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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial

O potencial português

FICHA TÉCNICA Diretor Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira (diana.ferreira@revistanegociosportugal.com)

REDAÇÃO Catarina Carvalho (catarina.carvalho@revistanegociosportugal.com Cátia Fernandes (catia.fernandes@revistanegociosportugal.com) Mariana Agria (mariana.agria@revistanegociosportugal.com) Andreia Lobo Balolas Carvalho Carlos Borges Sara Freixo (redaccao@revistanegociosportugal.com)

Por Diana Ferreira

Decidi aproveitar o facto de nesta edição lhe falarmos sobre a Economia do Mar, nas suas mais variadas vertentes, para escrever este editorial. Todos os dias de manhã sinto-me uma privilegiada. Sou daquelas pessoas que toma o pequeno-almoço enquanto sente o aroma e a brisa do mar ali tão perto de casa. A verdade é que esse pequeno e simples prazer matinal traz-me uma sensação de calmaria, tranquilidade, tornando até menos pesarosa a difícil tarefa de sair da cama logo cedo, principalmente nestes dias chuvosos que teimam em não passar. O mar, por si só, é a nossa salvação. Não fosse esta imensidão azul ou metade deste mundo estaria ainda por descobrir. E não fossem esses corajosos portugueses lançarem-se em alto mar e continuaríamos aqui sozinhos, “à beira mar plantados”. Ironias à parte, a experiência tem-nos revelado que este oceano é uma porta aberta para novos mundos e que nele pode estar grande parte do futuro português. É crucial aproveitar o seu potencial para actividades ditas tradicionais, como é o caso dos transportes, da pesca, a própria construção naval (que já teve melhores dias), sem esquecer o turismo. No entanto, é preciso também tirar partido deste mar noutras vertentes, como as energias renováveis. A própria ministra da agriculta pretende, e acertadamente a meu ver, aumentar em 50 por cento o peso da economia do mar no Produto Interno Bruto até 2020. É chegada a altura de tirar usufruto daquele que é o nosso maior bem, daquele que nos levou mais além e que nos trouxe o que de melhor há nesse ‘além’. Eu já estou pronta para descobrir novos mares.

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues

Diana Ferreira não segue o novo acordo ortográfico

(tiago.rodrigues@revistanegociosportugal.com)

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistanegociosportugal.com)

edição de março

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão Luís Silva Manuel Fernando Nuno Ferraria Paulo Padilha Pedro Paninho Sofia Silva (publicidade@revistanegociosportugal.com)

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude

06- Jaba recordati

10- Ciclum farma

MAIS SAÚDE, MAIS INOVAÇÃO

ECONOMIA DO MAR

PME’S EXCELÊNCIA

MECÂNICA

22 - Act One 28 - Orizon Vision 30 - Afinomaq

67 - SaEr 74 - Fileira do Pescado 78 - Porto de Aveiro

(geral@revistanegociosportugal.com)

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral) Tlf: 224 109 098 (Redação)

44 - Lusocal 50 - Senda 54 - Garagem +

119 - ACAP 121 - Krautli 122 - Orcopeças

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Edição de março

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inovação em saúde

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m dos aspetos característicos dos nossos dias, é a emergência da sociedade do conhecimento, onde a inovação desempenha um papel fundamental. O conceito de inovação aqui referido não diz respeito apenas ao campo tecnológico, mas num sentido mais vasto, à gestão da mudança - inovação vista como um conjunto de ideias, bens e serviços novos e com utilidade, que resultam de um processo criativo onde o conhecimento é o ingrediente chave para a produção de crescimento económico. A primeira teoria de inovação que se tem conhecimento, reporta-se a 1934, e é da responsabilidade do economista de origem austríaca, Joseph Schumpeter - “Inovação é um novo produto, um novo processo de produção ou uma nova forma de organização” - (Schumpeter, 1934). Apenas nos anos 70, a inovação passa a ser dotada de caráter multidisciplinar, deixando de estar ligada apenas à economia, e abrangendo agora áreas como a sociologia, psicologia, engenharia gestão e geografia. O conceito tem vindo a sofrer algumas alterações na sua definição desde a década de 70, em que a inovação foi definida como “(...) uma nova ideia, uma nova prática ou um novo material a ser utilizado num dado processo” (Rogers e Shoemaker, 1971). Desde então tem-se acrescentado a esta concetualização a inovação administrativa, técnica, organizacional, nos produtos e nos processos. Atualmente, considera-se que ao conceito de inovação, está associada a originalidade, a novidade mas sobretudo o facto de ser algo de relevante e único. Significa portanto que o que é apenas novo ou original, não é necessariamente inovador. A inovação define-se pela novidade em termos de conhecimento aplicado para a criação de novos produtos e processos, realizando um percurso complexo, que inclui mecanismos de feedback e interação, conhecimento científico e tecnológico, produção, politicas públicas, resultados, comunicação e empreendedorismo. Fonte: Relatório de Primavera 2008 - Sistema de Saúde Português - Riscos e Incertezas

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em prol de uma vida saudável, produtiva e de qualidade Jaba Recordati A Jaba Recordati é a subsidiária Portuguesa da Recordati internacional. No mercado português comercializa produtos farmacêuticos de elevado valor acrescentado que beneficiam a qualidade de vida das pessoas, com o intuito de lhes proporcionar uma vida longa, saudável e produtiva.

Nelson Pires General Manager

Os objetivos delineados para o ano que terminou foram devidamente alcançados? Os objetivos de 2013 foram atingidos. 2013 foi um ano bom. No contexto em que o balanço do país foi mau, posso considerar que para a Jaba Recordati foi um ano positivo, pois enquanto o mercado caiu 4.6 por cento, nós crescemos quase 5 por cento positivos (dados IMS). Para além disso, todas as áreas de negócio da companhia atingiram o budget, o que muitos diretores gerais de outras empresas não podem infelizmente dizer. Foi um ano complicado, por falta de estratégia do Estado em encontrar medidas a médio prazo, focandose apenas na redução da despesa no medicamento, com medidas avulsas quase diárias.

terminou? Além do impacto de 40 por cento de redução de preços no mercado de genéricos durante o ano, bem como a redução de preços na área Farma verificada a partir de sbril de 2013, as três áreas de negócios tiveram um comportamento positivo. A nossa área de genéricos aproveitou o momento positivo deste segmento de mercado, tendo obtido bons resultados. Sofremos uma quebra em preço, que posteriormente foi compensada em unidades. As áreas OTC’s e Farma foram positivas essencialmente porque temos produtos novos em lançamento que nos trouxeram crescimento. Para além disso conseguimos inovar a nossa comunicação nestes dois segmentos, trazendo-nos resultados positivos.

Como avalia as diferentes áreas no ano que

Relativamente à empresa, como se sentem? Quais

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os novos projetos? Em termos de empresa estamos sólidos, sendo que a nossa área internacional também está a correr muito bem. O mercado angolano está em crescimento, bem como o mercado de Cabo Verde. Estamos a pensar em abrir um novo mercado para a África subsariana, que está ainda em fase de avaliação, um mercado que não é português, o que significa que qualquer dia temos uma multinacional, dentro da própria multinacional. São consideradas ótimas notícias, pois a exportação é feita de Portugal, embora o nosso modelo de negócio é sempre um modelo de internacionalização e não de exportação. Isto é, nós não queremos levar caixas de medicamentos para um determinado sítio, mas sim ter um parceiro local, ter os próprios delegados da empresa, poder disponibilizar formação e até criar uma


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pequena filial, caso o projeto futuro o justifique. Que tipos de produto pretendem colocar nos novos mercados? Serão sempre produtos de investigação, em que não existem genéricos permitindo a estes cidadãos receberem a mesma tecnologia de saúde que na Europa. Esta decisão implica um trabalho específico de formação pós-graduada, assente na educação médica prévia, um alto nível de investimento e o recrutamento de novos delegados, como temos em Angola. No caso de Angola iremos provavelmente aumentar a dimensão da nossa equipa neste mercado. É um projeto em crescimento, recheado de desafios. Considera que existe falta de rumo estratégico? Sim, tenho vindo a debater-me bastante sobre esse assunto, pois a falta de rumo estratégico sobre o papel do medicamento e da indústria farmacêutica, prejudica claramente o investimento, pois quem investe pretende investir a longo prazo. Falta definir que modelo de saúde queremos e deixar de considerar o medicamento e a IF apenas como um gasto para o Estado, mas acima de tudo como um meio que proporciona mais e melhor vida, fundamental para que hoje se viva até aos 80 anos, quando há 50 anos atrás, morríamos aos 60 anos. O governo e os próprios doentes têm uma perspetiva paradoxal do medicamento: só se lembram deles quando estão doentes; só lhes dão valor quando os tomam e beneficiam das mais-valias que proporcionam. O HIV há 20 anos era uma doença fatal, hoje é apenas uma doença crónica, devido à existência de medicamentos eficazes. Para além disso

desvalorizou-se de tal forma o papel do medicamento, que quando compram os medicamentos, pretendem que estes sejam muito baratos, esquecendo-se de que no dia que tiverem um preço muito baixo, deixa de haver investigação e inovação. Levando provavelmente a que as companhias de inovação saiam de Portugal, não havendo mais investimento nem melhores e mais inovadores tratamentos. Recentemente a Jaba Recordati adquiriu a totalidade do capital social dos laboratórios Casen Fleet. Como classifica a empresa Casen Fleet? A Casen é uma empresa cuja a grande parte do seu negócio tem origem em Espanha, onde fatura 40 milhões, e 3 milhões em Portugal, possuindo ainda alguns mercados de licenciamento como a Alemanha e Itália com pouca expressão no volume de negócios. No fundo, o negócio aconteceu para fazer crescer a filial espanhola. É muito focalizado em duas áreas: gastroenterologia, onde a Jaba Recordati já esteve há cerca de dez anos, portanto é um pouco a oportunidade de voltar ao passado pela positiva; e na pediatria, sendo uma área nova para nós. Os novos produtos Casen integrados no portfólio existente da Jaba Recordati permitem sinergias estratégicas e promocionais relevantes. Conseguimos assim integrar a empresa, redefinindo o seu plano estratégico inclusive já com bons resultados. No mês de janeiro vamos crescer 15 por cento face ao ano passado. Quais as expetativas subjacentes a essa aquisição? Quais as oportunidades que esperam deste negócio?

Naturalmente participei no processo de compra, fazendo a avaliação do negócio em Portugal de forma a fazermos uma proposta de preço final. A expetativa inicialmente era baixa, justificado pelo desconhecimento do negócio e da possibilidade de sinergia com o negócio atual que temos. A integração foi feita em outubro, e desde então a troca de informação com a filial espanhola foi muito maior, e já com a estrutura local cá definida. Desde então percebemos que é um negócio com grande potencial, que vai claramente ser desenvolvido do ponto de vista estratégico. Definimos novos targets de comunicação, o ciclo de vida dos produtos, a mensagem sustentada de forma científica, aliado à imagem da Jaba Recordati. Por exemplo, temos um produto de limpeza intestinal para utilização antes da realização de uma colonoscopia, e não estávamos a participar nos concursos públicos desta área (apenas nos privados). Trata-se de um dos produtos principais, cuja oportunidade aumentou devido ao aumento do número de colonoscopias que se espera realizar em 2014, fruto das notícias que trouxeram ao conhecimento um caso de um doente que por ter de esperar dois anos por uma colonoscopia, quando a realizou era tarde demais. Vamos desta forma reposicionar-nos também para o hospital público, apesar dos tempos de pagamento serem superiores a 500 dias, mas a nossa estrutura financeira permite ainda suportá-lo com muita dificuldade. Avaliando bem o negócio total da Casen percebemos que é um negócio que num prazo de quatro a cinco anos duplica o seu tamanho já com o portefólio existente. Passou assim a ser um negócio de futuro. Um projeto que depois de o integrarmos revelou-se de elevado potencial,

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mais porque está completamente fora do que é o reembolso dos medicamentos, possibilitando-nos a oportunidade de nós ainda o desenvolvermos mais. Acrescido do facto que os produtos são muito bons e as pessoas são excelentes profissionais! A Casen e a Recordati possuem centros de investigação e desenvolvimento de produtos em que áreas? A Casen é especializada na área gastro e pediatria; embora na essência do R&D seja gastro, pois a pediatria vive muito do licenciamento de parceiros do norte da Europa, nomeadamente a nível de produtos probióticos. Quanto ao grupo Recordati temos neste momento quatro novos produtos em fase dois ou fase três de R&D. Um está relacionado com um medicamente órfão de uma companhia que nós temos denominada de orphan drugs, que são medicamentos que tratam doenças muito raras, o que significa que existem poucos doentes em Portugal, mas será lançado rapidamente. Depois temos dois produtos para a área de urologia e ainda uma extensão de gama dentro da área de hipertensão. Este será o projeto futuro de investigação da Recordati, que continuará a investir mais de 14 por cento de tudo o que recebe. Nós somos uma companhia que felizmente investe bastante em investigação. É uma empresa espanhola que atualmente reporta a Milão, como se espera o funcionamento da Casen nos próximos tempos? Com autonomia e totalmente integrada no negócio e gestão da Jaba Recordati. Na filosofia Recordati as companhias integram o negócio do país,e depois o negócio responde dentro da filial, portanto é integração total. Neste momento estamos na integração operacional e depois durante o ano 2014 será a integração formal do negócio. A filosofia da Recordati é sempre integração e gestão direta, isto é, nós vamos ser um comprador normal de produtos da Casen Espanha, e fornecedor em alguns casos de produtos em que podemos fazer intercâmbio. No fundo, o negócio vai ser gerido em Portugal, apesar de posteriormente existir uma orientação de Milão em termos financeiros e estratégicos do produto, quer com a apresentação de novos estudos clínicos, quer com participação em formação de palestrantes, entre outras. Os princípios da Casen vão ser mantidos pela Jaba Recordati ou vão proceder a algumas alterações? Os princípios vão ser totalmente mantidos. Aliás, nós temos uma estrutura competitiva e acho que esse é um dos princípios da Casen, o que acaba por ser vantajoso. Depois faltava alguma organização estrutural (por exemplo não tinham procedimentos sobre os mais variados temas) e havia muita centralização das decisões do negócio em Madrid. Por isso parte do que a Jaba Recordati acrescentou à Casen é essencialmente autonomia ou glocalização, estrutura, definição e visão estratégica. Relativamente aos OTC’s estão a pensar lançar produtos neste novo ano? E medicamentos

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genéricos? Esta é uma área muito dinâmica da companhia, pois ainda no ano passado lançamos um OTC alimentar denominado de Sal & Vida. Estamos neste momento a finalizar o contrato de um novo produto. Pretendemos lançar um novo OTC por ano. Porque o volume de investimento inicial é muito superior, e porque atingir o retorno a dois anos, que é o objetivo traçado pela empresa, implica um enorme esforço financeiro, nós pretendemos lançá-lo em televisão, rádio, revistas, imprensa escrita, publicidade estática. Ou seja um grande esforço financeiro que temos de retirar de outros retornos, outros lucros. Assim sendo o nosso objetivo é lançar um OTC por ano, quer seja na área da saúde oral ou na área de estilos de vida, ou então na área de pediatria. Quanto à área de genéricos, a nossa estratégia é de lançar três genéricos por ano. Quais são as expetativas para o ano de 2014? Para nós são boas se mantivermos o cenário atual e se houver a estabilidade legislativa. Nós temos a companhia, a estratégia, o investimento definido e as pessoas certas para termos um ano normal e alcançar os nossos objetivos económicos e financeiros; permitindo que os nossos colaboradores tenham um ano trabalhoso mas sem sobressaltos, que é uma das minhas grandes preocupações como general manager. Espero que 2014 seja um bom ano, um ano equilibrado, partindo do pressuposto que a nível internacional é igual, ou seja, se for um ano de crescermos quatro ou cinco por cento é um ano bom, porque se o mercado cair mais

quatro ou cinco por cento conseguimos equilibrar no mercado. A minha missão pessoal passa muito por fazer de cada pessoa que trabalha na empresa uma pessoa Recordati, ou seja viver a companhia, independente de gostar mais ou menos de determinadas atividades. Outra missão é demonstrar que a Jaba Recordati é uma empresa onde é agradável trabalhar, que tem um projeto, que é séria e ética. E nesse campo acho que estamos a ganhar, além da parte de manter a estabilidade económica e financeira que é naturalmente inevitável.

A Jaba Recordati venceu recentemente os galadões de “Melhor Empresa para Trabalhar” e Nelson Pires o de “Melhor Gestor de Pessoas”


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palavra de ordem: qualidade Ciclum farma A Ciclum Farma está integrada num dos maiores laboratórios farmacêuticos alemães, a STADA. É um laboratório farmacêutico que produz, comercializa e distribui medicamentos genéricos de elevado interesse terapêutico. A Ciclum/STADA pretende proporcionar a todas as pessoas uma melhor saúde e bem-estar, disponibilizando medicamentos de elevada qualidade e segurança. Moisés Apura é o general manager da Ciclum Farma em Portugal e revela por onde passa o futuro da empresa em Portugal. objetivos. Um dos melhores exemplos é a constante alteração das leis sem dar tempo de verificar se as medidas são as corretas, qual o seu impacto e se têm os resultados esperados, como é o caso elucidativo de em quatro anos alterarem quatro vezes as margens comerciais dos distribuidores e farmácias sem melhorar a sustentabilidade do setor e sem qualquer benefício para o utente.

moisés apura General Manager

Os objetivos do ano de 2013 foram devidamente cumpridos? Não, alguns dos objetivos delineados não foram devidamente cumpridos devido à imprevisibilidade do mercado farmacêutico. Neste momento, é muito difícil às empresas farmacêuticas realizarem qualquer planeamento de curto e longo prazo, ao contrário do que se passava há uns anos atrás, em que havia estabilidade legislativa e em que os planeamentos a longo prazo eram realizáveis e atingíveis. Portanto, a imprevisibilidade do mercado, devido a fatores aleatórios da concorrência e falta de transparência, as constantes baixas inesperadas de preços, a obrigatoriedade de devolver retroativamente parte da faturação ao Estado através de protocolos impostos sem estarem provisionados e, finalmente, uma legislação volátil, não favorecem as empresas a cumprirem os seus

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Enquanto diretor geral, perante o que tinha previsto pelo menos manter, conseguiu cumprir? Sim, isso sem dúvida. Apesar de todas as circunstâncias, conseguimos manter os nossos recursos humanos, dando-lhes garantias de estabilidade sem contratos a prazo e sem redução de benefícios, mantendo a qualidade de vida familiar para melhor superarem a crise económica. Outro grande objetivo era a empresa continuar a ser sustentável, nesta conjuntura económica de grande dificuldade de pagamento dos clientes (farmácias, hospitais e distribuidores) e não depender de credores, e esse também foi cumprido, através da procura de melhor eficácia e eficiência nas ações. O nosso objetivo nunca foi ganhar cota de mercado unicamente, com ações comerciais que descurem a sustentabilidade, colocando em risco o futuro. O nosso principal objetivo é conseguir sempre resultados positivos todos os anos para que a STADA continue a acreditar que a filial portuguesa tem futuro, apesar da conjuntura económica desfavorável. A Ciclum Farma é também comercializadora de medicamentos genéricos. Considera que até 2015 existe a expectativa de o mercado dos genéricos representar 50 por cento do mercado farmacêutico? Um dos objetivos do Governo e da troika seria que os medicamentos genéricos atingissem 60 por cento da cota do mercado em volume, o que na minha opinião considero um objetivo muito ambicioso, tanto no grupo das substâncias com genéricos como, ainda muito mais, no mercado total de medicamentos. Penso que será muito difícil de o atingir sem medidas adicionais e acertadas. A cota de genéricos, no grupo de substâncias com alternativa de genéricos, está nos 39 por cento em volume e tem aumentado de cinco pontos percentuais/ ano nos últimos quatro anos, o que significaria crescer

em um ano o que fizemos em quatro. Mas se analisarmos o mercado farmacêutico total, esta cota representa ainda somente 27 por cento e tem grande margem de progressão até alcançar os valores dos países do norte da europa, como a Alemanha (68 por cento). Reafirmo que atingir os 60 por cento de cota só é possível, em tão pouco tempo, com medidas adicionais que incentivem o uso, a prescrição médica, a dispensa na farmácia e uma maior transparência no mercado, porque se o fizermos o país ganha na sustentabilidade do SNS, os utentes melhoram o acesso aos tratamentos e mais recursos ficam disponíveis para beneficiar da inovação. Para esse aumento acha importante o aumento das moléculas disponíveis nos genéricos? Algum desse aumento para aproximarmo-nos do objetivo de 60 por cento vai ser conseguido com a ajuda de novos medicamentos genéricos, porque muitas das moléculas terminam a patente no ano que está a decorrer, e nos dois próximos anos. São medicamentos, com um peso significativo em volume e valor, que ao perderem a patente, possibilita a comercialização a um preço, no mínimo, 50 por cento inferior ao medicamento de referência. O Governo tem feito um bom trabalho na desburocratização e redução nos prazos das aprovações que possibilitam o lançamento mais rápido de medicamentos genéricos. No entanto, continua a existir uma forte litigância das empresas de medicamentos de referência para atrasar o lançamento de genéricos. A implementação de arbitragem privada, obrigatória, para litígios de patente, não resolveu o problema e fez aumentar escandalosamente os custos. No meu ponto de vista, o Governo nunca deveria ter retirado a litigância do direito de propriedade de patente dos Tribunais do Estado. Mas ao fazê-lo, simultaneamente deveria ter regulamentado os preços máximos a praticar e não sujeitar as empresas que comercializam genéricos, que respeitam o direito de patente, a pagar centenas de milhares de euros a árbitros e sociedades de advogados privados, mesmo que só pretendam lançar o seu genérico no final dessa patente. Talvez existam outros interesses que me ultrapassam. O Infarmed recentemente lançou uma aplicação disponível em smartphones, que possibilita às pessoas informarem-se de qual


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o medicamentomais barato dentro da área dos medicamentos em termos gerais. Qual a sua opinião perante uma medida tão inovadora? Acho uma medida muito positiva e dou os parabéns à equipa que desenvolveu a aplicação. E, é mais um meio disponível para os utentes verificarem e compararem os preços, certificando-se que o medicamento que estão a comprar é o mais acessível e quais as alternativas disponíveis. No entanto, apesar de ser uma medida muito inovadora e positiva, não é suficiente, porque a grande maioria dos nossos doentes crónicos são pessoas idosas e, assim sendo, não têm acesso à aplicação. Esta possibilidade de leitura ótica deveria estar disponível nos centros de saúde, com a colocação de máquinas onde os utentes, ou seus familiares, colocassem a sua receita médica e saíssem do centro de saúde já a saberem quais as alternativas. Nestes casos, o Estado tem o dever de informar os utentes e a escolha opcional por medicamento, mais caro ou mais barato, será sempre do utente. O conselho que eu posso dar às pessoas é conversarem abertamente com o seu médico ou farmacêutico, exigirem a leitura das alternativas de preços e acordarem a melhor solução para o seu caso. Como posiciona a Ciclum Farma entre os laboratórios de genéricos? A Ciclum está no grupo das dez maiores empresas de genéricos do mercado português, com um dos maiores portfolios de medicamentos genéricos e abrangendo todas as áreas terapêuticas; comercializando mais de 90 substâncias diferentes representando 280 apresentações. Os utentes que preferem escolher os medicamentos da Ciclum/STADA têm a certeza de que escolhem dos medicamentos genéricos de mais baixo custo no mercado. Procuramos sempre melhorar o acesso ao medicamento aos doentes crónicos, praticando preços baixos, para que mais pessoas possam ser tratadas sem preocupação do custo e sabendo que ao fazê-lo estamos a contribuir para a sustentabilidade do SNS.

Pretende ser a primeira empresa de genéricos do país? Depende. Quero ser a primeira empresa de genéricos mais bem gerida, onde os trabalhadores se sintam bem e tenham orgulho, onde os clientes sejam sempre bem atendidos e sintam confiança na qualidade dos nossos produtos e os utentes possam encontrar a solução para os seus problemas a preços mais acessíveis do mercado. Não quero ser a primeira empresa de genéricos em vendas do país só per si, se para isso tiver que colocar em risco a sustentabilidade, a qualidade ou praticar preços mais elevados para dar mais descontos que não beneficiam o utente e o SNS. É fácil atingir grandes cotas de mercado no segmento dos medicamentos genéricos com a prescrição por DCI mas mantê-las com sustentabilidade e retorno do investimento é muito difícil. O grupo STADA é uma das poucas empresas envolvidas no desenvolvimento de biossimilares. Quais as expectativas da aposta nesta área de investigação e desenvolvimento? É o futuro, e considero que as empresas devem apostar no futuro para manterem-se fortes. É estar presente na grande oportunidade gerada pela queda de grande número de patentes de medicamentos biológicos. Muitos desses produtos biológicos terminam as patentes nos próximos anos e a STADA, com uma presença há mais de 100 anos no mercado farmacêutico apostando no desenvolvimento de medicamentos que terminem a patente, irá garantir a continuidade no mercado farmacêutico canalizando recursos para o negócio futuro de base biotecnológica, onde se inclui os biossimilares, como uma extensão dos medicamentos genéricos, mantendo a mesma filosofia: permitir maior acesso ao medicamento tratando mais doentes sem necessidades de racionamento e exclusão e permitindo alcançar ganhos em saúde, num momento em que a racionalidade e a relação custo-benefício na acessibilidade são muito importantes para a sustentabilidade do serviço de

saúde. A minha expectativa é que o Governo tenha uma abordagem diferente comparado com o mercado de genéricos atualmente, de forma a evitar a desistência de lançamento destes medicamentos em Portugal, pela incerteza de retorno no investimento avultado necessário e pagamento das dívidas hospitalares com mais de um ano de atraso. Qual a diferença de um medicamento normal e dos medicamentos biossimilares? O medicamento biossimilar é um medicamento de base biológica, isto é, são substâncias com um maior grau de complexidade e que podem implicar a utilização de células, vírus ou bactérias na sua produção e em que os requisitos são muito mais exigentes comparados com a produção de uma substância química de um medicamento genérico que apenas precisa de comprovar a sua bioequivalência. Um medicamento biossimilar tem a mesma substância ativa do medicamento biológico mas, tanto num como noutro, devido há grande complexidade do método de produção podem existir pequenas variações normais e para tal foi necessário apresentar resultados pré-clínicos e clínicos de eficácia e efetividade comparada com o original. O medicamento não biológico tem um processo químico de fabrico sem grandes variações, enquanto um biossimilar ou biológico já o seu desenvolvimento requer outras garantias de qualidade, outras exigências no método de fabrico, de análise de farmacocinética e farmacodinâmica e de segurança. O biossimilar por toda esta complexidade e exigências implicam um maior investimento que nem todas as empresas conseguem suportar. Só empresas sólidas e sustentáveis é que conseguem investir neste segmento.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MAIS SAÚDE, MAIS INOVAÇÃO A loja online da Ciclum Farma é também uma das suas áreas de atividade. Numa altura em que as compras online estão a conquistar um lugar de destaque no mercado, sentem o mesmo na compra dos seus produtos farmacêuticos? Nós verificamos que existia uma crescente generalização da utilização da internet para procura de informação sobre os nossos produtos e uma maior disponibilidade das pessoas para adquirí-los se houvesse uma loja online. Por outro lado, foi um meio para dar a conhecer toda a nossa oferta de produtos de saúde, e, ao mesmo tempo, uma garantia da estabilização do preço em todo território nacional, sendo que as pessoas na loja online podem conferir se o preço a que compram é igual ao recomendado. Nós indicamos um preço recomendado tal como se pretende fazer com a aplicação do INFARMED para os medicamentos. É de referir que a discrepância de preços do mesmo produto que não está sujeito a aprovação de preço máximo e é de venda livre, de norte a sul do país e dentro da mesma área geográfica, chega a atingir os dez euros. Isto tem dado origem a recebermos muitos telefonemas dos consumidores, com pedidos de esclarecimentos, sobre a razão desta variação quando compram em localidades diferentes. Outro dos motivos para criar uma loja online foi o “Ladival”, um protetor solar com características únicas para peles sensíveis, peles tatuadas e crianças, líder na Alemanha e países do norte da europa, que os utilizadores tinham dificuldade em encontrar nas farmácias e telefonavam-nos constantemente perguntando onde podiam comprar. A vossa empresa dá preferência às farmácias ou

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às grandes superfícies comerciais? A nossa área de preferência é a farmácia. Privilegiamos o farmacêutico pela sua relação de confiança e proximidade com o utente e queremos contribuir para que a farmácia possa fidelizar os seus utentes, colocando ao dispor produtos de saúde exclusivos para além dos medicamentos. Apesar de, muitas das vezes, o farmacêutico não reconhecer esta nossa preferência e exclusividade, como é o exemplo mais evidente do “Ladival”, e preferirem ter os produtos que se encontram em qualquer supermercado ou lojas comerciais, acabando por não aproveitarem a oportunidade de diferenciarem-se dos outros estabelecimentos comerciais e procurando unicamente obter melhores descontos comerciais. Com esta atitude, as empresas são obrigadas a procurar outros canais de venda ao público com escala superior. A nível de OTC’s pretendem continuar a apostar em produtos de grande impacto e qualidade como é o caso do Hirudoid e do Ladival? É uma aposta que temos vindo a fazer há alguns anos. Foi há cerca de três anos que começamos a ver o futuro dos genéricos muito condicionado em Portugal, mesmo com o risco de desaparecerem alguns do mercado, devido às baixas drásticas e consecutivas de preços, o qual em muitos casos, o preço de custo já é superior ao PVP aprovado e invalidam a comercialização. Estudos recentes demonstram que já batemos no fundo e temos o custo de tratamento mais baixo dos países europeus. Os OTC’s contribuem para a sustentabilidade da empresa e manutenção dos postos de trabalho. Neste momento, comercializamos 12 marcas e esperamos

terminar o ano de 2014 com 15. Este segmento já representa 23por cento% do nosso negócio em Portugal. Considero que foi uma grande e boa luta, pois a STADA era muito focada na internacionalização dos genéricos e não nos OTC’s. Nós começamos por apostar localmente, com toda a liberdade de gestão que a STADA me proporcionava, neste segmento de mercado. A STADA possui alguns destes produtos de sucesso que são líderes na Alemanha, e o meu desafio foi incentivar e permitirem-me a internacionalização de algumas marcas, como exemplo, Ladival, Magnetrans, Mobiflex e lançar outras novas como Lactoflora e Fraldox ou reposicionar e refrescar a imagem de outros, como Mobilisin e Elmetacin. Em 2013 compramos mais uma grande empresa de produtos de saúde/OTC’s do Reino Unido e em janeiro deste ano, criamos um Centro de Excelência para o Desenvolvimento de Produtos OTC’s na Alemanha. Quais as expectativas do ano de 2014? Eu sou um otimista por natureza, gosto de desafios, e encaro que o ano de 2014 poderá ser um ano excelente para a Ciclum Farma/STADA, até por novos lançamentos que nós vamos ter a nível de genéricos, OTC’s e biossimilares, que nos deixa numa perspetiva bastante positiva. Portanto, vamos continuar a desenvolver o nosso trabalho com motivação redobrada e esperar que o governo crie mecanismos para trazer transparência ao mercado e que encontre as melhores soluções para que as empresas sejam sustentáveis e todos sejamos ganhadores.


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artigo de opinião

medicamentos genéricos são vitais para a sustentabilidade do sns Redigido por Paulo Lilaia, presidente da APOGEN

No início da década de 2000 a utilização de medicamentos genéricos em Portugal era quase nula, mesmo quando muitos países já tinham compreendido que o desenvolvimento deste setor seria fundamental para a sobrevivência e manutenção dos seus Sistemas de Saúde. Nos últimos 10 anos, a APOGEN – Associação Portuguesa de Genéricos, orgulha-se de ter contribuído objetivamente para a sustentabilidade do sector da saúde e para a acessibilidade do Estado e dos cidadãos aos medicamentos. Neste período, importa destacar um conjunto de medidas tomadas e que tiveram um impacto decisivo para uma maior utilização de medicamentos genéricos em Portugal, como por exemplo: 1) A majoração de 10 por cento na comparticipação dos genéricos, introduzida no ano 2000; 2) A criação do Sistema de Preços de referência em

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2002; 3) A comparticipação dos MG a 100 por cento no regime especial em 2009; 4) As várias campanhas de divulgação e informação do grande público e dos profissionais de saúde, levadas a cabo pelo Infarmed. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer para que os medicamentos genéricos possam continuar a dar um contributo fundamental para a sustentabilidade do SNS e garantir o Acesso à Saúde. Recorde-se que o poder de compra em Portugal situa-se hoje em apenas 75 por cento da média da União Europeia, o que obriga a escolhas inteligentes e racionais. Assim, é fulcral que os Governos criem condições adequadas de concorrência, mas também de sustentabilidade económica para as empresas do setor. Importa salientar que os preços dos medicamentos

genéricos desceram quase 70 por cento desde setembro de 2008. Nos últimos três anos, desde 2010, desceram quase 60 por cento, o que dá uma ideia clara da dimensão do impacto negativo nesta indústria. Por isso mesmo, a APOGEN considera que a descida de preços no setor atingiu o limite e novas descidas levariam, não só a uma situação de estrangulamento das empresas, mas também colocariam em causa todo o sector. Para garantir sustentabilidade dos custos com medicamentos é fundamental o aumento da utilização de medicamentos genéricos para o nível médio da UE, ou seja, para mais de 50 pr cento de quota de mercado. De acordo com o Memorando de Entendimento com a Troika, Portugal deverá atingir 60 por cento de medicamentos genéricos no SNS em 2014, partindo dos atuais 38,5 por cento, havendo por isso ainda um


01/14 ACT 012/ A

Somos Actavis A Actavis plc é um dos líderes mundiais no desenvolvimento, produção e comercialização de medicamentos genéricos. Com um portefólio alargado de produtos genéricos, marcas e OTC, marcamos presença em múltiplas áreas terapêuticas. Através de uma rede comercial global e alargada, reforçamos o serviço aos nossos clientes, continuando a proporcionar produtos farmacêuticos da mais alta qualidade.

Actavis A/S Sucursal – Rua Virgílio Correia, 11 A 1600 - 219 LISBOA – PORTUGAL Tel: + 351 217 220 650 – Fax: + 351 217 272 744 NIF 980334934 – Email Geral: actavis@actavis.pt

www.actavis.pt


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significativo caminho a percorrer, num curto espaço de tempo. A APOGEN está empenhada em contribuir para que o compromisso assumido seja cumprido. Nesse sentido, temos apresentado – e continuaremos a fazê-lo – diversas medidas que permitirão atingir os objetivos delineados, nomeadamente: 1) Diminuir as barreiras de acesso ao mercado dos Medicamentos Genéricos, através de: • Resolução total do chamado “Patent Linkage”, que se tem concretizado como um bloqueio legal à comercialização de novos medicamentos genéricos; • Agilização da Aprovação dos medicamentos genéricos e dos seus Processos de Preço e Comparticipação; • Introdução na legislação da cláusula “Advance Manufacturing”, para uma mais rápida entrada de genéricos no mercado. 2) Diminuir as barreiras ao desenvolvimento do mercado de Medicamentos Genéricos, através de: • Fim do Price Linkage e das descidas de preço

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administrativas generalizadas, sem relação direta com o normal funcionamento concorrencial do mercado; • Política de incentivo à prescrição de medicamentos genéricos, através da implementação de guidelines terapêuticas; • Política de incentivo à dispensa de genéricos através de um sistema remuneratório adequado; • Reativação das campanhas de divulgação dos medicamentos genéricos junto do grande público. Os genéricos são hoje uma ferramenta essencial para a sustentabilidade do sector de saúde e do SNS. Uma maior utilização destes medicamentos é fundamental para que se libertem verbas para comprar medicamentos inovadores de valor terapêutico acrescentado. Em Portugal, o potencial de poupança nos próximos anos com uma maior utilização de genéricos, cifra-se na ordem das centenas de milhões de euros por ano. É fundamental percebermos que a sustentabilidade da indústria de medicamentos genéricos é um dos

elementos chave para garantir o acesso da população aos medicamentos e gerar poupança para o Estado. Por isso mesmo, a APOGEN está empenhada e reafirma o compromisso de continuar a ser um parceiro ativo na procura de um sistema de Saúde mais desenvolvido, mais eficaz e mais acessível.


VHC O INIMIGO SILENCIOSO O sistema imunitário faz tudo o que pode para eliminar o VHC, mas ele continua a esconder-se.

Vamos reescrever a história da Hepatite C

AbbVie, Lda. Estrada de Alfragide, 67 - Alfrapark - Edifício D 2610-008 Amadora Tel. 211 908 400 | Fax. 211 908 403 | Contribuinte e Matrícula na Conservatória do Reg. Com. da Amadora n.º 510 229 050 | Capital Social 4.000.000€ 02/2014/MI/009


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Pelo tratamento da hepatite c Abbvie A AbbVie conclui maior programa de Fase III de uma terapêutica totalmente oral e livre de interferão para tratamento do genótipo 1 da hepatite C

- Taxas de RVS12 de 99% com e sem ribavirina em alguns tipos de doentes - Mesmo em doentes difíceis de tratar (doentes cirróticos), as taxas de RVS12 foram de 92-96% - A AbbVie espera o lançamento no mercado americano em 2014 A AbbVie anunciou a conclusão do seu programa de ensaios clínicos de Fase III e divulgou resultados de quatro estudos adicionais concebidos para avaliar a terapêutica experimental totalmente oral e livre de interferão da AbbVie com e sem ribavirina (RBV) em doentes com infeção crónica pelo genótipo 1 (GT1) do vírus da hepatite C (VHC). Estes resultados, descritos abaixo, confirmam dados previamente divulgados pela AbbVie e demonstram ainda taxas elevadas de resposta virológica sustentada às 12 semanas (RVS12) e de tolerabilidade nestes doentes com GT1, 12 semanas após o tratamento.

Resultados do Programa de Ensaios Clínicos de Fase III da AbbVie

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“Os resultados dos estudos abrangentes de Fase III da AbbVie envolvendo 2300 doentes em 25 países demonstram o desempenho do nosso regime experimental num amplo espectro de doentes infetados com o genótipo 1 do VHC, incluindo doentes com cirrose hepática compensada”, declarou Scott Brun, M.D., vice-presidente para a área de desenvolvimento farmacêutico da AbbVie. “As elevadas taxas de resposta e tolerabilidade do nosso regime, aliadas às taxas baixas de descontinuação, são promissoras.” O regime experimental da AbbVie consiste na associação de dose fixa de ABT-450/ritonavir (150/100 mg) coformulado com ABT-267 (25 mg), numa toma diária única, e ABT-333 (250 mg) com ou sem ribavirina (dependente do peso), em duas tomas diárias. A associação de três mecanismos de ação distintos interrompe o processo de replicação do VHC, com o objetivo de otimizar as taxas de RVS nas diferentes populações de doentes. Em maio de 2013, o regime da AbbVie, com e sem ribavirina, para o GT1 do VHC foi considerado uma Terapêutica Inovadora pela Food and Drug Administration (FDA - agência reguladora

americana). A AbbVie estima apresentar pedidos de autorização de introdução no mercado no início do segundo trimestre de 2014. A AbbVie irá revelar resultados detalhados do estudo em futuros congressos científicos e publicações. Poderá encontrar mais informações acerca dos estudos de Fase III da AbbVie em www.clinicaltrials.gov. A nível global, há cerca de 160 milhões de pessoas com infeção crónica por hepatite C1. O programa multinacional da AbbVie é o maior programa clínico totalmente oral e livre de interferão em doentes com o GT1 do VHC realizado até à data2. O GT1 (com os subtipos 1a e 1b) é o genótipo mais prevalente a nível mundial.


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hepatite a caminho da cura a 100% Sos hepatites A Associação SOS Hepatites foi criada a 21 de abril de 2005 e surgiu da necessidade de partilhar experiências, forças e esperanças, entre os doentes com hepatites virais e os seus familiares. É uma IPSS com estatuto de Utilidade Pública. Conversamos com Emília Rodrigues sobre os recentes progressos que têm sido feitos para a cura desta doença.

emília rodrigues Presidente

Ao longo das nossas últimas edições temos vindo a abordar a temática da hepatite, ainda desconhecida por muitos. Porque nesta edição em específico falamos de inovação na área da saúde, pedia-lhe que nos revelasse quais os novos tratamentos que estão a ser implementados nesta área. Foi aprovado em janeiro o primeiro inibidor de polimerase de uso oral, e aguardamos outros até 2016. Aguardamos agora a aprovação do INFARMED para que o mesmo comece a ser prescrito aos doentes nos hospitais. Há muita investigação na terapêutica das hepatites? Ao longo destes últimos dez anos houve um avanço muito grande na terapêutica das hepatites e na sua cura. Até 2011 havia somente o tratamento composto por interferon e ribaverina com o qual o portador tinha uma média de 55 a 60 por cento de hipótese de cura. Em finais de 2011 surgiu a terapia tripla, composta pelo

tratamento anterior acrescido do inibidor de protéase e a taxa de sucesso passou para 80 a 85 por cento e pela primeira vez falou-se em cura. Em janeiro deste ano foi aprovado o inibidor de polimerase e a taxa de sucesso subiu para 90 a 95 por cento de cura! Pela primeira vez teremos medicamentos orais e tratamentos isentos de interferon. Aguardam-se até finais de 2016 outros medicamentos orais que, em interação uns com os outros, nos darão uma taxa de sucesso de 100 por cento! Alertamos, no entanto, todos os portadores que neste momento só está disponível a terapia convencional e a tripla, uma vez que ainda se aguarda a aprovação pelo INFARMED do medicamento aprovado pela EMA (Agência Europeia do Medicamento) em janeiro passado. Sei que o Ministério da Saúde aprovou recentemente um medicamento bastante inovador para a hepatite C. É verdade. O Ministério da Saúde aprovou a 10 de janeiro os inibidores de protéase em todos os hospitais do país pertencentes ao SNS.

Contudo, este medicamento, na vossa opinião, tardou a chegar. Porquê? Este medicamento tardou a chegar porque foi aprovado em setembro /oOutubro de 2011 e somente alguns hospitais o tinham disponível para os doentes e só através de AUE (autorização Utilização Especial). E necessário relembrar que este medicamento é prescrito somente para o genótipo 1, para doentes não respondedores à terapia convencional (interferon e ribaverina) e para doentes com fibrose avançada ou cirrose. Quais as principais batalhas com que se travam, neste momento? A falta de medicamentos nos hospitais deve ser das mais preocupantes… Com a aprovação dos inibidores acaba a iniquidade e a discriminação que existia a nível nacional, mas para nós continua a ser preocupante o tempo que os doentes esperam para fazerem o tratamento porque a doença continua a progredir.

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Quais são as estatísticas do flagelo da hepatite em Portugal? Não existem, por enquanto, dados oficiais. A estimativa da Organização Mundial de Saúde são 100 mil portadores de hepatite B e 120 mil de hepatite C. No entanto as doenças de fígado são a sétima causa de morte em Portugal! Abordaremos agora uma área mais específica, a do transplante. A maior parte dos infetados com hepatites tem que recorrer ao transplante ou os casos são detetados cada vez mais atempadamente? Não são detetados. Com a contenção económica muitos médicos não fazem o rastreio às hepatites o que leva muitas vezes a que quando o portador é encaminhado para o médico da especialidade já se encontra num estadio mais avançado da doença.

Alguns acabam por ter que fazer o transplante.

familiar antes / durante /após tratamento.

Quais os principais riscos ao paciente que podem levar ao transplante e, por outro lado, quais os principais riscos ao fazer o transplante? A cirrose ou o cancro hepático. Um doente com cirrose avançada e com indicação para transplante que não o faça acabará por ter cancro e posteriormente a morte. Depois de transplantado o maior risco é a rejeição do órgão.

Para que possamos realizar este projeto contamos com o apoio da Sociedade Civil e para tal abrimos uma conta no Montepio Geral com o NIB 0036.0000.99105902928.50

Quais os planos futuros da SOS Hepatites? Continuar a acompanhar os doentes e os familiares. Continuar, junto da população, a realizar campanhas de sensibilização para o rastreio e para as formas de prevenção e contágio Abrir o Centro de Rastreio e atendimento “SOS Hepatites” onde pretendemos ter uma equipa multidisciplinar para acompanhar o doente/

durante o primeiro congresso sos hepatites

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primeiro passo: prevenção Associação nacional de esterilização A missão da Associação Nacional de Esterilização passa por promover o desenvolvimento técnico científico no âmbito de reprocessamento de dispositivos médicos, contribuindo para a prevenção da infeção associada aos cuidados de saúde, fomentando as boas práticas e garantindo a aplicação de princípios de qualidade e proteção da saúde pública.

amália espada Presidente

Para que possamos contextualizar os nossos leitores, começava por lhe perguntar como nasce a Associação Nacional de Esterilização (ANES) e qual a sua principal missão. A ANES, constituída em 1997, nasceu do interesse, vontade e persistência de um grupo multidisciplinar de profissionais desse curso, com o objetivo comum de promover a qualidade na área da esterilização e contribuir para a prevenção e controlo de infeção nos estabelecimentos de saúde. Atualmente a missão da ANES assenta em promover o desenvolvimento técnico científico no âmbito do reprocessamento de dispositivos médicos, contribuindo para a prevenção da infeção associada aos cuidados de saúde, fomentando as boas práticas e garantindo a aplicação de princípios de qualidade e proteção da saúde pública.

O utente já tem a perfeita noção da importância da esterilização dos dispositivos médicos ou ainda há quem não o considere essencial? A importância do reprocessamento dos dispositivos médicos na área da saúde não é ainda uma evidência. Não podemos deixar de focar a iliteracia dos cidadãos e até mesmo de pessoas com responsabilidades acrescidas nestas áreas para dar resposta à sua questão. Há ainda um longo trabalho a desenvolver, por todos os intervenientes nesta área, para um cabal esclarecimento dos utentes dos serviços de saúde. É importante consciencializá-los da importância que a sua participação assume na garantia da qualidade desta atividade. De um modo geral, os utentes/doentes não manifestam interesse ou não pedem esclarecimentos aos profissionais de saúde intervenientes na atividade do reprocessamento de dispositivos médicos. Todo e qualquer SEC tem por missão produzir dispositivos médicos seguros e adequados ao fim a que se destinam. O conceito de serviço de esterilização centralizada (SEC) aplica-se a uma unidade orgânico funcional de apoio clínico, dotada de autonomia técnica, de recursos humanos próprios e de recursos materiais específicos, que realiza, de modo centralizado, as atividades incluídas no reprocessamento de DM, para todos os serviços da organização em que se integra. Este conceito atende, quer às normas necessárias para um funcionamento eficaz quer à racionalização de gastos e otimização de recursos dos serviços decorrentes do custo versus benefício relacionado com equipamentos, profissionais e investimento na estrutura física, proporcionando um serviço de qualidade, com uma eficiência de escala. Apesar de fundamental, ainda não temos a aplicação total deste conceito aos SEC portugueses, quer nos hospitais públicos quer nas unidades de prestação de cuidados de saúde privadas.

O que é preciso ainda mudar? Em nossa opinião o principal foco de mudança está na formação profissional e valorização dos ativos efectivos dos SEC e na criação de sinergias entre as autoridades com competências na área, os profissionais e as associações que os representam. Há que aumentar as sinergias dentro das organizações, identificar novas e melhores práticas e criar as condições para a sua implementação em todos os serviços com capacidade para responderem aos desafios que hoje se colocam. E também combater as resistências à mudança, abrir-se à sociedade onde os utentes/doentes se tornam cada vez mais esclarecidos e mais exigentes. Por onde passa o futuro da ANES? Por acreditar, partilhar preocupações e receios, aprender, trocar experiências, dinamizar iniciativas e ações relacionadas com as áreas de intervenção, articular com outras associações, construir parcerias, produzir informação e dar cumprimento à sua missão.

Avenida do Brasil, nrº1-5º andar sala 1 1749-008 Lisboa Telef: 915341825 E-mail: anes@anes.pt www.anes.pt

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Líder português em produtos e serviços de informação e conhecimento para a indústria farmacêutica

Act one

Com apenas quatro anos de atividade, a ActOne aspira ser líder de mercado em Portugal nos serviços de informação e gestão do conhecimento e marcar presença em mercados internacionais, diferenciando-se no desenvolvimento de novas soluções e produtos para a indústria farmacêutica.

Cláudio costa, carlo costa e joão maxieira Administradores

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C

orria o ano de 2010, quando nasceu, em Carnaxide, a ActOne. A empresa emerge da ambição de dois gestores ligados ao setor farmacêutico, que se envolveram numa área de estudos de mercado, com uma abordagem completamente inovadora na forma como se recolhe informação especificamente junto dos profissionais de Saúde mas também junto da população em geral. Ao sentirem que havia uma lacuna funcional no mercado farmacêutico, Cláudio Costa e João Maxieira, ambos diretores-executivos da empresa, lançam a ActOne no mercado. A empresa produz hoje produtos e serviços inovadores para a indústria farmacêutica e para o mercado da saúde em geral. Antigamente, recorda Cláudio Costa, “para se fazer um estudo de mercado que tivesse como amostra 200 clínicos gerais, esperava-se cerca de 30 dias; hoje em dia, nós fazemos um estudo de mercado a 200 clínicos gerais em dois dias e com um nível de informação muito mais rigoroso e fidedigno do que aquele que antigamente se conseguia”. Passados quatro anos desde a sua fundação, a ActOne hoje conta hoje também com Carlo Costa que se juntou ao Board Executivo da ActOne e com mais de 30 colaboradores a trabalhar nas áreas do ‘Marketing Research’, CRM (Customer Relationship Managment), CLM (Closed Loop Marketing) e Consultadoria no setor da saúde, com um foco particular na indústria farmacêutica. A ActOne veio assim alterar a maneira como se faziam estudos de mercado e como se gerava informação, estando por isso entre as empresas mais inovadoras

deste país. Os próprios gestores assumem ter no seu ADN a capacidade de mostrar à indústria a forma como os dados devem ser corretamente utilizados e como na realidade se pode aumentar a informação e o conhecimento para suporte à decisão. “Acreditamos – afirmam ainda - no investimento contínuo em metodologias inovadoras, como a única forma de fornecer produtos e serviços integrados que ultrapassem as questões com que os nossos parceiros se deparam quotidianamente”.

AskIt! Com a intenção de melhor satisfazer as necessidades de informação dos seus clientes, a ActOne desenvolveu o AskIt - Plataforma Web-based única e inovadora a nível global onde os inquiridos não precisam de instalar qualquer aplicação no momento da sua utilização. Esta ferramenta, única e inovadora, permite recolher informação, por parte dos médicos e profissionais de saúde em geral e fazer estudos de mercado sem interveniência do entrevistador. Conforme refere Cláudio Costa, esta plataforma “permite que o cliente desenhe um inquérito ou questionário (afirma que sempre com o suporte da nossa equipa) e permite também que ele escolha uma amostra representativa do universo que quer estudar, ao mesmo tempo que lança o estudo para o mercado. Ao lançar o estudo para o mercado, em tempo real, consegue ver as respostas a cair na base de dados diretamente e monitorizar os resultados do projeto em realtime”.

Deste modo, o AskIt funciona em cima da base de dados dos profissionais de saúde. Os inquiridos são sempre gratificados pelo seu tempo disponibilizado, criando níveis de qualidade recolhida elevadíssimos para todos os projetos realizados. Através de um exemplo prático, Cláudio Costa explicanos o funcionamento desta ferramenta. “Por exemplo, eu recebo um invite e começo a participar num estudo. Se de repente tiver que atender um doente, terei de parar o inquérito e, a seguir à consulta, retomo-o. Portanto, isto dá-me a possibilidade de gerir o meu tempo. O poder e o controlo da resposta está na mão do médico. Por outro lado, o facto de não haver pressão para que o médico responda, permite que quando este responde, seja porque quer mesmo responder e, a forma como ele nos está a dar a informação, é muito mais natural, credível e honesta. É isso que se pretende, são repostas naturais que reflitam o seu comportamento não induzido da sua prática clínica”.

“O nosso modelo é a diferenciação” Para estes três gestores, ser melhor, mas acima de tudo, ser diferente e ter uma qualidade irrepreensível, não constitui apenas uma visão comercial, mas um pilar essencial onde assenta de forma perfeita a ActOne. “O nosso modelo é a diferenciação”, frisa João Maxieira. Para isso, vai mais longe. “Nós queremos fazer coisas diferentes, diferenciar-nos; queremos lançar novas formas de entrar no mercado; queremos estar à frente do processo, fazer as coisas acontecerem e não

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necessidades dos seus clientes. Trata-se de uma equipa jovem, que aposta sobretudo num trabalho dinâmico e numa entrega total de cada um aos vários projetos que têm em andamento. “Provavelmente, o nosso principal defeito é estarmos demasiado vocacionados para o cliente”, diz mesmo João Maxieira. Perfeitamente em sintonia, está o gestor Cláudio Costa. Para ele, “profissionalismo, rigor e obsessão pelo reconhecimento por parte do cliente”, são as palavras de ordem quando falamos na gestão empresarial da ActOne. “Nós só ficamos satisfeitos quando o nosso cliente nos agradece pelo nosso trabalho. Atingir esse patamar é o nosso objetivo diário, pois queremos que os nossos clientes fiquem viciados em informação e conhecimento”. Cláudio Costa reconhece que “fazer a gestão diária de uma organização ou de uma área de negócio exige que o gestor, numa tomada de decisão, não tenha que estar munido de todas as informações, porque, eventualmente, se isso acontecesse, a profissão de gestor deixava de fazer sentido, no entanto, ter a informação e o conhecimento correto para se sentir minimamente confortável aquando de uma tomada de decisão é um ponto critico que deve ser sempre procurado pelo gestor e/ou equipa de gestão”. A ActOne centra a sua atividade no suporte da gestão da indústria farmacêutica da melhor informação e conhecimento, permitindo aos mais variados negócios serem catapultados e maximizados a todos os níveis. “Quando conseguimos atingir esse patamar, temos o reconhecimento por parte dos nossos clientes, encaramos os desafios que os nossos clientes têm como os nossos próprios desafios”, reconhece Cláudio Costa.

O futuro da indústria

perguntar o que é que aconteceu”. A forte ambição tem levado a ActOne para alémfronteiras, desenvolvendo projetos frequentemente com a Alemanha , Bélgica e Holanda e obviamnete Espanha (acrescenta). No ano que decorre, avizinha-se a internacionalização da ActOne, para fora da Europa, especificamente para a América Latina. Cláudio Costa justifica esta escolha, pelo facto de, em termos de dinâmica de mercado, a Europa ser “um mercado que está a sofrer muitas restrições na área dos orçamentos gerais de Estado para a saúde e, consequentemente, isso está a afetar a indústria farmacêutica”. Os grandes mercados europeus estão a sofrer muitas

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restrições no preço dos medicamentos e no acesso à saúde em geral, fazendo com que a indústria farmacêutica tenha crescimentos residuais e, em alguns mercados, negativos. Já na América Latina, verifica-se um cenário bem diferente. O mercado está em visível expansão no que respeita à indústria farmacêutica, tornando-se um mercado altamente apetecível.

Foco no cliente Os cerca de 30 profissionais que fazem parte integrante dos quadros da ActOne são altamente qualificados e concentram-se diariamente com um nível de profissionalismo absoluto em exercer um foco nas

Questionados acerca do nível de informação no mercado farmacêutico atualmente, ambos os gestores concordam que há ainda muita carência de informação no sector. “A área da farmacêutica consome muita informação e é muito competitiva; a informação era muito mal tratada e esperamos ter dado o nosso forte contributo para que, hoje em dia, o nível de competitividade na utilização de informação seja muito mais elevado”, afirma João Maxieira. De olhos virados para a evolução do setor farmacêutico no futuro, Cláudio Costa reconhece que esta indústria será sempre, e cada vez mais, necessária. “À medida que o país evolui, também este ramo estará sempre presente e igualmente desenvolvida; no fundo, é a indústria responsável pelo aumento da esperança média de vida a que assistimos nos últimos anos e tem um contributo que mais nenhuma indústria tem para a nossa sociedade em geral...faremos sempre tudo o que estiver ao nosso alcance para demonstrar a todos os Stakeholders a grande importância desta indústria”.


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“O início de algo maior” A ActOne trabalha atualmente com 18 dos 20 maiores laboratórios, tendo cumprido uma linha de crescimento absolutamente vertical. Em 2013, o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação) atribuiu-lhe o título de PME Excelência – a única empresa do setor com este reconhecimento. Os bons rácios obtidos e a política de gestão eficaz revelaram-se fulcrais na atribuição deste prémio, que foi também recebido na empresa com júbilo e alavanca motivacional. “Este prémio é muito importante para uma empresa como a nossa. É muito importante que todos os colaboradores, fornecedores e clientes tenham essa visibilidade, e, todos nós recebemos este reconhecimento com muito orgulho”, explica Carlo Costa. Este experiente gestor que se juntou a este projeto quase há três anos e que afirma que o que encontrou na ActOne foi o que qualquer executivo nesta área de serviços procura e ambiciona, pois o rigor e a qualidade que se procura diariamente na ActOne são objetivos e valores que outras empresas do sector apesar de procurarem nunca conseguirão atingir. “É quase autêntica obsessão pela qualidade e pelo rigor e que apenas e só visa o suporte dos nossos clientes com o que de melhor existe”. Carlo Costa sempre esteve ligado à área dos serviços e na ActOne para além de fazer parte integrante do board da administração é igualmente responsável pelas áreas de negócio do CRM e CLM. A ActOne uma vez que começou por ser uma empresa dedicada à realização de estudos de mercado na área médico farmacêutica teve que realizar o levantamento integral destes profissionais o que fez com que ficasse com uma base de dados que podia ser aproveitada também para outros desideratos. Desta forma criou o OnePharma DB, o nome escolhido para a base de dados da empresa e que permite ir ao encontro das necessidades específicas da indústria farmacêutica, através de uma estrutura de base de dados relacional, compatível com a estrutura nacional do Sistema Nacional de Saúde e respeitando as normas legais da CNPD e diretivas comunitárias no que respeita à Lei de Proteção de Dados Pessoais. Porque as bases de dados não são estáticas, a OnePharma DB é atualizada proativamente pela empresa através de fontes oficiais e pela equipa de Contact Center e Field Research que se encontra no campo diariamente. Esta forma de operar acrescenta elevado rigor e qualidade na cobertura, amplitude e profundidade da informação recolhida, para além de que é mais justa para aqueles que pagam para ter acesso à mesma quando comparada com o modelo disponibilizado até então por uma empresa francesa que era monopolista neste negócio. “Este foi um ativo valioso que detetamos na ActOne e decidimos rentabilizar, disponibilizando esta opção aos nossos clientes. Até há pouco tempo, havia apenas

um player no mercado a fazer isso, uma multinacional francesa, e uma grande insatisfação na forma como atuava. Isto porque a base de dados era dada aos clientes mas também tinham de ser os próprios profissionais das farmacêuticas a detetar, em campo, as alterações, fossem estas mudanças na especialidade do médico ou mudanças no local de trabalho, reportando essas mesmas mudanças no sistema para que a base de dados replicasse para os clientes. Ou seja, eram os próprios clientes que atualizavam a base de dados que posteriormente lhes era vendida. No fundo, eram eles que garantiam a qualidade do serviço que compravam”, critica. No OnePharma DB, os clientes podem e devem ajudar na atualização da base de dados mas sempre que o fizerem serão recompensados por isso. Cada informação correta disponibilizada para atualização da mesma traduz-se, desta forma, num abate do valor pago para a utilização do OnePharmaDB. Para ser combinado com o OnePharmaDB e de modo a que a base de dados oferecesse uma solução completa, foi criada também uma plataforma de CRM. Desenvolvido para a gestão de equipas de Marketing e Vendas da Indústria Farmacêutica, oferecendo uma resposta rápida e eficaz às mudanças do mercado, comportando soluções flexíveis e customizáveis, surge então o OnePharma CRM, assente na tecnologia líder e inovadora da empresa americana salesforce.com. Depois de criado o OnePharma DB e o OnePharma CRM, uma nova necessidade foi detetada na indústria farmacêutica, levando à criação de uma nova plataforma designada de OnePharma CLM. “Verificamos uma vontade muito grande por parte da indústria farmacêutica em digitalizar os seus materiais promocionais habituais, ou seja, colocar as tradicionais literaturas que serviam de suporte à visita médica por parte dos delegados de informação dentro de plataformas tablet”, explica Carlo Costa. Assim, o OnePharma CLM (Closed Loop Marketing) permite apresentar conteúdos digitais de forma dinâmica e interativa na visita médica, aumentando a compliance e a atenção à mensagem por parte do médico. Para além disso, as milhares e milhares de impressões que a indústria farmacêutica tinha que fazer regularmente eram onerosas, mais ainda se contivessem algum erro e tivessem que ser impressas novamente, como tal, passar para o tablet foi uma tendência natural a seguir. Este método tem ainda outra vantagem, que é o facto de levantar o véu daquilo que se passa na visita de um delegado de informação médica a um clínico. Para além de colocar os materiais todos na mesma plataforma, a indústria consegue ainda perceber, deste modo, como é que esses materiais estão a ser utilizados. Isto porque a aplicação regista todos os insights, por exemplo as páginas mais vistas ou os zooms realizados na visita pelo DIM. Com estas métricas, as equipas de marketing e vendas podem medir os resultados para comparar com os seus objetivos e, se necessário, repensar as táticas de comunicação e mesmo os materiais promocionais.

O rumo da ActOne E que rumo tomará a ActOne no futuro que se avizinha? Que projetos tem em manga esta empresa e os seus profissionais, que se dedicam diariamente à satisfação das necessidades de informação e de conhecimento sobre o mercado dos seus clientes? Para Cláudio Costa, que depressa faz a ponte para a crise económica que atravessamos, ao rever o conceito de crise, “aquilo a que nós chamamos crise, de fato, é um conjunto de oportunidades. Para nós, existem oportunidades muito grandes para poder estar ao lado da indústria a ajudá-los a tomar as decisões corretas. Se tivermos um ambiente totalmente estático, não será bom. Nós estamos muito mais à vontade num ambiente que está em perfeita mudança e, se amanhã, um dos nossos parceiros da indústria nos colocar um desafio que nunca tivemos antes, vemos isso com muito interesse. Estamos totalmente preparados para estabelecer parcerias”. Em jeito de conclusão, o gestor conta ainda que “a forma convencional como se olha para a informação, que é, basicamente, unilateral, já não existe. A forma como gostamos de trabalhar com os nossos parceiros é a de perceber o problema, ajudálos, e ser parte integrante da solução. Temos todas as propriedades para o fazer melhor que ninguém”. Assim, movida pelos desafios que diariamente lhe são colocados, a equipa ActOne procura, no presente e no futuro, prestar sempre o melhor serviço com qualidade, rigor e rapidez, de forma a superar completamente as expectativas dos nossos clientes.

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“O frio é algo difícil de trabalhar” Advanced products Presente em Portugal desde 2001, a Advanced Products foca-se na gestão da cadeia de frio nos setores farmacêutico, alimentar e saúde. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, Manuel Pizarro, country manager, da Advanced Products Portugal explicou as dificuldades inerentes a este trabalho, suas implicações e os projetos para o futuro.

Manuel pizarro Country Manager

A

A+P é especialista no desenho, desenvolvimento e comercialização de sistemas que garantem a manutenção da cadeia de frio, durante as fases de manipulação, armazenamento e distribuição de produtos a temperaturas controladas sob condições climatéricas hostis e de transporte de longo tempo. A Advanced Products Portugal tem 12 anos de experiência na gestão da cadeia do frio, um trabalho que o country manager garante não ser fácil. “O frio é algo difícil de trabalhar porque conseguir um certo intervalo de temperatura requer que não se coloque nem frio a mais nem a menos para não comprometer os produtos que serão

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transportados”. Para além de soluções para produtos congelados esta empresa tem também soluções para os intervalos de temperatura de [+2ºC a +8ºC] e [+15ºC a + 25ºC] e para outros que sejam propostos pelos clientes. Este trabalho de desenvolvimento de soluções à medida de cada cliente é, aliás, uma das características que justificam o sucesso da Advanced Products Portugal que trabalha hoje com os maiores players dos setores farmacêutico, saúde e alimentar no país. “Nós procuramos soluções que são a resposta à necessidade dos nossos clientes e é a partir daquilo que para eles é um problema que nós trabalhamos, controlando

condições e resolvendo pontos críticos”, explica Manuel Pizarro. Atualmente trabalham com os laboratórios farmacêuticos mais prestigiados e de maiores requisitos exigidos. Os sistemas desenvolvidos, beneficiam da fábrica de acumuladores de frio da Advanced Products, o que permite “a abertura e desenvolvimento de novas soluções e a respetiva liberdade de inventar e de ter flexibilidade para trazer inovação ao setor”. São soluções estudadas em laboratório e posteriormente aprovadas e testadas em campo para verificar a sua performance. Com uma equipa constituída por sete elementos, a Advanced Products Portugal tem nas palavras


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do country manager crescido sobretudo “graças a parcerias, o que significa que somos muitos mais”. Um crescimento que vai contra a tendência do mercado: “Todos os anos temos crescido contrariando um pouco a tendência de outras empresas, sendo que, no ano de 2013 crescemos cerca de 30 por cento, o que é um número muito bom”. Com soluções próprias inovadoras, mas também com outras representadas, a Advanced Products Portugal oferece uma gama de produtos que se adaptam a condições de temperatura de verão e de inverno, tendo as competências necessárias para fazer das expectativas dos seus clientes uma realidade. Sem concorrência nacional capaz de lhe fazer frente já que, garante Manuel Pizarro “não existe nenhuma empresa que esteja como nós só focalizada em fazer cadeia de frio”, a Advanced Products Portugal soma importantes trabalhos dos quais se podem destacar os sistemas de monitorização de temperatura instalados em laboratórios farmacêuticos, hospitais e no Instituto Português do Sangue. Numa altura em que a exportação e a rentabilização de recursos tem-se mostrado às empresas portuguesas como a alternativa a um mercado nacional contraído, a Advanced Products Portugal assume ainda mais um importante papel enquanto aliada do tecido empresarial português. “Podemos gestionar dentro de um mesmo carro de frio ou armazém, diversos intervalos de temperatura, o que possibilita uma poupança quer em distribuição, quer em armazenagem. Podemos ainda, através das nossas soluções, colocar um produto em qualquer parte do mundo a um custo mais baixo, porque as empresas não precisam de enviar um contentor inteiro, mas apenas a quantidade que realmente necessitam transportar, havendo a segurança de que chegará dentro das condições exigidas, pois todas as soluções são estudadas e seguem com uma etiqueta

que comprova que durante toda a viagem o intervalo de temperatura foi mantido”, explica o country manager da Advanced Products Portugal. Para além desta gestão da temperatura, crucial para garantir a presença dos produtos portugueses com toda a sua qualidade um pouco por todo o mundo, a Advanced Products Portugal faz também uma gestão “ligada à contaminação cruzada para garantir que os odores não passam de uns produtos para os outros” porque, adverte Manuel Pizarro, “basta imaginar uma carga de bacalhau a viajar com outro produto no mesmo espaço para perceber que haveria contaminação e não ficavam garantidas as características de cada produto individualmente”. É sobretudo através de soluções em que os produtos viajam embalados de forma hermética, que se torna possível evitar por um lado essa contaminação e por outro rentabilizar os recursos. Desta forma podem viajar vários tipos de produtos no mesmo transporte.

Internacionalizar e crescer À semelhança dos produtos portugueses também a Advanced Products Portugal quer seguir novas rotas. Manuel Pizarro explica. “A economia passa neste momento por uma crise e o mercado português é pequeno. Procurar novos mercados é uma forma de conseguir sustentabilidade e não estar dependente de um só país. Criamos desta forma um pouco essa diversificação e é uma oportunidade para crescer”. A internacionalização, que surgiu também em resposta a algumas solicitações quer de clientes nacionais da Advanced Products Portugal, quer de outros internacionais que foram tomando conhecimento do trabalho desenvolvido pela empresa portuguesa de gestão da cadeia de frio, está essencialmente direcionada para os países de língua oficial portuguesa,

particularmente Angola, Moçambique e Cabo Verde. Com este processo de internacionalização já a dar os primeiros passos, o country manager garante que este “tem sido um trabalho mais lento do que era expectável, porque há todo um processo de estudo que é necessário fazer até ter uma solução pronta e adaptada às necessidades dessa internacionalização, o que é algo que demora o seu tempo porque não é o mesmo que chegar a um país e vender um produto. É algo mais complexo que isso”. Esta aposta em novas rotas cruza-se também ao caminho futuro desta empresa que “passa por procurar sempre soluções inovadoras que cubram a gestão da cadeia do frio e as suas necessidades ao máximo”. Embora a internacionalização seja um caminho a seguir com passos firmes, esta empresa sabe que uma das suas vantagens competitivas no mercado nacional é a proximidade aos clientes, refere Manuel Pizarro. “É fundamental estar presente e próximo dos clientes pela rapidez e flexibilidade com que podemos atender as suas necessidades”. Estando esta área a crescer, impulsionada também pela legislação que impõe processos cada vez mais rigorosos às empresas e estando consciente das dificuldades que o tecido empresarial enfrenta hoje, a Advanced Products Portugal tem ainda como objetivo de futuro “adaptar soluções que já existem, ajustando-as ao preço que as empresas mais pequenas podem pagar, não comprometendo nunca a qualidade das soluções mas cumprindo apenas os requisitos mínimos exigidos”.

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Qualidade e Otimização com Sistemas de Visão Artificial Orizon vision Especializada no desenvolvimento de sistemas de visão artificial, a Orizon Vision surge como uma aliada da indústria respondendo às necessidades de controlo de qualidade e de otimização de processos. Nas palavras de José Figueiredo, CEO desta empresa, a Orizon Vision “dá às empresas portuguesas a oportunidade de se afirmarem internacionalmente com a mesma qualidade que um player de topo mundial garante”.

pedro bártolo e josé figueiredo COO e CEO

A

clamada como palavra de ordem, a qualidade exigida hoje às empresas, quer pelas regulamentações impostas, quer pelo próprio mercado mais concorrencial e exigente, determina processos de produção rigorosos e altamente controlados. Criada por um grupo de técnicos e investigadores na área da visão artificial, a Orizon Vision

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assume-se como uma aliada das empresas portuguesas desenvolvendo soluções que possibilitam controlar processos de produção e otimizá-los garantindo maior eficiência e uma qualidade exímia. Como explica o CEO da Orizon Vision: “Nós fazemos integração de sistemas. Quer isto dizer que integramos software desenvolvido por nós com hardware que adquirimos junto dos nossos fornecedores de câmaras, iluminação, processadores de imagem e outro hardware para responder a uma determindada necessidade de um cliente. Por exemplo, na indústria de bebidas a partir de sistemas de visão artificial podemos verificar o nível de enchimento das garrafas, o encapsulamento ou o posicionamento dos rótulos.” Tendo começado por aplicar estes sistemas à indústria farmacêutica pela sua necessidade óbvia de processos rigorosos que respondam a exigências muito elevadas, a Orizon Vision trabalha hoje no setor farmacêutico mas também no setor automóvel, alimentar, e dos moldes. A sua estratégia que passa por “criar parcerias com empresas nacionais para desenvolver soluções pioneiras e inovadoras trazendo desta forma valor para ambas as partes”, tem possibilitado a esta empresa distinguirse da “concorrência maioritariamente internacional”, explica José Figueiredo que acrescenta ainda que “ao contrário dos nossos concorrentes que têm soluções estanques, conseguimos pela proximidade que garantimos desenvolver soluções muito mais adaptadas e específicas para os problemas dos nossos clientes”. Estas soluções à medida de cada cliente, e de cada necessidade, permitem à Orizon Vision não só responder às expetativas específicas dos seus clientes, ultrapassando as limitações das soluções standard, mas também ter espaço para desenvolver soluções de alto valor acrescentado únicas no mundo. Com

uma área de pesquisa e desenvolvimento composta por investigadores altamente especializados em visão artificial a que se juntam investigadores de algumas universidades com departamentos especializados na área, a Orizon Vision orgulha-se de ter “uma equipa de topo ao nível nacional e internacional no desenvolvimento de soluções inovadoras”. Soluções estas que constituem o caminho para internacionalização, explica José Figueiredo. “Temos vindo a trabalhar com algumas empresas no sentido de desenvolver soluções que sejam internacionalmente competitivas. Estamos a desenvolver produtos disruptivos, únicos, e esperamos que esses produtos tenham uma repercussão internacional de grande escala.”. Para já o mercado dos sistemas de visão artificial “tem crescido cada vez mais não só porque as necessidades de qualidade têm vindo a crescer mas porque as empresas vivem hoje numa era de exportação e para se exportar é necessário ter um produto melhor ou pelo menos ao nível da concorrência”, refere o CEO da Orizon Vision que explica ainda que “não existindo à partida uma percepção internacional da qualidade dos produtos Portugueses que favoreça as empresas nacionais, estas têm que provar ainda mais a excelência da qualidade dos seus produtos no mercado externo”. É neste sentido que esta empresa define como seu objetivo “crescer com soluções que entreguem muito valor aos clientes nacionais” dando “às empresas portuguesas a oportunidade de se afirmarem internacionalmente com a mesma qualidade que um player de um país como a Alemanha, Suiça ou USA”.


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Ligada e Aliada à Industria Farmacêutica

afinomaq

São milhares os produtos colocados todos os dias no mercado que usam em algum ponto do seu fabrico equipamentos AFINOMAQ. Esta empresa portuguesa, constituída em 1992, desenvolve e constrói máquinas e equipamentos destinados a diferentes setores de atividade, sendo uma aliada há mais de 15 anos da indústria farmacêutica.

máquina de rotular

Maquina de enchimento _ Modelo LC6

Reputada pelo empenho e saber técnico tem investido os últimos 22 anos no desenvolvimento e construção de máquinas para o enchimento de produtos líquidos e pastosos, para a capsulagem e para a rotulagem. A AFINOMAQ desenvolve ainda projetos chave na mão para implementação de sistemas industriais respondendo com equipamentos à medida das necessidades do cliente. O alto padrão de exigência, a qualidade, o profissionalismo e eficiência técnica são parte integrante desta empresa que foi distinguida recentemente com o “Estatuto PME Excelência 2013”.

Enercon - Maquinas de fecho de embalagens por indução

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Certificados com a norma ISO:90001, pretendem desta forma garantir uma constante melhoria nos seus processos de fabrico, dando garantias de fiabilidade e rigor. A aposta na prestação de serviços de qualidade, ambiente e segurança são para esta empresa um dos vetores fundamentais da politica de crescimento. A AFINOMAQ pretende com o seu trabalho ser reconhecida como uma empresa de referência nacional e internacional no desenvolvimento de projeto, na construção de máquinas de enchimento, rotulagem e capsulagem, bem como na comercialização, instalação e manutenção.

máquina de enchimento e capsulagem

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O papel dos técnicos analistas

O

laboratório de análises clínicas é o local onde todas as atividades do pessoal estão, direta ou indiretamente, relacionadas com as análises clínicas. Dele fazem parte as instalações, o material, equipamento e o pessoal. O laboratório de patologias clínicas/análises clínicas fornece ao médico assistente a possibilidade de confirmar ou rejeitar a hipótese diagnóstica, estabelecer um prognóstico, detetar uma patologia por rastreio ou pesquisa orientada e monitorizar uma terapêutica. As análises clínicas são os exames laboratoriais que concorrem para o diagnóstico, tratamento ou prevenção das diversas patologias que afetam o homem, detetam modificações do estado fisiológico dos indivíduos ou permitem a monitorização da sua evolução clínica e/ou da sua resposta ao tratamento. Devem conduzir a um resultado exato, preciso, rapidamente disponível e de fácil interpretação. Englobam profissionais com diversas funções, nomeadamente técnicos superiores, que são indivíduos com capacidades e aptidões para poderem assumir responsabilidades de direcção, chefia e coordenação de atividades de supervisão, com elevados níveis de proficiência. Os chefes de secção, por seu lado, são cargos ocupados por técnicos superiores idóneos, com pelo menos um ano de trabalho no laboratório e seis meses de experiência profissional na área de actividade da secção, em matéria de execução, orientação e controlo. São responsáveis pelo cumprimento dos prazos de entrega dos resultados, urgentes e de rotina. Coordenam e controlam a implementação de programas de controlo de qualidade interno e externo definidos pela Direção Técnica e são responsáveis pelo bom funcionamento dos sistemas analíticos. Prestam, sempre que solicitado, de forma concisa, cordata e precisa todas as informações e esclarecimentos relacionados tanto com a colheita das análises e seus resultados. São também responsáveis pela gestão de stocks bem como danos ou extravio dos mesmos. São responsáveis pelos pedidos com eles relacionados e pela contagem do inventário da sua secção. Fonte: Blog sobre a bioquímica

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mais do que um laboratório de análises Centro de medicina laboratorial germano de sousa “Mais do que um laboratório, somos um grupo de médicos patologistas clínicos e de técnicos qualificados, que desde sempre esteve ao lado de todos os outros colegas médicos, com eles partilhando a nossa experiência de especialistas em medicina laboratorial, colocada há mais de 30 anos, ao serviço do doente, razão de ser da nossa profissão. Inovação, qualidade e rigor, têm sido sempre o nosso lema. Continuar a acompanhar, cabalmente a evolução e os desafios da medicina da nossa especialidade e pôr à disposição dos colegas e doentes esse saber, é a nossa mais estrita obrigação ética e inalienável dever deontológico”.

germano de sousa Diretor Coordenador

É

desta forma que Germano de Sousa, diretor coordenador do Centro de Medicina Laboratorial a que dá o nome, descreve o trabalho de toda a equipa que tornou possível que este laboratório vencesse pelo terceiro ano consecutivo o prémio de Melhor PME Saúde. Este centro está organizado por diferentes áreas de especialidade, sendo um laboratório que se rege, indubitavelmente, pela inovação, qualidade e rigor. Dessa forma, tem procurado estar sempre na linha da frente do diagnóstico laboratorial, utilizando as metodologias mais avançadas, para uma melhoria constante e o desenvolvimento dos seus núcleos de excelência. Questionado sobre o ‘estado de saúde de Portugal’, Germano de Sousa afirma que o Sistema Nacional de Saúde português “tem que ser mantido”. Contudo, “quer queiramos, quer não, é evidente que o nosso SNS tem algumas deficiências. Há que ter presente que quando falamos no PIB para a saúde, referimos não só o que o

Estado gasta, mas também o que o utente disponibiliza. 38 por cento dos gastos correspondentes a cada utente sai diretamente do seu bolso. Ou seja, isto representa uma desigualdade porque aqueles com maior poder de compra conseguem suportar esse custo com alguma facilidade, mas para os que têm mais dificuldades tornase algo incomportável”. Germano de Sousa acredita que, desta forma, estão a ser criadas sérias desigualdades entre os utentes, “se bem que isto não é de agora”. Portugal ocupa um pouco honroso sexto lugar dos países da OCDE, no que concerne a esta questão. Relativamente aos cortes que têm sido feitos na área da saúde, o nosso interlocutor diz concordar com alguns, “que são, sem dúvida, necessários, mas esta não pode ser a solução eterna”. O diretor do Centro de Medicina Laboratorial acredita que uma das soluções passará pelo encerramento de serviços que estão multiplicados desnecessariamente numa determinada região, “além de que existe também uma má gestão dos médicos. Há

médicos de uma determinada especialidade colocados em excesso em alguns hospitais e enquanto escasseiam noutros. Há que reequilibrar isto tudo”, diz. Outra das falhas apontadas por Germano de Sousa passa pela gestão hospitalar e pela livre escolha do doente. “Cada utente está ligado ao seu hospital de residência e só pode recorrer a este”. Para Germano de Sousa, o método mais acertado passaria “pela subsistência de cada hospital ser dependente do modo como angaria os seus utentes, e quando um doente de Vila Real quer ser tratado em Lisboa, este traz consigo o valor que o SNS lhe atribui e é tratado no hospital que escolheu para si”. Com este tipo de medidas, será criado um estímulo de livre escolha e livre concorrência entre hospitais o que, quase garantidamente, levaria os mesmos a apostarem fortemente na qualidade dos seus serviços, devendo os próprios médicos serem remunerados em função do trabalho desenvolvido. O diretor coordenador do Centro elogia o sistema ADSE, afirmando que este é um sistema ótimo, que tem permitido a satisfação plena a todos os seus utentes que, para terem aquele bem, pagam, mas preferem ter essa despesa garantindo que podem usufruir do médico que escolherem e garantem acesso ao mesmo num curto espaço de tempo. “A ADSE é a partir deste ano inteiramente auto-sustentável”. Porque há políticos que querem acabar com esse subsistema, pergunta Germano de Sousa. “Deixo mesmo o desafio: porque não fazer do Sistema Nacional de Saúde uma espécie de ADSE Nacional?”.

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Soluções de Diagnóstico Rápido Alere Líder mundial no fornecimento de soluções de diagnóstico rápido para doenças infeciosas, cardiovasculares, gestão de diabetes e toxicologia, está presente em Portugal desde 2012. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, Manuel Matos, diretor geral, falou das vantagens e do futuro deste tipo de soluções de diagnóstico e Ricardo Matos, do departamento de marketing, explicou a campanha “Test Target Treat” uma parceria da Alere com a Alliance for the Prudent Use of Antibiotics contra o uso abusivo de antibióticos.

manuel matos e ricardo matos Diretor geral e diretor de marketing

Que tipo de produtos disponibiliza a Alere no mercado? A Alere é uma empresa que vende meios de diagnóstico, maioritariamente testes rápidos. Temos outros produtos mas a grande maioria são testes rápidos e aparelhos point-of-care. Chamamos point-of-care a partir do momento que o teste é realizado fora do âmbito de laboratório embora sejam utilizados igualmente por profissionais de saúde. Este tipo de dispositivo tem de ser de fácil utilização, muito intuitivo, portátil e de rápido resultado. Embora as pessoas em Portugal associem testes rápidos aos testes imunocromatográficos há muitos outros tipos de testes rápidos.

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Quais são as vantagens dos testes de diagnóstico rápido? Em primeiro lugar é obter um resultado com maior rapidez. Depois este tipo de teste pode ser utilizado no laboratório central mas também junto da cabeceira do paciente que é uma grande vantagem relativamente aos aparelhos de laboratório. Nas doenças infeciosas por exemplo temos uma gama de produtos que podem ser utilizados junto do doente o que permite, nas urgências de um hospital uma resposta muito mais rápida do que se fosse feita uma colheita que teria que ser enviada para o laboratório e em que se teria que esperar mais tempo pelo resultado. Isso é uma grande vantagem. Apesar de serem aparelhos pequenos também podem

ser ligados para que os resultados sejam enviados para uma base de dados, como a dos hospitais. Essa é também uma das preocupações no desenvolvimento destas soluções de diagnóstico rápido? Sim. Uma das preocupações da Alere é desenvolver ferramentas que permitam ao laboratório não perder o controlo. Pelo facto do aparelho está fora do laboratório não deixa de ser importante haver um controlo de qualidade e que os resultados cheguem ao laboratório. Assim, têm sido desenvolvidas ferramentas, por exemplo, softwares que permitem que o aparelho ligado passe os resultados para o computador e que seja


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feito depois o seu envio para o laboratório. Esse tipo de mecanismo permite a rastreabilidade dos resultados. A nível geral, a tendência será também caminhar para os testes de apoio a doentes crónicos que permitirão às pessoas terem a possibilidade de fazer em casa o seu auto teste e estarem ligadas a uma linha de apoio com profissionais de saúde que a partir dos resultados obtidos lhe indicarão o procedimento a seguir para evitar recorrer aos hospitais ou aos centros de saúde. Em alguns países como os Estados Unidos, que representa a maior parte da faturação da Alere, isso já está a ser feito.Na Europa já se começaram também a dar alguns passos nesse sentido, mas em Portugal ainda não estamos a trabalhar nesta conectividade desde casa com os profissionais de saúde porque é algo que está longe da nossa realidade. Qual é, no seu entendimento a justificação para Portugal estar atrás nesta matéria? O problema é que para já as pessoas nem querem ouvir falar em mudança porque os problemas são tão grandes com a parte orçamental que não há espaço para mudanças. As pessoas querem ter o essencial para conseguirem dar resposta ao dia-a-dia. Investir no futuro, mesmo que a curto prazo isso signifique uma poupança, uma maior qualidade para os pacientes que não têm de andar constantemente a deslocarse e uma menor afluência aos hospitais, não tem sido uma prioridade. São muitas as vantagens mas são passos que ainda vão demorar algum tempo a ser dados porque estamos numa fase muito difícil da nossa economia. No entanto, não podemos negar que tem havido evolução. Em Portugal até há pouco tempo não se usava point-of-care em quase nenhum centro de saúde e agora já. As pessoas deixam desta forma de ter que recorrer tanto aos hospitais. Se virmos os números da APIFARMA percebe-se desde logo essa evolução porque o mercado dos laboratórios sofreu uma queda de 10,9 por cento no primeiro trimestre de 2013 enquanto o dos testes rápidos e dos aparelhos de point-of-care cresceu 5,6 por cento, em igual período. Qual é a fiabilidade deste tipo de testes? É equiparada aos testes laboratoriais. Claro que isso depende do tipo de teste que estamos a falar porque temos uma gama com mais de mil produtos. Há testes em que é equiparável e há outros que são desenhados

para rastreio. Quando são concebidos para rastreio têm uma sensibilidade otimizada. Podem não ser os mais específicos mas detetam todos os casos positivos que necessitam depois de ser confirmados. É o caso dos teste de HIV. Oferecem soluções de diagnóstico rápido para que doenças? As principais áreas são as doenças infeciosas, doenças cardiovasculares, doenças oncológicas, toxicologia e saúde da mulher. A diabetes é uma das mais importantes áreas onde atuamos e temos nesta área um aparelho point-of-care para a determinação da hemoglobina glicada que é líder nesta área. Quais as expectativas da Alere para 2014? A nível global os resultados do ultimo trimestre foram muito positivos aumentando as expectativas para 2014. Isto acarreta também vários desafios para a Alere Portugal? Claro que sim. O que se espera é um crescimento constante. A Alere Portugal tem tido um crescimento muito rápido e sustentado e, portanto, é uma empresa que está à espera de bons resultados. São resultados que temos de ter porque ainda estamos no início. Todos os anos estamos a receber produtos novos e temos já algumas áreas com resultados muito bons mas há outras em que temos ainda muito por onde crescer. Por onde passa o futuro da Alere Portugal? Em Portugal temos muito trabalho ainda pela frente para conseguir distribuir todos os produtos da Alere que já existem e os que estão a ser lançados. Temos para já uma estrutura pequena, mas vamos admitir mais gente. Neste momento somos apenas nove mas o crescimento tem de estar de acordo com o mercado em que estamos inseridos e Portugal é um país pequeno. As coisas têm corrido bastante bem, por isso o caminho passa por continuar o trabalho que tem sido feito até agora. Temos vindo a ganhar espaço no mercado porque a Alere não era um nome muito conhecido em Portugal e isso também é algo que leva tempo a construir, o nome no mercado. O nosso futuro passa por dar as respostas mais rápidas possíveis ao doente introduzindo no mercado os nossos produtos e as mais-valias a eles associadas.

O que não os Mata, torna-os mais Fortes Da parceria entre a Alere e a Alliance for the Prudent Use of Antibiotics (APUA) nasceu a campanha “Test Target Treat”, um programa de educação para controlar a resistência antimicrobiana. Ricardo Matos do departamento de marketing da Alere Portugal explicou que o objetivo “é mostrar que os antibióticos devem ser usados devidamente, apenas quando se trata de uma infeção bacteriana e não nas infeções víricas em que não são necessários”. A iniciativa está a ser implementada a nível mundial e “luta contra o senso comum que as pessoas têm de que é sempre necessário tomar antibióticos”, refere Ricardo Matos que acrescenta ainda que “é sabido que Portugal é um dos países mais atingidos no que diz respeito à resistência aos antibióticos”. A resistência antimicrobiana ocorre quando os microrganismos sofrem uma mutação ou adquirem genes de resistência que lhes permite resistir a tratamentos antimicrobianos anteriormente eficazes. Esta resistência é geralmente resultado da utilização abusiva de antibióticos ou dos casos em que o tratamento não é levado até ao fim, uma preocupação de saúde pública global em rápido crescimento. Ricardo Matos explica que “isso já aconteceu com muitos antibióticos e agora estamos a chegar a uma fase em que vai deixar de haver antibióticos para dar resposta às infeções. A investigação nessa área deixou de ser rentável e as empresas deixaram de desenvolver antibióticos, porque têm um tempo de vida tão curto que o investimento feito neles não é recuperável. Desta forma estamos a jogar com as últimas linhas de antibióticos disponíveis”. Com as suas soluções de diagnóstico rápido, a Alere oferece aos profissionais de saúde a possibilidade de “tomarem uma decisão informada de administrar ou não um antibiótico”, ou de “escolher o tipo de antibiótico a utilizar”. Para saber mais sobre a iniciativa “Test Target Treat” e analisar o material de educação desenvolvido pela APUA poderá visitar o website da campanha em www. TestTargetTreat.com.

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Soluções informáticas inovadoras Confidentia A Confidentia foi formalmente fundada em 1999 a partir da visão de um conjunto de profissionais em desenvolver para a área da saúde soluções informáticas inovadoras e perfeitamente alinhadas com as necessidades emergentes do mercado. A empresa entra em plena atividade logo no início de 2000 para o desenvolvimento de uma nova geração de software de Gestão Laboratorial com a primeira instalação deste produto, o Appolo v1.0, a ocorrer no primeiro trimestre de 2001. O projeto foi criado tendo como missão o desenvolvimento de soluções informáticas inteligentes e flexíveis que contribuam para a otimização da gestão e dos processos de negócio dos seus clientes criando-lhes valor acrescido.

Desde 1999 até hoje, como classificaria o crescimento da Confidentia? A Confidentia tem tido um crescimento sustentado e constante, quer no que que diz respeito ao número de clientes e de sistemas implementados, quer em relação aos resultados operacionais, fruto de uma gestão cuidada e de uma equipa de trabalho profissional, sólida e dinâmica. Mesmo em tempo de crise no mercado interno da saúde, como o que temos vivido nos últimos anos, com quebra acentuada do investimento neste setor, tem sido possível manter a tendência de crescimento sustentada por uma expansão de negócios no mercado externo. São líderes de mercado em Portugal. Qual o vosso principal elemento diferenciador que vos leva a este sucesso? Na Confidentia acreditamos na simplicidade e flexibilização como fatores cruciais para a construção de soluções direcionadas aos interesses e características específicos dos nossos clientes numa relação de proximidade, confiança e colaboração mútua. Esta filosofia de colaboração estreita é uma imagem de marca da Confidentia da qual resulta uma relação de parceria com o cliente fundamental para a criação das soluções realmente à medida das suas necessidades. Procuramos o constante e exato alinhamento entre as TI e as necessidades do negócio mantendo um quadro de profissionais de formação académica e tecnológica sólida nas áreas dos SI/TI mas também de conhecimento profundo do negócio em tudo o que se relaciona com o setor das Análises Clínicas. Este encontro de competências tem sido fundamental na criação de soluções informáticas de reconhecido mérito e sucesso. Estão presentes, inclusivamente, no mercado externo, como são exemplo Angola e Moçambique. Como tem corrido esta internacionalização? Fizemos as nossas primeiras implementações no mercado externo em 2006, nomeadamente em Angola e Moçambique. Na altura não tínhamos uma estratégia formal de internacionalização mas o sucesso destes projetos gerou uma dinâmica interna no sentido do

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desenvolvimento destas novas oportunidades. Fruto deste esforço de internacionalização, essencialmente nos PALOP, a Confidentia já instalou o seu sistema de Gestão Laboratorial Appolo em mais de uma dezena de laboratórios em Angola e Moçambique. O ano passado crescemos cerca de 100 por cento no mercado angolano e para este ano temos o objetivo de repetir o resultado. Estamos a colocar no mercado uma nova versão do Appolo, que vai na terceira geração de Major Releases, que, pela primeira vez, tem uma opção de funcionamento multilingue o que nos permitirá a expansão para países de língua estrangeira. O vosso principal produto é o software APPOLO. Quais as principais características do mesmo? O que leva a ser o preferido dos laboratórios? APPOLO é o principal produto comercializado pela Confidentia. É um sistema de gestão verdadeiramente global para o laboratório, reunindo todas as experiências e competências adquiridas pela equipa Confidentia. O APPOLO distingue-se pela sua filosofia abrangente, intuitiva, adaptável, inovadora, segura e eficiente. Tem desenvolvimento constante e disponibiliza atualizações frequentes dos seus módulos. Mais do que uma aplicação informática o Appolo, hoje em dia, é um sistema integrado de ferramentas para uma gestão holística de todas as operações num moderno Laboratório de Análises Clinicas, público ou privado. A turbulência e a incerteza em que atualmente se encontra o nosso setor de atividade coloca sérios desafios à gestão de laboratórios de análises clinicas, públicos ou privados. Estamos em fase final do desenvolvimento de um sistema de Datawarehousing e Business Intelligence que complementará o Sistema Appolo como uma ferramenta de apoio à decisão. Esta ferramenta será capaz de dotar administrações e gestores de topo dos meios para melhor conhecer o seu negócio no global e desta forma, identificar e antecipar pontos críticos onde atuar para melhoria do desempenho das suas organizações. Este produto permite a criação do conceito “chave na mão”, ou seja, é possível adaptá-lo às necessidades específicas de cada laboratório?

Oferecemos uma solução verdadeiramente “chave na mão”. O Appolo é um sistema de Gestão Laboratorial modular e altamente configurável para que se adapte com toda a facilidade a qualquer ambiente ou especificidade de produção. A prova disto é o fato de o Appolo se encontrar instalado desde laboratórios de pequena dimensão até aos maiores do país passando também por unidades hospitalares, todos eles com funcionamento muito diferenciado. No processo de implementação de um sistema Appolo, a Confidentia investe um esforço considerável no estudo da realidade específica do cliente de forma a se encontrarem as soluções mais adequadas. Não impomos soluções pré determinadas. A melhor solução é sempre encontrada num trabalho de mútua colaboração o que resulta em níveis elevados de sucesso e satisfação. Que outros produtos podem os laboratórios de análises clínicas encontrar ao seu dispor na Confidentia? Nós somos especialistas nesta área de negócio pelo que estamos, essencialmente, focados na construção de soluções para as suas necessidades específicas. Contudo, o mercado abrange cada vez mais áreas de intervenção pelo que estamos a alargar o nosso portfólio de produtos. Temo-lo feito através do desenvolvimento próprio ou da disponibilização de produtos de parceiros estratégicos devidamente integrados no nosso Sistema Appolo. Estamos a alargar os nossos serviços para oferta de soluções de Business Intelligence, gestão de clínicas, gestão de laboratórios de anatomia patológica, banco de sangue, gestão da manutenção de equipamentos, gestão de controlos de qualidade e gestão documental. Tecnologicamente, apostamos no desenvolvimento de soluções WEB e Mobile. Plataformas para as quais estamos a migrar as nossas soluções desktop baseadas, exclusivamente, em ambientes Windows. Pretendemos uma oferta de produtos tecnologicamente atuais e flexíveis mas tendencialmente livres de licenciamento no software base de modo a reduzirmos aos nossos clientes o TCO com as nossas soluções. Leia esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com


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artigo de opinião A importância de uma agenda industrial

Redigido por João Rafael Koehler, presidente da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários

A industrialização em Portugal foi difícil e tardia. As primeiras tentativas de industrialização só ocorreram durante o Liberalismo Vintista (1820-1834), mas foram tolhidas pela guerra civil e por constantes mudanças governamentais. Posteriormente, houve um 1.º surto de desenvolvimento industrial durante a Regeneração (1851-1890) e um 2.º surto no final do século XIX, com o aparecimento das grandes companhias industriais. A partir de então, o crescimento da indústria foi fortemente limitado pelas circunstâncias políticas, desde a instabilidade da I República ao impulso colectivista do PREC, passando pelo Condicionamento Industrial do Estado Novo. Nos anos 80/90, a indústria portuguesa caracterizou-se, grosso modo, por unidades fabris pesadas e de baixo valor acrescentado, empregando mão-de-obra pouco qualificada e consumindo intensivamente recursos naturais. Estas fábricas tinham impactos consideráveis no ambiente e na qualidade de vida das populações, embora se revelassem por vezes competitivas graças, sobretudo, aos baixos custos de produção. Mas, com a globalização dos mercados na passagem do século XX para o XXI, muita desta indústria sucumbiu por falta de competitividade e obsolescência tecnológica. A imagem da indústria enquanto actividade poluente, pouco especializada e com baixo valor prevaleceu até

hoje como um anátema. Assim foi em Portugal e também no resto da Europa, onde, durante a última década, o sector secundário entrou em declínio, registando uma quebra de 10% no emprego e uma descida para 15,1% da contribuição para o PIB europeu. NA EU criou-se a ilusão de que a economia europeia poderia apenas vender serviços, tecnologia e conhecimento em geral. Ora, com a globalização, tornou-se imperioso produzir bens transaccionáveis, uma vez que os ditos países em desenvolvimento adquiriram, eles próprios, conhecimento… Mas os números referidos fizeram soar as campainhas de alarme, havendo hoje um consenso na Europa em torno da necessidade de relançamento da indústria. Também em Portugal são já muitas as vozes a pugnar pela reindustrialização do país, desde o Presidente da República, como se viu no mais recente Encontro da COTEC Europa, ao Governo, que lançou um plano nesse sentido. Relembro que o à época Ministro da Economia, Santos Pereira, estabeleceu como meta o crescimento para os 20% do contributo da indústria para o PIB nacional. Esta meta parece-nos pertinente, exequível e mobilizadora. Pertinente porque o relançamento da economia portuguesa passa, em larga medida, pelo aumento da produção de bens transaccionáveis.

Exequível porque Portugal tem na indústria sectores tradicionalmente exportadores e que continuam a revelar-se competitivos (têxteis, calçado, maquinaria, mobiliário, cortiça, cerâmica, plásticos, químicos, etc.), bem como sectores baseados no conhecimento nos quais o nosso país vai ganhando alguma notoriedade internacional (biotecnologia, farmacêutica, dispositivos médicos, TIE, energia, etc.). Mobilizadora porque reúne o consenso dos parceiros sociais, desde as associações empresariais aos sindicatos, que vêem no desenvolvimento da indústria um importante factor de promoção do crescimento, da competitividade, do emprego e da coesão social. Existem, portanto, condições para uma “agenda industrial” em Portugal, conforme defendeu o Presidente Cavaco Silva. Contudo, a nosso ver, essa “agenda” só será efectiva se incluir um conjunto de medidas estruturais. A saber: a redução da burocracia, que é bastante pesada nos licenciamentos industriais; o aumento dos incentivos à inovação, para que a indústria desenvolva produtos de maior intensidade tecnológica; a criação de linhas de financiamento específicas para novos negócios na indústria; a dinamização dos pólos de competitividade; e a reformulação do Programa COMPETE, de forma a torná-lo menos selectivo sem sacrificar o rigor na avaliação dos projectos.

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pme’s excelência 2013

Foram apresentadas a 6 de fevereiro, numa cerimónia pública que contou com a presença do Ministro da Economia e do Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, as 1100 empresas distinguidas com o Estatuto PME Excelência 2013, um instrumento de reputação criado pelo IAPMEI, que visa sinalizar as pequenas e médias empresas com perfis de desempenho superiores. São empresas que obtiveram os melhores desempenhos económico-financeiros e de gestão no exercício de 2012, e que conseguiram manter-se competitivas num contexto económico exigente, com crescimento e consolidação de resultados. No seu conjunto, as PME Excelência 2013 são responsáveis por mais de 43 mil postos de trabalho direto e geraram um volume de negócios superior a 5,8 mil milhões de euros em 2012, que representou um crescimento médio de 9 por cento, face ao exercício anterior. Com um ativo líquido global de 4,4 mil milhões de euros, as PME Excelência 2013 apresentam uma autonomia financeira média de 52,6 por cento e níveis de rendibilidade dos capitais próprios, do ativo, e das vendas, de respetivamente 17 por cento, 9 por cento e 6,9 por cento. O contributo destas empresas para as exportações foi de 1,7 mil milhões de euros em 2012, valor que representou um crescimento de 27 pr cento relativamente ao ano anterior. São empresas que tiveram um crescimento de 31,7 por cento nos seus resultados líquidos e que viram aumentar o seu ativo em 11 por cento. Em termos setoriais, a Indústria, com 427 empresas (38,8 por cento), e o Comércio, com 278 empresas (25,3 por cento), são as atividades mais representadas no grupo das PME Excelência 2013, ocupando 64 por cento do universo total de empresas distinguidas. O Turismo e os Serviços, cada um representando 14 por cento das empresas, os Transportes, com 3,9 por cento, e a Construção, com 3,7 por cento, são a seguir as atividades mais representativas no conjunto das PME Excelência. Em termos de localização, os distritos do Porto e Lisboa, seguidos de Aveiro, Braga e Leiria, com respetivamente 202, 184, 156, 144 e 93 empresas, são os que reúnem a maior concentração das PME Excelência 2013.

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prémios pme excelência

O IAPMEI apresentou as PME Excelência 2013, um instrumento de reputação criado pelo IAPMEI para premiar os melhores desempenhos empresariais em vários setores de atividade. A cerimónia foi inaugurada por Luís Filipe Costa, presidente do IAPMEI, e Pedro Gonçalves, secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade. A sessão foi presidida pelo ministro da Economia que anunciou a criação de uma nova linha PME Crescimento, com uma dotação de dois mil milhões de euros e um prazo máximo de dez anos. António Pires de Lima fez

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o anúncio no Europarque, em Santa Maria da Feira, durante a cerimónia da atribuição dos prémios que atribuíram o estatuto PME Excelência 2013 a 1100 empresas. “Um dos instrumentos que maior sucesso teve em termos de utilização foi precisamente a linha PME Crescimento que praticamente está ocupada a 100 por cento, um ano depois de ter sido lançada. Tenho por isso o gosto de anunciar o lançamento de uma nova linha PME Crescimento”. A linha deste ano vai conter “quatro subdivisões”,

segundo o ministro. “Um eixo ligado às micro e pequenas empresas, que vale 500 milhões de euros; uma linha geral vocacionada para as necessidades de tesouraria, de fundo de maneio, também de 500 milhões de euros; uma linha geral vocacionada para o investimento igualmente de 500 milhões de euros e, finalmente, uma linha orientada para a dinamização das exportações, também de 500 milhões de euros”. O presidente do IAPMEI anunciou, por seu lado, que as futuras PME Excelência deverão ter os pagamentos em dia e pretende que isso seja critério para a atribuição


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do prémio no futuro. “Portugal tem um sério problema com atrasos com efeito no PIB. Isto tem que começar pelo Estado. As PME Excelência têm que ser o primeiro”, adiantou o presidente do IAPMEI. O painel ‘Desafios para o crescimento - Alavancar estratégias empresariais’, contou com a participação de António Saraiva, presidente da CIP, José Fernando Figueiredo, presidente da SPGM, Luís Laginha de Sousa, presidente da Euronext Lisbon, João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal, João Pedro Koehler, administrador da Colquímica, Paulo Romão, CEO das Casas do Coro, e Marco Lebre, partner da Explorer Investments. No debate sobre ‘Soluções de Financiamento para as PME’s foram oradores Nuno Fernandes Thomaz, vice-

Presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Souto, administrador do BES, Celeste Hagatong, administradora do BPI, Luís Pereira Coutinho, administrador do Millennium BCP, Elias da Costa, administrador do Santander Totta, Licínio Pina, presidente do Crédito Agrícola, e Paulo Magalhães, administrador do Montepio.

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“Os melhores componentes que não se vêem” Lusocal A Lusocal – Artigos para Calçado, S.A. celebra este ano os seus vinte e cinco anos de existência, dedicação e sucesso. A empresa está sediada em Romariz, no concelho de Santa Maria da Feira e conta com uma filial em Felgueiras. Este ano foi premiada, pelo quinto ano consecutivo com o prémio PME Excelência.

Tiago Henriques, Arlindo Henriques e Luís henriques Ao centro o fundador e os administradores

A

empresa dedica-se à produção e comercialização de componentes para calçado, maioritariamente testeiras e contrafortes, considerando a inovação uma caraterística fundamental para a sustentabilidade da empresa e para o seu constante crescimento. Arlindo Henriques, fundador e administrador da Lusocal, revela que “o caminho percorrido foi duro e árduo. O sucesso que a empresa atualmente vive não é acidental, mas sim fruto de muito trabalho, rigor, seriedade e excelentes relações com clientes e fornecedores”. O mérito e capacidade da Lusocal têm sido reconhecidos

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ao longo dos anos pelo IAPMEI, na entrega dos prémios das PME Líder e PME Excelência. A empresa foi eleita PME Excelência pelo quinto ano consecutivo. São o espelho de todo o trabalho desenvolvido ao longo deste quarto de século de existência, mas Arlindo revela que a empresa “é um motivo de orgulho, não pela sua dimensão, mas por aquilo que o seu nome representa e pelos valores e princípios pelos quais todos os dias se rege”. Apesar de não obterem qualquer tipo de vantagens financeiras pela atribuição destes prémios, reconhece que é louvável e simpático receber reconhecimentos desta natureza, pois é uma recompensa de todo o

trabalho efetuado ao longo dos anos. A estratégia de sustentabilidade da Lusocal baseia-se numa aposta contínua na inovação. Esta é encarada pela empresa como fundamental para a incessante otimização dos produtos que oferece aos seus clientes, com o intuito de disponibilizar soluções diferenciadoras a um mercado onde conserva uma posição de liderança. A Lusocal é representante exclusiva da Tecnogi – o maior fabricante de telas para testeiras e contrafortes a nível mundial, sendo a Lusocal o seu maior cliente. Há 25 anos que a esta parceria tem sido muito importante para o crescimento de ambas as empresas.


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Questionado sobre a razão de ter enveredado pelos componentes de calçado, Arlindo Henriques explica “quando comecei a trabalhar como vendedor, de entre todos os produtos que vendia, esses eram aqueles de que mais gostava. Então, depois de me estabelecer, no ano de 1988, consegui garantir a representação da Tecnogi, o nosso principal fornecedor até à data. À medida que a firma foi avançando, eu achava que a qualidade da oferta de testeiras e contrafortes não era suficiente. Assim, achámos por bem oferecer o melhor que havia neste setor. Daí sentirmos a necessidade de evoluir.” Apesar da situação que o país atravessa, a Lusocal é ainda diferenciadora no que respeita ao alargamento das suas infraestruturas, estando neste momento a avançar com um grande investimento das suas instalações em Felgueiras. Para a empresa é importante “ter instalações

que permitam a prestação de um serviço rápido e ajustado às dimensões do negócio”. O grande objetivo deste investimento justifica-se pela necessidade de aumentar a área da sua filial em Felgueiras, onde o crescimento tem sido maior do que a média. A Lusocal atribui uma grande importância à proximidade com os seus clientes. Assume o respeito, rigor e consistência do produto como fatores indispensáveis. Confidencia Arlindo Henriques que “temos clientes fiéis que sabem que nunca ficam mal connosco. A fiabilidade é uma palavra-chave”. A empresa conta já com a segunda geração, os sucessores Luís e Tiago Henriques. Tendo em consideração a estratégia adotada em relação aos colaboradores, fornecedores e clientes, pode-se afirmar que é uma empresa familiar. O sucesso da empresa ao longo destes 25 anos é fruto

de uma “enorme paixão por testeiras e contrafortes, aliada à ambição de criar valor e oferecer aos clientes o que há de melhor no mundo, dentro do nosso setor, a fim de os ajudar a resolver tantos problemas que enfrentam no dia-a-dia”. No futuro Arlindo Henriques revela-se “muito confiante. Quem gostar daquilo que faz, souber fazer bem feito, tiver e promover boas ideias e criar valor acabará por singrar numa indústria que tem tudo para ser invejável”.

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Um hotel com requinte e tradição H0tel baía O Hotel Baía 3 estrelas em Cascais nasceu no ano de 1962 por João Coruche, engenheiro de formação. Foi uma obra de grande impacto e valor para o desenvolvimento da região. Tem uma localização privilegiada da Costa do Estoril, situado mesmo no centro da vila de Cascais, em frente à Praia dos Pescadores. O reconhecimento chega com o galardão de PME Excelência 2013.

João Coruche Diretor geral

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nicialmente o hotel contava apenas com três andares, tendo um restaurante num quarto andar, mas ao longo dos anos e com a necessidade de acompanhar o mercado hoteleiro, o negócio foi crescendo e acabou por sofrer algumas alterações, nomeadamente na construção de mais quartos, uma piscina no quinto andar e um parque de estacionamento subterrâneo. Para João Coruche, diretor geral é fundamental “todos os invernos fazer alguns investimentos, pois é muito importante oferecer todos os anos um produto renovado e inovador aos nossos clientes, de modo a conseguir surpreender e acompanhar toda a concorrência e acima de tudo as necessidades que os nossos hóspedes dispõem, pois apesar da deslumbrante vista que oferecemos, temos consciência de que não é suficiente”. Alvo de sucessivas obras de remodelação, o Hotel Baía apresenta atualmente 113 quartos, a maioria dos quais com varanda e vista para o mar e os restantes com vista sobre a vila de Cascais para a Serra de Sintra. No último piso encontrará a piscina coberta e aquecida na época de inverno, e o Blue Bar, conhecido pelas

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suas festas ao pôr-do-sol durante os meses de verão. Um espaço moderno e requintado, construído sobre um terraço panorâmico pintado com o azul do céu, do mar e da piscina que o rodeiam. João Coruche revela “um spot com uma paisagem deslumbrante, tornando este local ideal para relaxar e experimentar a seleção de cocktails e o vasto leque de refeições ligeiras que o Blue Bar apresenta. Um espaço privilegiado perfeito para glamorosos summer sunsets. A versatilidade do Blue Baía faz com que este esteja, também, disponível para eventos particulares e corporate”. O cliente tipo varia muito ao longo do ano. Apesar de continuar a ser um mercado de excelência e as pessoas continuarem a privilegiar muito o laser, sol e mar, o Hotel Baía tem o mercado golfista como um forte cliente. O cliente golfista “gosta muito do nosso produto precisamente pela localização que oferecemos, pois quando voltam do campo de golf podem andar a pé, vão para os bares, para os restaurantes, usufruem do resto do dia à sua medida, mas o que os atraí muito é o acessível preço que disponibilizamos. Contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa, o golf não é um luxo, mas funciona como umas férias extra que o golfista oferece a si mesmo. Estamos sempre a apostar e a renovar o nosso produto, para termos ao dispor dos nossos clientes uma boa oferta e assim conseguirmos manter uma excelente qualidade a um preço mais acessível, o que atualmente é fundamental”. Localizados no centro da vila, possibilita longas caminhas a quem visita o Hotel Baía, sem necessitar de alugar um carro e ao alcance de tudo o que necessita, desde lojas, restaurantes, bares e praias. Com a projeção que Lisboa tem alcançado nos últimos anos, Cascais está a perder algum do seu mercado, apesar de na vila existir muita cultura, muita história, boas praias, cada vez mais as pessoas procuram a cidade cool de Lisboa para se concentrarem, e disponibilizam apenas alguns dias das suas férias para visitar Cascais de passagem. Para João Coruche “é necessário promover

a região de Cascais, de modo a contrariar um pouco a nova tendência”. O Hotel Baía possui o restaurante Baía Grill muito conhecido pela sua gastronomia. O restaurante aposta fortemente na cozinha, oferecendo uma ementa variada de pratos tradicionais, acompanhado de uma boa carta de vinhos e um serviço amável. Oferece ainda aos seus hóspedes cinco salas de reuniões e banquetes até 160 pessoas, capazes de satisfazer todas as suas necessidades. As salas possuem todo o tipo de equipamentos para a realização de reuniões de trabalho, palestras, festas de aniversário, banquetes, casamentos e todo o tipo de eventos, oferecendo também todo o tipo de apoio técnico profissional e acompanhamento para garantir um evento de sucesso. Este hotel familiar oferece um ambiente acolhedor e simpático, com um serviço de qualidade a todos os que o visitam.


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Uma aposta contínua na inovação Restradas A Restradas – Revitalização de Estradas do Norte Lda., é uma pequena média empresa, fundada em abril de 1995, por Fernando Ferreira de Melo. Está especialmente vocacionada para execução de infraestruturas, obras públicas e particulares. Surgiu como uma empresa pequena, iniciada apenas com dois funcionários, e foi crescendo, pouco a pouco, até aos dias de hoje, adaptando-se às necessidades do mercado, detendo, na atualidade, uma quota significativa do mercado, que lhe mereceu o prémio PME Excelência.

Fernando ferreira de melo e pedro melo Fundador, administrador e gerente

Quais os principais serviços que disponibilizam ao cliente? Neste momento dentro do setor da construção civil e obras públicas temos à disposição do cliente todos os tipos de serviço. Desde demolições às implosões de edifícios, movimentos de terras, construção civil, infra estruturas e obras públicas em geral. No que diz respeito aos trabalhos de pavimentação temos vindo a investir, pois executamos durante três anos a autoestrada transmontana como sub empreiteiros, onde realizámos também as drenagens. O vosso setor de atuação requer um grande

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investimento em equipamentos. Têm equipamentos próprios? Sim, possuímos os nossos próprios equipamentos. Temos uma larga panóplia de equipamentos, e alguns específicos. Enquanto empresa achamos fundamental, pois competitividade e cumprimento de trabalho são diferentes. Não chega sermos competentes, é também necessário efetuar e cumprir os prazos de trabalho, e, ao termos os nossos próprios equipamentos, só dependemos de nós e do nosso serviço. Há cerca de dois anos adquirimos uma valadora. Uma valadora é um equipamento que apenas abre valas, é muito característico. Na altura foi adquirida esta máquina

devido a uma grande obra que estava a decorrer, e perante o prazo da obra ser muito curto, obrigou-nos a esse investimento. Esta é a maior máquina do género em Portugal. A formação dos funcionários é uma preocupação? A aposta na formação é muito valorizada pela empresa. Partilhamos da opinião de que é fundamental ter pessoal qualificado, mas quando investimos em material muito específico como o caso da valadora, essa formação é reforçada, tivemos de dar formação a dois profissionais da empresa para que estes soubessem manobrar devidamente a máquina.


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Ao longo dos anos a Restradas tem efetuado empreitadas de sucesso. Enquanto empresários quais as obras de que mais se orgulham? Temos várias obras como referência, nomeadamente o Centro Escola de Penafiel em 2004, a remodelação do aeroporto Sá Carneiro, o túnel do Marão, a estação de metro de Lisboa na linha de São Sebastião da Pedreira, o Alqueva, e ainda mais recentemente a demolição por implosão das Torres do Aleixo 4 e 5. No que diz respeito à implosão das Torres, fomos nós que delineamos o projeto e que fizemos a própria impulsão. Foi um projeto que obrigou a um serviço de grande inovação e procura no mercado de profissionais que nos pudessem ajudar. O estabelecimento de parceiros de grande qualidade para fazer determinados projetos é fundamental. O mercado de atuação é essencialmente o nacional. Como encaram a internacionalização da empresa? Há já cerca de três anos que estamos a trabalhar em algumas empreitadas em Marrocos, que funcionou um pouco como o meio de lançamento para a internacionalização da empresa. Surgiu a oportunidade, avançamos e arriscamos esta experiência, mas é um mercado um pouco complexo e confuso, apesar do

mercado árabe ter grandes oportunidades de trabalho. O caso da Líbia, Líbano e Iraque são um exemplo, mas questionamo-nos se o risco compensa investir, pois há um risco iminente de invasão ou guerra civil, como tal são decisões um pouco complicadas. Em Moçambique temos criada uma sub empresa e estamos neste momento a estudar a melhor maneira de iniciar este mercado. Fale-nos um pouco dessa oportunidade em Moçambique. Moçambique é, possivelmente, o país de África com mais potencial neste momento, e com grande crescimento, correspondendo a cerca de dois dígitos ano. A nossa área de infraestruturas obriga a um grande investimento. A deslocalização é um contratempo para um possível negócio, pois a nossa empresa trabalha como prestação de serviços físicos, o que obriga a grandes investimentos e envio de capital. Esta internacionalização passará sempre por parcerias locais e projetos mais certos.

mercado nacional, porque o nosso mercado também tem as suas necessidades e nós temos de estar cá para lhes dar resposta. Acima de tudo temos de ter consciência de que nós somos PME Excelência por cinco anos consecutivos, grande parte justificada pelas construções realizadas em Portugal. Pretendemos continuar a disponibilizar um trabalho de qualidade aos nossos clientes, apostando numa formação contínua dos nossos profissionais. A aposta nas “implosões”, novos equipamentos de trabalho específico e “ambiente”, serão áreas de trabalho que vamos investir no futuro, não descurando as obras públicas. No fundo, pretendemos um futuro mais ligado às infraestruturas e ao ambiente, acompanhado de um crescimento bem sustentado, mas sempre consciencializados de que 2014 será um ano de quebra.

Como prevê o futuro da Restradas no decorrer do ano 2014? O futuro da empresa passará por uma internacionalização mais acentuada sem dúvida, mas sem descuidar o

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Qualidade & Design Senda

nuno morais Diretor comercial

Como surgiu a empresa? A Senda é uma empresa familiar fundada em 1995, por João Morais. Desenvolve e produz sanitários e equipamento hospitalar em aço inoxidável. No ano de 2004 começou a desenhar uma estratégia de internacionalização, em que ao longo dos anos tem vindo a ser desenvolvido um trabalho sistemático de internacionalização e exportação. Quais os principais produtos que disponibilizam ao cliente? Oferecemos uma vasta gama de sanitários em aço inoxidável, que abrange aplicações em espaços públicos e equipamentos profissionais. Destacamos o fornecimento de sanitários para aeroportos, estádios de futebol, universidades, edifícios de escritórios, espaços comerciais, hotéis, hospitais, clínicas, restaurantes, discotecas, estabelecimentos penitenciários e militares, entre outros. A Senda é reconhecida por oferecer produtos com qualidade e design inovador, bem como por um bom serviço pré e pós venda. Para si são os ingredientes fundamentais para o sucesso dos

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produtos da vossa empresa? Os nossos produtos de aço inoxidável possuem características intrínsecas que diferenciam dos produtos em cerâmica, nomeadamente no que diz respeito à sua durabilidade, e pelo fato de serem anti vandalismo, o que para espaços públicos é uma opção muito válida, embora seja mais cara. Em termos de limpeza estará ao nível da cerâmica, ou seja, o que nos diferencia é mesmo a longa vida do produto, o anti vandalismo, o que a longo prazo acaba por compensar num espaço público. O aço inoxidável permite ainda uma grande flexibilidade ao nível das dimensões e desenho, o que nos produtos de cerâmica não é possível. As exportações e a própria internacionalização da empresa passa muito pelo acompanhamento a feiras. Para a Senda as feiras são um mecanismo importante? As feiras são a ferramenta mais importante para nos promovermos lá fora, porque o sanitário em aço inoxidável é um produto de nicho e não é com o melhor catálogo ou o melhor poster que a empresa consegue transmitir a verdadeira essência do produto. As pessoas têm de ver e tocar, e temos de explicar para que

servem, sendo as feiras a ferramenta de marketing de eleição para a empresa. Nós fazemos em média dez feiras por ano. Estamos presentes em feiras da Europa nomeadamente em França, Alemanha, Espanha e Frankfurt, no Médio Oriente e em África Só uma delas é feita em Portugal, que é a Tektónica. Depois para a Senda é importante também estar presente em África e no Médio Oriente, sendo um mercado importante para a empresa justificado pelas necessidades que eles têm. A experiência na exportação é justificada pelas limitações do mercado português? Para uma empresa portuguesa o mercado português é muito pequeno. Nós, felizmente, percebemos que para quem quer ter um crescimento a longo prazo e para quem tem perspetivas de crescimento, tínhamos de ir por outro caminho. Até 2004 resumia-se a pequenas vendas para fora, nomeadamente algumas para Espanha e para França, e possuíamos um cliente na Grécia. Sendo estes os três mercados de exportação, a partir de 2004 começamos a fazer uma aposta mais sistemática e daí surtiram os resultados, em que ao fim de quase dez anos a Senda exporta mais de 75 por cento, com um volume de negócios sempre crescente.


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s a n i t รก r i o s

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SENDA, S.A. | Zona Industrial de Taboeira | Apartado 3085 | 3801-101 Aveiro | PORTUGAL 53 Tlf.: +351 234 303 940 | Fax: +351 234 303 949 | E-mail: comercial@senda.pt | www.senda.pt


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Relativamente ao reconhecimento como PME Excelência pelo quinto consecutivo, partilha da opinião de que é resultado de uma boa gestão económica da empresa? Temos consciência de que a Senda tem bons rankings ao nível da banca, temos bons indicadores económicofinanceiros, resultado de uma boa gestão económica e de um percurso de que mais que uma situação pontual, por cinco anos consecutivos mostra uma sustentabilidade de manter os indicadores que umas vezes são melhores que outras, mas no conjunto dos parâmetros para PME Excelência temos tido resultados assinaláveis. O espírito Senda assenta numa preocupação e adaptação e dinâmica empresarial muito forte, no sentido de explorar novos mercados e novas soluções de parceria. Por isso, o reconhecimento de PME Excelência não é um objetivo em si, mas um resultado de todo o trabalho desenvolvido. Se não tivéssemos apostado na exportação o volume de negócio não crescia e os restantes indicadores de

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negócio também sofreriam com a nossa limitação ao mercado nacional, que contraiu muito desde 2010. Como prevê o futuro da Senda no decorrer do ano 2014? Nós vamos continuar a seguir a estratégia que temos tido. Reforçar a nossa posição nos mercados onde já estamos presentes. Sem tentar grandes riscos vamos arriscando a entrada em países que temos vindo a observar e que consideramos de elevado potencial. O Brasil é uma das apostas da empresa, apesar de todas as dificuldades que o mercado brasileiro tem, nomeadamente na questão aduaneira. Mais tarde pensamos entrar em alguns estados dos EUA. A América Latina, nomeadamente a Colômbia tem vindo a ser alvo de observações, pois já temos realizado algumas vendas para lá e constatamos boas oportunidades de negócio. Mas tudo isto tem de ser pensado e enquadrado na nova realidade da Senda, pois em Agosto de 2013

a empresa integrou o grupo multinacional Delabie, sendo que atualmente é detida a 100 por cento pelo grupo francês. Em resultado da integração, esperamos que a entrada em países como França e Alemanha contribua significativamente para o aumento do volume de negócios. No fundo anseio que a Senda sofra num bom sentido um crescimento mais acelerado por via da integração no grupo, apesar de continuarmos com autonomia de gestão e liberdade para procurarmos novos mercados.


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Serviços de Excelência garagem mais A empresa Garagem Mais Bosch Car Service, um centro de reparação automóvel multimarca, surgiu há doze anos pela união de dois amigos de longa data, Pedro Guedes de Sousa e Nuno de Castro. Uma referência no setor da reparação automóvel foi criado para satisfazer as necessidades do mercado, está direcionada para dar resposta a novos desafios e ao aumento do nível de exigência por parte dos clientes.

pedro guedes de sousa e nuno de castro Gerentes

Quais os principais serviços que disponibilizam ao cliente? A Garagem Mais oferece praticamente todos os serviços que existem na reparação automóvel, à excepção de serviços muito específicos e característicos de uma determinada marca. Temos a vantagem de ter instalações grandes que nos permite dar assistência em todas as áreas, nomeadamente mecânica, eletricidade, eletrónica, bate-chapa e pintura, centro de lavagens e ainda disponibilizamos veículos de substituição. De algum modo, temos a capacidade de intervencionar todas as áreas do automóvel A Garagem Mais tem uma secção de reparação de automóveis clássicos. Esta vertente é desafiante? Sim, sem dúvida. Na reparação de automóveis clássicos já efectuámos variados trabalhos. Já tivemos situações em que os automóveis chegam à oficina em muito mau estado, e a Garagem Mais com ajuda dos seus profissionais consegue transformar o automóvel de tal forma que por vezes chega a estar melhor do que de

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origem. Em que medida é uma mais valia ser uma empresa certificada Bosch Car Service? A Bosch atualmente já tem uma imagem de mercado muito forte. É uma rede que presta serviços a um custo mais acessível do que os concessionários, mas ao mesmo tempo uma marca certificada e com níveis de qualidade elevados. Pertencer à rede Bosch Car Serviçe é para nós uma mais-valia, enquanto empresa Garagem Mais. No que diz respeito à vertente de colisão também fazemos parte das redes de oficinas autorizadas dos diferentes grupos de seguradoras. E atendendo às exigências de algumas destas empresas somos também certificados pelo Centro de Zaragoza nas especialidades de Chapa e Pintura. Essa certificação é uma vantagem perante o cliente? Sim, oferecemos garantias de que os veículos são reparados seguindo procedimentos corretos. Isto deverá transmitir mais confiança aos clientes. No fundo, é

também essencial reforçar a ideia aos nossos clientes de que somos uma empresa qualificada, com um crescimento firme e sustentado, que não fechará de um dia para o outro. Pensamos que os clientes se fidelizam mais a entidades que lhes tratem do automóvel a nível geral e não façam apenas determinadas intervenções mais simples como serviços rápidos, mudança de pneus, etc. Isto é, não têm que andar de oficina em oficina, pois resolvem todos os problemas dos seus automóveis na mesma entidade. Acabam por economizar tempo e o fator confiança é muito maior. É por principio a vantagem atribuída aos concessionários que a Garagem Mais oferece a custos mais reduzidos. Como é controlada a qualidade da empresa? Internamente temos vários procedimentos de controle de qualidade, tais como o registo e seguimento de reclamações, inquéritos a clientes, registos de controle na folha de obra, etc. E externamente, a Garagem Mais é frequentemente sujeita a auditorias de qualidade para verificarem se os nossos serviços correspondem aos


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Cepra, Anecra, entre outras. Somos uma equipa de 20 elementos, mas pensamos crescer com a mudança para as novas instalações, na medida em que um dos nossos objetivos é alargar o horário. Vamos passar a ter dois turnos de trabalho e assim conseguir estar abertos ao público de segunda-feira a sábado, sem hora de fecho para almoço, das 8h às 20h. Se a longo prazo existir a possibilidade de um novo horário, ainda mais alargado, melhor, significará que estaremos a crescer a um bom ritmo. Como prevê o futuro da Garagem Mais no decorrer do ano 2014? O ano de 2014 ficará marcado pela mudança de instalações. Este é o nosso principal objetivo que significou um grande investimento para a empresa, por isso resta-nos esperar para ver se os objetivos da mudança são devidamente alcançados. As novas instalações foram pensadas essencialmente na privilegiada localização que dispõem. A proximidade com o Cascais Shopping é um fator crucial, que pode ser muito vantajoso para a empresa.

garagem certificada

padrões de qualidade da Bosch na área da manutenção e do Centro de Saragoça na área da chapa e pintura. Ambas as autorias seguem um perfil internacional de qualidade. Os preços de tabela são recomendados pela Bosch? A Bosch recomenda que pratiquemos um determinado preço de mão-de-obra que é o mesmo para a rede Bosch Car Service de toda a zona de Lisboa e as peças têm também um preço de venda a público recomendado. Seguimos os planos de manutenção das diferentes marcas e os tempos são definidos para todas as operações através de um software também recomendado pela Bosch. Assim os clientes vão encontrar na rede Bosch Car Serviçe preços iguais ou muito semelhantes. A homogeneidade das oficinas da rede também transmite confiança aos clientes. Atualmente os clientes pedem orçamentos para quase todos os serviços.. Há uns anos atrás os pedidos destes orçamentos representavam cerca de 10 por cento, nos dias de hoje chegam aos 80 por cento. Para poder dar resposta a estes requisitos dos clientes tivemos que investir em software e mão-de-obra. Neste momento temos a capacidade de dar orçamentos com rapidez e posteriormente cumprir rigorosamente com o estipulado. Apostam na formação dos profissionais da empresa? Os nossos técnicos tem formação contínua. Todos eles participam em dois ou três cursos de formação por ano. A grande maioria da formação é ministrada pela Bosch mas também recorremos a outras entidades como o

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Excelência ponto a ponto Vimabasto Em Celorico de Basto, a confeção nasceu no mesmo dia em que abriu portas, a 1990, a VimaBasto. 24 anos depois, esta empresa continua a pôr em cada ponto a excelência.

josé mendes e Maria de fátima andrade Proprietários

As máquinas pontuam freneticamente a malha. Sentadas ao seu comando, as costureiras dão a ordem de chegada e partida de cada peça que vai ganhando forma ao longo da linha de confeção. Como numa prova de estafetas cada uma cumpre criteriosamente uma etapa do percurso. Não há lugar a atrasos, nem desvios de direção. Por dia saem das mãos destas costureiras centenas de peças, como garante o dono da VimaBasto José Mendes. “Dependendo do modelo a confecionar podemos produzir até cinco mil peças ao dia”. Um número que é reflexo do volume de encomendas conseguido com qualidade e competência. Ao contrário de muitas indústrias de confeção que não resistiram a um mercado cada vez mais competitivo, a VimaBasto não tem nas palavras de José Mendes “falta de trabalho”. Aliás o empresário garante que nunca levou a sério a “ideia de que esta atividade ia acabar por fechar por completo portas” até porque acredita que “o país precisa desta industria e é algo que sabemos fazer bem”. Para competir no mercado internacional, a VimaBasto, garante o seu dono, junta “qualidade e excelência em cada peça”. Uma

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excelência que não fica apenas cravada pelas máquinas na malha. Recentemente esta empresa de confeções foi distinguida com o estatuto PME Excelência 2013: “Não estava à espera. O importante para nós é fazer um bom trabalho mas é sempre gratificante porque é o reconhecimento da nossa qualidade embora seja também uma responsabilidade”. Apesar de se dedicar em exclusivo à confeção em malha esta empresa produz vários modelos, o que, explica José Mendes, representa “por um lado um investimento grande em maquinaria e manutenção mas permite por outro ter uma maior versatilidade”. Uma característica que só se consegue tendo uma equipa de profissionais com competência e habilidade. As mãos que dão vida as peças confecionadas na VimaBasto são cada vez mais. Em 1990, quando abriu portas, esta empresa tinha 20 pessoas a trabalhar, hoje a equipa já conta com 58. “Estas mulheres chegaram quase todas sem saber pôr uma linha numa agulha”, diz José Mendes que explica que este foi o maior desafio que encontrou. “Quando criei aqui a empresa não havia mão-de-obra qualificada e este problema é ainda maior hoje quando quero contratar”. A procura dos jovens pelo ensino superior levou as potenciais candidatas a costureiras mas nem por isso param de bater a esta porta dezenas de pessoas à procura de emprego, muitas delas as mesmas que procuram nas universidades o seu futuro. “Recebo todos os dias pedidos de emprego e muitos deles são jovens licenciados, aliás uma das

minhas funcionárias é licenciada mas não arranjou nada na sua área e veio parar aqui e já trabalha connosco há três anos”. Uma realidade que preocupa José Mendes e que acarreta um dispêndio de tempo e dinheiro na formação das novas colaboradoras. “Hoje não há costureiras com formação, é preciso ensinar-lhes tudo e são necessários cerca de dois anos até ter uma costureira pronta e com todas as competências”. Mas nem só o tempo é decisivo na formação. A habilidade, garante José Mendes é fundamental, embora o dono da VimaBasto conte com uma grande aliada e “boa mestre na arte”, a esposa Maria de Fátima Andrade: “Ela é que é dá a formação é uma boa mestre e mesmo quando não acredito que a pessoa tenha habilidade ela consegue ensinar e fazer dela uma boa costureira”. 24 anos depois de ter aberto portas, o mais importante para o dono da VimaBasto é que a empresa continue a crescer de forma sustentada e a criar emprego numa terra de poucas oportunidades: “É muito gratificante ver que há uma pessoa com dificuldades muito grandes e que eu posso oferecer emprego e ajudar”. Soa o toque da campainha. O barulho das máquinas pára bruscamente. Irrompe o silêncio. Está na hora do almoço.


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hotel portugal O Hotel Portugal, Boutique Hotel na Baixa de Lisboa, é o ponto de partida ideal para explorar o coração histórico desta cidade única. A decoração de interiores deste belíssimo empreendimento esteve a cargo da ártica, da arquiteta Cristina Santos e Silva.

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O pormenor faz a diferença Artica Cristina Santos e Silva formou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1983, especializando-se em Recuperação Urbana.​​Trabalhou desde cedo em ateliers de arquitetos de renome, exercendo depois funções de assessora no Gabinete de Património Cultural de Macau. Em paralelo, tem participado em vários acontecimentos e publicações.

Cristina santos e Silva Arquiteta

Como surgiu a paixão pela arquitetura e pelos interiores? A paixão pelos interiores surgiu desde cedo, apesar de ser formada em arquitetura, pela Escola Superior de Belas Artes, e ter uma especialização em recuperação urbana. Após ter trabalhado em Portugal em variadíssimos e prestigiados ateliers, resolvi candidatarme como arquiteta sénior para o Departamento de Recuperação Urbana no Instituto Cultural de Macau. Mas em Macau o tempo sobejava-me, e decidi assim abrir o meu próprio atelier com o intuito de preencher as horas que seguiam ao meu horário de trabalho. Acabei assim por projetar toda uma série de escritórios de empresas portuguesas, assim como as casas dos seus presidentes e administradores que começavam na altura a instalar-se em Macau. Tudo aconteceu de uma maneira completamente circunstancial, e quase por acaso. Como nasce a Ártica? A Ártica surge com o meu regresso a Portugal, em 1992, como um pequeno atelier, de arquitetura . Em

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Macau tinha pensado também num conceito de loja – atelier, que me apoiasse num cenário de arquitetura de interiores. Assim a loja seria uma possível alternativa complementar, caso o meu regresso à arquitetura em Portugal, corresse mal, o que felizmente não se comprovou. Ainda as obras do atelier não estavam concluídas, já eu estava com imensos projetos de interiores, precisamente dos meus clientes de Macau. Foi a loja com que sempre sonhou? Não. A loja nunca chegou a ser o padrão de loja que eu tinha sonhado, pois rapidamente se transformou num showroom, num espaço de exposição quase anárquico, pois felizmente desde então os projetos, as obras, no fundo a área da arquitetura, nunca parou. Mas claro que todos os anos viajo em busca de objetos e peças de mobiliário especificamente para a loja. Que tipo de serviços oferece aos seus clientes? Eu tenho a capacidade de resumir numa única empresa todos os serviços aliados à obra. Encaro um pouco isso como a chave para o meu sucesso. Na minha equipa,

tenho arquitetos, engenheiros, empreiteiros etc. Assim não só temos a capacidade de projetar, uma ponte, um hospital, um edifício de 100 andares, uma casa, como podemos eventualmente fazer uma simples decoração de um quarto de uma criança, ou um simples hall de entrada. O facto de ter uma loja, consigo implementar todo o fornecimento de equipamento em qualquer obra. Tenho igualmente uma equipa de marceneiros, carpinteiros, estofadores, costureiras que produzem sob a minha supervisão todos os trabalhos necessários. Digamos que somos “all in one” ! O que no ponto de vista do cliente final, é muito vantajoso. Qual a fórmula para o sucesso ao longo dos anos? As sucessões dos acontecimentos estão sempre um bocadinho entrelaçadas. Ao realizar um determinado projeto com sucesso, ao deixar um cliente satisfeito no final de uma obra, este vai levar-me a outros tantos novos. Foi sempre este passar da palavra, o grande responsável pela actual cadeia de clientes e projetos. Assim posso considerar que a vida tem sido generosa comigo.


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL INOVAÇÃO E DESIGN Ao longo dos anos considerou aumentar o seu atelier? Houve sempre momentos em que pensei crescer. Aliás, só agora face a esta crise instalada, é que reconheço que ainda bem que não cresci! No entanto, não posso negar que tenho algum pudor da escala do meu atelier, sempre que inicio uma relação profissional. Na maior parte dos casos, o cliente fica admirado como um atelier tão pequeno e concentrado produz tantos projetos e tão diversificados. Talvez seja a chave do sucesso. Uma estrutura pequena, uma equipa muito dinâmica e profissional, onde todos nos entreajudamos. Como é que a Ártica e a arquiteta Cristina Santos Silva chega ao projeto Hotel Portugal? Posso afirmar sem falsas modéstias, que a Ártica começa a ter um papel representativo no mundo da hotelaria com um know-how, no âmbito da decoração e interiores. Ao sermos reconhecidas internacionalmente pelo trabalho desenvolvido, passamos a ser altamente recomendadas e procuradas neste meio. Penso que os proprietários do Hotel Portugal ao terem visto o resultado do Hotel Altis Avenida, não tiveram dúvidas em nos convidar para este projeto. Quando me refiro a “nós”, refiro-me à Ártica, e mais precisamente, a mim e à minha colega Ana Menezes Cardoso, também arquiteta, colegas e amigas desde o primeiro dia de faculdade. A preocupação com a história do hotel e a sua localização foram tidos em conta? Na origem de qualquer projeto, a sua história e localização

são pontos de partida. No Hotel Portugal, a influência pombalina e a história do edifício foram fundamentais. Os azulejos não são pombalinos mas o azul é associado ao azul do azulejo pombalino. A pedra surge na maior parte dos pavimentos. A madeira existente foi reaproveitada. A luz e a alegria da cidade foram representadas. Há um fio condutor em todo o hotel, uma personalidade que se desenvolve ao longo do mesmo, criando um espírito do lugar. No entanto a receção é diferente dos quartos, com um impacto próprio, e com uma imagem propositadamente marcante. Que objetivos tinham quando optaram por este tipo de decoração? Acima de tudo pretendíamos que os clientes sentissem de uma forma não muito óbvia que o hotel era português, e que era de Lisboa. Mas queríamos que fosse de uma forma subtil. Achamos riquíssimas as influências pombalinas, e tentámos preservar e manter o que achávamos relevante. Não só em termos de materiais, mas também nos vãos, nos pés direitos, na tipologia. Era importante que o cliente retivesse deste hotel, algo de Lisboa, sem ser imagens gastas e já muito vistas. Por outro lado, não fazia sentido criar um ambiente descaracterizado de um hotel que pudesse ser em qualquer outra parte do mundo. Nos quartos, a presença de zonas fragmentadas de azulejos, inseridas nos planos das cabeceiras, ou nos puxadores dos roupeiros, são a referência mais óbvia. Considera o segmento da hotelaria uma área desafiante e diferente das restantes que abrange?

Sim, sem dúvida. O projeto de hotelaria é muito abrangente, sendo necessário projetar desde todas as especialidades até ao mais pequeno detalhe. No fundo, após um ano de obra, (construção civil), acompanhado step by step, passamos a outra fase, em que entramos no mundo do interior. A escala muda, e os pormenores ganham vida própria. E no ramo da hotelaria esses detalhes são imensos, e igualmente importantes. Como vê a Ártica no futuro no ramo da arquitetura de interiores? Apesar da Ártica ser uma pequena empresa, consegue dar resposta a variadíssimos projetos, tanto a nível de hotelaria e restauração, como no ramo dos escritórios e moradias de luxo, que é um segmento muito importante na vida do atelier. A área dos projetos de escritórios, nomeadamente de advogados e médico, também é um segmento de mercado em que trabalhamos afincadamente, e um dos nossos principais core business. Sou uma pessoa positiva, adoro o que faço, adoro a minha profissão. Vejo o futuro da minha empresa sempre com otimismo, independentemente dos tempos difíceis que vivemos.

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a definição de arqueologia

A

rqueologia é a disciplina científica que estuda as culturas e os modos de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais. É uma ciência social que estuda as sociedades já extintas, através de seus restos materiais, sejam estes móveis (como por exemplo um objeto de arte) ou objetos imóveis (como é o caso das estruturas arquitectónicas). Incluem-se também no seu campo de estudos as intervenções feitas pelo homem no meio

ambiente. A maioria dos primeiros arqueólogos, que aplicaram sua disciplina aos estudos das antiguidades, definiram a arqueologia como o estudo sistemático dos restos materiais da vida humana já desaparecida. Outros arqueólogos enfatizaram aspetos psicológico-comportamentais e definiram a arqueologia como a reconstrução da vida dos povos antigos. A disciplina da arqueologia envolve trabalhos de prospeção, escavação e eventualmente análises de informação recolhida para aprender mais sobre o passado humano. Na maioria das vezes, a arqueologia depende de trabalhos de investigações multidisciplinares. A arqueologia baseia-se também em conceitos em torno de variadas áreas de conhecimento e ciências como a: antropologia, história, história de arte, etnoarqueologia, geografia, geologia, linguística, semiologia, física, ciências da informação, química, estatísticas, paleoecologia, paleontologia, paleozoologia, paleoetnobotanica. Em alguns países a arqueologia é considerada como uma disciplina pertencente à antropologia enquanto que em países, como em Portugal, esta foi considerada uma disciplina pertencente ao ramo cientifico da História e dependente deste. Fonte: Wikipedia

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“Um papel mais ativo em Portugal” Archeocélis Célia Coelho, fundadora da ArcheoCélis – Investigações Arqueológicas, Lda., sublinha a importância da Arqueologia e que esta é uma ciência social que nos permite valorizar a nossa cultura, tão única e distinta. “É a ciência social que estuda o passado humano a partir dos vestígios materiais deixados pelos nossos antepassados”.

Célia coelho Fundadora e arqueóloga

Dois anos antes do nascimento da empresa ArcheoCélis, Célia Coelho estreou-se no mundo da arqueologia com a Empresa Unipessoal Célia Aniceto. Duas das grandes capacidades que desenvolveu nesses dois anos foram a capacidade de gestão e empreendedorismo. Assim, apostou numa equipa de profissionais capazes de executar os trabalhos requisitados, e, resultante desse investimento, conseguiu que a sua empresa desempenhasse um papel ativo na comunidade arqueológica, gerasse emprego e, em simultâneo, “elevasse as ciências sociais ao patamar

que merecem”. Com vista a constituir um marco positivo para a arqueologia em Portugal, decide fundar a ArcheoCélis – Investigações Arqueológicas, Lda. a 21 de maio de 2002 estando em atividade há 12 anos.

Trabalhos desenvolvidos A ArcheoCélis desenvolve os seus trabalhos a nível nacional e internacional caracterizando-se pela atuação nos variados períodos históricos. Na sua maioria inserem-se no âmbito da arqueologia de caráter

preventivo atuando em empreendimentos públicos ou privados como o exemplo das construções rodo e ferroviárias, obras de saneamento, distribuição de águas e gás, implementação de linhas de alta tensão, reabilitação urbana, construção de barragens e empreendimentos turisticos. Todas as obras têm como objetivo principal a salvaguarda do património cultural e a posterior divulgação científica dos resultados obtidos. Em Portugal, a legislação em vigor (Regulamento para Trabalhos Arqueológicos e a Lei do Património - Lei 107/2001) permitem que o património cultural

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seja salvaguardo e preservado através da atividade arqueológica. Desta forma, a empresa apresenta um vasto leque de serviços disponíveis aos seus clientes dos quais se destacam: a realização de estudos de impacte ambiental, acompanhamento arqueológico de obra, escavações de emergência nos diferentes meios: terrestre ou aquático, prospeção arqueológica, conservação e restauro de património, antropologia e investigação laboratorial de arqueologia. Célia Coelho salienta a importância da exequibilidade dos trabalhos realizados em equipa não só pela dimensão dos laços estabelecidos entre os membros presentes mas também pela complementaridade existente entre arqueólogo-cliente, demonstrando-se muito gratificante para ambas as partes.

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A panóplia de trabalhos existentes caracteriza-se pela ambivalência de atuação nos períodos da Pré e ProtoHistória, Romano, Medieval, Cristão, Islâmico, Moderno e finalmente, Contemporâneo. Da lista numerosa de trabalhos executados, Célia Coelho enumera-nos alguns dos mais marcantes iniciando-os pela obra do Baixo Sabor, iniciada em 2008 e terminada em 2013, onde se encontravam vestígios de vários períodos históricos: englobando os períodos compreendidos entre a Pré-História até à época Contemporânea. Nesta obra foram identificados imensos sítios arqueológicos desconhecidos no panorama de arqueologia nacional. No âmbito da Variante de Faro, nas Rodovias do Algarve foi descoberta uma necrópole do período romano, datada dos séculos I e II d.C.; no Empreendimento Turístico do VerdeLago destaca-se a descoberta de um

forno romano com características inéditas concluindo que esta zona se manifestou como um importante centro da ocupação e produção cerâmica romana. Para finalizar, há que realçar a importância do meio subaquático, fazendo a intervenção arqueológica do navio inglês “Oakfield”, afundado em 1897, nas Portas do Mar, Açores. Até ao momento estão numerados cerca de 300 projetos, aproximadamente. Os clientes solicitam maioritariamente a realização de trabalhos de caráter preventivo, ou seja o acompanhamento arqueológico, o qual visa uma salvaguarda atempada de eventuais vestígios não identificados até então, e que podem ser revelados no decorrer da obra. É também recorrente a solicitação para trabalhos de emergência (como o caso das sondagens e escavações arqueológicas).


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Listagem de clientes “O nosso principal cliente, neste momento, é o grupo Promovalor – Investimentos, SA. Trabalhamos com várias construtoras como a Conduril, Teixeira Duarte, Tecnovia, Somague, Ramalho Rosa Cobetar, Moniz da Maia, Serra e Fortunato, Mota-Engil. Com a administração dos Portos do Douro e de Leixões, Administração do Porto, Ilhas de São Miguel e Santa Maria. Com a Fergrupo, REN. Trabalhamos também com várias autarquias, ACE (agrupamentos de empresas) do Baixo Sabor, Conbate, Litoral Atlântico, Rodovias do Algarve, Lusitânia, Vianor, NORACE e Portuscale. Acho que já trabalhamos com todos.” A fundadora acrescenta ainda a colaboração em quase todas as autoestradas de Portugal. Neste momento, a equipa alberga apenas oito funcionários ao que o número de funcionários está dependente da dimensão do trabalho propriamente dito. “Já chegamos a ter equipas com 100 pessoas, numa

altura em que o panorama económico do país permitia que os trabalhos na construção civil fossem muitos e em simultâneo.”

trabalhar em equipa e obter os melhores resultados.

Resultados obtidos

A arqueologia é um estudo que tem como base os vestígios e monumentos do passado. Para que isto se torne exequível, é necessário haver um conhecimento científico seguindo-se da investigação que consiste na procura de provas materiais para produzir o efeito desejado. Defende que em Portugal, há ainda muito pouca curiosidade pela cultura e pelo passado que nos caracteriza. O arqueólogo defende e preserva essa cultura material e imaterial da qual uma percentagem da população está consciente. A restante percentagem populacional tende a diminuir mas é preciso ainda mais acções de consciencialização direcionadas para a importância da atividade arqueológica. “É necessária a consciencialização que valorize os nossos traços culturais. É necessário revolucionar mentalidades

Todos os trabalhos realizados foram gratificantes e interessantes mas, a fundadora relembra com saudade o projeto da AENOR (um agrupamento complementar de empresas), tendo como objetivo a construção de várias autoestradas no norte do país: “Esta obra marcounos pelo bom ambiente que se formou entre todos os intervenientes e pela prestação gratificante que demos à arqueologia”, constata. Foi, sem dúvida, dos projetos que mais marcou não só pelo acompanhamento que receberam por parte dos construtores e seus quadros superiores, mas também pelo auxílio que ofereceram durante toda a obra. Aproveita ainda para acrescentar o profissionalismo dos técnicos que contribuiu para o bom ambiente de trabalho e, sem ele, não seria possível

A arqueologia em Portugal

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A Archeocélis

e prioridades. Tivemos uma história riquíssima e uma cultura característica que padecem imperativamente de preservação e valorização, pois um povo sem cultura não é uma nação; um povo sem consciência do seu património cultural é humanamente pobre.”

Apostas futuras Célia Coelho afirma que, neste momento, o número de propostas enviadas ainda constitui um número significativo. Contudo, grande parte da atividade arqueológica está dependente da construção civil e, uma vez que, estamos perante um clima hostil económico, condiciona o desenvolvimento de qualquer empresa na área. “Esperamos que o país consiga dar a volta que todos esperamos, para que possamos ter um papel mais ativo na arqueologia nacional e para que continuemos com o nosso contributo para a investigação e trabalho científico”.

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Investigações Arqueológicas, Lda. é uma empresa cujo objeto social abrange a atividade de serviços de investigação arqueológica, nas diversas ações a desenvolver para o estudo, documentação e salvaguarda do Património Nacional. Esta empresa dispõe dos meios humanos e técnicos que lhe permite intervir com os padrões de qualidade legalmente exigidos pela Direção Geral do Património Cultural, em trabalhos de arqueologia nas mais variadas épocas, quer pré-históricas, quer históricas, em meio terrestre, náutico e subaquático. Neste sentido, encontra-se habilitada à realização de atividades específicas da arqueologia, como sejam prospeções, acompanhamentos, sondagens e escavações, peritagens e avaliações patrimoniais, bem como estudos diversos - de impacte arqueológico e patrimonial, de planeamentos, de proteção e gestão do património arqueológico, entre outros -, quer sejam realizados em campo ou em gabinete. De ressalvar, ainda, que, no âmbito da atividade arqueológica, a empresa pode integrar projetos de conservação e restauro, e musealização de imóveis e sítios arqueológicos. Os seus colaboradores detêm uma vasta experiência, e reconhecida qualidade de trabalho para desenvolverem todo o tipo de trabalhos arqueológicos.


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A CRIAR CONHECIMENTO SOBRE A HISTÓRIA E O TERRITÓRIO EmeRita A empresa portuguesa de Arqueologia EMERITA nasce em 2001 e desde essa data tem assegurado o acompanhamento arqueológico de obras públicas e privadas, trabalhos de sondagem e escavação arqueológica e a divulgação e valorização de sítios arqueológicos, em contrato com empresas, organismos públicos, autarquias, associações e clientes singulares. Contudo, a maior parte dos clientes da EMERITA são empresas privadas, essencialmente na área da consultadoria.

João caninas Arqueólogo

J

oão Caninas é quem comanda esta equipa. Licenciado em engenharia eletrotécnica (IST), a paixão pela arqueologia fê-lo mestre (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e doutorando (Universidade de Évora) nesta especialidade. Para esta atividade, de rigor científico, a EMERITA conta com inúmeros colaboradores com experiência em contextos terrestres e subaquáticos, em variados ambientes do território continental e regiões autónomas, com incidência em tipologias de projetos muito diversificados. A empresa EMERITA, com sede em Lisboa, presta serviços de identificação e estudo de património cultural – arquitetónico, arqueológico e etnológico – no âmbito de diversos instrumentos da política de ambiente e ordenamento de território, participando, nomeadamente, na avaliação ambiental de projetos, em avaliações ambientais estratégicas e planos de ordenamento. A partir dos anos 90 do século XX a conjuntura políticoinstitucional e novas oportunidades de financiar a expansão de uma diversificada rede de infraestruturas (viárias, energéticas, de abastacimento de água, de

saneamento e rega, por exemplo) permitiram que, em Portugal, a minimização dos impactes negativos de projetos sobre o património arqueológico fosse contratualizada com empresas privadas. Estas multiplicaram-se, em quantidade e diversidade na oferta de serviços, tendo contribuído, deste então, para muitas descobertas, estudos e para proporcionar trabalho a jovens licenciados, com consequente produção de conhecimento sobre a história da presença humana no território português e a ampliação do cadastro arqueológico. Mas tal circunstância,que explica o volume da atividade empresarial, não deve ocultar a relevância e o mérito de outros agentes no estudo e valorização pública deste património, como são os casos, por exemplo, do ensino superior e politécnico, das autarquias e das associações. Como é do conhecimento geral o património arqueológico é um bem público, o que explica um apertado controlo por parte do Estado sobre a atividade

arqueológica em Portugal, uma atividade que é licencida caso a caso. Por outro lado, o trabalho arqueológico tem contribuído, em muitos casos, para acrescentar conhecimento acerca da história e do território, hoje português. “Mas esse conhecimento, arrumado em arquivos, não se encontra, em grande parte, acessível ao público. Por essas razões, temos a obrigação de devolver à sociedade o saber adquirido acerca deste património comum. Felizmente, vemos multiplicaremse as revistas digitais, de acesso universal e gratuito, promovidas por empresas, autarquias, associações, além dos repositóros de teses nas universidades. Na EMERITA também já o fizemos com a revista Estudos de Arqueologia e Património Cultural”.

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economia do mar

O

regresso de Portugal ao mar depende da execução de uma estratégia assente no conhecimento e progresso tecnológico e na dimensão e geografia do território nacional, emerso e imerso, incluindo a nova dimensão alargada resultante da submissão apresentada para a extensão da plataforma continental além das 200 milhas marítimas. O território terrestre de Portugal está confinado à periferia ocidental da Europa, cobrindo uma área aproximadamente com 89.000 km2, e ao espaço insular Atlântico, ultra periférico e pouco extenso, correspondente aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, com cerca de 3.000 km2. Considerando apenas a dimensão e as características do seu território terrestre, Portugal é um país com uma dimensão relativamente pequena, parco em recursos naturais e afastado do centro da Europa. Porém, quando considerada a sua dimensão marítima, Portugal é um país imenso e um dos grandes países marítimos do mundo, com um acrescido potencial geoestratégico, geopolítico e económico. A esta imensa dimensão marítima correspondem grandes desafios mas sobretudo oportunidades sem precedentes para Portugal. Contudo, para além dos direitos inerentes à sua dimensão marítima, Portugal está igualmente adstrito ao cumprimento das respetivas obrigações internacionais, bem como das suas responsabilidades nas áreas da espacialização do mar e leito marinho, da vigilância e controlo das atividades que nele têm lugar e da monitorização do seu ambiente e ecossistemas, num quadro de governação internacional dos oceanos. A dimensão marítima do território português possibilita, também, uma nova centralidade ao espaço europeu, constituindo um eixo sem paralelo na ligação entre três continentes, nas direções este-oeste e norte-sul, e conferindo a Portugal um posicionamento geoestratégico ímpar e, consequentemente, reforçando em grande medida a sua capacidade de afirmação e intervenção internacional. Fonte: ENM 2013-2020

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Trazer o futuro para o presente SaeR – Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco Numa altura em que em Portugal se fazem contas aos erros do passado há quem olhe para o futuro com a visão de que é preciso tornalo em presente. Com 25 anos, a SaeR é uma empresa com história e um know-how ligado à prospetiva e cenarização de futuro. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, Francisco Murteira Nabo e José Poças Esteves, sócios-gerentes da SaeR, traçam os três ciclos desta empresa e perspetivam que outrora os descobridores portugueses continuam a ter no mar seu maior tesouro.

francisco Murteira Nabo Sócio-gerente

Como surge a SaeR? Francisco Murteira Nabo (FMN) - A SaeR existe há 25 anos. Mantendo o ADN tem sofrido um conjunto de ciclos de evolução que são interessantes. A SaeR tem origem numa agência de rating e esse foi o seu primeiro ciclo onde formou desde logo o seu ADN. Esse surgimento foi a resposta a uma necessidade específica do mercado. Liderada pelo professor Ernâni Lopes, que foi o seu fundador, a SaeR teve como acionistas, na altura, um conjunto de individualidades que quiseram participar nesta solução que faltava à economia portuguesa. Estávamos em 1988 e tínhamos acabado de sair de um ciclo de crise. Portugal já se tinha tornado membro da Comunidade Económica Europeia e com a economia e o sistema financeiro abertos era necessário

José poças esteves Sócio-gerente

um agente na economia que fizesse a separação entre as empresas boas e as más para dar confiança aos mercados e aos investidores. Surgiu então a SaeR como uma agência de rating a par de uma outra empresa que nasceu também nessa altura em Portugal a Companhia Portuguesa de Rating que viria mais tarde a ser adquirida pela SaeR. Em 1995 começa um novo ciclo na SaeR. O raiting passa a ser feito pela Companhia Portuguesa de Raiting, que já tinha sido adquirida, e a SaeR, que já possuía uma metodologia muito virada para a prospetiva, para cenarização do futuro, para as análises setoriais deixa de fazer o raiting e concentra em ser uma empresa de aconselhamento aos decisores de topo, trabalho que continua até agora.

Esse segundo ciclo surge com que base e objetivos? José Poças Esteves (JPE) - A SaeR concentrou-se em ser uma empresa de consultadoria estratégica porque o ADN desta empresa está ligado à prospetiva, à cenarização, ao pensamento estratégico de análise de futuro. Consideramos que é um valor acrescentado que trazemos para o governo, para quem está a frente dos setores, para os autarcas, para os grupos económicos e para as empresas. É algo que falha muito em Portugal, esta lógica da prospetiva. O país teve outrora vários gabinetes de prospetiva e planeamento económico

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mas entretanto, com a adesão à CEE foi abandonando e entregou-se completamente. Hoje quando queremos pensar em futuro vamos perguntar à Europa o que devemos fazer. A SaeR transformou-se praticamente na única entidade privada, neste caso, que pensa estratégica e prospetivamente. Há, no entanto, grupos específicos que nós conhecemos muito bem e que procuramos trazer numa rede ligada a nós para mantermos esta inteligência nacional, que nós consideramos que se pode perder. No fundo, a SaeR acaba por ser um centro nevrálgico que aglutina um conjunto de inteligência que pensa estrategicamente e em termos prospetivos. Em que consiste na prática esse trabalho de cenarização e prospetiva? JPE - No fundo é trazer o futuro para o presente. Há muita gente preocupada com o passado e o que representa no presente mas nós estamos preocupados com o futuro. Infelizmente somos das poucas entidades que fazem isso neste país. Neste segundo ciclo o que fizemos foi, sempre a pensar na economia portuguesa, no seu desenvolvimento, apoiar os decisores da economia com fundamentos para uma tomada de decisão estratégica. Nesse sentido fizemos vários trabalhos interessantes, aliás alguma da política económica nacional resultou de estudos nossos. Agora fala-se muito do mar mas, por exemplo, o turismo e a reviravolta que o país deu em termos de turismo, da definição da política económica e da estratégia adotada pelos governos na lógica do turismo resultou de um conjunto de linhas de orientação de um estudo da SaeR. A maioria dos estudos que já fizemos são privados e o governo pagou muito pouco da sua elaboração. O estudo do turismo demorou

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quase dois anos a fazer e foi pago por privados. O estudo do mar foi pago por 15 empresas uma delas SaeR que quis também participar e que deu origem a este trabalho do chamado Hypercluster da Economia do Mar. A lógica é sempre a de criar as condições para o desenvolvimento da economia portuguesa e para que os decisores saibam que caminho seguir. A partir de um diagnóstico da economia portuguesa são traçados cenários de evolução. Quando levamos a cabo essa análise tínhamos já a visão de um cenário futuro de definhamento e descontinuidade e tentamos perceber qual a solução. Fomos então buscar um conjunto de domínios estratégicos, não lhe chamamos setores porque muitos deles não eram setores mas mais clusters que podiam ser os grandes ativos que permitiam criar as condições para poder dar a volta à economia portuguesa. Pegamos nesses ativos estratégicos, fatores de competitividade que o país tinha e que eram diferenciadores e que possuíam valor acrescentado e atratividade internacional. Dessa análise resultou um conjunto de seis ou sete setores que nós entretanto aprofundamos. Um deles foi o turismo e hoje vemos até que ponto é que estávamos certos. As energias, nomeadamente as renováveis, foi também um desses setores e depois o mar. No que concerne propriamente ao mar, visto hoje como o desígnio nacional, que importância tem no desenvolvimento da economia portuguesa e o que encontramos nesse estudo que foi elaborado? JPE- Quando se fala no conceito estratégico que tem que existir no país é inevitável o mar. As lideranças políticas quando nós íamos pedir apoio financeiro para

podermos aprofundar trabalhos desprezavam essa temática. Hoje parece que toda a gente descobriu que o mar afinal é importante e ainda bem. Nós consideramos que temos sucesso com a s nossas teses quando toda a gente começa a falar daquilo que nós já há muito falávamos. O último estudo que nós apresentamos, neste âmbito do mar, foi em 2009/2010, o chamado Hypercluster da Economia do Mar. A ideia é que qualquer novo conceito estratégico que o país queira assumir tem que passar necessariamente pelo mar porque um dos grandes ativos que nós temos é o mar e é ele que muda o conceito estratégico nacional. Quando dizemos que Portugal é um país pequeno, periférico e pobre são três grandes mentiras. Portugal é um dos maiores países do mundo porque tem quatro milhões de quilómetros2 de mar, com a aprovação da extensão da plataforma continental. O mar tem grande potencial para o futuro a nível de recursos. Os recursos das indústrias passam muito pelo que está no mar porque os recursos de terra começam a ficar esgotados. Só somos um país periférico se olharmos apenas para a Europa continental. Se olharmos para o posicionamento geoestratégico nós estamos no Atlântico norte médio onde tudo se passa. Na globalização tudo passa por aqui e não é por acaso que uma das soluções passou exatamente pelos transportes marítimos que tinham sido esquecidos. E não somos um país pobre porque temos um conjunto de ativos estratégicos, temos um conjunto de recursos


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naturais, de recursos endógenos que podemos aproveitar e pôr-lhes fatores de competitividade em cima. Por isso quando o país anda a dizer que cresce zero vírgula qualquer coisa e fica todo contente, isso não é nada. Crescimento a esse nível não dá sequer para os juros da dívida. Aquilo que parece agora óbvio, em 2009 não o era para a maior parte das cabeças decisórias deste país. A primeira parte do estudo é dizer aquilo que acabei de referir ao nível da atratividade externa onde é que temos maior competitividade no quadro global e chegamos a várias coisas entre elas a diversos setores da economia do mar. No entanto, o problema é que os nossos setores estratégicos, tirando a dimensão do mar, são muito reduzidos quando olhados isoladamente. Quando olhamos, por exemplo, para a indústria naval é muito reduzida, mas se desenvolvermos os transportes marítimos, se desenvolvermos as pescas, se desenvolvermos as energias em off shore, se desenvolvermos tudo o que está ligado ao mar abrimos uma grande procura nós próprios e abrimos também o quadro de referências e de escala de atuação da indústria naval. Com isto tudo desenvolvido talvez já faz sentido ter uma indústria naval como deve ser. Não uma indústria naval para fazer barcos para competir com os coreanos, que isso nunca vamos conseguir mas para fazer reparações porque estamos no tal ponto de passagem. Porque é que não havemos de ter uma estação de serviço para fazer reparações de barcos? Aliás, já há exemplos disso em Portugal. O que nós notamos é que o mar representava muito pouco da economia portuguesa, apenas dois por cento e isso é

impensável. O mar tem potencial para representar dez vezes mais. Agora é preciso perceber como é que isto se faz. E então percebemos que isoladamente tal era difícil, mas juntos, formado por clusters e pensados em termos de clusters e depois aglomerados num grande Hypercluster tínhamos a dimensão, tínhamos a força, tínhamos a estratégia, tínhamos a visão para organizar estes setores todos da economia portuguesa e ser este o motor de transformação. O mar é para nós o motor da transformação da economia portuguesa. É o pilar do novo conceito estratégico que o país deveria definir e que ainda não tem. O Hypercluster da Economia do Mar é, pois, um estudo que organiza este conceito que nós achamos que o país deve seguir e que foi traduzido depois numa estratégia para o mar, e que está a ser seguido em vários estudos e por alguns decisores. Primeiro foi necessário reorganizar todo o espaço marítimo e foi preciso fazer uma lei de base. Também em resultado deste estudo criou-se o Fórum Empresarial da Economia do Mar. A última medida que é a mais atrasada tem a haver ver com a prioridade que tem que ser dada ao mar a nível de legislação. Em vez dessa legislação criar problemas ela devia descriminar pela positiva. Os primeiros passos já foram dados agora esperamos que as coisas comecem a evoluir. Relativamente à SaeR qual é cenarização de futuro? FMN - Numa conjuntura em que tudo é financiado pelo setor privado em que este setor está em dificuldades, a SaeR teve que redefinir também a sua estratégia

como empresa privada que é. Daí resulta aquilo que chamamos de diversificação e internacionalização da SaeR. A completar 25 anos, a SaeR está agora a entrar no seu terceiro ciclo. Com o princípio de que em Portugal não há mercado e vai demorar até sairmos desta conjuntura, aquilo que estamos a fazer é transformar a SaeR numa empresa com três áreas, diversificando-a ao mesmo tempo que a estamos a internacionalizar. Ao nível da internacionalização a área do rating é uma aposta fortíssima. A Companhia Portuguesa de Rating já não existe com esse nome. Agora denomina-se ARC Ratings e vai ser sediada em Londres e em que a SaeR é sócia com outras agências de rating internacionais. Estamos a dar apoio aqui em Portugal e conseguimos assim internacionalizar toda a parte do rating, mantendo os nossos clientes portugueses. A par disso estamos a internacionalizar a parte de consultadoria onde criamos uma área nova que é a de intermediação financeira, ou seja, estamos a tentar financiar projetos funcionando nós como intermediários para a captação de fundos de capital interessados em investir. E estamos a transformar a SaeR numa empresa da CPLP, nesta área da consultadoria. Vamos ainda duplicar o capital da empresa e a SaeR vai passar a curto prazo, para além de nós dois, a ter um sócio de Macau, com ligações a financimaneto chinês e dois sócios angolanos. Contudo, nós ficaremos sempre com a maioria do capital da empresa.

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O valor Estratégico do mar Ministério da agricultura e do mar Se considerarmos apenas a dimensão e as características do território terrestre, Portugal é um país com uma dimensão relativamente pequena, parco em recursos naturais e afastado do centro da Europa.

Manuel pinto de abreu Secretário de Estado do Mar

Porém, quando considerada a sua dimensão marítima, Portugal é um país imenso e um dos grandes países marítimos do mundo com um acrescido potencial geoestratégico, geopolítico e económico. Se por um lado a esta grande dimensão marítima correspondem grandes desafios, ela abre também caminho a oportunidades sem precedentes para Portugal. Para além de um vasto conjunto diversificado de recursos naturais cujo valor é reconhecidamente elevado, a dimensão marítima do território português possibilita, também, uma nova centralidade ao espaço europeu, constituindo um eixo sem paralelo na ligação entre três, o que lhe confere um posicionamento geoestratégico

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ímpar, e consequentemente, um reforço em larga medida da sua capacidade de afirmação e intervenção internacional.

Um mar de Oportunidades A Estratégia Nacional definida para o mar no período 2013-2020 apresenta um novo modelo de desenvolvimento tanto dos oceanos como das zonas costeiras que permitirá a Portugal responder aos desafios colocados para a promoção, crescimento e competitividade da economia do mar. Esta estratégia é o instrumento de política pública que contém a visão

de Portugal para o período referido. A concretização e resultados desta política, transversal e multissectorial, dependem do envolvimento dos agentes públicos e privados, pelo que a sua participação na formulação desta Estratégia foi determinante. Esta estratégia assume como objetivo um crescimento de 50 por cento no contributo do mar para a economia nacional. Atualmente, todas as atividades económicas ligadas ao Mar têm um peso na economia superior a 8.000 milhões de euros e asseguram o emprego a cerca de 100.000 pessoas. Estes valores não contam, naturalmente, com eventuais descobertas de hidrocarbonetos ou a mineração do mar profundo, nesta altura em fase de pesquisa e avaliação, o que não permite quaisquer projeções económicas. Com esta Estratégia Nacional Portugal renova a sua identidade como um país marítimo por excelência, que vive com o mar, que traz o mar à Europa, e que volta o mar à Europa. Uma estratégia que deu os seus primeiros passos em 2006 quando foi aprovada em conselho de ministros a Estratégia Nacional para o mar (ENM) 2006-2016, que foi posteriormente revista dando lugar à ENM2013-2020. Em entrevista passada à Revista Negócios Portugal Manuel Pinto Abreu, secretário de Estado do Mar, garantia que se iniciava “uma nova etapa baseada na vontade e prioridade de proteger o oceano e explorar, de forma sustentável o seu potencial de longo prazo favorecendo um modelo de desenvolvimento assente na promoção do Crescimento Inteligente, Sustentável e inclusivo”. No entanto o Secretário de Estado acrescentou que o sucesso desta nova etapa implicava “proceder à revisão da estratégia de 2006, no


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sentido de lhe conferir maior precisão no seu propósito, à medida que se vem obtendo e aprofundando mais conhecimento sobre o mar”, o que veio a acontecer em 2013. O contexto e substrato desta nova Estratégia Nacional do mar é o código genético do novo Portugal Marítimo: um país de natureza ultra profunda, com um vasto potencial em recursos naturais, um património natural e ímpar e uma enorme centralidade geoestratégica que é um motor de afirmação internacional. Este código genético afirma ainda o mar como um desígnio nacional, favorecendo a implementação de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para o presente e para o futuro de Portugal. Visto hoje como um desígnio nacional, o mar esteve durante muito tempo esquecido. Porém, Manuel Pinto de Abreu garante que “para Portugal, o mar é efetivamente um fator relevante, quer em época de crise, onde o potencial e a valorização dos seus recursos, na lógica do crescimento azul, constitui uma garantia de longo prazo para as nossas futuras gerações, quer como fator diferenciador que pode ajudar a alcançar algumas mais imediatas”. O secretário de Estado do mar acrescenta ainda que “a exploração

económica é uma parte importante da prioridade nacional que é o mar” e que “nesse sentido, Portugal tem sido reconhecido internacionalmente como um caso único em que a coerência neste propósito é resultado do compromisso de todos os níveis da governação e da própria sociedade civil”. O regresso de Portugal ao mar depende da execução de uma estratégia assente no conhecimento e no progresso tecnológico e na dimensão e geografia do território nacional, emerso e imerso, incluindo a nova dimensão alargada resultante da submissão apresentada para a extensão da plataforma continental para além das 200 milhas náuticas. A ENM 2013-2020 identifica os domínios de intervenção e apresenta o plano de ação – o Plano Mar- Portugal – que inclui os programas a executar e desenvolver para concretização de objetivos específicos e produção de efeitos concretos, estando sujeito a mecanismos próprios de monotorização, revisão e atualização. O novo paradigma para o desenvolvimento do Mar – Portugal é assente no Crescimento Azul, o qual procura identificar e dar resposta aos desafios económicos,

ambientais e sociais, através do desenvolvimento de sinergias entre políticas setoriais. Para esse efeito, a ENM2013-2020 tem em conta as interações entre as diferentes atividades, o seu impacto no ambiente marinho, nos habitats marinhos e na biodiversidade. A este respeito o secretário de Estado do Mar refere que “Portugal persegue um modelo responsável de desenvolvimento sustentável a partir do mar, que designamos “crescimento azul”, e que agrega necessariamente a atuação nos domínios da pesquisa, da preservação e da exploração dos recursos marinhos e das atividades que nele têm lugar” e acrescenta que “as obrigações do Estado português no âmbito da Diretiva Quadro Estratégia Marinha estão refletidas nesse modelo de desenvolvimento e a necessidade de ser assegurado o bom estado das águas marítimas”.

Manuel Pinto de Abreu concluiu a Licenciatura em Ciências Militares Navais, Oceanologia, pela Escola Naval (1983), tendo obtido um MSc em Oceanografia Física pela Escola de Pós-Graduação Naval dos Estados Unidos da América (1989). Obteve o grau de PhD em Oceanografia Física pela mesma Escola (1991), o grau de Engenheiro Hidrógrafo pelo Instituto Hidrográfico (1992) e o grau de Doutor em Física pela Universidade de Lisboa (1995). Foi professor catedrático na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, da qual foi vice-Reitor (2003-2008), e professor no Instituto de Estudos Superiores Militares e na Escola Naval. Foi responsável pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar e pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental de Portugal, membro da Comissão Interministerial para a Delimitação da Plataforma Continental e Presidente do seu Conselho Consultivo e membro da Comissão Estratégica dos Oceanos. Foi consultor da Organização Marítima Internacional e membro de diversas comissões da Organização Hidrográfica Internacional. É oficial de Marinha na reserva, tendo sido chefe da Divisão de Cartografia e Hidrografia do Instituto Hidrográfico.

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“Combater a Sazonalidade em Mira” Município de mira O Presidente da Câmara Municipal de Mira, Raul Almeida, constata que o mar permanece como uma das principais vertentes da vila, se não a mais importante, acrescentando ainda a importância das praias de bandeira azul com o objetivo fulcral de combater a sazonalidade no concelho.

raúl almeida Presidente

M

ira é um concelho do litoral que se situa entre as cidades de Aveiro e Coimbra e constitui um elo de ligação entres os portos de Aveiro e Figueira da Foz. Apesar de apresentar uma excelente localização geográfica não tem sido aproveitada da forma mais correta para o desenvolvimento do tecido empresarial e populacional. “Somos o Município com praias com Bandeira Azul há mais anos, cujo prestígio provoca um incremento significativo na sua procura enquanto destino turístico de qualidade nas vertentes de sol, mar e ambiente”, afirma. Tal como refere, o mar apresenta-se como um ponto fulcral do turismo balnear da zona, mas que consequentemente se deparam com o fenómeno da sazonalidade. Para que estes níveis diminuam, o presidente reúne-se com alguns operadores turísticos da região com vista a apresentar algumas alternativas - como é o caso das lagoas, barrinha e floresta que constituem toda a zona envolvente de Mira e distinguem o concelho dos demais, tendo a vertente do mar sempre como primeira perspetiva. Uma vertente importante e que merece forte aposta na

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área do mar é o surf. O Poço da Cruz já é considerado como um dos melhores spots da zona e referenciado pelos entendidos. Para uma melhor gestão deste local, Raúl Almeida confessa que a criação de uma associação para surfistas será uma das ideias a concretizar. “Já lancei o desafio a alguns surfistas cá da terra e a alguns amigos para criarmos aqui uma associação de surf que possa ajudar o município a desenvolver essa área tendo uma valência para o resto do ano”. Outras potencialidades que também se podem referir são a Pescanova, ou Aquinova (denominação atribuída à realização da aquicultura em Mira), derivadas da posição estratégica que possuem. Este processo consiste na extração direta da água do mar para os tanques de aquicultura, o que constitui uma mais-valia para o concelho. Raul Almeida faz questão de investir neste ramo uma vez que não se encontra muito desenvolvido em Portugal “temos das melhores instalações do mundo de aquicultura e um sistema completamente inovador visto que utilizamos água do mar. Tudo isto não seria possível sem as nossas condições: temperatura, qualidade do ar, tipo de água, areia que são ideais ao

tipo de peixe que lá é cultivado”, constata.

Um dos sobreviventes à arte xávega Mira continua a distinguir-se dos demais concelhos pela sua capacidade de preservação da tradição e velhos costumes. Xávega deriva do termo árabe xabaka, que significa rede, uma vez que a pesca artesanal se realizava com rede de cerco e a recolha era feita com uma junta de bois e força de braços. Com a evolução dos tempos, esta atividade acabou por sofrer algumas alterações: as juntas de bois foram substituídas por dois tratores e a força de braços por remos. Tal como já foi referido anteriormente, o mar constitui um ponto forte para o turismo da zona e para que seja aproveitado da melhor maneira possível é necessário preservar as raízes dos mais velhos de forma a transmitir esses valores aos mais novos. Assim, a arte xávega mantém uma importância fulcral para o desenvolvimento desta zona apresentando-se como um marco importante do roteiro turístico.


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O desafio O maior desafio para este mandato é o desenvolvimento económico do concelho visto que a sazonalidade detém uma grande percentagem de emprego desta população. Uma vez que primam pela qualidade de vida dos seus habitantes veem nestas potencialidades alternativas às grandes taxas de desemprego presentes em Portugal. Apesar do tecido empresarial em Mira não apresentar uma grande dimensão, estão a realizar algumas visitas guiadas às empresas que existem no concelho para que, de uma forma ou de outra, consigam identificar as suas necessidades perante os públicos, quando e

como é que o município pode intervir de forma ativa na evolução destas. Deste modo, a Câmara de Mira demonstra que contribui positivamente para a empregabilidade da população com vista a combater este fenómeno sazonal com algumas modalidades que se praticam durante todo o ano, como o caso já referido do surf, turismo ambiental, ecoturismo e possuem uma ciclovia com quase 30 quilómetros de extensão.

confessa-nos que gostaria de apostar num parque empresarial com acesso à autoestrada A17, de modo a estabelecer um marco de ligação entre Aveiro e Figueira da Foz. Investir neste pólo demonstra-se quase como um imperativo visto que o objetivo primordial consiste em captar a atenção de empresários que, por sua vez, financiem estas empresas independentemente do clima que nos presencia “é a nossa realidade e vamos ter de a trabalhar”.

Projetos futuros Quanto a projetos futuros, o presidente da câmara

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”Pescado é Saúde” Fileira do pescado A Fileira do Pescado surge no ano de 2010, com união de diferentes associações que representam as diferentes vertentes do setor, que sentiram que havia necessidade de unir esforços e delinear objetivos para dinamizar e reforçar o papel do setor das pescas transformação e comercialização de pescado em Portugal. A Fileira reúne as organizações mais representativas do setor. Conversamos com Pedro Jorge Silva sobre a mesma.

Pedro Jorge Silva Presidente

Que trabalho desenvolve a Fileira do Pescado e qual a importância da sua existência? Na Fileira do Pescado procuramos promover e valorizar a qualidade e a sustentabilidade do pescado consumido em Portugal, e assumimo-nos como um interlocutor privilegiado com as diversas instituições e com o consumidor. Por outro lado, temos como premissa-base divulgar os benefícios do pescado junto dos diferentes consumidores, como uma opção saudável para uma alimentação equilibrada. Numa altura em que Portugal vive tempos sem precedentes, e um contexto adverso, consideramos que é fundamental alertar que uma alimentação equilibrada não tem que ser dispendiosa. A Fileira do Pescado desenvolve várias ações direcionadas para o público em geral, mas também para estudantes das escolas de hotelaria, com vista à formação das novas gerações e à sua sensibilização para a alta qualidade e versatilidade do pescado português. Nas ações que se dirigem ao público em geral, a grande preocupação é a sensibilização para a necessidade de uma alimentação saudável, equilibrada,

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e respetivos reflexos a nível da saúde. A Fileira do Pescado tem diversificado os suportes e as iniciativas, de forma a acompanhar o estilo de vida dos portugueses e o contexto atual que se vive em Portugal. Uma das ações que tem sido um sucesso é a disponibilização de receitas saudáveis, e de baixo custo (até 1.5 euros por pessoa), no site www.fileiradopescado.com. Estas receitas foram um sucesso de partilhas nos media e nas redes sociais. Noutro âmbito, no ano passado foi lançado o DVD “como preparar melhor peixe do mundo” e distribuído junto das escolas de hotelaria europeias para promover o pescado português e criar a apetência dos futuros chefs. Realizámos também um concurso para estudantes de hotelaria e turismo portugueses, que foram desafiados a criarem receitas equilibradas e económicas, baseadas em pescado. Trabalhamos também na vertente da divulgação do pescado português, que consideramos o melhor do mundo, como o consideram também alguns dos melhores chefs. Por exemplo, tivemos materiais de divulgação nos aeroportos portugueses, e a mensagem chegou a

largas centenas de milhares de pessoas. Fizemos ainda uma campanha de rádio que promove os benefícios do consumo de pescado, com destaque para o Ómega-3.. Qual é o efeito total que tem hoje a Fileira do Pescado no PIB português? Há estudos que mostram que a Fileira do Pescado tem um efeito total no PIB português superior a 2,5 mil milhões de euros. Os produtos oriundos deste sector são o segundo produto alimentar mais exportado em Portugal. Emprega, direta e indiretamente, cerca de 90.000 pessoas. Ao nível da exportação, em 2012 os produtos exportados da pesca representaram um valor próximo na ordem dos 777 milhões de euros. Verificou-se crescimento ao nível do segmento do peixe congelado (5 por cento), e das conservas em todos os seus produtos (4 por cento). No entanto há ainda um longo caminho a percorrer, já que as importações continuam a ser bastante superiores às exportações e o saldo da balança comercial é ainda bastante negativo.


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O mar é hoje considerado um desígnio nacional. Considera que as suas potencialidades têm sido aproveitadas convenientemente? Apesar da importância do setor para o nosso país, nas últimas décadas virámos as costas ao mar e às atividades relacionadas com este setor. Estamos agora a pagar uma pesada fatura por esta atitude, com o desequilíbrio da balança comercial. Em 2012 Portugal exportou cerca de 217 mil toneladas e importou 429 mil, o que se traduz num saldo negativo para a balança comercial de mais de 212 mil toneladas, com um valor de mais de 678 milhões de euros. Nos últimos anos, encerraram várias empresas do sector e foram desativadas centenas de embarcações. Estamos a perder know-how, que pode comprometer o desenvolvimento do setor. Há que sensibilizar os consumidores para a importância do consumo de pescado e para a qualidade do pescado nacional, reconhecida internacionalmente. Atualmente, podemos dizer que o melhor peixe português é exportado. Em resumo, e no que à pesca diz respeito, consideramos que apesar de todo o trabalho académico que tem sido produzido neste campo, é fundamental escutar os intervenientes do setor e ter em conta os inputs de quem está no terreno na definição do futuro da pesca. Em conjunto, podemos e devemos fazer mais pela pesca, porque estão a ser criadas as condições de base que permitem a sua sustentabilidade. Os indicadores apontam para uma tendência de fortalecimento de grande parte dos recursos o que permitirá com algum conforto alcançar o desígnio do MSY (rendimento máximo sustentável) para 2020. Com recursos vivos disponíveis e de qualidade, e com um mercado onde existe procura, é fundamental que haja uma aposta estratégica na indústria de captura. Quais são hoje os maiores desafios enfrentados pelo setor das pescas, transformação e comercialização de pescado? Relativamente à pesca industrial, e na medida em que

o esforço de ajustamento da frota aos recursos em Portugal é já um dado adquirido, é tempo de cuidar desta indústria permitindo a sua renovação após um longo período em que não houve apoios ao investimento. A pesca industrial praticada pela frota da União Europeia é a atividade económica mais regulamentada, com monitorização em tempo real das zonas, artes e esforço de pesca realizado, sendo responsável pelo fornecimento de um alimento saudável e em condições higiénicas e sanitárias de excelência e de que o mercado comunitário é altamente carente e deficitário. Este setor debate-se também com fortes lobbies ambientalistas europeus suportados por campanhas onde a pesca é injustamente responsabilizada pela escassez de alguns recursos vivos. No caso concreto das conservas de peixe portuguesas, os maiores desafios que se colocam ao sector prendem-se com a escassez de matériaprima e com a globalização dos mercados, uma vez que é um sector fundamentalmente voltado para a exportação, estando exposta à feroz concorrência internacional. O futuro da pesca na Europa, deverá passar por uma atividade sustentada em preocupações de sustentabilidade ambiental, económica e social, em detrimento de uma política que favoreça a importação de pescado a países terceiros que não cumprem os princípios básicos pelos quais a Europa se rege. Qual o impacto do novo acordo de Bruxelas que aumenta algumas quotas mas que implica também a perda de outras? A habitual negociação de final de ano que fixa as oportunidades de pesca para os estados membros, registou, no caso português, uma melhoria das nossas possibilidades de pesca que, comparada na sua globalidade com o ano anterior, se cifra em mais 5.600 toneladas, repartidas entre recursos internos e externos, o que veio atenuar o gap de 41.000 toneladas perdidas nos últimos dez anos. As políticas adotadas neste domínio e seguidas pelo nosso país – a UE situa-nos no primeiro lugar do ranking dos Estados Membros em

matéria de cumprimento – devolvem-nos um capital em matéria de conservação e controlo que não tem sido devidamente reconhecido e utilizado. Sem margem para dúvida que esta inflexão da tendência decrescente se inverteu e, graças ao trabalho e sacrifícios a que os armadores e pescadores estiveram sujeitos, vaise consolidar permitindo encarar a actividade com optimisto. Claro que toda esta visão de futuro não pode deixar de ter subjacente uma nova visão das pescas por parte das entidades comunitárias. Quais os objetivos futuros e que expectativa para o setor? O setor das pescas não precisa de grandes planos estratégicos, mas sim da efetiva implementação de medidas que levam ao crescimento e à consequente diminuição da dependência de fatores e mercados externos. Neste momento, verifica-se uma elevada dependência de Portugal e da UE da importação de pescado, o qual em parte é proveniente de países sem preocupações ambientais e de sustentabilidade. O futuro da pesca deverá passar por uma atividade sustentada em preocupações ambientais e de sustentabilidade das espécies, mas sem lobbies exagerados e excessivos. Em Portugal, e a um nível mais social e de consciencialização da população, o futuro deverá trazer uma maior sensibilização dos consumidores para a importância do consumo de pescado e para a qualidade do Pescado Nacional. Atualmente, o melhor peixe português é utilizado para exportação, pelo que deverá existir um esforço conjunto de valorização da Fileira e do pescado nacional junto dos consumidores portugueses. No caso concreto das conservas, o setor vem aumentando as exportações na última década e quer continuar a exportar cada vez mais. As nossas conservas de peixe chegam, em maiores ou menores quantidades, a praticamente todos os cantos do mundo. A indústria exporta atualmente para mais de 70 países.

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COOPERATIVA DE UTENTES DE SEGUROS Mútua dos pescadores A Mútua dos Pescadores faz em julho de 2014 setenta e três anos, e é o primeiro e único segurador português sob a forma de cooperativa de utentes de seguros.

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riada em 1942 foi a última das quatro mútuas criadas pelo regime corporativo do Estado Novo e no quadro das suas políticas para o setor das pescas. A Mútua dos “pescadores sem patrão”, como então o regime a nomeou, nasceu para segurar os pequenos armadores, suas embarcações e bens. A adesão a esta nova Mútua era obrigatória e o seu rendimento constituído sobretudo pelos descontos obrigatórios que os pescadores faziam, através da venda do seu pescado em lota. Sistema de contribuições que hoje se mantém, não de forma obrigatória, já que à nova Mútua dos Pescadores, renascida depois do 25 de abril de 1974, os pescadores passaram a aderir livremente. Não só aderiram como passaram a geri-la, democraticamente eleitos. A maioria dos seus dirigentes continua a ter a pesca como berço, mas conta também, cada vez mais com membros de outras atividades, provando que a Mútua está a crescer noutros mundos.

da Medalha de Honra das pescas, em 2000, pela tutela. O reconhecimento da sua competência prova também a importância que as empresas da economia social que desenvolvem a sua missão com sentido de serviço público e de forma solidária - podem ter na economia.

A Mútua dos Pescadoras foi efetivamente a única que resistiu. Soube manter uma atividade económica sustentável e um saber-fazer de forma diferente. Um percurso que tem merecido o reconhecimento dos seus associados, dos seus pares do mercado segurador, do regulador da atividade (ISP), da economia social, bem como do poder público. Mostrando dessa forma que a perspetiva mutualista dos seguros continua a ser possível e pode ser distinguida como prova a atribuição

A Mútua é socialmente responsável e desenvolve uma relação personalizada com os seus cooperadores e segurados, sendo esta uma das suas marcas diferenciadoras no mercado segurador. É na esteira destes princípios que encara a proteção dos seus associados de uma forma abrangente, não limitando a sua ação à reparação dos sinistros, mas promovendo, em iniciativas próprias ou em parceria com outras organizações, a sua prevenção. Assim se entende a sua

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A sua principal missão económica é continuar a ser líder do mercado dos seguros do ramo não vida para a pesca e ganhar terreno em todas as outras atividades relacionadas com o mar – náutica de recreio, marítimoturística, mergulho, pesca lúdica, estaleiros navais, aquacultura, entre outras. Na sequência da adoção do estatuto cooperativo em 2004, definiu também como objetivo estratégico, a oferta de uma plataforma de seguros ao sector cooperativo e social, apostando na conceção e disponibilização de produtos adaptados a este sector, com a mesma competência, proximidade e humanismo que dedica ao setor marítimo.

participação na Comissão Permanente para a Segurança dos Homens do Mar, de cujos trabalhos resultou um primeiro êxito bem visível, com a implementação da obrigatoriedade do uso de coletes para as embarcações da pesca local, e que já poupou muitas vidas. Na mesma linha inserem-se ações, tais como a formação para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar, que a Mútua começou a desenvolver na década de 80, e que visa reforçar as competências dos homens do mar para saberem atuar, como responsáveis pela segurança e saúde a bordo, na prevenção e no socorro em casos de emergência. No essencial a prática seguradora da Mútua vem recuperar a filosofia mutualista do seguro, que está na sua génese. “Pela mutualidade, muitos pagam os prémios estabelecidos, para que sòmente alguns sejam indemnizados (…) sem outra compensação que não seja a de ter o seu espírito tranquilo e o sentimento de solidariedade de considerar que com o seu dinheiro são remediadas as desgraças sucedidas a alguns dos seus semelhantes”. (ref. MARTINEZ, Pedro, 1953, “Generalidades – 1º - O Seguro – Definição”, Lisboa, Imprensa artística limitada, pp. 9-17)


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“Em constante modernização” Porto de aveiro Em 2013, os Portos de Aveiro e Figueira da Foz foram galardoados com o melhor registo de sempre, em mercadorias movimentadas. A administração de ambos os portos é liderada por José Luis Cacho que realça a importância para a economia do país.

josé luís cacho Administrador

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osé Luís Cacho começa por realçar que o Porto de Aveiro é um investimento muito recente, com infraestruturas modernas no que concerne a cargas comerciais. O porto nasceu com a pesca do bacalhau, há cerca de 200 ou 300 anos atrás, mantendo-se ainda hoje como um dos mais importantes portos de pesca a nível nacional e preservando a tradição da pesca do bacalhau. Com a pesca do bacalhau desenvolveu-se uma importante atividade industrial sediada no território portuário, onde laboram um conjunto vasto de empresas com um peso importante no setor alimentar e nas exportações nacionais. “Em 2010, dois dos maiores exportadores portugueses para o Brasil eram empresas de transformação do bacalhau”, afirma José Luís Cacho que acaba por dar relevância a um produto que é consumido não só interna mas também externamente. Por volta dos anos 50, com o desenvolvimento industrial da região, o porto de Aveiro viu-se na necessidade de construir as suas infraestruturas para suportar a

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exportação e a importação das indústrias, com destaque para a cerâmica, a celulose. No seguimento das décadas de 50/60, o porto foi alargando a sua atividade e as suas estruturas em resposta às necessidades da economia da região “de dez em dez anos os números de carga duplicaram foi necessário construir um novo porto. O novo porto comercial de Aveiro nasceu onde hoje vulgarmente designamos por Terminal Norte. Foi iniciada a sua construção por várias fases há cerca de vinte anos, estando hoje em fase de conclusão”, conclui José Luís Cacho.

Mais-valia para o país Os Portos dão um contributo para a empregabilidade uma vez o investimento industrial se procura estabelecer nas proximidades dos portos. “As regiões mais desenvolvidas do mundo são as mais próximas dos portos”, esclarece-nos o administrador.

Elucida-nos ainda que o Porto de Aveiro tem como ambição satisfazer o mercado do transporte marítimo no atlântico, com o envolvimento de todos os atores da comunidade portuária e da cadeia de valor da região.

Projetos Futuros “O grosso dos investimentos já está realizado, agora é procurar rentabilizar as infraestruturas; rentabilizar estes ativos para que o Porto cresça bastante ao longo dos próximos anos”. Fruto deste investimento foi o crescimento de 20 por cento do Porto registado em 2013. José Luís Cacho acredita que este crescimento será duradouro, os investimentos que o governo anunciou irão ajudar. “E com isto contribuiremos para o crescimento da economia da região”, constata.


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MENÇÃO HONROSA

GREEN PROJECT AWARDS

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INICIATIVA DE MOBILIZAÇÃO SIC NOTÍCIAS

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Novo centro de investigação na área do MAR CEntro de oceanografia Investigadores de seis universidades portuguesas criam novo centro de investigação em Ciências Marinhas: o MARE.

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oi criado um novo centro de investigação na área do mar que reúne mais de 400 investigadores de seis universidades portuguesas: o MARE. Este centro de Ciências do Mar e do Ambiente constituirá uma unidade de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico, multipolar, que se diferencia como um centro de investigação holística, concentrando uma ampla diversidade de competências, com uma vasta implantação territorial, que orientará as suas atividades para os desafios da sociedade em estreita parceria com centros de investigação nacionais e estrangeiros. O MARE combina competências de investigação científica e desenvolvimento de aplicações tecnológicas aplicadas a todos os tipos de sistemas aquáticos, desde as bacias hidrográficas, estuários e

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zonas costeiras, até ao oceano aberto e mar profundo. Segundo Henrique Cabral, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e também coordenador científico do MARE, o investimento na área do Mar tem ficado aquém da «prioridade no discurso político», mas o MARE tem uma estratégia para obtenção de financiamentos para a investigação. Integram o MARE as universidades de Lisboa, Coimbra, Açores, Évora, Nova de Lisboa e ISPA - Instituto Universitário (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), reunindo mais de 400 investigadores. O centro terá seis objetivos principais, como o de contribuir para o conhecimento sobre o funcionamento dos ecossistemas marinhos e ambientes com eles relacionados, ou o de desenvolver ferramentas para o uso sustentável dos

ecossistemas de água doce, ou ainda o de promover o bom estado ecológico e a saúde dos mares, estuários e bacias hidrográficas. De acordo com Henrique Cabral, Portugal tem tido notoriedade na investigação ligada ao mar, «mas muitas vezes a passagem de conhecimento para a sociedade e para as empresas não se tem visto muito», um domínio que o MARE pretende desenvolver.


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automação industrial

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utomação é a aplicação de técnicas computadorizadas ou mecânicas para diminuir o uso de mão-de-obra em qualquer processo, especialmente o uso de robôs nas linhas de produção. A automação diminui os custos e aumenta a velocidade da produção. Fonte: Lacombe (2004) Também pode ser definida como um conjunto de técnicas que podem ser aplicadas sobre um processo objetivando torná-lo mais eficiente, ou seja maximizando a produção com menor consumo de energia, menor emissão de resíduos e melhores condições de segurança, tanto humana e material quanto das informações inerentes ao processo. A automação pode ser dividida em alguns ramos principais, nomeadamente a automação industrial. A automação industrial de uma máquina/processo consiste essencialmente em escolher, de entre as diversas tecnologias que se encontram ao nosso dispor, as que melhor se adaptam ao processo a desenvolver e a melhor maneira de as interligar para garantir sempre a melhor relação custo/beneficio. Outro ponto importante quando se faz a automação de uma máquina/ processo é pensar no futuro, pensar que as funcionalidades iniciais de uma máquina/processo, na maioria dos casos, podem estar muito longe das que esta vai ter no futuro.

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SEW-EURODRIVE - Driving the World

A perspetiva global.

O Mundo em Movimento. Com as Soluções de Acionamento da SE W-EURODRIVE.

A Tecnologia de Acionamentos inovadores da SEW -EURODRIVE é procurada por todo o mundo. As opções de aplicação são tão diversas quanto a nossa gama de potências. Quando conduz um carro, recebe uma encomenda, bebe um copo de água ou apanha a sua bagagem no carrossel do aeroporto pode ficar surpreendido ao perceber quantas das coisas do dia a dia, em muitos processos de produção e em muitos lugares do mundo são possíveis graças às soluções de acionamento da SEW-EURODRIVE. As necessidades de maior qualidade e eficiência e um baixo TCO não conhecem fronteiras. Nem as nossas soluções de acionamentos.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

A engenharia de Portugal para o mundo

Sew-eurodrive

A SEW-EURODRIVE Portugal é atualmente a empresa líder de mercado em Portugal e no mundo no setor da engenharia de acionamentos. Presente em todos os setores industriais, desde o alimentar ao automóvel, passando pela pasta & papel até à logística, a SEWEURODRIVE Portugal pretende continuar a ser uma empresa lucrativa, mas, acima de tudo, manter a sua posição de liderança. Este ano a empresa integra o ranking das melhores empresas para se trabalhar.

inês gaspar e nuno miguel saraiva Responsável de Comunicação e Recursos Humanos e Diretor geral

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s primórdios do grupo SEW remontam à Alemanha do início dos anos trinta. Surgindo no mercado como uma empresa de cariz familiar, este grupo pertence ainda hoje, 83 anos depois, à mesma família, sendo que os actuais proprietários são já a terceira geração. No ano da sua fundação, em 1931, a SEW (sigla que, em Alemão, significa Süd-deutsche Elektromotoren Werk) dedicava-se somente ao fabrico de motores elétricos. Cerca de trinta anos depois, a SEW iniciase no mercado dos moto-redutores (acionamento compacto que consiste num motor elétrico diretamente

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acoplado a um redutor), criando, na altura, um conceito revolucionário: o conceito modular de moto-redutor. Foi também nesta altura que, a internacionalização da empresa se inicia, com a abertura de uma fábrica de componentes em França em 1960. Nasce assim o conceito “Eurodrives”: centros locais de montagem de componentes produzidos centralmente, o que permite uma grande flexibilidade e adaptabilidade aos mercados locais, prazos de entrega curtos e, simultaneamente, manter padrões de qualidade idênticos em todo o mundo. Actualmente o grupo SEW está presente em 48

países, com 15 fábricas e 77 centros de montagem – as Eurodrives -, empregando mais de 15.000 Colaboradores. A SEW-EURODRIVE Portugal nasceu em 1990 na Mealhada, com cerca de 13 Colaboradores. Hoje emprega 44 pessoas, que se distribuem pela sua sede na Mealhada, que a Revista de Negócios Portugal visitou, pelo Escritório Técnico do Porto e o Centro de Assistência Técnica de Lisboa. A empresa, conforme explica Nuno Miguel Saraiva, diretor-geral, “recebe componentes que são produzidos centralmente em fábricas na Europa (Alemanha, França, Finlândia) e faz depois a sua assemblagem no centro de


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL montagem na Mealhada. O mesmo processo acontece nos outros 48 países do mundo”. O grupo tem crescido, orgânica e economicamente, sendo que no ano de 2013 obteve um volume de negócios de 2,6 mil milhões de euros. “Nós fazemos as nossas fábricas e desenvolvemos os nossos produtos, a nossa estratégia não é o crescimento por aquisição de concorrentes ou outros parceiros”, refere o diretor-geral. A SEW está já presente em todo o setor industrial: automóvel, logística, cerâmica, explorações de matériasprimas, indústria química, siderúrgica, petrolífera, papel e pasta de papel, alimentação, plástico, vidro, entre outros.

A SEW e a busca pela inovação A SEW-EURODRIVE Portugal vende apenas para o mercado nacional, assim como a sua congénere espanhola se limita a vender naquele país, e assim sucessivamente, seguindo a estratégia do grupo. Nos pilares da empresa, Inovação é uma das palavras de ordem. A SEW procura manter-se a par das inovações tecnológicas em termos de produtos e de processos. Relativamente ao desenvolvimento de produto, conta Nuno Saraiva, “em Portugal o que fazemos é transmitir à «casa mãe» as necessidades e tendências do mercado, participando em reuniões de I&D”. O grupo tem na sua sede na Alemanha o EBIC – Ernert Blickle Inovation Center – que emprega cerca de 550 profissionais exclusivamente centrados na área da investigação e desenvolvimento. Quanto à inovação em termos de processo, Nuno Saraiva acrescenta ainda: “Com os diversos produtos e a tecnologia que temos ao nosso dispor, procuramos sempre achar a solução técnico-económica mais vantajosa para o cliente. Isso é um processo pilotado sempre por nós em Portugal”.

Qualificação e conduta ética A política de formação interna da SEW-EURODRIVE Portugal passa por áreas bastante abrangentes, que vão desde a componente técnica à comportamental, e mesmo à de enriquecimento pessoal. A qualificação dos colaboradores e uma conduta ética inatacável

constituem dois dos pilares que sustentam a posição de liderança da SEW-EURODRIVE Portugal. “Queremos que a equipa se mantenha com um alto nível de desempenho, para o que é fundamental que se mantenha também motivada”, afirma Inês Gaspar, responsável de recursos humanos. “Procuramos manter os nossos colaboradores permanentemente motivados e treinados naquilo que precisam, seja para um melhor desempenho das suas tarefas, ou por uma questão de valorização pessoal”, acrescenta o diretor-geral. A empresa cumpre ainda um papel importante no que respeita à Responsabilidade Social: “Tentamos ao máximo integrar-nos na comunidade local e receber dela as mais-valias que nos pode dar; da nossa parte, tentamos também dar um contributo positivo para o desenvolvimento local”, conta Inês Gaspar. Protocolos com a Santa Casa da Misericórdia, com os bombeiros, entre outras entidades locais, fazem parte das várias acções realizadas neste capítulo.

“Em cada cliente, um parceiro”

Quando abordado acerca da importância dos clientes, ou «parceiros de negócio», como costumam designálos na empresa, Nuno Saraiva não hesita em frisar que, “em cada cliente, procuramos ter um parceiro”. “Queremos a satisfação do acionista mas, acima de tudo, temos de procurar a satisfação dos clientes, colaboradores e fornecedores, que são os nossos parceiros de negócio. Pretendemos que um cliente que venha até nós com um determinado projeto ou ideia, saia da SEW com uma resposta que exceda as suas expectativas.”, atenta o diretor-geral. Importa recordar que é através dos seus clientes que a internacionalização da SEW-EURODRIVE Portugal é feita.

O lucro e a posição de liderança

o objetivo essencial não passa pela maximização de lucros, mas sim por manter a posição de liderança de mercado e a satisfação dos clientes. “Somos uma empresa que quer ser, e que tem sido, lucrativa, mas não colocamos o lucro acima de tudo”, observa Nuno Saraiva. “O que nós procuramos é dar sempre passos seguros: quando avançamos para um investimento, é fundamental sabermos que temos os recursos para o pagar e qual o retorno que pretendemos. O mesmo se passa com os colaboradores: não dispensámos nenhum colaborador quando o nosso volume de negócios, por força da crise que assola Portugal, baixou”, recorda.

A resiliência que molda a SEW A empresa também foi afectada pela crise, tendo sofrido uma quebra de produção e do seu volume de negócios, mas a sua Direção sentiu que não era o tempo de baixar a cabeça, pois esta seria apenas uma fase passageira. E a verdade é que a SEW apresenta hoje as provas de que é possível ultrapassar as dificuldades levantadas pelo adverso ambiente económico que se regista em Portugal e, mesmo, na Europa. Em jeito de conclusão, e em tempos de crise, o diretor da SEW-EURODRIVE Portugal deixa uma mensagem de esperança e positiva a todos os leitores: “Apesar de tudo, nós continuamos a acreditar no país, essencialmente no tecido industrial, nos empresários e nos nossos clientes em Portugal. A prova disso é que, numa época difícil, o grupo decidiu investir cerca de dois milhões de euros no nosso país. Orgulha-nos que o grupo tenha olhado para a SEW-EURODRIVE Portugal, para o nosso mercado, e tenha acreditado que valia a pena apostar em nós e no país. Provavelmente quem melhor conseguiu dar a volta no meio desta crise foram os empresários. Nós estamos otimistas!”, conclui Nuno Saraiva.

Os números não deixam disfarçar tanto os bons resultados alcançados pelo grupo SEW como pela SEW-EURODRIVE Portugal. Contudo, o director-geral e a responsável de recursos humanos concordam que

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Interação complementar

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s Santas Casas da Misericórdia são das escassas entidades que mantêm a tradição de auxiliar a todos os níveis os mais carenciados. No ano de 1498, pela mão da Rainha D. Leonor de Lencastre com o apoio de D. Manuel I, surge a Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia, instituição leiga de ajuda e auxilio aos mais necessitados. Desta forma concentra as faculdades de carácter religioso, instituição privada e envolvência com a comunidade numa só entidade que prima pelo compromisso corporal e espiritual no apoio ao próximo. Assim, faz com que reúna todas as características necessárias para a comunhão com todos os utentes que por lá passam. Hoje constitui-se como uma das poucas instituições que preserva os laços de catolicismo, valores e bons costumes procurando suprir as necessidades das populações envolventes, ao mesmo tempo que desenvolve as áreas em que se situa. Em Portugal encontram-se no ativo aproximadamente 400 instituições, estendidas por todo o território nacional, que representam as comunidades daí provindas e constituindo-se como fontes empregadoras pela sua representatividade nas múltiplas áreas da saúde e serviço social. Com instalações e equipamentos dotados de modernismo, oferecem todo o tipo de cuidados médicos e sociais, procurando responder a grande parte das necessidades visto que o envelhecimento populacional se constitui como consequência do crescimento demográfico mundial.

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Juntos por si

Santa casa da misericórdia de Vagos

A provedoria de Paulo Gravato é reconhecida na zona de Vagos pela notoriedade, afabilidade e boa gestão. Desde 1982 que possui um forte laço com a Santa Casa mas foi, pela primeira vez, em 1985, que assumiu o cargo de provedor. Ao longo dos anos apostou em várias valências devido à inexistência de resposta sociais na Vila.

paulo gravato Provedor

Não é por acaso que Paulo Gravato se constitui como presidente do Secretariado Regional da União das Misericórdias Portuguesas do distrito de Aveiro. O trabalho que tem feito ao longo dos seus 28 anos de provedoria na Santa Casa da Misericórdia de Vagos tem sido crescente e notório. A Misericórdia de Vagos surgiu em 1959 com o objetivo da implementação de um hospital, mas que não foi possível devido a várias razões. Anos mais tarde, com a aquisição de fundos recolhidos pelos Vaguenses, comprou-se o terreno onde hoje se encontram as instalações da Santa Casa da Misericórdia.

Ação que desenvolve Esta instituição tem vindo a crescer, ao longo dos anos, não só pelo esforço do provedor, mesa administrativa e seus colaboradores mas também pela forte preferência dos utentes. A Santa Casa de Vagos orgulha-se em poder dizer que conta com uma panóplia de valências: Creche – dirigida aos mais novos, Centro de Acolhimento Temporário (CAT) – Jovens dos 12

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aos 18 anos, Estrutura Residencial para Idosos (Lar de Terceira Idade), Serviço de Apoio Domiciliário, com vista a preencher as necessidades de grande parte da população que apresenta uma esperança média de vida cada vez mais alta. A primazia pela educação fez-se demonstrar na implementação da primeira valência, no ano de 1980: Centro Infantil. Hoje em dia com uma capacidade para 201 crianças é constituída por salas de atividades/artes manuais e refeitório, “servindo cerca de 500 refeições apenas à hora do almoço”. O provedor sublinha e ainda acrescenta “apesar de a natalidade ter vindo a diminuir, principalmente em Vagos, até este momento, não parece constituir um problema sério, dado estamos com as instalações sempre com a capacidade lotada. As pessoas preferem fazer alguns quilómetros de onde vivem e saber que estão a entregar os filhos a uma instituição de confiança”. O Centro de Acolhimento Temporário tem capacidade para acolher 20 meninas em risco, dos 12 aos 18 anos. “Penso que grande maioria das pessoas não tem conhecimento da existência desta valência. As meninas

fazem a sua rotina diária como todas as outras da sua idade” revela Paulo Gravato. De acordo com os ideais da Santa Casa, a saúde constitui um patamar essencial na vida de cada um. Assim sendo, a instituição preocupa-se com a faixa etária que representa uma grande percentagem da população portuguesa: os idosos. Após a inauguração de um Centro de Dia como resposta a este problema, percebeu-se que não se obteria uma resposta positiva devido à questão do internamento dos utentes. Assim, o edifício sofreu algumas alterações de modo a que ficasse com um piso superior dedicado exclusivamente ao carácter residencial. Possui capacidade suficiente para albergar 53 idosos e constitui-se por amplas salas de convívio, refeições, consultório médico, de enfermagem e cabeleireiro em que, de uma forma mais criativa, cativa a atenção dos idosos e faz com que vejam o seu internamento com outros olhos. O Apoio Domiciliário nasce com a verificação deste aumento da faixa etária e com o isolamento da população. “Durante o dia há muitos idosos que preferem ficar por casa para tratarem dos seus afazeres.


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Vagos era uma vila em que os habitantes viviam da atividade fabril, agricultura e piscatória. Muitos continuam a fazer a sua vida na terra e preferem estar perto dos seus haveres a ficar em lares”, recorda o provedor, mas em contrapartida, as noites são mais complicadas pela sua solidão. Esta valência é fulcral por representar uma ajuda diária e personalizada aos utentes mas sublinha que “para além de funcionar muito bem com os utentes é bastante dispendiosa, dada a qualidade de serviço prestado ”. Para complementar todos estes serviços, a Santa Casa da Misericórdia de Vagos dispõe ainda de um Centro de Medicina Física e Reabilitação, em funcionamento desde o ano de 2003. Este centro veio responder às necessidades de todas as populações em redor da vila, visto que, os serviços no ramo da saúde eram escassos. “Todos os dias recebemos, pelo menos, 150 utentes. Felizmente estamos sempre com uma capacidade bastante boa, as pessoas gostam dos nossos serviços tanto pela personalização do atendimento como pela qualidade de serviço que lhes põem ao dispor” enaltecendo o papel da instituição na saúde dos Vaguenses. Para além de constituir um papel essencial na freguesia de Vagos, a Santa Casa é um dos maiores núcleos de empregabilidade da zona. Para complementar estas valências inclui-se também a Cantina Social surgindo como resposta, fruto da atual

conjuntura económica, aos indivíduos ou famílias mais carenciadas disponibilizando refeições diárias a um preço mais económico ou gratuitamente; e o Apoio a Carenciados cujo objetivo passa por atribuir bens materiais como peças de roupa e calçado a famílias ou indivíduos que se encontrem numa situação mais frágil. Projetos Futuros No que diz respeito a projetos futuros, Paulo Gravato sublinha a aprovação do projeto da Unidade de Cuidados Continuados Integrados que o Estado suspendeu. Este edifício apresentava-se como um complemento ao complexo já existente, (e possuidor das valências anteriormente referidas) fechando-o de maneira a que o espaço central desse azo a um jardim interior ao ar livre do qual os mais idosos pudessem desfrutar. “Vamos continuar a persistir neste projeto até conseguirmos algum financiamento e aceitação por parte do Estado”. O provedor confessa que “o Estado só beneficia de obras como esta pois a permanência de doentes em hospitais públicos fica muito mais dispendiosa do que nestas Unidades e que as Misericórdias são os principais prestadores”.

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Contribuir para o bem-estar da população Santa casa da misericórdia de castelo de paiva A Santa Casa da Misericórdia de Castelo de Paiva surgiu com o objetivo de socorrer os mais carenciados, tal como as outras instituições espalhadas por todo o país. O provedor, Artur Beleza, situa-se neste cargo há já uma década e que, provavelmente, não seria possível sem o auxílio do seu amigo e vice-provedor, Noronha Freitas.

artur beleza Provedor

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rtur Beleza e Noronha Freitas explicam que mantêm uma interligação com os serviços desta instituição desde cedo. Confessamnos que “não fazíamos ideia do trabalho que está por traz de tudo isto…gostávamos de ver mais caras jovens para poder atribuir à Santa Casa uma nova imagem.” Há mais de 30 anos que intervêm nas decisões e que esta paixão foi crescendo com o passar dos tempos: “É um trabalho que exige bastante de nós mas, no final, as recompensas são maravilhosas!”. Enquanto provedor, Artur Beleza, o seu dever passa por solucionar os problemas da vila do concelho que, cada vez mais, se centram no envelhecimento e empregabilidade da população.

A polivalência A Santa Casa da Misericórdia de Castelo de Paiva conta com um leque de valências que, hoje em dia, são fulcrais para o seu desenvolvimento. Contam com um serviço de Apoio Domiciliário, Centro de Dia, Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), Lar de Idosos, Unidade Hospitalar e de Saúde, compreendendo uma unidade de Cuidados Continuados Integrados, com trinta camas, sendo 12 destinadas a Cuidados Continuados de Média Duração e Reabilitação e 18 destinadas a Cuidados Continuados de Longa Duração e Manutenção Unidade de Cuidados Continuados. Ainda recentemente foram celebrados os 25 anos do Lar de Idosos ‘Dr. Justino Strecht’, cujo nome foi atribuído devido à enorme contribuição que o ex-

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provedor deixou na instituição. “Decidimos atribuir o nome do nosso amigo Justino Strecht, a este lar, pela enorme dedicação e empenho que demonstrou durante os seus anos de provedoria. O seu nome não será esquecido”. Este edifício do Hospital da Misericórdia, hoje UCCI, conforme acima se refere tem ao dispor dos seus utentes quartos equipados com uma ou duas camas, conforme seja o seu estado de dependência, áreas de receção e apoio administrativo, salas de convívio e refeições, assistência médica, enfermagem e social, 24 horas por dia, a nível de higiene pessoal, médica e pessoal, salas de fisioterapia, ginásio e uma capela “Das divisões com mais relevância para os nossos utentes, independentemente das suas crenças”. Estas instalações têm o Lar ‘Dr. Justino Strecht’ tem capacidade para albergar 50 idosos e, tal como refere o provedor, “as pessoas recorrem cada vez mais aos nossos serviços pela sua qualidade. Todos os anos, as nossas instalações são mais requisitadas e o serviço encontra-se sempre cheio”. De modo a impulsionar a instituição paivense, o provedor enalteceu o Serviço Hospitalar apostando num bom investimento com equipamento muito sofisticado e moderno situado na zona urbana da vila. Esta valência permitiu a que a instituição se conseguisse estabelecer nos ramos da saúde com os serviços de imagiologia complementando os, já existentes, de radiologia. Assim, a população pode usufruir destes serviços efetuando exames de mamografia, ecografia, densitometria óssea e TAC “evitando que os utentes façam deslocações e gastos desnecessários até ao Porto”. Noronha Freitas

sublinha ainda que “neste momento, a única coisa que nos falta a maior lacuna existente é a falta do protocolo com a ADSE e em termos de exames auxiliares de diagnóstico, temos em curso um pedido de acordo de cooperação no âmbito da cardiologia. A aceitação não tem sido fácil mas vamos continuar a lutar para que todos sejam beneficiados até porque o nosso hospital recebe utentes de todas as vilas periféricas”.

Projetos Futuros “Como alguns dos nossos beneméritos doaram terrenos à Santa Casa, a ideia seria aproveitá-los da melhor maneira possível. Para já, os únicos projetos em mente seriam o serviço de cardiologia de forma a, não só complementar o serviço hospitalar, conforme acima se refere, como a beneficiar os utentes e o próprio Estado, nos ganhos em saúde e num serviço de proximidade com menos custos. Num dos terrenos doados é intenção da Mesa Administrativa desta Santa Casa, a implementação de estufas e o cultivo de vinhas para uma melhor gestão de capital”. Artur Beleza salienta a importância da sustentabilidade desta instituição para que todas as partes sejam beneficiadas: “os nossos utentes ficariam mais satisfeitos com a qualidade e frescura dos alimentos e nós também conseguíamos reduzir nos custos uma vez que haveria terreno suficiente para alimentar os utentes das valências”.


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“A essência das misericórdias”

Santa casa da misericórdia de vieira do minho

alfredo ramalhor Provedor

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lfredo Inácio de Abreu Ramalho, médico de formação, iniciou a sua atividade profissional no início dos anos 70 em Vieira do Minho, localidade provinciana do interior norte, onde o seu desempenho não poderia ser melhor descrito do que aquele que foi imortalizado por Júlio Dinis na figura de João Semana. Este facto, aliada à sua formação moral, cedo o despertou para a necessidade da intervenção comunitária através da participação ativa nas organizações locais. O seu percurso laboral e social coloriu-lhe um currículo invejável de onde se destaca a implementação e presidência da ARS Norte, a presidência da Comissão Instaladora da ARS de Braga, a Direção do Hospital de Vieira do Minho ou, não menos relevante, a presidência da Camara de Vieira do Minho, a presidência dos Bombeiros Voluntários da mesma terra e mais recentemente, a provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Vieira do Minho, instituição a que esteve sempre ligado sendo, eventualmente, o grande responsável pela sua existência recente. Na realidade, os conturbados anos da revolução de abril puseram em causa a sobrevivência desta organização porque o seu património fortemente centralizado no

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hospital concelhio correu o risco de ser nacionalizado, intenção debelada graças à astúcia de Alfredo Ramalho e ao aproveitamento inteligente das franjas da lei que protegia as organizações com camas de retaguarda. Deste modo, as intenções do fundador da irmandade em 1925, João da Torre, foram protegidas e continuadas. Num percurso muito semelhante ao das outras misericórdias, as atividades desenvolvidas pela Santa Casa de Vieira do Minho foram-se desenrolando sempre no alinhamento das necessidades sociais e do aproveitamento dos recursos, património e disponibilidades de financiamento, o que sempre implicou uma gestão atenta e dinâmica. Os últimos 14 anos espelham bem esta realidade, que se traduz, em termos de obra feita, no aproveitamento do legado da benfeitora Margarida Rebelo Duarte para a construção do centro de acolhimento temporário Rebelo Duarte (jovens em risco) e aldeia turística de Louredo (turismo de aldeia); na reconversão do antigo hospital concelhio numa unidade de cuidados continuados de longa duração e manutenção, ao que se acrescenta uma parceria no serviço de medicina física e de reabilitação; na inauguração do serviço de apoio domiciliário e no

início das obras de remodelação e ampliação do Lar Nossa Senhora da Conceição, que se esperam prontas em outubro do corrente ano. A isto associa-se a manutenção da creche/ATL e jardim de infância Santa Cecília, a implementação da cantina social e de mais 120 postos de trabalho, o que catapulta esta instituição para um dos maiores empregadores do concelho. Para um município com cerca de catorze mil habitantes, predominantemente envelhecido, sem cintura industrial ou agrícola, cuja economia depende exclusivamente de serviços, entende-se a relevância deste trabalho comunitário e do seu papel na economia local. Em termos dos serviços é impossível quantificar o número de pessoas que são atendidas, mas é possível qualificar o nível desse atendimento que há muito deixou o amadorismo assistencialista de outrora para se centrar na qualificação dos recursos humanos e modernização dos serviços. A anterior asserção remete para o desafio central com que hoje a Santa Casa depara-se e que se pode resumir à exigência da prestação de um serviço de qualidade e cada vez mais abrangente, o que implica meios logísticos e humanos, sentido de missão e profissionalismo, capacidade de mudança de estratégia em tempo reduzido e sustentabilidade da organização. Esta realidade colide muitas vezes com a leitura do Estado que se apoia no voluntarismo comunitário como forma de se substituir mas que tem dificuldade em o reconhecer. Este reconhecimento prende-se essencialmente com a desproporcionalidade entre a realidade social e os requisitos colocados na prestação de serviços e edificações, o que se traduz, em última análise, numa exigência não comparticipada. A verdade é que as interferentes imposições vertidas em cada decreto-lei, despacho, diretiva, etc. que se publicam com o intuito de melhorar/regular a prestação dos serviços, mais afasta os que mais deles precisam, porque, pura e simplesmente, não os podem pagar, nem as instituições os podem comportar. O assistencialismo local tinha como principal virtude o conhecimento profundo das necessidades individuais. Foi este o princípio fundador de todas as misericórdias. Pequenas irmandades, constituídas por homens de bem numa comunidade ciente que era da sua coesão que dependia a sua sobrevivência. A globalização, termo tão em voga e tão utilizado pelo liberalismo desmedido como uma inevitabilidade salvadora, espalhou os seus tentáculos à mais recôndita das aldeias, desvirtuando a fraternidade, a cultura da partilha e da entreajuda. Assim temo que o cariz caritativo destas instituições assuma, perigosamente, a necessidade de comercializar o seu nome. O discurso é o da sustentabilidade. Dificilmente isso se coadunará com a essência das obras da Misericórdia.


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“Com Rigor e Amor”

Santa casa da misericórdia de Ílhavo

A completar 95 anos em abril, a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo tem crescido nas respostas às necessidades da população do concelho e das áreas envolventes. Um trabalho que só é possível, segundo o provedor Fernando Duarte, com muito “rigor e amor por esta instituição”.

fernando duarte Provedor

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berta há três anos a Unidade de Cuidados Continuados é mais uma das respostas que a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo deu “a uma necessidade muito grande que existia no concelho e nas áreas envolventes”. Quem o diz é o provedor, Fernando Duarte que há 14 anos assumiu este lugar e definiu como objetivo inicial “reabilitar o património que estava muito degradado e os espaços de algumas valências que não estavam nas melhores condições, de modo a dar-lhes mais dignidade e ao mesmo tempo qualidade aos seus utentes”. Onde outrora tinha funcionado um hospital nasceu esta unidade com 55 camas, das quais 29 destinadas aos cuidados de longa-duração e 26 aos de média duração. “Um desafio muito grande” e que envolveu um investimento de cinco milhões de euros. Três anos volvidos, o balanço é positivo garante o provedor: “Esta é uma aposta ganha porque já passaram por esta unidade 530 utentes e temos tido sempre a unidade praticamente a 100 por cento, o que justifica em pleno a aposta que foi feita”. À semelhança do que aconteceu em Ílhavo têm surgido no país várias outras Unidades de Cuidados Continuados. Uma resposta em que as misericórdias têm apostado

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forte por ser uma necessidade das populações e porque vem ainda de encontro à tradição da saúde a que estiveram ligadas muito tempo as santas casas. “A criação destas unidades era uma resposta que o país necessitava que fosse dada e que já vinha sendo dada em outros países com resultados bastante positivos. Sabemos que estas unidades libertam nos hospitais muitas camas porque esses utentes passam a transitar para aqui e com custos muito mais baixos”, explicou o provedor. As respostas dadas por esta instituição e outras de solidariedade social são hoje de enorme importância, ainda mais perante o cenário de crise em que muitas famílias encaram enormes dificuldades. Por isso mesmo Fernando Duarte garante que como “há 500 anos a existência da santa casa continua a justificar-se” embora explique também que estas instituições enfrentam grandes dificuldades porque vivem em contra ciclo, quanto a situação é de abundância há menos pedidos, quando é de constrangimentos esses pedidos crescem mas os apoios e as comparticipações são menores”. Ainda assim, e num período de constrangimento, esta misericórdia não tem recebido um aumento muito

significativo de pedidos porque explica o “embora as necessidades sejam cada vez mais, as famílias têm de comparticipar nas despesas e algumas têm dificuldade em despender esses recursos”. Manter todas as valências a funcionar com qualidade, tendo ainda uma instituição sustentável é um trabalho que só se consegue, refere Fernando Duarte, “com grande rigor e amor por esta instituição”. Com 180 funcionários, a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo tem conseguido manter a sustentabilidade, uma conquista que deixa muito satisfeito o provedor: “O aspeto da sustentabilidade é hoje um grande desafio para todas as instituições. Como provedor da Santa tenho que me dar por satisfeito por até a esta data termos conseguido manter esta instituição sustentável e, quando digo sustentável, não digo que tenha resultados positivos mas que se consegue equilibrar a despesa com a receita.” A grande aposta, ao contrário do que acontecia há uns anos, têm sido os idosos, até porque são cada vez em maior número e “se lhes damos mais tempo de vida, temos também que lhes dar qualidade no tempo de vida que têm” diz. Por isso mesmo, além do apoio dado na unidade, a misericórdia de ílhavo apoia 100 idosos domiciliarmente e cerca de 140 famílias através do Rendimento Social de Inserção. Possui ainda “um espaço dedicado a todos os idosos que queiram aparecer e que tem como principal objetivo tirá-los da solidão”. De referir o Orfeão da Santa Casa que com cerca de 40 elementos tem atuado em diversos pontos do país e na vizinha Espanha. Não esquecendo também os mais novos, esta misericórdia apoio cerca de 300 crianças em várias valências das quais se destaca a creche familiar com 16 amas. Uma resposta que fazem questão de manter como explica Fernando Duarte: “Há muito poucas instituições que mantenham as amas mas acreditamos que devem ser mantidas porque estamos a dar uma resposta de creche com um conceito um pouco diferente. As crianças em grupos de quatro crianças no máximo são integradas numa família, essa família faz o acompanhamento desse grupo como se fossem seus familiares, integrando-os plenamente em suas casas e no seu seio”. Em relação ao futuro, o provedor entende que o principal projeto é, para já, terminar o mandato deixando a instituição com sustentabilidade para que quem vier tenha pés para andar.


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Uma Misericórdia Atenta

Canta casa da misericórdia de s. miguel de refojos

Numa terra com baixa densidade populacional, Cabeceiras de Basto, a Santa Casa da Misericórdia nasceu com a abertura da sua primeira valência, um asilo. Dessa altura até aos dias de hoje muita obra foi erigida e muitos outros projetos estão já a ser estudados com a preocupação de satisfazer as carências e as necessidades da população de Cabeceiras de Basto, procurando em simultâneo garantir a sustentabilidade da instituição.

natália correia Provedora

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mais recente obra está pronta a abrir portas. No edifício onde funcionou em tempos o hospital Professor Júlio Henriques nasceu um novo projeto, conta Natália Correia, atual provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceira de Basto. “Quando foi devolvido o edifício do hospital à misericórdia pensou-se em fazer de imediato algo em prol das pessoas e, particularmente, na área da saúde, porque esta foi sempre uma vocação das misericórdias e é desta ideia que nasce o projeto para a construção da Unidade de Cuidados Continuados”. Com 31 camas destinadas a cuidados de longaduração, esta unidade teve um custo de cerca de três milhões de euros e apesar de já estar concluída, desde janeiro de 2013, continua a aguardar os tão ansiados protocolos com a Administração Regional de Saúde. A provedora está confiante que a abertura será para breve

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mas não esconde que “tem sido uma luta permanente e diária no sentido de abrir a unidade porque, por um lado, esta resposta social é muito necessária e por outro, porque o seu contínuo adiamento pode pôr em causa a sustentabilidade da misericórdia de Cabeceiras de Basto e das valências que já existem”. Tem sido “a capacidade do voluntariado existente associado à instituição que tem permitido também manter a situação equilibrada”, explica Natália Correia que reforça que “não é possível manter muito mais tempo as portas fechadas”. A preocupação com a sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto tem sido aliás uma constante. Associado ao projeto da Unidade de Cuidados Continuados nasceu um outro. “Temos associado a esta unidade uma lavandaria e cozinha muito modernas cujo objetivo é que respondam por um lado a todas as valências que já existem e a

outras que possam vir a nascer e por outro que possam ser também aproveitadas para uso externo no âmbito da prestação de serviços a outras entidades e à população em geral”. O mesmo edifício, ao nível do rés-do-chão, foi preparado para que aí funcionem gabinetes médicos, com o objetivo de prestar à população um serviço diversificado e de qualidade. Aliás, a esse propósito, refere a provedora. “É também nosso desígnio, numa lógica de proximidade, diversificar a prestação de serviços à população e aos mais carenciados”. Para além destes projetos, a Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto tem em funcionamento outras valências. O lar Dr. Manuel Fraga onde atualmente 68 idosos recebem todo o apoio necessário, nesta que é, segundo Natália Correia, uma “resposta fundamental no âmbito de uma região com um elevado número de idosos que se encontram, muitos deles, isolados e a viver em condições que nem sempre são as mais adequadas”. Mais referiu ainda que este foi durante muitos anos o único lar da região. Fundamental é também o apoio domiciliário prestado na freguesia de Gondiães, a mais distante da sede do concelho, onde são apoiados domiciliarmente 30 idosos. Destinada a um estrato particular da população, a Academia de Cultura/Universidade Sénior “nasceu há seis anos e corresponde a uma resposta social que visa criar e dinamizar regularmente atividades culturais, educacionais e de convívio, num contexto de formação ao longo da vida”. Novos projetos surgirão, certamente, num futuro próximo, até porque a Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto mantém-se permanentemente atenta às necessidades e, nesse sentido, terá sempre presente os estratos mais débeis e fragilizados da população.


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Aveiro celebra os 515 anos da Santa Casa da Misericórdia

Santa casa da misericórdia de aveiro

A Santa Casa da Misericórdia de Aveiro orgulha-se de celebrar os seus 515 anos de existência. Foram vários os eventos que decorreram no âmbito das comemorações desta instituição secular, durante o mês de novembro e dezembro.

carlos lacerda pais Provedor

Programa para o mês de novembro 3 de novembro : 10h45- Abertura da exposição “Os 515 anos da Misericórdia de Aveiro- história e memória”. 11h00- Sessão de abertura das Comemorações dos 515 anos da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, Sr. Provedor, Dr. Carlos Lacerda Pais. 11h10- Apresentação da comunicação “Comemoração do 10º aniversário do restauro do órgão de tubos da Misericórdia de Aveiro”. 11h30- Missa dominical, Capelão da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro. 12h30- Concerto de órgão de tubos. 12h45- Apresentação do Hino oficial da Santa Casa da

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Misericórdia de Aveiro.

As valências e a sua história

16 de novembro - Concerto na igreja da Misericórdia de Aveiro, com trompete, órgão de tubos e o coral “Voz Nua”.

Carlos Lacerda Pais, provedor da Santa Casa de Aveiro, afirma que tudo se iniciou no ano de 1498, data da fundação desta instituição. Nesta altura, os únicos rendimentos provinham exclusivamente de peditórios (que se saldavam em dinheiro e géneros) realizados pelos irmãos da Misericórdia, não só na vila mas também nos territórios envolventes. À medida que o número de irmãos aumentava, as doações e incorporações seguiam o mesmo caminho contribuindo para o património da instituição. A igreja e casa do despacho nascem a partir do lançamento solene da primeira pedra em 10 de julho de 1600 na principal rua

Programa para o mês de dezembro 18 de dezembro - Abertura da exposição “ Os Provedores da Misericórdia - 515 anos de história” 14 de dezembro - Concerto de Natal com o coral “Voz Nua” e a participação especial do alunos do Centro Infantil ( SCMA)


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de então, a Rua Direita. A segunda das dependências é inaugurada poucas semanas depois da Páscoa de 1609, dizendo-se a primeira missa na igreja da «Caza nova» no dia da Visitação de Santa Isabel desse mesmo ano. O hospital, segue a edificação das «oficinas», em 1612, desenvolvendo-se a sua construção entre 1616 e 1618, arrastando-se por mais algumas décadas. Já com a dinastia de Bragança, a Misericórdia de Aveiro consegue nova subvenção régia para levar por diante a conclusão da sacristia e da capela-mor, cujas obras se reiniciaram em 1651, prolongando-se até 1655 com o trabalho do retábulo-mor. Na atualidade, distinguem-se: o solar em Sarrazola (situada na freguesia de Cacia), Casa do Seixal, de entre outros documentos e peças que foram preservados até aos dias de hoje “sendo necessário organizar, gerir e conservar o tão vasto património”, salienta o provedor. A Misericórdia de Aveiro apresenta hoje vários estabelecimentos na cidade de Aveiro: Complexo Social da Moita, com as valências de Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (Internamento) com 120 utentes, Centro de Dia com 35 utentes, Serviços de Apoio Domiciliário com 58 utentes, Cantina Social com 75 utentes e Casa Abrigo com 20 utentes, as quais beneficiam, para além daqueles que decorrem do regular funcionamento deste tipo de respostas, de um conjunto de departamentos e serviços de que destacamos o Departamento de Medicina Física e Reabilitação, Departamento de Psicologia, Departamento Médico e de Enfermagem e Núcleo de Aveiro da Alzheimer Portugal. Toda esta estrutura, situada na freguesia de Oliveirinha, foi concretizada pelo Provedor Carlos Vicente (presente oito anos na Provedoria). Centro de Infância Casa da Cruz, com as valências de Creche com 58 crianças e Pré-Escolar com 45 crianças. Centro Infantil de Aveiro, com as valências de Creche com 52 crianças e Pré-Escolar com 70 crianças. Conjunto Edificado da Igreja da Misericórdia, Sala do Despacho, Sede e Departamento de Conservação,

Restauro e Arquivo, onde também está sedeado o Protocolo do Rendimento Social de Inserção onde são acompanhadas cerca de 200 famílias, edifício este localizado na Rua Direita. Apesar do Complexo Social da Moita ser um estabelecimento no qual são proporcionadas respostas eminentemente sociais, tem-se vindo a efetuar uma aposta cada vez mais efetiva ao nível dos cuidados de saúde. Na verdade, para além dos profissionais das áreas sociais, contam aquelas instalações com um quadro efectivo de três fisioterapeutas, duas psicólogas clínicas, um enfermeiro efetivo e três enfermeiros prestadores de serviços e três médicos prestadores de serviços. Esta circunstância tem permitido que se estejam a prestar mais e melhores cuidados de saúde, mesmo a pessoas externas àquelas valências, prestando-se serviços de fisioterapia, hidroterapia, terapia de Pilates, estimulação cognitiva e sensorial a uma população, principalmente idosa, carenciada de serviços e tratamentos diferenciadores e complementares. Esta dinâmica, de uma estrutura que trabalha 24 horas sobre 24 horas, implica que só neste estabelecimento trabalhem cerca de 125 pessoas as quais, na diversidade de competências, formações e funções, geram actividades e intervenções de elevada dimensão humana e técnica. Os espaços são amplos, devidamente equipados e proporcionadores de relações interpessoais saudáveis.

O fator diferenciador das demais Uma das principais características desta Santa Casa é a grande importância que presta à doença de Alzheimer. “Infelizmente a doença de Alzheimer não é considerada uma doença crónica, o que não nos faz ter qualquer apoio do Estado”, constata o provedor. As instalações possuem salas de terapia próprias a uma intervenção técnica ajustada à patologia, sendo a intervenção complementada com os outros serviços e departamentos. Tem sido também valorizada a importância do descanso do cuidador do doente de alzheimer, pois aquele apresenta-se muitas

vezes fragilizado, desgastado e desconhecedor da atuação no âmbito da problemática. Neste sentido são proporcionados acolhimentos temporários que permitam o descanso do cuidador, é proporcionada a frequência do Centro de Dia aos doentes e atividades de socialização a utentes com alzheimer dos Serviços de Apoio Domiciliário. A responsabilidade social da Misericórdia não termina nos utentes das suas respostas (cerca de 800), pois prolonga-se nos familiares, nos cerca de 180 funcionários e seus familiares directos, nas dezenas de fornecedores, contribuindo assim para a dinâmica da economia local e regional. Quanto a projetos futuros, o provedor esclarece que são três: o projecto Obra Social Irmãos Rangel, unidade com valência de internamento e Centro de Dia especialmente vocacionada para a população com doença de alzheimer, encontra-se aprovado por todas as entidades oficiais, estando também o financiamento aprovado no âmbito da iniciativa Jessica - Joint European Support for Sustainable Investment in City Areas, aguardandose ultrapassar um aspeto jurídico para que se inicie a segunda fase da obra. A candidatura a uma Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração, no âmbito do programa Modelar, está aprovada mas condicionada a reforço de verbas. O projecto seria altamente benéfico para a comunidade aveirense e arredores, em variados aspetos. “A Unidade de Cuidados Continuados seria um projeto benéfico para três entidades: a Santa Casa, a população aveirense e o Estado porque o internamento de doentes hospitalares fica-lhes muito mais dispendioso do que na Santa Casa”. O provedor refere também os projetos de reabilitação do solar em Sarrazola e da Casa do Seixal (palacete seiscentista), que também estão à espera de aprovação por parte de entidades estatais. O objetivo do provedor passa pela recuperação dos edifícios e sua ampliação, para acrescer às valências direccionadas para a população idosa já existentes da Santa Casa.

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há 50 anos a servir os mais idosos Lar abrigo nossa senhora da esperança Situado numa das mais emblemáticas zonas da cidade do Porto, a famosa Rua de Santa Cataria, o Abrigo Nossa Senhora da Esperança está de portas abertas à população idosa desde 1960. Foi fundado por Maria José Novais (1899-1982), uma “alma benemérita” nascida em Barcelos, mas que cedo assumiria na cidade uma carreira político-administrativa, como vereadora da Câmara Municipal do Porto, entre 1960 e 1967.

prestados à comunidade, a mais alta condecoração nacional atribuída pelo Governo. Cinquenta anos passados sobre a sua fundação, o Abrigo Nossa Senhora da Esperança encontra atualmente novos desafios: a construção de um novo Lar para idosos na freguesia de Milheirós, na Maia. A obra destina-se a acolher 57 utentes preferencialmente com idade igual ou superior a 65 anos, e cuja situação pessoal não lhes permita viver sozinhos. Construído de raiz, o edifício estará equipado com 57 quartos, sendo 19 simples e 19 duplos, a pensar nos

sílvio carvalho de oliveira Presidente

Q

uem ainda recorda a personalidade de Maria José Novais, fundadora do Abrigo Nossa Senhora da Esperança descreve-a como tendo uma “invulgar humildade”. Ficou na memória o seu empenho na defesa dos mais desfavorecidos. Conta-se que visitava hospitais, os bairros mais degradados e as cadeias, num espírito de missão para aplacar o sofrimento dos mais necessitados. O seu trabalho de caridade foi várias vezes reconhecido e agraciado socialmente. Enquanto vereadora, recebeu a Comenda de Benemerência, por serviços sociais

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casais. A apoiar os utentes a IPSS vai contratar 40 funcionários diretos, aos quais acrescentará cerca de 20 funcionários indiretos que se ocuparão da prestação de serviços como a confeção de refeições, nutricionistas, psicólogo, pessoal para limpeza, segurança e manutenção do edifício e outros prestadores de serviços na área da medicina, enfermagem e animação social. O novo Lar é um “sonho” que Sílvio Carvalho de Oliveira, presidente da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), pretende ver concretizados antes de terminar o seu mandato, apesar das dificuldades que


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se isso acontecer quem perde são os nossos utentes.” A pensar na sustentabilidade do novo Lar, os órgãos da IPSS sonham elevar o potencial de aproveitamento do edifício. Como? Sílvio Carvalho de Oliveira explica: “Por exemplo, no Natal, há muitos jovens de tunas académicas que se oferecem para vir atuar para os utentes, mas no atual Lar não há condições. Na Maia está previsto um auditório com 90 lugares para esses espetáculos, formações internas, assembleias gerais, cinema, e outros eventos para os utentes.” Um “edifício social” para albergar atuações teatrais, mas também congressos de instituições e empresas “que

possam alugar o auditório pagando com donativos ao abrigo do regime fiscal do mecenato, ou seja, com posterior dedução do respetivo valor, em sede de imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas e das Pessoas Singulares.” Para colocar o auditório a funcionar a IPSS está neste momento a contatar empresas que queiram ser patronos. “Temos de pensar em gerar receitas diversas que nos permitam reforçar o trabalho da instituição”, conclui o presidente.

a instituição está a sentir por falta de financiamento. Há atrasos na verba comparticipada pelo Estado em 75%, no âmbito do Programa Operacional do Potencial Humano (POPH), e também no reembolso do IVA. Atrasos esses que estão a por em causa a finalização da obra por parte da empresa construtora e a sua inauguração, prevista para o primeiro trimestre deste ano. “Grandes inconvenientes” para os quais Sílvio Carvalho de Oliveira não aceita desculpas. “Somos uma instituição séria, pobre e muito contida ao nível da contabilidade. Não estamos na área social para ganhar dinheiro, mas também não estamos para perder, porque

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saúde, um avanço na prestação de serviços a quem sofre de apneia do sono D’ar saúde

para a terapia da apneia do sono, são instalados por técnicos cardiopneumologistas, onde são fornecidas todas as instruções de utilização, assim como adaptação e higienização da máscara, ficando sempre disponível o número azul 808 20 22 33, no caso de alguma dúvida. Todos os técnicos cardiopneumologistas da D’Ar Saúde e os elementos do call center têm uma formação contínua, onde é incutida a importância da componente da relação inter-pessoal com os clientes, procurando garantir um serviço de excelência. “Garantir o máximo de qualidade criando uma maior inter-relação com todos os clientes é a nossa principal missão” confidencia Alberto Nogueira, o diretor geral da D’Ar Saúde. alberto nogueira Diretor Geral

A D’Ar Saúde foi criada em finais de 2006, na sequência de um projeto idealizado para proporcionar uma melhor qualidade de vida para os seus clientes. A D’Ar Saúde, empresa exclusivamente portuguesa, dedica-se inteiramente à área da saúde, com o principal objetivo de demarcar-se das restantes empresas presentes no mercado, através da qualidade, profissionalismo e da inter-relação com os seus clientes.

Atualmente tem três áreas ligadas à saúde: - Aluguer de equipamentos e prestação de serviços ao domicílio, para apneia do sono e distúrbios respiratórios. É uma área de extrema importância, sendo por isso certificada pela norma NP EN ISO 9001:2008 (Portugal Continental e Ilhas) 
- Venda de dispositivos médicos e produtos de dermacosmética às farmácias.
 
(Portugal Continental e Ilhas) - Venda online de produtos para apneia do sono e dispositivos médicos para todo mundo. A apneia do sono é uma patologia que tem apresentado uma incidência crescente na população portuguesa. A D’Ar Saúde tem como objetivo proporcionar a melhor terapêutica ,maior conforto e melhor qualidade de vida aos seus clientes. Neste âmbito, a instalação e manutenção de todos os equipamentos e consumíveis colocados no domicílio

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A manutenção dos equipamentos no domicílio dos clientes que realizam tratamento para apneia do sono, é feita de quatro em quatro meses, com o objetivo de verificar o bom funcionamento do equipamento, avaliar pressões, desinfeção do equipamento, desinfeção dos consumíveis, troca dos filtros, substituição dos consumíveis quando se constata que é necessário, e por fim a elaboração de um relatório que será entregue ao médico assistente do cliente.


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No segmento de venda de dispositivos médicos e produtos de dermacosmética às farmácias, salientamos o nebulizador ultrassónico da marca Twister que é o único a nível nacional com câmara de nebulização fechada, sem necessidade de colocar água, as câmaras expansoras e o champô Tiox que previne e combate a pediculose, sendo talvez o mais eficaz do mercado.

Aproveitando o know how dos fundadores da empresa, no final de 2013 foi lançada uma loja online (www. darsaude.pt), onde é possível adquirir todos os equipamentos e acessórios necessários para a terapia da apneia do sono. Em Portugal Continental, os ventiladores são entregues por um técnico cardiopneumologista em data agendada com o cliente, onde é realizada a instalação do equipamento e a adaptação da máscara, e são ensinados todos os passos necessários para os seus clientes serem autónomas no seu tratamento. No primeiro ano a manutenção do ventilador é gratuita. Se for um pedido de acessórios, é enviado pelo correio. O acompanhamento por um técnico cardiopneumologista no serviço pós-venda deste tipo de equipamentos era uma lacuna no mercado, e foi colmatada pela D’Ar Saúde, aproveitando a já existente sinergia deste serviço na empresa. É sem dúvida uma mais valia, pois permite aos clientes sentirem uma maior segurança na aquisição do equipamento e autonomia na terapia. “Temos como lema garantir o máximo de qualidade criando uma maior inter-relação com todos os clientes”.

No passado dia 3 e 4 de fevereiro realizou-se no espaço do cinema Lusomundo do centro comercial Dolce Vita Porto, o I Congresso Internacional de Cuidados Intensivos e Unidades Intermédias do Centro Hospitalar do Porto e o XI Congresso do ARCO IBEROATLÂNTICO. A empresa D’Ar Saúde foi convidada a estar presente, onde exibiu os equipamentos e serviços de aluguer de ventiloterapia para apneia do sono e de venda online dos equipamentos aos cerca de 1.500 participantes do congresso. Para Alberto Nogueira este tipo de iniciativas são importantes não só para a evolução científica, como também para promover este tipo de serviços e bens na área da saúde, de modo a sensibilizar as pessoas para a necessidade de encararem determinados tratamentos com naturalidade. No futuro a D’Ar Saúde tem como ambição representar uma mais valia na área da saúde, através da plena satisfação de todos os seus clientes com um serviço de excelência, demarcando-se das restantes empresas presentes no mercado. “Sinta-se bem, e Durma melhor.” in D’Ar Saúde CONTACTOS Rua Montezelo, nº. 105 A 4425-348 Folgosa-Maia TLF: 229 287 800 Número Azul: 808 202 233 MAIL: info@dardsaude.pt www.darsaude.pt

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CONTEXTUALIZAR O ENSINO SUPERIOR EM PORTUGAL

Instituto superior da maia

Domingos Oliveira Silva ocupa o cargo de Presidente do Instituto Superior da Maia, com reconhecimento de interesse público pelo Decreto-Lei n.º 6/2014, de 14 de janeiro, passando a ter a natureza de instituto universitário e a adotar a denominação de Instituto Universitário da Maia – ISMAI.

Domingos oliveira silva Presidente

P

ela sua longa experiência, enriquecida desde 1990, como presidente do ISMAI, abordámolo para nos expor o que pensa da atual situação do ensino superior em Portugal. Começou por referir que nos últimos 50 anos a população mundial duplicou e a escolaridade obrigatória aumentou, por influência das estruturas estatais, com tendência para assegurar a sua gratuitidade e universalidade. O impulso do ensino não superior refletiu-se pouco mais tarde na acentuada democratização do ensino superior que se estendeu a países onde mais se expressou o crescimento demográfico – China e índia no Oriente, mas também Brasil e México entre os diversos países da América. A mobilidade de estudantes do mundo menos desenvolvido cresceu intensamente, direcionada

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principalmente para as universidades da Europa e dos Estados Unidos. Da evidência das consequências conclui-se que, desses contactos de estudantes bolseiros ou autofinanciados que obtiveram, sobretudo, o grau de doutor nas universidades de acolhimento, contribuíram para o crescimento económico e do emprego nos seus países de origem. Os mesmos acabaram por se integrar em redes de relacionamento e interação, envolvendo-se em projetos de investigação científica fundamental e outros, participando na lecionação de cursos em instituições de países e continentes distantes e até na organização e funcionamento de cursos com responsabilidades conjuntas. Em Portugal, devido à incapacidade do Estado, nos anos noventa, a sociedade civil deu resposta imediata

ao desafio lançado pelo responsável pela educação no sentido de proporcionar capacidade de acolhimento aos alunos interessados, através de instituições de ensino superior privado. Efetivamente, até ao lançamento do processo de Bolonha, em 2006, os imperativos quanto aos indicadores de qualidade eram menos elevados para o setor privado do que para o público, tornando-se, com o início da atividade da A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior), a partir de 2010, as exigências uniformes. Em 1996/97, o setor privado do ensino superior atingiu uma população escolar de cerca de 120.000 alunos para um total de 334.000, incluindo o público, descendo para 90.000 em 2008/09, quando o setor público aumenta 20.000, exatamente o número de


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estudantes que o privado perdeu no mesmo período, podendo-se apontar seguramente a conexão entre a crise económica e social que atingiu o país e a diferença do valor das propinas, fator este determinante na opção dos candidatos ao ensino superior.

Alterações anunciadas pelo Ministério Na opinião de Domingos Oliveira Silva, os sinais vindos da Secretaria de Estado do Ensino Superior têm incidido sucessivamente em três pontos: criação dos cursos superiores especializados e extinção dos atuais cursos em funcionamento conhecidos por CET (Cursos de Especialização Tecnológica); internacionalização, incluindo a definição do estatuto do estudante estrangeiro; e a adequação da rede da oferta formativa do ensino superior. Relativamente aos atuais CET de nível 5, reconhecidos em Portugal e na Europa, trata-se de um problema, apenas relevante para as forças políticas, porque o número de diplomados não é considerado para as estatísticas do ensino superior. Para os substituir, o Conselho de Ministros já aprovou, através de um projeto de decreto, ainda sem preâmbulo, os Cursos Técnicos Superiores Profissionais para funcionarem em instituições de ensino superior politécnico, bem como nas unidades orgânicas de ensino superior politécnico, integradas em instituições de ensino superior

universitário, com início já em 2014-2015, coexistindo com os CET durante um ano. Sabe-se que, em 13 e 14 de fevereiro p.p. estiveram reunidos em Amesterdão mais de 40 representantes de 24 países (Europeus, EUA e México) a debaterem a questão dos cursos de nível 5, agregando alunos que abandonaram o ensino não superior ou que estarão bloqueados para ingresso nos cursos tradicionais do ensino superior. Trata-se de cursos de 2 anos, não conferentes de grau, mas que contam para as estatísticas de ensino superior. O universo de potenciais alunos é disputado por escolas profissionais de ensino não superior. A comunidade, ou movimento ou aliança, desencadeada em Amesterdão pretende liderar na Europa este setor de formação fortemente ligado ao mercado de trabalho. Julgamos saber que, entre cinco portugueses presentes no aludido debate de Amesterdão, incluíam-se três importantes representantes do Ensino Politécnico do Ensino Superior Público de Portugal. Temos algumas dúvidas quanto ao sentimento que os terá invadido depois do debate, especialmente quanto ao início dos cursos anunciados, com que dignidade de condições e, muito mais ainda, quanto ao papel e estatuto dos Institutos Politécnicos, claramente com dificuldades de explicar aos candidatos a estes novos cursos as diferenças em relação aos CET. Compreende-se melhor agora o comunicado, já divulgado há semanas pelo CCISP, sobre o assunto e as reservas que o novo

modelo suscita no seu conteúdo. Se este assunto se reveste de alguma curiosidade quanto aos eventuais desenvolvimentos, também o que se relaciona com o estatuto de estudante estrangeiro não tem menos interesse. A verdade é que os governos de toda a Europa, como, aliás, de muitas partes do mundo, desdobram-se em iniciativas para a captação de estudantes estrangeiros. Trata-se de um autêntico movimento muito competitivo que resvala para práticas que, se não for bem protegido, o orçamento de cada Estado, poderá financiar formação de cidadãos de outros Estados, sem necessidade dessas ajudas, nem de se opor a tamanha generosidade. Também este é um assunto em que se disputam muitos interesses que, na efetividade das coisas, vai ter a maior expressão na política educativa, incidindo na revisão da rede da oferta formativa do ensino superior. Os episódios já passados são muitos, e os que se seguirão prometem. Pela Lei de Bases, nota-se que a fronteira entre o ensino universitário e o politécnico é ténue. Contudo, o corporativismo excessivo pode quebrar a paz indispensável à cooperação, bem como à competição saudável. Os jovens e os que pretendem recuperar o tempo perdido na sua formação académica merecem ser protegidos já que eles não querem saber se servem ou não interesses políticos.

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Software para a Gestão de Recursos Humanos Grupo soft Com 30 anos de existência no mercado português, o Grupo SOFT focaliza a sua ação no desenvolvimento de software e serviços para a área de gestão de recursos humanos. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, António Fontinha, administrador, falou da aposta do grupo nesta área de atuação e das vertentes em que são comercializadas as soluções que desenvolvem. mas continuam a existir outras características de diferenciação que são muito importantes para as nossas soluções. A diferença deixou de ser um problema de sistemas operativos e passou a ser um problema de gestão de base de dados. O que é que oferecem hoje em dia nas vossas soluções? Hoje em dia oferecemos uma independência em relação à base de dados. Seja qual for a base de dados nós temos a mesma solução a funcionar em todas as plataformas. A mesma filosofia de independência que tínhamos em relação ao hardware e ao sistema operativo temos agora em relação ao sistema de gestão de base de dados que é utilizado pelo cliente. A questão dos recursos humanos manteve-se e foi sempre crescendo como uma característica do nosso posicionamento no mercado.

antónio fontinha Administrador

Como nasce o Grupo SOFT? A SOFT, de seu nome completo SOFT2000, Sociedade Portuguesa de Software, SA é uma empresa que nasceu em 1984 e teve o seu crescimento ao longo dos anos dentro da área de atuação definida desde o início, o software de gestão para médias e grandes empresas. Este software tinha duas características, em primeiro lugar ser transversal ao tecido empresarial, ou seja ser independente do tipo de área de negócio dos clientes e em segundo lugar e, como na altura se justificava, ter independência da plataforma de sistemas operativos que os nossos clientes tivessem, ou seja, as aplicações seriam sempre as mesmas, funcional e conceptualmente, independentemente de se tratar de uma indústria, de uma empresa de serviços, de um banco, organismo estatal, etc.. No fundo, as nossas aplicações eram sempre desenvolvidas com o intuito de ser a mesma aplicação que funcionava independentemente da plataforma e independentemente dos setores. Essas eram as grandes características das aplicações. Com o tempo viemos a especializar-nos numa área muito particular, que é a área de gestão dos recursos humanos, que representa hoje em dia cerca de 95% da nossa área de negócios.

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Porquê a escolha desta área em particular? Foi uma escolha que se deveu à experiência anterior que nós tínhamos e também aquilo que sentíamos que era uma lacuna no mercado na altura. Foi uma solicitação de um conjunto de clientes que tínhamos e que nos apoiaram e ajudaram. Tivemos logo à partida um conjunto de três grandes clientes que tinham plataformas de hardware e sistema operativos distintos e que tinham a necessidade de cobrir uma área de gestão que não estava devidamente tratada. Com o tempo fomos evoluindo e no final de 1991 fizemos uma subdivisão da empresa. Dessa subdivisão resultaram duas outras empresas, a SOFT400, Sociedade de Serviços Informáticos, SA e a SOFTSOL, Software e Soluções Informáticas, SA. Esta divisão serviu para separar as áreas, de acordo com os mercados, e foi feita também para facilitar a apresentação ao mercado. A SOFT400 trabalhava o mundo IBM e a SOFTSOL o mundo não IBM. Com o advento de todas as modificações que o mundo das Tecnologias de Informação teve ao longo destes anos, deixou de fazer sentido esta separação

De que forma é que comercializam as vossas soluções? Nós comercializamos de dois modos, temos duas vertentes. Uma vertente é o licenciamento, ou seja a licença de utilização. Nós licenciamos o direito de utilizar as aplicações aos utilizadores, isto é, os utilizadores adquirem uma licença de utilização temporalmente ilimitada. Esta utilização é apenas limitada em termos de funcionalidades porque as aplicações são modulares, caracterizando-se por ser aplicações que têm um núcleo e módulos ou funcionalidades adicionais que o cliente adquire ou não consoante as suas necessidades. Quanto mais módulos o cliente adquire mais funcionalidades tem à sua disposição. O valor da licença é em função da dimensão do cliente tendo vários escalões para dar cobertura às diferentes dimensões das empresas. Esta área de licenciamento implica a instalação do software na rede de equipamentos do cliente. Além desta vertente do licenciamento, temos uma outra que é a vertente do outsourcing aplicacional. O que nós oferecemos são os serviços à medida das necessidades do cliente que vai desde a parametrização, exploração e processamento dos dados do cliente, disponibilizando igualmente o software, via comunicação de dados, a partir dos nossos servidores, garantindo a SOFT todas as atualizações legais, backups e disaster recovery. Trabalhamos os dados do cliente que nos são fornecidos e devolvemos os resultados desse trabalho. Os dados podem ser


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL TICS introduzidos por nós ou pelo cliente. Ele tem acesso à aplicação a partir dos seus terminais e pode introduzir os dados e explora-los. O cliente tem autonomia na mesma. Contratualmente é definido o que cada uma das partes faz. É uma vertente onde temos um conjunto significativo de empresas como clientes, fundamentalmente multinacionais, que estão mais abertas para esse tipo de utilização. Temos cerca de 65 clientes nessa área. Desenvolvem também projetos à medida dos clientes. Essa é uma área também importante neste momento? As nossas aplicações são modulares e por isso para toda e qualquer nova necessidade que não seja possível suportar através da parametrização e da flexibilidade da aplicação, desenvolvemos uma resposta. No entanto como a aplicação é muito parametrizada e flexível, não precisamos de estar a mexer e a fazer grandes alterações. No núcleo nunca se mexe e mesmo nos módulos, através das parametrizações que têm, é possível adaptar. No caso de não ser possível é feito um desenvolvimento à medida. Também fazemos o desenvolvimento de sistemas autónomos para uma outras áreas de acordo com a especificação do cliente fazendo todo o trabalho de análise, implementação e formação dos utilizadores. Quem são os clientes da SOFT? Temos clientes de muitas áreas, desde a banca, BPI, Montepio, Banco Santander Totta, área dos seguros,

AXA, setor farmacêutico, Merck, GSK, Alliance HeathCare, área da indústria, Unilever, Renault, Crown e muitos outros, sem poder deixar de referir o setor público IEFP, INE, ISS, etc. Nota-se aqui que têm clientes de peso. Como é que foi possível criar esta carteira de clientes? Consegue-se com trabalho e referências. Conseguese também através de um produto que efetivamente tem características que fazem com que os clientes o utilizem ao longo dos anos. Não é só o produto mas também o serviço de apoio. Não fazemos a venda agora e esquecemo-nos que aquele cliente existe, até porque o período de implementação dura entre três meses e um ano dependendo da dimensão da empresa e do número de módulos adquiridos. Estamos a falar da parte de licenciamento em que tem que ser dada ao utilizador formação para que ele seja conhecedor das características da aplicação. Nós fazemos também a manutenção e o apoio à utilização. A partir deste tipo de contrato temos um apoio e uma continuação junto do cliente que faz com que tenhamos clientes desde 1988. Fazemos uma continuação de ajuda na exploração para que os nossos clientes consigam rentabilizar e tirar o maior partido das aplicações e melhor responder às necessidades de gestão que as empresas têm nesta área. Já na vertente do outsourcing aplicacional o tempo de implementação reduz-se para 2 meses.

A internacionalização é também uma aposta da SOFT? Estamos a começar esse processo. Temos um parceiro em Moçambique e uma instalação já feita. Esse parceiro local dá apoio de primeira linha e nós damos o suporte de instalação e de segunda linha. Depois temos também uma outra situação com um cliente nosso que está em vários países e com quem estamos a negociar uma solução para a cobertura integral dos vários países onde ele atua. Que outros projetos para o futuro? É um pouco complicado porque nós decidimos especializar-nos num nicho e por isso optamos por ser especialistas nessa área, tentando melhorar cada vez mais nesse nicho e ser reconhecidos como tal. Sabemos que neste nicho dos recursos humanos somos competentes e reconhecidos no mercado. Tivemos uma experiência no final do ano passado que foi extraordinária para nós mas que ainda não pode ser divulgada. Para já estamos bem posicionados, o mercado conhece-nos. Na área dos recursos humanos não temos qualquer tipo de receio em concorrer com soluções internacionais ou nacionais. O que nós queremos em termos de futuro é continuar a crescer e a consolidar a nossa posição nesta área e oferecer soluções cada vez mais completas dentro da área de gestão dos recursos humanos.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL NANOTECNOLOGIA

Centro de Excelência Centro para o desenvolvimento rápido e sustentado de produto O Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto é um Centro de Excelência da Fundação para a Ciência e Tecnologia no domínio da Engenharia Mecânica, sendo a única unidade orgânica de investigação do Instituto Politécnico de Leiria. Paulo Bártolo, diretor do Centro, esteve à conversa com a Revista Negócios Portugal. e proveniente do sub-sistema de ensino politécnico o crescimento do centro é digno de nota. Desde a fundação que o número de projectos e o financiamento obtido têm vindo a aumentar. A qualidade das revistas onde temos publicado é um indicador da qualidade do trabalho de investigação e o significativo número de patentes produzidas demonstra também a capacidade de inovação do centro. Hoje o centro é uma estrutura de grande relevância regional, tendo fortes parcerias com a industria. Mas é igualmente importante destacar a ligação com parceiros estrangeiros, estando o centro ligado a um número muito significativo de projetos europeus.

paulo bártolo Diretor

Como nos apresenta a equipa do Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto do Instituto Politécnico de Leiria? Trata-se de um grupo multidisciplinar, que integra cerca de 50 investigadores de áreas como a Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, Engenharia dos Materiais, Engenharia Biomédica, Biomecânica, Matemática, Física, Gestão e Design. As principais linhas de investigação são Tecnologias emergentes – desenvolvimento de tecnologias aditivas, multi-escala, ágeis, flexíveis, com capacidade de produção de produtos personalizados para aplicações em domínios emergentes em particular relacionadas com a biotecnologia; Materiais avançados – materiais com novas funcionalidades que permitam o desenvolvimento de novos processos e produtos. Materiais inteligentes, polímeros sustentáveis. Estruturas com gradientes funcionais; Fabricação sustentável e desenvolvimento de tecnologias verdes Como tem corrido esta aposta? Tem corrido muito bem, para um centro criado em 2007

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Ser considerado um dos quatro centros de excelência em Engenharia Mecânica da Fundação para a Ciência e Tecnologia é o reconhecimento merecido pelo trabalho desenvolvido? É o reconhecimento da qualidade do trabalho de investigação desenvolvido, da visão estratégica, e da relevância do que fazemos. A avaliação feita por peritos internacionais, revela que aquilo que fazemos está ao nível dos melhores laboratórios internacionais. Os relatórios dos membros da nossa comissão de acompanhamento científico indicam também que o crescimento do centro é notável e que é na área do desenvolvimento de produto uma das referencias na Europa. Por ouro lado importa destacar ser o Centro uma unidade de um Instituto Politécnico onde as actividades de investigação e as preocupações com a investigação científica são mais recentes que nas Universidades. Sente que as empresas portuguesas têm noção da importância do desenvolvimento científico e tecnológico na fabricação dos seus produtos? Sim. Isso é claro na maior vontade das empresas em participarem em projectos de investigação e desenvolvimento, e no recurso das mesmas à academia

no sentido de serem desenvolvidas soluções inovadoras que as tornem mais competitivas. É necessário continuar a investir. O papel que a Agência de Inovação teve no fortalecer da ligação entre a Academia e a Industria não pode ser perdido. Ao nível da região Centro, penso que a CCDRC terá um papel muito importante como o atesta o plano estratégico para a região (CRER 2020) Especifiquemos um pouco agora sobre a temática da nanotecnologia, um dos temas de destaque desta nossa edição. O que tem sido desenvolvido pelo CDRsp nesta área? Uma das principais áreas de atividade do centro diz respeito à biofabricação. Neste domínio desenvolvemos equipamentos para a produção de estruturas que sirvam de suporte à adesão, proliferação e diferenciação celular para aplicações em engenharia de tecidos. Como os tecidos são estruturas altamente hierárquicas, o nosso objectivo passa por desenvolver sistemas que permitam a criação de matrizes de suporte celular igualmente hierárquicas, através do controlo das suas características, macro, micro e nanométricas. A este nível utilizamos sistema de polimerização para a produção de micro e nanoestruturas ou sistemas de electrospinning para a produção de malhas nanofilamentares. Utilizamos igualmente nanoparticulas como reforço (ou para a adição de propriedades especificas) de outros materiais através da utilização de um vasto leque de sistemas que desenvolvemos. Por onde passa o futuro do Centro? O objetivo é continuar a crescer de forma sustentada e consolidar a posição de excelência alcançada. O aumento do número de parecerias internacionais, especialmente em países emergentes como a India e a China constituem igualmente objetivos do centro


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL ADVOCACIA

Uma Advocacia de Rigor e de Exigência ao serviço do Direito Laranjeiro dos santos & Associados Sob o objetivo de prestar serviços de qualidade aos seus clientes, a Laranjeiro dos Santos & Associados adotaram elevados parâmetros de rigor orientadores da sua atividade: a especialização, a transparência, a proximidade ao cliente. por motivos de investimento ou reforma e clientes nacionais que pretendem investir através de recurso a financiamentos comunitários, como é o mais recente caso do Portugal 2020. O nosso departamento presta assessoria jurídica num vasto leque de áreas, incluindo: escolha de veículos de investimento; criação e gestão de sociedades; criação, aquisição, alienação e gestão de negócios; contratos comerciais e imobiliário; golden Visa, ARI - Autorização de Residência para Investimento; autorização e licenciamento de projetos de investimento; regime fiscal e mecanismos de controlo de investimento.

Sandra Laranjeiro dos santos Advogada e mediadora de conflitos

Qual o valor acrescentado da LS Advogados, RL para quem procura investir em Portugal/no Estrangeiro? Os projetos de investimentos estão intrinsecamente ligados a contratos, ora o primado da liberdade contratual só pode ser eficazmente exercido quando quem contrata está devidamente esclarecido dos riscos que o contrato envolve e dos objetivos a acautelar, assim, trabalhamos para que os nossos clientes tenham uma vontade livre e esclarecida na hora de celebrarem os contratos que nos confiam para análise ou elaboração. Aconselhamos clientes que pretendam vir para Portugal

É importante para quem se pretende candidatar ao Portugal 2020 ter apoio jurídico? Em qualquer investimento é crucial para o sucesso do negócio o conhecimento prévio dos elementos que o compõem, nomeadamente o regime jurídico aplicável ao sector de atividade em causa; as obrigações essenciais resultantes dos contratos a celebrar; os efeitos jurídicos produzidos na esfera jurídica do investidor e os mecanismos ao dispor do investidor para proteger os direitos do projeto de investimento (registo de marcas e patentes). Os fundos europeus são um instrumento essencial para incentivar e transformar o crescimento da economia, no Portugal 2020 falamos de incentivos de 3 mil milhões, um pouco mais de 1,8 por cento do PIB, não sendo a salvação nacional, não deixa de ser um excelente incentivo… O Governo anunciou que uma das grandes prioridades é a deslocação do investimento das infraestruturas, onde Portugal está acima da média europeia, para a competitividade e a internacionalização das empresas, que é o grande défice do país, assim o quadro de programação Portugal 2020 assenta em quatro eixos temáticos essenciais: competitividade e internacionalização, capital humano, inclusão social e emprego e sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos. Uma grande parte dos apoios vai ser reembolsável para assegurar uma maior internalização por parte das empresas das vantagens e benefícios

dos financiamentos, e para apoiar um maior número de empresas. É, por isso, curial que quem investe esteja devidamente esclarecido e acautelado pelo que a advocacia preventiva conhece aqui o seu expoente máximo. É necessário pensar bem o negócio, conhecer as suas vicissitudes legais e (re)desenhá-lo de forma a que os resultados propostos sejam exequíveis – com o Portugal 2020 serão os resultados que determinaram o reembolso e não o mero projeto. Assim, o estudo e escolha dos veículos de investimento aconselham (se não mesmo exigem) acompanhamento jurídico adequado de forma a saber qual o modo de criação; as estruturas organizativas e princípios de funcionamento; o regime fiscal aplicável ao setor de actividade em causa. Cabe ao sdvogado informar e esclarecer os interesses do seu cliente, fornecer-lhe o enquadramento legal do problema para que este possa optar por uma alternativa em que os seus direitos e interesses ficam salvaguardados. A advocacia preventiva aumenta a segurança jurídica de um investimento? Sem dúvida, a Ordem dos Advogados tem a este propósito um slogan que diz: “Ter razão não basta, é preciso demonstrá-la”. Constata-se aqui um certo paralelismo entre o advogado e o médico: também na medicina se aposta em campanhas preventivas e meios auxiliares de diagnóstico, é o caso do controle da diabetes, do apelo a análises de rotina e a exames de diagnóstico. Também o advogado se consultado antes de se tomar a decisão poderá identificar determinados problemas existentes ou potenciais dessa decisão que se pretende tomar e apresentar medidas alternativas/ complementares que permitam evitar a doença da decisão. *Leia esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL IGREJAS EVANGÉLICAS

“Uma fé apaixonada por Jesus Cristo” Ccva O Centro Cristão Vida Abundante é uma Igreja Evangélica. As primeiras conversões à fé evangélica em Moscavide, ocorreram em 1949. Em 1951, por determinação da Assembleia de Deus de Lisboa, foram inauguradas as instalações da Igreja de Moscavide, que funcionava como congregação da Igreja de Lisboa. João Cardoso é o fundador e presidente da Federação do Centro.

Como nasceu o mesmo? Em 1980, devido ao seu extraordinário crescimento, a igreja de Moscavide recebeu a sua autonomia e passou a estar registada no Ministério da Justiça e na Procuradoria Geral da República, como Associação Religiosa e com a denominação de Assembleia de Deus Pentecostal de Moscavide. Dez anos decorridos, a influência desta estende-se até à zona centro do país, obrigando a uma alteração total dos estatutos, passando a chamar-se Centro Cristão Vida Abundante (Assembleia de Deus). Em 1991, deixa de estar ligada a qualquer estrutura denominacional, caracterizando-se como uma igreja aberta, que busca viver e pregar o Evangelho, não tendo em conta o seu nome ou cor denominacional, mantendo laços de relacionamento com todas as igrejas cristãs evangélicas filiadas na Aliança Evangélica Portuguesa. Ao abrigo da lei da liberdade religiosa, o CCVA é

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reconhecido em 2005 como Pessoa Coletiva Religiosa. Após a apresentação da devida documentação, é em maio de 2007 que o CCVA (a primeira igreja a fazêlo) é reconhecido e registado como Igreja Radicada. A partir daqui dá-se início ao processo de alteração dos estatutos do CCVA para uma Federação de Igrejas, com igrejas autónomas mas interdependentes, espalhadas por Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

joão cardoso Fundador e Presidente

Qual a sua principal missão e sob que valores se rege? Cremos que a nossa principal missão centra-se em adorar ao Senhor, fazer discípulos, baptizando-os e ensinando-os a guardar todas as coisas que Ele mandou, por meio da palavra, sinais e ações, levando-os a viver uma vida de comunhão uns com os outros e à prática dos valores do reino de Deus em suas vidas a fim de criar impacto nas pessoas e na sociedade. Os princípios


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL IGREJAS EVANGÉLICAS

inegociáveis que orientam os nossos relacionamentos e definem o nosso comportamento são o Relacionamento com Deus, o Relacionamento Familiar, o Relacionamento entre Cristãos, o Serviço ao Próximo e a Formação dos nossos membros. Tendo presente a situação que o país vive, onde a procura de apoio espiritual é cada vez maior, perguntava-lhe se ultimamente o CCVA tem acolhido mais pessoas? Como é que as pessoas chegam a vocês e quem é que vos procura? Se considerarmos que o homem é um ser triuno, com necessidades básicas em todas as dimensões da vida, desde sempre tem procurado apoio para satisfação dos seus problemas espirituais, emocionais ou físicos. A situação económica do pais pode ter trazido uma maior afluência de pessoas de uma classe social mais elevada, pois ao enfrentarem problemas financeiros graves com a subconsequente alteração de hábitos de vida, são levados a procurar auxílio onde o podem encontrar. Mas a realidade é que, a busca pela ligação com o Criador sempre existiu e continuará a existir de forma crescente, no CCVA como em qualquer outra igreja cristã que se apresente não só com uma resposta, mas como sendo resposta.

Atualmente, quantas pessoas compõem a vossa comunidade? A Federação de Igrejas do CCVA conta com um número aproximado de cinco mil membros em Portugal. O número aproximado incluindo as outras nações onde estamos implantados rondará as 20 mil pessoas. Estão presentes de norte a sul do país e também alem fronteiras. O objetivo é continuar a fazer crescer esta rede? De que forma? O reino de Deus é um reino sempre crescente. Ao falarmos de crescimento, não pensamos só no numérico, mas também no crescimento qualitativo e orgânico. O primeiro, implica o crescimento numérico do CCVA. O segundo, implica o crescimento na relação do homem com Deus. O terceiro implica o crescimento da relação das pessoas umas com as outras. Queremos que o crescimento do CCVA seja mais do que números. Não pensamos só numa grande igreja ou rede de igrejas, mas em grandes pessoas que podem causar impacto na sociedade onde estão inseridos. Outro aspeto importante do CCVA passa pelo papel social. Quantos projetos têm neste âmbito? O CCVA tem como seu braço social a Associação Vida Abundante (AVA) uma ONG com fins sociais. Os projetos

estendem-se pelas cinco áreas de intervenção da AVA – Ação Social, Desenvolvimento Comunitário, Educação, Emergência Humanitária e Saúde. De acordo com o país, assim desenvolvemos projetos. Na área da Ação Social temos projetos de apoio a famílias carenciadas que mensalmente recebem uma cesta básica em todos os países onde estamos. No desenvolvimento comunitário, temos projetos de micro-crédito em Angola e Moçambique. Na educação, temos berçários, creches e jardins de infância em Portugal e uma escola em Luanda e Maputo. Na emergência humanitária temos participado em situações de catástrofes naturais em vários países. Na área da saúde, temos o espaço Saúde e Vida em Angola e projetos de cuidados primários em Portugal e Angola. Como gostaria que o leitor reconhecesse o Centro Cristão Vida Abundante? Uma Igreja Cristã composta por um conjunto de pessoas com antecedentes diferentes, incluindo socioeconómicos, culturais, religiosos e étnicos distintos, mas com um elo comum: uma fé apaixonada por Jesus Cristo.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

“O coração da serra da Estrela” MUNICÍPIO DE MANTEIGAS Em pleno coração da serra da Estrela, integrado na vasta área da Cordilheira central, e totalmente incluído no Parque Nacional da Serra da Estrela e Rede Natura, encontramos a vila de Manteigas que, ao contrário do que muitos pensam, tem muito mais para oferecer do que neve e deportos radicais.

josé biscaia Presidente

A

pesar de ser o concelho mais pequeno do distrito da Guarda, Manteigas revelase uma vila bastante rica, tanto pela sua paisagem como gastronomia e também pelas suas gentes. Dona de um território privilegiado e singular em pleno Parque Natural da Serra da Estrela da Estrela, Manteigas deslumbra quem lá passa pelas suas condições naturais, ecológicas e paisagísticas. Aqui pode encontrar uma paisagem diversificada e com elementos ímpares, atrativa e bem conservada, rodeada unicamente pela beleza e tranquilidade, o que permite um contacto íntimo com a natureza. José Cardoso, vice-presidente da Câmara Municipal de Manteigas, fala com gosto da sua vila. Questionado sobre a importância que o turismo tem na economia da vila, José Cardoso diz que Manteigas é muito mais do que neve e BTT, atividades que normalmente é associada. “Por estarmos no coração da Serra da Estrela, a maioria dos turistas associa-nos aos desportos de inverno. E por sermos a capital portuguesa do BTT, muitos são os que pensam que esse é o único desporto que por aqui se pode praticar”. Desengane-se quem assim pensa. Na freguesia de Sameiro, o lugar da Azinha recebe importantes provas internacionais e nacionais na

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josé cardoso Vice-presidente

modalidade de parapente. “É um dos locais de eleição para a descolagem para esta modalidade onde a adrenalina se mistura com a tranquilidade e o piloto se encontra em total sintonia com a natureza”. Considerado um desporto para todos, o pedestrianismo tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. “Dadas as condições naturais e paisagísticas de Manteigas, este é um tipo de actividade que está em franca expansão por aqui”, diz José Cardoso. Os Trilhos Verdes de Manteigas são, inclusivamente, apadrinhados pelo alpinista português João Garcia. “São quilómetros de sensações únicas e muito enriquecedoras. O apaixonado pelo pedestrianismo pode percorrer os caminhos tradicionais

que são atravessados pelos pastores e pelas populações serranas”, revitalizando a cultura e os costumes antigos da região. “Percorrendo estes caminhos, os caminhantes podem visitar os locais esquecidos”. Outro dos elementos a não perder numa visita a Manteigas é a cascata da Fonte Paulo Luís Martins. “Esta cascata é lindíssima, nunca pára de brotar águas. E vale também muito a pena ver o Poço do Inferno, uma queda de água com cerca de 10 metros”, diz o nosso interlocutor. Outro dos pontos de destaque de Manteigas é a Estância Termal Caldas de Manteigas. Contudo, José Cardoso admite que estas têm sido um pouco


ignoradas, não sendo aproveitadas todas as suas apetências. “A Estância Termal não tem merecido muita atenção e está, sob o meu ponto de vista desvalorizada. Acredito que se podia fazer mais usufruto das mesmas, até para movimentar um pouco o concelho, não só em termos de população mas também de crescimento da economia local”. Sob a alçada do Inatel, o balneário termal, localizado apenas a três quilómetros do centro de Manteigas, está equipado com piscina, ginásio de recuperação e sauna. Com águas sulfurosas, indicadas no tratamento de várias doenças como o reumatismo, dermatoses, vias respiratórias e doenças músculoesqueléticas, as termas são alimentadas por duas nascentes, com destaque para a ‘Fonte Santa’, cujas águas brotam a uma temperatura de 42 graus. “O espaço encontra-se equipado com as mais modernas tecnologias, pelo que vale a pena apostar no turismo de saúde em Manteigas”, diz o vice-presidente. Para tal, José Cardoso acredita também ser crucial o investimento numa unidade hoteleira de topo, que possa receber grandes grupos de turistas, o que não acontece actualmente no concelho. “A maioria das unidades que temos são de pequena dimensão”.

Aposta no ensino superior Tendo em vista o futuro do concelho e das suas gentes, a Câmara Municipal de Manteigas desde há alguns anos a esta parte tem à disposição dos mais novos Bolsas de Estudo para a Frequência do Ensino Superior, procurando essencialmente garantir que os anseios e necessidades cívicas de formação da juventude sejam

cumpridos de modo a melhorar as condições de vida e o desenvolvimento integral da população residente em Manteigas. “Os candidatos têm que satisfazer alguns requisitos tais como terem bom aproveitamento escolar na transição do ano lectivo anterior, viverem em Manteigas, obviamente, terem-se candidatado à bolsa de estudo nos serviços de Ação Social da sua faculdade e apresentarem, no seu seio familiar, rendimentos abaixo dos 150 por cento do salário mínimo nacional per capita”.

REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

Incentivos à natalidade Questionado pela problemática da baixa natalidade que assola o país e em particular as zonas do interior, José Cardoso afirma que todos os incentivos possíveis estão já em prática no concelho, desde incentivos financeiros a educativos. Na ótica do vice-presidente da Câmara Municipal faltam incentivos por parte das entidades superiores. “Ao Governo é que faltam medidas de incentivo ao crescimento da natalidade. Grande parte dos municípios, o de Manteigas inclusive, já têm em vigor todos os apoios possíveis, tendo em conta também a situação financeira que as Câmaras atravessam”, diz. José Cardoso espera que brevemente possa ver mais crianças a passear pelas ruas da vila, trazendo uma nova vida à vila que quer ser reconhecida não apenas como a Capital da Serra da Estrela, mas como um local de passagem obrigatória a todos os turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL HERANÇA MAGNA

tradição, costumes e diversão Herança magna

Empenho e dedicação são a chave do sucesso para o projeto Herança Magna. Um espaço de viver experiências, enaltecer cenários, proporcionando uma viagem pelas apaixonantes tradições e pela deliciosa gastronomia nortenha que têm para oferecer. Muito direcionado ao turismo a casa de espetáculo Herança Magna presenteia quem os visita com o distinto e verdadeiro Vinho do Porto, a tristeza e a saudade do Fado português, a contagiante alegria de uma rusga de S. João e as danças caraterísticas do Folclore. Única, especial e inconfundível será assim que os clientes vão

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recordar esta viagem rica em tradição. Aliado ao projeto HappyDiscover nasce a Herança Magna. Em consonância estas empresas possibilitam aos seus clientes uma vasta área de corporate e de eventos. Acompanhado de um crescimento sustentado, possuindo parte da logística, nomeadamente a nível do transporte, relações com hotéis e catering muito importante. No fundo é transportar toda energia e knowhow adquirido para fora do projeto inicial da Herança Magna, alargando horizontes e fazendo novas apostas, que nos últimos tempos se comprovaram de grande

sucesso. Conspiração Catering, Lda. é a empresa ao dispor do projeto Herança Magna e HappyDiscover, uma vasta experiência capaz de realizar os desejos mais exigentes. Com a garantia de um serviço de qualidade e requinte, o principal objetivo da empresa é a satisfação do cliente. Um projeto com história, uma experiência única. Uma inovação turística a nível nacional quem experimenta deseja voltar.


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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO AUTOMÓVEL

profissional de mecânica

U

m mecânico de automóveis é um profissional especializado na manutenção de automóveis, especialmente dos seus motores e dos outros componentes mecânicos. Um mecânico de automóveis pode estar habilitado a trabalhar em todos os componentes de um veículo e em todos os tipos de veículos, ou pode especializar-se em alguns componentes, em alguns tipos de veículos ou, mesmo, em determinada marca de automóvel. Ao reparar um automóvel, a sua principal responsabilidade é a de diagnosticar o problema com a maior rapidez e precisão. Frequentemente, terá que fazer cotações para o preço a pagar pela reparação, ainda antes de começar o trabalho de desmontagem para inspeção. Hoje em dia, os mecânicos usam tanto os meios físicos como os eletrónicos como forma de recolha de dados para o seu diagnóstico. O trabalho dos mecânicos envolve tanto a reparação de componentes específicos de um automóvel, como a substituição dos mesmos.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO AUTOMÓVEL

Pela defesa do setor independente automóvel Acap Vocacionada para o aftermarket, ou seja, para o setor independente da área automóvel, a Divisão de Peças e Acessórios Independentes (DPAI) da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) assume a defesa dos intervenientes do pós-venda automóvel independente. fundamentais na construção de resposta às crescentes necessidades do mercado, que se vão renovando consoante progressões tecnológicas e progredindo à medida que novas leis são decretadas pela comissão europeia, de modo a que a sua prática não se torne obsoleta. E ressalva, “costuma dizer-se que a união faz a força e trabalhando nesse sentido, com ética, com rigor e com prestígio, procuramos de facto construir o futuro do aftermarket de uma maneira diferente e distinta”.

Escolha o melhor para si

Joaquim Candeias Presidente da DPAI

N

o triénio que compreende os anos de 2013 a 2014, propôs-se a cumprir os seguintes objetivos: Representar os interesses do setor pós-venda independente, de modo a garantir a continuidade e o futuro dos seus agentes; salvaguardar uma concorrência livre, eficaz e saudável; dinamizar, promover e credibilizar o setor junto do mercado e da opinião pública; defender o setor junto das entidades governamentais, e divulgar atempadamente informação aos associados, para melhor se possam preparar face às novas legislações e necessidades do mercado. À mesa desta divisão presidida por Joaquim Candeias reúnem-se para discutir as problemáticas e ações a serem desenvolvidas no âmbito de proteção do setor, representantes da Comissão Especializada de Fabricantes de Peças Automóveis, da Comissão Especializada de Distribuidores de Peças Independentes, da Comissão Especializada de Produtores de Pneus, da Comissão de Retalhistas de Pneus, do setor dos Reparadores, dos Equipamentos e dos Serviços ligados

a esta indústria, e ainda um convidado em representação do retalhista de peças automóveis. A ACAP trata-se da única associação empresarial em Portugal que representa a globalidade do setor automóvel, congregando assim cerca de duas mil empresas, distribuídas por todo o território nacional. Funciona como uma espécie de federação que acolhe os vários elementos do setor, para que este possa ser, de acordo com o presidente da DPAI, “cada vez mais digno, mais respeitador e com melhores práticas, de modo a que todos os associados possam usufruir de melhores condições nos momentos económicos difíceis que se vivem no nosso país”. Na opinião de Joaquim Candeias, é unido que o setor se pode tornar mais forte, e por isso faz votos relativamente a uma mudança de mentalidade em prol dos proveitos que reconhece na partilha de ideias e de experiências, à semelhança do que acontece noutros países, onde os recursos se unem a favor da construção de algo melhor. Sob esta alçada da ACAP, o empresário acredita que os associados podem beneficiar de facilidades e de informações

A DPAI lançou recentemente uma ação no sentido de esclarecer o consumidor final sobre a opção de escolha face à reparação do seu veículo, sem que por isso perca a garantia do mesmo, conforme a lei em vigor. “Escolha o melhor para si” é o nome da iniciativa que alerta o consumidor que “hoje tem direito e pode reparar o seu veículo desde o km zero onde achar conveniente, sem perder a garantia do mesmo”. À falta de informação do público geral acresce a do próprio setor, que o presidente da divisão justifica com a contraproducente falta de união, com que pauta o seu discurso. Porém, como reconhece, esta é uma variável em mutação “Felizmente, o panorama está a mudar e a motivação dos agentes é outra. O associativismo parece ser uma realidade no setor independente automóvel em Portugal, debaixo da umbrella da ACAP”. Se aquando da realização de uma primeira ação similar, em 2012, a associação contou apenas com 12 marcas, hoje contam-se 78 parceiros envolvidos. Na opinião de Joaquim Candeias, a adesão prende-se com o facto de que “todas estas marcas querem construir um futuro – todas querem acabar com as concorrências desleais. São marcas premium, que trabalham para poderem oferecer ao consumidor final a mesma qualidade das peças que vêm equipadas com o primeiro equipamento do veículo”.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO AUTOMÓVEL

Uma oficina qualificada e direcionada para o cliente AUto jofer A Auto Jofer atua no mercado da reparação automóvel desde 1992 e privilegia “boas práticas” que dignificam este setor, como “a higiene e segurança no trabalho, a gestão de resíduos, orientação para o cliente, gestão de recursos humanos, formação técnica e empresarial e acompanhamento de novas tecnologias”, revela João Nunes.

joão nunes Diretor geral

“A

pesar de ser um setor que está sempre sujeito a acontecerem pequenas coisas estamos muito satisfeitos com a nossa prestação porque no dia que deixarmos de tentar ser os melhores deixamos de ser bons, a realidade é esta”, começa por explicar João Nunes. Em 2009, os dois sócios fundadores, juntaram-se “à maior rede do mundo de reparação independente automóvel”, a Bosch Car Service que resultou no fortalecimento de “todas as práticas adotadas” e num “rigor de funcionamento e da estratégia delineada que é servir o cliente”. “Temos de estar virados para o que o consumidor final pretende”, observa o entrevistado que explica que esta rede “abrange todo o país” de forma que as reparações têm garantia em qualquer Bosch Car Service a nível nacional. “O nosso cliente tem de contar connosco e em caso de necessidade encaminhamo-lo para o serviço Bosch da zona onde se encontra”. A equipa de 18 colaboradores divide-se em todas as áreas de reparação, como mecânica; chapa; eletricidade e eletrónica, “uma componente que não existia nas oficinas e hoje é tão ou mais importante que a eletricidade”; pintura; serviço de smart repair, “serviços de baixo custo de pintura e chapa”; estação de serviço com higienização de interiores e lavagens simples.

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Com uma aposta assente na tecnologia, pela importância destas num setor em constante evolução, João Nunes destaca por exemplo “o aparelho de leitura de cores RapidMatch X-5” que trouxe mais-valia porque “faz cinco leituras de uma zona de pintura que multiplica por mais cinco. No fim, faz 25 leituras que numa base de dados, atribuem o código mais correto da cor a repintar no veículo.”

Campanha “Escolha o melhor para si” “Escolha o melhor para si; repare bem, repare onde quiser”, pretende continuar a desmistificar dúvidas sobre a oportunidade de escolher a oficina onde cada automobilista quer fazer a manutenção do seu veículo novo sem perder a garantia. A legislação em vigor é o regulamento 461 de 2010, da Comissão Europeia, e o interlocutor considera a campanha “um relembrar e tentar, cada vez mais, passar essa informação”. “O cliente final olha para o 461/2010 e não sabe o que quer dizer, não sabe até que ponto lhe dá o direito de reparar o carro noutro sítio e se perde os direitos à garantia”, adianta João Nunes. Para o responsável da Auto Jofer, no mercado há 22 anos, e representante da comissão das oficinas multimarca na ACAP (Associação Automóvel de

Portugal), é necessário “trabalhar o veículo com conhecimento, com equipamento adequado e peças de origem ou de qualidade equivalente aceites pelo fabricante e homologadas”. Nesta oficina multimarcas o exemplo é uma das melhores formas de informar os clientes que quando os visitam veem em reparação “veículos recentes” que “dá-lhes logo alguma confiança mas não chega”, alerta o responsável que considera que o Estado tem de “incentivar as oficinas, apoiá-las e encaminhá-las” para que sejam qualificadas e cada vez mais rigorosas na sua atuação. Uma campanha (www.escolhaomelhorparasi.com/ pt) com “uma vertente muito boa” porque foi apoiada por mais de 70 marcas, (presentes em muitos dos componentes dos veículos novos), pois estas “são fabricantes de primeira linha”, assinala ainda João Nunes. Para o ano de 2014, que começou há dois meses, os objetivos da Auto Jofer são simples: fidelizar cada vez mais os atuais clientes; angariar novos; aprofundar “contactos de parcerias com empresas” e sempre que necessário informar o cliente dos direitos que tem como consumidor ”. Com a oficina localizada na Idanha, em Belas, e a sede em Agualva - Cacém, com serviços rápidos e uma loja de peças aberta ao público, os produtos e serviços da Auto Jofer, tambem estão disponíveis aos seus clientes aos sábados de manhã e podem ser consultados em www.autojofer.pt.


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Qualidade, inovação e tecnologia Krautli Um parceiro incontornável do setor da manutenção e reparação automóvel é a Krautli Portugal. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, José Pires, diretor geral da empresa, faz uma reflexão sobre a atividade que exerce e o setor onde se insere, realçando a importância da campanha “Escolha o Melhor para Si”.

josé pires Diretor geral

A Krautli, Grupo cuja atividade se iniciou nos anos 30 do século passado, conta já com 24 anos de presença no nosso país. Representante em Portugal, Bélgica e Suíça, é importadora e parceira de fabricantes de peças para o ramo automóvel, tendo a responsabilidade de fazer a devida distribuição de acordo com as características de cada produto e dos mercados a que esses mesmos produtos se destinam. Outra componente bastante importante na atividade da Krautli Portugal prende-se com a assistência técnica que conforme José Pires explicou: “Quando falamos em assistência técnica falamos tanto de reparação e instalação como de apoio técnico aos instaladores, formação específica e apoio legal, no caso de produtos legislados”. Com um posicionamento firmado no panorama internacional, a Krautli Portugal conta com uma centena de fornecedores de renome. “A Krautli é, de facto, um nome reconhecido no mercado. Temos provas dadas para os fabricantes, com o conhecimento que temos dos produtos e do mercado”, declarou o nosso interlocutor, dando conta do sucesso da empresa dentro

e fora de portas. Imprescindível na atividade da Krautli é também a formação. “As ações de formação disponibilizadas pela Krautli destinam-se aos agentes, distribuidores e instaladores oficiais nomeados ou reconhecidos pela Krautli”, realçou José Pires. Com um reconhecido portefólio, a Krautli pretende em termos futuros continuar a consolidar o seu posicionamento no mercado, acompanhando diariamente os seus clientes e parceiros e investindo sempre em fatores como a qualidade, a inovação, a tecnologia e a formação.

“Escolha o Melhor para Si” “ESCOLHA a oficina onde faz a manutenção do seu veículo sem perder a garantia, em conformidade com a legislação em vigor. O MELHOR é optar pela oficina que lhe garanta um bom serviço, seguir as indicações do livro de manutenção e exigir peças de qualidade garantida. PARA SI está disponível toda a informação em www.escolhaomelhorparasi.com”, este é o mote

da campanha informativa da DPAI da ACAP. Dirigida ao público em geral, aos utilizadores, utiliza como divulgadores os agentes do setor. José Pires, representante da Comissão de Distribuidores da DPAI, reforçou: “O slogan da campanha diz tudo. É um direito das pessoas escolherem aquilo que é melhor para elas. E, quando se fala do que é melhor para as pessoas, estamos a falar não só em termos de custo, já que continua a ser mais económico o serviço quando efetuado por uma oficina independente, mas também, devido à agilidade e flexibilidade, encontramos numa oficina independente maior proximidade e adequabilidade às necessidades específicas dos utilizadores, acompanhamento e aconselhamento, o que é difícil verificar-se numa oficina de marca, vulgo concessionário. Pode dizer-se que há uma adaptabilidade no setor independente que não existe nas marcas. De facto, é importante que as pessoas conheçam os seus direitos e encontrem as mais-valias dos serviços ao seu dispor. E esse é o objetivo da campanha: informar o consumidor”.

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Peças e Acessórios Auto Orcopeças

mário colaço e Joaquim regueira Sócios-gerentes

Como surgiu a empresa? A empresa Orcopeças nasceu no ano de 1985, dois anos mais tarde foi adquirida pelo senhor Luís Albino e no ano de 1988, Joaquim Regueira e Mário Colaço entraram para a sociedade, que ainda hoje se mantém, sem alterações. A Orcopeças deixou de ser uma micro empresa, e tem vindo a ter um forte crescimento com dedicação e profissionalismo para com os seus clientes. Somos uma equipa de 18 profissionais, competentes e devidamente habilitados para dar resposta aos nossos clientes. Inicialmente a empresa começou no centro da cidade num espaço mínimo, mas justificado pelas necessidades de dar resposta ao mercado, atualmente estamos localizados na zona industrial de Santarém, com a nossa loja/armazém, mas possuímos duas filiais, sendo que uma está situada em Almeirim e a outra em Coruche. O que justificou a criação destas duas filiais? Justificou-se pela necessidade de estar mais próximo dos nossos clientes e pela capacidade de dar resposta às solicitações dos clientes e ainda pelo atendimento personalizado nos nossos balcões, bem como pelas entregas nas próprias oficinas.

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De que forma a empresa chega aos seus clientes? Temos estafetas de empresas que fazem a recolha no nosso armazém em Santarém e vão entregar aos nossos clientes, temos ainda na sede e em cada filial um colaborador que faz recolha dos produtos necessários à atividade dos nosso clientes e posteriormente fazem as entregas aos mesmos, deste modo somos bastante flexíveis, sem uma distribuição de horários fixos, pois sentimos que o correto é deslocarmo-nos quando o cliente necessita, pois se o serviço que é feito pelo estafeta, em determinado período do dia, não for suficiente, nós na empresa fazemos a entrega do que os nossos clientes necessitam, independentemente da hora e do local. Encaramos que a flexibilidade que oferecemos aos nossos clientes é um dos marcos que distingue a Orcopeças e o seu serviço de qualidade. Sabemos que uma das valências da Orcopeças é apostar na formação dos seus clientes. Fale-nos dessa iniciativa. No nosso distrito, fomos das primeiras empresas do nosso setor a trabalhar na área da formação técnica, gratuitamente para os nossos clientes. Desde 1994/1995 que apostamos neste tipo de iniciativas. Ao longo dos anos temos feito várias reuniões de formação, nas diferentes áreas técnicas, de modo a manter os nossos clientes atualizados e devidamente informados. É um setor em que esperamos continuar a apostar, muitas vezes que o fazemos é em estrita colaboração com os nossos fornecedores que nos propõem ações de formação para profissionais de oficina. Na nossa opinião é fundamental pois, o setor automóvel evolui muito e existe uma enorme falta de informação e formação. É importante que as oficinais estejam preparadas tecnicamente, para dar respostas aos clientes que as procuram, de forma a dar continuidade aos nossos negócios. A Orcopeças foi distinguida como PME Excelência

2013. Para a empresa o que significa este reconhecimento? Para a nossa empresa esta distinção é o reflexo de um trabalho contínuo. Não é fácil chegar a PME Excelência, é necessário alguma autonomia financeira e muito equilíbrio e isso só se consegue no decorrer de alguns anos. É preciso uma administração capaz, e nós felizmente tivemos o mérito de alcançar este reconhecimento ao fim de 25 anos, o que nos deixa muito satisfeitos e orgulhosos. Agora cabe-nos a grande responsabilidade de não adormecer à sombra desta distinção, PME Excelência, mas sim continuar a trabalhar com dignidade e profissionalismo para que consigamos este reconhecimento mais vezes. Relativamente à campanha “Escolha o melhor para si”, que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores? Na nossa opinião a divulgação da campanha Repare bem, Repare onde quiser, e como slogan “Escolha o melhor para si” deveria ser mais massiva. A comunicação social deveria ter em atenção a divulgação desta campanha, porque grande parte das pessoas não a conhece, não teve ainda presente o conteúdo desta informação. Achamos que era pertinente que a informação fosse divulgada de modo a que chegasse à grande maioria dos proprietários dos automóveis para que pudessem sem medos fazer uso do seu conteúdo. É fundamental transmitir que as pessoas ao recorrerem a uma oficina independente vão usufruir das mesmas garantias de uma oficina de marca, em conformidade com a legislação em vigor, que diz que o automobilista tem o direito de ter o seu veículo assistido numa oficina independente ou de marca à sua escolha, com as peças de qualidade garantida que escolher. Quais os projetos futuros da empresa? Apostar no desenvolvimento da empresa nos diversos sectores, formação para clientes e colaboradores, continuar na aposta da distribuição e manter sempre os stocks com elevada capacidade de resposta e preparar cada vez mais as novas gerações para darem continuidade aos 25 anos de atividade e experiência no setor das Peças Auto, para desta forma continuarmos a merecer o reconhecimento dos nossos clientes.


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Revista Business Portugal | Março '14  
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