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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL TEMA

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial

Do outro lado da notícia

FICHA TÉCNICA Diretor Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira (diana.ferreira@revistanegociosportugal.com)

REDAÇÃO Ariana Ferreira (ariana.ferreira@revistanegociosportugal.com) Catarina Carvalho (catarina.carvalho@revistanegociosportugal.com Cátia Fernandes (catia.fernandes@revistanegociosportugal.com) Andreia Lobo Balolas Carvalho Sara Freixo (redaccao@revistanegociosportugal.com)

Por Diana Ferreira

Se, regra geral, os jornais e os programas informativos nos chegam todas as manhãs com notícias um tanto ou quanto negativas, seja na área da economia, da sociedade, da criminalidade e até do desporto, há outras manhãs em que os noticiários são uma lufada de ar fresco e fazem acreditar num dia melhor (mais que não seja, aquele dia em que uma notícia em particular nos trará um sorriso ao rosto por algumas horas). Por aqui temos a particularidade de retratar apenas casos de sucesso, em todas as temáticas que abordamos. A verdade é que somos uns privilegiados por visitarmos e conhecermos os maiores e melhores projectos portugueses. E a cada uma destas visitas sentimo-nos, uma vez mais, privilegiados por nos ser dado a conhecer os locais onde as ideias nascem e se desenvolvem. Além disso, somos também uns privilegiados por podermos presenciar em primeira mão algumas das inovações mais peculiares e carismáticas dos últimos tempos. No fim de um dia de trabalho, chegamos a casa com o sentimento de dever cumprido, o dever de lhe mostrar tudo aquilo que evidenciámos, tudo o que aprendemos com aqueles que se querem dar a conhecer e chegar até si. Bem vistas as coisas, esta é a vantagem de se trabalhar do “outro lado da notícia”, e isso é, sem dúvida um privilégio…. E a verdade é que temos todo o gosto em partilhá-lo consigo. Diana Ferreira não segue o novo acordo ortográfico

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues (tiago.rodrigues@revistanegociosportugal.com)

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistanegociosportugal.com)

edição de fevereiro

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão Luís Silva Manuel Fernando Nuno Ferraria Paulo Padilha Pedro Paninho Sofia Silva (publicidade@revistanegociosportugal.com)

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistanegociosportugal.com)

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral) Tlf: 224 109 098 (Redação)

DISTRIBUIÇÃO

04- município da Póvoa de varzim INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO 10 - Banco BIC 16 - Risco Singular 18 - Curtumes Aveneda

MUNICÍPIOS

32 - Município de Torres Vedras 34 - Município de Sever do Vouga 36 - Município de Albergaria

TECNOLOGIA

42 - Centro Hércules

EMPREENDEDORISMO 54 - SDEA 56 - SAGE

IGREJAS EVANGÉLICAS 62 - ICMAV

Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Edição de fevereiro

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL PÓVOA DE VARZIM E A ECONOMIA DO MAR

Onde o Mar é Cúmplice da Terra Município da Póvoa de Varzim Terra de mar e terra de pescadores, a Póvoa de Varzim vive numa estreita ligação com o oceano, fonte primordial de dinamismo e sustento. Situada numa planície costeira arenosa a sul do Cabo de Santo André, a sua história faz-se em correlação com o mar, tal como as suas duas maiores tradições: a pesca e a agricultura.

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or incrível que possa parecer, a Póvoa sempre teve uma grande tradição agrícola”. Um facto que poderá ser entendido com alguma estranheza pelos desconhecedores ou pela falsa noção de que esta se trata de uma atividade pouco praticada nas regiões costeiras, cuja propensão será para que o seu desenvolvimento se faça quase exclusivamente em função direta do mar. Porém, conforme esclarece Aires Pereira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, a tradição agrícola da cidade funciona justamente em cumplicidade com aquele que é, inegavelmente, o maior recurso da região. Forma de agricultura única no mundo, que consiste em fazer uma cova larga e retangular nas dunas, as masseiras tradicionais da Póvoa levam a que ainda hoje grande parte da população faça a adubação das próprias terras com matérias provenientes do mar como os sargaços e o pilado. É graças à utilização deste mecanismo de fertilização natural que se diz que “os hortícolas da Póvoa de Varzim são muito especiais”. Numa visão algo romantizada, o mar, entidade que impõe um misto de respeito e admiração, que traz alegria aos veraneantes e rouba a vida dos pescadores, espalha-se pelo edifício da Câmara Municipal ao

Aires Pereira Presidente do Município da Póvoa de Varzim

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longo das muitas obras de arte que se espalham pelas paredes, num reconhecimento evidente da sua grandiosidade. Não é por acaso que o mar é o enfoque da estratégia levada a cabo do município. “Uma estratégia, desde logo, de reforço da atividade do setor primário, nomeadamente nas questões que se prendem com a gestão da própria atividade piscatória e com o melhoramento das condições de acesso ao porto.” Há quase um mês, que devido à forte agitação das águas, a barra marítima da Póvoa de Varzim se encontra fechada, inibindo assim os pescadores de se lançarem ao mar e de poderem trabalhar. A solução provisória, que consiste na deslocação dos pescadores até outras barras que se encontrem abertas, como por exemplo a da Figueira da Foz, acarreta variados problemas de logística que se prendem com o transporte dos materiais, e torna-se demasiado dispendiosa. A este respeito, Aires Pereira afirma ser, na sua opinião, inconcebível que a gestão da área portuária a norte seja feita por uma instituição localizada em Peso da Régua. Porém, com a alteração da lei, essa gestão, da antiga responsabilidade do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, passará a ser tutelada pela antiga Docapesca, uma mudança que deixa o presidente mais esperançado relativamente


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a esta questão. “Esperemos que isso se traduza numa aposta efetiva na melhoria das condições de exploração do porto, que são condições de exploração ligadas à pesca, que para nós é fundamental. Um país que tem a maior área exclusiva de mar sobre domínio português importa 70% do peixe que come... Há aqui qualquer coisa que não está bem. Cabe ao Estado e às autarquias criarem, de alguma forma, condições para que se volte a explorar o mar por forma a ser um ativo na nossa economia”, ressalva o presidente. A melhoria das condições de trabalho dos pescadores trata-se, aliás, de uma das problemáticas face à qual a Câmara tem feito por exercer maior pressão, nomeadamente em conversações com Manuel Pinto de Abreu, Secretário de Estado do Mar. “Está prometido para que neste verão se faça uma dragagem de fundo que permita colocar o porto de pesca da Póvoa de Varzim nas condições para a qual foi dimensionado e com cotas de acordo com o projeto do porto de pesca da Póvoa”, garante o autarca. A implementação de medidas concretas por parte das entidades competentes é hoje uma urgência, no sentido de que “se for ali ao nosso porto de pesca vai ver que só lá tem quatro ou cinco embarcações, quando estão sediadas e registadas mais de 400 embarcações. As embarcações não estão aqui porque o porto não oferece condições para que as pessoas todos os dias possam programar a sua vida. Acontece muitas vezes que os barcos saem depois já não podem regressar, porque as condições da barra não o permitem”, o que traz, consequentemente, dificuldades sobre o ponto de vista daquilo que é a gestão do próprio pescado, sendo que “a nossa Docapesca está semanas e semanas sem vender um quilo de peixe, porque não o tem”. Todas estas implicações repercutem-se numa mais recente área de exploração, que é a atividade da náutica

de recreio. A Póvoa de Varzim é atualmente detentora de uma marina, gerida pelo Clube Naval Povoense, que tem a maior área de estacionamento em seco de embarcações. Uma alternativa mais barata à manutenção de um barco no mediterrâneo, e que leva a que a infraestrutura se encontre preenchida com embarcações europeias, provenientes, por exemplo, da Dinamarca e da Noruega. Contudo, a marina atravessa hoje grandes dificuldades, uma vez que as embarcações já não têm acesso ao travel lift – mecanismo que permite que estas sejam pousadas em seco. “Tudo isto tem a ver com a falta de cota na entrada da barra e com o assoreamento que hoje a barra coloca”, lamenta, uma vez mais, Aires Pereira. Outro recurso de extrema importância neste vínculo entre o concelho e o mar trata-se da exploração das praias. Um activo de valor, uma vez que a costa da Póvoa de Varzim está coberta com bandeiras azuis, “com as implicações que isto tem sob o ponto de vista da qualidade dos esgotos e do abastecimento de água, e das água fluviais que são descarregadas”. Preocupações que não podem, de forma alguma, ser negligenciadas, dado o estímulo dado à economia pelos três meses do período estival em que as praias recebem entre 150 a 200 mil pessoas. Consciente da sazonalidade desta dinâmica, o autarca volta a ressalvar a dimensão do problema da barra marítima. “A areia que se continua a tirar todos os anos das barras, e como o local onde se estão a depositar essas areias já depois da plataforma continental se encontra a mais de 500 metros da costa, faz com que não haja recarregamento das praias com os inertes que podiam ser aproveitados para isso. Os rios hoje já não transportam a quantidade de inertes que transportavam no passado, e que de alguma forma repunham a areia das nossas costas. O que está a acontecer actualmente na nossa zona, e que

se estende também a Vila do Conde, é uma alteração significativa na morfologia das nossas praias. Algumas há que praticamente já não têm areia, porque esta vai sendo arrastada pelas correntes e não é reposta. Estamos a criar um ciclo vicioso e depois, ao dragarmos a barra, vamos colocar essa areia num sítio onde a mesma já não tem hipótese de regressar à plataforma continental”. Um cenário preocupante que, como considera Aires Pereira, implica uma gestão capaz de equilibrar todos os mencionados setores ligados ao mar, uma vez que todos dependem uns dos outros. “O próprio pescador está dependente da atividade turística do nosso concelho, porque quanto mais atividade turística houver, mais procura de peixe há e maior valor acrescentado este passa a ter”, explica-nos. “Se não tivermos estas interligações entre todas estas atividades corremos sempre o risco de ficarmos muito condicionados apenas pela exploração das pescas.” Parte da gestão do porto de pesca é feita hoje também pelo município. A este se devem as obras de requalificação do mesmo, bem como as obras executadas na marina. De acordo com o presidente, todos estes investimentos municipais estão a ser postos em causa por não haver, atualmente, “uma gestão adequada do porto”. Correspondente a uma área considerável, o espaço portuário deveria, no entender do presidente, ser aproveitado para outro tipo de eventos e atividades, que só trariam benefícios à população. Não se compreende, portanto, que este seja um espaço estruturalmente dissociado da cidade. “As áreas portuárias são áreas onde não se aplicam os planos de ordenamento da orla costeira. Onde a autarquia não tem uma intervenção direta. Esperemos agora que com esta alteração legislativa isto se consiga resolver”, acrescenta. No seu entender, as consciências deverão ser alertadas para este recurso, e para “a

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atividade piscatória propriamente dita e tudo o que lhe está a jusante e que tem a ver com a gestão e com a integração do porto na vida da cidade”.

De mãos atadas “Temos um plano estratégico de turismo que fizemos há uns anos e a fileira do mar, que vai desde a restauração a esta integração com a área agrícola, é para nós um dos sectores chave do nosso desenvolvimento”. Na Póvoa de Varzim, a relação com o mar não é circunstancial, mas sim o modo de vida da cidade e dos seus cidadãos, e que engloba ainda “as pessoas que nos visitam”. Assim sendo, é para o presidente do município “um objectivo estratégico muito importante que esta área faça parte do nosso desenvolvimento e não viva, embora dentro da cidade, de costas voltadas para a cidade”. Porém, infelizmente, a autarquia não se encontra dotada de autonomia suficiente que lhe permita uma intervenção mais directa nestas matérias. Portanto, “nós somos uma voz no sentido de chamar a atenção para este tipo de actividade”. Apesar da Câmara Municipal se encontrar de mãos

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atadas para levar a cabo as grandes mudanças que considera fundamentais, são da sua responsabilidade grandes investimentos e alguma substituição, quando possível, nos afazeres da administração central, na resolução de todos os problemas inerentes à destruição provocada pelas mais recentes intempéries climatéricas. “Actuamos também em relação à segurança dos nossos pescadores”. Criada conjuntamente pelos municípios da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde, que durante muito tempo sustentaram o projecto, a Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar, tem como objectivo desenvolver medidas que visam o esclarecimento e a segurança de todos os trabalhadores dos mais variados sectores relaccionados com o mar. Em suma, a referida pressão exercida pela câmara é executada, na sua maioria, pelo alerta feito às “entidades que têm efectivamente responsabilidades nesta área, para que nos ouçam e entendam que somos um parceiro que não pode ser de maneira alguma posto de lado nesta questão, que é a nossa relação com o mar e a aposta no mar”. Apesar dos “muito defeitos” e da margem circunscrita de atuação das autarquias, Aires Pereira compreende que a mais valia destas instituições

se prende com o facto das mesmas “terem rosto” e de, por conseguinte, ser a estas que a população se dirige para tratar dos seus assuntos. Desta feita, considera que “seria muito mais fácil centralizarmo-nos aqui através de um gabinete onde todas essas entidades pudessem convergir e tomarem as suas decisões”. A questão da passagem da jurisdição das áreas portuárias para as autarquias tem feito parte do debate actual e é uma das principais lutas envergadas pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Ao seu presidente não restam dúvidas: “as autarquias teriam uma apetência e uma relação de proximidade muito maiores para poderem fazer uma melhor gestão destas áreas. Acredito que assim estas tornar-se-iam muito mais competitivas. Entretanto, limitamo-nos a ser uma espécie de intermediário quem tem de interceder face a quem tem a tutela”. Na opinião deste autarca, o futuro da Póvoa de Varzim terá de passar forçosamente pelo maior estreitamento desta relação com o mar, numa óptica de “exploração efectiva da área portuária e na melhoria das condições de acesso do próprio porto”, porque só assim se poderão cimentar todas as outras actividades que lhe estão ligadas, como o turismo e o próprio comércio.


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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

Inovar e Internacionalizar

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uem não inova desaparece. Esta é máxima que Portugal tenta seguir para a sua internacionalização e por conseguinte conquistar a afirmação e recuperação da situação económica. As tecnologias de informação, dos serviços e da saúde surgem à cabeça, mas há muitas outra áreas em Portugal com bastante potencial de inovação e que podem contribuir para que Portugal seja competitivo no futuro que se deseja urgentemente próximo. Portugal aparece como líder dos países inovadores moderados, à frente de concorrentes como a Espanha e a própria Itália. E a tendência é para crescer mais, reforçando o contributo para a internacionalização do país e, por conseguinte, para a recuperação económica. As áreas de tecnologia de informação e dos serviços, dos processos industriais e da saúde são, de acordo com a análise do Espírito Santo Research, Innovation Union Scoreboard, editado pela Comissão Europeia, as que mais se destacam. Mas muitos outros setores estão também a apostar forte na inovação. E a ganhar prémios, nomeadamente a saúde dentária, a indústria alimentar (dos ovos às frutas, em ambos os casos, para aplicações industriais, passando pelo vinho), equipamento e outras aplicações para veículos de duas rodas, equipamento escolar, novas utilizações para derivados de madeira e tintas. E até em indústrias consideradas tradicionais, como o vestuário e o calçado. Fonte: Diário Económico

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Investimos Juntos, Crescemos Juntos Banco bic Do BIC Angola veio o lema, do CEO do BIC Portugal, Luís Mira Amaral, as palavras que lhe dão ainda mais força. Em entrevista à revista Negócios Portugal, Luís Mira Amaral explica o papel que o banco tem assumido no reforço das ligações entre Portugal e Angola, e do passado e futuro deste banco.

Luís mira amaral CEO

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O Banco BIC assume hoje um papel importante no reforço das ligações entre Portugal e Angola. Explique um pouco como tudo começou? O Banco BIC é mais uma das instituições que está a trabalhar no reforço das ligações entre Portugal e Angola. Eu quero chamar a atenção para a história do Banco BIC Português, como é que isto começou. Em 2005 arrancou o Banco BIC Angola. Dois empresários, um português, Américo Amorim, e outro angolano, Isabel dos Santos convidaram o doutor Fernando Teles que tinha criado em 1992 um grande banco em Angola, o Banco do Fomento, do grupo BPI, para criar um novo banco e assim começou o Banco BIC em Angola, em 2005. Rapidamente este banco se tornou numa história de sucesso em Angola, até porque o doutor Fernando Teles já tinha grande experiência do mercado angolano por ter criado o Banco do Fomento e por isso e aproveitou essa experiência para fazer outro grande banco. Em 2008, os meus acionistas pensaram que se já tinham um grande banco em Angola que tinha que competir com bancos no mercado angolano que estavam ligados a bancos portugueses eles também tinham necessidade de ter um banco em Portugal. Em 2008 formaram então o Banco BIC Português para terem no fundo também em Portugal um banco que pudesse trabalhar em conjunto com o Banco BIC Angola no reforço das ligações entre Portugal e Angola. Na altura, quando surgiu o Banco BIC Português, surgiu como um pequeno banco apenas como banca de empresas, banco correspondente de bancos angolanos preferencialmente do BIC Angola e como private banking para clientes angolanos que quisessem gerir patrimónios financeiros aqui em Portugal e na Europa. Depois surgiu a oportunidade de comprar o BPN e com essa compra passamos a ter acesso a uma rede de retalho que não tínhamos até ai. Hoje somos um banco em Portugal que temos um negócio de particulares e pequenos negócios com a rede que o BPN nos proporcionou, temos o negócio

para grandes empresas que já vinha do pequeno BIC fundado em 2008, temos o negócio de private banking que já vinha dessa altura também e temos o negócio de banco correspondente de bancos angolanos, do nosso irmão gémeo Banco BIC Angola. Os meus acionistas têm neste momento dois grandes bancos, um em Angola e outro em Portugal. Ao mesmo tempo avançaram para Cabo Verde comprando BPN-IFI Cabo Verde que transformaram em Banco BIC Cabo-Verde IFI e fizeram o contrato de promessa compra e venda ao governo português do BPN Brasil. Por isso vamos ter também um banco no Brasil, através da compra do BPN Brasil. Portanto os meus acionistas, neste momento, com este conjunto de operações bancárias em Portugal, em Angola, em Cabo-Verde e no Brasil pretendem ter bancos que atuem neste espaço lusófono, que sejam bancos de direito local como é o caso do Banco BIC em Angola e do Banco BIC em Portugal que são bancos que fazem tudo o que os outros bancos fazem mas ao mesmo tempo que contribuiam para o reforço das ligações entre os nossos países. Por esta razão é que nós desde o primeiro minuto trabalhamos em conjunto com o Banco BIC em Angola para o reforço destas ligações. De que forma é feito esse reforço? Nós apoiamos aqui, financiando as exportações portuguesas para Angola e é-nos fácil porque o BIC em Angola é um excelente centro de informação e, por isso, quando estamos a apoiar um exportador português para Angola nós temos consciência de quem são os clientes angolanos, como é que eles se se comportam no mercado angolano. Com a informação do Banco BIC em Angola está mais tranquilo o financiamento das exportações portuguesas para Angola. A partir do momento que vamos ter o BPN Brasil, como compreende queremos ter aqui o triângulo virtuoso Portugal – Angola – Brasil intermediando negócios

entre os três países. Depois é importante chamar a atenção que quando há um investidor português que quer investir em Angola o financiamento não vai ser feito aqui, vai ser feito pelo BIC Angola. E porquê? As regras do Banco de Portugal implicam que quando se faz um financiamento para um país que não seja da OCDE tem que se lhe impor um prémio de risco de 10 por cento, o que torna a taxa de juro proibitiva. O que nós fazemos a um empresário português que queira investir em Angola é aconselhá-lo aqui, orientá-lo na elaboração do dossier, mas depois o financiamento em Angola tem que ser feito pelo BIC Angola. Nós aqui financiamos as exportações portuguesas para Angola mas depois o investimento português feito em Angola, deve lá ser feito pelo BIC Angolano. É assim que nós trabalhamos. Depois acontece às vezes que há empresas portuguesas que têm ativos em Angola e que estão num processo de transferências de dinheiros de Angola para Portugal e há naturais atrasos nas autorizações do Banco Nacional de Angola (BNA), nestes casos o BIC Angola dá-nos uma garantia, cativando ou penhorando esses depósitos que as empresas portuguesas lá têm em Angola, e na base disso nós financiamos aqui empresas portuguesas com a garantia do BIC Angola. O que é que estamos a fazer com isto? Com isto antecipamos recebimentos de empresas portuguesas que vão receber de Angola. Quando o BIC Angola tem consciência que essas empresas vão ter autorização de transferência, nós financiamos aqui as empresas portuguesas. No fundo, adiantamos-lhe o dinheiro que elas vão receber de Angola. Temos apoiado o setor da construção civil e devo dizer que há muitas empresas deste setor que estamos a financiar em Portugal porque o Banco BIC em Angola nos dá garantias. É assim que temos funcionado e temos ajudado muitas empresas. Depois, relativamente a estas exportações portuguesas para Angola, possolhe dizer que normalmente o Banco BIC Angola recebe o dinheiro das exportações e transfere para o BIC

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Portugal e nós pagamos aqui às empresas portuguesas. Antigamente quando tínhamos um Banco BIC Português pequeno acontecia que a transferência até caia aqui no BIC Português mas como nós não tínhamos agências espalhadas por todo o país, as empresas imediatamente levantavam o dinheiro e iam pô-lo em outros bancos que estavam mais próximos de si. A partir do momento que temos uma rede de retalho que cobre todo o país, obviamente que estamos em condições de prestar um serviço a essas empresas e portanto o dinheiro fica cá mais tempo dentro do Banco BIC Português. É assim que estamos a funcionar. Que conselhos dá às empresas portuguesas que querem investir no mercado angolano? Primeiro aconselho que vão lá passar uma semana ou quinze dias para perceber a realidade local porque os custos de operação e logísticos são muitos superiores

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em Angola do que em Portugal. As empresas têm que saber e ter consciência que as dificuldades logísticas e de operação que têm em Angola são superiores às que têm em Portugal. Depois chamar-lhes a atenção que há que ter cuidado com os parceiros que escolhem e nessa perspetiva o doutor Fernando Teles está sempre disponível para receber os empresários portugueses quer em Angola quer em Portugal, e vem cá todos os meses. Aconselho sempre a estes empresários que querem investir em Angola a terem antes uma conversa com o doutor Fernando Teles que conhece bem Angola e lhes pode dar informação útil. Há formalidades que não somos nós a resolver mas nós podemos reduzir a incerteza ou a falta de informação pondo à disposição dos empresários portugueses, a experiência do BIC Angola e o conhecimento fabuloso que o doutor Fernando Teles tem do mercado Angolano.

É nesta perspetiva que vai também atuar o banco no Brasil? Também porque nós temos consciência que há muitos empresários brasileiros interessados em Angola, portanto a partir do momento em que tenhamos um banco no Brasil obviamente que esse banco pode fazer pelos empresários brasileiros aquilo que nós aqui fazemos pelos empresários portugueses que vão para Angola. E mais. Há brasileiros que querem investir em Angola e que podem querer fazê-lo em parceria com portugueses. Nesse sentido, o Banco no Brasil pode entrar em colaboração connosco para ajudar essa presença em Angola. Estamos a falar nesta relação mais até no sentido de Portugal Angola mas no sentido Angola Portugal o registo é o mesmo? Nós já temos apoiado muitas vezes empresários


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angolanos aqui e a lógica é a mesma. Eles se estiverem ativos em Angola, nós podemos financiá-los aqui na base das garantias do BIC Angola. Temos também no nosso private banking a gestão de patrimónios de empresários angolanos. Agora é preciso perceber também que o estágio de desenvolvimento das economias angolanas e portuguesa é diferente. O que é que aconteceu? Quem de Angola investia em Portugal era ou uma empresa como a Sonangol que investiu na Galp que é o seu negócio natural ou investiu no BCP e aí atuou como fundo soberano do governo angolano e depois quem investia também cá há uns anos eram os cidadãos angolanos que queriam ter cá uma casa ou para passar férias ou para ter os filhos a estudar ou ainda para efeitos de rendimento. Só agora é que Angola começou a ter grupos económicos privados e começamos a sentir alguns grupos angolanos a comprar empresas no setor da indústria, a ter interesses pelas empresas de comunicação social e media portugueses e a tomar participação e a comparar empresas de construção civil. A partir do momento que Angola começa a ter uma classe empresarial privada, começa agora a haver naturalmente investimentos angolanos quer na indústria, quer na construção civil, quer na comunicação social. O banco tem intermediado muito essas operações e tem financiado algumas dessas operações.

2013? Nós tivemos uma oportunidade que foi comprar o BPN que estava à venda para quem quisesse comprar. A única proposta credível que houve foi a nossa. Nós herdamos todo o BPN que perdia um pouco mais de um milhão de euros/mês. Isso significa que o BPN que nós herdamos perderia por ano à volta de 13 milhões de euros. Portanto, em 2012, o BPN perdeu cerca desse valor, o pequeno Banco BIC Português tinha ganho cinco milhões, o que significa que nós fechamos o ano com um resultado negativo de oito milhões de euros. Este ano, 2013, conseguimos chegar em outubro ao “breakeven”, herdando esta estrutura altamente deficitária. Fechamos o ano de 2013 com resultados que ainda não estão auditados mas que andaram à volta dos 2,5 milhões de euros positivos. Nós só esperávamos chegar ao “break-even” em 2014 mas conseguimos antecipar e, portanto, deixamos de ter resultados negativos. Este resultado conseguiu-se devido a um aumento significativo do volume de negócios em que praticamente duplicamos os depósitos que angariávamos e quase

duplicamos o crédito concedido. Aumentamos em quase duas vezes o nosso volume de negócios. Em um ano e meio conseguimos recuperar uma estrutura que estava totalmente desmotivada, inerte, parada no tempo que era a estrutura do BPN. O lema do banco é “Investimos juntos, Crescemos juntos”. O que há por trás desta mensagem? O lema veio de Angola, importamo-lo de lá porque achamos que é extremamente feliz. Quer dizer que o negócio só é bom quando é para as duas partes. E, por isso, se apoiarmos bem os nossos clientes, se tivermos clientes de qualidade, nós crescemos juntos, o banco e os clientes. De facto, ultrapassado o “break-even”, nós queremos a médio prazo vir a dar resultados bastante significativos. Para já, fechamos o ano de 2013 com um resultado positivo que já foi muito bom pelas razões que citei anteriormente. Queremos crescer mas para crescer precisamos dos nossos clientes, e que eles cresçam também.

É na sua opinião importante que as empresas portuguesas passem da fase de exportar para a fase de investirem numa presença física no mercado Angolano? Só uma atitude de exportar para Angola hoje não chega porque o Governo Angolano vai aumentar as taxas alfandegárias no sentido de desincentivar as importações e estimular a produção local. Aliás, a fase de exportação é a primeira fase de internacionalização. A segunda fase de internacionalização é a presença física nos mercados para os quais previamente exportaram. Há um conjunto de empresas portuguesas que exportam para Angola que têm que ter consciência que têm que passar a fase seguinte de internacionalização que é agora um investimento na presença física no mercado angolano até porque o Governo Angolano está aumentar taxas alfandegárias justamente para estimular essa presença. Nesse sentido, nós também podemos ajudar mas como chamei a atenção há pouco as empresas têm que levar capitais próprios daqui, mas depois o financiamento pode ser feito pelo BIC Angola até porque o BIC Angola tem um rácio de transformação de depósitos em crédito apenas de 70 por cento. Isto significa que o Banco BIC Angola tem liquidez suficiente para financiar investimentos de empresas em Angola. O Banco BIC atingiu o “break-even” um ano antes do que estava previsto. Qual o balanço do ano de

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Inovação e internacionalização Associação portuguesa dos comerciantes de materiais de construção A Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção, entidade que representa em Portugal o setor do comércio de materiais de construção, surgiu em julho de 1954, no Porto. Trata-se de uma associação patronal e empresarial, com estatuto de utilidade pública.

José de matos Secretário-geral

A

APCMC é a única associação nacional deste setor. Nasceu como uma coletividade de armazenistas e que pouco a pouco foi evoluindo, sendo atualmente uma associação que inclui comerciantes, armazenistas, retalhistas, prestadores de serviços e fabricação de produtos. A associação tem sido reconhecida pelos seus associados, parceiros e terceiros como uma entidade profundamente empenhada na consolidação de uma cultura empresarial e associativa moderna e dinâmica.

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A principal missão é a defesa e representação dos interesses e legítimas aspirações do setor que apresenta. Existem interesses e necessidades imediatas que as empresas possuem, pois em Portugal este setor é constituído essencialmente por micro e pequenas empresas - as médias empresas representam uma minoria e as grandes empresas são raras. O que significa que, para além do conjunto de interesses coletivos, existem com frequência necessidades individuais de informação em diversas áreas, de apoio integrado, de

orientação, de estudo e análises de mercado, e até mesmo estratégias setoriais ou relativas aos mercados externos. A APCMC é um interlocutor privilegiado junto dos mais diversos organismos e entidades, sejam públicos ou privados, que de forma direta ou indireta mantêm relações com o setor nos mais diversos domínios, desde o económico, social e político ao institucional. José de Matos, secretário-geral da associação, revela que “as constantes alterações do mercado e


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a instabilidade das empresas originam que muitas das vezes seja necessário um acompanhamento e orientação, em que perante determinadas situações em que as coisas não estão bem é necessário fazer escolhas, sendo preciso procurar soluções, e é nessas alturas que as empresas necessitam de ajuda”. Há questões que são transversais a este ou qualquer outro setor mas há outras que são muito específicas e importantes, como as relacionadas com o transporte de mercadorias, que se refletem em procedimentos legais e fiscais. Mais refere que existem igualmente problemas de logística, de tratamento de informações sobre determinados produtos e o seu acompanhamento que são específicos do setor dos materiais. Situações relativas ao ambiente e à sustentabilidade também são muito particulares, segundo José de Matos. Todas as empresas dependem da evolução dos mercados. Mas o mercado dos produtos de construção é muito específico, não estando apenas ligado aos níveis de variações de consumo, mas também das atividades construtivas. É um setor de atividade económica relacionado essencialmente com os segmentos da construção e reparação de edifícios, habitacionais ou não habitacionais, e com a construção de natureza pública. Segundo José de Matos, “do ponto de vista dimensional do mercado existe uma evolução negativa. Se por um lado isso é justificado pela mudança dos clientes, em outros casos existem transformações do modo como se constrói, com implicações de carácter eminentemente qualitativo e no tipo de procura”. Atualmente, a procura direciona-se mais para a reabilitação e renovação, dois conceitos diferentes que são cada vez mais procurados. A renovação e reabilitação de edifícios têm sido porventura os setores de construção menos afetados pela crise. As causas desta realidade residem em grande parte no estado de degradação em que o edificado se encontra, ou nas necessidades e novas exigências da população. Para José de Matos, “o que se constrói não

dura sempre, precisa de ser substituído ou mantido”. No que respeita aos mercados externos e à relação com os países africanos de língua oficial portuguesa, Angola teve uma dinâmica económica muito forte, de grande atividade na construção, que atualmente está a entrar numa fase diferente, pois não só começa a ter produção própria como as novas condições de abastecimento do mercado obrigam a ter uma estrutura local permanente, não bastando funcionar apenas como mero fornecedor externo do cliente local. José de Matos afirma que “uma coisa é produzir produtos e outra é levar o produto ao cliente, acabando assim por obrigar a ter redes de distribuição, isto é, próximo do local, sendo necessário ter uma logística adequada e uma assistência técnica adaptada”. A APCMC está atenta a outros mercados, em que os apoios institucionais são muito importantes, pois a internacionalização requer um esforço muito grande para as empresas, apresentando projetos conjuntos que lhes permitam trabalhar esses mercados durante alguns anos. Os projetos conjuntos permitem ainda que a aprendizagem com outros se propague entre as empresas, pois a associação acaba por adquirir e incorporar um know-how sobre os mercados externos que coloca ao serviço de outras empresas que procuram investir nesses mercados. Criou-se na APCMC um departamento com know-how nesta matéria, que acrescenta serviço específicos que complementam esses projetos conjuntos, como redes de contactos e de apoios, tendo a APCMC já duas pessoas a adquirir esse conhecimento dos mercados, das empresas e dos produtos, que são já capazes de apoiar uma empresa que pretende ir para novos mercados. José de Matos revela que “apoiamos diretamente as empresas mesmo depois da sua participação em projetos conjuntos, pois os contatos já foram

estabelecidos e já temos conhecimento do mercado. Tudo isto é uma forma de disseminação e apoio aos próximos”. Evocando a celebração em 2014 do 60º aniversário da APCMC, o secretário-geral José de Matos assume a associação como estando “consciente das novas dinâmicas dos mercados e dos desafios que encerram, com a noção da importância da sua atividade para a promoção de um setor que está em constante evolução e com uma cultura proactiva e de valorização da proximidade em relação às empresas bem enraizada que a tornam sempre disponível para abraçar novas missões”. Relativamente à internacionalização das empresas, a APCMC tem a consciência que há um mar de oportunidades, mas que o mundo é imenso e que são inúmeros os desafios que os diferentes mercados colocam. Não se pode fazer tudo ao mesmo tempo. Neste capítulo, a APCMC defende que, sem prejuízo do mérito das “organizações de feiras” na motivação para a internacionalização e do seu importante contributo, hoje é necessária uma atuação mais focada, mais competente do ponto de vista setorial e mais consequente e sustentada no tempo, o que só pode ser conseguido através do envolvimento de entidades que conheçam e sejam próximas dos setores respetivos. Esse é, aliás, um dos grandes ensinamentos que podemos retirar do sucesso obtido pelos setores do calçado e do têxtil. A APCMC traça uma forte presença na promoção dos temas de relevância para o setor, possuindo um conjunto de edições publicadas que se tornaram em referência obrigatória para os agentes do setor.

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Traços Seguros com Parcerias Internacionais Risco singular Uma linha, uma ideia, um projeto. Um Risco Singular que deu nome ao atelier de Sónia Abreu e Paulo Costa. Unidos pelo amor ao desenho, os dois arquitetos deram vida, em 2001, ao que era um sonho já antigo. Com os projetos em solo nacional a escassearem cada vez mais, a Risco Singular mantém os traços seguros com parcerias internacionais.

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edicada ao desenvolvimento de projetos de arquitetura que refletem diferentes estilos de vida, a Rico Singular transmite o que Sónia Abreu e Paulo Costa sentem pela arquitetura. Inicialmente situado em Viana do Castelo, este atelier tem atualmente sede em Barcelos. Pensadas ao mínimo pormenor, “as soluções de projetos oferecidas por este atelier abraçam a inovação, design e criatividade, proporcionando a cada cliente uma nova experiência”, explica Sónia Abreu. Um compromisso que resulta em projetos “personalizados ao gosto e necessidades de cada cliente”. Com uma história que conta já com 13 anos e muitos projetos à mistura, na Risco Singular, diz Sónia Abreu

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“apostamos na procura de soluções que dinamizem o seu espaço, rentabilizando-o e dando-lhe um carácter próprio, uma identidade exclusiva”. Trabalho que só é possível explorando toda a informação numa “relação profunda com o cliente para que as suas expetativas, necessidades e especificidades fiquem satisfeitas”. Para além do projeto arquitetónico do edificado, a Risco Singular põe também outros serviços à disposição. Porque uma casa ou outro empreendimento é muito mais que um bonita estrutura, este atelier projeta todo o interior e o paisagismo. Desenvolve também projetos de urbanismo e planeamento, projetos de reabilitação, de loteamento e coloca ainda à disposição os serviços de consultadoria, direção de obras e fiscalização.

Possuindo ideias muito próprias, Sónia Abreu recusa o conceito de arquitetura minimalista: “Não é só pensar no objeto como algo oco mas pensar no seu conteúdo, que será vivido e usufruído, não são só forma mas o seu conjunto, e quais as sensações que estas nos transmitem”. Segundo a arquiteta os projetos devem ainda “ser pensados para um sítio específico e para um cliente específico e não ser meros módulos já prédefinidos a que se muda apenas a localização de uma janela, ou porta”. Numa altura em que os recursos económicos são cada vez mais escassos, o projeto tem que ter também em atenção quer os materiais utilizados, quer uma boa conceção pois tal “contribui para que ele seja


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energeticamente eficiente, tendo ainda um custo menor de construção e manutenção”, refere Sónia Abreu. Admitindo que a qualidade é uma das variáveis estratégicas de maior importância para o desenvolvimento da sua atividade, a Risco Singular assume um compromisso com a satisfação dos seus clientes. Já imaginou como será a casa dos seus sonhos? A Risco Singular transforma-a em realidade. Este atelier pauta-se pela criatividade, pela originalidade, pela inovação, pelo design e pela qualidade. A apresentação da proposta para o “Empreendimento Vargem Fresca - Portucale” com moradias sustentáveis, totalmente revestidas pelo exterior a cortiça, é o resultado da junção destas características e da preocupação cada vez maior na construção, ecológica e eficiência energética, obtendo um conceito inovador de rápida execução, cumprindo as mais exigências da legislação em vigor. Com trabalhos de parceria em mercados como a Venezuela, Argentina, França e Angola a Risco Singular mantém seguros os seus traços. Encontra-se neste momento a projectar diversos edifícios e moradias de luxo, para um condomínio fechado em Buenos Aires, Argentina, da qual destacamos um edifício com preocupações ecológicas e ambientais. Com mais de uma década este atelier promete continuar a dar cartas no mundo da arquitetura.

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PROJETO NEWALK Curtumes aveneda A Curtumes Aveneda, Lda. nasceu a 18 de fevereiro de 1998 e dedica-se à produção de artigos em pele para calçado e marroquinaria. Tem raízes históricas na Curtumes Miguel Branco, Lda., à qual deu continuidade, atraves da celebração de um contrato de cessão de exploração. Em 2006 Curtumes Aveneda, Lda. adquiriu a quase totalidade do capital da Curtumes Miguel Branco, pelo que, presentemente, as duas empresas funcionam em regime de complementaridade no que se refere à area comercial.

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Curtumes Aveneda tem nesta data 40 funcionários e dedica-se à produção de artigos de média e alta qualidade. Cerca de 20% da sua produção destina-se ao mercado interno, destinando-se a maior parte à exportação para países como França, China, Alemanha e Espanha. Os mercados onde a empresa atua são de enorme exigência, o que conduz à necessidade de um intenso trabalho de investigação que permita a melhoria contínua da qualidade dos produtos da Curtumes Aveneda. Os últimos dois anos têm sido particularmente intensos a este nível. A empresa é um dos promotores do projeto NEWALK, onde tem vindo a trabalhar com especial enfoque em dois grandes objetivos: - Obtenção de cores de grande vivacidade; - Otimização da resistência destas cores à exposição solar. O Projeto NEWALK– materiais, componentes e tecnologias para calçado do futuro, é um projeto de I&DT mobilizador do sistema de incentivos à investigação e desenvolvimento tecnológico do programa operacional fatores de competitividade. Genericamente, este projeto está integrado na fileira do calçado, no pólo de competitividade da moda, e visa o desenvolvimento integrado e sinérgico de novos materiais, componentes funcionais e tecnologias avançadas para a criação,

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produção e comercialização de calçado diferenciado. O sector de curtumes está integrado neste projeto, através do CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro e de três empresas de curtumes: António Nunes de Carvalho, S. A.; Dias Ruivo, Lda.; e Curtumes Aveneda, Lda. A indústria de curtumes europeia tem necessidade de se diferenciar pela via da inovação estética e da elevada qualidade dos seus artigos. Só assim pode atuar nos mercados de moda e de maior valor acrescentado, onde existe sempre uma grande apetência por artigos inovadores, sem nunca descurar as questões associadas à qualidade e à sustentabilidade ambiental. A cor é uma componente de enorme importância no que respeita à inovação estética. É conhecida a grande dificuldade em obter artigos em pele tipo nubuck com cores muito intensas e simultaneamente com bons valores de resistência à luz solar. É neste campo que a Curtumes Aveneda tem vindo a trabalhar com maior intensidade nos últimos tempos, sendo para tal auxiliada pelos centros tecnológicos que participam no projeto NEWALK, dando às empresas suporte técnico-científico e auxiliando-as na gestão da sua atividade no projeto. São estes o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro e o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.

Os resultados que a Curtumes Aveneda obteve nestes últimos dois anos foram muito bons e permitem-lhe hoje apresentar uma coleção de nubuck com uma palete alargada de cores. São cores intensas e com resistências superiores ao que de melhor existe no mercado. As imagens que aqui se apresentam ilustram timidamente algumas das cores de maior beleza desta coleção. “Timidamente” porque a nobreza de um material como a pele traduz-se não só na componente visual mas também no tato, numa beleza tridimensional apaixonante. Por fim, refere-se a enorme preocupação que a empresa tem com a componente ambiental, com a sustentabilidade dos seus processos. A Curtumes Aveneda tem implementadas várias tecnologias processuais de elevada eficiência ambiental, como é o caso da substituição de produtos químicos sintéticos por produtos naturais. A energia térmica é parcialmente produzida nesta empresa através do aproveitamento da energia solar (painéis solares térmicos), a iluminação foi substituída por lâmpadas de elevada eficiência e baixo consumo. A Curtumes Aveneda tem uma estação de tratamento de águas residuais exemplar, sendo o processo de tratamento essencialmente biológico e complementado por tratamento em leitos de mcrófitas.


Exportar + I Projecto Conjunto de Internacionalização REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL TEMA

APCMC: o parceiro para a internacionalização da fileira dos materiais de construção

Ao longo de 2013 realizámos 10 ações de internacionalização (feiras, visitas de importadores e ações de prospeção), envolvendo cerca de 40 empresas nacionais e que abrangeram 6 mercados-alvo, criando uma base sólida e parcerias para a melhoria das exportações e para o reforço da presença de empresas portuguesas nos mercados internacionais.

Mercados: Marrocos, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Bélgica e Canadá Empresas participantes: A Cimenteira do Louro, Almeida e Xavier, Álvaro e Covelo, Antoninho Dias Fernandes, Armazéns Reis, Candigrés, Casa Peixoto, Castro & Filhos, Cliper Cerâmica, Comércio Central do Valado, Fafisol, Fernanda Marinho, Fernando Oliveira Carvalho, Ferramentinha Digital, Florêncio Augusto Chagas, Georgina Neto dos Santos, Grecogeste, Iberfibran, Iberoreboco, Inspiração & Requinte, Instituto da Construção, Joaquim Pereira Fernandes, Macovex, Martins Ferreira, Mavamat, Motivo Único, Pregaia, Refral, Rubicer, Rui Abrantes & Cª, Sanitop, Sival, Sociedade Sanitária Gonçalves & Mina, Sombras Perfeitas e Tecnodek

Excellence for Building from Portugal

Calendário . 2014 Feiras > Ecobuild, Londres, Inglaterra | 4 a 6 março > Kazbuild, Almaty, Cazaquistão | 2 a 5 setembro > Feira Internacional de Construção, Casablanca, Marrocos | 26 a 30 novembro Visitas de importadores > Argélia > Marrocos

Contactos APCMC Paula Gomes Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção Praça Francisco Sá Carneiro, 219, 3º, 4200-313 Porto Tel.: 934 891 220 / 225 074 210; Fax: 225 074 218 E-mail: paula.gomes@apcmc.pt; Site: www.apcmc.pt

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL ARTIGO DE OPINIÃO

artigo de opinião Por um novo paradigma de financiamento

Redigido por João Rafael Koehler, presidente da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários

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ecentemente, o presidente do BCE anunciou a intenção de alterar as regras de cálculo do rácio de endividamento das instituições financeiras, de forma a libertar mais liquidez para o financiamento das empresas e das famílias. Por outro lado, Mario Draghi decidiu não alterar a taxa de juro diretora, que se encontra no nível mais baixo desde a criação do euro: 0,25%. Estas duas decisões mostram bem que a crise de liquidez da economia europeia está longe de se encontrar solucionada, com tudo o que isso representa enquanto entrave à concessão de crédito ao tecido empresarial. Relembro que, na sequência da crise financeira, a liquidez da banca europeia atingiu níveis historicamente reduzidos. Consequentemente, a torneira do crédito às empresas foi inexoravelmente apertada, hipotecando uma retoma económica mais célere e sólida. Perante as dificuldades de financiamento, a banca foi obrigada a aumentar a remuneração dos depósitos, o que acabou por agravar significativamente os spreads exigidos na concessão de empréstimos. Esta situação penalizou

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sobretudo as PME, que têm menor capacidade negocial junto das instituições financeiras e uma maior perceção do risco pelos bancos. Em face disto, a ANJE tem-se batido por um novo paradigma de financiamento empresarial. Paradigma, esse, que passa pela facilitação do acesso das empresas a fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário, em particular ao capital de risco. Defendemos, pois, uma reforma do sistema de capital de risco público e a criação de um quadro fiscal que promova o capital de risco privado e os business angels. Tudo isto com o intuito de aumentar o número de empresas financiadas com capital de risco e os montantes envolvidos neste tipo de operações, criando-se assim condições não só para impulsionar novos projetos empresariais como para reforçar a sustentabilidade da vaga de empreendedorismo que o país está a viver. O capital de risco é, de facto, um instrumento adequado ao financiamento de empresas em fases iniciais de desenvolvimento. Antes de mais, porque se trata de um aumento dos capitais próprios das empresas e não de um financiamento através de capitais alheios, o que evita o endividamento e reforça a liquidez. Mais: para além do capital que disponibilizam, as sociedades de capital de risco e os business angels apoiam os jovens empreendedores nas várias fases de constituição da

empresa e acompanham de perto a sua evolução, dando conselhos úteis à luz do conhecimento que têm do funcionamento do mercado. Ainda na perspetiva de uma mudança do paradigma de financiamento, a ANJE deposita grandes expectativas na Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD). No atual contexto de retração do crédito, consideramos ser crucial aumentar as maturidades de financiamento das empresas e a liquidez na economia, numa perspetiva anticíclica. Esperamos, por isso, que o IFD venha, justamente, colmatar as insuficiências de mercado no financiamento das PME, atuando como uma sociedade capital de risco, oferecendo cobertura de risco de crédito e gerindo os instrumentos financeiros de apoio ao investimento empresarial. Questão diversa é o empreendedorismo jovem e a discriminação positiva que defendemos para as start ups. Se queremos promover a criação de novos negócios, o legislador deve dar sinais claros nesse sentido: em benefícios fiscais em sede de IRC e em fundos públicos de capital de risco agilizados e de tramitação simples. Finalmente, acções concretas de apoio às empresas exportadoras: se o desígnio nacional passa pela afirmação do país no mundo e pela sua industrialização, há que reforçar as linhas de crédito e reforçar os seguros de crédito comercial.


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Construção com pontos positivos

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013 poderá ser o último ano da forte crise que assola o setor da Construção na Europa. Com efeito e segundo as projeções mais recentes do Euroconstruct, este ano representará o ponto mais baixo do nível da produção do setor nos últimos tempos, a qual voltará novamente a crescer a partir de 2014, se bem que a um ritmo muito lento. Portugal só sairá do vermelho em 2015. No comunicado emitido após a sua 76ª Conferência, que decorreu no fim de novembro último, em Praga, a rede europeia vocacionada para a análise do setor da construção destaca que o volume total da construção nos países Euroconstruct diminuiu, entre 2007 e 2013, 22 por cento, ou seja, 360 mil milhões de euros, a preços constantes. Neste contexto, o organismo salienta a quebra “muito significativa” da produção ocorrida no grupo de países da Europa Ocidental (EC15), atualmente avaliada em 1.214 mil milhões de euros e apenas comparável com o nível atingido em meados da década de 90 do século passado, acrescentando ainda que 60 por cento dessa quebra é atribuída a Espanha. Em sentido contrário, ressalta o facto de os países da Europa Central e Oriental (EC4) terem sido, como um todo, mais bem sucedidos, uma vez que o valor atual da sua produção, em redor dos 70 mil milhões de euros, ombreia com o volume verificado em 2006/2007, altura em que registavam elevadas taxas de crescimento (42 por cento de 2003 até 2008). No seu todo, estima-se que a produção do setor registe, após o decréscimo de 3 por cento previsto para 2013, crescimentos de 0,9, 1,8 e 2,2 por cento, respetivamente, nos próximos três anos. O setor da construção nacional, contudo, embora possa começar a ver uma pequena luz ao fundo do túnel (-3,0 por cento em 2014, após o decréscimo estimado de 16,5 para 2013) apenas terá um crescimento positivo em 2015 (2 por cento). Fonte: Jornal da Construção

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O maior templo da europa Iurd

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esde dezembro que Vila Nova de Gaia conta com um Centro de Ajuda da Igreja Universal do Reino de Deus. A execução da obra esteve a cargo de uma das maiores construtoras portuguesas, tendo gerado mais de uma centena de emprego diretos. O projeto tem a assinatura da Apel Arquitetura e a sua estética é baseada num desenho contemporâneo, revestido por materiais de grande longevidade. A nível da decoração, foram desenvolvidas aplicações de inspiração clássica em gesso para a parede do altar, além de corrimãos em ferro forjado para as escadas do altar e guarda do baptistério. Design e conforto foram outras das características tidas em conta na construção do edifício. O edifício contempla cinco caves de estacionamento com capacidade para 500 carros, uma nave principal com 1.400 lugares, baptistério com vestiários completos, salas de apoio e de atendimento, nave auxiliar com 200 lugares, café, livraria, sanitários adaptados, EBI com cinco salas e berçários, escritórios, estúdios de tv e rádio, cozinha industrial com refeitório e habitações

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a empresa de construção, obras públicas e infraestruturas VBL A VBL é uma pequena empresa fundada há cerca de 30 anos por Valentim Luís. Uma empresa com grandes capacidades, grandes sonhos, grande qualidade de obra, aos quais respondem aos variados serviços. No fundo, a empresa está dividida em dois setores: o da construção, em que a própria idealiza os projetos, procede à sua construção e respectiva comercialização. Por outro lado, a VBL tem um segmento de obras públicas e das infraestruturas em que tanto trabalham para si mesmos, como prestam serviços a outras empresas, dos quais já surgiram projetos de referência como são exemplo o Edifício Premium, na Praia da Madalena, em Vila Nova de Gaia, o Guimarães Retail Park, e muitos outros, onde também constam obras camarárias.

valentim e joana luís Gerentes

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omo empresa consideram-se muito positivos, afirmando que em tempos de crise se tivessem baixado os braços não tinham tido qualquer tipo de hipóteses. Comentam que nos últimos anos viram empresas de maior dimensão fecharem e a não aguentarem as dificuldades que foram surgindo, enquanto outras encararam o caminho da imigração como a única escapatória possível de sobrevivência. Já tiveram a oportunidade de expansão fora de Portugal,

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mas tomaram a decisão por unanimidade de ficarem por cá, como nos diz Joana Luís, uma das filhas do fundador e provedora de apoio jurídico à VBL. “Enquanto pequena média empresa não acho que se deve dar um passo tão grande quando as coisas não estão definitivamente bem definidas, sendo que primeiro é preciso arrumar a casa, e pôr as coisas em ordem”. Como o mercado da construção é tipo de mercado atípico, que colocou imensos desafios nos últimos anos, Confidenciando gostar muito de Portugal, a empresa entende então que é necessário realizar um projeto de cada vez, recorrendo o mínimo à banca, dando passos muito seguros, “tendo em conta o estado da economia atual”. Contam que tudo tem de ser muito bem pensado e que nos últimos anos foi preciso muita energia, contando apenas com eles próprios para resolver os problemas que iam surgindo no caminho. Joana Luís reconhece todo o esforço que os seus irmãos investiram nesta luta, bem como o papel de Teresa Santos, economista, impõe os limites que muitas das vezes tendem em ser ultrapassados, fazendo, assim, uma boa gestão da empresa. A nossa interlocutora acredita que o ano de 2014 será “um mudar de página, um novo ciclo”, estando confiante de que vão crescer enquanto empresa, pois consideram-se uma empresa muito coesa, com trabalhadores muito competentes e que defendem as cores da VBL. Reconhecem ainda os seus trabalhadores como pessoas incansáveis em termos de trabalho e dedicação, o que foi fundamental para o crescimento da empresa, e a quem devem um agradecimento muito especial.

A construção do templo O maior templo da europa da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é uma obra de grande qualidade e de referência para a empresa, tendo em conta que foi muito comentada pela comunicação social, o que foi favorável para a projeção da empresa. Para a VBL foi uma construção de grande volume, que deu um grande gosto em participar e realizar, justificado pelos constantes desafios que tinham de enfrentar todos os dias. Desafios com prazos inalteráveis, o que originou cada vez mais trabalho, e a um grande desgaste por parte da equipa, que estava perante muita pressão, tanto pela empresa Teixeira Duarte, como pela própria IURD. A empresa esteve principalmente presente nos arranjos exteriores, na frente de obra. O facto de ser a primeira obra que a VBL estava a construir para a Teixeira Duarte tornou-se numa grande responsabilidade, na medida em que estes pretendiam transmitir uma boa imagem do trabalho da empresa, e não queriam admitir qualquer tipo de falhas. Assumem a Teixeira Duarte como uma empresa que cria um certo dinamismo, e é também uma empresa sólida, que num futuro poderá ser um parceiro de trabalho, possibilitando alargar horizontes além-fronteiras. Na construção do templo, a VBL executou essencialmente uma parte da movimentação de terras, nomeadamente todas as redes viárias e infraestruturas, redes enterradas e redes superficiais. Miguel Luís e Joana Luís afirmam que em tudo é preciso um know-how muito grande, que na empresa VBL foi instituído pelo seu fundador, Valentim Barros Luís, desde o início. Miguel Luís trabalha com o pai há alguns anos,


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e um dos setores que mais se orgulha de trabalhar e onde começou foram as infraestruturas, bloqueamentos, estradas e obras. A parte da movimentação das máquinas, confessa, como sendo uma das suas grandes paixões. Na construção da IURD foi necessário uma grande movimentação de máquinas e também de pessoas. Tinham em campo desde máquinas giratórias, a retroescavadoras e cilindros. No que diz respeito aos trabalhadores, chegaram às trinta pessoas em obra, a quem foi exigido um grande esforço, “pois eram longas as horas de trabalho de serviços, acrescentando o facto de serem residentes de Penafiel e tinham uma grande viagem de regresso a casa todos os dias, o que lhes limitava muito as horas de descanso”. Inicialmente o prazo da construção era mais alargado, e a obra era mais pequena. Primeiramente foi apenas entregue à VBL o arruamento da via pública, o que já por si não foi um procedimento fácil, uma vez que ao mesmo tempo foi necessário dar continuidade à entrada e saída de mais de seiscentas pessoas que habitam na zona, bem como a empresas e serviços, tornando-se num dos grandes obstáculos ao longo da execução da obra. Paulo Moreira, encarregado e um dos homens presentes na obra tece palavras de agradecimento aos habitantes por toda a paciência que tiveram com

Joana luís, Teresa Santos, Paulo moreira e miguel Luís Responsáveis da VBL

a empresa no decorrer das obras, que demonstraram grande solidariedade. A chuva também foi considerada um dos grandes condicionantes no início da obra, pois foi denominada como um dos maiores inimigos no que diz respeito aos arranjos exteriores. No fim, apesar da chuva regressar novamente, e do desgaste notório que se fazia sentir entre os trabalhadores, o aproximar da conclusão da obra refletia numa motivação acrescida. Questionados sobre se a obra valeu a pena, a empresa responde afirmativamente. “Foi uma obra bastante interessante de se fazer”. Da VBL o trabalho está concluído, restam apenas pormenores como limpeza dos estaleiros, fechar contas e projetos. Como empresa declaram que para o sucesso acima de tudo é necessário “humildade, trabalho e suor, e ter sempre a consciência de que por sermos pequeninos continuamos a ter o nosso lugar e podermo-nos afirmar e sermos reconhecidos”. Perante o público a VBL pretende ser reconhecida por dar resposta a todo o tipo de infraestruturas, de maior ou menor volume, sempre com rigor, procurando cada vez mais crescerem como empresa, primando pela qualidade e diferença no mercado.

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APEL já executou 600 projetos ApeL - arquitectura, planeamento e engenharia Presente no mercado imobiliário nacional há quase 30 anos, a APEL projeta e concebe empreendimentos de cariz habitacional, comercial e de serviços. São mais de 600 projetos já executados. A propósito da inauguração do mais recente Centro de Ajuda da Iurd, em que este gabinete esteve envolvido, a Revista Negócios Portugal conversou com o arquiteto Ginestal Machado, fundador da APEL e atual presidente do conselho de administração.

Ginestal Machado Administrador

L

icenciado pela Escola Superior de Belas Artes da Universidade do Porto, Ginestal Machado iniciou-se na profissão em 1973, tendo colaborado durante 2 anos com o Arquiteto Joaquim Marques de Araújo. Findo este período desenvolveu projetos de edifícios de habitação social por encomenda de diversas Instituições Públicas, Câmaras Municipais e Cooperativas de Habitação. Em 1985 funda a APEL – Arquitetura, Planeamento e Engenharia, Lda, transformada em 2001 em Sociedade anónima. Esta empresa para além de projetar e conceber empreendimentos, recupera e remodela edifícios classificados. Com quase 30 anos de existência a APEL, diz Ginestal Machado, “tem um portefólio muito vasto onde constam 600 projetos já executados”. Um número que reflete a confiança e que é garante do know-how desta empresa, que esteve envolvida, refere

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o fundador, na “autoria de alguns edifícios geradores de polémica, como a sede da EDP”. Nada que preocupe o arquiteto, antes pelo contrário: “As obras que mais me entusiasmaram foram sem dúvida as mais polémicas porque criam uma motivação extra”. Inaugurado no final do passado ano de 2013, o Cenáculo do Espírito Santo de Vila Nova de Gaia, templo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), foi o mais recente projeto em que a APEL esteve envolvida. A parceria com a IURD dura já há mais de 10 anos quando, explica Ginestal Machado, “surgiu a proposta para colaborar na construção do centro de ajuda no Porto”. Reticente nessa primeira abordagem, o arquiteto diz-se hoje “muito satisfeito com esta parceria, primeiro porque foi mais um desafio novo e com uma grande dimensão e depois porque é uma instituição com a qual não existia nenhuma ligação antes destes projetos mas

que sempre mostrou um grande respeito pelo trabalho de toda a equipa da APEL”. O profissionalismo da IURD possibilitou criar diz, o fundador desta empresa, uma “relação de respeito mútuo e de confiança”. O projeto inaugurado é um dos maiores templos da IURD na Europa e teve um custo aproximado de 13 milhões de euros. Esta nova obra, refere o arquiteto “veio como a construção do templo do Porto revitalizar toda a zona e beneficiar também o comércio local”. A parceria estende-se ainda para lá das fronteiras nacionais: “Fui também convidado pela IURD para fazer algumas obras fora do país sendo que umas já estão construídas e outras em projeto”. Para este cliente específico, a APEL procurou “trazer uma arquitetura específica, existindo vários elementos que se vão repetindo e que dão um cunho de marca e uniformidade que possibilitam também um reconhecimento imediato destes templos por parte das pessoas”, explica Ginestal Machado. Tal como outras empresas nacionais ligadas à área da arquitetura, a APEL tem também sentido a receção que hoje o país enfrenta. A diminuição do trabalho em solo português é uma realidade que exigiu a procura de novos mercados. Por isso mesmo a APEL iniciou já o processo de internacionalização em mercados como São Tomé, Cabo Verde, Venezuela e Perú, este último através de uma parceria. Na Europa, e mantendo o trabalho de confiança com a IURD está atualmente envolvida num projeto em Madrid. O desafio a concretizar, diz o fundador, é continuar a internacionalização da atividade até ao final da década.


REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL TEMA

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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

Municípios em Destaque

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elas mais variadas razões, os municípios portugueses têm ganho relevo e cada mais destaque na praça pública. Desde projetos de inserção e coesão social, a estímulos ao emprego, turismo e promoção dos produtos endógenos das regiões, as Câmaras Municipais têm-se empenhado em fazer dos seus municípios o melhor local para se viver. E há projetos que merecem o nosso aplauso de pé. Nesta edição da Revista Negócios Portugal damos-lhe a conhecer alguns dos planos levados a cabo pelos municípios nas áreas da educação, incentivo à maternidade, coesão social, economia da região e turismo. Galardoados com o prémio de “Autarquia Familiarmente Responsável”, as Câmaras Municipais de Torres Vedras e Gouveia viram reconhecidos o seu empenho enquanto entidades empregadoras, ou seja, que adotam medidas facilitadoras de conciliação de vida familiar e laboral para os seus trabalhadores, tornando-se, assim, num laboratório e modelo destas práticas para as restantes empresas dos seus municípios. Além disso, este prémio tem também em conta o papel das autarquias para os munícipes, através da adoção de medidas facilitadoras da vida familiar dos seus munícipes, em particular para as famílias mais numerosas, mas também no seu combate ao crescente envelhecimento e desertificação, como são fonte de riqueza através da criação de emprego, aumento do espírito de iniciativa e estabilidade social. Já na área do turismo, nesta edição de fevereiro apresentamos-lhe um projeto bastante aliciante, que recupera os Caminhos de Santiago em Portugal. Tendo em conta que as peregrinações a Santiago de Compostela constituem um potencial cultural e turístico de desenvolvimento económico para os territórios, os municípios de Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Oliveira de frades, Vouzela e Tondela celebraram um protocolo de parceria com o Turismo Centro de Portugal. Este protocolo pretende implementar o traçado do Caminho Português de Santiago no interior de Portugal e determina que os cinco municípios envolvidos elaborem o traçado oficial para ser homologado, homologação essa que já está a ser realizada.

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Um compromisso com futuro OAfR As Autarquias Familiarmente Responsáveis refletem o empenho de todo o poder local na sustentabilidade do futuro, tendo objetivos bem delineados e práticas de sucesso perante as autarquias portuguesas no que diz respeito a matéria de responsabilidade familiar. Falamos com Isabel Paula Santos, coordenadora do Observatório. quem as famílias possam recorrer? O Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis foi criado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas em maio de 2008. O Observatório tem como principais objetivos acompanhar, galardoar e divulgar as melhores práticas das autarquias portuguesas em matéria de responsabilidade familiar. No conceito “AFR - Autarquias Familiarmente Responsáveis”, estão presentes duas vertentes: Autarquia enquanto entidade empregadora - isto é, que adota medidas facilitadoras de conciliação da vida familiar e laboral para com os seus trabalhadores, tornando-se, assim, laboratório e modelo destas práticas para as empresas do seu município; Autarquia enquanto responsável de políticas públicas locais – são neste campo propostas dez áreas de atuação: apoio à maternidade e paternidade; apoio às famílias com necessidades especiais; serviços básicos; educação e formação; habitação e urbanismo; transportes; saúde; cultura, desporto, lazer e tempo livre; cooperação, relações institucionais e participação social; outras iniciativas.

Entrega de Bandeiras às Autarquias +Familiarmente Responsáveis 2013

Perante uma crise profunda de que modo é que as autarquias chegam até as famílias mais necessitadas e qual o modo como as ajudam? Como respostas excecionais à atual crise têm vindo a ser criadas medidas como a oferta de refeições, abertura de lojas sociais e a ativação de fundos de emergência social para as famílias com carências económicas graves. De uma forma geral, todas as autarquias têm criado soluções de apoio a desempregados, nomeadamente através de gabinetes de inserção profissional.

famílias, o que no fundo acaba por combater o envelhecimento? Temos de ter em conta que estamos perante um contexto nacional de quebra demográfica muito acentuada, onde existem muitas penalizações sobre as famílias relativamente às quais as autarquias não têm qualquer poder de influência. Assim, dentro daquelas que são as suas competências, podemos constatar que os municípios premiados têm conseguido menores quebras de natalidade.

Ao longo do projeto tem sentido esse crescimento da natalidade, sendo que as famílias sentemse mais encorajadas a aumentar as suas

No decorrer do tempo e com o sucesso que o projeto tem vindo a obter, será possível num futuro próximo aumentar mais áreas de assistência a

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A questão crise é também tratada pelas autarquias como uma preocupação, nomeadamente no que diz respeito aos comerciantes e às suas escassas ajudas? A nossa experiência permite-nos afirmar que a natalidade é um excelente meio de dinamização das economias locais. Cada criança que nasce necessita da provisão de bens e serviços gerando emprego e crescimento económico. Até os próprios instrumentos de apoio podem ser construídos com essa base. Veja esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com


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Uma “Estrela” familiarmente responsável Município de gouveia Num trabalho dedicado essencialmente às pessoas e ao combate das situações de debilidade, o Município de Gouveia foi galardoado enquanto Autarquia Familiarmente responsável. Luís Manuel Marques, presidente da Câmara, falou à Revista Negócios Portugal sobre o trabalho desenvolvido pelo município.

luís manuel marques Presidente

Segundo a sua definição, as “Autarquias familiarmente responsáveis são o reflexo do empenho do poder local na sustentabilidade do futuro”. Esta definição faz jus ao trabalho desenvolvido pelo Município de Gouveia? O Município de Gouveia tem-se empenhado muito na construção de um futuro sustentável. Reconhecendo a importância da atividade económica como pilar essencial das sociedades, a autarquia tem procurado impulsionar o tecido empresarial local. Depois no capítulo da coesão social temos efetuado um trabalho muito focado nas pessoas e no combate às situações de debilidade. Nesta óptica penso que sim, que esta afirmação faz juz ao trabalho do Município de Gouveia.

Entre os vários padrões que o Observatório tem em conta para a atribuição deste galardão estão contempladas as medidas municipais no combate crescente ao envelhecimento e desertificação, através da criação de emprego, aumento do espírito de iniciativa e estabilidade social. Neste âmbito, quais as medidas que têm sido levadas a cabo pela Câmara Municipal de Gouveia? O Município de Gouveia tem um vasto programa de apoios sociais a funcionar. O projeto ‘Ser Gouveia’ envolve apoios diretos aos indivíduos e agregados familiares nas áreas da educação, empreendedorismo, apoio social e requalificação urbana. Deixo-lhe alguns exemplos. Aqui, os transportes escolares são completamente gratuitos até ao 12º ano, comparticipamos a aquisição de medicamentos, próteses e óculos dos indivíduos ou agregados em situação de carência, apoiamos a criação de emprego, o aluguer de espaços comerciais e os estágios profissionais em instituições do concelho e apoiamos a fixação de jovens com apoios ao arrendamento e à aquisição de moradia ou fração autónoma. Somos talvez dos municípios que possui um leque de respostas mais abrangente para a população e assim pretendemos continuar. Porquê estas áreas de atuação? Procurámos estabelecer um modelo de atuação mais

ativo com medidas concretas de resposta imediato para as situações de carência. Em certa medid,a a implementação destas ações também foi uma resposta da autarquia à degradação da situação económica que o país atravessa. Neste sentido, fomos construindo um modelo de intervenção e de apoios que responde às necessidades da população do concelho. Que outras medidas gostaria de poder implementar em Gouveia? Há duas áreas que pretendo dinamizar. Quero reforçar o papel do município no apoio à maternidade e a paternidade criando um programa específico que envolva toda a comunidade e o comércio local num apoio direto à natalidade. É um projeto que estamos a conceber e que a breve prazo será apresentado aos Gouveenses. Por outro lado, quero reforçar o programa educacional com a gratuitidade de entrega dos manuais escolares a todas as crianças do 1º ciclo. Em termos gerais, quero que Gouveia seja reconhecido como um concelho amigo das famílias e que as famílias sintam que podem encontrar no concelho um estímulo à sua vivência familiar e social. Por onde passa o futuro do município enquanto “Autarquia familiarmente responsável”? A atuação do município passará sempre por apoiar as situações de carência social. Enquanto Presidente da Câmara Municipal esta é uma prioridade face aos tempos que vivemos. Mas, o meu objetivo é reduzir ao mínimo as situações de exclusão e isso apenas será atingido com o envolvimento de todos os parceiros públicos e privados e com um política concreta de apoio à família e ao emprego que tem faltado a este país, nomeadamente no interior onde as dificuldades são acrescidas.

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Mudar para que tudo continue na mesma Município de Torres Vedras Uma vez mais, o Observatório das Autarquias Familiarmente mais Responsáveis premiou a Câmara Municipal de Torres Vedras pelas políticas sociais aplicadas ao longo de 2013. A 6 de novembro do ano transato, o município recebeu a bandeira verde da iniciativa, a par de uma menção honrosa concedida às autarquias que há pelo menos três anos são meritórias desta distinção.

carlos miguel Presidente

T

orres Vedras pode orgulhar-se de ser reconhecida pelo projeto “Autarquia Familiarmente + Responsável” desde que este foi implementado, em 2009. Um estímulo bem-vindo, na medida em que “sabe sempre bem ver o reconhecimento de terceiros, sobretudo quando são as instituições nacionais que dizem que nós estamos a trabalhar bem em termos comparados”, mas que está longe de funcionar como um motor, como afirma o presidente da câmara, Carlos Miguel. As ações

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desenvolvidas no âmbito social e familiar são fruto de um trabalho que tem vindo a ser posto em prática desde há 10 anos, e apesar da sua eficácia estão longe de deixarem a autarquia satisfeita. O autarca partilha com Giuseppe Lampedusa a ideia de que “é preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma”, e para que continue a ser uma autarquia de referência, Torres Vedras tem de manter o nível e criar alternativas que vão de encontro às novas necessidades da população. Atualmente, “cada vez mais o número de solicitações vai aumentando e cada vez mais temos outros desafios e menos capacidade económica e de pessoal para chegarmos a todo lado”. Iniciadas em épocas mais desafogadas, as medidas até então implementadas têm de ser repensadas no contexto da crise, sem que a solução passe pela sua redução ou extinção. Embora alguns programas se tenham visto obrigados a estabilizar, outros foram criados para responder a muitas outras lacunas que entretanto se fizeram sentir. Este que é o maior concelho do distrito de Lisboa, e que conta com a particularidade única a nível nacional de concentrar três quartos da sua população fora da cidade, obriga a que haja um maior esforço de investimento em infraestruturas e uma maior dispersão no acompanhamento aos munícipes. No entender da autarquia, a nível social e educativo, há “duas franjas populacionais às quais deve ser dada a maior das atenções: os mais novos e os mais velhos”. Daí que esta se tenha vocacionado para a ocupação dos tempos livres dos seniores e dos mais jovens, sendo que teoricamente as faixas etárias intermédias se encontram no ativo. Nesse sentido, a câmara acatou o desafio feito, há cerca de sete anos, pelo Ministério da Educação, relativo ao enriquecimento curricular, e desenvolveu atividades específicas para cada uma das

áreas do concelho, numa diversidade que compreende modalidades comuns e outras menos usuais, como o golfe e o rugby. A permanência em território escolar suscitada por esta iniciativa levou, por sua vez, ao incremento no apoio à família a nível da alimentação. Através de uma rede complexa que abrange também as freguesias e as IPSS, a câmara privilegiou a envolvência, o controlo e qualidade, em detrimento dos custos mais reduzidos oferecidos pelas empresas de catering. “Achamos que o que pagamos a mais é compensado em riqueza social e na qualidade do serviço”, justifica Carlos Miguel. Ainda nesta ligação com as escolas, “Livro com Pernas” trata-se de um projeto de recolha e troca de manuais escolares, que envolve as juntas de freguesia. Direcionado aos mais idosos, o programa “Mexa-se pela sua Saúde” leva monitores às diversas freguesias, para atividades de ginástica que se realizam duas vezes por semana. Para além de promover melhorias físicas e de mobilidade, é incentivado o convívio e atenuada a solidão. Semelhante, mas focado nas artes plásticas e nos trabalhos manuais, o “Clube Sénior” fomenta o encontro entre os mais velhos. Criado numa ótica também de dinamização do comércio local, o “Cartão Sénior” possibilita descontos em mais de 300 espaços aderentes. O serviço “Porta a Porta”, que para já abrange o centro histórico, e que será alargado, permite que pessoas com mobilidade condicionada beneficiem de transporte à hora, a preço simbólico. Paralelamente, é feita uma redução das taxas de água e de saneamento a seniores e cidadãos carenciados. Como as dificuldades dos dias de hoje se ressentem também a nível interno, foi criado um programa de apoio aos funcionários da câmara. Leia esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com


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Tondela rumo a Santiago Município de Tondela Trazer de novo os Caminhos de Santiago, numa aposta no turismo religioso mas igualmente da natureza, é a mais recente aposta de cinco municípios portugueses. Nesse propósito, foi assinado um protocolo para a implementação do traçado português do Caminho de Santiago Português. Tondela é um dos municípios que encabeça este projeto. de todo o concelho. “Vivemos um período conturbado de dificuldades e de desafios, em simultâneo, pelo que o turismo e a economia são dois vetores essenciais para que Tondela e todo o seu concelho desenvolvam uma estratégia de novas atividades e novos conceitos de turismo, cultura e comércio”, como é o caso dos Caminhos de Santiago, que pretende criar dinamismo e progresso aos que residem mas também aos que visitam a cidade.

Projeto a longo prazo

josé antónio jesus Presidente

O

s municípios de Tondela, Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga e Albergaria-a-Velha, bem como a Turismo Centro de Portugal assinaram no passado dia 8 de janeiro um protocolo para a implementação do Caminho de Santiago, no âmbito de uma estratégia de reforço do turismo religioso. José António Jesus, presidente da Câmara Municipal de Tondela, refere que “a repercussão deste tipo de investimentos não é facilmente mensurável, uma vez que há uma série de investimentos que trarão implicações no desenvolvimento económico e, acima de tudo, em territórios de baixa densidade”, reforçando a ideia de que muitos destes impactos terão lugar fora dos principais centros das cidades e das vilas. Mas não é apenas no turismo religioso que o autarca acredita que este projeto trará benefícios à sua cidade. Através desta iniciativa o município de Tondela pretende, uma vez mais, potenciar o desenvolvimento económico da sua região e de todas as outras que consigo assinaram o protocolo, mas também dinamizar e promover o território cultural e turisticamente, numa forte aposta nos seus traços de atractividade e singularidade

É intenção do Município revitalizar os Caminhos de Santiago em todo o concelho. Para tal, foi criada uma comissão executiva para desenvolver todo o trabalho no terreno e ao mesmo tempo uma comissão mais alargada com o objetivo de acompanhar e dar o seu contributo para o melhoramento e enriquecimento dos trabalhos. Estas equipas, em colaboração com outras entidades, pretendem recuperar os traçados originais de outrora dentro das várias freguesias, tendo em vista o reconhecimento e a homologação dos percursos. O edil de Tondela revela ainda que este projeto permitirá promover a investigação de outras entidades e a interligação aos concelhos limítrofes por onde os peregrinos também passarão. “Com este protocolo, poderemos ainda recuperar alguns edifícios devolutos, nomeadamente escolas e estações de caminhos de ferro, que se transformarão em albergues, salas de apoio a refeições e ainda como postos de turismo”. Considerando este projeto como algo inovador para a região, e reconhecendo-o como um fator importante para Tondela, as novas tecnologias serão utilizadas como modo de divulgação.

Caminho Português de Santiago

municípios definirem até novembro, o traçado oficial do Caminho Português de Santiago pelo interior, que terá cerca de 100 quilómetros com ligação ao já conhecido Caminho Principal. No traçado constarão todas as informações úteis aos peregrinos, assim como, ao longo do percurso, existirão indicações de pontos de interesse a serem visitados nas localidades limítrofes ao caminho. Os municípios são ainda responsáveis pela conservação, limpeza e sinalização do traçado, bem como pela sua promoção nacional e internacional.

Para lá de Santiago Tondela é, sem dúvida, sinónimo de turismo e, por isso, de visita obrigatória. “Este concelho é recheado de motivos de interesse e a sua história é riquíssima e o seu património de excelência”, diz José António Jesus. “E há ainda a beleza paisagística da Serra do Caramulo, o nosso ex libris, (que, infelizmente este verão foi demasiado afetado pelos fogos florestais), as gentes hospitaleiras da região, bem como a sua gastronomia, o famoso vinho do Dão e as águas termais de Sangemil”. O início de 2014 ficará também marcado pela requalificação e valorização ambiental e patrimonial da área ardida da Serra do Caramulo, e para a qual o Município contará com o contributo de diferentes parceiros. O projeto delineado contempla um conjunto significativo de intervenções associadas à redução dos riscos de erosão, um plano de reflorestação e o envolvimento da comunidade nessa mesma reflorestação e na observância das regras legais associadas ao plano de ordenamento florestal. A indústria é também um ponto forte do concelho. Sem sentir a habitual desertificação em massa, já característica das regiões mais interiores do país, Tondela continua a crescer e a ser o lar de miúdos e graúdos, muito fruto da forte industrialização do concelho. Leia esta entrevista na íntegra em www.revistanegociosportugal.com

O protocolo estabelece o compromisso dos cinco

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Pelos Caminhos de Santiago Município de sever do vouga Conjuntamente com Vouzela, Tondela, Oliveira de Frades, Albergaria e a Turismo Centro de Portugal, Sever do Vouga assinou, no passado dia 8 de janeiro, um protocolo de colaboração para a implementação do traçado para o Caminho Português para Santiago, dentro da área abrangida por estes cinco concelhos. Um novo incentivo ao turismo de uma região que se destaca pelos seus atributos naturais, agora completado por uma vertente religiosa, com base nas suas referências históricas.

antónio josé coutinho Presidente

C

om base na noção de que a peregrinação até Santiago de Compostela também foi feita, ao longo dos séculos, por caminhos que se desviam da rota principal, abrangendo as áreas do interior, esta iniciativa tem vindo a desenvolver-se de forma a estimular o turismo na região. De acordo com António José Coutinho, atual presidente da câmara de Sever do Vouga, foi feita uma pesquisa rigorosa sobre a ligação do concelho à capital galega, que se veio a confirmar pela toponímia e por outras referências alusivas ao próprio Santiago e aos romeiros que se

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deslocam em peregrinação. Na freguesia de Talhadas, por exemplo, por onde irá passar a rota, pode encontrarse, junto às pedras que lhe dão o nome, uma placa referente aos caminhos de Santiago. “Sentimos que o turismo religioso é hoje uma grande força no turismo nacional”, justifica o autarca. Deve, portanto, ser entendido como uma aposta que impera na valorização dos produtos turísticos já existentes, atuando, desta forma, em complementaridade. Este novo percurso, “será benéfico não só para as terras por onde passa diretamente o percurso, mas também

para os concelhos, impulsionado a economia das áreas circundantes desta nova rota”, conclui. Para além de se apresentar como uma alternativa aos caminhantes lusitanos, é pretendido que esta possibilidade seja também aliciante a visitantes provenientes de Espanha. “Na apresentação do projeto e na assinatura do protocolo, Pedro Machado, presidente da Região de Turismo Centro, falou exatamente desta situação”, relata António José Coutinho. O objetivo passa precisamente por “fazer com que este não seja apenas um percurso de ida para Santiago, mas também que


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promova a vinda de espanhóis e de franceses para que aproveitem para conhecer Portugal, através deste percurso”. Sendo que atualmente estes caminhos se fazem muito apenas pelo gosto de caminhar, remetendo a componente religiosa para segundo plano, crê-se que o impacto poderá ser potenciado, de forma a conquistar também outras vertentes turísticas. Um processo vantajoso que o presidente crê, no entanto, que se desenvolva um pouco mais lentamente. O protocolo assinado pressupõe que se apresente um traçado definitivo até ao fim de novembro, que já se encontra alinhavado. Compreende outras potencialidades a nível de turismo, no aproveitamento da proximidade de alguns espaços de visitação, nomeadamente patrimónios biológicos e históricos. Talhadas, como refere o nosso entrevistado, é detentora de uma imensa riqueza, no que concerne a património megalítico. “Há zonas onde o caminho contempla percursos pedonais desenvolvidos em torno do megalítico, valorizando de igual modo, a jusante, a proximidade ao Rio Vouga e aos trilhos da antiga linha de caminho-de-ferro do Vale do Vouga, onde fizemos uma ecopista, que atravessa todo concelho”. Desta forma, pretende-se uma valorização da rota, numa integração do Vougapark. Para esta área de acolhimento empresarial está pensada uma zona de alojamento, “caso o fluxo de passagem o justifique”. Se o solo acidentado da região dificulta a criação de

plataformas onde se possam criar grandes empresas, por outro lado apresenta-se como uma mais-valia turística em estreita ligação com a natureza. Sendo o verde e a água duas das principais marcas do concelho, uma enorme rede de percursos pedestres, rios, cascatas, zonas de lazer e desportos na natureza e na montanha, funcionam como atrativos que solidificam o ímpeto turístico de Sever do Vouga. António José Coutinho convida portugueses e galegos a comprovarem as riquezas do Vouga e a usufruírem dos produtos de excelência da região. “As pessoas ficam surpreendidas quando cá vêm pela primeira vez”, enaltece.

Capital do Mirtilo E como nem só de turismo vive o homem, também Sever do Vouga não vive exclusivamente do turismo, e o seu desenvolvimento passa também por outros níveis, “criando e atraindo outros investimentos, nomeadamente a nível industrial”. Para além do acolhimento direto das empresas, o parque tecnológico tem também uma área dedicada à investigação, relacionada com o setor agroalimentar, e uma destinada à incubação de empresas, com o apoio de outras entidades, de que são exemplo a Universidade de Aveiro e o Sanjotec. “Queremos que este ano seja o ano do arranque em força do Vougapark.

Temos alguns objetivos concretos para este ano: o ideal seria ocuparmos 20 espaços de acolhimento, o que acho que vamos conseguir facilmente”, revela António José Coutinho, com entusiasmo. A nível da agricultura e do setor agroalimentar, Sever do Vouga, a capital do mirtilo, destaca-se na produção de pequenos frutos. “Temos desenvolvido muitos projectos agrícolas neste tipo de cultura e foi-nos aprovada uma candidatura para a criação do cluster dos pequenos frutos”. Graças à Bolsa de Terras, que resulta de um contrato de parceria entre a AGIM, a Fundação Bernardo Barbosa de Quadros e a empresa Espaço Visual - Consultores de Engenharia Agronómica, Lda., os agricultores que pretendam iniciar ou expandir a produção de mirtilos vão ter à sua disposição 40 hectares de terrenos semi abandonados que poderão cultivar. Esta iniciativa permite fixar a população local e atrair novos moradores, potenciando um aumento demográfico.

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No eixo central para Santiago Município de albergaria-a-velha No distrito de Aveiro encontramos Albergaria-a-Velha, um município que remonta a origem do seu nome ao século XII, por ter recebido nas suas terras a primeira albergaria do reino para apoio a peregrinos, passageiros de demais visitantes que ali precisavam de pernoitar. E num retrocesso ao passado, o município fez renascer aqui o Caminho de Santiago.

antónio Augusto Santos Presidente

L

ocalizada exatamente no entroncamento das principais vias de comunicação do país, Albergaria-a-Velha faz parte da história de todos os peregrinos que anualmente se deslocam até Santiago, num ato de fé ou simplesmente de lazer. Albergaria-a-Velha está no eixo sul/norte na direção de Santiago de Compostela. Nesse sentido, a Câmara de Albergaria-a-Velha começou há pouco tempo a marcar o caminho para orientar os peregrinos que por lá passam. “De acordo com as informações que nos vão transmitindo as unidades hoteleiras e de restauração da região, temos uma média de três peregrinos por dia, sendo que acreditamos que este número irá crescer”. Delfim Bismarck, vice-presidente

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da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha revela que o município está a finalizar a construção de um albergue, “aproveitando uma antiga casa de magistrados. O albergue tem capacidade no seu máximo de lotação para 25 peregrinos, com todas as condições de apoios, nomeadamente balneários e demais equipamentos e ainda um espaço para guardarem as bicicletas. Se for necessário, é ainda possível acampar nas traseiras do edifício”. Com esta infraestrutura, Albergaria-a-Velha é o único concelho da região com um albergue. Este espaço servirá exclusivamente para acolher peregrinos e regerse-á sobre as regras comuns a todas estes espaços, nomeadamente horários de chegada e partida, hora de silêncio, preço, entre outros fatores previstos num

regulamento de utilização. Cientes de que esta é uma questão cultural a preservar, o município de Albergaria-a-Velha, juntamente com Vouzela, Sever do Vouga, Tondela e Oliveira de Frades, apostaram na dinamização dos Caminhos de Santiago e assinaram um protocolo de cooperação tendo em vista a dinamização e divulgação do caminho do interior. Esta é uma rota descendente para quem vem do interior do país, do lado de Viseu. “Assim, Albergaria passa a ser o centro do cruzamento desses caminhos”, esclarece o nosso interlocutor. Delfim Bismarck é responsável pela implementação deste projeto no concelho. “O Caminho de Santiago, apesar de estar classificado como uma rota de turismo


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religioso, é percorrido por muitos peregrinos por uma questão de fé, mas também por questões culturais, de turismo, de passeio, de conhecimento e de lazer essencialmente”. Em março começará a ser colocada a sinalética própria alusiva aos Caminhos de Santiago, a concha de vieira, principalmente nos sítios onde existe uma bifurcação de caminhos, um de pinhal e outro mais próximo das habitações, “e dentro de três meses, no máximo, estará tudo a funcionar a cem por cento no que aos Caminhos de Santiago diz respeito”. Delfim Bismarck diz notar que existe já um grande incentivo à restauração e que as pequenas pensões e outras unidades hoteleiras sentem esta dinâmica que os Caminhos de Santiago trazem à cidade, “pelo que as nossas perspetivas em relação a esta aposta são muito boas”.

Cultura, gastronomia e bem estar Quem por aqui passa em peregrinação quererá, com certeza, voltar a Albergaria-a-Velha para, com mais

calma e também mais tempo visitar o que de melhor a cidade tem para oferecer. O vice-presidente da Câmara Municipal diz à Revista Negócios Portugal que o ideal será reservar um fim de semana para que possa conhecer Albergaria-a-Velha. Terra de tradições. De água, pão e moinhos, o município está a fazer uma forte aposta na criação da Rota dos Moinhos, de modo a disponibilizar um produto turístico e cultural que alie a preservação e a valorização do seu património espalhado por seis freguesias do município. “Esta colaboração entre a Câmara e os proprietários dos moinhos, pretende articular e potenciar os recursos e possibilidades dos parceiros, particularmente no que concerne à uniformidade e potenciação do património molinológico integrado nesta Rota. O fundamental é preservar o património imaterial, as tradições e as vivências destes espaços”, diz o vice-presidente. Os visitantes destes, para já, oito moinhos poderão adquirir farinha produzida nos mesmos, como uma recordação. Além da Rota dos Moinhos, em Albergaria-a-Velha poderá ainda assistir às festas em honra da Nossa Senhora do Socorro, um dos ex libris turísticos da região,

assim como ao Albergaria ConVIDA, um evento que alia a gastronomia ao artesanato e a concertos musicais, e que atrai dezenas de milhares de pessoas anualmente a Albergaria-a-Velha. E porque a gastronomia é outro dos pontos fortes de Albergaria-a-Velha, quem por aqui passa não deixa de se deliciar com a enguia, a lampreia, o leitão, a vitela e ainda os turcos, um biscoito típico típico local, a par da regueifa de canela, broa e pão de elevada qualidade. E Albergaria-a-Velha é ainda sinónimo de cultura. A cidade apresenta um cartaz cultural mensal invejável, recebendo na sua casa alguns dos nomes mais sonantes da música, teatro e dança a nível nacional. Finalmente, a prática de desportos radicais é outro dos pontos chamativos da cidade, ou não fosse Albergariaa-Velha a cidade mais procurada para o btt, muito graças à sua área florestal, num total de cerca de 70 por cento do concelho.

Delfim bismarck Vice-Presidente

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Vouzela, um município em crescimento Município de vouzela O município de Vouzela enquadra-se no coração de Portugal, entre o mar e Espanha, mais concretamente no centro do eixo da A25, no distrito de Viseu. Um concelho recheado de riqueza, património e força de vontade para crescer e ultrapassar todos os obstáculos.

rui ladeira Presidente

A

tualmente a população é envelhecida, como todo o interior do país de uma forma genérica, revela o presidente da Câmara Rui Ladeira, reconhecendo que nem tudo são sinais negativos, encarando a questão empresarial como um setor diferenciador e promissor do concelho. Ao longo de várias décadas, o setor empresarial foi conquistando o seu lugar na região, como a questão da agricultura, da pecuária, sem esquecer as empresas que estão a exportar, sendo de referência a nível nacional, mas também reconhecidas num contexto internacional. No decorrer de várias presidências, o principal objetivo

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sempre foi infraestruturar a comodidade das empresas. Numa vertente económica, a dedicação à indústria e a preocupação com todo o crescimento é uma forma de promoção dos parques industriais, do que têm para oferecer, desde o nível do preço de lote, mas também pelo nível fiscal e pelos licenciamentos. Vouzela pretende ser apelativa, ambicionando criar impacto de modo a promover a região, com o objetivo de fixar famílias, aumentar a natalidade e, naturalmente, criar “um território mais harmonioso e mais jovem”, afirma Rui Ladeira. Para combater um pouco a crise que atravessa Portugal, a região valoriza muito a agricultura e os produtos locais,

nomeadamente no setor agrícola recebem o maior número de candidaturas no âmbito de jovens agricultores na região centro e um pouco até a nível nacional. Rui Ladeira confidencia que “são os filhos da terra que vêem na agricultura uma série de oportunidades de criar, inovar e fazer diferente em tempos de crise, originando postos de trabalho diretos, o que para um pequeno concelho como Vouzela é um grande indicador de crescimento”. Posteriormente, a questão da comercialização e projeção do produto a nível nacional e internacional surge como uma das grandes preocupações. O município encara a agricultura como um fator crucial, tendo como prioridade


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a preservação da paisagem, mas também a criação de valores e produtos, reunindo um vasto conjunto de oportunidades. Muitos empresários já apostam em turismo habitacional e turismo rural, inserindo assim uma nova estratégia do município: a forte aposta no turismo.

Turismo O turismo tem dinamizado muito os percursos pedestres, tem impulsionado o parque de campismo que tem 4estrelas, sendo o primeiro certificado no país. Afirma Rui Ladeira que “charme, arquitetura e beleza”, são palavras caracterizadoras da vila de Vouzela, em que tudo reunido e associado “origina que até à data de hoje seja um polo muito importante na região centro, no que diz respeito à economia local, sendo um setor que tem de ser analisado com muita profundidade”. Ao longo dos percursos pedestres é possível olhar o Caramulo, o percurso da resina e da água em que pedagogicamente pretendem transmitir às crianças o modo de funcionamento. Pretendem valorizar as memórias e os vestígios históricos que hoje existem, sendo que outra questão fundamental é criar serviços e pontos de aproximação e cativação de turistas, crianças e famílias na serra. Além da dinamização dos percursos pedestres

pretendem também produzir outros dinamizadores e diferenciadores. Sendo igualmente concebido o trilho/ percurso das três torres medievais e o circuito da Penoita. Em fase de finalização encontra-se o 1º centro de BTT, no distrito de Viseu. Um bike parque que pretende que seja também certificado, possuindo um centro de lavagem e tratamento das bicicletas em conjunto com o parque de campismo local. No fundo, desejase “um espaço onde os desportistas possam tomar banho, onde tenham uma boa receção, um bom atendimento, e depois vão ter à sua disponibilidade um percurso de 200km por toda a serra e concelho de Vouzela. O percurso vai estar disponível em três fases: pouca dificuldade, média e alta”. Um projeto que será inaugurado em março de 2014. Os desportos radicais pretendem ser formatados e organizados sempre ligados à natureza, em que os mais aventureiros, numa visita a Vouzela, têm à sua disposição desportos alternativos como parapente, para-motor, orientação e escalada.

Percurso dos Caminhos de Santiago Em cooperação com concelhos vizinhos, está a ser criado um novo percurso dos caminhos de Santiago. No município de Vouzela pretende-se que tenha dupla

função: religiosa, ou seja, de promoção do turismo religioso, bem como uma vertente turística, sendo importante e necessário adequar aos tempos de hoje as oportunidades. É possível alcançar esses objetivos caracterizando as igrejas, as fontes, as pontes, em que os peregrinos podem visitar ao longo do percurso, bem como ter à sua disposição as farmácias, o centro de saúde e os albergues. Este projeto do novo caminho de Santiago pretende dar a conhecer uma matriz muito própria e muito diferenciadora do que vai ser um percurso de cariz religioso mas também turístico. Um município em crescimento, com projetos futuros muito promissores, que acima de tudo pretende promover e levar muitos turistas à sua região. Rui Ladeira, presidente da Câmara de Vouzela, revela “o principal objetivo é acolher e receber bem todos os que nos visitem, não só do norte de Espanha, mas sim de todo o país, de toda a Europa. No fundo, o mais importante e a principal missão é valorizar o património e sobretudo dar a conhecer o que é a nossa matriz e qual foi o caminho percorrido até aos dias de hoje. No futuro, queremos fazê-lo de forma inovadora, criando riqueza de modo a continuar a povoar e a manter toda a qualidade de vida que Vouzela tem para oferecer”.

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Portugal igual a tecnologia

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ara Portugal o futuro é já hoje. Líder em nichos como as telecomunicações, a tecnologia e os serviços, as empresas portuguesas estão a apostar na especialização e inovação. Gigantes como a NASA ou a Agência Espacial Europeia utilizam programas informáticos criados por portugueses. O mesmo se verifica, por exemplo, no Metro de Londres ou nos Caminhos de Ferro da Holanda, da Noruega, da Finlândia e da Dinamarca, que compram às empresas portuguesas o seu software de gestão ferroviária. Mas há mais. Sabia que foram os portugueses quem inventaram os cartões pré-pagos nas comunicações móveis? E que em Portugal já pode comprar o bilhete e escolher o seu lugar na sala de cinema por telemóvel? E que estamos a construir a maior central foto voltaica da Europa? E que a «via verde» utilizadas nas auto-estradas nacionais foi criada por técnicos portugueses e é um dos produtos mais cobiçados pelos parceiros mundiais? E isto é apenas o princípio de um projeto ambicioso que tem como objetivo o desenvolvimento económico, social e cultural de Portugal. O país tem registrado desde meados dos anos 90 uma duplicação no número de empresas com atividades de Investigação & Desenvolvimento (I&D). Estas companhias competem internacionalmente com recursos humanos altamente qualificados, I&D e inovação, marketing, design, formação e qualidade. Paralelamente, o número de publicações científicas portuguesas referenciadas a nível internacional aumentou para cerca do dobro, ilustrando o impacto e reconhecimento internacional da investigação feita em Portugal. O aumento da colaboração internacional na produção científica portuguesa evidencia também a internacionalização da investigação nacional.

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CONHECER O PASSADO, VALORIZAR O FUTURO

ANÁLISE IN-SITU Radiografia digital Reflectografia de infravermelhos Espetrometria de fluorescência de raios X Espetrometria FTIR (ATR/Reflexão) Colorimetria / Espetrometria visível Microscopia digital Levantamento laser 3D MICROSCOPIA E MICROANÁLISE Microscopia Ótica Microscopia Eletrónica de varrimento Microscopia Raman Microscopia FTIR com Imaging Microdifração de raios X ESPETROMETRIA DE MASSA LA-ICP-MS IR-MS LC-MS GC-MS OUTRAS TÉCNICAS TG-DTA-DSC Espetrometria de UV-Vis

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um projeto inovador para a microtecnologia

Centro hercules

A Universidade de Évora com o patrocínio do mecanismo de financiamento europeu EEA Grants criou no ano de 2009 o Centro HERCULES – Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda, surgindo da perceção do precioso legado patrimonial da região em que estão centrados, o Alentejo.

antónio candeias e josé mirão Diretor e Diretor Adjunto

O

Centro HERCULES em parceria com a Universidade recorre abundantemente à microtecnologia. O principal foco é o estudo do património artístico, arquitetónico e arqueológico, consciencializados de que o património cultural da atualidade é apreciado como um pilar fundamental para o progresso sustentável das regiões. José Mirão, professor e diretor adjunto e mineralogista/ geoquímico, explica que a necessidade de microtecnologia resulta de dois aspetos: a natureza das próprias amostras e o tamanho das amostras. No que diz respeito à natureza das amostras estas são sempre heterogéneas, isto é, qualquer pintura, cerâmica, independentemente do século, do ano, ou da localização a que correspondam, possuem uma estrutura complexa e heterogénea. Afirma então José

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Mirão que “para perceber esse tipo de materiais não se pode olhar para o material como um todo, mas sim perceber cada uma das suas partes, requerendo sempre técnicas micro, para identificar quais os compostos que estão presentes e quais os seus elementos químicos”. Sempre que possível realizam análises in-situ mas na maior parte dos casos para se obter as informações que se pretende é impossível não retirar amostras para análise, procedendo-se assim à extração de pequenas microamostras. Confrontado como se sentia perante a questão da descentralização, José Mirão responde “confortável e desconfortável”, pois admite que não podem considerar que estão numa grande cidade, de um grande tecido económico, mas sim que no que diz respeito à tecnologia e qualidade dos serviços é importante que

esta faça cada vez mais parte da Europa. Explica ainda que “Évora está no meio de uma ligação de duas capitais, sendo isso vantajoso e agradável. Quando o projeto foi pensado, não foi só a pensar no Alentejo, mas também no eixo Lisboa-Madrid, o que origina também um pouco a internacionalização.” O Centro HERCULESs neste momento colabora com diversas universidades estrangeiras de topo, em que trabalham essencialmente com tudo o que é material, desde o património arqueológico, ao móvel, à pintura, sendo que todo o tipo de colaborações são importantes e muito favoráveis. Um projeto inovador mas ainda em crescimento, necessita de colaboração de várias entidades para garantir um futuro estável. Questionado sobre a questão do financiamento, o professor responde que


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“temos conseguido financiamento de várias fontes. Nomeadamente o Orçamento de Estado, pois grande parte dos investigadores que trabalham no centro HERCULES são docentes da Universidade de Évora. Mas a principal fonte de financiamento são projetos, como os projetos europeus, os de investigação com a entidade que mais financia a Ciência em Portugal, que é a Fundação para a Ciência e Tecnologia, e depois temos tido financiamento de Fundos Estruturais, que têm permitido aumentar o tamanho da infraestrutura. Contamos ainda com a colaboração das empresas” Apesar de estar localizado em Évora, o Centro HERCULES pretende dar respostas abrangentes, na medida em que sentem necessidade retribuir quem financia muito do material e trabalho desenvolvido pelo centro. Na opinião do professor “os problemas são globais, as matérias são globais, tudo é global” portanto no seu ponto de vista é inconcebível a ciência local. Apesar de reconhecer que têm uma obrigação pela região onde estão localizados,

o facto de colaborarem fora da região também é uma valorização para o território. Muito justificado por “grande parte das análises que realizamos e dos estudos arqueométricos que concretizamos reportam a bens que são de um tempo em que não exista Portugal ou Espanha, Évora ou outra cidade, daí não fazer sentido focar e falar apenas na valorização do território local, mas sim de falar sempre numa perspetiva global”. “A ciência é global”, foi com esta afirmação que José Mirão falou um pouco das parcerias nacionais e internacionais. Considerando a principal área específica que é o património e a própria ciência, em que a ciência faz-se com uma visão do que está a acontecer em todo o mundo e não sendo apenas uma questão local. A microtecnologia é ainda uma questão muito recente e de que grande parte das pessoas não têm conhecimento, sendo importante dar-lhes a conhecer da melhor forma. Questionado se têm por hábito proceder à realização de ações de sensibilização e promoção junto da população,

o professor José Mirão responde “sim, sempre. O que continua a funcionar melhor mesmo no meio das empresas é a comunicação direta e o difundir da mensagem. Mas ainda há pouco tempo co-produzimos uma série documental que foi transmitida na TVI24 e coordenamos projetos de Ciência Viva em cooperação com as escolas que em muito contribuem para o nosso impacto e reconhecimento social”. Admitem ainda ser fundamental a divulgação sempre que fazem um novo projeto, sendo essa divulgação feita a dois níveis: o mundo empresarial/institucional e, por outro lado, o grande público. Possuem também colaboração com as empresas onde tentam realizar atividades para empresas, estando ainda previstas ações de formação para pessoal técnico. Um projeto promissor, uma tecnologia em crescimento, que conta com especialistas competentes e motivados para fazer a diferença e levar os seus projetos alémfronteiras.

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Na rota do futuro

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desenvolvimento económico que se perspetiva para os mercados emergentes nos próximos anos, nomeadamente para o Brasil, China e Angola, vai conduzir a maiores volumes de trocas comerciais e à necessidade de novos espaços em termos de logística e armazenagem, concluem os analistas da consultora Cushman & Wakefield (C&W). A grande maioria dos operadores logísticos antecipa um crescimento dos respetivos negócios nos próximos anos. Esta expectativa resulta de um inquérito aos operadores logísticos ativos no mercado nacional da responsabilidade da C&W e da revista “Logística Moderna”, e contraria outras atividades industriais nacionais. Cerca de 41 por cento dos espaços de logística estão ocupados por estrangeiros, que consideram que a crise em Portugal acaba por ser uma oportunidade. Os gestores consideram neste inquérito que existe espaço para o crescimento dos transportes marítimos e ferroviário em Portugal, com o transporte marítimo a reunir o maior consenso, com cerca de 74 por cento dos inquiridos a considerarem que há boas oportunidades. Sobre este tipo de transporte, os gestores consideram que os recursos e infra-estruturas estão subaproveitados e pouco rentabilizados, tendo em conta a localização privilegiada e as condições naturais de que Portugal dispõe. Os mercados emergentes, com destaque para Brasil, Angola e China, serão determinantes para que nos próximos anos se assista a um aumento das trocas comerciais entres estes países e a Europa. Consideram as mesmas fontes que os custos associados ao transporte têm um peso significativo na estrutura dos custos logísticos. O aumento do preço dos combustíveis levou à subida do custo dos transportes. Também o transporte ferroviário pode crescer. Portugal pode ser a porta de entrada de mercadorias para a Europa, uma situação potenciada pelo crescimento do transporte marítimo. Os inquiridos consideram ainda ser necessário a ligação ferroviária de Sines a Espanha e Europa. Avançam ainda que a intermodalidade, com recurso ao transporte ferroviário, é apontada como o caminho para o desenvolvimento sustentável do setor logístico, contribuindo para uma redução do impacto ambiental provocado pelo excessivo recurso ao transporte ferroviário. Relativamente ao transporte rodoviário, há crescentes barreiras, nomeadamente ao nível dos custos e sustentabilidade ambiental. Afirmam que o atual enquadramento económico e a pressão sobre os preços justificam um investimento no transporte ferroviário em detrimento do rodoviário. Fonte: Oje

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237 anos de história e sucessos Garland A Garland chegou a Lisboa por acaso. Uma forte tempestade desviou um navio carregado de bacalhau e a venda da mercadoria correu tão bem que levou à abertura de um escritório. Era uma companhia inglesa, mas nacionalizou-se há pouco mais de cem anos, sendo agora uma companhia totalmente portuguesa. Conta com perto de três séculos de sucesso e está atualmente nas áreas dos trânsitos, navegação, logística e distribuição de pneus. A crise representa apenas mais uma oportunidade de investimento nesta empresa familiar, que está no top 5 das empresas nacionais e já viu por três anos consecutivos a sua agência de navegação ser considerada a melhor do país. Falamos com Peter Dawson, administrador da Garland.

peter dawson Administrador

Gostava que nos contasse um pouco da história da Garland…Como começou? A Garland foi formada em 1776, depois do navio do mercador inglês Thomas Garland – que fazia a ligação entre Canadá e Inglaterra e transportava bacalhau – ter sido desviado para Lisboa, devido a uma enorme tempestade. A venda de toda a mercadoria correu tão bem que pouco tempo depois enviou o filho Joseph Garland para abrir um escritório de importação e venda

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de bens alimentares em Lisboa. A partir de 1855, a Garland ficou também como agência de navegação de muitos armadores ingleses. Em Portugal, até 1932, a Garland era um dos maiores distribuidores de bacalhau. Quando o serviço de distribuição de bacalhau desapareceu, a companhia já estava estabilizada como agência de navegação, em Lisboa e no Porto. A família Dawson entrou na Garland em 1860, através do meu bisavô, que fugiu de Inglaterra com 16 anos. Veio para

Lisboa, encontrou esta empresa, que nesta altura já ia na terceira geração da família Garland, e o senhor Garland adoptou-o, já que não tinha filhos. Começou a servir o chá, e quando o senhor Garland se reformou, deixou-lhe a empresa. Hoje em dia, já vamos na quinta geração de Dawson. A Garland é líder desde 1856 na área das agências de navegação. Como é que uma empresa com


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tantos anos sobrevive a tantas crises e mudanças? Nos anos 60, a companhia reforçou-se para se tornar uma companhia portuguesa. E durante este tempo adaptámo-nos às necessidades da indústria portuguesa, dentro do nosso core business, que é transportes e logística. Depois da 2ª Guerra desenvolvemos a área de trânsitos, que envolve uma área de transportes de carga, quer importação quer exportação, seja por camião, navio ou carga aérea. Nos últimos dez anos, começámos a dar resposta também às necessidades de logística, e temos agora 30 mil metros quadrados de armazéns, a maioria no norte do país, na Maia. Recebemos os produtos, tratamos das encomendas, fazemos o picking e os trabalhos de valor “acrescido”. Por exemplo, temos um cliente de sapatos no qual temos de soldar o nome da marca do sapato com código porque no Médio Oriente não aceitam etiquetas. Dizem que são fraudulentas. Esta é uma área interessante porque como há muita produção de calçado e têxtil, e essa produção vem do norte da Europa, fazer este tipo de trabalho de preparação lá, sai quase ao dobro do preço. Por isso, muitas companhias estrangeiras têm vindo ter connosco para que a preparação do produto para as lojas seja feita aqui nos nossos armazéns de logística. E depois temos uma grande vantagem porque no norte há muitas pessoas que trabalhavam na indústria têxtil e, por isso, sabem trabalhar e manusear roupa – retirar de caixas e sacos, pôr etiquetas novas, voltar a embalar… Como é que se tornaram numa das principais companhias de transporte, logística, agência de navegação? Creio que estamos entre as cinco maiores empresas particulares de Portugal. Temos um sistema muito claro de motivar as pessoas que trabalham nesta companhia, por isso, delegamos muito do trabalho. Temos uma direção que não é muito grande e está quase sempre em contacto direto com as pessoas que fazem o trabalho diário. E são esses colaboradores que tomam as decisões. Às vezes erram, mas esperamos que aprendam com os erros e que da próxima vez não voltem a fazer o mesmo. Temos uma equipa de quase 350 pessoas, dentro da logística, trânsitos, agência de navegação e distribuição e pneus. E dentro dessas temos um grupo muito diversificado, motivado e dividido em equipas pequenas. Em cada departamento são cinco, seis pessoas, com uma chefia, o que faz com que estejamos muito focados em cada área. Cada pessoa foca-se numa área e desenvolve-a. Temos um escritório na Abóboda com um armazém de cerca de 10 mil metros, temos armazéns na Maia com 30 mil metros, temos um escritório mais pequeno na Marinha Grande e Aveiro e temos a navegação concentrada em Lisboa e Leixões. Como desenvolveu o negócio dos pneus? E como encara o futuro nesta área? A Garland começou a distribuir pneus nos anos 60 com

a marca Dunlop. Representámos esta marca durante mais que 30 anos e depois tivemos de responder às necessidades do mercado e ter uma oferta mais diversificada não só em preço mas também em produtos. Por isso, a Garland Pneus tem tido sucesso num mercado muito difícil representando marcas asiáticas e europeias de pneus ligeiros. Nos últimos anos temos diversificado para vender pneus pesados, comerciais, industriais, e para agricultura e florestais. Fazemos uma “stockagem” de várias marcas e produtos e assim temos a possibilidade de entregar pedidos dentro de 24 horas. E já que trabalham numas áreas tão específicas, os vossos empregados têm que entrar na Garland já com formação ou a Garland depois oferece essa formação? Temos o objetivo de ter pessoas cá que já vêm formadas. Não precisa de ser necessariamente no nosso negócio, mas com alguma licenciatura de uma universidade… e depois formamos à maneira da Garland. Formá-los de uma maneira em que se dá importância a cada pessoa. Como é que surgiram os vários terminais que acabou agora mesmo de dizer que tinham? Queremos servir a indústria portuguesa. E quando nos começámos a desenvolver no norte de Portugal, foi à volta da indústria têxtil. E como a indústria têxtil tem normalmente a base a norte, Maia, a área do Porto e de Leixões sempre foram as áreas que estavam no meio dessa indústria. E desde que começámos os trânsitos, nos anos 70, envolvemo-nos muito na parte têxtil. Temos sistemas de “pendurados”, onde a roupa já viaja embalada e pendurada em cabides, preparada para entrar na loja. Movimentamos a nível nacional e internacional à volta de 5 milhões de peças por ano. E quando diz “internacional”, refere-se a mercados mundiais ou só europeus? Nesta área dos trânsitos, fora a navegação, começámos numa base europeia. Mas agora o crescimento está a ser fora da Europa. E mais uma vez, ouvimos as necessidades dos nossos clientes. Nós temos à volta de dois mil clientes ativos, muitos dos quais estão na Europa mas estão a olhar para países sobretudo de língua portuguesa – Angola, Moçambique -, América do Sul, mas também a China, que está a começar a comprar produtos alimentares, como o vinho, o azeite, etc. Depois há ainda o Médio Oriente, na área da construção, e o Norte de África, onde trabalhamos com Argélia e Marrocos. Não há então nenhum tipo de material que a Garland não possa transportar? Exatamente. A única área que não estamos muito envolvidos é na área de frio. Não temos armazéns de frio. Mas o seu transporte conseguimos fazer. Temos até um transporte especializado entre Portugal e Suíça, que

é para frio de grupagem, isto é, é uma carga, para vários clientes, que enche o camião. Levamos para a Suíça várias cargas que precisem de temperatura controlada, por exemplo o vinho, que viaja com uma temperatura de entre 10 a 15 graus, transportamos também medicamentos e alguns alimentos. Por isso temos de olhar e perceber o que é que o mercado está a fazer. Também damos muita importância à parte técnica, na informática. Pouco a pouco, estamos a chegar ao ponto de um cliente poder entrar dentro do nosso sistema e ver onde está a sua carga, se foi carregada, se foi entregue, através do sistema de “tracking”. Tem menos de dois anos, não é obrigatório mas é um sistema de que o cliente precisa. Assim, estamos sempre a renoválo e melhorá-lo. Em termos da agência de navegação, foram considerados a melhor agência de navegação em 2005, 2006 e 2007. Qual é o segredo para estes resultados? Consideramos que a comunicação é muito importante. As pessoas são treinadas para comunicar com o cliente e a importância da comunicação, especialmente na área da navegação, é fazer o cliente saber onde está a carga, se houve algum atraso, onde a carga vai ser entregue. Assim o cliente está sempre informado. Esses prémios vêm do cliente, porque é-lhes entregue um questionário e os resultados falam sempre da boa comunicação da Garland. E como têm sido os vossos resultados, em termos de faturação, ao longo dos últimos cinco anos? No ano passado aumentámos a faturação em quase 15 por cento. Nos últimos dez anos temos subido entre os 5 e 15 por cento, por isso, neste momento, a Garland fatura à volta de 70 milhões de euros por ano. Se depois incluirmos os nossos investimentos em companhias externas, a faturação anual ronda os 90 a 95 milhões de euros. Que setor vos dá maior faturação? Neste momento, são os trânsitos. Aí temos uma facturação há volta dos 26 milhões de euros. Mas é fora da Europa que estamos a crescer mais nesta área. Como é que a Garland vê o futuro? Todos os anos tentamos investir mas não queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Em 2014, vamos abrir uma sede em Marrocos, desenvolver mais a parte logística, que é uma área que está em crescimento, abrindo mais armazéns e trazer muito do que temos em Lisboa para a Abóboda e fazer deste o nosso escritório central. Além disso, estamos sempre a consolidar serviços e a ver o que o mercado está a fazer, o que os clientes precisam, se existem mercados novos, para procurarmos satisfazer as necessidades deles.

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No apoio ao próximo

A

s Misericórdias nasceram do preceito cristão da caridade, expresso nas 14 obras de bem-fazer, sete espirituais e sete corporais. O espírito de misericórdia converte-se em ação organizada, à maneira das instituições medievais, pela primeira vez em Florença, no ano da graça de 1244, por iniciativa de S. Pedro Mártir. A ideia, chegada a Lisboa nos tempos de D. João II, como um benéfico efeito colateral das relações comerciais entre as duas cidades, inspirou à rainha D. Leonor a fundação de uma Casa da Misericórdia, a primeira do reino de Portugal. Atualmente, existem duas organizações onde se reúnem as Santas Casas de todo o mundo e das quais também faz parte, enquanto entidade fundadora, a UMP: a União Europeia das Misericórdias e a Confederação Internacional das Misericórdias.

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Prioridade à saúde Santa casa da misericórdia de cantanhede Desde sempre ligada à saúde, a Santa Casa da Misericórdia inaugurou recentemente a sua Unidade de Cuidados Continuados. O aumento da população idosa e sobretudo cada vez mais dependente é notório, pelo que Rui Rato, provedor da instituição, considera a criação desta unidade a resposta acertada para a Santa Casa e essencialmente para a região.

antónio Alexandre Henriques e rui Rato Administrador Delegado e Provedor

“T

ivemos sempre uma vocação para tratar dos enfermos, mas também dos mortos, esse é um dos principais compromissos das misericórdias, não só da nossa em particular”, começa por nos contar Rui Rato. O número crescente de idosos mas essencialmente o número de dependentes é cada vez mais uma realidade no nosso país. Daí, e tendo presente a mesma, a Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede iniciou formalmente em 2006 “uma candidatura há muito desejada para a construção da Unidade de Cuidados Continuados na tipologia de longa duração”. Rui Rato alerta para o que considera ser ignorado por muitos portugueses. “A população hoje vive até mais tarde, mas isso é sinónimo

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de que, durante mais anos, precisarão de apoio, uma vez que serão dependentes. Há o problema tradicional do envelhecimento, mas um problema novo desse envelhecimento é o prolongar-se por muito mais tempo e trazer novos desafios”. A Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede foi construída de raiz numa zona central da cidade, junto aos edifícios administrativos da instituição. “Este edifício dispõe de oito quartos individuais e 11 duplos, o que perfaz a capacidade de 30 camas, áreas de receção e apoio administrativo, salas de refeições, de convívio e de atividades, áreas de higiene pessoal, médica e de enfermagem, gabinetes para medicina física e de

reabilitação, incluindo ginásio, áreas de pessoal e de logística”.

As outras valências A Misericórdia de Cantanhede conta também com as valências de creche, pré-escolar, ATL, lar para crianças e jovens, centro de dia, lar de idosos e também apoio domiciliário. António Alexandre Henriques é administrador da Santa Casa há mais de 30 anos. Também ele cresceu aqui, o que torna esta obra e a sua missão ainda mais importantes. É ele quem nos conta a história do surgimento das valências dedicadas aos mais novos.


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“Desde muito cedo que a Misericórdia tem uma resposta a crianças, nomeadamente na creche e pré-escolar. Tínhamos igualmente um lar de infância para crianças institucionalizadas. São duas respostas que se mantêm e sobretudo a área da infância teve um incremento maior muito pelo período pós-revolução, em que as mulheres começaram a integrar o mundo do trabalho”. Aí, a Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede aumentou significativamente a oferta, em resposta à procura “e em 1997, com a publicação da Lei do Pré-Escolar, optamos por remodelar as instalações que continuam bastante atuais e a apresentar todas as condições para receber as crianças da melhor forma”, refere o administrador. Atualmente, a Misericórdia recebe 130 crianças em creche e 120 em pré-escolar. Os mais pequenos que frequentam aqui o ensino pré-escolar têm ainda à disposição aulas de música, inglês, natação e expressão corporal, todas elas lecionadas por professores credenciados. Outro projeto de que Rui Rato e António Alexandre Henriques se orgulham é o Lar Maria Cordeiro, um espaço que acolhe crianças e jovens que, por razões de disfunções graves ou outras, carecem do apoio de uma estrutura residencial tão aproximada quanto possível à de uma família, que lhes proporcione não só as facilidades de socialização inerentes às fases de desenvolvimento, mas também o papel complementar que lhe cabe na ação educativa. Ainda a pensar nos mais novos, a Santa Casa tem um Centro ATL, frequentado por crianças entre os 6 e os 10 anos quando estas não se encontram em horário e período escolar. O lar de idosos é outras das valências disponibilizadas pela instituição. “Uma característica muito particular do nosso lar é que todo ele foi pensado enquanto pequenos apartamentos, para aqueles que viessem aqui residir com o seu cônjuge. Assim, nós não disponibilizamos quartos, mas sim pequenos apartamentos, todos eles com kitchenette”, explica Rui Rato. Além disso, a Misericórdia apresenta outra característica

diferente das demais instituições de cariz social da região e também do país. “O concelho de Cantanhede é dos que mais respostas sociais apresenta. Por isso mesmo, e para que não prejudiquemos as associações vizinhas, a Misericórdia de Cantanhede aceita apenas idosos de Cantanhede e de outras localidades onde não existam lares de idosos e Centro de Dia. Quanto à creche, pré-escolar e ATL, apresentamos uma exceção a quem não vive mas trabalha em Cantanhede. Nesse caso, e por uma questão de comodidade aos pais, teremos todo o prazer em receber aqui os seus filhos”, explica o provedor. O apoio domiciliário é outro dos serviços aqui oferecidos, feito apenas na cidade de Cantanhede, mas não em tão

grande escala. “Temos um protocolo com a Segurança Social para apoiarmos 16 idosos em apoio domiciliário mas não é uma área onde queiramos crescer muito mais, não só por questões de rentabilidade mas porque já há quem o faça em Cantanhede e o faça bastante bem”, diz Rui Rato. Outro serviço prestado à comunidade é a Cantina Social, integrado no Programa de Emergência Alimentar, que serve diariamente 65 refeições a famílias que vivem em situação de grave carência social (desemprego, saúde, etc.).

Hospital regressa à Misericórdia Como é sabido, o Governo pretende transferir alguns hospitais para as Misericórdias suas fundadoras e Cantanhede é um desses casos. As passagens de testemunho começaram em novembro do ano transato. Rui Rato diz que este é mais um desafio para a Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede, “se houver benefícios para a saúde e comunidade”, mas vê o futuro com bons olhos. “Devemos isso à população, não podemos simplesmente deixar as pessoas sem assistência. Os interesses da população são os nossos interesses. E desde sempre que as Misericórdias têm uma forte ligação com a saúde. Este é mais um reforço disso mesmo”.

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Uma misericórdia sustentável Santa casa da misericórdia de condeixa Formado em gestão e com um passado ligado à parte financeira de várias instituições, Manuel Branquinho iniciou o seu percurso na Santa Casa da Misericórdia de Condeixa na função de tesoureiro. Foi numa fase mais conturbada, a comando de Amílcar Morgado, que considera ter sido um grande provedor, que aprendeu a gostar e a valorizar o trabalho desenvolvido por esta IPSS.

manuel branquinho Provedor

“É

curioso que, à semelhança de muita gente, não tinha noção da dedicação que tudo isto implicava”, confessa-nos o antigo gestor, que tomou posse da provedoria em janeiro de 2009, após se ter aposentado. Com este novo cargo, que lhe delegou toda uma outra responsabilidade, optou por descentralizar parte do seu trabalho, motivado pela confiança depositada “numa equipa técnica brilhante, que veste a camisola e que

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trabalha com dedicação”. Porém, assume-se como um “grande fiscalizador do trabalho realizado na instituição em nome dos meus colegas”, na medida em que dá a cara pela instituição, não podendo por isso aligeirar a sua atuação que, apesar de voluntária e desinteressada, envolve a gestão de um orçamento de quase dois milhões e meio de euros. A dois anos de completar 90 anos, criada em 1926, a Santa Casa da Misericórdia de Condeixa começou a ter expressão a nível da obra feita somente a partir do 25 de abril. Centrada no apoio interno, foi no decorrer da década de 80 que viu a sua abrangência alargada aos serviços de apoio domiciliário e aos centros de dia, para utentes externos. Na opinião do provedor, a evolução tem sido exponencial, e hoje “o trabalho prestado pela misericórdia é de uma importância inquestionável, quer pelo número de pessoas que ajudamos, quer pela diversidade das respostas sociais que temos”. Repartidas pelas várias repostas sociais, são ajudadas diariamente mais de 300 pessoas. A funcionar desde 1971, o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Condeixa tem como objetivo fundamental proporcionar habitação ao idoso, atendendo às suas necessidades básicas, sem nunca desrespeitar a sua autonomia. Espalhados pelas freguesias do concelho, os quatro centros de dia servem os seniores mais independentes, visando a sua permanência no seio familiar. O serviço de apoio domiciliário está vocacionado para prestar auxílio

doméstico e cuidados pessoais no domicílio. Quanto aos mais novos, a misericórdia compreende as valências de creche e o centro de acolhimento temporário de crianças e jovens em risco. São ainda servidas, todos os dias, a custo zero, 65 refeições através da iniciativa Cantina Social, dirigida aos mais carenciados. Tudo isto é viável graças ao esforço de 130 funcionários. A obra da SCM de Condeixa prima pela sustentabilidade. Enquanto provedor, Manuel Branquinho estreou-se em 2009, em vias de uma crise anunciada que entretanto não parou de crescer. Porém, desde a sua tomada de posse que “nunca mais houve um orçamento retificativo”. Orgulhoso de uma instituição que “honra os seus compromissos e que cumpre os objetivos de ajudar e de auxiliar as pessoas”, o provedor lamenta não ter sido capaz de suprir aquela que considera ser uma grande lacuna de Condeixa, apesar da SCM ressalvar a sua disponibilidade para integrar parcerias nesse sentido – a inexistência de uma Unidade de Cuidados Continuados. Por concretizar, mas em andamento, está o projeto de requalificação do lar de idosos. Com dificuldade em conseguir o apoio da Segurança Social, por ter as contas em dia, o processo tem vindo a desenvolver-se morosamente. No entender do provedor, é um erro de análise “não premiarem a boa gestão”.


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Caminho a seguir: empreendedorismo

S

er empreendedor é algo que nem todos conseguem suportar e um estilo profissional singular a que muitos não são capazes de se adaptar devido às exigências que lhe são características e às particularidades que fazem desta qualidade o que é. No entanto, a vida reserva desafios aos quais é preciso responder e isso obriga por vezes a trilhar caminhos alternativos para vencê-los e seguir em frente. É precisamente esta a diferença fundamental entre o empreendedor por oportunidade e o empreendedor por necessidade, perfis distintos de uma mesma realidade, o empreendedorismo. Há exemplos de um vasto leque de negócios nascidos de uma mera ideia aparentemente sem qualquer valor e outros surgidos na sequência da identificação de uma necessidade para a qual não existia resposta. São estes os cenários de “invenção” do empreendedor por oportunidade, uma pessoa que através do pensamento aleatório ou da habilidade de detetar carências tem o discernimento para reunir todas as condições imprescindíveis à transformação em realidade de algo resultante de um positivo momento cerebral. Embora se gostasse de afirmar que os portugueses são empreendedores pura e simplesmente pela sua capacidade, o que não é inteiramente falso, a verdade é que boa parte dos cidadãos nacionais que se tornam praticantes do empreendedorismo fazem-no por obrigação, ou seja, pelo facto de já não terem possibilidade de gerar rendimento trabalhando por conta de outrem. Contudo, existe também uma outra vertente, a dos casos em que essa necessidade assume contornos não tão drásticos, aquelas situações relativas aos profissionais descontentes com o seu atual posto de trabalho e que por esse motivo decidem embarcar na aventura de criar o seu próprio emprego, tomando assim as rédeas da sua carreira tendo em vista o alcance de objetivos traçados. Fonte: empreendedorismo.pt

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Pelo desenvolvimento empresarial açoriano

Sociedade para o desEnvolvimento Açoriano

A Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA) assume-se como parte atuante na conceção e na execução de políticas de estímulo ao desenvolvimento das empresas regionais, visando a sua competitividade e produtividade, na promoção da atratividade dos Açores com vista à captação de investimento externo, entre outros propósitos. Nesse sentido, conversamos com Sérgio Ávila, vice-presidente do Governo dos Açores.

Assim, entendemos ser fundamental ao nível político, dinamizarmos iniciativas que fomentem a capacidade empreendedora da nossa sociedade. É isso que temos feito desde há alguns anos a esta parte. Sim, já se nota uma maior sensibilização para as questões do empreendedorismo, principalmente por parte dos mais jovens, e um exemplo disso é o número significativo de candidaturas ao sistema de incentivos Empreende Jovem, especialmente concebido para possibilitar a criação de empresas por jovens açorianos. Tendo consciência de que é uma tarefa que exige da nossa parte consistência de políticas e de perseverança na ação, uma vez que os resultados não são imediatos e que o nosso ponto de partida não é o mais favorável, julgo contudo que estamos no bom caminho e que o número de empreendedores nos Açores terá tendência em aumentar nestes próximos anos.

sérgio ávila Vice-presidente do Governo dos Açores

Nesta edição na Revista Negócios Portugal abordamos o empreendedorismo. Nota que os portugueses em geral e os açorianos em particular estão mais empreendedores? Como enquadramento gostaria em primeiro lugar de referir que, na atual situação económica mundial, caraterizada pela globalização económica, os verdadeiros fatores competitivos situam-se sobretudo ao nível da capacitação das pessoas. São elas, com a sua vontade e criatividade, que tornam um país ou região mais competitivos e capazes de aproveitarem as enormes oportunidades que a globalização também induz, para além do facto de possibilitarem melhores respostas ao crescimento, diria exponencial, da concorrência mundial.

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Centremo-nos agora na SDEA. Qual a sua principal missão? A SDEA tem por missão contribuir para a conceção e execução de políticas de estímulo ao desenvolvimento empresarial, visando o reforço da competitividade e produtividade das empresas. No âmbito das suas atribuições, a SDEA desenvolve um conjunto muito diversificado de medidas, procurando ir ao encontro de uma nova estratégia de desenvolvimento regional, pela qual se pretende conferir a maior prioridade à dinamização da atividade económica, tendo em conta a criação de condições para um desenvolvimento económico sustentável. Assumem-se como parte atuante na conceção e na execução de políticas de estímulo ao desenvolvimento das empresas regionais, visando a sua competitividade e produtividade, assim como promoção dos Açores. De que forma? A atividade da SDEA abrange não só iniciativas de natureza conjuntural mas também políticas de caráter estrutural, com as quais se pretende melhorar o nível de competitividade das empresas, proporcionar

melhores condições de empregabilidade e, deste modo, impulsionar o crescimento da economia açoriana a médio e longo prazo. Pretendemos constituirmo-nos como um parceiro incontornável das nossas empresas, articulando as entidades administrativas envolvidas, assim como promover estratégias de eficiência coletiva por parte das pequenas e médias empresas, estimulando atuações conducentes à melhoria da envolvente empresarial. Neste enquadramento, temos vindo a adotar uma estratégia de proximidade com os nossos empresários, para que mais facilmente possamos fornecer as respostas adequadas aos condicionalismos, cooperando igualmente com as associações empresariais, no sentido de assegurar uma concertação estratégica com os agentes económicos, que envolva toda a comunidade empresarial.

Pedia-lhe que nos apresentasse cada um dos incentivos disponibilizados pela SDEA. A SDEA tem vindo a dinamizar um conjunto muito diversificado de medidas de apoio às empresas, como sejam o caso do Programa de Apoio à Revitalização das Lojas em Centros Urbanos – Loja +, do Sistema de Apoio à Restauração e Hotelaria na Aquisição de Produtos Regionais, da Linha de Apoio à Exportação das Empresas dos Açores, do Programa de Revitalização das Empresas Açorianas, do Empreende Açores ou da Linha de Apoio à Reabilitação Urbana dos Açores, a que acresce depois um conjunto de outras facilidades dirigidas aos nossos empresários, como é o caso da Loja da Exportação ou da Rede de Gabinetes de Empresa. Sem esquecer, o Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo nos Açores. Temos, portanto, um conjunto de iniciativas com as quais pretendemos dar resposta às necessidades dos nossos empresários, estando sempre disponíveis para atendermos os seus pedidos e a prestar toda a colaboração no sentido de os ajudarmos na tarefa extremamente difícil de criar e fazer crescer um negócio. Focam também o vosso trabalho na promoção e


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exportação. O que é feito neste âmbito? As empresas exportadoras dos Açores contam, desde logo, com o apoio e aconselhamento das Lojas da Exportação de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo, mediante um processo de estreita cooperação com a AICEP e IAMPEI. Apesar de fisicamente presentes nas ilhas de São Miguel e Terceira, estas estruturas disponibilizam também o seu apoio às empresas sedeadas nas restantes ilhas do arquipélago. Por outro lado, estas empresas têm à sua disposição o Sistema de Apoio à Promoção de Produtos Açorianos, que apoia o escoamento, a comercialização e a promoção de determinados produtos originários da região. Os incentivos previstos revestem a forma de subvenção a fundo perdido, sendo ainda possível majorar os apoios previstos quando estiverem em causa produtos com certificação “Indicação Geográfica Protegida – IGP”, “Denominação de Origem Protegida – DOP”, “Denominação de Origem Controlada – DOC” ou “Artesanato dos Açores”. A medida de apoio referida acima será, em breve, substituída por um novo sistema de incentivos, cujo objetivo será reforçar a competitividade externa dos produtos regionais e também incrementar o comércio intrarregional, contribuindo de forma positiva para a substituição de importações. Ainda no que concerne ao financiamento da atividade exportadora, está já à disposição das empresas açorianas a Linha de Apoio à Exportação das Empresas dos Açores, que visa financiar as operações de exportação de produtos e/ou serviços de origem açoriana e/ou que tenham sido sujeitos a uma transformação na Região Autónoma dos Açores. Esta linha de crédito, com bonificação de juros,

financia a produção e/ou transformação de produtos e serviços destinados à exportação, a própria exportação (pré e pós embarque), os descontos de remessas de exportação e os créditos documentários de exportação confirmados. A SDEA encontra-se ainda a preparar a criação da Marca Açores, que virá beneficiar, antes de mais, as empresas que desejem vender os seus bens ou serviços no exterior da região. Este distintivo terá uma natureza transversal a toda a produção regional, no sentido de constituir uma marca global de referência, tendo em vista induzir valor acrescentado aos produtos e serviços açorianos e aumentar a respetiva penetração nos mercados interno e externo. Em 2013 foi aprovado o Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na região autónoma dos Açores. Quais os principais pressupostos consagrados no mesmo? Diria que o principal pressuposto é o de podermos olhar para as questões do empreendedorismo de uma forma global e em todas as suas componentesAssim, no âmbito do diagnóstico efetuado consideraram-se um conjunto de domínios estruturantes a partir dos quais depois se definiram as várias iniciativas que constam do Plano Estratégico a vigorar nos anos de 2013 a 2016. No âmbito dos domínios estruturantes verificouse que, os relativos ao capital humano, empresas e mercados e cultura empreendedora seriam aqueles que careciam de uma intervenção prioritária, razão pela qual se verificou uma aposta ao nível de iniciativas dirigidas àqueles domínios, dando-se igualmente continuidade a iniciativas já em curso e que foram consideradas

importantes para o fim último a alcançar que é o fomento do empreendedorismo nos Açores. Portanto, o que se pretende com este plano estratégico é dar maior foco e continuidade a medidas que, ao nível do Governo dos Açores temos vindo a desenvolver, acrescentando outras que visam colmatar as necessidades identificadas no diagnóstico efetuado. Como antevê o futuro do projeto? Com otimismo. Os açorianos têm demonstrado ao longo dos séculos serem capazes de enfrentar todo o tipo de adversidades. Mesmo no atual contexto verificamos que a capacidade de iniciativa se mantém, basta atentarmos aos números relativos à entrada de candidaturas aos diversos sistemas de incentivos ao investimento privado em vigor nos Açores. Estou em crer que, com o novo ciclo de fundos comunitários a vigorar no período de 2014 a 2020, e nos quais já estamos a trabalhar, com os sinais favoráveis que nos vão chegando das várias economias europeias ou de outros quadrantes, que projetam uma estabilização da situação mundial, e com a implementação de todas as iniciativas que constam do plano estratégico, posso, sem qualquer dúvida, afirmar que, não só este projeto em si irá contribuir fortemente para o incremento da iniciativa empresarial, como irá encontrar as condições adequadas a que, no final das contas, tenhamos nos Açores um conjunto de iniciativas empresariais fortes e indutoras de riqueza e de emprego, fim último deste nosso esforço de fomento do empreendedorismo nos Açores.

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SAGE ONE, a nova solução online Sage A Sage chegou a Portugal no ano de 1999, altura em que fez a sua primeira aquisição, disponibilizando desde logo uma vasta oferta de produtos e serviços na área de gestão, desenvolvidos numa perspetiva de um mercado nacional, respondendo às necessidades de cada empresa e dos seus clientes, acompanhando o percurso empresarial de cada empresa, independemente da sua dimensão. Enquanto líder de software de gestão para as PME, procura sempre entregar as melhores soluções.

isália barata Diretora da Unodade de Negócios das Startups e Empreendedores

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á cerca de um ano o grupo Sage sofreu uma mudança, alterando a sua visão e proposta de valor. Tudo isto aconteceu porque o mercado estava a mudar, contando com clientes cada vez mais exigentes, que pretendiam soluções num período de tempo reduzido, isto é, como afirma Sara Machado, responsável pelo Marketing e Comunicação da Sage em Portugal, “querem muito mais por muito menos”. Resultou assim numa visão mais humana,

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aspiracional, possibilitando-lhes toda a liberdade para o negócio dos seus clientes. Para a empresa o mais importante é “estar ao lado dos seus clientes e por isso, mais do que, neste caso, os empreendedores verem a Sage como alguém que lhes dá uma solução de faturação, queremos que percebam a Sage como um parceiro que lhes irá facilitar a vida’, no fundo adaptando-se às suas necessidades para que estes fiquem totalmente focados no seu negócio”, admite Isália Barata, diretora da Unidade Negócio das ‘Startups e Empreendedores’. A Sage Portugal acompanha os empreendedores e as startups desde que estes decidem avançar na criação de um novo negócio. O conceito do Sage One surgiu precisamente da necessidade identificada pelos clientes, de ter total liberdade de se focar no seu negócio, considerando que fazer faturas é simples. Simples e acessível de qualquer computador, tablet ou telemóvel, desde que tenham acesso à internet, o Sage One tem ainda uma linha de suporte disponível para, ao lado do cliente, resolver e responder a todas as questões que muitas vezes se colocam a quem inicia um negócio.

Sage no futuro O core business da empresa continua a ser software

de gestão para as PME e é assim que vai permanecer nos próximos anos. Perante os desafios que o mercado vai trazendo é necessário criar novas soluções, que respondam à necessidade de mobilidade e soluções cloud e sem compromisso. Como revela Isália Barata, foi para nós importante investir na cloud, de modo a poder complementar as soluções de desktop, que pressupõem quase sempre pouca mobilidade e os dados dentro de portas. Com este tipo de solução aliadas à subscrição é dado assim ao cliente o poder de decisão, sem qualquer tipo de contrato de fidelização, por forma a usufruírem de uma solução à medida das suas necessidades. Afirma ainda que “o cliente de hoje é muito informado, tem acesso à internet onde pode tirar todas as dúvidas e sobretudo, não quer sentir que está agarrado às nossas soluções só porque nós o obrigamos. O Sage One ou qualquer solução em cloud e subscrição, permite exatamente isto. Se o cliente num determinado mês usa, paga, se no mês seguinte já não necessitar de usar não terá a obrigação de permanência e por isso qualquer tipo de custos”. Para a Sage o mais importante e uma das suas grandes prioridades desde sempre, é entregar um serviço de excelência e proporcionar uma boa experiência ao cliente, sendo essa a principal forma da empresa se destacar dos restantes players do mercado.


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“Projetar o futuro” Agência nacional para a qualificação e ensino profissional A Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) tem por missão coordenar e execução das políticas de educação e formação profissional de jovens e adultos e assegurar o desenvolvimento e a gestão do sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências. Sob o lema “Projetar o Futuro”, falamos com Gonçalo Xufre, presidente do Conselho Diretivo da ANQEP.

gonçalo xufre Presidente do Conselho Diretivo

Qual o papel da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) e os seus principais objetivos? A ANQEP tem a seu cargo a coordenação e a execução das políticas de educação e formação profissional de

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jovens e adultos, bem como o desenvolvimento e a gestão do sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências. Isto implica ser-se capaz de olhar para o sistema como um todo, interligando os domínios da educação, da formação e do emprego.

A qualificação continua a ser uma mais-valia para quem pretende ingressar no mundo do trabalho ou evoluir no seu emprego… A qualificação é uma condição essencial para a


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expressão de uma cidadania ativa em todos os domínios, tal como a empregabilidade, entendida aqui como a capacidade de nos adaptarmos às exigências contínuas do mercado de trabalho. Os estudos prospetivos referem que, em 2025, na Europa, existam cada vez menos postos de trabalho para pessoas pouco qualificadas (cerca de 14 por cento) e mais empregos para os mais qualificados (39 por cento). Além disso, quanto menor for a qualificação maior é a probabilidade de os cidadãos enfrentarem situações de exclusão social. A Agência apresentou, em dezembro, a rede de Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP). Que novidades traz esta rede? Esta rede cria condições para, pela primeira vez em Portugal, se conciliar as políticas de educação e formação de jovens e adultos, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, introduzindo as questões da informação e orientação como ponto de partida para soluções de qualificação que conciliam o perfil de cada candidato e as exigências do tecido empresarial local. Estes Centros deverão ainda colmatar dificuldades detetadas no ajuste entre a procura e a oferta de educação e formação, bem como a inexistência de mecanismos formais de monitorização dos percursos de qualificação quer dos jovens, quer dos adultos. Esta monitorização irá permitir aferir o cumprimento ou o desvio das trajetórias realizadas, considerando, em especial, a sua interação com o mercado de trabalho. A Agência definiu como lema para as suas atividades “Projetar o futuro”. Qual a visão que lhe está associada? Que estratégias foram definidas para a sua persecução? A Agência definiu como visão ser o elo de ligação entre os mundos da educação/formação, empresas e sociedade. Assim, elegemos esse lema, que indicia o facto de pretendermos estender pontes entre a qualificação no presente e as necessidades de formação no futuro. É necessário que sejamos capazes de articular com todos os parceiros na construção de um sistema nacional de qualificações mais funcional, eficaz e transparente para todos. Em 2014, tendo por base este lema, a nossa grande aposta passará pela promoção do ensino profissional (entendido como qualquer

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modalidade de educação e formação que confira uma dupla certificação de nível secundário), procurando posicioná-lo como a primeira opção dos jovens, das empresas, das famílias e do país. De que modo está a ser pensada essa promoção? Em Portugal, durante décadas, a opção pelo ensino profissional esteve fortemente associada a uma segunda oportunidade, tendo-se criado, de alguma forma, um estigma social em seu redor. As políticas educativas e formativas desenvolvidas nos últimos anos têm procurado combater este estigma, evidenciando as mais-valias de um ensino que concilia o prosseguimento de estudos com a aprendizagem de uma profissão. Ainda que esta mentalidade já comece a ser rebatida, nomeadamente por parte dos jovens, muitas famílias e empresas ainda não o reconhecem como uma opção de qualidade. Em 2014, o nosso grande enfoque será na consciencialização destes públicos para o reconhecimento da relevância desta formação, em particular atendendo ao flagelo do desempego, e ainda no aumento da sua notoriedade, associada a mecanismos de qualidade. Que medidas têm vindo a ser tomadas para a criação de parcerias entre as escolas/centros de formação e as empresas? A Agência já dispõe de um instrumento – o Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ) – que nasceu da necessidade de se chamar as empresas, os parceiros sociais e os operadores de educação e formação para o debate em torno das problemáticas associadas às ofertas disponibilizadas pelo Sistema Nacional de Qualificações. Sendo uma plataforma de gestão estratégica das qualificações de nível não superior, o CNQ é atualizado, regularmente, através de 16 Conselhos Setoriais para a Qualificação, de diferentes áreas, e de um Modelo Aberto de Consulta, disponível para qualquer entidade. Em 2013, de modo a responder mais eficazmente às exigências do tecido empresarial, houve um reforço da carga horária da formação em contexto de trabalho (estágios) dos cursos profissionais e procurou-se auscultar as exigências das empresas e parceiros sociais. Neste momento, com o lançamento dos CQEP, está

criado o caminho para a constituição formal de redes locais para a qualificação, nas quais irão intervir todas as entidades com responsabilidades ao nível da educação, formação e emprego. Estas redes obrigarão as escolas, os centros de formação e as empresas a trabalhar em conjunto, em prol do mesmo objetivo, muito no espírito preconizado pela Aliança Europeia para a Aprendizagem. Como é que estas políticas se articulam com as diretrizes emanadas pelas instâncias europeias em matéria de educação e formação profissional? Por toda a Europa tem existindo um trabalho que consiste no desenvolvimento de instrumentos de valorização do ensino profissional, com três grandes objetivos: favorecer a mobilidade dos aprendentes no espaço europeu; gerar confiança mútua nos sistemas educativos e formativos dos diferentes EstadosMembros; e promover a transparência das qualificações produzidas nesses mesmos estados, no sentido de lhes conferir legibilidade. Portugal tem atuado em todas estas frentes. Começou por instituir um Quadro Nacional de Qualificações (por referência a um quadro europeu), no qual o ensino profissional foi posicionado com um nível de qualificação acima das restantes formações de nível secundário. Mais recentemente, no âmbito de um projeto piloto que envolve a ANQEP e a Confederação do Turismo Português, tem vindo a trabalhar no desenho de qualificações baseadas em resultados de aprendizagem (com maior relevância e visibilidade para as empresas), adotando os princípios do Sistema Europeu de Créditos para a Educação e Formação Profissionais (ECVET). Além disso, esta Agência tem procurado construir um modelo de qualidade a aplicar às qualificações produzidas pelo Sistema Nacional de Qualificações, em linha com o Quadro de Referência Europeu de Garantia da Qualidade para o Ensino e Formação Profissionais (EQAVET). Em resposta ao desafio da Comissão Europeia, Portugal também aderiu recentemente à Iniciativa Garantia para a Juventude, na qual os cursos profissionais ganharão protagonismo, devido à sua especificidade curricular e proximidade com o tecido empresarial.


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REVISTA NEGÓCIOS PORTUGAL IGREJAS EVANGÉLICAS

“Onde Cristo está envolvido, há sempre esperança” Igreja Cristã Manancial de Águas Vivas A ICMAV - Igreja Cristã Manancial de Águas Vivas é uma associação religiosa sem fins lucrativos (igreja evangélica), que celebra o seu 75º aniversário no próximo mês de maio. Adquiriu em 2014 o estatuto de Igreja Radicada e está inscrita na Aliança Evangélica Portuguesa como o membro nº. 6, tornando-se assim numa das mais antigas.

Carlos Cardoso Pastor

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uma igreja evangélica com bastante atividade e inicialmente estava localizada em Cascais, onde permaneceu durante vários anos. Posteriormente, teve necessidade de se mudar, devido à exiguidade das instalações e, de forma a poder dar resposta ao crescimento da própria igreja. Foi complicado conseguir um espaço razoável respeitando as questões do ambiente, isto é, tendo em conta o facto do muito movimento em zonas residenciais. Acabou por procurar zonas que tivessem as condições necessárias, indo até à freguesia de Carcavelos, onde alugaram umas instalações (ABLA – Associação de Beneficência LusoAlemã) e, aí permaneceram durante três anos. Ao fim

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desse período, a igreja, teve novamente um crescimento notório, existindo a necessidade de voltar a mudar de espaço. Encontraram, então, as atuais instalações, situadas numa zona industrial, onde já permanecem há 10 anos. Movimentaram-se assim, da zona de Cascais para a freguesia de São Domingos de Rana. O pastor Carlos Cardoso, dirige a igreja há 15 anos. Ao longo destes anos, o pastor conseguiu conduzir a comunidade, de forma a que o facto da necessidade de mudança de instalações, não interferisse na permanência das pessoas e que estas, não se fossem perdendo pelo caminho, muito pelo contrário, como foi comprovado, a igreja continuou a crescer; quem

sabe…(???)… futuramente, o atual espaço se torne novamente pequeno para tantos fiéis. “A igreja é feita pelas pessoas, não é o edifício em si. Como é lógico, o edifício, é importante, mas a partir do momento que este se torna pequeno, face às necessidades existentes, terá de se pensar num novo espaço”, revela o pastor Cardoso. Questionado se existia algo que faltasse aos seus fiéis, Carlos Cardoso responde que “sim”, que ainda falta muito aos fiéis e a ele próprio, pois uma das questões que se coloca num âmbito de uma comunidade evangélica, tem a ver com a “comunicação” do Evangelho. “O Evangelho em si, significa ‘boas novas’, e assim sendo, é uma das mensagens mais bonitas e importantes que uma comunidade cristã tem para partilhar. Ao alcançarmos as pessoas com o Evangelho, as pessoas recebem com muito agrado. Já fui muitas vezes contactado, via telefone, e redes sociais, onde as pessoas fazem pedidos de ajuda: que eu as aconselhe e ore por elas, acabando por vezes, as mesmas por visitar a igreja”, confidencia o pastor. Além das reuniões a igreja oferece outro tipo de atividades, nomeadamente, lúdicas e desportivas. É um espaço que está aberto à comunidade, à realização de concertos, onde a Junta de Freguesia tem usufruído do mesmo e realizado alguns eventos. As escolas, igualmente, em cada final do período escolar realizam nesse espaço os seus programas. No fundo, a ICMAV Igreja Cristã Manancial de Águas Vivas, procura colocar a sua mensagem e o que tem, ao dispor da comunidade que a envolve e nesse sentido, o trabalho desenvolvido é muito positivo; o que é importante para as pessoas continuarem acreditar e a procurar o espaço e a igreja. Todo o espaço visível, só foi possível, com o contributo/ donativo das pessoas, significando que as pessoas estão bastante motivadas. “Se as pessoas não estiverem motivadas, elas não o fazem”, afirma o pastor Carlos Cardoso. “Contratempos surgem naturalmente. Quando se lida com pessoas, os contratempos são imensos, até mesmo as pessoas em si. Reconhece que, em determinado momento, estão muito bem na vida, e de um momento para o outro, quase sem razão aparente, tudo muda e isso reflete-se nas suas vida”, reafirma o pastor. Recorda outrora, quando Portugal era um país próspero,


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e isso transparecia nas pessoas: via-as alegres e felizes, e que atualmente algumas dessas mesmas pessoas estão em situações muito complicadas das suas vidas, pois, por infelicidade, perderam quase tudo o que tinham. Encara essas situações como um contratempo, e em que a igreja, acaba por ter de mudar de estratégia, tendo que refletir a melhor maneira de as ajudar. Acima de tudo, prevê a sua igreja com uma maior participação na comunidade. Existem pessoas do concelho de Oeiras, Cascais, Sintra, Almada, Lisboa e Malveira, havendo assim uma grande deslocação dessa população para a ICMAV. Brevemente, irão ter uma Loja Solidária, sendo uma maneira de intervir ativamente nas necessidades das pessoas. O desafio para o pastor, é “ser mais interveniente na comunidade, perceber quais as suas maiores dificuldades e ajudar assim, as pessoas num momento de grande dificuldade como aquele, que hoje o país está atravessar. Quando as pessoas se dirigem à igreja (ICMAV) vão em busca, sobretudo, de esperança”. Sendo uma igreja de inspiração cristã, só pode ser dito uma coisa “onde está envolvido a pessoa de Cristo há sempre esperança. Nunca nada está perdido, independentemente de qual seja a situação. Esta é a mensagem que como Pastor, quero transmitir todos os domingos. Há sempre esperança, nada está perdido”.

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curriculum vitae Borges de sousa - osteopata Curriculum Vitae

Dr. Borges de Sousa

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Função /Atividade

Coordenador de Pós- Graduações de Osteopatia e Terapias Manipulativas e Osteopatia Destinatários: Médicos, Fisioterapeutas e T. Reabilitação

2013

Coordenador de Pós- Graduações em Osteopatia – destinatários – Osteopatas

2013

Coordenador de Cursos livres e de Pós- Graduações em Osteopatia para Profissionais de Saúde

2012-2013

Coordenador de Pós- Graduações para Osteopatas Coordenador do Curso de Formação/ Especialização em Osteopatia Coordenador do Curso Avançado de Osteopatia E Director de Estágios

2011-2013 2005/2009

Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL)

1º Vez que a Osteopatia é ministrada num estabelecimento de Ensino Superior Público Português

Instituto Superior de Educação e Ciência Escola Universitária Vasco da Gama The John Wernham College of Classical Osteopathy (MaidstoneEngland)

www.estesl.ipl.pt

www.universitas.pt www.euvg.pt Postgraduate Studies in Classical Osteopathy Ministrado em Portugal

Universidade Lusíada Curso Base 4 anos Para não profissionais Saúde

Oxford School of Osteopathy

Curso para Profissionais de Saúde- D.O.

1996-2013

Instituto de Técnicas de Saúde

Curso para Profissionais de Saúde

1984/2010

SIMAC

Director e Coordenador Pedagógico do Curso Superior de Osteopatia

1989/1998

Clinico Osteopata

Observações

Instituto de Técnicas de Saúde Oxford Brookes University Formação com atribuição do BACHELOR OF SCIENCE IN OSTEOPATHY

2008-2013

1998/2005

Autorização do Ministério da Saúde de Moçambique para o exercício da Osteopatia nesta província Portuguesa

Organização

Instituto Politécnico de Lisboa

Director e Coordenador Pedagógico do Curso Superior de Osteopatia

Director da Formação/Gestor da Formação/Coordenador Pedagógico do Curso de Terapias Manipulativas e Osteopáticas e Director de Estágios Coordenador Pedagógico do Curso de Massagem de Recuperação

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Período temporal

1966 1960-2013

Em 5 Países – incluíndo Portugal

Curso com reconhecimento de nível superior pelo Director-Geral do Ensino Superior.


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Curriculum Vitae

Dr. Borges de Sousa

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I Curso de Férias da Universidade de Lisboa no Ultramar - Diploma de Frequência em Medicina Geral 

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Revista Business Portugal | Fevereiro '14  
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