRS Sinuelo CL. A variedade é destinada ao manejo das lavouras com o auxílio do Sistema de Produção Clearfield® Arroz para o controle do arroz vermelho, também decorrente de aproximadamente dez anos de pesquisa entre as duas instituições. A


LEITE

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DESTAQUES

CROP WORLD acontece de 4 a 5 de julho em São Paulo

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

EXPOCAFÉ apresentou novas tecnologias para a cafeicultura

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Lançamento da Palini & Alves durante a EXPOCAFÉ.

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14ª edição da EXPOCAFÉ superou todas as expectativas e atraiu toda a cadeia produtiva da cafeicultura de 15 a 17 de junho, para a Fazenda Experimental de Três Pontas (MG). Idealizada e coordenada pela UFLA Universidade Federal de Lavras (MG) durante 12 anos, com o objetivo de ampliar o debate sobre os desafios do setor, para exposição de máquinas e produtos inovadores para a cafeicultura, a EXPOCAFÉ foi realizada pelo segundo ano consecutivo pela EPAMIG - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. Os dados da feira ainda não foram finalizados até o fechamento desta edição, mas contabilizamos 7 mil pessoas apenas no primeiro dia do evento, que puderam visitar os 133 estandes e as 21 dinâmicas de campo. Os visitantes puderam conferir as novidades de máquinas como derriçadeiras, atomizadores, pulverizadores, colheitadeiras, recolhedoras, além de equipamentos que buscam redução de custo e sustentabilidade da atividade. Entre os destaques estão: descascadora e despolpadora de café que praticamente não utiliza água no processo. O equipamento usa cinco vezes menos água que os outros disponíveis no mercado. Enquanto os convencionais gastam um litro de água para um litro de café, este equipamento utiliza 200 ml de água para cada litro de café. Outra novidade é uma colhedora elétrica que ainda está em fase de estudo por uma incubadora da Universidade Federal de Lavras (Ufla). O equipamento pode apresentar tanto menor custo para aquisição quanto para manutenção.

2ª edição da conferência Crop World South America 2011 - Feira e Congresso Internacional de Negócios, Ciência e Tecnologia em Produção Agrícola acontece entre os dias 4 e 5 de julho no Hotel Blue Tree Morumbi, em São Paulo (SP). A Crop World abordará temas extremamente importantes para os setores de defensivos, fertilizantes e para toda a cadeia de produção agrícola. De acordo com Eduardo Daher, diretor da ANDEF, “a produção de grãos aumentou 152% nos últimos 20 anos, enquanto a área plantada cresceu apenas 25%. Grande parte destes ganhos de produtividade devem-se as inovações em tecnologia e as práticas agrícolas e o Brasil esta à beira de se tornar uma superpotência agrícola. Nada mais oportuno do que nos debruçarmos sobre esses pontos fundamentais para o sucesso da agropecuária brasileira”, disse Daher. “A pressão colocada sobre o abastecimento global de alimentos indica a necessidade de um evento que norteie as alternativas para os principais desafios deste setor, que traga oportunidades de dividir conhecimentos”, disse Mirela Mellone, Diretora de Conferências da UBM Conferences, empresa responsável pelo evento no Brasil. “A posição da Crop World South America como um dos eventos líderes mundiais em produção agrícola com um programa baseado em extensa pesquisa de mercado local, torna-se uma escolha natural para empresas interessadas em participar, palestrar e expor que queiram dividir soluções inovadoras em produtos para este setor”, complementa. A conferência proporcionará palestras com as maiores referências do mercado, oferecendo novas soluções para os grandes desafios do setor. Venha ficar a frente da concorrência com: Antonio Carlos Guimaraes (presidente Syngenta) José Agenor (diretor da ANVISA), Luís Rangel (coordenador de registro de agrotóxicos do MAPA), Márcio Freitas (coordenador de avaliação de substâncias químicas do IBAMA), Helder Muteia (representante da FAO), Elena Tundisi (BAYER CropScience), Antônio de Padua Cruz (manager Honeywell Resins & Chemicals), Eduardo Daher (diretor ANDEF), David Roquetti (diretor ANDA), Eduardo Leão de Sousa (Diretor UNICA), Túlio de Oliveira (diretor executivo AENDA), Roberta Nocelli (Prof.ª Drª Centro de Ciências Agrárias/UFSCar), Olivier Girard (diretor macrologística), Alfredo Scheid Lopes (Engº Agrº,PhD, Professor Emérito da UFLA), Marco Fujihara (diretor Instituto Totem) A


FOTO: Divulgação

Dilma e Rossi lançam Plano Agrícola e Pecuário da safra 2011/2012

POLÍTICA

e matrizes de bovinos e búfalos. Para custeio, os pecuaristas terão seu limite aumentado de R$ 275 mil para R$ 650 mil. “Também vamos financiar a renovação de pastagens e queremos melhorar a produtividade passando da atual média de 1,2 cabeça por hectare para 3 cabeças por hectare em dez anos. Isso vai mudar o nosso patamar e liberar mais terras para o cultivo de outras opções”, ressaltou Rossi. CANA DE AÇÚCAR - O governo também criou um programa de investimento para ampliar a produção de canade-açúcar, um dos pontos para tentar solucionar o problema da escassez de etanol em alguns períodos do ano, jogando o preço do combustível para cima. O limite de contratação será de R$ 1 milhão, com prazo de cinco anos para pagar.

O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2011/12 da agricultura empresarial foi oficialmente lançado dia 17, em Ribeirão Preto (SP), pela presidente da República, Dilma Rousseff, e pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O governo vai disponibilizar R$ 107,2 bilhões para a agricultura empresarial na safra 2011/12. O valor é 7,2% superior ao destinado na safra passada. O ministro da Agricultura disse no lançamento que o atual plano agrícola é “uma revolução”. “Ele consolida o respeito à produção e, mesmo em tempos de contenção, o governo está disponibilizando esse valor para a agricultura brasileira”, afirmou Rossi. INVESTIMENTO - O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá 48,2% mais recursos que o estipulado na safra 2010/2011. No ciclo 2011/2012, o Pronamp coloca à disposição dos produtores R$ 8,3 bilhões para crédito de custeio e investimento, com taxas de juros de 6,25% e até oito anos para pagamento, no caso de operações de investimento. Outra alteração importante foi o aumento do limite de renda bruta anual para enquadramento no programa que passa de R$ 500 mil para R$ 700 mil. Além disso, os limites de custeio e de investimento/beneficiário foram ampliados, respectivamente, para R$ 400 mil e R$ 300 mil. PECUÁRIA - Tanto o ministro como a presidente da República destacaram na solenidade as novidades que o PAP 2011/12 está trazendo e que contemplam a produção de laranja, cana-de-açúcar e a pecuária. Houve a inclusão dos produtores de laranja como beneficiários da Linha Especial de Crédito a Comercialização (LEC) e foi criada uma linha de financiamento para as indústrias financiarem seus estoques. Pela primeira vez, foi criada uma linha especial para os criadores de gado. Nela, produtores terão financiamento de até R$ 750 mil para a aquisição de reprodutores

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Wagner Rossi, Ministro da Agricultura; Michel Temer, vice-presidente; Dilma Rousseff, presidente; Kátia Abreu, senadora e presidente da CNA, ao fundo.

COMERCIALIZAÇÃO - Em 2012, o orçamento para apoio à comercialização deverá ser de R$ 5,2 bilhões. Os recursos serão investidos em medidas para garantir o preço mínimo ao produtor e o abastecimento interno com instrumentos como a aquisição direta e equalização de preços. Haverá, ainda, elevação dos preços mínimos de leite (até 8,5%), farinha de mandioca (11,2%), raiz de mandioca (até 21%), castanha de caju (12,5%), juta e malva (até 47,5%), e mamona (14,5%). Alguns produtos da sociobiodiversidade também terão aumento nos preços mínimos: açaí (20%), pequi (até 10%) e pó cerífero (5%). A

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CAFÉ

FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

Análise de material orgânico comprova que o Manejo da Braquiária beneficia o cafezal

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Entrelinha do cafezal com braquiária no início do pendoamento (ponto de maior concentração de nutrientes)

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ais uma vez retratamos, nas páginas da Revista Attalea Agronegócios, matéria acerca do Manejo da Braquiária na Cafeicultura. Para alguns pode ser novidade, mas o assunto já foi publicado na edição nº 40 (novembro de 2009) e está se tornando uma das técnicas mais difundidas nas regiões cafeicultoras da Alta Mogiana, no Cerrado Mineiro, no Sudoeste e no

Entrelinha do cafezal com a braquiária já manejada mecanicamente, mantendo a cobertura do solo.

Sul de Minas Gerais. Fruto da observação apurada de Antônio Carlos David, a técnica do Manejo da Braquiária vem sendo adotada há pelo menos quatro anos no Sítio Santa Izabel - localizado na rodovia que liga Franca (SP) a Ribeirão Corrente (SP). “Foram anos de trabalho e observação na cultura do café, sempre na expectativa de encontrar um manejo que atendesse as necessidades da

Engenheiros Agrônomos visitam a propriedade de Toninho David. Da direita para a esquerda: Hélio Casale, Fernando Pavão, Albino Rocchetti, Roberto Maegawa (Cocapec), Márcio Figueiredo (Cati), Fernando Ribeiro (Kissol) e Fernando Jardine (Nutriplant).

planta e, consequentemente, aumentasse a produção. Participei de várias palestras, visitei produtores de café em várias regiões. Como não tenho irrigação, o manejo da braquiária constituiu a melhor técnica para mim na cafeicultura. Com a braquiária, eliminei a aplicação de herbicidas e reduzi gradativamente a adubação do cafezal. Meu cafezal produz muito acima da média (92 sacas por hectare no ano passado), além de economizar mais de 40% do custo final”, explica Toninho David. Estes números foram muito questionados por renomados engenheiros agrônomos, especialistas em cafeicultura, bem como por experimentados cafeicultores. Quando a matéria foi publicada, em novembro, a própria Revista Attalea Agronegócios foi questionada por publicar informações ainda sem dados científicos. Mesmo assim, graças ao alcance da revista e à rede de informação técnica que envolve a cafeicultura em todo o país, o tema alcançou outras regiões produtoras de café. A partir de janeiro deste ano, várias comitivas de cafeicultores e engenheiros agrônomos passaram a visitar o Sítio Santa Izabel. No último dia 15 de abril deste ano, 40 cafeicultores da região de


CAFÉ

Patrocínio (MG), no cerrado mineiro, incluindo profissionais da COOPA – Cooperativa Agropecuária de Patrocínio, do SEBRAE-MG e do EDUCAMPO –, estiveram conhecendo a técnica a convite do engenheiro agrônomo Leslie Cruvinel. Foi a segunda visita de Cruvinel na lavoura de Toninho. No ano passado havia organizado uma caravana de cafeicultores dos municípios de Monte Carmelo (MG) e Patrocínio (MG).

MATÉRIA SECA

MATÉRIA ÚMIDA

% Nitrogênio % P2O5 solúvel citrato neutro amônio+água % P2O5 solúvel em ácido cítrico a 2% % P2O5 solúvel em água % P2O5 total % K2O solúvel em água % K2O total

1,30 (148 kg/ha) ------0,38 (43 kg/ha) --2,67 (305 kg/ha)

1,18 ------0,35 --2,43

% Cálcio % Magnésio % Enxofre % Sódio

0,44 (50 kgha) 0,26 (29,7 kg/ha) < 0,01 ---

0,40 0,24 < 0,01 ---

% Ferro % Manganês % Cobre % Zinco % Boro % Cobalto % Níquel

0,03 0,01 < 0,01 < 0,01 < 0,01 -----

0,03 < 0,01 < 0,01 < 0,01 < 0,01 -----

pH Densidade (kg/m³) Relação Carbono/Nitrogênio % Carbono Orgânico % Matéria Orgânica % Umidade

----37,80 --88,44 ----

6,04 --37,79 --80,54 8,93

ESPECIFICAÇÃO

FONTE: Análise realizada pela Ribersolo, em 06 de abril de 2011.

Os nutrientes que mais surpreenderam foram o Nitrogênio e o Potássio, bem como os altos teores de Matéria Orgânica (Ver Tabela 1) “A análise comprova que o manejo da braquiária devolve ao solo - disponibilizando para o cafeeiro quando manejada -, cerca de 148 kg de Nitrogênio por hectare. “E não é só o nitrogênio. Olha o teor de fósforo e o de potássio. Isto custa muito dinheiro ao agricultor. E eu estou economizando. Então, isto comprova que a consórcio com braquiária é importante sim para o cafeicultor”, afirma Toninho David. Além da questão nutricional, a técnica do manejo da braquiária traz outro benefício imediato para o cafeicultor. “A cobertura do solo, tanto no

período que a gramínea está em crescimento, bem como depois de manejada, quando já é uma palhada, se der um veranico de até 90 dias, eu estou sossegado. Ao passo que o cafeicultor tradicional, que não dispõe de irrigação, corre o risco de perder a produção”, explica. Ele ressalta outro fator importante do manejo da braquiária na entrelinha do cafezal. A preservação das radicelas da planta. A aplicação do herbicida prejudica sensivelmente a planta. E isto compromete a produção. Mantendo o solo preservado, as raízes se desenvolvem melhor. Adotando o manejo das folhas, no momento ideal, a braquiária devolve os nutrientes ao solo, nutrindo as plantas do café.

15 JUN / 2011 www.revistadeagronegocios.com.br

COMPROVAÇÃO - Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ/USP e atualmente consultor na área de cafeicultura, Hélio Casale é considerado um dos mais importantes profissionais do setor. Desde que Toninho David adotou a técnica do Manejo da Braquiária, Hélio Casale vem acompanhando-o. E como forma de comprovar os resultados da técnica, sugeriu que realizasse análise dos resíduos da Braquiária para comprovar o processo de reciclagem de nutrientes. No início deste ano, Toninho David procurou a Ribersolo - Laboratório de Análise de Solo e Foliar, localizado em Ribeirão Preto (SP) e considerado um dos mais conceituados laboratórios do país. “Cortei a braquiária no ponto certo, ainda verde; pesei-a e coloquei para secar na sombra. Depois de seca, voltei a pesá-la. Quinze dias após mandei fazer a análise”, explica. Considerando quatro cortes no período chuvoso, sempre no ponto ideal de corte, o cafeicultor obteve uma produção de 31,99 toneladas de massa verde de gramínea por hectare. Os resultados surpreenderam até mesmo o cafeicultor. “Eu sabia que a técnica repunha os nutrientes no solo, quando do manejo. Mas não imagina que era tanto assim”, exclama Toninho.

TABELA 1 - Resultado da análise de material orgânico proveniente do manejo do capim


FOTO: Divulgação - Toninho David

CAFÉ

16 www.revistadeagronegocios.com.br

JUN / 2011

O cafeicultor Toninho David conversa com Paulinho, diretor da Casa das Sementes (Franca/SP).

Os benefícios da braquiária são comprovados visualmente. Basta uma volta na propriedade. Os talhões de café do Sítio Santa Izabel se recuperaram rapidamente ao final da colheita do ano passado e a produção deste ano – mesmo em ano de baixa – prova que matéria orgânica produzida com o manejo da braquiária fornece diretamente alguns nutrientes que a planta precisa, bem como favorece a liberação de outros macro e micronutrientes que estavam imobilizados no solo. PARA QUEM VAI INICIAR - O cafeicultor recomenda que a técnica do manejo de braquiária deve ser iniciada quando da implantação dos novos talhões. Quando se elimina um cafezal velho e planta-se um novo, o ideal é que se promova uma renovação no solo. Além do “descanso” e reposição de nutrientes, o plantio da braquiária também contribui para a redução significativa dos restos da antiga cultura e possíveis pragas e doenças. “O cafei-

Toninho David mostra as larvas do besouro Diloboderus abderus desenterradas a pouco menos de 20 cm da superfície do solo.

cultor pode achar que está ‘perdendo’ um ano. Mas é o contrário. Ele está ganhando dois anos, devido à recuperação do solo. Caso o cafeicultor queira adotar a técnica em lavouras já implantadas ou no caso de lavouras recepadas, Toninho recomenda que seja adubada a área total. “Adubo o café e adubo a braquiária. A cada ano, vou reduzindo a quantidade de fertilizante necessário à cultura do café. A análise de folha que eu fiz comprova que não há necessidade da aplicação de grandes quantidades de adubos com o passar dos anos. Só para se ter idéia, no meu caso, para este ano, tive que armazenar o fertilizante nitrogenado que eu já tinha comprado, pois não tinha necessidade”, ressalta. O cafeicultor afirma, ainda, que com isto, presta mais atenção na aplicação de micronutrientes como o Boro e Zinco do que em Nitrogênio, Fósforo e Potássio. VIDA NO SOLO - A manuten-

ção da matéria orgânica sobre o solo, além de contribuir diretamente para com a reciclagem de nutrientes para o cafe-eiro, traz outro benefício. “Observei que o solo dos talhões de café com braquiária são ‘vivos’. São várias as espécies de insetos que sobrevivem aqui. E não causam nenhum problema à cultura. Pelo contrário, beneficiam. Como exemplo, temos os corós (larvas de besouros da espécie Diloboderus abderus). Os besouros adultos perfuram galerias no solo, a profundidades de até 20 centímetros, para colocar seus ovos. Junto com os ovos, os besourospais levam restos de matéria orgânica que servirão de alimento para as crias. Esta matéria orgânica beneficia não somente as larvas, mas também as radicelas do cafeeiro. Quero dizer, com tudo isto, que o produtor rural tem que ser mais observador. Deve analisar a sua propriedade como um todo, conhecer a fundo a cultura explorada e adotar técnicas que dêem retorno financeiro sem prejuízos ao solo e ao meio ambiente”, finaliza. A


FOTO: Revista Attalea Agronegócios

Itirapuã (SP) comemora o sucesso do 3º Seminário ‘Café com Leite’

7º Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil será em em Araxá (MG)

O

7º Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, organizado pela EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, será realizado de 22 a 25 de agosto em Araxá (MG). Sob o tema “Articulações em redes de pesquisa e novas fronteiras do conhecimento”, a proposta do evento é fomentar o debate entre a comunidade científica e representantes da cadeia produtiva sobre o desenvolvimento de tecnologias e produtos relacionados ao café. Durante o encontro, serão abordados três temas principais – “Agronegócio café”, “Regiões cafeeiras” e “Cafeicultura e Meio Ambiente” –, nos quais serão discutidos tópicos como comercialização, gestão da propriedade, biotecnologia, irrigação, qualidade, manejo ecológico pós-colheita, fertilidade de solo, ecofisiologia e mecanismos de desenvolvimento limpo. Além da apresentação de trabalhos e minicursos, os participantes do simpósio contarão com palestras e conferências de pesquisadores e personalidades do agronegócio, sessão de pôsteres e apresentações orais.

EM TEMPO www.simposiocafe.sapc.embrapa.br Tauá Grande Hotel - (31) 3236-1900 - Araxá (MG)

Com muita competência, a prefeitura de Itirapuã (SP), em parceria com a CATI e SENAR-SP, foi realizado de 17 a 18 de junho o 3º Seminário Café com Leite, evento que integrou a 22ª Festa do Peão de Itirapuã. O evento foi realizado no Centro de Lazer “José Antônio da Silva” e contou com a participação do governador Geraldo Alckmin e de diversas autoridades. O evento contou ainda com importantes palestras: “Análise Sócio-Econômica do Mercado do Café”, proferida pelo economista Celso Luiz Rodrigues Vegro, do Instituto de Economia Agrícola; “Atuais Créditos Rurais Disponíveis”, com Kátia Maria Gianini, da FEAP e Norival dos Santos Rocha Júnior, gerente geral do Banco do Brasil da região de Franca (SP); e “Código Florestal – Impacto Regional”, com João Cabreira Filho, Secretário do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Pardo. Além das palestras, o evento teve ainda exposições de máquinas, insumos, implementos agrícolas e serviços, com a participação da Oimasa, New Holland, MIAC-Colombo, Cocapec, Dedeagro, Coonai e Galpão do Leite. A

17 JUN / 2011 www.revistadeagronegocios.com.br

O prefeito de Itirapuã, Marcos Henrique Alves; o economista do IEA Celso Luiz Rodrigues Vegro; e o engenheiro agrônomo Pedro César Avelar, diretor do EDR-Franca / CATI.

EVENTOS


artigo

Desbrota do Cafeeiro x IAF Índice de Área Foliar Hélio Casale - Engenheiro Agrônomo

18 www.revistadeagronegocios.com.br

JUN / 2011

O

café, nas sábias palavras do Prof. José de Mello Moraes, da ESALQ – Piracicaba, foi, é e será uma das culturas mais importantes para o Brasil, numa antevisão da sua importância econômica e social. Por mais de uma década, os produtores de café, em geral, penaram, trabalhando com preços baixos e resistiram bravamente, até que recentemente veio um alívio, que dá aos persistentes um novo e alentador fôlego. Como se pode ver nos quadros abaixo, a área em produção está praticamente estacionada e a produtividade aumentando levemente. Nesses quadros, num período de 12 anos, tanto a área como a produtividade foram analisadas na média móvel do biênio e na média móvel dos últimos 4 anos, podendo-se observar pequenas alterações. As lavouras vão envelhecendo e mesmo com novos plantios a área plantada com café no Brasil foi reduzida em cerca de 100 mil ha nos últimos anos. Mesmo assim, a produtividade cresceu na média móvel de 4 anos, em cerca de 15%, o que é um bom número, indi-

cando que o manejo das lavouras está sendo levado com bom senso, principalmente por termos passado por um longo período de vacas magras. Não podemos nem devemos nos dar por satisfeitos com esse aumento na produtividade geral, uma vez que em várias propriedades, a produtividade média é bem maior que essa encontrada. Se alguns podem, todos podem e mal de muitos é consolo de tolos, como dizia o saudoso Prof. Malavolta, em suas idas para o campo. Vale lembrar que a cafeicultura é feita sob a influência de mais de 50 fatores de produção de ordem física, química e biológica e que todo cafeicultor deve ser um verdadeiro artista para equacionar o manejo de sua lavoura, de maneira a tirar o maior proveito dos diferentes fatores de produção. Lembrar também que a cafeicultura é praticada a céu aberto e reage em tempo real. Um dos fatores que está inibindo o crescimento da produtividade, principalmente em lavouras mais velhas, diz respeito à falta de desbrota, uma prática geralmente considerada onerosa, impraticável, de pouca importância,

TABELA 1 - Área de Produção - Em milhões de hectares. 1999 2000

Área em Produção Média Móvel em 2 anos Média Móvel em 4 anos

1,9

2,0

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2,2

2,3

2,2

2,2

2,2

2,2

1,95

2,25

2,2

2,2

2,10

2007 2008 2,2

2009 2010*

2,2

2,1

2,2

2,1 2,1

2,20

2,15

*- estimada. Fontes: DCAF – CONAB – ABIC – MCIC/SECEX – OIC – CEPEA/ESALQ/BM&F

TABELA 2 - Produtividade - Em sacas por hectares. 1999 2000

2001

2002

Produtividade 14,5 15,7 14,4 21,0 no Ano Média Móvel 15,10 17,70 em 2 anos Média Móvel 16,60 em 4 anos

2003

2004

2005

2006

2007 2008

2009 2006

13,1

17,8

14,9

19,8

16,6

18,9

15,45

17,35 16,40

*- estimada. Fontes: DCAF – CONAB – ABIC – MCIC/SECEX – OIC – CEPEA/ESALQ/BM & F

21,2

18,90

22,7

20,80 19,85

que vem sendo relegada a um segundo plano. De uma maneira muito geral, poucos cafeicultores estão se preocupando com ela e as lavouras vêm perdendo o potencial produtivo a cada ano que passa e até mesmo levadas à substituição precocemente. Não é raro encontrarmos lavouras com 5, 10, 20, 30 e até mais de 70 ramos verticais, onde deveria ter apenas um ramo vertical principal, uma verdadeira vassoura invertida. Muitos ramos improdutivos competindo entre si, dando como resultado uma produção abaixo do desejado. O espaçamento entre plantas mudou nos últimos anos para um maior adensamento, mas a prática da desbrota foi esquecida, bem como a relação IAF também o foi. Para justificar tecnicamente a desbrota, temos que falar do IAF – Índice de Área Foliar, que representa a área de folhas dos cafeeiros que convivem numa área de 1 ha. Estudos diversos mostram que a capacidade ou eficiência fotossintética de um cultivo, seja ele qual for, depende principalmente do seu Índice de Área Foliar - IAF, ou seja, da relação entre a superfície foliar e da superfície de terreno ocupada pela planta. Assim sendo, um IAF de 9, significa que em 1 ha de terreno tem 9 ha de superfície foliar, número esse considerado adequado para café, uma vez que é variável de cultura para cultura. A afirmação acima nos leva a conclusões práticas da maior importância o segredo para se obter alto rendimento na colheita consiste precisamente em manter o IAF num valor próximo ao ótimo por um tempo o mais longo possível. Dr. Coaracy Moraes Franco, pesquisador emérito do IAC, de


CAFÉ

genados, corretivos de acidez na superfície (calcários) e na subsuperfície (gesso agrícola), inseticidas, fungicidas, aumentar a densidade de plantio e aumentar o grau de sombreamento de sua lavoura. O objetivo maior do cafeicul-

tor é ter em mente que, uma boa produção depende principalmente de sua habilidade em acompanhar o desenvolvimento de sua lavoura e evitar que o IAF ultrapasse muito do valor ótimo, para a máxima eficiência fotossintética. Deve agir a tempo e hora, evitando, o ano que vem, se Deus assim o quiser. Como o cafeeiro trabalha em tempo real apenas um ano, se for deixado sem desbrota, no ano seguinte haverá muitos brotos para serem tirados e aí sim, o custo torna-se inviável. Desbrota é pratica permanente, pelo menos duas a três vezes por ano. Não será necessário ficar medindo folhas, basta controlar, no mínimo, a produção de cada talhão, anotando os litros de café da roça e os quilos de café beneficiado, pronto para comercialização. Produção tendendo a diminuir ficar atento com o IAF e interferir. Para aumentar a produção analise os mais diferentes fatores e busque sempre produção econômica. A

19 JUN / 2011 www.revistadeagronegocios.com.br

renome internacional, num trabalho inédito para determinar a superfície foliar do cafeeiro, escolheu 150 plantas que representavam o desenvolvimento médio da cultura. As folhas de sete cafeeiros, cada um por sua vez, foram retiradas e pesadas. Dessas, uma amostra de 150 folhas foi tomada ao acaso, pesadas e a superfície delas foi determinada pelo método dos recortes de papel, calculandose depois a superfície foliar total de cada planta. Esta superfície variou entre 22,87 a 45,74 metros quadrados, o que equivale a um IAF de 9 a 12, conforme o espaçamento, ou seja, espaçamento mais largo, IAF maior e mais adensado, IAF menor. A média ficou em 31,46 m². O cafeicultor pode aumentar ou reduzir o IAF de sua lavoura, usando de práticas conhecidas e convencionais. Para reduzir/reorganizar o IAF, empregar podas como desbrota, esqueletamento, decote, recepa, assim como abertura do espaçamento original. Para aumentar o IAF, empregar fertilizantes, principalmente os nitro-


CAFÉ

Projeções para a Cafeicultura 2011-2020

FOTOS: Fernando Jardini

C 20 www.revistadeagronegocios.com.br

JUN / 2011

om a contribuição do amigo José Edson, diretor da Cafeeira Silva & Diniz, de Franca (SP), apresentamos a seguir projeções de Carlos Cogo, da Consultoria em Agrobusiness, para os próximos 10 anos da cafeicultura mundial. São projeções importantes, que dão um ‘norte’ para todos aqueles que trabalham na cadeia produtiva do café. De acordo com o consultor, a área mundial deve crescer 12,2% até 2019/2020, com expansão concentrada no Brasil, países da América Central, Etiópia, Vietnã, Indonésia, Índia e México. Além disto, cerca de 62,2% das áreas a serem incorporadas até 2019/2020 devem estar concentradas em cultivos arábicas no Brasil. Já a produção mundial deve crescer 12,8%, enquanto que a demanda mundial deve crescer 15,0% até 2019/2020. As importações devem crescer mais nos EUA, Rússia, Japão e Suíça e devem recuar nos países da União Européia.

BRASIL - é o maior produtor mundial, o maior exportador e o 2º maior consumidor mundial. O país deve tornar-se o maior consumidor mundial até 2013/2014 em volume físico; • o segundo maior produtor mundial de café é o Vietnã (18,5 milhões de sacas), o terceiro é a Colômbia (9,2 milhões de sacas) e o quarto é a Indonésia (8,5 milhões de sacas) • a área no Brasil deve crescer 19,4% e a produtividade média deve ter uma expansão reduzida. Para atender à demanda mundial e a crescente participação no mercado global a produção precisará crescer dos atuais 45 a 48 milhões de sacas de 60 kg para mais de 60 milhões de sacas; • a expansão da área deve estar concentrada nas atuais regiões de produção de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo,

com baixa expansão ou estagnação nas áreas em São Paulo e Paraná; • a cafeicultura se fixou, inicialmente, no Sudeste e depois se expandiu para o Paraná e Bahia e atualmente há produção em 14 estados. A área plantada é de 2,3 milhões de hectares, sendo que Minas Gerais responde por 51% da produção brasileira e o segundo no ranking é o Espírito Santo, com 24% do total; • o café é o 5º item na pauta de exportações do agronegócio, gerando US$ 5,8 bilhões para a economia; • as exportações brasileiras devem crescer apenas 3,5% até 2019/2020, em decorrência da forte expansão projetada para a demanda interna e baixo incremento dos excedentes exportáveis. Atualmente, os principais países importadores do café verde brasileiro são Alemanha, Estados Unidos, Itália e Japão; • o consumo per capita de café torrado no Brasil atingiu a marca de 6,0 kg/habitante/ano em 2010 e deve crescer para 6,4 kg/habitante/ano em 2011. O aumento no consumo individual fez com que a demanda total de café no Brasil chegasse a 19,1 milhões sacas de 60 kg; • em 2010, o consumo per capita foi 3,6% maior que o registrado em 2009, quando chegou a 5,8 kg/habitante/ano. Com isso o Brasil supera a Alemanha, onde o consumo é de 5,86 kg/habitante/ano e também Itália e França, grandes consumidores de café. Os campeões de consumo ainda


CAFÉ são Finlândia, Noruega, Dinamarca com volume próximo dos 13 kg/habitante/ano.

COLÔMBIA - está se recuperando de dois anos de colheitas decepcionantes e a safra deve alcançar 9,2 milhões de sacas em 2011. A área de cultivo não deve crescer até 2020 e os excedentes exportáveis devem permanecer estáveis em relação aos níveis atuais; • a cafeicultura da Colômbia tem uma forma de organização diferenciada em relação aos demais países produtores. Os cafeicultores são organizados em núcleos regionais (Comites Departamentales de Cafeteros), que formam a Federación Nacional de Cafeteros de Colômbia (FNC). Essa entidade gera um fundo, mantido por contribuições sobre cada saca de café beneficiado, calculada sobre exportações do setor. Os recursos são aplicados em ações gerais de apoio à produção, tais como garantia de preços, subsídios e extensão rural, programas de recuperação de cafezais e programas de marketing internacional, além da própria Federação; • a FNC tem um contrato de gestão com o governo. São estabelecidas medidas estruturantes e metas de desempenho. A FNC tem a prerrogativa de autorizar ou não as exportações, poder contestado pelos demais exportadores. A FNC é responsável direta por 30% das exportações de café do país • as estações do ano, devido à baixa latitude do país, não são bem definidas, propiciando a ocorrência de múltiplas

floradas nos cafezais, fazendo com que a safra se estenda por praticamente todo o ano. Esse fato aliado à característica de que as regiões cafeeiras se encontram majoritariamente em regiões montanhosas, exige uso intensivo de mão-de-obra nas atividades agrícolas; • o país chegou a produzir 17 milhões de sacas em 1991 tendo posteriormente recuado para produções ao redor de 9 milhões de sacas. A baixa produção levou a um forte desabastecimento de seus mercados, com quebras de contratos por parte de exportadores devido à falta do produto; • diante desse fato, a FNC implantou um programa de renovação que objetiva renovar 300 mil ha ou o equivalente a 35% da área de cultivo, aumento de 41% da produtividade média , das atuais 14,0 para 19,7 sacas/ha. CONSIDERAÇÕES FINAIS - Será preciso manter uma base de preços mais elevadas no longo prazo que garanta o suprimento das grandes torrefadoras mundiais e a expansão contínua da demanda. O café arábica (de mais qualidade que o robusta) é mais difícil de cultivar. Além disto, os cafeeiros arábicas estão em terrenos acidentados, elevada altitude e são mais caros de manter. Os custos de produção no Brasil são competitivos em relação aos demais produtores mundiais de arábica. Há uma tendência de concentração das áreas de produção no eixo MG/BA, aumento das áreas irrigadas, aumento da produtividade média em todas regiões e aumento da mecanização das áreas. A

EM TEMPO CARLOS COGO - CONSULTORIA AGRONÔMICA www.carloscogo.com.br / consultoria@carloscogo.com.br Tel (51) 3248-1117 / Cel (51) 9986-7666

21 JUN / 2011 www.revistadeagronegocios.com.br

VIETNÃ - a área de cultivo e a produção devem crescer 9,4% sem aumento de produtividade até 2020. O consumo interno de café é de apenas 900 mil sacas o que permite gerar elevados excedentes de exportação de 17 a 19 milhões de sacas/anuais até 2020; • é o maior produtor mundial de robusta e o segundo maior exportador de café. A área plantada é de 530 mil ha e a produção atual é de 19 a 20 milhões de sacas de café robusta/ ano, com uma produtividade média de 40 sacas/ha; • tendência de estabilização e de baixa da produtividade no longo prazo devido ao envelhecimento das lavouras e dos tratos culturais com baixa tecnologia; • há grande disponibilidade de mão-de-obra a custo relativamente baixo, se comparado com o Brasil, aliado ao sistema de governo centralizado e à produtividade média superior às dos demais países, implica em custos de produção mais baixos do que os demais grandes produtores mundiais; • o elevado preço do café robusta no mercado internacional deve levar os cafeicultores a investir em plantios de novas áreas, utilizando inclusive áreas menos apropriadas ao cultivo, contrariando as políticas governamentais. As principais vulnerabilidades do setor são as secas, altos preços dos insumos e a baixa qualidade do produto.


CONTABILIDADE RURAL

A importância do planejamento tributário para o produtor rural Liandra Portantiolo Kruger 1 Lizandra Blaas dos Santos 1 e Tracy Correa da Silva 2

A

22 www.revistadeagronegocios.com.br

JUN / 2011

tualmente, no Brasil, existem mais de 80 taxas, impostos e contribuições diferentes. Direta ou indiretamente todos nós somos contribuintes, pois qualquer mercadoria que compramos em um supermercado já está embutido em seu preço os valores referentes à ICMS, PIS e COFINS, variando as porcentagens de acordo com seu estado. Para o Produtor Rural, os principais impostos e contribuições são: 1) - Contribuição ao INSS, popularmente conhecido como Funrural - Trata-se da contribuição ao INSS incidente sobre as vendas, na qual é recolhida mensalmente única e exclusivamente, para custear o sistema da seguridade social (saúde, amparo assistencial e previdência social). Tem percentual e tratamento diferente tanto para quem explora a atividade rural na pessoa física, como para quem explora na pessoa jurídica. 2) - Fundesa/Fesa - O FESA e o FUNDESA tratam-se de contribuições destinadas a promover ações preventivas contra possíveis problemas sanitários, como por exemplo, a febre aftosa e a gripe das aves. Ambas, tem a 1 - Consultoria/Extensão - Pelotas (RS) 2 - Ciências Contábeis - Pelotas (RS)

mesma obrigatoriedade, tendo como única diferença que o FESA é administrado pelo Estado e o FUNDESA por entidades empresariais. O contribuinte pode optar em qual contribuição fará seus recolhimentos, porém é obrigatório o recolhimento para um dos fundos. 3) - CDO - Cooperação e Defesa da Orizicultura - Trata-se de uma taxa estadual devida ao Instituto Rio Grandense incidente sobre o arroz. 4) - ITR - Imposto Territorial Rural - Trata-se do imposto sobre a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel localizado fora da zona urbana do município. É um imposto federal recolhido anualmente aos cofres públicos com base no valor de mercado da terra nua fornecido pelas prefeituras. 5) - IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física - Trata-se de um tributo federal, em que a alíquota é variável e proporcional a renda do contribuinte de acordo com a tabela progressiva fornecida pela receita Federal do Brasil. Vale salientar que o contribuinte que tiver imposto de renda a pagar ou quiser restituir o valor retido durante o ano, deverá apresentar a declaração de ajuste anual no mês de Abril. 6) - Ganho de Capital - Imposto sobre a venda de Imobilizado - Tratase do imposto devido na venda de bens, bem como em permutas com torna, dação em pagamento e outros inclusive na venda de terra nua. O valor do im-

posto incide sobre a diferença entre o valor de aquisição do bem e o valor da alienação. 7) - ITBI - Imposto de Transmissão de Bens Imóveis - É um tributo municipal desvinculado de qual-

Trabalhador temporário poderá ter direito a seguro-desemprego

A

Câmara Federal analisa o Projeto de Lei 271/11, do deputado Ricardo Izar (PV-SP), que inclui como beneficiários do seguro-de-semprego trabalhadores rurais e urbanos com contrato temporário ou por prazo determinado Pela proposta, o número de parcelas do benefício a que o desempregado terá direito dependerá da quantidade de meses trabalhados. Receberá duas parcelas quem esteve empregado por 9 meses nos 12 anteriores ao fim do contrato. Terá direito a três parcelas quem tiver trabalhado por 12 meses nos 18 anteriores. Já quem trabalhou 15 meses nos 24 anteriores ao fim do contrato terá direito a receber quatro parcelas. O período trabalhado não precisa ser contínuo. Para o deputado Ricardo Izar, os trabalhadores com contratos por prazo determinado precisam ter direito ao benefício. “Grande parcela da população brasileira, constituída de trabalhadores rurais, é privada de direitos sociais básicos, situação que se agrava seriamente por ocasião do desemprego”, argumenta. Proposta idêntica (PL 7479/06) havia sido apresentada pelo pai de Izar (ex-deputado Ricardo Izar, morto em 2008). Essa proposta tramita apensada ao PL 3118/04, que aguarda votação na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. A


CONTABILIDADE RURAL quer atividade econômica. Apesar de ser denominado imposto sobre transmissão, a lei permite a cobrança tanto na cessão quanto na transmissão. Logo, para que se possa fazer o registro de um imóvel adquirido, é obrigatório que antes se pague o ITBI. 8) - ITCD - Imposto de Transmissão causa Mortis e Doação - É um imposto estadual devido por toda pessoa física ou jurídica que receber bens ou direitos como herança, diferença de partilha ou doação.

A

Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou no último dia 15 de junho proposta que autoriza o governo a criar os conselhos federal e regionais de Zootecnia Aprovado em agosto de 2007 pela Câmara, o Projeto de Lei 1372/03, do ex-deputado Max Rosenmann, retornou à Casa por ter sido alterado no Senado. Em sua versão original, o texto determinava a criação dos conselhos. Com as mudanças feitas pelos senadores, a proposta agora passa a ser autorizativa, permitindo ao Poder Executivo a instalação desses órgãos. Atualmente, os zootecnistas têm de registrar-se nos conselhos federal e regionais de Medicina Ve-terinária. No entanto, salienta a relatora Andreia Zito, esses órgãos respondem com limitações aos anseios da Zootecnia como categoria profissional. Zito ressaltou ainda que, segundo estimativas, o Brasil tem hoje mais de 20 mil zootecnistas, e mais de 3 mil são graduados ao término de cada ano. “É uma força de trabalho que cresce significativamente em resposta à vocação do Brasil como país de imenso potencial agropecuário”, afirmou. Os conselhos serão autarquias federais, com autonomia financeira e administrava, conforme o projeto. Caberá a eles orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional dos zootecnistas, assim como das empresas relacionadas A

23 JUN / 2011 www.revistadeagronegocios.com.br

Autorizada criação dos Conselhos de Zootecnia

Em se tratando de Reestruturação Tributária, alguns impostos podem ser planejados, como é o caso do Imposto de Renda da Pessoa Física. É importante que o Produtor Rural não deixe para se preocupar somente no final do exercício ou na data da entrega da declaração, pois poderá ficar insatisfeito com o valor a ser pago de imposto. Para que isso não ocorra é que se deve fazer um planejamento tributário, que também pode ser chamado de Elisão Fiscal, onde se tem como objetivo reduzir o pagamento de impostos, o que não pode ser confundido com a Evasão Fiscal, mais conhecido como Sonegação Fiscal. A Sonegação ou Evasão Fiscal é utilizada ilegalmente, pois evitam o pagamento de taxas e impostos. O que também caracteriza a Evasão Fiscal é a omissão de dados e falsas declarações. Já o Planejamento Tributário ou Elisão Fiscal, permite que se diminuam os encargos de forma legal e planejada. Algumas das finalidades do Planejamento Tributário são: a) - Evitar a ocorrência do fato

gerador - Sem o fato gerador, o tributo não é devido, como por exemplo, na Retirada Particular de um dos sócios do negócio, onde o ideal é realizar uma antecipação de lucros e não uma retirada por meio do PróLabore, já que o mesmo gera INSS de 20% e IR Retido na Fonte que pode variar de 7,5% à 27,5%. b) - Reduzir a base de cálculo do tributo - Uma das formas de redução da base de cálculo está em fazer parceria entre dependentes. Exemplo: Na declaração do IR onde o Produtor Rural declara sua esposa como dependente, ele terá somente uma redução por tê-la como dependente, já se ela fosse parceira na atividade rural ele teria uma redução no faturamento de acordo com um percentual estabelecido através de contrato, onde seria mais vantajoso na hora de pagar o IRPF. Vale salientar que se o casal for casado em regime universal de bens, não é necessário o contrato de parceria, sendo que deverá ser declarado 50% para cada um dos cônjuges. c) - Retardar o pagamento do tributo, sem a ocorrência de multa No caso de retardar o pagamento do tributo devido, a contabilidade deverá ser escriturada por meio do regime de caixa, onde podemos efetuar uma venda em um período e recebê-la em outro. Exemplo: Ocorreu uma venda de soja, milho, arroz e gado em dezembro, onde o recebimento será em janeiro do ano subseqüente, a tributação será feita na hora do recebimento, ou seja, no próximo período. A


LEITE

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escalada de preços e a queda na oferta de leite, em função da estiagem, poderão ser agravadas caso a Instrução Normativa 51, que deverá entrar em vigor no dia 1º de julho, seja implantada da forma como está prevista. A estimativa do segmento é que, caso sejam implantadas as novas regras para a produção de leite cerca de 70% dos produtores brasileiros passem a trabalhar na ilegalidade. A nova legislação visa padronizar em nível de qualidade internacional a produção láctea do país, impondo controles sanitários mais rígidos. De acordo com o presidente da CNA - Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e da Comissão de Leite da FAEMG - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, Rodrigo Sant’Anna Alvim, os representantes do segmento estão em negociação com o MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que a normativa passe a ser exigida em julho, porém com valores intermediários que deverão ser ampliados gradualmente. “Não queremos que a data para o início das cobranças baseadas na IN 51 seja prorrogada, porém precisamos dar mais um pouco de tempo para o produtor se adaptar. Uma das soluções seria a cobrança de valores intermediários em relação às células somáticas e a contagem bacteriana, por exemplo”, disse Alvim.

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

Novas regras da IN-51 começam a valer em julho e gera preocupação no setor

Seja qual for o tamanho da sua propriedade, existe um modelo de tanque de expansão que atende a sua necessidade.

Para Alvim, a IN 51 é uma preocupação para o setor, já que poderá comprometer cerca de 70% dos produtores de leite brasileiros. As exigências que serão impostas aos produtores são equivalentes às regras internacionais vigentes em grandes países produtores de leite, como no Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e na Europa. A diferença, segundo Alvim, é que nas localidades citadas as regras começaram a ser criadas há mais de 30 anos e, ao longo deste período, foram feitas várias alterações até chegar ao padrão atual. No Brasil, o programa de melhoramento do leite foi criado em 2002, com parte das regras passando a valer em 2005. “A situação é preocupante porque nos distraímos um pouco quando a IN 51 foi criada em 2002 e permitimos que fossem estabelecidos limiCom as novas regras da IN 51, o uso de tambores para armazenamen- tes em seis anos, to de leite nas propriedades não mais existirá. e esses limites

são extremamente audaciosos. Só para ter ideia os países mais adiantados como EUA, Canadá, países europeus e a Nova Zelândia possuem entre 30 e 50 anos programas de melhoria do leite e o Brasil que estabelecer padrão igual em seis anos”, disse Alvim. “Devemos ter maturidade, calma e segurança do que estamos fazendo e propor medidas factíveis com a realidade brasileira que é diferente dos outros países. Estamos em um país tropical com temperaturas elevadas e onde é difícil manter um produto de qualidade equivalente ao da Europa e Canadá, por exemplo, que têm temperaturas abaixo de 30 graus”, disse Alvim. De acordo com Alvim, com um prazo maior para se adaptar e com assistência técnica adequada em campo, os produtores mineiros e do país conseguirão se adaptar às novas exigências. “É preciso produzir com técnica para ter qualidade, e para o produtor ter acesso às informações é necessário a presença e o auxilio de pessoas capacitadas para adaptar e acompanhar a produção fazendo com que o produtor rural passe a ser um empresário com capacidade de gerir a propriedade como um negócio”, argumentou. (FONTE: Diário do Comércio/MilkPoint). A


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Tanque de expansão e ordenhadeira são equipamentos necessários para a melhoria da atividade e da qualidade do leite produzido.

produção? Pelo contrário! Se ele fizer as contas, compreenderá que ele vai ganhar ao invés de perder dinheiro com a modernização”, explica Luisinho, como é conhecido. O QUE DIZ A NOVA REGRA - Pela norma, a partir de 1º de julho, o leite das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste poderá ter contagem bacteriana total (CBT) de até 100 mil UFC (unidade formadora de colônias) por mililitro para tanques individuais e 300 mil UFC/ml para tanques coletivos. Já a contagem de células somáticas (CCS) passaria de 750 mil para 400 mil/ml. A mesma norma valeria para as regiões Norte e Nordeste a partir de 1º de julho de 2012. Para se ter uma idéia, pelos padrões europeus, a CCS seria de 100 mil/ml e a CBT de 70 mil UFC/ ml. O setor lácteo solicita

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ara o empresário e pecuarista de leite Luis Antônio da Silva, diretor da LWS Equipamentos para Refrigeração, de Franca (SP), os novos parâmetros da Instrução Normativa 51 vieram mais para fortalecer a atividade do que para dificultar a vida do pecuarista de leite. Segundo ele, o grande problema das novas regras estão mais na falta de orientação técnica voltado ao produtor rural do que a “falta de preparo” dos mesmos. “Compreendo a preocupação dos laticínios, dos empresários, dos representantes da classe e dos técnicos do setor. Sei que a qualidade do leite produzido atualmente em praticamente todo o país é inferior aos padrões que a IN 51 vão exigir a partir de julho. Mas eu pergunto: o investimento necessário para que o pecuarista esteja adequado para as novas regras é tão alto assim que inviabilizará sua

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

Pagamento por qualidade e modernização de equipamentos trazem maior retorno financeiro


que ambos os níveis - CBT e CCS sejam diminuídos para 600 mil/ml e que um período de transição seja estabelecido para que sejam alcançados os patamares exigidos pela IN 51. Se a regra for aplicada como está agora o produtor que deixar de cumpri-la não poderá vender a produção para a indústria, que é obrigada a seguir a IN, editada em 2002.

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GANHAR DINHEIRO INVESTINDO - Para o empresário Luis Antonio da Silva, o pecuarista só conseguirá adequar a qualidade do leite se investir em equipamentos e colocar em práticas técnicas adequadas de higiene na ordenha. “É coisa simples. Com o pagamento por qualidade que a grande maioria dos laticínios estão praticando, bem como as linhas de financiamento oferecidas atualmente pelo governo federal (veja box abaixo), o produtor de leite tem mais a ganhar do que perder com a modernização”, diz

O uso de ordenhadeiras aumentam a produção de leite na propriedade.

O Banco do Brasil oferece linhas de crédito como o PRONAMP Investimento em que o pecuarista tem até 8 anos para pagar e 3 anos de carência e o PRONAF MAIS ALIMENTOS, com crédito de até R$ 130 mil, com juros de 2% ao ano e prazo de até 10 anos para pagar e carência de até 3 anos. “Além disto, o produtor pode receber do laticínio até 5% a mais por litro no preço do leite entregue resfriado. Vamos dar um exemplo: se ele tirar 200 litros de leite por dia, ele pagaria mensalmente apenas R$ 93,00 pela aquisição do tanque de resfriamento e da ordenhadeira e sobrariam mais de R$ 200,00 por mês. Não podemos esquecer os 3 anos de carência. Ele está perdendo ou ganhando com o investimento?” analisa Luisinho. Além desta questão financeira – que é a principal em todas as atividades –, a aquisição de tanque de res-

PRONAMP INVESTIMENTO BENEFICIÁRIOS • Produtor rural que atenda cumulativamente aos seguintes requisitos: a) - seja proprietário, posseiro, arrendatário ou parceiro; b) - tenha, no mínimo, 80% de sua renda originária da atividade agropecuária; c) - possua renda bruta anual de até R$ 500 mil por participante, com aplicação do rebate de 40% da renda proveniente da pecuária leiteira VALOR FINANCIADO • Até R$ 200 mil por beneficiário, por ano agrícola; • Empreendimento coletivo: de acordo com o número de beneficiários, respeitado o teto individual por participante e limitado a 10 mutuários; ITENS FINANCIÁVEIS • Itens de investimento fixos e semifixos necessários ao desenvolvimento das atividades agrícolas ou pecuárias.

friamento e da ordenhadeira contribui ainda para outros fatores que o pecuarista não está observando. Os equipamentos reduzem o tempo de ordenha, reduzem os custos com mão-de-obra, eliminam o pagamento de horas extras ou adicionais aos funcionários. Outro fator interessante é a redução do preço do frete do transporte. “Ressalto ainda outras coisas. Acaba aquela preocupação que o pecuarista tem de levantar muito cedo para tirar o leite, com medo do caminhão passar e ele perder o leite. Sem falar que o emprego da ordenhadeira aumenta, no mínimo, 10% da produção de leite. Tudo isto vem a beneficiar a atividade”, lembra. Outro grande problema levantado pelo empresário na atividade leiteira é o desperdício financeiro na construção das salas de ordenha. “É um absurdo o que eu encontro no dia-a-dia. Em minha propriedade em Carmo do Rio Claro (MG), que utilizo como modelo para mostrar aos outros pecuaristas da região, minha sala de ordenha tem 36 metros quadrados e ordenho com facilidade os animais. Porém, grande parte das salas de ordenha que encontro nas propriedades que visito tem mais de 150 metros quadrados. Ou seja, estão jogando di-nheiro fora”, orienta A construção da sala de ordenha e a aquisição de animais também são financiados pelas linhas governamentais, com os mesmos prazos de financiamento e de carência. “Com isto, o pecuarista tem tempo e condições financeiras para planejar a sua atividade. Por exemplo. Se ele pre-

FOTO: Revista Attalea Agronegócios

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LIMITE DE FINANCIAMENTO • Até 100% do valor da proposta, desde que as parcelas de reposição do crédito não excedam a 70% da capacidade de pagamdnto apurada. PRAZO • Até 8 anos, com carência limitada a 3 anos. ENCARGOS • 6,25% ao ano.

Sala de ordenha de 35 metros quadrados, na Estância 21, em Carmo do Rio Claro (MG)


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LEITE FOTO: Revista Attalea Agronegócios

assunto. “A propriedade tende comprar uma vaca que produz leite precisa com boa produção diária ter água de boa qualidade, (atualmente em torno de tanto na captação quanto R$ 4 mil), ao prazo dos 3 no acondicionamento anos da carência, ele pode da mesma. Também é ter até 3 bezerras, vai ficar necessário higienização com a vaca, pagando apenas correta dos equipamenpelo seu custo. Se analisar tos, principalmente nas direito, o custo dos equipaborrachas onde passam o mentos (tanque de expansão leite. Existem técnicas e e ordenhadeira) será pago produtos específicos para quase que exclusivamente esta higienização. Não escom a produção de leite quecer jamais que as bordeste animal”, finaliza. rachas - como qualquer Se o pecuarista analisar equipamento - também por este lado, ele entenderá tem vida útil, sendo neque não está tirando nada cessário trocá-las pelo do bolso para atender a nova menos a cada 6 meses ou legislação. Pelo contrário. Ele está sim investindo em A higiene da ordenha é essencial para que a qualidade do leite produ- 2.800 ordenhas. Não é que as borrachas se danisua atividade e com retorno zido atendas as novas regras da IN 51. DE LEITE - Superada esta questão da fiquem. Tem inúmeros casos aí de progarantido. O empresário lembra, contudo, aquisição de equipamentos visando priedades com teteiras com mais de 3 que o grande problema para se obter produzir leite que atenda as novas re- anos de uso. Em compensação, o índice financiamentos federais atualmente é gras da IN 51, o pecuarista precisa en- de mastite é elevadíssimo e o criador que os produrores rurais não estão com tender também que outros fatores in- afirma não saber como resolver. A oros documentos da propriedade regu- terferem diretamente na qualidade do denhadeira deve ser higienizada da mesma forma que o prato que você larizados. “Isto compromete a obten- leite produzido. Segundo Luis Antonio da Silva, o come. Só assim consegue-se reduzir os ção do crédito”, orienta. produtor de leite precisa sempre bus- índices de mastites e produzir leite que A HIGIENE NA PRODUÇÃO car orientação de quem entende do atendam a legislação”, finaliza Luis. A

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artigo

Como o setor sucro-alcooleiro vai gerar lucro ficando sustentável? Jean Baptiste de Vevey - ONG Sucre-Ethique na Suiça. começaram de procurar uma alternativa ao Bisphenol-A. Quem você acha que ganhou ao final? Claro que foi a empresa que não esperou a lei por mudar, mas a que entendeu as consequências do produto e os desejos dos consumidores! Além disso, para ilustrar meu argumento, podemos tomar o exemplo da Toyota, que entendeu há muitos anos atrás que os consumidores queriam carros pequenos, ecológicos e econômicos. Neste mesmo tempo, a indústria de Detroit se concentrava em fazer SUV’s e colocar o Hummer no mercado! Deixe ir embora os pressupostos e olhe pelos fatos! A noção de que um melhor desempenho ambiental reduz os lucros é errado. Não temos que concentrarmos no lucro. Por outro lado, quantas pessoas pensam que a única razão do negócio é gerar lucro? Talvez a maioria? Mas será que isso é realmente o seu caso? Será que o único objetivo de sua companhia é o de pagar os salários dos empregados, de pagar as despesas? Na verdade, tenho certeza que não é! A pergunta chave é o de saber realmente por que sua empresa está nesse mercado? Tenho certeza que quase ninguém vai me responder: “Estou aqui só pelo dinheiro”! Sua empresa vai muito além disso! Sua empresa está aqui por entender os consumidores, oferecer o que eles precisam e de fidelizá-los! Por isso, tem que ouvi-los e nunca deixar de inovar! Se você não quer colocar objetivos muito altos, você pode ter a certeza de que seus competidores vão fazer por você! Ao final o maior ator não é o acionista, mas os consumidores! Sem consumidores não tem mais lucros e ainda menos negócios! Negócios estão aqui para servir nossas necessidades e temos que guardar isso no padrão de nossa empresa! Assim, não tenho dúvida que o setor sucro-alcooleiro brasileiro será bemsucedido! A

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maioria das pessoas pensam que o meio ambiente tem um custo e que tem que sacrificar o lucro para não comprometer o meio ambiente. Eu acho que esse tipo de raciocínio é antigo e completamente ultrapassado! O desempenho ambiental não é apenas uma idéia ótima, mas pode ser também seu novo USP. - Unique Selling Proposition; é o que vai diferenciar dos seus concorrentes. Na verdade, donos, acionistas e consumidores vão se tornar impacientes! Também os managers vão ficar felizes de saber do retorno atrativo que vai vir do desempenho ambiental e social! Seu desempenho ambiental vai influenciar os consumidores e também seus acionistas! Investidores, ambos individuais ou grandes investidores institucionais, promovem empresas e fundos que refletam seus valores! Por exemplo, nos Estados Unidos, Investimento Social Responsável (SRI) cresceram de US$ 639 bilhões de em 1995 até US$ 2,71 trilhões de em 2007! E para fazer partes desses “assets” agora, os empresários tem que provar aos investidores que você pode maximizar retornos, ambos financeiros e sustentáveis! Na verdade, tem muitas tendências que mostram a necessidade por negócios sustentáveis! Por exemplo, as mudanças do clima, aumento da população mundial, a perda de biodiversidade, a perspectiva do fim do petróleo, etc… Todas esses tendências estão mudando rapidamente e isso está complicando o mundo dos negócios. Ser sustentável pode ser um bom ponto para dar uma resposta à esta incerteza! Se você não quer tentar seguir esta tendência, você pode ter a certeza que seus competitores vao segui-la. Como a informação está sempre

mais transparente para os consumidores, investidores e reguladores, temse novas expectativas para que o negócio torne-se sustentável. Estamos atingindo um novo tiping-point - “fato-mudança”, que vai fazer mudar completamente um jeito de pensar, de comprar. Grandes oportunidades estão chegando pelo mundo do negócio para as empresas que vão fornecer alternativas sustentáveis, energias limpas, boas práticas, energias alternativas… Também outros tipos de oportunidades podem surgir e novos tipos de fontes podem estar disponíveis. Isso é o exemplo da Rússia, que vai conseguir um maior acesso a seu petróleo e vai aumentar sua superfície de terras cultiváveis. Tudo isso por causa - ou graças - ao aquecimento climático! Acho que esse exemplo pode ser muito bem aplicado ao setor sucro-alcooleiro brasileiro para conseguir mais vantagens sobre seus concorrentes, que não são só as energias fósseis mas também qualquer tipo de energia que é sustentável no mercardo mundial! Mas tem que agir hoje. É importante e essencial não esperar alterações nas leis ou normas, mas começar a inovar o mais rapidamente possível, por ser o líder e deixar os competitores perderem dinheiro em lobbying e avogados! Claro que temos que trabalhar juntos com a legislação vigente. Isso é um fato, óbvio, mas não devemos deixar as regulações serem nossos objetivos e planejar com elas, porém de ver mais longe disso! É a hora de entender as forças que tem atrás dessas regulações, leis, movimentos da parte civil. Por exemplo, na epoca do Bisphenol-A já existiam estudos sobre o prejuízo que podia causar aos recémnascidos. Mas não tinha lei! Teve dois tipos de empresas. As que só fizeram reclamar e tentar esconder o que estava quase conhecido de todos. E as que entenderam rapidamente o problema, que baniram-no e


FOTOS: Divulgação Chevrolet

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Pickup Chevrolet Montana: pronta para o trabalho e lazer

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ançada no final do ano passado, a Nova Montana chegou repleta de novidades. Desde o design diferenciado, que mescla linhas belas e robustas – que passam a sensação da picape ser maior que todas as suas concorrentes, ficando entre uma picape pequena e uma média – até a maior capacidade de carga da categoria: 758 quilos. A Nova Montana - segundo modelo da “Família Viva” – que inclui o Chevrolet Agile, novo referencial no segmento dos hatchs compactos - é comercializada em duas versões, a LS e a Sport, cada uma delas voltada para um tipo de utilização: trabalho e lazer. Possui um design que transmite ainda mais robustez e força, graças às suas linhas mais dinâmicas e fluídas. A frente segue o padrão global da Chevrolet, com a grade do radiador secionada e faróis com um estilo único. A superfície lateral desprende-se, mais larga do parachoque dianteiro, envolvendo o side step (degrau lateral) – lembrando as picapes Heavy Duty americanas – até chegar às lanternas, enquanto a tampa traseira tem um pequeno desnível na parte superior, projetado para melhorar a visibilidade. “A nova Chevrolet Montana é um veículo para consumidores que buscam design diferenciado e capaz de combinar simultaneamente robustez e conforto”, observa Denise Johnson, presidente da General Motors do Brasil. “Além disso, a Nova Montana herdou do Agile características únicas, como a ótima posição de dirigir e diversos recursos de série”, salienta. Ela destaca ainda o grande espaço interno da cabine, inclusive para a bagagem atrás dos bancos e ainda a caçamba, com a maior capacidade de carga do segmento. Mas, além do visual diferenciado e das qualidades mecânicas, a Nova Montana inova mais uma vez no seg-

PAINEL DE INSTRUMENTOS

mento. Depois de ter sido pioneira na introdução do side step – degrau que facilita o acesso a caçamba e que foi amplamente copiado pela concorrência – a Nova Montana chega com um pacote de tecnologias exclusivas para o segmento, como piloto automático, computador de bordo, ar-condicionado com display digital e sensor crepuscular, elevando a oferta de equipamentos a um nível nunca antes atingido por nenhuma de suas concorrentes. A Montana LS é a versão voltada para o trabalho e para o transporte de cargas. Robusta, ela tem uma nova suspensão traseira, com um projeto totalmente novo. Com molas e amortecedores especialmente desenvolvidos a LS oferece a maior capacidade de carga do segmento, 758 quilos, a serem distribuídos em uma caçamba de 1.100 litros (1.180 sem o protetor de caçamba). Já a versão Sport, pelas suas características, é mais esportiva e voltada para o lazer. Em outras palavras: tem o conforto necessário para o dia a dia, encara até uma aventura urbana e tem a competência para os finais de semana no campo ou na praia, carregada ou não. Ambas as versões são equipadas com o eficiente motor 1.4 Econo.Flex, que possui um novo sistema de gerenciamento eletrônico totalmente desenvolvido pela General Motors no Brasil. Este motor gera 102 cv a 6.000 rpm e 13,5 kgf.m a 3.200 rpm quando abastecido com etanole 97 cv e 13,2 kgf.m a 3.200 rpm, com gasolina. É o motor 1.4 aspirado mais potente do mercado brasileiro. A picape da Chevrolet não é imponente apenas pelo visual robusto. Ela é a maior picape da categoria, com 4,51 metros de comprimento, 1,70 metro de largura e 1,58 metro de altura. Sua frente segue o mesmo padrão global da Chevrolet, com a grade do radiador como um elemento trapezoidal secionada por uma barra, onde é aplicada a gra-

DETALHE PORTA-OBJETOS


FOTOS: Divulgação Chevrolet

VEÍCULOS

FARÓIS TRASEIROS

se em consideração o consumidor jovem e aventureiro, que concilia sua agitada vida urbana com viagens para a praia e para o capo nos dias de folga. Internamente, a Nova Montana tem um diferencial importante em relação às demais picapes do segmento: posição elevada de dirigir, graças ao ponto “H” mais alto. “Para uma picape isso é fundamental, uma vez que aumenta a visibilidade dianteira e traseira”, ressalta Carlos Barba. Esta posição de dirigir e a frente mais alta dão uma percepção de se trata de um modelo posicionado entre uma picape compacta e uma média. A picape da Chevrolet também apresenta a nova tecnologia “embossed” dos bancos da cabine. Trata-se de uma gravação em baixo relevo para os tecidos, dando um aspecto mais aconchegante ao habitáculo. Essa tecnologia de confecção dos assentos traz mais “conforto visual”, requinte no acabamento e sofisticação, uma vez que dá uma visão tridimensional aos bancos. Na categoria das picapes compactas, nenhum outro veículo possui esse recurso de design de A interiores.

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vata dourada, símbolo da marca. A superfície lateral se desprende mais larga do parachoque dianteiro, envolvendo o side step (degrau lateral) até chegar às lanternas. Estas, por sinal, são verticais e possuem um desenho diferenciado, que dão percepção de que a picape cresceu na parte traseira. Como os faróis, as lanternas tiveram um tratamento especial denominado “Efeito Jóia”, ou seja, as peças são mais brilhantes e oferecem uma iluminação mais eficiente. O teto da Nova Montana tem um detalhe de design bastante interessante e que complementa o visual da cabine. Trata-se de uma elevação, que começa alguns centímetros após a junção do teto com o parabrisa e vai até a parte traseira da cabine encontrando-se com o brake-light (terceira luz de freio). Outro detalhe é o rack de teto, item de série para a versão Sport. A caçamba – uma das maiores da categoria, com 1.100 litros de capacidade (1.180 sem o protetor de caçamba) – possui uma iluminação direcional, graças ao brake-light , fixada na parte superior da cabine. Já a tampa traseira da Nova Montana tem um pequeno desnível na parte superior, projetado para melhorar a visibilidade traseira. Segundo Carlos Barba, esse sistema ainda melhora as operações de carga/descarga quando a caçamba está fechada. O parachoque traseiro do modelo é feito em chapa de aço – a Nova Montana é a única picape de sua categoria que utiliza este material -, tornando-se mais resistente quando alguma pessoa precisa pisar neste compartimento para subir na caçamba e colocar ou retirar alguma carga. E para ajudar, ainda há um degrau traseiro que, além de compor o design, tem uma função muito importante também para facilitar o acesso à caçamba. A nova picape terá uma cor externa exclusiva: o verde Jásper, disponível para ambas as versões. Trata-se de uma cor inspirada na natureza e em equipamentos esportivos e foi desenvolvida levando-

TETO e BRAKE LIGHT


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Edição 58 - Revista de Agronegócios - Junho/2011  

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