Revista Business Portugal - Janeiro 2023

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“AS MULHERES NÃO TÊM QUE SE AFIRMAR, MAS SIM SER VISTAS”
FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PME EXCELÊNCIA CIBERSEGURANÇA ESPECIAL SAÚDE BTL LISBOA 2023 MARCAS QUE MARCAM REDSHIFT
Lígia Ramos, CEO e Master Coach da IN2MOTIVATION
Jan.
10 Anos REVISTA BUSINESS PORTUGAL WWW.REVISTABUSINESSPORTUGAL.PT

ÍNDICE Janeiro 2023

40 CIBERSEGURANÇA

52 BTL LISBOA 2023

Nota de boas-vindas Janeiro 2023...

Ao longo de mais de 10 anos, na edição da Revista Business Portugal, têm sido retratadas histórias de sucesso de milhares de empresas portuguesas, cujo desempenho mereceu destaque pelo seu contributo para o crescimento da economia nacional. São empresas grandes, médias e também de menor dimensão, que se evidenciaram pela qualidade do produto e inovação, pela investigação e desenvolvimento, bem como pela estratégia com que se têm vindo a afirmar e a vencer nos seus respetivos mercados. Estas demonstram, todos os dias, capacidade para investir na qualidade e inovação, bem como outros importantes fatores de competitividade, que as elevam perante a concorrência, cada vez mais exigente e feroz. Nesta edição de janeiro, levamos mais uma vez até si, exemplos inspiradores de empresas e empresários que têm como mola impulsionadora e princípios fundamentais para o sucesso a inovação, a qualidade e a excelência.

A Revista Business Portugal estará aqui para continuar a dar voz aos exemplos que nos têm inspirado a fazer cada vez mais e melhor!

FICHA TÉCNICA Editor/Propriedade: António Fernando A. R. Silva | Redação e Publicidade: Av. República 2208 - 3º Drt Centro Frt, 4430 -190 V N Gaia | Diretor: Fernando R. Silva | E-mail: geral@revistabusinessportugal.pt/Comercial: comercial@revistabusinessportugal.pt/Redação: redacao@revistabusinessportugal.pt | Telf: 223 700 510 | Distribuição: Gratuita com o jornal Diário de Notícias | Dec.regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID

Nº Registo ERC 126515 Impressão: YellowMaster | Avenida João Azevedo Coutinho nº643, 2755-101 Parede Estatuto Editorial: Disponível em www.revistabusinessportugal.pt/estatuto-editorial Periodicidade: Mensal Janeiro - 2023 Tiragem Média: 20.000 exemplares

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Jan. 2023 MARCAS QUE MARCAM
DIA MUNDIAL DO DOENTE Especial Saúde Jan. 2023 Jan. 2023
14 FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO 19 PME EXCELÊNCIA

Fez de Amsterdão, casa e da Filosofia e do Coaching, maneira de viver. Falamos, como não poderia deixar de ser, de Lígia Koijen Ramos, CEO da In2Motivation.

A curiosidade é um dos aspetos que a identificam. Que outras características a definem enquanto mulher, líder e empreendedora?

Eu diria que a enorme capacidade de criar, ver e transformar perspetivas. Eu olho para o empreendedor como um artista que quer transformar o mundo com uma nova ideia, produto ou solução. Acredito também que a minha noção de servir os outros é muito relevante, pois posso ter uma grande ideia, mas se ela não serve um maior número de pessoas, torna-se irrelevante.

O facto de ser mãe de três crianças, uma delas no espectro do autismo é, com toda a certeza, uma das características que me define como líder. Quando falo de diversidade e neuro-diversidade, não falo dos livros, mas da experiência real e crua dessa vivência diária. Creio que isso me traz uma sensibilidade diferente para as circunstâncias pessoais dos meus colaboradores. Eu não imagino o que eles sentem, eu sinto-o. Costumam dizer “não há segredos para a Lígia, ela sabe sempre tudo”. Este é também um aspeto que me diferencia. Vejo e oiço mais do que a maioria das pessoas. Enquanto mulher, o facto de ter ficado sozinha com três filhos e uma empresa, num mundo de negócios de homens, devido à passagem do meu marido para o plano divino, em 2021, após um cancro cerebral, não foi fácil. Mas eu sou um pouco rebelde e isso ajuda na hora de fazer o que ninguém espera. Existe uma forte resiliência e energia na minha forma de ver o mundo.

Em Amsterdão há 12 anos, já olha para esta cidade como uma “segunda casa”? Considera que, comparativamente a Portugal, existem diferenças entre a liderança no feminino e no masculino?

Amsterdão é a minha casa.

As diferenças relativamente a Portugal são muitas e não é para pintar o conceito nórdico de cor de rosa, mas o facto é que existe uma forma de estar que transforma o nosso dia a dia. Isso vê-se, por exemplo, no facto de ser muito mais normal um contrato de 32 horas do que 40 horas ou de não vivermos para trabalhar, mas trabalhamos para viver.

No final de 2019, os Países Baixos tinham alcançado o equilíbrio entre géneros. Em média, as empresas constituídas tinham Conselhos de Administração com 31,4% de mulheres, e Conselhos de Supervisão com 36,6% de mulheres. O que é um passo. Ainda assim, a grande diferença não está na capacidade e representação na liderança das empresas, mas no espaço que é dado para manifestar características de liderança.

Nos Países Baixos não recebemos rótulos negativos por mostrar liderança, não tanto como em Portugal. Essa aceitação da manifestação de liderança é que é diferente para homens e mulheres.

Um homem é assertivo, uma mulher tem maus fígados. Um homem é focado, uma mulher é obstinada. Este tipo de distinção marca e faz com que muitas mulheres não manifestem liderança,

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“AS MULHERES NÃO TÊM QUE SE AFIRMAR, MAS SIM SER VISTAS”

pois não querem enfrentar a possibilidade de obter estes rótulos.

Do meu ponto de vista, muito mais do que ensinar sobre liderança, é importante mostrar como se faz e dar a coragem necessária para fazer. Muito do “inner game” que falamos no “unleash your transformation”. Não existem contextos perfeitos para manifestar a nossa liderança. Existem alguns com os quais nos sentimos mais alinhados e mais de acordo com os nossos próprios valores. Eu sinto muito esse alinhamento com os valores da cultura dos Países Baixos.

Tendo eu estudado Cultura Insights e Cultura Organizacional, o meu olhar sobre este assunto também se torna muito pragmático. Portugal tem como traços culturais, entre outros, a elevada distância do poder e o coletivismo. Em contrapartida, os Países Baixos caracterizam-se pela curta distância do poder e o individualismo. Isto faz com que as formas de ver a liderança e o poder individual sejam distintas. Há alguns anos atrás fiz o teste “Cultura Compasso” do instituto Hofstede, que recomendo muito mais que qualquer outro teste e, quando comparados os meus valores pessoais com culturas nacionais como Portugal e os Países Baixos, eu tenho uma visão muito afastada da hierarquia. A liderança advém do meu querer pessoal, da dedicação, da criatividade, do fazer acontecer e não do poder, seja por dinheiro, posição ou papel. Assim, Portugal, em termos de hierarquia, para mim, é um conflito. Acredito que a situação esteja a mudar para melhor, apesar de ser a um ritmo lento.

Na sua ótica, é cada vez mais importante que as mulheres se afirmem no mundo dos negócios? Quais as principais mais-valias da liderança feminina?

Considero que nós, enquanto mulheres, não temos que nos afirmar, mas sim ser vistas e cabe à sociedade olhar para o nosso trabalho com “olhos de ver”. Há que respeitar o nosso trabalho e a nossa presença. Ainda assim, acredito que existem mais-valias, pois cada pessoa vê o mundo e organiza a informação de forma distinta.

Talvez possamos deixar de fazer essa referência ao género e começar a questionar mais sobre “qual a sua perspetiva sobre o mundo?”, “como gere as suas relações e como organiza a informação?”. É muito mais importante perceber o funcionamento da pessoa em si, do que o seu género.

Embora não tenha seguido uma carreira ligada à Filosofia, sabemos que esta tem estado presente ao longo da sua vida. Nesse sentido, que ensinamentos desta disciplina aplica no seu quotidiano?

Eu acho que segui uma carreira filosófica. Embora não seja professora de Filosofia cito, muitas vezes, a caverna de Platão, pois ainda é uma realidade que se adequa.

Considero-me uma filósofa. Lembro-me de um momento com o meu pai. Eu já estava a trabalhar exclusivamente na área do Coaching de equipas e estava a preparar um manual que continha a minha apresentação e o meu pai, um pouco emocionado, disse ao ler essa apresentação “aquilo que muitos diziam ser uma fragilidade, é o que agora te faz tão relevante”. Isto porque ouvimos, muitas vezes, que aquilo que fazemos de diferente é mau. Ouvi muitas vezes que me devia dedicar a um tema, um nicho, uma única coisa. Só que essa não sou eu.

Todas as coisas que fiz desde a rádio ao teatro e até estudar anatomia, yoga ou gestão na Disney Academy, deram-me esta visão do mundo.

A comunicação é uma das bases do seu trabalho. Foi por isso que decidiu criar um canal no Youtube? Considera que as plataformas digitais são ferramentas bastante úteis para os profissionais do Coaching?

Sim! Não como meio de exposição, mas como meio de afirmação. Comunicarmos e relacionarmo-nos são duas das mais predominantes necessidades humanas. Assim, acredito que cada um de nós tem agora a oportunidade de dizer, falar, filmar e mostrar o que realmente é. Tenho um canal no Youtube, um podcast e sou bastante ativa no Linkedin. Isto só acontece porque tenho algo que entendo por relevante para dizer. Quando sinto que não vou dizer nada que adicione valor, calo-me.

Trata-se de não fazer das redes sociais uma obrigação ou uma forma de angariar clientes, mas uma representação daquilo que queremos dizer ao mundo.

Contando com cerca de 25 anos de experiência, o que é que ainda lhe falta fazer? Como é que olha para o futuro?

Acho que chegou o momento de mostrar ao mundo o que fiz durante estes 25 anos. Partilhar o que faz com que, atualmente, alguns me considerem uma referência no Coaching empresarial e pessoal. Ando um pouco “zangada” devido à forma como o Coaching tem sido tratado. Também sei que o trabalho desenvolvido nesse sentido não tem sido muito bom. Existe muita confusão entre os termos mentoria, Coaching, formação, terapia e afins.

Acredito que podemos fazer melhor e com mais eficácia e mais ética também. Os projetos para 2023 são: continuar o programa “manifestar liderança” pelo mundo, realizar um filme/documentário, um novo programa exclusivo de Coaching para profissionais, um programa exclusivo “Inner game” para empreendores e muitas palestras com o Livro “unleash your transformation”. E provavelmente mais tendo em conta que o meu manifesto para este ano é “mais do que é para mim”.

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Pode ficar ainda a conhecer mais sobre o pensamento e trabalho de Lígia Koijen Ramos com os livros “Espiral de super poderes” e “O mais pequeno livro de liderança”.

“CADA OBRA É UMA PESSOA, UMA FAMÍLIA, UMA VIDA”

A Eng ª Sofia Dias explica o conceito da sua marca, Querida Sofia Dias, que tem como base o respeito, a dedicação e a relação de proximidade para com aqueles que a procuram.

música, arte e dança, o que me fez desenvolver a parte criativa e delicada/sentimental perante praticamente tudo o que faço. Dancei cerca de 16 anos ballet clássico, e ainda hoje a dança é uma grande paixão. Se sou tão resiliente devo muito ao que o ballet me ensinou.

Não desisto de objetivos em que acredito e mantenho o foco até concretizar aquilo a que me proponho. Procuro ser disponível e atenta diariamente para com toda a equipa que me responde, e que hoje, sem ela, não conseguiria chegar a tanta gente.

Licenciada em engenharia civil, especializou-se em remodelação e reabilitação de edifícios e em design de interiores. O que é que a apaixona verdadeiramente nesta área?

A licenciatura em engenharia aparece sem grandes planos. Na realidade, na altura, não tinha certezas nenhumas, mas com o passar do tempo descobri o meu lugar neste mundo maravilhoso. A engenharia deu-me as bases necessárias na gestão e técnica para conseguir dominar um processo que pode ter mil e uma soluções dado que não há uma obra ou um problema igual. Todos os dias são diferentes e temos de ter soluções novas. Isto ensina-nos e faz-nos crescer e amadurecer. Mas rapidamente percebi que só a engenharia não seria suficiente para dar resposta a um nicho de mercado que não tinha resposta - a reabilitação e a remodelação. A técnica e a gestão são importantes, mas o respeito pelo património e pelo cliente que o vai habitar é tão ou mais importante que a técnica. Cada obra é uma pessoa, uma família, uma vida e temos de respeitar o espaço que será dela e não nosso. É aqui que entra a verdadeira essência de remodelar e reabilitar, dar nova vida ao património para quem vai usar aquele espaço e, somando a isso, estudar a sua funcionalidade, conforto e decoração.

Fez parte do projeto “Querido, Mudei a casa!”. Podemos afirmar que esta foi uma experiência muito enriquecedora a nível profissional?

Comecemos por conhecer um pouco mais sobre si. Enquanto mulher e profissional, quais são as principais características que a identificam?

O meu nome é Sofia e tenho 40 anos, nasci em Lisboa onde vivi até aos 26 anos. Sou a chamada “alfacinha de gema”. Cresci com a luz de Lisboa e vi a cidade a evoluir, mas sem nunca perder a sua delicadeza e beleza, e isso sempre me fascinou. Desde sempre que me lembro de ter de lutar pelos meus objetivos e isso fez de mim uma lutadora insaciável. Sou muito ambiciosa, lutadora e sonhadora. Persistente e muito assertiva perante o mundo que me rodeia. Cheguei à idade adulta rodeada de

A experiência de participação num programa televisivo foi muito enriquecedora a vários níveis. Na resistência humana, no rápido raciocínio, na gestão do dia a dia. Os projetos são realizados em 48h, que podem, por vezes, ser praticamente contínuas, sem descanso. Isto veio desafiar a nossa resistência, tudo tinha de ser decidido em minutos e a vida continuava o seu rumo fora daquele mundo televisivo.

Os nossos clientes foram todos atendidos, mesmo com semanas a dormir muito pouco, mas a experiência foi muito gratificante e valeu o sacrifício. Não me arrependo em nada da participação e cresci muito ao partilhar tanto com a equipa do “Querido, Mudei a Casa!”.

LÍDERES E EMPRESÁRIAS DE SUCESSO | QUERIDA SOFIA DIAS 6 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL
Sofia Dias

“A felicidade não se cria, constrói-se” é o lema da “Querida Sofia Dias”. Porque é que decidiu criar o seu próprio negócio e quais os serviços que disponibiliza aos clientes?

A criação do próprio negócio vem da minha falta de identificação com o que era “normal ser executado nas obras”. Este sector era visto como sendo um mundo de homens, onde dominava a regra do pedreiro, do servente e tudo era feito “porque sempre tinha sido assim”. Eu não me identificava e senti que conseguia mostrar e construir essa mudança. Oferecer ao cliente um serviço completo que começa por ouvir o que ele sente, passando por estudar o layout em função da sua vida/estilo/necessidades, seguindo-se a construção e remodelação do espaço e entregando sempre a obra limpa, pronta a ser utilizada, com uma equipa que lhe dá a cara e garantia em todas as situações.

É uma luta diária, infelizmente, este mercado está muito “mal visto”, e a mão de obra que sabe trabalhar envelhecida o que dificulta, por vezes, que entendam e aceitem esta mudança.

Comigo o cliente pode executar o seu projeto de remodelação sempre personalizado, executar a obra de remodelação, construção de raiz ou, simplesmente, redecorar a sua casa. Garantimos o acompanhamento de todo o processo com uma equipa com tarefas definidas onde a marca Querida Sofia Dias tem a base do respeito e de uma relação próxima e dedicada a quem nos procura.

Nesta área que, aos olhos da sociedade, é destinada, sobretudo, aos homens, aguma vez se sentiu menosprezada por ser mulher? Que características considera serem fundamentais para as mulheres singrarem no meio empresarial?

Ser mulher num mundo de homens é algo a que nos vamos habituando desde a época de faculdade, e não é fácil. Ainda assim, é necessária alguma resiliência e firmeza para nos destacarmos, porque nos querem fazer acreditar que somos o “sexo fraco” e que temos mais a provar que os homens. Felizmente, sinto que este estigma tende a dissipar-se na sociedade atual. Nos dias que correm, ainda é desafiante coordenar equipas masculinas habituadas a serem os alfas das suas famílias e equipas profissionais. A visão da mulher empreendedora, empoderada, decidida é ainda algo em valorização na sociedade em geral. Mas basta parar e olhar com atenção e rapidamente identificamos que temos grandes mulheres a mudar este paradigma. Gosto de me ver como uma delas, que luta diariamente pela valorização da mulher enquanto pessoa tão capaz de ser vencedora num meio que era dominado pelos homens.

Tive situações caricatas, vivi muitos desconfortos, e até aconteceu ter de me “refugiar”, pois enquanto mulher era “fraca” e, por isso, um bom alvo.

Ao longo destes 16 anos também fui uma sortuda, pois encontrei homens muito especiais que me deram a mão e acreditaram que eu seria igual a qualquer um deles, e foi a isso que me agarrei. Por muito que sentisse desdenho, também senti muita compaixão e apoio. Hoje alguns destes ainda trabalham comigo e isso é a prova que em equipa, com objetivos bem traçados, com amadurecimento e estrutura de partilha de conhecimentos tudo é possível.

Costumo dizer que eu não acredito que sou uma mulher no mundo dos homens. Eu acredito que o mundo dos homens é feito também por grandes mulheres.

As mulheres não têm de ser super heroínas para vingar num meio que é dominado por homens. Se formos confiantes no nosso conhecimento e na nossa filosofia, ser homem ou mulher é completamente indiferente.

O nosso know-how é tão importante quanto o deles, até consegue ser mais abrangente, por vezes, pois conseguimos ver ao pormenor. Não quer dizer que eles não consigam, mas a mulher, talvez por ser estimulada a dar resposta a todo um mundo de ações na sociedade, desde ser mulher, dona de casa, mãe, trabalhadora, entre outros, acaba por ter uma visão abrangente e, ao mesmo tempo, de um pormenor minucioso que o homem precisa de mais tempo para “lá chegar”. Por isso, nunca duvidar de si mesmas, desenvolverem as suas capacidades únicas e trabalhar com muita dedicação, resiliência e foco são, para mim, as ferramentas base para que o caminho seja feito atingindo objetivos.

Que palavras gostaria de deixar àquelas que têm medo de arriscar e criar a sua própria empresa? E a título pessoal, o que espera concretizar neste novo ano de 2023?

Quando me pedem “conselhos para vingar num sector (ainda e sobretudo) de homens”, eu prefiro apenas referenciar algumas máximas, sobretudo, aquelas que eu vivencio diariamente e que me dão provas de estar no caminho certo. Ser mulher não é ser menos sábia, menos forte, nem menos capaz, apenas temos de usar a nossa força naquilo que nos faz ser bons no que fazemos todos os dias.

Enquanto engenheira civil, gerente de uma empresa, eu diria que valorizar-nos e acreditarmos que somos capazes é a chave do nosso sucesso pessoal. Este selo traz consigo os valores que defendemos e que nos faz ser diferenciadores no mercado: desenvolver boas práticas no serviço prestado; ser humilde, sendo capaz de crescer

e aprender todos os dias, e munindo-nos de novas ferramentas e conhecimentos para continuarmos a nossa jornada; sermos profissionais capacitados e honestos, pois o nosso cliente precisa de quem lhe construa sonhos e não de quem lhe apresente dificuldades. Aconselho a que procurem fortalecer a vossa inteligência emocional, pois é, sem dúvida, uma das armas mais fortes, assim como o autoconhecimento e a capacidade de gestão. Temos de estar em constante alerta, pois gerir pessoas e prestar serviços é um desafio constante. Conhecermo-nos e acreditarmos que somos capazes é fulcral para tomarmos decisões de forma mais segura. Saber tomar uma decisão e sermos responsáveis pelas suas consequências faz toda a diferença e transmite segurança a todos os que nos rodeiam. Ter uma atitude firme e de partilha de liderança torna o grupo mais coeso e, assim, os objetivos alcançam-se com mais facilidade. Nada se faz sem humildade, ser humilde em tudo é essencial, pois é assim que somos verdadeiros para connosco e para com os outros. Este ano de 2023 será um ano desafiante. Estamos a recuperar lentamente de uma pandemia e de uma guerra que trouxe consequências a toda a estrutura económica e teremos de ser muito cautelosos. Será um ano de muito trabalho e de afirmação. Procuro que este ano seja o ano de consolidação daquilo por que acredito, de valorização pessoal e espero conseguir chegar a muitas mulheres para que se levantem e sintam-se capazes de acreditar que é possível.

É possível ser feliz a fazer aquilo que mais gostamos, a viver a nossa filosofia de vida e a dar o que sabemos ao mundo.

É possível viver e ser-se verdadeiramente feliz sem termos de ser aquilo que a sociedade nos impõe, mas sim sendo nós próprias.

Cada uma de nós é uma grande mulher na sociedade em que estamos inseridos, apenas temos de olhar para o nosso reflexo no espelho e ver o que ele nos quer dizer. Acreditar.

“O NOSSO NEGÓCIO É A FELICIDADE DAS PESSOAS”

O que faz da Sampson Property o “parceiro certo” para comprar ou vender um imóvel e porque é que os clientes devem confiar em vocês?

A Sampson Property tem muita experiência no mercado imobiliário e oferece um serviço dirigido para as necessidades das pessoas, focando-se nos processos de venda e pós-venda. A energia e o perfil da nossa equipa potenciam uma relação de confiança com os clientes, através do nosso aconselhamento. É, desta forma, que asseguramos que todas as partes envolvidas em cada processo encontram soluções que as satisfaçam, e garantimos a confiança de quem nos procura.

O Algarve é uma das zonas mais turísticas do país. Uma vez que dizem conhecê-lo tão bem, para além do sol e das praias, o que é que esta região tem de melhor para oferecer? Considera que existem cada vez mais estrangeiros a fazer do Algarve a sua casa?

O Algarve é uma região de mar, campo e montanha, com várias opções de atividades na natureza. A gastronomia é sobejamente conhecida e o clima, que nos presenteia com sol durante mais de 300 dias por ano, é ótimo para passar tempo ao ar livre. A qualidade de vida que reúne todas estas variáveis é inigualável, comparativamente aos centros urbanos com igual número de serviços, e a região tem alguns dos locais mais bonitos do país. Eu considero que há cada vez mais famílias e profissionais estrangeiros a viver no Algarve, o que está a alterar a demografia progressivamente. Sentimos que há um esforço na divulgação de atividades culturais, por parte das autoridades públicas e privadas, no entanto, ainda há muita margem para melhorar neste campo.

O facto da Sampson Property ser composta por uma equipa jovem e dinâmica potencia um olhar mais inovador sobre o sector?

Uma das nossas maiores qualidades é o facto de cuidarmos da nossa equipa, valorizando o seu potencial. Procuramos olhar para a evolução pessoal de forma holística, num ambiente altamente cooperativo,

continuando a seguir e a “abraçar” as evoluções tecnológicas do mercado. A visão inovadora de todos os membros proporciona uma experiência positiva para quem compra e vende, através de um serviço personalizado.

Tendo em conta que o mercado imobiliário está em constante mudança e evolução, por onde passará o futuro da Sampson Property? Reforçar a aposta no digital é um dos objetivos?

Desde a nossa abertura, em 2018, houve várias mudanças no mercado, influenciadas pela conjuntura internacional (Brexit, Covid-19, Guerra e Inflação). Todas estas alterações exigem uma análise qualitativa e quantitativa de mercado constante, o que nos torna uma empresa aberta à mudança e às melhorias que a atividade vai exigindo. Nós queremos continuar com uma forte presença online, a nível nacional e internacional, e melhorar o serviço para os clientes, assegurando o desenvolvimento e bem-estar daqueles que trabalham connosco. O nosso negócio é a felicidade das pessoas.

AMI

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15430 info@sampsonproperty.com www.sampsonproperty.com
A Sampson Property tem o objetivo de proporcionar uma experiência diferente, no que diz respeito ao sector imobiliário, no Algarve. India Sampson, a Diretora, fala sobre os pontos fortes da região e o olhar inovador da equipa. Miguel Roque, Susan Toner, Bruno Romão e India Sampson (Diretora)

Estela Justino, Gerente da Star Accounting Portugal, aborda os principais desafios que a sua empresa irá enfrentar neste novo ano de 2023.

Em que momento é que soube que a sua vida profissional passaria pela contabilidade? O que a apaixona verdadeiramente nesta área?

Desde o liceu, eu soube que a minha vida profissional teria algo a ver com números, a minha habilidade com números sempre se destacou em relação a outras áreas, como as letras.

Além de ter habilidade com os números, considero-me uma pessoa organizada, com um olhar analítico em tudo o que analiso, dou muita importância ao rigor, sou responsável e sedenta de aprendizagem.

A decisão pela área da contabilidade ocorreu no ensino secundário, após ter tido contacto com a disciplina da contabilidade.

O meu sucesso passa, essencialmente, pela dedicação que dou à minha profissão. Faço o que me apaixona e por isso faço-o com amor.

Explique o que a fez dar o “salto” e abrir a sua própria empresa, a Star Accounting Portugal. Enumere os principais serviços que esta empresa presta aos seus clientes.

Trabalhei durante 17 anos em contexto multinacional, à qual agradeço pela forma como sempre me acolheram. Neste percurso, aprendi muito a nível profissional e em termos de relações humanas, no contacto com os diversos stakeholders da organização.

O facto de ter sido mãe, contribuiu para dar o passo. Queria acompanhar os meus filhos de perto e, para isso, precisava de mais liberdade para gerir o tempo, horários e lazer. Com a experiência profissional que tinha, aliado a ser uma pessoa independente, responsável e criativa, contribuiu para fazer o sonho acontecer. E o sonho passaria por constituir a minha própria empresa, com a minha identidade, com autonomia para implementar as minhas ideias de negócio.

E, nesse sentido, nasceu a Star Accounting Portugal, uma empresa que presta serviços na área da contabilidade, recursos humanos, consultoria fiscal e de gestão.

O facto de terem uma equipa altamente qualificada, é um dos motivos pelos quais a Star Accounting Portugal é considerada a parceira ideal para as empresas? Quais são os valores que norteiam o vosso trabalho?

O nosso propósito é transformar o mundo dos negócios através do aconselhamento de gestão.

“Com a experiência profissional que tinha, aliado a ser uma pessoa independente, responsável e criativa, contribuiu para fazer o sonho acontecer. E o sonho passaria por constituir a minha própria empresa, com a minha identidade, com autonomia para implementar as minhas ideias de negócio”

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LÍDERES E EMPRESÁRIAS DE SUCESSO | STAR ACCOUNTING PORTUGAL
“AMBICIONAMOS SER O PARCEIRO DE EXCELÊNCIA”
Estela Justino, Gerente

Pretendemos a criação de valor para os nossos clientes, através da realização dos objetivos financeiros, atendendo às necessidades dos mesmos, na obtenção das soluções, com o acompanhamento necessário ao crescimento e consolidação dos seus negócios, assessorando tecnicamente, com vantagens competitivas à prestação de serviços com qualidade e competência. Valor, rigor e confiança é o que nos define. Nesse sentido, criámos uma estrutura que assenta no atendimento personalizado. Comodidade, rapidez e eficiência são os principais objetivos de comunicação direta entre a Star Accounting Portugal e os nossos clientes.

Ter uma equipa altamente qualificada, é essencial, no sentido de podermos estar disponíveis para colaborar com cada cliente, a fim de desenvolver uma compreensão dos seus objetivos de negócio e alinhar as suas necessidades com os recursos necessários para elevar a sua empresa a novos patamares.

Considera que, para as empresas consideradas de menor dimensão, o vosso apoio é de extrema importância, pois os seus gestores sentem-se mais seguros e confiantes do caminho a seguir nos seus respetivos negócios?

O papel do consultor no acompanhamento do gestor na tomada de decisões é de extrema importância. A comunicação atempada dos resultados, além de, prever falhas, evita prejuízos, auxiliando, deste modo, na obtenção de dados que ajudam as empresas no processo decisório.

As informações obtidas evidenciam que, independentemente do tamanho das empresas, existe uma necessidade de controle do património, para que o crescimento e o bem-estar financeiro sejam alcançados e, assim, as suas obrigações estejam em dia, tornando cada vez mais eficaz a identificação de possíveis falhas e o reconhecimento dos resultados do exercício.

Observamos que, diante de todas essas informações, é notório que o papel do consultor é indispensável para que as empresas alcancem um bom relacionamento com o seu negócio, oferecendo, assim, maior controle financeiro e económico, no que respeita à gestão do seu negócio.

Tendo em conta a conjuntura económica que o país atravessa atualmente e que afeta, também, o tecido empresarial, de que forma é que a Star Accounting Portugal se está a preparar para este novo ano de 2023? Do seu ponto de vista, quais serão os maiores desafios?

Após três anos de desafios constantes, desde a situação pandémica, ao contexto macroeconómico, marcado pelo aumento da inflação e das taxas de juro, o nosso foco vai continuar centrado no nosso propósito, o atendimento personalizado junto dos nossos clientes, e o contínuo enfoque na sustentabilidade.

Estaremos disponíveis para auxiliar os nossos clientes, através da elaboração de cenários e cálculos de riscos de potenciais crises, bem como na definição da liquidez financeira necessária para fazer face a essas mesmas crises. Já no pós-crise, as organizações

afetadas estarão financeiramente e operacionalmente mais fragilizadas, pelo que, nesse contexto, estaremos igualmente presentes para reorganizar o negócio e efetuar um planeamento de recuperação. Os temas relacionados com a sustentabilidade sempre estiveram presentes na nossa estratégia empresarial, ao longo das cadeias de valor e no relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros de negócio, e neste ano continuarão a ter a nossa máxima atenção.

Pretendemos, igualmente, inspirar os colaboradores e preparar a empresa para crises e desafios, para que conheça e acompanhe as suas oportunidades e riscos e, assim, tenha a capacidade de definir a melhor estratégia.

Ainda mais relevante agora, pois prevê-se uma recessão económica a nível mundial.

Ambicionamos ser o parceiro de excelência e ser reconhecidos pelos nossos clientes, pela qualidade do serviço prestado como empresa modelo no segmento.

Os maiores desafios para este ano serão, sem dúvida, as questões ambientais e sociais, que já vinham andando nas agendas corporativas e que ganharam rápido espaço nas agendas pessoais dos investidores.

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STAR ACCOUNTING PORTUGAL | LÍDERES E EMPRESÁRIAS DE SUCESSO Av. da Siderurgia Nacional | Edifício SN | Nº 1-115 2840-075 Aldeia de Paio Pires | Seixal 21 605 28 62 93 93 7 91 91 geral@staraccounting.pt www.staraccounting.pt

BREVES NO FEMININO

, Lead product manager da Farfetch na lista Drapers 30 Under 30 2023

Com apenas 28 anos, Maria Inês Ribeiro, lead product manager da Farfetch, passou a integrar a Drapers 30 Under 30 2023, uma das mais prestigiadas listas que tem o propósito de destacar mulheres jovens com carreiras promissoras, nomeadamente no campo da tecnologia. Maria foi uma das responsáveis pelo lançamento de cinco soluções de e-commerce para marcas de luxo e trabalhou em vários projetos de sucesso.

BNP Paribas Portugal traz movimento #JamaisSansElles para Portugal

A BNP Paribas Portugal foi a primeira empresa a associar-se ao #JamaisSansElles, movimento criado por um grupo de pessoas que recusam participar em painéis de discussão e debate, onde as mulheres não estejam incluídas. O #JamaisSansElles está presente em 20 países e impacta, mensalmente, cerca de 23 milhões de pessoas, tendo em conta as diferentes ações do movimento.

Metlife é uma das melhores empresas para mulheres executivas

A Metlife é a empresa líder em seguros de vida e acidentes de trabalho e integra, pelo segundo ano consecutivo, o Índice Anual de Inclusão Seramount, sendo, assim, reconhecidos pelas suas práticas inclusivas, no que diz respeito à contratação e promoção das mulheres, bem como de outros grupos, historicamente sub-representados.

Beatriz Rubio alcança o primeiro lugar no Best Team Leaders

A líder da MaxFinance viu o seu trabalho ser reconhecido pela própria equipa, ao conquistar o primeiro lugar no Best Team Leaders. A avaliação é feita por um painel de 100 especialistas (lideranças RH, professores universitários e CEO) e trata-se uma iniciativa da Tema Central e da QMetrics em parceria com a APG - Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas e o ONRHObservatório Nacional de Recursos Humanos.

Seixal acolhe encontro para mulheres que querem ser líderes

No final do mês de janeiro, no Seixal Old Village, as mulheres do conceito tiveram a porta aberta para entrar no universo In Women’s World (IWW). Este evento dedica-se a todas as mulheres empreendedoras e empresárias, com o objetivo de dinamizar os seus negócios, criar parcerias e sinergias, identificar novas oportunidades e adquirir conhecimentos novos, num grupo exclusivo de público feminino. A IWW aposta no conceito “fazer diferente no dia a dia” e pretende capacitar, ainda mais, as mulheres para o empreendedorismo.

Conheça a nova COO do Gato Preto

Contando com mais de 20 anos de experiência profissional na área do retalho e tendo já assumido cargos de elevada responsabilidade estratégica nas áreas de Produto, Merchandising e Vendas, Filipa Feijo é a nova Chief Operations Officer do Gato Preto. A nova COO é formada em Business Administration pela American International University de Londres, pós-graduada em Auditoria e controlo de Gestão e, mais recentemente, realizou um curso em Fashion Buying and Merchandising na London College of Fashion

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FORMAÇÃO

Numa altura em que o mercado de trabalho é tão competitivo e as empresas exigem cada vez mais conhecimentos aos seus colaboradores, sobretudo, no que diz respeito às novas tecnologias, a formação e a qualificação das pessoas é uma necessidade premente.

Felizmente, o tema da empregabilidade jovem está na ordem do dia e no debate constante da sociedade portuguesa. Por um lado, esta é a geração jovem mais qualificada de sempre. Por outro, o mercado tem mostrado dificuldade em acomodar-se a esta realidade.

A verdade é que a população tem apostado fortemente na sua formação, nomeadamente ao nível do ensino superior e é por esse motivo que, atualmente, existem muito mais pessoas com o chamado “canudo” do que há uns anos. Segundo o relatório “Estado da Educação 2021”, divulgado no passado mês de janeiro, a qualificação da população portuguesa, em idade ativa, está a atingir níveis mais elevados de escolaridade, tendo em conta que mais de metade da população (59,5%) tem o ensino secundário concluído. Uma das vantagens de obter mais formação é, precisamente, a remuneração, tendo por base a análise feita pelo CNE, a dados do Instituto Nacional de Estatística. Um nível de escolaridade mais elevado significa, também, maiores probabilidades de ter um emprego. Em 2022, a taxa de empregabilidade entre as pessoas que completaram o ensino superior era de 83%.

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E QUALIFICAÇÃO

Ainda assim, há que chamar a atenção para a importância do investimento na formação profissional, mais direcionada para a vertente técnica e prática, tendo em conta a escassez de mão de obra qualificada em certas profissões como, por exemplo, canalizadores e eletricistas.

Paralelamente, há a necessidade de apostar numa política de requalificação de competências, com vista à formação intensiva e especializada na área digital, sendo que as novas tecnologias se tornaram indispensáveis para as empresas.

Em comparação com outros países da Europa, em Portugal, parece ser mais fácil encontrar emprego, mesmo com pouca formação, isto é, a taxa de empregabilidade entre os jovens com apenas o ensino básico é de 63,5%, enquanto a média europeia é de 52,1%.

A aposta contínua nos jovens, na sua formação, qualificação e na criação de condições para um mercado de trabalho mais dinâmico, poderá aproximar-nos das metas europeias.

Em suma, nas próximas páginas vai poder ficar a conhecer algumas das iniciativas que visam o aumento e/ou a melhoria da formação e da qualificação da população portuguesa.

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POR UMA SOCIEDADE MAIS QUALIFICADA

Que balanço faz destes mais de sete anos em que esteve em vigor o Programa Operacional Capital Humano (PO CH)?

Desde o seu início que o desígnio central do PO CH é promover a melhoria do nível de qualificação da população portuguesa, contribuindo, dessa forma, para o crescimento estrutural, do ponto de vista social e económico, do país. O investimento total elegível aprovado do Fundo Social Europeu, num montante de 3 903 milhões de euros (M€), acrescidos da contrapartida nacional, perfazem um total de 4 576 M€ que, desde 2014, tem sido gerido e canalizado pelo PO CH, envolvendo a (re)qualificação de cerca de 1 milhão de residentes em Portugal, nas seguintes grandes áreas de apoio: formação inicial de jovens, formação superior e avançada, aprendizagem ao longo da vida e uma quarta área que abarca projetos muito diferenciados que convergem para a melhoria da qualidade da educação. De notar que este valor inclui 347 milhões de euros, aprovados ao abrigo do Mecanismo de Extraordinário de Antecipação do Portugal 2030, criado para permitir o investimento em medidas que não podiam ficar sem suporte enquanto os programas do PT 2030 não eram aprovados.

No âmbito da formação de jovens, o Programa orgulha-se de ter ajudado a formar 294 mil jovens em medidas de dupla certificação. Estas vias formativas, que com uma forte componente prática e de formação em contexto de trabalho, permitem a conclusão do 12º ano e a obtenção simultânea de uma certificação profissional, têm contribuído de modo expressivo para diminuir o abandono escolar precoce e para fomentar a empregabilidade dos jovens, os grandes objetivos do PO CH nesta área da atuação.

Para se perceber melhor o impacto desta medida, olhemos para os dados da avaliação sobre o contributo do Fundo Social Europeu para a redução do abandono escolar precoce, sucesso escolar e empregabilidade dos jovens. As conclusões revelaram que a frequência de um curso profissional para a inserção dos jovens no mercado de trabalho é muito positiva, sobretudo, quando comparados com alunos com perfis semelhantes dos cursos científico-humanísticos. Em 100 alunos com perfis comparáveis, 54 dos Cursos Profissionais e 36 dos Cursos Científico-Humanísticos encontraram o primeiro trabalho entre seis a nove meses, após a conclusão das formações. A frequência dos

cursos profissionais também contribui para a melhoria do sucesso escolar, relativamente à frequência dos cursos científico-humanísticos, pois, em cada 100 alunos, 87 dos Cursos Profissionais completaram o ensino secundário, no tempo certo, enquanto que apenas 57 dos Cursos Científico-Humanísticos o fizeram. O investimento nesta área tem contribuído para a diminuição do abandono escolar precoce para níveis bastante inferiores à média europeia, atingindo os 5,9% em 2021, 13 pontos percentuais abaixo da taxa que existia em 2013, antes de ter início o Programa.

Na área da formação superior e avançada, onde o PO CH apoiou 128 mil estudantes, até 2018, foram já executados 583M€ (486 M€ FSE). Este número integra bolsas de estudo para alunos carenciados, bolsas de doutoramento e pós-doutoramento e cursos técnicos superiores profissionais. O investimento em 116 mil bolsas de estudo financiadas para estudantes e nos 6500 formandos que frequentaram cursos TeSP contribuiu para uma grande objetivo nesta área: elevar a percentagem da população entre os 30 e os 34 anos com um diploma do ensino superior. No final de 2021 era de 39,6%, muito próxima da média europeia de 40%. Em Portugal, este número era de 30% em 2013.

De acordo com a avaliação sobre os apoios a bolsas para a frequência do ensino superior que o PO CH dinamizou, 83% dos inquiridos revela que, sem a bolsa, não teria concluído o grau de ensino superior. A avaliação mostra também que os estudantes com bolsa desistem menos e têm mais probabilidades de se manterem inscritos no fim do primeiro ano, que concluem com sucesso no tempo certo, que têm melhores resultados medidos pelos créditos que obtêm no final do 1º ano e que têm melhores notas no final do curso frequentado. Para aferir os resultados dos apoios à formação avançada, o PO CH também promoveu uma avaliação sobre essa matéria que concluiu que as bolsas de doutoramento e pós-doutoramento são fundamentais para a realização dessa formação e que potenciaram a empregabilidade dos

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Joaquim Bernardo, Presidente da Comissão Diretiva do PO CH Joaquim Bernardo, Presidente da Comissão Diretiva, traça o balanço do PO CH e deixa algumas indicações sobre o que será o futuro do investimento FSE na área das qualificações.

ex-bolseiros. Formar adultos com baixas qualificações e/ou requalificá-los durante toda a sua vida ativa, de forma a que abram os seus horizontes profissionais, tem sido outro importante e estratégico objetivo do PO CH. Até ao fim de 2022, foram qualificados ou requalificados 542 mil adultos, com o apoio do Programa. O investimento do PO CH na qualificação e requalificação dos adultos tem dado um grande contributo para o aumento da percentagem de população, entre os 25 e os 64 anos, com o ensino secundário completo. Em 2020 atingimos os 60,2% em Portugal, uma subida de 20 pontos percentuais desde que teve início o Programa em 2013. No entanto, este valor está ainda aquém da média europeia de 79%, o que revela a necessidade de continuar a investir nesta área. Para um melhor entendimento dos resultados dos apoios do Fundo Social Europeu na qualificação e empregabilidade dos adultos, foi realizada uma avaliação sobre o impacto das formações financiadas pelo Portugal 2020, para sua (re) qualificação, tendo em conta se à entrada para a formação frequentada estavam empregados ou desempregados ou inativos. Estes grupos foram comparados com adultos com perfis e situações semelhantes, face ao emprego, que não fizeram formação. Destacamos que os adultos desempregados ou inativos que participaram em formação têm uma probabilidade 18 vezes superior de aceder a emprego 1 ano após frequência de formação e que os adultos empregados que concluíram formações têm uma probabilidade 5 vezes superior de trabalhar um ano completo, também no ano seguinte ao da formação. Os adultos empregados que concluíram formações têm uma probabilidade 2 vezes superior de se manterem empregados no segundo e terceiro ano após a formação. A qualificação e requalificação de adultos, sobretudo ao nível das competências digitais, será o grande desafio para o próximo período de programação, sobretudo se considerarmos que em 2019 apenas 52% dos portugueses possuíam competências digitais básicas e que a meta para 2030 é de 80% da população adulta com competências digitais desse nível. A atualização de competências é imprescindível, mas também o é a requalificação profissional, uma vez que muitas profissões serão extintas ou reformuladas, perante as transições em curso. Referência ainda para uma área em que o PO CH também teve um papel social central. Falo dos apoios à digitalização da educação que o Programa financiou como resposta à pandemia, numa 1ª fase, mas que são um elemento essencial de transformação digital da educação portuguesa. Para além disso, importa ainda referir os apoios aos serviços de psicologia e orientação escolar, onde já foram integrados 306 novos psicólogos nos estabelecimentos de ensino, até ao fim de 2022 e aos 155 mil docentes e não docentes em ações de formação contínua, incluindo formação em competências digitais. São muitos projetos diversificados que alavancam a melhoria da qualidade da educação e da formação em Portugal.

Qual é o papel desempenhado pelo PO CH na transição digital?

O Plano de Transição Digital da Educação tem o apoio do PO CH, através do investimento do Fundo Social Europeu, com um investimento de 115 M€ em diversas medidas de apoio à digitalização da educação. Este montante já permitiu a disponibilização de mais de 174 mil computadores portáteis e respetiva conetividade a alunos que beneficiam da ação social escolar e que frequentam escolas públicas do ensino secundário, das regiões Norte, Centro e Alentejo, bem como aos que frequentam o ensino básico e secundário das escolas públicas situadas em Lisboa e Algarve. Foram também entregues, em regime de empréstimo, 80 mil equipamentos a docentes, que puderam e estão

ainda a usufruir de formação contínua em competências digitais, em função do nível de competências que já possuem à entrada para essa formação. Pretende-se que seja dado o melhor uso às ferramentas e aos recursos didáticos disponibilizados e que os professores estejam preparados para tirar o melhor partido das oportunidades que a digitalização da educação permite para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, bem como para atenuar também os seus potenciais riscos para esses processos. Estas medidas que o PO CH tem vindo a apoiar são muito importantes para promover o desenvolvimento quer de competências básicas, quer de competências especializadas na área digital. As competências digitais básicas e mesmo intermédias são transversais e essenciais a quase todas áreas de atuação no mercado de trabalho e também para o exercício pleno da cidadania. É, por isso, necessário que os percursos formativos incluam formação nessas competências, integrando-as nas outras valências e assim preparando os jovens e os adultos, para o ingresso ou reingresso no mercado de trabalho.

Brevemente entrará em vigor o Programa Demografia, Qualificações e Inclusão (PDQI). Em que vai consistir e que problemas serão combatidos?

O PDQI vai continuar o trabalho que o PO CH tem vindo a desenvolver na área da qualificação da população, jovem e adulta, procurando consolidar e melhorar ainda os resultados atingidos até à data neste domínio. Este Programa será, de facto, muito mais, porque agrega as três áreas que referem e que não estavam na alçada do PO CH: apoios ao emprego, demografia e inclusão social. Para promover estas áreas contará com o contributo da educação e formação, como ferramenta chave na prevenção de situações de desfavorecimento e potenciação da inclusão social. No que respeita ao desafio demográfico, e pelo que já sabemos, o PDQI vai responder ao desafio do envelhecimento da população, através do apoio a medidas que criem condições para o aumento da natalidade, da promoção de políticas de integração de migrantes e da retenção do talento. Na área do emprego, o novo Programa irá contribuir com o apoio a medidas que estimulem o alcance das metas nacionais de aumento para 80% da taxa de emprego da população entre os 20 e os 64 anos e reduzindo a taxa de jovens NEET (jovens dos 15 aos 29 que não estudam, não trabalham, nem frequentam formação) para valores entre os 7% e 8% em 2030. No domínio da Inclusão Social, o PDQI certamente dará a sua contribuição para a meta nacional definida no âmbito do Plano de Ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, de reduzir o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em, pelo menos, 765 mil até 2030. A missão do PDQI, direcionada para os principais problemas sociais e demográficos que Portugal enfrenta, será um verdadeiro desafio para o país e para os Fundos até 2030.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 17 PO CH | FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO
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Jan. 2023

No dia 14 de dezembro, o IAPMEI juntou-se ao Turismo de Portugal, ao Sistema Nacional de Garantia Mútua e aos principais bancos portugueses, com o objetivo de homenagear as empresas que foram consideradas PME Excelência em 2021.

O evento realizou-se na ExpoSalão, localizada na Batalha, e contou com a presença do Ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, do Secretário de Estado da Economia, Pedro Cilínio e, também, do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda.

No decorrer da cerimónia, foi atribuído o galardão a um total de 3 881 empresas dos mais diversos sectores de atividade. As mais premiadas são aquelas que estão ligadas aos ramos do comércio (29,9%) e da indústria (24,5%).

Relativamente à dimensão, a maioria das PME Excelência são empresas de pequena dimensão (72,2%), sendo que 21,4% corresponde às de média e 5,9% refere-se às microempresas.

Já no que concerne à distribuição geográfica, o distrito com maior concentração de empresas distinguidas foi o do Porto (com 20,7%), seguindo-se de Lisboa, Braga e Aveiro com 18,9%, 11% e 10%, respetivamente.

Este selo visa, essencialmente, premiar as empresas que se destacaram pela sua solidez, bem como pela sua performance económico-financeira.

Tal distinção confere-lhes uma maior notoriedade e cria condições otimizadas de financiamento para as mesmas

Gala PME Excelência 2021 presidida pelo Ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva

PME EXCELÊNCIA

desenvolverem as suas estratégias de crescimento e de reforço da sua base competitiva.

Para além disso, permite que as empresas se relacionem com a sua envolvente, desde fornecedores, a clientes, sistema financeiro e autoridades nacionais e regionais, numa base de confiança facilitadora de desenvolvimento dos respetivos negócios. Faz, igualmente, com que estas se destaquem no mercado e que sejam reconhecidas pela sua solidez e idoneidade. Desta forma, a Revista Business Portugal esteve, uma vez mais, presente na cerimónia de entrega destes prémios e, como não poderia deixar de ser, quis conhecer mais a fundo as “empresas que fazem o país avançar!”. Por isso, trazemo-las até ao leitor para que possa ficar a par do que de melhor se faz em Portugal a nível empresarial.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 21
Saúl Sousa recebeu o prémio PME Excelência, na categoria "Mais Crescimento"

PME EXCELÊNCIA: “A PROVA DE QUE O TRABALHO ÁRDUO TRAZ FRUTOS”

Patrícia e Saúl Sousa com o prémio de “PME Excelência 2021” na categoria de “Mais Crescimento”

A marca “O Cabeças” é conhecida em todo o país e foi distinguida com o prémio de “PME Excelência 2021”, na categoria de “Mais Crescimento”. O proprietário, Saúl Sousa, que já conta com dois restaurantes, a Casa dos Leitões e o Armazém das Sandes, e planeia abrir mais dois, fala sobre o seu percurso pessoal e profissional com orgulho e revela alguns dos aspetos mais importantes para o crescimento de um negócio como este.

Primeiramente, gostaríamos de ficar a conhecer um pouco mais sobre o negócio. Como é que avalia a evolução do mesmo, ao longo dos anos?

O meu negócio começou pela venda de sandes de leitão, em 2004, nas festas populares, como o Senhor de Matosinhos ou o São João, por exemplo, na minha roulotte. Nos primeiros tempos, sentia que as pessoas tinham algum “preconceito” com as sandes de leitão, porque estavam habituadas a que este fosse servido num prato. Mas foi, sensivelmente, a partir de 2008/2009 que o conceito começou a ser mais aceite, porque coincidiu com a altura da crise económica. Nessa altura, as pessoas começaram a experimentar, porque era mais barato do que comer leitão em prato, e passaram a gostar, tanto que hoje podemos afirmar que nas romarias do Grande Porto, o maior restaurante é o Cabeças. Da minha pequena roulotte, passei a ter uns stands em chapa, até decidir abrir o meu primeiro restaurante, há nove anos, em Matosinhos, a Casa dos Leitões. Mais recentemente, abri o Armazém das Sandes, em Rio Tinto, e, atualmente, nos meus restaurantes, sinto que consigo abranger várias “classes sociais”, porque tanto os que têm menos possibilidades, como os que têm mais, vêm cá comer, são bem servidos e não pagam muito dinheiro, ao contrário do que acontece na maioria dos restaurantes que servem leitão.

O Armazém das Sandes funciona com pré-pagamento, as pessoas são atendidas conforme a ordem de chegada e apostamos muito no atendimento rápido e de qualidade. Tem capacidade para 130 pessoas, no espaço interior, e ainda existe a esplanada. No que diz respeito ao negócio em si, esta é uma empresa familiar e eu trabalho muito com a ajuda da minha esposa. Estamos a evoluir cada vez mais, quer ao nível da equipa, como de infraestruturas. Neste momento, tenho 40 empregados e 12 carrinhas. Estas são úteis, principalmente, nas feiras e festas, para a montagem e desmontagem do material.

A marca “O Cabeças”, apesar de se situar no norte do país, é conhecida a nível nacional. Na prática, o que diferencia o vosso leitão do restante à venda no mercado?

O nosso leitão tem muita qualidade e é assado em fornos a lenha, feitos em barro. O calor do barro absorve a humidade da pele, o que faz com que fique sempre estaladiça. As pessoas gostam muito de vir cá comer e também sabem que o produto é bom e saboroso.

Para além do leitão servido no prato, também temos porco no espeto e uma elevada variedade de sandes, muito boas, em que o elemento principal pode ser o leitão ou outro, e o pão é feito por nós, cozido na hora. Existem ainda pregos no pão, onde está

22 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL PME EXCELÊNCIA | O CABEÇAS

incluído um lombo de carne de 120 gramas, e há pessoas que vêm ao nosso restaurante de propósito para comer os pregos, embora não seja esse o nosso ex-líbris. As nossas sopas também são muito apreciadas pelos clientes, como é o caso da sopa de nabos, o caldo verde e as papas de sarrabulho.

Um outro aspeto que também faz com que consigamos manter a qualidade dos pratos e satisfazer o cliente é o facto de não abdicarmos dos melhores condimentos e ingredientes. Por exemplo, o molho do porco no espeto é feito com cinco litros de vinho maduro, e eu considero imprescindível utilizar um bom vinho. Há colegas meus, que gerem outros restaurantes, que ficam surpreendidos por eu utilizar um vinho caro para o molho, mas, na minha ótica, se o molho é o elemento fundamental de um produto, não nos podemos desleixar nessa parte.

Nos meus restaurantes come-se bem, há uma boa relação qualidade/preço e existe um ótimo ambiente, não há ninguém que vá embora maldisposto. Paralelamente, eu estou sempre à procura de novas formas de satisfazer quem nos visita e também de continuar a melhorar. Se no final de um almoço, no meu restaurante, há um cliente que deixa um pouco de sopa no prato, eu tento, imediatamente, saber o motivo e entender se houve algo que falhou do nosso lado. É essa atenção que também nos permite evoluir.

Um reconhecimento do seu trabalho foi, também, a distinção “PME Excelência 2021”, nomeadamente, na categoria “Mais Crescimento”. O que significou este prémio para si, depois de tantos anos de dedicação e empenho?

Eu só soube que tinha sido nomeado para receber o prémio na véspera da Gala de Prémios, na qual as empresas foram distinguidas e, para mim, foi uma grande surpresa. Apesar de já ter sido premiado com a distinção de “PME Excelência”, em 2019 e 2020, a distinção “PME Excelência 2021”, na categoria “Mais Crescimento” é um motivo de grande orgulho, porque reconhece o nosso trabalho, esforço e crescimento. Foi um momento muito bonito ter subido ao palco e ter recebido a distinção, senti-me muito emocionado. É mais uma prova de que o trabalho árduo traz frutos.

Ao que pudemos apurar, há planos para a abertura de dois novos restaurantes num futuro próximo. Este é o reflexo do sucesso que o negócio está a ter e a prova de que os clientes gostam dos vossos pratos?

Sim, sem dúvida. Nós sentimos a necessidade de abrir novos restaurantes e acreditamos que os clientes que temos vão continuar a ser fiéis e vamos angariar ainda mais clientes. O primeiro restaurante a abrir será na zona de Ermesinde, em fevereiro, e vai chamar-se “A Catedral das Sandes - O Cabeças” e o segundo será nos Carvalhos, em Gaia.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 23 O CABEÇAS | PME EXCELÊNCIA
TAKE AWAY CASA DOS LEITÕES | AV. Serpa Pinto, 537 | 4450 - 282 Matosinhos | 91 554 94 94 22 938 03 33 ARMAZÉM DAS SANDES | Av. da Conduta, 964 | 4435 - 485 Rio Tinto, Gondomar | 22 018 94 09 . 93 445 38 55 PORCONOESPETO.OCABECAS_2004@HOTMAIL.COM

UMA EMPRESA FAMILIAR ENTRE AS MELHORES DO MERCADO INTERNACIONAL

A Lemorau tem quase 36 anos de existência e já foi premiada com a distinção de PME Excelência três vezes consecutivas, um motivo de orgulho para Raúl, Pedro e Susana Teixeira. Ao longo dos anos, a empresa foi conquistando o seu lugar no mercado internacional de máquinas para a indústria de rótulos e etiquetas, e hoje está entre as melhores a nível mundial.

A Lemorau dedica-se ao fabrico de máquinas de acabamento para a indústria de rótulos e etiquetas autoadesivas, a nível internacional. Fundada em 1987, a empresa começou por atuar no mercado português, mas, em 2013, começou a alargar a sua presença para outros territórios, estando já em 82 países, nos cinco continentes. A entrada no mercado internacional deu-se com a participação na Feira Internacional Label Expo Europe, na Bélgica, e foi a partir desse momento que começaram a exportar para os “quatro cantos do mundo”.

O negócio foi fundado por Raúl Teixeira, em conjunto com um sócio, e foi quando a sociedade terminou, que assumiu a responsabilidade total pela empresa. O filho, Pedro Teixeira, ao concluir os estudos, decidiu também juntar-se à equipa da Lemorau, em 2006, o que trouxe “um sangue novo, que mudou totalmente a ideologia da empresa”, conta Susana Teixeira, CFO & Sales e filha de Raúl. Foram as novas ideias de Pedro Teixeira, CEO e responsável pela área de projeto mecânico, que levaram a empresa à internacionalização e, consequentemente, à constante evolução. “Percebemos que

podíamos fazer parte deste sector, a nível internacional, e estar ao lado de grandes empresas”, afirma Pedro, acrescentando que “atualmente, já lutamos contra os melhores, estamos a esse nível”.

Raúl Teixeira destaca a importância do feedback dos clientes, um fator muito importante para o crescimento da empresa, porque é desta forma que conseguem atrair outros potenciais clientes. “Há clientes, nomeadamente, nos Estados Unidos da América, que gostam de saber a opinião de outros e partilhar a sua experiência também”, explica. Pedro acrescenta que “o cliente é a nossa prioridade, quer no momento de pré-venda, como na venda e no pós-venda, e isso é muito importante”.

As máquinas produzidas na Lemorau têm vários modelos, desde modelos standard a personalizados que se adaptam às necessidades do cliente. “As máquinas têm acesso à internet, nós conseguimos aceder à distância, e auxiliar o cliente caso haja algum problema, ou seja, necessário alguma assistência técnica, que é prestada com a máxima rapidez”, diz Susana Teixeira, realçando que este aspeto é “fundamental para conquistar o cliente”.

24 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL
PME EXCELÊNCIA | LEMORAU
Pedro Teixeira, Raúl Teixeira e Susana Teixeira, Administradores

Os três consideram que o que distingue as máquinas da Lemorau neste mercado é o fator qualidade-preço. “Se tivermos uma máquina muito boa e esta for cara, ninguém vai comprar, e o contrário também acontece”, diz Pedro. O projetista esclarece, ainda, que, em 2022, a empresa reestruturou radicalmente as máquinas, criando uma nova geração, que veio combater a falta de mão de obra qualificada. O facto destas máquinas serem automáticas veio, também, contribuir para a resolução deste problema, porque exigem pouca mão de obra e apenas monotorização. Paralelamente, produzem mais rapidamente e têm mais qualidade, o que foi uma mais-valia. “Inovação e produtividade têm de estar presentes todos os dias”, acrescenta.

O proprietário, Raúl Teixeira, aponta algumas das características

essenciais para um colaborador da Lemorau. Entre elas, está o gosto pelo trabalho, a vontade de fazer mais e melhor e a humildade. Já o filho, diz que, para além destas, é fundamental ser produtivo e eficiente, para que a empresa possa evoluir e manter-se competitiva.

Os objetivos da equipa focam-se no crescimento sustentado, conforme têm feito nos últimos 35 anos, e manter a aposta na inovação, para continuarem a prestar o serviço de excelência que prestam a todos os clientes. Preveem um futuro “risonho”, mas querem manter-se alerta, tendo em conta a instabilidade do mercado, devido a causas como a pandemia, a guerra ou a crise energética. Ainda assim, levantam um pouco do “véu” e contam que, em 2023, vão investir fortemente em produção massiva das máquinas e esperam, também, aumentar as instalações.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 25
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HOJE

A MAIOR EMPRESA DO SECTOR ARMEIRO EM PORTUGAL

O reconhecimento com o galdardão PME Excelência foi o mote para a conversa com Susana Silva, Administradora da Cacicambra, a maior empresa do sector armeiro em Portugal. Em entrevista, deu-nos a conhecer a génese da empresa e os pilares que ditaram o seu crescimento assinalável em mais de 30 anos de história.

representamos. Todas essas marcas em geral, salvo raríssimas exceções, também tiveram a mesma evolução e crescimento. Algumas começaram pequenas como a nossa empresa, mas hoje todas são marcas líderes na sua área de produção e as relações estabelecidas são muito sólidas. Posso dar um exemplo, que é a CZ, uma marca de origem checa, que começou por ser fabricante de carabinas, com um conceito ex-soviético e, hoje, é um colosso mundial, que vende armas para todas as áreas, desde a recreativa como é o caso do tiro desportivo, até à caça ou defesa, nomeadamente nas forças armadas e forças de segurança. É, à data de hoje, dominante também na parte de inovação e tecnologia, uma vez que partiu de uma base de indústria da revolução industrial com a manufatura e a metalúrgica e, hoje, é um colosso tecnológico, inclusivamente cotada em bolsa.

A Cacicambra comemora este ano 33 anos, mas como surgiu este projeto?

A empresa foi fundada em 28 de dezembro de 1990, dando continuidade a uma antecessora, denominada Santos Silva, que funcionou, no fundo, como incubadora do projeto da Cacicambra. Tratava-se de uma empresa de dois sócios, o Santos e o Silva, focada numa atividade muito próxima da nossa. Quando o Silva quis dar seguimento ao projeto, de uma forma profissional e a 100 por cento, a outra empresa cessou atividade, e o Silva seguiu sozinho, trilhando o caminho do que se haveria de denominar Cacicambra. Numa primeira fase, Cacicambra, Lda, começando como sociedade por quotas e, posteriormente, por força de lei de atividade, número de colaboradores e rácios atingidos, passou a Cacicambra, S.A.

O que faz desta a maior empresa do sector armeiro em Portugal?

Em primeiro lugar, continuamos a liderar o sector armeiro em Portugal. É um histórico de facto, e este ano iniciamos o nosso 33º aniversário, que será festejado no dia 28 de dezembro de 2023. Há uma base de evolução constante, ou seja, a nossa atividade, desde a fundação, foi sempre em crescendo e, hoje, a Cacicambra é uma empresa que representa muitas das principais marcas europeias de fabricantes de armas, munições, vestuário e acessórios específicos. Somos grossistas, fazemos distribuição, isto é, compramos para distribuir no mercado nacional e além fronteiras, e esta é a base da nossa atividade. Desde a génese da empresa que tivemos um líder que, essencialmente pelo conhecimento profundo do mercado, know-how, intuição e inteligência prática, teve a capacidade de selecionar bem as marcas que

Em suma, o segredo para nos tornarmos na maior empresa do sector armeiro foi, realmente, a correta seleção dos nossos parceiros, o desenvolvimento de boas relações, tanto a nível nacional como internacional, no que diz respeito aos bancos, mas também ao nível do revisor oficial de contas, técnico oficial de contas, informáticos e todos os nossos stakeholders.

Houve também uma evolução importante ao nível de alvarás. O nosso sector é muito regulado, neste caso, pelo Ministério da Administração Interna e tem uma forte componente burocrática. Existem vários tipos de alvarás, no nosso caso, temos alvará de armeiro do Ministério da Administração Interna, que cobre este edificio e nos permite comprar e vender a nossa tipologia de produto, mas também somos credenciados pelo Ministério da Defesa Nacional para fornecer o Estado e, aí, entra a nossa unidade de negócio que trabalha diretamente com as forças de segurança e com as forças armadas do nosso país. Também temos o alvará de entidade formadora e, porque o nosso mercado é restrito, procuramos sempre trabalhar muito para fora, desde Espanha, um mercado natural de exportação, mas igualmente os países de língua e expressão portuguesa, que são mercados de expansão natural para as empresas portuguesas, onde estamos presentes e equipamos as empresas de segurança privada, e onde damos muita formação de todos os produtos que comercializamos. O que temos que fazer num sector de nicho como este é aproveitar todas as oportunidades de negócio em que as marcas que representamos possam estar presentes.

A Cacicambra trabalha com marcas que garantem qualidade. Neste sentido, e tendo em consideração que “escolhem as marcas certas”, de que forma o fazem?

Procuramos que todas as nossas marcas tenham uma base de

26 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL PME EXCELÊNCIA | CACICAMBRA
Maria da Conceição Silva e Susana Silva na Gala PME Excelência

produção, porque, ao longo destes anos, muitas marcas passaram a ser só marca, por si só, sem uma base de produção, ou seja, são produzidas por outros fabricantes. A Cacicambra não representa nenhuma marca cuja base não esteja na origem e, praticamente, todas as nossas marcas têm a produção totalmente integrada. No caso dos cartuchos, em que representamos a marca Rio, a empresa produz desde o plástico ao fulminante e à pólvora, e nós valorizamos bastante este aspeto, porque é uma base de solidez e de confiança na qualidade. E esta segurança acaba por passar para os clientes.

E, em concreto, que tipo de produtos é que a Cacicambra disponibiliza aos clientes e que o público, de forma geral, pode não conhecer?

A Cacicambra trabalha a parte da caça e do tiro desportivo com arma de caça, onde Portugal tem vários palmarés, desde campeões da Europa, campeões do mundo. Na modalidade de tiro aos pratos, temos uma única medalha olímpica, mas tivemos vários atiradores em projetos olímpicos com resultados próximos do pódio. Depois, temos também o tiro desportivo com cano estriado, no ano passado fomos campeões do mundo por equipas, fomos galardoados no Luxemburgo e, entre muitos, destacamos o Major João Costa, uma figura ao mais alto nível internacional e Miguel Ramos em tiro dinâmico de pistola. No entanto, nós trabalhamos com todas as modalidades de tiro desportivo e respetivos materiais. E daí que também, pelas representadas que temos, fornecemos todos os ramos do Exército, a GNR, a PSP, a Polícia Judiciária e a Guarda Prisional.

Ao longo destes anos, integramos projetos estimulantes e de reconhecimento na nossa área de atividade. Mais recentemente, participamos enquanto fornecedores na construção do Banco Nacional de Provas, implementado em Viana do Castelo, que irá permitir a adesão de Portugal à Convenção Internacional de Prova(CIP). Os países que pertencem à convenção têm um Banco de Provas Oficial que certifica que as medidas, as resistências e as pressões das armas e munições estão em conformidade com essa convenção. Envolveu equipamento altamente tecnológico e de vanguarda que permitirá a Portugal tornar-se membro, podendo inclusivamente desenvolver um cluster industrial que está latente no nosso país.

Como se dá a entrada da Susana na empresa? Como avalia o crescimento e desenvolvimento da empresa?

Licenciei-me em Gestão de Empresas na Universidade Católica do Porto, pós-graduei-me em Marketing pela mesma escola e em Gestão de Vendas pela Porto Business School.

Integrei a empresa de forma definitiva em 2003, assumindo funções sempre ligadas às vendas. Foi uma evolução natural, porque a Cacicambra tem muita vitalidade, estamos num espaço com 2.000 metros quadrados, construído de raiz para o efeito e contempla uma excelente casa forte, mais de 1.300 metros quadrados em espaços de armazenagem, uma oficina totalmente equipada para serviços de assistência técnica e uma exclusiva carreira de tiro subterrânea insonorizada (adequada à afinação de carabinas com fogo real). Para além dos bem equipados espaços administrativos, possui armazém independente para vestuário e calçado, sala de exposições com 300 metros quadrados e sala de formação. Temos a maior capacidade de armazenamento do país.

Há pouco tempo, foram distinguidos com o estatuto de PME Excelência. Sentem que este é o resultado do trabalho que têm desenvolvido ao longo dos anos?

Sim. Os prémios que recebemos, PME Líder e PME Excelência, não eram um objetivo nosso, mas são, naturalmente, o reflexo do nosso trabalho e esforço e é bastante gratificante. A evolução da empresa, nos últimos anos, aumentou a nossa solidez e fez com que atingíssemos bons resultados, que nos deram a oportunidade de receber estes prémios e foi uma mais-valia para a empresa.

Para terminar, como é que olha para o futuro da Cacicambra?

O futuro da empresa terá de passar pela chamada transição digital! Precisamente pelo nosso modelo de negócio, esta é uma vertente que ainda não exploramos muito, e até agora não se revelava crucial, mas a verdade é que é cada vez mais importante e vamos investir nessa componente, para nos tornarmos, ainda mais, próximos dos clientes e dos jovens.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 27 CACICAMBRA | PME EXCELÊNCIA R. da Zona Industrial do Roligo, Espargo 4524-904 Santa Maria da Feira 256 330 800 256 330 809 www.cacicambra.pt

“SOMOS AMBICIOSOS E EMPREENDEDORES”

Foi em 2004 que surgiu a Pregozêzere, a empresa localizada em Ferreira do Zêzere, que é especializada em soluções de cofragem e execução de estruturas em betão armado. Através do testemunho de Carla Pires e Bruno Antunes, Sócios-Gerentes, ficámos a conhecer um pouco mais sobre o negócio e o mais recente projeto, a Zêzere Wash.

A história

A Pregozêzere foi fundada no ano de 2004, tendo iniciado a sua atividade com um dos atuais sócios-gerentes, Bruno Antunes, e dois funcionários. Pouco tempo depois, mais precisamente, dois anos, é Carla Pires, técnica de contabilidade e esposa de Bruno, quem se junta ao marido, tornando-se, ela também, sócia da empresa. Esta passou a tratar da área de contabilidade, assim como do trabalho administrativo.

O negócio foi criado com o propósito de ser uma mais-valia no mercado da construção civil, sendo que a empresa é especializada em soluções de cofragem e execução de estruturas em betão armado para todo o tipo de projetos. Ao longo dos 19 anos de presença no mercado, a Pregozêzere tem apresentado um crescimento e um desenvolvimento sustentados, o que, naturalmente, veio incrementar a sua notoriedade no sector em que se insere. A experiência que a equipa foi acumulando com o passar do tempo e o reconhecimento que foi tendo nesta área de negócio, fizeram com que fosse possível alargar o seu âmbito, o que permitiu que abraçassem algumas obras públicas.

Carla Pires conta que, desde o nascimento da Pregozêzere, a empresa já passou por várias crises, algo que é comum a todo o sector empresarial, mas “com esforço e dedicação”, conseguiram erguer-se e levar o negócio a “bom porto”, garante.

Em janeiro de 2019, a gerência e a equipa da Pregozêzere alcançaram um objetivo que tinham em mente há muito tempo

e adquiriram um terreno onde, posteriormente, implementaram um pavilhão, que serve de apoio à sua atividade. O pavilhão, construído de raiz, foi inaugurado em dezembro de 2021, e é lá que se encontram os escritórios da empresa, bem como o armazém, onde guardam todos os materiais necessários e também os veículos de transporte. Para além disso, este permite proporcionar melhores condições aos funcionários, que passaram a ter, por exemplo, balneários e um local para fazerem as suas refeições.

Em 2021, a empresa recebeu, pela primeira vez, a distinção de PME Líder e PME Excelência, algo que é um motivo de orgulho para os empresários e é fruto do trabalho árduo que têm desenvolvido ao longo de quase duas décadas.

Os serviços

A Pregozêzere disponibiliza aos seus clientes diversos serviços de especialidade, entre eles, estão as cofragens, nas quais desenvolvem soluções de cofragem e escoramento na montagem e desmontagem de sistemas de cofragem, para todo o tipo de estruturas em betão. Efetuam trabalhos a partir de betão armado, nos quais não abdicam de mão de obra especializada e qualificada para a aplicação de betão, até ao acabamento final. Paralelamente, oferecem serviços de implantação de obra, em que realizam a marcação no terreno para a abertura de fundações, quando é necessário, cumprindo as indicações do projeto em questão e a vontade do cliente.

Carla Pires explica que o trabalho da empresa é “muito

28 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL PME EXCELÊNCIA | PREGOZÊZERE
Bruno Antunes e Carla Pires, Sócios-Gerentes

específico”, tendo em conta que constroem o “esqueleto” de uma casa ou de um edifício. “Quando os clientes nos procuram, já têm uma ideia do que pretendem fazer, e nós damos o nosso orçamento, apenas para a parte da estrutura do projeto”, acrescenta.

A empresa foca-se, maioritariamente, na zona centro do país, nomeadamente em Coimbra, mas houve fases em que foram obrigados a alargar a sua área de atuação, tendo já concretizado obras “um pouco por todo o país”.

A equipa

A empresa, que começou por ser composta por apenas três pessoas, hoje conta com cerca de 32 pessoas. Mas, apesar deste crescimento, a técnica de contabilidade ressalva que, cada vez mais, se nota a falta de mão de obra especializada, uma vez que grande parte dessas pessoas acaba por ir à procura de outras oportunidades no estrangeiro.

No entanto, tanto Bruno Antunes, como Carla Pires, valorizam muito a equipa da Pregozêzere, porque, tal como dizem os próprios, “são estas pessoas que fazem a empresa crescer”. “Se não tivermos colaboradores que vistam a camisola, não vamos a lado nenhum, essa é a verdade”, constata Carla.

Expansão do negócio e projetos

Neste momento, a Pregozêzere está envolvida num grande projeto, que é a construção da base da Mercadona, a famosa cadeia de supermercados espanhola, em Almeirim, uma obra que pode trazer, ainda mais, prestígio à empresa. Apesar de o grupo que está à frente do projeto ser o TPB, a Pregozêzere está a trabalhar em colaboração com o mesmo, nomeadamente, na construção de depósitos subterrâneos para aproveitamento de águas.

Recentemente, Bruno e Carla decidiram abrir um negócio, para além desta empresa, a Zêzere Wash, criada em junho de 2019. Esta fica localizada em frente à Pregozêzere, e oferece serviços de lavagem automóvel, sendo que há a opção de self-service, em que os clientes podem lavar os seus próprios veículos, tendo à sua disposição lavagem auto, aspiração, e máquina de limpar tapetes ou a opção de limpeza personalizada, que inclui a limpeza do interior, estofos, higienização de ar condicionado e polimento de faróis e é feita por um profissional.

geral@pregozezere.pt

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 29 PREGOZÊZERE | PME EXCELÊNCIA
A Zêzere Wash está aberta de terça-feira a sábado, das 9h às 19h e, depois de quase quatro anos desde a inauguração, já demonstrou ser uma marca de confiança e uma aposta de sucesso. | www.pregozezere.pt

A CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA DA AMÉRICO R. ROLO - CONSTRUÇÕES

Tivemos a oportunidade de conversar com Américo Martins Rolo, o atual gerente da empresa, que abordou, com visível orgulho, a distinção de PME Excelência.

Ao que pudemos apurar, a Américo R. Rolo - Construções já conta com mais de 20 anos de existência. Explique como é que tudo começou e de que forma é que a empresa tem evoluído ao longo dos anos.

A Américo R. Rolo - Construções iniciou a sua atividade há quatro décadas, criada por Américo Rodrigues Rolo, com sede em Proença-a-Nova. Numa primeira fase, a sua atividade principal passou pelo aluguer de máquinas e prestação de serviços de terraplanagens, mas rapidamente as áreas de negócio se expandiram para a construção civil e obras públicas. Procurou sempre não se resignar, mesmo em momentos de crise, e acompanhar a evolução em termos técnicos e humanos, quer pela modernização do equipamento e técnicas de construção utilizadas, quer pelo acompanhamento e desenvolvimento da atividade por funcionários qualificados que têm, ao longo do tempo, assegurado que a empresa adota e implementa, sucessivamente, boas práticas nas suas diversas áreas de trabalho. Após o falecimento do seu fundador, em 2020, a continuidade da empresa é, atualmente, assegurada pelos seus descendentes, tendo o seu filho, Américo Martins Rolo, assumido a gerência e sendo, neste momento, o rosto mais visível da mesma.

Enumere os serviços que disponibilizam aos clientes. Qual é a vossa área de atuação?

Neste momento, as principais áreas de atuação da empresa são a construção civil e obras públicas, áreas em que tem conseguido garantir uma carteira de clientes e volume de trabalho amplamente suficientes para manter a atividade de forma bastante vigorosa. Ainda que com menor expressão, relativamente às anteriores, o aluguer de máquinas

ainda continua, também, a fazer parte do leque de atividades que a empresa disponibiliza aos seus clientes.

A Américo R. Rolo - Construções recebeu a distinção de PME Excelência. O que significa para vocês este galardão atribuído pelo IAPMEI?

A atribuição deste galardão reveste-se de extrema importância para a empresa, uma vez que representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido, pela superação constante dos objetivos a que se propõe. Conseguir na conjuntura atual, após a crise pandémica que afetou o mundo, com todas as pesadas consequências que acarretou consigo, e num contexto de situação económica nacional particularmente difícil, em que o crescimento a curto prazo se prevê bastante comprometido, é com particular orgulho que atingimos esta distinção, mantendo, contudo, a humildade que nos tem caracterizado sempre, bem como a confiança na relação que temos vindo a construir com os nossos clientes, fornecedores e colaborados, todos eles absolutamente essenciais para o sucesso da nossa atividade.

Relativamente ao futuro, que projetos tem em vista? De que forma é que pretende continuar a fazer desta empresa uma referência no mercado nacional?

Para o futuro, pretendemos continuar o trabalho desenvolvido até aqui, mantendo sempre presentes os valores implementados pelo fundador da empresa desde a sua génese, e que se têm revelado fundamentais para o seu processo de crescimento: o rigor no trabalho, a prontidão de resposta nos compromissos que assumimos, o estabelecimento de relações de confiança com clientes e fornecedores (sejam novos, sejam os de sempre!), que nos confere segurança para o presente e futuro e a permanente vontade de acompanhar a evolução, em termos técnicos e humanos, conscientes que a valorização destes dois capitais são pilares basilares para a nossa, ainda que modesta, orgulhosa posição no mercado nacional!

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PME EXCELÊNCIA | AMÉRICO R. ROLO - CONSTRUÇÕES
AVAC CONDUTAS DEPOSITOS ELETROFILTROS EQUIPAMENTOS TUBAGENS Análise de projetos de engenharia Consultoria de apoio Rua da Paz | 3800-587 Cacia - Portugal +351 234 312 152 | +351 234 312 153 geral@aveirisol.pt www.aveirisol.pt

ESPECIALISTAS EM SOLUÇÕES DE ISOLAMENTO TÉRMICO

Foco, rigor e sustentabilidade são os valores que caracterizam a Aveirisol. Nesta empresa, que conta já com mais de 20 anos de experiência no mercado, trabalham profissionais altamente qualificados que tudo fazem para levar até aos clientes as melhores soluções, no que se refere a isolamentos térmicos industriais, tal como explicam José Vilaça, Artur e André Maio.

José Vilaça começou a trabalhar nesta área aos 18 anos de idade, numa empresa que havia sido fundada pelos seus padrinhos. A certa altura, por sentir necessidade de mudar de vida, decide investir na criação do seu próprio negócio. Embora dominasse a vertente comercial e técnica, faltava-lhe uma pessoa da sua confiança que tratasse da execução. É assim que surge a aliança com o atual sócio e amigo, Artur Maio, aliança essa que marca o arranque da Aveirisol. Fundada na década de 90, esta empresa começou com apenas três pessoas, que trabalhavam num pequeno armazém. Hoje, as instalações têm, sensivelmente, 1400 metros quadrados, no que concerne ao espaço coberto e possuem uma área descoberta, ainda de maior dimensão.

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PME EXCELÊNCIA | AVEIRISOL
José Vilaça e Artur Maio, Sócios-Gerentes

A Aveirisol assume-se como uma parceira capaz de desenvolver, fornecer e instalar as mais adequadas soluções de isolamentos térmicos industriais, disponibilizando, para o efeito, serviços de desenvolvimento de soluções customizadas, produção/pré-fabrico, instalação/montagem especializada e, ainda, assistência técnica e manutenção.

São muitas as obras já realizadas em Portugal e, por isso, José Vilaça destaca o Aeroporto Sá Carneiro e o Hospital de S. João, no Porto, e o Campus de Justiça, em Lisboa. Apesar de já terem feito alguns trabalhos fora do país, sobretudo, em Espanha e França, o entrevistado revela que o foco é o mercado nacional.

Sobre o percurso desta empresa, José Vilaça reconhece que tem sido trilhado com muita cautela, nunca dando um “passo maior do que a perna”. Ainda assim, contando com uma média anual de faturação de cerca de 2 milhões e 600 mil euros, o crescimento da Aveirisol tem sido notório e o galardão de PME Excelência que lhe tem sido atribuído pelo IAPMEI, desde 2009, é mais uma confirmação do êxito da Aveirisol, sobretudo, no que diz respeito à performance económico-financeira.

A equipa e a necessidade de formação contínua

Na ótica de José Vilaça, “ter muitos colaboradores não é sinónimo de grandeza”. Aliás, o que é realmente importante é dispor de uma equipa “sólida, qualificada e pronta a dar resposta a qualquer desafio”. É por isso que, atualmente, contam com cerca de 30 colaboradores, que são responsáveis pela produção. Ainda assim, o entrevistado assume que, nos momentos “de maior aperto”, acabam por recorrer a mão de obra externa, com o objetivo de conseguirem ser mais ágeis na resposta aos clientes.

De salientar, de igual modo, que os profissionais da Aveirisol estão constantemente em ações de formação, sendo que estas são dadas, quer a nível interno, como externo.

André Maio (filho de Artur) que também já faz parte dos quadros da empresa há, aproximadamente, 15 anos, conta que um dos maiores desafios que os profissionais da Aveirisol enfrentam no dia a dia, é a flexibilidade que a área exige, isto é, “há momentos em que o volume de trabalho é tal que temos que fazer horas extra ou então trabalhar aos fins de semana”. Em contrapartida, existem alturas mais calmas, em que há menos trabalho.

O mesmo refere que, à medida que a sociedade vai evoluindo e

também com o advento das novas tecnologias, têm-se vindo a desenvolver novas áreas de negócio que até então eram desconhecidas como, por exemplo, “as almofadas térmicas”, pelo que a necessidade de inovar é permanente. Começaram, de igual modo, a atuar em novas áreas de intervenção, nomeadamente, na indústria naval e na indústria alimentar que “têm vindo a adotar normas mais específicas, às quais nós temos que corresponder ao máximo”, explica.

Visão sobre a atualidade e planos para o futuro

André Maio mostra-se bastante otimista, no que concerne à atualidade do mercado, revelando que “existem novos projetos”. Ainda assim, este reconhece que a manutenção industrial é uma área muito importante para esta empresa, uma vez que se trata de um serviço que é procurado diariamente. Por outro lado, José Vilaça, confidencia que, para além dos trabalhos agendados para o presente ano, já têm em carteira obras para iniciar em 2024.

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AVEIRISOL | PME EXCELÊNCIA

45 ANOS PAUTADOS POR UMA RELAÇÃO DE CONFIANÇA

Após um longo período de tempo emigrado na França, António Gonçalves Dias tomou uma decisão que mudou, radicalmente, a sua vida para melhor, regressar a Portugal e fundar a sua própria empresa ligada à indústria metalúrgica. Hoje, a Gomel é reconhecida como uma empresa com excelentes profissionais que procuram disponibilizar as melhores soluções aos seus clientes. Fiquemos a conhecer um pouco mais sobre a mesma, através das palavras do seu fundador.

António Gonçalves Dias começou a trabalhar desde tenra idade. Tinha apenas 14 anos quando enveredou pela área da metalúrgica. Passados dois anos, emigrou para França, país onde viveu e trabalhou durante 13 anos da sua vida e onde aprendeu muito daquilo que sabe hoje, tal como o próprio reconhece.

Em 1978, decide voltar para Portugal e abrir o seu próprio negócio, a Gomel, que está localizada na Rua Principal nº 106 - Sandoeira, em Ourém. Esta começou por ser uma empresa do sector da serralharia civil. Atualmente, tem-se vindo a especializar no fabrico e montagem de estruturas metálicas para pavilhões industriais, coberturas, fachadas, pontes, entre outros, prestando serviços ao nível da perfilagem, corte e quinagem, decapagem automática e manual, pintura e metalização. No fundo, tal como o proprietário indica, fazem de tudo, “desde o cabide até ao portão ou até pavilhão, do pequeno ao maior”.

Quanto aos trabalhos já efetuados, o entrevistado destaca a obra realizada para a empresa Uniovo, que se dedica à produção de ovos, para a qual fizeram um vão de 50 metros e 100 pilares. Orgulha-se, igualmente, do projeto levado a cabo com a Petmaxi, uma fábrica portuguesa de alimentos para animais

de companhia. “Esta foi a maior obra que alguma vez fizemos”, salienta, destacando, no entanto, outros grandes clientes, como a Zêzerovo, a Agrozel, a Rações Zêzere e a Campovo. Relativamente à área de atuação, a Gomel abrange, sobretudo, as zonas de Ferreira do Zêzere e Lisboa. No entanto, para além dos trabalhos realizados em Portugal, os serviços desta empresa já são procurados além-fronteiras, nomeadamente em Angola.

O sucesso está à vista de todos e a confirmação disso é o estatuto de PME Líder, que demonstra a solidez financeira da empresa e evidencia a gestão cuidada, sendo que tudo isto é um enorme “motivo de orgulho” para o fundador António Gonçalves Dias.

Todavia, este não é o único negócio do entrevistado, uma vez que é, de igual modo, sócio maioritário da Perficentro, que se encontra situada na Zona Industrial Lote 14, também em Ourém. Esta empresa foi constituída há, sensivelmente, 30 anos e dedica-se à perfilagem a frio, um processo de dobradura contínua, em que uma tira de chapa (normalmente em aço ou alumínio), é passada através de uma série de rolos montados em grupos consecutivos, sendo que cada um deles realiza uma parte

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PME EXCELÊNCIA | GOMEL
Ivete Gonçalves, António Gonçalves Dias e Renato Gonçalves na gala PME Excelência

da moldagem até obter o perfil com a forma desejada. António conta, ainda, que “na Gomel gastamos cerca de 10% daquilo que é fabricado na Perficentro”.

Relação com os clientes

Através da qualidade dos serviços prestados e do profissionalismo da equipa, a Gomel tem estabelecido, ao longo dos anos, uma relação de proximidade e confiança com os seus clientes, alguns dos quais já os procuram há vários anos. Por vezes, “nem perguntam sobre o valor da obra, eu só apresento a fatura no final”, o que é uma prova inequívoca dessa confiabilidade.

A atenção e o apoio prestado aos clientes são, de igual modo, características que fazem parte da identidade da Gomel e que acabam por fidelizar as pessoas. “Se for necessário, até mudamos as fechaduras das portas. Tentamos sempre ajudar”, revela o entrevistado.

A longevidade da equipa

“A empresa está no mercado há 45 anos e temos colaboradores com 35 de casa. Muitos estão connosco, praticamente, desde o início”, começa por revelar o fundador, com manifesto orgulho.

Assim, a Gomel é composta por uma equipa com cerca de 25 técnicos qualificados que procuram, ao máximo, ir ao encontro das necessidades dos clientes. Ainda assim, António reconhece que é cada vez mais difícil arranjar mão de obra qualificada e que muitos trabalhadores acabam por emigrar, tendo em conta o nível salarial dos outros países.

A família e a garantia do futuro

Quando questionado acerca do futuro da sua empresa, o entrevistado refere que o facto dos filhos Ivete e Humberto Gonçalves e do neto Renato Gonçalves, fazerem parte da empresa há algum tempo, lhe dá alguma esperança de que o futuro da Gomel estará assegurado. De momento, pretende manter o trabalho que tem sido feito e, se possível, crescer, mas de forma sustentada.

R. Principal nº 106 Sandoeira 2435-531 Rio de Couros

249 559 649

geral@gomel.pt www.gomel.com

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GOMEL | PME EXCELÊNCIA

REFERÊNCIA NO SECTOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Em conversa com a Business Portugal, Rodrigo Brás, o Gerente da Rodrigo M. Brás Construções, fala sobre o início do projeto e, perspetivando o futuro, manifesta o seu desejo de expandir o negócio para as zonas norte e sul do país.

Sendo esta uma empresa com cerca de 15 anos de atividade, explique de que forma é que tudo começou e como é que esta tem evoluído ao longo dos anos.

A Rodrigo M. Brás Construções, Lda. nasceu no ano de 2008, com o principal objetivo de superar as expectativas dos clientes, volvidos catorze anos de um trajeto de crescimento no ramo da construção, para a promoção da região.

Desde a sua criação, pretendeu-se que a Rodrigo M. Brás Construções, se tornasse uma referência de qualidade no sector da construção civil, na região, objetivo que está até hoje cumprido,

tudo graças à gestão dos nossos recursos humanos e profissionalismo dos nossos colaboradores.

O reconhecimento que temos até ao momento é fruto da confiança que temos tido por parte dos nossos parceiros e clientes, e assumimos, desde sempre, o papel de elevar ao máximo a construção civil na cidade de Lisboa e na região oeste.

Qual é a vossa área de atuação?

A Rodrigo M. Brás construções executa trabalhos em vários sectores, industrial, edifícios históricos, unidades hoteleiras, condomínios, clínicas, hospitais, parques de estacionamento e casas particulares.

A distinção de PME Excelência resulta da solidez da empresa e da gestão cuidada?

Sim, a distinção de PME Excelência é o resultado da solidez financeira da empresa, ao longo do ano. Por outras palavras, este galardão comprova a gestão financeira ou económica cuidada, sobretudo, no que diz respeito aos recursos humanos.

Relativamente ao futuro, que projetos é que tem em mente?

Relativamente ao futuro, os planos passam por expandir o negócio para a zona norte e sul de Portugal, continuando a envidar esforços para garantir a satisfação dos nossos clientes privados e públicos.

36 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL PME EXCELÊNCIA | RODRIGO M. BRÁS CONSTRUÇÕES R. das Caldeiras Nº 15 2565-834 Carreiras de Baixo 219 834 716 geral@rmbras.pt rodrigombras@gmail.com
Altis Avenida Hotel Convento do Sacramento Edifício Orpheu Myriad Palácio de Belém

A HISTÓRIA DE UM

HOTEL COM UM PROPÓSITO SOLIDÁRIO

O Padre José Augusto deu-nos a conhecer o Steyler Fátima Hotel. Reconhecido pelos seus hóspedes pela qualidade acima da média, aqueles que por lá passam, acabam por regressar, tal como nos conta o próprio.

Para começar, gostaríamos de conhecer um pouco sobre a história do Steyler Fátima Hotel que, pelo que sabemos, nasceu com um propósito solidário. O que nos pode contar sobre isto?

Eu faço parte da congregação dos Missionários do Verbo Divino, fundada na Holanda, por um padre alemão, Arnaldo Janssen. Desde o início que a congregação procurou acolher sacerdotes e irmãos de vários países, tendo começado na China, alargando-se, mais tarde, para os outros países, estando, atualmente, em cerca de 80 países. Em Portugal, estamos desde 1949, e a presença verbita iniciou-se na vila de Tortosendo, perto da Covilhã. Posteriormente, também se manifestou a vontade de criar uma comunidade verbita em Fátima, junto ao Santuário da Nossa Senhora, e, por isso, no dia 21 de setembro de 1954, abriu o ano letivo do novo Seminário.

A história do hotel em si, está ligada ao nome de José Otto Popp, sacerdote SVD. Quando este chegou a Portugal, vindo da Alemanha, para assumir o cargo de superior regional, trouxe consigo experiência e sabedoria suficiente para entender que era necessária a criação de fundos económicos, de modo a consolidar a atividade missionária da

Igreja. Com o propósito de apostar na sustentabilidade económica, adquiriu, em 1960, a Pensão Iria, no local onde se encontra, atualmente, o Steyler Fátima Hotel e a Paramentaria Verbo Divino. Na altura, decidiu alterar o nome para Casa Verbo Divino, dando-lhe uma identidade verbita. Ao longo do tempo, foram ocorrendo transformações que aumentaram a capacidade da nossa unidade hoteleira e é em 2009 que a instituição passa a chamar-se Steyler Fátima Hotel. Esta mudança dá-se pela necessidade de evidenciar o caráter internacional desta unidade, em Fátima, tendo-se também manifestado na qualidade e inovação dos serviços que presta.

Qual é a capacidade total deste hotel? Todos os vossos hóspedes estão associados à prática religiosa?

O Steyler Fátima Hotel é um hotel de quatro estrelas que, de momento, conta com cinco apartamentos e 204 quartos na totalidade. Para além das suites, temos quartos singles, duplos, triplos e quádruplos. Quando terminamos as remodelações, por volta de 2015, um dos nossos principais objetivos era atrair famílias e é por isso que os quartos, em geral, são bastante espaçosos e têm capacidade para três camas e um berço, se necessário. Ainda ao nível dos espaços, temos uma capela, um jardim com a Via Sacra, a Paramentaria, um atelier, ginásio, o Kids Club e um parque de estacionamento gratuito.

Relativamente aos hóspedes, aos fins de semana, normalmente, recebemos grupos que estão ligados ao turismo religioso e que vêm para participar nessas celebrações, nomeadamente no dia 13. Já durante a semana, somos procurados por muitas pessoas que veem a cidade de Fátima como um lugar central, o que lhes permite, depois, visitar outros locais. Isto veio ajudar-nos a diminuir a diferença que sentíamos, em termos de movimento, entre o período semanal e os fins de semana. Ademais, o facto de termos duas salas e um auditório, deu-nos a possibilidade de poder receber congressos, sessões de formação, encontros empresariais, entre outros. Ainda assim, importa referir que o hotel está aberto a todos e que o objetivo desta casa se mantém inalterado: queremos ser uma fonte de rendimento que suporte, não só a nossa atividade em Portugal, mas também outros locais que possamos ajudar.

Criaram o Kids Club precisamente com esse propósito de atrair mais famílias?

No âmbito dessa renovação, criamos o Kids Club, cujo contexto está associado à mensagem de Fátima, nomeadamente,

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Padre José Augusto

às aparições do anjo. Há uma gruta onde as crianças podem brincar e umas pinturas na parede que representam o próprio anjo. Paralelamente, colocamos à sua disposição alguns tablets, porque consideramos que, nos tempos que correm, as novas tecnologias são indispensáveis. Concomitantemente, temos um parque exterior, onde as crianças também se podem divertir se estiver bom tempo.

Foquemo-nos no atelier e na Paramentaria. A qualidade é o que faz realmente a diferença nos vossos produtos?

Neste atelier produzimos artigos de qualidade e à medida do cliente. Para além de restaurarmos imagens, paramentos ou os estandartes das procissões, também fazemos artigos novos e é por esse motivo que temos, por exemplo, uma costureira e uma pintora. Além disso, vendemos os tecidos para que as pessoas possam, também elas, fazer os seus artigos em casa. Procuramos primar pela qualidade e, recentemente, criamos uma linha low-cost a pensar no público com menos possibilidades em termos económicos. Há que destacar o trabalho da nossa equipa, dotada de experiência e criatividade, que todos os dias dá o seu melhor, em prol do bom funcionamento da casa.

Voltando aos hóspedes, aqueles que, em algum momento, frequentaram o vosso hotel, acabam por voltar?

Sim, felizmente temos criado uma relação de fidelização com aqueles que nos visitam. Isto é fruto de uma ação bastante forte ao nível do marketing, principalmente nas feiras de turismo religioso, onde temos participado, o que nos tem permitido diminuir a sazonalidade que, como é sabido, é um dos principais problemas que os hotéis localizados em Fátima enfrentam.

O prémio de PME Excelência é o reflexo de uma gestão cuidada?

Sim, tudo isto exige uma gestão muito cuidada, até porque uma parte do hotel já está totalmente renovada, mas a outra ainda está a ser. No fundo, temos que gerir dois hotéis que, apesar de garantirem o mesmo serviço de qualidade, os quartos que os compõem possuem decorações distintas. Enquanto que um deles tem uma decoração mais clássica e está vocacionado para grupos, a parte renovada está mais direcionada para individuais ou grupos mais exigentes, no que se refere à qualidade do quarto.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 39

A Cibersegurança pode, igualmente, ser denominada de segurança da tecnologia da informação ou segurança de informações eletrónicas e diz respeito à prática que protege computadores e servidores, dispositivos móveis, sistemas eletrónicos, redes e dados, contra ataques maliciosos.

Este termo pode ser utilizado em vários contextos, desde os negócios à computação móvel e abrange várias categorias, como a Segurança de Rede, Segurança de Aplicativos, Segurança de Informações, Segurança Operacional, Recuperação de desastres e continuidade dos negócios e Educação do usuário final.

O acrónimo “CIA” é frequentemente utilizado para representar os três pilares da Cibersegurança: Confidencialidade (manter os dados secretos e garantir que apenas as pessoas autorizadas podem aceder a dados e ficheiros importantes; Integridade (garantir que as informações permanecem intactas e que ninguém interfere); Acesso (assegurar que cada um pode aceder às suas informações e sistemas, quando for necessário). Uma vez que as empresas dependem, cada vez mais, das novas tecnologias, a Cibersegurança assume um papel de extrema importância. O mundo digital veio “abrir muitas portas” e trouxe várias vantagens, como a facilitação das comunicações e o acesso à informação.

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CIBERSEGURANÇA

Contudo, também nos fez conhecer novos mundos, em que a criatividade e o conhecimento nem sempre são usados da melhor forma. Muitas vezes, são utilizados para fins maliciosos e a Internet é um palco para ações que podem trazer severos prejuízos, quer para os indivíduos, quer para as empresas. Por esta razão, é essencial ter um bom plano, neste âmbito, tendo em conta que não há organizações pequenas demais para serem atacadas, todas podem ser um alvo.

Sendo impossível prever quando poderá ocorrer um ciberataque, as organizações devem garantir que estão bem protegidas, no caso de essa eventualidade acontecer.

Encontramo-nos num momento de incerteza, no que diz respeito ao futuro das empresas e da esfera dos negócios, em Portugal e no mundo, mas há algo que sabemos: o mundo digital deve e tem de ser protegido. A segurança online deve fazer parte da lista de prioridades das empresas, neste novo ano de 2023.

Desta vez, damos-lhe conta de uma empresa que tem envidado esforços, no sentido de disponibilizar soluções ao nível da Cibersegurança para outras organizações, tornando-se numa importante aliada para as mesmas.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 41

“SERVIR PARA TRANSFORMAR”

Com base na premissa de que “a Redshift são as pessoas”, João Manso (CEO), destaca a importância do trabalho em equipa e do estabelecimento de uma relação de confiança com os respetivos parceiros e clientes.

Contando com cerca de 23 anos de experiência no mercado, como é que olha para o percurso que a Redshift tem vindo a fazer? Na eventualidade de poder destacar alguns marcos importantes, quais é que seriam?

A Redshift tem tido um crescimento sustentável, apostando sempre na angariação e na retenção de talento nas suas equipas, altamente especializadas em áreas de inovação, com elevadas exigências em termos de competências.

Este elevado grau de especialização, aliado a uma cultura empresarial de “Servir para Transformar”, tem feito com que um número crescente de grandes Clientes confie nas soluções e serviços da nossa empresa.

Como marcos importantes posso referir a constituição da Redshift II Solutions e da Redshift III Innovation, que nos permitiram alargar a nossa oferta e criar uma equipa de I&D para o desenvolvimento de produtos Redshift, que hoje já têm referências de grande dimensão e têm contribuído para o nosso processo de internacionalização reforçado, no final do ano passado, com a abertura da primeira Redshift, fora do território nacional em Madrid, Espanha.

Nos últimos anos, a cibercriminalidade atingiu valores recorde e, por isso, são milhares as empresas a apostar na utilização de soluções digitais. De que forma é que a Redshift poderá ser uma importante aliada para as empresas? Quais as suas mais-valias no que diz respeito ao tema da Cibersegurança?

A nossa oferta em Cibersegurança é bastante abrangente, o que permite que, após realizarmos uma auditoria a um Cliente, o possamos auxiliar na definição de um plano de evolução e investimento, que, ao longo do tempo, permita que a sua maturidade em termos de segurança de informação vá aumentando, com a definição de políticas, adequação de processos, incorporação de tecnologias balizadas, naturalmente, pela necessidade e capacidade de investimento, mas também na capacitação dos recursos humanos, reforçados em muitas situações por serviços especializados, onde a Redshift tem alargado a sua oferta, seja de Managed Services, Suporte, Engenharia ou Outsourcing

Sendo uma empresa de referência no mercado das IT, quais são os principais serviços/soluções que disponibilizam aos clientes?

Ao longo dos anos, temos vindo a alargar o número de unidades de negócio e, atualmente, temos equipas especializadas em soluções e serviços de Cibersegurança, Networking , Governance , Risk & Compliance, Clouds & Datacenters, Low Code e Information Management.

Em Cibersegurança, destacaria os nossos serviços e soluções de

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João Manso, CEO

SOC, Pentests , análise forense digital, gestão de vulnerabilidades em redes IT e OT (industriais), análise estática e dinâmica de código, SIEM´s (correlação de logs ) e Gestão de Identidades, entre outras.

Em GRC, auxiliamos os nossos Clientes a obterem a conformidade com diversas normas e legislação, tais como, a ISO 27001 ou o DL65/2021 e, mais recentemente, o EC QNRCS, mas também outras como NIST-800, EU/NIS, EU/DORA, ISO 2000, VDA/TISAX, ANACOM R303/19.

Em Information Management, somos parceiros IBM e Opentext e os nossos produtos RED.Doc e RED.Scan são produtos de Gestão Documental e de Captura Inteligente de documentos que podem complementar as ofertas dos fabricantes por serem aceleradores dos projetos, reduzindo o risco e os tempos de implementação da Transformação Digital. Pela nossa experiência de implementações em mais de 40 mil utilizadores, estes contribuem ainda como fator de sucesso na gestão da mudança dos métodos de trabalho dos utilizadores.

A área de Low Code é uma das áreas com maior crescimento na Redshift, tendo crescido organicamente para uma equipa com mais de 50 elementos especializados e certificados em Outsystems. Neste momento, existe mais de uma dezena de Clientes internacionais onde fizemos implementações de projetos com base nesta tecnologia.

A vossa missão passa por ajudar os clientes a escolherem as melhores tecnologias e soluções de ponta que melhor se adequam aos seus objetivos?

A Redshift tem na sua génese a consultoria tecnológica, já que, desde o nosso primeiro cliente, em 2010, trabalhámos na avaliação das necessidades e na arquitetura de soluções tecnológicas que permitam ao nosso cliente evoluir, muitas vezes de forma disruptiva, mas fazendo investimentos que se prolonguem por muitos anos e, em alguns casos, por décadas.

Atualmente, continuamos a manter o mesmo objetivo, de propor as melhores tecnologias, as mais adequadas ao cliente e aos seus objetivos, mesmo que não sejam as que nós hoje representamos, sendo que o conhecimento acumulado da equipa é muito mais alargado do que as tecnologias que estão no nosso portfólio de fornecimento.

É este conhecimento aumentado que permite à equipa propor a melhor solução, mas também ter a perceção do seu correto modelo de implementação e exploração, permitindo-nos ajudar também os clientes com a sua integração e utilização, potenciando o investimento e o sucesso da tecnologia.

Podemos afirmar que o sucesso desta empresa está diretamente relacionado com o facto de escolherem bem os seus parceiros e contarem com uma equipa altamente especializada?

investimento em formação, treino e certificação permite-nos, não só o reconhecimento pelos parceiros, mas também robustecer a nossa credibilidade e aceitação pelos clientes. São fatores críticos de sucesso, a especialização, mas também um conhecimento alargado, para garantir o sucesso nas relações que mantemos com parceiros e clientes.

Tendo em conta que as empresas dependem cada vez mais de tecnologia e que olham para a Cibersegurança como uma matéria de extrema importância para prevenir eventuais ataques, como é que perspetiva o futuro da empresa?

A Cibersegurança é um fator cada vez mais crítico pela necessidade, crescente, que a sociedade tem de implementar novas tecnologias e da super dependência das mesmas. Quanto mais tecnologia temos, maior é o problema da Cibersegurança, maior é a superfície de ataque, mais expostos ficamos às vulnerabilidades que existem e às que nós criamos, todos os dias. Por esse motivo, e porque a Cibersegurança é, por necessidade, um modelo coletivo, estamos a desenvolver atividades que consideramos críticas para a evolução dos nossos serviços. Começamos por definir como objetivo colocar a nossa equipa de SOC dentro da rede de CSIRT, candidatura que está a ser ultimada, mas também em alargar as parcerias internacionais, que nos permitem, não só alargar a nossa capacidade de prestar serviços, mas também aumentar e potenciar as nossas capacidades. É o caso da parceria estabelecida em dezembro de 2022 com a ACS Agile Cybersecurity Solutions, LLC, uma empresa americana especializada em serviços de Cibersegurança, que nos irá elevar a patamares de competência, com o seu pessoal altamente especializado e com serviços de SOC/MDR/XDR, que, integrados nos nossos próprios serviços de SOC, nos permitirão, em conjunto, servir empresas nacionais e internacionais, conjugando a competência e conhecimento das equipas e fornecendo serviços de topo de nível mundial, mas disponíveis também no mercado nacional. A nossa perspetiva é expandir internacionalmente, mantendo o foco em servir o mercado nacional, que, com parcerias como esta, beneficia de profissionais formados e treinados em ambientes mais diversificados, alguns bem operacionais e, desta forma, trazer mais competência e capacidade no serviço prestado a entidades portuguesas públicas e privadas.

A Redshift são pessoas. São os nossos talentos, os nossos parceiros e os nossos clientes. O investimento no desenvolvimento de competências e capacidades das equipas, associadas a uma forte vertente de colaboração com os parceiros, permite-nos estabelecer pontes de confiança com os nossos clientes. A relação humana construída entre equipas nossas, de parceiros e clientes, permite-nos manter relações de longa duração, pois quase todas duram desde o seu estabelecimento. Temos clientes que mantemos há 12 anos e parceiros que mantemos há mais de dez. O contínuo http://redshift.global/

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REDSHIFT | CIBERSEGURANÇA

Especial Saúde

DIA MUNDIAL DO DOENTE
Jan. 2023

DIA MUNDIAL DO DOENTE

Metade dos adultos portugueses tem pelo menos dois problemas de saúde.

Estudo da Faculdade de Medicina aponta a excessiva exposição a ecrãs, má qualidade do sono e stress como as principais causas dos problemas atuais.

Uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revelou que cerca de metade da população adulta portuguesa tem dois ou mais problemas de saúde e que esse risco numa pessoa aumenta 4% por cada ano de idade.

Os autores procuraram analisar a prevalência da multimorbilidade (ter dois ou mais problemas de saúde) em Portugal e a sua associação com os estilos de vida dos indivíduos e os fatores sociodemográficos. Segundo os investigadores, os dados sugerem que “a multimorbilidade tem, atualmente, uma prevalência excessiva em Portugal”, ao mesmo tempo que sublinham a necessidade de se “otimizar e ajustar as medidas de prevenção das doenças não transmissíveis com o objetivo de melhorar a saúde da população”.

Para chegar a esta conclusão, os autores avaliaram uma amostra representativa da população adulta portuguesa, constituída por 891 participantes com mais de 20 anos, e constataram que praticamente metade das pessoas tinha dois ou mais problemas de saúde associados. Os resultados revelaram que 21,1% manifestava dois problemas de saúde, 12,1% três, 7,7% quatro e 8% cinco ou mais problemas de saúde.

Entre os problemas de saúde relatados pelos doentes contam-se casos de dores osteoarticulares, hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, asma e cancro, entre outros.

“Este é um reconhecido problema fundamental de saúde pública, já que estamos a falar de situações com necessidades de saúde acrescidas, o que acaba por se traduzir num aumento do volume de trabalho ao nível dos serviços de saúde”, explica Rosália Páscoa, docente da FMUP e investigadora do CINTESIS.

Moderar exposição a ecrãs, menos stress e bom sono “dão” mais saúde.

Neste trabalho, os investigadores analisaram também o “peso” dos estilos de vida e fatores sociodemográficos. Os dados revelam que o tempo excessivo de exposição a ecrãs e a má qualidade de sono estão associados a um risco aumentado de sofrer de duas

ou mais doenças, enquanto que níveis mais baixos de stress se relacionaram com um menor número de condições crónicas.

Já em relação aos hábitos tabágicos, os participantes que pararam de fumar há mais de um ano apresentaram um aumento de 91% de risco de multimorbilidade em comparação aos que nunca fumaram. Segundo os autores, uma interpretação possível “pode estar relacionada com o facto de que a maioria dos fumadores tenha deixado o tabaco só depois de ter sido diagnosticada com algum problema de saúde”. Os investigadores sublinham que o caminho em direção a uma vida saudável passará por bons hábitos como não fumar, uma boa qualidade de sono, exposição moderada a ecrãs e uma gestão adequada dos níveis de stress, fatores esses com maior impacto na multimorbilidade.

Publicado na revista científica BMC Public Health, este estudo contou com a participação dos investigadores Rosália Páscoa (FMUP/CINTESIS), Andreia Teixeira (FMUP/CINTESIS), Hugo Monteiro (ARS-Norte), Filipe Prazeres (CINTESIS) e Carlos Martins (CINTESIS/RISE).

Fonte: FMUP

Dia Mundial do Doente

O Dia Mundial do Doente é celebrado, anualmente, a 11 de fevereiro.

A data foi instituída a 11 de fevereiro de 1992, pelo Papa João Paulo II. Na carta de instituição do Dia Mundial do Doente, o Papa João Paulo II lembrou que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”. A efeméride, em memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes (França), é celebrada todos os anos pela Igreja Católica.

Dia Mundial do Doente em Portugal

O Dia Mundial do Doente é celebrado em Portugal através da celebração de missas e de ações que visam sensibilizar a sociedade civil para a necessidade de apoiar e ajudar todas as pessoas doentes.

No dia 11 de fevereiro o Santuário de Fátima organiza a oração do rosário, na Capelinha das Aparições. Esta cerimónia é aberta à participação de todos.

Sendo um importante dia para a Igreja Católica, o dia mundial do doente é consagrado à reflexão e à oração.

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Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

Oferta Formativa:

Cursos de Licenciatura, Mestrados Integrados e Mestrado

• Medicina (Mestrado Integrado)

• Ciências Farmacêuticas (Mestrado Integrado)

• Ciências Biomédicas (Licenciatura e Mestrado)

• Optometria e Ciências da Visão (Licenciatura e Mestrado)

Doutoramentos

• Medicina

• Ciências Farmacêuticas

• Biomedicina

Pós-graduações e cursos de curta duração não conferentes de grau

• Hidrologia e Climatologia

• Tele-saúde

• Ventilação Não Invasiva

• Curso Prático de Microscopia de Fluorescência

• Análise de Imagem do Gene à Proteína: Uma Abordagem Prática

• Curso Prático de Grau em Metabolómica por Ressonância Magnética Nuclear: Princípios, Métodos e Aplicações

• Desenvolvimento de Fármacos a Partir de Biodiversidade Vegetal

• Farmacovigilância e Segurança do Medicamento

• Descoberta ao Desenvolvimento Pré-Clínico de Fármacos

• Curso Avançado de Resistência a Antimicrobianos

RECURSOS

• Centro Académico Clínico das Beiras (CACB)

• Centro de Coordenação da Investigação Clínica das Beiras (C2ICB)

• Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS-UBI)

• Centro Clínico e Experimental de Ciências de Visão (CCECV)

• Biobanco

• Unidade de Farmacovigilância

• Museu Memórias da Saúde

Mais informações: www.fcsaude.ubi.pt | www.ubi.pt

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DERMATITE ATÓPICA NA INFÂNCIA - UMA REVOLUÇÃO NO TRATAMENTO

A Dermatite (ou eczema) Atópica é uma das doenças crónicas de pele mais comuns, estimando-se que afete 4,4% da população em Portugal. A sua prevalência na idade pediátrica é particularmente elevada, afetando cerca de 10 a 20% das crianças e adolescentes. Embora a dermatite atópica melhore numa proporção significativa, as lesões e os sintomas persistem para a idade adulta, em muitos casos, podendo até agravar.

A Dermatite Atópica é uma doença pautada por dor e prurido (comichão) diário. As lesões resultam da inflamação da pele - vermelhidão (eritema), descamação, exsudação e escoriações - e, quando a inflamação é prolongada, espessamento da pele (liquenificação). As lesões localizam-se, tipicamente, na face e superfície extensora (“parte de fora”) dos braços e pernas dos bebés e crianças muito jovens. Nas crianças mais velhas e adolescentes, são mais frequentes lesões nas pregas dos cotovelos, dos joelhos e no pescoço. Ocasionalmente, esta doença pode afetar toda a pele e motivar internamento hospitalar.

Esta é uma doença física e emocionalmente debilitante, quer para os doentes, quer para os familiares. Apesar das lesões de eczema e do prurido serem o mais visível, estes são apenas o topo de um iceberg, o qual esconde outras manifestações, como exclusão social e escolar, bullying, baixa autoestima e evicção de exercício físico. A seleção do vestuário é também impactada, com alguns jovens preferindo usar roupas compridas, de modo a esconder as suas lesões. As noites mal dormidas são também frequentes, o que leva a fadiga e prejudica a capacidade de concentração e aprendizagem. Apesar disto, a Dermatite Atópica é ainda desvalorizada como “só uma doença de pele”, o que em nada ajuda o sofrimento daqueles que dela padecem.

A causa exata da Dermatite Atópica não é conhecida, mas parece tratar-se de uma combinação de fatores genéticos e ambientais - frequentemente, estes doentes têm um historial familiar da doença, e podem também ter outras doenças do espetro da atopia, como a asma

ou rinite alérgica. O tratamento da Dermatite Atópica é complexo e envolve vários eixos terapêuticos. Emolientes e produtos de banho adequados, evicção de alguns estimuladores do eczema, associado ao uso pontual de anti-inflamatórios tópicos, podem ser suficientes nos casos ligeiros. Nos doentes que apresentam doença moderada a grave, estas medidas não são suficientes e são necessários medicamentos sistémicos. Felizmente, hoje vivemos uma era muito gratificante no tratamento da Dermatite Atópica.

Esta revolução terapêutica iniciou-se em 2017, com a aprovação, pela Agência Europeia do Medicamento, do primeiro biotecnológico para a Dermatite Atópica moderada e grave, em adultos. Desde então, outros fármacos inovadores se seguiram, que contam igualmente com dados robustos de eficácia e segurança. Alguns destes fármacos inovadores estão já disponíveis, através do Sistema Nacional de Saúde, para doentes em idade pediátrica com Dermatite Atópica grave, inclusive a partir dos 6 anos de idade. No caso dos Estados Unidos da América, uma destas terapêuticas inovadoras já está aprovada a partir dos 6 meses de idade, esperando-se também que, futuramente, receba aprovação na Europa. A maioria dos doentes com Dermatite Atópica começa com sintomas logo nos primeiros meses de vida e progride ao longo dos anos. Sendo a 1ª infância um período fulcral no desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional, enaltecem-se estas novidades terapêuticas, mais eficazes e seguras, para o tratamento dos casos mais graves em idade pediátrica.

A Dermatite Atópica pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes, mas atualmente dispomos de armas terapêuticas que controlam eficazmente a doença. Relatos como “durmo a noite toda, já não me coço!” e “consigo ir à natação!” são testemunhos reais que traduzem o sucesso do tratamento atual nesta doença.

Se tem Dermatite Atópica ou conhece quem tenha, saiba que há tratamento. Não hesite em pedir ajuda ao seu dermatologista.

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Dr. Bruno Duarte, Assistente Hospitalar de Dermatovenereologia no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central Dr.ª Ana Clara Valente, Interna de Formação Especifica em Dermatovenereologia no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
DIA MUNDIAL DO DOENTE | DERMATITE ATÓPICA

Mais de 79 mil novos casos de diabetes diagnosticados no último ano

Mais de 79 mil casos de diabetes foram registados no último ano, elevando para quase 880 mil o número de pessoas inscritas nos Centros de Saúde com a doença, anunciou a Direção-Geral da Saúde (DGS). “No último, ano foram registados 79 241 novos casos de diabetes, estando inscritas nos Centros de Saúde 879 853 pessoas com diagnóstico da doença”, adiantou a DGS, com base nos dados divulgados do Programa Nacional para a Diabetes (PND) relativos ao período de outubro de 2021 a setembro de 2022.

A DGS reconheceu que, tendo em conta as estimativas da International Diabetes Federation, este número “poderá apontar para a existência de pessoas por diagnosticar”, o que faz com que o PND mantenha como prioridade o diagnóstico precoce, através da avaliação do cálculo de risco da diabetes tipo 2.

Nos cuidados de saúde primários de Portugal continental, entre 2019 e 2021, foram registadas 2 431 050 avaliações de risco de diabetes tipo 2 na população adulta sem a doença, correspondendo a 41 % da população alvo, avançou a Direção-Geral.

Desse total de despistes, cerca de 770 mil apresentaram risco elevado de vir a desenvolver diabetes num prazo de 10 anos, alertou ainda a DGS, ao salientar que essa doença foi a causa de 3,3% do total de mortes registadas em 2020, um valor ligeiramente mais baixo do que os 3,9% verificadas em 2016. Cerca de 66% das mortes por diabetes ocorreram em pessoas com idade igual ou superior a 80 anos.

A DGS indicou ainda que o Programa de Rastreio da Retinopatia Diabética apresentou uma cobertura crescente até 2019, tendo-se verificado uma redução em 2020 devido à pandemia de Covid-19. Segundo o relatório, em 2021, o rastreio do pé diabético nos Centros de Saúde Primários incluiu 62% das pessoas com diabetes, uma melhoria relativamente a 2020, mas verifica-se ainda a persistência de um número de admissões elevado, com cerca de 2700 pessoas internadas devido a esta complicação da doença.

No mesmo ano foram realizadas 2639 amputações em pessoas com diabetes, um valor que a DGS considerou elevado e semelhante ao registado em anos anteriores.

Os dados mais recentes indicam também que mais de 4100 pessoas com diabetes tipo 1 estão em tratamento com sistemas de perfusão subcutânea contínua de insulina (bombas de insulina), cerca de metade crianças e jovens, registando-se um número crescente de pessoas com este tipo de tratamento. “A diabetes custou 418 milhões de euros em 2021 em encargos com antidiabéticos não insulínicos e insulinas, mantendo-se uma evolução crescente em relação a anos anteriores”, referiu a DGS.

Fonte: Agência Lusa

Abriu primeiro centro integrado de esclerose múltipla do país

O primeiro Centro de Responsabilidade Integrado de Esclerose Múltipla (CRIEM) do país foi inaugurado no dia 4 de dezembro, no Hospital Santo António dos Capuchos - Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), permitindo aos doentes ter no mesmo espaço todas as valências para o seu tratamento.

Em comunicado, o CHULC explicou que esta estrutura resulta de uma evolução do Centro de Tratamento de Esclerose Múltipla, cujo conhecimento e diferenciação técnica conquistou um posicionamento central no atual contexto português.

O CRIEM funciona em espaço próprio, configurado para garantir uma resposta assistencial em regime de ambulatório ao longo das diversas fases de evolução da doença, integrando num mesmo local as diversas áreas de prestação de cuidados, como a consulta médica de diagnóstico, consulta de enfermagem, consulta farmacêutica, reabilitação neuropsicológica, apoio em psicologia e serviço social. Esta nova unidade, que constitui o oitavo centro de responsabilidade integrado do CHULC, disponibiliza ainda medicação em hospital de dia, fisioterapia, psicologia de grupo e tratamento pelas especialidades médicas intervenientes.

O CHULC, através de equipa nuclear de neurologistas e enfermeiros dedicados ao tratamento da esclerose múltipla, dá resposta atualmente a uma população de 1300 doentes (o maior número no Serviço Nacional de Saúde), desde a fase de diagnóstico às diversas etapas de evolução da doença.

Fonte: Agência Lusa

O que é?

O Dia Mundial do Cancro (DMC) é uma iniciativa da União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), da qual a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) é full member desde 1983.

Criado em 2000, o DMC, que se celebra a 4 de fevereiro, pretende capacitar e unir a população para enfrentar um dos maiores desafios de saúde pública. Consciencializar, melhorar a educação e promover a ação pessoal e coletiva, na luta contra o cancro, são o foco do DMC. Ações conscientes e determinadas, nomeadamente na área da prevenção, permitirão evitar milhões de mortes por cancro. É urgente divulgar a mensagem e proporcionar um acesso igualitário a tratamentos e cuidados de saúde.

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DIA MUNDIAL DO DOENTE
Dia Mundial do Cancro

Porquê?

A incidência de cancro tende a aumentar em todo o mundo, morrendo anualmente cerca de dez milhões de pessoas, o equivalente à população de Portugal. Os especialistas estimam que, se nada for feito, em 2030 as mortes por cancro atinjam 13 milhões de pessoas.

No entanto, mais de um terço dos casos de cancro pode ser evitado. Outro terço pode ser curado, se detetado precocemente, e tratado adequadamente. Ao implementar estratégias apropriadas, e recursos para a prevenção, deteção precoce e tratamento, podemos salvar até 3,7 milhões de vidas todos os anos.

Juntos criamos a mudança

Hoje, sabemos mais sobre cancro do que nunca. Por meio do investimento em pesquisa e inovação, testemunhamos avanços extraordinários no conhecimento científico, medicina, diagnóstico e tratamento do cancro. Quanto mais sabemos, mais progresso podemos fazer na redução dos fatores de risco, aumentando a prevenção e melhorando o diagnóstico precoce, o tratamento e os cuidados ao doente. Apesar destes avanços inspiradores, muitas pessoas encontram barreiras e dificuldades a cada passo, nomeadamente económicas, de educação, geográficas, ou mesmo, de estatuto social. Mas, estas barreiras não são imutáveis.

Todos os anos, o DMC é a oportunidade para organizações de todo o mundo se unirem sob uma mesma causa e falarem a uma só voz. São centenas de atividades e eventos em todo o mundo, reunindo comunidades e indivíduos em escolas, empresas, hospitais, mercados, parques, na rua e online. Estas atividades, sublinham a responsabilidade de todos, para a redução do impacto do cancro. Só pessoas unidas fazem a mudança acontecer. Ao aumentar a literacia e a compreensão do público e da política em torno do cancro, reduzimos o medo, aumentamos a compreensão, dissipamos mitos e conceitos erróneos e mudamos comportamentos e atitudes.

No DMC, ações de âmbito local podem ganhar relevância global, porque juntos criamos a mudança.

Tema 2022- 2024:

Close the Care Gap - Por cuidados mais justos

Uma campanha de impacto a 3 anos

O DMC é mais do que um dia no calendário. É por isso que a campanha “Por cuidados mais justos” é construída para inspirar mudanças e mobilizar ações, para lá do próprio dia. Uma campanha de vários anos significa maior exposição, mais oportunidades para construir uma consciência global e significa, mais impacto.

O acesso a diagnóstico precoce e a tratamentos oncológicos salvam vidas! Assim, este acesso deve ser igual para todos, independentemente do seu nível de instrução, rendimento ou o local de residência.

O tema “Por cuidados mais justos” visa conscientizar para essa

lacuna de equidade que afeta muitas pessoas. A campanha trianual constitui um fio orientador para trabalhar um tema específico a cada ano, constituindo a trilogia: conhecer (2022), agir (2023) e desafiar (2024). O 2º ano é a oportunidade para unir vozes e entrar em ação: vamos mobilizar nossos amigos, familiares, colegas e vizinhos, pois sabemos que juntos somos mais fortes. As nossas ações podem assumir diferentes formas: inscrever-me como voluntário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, participar no desafio 5k ou sensibilizar para que as escolas garantam refeições saudáveis.

Quem promove o Dia Mundial do Cancro?

O Dia Mundial do Cancro é uma iniciativa da UICC (União Internacional de Controlo do Cancro), a maior e mais antiga organização internacional que se dedica a combater o cancro. Sendo uma rede de cooperação internacional, a UICC é composta por diferentes membros e organizações, tendo representatividade e possibilidade de contribuir em discussões e encontros ao mais alto nível direcionados para políticas de saúde na área da oncologia.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), fundada em 1941, é uma das mais antigas instituições no espaço europeu na luta contra o cancro. A LPCC é full member da UICC desde 1983, colaborando ativamente no desenvolvimento e implementação de políticas de saúde através de projetos nacionais e internacionais.

O logotipo do Dia Mundial do Cancro expressa a partilha de experiências no que diz respeito às diversas vivências do cancro, representando uma pessoa que abraça o mundo.

Fonte: Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC)

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 51
DIA MUNDIAL DO DOENTE

BTL LISBOA 2023

A Bolsa de Turismo de Lisboa é um evento que apoia um dos maiores sectores da economia portuguesa: o Turismo. Este ano, podemos contar com mais uma edição, a realizar-se entre os dias 1 e 5 de março.

Segundo Jorge Rocha de Matos, Presidente da Fundação AIP, a entidade que organiza a BTL, este evento assume “o desafio de colocar Portugal na linha da frente do desenvolvimento da atividade turística”.

Neste sentido, a Bolsa de Turismo de Lisboa funciona como um Marketplace de excelência que, no fundo, acaba por conciliar a oferta e a procura, tornando-se numa montra da qualidade da atividade turística praticada em Portugal.

Um dos objetivos primordiais a concretizar durante a próxima década é fazer desta, uma das feiras de turismo mais importantes a nível internacional. ´

Paralelamente, a organização pretende reforçar a representatividade dos diferentes sectores. Aliás, este ano, o foco será a Oferta Turística LGBTI e o sector do Meeting & Incentives.

Quanto ao município convidado, desta vez, será o de Aveiro. Já no que diz respeito ao destino nacional, será a Região Centro. Em suma, nesta edição, damos-lhe a conhecer algumas das empresas que irão marcar presença na BTL Lisboa 2023.

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A VALORIZAÇÃO DO TURISMO RURAL

De que forma surge a Associação Casas Açorianas? Quais são os seus principais objetivos?

As Casas Açorianas são uma Associação de Turismo em Espaço Rural, que foi fundamentalmente constituída para dar expressão ao nosso genuíno património, tão característico desta região insular e arquipelágica, afirmando-se ainda na importância da recuperação, valorização e utilização de imóveis de arquitetura tradicional como relevante elemento da paisagem açoriana e da oferta turística.

É o garante de um produto turístico muito peculiar dos Açores, que se identifica com as vivências desta Região e testemunha a herança do nosso humilde, mas belo património construído.

A prossecução dos seus objetivos, alicerça-se na proteção do ambiente, nas tradições socioeconómicas e no vasto património natural da Região Autónoma dos Açores, fazendo disso a nossa bandeira de reconhecida qualidade. A jusante, aconselhamos os nossos associados e auditamos a qualidade dos seus serviços, tarefa que potencia e caracteriza a nossa oferta turística. Irmanados do interesse coletivo temos vindo a melhorar a nossa prestação junto dos nossos clientes, socorrendo-nos, para o efeito, de parceiras e/ou protocolos com outros operadores de animação e prestação de serviços, no âmbito do turismo.

O facto de terem sido galardoados, em 2008, com a Medalha de Ouro de Mérito Turístico pelo Governo português é motivo de orgulho, correto? Identifique as maiores potencialidades do turismo rural, nomeadamente nos Açores.

Foi uma honra termos sido galardoados com a medalha de

Ouro de Mérito de Turismo, pelo Governo Português e, com modéstia, associamos este prémio ao reconhecimento, universal, da nossa caminhada em prol da preservação do nosso património, da cultura e, em súmula, da identidade açoriana; sempre norteados pela projeção do turismo em espaço rural (TER), fazendo dele a matriz da nossa presença.

Na verdade, o turismo rural faz parte da paisagem açoriana, identificando-se, nomeadamente, com valores ambientais, patrimoniais, paisagísticos, culturais, gastronómicos e socais. Como espaço arquipelágico beneficiamos, ainda, do imenso mar que nos rodeia, da sua flora e fauna, e da saudável cumplicidade entre as nossas nove Ilhas. Unem-se estes nove espaços emergidos no Atlântico Norte, com uma enorme diversidade, servida pela mobilidade marítima e aérea, que proporcionam aos nossos visitantes experiências únicas e contagiantes

Atualmente contam com quantos associados e quantas casas? Como tem sido o vosso percurso?

A Associação “Casas Açorianas” tem cinquenta associados dispersos pelas nove Ilhas dos Açores, com exceção da do Corvo. No decurso da nossa existência, temos vindo a promover os Açores, dando expressão ao Turismo em Espaço Rural, beneficiando esta Instituição da dinâmica dos seus associados que, enquanto recetores de turistas de todos os espaços Continentais, preocupam-se com o “bem receber” e tudo fazem para lhes proporcionar uma agradável estada.

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BTL LISBOA 2023 | CASAS AÇORIANAS
Gilberto Vieira, presidente das Casas Açorianas, explica o papel que a Associação tem tido na promoção dos Açores enquanto um destino turístico de eleição, nomeadamente para aqueles que privilegiam o contacto com a natureza. Moinho Mó da Praia - Graciosa Quinta do Paraízo - São Miguel

De 1 a 5 de março a BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa, está de regresso à FIL. Sendo este um evento que se constitui como a maior e melhor montra da diversidade qualidade da oferta turística nacional, que importância tem para a vossa associação?

Consideramos a BTL - Bolsa de Turismo dos Açores o evento mais promocional do turismo de Portugal e pela relevância que este sector tem, também na economia dos Açores, onde nos situamos, sempre marcámos presença, aproveitando esta oportunidade para a divulgação e promoção das Casas Açorianas. Com este reconhecimento tencionamos dar continuidade à nossa comparência neste espaço, melhorando, cada vez mais, a nossa presença, beneficiada com o contributo dos nossos associados.

Ainda a respeito da BTL, a Entidade Regional Turismo dos Açores recebeu o prémio Stand Sustentabilidade (referente ao ano de 2022). Do seu ponto de vista, têm desenvolvido um bom trabalho neste âmbito? O que é que tem sido feito em concreto?

Um prémio é sempre o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, numa determinada área e, no caso concreto, a Entidade Regional de Turismo dos Açores recebeu o de “Stand Sustentabilidade, no ano de 2022”, por mérito próprio, pois a Região Autónoma dos Açores não só se tem preocupado com a sustentabilidade, como ainda tem sido pioneira, neste País, na implementação de medidas muito concretas e eficazes, sobretudo, no respeito pelo ambiente, e na preservação da sua identidade. Em 2018, o Governo Regional dos Açores criou a Estrutura de Gestão da Sustentabilidade do Destino Turístico Açores (Açores DMO). Esta entidade que está na dependência da Secretaria Regional da Mobilidade, Infraestruturas e Turismo, constitui-se, como uma estrutura mandatada, para planear, organizar, concretizar, gerir e supervisionar a certificação dos Açores como destino turístico sustentável, bem como acompanhar a implementação da estratégia adotada para o sector do turismo nos Açores. A criação desta importante estrutura que, com as suas iniciativas, coordenadas, não só com a população, mas também com membros do sector privado e público,

quer municipal, quer de vários departamentos do Governo Regional, bem como com associações e ONGS, foi preponderante, na atribuição aos Açores, do Galardão, de 1º arquipélago do mundo certificado como destino turístico sustentável.

Como é que olha para o futuro, quer do sector quer da Associação? Enquanto presidente da Associação Casas Açorianas, quais são os desafios que antevê para este novo ano de 2023?

Consideramos o futuro do turismo dos Açores como um dos principais pilares da sua economia, sendo certo que o turismo em espaço rural, onde nos situamos, será sempre uma das principais marcas açorianas, pelo que iremos enfrentar estes e outros novos desafios com muita esperança e na certeza de que o presente ano será mais uma etapa na ascendência das Casas Açorianas.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 55
CASAS AÇORIANAS | BTL LISBOA 2023
Quinta do Falcão - Santa Maria Aldeia da Cuada - Flores Casa dos Vimes - São Jorge

A Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) está prestes a organizar a sua próxima edição, a realizar-se entre os dias 1 e 5 de março de 2023 e, mais uma vez, a Açorsonho Hotéis marcará presença. Qual a importância de participar num evento como este?

A BTL serve para reforçar parcerias existentes e potenciar novos contactos, promovendo novos negócios. É essencial para o o grupo Açorsonho Hotéis estar presente, dando a conhecer a sua oferta hoteleira e serviços, junto dos profissionais do sector e do público português.

Para aqueles que ainda não conhecem o Grupo Açorsonho, um dos mais importantes players hoteleiros da ilha de São Miguel, nos Açores, o que nos pode contar sobre os empreendimentos que compõem o grupo?

Temos uma oferta diversificada, com quatro unidades hoteleiras, localizadas na costa norte da Ilha de São Miguel, designadamente: Açorsonho Apartamentos Turísticos★★★★, Hotel Vale do Navio★★★★ , Pedras do Mar Resort & SPA★★★★★ e Hotel Verde Mar & SPA★★★★★ Todas as nossas unidades hoteleiras foram desenhadas para proporcionar momentos de puro relaxamento, lazer e descanso, com um ótimo rácio de preço/qualidade para os vários segmentos que viajam para São Miguel: famílias, casais, viagens de grupo e incentivos, e mercado corporate. O Açorsonho Apartamentos Turísticos★★★★, e o Hotel Vale do Navio ★★★★, localizados na pitoresca vila açoriana de Capelas, banhada pelo Oceano Atlântico e rodeada por montanhas, a apenas nove km de Ponta Delgada é ideal para o segmento familiar. Os seus hóspedes beneficiam de serviço de receção 24h/dia, estacionamento gratuito, wi-fi, piscina interior e exterior, sauna e banho turco, serviço de massagens, ginásio, sala de jogos e restaurante/bar. O Pedras do Mar Resort & SPA★★★★★, rodeado de espaços verdes, localizado em cima da falésia e com vista privilegiada para o oceano atlântico é a escolha perfeita para uma escapadinha romântica ou mesmo para férias em família. O seu ex-líbris - a piscina infinita com vista mar! Ou as piscinas naturais de origem vulcânica, em frente ao hotel. Destaque, ainda, para o campo de ténis e de futebol, parque infantil e o seu health center. O Verde Mar & SPA★★★★★ localizado em frente à Praia do Monte Verde,

UMA ESTADIA DE SONHO

Tivemos a oportunidade de conversar com Vítor Câmara, Diretor Geral e Proprietário do Grupo Açorsonho Hotéis, que nos deu a conhecer os vários empreendimentos do grupo.

na Capital do Surf - cidade da Ribeira Grande - garante aventura para os amantes do mar e de modalidades como o surf e body board. Os nossos hospedes podem, também, desfrutar do Restaurante Terracota do Wellness Center com piscina interior, cromoterapia, sauna, banho turco e ginásio. Para os mais novos estão disponíveis uma sala de jogos e uma sala infantil. O hotel oferece, ainda, um centro de congressos.

Uma vez que estão situados numa ilha e, consequentemente, rodeados de natureza, de que forma é que tentam implementar práticas sustentáveis para proteger o meio ambiente?

É nosso compromisso adotar práticas sustentáveis na operação diária dos hotéis, por forma a mitigar o impacto ambiental da nossa atividade, sendo que apostamos fortemente na energia solar. Mas vamos mais além, implementamos a política de fazer a limpeza diária quando o cliente o solicita, uso de água pluvial nos sanitários e regas, compostagem de resíduos orgânicos, e muitas outras medidas de redução de impacto ambiental em que somos pioneiros.

Numa época em que, cada vez mais, os portugueses preferem “ir para fora, cá dentro”, gostaria de deixar um convite para este ano de 2023?

Os Açores, e São Miguel, são um destino de excelência, de natureza e experiências únicas, pelo que fica a proposta a todos os que estão a planear as suas férias, que incluam este destino e, naturalmente, as nossas unidades.

www.acorsonho.com

BTL LISBOA 2023 | AÇORSONHO

DESFRUTE DO CONTACTO COM A NATUREZA

A sustentabilidade e a eficiência energética constituem os maiores alicerces do Ecorkhotel, tal como nos explica Ana Patrícia Duarte, a Diretora Executiva.

Apresente-nos o Ecork Hotel Évora. Quando é que teve início este projeto e quais os serviços de que o hóspede pode usufruir?

O Ecorkhotel Évora abriu ao público em 2013 e situa-se a poucos quilómetros da cidade de Évora. Diferencia-se pelo seu conceito de eco-resort e trata-se de uma unidade hoteleira com classificação 4 estrelas superior, integrada na paisagem alentejana e construída com uma forte preocupação ambiental. Deste modo, tem na sustentabilidade e na eficiência energética os seus maiores alicerces. O seu alojamento é composto por 53 suites privadas e independentes. No edifício principal, os nossos hóspedes podem encontrar o spa, ginásio, piscina interior e exterior, restaurante, bares e salas de reunião. É o destino ideal para quem procura uma experiência sensorial associada ao conforto, sabores e cores da paisagem alentejana. No Ecorkhotel Évora os nossos hóspedes encontram as condições ideais para desfrutar de uma escapadinha, a dois ou com toda a família. Em lazer ou em negócios, é sempre garantida uma estada tranquila e repousante.

Considera que o principal fator diferenciador do vosso hotel é o facto de proporcionarem uma experiência única de contacto com a natureza? De que forma é que o fazem?

Quem procura o Ecorkhotel Évora, definitivamente, procura uma experiência de contacto com a natureza, pelo que, sem dúvida, considero ser um fator diferenciador a sua localização e envolvência. O hotel foi construído de forma a integrar na paisagem alentejana, dando oportunidade aos nossos hóspedes de experienciar as cores e os cheiros do Alentejo. Entre o edifício principal e as unidades de alojamento, os nossos hóspedes podem caminhar entre sobreiros, azinheiras e a própria vegetação autóctone, bem como interagir com as nossas ovelhas e com o nosso burro, o “Chico”. No Ecorkhotel Évora, como os nossos hóspedes costumam referir de forma carinhosa “estamos no meio do nada” ou “estamos literalmente no campo”, localização de excelência que lhes permite verdadeiramente descansar e desfrutar da sensação de “escutar o silêncio”.

Irão marcar presença na próxima BTL Lisboa, a realizar-se entre os dias 1 e 5 de março? Explique o impacto que este evento poderá ter no vosso negócio.

O Ecorkhotel Évora irá marcar presença na próxima BTL Lisboa, porém, este ano, sem expositor próprio. Sendo a BTL a maior plataforma de contactos em Portugal relacionados com o turismo, consideramos ser imprescindível a nossa presença, pois oferece-nos a possibilidade de aprofundarmos o conhecimento sobre o mercado nacional e, mesmo, internacional. É uma excelente oportunidade para o negócio, pois, para além da rede de contactos que conseguimos estabelecer e a própria partilha de conhecimento e experiências, é uma ferramenta muito útil para nos mantermos atualizados, com as últimas novidades e inovações tecnológicas dos vários sectores do turismo.

ECORKHOTEL | BTL LISBOA 2023
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Jan. 2023 MARCAS QUE MARCAM

Para o Arquiteto Pedro Cansado, a arquitetura possui múltiplas definições e é capaz de ter um impacto positivo na melhoria da vida das pessoas. Em 2019, abriu o seu atelier, o Parqstudio, onde, segundo o próprio, existe um ambiente de grande proximidade com o cliente.

Apresente-nos o Parqstudio, bem como os serviços que disponibilizam aos clientes.

Em 2019, após alguns anos a ganhar experiência em empresas de arquitetura e de construção, entendi ser o momento de arriscar e abrir o meu próprio Atelier, de forma a materializar a minha visão enquanto arquiteto, ou seja, ajudar as pessoas através da arquitetura, gerando respostas criativas aos problemas e solicitações propostas. Desde então, o trabalho desenvolvido tem sido amplo e variado, com intervenções em espaços públicos, empreendimentos turísticos e complexos industriais, mas, sobretudo, com o nosso foco mais direcionado para a habitação unifamiliar. Funcionamos quase como uma pequena oficina, num ambiente de grande proximidade com o cliente, empenhados no processo de concretização das suas ambições, entendendo sempre que o projeto se desenvolve em diferentes etapas e que a sua soma deve transcender a ideia básica de construção. Temos a ambição de oferecer um produto moderno, contemporâneo, de excelência, com controlo em todas as fases do projeto.

Explique em que consiste a sua visão sobre a arquitetura.

A arquitetura tem múltiplas definições difíceis de sintetizar. A meu ver, esta não é só construção e funcionalidade, é ideia; é a relação entre a técnica e a estética; é um instrumento de comunicação e de expressão; é, em última análise, uma ferramenta com impacto coletivo que pode ajudar a melhorar a condição de vida das pessoas.

A arquitetura tem diferentes estilos e formas de expressão. Por um lado, acreditamos na síntese, na simplicidade, no “menos é mais”, na limpeza estética e na pureza do espaço e das formas. Por outro lado, sendo os Açores o nosso território de atuação mais comum, cremos numa arquitetura que se conecte com a natureza envolvente. Acreditamos que a arquitetura tem a capacidade de potenciar a relação do homem

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“A ARQUITETURA É UM INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO E DE EXPRESSÃO”
Pedro Cansado, Arquiteto

com o seu meio ambiente. Os novos sistemas e métodos construtivos permitem abrir grandes vãos envidraçados e criar essa relação física e visual com a natureza rica dos Açores. Tentamos que esta premissa esteja sempre presente em cada projeto, seja pela aplicação dos materiais regionais - madeira, pedra basáltica, entre outros. -, ou através de eixos visuais que organizam o interior das edificações. Deste modo, apostamos numa linguagem arquitetónica contemporânea, com liberdade formal, fluidez e amplitude dos espaços e linhas simples. Em suma, uma linguagem que permite moldar a realidade à medida dos clientes.

A paixão que colocam em todos os trabalhos que desenvolvem é, também, um dos fatores que vos diferencia da concorrência?

Temos a noção de que nos inserimos num mercado pequeno, onde existem excelentes profissionais. Tratando-se de uma profissão extremamente difícil, pela sua exigência e multidisciplinariedade, penso que, para alcançar bons resultados, a paixão é um ingrediente distintivo e fundamental para o arquiteto. Aliás, em qualquer profissão ou ofício, a paixão é um fator que nos leva “mais além”.

Acredito que as pessoas procuram os nossos serviços pela arquitetura que desenvolvemos, essencialmente, pela sua expressão estética e individualidade. Para o resultado ser excelente, todas as etapas de desenvolvimento têm de ser muito exigentes, de forma que o projeto de arquitetura seja mais coerente e, consequentemente, concorra para um cliente mais satisfeito.

Quais é que são os vossos principais clientes? E a área geográfica de atuação?

O Atelier tem como foco alcançar famílias que procuram um lar contemporâneo, conectado à natureza. Contudo, já transpusemos esta ideologia para projetos de outra índole, como empreendimentos turísticos, espaços comerciais e complexos industriais e de escritórios. Neste sentido, temos uma carteira de clientes bastante diversificada, apesar do nosso maior mercado de atuação ser o dos Açores.

Como é que olha para o futuro do sector, em geral, e do Parqstudio, em particular?

Julgo que, a curto prazo, a construção poderá passar por uma fase menos boa, mas estou animado em relação ao futuro a longo prazo.

No que à habitação concerne, em Portugal, existe uma grande procura por imóveis e pouca oferta, e centenas de imóveis devolutos, aos quais se podem dar novas condições de habitabilidade. Existe, por isso, uma forte motivação para que nos próximos anos se criem novas habitações, até como medida estratégica para combater a inflação no

sector imobiliário. Do mesmo modo, o sector do turismo no país está de vento em popa, nomeadamente, nos Açores. Por este motivo, e tendo em conta que se poderão ultrapassar problemas, como por exemplo, a escassez de mão de obra, penso que todas as atividades que circundam esse ramo manter-se-ão de plena saúde.

No nosso caso, em particular, acredito que o futuro se constrói todos os dias, com paixão, dedicação e inovação, pelo que me sinto otimista em relação ao futuro do escritório.

www.parqstudio.pt

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 61
PARQSTUDIO | MARCAS QUE MARCAM

EUROPNEUMAQ É UM FACILITADOR DA

COMPREENSÃO DAS TECNOLOGIAS INDUSTRIAIS”

Com mais de duas décadas de existência, a Europneumaq está vocacionada para a resolução dos desafios apresentados pelos clientes, no que respeita à área da indústria. Para além de apostar na formação contínua dos colaboradores, preocupa-se com o seu bem-estar, garantindo as melhores condições no local de trabalho, contam Pedro Simões e Miguel Costa, sócios-gerentes da empresa.

Pedro Simões e Miguel Costa, Sócios-Gerentes

A Europneumaq tem mais de 20 anos de experiência no mercado e, desde então, apoia os projetos mais exigentes na área da indústria. Como caracteriza o percurso da empresa, ao longo das últimas duas décadas?

Ao longo dos anos, a Europneumaq reuniu um leque de fornecedores de alto nível para oferecer ao mercado tecnologia de ponta, vocacionada para a resolução dos desafios apesentados pelos clientes. Hoje, após mais de 20 anos no mercado nacional, somos uma empresa de referência junto dos nossos clientes. Este ano, com a mudança de instalações e a criação de um laboratório de robótica, único a nível nacional, pusemos ao serviço dos clientes um vasto conjunto de ferramentas que nos permite demostrar as tecnologias da área da robótica, realizar ensaios e testar conceitos concebidos pelos clientes.

A empresa fornece aos seus clientes soluções integradas e equipamentos industriais e acredita que a produtividade é o que dá vida a uma indústria. De que forma procuram manter-se produtivos e estar continuamente a inovar?

A Europneumaq não é um integrador, mas sim um facilitador da compreensão das tecnologias industriais. Queremos ser a ponte entre o cliente final e os fabricantes de máquinas e integradores de sistemas.

As marcas que representamos foram alvo de uma seleção criteriosa onde um dos fatores determinantes foi a capacidade para solucionarem os problemas que a indústria portuguesa apresenta a nível da robotização móvel, colaborativa e convencional.

A nossa equipa de engenheiros mantém-se atualizada e detém conhecimentos técnicos aprofundados sobre cada modelo de robot, que é a única forma de conseguirmos assegurar um serviço de excelência aos nossos clientes.

No passado mês de novembro, inauguraram as novas instalações, destacando o novo Centro de Robótica. Qual a maior utilidade que este vai ter para os clientes da Europneumaq e que papel é que a empresa pretende assumir no futuro da robótica?

A nossa missão como fornecedor e parceiro é, também, a de formar e demonstrar aos clientes e utilizadores finais as tecnologias de vanguarda.

Com este centro de robótica, o nosso objetivo foi o de criar um “Robot Academy” que irá permitir proporcionar a integradores uma formação de nível, substancialmente, mais avançado, certificando-os nestas tecnologias. Neste laboratório, dispomos de vários demonstradores de aplicações que nos permitem esclarecer dúvidas aos clientes, ensaiar conceitos de soluções e formar técnicos. Numa palavra, descomplicar aos clientes a aplicação dos nossos produtos.

62 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL
MARCAS QUE MARCAM | EUROPNEUMAQ
“A

Os vossos principais pilares são a inovação e o know-how . São estes que fazem com que se tornem no parceiro ideal para concretizar as ideias dos clientes?

O nosso know-how advém diretamente das multinacionais que representamos, que têm uma grande capacidade de inovação. Os nossos colaboradores são capacitados com formação contínua junto desses nossos parceiros.

Complementarmente, proporcionamos um serviço de consultoria que, entre várias outras vantagens, permite evidenciar aos clientes quais os processos mais rentáveis a robotizar. Ligamos esses clientes a fabricantes de máquinas nacionais, que estão devidamente formados nos nossos produtos.

Tendo em conta que a Europneumaq valoriza a inovação e está inserida num mercado em constante evolução, a aposta na formação permanente da equipa é um fator crucial?

A formação é um ponto fulcral num mercado sempre em mudança. Os nossos recursos são preparados através de planos de formação anual e de partilha de conhecimentos técnicos.

Temos também uma relação muito próxima com algumas universidades e institutos técnicos, com quem estamos a criar planos de estágio e workshops, entre outros eventos, para preparar os técnicos industriais do futuro.

Para terminar, gostaríamos de saber que projetos é que a empresa está a desenvolver e quais as expectativas para este ano de 2023.

A Europneumaq tem em curso um ambicioso projeto de I+D, ao abrigo da Agenda Mobilizadora em co-promoção com a Stellantis Portugal e o ISEC e estamos a ampliar, ainda mais, os veículos de colaboração com as universidades.

Este ano, vamos obter o Selo ID de reconhecimento de idoneidade para a prática de atividades de I&D, atribuído pela ANI.

No plano industrial, 2023 tem potencial para ser um ano positivo. Os desafios a que a indústria portuguesa está a ser sujeita fazem com que o nível de oportunidades de robotização seja cada vez maior. E, nessa perspetiva, a Europneumaq está preparada para dar o seu contributo.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 63 EUROPNEUMAQ | MARCAS QUE MARCAM

O CLIENTE EM PRIMEIRO LUGAR

de Portugal pela Scoring. Esta distinção que nos enche de orgulho, é o reconhecimento das boas práticas de gestão e da motivação e competência dos nossos profissionais.

Em concreto, que soluções é que a AnambConsul disponibiliza?

Diana Brás e Fernando Campos, Sócios-Gerentes da AnambConsul, esclarecem o papel que a empresa tem tido na preservação do meio ambiente.

Qual a análise que faz do percurso da AnambConsul até aos dias de hoje? O facto de a empresa integrar o Top 5% melhores PME de Portugal evidencia o sucesso alcançado?

A AnambConsul surge como uma resposta às necessidades de mercado na área de Qualidade do Ar Interior (QAI). O objetivo era tornar-se uma referência no mercado nacional pela prestação de serviços de excelência em consultoria e monitorização da QAI.

A crise financeira que atingiu Portugal a partir de 2011 foi o mote para mudanças legislativas que revogaram a obrigatoriedade das avaliações da QAI, provocando uma escassez da procura destes serviços.

Neste contexto adverso, a AnambConsul diversificou os seus serviços, apostando em tratamento de águas e prevenção de Legionella.

O foco constante na qualidade da prestação de serviços teve como corolário, em 2014, a obtenção da certificação pela norma NP EN ISO 9001. O reconhecimento da qualidade dos serviços tem-se traduzido na obtenção de clientes de referência, na aposta em recursos humanos mais qualificados e aumento dos indicadores financeiros. É neste contexto que, desde 2020, integramos o Top 5% melhores PME

A Anambconsul presta serviços no âmbito de tratamento de águas e monitorização de poluentes químicos e microbiológicos no ar Interior. Integra uma equipa multidisciplinar com elevado know- how e experiência em dois departamentos, ar e águas. No departamento de ar, dispomos de todos os equipamentos necessários para efetuar a monitorização dos poluentes no ar em edifícios de serviços, classificação de salas limpas e avaliação das condições de climatização em Unidades Privadas de Saúde e Laboratórios. No que concerne ao departamento de águas, efetuamos o dimensionamento, instalação e arranque de sistemas de tratamento de águas de consumo, piscinas e de processo, executamos a manutenção preventiva e corretiva de equipamentos, controlo e monitorização remotos com análise de dados e geração de alarmes e Elaboração do Plano de Prevenção e Controlo de Legionella, cumprindo a Lei n.º 52/2018.

Que influência é que os valores da seriedade, profissionalismo, proximidade, excelência e qualidade, têm na vossa relação com os clientes?

Esses valores fazem parte da identidade da Anambconsul desde a sua fundação. São valores fundamentais para construir e manter uma relação de confiança com os clientes e garantir a sua satisfação.

Para nós, o cliente está em primeiro lugar. Temos uma relação de proximidade com os nossos clientes, não somos apenas um fornecedor, mas sim um parceiro ativo, prestando um serviço personalizado e de qualidade. Ajudamos os nossos clientes com as competências técnicas e experiência acumulada ao longo dos anos, aplicando as melhores práticas com rigor, seriedade e profissionalismo, garantindo a satisfação do cliente. O foco na excelência é reconhecido pelos nossos clientes, como atesta o “Índice de Satisfação do Cliente”, superior a 90% e o “Índice de Clientes Fidelizados”, superior a 80%.

Numa altura em que a temática da sustentabilidade está na ordem do dia, que papel é que a empresa poderá vir a assumir no futuro? Que projetos tem em mente?

geral@anambconsul.pt

www.anambconsul.pt

Todos devemos estar preocupados com a sustentabilidade do planeta, com vista a preservar e proteger os recursos naturais e a qualidade ambiental para as gerações atuais e futuras. A água é cada vez mais um recurso escasso, garantir a sua disponibilidade para as diversas utilizações tem de ser uma prioridade. O reaproveitamento de água, seja de processos industriais, de piscinas ou outros, é fundamental, permitindo poupanças essenciais com a consequente redução dos custos de energia e de emissões de gases com efeito de estufa. Esta componente de sustentabilidade é colocada em prática diariamente junto dos nossos clientes, pela promoção e consciencialização da poupança da água, otimização das quantidades de produtos químicos usados nos tratamentos e uso de equipamentos mais eficientes em termos energéticos. Adicionalmente, estamos a trabalhar no desenvolvimento de soluções técnicas inovadoras, tendo em vista o reaproveitamento de águas e a eficiência energética.

64 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL MARCAS QUE MARCAM | ANAMBCONSUL
Fernando Campos, Sócio-Gerente Diana Brás, Sócia-Gerente

O CONCRETIZAR DO SONHO DE UMA VIDA

A KYAIA nasceu em 1984 e, atualmente, detém as marcas FLY London, Softinos, AsPortuguesas e Foreva. Explique-nos como é que começou este projeto e faça uma breve análise do percurso da empresa até aos dias de hoje.

Fortunato Frederico, o CEO do grupo, sempre teve o sonho de criar a sua própria empresa. É nesse âmbito que, em 1984, surge a KYAIA, no preciso momento em que este vislumbra uma oportunidade e se sente preparado para enfrentar qualquer obstáculo que possa, eventualmente, surgir pelo caminho. Ao longo dos anos, a empresa passou por várias etapas até alcançar o sucesso que tem nos dias de hoje. Numa fase inicial, a KYAIA dedicou-se, exclusivamente, ao negócio de private label (produção para outras marcas). No entanto, o objetivo do Sr. Fortunato sempre foi ter uma marca própria e produzir para a mesma. Neste sentido, em 1994, adquiriu a FLY London, marca que, desde o seu início, teve muita incidência no Reino Unido e nos Estados Unidos. Ainda assim, só quando a marca se consolidou nestes e noutros mercados, é que foi transportada para o mercado português, sendo que, atualmente, a FLY London é a marca portuguesa mais vendida em todo o mundo. No ano de 2005, a KYAIA comprou a Foreva, marca da qual nunca abdicou, embora tivesse que lidar com algumas contrariedades ao longo dos anos. A Softinos aparece à posteriori, direcionada para o conforto, marcando presença em diversos mercados e exercendo a sua maior força no mercado alemão.

No que respeita ao projeto mais recente, AsPortuguesas, resulta de uma parceria com a Corticeira Amorim, em que o calçado é produzido com base numa lógica mais sustentável. Importa realçar que entre estas marcas não há espaço para competição, uma vez que cada uma atua no seu próprio segmento.

Afinal, quais são os fatores que explicam o sucesso desta empresa?

O sucesso deve-se, sobretudo, ao seu fundador. O Sr. Fortunato é uma pessoa muito inteligente e com uma grande visão. Na minha ótica, a sua principal qualidade é o facto de sempre ter estado disposto a fazer aquilo que mais ninguém estava e isso, de certa forma, tem-se refletido no sucesso da empresa. Ademais, este soube rodear-se das pessoas certas e é por esse motivo que é imprescindível destacar o trabalho desenvolvido tanto pelos seus colaboradores, como pelas equipas de vendas espalhadas pelo mundo.

Ser detentora da marca portuguesa mais vendida do mundo, a FLY London, é, certamente, motivo de orgulho para a KYAIA. Do seu ponto de vista, o que justifica esta preferência “pelo que é nacional”?

Miguel Freitas, Diretor de Marketing da KYAIA, desvenda o que faz desta empresa uma referência a nível nacional e internacional na indústria do calçado. R. 24 de Junho 453 4800-128 Guimarães

A FLY London possui esta força devido à sua ousadia, pois sempre foi uma marca capaz de criar tendências e traçar o seu próprio destino. Este aspeto, aliado ao facto de ter as pessoas certas nos mais diversos mercados, permitiu que esta se estabelecesse em inúmeros países.

O futuro da KYAIA passa, igualmente, pelo reforço da aposta na produção de calçado de qualidade, sustentável e amigo do ambiente? Quais perspetiva serem os maiores desafios para este ano de 2023?

O futuro terá, inevitavelmente, de passar pela sustentabilidade. A KYAIA preocupa-se não só com o ambiente, mas também com as tendências ditadas pelo mercado. Tal como referi anteriormente, a KYAIA já tem uma marca 100% sustentável, AsPortuguesas. Paralelamente, dispõe de alguns modelos sustentáveis, quer na FLY London, quer na Softinos. Contudo, estas marcas possuem um ADN próprio, pelo que essa transição para a vertente sustentável terá de ser feita de forma gradual. Eu considero que o principal desafio que vamos enfrentar neste ano de 2023, é a incerteza. As perspetivas não são as melhores, tendo em conta os recentes acontecimentos a nível mundial. No entanto, não conseguimos prever o quão mau será. Acreditamos, e estamos a trabalhar para que, no final do ano, a empresa cresça, ainda assim, será muito difícil apresentar valores de crescimento semelhantes aos dos anos anteriores.

351 253 559 140

info@kyaia.com www.kyaia.com

BREVES

, 70 mil pessoas aderem aos transportes públicos gratuitos em Lisboa

Atualmente, Lisboa é uma das poucas capitais europeias que tem transportes públicos gratuitos. A gratuitidade para jovens e idosos, residentes em Lisboa, já conta com 70 mil adesões, segundo o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Moedas, que garante que a medida será “para sempre”. Ter transportes gratuitos para os mais novos e para os mais velhos era um dos principais objetivos do autarca.

Inovação na produção de conteúdos

The Writer’s Room é o nome de um projeto Web3 levado a cabo pela Tally Labs. Este tem como principal objetivo reimaginar a forma como se fazem histórias, permitindo que qualquer pessoa possa colaborar no processo criativo de escrita de livros. O primeiro livro desta aplicação está a ser escrito por Neil Strauss, jornalista e autor de dez bestsellers

O grupo Mercadona e a responsabilidade social

No ano transato, a empresa Mercadona doou 1.900 toneladas de produtos de primeira necessidade a cantinas sociais, bancos alimentares e outras instituições de solidariedade em Portugal, o que corresponde a cerca 31.600 carrinhos de compra. A empresa já doou 25.100 toneladas de bens a Portugal e Espanha. Os clientes destes supermercados têm o hábito de participar nestas iniciativas de caráter solidário promovidas pela empresa que vão ocorrendo ao longo do ano.

de mercado em 2022

Samsung e Apple destacam-se como líderes

No último ano, as duas marcas asseguraram as suas posições, enquanto líderes de mercado, tendo beneficiado das quedas de marcas como a Xiaomi, Oppo e Vivo Mesmo assim, 2022 tornou-se no pior ano da década, para o mercado global de smartphones, com uma redução de 11,3% nas vendas. A estes dados, junta-se o aumento do período médio para a compra de um novo aparelho, por parte dos consumidores, que chegou aos 40 meses.

Doutorados ganham mais 950 euros do que licenciados

As pessoas que possuem doutoramento ganham, em média, mais 950 por mês do que os licenciados e três vezes mais do que um trabalhador com o ensino secundário, conforme revelou o relatório “Estado da Educação 2021”. Este revela que a qualificação da população portuguesa, em idade ativa, está a atingir níveis mais elevados de escolaridade, uma vez que mais de metade da população (59,5%) tem o ensino secundário completo.

Medway aumenta o salário dos colaboradores em 7,8%

Depois de várias reuniões regulares com os sindicatos, a Medway decidiu aumentar o ordenado dos seus trabalhadores em 7,8%, o que demonstra a sua preocupação para com os seus colaboradores. “Uma empresa é dignificada com o contributo de todos e é, por isso, fundamental estarmos atentos às pessoas, reconhecendo o esforço e a dedicação na construção e manutenção de um negócio”, refere Carlos Vasconcelos, Presidente do Conselho de Administração, ao Jornal Económico.

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RESULTADOS

DO POCH a 31|12|2022

Através do Fundo Social Europeu (FSE) o PO CH investe na Qualificação dos jovens e adultos.

1 041 759 pessoas apoiadas

4 677 milhões de euros*

Investimento FSE + recursos nacionais

3 989 milhões de euros*

Investimento FSE Taxa de Execução 98%

de educação e formação do po ch www.e-volui.pt
entidades e projetos em exposição Lista de Candidaturas Aprovadas em: www.poch.portugal2020.pt A publicação da lista de candidaturas aprovadas, enquanto medida de transparência e publicidade destinada ao público em geral, é uma das competências da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Capital Humano. www.poch.portugal2020.pt *Inclui montante aprovado no âmbito do Mecanismo Extraordinário de Antecipação do Portugal 2030
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