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A SCA é uma empresa líder mundial em produtos de higiene e florestais. O Grupo desenvolve e fabrica artigos para o cuidado pessoal, papel para uso doméstico e industrial e produtos florestais. Vende os seus produtos em mais de 100 países sob marcas líderes bem posicionadas a nível mundial como TENA e Tork, e regional como Libero, Lotus, Libresse ou Tempo. Sendo o maior proprietário de florestas a título privado na Europa, a SCA dá uma grande importância à gestão sustentável dos recursos florestais.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial

Bem-vindo, 2014

FICHA TÉCNICA Diretor Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira (diana.ferreira@revistanegociosportugal.com)

REDAÇÃO Ariana Ferreira (ariana.ferreira@revistanegociosportugal.com) Cátia Fernandes (catia.fernandes@revistanegociosportugal.com) Andreia Lobo Balolas Carvalho Bárbara Silva Sara Freixo Teresa Soares (redaccao@revistanegociosportugal.com)

Por Fernando Silva

É a última edição da Revista Negócios Portugal do ano 2013 e, por isso, já cheira a Ano Novo. Além dos aromas dos doces típicos da época, cheira também a novidade, a mudança, a renovação. Por aqui, estamos todos rodeados desse espírito tipicamente natalício. E porque no Natal gostamos de presentear aqueles que mais estimamos, a Revista Negócios Portugal decidiu presenteá-lo a si, nosso fiel e assíduo leitor, com um novo design, uma imagem fresca e revigorante. O nosso propósito? Agradecer-lhe por nos continuar a acompanhar nesta viagem. Os nossos votos para 2014 passam por continuar a não descurar o que de melhor se faz no nosso país e darlhe a conhecer do que Portugal é feito. Continuaremos a trazer-lhe mensalmente um país que, apesar de muito ligado às suas raízes e de tradições fortes, esforça-se em inovar, em marcar pela diferença e pela qualidade, atravessando de cabeça levantada qualquer Cabo das Tormentas que se lhe atravessa à frente. Continuaremos a mostrar-lhe os Descobrimentos de um país que se fez e se faz sozinho. Continuaremos a revelar-lhe os caminhos traçados pelas Caravelas que nos levam até novos mares, novas conquistas e novos terrenos… Para nos despedirmos de 2013, trouxemos uma vez mais à nossa edição aqueles que têm uma voz ativa e que a fazem ouvir. Faça também ouvir a sua. Nós aqui estaremos para o transmitir, em 2014. Festas Felizes.

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues (tiago.rodrigues@revistanegociosportugal.com)

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistanegociosportugal.com)

edição premium

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão Luís Silva Manuel Fernando Nuno Ferraria Paulo Padilha Pedro Paninho (publicidade@revistanegociosportugal.com)

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistanegociosportugal.com)

12 - município de águeda OSTEOPATIA

MISERICÓRDIAS

NANOTECNOLOGIA

CURTUMES

06 - O “pai” da osteopatia 09 - Filipe Gonçalves 10 - Escola Universitária Vasco da Gama

40 - SCM Tarouca 44 - SCM castelo Branco 48 - SCM Arganil

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral) Tlf: 224 109 098 (Redação)

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Edição Premium

20 - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 22 - CeNTI 26 - Barcelcom

54 - Curtumes Aveneda 55 - J.R.Fontes 56 - Ecoleather

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Pub Grupo Vitalino 1_4 Alto.pdf 3 06/12/2013 13:16:42

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Uma Ferramenta Chave a Favor da Prevenção

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e acordo com Ebbeling CB, Clarkson e Clarkson, em termos sintomáticos uma grnade parte das condições do sistema neuro-músculo-esquelético, tais como a dor, a hiperalgesia, a alodinia, o edema e a falta de força, se aut -resolvem, temporariamente. Por conseguinte, se não for feito um diagnóstico correto, seguido de um tratamento apropriado e cientificamente lógico, por um profissional devidamente qualificado e cumpridor de um rigoroso código deontológico, o problema poderá voltar com mais frequência e intensidade, passando dum estádio pré-patológico a patológico e crónico. Endireitas, bruxas, falsos médicos e pseudo-osteopatas de formação duvidosa alimentam-se de mediatismos baseados em folclores e aproveitam-se dos bons resultados imputados à Osteopatia, recolhendo assim os louros de uma prática que lhes devia ser vedada, de modo a proteger a integridade física e moral dos pacientes. Nas palavras do Dr. Augusto J. Henriques, presidente da Associação de Profissionais de Osteopatia (APO), “não estamos no planeta porque se inventaram as medicinas ditas de mais modernas, há algumas centenas de anos, mas sim porque temos esses mecanismos homeostáticos para o bem-estar com os quais a Natureza nos dotou. As medicinas são importantes para escolher, investigar e usar as melhores metodologias possíveis para curar as doenças, evitá-las, melhorar e promover a saúde e a longevidade das pessoas”, mas no que concerne ao alcance do já referido bem-estar é essencial pensar-se em prevenção. “A população está a viver mais tempo e a sua saúde está a deteriorar-se”, salienta o osteopata, que refere como consequência o “aumento inexorável dos custos do Serviço Nacional de Saúde”. Como resultado, há “que se passar de um sistema curativo para um preventivo. Por sua vez, “a educação será uma das soluções para que a responsabilidade da saúde seja dada ao indivíduo, não ao técnico de saúde”. Cabe, portanto, ao Governo, exercer influência enquanto peça chave de uma estratégia que passa por “desenvolver políticas, promover legislação, dar mais facilidades ao serviço nacional de saúde e às organizações voluntárias, e trabalhar com os média para dar mais informação clara e consistente”. Paralelamente, é fundamental que o papel das várias profissões de saúde seja convenientemente definido e claramente compreendido. “Tem que se admitir o seu papel crucial e fazer reconhecer aos estudantes das várias profissões da “saúde” a necessidade de apreciar que a prevenção da doença e a promoção da saúde são tão importantes como o tratamento da mesma”. No entendimento de Augusto Henriques, a Osteopatia, onde não há protocolos de tratamento, trata-se de uma Medicina centrada no paciente, cuja filosofia se baseia em princípios e conceitos que se desenvolvem a partir da relação estabelecida com o próprio. “O paciente faz parte dum contrato verbal estabelecido e, faz parte dessa mesma atuação no tratamento e como parte dele, na sua casa, no seu trabalho, no seu estilo de vida, etc. Ou seja, “um Osteopata vê o seu paciente dentro duma abordagem holística, centrado num contexto biomedicopsicossociológico, incluindo a parte ambiental e cultural. Tenta promover a saúde e prevenir a doença usando várias metodologias e abordagens específicas da Medicina Osteopática na constante procura do estado de Saúde Total”. Ainda enquanto autoridade no que ao conhecimento da Osteopatia diz respeito, o presidente da APO salienta a importância de uma “regulamentação com regulação séria e plena da Medicina Osteopática para Portugal, promovendo desta forma uma verdadeira poupança nos recursos, baseando-se nos Países de origem que são os Estados Unidos da América e o Reino Unido”. A redução de custos estatais reside na minimização das listas de espera e de prescrições medicamentosas, assim como na redução da necessidade de recorrência a muitos exames imagiológicos dispendiosos, de que são exemplo as radiografias. Logo, é neste seguimento que se torna imprescindível a “integração da Osteopatia no Serviço Nacional de Saúde, como sucede em tanto lado, para que toda a população possa ter acesso a verdadeiros Cuidados de Saúde Osteopáticos”. “Informem-se do que é a verdadeira Osteopatia” – adverte o também fundador da APO – “do nível de formação académica, profissional e do ensino clínico/ estágio curricular do Osteopata que vão consultar”. “Nós, os Portugueses, somos cidadãos Europeus de primeira qualidade, por isso as melhores e mais corretas possibilidades que existem na União Europeia devem ser transpostas para Portugal.” Augusto Henriques encara, aliás, a falta de regulamentação e de um organismo de controlo de qualidade Osteopática como “um verdadeiro perigo para a saúde pública”, concluindo, com pesar, “neste momento não se sabe quem é quem, não há controlo sobre as atuais escolas e, devido a esta lacuna da falta de regulamentação, não se pode evoluir, nem desenvolver, tanto no que concerne as escolas, como os estudantes e os profissionais.”


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OSTEOPATIA: A Melhor Terapia para a dor e para a restituição de movimentos Borges de sousa - osteopata A osteopatia foi implementada em Portugal, em 1978, por Borges de Sousa, professor doutor, oriundo da África do Sul.

Borges de sousa Osteopata

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m 1978, quando regressou a Portugal, “ninguém sabia o que era a osteopatia na Europa”. Porém, a história desta prática remonta à fase áurea da medicina, em que os adventos de Louis Pasteur e Alexander Fleming, no desenvolvimento dos antibióticos, levaram ao corte entre a até então medicina de cariz mais popular, recorrente a ervas e mezinhas, e a medicina de raiz microbiológica, dos medicamentos. Fruto das experiências em doentes e cadáveres da guerra civil do médico americano Andrew Taylor Still, a osteopatia, fundada em 1874, não passou despercebida, estando a divulgação dos seus êxitos terapêuticos na origem de uma aceitação bastante favorável. Tão bons resultados devem-se às “bases de saúde sólidas de uma terapia que defende que o

organismo deve manter um certo equilíbrio”, sendo a missão da osteopatia restaurar esse mesmo equilíbrio. “A medicina e os medicamentos podem atenuar muita coisa, mas não resolvem a maioria dos problemas. Daí que este tipo de medicina em conjunto com a tradicional possa enriquecer ainda mais a sociedade, ao garantir um maior bem-estar e uma maior qualidade de vida”, defende o professor. Guiada pelas teorias de Still, a osteopatia, que não tardou em alastrar-se a outros pontos do globo, teve ainda de desbravar alguns árduos caminhos para se implementar na Europa. Concretamente no caso português, a sua chegada deve-se a Mário Alberto Borges de Sousa e à experiência e aos ensinamentos provindos de África do Sul, onde trabalhou não só como osteopata, mas

como clínico geral. Licenciado em Osteopatia pela Faculdade de Osteopatas do Lindlaher College of Natural Therapeutic of South Africa, em 1960, no seu regresso a Portugal, viu-se inibido, apesar de três licenciaturas contabilizadas na área da saúde (Osteopatia, Medicina e Fisioterapia), de exercer práticas médicas. Forçado e obrigado a enveredar pelo desconhecido, Borges de Sousa começou a desenvolver o seu percurso enquanto osteopata em território nacional. Os primeiros passos foram dados a bordo de uma equipa de ortopedistas de Castelo Branco, com a qual colaborou durante nove anos e meio. Seguidamente, surgiu a necessidade de fazer o Exame de Competência Profissional em Osteopatia ao Estado Português (Processo nº. 6/SS/COM, de 1986), para que as suas capacidades fossem reconhecidas e

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Curriculum Vitae de Borges de Sousa 1976 Com exame de Estado e Registo como Homoeopath Practitioner Registado no Department of Health in Pretoria – South Africa. 1979 Especialização em Terapia Desportiva no Schilinger-Institut fur Physiotherapie - Walbachtal – Alemanha. 1980 XVI Curso de Perfeicionamento Reumatologico – Pós.Graduação no Instituto Poal de Reumatologia de Barcelona/Espanha. 1985 Membro fundador da Society of Osteopaths da Inglaterra 1986 Exame de Competência Profissional em Osteopatia ao Estado Português - Processo 6/SS/COMP da Comissão Coordenadora dos Certificados de Competência Profissional. 1994 - 1995 Trabalho de investigação em osteopatia com diploma outorgado pela The Manchester School of Osteopaty de Manchester. 1997-1998 Mestre em Gestão do Desenvolvimento e Cooperação Internacional pela Universidade Moderna de Lisboa Dissertação :”Medicinas Complementares e o seu Desenvolvimento no Contexto Económico e Social: Importância do enquadramento destas medicinas no Serviço Nacional de Saúde Português”. 2000-2004 Doutor em Ciências de Saúde na vertente Investigação pela Touro University International - College of Health Sciences, Los Alamitos (USA)

a sua profissão pudesse ser devidamente exercida. Um passo que se veio a revelar essencial na história singular do homem que é hoje apelidado, pelos seus pares, como o “pai da Osteopatia”. A máxima oficialidade enquanto profissional por parte do Estado Português teve como consequências diretas o desenvolvimento firme da atividade e a sua posterior cimentação em território nacional. Neste sentido, foi também importante a aposta na formação, uma vez tornada clara a necessidade da abertura de um curso direcionado a profissionais de saúde que quisessem alargar as suas competências. Mais um feito da inteira responsabilidade ddBorges de Sousa, ao trazer para Lisboa os cursos superiores de Osteopatia da Oxford Brooks University, que estiveram na origem daquilo que é hoje o Instituto de Técnicas de Saúde (ITS), com instalações em Lisboa e no Porto. Atualmente, o instituto exerce uma estreita parceria com outras entidades de formação, através da coordenação e docência. As pósgraduações ministrados na área da Osteopatia e das Terapias Manipulativas na Escola Universitária Vasco da Gama, em Coimbra, no Instituto Superior de Educação e Ciências e na Escola Superior de Tecnologias de Saúde de Lisboa, edificaram-se sobre a alçada do próprio. Com esta amplitude, o ITS conta com um total aproximado de 400 alunos, espalhados pelas várias instituições. Uma abrangência que, a par do papel enquanto formador de osteopatas desde 1998, leva o professor a concluir que “85 por cento dos osteopatas que existem neste país foram meus alunos e sei que 95 a praticamente 100 por cento dos professores que existem foram meus alunos”. Como coordenador, os objetivos do pai da osteopatia são óbvios: ensinar e preparar o melhor possível os profissionais de saúde. Nesta medida, acresce um cuidado especial na manutenção de contacto com os professores, com quem se reúne mensalmente, tendo

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em conta “aquilo que há, efetivamente, necessidade de ensinar, para que não se estendam por teorias que depois não terão interesse algum na vida prática”. Na sua maioria, os alunos “são profissionais de saúde, com a sua filosofia médica, e cabe a nós a incutirlhes a filosofia holística”. Ou seja, a osteopatia não se baseia em patologias, mas sim em desequilíbrios da parte fisiológica. Cabe, portanto, ao osteopata detetar a origem desse desequilíbrio e eliminá-la ou atenuála, para que os sintomas não progridam e não se transformem em patologias. O terapeuta responde pelo desenvolvimento e pelo incremento da saúde, sendo que é o próprio organismo através da homeostasia (capacidade de autorregulação do ambiente interno, de que são dotados os seres vivos) que se vai regenerar. Daí que a osteopatia seja “uma das melhores terapias para eliminar a dor e para dar melhor movimento”. Havendo uma grande solicitação de profissionais, a formação facultada tem de ser a melhor. De acordo com Borges de Sousa, “a capacidade não se mede pelo número de anos de aprendizagem, mas sim pelo número de horas práticas”, razão pela qual esta componente dos cursos é hoje grande aposta do ITS. O Centro de Estágios do ITS prepara os estudantes para o mundo real, ao disponibilizar tratamentos osteopáticos gratuitos à população portuguesa. Sob a supervisão de orientadores qualificados, os alunos tratam os doentes, aplicando as técnicas aprendidas. “Posso ensinar 50 alunos da mesma forma, mas no fim do curso cada um deles trabalha à sua maneira”. Nesta medida, a osteopatia deverá ser entendida como “uma arte, à semelhança da pintura ou da escultura”. Durante a formação, são concedidas ferramentas base que são posteriormente aplicadas de acordo com a personalidade de cada um e de acordo com as necessidades do doente, uma vez que a “a saúde não é

taxativa. Não há dados fixos. Quando um médico fala de um modelo específico para tratar está a enganar-se a si próprio”. Por isso “é que a osteopatia vingou: não está condicionada a um só medicamento”, mas sim a várias formas de atuação que se adequam às urgências do paciente. Integrada nas terapêuticas não convencionais, a osteopatia não invalida, nem pretende, a recorrência à medicina convencional. Na visão do professor, que diz nunca ter entrado em conflito com a comunidade médica, uma vez que sempre foi mantido o respeito de parte a parte, entre ambas há uma complementaridade. Aliás, “na África do Sul, onde a osteopatia está regulamentada e bem regulamentada há muitos anos, as terapêuticas são chamadas de medicinas complementares”, como parte integrante daquilo que se designa globalmente por medicina. Também nesta instituição de referência no que diz respeito à formação de osteopatas estarão disponíveis, a partir de janeiro, cursos de Formação Contínua, encarados como uma estratégia fundamental para o desenvolvimento do profissional. “A formação contínua é muito importante. Como em tudo, na área da saúde, alguém que termine o curso e depois não aposte na formação corre o risco de cristalizar. Vemos que o mundo altera de segundo a segundo, e que o que hoje é considerado verdade, amanhã já é considerado mentira. É preciso evoluir e não perder o comboio: o curso é o princípio de uma vida, um princípio de um estudo, mas a verdadeira escolha é a universidade da vida. Essa grande riqueza é que permite que pessoa ou desenvolva ou cristalize. E para evoluir é preciso trabalho”.

Regulamentação Da África do Sul, onde desde cedo as terapêuticas não convencionais se viram regulamentadas e onde


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proliferam os cursos superiores em Osteopatia, Borges de Sousa bebeu as raízes da metodologia que acabou por empregar em Portugal. No âmbito do Mestrado em Gestão do Desenvolvimento e Cooperação Internacional pela Universidade Moderna de Lisboa, redigiu a tese “Medicinas Complementares e o Seu Desenvolvimento no Contexto Económico e Social: Importância do Enquadramento destas Medicinas no Serviço Nacional de Saúde Português (SNS).”, que mais tarde se viria a tornar “na bíblia para a atual regulamentação das medicinas não convencionais”. Este feito académico, concluído em 1998, incluiu uma análise geral dos problemas de saúde em Portugal, bem como a discriminação de aspetos socioeconómicos relativos à integração das terapias não convencionais no SNS, a par de um alerta para a necessidade de alteração das políticas de saúde, tendo em vista a igualade social. Publicada em Diário da República, a 2 de setembro do ano vigente, a Lei 75/2013 vem finalmente regulamentar o exercício das terapêuticas não convencionais. Esta legislação, que concede autonomia técnica e deontológica aos profissionais, tem como vantagem

máxima a proteção dos mesmos e dos pacientes, ao determinar que apenas poderão desempenhar a actividade terapeutas titulares do grau de licenciado nas especialidades administradas.

Breve Resumo da História da Osteopatia em Portugal Para além de autoridade no que ao assunto diz respeito, graças aos amplos conhecimentos reunidos nesta área da sabedoria, Borges de Sousa fez história, na primeira pessoa, no enquadramento das terapêuticas não convencionais. Responsável pela implementação da osteopatia em Portugal, num impulso de necessidade, foi por vocação que apostou na difusão desta terapêutica enquanto fundador e coordenador do primeiro curso superior ministrado em Portugal. Com uma tese de mestrado na origem da regulamentação da atividade, o mentor derrubou ainda muitos dos estereótipos associados a estas terapias. À frente do atual líder na formação de osteopatas, a nível nacional, Borges de Sousa vê-se a braços com a tarefa de continuar a

educar e preparar futuros osteopatas. O futuro, esse, dada à crescente procura, não poderia deixar de ser promissor. Reconhecido nacional e internacionalmente pelo seu contributo neste âmbito, o pai da osteopatia portuguesa é perentório: “A osteopatia é uma das melhores terapias para a qualidade de vida e no bem-estar do ser humano”, dois elementos chave na definição de saúde adotada pela Organização Mundial de Saúde.

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Terapia Indolor ao Alcance de Todos joão martins - osteopata Com uma história ainda relativamente curta em Portugal, quando comparada com outras vertentes dos cuidados de saúde, a Osteopatia trata-se de um conceito que ainda suscita algumas dúvidas na população geral. Pelas mãos do Dr. João Martins, Osteopata, chegamnos alguns esclarecimentos.

João martins Osteopata

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pós ter concluído a sua formação em Osteopatia, no ano de 2009, pela Universidade Lusíada de Lisboa em parceria com Instituto de Técnicas de Saúde, João Martins não descurou a aposta na aprendizagem. Baseada numa constante necessidade em evoluir, que advém do permanente estado de mutação do mundo atual, esta investida justifica-se com a certeza de que “o curso base não me dava ferramentas suficientes para trabalhar, o que levou a que procurasse sempre aumentar as minhas competências e a procurar formação no estrangeiro dentro da área da Osteopatia e da Osteopatia Desportiva”. Apesar de não duvidar das capacidades dos seus colegas osteopatas que em território nacional se dedicam ao ensino de futuros profissionais, a primazia dos países com uma história da osteopatia bem mais enraizada, como por exemplo no Reino Unido, continua a ser evidente. O “maior número de anos de prática nas melhores universidades, com licenciaturas já bem estabelecidas onde podemos encontrar profissionais na área do ensino melhor preparados” de nações com maior tradição osteopática conferem uma aprendizagem de excelência que merece ser considerada na constante

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evolução de um osteopata. Enquanto profissional de saúde acreditado, as maiores preocupações de João Martins prendemse com o cuidado para com o paciente, e no estabelecimento da aproximação que permitirá a observação e compreensão adequada das queixas que motivaram a consulta. Com uma duração aproximada entre uma hora a uma hora e meia, a primeira consulta de osteopatia começa precisamente pela elaboração de uma anamnese, ou seja, de um registo clínico que compreende os dados biográficos do paciente, as queixas e os testes ortopédicos e neurológicos, avaliação de postura que permite que seja realizada uma avaliação o mais precisa possível do seu estado. Posteriormente, o tratamento osteopático, conveniente para lesões e disfunções articulares ou musculares, procura harmonizar as articulações afetadas através de técnicas de impulso, técnicas músculo-energéticas e libertação miofascial, extremamente cuidadas, e elaboradas. Sem idade mínima e apropriada para todas as pessoas, dependendo das características físicas e emocionais e das limitações patológicas e fisiológicas de cada um, esta prática indolor distancia-se da ideia generalizada que a aproxima do “estalar de ossos”. “Isso nada tem que ver com a osteopatia”, argumenta o osteopata. “A Terapia Manipulativa é uma das ferramentas da osteopatia, mas o mais importante é”, como enfatiza, “chegar ao diagnóstico. A Terapia Manipulativa trata-se de uma ferramenta entre outras, como por exemplo as MET´s (Técnicas Musculo-Energéticas)”. No âmbito do futebol, João Martins é responsável pela coordenação de uma equipa multidisciplinar de enfermeiros e fisioterapeutas, juntamente com o seu colega Tomás Lucena, mestre em Fisioterapia e que

conta também com um médico com formação específica em Medicina Desportiva com vários anos de experiência, João Rossa, no “acompanhamento de cerca de 400 atletas, em jogos e treinos, no enquadramento das lesões desportivas e prevenção”. Para lá das ligações ao Clube de Futebol “Os Belenenses” e à Escola Academia do Sporting em Carnide, o osteopata desenvolve trabalho em duas clínicas e na Junta de Freguesia da Graça e de Santa Engrácia. Estas últimas são mais favoráveis ao favorecimento de uma proximidade mais social, sendo que os valores praticados são mais baixos e ajustados para atender a quem mais precisa. Dentro de em breve, será inaugurada a Clínica Fisio4all dentro das instalações do Estádio do Restelo que irá contar com Fisioterapia, Osteopatia, Acupuntura e Consultas Médicas dirigido ao público em geral e aos desportistas amadores e de alta competição.

A osteopatia está de boa saúde, dá boa saúde e recomenda-se João Martins considera que a osteopatia em Portugal encontra-se no bom caminho. “Temos muitos bons profissionais a trabalhar em Portugal, que têm vindo a apostar na especialização”. Porém, o passo fundamental a dar num futuro próximo seria as “Universidades começarem a contratar profissionais para lecionarem os futuros osteopatas, e os hospitais públicos e privados assim como centros de saúde começarem também a contratarosteopatas para as suas equipas, que tanta falta faz no atual Sistema Nacional de Saúde”, à semelhança do que acontece desde 1993 no Reino Unido. A quem procure submeter-se aos cuidados de um osteopata fica a recomendação: “O paciente tem de ter a noção e o cuidado de escolher um profissional devidamente qualificado, registado na ACSS e com as habilitações fundamentais para poder proceder à intervenção. A osteopatia não é perigosa, mas como em qualquer outra medicina, se não for bem praticada, pode colocar em risco a segurança e saúde do paciente”.


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O poder terapêutico das mãos Filipe gonçalves - osteopata Filipe Gonçalves é um dos osteopatas mais reconhecidos em Portugal. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, o osteopata, engenheiro de formação, mostrou-nos qual a sua visão desta já legalizada terapêutica não convencional.

na linguagem osteopática se use. A osteopatia trata disfunções somáticas (alterações da funcionalidade do organismo), e estas é que podem levar à instalação de estados patológicos. Podemos dizer que a ação do osteopata é essencialmente sobre o sistema musculo – esquelético, este representa mais de 60 por cento do corpo. Assim, a abrangência de patologias é vasta, desde alterações do sistema nervoso – cefaleias, nevralgias, lombalgias, dores de costas, tendinites, etc. E a quem se destina? Todas as faixas etárias podem receber tratamento osteopático, salvo se, após avaliação, houver alguma contraindicação, como no caso de fraturas, por exemplo.

Para que possamos contextualizar os nossos leitores, pedia-lhe que começássemos por abordar a questão da osteopatia: no que consiste? A osteopatia é uma ciência que nasceu há 140 anos, das mãos dum médico americano, Andrew Taylor Still. A osteopatia aborda o corpo como um todo, procurando a integração e a harmonização de todas as estruturas do corpo. Para isso, o osteopata afere a saúde do paciente no sentido de restituir o equilíbrio do todo. A osteopatia, para atingir esse equilíbrio, sinónimo de saúde, usa técnicas manuais. A grande diferença entre a osteopatia e a medicina convencional passa essencialmente pela atenção focada no doente ao invés da doença, correto? Pedia-lhe que aprofundássemos um pouco esta questão. O grande contributo de Andrew T. Still, que criou a osteopatia há 140 anos, foi não olhar para a doença, mas sim para a saúde do paciente, ou ausência desta. A uma agressão interna ou externa, o organismo de cada um de nós responde de forma diferente, devido à idade, sexo, raça. A osteopatia não tem tratamentos estereotipados, mas sim direcionados para a realidade e saúde de cada um.

A sua experiência mostra-lhe que os portugueses já recorrem com maior frequência à osteopatia ou são ainda um pouco céticos em relação à sua capacidade terapêutica? Os portugueses estão mais informados e sensibilizados para a importância da osteopatia. Há mais procura e mais oferta também. No entanto, o que ainda dita a escolha dos portugueses é o passa-a-palavra. Foquemo-nos agora um pouco no ‘Filipe Gonçalves, osteopata’. Quando inicia a sua carreira? Porquê a osteopatia? Conheci a osteopatia pelo lado do paciente, em 2004. Nessa altura, sofria de lombalgias e encontrei aqui a solução. Apesar da minha formação de base ser de engenharia, descobri uma aptidão natural para a terapia manual e comecei a desenvolvê-la com um curso de massagem desportiva. Desde ai, completei dois cursos de osteopatia e uma pós-graduação em Osteopatia Clássica na escola inglesa ‘The John Wernham College of Classical Osteopathy’, para além de outras formações fora e dentro de Portugal.

Enquanto profissional, como tem sentido a evolução da osteopatia? A osteopatia tem evoluído muito na última década, em Portugal e alem fronteiras. Os governos estão mais sensibilizados e ‘obrigados’ pelo público a legislar a osteopatia e outras ciências, para garantir a qualidade nas instituições de ensino e nos profissionais. Quais as técnicas a que mais frequentemente recorre? Recorro mais a técnicas de tecido mole, onde se incluem técnicas de miofasciais e, quando indicado, técnicas manipulativas. Também desenvolvi uma especialidade (de terapia manual) que trata patologias ligadas à presença de cicatrizes, de origem traumática ou pós-operatória. Relativamente às entidades competentes, recebe das mesmas o reconhecimento e apoio que considera necessário à prática da osteopatia? Sim, felizmente recebo, seja por parte dos meus pacientes, seja por parte de alguns profissionais de saúde de outras áreas que dão referências minhas. O facto de tratar alguns atletas de alta competição é também, de certa forma, um reconhecimento. No Governo, o reconhecimento da osteopatia passou pela publicação da Lei das Terapêuticas Não Convencionais. O que deve mudar? Por parte das pessoas que procuram melhorar a sua saúde, devem estar abertas a experimentar esta terapia e procurar profissionais qualificados. Do meu lado, tento sempre melhorar e desenvolver ferramentas para os desafios diário, sem perder a humildade para tratar quem me procura.

Em que doenças pode atuar a osteopatia? A palavra doença pode não ser a mais correta, embora

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“Terapias não convencionais no SNS para acesso a todos” Escola universitária vasco da gama É isto que Humberto Rocha considera crucial. Em entrevista à Revista Negócios Portugal ,o professor da Escola Universitária Vasco da Gama refere que as terapias não convencionais deviam ser integradas, de forma progressiva, no Sistema Nacional de Saúde, já que só dessa forma se conseguiria democratizar o seu acesso a todos os portugueses. Nesta escola encontra-se atualmente em funcionamento um curso de Pós Graduação em Osteopatia, um curso de Osteopatia para Profissionais de Saúde e em breve será anunciado um Curso Básico em Terapias Integrativas. saúde e cada vez mais procurada, tanto por pacientes, como por outros profissionais à procura de aumentar as suas valências. A parceria interdisciplinar é cada vez mais uma componete alargada na área da saúde. Que passos importantes já foram dados e quais os que estão ainda por dar nesta área? Os primeiros passos importantes, em relação à regulamentação profissional, foram dados em 2003. A continuação desse caminho está agora nas mãos da ACSS e DGS, que tudo indica concluir os seus trabalhos em 2014. Outros marcos importantes da osteopatia em Portugal foram as várias parcerias com universidades portuguesas e estrangeiras no desenvolvimento de programas académicos desta área.

Luís vilar, humberto rocha, silvério cabrita e borges de sousa

Para as pessoas que estão pouco familiarizadas com esta temática, explique em traços gerais o que faz um osteopata? O osteopata é um clínico especializado numa Terapêutica Manual. É um profissional de saúde com autonomia, que baseia o seu diagnóstico numa investigação cuidada da história do paciente, na pesquisa diferencial de diagnóstico, isto é, numa avaliação clínica do paciente (palpação, auscultação, avaliação neurológica, etc.) e numa avaliação osteopática rigorosa, ou seja, o seu conhecimento profundo em biomecânica, anatomia e relação do sistema neuro-músculoesquelético, é o que vai permitir a este profissional a decisão se é seguro tratar o paciente e se sim, fá-lo baseado nos mecanismos fisiológicos e biomecânicos do corpo, com técnicas manuais que atuam em vários tecidos. Que doenças ou questões clínicas pode um osteopata ajudar a tratar? Em todos os tecidos que por incapacidade de equilíbrio por parte do organismo, possam ter ficado disfuncionais. Explicando melhor, se pudéssemos

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descrever o nosso organismo em poucas palavras, seria a sua capacidade altamente eficaz e complexa de manter a homeostase, ou seja, o equilíbrio. Porém, se traumas de repetição, traumas agudos ou doença forem demasiado agressivos, podem ser um obstáculo à capacidade de manutenção desse equilíbrio. O que o osteopata faz é precisamente ajudar o corpo nesse processo, minimizando ou eliminando esses obstáculos. O que as técnicas manuais fazem é devolver aos tecidos (músculos, articulações, nervos, etc.) a sua capacidade funcional. O osteopata a«tua no aparelho neuro-músculoesquelético, logo quaisquer disfunções a ele associadas, tais como tendinoses, disfunções articulares provocadas por processos degenerativos, problemas discais intervertebrais, contraturas de esforço e repetição, compressões de nervos ou raízes nervosas, em algumas doenças reumáticas, dores articulares, cefaleias cervicogénicas, cefaleias tensionais, distúrbios vestibulares, lesões desportivas, entre muitas outras. Como é vista hoje a osteopatia em Portugal? Cada vez é mais bem recebida pelos profissionais de

Que diferenças existem entre a importância dada a esta área em Portugal e em outros países europeus? Penso que em Portugal a osteopatia é vista da mesma forma que noutros países onde não está regulamentada. Cada vez há mais formação e investigação. Em relação ao Reino Unido ou França, as realidades são bem distintas. No caso do Reino Unido por exemplo, o osteopata goza de total autonomia, comparticipação de seguradoras e é um profissional de saúde dos cuidados de saúde primários. Tem um currículo académico muito completo. Que justificação encontra para estas diferenças? Estes países talvez tenham percebido há mais tempo a importância da prevenção e ainda mais a lacuna no tratamento de problemas do aparelho músculoesquelético. 70 por cento do nosso corpo são músculos e articulações e requer um gasto de energia brutal. Se não estiver em ótimas condições vai afetar todo o resto do corpo. A verdade é que o tratamento conservador apenas disfarça o problema e como disse, há uma grande lacuna na resposta a estes pacientes. Este curso, que arrancou em novembro é destinado a profissionais de saúde. Que vantagens considera que traz a esses mesmos profissionais?


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Podem melhorar as suas competências e aprofundar o conhecimento numa ciência vasta, de investigação e que olha para o corpo humano de um ponto de visto global. Que plano curricular e focado em que temáticas? As grandes valências do osteopata são os conhecimentos profundos de anatomia palpatória, fisiologia e biomecânica, mas também de outras áreas das ciências biomédicas como a neurologia, a ortopedia, a reumatologia, etc. Que expectativas tem para o crescimento desta terapia e outras não convencionais no nosso país? A expectativa é elevada uma vez que a “cultura do bem estar” está instalada no dia a dia das pessoas. O equilíbrio do ser humano passou a ser reconhecido e assumido como um todo e as terapêuticas integrativas são nucleares para se atingi-lo, conjuntamente com a nutrição, com os cuidados estéticos, com o termalismo e outros conceitos indispensáveis ao desenvolvimento no país de um turismo da saúde.

COIMBRA

Acha que os portugueses já têm conhecimento sobre esta área e estão sensibilizados para a sua importância?

ESCOLA UNIVERSITÁRIA VASCO DA GAMA

www.euvg.pt | geral@euvg.pt | 239 444 444

Penso que não. Há um enorme trabalho a fazer de divulgação, sobre os benefícios destas terapêuticas. Por outro lado, é crucial que de forma progressiva estas terapêuticas possam ser parte integrante do Serviço Nacional de Saúde, uma vez que só assim se democratiza o seu acesso a todos os portugueses. Quais os projetos para o futuro? A Escola Universitária Vasco da Gama – EUVG/Coimbra pretende-se posicionar como a Instituição de Ensino Superior das Terapêuticas Integrativas na grande região centro. Nesse sentido, estabeleceu protocolo de colaboração com o ITS - Instituto de Técnicas da Saúde, dirigido pelo professor Borges de Sousa, tem colaboração com a C.E.M.I.- Câmara dos Especialistas em Medicina Integrativa, presidida por Jorge Fonseca e projeta em breve poder ministrar o Curso Básico de Homeopatia- Programa Europeu que tem a Coordenação Pedagógica de Hélio Paulino Pereira. Este curso é ministrado há cerca de 27 anos em Portugal e constitui a referência do ensino da homeopatia no país. Com a instituição colaboram ainda médicos e outros profissionais de saúde de reconhecido mérito e que há anos se dedicam à prática das terapêuticas integrativas.

humberto rocha Presidente do Conselho de Direcção da EUVG

MEDICINA VETERINÁRIA

MESTRADO INTEGRADO LICENCIATURA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE ANIMAL CET-CUIDADOS VETERINÁRIOS

OSTEOPATIA

EM PARCERIA COM O ITS

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL OSTEOPATIA RESPONSÁVEIS FAMILIARMENTE

Autarquia + Familiarmente Responsável Município de Águeda É uma das autarquias mais familiarmente responsáveis de Portugal. A Câmara Municipal de Águeda recebeu bandeira verde do Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis, que distingue os Municípios pelas Boas Práticas, no âmbito da política de apoio à família e aos funcionários autárquicos, na conciliação entre a vida familiar e vida profissional.

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galardão não é novo para esta autarquia, dado que este é o quarto ano consecutivo que Águeda é distinguida com o galardão de Autarquia + Familiarmente Responsável. Para Elsa Corga, vereadora de Ação Social e Habitação Social a grande preocupação tem sido “criar condições para as famílias. Estamos a falar da bandeira das Autarquias + Familiarmente Responsáveis, o que quer dizer que valorizam as autarquias que dão condições para que as famílias possam viver e isso implica ter boas condições nas escolas, ter instituições que dão apoio às famílias, ter condições de trabalho, cultura, desporto e lazer. São precisamente estas áreas que nós temos valorizado ao longo dos anos”.

Socializar + É na área da ação social que a Câmara Municipal de Águeda se debruça com maior empenho, Elsa Corga sublinha “não queremos que exista uma única criança em Águeda a passar fome. Para nos assegurarmos disto temos de ter conhecimento dessas situações e portanto criamos uma rede em que um professor, um vizinho ou alguém de uma associação onde a criança está e que perceba que aquela criança tem algum problema, tentamos fazer com que essa rede nos faça chegar essas situações. Felizmente, em Águeda, temos uma grande cobertura de IPSS que estão no terreno e

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que dão esse tipo de apoio. Para além disto também temos um trabalho muito próximo com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens”. Uma das ferramentas que permite à Câmara Municipal de Águeda ajudar os munícipes com maiores carências é o programa Socializar+ que, explica a vereadora Elsa Corga, “nos permite dar os mais diversos apoios e ter soluções para as diferentes situações que possam surgir. Temos, por exemplo, um programa de apoio ao arrendamento que nos permite apoiar as famílias no pagamento da renda. Para tal, criamos critérios e temos situações em que chegamos a pagar 90 por cento do valor da renda a famílias carenciadas e que tinham muitas dificuldades em pagar o valor total da renda”. O programa também presta auxílio a famílias que precisam de realizar obras em habitações, “temos situações de famílias que não tem instalações sanitárias e outras cuja habitação não está adaptada a pessoas com mobilidade reduzida. Nestes casos damos esse apoio diretamente à família ou a uma instituição que a esteja a acompanhar. Também já tivemos situações em que demos ajudas técnicas como cadeiras de rodas e camas articuladas para pessoas que tenham algum tipo de limitação”, refere.

Cidade Amiga das Crianças Também a educação é uma forte aposta deste município

que recentemente criou mecanismos de apoio ao transporte e refeição escolar para as famílias mais carenciadas do concelho. “Fomo-nos apercebendo que os apoios que estão definidos por lei não são suficientes. Detetamos algumas situações de alunos que não têm escalão 1 nem escalão 2 da Segurança Social e que, portanto, não contam com nenhum tipo de apoio previsto por lei no que toca ao transporte e refeição escolar. Concluímos que a condição socioeconómica de muitas destas famílias não lhes permite suportar este tipo de despesas e então, mais uma vez, através do programa Socializar+ analisamos estas situações e em muitos casos chegamos à conclusão que essas famílias necessitam da isenção deste pagamento. Neste momento, temos um número elevado de famílias que têm refeições e transporte gratuito graças a este mecanismo que a autarquia criou”. Um dos objetivos desta autarquia é também incutir nas crianças e jovens do concelho um espírito de cidadania ativa. Para tal, aderiram a um projeto que pretende que as crianças e jovens desenvolvam um olhar crítico sobre o local onde vivem. Elsa Corga explica que o projeto “Cidade Amiga das Crianças pretende que as crianças e os jovens comecem a olhar para a sua freguesia, para a sua cidade, para o seu concelho de uma forma crítica e que identifiquem aquilo que gostam e aquilo que menos gostam e, sobretudo, que apresentem propostas para melhorar aquilo que não apreciam


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tanto”. Quanto aos resultados, “já tivemos algumas experiências interessantes. Temos crianças dos 3 aos 15 anos envolvidas, de instituições e escolas do concelho, obviamente com estratégias diferentes de os abordar, mas todos eles colaboram neste processo. Desta forma, também acreditamos que estamos a criar e a incutir nos jovens um espírito de cidadania ativa e temos a certeza que vão ser adultos muito mais ativos e muito mais participativos do que seriam se não tivessem esta experiência em crianças”.

Funcionários autárquicos Um dos critérios analisados na escolha das Autarquias Mais Familiarmente Responsáveis são ainda as boas práticas das autarquias para com os seus funcionários autárquicos em matéria de conciliação entre trabalho e família. Elsa Corga garante que “uma preocupação que nós temos tido ao longo dos anos é que os nossos funcionários não deixem de estar tão empenhados na sua atividade, por motivos familiares. Quer através da jornada contínua, quer através da flexibilização de horários, procuramos sempre fazer com que as pessoas possam conciliar a sua vida familiar com a vida profissional da melhor forma. Temos situações de pessoas que pedem licença sem vencimento durante alguns meses ou até mesmo um ano por questões familiares e tentamos não colocar entraves. Também

somos flexíveis relativamente às férias de forma a que todos possam estar o máximo de tempo com a família. Também o bom ambiente entre funcionários da autarquia é estimulado. Existem colaboradores que promovem encontros entre funcionários através de atividades desportivas e radicais e da parte do executivo estão sempre disponíveis. Assim promove-se o espírito de equipa e o conhecimento entre todos, o que é bom para o ambiente de trabalho”.

Cultura, desporto e lazer Uma das marcas de Águeda é o evento que decorre anualmente ao longo do mês de julho: o AgitÁgueda, um ponto de encontro para as noites de verão, junto ao rio e que proporciona momentos de convívio, cultura e lazer num espaço de qualidade. Também durante a época natalícia a cidade se agita para dinamizar o comércio tradicional. Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda decidiu este ano investir a receita dos parcómetros na dinamização do comércio. Uma das apostas foi uma Pista de Gelo, no renovado Largo Dr. António Breda, e que está em funcionamento entre os dias 7 de dezembro e 5 de janeiro. As receitas dos parcómetros foram ainda investidas num comboio turístico que circula por toda a cidade, realizando a ligação entre os pontos de comércio da baixa e alta de cidade, e em iluminação natalícia na cidade e nas

freguesias. O objetivo, diz o presidente do Município, é “criar condições que levem os filhos a arrastar os pais para as ruas e se trouxermos as pessoas para a rua há a possibilidade de potencializar o comércio”. Para Elsa Corga um dos maiores objetivos é também a “criação de hábitos de cultura. Para isto temos as Sextas Culturais, na segunda sexta-feira de cada mês, onde promovemos um evento cultural”. O Município de Águeda também está a apostar na promoção do desporto. Gil Nadais afirmou que “temos tido uma grande preocupação no apoio às associações desportivas, temos uma Escola Municipal de Natação e vamos criar um Centro de BTT e um Centro de Marcha. Temos ao longo dos anos procurado dinamizar uma série de atividades e ter uma oferta diversificada. Entendemos que para um concelho ser atrativo, tem de ter uma cidade atrativa mas não nos podemos esquecer das freguesias. Em Águeda, temos um concelho muito disperso e diverso em termos de paisagem, vivências e tradições e entendemos que devemos pegar no potencial de cada freguesia e potenciá-lo. Temos freguesias que só pela flora e fauna, consideramos que era interessante criar percursos pedestres e assim o fizemos. Criamos também, por exemplo, em Macieira de Alcoba um Museu do Milho Antigo”. Para o autarca, os próximos quatro anos vão servir para identificar as qualidades e ir desenvolvendo cada uma delas, de forma a potencializar todas as freguesias.

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FAMILIARMENTE RESPONSÁVEIS

LivCom Awards - Melhores Práticas Ambientais Na sequência de uma candidatura aos ‘Óscares Verdes’, cuja fase final deste ano decorreu em Xiamen, na China, juntando mais de 60 comunidades finalistas do mundo inteiro e perto de 600 participantes, o Município de Águeda conquistou o primeiro prémio na categoria de Melhores Práticas Ambientais dos Prémios Internacionais para as Comunidades Habitáveis (Liveable Communities). Um motivo de orgulho, diz o presidente do Município, mas também uma grande responsabilidade “Fomos lá apresentar o que fazemos e o que temos para as pessoas de Águeda e esse era o nosso principal objetivo. Acabamos por ganhar um prémio de cidade com melhores práticas na área da sustentabilidade o que nos surpreendeu. Sabíamos que tínhamos um trabalho bastante interessante mas colocarem-nos na vanguarda é uma honra e uma responsabilidade também. No grupo das melhores cidades para viver ficamos em segundo lugar o que também é uma posição muito agradável e altamente honrosa”. Duranre a entrega dos LivCom Awards - Melhores Práticas Ambientais

Para Gil Nadais, Águeda destaca-se pelo conjunto de atividades que proporciona, pelas práticas na área do apoio social, pelas escolas e pela forte aposta na cultura. “Temos um conjunto de práticas que tornam a vida mais atrativa. As intervenções que temos feito, algumas radicais, estão a melhorar a vida dos munícipes, a cidade estava feita para o automóvel e nós estamos a mudar este paradigma de forma a que as pessoas passem a ser o centro da cidade. Quero que a cidade seja mais amiga das pessoas e também por isso estamos a fazer um canal secundário do Rio Águeda, para tentar resolver problemas como as cheias e, simultaneamente, estamos a fazer um parque urbano para dar ainda mais qualidade de vida aos moradores e para quem nos visita. Penso que dentro de um ano e meio também teremos o Parque Escolar completo e teremos uma excelente oferta ao nível do primeiro e segundo ciclo. Temos um Parque Empresarial onde estamos a fomentar a instalação de novas empresas. Queremos conjugar algumas perspetivas: uma cidade agradável, boa educação para os filhos e trabalho para os pais”, conclui o presidente.

Gil nadais e elsa corga Presidente e Vereadora de Ação Social e Habitação Social

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL VOZ ATIVA

artigo de opinião Mudar o modelo económico português

Redigido por João Rafael Koehler, presidente da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários

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s primeiros sinais de retoma económica em Portugal são já notórios. Segundo o INE, o nosso país voltou a crescer, ainda que ligeiramente (0,2%), no terceiro trimestre do ano, confirmando a tendência iniciada no segundo trimestre, altura em que saímos de uma recessão que durava desde o final de 2010. Por outro lado, no seu Boletim Económico de inverno, o Banco de Portugal (BdP) reviu de 0,3% para 0,8% a sua previsão de crescimento da economia em 2014, enquanto para o ano seguinte antevê uma progressão de 1,3%. Além disso, a mesma instituição aponta para um aumento de 22,7 mil postos de trabalho em 2014 e para a continuação da tendência de subida das exportações: 5,5% em 2014 e 5,4% em 2015. Importa, contudo, perceber se estes primeiros sinais de retoma são sustentáveis e, também, se não estão empurrados pelas excepcionais receitas turísticas de 2013. E, sob este prisma, os dados exigem alguma ponderação. Desde logo, porque a componente do PIB que mais tem contribuído para o crescimento é a procura interna (consumo mais investimento), e não a procura externa líquida (exportações menos importações), como seria desejável. Aliás, o BdP prevê que o consumo privado volte a crescer em 2014 (0,3%) e que a procura interna torne a ser o principal motor da economia em 2015. Acresce que, segundo o INE, os empregos criados no terceiro trimestre do ano contribuíram menos para o crescimento do PIB do que aqueles que já existiam. Ora, esta queda da produtividade, é disso que se trata, conduz a uma perda de competitividade internacional,

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caso não haja a correspondente correção salarial – o que seria inconveniente neste momento de contração do mercado doméstico. Não nego a importância da procura interna, tendo em conta a necessidade de relançar o investimento e de garantir níveis de consumo doméstico essenciais à atividade de muitas micro, pequenas e médias empresas. Todavia, considero que o principal objetivo do processo de ajustamento português deve ser a mudança de modelo económico. E, a atentar nos números oficiais e nas previsões, isso não se está a verificar, pelo menos cabalmente. Na última década, o crédito fácil e as taxas de juro baixas alimentaram o consumo interno, levando o Estado, as empresas e as famílias a endividarem-se muito para lá do que seria recomendável e o país a importar bem mais do que produzia e exportava, dando origem a crescentes saldos negativos da balança comercial. Para agravar a situação, o investimento era realizado com uma elevada percentagem de bens e serviços importados. Por tudo isto, é fácil concluir que Portugal está hoje a pagar a fatura de um modelo económico baseado na procura interna. Neste sentido, o processo de ajustamento de Portugal deveria corresponder à evolução de um modelo económico baseado na procura interna para um modelo económico assente na produção industrial, na internacionalização, no empreendedorismo, na qualificação humana e na inovação. Com este último modelo, será possível aumentar a produção de bens transacionáveis, de forma, por um lado, a abastecer o mercado doméstico e consequentemente a reduzir

as importações do país e, por outro, a promover o crescimento das exportações nacionais e dos seus recursos endógenos incorporados. Mais, os nossos bens e serviços poderiam, com este modelo, reforçar a sua competitividade internacional a partir dos fatores críticos da Economia do Conhecimento: I&D+i, tecnologia e criatividade. Claro que não se muda um modelo económico de um dia para o outro. Trata-se de um processo moroso e que implica a conjugação de várias variáveis de desenvolvimento, algumas delas dependentes da conjuntura internacional, como a procura externa. Mas, de certa forma, esse processo já foi iniciado com o extraordinário crescimento do setor exportador, o reforço da competitividade das empresas portuguesas, a “vaga de empreendedorismo” (para usar a feliz expressão do ministro Pires de Lima) que se vive no país e a intensificação das relações entre as universidades e o tecido empresarial. Importa, agora, que o país não abrande o seu esforço de mudança de paradigma, sob o pretexto de que o pior já passou e de que rapidamente regressaremos à situação anterior à crise. Que isto fique bem claro: Portugal não pode replicar o modelo económico da última década, pois isso significaria malbaratar os progressos já alcançados no processo de ajustamento e a notável capacidade de resistência demonstrada pelos portugueses. Para o futuro, é necessário algo diferente e para isso temos de insistir no trinómio crescimento económico, consolidação orçamental e reforma do Estado.


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A Ficção Ciêntifica de outros Tempos Aplicada às Realidades de Hoje

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nanotecnologia redimensiona a escala a mínimos humanamente inconcebíveis, e opera através de ferramentas recentemente desenvolvidas, num aproveitamento de átomos e moléculas capaz de deixar incrédulo o cidadão comum. As repercussões desta ciência em franca evolução, em contrapartida, são gigantes, e a sua incidência cedo se manifestará em diversas áreas, desde a economia, ao meio ambiente, à sociedade e à atuação militar. Designada como uma tecnologia de objetivos gerais, prevê-se que a nanotecnologia evolua de modo a implementar-se na maioria das indústrias e das áreas da sociedade. A minúcia e a manipulação do detalhe que envolve promove o aprimoramento dos dispositivos de fabricação, o que resultará em produtos mais fortes, com maior durabilidade e precisão, que poderão ser aplicados ao quotidiano geral, através dos equipamentos utilizados em casa, nas comunicações, nos transportes, etc. A integração da nanotecnologia no dia-a-dia com base nesta noção de produção de melhor qualidade através de melhores mecanismos de produção a custo reduzido será, no mínimo, vantajosa, havendo já quem não hesite em apelidá-la de revolucionária. Atualmente, contabilizam-se mais de 600 produtos desenvolvidos pela nanotecnologia. Na indústria têxtil, por exemplo, a sua atuação traduz-se na criação dos chamados materiais nano, que conferem novas propriedades aos tecidos e, consequentemente, novas funcionalidades. Sem que a textura dos tecidos seja alterada, de modo a que estes se tornem desagradáveis, a aplicação desta ciência às fibras dos tecidos leva a que estes se tornem impermeáveis, hidratantes ou que detenham componentes antibactericidas e inibidoras dos odores associados, por exemplo, à transpiração. No setor Militar, para além da utilidade das características enunciadas relativamente às fibras têxteis, a história vai mais além, desde a elaboração de tecidos que solidifiquem em contacto com projéteis, de modo diminuir o embate, ao desenvolvimento de aplicativos que facultem a camuflagem, através do controlo de toxinas. É justamente neste campo, que se prendem os mais temidos riscos inerentes a esta nova tecnologia, na hipótese de fabricação de armamento compacto, de potência elevada, dificilmente detetável, e com a particularidade de poder ser operado por controlo remoto. No que concerne à Medicina, no entanto, estas inovações têm sido recebidas com grande entusiasmo. Concretamente em relação ao melhoramento da ação dos anti-inflamatórios no organismo, cujos desenvolvimentos têm merecido destaque, este advém da possibilidade de se reduzir um medicamento a dimensões nanométricas. Para além do mais, a recorrência a nanopartículas, nanorobôs e outros elementos em escala nanométrica para curar, diagnosticar ou prevenir doenças que, à semelhança do que se passa globalmente, seriam produzidos rapidamente e a custos menores, iria, por conseguinte, conduzir a novos avanços. Daí que, atualmente, a reputação da aplicação da nanotecnologia à medicina já a anteceda, muito em parte pela importância que esta tem revelado pelas imensas possibilidades que suscita face à pesquisa e à luta contra o cancro. Muitas vezes associada à ficção científica, não tarda que os avanços desta tecnologia estejam bem presentes na realidade de cada um.

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Nanociências: do sonho à realidade Faculdade de engenharia da universidade do porto A nanociência dedica-se ao estudo dos fenómenos e manipulação dos materiais à escala atómica, molecular e macromolecular, em que as propriedades da matéria diferem significativamente das propriedades na escala macroscópica. O domínio desta área científica permitiu o grande desenvolvimento da nanotecnologia nomeadamente na área das tecnologias de informação.

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uestões relacionadas com a nanociência são abordadas a nível do ensino na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto nos mestrados integrados de Engenharia Química e Bioengenharia. A docente Maria Carmo Pereira leciona a disciplina Fenómenos Interfaciais “onde são abordados os fundamentos para se compreender o comportamento dos materiais na escala nano”. A docente garante que os estudantes conhecem as potencialidades de trabalhar nesta escala e explica que “a matéria tem dois comportamentos distintos quando está no mundo macro (o que nós vemos) e quando está numa escala nano”. A mesma matéria, esclarece a docente, quando trabalhada em escalas diferentes “adquire propriedades distintas e são essas propriedades que depois permitem aplicações tecnológicas inovadoras. Na escala nano os materiais possuem uma área superficial muito grande, por isso os átomos e as moléculas estão muito mais disponíveis à superfície e tornam-se, por exemplo, mais reativos”. Estes conceitos são demonstrados pela docente nas aulas laboratoriais e os estudantes têm oportunidade de preparar e caracterizar nanomateriais com um grande potencial para diversas aplicações. A docente do Departamento de Engenharia Química é investigadora do LEPABE (Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia), unidade de investigação financiada pela FCT e avaliada como ‘Excelente’. A equipa de investigação é constituída

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maria carmo pereira Docenta na FEUP

também por Manuel Coelho, professor e quatro investigadoras com formação em engenharia química, bioquímica, ciências farmacêuticas e biomédicas e vários estudantes de doutoramento e mestrado que trabalham nesta área de investigação.

A investigação em saúde A docente refere, “a nossa área de especialização nos últimos anos tem sido a veiculação de fármacos através de nanopartículas. Utilizamos drogas que são conhecidas mas que têm uma toxicidade muito elevada e produzimos nano-sistemas que transportam essa droga mantendo a sua atividade. Assim o transporte

acaba por ser muito mais dirigido do que ao utilizar o fármaco normal, o que reduz significativamente a toxicidade”. Estar numa faculdade de engenharia tem, no entanto, as suas particularidades, “aqui na FEUP trabalhamos num laboratório equipado para a preparação e caracterização dos nano-sistemas e depois estabelecemos colaborações para testar os nossos nano-sistemas em modelos animais. Temos várias colaborações internacionais de há longa data, relacionadas com projetos europeus comuns, bem como com instituições nacionais tais como o IPATIMUP - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto e IBMC - Instituto de Biologia Molecular e Celular”.


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A docente salienta alguns projetos de investigação que estão a decorrer. Um deles está relacionado com o desenvolvimento de um fármaco para a doença de Alzheimer. Esta doença é maioritariamente caracterizada pela acumulação extracelular de placas senis constituídas pelo péptido beta-amilóide. “O mecanismo pelo qual o péptido agrega e forma as placas ainda não é conhecido, por isso ainda não há um fármaco capaz de curar a doença” e explica que a primeira limitação prende-se logo com a penetração das drogas no cérebro. “O nosso cérebro está protegido por uma barreira que impede muitas drogas e moléculas estranhas ao organismo de entrar”, e perante o desafio a investigadora afirma que apesar das várias abordagens que estão a ser feitas, “uma é a utilização de nanopartículas funcionalizadas com anticorpos. A barreira hematoencefálica reconhece os anticorpos e permite que as partículas penetrem. Depois de penetrar na barreira, a partícula pode libertar a droga e é expectável que no futuro se consiga ter algumas soluções para a doença de Alzheimer. Recentemente desenvolvemos nanoveículos com estas características e conseguimos provar que as nanopartículas entraram nas células endoteliais. Foram também desenvolvidos estudos preliminares em modelos animais, nos quais

se verificou que estes sistemas conseguem atingir os tecidos cerebrais. Adicionammente, já testamos nanopartículas com flúor que evitam a formação dos agregados do péptido beta-amilóide”. Um outro projeto deste grupo de investigação foi a preparação de nanopartículas de ouro para aplicação em terapias para cancro. “Este é um trabalho bastante sólido, já tem quatro anos de trabalho experimental e recentemente saíram as primeiras publicações. Já conseguimos preparar nanopartículas com determinadas características para serem testadas em modelos animais. Quando esse objetivo for cumprido e se os resultados forem positivos, só com a intervenção de especialistas na área da saúde é que haverá a possibilidade de iniciar a fase dos testes pré-clinicos” conclui a investigadora que considera que apesar dos avanços significativos na áreas das nanociências e nanotecnologias acredita que vai demorar alguns anos até se notar a importância do desenvolvimento da área da nanomedicina, como já se notou na área das tecnologias de informação, sobretudo porque poucas aplicações estão disponíveis para o público.

A matéria tem dois comportamentos distintos quando está no mundo macro (o que nós vemos) e quando está numa escala nano. Na escala nano os materiais possuem uma área superficial muito grande, por isso os átomos e as moléculas estão muito mais disponíveis à superfície e tornam-se, por exemplo, mais reativos

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Não apenas ideias, produtos Centi Desenvolve soluções inovadoras. Foca-se na nanotecnologia e procura a sua aplicabilidade ao que são hoje os desafios dos vários setores. Fundado em 2006, e com mais de 40 projetos a decorrer no desenvolvimento de soluções inovadoras para o tecido empresarial, o Centi já submeteu 16 patentes das suas soluções. Em entrevista à Revista Negócios de Portugal, Braz Costa, CEO deste centro, refere que o importante é “não ter apenas ideias mas transformá-las em produtos”.

braz costa e ana ribeiro CEO e Business Developer

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undado pelo CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário), pelo CTIC (Centro Tecnológico da Indústria do Couro), pela Universidade do Minho, Universidade de Aveiro e Universidade do Porto, o CeNTI tem também hoje em ligação com o setor automóvel e aeronáutico, pelo que recentemente se juntou como associado o CEIIA. Se a ligação às universidades é mais do que óbvia, a união aos centros tecnológicos merece de Braz Costa uma explicação: “A atividade do CeNTI é articulada com centros os tecnológicos porque eles integram excelente conhecimento sobre os grandes desafios de cada um dos setores a que se dedicam”. Embora todo o trabalho desenvolvido pelo CeNTI tenha a finalidade máxima de possuir um cariz prático, o CEO refere que “no CeNTI vive-se o glamour da tecnologia, é ele que alimenta a criatividade e o rasgo associado às

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fases mais preliminares das ideias e do desenvolvimento de soluções, aliás compatível com aquilo que se vive hoje em dia na área da nanotecnologia”. Focado na nanotecnologia procura a sua aplicabilidade. Não pondo de parte o desenvolvimento de soluções noutras áreas, o trabalho desenvolvido no CeNTI focase essencialmente em três grandes áreas: o automóvel e aeronáutica, a proteção, saúde e o bem-estar e a arquitetura e construção. Na constante procura dos desafios de cada setor, Braz Costa explica que é pela participação em clusters portugueses e europeus, em grupos especiais de interesse de investigadores e de industriais onde se discutem prioridades de investigação e desenvolvimento, que surgem também as fontes de inspiração do CeNTI. A ligação do trabalho desenvolvido ao que hoje são as questões e desafios das empresas é crucial como

refere o CEO. “Para o CeNTI ser efetivo e para conseguir mobilizar empresas a adotar estas novas tecnologias, tem que conhecer muito bem quais são os desafios, quais são as tendências. Não basta que seja nanotecnologia, é preciso que na prática as pessoas entendam o que ela pode ter de interesse para a indústria”. Nos últimos três anos foram patenteadas 16 soluções umas em nome do CeNTI, outras em nome das empresas para que foram desenvolvidas essas mesmas soluções.

A nanotecnologia e a sua aplicabilidade Pode parecer ficção mas já faz parte da realidade. Já imaginou uma camisola respirável que repele a água? Um par de luvas da loiça que não escorregam com a gordura ou o detergente, umas meias que fazem


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o tratamento de doenças venosas, tecidos autolimpantes? Isto é nanotecnologia. São algumas das soluções desenvolvidas pelo CeNTI desde que surgiu há sete anos, como explica Braz Costa. “O desafio muitas vezes não é desenvolver uma nova funcionalidade mas sim compatibilizá-la com todos os requisitos, nomeadamente legais e normativos que aos produtos se aplicam. Só é produto quando ele introduz mais e melhores características, melhor desempenho de forma o mais impercetível possível, mantendo as características naturais do produto inicial quando não descumpre nenhuma das características que são exigidas para a aplicação em causa e consegue ainda ter um preço aceitável”. Braz Costa apresenta o exemplo de uma solução em aplicação num setor com muita expressão em Portugal, o setor do calçado. “Uma solução de combinação de materiais para fazer a gestão da humidade dentro do sapato” ou “uma solução que permita monitorizar sinais vitais, número de passos, o diferencial de pressão exercida ao longo da planta do pé”. São soluções como estas que possibilitam que o CeNTI trabalhe com marcas de topo no mercado mundial, estando já a desenvolver novos produtos com um impacto muito forte na sociedade. Embora não adiante pormenores, Braz Costa explica

que “o CeNTI acabou de desenvolver uma solução para utilização em tratamentos oncológicos da qual já foi feita a análise de patenteabilidade com resultado positivo. São estas soluções que o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes procura”, garante. Ciente do facto de existir ainda alguma reserva em relação à nanotecnologia, dúvidas mesmo sobre potenciais efeitos nefastos à saúde humana, o CeNTI, em conjunto com o seu parceiro CITEVE que possui um laboratório de citotoxicologia, realiza ensaios aos materiais que desenvolve, de forma a aferir da sua potencial toxicidade e assim eliminar dúvidas quanto à segurança que oferecem.

Chegar mais longe Com reatores com capacidade de produção de nanopartículas de dois e de dez litros, o CeNTI está a aumentar esta capacidade para os 600 litros, com o objetivo levar chegar até à plena industrialização. A capacidade de fornecer às empresas materiais nanoestruturados funcionais, que lhes permita realizar testes de implementação à escala industrial, surge como uma mais-valia ímpar, dado que permite às empresas testar nas suas próprias instalações as soluções

encontradas e assim chegarem até à prova de mercado..

Materiais Inteligentes Na área dos materiais e sistemas inteligentes o CeNTI atua desde a fase conceptual, ao desenvolvimento de protótipos e preparação da fase de industrialização juntamente com as empresas. A experiência do CeNTI na introdução de ‘inteligência’ nos materiais, nos objetos, está confirmada pelos produtos que já chegaram ao mercado. Este centro de nanotecnologia detém capacidades únicas no sul da Europa para a produção de eletrónica impressa, nomeadamente eletrónica invisível. Trata-se de imprimir nanocamadas de matériais funcionais sobre substratos variados, construindo assim circuitos e dispositivos eletrónicos. Azulejos capazes de comandar dispositivos de iluminação, portas de automóvel interativas, vestuário com sensores integrados ou tecidos fotovoltaicos, peúgas que medem temperatura e pressão ou luvas que aquecem automaticamente, são exemplos de produtos desenvolvidos com estas tecnologias. O CeNTI distingue-se de outros centros de IDI europeus por trabalhar materiais e estruturas muito diversas, muito para além dos tradicionais filmes poliméricos, processando substratos rígidos e flexíveis, como têxteis, couro, madeira, cerâmica, cortiça, papel etc.

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“A perfeição é um limite alcançável” Armindo sousa Armindo Sousa é já um nome sonante na área da metalúrgica e metalomecânica. Para alcançar o topo contam-se já anos de experiência, ou não tivesse o nosso interlocutor arregaçado as mangas há 38 anos nesta área.

armindo Sousa Diretor geral

S

empre com os olhos postos no futuro, “porque o que ficou para trás já não interessa, o que aí vem é que nos interessa”, Armindo Sousa apostou cedo na inovação da sua empresa. Para tornar essa aposta ainda mais rentável, Armindo Sousa inaugurou recentemente uma nova unidade fabril, com cerca de 2.600 m2, tendo também implementado a certificação do Sistema de Gestão de Qualidade desde 2008, características que o diretor da empresa homónima considera fundamentais para o sucesso. “Com uma unidade mais alargada e com esta certificação, criamos uma base de confiança com os nosso clientes, que nos vêem mais capazes. Já a certificação ajudou-nos bastante para conquistarmos mercados externos, pois existem clientes que apenas aceitam trabalhar com empresas que tenham esta certificação, como é agora o nosso caso”. Atualmente, a Armindo Sousa conta com 16 colaboradores bastante dinâmicos nos quadros que se revelam imprescindíveis em levar avante os objetivos pelos quais o nosso interlocutor rege a sua conduta:

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tecnologia, competência e rapidez.

Produtos inovadores Nestes 2.600 m2 de área a variedade de serviços prestados pela empresa passa pela fabricação, comercialização de componentes industriais e manutenção industrial, existindo para tal um parque de máquinas composto por máquinas convencionais e máquinas CNC de ultima geração. “Nunca nada é impossível, até porque a perfeição é um limite alcançável”, faz questão de frisar Armindo Sousa. A Armindo Sousa dá uma resposta rápida e eficiente a diversas áreas de atividade: Indústria Têxtil, Indústria Automóvel, Construção Civil, Setor das Águas, Pedra, Papel entre outros. Recentemente, Armindo Sousa deu mais um passo rumo à inovação, com a entrada no mercado do Gelo Industrial, fabricando e montando fábricas de abastecimento de gelo para a indústria da pesca. “Estamos a falar de uma fábrica totalmente computorizada, com desenvolvimento

a nível tecnológico desenvolvido no nosso laboratório de I&D”, diz o diretor da empresa. “A nossa maior vantagem no mercado baseia-se no nosso extenso know-how adquirido através de muitos clientes que implementaram as nossas soluções”. Aqui pode encontrar o seu projeto ‘chave na mão’, desenho e I&D personalizado às suas necessidades, a fabricação da sua máquina automatizada e ainda o software de gestão e controlo de processos à medida, além da implementação de cada um destes serviços. Estão planeadas a fabricação e montagem de mais três fábricas de Gelo na Península Ibérica, Centro de África e América Latina. www.armindosousa.com

Nanotecnologia à mistura De modo a diferenciar os vários artigos disponibilizados, a Armindo Sousa designou uma área específica à venda de revestimentos em aço inox. A particularidade passa por estes serem feitos em inox, ou não estivéssemos


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nós a falar de uma empresa especializada em metalurgia. “Em 2005, fruto do nosso investimento em I&D, mas também de prospeção e marketing, criamos a SPAIC que apresentou ao mercado novos produtos de revestimento de parede, (tradicionalmente associados à cerâmica) todos fabricados em aço inox: pastilha, micro-pastilha e azulejo, disponibilizando ainda a gama de pisos”, esclarece o mentor desta ideia. Com um design arrojado, ousado e leve, impacto visual e harmonia, os produtos SPAIC criam memorização do espaço e distinção sem recurso a transições agressivas de cores e/ou texturas, valorizando globalmente o projeto de interiores ou exteriores. A sua aplicação é bastante fácil. “Os revestimentos metálicos e pisos SPAIC utilizam as mesmas técnicas de aplicação dos revestimentos cerâmicos comuns. Não existem procedimentos ou produtos especiais. Além disso, as qualidades do aço inox conferem uma elevada durabilidade e eficácia” completa. Mas porque o fator ‘novidade’ não é suficiente para Armindo Sousa, o empresário decidiu ir mais além,

com a criação de ladrilhos fotoluminescentes, que são ladrilhos nada mais nada menos que brilham no escuro. “Este produto foi criado por nós e está patenteado, é único. Foi uma aposta forte que fizemos, e estamos a preparar o lançamento no mercado para janeiro de 2014 e acreditamos que vai revolucionar o conceito de decoração”, diz Armindo Sousa. Com aplicabilidades diversas, desde hotéis, restaurantes, discotecas, estabelecimentos comerciais entre outros, aplicação em mobiliário, em substituição da luz de presença, os ladrilhos fotoluminescentes estão direcionados a todos os públicos que queiram deixar o seu espaço ‘brilhar’. “Esta tecnologia recorre a nanopartículas, ou seja, à nanotecnologia, fruto de uma parceria com dois Centros Tecnológicos de Investigação e Nanotecnologia, porque acreditamos na nossa capacidade de inovar e acreditamos que o nosso sucesso é também o sucesso dos nossos clientes”. Atualmente está disponível www.spaic.com.pt onde se encontra informação sobre as gamas de revestimentos em aço inox fabricados em Armindo

Sousa. No entanto, no início do ano de 2014 vai ser lançada a loja online.

Ligação forte ao desporto Além de empresário, Armindo Sousa é um homem ligado de corpo e alma ao desporto. Durante muitos anos foi professor de judo e atualmente é diretor de equipa do Team de Jet Ski www.tiagosousaracing.com Os seus pilotos carregam já consigo o título de Campeões Nacionais, Europeus e Mundiais. O desporto ajuda Armindo Sousa a transmitir à sua equipa a noção de liderança, compromisso e de triunfo. “Para sermos empresários temos que ter uma veia competitiva, é fundamental. E o desporto ajuda-nos a isso mesmo, ajuda-nos a não sermos apenas bons mas ambicionarmos sermos os melhores”, diz o nosso interlocutor. “E é isso que nós queremos, sermos os melhores no nosso segmento”, finaliza.

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Quando as meias são sinónimo de bem estar Barcelcom Desde a sua fundação em 1921, a Barcelense tem crescido como uma empresa altamente qualificada na conceção e fabrico de meias e peúgas tradicionais e de desporto. A inclusão de nanopartículas nas mesmas faz da agora Barcelcom um exemplo de inovação no mundo têxtil.

Gaspar coutinho Diretor Geral

A

s marcas Technosocks e BBMedical, de meias técnicas no desporto e na saúde e BBPrestige, nas meias tradicionais, são hoje sinónimo de qualidade e prestígio. A combinação de tradição com inovação, de história com mudança, de passado com futuro, confere à Barcelcom um posicionamento único no mercado nacional e internacional. O segredo deste sucesso está relacionado com uma forte aposta na inovação e desenvolvimento de meias técnicas de compressão graduada, na qualificação dos funcionários e sua flexibilidade e no contínuo acompanhamento das tendências de mercado, quer em termos de materiais, quer em técnicas de fabrico. Gaspar Coutinho é já o terceiro na geração ao comando da Barcelcom. Engenheiro de formação, trouxe consigo

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o sentido de I&D para o seio da empresa que foi criada pelo seu avô em 1921, na altura de nome Barcelense. “O futuro, na nossa indústria, passa inevitavelmente pela inovação na saúde e no desporto”, diz o diretor geral da empresa. E foi nesse sentido que, numa parceria com o CENTI, nasceu o projeto INOVEIN, que pretende desenvolver meias elásticas funcionalizadas, com compressão moderada (14-17mmHg), para o tratamento de problemas inflamatórios e de circulação sanguínea. Nomeadamente de veias varicosas de intensidade ligeira a moderada e recuperação rápida de inflamações resultantes de traumatismos desportivos. “O conceito inovador deste projeto está no facto destas meias aceitarem um composto bioativo, com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, que se liberta de uma forma progressiva através da pele, possibilitando o tratamento de uma forma continuada, expedita e simples”, explica Gaspar Coutinho. As BBVein revolucionarão por completo a vida desses doentes. Antibióticos, pomadas e outros analgésicos serão substituídos pela simples ação de calçar umas meias. “Estas meias libertarão gradualmente o princípio ativo nelas incorporado, durante todo o dia. Este procedimento, pela sua simplicidade, rapidez e pela eliminação de ingestão oral de medicamentos, tem uma grande adesão por parte dos pacientes que sofrem diariamente com as varizes e inflamações”, diz o nosso

interlocutor. Além disso, o custo das BBVein será muito reduzido quando comparado com o valor de cremes e comprimidos associados ao tratamento de veias varicosas. Entre os princípios ativos normalmente utilizados para combater os problemas inflamatórios e de circulação sanguínea encontram-se os bioflavonóides, químicos naturais que encontramos em algumas frutas, vegetais, sementes e raízes. As BBVein contêm escina como princípio ativo. “Proveniente do castanheiro-da-índia, a escina tem propriedades terapêuticas interessantes, como anti-inflamatórias e anti-edema, que são utilizadas no tratamento da insuficiência venosa crónica”. Além disso , a escina já é habitualmente utilizada comercialmente para esse fim, pelo que o seu efeito já está comprovado no seu tratamento.

Technosocks Outra forte aposta na Barcelcom são as meias de compressão, com aplicabilidade no dia a dia. Recorrendo a alta tecnologia, as meias e collants de compressão graduada Technosocks são indicadas para a performance desportiva, para os que sofrem de má circulação e para todos os que têm uma vida de pouca mobilidade. As Technosocks para desporto permitem usufruir dos elevados benefícios facultados pelas meias de compressão progressiva, sobretudo na melhoria dos resultados durante a atividade atlética. Encontre as suas meias na loja virtual, em www.technosocks.com ou www.barcelense.com


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artigo de opinião debilidade estrutural

Redigido por Maria de Belém Roseira, deputada na Assembleia da República

U

ma das grandes debilidades estruturais de que padece o nosso País, há longos anos, é a da insuficiente preparação escolar e académica dos seus recursos humanos. Esta característica não é, apenas, má em si mesma, mas tem como consequência provocar em cadeia outro tipo de problemas que, se não resolvidos, comprometerão o futuro colectivo desejado. A dificuldade da sua abordagem, no sentido de minoração progressiva, prende-se com o facto de se tratar de investimento do qual só se obtêm resultados a longo prazo, o que requer competência, adequação, persistência e estabilidade nas políticas. Questão cruzada com esta é o facto de estar hoje cientificamente demonstrado, em estudos, os mais diversos, que existe uma correlação forte entre o aproveitamento escolar e as condições económicas e sociais da população. Isto significa, no que a Portugal se refere, que se a nossa taxa de pobreza e a desigualdade de distribuição de rendimentos são muito elevadas, para vencer a debilidade equacionada necessitamos de intervir, não apenas através do sistema de ensino, mas também através do sistema de protecção social. Este último, ao garantir uma segunda redistribuição de rendimentos – a primeira é a garantida pelo sistema fiscal – atenua a dureza das condições de base, proporcionando um ambiente mais propício ao êxito do sistema de ensino. Estamos a falar, consequentemente, de criação de igualdade de oportunidades, objectivo político insitamente ligado à igual liberdade e dignidade entre todos os seres humanos, ideal de justiça consagrado

na Declaração Universal dos Direitos Humanos que, recentemente comemorou mais um aniversário. Por essa razão, o primeiro Governo de António Guterres elegeu como grandes prioridades políticas a educação e o combate à pobreza. A intervenção desenvolvida no sector da educação atingiu todo o percurso – do pré-escolar à universidade – com políticas dirigidas à qualificação como instrumento capaz de, a prazo, transformar a sociedade e a economia, e de combater o paroquialismo, a baixa competitividade e o modelo dos salários baixos. Em suma, um país pobre, de pobrezinhos que evoluía negativamente no sentido de cada vez mais pobre e que constituía a herança directa de 48 anos de regime politico ditatorial que, por natureza, conviveu sempre melhor com um país sem massa crítica. Este objectivo estratégico foi insistentemente prosseguido pelos vários governos liderados pelo Partido Socialista. A aposta na educação e na ciência produziram resultados positivos internos inquestionáveis, tanto mais urgentes quanto as comparações internacionais, em época de concorrência global, nos colocavam muito abaixo dos nossos parceiros. Um dos mais reputados instrumentos de medida da capacidade de aplicação dos conhecimentos obtidos na resolução dos problemas da vida do dia a dia através da interpretação, leitura e abordagem dos fenómenos, ou seja, a literacia, é o Programa Pisa da responsabilidade da OCDE. O primeiro relatório foi desenvolvido em 2000 e os resultados relativos a Portugal, ainda muito negativas. Perante eles, foram continuadas e desenvolvidas

politicas – entre 2003 e 2009 – no sentido de actuar junto do sistema de ensino, propriamente dito, quer a nível da reorganização das escolas, do corpo docente, dos conteúdos curriculares e de programas específicos dirigidos aos alunos com mais dificuldades. Tudo isto acompanhado por politicas sociais - de apoio social escolar e dirigidas ao combate à pobreza - para atenuar os constrangimentos que, fora do sistema de ensino, mais o impedem de atingir bons resultados, por muito que se esforce. Ora bem, o que a avaliação levada a cabo, em 2012, pela OCDE, e que incidiu fundamentalmente sobre a matemática – o maior “bicho-papão” – é que os alunos portugueses melhoraram de forma consistente os resultados a essa disciplina, ao longo da última década. Mas mais: aumentou o número de melhores alunos e diminuiu o de menos bons. A OCDE elege, até, Portugal como um exemplo de como em pouco tempo se podem melhorar de forma espectacular os resultados do ensino. Este exemplo é, simultaneamente positivo e também motivo de preocupação. Positivo, porque políticas boas, acertadas, inteligentes e ajustadas a cada País concreto, só podem ter bons resultados. Preocupação: quando mesmo, perante resultados positivos de avaliação se mudam as politicas, então é porque não temos quem bem nos governe! Amadorismo, imaturidade e vaidade, cruzadas em decisores, são assustadoras. Quando essas características andam à solta em relação a matérias estruturantes de uma sociedade, então isso é trágico! Maria de Belém Roseira não segue o novo acordo ortográfico

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O Conhecido Aplicado às Melhorias da Saúde

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uma perspetiva mais geral, ainda que vinculada a um contexto empresarial, inovar corresponde à transformação de uma ideia num produto, ou num serviço necessário e aceitável, de modo a que este possa adquirir mais valor acrescentado. Assim sendo, o processo de inovação compreende as atividades técnicas de conceção, de desenvolvimento e de gestão que estão na origem do desenvolvimento e consequente disponibilização de novos produtos e de novos processos. Baseada na novidade em termos de conhecimento aplicado para a criação de novos produtos e processos, a inovação concretiza-se através de percurso complexo, que engloba mecanismos de feedback e interação, conhecimento científico e tecnológico, produção, politicas públicas, resultados, comunicação e empreendedorismo. Trata-se, portanto, de um processo de otimização, cujo objetivo principal se prende com a obtenção dos melhores resultados a partir dos recursos existentes. Conduz, portanto, a uma reestruturação dos meios disponíveis com vista a potenciar a eficiência e a incrementar, em consequência, a competitividade da instituição. Inovar na saúde, porém, abarca também a comunicação e a gestão da informação e do conhecimento, no máximo aproveitamento das tecnologias da comunicação que estiverem à disposição. Um processo criativo e interativo, que subentende a reformulação de técnicas, procedimentos, sistemas e tecnologias. Para que as várias experiências e os resultados adjacentes sejam otimizados, as organizações envolvidas devem trabalhar conjuntamente. A partilha de conhecimentos e os debates suscitados são fundamentais e constituem-se enquanto etapa elementar no decorrer deste processo. De acordo com a Direção Geral de Saúde, a “transformação do conhecimento em produtos facilmente alcançáveis, bem como em serviços e procedimentos, possui pelo menos três domínios distintos”: a saúde enquanto mecanismo impulsionador do desenvolvimento social, económico e individual; a facilitação da comunicação e da interação entre os utentes, os profissionais de saúde, o Estado e as várias organizações de saúde; o apoio da economia através do investimento na saúdo, em ambiente com suportes físicos e sociais e sem centros de tecnologias da saúde. Neste contexto da saúde, a inovação relaciona-se diretamente com a melhoria concreta na saúde das populações. Por sua vez, esta melhoria está associada a uma nova técnica, procedimento, sistema informático ou nova tecnologia.

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parceiros de confiança Queremos criar valor para os nossos clientes internos e externos. Trabalhamos para conseguir a sua máxima satisfação. Acreditamos na gestão eficiente para criar relações de benefício mútuo.

PharmaKERN Portugal, Lda • Av. José Gomes Ferreira, 11 – Edif. Atlas II, 3.º s/ 31 • Miraflores • 1495-139 Algés • Telf.: 214 200 290 • Fax: 214 200 299 • NIF: 507002571

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pharmakern História da Empresa

Produção

No início do ano 2000, os medicamentos genéricos em Portugal eram residuais e o seu uso praticamente inexistente, sendo que em muito países europeus era já assumido que os produtos genéricos seriam fundamentais para a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Abriu-se, assim, uma janela de oportunidades para companhias que já operavam neste mercado, como foi o caso da Kern Pharma A Pharmakern Portugal iniciou a sua atividade em Portugal em 2005 e foi uma extensão natural da sua atividade em Espanha. A Pharmakern Portugal, (Kern Pharma em Espanha) é uma companhia do grupo Indukern. Graças à aquisição, em abril de 1999 da fábrica farmacêutica ao grupo Roche, situada em Terrassa (Barcelona), a empresa consolidou a sua estratégia na área da saúde humana.

A partir da sua unidade de produção em Espanha produzem para mais de 45 empresas na sua maioria multinacionais. Anualmente são produzidos mais de 100 milhões de unidades, 1.7 mil milhões de comprimidos e cápsulas, 23 milhões de ampolas e frascos, 49 milhões de tubos de cremes e pomadas, 10 milhões de sticks-packs e 136 milhões de saquetas de granulados.

A atividade A sua atividade desenvolve-se em grandes linhas de negócio: desenvolvimento galénico, produção e comercialização de produtos com a marca Kern.

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Áreas de atuação A Pharmakern opera em Portugal desde 2005, está presente nas áreas terapêuticas: analgésicos, antidiabéticos, antifúngicos, anti-inflamatórios, antiulcerosos, anti-infecciosos, cardiovascular, metabolismo ósseo, respiratório, SNC, urologia, oncologia e mais recentemente na área dos Biossimilares.

sentido de ser uma companhia excelente com pessoas excelentes, onde se trabalha dia a dia para optimizar, maximizar e assegurar a qualidade dos seus produtos e serviços.

Equipa Para fazer frente aos desafios, o desempenho da Pharmakern Portugal deve ser superior, e isso só se consegue trabalhando em equipa. Aqui, todos colaboram em prol de sinergias (um mais um são mais que dois) priorizando a execução de objetivos comuns.

Missão Querem criar valor para os seus clientes internos e externos. Todos trabalham para conseguir a sua máxima satisfação. Acreditam na gestão eficiente para criar relações de benefício mútuo.

O futuro Excelência A Pharmakern tem o compromisso de crescer no

O futuro passa por reforçar a sua presença no mercado português com a marca Pharmakern. No


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entanto, a empresa está a desenvolver parcerias com outras companhias, o que lhes vai permitir entrar no mercado biofarmacêutico com o lançamento de produtos biosssimilares. Aqui, têm o compromisso e a responsabilidade de se superarem a cada dia e assegurar um crescimento rentável que lhes garanta um futuro. Na Pharmakern trabalham com objectivos ambiciosos e alcançáveis, uma vez que colocam todo o seu esforço na sua execução para manter os seus sucessos a longo prazo.

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Anti-idade, Pró Juventude Boots laboratories Aos 55 anos, a mulher dos dias de hoje ainda se encontra em plena atividade ao conciliar a sua vida profissional, afetiva e familiar numa existência sobrecarregada que se abate sobre a idade e, consequentemente, sobre a pele. Dos conhecimentos que advêm da experiência de mais de 160 anos da Boots Laboratories chega Serum7 Renew, uma nova gama antienvelhecimento que visa contrariar as marcas do tempo e conferir às suas utilizadoras uma aparência mais concordante com a atitude jovem e energética que empregam.

Que produtos compõem a gama Serum7 Renew, lançada recentemente? A Serum7 Renew, nova gama antienvelhecimento da Boots Laboratories, é composta por quatro produtos para o cuidado diário do rosto: Serum7 Renew Serum Inovador, Serum7 Renew Creme Dia Reestruturante SPF15, Serum7 Renew Creme Noite Reparador e Serum7 Renew Contorno Olhos Remodelador. Como é devem ser aplicados estes produtos e quais são os seus principais pontos de atuação? Que resultados prometem? A Serum7 Renew tem resultados comprovados na reativação dos genes das células da pele madura, deixando-a com uma aparência visivelmente mais jovem. A pele fica renovada, e para se conseguir o efeito máximo, deverá ser seguido o seguinte regime diário: - de manhã, há que aplicar na pele limpa o Serum7 Renovador. De seguida, aplicar o Creme de Dia Reestruturante e o Contorno de Olhos Remodelador;

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- À noite, volta a aplicar na pele limpa o Serum7 Renovador. De seguida, aplicar o Creme Noite Reparador. Que inovações tecnológicas ao dispor dos vossos laboratórios estão na origem da elaboração da gama Serum7 Renew? A grande inovação tem a haver com a nova pesquisa avançada feita pela Boots Laboratories, que revelou que à medida que a mulher envelhece, os seus genes são desativados, fazendo com que as células da sua pele não se comportem da mesma forma como quando esta era jovem. Com o passar dos anos, os níveis de colagénio e fibrilina diminuem, originando linhas e rugas. As alterações hormonais e o acumular da exposição UVR também aceleram o processo de envelhecimento das pele. Os queratinócitos e os fibroblastos de uma pela madura não se comportam como os de uma pele jovem. Que aspetos merecem destaque na composição de Serum7 Renew e de que forma esses compostos

contribuem para a obtenção dos resultados esperados? A nova pesquisa avançada feita pela Boots Laboratories revelou que os Complexos Age Defense e Renewal Complex reativam os genes das células da pela madura. O Age Defense Complex, comum a todas as gamas Serum7, ajuda a proteger os níveis de colagénio e fibrilina, que suportam a derme, e logo ajuda a reduzir a aparência das rugas e rídulas. O Renewal Complex reativa a renovação celular à superfície, e logo reduz a aparência de manchas cutâneas e dá luminosidade ao rosto. Que pesquisa e que motivação estão na origem da criação deste produto? A motivação que está por trás da criação deste produto tem a haver com as necessidades da pele nas diferentes etapas da vida. Com o passar dos anos, a pele do rosto fica mais seca, com mais rugas, menos firme e com manchas cutâneas. O processo de envelhecimento da pele decorre da passagem do tempo, mas é também


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consequência de outros fatores como a exposição aos raios UV (UVR). As alterações hormonais têm também um efeito direto no envelhecimento cutâneo prematuro e é aí que aparece o Serum7 Renew. O que diferencia esta gama de outras semelhantes à venda do mercado? A Gama Serum7 Renew tem uma fórmula inovadora e completa, como já referimos atrás. Para além da fórmula e dos resultados cientificamente comprovados, temos igualmente de referir a cosmeticidade dos produtos Serum7. Uma só aplicação do Serum Renovador é suficiente para se sentir um efeito imediato, ficando a pele com uma textura melhorada. Que cuidados complementares recomendam às utilizadoras destes produtos? É muito importante referir que a pele deve ser devidamente limpa, antes da aplicação de qualquer cuidado diário da pele. Nesse sentido, a gama Serum7 tem três produtos de limpeza disponível para as suas consumidoras: leite de limpeza revigorante, água tonificante luminosa e o exfoliante renovador. A que tipo de mulher é que se dirige este produto? A nova Gama do Serum7 Renew está indicada para o cuidado antienvelhecimento de uma pele madura, ou seja, a partir dos 55 anos. Dedicada à dermocosmética, a Boots Laboratories,

conta já com uma experiência de 160 anos. É o know-how adquirido que está na base da satisfação dos vossos clientes? Sem dúvida – com mais de 160 anos de experiência, a Boots Laboratories orgulha-se pelo desenvolvimento de produtos cientificamente avançados com qualidade e eficácia cientificamente comprovadas. Todos os produtos da Boots Laboratories são testados em situação real e só saem para o mercado depois dos resultados desses testes serem muito satisfatórios para os consumidores.

A satisfação dos nossos consumidores é a nossa prioridade. Por outro lado, um dos princípios fundadores da Boots Laboratories tem a haver com o preço – o nosso objetivo é sempre ter produtos de excelente qualidade acessíveis a todos. Onde podemos encontrar a gama Serum7 Renew? A gama Serum7 Renew está disponível em farmácias.

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“Mais e melhor vida!” jaba recordati A Jaba Recordati está presente na vida dos portugueses desde 1927 e tem um propósito único: proporcionar mais e melhor vida! Além de uma forte aposta na inovação e desenvolvimento, a Jaba Recordati caracteriza-se ainda pelo seu forte rigor ético e científico. Nélson Pires, general manager, revelou à Revista Negócios Portugal o segredo desta receita de sucesso.

Para além disso, lançámos também dois produtos OTC que irão contribuir para a saúde oral dos portugueses, bem como inúmeros medicamentos genéricos durante estes últimos anos. Finalmente desenvolvemos em 2013 localmente um produto– Sal&Vida -, o único sal natural com baixo teor de sódio e ideal para o doente cardiovascular. Em paralelo, e a nível organizacional iniciámos a Academia Recordati que pretende contribuir para o desenvolvimento de competências dos seus colaboradores internos; o projeto ‘Recordati Quer’, o nosso projeto de responsabilidade social e estamos a desenvolver ferramentas de E-learning internas e externas. Estamos também a concretizar uma ferramenta de crowdsourcing para encontrar o posicionamento ideal de um dos nossos produtos mais importantes. Como se pode constatar, a inovação pauta a organização a vários níveis, sendo que os produtos são naturalmente a face mais visível.

Nélson pires General manager

Quando falamos em Jaba Recordati, falamos inevitavelmente em I&D. É uma das fortes apostas da empresa? Os fatores distintivos da nossa companhia são a inovação de produto e organizacional, aliado a um forte rigor ético e científico, bem como económico e financeiro e reforçado pelo compromisso estratégico claro de acrescentar mais e melhor saúde a todos os portugueses (médicos, farmacêuticos, enfermeiros, doentes e outros stakeholders da saúde). É uma empresa que pretende ditar as tendências sempre com a inovação e qualidade como referência. A inovação é, assim, um sinónimo de ‘Jaba Recordati’? A Jaba Recordati é considerada uma das companhias mais inovadoras no mercado ambulatório, nomeadamente na área cardiovascular e urologia. Nos últimos três anos lançámos três medicamentos inovadores nestas áreas.

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As áreas terapêuticas a que se dedicam também assim o exigem, certo? Sendo a IF a área que mais investe em I&D no mundo, o valor acrescentado do medicamento assim o justifica. Um processo de investigação de uma molécula é bastante moroso, levando entre dez a quinze anos e com um custo elevado. Em relação à Recordati, investimos nove por cento da faturação anual em I&D; estrategicamente temos medicamentos em várias fases de desenvolvimento, a fim de assegurar uma utilização equilibrada dos recursos e um fluxo contínuo de novos produtos para a introdução no mercado. Os projetos de I&D são provenientes tanto a nível interno através de atividades de pesquisa da nossa equipa ou externamente, através de parcerias com outras empresas farmacêuticas. Que medicamento(s) da Jaba Recordati destacaria como exemplo dessa mesma inovação que vos caracteriza? Na área de hipertensão, lançámos um novo produto em 2010 cujo princípio ativo resulta da associação de duas moléculas (lercanidipina e enalapril). As guidelines da Sociedade Portuguesa de Hipertensão apontam que 80

por cento dos doentes hipertensos deveriam iniciar uma terapêutica em associação. Na área de urologia,um novo produto apresentado em 2011 no Congresso Europeu de Urologia (silodosina). E ainda em 2011, lançamos um novo fármaco que é uma referência no tratamento da hipercolesterolémia (pitavastatina). O curto prazo passa fundamentalmente pela consolidação destes novos produtos inovadores, embora em 2014/2015 esperamos lançar várias moléculas inovadoras na área Hipertensão e de Urologia. Na área de consumer health lançámos o Sal&Vida. Focando-nos uma vez mais na inovação, o que está pensado nesta matéria para 2014? O lançamento de novos produtos é a prioridade estratégica da Jaba Recordati, nomeadamente nas áreas cardiovascular e urologia. Afinal, queremos ser excelentes em algumas áreas, evidenciando também outra área de meritório valor e reconhecimento: a do medicamentos órfão, com produtos ‘life saving’ (‘Orphan Europe’). Recentemente, adquirimos em Espanha uma nova companhia – Casen - que nos proporcionará entrar em novos segmentos de mercado, inclusive em Portugal. Desta forma, em 2014 esperamos lançar um novo produto de prescrição na área de urologia e uma nova apresentação de um produto na área de hipertensão. Está também planeado um novo produto na área de gastroenterologia consolidando, assim, a aquisição da companhia Casen. Programamos também o lançamento de medicamentos genéricos na área de urologia e cardiologia. A nível organizacional iremos desenvolver o projeto de E-learning e CRM da companhia (em Portugal e Angola). Para além disso, temos o projeto de internacionalização para outro mercado africano de grande dimensão, mas estamos ainda a avaliar o seu potencial. Como se pode perceber, vai ser um ano cheio de grandes desafios e com crescimento positivo por parte da nossa companhia!


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artigo de opinião Redigido por António Ferreira de Carvalho, Presidente da Direção da AERLIS

V

ivemos um contexto em que a Globalização se mistura com a recessão. Este é o momento de juntar esforços. De apelarmos à nossa criatividade, capacidade de inovação que está presente no nosso código genético. A “crise” pode ser, se tivermos a necessária coragem, uma oportunidade para discutir os dados adquiridos e criar roturas que possam potenciar a economia Portuguesa para o futuro. Portugal está integrado num Mundo global pelo que há que estimular áreas de actividade e criar clusters onde tenhamos vantagens competitivas, e potenciar o investimento estrangeiro. As associações empresariais podem ser uma esteira para o desenvolvimento empresarial. Ao longo dos anos a AERLIS organizou missões empresariais junto de mercados como os do Magreb, PALOP e Emirados Árabes. Nos próximos meses teremos missões de apoio à exportação ou internacionalização para Marrocos, à Colômbia, Moçambique e Angola. Os negócios têm ciclos de vida cada vez mais curtos. O mundo está mais competitivo e os negócios fazem-se de forma cada vez mais rápida. Há que fazer uma clara aposta na formação. Tendo associados que vão de micro a grandes empresas, passando pelas PME, a AERLIS tem uma oferta formativa muito alargada, desde a formação à medida à formação cofinanciada. Estamos focados no reforço das competências, quer do empresário/gestor, quer dos seus colaboradores.

Executámos formações modulares certificadas, com o objetivo de otimizar o desempenho dos recursos humanos e a competitividade de empresas e instituições. Este plano contemplou um número alargado de cursos financiados, de elevada qualidade e de aplicação direta à realidade organizacional. Estamos envolvidos na formação em áreas técnicas, com equivalência ao 12º ano. Connosco estiveram mais de 200 jovens em formação em áreas tão diversas como a técnico- comercial, eletrotecnia, logística ou informática. De salientar que as empresas acolheram estes jovens proporcionando-lhes um estágio no âmbito do sistema da aprendizagem o que poderá conduzir à sua empregabilidade e ao reforço de competências das empresas. Tudo isto ocorre num contexto adverso. Na última década, a economia portuguesa atravessou um longo período de crise e estagnação económica, com um crescimento real médio anual de cerca de 0,7%. Esta situação teve graves consequências ao nível do desemprego e do sobre-endividamento dos agentes económicos. Para retomar o processo de convergência com os seus parceiros europeus, Portugal precisa de iniciar um processo de crescimento económico sustentável, assente no aumento das exportações, na captação de investimento privado e na melhoria dos níveis de qualificação do capital humano. Para tal, é fundamental promover a reindustrialização

nacional, centrada na competitividade e na valorização da produção nacional, ao longo da cadeia de valor para o reforço das exportações. Através de uma análise das diferentes realidades ao nível internacional comprova-se que os países fortemente industrializados são aqueles que resistem melhor às crises cíclicas que afetam as economias modernas. A aposta na indústria revela que nestes países, mesmo nos tempos mais difíceis, o tecido empresarial se mantém mais forte, se registam menores taxas de desemprego e se mantêm vivas as exportações. As Associações Empresariais podem funcionar como catalisador para que, as empresas e os poderes públicos saibam construir uma parceria inteligente, estrategicamente orientada para estimular o empreendedorismo, a inovação e a competitividade do tecido empresarial existente e criar condições para o nascimento de novos negócios. Assim podemos vencer os desafios da economia do conhecimento, subir na cadeia de valor e, consequentemente, melhorar a atractividade do Pais e contribuir para a inovação e competitividade da economia portuguesa. Este é o momento de agir. Está em causa um desafio colectivo que diz respeito a todos os portugueses, que têm de se mobilizar e construir um país moderno, empreendedor, inovador, criativo e competitivo, onde todos tenhamos orgulho em aprender, trabalhar e viver.

AERLIS - Uma Força ao Serviço das Empresas - www.aerlis.pt A AERLIS é uma instituição sem fins lucrativos, com o estatuto de utilidade pública, que procura defender os interesses das empresas do Distrito de Lisboa. Tem como principal objetivo promover o desenvolvimento das atividades económicas da Região. É vice presidente da OPCE (Organização das Associações Patronais das Capitais Europeias) e do Conselho Geral da CIP (Confederação Empresarial de Portugal). Participa, ainda, nos Conselhos Estratégicos Nacionais de Energia, Ambiente, Construção e Emprego da CIP.

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artigo de opinião

Redigido por Catarina Furtado, Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA e Presidente da CCC – Corações com Coroa

Foto de Manuel Araújo

A

proxima-se o Natal, altura em que os corações e as vozes aquecem para a dádiva, a solidariedade e a cidadania activa, mesmo em situações de crise e vulnerabilidade social, e por isso mesmo esta época transforma-se numa oportunidade preciosa para se falar de Direitos Humanos. Uma oportunidade para se escrever sobre a profunda injustiça e discriminação que milhares de mulheres e famílias enfrentam devido ao facto da saúde, da educação e da igualdade serem apenas palavras soltas, frequentemente ditas mas quase sempre esquecidas nos programas e nas estratégias de desenvolvimento global. Desde o ano 2000 que fazem parte do meu exercício de cidadania, a leitura e a análise de Relatórios do Fundo das Nações Unidas para a População ( UNFPA), para além da participação cívica e da intervenção social. É por isso que com um sério, comprometido e responsável sentido de missão, relembro os números

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inaceitáveis e indesculpáveis: a cada dia que passa 800 mulheres morrem por causas associadas à gravidez e ao parto e cerca de 20 mil raparigas com menos de 18 anos dão à luz em países em desenvolvimento - 9 em cada 10 destes nascimentos acontecem em contexto de casamento forçado ou união de facto. O relatório do UNFPA sobre a Situação da População Mundial de 2013, apresentado recentemente na Assembleia da República e os trabalhos de Sara Falcão Casaca e Bernardo Soares apresentados na última Conferência organizada pela Associação Corações com Coroa “Como se esconde a desigualdade em Portugal”, permitiram clarificar e dar bases científicas a muitas das minhas experiências e convicções. E permitiram também provar que este deve ser um desígnio da Cooperação e das propostas de Portugal no contexto da Agenda Global após os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio não alcançados. A gravidez e a maternidade em adolescentes são

talvez os principais temas que tenho trabalhado enquanto Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA e que frequentemente aludo nas minhas intervenções enquanto Presidente da Corações Com Coroa. As aprendizagens não chegam só através dos Relatórios ou das Conferências. Vêm do trabalho de campo que faço e acompanho em Portugal e noutros países. E a conclusão é a mesma: não é justo crianças serem mães de crianças porque as leis (também as tradicionais) não o impedem. A vontade política, refém de arquitecturas estratégicas, não chega e os programas de prevenção em saúde e empoderamento de mulheres não são atractivos para os financiadores, que frequentemente esquecem que o pilar estrutural do desenvolvimento são as pessoas e os seus direitos humanos. São as pessoas que trabalham, que consomem e que dinamizam as economias. Sabemos que precisamos de uma escola protectora e promotora dos Direitos Humanos, onde educar seja mais do que ensinar a ler, escrever e contar. Uma escola


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que protege e onde a cidadania, a educação sexual, a igualdade e a recusa da não violência e discriminação, são parte integrante dos objectivos pedagógicos e programas lectivos. Sabemos a importância de serviços de saúde que promovam e defendam a saúde das mulheres e das mães, mas onde a prevenção da violência doméstica, das práticas nefastas, dos abusos sexuais tal como do VIH e SIDA sejam integradas nos cuidados primários. Quando recordo as meninas mães de menos de 15 anos que tenho encontrado em países como Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Indonésia, Haiti, Índia e em tantos outros cenários reais que visitei, sinto a profunda injustiça e indignação que nos acompanha face às enormes assimetrias mundiais. Conheci e sei de cor alguns nomes de muitas meninas de menos de 15 casadas com homens de 60 ou mais anos. Em Portugal estaríamos perante situações de abuso sexual, mas lá longe onde as conheci faziam parte das tradições e culturas onde as meninas e as mulheres não contam. Em Portugal apesar dos números, a gravidez em crianças e adolescentes ainda é considerada excepção mas infelizmente a nível global esta excepção é quase uma regra que assegura a sustentabilidade das famílias e a manutenção de padrões socioculturais, que algumas cooperações internacionais, ainda têm dificuldade em integrar nos seus programas bi ou multilaterais. Chega de reduzir, não cumprir ou esquecer os Direitos Humanos. Serão as expressões como “murro no estômago”, suficientes para mudar alguma coisa?. Hoje, em todo o mundo, há meninas que são mães, que

há filhos com mães mortas e mães que contam os filhos que já partiram. Estas são realidades que constituem talvez o maior desafio às respostas institucionais ou aos programas tipificados que teimamos em reproduzir sem ouvir as pessoas ou entender os números que diariamente nos são enviados pela imprensa, pelas redes sociais, pelos relatórios e discursos. A solução está já identificada e chama-se PREVENÇÃO. Por isso desejo deixar-vos uma mensagem muito objectiva: sejamos coerentes! O que desejo para as meninas que vivem ao meu lado em Lisboa, é o mesmo que desejo para as meninas que estão nas zonas rurais ou nas cidades de qualquer país do mundo. Mas para se ser coerente não nos basta usar as palavras e os documentos de referência estratégica e política. A Coerência faz-se também no quotidiano dos serviços, nos programas de Cooperação e Educação para o Desenvolvimento, quando colocamos as pessoas, (sobretudo as que estão em situação de vulnerabilidade e risco e os seus direitos), no topo das nossas prioridades. E estas prioridades exigem recursos e é de recursos que falamos, quando por exemplo, os compromissos financeiros não foram cumpridos e o Fundo das Nações Unidas para a População está, neste momento, a sofrer os maiores cortes de sempre, porque os países que assinaram compromissos esqueceram-nos. E o impacto deste esquecimento (geo-estratégico?) está a ser sentido nos países, nas comunidades, nas famílias, em cada menina a quem fica vedado o direito à sua plena participação, usufruto e exercício dos seus direitos individuais. Está a ser anulado o seu potencial humano e económico.

E porque cada pessoa e cada euro conta, deixem que vos diga que, por exemplo, cada dólar hoje investido em planeamento familiar nos países em desenvolvimento reduz em média os gastos com cuidados médicos maternos e neonatais em $ 1,40 e , numa perspectiva mais ampla, reduz todos os custos económicos, sociais e afectivos das gravidezes não desejadas, não planeadas e promove a educação e a manutenção das raparigas no sistema de ensino e os efeitos e custos sociais e económicos da exclusão. E a PREVENÇÃO tem a ver com os cuidados, os serviços e programas de saúde e a Educação Sexual e Reprodutiva e a Igualdade de Género . PREVENÇÃO com promoção da justiça social e dos Direitos Humanos. Investir em saúde, educação e igualdade, está provado, compensa, vale a pena! Uma gravidez e um parto seguros, estudar, poder escolher com quem casar e ter acesso a cuidados de saúde, são realidades que não podem continuar a ser privilégios de apenas alguns, quando são direitos de todos. Este é o meu desejo de Natal: que o trabalho indispensável do UNFPA seja conhecido e apoiado e que a Associação Corações com Coroa cresça, dando passos seguros com a participação de todos os que acreditam no exercício dos Direitos Humanos. www.unfpa.org www.coracoescomcoroa.org Feliz Natal! Catarina Furtado não segue o novo acordo ortográfico

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Compromisso corporal e espitirual

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rientada pelo Compromisso da Misericórdia de Lisboa, composto pelas 14 Obras de Misericórdia, a Santa Casa da Misericórdia trata-se de um organismo cuja missão principal é o tratamento e o sustento prestado a enfermos e a inválidos. Fundamentados na doutrina cristã, ou provenientes de outras tradições integradas no cristianismo, estes 14 parâmetros orientativos dividem-se entre as obras espirituais (ensinar os simples, dar bons concelhos, castigar os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, sofrer com paciência, orar pelos vivos e pelos mortos) e as corporais (visitar os enfermos e os presos, remir os cativos, vestir os nus, dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, abrigar os viajantes e enterrar os mortos). Foi graças ao estímulo de D. Manuel e à atuação dos seus sucessores que a esta irmandade, cuja atividade esteve até então confinada às ruas e aos presídios, conheceu o seu primeiro espaço físico, e posteriormente as Santas Casas se disseminaram pelo resto do reino. A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa remonta a 1498, e deve a sua existência aos esforços do Frei Miguel Contreiras, com o apoio de D. Leonor. Dedicada aos doentes, pobres, órfãos, prisioneiros e artistas, é da responsabilidade da rainha, que patrocinou a edificação da Santa Casa, a instituição da primeira organização não-governamental legítima do mundo. Esta entidade programada para auxiliar a população mais carenciada, com iniciativas que compreendiam alimentar os famintos, assistir aos enfermos, consolar os tristes, educar os enjeitados entre outras, passou ainda a prestar assistência aos ditos “expostos” (recém-nascidos abandonados), a quem era concedido o batismo, para que as suas almas fossem salvas, e amamentação de amas-de-leite, para também fossem salvas as suas vidas. Também a manutenção da honra das meninas era tida em atenção por esta instituição que surgiu a partir da remodelação da Confraria de Caridade Nossa Senhora da Piedade. Nesse sentido foram criados os recolhimentos, nos quais estas permaneciam preservadas até ao casamento, até receberem o chamado para serem boas esposas e mães cristãs. O Hospital, por sua vez, cresceu com a ajuda de doações motivadas pelo prestígio que a instituição foi adquirindo com o desenvolvimento económico da colónia. Atualmente, a instituição está difundida por todo o país, sendo as suas ramificações autónomas vitais no combate aos problemas concelhios, nomeadamente no que concerne às populações do interior. Localizada na baixa lisboeta, no Largo Trindade Coelho, também denominado por Largo da Misericórdia ou Largo do Cauteleiro, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ainda hoje detém maior representatividade. No largo onde se situa há ainda a estátua de um cauteleiro, numa evocação da lotaria e dos jogos organizados pela Santa Casa.

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330 anos ao lado dos Tarouquenses Santa casa da misericórdia de tarouca A comemorar 330 anos, a Santa Casa da Misericórdia de Tarouca presta um conjunto importante de serviços à comunidade. Com 12 valências emprega hoje cerca de 150 pessoas. Em entrevista à Revista Negócios Portugal, Lucílio Teixeira, provedor desta instituição há mais de 30 anos falou do trabalho desenvolvido no apoio aos que mais precisam.

lucílio teixeira Provedor

É

dia de festa. Embora a Santa Casa da Misericórdia de Tarouca também esteja de parabéns pelos seus 330 anos, hoje festeja-se, como todos os meses, a festa de aniversário do idoso. Desta vez são três os idosos que comemoram mais um ano de vida. No lar da Santa Casa nenhum aniversário é esquecido, nem mesmo dos funcionários. Cantam-se os parabéns e sopram-se as velas. O provedor Lucílio Teixeira faz questão de estar presente até porque nos mais de 30 anos à frente da provedoria desta instituição nunca esqueceu a grande máxima com que pauta a sua atuação: “Quando assumimos uma responsabilidade tem que ser por inteiro”. Esta, o lar, é apenas uma das 12 valências da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca. Atualmente tem 65 idosos e serve, garante o provedor, as necessidades do concelho de forma eficaz. “Penso que é uma asneira ir para além das necessidades do nosso concelho, porque a instituição está cá para servir o concelho de Tarouca e tudo o que construímos tem como base as necessidades de Tarouca”.

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O serviço de apoio domiciliário, uma outra valência no apoio aos idosos, tem para Lucílio Teixeira uma importância que não deve ser esquecida. “O apoio domiciliário é um apoio muito importante para o idoso, até porque basta ir ao nosso lar e perguntar onde é que as pessoas gostavam de estar e a resposta é sempre a mesma, em casa”. Criado em 1994, este serviço dá hoje apoio domiciliar a 48 idosos, disponibilizando serviço de alimentação, higiene pessoal, higiene habitacional, tratamento de roupa, acompanhamento psicossocial, apoio a cuidados de saúde e teleassistência 24 horas. Todos estes serviços disponibilizados permitem, como explica o provedor, que a vinda para o lar só ocorra “em última instância quando a pessoa perde de facto as suas capacidades de autonomia”. Para além de se encontrarem no seu ambiente, a permanência dos idosos em suas casas evita também, refere Lucílio Teixeira, “o afastamento das famílias porque quando as pessoas vêm para o lar, as famílias acabam por nem vir ou então aparecem muito pouco”.

O apoio domiciliário oferece ainda aos seus utentes um conjunto de atividades como encontros interinstitucionais, e intergeracionais e passeios. Ainda a pensar nos idosos, a Santa Casa da Misericórdia de Tarouca disponibiliza o serviço de Centro de Dia. Esta valência contribui também manter os mais de 20 idosos apoiados por este serviço no seu meio sociofamiliar, satisfazendo as suas necessidades básicas, ao mesmo tempo que estabelecem relações sociais mais próximas, quebrando a solidão e diminuindo as suas carências afetivas. Com uma taxa de emigração da população ativa elevada, o concelho de Tarouca, explica Lucílio Teixeira “sofre problemas de desenvolvimento porque ninguém investe e também promove o isolamento das pessoas que muitas vezes têm a família no estrangeiro e ficam sozinhas ou com os netos não existindo a organização familiar que é desejável criando alguns desajustes”. Para minorar estes problemas muito tem contribuído a Santa Cas da Misericórdia de Tarouca que data de 1683.


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As crianças são também uma preocupação desta instituição. A construção de uma nova creche e jardim infantil foi a última obra levada a cabo pela Santa Casa da Misericórdia de Tarouca. O moderno edifício, a capacidade que está longe de se esgotar e as condições excelentes não foram, no entanto, suficientes para travar a Câmara Municipal que decidiu também levar a cabo a construção de uma creche. Facto que o provedor diz não ser explicável. “Fizemos uma creche há cinco anos com as melhores condições que se pode ter com capacidade para 80 crianças e neste momento só temos 40 porque, mais tarde, a Câmara Municipal fez também uma creche e tem lá também algumas crianças, não é possível explicar uma coisa destas”. Uma outra luta que a Santa Casa tem travado é manter o Centro de Atividades Ocupacionais. Apesar das dificuldades que os cortes nos apoios a esta valência representam, Lucílio Teixeira entende que além de ser “muito benéfico as crianças terem este espaço onde podem desenvolver atividades que contribuem para o seu desenvolvimento e que são adaptadas à sua idade é também fundamental para os pais que trabalham e precisam que exista este centro como complemento do horário da creche”.

Pioneiros na construção da Unidade de Cuidados Continuados de Convalescença, o provedor diz que é “muito difícil trabalhar com o Ministério da Saúde” e que no âmbito destas unidades “está-se a cometer alguns erros”. Lucílio Teixeira considera que “perante o custo elevado que a construção e manutenção destas unidades representam devia haver da parte do Ministério da Saúde uma preocupação de organizar o surgimento dessas unidades de acordo com uma escala de necessidade”. Embora estas unidades sejam muito importantes enquanto hospitais de retaguarda porque permitem reduzir os custos hospitalares, o provedor entende que “é necessária uma carta social que permita ao próprio Governo prever quais as necessidades ainda existentes e onde devem ser criadas essas estruturas”. Apesar das dificuldades que hoje a Santa Casa da Misericórdia de Tarouca sente, Lucílio Teixeira garante que “nenhuma pessoa carenciada ficará sem ajuda”. Atualmente para 40 por cento dos utentes desta instituição não existe qualquer protocolo com o Estado, o que significa que é a Santa Casa que suporta esses custos. Para além disso, face às necessidades que hoje as famílias sentem, foi necessário, explica o provedor, “baixar as mensalidades porque as reformas também

são cada vez mais baixas, mas isso também faz com que seja mais difícil gerir”. Neste momento, esta instituição apoia já 490 famílias. A Quinta que é propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca muito tem contribuído para que a instituição consiga também ter alguma sustentabilidade. Embora hoje a gestão seja feita dia-a-dia com algum sacrifício, o provedor é otimista. “As instituições estão a passar dificuldades, mas temos que entender isto como mais uma fase de percurso, porque ao longo destes 330 anos a instituição já passou por altos e baixos e isso está relacionado com a própria situação económica e social do país e é nesta altura que nós precisamos estar mais presentes”. O provedor termina referindo: “Há quem diga mal do interior que está despovoado e pouco desenvolvido mas se há solidariedade em algum lado é no interior. Se há alguém carenciado é apoiado de imediato até porque aqui todas as pessoas se conhecem, enquanto nas grandes cidades as coisas são bem mais complicadas”.

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Contribuir para o desenvolvimento de Idanha-a-Nova Santa casa da misericórdia de idanha-a-nova Em Idanha-a-Nova, a Santa Casa da Misericórdia é mais que uma instituição que apoio os mais carenciados. Para além do apoio direto que presta aos seus utentes, esta instituição é ainda imprescindível na criação de emprego que tem permitido fixar a população. “Contribuir para o desenvolvimento de Idanha-a-.Nova” foi desde logo o objetivo de Joaquim Morão quando assumiu o lugar de provedor há mais de uma década. Uma aposta ganha.

joaquim morão Provedor

P

rovedor há 15 anos da Santa Casa da Misericórdia de Idanha-a-Nova, Joaquim Morão assume este lugar “numa altura em que era necessário impulsionar a instituição”, explica. Com mais de 30 anos ao serviço da causa pública, não hesitou em candidatar-se há provedoria desta instituição e garante que hoje esta é uma santa casa de “excelência”. À frente dos destinos desta Santa Casa refere que foi possível “além de resolver os problemas das pessoas que necessitavam, criar uma estratégia de desenvolvimento para Idanha-a-Nova”. O objetivo do provedor era então suprir as carências sociais e ao mesmo tempo ter uma estratégia que criasse emprego e contribuísse para o desenvolvimento de Idanha-a-Nova. Esta estratégia passou na prática, explica Joaquim Morão por “triplicar o número de utentes do lar de idosos que já existia e número de idosos apoiados domiciliarmente”. Neste momento, o lar de idosos tem

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cerca 140 utentes e 60 idosos têm apoio domiciliário. Números que refletem o trabalho desenvolvido ao longo destes anos. A saúde foi também uma forte aposta desta instituição, refere o provedor.“ Candidatamo-nos aos Cuidados Continuados e hoje temos convalescença, média e longa duração”. O antigo hospital da Misericórdia foi recuperado para servir os cuidados de convalescença e uma nova unidade surgiu para os cuidados de média e longa duração. Esta nova unidade foi também construída para servir como residência sénior, tendo 26 apartamento t1. Com uma prática exemplar ao nível da integração geracional, a Santa Casa da Misericórdia de Idanha-aNova tem ainda em funcionamento uma creche e jardimde-infância, frequentados por cerca de 50 crianças. Com uma escassa densidade populacional, esta instituição garante um apoio imprescindível aos idanhenses, e tem para além do apoio direto aos utentes repercussões positivas na economia local através da

criação de postos de trabalho que permitem a fixação populacional, como refere Joaquim Morão. “Neste momento, empregamos 117 pessoas e é esta estratégia de desenvolvimento que procurei deste o início”. Quando assumiu o lugar de provedor, Joaquim Morão teve ainda como preocupação “credibilizar a instituição, dar-lhe uma nova dinâmica, e fazer a população perceber a importância desta instituição secular”. Um objetivo que considera cumprido. “As pessoas hoje recorrem cada vez mais, devido também à crise, a estas instituições e é nosso dever ajudá-las de forma eficaz”. Quanto à importância destas instituições serem cada vez mais sustentáveis, o provedor explica que esta é uma questão de fundo pois “as misericórdias bem como outras instituições de solidariedade contaram durante todos estes anos com um apoio importante do Estado mas têm agora que se acautelar e criar mecanismos para serem cada vez mais sustentáveis e estarem menos sujeitas às crises financeiras que vêm pôr em causa o serviço prestado às populações”. Neste sentido, a Santa Casa da Misericórdia de Idanhaa-Nova criou alguns edifícios para arrendar conseguindo, desta forma, criar alguma sustentabilidade. Estar ao serviço das pessoas, garante o provedor é “um gosto e sempre o fiz quer enquanto autarca quer agora enquanto provedor”. O trabalho passa agora, diz Joaquim Morão, por “melhorar cada vez mais a qualidade dos serviços prestados à população até porque já possuímos os meios adequados e temos todas as condições para servir a população de Idanha-a-Nova”.


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500 Anos ao serviço de quem precisa Santa casa da misericórdia de castelo branco Desde 1514 que a Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco move todos os esforços necessários para estar ao serviço de quem precisa. É uma das mais antigas Santas Casas da Misericórdia do país. As comemorações dos 500 anos já foram iniciadas, mas a melhor prenda, a celebração dos acordos para a abertura da Unidade de Cuidados Continuados, tarda em chegar.

A

frase não é da autoria do Provedor Manuel Cardoso Martins, mas é escolhida por refletir uma mensagem que não deve ser esquecida: “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que se pode realizar”, Robert Shinvashiki. E a Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco tem acreditado. Em fevereiro de 2014 completa o V Centenário, mas as comemorações já arrancaram com a homenagem a um “dos maiores beneméritos da Misericórdia Albicastrense, o venerável Bartolomeu da Costa”, explica o provedor Manuel Cardoso Martins. A prenda mais desejada é que tarda em chegar. Pronta desde dezembro de 2012, a Unidade de Cuidados Continuados continua de portas fechadas, apesar de sabermos que Portugal é o segundo país da Europa com menos camas de Cuidados Continuados Integrados. Manuel Cardoso Martins refere ainda não existir “uma data prevista para a abertura desta unidade”. O que falta, diz o provedor é “celebrar com os Ministérios da Saúde e da Solidariedade, através da ARS do Centro, o protocolo que vai permitir entrar em atividade”. Este investimento de cinco milhões de euros é, garante Manuel Cardoso Martins, muito importante porque “não existe, nem na cidade de Castelo Branco, nem no concelho, com uma população de 60.000 habitantes, a cobertura deste tipo de serviço hospitalar de retaguarda”. Este edifício está preparado para receber até 61 utentes, mas continua vazio e aumenta todos os dias os encargos da instituição que dele não consegue retirar rentabilidade. Enquanto a espera continua, o trabalho na Santa Casa

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manuel cardoso martins Provedor

da Misericórdia de Castelo Branco não pára. Ao nível da saúde, a Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco possui já um Centro de Medicina e Reabilitação equipado com todos os requisitos na área da fisiatria. A Instituição dispõe de quatro lares para idosos: o Lar do Convento da Nossa Senhora da Graça (sede), o lar do Centro Social Dr. Adriano Godinho, o Lar do Centro Social de Santo António e o lar do Centro Comunitário João Carlos D’Abrunhosa, num total de 400 utentes só nesta valência. O serviço de Apoio Domiciliário é também muito importante, na visão do provedor, já que, “em muitas situações, não há vagas nos lares e através deste apoio vamos tentando gerir as necessidades dos utentes até arranjarmos a alternativa ideal”. Neste momento 70 idosos são apoiados no seu domicílio, mas Manuel Cardoso Martins quer estender ainda mais este apoio: “Gostávamos de apoiar ainda mais pessoas, mas existe, por vezes, da parte dos idosos, alguma renitência”. A Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco possui ainda duas creches e dois jardins de infância de forma a dar uma resposta de qualidade às necessidades sentidas pela população. No âmbito do Apoio à Comunidade dispõe de Centros de Convívio para Idosos, que na ótica do provedor desempenham um papel fundamental na área do bemestar e convívio das pessoas idosas, encontrando-se neste momento duas das quatro unidades encerradas por não oferecerem as condições necessárias. Manuel Cardoso Martins espera “ser possível efetuar as obras de

que carecem para poder reabri-los com as condições desejáveis”. São ainda servidas diariamente 100 refeições aos beneficiários da Cantina Social da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, entre almoço e jantar, e estão também disponíveis quartos no âmbito do Plano de Emergência Social. Ambos os programas decorrem da celebração de acordos de cooperação entre a Instituição e o Ministério da Segurança Social para fazer face às carências da população local e a situações de risco de toda a comunidade em geral. A “auto sustentabilidade tem também sido uma preocupação da nossa Misericórdia” garante o provedor que acrescenta ainda: “apesar de ouvirmos muitas vezes as pessoas a utilizarem a expressão ‘isto não é a Santa Casa’ e de se pensar que esta é uma instituição com muito dinheiro, isso não reflete a realidade”. Por isso mesmo, esta instituição tem promovido diversas atividades que passam pela recuperação de terrenos agrícolas, instalação de um novo pomar e pela produção de azeite, hortícolas e plantas aromáticas. Atualmente, a Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco é um dos maiores empregadores do concelho, dando trabalho direto a cerca de 330 pessoas, e encarrega-se “de escolher os melhores profissionais”, pois garante o provedor “só com as pessoas certas, com conhecimento, com vocação e sentido de responsabilidade e missão é possível prestar um serviço de qualidade”.


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Pelo desenvolvimento local Santa casa da misericórdia de pampilhosa da serra A Misericórdia de Pampilhosa da Serra trata-se de uma entidade pluridisciplinar cuja atuação se repercute em diversas valências. Inaugurada em setembro, a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) é a mais recente grande aposta de uma instituição cujo maior objetivo passa pela consolidação do trabalho desenvolvido.

antónio sérgio martins Provedor

S

ituada no “interior do interior de Portugal”, com duas das suas principais instalações atuais a demarcarem os contornos de Pampilhosa da Serra, a Misericórdia disponibiliza um conjunto de serviços essenciais que visam o bem-estar físico, psíquico e social dos seus utentes. Uma variedade que vai de encontro às necessidades do concelho, numa abrangência de serviços completamente diferente daquela com que António Sérgio Martins se deparou, há aproximadamente 15 anos atrás, quando tomou posse do cargo de provedor. Na sua perspetiva, era urgente alagar o campo de atuação da Misericórdia para além do enfoque tradicional nas áreas de ação social. Consequentemente, a estratégia por si implementada teve de passar pela criação de outro tipo de respostas, não só enquanto garantes da própria instituição, mas também numa “ótica de desenvolvimento local, para que fosse assegurada autonomia dentro de portas”. Neste sentido, a Santa Casa da Misericórdia de Pampilhosa da Serra desdobra-se, hoje em dia, num extenso número de valências, de que são exemplo o Lar de Idosos e o Novo Lar, com vista a conferir qualidade de vida aos utentes numa fase das suas vidas requerente de maiores cuidados. Esta nova facilidade, ao serviço dos idosos, prima pela mais recente tecnologia e por uma preocupação em termos decorativos, com vista a garantir o máximo conforto. Ainda no enquadramento do auxílio prestado aos mais velhos, encontra-se o Apoio Domiciliário, que contempla os quatro centros de dia que servem as localidades de Pampilhosa da Serra, Cabril,

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Fajão, Machio, Pessegueiro, Janeiro de Baixo e Porto de Vacas. Por sua vez, os cuidados providenciados pelo apoio domiciliário propriamente dito abrangem alimentação, higiene pessoal, habitacional e tratamento de roupa. O Centro de Fisioterapia, localizado no espaço circundante da UCCI, foi também protocolado com o Estado. Detentor de uma equipa qualificada, composta por um médico fisiatra e dois fisioterapeutas, dispõe de convenções com SNS e acordos com algumas seguradoras. Direcionada para os mais novos, a Casa da Criança oferece as valências de creche e jardim de infância. Contíguo ao edifício da UCCI, o Restaurante Social pretende servir não só as necessidades alimentares dos utentes da Misericórdia, mas também a comunidade. Esta cozinha geral encontra-se aberta ao resto da vila. “Num concelho como Pampilhosa da Serra, onde cada vez temos menos gente, onde as pessoas estão cada vez mais isoladas e onde cada vez mais se sofre dos problemas acrescidos da interioridade – como aquele que eu considero ser um problema maior, que é o problema da solidão –, faz com que seja transportada para nós uma responsabilidade acrescida em termos de responsabilidade social, para que efetivamente estejamos mais próximos das pessoas e lhes possamos dar uma resposta o mais humanizada possível”. Este será o princípio regente desta Santa Casa, cujo património triplicou desde que António Sérgio Martins assumiu a provedoria. O número de funcionários contratados por esta entidade também tem registado um aumento, o que leva à conclusão de que esta Misericórdia ainda hoje se encontra em ascensão. “Temos vindo sempre a crescer. Temos noção do sítio onde estamos e numa

altura destas só somos realmente responsáveis se pensarmos em consolidar e estabilizar tudo. Estamos a fazer um excelente serviço à comunidade, aos associados e a todos aqueles que possam usufruir dos nossos serviços. É isto que se pretende: maior harmonização possível, com a maior dignidade possível. Doutra forma, não faria sentido!”, remata. “Costumo dizer que a solidariedade não se apregoa, pratica-se. E enquanto tivermos valências que nos deem lucro, vamos aplicar esse dinheiro a exercer essa associação social”. É com esta determinação que o provedor enfrenta as dificuldades dos tempos que correm, ao acreditar que “estamos num momento de viragem, numa consolidação de afirmação da Misericórdia no contexto local e, sobretudo, de muito conforto para todos os associados da instituição”. *leia este artigo na íntegra em www.revistanegociosportugal.com


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“A prioridade máxima são os utentes” Santa casa da misericórdia de penalva do castelo Estas são palavras do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo. Ao comando da instituição desde o início de 2013, Michael Batista é provavelmente o mais novo provedor do país, com apenas 30 anos. Um número que lhe acrescenta responsabilidade mas que traz também dinamismo e frescura à instituição.

michael batista Provedor

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esde pequeno sempre frequentou a Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo onde a mãe foi funcionária. Nessa altura, não sonhava que um dia estaria ao comando desta instituição. Hoje, com 30 anos, e agarrando o desafio lançado por irmãos da Santa Casa é provavelmente o mais novo provedor do país. Assumiu o cargo em janeiro deste ano e garante que sabia que “a comunidade estaria muito atenta à prestação de um jovem nesta instituição”. Mas isso não foi de todo o que mais preocupou o novo provedor. “Inicialmente preocupou-me analisar toda a estrutura e tomar conhecimento interno do funcionamento para definir as principais estratégias de ação que tinham em vista contribuir para o desenvolvimento local e social de Penalva do Castelo. Era importante criar ações que não tivessem só impacto interno mas também externo, considerando os novos e difíceis desafios do nosso país”. Um outro objetivo defendido por Michael Batista foi a manutenção dos postos de trabalho existentes e a criação, mediante as necessidades, de novos empregos. Um objetivo que vai de encontro à prioridade da Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo. “A prioridade máxima são os nossos utentes, preterindo ou adiando, se necessário, de uma ou duas obras no património, Os postos de trabalho devem manter-se para não colocarmos em causa a qualidade dos serviços prestados nas diversas valências”. Qualidade essa que exigiu também a realização de

obras no exterior do Lar da 3ª Idade, Nossa Senhora da Misericórdia, a fim de melhorar o funcionamento da instituição. “Percebemos, logo no início, que era importante proceder a obras no exterior do edifício: para facilitar a entrada dos veículos de emergência de acesso à zona dos quartos, sem cruzar com a sala principal de estar; para reorganizar todo o espaço exterior no que concerne a parques de estacionamentos, entrada de fornecedores, passeios específicos para os utentes e visitantes (adaptados à circulação de utentes com pouca mobilidade) e jardins de lazer, criando zonas muito agradáveis. Conseguimos então angariar receitas e executar a obra que todos almejavam”. Para além da valência de Lar da 3ª Idade, a Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo possui um centro de noite, centro de dia e presta ainda serviço de apoio domiciliário, Os mais jovens são também uma preocupação. Nas valências creche e ATL, a Santa Casa também procedeu ao melhoramento do espaço interior, com a colocação de um novo pavimento no interior e procedeu também ao arrelvamento do espaço exterior. Tem também a valência Intervenção Precoce, sendo a entidade enquadradora do projeto nos concelhos de Penalva do Castelo, Sátão e Vila Nova de Paiva. A Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo tem ainda o banco alimentar e cantina social para apoiar os mais carenciados porque diz Michael Batita “enquanto existirem misericórdias em Portugal, ninguém passa fome”.

Com vista a perseguir o objetivo de criar ações para o desenvolvimento local e social, surgem as primeiras jornadas da Santa Casa da Misericórdia, explica o provedor: “Penalva não tinha nenhuma ação que envolvesse toda a rede social e a comunidade envolvente, com abertura ao diálogo e com um cariz consideravelmente pedagógico e produtivo. Pretendemos ser esta porta de abertura ao debate de ideias, para se unirem esforços em prol do bem-estar dos nossos idosos, crianças e todas as famílias que passam por alguma dificuldade específica”. Para os próximos dois anos já estão traçados os desafios como refere Michael Batista. “Vamos construir um núcleo museológico em três salas da Igreja da Misericórdia, ex-libris do concelho, caso se confirme a existência de dotação orçamental no projeto aprovado e apoiado pela Associação de Desenvolvimento do Dão (fundo Social Europeu e Estado Português – PRODER), demonstrando a história desta casa. Queremos também, assim que possível, proceder a obras no serviço de lavandaria e implementar um novo espaço para armazém e garagens. Queremos preservar o nosso património, criando um projeto que visa a exploração dos terrenos agrícola por parte da comunidade, com condições específicas e benéficas para ambas as partes (famílias e instituição). Pretendemos no âmbito do projeto ‘+ Saúde e Bemestar’ criar um novo espaço com diversas utilidades no edifício onde, no passado, funcionou o Centro de Saúde local. Em todas os momentos teremos sempre os pés bem assentes na terra, conscientes da atual realidade e barreiras económicas. Rigor e ponderação são palavras que se encontram bem presentes no nosso paradigma de ação. Projetos pensados com vista à sustentabilidade e que respondem às necessidades existentes, sempre a pensar nos nossos utentes e ao serviço do bem comum. Para tudo contarei sempre com os meus companheiros da Mesa Administrativa, empenho dos colaboradores e solidariedade dos Irmãos, dos parceiros sociais e de toda a comunidade Penalvense” finaliza.

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Uma Instituição Intergeracional Santa casa da misericórdia de arganil Coberta com os retratos dos seus beneméritos, a parede do Salão Nobre da Santa Casa da Misericórdia de Arganil (SCMA) espelha a história desta entidade, cuja fundação data de 1647. Esta instituição de inspiração cristã, que assenta a sua atividade nas 14 obras de Misericórdia, é a mais antiga e a maior em termos de empregabilidade na economia social do concelho.

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ara que melhor possa cumprir os propósitos a que se propõe, como nos explica Nuno Gomes, diretor geral desta instituição, a atuação da SCMA encontra-se repartida em três eixos, sendo que cada qual se concentra em pontos específicos de intervenção. Dessa ramificação faz parte o Complexo Social, que agrega todas as respostas de índole social em colaboração com o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social (MSESS), e que compreende o Lar de Idosos, o Serviço de Apoio Domiciliário, o Centro de Dia, o Centro de Atividades de Tempos Livres para crianças e os programas de intervenção comunitária, como é o caso do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS). Este projeto temporário abrange 150 utentes e disponibiliza um apoio 24 horas ao domicílio, numa perspetiva de combate ao isolamento da população idosa. Para além de garantir refeições e cuidados de higiene, esta valência detém uma equipa ampla que permite que os procedimentos abarquem outras questões relativas à autonomia dos visados, designadamente através da prestação de cuidados de saúde ou, por exemplo, do apoio no preenchimento de documentação. Com o término apontado para maio do próximo ano, torna-se imperativo encontrar “respostas alternativas nos projetos de intervenção comunitária, nomeadamente ao nível da contratualização com o MSESS, através da implementação da chamada Rede Local de Intervenção Social, que esperamos não só vir a substituir o CLDS, como libertar e autonomizar esta relação entre o Estado

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e as instituições de economia social”. Desta forma, espera-se que Arganil “possa ser bafejada com essa resposta que para nós é fundamental para manter esta continuidade. Esperamos ser selecionados para dinamizarmos essa nova forma de contratualização entre o Estado e as instituições de economia social”, uma vez que estas “estão muito mais próximas dos cidadãos a nível de desenvolvimento de ação social nos territórios”, sublinha o diretor geral, que encara esta problemática como uma das preocupações mais urgentes da Misericórdia. No Complexo de Saúde estão congregados os serviços e os equipamentos protocolados com o Ministério da Saúde. A par da Clifargus, clínica que presta cuidados na área da medicina física e de reabilitação, a Santa Casa é detentora do Hospital Dr. Fernando Vale, nome pelo qual é designada a Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Misericórdia de Arganil (UCCIMA), com tipologias de média e de longa duração. “A Misericórdia tem esta atuação ramificada, desde o apoio às crianças, aos idosos e aos jovens, e procura sempre alternativas que venham colmatar as lacunas existentes no concelho e na região da Beira Serra”. Esta estrutura em particular, surge da deteção de um problema grave ao nível dos lares de idosos, cuja funcionalidade se encontra desenquadrada face às novas patologias dos seus utilizadores. Paralelamente, o facto de muitos dos idosos “regressarem ao domicílio dos hospitais centrais sem terem completado a recuperação subsequente” também esteve na origem da candidatura da Misericórdia à Rede

Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Com capacidade para 24 camas, a UCCIMA não é suficiente para dar vazão a todas estas necessidades. Já aprovada e a aguardar a disponibilidade das verbas está prevista a criação de uma nova unidade que integrará mais 36 camas no antigo Hospital Condessa das Canas, embora neste caso se deseje que este novo equipamento seja destinado ao acompanhamento dos cidadãos portadores de demências e de doenças degenerativas. Da mesma maneira, pretende implantar-se este tipo de cuidados também na própria estrutura do lar de idosos, para que possam ser criados espaços com condições para receber estes utentes de características tão singulares. Agregar sem segregar, de forma harmoniosa, é o maior objetivo desta iniciativa que Nuno Gomes reconhece como um dos maiores desafios do presente da instituição. Para o enfrentar conta com a ajuda de uma equipa multidisciplinar relativamente jovem, composta por profissionais especializados de diversas áreas. “Para além de ser a instituição mais antiga esta é também a maior em termos de empregabilidade na economia social (com cerca de 150 postos de trabalho), e a que tem o leque mais variado de recursos humanos. Somos quase autónomos e autossuficientes ao nível das especializações nas áreas em que intervimos”. O Complexo Desportivo e Cultural, terceiro departamento da Santa Casa, engloba, para além da Igreja da Misericórdia, todos os equipamentos desportivos constituído pelo Campo Polivalente, destinado à prática

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Palavras do Provedor

josé dias coimbra Provedor

de várias modalidades ao ar livre, e o Complexo de Piscinas Zé Miguel Coimbra, composto por duas piscinas a céu aberto, que funcionam durante o verão. “Por aqui dá para ver o impacto que a instituição tem no que diz respeito à prestação de serviços à comunidade, fora do leque de serviços mais tradicionais”, acrescenta o diretor geral. Aos serviços de ação social acresce uma aposta evidente no que compete a propostas do foro lúdico e do bem-estar. Com cerca de 22 hectares, a Mata das Misericórdias é assim designada pois, além de ser habitada por árvores cuja identificação está associada a cada Santa Casa, é constituída pela denominada Rua das Misericórdias, uma obra composta por 21 painéis em azulejo, pintados à mão, correspondentes às Misericórdias do distrito de Coimbra. Esta homenagem deve-se ao facto de, durante 10 anos, a Misericórdia de Arganil ter assumido a presidência do Secretariado Regional de Coimbra, da União das Misericórdias. O espaço incorpora ainda um circuito de bem-estar e saúde, o ‘Percurso da Poesia’ e vários espaços de lazer e animação cultural. A instituição tem ainda a particularidade de apoiar outras associações existentes no concelho, que a projetam para outras áreas de intervenção. Compreendida no perímetro físico das suas instalações, a centenária Comarca de Arganil foi recuperada após se encontrar em risco de extinção. Cabe, portanto, à Santa Casa o mérito pela “preservação do acervo jornalístico de um dos jornais mais antigos do país em termos de imprensa regional”. Também instalada em espaço cedido, a Confraria do Bucho serve a promoção da gastronomia local. Ainda no âmbito da cultura, foi constituída a Academia Condessa das Canas, da qual faz parte o Orfeão Maestro Alves Coelho.

Esta estratégia de desenvolvimento local, que compreende uma pluralidade de vertentes, aliada ao intuito mor de manter a conservação e a viabilidade financeira da instituição, tem ainda como objetivo “manter uma parceria com o Estado, os Serviços Centrais e Intermédios, numa política de respeito pelas autonomias e pelas especificidades de todos os intervenientes”. Para isso, “há que sensibilizar os poderes públicos e privados de que as instituições de economia social são entidades parceiras, promovem o desenvolvimento local e criam sustentabilidade”. São, como conclui Nuno Gomes, “essenciais para a resolução da crise do país, nomeadamente na área dos serviços de caráter social”.

Nuno gomes Diretor Geral

Numa era em que o envelhecimento ativo é parte importante da agenda global, uma das questões mais eminentes na opinião do José Dias Coimbra, provedor da SCMA, prende-se com a intergeracionalidade. Este sistema resume-se à adaptação, a nível das respostas sociais, do pressuposto financeiro de que são os mais jovens a suportar economicamente os mais velhos. Uma relação com um cariz de reciprocidade assente na ideia da designada solidariedade intergeracional. Por outro lado, é na aprendizagem com os mais experientes que os jovens adquirem as ferramentas que lhes permitem enfrentar o futuro. Esta questão foi aprofundada em 2011 no ‘X Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas’, cujo encerramento, na Mata das Misericórdias de Arganil, contou com a presença do Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva. Importa, igualmente, ‘Aprender a Não ser Velho’, como reza o livro da autoria de Polybio Serra e Silva, dedicado a alguns ilustres, entre os quais o provedor, peritos na arte de envelhecer. Para tal, o apoio das instituições é imprescindível e o papel das misericórdias em relação “às áreas da saúde e da solidariedade e ao país tem sido importantíssimo”. “As misericórdias portuguesas têm belíssimos técnicos e nós, em Arganil, temos técnicos competentes a todos os níveis”, acrescenta. Contudo, salienta, “temos de começar a especializá-los nas doenças degenerativas”, para que possam responder convenientemente às necessidades atuais da população idosa. O primeiro grande passo neste sentido foi dado peça União das Misericórdias, com a inauguração da primeira Unidade de Cuidados Continuados, Bento XVI, direcionada para doentes com Alzheimer. A boa graça da Santa Misericórdia de Arganil devese, como compreende o provedor, “ao gabarito dos profissionais que me acompanham e ao voluntariado generoso dos membros dos seus órgãos sociais”. Por outro lado, a coesão do movimento das Misericórdias, indissociável do trabalho de Manuel de Lemos enquanto presidente da União das Misericórdias, é indispensável à consolidação destas instituições enquanto garantes do bem-estar social e físico do país. Nas palavras do provedor, “as misericórdias são hoje, cada vez mais, uma marca da nacionalidade, ao mesmo tempo que têm na sua matriz de solidariedade cristã intemporal, o segredo para a sua longevidade”.

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Um exemplo de sustentabilidade Santa casa da misericórdia de mortágua Oriundo de uma família cujos valores fundamentais passam pela solidariedade e apoio ao próximo, José Júlio Norte sempre disse não negar um convite por parte da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua e dos Bombeiros Voluntários. E quando o pedido para viceprovedor chegou, José Júlio Norte cumpriu a sua palavra. Hoje é provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, cargo que deixará em breve, por questões profissionais.

josé júlio norte Provedor

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esde cedo José Júlio Norte esteve ligado aos movimentos associativos e de solidariedade da sua terra natal. Por onde passou, deixou a sua marca, como são exemplos as cidades de Viseu e Coimbra. Quando foi convidado para ingressar a equipa da Santa Casa da Misericórdia enquanto viceprovedor não hesitou em aceitar. “Esta dedicação foi evoluindo, cheguei ao cargo de provedor e juntamente com a minha equipa, a instituição tem tido um crescimento exponencial, estando hoje quase no topo, não em dimensão mas em qualidade de serviço”. Quando chegaram à instituição, esta contava com 30 utentes e cerca de 12 funcionários. Atualmente, são o segundo maior empregador do concelho, contando com 140 postos de trabalho e perto de 700 utentes entre todas as valências disponibilizadas. “Fornecemos o almoço a 400 crianças do Centro Educativo, temos 25 crianças em creche, perto 70 idosos em apoio domiciliário, cerca de 70 contam também com o nosso centro de dia, temos 55 idosos no lar e 27 utentes na unidade de cuidados continuados”, refere o provedor. De todas as valências disponibilizadas, José Júlio Norte refere-se ao apoio domiciliário como o grande

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projeto e a grande vitória da instituição. “Consideramos demasiado importante manter as pessoas no seu habitat, nas suas casas. Sempre que possível, fazemos questão de permitir a estas pessoas que continuam onde se sentem bem e felizes, que é nas suas casas, incluindo-as sempre na comunidade e nas suas famílias, prestando-lhe os apoios necessários à sua qualidade de vida e bem estar, especialmente na camada mais idosa e excluída”, diz o provedor. A situação difícil em que o país se encontra levou à criação das cantinas sociais da Misericórdia, cantinas essas que vieram dar uma resposta muito pertinente às necessidades de algumas famílias. “Este foi também um dos projetos pelos quais batalhei desde a primeira hora. Assim que a Segurança Social lançou este programa, participei ativamente nas negociações para a mesma e penso que foi uma medida que minimizou alguns danos que poderiam causar a destruição de algumas famílias e, fundamentalmente, das crianças que são quem normalmente paga esta fatura”, lamenta. Graças a esta medida, José Júlio Norte diz não ter conhecimento de que nenhuma família do concelho passe fome.

Sustentabilidade é essencial O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua defende, com base na sua experiência, que o caminho e o sucesso de qualquer instituição e empresa passa, inevitavelmente, pela sustentabilidade, “pois quem não for no caminho da sustentabilidade vai no caminho da desgraça”. José Júlio Norte considera fulcral que aqueles que estão à frente de instituições desta índole tem que ter presente a questão financeira e que deverão pensar em mecanismos para conseguirem a sua sustentabilidade. O provedor dá o exemplo a própria Misericórdia de Mortágua, que vai inaugurar um lar residencial que já está pago, antes mesmo de abrir portas. O nosso interlocutor refere ainda que é necessário acompanhar a evolução dos tempos, principalmente no que concerne a instituições “tradicionalmente conservadoras”, como é o caso das misericórdias. “Não podemos contar apenas com os subsídios que recebemos do Estado, temos que estar mais atentos e sermos mais rigorosos. Os processos são dinâmicos e temos que evoluir com eles, pois se mantivermos a


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maneira de ser e de estar que havia há alguns anos, se não evoluirmos paralelamente e não formos capazes de acompanhar a evolução dos tempos dentro das próprias instituições, estas acabam por morrer”. E, mais uma vez, José Júlio Norte dá o exemplo da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua que passou de 12 funcionários para 140, “porque não estagnamos e optamos por acompanhar a evolução dos tempos”, refere.

O novo lar “Esta é uma das obras que mais me marca e mais significado tem”, começa por dizer José Júlio Norte quando questionado sobre este novo projeto. Desde cedo, o provedor sentiu o peso da responsabilidade de representar aqueles que, por vicissitudes da vida, não têm voz ou simplesmente não se conseguem fazer ouvir. E fez questão de o fazer saber às entidades competentes. “Não sei se foi por isso, mas este projeto foi aprovado após uma conversa com o ministro da tutela, após três respostas negativas ao mesmo”. Este projeto, co-financiado pelo POPH e pelo Município, está já concluído. Atualmente, a Misericórdia está em fase seleção de pessoal e já foi feita uma primeira análise a possíveis utentes. Prestes a abandonar o cargo de provedor por questões profissionais, José

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Júlio Norte faz questão de deixar todo o processo finalizado até ao último dia do seu mandato, não só pelo carinho que nutre por esta obra, mas por todos os que dela fazem parte, “e não quero deixar estas pessoas desamparadas”, diz, acrescentando que “enquanto presidente da Câmara continuarei a colaborar e a dar o meu melhor por esta Casa, auxiliando a nova equipa que liderar a Misericórdia”. Este novo lar, além de ser uma resposta para o concelho e para a região, é ‘aquela’ resposta que vai tornar feliz uma faixa etária que normalmente é excluída, “e na minha terra não gosto de ver ninguém excluído”. O segredo está em adaptar os serviços e o espaço de forma a torna-los felizes. “Se tivermos alguém com alguma deficiência e que diz que seria feliz se tivesse um emprego, então nós vamos conseguir adequar as suas limitações a um trabalho que lhe podemos dar ou arranjar numa entidade nossa parceira. É esse o nosso papel, fazer as pessoas felizes”, diz José Júlio Norte. O ainda provedor deixará a Santa Casa da Misericórdia de Mortágua vai deixar a direção desta instituição quando terminar este mandato. Ganhou as eleições à presidência da Câmara e assume não querer monopolizar os órgãos da cidade pelo que considera fundamental passar esta pasta. No entanto, e porque lhe corre no sangue a solidariedade, o nosso interlocutor assumiu a pasta da Ação Social no município e deixa a Santa Casa já com alguns novos projetos em curso, como é o caso da ampliação do lar de idosos. “Quero muito que a nova direção leve este projeto a bom porto, sem nunca colocar em causa a sustentabilidade da instituição, como já fiz questão de o afirmar anteriormente”.

O futuro da Santa Casa da Misericórdia já não estará nas mãos de José Júlio Norte mas o provedor acredita que a instituição continuará a apoiar a comunidade de Mortágua, de miúdos a graúdos, sempre com a dedicação, empenho e solidariedade que já lhe são características. José Júlio Norte deixa “um agradecimento muito especial às equipas com quem trabalhei ao longo destes anos. Aqueles que pensam que sozinhos atingem um objetivo, normalmente ficam pelo caminho”, finaliza.


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Em prol de um concelho envelhecido Lar D.Bárbara tavares da silva Com uma longa história na área da solidariedade e apoio à terceira idade, o Lar D. Bárbara Tavares da Silva, em Penamacor, decidiu dar mais um passo em prol daqueles que diariamente precisam de uma mão amiga. A nova Unidade de Cuidados Continuados trará o conforto, bem estar e tratamentos necessários a 25 utentes.

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uno Lucas assumiu o comando desta instituição há cerca de sete anos e nutre pela mesma uma estima e dedicação únicas que o leva diariamente a querer conseguir chegar mais além, em prol dos populares da região. “Estamos inseridos num concelho envelhecido, como muitos outros do interior do país e sentimos um aumento à necessidade de apoio à terceira idade. E foi nesse sentido, e tendo sempre presente o universo e características que temos dos utentes que nos chegam, que houve a necessidade de criarmos um serviço diferenciado”. Nuno Lucas acrescenta que este serviço relaciona-se, efetivamente, com a criação da Unidade de Cuidados Continuados (UCC). A candidatura, apresentada em 2009, vem colmatar uma lacuna da própria instituição em termos de saúde e reabilitação. “Nas infraestrutruras do lar não temos as condições necessárias a essa prática, pelo que foi preciso criar um espaço novo. Creio que foi em boa hora que o fizemos. Apesar de ter sido difícil, especialmente numa altura em que a conjuntura é tão frágil, conseguimos concluir a obra, obra essa que me honra muito tê-la podido acompanhar”.

Unidade de Cuidados Continuados Esta unidade será de longa duração, uma opção

tomada estrategicamente, tendo em conta o universo de profissionais que já integram a instituição. Desta forma, será possível rentabilizar os recursos já existentes. Além disso, Nuno Lucas garante que em termos organizacionais, a UCC está pensada de forma diferente do lar e, a seu ver, bem estrutura, e também exigente, pelo que quem ganha são os utentes. “Tudo é registado informaticamente numa plataforma própria, desde uma alteração na medicação à posologia da mesma, o comportamento do utente, nomeadamente do foro psíquico, enfim, tudo mesmo”, refere. A UCC vai disponibilizar 25 cama e o administrador acredita que rapidamente todas se irão preencher. Contudo, e tendo sempre presente as necessidades locais, uma das partes do novo edifício servirá de apoio à comunidade local. “As áreas de fisioterapia e outras especialidades, áreas essas a que demos o nome de ‘Clínica’ estão devidamente equipados com vários equipamentos médicos e pretendemos rentabilizá-los abrindo esse espaço à comunidade”. Essa estratégia prende-se com a realidade vivida e sentida na região, “uma zona rural, onde também as reformas são rurais e as pessoas não têm capacidade financeira para fazerem alguns tratamentos, como é exemplo a fisioterapia, pois a prática dos tratamentos está associada a despesas de deslocação, despesas essas que as pessoas não tem como suportar”, lamenta Nuno Lucas. Desta forma, o Lar

D. Bárbara Tavares da Silva levará avante, mais uma vez, o seu papel de cariz social e apoio à sua comunidade. “Sentimos que a Unidade de Cuidados Continuados vai ser uma almofada, não só para a instituição, mas também para o próprio concelho”.

Mais valias A UCC distinguir-se-á das demais pelas suas características únicas. “Teremos sinergias como cozinha e lavandaria e temos uma quinta pedagógica onde produziremos alguns produtos agrícolas para consumo próprio mas também para vendermos na região, de modo a angariarmos mais fundos para fazermos melhorias contínuas nos nossos espaços. Além disso, investimos num projeto de produção de energia elétrica e venda em rede”. Aqui, a energia solar é aproveitada para o aquecimento das águas, uma componente destina-se à produção de eletricidade e biomassa, reduzindo o consumo de gás.

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Amiga do ambiente Curtumes aveneda A Curtumes Aveneda, Lda. é uma empresa especializada na curtimenta e acabamento de peles sem pêlo de bovino, amiga do meio ambiente, que aposta na inovação e qualidade dos seus produtos.

www.aveneda.com

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s 15 anos da empresa Curtumes Aveneda, fundada em 1998, são a face mais visivel de um passado de vasta experiência na área. No que diz respeito à produção, a Curtumes Aveneda veio dar continuidade à empresa Curtumes Miguel Branco, que já operava nestas instalações desde 1980. “Quem criou a atual empresa, foram os mesmos sócios que no fundo já eram os responsáveis operacionais da Curtumes Miguel Branco, Lda. – António Novo, José Andrade e Pedro Silva. O know-how passou naturalmente de uma empresa para a outra”, refere José Andrade, um dos responsáveis pela Curtumes Aveneda. Ao nível de produto, a empresa dedica-se fundamentalmente ao fabrico de artigos (peles) para a indústria do calçado e também, em menor escala, para o fabrico de marroquinaria. A escolha da matériaprima é fundamental e só desta forma é assegurada a elevada qualidade dos produtos que estão associados à empresa. Posicionando-se assim num segmento médio e alto, uma parte substancial das peles que a Curtumes Aveneda transforma são de origem portuguesa, aproveitando assim um resíduo que, de outra forma teria de ser eliminado no meio ambiente. “Compramos cerca de 40 por cento das peles em Portugal e o restante em França, Espanha e Alemanha, porque são os mercados onde os couros são de melhor qualidade. Em Portugal compramos na zona norte, porque as peles são substancialmente melhores que na zona sul”, garante aquele responsável. O mercado externo continua a ser o mercado com maior expressividade face ao mercado interno, que representa apenas 20 por cento do total da produção da empresa, no entanto não é para José Andrade um mercado a descurar, antes pelo contrário. “A indústria do calçado em Portugal está

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em crescimento e por isso é sempre um mercado para apostar, no entanto, talvez devido ao tipo de produtos que fabricamos (nubucks de alta qualidade e artigos muito softs, produzidos a partir do couro tradicional (curtido ao crómio) e produzidos em Biocouro (isento de crómio e outros metais pesados), temos funcionado melhor com o mercado externo”, assegura. Podemos encontrar os produtos da Curtumes Aveneda em países como Portugal, França, China, Alemanha e Espanha. A inovação e o desenvolvimento são matérias que não passam indiferentes nesta empresa, que se tem revelado um parceiro estratégico do CTIC (Centro Tecnológico da Industria do Couro) e do CTCP (Centro Tecnológico do Calçado de Portugal) em vários projetos de investigação. “Temos participado em inúmeros projetos, não tanto na área do desenvolvimento de produtos específicos para entrar no mercado, mas mais no desenvolvimento de novos processos de fabrico mais eficazes e menos poluentes, logo, ambientalmente mais sustentáveis”, assinala o administrador. Na Curtumes Aveneda, podemos encontrar produtos inovadores e amigos do ambiente, onde se destaca o couro ecológico (biocouro) e os artigos ‘waterproof’. Estas parcerias entre as empresas e os centros de investigação (universidades e centros tecnológicos) são para José Andrade uma maisvalia na medida em que a “empresa é mais reconhecida no mercado, mas também porque nos permite estar na linha da frente em relação ao desenvolvimento de novos processos de fabrico e, consequentemente, na produção de novos artigos”, afirma. O respeito pelo meio ambiente sempre constituiu uma das prioridades da empresa, que, em parceria com o Centro Tecnológico do Calçado e com o INETI (hoje LNEG) e ainda com o apoio do CTIC, projetou, construi e aperfeiçoou uma

ETARI para o tratamento dos seus efluentes. Há mais de 20 anos a acompanhar esta unidade industrial, José Andrade faz um balanço positivo. “Estamos a funcionar bem, temos crescido e os resultados que temos tirado da empresa têm sido integralmente reinvestidos, no sentido de assegurarmos a continuação da estabilidade atual. Estamos já a preparar jovens quadros que serão os futuros responsáveis da empresa, de modo a que esta se possa manter ativa nas próximas gerações, estes são os objetivos e vamos fazer de tudo para que funcione dessa forma. Contribuiremos assim para assegurar a subsistência económica de muitas familias e para, modestamente, ajudarmos a erguer e potenciar o setor industrial deste país cujo objetivo é um verdadeiro desígnio nacional”, finaliza. A Curtumes Aveneda, Lda. tem participado em vários projetos de I&D, de entre os quais se destacam os seguintes: - ENZICO – As enzimas e a inovação na indústria do couro. Principais parceiros: CTIC (Centro Tecnológico da Indústria do Couro), ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto) e Universidade do Minho. - ADVANCED SHOE – Integração de soluções avançadas de materiais e de desenvolvimento de produto em calçado de elevado desempenho. Principais parceiros: várias empresas nacionais, CTCP, PIEP, IPB e Universidade do Minho. - ECONATUR – Integração de tecnologias inovadoras, ecológicas e naturais, no processamento de peles ovinas e bovinas. Principais parceiros: Universidade do Minho, João B. Salgueiro, Lda., CTIC e ISEP. - NEWALK – Materiais, componentes e tecnologia para calçado do futuro. Principais parceiros: várias empresas nacionais, CTIC, CTCP, INESC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto), IPB, Universidade do Porto e ISEP.


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Tendência e Design j.r. fontes A J.R Fontes, localizada em Valongo é uma empresa familiar, especializada no curtimento e acabamento de peles para sapatos. A Revista Negócios Portugal falou com Pedro Fontes, responsável da empresa, que nos explicou um pouco desta dinâmica que dura há mais de 60 anos.

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á mais de 60 anos de atividade, a J.R Fontes é uma empresa familiar, especializada no curtimento e acabamento de peles. Hoje, é Pedro Fontes, a terceira geração da família quem comanda todo o projeto. “A empresa começou no tempo do meu avô, com umas pequenas instalações em Ermesinde, mas por ser tornar numa zona habitacional tivemos de mudar de localização e criar melhores condições de trabalho”, refere. Sem abandonar o concelho que a viu nascer, a J.R Fontes mudou-se para Valongo, onde permanece há seis anos. Pedro Fontes qualifica a localização como “um ponto estratégico”, para quem trabalha com a indústria do calçado, “estamos perto de Felgueiras e S. João da Madeira, onde se encontram os grandes fabricantes de calçado, o nosso principal mercado”, salienta. Focada para as peles de ovinos e caprinos, à J.R Fontes chegam peles de todo o mundo. Cada vez mais ligado à moda, o calçado tornou-se um setor exigente, o que faz com que a qualidade exigida nas peles seja ela também, cada vez maior. “A empresa trabalha de uma forma muito específica. Fazemos duas exposições por ano na LINEAPELLE em Itália, com objetivo de chegar à marca final. Tentamos impor o nosso produto à marca

Pedro fontes Gestor

dos sapatos e não ao fabricante”, refere o responsável. Como a empresa trabalha fundamentalmente com as marcas e apesar de existir em Portugal um número significante de fábricas de sapatos, poucas são as que tem marca própria, o que faz com que 90 por cento da produção da empresa acabe no estrangeiro ou em marcas internacionais do setor. “Fazemos duas coleções anuais e tentamos mostrar os nossos produtos aos modelistas e aos estilistas dessas grandes marcas”, sublinha. Na J.R Fontes, o caminho também passa pela inovação, uma grande aposta da casa. “Estamos sempre atentos aos produtos novos que vão saindo no mercado. Saindo um produto novo há sempre um potencial à volta dele. Mas não esperamos que seja lá de fora, que venha a novidade, tentamos criá-la nós. Temos que seguir as tendências do mercado em termos de cores, mas o artigo tentamos, desenvolvê-lo na nossa própria

fábrica”, garante. Mais do que crescer em termos de produção, Pedro Fontes pretende continuar a dar passos na inovação do produto, no acabamento e no design. “O nosso objetivo não é aumentar a produção. Preferimos melhorar na investigação, fazer artigos novos, mais elaborados, trabalhar mais dentro da moda, do que aquilo que já trabalhamos. O objetivo passa pelo design e por acompanhar a tendência e o mercado”. Apesar do potencial que existe la fora e da pressão do mercado para colocar o produto no exterior, Pedro Fontes não vê na exportação o caminho, “normalmente não exportamos, mas este ano tivemos algumas experiências a esse nível. Exportámos para a Roménia, para a Itália e para o Japão. Existe potencial lá fora, só que não pretendo crescer mais, não tenho objetivos de ser uma empresa grande. O nosso objetivo passa e ser uma empresa bem vista no mercado e penso que o é”, finaliza.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL CURTUMES EM ASCENSÃO

Na Indústria dos Curtumes com Amor e Dedicação ecoleather José Frazão Henriques, pai de Sandra e Rui Henriques, como grande parte dos industriais deste país, tinha apenas a quarta classe quando se aventurou na criação do seu próprio negócio.

sandra henriques Diretora

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edicado aos curtumes desde 1968, o batismo no setor foi feito apenas com a ajuda de dois trabalhadores, num pavilhão alugado, pouco apetrechado em termos de maquinaria. A evolução deu-se naturalmente, com a consciência de que apostar na dinamização tecnológica seria primordial na satisfação das necessidades dos seus clientes. Constituída no ano de 1979 sob a designação José Frazão Henriques e Cª Lda., e alterada em 2003 para Ecoleather - Indústria e Comércio de Curtumes, Unipessoal, Lda, a empresa, fruto da coragem do proprietário em desbravar novos territórios numa região pouco mecanizada na altura, dispõe de uma unidade produtiva munida de modo a responder à volatilidade das exigências do mercado.

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“Da parte dos meus pais, sempre houve vontade que nos formássemos, talvez com o intuito de que lhes pudéssemos seguir as pegadas”, confessa Sandra Henriques, que na companhia do irmão gere esta empresa de raiz familiar. Enquanto Engenharia Química foi a especialidade seguida por Rui Henriques, responsável pela parte comercial da Ecolheather, Sandra cursou Gestão de Empresas. A prática que obteve quando se deparou em primeira mão com a realidade empresarial da casa que viu crescer foi, no entanto, a sua principal escola. “O meu maior desafio quando comecei a trabalhar nesta empresa foi testar as minhas capacidades – testar a minha vontade de trabalho e de amor à empresa. A minha universidade aconteceu realmente aqui. Recebi da parte do meu pai a paixão que ele tinha por isto, que era a família dele. E a partir daí tive de aprender a lidar com o capital humano, o que é muito complicado, e até mais difícil de lidar que o capital financeiro. O meu pai tinha o coração nas mãos mas, infelizmente, hoje em dia, não se pode trabalhar só com o coração, mas com a razão”. De facto, é necessária uma grade capacidade de gestão de afetos e de todas as questões inerentes à sobrevivência e desenvolvimento de uma indústria, quando o setor enfrenta uma linha cronológica composta por altos e baixos. Há 20 anos em campo, a empresária não esconde que quando iniciou a sua carreira profissional a empresa se encontrava numa fase muito complicada. “Cheguei cheia de ideias líricas, como é normal numa jovem de 24 anos. Debati-me com uma situação financeira da empresa muito difícil...”, conta-

nos. A abertura da banca a financiamentos desmedidos no período que ronda a passagem da década de 80 para 90 não tardou a abalar setores como o da indústria do calçado, cujas fragilidades eventualmente se repercutiram na área dos curtumes. A oscilação entre períodos de lucros e prejuízos levou a que os irmãos Henriques se vissem a braços com a imensa tarefa de recuperar o património até então existente, após a entrada em dissolvência da empresa. Foram precisos “muito amor ao trabalho e muita dedicação àquilo que fazemos” na recuperação do legado paterno. Numa indústria que requer injeções de capitais constantes, a empresária lamenta que a Ecoleather não esteja muito capitalizada “em virtude da situação económico-financeira que atravessou nos últimos três anos”. Porém, ainda a regenerar-se, esta empresa dá emprego a cerca de 100 trabalhadores e regista um volume de faturação elevado, que ronda os 30 milhões de euros. Sediada em Monsanto, no concelho de Alcanena, a produção da Ecoleather vocaciona-se, essencialmente, para a indústria do calçado. Com base na personalidade herdada a José Frazão Henriques, esta empresa distingue-se pela relação de amizade que estabelece com os seus clientes, e na postura pouco burocratizada e muito térrea que tem permitido fazer frente às situações mais críticas. A rapidez na capacidade produtiva e os custos competitivos que oferecem são peças igualmente fundamentais no posicionamento da Ecoleather no mercado português.


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artigo de opinião Redigido por Joaquim Jorge, biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

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atal não é todos os dias, é um dia, porém para muitos é um dia especial, mas para outros esforçam-se para que seja mais um dia, absolutamente normal com as limitações de estar tudo fechado na noite de Natal e quase tudo no dia de Natal. A tradição já não é o que era, de reunir a família na véspera e depois prolonga-se pelo dia de Natal até à noite. Para as famílias que se dão bem, caso raro ou mentem, é bom, mas para as famílias que se dão mal é uma seca dos diabos estar-se por obrigação com gente que não se gosta ou já se teve uma questão mal resolvida. Para quem não liga nada ao Natal é complicado sobreviver durante essa noite e dia de Natal, está tudo fechado. Parece que o mundo está todo virado para uma ritual imitacionista e para quem não o faz é mal visto. Por mim preferia nesta data viajar, cear num hotel ou ficar entre quem mais gosto e gosta de mim ou entre amigos que já são poucos mas bons. Esta data para mim é um castigo, todavia para a maioria das pessoas é um prazer e uma festa. Sendo fiel aos

meus princípios de ligar sempre às pessoas e contactálas, nesta data vou procurar ter um comportamento normal e não vou andar a enviar desenfreadamente SMS, e-mails ou telefonar a toda a gente e mais alguém. Os de sempre, podem contar comigo os outros desculpem mas não sou hipócrita. Esta data para mim é um martírio e parece que nunca mais passa. Nunca mais é dia 26 de Dezembro. Acreditem, eu estava bem, era numa praia a gozar o Natal longe deste rebuliço, azáfama e em paz, longe mas feliz. Não me esqueceria dos meus verdadeiros amigos, não era preciso ter grande memória contam-se pelos dedos de uma mão. Este ano talvez pela austeridade porventura não vai custar passar tanto o Natal, menos dinheiro, menos compras e gastos. Hoje em dia perdeu-se a noção do que é a pobreza, mas ela parece que se está a instalar. Mas em relação à pobreza também temos muita gente pobre de espírito e é o que abunda mais em Portugal. No Natal, parece que há um espírito de trégua e as pessoas ficam inundadas de bons sentimentos e bons

desejos para os outros. Desejam Bom Natal com alguma simpatia e benevolência, tudo isto é uma mera convenção e uma falsidade a toda a prova. Não deve haver nenhum país do Mundo em que a representação, hipocrisia e falsidade sejam maiores. Os portugueses são um povo em que se tem a mania de não se admirar nem respeitar ninguém, muito mais se forem portugueses. Movem-se pela insatisfação e ressentimento em vez da felicidade e aprovação, temos um carácter geneticamente invejoso, tenebroso, malicioso, torcido e cruel, lamentavelmente. Qualquer pessoa que se destaque, é logo alvo de ataques furiosos sem nexo e sem razão aparente. Vivemos num país iconoclasta, em que o pior é ser-se notado e capaz, o melhor é não dar nas vistas, ainda mais por uma boa causa. Neste país é-se obrigado a ser-se normal, tutto sommato não se pode pensar ,fazer nada e o melhor é ser-se medíocre.

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL AERONÁUTICA

Especialistas em compósitos Optimal Quando ganhamos consciência de que aquilo que se gasta em combustível durante a vida útil de um avião é bastante superior ao custo do próprio avião e que esse gasto está, obviamente, associado ao peso do próprio aparelho, encontramos um exemplo prático, ainda que redutor, das vantagens e da importância do trabalho desenvolvido pela Optimal Structural Solutions.

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ompreender como o material compósito se comporta para o tornar mais leve e, logo, mais eficiente, mantendo a sua resistência e durabilidade é apenas uma das vertentes do trabalho que se realiza nesta empresa. A Optimal Structural Solutions é uma empresa portuguesa que surgiu há cerca de cinco anos focada no setor aeronáutico e no desenvolvimento de estruturas em materiais compósitos, destinados aos mercados externos. Com a recente expansão deste setor no nosso país, em grande medida motivada pela mais forte presença de entidades com o peso da EMBRAER e a OGMA em território nacional, não tardaram em aparecer oportunidades de trabalhar com operadores nacionais, algo que já vem a acontecer há mais de um ano. Conforme começa por nos explicar António Reis, um dos responsáveis da empresa, “inicialmente a nossa atividade era mais transversal - a Optimal Structural Solutions fazia estruturas compósitas no geral, com uma vertente importante destinada à aeronáutica. Hoje em dia, a Optimal tem uma vertente muito mais direcionada para a aeronáutica, que representa atualmente 80% da nossa atividade. Por isso mesmo, criou-se então um braço da empresa-mãe, a Optimal Aerostrucures que é uma empresa exclusivamente vocacionada para aeronáutica”. Tudo começou com a ideia de desenvolver este tipo de estruturas em Portugal, alavancada na experiência detida pelos sócios nesta área que decidiram, então, avançar “tendo sempre em vista a criação de uma capacidade integrada que fosse desde a engenharia até

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ao componente”, explica. Atualmente, a Optimal realiza toda a vertente da engenharia, e ainda a vertente ferramental, que é aquela que se ocupa da produção das ferramentas para, por sua vez, produzir as componentes, não comportando, para já, o fabrico das peças, propriamente ditas. Mas este promete ser um passo lógico no desenvolvimento da empresa e que está já a ser trabalhado: “só ainda não avançamos para esta fase em virtude da elevada exigência deste mercado e uma vez que ainda não detemos a certificação indispensável à produção dos compósitos. Mas é algo que, como não poderia deixar de ser, está nos nossos horizontes e que pensamos ser possível concretizar brevemente”, garante o nosso interlocutor, acrescentando que “a nossa estratégia passou por irmos criando a capacidade e o conhecimento noutros mercados e, depois, como temos a base de raiz, ir aprimorando esses processos que nos permitirão, mais tarde, trabalhar o setor aeronáutico e fazer componentes para este setor”. O envolvimento recente num projeto de um catamaran de competição, permitiu, precisamente, “validar muitos processos de fabrico internamente e validar a metodologia aplicada, que depois poderemos transpor para as especificidades da aeronáutica”.

Evolução do Setor É evidente o crescimento que a indústria aeronáutica tem vindo a evidenciar nos últimos anos no nosso país. Um crescimento em muito sustentado pela aposta de

grandes nomes mundiais desta área de atividade em novas unidades industriais que, por sua vez, dinamizam todo este setor. António Reis e Manuel Torres, os dois sócios da Optimal são unânimes em reconhecer a importância desta aposta e acreditam mesmo que o futuro desta atividade no nosso país pode ser bastante risonho. “Começaram agora a ser criadas âncoras, cujos principais exemplos são, sem dúvida, a OGMA e as unidades fabris da EMBRAER que possibilitam a indústria aeronáutica crescer. É todo um mar de oportunidades que se abre à indústria e com isso tem havido a criação de várias empresas que fazem movimentar toda este setor, como é óbvio”, reconhecem. Já no que diz respeito à entrada de empresas nacionais nos mercados externos, aqui como em qualquer área, “competir lá fora, nunca é fácil, mas é possível. Este é um mercado de persistência, um mercado de muita paciência no qual a evolução não acontece de um dia para o outro. Leva muito tempo a negociar, muito tempo a credibilizar, muito tempo até alguém se convencer a dar qualquer coisa a uma empresa nova para fazer, este é um processo muito moroso e as empresas têm que estar preparadas para isso. Se estiverem e se conseguirem manter o investimento têm potencial para vingar”. Quanto à Optimal Structural Solutions, e ao seu futuro, o seu crescimento fala por si: tem duplicado a sua atividade todos os anos e a tendência é para aumentar este ritmo, pelo que os seus sócios têm tudo para acreditar que se encontram no caminho certo e que este seu projeto tem… asas para voar!


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Competência máxima na certificação de profissionais Cinel A fazer história na formação de profissionais orientados para os quadros intermédios de cariz tecnológico, o Centro de Formação Profissional da Indústria Eletrónica, Energia, Telecomunicações e Tecnologias da Informação (CINEL), deu um novo grande passo no estreitamento das relações entre as empresas e as entidades formadoras, com a abertura, no início do mês, do primeiro Laboratório de Formação Samsung em Portugal.

conceição matos Diretora

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undado em 1985, o CINEL é uma instituição cuja criação advém do estabelecimento de um protocolo entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP, IP) e a Associação das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico (ANIMEE), que presta serviços de formação e de certificação no âmbito da Eletrónica, Energia, Tecnologias de Informação e Telecomunicações. Trata-se, portanto, de um centro protocolar de gestão participada, que devido à associação com a ANIMEE e com a Associação Industrial Portuguesa, atua numa área de intervenção

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concreta para qual está especialmente vocacionado. Distribuídos por um total de 22 laboratórios (17 na sede, em Lisboa, mais cinco na delegação do Porto), o centro abrange uma média anual de cerca de 2000 formandos, e ministra formação nas áreas da eletrónica, automação, robótica e controlo industrial; domótica; energias renováveis; eletrónica médica, microssoldadura, telecomunicações e redes, CISCO, ITED/ITHUR, fibras óticas e sistemas digitais. Munido de equipamentos com as tecnologias mais modernas e obedecendo aos mais recentes requisitos do mercado, está também

certificado pela APCER, pela ANACOM, pela Microsoft Academic Training Provider, pela CISCO e em domótica em tecnologia KNX (EIB) e em microssoldadura SMD e BGA. Em estreita ligação com o desenvolvimento tecnológico e com a inovação, estes domínios caracterizamse por um grande potencial de integração a nível da empregabilidade. Contrariamente a outros setores, que nesta fase de crise registam uma diminuição de vagas disponíveis para novos funcionários, no contexto das tecnologias o processo dá-se inversamente, chegando


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mesmo a haver um acréscimo. “O mundo evolui por aqui”, assegura Conceição Matos, diretora do CINEL, que acrescenta: “ao fazermos formação nestas áreas garantimos, à partida, que as pessoas melhorem o seu potencial de empregabilidade o que lhes permite, seguramente, uma mais fácil integração no mercado de trabalho”. No centro é desenvolvida formação nas várias modalidades formativas disponíveis no Sistema Nacional de Qualificações, desde a formação de jovens e de adultos até à formação ministrada unicamente tendo em conta as necessidades específicas das empresas a que se dirigem. Todas estas respostas são passíveis de corresponder a cursos de dupla certificação (conferindo equivalência escolar e profissional) ou apenas a uma certificação profissional. Com a aposta numa formação de qualidade, a diretora não hesita em afirmar que “todos os formandos saem bem qualificados, com grandes probabilidades de trabalhar, progredir e seguir carreira profissional nesta área”. Assim sendo, desde 2004, de forma a incutir alguma competitividade nos formandos, é estimulada a participação nos chamados Campeonatos das Profissões, que ocorrem tanto a nível nacional como internacional, e que põem à prova as competências adquiridas. A este

propósito, o CINEL esteve recentemente representado numa competição, WorldSkills, que teve lugar em Leipzig, na Alemanha, no segmento dedicado à automação e robótica. Este incentivo, de acordo com Conceição Matos, é uma componente importante do sistema de formação profissional, sendo que hoje em dia jovens que foram formados pelo centro chegam mesmo a integrar a equipa de jurados em concursos desta natureza. “É um aspeto importante do reconhecimento da nossa capacidade técnica”, ressalva. Para além do mais, esta estratégia fomenta o estabelecimento de parcerias e a troca de conhecimentos e de contactos, que são muito importantes tanto para os concorrentes, como para os formadores e a própria instituição. Ainda na esfera da partilha de competências, “procuramos, através do Programa Leonardo Da Vinci conceder aos nossos formandos a oportunidade de experienciarem a realidade empresarial de outros países, como a Espanha e a Alemanha”. Em contrapartida, nesta lógica de intercâmbio, o centro também acolhe jovens e formadores de outros países. Fruto do casamento entre as empresas e o IEFP, a formação prestada pelo CINEL foca-se na necessidade das mesmas. “Este centro é das empresas e tem que estar vocacionado para as servir”, sublinha a diretora

da instituição, e adianta que “o problema da formação profissional em Portugal é que esta é quase sempre vista como uma segunda opção – como se fosse apenas direcionada para os alunos que abandonam o sistema de ensino”. Isto é algo que, no seu entender, não faz qualquer sentido, principalmente nos dias que correm, em que “um técnico de automação e robótica, por exemplo, pode ser melhor remunerado do que certos quadros superiores”. Tendo em conta “as competências que mobiliza e os conhecimentos especializados no domínio das tecnologias” que estes profissionais detêm, esta desinformação e estigmatização da formação profissional não se justifica, nem faz qualquer sentido. “As empresas precisam de quadros técnicos de nível intermédio que são estratégicos para o seu desempenho e competitividade, precisam de pessoas que saibam concretizar, e essas são formadas pelos centros de formação. Temos de ser capazes de colocar a formação profissional num patamar diferente e mais elevado, onde efetivamente deve estar”. Prova disso, está na procura de formação complementar, de índole prática, por parte formandos já detentores de formação universitária. Apesar dos contornos mais mediáticos da aliança com a Samsung, não é a primeira vez que esta unidade de formação incorpora projetos de envergadura, nesta

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ótica da ligação direta com as empresas. Destacamse as colaborações com a Brisa, com a instalação dos sistemas de Via Verde; com a ANA, nos sistemas de check-in; e na formação dos técnicos responsáveis pela instalação das ligações em fibra ótica da MEO PT. Proximamente, está previsto o estabelecimento de mais algumas parcerias com outras empresas nas áreas da energia e das telecomunicações.

1º Laboratório de formação da Samsung em Portugal No passado dia 5 de dezembro foi inaugurado no CINEL o primeiro laboratório tecnológico da Samsung Internacional em Portugal. Esta estrutura, que vem sublinhar o papel das parcerias tecnológicas enquanto capacitadoras de quadros técnicos, eleva o CINEL enquanto centro de formação apto para qualificar quadros técnicos portugueses em tecnologia Samsung. “Nesta área da eletrónica estamos extraordinariamente bem equipados. Somos um centro dotado de tecnologia de excelência e de referência a nível a nacional, daí que a Samsung tenha sentido confiança no nosso trabalho”, justifica assim, Conceição Matos, a preferência da multinacional coreana. “Os centros de formação só fazem sentido nesta relação de proximidade direta com as empresas”, reconhece. Há, consequentemente, que “conciliar as necessidades do mercado de emprego e as necessidades das empresas e qualificar, neste sentido, quem nos procura. Para tal, têm de ser as empresas a dizer-nos o que

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querem e o que esperam de nós, de modo a que nos possamos adaptar às suas necessidades”. Por outro lado, para que seja providenciada formação específica em áreas tão concretas da tecnologia, as instituições têm de estar atualizadas com os equipamentos mais modernos existentes no mercado, o que faz com que o apoio das empresas impulsionadoras seja determinante. A Samsung, neste caso, equipou o laboratório com toda a tecnologia por si disponibilizada no mercado, incluindo televisores smart Tv, smartphones, tablets, impressoras e computadores. Este acordo entre o CINEL e a marca coreana implica, por sua vez, que todas as pessoas integradas nos percursos formativos de eletrónica venham a receber formação específica em sistema operativo android utilizados nos smartphones, bem como formação em manutenção de smart Tv. Já no âmbito desta colaboração com a Samsung, e da análise dos conteúdos formativos que a empresa pretende que sejam ministrados e desenvolvidos, surgiu a necessidade de criar mais duas unidades de formação, uma dedicada às smart Tv e outra aos smathphones. “Isto significa que foi feita uma proposta junto da Agência Nacional para as Qualificações e Ensino Profissional (ANEQEP) para a integração no Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ) de duas novas unidades formativas”. Isto constitui um bom exemplo que, na perspetiva de Conceição Matos, traduz a lógica de cooperação que deve existir entre as empresas e as entidades formadoras, que devem dar o seu contributo para a atualização dos conteúdos formativos de modo a que estes efetivamente

correspondam às reais necessidades do mercado. Este contributo para a atualização do CNQ traduz-se no facto de, a partir de agora, todas as entidades formadoras do país, poderem incluir nos percursos formativos de eletrónica, formação em smartphones e smart Tv. A conjugação de esforços entre o CINEL, o IEFP e o atual líder do mercado em telemóveis, beneficia a marca e os concessionários, na medida em que os reparadores de equipamento passam a contar com técnicos qualificados, que dominam especificamente essa tecnologia. No contexto do centro, esta aposta reflete-se numa “motivação acrescida, para os formandos e para os formadores. É um momento muito importante para toda a gente. Estamos muito orgulhosos por podermos receber este laboratório”, salienta a diretora. Enquanto os formadores vêm incrementada a possibilidade de desenvolvimento de competências técnicas que o protocolo proporciona, os formandos têm ao seu dispor mais uma ferramenta que lhes permite uma melhor preparação para enfrentarem o mercado de trabalho. Com o arranque agendado para janeiro, primeiro com a formação técnica de formadores que será ministrada pela Samsung, só numa fase posterior será dirigida aos formandos. A cerimónia de abertura do laboratório foi presidida Secretário de Estado do Emprego, Octávio de Oliveira, e contou com a presença do Conselho Diretivo do IEFP e de todos os órgãos sociais do CINEL. Do programa fizeram parte os testemunhos de dois antigos formandos, que enalteceram o impacto do centro de formação na sua vida profissional e pessoal.


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1º LABORATÓRIO DE FORMAÇÃO SAMSUNG EM LISBOA Samsung Já foi inaugurado o primeiro laboratório tecnológico da Samsung Internacional no CINEL - Centro de Formação Profissional da Indústria Eletrónica, Energia, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, em Lisboa.

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novo laboratório irá conferir uma nova dimensão à importância das parcerias tecnológicas como fator crítico de sucesso na capacitação de quadros técnicos, passando assim o CINEL a reunir as condições para formar quadros técnicos portugueses em tecnologia da marca sul-coreana. No novo laboratório estão disponíveis todos os produtos que a marca possuí no mercado a fim de estarem reunidas todas as condições para uma formação técnica de qualidade. A Samsung é líder mundial em telemóveis e a sua tecnologia em dispositivos eletrónicos, como smartphones, tablets, telemóveis, computadores e écrans leds, passa a estar disponível para a formação de técnicos portugueses. A criação do 1º laboratório da marca coreana em Portugal representa um forte investimento por parte da Samsung e traduz bem os valores e princípios do seu compromisso social. Com início em 1985, o CINEL é uma instituição de formação criada por protocolo entre o IEFP e Associação das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico (ANIMEE) que forma e certifica profissionais nos domínios da Eletrónica, Energia, Tecnologias de Informação e Telecomunicações. Com uma média anual de cerca de dois mil formandos, o centro possui 17 laboratórios equipados com a moderna tecnologia e ministra formação nas áreas da automação, robótica e controlo industrial; domótica; energias renováveis; electrónica médica, microsoldadura, telecomunicações e redes, Cisco, ITED/ITHUR, Fibras óticas, sistemas digitais, e está certificado pela APCER, pela ANACOM, pela Microsoft Academic Training Provider, pela CISCO e em Domótica em Tecnologia KNX (EIB) e em Microssoldadura SMD e BGA. A presidir esta abertura esteve o Secretário de Estado do Emprego bem como o vice-presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, Félix Esménio, o presidente da Samsung Internacional, JS KIM e a diretora do Cinel, Conceição Matos.

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artigo de opinião DAR VALOR À ESCOLA PÚBLICA É GARANTIR FUTURO Redigido por Mário Nogueira, professor, secretário-geral da FENPROF

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sistema educativo português, assente numa Escola Pública que continua a garantir, no essencial, uma matriz democrática, tem dado boa conta de si. Quem o confirma são os resultados recentemente divulgados pela OCDE que, contudo, não deixam de apresentar alguns indícios de sinal contrário que não poderão ser descurados. Sobretudo por, a estes sinais, não serem alheias as políticas de ataque cerradíssimo e desinvestimento que, nos últimos dois anos, o governo desenvolveu. A Escola Pública portuguesa, com todas as suas dificuldades, foi quem, ao longo dos anos da democracia, permitiu, entre outros ganhos, democratizar o acesso

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de todos a um ensino de qualidade, quase erradicar o analfabetismo, universalizar a oferta de Educação PréEscolar, garantir o aumento da escolaridade obrigatória para todos, abrir as portas das mesmas escolas a todas as crianças e jovens independentemente das suas diferenças, garantir o acesso de muitos ao ensino superior que, sem escola pública, nunca o teriam conseguido. É esta Escola Pública que, alvo das mais variadas tropelias que fragilizaram muitos os seus alicerces, se vê agora a braços com um ataque fortíssimo por parte de um governo que, como esclarece o designado guião da reforma do Estado, pretende alterar o modelo social da nossa democracia, apontando a privatização como

caminho a seguir também numa área que constitui um bem social, que integra as funções sociais de um Estado Democrático e que a nossa Constituição impõe como responsabilidade do Estado. Assim, transformar a Educação num produto de mercado que, como qualquer outro, se vende e pode comprar, melhor ou pior de acordo com a condição económica das famílias, para além de inconstitucional, constituiria um duro e gravíssimo ataque à democracia e aos portugueses. A sanha destruidora do governo, porém, hoje, é indisfarçável. O Orçamento do Estado para 2014 não engana e basta ver as novas e fortíssimas reduções que


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impõe à Educação, baixando o valor das verbas para cerca de 3% do PIB quando, há apenas 3 anos, rondava os 6%. Com esta nova redução serão inviabilizadas respostas de qualidade que, a todos, deveriam ser garantidas e, com essa realidade negativa, o governo pretende provocar a contestação das famílias para, então de forma justificada, afirmar que, conforme os rankings já indiciavam, a qualidade, a exigência e o acesso ao verdadeiro conhecimento são atributos dos privados e não das escolas estatais (dirá exatamente desta forma). Não é séria esta atuação, mas é deliberada, pois pretende atingir um objetivo concreto: criar condições subjetivas para avançar, então, com as medidas que o guião da reforma do Estado preconiza. Quanto a condições objetivas elas estão criadas. Não por se poder comprovar que as escolas públicas dão más respostas, o próprio guião da reforma do Estado não entra por aí porque nunca provaria isso (aliás, não prova coisa alguma), mas por a privatização da Educação ser objetivo do programa de um governo que jamais teria sido eleito se tivesse informado os portugueses no que os iria meter. Está lá tudo naquele que é, na verdade, é um genuíno guião de desmantelamento da Escola Pública, num quadro mais global que ataca os serviços públicos e as funções sociais que eles servem. É o “chequeensino”, é o “novo ciclo de contratos de associação” e são as chamadas “escolas independentes”. Mas no que não der para privatizar, o governo também aponta um caminho: o da desresponsabilização. Ora atirando para os ombros dos municípios, ora levando as escolas a assumirem verdadeiros “contratos de missão” que dão pelo nome de “contratos de autonomia”. Este reforço do financiamento dos privados (diretamente ou, como sugere o FMI, através de “um sistema de

financiamento simples baseado numa fórmula que vá atrás do estudante”) surge justificado por um enganador princípio, hipocritamente democrático, o da designada liberdade de escolha. Liberdade de quem? Das famílias? Terão liberdade os pais dos meninos dos bairros pobres e socialmente difíceis para matricularem os seus filhos no São João de Brito em Lisboa ou no Rainha Santa em Coimbra? É bem provável que não. Liberdade terão os proprietários dos colégios para rejeitarem esses alunos se os seus pais ousarem informar-se da possibilidade de aí os matricularem. Mas o princípio vale para outro efeito, o do financiamento. Afinal de contas esse princípio, tantas vezes badalado, nada mudará no que respeita aos que frequentam esses colégios de seleção, apenas mudará no que respeita ao seu financiamento que passará a sair diretamente dos bolsos dos contribuintes, ou seja, de cada um de nós. O futuro de Portugal garante-se com uma aposta e um investimento inequívoco na Escola Pública. Outros, que fizeram o contrário, publicam hoje verdadeiros atos de contrição, como acontece com a senhora Diane Ravitch, ex-secretária adjunta de Educação na administração de George Bush, e que nos conta, com conhecimento de causa, que o modelo de mercado ameaça a Educação. É preciso que a Escola Pública mantenha, reforçando, a sua matriz democrática, a começar, desde logo, pela sua gestão e organização interna. É necessário revalorizar os currículos restituindo-lhes a dignidade que a equipa de Nuno Crato lhes tem vindo a retirar. É preciso garantir os recursos humanos necessários ao desenvolvimento de projetos educativos específicos, à realização de atividades que vão para além das escolarizadas, à criação de condições para uma verdadeira e não uma aparente inclusão.

É claro que a Escola Pública portuguesa não passa ao lado da crise financeira e até de valores que atravessa toda a nossa sociedade. Ainda bem que assim é, pois pelas suas portas, abertas que estão a todos, entram os problemas com que a sociedade se confronta. A questão é se a escola está preparada e tem os recursos necessários para lidar com esses problemas – não para os resolver, que disso nunca será capaz – e cada vez vai tendo menos, correndo o risco de ser por eles esmagada. Porém, hoje, o principal problema não é o de haver ou não as condições indispensáveis na Escola Pública para lidar com os problemas sociais que provocam indisciplina, por vezes violência, abandono e insucesso escolares. Houvesse vontade política e as condições seriam criadas, face à constatação de não existirem. O problema maior é mesmo de ordem política: o governo não quer que a Escola Pública se valorize e responda às solicitações e exigências que lhe são colocadas. A opção do governo atual está tomada e clarificada; o modelo pretendido já foi divulgado publicamente no tal guião da reforma do Estado. A “bola” está agora nas mãos dos portugueses. Defender a Escola Pública de qualidade e inclusiva tornou-se imperativo democrático e, quem o assume, não pode continuar numa aparente apatia face ao que está à vista de todos. Unir vozes, juntar vontades e dar um rumo diferente ao futuro é obrigação de quem recusa manter-se num túnel sem luz que se veja. Marchar pela Escola Pública não é obrigação apenas de alguns, mas de todos os que acreditam na democracia, no futuro e em Portugal.

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Atitudes Sustentáveis em Benefício do Planeta

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responsabilidade socioambiental poderá ser entendida como uma política de gestão empregue por empresas públicas e privadas, que se bate por um conjunto de diretivas de âmbito social (Responsabilidade Social) e de preservação do meio ambiente (Responsabilidade Ambiental). De acordo com o Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, o primeiro organismo empresarial internacional edificado em torno da problemática da sustentabilidade, esta conduta pode ser definida pelo “compromisso permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento económico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida dos seus empregados e das suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo”. Os principais contributos desta política, envergada por empresas e escolas, passam pela implementação de estratégias práticas que têm em vista, por exemplo, a inclusão social, a inclusão digital, a coleta seletiva de lixo e a educação ambiental. Concretamente no que diz respeito à Responsabilidade Social, esta é uma prática que se traduz num conjunto de atitudes, individuais ou empresarias, voltadas para o desenvolvimento sustentável do planeta. Estes procedimentos, por sua vez, terão de ter em consideração o crescimento económico ajustado à proteção do meio ambiente, de modo a garantir sustentabilidade, para que as gerações atuais e as gerações futuras possam a continuar a usufruir dos recursos naturais. Numa era de globalização crescente, surgiu a óbvia necessidade de travar o desbaste de recursos naturais levado a cabo pelas empresas em prole da maximização do lucro. A mediatização destas problemáticas obrigou, consequentemente, a uma lavagem de imagem por parte das empresas, que passou por uma mudança de rumo, de modo a que a opinião pública e os consumidores finais pudessem voltar a ganhar confiança no sistema industrial. Na prática, a implementação da Responsabilidade Ambiental Empresarial, abrange atitudes que vão desde a criação e a implantação de um sistema de gestão ambiental na empresa, ao tratamento e reutilização de água no decorrer do processo de produção, à criação de produtos que provoquem o mínimo possível de impacte ambiental. Consequentemente, há que dar prioridade a sistemas de transporte não poluentes, e de promover a sensibilização e a formação dos funcionários, para atuarem de acordo com as normas de Responsabilidade Ambiental praticadas pela entidade empregadora. Os atuais investimentos neste campo são, como podemos verificar, evidentes e refletem preocupações e cuidados que vão para além do que é legalmente imposto.

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Na Busca Contínua de Soluções Ambientalmente Favoráveis Sapec agro Só no decorrer dos últimos anos, o investimento dedicado ao ambiente e segurança pela SAPEC Agro ultrapassou o milhão e meio de milhões de euros. Uma aposta que reforça a conduta de preocupação ambiental envergada desta empresa líder em produtos químicos, situada em Setúbal. A Revista Negócios Portugal esteve à conversa com Carla Góis, diretora do Ambiente e SHST da Sapec Agro.

carla góis Diretora do ambiente e SHST

A SAPEC Agro não esconde que a boa imagem e posição auferidas, tanto no mercado nacional como no internacional, são devedoras, para além da qualidade dos produtos e dos serviços que oferece, a uma forte atuação preventiva no que diz respeito à poluição. Até onde se estendem as vossas preocupações ambientais? Efetivamente as preocupações da SAPEC Agro no domínio ambiental são uma constante e estendemse além do que são as obrigações legais, que já são bastante vastas nestas matérias. A opção da empresa

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de adesão à Certificação Ambiental é uma evidência destas preocupações e traduz-se na subscrição dos requisitos de um referencial internacional (ISO 14001) e na sua validação/certificação por entidade externa reconhecida para o efeito. A Sapec Agro está certificada ambientalmente desde 2005 e neste âmbito é sujeita a auditorias internas e externas com uma periodicidade mínima anual. Um dos grandes desafios na área ambiental é conhecermos bem as nossas atividades e a sua interação com o meio ambiente. Só assim podemos perceber o que é relevante e definir os nossos objetivos

e planos de ação no sentido da minimização dos efeitos dos impactes ambientais da nossa atividade. Tem sido esta a conduta da SAPEC Agro no desenvolvimento de novos projetos: integrar desde logo as preocupações ambientais e providenciar para que os impactes ambientais sejam minimizados. Da extensa lista de serviços e produtos que a SAPEC Agro tem à disposição dos seus clientes, quais são os que requerem um controlo mais apertado para que o impacte ambiental causado


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seja minimizado? Que medidas concretas são postas em prática nesse sentido? No caso específico da SAPEC Agro, que formula e comercializa produtos para a agricultura de uma forma geral, as preocupações ambientais podem surgir em duas vertentes: a do produto propriamente dito e a do fabrico do produto. Relativamente ao produto, e embora toda esta temática esteja envolvida por legislação comunitária e nacional muito apertada, a SAPEC Agro rege-se pela procura constante de soluções ambientalmente mais favoráveis. Neste caso estamos a falar da eficácia dos produtos e de combinações de substâncias ativas que promovem a redução de doses de aplicação e o número de aplicações necessárias para o mesmo efeito. Além destes aspetos também o desenvolvimento ao nível das formas de apresentação dos produtos é uma constante, que pode contribuir para uma redução dos riscos na aplicação, quer em termos ambientais, quer para o próprio aplicador. Na vertente produtiva temos particular atenção aos consumos de água e energia (nas suas várias vertentes) e à produção de resíduos. Outro aspeto no qual recai a nossa máxima atenção são as águas pluviais, dado o nosso enquadramento geográfico, na Reserva Natural do Estuário do Sado. Como medidas de controlo temos, por exemplo: segregação de resíduos na origem, sistemas diversos de contenção de derrames, tratamentos de fim de linha (para efluentes atmosféricos), sistema de lavagem de equipamentos com baixos consumos de água, reutilização de embalagens nos processos produtivos, reutilização de águas da chuva, contadores parciais para controlo de consumos de água nas secções fabris, sensores de iluminação em áreas sociais, iluminação de baixo consumo (projetores de LED), iluminação exterior com recurso a painéis solares, entre outros. Mais do que nunca, a vitalidade do relacionamento

com o cliente assenta na possibilidade de garantir o melhor produto ao menor preço possível. Partindo do princípio que para esta finalidade esteja orientado grande parte do vosso orçamento, de que forma é que as preocupações ambientais se coadunam com a vossa política de gestão? As preocupações ambientais são uma realidade diária e estão espelhadas na Política de Gestão da empresa. A gestão ambiental corrente, bem como os investimentos em projetos ambientais são orçamentados e naturalmente que o custo final dos produtos tem que refletir estes valores. Ainda assim parece-nos que um produto deve ser competitivo não apenas pelo seu valor comercial mas pelo que representa e, num mercado global, em que as preocupações ambientais já fazem parte da vida de um cidadão comum, consideramos que a diferenciação, seja pela inovação, seja pelo respeito do ambiente, também vendem. É com muito gosto que de forma frequente recebemos a visita de clientes onde estes podem ver de perto as nossas instalações e perceber também que a Sapec Agro não é apenas os produtos que vende mas também tudo o que está a montante e contribui diariamente para o fabrico desses produtos. Atualmente, detêm algum apoio que vos permita minorar os custos avultados inerentes à aplicação de políticas ambientais? Não, não temos nenhum apoio nestas áreas. Os sistemas de incentivos a que a SAPEC Agro se candidatou recentemente, com sucesso, estão muito vocacionados para a inovação e investigação e grande parte dos custos associados às preocupações ambientais não são elegíveis nestes tipos de apoios. Quais as maiores dificuldades sentidas em relação à implementação das mesmas? Os custos elevados são de ressalvar, mas não têm sido impedimento à adoção das políticas ambientais que

julgamos mais adequadas. Por vezes temos que nos organizar e fasear os projetos para não inviabilizar a sua execução. Por outro lado, a especificidade da nossa atividade e de grande parte dos produtos que manipulamos traduz-se por vezes numa maior dificuldade na identificação das melhores opções. A consciencialização ambiental é uma prática que se deverá estender à conduta de todos os elementos constituintes de uma empresa. De que forma passam a mensagem aos vossos trabalhadores? Outra das grandes apostas da SAPEC Agro, a par das preocupações ambientais, é o Fator Humano. Há de facto uma grande aposta nas pessoas e na sua formação, não apenas técnica, mas em matérias tão transversais como as políticas ambientais. Há uma preocupação constante da empresa na preparação de ações de formação, informação e sensibilização. Por norma, aposta-se em formações dirigidas e focadas na realidade da empresa e com apelo a ajudas visuais, o que ajuda bastante na interiorização dos conceitos e práticas. Futuramente, que investimentos estão previstos para que os impactes ambientais resultantes da atividade SAPEC Agro sejam ainda mais reduzidos? De momento temos em vias de iniciação a certificação energética pelo referencial internacional (ISO50001). Esta certificação específica na área energética será um complemento à certificação ambiental já existente, que trará certamente melhorias significativas ao nível dos consumos energéticos. Para o futuro, continuaremos a dedicar máxima prioridade e atenção a esta área. Nos últimos 6 anos a Sapec Agro investiu em ambiente e segurança mais de 1,5 milhões de euros. Os investimentos previstos para o futuro são desta ordem de grandeza, ou seja, uma média de mais 200 mil euros por ano.

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Cinco Anos ao Serviço do Tratamento de Resíduos Ecodeal

Inaugurado a 4 de julho de 2008, o CIRVER representa um investimento global de 20 milhões de euros ao serviço da gestão integral de resíduos.

S

ituada no Ecoparque do Relvão, no concelho da Chamusca, a Ecodeal – Gestão Integral de Resíduos Industriais, S.A. trata-se de uma unidade industrial detentora do centro integrado de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos (CIRVER), com a mesma designação. Uma infra-estrutura que reúne as melhores técnicas disponíveis, com vista a poder garantir uma solução específica para cada tipo de resíduo, privilegiando a hierarquia de tratamento de resíduos com soluções que conduzam à reutilização, reciclagem e valorização energética, em detrimento da deposição em aterro. Para a gestão e para o tratamento de resíduos industriais, esta empresa, sob a orientação de Manuel Simões, diretor geral, assegura vários serviços, entre os quais a gestão global de resíduos, o tratamento e a valorização de resíduos, o acondicionamento e a recolha de resíduos no cliente, serviços técnicos de limpeza (derrames, desentupimentos, separadores de hidrocarbonetos e outros), intervenções em situações de emergência ambiental, descontaminação de solos

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(“in-situ” e “ex-situ”), serviços técnicos especializados e gestão de passivos ambientais. Na obtenção de resultados de excelência, a estratégia posiciona-se, como já foi referido, na recorrência às “melhores técnicas disponíveis e à hierarquia de gestão de resíduos, que privilegia a recuperação, a reciclagem e a valorização em detrimento da deposição em aterro, com vista à satisfação das necessidades do cliente e das partes interessadas e assegurando o respeito pela segurança dos colaboradores, da instalação e do Ecoparque onde estamos inseridos”. Nesse sentido, é promovido “um desenvolvimento sustentável, com respeito pelo meio ambiente, privilegiando a reciclagem e a valorização”. Prestes a chegar ao fim, 2013 foi decisivo na consolidação desta unidade industrial, na medida em que este corresponde ao ano em que a mesma passou a prestar serviços fora do país como forma a garantir a sustentabilidade da atividade. Para a concretização da missão da empresa que, de acordo com o diretor geral passa pela sua distinção enquanto unidade de referência no tratamento de

resíduos industriais, torna-se indispensável estabelecer uma relação de “compromisso, seriedade e respeito pelo meio ambiente e por todos os que nos rodeiam: população, clientes, fornecedores e colaboradores”. Concretamente em relação aos clientes, a Ecodeal procura destinar-lhes as melhores soluções que estejam ao seu alcance. Garantida por uma equipa composta por sete profissionais, a gestão comercial da empresa privilegia “a relação de proximidade e a procura de soluções técnico-económicas mais adequadas aos clientes”. No que concerne a Políticas de Qualidade, Ambiente e Segurança, a Ecodeal rege-se por seis princípios gerais de melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão integrada (Compromisso, Inovação, Envolvimento, Comunicação, Versatilidade e Responsabilidade), que derivam “da implementação de uma estratégia que aposta na melhoria contínua e que é periodicamente verificado através da realização de auditorias internas”. A Certificação externa em Sistemas Integrados Qualidade, Ambiente e Segurança nos referenciais


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ISO 9001:2008; ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007 é assegurada pela empresa Lusoaenor. A empresa possui ainda uma Licença Ambiental (L.A. n.º 31/2006), que define a periodicidade de monitorização dos principais impactes da atividade relacionados, como emissões gasosas e a geração de águas residuais. “No que respeita à produção de águas residuais, a Ecodeal possui um sistema de tratamento interno que assegura a reutilização de toda a água produzida na atividade como água de processo”, complementa o nosso interlocutor. Por sua vez, “o principal impacte indireto da atividade encontra-se relacionado com a subcontratação de transportes de resíduos e as correspondentes emissões gasosas por estes emitidas”. A Ecodeal esteve presente, a 18 de setembro deste ano, num evento promovido pela AcademiaVLM, no Aveiro Business Center, onde fez uma apresentação subordinada ao tema “Case-Study A Energia e a Responsabilidade Social no Sector dos Resíduos”. A Ecodeal participou neste evento como um exemplo de uma empresa que se preocupa com o consumo eficiente de energia e que tem levado a cabo a implementação de medidas com vista à melhoria contínua do seu desempenho energético. Embora a

empresa ainda “não se encontre certificada por nenhum referencial em matéria de responsabilidade social, tem uma atuação socialmente responsável optando em igualdade de qualificação por pessoas locais e pela compra preferencial a fornecedores locais e nacionais.” Dimensionada para tratar 200 mil toneladas de resíduos por ano, a instalação, neste momento, apenas recebe 70 mil toneladas da atividade corrente, o que somente representa 35 por cento da capacidade para a qual foi concebida. No sentido de combater este que hoje é tido como um dos maiores entraves ao desempenho da Ecodeal, urge que o Estado exerça fiscalização, sendo que “a ausência de fiscalização faz com que muitos resíduos perigosos estejam a ser encaminhados para destinos menos adequados”. Futuramente, a atuação desta unidade industrial passa por “assegurar a sustentabilidade da instalação, de modo a cumprir com as obrigações para com clientes, acionistas, colaboradores e fornecedores”. A maior aposta do presente foca-se, no entanto, na “sensibilização das autoridades para a necessidade de fiscalização e na sensibilização dos produtores para a correta classificação dos resíduos”.

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artigo de opinião Há alternativa!

Redigido por Arménio Carlos, secretário geral da CGTP

O ano de 2013 foi marcado por uma intensa luta contra uma política que degrada as condições de vida da generalidade da população, empobrece o país e visa impor um modelo através do qual os ricos acumulam cada vez mais riqueza, à custa de privações que atingem a larga maioria dos que vivem e trabalham em Portugal. Ano após ano as famílias são confrontadas com mais e intoleráveis constrangimentos, com o desemprego galopante, a emigração forçada, a perda parcial ou total de rendimentos e o cerceamento de bens e serviços essenciais à dignidade humana. Ano após ano aumenta o número de milionários e a sua fortuna, são distribuídos milhares de milhões de euros em dividendos aos grandes accionistas e o dinheiro dos impostos é desviado para o pagamento de Swaps, PPP’S e juros agiotas, num montante superior a 10.000.000.000 de euros. E todos os anos, é prometido para o seguinte uma melhoria das condições de vida que, para os que trabalham e trabalharam, nunca chega, ao mesmo tempo que as mordomias e privilégios estão sempre

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garantidos para os detentores do grande capital. Uma política desenvolvida pelo Governo PSD/CDS que, em nome dos interesses de uma minoria, destrói o aparelho produtivo, desestrutura o Poder Local, ataca as funções sociais do Estado (Educação, Saúde e Segurança Social) e, com as privatizações, aliena importantes instrumentos para a efectivação de direitos que incubem ao Estado assegurar. Com o Orçamento do Estado para 2014 e a apresentação do “Guião para a Reforma do Estado”, ficam claros os objectivos do Governo. Os sacrifícios que eram apresentados como provisórios, tendem a tornarse definitivos e o modelo de baixo valor acrescentado, assente nos baixos salários, trabalho desqualificado e precário continua a ser a referência de um memorando e de uma política que agride e humilha o povo o e país. Se dúvidas subsistissem, as previsões da CE para Portugal, até 2050, são paradigmáticas: crescimento económico anémico, desemprego estrutural nos 10% até 2025, redução de 17% da população activa e uma “desaceleração” do crescimento dos salários. Se

acrescentarmos que o FMI considera que o memorando da troica “é o início de um processo”, fica clara a intenção de colonização do País por tempo indeterminado. Esta é uma política que hipoteca o presente e nega o futuro às jovens gerações a pretexto da falsa inevitabilidade de que estamos condenados a ser um país pobre e periférico, com uma economia fraca e subjugados politicamente. É uma política que precisa, urgentemente, de ser travada para bem dos portugueses e de Portugal. Em 2014 vamos comemorar os 40 anos do 25 de Abril e do primeiro 1º de Maio em liberdade. Os direitos conquistados com a Revolução de Abril, para os quais Maio deu um impulso incontornável, são hoje, elementos inseparáveis para a saída da crise e enquadram os eixos centrais de um projecto de desenvolvimento que liberte o país da recessão e nos coloque numa rota onde o desenvolvimento social, Humano e económico são uma realidade e não promessas de um futuro inalcançável. A acção da CGTP-IN, que se intensificará em 2014, parte da defesa, efectivação e projecção dos valores


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e conquistas de Abril, para o combate e resposta à política do Governo PSD\CDS, numa mobilização dos trabalhadores e de toda a população tendo em vista o fim da política de direita e das medidas contidas no Memorando da troica, a demissão deste Governo, com a convocação de eleições que perspectivem um presente e um futuro de progresso social e desenvolvimento económico. Uma luta que dá corpo ao protesto e indignação crescentes, mas que é indissociável da apresentação de propostas para uma política alternativa. Neste sentido, a CGTP-IN apresenta 6 eixos centrais para responder aos problemas dos trabalhadores, do povo e do país:

na actividade produtiva, na produção nacional planeada para responder às necessidades do nosso povo e ao desenvolvimento, para promover emprego com direitos, criar riqueza e assegurar a sua justa distribuição, para reduzir as importações e diminuir a dívida.

1. Para que o país cresça é fundamental uma subida dos Salários e do Salário Mínimo Nacional. Esta é uma medida estruturante, não só para dinamizar a procura interna, mas também porque o aumento dos salários e do salário mínimo nacional garante uma melhor repartição dos rendimentos, combate a pobreza e as desigualdades e valoriza as profissões e as carreiras profissionais, permitindo fixar no nosso país toda a força de trabalho, indispensável a um verdadeiro modelo de desenvolvimento.

4. É preciso dinamizar a criação de emprego com direitos e melhorar os salários para reforçar a sustentabilidade financeira da segurança social de forma a alargar a protecção social a todos os desempregados que não auferem prestações de desemprego e aumentar as pensões de reforma valorizando, desta forma, quem trabalhou durante décadas. Não é aceitável, e constitui um brutal retrocesso social a intenção de aumentar a idade da reforma e a penalização do factor de sustentabilidade.

2. É preciso que o défice seja subordinado ao crescimento económico e que se promova o investimento

5. É preciso garantir uma política, alicerçada numa educação, saúde e segurança social universais e

3. É preciso uma verdadeira política fiscal que reduza a carga sobre quem trabalha e trabalhou e vá buscar receitas aos detentores de capital, às transacções financeiras que não pagam impostos, aos dividendos e lucros que estão isentos, à grande fraude e evasão fiscal, concentrada em meia dúzia de grandes grupos económicos.

solidárias, bem como no reforço e defesa dos serviços públicos, enquanto motores de desenvolvimento humano e de coesão social e territorial. 6. Na política alternativa que propomos, reafirmamos ainda a necessidade imperiosa da renegociação da dívida pública, com o apuramento dos montantes e o alargamento do prazo para o seu pagamento, assim como a exigência de que o BCE, que hoje pratica taxas de juro de 0,25% à banca, tenha uma postura idêntica para os Estados. Sabemos que esta é uma luta difícil, que choca com os interesses das centenas que vivem com milhões de euros, e por isso mesmo exige uma participação activa dos milhões de portugueses que vivem com poucas centenas de euros! Sabemos o que está em jogo: são as nossas vidas, as vidas dos nossos filhos e dos nossos netos, o nosso futuro colectivo. O que se está a determinar é que tipo de país vamos deixar – o do cada um por si e da lei do mais forte, ou o da valorização do trabalho e a dignificação dos trabalhadores, da solidariedade inter e intra geracional, da liberdade e da democracia iniciada por Abril. Este é um momento que convoca todos e todas que lutam pelo progresso e justiça social para que tomem nas suas mãos os destinos das suas vidas.

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Uma rede multicultural de resolução de conflitos ilmai A propósito da mediação e arbitragem internacional, falamos com Fernando Tonim, presidente do ILMAI, acerca da aposta deste instituto na formação de quadros capacitados em Meios Extrajudiciais de Resolução de Conflitos nos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s), com o intuito de se criar um melhor ambiente de negócios nestes países.

Começo esta entrevista por lhe perguntar como nasce o ILMAI e qual o seu principal propósito? O ILMAI é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 2010, que tem por objetivo principal desenvolver atividades no âmbito da mediação de conflitos, conciliação e arbitragem internacional no espaço dos países e comunidades de língua portuguesa, promovendo e estabelecendo a interação entre eles, compondo assim, uma rede multicultural nos PALOP (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe), incluindo Timor Leste e Macau. O ILMAI nasce, assim, com o intuito principal de desenvolver e promover os meios de resolução extrajudicial de conflitos, no sentido de colmatar o deficit na formação e capacitação dos recursos humanos nesses países. Com o aprofundamento das ligações sócio económicas no âmbito da formação de quadros em meios extrajudiciais de resolução de conflitos, o ILMAI pretende proporcionar a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento de negócios nos países africanos de língua portuguesa. O vosso objetivo social é também bastante completo. Sim, o nosso objetivo social foca-se em vários aspectos e visam a promoção de uma justiça de paz e de proximidade, como foi o caso do programa que desenvolvemos em Cabo Verde numa iniciativa conjunta com o Ministério da Justiça e o Ministério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos, com o intuito de formar quadros das casas do Direito, de modo a permitir que o cidadão passe a usufruir de um melhor acesso a justiça.

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Têm uma característica muito própria, uma vez que funcionam como uma rede intercultural. É verdade. Um dos grandes objetivos do ILMAI passa por melhorar a interação entre os PALOP no que diz respeito à formação em Meios de Resolução Extrajudicial de Conflitos. É neste âmbito que pretendemos promover a criação de uma rede intercultural a operar no espaço lusófono através de um Centro de Mediação e Arbitragem de Língua Portuguesa. A nossa preocupação específica quanto a este aspeto é a de proporcionar e estimular a utilização das ferramentas da mediação e arbitragem e os diversos serviços tendentes à resolução extrajudicial de conflitos. Pretendemos, assim, oferecer apoio às várias entidades locais públicas e privadas na formação de mediadores de conflitos e árbitros, prestando apoio e contribuindo para a conceção, implantação, gestão e monitorização de todo o tipo de intervenções e iniciativas. Para nós, a constante aprendizagem e adequação às necessidades são fulcrais, pelo que apoiamos e investimos na consultoria, formação e investigação da cultura e dos costumes de cada país de língua portuguesa de forma a encontrarmos a melhor resposta às suas necessidades. Geo-estrategicamente, num espaço que tem a mesma língua em comum, cada vez mais se impõe a necessidade de nos agruparmos em rede neste mundo global e competitivo, permitindo estes instrumentos que as economias dos países se tornem mais . Falemos um pouco da formação que disponibilizam. Organizamos cursos de formação e capacitação, presenciais e à distância, com vista a incutir, ao nível da preparação dos recursos humanos, a utilização deste tipo de ferramentas aplicáveis ao nível da gestão de conflitos interpessoais, e nas organizações de uma forma transversal. Através das várias iniciativas de formação que proporcionamos, da nossa experiência e conhecimento da realidade lusófona e dos formadores, altamente qualificados, esperamos contribuir para a educação e formação técnico-profissional junto de todos aqueles ou de todas as entidades interessadas em gerir de forma adequada, célere e eficaz os seus conflitos, sociais e organizacionais.

O ILMAI reconhece, assim, a relevância do papel dos recursos humanos e o impacto que a sua maior e melhor qualificação e preparação tem para a melhoria da competitividade e produtividade das instituições públicas e privadas dos países da CPLP. É essa a nossa grande missão - contribuir para a preparação e, consequente, valorização e reforço de uma nova classe de profissionais técnicos, a fim de tornar possível e efetiva a implementação da moderna cultura de mediação e arbitragem como meio complementar e auxiliar aos métodos apresentados pela justiça tradicional. Quais as principais vantagens que existem na mediação de conflitos? A mediação pode ser definida como um processo interativo e voluntário através do qual uma terceira pessoa imparcial – o mediador – tenta, através da concessão entre as partes, confrontar os pontos de vista destas para procurar uma solução para o litígio. Tal como na conciliação, o mediador apoia simplesmente as partes na procura de uma solução que satisfaça os interesses respetivos. O mediador não dispõe de nenhum poder para acabar com o diferendo ou impor uma decisão às partes. São as partes que definem a melhor resolução da disputa por meio de um acordo Assim sendo, a mediação de conflitos é um meio flexível e informal que tem como principais vantagens a redução do tempo médio de resolução do conflito e dos custos que lhe são inerentes. Permite ainda que os participantes controlem os procedimentos, desde o início até ao fim, uma vez que a decisão de iniciar ou pôr fim à mediação está sempre nas suas mãos. É um método que permite manter a confidencialidade do conflito e, em termos pessoais e relacionais, possibilita a efectiva reparação pessoal, uma vez que são as partes que criam responsavelmente a solução para o problema. * Leia esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com


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SAPEC GROUP AGRO BUSINESS UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

EC GROU AP

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O B U SINES

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Beyond Nature

Revista Business Portugal | Janeiro '14  
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