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Imobiliária e Investimentos • Região Oeste • Especial Saúde • Madeira

HORTIPOR

“SEMPRE QUISEMOS SER UMA EMPRESA DIFERENCIADORA”


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Imobiliária e Investimentos • Região Oeste • Especial Saúde • Madeira

W RESIDENCES ALGARVE

MERGULHE, VIVA

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NOV65/05/2019

Usamos a ciência inovadora e tecnologias digitais para endereçar alguns dos problemas de saúde mais desafiadores da sociedade. Investigamos e desenvolvemos tratamentos inovadores e procuramos novas formas de os fazer chegar a tantas pessoas quanto possível. Tudo para melhorar e prolongar a vida das pessoas.


ÍNDICE

EDITORIAL Caros leitores,

Outubro 2019

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EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DE CABO VERDE

RELAÇÕES BILATERAIS PORTUGAL CABO VERDE

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REGIÃO OESTE 11 GRUPO VALOURO Uma empresa de referência de Portugal para o mundo!

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IMOBILIÁRIA E INVESTIMENTOS 35 W RESIDENCES ALGARVE O mais recente empreendimento da marca no Algarve 40 CARVOEIRO CLUBE GROUP Uma coleção de experiências espera por si

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ESPECIAL SAÚDE 76 DIA MUNDIAL DA VISÃO Importância da Prevenção e da Consulta Periódica em Oftalmologia J. Salgado-Borges 80 MÊS DE PREVENÇÃO DO CANCRO DA MAMA Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro

96

MADEIRA 98 PEREIRA D'OLIVEIRA (VINHOS), LDA Há mais de 100 anos a produzir Vinho Madeira de excelente qualidade

Portugal é um país rico. Esta riqueza não se prende apenas com aspetos económicos, mas também com o lado humano com que abraçamos e acarinhamos quem nos visita e investe no nosso país, tal como comprovamos nesta edição da Revista Business Portugal. Os investimentos surgem de toda a parte e, muitas vezes, desconhecemos os que são impulsionados por cidadãos lusos, que se empenham e desdobram para fazer crescer os seus negócios. A Hortipor, na região Oeste, é um exemplo de perseverança e sucesso que deu o mote a esta nova edição. Por outro lado, o SIL - Salão Imobiliário de Lisboa é a prova nítida de que Portugal é cada vez mais interessante para os investidores estrangeiros. A W Residences Algarve é um desses exemplos. Investe em Portugal, mais propriamente, na região algarvia e anuncia que, em 2020, irão inaugurar um novo empreendimento da marca W. Percorrendo o país, de norte a sul, apresentamos empresas que continuam a vingar nas áreas das tecnologias, inovação e criatividade, tal como vos apresentamos no tema Portugal Criativo, a de exceção, a originalidade e o sucesso, também no feminino. Fomos visitar a Madeira. Por entre as lindas paisagens que abraçam o olhar, encontrámos empresários que nos recebem de braços abertos e apresentam os melhores produtos, de comer e chorar por mais. Em suma, percorremos o país para lhe mostrar como correm os negócios no sue país. Desejo-lhe uma excelente leitura! Ana Miguel Lopes Editora

FICHA TÉCNICA Editor/Propriedade: Guidetarget, Lda | Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4, 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 NIPC: 509 457 045 Conselho de Administração: Fernando Silva Participações sociais Fernando Silva (+5%) Diretor: Fernando Silva Direção Editorial: Ana Miguel Lopes (ana.lopes@revistabusinessportugal.pt) Direção Gráfica: Ana Costa (ana.costa@revistabusinessportugal.pt) Corpo Redatorial: Laura Azevedo, Sara Oliveira, Diana Correia, Raquel Caldas, Rita Garcia, Constança Moreira Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) Dep. Comercial: Fernando Lopes, José Luís Basto, José Machado, Luís Pinto, Luís Silva, Vera Pinho (geral@revistabusinessportugal.pt) Sede da redação: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4, 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 Distribuição: Gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID Depósito Legal: 374969/14 Nº Registo ERC 126515 Impressão: YellowMaster | Avenida João Azevedo Coutinho nº643, 2755-101 Parede Estatuto Editorial: Disponível em www. revistabusinessportugal.pt/estatuto-editorial Periodicidade: Mensal outubro 2019

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HORTIPOR

“SEMPRE QUISEMOS SER UMA EMPRESA DIFERENCIADORA” A Hortipor, empresa familiar dedicada à produção de tomate, foi fundada em 2001. Desde então, tem vindo a evoluir e a destacar-se no mercado convencional e, nos últimos tempos, também no biológico. Telmo Rodrigues, proprietário da Hortipor, esteve à conversa com a Revista Business e expôs as principais razões do sucesso da empresa.

F

oi em Torres Vedras que a Hortipor deu início à sua atividade, mas, com o elevado crescimento do negócio, a área de produção acabou por se estender à costa alentejana e Espanha. Atualmente, a produção é assegurada durante o ano inteiro por 70 hectares de estufas, principalmente devido ao know-how de Telmo Rodrigues que lhe permite aproveitar as particularidades do nosso clima.

Evolução e oportunidades Num piscar de olhos, a Hortipor afirmou-se no mercado. Apenas um ano depois de ser fundada, começou a trabalhar diretamente com cadeias de supermercados. Há mais de uma década que as cadeias de supermercados continuam a ser os maiores clientes da Hortipor em Portugal e Espanha. “Em 2006 foi quando começámos a lançar-nos na exportação”. Estendeu-se à Europa e começou, assim, uma rota de exportação para a indústria de quinta gama lançada para países como Espanha, França e Alemanha. Com a subida das vendas, foi necessário aumentar a área de produção e nesse seguimento surgiram as primeiras estufas em Odemira. “Elegemos o concelho de Odemira para crescer. Tem o melhor microclima da Europa para produzir produtos hortícolas e frutícolas. Os tomates aí produzidos têm um sabor muito diferenciador e conseguimos produzir 12 meses por ano. Hoje, com os mecanismos que temos, como os sistemas de rega computorizados e a tecnologia, podemos tirar partido de qualquer tipo de solo, e aumentar a eficiência no uso de água e nutrientes, mas a principal vantagem é o clima, a luz e as temperaturas excelentes. De facto, o sabor do tomate fica diferente”. Já em 2014, a Hortipor conseguiu agarrar um projeto de destaque, projetado por um dos melhores especialistas na venda a supermercados e exportação a mercados europeus, que consistiu na criação de uma empresa comercializadora em Espanha, onde a Hortipor participa em 41 por cento do capital. “Fizemos esta

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Eugénia e Telmo Rodrigues, administradores

parceria e neste momento estamos a produzir e a embalar para os supermercados em Espanha diretamente desde Portugal. Estamos a fazer as marcas Premium dos principais supermercados no país vizinho. Isso foi também um trabalho reconhecido pela nossa qualidade e serviço ao cliente, conseguimos colher, embalar e entregar tomate de alta qualidade, em qualquer parte de Espanha, em menos de 24 horas”. A Hortipor tem um volume de negócios consolidado de 23 milhões de Euros, e exporta 70 por cento desse valor. Até aqui, o progresso era notável, mas continuou. A primeira aventura em agricultura biológica surge em 2016, no Alentejo. “Fizemos a primeira estufa de agricultura biológica, uma área de negócio que pretendemos expandir. O nosso objetivo é o de fazer as coisas de uma forma muito profissional e cultivar variedades de tomate com sabor”. E uma vez que a quantidade de água, o clima, a vegetação e os insetos são fatores que influenciam a produção, o Alentejo foi, mais uma vez, a região eleita. Para além da produção das melhores variedades de tomate, Telmo Rodrigues tem a preocupação de fazer chegar o seu produto à mesa de cada casa. O mercado português foi sempre uma aposta ganha, através dos grandes grupos de hipermercados. A partir deste trabalho qualitativo, a Hortipor cresceu e obteve a primeira certificação Global GAP, em 2005. Atualmente, a empresa é certificada em Global Gap, BRC, Clube de Produtores Sonae, Vida Auchan e membro da United Nations Global Compact.


HORTIPOR

Produção biológica e Resíduo Zero Está na moda falar dos produtos da terra, produtos virgens, produtos do “bem” que vem dar um novo significado ao conceito de alimentação saudável. Nos últimos anos muitos têm sido os debates mediáticos sobre a adulteração dos alimentos, sejam eles animais ou vegetais, que consumimos em casa. Será o aspeto importante? Será que sabemos o que estamos a comer? Pois, em resposta a estas perguntas, o proprietário explica que “mesmo em agricultura convencional a primeira opção é sempre o recurso à solução biológica”. Apoiando a sua produção nas estufas, sente-se na obrigação de desmistificar o uso dos pesticidas nas estufas. “As pessoas têm a ideia de que um produto cultivado em estufas leva necessariamente mais pesticidas, mas é precisamente o contrário. O cultivo em estufa, não é mais que um cultivo protegido, menos vulnerável a ataques de pragas e doenças, e mais protegido das agressões climatéricas, comparativamente com a produção ao ar livre, que está muito mais vulnerável a essas situações”. Em 2016 arrancou um novo projeto: a produção de tomate em Modo de Produção Biológico. “O objetivo é o de fazermos esta produção de forma muito profissional, utilizando as melhores variedades do mercado, tanto em aspeto como em sabor, mesmo comprometendo a quantidade de produção, e o nosso país tem excelentes condições para produzir este tipo de variedades. É um mercado promissor, que vai crescer muito rapidamente.” Contudo, a oportunidade que viria a impulsionar a produção de tomate biológico em Portugal ocorreu no ano passado. Com a aquisição da Horticilha, empresa em Alcochete que já se dedicava à cultura biológica, a Hortipor aumentou significativamente a

capacidade (produção biológica). “Foi um aumento de 17 hectares de produção de alta tecnologia. Estufas em vidro, com aquecimento e sistema computorizado. São as chamadas estufas HighTech”. A estratégia era simples e começou com forte aposta no nosso mercado, uma vez que, em Portugal, o tomate biológico encontrado é praticamente todo importado. “Já temos uma marca criada, que se chama GooMato. O nosso objetivo é fazer o biológico de uma forma mais profissional. Vamos oferecer aos clientes um tomate três B’s: Bom, Bonito e Biológico.” Para além da gama biológica, há outros métodos que também chamam a atenção. A pedido de clientes em Espanha, foi também adotada a linha de produtos “Resíduo Zero”. “Nós garantimos que os produtos têm Zero pesticidas (acima dos valores quantificáveis). Depois de um ano completo a seguir e a vender este ideal para Espanha, a Hortipor, conseguiu alcançar um determinado nível de experiência e confiança em relação a este ideal. “Levamos um ano completo com algumas referências com esse trabalho, nomeadamente com as marcas Carrefour e Auchan”. E depois de Espanha, é altura de avançar “em Portugal também, a partir de algumas cadeias de supermercados, que já nos solicitaram para produzir Resíduo Zero”. “Sempre quisemos ser uma empresa diferenciadora, por isso, quando os outros nos copiam, nós evoluímos e fazemos algo diferente. Ser mais um? Há tantos”. Produtos diferenciadores e produzidos de forma excecional são as principais preocupações de Telmo Rodrigues. A guerra de preços e especulação não entra na lista. “Ser mais um é ser mais barato do que outro… e o outro ser mais barato que outro... Não é isso que nos interessa”, esclarece.

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Variedades e exclusividade de produtos Já lá vai o tempo em que o tomate de salada era o mais procurado. A par e passo com o mundo, foram introduzindo novas variedades de diferentes tamanhos, cores, sabores e texturas, e algumas delas produzidas e comercializadas em regime de exclusividade. Por ano, são ensaiadas entre 50 a 70 novas variedades, umas comerciais e outras pré comerciais, onde são analisadas as resistências das plantas, adaptação á região de produção e épocas do ano, o sabor, a produtividade, vida pós-colheita, o potencial de introdução no mercado….. e por fim a apresentação aos clientes, sua aprovação e introdução no mercado. “Neste momento, “temos mais de 20 variedades de tomate e há sempre umas que se distinguem mais, tais como Tomate Cherry Sweet, Tomate Tasty, Kumato, Mini Kumato, mais recentemente o Tomate Púrpura e o Bombom”, entre outras que fazem da Hortipor uma empresa distinta e que se destaca. A variedade Tomate Cherry Sweet, produzida exclusivamente no Litoral Alentejano, brilha com o seu toque doce frutado, formato arredondado de pequenas dimensões, tal como uma cereja, porém, é distinto do habitual tomate cereja, pela sensação de explosão de sabor e textura crocante, que lhe valeu duas estrelas no Great Taste Awards. “É um tomate com muito boa cor, excelente sabor e é visualmente atrativo.” Na Península Ibérica, a Hortipor é a única a produzir esta variedade de tomate com “um sabor frutado”. O Tomate Tasty, detentor também de duas estrelas no Great Taste Awards, surge, tal como o nome indica, no segmento do sabor. É um fruto redondo ligeiramente sulcado, suculento, textura muito suave, doce e acidez equilibrada. “É aparentemente normal e a sua particularidade é o sabor. O próprio interior tem uma cor diferente”. A linha Kumato, que este ano também foi premiada com duas estrelas no Great Taste Awards, e Mini Kumato são variedades reconhecidas em toda a Europa. Para além da cor, que varia entre o verde dourado e o castanho escuro, sendo esse o seu aspeto natural, distinguem-se das outras variedades por serem mais doces e terem notas ligeiramente ácidas, que contrastam e produzem uma sensação única e bem definida. “Temos as duas versões em biológico desta linha”. Há ainda o Tomate Mini Chucha, apelidado de tomate bombom, devido ao seu sabor. “Foi até um nome sugerido por um dos nossos clientes em Espanha, porque realmente estamos a comer aquele tomate e parece que estamos a comer bombons. A variedade que usamos difere muitos das convencionais pelo seu excelente sabor, e é exclusiva da Hortipor”. Por sua vez, o Tomate Púrpura é um tomate com uma nova cor, púrpura, e um sabor surpreendente, com um perfeito equilíbrio agridoce, potenciado graças ao sabor Umami, saboroso e exótico. É também um tomate rico em Antocianinas totais. No fundo, já estamos a produzir e vender saúde. Mas estamos a falar de volumes pequenos para o mercado gourmet, porque é um produto muito caro e muito diferente dos outros tomates. Todo o trabalho realizado no desenvolvimento e introdução de novas variedades e embalagens mais sustentáveis, e os resultados obtidos nos últimos anos, valeram um Prémio Inovação e duas Menções Honrosas, atribuídas pelos clientes à Hortipor.

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HORTIPOR

Próximos desafios Dezenas de hectares de área sustentam a manutenção da Hortipor. São 70 hectares de área coberta – estufas –, dos quais 50 têm aquecimento. E não há margem para desperdícios. Em grande parte, a energia utilizada varia entre biomassa e gás natural, mas todo o CO2 da combustão é reutilizado para melhorar a fotossíntese. Daqui em diante, a Hortipor promete continuar a evoluir como tem feito ao longo destes 18 anos de existência, tornando-se uma empresa maior e melhor. “As melhores variedades que existem na Europa, os mais convencionais, nós já os produzimos em biológico”. Portanto, continuar a liderar o mercado é o conceito principal e parar não é opção. Há ideias lançadas e as novidades irão surgir. Os próximos objetivos são aumentar a área de produção na unidade espanhola, onde dispõe de 22 hectares de terra de muito boa qualidade e água, numa região onde o clima é fantástico, dispondo de muita luz natural no inverno e temperaturas amenas, para produção de tomate nomeadamente, de inverno. “Em Portugal, no inicio do próximo ano vamos avançar com um novo projeto de instalação de 10 hectares de estufas de alta tecnologia, para produzir em Modo de Produção Biológico e converter 8,5 hectares das atuais estufas para este modo de produção”. “A nossa aposta é também o mercado local, o mercado bio e o mercado português, porque somos daqui”. outubro 2019 Revista Business Portugal | 9


REGIÃO OESTE Integrada por doze municípios, a Região Oeste tem alcançado uma maior visibilidade e dinâmica. Para além do seu património, oferece passeios históricos, biodiversidade, vinho e ginjinha, natureza e, claro está, bons negócios. Assumindo-se como uma região que se pretende afirmar a nível nacional e internacional, já é associada a inúmeros valores diferenciados. Com isto na mira, a Revista Business Portugal foi para o terreno, para lhe mostrar o que de melhor se anda a fazer pela região. Explore aqui a diversidade empresarial, que passa pela gastronomia, imobiliário, louças e muito mais…

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UMA EMPRESA DE REFERÊNCIA DE PORTUGAL PARA O MUNDO

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A história que lhe apresentamos nesta edição da Revista Business Portugal começou a ser escrita há mais de um século, mais precisamente em 1875. Volvidos 144 anos, assume-se como o maior grupo do setor agroalimentar português e um dos maiores da Europa. Com um projeto empresarial que se pode orgulhar do seu percurso sólido e consistente, José António dos Santos, administrador do Grupo Valouro, reconhece no trabalho e dedicação a justificativa para o sucesso alcançado.

om mais de um século de história, a empresa que lhe damos a conhecer nesta edição vem traçando o seu caminho desde 1875. Com uma gestão familiar desde o início da sua atividade, a administração da empresa vem passando de geração em geração. Hoje, já na terceira geração, a administração é assumida por José António dos Santos e pelo seu irmão gémeo António José dos Santos, cargo que assumem desde 1962. Com estratégias inovadoras e empreendedoras, a entrada dos irmãos revolucionou o negócio familiar que, graças ao trabalho e dedicação, se assume hoje como o maior grupo económico do setor agroalimentar em Portugal. “Foram anos de muito trabalho e dedicação. Há três coisas que são estritamente necessárias: a primeira é o trabalho, a segunda é a honestidade, essa é a principal de todas, e a terceira ter visão. Eu costumo dizer que temos de ver para lá da parede”. E assim foi. Com o negócio a derivar para outras áreas, os irmãos gémeos decidem, juntamente com dois irmãos mais velhos e um primo, constituir uma sociedade, no dia 25 de abril de 1974, nascendo assim a Persuínos, empresa que mais tarde deu origem à Avibom, posteriormente às Rações Valouro e por fim ao Grupo Valouro.

Um grupo, dezenas de empresas Atualmente, o Grupo Valouro conta com mais de 40 empresas dos setores da agricultura, indústria de rações, multiplicação de aves, abate e transformação de aves, distribuição e comércio alimentar, transportes, produção de energia, seguros e turismo. No entanto, é na produção de rações e avicultura que o grupo encontra as suas principais áreas de negócio. Com o objetivo de manter a qualidade da alimentação das aves, surge em 1978 a primeira fábrica de rações do grupo na freguesia de Marteleira, Lourinhã, localidade que reunia as condições perfeitas para a produção de rações e que mais tarde acabou por dar nome ao grupo. “O nome Valouro não tem nada a ver com ouro, deve-se ao sítio onde foi instalada a primeira fábrica de rações. Aquele sítio era conhecido por Valouro e então nasceu a Valouro e depois, mais tarde, o Grupo Valouro”, confessa o entrevistado. Com soluções nutricionais para alimentação alimentar, a Rações Valouro dedica-se assim ao fabrico e comercialização de pré-misturas e alimentos compostos para frangos, perus, patos, codornizes, galinhas reprodutoras, suínos, ovinos entre outras espécies. O ano de 1986 trouxe num novo passo com a introdução da

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GRUPO VALOURO

produção de ovos por incubação e pintos do dia, dando origem à marca Pinto Valouro. É em quintas, situadas no Bombarral, Tondela, Serpa, Tomar e Torres Vedras que o grupo desenvolve a atividade de produção animal, que inclui a multiplicação avícola (frangos, patos, perus e codornizes) e a produção de carnes. Do centro de incubação, os pintos do dia seguem o caminho direto dos mercados ou dos pavilhões de engorda, onde permanecem durante cinco a sete semanas, ou seja, até atingirem o peso recomendado para o mercado. Por sua vez, o processo de incubação, engorda e abate de codornizes é assegurado por outra empresa do Grupo Valouro, a Interaves, situada em Alenquer. As codornizes foram uma aposta mais recente do grupo e que José António dos Santos assume que, apesar de registar uma boa aceitação no exterior, não foi uma aposta direcionada para a exportação. “A mais recente aposta de todas foram as codornizes. Mas não tem sido essencialmente para exportação, temos exportado algumas, mas essencialmente o que exportamos muito são os ovos de incubação, que mandamos para a Rússia e Cazaquistão, por camião. Chegam lá impecáveis. Atualmente, exportamos uns milhões de ovos por semana. É claro que isso só é possível se tivermos qualidade e nisso somos irrepreensíveis. Se eu mandar para lá 100 ovos, normalmente não nascem menos de 80, ou seja, temos que enviar qualidade para podermos ser competitivos. Não nos podemos esquecer que nestes países as aves sofrem muito com a temperatura. Para eles é mais económico comprar este tipo de produto, porque também apresentamos um preço bastante competitivo e um produto de qualidade”. A década de 90 ficou marcada pela criação da marca Kilom, que veio potenciar uma área específica do negócio. Com soluções diversificadas que vão desde os tradicionais cortes de frango e charcutaria de aves aos prontos a comer e pré-cozinhados é mais um exemplo do espírito empreendedor do grupo português, que procura desenvolver produtos competitivos, inovadores e sustentáveis.

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José António dos Santos, administrador

Qualidade e Inovação são palavras chave A aposta na inovação dos produtos e nas melhores técnicas é primordial para o grupo português. A utilização de tecnologias de ponta, que garantem a qualidade dos produtos, permitiu ao Grupo Valouro estar na linha da frente e José António dos Santos assume que “o sucesso de qualquer empresa desta atividade deve-se ao desenvolvimento da parte produtiva, com a implementação das mais recentes tecnologias desenvolvidas para o setor”. Nesse sentido, o Grupo Valouro conta com laboratórios próprios nas suas fábricas de rações, centros de incubação e matadouros. Os seus centros de abate de aves estão equipados com a mais alta tecnologia, sendo considerados de topo na Europa. A mesma preocupação se estende aos seus aviários com chão aquecido e outras vantagens tecnológicas. Não é por isso de admirar que o Grupo Valouro tenha já garantido todas as certificações de qualidade possíveis na sua área de negócio. “É muito importante para a empresa porque,


GRUPO VALOURO sem essas certificações, os países não compram os nossos produtos. O certo é que os que compram passam a palavra e indicam que o único grupo, em Portugal, que tem a quantidade e a qualidade, com todas as certificações, é o Grupo Valouro”.

Na linha da frente da sustentabilidade A sustentabilidade está na linha da frente dos temas da atualidade e todos fomos já alertados para a importância de um estilo de vida mais sustentável e amigo do ambiente. No entanto, poucos sabem que esta já é uma prática recorrente no Grupo Valouro há mais de 50 anos. Quando este ainda não era tema de conversa, o grupo dava os primeiros passos na questão ambiental e introduzia em Portugal um modelo de negócio sustentável. “Hoje ouvimos falar muito em sustentabilidade e economia circular, mas a verdade é que nós já fazemos isso há mais de 50 anos. Atualmente, temos uma propriedade com cerca de três mil hectares, perto de Aljustrel, que nos permite ter um conceito de economia circular quase a 100 por cento”. A verdade é que a aposta do grupo num modelo de negócio sustentável surgiu em resposta a uma necessidade sentida à época. “Estamos numa zona onde a propriedade é muito pequena, ou seja, minifúndio e para eliminar as vísceras e plumas, antigamente, tínhamos de as enterrar. No entanto, chegou uma altura em que deixamos de ter terreno e então adquirimos uma máquina, a segunda a entrar na Europa, que é um digestor e que leva aquilo a uma temperatura alta, cerca de 180 graus, transformando as vísceras e as plumas numa farinha”, esclarece José António dos Santos. Com produção própria de milho para o fabrico de rações, José António dos Santos afirma que é no processo de abate que se inicia o conceito de economia circular do Grupo Valouro. “É quando as aves chegam ao matadouro que começam a surgir os desperdícios,

ou seja, começamos a ter o sangue, as plumas, a cabeça, as patas e as vísceras. Tudo isto é colocado, separadamente, no digestor e irá compor uma farinha, ou seja, um subproduto. Posteriormente, estes subprodutos vão dar origem a muitas coisas, podendo por exemplo ser utilizados para o fabrico de pet foods, alimento para peixes ou para camarões, neste caso as plumas”. E se por um lado as plumas da grande maioria das aves são transformadas em subproduto, o mesmo não acontece com as plumas de pato, que são utilizadas no fabrico de peças têxteis, como edredons ou casacos. Destino diferente têm também as patas, que dependendo do seu estado de conservação, podem ser exportadas para a China. No entanto o processo não termina por aqui e José António dos Santos esclarece-nos ainda que “as fezes deixadas no chão, e que formam uma espécie de ‘cama’, vão posteriormente para a compostagem”. Depois de terminado o processo de secagem e esterilização, as mesmas alimentam os solos da propriedade onde é plantado o milho que irá produzir as rações, dando assim início ao ciclo sustentável. “A acredito que marcamos pela diferença, porque detemos o processo na sua totalidade, o que não acontece na maioria das empresas. Para além disso, fomos pioneiros em Portugal”.

Uma empresa socialmente responsável O Grupo Valouro conta hoje com cerca de 3.200 colaboradores e é sobre eles que recai também uma das principais preocupações. Com uma política de responsabilidade social desenvolvida a dois níveis, interno e externo, o Grupo Valouro destaca-se a nível interno pela sua política motivacional. José António dos Santos assume que a forma como o grupo está organizado é fundamental para a motivação do corpo de trabalho e consequentemente para alcançar bons resultados. Já a nível externo, a estratégia passa pela forma como a empresa se relaciona com os seus parceiros de negócio e com a sociedade onde está inserida.

Futuro: Pensar para o mundo É com orgulho e satisfação que José António dos Santos afirma que o Grupo Valouro é hoje “uma empresa financeiramente sólida e uma referência em Portugal e na Europa”. O futuro passa por continuar a escrever para o mundo a história que teve início há 144 anos, sempre tendo como a inovação, qualidade e sustentabilidade. “Hoje tudo o que desenvolvemos já não desenvolvemos a pensar só no país, desenvolvemos para o mundo, à escala mundial. Hoje somos obrigados a pensar com outra dimensão e essa dimensão é para outros países”, conclui.

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JUSTINO ALEXANDRE SARDINHA, LDA.

O ORIGINAL PÃO DE MAFRA

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Foi na aldeia da Encarnação, no concelho de Mafra, em finais da década de 60, que se produziu o pão de Mafra, pela primeira vez, pelas mãos de Justino Alexandre Sardinha. A Revista Business Portugal entrevistou Carlos Sardinha, filho do fundador, para conhecer os 50 anos de história por detrás do verdadeiro Pão de Mafra.

história de Justino Alexandre Sardinha começa desde cedo quando distribuía o pão fabricado pela padaria de seus pais, na freguesia da Encarnação. Mais tarde, no final da década de 60, assume o comando do negócio. Recupera uma receita da sua avó e começa a produzir o mais tarde apelidado “Pão de Mafra”. Carlos Sardinha conta-nos que “naquela altura apenas havia pontos de venda na Encarnação, Mafra e Ericeira. A certa altura um funcionário de uma empresa produtora de vinhos da região que os distribuía pela zona de Cascais, começou a levar pão para o seu almoço. Deu a provar às gentes de Cascais que lhe começaram a pedir para quando fosse lhes levasse esse pão”. Como este teve bastante aceitação, Justino Sardinha, decide mandar uma carrinha de venda de pão para essa zona. Justino Alexandre Sardinha, fundador

Cascais é das zonas do país onde a Justino Alexandre Sardinha, Lda é mais conhecida, porque foi aí que começou, mas como havia poucas pessoas a conhecer a localidade de Encarnação e como o pão vinha da zona de Mafra, ficou conhecido como “Pão de Mafra”. Atualmente tem duas empresas que representam, no total, cinco lojas: a Justino Alexandre Sardinha, Lda com três lojas e a Ericeirapão, Lda com duas lojas.

O forno é aquecido e só depois é que o pão entra, ou seja, o pão é cozido com o calor do forno. Leva mais calor no início da cozedura e depois vai diminuindo até ao fim” O rei da casa: Pão de Mafra O pão de Mafra deriva do pão saloio e apresenta características que o tornam saboroso, único e diferente. “É um pão que leva bastante água e levedura fresca, o que permite um processo de fermentação rápido. É por isso que uma das suas características prende-se com o facto de ficar esburacado”. Carlos Sardinha acres-

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JUSTINO ALEXANDRE SARDINHA, LDA.

centa ainda que uma característica muito importante deve-se à farinha utilizada, de moagem própria, ser “produzida em mós de pedra (tradição dos moinhos de vento), o que lhe confere um sabor muito peculiar”. Os fornos tradicionais em tijolo fazem parte do processo de cozedura, uma vez que o modo de o fazer é diferente dos fornos convencionais. “O forno é aquecido e só depois é que o pão entra, ou seja, o pão é cozido com o calor do forno. Leva mais calor no início da cozedura e depois vai diminuindo até ao fim”, explica o gestor. Com cerca de 100 colabora-

dores ao serviço são produzidos, diariamente, 20 mil pães de Mafra. O fabrico decorre durante a noite para poder ser prolongado ao longo do dia. Apesar do mercado principal ser a grande Lisboa com o pão fresco, hoje em dia os canais de distribuição estendem-se por todo o país. A mais recente aposta é a cobertura total do país através do pão congelado. Para além do ex-líbris, também é produzida uma vasta gama de qualidades de pão, visto que o mercado assim o exige. “Temos desde broas de milho, pães de cereais, carcaças, entre outros. Porém, o pão de Mafra continua a ser o core business da empresa”.

Ao pão juntou-se uma nova vertente, a batata frita Victória… Sabemos que o pão e a batata frita são dois produtos distintos, mas quando se juntam podem fazer a maravilha dos portugueses. “A Dona Victória (esposa de um dos sócios da empresa) tinha uma receita de batata frita e, num ato de brincadeira, decidiu experimentar”. O certo é que correu bem e foi mais uma forma de ampliar e aproveitar o canal de distribuição que já existia para a grande Lisboa. Esta vertente do negócio foi crescendo sempre aliada à qualidade que é o ponto número um. Pála-pála, palha e batata-doce frita são as três variedades que apresentam aos clientes, quer sejam consumidores finais ou intermediários. E como não há duas sem três, aproveitaram a arte de saber fazer pão, juntamente com a produção de batata-frita, para se dedicarem à pastelaria.

Há 50 anos a criar o Pão de Mafra Formado em Gestão, Carlos Sardinha abraça o projeto do pai em 1994. Hoje, a história do nosso entrevistado na Justino Alexandre Sardinha, Lda alcança os 25 anos num balanço que considera positivo. “Ao longo deste percurso tivemos altos e baixos, fomos crescendo e hoje estamos numa fase de expansão e consolidação”. Questionado sobre o segredo para 50 anos de sucesso, o gerente afirma que a resposta correta deve-se à qualidade dos produtos e ao reconhecimento que é atribuído pelo consumidor final, até porque “sem eles não temos negócio”. Sobre os objetivos para o futuro, Carlos Sardinha, não deixa margem para dúvidas: “Queremos consolidar o produto para que ele seja reconhecido a nível nacional. É por isso que estamos numa fase de ampliação das instalações, pois só assim conseguimos dar resposta aos nossos clientes”. A empresa comemora, no próximo dia 25 de novembro, os 50 anos de atividade.

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CASA BENJAMIM

O DOCE SABOR DA TRADIÇÃO Existem mais, doces, motivos para visitar Torres Vedras. Com portas abertas desde 2017, a Casa Benjamim surgiu pelas mãos de Sérgio Valente e, desde então, que se dedica ao fabrico e comercialização de pastéis de feijão e de grão. Em entrevista à Revista Business Portugal, Sérgio Valente recordou a génese do negócio e revelou o segredo do sucesso alcançado.

anos de existência, a Casa Benjamim continua a crescer e a aumentar a sua notoriedade dentro e fora do país. “Todos desejávamos lá chegar, mas nunca tão de repente. Tivemos entre seis a sete meses com tudo a funcionar, mas não podíamos abrir a porta devido às licenças. Nesse período trabalhámos internamente, afinámos a receita e dávamos a provar a amigos. Tudo isto permitiu-nos ir melhorando e criar um produto de excelência. A verdade é que começámos por fazer entre 100 a 200 pastéis por dia nos primeiros meses e atualmente, por dia, fazemos entre três e cinco mil, mas por vezes chegamos a produzir onze mil”. Para além dos milhares pastéis de feijão produzidos todos os anos, a Casa Benjamim confeciona também pastéis de grão, tartes de feijão e grão e ainda um bolo feito com os pastéis que não saem “perfeitos” do forno.

Levar o sabor da saudade por todo o mundo

Sérgio Valente, Maria Madalena e Renata Valente, sócios-gerentes

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e há três anos disséssemos a Sérgio Valente que o seu futuro passaria pela pastelaria, provavelmente, ele não iria acreditar. Sem experiência na área, mas com olho para o negócio, foi quando estava prestes a partir para uma nova aventura profissional, no continente africano, que Dália Correia, sua prima e especialista na confeção dos famosos pastéis de feijão de Torres Vedras, lhe lançou o grande desafio. Foi de mangas arregaçadas que, juntamente com Maria Madalena e Renata Valente, mãe e irmã de Sérgio, colocaram mãos à obra, ou melhor dizendo - à massa, e em 2017 a Casa Benjamim abriu portas. O objetivo era simples: dar a conhecer o pastel de feijão ao mundo inteiro. E a verdade é que, volvidos quase dois anos, os pastéis da Casa Benjamim já correram mundo. “Como passei pela fase de emigrante, sei que quando estamos fora damos valor àquilo que temos 16 | Revista Business Portugal outubro 2019

e uma das coisas de que eu sentia falta era o pastel de feijão. Foi então que pensei apostar neste produto, mas com a vertente de vender pelo mundo fora”, recorda.

Uma receita “esquecida” e a vontade de fazer melhor A aposta não podia ter sido mais acertada, e a verdade é que estavam reunidos todos os ingredientes para fazer os melhores pastéis de feijão de Torres Vedras. “A minha prima Dália tem mais de 30 anos de experiência na confeção de pastéis de feijão e é ela a chefe responsável pela produção de todos os nossos pastéis. Para além disso, procuramos recriar o sabor dos doces das nossas avós e, para isso, recuperamos uma receita ‘esquecida’, que fomos aprimorando, sem nunca descurar a nobreza dos ingredientes. A matéria-prima não pode ser descurada”. A qualidade e sabor foram determinantes para o êxito do projeto. Com apenas dois

Com um design original e adaptado para pessoas invisuais, que inclui a designação do produto em Braille, a marca destaca-se pela valorização dos detalhes. Com uma imagem feita a “pensar na portugalidade”, a Casa Benjamim procura marcar pela diferença e, para isso, aposta num branding carregado de simbologia. “A nossa imagem foi feita a pensar nisso, na portugalidade. Temos as andorinhas a simbolizar a viagem e a boa sorte, e os azulejos que representam a saudade. Como estamos no centro do mundo, a nível de turismo, todos olham para nós. Queremos que também percebam o que estamos a transmitir. Foi este o desafio e acredito que marcamos pela diferença”. Uma diferenciação que assenta também na questão ambiental, através da utilização de sacos de papel reciclado.

“Haja Alegria” na Casa Benjamim Sediada na rua Almirante Gago Coutinho, a Casa Benjamim, deve o seu nome a Benjamim Jorge, padrinho de casamento


CASA BENJAMIM

de Madalena Valente, que em herança lhe deixou o edifício onde se situam as instalações. É numa clara e sincera homenagem que à entrada das mesmas encontramos um retrato do patriarca, onde se pode ler o mote “Haja Alegria”, forma como, carinhosamente, Benjamim Jorge se despedia de toda a gente. Figura marcante na vida de Sérgio e Maria Madalena, conhecido e respeitado na cidade, era também e acima de tudo, um grande apreciador da iguaria torriense. “Era uma pessoa muito alegre, que se despedia sempre com um “Haja Alegria”. Além de ter sido uma pessoa muito conhecida cá, também gostava de comer o seu pastel de feijão a seguir à refeição, por isso, achamos que fazia todo o sentido homenageá-lo desta forma”, refere Sérgio Valente.

#aondeparaobenjamim Com loja de venda ao público nas mesmas instalações, a Casa Benjamim recebe diariamente dezenas de apreciadores do doce tradicional de Torres Vedras, que pode ser adquirido em caixas de seis ou à unidade. A par disso é possível, nalguns espaços comerciais dos concelhos de Torres Vedras e de Lisboa, adquirir os famosos pastéis de fabrico próprio. No entanto, desengane-se quem pensa que a fama dos pastéis da Casa Benjamim se restringe a terras lusas. Há muito que marcam presença além-fronteiras e a verdade é que hoje já começa a ser difícil saber “aonde para o benjamim”. Foi no sentido de perceber até onde viajavam os seus produtos e de interagir com os clientes que Sérgio Valente criou a hashtag #aondeparaobenjamim e desafiou os internautas a revelar o destino da doce iguaria. “Criámos este hashtag porque, em Torres Vedras, as pessoas têm por hábito, quando alguém nos vem visitar ou vice-versa, oferecer uma caixa de pastéis de feijão. Começou a surgir este movimento das pessoas viajarem pelo

mundo fora, fotografarem e colocarem a hashtag #aondeparaobenjamim e a verdade é que nos chegam relatos do Benjamim de um pouco por todo o mundo”. Quase que poderíamos dizer que para os pastéis da Casa Benjamim, o céu é o limite. E não é que o Benjamim também já voa? Desde 2018 que os produtos da Casa Benjamim estão ao dispor da LSG-Sky Chefs, empresa de catering do grupo Lufthansa e líder de mercado a nível mundial. De momento, os pastéis de feijão e de grão desta casa torriense integram a carta de refeições de bordo da maior companhia aérea portuguesa.

Levar os pastéis mais longe O próximo objetivo da empresa de Torres Vedras passa pela comercialização dos pastéis congelados, mantendo o mesmo sabor e autenticidade. “Para levarmos os pastéis mais longe temos de trabalhar a longevidade dos mesmos, ou seja, a sua validade, porque não colocamos conservantes nos nossos pastéis. Entre várias opções, o congelado foi o que nos deu mais garantias de que chegava lá em boas condições”. Com testes já realizados, os resultados são positivos e a verdade é que o processo se tem mostrado eficaz, conservando todo o sabor e qualidade do produto. “Se colocarmos numa mesa de provas pastéis do dia e pastéis congelados, dificilmente irão conseguir identificar diferenças. O pastel é embrulhado congelado e aguenta todo o processo, até na própria caixa, mantendo o sabor”. Como pode comprovar motivos não faltam para visitar a Casa Benjamim, provar os seus pastéis e deixar-se apaixonar pelo seu sabor. Garantimos que não se vai arrepender. Rua Almirante Gago Coutinho, 2B Torres Vedras Tlf.: 261 091 569 Email: geral@casabenjamim.com casabenjamim casabenjamim

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PRO PORTUGAL

UNICIDADE E INOVAÇÃO

Com sede no Baleal, em Peniche, e agências em Caldas da Rainha e Óbidos, a Pro Portugal afirma-se como uma marca de referência no mercado imobiliário nacional. Nuno Martins, diretor, explanou-nos o percurso percorrido pela empresa que criou e quais os planos que traça para o futuro.

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oderíamos começar por conhecer um pouco melhor a Pro Portugal. Como começou este projeto e em que momento decide apostar no ramo imobiliário? A Pro Portugal iniciou a sua atividade em 2001 sendo a marca Pro Portugal nasce em 2009. Em 2008 começámos o nosso processo de internacionalização com a presença em feiras imobiliárias na Holanda, Bélgica, França, Inglaterra e Espanha. Ao cabo de quase duas décadas de vida, somos uma empresa focada no cliente que opera em todo o país sendo altamente especializados na região Oeste, onde estamos desde o primeiro dia. Temos agências no Baleal/ Peniche, em Caldas da Rainha e Óbidos, e operamos também em Lisboa, Porto e Algarve e contamos ainda com uma criteriosa seleção de parceiros internacionais - uma rede que nos liga ao mundo e nos permite trabalhar os nossos imóveis no estrangeiro. O nosso compromisso é de apresentar um serviço eficiente, dedicado e profissional. Atualmente, quais os serviços disponibilizados pela Pro Portugal aos seus clientes? Além da assessoria na aquisição de imóveis, fazemos a gestão de investimentos imobiliários, desenvolvemos campanhas imobiliárias, fazemos a coordenação e gestão de projetos. Outros serviços incluem a rentabilização de imóveis, a gestão de propriedades (property management), gabinete de arquitetura e, em conjunto com parceiros da área, serviço de decoração. Cada agência imobiliária tem o seu nicho de mercado. Qual é o da Pro Portugal? Não temos propriamente um nicho de mercado pois trabalhamos com imóveis e propriedades de todos os tipos, para todos os gostos, propósitos e bolsos. Contudo, pela nossa postura e leque de serviços, trabalhamos muito com o mercado estrangeiro - temos clientes nos quatro cantos do mundo - e sobretudo com clientes que procuram um serviço atento e dedicado 18 | Revista Business Portugal outubro 2019

em todas as fases do processo de aquisição e/ou desenvolvimento do projeto e gestão do imóvel. Como avalia, atualmente, o mercado imobiliário em Portugal? É um mercado em franca expansão. Um mercado competitivo mas que tem margem para continuar a crescer. Num mercado cada vez mais competitivo, de que forma a Pro Portugal se distingue da concorrência? Qual o vosso diferencial? Acreditamos que fazemos a diferença pelo rol de serviços que apresentamos que vão muito além da compra e venda de imóveis. Prestamos um serviço completo que vai da procura do imóvel, até ao desenvolvimento e/ou manutenção do mesmo. Estamos prontos para prestar apoio em todas as fases do processo. Este é, cada vez mais, um negócio de pessoas para pessoas? Sim, totalmente. E a nossa aposta em oferecer um serviço completo é fruto desta nossa postura de proximidade: não queremos ser apenas os agentes imobiliários que vendem o imóvel, queremos ser os parceiros de confiança em quem o cliente pode confiar todos os assuntos relativos à sua casa - seja a rentabilização, desenvolvimento de projeto ou manutenção do imóvel. Criamos elos de confiança com os nossos clientes e eles reconhecem isso, ainda mais quando são estrangeiros e sabem que mesmo longe têm alguém em quem com quem podem contar em qualquer situação.

Com uma localização privilegiada e, literalmente, a poucos passos da praia o empreendimento Bay Shore promete surpreender. Fale-nos deste projeto que promete revolucionar o mercado imobiliário da região. Bay Shore é um projeto fabuloso que está para nascer na primeira linha de mar na magnífica Baía de São Martinho. Estamos a desenvolver apartamentos com design, construção e localização premium perfeitos para investir, ou para primeira ou segunda habitação. São Martinho é um lugar mágico, uma vila pacata à beira de uma baía lindíssima de águas tranquilas perfeita para viver sem pressas e com vizinhos de luxo, como sejam alguns dos melhores campos de golfe do país, monumentos Património da Humanidade e várias praias de sonho. E Lisboa está apenas a uma hora de caminho. O Bay Shore está fazer muita gente suspirar, é, de fato, uma oportunidade de ouro para investir. O que podemos esperar no futuro da Pro Portugal? O futuro será sempre promissor. Da Pro Portugal pode-se esperar o mesmo compromisso de profissionalismo, de entrega e dedicação. Vamos continuar a aprender e a explorar novos caminhos e oportunidades para podermos melhorar e continuar a crescer de forma sustentada. Angariar mais imóveis, desenvolver novos projetos de arquitetura e melhorar os nossos serviços são planos a curto prazo.

Carmen Ferreira, gerente Nuno Martins, diretor


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BONUSWINES

VARIEDADE & QUALIDADE

João Santos, CEO

De norte a sul do país, são mais de 400 referências de vinhos que se podem conhecer na Bonuswines. “Temos muito produto à escolha. Só nos falta Açores e Madeira.” O conceito da empresa é simples: apresentar vinhos distintos de qualidade. Não é qualquer vinho que passa pela Bonuswines e esse aspeto exige maior cuidado. “Distinguimo-nos por produtos diferentes, aqueles que não se encontram em supermercados. A restauração, neste momento, está à procura desse pormenor. É um trabalho mais difícil, porque temos de dar a conhecer e explicar o artigo”. Atualmente, trabalham com mais de 30 produtores e mantêm parceria com cerca de 14 parceiros. A equipa de João Santos conta com seis elementos e anda na rua diariamente. “A nossa zona de venda vai desde a Nazaré até à Ericeira. Para fazer parte desta equipa é preciso “Amar o Vinho”. Aquilo que começou por umas caixas de vinho para uns amigos cresceu e, em janeiro, ganhou um espaço maior e totalmente diferente. “Inaugurámos uma loja, aberta ao público em geral, e a preparação de encomendas é muito mais facilitada.”

Equipa Bonuswines 20 | Revista Business Portugal outubro 2019

A Bonuswines, quase a completar quatro anos de existência, carateriza-se pelos vinhos diferentes que distribui. Tudo começou em tom de brincadeira, mas, como contou João Santos à Revista Business Portugal, o negócio foi alargando de forma significativa e rapidamente se tornou uma referência. João Santos não pensava ter chegado onde chegou, mas a partir de agora é sempre a pensar em melhorar. Muitas ideias estão em vista e o próximo passo será explorar novas zonas de venda. De resto, fica o convite para aparecer na” 5ª edição da prova de vinhos da Bonuswines, em que serão apresentadas as novas instalações e as centenas de produtos”, remata João Santos.


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CALDAS DA RAINHA Rua Professor Manuel José António, Nº3, R/C DRTº 2500 - 852 Caldas Da Rainha Telf: 963 522 275

LOURINHÃ Avenida Maestro Manuel Maria Baltazar, N1, Loja C 2530 - 921 Lourinhã Telf: 934 202 457

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DECISÕES E SOLUÇÕES - LOURINHÃ E CALDAS DA RAINHA

A SUA AGÊNCIA COM SOLUÇÕES 360º Quis o destino que os caminhos de Filomena Esteves e Carlos Guerra se cruzassem em 2015. Ela, formada em Gestão, integrava desde 2013 a maior rede de Intermediação de Crédito e Consultoria Imobiliária a atuar em Portugal. Ele, com mais de 20 anos de experiência no setor bancário, abraçou o desafio mais tarde, decorria o ano de 2014. Ambos integravam a agência Decisões e Soluções – Torres Vedras e foi aí que a sinergia entre os dois começou. Hoje são o rosto por detrás da Decisões e Soluções – Lourinhã e Caldas da Rainha. Uma história de empreendedorismo e sucesso que vale a pena conhecer nesta edição da Revista Business Portugal.

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vossa sinergia começou na agência de Torres Vedras, onde estavam inicialmente localizados. O que vos motivou a apostar na Lourinhã e a abrir esta loja, em 2018? Carlos Guerra: A nossa mudança prendeu-se, essencialmente, por conhecermos melhor as pessoas daqui. Torres Vedras era um mercado em que não éramos conhecidos e onde não conhecíamos as pessoas tão bem. Para além disso, este mercado era muito apetecível para nós. Somos de cá, a maioria dos nossos consultores também já eram daqui da zona e quando se falou na possível mudança, todos estiveram de acordo. A verdade é que já havia mais negócio aqui do que lá, por isso, a nossa mudança foi muito rápida e acabamos por abrir portas em abril de 2018. Que balanço é possível fazer deste ano e meio de negócio? C. G.: As coisas têm corrido muito bem. O salto de lá para cá foi, para nós, quase como renascer. O negócio melhorou imenso. Este negócio vive de pessoas e o facto de os nossos consultores serem conhecidos e reconhecidos na zona atrai mais clientes. Sem dúvida que foi uma aposta ganha, daí estarmos aqui há tão pouco tempo e já estarmos a pensar dar o salto para Caldas da Rainha. A abertura deste novo espaço nas Caldas da Rainha sempre esteve nos vossos planos? O que vos levou a dar este passo? Filomena Esteves: Há um ano que temos uma equipa lá a trabalhar. Tínhamos um espaço físico alugado, que proporcionamos à equipa para poder trabalhar e receber clientes. Não era um espaço efetivado, porque antes de avançarmos para a abertura de um espaço nosso queríamos saber qual seria a resposta do mercado, ou seja, antes de darmos esse passo queríamos estar seguros de que ia funcionar. Visto que estava a correr tudo muito bem, surgiu a ideia de abrir uma Decisões e Soluções - Caldas da Rainha. Colocámos esse desafio a um elemento da equipa, que vai ser o nosso braço direito nas Caldas da Rainha, e que se disponibilizou a trabalhar connosco e a entrar neste projeto. Encontrámos uma loja que, para nós, é muito bem localizada e que está pronta para abrir portas, oficialmente, no final de outubro. 22 | Revista Business Portugal outubro 2019

Filomena Esteves e Carlos Guerra, sócios

A Decisões e Soluções – Lourinhã tem um conceito 360º, prestando um serviço mais completo. É esta uma das vossas mais-valias? F. E.: Nós aqui, no conceito 360º, trabalhamos em simultâneo as cinco áreas que a marca nos permite: construção de imóveis, mediação de obras, mediação imobiliária e de seguros e intermediação de crédito. Atualmente, já somos intermediários de crédito vinculados, por parte do Banco de Portugal, e isso permite-nos movimentar no mercado mais à vontade, para além de que nos permite oferecer ao nosso cliente um pacote de soluções mais ajustadas face àquilo que necessita. Procuramos sempre saber quais são as necessidades do cliente e então, depois, enquadrá-las na área que nós temos para trabalhar. Estas cinco áreas que trabalhamos, e que nos permitem apresentar as melhores soluções de mercado de acordo com as reais necessidades e objetivos dos clientes, são sem dúvida a nossa grande mais-valia e um diferencial para nós. Em termos de mediação imobiliária, a ação da Decisões e Soluções - Lourinhã não se limita a uma área geográfica. Esta é também uma das vossas mais-valias? C. G.: Não temos uma área geográfica limitada e sem dúvida que isso é uma enorme mais-valia para nós, uma vez que, podemos ir de norte a sul do país. Já nos aconteceu ter um cliente daqui da zona, que tinha um imóvel no Algarve para vender. Como a rede tem mais de 100 agências abertas por todo o país, torna-se


DECISÕES E SOLUÇÕES - LOURINHÃ E CALDAS DA RAINHA possível criar sinergias com outras agências. Nestas situações, apesar do produto ser nosso, escolhemos a agência geograficamente mais próxima do imóvel e trabalhamos em parceria com ela. Neste caso específico nós tivemos a angariação do produto e eles é que promoveram a venda, mas também pode acontecer o inverso. Esta forma de trabalhar torna tudo mais fácil e permite-nos, em conjunto, dar uma resposta mais eficaz ao cliente.

dentemente da sua localização, porque, tal como defendemos, somos um todo. Para o futuro o que podemos esperar da Decisões e Soluções - Lourinhã e Caldas da Rainha? F. E.: Crescer está no nosso ADN e as pessoas quando deixam de ter objetivos, acomodam-se. Não é isso que pretendemos. Após termos a equipa da Decisões e Soluções – Caldas da Rainha consolidada, pensaremos noutro passo. Agora, o principal objetivo é consolidar a equipa das Caldas da Rainha e aumentar as equipas de ambos espaços. Queremos uma equipa coesa e forte. C. G.: Aliás, estamos agora em fase de recrutamento. Para nós o recrutamento tem que estar sempre na primeira linha e, por isso, estamos, neste momento, a recrutar novos profissionais para integrar a nossa equipa.

Num mercado cada vez mais competitivo de que forma a vossa agência se diferencia? C. G.: A ideia é sermos como o médico de família e acompanhar o cliente. Nem que seja apenas para pedir um conselho, o cliente pode cá vir e nós ajudámo-lo, gratuitamente. A verdade é que trabalhamos muito por referenciação e isso só é possível porque prestamos um bom serviço a quem nos procura. Aqui, na Decisões e Soluções – Lourinhã, sabemos que o pós-venda é muito importante, sabemos a importância de acompanhar o cliente. Nós não estamos aqui apenas hoje. Estamos aqui todos os dias, para os servir da melhor forma possível. Por isso, é que é tão importante que os nossos consultores percebam a importância dos clientes e prestem um serviço completo e de excelência em todas as fases. Passar para os vossos consultores essa forma de estar no mercado é fundamental? F. E.: Sim, sem dúvida. Aqui, apostamos muito na formação dos nossos consultores. Temos a formação que é facultada na agência a todos os consultores quando entram no projeto, para perceberem qual é a dinâmica que nós, Decisões e Soluções – Lourinhã, temos, mas depois também temos a formação facultada pelo master. Para além de termos um formador excelente da parte imobiliária, também temos formações com parceiros da parte de intermediação de crédito, para sabermos o que é que eles estão a ofertar ao mercado, e o mesmo acontece também nas outras áreas de negócio. A verdade é que a formação que é ofertada aos consultores que vêm trabalhar connosco é enorme. Às vezes, em tom de brincadeira, dizemos que somos uma escola de formação, porque a nossa formação é diária e todas as dúvidas dos nossos consultores são esclarecidas na hora. Atualmente têm uma equipa composta por quantos consultores? F. E.: Tanto eu como o Carlos pensamos que aqui somos um todo. O que nós estamos a proporcionar neste momento aos nossos consultores, no fundo, são dois espaços físicos para trabalhar, porque, no fundo, somos um só. Dois espaços físicos disponíveis para todos os nossos consultores, seja que horas e dias da semana forem. As portas dos nossos dois espaços estão abertas para os cerca de 16 colaboradores que temos, indepen-

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Geobak – Mediação Imobiliária Lda Licença AMI 9514 Intermediário de Crédito Vinculado Nº 3618

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MARCA REGISTADA DA LOURINIUS COM MAIS DE UMA DÉCADA

Ao entrar na pastelaria Lourinius, é possível chegar a várias zonas do nosso país. A marca “Pastéis de Portugal” destaca-se pelo caráter inovador e pela singularidade dos seus produtos. Pedro Ferreira foi o impulsionador do negócio e, juntamente com a esposa Ana Sebo, falou com a Revista Business acerca do sucesso do negócio.

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udo começou com a paixão que Pedro Ferreira desde cedo demonstrou pela pastelaria. Trabalha na área desde os 11 anos, mas a dada altura quis apostar num negócio por conta própria. A ideia ganhou consistência e a pastelaria Lourinius caminha para os 12 anos de existência. Já nesse ambiente, a criatividade era um fator importante. Ser diferenciador sempre foi um objetivo ambicionado, o que acabou por incitar a ideia de criar um pastel que fosse capaz de aproveitar algo caraterístico e único da região. Evidentemente, o produto mais associado a esta região sempre foi a Aguardente da Lourinhã, sendo a única portuguesa e a terceira no mundo com estatuto DOC (Denominação de Origem Controlada). É, exatamente, neste registo que se percebe a possibilidade de recorrer a produtos inusitados na confeção de pastéis. Depois da ideia estar definida, Pedro Ferreira recorreu a uma receita antiga e, após várias tentativas, transformou-a numa receita de qualidade. Em 2011, os pastéis começaram a ser comercializados e têm hoje o impacto que mostram. O mais difícil de colocar a plano em prática passou pelo contorno do problema com que muitos se deparam na gastronomia: conseguir que o produto continuasse com sabor e teor alcoólico depois de ir 24 | Revista Business Portugal outubro 2019

Pedro Ferreira e Ana Sebo, gerentes

ao forno. Com tanta “experiência, tentativa e erro”, Pedro Ferreira encontrou esse ponto de equilíbrio. O segredo da receita é apenas partilhado com a esposa e esse é o ponto fundamental para que a receita não seja “massificada”.

Divulgar as maravilhas de Portugal Mas o progresso não ficou por aqui. Outros pastéis foram surgindo, por iniciativa própria ou sugestão de parceiros, a partir da seleção de produtos portugueses de várias zonas e com eles veio a marca “Pastéis de Portugal”. “Qualquer um dos pastéis tem um sabor diferente característico da sua zona, feito com elementos nacionais de qualidade reconhecida, e a marca “Pastéis de Portugal” surgiu para englobar todos”. Claramente foi alargada a rede de clientes com estes conceitos inovador adaptado a qualquer gosto. Pastéis de Maçã do Planalto, Abóbora, Licor de Ginja de Óbidos, Vinho do Porto, Alfarroba e Aguardente do Medronho, Vinho de Carcavelos, Bolota com Vinho Licoroso da Carmim, Algas, Licor Beirão, Moscatel Roxo e Queijo de Azeitão foram os desenvolvidos até à data. O Pastel de Feijão também é confecionado, mas é considerado doce conventual. “Aqui na zona vendemos mais os da Lourinhã. Depende da região. Todas as pessoas têm opiniões diferentes”.


PASTÉIS DE PORTUGAL

A par da qualidade, vem o sucesso e o reconhecimento é conseguido através da participação em concursos e feiras. A própria câmara municipal dá algum apoio neste tipo de eventos, pelo reconhecimento e divulgação que os próprios pastéis fazem da região e daquilo que a Lourinhã tem para oferecer. Os Pastéis de Aguardente de Lourinhã já conseguiram a medalha de ouro na categoria de pastéis e, para além da marca registada, a própria Lourinius também alcançou diversas medalhas em concursos nacionais de pastelaria conventual e tradicional portuguesa. A pastelaria destacou-se com 4 medalha de ouro, para os Pastéis de Feijão, Torta da China, Pastéis de Licor Beirão e Pastéis de Aguardente da Lourinhã, e com 5 medalhas de prata, para coberturas, Pastéis de Aguardente da Lourinhã, Brisas de S’Ana, Toucinho do Céu de Odivelas e Pão de Ló da Moita dos Ferreiros. Para além do próprio estabelecimento, os pontos de venda dos pastéis já se estendem maioritariamente aos arredores da Lourinhã. Podem ser encontrados no Hotel Bessa em Lisboa, na Pastelaria Briosa do Mondego em Coimbra, na Loja da Confraria do Vinho de Carcavelos e no Cantinho Tradicional em Oeiras, no Café e Restaurante Cozinha do Campo em Carcavelos, Hotel Marriot em Lisboa, Cafetaria Opção em Portimão, Terra e Mar em Alvalade, Café da Esquina em Paços de Arcos, Café Astoria na Parede e Gelataria Belle Sorell. “A nossa maior lacuna é a região

norte”, mas é um aspeto a ser contornado. Pedro Ferreira e Ana Sebo reconhecem a diversidade que o seu setor demonstra. Dos vários tipos de pastelaria e estabelecimentos dedicados ao fabrico de pastelaria conventual, pastelaria tradicional e pastelaria internacional todos têm a sua particularidade e são fundamentais. Em Portugal a pastelaria é uma área bastante variada e desenvolvida e os portugueses têm de sentir orgulho nisso. Não é preciso ir ao estrangeiro para encontrar produtos de qualidade, até porque a gastronomia é o que melhor distingue o nosso país. Por enquanto, vão-se moldando às ambições. No ano passado, foi mudado o local de fabrico e as instalações foram aumentadas de forma a criar condições para produzir em maior quantidade. “Estamos a estudar formas de exportação. Os pastéis têm validade de 30 dias, mas queríamos tentar prolongar sem usar químicos”. Esse tem sido, de facto, o maior entrave à exportação. A conservação sem recorrer à adulteração da essência do produto é a próxima etapa e a partir daí será crescer ainda mais, porque o segredo está em manter a qualidade. Fica o convite para comprovar a qualidade dos Pastéis de Portugal, porque há distintos e apropriados a qualquer paladar, e para conhecer espaço agradável e aconchegante de que a Lourinius dispõe. Novidades e variedade não faltam nesta pastelaria e não há nada como conhecer o seu trabalho.

AV. António José de Almeida nº 7 A, Lourinhã Telefone: 261 461 545 | Facebook: /padaria.lourinius

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(DE) CORAÇÃO PARA PORTUGAL E PARA O MUNDO

Lurdes Lemos Rocha, co-proprietária

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Uma casa de decoração que vende produtos de cerâmica portuguesa, decorativa e utilitária. Cada peça tem uma história e em cada cliente está um amigo. O Casinhoto torna-se uma visita obrigatória de todos os que passam por Torres Vedras e pela Ericeira.

ituado no centro histórico da cidade de Torres Vedras, distrito de Lisboa, O Casinhoto é uma casa de venda a retalho de cerâmica portuguesa, vendida ao quilo é à Unidade. Um espaço recente, mas que começa a dar cartas nesta área de negócio. Um negócio de família criado por duas irmãs que pretendiam “mudar de vida” e “vender Portugal”, conforme conta Lurdes Lemos Rocha, uma das irmãs proprietárias do espaço. Contou à Revista Business Portugal a história da criação d’O Casinhoto. Uma história de amor à vida, de amor à arte da decoração, de amor à tradição, de amor a Portugal. Uma história que continua a ser escrita e que pretende gerar cada vez mais frutos.

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O Casinhoto em história Foi a 26 de abril de 2016 que O Casinhoto ganhou um espaço físico, em Torres Vedras. As proprietárias já tinham a empresa criada, pois já trabalhavam nesta área desde 2007. Mas como em qualquer história, importa conhecer o seu início. Em 2006 a vida deu uma grande reviravolta. Lurdes deixou o seu trabalho como bancária e lançou um desafio à sua irmã de começarem o seu próprio negócio. Juntas iniciaram uma viagem pela arte da decoração e da tradição portuguesa. No início, o projeto tinha como objetivo estabelecer a ligação de compra entre o produtor/ fornecedor e os espaços de venda: “comprávamos para vender para as lojas”, explica Lurdes Rocha. Em geral, vendiam para o Norte e Centro do país, candeeiros da Bélgica, produzidos artesanalmente, e a importação de peças decorativas em inox, vindas da Índia. Entretanto, perceberam que necessitavam de expandir o negócio e conquistar novos mercados. Depois de efetuarem um estudo de mercado, entenderam que a Zona Oeste era a região ideal para estabelecer a loja física, visto que no centro de Lisboa já existia este conceito de negócio. Foi em Torres Vedras, bem no centro, que fixaram O Casinhoto, uma casa criada por portuguesas, com nome português, que vende produtos portugueses, recuperando a tradição e a memória portuguesas – uma casa portuguesa, com certeza.


O CASINHOTO

Um negócio (de) coração Loiças, cerâmicas, azulejos, candeeiros, peças e inox são os artigos que podem ser encontrados n’O Casinhoto. No que diz respeito à cerâmica, trabalham com três tipos distintos: o grés, a faiança e a terra cota. Atualmente contam com a presença de peças de autor, com a assinatura de ceramistas portugueses, sendo a alavanca que coloca Portugal no mundo: “a nossa cerâmica portuguesa é conhecida mundialmente”, afirma Lurdes. Os turistas estrangeiros que passam pel’O Casinhoto levam a nossa história para os seus países. Os turistas portugueses não deixam de levar uma peça característica da sua região, como por exemplo o galo de Barcelos. Já os emigrantes portugueses, que normalmente vêm de férias e vêm de carro, levam muitos artigos para os seus países de acolhimento, nomeadamente para Luxemburgo e França. Deste modo, os artigos chegam a todo o Portugal e também além-fronteiras. Por sentirem que os turistas estrangeiros não adquiriam mais artigos devido a limitação de bagagem de avião, decidiram estabelecer uma parceria com a empresa de distribuição Chronopost, que leva os artigos, por encomenda, a qualquer parte do país e também ao estrangeiro. O Casinhoto destaca-se ainda pelo trabalho efetuado para a decoração de restaurantes e hotéis, portugueses e estrangeiros: “recentemente, recebemos uma encomenda de um restaurante espanhol, o proprietário tinha vindo cá para conhecer os artigos e depois fez uma encomenda”, reportou Lurdes. Além da loja física, contam ainda com uma página online onde o consumidor pode efetuar as suas encomendas comodamente em sua casa. A verdade é que O Casinhoto é uma visita obrigatória na cidade de Torres Vedras e quem entra dificilmente sai sem adquirir uma das peças, é “que uma peça destas é amor, é história e torna a nossa casa ainda mais única e especial”, confirmam as proprietárias.

O Casinhoto na Ericeira Sempre atentas ao mercado, as proprietárias aperceberam-se que poderiam expandir o negócio. Deste modo, nasce a nova loja, a 21 de abril de 2019, na Ericeira, em Lisboa. Numa zona de Lisboa dedicada ao mar, lugar que admiram e que as inspira, decidiram abrir uma nova loja com os mesmos moldes, mas ainda mais próxima do turismo. A loja O Casinhoto na Ericeira é “um bebé que começa a dar agora os primeiros passos”, afirmam as proprietárias. Por agora, pretendem conquistar terreno e alargar a carteira de clientes da nova loja. Numa zona onde o turismo é forte, as duas irmãs têm vindo a conquistar o mercado nacional e também o internacional. Destacam os jovens proprietários que se fixam tanto na Ericeira, como em Torres Vedras e que fazem a reabilitação de casas e edifícios e, por isso, procuram O Casinhoto e os conselhos das proprietárias, sempre a par das novidades no que toca à decoração.

O futuro Costuma dizer-se que o futuro só a Deus pertence. Outros dirão que o futuro está escrito nas estrelas e no destino. No entanto, as proprietárias d’O Casinhoto sabem bem de onde vêm, o que são e para onde gostariam de ir. De momento, pretendem solidificar ambos os espaços já conquistados e quem sabe, posteriormente, lançarem-se em voos mais altos e abrirem um espaço no centro da capital. De pés bem assentes, estão conscientes de que o mercado está em constante mudança e que o negócio vive das tecnologias. Por isso, estão também voltadas para o futuro através das redes sociais, nomeadamente com a página de facebook, e, obviamente, através da loja online acessível a todos e para todos. A história de duas empreendedoras que deram vida a um sonho. Um exemplo de trabalho, dedicação, profissionalismo e, acima de tudo, de um trabalho desenvolvido “com bom senso e com sensibilidade”, pilares que consideram essenciais para o crescimento do negócio. Dois espaços que vale a pena conhecer. Não deixe de investir na sua casa e de transformar o seu espaço num lugar aprazível com as loiças, os candeeiros ou os azulejos disponíveis n’O Casinhoto. Rua do Arrabalde, 21B | 2655-232 Ericeira • 261 141 963 Rua Almirante Gago Coutinho, 10A| 2560-303 T. Vedras • 261 316 037 outubro 2019 Revista Business Portugal | 27


PENINSULARES

PASTÉIS COM HISTÓRIA E QUALIDADE Os pastéis conventuais de amêndoa do Vimeiro, na Lourinhã, são uma receita antiga e não passam despercebidos. Em 2013, Alberto Jordão Luís, com quem a revista Business esteve à conversa, agarrou na especialidade e na marca “Peninsulares” e converteu-as num negócio mais consistente. Maria de Lurdes Jordão Luís e Alberto Jordão Luís, proprietário

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o início, o fabrico concentrava-se exclusivamente nos pastéis de amêndoa. Mas, depois de algumas experiências e com alguma criatividade, foram adicionadas outras especialidades como os pastéis de côco. Entretanto, o pastel de chocolate e o pastel de maçã também já foram testados pela Peninsulares, mas ainda não são comercializados, tanto que ainda não têm comunicação nem imagem. “O pastel de chocolate sofre muito com variações de temperatura. Já fiz de feijão, mas não continuei porque há muita concorrência”. É na doçaria que atualmente se foca, mas a atividade profissional de Jordão Luís não era esta. Depois de 22 anos a trabalhar na banca, em 2012 as coisas complicaram-se. Ao ver-se desempregado, o empreendedor do Vimeiro contornou esse problema e, então, começou a comercializar os pastéis que eram ocasionalmente confecionados pela mãe. “Desde miúdo que me lembro de ter pastéis de amêndoa em casa. Muita gente ia a casa da minha mãe pedir para ela fazer uma caixa ou duas de pastéis de amêndoa, eram ainda caixas descaraterizadas”.

e exigiam tempo”, com a profissão. “Entretanto, a marca acabou por caducar em termos de registo em 1969, precisamente o ano em que nasci e essa senhora cedeu gentilmente a receita à minha mãe e a patente”. Em 2013, com uma visão ativa, Jordão Luís deu a conhecer o produto porta a porta num determinado segmento de mercado e, depois de formalizar a licença de cozinha própria e definir a comunicação e imagem da marca, começou a comercializar severamente. “Optei mais pelo mercado de Lisboa pela sua dimensão naturalmente e a resposta foi muito boa. Abordei alguns clientes importantes do ponto de vista de prestígio, que têm um padrão de qualidade associado”.

Contornar as adversidades da distribuição Por semana, a produção varia entre 300 a 400 caixas que se destinam a pontos de revenda como El Corte Inglés e Aeroporto de Lisboa e a entrega é feita pessoalmente. “Já recebi propostas do Porto, Leiria e Algarve, mas fui sempre obrigado a recusar, porque não tenho forma de os abastecer. Existe esta dificuldade na distribuição e estamos a falar de um produto que tem uma validade de três semanas, senão perde a essência”. Ainda não é feita venda ao público, mas as ideias estão em cima da mesa. Uma opção em análise passa pela criação de uma plataforma online em que qualquer pessoa possa comprar diretamente. “É um canal que acho interessante, porque estaria em contacto com o cliente final e permitir-me-ia trabalhar sem ter de deslocar-me”. Até lá, Jordão Luís conta com o auxílio da mãe e da irmã na confeção e juntos dão conta do recado.

História dos pastéis de amêndoa Afinal, a Peninsulares já existe há muito tempo. La Salete Jordão, prima-avó do atual proprietário, era professora e bastante religiosa. Ia frequentemente a Évora visitar umas amigas que eram freiras e acabou por comer tantos pastéis de amêndoa que lhes pediu a receita. “Em 1949, essa prima resolveu patentear a marca Peninsulares, por causa das invasões francesas que decorreram aqui no Vimeiro. Nessa época, ela fabricava alguns pastéis e a minha mãe, com 7 ou 8 anos de idade, ia para o hotel das termas vender aos turistas”. No entanto, La Salete Jordão deixou de conseguir conciliar os doces, “que eram um produto trabalhoso 28 | Revista Business Portugal outubro 2019

Travessa Florinda Baptista, 1, 2530-847, Vimeiro, Lourinhã 915356094 • deliciasdovimeiro@gmail.com


M.BIÓTICA CENTRO DIETÉTICO

MELHOR OPÇÃO PARA O BEM-ESTAR Ao longo de quase 20 anos de existência, o M.Biótica Centro Dietético oferece uma variedade de produtos e serviços que se aliam ao bem-estar do consumidor. Em conversa com a Revista Business Inicialmente, a gerente Maria do Rosário Frederico reconheceu a evolução do negócio e explicou o conceito que promove.

É

importante reconhecer a preocupação despertada em cada caso e com cada pessoa. Grande parte dos clientes procura produtos específicos, mas, ainda assim, o atendimento na M.Biótica Centro Dietético requer a compreensão do tipo de necessidade e da perceção da melhor opção para cada um. “Tentamos sempre aconselhar um produto que pensamos ser o mais indicado para o nosso cliente. Não temos competência para fazer diagnósticos, mas é por uma questão de bom senso muitas vezes, acabam por não vender um produto e recomendam aconselhamento junto de um médico ou terapeuta.” “As vendas são a nossa sustentabilidade, mas o nosso foco não é a venda. O nosso foco sempre foi fazer aquilo que, na nossa perspetiva, é melhor para as pessoas que nos procuram”. Assim, a confiança acaba por ser alcançada, tanto através desta segurança transmitida, como da comercialização de produtos nacionais e internacionais de melhor qualidade e da minuciosidade dos serviços prestados. “Temos clientes espalhados pelos 4 cantos do mundo. Enviamos todos os dias encomendas para todo o lado”. Uma parte desta procura também é influenciada pelo programa de fidelização de clientes que operamos que para além de aliar parceiros de negócios em todo o mundo, é um canal de comunicação direta com os clientes que nos permite promover a nossa empresa de uma forma direta e objetiva. No entanto, 2 décadas de existência têm muito para contar. Mª do Rosário Frederico acabou por casualidade neste negócio idealizado pela família e a verdade é que se manteve até hoje. De uma pequena loja numa aldeia perto da Lourinhã, a M.Biótica Centro Dietético acabou por ser arrastada para o centro do concelho. Isto, porque, a dada altura, foi necessário encontrar localização e um espaço capazes de responder à procura significativa. “No início, eu própria como consumidora não tinha onde comprar o produto e foram surgindo novas necessidades. Inicialmente contactei aquelas marcas de que tinha referência e depois começámos a ser nós procurados. E num curto espaço de tempo este setor evoluiu de forma quase inexplicável”.

Maria do Rosário Frederico, gerente

De facto, houve uma reviravolta e a suplementação começou a ser mais valorizada e até “os suplementos são produzidos sob um controlo de qualidade rigorosa e sob a vigilância de diversas entidades”. Mas continua a ser importante reforçar a ideia de que os suplementos são complementares e não substituem a alimentação. Enquanto o mercado se vai adequando às novas tendências, a M.Biótica Centro Dietético vai “sendo levada com a maré” e a expansão é uma possibilidade, caso o negócio se depare com essa necessidade. Fica o convite de Mª do Rosário Frederico, “Não há nada como conhecer e experimentar, tendo em conta que os Suplementos são complementos e não substituem a alimentação equilibrada, mas podem promover melhor qualidade de vida e bem-estar”. Alameda Nuno de Brion, 2530-921 Lourinhã Telefone: 261 437 894 Facebook: /M.Biotica

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CENTURY 21 RAMOMI

“A NOSSA MAIOR PREOCUPAÇÃO É A SATISFAÇÃO DO CLIENTE” Fundada aproximadamente há 19 anos, a Century 21 Ramomi é atualmente uma empresa de referência no mercado da imobiliária e conta já com vários prémios e distinções. Tatiana Correia, consultora, dá-nos a conhecer mais sobre esta mediação imobiliária de sucesso.

C

omo se encontra o setor imobiliário na Nazaré? Muita procura e pouca oferta. Os imóveis novos, que se encontram em fase de construção, estão direcionados para residências secundárias. O preço/metro também acabam por selecionar o investidor, afastando os residentes à sua compra de habitação permanente, criando um injusto afastamento dos mesmos. O maior desafio é a falta de imóveis e o desequilíbrio entre a procura e a oferta. Não há oferta suficiente. O que é necessário para se ser um bom agente imobiliário? Conhecimento do mercado, facilidade em criar empatia com os clientes, profissionalismo, credibilidade e ser uma pessoa íntegra e de confiança. Como prevê o futuro no setor? Alguns erros não se vão repetir porque, no mercado de hoje, existem novos comportamentos. Por exemplo, a compra está apenas acessível a quem tem capacidade financeira estabilizada, ao contrário do que aconteceu com as corridas ao crédito de habitação no passado. Regras impostas pelo banco de Portugal, vieram trazer reais condicionantes aos compradores, como por exemplo, a obrigação de entrada com capitais próprios no valor de 10 por cento do montante de aquisição do imóvel, entre outros. No entanto, muitos investidores arriscam, entrando em negociações mais arriscadas com a expectativa de que os preços irão aumentar ainda muito mais, estando assim a repetir os mesmos atos do passado. O mercado imobiliário será seletivo e apenas trabalharão, nesta área, profissionais do imobiliário com experiência, integridade e confiança do mercado, aumentando assim o nível de exigência entre agentes, o que irá melhorar o serviço prestado aos clientes. Os preços vão aumentar no próximo ano, no mercado da Nazaré, pela falta de produto no centro da vila.

Tatiana Correia, consultora

Quais os principais desafios impostos, atualmente, ao setor imobiliário? Os clientes irão cada vez mais entrar em contato com os imóveis através da internet, como tal é muito importante sermos inovadores com as nossas ferramentas tecnológicas. A Century 21 tem sido incansável a tentar estar mais próximo das escolhas e necessidades dos clientes. Acabou de criar uma inovadora App 21 – sendo de grande importância darmos seguimento a estas ideias.

CENTURY 21 Ramomi 262561655 • Avenida Vieira Guimarães 47 2450-110 Nazaré

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IMOBILIÁRIO E INVESTIMENTOS Portugal é o mercado imobiliário mais dinâmico da Europa Ocidental graças a incentivos fiscais concedidos a compradores estrangeiros e aos chamados programas de vistos gold, que oferecem licença de residência em troca de um investimento mínimo de 500.000 euros. Assim, de norte a sul do país, atraídos pelo clima, mar, serra, gastronomia, segurança e simpatia do povo português, assistimos a um crescimento exponencial quer do turismo, quer do investimento imobiliário residencial. Os investidores estrangeiros investiram 4,3 mil milhões de euros em imobiliário português através do programa de residência desde que começou em 2012. Nesse seguimento, o primeiro-ministro António Costa já sinalizou que o país precisa de incentivos para continuar a atrair investimento. Um dos eventos nacionais mais importantes para o setor, o SIL – Salão Imobiliário de Lisboa – realizou-se nos passados dias 10, 11, 12 e 13 de outubro na FIL. Trataram-se de 4 dias de exposição, oportunidades, conferências e networking, onde houve espaço para grandes projetos de desenvolvimento comercial, conhecimento das últimas tendências dos principais especialistas do setor e identificação dos potencias parceiros e negócios por entre os vários expositores. Aqui foi o ponto de encontro dos Investidores, Empresários, Técnicos, Organismos Públicos e Público potencial comprador, onde também a Revista Business Portugal não pôde deixar de estar presente. Aqui ficam algumas das principais declarações dos players do setor presentes no evento…

Chegámos à conclusão de que estamos numa fase de transformação e de transição do mercado que cria desafios. Mas estamos otimistas, obviamente com as cautelas devidas, onde o grande desafio é o rendimento disponível das famílias. Mas, na realidade, no que hoje podemos estar confiantes é que a procura (ao nível do turismo) é consistente e continua a aumentar, o que vem demonstrar que Portugal tem um mercado com enorme potencial, mas é preciso mudarmos a perspetiva e a forma como olhamos para esse mercado.

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Ricardo Sousa - Century 21

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Portugal é um mercado muito atrativo. Os nossos investidores procuram parceiros em diferentes países e encontram-nos aqui, em Portugal, e isso é muito bom. Foi extraordinária a forma como o país superou a crise e a transformação que está a sofrer. Isso criou oportunidades para o investimento. Espanha investe aqui porque encontra aqui as oportunidades certas que procura.

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José Borregón – Arcano Partners

Estamos num ciclo muito positivo. De uma forma geral, penso que Lisboa tem tudo para olhar para o futuro turístico de uma forma otimista. Lisboa hoje passou para a segunda divisão do turismo europeu, estava na terceira. Julgo que temos um espaço de progressão importante a fazer, sobretudo ao nível do preço. Temos um iceberg que se chama aeroporto e que esperamos que se resolva rapidamente.

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José Roquette – Grupo Pestana O principal problema que temos é a demora nos processos de licenciamento dos projetos. A maior parte das vezes nós reagimos aos acontecimentos, em vez de mudarmos as estratégias com que enfrentamos o mercado. Em todos os sítios do mundo existe uma relação entre os preços das casas e os rendimentos per/capita da população. Penso que os investidores estrangeiros continuarão a vir, porque temos muitas coisas boas que os atraem, mas começa a ser um mercado difícil de atingir para os portugueses, principalmente em Lisboa.

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Pedro Silveira – Grupo SIL

Em 2013 chegámos a Portugal. Viemos porque tivemos luz verde para investir em Portugal, num bom momento, num momento de força e saída da crise. Tem sido uma boa aventura, estamos muito felizes por estarmos aqui e é por isso que estamos, pela primeira vez, neste evento.

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Claude Kandiyoti – Krest

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SACL

A TRABALHAR NO SEU CONFORTO HÁ TRÊS DÉCADAS A SACL é uma das empresas, do ramo do ambiente doméstico, mais antigas no Algarve e prima por ter um serviço pós-venda sublime. Em entrevista à Revista Business Portugal, Vivaldo Bernardo deu-nos a conhecer a empresa onde é hoje sócio-gerente.

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nosso entrevistado, que começou por ser um aprendiz quando a SACL tinha cerca de um ano de mercado, explicou-nos que a empresa foi fundada há 31 anos por um técnico australiano, John Woodhams, que estava a viajar pelo mundo e acabou por atracar no Algarve. Com conhecimentos na área da refrigeração e ar condicionado, abriu o atual escritório, com oficina sediada em Lagoa e, apesar das dificuldades iniciais, a empresa foi crescendo. A refrigeração e ar condicionado sempre fizeram parte da realidade da empresa, mas para haver um acompanhamento do mercado, foram introduzidos novos serviços e, ao dia de hoje, a SACL trabalha com energia solar, bombas de calor, tratamento de água e coberturas para piscinas e spas. Todos os produtos utilizados são cuidadosamente selecionados nos melhores fornecedores do mercado, sendo da responsabilidade do cliente a escolha da marca: “Temos uma diferença da gama baixa para a de topo. A gama baixa também tem garantia de dois anos e tudo funciona de igual forma. Não vou dizer que a qualidade do produto é muito inferior, mas há diferenças. Daikin é o topo do ar condicionado, mas o cliente é quem decide”, refere Vivaldo. Para assegurar um serviço competente, a equipa da SACL é profissional, certificada e qualificada. Um dos fatores que a diferencia é o cuidado ao pormenor, uma vez que, tendo a noção de que se inserem numa região habitada maioritariamente por estrangeiros, há a preocupação de terem uma equipa bilingue, de forma a dar resposta e satisfazer da melhor forma o cliente.

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Vivaldo Bernardo, sócio-gerente Anabela, administrativa

Assistência técnica como prioridade Vivaldo Bernardo lidera uma empresa que sobressai pelo serviço pós-venda pois, para o nosso entrevistado, é na manutenção que está o segredo para um produto perfeito: “Eu dou sempre grande prioridade à assistência, ao abrigo da garantia e mesmo fora dela. O nosso produto está feito, nós somos responsáveis pela execução, instalação, manutenção e pelo apoio do mesmo. Quem é que nos dá o apoio no produto? O nosso fornecedor. Quem é que apoia e tem de ter sempre um bom serviço perante o cliente? Somos nós”. Os clientes da SACL têm oferta da manutenção no primeiro ano, passando a pagar um preço simbólico a partir do segundo ano, sempre com a garantia de ter um acompanhamento sublime, até porque é esse o interesse de ambas as partes: “Se satisfizermos o nosso cliente, daqui a sete ou oito anos, quando a máquina lhe der algum problema, conseguimos fazer update do equipamento”, explica Vivaldo Bernardo, acrescentando que “ao longo dos anos, aquilo que nos vai distinguindo é o facto de sermos fieis, transparentes e profissionais. O que nos faz prevalecer é a prontidão, o respeitar o cliente e não lhe voltar as costas”.

PME Excelência - A recompensa pelo esforço 2013 foi um ano duro, em que a empresa passou por uma fase difícil, tendo chegado a dispensar alguns colaboradores. Apesar de tudo, conseguiram ultrapassar esse momento de crise e hoje estão cheios de força e dinamismo. Vivaldo Bernardo confessa que a rotina da SACL é bastante exigente, mas o esforço de toda a equipa tem levado a um crescimento muito estável e saudável. Resultado disso, foi a mais recente distinção de PME Excelência atribuída a esta empresa. Com os pés bem assentes na terra, Vivaldo Bernardo quer crescer ainda mais, mas com calma, assegurando que irá continuar a colocar o mesmo espírito de sacrifício no negócio, para levar a SACL a bom porto, sem perder a humildade que a caracteriza.


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VIVER [N]O ALGARVE EM PLENO O empreendimento W Residences Algarve encontra-se em plena fase de construção e foi aquando da nossa estadia pela zona sul do país que tivemos a oportunidade de conhecer, pelas palavras de Rui Costa – porta-voz da administração, este projeto inovador e ambicioso.

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erá inaugurado já em 2020 o mais recente empreendimento da marca W em Portugal. Trata-se de um projeto de grandes dimensões e de ainda maior qualidade, que englobará um hotel da cadeia Marriott e um conjunto alargado de residências. Tratar-se-á de um aldeamento que servirá todas as necessidades daqueles que procuram o Algarve para visitar ou, também, para morar. A W Algarve trará moda, música, design e qualidade de vida aos seus clientes (oriundos das mais diversas nacionalidades). Assim, a região mais a sul do país, conhecida pelas suas belas praias, estilo de vida descontraído, campos de golfe com vista mar, vilas com personalidade, culinária deliciosa e paisagens inesquecíveis, ganhará mais uma boa razão para ser a escolha de quem ainda não decidiu qual o seu próximo destino de férias ou melhor local para viver. Rui Costa esclareceu que o proprietário do empreendimento é um investidor morador no Qatar e explicou-nos as mais-valias inquestionáveis desta construção: “Temos como primeiro fator positivo o facto de já haver uma anterior licença que permitia esta construção tão perto do mar – o limite é, atualmente, de 500 metros e nós estamos a 350 metros do oceano. O segundo motivo distintivo é, sem dúvida, a marca. A W é uma marca virada para os jovens e para as famílias dinâmicas que gostam de aproveitar o bom que o mundo tem para oferecer. É uma marca virada para os ‘Cristianos Ronaldos’ desta vida. Por fim, temos um outro argumento muito bom, a qualidade dos acabamentos desta construção. De facto, o proprietário não olhou aos custos e quis ter o melhor de Portugal e do Algarve neste seu investimento”. 36 | Revista Business Portugal outubro 2019

W Residences Algarve – a magnitude do projeto Este W Residences pretende assumir-se como uma alternativa ao famoso golden triangle do Algarve (composto pela Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura), provando que em Albufeira também existem condições excelentes para uma construção deste género: “Aqui a Galé é conhecida por ser uma zona calma e pacífica, perto de Albufeira, e que ostenta algumas das mais impressionantes praias do Algarve”, afirmou o nosso entrevistado. Espalhados por uns generosos 241 mil metros quadrados encontraremos um hotel, 83 apartamentos e uma alargada green area. A ideia deste projeto é permitir a utilização dos serviços do hotel aos


W RESIDENCES ALGARVE

moradores da quase uma centena de residências que se encontrarão neste aldeamento. No W Residences Algarve as vantagens das propriedades são inigualáveis. Aqui a vida inspirada no hotel inclui serviço 24h e acesso às extensas instalações do W Algarve – para além de uma equipa totalmente dedicada. Nesse seguimento, os residentes poderão desfrutar de refeições na residência, descontos nas lojas W Hotel, serviço de limpeza, tarifas preferenciais nos hotéis Marriott, entre outras regalias.

85 por cento dos apartamentos do W Residences Algarve têm vista mar e todo o empreendimento tem acesso a três maravilhosas praias: à praia da Balbina, à do Evaristo e à do Castelo.

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W RESIDENCES ALGARVE

Dividido em quatro blocos, este empreendimento terá o hotel a ocupar os blocos A, B e D e as residências a totalidade do bloco C. Já quanto às tipologias dos apartamentos, estas variarão entre o T1 e o T4: “No bloco A teremos 70 quartos de hotel (50 king, 13 queen, 6 wow [suites] e 1 e-wow [suite presidencial]). No bloco B teremos 40 quartos (29 king, 3 queen, 4 wow e 4 para pessoas com deficiência) e 12 residências para exploração do hotel. No bloco C teremos as 83 residências e o bloco D será a nossa área de serviços. Esta área foi propositadamente colocada à face da estrada porque nós queremos abri-la ao exterior. Vai ter um restaurante panorâmico, um spa e um ginásio que pretendemos que sejam usufruídos pelo público sem perturbar os clientes do hotel”, esclareceu Rui Costa.

A primeira fase de vendas das residências deste aldeamento iniciou-se em março e até agosto já 14 apartamentos tinham sido vendidos para pessoas com diferentes nacionalidades: ingleses, franceses, suíços, noruegueses e canadianos são os que mais se destacam.

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W RESIDENCES ALGARVE

Portugal e o resto do mundo no mesmo espaço O design conta histórias. Se alguém sabe disso é o AB Concept: a potência internacional do design por detrás do W Algarve e do W Residences Algarve. A AB Concept tem um portfólio brilhante com projetos anteriores que incluem hotéis de cinco estrelas e instalações luxuosas de restaurantes. Para a W Residences Algarve, a equipa inspirou-se no nosso país e em toda a região sul. Os interiores interpretam paisagens locais e a cultura da região. As cores, as formas e os materiais refletem a influência do Atlântico ali tão próximo. No fundo, toda a construção e decoração do hotel foram pensadas sob a influência dos traços nacionais. Assim, encontrar-se-á representada a calçada portuguesa, o azulejo, a porcelana, as escamas dos peixes e as ondas do mar, um pouco por todo o empreendimento. A juntar a isso, também as zonas exteriores serão ornamentadas com oliveiras e amendoeiras (típicas árvores portuguesas), contrariando a tendência das palmeiras que se encontra um pouco por todo o Algarve. Fundido com essa aparência natural, está o estilo exclusivo W de alta energia. Em termos de design, isso traduz-se numa série de surpresas. Moradores e visitantes serão convidados a deixar que diferentes narrativas de design se multipliquem ao seu redor. É o Algarve, reinterpretado pela W. No entanto, nem só de Portugal se faz o W Residences Algarve. Este empreendimento contará com restaurantes internacionais, numa fusão com pormenores nacionais. Para colmatar, junto à piscina principal haverá uma cabine de Dj que promete animar e dar vida a todo o espaço.

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CARVOEIRO CLUBE GROUP

UMA COLEÇÃO DE EXPERIÊNCIAS ESPERA POR SI No âmbito do SIL – Salão Imobiliário de Portugal, a Revista Business Portugal apresenta nesta edição uma das maiores empresas do setor a atuar no Algarve. Erik De Vlieger foi o porta-voz numa conversa que nos deu a conhecer o Carvoeiro Clube e a sua estratégia de atuação no mercado.

A

pessoa por detrás do Grupo Erik De Vlieger é holandês e, desde cedo, se dedica ao mundo empresarial. Liderou empresas no seu país de origem, mas foi em Portugal, mais recentemente, onde decidiu viver e investir. Para trás ficou, entre outros, um negócio familiar de fabrico de máquinas de costura industriais (fundado pelo pai) para abraçar um novo projeto: o Carvoeiro Clube. “Adquiri, em 2006, 25 por cento da empresa e o motivo é muito simples: eu gosto disto! Gosto das infraestruturas, reestruturações e do serviço completo que oferecemos”, começou por explicar. A entrada de Erik De Vlieger nesta empresa permitiu o crescimento exponencial da mesma (aumento do número de clientes e, consecutivamente, de faturação): “Depois da crise, de 2008, reconstruímos a nossa empresa com uma nova oferta de imóveis. Estrategicamente, posicionámo-nos numa vertente de serviço que fornece soluções em todas as vertentes: compramos, reconstruímos, vendemos, arrendamos e gerimos os empreendimentos”, aprofundou. ANTES

Erik De Vlieger, Sócio-gerente

Fundado em 1982, o Grupo Carvoeiro Clube, assume-se como uma empresa de alargada abrangência com serviços de imobiliária, aluguer e manutenção de propriedades, que emprega cerca de 250 pessoas, gere 400 unidades e opera 11 resorts. Pretende chegar ao TOP 10 das melhores empresas portuguesas e alargar a sua atuação a locais como Braga, Guimarães e Coimbra.

Atrium Lagoa

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ANTES

Quinta do Alagarvio Village

Portfólio repleto de produtos de qualidade Atrium Lagoa O Atrium Lagoa, localizado numa das principais entradas da cidade, deverá estar pronto para receber os primeiros residentes, em maio de 2020, e será um dos grandes investimentos do empresário holandês. Num edifício que promete destacar-se pelo conceito amigo do ambiente, serão construídos 52 apartamentos, 13 espaços comerciais e 70 lugares de estacionamento subterrâneo.

Quinta do Algarvio Village É um resort situado num dos locais mais desejáveis do Algarve (Carvoeiro). Este aldeamento de luxo, composto por 32 moradias em banda de dois quartos e dez apartamentos de um ou dois quartos, proporciona uma sensação única de privacidade, assim como o contemporâneo conceito de design de interiores num estilo mediterrâneo e cores de praia. Os clientes deste empreendimento têm acesso exclusivo às instalações desportivas do Carvoeiro Clube Group.

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CARVOEIRO CLUBE GROUP

Vale de Milho Village Este empreendimento turístico de cinco estrelas (composto por 32 moradias geminadas de dois e três quartos) foi projetado para ir ao encontro dos mais altos padrões de qualidade, oferecendo o melhor de uma habitação de luxo. Este resort exclusivo oferece uma ótima acessibilidade à vibrante vila do Carvoeiro, onde os moradores podem desfrutar de uma grande variedade de locais de lazer e entretenimento.

Participação no SIL A participação no Salão Imobiliário de Portugal foi justificada através de dois objetivos concretos: “Por um lado, queremos transmitir a todas as agências imobiliárias presentes no evento que nós estamos dispostos a trabalhar com elas. Todos ganhamos

com parcerias deste género. Por outro lado, queremos enviar uma mensagem aos bancos, fundos imobiliários e a toda a gente. Uma mensagem que mostre que nós temos uma excelente equipa de gestão imobiliária e de desenvolvimento, porque conhecemos bem o mercado. Uma mensagem que reforce o que queremos: queremos desenvolver soluções para qualquer produto imobiliário e acrescentar valor às cidades onde construímos”, reiterou o nosso entrevistado. Nesse seguimento, Erik De Vlieger confidenciou-nos a sua forma de ver o mercado: “Acredito que de Armação de Pera até Silves nós precisamos de oferta de qualidade. Nós concorremos com destinos como a Grécia, Egito, Turquia e só nos podemos distinguir pela qualidade dos imóveis que oferecemos”, assumiu, ao mesmo tempo que nos dava conta das nacionalidades que mais compram no Algarve: “Maioritariamente americanos, canadianos, suecos, iranianos e chineses”.

Uma mensagem do empresário palestrante Conhecido pelas inúmeras palestras que ministra acerca do mundo dos negócios, Erik De Vlieger lamentou a falta de investimento industrial no Algarve: “A mono indústria que se verifica no Algarve (turismo) é o principal perigo que enfrentamos, porque não oferece condições para a fixação das gerações mais instruídas e, por isso, precisamos da ajuda do governo para reverter essa situação. A indústria do desporto pode ser uma solução para a zona sul do país, bem como a indústria dos call centers. Precisamos de combater a sazonalidade algarvia, dotando esta região de atividades que funcionem o ano inteiro e que nos salvaguardem nos momentos de crise turística que podem, eventualmente, acontecer”, finalizou o empresário. Vale de Milho Village

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QHOUSE SOLUÇÕES IMOBILIÁRIAS

“A NOSSA MISSÃO É SATISFAZER O CLIENTE”

José Gabriel Vala, gerente

Numa conversa descontraída e envolvente, José Gabriel Vala, gerente da Qhouse Soluções Imobiliárias, descreve a paixão que sente ao trabalhar com o melhor de dois mundos: na terra que o viu nascer e no negócio de lazer e segunda habitação.

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oi com o pensamento de oferecer proximidade e personalização a cada cliente, que José Vala fundou a Qhouse há 20 anos. Entre alterações no mercado e melhoria de alguns conceitos, manteve-se sempre fiel aos seus princípios. Hoje são uma empresa diferenciadora no mercado imobiliário: “Primeiro reúno com o potencial interessado para saber o que realmente pretende. De seguida, proponho o imóvel adequado ao gosto do cliente, tenho em carteira ou procuro e, posteriormente, dou todo o acompanhamento necessário até á conclusão do negócio. Quero fundamentalmente que a pessoa fique convicta que o imóvel proposto é realmente o que procura”, cita José Vala. Com o olhar fixado no desenvolvimento e promoção da região, focado nas aldeias que integram o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), como as freguesias de Alvados e Alcaria, Arrimal e Mendiga, Serro Ventoso e São Bento, procederam à recuperação de excelência de diversos espaços rurais. As casas antigas foram restauradas e transformadas em parceria com a Qhouse, acompanharam cada projeto, desde a ruína até ao produto final. Em plena zona onde a natureza está implícita, a junção da excelente gastronomia e alojamentos locais, dos circuitos pedestres e ciclovias, turismo histórico e natural como as grutas naturais de Mira de Aire, são a união perfeita para residir ou ter apenas uma breve passagem pela região. 44 | Revista Business Portugal outubro 2019

Mercado de segunda habitação Começou por ser, há 15 anos, um “desafio interessante”. Os habitantes dos grandes centros urbanos procuravam a paz que a beleza de Porto de Mós poderia oferecer, mas como segunda habitação. A 100 quilómetros de Lisboa, perto de Fátima, Nazaré e São Martinho do Porto, Alcobaça e Leiria, com uma área de proximidade reduzida, a acessibilidade às mesmas é efetuada com bastante facilidade. Atualmente é algo comum e que, por vezes, torna-se difícil dar resposta a tanta procura. Procura esta que é efetuada por clientes nacionais e estrangeiros, com dois objetivos bem concretos - investir e restaurar casas para alojamento local ou simplesmente para usufruto próprio. O contato com a natureza é algo pelo qual todos procuram. Potenciar negócios de terrenos com mil a três mil metros quadrados, onde seja possível fazer um projeto à sua medida em espaço rural, a Qhouse responde a esta pretensão: “A nossa missão é satisfazer o cliente. É a casa de campo no sítio certo”. Na fase pós-venda, a proximidade mantém-se e a relação de amizade acaba por se estabelecer. Problemas que eventualmente possam acontecer são assegurados pela Qhouse, pois por vezes é-lhe confiada a chave do imóvel, pelo novo proprietário ou arrendatário, o que salvaguarda a segurança, tranquilidade e confiança do cliente.

Mercado de primeira habitação Em plena zona de oferta profissional elevada, pela qualidade e localização das áreas empresariais do concelho, onde a procura tem sido cada vez maior e, consecutivamente, a habitação também: “Conseguimos atrair muita gente e as pessoas, realmente, procuram-nos”. Os motivos são mais do que propícios para as pessoas se fixarem nesta região, desde os que foram anteriormente mencionados aos excelentes acessos. São exemplos a A1, A8, IC2 e IC9, que permitem as acessibilidades aos diferentes pontos da região e do País. Embora, atualmente, a dificuldade resida na falta de imóveis para alojar todas as pessoas, existem alguns projetos com tendência a aumentar e a crescer. O ideal é conciliar o emprego, a habitação e os serviços, e a vantagem é que “temos estas caraterísticas, mesmo que as pessoas tenham de se deslocar para outros sítios, pois os nossos acessos são excelentes”, afirma José Vala.

Um futuro com compromisso Atualmente, a procura para arrendamento e compra é significativa. José Vala garante corresponder às expetativas dos clientes: “Estamos a dar resposta à procura e temos, como aliados, profissionais especializados a desenvolver projetos nesta região, patrocinados pela Qhouse, e a acompanhá-los com a garantia de que serão projetos de sucesso”. Tendo a gestão permanente de mais de 200 imóveis em arrendamento, corresponder à procura do mercado é igualmente uma prioridade. O imóvel de sonho nem sempre é possível ser encontrado de forma imediata, e é a pensar em responder ao mercado atual, que trabalham em busca de um objetivo: “encontrar os imóveis de acordo com o gosto do cliente, aliado a um serviço e acompanhamento personalizado”.

Av. Dr. Francisco Sá Carneiro, 26 B 2480-305 Porto de Mós (+351) 244 042687 (+351) 917 343 042 http://www.qhouse.pt/


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CARLOS MARTINS & LOURENÇO CONSTRUÇÕES

CONSTRUIR NO ALGARVE COM SABEDORIA E HONESTIDADE A Revista Business Portugal esteve à conversa com Carlos Martins, que dá nome à empresa de construção que fundou. Foi no terreno, numa das suas obras em execução, que o gerente da Carlos Martins & Lourenço Construções nos explicou como adquiriu a sabedoria no estrangeiro e a aplicou no mercado nacional.

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roveniente de uma família sem grandes posses, o nosso entrevistado começou desde cedo a trabalhar no mundo das obras, mas, ainda assim, conseguiu tirar um curso de eletromecânica, onde adquiriu conhecimentos em desenho de construção. Conhecimentos esses que o colocaram, desde o início, ao nível dos donos das obras, apesar de, na altura, não ter métodos de trabalho. No entanto, devido ao facto de estar rodeado de pessoas que sabiam trabalhar e da sua vontade de aprender, Carlos Martins cresceu no ramo e é hoje “um técnico de construção em qualquer serviço”, tal como o próprio afirma. Iniciou o projeto com um irmão e, por isso, a Carlos Martins Construções sempre foi uma empresa familiar, fazendo hoje parte da equipa a segunda geração da família – Miguel, que desde sempre trabalhou com o pai e já domina a obra; e Márcio, formado em desporto que não nutre especial gosto pelo mundo da construção, mas vai aprendendo a gostar. O facto de ser uma empresa familiar implica muita responsabilidade, mas também alguma liberdade e segurança no futuro, por haver garantias de continuidade do projeto: “[os meus filhos] São o meu braço direito, eles são o futuro”, defende Carlos. A empresa, que se dedica à construção de edifícios residenciais e não residenciais, tem hoje uma presença solidificada no mercado da construção civil, muito por culpa de, quase desde o início da sua atividade, assegurar uma panóplia de serviços: “Só não tinha eletricidade, mas agora o meu filho mais velho, que é técnico de eletricidade, preenche essa lacuna. Tenho os serviços todos, só não tenho capacidade de resposta, por isso, recorro a outras empresas”, refere Carlos Martins, que confessa que os prazos das obras são curtos e a pressão é elevada, obrigando à subcontratação.

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Márcio, Carlos Martins e Carlos Miguel, gerência


CARLOS MARTINS & LOURENÇO CONSTRUÇÕES

Trazer para Portugal o que de melhor se faz lá fora Foi de um momento para o outro que Carlos Martins recebeu uma proposta, de um alemão, para ir como chefe de obras para o estrangeiro, pensando mesmo tratar-se de uma brincadeira. Mas o alemão estava a falar muito a sério e “no dia seguinte já tinha o bilhete para mim”, como explica o nosso entrevistado, que ficou reticente porque “tinha algumas obras aqui e teria de deixar a minha mulher e os meus filhos pequenos”. Factos que pesaram na decisão e o levaram a recusar a proposta, para descontentamento do germânico. Apesar de, inicialmente, não ter aceite rumar para fora do país, pensou melhor e decidiu embarcar na aventura temporariamente. A experiência acabou por se prolongar mais do que o previsto, mas apesar da diferença salarial e das condições de trabalho serem aliciantes, o saudosismo fizeram-no voltar a casa: “Lembrava-me do que tinha aqui e lá não. É uma vida dura, não a nível de trabalho, mas por estar longe de tudo, por estar longe da família”. E assim foi… voltou. Mas foi essa visão do exterior, essa experiência que Carlos adquiriu lá fora, que teve como consequência trazer para Portugal técnicas que ainda não eram conhecidas: “Trouxe conhecimento e experiência a nível de equipamentos, isolamentos, entre outras coisas. Nessa altura não tínhamos aqui nada do que se via lá fora. O estrangeiro é mais desenvolvido e eu trouxe técnicas novas para cá, alavancando uma qualidade que não se vê noutras obras”.

Trabalhar com sinceridade e honestidade Para além da “qualidade e da segurança, que são duas premissas muito importantes e indispensáveis”, o que distingue a Carlos Martins & Lourenço Construções das demais empresas do setor, é a imagem. O nosso entrevistado diz fazer questão de dar sempre a cara e de estar sempre presente perante o cliente: “Trabalho com sinceridade e honestidade e, para mim, isso é a maior publicidade da empresa”. Carlos foi construindo uma imagem assente em pilares como a confiança e a sabedoria: “Não houve uma obra que deixasse por acabar. Isso transmite confiança e, para mim, o cliente tem sempre razão, nunca se deve contrariar o cliente”. Esta relação de confiança leva a que os clientes voltem a procurar novamente as suas soluções, e não outras. Composta por 12 colaboradores permanentes e por trabalhadores subcontratados, conforme as necessidades, a Carlos Martins & Lourenço Construções consegue assegurar uma capacidade de construção elevada: “Aqui são quatro [obras]. Tenho duas em Vale de Milho, duas em Sines, e no final do mês vou começar mais 34”, remata o nosso entrevistado, que garante haver capacidade de resposta para todos os serviços, desde o início da obra, sempre com uma qualidade transcendente.

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CRIAR VALOR, DANDO LUGAR À VIDA É esta a missão do Grupo Libertas, um grupo que também esteve presente no Salão Imobiliário de Lisboa e que tem como atividade nuclear o setor imobiliário, na área da construção. António Gonçalves, fundador desta empresa, contou à Revista Business Portugal qual tem sido, e vai continuar a ser, a estratégia a seguir.

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em 72 anos e esteve emigrado em França mais de 30. De lá trouxe contactos e clientes com quem ainda hoje trabalha: “Temos uma grande percentagem de clientes franceses, mas posso dizer que tanto os nacionais como os estrangeiros são cada vez mais exigentes e determinam a nossa prestação diária”, começou por nos explicar. Nesse seguimento a estratégia do Grupo Libertas, na realidade atual do setor imobiliário, passa por “fazer habitação média/alta, com grande qualidade e virada para o futuro, tendo em consideração a parte ecológica. Nós só fazemos habitações de classe A ou A+ em termos energéticos, porque é esse o caminho que queremos seguir para um futuro melhor para todos”, acrescentou o nosso entrevistado. Com construções, maioritariamente, na Grande Lisboa (Lisboa, Seixal e Alcochete) e no Algarve (em Albufeira, Faro e Lagoa), António Gonçalves garantiu que o seu mercado é toda a Europa, tendo em conta que que cada vez é maior o número de europeus a procurar Portugal quer para passear como para viver. Também por isso a participação em feiras é tão importante para o sucesso deste Grupo: “Fazemos questão de participar, todos os anos, na Feira Imobiliária de Paris e na de Lisboa (SIL), porque são feiras muito importantes para o setor e que nos permitem, não só divulgar os nossos projetos e trabalhos, como estabelecer contacto com clientes, fornecedores, concorrência e imprensa. São momentos muito importantes que nos permitem perceber o que se passa no setor”, confidenciou. 48 | Revista Business Portugal outubro 2019

250 milhões de euros investidos em construção O Grupo Libertas detém cerca de 600 mil metros quadrados de área de construção em carteira, num valor de investimento que ronda os 250 milhões de euros, repartidos pelas várias empresas que o integram.


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GRUPO LIBERTAS

Resiliência e adaptação: as chaves do futuro Com 160 funcionários diretos e outros tantos subcontratados, o Grupo Libertas entende que a adaptação ao mercado é a chave do sucesso: “Nós não conseguimos impingir um produto que as pessoas não queiram. Atualmente, temos que criar produto quer para o que os portugueses precisam, quer para o que os estrangeiros necessitam. O turismo sénior e o turismo de saúde, por exemplo, são dois dos fatores que nos podem influenciar e dirigir a estratégia num futuro próximo”, finalizou o empresário que já conta com a presença dos seus dois filhos (Cécile e Pascal Gonçalves) na administração do Grupo que fundou. António Gonçalves, fundador Cécile e Pascal Gonçalves, administradores

Dos vários projetos em curso, salientam-se o Albufeira Prime, o Tagus Bay (na área metropolitana de Lisboa), o Ferragudo Design Villas, o Unique Belém e o Lux Terrace (em Faro): “Este é um Grupo que investe. Atualmente, somos pouco compradores, porque temos muito stock. O Grupo Libertas conta, neste momento, com mais de 3000 fogos licenciados, por isso, estamos ocupados em construir, promover e vender os nossos produtos”, reiterou António Gonçalves. Como extensão à sua atividade, este Grupo atua, também, na prestação de serviços de apoio aos produtos imobiliários, na produção de energias renováveis (com uma central hídrica em Armamar e uma fotovoltaica em Almodôvar) e na produção agrícola em modo biológico (com uma herdade de 800 hectares, em Palmela, que se encontra devidamente certificada para este tipo de produção).

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A ELEVAR A SUA VIDA Visite o nosso stand de vendas na Av. David Mourão Ferreira, (em frente ao nº51) 1750-220, Lumiar, Lisboa. De Segunda a Sexta-Feira: 10h-19h | Sábados e Domingos: 10h-18h

Visit our sales office at Av. David Mourão Ferreira, (in front of no. 51) 1750-220, Lumiar, Lisbon. Monday to Friday: 10am-7pm | Saturdays and Sundays: 10am-6pm

21 759 03 71 lagoaltear@altear.pt www.altear.pt outubro 2019 Revista Business Portugal | 51


SOLYD

SOLYD APRESENTA-SE NO SIL COM PROJETO NA ALTA DE LISBOA João Paula Santos, Gonçalo Cadete, João Cardão e Tiago Belo são os quatro Managing Partners que compõem a administração da SOLYD e foi com eles que estivemos à conversa para esta edição especial sobre o Salão Imobiliário de Portugal 2019.

João Cardão, Tiago Belo, Gonçalo Cadete, João Paula Santos, administradores

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egundo a SOLYD Property Developers, este ano, a presença no SIL teve como objetivo o reforço da marca SOLYD e a apresentação de dois projetos de grande dimensão que estão a desenvolver e que consideram ser bastante apelativos para o público-alvo deste evento, como é o caso da classe média portuguesa. Os quatro entrevistados contaram à Revista Business Portugal que, enquanto Managing Partners, apostaram nestes projetos porque desde muito cedo, na sua atividade, identificaram a necessidade de construir um produto adequado às famílias portuguesas, que não podem pagar valores elevados como os que estão a ser praticados atualmente em boa parte da cidade de Lisboa. Assim, os projetos ‘ALTEAR e ‘VALRIO Terrace Apartments - este último desenvolvido em parceria com a Habitat Invest - oferecem qualidade a um preço acessível: “Todas as visitas que tivemos ao andar modelo do ‘ALTEAR foram uma surpresa, dado que as especificações que estamos a oferecer neste empreendimento são muito superiores ao que é normal encontrar nesta localização”, esclareceram, ao mesmo tempo que nos davam conta de que todos os apartamentos possuem certificação energética A e A+. 52 | Revista Business Portugal outubro 2019


SOLYD

O imponente ‘ALTEAR na Alta de Lisboa Em fase de desenvolvimento e comercialização, este projeto assume uma enorme importância para a SOLYD: “A nossa plataforma tem como investimento bruto em Portugal cerca de 420 milhões de euros e quase metade desse investimento está canalizado para o projeto ALTEAR”, confidenciaram. Trata-se de 120 mil metros quadrados, divididos por 10 edifícios, dos quais já foram lançados dois com cerca de 100 apartamentos. O projeto terá, para além do grande número de apartamentos, cerca de dois mil metros quadrados de retalho. “Estamos a trabalhar com uma consultora internacional de referência, de forma a definirmos os conceitos de retalho do ALTEAR. Isto porque a nossa ideia não é tornar este empreendimento um dormitório, mas sim criar condições para que ali haja emprego, dinâmica e vida”, reforçaram. Em pleno stand localizado no Salão Imobiliário de Portugal, onde um dos temas abordados ao longo do evento foram os desafios atuais impostos ao setor imobiliário, os quatro Managing Partners também aproveitaram para comentar o tema: “O principal desafio que nos tem sido imposto está ligado aos custos de construção. Os empreiteiros estão com bastante trabalho, existe falta de mão-de-obra qualificada em algumas especialidades e, perante estes factos, os preços, naturalmente, aumentam. Para atingir o nosso objetivo em oferecer um produto de qualidade a um preço acessível, a nossa equipa técnica tem trabalhado a fundo com projetistas e empreiteiros, de modo a otimizar o mais possível os custos de construção”, reiteraram. Em final de conversa, confidenciaram que permanece o desejo de levar o conceito apresentado no evento a outras zonas do país: “Estamos a trabalhar para replicar o modelo ‘ALTEAR e VALRIO noutras localizações. Temos já identificadas algumas opções na zona da Grande Lisboa, mas o nosso objetivo é continuar a encontrar zonas que sejam apelativas para as famílias portuguesas e conseguir desenvolver projetos nesses locais. Nesse sentido, temos olhado para as zonas do Algarve e Porto, onde nunca desenvolvemos nenhum projeto, mas onde gostaríamos, no futuro, de vir a desenvolver”, finalizaram.

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HOME TAILORS

UMA CASA À SUA MEDIDA

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er empreendedor Procurar a mudança, reagir a essa mudança e explorar cada oportunidade de uma forma quase obcecada e resiliente. Um empreendedor vê mais além e acredita que consegue saltar de uma montanha sem paraquedas e inventar um na descida. Um misto de loucura saudável e visão e, acima de tudo, uma capacidade de trabalho inesgotável e contagiante. Muito mais que um chefe, é um Líder. Mais um membro da equipa que não sossega enquanto o próximo projeto não nasce. Se este é o seu perfil, faça da Home Tailors o seu próximo projeto.

testado e integrado, numa marca de prestígio, e como uma estrutura montada para dar apoio e impulso aos novos franchisados, fazendo-os crescer e alcançar os seus objetivos enquanto empresários. O Perfil Um franchisado Home Tailors incorpora características particulares que se refletem na sua forma de encarar a vida e as adversidades profissionais. Verdadeiros empreendedores, com resiliência, espírito de gestão e disponibilidade para se dedicarem a um negócio exigente e diário. O conhecimento de mercado e experiência no setor são variáveis importantes na seleção e sucesso de uma futura operação. David Carapinha e Tiago Gonçalves, CEO e CFO

O Setor Imobiliário Visto como um dos motores da economia nos últimos anos, o setor imobiliário tem registado níveis de crescimento recorde, não apenas no volume negociado, mas também na quantidade de transações registadas. Em 2018 e 2019 o mercado registou números estratosféricos, tendo o imobiliário comercial crescido substancialmente face aos anos anteriores, e tendo captado um valor de investimento estrangeiro muito acima da soma dos anos anteriores, numa divisão onde as principais rúbricas continuaram a ser os espaços para retalho e os escritórios. Já na habitação, voltou a assistir-se a um dinamismo elevado, registando-se um crescimento (em volume de transações) de cerca de 20 por cento, sendo que, em Lisboa, a maioria dos negócios voltaram a ser concretizados por não nacionais. Para 2020, e embora há muito se fale de um arrefecimento do setor, é esperado mais um ano fantástico suportado em projetos imobiliários de grande dimensão, continuação de crescimento no setor hoteleiro e concretização dos já anunciados REITs (Real Estate Investment Trusts) e veículos caracterizados pela constituição de entidades de investimento imobiliário, cotadas com um regime fiscal próprio, permitindo aos pequenos e médios investidores apostar no mercado imobiliário.

A REDE DE FRANCHISING Porquê um franchising? Quando se compara a decisão de um franchising com um investimento num conceito original, assenta-se a decisão na vantagem de investir num conceito 54 | Revista Business Portugal outubro 2019

A Home Tailors Criada com o intuito de fornecer serviços diferenciados a um setor em crescimento, a Home Tailors, tem surpreendido o mercado pelo seu crescimento, sucesso e posicionamento. Em apenas dois anos, a imobiliária de luxo, nascida em Lisboa, deixou a sua marca e transforma-se agora num novo grupo de franchising.

A marca: vantagens e ADN Um serviço de luxo, de forma dedicada e focada no cliente. Este poderia ser o resumo de uma marca que trabalha diariamente com o objetivo na satisfação do cliente. Através de uma metodologia diferenciada, onde se destacam os serviços de estudo de mercado, sessões fotográficas profissionais ou “home staging”, a Home Tailors apresenta- se como uma imobiliária de luxo onde a palavra não significa apenas imóveis de valores elevados ou comissões acima do mercado. "Para nós, o luxo está relacionado com a forma como se vive e se trata cada imóvel e cada cliente", acrescentam os sócios. O ADN corporativo da Home Tailors baseia toda a sua cadeia de valor num serviço de excelência e de proximidade, através de colaboradores profissionais com elevada qualificação e usando mais de 150 portais imobiliários nacionais e internacionais, além de toda a promoção tradicional.


HOME TAILORS

A gestão e a equipa Beneficiando da experiência do CEO, David Carapinha, e do CFO, Tiago Gonçalves, a empresa encontra nos seus dois sócios os pilares de uma equipa de gestão profissional e dedicada, onde a diversidade dos consultores reforça a forma como os novos elementos são integrados, e como os resultados surgem e são potenciados. Fazer parte da família Home Tailors significa integrar um sistema de incentivos único que oferecem a cada elemento, acesso a condições que permitem, não só apenas crescer, mas também criar algo ímpar. Este fator humano é disruptivo e influencia, de forma positiva, todo o grupo de franchisados e parceiros da rede. A Expansão Depois do sucesso obtido na agência do Areeiro, Lisboa, o projeto foi ampliado para três novas localizações. Em maio de 2019 abriu portas o balcão de Sesimbra, focado nas casas de praia e nas propriedades de campo, desde a marginal de Sesimbra até à beleza selvagem da Serra da Arrábida. Ainda durante o verão viu luz o balcão de Telheiras, aproximando assim a equipa Home Tailors de um mercado mais focado nas habitações de família. Já em setembro, a Home Tailors chegou ao Concelho Mafra, levando a sua reconhecida qualidade de serviço à zona Oeste da Cidade de Lisboa. No dia em que inaugurou a loja franchisada de Mafra, a Home Tailors – Oeste recebeu amigos, clientes, parceiros de negócio e muitas caras conhecidas. As atrizes Rita Ribeiro e Helena Laureano, os atores José Carlos Pereira e Filipe Salgueiro, a apresentadora Marta Viveiros, o fotógrafo Abel Dias e o relações públicas Pedro Pinho, fizeram questão de festejar o sucesso da marca numa animada festa!

Helena Laureano Embaixadora da Home Tailors Habituada a desafios, Helena Laureano não pensou duas vezes antes de aceitar o convite dirigido pelo CEO da Home Tailors, David Carapinha. Enquanto embaixadora da marca, desde 2018, a conhecida atriz é o rosto em campanhas publicitárias da marca.

Inauguração da loja de Mafra

Carla Oliveira e Élio Neto Franchisados Home Tailors - Oeste Tendo uma vasta experiência no setor imobiliário, abraçaram o desafio de representar a Home Tailors no concelho de Mafra. Tendo ambos uma base de formação no Exército Português, estes dois profissionais aliam rigor, profundo conhecimento da região Oeste e comprovado conhecimento técnico no setor imobiliário. Com uma equipa preparada à imagem dos seus líderes, a Home Tailors, desenvolve um serviço de excelência nesta região, sempre com o foco: proporcionar aos seus clientes o luxo de ter a sua casa de sonho!

www. htailors.com | 21 793 1839 www.facebook.com/hometailors geral@htailors.com | franchising@htailors.com

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COMPLOT Miguel César Pereira e Vera Pereira Lopes, sócios

Moradia Condominhas, Porto - fotografia de João Morgado

COMPLOT ARCHITECTURE, RETAIL & INTERIOR DESIGN

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Complot Studio, sediado no Porto, surgiu na consequência da colaboração que Miguel César Pereira e Vera Pereira Lopes têm vindo a realizar na área da arquitectura, retail e design de interiores. Dois anos após a criação deste atelier, a dupla prepara-se para inaugurar o seu mais recente projecto - Métier Boutique Hotel.

pós 10 anos de trabalho em conjunto, em 2017, decidiram iniciar-se a solo, numa dupla que se distingue pelo entusiasmo na forma como acompanha cada projeto que lhe é entregue: “Achámos que era o momento oportuno para começarmos a trabalhar em conjunto, na expansão da nossa linguagem e criatividade”, começou por nos explicar Vera Pereira Lopes. Com foco na concepção e organização espacial, a Complot proporciona um serviço multidisciplinar: “desenvolvemos um trabalho do início ao fim, tanto em arquitectura – concepção e organização espacial – como no detalhe – materiais, mobiliário, iluminação e decoração”, explicou-nos Miguel César Pereira. Exemplo disso, é o mais recente projecto da equipa Complot: o Métier Boutique Hotel. Trata-se de um hotel intimista, com 15 quartos, que será inaugurado no final do mês de outubro na baixa do Porto. “O cliente desafiou-nos a usar o tema das profissões antigas portuguesas e portuenses. Por isso, cada quarto foi personalizado de acordo com as 15 profissões que selecionámos. Tudo foi escolhido criteriosamente por nós”, acrescentou a arquitecta. 56 | Revista Business Portugal outubro 2019

Ao longo dos anos, os responsáveis por este atelier foram anexando ao seu portfólio trabalhos realizados com grandes marcas nacionais e internacionais. Entre outras dão especial relevo aos projectos desenvolvidos para a reconhecida marca de cosmética líder no sector Andreia Professional e à histórica Claus Porto, luxury lifestyle brand do grupo Ach Brito. “Estamos a implementar o novo conceito das lojas Espaço Casa em Portugal e Espanha, desafio que nos foi proposto, e que teve como premissa manter a sua identidade e target. Desenvolvemos um espaço de venda que responde à organização de produto de forma cromática, elemento característico da marca.” A par destes trabalhos têm ainda em cima do estirador o projecto de uma discoteca em plena movida portuense, um edifício de apartamentos de alojamento local na rua Mouzinho da Silveira, a recuperação de um núcleo habitacional numa escarpa do Rio Douro e a reabilitação do emblemático edifício Aviz, na avenida da Boavista. “Estamos ainda a iniciar uma parceria com uma cadeia hoteleira Algarvia” enumeraram.


COMPLOT Projectos que demonstram a versatilidade desta dupla que desenvolve trabalhos de diferentes escalas e usos, prácticas que transitam entre a identidade, imagem, objectos, interiores e edifícios. No fundo, a singularidade inerente a cada projeto, faz com que a Complot tenha uma filosofia criativa única, em que os espaços vão ao encontro da pretensão do cliente, mas sempre com uma marca de autenticidade muito própria. Ainda nesse seguimento, os nossos entrevistados assumiram a exigência atual do mercado e a urgência no acompanhamento das tendências: “Visitamos feiras nacionais e internacionais para acompanhar as novidades e a evolução dentro da nossa área de negócio” reiteraram. Caracterizados pela linguagem irreverente e, ao mesmo tempo, próxima da vontade dos seus clientes, os responsáveis pela Complot confidenciaram-nos que “é preciso interpretar o que os nossos clientes pretendem, para depois conseguir passar isso para o papel. E penso que é aí que nos distinguimos, na forma como comunicamos e interagimos com todos os nossos clientes, transmitindo-lhes confiança e a certeza de que vamos concretizar o projeto que nos propuseram”. O futuro adivinha-se risonho para este atelier: “Acreditamos que o futuro nos reserva grandes e boas surpresas. Os desafios que nos têm sido colocados são muito interessantes e variados e é exatamente disso que nós gostamos. Venham os próximos!” afirmaram.

Display System Claus Porto, Grupo Ach Brito

Métier Boutique Hotel - fotografia de Pedro Lopes

Métier Boutique Hotel - fotografia de Pedro Lopes

Lojas Espaço Casa, Portugal e Espanha - fotografia de Photoshoot Alexander Bogorodskiy

Rua Feliciano de Castilho 66, 4150-311 Porto + 351 912 590 815 studio@complotstudio.pt www.complotstudio.pt

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PORTUGAL CRIATIVO O empreendedorismo é um fenómeno crescente em todo o mundo, não só pelo facto de a atividade empreendedora contribuir para a criação de emprego, mas, também, porque contribui para a sustentabilidade da competitividade da atividade económica de um País. Cada vez mais o empreendedorismo é visto como um meio para fazer avançar as sociedades ao nível da criação de emprego, promoção da criatividade e da inovação, oferecendo também um valioso contributo a nível da responsabilidade social. Portugal necessita de uma verdadeiro impulso empreendedor, em que as escolas e universidades terão um papel fundamental, uma vez que precisamos de ajustar os currículos a uma educação cada vez mais virada para o empreendedorismo, quer ao nível da tomada de risco quer ao nível da aceitação do fracasso como parte do processo. E é nesse processo que sobressai a criatividade das nossas empresas e empresários. São centenas de exemplos que, todos os dias, alcançam o sucesso mesmo perante as adversidades do mercado recorrendo à… criatividade! Empreendedorismo e criatividade, duas palavras que, na prática, andam sempre de mãos dadas. Veja, caro leitor, alguns desses exemplos nas páginas seguintes.

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DOCES DO MARQUÊS

DOCES TRADICIONAIS ASSENTES NA QUALIDADE Fundada em 1993, na cidade de Pombal, a Doces do Marquês apresenta uma vasta experiência na distribuição de pastelaria tradicional, mas o sucesso tornou-se exponencial, no ano de 2012, quando deram início à produção de pastelaria ultracongelada. Hugo Valente, administrador, conversou com a Revista Business Portugal sobre este passo importante no percurso da empresa.

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Doces do Marquês está presente no mercado há 26 anos, mas em 2012 iniciou um novo desafio. Gostaríamos que nos contasse como surgiu a oportunidade de comercializar os vossos produtos ultracongelados. Estávamos sediados em Pombal e, até ao final de 2011, éramos unicamente distribuidores de produtos alimentares. Já trabalhávamos com a grande distribuição e surgiu uma oportunidade, após o encerramento de uma empresa nesta zona, de nos mudarmos para essas instalações, o que nos abriu portas para ampliar a nossa oferta. Já tínhamos identificado um produto que queríamos comercializar e tínhamos necessidade de fazer uma reestruturação, dentro da empresa, para fugir àquilo que todos faziam. Assim, identificámos o pastel de nata como o produto que poderia alavancar a reviravolta que pretendíamos implementar na empresa, mudámo-nos para Sintra e ainda encaixámos nove funcionários que trabalhavam na empresa que fechou. A nossa ousadia valeu a pena! Passámos a ser identificados com este produto e já recebemos vários prémios. Depois de ultrapassadas as certificações e implementação das regras da segurança alimentar, estabelecemos contacto com os nossos potenciais clientes para exportação. E foi nessa altura que iniciou as suas funções na empresa? Falamos de uma empresa familiar, na qual exerço funções há alguns anos, como um dos responsáveis pela administração da empresa. Tivemos a sorte de encontrar uma equipa que nos tem ajudado a conseguir colocar a empresa num patamar cada vez mais exigente. Sempre gostei muito da área comercial e esse gosto aliado ao conhecimento que tenho da indústria tornaram-se uma combinação perfeita para o desempenho das minhas funções. É importante referir que, em qualquer tipo de indústria, devemos ser especialistas numa determinada função, porque é uma área muito difícil e os investimentos em maquinaria e na otimização da linha de produção nunca param. 60 | Revista Business Portugal outubro 2019


DOCES DO MARQUÊS

Apresente-nos o universo atual da Doces do Marquês. Em 2012 tínhamos apenas nove colaboradores, no decorrer de 2013 chegámos aos 18, em 2014 estávamos na casa dos 25 e atualmente a equipa é composta por cerca de 40 pessoas que trabalham numa fábrica com dez mil metros e uma área coberta com cerca de três mil metros. Temos como produto principal o pastel de nata e acrescentamos ao nosso portefólio sete novos produtos que estão diretamente relacionados com a doçaria tradicional portuguesa, dos quais destaco o Croissant brioche, guardanapo, pão de Deus e o bolo de arroz. No geral, produzimos entre as 60 e as 70 mil unidades, sendo que, com o pastel de nata a produção pode variar entre os 25 e as 30 mil unidades. Qual a filosofia que está aliada ao trabalho da Doces do Marquês? Queremos continuar a aprender todos os dias e vamos continuar a busca para saber ainda mais sobre esta indústria. Porém, a nossa filosofia centra-se em apostar num monoproduto, o pastel de nata. Esta é uma forma de rentabilizar a produção, o produto e, durante estes anos, aprendemos imenso, por isso é que conseguimos alcançar excelentes resultados e a qualidade dos pastéis de nata tem sido reconhecida com os mais variados prémios. Para além de produzirmos com elevada qualidade temos de ser competitivos. No caso do pastel de nata, começámos por fazer nove mil por dia e, no fim desse ano, atingimos os 20 mil. Atualmente chegamos a produzir 40 mil unidades sem comprometer a qualidade dos nossos produtos. O caminho passará sempre pela qualidade e rigor na produção? Posso dizer que se não fosse esse o nosso lema, certamente, já não existíamos. Assistimos a muitas mutações nesta indústria e penso que todos estamos cientes do caminho que pretendemos trilhar. Hoje temos mais informação e as empresas portuguesas

estão cada vez mais preocupadas com questões como a segurança alimentar e os processos de certificação. Sinto essa necessidade e assumo como uma responsabilidade, uma vez que produzimos algo para consumir e não uma peça de decoração. Os vossos produtos chegam a que países? Neste momento estamos maioritariamente na Europa e, mais recentemente, marcámos presença nos Estados Unidos da América. O volume de exportação tem vindo a aumentar gradualmente e acredito que este vai ser o nosso melhor ano. A vossa história é o reflexo de um crescimento sustentado e apoiado em valores humanos. O que projeta para o futuro da Doces do Marquês? O nosso foco passa por consolidar a empresa, produzir ainda melhor, imprimir outra dinâmica - em termos sociais - às pessoas que integram a nossa equipa. Um dos nossos principais objetivos passa por não descurar a qualidade do produto e a capacidade de produção para conseguirmos chegar mais longe, aumentando o volume de vendas a qualquer custo. Sabemos que melhor do que qualquer prémio que nos possam atribuir, é receber elogios e sermos reconhecidos pela qualidade dos nossos produtos. Acima de tudo é importante referir a mais valia de toda a equipa, porque nada se faz quando caminhamos sozinhos. É da nossa responsabilidade criar uma empresa sustentável e que pensa nos recursos humanos como uma peça fundamental para o sucesso e crescimento da mesma. Considero fundamental criarmos as condições necessárias para que os funcionários saibam o que estão a fazer e porque deve ser feito dessa forma. Para isso, apostamos nas formações e, aos poucos, tenho conseguido incutir-lhes a responsabilidade de seguir as regras, respeitando o processo produtivo. Apenas com respeito mútuo é possível trilhar um caminho de sucesso para a empresa e, consequentemente, para a equipa que a compõe. outubro 2019 Revista Business Portugal | 61


PQA - O NOSSO PÃO

PQA - O NOSSO PÃO: FAST FOOD TRADICIONAL PORTUGUÊS Filipe Silva e Maria João Neves são o jovem casal por detrás do sucesso do PQA – O Nosso Pão. Transformaram o negócio familiar numa das mais procuradas casas das feiras, festas e romarias em Portugal, mas querem ir mais longe e confidenciaram alguns dos planos que alinharam para o futuro da empresa, numa entrevista conjunta, à Revista Business Portugal.

Maria João Neves e Filipe Silva, gerentes

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enominam-se como um Fast Food Tradicional português. Em que consiste esse conceito? O ritmo de vida atual leva, cada vez mais, a que as pessoas optem por alimentação rápida. Neste sentido os artigos mais disponibilizados são os hambúrgueres e as pizzas, mas porque não fazer o mesmo com um pão com chouriço, uma bifana e até acompanhá-los com um caldo verde quentinho? O nosso conceito é esse, o de dar ao cliente o melhor da gastronomia rápida portuguesa em pão sempre quente, com processos de fabrico e confeção que possam ser acompanhados ao vivo desde a amassadeira até ao balcão. Rápido, com qualidade e sabor tipicamente português. O PQA – O Nosso Pão atingiu níveis de sucesso e crescimento elevados em apenas dois anos. A que se deve este sucesso? A PQA é a continuação de um negócio 62 | Revista Business Portugal outubro 2019

de família que existia há mais de 35 anos. Estávamos a trabalhar fora do país, quando decidimos que era altura de regressar a Portugal e aplicar o nosso know-how em algo nosso, e foi aí que decidimos comprar o negócio. Pegámos no conceito existente, de comida tradicional portuguesa, alterámos a imagem da empresa, criámos de raiz todo o embalamento e redefinimos todo o fluxo de serviço para que este se tornasse o mais eficiente possível. Mantivemos a receita e o segredo da massa do pão e, a partir dela, desenvolvemos uma nova ementa. Quem foi responsável pelo desenvolvimento dos novos produtos? Fomos nós com o apoio da família e do staff. As nossas experiências profissionais combinadas deram-nos skills de gestão e de desenvolvimento de produto, skills essas que se tornaram preciosas quando demos este passo. Depois de aprendermos a fazer a massa, demos o passo seguinte: o de tentar perceber o que iria combinar dentro dela. Sabíamos que o pão com chouriço e a bifana funcionam muito bem nas feiras, mas queríamos inovar e pensámos, por exemplo, num pão recheado com bacalhau ou atum, sendo que este ano introduzimos uma novidade: o pão com legumes. Todos os nossos produtos foram desenvolvidos tendo em conta, não só a qualidade, mas também a rapidez da execução do serviço.

Bifana à portuguesa

Pretendem abrir franchising da vossa marca. Por onde passará a vossa estratégia? Até final de 2020 pretendemos abrir uma loja numa grande superfície comercial, a partir daí vamos tentar entrar neste mercado. Além da restauração tradicional, a PQA também presta serviços de catering, consultoria de F&B e construção de estruturas móveis para vários tipos de utilizações. Com todas estas valências estamos actualmente disponíveis para iniciar a expansão da marca através do modelo de franchising, não só em feiras e romarias, mas também em unidades fixas. Estamos em constante contacto com possíveis parceiros e investidores para chegarmos às grandes superfícies o mais breve possível. Essa expansão terá início na zona de Aveiro? Sim, passará por aí. A marca “PQA – O Nosso Pão” está registada. PQA é a sigla de Pão Quente de Aveiro, daí fazer todo o sentido que a expansão comece pela nossa bela cidade, à qual temos uma ligação muito forte. Queremos manter a história da empresa e começar a sua globalização a partir daí. Como conseguem garantir a qualidade e sabor dos vossos produtos? Neste tipo de negócios só há dois ritmos: todos os dias ou diariamente. Só conseguimos garantir a qualidade estando presentes a toda a hora. No entanto, temos sistemas de controlo


PQA - O NOSSO PÃO

São-vos pedidas novidades mais saudáveis? Os clientes já começam a prestar mais atenção a opções mais saudáveis, daí termos introduzido o pão com legumes. Existe, atualmente, um grande número de tipos de pão com diferentes massas que podem ser trabalhadas e adaptadas ao nosso conceito. Pão com chouriço

O “Velho” Cachorro

Para além dos produtos tipicamente portugueses também têm o cachorro e o hambúrguer… O nosso “Velho Cachorro” é uma nova interpretação de uma receita antiga feita pela família. O cachorro nem sempre foi o que conhecemos atualmente, pois consistia em duas salsichas embrulhadas em massa e iam ao forno. Procurámos reinventar essa receita e optamos por passar a utilizar apenas salsicha de qualidade, que é embrulhada em massa e levada ao forno. Depois de sair do forno é complementado com batata palha e com os molhos. O Hambúrguer Rústico é 100 por cento caseiro, feito a partir de uma mistura de carnes, pensada por nós, coberto com queijo derretido e bem acompanhado com o Nosso Pão. As nossas receitas foram pensadas para serem simples, mas com um grande foco na qualidade dos ingredientes utilizados.

e fichas técnicas que têm de ser cumpridas, tanto na questão das massas, como na questão das receitas de cozinha. Esse controlo é feito diariamente, porque nós produzimos no local. Nós fazemos showcooking, desde o amassar até a sua cozedura, tudo está à vista. Só utilizamos massas frescas, feitas no dia, e aí o controlo torna-se mais fácil.

Qual o balanço que faz destes dois anos? Foi uma boa aposta? Sem dúvida que foi. Foi o culminar da nossa realização profissional, para além do gosto de dar seguimento ao negócio de família. Sempre acreditámos no potencial deste conceito e que a expansão seria possível, e é esse objetivo que pretendemos concretizar a breve prazo, o de abrir uma loja física num centro comercial.

Quem testa a aceitação dos novos produtos? Geralmente é feita com a família. Nós produzimos e eles provam para termos um feedback real da nossa amostra. Por exemplo, para o ano, vamos começar a testar fazer os nossos produtos, mas com outros tipos de farinha.

E qual é a opinião da família? A família, de ambas as partes, está plenamente orgulhosa do caminho que temos vindo a trilhar e do sucesso que temos alcançado com a aposta no PQA – O Nosso Pão, e sem o apoio deles nada disto teria sido possível. São os nossos maiores seguidores, mas também os nossos maiores críticos quando assim tem que ser.

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CC - DESENHADOR E ORÇAMENTISTA

30 ANOS DE EXPERIÊNCIA AO SEU SERVIÇO

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Sediada em Viana do Castelo a CC – Desenhador e Orçamentista abriu portas em 2018. Carlos Costa é o mentor deste projeto e foi com ele que estivemos à conversa para compreender um pouco melhor, o presente e o passado do profissional, que conta com mais de três décadas de experiência na área de desenho.

cumula mais de três décadas de experiência. Como começou o seu percurso na área e em que momento decide apostar na abertura da sua própria empresa? Já trabalho neste ramo há 34 anos. Faço um pouco de tudo no que toca ao projeto. Agora trabalhamos, e ainda bem, com o apoio de programas informáticos, mas quando comecei ainda era o tempo em que se usava o estirador para desenho. As coisas foram evoluindo e, entretanto, tirei um curso de desenhador/ projetista. Aos poucos fui-me especializando e fui crescendo como desenhador, tendo trabalhado para a GAI – Estudos e Projetos de Construção, em Barcelos. Em 1984 comecei a trabalhar com o Adolfo Rodrigues até 1997. Nessa altura já era Carlos Costa, administrador

mais comum recorrer às técnicas com computador e também já existiam alguns programas específicos que, de certo modo, nos facilitavam o trabalho. Mais tarde, em 1998, integrei a empresa Casaviana – planos, projetos e construção, onde me mantive até 2016. Era responsável pela área de projeto, pela preparação e acompanhamento de obras diversas, privadas e públicas, e procedia à execução de medições e orçamentos. Infelizmente, em 2016 a empresa acabou por declarar falência e, como a grande maioria dos funcionários, fiquei desempregado. Ao fim de três meses parado, decidi que não iria continuar assim por muito mais tempo e decidi abrir esta empresa. A criação desta empresa foi a realização de um sonho, que já devia ter sido concretizado há muito tempo. A CC – Desenhador e Orçamentista está no mercado desde 2018 e dedica-se ao projeto, na sua totalidade, passando por todas as especialidades. Apresente-nos um balanço deste ano e meio de atividade. Considero que, acima de tudo, consegui adquirir maior aprendizagem de mercado. Nas empresas por onde passei anteriormente, não tínhamos acesso à comercialização do projeto, e posso afirmar que esta não é uma área que seja muito fácil. Atualmente, como a procura é muita e a oferta também, as pessoas procuram o mais rápido e o mais barato. Infelizmente funciona assim, e um projeto que há 10 ou 15 anos tinha determinado um valor, hoje vale muito menos. Quem são os clientes da CC – Desenhador e Orçamentista? Trabalho sobretudo com arquitetos, a quem presto auxílio mais a nível de medição e orçamentos. Por se tratar de um trabalho que exige muito tempo e precisão, muitos profissionais da arquitetura recorrem a mim para este tipo de serviços especializados, porque sabem que tenho grande conhecimento e experiência profissional nesta área. O mercado está em forte crescimento. Qual é a área geográfica dos seus serviços? Apesar de estar sediado em Viana do Castelo, grande parte dos

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CC - DESENHADOR E ORÇAMENTISTA trabalhos são de fora do distrito. Firmei dois princípios de parceria, com duas imobiliárias locais, com atividade em todo o país. Devido à execução de um trabalho, em Viseu, foi-me dada a ideia pelo proprietário, da abertura de um escritório naquela cidade. Há falta de formação nesta área ou é a falta de experiência que está a afetar o setor? Somos um país onde existem engenheiros a mais e mão de obra a menos. Na construção passa-se isto, infelizmente, e se quisermos um trabalhador especializado, quer seja pedreiro, trolha ou carpinteiro, não conseguimos encontrar porque emigraram todos. Com o desenhador aconteceu o mesmo, foi tudo embora em busca de uma carreira melhor no estrangeiro. A construção, nos últimos dez anos, tem sofrido grandes mudanças, sobretudo no que diz respeito a novos materiais e técnicas de construção utilizadas. Atualmente, os profissionais desta área estão preparados para desenvolver projetos de acordo com estas alterações? Sim, estamos. Aliás, a casa que estou a fazer em Viseu está a ser feita com alguns desses novos materiais. Todos os materiais utilizados são recicláveis, amigos do ambiente e a casa vai ficar com um elevado grau de certificação energética. Quando faço um projeto, sou capaz de perder um dia ou dois só a estudar qual será o material mais adequado a ser aplicado. Ainda há pessoas que têm a conceção da construção tradicional e que não fogem daí. No entanto, já começam a surgir pessoas com a mentalidade mais aberta e dispostas a receber propostas de novas soluções. A verdade é que as pessoas já começam a ter a consciencialização de que, por vezes, um investimento maior no momento de construir se irá converter em poupança de dinheiro ao longo da vida. Qual o projeto que mais o desafiou ao longo deste ano e meio de atividade? Justamente a moradia em Viseu que referi anteriormente, porque foi um cliente que chegou até mim já com um budget definido. As condicionantes monetárias são sempre as mais desafiantes. Apesar disso, está a ser um projeto bastante fácil, porque a partir do momento em que percebi as diretrizes que o cliente pretendia, ele deu-me carta branca para desenvolver o projeto. Que projetos estão em vista para o futuro da empresa? Tenho um projeto, não muito longe daqui, no centro da cidade para a reestruturação de uma zona degradada. Trata-se de uma rua histórica cujos prédios estão bastante degradados e que vão ser reconstruídos. Para além disso, serão abertos acessos e uma nova zona ajardinada. É um projeto que me vai dar muito trabalho, mas eu gosto de desafios. Depois, estou a fazer a recuperação de um outro edifício, no centro da cidade, para alojamento local. A verdade é que trabalho não falta para os próximos anos.

CC DESENHADOR E ORÇAMENTISTA • EXECUÇÃO DE PROJECTOS DE ESPECIALIDADES • EXECUÇÃO DE PROJECTOS DE ARQUITECTURA • LEVANTAMENTO DE PRÉDIOS E MORADIAS EXISTENTES • PROJECTOS DE LOTEAMENTOS E DE URBANIZAÇÃO • EXECUÇÃO DE MAPAS DE MEDIÇÃO E DE ORÇAMENTO

CONTACTOS: 969 546 806 CC_ORCAMENTO@SAPO.PT outubro 2019 Revista Business Portugal | 65


TXIRTE

UMA T-SHIRT, UM PAÍS Filipe Pimenta deixa a área financeira para aplicar o seu lado empreendedor. Cria a Txirte, uma empresa que desenvolve t-shirts originais e de autor de vários artistas e países. Em entrevista à Revista Business Portugal, o CEO, apresenta as motivações que o levaram a criar a Txirte.

A

presente-nos do seu percurso e conte-nos como surgiu a ideia de criar uma marca como a Txirte? A ideia foi crescendo por causa das viagens que fazia, com especial enfoque no continente africano. Encontrava muitas recordações disponíveis para venda, mas nunca consegui encontrar uma boa t-shirt para trazer de recordação e era justamente essa a peça que eu gostava de trazer pelos locais que visitava. O que existia era em material e design duvidoso. Entretanto apercebi-me que no Algarve, região de onde sou natural, acontecia a mesma coisa. A ideia foi maturando e quando a minha situação profissional se alterou, decidi que era altura de pôr esta ideia em prática. A aventura começou aqui. Comecei com a coleção do Algarve, por motivos óbvios, e apontei para um segmento de mercado mais alto, do turista cinco estrelas devido à qualidade e originalidade do produto. Apostei no algodão orgânico e ring spun, bem como na qualidade da serigrafia e no saco que pode ser reutilizado, depois de esticadas as suas fitas, se transforma num saco-mochila. São produtos pensados ao detalhe desde o primeiro momento. A Txirte está acessível nos quatro cantos do mundo? Como é que o consumidor pode ter acesso aos seus produtos? Basta aceder ao site www.txirte.com e tem acesso às duas coleções disponíveis, à world e à art collection, para além deste

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Filipe Pimenta, CEO

meio, tenho alguns artigos em hoteis cinco estrelas e resorts e em lojas direcionadas para o público que tem interesse neste tipo de produto. Recentemente apostei em expôr os meus artigos num multibrand web shop. Tem duas gamas de produtos: A world collection e a art collection. Quais as diferenças entre elas? A world collection tem que ver com os locais ou países onde a pessoa esteve ou de onde é natural e é um produto mais direcionado para o turista e para os viajantes que pretendem levar um souvenir do local onde se encontram. Portugal, Algarve e Cabo Verde são, para já, as ofertas disponíveis. A art collection tem particularidades como o facto dos desenhos serem exclusivos, de serem feitos por artistas dos países ou regiões em questão e com edição limitada. Neste momento tenho uma coleção exclusiva, desenhada pelo artista plástico de Portimão, o João Sena, com edição limitada e estou a trabalhar noutra com um tatuador de Albufeira e procuro alargar este leque que pode ir desde o caricaturista, passando pelo fotógrafo e pelo street artist. É seu objetivo continuar a criar memórias aos viajantes de forma criativa e original? O meu objetivo máximo, para me sentir realizado, será o de ter uma t-shit

de cada país do mundo. Haverá sempre a condicionante primordial de terem de ser desenhadas por artistas nativos desse país. Venho da área financeira, por isso, gosto de planear todos os custos e passos para poder garantir o crescimento sustentado da Txirte. Fiz algumas experiências durante este verão e há algumas premissas que vou alterar, no sentido de ser mais bem-sucedido. Outro objetivo passa por alargar o leque de coleções a disponibilizar online e nos espaços físicos com quem tenho parceria. Considera-se criativo e empreendedor? Não me considero criativo quanto ao desenho e criação das t-shirts, mas quanto à originalidade do negócio. Pretendo manter a originalidade dos desenhos, as edições limitadas e o facto de serem artistas nativos dos países a desenharem os artigos. Empreendedor sim por ter criado uma empresa de raiz depois de cerca de 20 anos a trabalhar na área financeira.


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FUSION INTERNATIONAL PROJECTS

“SERIOUSLY CREATIVE” A Fusion International Projects surge em 2018 com o objetivo de criar uma consultoria de conceito, tendo por base a fusão de culturas e disciplinas. A Revista Business Portugal conversou com Tiphaine Janvier, co-Founder & General Manager, para compreender o que está por trás do ADN de uma empresa dinâmica, criativa e inovadora.

A

Tiphaine Janvier apresenta um percurso profissional notável, onde impera a vontade de aprender, mas sobretudo de abraçar novas experiências. Fale-nos um pouco do seu percurso até criar a Fusion International Projects. Tirei uma licenciatura em Estudos Europeus, na Faculdade de Letras de Lisboa, e quando frequentava o quarto ano de faculdade, decidi abraçar um emprego a part-time. Tratava-se de uma empresa nacional que desenvolvia softwares ao nível da engenharia civil, e o meu papel era fazer traduções - de português para francês -, promover a empresa e o software que ela desenvolvia. Estive a trabalhar com eles durante um ano e meio e, no decorrer dessa experiência, disseram-me que gostariam que os representasse na FIL, numa feira ligada ao tema da inovação. Foi no decorrer dessa feira que conheci o representante de uma multinacional francesa, que pretendia abrir uma filial em Portugal. Ora, como estava a terminar a licenciatura e queria ingressar no Mestrado em Políticas Europeias, quando o representante me disse que trabalhavam com fundos comunitários e incentivos fiscais, soube que era a minha oportunidade! Essa pessoa pediu para lhe enviar o meu currículo passado um ano mas, enviei-o passado apenas dois meses, depois de entender quais eram as necessidades reais da empresa e de que forma é que com o meu projeto de Mestrado, os poderia ajudar. Iniciei o estágio enquanto fazia o meu Mestrado e, depois de defender a tese, fui convidada para assumir o cargo de business developer. A partir dessa data toda a minha aprendizagem se desenvolveu a par com o marketing estratégico, operacional e na área de comunicação, tendo assumido o cargo de marketing manager uns anos mais tarde e ainda, integrado o comité de direção da filial portuguesa. 68 | Revista Business Portugal outubro 2019

Tiphaine Janvier, CEO

Após uma vasta experiência em diversas áreas, 2017, ficou marcado pela mudança profissional… Em dezembro de 2017 termino o projeto que referi e iniciei um novo ciclo profissional. Senti essa necessidade, essencialmente, porque percebi que tinha tido uma experiência muito enriquecedora e muito desafiante, mas queria fazer algo diferente... A grande questão era perceber o que seria. Contactei o meu atual sócio, que tive oportunidade de conhecer num evento ligado à Inovação, e com quem tinha tido uma grande empatia. Entretanto surgiu a ideia de criarmos uma empresa juntos e acreditei que fazia todo o sentido, porque ia juntar as minhas competências com o know-how que ele tinha desenvolvido ao longo da sua experiência profissional. Assim, criamos a Fusion e a consultoria de conceito. Atualmente qual é o papel da Fusion International Projects? A Fusion acabou por resultar de uma necessidade de mercado. Começamos a ser contactados por investidores que queriam investir em Portugal, mas não sabiam como. Por isso, necessitavam de uma consultoria ligada à parte estratégica, ou seja, procuravam-nos com questões como “eu quero investir mas onde, com quem é que eu devo falar”? Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e identificação de espaços, em Portugal, são alguns exemplos. O nosso papel, numa primeira fase, era o de alinhar a estratégia do investidor à estratégia do Município, onde desejavam investir. Concluída a fase estratégica iniciávamos o desenvolvimento do conceito de arquitetura e de design de interiores. Por fim, a fase de gestão da obra, uma necessidade que se tornou ainda mais notória com investidores estrangeiros e projetos de grande envergadura. Naturalmente criámos uma consultoria ligada e orgânica.


FUSION INTERNATIONAL PROJECTS Em que consiste a consultoria de conceito? Para nós, a consultoria de conceito, passa por criar espaços que tenham por base conceitos diferenciados e com uma identidade própria. Para isso baseamo-nos em diferentes disciplinas, ou seja, demos o nome Fusion porque achamos que, para criar conceitos, temos de ir buscar ideias a diversas áreas (arquitetura, design de interiores, Feng Shui). Complementarmente, na nossa empresa, temos profissionais de cinco nacionalidades diferentes (francesa, portuguesa, ucraniana, venezuelana e brasileira) e, uma vez mais, assistimos à fusão de culturas. A fusão de culturas e de disciplinas é a melhor forma de conquistar a criatividade e de conseguirmos criar as soluções mais originais e diferenciadoras para os nossos clientes. Caraterize os clientes da vossa empresa. Trabalhamos com três segmentos de mercado, pelo que, o nosso cliente pode ser uma Câmara Municipal/ Junta de Freguesia, empresas e particulares. No caso dos particulares é muito interessante, porque podem dizer que querem abrir um restaurante e, ao mesmo tempo, assignam-nos trabalhos do foro pessoal, como a construção da sua casa. Então trabalhamos em simultâneo em duas vertentes: para família e para o negócio. Atualmente, temos contacto com chineses, iranianos, franceses e portugueses.

e a consultoria muniu-me de armas para as conseguir controlar, ou seja, ser inteligente emocionalmente. A nossa sensibilidade é um excelente trunfo para promover as relações interpessoais, gerir equipas e promover um trabalho em grupo, mas muito rapidamente entendi que era necessário conjugá-la com a disciplina da gestão, desenvolvendo planos de ação, delineando metas, monitorizando indicadores de performance, que me permitissem ser crítica e ágil nas minhas ações. Nesta última parte, uma vez mais as soft-skills femininas ajudaram-e neste processo. Sim, porque “jogo de cintura” e criatividade é connosco (risos). É necessário trabalhar e apostar na formação e foi por isso que tirei igualmente um curso de coaching na International Coaching and NLP Training Academy. Trabalhei tanto coaching pessoal como de equipas, e todas estas ferramentas são essenciais para o controlo emocional e para atingir metas. Projetos, certamente, não faltam para uma empresa tão dinâmica. Quais são os objetivos para o futuro da Fusion? Os nossos objetivos passam por humanizar a empresa, transmitir a criatividade e termos o desafio de comunicar com três segmentos completamente diferentes. Para isso, estamos a criar um site que espelhe a identidade de cada um dos nossos colaboradores, pois a comunicação é fundamental. No futuro, gostaríamos de promover mais atividades no “laboratório criativo”, que passa por (sempre que temos tempo) lhes dar liberdade para criarem algo ao seu critério. Estamos a trabalhar nalguns conceitos, e o objetivo é lançarmos (com previsão para daqui a dois anos) um produto inovador para atingir os mercados internacionais, ou seja, para levar a marca Fusion International Projects além-fronteiras.

Há quem diga que a equipa faz a casa. Este mote aplica-se aos colaboradores da Fusion? Temos parcerias fantásticas, mas acima de tudo temos uma equipa de 13 pessoas incrível, irreverente e criativa. O que quisemos criar, enquanto empresa, é um espaço onde eles sintam total liberdade para serem criativos, daí o nosso slogan “seriously creative”. Temos pessoas que pensam fora da caixa, encaram cada projeto de forma diferente e são seriamente criativos e proativos, sem ter medo de errar. Neste momento, que projetos estão a desenvolver? Estamos a desenvolver um complexo importante para uma investidora francesa que vai ter um espaço de restauração e, no mesmo prédio, terá Airbnb, assim como o seu espaço habitacional. Temos igualmente em mãos um projeto para um Business Center; um projeto de ecoturismo e um velódromo. Também desenvolvemos projetos para clubes desportivos e agora estamos a desenvolver um pavilhão desportivo, onde vamos misturar a arquitetura com a arte urbana. Todos os projetos são muito mais do que fazer, é preciso pensar na estratégia e como a comunidade vai viver e proteger esse espaço. Teve a ousadia de ir mais além. Podemos afirmar que determinadas caraterísticas inerentes às mulheres, como a sensibilidade, ajudaram-na a pensar e a criar conceitos fora da caixa? Nós, mulheres, temos a sensibilidade, o que nos ajuda e prejudica. Considero que a sensibilidade ajudou -me

Telm.: 965 199 012 Email: tjanvier@conceptfusion.pt /ConceptFusion outubro 2019 Revista Business Portugal | 69


CLÍNICA LAMBERT

O PODER DO EMPREENDEDORISMO FEMININO NA ÁREA DA SAÚDE CLÍNICA Conta com uma larga experiência na área da saúde e assume atualmente a posição de General Manager na Clínica Lambert. Tudo isto num espaço de tempo curto. Ana Rita Matias é um exemplo de empreendedorismo, liderança e gestão, que não pode deixar de conhecer.

P

ara que os nossos leitores possam conhecer um pouco do seu percurso, explique-nos como chegou a General Manager da Clínica Lambert. Quando iniciei o meu percurso académico sabia que queria seguir algo relacionado com a área da saúde, pelo contato com as pessoas, em vários momentos das suas vidas. Licenciei-me como técnica de saúde, acabando por não exercer. Terminado o curso, o mercado de trabalho estava num momento difícil. Comecei a procurar outras oportunidades que me mantivessem no setor, acabando por fazer uma pós graduação em gestão na saúde. Tenho feito questão que, o meu percurso académico possa complementar as experiências profissionais que tenho tido, em diversas áreas, visando sempre a interligação com aquilo que são as necessidades atuais do mercado da saúde. Passei por várias instituições, sendo que o primeiro contato com a gestão de clínicas, mais próximo e de maior progresso da minha carreira, passou pela empresa onde estava anteriormente. Comecei como gestora de clínica, passando para o departamento de expansão, onde era responsável por todo o planeamento e recrutamento para a abertura das clínicas. Numa última fase passei para a área manager, acompanhando um determinado número de clínicas numa zona geográfica designada, fazendo a gestão das equipas e seus objetivos. No meu mais recente projeto, faço toda

a gestão operacional da clínica e das pessoas que aqui trabalham. O objetivo é elevar a clínica e a experiência do paciente, por forma a atingirmos o máximo do potencial de performance e satisfação do paciente. Em cada equipa há competências diferentes. Serão a resiliência, criatividade e o empreendedorismo algo característico das mulheres? Totalmente. As mulheres têm muita garra. Somos muito trabalhadoras, criativas, dinâmicas e proativas. A garra e dinamismo que nos são inerentes , enquanto mulheres, para fazer mais e melhor, provando que, de alguma forma, conseguimos, acabam por ser caraterísticas determinantes para o exercício de determinadas funções. Tudo o que esteja relacionado com gestão de equipas acaba por ter duas componentes, para mim fundamentais, que são a capacidade de ouvir e comunicar, associado ao sentido prático que as mulheres conseguem ter. É fundamental que um líder, se posicione de forma a conseguir direcionar as equipas, detectando, individualmente, potenciais e limitações de cada elemento, sabendo tirar o melhor partido da diversidade dos seus elementos para uma boa distribuição de tarefas, potenciando o espirito de equipa e pertença. Quais são as vossas especialidades e que serviços diferenciadores disponibilizam? A Clínica Lambert existe há mais de 20 anos, tendo mudado de instalações em

Ana Rita Matias, general manager

2017. O foco é a Ortopedia, Traumatologia e Medicina Desportiva, contando com um corpo clínico de excelência organizado em sub-especialidades. Dispomos de diversos serviços que se interligam e complementam, nomeadamente, a medicina desportiva, a fisioterapia, imagiologia e medicina dentária. Acabamos assim por ter um leque de opções que, dentro da área de ortopedia e complementares, conseguem ter tudo centrado num sítio onde o paciente pode ser tratado integralmente na clínica, sem ter de recorrer a serviços externos. São fatores que acabam por nos diferenciar face ao que existe atualmente no mercado. Sendo uma equipa que afirma querer projetar-se para o futuro, que desafios passam para chegar mais longe? O desafio é atingir o máximo potencial da clínica, apostando na qualidade dos nossos serviços e aumentando o portefólio daquilo que temos para oferecer aos que nos procuram, promovendo sempre um atendimento de excelência, e de alguma forma personalizado às necessidades específicas de cada um dos nossos pacientes. Prentendemos projectar-nos no futuro de forma a mantermos como sempre, uma referência na saúde desportiva.

ORTOPEDIA, TRAUMATOLOGIA E MEDICINA DESPORTIVA ATENDIMENTO PERMANENTE TODOS OS DIAS DAS 8H ÀS 22H WWW.CLINICALAMBERT.PT | R. CORDEIRO FERREIRA 3, 1750-071 LISBOA | GERAL@CLINICALAMBERT.PT | 217 582 336

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DITCHIL

UMA MARCA SÓ PARA MULHERES Carla Macedo, criativa

A Revista Business Portugal foi à descoberta da Ditchil, uma marca de roupa desportiva dedicada exclusivamente a mulheres. Quem nos deu a conhecer a empresa de Barcelos foi Carla Macedo, criativa que sempre gostou de desafios e, como tal, investiu no seu sonho há cinco anos.

P

ara que os nossos leitores possam conhecer o seu percurso, explique-nos como chegou à criação da Ditchil. Quando acabei o curso, tinha a convicção de não querer trabalhar por conta de outrem. Sempre tive a ideia definida de querer ser eu própria, de ter a minha própria empresa e crescer, sem perder a minha identidade. Comecei por trabalhar para outras marcas, mas no meu percurso profissional foram-me dizendo que devia lançar a minha própria marca, por ter jeito e bom gosto. Fui adiando o sonho, até porque sou mãe, mas após o nascimento do meu segundo filho, há seis anos, achei que seria o momento de arriscar.

até achar os produtos parecidos com outros, mas quando vê a peça fisicamente e a experimenta, repara que realmente há uma grande qualidade.

Porquê criar uma marca desportiva? Nem sei explicar, aconteceu de maneira natural. Era onde me sentia bem, onde sentia que conseguia fazer o que queria. Sempre me identifiquei com esta linha e é onde sou feliz e sinto prazer.

Faz parte dos planos alargarem a gama para o público masculino? Já nos têm falado muito sobre isso, mas ainda não vamos por aí. Neste momento, estamos focados na linha de mulher, estando também a criar alguns modelos iguais para menina, para o caso de mãe e filha quererem andar a condizer.

Esta linha de produtos exige uma grande criatividade? Sim, principalmente a nível dos tecidos. Requer uma grande pesquisa, para nos conseguirmos diferenciar. Olhando apenas para imagens, o consumidor pode

Que experiência tem uma mulher ao vestir a vossa marca? As mulheres são muito exigentes e, por isso, temos estudado ao longo dos anos de forma a melhorar o nosso produto, até que fique perfeito. Quando vestem as nossas peças, as mulheres gostam muito da experiência. Sentem-se tão bem e tão confortáveis, que ficam fidelizadas à marca e isso é muito importante. Isto é fruto do conhecimento que temos adquirido e do investimento feito na evolução da marca.

Como se pode adquirir os vossos produtos? Nós trabalhamos com parceiros que fazem distribuição em algumas lojas em

Portugal e Espanha. Num futuro próximo, pretendemos alargar a distribuição a França e Alemanha, mas é algo que requer tempo. O consumidor final também pode fazer encomendas através do nosso site, sendo que fazemos envios para todo o mundo. O que diferencia e faz da Ditchil uma referência na moda desportiva feminina? O desafio não é fácil, é preciso competir com marcas que produzem em países de baixo custo. Mas nós persistimos no caminho da qualidade, de nos diferenciarmos das outras marcas e não sermos apenas mais uma. Lá fora gostam que diga “made in Portugal”, porque transmite qualidade e isso é algo que os clientes procuram cada vez mais. A Ditchil não tem muitas trocas ou devoluções, isso quer dizer alguma coisa. O feedback tem sido extremamente positivo, tanto por parte de distribuidores, como de consumidores finais, e acho que o que marca a diferença é sem dúvida a aposta na qualidade e design. Tem algum projeto ambicioso para o futuro? Enquanto designer, gosto muito de sonhar. Gostava de ver a minha marca ser distribuída pela Europa e ser reconhecida pelo design, conforto e qualidade. O caminho não tem sido fácil, mas lutamos diariamente e temos crescido muito. O segredo é nunca desistir e acreditar. Havendo foco e saindo da zona de conforto, alcança-se o sucesso.

info@ditchil.com Rua Industrial Pavilhão nº10 fracção J Vila Frescaínha de S.Pedro 4750-841 Barcelos, Portugal www.ditchil.com

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UNIMARK E SOCIEDADE AQUI É FRESCO

SER CRIATIVA NO FEMININO Carla Esteves é a diretora executiva da UniMark e Sociedade Aqui é Fresco. No papel de mulher e a exercer um cargo de liderança, afirma que é cada vez mais importante ser criativa para atingir objetivos profissionais e pessoais.

Carla Esteves, diretora

Av. D. João II, 35, 9ºC, Ed. Infante Parque das Nações, 1990-083 Lisboa T. +351 219 533 860 Tlm. +351 936 625 546 www.aquiefresco.com 72 | Revista Business Portugal outubro 2019

A

presente-nos o seu percurso até chegar à UniMark e à Aqui é Fresco. Tudo começou quando me licenciei em Economia, na Universidade Nova de Lisboa. Fui complementando vários cursos, na área de “Gestão de Categoria”, “Merchandising e Gestão de Atração”; “Promoções de Vendas”, Liderança e Gestão de Equipas; Gestão de Projetos, entre outros. Iniciei o meu percurso profissional na Empresa E.I.M - Empresa Informática da Madeira, com a função de Responsável pelo Departamento de Recursos Humanos e Assessora do Departamento Financeiro. No ano de 1995, iniciei funções na empresa Manuel Nunes & Fernandes II, Lda enquanto Gestora do Projeto GI (Gestão Integrada) até agosto de 2011. Em outubro de 2011 cheguei à UniMark, empresa na qual permaneço até aos dias de hoje. As minhas funções, dentro da empresa, foram evoluindo. Comecei como Gestora de Projetos UniMark e, em janeiro de 2019, fui promovida a Diretora Executiva UniMark e Sociedade Aqui é Fresco. Complementarmente, faço parte dos membros da direção da ADIPA (Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares). Ao longo do meu percurso abracei vários desafios, daí a minha robusta orientação para atingir resultados, rápida capacidade de tomar decisões, forte espírito de liderança e uma boa gestão de equipas em prol dos objetivos que estão definidos. A Sociedade Aqui é Fresco desenvolveu um kit para afirmar a imagem das lojas, tal como a respetiva sinalética. Qual o objetivo? Ao criarmos este kit temos como único objetivo ajudar as lojas que adiram à Sociedade Aqui é Fresco a decorar os seus espaços e renovar a imagem, a custos mais reduzidos. É, de facto, uma solução de negócio bastante prática para potencializar a atividade comercial, não só dos associados, como da rede de aderentes a nível nacional.


UNIMARK E SOCIEDADE AQUI É FRESCO No fundo, pretendemos tornar as lojas mais jovens, atrativas, coloridas e com um forte impacto visual tanto no interior como no exterior, permitindo identificar melhor as secções de loja e alavancar, cada vez mais, o negócio dos nossos aderentes. Ao dia de hoje, já temos cerca de 200 lojas decoradas com este kit. É uma etapa do caminho que temos feito, em 2019, de reforço da imagem das nossas lojas, de modo a tornar a rede mais apelativa para o lojista e para o fornecedor-parceiro, que tem tornado possível esta realidade. A nível da rede de lojas Aqui é Fresco, um dos pontos fortes é a imagem – forte, marcante, atrativa, moderna e jovem. Rapidamente, as pessoas identificam e conseguem perceber onde queremos chegar e a imagem que queremos passar. Qual o papel das mulheres na gestão e coordenação de equipas? Quais as principais diferenças que destaca? Na sua maioria, as mulheres são muito mais minuciosas. Ligamos muito ao detalhe e ao desenvolver de tarefas ao pormenor o que, nesta área, é extremamente importante. Outro ponto diferenciador é o facto de conseguimos exercer várias funções ao mesmo tempo, até porque temos outro tipo de sensibilidade. Cada vez mais temos mulheres em cargos de liderança dentro das organizações, esfera que era ocupada maioritariamente por homens. E acredita na importância de ter equipas mistas? Os dois complementam-se? Sim, acredito. As equipas devem ser constituídas por homens

e mulheres. Ambos se complementam. As equipas mistas são muito positivas para as empresas. O trabalho de ambos complementa-se, na medida em que o homem possui rapidez e a mulher tem a parte do pormenor. Os dois juntos fazem toda a diferença nas organizações. 2019 é um ano de inovação para a vossa empresa. Quais são os principais projetos reservados para 2020? O ano de 2020 apresenta-se como um ano de grande inovação para a rede Aqui é Fresco. Exercício no qual a insígnia aposta na ligação online entre retalhistas e grossistas, de modo a agilizar o processo de decisão e encomenda e a torná-lo mais rápido e eficiente, através da criação de uma plataforma de comunicação. Iremos também arrancar com um cartão de fidelização que irá trazer diversas mais-valias ao negócio. Razão pela qual vamos apostar na ligação online entre retalhistas e grossistas, de modo a agilizar o processo de decisão e encomenda e a torná-lo mais rápido e eficiente, através da criação de uma plataforma de comunicação. A mesma permitirá, por um lado, que as encomendas passem a ser diretas, via online. Por outro lado, o retalhista pode, ainda, ver todo o cardex disponibilizado pelo grossista, de modo mais rápido e eficiente. Mas as mais-valias não se ficam por aqui. Com a integração das faturas nos stocks e com a respetiva valorização a poder ser feita de forma automática, não será necessário qualquer tipo de intervenção humana, o que diminui significativamente o fator erro. O mesmo acontece com a integração nos displays, nas caixas de saída e nas imagens dos produtos que estão a ser promovidos no interior da loja.

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ESPECIAL SAÚDE

Saúde da Visão Cancro da Mama Coluna Asma

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SAÚDE DA VISÃO

A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO E DA CONSULTA PERIÓDICA EM OFTALMOLOGIA

T

odos os indivíduos precisam de ser consultados esporadicamente, consoante as características que reúnem e a altura da vida em que se encontram. O aparecimento de sintomas visuais e a presença de história familiar positiva obrigam a uma consulta de Oftalmologia, logo que possível. Nenhuma criança deveria entrar para a escola sem uma avaliação oftalmológica prévia, assim como um jovem entre os 15 e os 17 anos, antes de atingir a idade adulta. Também um adulto, mesmo sem queixas, deverá fazer um exame oftalmológico, pelo menos de quatro em quatro anos, por forma DIA MUNDIAL DA VISÃO Em outubro assinala-se o Dia Mundial da Visão, cujo objetivo, através de diversas iniciativas de sensibilização, é prevenir problemas visuais, proteger e tratar da visão das pessoas. A prevenção e o diagnóstico precoce das Doenças Oculares são fundamentais. Esta data, criada pela Organização Mundial da Saúde, chama a atenção para perigos para a visão, tais como a cegueira e a deficiência visual.

a serem prevenidas doenças oculares que, se identificadas atempadamente, possam ser corrigidas ou os seus efeitos retardados. Obviamente, este espaçamento deverá ser menor se houver uma predisposição genética para patologias oftalmológicas, como o caso do Glaucoma, doença do nervo ótico suscetível de provocar a perda de visão irreversível e que é um dos problemas mais importantes do ponto de vista da urgência de diagnóstico precoce e tratamento. Entre as doenças de maior incidência, destacam-se ainda, a Catarata - resolúvel por meio de cirurgia - a Degenerescência Macular e a Diabetes Ocular, uma das principais causas da cegueira, em Portugal. Nestas pa76 | Revista Business Portugal outubro 2019

tologias, a tendência para o seu crescimento é inevitável, tendo em conta o aumento atual da esperança de vida. Também a nível tumoral a prevenção e as consultas de rotina para deteção precoce de qualquer anomalia palpebro-orbitária são a chave para o sucesso diagnóstico e terapêutico. Uma palavra especial para o Rastreio na Criança. O desenvolvimento visual atinge a sua maturação numa idade bastante precoce, geralmente entre os quatro e os seis anos de idade. Por este motivo é importante o rastreio das crianças o mais cedo possível, por forma a detetarem-se fatores passíveis de provocarem graves problemas visuais, como a cegueira e a ambliopia, evitando desta forma consequências irreversíveis na vida adulta. Atualmente, é já possível diagnosticar muitas patologias oculares a partir do ano de vida – algumas até logo na altura do nascimento – e assim promover de imediato o seu tratamento. Assim, os rastreios visuais durante a infância são essenciais para a deteção e correção dos erros refrativos e de doenças oculares. Será garantidamente melhor no futuro a forma de tratamento destes problemas, graças aos trabalhos de investigação efetuados e aos consequentes avanços na área da oftalmologia. Também o desenvolvimento no campo da genética poderá trazer no futuro soluções para o controlo e prevenção de uma série de patologias de predisposição hereditária. Em conclusão, uma consulta periódica de Oftalmologia é fundamental para se evitar o estabelecimento e progressão de patologias e promover o tratamento específico de situações tais como a ambliopia, o glaucoma, a degenerescência macular relacionada com a

PROF. J. SALGADO-BORGES Licenciou-se em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina do Porto e doutorou-se na especialidade de Oftalmologia na mesma instituição. É fundador e diretor clínico da Clinsborges, coordenador dos serviços de Oftalmologia do Hospital da Boa Nova e do Hospital de Dia da Maia. Além disso, é atualmente o responsável pelo departamento de Oftalmologia do grupo Lenitudes, sendo também autor do blog Salgado-Borges (http://www. salgadoborges.com), onde publicou já mais de 100 artigos sobre Oftalmologia. Professor Convidado da Universidade Fernando Pessoa, desde 2005, foi galardoado com 27 prémios, nacionais e internacionais, relacionados com a sua prática clínica, docente e de investigação. É ainda Embaixador de Portugal da TFOS (Tear Filme & Ocular Surface Society) e Assessor da Visão dos Lions em Portugal.

idade ou a retinopatia diabética. De realçar por fim a importância da solidariedade, da colaboração e da realização de rastreios oftalmológicos por forma a diminuir diferentes causas reversíveis e irreversíveis de cegueira.


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SAÚDE DA VISÃO - OLHO SECO

“OLHO SECO” DOENÇA OCULAR DA ATUALIDADE

O

“Olho Seco” é um verdadeiro problema de saúde pública: mais de 15% dos adultos (cerca de 1 milhão e meio de portugueses) apresentam queixas de dor ou desconforto ocular na sequência desta condição. Neste contexto, podemos definir o olho seco como o desajuste entre a quantidade/qualidade da secreção lacrimal e as necessidades de lubrificação da superfície do olho. A lágrima forma uma película que recobre o globo ocular e a face interna das pálpebras, para que estas durante o pestanejo passem suavemente sobre o olho sem o “arranhar” ou danificar, funcionando como o óleo de uma máquina. Na sua vida profissional, os indivíduos são expostos a inúmeros fatores ambientais identificados como fonte de secura ocular. Refira-se, por exemplo, a utilização prolongada dos ecrãs e a diminuição do pestanejo; a exposição aos poluentes ambientais; o tabaco e o seu efeito na destabilização da película lacrimal; a humidificação deficiente e o aumento da evaporação da lágrima, bem como o aumento crescente das viagens de avião. É ainda de salientar a maquilhagem, que liberta substâncias indesejáveis, quebrando o equilíbrio da película lacrimal;

as lentes de contacto que dividem o filme lacrimal provocando uma maior tendência para sua evaporação; as técnicas de cirurgia refrativa, em particular o LASIK, que provocam uma secura ocular por desenervação da córnea. O olho seco manifesta-se por um conjunto de sinais e sintomas inespecíficos, entre os quais se contam a sensação de picada ou de corpo estranho, o ardor, o lacrimejo excessivo. Na colheita da história clínica, deve desde logo procurar encontrar-se alguma relação entre essas queixas e fatores ambientais, uso de lentes de contacto ou toma de medicamentos, tais como antidepressivos, anti-hipertensores ou anti-histamínicos. É importante a identificação do atingimento de outras mucosas, tais como a bucal ou vaginal. Deve também questionar-se sobre a existência de doenças crónicas gerais inflamatórias ou doenças do foro imunológico, tais como o Lupus ou a Síndroma de Stevens-Johnson. A produção de lágrimas é igualmente afetada por fatores hormonais, sabendo-se que o olho seco é mais frequente nas mulheres após a menopausa. Outro fator importante é a idade; assim, após os 60 anos a produção de lágrimas é cerca de 25% da verificada no jovem adulto.

J. Salgado-Borges, oftalmologista Diretor Clínico da Clinsborges, Coordenador dos Serviços de Oftalmologia dos Hospitais Privado da Boa Nova / Dia da Maia e da LenitudesOftalmologia. Embaixador em Portugal do TFOS (Tear Film & Ocular Surface Society) https://www.clinsborges.pt/centro-integrado-de-olho-seco/ 78 | Revista Business Portugal outubro 2019

Além da história clínica cuidada é fundamental a realização de um exame oftalmológico rigoroso, após o que se poderá estabelecer o diagnóstico clínico de olho seco. Se o olho apresenta ardência/picada, tratar-se-á de um olho seco; no caso de haver prurido intenso será provavelmente uma alergia e no caso de colar e apresentar secreção abundante estaremos provavelmente na presença de uma conjuntivite bacteriana.

Atualmente dispomos de tecnologias inovadoras e não invasivas, tais como o Keratograph ou o ThearLab, que nos permitem diagnosticar a presença de um olho seco predominantemente evaporativo ou causado por hipossecreção lacrimal. Comum ao tratamento de todas as situações de olho seco é a administração de lágrimas artificiais. Em especial, há que ter cuidado com o uso de lágrimas artificiais com conservantes, uma vez que estes podem ter efeitos tóxicos e ser indutores de alergias, e que por si só podem agravar a situação de olho seco. Assim sendo, poder-se-á recorrer ao uso de lágrimas artificiais, tais como por exemplo, o ácido hialurónico, sem conservantes. Hoje em dia possuímos novas armas terapêuticas como o uso de anti-inflamatórios não esteroides, corticoides ou ciclosporina. Novos tratamentos tais como a Luz Pulsada ou o Plasma Rico em Plaquetas (Endoret), são duas tecnologias recentes de que dispomos também para tratar situações de olho seco moderado ou grave. Em conclusão, para prevenir e tratar um olho seco, para além da utilização de lágrimas artificiais, é fundamental alertar os grupos de risco para este problema, nomeadamente os idosos, evitar o uso prolongado dos computadores e a permanência em ambientes adversos.


CANCRO DA MAMA – LPCC NÚCLEO REGIONAL DO NORTE

MÊS DE PREVENÇÃO DO CANCRO DA MAMA

O panorama do Cancro a nível mundial apresenta um aumento exponencial de incidência em todos os tipos de cancro, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Por outro lado, a esperança de vida da população é cada vez maior. Por outro lado, o número de casos de cancros curados tem aumentado. Estes dois aspetos levam-nos a duas conclusões: - Aumento do número de cancros curados e, do mesmo modo, um aumento da sobrevivência com boa qualidade de vida. A todos os níveis, considera-se que o cancro será, ou já o é, o principal problema de saúde publica, ultrapassando em mortalidade as doenças cerebrais e vasculares. O cancro da mama mata mais mulheres que qualquer outro tipo de cancro - em 2018, 627.000 morreram de cancro da mama em todo o mundo. Em Portugal, o cancro continua a ser o parente pobre do Serviço Nacional de Saúde e uma das patologias que continua a levantar polémicas em relação a múltiplos aspetos – falta de equidade em relação a toda a população residente, nomeadamente a nível da acessibilidade, do diagnóstico, dos tratamentos e, também, em relação à medicação inovadora. Igualmente, continua a haver uma indefinição em relação às Unidades de Referenciação. Em Portugal, o número de novos casos é de mais de 6.000 por ano, com uma mortalidade de 1.800 mulheres (ano). É por isso que no mês da prevenção do cancro da mama, mês de outubro, não é por demais relembrar que muito mais importante 80 | Revista Business Portugal outubro 2019

do que curar é prevenir. Nesse sentido, é preciso sensibilizar e educar a população no sentido de que a prevenção primária – hábitos saudáveis de vida (atividade física adequada, consumo de tabaco e álcool, alimentação saudável evitando a obesidade, existência de fatores familiares e, sobretudo, genéticos) são factos que podem direta ou indiretamente influenciar o aparecimento desta doença. Por outro lado, não esquecer a prevenção secundária - rastreio do cancro da mama de base populacional - que a Liga Portuguesa

Contra o Cancro tem vindo a implementar em colaboração com as ARS em todas as regiões do país. A deteção precoce do cancro cria mais hipóteses de cura e longa sobrevivência com qualidade de vida – prevenção primária e prevenção secundária. É de realçar que o Ministério da Saúde reconheceu que a mortalidade por cancro da mama na região Norte diminuiu 25 por cento devido a uma total implementação do Rastreio e às campanhas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro realiza diariamente em relação aos hábitos saudáveis de vida. Constituem sinais de alerta o aparecimento

Dr. Vítor Veloso, Presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro

súbito de nódulos mamários, o aparecimento de vermelhidão que não existia, escorrência mamilar, do aparecimento de uma pele em casca de laranja ou de uma retração do mamilo ou da pele, bem como o aparecimento de gânglios volumosos ao nível da axila. Por último, uma mensagem para todas as mulheres – embora a incidência do cancro da mama tenha aumentado a nível mundial e também a nível nacional, a mortalidade tem diminuído. Verifica-se neste momento que começa a haver uma diminuição na mortalidade. E porquê? Porque finalmente as mulheres têm tido uma atitude positiva e de maior adesão em relação ao rastreio de base populacional realizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro em colaboração com a ARS Norte e começam a seguir hábitos de vida saudáveis. O cancro da mama detetado precocemente é completamente curável!

PREVENIR é muito melhor do que tratar e curar!


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CANCRO DA MAMA

CANCRO DA MAMA, PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Isabel Pazos, oncologista

Isabel Pazos, Coordenadora do Grupo de Mama - Oncologia Médica - no IPO de Coimbra, explica, em entrevista à Revista Business Portugal, a importância do autoexame e os estigmas a que as mulheres, sofredoras desta doença, estão expostas.

À

semelhança de outras patologias oncológicas, o cancro da mama assume uma especificidade própria. Pedimos-lhe que nos descreva como se manifesta a doença, os fatores de risco associados, que medidas adotar ao nível da prevenção, a importância do autoexame e do diagnóstico médico, quais os sintomas e os tratamentos disponíveis. O cancro da mama é o tumor maligno mais frequente na mulher. Em Portugal em 2018 registaram-se 6974 diagnósticos de cancro da mama num total de 58199 diagnósticos de cancro, o que perfaz uma incidência 12 por cento (*). As neoplasias malignas da mama são um grupo heterogéneo de lesões, podem ter origem nos lóbulos e nos ductos da glândula mamária, que diferem no comportamento biológico e na aparência microscópica e isto vai gerar uma classificação biológica que determinará a escolha do tratamento. O cancro da mama desenvolve-se em três fases principais: a fase de iniciação onde aparece uma lesão no DNA celular e os mecanismos de reparação habituais não conseguem elimina-la, pelo que essa alteração se vai transmitir às células filhas subsequentes; uma segunda fase onde essa alteração multiplica-se e cresce e finalmente uma terceira fase onde as células tumorais invadem e migram para outros órgãos. A forma de apresentação do cancro da mama pode ser como: uma tumefação, uma escorrência mamilar, pele em casca de laranja, retração da pele da mama ou retração/inversão do mamilo, ulceração, ou bem por sintomas que derivam da metastização a outros órgãos (falta de ar, fraturas ósseas patológicas/espontâneas, disfunção hepática).

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É fundamental que as mulheres saibam explorar as suas mamas, as vezes 4 minutos podem salvar uma vida, e que perante uma alteração, por pequena que seja, consultem o seu médico.

Neste momento o cancro da mama é a primeira causa de morte em mulheres europeias entre os 40-49 anos. A taxa de mortalidade por cancro da mama para os países civilizados tem vindo diminuir devido ao diagnóstico precoce e a um melhor tratamento. Em Portugal em 2018 a mortalidade foi do 6 por cento, 1748 doentes faleceram por cancro da mama/ 28960 doentes que faleceram por cancro (*) A sobrevivência aos 5 anos vai depender do estadio em que se diagnostique a doença e vai desde quase 100 por cento em estadio I a 5 por cento em estádio metastizado. Uma de cada 8 mulheres no mundo ocidental vai apresentar um cancro da mama ao longo da sua vida, assim sendo, a prevenção e o diagnóstico precoce vai ser uma prioridade para os organismos governamentais responsáveis pela saúde. A DGS estabelece como prioridades a promoção e prevenção no diagnóstico e tratamento das doenças oncológicas garantindo a equidade e a acessibilidade dos cidadãos, com o objetivo de chegar ao 100 por cento dos cidadãos em 2020.(**) O rastreio do cancro da mama abrange as mulheres entre os 50-69 anos. Tem como objetivos diminuir a mortalidade associada ao cancro da mama e diagnosticar de forma precoce com vista a aumentar as possibilidades de cura e proporcionar


CANCRO DA MAMA tratamentos menos agressivos.

Os fatores de risco associados a maior risco de padecer cancro da mama são: ser portadores de mutação do gene BRCA1/2, ter um familiar em primeiro grau com o diagnóstico de cancro da mama, menarca em idade inferior 12 anos, menopausa em idade superior a 55 anos, idade do parto superior a 30 anos, reposição hormonal após menopausa, consumo de álcool, obesidade, biopsia mamária previa com hiperplasia atípica. O diagnóstico e tratamento do cancro da mama devem ser orientados por uma equipa multidisciplinar para garantir a melhor estratégia de tratamento para cada doente. Os tratamentos do cancro da mama incluem a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia, a hormonoterapia, a terapia biológica... todos eles de forma isolada ou combinada podem ser utilizados no tratamento do cancro da mama, segundo o tipo biológico do tumor e o estadio da doença. A prevalência do Cancro da Mama tem vindo a aumentar significativamente nas últimas décadas, sobretudo nos países ocidentais. Na sua opinião, a que se deve este aumento exponencial? A prevalência é a proporção de população que tem a doença num período de tempo determinado e inclui todas as doentes que foram diagnosticadas no passado, que estão vivas e estão curadas ou não. A prevalência tem vindo aumentar por aumento da incidência e pela melhora nos resultados dos tratamento (novos fármacos e mais eficazes). A prevalência estimada aos 5 anos do cancro da mama em Portugal em 2018 foi de 26.329.(*) Algumas mulheres conseguem vencer esta árdua batalha, mas outras não. Em que consiste o cancro da mama metastizada? O cancro da mama metastizado significa que o tumor para além da mama encontra-se em outros órgãos como pode ser ossos, fígado, pulmão, cérebro, pele... Dentro da doença metastizada o prognóstico não só depende do tipo biológico de cancro da mama e do órgão afeto, se não também do número de metástases, do número de locais afetados, dos sintomas associados..., assim podemos encontrar-nos com doentes com cancro da mama metastizado com longas sobrevivências como nas doentes com metástases ósseas. Com os novos medicamentos de hoje em dia, a sobrevivência tem vindo a aumentar de forma muito importante. As mulheres que não conseguem superar a doença são muitas

vezes olhadas como derrotadas, enquanto as que conseguiram superá-la são vistas como umas lutadoras e vencedoras. Não será esta visão injusta e desumana quando, ainda para mais, há um fator de reincidência que tanto peso tem nos casos de insucesso? Hoje em dia não se pode considerar as doentes com cancro da mama metastizado como umas pessoas derrotadas, muito pelo contrario, são umas autênticas heroínas.

Confrontam a doença de frente e vão a luta com todas as armas que lhes podemos proporcionar, com todos os medicamentos que temos disponíveis. É evidente que não conseguimos salvar a todas as doentes e que dependendo do tipo de tumor e do local da metastização os resultados são diferentes. Ainda sobre as mulheres com cancro da mama matestizada, que tipo de necessidades têm estas mulheres e que soluções existem ao nível de novas terapêuticas que lhes permitam aumentar a esperança média de vida e a qualidade da mesma? Nós últimos anos o tratamento do cancro da mama levou um grande avanço e reflete-se no aumento da sobrevivência, nomeadamente no cancro da mama metastizado. Por exemplo, para os tumores hormonosenssíveis a associação hormonal com os inibidores das CDK (ribociclib, palbociclib, abemaciclib) os inibidores de mTor (everolimus), para os tumores HER2 positivos a associação antiHER2 com trastuzumab e pertuzumab, têm vindo revolucionar os resultados, aumentando o tempo para a progressão da doença e a sobrevivência global das doentes com cancro de mama metastizado. Estas novas terapêuticas não só vão aumentar a esperança de vida como também, devido a uma toxicidade controlável, a melhorar imenso a qualidade de vida. Outubro é Mês Internacional da Prevenção do Cancro da Mama. Enquanto Coordenadora do Grupo de Mama do IPO de Coimbra, que conselho que gostaria de deixar às mulheres portuguesas? Em primeiro lugar ressaltar a importância de hábitos de vida saudáveis no que diz respeito a alimentação, exercício físico regular, deixar hábitos tóxicos, dedicar uns minutos á auto-exploração, a adesão ao rastreio do cancro da mama. Em segundo lugar, não deixar passar por alto qualquer alteração na mama, esconder o problema não leva a que o problema desapareça. Assim quando mais precoce seja o diagnóstico melhor serão os resultados dos tratamentos.

(*) “World Health Organization – IARC Globocam” (**)Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (2017) outubro 2019 Revista Business Portugal | 83


CANCRO DA MAMA - FUJIFILM

DOR NA MAMOGRAFIA: É MESMO INEVITÁVEL?

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odos os anos assistimos a um aumento no número de casos de cancro da mama. Se por um lado, este é um dado preocupante, por outro lado também é verdade que esta doença quando detetada numa fase precoce tem uma taxa de recuperação extremamente elevada. Existem programas de rastreio para que seja possível a deteção precoce de lesões mamárias, mas ainda são muitos os casos em que a afluência a estes rastreios está longe dos 100%. E uma das razões responsáveis por esta atitude é o medo e o desconforto que a compressão da mama pode provocar durante a realização do exame.

Os compressores Devido ao facto de não ser possível eliminar a necessidade de comprimir a mama durante a realização da mamografia e, uma vez que este procedimento causa algum desconforto às pacientes, foram recentemente desenvolvidos pelos fabricantes de mamógrafos vários acessórios e funções especiais, por forma a aumentar o conforto dos pacientes mantendo uma adequada compressão da mama para que a qualidade de imagem não sofra interferências. A Fujifilm disponibilizou um conjunto de compressores adaptados (disponíveis em vários tamanhos) para serem utilizados em combinação com o seu mamógrafo AAMULET Innovality. O compressor “Fit Sweet” possui uma superfície flexível que se adapta à forma e curvatura da mama, distribuindo a força de compressão por toda a zona de contacto da mama com a superfície do compressor e não apenas na zona mais alta e densa como com os compressores habituais.

A histerese Tal como outros tecidos do corpo humano, também a mama mostra sinais de histerese: propriedade na qual o tecido não retorna à sua condição (forma) original após lhe ter sido aplicado uma estimulação, neste caso a compressão, imediatamente a seguir ao término dessa mesma estimulação. Por outras palavras, a mama comprimida não regressa à sua forma e espessura originais após se eliminar ou reduzir a força de compressão. Recorrendo a esta característica física da histerese, a Fujifilm desenvolveu um mecanismo de compressão completamente inovador, disponível no seu AMULET Innovality, com o nome de “Comfort Comp”. Este mecanismo define de forma completamente automática o valor para a redução da força de descompressão aplicada na mama, imediatamente antes da exposição à radiação, com a percentagem de tecido mamário relaxado dentro dos parâmetros que permitam manter a mesma espessura, a mesma dose e a mesma qualidade de imagem. Os ensaios clínicos iniciais foram conduzidos por forma a avaliarmos as variações do nível de dose, da dose média glandular, da espessura da mama e da força de compressão durante os exames com e sem recurso à “Comfort Comp”.

Conclusões O impacto positivo da deteção precoce do cancro da mama é indiscutível e sugere que todos os esforços devem ser conduzidos por forma a aumentar a taxa de participação das mulheres nos programas de rastreio de acordo com as suas idades. A dor durante a compressão da mama tem sido listada em 41% dos casos como a razão pelas mulheres escolherem não prosseguirem com as sessões de rastreio consecutivas. A Fujifilm tem levado a cabo desenvolvimentos quer no design quer na funcionalidade do seu equipamento para que seja possível aumentar o conforto dos pacientes e melhorar a sua experiência durante a realização da mamografia, para que a taxa dos 41% diminua e de ano para ano o regresso e a repetição dos exames de rastreio seja uma realidade para todas as mulheres. 84 | Revista Business Portugal outubro 2019


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COLUNA - SURGYLINE

AO SERVIÇO DA SUA SAÚDE A Revista Business Portugal entrevistou o Diretor Geral da da Surgyline, Manuel Vaz, no sentido de esclarecer quais as últimas novidades que a Joimax ® apresentou em Portugal, através da Surgyline, e as suas vantagens para os pacientes e especialistas no âmbito do tratamento das doenças da coluna.

A

Surgyline é representante em Portugal da Joimax® (Empresa alemã, líder mundial para tratamentos da coluna vertebral por Endoscopia). Em que consiste e em que casos é realizada? A Endoscopia de coluna é um procedimento minimamente invasivo. Através de um pequeno orifício o cirurgião coloca um endoscópio canulado com uma fonte de luz e uma câmara Full HD que permite visualizar a área a tratar, munindo-se de instrumentos finos e precisos. Assim como a laparoscopia e a artroscopia, a endoscopia de coluna segue os mesmos princípios que consiste em fazer mais e melhor com menos danos para o paciente. Os casos em que a Endosocpia de Coluna pode ser aplicada em regra geral são os tratamentos das hérnias discais lombares, cervicais e torácicas, estenoses e denervação facetaria e sacroilíaca. Descreva as vantagens deste tipo de intervenção em comparação com às técnicas anteriormente utilizadas. Até que ponto a Surgyline revolucionou as intervenções cirúrgicas nesta área? É imprescindível que o paciente seja sempre avaliado por um

As vantagens da Endoscopia de Coluna comparadas às outras técnicas são muitas, a saber: • • • • • • • • • • •

Procedimento minimamente invasivo; Menos dor pós-operatória comparado à cirurgia convencional; Menor incidência de complicações pós-operatórias Incisão cirúrgica pequena (1 a 2cm) com perda mínima de sangue; Pequena cicatriz pós cirúrgica; Diminuição da formação de tecido fibroso no espaço epidural; Realizado com anestesia local e sedação (Não necessita de anestesia geral como a cirurgia convencional) Tempo operatório reduzido; Reabilitação e retorno às atividades diárias mais rápido; Baixa taxa de infeção; Procedimento pode ser realizado em regime de ambulatório.

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Manuel Vaz, Diretor Geral

especialista de coluna (Neurocirurgião ou Ortopedista) e desta forma perceber se a patologia se adequa a este tratamento. Na maioria dos casos degenerativos isso acontece, mas o seu especialista tem sempre a ultima palavra. Depois de um estudo sobre a evolução desta técnica em outros países, nomeadamente na Coreia do Sul, Japão, Alemanha e Estados Unidos assim como o significativo avanço tecnológico dos aparelhos e instrumentos, não tive dúvidas que seria o timing certo para desenvolver em Portugal este sistema. Depois do acordo de parceria realizado entre a Joimax® e a Surgyline na cidade de Dublin em 2017, iniciamos as primeiras abordagens a cirurgiões, anteriormente identificados como futuros utilizadores e encetamos a formação dos mesmos nos nossos centros na Alemanha. A partir desse momento houve um interesse generalizado de Neurocirurgiões e Ortopedistas de coluna em obter a formação e dessa forma estarem aptos a realizarem este tipo de cirurgia minimamente invasiva. Paralelamente, a maioria dos hospitais privados e os grandes hospitais públicos encetaram contatos com a Surgyline para poderem usufruir desta técnica nos seus centros de coluna. Qual é a taxa de penetração/aplicabilidade desta solução nas unidades de saúde nacionais? Os especialistas têm mostrado curiosidade neste novo procedimento? Até ao momento, a Surgyline investiu cerca de meio milhão de euros na aquisição de material e formação de especialistas. Dispomos de 4 torres para cirurgia endoscópica de coluna e desde fevereiro de 2018 realizamos sensivelmente 300 cirurgias endoscópicas de coluna. Estamos presentes em 23 unidades hospitalares e pretendemos, no espaço de 3 anos, ampliar esta técnica a todos os centros cirúrgicos de coluna do país. A Surgyline detém cerca de 95 por cento de cota de mercado neste tipo de procedimento e brevemente iremos iniciar esta técnica nas ilhas da Madeira e Açores. Tudo isto é possível, devido ao profissionalismo da nossa equipa, ao empenho dos nossos cirurgiões e ao crescente interesse de outros que nos contatam diariamente para obterem informação e formação no sentido de iniciarem esta técnica cirúrgica minimamente invasiva.


COLUNA - SURGYLINE

CHEGOU A PORTUGAL A LÍDER MUNDIAL PARA TRATAMENTOS À COLUNA POR ENDOSCOPIA Com certeza já ouviu falar das palavras laparoscopia, artroscopia e endoscopia. Esta última tem relação direta com os exames e tratamentos realizados por colonoscopia e endoscopia digestiva. Pois, agora, existe mais um procedimento percutâneo por via endoscópica - A endoscopia de Coluna.

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uitas vezes confundida com outras técnicas, nomeadamente infiltrações, ozonoterapia, nucleoplastia, laser e outros procedimentos minimamente invasivos à coluna vertebral, a endoscopia de coluna, conforme o nome sugere, é a visualização direta num monitor através de um pequeno endoscópio, de toda a área que o cirurgião pretende tratar. A cirurgia endoscópica da coluna lombar é efetuada por um pequeno acesso (cerca de 1 cm) constituindo, assim, a menos invasiva das técnicas disponíveis. Os doentes beneficiam por isso de menos dor pós operatória, reabilitação mais rápida, menos cicatrizes e uma menor taxa de infeção. Os resultados entusiasmantes desta abordagem, têm levado a um crescente interesse por parte dos cirurgiões e dos doentes. Além de mais seguro e preciso, este novo procedimento teve nos últimos dois anos uma evolução significativa na transmissão da imagem. Hoje já podemos encontrar em alguns hospitais portugueses resolução FHD e 4K para este tipo de procedimentos. A Surgyline - Dispositivos Médicos Cirúrgicos. Lda representa em Portugal a Joimax® - líder mundial de sistemas de endoscopia de coluna. Esta nova tecnologia já está presente na maioria dos grupos privados de saúde (Hospitais da Cuf, Grupo Trofa Saúde, Grupo Lusíadas) e nos grandes hospitais públicos, nomeadamente Hospital de S. João, Hospital de Santo António, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Hospital de Santa Maria de Lisboa, Hospital de S. Francisco Xavier, Hospital Vila Franca de Xira, sendo que os pioneiros na endoscopia de coluna em Portugal foram o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, Hospital das Forças Armadas - Pólo do Porto e o Hospital Pedro Hispano de Matosinhos. O serviço de neurocirugia do Hospital de S. João adquiriu à Surgyline uma torre de endoscopia para o seu Polo de Valongo e irá iniciar as cirurgias endoscópicas de coluna no próximo mês de novembro em regime ambulatório. Os tratamentos possíveis por esta nova técnica são os tratamentos às hérnias discais lombares, cervicais e torácicas, estenose lombar e cervical e dor facetaria e sacroilíaca. Os cirurgiões habilitados a realizarem este procedimento, são

Neurocirurgiões e Ortopedistas de Coluna. Sempre que existam sintomas de dor radicular, vulgarmente conhecida como “dor ciática”, resultante de discos herniados entre as vértebras que comprimem a raiz nervosa ou outro tipo de dor relacionada com a estenose lombar resultante no aperto do canal vertebral comprometendo a medula e/ou as raízes nervosas, deve procurar os nossos especialistas para que o tratamento seja o adequado. Importante salientar que esta nova técnica já dispõe dos códigos do dispositivo médico (CDM) atribuídos pelo Infarmed e está igualmente aprovada pela FDA (Food and Drug Administration - Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos). Surgyline - Making Life Better Para mais informações contacte-nos: surgyline@surgyline.pt

Torre de Endoscopia outubro 2019 Revista Business Portugal | 87


COLUNA

TEM PROBLEMAS DE COLUNA? O Centro Coluna da Lapa dispĂľe de tĂŠcnicas de tratamento minimamente invasivas e “nĂŁo        cirĂşrgicasâ€?.         

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da Lapa, diminuir as probabilidades do seu apaDr. Pedro Nunnes, Diretor ClĂ­nico do da recimento com medidas de carĂĄter geCentro Coluna da Lapa Lapa, no Porto, ĂŠ uma ral, tais como praticar uma boa postura, unidade especializada em manter um peso saudĂĄvel, evitar o seprocedimentos nĂŁo cirĂşrgicos e minima- dentarismo e esforços fĂ­sicos excessivos e, com um curto tempo de estadia hospimente invasivos de vĂĄrias patologias que praticar exercĂ­cio fĂ­sico com regularidade, talar e de recuperação, permitindo um atingem a coluna vertebral, nomeadamente particularmente a caminhada e a natação. rĂĄpido retorno do paciente Ă s atividades O Centro da Coluna do Hospital da de rotina diĂĄria; o tratamento “nĂŁo cirĂşrgicoâ€? de hĂŠrnias dos classificados.jn.pt - SĂŁo procedimentos terapĂŞuticos midiscos intervertebrais, fraturas vertebrais e Lapa, liderado pelo Dr. Pedro Nunnes, ĂŠ um centro de referĂŞncia europeu no nimamente invasivos; artroses vertebrais, bem como de outras veĂ­culos ensino casas emprego diversos relax tratamento de hĂŠrnias discais por fibra - NĂŁo implica a dissecção de mĂşsculos articulaçþes. Publicidade PARA ANUNCIAR 800 200 226 (chamada grĂĄtis) | anunciar.classificados@jn.pt | ENCONTRE em classificados.jn.pt a Loja do Jornal. Estima-se que mais de 80 por cento Ăłtica, que consiste na aplicação de uma paravertebrais; - NĂŁo interfere com as estruturas Ăłsda população mundial sofra de dor ra- fonte de energia de plasma atravĂŠs de um quidiana/vertebral, mais conhecida por sistema avançado de fibra Ăłtica, numa seas; - NĂŁo implica a remoção do disco; “dores nas costasâ€?, na maioria das vezes localização muito precisa do disco her- Sem cicatriz cutânea; esta dor ĂŠ intensa e limita a vida pessoal niado, sob controlo imagiolĂłgico de alta O objetivo ĂŠ reduzir a tensĂŁo - Apresentam uma taxa de sucesso exe[ profissional, a qualidade de definição. Centro dadiminuindo Coluna da lapa dispĂľe de tĂŠCniCas de tratamento minimamente invasivas e “nĂŁo CirĂşrgiCasâ€? intradiscal,] obrigando a hĂŠrnia a regredir pectĂĄvel elevada; vida da pessoa afetada. - NĂŁo impedem a cirurgia, caso seja A dor nas costas, no pescoço, nos bra- Ă  sua posição inicial, aliviando a pressĂŁo A “dor nas costasâ€? ĂŠ um dos sin- exercĂ­cio fĂ­sico com regularidade, sobre os nervos e, consequentemente, a estritamente necessĂĄrio. ços ou nas pernas associadatomas a umcom desconmaior prevalĂŞncia na particularmente a caminhada e a população. natação. forto cervical ou lombar pode ter vĂĄrias dor. Estima-se que cerca de 85% da Existem vĂĄrias tĂŠcnicas de trapopulação mundial, pelo menos uma tamento “nĂŁo cirĂşrgicoâ€? de hĂŠrnias Para saber se ĂŠ candidato a este tratacausas, mas encontra-se maioritariamente vez na vida, apresente queixas de dos discos, com uma taxa de sucesso Principais benefĂ­cios do tratamen- mento necessita de realizar uma consulta relacionada com hĂŠrnias discais que se dores relacionadas com a coluna. Na na maioria dos casos significativamaioria das vezes, ĂŠ suficientemente mente superior, sem necessidade de devem em grande parte ao desgaste do to minimamente invasivo de hĂŠrnias mĂŠdica de modo a rever a histĂłria clĂ­niintensa e incapacitante, e muitas ve- reabilitação fisioterapĂŞutica prozes limita a capacidade e longada. discais: ca e os sintomas que apresenta, realizar disco, a fatores genĂŠticos, Ă  mĂĄ postura, Ă  de trabalho qualidade de vida. um exame fĂ­sico minucioso e avaliar os obesidade, ao sedentarismo, aos esforços As causas potenciais de “dor PRINCIPAIS BENEFĂ?CIOS DO nas costasâ€? sĂŁo diversas. Contudo, TRATAMENTO MINIMAMENTE SĂŁo procedimentos normalmente achados imagiolĂłgicos para de seguida fĂ­sicos excessivos e Ă  abstenção da prĂĄtica na grande maioria dos casos, a dor ĂŠ INVASIVO DE HÉRNIAS secundĂĄria Ă  doença dos discos (hĂŠr- de DISCAIS isentos complicaçþes graves, uma taxa proceder a uma discussĂŁo diagnĂłstica e de exercĂ­cio fĂ­sico regular. nias discais). • sĂŁo procedimentos normalmenDr. Pedro Nunnes, chefe de Equipa de Intervenção e diretor do Centro da Coluna As causas que estĂŁo na origem te isentos de complicaçþes graves, A manifestação mais comum de hĂŠrnias de sucesso na ordem dos 85 por cento, eleger a melhor opção terapĂŞutica. da Lapa da doença dos discos sĂŁo diversas uma taxa de sucesso na ordem dos discais lombares ĂŠ a dor ciĂĄtica, a perda e muitas vezes surgem com fatores 80%, com um curto tempo de estadia Centro da Coluna da combinados, nomeadamente, enhospitalar e de recuperação, permi- • nĂŁo ĂŠ necessĂĄrio anestesia geral; dor nas costas, sendo necessĂĄrio de força muscular numa ou em ambas as Dia da Coluna Lapa, situado no Hos- velhecimento do disco, fatores ge- Mundial tindo um rĂĄpido retorno do paciente • nĂŁo implica a dissecção de mĂşsculos uma consulta prĂŠvia de avaliação da Lapa, no Porto, nĂŠticos, mĂĄ postura, Ă s atividades rotina diĂĄria; mĂŠdica. dia realizaram-se No passado diade16 assinalou-se oparavertebrais; Dia Mundial da Coluna. Neste pernas, epital a sensação de formigueiro ousobrecarga por ĂŠ uma unidade especia- obesidade, esforços fĂ­sicos excessivos • sĂŁo procedimentos terapĂŞuticos • nĂŁo interfere com as estruturas O Centro da Coluna da Lapa ĂŠ uma atividades com o objetivo lesĂľes na coluna vertebral. Estima-se quehospitalares mais adormecimento numa perna ouumnĂĄdega. lizada em procedimenou apĂłs evento traumĂĄtico. minimamente invasivos; de prevenir Ăłsseas; das principais unidades tos nĂŁo cirĂşrgicos e minimamente Em muitos casos nĂŁo ĂŠ possĂ­vel do paĂ­s a dedicar-se ao tratamento • nĂŁo implica a remoção do disco; de 70% da população portuguesa jĂĄ sofreu ou sofre com dores na coluna vertebral. Na regiĂŁo cervical revela-se por dor no invasivos de vĂĄrias patologias que evitar uma hĂŠrnia discal. No entanto, minimamente invasivo “nĂŁo cirĂşrA “DOR NAS COSTASâ€? • sem cicatriz cutânea; atingem a com colunairradiação vertebral, nodiminuirou as probabilidades taxadas de sucesso de hĂŠrnias dos discos interAs doenças da coluna representam• apresentam mais deuma 50% causas gicoâ€? de incapacidade fĂ­sica pescoço parapode-se os ombros meadamente o tratamento “nĂŁo do seu aparecimento com medidas É UM DOS SINTOMAS vertebrais, dispondo de tĂŠcnicas expectĂĄvel elevada; cirĂşrgicoâ€?edepor hĂŠrnias dos discosna in- regiĂŁo de carĂĄter tais como praticar • nĂŁo impedem a cirurgia, caso seja diferenciadas e de uma experiente em idade laboral e sĂŁo uma das principais causas de ausĂŞncia no trabalho. Segundo braços cefaleias dageral, nuca. COM MAIOR tervertebrais, fraturas vertebrais e uma boa postura, manter um peso estritamente necessĂĄrio. equipa mĂŠdica. Constitui centro de a OMS, 1 em 4 adultos e mais de 80% adolescentes nĂŁo referĂŞncia sĂŁo ativos o suficiente. Em vertebrais, muitos casos nĂŁo possĂ­velevitar evitar artroses bem como de ĂŠ saudĂĄvel, o sedentarismo e PREVALĂŠNCIA Estedos tratamento pode nĂŁo ser europeu no tratamento de outras articulaçþes. esforços fĂ­sicos excessivos, praticar NA POPULAĂ‡ĂƒO adequado a todos os pacientes com hĂŠrnias discais por fibra Ăłtica. // uma hĂŠrnia discal. No entanto, pode-se Quinta-feira 10 Centro de outubro Coluna de 2019

CADERNO COMERCIAL | EDIĂ‡ĂƒO situado no SUL Hospital

Classificados

Tem problemas de coluna?

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MUNDIPHARMA – ASMA

MUNDIPHARMA – ASMA Em entrevista à Revista Business Portugal, a diretora geral da Mundipharma, Sofia Ferreira, explana o trabalho que esta empresa tem vindo a desenvolver para a prevenção e tratamento da asma e apresenta as motivações que levaram a Mundipharma a direcionar também a sua atenção para o tratamento da diabetes.

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Mundipharma, multinacional americana, está presente no mercado nacional há quanto tempo e com enfoque em que áreas terapêuticas? A Mundipharma está em Portugal desde janeiro de 2016, tendo surgido com um produto inovador na área respiratória. Nos últimos 3 anos, aumentámos o nosso portfólio para 5 áreas distintas. Além da respiratória, estamos presentes na área da diabetes, dor, adição e biossimilares, com vários produtos inovadores em cada uma das quatro primeiras áreas que referi e que irão, sem dúvida, fazer a diferença no sistema de saúde em Portugal. Recentemente avançaram para a área da diabetes, novamente com a disponibilização de soluções inovadoras. Em que consistem estas soluções e quais as motivações que vos fizeram investir nesta área terapêutica? Sendo uma companhia que pretende oferecer uma melhoria contínua dos cuidados de saúde em Portugal, trabalhando com o propósito “TO MOVE MEDICINE FORWARD”, a área da diabetes aparece como uma área estratégica. A diabetes é considerada a epidemia mundial do século XXI, sendo uma das doenças com maior prevalência em Portugal, estimando-se que mais de 13 por cento dos portugueses tenham diabetes. Por outro lado, a diabetes é muito mais do que uma doença associada ao descontrolo da glicémia, já que a maioria dos doentes com diabetes tem uma série de outras patologias associadas, como obesidade, doenças cardiovasculares e renais. Neste contexto, em que estamos perante uma doença com múltiplos riscos associados, onde a cada 10 segundos, uma pessoa morre devido a uma complicação da diabetes, urge lançar soluções inovadoras que permitam tratar esta doença no seu todo. A Mundipharma aparece nesta área, com o objetivo de oferecer uma solução terapêutica que pretende ajudar no controlo da glicémia, mas também atuar eficazmente nas diferentes comorbilidades associadas. A primavera e o outono são as alturas do ano em as alergias respiratórias mais se fazem sentir, com especial enfoque na 90 | Revista Business Portugal outubro 2019


MUNDIPHARMA – ASMA

Sofia Ferreira, Diretora Geral

asma. Descreva o papel e o desenvolvimento de produto que a Mundipharma tem apresentado, nomeadamente com novos inaladores e investimento em campanhas de prevenção através do Instituto Mundipharma. A área respiratória, além de ter permitido o “nascimento” da Mundipharma em Portugal, continua a ser uma área estratégica nacional e internacional, daí o lançamento, em apenas dois anos, de dois produtos. Consideramos que além de ter fármacos eficazes para o controlo da doença, é imprescindível para estes doentes, que se deparam muitas vezes com grandes dificuldades em respirar, terem inaladores simples e práticos. Foi neste contexto que a Mundipharma apostou no desenvolvimento de um inalador completamente inovador, com o qual o doente apenas tem de respirar naturalmente. Esta inovação foi amplamente reconhecida, não só pelo feedback dos doentes, mas também pelos prémios ganhos internacionalmente. Mas para a Mundipharma não é suficiente disponibilizar apenas soluções terapêuticas, é nossa responsabilidade agir no campo da prevenção, daí a nossa aposta em campanhas que promovem a alteração de estilos de vida, como a campanha “Que a Asma não te pare” e a nossa presença e apoio, em várias iniciativas que ocorrem anualmente, para assinalar o Dia Mundial da Asma. As doenças respiratórias são, na maioria das vezes, doenças sem sintomas, quando estão controladas por medicação, aparecendo as “crises” muitas vezes associadas a fatores ambientais, mas também devido a uma não adequada toma de medicação. Foi exatamente a pensar nesta situação que a Mundipharma, em 2018, criou uma campanha muito original, em parceria com várias sociedades médicas e de doentes, fazendo “renascer” uma personagem animada, muito ligada a hábitos saudáveis diários, o “Vitinho”. Têm celebrado várias parcerias a este nível, com associações de doentes e sociedades médicas, designadamente com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e com a Fundação Portuguesa do Pulmão. Quais os objetivos destas parcerias

e a que públicos se dirigem? Cada vez mais a indústria farmacêutica tem que se focar no doente e desenvolver a sua atividade para melhorar a qualidade de vida dos seus doentes, de uma forma integrada. O nosso propósito enquanto companhia é TO MOVE MEDICINE FORWARD, o que implica ter um mindset onde nos focamos no “porquê” de vendermos determinados medicamentos, em detrimento de outros. Não basta pensar no “que” vendemos, é necessário perceber a razão de os vendermos. É com esta forma de estar no mercado que consideramos que devemos atuar como verdadeiros parceiros nas áreas onde atuamos e não apenas como promotores de medicamentos, por isso para nós é imprescindível trabalhar em conjunto com todas estas e outras sociedades. É necessário perceber o que os profissionais de saúde, enquanto nossos parceiros, precisam, mas também entender que operamos num verdadeiro ecossistema com diferentes players. Numa era em que a informação está disponível e acessível a todos, a diferenciação passa por ter a capacidade de identificar o que é melhor para todos os parceiros: doentes, profissionais de saúde e sistema de saúde. O vosso trabalho tem sido reconhecido a vários níveis. No ranking e prémios “Great Place to Work 2019”, é a melhor empresa farmacêutica para trabalhar em Portugal, a 3.ª melhor empresa com menos de 100 colaboradores e a 3.ª melhor empresa no ranking geral. É este reconhecimento motivo de orgulho e um boost para continuarem a desenvolver o vosso trabalho? Para a Mundipharma e seus colaboradores, estar no ranking dos melhores lugares para trabalhar em Portugal é muito importante e motivo de grande orgulho. Estamos no ranking desde o 1º ano em que participámos (2017), o que é excelente para uma pequena empresa que se candidatou sem histórico algum e que desde essa data nunca mais parou. Sentimos que o orgulho/sentimento de pertença que os nossos colaboradores sentem ao fazer parte deste ranking é contagiante e que se propaga a todos os que connosco se relacionam. Sendo as Pessoas o principal património da Mundipharma, os nossos colaboradores têm forçosamente características especiais. Estamos convencidos de que são as pessoas que fazem a diferença, pelo que apostamos na criação de uma equipa de profissionais qualificados, competentes e motivados. Apostamos no desenvolvimento profissional da nossa equipa, formada por indivíduos honestos, motivados e empenhados, num ambiente de total confiança e transparência. Autonomia e responsabilidade são o nosso DNA. A responsabilidade individual e o espírito de equipa demonstrado pelos nossos colaboradores permitem-nos superar os desafios que enfrentamos. Para nós, a prioridade são os nossos colaboradores, por isso continuar a ser um dos melhores lugares para trabalhar, é sem dúvida um objetivo. outubro 2019 Revista Business Portugal | 91


TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Quando se fala em Trás-os-Montes e Alto Douro o nosso pensamento começa logo a viajar por entre colinas verdes, mas esta região também é sinónimo de castanhas. Sendo estes dos principais territórios do país ao nível da produção deste fruto seco e sendo o outono o tempo dele, a Revista Business Portugal foi até à região, falar com quem nos pode elucidar sobre a importância da castanha. Esfolheie as seguintes páginas, sinta-se em Trás-os-Montes e Alto Douro e saiba mais sobre este produto característico, que promove o emprego e ajuda a fixar pessoas, travando o despovoamento.

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AGROMONTENEGRO

ONDE A QUALIDADE VEM EM PRIMEIRO LUGAR Fundada em 1989, a “Agromontenegro produz a melhor castanha do mundo” e quem o diz é Dinis Pereira, o proprietário da empresa. Em entrevista à Revista Business Portugal, explica como é a profissão de produtor de castanhas e como é gerir uma empresa onde a qualidade é a prioridade.

Dinis Pereira, Proprietário

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Agromontenegro é uma empresa familiar ligada ao mundo rural e à agricultura. A empresa para além de ter uma vertente de produção própria, também produz castanha, maçã, cereja, entre outros produtos. Um apaixonado do castanheiro e da castanha, Dinis Pereira, foi, ao longo dos anos, dinamizando o setor, com novos serviços como o fornecimento, aos agricultores de fertilizantes, adubos e, uma coisa que os difere de tantas outras empresas, a recolha do produto, que é essencialmente a amêndoa e a castanha. Numa zona que antigamente era produtora sobretudo de batatas e cereais, ao longo dos anos, a região foi mudando e tornando-se cada vez mais um souto porque a “região tem condições muito próprias para a produção de castanha, então acabou por se transformar quase em monocultura”. Em Trás-os-Montes e Alto Douro situa-se a Serra da Padrela, pertencente aos concelhos de Vila Pouca de Aguiar e Valpaços, e é onde Dinis Pereira afirma estar a maior mancha contínua de castanha judia da Europa e acrescentou, sem receio, que “não há ninguém que nos consiga desmentir porque é a melhor castanha do mundo”. A principal missão é escoar a produção agrícola da região e, para isso, a empresa disponibiliza aos clientes produtos agrícolas tradicionais transmontanos. A Agromontenegro possui quatro variedades de castanha: a castanha judia, castanha longal, castanha lada e castanha cota. Apesar de terem vários produtores, só aqueles que cuidam bem e com qualidade o castanheiro e a castanha é que entram no armazém, e por esse motivo o empresário, afirma que “quem ganha é o mercado porque disponibilizamos um produto de excelente qualidade”.

As dificuldades de um produtor de castanhas As pragas são a principal causa que torna a produção da castanha difícil, “desde a vespa asiática, ao cancro americano e principalmente a tinta que é um dos maiores flagelos que mata muitas árvores”, afirma o produtor. No entanto, não são só as pragas que podem prejudicar os castanheiros, o “mal manuseamento por parte de quem está no terreno também pode afetar muito a saúde destas árvores”. Apesar das pragas já estarem a ser combatidas biologicamente, essa operação demora cerca de cinca a seis anos a dar resultados e Dinis Pereira, apesar de se intitular de “otimista por natureza”, pensa que a castanha vai “atravessar um período de dificuldades”. As quedas de produção, devido a estas causas, podem chegar aos 80 por cento, o que “conduz ao abandono dos terrenos e, por consequência, ao desenvolvimento de outras pragas que vão afetar as plantações dos castanheiros e o setor. Defendo que o Governo devia tomar algumas medidas para apoiar eventuais perdas de rendimento dos produtores”. A mão-de-obra sazonal também é um problema na vida de quem tem soutos. “A que existe provém, na maioria, de pessoas reformadas, com idades entre os 60 e os 70 anos. Para colmatar a situação recorre-se à mão-de-obra de vários países estrangeiros, desde Búlgaros a Romenos”.

O mercado Em 2018, em média, a Agromontenegro exportou cerca de 76 por cento e os restantes 24 por cento foram para o mercado interno. A empresa exporta essencialmente para o Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Itália, etc. Em Portugal, encontram-se produtos da Agromontenegro essencialmente, nas superfícies comerciais “Continente”. Um dos apelos que Dinis Pereira faz aos portugueses, é que “comam a castanha nacional” e acrescenta que “comer castanhas nacionais contribui para fixar uns milhares de portugueses no país e ajuda a economia nacional”. outubro 2019 Revista Business Portugal | 93


SORTEGEL

O OUTRO LADO DA CASTANHA A Revista Business Portugal rumou a Bragança onde ficou a conhecer uma das maiores empresas do nosso país e da Europa na arte da transformação da castanha – a Sortegel. André Rebelo e Jorge Moreira, administradores, contam-nos como tem sido esta aventura no mundo das castanhas e dos frutos vermelhos.

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outono chegou e todas as famílias, nesta altura do ano, gostam de encontrar à sua mesa as célebres castanhas. A Sortegel é a empresa que disponibiliza este fruto não só nesta época, mas sim todo o ano. Sediada em Bragança, foi criada em 1988 e, hoje em dia, é a maior empresa de transformação da castanha de Portugal e uma das maiores da Europa. Conta com 120 colaboradores permanentes, sendo que também existem trabalhadores que trabalham sazonalmente. André Rebelo e Jorge Moreira são duas das caras desta empresa que leva o nome de Portugal além-fronteiras. Contam que, antes de assumirem este desafio, nunca tinham trabalhado na área da alimentação, mas que têm sido uma aventura muito compensatória. “Eu nunca tinha trabalhado nesta área. Fizeram-me o convite para vir para a empresa e, mesmo não tendo uma experiência

direta com este meio, aceitei e tem sido muito gratificante”, diz Jorge Moreira, que estava ligado a outras indústrias. André Rebelo tem uma vida profissional na área florestal, admite que este mundo é um grande desafio e que, contrariamente ao que se pensa, está em constante mudança. “Aceitei o desafio e tem sido gratificante. Comecei a trabalhar com a empresa na parte da gestão das propriedades próprias e, mais tarde, recebi o convite para o lugar que ocupo agora”, conta. Afinal, o que é que a Sortegel faz? “Nós, na altura da castanha, absorvemos uma grande parte das produções locais para que o possamos processar em castanha fresca e transformar em castanha congelada. Para além das castanhas, ao longo do ano, vamos também absorvendo outros frutos como o morango, os figos, os mirtilos, entre outros. Estamos em funcionamento o ano inteiro”.

André Rebelo e Jorge Moreira, administradores

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JANSSEN PORTUGAL

Os desafios Esta área da produção agrícola é complexa e revela-se, acima de tudo, muito desafiante, pois os castanheiros são uma das espécies mais assoladas com doenças e pragas, que se têm vindo a acentuar, o que dificulta o trabalho dos produtores e, consequentemente, da Sortegel. Para além disso, existem outros desafios que fazem com que a Sortegel trabalhe, todos os dias, para que a empresa se torne cada vez maior e melhor. “As doenças e as pragas são um grande problema aliado, também, às variações climáticas que acabam por ser uma grande preocupação. Como a empresa labora numa zona do interior do país, enfrenta desafios que não se verificam no litoral, por exemplo a qualidade da energia não é de toda a mesma que existe em todo o país. Nas alturas em que estamos com laboração máxima, por vezes, temos micro cortes originando a paragem da linha de transformação, o que acaba por nos penalizar. Podemos falar da desertificação o que dificulta a disponibilidade de mão de obra, quer para a indústria, bem como para a gestão dos soutos e a colheita da castanha. A maior parte dos produtores são de uma certa idade e acabam por deixar de se dedicar à agricultura. Esta é uma área de grandes desafios”. A Sortegel tem o objetivo diário de fazer diferente e sempre melhor, por essa razão dedica-se à procura de produtos novos que possam diferenciar-se de outras empresas no mercado. A empresa de Bragança já tem no mercado alguns artigos diferenciadores e que são para todas as faixas etárias, como a castanha cozida a vapor, castanha seca e a farinha de castanha. A utilização da castanha é transversal desde o acompanhamento no prato de carne e peixe, aos crepes e panquecas deste mesmo fruto, que podem ser encontrados em qualquer superfície comercial.

O Futuro Os dois jovens administradores contam que o futuro será de árduo trabalho e de grande responsabilidade, em respeitar a história de sucesso da Sortegel. Numa das propriedades próprias, mostram tudo aquilo que já foi conseguido até hoje e falam sobre aquilo que os próximos anos lhes reservam. Numa área extensa, o responsável pela parte agrícola explica que existem várias variedades de castanheiros plantados, tal como outras árvores, que, mais tarde, serviram para apostar noutros produtos e noutros mercados que consideram essenciais. Com muitos animais e muitas espécies de plantas e árvores, a maior preocupação é conseguir ter uma produção biológica e que seja sustentável, para que a qualidade dos produtos que apresentam seja sempre a melhor. Para o futuro, os colaboradores querem manter a empresa como referência em Portugal e uma das melhores da Europa, através da sua castanha congelada e dos seus derivados. Querem, também, apostar noutros mercados com outros produtos, mas “são segredos que serão revelados a seu tempo”. Continuar a marcar presença nas mais variadas feiras mundiais, embora admitam que nem sempre é fácil. E, acima de tudo, continuar a levar nordeste transmontano e a Sortegel às bocas do mundo pela qualidade e pelo seu próprio produto.

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MADEIRA A Revista Business Portugal está de regresso à pérola do atlântico. Prepare-se para viajar connosco pela ilha da Madeira… Reconhecida nacional e internacionalmente como um local especial, onde se consegue desfrutar da terra, do ar e do mar, a ilha da Madeira tem crescido consideravelmente. O turismo está em alta, muito por culpa das características naturais de uma das melhores ilhas do mundo. Com paisagens acidentadas e vulcânicas, oferece experiências que as pessoas que as vivem jamais as esquecem. Mas o tecido empresarial também está no mapa e a Revista Business Portugal não passa ao lado disso. Nesta edição mostramos-lhe algumas empresas, com especial enfoque na restauração, não fosse a ilha da Madeira mais uma referência da gastronomia nacional. Quem por ali passa não pode deixar de comer o tradicional bolo do caco ou de beber a famosa poncha e, claro, sendo este um local de tradição pesqueira, os melhores pratos de peixe que têm para oferecer. Delicie-se com as páginas que se seguem…

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PEREIRA D’OLIVEIRA (VINHOS), LDA

HÁ MAIS DE 100 ANOS A PRODUZIR VINHO MADEIRA DE EXCELENTE QUALIDADE Fundada em 1850 por João Pereira D’Oliveira, a empresa vinícola Pereira D’Oliveira (Vinhos), Lda dedica-se à produção, comercialização e exportação de Vinho Madeira. Numa entrevista marcada pela história de uma casa centenária, Luís D’Oliveira (descendente do fundador e sócio-gerente) desvendou-nos as potencialidades de um produto tão genuíno.

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abemos que a Pereira D’Oliveira é uma empresa familiar. Conte-nos a história que está por trás de uma casa de sucesso. A Pereira D’Oliveira é uma empresa, pequena, familiar, independente, com uma situação financeira equilibrada e sólida. Somos das firmas, de famílias portuguesas, mais antigas da Ilha da Madeira. Esta firma resulta de uma fusão de duas empresas produtoras e exportadoras de Vinho Madeira: a empresa da família do meu pai, João Pereira D’Oliveira (1850) e do meu avô materno João Joaquim Camacho Sucessores (1870). Eu e os meus irmãos, Aníbal (falecido em junho de 2017) e Miguel (falecido em agosto de 2018) assumimos a gerência desde o início da década de 70, uma vez que éramos descendentes diretos dos fundadores. Posteriormente, compramos mais quatro firmas. Em 1953 adquirimos a Júlio Augusto Cunha Sucessores; em 1983 a Vasco Luis Pereira Sucessores; em 2001 a Adegas do Torreão (Vinhos), Lda. e em 2013 a Artur Barros e Sousa, Lda. Como descreve o Vinho Madeira D’Oliveiras? O nosso produto tem um estilo muito vincado e muito próprio. O nosso vinho tem muita pujança, muito corpo, com uma acidez própria dos Vinhos da Madeira. São vinhos com um final longo, encorpado, aromático e com uma graduação sempre próxima do limite (20/22 graus). Há uma particularidade na nossa empresa, o enólogo/responsável pelo fabrico dos vinhos é sempre um elemento da família. Isto é um ponto diferenciador que temos e talvez seja de exceção, pelo menos na Madeira. Atualmente, o enólogo é o meu sobrinho Filipe d’Oliveira e antes era o meu irmão Aníbal d’Oliveira. O enólogo sempre foi um elemento da família que dava os ensinamentos à geração mais nova. Nestas circunstâncias foi fácil seguir uma determinada linha de fabrico do nosso Vinho Madeira, sem recorrer a alguém externo. 98 | Revista Business Portugal outubro 2019


PEREIRA D’OLIVEIRA (VINHOS), LDA As castas influenciam o sabor e o aroma do vinho. Quais são as castas com maior destaque? Para além da tinta negra, que é a casta mais abundante e que utilizamos com mais frequência nos vinhos mais novos, também compramos, anualmente, o verdelho, o boal, o sercial, a malvasia e terrantez (quando é possível). Atualmente, não temos terrenos com vinhas mas já tivemos no tempo do meu falecido pai. Ele tomava conta das fazendas. Gostava de ter as suas terras e tinha doze frações, sendo a maior com três hectares. Porém, eu e o meu irmão chegamos à conclusão que não tínhamos conhecimento profundo para acompanhar os 14 trabalhadores das fazendas, até porque também tínhamos outros produtos como a cana de açúcar e a banana. Em 1993/1994 vendemos os terrenos. Hoje em dia, a produção é integralmente comprada a cerca de 60/70 produtores através de cinco agentes que estão sediados em diferentes concelhos da Ilha da Madeira. Têm uma vasta gama de Vinhos Madeira. Que diferenças existem entre eles? As grandes diferenças começam pelas castas. Há castas que se dão melhor em certos terrenos, numa certa altitude, outras vão até 600/700/800 metros. Há zonas que são mais produzidas e mais aconselhadas para determinadas castas. Depois, há anos que são considerados de topo, anos melhores e que fazem as grandes frasqueiras dos Vinhos Madeira, referenciados como os vinhos vintage. Em média, quantos litros são produzidos anualmente? A nossa produção é pequena. Temos uma linha de clientes que trabalham com vinhos velhos, ou seja, não trabalham com quantidades, nem esse é o nosso objetivo. Trabalhamos mais com vinhos acima dos 15 anos e com boas colheitas, mas sempre em quantidades pequenas. Raramente excedemos os 200 mil litros anualmente. Em Portugal Continental, onde é que as pessoas podem adquirir o Vinho Madeira? Recentemente, estabelecemos uma parceria com um distribuidor a nível nacional, bem como na Ilha da Madeira temos um distribuidor. Mas já estávamos em casas conceituadas como a Garrafeira Nacional, a Casa Macário, a Casa Napoleão e em algumas casas noutros locais do país.. E quando deram início à exportação? Começamos a exportar em 1986 em três países: Bélgica, Inglater-

ra e EUA. Ano após ano, fomos aumentando a escala de exportação e, atualmente, já estamos presentes em 16 países, nomeadamente Inglaterra, E.U.A., Bélgica, Austrália, Japão, China, Coreia do Sul, Macau, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Suíça, Itália, Áustria, entre outros. As salas de provas são um ex-líbris das vossas empresas… Temos uma sala de provas para grupos profissionais, no máximo, de 30 pessoas para que elas possam ter mais tranquilidade e, por conseguinte, conseguirmos explicar melhor o produto para depois fazermos a prova. Nas Adegas de Torreão, também temos uma sala de provas para 17 pessoas. Quando são provas profissionais preferimos estar em lugares tranquilos. Nas salas de provas, como é o caso da sede, aproveitamos para ter outros complementos, como o bolo da Madeira (um bolo regional, com uma receita muito antiga e feita em exclusivo para nós) e as broas de São Vicente e neste espaço temos capacidade para 110 visitantes. Apesar de 65 por cento dos nossos clientes serem ingleses e alemães, os restantes 35 por cento correspondem a nacionalidades de todo o mundo. Têm recebido uma panóplia de prémios pelo vosso trabalho e respetivo produto. O que significa para a Pereira D’Oliveira a atribuição dos mesmos? Às vezes participamos em concursos de vinhos. Temos prémios de diversas provas espalhadas por vários países. Mais recentemente, fui convidado para uma entrega de troféus que decorrerá a 28 novembro em Londres e que se chama “Internacional Wine And Spirit Competition”. É, sem dúvida, um reconhecimento e uma aprovação de organismos que têm pessoas muito entendidas, o que contribui para o cliente se sentir mais seguro, não só pela distinção, mas também pela classificação atribuída. De geração em geração foram construindo um belo percurso. O que está delineado para um futuro próximo? Para 2020, iremos lançar pelo menos dois vinhos centenários. São verdadeiros tesouros que temos guardados. O nosso percurso tem sido seguido de uma forma equilibrada. Sempre que seja possível, queremos ter mais um ou outro importador de um país. Queremos fidelizar o produto nos mercados onde estamos inseridos e que eles venham até nós para aprender mais sobre o Vinho Madeira.

Rua dos Ferreiros, 107, 9000-082 Funchal • Telef.: +351 291 220 784 • Email: geral@doliveiras.pt

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BEIRA MAR

NO TOP CINCO DOS RESTAURANTES DA MADEIRA A Revista Business Portugal aterrou na ilha da Madeira e foi até ao restaurante Beira Mar, situado na Calheta. À conversa connosco estiveram Élvio Gomes - gerente e Fabian Abreu - chefe de cozinha, para nos falarem de uma das grandes especialidades da casa: o tão cobiçado peixe-espada.

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restaurante Beira Mar acabou de celebrar o segundo aniversário com a atual gerência, no passado dia quatro de outubro, mas já tem mais anos de história. Situado num bloco de apartamentos que pertence à família de Élvio Gomes, já passou pela mão de mais duas gerências. Assim que o contrato com a última gerência terminou, a mãe de Élvio - Maria Cidália - propôs-lhe a exploração do local, desafio que aceitou, apesar de não estar por dentro da área. Fotógrafo de profissão, o nosso entrevistado tinha a visão do que estava certo e errado num restaurante, o que o levou a mudar por completo o conceito do espaço e o nome do local para Beira Mar. Uma das medidas iniciais passou pela alteração do horário de funcionamento, para garantir um ambiente de harmonia entre todos, passando a encerrar às 22 horas, sendo o forte da casa entre as 18 e 21 horas. O staff também recebeu sangue novo, sendo prioridade apostar em colaboradores com visões diferentes e, para acompanhar toda a mudança, houve uma imagem renovada do espaço: “Como estou no meio de dois hotéis, tive de marcar a diferença e começamos logo pelo interior, tudo do zero. Tentamos manter um ar minimalista, ser o mais simples possível”, refere o gerente.

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Mas um restaurante não se faz sem boa comida e o Beira Mar, nesse campo, tem grandes trunfos. Neste local há a garantia de peixe de alta qualidade e extremamente fresco, que chega de forma rápida, devido a uma relação profissional e de proximidade que é mantida com os fornecedores. Élvio confessa ainda que outro dos segredos para que o peixe mantenha a qualidade e frescura é colocá-lo em vácuo.


BEIRA MAR

“Queremos que quem venha cá tenha uma experiência” Com a entrada do chefe Fabian Abreu, houve um aumento no brio da cozinha: “Quando atribuo uma tarefa a alguém, essa pessoa tem de ser capaz de responder por ela. Na cozinha, cada um tem de se concentrar no que está a fazer”, atira o chefe. Uma das principais características do Beira Mar é a preocupação em garantir que, quem lá vá, não tenha apenas uma refeição, mas sim uma experiência completa: “Aqui tentamos proporcionar uma experiência gastronómica. Acho que isso é importante e, como tal, optamos por não ter televisão no restaurante”, acrescentando ainda haver cuidado com a disposição do espaço: “Optamos por não colocar muitos lugares sentados, porque quando uma pessoa vem comer, tem de se sentir à vontade, sem sentir pressão da mesa do lado e tem de ter alguma privacidade. Também optamos por colocar o teto do restaurante todo em cortiça, de maneira a cortar um pouco a sonorização, para que os clientes consigam falar de forma descontraída, sem que se faça muito eco”. Para além da preocupação com o conforto do cliente, há também com o tempo de espera pelos pratos: “Na cozinha colocamos um relógio e, desde o momento do pedido até chegar à mesa, o serviço tem de ser feito em menos de 30 minutos. Mantendo este ritmo, os clientes mal veem o tempo passar”.

Quem vai ao Beira Mar gosta do que vê, gosta do que come e gosta do staff. Quando a comida chega finalmente à mesa, os clientes gostam do que veem e, prova disso, é o facto de muitos deles fotografarem os pratos e colocarem nas redes sociais. Mas o grande culpado pela satisfação dos clientes é também o staff que, neste momento, é composto por sete elementos. Para Élvio, “a equipa é tudo. Isto tem de funcionar como uma família, temos de nos apoiar uns aos outros. Se a equipa estiver contente, na casa tudo funciona bem e, depois, vemos o sorriso dos clientes. Isto não pode ser só uma experiência no comer, tem de ser uma experiência completa e é isso que aqui proporcionamos e tentamos levar em frente”. Desde as entradas às sobremesas, os clientes deliciam-se com as famosas lapas, gambas panadas com molho de manga, saladas, caldeirada de peixe e marisco - uma ótima opção para o inverno - ou com um bife do lombo, com molho de pimenta, que tem um sabor suave, garante o nosso entrevistado. As sobremesas são todas feitas no restaurante e as principais estrelas vão desde o tiramisú até à mousse de maracujá, havendo ainda a preocupação de modificar a carta. Mas o número um da casa é o peixe-espada, prato que tentaram modernizar: “O que fizemos foi dividir o peixe e tentar enrolá-lo em dois pequenos círculos para o aspeto visual ser diferente”, daí o nome rolinhos de espada. Para acompanhar as belas refeições, garantem ainda uma seleção cuidada de vinhos. Um dos primeiros parceiros do Beira Mar são donos do vinho da casa, Ermelinda Freitas: “É o vinho que, sem dúvida, vendo mais”, mas são asseguradas ainda outras opções: “Para quem procura vinho da Madeira, temos o Barbusano, que também tem muita saída. Dispomos ainda de outras marcas tais como Herdade do Sobroso, Quinta da Lapa e Bacalhôa. E claro que, para fechar uma boa refeição, fica sempre bem um bom café, nos optamos por Delta Diamante. Com capacidade para 20 pessoas na sala interior e mais 22 na esplanada, o restaurante Beira Mar espera pela sua visita quando estiver de passagem pela Calheta. De terça a domingo, entre as 11 e as 22 horas, tenha uma experiência agradável, num ambiente descontraído e acolhedor, com um atendimento personalizado garantido. Élvio Gomes deixa o convite: “Aconselho a virem cá para terem uma experiência diferente. Apesar de termos alguns pratos que existem em vários restaurantes, nós tentamos apresentá-los de outra forma, para marcar a diferença”, finaliza. outubro 2019 Revista Business Portugal | 101


BARREIRINHA BAR CAFÉ / MUSEU CAFÉ E PETISCO

DOIS CONCEITOS LIGADOS PELA ARTE DE BEM SERVIR A Revista Business Portugal esteve à conversa com Fábio Remesso, sócio gerente, para conhecer os conceitos do Barreirinha Bar Café e do Museu Café e Petisco, ambos situados no Funchal.

Barreirinha Bar Café Conhecido como “a esplanada do atlântico”, o Barreirinha Bar Café conta com dez anos de histórias. Com um forte potencial pela sua localização e vista privilegiada, Fábio Remesso salienta que o objetivo passa por “mostrar e aproveitar as potencialidades desta esplanada. Aqui, as pessoas podem ver o nascer e o pôr do sol. É um sítio para contemplar”. Neste bar poderá usufruir de uma vasta carta de bebidas, principalmente os cocktails que são o forte da casa. Poncha, gin tónico, mojito de maracujá (o ex-líbris), old fashioned, negroni e margarita são alguns dos exemplos daquilo que o Barreirinha tem para oferecer. Na carta de snacks estão disponíveis hambúrgueres, cachorros quentes e pregos. Para continuar com as boas vibrações, a oferta cultural não pode faltar. Existem concertos no exterior e Dj’s Set durante todo o ano.

Museu Café e Petisco Localizado em pleno coração do Funchal e no edifício histórico do Museu de Arte Sacra, o Museu Café e Petisco abriu portas em janeiro de 2016 e está a caminho de completar o seu quarto aniversário. Define-se como um restaurante com comida simples e honesta. “Temos pratos do dia durante a semana e ao fim do dia temos um conceito de petiscos para partilhar, onde as pessoas podem beber

um copo de vinho ou uma cerveja artesanal”. Na carta de vinhos estão incluídos os vinhos de mesa madeirenses, mas também vinhos do Douro, Alentejo e Tejo. Todos eles podem ser servidos a copo ou garrafa, com um preço bastante acessível. Já nos petiscos poderá provar os croquetes de alheira, a espada de vinha d’alhos ou atum. Os petiscos prolongam-se até à noite e fazem-se acompanhar por três pratos individuais: bochecha de porco, risotto de beterraba e cogumelos e bacon cheese. “Três soluções diferentes para cada tipo de cliente”, completa. Caracterizado por ser um espaço diferente na cidade, o Museu Café e Petisco tem como principal desafio potenciar o copo de vinho ao fim do dia num local onde as pessoas podem conversar e desfrutar de uma forma descontraída. “Como estamos no centro, queremos conquistar o espaço das 17h00 às 20h00”.

“Não há nenhum conceito igual no Funchal” Ambos os espaços são pontos de encontro para clientes, não só da cidade, mas também turistas que já se tornaram clientes habituais. O nosso entrevistado acredita que a forma como trabalham e como encaram a relação entre o cliente, o funcionário e o espaço em si são aquilo que faz a diferença, nunca esquecendo a qualidade das bebidas e da comida que confecionam. Projetos para o futuro não faltam, mas por enquanto querem cimentar e consolidar o trabalho realizado nos dois espaços.

Barreirinha Bar Café

Barreirinha Bar Café

Largo do Socorro, n.º 1 Funchal 291 627 418 /barreirinhabarcafe

Praça Do Município Funchal 291 620 510 /barreirinhabarcafe

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RESTAURANTE PRAIA DO VIGÁRIO

"COMIDA CASEIRA E VISTA PARA O MAR MARCAM A DIFERENÇA NA NOSSA CASA" Natural de Câmara de Lobos e com uma vasta experiência no setor da restauração, Gilberto Lopes aceitou o desafio de abraçar um novo projeto. Março de 2011 ficou marcado pela abertura do Restaurante Praia do Vigário, num edifício que pertence à Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM).

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edifício onde está localizado o restaurante, em Câmara de Lobos, é uma obra da Sociedade de Desenvolvimento com, aproximadamente, 15 anos. Há mais de oito anos que Gilberto Lopes deixou o seu antigo estabelecimento para aceitar o convite por parte do responsável pela SDM. Um conceito que prima pela simplicidade "Comida simples, regional e natural". É assim que o gerente define o conceito do Praia do Vigário, acrescentando que "quer a cozinheira, quer eu (que também sou cozinheiro) optamos pela confeção de comida caseira". A principal especialidade é o peixe, sendo a espada preta a estrela da casa devido à localização. Porém, o atum, a garoupa e o pargo "também têm muita saída". Por norma, estes peixes são acompanhados com milho frito, legumes da época ou salada. O arroz de espada é um dos pratos mais apreciados e foi criado há três anos. "Criamos este prato para ser a imagem de marca do restaurante e tem tido uma excelente aceitação", salienta. Para adoçar a boca dos clientes têm fruta da época, cheesecake com maracujá natural, requeijão com doce de abóbora e nozes, entre outras

sobremesas. Todas as iguarias são confecionadas no próprio restaurante. Como não pode faltar a presença de vinho de qualidade à mesa, Gilberto apresenta uma carta alargada de vinhos portugueses, nomeadamente vinho da Madeira (um de Câmara de Lobos e o Ilha), do Douro, do Dão, de Setúbal e do Alentejo. Apesar do espaço ter uma decoração simples, o nosso entrevistado considera que a comida caseira, a vista para o mar e para o Cabo Girão fazem toda a diferença. "A nossa imagem é mesmo esta vista. Temos uma imagem exterior muito forte. As pessoas ficam maravilhadas de estarem a comer na esplanada e estarem a usufruir da paisagem", assinala. O Restaurante Praia do Vigário define como cliente alvo os turistas e os madeirenses, sendo que os regionais correspondem a 50 por cento. Para receber os clientes têm uma capacidade para 90 lugares interiores e 30 na esplanada. Antes de concluir a entrevista, Gilberto Lopes destaca que o sucesso do restaurante também passa pelo excelente trabalho dos seus colaboradores. "Preferimos ter poucos e bons. Queremos manter uma equipa sólida, até porque a grande massa dos funcionários vai para o setor da hotelaria". Para o futuro, determina como objetivo manter o nível com que estão habituados a trabalhar, sem descurar a qualidade.

Praia do Vigário, Pç. da Autonomia, 9300-138 Câmara de Lobos Telefone: 291 942 110 Horário de funcionamento: Aberto de terça-feira a domingo, das 12h00 às 22h00

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TABERNA DA PONCHA

“A PONCHA DA SERRA D’ÁGUA” Com passagem entre o norte e o sul da Ilha, a Taberna da Poncha é um local de paragem obrigatória para apreciar a famosa bebida tradicional madeirense. Ana Vicente seguiu as pisadas do pai e hoje assume o negócio de uma casa conhecida mundialmente. Ana Vicente, gerente

“Antigamente isto era uma mercearia do meu avô e tem cerca de 70 anos”. É assim que Ana Vicente começa por nos contar a história da Taberna da Poncha, acrescentando que “na mercearia, para além dos bens essenciais, o meu avô tinha a parte da taberna, onde servia bebidas, inclusive a poncha”. Dizem que a história da poncha começou com os pescadores, em Câmara de Lobos, daí o nome. Como tinham aguardente muito forte, adicionavam água e acrescentavam a casca de limão pisada com açúcar. Era feita desta forma, porque eram as matérias-primas mais baratas. Numa época em que as mercearias começaram a cair em desuso, decidiram apostar cada vez mais na poncha. “Hoje em dia chama-se Taberna da Poncha e é conhecida em todo o lado”, afirma com orgulho. Para além de servirem a tradicional poncha à pescador, começaram a fazer a regional com limão (limão, mel e aguardente). Já nos anos 80 surgiu a poncha com laranja. “Vendíamos fruta na mercearia, nomeadamente laranjas. Num dia em que estava a escassear o limão, um cliente sugeriu juntar laranja, por ser um citrino. Resultou muito bem”. Com o passar do tempo e após vários pedidos por parte dos clientes, introduziram a poncha de maracujá e de tangerina. Caracterizam-se por serem mais suaves e feitas com aguardente de 40 graus, menos dez graus do que a aguardente utilizada na regional e na pescador. Sendo uma bebida típica madeirense, acrescentaram à lista a nikita. Se for com álcool é feita com gelado de ananás e cerveja. Já na sem álcool, a cerveja é substituída por brisa de maracujá. A pensar nas crianças que acompanham, muitas vezes, os pais, a Taberna da Poncha começou a confecionar poncha sem álcool.

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Manter a tradição A pensar na tradição, Ana quis manter o espaço como era no tempo da mercearia. Porém, fizeram pequenas alterações no balcão e nas arcas frigoríficas mas sempre com o objetivo de manter os móveis antigos. Para recordar os velhos tempos puseram, nas frentes do balcão, milho, arroz e favas, produtos que antes eram vendidos avulso. O interior do estabelecimento tornou-se conhecido pelos cartões colados nas paredes com contactos dos clientes. “Isto começou há 25 anos. Antes tínhamos calendários de várias marcas e as pessoas deixavam dedicatórias. Entretanto, os clientes começaram a colar cartões”, explica. Se é para manter a tradição, os clientes têm de deixar as cascas de amendoim no chão, que funcionam como aperitivo. E se não conhecesse o espaço, rapidamente vai perceber que é uma prática comum. Reza a história que as cascas de amendoim deitavam-se para o chão para o deixar seco. Assim, conforme a bebida ia caindo, as cascas ajudavam a absorver e a limpar para não escorregarem. A receber clientes regionais, de Portugal Continental ou de qualquer parte do mundo, a Taberna da Poncha serve centenas de ponchas por dia num horário alargado entre as 09h30 até à 01h00, todos os dias da semana. A nossa entrevistada assume como único objetivo a continuação deste projeto, sempre com foco em manter a tradição e a qualidade.


a return to the essentials estalagem da ponta do sol

madeira island www. pontadosol.com outubro 2019 Revista Business Portugal | 105


RESTAURANTE CAPRICE

PRATOS TIPICAMENTE PORTUGUESES É na vila da Ponta do Sol (Madeira) que está localizado o restaurante Caprice. Foi pelas mãos de João de Freitas que nasceu este espaço que promete ser diferente. À conversa com a Revista Business Portugal, o gerente deu a conhecer as diversas especialidades da casa.

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restaurante Caprice abriu oficialmente as portas a 10 de dezembro de 2018, para ser recebido pelo bom clima que se faz sentir na Ponta do Sol. A oportunidade surgiu quando João de Freitas se apercebeu que faltava um conceito com comida típica dentro da vila. Posteriormente, viu “este espaço que estava fechado e decidimos abrir neste local e criar algo consoante o nosso gosto e dentro do conceito que queríamos implementar”, acrescenta. O conceito é simples: comida saborosa, de qualidade, com um preço acessível mas que, ao mesmo tempo, reunisse todo o tipo de clientes (das Ilhas, de Portugal Continental e do estrangeiro) num espaço com capacidade para 70 lugares. Com uma carta completa e que abrange um vasto leque de pratos típicos, o gerente afirma que estão disponíveis diversas especialidades confecionadas pelo chefe Daniel Mendes. Para começar, sugere as gambas Caprice, o salmão fumado com espargos, o camarão com alho ou as amêijoas à bulhão pato. Nos pratos principais poderá escolher entre as massas, as carnes, o peixe ou os vegetarianos. Nas massas existem opções como a tagliatelle de marisco, de frango, linguine preto al gamberetti ou ricotta e espinafres com molho de natas. Nas carnes tem de experimentar o espeto de vaca ou de carne mista na vara de louro, o bife com pimenta verde, a costeleta de porco ou de borrego, o t-bone, entre outros. O polvo e o bacalhau à lagareiro são o ex-líbris da casa, mas existem outras opções como a dourada. Já os legumes salteados com Vinho Madeira fazem parte do leque de oferta dos pratos vegetarianos. No inverno, acrescentam à carta o típico cozido à portuguesa, a sopa de trigo e outros pratos tradicionais. E como há sempre lugar para uma sobremesa, não pode deixar de provar a marquesa Caprice, o tiramisú, o pudim de maracujá e o pudim de caramelo. Para desfrutar da refeição deixe-se acompanhar pelos vinhos da garrafeira, onde estão presentes vinhos madeirenses, do Douro e do Alentejo. “Tentamos ter vinhos de diversas regiões. Também vamos adaptando-nos àquilo que o cliente nos pede”, assinala. Questionado sobre aquilo que diferencia o Caprice no setor da restauração, o nosso entrevistado responde, sem hesitar, que “são os nossos sete colaboradores. Eles são especiais e estas palavras são ditas pelos nossos clientes. Tenho uma excelente equipa”. O futuro do restaurante não tem segredos. Definem como principal objetivo continuar a crescer, trabalhar com produtos portugueses e, sobretudo, “manter aquilo que temos feito até agora”. R. Dr. João Augusto Teixeira 9360, 9360-218 Ponta do Sol 291 604 044

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THE OLD PHARMACY E STEAK & SUN

COMIDA E BEBIDA REUNIDAS EM DOIS CONCEITOS DIFERENTES Mulher, mãe e empreendedora, Maria José Freitas e o marido Feliciano Freitas criaram dois projetos distintos, mas pensados e sonhados em conjunto: The Old Pharmacy (wine bar) e Steak & Sun (restaurante). A Revista Business Portugal reuniu-se à mesa com a gerente para conhecer os conceitos de cada espaço. The Old Pharmacy Há seis anos no mercado, The Old Pharmacy nasce na sequência de Maria José ter ficado desempregada. A partir desse momento, quis criar o seu próprio negócio em algo que gostasse. Inicialmente começou por ter, no mesmo espaço, quatro conceitos: os souvenirs; a galeria (com peças de cultura); o chá e os vinhos. Ao longo dos anos decorreram algumas remodelações. “Procuramos estar sempre atentos às novidades e entrar com coisas novas aliadas à inovação”. O local escolhido apresenta uma história e o nome não surge por acaso. Chama-se The Old Pharmacy, porque era uma antiga farmácia. “Quisemos manter a história, porque aqui existe uma cultura. Preservamos muitas coisas da antiga farmácia. Esse era o nosso objetivo, ou seja, continuar com aquele aspeto de antiga farmácia”, acrescentando que “os medicamentos modernos” fazem parte da carta. Isto porque todas as bebidas estão organizadas por categorias, como por exemplo os antibióticos antidepressivos. Para além da loja, têm um menu onde apresentam uma lista de snacks para refeições mais práticas. “Temos tostas talhadas vegan, de salmão, de atum, à portuguesa. Depois temos as tapas, que já fazem parte da nossa marca, as saladas e as tábuas de queijos que são oferta na compra de uma garrafa de vinho. Um verdadeiro sucesso”, salienta. Se está a pensar marcar um brunch com os seus amigos e família, o The Old Pharmacy é o lugar certo. É feito aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 16h00. Para acrescentar à lista, não pode perder os eventos que têm como elemento principal o fado português. Com capacidade para cerca de 40 lugares (interior e exterior), The Old Pharmacy caracteriza-se por ser “um espaço acolhedor e agradável para passar uns bons momentos durante a tarde, aliando o vinho aos petiscos”.

Maria José Freitas, gerente

Steak & Sun Dezembro de 2018 ficou marcado pela abertura do restaurante Steak & Sun onde a carne é a rainha da casa. “Apesar de termos pratos de peixe, somos mais procurados pelas carnes como é o caso da picanha, black angus, tomahawk e queremos acrescentar à ementa as carnes maturadas. Será o próximo passo”, afirma. Para finalizar a refeição, não pode faltar a sobremesa. Mousse de chocolate caseira e abacaxi grelhado com vinho da Madeira e canela são as duas opções que o irão deixar com água na boca. Para complementar o prato principal e a sobremesa existe uma ampla sugestão de vinhos, todos portugueses e de várias regiões. Porém, “as nossas sugestões de vinhos são alteradas de três em três meses. Já estamos a trabalhar na nova carta que irá sair este mês. O mesmo irá acontecer com a ementa que terá novos pratos”. Com 28 lugares no interior e 15 na esplanada, o Steak & Sun é descrito como um lugar “especial e muito acolhedor. Quisemos criar um sítio onde as pessoas se sentissem bem, sem terem de pagar luxos para estarem num espaço requintado”. Embora com conceitos diferentes, os dois espaços têm em comum elementos-chave que fazem toda a diferença: matérias-primas de qualidade (locais e nacionais), o atendimento personalizado e a equipa de oito colaboradores fundamental para que tudo funcione na perfeição. Para o futuro, a nossa entrevistada deseja crescer de forma sustentada e menciona que 2020 trará novidades que, por enquanto, ainda não podem ser reveladas.

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ESPECIAL BEIRAS Beira Alta, Baixa e Litoral… Todas elas com cidades de renome e várias valências, que oferecem diversidade a Portugal. É região que não pode ser desassociada das termas, de queijos de alta qualidade e dos bons vinhos. Para além da sua beleza natural, tem também várias ofertas empresariais, mostrando o valor do centro do nosso país. A Revista Business Portugal esteve, mais uma vez, à descoberta da diversidade da região… Para aperitivo, temos a visita a uma adega e, para acabar, exploramos a área da saúde, tanto humana como animal.

CONVITE Dias 2 e 3 de Novembro vamos estar presentes na Feira do Emprego, no Palácio do Gelo em Viseu. Visite-nos na Feira e fique a saber mais informações sobre o workshop que iremos realizar dia 13 de Novembro!

Círculo de Equilíbrio Unipessoal, Lda | AMI 10650 Cada agência é de propriedade e gestão independente. 108 | Revista Business Portugal outubro 2019


ACICF - ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DO CONCELHO DO FUNDÃO

A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL QUE PENSA NO FUTURO Numa conversa realista com Carlos São Martinho Gomes, Presidente da Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão (ACICF), a Revista Business Portugal ficou a conhecer os aspetos que mais apela à sensibilização da sociedade: o papel do empresário na atualidade e o impacto ambiental.

Atualmente a posição do empresário é um fator de preocupação e que necessita seriamente de ser olhado de outra forma”, começa por constatar Carlos São Martinho Gomes. Apoia para a mudança de opiniões e luta, desde o seu primeiro dia na ACICF, para que o papel ativo e dignificador do empresário seja olhado desta mesma forma. Paralelamente a esta mudança, a segurança e a estabilização financeira são fatores igualmente importantes e que devem ser olhados com maior seriedade. O progresso dos empresários passa também pela alteração destas condições, que têm a associação como defensora dos seus direitos e interesses. A ACICF começou por criar ações de formação e divulgação, cujo objetivo seria a luta pela igualdade na fiscalização. A revisão à tabela de taxas e licenças, juntamente com a autarquia, foi efetuada e resultou positivamente na redução de 75 por cento da fiscalidade. Aspetos estes positivos e que potenciam para a mudança deste paradigma.

Carlos São Martinho Gomes, presidente

Formação e atualização Aliados à pressão de gerir qualquer empresa, o tempo e os recursos são poucos para as mesmas se organizarem e atualizarem. Como resposta imediata a estas preocupações, a ACICF criou formações nas áreas do turismo e comércio/indústria, com as vertentes de empreendedorismo/gestão e formação, que abrangem desde funcionários a gestores. Desta forma, "os empresários têm tempo de se organizarem, atualizarem e alargarem o seu olhar", afirma o presidente. Neste momento as candidaturas estão em fase de finalização, mas contam já com 30 a 50 empresas.

Em prol de um futuro mais ecológico Foi a pensar nas alterações climáticas que a ACICF lançou uma alternativa ao plástico. De forma a alertar para a mudança, no início do primeiro mandato do atual presidente, surgiu a iniciativa da proibição de utilização de plástico descartável no Festival de Rua do Fundão – Cale e SangriAgosto: “Introduzimos o copo reutilizável e o cinzeiro portátil. Para ajuda à higienização destes objetos, disponibilizamos o lava copos, lava mãos e sanitários públicos ligados ao saneamento”. O projeto serviu também como auxílio à promoção da zona antiga do Fundão para tentar, não só a reabilitação, como também a reocupação de espaços antigos. A adesão foi notória e de encontro às expetativas: “Foi um projeto arriscado, de bastante investimento, mas que foi uma aposta ganha para o Fundão”, afirma Carlos São Martinho Gomes.

A importância do turismo Perante um tecido empresarial com bastante diversidade, o turismo revelou-se numa ajuda para a autarquia desde o início do século, com o começo da expansão da cereja. A forte componente empresarial no setor agroalimentar e na indústria no setor primário suscitaram uma elevada expansão da fruticultura e dos frutos secos. E mais recentemente, com a expansão das ervas aromáticas e do cannabis, tem existido cada vez mais um forte investimento por parte de grandes empresas, ligadas ao setor farmacêutico. "Para nós, município, o setor primário é fundamental, pois a maioria da economia sobrevive sobretudo do nosso setor agrícola. Foi o setor que mais dinamizou o comércio, desde sempre, pela sua economia circular", remata. R. Dr. Teodoro Mesquita 37, 6230-211 Fundão 275 752 147 | www.acicf.pt

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FARMÁCIA VITÓRIA

“O UTENTE É A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO NUMA PME LÍDER” Tem 119 anos e está situada no coração da cidade do Fundão. A Farmácia Vitória, a mais antiga da região e uma das mais antigas do país, mantém o profissionalismo e a qualidade, à qual tão bem tem habituado a população.

F

undada em 1900, pelos irmãos Eduardo e Manuel D’Almeida Vitória, a farmácia não tinha sucessores disponíveis para assumir o negócio de família. O testemunho foi assim passado para um afilhado, Sr. Mário Amoreira. Há 100 anos a farmácia era o ponto de encontro entre médicos, farmacêuticos e as figuras mais ilustres da cidade. Juntos, trocavam opiniões sobre assuntos políticos e sociais. A modernização veio pouco tempo depois com o Sr. Liberal e o seu filho, Henrique, enquanto pioneiros. Mas foi Isabel Maia, esposa de Luís Alberto Amoreira e nora de Mário Amoreira, quem fortaleceu o reconhecimento da farmácia. Foi diretora técnica durante décadas, e com relevante profissionalismo transformou a farmácia, conferindo-lhe atualidade e propiciando um espaço de conforto e segurança. Mais tarde, Alcina Leal, atual diretora técnica, foi convidada por Isabel Maia para integrar a equipa. Alcina Leal trabalhou em Análises Clínicas e na Farmácia Hospitalar, mas foi a passagem pela Farmácia Comunitária que a fascinou. Contribuir de forma diferente e interessante para a gestão dos cuidados de saúde da população, fê-la perceber onde realmente se sentia realizada. Paralelamente foi-lhe concedido o grau de Especialista em Farmácia Comunitária e concluiu, também, um upgrade ao Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Foi convidada para fazer parte da Associação Nacional das Farmácias, como delegada da zona do Fundão, cargo que aceitou e que muito a honra. Decorridos mais de 20 anos desde o início desta aventura, é com enorme satisfação que Alcina Leal fala da sua paixão pela farmácia comunitária e do orgulho que sente no passado secular da Farmácia Vitória. 110 | Revista Business Portugal outubro 2019

Rua 5 de outubro, nº 26/28 Fundão Telef: 257 752 106 Email: farmaciavitoriafundanense@gmail.com


FARMÁCIA VITÓRIA

Equipa Farmácia Vitória

Uma equipa em constante atualização Atualmente fazem parte da equipa nove colaboradores, dos quais sete farmacêuticos. “São profissionais disponíveis, dinâmicos, interessados e muito atentos aos seus utentes. A equipa é uma peça-chave no universo da farmácia, e mantê-la motivada e incutir nela o espírito de entreajuda é fundamental”. É com orgulho que Alcina Leal descreve a sua equipa, que reúne os requisitos necessários para desempenhar com qualidade as suas funções. Prestar o melhor serviço é também um dos lemas da Farmácia Vitória, e como tal o esforço e a atualização de conhecimentos são fulcrais para tornar estes critérios possíveis. A equipa faz regularmente reuniões Kaizen onde realizam uma avaliação do trabalho da equipa, definem metas a alcançar e desenvolvem estratégias para as ações e projetos que delineiam para o futuro.

Serviço adaptado e especializado A equipa da Farmácia Vitória integra serviços diferenciados, como aconselhamento nutricional direcionado para algumas patologias e para desportistas, e a administração de injetáveis e algumas vacinas. É também possível a realização de consultas de cessão tabágica, cuidado do pé diabético e preparação individual da terapêutica. Com os olhos postos na inovação, a farmácia mais antiga do Fundão já tem à disposição a venda de medicamentos através de plataformas online e utiliza, também, as redes sociais para comunicar atividades e informações úteis para os utentes.

Valorização na qualidade de empresa: PME Líder´19 “O utente é a prioridade e a nossa principal preocupação”. Mais do que um negócio, é um dever prazeroso, para a equipa, receber e auxiliar cada cliente. “São a qualidade e os serviços que nos distinguem”. A Farmácia Vitória recebeu, recentemente, a distinção de PME Líder ’19, confirmando o reconhecimento recebido no ano anterior. “Este prémio é o reflexo de uma gestão económica e financeira muito rigorosa e uma determinante aposta na prestação de serviços de qualidade”, admitiu a diretora técnica.

A comunidade como prioridade A farmácia, enquanto local privilegiado de contato entre várias pessoas, “foca as suas ações em três pilares: social, educativo e ambiental”. A Farmácia Vitória tem um protocolo com a APPACDM do Fundão (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), onde integra, sempre que possível, jovens desta associação nas suas atividades diárias e com o “Projeto Matriz”, na partilha de bens com algumas crianças do concelho. Como resposta à necessidade de uma parte da população em adquirir medicamentos, Alcina Leal menciona que “somos uma Farmácia Abem e o Programa Abem já foi assinado pelo nosso Município, o que irá permitir a dispensa gratuita de medicamentos a quem deles mais precisa.” “É na escola que a farmácia estabelece a sua relação com o futuro”, refere Alcina Leal. Com o objetivo de desenvolver nas crianças, jovens e adultos, competências que lhes vão permitir tomar decisões conscientes e responsáveis em relação à sua saúde, a farmácia participa em ações de educação para a saúde e rastreios junto de instituições locais. Contudo, a “saúde do nosso planeta” também é uma preocupação. O projeto Valormed, que se apresenta como um sistema de gestão de resíduos de medicamentos, é uma prioridade na comunicação com o utente e é levado às escolas para sensibilizar os mais jovens para as questões ambientais relacionadas com este tipo de resíduos.

Por um futuro de excelência “Excelência e qualidade no atendimento” é uma caraterística presente na história desta farmácia. Alcina Leal admite ser um objetivo que perdurará, juntamente com outras particularidades: “O nosso sucesso mede-se pelo serviço que fazemos em prol da comunidade, sob a forma de ganhos em saúde para o utente e na melhoria da sua qualidade de vida”.

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FUNDÃO VET

PRESTAR CUIDADOS DE SAÚDE EM AMBIENTE FAMILIAR Teresa Peixeiro e Francisco Fernandes, médicos veterinários

O trabalho que realizam todos os dias é o sonho de muitos jovens do nosso país. Para além de partilharem a vida, os Drs. Francisco Fernandes e Teresa Peixeiro, partilham também a paixão pelos animais de quem cuidam. Conheceram-se na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, onde estudavam. Trabalharam juntos no Hospital Veterinário da UTAD, depois de um período de formação com estágios e cursos em Portugal, e em várias cidades europeias resolveram apostar num projeto de vida, pessoal e profissional, na Beira Interior e escolheram o Fundão para o fazer.

A

hipótese de criarem uma Clínica Veterinária para animais de companhia surge em que altura? A ideia de criar uma Clínica Veterinária para animais de companhia foi surgindo ao longo de toda a nossa formação e cresceu em conjunto com os nossos projetos pessoais e familiares. Sempre ambicionámos ter um espaço bem equipado, com toda a tecnologia necessária para tratar os animais de companhia. Queríamos fazê-lo de uma forma competente e ética, com um grande respeito pelos animais, mas com um ambiente familiar, onde se sintam em casa. Após um longo processo de amadurecimento abrimos esta clínica, em 2017, na cidade do Fundão, que tão bem nos acolheu. Desde aí, temos tido a satisfação de a ver crescer, de uma forma sustentada, sobretudo pelo reconhecimento dos nossos clientes.

também de radiografia digital, ecografia, análises clínicas e outros exames complementares de diagnóstico, odontologia e ainda serviço de higiene e tosquias profissionais. As nossas principais áreas de interesse são medicina interna, neurologia, oftalmologia e dermatologia. Embora seja um projeto recente, pelo que nos apercebemos, o grau de reconhecimento e satisfação é francamente positivo. Acreditam que há algum segredo neste sucesso? Acreditamos, sobretudo, que o sucesso é algo que se conquista devagar. E o facto de sabemos que só mantendo os nossos valores na ajuda aos animais de companhia da nossa região e investindo sempre na nossa formação e na tecnologia necessária para prestarmos os melhores cuidados aos animais, é que os tutores reconhecerão isso mesmo. O segredo é tão óbvio que nem é segredo, mas sim disponibilidade, entrega e gosto pela profissão.

O segredo é tão óbvio que nem é segredo, mas sim disponibilidade, entrega e gosto pela profissão

A visita à Fundão Vet permitiu-nos ver de perto as instalações devidamente equipadas. Que tipo de serviços e assistências disponibilizam para os animais? Sendo os cães e os gatos a maioria dos animais de estimação dos nossos clientes, embora não os únicos, foi sobretudo para estes que procurámos preparar a nossa clínica, criando áreas diferenciadas para atender e tratar uns e outros. Estamos em condições de prestar serviços de qualidade, com um horário alargado e com atendimento de urgência, não só para consultas de medicina interna e de profilaxia, mas também ao nível de cirurgias, com uma sala de cirurgia equipada com anestesia volátil e monitorização anestésica. Dispomos

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Quais serão os objetivos que anseiam para breve? O nosso objetivo para o futuro passa por manter um crescimento sustentado, bem como a qualidade e por conseguir aumentar a equipa para trabalhar neste projeto connosco. Sabemos que a Medicina Veterinária está em permanente renovação e que as expectativas e exigências dos tutores dos nossos animais é cada vez maior, por isso, temos a obrigação de fazer cada vez mais e melhor. E a nível pessoal e familiar o nosso objetivo é o de sermos felizes nesta região, que tão bem nos acolheu, e que tem tantas potencialidades por explorar.


NOMIYA

A VERDADEIRA COZINHA JAPONESA A falta de um restaurante verdadeiramente japonês em Viseu. Foi este o mote de Carolina Ferreira de Almeida para a criação do Nomiya. Em conversa com a revista Business Portugal, a amante destas iguarias japonesas explica-nos de que forma foi criado o Nomiya. Carolina Ferreira de Almeida

U

m negócio de família que nasceu de uma vontade conjunta de poder ir a um bom restaurante de gastronomia japonesa em Viseu. Carolina Ferreira de Almeida, sócia-gerente do Nomiya, explica-nos de que forma é que surgiu toda esta aventura. “Nunca estive ligada à área da restauração, sou formada em Relações Públicas e Publicidade, mas sou uma apaixonada por sushi e sabores orientais, gosto esse que advém de muitas viagens ao oriente e não só. A ideia surgiu daí. Haver uma vontade grande de ir a um restaurante japonês e não haver opções”, relata. A vontade de avançar levou-a a juntar-se com alguns familiares e criarem o Nomiya em 2016. Em 2017 ruma até ao Japão onde fica durante dois meses e meio, para um curso intensivo de sushi e outro de cozinha japonesa na famosa Tokyo Sushi Academy, mesmo sabendo que não ficaria como responsável pela cozinha, mas é importante conhecer as técnicas, matéria prima e os seus desafios. “Eu queria aprender com os melhores e com aqueles que realmente sabem fazer este tipo de gastronomia. Em Portugal existem muitos restaurantes de sushi de fusão, nós nunca quisemos isso. Queríamos que o restaurante fosse verdadeiramente "japonês" e com matéria prima do melhor que há", explica de sorriso no rosto. O Nomiya, foi num curto espaço de tempo considerado uma referência da comida japonesa, não só em Viseu, mas entre os melhores do país. Os ingredientes nobres como as ostras, as vieiras, as trufas frescas, o caviar de esturjão, o otoro, e o chutoro, aliados ao corte e à confecção irrepreensíveis e os sa-

bores únicos, não só do sushi mas também das várias entradas e dos pratos cozinhados como os ramens, o caril, os noodles são exemplos, a par das sobremesas exclusivas e todas feitas no restaurante, de alguns dos pontos que marcam a diferença e que fazem os clientes quererem sempre voltar. Com três anos de existência, este espaço, com um horário alargado, é muito acolhedor a todos aqueles que o visitam. Com uma decoração requintada, luz muito suave, cores quentes, música ambiente e uma disposição totalmente pensada no cliente, o Nomiya tem também um atendimento que não deixa ninguém indiferente. Simpáticos, prestáveis e muito atentos aos seus clientes são alguns dos elogios que se fazem aos funcionários do restaurante. “Nós queremos dar a melhor experiência aos nossos clientes. Trabalhamos nesse sentido todos os dias. Já temos clientes que nos visitam de outras cidades e inclusive de além fronteiras, pela nossa qualidade”.

O futuro Parar não é um verbo para o Nomiya. Após a primeira experiência estar a ultrapassar as expectativas, o Nomiya está em expansão, brevemente abrirá outo espaço em Viseu. “Nós queremos criar espaços que marquem e que sejam diferenciadores do que já existe. A nossa marca é a qualidade e a diferença”. Para médio prazo, Carolina Ferreira de Almeida fala-nos da abertura de um espaço em Lisboa, cidade de onde é natural. Sempre focados na alta qualidade e no bem servir.

Av. Professor Doutor Júlio Fragata, Viseu | 931 788 081 | Facebook: /nomiyaviseu outubro 2019 Revista Business Portugal | 113


ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DA COVILHÃ, BELMONTE E PENAMACOR

UMA ASSOCIAÇÃO QUE POTENCIA O MELHOR DE CADA NEGÓCIO

A

Tem quase um século de existência e tem como principal objetivo apoiar, representar e defender os seus associados, bem como os respetivos negócios de cada um. Henrique Gigante, Presidente da Direção da Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP), esteve à conversa com a Revista Business Portugal e explicou o que, juntos, ainda podem proporcionar aos associados, empresas e empresários.

Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor foi criada em 1920 com o objetivo de enriquecer e apoiar a economia dos três concelhos. De que forma é que é feito esse trabalho? As associações empresariais detêm uma especial missão, que passa por potenciar negócios e a economia dos territórios onde se inserem. Uma das formas de o fazer é com a identificação dos desafios ao desenvolvimento empresarial, com a deteção e eliminação de estrangulamentos, para depois delinearmos os caminhos para um futuro económico coeso, concertado e integrado. A atual direção aposta, sobretudo, na criação de sinergias, nas parcerias, no diálogo permanente com os agentes económicos locais e regionais das áreas do comércio, dos serviços, da indústria e do turismo, sendo estas as áreas que a AECBP abrange. Como é constituída a equipa da AECBP? Quantas pessoas trabalham diariamente na associação? Tenho a honra de presidir, desde há quase um ano, a uma Direção com empresários dinâmicos, jovens e motivados. É de facto uma equipa diretiva que por natureza é multidisciplinar e desde logo porque os próprios Estatuto assim obrigam, dado que as direções têm de incluir empresários das quatro áreas que abrangemos – Comércio, Serviços, Indústria e Turismo. Quanto a funcionários, trabalham diariamente três excelentes profissionais na AECBP e com um elevado nível de motivação, que têm sido fundamentais neste projeto de restruturação, de renovação e de rejuvenescimento desta Associação. Hoje, a AECBP é uma associação com mais serviços, voltada para fora, com mais presença, dialogante e, acima de tudo, focada na sua missão, em dar o seu melhor contributo com o objetivo de enriquecer e ajudar a alavancar a economia dos três concelhos. Pode falar-nos sobre os vários serviços que têm ao dispor dos vossos associados? São realmente vários os serviços ao dispor dos nossos associa114 | Revista Business Portugal outubro 2019

dos, dos quais destaco três, a começar pelo Gabinete Jurídico. A reabertura deste gabinete foi a primeira medida implementada por esta direção. Depois o Gabinete de Apoio à Inovação, criado este ano como estímulo à inovação e à competitividade, com o objetivo de capacitar as PME na progressão da cadeia de valor. Por último, o serviço de apoio aos associados que considero o pilar de funcionamento da associação e é este o que representa efetivamente a essência de uma associação empresarial. Quais são as maiores dificuldades, a nível empresarial, nesta região? Hoje as nossas empresas têm cada vez mais falta de mão-de-obra, escasseiam pessoas no interior do país para produzir e alimentar o resultado das estratégias comerciais que as empresas implementaram, muitas vezes com os apoios de programas europeus e nacionais. E é este o novo paradigma, o novo desafio: temos de ter a capacidade de delinear estratégias que tenham por base as pessoas. O esvaziamento de quase dois terços do território nacional é finalmente assunto com assento no Conselho de Ministros. Vejo com grande expectativa a criação do Ministério da Coesão Territorial. Espero que a partir de agora a região seja vista noutra perspetiva, que se perceba de uma vez por todas que o desenvolvimento de Portugal passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento do interior do país, que esta região tem condições e recursos únicos que é preciso potenciar e que, para isso, há que implementar medidas mais efetivas, abolir as portagens na A23 e na A25, deslocalizar organismos governamentais para o interior, entre outras. Os diagnósticos estão feitos, é preciso medidas concretas. A AECBP está disponível para ajudar a construir esse futuro. O nosso território é riquíssimo em recursos e uma grande mais valia é a proximidade com Espanha. A nossa localização é, na verdade, central relativamente ao país vizinho e daí a importância da construção do IC31 e da conclusão da Linha da Beira Baixa, com reabertura do troço Covilhã-Guarda que nos ligará à Linha da Beira Alta e a Espanha.


ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DA COVILHÃ, BELMONTE E PENAMACOR

Henrique Gigante, presidente

Com quase 100 anos de história, quais são os feitos mais marcantes da associação? A associação tem uma história riquíssima. Um século de história representa um peso muito relevante desta Associação nos territórios que representa. Foi fundada em 1920 com a designação de Associação Comercial dos Lojistas. Nasceu num contexto de pós 1ª Grande Guerra e da necessidade de as classes se organizarem na defesa dos seus interesses e princípios. Em 1939, por imperativo legal, transformou-se em Grémio do Comércio do Concelho da Covilhã, por alvará de 19 de setembro de 1940. No dia 25 de outubro de 1956, por Alvará do Ministro das Corporações e Providência Social, o Grémio passou a designar-se por Grémio do Comércio dos Concelhos da Covilhã, Belmonte e Penamacor. Foi um passo importante para esta Associação, uma vez que viu alargada a sua área de jurisdição aos concelhos limítrofes, caracterizando-a com objetivos regionais. Com a revolução de abril o panorama associativo foi alterado e o Grémio deu lugar à Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Covilhã, Belmonte e Penamacor. Em setembro 1983, adquiriu

o edifício onde está instalada, no centro histórico da Covilhã. Em janeiro de 1995 foi publicado no Diário da República a concessão da declaração de utilidade pública. A 3 de maio de 2001, por alteração deliberada em assembleia geral extraordinária, a Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Covilhã, Belmonte e Penamacor passou a denominar-se Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor. Por onde passa o futuro? Existem projetos para breve? O futuro passa pelo processo de estabilidade da associação empresarial em todos os contextos. Pela estabilidade da relação com os associados, pela aposta nos serviços de apoio aos pequenos comerciantes e empresários. Numa visão mais a longo prazo, passa por reestruturar a associação a fim de garantir a estabilidade das próximas décadas. Um dos grandes projetos para o ano de 2020 é o centenário da instituição e fazer coincidir uma restruturação com esta data, relembrando as origens, os percursos e as pessoas, é uma grande oportunidade para a AECBP.

LARGO SENHORA DO ROSÁRIO, 7, 6200-190 COVILHÃ TELF: 275 310 220 WWW.AECBP.PT FACEBOOK: /FACEAECBP

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SERVIÇOS DE QUALIDADE E PROXIMIDADE

Exemplo de box de tratamento

Fundada com a importante missão de realizar Fisioterapia Avançada e de qualidade na Serra da Estrela, a Advantageffect, acabou por se tornar numa referência nessa área de atividade. André Haug, CEO, garante a qualidade dos tratamentos, promove o crescimento da Advantageffect rumo ao sucesso.

E

m que altura decide criar a Advantageffect? A Advantageffect – Centros de Fisioterapia Avançada foi fundada no dia 15 de outubro de 2013, por dois Fisioterapeutas que, por resiliência de não abandonar as suas raízes da Zona Centro, arriscaram em abrir o seu próprio negócio na Prestação de Cuidados de Saúde diretamente relacionados com Cuidados de Fisioterapia de proximidade, disponibilizando assim, à população da Serra da Estrela, um tratamento de qualidade de modo rápido, garantindo uma eficaz e qualitativa resolução de problemas em tempo útil no campo da Reabilitação Física, a um preço acessível a todos. Sendo a Serra da Estrela, uma zona de baixa densidade populacional, foi um objetivo, por parte da Advantageffect, tentar trazer até uma zona francamente envelhecida do país o melhor tipo de Cuidados de Saúde no âmbito da Reabilitação visando sempre maximizar a qualidade de vida de todos os seus utentes. 116 | Revista Business Portugal outubro 2019

Explane a importância deste tipo de serviços na zona e realidade onde estão inseridos (Gouveia, Seia e Mangualde). O Grupo Advantageffect possui presentemente três Centros de Fisioterapia Avançada com especificidades algo diferentes, sendo que o primeiro Centro de Fisioterapia Avançada a surgir foi o de Gouveia. Este Centro presta serviços mais direcionados a geriatria e tratamento de dor, visto Gouveia ser o concelho mais envelhecido do país. O Centro de Fisioterapia Avançada de Seia surgiu em 2014 e, apresenta-se mais apto a reabilitação motora, neurológica e trauma-ortopédica, possuindo nas suas instalações um Ginásio de Reabilitação dividido em várias salas com objetivos de tratamento de múltiplas patologias. O Centro de Fisioterapia Avançada de Mangualde, inaugurado no presente ano de 2019, pretende ser uma clínica mais dirigida a Cuidados de Fisioterapia relacionados habitualmente com lesões associadas ao trabalho, visto Mangualde ser um concelho amplamente desenvolvido em atividade fabril. Atendendo a grande massa migratória de estrangeiros que estão a convergir para se fixarem na Serra da Estrela existe um “gap” linguístico entre os Serviços de Saúde e os utentes estrangeiros.


ADVANTAGEFFECT Na Advantageffect a barreira linguística comum não existe, sendo que os Técnicos são fluentes em Inglês, Francês, Alemão e Espanhol. Apresente os serviços disponibilizados e as suas características, referindo quem são os profissionais que compõem a equipa. A Advantageffect é uma empresa registada e certificada para a Prestação de Cuidados de Saúde Privada com uma equipa de profissionais devidamente formada e qualificada para poder servir a população nos mais diversos Problemas de Saúde. O Serviço de Fisioterapia Avançada é integralmente feito por fisioterapeutas especialistas, com grau académico de formação universitária e posterior formação académica superior especializando ainda mais cada um dos seus Fisioterapeutas em áreas distintas de serviços garantindo assim uma ampla capacidade de resposta de modo multidisciplinar. As áreas de intervenção de Fisioterapia dos Centros Advantageffect passam por Neurologia, Trauma-ortopedia, Pediatria, Geriatria, Cardiorrespiratória, Reabilitação Desportiva de atletas, Acupuntura músculoesquelética e Mesoterapia, Reumatologia aplicada a Fisioterapia, Reabilitação pré e pós operatória, Reabilitação de integração no trabalho pós lesão, Reabilitação ginecológica e obstetrícia, e diversas Terapias Manuais Integrativas e Manipulativas. De modo a garantir uma ampla disponibilidade de Serviço esta empresa tem Serviço de Urgência de Fisioterapia. A Advantageffect possui ainda um Serviço de Fisioterapia Domiciliária e realiza Apoio Institucional em Lares, Empresas e outros semelhantes com o apoio de veículos devidamente equipados para esse fim. Apresenta também uma ampla gama de parcerias com seguradoras, associações e instituições. Para além do Serviço de Fisioterapia Avançada a Advantageffect possui Serviço Médico de Medicina Física e Reabilitação. Quais são, no vosso entender, os principais desafios impostos ao setor da saúde atualmente? No ponto de vista da empresa o principal desafio passa por educar as pessoas a recorrerem a Serviços de Saúde Legais e devidamente Qualificados. Infelizmente, ainda é muito presente, em larga escala, derivado à idade nobre da população contigua, a ideia do “endireita”. Além desta epidemia existem também um sem número de locais que operam sem registos da ERS (Entidade Reguladora

Equipa Advantageffect

da Saúde), sem horários de funcionamento e mais grave que isso sem Profissionais Creditados de Saúde. A empresa encontra-se neste momento muito satisfeita com a criação da Ordem dos Fisioterapeutas e aprovação do respetivo estatuto, visto ainda existir nesta zona, do território nacional, muitos sítios que praticam “Fisioterapia” sem Fisioterapeutas. Existe uma grande expectativa de mudança com a criação da Ordem dos Fisioterapeutas e talvez assim, as pessoas se tornem mais atentas e criticas em relação àquilo que é verdadeiramente Fisioterapia. Por onde passa o futuro da Advantageffect? Ponderam a abertura de novos centros? Tendo a Advantageffect inaugurado um novo Centro de Fisioterapia Avançada em Mangualde este ano, os projetos para o próximo ano passam por consolidação estrutural da empresa. Em 2020, é expetável uma segunda evolução tecnológica com vista à criação de um Serviço de Hidroterapia que irá amplamente melhorar a Qualidade dos Tratamentos, nomeadamente no que toca à intervenção em Reumatologia. Relativamente à abertura de novos Centros faz parte dos planos evolutivos a criação de mais dois Centros de Fisioterapia Avançada, no entanto não existe qualquer data prevista e estes apenas serão construídos se existir uma certeza absoluta de que a qualidade de Fisioterapia que atualmente se pratica não se deteriora pois não existe objetivo de mais, mas sim de melhor.

Fisioterapia só com Fisioterapeutas

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Exemplo de sala de tratamentos

Ginásio de reabilitação

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ADEGA COOPERATIVA DE PENALVA DO CASTELO

OS MELHORES VINHOS DO DÃO É em Penalva do Castelo que encontramos a Adega Cooperativa que oferece, a todo o país, alguns dos melhores vinhos mais conhecidos. José Frias Clemente, presidente e gestor deste negócio, falou-nos um pouco sobre a história deste espaço e sobre os seus produtos vinícolas de grande qualidade.

F

oi no ano de 1962 que a Adega de Penalva do Castelo foi criada, mas, só em 1967, começou a trabalhar: “Na altura, era tudo feito a passo de caracol, por isso ainda demoramos cinco anos para que a Adega estivesse pronta a laborar”, começa por contar José Clemente. “Começamos com 50 associados… Nós estamos numa terra de minifúndio, mas, mesmo tendo um número reduzido de pessoas, conseguimos trabalhar com 250 mil quilos de uvas, o que é um número excelente”, continua. Hoje já com mais de mil associados, a Adega Cooperativa de Penalva do Castelo labora anualmente com cerca de oito milhões de quilos de uva, que, mais tarde, se vão transformar nos mais variados vinhos, das mais variadas castas, que estão espalhados um pouco por todo o país: “Nós estamos quase a festejar os 60 anos da Adega e esta empresa veio trazer uma nova vida à região e dar uma maior atividade”, refere o presidente da Adega. Considerada uma das melhores adegas da região, põe ao dispor dos seus associados e do público em geral vinhos de todas as qualidades: tinto, branco, rosé, espumante; que é feito num processo muito rigoroso e elaborado com supervisão de enólogos e de profissionais qualificados para que o produto final seja o melhor. Com o passar dos anos e o avançar da tecnologia, a Adega Cooperativa de Penalva do Castelo foi também transformando as suas instalações para que tivessem ao dispor as máquinas e os processos tecnológicos mais avançados: “Estamos numa altura muito tecnológica no que toca aos processos e, por isso, não nos podemos deixar ficar pelo que já sabemos. É preciso sempre saber mais e evoluir. Queremos estar sempre ao nível mais alto e manter a qualidade que nos distingue das outras cooperativas”, diz José Clemente.

O futuro A Adega Cooperativa de Penalva do Castelo conta com uma exportação de 20 por cento de momento, mas espera no futuro chegar aos 45 por cento. Os países para quais enviam os seus vinhos são principalmente os Estados Unidos e o Brasil, estando agora a apostar no Canadá e na Suécia. Com uma quantidade de prémios de ouro substancial a nível nacional e internacional, os vinhos desta Adega estão presentes em qualquer estabelecimento comercial de grande ou pequena dimensão por Portugal de Norte a Sul. Estão também presentes 118 | Revista Business Portugal outubro 2019

José Frias Clemente, presidente

nas mais variadas feiras de vinhos no dentro e fora do nosso país. Para o futuro, José Clemente, presidente da Adega, espera manter a qualidade dos vinhos que considera serem “os melhores da região” e que consiga fazer com que este negócio, que já existe há tantos anos, continue a prosperar e a ultrapassar as dificuldades normais da produção vinícola, trazendo sempre o melhor produto para junto dos portugueses. Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, CRL Calvário – Ínsua 3550-167 Penalva do Castelo Email: geral@adegapenalva.com Telefone: (+351) 232 642 264 Fax: (+351) 232 642 565 https://www.adegapenalva.com/


PAULOWNIA

Paulownia d.f. Portugal, Lda - Mangualde

“A MADEIRA DE PAULOWNIA É UMA DAS MAIS PROCURADAS A NÍVEL MUNDIAL” A Paulownia d.f. Portugal, Lda é uma empresa que foi criada a partir de uma ideia holandesa, através da Boereboom Invitro Cultures em Eindhoven, Holanda, e a Boereboom Invitro Portugal com um dos seus laboratórios, situado no Madan Parque, no Campus da Caparica da Universidade Nova de Lisboa (Parque da Ciência e Tecnologia), no qual são produzidas plantas, principalmente lenhosas, geneticamente iguais. A propagação in vitro é levada a cabo em condições estéreis, o que permite que a multiplicação de plantas seja realizada sem presença de pragas e doenças. Sendo nós os maiores criadores de Paulownia a nível mundial, neste momento, exportamos para 17 países em vários continentes do mundo. Já no nosso país, a Paulownia d.f. Portugal, Lda dedica-se à comercialização da Paulownia, oferecendo apoio técnico às plantações superiores a um hectare, como também se dedica ao negócio da madeira de Paulownia, tendo neste momento compradores em cerca de 31 países.

A Paulownia é uma árvore de crescimento rápido com características muito interessantes para o nosso país. Produz madeira de alta qualidade, reduz CO2 10 vez mais que qualquer outra árvore, liberta mais oxigénio, não afeta a biodiversidade, ou seja é uma árvore muito resistente aos incêndios e a sua madeira é das mais procuradas a nível mundial, com um valor de mercado muito acima de média. Em Portugal, nós queremos ser uma boa alternativa para aqueles que têm terrenos, muitos destes ao abandono, garantindo-lhes uma boa rentabilidade a médio e longo prazo. Também temos como objetivo dinamizar o interior do país e a sua economia, criando desta forma, um pulmão para o país, tentando ajudar a equilibrar as temperaturas e, ao mesmo tempo, criar riqueza. Nas medidas legislativas, a Paulownia d.f. Portugal gostaria que o governo português, reconhece-se a mais-valia que esta árvore tem para Portugal a curto, médio e longo prazo. Estrada Nacional Nº 234, Porta 145, 3530-310, Mangualde Telef: +351 967 737 441 m.duarte.ctm@hotmail.com geral@paulowniadfportugal.pt

outubro 2019 Revista Business Portugal | 119


RELAÇÕES BILATERAIS PORTUGAL CABO VERDE

EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DE CABO VERDE

Entrevista a Eurico Correia Monteiro, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Cabo Verde em Portugal.

É o representante da Embaixada da República de Cabo Verde em Portugal, tendo assumido as suas funções em janeiro de 2017. Como têm sido estes dois anos em Portugal? Estudei em Portugal na Universidade Clássica de Lisboa, Faculdade de Direito, de 1979 a 1984. Depois disso já visitei Portugal uma dúzia de vezes, pelo que já tinha uma ideia muito precisa do país. Os cabo-verdianos, em geral, gostam de Portugal. Reconhecemo-nos em muita coisa e partilhamos vastos interesses e sentimentos, com particular realce para o desporto e mais concretamente o futebol. Por isso são muito boas as impressões que tenho do país, tanto do ponto da sua geografia física, como também das instituições e da população. Sinto-me bem, perfeitamente integrado no geral e neste mundo mais específico da diplomacia. Descreva as relações entre Cabo Verde e Portugal. São muito boas. Eu dizia ainda, no sábado passado, num encontro com a Comunidade cabo-verdiana, em Sintra, presidido pelo Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca, e com a presença do Presidente da Câmara Basílio Horta. São tão boas que é uma tarefa muito ingrata conseguir melhorá-las. E é muito vasta, abrange quase todas as áreas e com um envelope financeiro, num programa (PEC 2017-2021) de 4 anos, superior a 120 milhões de euros. Formação, saúde, infraestruturas, administração pública, justiça, finanças, agricultura, ambiente, cultura, mar, turismo, emigração, investigação, etc. São muitos os protocolos firmados entre os dois Estados. Só na última cimeira entre os dois Chefes de Governo, e que teve lugar em Lisboa em abril deste ano, foram assinados 12 protocolos de cooperação. Em relação ao investimento empresarial, o que tem de melhor Portugal a oferecer a Cabo Verde e vice-versa? Tem muito, por várias razões, pela proximidade, pela amizade entre os povos, pela

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afinidade cultural e pela língua. Um fator importante para o investimento, para além da dimensão do mercado e dos custos, é a confiança. Um empresário português conhece, tem a obrigação de conhecer melhor Cabo Verde do que qualquer outro, pela história. E tem razões para confiar. Cabo Verde também sabe que, de uma forma geral, pode confiar nos investidores portugueses. E se existirem problemas, o que sempre pode ocorrer, a resolução de contencioso está facilitada por uma certa convergência normativa, procedimental e institucional, e pela amizade e proximidade. Áreas com o turismo, novas tecnologias, energia, economia azul e serviços de uma forma geral, têm grandes potencialidades e Portugal tem registado nesses setores avanços muito significativos. Mesmo analisando a questão sob a perspetiva do mercado em sentido estrito, é preciso notar que Cabo Verde já tem um fluxo turística de quase 800 mil turistas por ano, com necessidades de consumo bem identificadas, que também fazemos parte da CEDEAO que é o mercado comum da costa ocidental africana, com perto de 400 milhões de pessoas, num território com mais de 5 milhões de quilómetros quadrados. Para além do acordo que temos com os USA para exportação de uma grande quantidade de produtos no quadro do AGOA (The African Growth and Opportunity Act) No dia 6 de julho inauguraram o Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa. O que significa para a Embaixada a comemoração deste momento? Muito. Trata-se da maior comunidade cabo-verdiana na Europa e a segunda no mundo, só suplantada em termos numéricos pelos Estados Unidos da América. E para Cabo Verde a cultura ocupa uma posição muito especial, sabe? Um país pequeno com cerca de 1 milhão de pessoas, entre residentes e emigrantes, só se afirma no mundo se for portador de uma identidade cultural muito forte. Não nos diluímos no mundo, apesar de nele nos integrarmos perfeitamen-

Eurico Correia Monteiro, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Cabo Verde em Portugal

te, por que temos uma forte identidade cultural, história de séculos, língua materna, tradições, religião, música, dança e costumes muito vincados. Somos fulas, portugueses, mandingas, judeus, balanta e ingleses, um pouco americano também, somos tudo isso e nada disso, por isso somos outra coisa, única. No cruzamento entre continentes resultou um cruzamento de raças e de culturas, por isso somos ponte, espaço aberto e horizonte, adaptamo-nos com facilidade. O Centro Cultural de Cabo Verde deve responder a isso, ser um espaço de oportunidades para a afirmação e projeção do país na sua riqueza cultural, mas espaço aberto para a interculturalidade, para o diálogo sistemático com outras manifestações culturais contemporâneas, sem esquecer a história, mas atuando em segmentos que demonstrem qualidade, técnica, sofisticação, para lá da cultura popular, sem diminuir a sua importância. Portugal está bem situado para esse papel do CCCV, pela geografia, mas também pela história e pela sua dinâmica cultural.


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TÂMEGA ENERGY

INVESTIMENTO EM ENERGIA A TÂMEGA Energy, empresa do Grupo TÂMEGA, venceu recentemente o concurso para a construção e operação de uma central solar de 10MW, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. A energia produzida será vendida à Electra, enquanto concessionária da rede de transporte e distribuição de energia elétrica, por um valor fixo durante um período de 20 anos. A Revista Business Portugal esteve à conversa com José Braz da Silva, administrador do Grupo TÂMEGA, que explicou os motivos que conduziram a este investimento e referiu outros projetos que o grupo tem em vista em Cabo Verde.

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que motivou este investimento do Grupo TÂMEGA no setor elétrico cabo-verdiano? De uma forma muito sucinta diria que é a avaliação muito positiva que fazemos do país, em geral, e do setor das energias renováveis, em particular. E, para sermos justos, temos de reconhecer que a assessoria do Banco de Fomento Internacional (BFI) foi determinante para a tomada de decisão, uma vez que tem um profundo conhecimento do mercado que nos conforta. E, por estas razões, esperamos que este seja apenas o primeiro investimento no país. Começando pelo país, em que consubstancia-se essa avaliação muito positiva? Cabo Verde é um país política, social e economicamente estável. Embora soe a uma “frase feita” quando nos referimos ao país, a verdade é que esta encontra respaldo na realidade concreta. Esta estabilidade é comprovada por diversos indicadores. Para além da paridade cambial fixa do Escudo Cabo-Verdiano ao Euro, que possivelmente foi a medida mais estruturante para a economia cabo-verdiana, são inúmeros os dados que a comprovam. Por exemplo, Cabo Verde é o país mais livre e democrático de África, de acordo com a Freedom House (2019); é o segundo país lusófono melhor classificado quanto à liberdade económica, apenas superado por Portugal, de acordo com o Index Economic Freedom (2019); foi considerado o 18.º país mais atrativo

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José Braz da Silva, Administrador

para os investidores em África e o primeiro entre os lusófonos, segundo o Programa de Atratividade do Investimento Estrangeiro, elaborado pela Ernest & Young (2017). E mais e bons exemplos poderiam ser dados neste sentido. E no que diz respeito ao setor das energias renováveis, em que assentou essa avaliação também muito positiva? O país não só possui excelentes recursos renováveis (nomeadamente o eólico e o solar), como existe um enquadramento legal estabilizado e claro. Neste capítulo há que destacar três documentos fundamentais. O Decreto-Lei n.º 1/2011, o qual estabelece as disposições relativas à promoção, ao incentivo e ao acesso, licenciamento e exploração inerentes ao exercício da atividade de produção independente e de autoprodução de energia elétrica, com base em fontes de energia renováveis. O Plano Estratégico Sectorial das Energias Renováveis (PESER) que define as Zonas de Desenvolvimento de Energias Renováveis (ZDER) em todas as ilhas, em função dos recursos renováveis identificados, para implementação de projetos com recurso à energia solar, eólica, hídrica, geotérmica, marítima e de resíduos sólidos urbanos. A classificação de uma zona como ZDER implica a dispensa de realização do processo de Avaliação de Impacte Ambiental para os projetos aí integrados e/ ou associados, no decorrer do processo de licenciamento, o que constitui também um

Ulisses Correia e Silva, Primeiro-Ministro de Cabo Verde

instrumento de facilitação de investimentos em energias renováveis. E o Plano Diretor do Setor Elétrico 2018-2040 que estabelece qual o nível de energias renováveis, reforços térmicos e soluções de armazenamento ótimos do ponto de vista dos custos em cada momento, tendo em consideração o aumento previsto da procura, a evolução dos custos das diferentes tecnologias e critérios exigentes de qualidade de fornecimento de energia. Atualmente, a taxa de penetração das energias renováveis cifra-se nos 20,3 por cento. A nossa central solar, que será a maior do país, permitirá um aumento de 30,7 por cento na capacidade instalada de energias renováveis no país e de 80,6 por cento na ilha de Santiago. O Governo tem como objetivo conseguir uma elevada taxa de penetração das energias renováveis nos próximos anos (atingir 50 por cento até 2030), reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis e os seus efeitos na ba-


TÂMEGA ENERGY

lança de pagamentos do país. Portanto, e em síntese, diria que Cabo Verde, no setor das energias renováveis, apresenta as condições naturais e o enquadramento legal, onde se inserem os benefícios fiscais, necessários para alcançar tão ambicioso objetivo. Agora, importa ter presente que a introdução de 50 por cento de energias renováveis requer um conjunto de investimentos ao nível das infraestruturas que minimizem as restrições associadas à dimensão dos sistemas elétricos e que garantam a segurança e fiabilidade do abastecimento de energia. Na qualidade de investidor externo, quais as reformas em curso ou concluídas que destacaria para quem pensa investir em Cabo Verde? Há que realçar o forte compromisso que o atual Governo assumiu com o desenvolvimento do país, tendo colocado em prática um conjunto de políticas e medidas que têm como objetivo primordial tornar Cabo Verde um país capaz de atrair investimento estrangeiro e criar um ambiente favorável de negócios, das quais são exemplos o ambicioso plano de privatizações (privatização ou concessão de 23 empresas públicas até 2021), a liberalização plena das operações cambiais e das relações económicas e financeiras de Cabo Verde com o exterior, a regulamentação do Centro Internacional de Negócios de Cabo Verde (CIN-CV), ainda em fase de implementação, e a criação de benefícios fiscais para o cidadão estrangeiro que decida comprar uma segunda residência em Cabo Verde, atribuindo-lhe, ao mesmo tempo, o Cartão de Residência Permanente no país, o chamado “Green Card”. São, todas elas, excelentes medidas. Quanto ao “Green Card”, penso que no futuro o Governo pode ser mais ambicioso e equacionar a extensão deste benefício (com

adaptações) a todos os cidadãos estrangeiros que façam investimentos relevantes em Cabo Verde e não apenas àqueles que o fazem em imobiliária turística. Regressando ao Grupo TÂMEGA, disse que espera que a central solar seja apenas o primeiro investimento no país. Que outros investimentos têm em vista em Cabo Verde? Estamos atentos aos processos de privatização em curso, nomeadamente no setor da energia, e estamos disponíveis para participar nos demais projetos considerados prioritários

estamos em Cabo Verde só de passagem, estamos aqui numa perspetiva de longo prazo. Temos tempo. Embora reconheça que muitas vezes os projetos não se desenvolvem com a rapidez que desejaríamos. Contudo, a nossa convicção mantém-se. Cabo Verde tem um enorme potencial na área das energias renováveis e pode ser, inclusive, uma excelente plataforma para a testagem de tecnologias emergentes que ainda estejam em fase de protótipo ou pré-comercial. Mas a reduzida dimensão territorial do país não acaba por limitar o aproveitamento desse potencial? Não necessariamente. Por exemplo, e pensando no caso específico da energia eólica offshore ou da energia das ondas, o país possui um extraordinário recurso pouco conhecido da maioria: uma ampla zona marítima económica exclusiva de 789.4 mil km2, cerca de 9,4 por cento da ZEE de toda a África Subsaariana. E não tenho dúvidas que a reduzida dimensão territorial será uma vantagem na implementação da mobilidade elétrica, onde o país começa a dar os primeiros passos. Aliás, Cabo Verde tornou-se, em abril de 2019, o primeiro país do continente africano a aderir à Aliança para a Descarbonização dos Transportes, que visa promover a descarbonização dos sistemas de mobilidade e transportes.

Equacionamos ainda a possibilidade de trazer para Cabo Verde uma tecnologia desenvolvida in-house, já patenteada, que visa a produção e comercialização de hidrocarbonetos, a partir de resíduos plásticos, com vista à substituição de produtos de origem petrolífera e/ou estruturantes, seja ao nível da produção, do armazenamento, do transporte ou da distribuição de energia elétrica. Equacionamos ainda a possibilidade de trazer para Cabo Verde uma tecnologia desenvolvida in-house, já patenteada, que visa a produção e comercialização de hidrocarbonetos, a partir de resíduos plásticos, com vista à substituição de produtos de origem petrolífera. Atendendo à pequena dimensão do mercado interno, esta solução poderá ter um impacto muito positivo na balança de pagamentos do país. Enfim, ainda há muito por fazer. Mas não

Numa palavra, e para quem não conhece, Cabo Verde é…? Morabeza! Era impossível escolher outra! É um regionalismo de Cabo Verde, uma palavra difícil de traduzir mas que quer dizer algo como amabilidade, gentileza ou alegria de existir.

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GRUPO CVT

GRUPO CVT: LÍDERES NO MERCADO DA TECNOLOGIA EM ÁFRICA Fundado há quase 25 anos, o Grupo CVT é atualmente líder no mercado das comunicações em África. Em conversa com o Presidente do Conselho de Administração do grupo, Eng. Doutor José Luís do Livramento M. A. Brito, foi possível perceber mais sobre os serviços e desafios que apresentam de uma forma, cada vez, mais inovadora.

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Grupo CVT é líder nacional nos setores onde atua: comunicações fixas, móveis, multimédia e sistemas de informação. Esta posição permite, às empresas do grupo, efetuar investimentos nomeadamente nas redes de fibra ótica e 4G?

A Cabo Verde Telecom, como as outras empresas do sector, é de capital intensivo. Cumprindo a sua missão, desde cedo se posicionou com o Bilhete de Identidade “Banda Larga, Qualidade e Segurança”. Banda Larga, quando não se falava no Big Data como agora, criando uma unidade de negócios específicos para tal, a CVMultimedia. Um exemplo, em 1994, portanto, há 25 anos, decidiu por ligar as ilhas de Cabo Verde com Cabos Submarinos de Fibra Ótica. Por fases, foi lançando novos troços, atingindo uma capilaridade inter-ilhas e uma segurança resultante de uma configuração em anel, que garantem uma inclusão digital de todas as ilhas e a continuidade do negócio, exemplar, em qualquer parte do mundo, para territórios arquipelágicos como Cabo Verde. O empresário ou pessoa, estando na Boa Vista, no Sal, em Santo Antão, em Santiago, ou qualquer ilha, tem o acesso à qualidade de serviços garantidos pela fibra ótica submarina que interliga as ilhas. Houve, igualmente, investimentos em Redes de Fibra Ótica dentro de cada ilha e deu-se início, já há algum tempo, a redes de fibra ótica dentro das cidades. A Rede Móvel tem merecido, igualmente, fortes investimentos e estamos já a pensar no 5G, depois de ativarmos, recentemente, o 4G. Hoje, somos um player de Serviços Globais, pois respondemos a necessidades empresariais que saem da conectividade e vão, desde redes internas das empresas, até aplicações informáticas e controlo de acessos, que respondam à sua eficiência operacional. Tudo, com as melhores parcerias e marcas internacionais. Esses investimentos são efetuados em Cabo Verde e ou a nível internacional? Quais são os parâmetros para definir onde e quando vão ser feitos esses investimentos? O nosso foco é o cliente. Há muito que saímos do customer product para o customer centric. Nesta estratégia, procuramos acompanhar o estado-da-arte nas tecnologias e serviços a nível mundial, pois, a nossa pequena economia aberta tem uma forte integração na economia global, através do Turismo e de pequenas Indústrias Ligeiras. Aí, a experiência do cliente, seja empresarial, seja pessoal, é de referência internacional, com a uniformização de gostos que resulta da globalização. Uma vez, um gestor de uma grande cadeia de hotéis me disse “pode faltar água, mas internet Wi Fi de banda larga, nunca”. Os investimentos, principalmente, os de Cabos Submarinos Internacionais são feitos numa lógica de serviços internos, mas também, de venda de capacidade a nível regional e de viabilização dos Parques Tecnológicos em construção. Por exemplo, está em construção o Cabo EllaLink, em que participamos e que 124 | Revista Business Portugal outubro 2019

Eng. Doutor José Luís do Livramento M. A. Bruto, Presidente do Conselho de Administração

irá trazer, pela sua modernidade e capacidade, grande vantagem competitiva, pois tem ganhos como a latência e a ligação à América Latina, com fácil ligação a Norte, como os Estados Unidos da América e a Europa. O Grupo CVT investe em investigação e desenvolvimento de novas tecnologias? Irão lançar alguma novidade para breve? Infelizmente, Cabo Verde ainda é um utilizador final das tecnologias. Nem sequer, chegou à fase de inovação incremental. Mesmo nas plataformas e aplicações digitais, tem grandes atrasos, sendo estes desafios uma das grandes questões estratégicas inscritas no programa do atual governo, que, inclusive, já aprovou um Plano Digital para o País. A CVTelecom dá a sua contribuição para o desenvolvimento do ecossistema digital cabo-verdiano através de projetos de inovação tecnológica e de start-ups, para além de uma postura pró-ativa de formação interna, de execução de um Programa de Transformação Digital e de parcerias tecnológicas com as empresas do País, que levam a empresa a posicionar-se, sempre, na promoção do estado-da-arte digital.


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BCA

UM BANCO NA LINHA DA FRENTE DA INOVAÇÃO E QUALIDADE Fundado em 1993, o Banco Comercial do Atlântico é hoje líder e uma instituição de referência no setor financeiro de Cabo Verde. O foco na qualidade de serviço prestado aos clientes e na inovação de produtos são palavras chave para esta instituição, que tem como principal missão apoiar as empresas e famílias residentes em Cabo Verde e assim promover o desenvolvimento sustentado do país. Entrevista a Dr. Francisco Machado Costa.

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reside o Conselho de Administração do BCA desde 2018. Quais foram as alterações mais profundas a que assistiu e que implementou? O BCA fez, em 2018, 25 anos de existência o que é em Cabo Verde considerado um banco maduro, a operar num mercado consolidado e inserido num contexto mundial de grandes transformações no setor. As transformações na banca vêm a acontecer há já vários anos de forma muito marcante por isso mais do que ter operado e implementado alterações profundas, enquanto CEO do BCA tenho tido a preocupação de manter um ritmo constante de adaptação às exigências do mercado, seguindo quer as tendências internacionais, quer absorvendo as características do mercado local. Penso que temos conseguido estar na linha da frente do que o mercado tem oferecido, tanto ao nível de produtos inovadores, como ao nível de canais de distribuição alternativos, nesta matéria em claro alinhamento com as grandes tendências da banca internacional, de forma a apoiar um segmento de clientes que estão longe em distância, estou obviamente a falar da diáspora, mas que se aproximam por via dos novos canais de distribuição, dos quais destaco o internetbanking do BCA - o BCADirecto. Para este desígnio não é despiciendo o facto de pertencermos ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. 126 | Revista Business Portugal outubro 2019

Dr. Francisco Machado Costa, Presidente do Conselho de Administração do BCA

Descreva as relações comerciais com Portugal, nomeadamente quanto ao apoio que prestam às empresas lusas em território cabo-verdiano. Existem produtos específicos para empresas estrangeiras e clientes particulares? Não tenho presente o número de Portugueses a viver em Cabo Verde, mas sei que é já uma comunidade com muito peso, e contamos com mais de 180 empresas de capital Português a atuar no mercado, a maioria das quais é cliente do BCA, quer no apoio à sua atividade local, quer nas suas relações com Portugal, quer por via de importações, quer por relações várias com fornecedores, clientes e outros stakeholders. A banca comercial, na qual o BCA se enquadra, desenha produtos para segmentos de clientes com características comuns e as empresas Portuguesas a operar em Cabo Verde tem necessidades muito equivalentes às suas congéneres cabo-verdianas, pelo que os produtos e serviços que o BCA oferece ao mercado beneficiam todas as empresas, beneficiando desta forma todo o ecossistema. É evidente que quando estamos perante empresas portuguesas que são clientes do Grupo CGD, que é maioria dos casos, funcionamos quase como uma extensão de serviços para essas empresas, no mercado local. De facto, a missão do BCA é o apoio às empresas e famílias residentes em Cabo Verde promovendo o desenvolvimento sustentado do país, o que de forma direta e indireta beneficia as empresas portuguesas a operar em Cabo Verde.

Pretendem, no futuro, abrir uma dependência em Portugal, de forma a assistir a comunidade cabo-verdiana a residente e fomentar as relações comerciais com empresas portuguesas. A banca está a sofrer uma enorme transformação do seu modelo de negócio, essencialmente fruto da incorporação da inovação tecnológica que exigirá dos bancos uma enorme resiliência e capacidade de adaptação. Efetivamente, quando pensamos nas grandes empresas de sucesso deste século, rapidamente nos vem à cabeça nomes como Amazon, Uber, AirBnB, Alibaba, entre muitas outras, que têm em comum não “gostarem” de ser classificadas como empresas, mas sim como plataformas, mais concretamente plataformas de negócio bilateral, as quais mais não fazem do que aproximar fornecedores e clientes. Por exemplo a Uber junta proprietários de automóveis com pessoas com necessidade de transporte, a AirBnB junta proprietários de imobiliário com indivíduos que necessitam de alojamento temporário, e a Amazon e a Alibabá juntam produtores com consumidores. Ora a banca é uma “plataforma de negócio bilateral há 7 séculos” desde o século XIV que junta aforradores com investidores. Nesse sentido a banca deveria estar razoavelmente preparada para adaptação à atual evolução tecnológica. Nesta linha de pensamento, a abertura de balcões físicos em Portugal por parte do BCA não é espectável, na medida que o negócio é cada vez mais efetuado através de canais eletrónicos ou digitais, que possibilitam aos clientes um contacto com o Banco 24/24 sete dias por semana. Essa tem sido claramente a nossa aposta e é nossa convicção que a comunidade cabo-verdiana em Portugal, se sente mais próxima do seu Cabo Verde através do BCA.


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ALENTEJO No Alentejo viaja-se naturalmente com e pela História. A abundância e a qualidade do Património que a exprime tornam simples a sua descoberta, mas quem visita a região pela primeira vez pode sentir alguns problemas de escolha. Se é o seu caso, não hesite: opte pelas nossas sugestões e verá que a magia do Alentejo se encontra, com um infinito prazer, em todos os lugares. O Alentejo tem uma gastronomia de eleição. Nos restaurantes da região poderá saborear: as sopas de peixe, as açordas, as migas com carne de porco, o gaspacho, o ensopado de borrego, os pratos de caça e a doçaria conventual. Ao nível empresarial, o desenvolvimento das infraestruturas de acessibilidade e de conectividade reforça a importância do posicionamento geoeconómico do Alentejo no contexto das relações económicas nacionais e internacionais e constitui um fator importante para a atração de investimento e acolhimento empresarial. Tirando partido do posicionamento geográfico, da significativa melhoria das acessibilidades nacionais e internacionais e das dinâmicas de integração económica do espaço europeu e mundial, o Alentejo é uma região funcionalmente mais aberta ao exterior e com condições objetivas para intensificar as relações económicas e reforçar a inserção em mercados de maior amplitude territorial.

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UM ALENTEJO DIFERENTE

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O Município de Gavião celebra, durante o ano de 2019, o 500.º aniversário de existência. A Revista Business Portugal esteve à conversa com José Pio, presidente do município, para conhecer um pouco mais sobre esta terra alentejana e de que forma vai ser festejado o Foral.

om quatro freguesias – Belver, Comenda, Margem e União das Freguesias de Gavião e Atalaia, a região é vista como um “Alentejo diferente” por todos aqueles que lá vivem. A uma curta distância da capital do país, com a A23 por perto e todas as acessibilidades facilitadas, Gavião abre as suas portas a todos aqueles que o queiram visitar. José Pio, Presidente do Município, fala da sua terra com a maior das paixões revelando o que de melhor existe. “Nós temos paisagens fantásticas, ótimas para o turismo. Belver é uma das nossas freguesias que mais potencial tem nesse sentido, fizemos uma aposta na praia fluvial do Alamal, na Ribeira da Venda, no Museu das Mantas e das Tapeçarias e no Museu do Sabão – que é o único em Portugal e criamos percursos pedestres em todas as freguesias”, descreve. O autarca conta que as suas freguesias são tão diferentes umas das outras, que o trabalho que têm feito para dinamizar as localidades e as suas potencialidades não tem sido igual. “Apostamos de forma diferente, em cada freguesia, para que o melhor que existe em cada sítio seja o que salta à vista e possa ser falado por todos. Com espaços de lazer, cultura e desportivos, temos feito um trabalho realmente 130 | Revista Business Portugal outubro 2019

diferenciador nesse sentido”, conta. Como qualquer região interior do país, Gavião também é afetado pelo problema da desertificação e da redução de população, mas José Pio garante que “não existe desemprego” na sua terra, muito pelo contrário, existe “falta de mão-de-obra para certos trabalhos”. O município tem tentado, dentro das suas possibilidades e ao longo dos anos, criar processos e sistemas de ajuda para que se combata o problema do abandono das terras do interior. “Nós fazemos o que podemos e estamos sempre prontos a receber pessoas e empresas novas, que venham dar ainda mais vida à nossa região”.

Os 500 anos de Gavião Passaram 500 anos desde que, a 23 de novembro de 1519, D. Manuel I fez a outorga do foral a Gavião e, a partir daí, foi considerado município. Não há melhor razão para que se festeje esta data tão importante, não só durante o mês de novembro, mas também durante todo o ano. O autarca explica que as festividades começaram desde o 499.º aniversário com alguns eventos pontuais, mas é durante o próximo mês que as celebrações terão mais impacto na terra.


CÂMARA MUNICIPAL DE GAVIÃO José Pio, Presidente

“O mês de novembro está planeado com as mais variadas atividades, nas mais diversas áreas. Posso já adiantar que vão existir várias teatralizações do momento do Foral. Vamos ter uma missa com o Bispo de Portalegre e de Castelo Branco, e também, várias sessões de cinema que trarão os filmes que estão a estrear, aqui, para todos poderem assistir. Vamos ter vários espetáculos musicais com algumas bandas do concelho, um deles muito especial, em que o Luís Represas vem acompanhar o nosso Orfeão num espetáculo. Criámos uma dinâmica muito grande à volta deste mês”, refere José Pio, autarca de Gavião. Além de todas estas atividades, o Município de Gavião aliou-se a causas solidárias como o “mês rosa” pela Luta Contra o Cancro da Mama onde, juntos, angariam fundos para os Bombeiros Voluntários de Gavião, que sofreram uma mudança recente. “É importante aliarmo-nos a estas causas também. Sabemos que o cancro da mama afeta, cada vez mais, mulheres e homens. Quanto aos nossos bombeiros, temos uma equipa excecional, que é capaz de antever e de se antecipar a qualquer situação. Merecem todo o apoio que lhe possamos dar”, confidencia o presidente do município. Com as festividades a começar no dia 1 de novembro, as várias atividades vão prolongar-se até ao dia 24, onde será feita uma sessão de encerramento com algumas surpresas. “Está tudo planeado ao pormenor. Queremos não só celebrar esta data, como também festejar aos nossos habitantes, trabalhadores e quem faz desta terra o que ela é. Isso é que é o mais importante”, afirma José Pio.

O futuro Se José Pio pudesse descrever Gavião em três palavras seriam: aliciante, porque considera Gavião “um município de oportunidades”, por ter uma localização muito boa e por ter muito para oferecer; motivante, por oferecer uma qualidade de vida diferente de outras terras, por tudo aquilo que oferece e pelo que oferece aos que cá vivem, e não só; e, para terminar, futuro, devido a todo o trabalho que tem vindo a ser feito para criar e dar a conhecer Gavião aos que o desconhecem. Para o futuro, o autarca deseja que o seu município continue a ser uma terra que se preocupa com o ambiente, trabalhando cada vez mais nesse sentido; um Município de gente miúda e crescida, mas, acima de tudo, que continue a ser vista como o “Alentejo diferente”. outubro 2019 Revista Business Portugal | 131


BLU WATERS

O MUNDO DESCONHECIDO DAS PISCINAS

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A Revista Business Portugal rumou a Vila Nova de Santo André para conhecer a Blu Waters. Uma empresa especializada em piscinas e equipamentos wellness que, sob comando de Manuel Fortes, tem conquistado os mais variados clientes por todo o país.

mundo das piscinas não era o sonho empresarial de Manuel Fortes e Jennifer Pedro. Tudo começou como um trabalho extra de Manuel Fortes, que surgiu. “A Blu Waters surge através de um contato que trabalhava numa multinacional e precisava de um técnico para fazer instalações de saunas, banhos turcos, jacuzzis. Tudo começou por aí. Fiz muitas instalações”, conta o dono da empresa. Manuel Fortes é formado em eletricidade industrial, uma área diferente da que hoje é especialista, mas que transformou a ajuda que dava à multinacional nas instalações, como um plano B e que rapidamente percebeu que teria de fazer uma mudança na sua vida profissional, pois aqueles biscates, que eram uma forma de ganhar um dinheiro extra, tinham de passar a ser a atividade principal. “O que aconteceu é que, a certa altura, o plano B ultrapassou o plano A. Então tivemos

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de repensar toda a nossa situação, ao ponto de contratarmos um empregado a full-time, depois eu saía da fábrica e pedia umas folgas para ir com ele para o Algarve, para Lisboa… E foi assim que esta aventura começou”, explica. Manuel Fortes e Jennifer Pedro, residentes em Vila Nova de Santo André, decidiram abrir uma pequena loja na sua área de residência, pois, após uma pesquisa sobre negócios desta área, perceberam que não existam lojas com essa oferta nas redondezas. “Com este trabalho, acabamos por nos aperceber que, nesta zona, não existia nenhuma loja de piscinas. Então, com a ajuda dessa multinacional, montámos esta pequena loja e é até aos dias de hoje”, diz Manuel.


BLU WATERS

O trabalho da Blu Waters A Blu Waters começou por se especializar em piscinas com hidromassagem. “Nós fazemos alguns spas, porque temos o know-how em termos hidráulicos, em termos elétricos e temos o suporte dos nossos fornecedores. Com a formação e com a experiência que vamos tendo, já fizemos muitos spas por Portugal…”, explica Manuel Fortes. Para além de spas para hotéis, clubes de futebol e outras entidades, fazem também saunas, banhos turcos, piscinas exteriores e interiores, tendo já um vasto portfólio de trabalhos por todo o país e tendo já um nome muito forte no mercado. Com uma equipa permanente de 14 pessoas, mais alguns trabalhadores subcontratados quando necessário, a Blu Waters conta com pessoas especializadas nas mais variadas áreas para que possam dar ao cliente aquilo que ele deseja com maior qualidade possível. “Esta é uma área muito vasta. Temos desde o eletricista, ao canalizador, ao pedreiro, ao ladrilhador. Todos eles têm de estar coordenados. Temos também o desenho técnico, ou seja, trabalhamos com gabinetes de arquitetura, onde, logo no projeto, conseguimos adaptar os nossos equipamentos às situações dos clientes e aquilo que eles desejam”, conta o gerente. Como qualquer empresa e em qualquer negócio existem dificuldades e desafios que os gerentes têm de enfrentar diariamente. Manuel afirma que encontrar pessoas para trabalhar consigo tem sido a grande dificuldade. “Neste momento, temos tipo muito pouca mão de obra. Portugal sofreu um grande boom,

teve um crescimento brutal… Nós, aqui na zona, vamos ter mais de 30 mil camas. Em hotelaria poderíamos fazer imensas piscinas, mas o problema é que o nosso país não está preparado para este elevado crescimento”, afirma.

O Futuro A Blu Waters conta com um portfólio vasto. Foi responsável pela construção do Spa da Cidade do Futebol, pelo Centro de Estágios do Sport Lisboa e Benfica, por vários spas em grandes cadeias hoteleiras e, após esses trabalhos, acabam por ficar parceiros dessas entidades. Questionado sobre o que difere a sua empresa das outras, Manuel Fortes afirma que, além dos projetos, a qualidade dos trabalhos que fazem também é um aspeto que os diferencia. “Nós temos um portfólio que já vai falando por nós. Acaba por ser muito mais fácil. Nós temos clientes por todo o país. Isso acontece porque temos conhecimentos, no que toca aos níveis hidráulicos, que poucas empresas têm e, para além disso, temos uma visão um pouco diferente das coisas”. Para o futuro, contam continuar a trabalhar com os parceiros que têm vindo a angariar e abraçar novos desafios que os entusiasmem e os façam crescer. “Há uma coisa muito certa: eu não tenho muito interesse em fazer muitas obras, tenho interesse em fazê-las com qualidade”, refere.

Rua das Gaivotas, Bloco 7.3, Loja 1 • Bairro das Panteras 7500-140 Vila Nova de Santo André Telefone: 269 744 070 Email: jenny.bluwaters@gmail.com www.bluwaters.com.pt

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DECISÕES E SOLUÇÕES - VILA NOVA DE SANTO ANDRÉ

TRABALHAR O SONHO DAS PESSOAS

Neuza Silva, diretora

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Decisões e Soluções de Vila Nova de Santo André é gerida por Neuza Silva, uma líder nata que procura sempre mais. Nesta entrevista, passou-nos toda a paixão que sente pela área e, especialmente, o gosto que sente em trabalhar com pessoas. Pode dizer-se que Neuza é um furacão, uma verdadeira mulher dos sete ofícios, que tem já uma vasta experiência em várias áreas, para além de ser mãe. Foi o seu empenho, dinâmica e exigência que a fizeram chegar já tão longe, apesar dos seus tenros 33 anos. Depois de todas as suas experiências e aventuras em Portugal e na Europa, foi há quatro anos, quando teve o primeiro contacto com a Decisões e Soluções, que descobriu o que lhe enchia o coração. Desde logo se apaixonou pelo projeto e, após concluir todas as formações disponibilizadas pela agência, começou a trabalhar como diretora. Mas Neuza sempre foi visionária e ambiciosa e isso só não chegava, o que a levou a iniciar o projeto da Decisões e Soluções de Vila Nova de Santo André, no dia dois de julho do ano passado. “Nós não somos só uma imobiliária, nós somos uma Decisões e Soluções. Temos as cinco áreas de mercado – mediação imobiliária, mediação de obras, mediação de seguros, intermediação de crédito e construção de imóveis – tratamos de tudo para o cliente, inclusive de documentação, com as melhores condições do mercado e o cliente não nos paga nada a nós, os serviços são gratuitos”, explica a jovem empreendedora, que pretende continuar a evoluir e investir num negócio que, para ela, é maravilhoso por se fundamentar em ajudar as pessoas.

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O nosso lar é o nosso sonho e nem sempre é fácil encontrar profissionais que nos ajudem a encontrar uma casa à nossa medida. Mas existem casos particulares, como é o caso da Decisões e Soluções de Vila Nova de Santo André, que trabalha para fazer pessoas felizes. Em entrevista à Revista Business Portugal, Neuza Silva, diretora da agência, explicanos o que faz desta DS especial.

O gosto por servir pessoas Neuza confessa que trabalhar nesta área não é fácil: “Para isto ser potenciado ao máximo, tem de haver muito empenho. São cinco áreas muito difíceis, que exigem sempre muita pesquisa, formação, acompanhamento e um pensamento no futuro”. É preciso garantir uma equipa forte e, por isso, esta empresa aposta em consultores de excelência, com foco na felicidade das pessoas e que procuram soluções que sejam uma extensão daquilo que os seus clientes são. Mas, ao mesmo tempo, é uma atividade muito gratificante: “Os processos são muito difíceis e quando chegamos ao dia da escritura e vemos ali, por exemplo, um casal jovem a concretizar um sonho, vocês não imaginam. Aquilo faz alguma coisa aqui dentro, é das coisas mais satisfatórias que nós podemos ter na vida! A nossa casa é o nosso porto de abrigo, o nosso pilar e dali está a sair o sítio onde vai haver vida, alegria”, conta entusiasmada a entrevistada. Ficou claro que umas das coisas que mais prazer dá a Neuza, tal como à sua equipa, é ajudar. As pessoas muitas vezes não têm conhecimento das áreas em que a DS atua e, para estes profissionais, o objetivo é facilitar as suas vidas: “Para nós, é muito fácil ajudarmos as pessoas que, muitas vezes, não têm noção que estão a pagar muito e que podem negociar certos serviços ou até que não precisam de certos produtos. Nós analisamos tudo e fazemos com que as pessoas poupem muito dinheiro com seguros e com os seus créditos”. É precisamente este cuidado excecional com os clientes, que torna esta DS tão especial: “Quero que os clientes


DECISÕES E SOLUÇÕES - VILA NOVA DE SANTO ANDRÉ

sintam que nós conseguimos fechar o negócio e concretizar tudo aquilo que eles querem, o sonho deles. Para que isso aconteça, tenho de ter aqui a máquina bem oleada e profissionais de várias áreas que trabalhem em conjunto”, afirma. Para uma maior satisfação dos clientes, há ainda uma forte aposta em parcerias: “Nós representamos o cliente, quer seja na compra, quer seja na venda. Quando ele nos procura não precisa de gastar o seu precioso tempo com mais nada, porque eu vou encontrar o seu imóvel ideal, quer seja da nossa carteira de imóveis, quer seja dos meus parceiros. Trabalhamos em sinergia, pois há um vasto mercado para todos e a finalidade é a satisfação total do cliente. Neste momento, estou a apostar na construção. Estou a estabelecer protocolos com construtores e a tentar desbloquear terrenos e lotes, para tentar fazer surgir produto, porque desejo que venham famílias de fora de Santo André e pretendo ver esta cidade, que é maravilhosa, crescer. Quero boas pessoas, bons profissionais de todas as áreas a estabelecerem-se e trabalharem aqui, quero fazer parte da evolução da região”, confessa Neuza, que mantém parcerias com diversas entidades, sempre com a preocupação em trabalhar com os melhores, para conseguir prestar o melhor serviço possível aos clientes e para promover o dinamismo e ajudar ao desenvolvimento da freguesia de Santo André, que

acredita ter um potencial enorme. São todos estes fatores que fazem desta Decisões e Soluções um caso muito particular que, contando apenas com pouco mais de um ano de mercado, já alcançou um sucesso cobiçável. No palmarés já têm vários prémios a nível nacional e, segundo Neuza, o segredo para todo este êxito é manter a humildade e fazer-se acompanhar de pessoas com a mesma linha de pensamento e haver foco em fazer coisas projetadas para ajudar os outros.

Faça parte desta equipa A Decisões e Soluções de Vila Nova de Santo André está sempre em crescimento e a apostar em profissionais que prestem um serviço de excelência e que se foquem nas suas tarefas: “Tenho aqui uma equipa que faz com que o cliente saia satisfeito e sem dores de cabeça. Sou muito focada no cliente, mas também me satisfaz ver os meus colaboradores com vidas confortáveis. É bom trabalhar aqui, são dadas todas as condições. Aqui têm estrutura e tudo o que precisam. Quero que as pessoas conheçam este projeto, quer seja como clientes, quer seja para pertencerem à nossa equipa”, remata Neuza Silva. Venha conhecer esta agência e mude a sua vida, realize os seus sonhos!

Visite-nos em: www.dssantoandre.pt

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B2 ATELIER DE PROJETOS

ARQUITETURA E ENGENHARIA COM SOTAQUE BRASILEIRO

Luiz Balthazar, CEO

Depois de 15 anos a trabalhar no Brasil num gabinete próprio, Luiz Balthazar e a sua esposa, Anilda Schmitt, decidiram rumar a Portugal, com os dois filhos ainda crianças. Sem nunca ter esquecido a sua origem portuguesa, foi em 2001 que o nosso entrevistado aqui chegou, tendo começado por trabalhar na Câmara Municipal de Santiago: “foi aí que consegui conhecer bem o mercado e aprender a legislação urbanística portuguesa. Foram quase três anos que ali estive e foram uma aula para mim”, revela. Após terminar o seu contrato, decidiu voar mais alto e avançar com o b2 Atelier de Projetos, sendo hoje reconhecido por prestar um serviço de alto nível e bastante diferenciado. A equipa, composta pelos arquitetos Luiz e Samuel e a engenheira Anilda, deve crescer ainda mais, caso se confirmem alguns dos grandes projetos que estão no radar. Luiz Balthazar, que se estabeleceu em Santiago do Cacém pela sua tranquilidade, qualidade de vida e ligação ao mar, acredita no potencial da região: “estamos sempre a investir aqui. A região tem localização estratégica entre o mar e a serra, além de contar com a proximidade do polo petroquímico

A Revista Business Portugal cruzou caminho com Luiz Balthazar, arquiteto apaixonado pelo que faz, nascido no estado de Santa Catarina, no Brasil. Em entrevista, revelou o seu percurso profissional e explicou como teve início o b2 Atelier de Projetos, gabinete de serviços dedicado a elaboração de projetos de arquitetura, especialidades de engenharia e de certificação energética, localizado em Santiago do Cacém, litoral Alentejo.

de Sines e todo o equipamento portuário, assim como o hospital regional que atende todo o litoral Alentejano. É uma questão de tempo para esta região dar um salto e surgirem mais projetos e novos investimentos”.

“Damos sustentação desde a fase da elaboração dos projetos” O b2 Atelier de Projetos oferece uma panóplia de serviços, desde levantamento topográfico, projetos de arquitetura, de especialidades de engenharia, avaliação imobiliária, certificação energética, etc. O acompanhamento personalizado surge desde a fase do aconselhamento: “Por vezes o cliente chega aqui ainda sem terreno e pede orientações. Nós não vendemos, mas aconselhamos e indicamos mediadores que o podem ajudar. No caso de já ter terreno, o primeiro contacto é comigo, que é a parte da arquitetura. Eu informo o que se pode construir naquele terreno e, caso avance, elaboramos um orçamento/ contrato e a seguir a elaboração de todos os projetos necessários, até à licença de construção. Passando para a área das especialidades de engenharia, esta envolve a engenharia ci-

vil, a elétrica, a térmica, o gás, a acústica, a mecânica, a questão da qualidade do ar, etc. Temos uma equipa técnica que trabalha connosco para podermos desenvolver todos estes projetos. Damos sustentação desde a fase da elaboração dos projetos de arquitetura e das especialidades de engenharia, todos sem exceção, durante a análise camarária e a aprovação final dos projetos, com a emissão da licença de construção, sendo que, normalmente, os clientes pedem para acompanharmos a obra e indicarmos empreiteiros”. A base do trabalho do b2 Atelier de Projetos é a habitação, tanto unifamiliar como plurifamiliar, assim como, projetos de loteamentos e/ou urbanizações, turismo no espaço rural e projetos na área de serviços e indústria, onde o nosso entrevistado destaca o Villa Shopping, projeto desenvolvido em Santo André a espera de se iniciarem as obras. Toda a equipa está disponível e tem grande atenção aos pormenores, proporcionando um serviço personalizado diferenciado. A dedicação e entrega diária, faz com que os clientes fiquem satisfeitos, levando Luiz Balthazar a manter-se positivo no presente e confiante no futuro promissor.

ATELIER DE PROJETOS Praça do Município, n.º 44, 7540-136, Santiago do Cacém Email: atelier.bedois@gmail.com 269810030 • 935285890 • 939793734 www.b2atelier.com

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O RESTAURANTE VARANDA DE LISBOA RENOVADO E COM A ASSINATURA DO CHEF VITOR SOBRAL No ano da celebração do seu 60.º aniversário, o Hotel Mundial continua a elevar a experiência dos seus clientes e a criar “timeless moments”, apostando num caminho de constante reinvenção. Após uma renovação total, o emblemático Restaurante Panorâmico Varanda de Lisboa reabre ao público com uma carta assinada pelo Chef Vitor Sobral. Numa estreita, e natural, colaboração com o Chef que liderou o processo de modernização da boa gastronomia portuguesa, o Varanda de Lisboa inicia em Outubro um novo ciclo, unindo a sua história de prestígio às tendências contemporâneas de uma indústria em constante evolução e mantendo o foco no essencial: a qualidade excecional dos produtos e o serviço de excelência que lhe é reconhecido. A criação da Carta outono/inverno premeia os produtos da época e confere um carácter sazonal a cada prato. Durante a semana, os almoços são marcados por especialidades diárias, inspirados na gastronomia tradicional. Para além do rebranding total da marca, os clientes do Varanda de Lisboa são convidados a descobrir uma decoração elegante – que veio reforçar o carisma deste es-

paço –, um ambiente único e diferenciador – proporcionado pelos projetos assinados pelos reputados gabinetes de arquitetura e de arquitetura de interiores – GRCA, Arquitectura, Engenharia & Imobiliária e Artica by Cristina Santos Silva – e que reflete o melhor da vida urbana contemporânea. Nas palavras da CEO, Carla Maximino, “A PHC Hotels tem nestes parceiros total confiança para levar a cabo os seus projetos. Sabemos que nos conhecem, que respeitam a identidade da nossa marca e que os seus projetos valorizam os nossos serviços. Destacamos ainda o papel da empresa de construção Tetris, com quem trabalhámos pela primeira vez”. Para a PHC Hotels (Portuguese Hospitality Collection), o ano de 2019, fica sem dúvida marcado pelo reforço da sua missão enquanto marca gestora do icónico Hotel Mundial. Honrar o passado e reinventar o futuro, garantindo aos seus hóspedes e clientes experiências enriquecedoras e a superação das suas expectativas, requer deste “timeless city hotel” a coragem de continuar a trilhar um caminho de constante renovação, que se reflete nesta remodelação de sucesso do seu Restaurante Panorâmico Varanda de Lisboa.

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Fim de Ano 2019/2020

Programa de 2 Noites: 2 Noites de Alojamento com Pequeno-Almoço Buffet Dia 30 | Dia livre para passeio com sugestão de visita aos Museus de Belmonte Dia 31 | Cocktail de despedida de 2018 Jantar de Fim de Ano (Buffet) com animação* e bar aberto Dia 1 | Brunch Ano Novo Acesso gratuito à piscina interior, jacuzzi e sauna Utilização normal dos serviços do hotel Preço quarto Duplo/Twin – 190,00€/Pessoa 3ª Pessoa em Quarto Duplo – 150,00€ Suplemento de SGL – 60,00€ Crianças 0-5 anos – Grátis (1 por quarto) Crianças 6-10 anos – 110,00€ (1 por quarto) Suplemento de Suite – Sob consulta Noite Extra - 50.00€

* DJ /ANIMADOR RUI SARGENTO *RESERVAS CONFIRMADAS ATÉ DIA 15 DE NOVEMBRO TÊM 10% DE DESCONTO EM SERVIÇOS NO HOTEL.

Programa de 3 Noites:

3 noites de alojamento C/Pequeno almoço Buffet Dia 29 | Jantar Buffet com animação musical. Dia 30 | Dia livre para passeio com sugestão de visita aos Museus de Belmonte Dia 31 | Cocktail de despedida de 2018 Jantar de Fim de Ano (Buffet) com animação* e bar aberto Dia 1 | Brunch Ano Novo Acesso gratuito à piscina interior Utilização normal dos serviços do hotel Preço Quarto Duplo/Twin – 245,00€/Pax 3ª Pax em Quarto Duplo – 170,00€ Suplemento de SGL – 60,00€ Crianças 0-5 anos – Grátis (1 por quarto) Crianças 6-10 anos – 140,00€ (1 por quarto) Suplemento Suite – Sob Consulta Noite extra – 50,00€

CONDIÇÕES DE RESERVA:

- AS RESERVAS SÓ SERÃO CONSIDERADAS VÁLIDAS APÓS BOA COBRANÇA DOS DEPOSITOS DE GARANTIA. - A ACEITAÇÃO DAS CONDIÇÕES IMPLICA A PARTILHA DE MESA COM OUTROS CLIENTES NO JANTAR DE RÉVEILLON. - UMA CRIANÇA DOS 0 AOS 5 ANOS É GRATIS, QUANDO ACOMPANHADA POR DOIS ADULTOS EM QUARTO DUPLO (1 POR QUARTO). - UMA CRIANÇA DOS 6 AOS 10 ANOS APLICA-SE O VALOR MENCIONADO APENAS EM QUARTO QUANDO ACOMPANHADA POR DOIS ADULTOS (1 POR QUARTO). - PARA RESERVAS SUPERIORES A 4 PESSOAS OU GRUPO, CONTACTE-NOS. CONDIÇÕES DE PAGAMENTO: - DEPÓSITO DE GARANTIA DE 50% DO VALOR DA RESERVA PARA CONFIRMAÇÃO NO DIA DE CONFIRMAÇÃO DA MESMA , RESTANTE 50% DO VALOR ATÉ DIA 23/12/2019. POLÍTICA DE CANCELAMENTOS: - ATÉ DIA 15 DEZEMBRO, DEVOLUÇÃO DE 50% DO DEPOSITO DE GARANTIA; APOS 15 DEZEMBRO, NÃO HAVERÁ QUALQUER REEMBOLSO. - EM CASO DE NO-SHOW O VALOR SERÁ COBRADO NA SUA TOTALIDADE.

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SETÚBAL A equipa da Revista Business Portugal já marca presença em Setúbal há várias edições, prova de que este distrito tem um tecido empresarial vasto e rico. Esta é uma das regiões do país com as melhores praias, é um destino gastronómico de referência, seguro e está em constante evolução, levando a um investimento crescente, com cada vez mais empresas a estabelecerem-se aqui. Está, aliás, no top 10 dos municípios mais apelativos para se viver, visitar e investir. Setúbal disponibiliza uma panóplia de serviços e produtos de qualidade e, nesta edição, a Revista Business Portugal apresenta mais alguns casos de sucesso em diferentes vertentes de negócio. Fique a conhecer as empresas participantes nas próximas páginas…

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PAULO LOURO ARQUITETOS

Arquitetura & Design

Avenida Luisa Todi 135, Piso 2 Setúbal plldageral@gmail.com Telf: 265 548 250 /PauloLouroArquitecto

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CLÍNICA MÉDICA E DENTÁRIA QUINTA DO RIO

SERVIÇO DE EXCELÊNCIA NA ÁREA DA MEDICINA DENTÁRIA

A parceria é longa e a qualidade do serviço inquestionável. Ana Lúcia Diogo e Pedro Silvério são o rosto por trás da Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio, situada no Seixal. Um exemplo de empreendedorismo, dedicação e profissionalismo que lhe damos a conhecer nesta edição da Revista Business Portugal.

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oi na universidade que os caminhos de Ana Lúcia Diogo e Pedro Silvério se cruzaram. Ambos formados em Medicina Dentária, ela dedicada à Ortodontia e ele aos Implantes e Prótese Fixa, embarcaram na aventura de abrir o próprio negócio, em 2008. O desejo de disponibilizar um serviço de excelência na área da Medicina Dentária levou os nossos entrevistados a arriscar e, de um desejo antigo, nasceu a Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio. Com portas abertas no Seixal, a Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio dedica-se, desde a sua fundação, exclusivamente à área de Medicina Dentária, disponibilizando um vasto leque de serviços e especialidades tais como: Implantologia, Ortodontia e Ortopedia Facial, Prótese Fixa/Removível, Odontopediatria, Periodontologia, Endodontia, Dentisteria, Facetas Dentárias, Dentes fixos no próprio dia, Branqueamento Dentário e Radiologia Dentária estando também, mais recentemente, disponível o serviço de Preenchimento Facial. Inovação, Profissionalismo e Qualidade Atualmente composta por uma equipa de profissionais experientes, empenhada e formada, é pela máxima “Profissionalismo e Qualidade” que se rege a Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio. Estar na vanguarda é imprescindível para a clínica seixalense, que faz da aposta nas mais avançadas tecnologias desenvolvidas para a área uma constante no negócio. “Procuramos estar sempre na vanguarda, estar informados e adquirir novas ferramentas de trabalho que possam ser vantajosas para o serviço que prestamos”, realçam os entrevistados. A mesma preocupação é também estendida aos materiais utilizados e, por isso, a Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio apenas trabalha em parceria com laboratórios da região, que garantem a excelência do trabalho desenvolvido.

Um atendimento de proximidade “Proximidade” é palavra-chave na Clínica Médica e Dentária 142 | Revista Business Portugal outubro 2019

Quinta do Rio. Ana Lúcia Diogo e Pedro Silvério reconhecem no serviço de proximidade, personalizado e à medida do cliente um diferencial e uma mais-valia do espaço que gerem. “Procuramos atender os nossos pacientes da forma mais próxima e personalizada possível. Sem dúvida que esta é uma das nossas mais-valias. Para nós cada paciente é especial e por isso, o nosso atendimento é sempre à medida de cada um”. Talvez seja este um dos motivos pelos quais, uma grande parte dos pacientes chega à clínica “por referenciação”. “A maior parte dos pacientes que recebemos, chegam por referenciação. Isso é sem dúvida a melhor publicidade que podemos ter. Saber que somos referenciados pela qualidade do nosso serviço é muito satisfatório”, confessam. No entanto desengane-se quem pensa que a excelência do atendimento se esgota na qualidade do serviço prestado. É também no aconselhamento, informação e consciencialização da importância da saúde oral que a Clínica Médica e Dentária Quinta do Rio se destaca. “O nosso trabalho não é apenas tratar uma cárie. É também nossa função explicar e informar as pessoas da importância da saúde oral. Acreditamos que houve uma grande evolução ao longo dos últimos anos, as pessoas começaram a perceber a importância da prevenção. No entanto, não nos podemos esquecer que ainda há um longo caminho a percorrer e cabe-nos a nós, profissionais da área, explicar, informar e sensibilizar os nossos pacientes”.

Futuro: Manter a qualidade O balanço dos 11 anos de parceria não podia ser mais positivo. Ana Lúcia Diogo e Pedro Silvério mostram-se satisfeitos com os resultados alcançados e para o futuro o grande objetivo já foi traçado: “Continuar a trabalhar e continuar a prestar aos nossos pacientes o que de melhor conseguimos fazer”.


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GOULART CONSTRUÇÕES

TRABALHAR O CONFORTO DA SUA CASA Carlos Goulart, sócio-gerente

Construir em aço leve apresenta várias vantagens em relação à construção tradicional e, para ficarmos a saber um pouco mais sobre esta temática, procuramos conhecimento junto dos melhores. Foi isso que levou a Revista Business Portugal a visitar a Goulart Construções, onde estivemos à conversa com Carlos Goulart, sócio-gerente da empresa.

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arlos Goulart é um açoriano orgulhoso, residente no Continente há vários anos e com uma vasta experiência no mundo da construção civil. Desde 2000 que trabalha em construções em aço leve, pelo que já tem acumulado um know-how cobiçável na área e, em 2011, depois de tomar a decisão de trabalhar por conta própria, decidiu avançar com a empresa a que dá nome: Goulart Construções, focando-se desde o início neste tipo de obra. Desde a sua fundação que tem havido um constante investimento no empreendimento, que aposta em trabalhar, da melhor forma possível, o conforto dos clientes nas suas casas. Mas Carlos não está sozinho nesta aventura, conta com o suporte dos seus dois filhos: Nicole Goulart, que é também sua sócia, e Ricardo Goulart, que lhe presta todo o apoio necessário. Com um portfólio invejável, a Goulart Construções tem neste momento em execução 11 obras: uma na ilha da Madeira e 10 em Portugal Continental. Para o próximo ano tem já contratadas cinco obras e outras, ainda sem os processos finalizados, na mira: “O nosso alvo é construir e vender”, revela-nos o nosso entrevistado.

Construção tradicional vs. Construção em LSF A construção em LSF – Light Steel Framing que, traduzindo à letra, significa Estruturas em Aço Leve – está cada vez mais na moda e apresenta várias vantagens quando comparamos com a construção tradicional. A durabilidade do aço é maior, os preços de mercado são competitivos, há um conforto e uma qualidade superior do isolamento térmico e a construção é mais rápida e sustentável. O nosso entrevistado acrescenta ainda que “a construção em aço leve é limpa, já a construção tradicional produz lixo. Esse entulho criado implica um desperdício de tempo e gera despesas extra”.

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GOULART CONSTRUÇÕES Segundo Carlos Goulart, “o povo português está habituado a viver num frigorífico no inverno e num forno no verão”. Já o povo nórdico, por exemplo, quando chega a casa retira toda a roupa de inverno e anda confortavelmente de t-shirt: “Este tipo de construção é exatamente isso: É o conforto e a comodidade da pessoa em casa, características que não são possíveis com outro tipo de construção, que não a do aço leve. Na construção tradicional, ouve-se o vizinho do lado, como se estivéssemos a presenciar a cena, e na construção em LSF isso não acontece. Há uma maior privacidade, um maior conforto”, explica.

Proporcionar conforto e realizar sonhos Carlos Goulart confessou-nos que, a nível monetário, seria vantajoso escolher caminhos que não o do tipo de soluções em que apostam, mas não é esse o objetivo: “O que queremos é a qualidade e sabemos que a qualidade tem um preço. Nós usamos os materiais certificados, precisamente para manter o nível de exigência a que nos propomos. Garantimos moradias de excelência porque todo o material com que trabalhamos é topo de gama, calibrado, certificado e não dispensamos trabalhar com os melhores fornecedores. A construção em aço leve, a nível térmico e acústico, é de topo, se usarmos os materiais específicos para isso”. Cientes de que esta área tem uma grande exigência a nível de segurança e qualidade, e tendo em mente que querem continuar a ser uma referência no setor, não dispensam o rigor, estando também neste momento a certificar a empresa com o ISO 9001: 2015. Mas mesmo havendo uma grande aposta na qualidade e não dispensando os melhores materiais e produtos, Carlos Goulart garante que consegue “fazer uma moradia pelo mesmo preço de uma construção tradicional, sendo que não há comparação possível a nível da qualidade”. Desta forma, estes profissionais conseguem trabalhar de melhor modo a concretização e realização dos sonhos de cada cliente. Ao longo dos anos, a Goulart Construções foi construindo, para além de todas as suas obras, uma reputação sólida e forte no mercado, sendo hoje reconhecida por muitos. Não descurando também o investimento no conhecimento, tem inovando e evoluindo constantemente e é já uma referência para outros profissionais no setor: “Já cheguei a fazer obras em que, se construísse pelo método tradicional, seria obrigatório colocar certos pilares, mas como construo em LSF isso não é necessário. Tive de fazer travamentos e treliças para suspender aquele ponto... Muitos engenheiros foram lá ver aquilo e ficaram surpreendidos. Ficaram mesmo a pensar como aquilo seria possível! Mas antes de se começar a fazer algo deste género, tem de haver um estudo profundo, pois há pormenores que têm de ser respeitados”, remata o nosso entrevistado. Procurada pela qualidade que garante nas suas obras, a Goulart Construções promete continuar a aposta no primor dos seus serviços e manter o caminho traçado até aqui. Carlos Goulart transmite confiança num futuro de continuo sucesso e garante trabalhar sempre em prol da satisfação máxima dos seus clientes. Rua Vale da Cucena nº 38 Armazém A 2840-132 Aldeia de Paio Pires – Seixal 210 991 624 ou 917 119 649 geral@gclda.pt

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RESTAURANTE PÉROLA DA MOURISCA

40 ANOS DE EVOLUÇÃO Uma história como tantas outras, em que um típico comércio de aldeia, composto por um café e mercearia que vendia de tudo um pouco, se transforma, acompanhando tempos e tendências, num restaurante conhecido. Com uma família a assegurar a sucessão, cuja gerência está neste momento na segunda geração, contornando crises e adversidades, sempre acreditando, e assim se foi concretizando o objetivo do grande mentor do projeto, o Sr. Manuel Ribeiro de Almeida, ou simplesmente Sr. Manel. A gerência da Pérola da Mourisca, comemora assim os seus 40 anos, com um claro agradecimento a toda a equipa de fantásticos colaboradores, e ao vasto leque de clientes, sendo que muitos já

se tornaram amigos, para lá de relação comercial, bem como a todos os parceiros comerciais, desde fornecedores a entidades bancárias, que sempre estiveram presentes e acreditaram em nós nos momentos mais difíceis. E, obviamente, uma enorme louvor à grande senhora Dona Maria, que foi, e ainda continua, um grande pilar nesta construção. A todos, muito obrigado por nos acompanharem nesta longa, mas proveitosa jornada.

Morada: Rua da Baía do Sado ,9, 2910-014 Setúbal Telefone: 265 793 689

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