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empresa | tema

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 1


ÍNDICE 14

IV Fórum Económico Portugal-Países Árabes A promoção das comerciais entre Portugal e os Países Árabes

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Pato Rico Uma história de ousadia, sucesso e excelência

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Casino da Figueira Espaço e tempo de partilha

68

Atlanticeagle Ao serviço da indústria naval

88

Misericórdia de Montalegre A missão de uma instituição secular

6 - ESSILOR

EDITORIAL

U

ma vez mais, estamos de parabéns!

Nesta edição damos ênfase à internacionalização

Muito distintas entre si, quer em tradições e pro-

Portugal torna a estar no topo e

das empresas nacionais, com especial enfoque

dutos regionais, ambas têm crescido económica e

nas bocas do mundo graças à

ao IV Fórum Económico Portugal-Países Árabes.

turisticamente, levando além-fronteiras não só a

nomeação de António Guterres como

Esta edição foi mesmo agraciada com a presença

região, mas o nome Portugal.

secretário-geral da ONU. Com 13 vo-

do Presidente da República, elevando ainda mais

Vila Nova de Paiva e Vouzela também ganham

tos a favor e nenhum veto, o antigo Primeiro-Min-

a importância deste certame para as empresas

relevo na edição de Outubro da Revista Business

istro faz história, não apenas a título pessoal, mas

nacionais. O mercado externo continua a ser o

Portugal, assim como a acção social, que além do

em nome do país.

pilar de muitas entidades, pelo que iniciativas

seu papel de ajuda ao próximo, é cada vez mais

E é também em nome de um país orgulhoso de si

deste cariz continuam a ser sinónimo de novos

importante na empregabilidade e economia das

mesmo que a Revista Business Portugal continua

horizontes, oportunidades e negócios para os

regiões onde estão inseridas.

a dar voz aos empresários nacionais, aos municí-

empresários portugueses.

Estas são apenas algumas das razões pelas quais

pios, freguesias, misericórdias e demais entidades

No que concerne a regiões, nesta edição damos

a Revista Business Portugal é, uma vez mais, de

que completam as nossas páginas.

especial destaque a Armamar e à Figueira da Foz.

leitura obrigatória.

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Corpo Redatorial: Joana Castro, José Oliveira, Laura Azevedo, Rita Carreira Matos, Susana Lopes, Vera Pinho | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Dep. Comercial: Fernando Lopes, Filipe Amorim, Isabel Brandão, Luís Silva, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Pedro Paninho, Rui Diogo, Rui Moreira (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 6ºandar, sala 6.2 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuíta com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de outubro

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DIA MUNDIAL DA VISÃO

O Dia Mundial da Visão comemorou-se a 13 de outubro de 2016. A data, criada pela Organização Mundial da Saúde e celebrada anualmente na segunda quinta-feira de outubro, chama a atenção para os perigos à visão, como a cegueira e a deficiência visual. Neste dia realizam-se rastreios visuais gratuitos em todas as lojas óticas acreditadas, assim como conferências, caminhadas, angariações de fundos para o pagamento de operações dispendiosas, concursos de fotografia, entre outras atividades. O objetivo geral destas iniciativas do Dia Mundial da Visão é prevenir problemas visuais, proteger e tratar da visão das pessoas. Quem nunca cegou pode julgar que é exagero chamar “santo” a um oftalmologista. E é por isso que se torna importante consciencializar os nossos leitores sobre este tema: Alguns problemas podem ser prevenidos, ou tratados, se diagnosticados a tempo. Diabéticos, hipertensos, maiores de 65 anos e pessoas com problemas de tiroide devem ser vigiadas por um oftalmologista; crianças até aos 2 anos têm também de ser avaliadas (mesmo que pelo pediatra); aos 45 anos, recomenda-se igualmente uma consulta, por isso não descure a saúde dos seus olhos e, para começar, leia as páginas que a seguir se seguem onde para além de clínicas oftalmológicas de referência temos, também, a opinião de médicos oftalmológicos sobre a atualidade do setor e sobre o que pode melhorar na postura dos portugueses perante a sua saúde ocular.

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dia mundial da visão | essilor

inovação e excelência A propósito do Dia Mundial da Visão, a Revista Business Portugal conversou com a equipa da Essilor, em Portugal. Conhecidos e reconhecidos mundialmente pela sua aposta constante em inovação e excelência, esta é a entrevista obrigatória a propósito desta data.

Gonçalo Barral, Isaac Moreno, Margarida Barata, Fernando Alves, Filomena Esteves de Carvalho, Inês Moura e Ricardo Cadete Diretor Geral, Diretor Financeiro, Diretora de Saúde Visual, Diretor de Operações, Diretora de Recursos Humanos, Diretora de Marketing e Diretor de Vendas

O Dia Mundial da Visão é assinalado a 13 de outubro e procura sensibilizar a sociedade para as causas da cegueira global e para os fatores que podem provocar problemas de falta de visão. Sendo a Essilor uma referência ao nível da saúde visual quais as soluções que têm no mercado? A Essilor sempre pautou a sua existência pela inovação e excelência, colocando-se na vanguarda das soluções para compensar ou melhorar as condições de visão de milhões de pessoas. Por outro lado, e como referiu, há inúmeros factores que, de uma forma crescente, vão pondo em risco a capacidade de visão de todos, mesmo dos à partida possuem 100 por cento de capacidade visual. Estamos a falar, por exemplo, de riscos oriundos do nosso estilo de vida na sociedade ocidental, onde cada vez mais estamos dependentes de dispositivos electrónicos, cada vez exercemos menos atividades regulares no exterior e onde uma alimentação equilibrada e atempada é muitas vezes esquecida. A Essilor, estando consciente que todos estes fatores estão a contribuir para a aceleração do aparecimento de patologias e anomalias visuais, tem desenvolvido consecutivamente produtos inovadores, para ajudar a prevenir e a proteger essas mesmas patologias e/ou anomalias. Só este ano, lançámos a nível

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mundial, as lentes Essilor Eyezen, indicadas para utilizadores frequentes de aparelhos digitais (acima de quatro horas diárias), em que a própria lente tem um filtro para proteção das radiações azul violeta (nocivas para a retina) e um apoio extra ao nível da leitura de caracteres pequenos e pixelizados (como acontece nos telemóveis). Lançámos ainda, uma inovação ao nível do material das lentes que ganhou o prémio internacional de inovação na maior feira do setor, em França (Silmo): as lentes em Eye Protect System (EPS) que incluem na própria estrutura da lente uma proteção contra as radiações azul-violeta nocivas, e funcionam como “um escudo“ para o olho. Temos ainda variadas soluções para proteção dos raios UV que visam proteger o olho das agressões irradiadas pelo sol. Sendo especialistas na área da saúde visual e tendo em conta que existem cada vez mais problemas associados à visão quais os conselhos que pode dar aos nossos leitores? Podemos recomendar que 1. Consulte regularmente um especialista para avaliar a sua saúde visual e aconselhar-se do


essilor | dia mundial da visão melhor modo de a preservar, sem deixar passar muito tempo entre exames de despistagem visual de rotina. 2. Proteja os seus olhos e previna potenciais problemas utilizando sempre lentes de qualidade certificada. As lentes são sem dúvida a parte mais importante dos óculos e são dispositivos médicos; em questões de saúde não devemos “facilitar”! 3. Pergunte sempre pelas melhores soluções existentes ao nível da proteção de raios UV e azul-violeta. Um simples “anti-reflexos” pode não ser o suficiente para filtrar estes tipos de radiação nociva. 4. Deverá ter cuidado com os óculos de sol à venda em lojas não especializadas. Embora, por vezes, as lentes pareçam iguais, a análise técnica da qualidade ótica das mesmas, pode demonstrar uma realidade bem diferente…; os óculos de sol devem filtrar efetivamente os raios UVA e UVB, sob risco de estarmos a provocar danos irreparáveis ao nível do globo ocular podendo até afetar a retina… Tendo em conta a vossa experiência no setor como avalia a evolução da saúde no nosso país e a nível mundial? Apenas podemos falar a nível da saúde visual que é a nossa área de atuação. Neste campo temos assistido a uma evolução fantástica das tecnologias de rastreio, compensação e correção, tanto a nível das próteses/ortóteses (que é o caso das lentes oftálmicas e de contacto) como ao nível da cirurgia e dos medicamentos. No entanto, os números não mentem, e se, por um lado, é verdade que temos evoluído imenso na ciência, por outro sabemos que na realidade há um número elevadíssimo de pessoas que, por diversas razões, deveriam ter a sua visão corrigida e não o têm, ou seja, para quem a ciência está inacessível. Estamos a falar de cerca de 2.5 mil milhões de pessoas no mundo e perto de 1 milhão em Portugal . Isto significa que, em Portugal, uma em cada seis pessoas que necessita de ter alguma correção/compensação visual, não a tem. Este facto preocupa-nos e tem-nos levado a desenvolver rastreios visuais de análise qualitativa da visão, gratuitos, por todo o país, com o objetivo de diminuir o número de pessoas sem a correção/compensação adequadas. A assinatura do grupo Essilor “Para ver melhor o mundo” está em linha vossa principal missão? De que forma têm procurado estar na vanguarda da saúde ocular? A nossa missão a nível mundial é muito clara: “Melhorar vidas, melhorando a visão”. A visão diminuída contribui, sem dúvida, para uma vida menos feliz e eficiente a nível pessoal e profissional ou escolar. Daí que todos os nossos esforços vão no sentido de trazer às pessoas uma melhorar qualidade de vida através da melhoria das condições de visão. Uma anomalia visual não detetada ou mal corrigida numa criança, levará, provavelmente, ao insucesso escolar da mesma. Um adulto que não esteja na posse de 100 por cento das suas capacidades visuais e se sente ao volante para conduzir, está de imediato a colocar-se em risco a ele e aos outros… Tentamos, por isso, alertar e sensibilizar a população nesse sentido, e, ainda, criar novas soluções para que todos possam melhorar a sua visão e ver melhor o mundo. A Essilor tem uma vasta gama de lentes, instrumentos e armações, como conseguiram chegar a esta diversificação, mantendo a qualidade e a inovação que o setor exige? O nosso core business são, sem dúvida, as lentes oftálmicas. Foi assim que nascemos e é exactamente aí que queremos continuar a inovar e a manter a liderança mundial. Os instrumentos de ótica são igualmente uma parte muito importante da nossa atividade comercial, mas sempre no sentido de darmos aos nossos parceiros as melhores soluções para a sua atividade profissional, para que eles possam trabalhar com todo o rigor e proporcionar ao cliente final o melhor serviço. Voltando às lentes e dando, como exemplo, a Varilux, a marca da primeira lente oftálmica progressiva no mundo, que nasceu em França, em 1959, pelas mãos do Dr. Bernard Maitenaz (mais tarde presidente da Essilor), não tem parado de evoluir tanto ao nível do design, como das matérias em que é fabricada e dos tratamentos multi-benefícios aplicados, proporcionando aos presbitas uma vida melhor (A

presbiopia é anomalia visual que ocorre por evolução natural, sendo percetível, normalmente, nas pessoas acima dos 45 anos). Sabemos que, na qualidade de líderes de mercado, temos a grande responsabilidade de apresentar constantemente as melhores e mais inovadoras soluções no campo das lentes oftálmicas, e sendo os instrumentos e as coleções de armações que distribuímos complementos de gama, para disponibilizarmos uma oferta global ao mercado. A Essilor assume-se como uma empresa que segue uma política baseada na responsabilidade social, de que forma levam a cabo esta gestão empresarial socialmente responsável? Faz parte do ADN da Essilor, e tal como referido anteriormente, preocuparmo-nos por melhorar a vida das pessoas. Temos consciência que há segmentos populacionais que, por diversas razões, entre elas económicas, não têm as suas necessidades mais básicas satisfeitas. E aqui não falamos apenas da visão. Sendo conscientes da sociedade onde vivemos, consideramos que está dentro da nossa responsabilidade contribuir melhorar no que está ao nosso alcance, a vida dos que se encontram mais desfavorecidos. Em Portugal temos programas (que nunca divulgamos, nem os conteúdos, nem os valores) que visam apoiar algumas instituições, que também elas se preocupam e agem junto destes nossos concidadãos. Se todos contribuirmos um pouco para melhorar a vida de outros, teremos sem dúvida um futuro melhor e mais justo. Sem justiça social não haverá economia. Quais os projetos e perspetivas que têm em mente para o futuro? A inovação constante em produtos e serviços, para uma resposta cada vez mais eficaz às expectativas dos utilizadores que evoluem em permanência, é uma das nossas preocupações de base. Sabemos que, para que a nossa inovação chegue corretamente aos utilizadores finais, ela terá de ser replicada, com rigor, pelo que trabalhamos e queremos continuar a trabalhar com os óticos nossos parceiros. Por isso, temos um claro objetivo de continuar a proporcionar-lhes os melhores serviços e produtos para que possam diferenciar-se e disponibilizar ao mercado um serviço de excelência. Constatando que situações económicas desfavoráveis podem levar à tentação de converter o setor em «segmento de consumo», sendo tal contrário à evolução das necessidades visuais, pois, cada vez mais, é preciso desenvolver respostas para a prevenção e a protecção da saúde visual, não acreditamos que seja o melhor caminho para a ótica oftálmica . Por isso, todos os nossos projetos vão no sentido de disponibilizar uma oferta tecnologicamente mais desenvolvida, serviços de personalização mais eficazes e lentes mais apropriadas à vida moderna. Contamos com uma equipa de Direcção renovada e focada no nosso grande objetivo: fazer com que os ópticos estejam cada vez melhor preparados para incrementar o conforto visual e, logicamente, a vida de todos os portugueses.

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dia mundial da visão | hemicare

Uma referência na oftalmologia

Vasco Pinto e Luís Jordão Administradores

Empresa jovem, a Hemicare foi fundada em 2003 em Odivelas, Lisboa, quando Luís Jordão e Vasco Pinto decidiram experimentar algo diferente da área em que ambos trabalhavam. Hoje, 13 anos depois, a empresa é um sucesso no comércio de produtos e equipamentos médicos.

“A Hemicare surgiu apenas para a área da Oftalmologia”, começa por explicar um dos sóciosgerentes, Luís Jordão, “e nesse ano de 2013, tínhamos apenas pensos de criança para estrabismo”. Sendo uma área desconhecida para ambos os sócios, uma vez que vinham de uma área completamente distinta, foram criando as bases necessárias e trazendo cada vez mais produtos inovadores no sentido de ampliar as suas competências. A Hemicare conta, hoje, com duas novas áreas: a Pneumologia e o Plasma rico em plaquetas. Porém, o grande foco continua a ser a Oftalmologia e abrange desde a pediatria à fase adulta e à cegueira. No que diz respeito à pediatria, a empresa dispõe de todo o material de rastreio para crianças letradas e não letradas e continua a ter, com grande sucesso, os pensos para estrabismo que são diferentes dos restantes disponíveis no mercado. “São pensos microprefurados que têm uma tecnologia nova onde a cola não causa qualquer alergia”, explica Luís Jordão. Além disso, estes são pensos coloridos com um sortido de desenhos para menino e para menina acompanhados com um poster no qual a criança, no final de cada dia, cola o penso que, terminado o tratamento, irá originar uma imagem que será entregue ao médico. Desta forma, o jogo com a criança é um estímulo que torna o processo mais agradável e permite ao médico perceber, também, que o tratamento foi feito. Certo é que a empresa procura ‘produtos gourmet’, ou seja, produtos de qualidade que

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representem uma mais valia para os seus clientes. “Temos produtos que cobrem desde a área do diagnóstico, à área da cirurgia passando pelo tratamento”, conta Vasco Pinto, “ou seja, cobrimos todas as áreas do olho”, e é, exatamente, este o ponto que diferencia a Hemicare num mercado cada vez mais competitivo. No entanto, a empresa é especialista no glaucoma, uma lesão do nervo óptico que pode provocar a cegueira. Nesta área, a empresa foi a primeira a introduzir, em Portugal, um novo sistema ultrasónico de alta frequência capaz de anular algumas partes do tecido que produz o humor aquoso, causador do glaucoma, tendo alguns instrumentos que são utilizados em pequenas cirurgias. A Hemicare tem, também, uma série de lentes de alta qualidade que permitem a cirurgia às cataratas; o sistema cross link onde é utilizada a vitamina B através da iluminação com uma lente especial capaz de corrigir os defeitos da córnea e, ainda, lasers que fazem as cirurgias com maior precisão e são cada vez mais usados porque conseguem, cada vez mais, resolver os problemas sem ser necessário recorrer a uma cirurgia evasiva. “Temos uma nova técnica israelita”, explica Vasco Pinto, “que consiste num laser de maior precisão, substituindo um trabalho que anteriormente era feito è mão”. Esta técnica, sendo mais rápida, é, também mais fácil e obtém melhores resultados, revolucionando a forma de tratamento do glaucoma. As clínicas e os hospitais públicos e privados de norte a sul do país, incluindo as ilhas da


hemicare | Dia Mundial da visão a certeza de que “estão em boas mãos”. No sentido de trazer os produtos mais indicados para o mercado nacional, a pesquisa é feita nas feiras da especialidade onde são apresentadas as novidades, ao mesmo tempo que existem plataformas online capazes de informar com frequência sobre os produtos e técnicas mais recentes. Desta forma, sempre que um novo produto é aprovado, a empresa está atenta aos desenvolvimentos e, sendo esta uma área dinâmica e em constante inovação, as notícias das novidades são diárias. “Somos muito cuidadosos na seleção dos nossos produtos”, contam, “damos importância à qualidade e temos sempre a certeza de que estão garantidos todos os preceitos de boas práticas de fabrico e de distribuição”. Assim, a Hemicare importa, essencialmente, os seus equipamentos da Europa, de Israel e dos Estados Unidos da América. O futuro da empresa passa, agora, pela consolidação das três áreas que representam com a certeza de que “o mundo está cada vez mais preocupado com a visão”.

Madeira e dos Açores, são os clientes da Hemicare e a formação aos profissionais que adquirem os equipamentos é obrigatória. No ato de entrega de um aparelho é criado um programa de formação para que os médicos possam, pelo menos nas primeiras cirurgias, ser acompanhados pela equipa responsável pela empresa. “É importante estarmos presentes nestas situações porque conseguimos dar uma segurança adicional que é sempre necessária para que o tratamento corra pelo melhor”, admitem. Investigação O trabalho na empresa é dividido pelos dois sócios: Vasco Pinto é o responsável pela investigação e procura de novos produtos, enquanto a gestão e o trabalho de campo estão atribuídos a Luís Jordão. Com uma equipa constituída por oito pessoas formadas e devidamente treinadas, acumulando vários anos de experiência, os clientes têm a confiança e

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dia mundial da visão | clínica oftalmológica das antas

Serviço oftalmológico

completo e de qualidade A Revista Business Portugal esteve à conversa com Manuel Monteiro Pereira, professor doutor e diretor clínico da Clínica Oftalmológica das Antas, uma clínica onde o tratamento da saúde ocular dos utentes é inovador, constante e de qualidade comprovada.

Manuel Monteiro Pereira Diretor clínico

O nosso entrevistado é licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, especialista e doutorado em oftalmologia, professor universitário e ainda, responsável por uma nova lente intraocular que desenvolveu nos laboratórios da Ophtec, na Holanda. Ao longo da sua longa e conceituada carreira de 34 anos de atividade clínica – muitos foram os utentes acompanhados por Manuel Monteiro Pereira e a qualidade dos serviços prestados por si e pela sua equipa – constituída por 14 pessoas – já é reconhecida além-fronteiras. “Temos tido um sucesso enorme com doentes de todo o país devido à nossa capacidade de resposta e tratamento com resultados excecionais. Mas, o reconhecimento é feito a nível mundial, não só por utentes mas, também, através de publicações e revistas internacionais, onde os meus artigos científicos são publicados”, afirmou. Na Clínica Oftalmológica das Antas, são prestados todos os tipos de serviços respeitantes à doença oftalmológica dos

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utentes, nomeadamente: cirurgias, consultas, tratamentos

estão num estadío muito avançado da sua doença”, alertou o

e exames complementares de diagnóstico. Questionado sobre o grosso dos serviços solicitados, o oftalmologista foi perentório: “nós operamos muitos doentes com cataratas, ceratocone, glaucoma, miopia, astigmatismo e desde há alguns anos, temos sido muito solicitados, na realização de uma cirurgia inovadora, por forma a retirar os óculos de perto e de longe para sempre”, esclareceu. Na opinião do cirurgião e professor universitário, os portugueses têm recorrido ao oftalmologista mais cedo, no entanto, ainda há quem descure a sua saúde ocular: “Ainda existem muitas pessoas que chegam aqui quase cegas, devido às cataratas, à retinopatia diabética e à degenerescência macular senil, ou até tumores malignos palpebrais que se fossem diagnosticados precocemente teriam outro prognóstico. O grande problema ainda hoje em dia, é o facto de muitos doentes confiarem a saúde dos seus olhos em entidades paralelas à Oftalmologia, mas que na realidade não têm conhecimentos para o diagnóstico e muito menos para o tratamento das patologias que são confrontados e quando os doentes nos chegam às mãos, já

médico especialista oftalmológico, que aproveitou o momento para deixar alguns conselhos aos leitores da Revista Business Portugal: “Quero dizer aos leitores da revista e a todos, em geral, que devem fazer uma consulta oftalmológica, pelo menos uma vez por ano e se têm crianças, essas devem ter uma consulta no oftalmologista logo no primeiro ano de vida, de modo a rastrear patologias que lhe podem causar cegueira (ambliopia) para toda a vida e se forem diagnosticadas e tratadas isso não acontecerá”, acrescentou. Em final de conversa, o nosso interlocutor deixou uma mensagem para que os portugueses acreditem no sistema de saúde oftalmológico praticado em Portugal, uma vez que: “É dos melhores a nível mundial. Nós temos os melhores aparelhos do mundo, nós fazemos cirurgias das mais modernas da atualidade, os nossos estudos confirmam os melhores resultados a nível mundial e as mãos dos nossos cirurgiões são engenhosas em qualquer parte do planeta”, finalizou.


O Douro Palace Hotel Resort & SPA está inserido na Quinta de S. João, em Santa Cruz do Douro, Baião, e apresenta-lhe um ambiente requintado e acolhedor, rodeado pelas ancestrais vinhas da região do Douro, classificadas como Património Mundial da Humanidade. Mantendo a traça original e histórica, permite a cada hóspede uma relação próxima com a natureza, espelhada nas águas serenas do Rio Douro… Os nossos 60 quartos, todos com vistas panorâmicas sobre o rio, oferecem-lhe o conforto que necessita e a excelência que exige, proporcionando-lhe uma estadia memorável, seja em trabalho ou em lazer. Desfrute do ambiente descontraído do Restaurante Eça e de qualquer um dos Bares e aproveite para degustar a típica gastronomia local. Longe dos grandes centros urbanos, também o Douro Palace SPA sabe aliar a tranquilidade que nos rodeia à serenidade que procura. A pensar nos seus negócios ou naquele dia tão especial para si, estão ainda disponíveis 4 salas de eventos, flexíveis e adaptáveis a todos os seus desejos. Atentos a cada detalhe, a sua satisfação é a nossa motivação e o nosso principal objetivo. Lugar de Carrapatelo, Santa Cruz do Douro – 4640-423 BAIÃO Telefone: (+351) 254 880 000 – Fax: (+351) 254 880 008 E-mail Reservas: reservas@douropalace.com | E-mail Eventos: comercial@douropalace.com


INTERNACIONALIZAÇÃO O estudo da internacionalização das empresas, como parte da economia e finanças internacionais, assume uma importância cada vez maior. Num artigo publicado por António Abrantes, já em 1999, podiam verificar-se dois exemplos: A exportação de mercadorias a nível mundial a crescer a uma taxa superior à produção dessas mesmas mercadorias. Por sua vez, os fluxos de investimento direto estrangeiro a apresentar taxas de crescimento ainda superiores às da exportação. Além disso, a internacionalização empresarial a crescer também em complexidade. Por exemplo, o comércio externo de serviços como transportes, serviços financeiros, turismo, publicidade, comunicação de massas, entre outros, apelam a novas regras e novas formas de negócio. O interesse pelas questões da economia internacional não surgiu com o pós 2ª Guerra Mundial ou com o crescimento do GATT (Acordo Geral sobre Comércio e Tarifas em 1947) como poderia eventualmente supor-se. Não surgiu sequer com o aparecimento das grandes empresas multinacionais ou transnacionais como, por exemplo, a General Motores, cujo volume de vendas é duas ou três vezes superior ao PNB português. Esse interesse remonta à génese da própria ciência económica sendo, inclusive, um dos seus ramos mais antigos. O século XVIII e o século XIX foram, aliás, dos períodos em que o comércio internacional mais cresceu e o investimento estrangeiro adquirira montantes muito significativos. Com a crescente liberalização internacional das atividades comerciais e industriais e com o acentuar da concorrência por cima das fronteiras políticas, a internacionalização da atividade empresarial preocupa hoje grandes e pequenas empresas, não se restringindo a um pequeno número das mais ousadas ou especialmente vocacionadas para as atividades externas. Pode acontecer, inclusive, que a internacionalização, por parte de certa empresa, deva iniciar-se não pela exportação de bens ou serviços mas logo pela aquisição ou criação de uma unidade produtiva no país de destino.

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internacionalização | iv fórum económico portugal - países árabes

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iv fórum económico portugal - países árabes | internacionalização

Fundada em 1977, a Câmara do Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa (CCIAP) é uma associação sem fins lucrativos que nasceu com o objetivo de potenciar as relações económicas entre Portugal e os 22 países que constituem a Liga dos Estados Árabes. Assumindo o papel de catalisador da cooperação, este é um organismo que proporciona um conjunto amplo e abrangente de ações e serviços ao seu leque de associados, entre os quais se incluem – embora aí não se circunscrevam – a organização de missões económicas, a elaboração de estudos de mercado, a emissão de certificados de origem, ações de formação ou o ensino da língua árabe. O especial empenho com que a CCIAP encara a nobreza e urgência da sua missão levou, todavia, o organismo a elevar, de forma inusitada, o âmbito de atuação e o alcance da sua visão. Assumindo-se como uma plataforma para o estabelecimento de relações económicas, comerciais e culturais entre empresas e instituições portuguesas e árabes, o Fórum Económico Portugal Países-Árabes é o feliz resultado desse mesmo esforço. Caracterizado por uma periodicidade anual, bem como pela importância com que altos decisores, figuras públicas e empresários de diversas nacionalidades o encaram, este é um evento que não esconde a intenção de colocar Portugal na rota dos interesses árabes, pugnando, em última instância, pelo apoio à internacionalização das empresas. Realizado no Sheraton Lisboa Hotel & SPA nos dias 3 e 4 de outubro, o IV Fórum Económico Portugal-Países Árabes contou com a cooperação da Liga dos Estados Árabes e da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, bem como das Embaixadas Árabes acreditadas em Portugal. Esta foi, no entanto, a primeira edição do evento a ser agraciada com a presença pessoal do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, num gesto que parece atestar a crescente importância com que o evento tem vindo a ser considerado por ambas as partes. De facto, foram mais de 100 as empresas, homens de negócios e associações do mundo árabe a marcar presença, na tentativa de que a relações entre Portugal e os Países Árabes cresçam ainda mais em impacto e prioridade. O timing, por seu turno, não poderia ser mais oportuno: afinal, o volume das trocas comerciais entre Portugal e estes países totaliza hoje cerca de quatro por cento das nossas exportações, sendo que o aumento das exportações lusas para estes mercados cresceu nada mais, nada menos do que dez por cento, entre os anos de 2014 e 2015. Já os dados relativos ao corrente ano de 2016, compilados pela CCIAP, fazem crer que o aumento das exportações lusas para estes mercados permanecerá. De facto, entre janeiro e agosto deste ano, o seu volume aumentou 7.5 por cento face ao mesmo período de 2015. Mas um aspeto partilhado entre os diversos intervenientes é o desejo de que estes números se intensifiquem ainda mais, atendendo ao que ainda falta para que possamos falar de uma cooperação económica e comercial verdadeiramente siamesa. Atendendo, todavia, ao sucesso que os painéis “Setor da Saúde e Subsetores”, “Desenvolvimento, Internacionalização e Investimento” e “Setor da Construção e Infraestruturas e Seus Subsetores” conseguiram reunir no primeiro dia do evento, tudo indica que Portugal e os Países Árabes possuem o potencial e a matéria-prima suficientes para a criação de um laço duradouro, firme e cada vez mais especial.

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internacionalização | iv fórum económico portugal - países árabes

Aida Bouabdellah CEO CCIAP

Ângelo Correia (Presidente do Conselho de Administração da CCIAP) – Construíram-se demasiados muros dentro e fora da Europa. Esta nossa obra pretende exatamente o contrário: criar um clima de entendimento e melhorar as relações comerciais. Pela primeira vez, temos a presença de mais de 100 empresas e associações do mundo árabe, o que é um facto revelador. De ano para ano, o fórum vai crescendo para mais e melhor. Aqui em Portugal, recebemo-los como amigos e como irmãos, porque esta é também a vossa casa. Bem-vindos a Portugal.

Augusto Santos Silva (Ministro dos Negócios Estrangeiros) – Portugal é dos estados que mais tem insistido para o desenvolvimento de acordos de associação entre a União Europeia e os Países Árabes. De facto, as relações económicas entre Portugal e os Países Árabes multiplicaram o seu valor por quatro nos últimos dez anos. É um crescimento assinalável e relativamente rápido, mas ainda há muito mais para fazer. Há projetos no mundo árabe aos quais as empresas portuguesas podem trazer experiência, perícia e valor acrescentado. O grande poeta Luís de Camões tem um verso de que nunca me esqueci: “quem faz o comércio não quer a guerra”.

Karima Benyaich (embaixadora do Reino de Marrocos em Portugal) – Num contexto marcado pela desaceleração económica à escala mundial, e num ambiente político que infelizmente é instável em algumas regiões, o mundo árabe luta para se adaptar. Neste contexto, a diversificação dos parceiros económicos e a procura de novas vias de cooperação e exploração de novos mercados impõe-se aos nossos países. Portugal constitui, sem dúvida, um parceiro idóneo, pois conta com uma tradição industrial e comercial ancestral. É com grande satisfação que vejo aqui, de ano para ano, uma maior representação de operadores económicos portugueses e árabes, o que traduz a grande relevância deste encontro.

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iv fórum económico portugal - países árabes | internacionalização

Manuel Caldeira Cabral (Ministro da Economia) – Portugal já tem investimentos e projetos muito importantes em países como a Argélia, Marrocos e noutros Estados árabes. Os setores de atividade vão da hotelaria, à indústria farmacêutica, aos negócios de distribuição, à construção civil e muitos outros. Portugal tem feito um importante esfoço e contribuição para o desenvolvimento destes países.

Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente da República) – Em rigor, não há uma grande diferença entre nós e vós. Nós, portugueses, somos árabes. E vós, árabes, também são de alguma maneira portugueses. Não ignoramos as nossas raízes e, por isso, vos acolhemos de braços abertos. Acreditamos que há imenso a fazer no comércio, na indústria, nos serviços e nas finanças com o mundo árabe. Queremos ir mais longe na construção, nas infraestruturas, no comércio, na indústria, nos outros serviços. Estamos atentos e queremos avançar. Esperamos da vossa parte a mesma atenção e disponibilidade. Este momento é único. Se o deixarmos passar, o vazio será preenchido por outros.

João Franco (presidente do Conselho de Administração da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A.) – Estamos no meio de um fluxo de crescimento entre o Oriente e o Ocidente. As relações com os países árabes representam cerca de dez por cento do nosso volume de mercadorias, o que é muito significativo para nós. Temos capacidade para nos desenvolvermos mais, temos espaço para isso. Podemos aumentar a nossa cooperação com os países árabes.

Hugo Santos Ferreira (secretário geral da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários) – O setor imobiliário e o turismo têm sido dois motores da economia portuguesa, sendo notório o crescimento de interesse dos investidores pelo nosso património imobiliário e a enorme vaga de turistas que todos os dias chegam às nossas cidades. Faço o convite para que passem a olhar para o setor imobiliário português como um destino interessante, seguro, atrativo e rentável para os vossos investimentos, sejam eles imobiliários ou meramente financeiros. Pela nossa parte, portugueses, tenho a certeza de que estaremos abertos e com muita expectativa para receber mais parceiros internacionais.

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internacionalização | JMS

Maior fabricante Iberico de mobiliário hospitalar É uma empresa portuguesa, tem 25 anos de existência e é considerada um dos grandes grupos Ibéricos no ramo do mobiliário hospitalar. Falamos, claro está, da JMS. Com uma política acentuada que aposta na internacionalização, foi nesse contexto que a Revista Business Portugal esteve à conversa com, Jorge Henriques, comercial da área internacional que nos ajudou a perceber a dinâmica da empresa bem como a realidade dos mercados mundiais.

Jorge Henriques Export Director

Jorge Henriques labora na JMS há já 10 anos e é nesta empresa que se sente bem: “Esta é uma empresa que tem uma génese familiar e o mentor deste projeto, o proprietário da empresa José Silva, é aquela pessoa que eu considero o verdadeiro empreendedor. Ele consegue ver muito além daquilo que a maioria de nós vê e nós, imbuídos no mesmo espírito, vivemos a empresa com muito orgulho”, afirmou o nosso entrevistado, fazendo ainda referência às mudanças que têm sido feitas na JMS no último ano: “Estamos neste momento numa fase de sucessão”, sendo a sua filha, Paula Silva, a atual administradora executiva. Aposta em novos mercados Atualmente com sede na Murtosa, a JMS existe no mercado desde 1991, dedicando-se ao fabrico e comercialização de Mobiliário Hospitalar e Geriátrico. Com o mercado nacional “em recessão, onde o investimento na área da saúde não existe” é na internacionalização que a JMS tem dado cartas e, no ano em que celebra 25 anos de existência, o objetivo de estar presente em novos mercados, desde 2001, acentua-se.

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JMS |internacionalização

A JMS catapultou-se para outros mercados, nomeadamente Espanha, PALOP’s, e restante Europa e, mais recentemente, os Países Árabes. Isto porque nos últimos 10 anos foram as economias que efetivamente estiveram em crescimento e onde os três principais setores (educação, saúde e justiça) tiveram um ‘boom’ de construção”, referiu Jorge Henriques. Com cerca de 30 por cento da sua faturação correspondente à exportação, a participação em feiras internacionais também é uma realidade para a JMS, que recentemente esteve na Argélia, para “analisar o mercado”. Jorge Henriques explicou que o mercado na Argélia está a desenvolver-se, embora admita que a economia argelina se esteja a ressentir pela quebra no preço do petróleo. A América Latina também se apresenta como um mercado atrativo para a JMS, é um mercado com muito potencial. São países que estão com muitas necessidades de material médico e hospitalar. Ainda sobre a internacionalização, Jorge Henriques, confidenciou que o principal concorrente com que se tem deparado é a China. Sabemos que a China é uma grande potência mundial, que tem acordos com vários países e condicionam a entrada de novos produtos. Qualidade e Inovação Defensora da satisfação do cliente, a JMS aposta na qualidade, segurança e conforto dos artigos que fabrica, conjugando design, ergonomia e funcionalidade, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida dos seus utilizadores: “Desde aquilo que é o quarto do hospital, até à consulta, indo à área de recuperação, passando depois para a área da geriatria e às ajudas técnicas de mobiliário, nós oferecemos equipamento para todos esses espaços. Efetivamente, o que diferencia o nosso produto é a relação preço/qualidade, nós oferecemos um produto europeu com um preço bastante competitivo”, realçou Jorge Henriques. “A inovação e o design são a aposta em novos produtos; temos um departamento interno com designers, onde é feito o estudo, desenvolvimento e criação de novas linhas por

forma a conseguirmos apresentar soluções diferenciadoras. Temos também parceria com a Universidade de Aveiro, ESSUA (Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro), onde existe um laboratório JMS, os alunos testam, ensaiam e validam os equipamentos e protótipos JMS na área da fisioterapia, tudo com o objetivo de melhorar os nossos equipamentos”. A empresa em destaque pela nossa revista conta, ainda, com a colaboração de profissionais qualificados, aliando as matérias-primas de primeira qualidade ao rigor da produção. Neste seguimento, Jorge Henriques, salientou a importância da formação nesta área de atividade: “Somos 90 colaboradores na JMS. A formação dos nossos colaboradores é constante, porque somos uma empresa moderna tecnologicamente e, em termos do processo de produção, também somos uma empresa de ponta, portanto, a tecnologia obriga a ter mão-de-obra qualificada”, aclarou. Os 25 anos da JMS e o futuro Como balanço dos 25 anos de existência Jorge Henriques foi perentório: “A celebração de 25 anos de existência é um marco importante. Foram 25 anos de crescimento sustentado onde fomos ultrapassando as dificuldades da conjuntura económica que o país atravessa atualmente, conseguindo, ao mesmo tempo, catapultar-nos para um patamar superior num curto espaço de tempo e conseguindo dar resposta aos mercados nacional e internacional”, avaliou. Uma das formas celebrativas do quarto de século foi a mudança da imagem corporativa da empresa que, nas palavras do nosso entrevistado, trata-se de uma imagem “que transmite melhor a nossa identidade dinâmica e moderna”. Para o futuro a empresa vai continuar a apostar no crescimento e no investimento em novos mercados, não descurando, nunca, o nosso mercado Nacional. “Da mesma forma que confiámos no passado, acreditamos no futuro” – afirma Paula Silva.

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internacionalização | a1v2

Sustentabilidade e consolidação comprovadas Surgiu em 1997, quando os engenheiros Maria José Vicente e Luís Casaleiro decidiram criar o seu próprio negócio. Com conhecimento técnico e experiência na área, arriscaram e constituíram a A1V2, hoje uma multinacional portuguesa que combina todas as valências da engenharia, da arquitetura e do urbanismo, pautando a sua intervenção por uma elevada exigência qualitativa. Em entrevista à Revista Business Portugal, Maria José Vicente, sócia-gerente da A1V2, faz-nos um balanço dos objetivos cumpridos em quase duas décadas de história e fala-nos sobre os projetos delineados para o futuro.

Bobby O’Reilly Diretor geral

Maria José Vicente Sócia-gerente

Estando a A1V2 inicialmente focada em projetos de Engenharia Rodoviária e de Engenharia Hidráulica e Fluvial, desde cedo ganhou reconhecimento nessas áreas e adquiriu novas aptidões. Hoje, disponibiliza um alargado leque de competências integradas e de serviços — Conceção, Consultoria, Fiscalização e Gestão de Projetos —, incluindo um departamento de 3D capaz de produzir conteúdos realistas de imagem e animação de qualquer infraestrutura ou projeto. A crescer de forma consolidada, em 2007, concretiza um dos seus principais objetivos estratégicos, internacionalizar a empresa, entrando no mercado angolano. Desde então, faseadamente e de acordo com o planeamento delineado estabeleceu-se em mais quatro países. “Estamos fortemente implantados nos mercados árabes, com mais força na Argélia, para além de estarmos no Qatar, onde realizamos fiscalização, consultoria e projeto. Portugal, Angola, Argélia, Marrocos, Namíbia e Qatar, são alguns dos mercados onde a A1V2 possui escritório”. Em Marrocos, para além de desenvolver projetos de Engenharia e de Arquitetura e fornecer Consultoria, a A1V2 direcionou-se para um novo nicho de mercado, dedicando-se, com sucesso, à área agrícola.

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“Decidimos inserir-nos neste setor, essencialmente primário, porque em Marrocos não é fácil trabalhar em Arquitetura pois protegem muito a classe. Quem desenvolve projetos de Arquitetura em Marrocos tem que ter sempre a assinatura de um arquiteto nativo e isso cria-nos alguns entraves. Depois, existem também algumas limitações a nível da Engenharia, onde se verifica um corte bastante elevado em termos de investimento dentro das áreas onde atuamos, e por isso fomos explorando outras áreas, evoluindo até à agricultura. Começámos a explorar essa área, consolidamos estratégias, e hoje temos vários projetos a decorrer. O que nós queremos é abrir o leque para outras vertentes, ou seja, cultivar, explorar, transformar e exportar. Esse é o nosso objetivo”, conta-nos Maria José Vicente. A aposta passa assim por consolidar os mercados onde esta inserida, pela inserção em novos projetos e pela divulgação da identidade e filosofia de trabalho da A1V2 que considera, “que cada cliente é único, cada necessidade é distinta e cada geografia é específica”, diz a engenheira. “Estamos a apostar no futuro porque esses mercados precisam de nos conhecer, ganhar confiança no trabalho que temos vindo a desenvolver e apostar cada vez mais nas relações pessoais, que são cada vez mais importantes. Ter sempre a mesma cara em todo o processo também é crucial para nós. Apostar em novos mercados é um esforço e é um risco muito grande, tem de ser feito um estudo prévio bem detalhado para que saibamos o que esperar. Estamos sempre abertos a novas oportunidades e muito interessados no mercado africano, estando também atentos aos mercados sul-americanos”, frisa. Apesar de subsistir apenas com capitais próprios, devido à falta de apoios comparativamente a outras empresas do mesmo ramo sediadas em outros países, Maria José Vicente, acredita que muito do sucesso da A1V2 se deve essencialmente à forte representação da mesma nos mercados onde atua, apesar do custo acrescido. “As empresas vingam se estiverem representadas nos países onde atuam, faz toda a diferença. Temos que estar atentos aos vários mercados que possam surgir, mas temos que ser seletivos e saber quais os que nos possam garantir sustentabilidade sem grandes esforços financeiros, ao contrário de outros em que esse processo pode ser demorado ou mais difícil. Continuamos a estar representados em várias feiras dos setor, mas queremos avançar consoante as portas se abrirem”, finaliza a engenheira.


titulnota| internacionalização

Um parceiro na internacionalização

Através de um currículo heterogéneo e um amplo know-how sobre as principais características dos diversos mercados mundiais, Ricardo Gonçalves proporciona um serviço de apoio às empresas que visem a internacionalização. recorda: “Há 14 anos entendi que a atividade de um advogado teria que se estender para fora de Portugal”. Esta foi uma decisão para a qual pesaram não apenas “o excesso de concorrência”, mas também “a necessidade de haver uma diferenciação”. A internacionalização do profissional concretiza-se em 2004, quando Ricardo Gonçalves se torna membro da LAWROPE, um grupo internacional de advogados, sediado em Bruxelas, que presta apoio particular a empresas das mais variadas dimensões e setores de atividade que pretendam alcançar novos mercados geográficos. Já em 2009, o empresário estabeleceu uma firma – Titulnota, Lda. – centrada na prestação de serviços de consultoria e na elaboração de “parcerias com associações empresariais”. Com escritórios em Penafiel, este corresponde a um projeto que tem, em vista, a facilitação da internacionalização das empresas, bem como o desempenho de serviços mais ligados ao aconselhamento e apoio jurídico dos empresários em solo estrangeiro. O desafio da internacionalização Enquanto membro representante da LAWROPE em Portugal, Ricardo Gonçalves é dono de um amplo know-how e experiência no tema da internacionalização, sendo portador de uma grande rede de contactos em diversos países da Europa e das Américas. “O principal problema que observo no empresário português é a ansiedade de vender, o querer entrar rapidamente nos mercados, sem analisar previamente se estes estão recetivos ao seu produto”, refere o advogado, quando questionado sobre quais as principais dificuldades que as empresas nacionais encontram no processo de exportação. Acima de tudo, é missão dos empresários “saber escolher bem os seus mercados, visitar Feiras Internacionais, conhecer as tendências, saber o que faz a concorrência e saber serem competitivos”, prossegue. Neste âmbito, e recordando também as características de mercados para os quais “ainda há pouco registo” – entre os quais o mundo árabe –, Ricardo Gonçalves enfatiza “a mais-valia do estudo e de uma boa análise”, bem como de um “trabalho e atitudes preventivas”, pois apenas deste modo se poderá falar de uma internacionalização bem-sucedida. Ricardo Gonçalves Administrador

Advogado de profissão “já há muitos anos”, Ricardo Gonçalves é também “administrador de várias empresas”, assumindo também um papel de grande relevo na Câmara do Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa. Paralelamente a este currículo, todavia, o nosso interlocutor é um homem particularmente preocupado pela internacionalização das empresas portuguesas. Na origem de todo esse percurso esteve um pensamento bastante particular, que o causídico

Afford: soluções patrimoniais Fundada em 2011, a Afford – Investimentos Imobiliários, Lda. presta uma série de soluções patrimoniais, desde a aquisição na plenitude ou quota-parte de bens imóveis, à compra de créditos e ativos imobiliários indivisos, entre uma vasta gama de outros serviços. Já em 2015, e a pensar no elevado número de cidadãos emigrados em França, a empresa ramificouse também neste país, de modo a facilitar “a resolução de muitos problemas patrimoniais existentes em território nacional” sem que se tornasse necessária a deslocação dos respetivos intervenientes.

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internacionalização | UR Home

Portugal: um país onde investir e ficar Embora muito jovem, a UrHome Portugal é uma agência imobiliária constituída por uma equipa de amplo conhecimento e experiência no setor. Contando já com a confiança de vários clientes árabes, a empresa tem o desejo de facilitar o investimento estrangeiro no nosso país.

Bobby O’Reilly Diretor geral

A operar há cerca de um ano e meio, a UrHome Portugal assume-se no mercado como uma agência imobiliária (especializada na comercialização e avaliação de propriedades) que nasceu pelo especial carinho que o seu diretor geral – o empresário irlandês Bobby O’Reilly – desenvolveu pelo nosso país. “Já trabalhava no mercado imobiliário português há 15 anos e este é um país que já conhecia há muito tempo”, começa por relembrar o nosso interlocutor, que conta com mais de 20 anos de experiência internacional no setor. Este contacto permanente com o nosso país – movido por razões profissionais, mas também

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pelo encanto que “o estilo de vida e a cultura” portuguesas nutriam no empresário – levaram Bobby O’Reilly a “apaixonar-se” por Portugal, encontrando hoje aqui a sua “primeira casa”. Neste âmbito, e aproveitando o vastíssimo conhecimento das tendências do setor imobiliário mundial, o empresário aproveitou “a oportunidade proporcionada pelo surgimento dos Golden Visa” no nosso país para desenvolver uma agência que pudesse aproveitar este programa, “divulgando o imobiliário português em mercados estrangeiros” com especial incidência no “mundo árabe”.


ur Home| internacionalização Portugal, mais do que um país Fazendo jus a essa aposta, “cerca de 90 por cento” dos clientes da UrHome Portugal são empresários provenientes de geografias tão díspares quanto Arábia Saudita, Dubai, Irão, Líbano ou Paquistão, que encontram no nosso país a possibilidade de obtenção do Golden Visa. Optando por Lisboa como a cidade preferencial para o investimento, muitos são, todavia, os clientes que “acabam por se apaixonar por Portugal”, escolhendo inclusivamente o nosso território como destino ideal “para a aposentadoria ou para a educação dos seus filhos”. Isto porque “mais do que um mero passaporte”, o nosso país oferece “um estilo de vida” particularmente atrativo, justificando a descoberta do mercado imobiliário também em cidades como Porto e Évora, paralelamente à famigerada região do Algarve. De facto, e tal como refere Bobby O’Reilly, já não são incomuns os casos de empresários que continuam a investir em Portugal, mesmo depois de adquiridos os respetivos direitos de cidadania. “Um aspeto de que nos apercebemos é que o segundo investimento que estes clientes fazem no país é muito mais substancial do que o primeiro, pois trata-se de uma opção mais informada e estudada”, congratula o empresário.

esse não foi o único sinal de progresso. “Nos primeiros três meses de atividade vendemos uma propriedade”, relembra Bobby O’Reilly, antes de acrescentar que hoje a média já se situa “entre os 25 e os 30 imóveis comercializados por mês”. Posto isto, a principal expectativa para o futuro passa pela aposta num “crescimento sustentado” e responsável, de forma a garantir o bom desempenho, o prestígio e a excelência de que a UrHome Portugal já se tornou sinónimo. Outra ambição da empresa é a tentativa de alcançar investidores de países como China, Vietname ou África do Sul, obedecendo sempre à forma de estar que a define desde a primeira hora: “Vamos desenvolver uma relação com eles e encorajá-los a investir em Portugal”, assegura o porta-voz. Até porque existe, aqui, um país repleto de oportunidades para concretizar.

Uma crescente procura Através da vasta experiência e conhecimento acumulados ao longo dos anos, o diretor geral da UrHome Portugal constata que o nosso país se tem consagrado como uma “opção cada vez mais interessante” para o investidor estrangeiro. Entre os argumentos que ajudam a explicar esse estatuto, Bobby O’Reilly salienta o “clima de incerteza” que se tem feito sentir em diversas geografias, aspeto que contrasta com a segurança que o nosso solo parece representar, principalmente para quem procura “um futuro para si e para os seus”. Mas outro aspeto a não subestimar passa pela discrição e o modo como o regulamento do Golden Visa português garante ao investidor estrangeiro doses generosas de flexibilidade, no que ao seu estilo de vida diz respeito. Paralelamente, o diretor geral constata que “Portugal está a sensibilizar-se cada vez mais para o mundo árabe”, embora o oposto seja também verdade, uma vez que também os investidores internacionais “estão a descobrir as oportunidades que o país proporciona”, em áreas de atividade tão díspares quanto a agricultura ou, por exemplo, o setor mobiliário. Um serviço integral E como se caracteriza, neste âmbito, a filosofia de atuação da UrHome Portugal? “Acima de tudo, acreditamos na importância de proporcionar um serviço completo ao nosso cliente”, assegura o nosso interlocutor. Caso para dizer que existe, desde o começo do processo, a preocupação de servir bem um público que é particularmente exigente e que faz de questões como a honra e a honestidade fatores que não podem ser subestimados. “Temos a noção de que as pessoas que compram os nossos imóveis estão a milhares de quilómetros de distância, pelo que acompanhamos, desde o começo, todo o processo”, acrescenta. Significa isto que a UrHome Portugal se encarrega – entre outros aspetos – de “encontrar a propriedade ideal, encaminhar os compradores para o apoio legal que possam necessitar relativamente aos programas de residência”, ou até de “assegurar a gestão dos imóveis quando os investidores se encontrem no estrangeiro”, enumera. Este é um acompanhamento particularmente sensível e diferenciador que, por seu turno, se traduz numa “enorme satisfação” por parte do cliente, especialmente atentando ao preço “comparativamente bastante reduzido” que os cuidados de manutenção das propriedades exigem em Portugal. Argumentos como este contribuem para um estatuto de excelência, que se distingue também pelo modo como “a empresa vai ao encontro dos clientes, apresentando as propriedades em diversos pontos do mundo”, ao invés de se fixar num âmbito geográfico previamente circunscrito. Futuro Tratando-se de uma empresa ainda bastante jovem, a UrHome Portugal arrancou “de forma bastante lenta, contando apenas com duas pessoas”. Volvido, contudo, um ano e meio de árduo trabalho, este é um projeto que engloba já uma equipa de quase 20 colaboradores. Mas

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internacionalização | tpjo portugal

Um serviço personalizado a pensar em cada cliente Criada em 2016, a TPJO Portugal, Lda – Real Estate Business, and Services é uma jovem empresa, no ramo imobiliário, com um core business muito direcionado para o mercado luso-árabe, apostando na lógica de bilateralidade entre o mercado árabe e o mercado português.

Assumindo o desiderato de marcar a diferença num mercado cada vez mais competitivo, a TPJO Portugal distingue-se por um serviço integrado, personalizado e de grande qualidade. Com sede na Avenida da República, em Lisboa, a empresa é constituída por quatro pessoas, nomeadamente os sócios-gerentes Paula Costa e Orlando Serra, bem como por Tânia Pó, consultora de informática e investimento, e José Brito, consultor na área jurídica. Contudo, o projeto teve início com Paula Costa e Tânia Pó, fruto da sua experiência e know-how no mercado imobiliário. “Resolvemos iniciar este projeto, porque tínhamos um vasto leque de conhecimentos, para investir no mercado internacional e captar investimentos para Portugal”, revela Tânia Pó. “Tínhamos clientes oriundos do mundo árabe e com os quais nos identificávamos bastante, as coisas corriam bem, havia uma relação muito boa e como tal começámos a pensar e porque não?”, avançam Paula Costa e Tânia Pó, salientando que o passo seguinte foi auscultar a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Árabe. E assim nasceu a TPJO Portugal. Paula Costa e Tânia Pó reconhecem grande potencialidade no mercado árabe, considerando que este não está muito explorado, por isso mesmo a forte aposta neste mercado. “Estamos a trilhar bons caminhos, temos bons contactos firmados e penso que está a correr francamente bem”, sublinham. Paula Costa e Tânia Pó pretendem que a TPJO Portugal seja sinónimo de um serviço personalizado e de grande acompanhamento aos seus clientes, por isso têm como premissa aliar a vertente de captação de investimento e no acompanhamento dos investidores em Portugal. “Queremos marcar a diferença no mundo das imobiliárias, juntando o polo imobiliário com o do acompanhamento próximo ao cliente, tentando mostrar o nosso país e as suas potencialidades de uma forma transversal”, sustenta Tânia Pó. Apesar de ser uma empresa muito recente, a TPJO Portugal detém já uma carteira de clientes bastante interessante que, na opinião de Tânia Pó, será uma mais-valia para alavancar o crescimento da empresa. “A nossa dinâmica inclui um conjunto de parceiros que nos fornecem alguns imóveis, grande parte deles de um segmento elevado. Temos uma carteira muito razoável de imóveis de luxo, quer novos, quer usados recuperados, fundamentalmente em Lisboa, mas também no Porto e no Algarve”, desvendam as nossas entrevistadas, acrescentando que também têm parceiros além-fronteiras, nomeadamente nos Estados Unidos da América e no Dubai. Fórum Económico Portugal-Países Árabes A Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa (CCIAP) tem organizado o Fórum Económico Portugal-Países Árabes, com o desiderato de apoiar a internacionalização das empresas e promover o desenvolvimento das relações económicas entre Portugal e os Países da Liga dos Estados Árabes. Paula Costa e Tânia Pó relevam a importância desta plataforma de networking empresarial árabe-portuguesa para o desenvolvimento da sua atividade, essencialmente porque “acreditamos no que fazemos e sabemos o nosso potencial”, destacam em entrevista à Revista Business Portugal.

José Brito, Paula Costa, Tânia Pó e Orlando Serra Gerentes

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Mensagem aos potenciais clientes Paula Costa e Tânia Pó reiteram a abertura da TPJO Portugal para dar apoio a todo e qualquer investidor, seja nacional ou internacional, lembrando que a empresa distingue-se por “um serviço que se caracteriza pela proximidade, pela personalização e pelo apoio permanente ao cliente”.


internacionalização | prohs

Na vanguarda da saúde

Dedicando-se à produção e desenvolvimento de equipamento hospitalar e laboratorial na vertente de esterilização e desinfeção, a PROHS é uma referência na saúde. Com um crescimento e desenvolvimento assente num processo contínuo de internacionalização, a PROHS está presente em mais de 40 países, nos cinco continentes. Milton Rodrigues, gestor de operações e Pedro Xavier Costa, diretor de operações internacionais revelam, em entrevista, a política de internacionalização seguida pela PROHS

Pedro Xavier Cota e Milton Rodrigues Diretores

“O início da atividade da empresa remonta ao ano de 1967 altura em que foi fundada por José dos Santos Monteiro Lda, trabalhando desde o início com equipamento hospitalar. Estamos quase a completar 50 anos de atividade, comemoramos o aniversário no próximo ano. Até aos finais dos anos 90, a empresa estava totalmente focada no mercado nacional. A partir do ano 2000 foi criada a PROHS que comprou uma percentagem da José dos Santos Monteiro Lda, que hoje faz parte do grupo PROHS S.A. O processo de internacionalização da empresa começou em 2003, inicialmente para os mercados PALOP. Em 2006, decidimos focar a estratégia de internacionalização para outros mercados”, começa por explicar Pedro Xavier Costa. Atualmente, presente em mais de 40 países, a empresa mantém o foco que esteve na sua génese, “a esterilização e desinfeção, planeando e executando desde o projeto, ao fabrico, instalação, assistência técnica, formação, ajustando os procedimentos consoante o país. Nos mercados externos a PROHS atua sempre com parceiros locais, a quem é dada formação a nível comercial mas também a nível técnico. Em alguns casos enviamos equipas técnicas ao estrangeiro garantido a qualidade do serviço prestado o que tem sido uma maisvalia por permitir uma ligação direta entre o cliente utilizador e o fornecedor, ajudando a conhecer as especificidades dos países”, revela Milton Rodrigues.

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Estratégia de internacionalização O crescimento e desenvolvimento da PROHS está focado na internacionalização. Após anos dedicados ao mercado nacional, em 2006 a empresa participou pela primeira vez na MEDICA, a maior feira de exposição de equipamento médico do mundo que se realiza em Dusseldorf, na Alemanha. A partir deste momento “dedicámo-nos à procura de mercados com potencial crescimento e devido a isso estamos presentes na Síria, Tunísia e Turquia, por exemplo. O nosso início de processo de internacionalização fora dos PALOP começou nos mercados árabes, hoje em dia estamos presentes em vários países desta região”, explica o diretor de operações internacionais. Atualmente, a PROHS é uma referência a nível mundial, presente nos cinco continentes, afirmando-se na exportação de equipamento hospitalar. Questionados sobre os principais desafios inerentes à exportação, os entrevistados revelam que nos países árabes, por exemplo, “cada país coloca as suas regras; comercializar para a Argélia é completamente diferente se falarmos de Marrocos, por exemplo. Uma das grandes vantagens é estarmos na União Europeia e a utilização da Marcação CE dos equipamentos ter sido adotado por países fora das fronteiras europeias. Existem muitos países que estão a seguir as diretivas europeias estabelecidas. No entanto cada um define as regras e isso é uma vicissitude inerente ao nosso setor, o que nos poderá colocar num patamar


prohs| internacionalização diferenciado já que cada país tem os seus regulamentos. Com a experiência percebemos que há sempre referências, por exemplo, comercializar equipamentos para a Jordânia e Líbano é uma referência para chegar a outros países do Medio Oriente”, exemplificam. Quanto aos mercados de referência, “a PROHS possui uma carteira de clientes diversificada que vai variando. O mundo árabe já foi, sem dúvida, o motor das exportações da empresa, tendendo a diminuir o peso com o aumento de países para onde vendemos”, revela o responsável pela gestão de operações. O sucesso da expansão está também relacionado com o serviço de proximidade, a qualidade e inovação dos produtos “a paragem de um equipamento destes representa um grande prejuízo, implicando uma série de problemas como o adiamento de cirurgias, afetando toda a dinâmica de um hospital. Deste modo, temos muita atenção à qualidade e fiabilidade dos produtos procurando ter um produto competitivo economicamente, mas que possa funcionar nas diferentes condições do local de utilização”, explica Milton Rodrigues. Certificados desde 2000, a PROHS adaptou-se a cada mercado, com uma equipa de desenvolvimento constituída por três colaboradores, o gestor de operações explica que “as condições de um hospital em França são diferentes de um hospital em Marrocos. Na Bolívia, por exemplo, temos hospitais localizados a mais de 3 mil metros de altitude, pelo que é diferente produzir vapor a esta altitude do que se estivermos ao nível do mar. As nossas máquinas estão ajustadas para trabalhar em qualquer situação. Baseamos o nosso processo de internacionalização em distribuidores. Tentamos dar um forte suporte ao distribuidor,

através de novos processos. O foco é desenvolver equipamentos que facilitem o trabalho técnico do distribuidor. As nossas máquinas trabalham com água, ar comprimido, alta pressão e vácuo, por isso a forma como é dada a resposta a um problema é fundamental para que a intervenção de manutenção corretiva seja eficaz”, revela. Projetando o futuro num novo setor Composta por cerca de 50 trabalhadores onde metade se dedica à produção de equipamentos, a empresa com sede na Maia, tem crescido a um ritmo exponencial nos últimos anos, tendo sofrido algumas “dores de crescimento, ao nível produtivo. Atualmente estamos a realizar investimentos em máquinas e ferramentas, tendo adquirido uma nova fábrica para a especialização da produção em fluxo, ‘Lean Production’. O objetivo é manter e estabilizar o ritmo de crescimento através de um desenvolvimento sustentável”, enfatiza Milton Rodrigues. Questionados sobre os projetos do futuro, os interlocutores revelam que “estamos muito focados na área hospitalar, mas o objetivo a cinco anos é expandir para a área laboratorial/farmacêutica, um setor que não é tão padronizado. Na área laboratorial os equipamentos são feitos à medida, essa é uma área onde queremos apostar nos próximos anos. Nestas vertentes queremos expandir principalmente para a Europa. Em 2016 participámos na Feira Analytica, uma referência no setor que decorreu em maio, na Alemanha (Munique)”, finalizam os responsáveis Milton Rodrigues e Pedro Xavier Costa.

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internacionalização | prewind

Energia eólica em força no mercado externo A Prewind é uma empresa dedicada à prestação de serviços de previsão na área da energia, essencialmente direcionada para o setor das energias renováveis. Fundada em 2010, a Prewind tem o compromisso de melhorar João Sousa Administrador a qualidade dos seus serviços, recorrendo ao apoio das instituições do satisfeito pelas FER. Somos apontados internacionalmente como um exemplo a seguir. sistema científico nacional. João Sousa, dá-nos a conhecer os projetos desenvolvidos, bem como algumas perspetivas de investimento para o setor. Portugal está a assistir ao resultado de uma política energética, denominada de Programa E4, Como é que surgiu este projeto? Surgiu com base num projeto de investigação realizado em Portugal, financiado a 100 por cento por iniciativa privada (consórcio empresarial composto por empresas promotoras de parques eólicos em Portugal). O desenvolvimento foi assegurado por um consórcio universitário composto pela FEUP / CEsA, INESC Porto, INEGI, FCUL / IDL, com o objetivo de desenvolver modelos de previsão da produção de eletricidade de base eólica e operacionalizar um sistema de previsão da produção de parques eólicos. Desde então, temos vindo a prestar serviços de previsão na área da produção eólica em Portugal e no estrangeiro. Este ano constituímos uma empresa no Brasil para apoiar na prestação destes serviços no mercado sul-americano. Em que medida é que estes serviços se tornam uma mais valia para quem os utiliza e para o meio ambiente? Os recursos naturais, como o sol e o vento, apresentam uma variabilidade e por isso precisamos de conhecer antecipadamente a evolução da produção com origem nestas fontes renováveis para possibilitar a gestão da rede elétrica, reduzir os custos de operação do sistema elétrico e otimizar o planeamento das ações de operação e manutenção de cada central eólica. Desta forma, podem-se obter taxas de penetração elevadas e reduzir os custos operacionais envolvidos. Adicionalmente, os serviços de previsão podem ser utilizados no planeamento das ações de operação e manutenção, otimizando a produção de energia. Na sua opinião faltam incentivos pela parte do governo para que mais empresas apostem nesta área? Em 2016 (janeiro a agosto) a produção de eletricidade de origem renovável em Portugal representou cerca de 64 por cento (segundo a APREN), tendo-se obtido em 2015 o valor de 55 por cento. Nos últimos dez anos quase duplicamos o peso das Fontes de Energia Renovável (FER) na eletricidade, dependendo dos anos hidrológicos. Em alguns meses do ano atingimos taxas superiores a 80 porcento e ainda há bem pouco tempo, em maio deste ano, atingimos quatro dias consecutivos em que o consumo de eletricidade foi totalmente

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implementada pelo Governo de António Guterres, pela mão do então Secretário de Estado do Ministério da Economia, Eduardo Oliveira Fernandes e pelo Ministro da Economia, Luís Braga da Cruz. Entretanto, com o novo paradigma das redes inteligentes e com o aparecimento da mobilidade elétrica, surgirão novas oportunidades e o país deve-se preparar para essa revolução – a descarbonização do setor dos transportes e a eficiência energética. Apesar de sermos pequenos somos um exemplo a nível mundial na matéria da energia. Temos bons engenheiros, boas empresas e uma boa cultura. Temos que capitalizar este conhecimento, internacionalizando todo nosso saber em prol de um ambiente melhor de uma economia sustentável e um mundo mais verde.

Qual será o rumo que o país vai tomar no que diz respeito à produção de energia? Infelizmente, acho que o país vai optar pelo fotovoltaico porque é a tecnologia que neste momento está a ‘inundar’ o mercado. Gostaria que Portugal aproveitasse o potencial das pequenas centrais hídricas, com uma maior contribuição para a economia nacional e tendo em consideração que cerca de 75 a 80 por cento do potencial ainda está por explorar neste país. Digo isto porque em Portugal ainda não se construiu um cluster industrial forte no fotovoltaico, como se fez no eólico. Daqui a algum tempo alguns parques eólicos irão atingir a sua maturidade, pelo que será possível duplicar ou até triplicar a capacidade instalada, tendo em consideração a evolução da tecnologia. Acho que o país deve estudar quais as tecnologias de transformação de energia que lhe permitem uma maior: qualidade ambiental, geração de emprego, redução da dependência externa (seja energética ou económica), captação de investimento e incorporação da económica nacional (redução de importações e aumento de exportações), mantendo um mix energético equilibrado. E relativamente ao futuro da Prewind? Que investimentos e objetivos a cumprir estão previstos no vosso plano de atividades? O nosso objetivo neste momento passa por consolidar o mercado brasileiro e reforçar a nossa atuação na Europa. Para além disso, vamos tentar explorar novos mercados como o chinês e o americano, que têm crescido exponencialmente, e com os quais já temos a decorrer alguns projetos-piloto.


Desde junho de 2015 que a região do Douro goza de mais de um hotel de luxo, o primeiro cinco estrelas de aplicação no país – além de servir os hóspedes, a unidade abre portas a quem procura uma formação na hotelaria. Entre o rio e as vinhas, encontra-se o Douro Royal Valley Hotel & SPA, a apenas 1 hora do Aeroporto Internacional do Porto. Este 5 estrelas oferece uma vista excecional sobre a paisagem circundante e o rio. Neste oásis de tranquilidade, usufrua dos serviços do SPA ou do restaurante gastronómico com sabores durienses. Deixe-se encantar pela vista deslumbrante sobre o rio que o convida a relaxar e aproveite a sofisticação e a tranquilidade que distinguem o Douro Royal Valley Hotel & SPA! Desfrute de cocktails ou refeições ligeiras num dos bares, ou aproveite a oportunidade para degustar os sabores ricos do Douro no Restaurante Palato D’Ouro. Dê um revigorante mergulho na infinity pool ou na piscina interior e aproveite ainda para relaxar no SPA. Os praticantes de desporto podem aproveitar o ginásio, o campo de ténis ou então optar por uma caminhada ao longo do Rio. Portela do Rio, Pala-Ribadouro – 4640-400 BAIÃO Telefone: (+351) 255 070 900 – Fax: (+351) 255 070 929 E-mail Reservas: reservas@douroroyal.com | E-mail Eventos: grupos@jase.pt


internacionalização |pato rico

uma história de

ousadia, sucesso e excelência A inovar em solo português desde 1979, a Pato Rico comercializa artigos de penas com a qualidade e o carinho que já conquistou as principais cadeias hoteleiras, em Portugal e não só.

Sediada em Lisboa, a Pato Rico – Comércio e Exportação de Artigos de Penas, Lda. é uma empresa que, mediante um percurso de 36 anos, se tornou causa e consequência de uma história “muito intensa, divertida, repleta de bom humor e com uma equipa sempre motivada”. Este corresponde, pelo menos, ao retrato que a gerente, Beatriz Serrano, recorda depois de tantos anos dedicados à inovação, ao trabalho árduo e ao sucesso nacional e além-fronteiras. Em 1979, ano em que o projeto nasceu, “eu era bastante jovem e dinâmica”, prossegue a nossa interlocutora, sublinhando “sempre ter acreditado no futuro”. A inovação, essa, fez-se sentir desde o primeiro dia em que a Pato Rico existiu: “Todos achavam que eu seria doida por querer vender edredons e almofadas feitos com penas”, explica a empresária, numa alusão a um conceito que não era conhecido em Portugal, embora fizesse já sucesso em países como a Alemanha. Não admira, posto isto, que desde cedo a Pato Rico se tenha afirmado em solo nacional como um inegável símbolo de inovação. “Em 1979 já estávamos a fazer reciclagem, aproveitando as penas, lavando-as e transformando-as num produto quente, útil e saudável para as pessoas”, refere aquela que foi a primeira mulher portuguesa a operar no setor. O crescimento, por seu turno, foi-se materializando no passar de cada ano, à medida que novas tecnologias e maquinaria foram auxiliando e modernizando os processos de transformação de penas.

Beatriz Serrano Gerente

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Excelência e adaptação Paralelamente à fábrica, a Pato Rico conta com um estabelecimento comercial aberto ao público em plena Avenida de Roma, Lisboa. É neste espaço que pode ser encontrada toda uma gama de produtos – nomeadamente almofadas, edredons, lençóis, pantufas ou estofos – caracterizados não apenas pela qualidade do seu fabrico, como também pela garantia de serem um excelente contributo para o conforto e a qualidade de vida. Saliente-se, todavia, que há muito tempo que o âmbito de atuação da empresa ultrapassa o universo do têxtil-lar. “Durante muitos anos, também vendemos blusões de penas da marca Duffy”, lembra Beatriz Serrano. Mas se o sucesso e popularidade deste produto em particular acabou por se desvanecer ao ritmo com que as superfícies comerciais e os franchisings se começaram a cimentar em Portugal, a Pato Rico soube subsistir de forma hábil, adaptando o seu know-how a novos mercados, como o hoteleiro e o hospitalar. “Fazemos produtos de excelência porque acredito que todos devemos ter a qualidade de vida até ao fim e, portanto, queremos dar o melhor às pessoas”, assegura a porta-voz, que confessa sentir enorme gosto em contribuir com produtos para o mercado geriátrico. Já no setor hoteleiro, a presença da Pato Rico faz-se sentir – de norte a sul do país – em muitos dos mais prestigiados estabelecimentos. “O feedback que temos recebido – particularmente de turistas estrangeiros – é extraordinário”, refere a empresária.


pato rico | internacionalização Política de qualidade Marcando uma presença cada vez mais sólida nos mercados espanhol, francês e alemão, a Pato Rico é também board member da European Down and Feather Association, autoridade associada ao tratamento de penas. “Fazemos muito enchimento para blusões de marcas estrangeiras e regularmente realizamos análises às penas que tratamos”, explica. Mas outro fator que demonstra o cariz visionário de Beatriz Serrano está na forma como desde cedo apostou nas certificações internacionais. Não admira, por isso, que a empresa esteja devidamente credenciada com o selo internacional ISO 9001 (sistema de gestão da qualidade). “Sempre acreditei que a certificação seria compensada no futuro, já que este é, de facto, um produto de excelência”, afirma. E porque é de qualidade e de um grande exemplo de gestão e liderança que falamos, ressalve-se o modo como, ao longo do seu percurso, a Pato Rico conquistou ainda os méritos de PME Líder, atribuído pelo IAPMEI às firmas nacionais que melhor desempenho assumam ao longo do ano.

Olhar sobre o futuro “É no método e na organização que está metade do nosso sucesso”, assegura a gerente, não sendo por acaso que - após um percurso de 36 anos – persistam relações interpessoais bastante fortes entre os clientes, os fornecedores e os 20 funcionários da empresa. É, de resto, com a tónica “na honestidade e na qualidade” que a Pato Rico promete continuar no futuro. “Se nos próximos anos conseguirmos estabilização, ficarei felicíssima”, confessa. Mas há também novidades reservadas para breve, entre as quais se destaca o relançamento dos famosos blusões Duffy, especificamente para o mercado português.

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lux hotels

Em que contexto nasceu o Grupo Lux Hotels e que balanço podemos fazer do seu percurso de 27 anos? O Grupo Lux Hotels nasceu de um património que havia na família, um terreno que estava localizado próximo do Santuário. Numa primeira fase pensou-se num projeto de apartamentos para aquele terreno e quando estavam terminados, havia que fazer dinheiro com os apartamentos. E, como não queríamos desfazer-nos desse património, começámos a utilizar aqueles quartos para os peregrinos e turistas que iam a Fátima. Mais tarde, pensámos em dar um nome àquele alojamento e pensou-se, então, em transformar aquele edifício em hotel e assim nasceu, em 1989 o Lux Mundi. Nessa fase, a vender quartos que estavam em apartamentos e posteriormente um hotel. O percurso foi difícil em determinados momentos, porque estamos a falar de uma atividade que requer um investimento elevado, e por isso nem sempre tivemos as condições para fazer as coisas evoluir mais rápido. Não obstante, estamos (António Gonçalves e os irmãos - Paulo e Rui Torrão) a dar continuidade a um projeto de família (um projeto dos pais). Quando o projeto apareceu, nós ainda estávamos em idade escolar, nem eu, nem os meus irmãos tínhamos pensado em fazer da hotelaria a principal atividade. Foi algo que só surgiu mais tarde, quando terminei a minha licenciatura e acabei por abraçar o projeto de família. Entretanto, o projeto só para aquele hotel era pequeno, e acabámos por fazer um segundo hotel em 2007 e desde 2008 até agora, temos feito um hotel a cada dois anos. Significa que estamos orgulhosos deste percurso. Todos os hotéis têm potencial e são o reflexo do pensamento e da visão daquilo que para a hotelaria. Também devemos este sucesso às pessoas que colaboram connosco durante todos estes anos. Desde o primeiro edifício até hoje, há muitos colaboradores que se dedicaram e que vestiram a camisola como se fosse deles e também a eles, dedico este percurso. Atualmente, o Grupo Lux Hotels divide as suas propostas turísticas em dois conceitos: Lux e Unique. Que apresentação nos pode fazer destes dois conceitos e dos seus públicos-alvo? Os Lux são hotéis standard, é um conceito mais citadino. Os edifícios têm áreas mais generosas, que poderão ter mais facilidades no próprio edifício. Ou seja, muitos deles têm alojamento, restaurante, salas de reunião e SPA. Os hotéis Unique resultam da recuperação de edifícios históricos, em zonas históricas, algumas dessas zonas estão inclusivamente classificadas pela UNESCO como património da Humanidade. Todos os hotéis Unique têm um tema, por isso, cada um deste hotéis tem personalidade própria e conta uma história. Atualmente, os vossos empreendimentos turísticos encontram-se espalhados por que regiões do país? E qual o critério por detrás das localizações escolhidas? As coisas foram acontecendo naturalmente, não houve um plano. Sabíamos que não queríamos ter hotéis em locais muito sazonais - sabíamos da dificuldade que tínhamos e

que passamos em Fátima com o Inverno -, sabíamos também que Lisboa, numa fase de investimento fora de Fátima, era onde nós queríamos estar. Por isso, o primeiro projeto fora de Fátima foi o Lux Lisboa Park, apesar de o Lisboa Carmo Hotel abrir primeiro. O Lux Lisboa Park foi planeado. Os outros hotéis acabaram por ser oportunidades que foram surgindo e que, a cada passo, íamos procurando as fontes de financiamento que nos permitissem executá-los. Temos alguns parceiros que estiveram connosco, desde o Turismo de Portugal, aos financiamentos do Quadro Comunitário. A Caixa Geral de Depósitos tem sido um parceiro importante, assim como a companhia de seguros Fidelidade, que é proprietária de alguns edifícios onde instalámos os nossos hotéis e por isso, fomos conseguindo fazer estas aberturas. Não planeámos ir para o Porto ou para Évora, efetivamente, no momento em que as oportunidades de negócio surgiram, nós conseguimos criar as condições para as por de pé. Que retrato pode fazer-se do atual estado do setor hoteleiro? E em que medida os vossos empreendimentos/serviços se distinguem das demais propostas existentes na área? Portugal está num bom momento em termos de turismo. É um país que já tem estes encantos há muitos anos. No entanto, os momentos de tensão em países como os do Norte de África, que eram muito procurados em especial pelo mercado francês, acabaram por desviar estes turistas para outros destinos e Portugal acabou por ser beneficiado. Hoje em dia, a segurança é um dos fatores que as pessoas avaliam antes de tomar a sua decisão e por isso acho que estamos num bom momento. Não obstante, o sol, a gastronomia, a montanha, a praia, percebemos que os nossos turistas apreciam. Outra questão que nos ajudou foi o transporte aéreo que aumentou e que tem impacto no turismo. No Grupo Lux Hotels, tentamos ter a nossa visão daquilo que é o turismo. Sabemos que não basta ter uma boa cama, um hotel muito bonito, uma boa localização. Obviamente que tudo isso conta, mas acima de tudo, o que faz a diferença são as pessoas e é isso que nós procuramos: é perceber em cada um dos destinos e em cada um dos hotéis qual é a necessidade dos clientes, e tratar cada cliente, não como um número mas com um tratamento individual. Nem sempre é fácil, sobretudo quando os hotéis são muito grandes, mas nos nossos hotéis, principalmente nos hotéis boutique, temos tentado diferenciar-nos nesse ponto. Paralelamente à atividade hoteleira, o Grupo Lux Hotels aposta também no setor da restauração. Pode falar-nos desses espaços? A restauração é um setor que acompanha a hotelaria: temos de ter um espaço para os pequenos-almoços. Alguns dos hotéis estão localizados numa zona privilegiada e por isso nasceu também este negócio. É um negócio que tem de ser muito bem trabalhado e muito bem manuseado. Todos os restaurantes são num espaço acolhedor, onde o serviço é personalizado. A cozinha é tradicional portuguesa, com uma apresentação contemporânea. O chef executivo Manuel Ferreira adequa a carta às estações do ano: este outono/ inverno vamos apresentar uma carta com novos sabores, diferentes das propostas da carta de primavera/ verão. À semalhança dos hotéis onde estão ubicados, os espaços do restaurante também são únicos: no Porto, o Galeria do Largo é fruto da reabilitação do edifício da Papelaria Araújo e Sobrinho; em Lisboa, a decoração do Maria do Carmo é inspirada nas antigas tabernas portuguesas; e no último andar do Lisboa Pessoa Hotel, também na capital, vai nascer ainda este ano o restaurante Mensagem, com uma vista panorâmica sobre a cidade e inspirado na obra do poeta Fernando Pessoa. Que perspetivas, objetivos ou ambições reserva o Grupo Lux Hotels para o futuro? Neste momento o nosso portefólio de projetos está terminado, com a abertura do Lisboa Pessoa Hotel. Agora queremos consolidar os nossos hotéis, trabalhar muito bem os conceitos de cada um. Este ano abrimos três novas unidades (Lux Lisboa Park, Évora Olive Hotel e Lisboa Pessoa Hotel) e queremos que se afirmem. Não pensamos em abrir mais nenhuma unidade no curto prazo.

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SUCESSO NACIONAL As empresas portuguesas estão cada vez mais voltadas para a inovação, contribuindo para o desenvolvimento da economia portuguesa. Portugal tem bons exemplos, nas mais diversas áreas, empresários que apostam na renovação e na novidade como forma de desenvolvimento dos seus negócios, empresas que inovam nos produtos que lançam para o mercado, nas parcerias efetuadas, nos mercados escolhidos e nos métodos de trabalho adotados, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento das organizações. As pequenas e micro empresas detêm um papel também ele importante para a economia de um país e contribuem eficazmente para o seu desenvolvimento e crescimento. Através da valorização desse segmento de empresas, países como Irlanda e Finlândia saíram do patamar de país agrícola e de baixo desenvolvimento económico para exportadores de tecnologia e competitividade, obtendo níveis de alto crescimento e desenvolvimento económico e social. Para alcançar tal nível, estes países adotaram diversas medidas e, de entre elas, incentivaram as pequenas e micro empresas com programas de fortalecimento do setor, a fim de obter força competitiva e tecnológica frente aos grandes do mercado internacional. Esse tem sido o caminho que Portugal procura seguir. Desta forma, de seguida, passamos a apresentar alguns dos exemplos de empresas que estão a contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa nos mais diversos setores, apostando fortemente na inovação, na exportação e no desenvolvimento, não descurando os recursos humanos que são o principal fator de sucesso de qualquer empresa. Invista na leitura das próximas páginas e comprove…

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sucesso nacional | amber road

interiores de excelência Criada em 2012, a Amber Road tem vindo a marcar posição na criação de ambientes interiores. Hoje, fruto de uma forte aposta e de um crescimento sustentado, é já uma referência no mercado.

que, por norma, têm longa duração e onde todos os detalhes são de extrema importância”. Exemplo disso é o projecto do hotel Porto Bay Liberdade, situado na Rua Rosa Araújo em Lisboa, um dos projetos da empresa e que, desde cedo, colocou a equipa à prova. Um trabalho desafiante que foi recompensado, uma vez que é, hoje, um dos hóteis de referência na capital portuguesa. “Tem um toque familiar agradável e é um espaço onde temos vontade de ficar, sentimo-nos em casa”, diz-nos. Já os projetos particulares são mais rápidos. Aqui é feito um levantamento de requisitos de necessidades e uma reunião com o cliente onde é apresentada uma proposta de projeco, a produção e a montagem acontece depois. De qualquer forma, o cliente tem sempre a oportunidade de acompanhar a obra e todas as fases são discutidas de forma a que se possam introduzir as correções necessárias. A Amber tem produção própria de cortinados, mobiliário, estofos e iluminação, recorrendo também aos seus parceiros internacionais relativamente aos elementos decorativos. No entanto, é o know-how que diferencia a empresa. “A equipa sénior que coordena a parte criativa e de compras iniciou-se na área nos anos 80”, explica, “e, por isso, a rede de parceiros extende-se a nível global”. A experiência acumulada é o que permite à Amber Road uma adaptação, perfeita e equilibrada, ao budget disponível de cada obra.

João Sousa Trindade Administrador

Foi através da Casa & Cpa, fundada em 1997, com lojas de produtos de decoração e mobiliário de qualidade a preços competitivos, que surgiu a Amber Road. “Tivemos a necessidade de criar esta empresa para dar vida à divisão Contract+Design”, começa por explicar João Sousa Trindade, “para fornecer projetos de interiores de hotelaria e casas particulares”. Acumulando uma experiência de mais de 22 anos aliada ao know-how de uma equipa composta por especialistas das diferentes áreas de interiores o projeto é chave na mão. Focada na satisfação total dos seus clientes, a Amber Road compromete-se a concretizar a obra desde o seu início até ao fim, fornecendo mobiliário e iluminação e desenvolvendo projectos de design de interiores nos sectores de hotelaria, residencial, comercial e restauração. É na hotelaria que a empresa exerce a maioria do seu trabalho. Com uma lista de clientes que inclui alguns dos grupos hoteleiros mais conceituados em Portugal, a Amber Road oferece um serviço de excelência e inteiramente personalizado de modo a compreender e a responder a todas as necessidades dos seus clientes. Neste mercado existem requisitos a serem cumpridos desde o início como a escolha dos materiais que se ligam ao conceito do hotel, o trabalho continua com a orçamentação, a criação de protótipos, alterações e criação de desenho ou 3D que ajudam na compreensão da implementação das peças e a montagem final. “Este tipo de projetos dá-nos um gosto especial”, explica o empresário, “são projetos

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Marcas e Mercados Providenciando soluções inovadoras e adequadas a cada situação, o objetivo fundamental é proporcionar um ambiente singular e inspirador a todos os que interajam nele. É desta forma que a Amber Road cria os seus espaços espelhados nos conceitos de sustentabilidade e design repletos de peças de qualidade características e únicas, fruto de um trabalho contínuo com marcas e parceiros conceituados. Assim, a empresa trabalha com marcas como a Arteriors Home, Bosque HD e Ideais Decoração, no setor residencial e hotelaria. Além de parceiro é também a representante da Arteriors Home na Península Ibérica e em Marrocos, uma marca americana de interiores de luxo em expansão mundial que comercializa produtos de iluminação, mobiliário e acessórios decorativos no setor residencial e hotelaria. A nível nacional, a Amber Road trabalha, essencialmente, em Lisboa e conta com projetos pontuais no sul do país, como no Alentejo e Algarve. De momento, depois de realizados os devidos estudos de mercado, a empresa está em expansão para Marrocos onde pretende seguir com a expansão da Casa & Cpa que detém desde 2012 e abrir uma loja de venda ao público focada, também, em projetos de interiores. “Este é um mercado interessante porque tem uma população quatro vezes superior a Portugal e uma classe média em crescimento”, explica o empresário, “e onde as classes sociais estão, ainda, completamente divididas”, aqui há um mercado que procura um estilo diferente do tradicional, um estilo mais europeu que fuja ao habitual marroquino e traga mais modernidade. Setor “A decoração comercial, ao nível dos hóteis e restaurantes tem cada vez mais importância no nosso país e o turismo tem contribuído para que isso aconteça, uma vez que tem sofrido


amber road | sucesso nacional um desenvolvimento exponencial no nosso país”, admite João Trindade. A crise que outrora marcou um mau período no setor começa a dar sinais de melhoria no que respeita à hotelaria, ao passo que os interiores particulares mostram um ligeiro crescimento. O futuro passa, agora, por uma forte aposta na internacionalização da empresa que continua à procura de novos mercados. O objetivo é exportar as nossas produções para a Ásia e passar a executar e fornecer projetos de hotelaria nos países vizinhos como Espanha, França, Marrocos e Argélia.

Projeto Amber Road no Hotel Porto Bay Trindade

Projeto Amber Road no Hotel Porto Bay Marquês

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sucesso nacional | antuã

Um parceiro na expansão dos seus negócios A Antuã é uma empresa de prestação de serviços na área dos Projetos de Investimento aos Fundos Comunitários e Consultadoria Económica e Financeira com 20 anos de experiência. Como avalia o vosso percurso? O nosso percurso foi construído através da elaboração de projetos de investimentos ambiciosos em que a inovação, a qualidade e a agregação de valor para os nossos clientes foram sempre fatores da afirmação da Antuã no mercado. O posicionamento da Antuã na área dos Projetos de Investimento é muito claro. A Antuã trabalha para aprovar projetos e não para elaborar projetos. Tem sido esta a razão do vosso sucesso? O nosso sucesso está naturalmente relacionado com a forma como abordamos cada projeto de investimento, mas principalmente com a performance económica e financeira dos nossos clientes. Temos clientes totalmente fidelizados onde já elaboramos e acompanhamos vários projetos de investimento ao longo destes 20 anos. No entanto, no Portugal 2020, conforme notícia do jornal Público de maio de 2016, “sete em cada dez candidaturas aos Fundos Comunitários são rejeitados”. Efetuamos, em conjunto com os nossos clientes, uma avaliação prévia do Mérito do Projeto do investimento. Só após esta fase é que decidimos apresentar ou não a candidatura. Quais as vossas principais áreas de intervenção e qual a taxa de sucesso registada em cada uma delas? As nossas principais áreas de intervenção são: elaboração e acompanhamento de projetos no Portugal 2020; elaboração de candidaturas ao SIFIDE; consultoria económica, financeira e fiscal. A nossa taxa de sucesso em cada uma destas áreas é elevada. Sendo a Antuã uma empresa integradora de serviços, de que forma poderá descrever a dinâmica e orgânica da empresa? A dinâmica e orgânica da empresa decorre das competências dos nossos colaboradores. Verificamos trabalho em grupo desenvolvendo competências relacionadas com a confiança e superando os desafios que os nossos clientes nos colocam. Evoluímos à medida que a Antuã cresce e se diferencia. Qual é a vossa esfera de influência geográfica em termos de acção? Quais os setores de atividade para os quais se direcionam? A nossa esfera de influência geográfica é a região Norte e Centro, com maior incidência no distrito de Aveiro. No entanto, temos projetos no Minho e na região da Beira Interior e Serra da Estrela. A nossa principal área de intervenção é a área industrial. Estamos vocacionados para o setor industrial nas áreas do calçado, moldes, injeção de plásticos, alimentar, metalomecânica, eletrónica e eletricidade, entre outras.

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A Antuã tem como cliente muitas PME’s Excelência, fidelizadas pela prestação de serviços especializados. São estas empresas o foco da vossa ação, no sentido de obterem mais garantias e consequentemente melhores resultados? Sem dúvida, pois sendo a Antuã uma empresa integradora de serviços, são principalmente as nossas clientes PME’s Excelência, o grande foco da nossa ação nesta área de negócios. Podemos dizer que a Antuã é um parceiro de referência e prestígio que tem como filosofia a prestação de serviços de alta qualidade? A Antuã impõe-se através de um grande rigor e eficácia na prestação dos seus serviços? A qualidade dos serviços que prestamos é aferida anualmente pelos nossos clientes. Naturalmente que, a eficácia e rigor na prestação dos nossos serviços é bastante elevada, conforme nos transmitem os


antuã | sucesso nacional

milhões de euros de investimento. Desde multinacionais que querem investir e instalar-se no nosso país, até aos empresários portugueses de grande sucesso. O tratamento que damos aos nossos clientes é uniforme seja qual for a dimensão do projeto de investimento a realizar. Quais as vantagens competitivas apresentadas pela Antuã que a diferencia no mercado? A principal vantagem competitiva da Antuã é que agrega valor para os clientes. A motivação dos nossos colaboradores e o apoio que prestamos aos nossos clientes são também diferenciais importantes. Não é através do preço que nos diferenciamos no mercado. A Antuã apoia desde a fase inicial de avaliação das necessidades de uma empresa, o enquadramento nos programas disponíveis, passando pela candidatura e acompanhamento do mesmo. O Portugal 2020 é um mecanismo importante na alavancagem necessária para se expandirem negócios, e com o parceiro ideal acreditamos que o processo se simplifica e se atingem os resultados esperados.

nossos clientes. Colaboramos em todas as etapas do processo de candidatura, desde o enquadramento do projeto até ao encerramento e entrega do relatório final do projeto. Quais os projetos elaborados pela Antuã que merecem o vosso destaque? Elaboramos, aprovamos e acompanhamos no Portugal 2020, projetos de várias dezenas de

Em termos de futuro, quais são as metas que pretende atingir? Qual a visão estratégica que a empresa pretende seguir? Em termos de futuro é estarmos atentos às oportunidades que felizmente estão sempre a surgir. As empresas portuguesas têm que continuar a competir nos próximos anos pela qualidade e pela excelência, a competir pelo incremento de valor e pela inovação – a competir para o crescimento. Continuar a trabalhar com o rigor e qualidade que nos é reconhecido, adicionando sempre valor para os nossos clientes, é a nossa visão estratégica.

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internacionalização | moneris

A valorizar as empresas portuguesas desde 2007

É pelas palavras de César Gomes, Diretor de Apoios e Incentivos do Grupo Moneris, que agora lhe apresentamos esta empresa inovadora e atenta ao desenvolvimento do mercado nacional e das empresas portuguesas. César Gomes Diretor de Apoios e Incentivos

apoio ao investimento com enfoque diversificado que vai desde o apoio a processos de internacionalização, investimento produtivo e inovação ou projetos de investigação e desenvolvimento tecnológico, como exemplo. O âmbito de atuação de cariz setorial é muito diversificado, podendo afirmar-se que embora o setor industrial apresente uma maior preponderância, existem também outros setores, alvo do posicionamento, como o turismo, agricultura, serviços de base tecnológica e o setor social. Atuam a nível nacional ou localmente? Qual a vossa área de intervenção? O facto do grupo Moneris contar com uma rede de mais de 20 escritórios a nível nacional permite que fruto do efeito dessa abrangência e capilaridade, consiga atuar com um fator de proximidade local junto das empresas e com um conhecimento de causa muito particular da envolvente económica em que as empresas lidam no dia-a-dia. No entanto, dado que a rede de escritórios abrange 11 distritos distribuídos de norte a sul do país, a Moneris tem a capacidade de operacionalizar simultaneamente uma estratégia consolidada de abrangência nacional e integrada na atuação local. Que projetos da Moneris merecem destaque na nossa edição? No que respeita à área de Apoios e Incentivos temos uma visão relativizada da importância que cada projeto possa ter, uma vez que, todos os projetos são objeto de uma dedicação total da equipa, sendo certo que muitas vezes, essa importância possa ser relativizada, quer pelo facto de um projeto ser de pequena dimensão mas com grande potencial de crescimento no mercado, ou por outra via, de grande dimensão, mas com objetivo de consolidação, num segmento mais tradicional do mercado. Não obstante, e não querendo particularizar, os projetos na área de Apoios e Incentivos têm revelado os seus frutos, de forma relativamente distribuída nos domínios da Inovação, I&D, turismo e agricultura.

Como surgiu o Grupo Moneris e qual o seu propósito? O grupo Moneris nasceu em 2007, a partir de um processo de integração de empresas que foram identificadas como tendo as melhores práticas do país no domínio da prestação de serviços de contabilidade e apoio à gestão de empresas. O processo desenvolveu-se a partir da aquisição de mais de 20 sociedades ao longo de 7 anos. Fruto deste processo de buid-up a Moneris conta atualmente com cerca de 300 colaboradores e 4 mil clientes no seio do grupo. O propósito da Moneris é o da prestação e promoção das melhores práticas e princípios de apoio de gestão às empresas, de acordo com a prossecução da liderança no seu mercado de atuação. Que serviços disponibilizam aos vossos clientes? Quais as vossas principais áreas de intervenção? O grupo Moneris tem uma ampla diversificação no âmbito da consultoria de apoio à gestão das empresas, apresentando a prestação de serviços em áreas como a Contabilidade e Assessoria fiscal, gestão de recursos humanos, formação, gestão de seguros e um domínio de Corporate Finance, onde se incluem as áreas de Apoios e Incentivos, a par com as áreas de Avaliações, Fusões e Aquisições e de Reestruturações; Nesta edição focamos o sistema de incentivos ao Portugal 2020. Qual o vosso papel nesta temática? O posicionamento do grupo Moneris, no âmbito do sistema de Incentivos ao Portugal 2020, assume-se como o de dar uma resposta de 360 graus na estratégia de enquadramento de aplicação das medidas do quadro comunitário, podendo abranger soluções de

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O que vos diferencia das restantes empresas da área? De acordo com o que também já foi de certa forma referido, e do que possa ser o reflexo mais transversal da idiossincrasia do grupo, nas várias áreas de negócio, e da área de Apoios e Incentivos, em particular, é o facto de conseguir operar uma relação de grande proximidade local com os seus clientes e no alinhamento particular da sua realidade envolvente. Isto é obviamente válido não só para geografias de grande centralidade, como Porto e Lisboa, mas também para outras geografias, quer litorais, quer de interioridade, ao longo de todo o território nacional, de acordo com a abrangência e dispersão da rede de escritórios do grupo. Como fator de diferenciação mais particular da área de Apoio e Incentivos, é o facto de apresentar uma estratégia com um grande enfoque na transparência e envolvimento do cliente ao longo da implementação dos projetos, que se traduz, por exemplo, na sua consciência plena, não só dos direitos, mas também das obrigações, que assume ao candidatar-se e a contratualizar os projetos de financiamento, assim como, no processo de construção partilhada das metas económico-financeiras dos mesmos. A diferenciação passa, por isso, também, por induzir uma postura de responsabilização do cliente perante o projeto de financiamento, que é aquela que pode permitir uma estratégia de crescimento da área de negócio numa ótica de sustentabilidade e visão de longo prazo.


Um exemplo de

renascimento | internacionalização

sucesso A Revista Business Portugal apresenta-lhe, em seguida, a empresa “Renascimento”, uma empresa que aposta na recolha e reciclagem de resíduos em Portugal e que é já um exemplo de sucesso. Elsa Pereira Nascimento, diretora executiva desta empresa foi a porta-voz da mesma para esta nossa edição.

Qual é a importância económica e ambiental deste setor e qual pode ser a sua importância no futuro? A importância ambiental do setor dos resíduos é óbvia, seja pela natureza da atividade na conjuntura do desenvolvimento sustentável, seja pela sua importância económica, seja pela criação de postos de trabalho. De realçar que a importância do setor dos resíduos tenderá a aumentar no futuro face ao novo referencial europeu que dá prioridade ao estabelecimento de uma “economia circular”. De que forma a gestão de resíduos tem ganho importância e mercado? Desde 1997 que a legislação ambiental não tem parado de crescer em quantidade e em exigências para todos os atores e agora a economia circular é o nosso atual desafio. A Renascimento desde sempre se assumiu como uma empresa com caráter inovador, no desenvolvimento de projetos sustentáveis e resposta aos desafios da Gestão de Resíduos em Portugal e na europa. No conceito de economia circular os verbos são reduzir, reutilizar, recuperar, reciclar. Todos os materiais são reaproveitáveis e podem originar um novo produto. É um círculo contínuo que traz benefícios para o ambiente, vantagens financeiras para os empresários, poupança para os consumidores e criação de emprego.

Elsa Pereira Nascimento Diretora Executiva

A empresa vocacionada para a gestão global de resíduos, é hoje uma referência no mercado da gestão global de resíduos, sobretudo pela originalidade da sua postura. Constituída em 1995, e contando com uma equipa jovem e especializada, posiciona-se junto das mais variadas indústrias e serviços a nível nacional, atuando na disponibilização de formação ambiental, em operações de acondicionamento, transporte, triagem, gestão, tratamento e reciclagem de toda a variedade de resíduos.

Que balanço fazem da atuação da Renascimento no mercado e o que pretendem, enquanto empresa, alcançar no futuro? A Renascimento teve um grande crescimento e sendo uma empresa certificada, tem adaptado os seus processos e procedimentos à medida do crescimento da sua atividade e do desenvolvimento do seu negócio. Começámos com um armazém de 1000m2 e apenas 4 colaboradores, neste momento trabalhamos numa área de 40 hectares e temos 200 colaboradores. Sendo hoje considerada um exemplo ímpar dentro da sua área de negócio porque atinge uma elevada produtividade, com um misto de processamento manual e automático, é visitada por empresas de outros países e tem recebido inúmeros prémios e reconhecimentos. Pretendemos continuar a trabalhar para continuarmos a ser uma empresa de Referência a nível nacional na área de gestão global de resíduos, seja nos serviços ou produtos disponibilizados. É, pois, fundamental que o cliente nos reconheça globalmente pela excelência dos nossos serviços e que estes superem as suas expectativas.

Atuando no setor da Gestão de Resíduos, que tipo de serviços têm disponíveis e com que tipo de clientes trabalham? Sempre com a máxima do “Valorizar o presente para um futuro sustentável”, a Renascimento apresenta um conjunto variado de atividades e serviços, possuindo uma extensa gama de contentores, assim como um serviço de caracterização, contentorização, recolha e transporte de resíduos perigosos e não perigosos. No que diz respeito à gestão e reciclagem dos resíduos nas vossas empresas, como é feito o vosso trabalho? Pretendemos promover soluções de gestão de resíduos sustentáveis, através de tecnologia, talento e agilidade, maximizando o valor para os nossos clientes, acionistas e sociedade em geral.

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sucesso nacional |geodouro

Desenvolvimento de produtos inovadores

A GeoDouro tem como visão ser uma empresa de reconhecida importância no mercado nacional de consultoria e prestação de serviços na área das ciências das engenharias e no desenvolvimento de projetos, com rentabilidade sustentada e reconhecida qualidade, empenhada na prevenção da segurança e da saúde, e no respeito ao ambiente em todas as suas atividades. Em entrevista à Revista Business Portugal, o administrador José Alves deu a conhecer a empresa, os serviços e os projetos. 42 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

A GeoDouro - Consultoria e Topografia surgiu em 2000, constituindo-se como empresa prestadora de serviços geográficos. Como avalia o vosso percurso? Temos tido um percurso em crescendo, surgimos no ano 2000 com a missão de oferecer serviços na área das Engenharias Geográficas. Com uma atitude ativa e diferenciadora, aliada a uma enorme vontade de sintonizar as necessidades de mercado conseguimos cimentar a nossa posição no mercado passando, desde 2005, a estar credenciados pelo Instituto Geográfico Português, para o exercício de Atividades Cartográficas e Cadastro Predial. Temos o Sistema de Gestão da Qualidade (ISO 9001) e Ambiente (ISO 14001) certificados desde 2009 e 2010 respetivamente, e orgulhamo-nos de, até à data, termos atingido os Estatutos de PME Líder e PME Excelência por três ocasiões. Em 2013, passamos também a integrar a rede PME Inovação da COTEC. Quais os serviços disponibilizados pela GeoDouro? É alargada a gama de serviços que disponibilizamos ao mercado, numa oferta dinâmica e inovadora, visando sempre a qualidade e excelência dos mesmos. Dos serviços que prestamos destacamos: Ambiente: Monitorização de Pontos de Água – Medição de caudais e propriedades FísicoQuímicas; Pareceres Técnicos; Estudos de Impacto Ambiental e Projetos Agroflorestais. Batimetria: Levantamentos Batimétricos; Deteção de erosão submersa; Análise de fluxo de água e Medição de profundidades. Cadastro Predial/ Serviços Fundiários: Identificação de Propriedades, Proprietários e Demais


geodouro | sucesso nacional Interessados; Recolha de Informação nas Instâncias Oficiais; Notificação de interessados; Avaliações (rústicas e urbanas); Descrição de Benfeitorias; Negociação; Fiscalização e Mediação de conflitos. Cartografia: Realização, Edição e Atualização de Cartografia; Criação de Catálogos; Controlo de Qualidade; Levantamento Espacial de Objetos; Georreferenciação e Vetorização. Desenvolvimento de Aplicações Informáticas: Desenvolvimento de aplicações Web, Desktop, WebSIG’s, Sites Institucionais e Visitas Virtuais. Geodesia: Manutenção e aperfeiçoamento de redes de apoio; Apoio Fotogramétrico; Conservação de redes de nivelamento geométrico. Sistemas de Informação Geográfica (SIG): Realização de Estudos e Implementação de SIG’s; Recolha/Validação de Informação para criação de SIG’s; Formação e Consultoria. Topografia: Levantamentos com GPS, Estação Total e Laser SCAN; Modelação 3D; Levantamento de Edificações; Levantamento Cadastral de Infraestruturas; Piquetagem e acompanhamento de Projetos e Obras; Edição Topográfica; Implantação de Poligonais; Fiscalização; Nivelamento e Cálculo de Volumes. Uma das soluções apresentadas pela GeoDouro é o SIGP. Em que consiste esta ferramenta, quais as suas vantagens e qual a sua orgânica? O SIGP (Sistema Integrado de Gestão de Propriedades) é uma aplicação multiplataforma de gestão agrícola, acessível através do endereço: http://www.geosigp.pt. É baseado em tecnologias SIG e permite, em tempo real, a implementação de processos inovadores de controlo, produção e gestão. O planeamento das atividades agrícolas, a otimização de custos, a rastreabilidade de todos os processos são aspetos que permitem atingir o principal objetivo: assegurar a qualidade dos produtos comercializados. É composto por vários módulos, interligados entre si, que respondem às necessidades dos vários atores agrícolas. Destacamos os seguintes: Práticas Culturais: Inventariação dos dados das explorações agrícolas e registo das atividades realizadas nas explorações; Monitorização: Inventariação dos dados das explorações agrícolas e registo da monitorização/ acompanhamento às parcelas realizadas por responsáveis técnicos;

Adega: Informatização de todo o processo, desde a entrada da uva até ao embalamento e saída do produto para comercialização; Lagar Azeite: Informatização de todo o processo, desde a entrada da azeitona até ao embalamento e saída para comercialização; Caderno de Campo: Gestão e geração de cadernos de campo; Meteorologia: Informação meteorológica direcionada para a agricultura com integração de estações instaladas no terreno. O que diferencia a GeoDouro num mercado cada vez mais competitivo e global? A capacidade de encontrar soluções inovadoras e de qualidade para resolução de problemas complexos. Apostamos na inovação e no desenvolvimento contínuo dos processos e dos colaboradores. Criamos parcerias com outras entidades, o que nos permite, estender e assegurar a qualidade dos nossos serviços/produtos. Quais os projetos mais emblemáticos presentes no portfólio da Geodouro? Ao longo dos 16 anos de existência, a lista é longa, mas podemos destacar: Serviço de Expropriações nas Barragens do Baixo Sabor e Foz de Tua para a EDP; Serviço de Expropriações e Servidões para o Grupo Águas de Portugal; Produção de Cartografia Temática e Cadastro para os grandes Grupos Vitivinícolas presentes na Região do Douro; Rede de Apoio Topográfica do Concelho de Viseu; Levantamento Cadastral e implementação de Módulo Monitorização na Cooperativa Agrícola do Távora e Monitorização de Pontos de Água para a EDP. Quais os novos desafios que se vislumbram para a GeoDouro em termos de futuro? O reforço da posição no mercado nacional e a aposta na internacionalização da empresa. Queremos continuar com o desenvolvimento de produtos inovadores, para além do SIGP estamos a desenvolver solução WebSIG para inventariação e gestão de cadastro de infraestruturas de água e saneamento, e alargar a oferta de serviços com o selo de confiança e qualidade que nos caracteriza.

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sucesso nacional | qualiwork

“Vestir” a camisola da empresa

“A QualiWork é uma empresa consolidada no nosso mercado e na nossa área de atuação. Caminhamos solidamente para os 15 anos de existência e orgulhamo-nos de ser respeitados pelo trabalho que desenvolvemos e pelo sucesso dos nossos projetos, serviços e formações”.

Porquê escolher a QualiWork como empresa consultora de serviços de consultoria e formação? Quais as mais-valias oferecidas pela QualiWork? Somos honestos, realistas e eficazes nas etapas a que nos propomos, sendo esta a chave do cumprimento dos objetivos dos nossos clientes. Detemos 100% de sucesso em mais de 90 certificações, nacionais e internacionais, de sistemas de gestão dos seus clientes de diferentes áreas de negócio e este é nosso principal argumento de venda. Somos abrangentes pois conseguimos responder a um vasto leque de referenciais, desde a “velha” qualidade (digo velha no sentido positivo de quem tem a sabedoria acumulada da experiência), passando pelo ambiente e segurança no trabalho e até às emergentes (em Portugal) segurança da informação, inovação e IT service management. Neste âmbito somos uma empresa certificada ISO 9001:2015 e DGERT. Qual é a missão da QualiWork? A QualiWork assume-se como um parceiro dos seus clientes na análise e melhoria dos seus processos, reforçando assim a sua eficiência e visibilidade. A orientação para o cliente é a chave diferenciadora e uma preocupação real, que determina a atividade e forma de estar da equipa da QualiWork. Tendo em conta que é uma empresa prestadora de serviços e não de produtos, como avaliam o vosso sucesso? “O cliente é a nossa razão de existir”, como tal o nosso sucesso é avaliado principalmente pela satisfação das entidades para as quais trabalhamos. O nosso papel não é apenas constatar uma situação que tem que ser resolvida, mas o de encontrar a solução mais apropriada e proveitosa para o nosso cliente. Cada empresa tem a sua cultura identitária própria. Consideram que por vezes é difícil trabalhar com determinada empresa devido à sua cultura própria? Não. É tarefa do Consultor QualiWork “vestir” a camisola, embrenhar-se na cultura,

contribuindo positivamente para a construção de um sistema de valor. Trabalham com empresas de todos os setores de atividade? Trabalhamos com empresas de todas as dimensões, localizações e de todos os setores de atividade, entre outros, informática, recursos humanos, educação, financeira, saúde, logística, energia, transitários, comércio, automóvel. Temos valências que nos permitem abranger um leque diversificado de setores. Até que ponto é importante a formação contínua no local de trabalho? É diferente dependendo do setor de atividade ou do cargo que se ocupa? A QualiWork considera que o seu maior valor é a sua equipa de recursos humanos, particularmente porque, sendo uma organização prestadora de serviços o comportamento e desempenho dos colaboradores exerce um impacto decisivo sobre a qualidade do serviço prestado. Neste sentido, é essencial estarmos permanentemente atualizados sobre as alterações normativas e tecnológicas. Todos os percursos têm os seus altos e baixos. Como tem sido o percurso da empresa? Mais altos que baixos. Temos tido, nos últimos três anos, um crescimento sustentável e solidificado, que nos permite olhar para o futuro de forma otimista e dar retorno aos nossos colaboradores e sócios. Quais os objetivos que pretendem alcançar nos próximos cinco anos? Pretendemos manter-nos como uma empresa de consultoria e formação de qualidade reconhecida, honesta e que transmite confiança na implementação de sistemas de gestão úteis aos seus clientes. Uma organização que investe na melhoria e inovação constante, que valoriza os seus colaboradores e que dá um retorno sustentável aos seus sócios. Queremos ser a primeira lembrança dos nossos clientes no âmbito da gestão dos seus sistemas!

Consultoria e formação

QualiWork

Building Knowledge Together

Qualidade - ISO 9001 e A3ES Ambiente - ISO 14001 Segurança no Trabalho Gestão de Serviços TI - ISO 20000 Segurança da Informação - ISO 27001 Inovação IDI Formação DGERT www.qualiwork.pt | geral@qualiwork.pt

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gpic | sucesso nacional

Projetos com toda a dedicação Com quase 20 anos de existência, o GPIC - Gabinete de Projetos, Consultoria e Instalações, Lda., já trabalhou com variadíssimos nomes importantes da arquitetura e engenharia, embora todos os projetos sejam igualmente importantes para a empresa portuense.

É com todo o prazer que apresentamos o GPIC - Gabinete de Projetos, Consultoria e Instalações, Lda. Esta empresa trabalha com projetos nas áreas das instalações elétricas, sistemas de gestão técnica centralizadas (às vezes referidos como automação dos edifícios e domótica), com a área das telecomunicações e dentro da mesma com todos os sistemas para os edifícios ligados às tecnologias da informação. No fundo, dedicam-se aos suportes físicos para todos estes setores. Mas não só. Dentro do âmbito da empresa encontra-se os sistemas de segurança, quer para o risco de incêndio, quer para os riscos de intrusão. “Produzimos cadernos de encargos e especificações, em alguns projetos há parcerias diretas, quando não estamos a incorporar nos projetos produtos desenvolvidos para o efeito fazemos parcerias com empresas ligadas à indústria, onde nós também participamos no desenvolvimento do novo produto, com o objetivo de atingir a especificação ou que o cliente nos impôs ou que nós propusemos ao cliente e o cliente aceitou”, explicou o engenheiro Alexandre Martins, sócio-gerente. A GPIC é uma microempresa, com uma equipa fixa de quatro pessoas, inserida num cenário extremamente competitivo. Tal como a empresa, a área de projetos também é um micromercado e “já aconteceu estar só na mão de pessoas que têm outras profissões, como dar aulas por exemplo, e fazem os projetos nas horas vagas”. Esses casos são algo problemáticos para uma empresa dedicada exclusivamente a essa ocupação, principalmente na situação atual em que há pouco trabalho. Quando o número de projetos necessários aumentou, mais empresas, tal como a GPIC, apareceram no mercado, o que tornou “a sobrevivência muito difícil”. A equipa que compõe a GPIC é pequena, mas os custos que têm para realizar o trabalho são muito maiores do que alguém que o faz em part-time. “Nunca trabalhamos tanto por tão pouco”, desabafou Alexandre Martins.

De facto, nem sempre o panorama tem sido benéfico para a empresa fundada oficialmente em 1998. Os seus antecedentes passam por uma outra empresa: a GOP - Gabinete de Organização e Projetos, Lda., onde colaborava o engenheiro Raúl Serafim, também fundador da GPIC. Alexandre Martins e Raúl Serafim tiveram a oportunidade de colaborar um com o outro com frequência entre 1996 e 1998, com o regresso a Portugal de Alexandre Martins no final de 1997 após uma colaboração na reconstrução de Cahora Bassa - Moçambique que durou cerca de cerca de 1 ano e meio, põem em marcha o projeto GPIC. Já em 2000, entrava mais um sócio: Fernando Aires, engenheiro da área de automação e controlo industrial. Ao contrário deste último, que ainda hoje faz parte da empresa, Raúl Serafim não permaneceu na GPIC, saindo em meados 2004 para fundar uma outra empresa, com a qual o GPIC mantém boas relações sendo frequentes as colaborações e parcerias em diversos projetos. Nestes 20 anos de atividade “acabamos por trabalhar com uma grande quantidade de arquitetos”. De tal forma que já têm “quase mil projetos, mais precisamente 918, uns enormes e outros minúsculos, mas trabalhamos em todos com o mesmo prazer”. Entre os nomes mais conhecidos encontram-se Álvaro Siza, Eduardo Souto Moura, João Luís Carrilho da Graça, Francisco Aires Mateus, Nuno Brandão Costa, Paulo David e muitíssimos outros (*). “O esforço que a equipa do GPIC coloca num projeto é o mesmo se o arquiteto coordenador é estagiário ou é um arquiteto experiente, o que interessa é a coerência e unidade do resultado final do conjunto dos projetos para que o trabalho técnico destas engenharias não desvirtue o trabalho dos arquitetos”, esclareceu Alexandre Martins. Como ambição futura, o Gabinete de Projetos, Consultoria e Instalações tenciona “bater os recordes” e atingir o milionésimo projeto. (*) O GPIC pede desculpas a todos os arquitetos e clientes que não citou - a lista seria muito maior que este artigo - e manda um abraço para todos.


sucesso nacional| adega cooperativa de moncorvo

A união faz a força Moncorvo é famoso pelo seu azeite, o seu vinho e as suas amêndoas. A Business visitou a Adega Cooperativa e a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Moncorvo e à conversa com Dinis Cordeiro, Presidente da Direção, ficou a saber as vantagens para os produtores da região em unirem os esforços.

verdade é que se nos juntarmos conseguimos resultados melhores individualmente”, explicou Dinis Cordeiro. A marca mais emblemática é o «Terras de Moncorvo», com uma edição nova todos os anos, de vinho tinto maduro. “Antigamente não engarrafávamos, mas começamos a ter um bom vinho e decidimos arriscar no engarrafamento e na via do consumo”. Cooperativa agrícola dos olivicultores de moncorvo Ainda antes da fundação da Adega, surgia a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Moncorvo, que reúne cerca de 1200 sócios. O arranque desta associação ficou marcado por alguma falta de organização, o que resultou num subaproveitamento das capacidades da Cooperativa Agrícola. “Dantes verificava-se algum desinteresse, ou descuido. Atualmente está tudo muito mais coordenado e organizado. Vendemos muito no nosso ponto de venda e o resto comercializamos a granel. Fazemos todo o esforço no sentido de produzir bons azeites, inclusive as nossas máquinas, que estão bem equipadas. Os compradores estão mais exigentes, o que faz todo o sentido. Temos tido mais cuidado, o que resulta em azeites de boa qualidade e isso reflete-se nas vendas. Ainda tencionamos atrair mais produtores para esta região”.

Dinis Cordeiro Presidente

A 31 de março de 1962 marcava-se a fundação da Adega Cooperativa de Moncorvo. “Algumas personalidades influentes no concelho uniram-se e fundaram a cooperativa. Nesta região, de facto, quanto mais nos unirmos melhor para nós”, revelou Dinis Cordeiro. A associação pretende a satisfação das necessidades dos associados através do aproveitamento da sua produção vitícola. Também desempenha um papel importante na regularização de preços. Ao longo do tempo foram adquirindo um número crescente de associados, sendo que neste momento contam com 557 sócios. Produzem, armazenam, vendem a granel por grosso e engarrafam vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada). O resultado divide-se em 65% de vinho generoso, mais conhecido por Vinho do Porto, e 35% de vinho de consumo. Este último é uma aposta recente, mas tem tido “boa saída”. “A

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Cooperativa da amêndoa Moncorvo “sempre foi uma zona onde existiu a amêndoa tradicional, mas depois apareceram novas variedades, que nós não temos”, confessou Dinis Cordeiro. Como sócio da Cooperativa da Amêndoa pode afirmar que a colheita tem aumentado muito, juntamente com a procura e os preços. “Tem-se praticado bons preços”, admitiu. Ambições O nicho de mercado da Adega Cooperativa e a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Moncorvo é o nacional. A exportação já foi tentada, mas ficou aquém das expectativas. “Estamos numa região que de facto tem bons vinhos, bons azeites e boa amêndoa, no entanto, temos sentido dificuldade na parte comercial”. Dinis Cordeiro tem planos para o futuro do seu mandato, dos quais faz parte divulgar a marca para aumento das vendas: “Temos de ser mais agressivos, no bom sentido. Mexer-nos um bocadinho mais. Nós fabricamos produtos de qualidade, só falta dinamizar as vendas”, concluiu.


MUNICÍPIOS PORTUGUESES O poder local desempenha um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das regiões, quer pelas atividades dinamizadas, quer pelos estímulos concedidos às empresas, trabalhando em prol da qualidade de vida das populações. Neste sentido, a Revista Business Portugal continua o seu trabalho de descoberta dos melhores exemplos e das melhores práticas desempenhadas pelos municípios de norte a sul do país. Os municípios representam também um importante papel na economia, pois em algumas regiões são os principais empregadores o que lhes confere uma grande responsabilidade ao nível social. No seguimento do trabalho elaborado, percebemos que as autarquias estão preocupadas, cada uma à sua maneira, em contribuir para a melhoria das condições de vida e desenvolvimento das suas regiões. Os incentivos à natalidade, ao investimento privado, à dinamização do turismo, ao apoio aos mais carenciados e suporte à terceira idade, são algumas das questões que ocupam o trabalho dos autarcas portugueses. Se no cômputo geral os municípios são os representantes do Estado, já as freguesias e os seus presidentes são vistos, na maioria das vezes, como o primeiro contacto para a resolução de determinado problema. A par dos municípios, as freguesias são o garante do bem-estar das populações contribuindo para a melhoria das condições de vida, apoiando os cidadãos. O poder local desempenha pois um papel crucial na dinamização e desenvolvimento do país, desta forma a Revista Business Portugal, destaca os eventos tradicionais e típicos, alguns com dezenas de anos, que neste final de verão, princípio de outono, animam todos os cantos do nosso país e que contribuem para a manutenção e divulgação das tradições portuguesas, em território nacional e que atraem também os turistas. Nas próximas páginas damos destaque ao papel dos autarcas portugueses, homens e mulheres que acima de tudo abraçaram a missão de liderar e levar mais longe o município que lideram e esperamos trazer orgulho aos munícipes que aqui são contemplados e representados pelos seus autarcas e empresários. Contemple o que de bom tem o nosso país…

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municípios portugueses | município do cadaval - Vinhos leves

onde a história e a ruralidade se fundem É o concelho mais a norte do distrito de Lisboa. De imagem marcadamente rural, o município do Cadaval é dono de uma beleza ímpar pelas suas paisagens com encostas e vinhedos a perder de vista. Em entrevista à Revista Business Portugal, o presidente José Bernardo Nunes leva-nos a conhecer melhor esta vila.

A história do concelho remonta ao tempo em que os árabes, na sua permanência na península, habitaram esta região. Mas foi apenas em 1371, pelo rei D. Fernando, que a vila recebeu o foral, beneficiando mais tarde, em 1513, de novos privilégios atribuídos por D. Manuel. Atualmente, o concelho conta com uma área de 175km2 e cerca de 14 mil habitantes nas suas sete freguesias, estando a, apenas, 50 minutos de distância da capital. Com uma forte componente agrícola, a fruticultura tem um grande peso no concelho, com a Pera Rocha como rainha da economia local, fazendo do Cadaval o maior produtor – com cerca de 40 por cento da produção por ano a nível nacional – e o principal exportador deste fruto. As três centrais fruteiras existentes vão além da produção, realizando todo o processo desde a preparação, o embalamento e a fase final da comercialização. “Somos uma zona de pequena propriedade”, explica o presidente, “onde a maioria das explorações são detidas pelo próprio, que se associam em cooperativas e sociedades anónimas” de forma a comercializar a fruta e fazendo do concelho a capital da Pera Rocha. Já o setor vinícola é mais antigo. Com duas cooperativas e alguns produtores particulares, o concelho produz “vinho leve”, o qual, devido às características climatéricas específicas da terra, tem um teor alcoólico baixo, entre 9 e 10 graus. Ligeiramente gaseificado, é o vinho ideal para acompanhar entradas, peixes e marisco e pode ser consumido fora de refeições. Exportado para vários países, acumula diversos prémios nacionais e internacionais, sendo um dos cartões de visita do Cadaval. Mas o ex-líbris da vila é, sem dúvida, a Serra de Montejunto. Repartida com o concelho vizinho e com quase 670 metros de altitude, esta paisagem protegida no âmbito regional é conhecida, também, como a “Varanda da Estremadura”, uma vez que permite alcançar vistas longínquas. Forte pólo de atração turística, além das grutas e algares, da fauna e flora, é aí que podemos encontrar a Real Fábrica do Gelo, um marco da arqueologia industrial, construída em 1741. “Temos um turismo de natureza bem conservado com excelentes vistas”, informa José Bernardo Nunes, “e, estando perto de Lisboa, podemos proporcioná-lo com boas acessibilidades”. A ‘Festa das Adiafas’, que se realiza todos os anos, é um dos símbolos do património imaterial do concelho. Esta é uma festa antiga, que comemora o final das colheitas. O termo “adiafa” significa, precisamente, o tradicional banquete que os antigos proprietários vinhateiros ofereciam aos seus trabalhadores no fim de cada ano de campanha. “Durante muitos anos, quando a mecanização da agricultura ainda não existia”, explica o presidente, “as atividades envolviam mais mão-de-obra e era tradição oferecer, no final, uma refeição faustosa, com

José Bernardo Nunes Presidente

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município do cadaval - vinhos leves | municípios portugueses

animação e baile, de forma a estabelecer relacionamentos e convívios entre as pessoas”. Esta tradicional festa, que reúne gastronomia, espetáculos, exposições, colóquios e atividades equestres tem como objetivo preservar as tradições, passando-as aos mais novos para que eles próprios continuem a mantê-las e atrair cada vez mais o público exterior. Para José Bernardo Nunes, no futuro, o Cadaval continuará a ser um concelho maioritariamente agrícola, porém não esconde a vontade de ver surgir outras actividades complementares que venham enriquecer o concelho. “Com o setor do turismo em constante crescimento no país”, afirma o presidente, “e a nossa proximidade com Lisboa que tem cada vez mais procura, os turistas começam a alargar o seu horizonte e, desta forma, têm a oportunidade de chegar aos concelhos mais a norte, como é o caso do Cadaval”. Em jeito de conclusão, José Bernardo Nunes deixa uma mensagem aos leitores: “Visitem o Cadaval. Temos as paisagens bonitas dos nossos campos cultivados e a história gravada e conservada nas nossas coisas”.


municípios portugueses | comissão vitivinícola da região de lisboa - vinhos leves

A CVR espera este ano de 2016 uma colheita regular em que a quantidade vai apresentar perdas na casa dos 15% mas em que a qualidade será muito boa pois as uvas beneficiaram de um clima muito favorável durante o mês de Setembro e puderam recuperar das vicissitudes do Inverno e da Primavera passadas, e ainda do calor abrasador que se fez sentir este Verão. Tradicionalmente o Vinho Leve representa 10% do Vinho produzido e certificado pela Região e este ano, de 2016, tem aumentado o volume de vinho certificado em 12% em relação ao ano anterior e têm crescido as vendas de Vinho Leve também, em proporção semelhante. Os Vinhos Leves da Região dos Vinhos Lisboa, que se produzem hoje em dia são essencialmente os brancos e os Rosados ou Rosés. Na verdade o Atlântico, que sempre nos atraiu, e a barreira natural que é o Montejunto, criam um microclima muito marcado. As videiras de entre o mar e Montejunto dão origem a vinhos de baixo grau, frutados, com agradável acidez e notável equilíbrio. São os Vinhos Leves da Região de Lisboa. Brancos ou Rosados têm uma graduação alcoólica entre 9 e 10%Vol., podem beber-se a toda a hora, de cada dia, com peixe; mariscos; comidas pouco pesadas e sorvetes deliciosos. Os nossos Vinhos Leves beneficiam ainda e por causa do Oceano Atlantico, de uma constante humidade marítima que, no Verão, é extremamente útil pois substitui a rega de que tantas vinhas, noutras Regiões de Portugal, precisam absolutamente. Esta humidade chama-se o Rocio e para nós o Rocio quando vem é oiro que entra nas nossas vinhas. Os Vinhos Leves são exportados mas o seu mercado principal é o Doméstico e também o mercado dos países onde há emigrantes portugueses que o conhecem e utilizam. Este ano estão as uvas atrasadas e por isso estamos ainda em Vindima. Assim, deixo por aqui estas palavras e vamos festejar o Vinho Leve no Cadaval, na Festa das Adiafas! Vasco d’Avillez Presidente da Direção

Vasco D'Avillez Presidente da direção

CONCURSO DOS VINHOS LEVES DA REGIÃO DE LISBOA Desde há sete anos que se instituiu o Concurso dos Vinhos Leves da Região de Lisboa para incentivar quer a produção destes vinhos ótimos quer a procura e a divulgação deles junto do público consumidor e, muito importante também, junto da Restauração para que os encontre e os sirva e os divulgue. E porquê este cuidado? Porque o Vinho Leve é um produto muitíssimo bem adaptado à vida de hoje em dia em que todos procuramos ter cuidado com a ingestão de bebidas alcoólicas opor causa da condução, etc., e porque muitas pessoas procuram beber produtos que sejam de baixo teor alcoólico pois evitam aumento de peso, ou outras sequelas mais. Ora então o Vinho Leve, que é sempre um produto Certificado, ou seja neste caso é sempre um Vinho Regional Lisboa, tem esta característica de ter um baixo teor de álcool, pois o seu grau tem obrigatoriamente que se situar entre um mínimo de 9%Vol e o máximo de 10% Vol., e tem uma acidez que não pode estar abaixo de 4,5 gr/litro o que o faz ser muito “vivo” na boca e um ótimo aperitivo. O Concelho do Cadaval entendeu por bem há vários anos fazer lá, durante a Festa das Adiafas o Festival Nacional do Vinho Leve e por isso estes dois eventos estão desde há uns sete anos associados um com o outro. É já no próximo fim-de-semana, em 8 de Outubro de 2016, que abre a Festa das Adiafas no Cadaval e com ela o “ FESTIVAL NACIONAL DOS VINHOS LEVES - 2016” / CADAVAL.

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municípios em destaque | município de ponte da barca

no coração do

Parque Nacional da Peneda Gerês

Integrado no Parque Nacional da Peneda-Gerês, eleito Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO, o concelho de Ponte da Barca traz-nos a cor, o sabor e a tradição da região do Alto Minho.

António Vassalo de Abreu Presidente da direção

A barca que fazia a ligação entre as duas margens do Rio Lima deu o nome à vila que, segundo António Vassalo de Abreu, presidente da Câmara Municipal, existe desde 1125, mas foi apenas em 1513 que recebeu o foral pelo Rei D. Manuel. A ponte, essa, foi construída em meados do século XIV. Berço de Fernão de Magalhães, o homem que fez a primeira circum-navegação da História e foi o primeiro europeu a chegar às Filipinas, Ponte da Barca possui características naturais e tradicionais que faz questão de manter. “Somos um concelho com cor, uma vez que temos mais de metade do nosso território inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês”, começa por explicar o presidente, “um concelho com sabor devido à nossa gastronomia repleta de sabores fortes e um concelho com tradição pelo nosso empenho em manter as coisas da terra, como os monumentos e as romarias”. Concelho de contrastes e dono de uma beleza sublime, conjuga o azul dos rios, dos ribeiros, das praias fluviais e das quedas de água com o verde da Serra Amarela. Parte integrante do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Porta do Lindoso é uma das suas cinco portas, levando-

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nos ao Castelo onde podemos visitar o Núcleo Expositivo da Torre de Menagem que se insere no Centro Interpretativo do Património do concelho e que, aproveitando as tecnologias, ajuda os visitantes no conhecimento da zona. Destino turístico de eleição, foi o autarca quem assumiu o turismo como prioridade em Ponte da Barca e, hoje, depois de um forte investimento nas infraestruturas hoteleiras, a vila dispõe de excelentes condições de alojamento e conta com dois hóteis: um de quatro estrelas e outro de duas. No mês de Outubro será inaugurado um outro que terá quatro estrelas e é aqui, em Ponte da Barca, que fica aquele que é considerado o melhor parque de campismo do país e está nos oito melhores da Europa. “O turismo em Ponte da Barca é um setor que tem crescido a olhos vistos, temos apostado nesse sentido”, afirma, “o “boom” aconteceu devido à divulgação e à propaganda do Parque Nacional da Peneda-Gerês”. “O saber receber” caracterísitco das gentes da terra aliado ao crescente turismo tem agitado a economia do concelho. Mas Ponte da Barca é feita, também, de História e conta com três mosteiros românicos: a


Igreja de Bravães, um dos mais importantes monumentos românicos portugueses fundado no século XI por D. Vasco Nunes de Bravães; o Mosteiro de S. Martinho de Crasto que pertenceu aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho e foi fundado no século XII pelo fidalgo D. Onerico Soeiro; e o Mosteiro de Vila Nova de Muía fundado no século XII por Godinho Frajes de Lanhoso. Estes pontos fazem da Rota do Românico uma rota mais rica, existindo uma forte aposta na preservação dos monumentos sem descurar a arquitetura da vila. As pontes romanas, a arte rupestre na Serra Amarela e os 68 espigueiros que formam o maior núcleo de espigueiros da Península Ibérica, são outros exemplos que fazem deste concelho um local de visita obrigatória. Para os adeptos de desporto as condições estão reunidas, desde a canoagem e o canoeing, aproveitando as belíssimas lagoas, aos percursos de BTT e os passeios a cavalo. Na margem esquerda do Rio Lima está a ecovia que liga o município a Viana do Castelo com um trilho mensal organizado pela Câmara Municipal e devidamente sinalizado. De forma a aproveitar as potencialidades que se vão tornando cada vez mais visíveis, foi necessário um investimento no que diz respeito às vias de acesso à vila. O que outrora foi um problema para Ponte da Barca, hoje é uma ajuda imprescindível. “Estamos a 50 minutos do Porto, a 50 minutos de Vigo e de Ourense...a, praticamente, meia hora de Braga e a 20 minutos de Viana do Castelo, por isso posso afirmar que as acessibilidades são excelentes”, explicou António Vassalo de Abreu. No entanto, existe ainda um ponto fulcral que o presidente gostaria de ver resolvido: a ligação direta a Braga, por considerar ser uma necessidade não só para a vila como para toda a região. Porém, falar em Ponte da Barca não é falar apenas em natureza, turismo ou História. Falar em Ponte da Barca é falar, também, em cultura. A Biblioteca da vila, inaugurada recentemente, é uma das melhores do país e a Casa da Cultura, nas antigas instalações da escola primária barquense, acolhe todo o tipo de eventos culturais bem como a escola de Ballet e de Música da Câmara Municipal. Preservando a tradição, Ponte da Barca é considerada “a capital das rusgas populares”. Com 15 ranchos folclóricos, Ponte da Barca é palco das romarias e festividades mais conhecidas do Alto Minho, como a Romaria de S. Bartolomeu que se realiza todos os anos de 19 a 24 de Agosto e o Festival Folk Celta nas margens do rio Lima que conta já com nove edições e decorre em Julho. E não podemos esquecer a gastronomia que tanto caracteriza esta região. “Em Ponte da Barca come-se a melhor lampreia do país e temos o cabrito da Serra Amarela e o sarrabulho que fazem as delícias de quem nos visita”, quem o diz é o presidente e acrescenta, “lançamos, em 2015, um novo prato: Naco à terras de Nóbrega, confecionado com carne barrosã que também tem sido um sucesso”. De forma a divulgar e a destacar os sabores típicos da terra, a Câmara Municipal organiza cinco fins de semana gastronómicos por ano dedicados a pratos diferentes. De momento, o município assinou um protocolo com a EDP na cedência da primeira central hidroeléctrica do país inaugurada em 1921 à Câmara, onde será instalado o Museu da Eletricidade. Neste que é o último ano de mandato, António Vassalo de Abreu deixa uma mensagem aos barquenses: “Continuarei até ao fim com a mesma dedicação e o mesmo empenho com que entrei no primeiro dia. Os interesses de Ponte da Barca estão acima de tudo, sempre!”

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ARMAMAR, TERRA DE EMOÇÕES Armamar, terra de emoções, é uma vila portuguesa no Distrito de Viseu, Região Norte e sub-região do Douro, com cerca de 1400 habitantes. É sede de um município com 117,24 km² de área e subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a norte pelo rio Douro, a leste por Tabuaço, a sudeste por Moimenta da Beira, a sudoeste por Tarouca e a oeste por Lamego. O setor primário de Armamar consiste na produção de maçã de montanha, vinhos do Douro e Porto, queijos, fumeiros e enchidos. A maçã é o produto com maior importância económica e por isso Armamar é conhecida como ‘Capital da Maçã de Montanha’, sendo produzidos, anualmente, cerca de 70 mil toneladas deste fruto. Encontrando-nos às portas da Feira da Maçã que se realizará neste concelho nos próximos dias 21, 22 e 23 de outubro, a nossa revista preparou para si, nosso leitor de sempre, um especial onde juntamos a Câmara Municipal, com uma entrevista exclusiva ao Presidente da Câmara Municipal, João Paulo Fonseca, onde foi abordado tudo o que tem sido feito e necessita de ainda ser feito em Armamar, Juntas de Freguesia, com as palavras dos autarcas mais próximos da comunidade armamarense e empresas do município onde a maçã é rainha. O objetivo é abrir-lhe o apetite e convidá-lo a visitar esta região do interior do país que tanto merece ser conhecida. Fique para ver.

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hortoverin | armamar, terra de emoções

Investimento em Armamar A Revista Business Portugal, aquando da realização deste trabalho especial acerca do concelho, teve a oportunidade de conversar com o empresário espanhol Pedro García, um dos rostos dos que investem na região, que aproveitou o momento para nos falar um pouco sobre a sua empresa e, por outro lado, sobre o que o fez investir na capital da maçã de montanha.

“porque só assim se garante, efetivamente, qualidade”, reiterou. Atualmente a comprar mais em Portugal do que a vender, o nosso interlocutor considera Armamar a sua segunda casa: “Armamar ajudou-me a crescer muito e tenho um carinho muito especial por esta terra, já tenho muitos amigos cá”, confidenciou o espanhol. Como projeto a concretizar num futuro próximo, assume-se a constituição de uma organização de produtores, denominada de ‘Pomar de Montanha’, que iniciará atividade no próximo ano. No entanto, ainda durante a conversa com a Revista Business Portugal, Pedro García aproveitou o momento e alertou para a urgência de intervenção e ampliação do sistema de rega em Armamar que se encontra muito deficitário: “Armamar precisa de um plano ao nível da rega como de ar para respirar. É injusto uns terem água para efetuarem as suas regas e outros não. Podemos dizer que há agricultores de primeira e agricultores de segunda e esse é um fator muito negativo para a região”, concluiu. Em final de conversa ficaram os desejos do empresário: “Espero que a Hortoverín cresça economicamente, que ganhe muito dinheiro e que continue a crescer como tem feito até agora, penetrando novos mercados. Espero, também, que a minha empresa e Armamar continuem a crescer todos juntos”, finalizou.

Pedro García Administrador

Tudo começou há 16 anos, quando por incentivo de um cliente armamarense Pedro García decidiu apostar na maçã de Armamar: “Eu tinha um cliente em Armamar que me comprava maçãs, pêssegos e nectarinas de Espanha. Até que fui incentivado a comprar maçãs em Portugal, mais precisamente aqui em Armamar. Comecei por comprar 4 ou 5 camiões, no ano seguinte 10 e assim foi aumentando com o passar dos anos”, começou por revelar. Hortoverín é o nome de uma empresa familiar herdada do seu pai e gerida, atualmente, pelo nosso entrevistado, Pedro García, e por mais dois irmãos. Dedicada à comercialização de todo o tipo de frutas e hortaliças esta empresa emprega cerca de 45 funcionários, tem sede em Oímbra, Galiza, e é uma empresa que conta com uma ampla experiência no mercado, garantindo, sempre, produtos de qualidade a todos os seus clientes: “Trabalhamos com a grande distribuição em Espanha, grupos de lojas, hipermercados, armazéns de fruta, clientes particulares, de tudo um pouco”, explicou. Nas palavras do empresário espanhol, a maçã de Armamar “começa a ter uma grande procura a nível internacional porque é uma maçã cultivada em altitude e num clima muito bom”. Por forma a garantir a qualidade do produto que comercializa Pedro García afirma ter um técnico em Armamar que controla toda a fase de produção até que esta chegue à Galiza

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armamar, terra de emoções | município de armamar

Irá realizar-se nos próximos dias 21, 22 e 23 de outubro a 9ª edição da Feira da Maçã, em Armamar. Como forma de apresentação deste evento a Revista Business Portugal esteve à conversa com o presidente da Câmara Municipal de Armamar, João Paulo Fonseca, que aproveitou o momento para falar da feira, do município que preside e das gentes que representa.

Armamar, a vila capital da maçã de montanha, situa-se na região do Alto Douro Vinhateiro onde o vinho e a vinha predominam mas onde a maçã é rainha. Trata-se de uma maçã “com características únicas ao nível da doçura (mais doce) e também da textura (mais crocante)”, explicou-nos o presidente. A par disso, é uma maçã mais resistente e com uma durabilidade maior comparativamente com as maçãs produzidas nas outras regiões do país, o que permite que esta seja exportada em maiores quantidades. Por ano, são produzidos cerca de 70 milhões de quilos de maçã em Armamar, tornando este concelho o maior produtor de maçã do país. Mas, a par do vinho, da vinha e da maçã, o turismo tem conquistado o seu lugar e, segundo o nosso entrevistado “o turismo tem começado a despontar com o surgimento de diversos locais de turismo rural aliados a outras atividades atrativas ao nível do património cultural e imaterial”, referenciou João Paulo Fonseca. Foi com este propósito que Armamar se associou, também, às Jornadas Europeias do Património com a organização de diversos eventos culturais no concelho por forma a dinamizar as riquezas patrimoniais nele existentes.

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João Paulo Fonseca Presidente

Vem aí mais uma Feira da Maçã

Feira da Maçã 2016 No ano passado foram muitos os que visitaram a Feira da Maçã, realizada em Armamar, este ano esperam-se muitos mais. O mesmo se perspetiva relativamente ao número de expositores (no ano passado contavam-se 130, este ano esperam-se 150). “Temos expositores ligados à produção e transformação da maçã mas temos outros ligados aos queijos, aos vinhos e aos fumeiros, ou seja abarcando tudo o que de bom se faz em Armamar”, explicou-nos o autarca de Armamar. Muitas ações têm sido tomadas por forma a divulgar o evento, destacam-se: uma parceria com a CP que permitirá viagens mais baratas para quem quiser visitar a Feira, acordos com agências de viagens e ainda publicidade nas Caixas ATM. A promoção da Feira da Maçã tem sido muita e o próprio cartaz tem como principal objetivo: “promover as associações locais porque a maior parte da animação está a cargo delas”, adiantou-nos o nosso entrevistado.


município de armamar | armamar, terra de emoções Turismo e preservação da beleza natural O aumento exponencial das ofertas ao nível turístico e da procura desta região por parte dos mais diversos tipos de visitantes não é, para o presidente da Câmara Municipal de Armamar, uma ameaça à beleza natural que envolve Armamar. “A nossa paisagem natural está assegurada porque o plano de ordenamento do Alto Douro Vinhateiro é bastante restritivo, podemos é correr o risco de ficarmos sem pessoas. É necessário considerar as pessoas que vivem nesta região, que vivem da terra e do que ela tem para oferecer”, alertou porém. Considerando-se um presidente próximo dos seus munícipes, João Paulo Fonseca afirmou: “Eu costumo dizer que dos meus 7 mil habitantes eu devo conhecer 5 mil. Isto permite que haja mais proximidade e à vontade para me abordarem mais vezes. E eu gosto disso porque só estando perto deles percebo os seus anseios. Posso dizer que as pessoas de Armamar são as melhores do mundo. São muito trabalhadoras, gente que não verga perante as contrariedades, simples, humildes e acolhedoras”, completou. Projetos futuros De entre os diversos projetos em curso e promovidos pela Câmara Municipal de Armamar, destacam-se a ampliação do sistema de rega da Barragem de Temilobos que serve 700ha de pomar mas que pretende chegar a 1000ha. A construção de um Auditório e de uma Biblioteca e, ainda, um Pavilhão Desportivo que sirva também a comunidade escolar que está necessitada de novas infraestruturas para o desporto. Projetos morosos e de grandes dimensões que implicam um trabalho prolongado: “Podemos esperar uma recandidatura porque quatro anos é muito pouco tempo para conseguirmos por em prática aquilo que são os nossos projetos”, confidenciou o presidente. Daqui a oito anos os desejos do presidente para o seu município resumem-se numa frase: “Daqui a oito anos gostava de ver Armamar com mais gente”. Essa esperança é alimentada, também, pelo início da exploração mineira de tungsténio no concelho, que se for viável, permitirá a contratação de mais de 200 pessoas, resultando, consequentemente, na fixação de mais jovens em Armamar. Mas, a par desses acontecimentos, João Paulo Fonseca garantiu: “Nós, enquanto Câmara Municipal, vamos criar condições para que as pessoas se possam fixar no concelho”.

Em final de conversa, ficou o convite: “Quem visitar Armamar com certeza que irá encontrar um território de gente que acolhe de braços abertos. Quem vem a Armamar tem que provar o Cabritinho de Armamar com o seu recheio fantástico. Quem vem a Armamar encontrará maçãs, vinhos, queijos, enchidos e um património cultural e imaterial que vale a pena ser visitado e experienciado. Terra de emoções que é, Armamar garantidamente despertará muitas e boas emoções em quem por cá passar”, finalizou o autarca de Armamar.

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armamar, terra de emoções | freguesia de vacalar

Na luta contra a desertificação A desertificação do interior constitui-se um problema atual no país e lutar contra este fenómeno tem sido a principal postura de Fernando Paiva, atual presidente da Junta de Freguesia de Vacalar, local por onde a Revista Business Portugal passou e que ficou a conhecer através de uma conversa com o autarca. É considerada uma freguesia cem por cento rural onde a vinha e o vinho se assumem como a principal atividade económica: “Vacalar tem 770 hectares de área, só em vinha deve rondar os 300 hectares, provavelmente não há aqui 1 único hectare de terreno que não esteja cultivado”, começou por nos adiantar Fernando Paiva. Tendo contabilizado no ano de 2015 apenas 1 nascimento na freguesia e no ano de 2016 também apenas 1 nascimento, até agora, para o autarca a falta de jovens na freguesia e a desertificação da mesma afirma-se como sendo o principal problema a combater: “Estamos marcados pela desertificação devido à falta de oportunidades para os jovens. Só para terem uma noção, eu tenho 52 anos e todos me dizem “ah isso é bom para ti que és jovem”, isso reflete bem a realidade da freguesia. “Neste momento temos, apenas, 250 pessoas aglomeradas entre as povoações de Vacalar e São Joaninho”, lamentou, acrescentando: “Infelizmente o interior tem sido esquecido por parte do poder central e nós temos morrido aos poucos. Por este caminhar Vacalar será, no futuro, uma quinta em tamanho grande”. A par deste constrangimento, surgem outros que foram enumerados pelo presidente durante a entrevista à Revista Business Portugal: “Vacalar tem preocupações ao nível da construção de uma ETAR na freguesia, cerca de 25% da freguesia ainda não tem saneamento básico e isso não se coaduna com a região onde estamos inseridos, no Douro Património da Humanidade, o que ainda nos traz uma limitação muito grande ao nível da construção, porque, por pertencermos ao Douro, muitos terrenos estão protegidos e obedecem a diversas restrições que condicionam muito o investimento privado na região”, alertou o nosso entrevistado garantido estar a fazer todos os possíveis para que esta situação se inverta: “Tento fazer o que posso socorrendo as pessoas que mais precisam, prestando auxílio aos mais idosos porque julgo ser esse também o meu dever. Estou no segundo mandato e pretendo recandidatar-me porque considero ter a obrigação de continuar com o meu trabalho”, revelou-nos. Em tempos, tanto Vacalar como São Joaninho foram lugares anexos da freguesia de Armamar. Em 1958, Vacalar adquiria a sua autonomia administrativa: “Vacalar surgiu em 1958 de um desdobramento da freguesia de Armamar, ‘nasceu órfão de pai e mãe’ e, por isso, mantém-se relativamente atrasado quando comparado com outras freguesias do concelho. Devido a isso eu sinto-me na obrigação de continuar a lutar por Vacalar”, afirmou o presidente. Para o autarca: “Vacalar não é uma terra pobre, temos muitos hectares de vinha que produzem vinho muito bom”, o problema encontra-se na exploração destes terrenos por parte de empresários alheios à terra: “O problema do Douro é que os seus benefícios são levados por outros que não moram cá, os empresários têm as suas sedes no Porto Fernando Paiva Presidente

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freguesia de vacalar | armamar, terra de emoções tecer um convite aos nossos leitores para uma visita à sua terra natal: “Venham visitar-nos, as nossas pessoas são hospitaleiras. Temos a Capela de Santa Ana, temos a nossa Igreja Matriz, em São Joaninho temos a Capela da Sra. do Carmo e temos, claro, a nossa maravilhosa paisagem onde se pode respirar este ar puro”, finalizou Fernando Paiva.

ou em Gaia e é lá que deixam todos os impostos. Às pessoas de cá resta-lhes apenas o trabalho”, garantiu o autarca na esperança de consciencializar a sociedade para esta situação. Encontrando-se já em final de época de vindima, Fernando Paiva abordou, também, a colheita deste ano: “Este ano houve uma quebra de produção muito acentuada devido às chuvas fortes que se fizeram sentir em Maio. Há pessoas que perderam toda a sua produção. Uma das grandes causas deste facto é a falta de mão-de-obra, não há mão-de-obra na freguesia, aqui a maior parte da vinha ainda está por mecanizar e, por isso, falta-nos gente para fazer face às nossas necessidades”, explicou. Numa conversa com o propósito de consciencializar a região e o país para as necessidades do interior tendo em conta todas as mais-valias que este tem para oferecer, ainda houve tempo para o presidente da Junta de Freguesia de Vacalar, situada no concelho de Armamar,

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armamar, terra de emoções | freguesia de s. martinho de chãs

Onde ‘nasceu’ o pomar

Chegou a vez de conhecer São Martinho de Chãs, uma freguesia onde predomina essencialmente a plantação e exploração de pomares. Estivemos com o presidente da Junta de Freguesia desta localidade, Sérgio Silva, que abordou todos os motivos pelos quais Armamar merece ser visitada, bem como a sua freguesia.

Sérgio Silva Presidente

São Martinho é uma freguesia bastante grande com três povoações: S. Martinho, Gogim e Lumiares e, foi durante uma conversa intimista, realizada na própria casa do autarca da freguesia, que a Revista Business Portugal ficou a conhecer melhor a região e mais

freguesia, pela mão de D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manuel de Vilhena (9.º conde de Vila Flor e 2.º de Alpedrinha). Era um famoso engenheiro agrónomo e a ele se deve a experiência bem-sucedida da cultura da maçã em Gogim.

propriamente a freguesia de São Martinho de Chãs. Com cerca de 500 habitantes residentes e 700 eleitores, esta é uma freguesia essencialmente agrícola onde predomina a produção de maçã: “Somos a freguesia onde a fruticultura começou aqui na região”, afirmou orgulhoso Sérgio Silva, seguindo-se a explicação uma vez que a cultura da maçã terá surgido, nesta

A freguesia de São Martinho das Chãs situa-se na parte sul do Município e já numa zona de transição para climas mais frios, teve e tem uma agricultura diferente da que se encontra nas freguesias mais a norte, junto ao vale do Douro. Aqui se produzia antigamente muito cereal, nomeadamente centeio e milho, azeite e vinho. Nos dias de hoje já não se vê cereal nem

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freguesia de s. martinho de chãs| armamar, terra de emoções

azeite e, mesmo vinhas, são muito poucas. A cultura dominante é a maçã. Gogim é o centro da fruticultura do Município. Na freguesia estão concentradas grande parte das unidades de refrigeração que conservam toneladas de maçã entre o período da colheita e expedição para os pontos de venda. Encontrando-se no seu último mandato, o nosso entrevistado garante: “Por um lado sinto-me realizado mas por outro tenho pena de não ter conseguido fazer mais. Sou muito próximo dos meus fregueses, eles recorrem a mim diretamente para resolver qualquer problema, seja para preencher uma declaração ou para fazer face a uma maior necessidade”, disse, confidenciando que vai ser difícil abandonar a presidência da Junta de Freguesia da sua terra natal: “Vai-me custar porque ficou o bichinho”. Pode ler-se no site da Câmara Municipal de Armamar, no separador dedicado à freguesia de São Martinho de Chãs e, foi também destacada por Sérgio Silva, a beleza desta freguesia e os motivos pelos quais deve ser visitada. Enumerando por povoações podemos encontrar: As ruas de São Martinho, estreitas e compondo na sua totalidade um povoado muito compacto, remontam ao típico ordenamento medieval. Um passeio pela povoação é assim quase uma viagem no tempo. Do património de S. Martinho ressalta a importância da Igreja Paroquial, coeva da de Armamar e das mais antigas do Município. Este é um monumento que requer uma visita atenta para apreciar alguns pormenores interessantes: um relógio de sol na parede sul; a torre do relógio e a cornija repleta de modilhões representando motivos simbólicos. Em Gogim, merece destaque pela sua beleza, imponência e importância histórica a Casa Grande. Residência nobre, é o único solar existente no Município e aqui viveram os condes de Vila Flor e Alpedrinha. Tem capela particular de invocação a S. Domingos. Do património de

Lumiares, que terá sido muito rico, pouco resta. A capela paroquial, de invocação a Sra. da Graça persiste juntamente com o pelourinho, muito embora este tenha sido transformado em cruzeiro. No entanto não há grandes vestígios da arquitetura urbana medieval, nem dos paços nobres que foram habitação dos filhos de Egas Moniz e depois de D. Abril Peres, senhor do Condado. A par dos seus colegas de outras Juntas de Freguesia, também Sérgio Silva lamentou a falta de investimento no interior do país: “O interior está esquecido e isso nota-se em demasia. É no litoral que tudo acontece. É lá que está a gente mas nós também merecemos que olhem para nós e, talvez, apostando no interior consigamos cativar pessoas para cá. Nós somos quem produzimos maioritariamente a nível agrícola e também temos que ser valorizados. Posso dizer-vos que, atualmente, nós sofremos de falta de mão-de-obra. Principalmente mãode-obra qualificada. Falta-nos gente e jovens formados para nos ajudar nas nossas culturas”, lamentou o presidente. Desejando que no futuro se aposte mais nas pessoas do seu concelho e da sua freguesia, o autarca de São Martinho de Chãs deixou um convite aos nossos leitores: “O concelho e a freguesia têm muitas coisas boas, começamos pela paisagem, temos ainda um pouco de rio Douro, temos os pomares, as vinhas, as serras, património religioso e uma gastronomia muito boa. Vale a pena vir a Armamar! Fica também o convite aos nossos políticos para virem, também eles, conhecer as mais-valias de Armamar”, finalizou.

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armamar, terra de emoções | freguesia de armamar

um lugar

de história, tradição e paixão

Armamar localiza-se a sul do vale do Douro, numa encosta íngreme, tendo aos seus pés a cascata da Misarela, um miradouro de onde se avista o cenário paisagístico do Douro.

Executivo da Junta

A história da agora extinta Freguesia de Armamar está ligada à do próprio concelho. Assim, em 1189, Armamar foi doada ao Mosteiro de Santa Maria de Salzedas. Mais tarde, em julho de 1194, D. Sancho I atribuiu-lhe o foral que foi renovado a 3 de maio de 1514 por D. Manuel I e em outubro de 1855, Armamar foi levada a cabeça de comarca. Do património histórico destaca-se a igreja matriz, de invocação a São Miguel, patrono da freguesia, único monumento no Município classificado como monumento nacional; algumas capelas, muitas delas propriedade anexa de casas brasonadas; as ruelas do lugar do Outeiro, com reminiscências do período medieval; e a cascata da Misarela, com o seu miradouro. Da freguesia faz ainda parte a povoação de Travanca, onde há também diversas casas brasonadas dignas da atenção de quem por ali passa, exemplo da Casa Grande. Merecem ainda destaque a capela de São Cristóvão, padroeiro de Travanca, a capela de Santo António (1665) anexa da Casa Grande, a capela Sra. do Bom Despacho (1679) e a Capela da Sra. Das

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Neves (1669). Na freguesia têm expressão, em termos económicos, o setor dos serviços mas também a agricultura, caracterizada pela produção de vinhos de mesa e generosos, e maçã. O setor secundário está representado por unidades de transformação de carnes instaladas em Travanca, algumas industrializadas e outras de âmbito mais familiar. Coura A 7 km da sede concelhia, Coura está abundantemente documentada com vestígios arqueológicos diversos, especialmente castros e edificações dolménicas. Aqui se encontram vestígios pré-históricos, que vêm desaparecendo ao longo do tempo. Também aqui “passava” uma via da época romana tendo ficado alguns troços da mesma a caminho de Arícera. O solo arenoso e pobre, associado a terrenos com grandes declives ditaram que a agricultura fosse, ao longo dos tempos, praticada em pequenos “calços” onde se produz batata, maçã e castanha. Antigamente eram cultivados cereais como trigo, centeio e cevada. A juntar à agricultura, fazia-se criação de gado ovino e caprino. A aldeia conserva ainda muito da arquitetura de povoado medieval que facilmente transportam para uma viagem no tempo quem a visita. Para além do património já referido, merece destaque a igreja dedicada a São João Baptista, em tempos filial de Armamar. Há também uma capela de invocação a São Vicente, junto do cemitério. Tões O local primitivo de implantação do povoado de Tões terá sido num declive da Fraga da Pena, lugar das Cortinhas, não muito distante da capela da Sra. da Guia. E, de facto, lá têm aparecido alguns vestígios arqueológicos (restos de cerâmica e outros). O primitivo templo de Santa Maria localizava-se no lugar das Cortinhas e daí terá surgido o culto à Sra. da Guia. Em Tões conta-se ainda a capela de Sto. António, a capela da Sra. da Graça, particular e integrada na Quinta da Lama Redonda e a Fonte Velha (1701). A romaria à capela da Sra. da Guia, na segunda-feira de Páscoa, foi sempre muito concorrida. A Quinta da Lama Redonda, “villa” rústica no século XII, é digna de referência no património da freguesia. É composta por vinhas e uma casa solarenga de dois pisos com capela particular (a que já se fez alusão). Em Tões produz-se vinho, fruta e batata. Os cereais, trigo e centeio, foram cultivados noutros tempos. O Monte Raso era considerado um grande “celeiro” na aldeia e fora dela.


FIGUEIRA DA FOZ EM DESTAQUE Situada a 40 quilómetros de Coimbra, entre o rio, a serra e o mar, a Figueira da Foz é uma cidade para explorar. Conhecida como a “Rainha das praias de Portugal” a cidade dispõe de longas praias de areia branca fina ou macia, de mar ondulado ou liso, os seus eternos encantos, que dão para todos os gostos e convidam a férias e passeios que têm tanto de tranquilos como de divertidos. Referenciada pelos diversos desportos náuticos, a cidade proporciona momentos de lazer junto do rio Mondego e passeios ao ar livre no Parque das Abadias e na Serra da Boa Viagem. Se durante o dia o mar é o ex-líbris desta cidade e o Verão um dos pontos altos, há um outro lado que a Figueira da Foz pretende manter: a noite. Conhecida, também, pelo Casino Figueira que vem trazer a animação e oferece uma panóplia de espectáculos, a cidade conta com inúmeros restaurantes, bares e esplanadas que fazem as noites de quem por lá passa. A passagem pelo Bairro Novo é obrigatória, uma vez que é aí que se concentram a maior parte das atrações urbanas da cidade. A gastronomia, essa, é um reflexo de costumes e tradições das gentes desta terra que se prendem com a pesca e, por isso, a sua riqueza está na base do peixe que é, automaticamente, sinal de qualidade. Do pescado fresco ao marisco, das caldeiradas à sardinha assada, as refeições terminam com a Brisa da Figueira como sobremesa. Mas nem só de praia e noite vive a Figueira da Foz. Apreciar o seu património histórico é, em si, conhecer a cidade. Assim, são vários os monumentos de património arquitectónico, arqueológico e natural que nos ajudam a perceber um pouco mais da sua beleza e cultura. Venha connosco descobrir os encantos desta cidade!


figueira da foz em destaque | casino da figueira

espaço e tempo de partilha

É na Figueira da Foz que fica o casino mais antigo da Península Ibérica em funcionamento permanente. Foi em finais do século XIX, a 3 de Setembro de 1884, que o Casino Figueira abriu portas e hoje, 132 anos depois, continua a ser um marco importante na cidade. É no centro da Figueira da Foz que se encontra este edifício que se destaca, à primeira vista, pela modernidade da sua arquitetura. Sendo o Casino mais antigo da Península Ibérica em atividade permanente, a sua fachada sofreu várias alterações ao longo dos tempos, passando da arquitetura tradicional do último quarto do século XIX à arquitetura exterior atual de fachada em vidro sem, todavia, alterar o que quer que seja do seu interior. Apesar da sua fundação em 1884, é apenas em janeiro de 1928 que o, à data, Casino Peninsular, recebe o alvará, o primeiro alvará a ser emitido depois da primeira lei do jogo que surgira em dezembro do ano anterior, encontrando-se no presente a viver o sexto contrato de concessão. Como casino o vetor, primeiro e sustentador da sua múltipla atividade, é o jogo. Mas ficar-se apenas por este aspeto está longe de corresponder à totalidade de uma atividade múltipla, diferenciada, que se processa e desenrola em simultâneo. Será uma visão demasiado

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casino da figueira | figueira da foz em destaque redutora ver-se este espaço apenas como um local de puro jogo. Comprovadamente, o CASINO FIGUEIRA “é um templo do tempo livre, vivido socialmente em bom ambiente”, e, por isso, contém todas as atividades de natureza lúdica, alicerçadas “no convívio, na amizade e na alegria da vida”. Desta forma, o casino absorve e conjuga, entre si, três componentes importantes: o jogo, a gastronomia e a cultura, seja pelo espectáculo, seja pelo pensamento, ouvido, partilhado e construído conjuntamente. Do ponto de vista histórico, o casino tem tradição no que diz respeito à passagem de grandes nomes como, por exemplo, o ter sido o palco do primeiro espectáculo internacional do cantor Julio Iglesias em 1970. Neste casino, também, também aconteceram festivais da canção, as Galas dos Pequenos Cantores e, durante décadas, foi o espaço natural dos festivais internacionais de cinema da Figueira da Foz. Desta forma, este casino teve sempre um papel associado à história de grandes acontecimentos no âmbito nacional. Dono de uma beleza única, o Casino Figueira, no seu interior transporta os presentes para a ambiência e envolvência dos casinos do Mónaco com as suas imponentes salas e os seus fabulosos tectos onde o clássico respalda esse transporte imaginado. Complementarmente, o casino dispõe de equipamentos e espaços que acolhem, frequentemente, seminários, conferências, reuniões de negócios, aniversários, casamentos e outros eventos sempre enriquecidos pelo melhor da gastronomia e programações cuidadas. Sendo a Figueira da Foz uma cidade turística, com naturais características de sazonalidade, o Casino empenha-se, desde sempre e particularmente desde que passou a zona permanente de jogo, nos idos 70 do século passado. em atenuar as derivadas de tal característica, ajustando a sua oferta, em conteúdos, cadência e calendários às necessidades de saudavelmente provocar a procura, através de uma oferta atraente. Num mercado onde a concorrência cresce a olhos vistos, os cidadãos têm, agora, outras alternativas de lazer que não existiam antigamente. A exigirem da oferta, no maior e mais absoluto respeito pelas decisões da procura, a conceber e colocar em prática aos naturais anseios de uma procura que hoje sabe, muito mais e muito melhor selecionar o que lhe agrada, como espaço, tempo e modalidades de sociabilização do lazer com qualidade. A cidade e o casino Do imaginário nacional parece resultar a noção de que quando, no país, se invoca o nome da cidade e concelho da Figueira da Foz, invariavelmente, a primeira associação espontânea derivada é “CASINO”. Tal associação espontânea e imediata pode até provocar uma fusão de conceitos, conteúdos e realidades. O que estará bem longe de corresponder ao real. O que deixa um acréscimo de responsabilidade sobre o CASINO de modo a impedir que este incorra em ofertas que induzam menos-valia nessa espontânea associação memorial. Tal é tão mais verdade, quanto persiste em se manter, no global e no geral do país um preconceito depreciativo em relação à palavra Casino e em relação aos seus operadores (apenas 10 no território continental). O reforço da concorrência, nas novas formas e na sua dimensão e número de operadores – de par com a modernização dos anteriores competidores -, não foi de modo a esbater e anular o entendimento geral perverso sobre a realidade CASINO. Neste particular, resistente, difícil aspeto de reserva social face à atividade de operador de Casino, pouca ou nenhuma evolução, por atenuação de reserva, os tempos modernos aportaram. Muito embora o jogo hoje, ande portas adentro de cada família, e tenha pontos de distribuição de conveniência, como qualquer outro tipo de comércio de conveniência vicinal. Parcerias e agenda A alternativa é pois o estabelecimento de parcerias com entidades de reconhecida e inquestionável valia nacional, para que colocando valências em comum se alargue o leque de possibilidade de a população aceder a acontecimentos em que participe presencialmente, beneficiando da partilha das competências que os melhores garantem neste espaço. Em parceria com professores catedráticos da Universidade de Coimbra, decorre, presentemente um ciclo de conferências sob a égide do lema “Outros olhares. Outros pensares”, com entrada livre e aberto a toda a população. Pelo 3º ano consecutivo, da parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores o casino será palco do “O casino das Artes” onde se juntam dois nomes improváveis do mundo arte, sendo que no próximo mês de novembro contará com o maestro António Vitorino de Almeida e o cantor Emanuel. Com o ISCAC, decorre pelo terceiro ano consecutivo o ciclo de pensamento sob o quadro das UTOPIAS XXI. Porém, a ocupação do tempo livre requer, hoje, um esforço maior e, por isso, a busca de novos projetos cada vez mais atractivos é permanente. Segundo o administrador, “há que conhecer a alma dos residentes e dos aderentes” de forma a conseguir criar as condições para que o casino continue a ser um local de partilha. Podemos dizer que existe um grande esforço numa agenda completa que saia da rotina, permitindo atrair cada vez mais pessoas ao casino. Em jeito de conclusão, Domingos Silva deixa uma mensagem aos que ainda não presenciaram a grandeza do Casino Figueira: “Venham visitar este casino que é um caso único de beleza, que, sendo o mais antigo da Península Ibérica, tem sabido responder aos desafios dos tempos e que sempre praticou um princípio fundamental de vida: respeito”.

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figueira da foz em destaque | briosa conservas

a excelência da conserva portuguesa

Natural de Matosinhos e desde sempre ligado ao mar, Dr. António de Pinho Faustino fundou a Briosa Conservas, na Figueira da Foz, após a adesão de Portugal à CEE. Hoje, é a filha Marilúcia Faustino de Souza e o genro Elvécio Souza quem leva a empresa “a bom porto”.

Equipa Briosa Conservas

Foi cedo que Faustino emigrou para o Brasil onde abriu fábricas de conservas e iniciou, assim, o seu negócio. Com o 25 de abril, as oportunidades de investimento em Portugal cresciam e levaram o empresário a adquirir várias empresas no norte do país, sempre ligadas à indústria conserveira. Mas foi apenas com a adesão portuguesa à CEE que Dr. Faustino criou a Briosa Conservas de Pescado, LDA. de raíz, alargando, dessa forma, o centro de negócio que, até então, se fazia na sua terra natal, Matosinhos, por considerar que havia um potencial a explorar na Figueira da Foz. No entanto, este início que parecia tranquilo tornou-se difícil com a abertura do mercado europeu às conservas vindas de Morrocos e que faziam concorrência, com custos de produção inferiores, às conservas portuguesas. Com uma estrutura montada e o plano delineado, a Briosa conseguiu encontrar um equilíbrio e adaptar-se aos mercados. Voltada desde a sua fundação para a produção em massa, a empresa rapidamente atingiu o mercado europeu com altos padrões de qualidade e exigência. De forma a cumprir todos os critérios estipulados pelos seus clientes, houve uma forte preparação e aposta na certificação exigida pelos mercados. Focada, essencialmente, nesse tipo de cliente, a Briosa Conservas

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de Pescado decidiu enveredar, paralelamente à linha de produção de produtos mais comuns, pelo caminho do “produto gourmet”, um produto especial com uma qualidade superior e onde são usados, apenas, “os melhores lotes do melhor peixe”. Os aromas são agradáveis e a imagem, essa, é mais cuidada, levando a que exista uma maior diversificação dos produtos que são adaptados aos padrões e gostos dos mercados. O trabalho, esse, é essencialmente manual, no método tradicional, diferenciando assim o produto. “No estrangeiro, a conserva sempre foi vista como um produto de qualidade e saudável”, começa por explicar Marilúcia Souza, “enquanto que em Portugal houve sempre um estigma associado à conserva como um produto menor, e por isso nunca foi valorizada”. No entanto, esta nova forma de se fazer a conserva veio alterar a visão que os portugueses tinham sobre ela e o mercado começa a dar sinais de que “os tempos são outros”. Também os turistas tiveram um papel crucial nesta nova dinâmica do sector através da crescente valorização que foram dando ao produto e que se traduz numa fase “muito positiva” para a Briosa Conservas de Pescado, uma vez que dispõe de “instalações, do conhecimento, da tradição familiar e de pessoal qualificado”. Embora Portugal comece a dar os primeiros passos nesta nova abordagem à conserva, o mercado nacional representa uma pequena percentagem da produção da empresa. Assim, é o mercado externo que ganha força, dando valor ao produto português pela certeza de que “a qualidade é excelente”. Neste momento, a “Briosa Gourmet” conta com os mercados francês, alemão, inglês, japonês e americano, enquanto que a restante gama é exportada para o Canadá, Inglaterra, África do Sul e Israel. Mas desengane-se se pensa que não pode adquirir as conservas “Briosa Gourmet” em território nacional: existem nas melhores lojas gourmet e mercearias no Porto e em Lisboa que vendem os seus produtos, e, hoje, são cada vez


briosa conservas |figueira da foz em destaque

mais os hóteis que oferecem uma degustação aos seus clientes, também disponibilizando para venda. “Estamos, também, a entrar no mercado online”, contam, “brevemente, os nossos clientes vão poder fazer as suas encomendas através do nosso site”. O peixe é fresco. A proximidade do mar traz as sardinhas e as cavalas que “quase pulam para dentro da fábrica”. E há peixe que vem de Matosinhos, Sines, Sesimbra, Olhão e Portimão. Futuro Actualmente com 75 funcionários, a Briosa Conservas de Pescado pretende aumentar esse número para 90, fruto de um investimento recente que trouxe espaço por onde crescer. No que diz respeito aos produtos e mercados, o plano passa por criar novos sabores e alargar a presença geográfica, participando já este mês na SIAL Paris, uma das principais feiras internacionais da indústria alimentar. Marilúcia Faustino de Souza conclui: “Queremos levar a “Briosa Gourmet” como uma marca portuguesa de referência o mais longe possível”.

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figueira da foz em destaque | Atlanticeagle Shipbuilding

Ao serviço da indústria naval Num trabalho sobre a Figueira da Foz, é perentório falar sobre a indústria naval, ou não estivéssemos numa cidade onde o mar é a sua excelência e ex-libris. Assim, a Revista Business Portugal visitou a Atlanticeagle Shipbuilding e conversou com o CEO, Joaquim Peres.

• Instalações com uma área total de 60.000m2; • Serviços de mecânica, carpintaria, oficina de encanamentos, oficina de enformação, de pré-fabricação, de corte e estação de decapagem por granalha; • Construção naval em alumínio e aço; • Construção de grandes estruturas metálicas; • Serviços de apoio: ALI – apoio logistico integrado; manutençao programada, assistência 24h, assistência técnica ao cais e serviço pós-venda

Falar da construção naval em Portugal é recuar até 1944 data da fundação dos Estaleiros Navais do Mondego e à construção do seu primeiro navio, em 1947. Desde cedo se assumiram como a maior construtora naval do país. Em 2012, uma equipa composta por quadros da indústria de construção e reparação naval criou a Atlanticeagle Shipbuilding para a aquisição dos ativos e concessão das instalações dos Estaleiros Navais do Mondego. Joaquim Peres revelou-nos a história adjacente à sua criação. “Somos uma empresa recente, com apenas quatro anos e meio. A sua criação partiu de mim e de um amigo, Carlos Costa,

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que esteve desde sempre ligado a esta área, mesmo antes de nascer, pois o seu avô foi um dos fundadores de um estaleiro naval em Aveiro. O Carlos Costa percorreu todos os departamentos da empresa de construção naval onde trabalhou, subiu todos os degraus que havia a subir, apesar de licenciado em Engenharia de Eletrotecnia”. Já o nosso interlocutor, licenciado em Economia, entrou para este ramo há 16 anos, como representante de duas empresas nacionais na administração dos estaleiros de S. Jacinto. “As coisas foram correndo bem, pois este é um setor de atividade muito interessante e que nos envolveu por completo”, refere. Joaquim Peres e Carlos Costa sentiram ser chegada a hora de criarem de raiz um grupo ligado à construção e reparação naval “começámos com um objetivo que era aproveitar o potencial do poder marítimo dos países da CPLP e fazer a partir de Portugal um grande grupo de construção e reparação naval”. Assim que tiveram conhecimento da situação do estaleiro da Figueira da Foz souberam de imediato que aquele seria o local ideal para o projeto, pelo que se candidataram ao concurso de concessão, ganharam e, assim, nasceu a empresa. “Neste momento podemos afirmar que temos uma carteira de encomendas cheia e vários projetos em curso e temos a perspetiva, dentro de um grande projeto que temos na CPLP, de abrir outros estaleiros”.


Atlanticeagle Shipbuilding |figueira da foz em destaque A arte da construção naval em Portugal O setor da construção naval em Portugal é, segundo o nosso interlocutor, um verdadeiro polo de desenvolvimento. E esclarece: “Esta é uma área que gera uma microeconomia fantástica e de uma qualidade soberba. Estamos a falar de operários extremamente especializados e certificados. Aqui na Atlanticeagle Shipbuilding, contamos com 140 funcionários”, acrescentando que o entristece não haver uma maior aposta em Portugal nesta área, “com todo o potencial que temos na construção naval”, acrescentando que apenas existem cerca de quatro estaleiros de dimensão expressiva a funcionar no nosso país. A empresa da Figueira da Foz executa a obra na sua totalidade, fazendo também reparações. “Temos capacidade para fazer todo o tipo de embarcações, sendo que o nosso mercado é, quase a 100 por cento, para o exterior. Centralizamos a nossa operação em Portugal, mas mantemos parcerias com países da Europa, África e América Latina”, refere. A sua mais recente aposta passa pela inovação e pela qualificação. “Estamos a implementar certificações em lean management, qualidade, ambiente, sistemas de gestão de saúde, segurança e também certificação de responsabilidade social”. Projetos em curso Atualmente, a Atlanticeagle Shipbuilding está a desenvolver um projeto através de uma nova tecnologia, o ASV – Air Supported Vessel, em que o design do casco do navio forma uma almofada de ar que lhe permite deslocar-se na água, tendo menos atrito e atingindo, com o mesmo motor, velocidades mais rápidas, consumindo menos combustível. “É um projeto que estamos a desenvolver com uma empresa norueguesa. Uma lancha de fiscalização em fibra de carbono, com design moderno e desenhada por arquitetos navais portugueses, em que toda a embarcação pode ser à

Joaquim Peres CEO

prova de bala”, revela. A empresa está também a trabalhar na construção de um ferry com 71.30 metros, considerado um navio de médio porte, para Timor. Joaquim Peres refere que “temos projetos inovadores, apostamos constantemente na inovação e no desenvolvimento que nos trará uma mais valia sempre, ao mesmo tempo que nos mantemos focados no cliente e nas suas exigências. Há uma procura constante em novos métodos, equipamentos”. Questionado sobre o futuro, Joaquim Peres afirma que “o nosso futuro é seguirmos o caminho que temos seguido, com calma e sem dar passos maiores que a nossa perna. Queremos apostar nas energias renováveis aqui no nosso estaleiro e queremos continuar a nossa aposta na inovação e nas parcerias de forma e evoluirmos com o nosso trabalho e a crescer enquanto empresa”, conclui.

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figueira da foz em destaque | gil & pedrosa

Honestidade, qualidade e melhor serviço para o cliente Figueira da Foz é a terra natal de Nuno Gil e da esposa, Maria Pedrosa, que em 1982 emprestaram os nomes ao projeto que fundaram: a Gil & Pedrosa, Lda., empresa de transportes públicos. Os seus produtos não poderiam ficar em melhores mãos.

Nuno Gil Administrador

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A Revista Business Portugal visitou as instalações da empresa em Marinha das Ondas. Fomos recebidos por Nuno Gil, que começou por nos contar que o seu passado profissional “não tinha nada a ver com a área”. Na verdade, era funcionário na marinha mercante, nos navios de carga e passageiros, mas tinha “gosto pela condução e pelos camiões”. Estavam lançados os dados do destino e nasce então a Gil & Pedrosa Lda., constituída no ano de 1982 pelos seus dois sócios Nuno Gil e Maria Gil. Atualmente, a Gil & Pedrosa Lda., conta com uma vasta experiência no setor dos transportes, a qual foi sendo adquirida ao longo destes de 30 anos, e que permite assim ter uma equipa dinâmica e profissional, garantindo uma resposta rápida e eficiente conforme as necessidades do mercado. As suas prioridades passam pela melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados, pela reorganização interna e pela implementação do SGQ – Sistema de Gestão da Qualidade, o qual está certificado pela TÜV Rheinland, contribuindo para uma imagem renovada no mercado. Conta com uma frota de cerca de 30 viaturas e embora atualmente façam “de tudo um pouco e todo o tipo de transporte”, a Gil & Pedrosa dedica-se com maior frequência aos componentes de automóveis, nomeadamente para a Autoeuropa, com quem trabalham desde 1996. Ainda em 1996, a Gil & Pedrosa começa a realizar transportes a nível internacional e foi de tal forma bem-sucedida que, atualmente, essas transações representam 95 por cento do serviço da empresa. Espanha e Alemanha são alguns dos destinos mais habituais. A grande flexibilidade e coordenação entre os operadores de tráfego e motoristas é um dos grandes trunfos que permite ir de encontro aos requisitos do cliente e que tem proporcionado um crescimento de forma sustentável. De tal forma que a crise, que afetou muito o setor, não teve um impacto tão forte. “A nossa intenção”, declara Nuno Gil, “é sempre produzir e criar mais emprego”.


gil & pedrosa| figueira da foz em destaque Sendo a Gil & Pedrosa, Lda., sócia maioritária de um grupo de empresas de transportes, a Transactor Logística - Transportes e Serviços, Lda., que nasceu em 1996, tem assim a possibilidade de criar sinergias com outras empresas do grupo - Grupo Tansactor, o que faz com que haja uma boa prestação dos seus serviços, redução de custos e satisfação do cliente. Não podemos esquecer também a Fortral, Fornecimentos para Transportes, Lda., fundada em 1998, que surge com o intuito de reduzir os custos de consumíveis ao Grupo Transator. Este setor de atividade “está muito carregado com requisitos”, algumas facilidades seriam bem-vindas, comentou o administrador. Outro contratempo é a concorrência, que tem um peso considerável. “Nós temos o cuidado de fazer tudo de acordo com a legalidade, ter bom equipamento e servir bem o cliente, primamos pela qualidade, embora às vezes o cliente ligue mais aos números”, desabafou Nuno Gil. Outro percalço é o preço dos combustíveis, que representam uma “pedra enorme” no ‘sapato’ da empresa. Para gerir essa dificuldade, a empresa recorre ao abastecimento no país fronteiriço, onde fica mais barato. Apesar de todos os possíveis obstáculos no seu caminho, a Gil & Pedrosa tem conseguido executar os objetivos a que se propõe e manter o crescimento constante e sustentado, ao mesmo tempo que cumpre sempre os requisitos que são exigidos por lei. “O lema da empresa sempre foi trabalhar com honestidade, respeitar a concorrência e servir o cliente da melhor forma possível”, declarou. “O cliente de hoje em dia exige que tenhamos todos os requisitos e que fique tudo declarado”, contudo, na hora de escolher, o preço do serviço suplanta a qualidade do mesmo. “A concorrência não permite impor ao cliente valores mais altos, apesar de isso poder representar um serviço melhor. O cliente sabe que tem excesso de oferta e não aceita”. No final da nossa visita à Gil & Pedrosa, Nuno Gil fez denotar que os seus dois filhos darão continuidade à empresa.

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figueira da foz em destaque | diagnosticom

O conforto nos cuidados médicos Porque é que os utentes deveriam escolher a Diagnosticum, Clínica de Diagnóstico, para realizar os seus exames ou consultas? A resposta é simples: Comodidade. Não encontrará outra clínica na Figueira da Foz cujas valências estejam todas localizadas no mesmo espaço.

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Em Figueira da Foz, mais especificamente na Rua Afonso de Albuquerque, a Diagnosticum congrega os serviços de análises clínicas em parceria com o Laboratório Aeminium, radiologia, ecografia, eletrocardiografia e consultas de cirurgia, medicina geral e familiar, ginecologia, oftalmologia, ortopedia, dermatologia, nutricionismo e muitas outras especialidades. Graças a uma parceria com a sua associada Rui Gradiz, Lda., são também realizados na Diagnosticum exames de colonoscopia e endoscopia com ou sem sedação, sendo que a realização do exame sob anestesia torna o procedimento mais rápido e indolor para o paciente. Tem esta Clínica acordos com o SNS, ADSE, SAMS, PSP e ainda com várias seguradoras na área dos seguros de saúde, tais como a Multicare e Advancecare. A regular atualização de equipamentos têm permitido melhorar a qualidade de diagnóstico com práticas menos agressivas para o utente. Porque o conforto dos nossos clientes tem sido uma constante preocupação, fizeram recentemente uma grande alteração no espaço físico do edifício, que permite um melhor atendimento e bem-estar àqueles que os vão honrando com a sua preferência. Porque o setor da medicina privada é a cada dia uma incógnita maior para as pequenas


diagnosticom | figueira da foz em destaque Fundação A Diagnosticum, Clínica de Diagnóstico da Figueira da Foz, Lda foi constituída em 1985, tendo iniciado a atividade em 1986. A sua fundação ficou a dever-se a um grupo de clínicos de várias especialidades, que entenderam desta forma preencher uma lacuna na assistência médica na complementaridade ao HDFF. Ultrapassadas algumas dificuldades iniciais, e decorridos trinta anos de atividade regular, tem esta empresa uma situação financeira estável, que lhe permite enfrentar o dia-a-dia sem grandes sobressaltos, apesar da situação económica do país não ser nada favorável.

ou médias empresas como a Diagnosticum, a sua preocupação imediata fica-se pela manutenção da estabilidade económico-financeira da empresa, aguardando com esperança a chegada de melhores dias que lhes permitam outras oportunidades.

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figueira da foz em destaque | o peleiro

“Venham visitar O Peleiro” Na Figueira da Foz, o restaurante O Peleiro é local de paragem obrigatório. Quem lá vai, irá com certeza voltar depois de provar as especialidades da casa: o cabrito, as espetadas de lulas e a sopa da pedra.

Já nos anos 80, quase toda a família trabalhava no O Peleiro e não tinham mãos a medir. Aos pratos da casa juntou-se as espetadas, primeiro de carnes mistas e depois de lulas, que Fernando Santos fazia. Esta última “atualmente é, talvez, a espetada que mais sai”, apesar de terem uma gama variada. O cabrito só está disponível às quintas-feiras e aos sábados, espetadas há todos os dias. Todos os pratos são feitos na hora, nesta instituição não servem pré-cozinhados, e todos os dias ao almoço têm casa cheia. Os figueirenses têm orgulho no restaurante da terra e com razão. O nosso narrador declara que “o cliente aqui é um amigo, não temos clientes de passagem. Eu costumo dizer que com um garfo e uma colher na mão fiz muitos amigos, são como se fossem família”. Festas, casamentos, batizados, “também fazemos”, enuncia, “e temos também uma pequena sala chamada Executive para pequenas reuniões de negócios”. Quanto ao futuro, Fernando Santos deixa-o ao cuidado dos seus sobrinhos, Octávio e Cristiano Paiva, que juntamente com os pais, Maria da Conceição e Henrique, formam os cinco sócios esta empresa. Afinal de contas, este é um restaurante familiar. Semanas temáticas e dias festivos Há cerca de três ou quatro anos a restauração passou por uma fase menos favorável. O Peleiro soube adaptar-se e assim surgiram as semanas temáticas. “Sentimos a necessidade de fazer alguma coisa para chamar as pessoas”, declarou Octávio Paiva. A Semana do Cabrito é realizada duas vezes por ano: uma vez duas semanas antes da Páscoa e a outra na segunda ou terceira semana de novembro. “A primeira semana temática correu menos bem, mas nós não desistimos, mudamos a estratégia e desde então que estes eventos têm sucesso”. Fazem “publicidade direta” através de cartazes e recorrem a um carro clássico que percorre as ruas. “Tudo isto faz com que as pessoas venham cá”, e de tal forma correu bem que “já vamos para a quinta ou a sexta semana do cabrito, as pessoas já começam a perguntar quando é e telefonam para cá para reservar”, não vá o prato esgotar. Nestas alturas, o preço é “especial”, ou seja, reduzido, enquanto a qualidade se mantém excelente, como sempre. Já a espetada de lulas tem uma única semana por ano dedicada a si, na primeira quinzena de julho. Questionado do porquê dessa data, o sócio explicou que este era um prato “mais leve, uma comida que sabe bem de verão, e também porque esta era uma altura do ano com menos frequentadores no restaurante”, de forma que decidiram apostar e para o ano será a

Fernando Santos Administrador

O princípio O restaurante O Peleiro tem o seu primórdio nos anos 50 e 60, quando Rogério Morgado e a esposa, Lucinda da Costa, começaram a fazer uns “petiscos” para os feirantes da Figueira da Foz. Fernando Santos, genro do casal, sentou-se connosco à mesa e serviu-nos a deliciosa história desta casa. “A minha sogra tinha umas mãos de ouro para cozinhar, de coisas baratas fazia petiscos, eu provei alguns, era uma cozinheira ótima”, é desta forma que somos introduzidos na narrativa. De boca em boca, foi-se sabendo deste feito e gerou-se algum interesse à volta do mesmo. “Mais tarde”, prossegue Fernando Santos, “começou a fazer um cabrito, que se tornou apreciado pelas pessoas que vinham e provavam”. Na mesma altura, “começou também a fazer uma sopa forte, com carnes, com batata, com feijão. Um dia, eu disse à minha sogra que isto era sopa da pedra. Ela disse que eu estava maluco”, conta-nos o administrador entre risos. De facto, sem qualquer intenção de plágio, Lucinda da Costa acertou na receita da chamada sopa da pedra. No entanto, a sua própria receita é “parecida, mas melhor”, como a própria diria. Durante cerca de uma década continuaram a servir cabrito e sopa aos muitos que apareciam.

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o peleiro | figueira da foz em destaque lulas e a sopa da pedra. Mas é, de facto, por este último que se tornaram a referência que são hoje. A inovação está presente neste empreendimento: comercializam para fora a sopa da pedra, em embalagens próprias de take-away. “É confecionada aqui, a mesma sopa que faço para servir aos meus clientes pode levar para casa, para saborear”, asseverou Octávio Paiva. Têm centros de venda, locais onde se pode encontrar essa iguaria na Figueira da Foz mas também em Coimbra e Leiria.

terceira vez que se realizará esta ocorrência. No Dia da Mãe e no domingo de Páscoa quebram a rotina estabelecida do restaurante e abrem ao público, algo que não acontece nos outros domingos. Nesses dias servem o cabrito assado, “um dos pratos neste momento que é muito bem visto”, do qual “as pessoas gostam”. A boa fama vai-se espalhando, de tal forma que já conseguiram “trazer pessoas de varias zonas do País”, já para não falar dos figueirenses. O ex-libris da casa O Peleiro tem três pratos de referência, pelo qual o restante é conhecido: o cabrito assado, a espetada de

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VILA NOVA DE PAIVA E VOUZELA É no distrito de Viseu que ficam situados os dois municípios que lhe apresentamos nas páginas que se seguem. Por um lado temos Vila Nova de Paiva, chamada de Barrelas até finais do século XIX, concelho de montanha onde mais de 80% do território está acima dos 800 metros. Nesta vila de paisagem marcada pelo xisto, com uma floresta que se perde de vista e os três rios que a atravessam: o Paiva, um dos mais limpos da Europa, o Côvo e o Rebentão, a natureza favorece a prática de caminhadas e a praia fluvial convida a um mergulho nos dias de calor. A gastronomia tradicional baseada no peixe do rio e na caça dos animais da região como o coelho ou o javali, faz a delícia dos visitantes. E são vários os monumentos que se destacam como a Igreja Matriz e os Paços do Concelho, com o pelourinho de Alhais de Baixo e de Fráguas que assumem importância histórica no concelho. Por outro temos Vouzela, o Coração do Centro que, beneficiando de uma excelente localização geográfica, entre a serra e o mar, é dona e senhora de uma beleza natural que se alia ao património e à história. Aqui encontramos uma forte marca da ruralidade e da tradição que Vouzela soube manter onde podemos encontrar o artesanato e um importante património arquitectónico que se mistura com a história a de onde se destacam monumentos como a Igreja Matriz ou a bela Capela de São Fei Gil. Não podemos esquecer do Parque da Nossa Senhora do Castelo que nos dá uma vista sublime sobre a terra, e onde se encontram a Ermida de Nossa Senhora do Castelo e o Parque de Capismo. Razões mais do que suficientes para nos acompanhar nesta viagem.

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vila nova de paiva | União de freguesias de vila nova de paiva, alhais e fráguas

“Convidamos todos a

visitar-nos!” A Revista Business Portugal viajou até Viseu e teve o prazer de conhecer a União das Freguesias de Vila Nova de Paiva, Alhais e Fráguas. Fomos recebidos pelo presidente, Ilídio Cruz, pelo secretário, Manuel Afonso e pela tesoureira, Carla Pais Rodrigues, com quem estivemos à conversa.

Comecemos por fazer um retrato socioeconómico da União das Freguesias de Vila Nova de Paiva, Alhais e Fráguas. A União de Freguesias de Vila Nova de Paiva, Alhais e Fráguas é a maior das cinco freguesias que constituem o concelho de Vila Nova de Paiva. Com uma área de 37,21 quilómetros quadrados e 2.028 habitantes, é uma freguesia marcadamente rural, cujas principais atividades assentam no setor da agricultura, caça e pesca. Há também uma indústria cada vez mais desenvolvida e em crescimento: temos indústrias de transformação e comercialização de granitos, calçado, móveis, eletrónica, serralharias, bem como aviários, indústrias de carnes e panificação. Também o setor do comércio está em franca expansão. De referir a Feira de Barrelas, de origem possivelmente tricentenária, que se realiza aos sábados quinzenais, que agita a freguesia e o nosso concelho. Quais são os pontos fortes da região? É uma freguesia que tem na natureza e no Rio Paiva (o rio menos poluído da Europa) o seu maior ex-líbris. Este nosso rio desempenha um papel diversificado na nossa economia e sociedade local: outrora conduzia a dinâmica dos moinhos e pisão (ainda hoje conduz alguns), é alfobre de apreciadas pescarias, a cadência perene é suficiente para alimentar as culturas de regadio e espraia-se de forma a proporcionar estâncias balneares. De que forma o turismo se expressa na região? É uma freguesia com características únicas naturais, culturais e tradicionais capazes de atrair visitantes. São estas características conjugadas entre si, com os equipamentos fundamentais e com o desenvolvimento social/cultural que criam condições atrativas para o turismo de natureza, de aventura, de lazer, e descanso. O que nos pode dizer acerca do património da União de Freguesias? Também a história marca a nossa freguesia, são muitos os vestígios históricos que se podem encontrar nas nossas terras: símbolos religiosos e administrativos de soberania, autonomia e poder de um passado presente que passo a passo marca o nosso futuro. São eles as igrejas, as capelas, os pelourinhos, as antas, as orcas, as necrópoles, entre tantos outros. O nosso património resulta do nosso passado histórico e das nossas condições geográfico-naturais. São estas circunstâncias que moldaram a nossa cultura, o nosso caráter franco, generoso e hospitaleiro das nossas gentes e das nossas terras. É uma freguesia de contrastes entre o velho e o novo, o urbano e o rural, terras de saberes e sabores onde a nossa gastronomia anda de mãos dadas com a riqueza e a rara beleza paisagística do nosso concelho e da nossa região. Assim sendo, falemos da gastronomia. Quais os vossos pratos típicos? Somos conhecidos pelas trutas do Rio Paiva. Aliás, há um prestigiado Festival da Truta que se realiza anualmente na praia fluvial de Fráguas. Também somos afamados pelos fumeiros tradicionais, pelos pratos de caça (javali, lebre, coelho e perdiz que abundam na nossa Freguesia) e os nossos muito procurados cogumelos. Aqui também se sente o despovoamento? À semelhança do que acontece no interior norte do nosso país, também as nossas terras sofrem com o envelhecimento e a desertificação da população. Como atrair para esta região investimento, empresas e jovens? Apoiar e criar emprego (e fixar a população), implementar e desenvolver iniciativas nas áreas económicas, culturais, desportivas e sociais são preocupações e prioridades do nosso executivo.

Ilídio Cruz Presidente

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União de freguesias de vila nova de paiva, alhais e fráguas | vila nova de paiva A União de Freguesias está envolvida em algum tipo de ação social? Na área social a União de Freguesias de Vila Nova de Paiva, Alhais e Fráguas está abrangida por três estruturas sociais: um Lar, uma Unidade de Cuidados Continuados e um Centro de dia. As valências de apoio domiciliário completam ainda os serviços de apoio aos nossos idosos. Já na área desportiva e cultural, a nossa freguesia apoia os diversos e demais clubes, associações e instituições da nossa área territorial. E uma palavra final para os nossos leitores? Por tudo isto, convidamos todos vós a visitarem-nos e apreciarem o que de melhor temos.

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vila nova de paiva | Cáritas da Paróquia de Queiriga

“O idoso é a nossa razão de existir” A Cáritas da Paróquia de Queiriga, no concelho de Vila Nova de Paiva, Viseu, a funcionar na Casa de Santa Maria, oferece o melhor cuidado para a sua população mais idosa através do centro de dia, apoio domiciliário e lar. A instituição faz a diferença e melhora a qualidade de vida dos utentes.

Direção da Cáritas da Paróquia de Queiriga

O dia a dia é feito de pequenos momentos, curtos instantes que definem a vida de quem está ao cuidado do Centro Social de Queiriga. Encontrámo-nos com o vice-presidente José Luís Santos, a quem o Padre Augusto Gomes passa a palavra, por confiança e porque o primeiro está presente desde a origem da instituição. Questionado acerca da missão da Cáritas da Paróquia de Queiriga, responde que procura “dar o melhor acolhimento possível” aos utentes do mesmo e “colaborar para a sua longevidade”. Refere-se a cuidados com a higiene, alimentação, medicação que é tomada de forma rigorosa, mas também entretenimento. “Durante a semana, todas as manhãs são preenchidas com atividades lúdicas. Desenho, cultura, ginástica adequada… É uma colaboração que temos com a Câmara Municipal”. Tudo é feito para proporcionar ao idoso um quotidiano estável e agradável. O vice-presidente refere que está presente em quase todas as refeições “para falar um bocadinho com eles”. Constantemente em cima do acontecimento, procura saber o mais possível sobre aqueles que estão ao seu cuidado. Afinal, são como família. “Esta freguesia tem como característica uma população predominantemente emigrante e os emigrantes procuram-nos com frequência para deixar cá os seus familiares. Têm um grande apoio nesta

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instituição. O idoso fica à nossa responsabilidade. Partem com a certeza de que os seus familiares ficam bem entregues”. Também no apoio domiciliário procuram saber qual o estado do idoso, através do colaborador que vai servir a refeição e fazer a limpeza, e comunicam à família. De um modo geral, as famílias dos idosos reconhecem que a instituição não falta com o apoio em todas as circunstâncias, sentem que os familiares são bem tratados e agradecem. Na sociedade atual, a esperança média de vida está cada vez mais longa. Nesse aspeto, o centro social desempenha um papel muito importante. O aparecimento da instituição melhorou muito a qualidade de vida do idoso. Atualmente, o lar conta com sete ou oito utentes acima dos 93 anos e até um com 100 anos! A fundação deve-se ao falecido Padre Donato de Almeida e Cunha e teve origem numa pequena casa que funcionava como a sopa dos pobres. Corria o ano de 1981 quando o referido Padre Donato pede ao seu afilhado, José Luís Santos, a José Custódio, a João Lopes, a Ricardo Encarnação e a Maria Marques para colaborarem com ele. Deitaram “mãos à obra” e nasceu o centro de dia e apoio domiciliário para os cidadãos de mais idade da freguesia de Queiriga.


Cáritas da Paróquia de Queiriga | vila nova de paiva O passo final seria o lar, que surgiu já em 2006, apesar de este empreendimento ter sido pensado antes de 2000. “Começámos a pensar no projeto, nas licenças, muita burocracia, tudo com a ajuda de voluntários”. A obra nasceu mas nem tudo foram rosas: “As instituições são bonitas no dia da inauguração. Depois algumas coisas vão falhando”, desabafou o Vice-Presidente. Problemas e dificuldades não faltaram, mas a determinação destes empreendedores tudo tem ultrapassado. Da Segurança Social receberam, na altura, 36 mil contos, cerca de 180 mil euros. O custo total da obra, no entanto, foi de 108 mil contos (mais de 500 mil euros). “Felizmente temos uma situação financeira saudável. Fizemos alguns pedidos ao fundo de socorro social, no caso de existir a possibilidade de recebermos algum subsídio, mas até hoje nada. Tivemos uma revisão de acordo, através da qual passamos a ter apoio domiciliário, centro de dia e lar”. Procuram conter ao máximo os gastos mas há aspetos em que são “exímios”, mesmo que isso exija um maior esforço financeiro. “A limpeza, a alimentação, o trato, o respeito, a higiene, a saúde e o acompanhamento hospitalar, tudo isto é a nossa maior preocupação”. O professor José Luís acrescenta firmemente que “o idoso é a razão de existir desta casa”, o que justifica a exigência que impõem a si mesmos e aos colaboradores da instituição, a quem proporcionam formação para garantir conhecimento abrangente no tratamento do idoso. A boa fama espalha-se, de tal forma que há sempre pedidos de utentes em lista de espera para o lar. No que toca a projetos que ainda estão por concretizar, há a necessidade urgente de fazer uma revisão de acordo com a Segurança Social, “caso contrário não temos pernas para andar”. Neste momento, o lar tem 24 camas aprovadas pela Segurança Social, mas apenas 12 comparticipações. Há 26 apoios domiciliários aprovados mas realizam apenas 20. Para o centro de dia, há 15 aprovações mas só sete utentes. Numa situação ideal, a Segurança Social retiraria alguns apoios no centro de dia e no apoio domiciliário para os recolocar no lar. O Centro Social de Queiriga proporciona trabalho a cerca de 20 funcionários, a quem a

instituição agradece toda a colaboração e dedicação. Os rendimentos provém exclusivamente do que recebem dos idosos e da Segurança Social. “Não estamos nesta Instituição para obter lucro, mas alguma coisa temos que ter” para a tornar cada vez mais eficaz. Em jeito de conclusão, José Luís Santos deixou uma palavra muito especial à sua equipa de trabalho constituida pelo Padre Augusto, por José Carlos, pelo professor Calçada, pela professora Arminda, por Maria Marques e por Manuel Teixeira, um grupo que o presidente conseguiu reunir e que vive intensamente a causa social nestas terras de Queiriga. Referiu também a cooperação da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, Junta de Freguesia de Queiriga e da Associação ‘Os Queiriguenses’. Referiu ainda o bom relacionamento com o Centro Distrital da Segurança Social de Viseu. O Padre Augusto Gomes reuniu esta equipa e desde o início que a sua colaboração, através da Igreja, foi fundamental. Agradeceram também à população que participa nas atividades festivas, ajuda a organizar e a montar o espaço.

Padre Donato de Almeida e Cunha Fundador

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vouzela | freguesia de campia

Uma freguesia bem cuidada Falamos-lhe agora da freguesia de Campia que com cerca de 40 quilómetros quadrados constitui a maior freguesia do concelho de Vouzela. Assim, por forma a conhecermos melhor esta localidade, estivemos à conversa com o seu presidente Carlos Duarte, que de entre muitas outras coisas, se focou na beleza da sua terra e nas potencialidades turísticas que oferece.

Carlos Duarte Presidente

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Dono de um restaurante reconhecido na localidade, Carlos Duarte assume-se como um presidente bastante próximo dos seus fregueses e, em entrevista, referiu que a principal dificuldade de se ser presidente de Junta é saber dizer que não: “Eu sou presidente desde o início deste mandato e candidatei-me por insistência do atual presidente da Câmara Municipal. Encabecei a lista por gosto pela minha freguesia e, até agora, faço um balanço positivo porque trabalhar com o público no restaurante dá-nos uma perspetiva diferente das suas necessidades. Mas é preciso saber dizer sim e saber dizer não, é difícil, mas a política ensina-nos isso”, afirmou o presidente. Distinguindo-se pelo cuidado e limpeza permanentes às suas ruas, Campia deve grande parte da sua beleza aos emigrantes: “A nossa freguesia é limpa e conta com o carinho de muitos emigrantes que fazem questão de financiar a manutenção de muitas ruas e rotundas”, explicou-nos o autarca, mostrando-se agradecido. Com cerca de 1700 habitantes e apesar de ter uma população bastante envelhecida, a par do resto do país, em Campia também residem muitos jovens, tornando a realidade desta localidade bem diferente das demais localidades do interior do país: “A freguesia de Campia está muito bem situada, estamos a 1500 metros da A25 que nos liga a todo o lado. Vive-se bem em Campia, a Junta de Freguesia é muito poucas vezes chamada a intervir na área de ação social, por exemplo”, referiu.


freguesia de campia | vouzela

No que diz respeito às atividades económicas localizadas em Campia, o presidente enumerou: “Nós temos muita indústria, apicultura, metalurgia e agricultura. É uma freguesia muito industrial. É a maior freguesia do concelho de Vouzela em termos de industrialização. Das 100 maiores empresas do concelho 32 estão em Campia”. Com olhos postos nestas potencialidades, o presidente garante mais medidas para cativar mais jovens para a sua freguesia: “Estamos a fazer o alargamento da zona industrial e estamos a fazer o desaterro para uma nova urbanização. Essas são as nossas principais obras, criadas

Tenho contacto direto com o presidente e ele está muito atento à realidade das freguesias”, concluiu. Como exemplos de locais a visitar e eventos a descobrir, o presidente falou-nos, na primeira pessoa, e revelou-nos o que não se pode perder em Campia: “Temos a Santa Milagrosa, Temos a Lagoa, temos a Igreja Matriz, temos o Cruzeiro da Independência, com mais de 200 degraus e temos um parque de lazer junto ao rio. Temos os leandros que são umas flores lindíssimas que florescem em maio e, se não me engano, só aqui e no Algarve elas florescem em grandes quantidades. Temos o Carnaval que sempre foi muito forte, temos as festas de S. Miguel, da Sra. dos Milagres, de Santiago. Temos a ceifa do centeio, ou seja, temos o ano cheio de festas”, contou-nos o presidente. Tendo como principal objetivo para o seu mandato o loteamento da nova urbanização de Campia, o presidente mostrou-se muito empenhado na sua tarefa enquanto presidente e quando questionado sobre as pessoas de Campia, mostrou-se perentório: “As pessoas de Campia são pessoas humildes”, garantiu. Em final de conversa, ficou o convite do autarca para os nossos leitores se deslocarem até Campia à descoberta da localidade da Santa Milagrosa: “Devem vir visitar a nossa Santa, experienciar os restaurantes da freguesia porque aqui

precisamente a pensar na cativação dos jovens para Campia. A criação de emprego é, assim, a nossa principal medida para cativar os jovens para a nossa freguesia”, reiterou Carlos Duarte que acrescentou, ainda, a boa relação que a Junta de Freguesia de Campia mantém com a Câmara Municipal de Vouzela: “A relação com a Câmara é muito boa, muito honesta.

come-se muito bem, visitar o rio e a montanha. Temos uma paisagem muito natural, venham porque vale a pena visitar Campia”, finalizou.

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vouzela |advogado sérgio pimenta

As mudanças no Direito A Revista Business de Portugal nesta edição passou pelo concelho de Vouzela e decidiu dar ênfase a um dos seus advogados, Sérgio Pereira, que nos deu uma entrevista sobre o seu trabalho e as suas opiniões sobre advocacia, nos dias que correm.

Sérgio Pimenta Advogado

Sérgio Pereira admite que não teve sempre o sonho de ser advogado “não vou dizer que desde criança queria ser advogado, porque não é verdade”, mas o seu primeiro ano de faculdade foi passado a estudar Arqueologia em Coimbra, “efetivamente tive alguma paixão pela arqueologia”, comentou. Não foi o curso que tirou pois apercebeu-se que não iria arranjar emprego facilmente, por tal, no final do primeiro ano transferiu-se para direito, “que era o que eu inicialmente pretendia”, afirma. Após terminar o curso em direito, estagiou em Viseu e começou a advogar em 1995. Fez uma pós-graduação em Direito do Trabalho, sendo este o direito ao qual está mais ligado, Desloca-se semanalmente a Viseu, onde presta serviços a um sindicato dos motoristas, e

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a Oliveira de Azeméis para prestar o mesmo tipo de serviço à delegação de Aveiro desse sindicato. O escritório principal situa-se em Vouzela, onde trata de todo o tipo de casos de advocacia, como contratos, arrendamentos, cobranças e reais. Os serviços prestados ao Sindicato são direcionados para o direito do trabalho em Viseu, Guarda e Aveiro. Sérgio Pereira destaca-se por estar mais familiarizado com as áreas dos transportes e dos motoristas, “é de facto uma área que domino bem, já são 20 e poucos anos que estou nesta área”, comenta. Outro assunto relevante que discutimos, foi o facto de se sentir cada vez mais mudanças na justiça portuguesa, “a justiça de hoje não é mesma que existia quando comecei a advogar, até mesmo as relações com os juízes e procuradores foi alterada”, comenta. Um dos problemas que o Estado causou a Vouzela foi o fecho do tribunal que existia, que fez com que diminuísse o fluxo de pessoas que por aqui passavam, “foi o recuo da sociedade, tendo retirado o pouco de vida que esta vila já tinha”, afirma. Na opinião de Sérgio Pereira, “na justiça deveria haver maior respeito pelas classes, e pelas funções de cada um, porque todos somos necessários”. Recorda que, no inicio da sua carreira a relação que existia entre advogados e juízes era de cordialidade, convívio, respeito e educação, enquanto que, hoje em dia, parece existir atritos entre ambos. Culpabiliza, para a alteração de toda essa situação, o Estado pela forma como forma os advogados e os juízes, e também a crise que há muito se vem instalando em Portugal. Critica o facto de os estudantes de hoje em dia não receberem tão boa formação como deveriam, “quem começa a advogar, pelo menos as pessoas que eu conheço, não têm grande formação jurídica e por isso não conseguem expor os seus conhecimentos a níveis práticos”, expõe. Os cursos de direito deveriam apostar numa vertente mais prática. O futuro para Sérgio Pereira é visto com alguma ambição. Gostaria de abrir uma sociedade de advogados com um colega, “pois entendo que a advocacia se faz pela especialização, que é muito importante, uma vez que a área do direito é muito extensa e complexa”, menciona. Apenas sabe que não poderia ser em Vouzela, “é um meio muito pequeno e não permite a especialização em nada”, explica. Seria um ponto a explorar, para Sérgio Pereira pois considera-se “um inovador” e se existisse um projeto interessante pensaria no assunto, “mas nunca criaria nada sozinho”, terminando assim a sua entrevista.


farmácia teixeira| vouzela

Farmácia de uma vida Aos 91 anos de idade, Telmo Figueiredo, continua a trabalhar na sua farmácia, pois diz ser “uma necessidade” que precisa de manter enquanto tem condições para tal.

A Farmácia Teixeira é o nome da farmácia na sede do concelho de Vouzela criada pelo avô de Telmo Teixeira de Figueiredo, Cesário Teixeira, e que passou para a sua posse em 1975. Sempre foi uma farmácia com orientação de esquerda, apesar de Telmo Figueiredo afirmar que “nunca foi de nenhum partido político”. Telmo Figueiredo nasceu em 1925, licenciou-se na Faculdade de Farmácia do Porto em 1949 e depois de cumprir o serviço militar em 1950, regressou a Vouzela para assumir a direcção da farmácia. É um homem culto e viajado, com 91 anos continua a trabalhar, pois diz que manter actividade é uma necessidade, “a melhor forma de ocupar o tempo é a trabalhar e enquanto houver tempo e condições é o que irei fazer”, afirma. Tem três filhos “que se preocupam demasiado”, comenta, até na condução são imperativos “não me deixam conduzir para lado nenhum, e eu ainda tenho carta”, comenta de uma forma engraçada”. Por ter

dado tanto de si a Vouzela, em 2006 a Câmara Municipal de Vouzela, atribuiu-lhe a Medalha de Ouro do Concelho. O proprietário explica-nos de que forma esta empresa é regida. Através do cumprimento absoluto da legislação farmacêutica e de um atendimento rigoroso feito ao público, do qual está de serviço 24 horas todos os dias da semana, também pela noção constante da responsabilidade social e do papel na promoção da saúde. Ali trabalham três farmacêuticos, que asseguram o bom funcionamento, e cinco técnicos de farmácia. Estes são motivados pelo bom ambiente existente entre todos, e pelo facto de, deste modo, tornarem a farmácia um lugar feliz para se trabalhar. A Farmácia Teixeira mantém uma boa relação com as farmácias de toda a região, por tal não faz comparações com as mesmas. Telmo Figueiredo vê o setor farmacêutico em Portugal de forma esperançosa actualmente, pois após uma prolongada crise, que atirou para a insolvência centenas de farmácias por todo o país, “finalmente existem indícios de um futuro promissor”, comenta. O futuro da Farmácia Teixeira passa por estar atento às exigências atuais e às necessidades futuras dos nossos utentes. Esse caminho já há muito tem vindo a ser desenhado, especialmente pela Associação Nacional das Farmácias. Também contamos com o programa ABEM, que visa apoiar todos os portugueses necessitados no acesso aos medicamentos que são receitados pelos médicos, e com a qual já se conseguiu a adesão formal de duas instituições, a União das Misericórdias Portuguesas (UPM) e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), que são apenas dois exemplos do caminho que deve ser seguido. Um dos principais objetivos futuros no nosso sector é

o acompanhamento diário do doente e a proximidade geográfica, que culminem numa relação de confiança entre o farmacêutico e o utente. Para finalizar a entrevista, Telmo Figueiredo, deu a sua opinião sobre o tema da auto-medicação, explicando que o farmacêutico tem um papel central no uso racional dos medicamentos que não estão sujeitos a receita médica, pois tem de aconselhar da melhor forma possível, o utente, para que este esteja bem informado sobre o que irá tomar e de como deve medicar-se corretamente. Para tal existem protocolos que permitem acompanhar o doente para usufruir das medidas terapêuticas corretas.

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AÇÃO SOCIAL O trabalho das Misericórdias, instituições centenárias, tem vindo a ser reconhecido ao longo dos tempos, quer na erradicação da pobreza quer no combate à crise. Estes agentes da Economia Social preconizam inúmeras iniciativas que, são indubitavelmente cruciais e determinantes na superação dessas dificuldades e incontestáveis para o progresso das comunidades, oferecendo um importante contributo no referente à criação de emprego, assim como no âmbito do desenvolvimento local. Com uma forte tradição de intervenção social, estas instituições têm feito bastante em prol do nosso país. Pela sua longevidade, pela sua importância na sociedade portuguesa e pela sua capacidade de se adaptarem às sucessivas mudanças, continuam a ser instituições de carácter e assumem em si um vasto leque de serviços e respostas sociais. Nesta edição da Revista Business Portugal, laçamos um olhar sobre a Santa Casa de Misericórdia de Lamego com cerca de 500 anos de história que tem um conjunto de respostas sociais dedicadas à infância e à terceira idade, a Santa Casa da Misericórdia de Armamar com 62 anos que pretende difundir o bem através do amor ao próximo, sentimento tantas vezes esquecido, na satisfação de carências sociais através de um acompanhamento personalizado e contínuo e, por último, a Santa Casa da Misericórdia de Montalegre uma instituição secular e pilar importante no apoio aos mais desfavorecidos na comunidade. São estas as instituições que assumem a missão de desenvolver uma plataforma institucional que permita a prestação de um serviço de excelência a todos os utentes e demais interessados nas atividades da Santa Casa, promovendo, assim, a respetiva inclusão social intrínseca na sua identidade.

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Espalhar a semente do bem-fazer

misericórdia de armamar | ação social

Sem olhar a trabalhos, sacrifícios, contrariedades e renúncias, eis que Armamar mostra com justificado orgulho a existência de uma instituição que veio dar satisfação à generosa e filantrópica intenção com que sonharam os seus fundadores. Há 62 anos que a Santa Casa da Misericórdia de Armamar está a difundir o bem que se espelha num dos mais puros sentimentos do homem – o amor ao próximo.

Manuel Correia Silva Provedor

A Santa Casa da Misericórdia de Armamar é uma Instituição do concelho de Armamar que visa satisfazer carências sociais na área da terceira idade através de um acompanhamento personalizado e contínuo. A instituição enquadra as valências de estrutura residencial de apoio a idosos, serviço de apoio domiciliário, rede social de intervenção social e cantina social, desenvolvendo assim o seu trabalho na área social e humanitária. Manuel Correia Silva é o atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Armamar e num périplo pelas suas memórias, em entrevista à Revista Business Portugal, contou a génese da instituição, falou das valências e dos projetos que gostaria de ver concretizados. A Misericórdia de Armamar como hoje é conhecida, teve como benemérito

José Rodrigues Cardoso, natural de Vila Seca de Armamar, emigrante no Brasil. “Aquando da sua morte legou uma grande parte da sua herança para a instalação do Asilo Hospital Creche. Devido à inexistência de um hospital concelhio em Armamar, a obra abriu como Hospital, mas após a construção de um novo hospital no centro da vila, o edifício ficou sem funcionamento e um grupo de pessoas decidiu avançar para a criação, em 1954, da Santa Casa da Misericórdia de Armamar”, revela. Com um historial recente, a Misericórdia de Armamar assumiu um conjunto de respostas sociais que assumem grande importância na comunidade. “Importa ressalvar que o serviço de apoio domiciliário foi o primeiro do concelho, permitindo uma melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Esta é uma resposta que mantemos com muito prazer, porque entendemos que as pessoas devem permanecer nas suas casas, rodeadas dos seus pertences e memórias o mais tempo possível. Consideramos que este é o serviço mais completo, por isso também muito solicitado, para o qual existe uma grande lista de espera”, salienta o nosso entrevistado, acrescentando que nesta valência, a instituição tem acordo com a Segurança Social para 30 utentes e dá resposta a cerca de 50. Já a resposta social de lar tem 35 idosos e tem vindo a funcionar “como apoio ao serviço de apoio domiciliário, porque à medida que as pessoas ficam dependentes o passo seguinte é passarem para a estrutura residencial”. O serviço de Rede Local de Intervenção Social (RLIS) abrange uma franja do concelho mais desfavorecida, as famílias mais carenciadas e problemáticas. O trabalho da instituição passa por sinalizar essas famílias e os problemas e tentar a intervir por forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Por fim, a cantina social assume-se como uma resposta social de resposta rápida, porque o objetivo é “ensinar a pescar e não dar o peixe”, afirma o Provedor, lembrando que a Misericórdia tem um protocolo com a Segurança Social para 30 refeições diárias. Para Manuel Correia da Silva, são grandes os desafios que se colocam às misericórdias, nomeadamente a intervenção na saúde. “Grande parte dos lares estão a funcionar como unidades de cuidados continuados a e a sua função não essa”, revela, acrescentando que outro dos desafios é o tipo de envelhecimento, porque uma grande parte da população acaba com algum tipo de demência e as estruturas, as direções e as pessoas não estão preparadas para lidar com essas situações. “São necessárias unidades mais especializadas e estes são desafios nacionais”, considera. Em relação a Armamar, neste momento “a nossa principal necessidade é remodelar todas as nossas instalações para que possam oferecer melhor qualidade e permitir a disponibilização de uma resposta mais eficiente”, conclui o Provedor da Misericórdia de Armamar, Manuel Correia Silva.

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ação social | misericórdia de montalegre

A missão de uma Instituição secular Há, no Norte de Portugal, uma Instituição, secular, de Solidariedade Social que tem marcado o compasso da história de Montalegre, no apoio aos mais desfavorecidos e funciona como um pilar importante que se tem evidenciado, cada vez mais, na comunidade onde se insere.

no século XVII, conquistando, já nos tempos da democracia, um conjunto de respostas mais abrangentes na sua área de ação, também em cooperação com a Segurança Social: Estrutura Residencial para Idosos, Serviço de Apoio Domiciliário, Creche, Rede Local de Intervenção Social e Unidade de Cuidados Continuados. O Lar de S. José (Estrutura Residencial para Idosos), fica situado no centro da vila, onde é também a sede da Instituição. Com capacidade para 80 utentes, este edifício (graças à sua localização privilegiada) permite o contacto permanente com a vida social e o encontro de amigos, para além de estar qualificado para responder a qualquer necessidade dos residentes, proporcionando bem-estar e qualidade de vida. O Serviço de Apoio Domiciliário tem um papel igualmente relevante na comunidade. Mais de 20 utentes, da vila e aldeias limítrofes, recebem cuidados individualizados no domicílio, de higiene, saúde e limpeza, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, de forma a promover a autonomia e prevenir situações de dependência. Ao longo das décadas, a dinâmica dos agregados familiares tem mudado e, com a emancipação da mulher, a Creche tem assumido uma importância maior, no apoio às famílias. Situada na Rua João Rodrigues Cabrilho, este espaço recebe crianças até aos três anos, dinamizando um conjunto de atividades, sempre ciente dos cuidados adequados à idade e da satisfação das necessidades dos mesmos. Todos os serviços prestados encontram-se num ambiente acolhedor e seguro, propício ao desenvolvimento saudável e harmonioso da criança. Trata-se de um projeto que “já colheu frutos e tem dado bons resultados”, afirma o Provedor, Fernando Rodrigues, quando aborda o valor e missão da Rede Local de Intervenção Social (RLIS). Em Montalegre, há diversos casos sociais que clamam por um encaminhamento, desde o abandono escolar, abandono de idosos, a outras necessidades. A RLIS tem estado no terreno, com o encaminhamento para uma resposta social, célere o quanto possível e eficaz: “No fundo, pretende capacitar a comunidade de um espírito mais solidário, a fim de ajudar a levantar as dificuldades dos mais necessitados”. O último desafio, alvo de grande labuta, é a Unidade de Cuidados Continuados (UCC). Trata-se de um novo serviço que está pronto para ser inaugurado. Para este segmento, é pretendido garantir 30 camas de longa duração e outras 10 de média duração. Fernando Rodrigues, que acaba de receber a notícia de celebração de acordo de cooperação com o Governo, assegura que a UCC entra em funcionamento no final do ano, pois considera “uma prioridade não só pelos cuidados de saúde que prestará à população mas também pelos mais de 40 postos de trabalho que irá criar”. Segundo o Provedor, o edifício está pronto e aguarda, apenas, a resolução de questões técnicas e administrativas para começar a trabalhar, “graças ao apoio que, finalmente, este Governo nos concedeu”. Economia social - Geradora de emprego Misericórdia de Montalegre é o maior empregador do concelho A Economia Social, nestes tempos difíceis em que a economia revela uma grande debilidade e o desemprego tem assumido ao longo dos anos uma proporção que há muito não era

Fernando Rodrigues Provedor

Apesar de não haver uma data concreta da sua fundação, os elementos disponíveis levam a crer que a Misericórdia de Montalegre tenha sido criada entre 1653 e 1715. A Revista Business Portugal procurou conhecer que Instituição é esta, que teve sempre como bandeira os mais desfavorecidos, princípio base que se manteve intacto ao longo dos séculos. Valências que cresceram com a democracia Com mais de 300 anos de história, a Misericórdia de Montalegre, sempre teve como missão o apoio aos mais desfavorecidos, deixando de ser, apenas, uma cantina social (sopa dos pobres)

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assim vincado, vê na Misericórdia de Montalegre um importante contributo à sociedade, sendo considerada uma pedra angular do nosso modelo social, na medida em que fomenta o emprego através da criação de postos de trabalho perenes e não deslocalizáveis, aprofundando a integração e inclusão social e fomentando assim uma cidadania ativa. No total, é responsável por mais de 60 postos de trabalho, distribuídos pelo Lar S. José, Serviço de Apoio Domiciliário, Creche e Rede Local de Intervenção Social. Com a abertura da Unidade de Cuidados Continuados, este número ultrapassará a centena. Facto que para o Provedor constitui “um grande desafio. Gerimos a Misericórdia com rigor, mas com ambição que passa por prestar mais e melhores serviços. Mas a nossa responsabilidade vai para além disso: Queremos também dar o melhor contributo para a economia local, criando emprego para fixar as pessoas na terra”, vinca. “Assumimos o encargo de pagar ao fim do mês a 100 funcionários com muita responsabilidade mas com satisfação e com o desejo de conseguirmos ainda mais”, conclui.


misericórdia de montalegre | ação social

O provedor Fernando Rodrigues - Um longo percurso de intervenção social e de cidadania Fernando Rodrigues assumiu as funções como Provedor em março deste ano. Natural de Montalegre, com 62 anos, tem um longo percurso de intervenção social e de cidadania. Fez carreira como professor, licenciado pela Universidade do Minho, exerceu funções de diretor no Conselho Diretivo da Escola Preparatória e Secundário de Montalegre. Fernando Rodrigues foi desenvolvendo uma intensa atividade social local, onde se destacam: Diretor desportivo do Centro Desportivo de Montalegre; presidente da AMAT (Associação de Municípios do Alto Tâmega) e da ADRAT (Associação de Desenvolvimento do Alto Tâmega). Foi ainda responsável pela implementação da

Rádio Montalegre no concelho, para além de ter várias colaborações com a imprensa local e regional, juntamente com diversas participações em fóruns regionais, nacionais e internacionais sobre desenvolvimento local. Fernando Rodrigues é ainda autor da obra “Barrosões” e da resenha da sua ação na Câmara Municipal “Montalegre 20 anos”. Foi ativista político, já antes do 25 de abril e, posteriormente, desempenhou funções como: membro da Assembleia Municipal na oposição; vereador na Câmara Municipal de Montalegre durante 8 anos com o cargo de vice-presidente; presidente da Federação Distrital do Partido Socialista; presidente da Comissão Política Concelhia e membro da Comissão Nacional do PS. Foi presidente da Câmara Municipal de Montalegre durante 16 anos e membro do Conselho Geral da ANMP, Associação Nacional de Municípios

Portugueses. Nos dias de hoje, o provedor é ainda presidente da Assembleia Municipal de Montalegre e, paralelamente, Fernando Rodrigues mantém os postos de vicepresidente da ANIMAR (Rede Nacional para o Desenvolvimento Local), presidente da Assembleia Geral do Ecomuseu de Barroso, presidente da CERCIMONT (Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadão Inadaptados de Montalegre) e participante no Conselho Regional da CCDRN (Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte). Para além destas posições, Fernando Rodrigues orgulha-se em ser Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalegre. Importa evidenciar a ligação do atual provedor às causas sociais, ao longo das décadas, e o reconhecimento do prestígio e

da ação da Igreja Católica no concelho. No período que presidiu a Câmara Municipal de Montalegre, Fernando Rodrigues participou e apoiou diversas iniciativas de caráter sociocultural, onde foram homenageadas diversas figuras religiosas como o Padre Domingos Barroso, o Padre Fontes, o Monsenhor João Costa e o Monsenhor Minhava. Incluiu na toponímia da vila nomes como: Padre José Alves, Frei Bartolomeu dos Mártires, Padre Manuel Baptista, D. Pedro Pitões, Frei Gonçalo Coelho e D. Joaquim da Boa-Morte. Em termos patrimoniais, Fernando Rodrigues foi um impulsionador de iniciativas. Num vasto leque de apoios, salientam-se a remodelação do adro da Igreja do Castelo e apoio na pintura e enriquecimento do teto e altares, a construção do jardim e do adro da Igreja Nova de Montalegre e o apoio na

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ação social | misericórdia de montalegre

construção da Residência Paroquial e Salão Paroquial de Montalegre. O provedor, enquanto autarca, incentivou ainda a grande requalificação do riquíssimo património religioso do concelho e permitiu as obras de restauro e beneficiação de quase todas as igrejas do concelho, para além da construção de outras. Antes de chegar ao cargo que hoje ocupa, e enquanto presidente da Câmara, Fernando Rodrigues deu o aval e total apoio à obra da Unidade de Cuidados Continuados de Montalegre. Por último, e de forma a permitir uma visão completa do trabalho de Fernando Rodrigues em Montalegre, o provedor é responsável ou co-responsável por toda a obra social que há no concelho de Montalegre, uma vez que todas as instituições, paroquiais ou de outro caráter, iniciaram o seu funcionamento com incentivo e financiamento da Câmara. Montalegre é um concelho com uma dimensão geográfica semelhante à área da Madeira, com localidades a distarem muitos quilómetros umas das outras, era emergente criar alternativas para quem mais precisa e, neste sentido, destaca-se o auxílio a vários projetos da Misericórdia, o financiamento total da obra do Lar do Centro Paroquial de Cabril, do Lar de Salto e o apoio ao Centro Paroquial da Vila da Ponte, Centro Paroquial de Vilar de Perdizes, Associação do Campo de Cervos e Associação Cultural de Paredes do Rio. Sustentabilidade e futuro Relativamente aos próximos tempos, a nova equipa da Santa Casa da Misericórdia de

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Montalegre propõe-se a ampliar o trabalho de apoio à comunidade, mas a sua ação prioritária, neste momento, é a abertura da Unidade de Cuidados Continuados, que trará mais-valias para Montalegre na área da Economia (geradora de emprego) e Saúde. “Herdei a Misericórdia com boa saúde financeira”, mas há um problema de sustentabilidade: “Temos edifícios com muitos anos, degradados, e urge garantir o seu funcionamento para as próximas décadas, de forma a afiançar o acolhimento de idosos e crianças nas exigências da lei e dentro do melhor conforto”. E, neste sentido, o Provedor diz que “há projetos para apresentar, no âmbito das candidaturas aos Quadros Comunitários. Vamos ver se conseguimos para resolver este problema”. Para além disso, há ainda o desafio de reestruturar, modernizar e abrir a Instituição à comunidade e articular melhor com as instituições, designadamente com a Câmara Municipal, que presta um apoio decisivo para o bom desempenho da Misericórdia”, rematou Fernando Rodrigues. A Misericórdia de Montalegre orgulha-se de ter um passado e continuar a cultivar os pilares fundamentais de valores onde foi concebida, de forma a ter uma contribuição pró-ativa na comunidade onde se insere, dando sempre a mão às pessoas que se encontrem em vulnerabilidade social: “Vamos trabalhar muito, criar emprego e ajudar as pessoas”, finalizou.


ação social | miseriórdia de lamego

António Marques Luís Provedor

Valorizar o passado e construir o futuro Com cerca de 500 anos de história, a Santa Casa da Misericórdia de Lamego não é apenas uma instituição prestigiada, de créditos firmados, com uma tradição de intervenção como poucos se podem orgulhar de ter, é também uma grande protagonista do presente. A comprovar isso mesmo está o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta instituição em todas as suas valências.

As misericórdias são instituições multiseculares que têm vindo a ver o seu trabalho reconhecido ao longo dos tempos, quer na erradicação da pobreza, quer no combate à crise, assumindo um papel de intervenção social incontornável, funcionando atualmente como uma alavanca do nosso país. De acordo com o Provedor da Santa Casa de Lamego, António Marques Luís, as misericórdias vivem muito dos acordos celebrados com a Segurança Social, entendendo ser absolutamente necessário que estas instituições diversifiquem as suas fontes de receita. Neste contexto, revelou que a Misericórdia de Lamego tem um projeto, em fase de aprovação na Câmara Municipal do Porto, para dar uma resolução definitiva ao “problema da Ilha Amarela”, na cidade do Porto, que transformará este local num polo residencial composto por 45 apartamentos, vocacionados sobretudo para estudantes universitários. “Deste modo, será encontrado um caminho promissor como geração de receitas, muito interessante para o futuro desta Santa Casa”, afirma, esperando que para o ano a instituição esteja capaz de lançar este empreendimento. Por outro lado, António Marques Luís deu conta do problema ainda solucionar referente ao antigo Hospital de Lamego, que está a degradar-se a olhos vistos. Este equipamento foi construído a expensas da Misericórdia de Lamego na sua esmagadora maioria, estando sob a sua gestão durante sete décadas, posteriormente foi nacionalizado e

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com a construção do novo Hospital de Lamego foi pura e simplesmente abandonado. “A Misericórdia está em negociações com o Ministério da Saúde, para que se encontre viabilidade para o equipamento, visando a sua rentabilização e a criação de emprego”, avança. A ideia da instituição para o edifício passa pela continuidade da sua ligação à área da saúde, aliando uma unidade de cuidados continuados vocacionada para doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, a recuperação de AVC’s, uma estrutura residencial para a terceira idade e uma unidade de fisioterapia. “Esta seria a solução mais viável, mas se não houver apoio do Estado não vai ser possível arranjar com um projeto desta envergadura que poderá rondar os cinco milhões de euros”, sublinha, sustentando que é impensável a Misericórdia de Lamego avançar com este projeto com fundos próprios, até porque o retorno do investimento seria muito difícil. António Marques Luís revelou ainda que a Misericórdia de Lamego tem uma quinta, com cerca de 34 hectares, no concelho de Santa Marta de Penaguião, na qual tem vindo a apostar claramente, à semelhança das anteriores mesas administrativas. “Temos apostado fortemente, no sentido de manter a quinta com uma boa capacidade de produção de vinho, nomeadamente de Vinho do Porto”, disse, lembrando que a instituição tem “uma relação comercial com a a Sogrape, para quem vendemos a nossa colheita. É uma das

tais vertentes que nos pode ajudar e é um ativo importante da Santa Casa da Misericórdia”. O Provedor sublinhou ainda que a Misericórdia de Lamego tem vindo a encetar um caminho de requalificação e recuperação e preservação de todo o seu património, fazendo jus à sua riqueza histórica. Uma protagonista do presente A Santa Casa da Misericórdia de Lamego foi fundada em 20 de abril de 1519, ou seja, 21 anos depois da Rainha D. Leonor ter fundado a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Podemos, por isso, afirmar que a Misericórdia de Lamego é das mais antigas do País. Reiterando a importância da economia social e dos seus agentes, António Marques Luís considera que os governantes deste país têm que perceber que as misericórdias são na sua maioria instituições multiseculares, que provaram a sua validade. A cumprir o seu terceiro ano de mandato, o Provedor avalia esta experiência como muito gratificante, pese embora não tenha qualquer contrapartida financeira. “Assumi as minhas funções com o intuito de ser útil aos meus concidadãos de Lamego e ficaria muito satisfeito se no fim do mandato conseguisse deixar algum acrescento em termos de valor, quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista estratégico para a instituição”, afirma, reiterando o empenho, o gosto e a dedicação que consagrou à instituição.


misericórdia de lamego | ação social de meios culturais desfavorecidos e desprovidas de uma estrutura familiar estável. Dedicado aos seniores está o Lar da Terceira Idade, composto por um edifício de duas alas, uma com capacidade para 26 utentes e outra para 62 utentes. Assumindo as competências e substituindo-se à Segurança Social, a Misericórdia de Lamego disponibiliza ainda o serviço de Rendimento Social de Inserção, bem como o serviço de Rede Local de Intervenção Social (RLIS). “Melhorar substantivamente o atendimento e acompanhamento social no concelho de Lamego e, não menos importante, criar novas oportunidades de emprego a quadros técnicos diferenciados, contribuindo assim para a diminuição do desemprego”. São estes os principais desafios da RLIS, na opinião do Provedor da Misericórdia de Lamego. Quanto ao futuro, António Marques Luís entende que as misericórdias terão um conjunto de novos desafios, mas certamente terão capacidade de resposta, dando continuidade à tradição de intervenção social consagrada na sua matriz. “Estas instituições trabalham para os mais desfavorecidos, o que é um fator de realização pessoal, dado que temos a noção clara que estamos a ajudar as franjas mais desfavorecidas da sociedade”, refere, salientando a importância da equipa que o tem acompanhado na Mesa Administrativa. Atualmente, Misericórdia de Lamego tem um conjunto de respostas sociais dedicadas à infância e à terceira idade, mas também dedicada à sociedade de uma forma transversal. O Centro de Acolhimento Temporário (CAT) tem capacidade para albergar 20 crianças entre os zero e os doze anos de idade. O Lar das Crianças é uma das valências cuja finalidade é o acolhimento prolongado de crianças e jovens do sexo feminino da faixa etária compreendida entre os 6 e os 21 anos, oriundas

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AGÊNCIAS FUNERÁRIAS Caracterizado por uma diversidade de serviços – nos quais se incluem, de forma geral, a elaboração de funerais, a realização de cremações e os serviços de transladação – o setor funerário define-se também pelas especificidades que lhe são inerentes. Este corresponde, afinal, a um ramo de atividade em que aspetos como a concorrência, a atenção ao mercado e as mudanças de tendência se afirmam a uma velocidade que exige cada vez mais dos empresários e firmas que se movimentam neste setor. Definido, muitas vezes, por um conjunto complementar de outros serviços – entre eles a elaboração de arranjos florais e ornamentações para casamentos, bem como o aconselhamento/acompanhamento jurídico – o setor funerário soube também modernizar-se como poucos, englobando tecnologias de forma a garantir o serviço mais célere, cuidadoso e humano quanto possível. Acima de tudo, as empresas que nesta edição da Revista Business Portugal tomam parte contam-nos histórias de grande esfoço, memórias de trabalho intenso e de uma disponibilidade marcada por 24 horas de atividade, 365 dias por ano. Algumas das histórias remontamnos para a ancestralidade que só as empresas centenárias nos sabem narrar. Outras, de cariz mais recente, falam-nos da modernidade e inovação por detrás de uma atividade à qual não estão alheios também os grandes grupos empresariais. De uma forma ou de outra, estes são testemunhos de empresários ousados, mas – acima de tudo – também de gente humana, que cada vez mais veem em aspetos como o apoio emocional ou a psicologia do luto aspetos que jamais poderão ser descurados. Longe da imagem “pesada” de outrora, muitas são as empresas deste setor que assumem um posicionamento diferente, caracterizado pelo tom afável das suas cores, pela proximidade e carinho que colhem junto das suas populações, pela modernidade com que sabem adaptar-se aos novos tempos e pelo sorriso do seu serviço. Estas são, em suma, histórias e depoimentos de empreendedores que, pelo seu trabalho, mostram conhecer o significado das palavras esforço, compromisso, vocação e arte.

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agências funerárias

A celebrar 25 anos de existência no ramo funerário Sediada na Rua das Condominhas, no Porto, a Funerária das Condominhas - Casa António Pereira, Lda., completou no passado mês de junho 25 anos de existência, apresentando-se como uma referência nas funerárias da cidade.

Rua das Condominhas, 528 4150-220 Porto Porto Telefone: 226 178 833

“O meu pai, António Pereira, já trabalha na área há mais de 50 anos, tendo-se estabelecido por conta própria há 25. Em termos de serviços, tratamos de tudo, sejam funerais, cremações, transladações nacionais ou para o estrangeiro, ou seja, tudo o que faça parte de um serviço funerário. O nosso propósito é que a família não tenha qualquer tipo de preocupação e só em casos excecionais, por força da burocracia, seja obrigada a estar connosco. Na nossa área não há dois serviços iguais, as coisas são sempre diferentes devido a vários fatores, daí ser necessário que o nosso serviço seja adequado e personalizado a cada cliente”, começa por nos explicar Nuno Pereira. Dotada de instalações e equipamentos recentes, devidamente adequados à atividade que exerce, a Funerária das Condominhas dispõe, além da parte de escritórios e armazém, de uma capela própria, câmara frigorífica e ainda de um espaço de preparação, onde podem ser efetuados os procedimentos de Tanatopraxia e/ou Tanatoestética, com toda a segurança e dignidade que se exige. No entanto, Nuno Pereira aponta as várias formações na área como ponto fulcral para o sucesso alcançado ao longo dos anos. “Há 20 anos não existia qualquer tipo de formação, apenas contava a prática que tínhamos no dia-a-dia. Todas as ações de formação que realizámos e que continuamos a realizar permitiram-nos explorar áreas e técnicas de que não tínhamos conhecimento ou que realizávamos de forma diferente, alterando, para melhor, os nossos métodos de trabalho, e é desta forma que vamos avançando. Cada vez mais, existe a preocupação em oferecer um serviço de qualidade ao cliente e, ao mesmo tempo, existe uma procura dessa mesma qualidade por parte do cliente”. Para o futuro, as perspetivas são de crescimento, assegura. “Queremos crescer, o que não é fácil, mas é perfeitamente possível e legítimo. Sendo que o objetivo principal passa por sustentar aquilo que temos, ou seja, o que foi construído nestes 25 anos de muito trabalho e não entrar em loucuras e devaneios. Para o setor em si, esperamos o continuar da evolução do mesmo, tendo a formação papel preponderante”.

apoio nos momentos difíceis Profissionalismo e sensibilidade: as duas qualidades mais importantes para se desempenhar a profissão de agente funerário.

José Augusto Azevedo Administrador

R. Narciso Ferreira 7, 4740-281 Esposende Telefone: 253 962 621

“O primeiro impacto ao falar com uma família que perdeu um ente querido pode ser muito complicado”, revelou José Augusto Azevedo. O gerente e diretor técnico da Agência Funerária de Esposende explicou que tem de existir preparação para lidar com o dia-a-dia, daí os seus agentes terem formação em «psicologia de luto» para diretores técnicos, até porque “o luto é subjetivo, há pessoas que têm luto de 30 dias e há pessoas que têm luto de 30 anos”. Nesse aspeto, a experiência de vida também desempenha um papel importante aqui: “Eu sou filho de agente funerário, já estou estabelecido há 30 anos, a empresa foi fundada em 1986 noutra freguesia. Isto é algo com o qual nascemos, temos de saber lidar com as pessoas. Há pormenores que nem qualquer agente funerário, por muita boa vontade que tenha de trabalhar na área, tem essa sensibilidade. Eu tenho uma maneira muito especial de tratar com as pessoas, compreendo muito bem o que estão a passar, porque os meus colegas de geração já morreram quase todos e fui eu que fiz o funeral deles”. José Augusto Azevedo já é procurado em Esposende e os clientes depositam a sua confiança por inteiro na sua Agência Funerária, que organiza e concretiza o funeral, e trata, ainda, de subsídios, direitos, cancelamentos de pensões, etc. A diferencia-lo de outras agências, existe o facto de ter criado a sua funerária de raíz, de ser filho de outro agente funerário, de ser o que “mais trabalha no concelho” e de ter gosto e caráter adequado na profissão que desempenha. O escritório, adquirido o ano passado, tem condições bastante “dignas” para atender e conversar com as pessoas. De referir ainda que a Agência tem melhorado os serviços que oferece numa constante. O gerente ambiciona criar um Centro Funerário para rentabilização humana e material muito mais eficiente. No entanto, esse projeto exige a associação de várias agências funerárias da zona, algo que as rivalidades existentes dificultam. Mas José Augusto Azevedo não deixa que as dificuldades sejam um impedimento e garante que o futuro vai nessa direção.

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agências funerárias | rocha funerárias

78 anos na vanguarda de um serviço de proximidade e carinho Fazendo uso de um vasto know-how e décadas de experiência, a Rocha Funerárias, Lda. proporciona um serviço da mais alta qualidade, adaptando-se a um setor exigente com a mais avançada tecnologia.

Vítor e Manuel Rocha Administradores

Mas, sempre a par das preocupações de adaptação a um mercado particularmente exigente como este, a Rocha Funerárias não esquece a importância da sensibilidade e da solidariedade. Por isso mesmo, Manuel e Vítor Rocha fazem questão de adaptar todo o serviço às possibilidades de cada cliente, não esquecendo também a importância de fazer descontos para os membros de associações locais. Tudo isto são fatores que ajudam a explicar o estatuto de referência que a agência – com instalações também na Maia (mais concretamente, em Águas Santas e Castêlo da Maia) – tem vindo a reunir junto de um grupo cada vez mais vasto da população concelhia. Relativamente aos próximos anos, os nossos interlocutores reiteram a ambição de preservar o estatuto de excelência de que a Rocha Funerárias goza atualmente, prometendo um futuro sustentável e sempre na linha da vanguarda. Falar da Rocha Funerárias é fazer alusão a uma casa cuja história remonta ao já distante ano de 1938. Foi precisamente nessa data que Ramiro da Rocha Duarte se aventurou num setor de atividade que, volvidos 78 anos, é continuado pelos filhos Manuel e Vítor Rocha. “Este sempre foi um negócio de família”, introduzem os interlocutores que, dos ensinamentos do pai e da sua própria experiência, adquiriram um incomparável know-how numa “atividade que é cada vez mais exigente”. Fazendo de palavras como “modernidade”, “experiência” ou “qualidade” grandes linhas-mestras da sua atuação, a Rocha Funerárias assume uma vasta gama de serviços, a fim de suprir todas as necessidades que surjam dentro e fora do nosso país. No leque de atividades da empresa incluem-se (entre outras ações), os habituais trabalhos de inumação, cremação ou exumação, aos quais se acrescentam ainda serviços de florista e estética, bem como o apoio burocrático. Claro está que, numa atividade como esta, jamais a importância do suporte emocional e humano poderia ser subestimada. Não admira, por isso, que entre os múltiplos serviços que a Rocha Funerárias também aconselha está o apoio psicológico, sendo precisamente a pensar nos momentos mais difíceis que as instalações da empresa proporcionam uma sala especificamente reservada para o efeito. Mas também à disposição das famílias está uma belíssima capela, situada na sede da agência (Avarelhos, Trofa). Um aspeto que importa salientar é o modo como a Rocha Funerárias sempre procurou estar na vanguarda do setor, no que concerne a equipamentos e tecnologia. Não admira por isso que, paralelamente aos serviços já mencionados, a empresa disponha também de uma sala de preparação de corpos, bem como de uma câmara de refrigeração com todas as condições necessárias a um serviço de excelência. Até porque, tal como explica Manuel Rocha, “neste ramo não se pode parar”.

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casa castelão | agências funerárias

Um serviço feito “com o coração”

Susana Almeida Sócia-Gerente

À conversa com a Revista Business Portugal, Susana Almeida falounos apaixonadamente da profissão que decidiu abraçar, narrando o legado quase centenário da Casa Castelão, agência funerária que sempre se distinguiu das demais.

Sempre fiel à promessa de prestar um serviço de especial acompanhamento e carinho às famílias nos momentos mais difíceis, a Casa Castelão é uma agência funerária “com praticamente 100 anos” de história e dedicação. Claro está que, ao longo de um percurso tão particular, foram vários os protagonistas que contribuíram para fazer desta uma das instituições mais conhecidas e acarinhadas no concelho de Vila Nova de Gaia. Esse é um estatuto que, em parte, se explica pelo cariz visionário que o antigo sócio-gerente, Jorge Castelão, sempre demonstrou na sua profissão. Descrito pela atual proprietária, Susana Almeida, como “uma pessoa muito à frente do seu tempo”, devido à atitude inovadora com que desempenhava os seus serviços e antecipou tendências no setor, Jorge Castelão acabou, todavia, por falecer prematuramente. Foi nesse momento que Manuel Almeida Valente – à altura um colaborador da empresa – herdou o património e assumiu as rédeas da Casa Castelão até à sua reforma. Este rumo dos acontecimentos, por sua vez, conduz-nos à filha e atual gerente, Susana Almeida. Somando mais de 20 anos de experiência, a nossa interlocutora recorda que foi “a primeira mulher a entrar” no ramo funerário, continuando assim o estatuto inovador da Casa

Castelão. Reconhecida em Vila Nova de Gaia como “uma pessoa de coragem”, a empresária admite “que este trabalho não é fácil”, embora o execute a cada dia “de pleno coração”, com uma sensibilidade e atenção que ajudam a explicar a forma como a Casa Castelão tem visto o seu número de clientes aumentar nos últimos anos. Um dos aspetos que efetivamente distingue esta agência – como sede em Gulpilhares e uma filial em Canelas – é a “componente humana” que se evidencia, todos os dias, no desempenho de um serviço marcado pela dignidade e o brio profissional. Assumindo 24 horas por dia e 365 dias por ano uma miríade de serviços – na qual se incluem os funerais, cremações e transladações, mas também a ornamentação para casamentos – a Casa Castelão faz questão de acompanhar todos os que solicitam os seus préstimos “ao longo de todo o processo”, prestando “o máximo de apoio durante as 24, 36 ou 48 horas em que o corpo fica em câmara ardente”. Mas incluídos estão também serviços pós-funeral, como o tratamento de toda a documentação associada à Segurança Social ou à ADSE, bem como a associações mutualistas. Estes correspondem a trabalhos que, tal como enfatiza a sócia-gerente, “nem todas as funerárias acompanham”. Entretanto, a este pormenor de diferenciação, acrescentam-se outros, desde a beleza dos variados artigos em arte sacra (que também se comercializam na Casa Castelão), às elaboradas ornamentações para casamentos, “uma área de que gosto imenso”, sublinha Susana Almeida. Já relativamente ao futuro, a nossa entrevistada partilha a expectativa de ver a Casa Castelão consolidar ainda mais o seu estatuto em Vila Nova de Gaia, servindo todos com o respeito, a dignidade e o “coração” que sempre a definiu.

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agências funerárias | funerária martinho gomes

Experiência culmina em anos de sucesso Com três gerações no seu historial, a Funerária Martinho Gomes, liderada por José Martinho Gomes, conta com mais de 80 anos de experiência. Sediada nos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia e com lojas em Serzedo e Rechousa, é hoje uma referência no seu setor de atividade, tendo sofrido uma profunda transformação há cerca de 15 anos.

Edite Gomes e José Martinho Gomes Administradores

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“A Funerária Martinho Gomes foi fundada pelo meu avô, Martinho Domingos Gomes há mais de 80 anos. Posteriormente, o meu pai, António de Oliveira Gomes, toma o seu lugar e em 1985 eu próprio começo a trabalhar na funerária tendo mais tarde, em 1997, a minha esposa entrado na empresa. Decidi dedicar-me a esta área para de certa forma dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo meu avô e o meu pai”, começa por nos contar José Martinho Gomes. Com o objetivo de proporcionar serviços mais diversificados aos seus clientes, o desafio prendia-se por modernizar e dinamizar todas as vertentes inerentes ao funcionamento da funerária. “Desde que o meu pai saiu, em 2002, a funerária teve um grande impulso, com gente e ideias novas, mas também com um investimento muito grande no sentido de inovar e modernizar tudo. Foi praticamente criar um negócio novo, fazendo investimentos a todos os níveis, desde o espaço em si, carros, material, ou seja, uma renovação completa”, acrescenta o empresário. No sentido de minimizar a dor dos familiares e apoiá-los, a Funerária Martinho Gomes conta com uma vasta oferta de serviços, tratando de todas as questões necessárias ao funeral. “Tratamos de tudo relacionado com o funeral, desde o funeral em si até à parte burocrática a nível da Segurança Social ou Finanças, por exemplo. Cremações, preparação e tratamento dos corpos, transladações a nível nacional e internacional, armação e decoração de capelas, mosteiros, igrejas e habitações são também alguns dos nossos serviços, contamos com uma frota de quatro carros fúnebres e quatro viaturas de apoio”, explica, por sua vez, Edite Gomes. A nível de Tanoestética e Tanopraxia, José Martinho Gomes conta com vários anos de experiência e com a formação em diversos cursos nestas áreas, o permite ser uma referência nas mesmas. “Neste setor, como em vários, a formação é essencial. Aproveitamos ao máximo os cursos a fim de aplicar e evoluir em cada serviço que prestamos e é isso que nos distingue. Diferenciamo-nos pelo tratamento prestado aos familiares num momento muito delicado das suas vidas. O nosso trabalho passa por minimizar o seu sofrimento, ajudar no processo de luto e minimizar qualquer tipo de preocupações inerentes ao funeral”, reafirma Edite Gomes. Para tal, conta com uma equipa de cinco colaboradores de forma a tratar de vários funerais ao mesmo tempo, sem descurar nenhum. “Realizamos também transladações em qualquer ponto do mundo. Timor Leste , Lituânia, África do Sul, Moçambique, França, Itália e Espanha foram países onde já tratamos de transladações”, frisa o empresário. Questionado sobre as perspetivas de futuro, José Martinho Gomes é perentório em afirmar que este passará por manter aquilo que foi conquistando ao longo dos anos, sempre com o desejo de crescer sustentadamente. “Não queremos estagnar, queremos crescer, apesar de ser difícil no patamar em que nos encontramos. Queremos estar na vanguarda do que novo vai surgindo neste setor, pois consideramos que é essencial. Por isso visitámos as feiras do sector em Portugal, Espanha, França e Itália, para estarmos a par de tudo o que se faz de novo no ramo funerário. Continuaremos a manter uma relação qualidade-preço, de forma a servir todos os clientes o melhor possível”.


Revista Business Portugal | Outubro '16