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REVISTA BUSINESS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial FICHA TÉCNICA Diretor Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt)

REDAÇÃO Francisca Paiva Rita Carreira Vera Pinho Marta Caeiro Liliana Machado Rita Burmester Rui Roque Sílvia Martins (redacao@revistabusinessportugal.pt)

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt)

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão José Machado José Alberto Luís Silva Manuel Fernando Paulo Padilha

Portugal com um toque feminino Por Diana Ferreira Confesso que nesta edição optamos por abordar um tema que muitos acharão (ainda) delicado, e outros tantos, pertinente. Para mim, acaba por ser um tanto ou quanto lisonjeiro. Posto isto, deixo a questão: serão as mulheres melhores líderes? (Prometo tentar ser isenta nesta minha análise ao tema). Tradicionalmente, o líder do sexo masculino, aliado a uma certa assertividade e estilo de liderança é reconhecido como líder ideal, a quem as pessoas, sejam elas funcionários ou familiares, obedeciam. Noutra época, onde o enfoque das empresas passava exclusivamente pela produção, a redução de custos e controle, essa era a fórmula de ‘líder ideal’. Actualmente, as empresas procuram a diferenciação, prezam o relacionamento, destacam a comunicação e vêm na criatividade uma mais-valia. Por isso mesmo, acredita-se que as competências de liderança que as empresas consideram ideais são mais facilmente encontradas nas mulheres. Além de que é reconhecido cientificamente que as mulheres têm a capacidade de processar múltiplas tarefas em simultâneo, o que se assemelha à gestão de uma empresa ou até mesmo de uma equipa de trabalho. Com tamanho reconhecimento pelas mulheres que lideram empresas nacionais e internacionais nas mais diversas áreas de actuação, na edição de Outubro contemplamos o leitor com exemplos no feminino de lideranças de sucesso. Esta apetência para a liderança começa, desde logo, na educação e formação, áreas que se têm revelado a cada dia de uma importância extrema para o sucesso das empresas e, consequentemente, do país. Os resultados escolares e a sua consequente formação são primordiais para a evolução e crescimento das empresas, pelo que a Revista Business Portugal fez questão de acompanhar o Presidente da República no seu o 6º Roteiro para uma Economia Dinâmica dedicado à educação e formação profissional. Dizem que não devemos voltar aos lugares onde já fomos felizes. Aqui, não aplicamos essa máxima. Por isso mesmo, rumámos uma vez mais aos Açores. E tornámos a deslumbrar-nos com tamanha beleza. O arquipélago é, verdadeiramente, uma ‘pérola no oceano’. Na nossa rota incluímos Vila do Porto, Praia da Vitória, Angra do Heroísmo, Corvo e Graciosa. Um pouco mais perto da ‘nossa casa’ teve lugar a ‘Empack & Logistics’, uma extensão fundamental para as empresas nacionais e seus negócios, muito vocacionado para a exortação, uma realidade cada vez mais presente e fundamental à economia portuguesa. Continuamos a trazer-lhe o que de melhor se faz em Portugal e no mundo, esse é o nosso compromisso para consigo. Mas desta vez, com um toque mais feminino. Diana Ferreira não segue o novo acordo ortográfico

Rui Diogo

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistabusinessportugal.pt)

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral)

alguns destaques da edição de outubro 24 - defendideias

A REVISTA BUSINESS PORTUGAL NAS REDES SOCIAS

08 - município de vila do porto ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE CONDOMÍNIOS 55 - MCondomínios 60 - Lex Urban

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Depósito Legal: 374969/14 Edição de outubro

ENSINO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

INOVAR PARA CRESCER

LOGÍSTICA E EMBALAGEM

SAÚDE E AÇÃO SOCIAL

34 - IEFP 38 - ATEC 42 - Garantia Jovem 45 - MarcaEmbal 50 - Lusoracks

66 - Royal Canin 72 - Polivitrium 76 - Vinilourenço

78 - Clínica Rio 84 - Previdência Familiar do Porto

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BREVES REVISTA BUSINESS PORTUGAL

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FEP distinguiu Manuel de Oliveira Marques Manuel de Oliveira Marques, ex-presidente da Metro do Porto e da STCP, economista e professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), foi distinguido, a título póstumo, com o Prémio Carreira FEP 2014, iniciativa que reconhece anualmente um diplomado da FEP que se tenha destacado ao longo da sua carreira. Além de Manuel de Oliveira Marques, falecido em 22 de junho de 2014, estavam nomeados para este prémio António Simões, CEO do Sovena Group, e José Roquette, Presidente do Conselho de Administração do Esporão SA. O anúncio foi feito a 15 de outubro, durante a cerimónia de Abertura do Ano Letivo da FEP 2015/2016 que juntou toda a comunidade da Faculdade. O Prémio Carreira visa homenagear anualmente um(a) diplomado(a) que se tenha distinguido, ao longo da sua carreira, e que constitua uma referência profissional para os seus pares e para a comunidade. A FEP pretende destacar assim quem promove, pelo seu mérito, a imagem da Escola enquanto instituição de excelência no ensino e investigação da Economia e da Gestão.

Prof. Geert Hofstede é convidado pelo INDEG-IUL Por ocasião do seu 27.º aniversário, o INDEG-IUL organiza, a 26 de outubro, a 3.ª Conferência Internacional contando, uma vez mais, com uma reputada personalidade internacional, como key note speaker. Da sua extensa biografia destaca-se o facto de ser um dos fundadores da investigação intercultural comparativa e de ser, atualmente, um dos autores mais citados na área das Ciências Sociais. A iniciativa pretende apresentar ainda os resultados da 2.ª edição do Ranking de Internacionalização das Empresas Portuguesas (RIEP), um trabalho desenvolvido em parceria com o Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral (Brasil) e com o apoio institucional da aicep Portugal Global. Este pretende ser um instrumento de medição do desempenho e de disseminação das práticas adotadas pelas principais empresas do país, na conceção e implementação das suas estratégias de internacionalização. O INDEG-IUL ISCTE Executive Education, criado há quase 30 anos com base numa associação entre o ISCTE-IUL e algumas das mais prestigiadas empresas nacionais, representou um marco importante na ligação universidade-empresa, tendo sido pioneiro em Portugal na formação de executivos.

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III Fórum Económico Portugal-Países Árabes Nos dias 23 e 24 de Novembro, a Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa (CCIAP), em colaboração com a Liga dos Estados Árabes e a União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes realizam o III Fórum Económico Portugal-Países Árabes. O evento realiza-se no Hotel Sheraton, em Lisboa, e vai debater os seguintes temas: construção, obras públicas e infra-estruturas, agro-alimentar, turismo e investimento imobiliário. O segundo dia do III Fórum Económico Portugal-Países Árabes será consagrado ao networking empresarial, envolvendo instituições e empresários. O evento tem o Alto Patrocínio da Presidência da República. O III Fórum Económico Portugal-Países Árabes pretende estreitar as relações económico-financeiras entre os países que fazem parte da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa.

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redescobrir os açores

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esta edição retomamos a viagem pelo Arquipélago dos Açores, destacando um dos destinos turísticos mais carismáticos de Portugal. Depois das ilhas de São Jorge, Faial

e Pico é agora a vez de darmos a conhecer Santa Maria e o seu concelho. Vila do Porto, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, dois patrimónios inconfundíveis da ilha Terceira, assim como a Graciosa, o Corvo e as ilhas mais pequenas, mas com tesouros que muitas vezes não são explorados. A excelência do destino dos Açores tem vindo a ser reconhecido por vários galardões, constando no Top 100 de Destinos mais Sustentáveis do Mundo, tendo sido também considerado o destino turístico mais sustentável da Europa. São várias as propostas para quem pretende passar férias nos Açores. O mar proporciona uma infinidade de atividades como a observação de cetáceos, mergulho, surf ou pesca desportiva. Em terra, o geoturimo, os passeios pedestres, o golfe, o ciclismo, a canoagem ou a observação de aves são propostas a não perder. Num cenário onde a natureza se mostra


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em todo o seu esplendor, entre as montanhas, o céu e o mar, as ilhas dos Açores também são perfeitas para a melhoria do seu bem-estar, devido aos recursos hidrotermais reconhecidos e explorados há séculos, como as nascentes de águas carbónicas naturais, as cascatas e as piscinas de água férrea, fazendo dos Açores um destino ideal para o termalismo. As experiências na natureza, a gastronomia e as praias, aliadas à excelência do alojamento, com um ambiente acolhedor, fazem dos Açores um destino reconhecido internacionalmente. A história e o património do Arquipélago dos Açores merecem também especial destaque, já que na época dos Descobrimentos foram um importante posto de escala, quer nas expedições à Índia quer nas viagens ao Brasil, quer para os americanos. Com as suas lajes na 2ª Guerra Mundial nos Açores, e mesmo permanência de famílias, cujas marcas em todo o arquipélago, são ainda hoje bastante evidentes, por exemplo, na Folia e na economia quando deixaram de ter tanto peso nos aeroportos e aerodromos. Uma das razões que nos levou a fazer novamente um trabalho sobre a Região Autónoma dos Açores foi a possibilidade de viagens low-costs para São Miguel e o impacto que as mesmas têm nas ilhas menores. Assim como os voos oferecidos pela SATA, para promover a deslocação de ilha para ilha. Por todos estes motivos, convidamo-lo a embarcar connosco nesta viagem fantástica.

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um tesouro por explorar câmara municipal de vila do porto - santa maria Já não há desculpa para não dar a volta à ilha e ao arquipélago! Foi com entusiasmo que o presidente do único município da ilha de Santa Maria, Vila do Porto, nos recebeu e falou com imenso orgulho sobre a “pequena ilha” no extremo do arquipélago dos Açores, a mais próxima do continente e que faz parte, juntamente com São Miguel, do grupo Oriental.

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arlos Rodrigues, a exercer o cargo desde 2009, garante que o futuro da ilha Santa Maria vai ter melhores dias, quando os turistas souberem dos voos diretos inter-ilhas, que a SATA oferece. Estes encaminhamentos estão limitados a dois percursos de e para qualquer aeroporto ou aeródromo da RAA (Região Autónoma dos Açores), desde que a viagem decorra dentro do período de 24 horas. Desta forma, qualquer pessoa que esteja a visitar os Açores tem a oportunidade de explorar, não só as maiores ilhas, mas também os tesouros desconhecidos e potencialidades das ilhas mais pequenas. Na opinião do presidente, não há uma divulgação suficiente. Esta vantagem ganhou ainda mais peso, quando os voos low-cost criaram rotas para São Miguel, em Abril passado, o que provocou um ‘boom’ turístico na região,. Esta realidade pode mudar a dinâmica turística e económica do arquipélago e da ilha de Santa Maria, neste caso concreto.

Carlos rodrigues Presidente

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A ilha de Santa Maria Bem no cantinho do arquipélago, Santa Maria, descoberta a meio do século XV, presenteia-nos com a simpatia de cerca de 5.500 habitantes e, nas palavras do presidente, com “segurança, qualidade de vida, natureza e praia”. O presidente fala sobre o que de melhor tem a ilha, partilhando que responde sempre a quem lhe pergunta o que se faz nos Açores, o seguinte: “quem for turista de centro


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comercial não é turista para Santa Maria”, no caso particular da ilha da qual Carlos Rodrigues é a pessoa mais indicada e capaz de falar sobre a dinamização do turismo. Além de ser o rosto mais próximo dos cidadãos e assumidamente preocupado com os munícipes e em “chegar ao fim do dia e sentir o dever cumprido de ter ajudado”, partilha com a equipa da Revista Business Portugal, em reportagem no arquipélago. Claro está que nos Açores não é tudo igual. Aliás, tal como o próprio afirma “nós temos uma paisagem natural diferente de ilha para ilha”. No caso de Santa Maria, metade da ilha é quase árida e plana e a outra parte montanhosa e verde. As grandes atrações são as quatro baías: São Lourenço, situada no fundo de uma encosta, onde se pode observar as vinhas que produzem o afamado vinho de São Lourenço e usufruir das pequenas praias em julho e agosto com a temperatura média da água na casa do 25 graus. Há ainda a Maia, onde se pode desfrutar de uma piscina natural e saborear o bom peixe dos Açores nos bares locais. Anjos também dotado com ótimas condições balneares e serviços de apoio, onde se pode visitar a capela onde Cristóvão Colombo mandou celebrar missa no regresso da sua viagem à América. E, finalmente, a Praia Formosa, com um areal extenso e de cor clara e com a temperatura da água muito convidativa. Há uma grande aposta no mergulho, que é um nicho, muito direcionado para uma elite, até porque para se trazer o material, será pago como extra, ficando muito dispendioso, mas que vale muito a pena, as melhorias tem sido notórias graças ao investimento das empresas que operam nessa área, mas terá de existir por parte das operadoras aéreas e de algumas entidades uma atenção especial a este nicho de mercado adaptando as acessibilidades e melhorando os custos de operacionalidade. Quanto ao clima do concelho, durante o ano é muito regular, com a particularidade de como todos os açorianos costumam dizer “se conseguir ver as quatro estações num só dia”, porque é temperado marítimo, rondando os 12/16 graus em média no inverno e os 25 graus no verão. Economia e plano estratégico O centro de controlo Atlântico continua instalado em Santa Maria, no aeroporto inaugurado em 1944, “vulgarmente conhecido por Nave 2”, dá emprego a cerca de 80 pessoas, o que injeta capital na ilha, a torna um pouco diferente de outras ilhas com a mesma dimensão, o caso da Graciosa ou Flores. O facto do aeroporto ter sido durante algumas décadas o maior empregador da ilha, fez com que o setor primário enfraquecesse, situação que hoje, embora lentamente, vai tendo algum retorno. É fácil perceber a razão pela qual é a única ilha do arquipélago que não tem produção leiteira. “O gado criado aqui é para exportar ou consumo local. A ilha e todo o arquipélago é possuidora de muitas marcas deixadas pelos americanos, como descendentes, que nasceram cá”. Acredita que o problema, muito específico de Santa Maria “é o facto de nós produzirmos a melhor carne, das melhores do país, sem margem de dúvida, mas vendermos barato. Pescamos bom peixe e vendemos barato”. Quando fala que ainda há um longo percurso a percorrer e lutar para o desenvolvimento e crescimento da ilha, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos marienses, o edil admite que “falta acrescentar valor”. Quando questionado de que forma se pode solucionar esse problema explica que “a aposta na transformação ou através de meios para fazer chegar alguns produtos mais longe, mais depressa e sem intermediários”, seriam uma grande ajuda no impulsionamento. Outra característica e particularidade da ilha é ser “a única ilha dos Açores que tem fósseis”, explica o nosso interlocutor. Acrescenta ainda uma informação útil a quem quiser visitar a ilha: “a Direção Regional do Ambiente está, neste momento, a construir a casa dos fósseis, que se prevê estar aberta a público em 2016. A Universidade dos Açores coordena um projeto anual de investigação paleontológica, com a vinda de especialistas para estudar a zona”.

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No ponto de vista do presidente, uma vez que se localiza no ponto mais a sul de todo o arquipélago, “nunca será intenção promover Santa Maria só pela praia, mas podemos dizer que seguramente é uma das praias com o mar a atingir muitas vezes 26 graus, portanto, talvez a mais quente de todo o país, e isso é desconhecido”. Uma das vias para o crescimento sustentável da economia da ilha é a aposta em alojamento local, de proximidade, pequenas unidades. Há muito trabalho a fazer nessa área, porque há pouca oferta e, se realmente, nos depararmos com uma situação de ‘avalanche’ turística, a ilha não tem suporte para um grande número de visitantes. Além de que seria uma mais-valia para contribuir para a redução do desemprego jovem, que é o que mais preocupa o presidente, que diz ser “um flagelo nas ilhas mais pequenas”. “O que se pode fazer contra isso? O turismo pode ser uma grande ajuda, para tornar a economia mais sustentável e os jovens que não voltam após a formação académica no continente, voltarem”, conclui. Ainda assim, “tem nascido algumas micro empresas ligadas ao turismo, nomeadamente marítimo turísticas que têm contribuído em muito para algumas melhorias no sector da restauração e hoteleiro, vão crescendo devagarinho, mas a partir de agora”, na opinião do presidente, “tem de ser sempre a subir, devido às melhorias nas acessibilidades”, acrescenta esperançoso, “estamos todos de mãos dadas a fazer por isso”. Paradoxalmente, outra que é também uma grande preocupação para o presidente é o facto de não se conseguir prever o número de pessoas que irão visitar Santa Maria, no futuro, com o “boom dos low-costs”, pois, neste momento, não há equipamentos que sustentem. “Não estávamos preparados para esta adesão, mas estamos a trabalhar com todos os atores que intervêm nessa área nesse sentido”. A promoção turística devia ser promovida no “mercado da saudade”, os Estados Unidos e Canadá com maior intensidade, que é onde há uma grande mancha de descendentes dos Açores, para não se perder a ligação e para promover a uma escala global o turismo tão rico em natureza, como em praia, como em história e património. A melhoria das ligações aéreas e a baixa de preços são prioritárias. Para efeitos de convite ao leitor, suscitado pela curiosidade em conhecer a ilha e Vila do Porto, o presidente deixa a mesma mensagem que costuma dar às pessoas que tenham vontade de visitar os Açores: “Em Santa Maria, ainda se dorme com a chave na porta, no verão temos praias que, com a água pelo pescoço, se vê as unhas dos pés e que os marienses tratam muito bem quem nos visita. Estamos sempre aqui de braços abertos”. Eventos, projetos e o encanto da ilha A festa do Espíríto Santo é a festa mais simbólica, comemorada em todo o arquipélago, mas de uma forma bem marcada em Santa Maria. O presidente afirma que “é diferente

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de ilha para ilha. É a ilha mais antiga, a primeira a ser descoberta e penso que a comemoração das festas seja talvez mais genuína e sentida, um pouco devido a isso. A partilha é total”. O Espírito Santo é uma festa de catolicismo popular, uma tradição coletiva e caritativa, de inspiração franciscana, onde se distribui em dois dias a carne de duas a 20 vacas, sopas, a carne por si só, e de porta aberta a quem chega, em todas as casas, sobretudo naqueles que escolhidos para serem coroados daquela vez, uma simbologia característica desta festa. “Os chamados ‘foliões’, a forma de cantar, é muito forte. A segunda-feira de Espírito Santo é o dia da autonomia e feriado na região”, explica o presidente. Quanto às atividades mais dedicadas à cultura, Carlos Rodrigues recomenda vivamente uma visita à Biblioteca da Vila do Porto, há pouco recuperada. “Tem muita vida, atividade com jovens e teatro”, afirma o presidente. No verão, as festas não têm comparação. No mês com mais visitantes acontece o festival de música ‘Maré de Agosto’, na Praia Formosa, que é o mais antigo do país, e sem interrupção. Dura três dias e a ilha duplica a sua população. “É um festival com um conceito diferente, porque a preocupação da organização é ter música do mundo. Este ano tivemos um grupo australiano. E os jovens fazem tudo na praia, dormem, comem, tomam banho, e parece uma manta de retalhos”. Em julho, decorre o ‘Santa Maria Blues’, que também já é uma referência, mas para outro tipo de público e acontece nos Anjos. E na Baía da Maia, no mês de julho, há o ‘Maia Folk’, dedicado a esse mesmo tipo de música. De momento, a Câmara está projetar um conceito criativo baseado num espaço temporal: Santa Maria 2027, o ano em que a ilha faz 600 anos e que, por coincidência, marca o início de um jovem que vai começar a sua vida escolar hoje e estará a começar a faculdade em 2027. Passemos a explicar: “a ideia foi 12 anos do percurso escolar até à ida para a

faculdade. Basicamente definir Santa Maria como sítio para morar, viver e passar férias. O que é que os de cá e os de fora viam da ilha. E o que se pediu também à escola foi que os miúdos plasmassem, em desenho, ou vídeo, na ótica deles, o que será Santa Maria em 2027”. Carlos Rodrigues, termina esta conversa respondendo à inquietante pergunta ou que deixa igualmente como o projeto acima mencionado algum espaço para a reflexão: como vê a ilha em 2027? É importante referir que o Plano Estratégico não tem receitas, nem aponta para milagres, mas após tanta recolha de opiniões e análises vai indicar diretrizes para a procura de um rumo “que todos nós desejamos que traga às gerações vindouras uma vida melhor”.


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uma cidade rejuvenescida Câmara Municipal de praia da vitória Num universo de aproximadamente 55 mil habitantes, que constituem a ilha terceira, o concelho da Praia da Vitória tem cerca de 25 mil e é um importante impulsionador da ilha e do arquipélago, o que muito se deve ao facto de ter passado por uma considerável transformação nos últimos dez anos.

roberto monteiro Presidente

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or esta razão e pela diversidade turística, tanto para quem aprecia mais o verde das enseadas, como para quem prefere o azul do mar, ou mesmo a simbiose de ambos, é de extrema importância fazermos uma reflexão sobre o que mudou na cidade e como está a ser dinamizada atualmente. Falámos com o presidente da Câmara Municipal, Roberto Monteiro, que nos abriu as portas à cidade da Praia da Vitória, que o viu nascer e que tem, neste momento, a seu cargo mandatário, além de assumir a presidência da Associação de Municípios da RAA e, ainda, da Confederação dos Municípios Ultraperiféricos da Europa.

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Começa por explicar que, na última década, houve uma capacidade de se aproveitar fundos comunitários, o que deu azo a que projetassem uma cidade, com cabeça, tronco e membros. Nas palavras de Roberto Monteiro, “moldámo-la, dividindo toda a Praia da Vitória em quarteirões e concentramos em cada um deles, uma temática.” O Ensino concentrado e rentabilizado num dos quarteirões, a aposta constante no desporto, a enorme aposta no litoral e a zona histórica da Praia da Vitória O presidente chama a atenção para o ordenamento urbanístico da cidade, como uma forma de rentabilizála, tanto no que diz respeito tanto ao turismo, como em

termos sociais. “Na zona de expansão, no noroeste da cidade, quase 90 por cento da população escolar está concentrada em apenas um quilómetro quadrado, o que permite criar sinergias enormes, tais como partilhas de diversos equipamentos, como refeitórios ou piscinas, o que evita investir-se a dobrar.” Esta realidade é única, visto que quase nenhum concelho segue este modelo. Realça, não obstante, que a estratégia educativa também fica a ganhar com uma coordenação de cursos, tanto do ensino regular como do profissional, tudo no mesmo espaço. Outro dos quarteirões é inteiramente vocacionado para infraestruturas desportivas, munido com pavilhões preparados para provas nacionais, das mais diversas modalidades. “Não é por acaso que um concelho com esta dimensão tem duas equipas a disputar campeonatos nacionais, tendo mais de 500 jovens a praticar a primeira voleibol e mais de 300 no ténis de mesa.” Porém, esta vantagem não se fica pelos terceirenses. Na baía, há provas de todas as modalidades de campeonatos do mundo, como de surf ou windsurf. “Estamos, ainda, a arrancar com projeto de centro de estágios e treino, para utilização no inverno, para grandes atletas mundiais que não podem praticá-la onde vivem, porque temos a vantagem do nosso clima ameno.” De acordo com o presidente, a componente mais visível é o litoral, onde desenharam um modelo como não há quase nenhum outro lugar: um paul, acreditado e reconhecido, no centro da cidade. Neste ecossistema,


REVISTA BUSINESS PORTUGAL REDESCOBRIR OS AÇORES podemos encontrar um lago com um misto de água salgada e água doce. Para melhor ilustrar, Roberto Monteiro refere-se a ele como “quase um Central Park”. É uma zona húmida, semelhante a um pântano, onde há oito anos atrás se acumulava lixo, que se situa mesmo ao nível do mar, chegando mesmo em alguns locais a estar a um nível inferior ao do mar, onde abunda a fauna e a flora. Projetaram uma marginal ao longo de toda a baía. No entretanto, foram-se deparando com uma situação problemática, aquando do aparecimento de hotéis à volta, a zona do centro histórico ter “esvaziado”. O presidente confessa, “é o que os nos tem trazido mais desafios para resolver. A zona das escolas concentrou muitas empresas”. Com o objetivo de voltar a reanimála, “deslocalizamos para lá um conjunto de serviços públicos que fossem atrativos, como as finanças ou a delegação da RTP da Terceira ser cá”, partilha Roberto Monteiro. Projetos e atrações turísticas Neste momento, têm uma parceria com uma empresa dedicada ao mergulho e à recuperação naval, sobretudo subaquática, tendo investidores nesse sentido. Tal como o presidente afirma: “a baía é a nossa galinha dos ovos de ouro”. A Praia da Vitória tem uma vantagem com a qual ultrapassa todas as ilhas, a capacidade que para estacionamento de barcos na marina, no extremo este da ilha, protegida pela baía. Há uma capacidade, aliás, cinco vezes maior e nenhuma nos Açores tem esta grandeza, “sobretudo a funcionar bem no inverno”, explica Roberto Monteiro. “Uma realidade pequena como a nossa não pode depender só do turismo, como as canárias ou a Madeira, nem só da agro-pecurária, temos que ter outras alavancas, e temos que criar neste momento empregos com base na maior pérola que temos que é o mar.” Deixa a questão: “vocês sabem que o aumento da plataforma marítima portuguesa se deve aos Açores e que a maior do mundo é a portuguesa? E não está a gerar riqueza, é necessário ter uma estratégia para o mar. Temos custos muito altos de logística, não podemos descuidar nenhum nicho. Nós podemos desempenhar um importantíssimo papel de logística.” Com seis unidades hoteleiras, premiadas anualmente, a aposta na qualidade em detrimento da quantidade é notória. Apesar deste lema, outro dos projetos que pode incentivar visitantes, são os nove trilhos certificados que “têm tido uma procura impressionante, principalmente, pelos turistas do norte da europa”, afirma o nosso interlocutor. Neste caso há uma grande quantidade, onde pode ter o prazer de ver todas os coloridos impérios, como é o caso da imperdível Igreja Matriz da Praia da Vitória. A procura dos trilhos pedestres também passa pela

população local, muito participativa. Onde se pode verificar esse aspeto que tão bem carateriza o dinamismo da região, é na Academia da Juventude e das Artes. “Nesta ilha um em cada três pessoas representa ou toca um instrumento musical. Isto não existe noutro local. Pode ser de qualquer faixa etária ou profissão. Marcos profundos que têm de ser uma identidade e potenciados param o turismo.” Por outro lado, “temos o Museu do Carnaval que é único”, esclarece listando todo um amplo leque de oportunidades culturais e de entretenimento que a Praia da Vitória e a ilha oferecem. “Nós vemos o Carnaval como o de Viena, o que só acontece aqui na Terceira.” Roberto Monteiro explica que o que têm feito para exponenciar o turismo não está a destruir a biodiversidade e esfera. Este é o que de melhor o arquipélago apresenta, é um nicho, e é exatamente com a temática dos nichos de mercado que esta conversa terminou. A importância de ter um produto claramente distintivo e competitivo de preferência mundialmente é, de facto, fulcral na conjuntura pela qual passamos. Ao explicar que trabalha com associações agrícolas e que as câmaras das ilhas têm que ter um papel ativo na dinamização das empresas e ser até ministérios da economia, o presidente da câmara explica que “continuamos a ver muitas vacas em serrados, porque efetivamente uma agricultura certificada pela natureza é um slogan estratégico. Promovemos o primeiro mercado exclusivamente de produtos biológicos, certificados, e só no primeiro ano o número de produtores passou de 10 para 78”. Na opinião do presidente, “a raiz do problema foi atacado, que era criar um local de comercialização que desse o valor acrescentado do produto. Ao apostar no biológico sai mais caro do que no convencional. Se for tudo vendido ao mesmo preço, o produtor fica desencorajado de ir por esse caminho, mas só vencemos nos grandes mercados de exportação tendo um produto biológico e certificado pela natureza. Aliás, essa conjunção, ainda mais valor acrescenta e permite ter produtos para colocar em qualquer mercado do mundo”.

pessoas. “A ilha tem 56 mil habitantes e nós temos todas as noites nessa altura 46 mil. Temos sempre cerca de cinco voos diários, uns diretamente dos EUA e Canadá. Este evento está a sempre vendido, tem que se marcar um hotel um ano antes.”

Eventos Na época alta, decorrem as festas concelhias, as chamadas Festas da Praia da Vitória, em que um dos eventos de destaque é o Blue Music Resort que agrega, não só a componente dance music, das maiores do país pelo número de dias e horas de djing, mas também um programa de concertos musicais com nomes internacionais e nacionais. São dez dias consecutivos com quatro palcos a funcionar em simultâneo. Um deles é dedicado às tradições, como as cantigas, o fado, o folclore e disputas de filarmónicas. Noutro podemos assistir à multiculturalidade e ouvir músicas do mundo, desde celta à cubana, cada dia comemorando-se um tipo de música diferente. É um evento que chama muitas

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um equilíbrio entre a natureza e a história câmara municipal de angra do heroísmo A Terceira não é um lugar só de praia, apesar do seu mar quente. Conhecer a cultura, observar atentamente a geologia e criar uma relação com a ilha, é a forma mais sensata de visitar esta que é a terceira maior ilha dos Açores, embora o seu nome advenha de ter sido a terceira a ser descoberta. Em termos populacionais, é a segunda mais forte, a seguir a São Miguel. O seu povo é o mais dado, de todo o arquipélago, à folia. E para os que a visitam, o presidente da Câmara Municial de Angra do Heroísmo tem boas recomendações a fazer. Acompanhe-nos nesta ida à Terceira e às tradições terceirenses, repleta de história.

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Terceira é um território de uma diversidade surpreendente. Quem vier cá não se vai

arrepender. Mas convém vir de espírito aberto. Quando se vai a uma ilha tem que se vir atento. Aqui, para ver, é preciso conhecer. Exige um bocadinho de preparação prévia e não há melhor maneira de ver a ilha como a pé. Isto é um bocado de turismo para a mente, reflexivo”. É desta forma que Álamo Meneses vê a sua terra, onde exerce o cargo de presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e se sente realizado com a diversidade que a ilha da Terceira e a cidade têm para oferecer, a cultura, apoiada a 100 por cento pela Câmara e com o dinamismo da ilha. A ilha da Terceira complementa-se pela parte natural e histórica. O centro de Angra do Heroísmo que “praticamente, a partir dos finais do século XVI, manteve o seu caráter e geometria das ruas, o que faz da cidade

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL REDESCOBRIR OS AÇORES uma jóia do ponto de vista do património arquitetónico e funcional”. Por outro lado, na ilha encontramos grandes zonas de campos com as típicas paredes e o maior parque natural dos Açores. Para que não baste, há outra característica interessante a mencionar quando se fala de uma ilha com esta abundância de potencial turístico. Esta é uma característica comum a maior parte dos territórios insulares que é a grande dicotomia entre as costas. Em função do vento, podemos ter uma situação de estar nublado e noutro lado um dia de sol maravilhoso e isso altera-se com grande rapidez. “Aqui há quatro estações, eu diria que no mesmo dia podemos assistir duas vezes à variação das quatro estações”. Não é de facto uma ilha que se caracteriza pela monotonia. Mais do que prova disso são as festas constantes. Aliás, quase podemos afirmar que mais do que o peso da história, da natureza e do clima que caracterizam a ilha, a cultura talvez ainda a caracterize com maior rigor. Desde as suas touradas à corda, que

Municipal, é outro projeto que está a ser desenvolvido pela Câmara. Contudo, o grande problema que se enfrenta é o desemprego, sobretudo nos jovens não qualificados. A construção civil desapareceu e não se geram novos empregos. A redução da atividade da Base das Lajes contribuiu para isso. Hoje em dia, é quase nula a passagem de americanos. Este ‘desaparecimento’ dos EUA teve impacto na economia dos Açores. “Nota-se muito nas casas abandonadas. E os americanos davam muito trabalho às famílias açorianas”. Apesar de este ser o desafio primordial, Álamo Meneses acredita que têm “talvez dos melhores programas de emprego que existem no país, tendo a possibilidade de uma empresa poder contratar um jovem por um período de dois anos a custo muito reduzido”. O presidente não revela a preocupação relacionada com o ‘boom’ das viagens low-cost, até porque, explica, “há um plano regional de ordenamento do turismo que coloca limites ao número de camas por ilha”.

acredita que devem orientar as atrações turísticas para o público mais sénior.

são “cerca de 300 por ano”, menciona Álamo Meneses, está sempre a acontecer qualquer coisa, é uma ilha em festa. O presidente não tem dúvidas: “uma riqueza cultural que não tem paralelo nas outras ilhas”. O próprio povo, a par da Câmara Municipal, é muito ativo na criação de dinamismos culturais. “Deixamos espaço para a sociedade civil, nas 19 freguesias, organizarem. Todas as paróquias e freguesias organizam uma festa de verão”, explica. A grande presença militar na ilha, deixou grandes marcas nas festas. Havia uma juventude muito grande que, hoje em dia, não há mas que deixou muitas marcas. Os eventos passam muito pela Câmara no que diz respeito à coordenação, as ideias vêm dos organizadores. “As instituições que querem fazer eventos inscrevem-se e nós fazemos a gestão do calendário”.

Além de que como nenhuma empresa low-cost criou, ainda, rotas para a Terceira enquanto a TAP e SATA estão a fazer preços muito baixos, quase low-cost, para a ilha, Álamo Meneses só vê vantagens nessa realidade, porque não existindo limites de bagagem, há mais liberdade dada aos visitantes e traz, desta forma, pouca gente mas que sabe o que quer. Como é o caso de observar plantas preservadas que não se vê em mais nenhum lugar no mundo, ou o mergulho, por exemplo, um nicho de mercado, assim como os extensos campos de golfe que premeia a ilha. Na opinião de Álamo Meneses, não ficam a ganhar com os voos inter-ilhas porque as restrições impostas, sobretudo a nível de horários, são muitas. Mostra-se mais preocupado com questão da sazonalidade. A grande fatia de turistas que visitam Angra do Heroísmo vem na altura das férias escolares, porque são essencialmente famílias. Neste sentido,

uma criança ou um pobre, ao domingo. Em todas as paróquias há coroações em cada domingo, ficando o imperador responsável pela organização da festa. Todos os dias à noite a vizinhança vai para casa dessa pessoa. No domingo seguinte, faz-se a procissão até à igreja e o padre coroa a pessoa que o imperador escolhe. E escolhe-se uma pessoa, normalmente uma criança. Confeciona-se uma refeição gigante no final, uma sopa, a carne de vaca e o vinho. O recorde foi aqui em Angra, com dez mil pessoas a comer, com a coroa posta num lugar de relevo. Em mote de conclusão, a ilha Terceira é uma colorida manta de retalhos, com atividades para todos o gostos e para quem gosta de folia e ao mesmo tempo conhecer bem a história, deixamos a sugestão de que talvez seja a altura da Páscoa a mais interessante para visitar a Terceira.

Economia, estratégias e projetos A economia da ilha vive de um forte setor agrícola, sobretudo laticínios, assim como da pesca, que também desempenha um papel importante. Mas o que está realmente a crescer e que merece atenção e dedicação é o turismo. “A situação é desfavorável no setor agropecuário, com o fim das quotas leiteiras. Estamos a passar uma mudança estrutural, embora ache que vamos ter sucesso no fim, mas enquanto isso não acontece estamos a atravessar um momento difícil. Portanto, estrategicamente o setor do turismo é o setor que no atual contexto maior potencial tem”, clarifica o presidente. O parque tecnológico, que está a ser criado, é uma das apostas mais relevantes, com apoio do governo. Fazer um grande mercado para apoiar os pequenos agricultores, “porque a vinda das grandes superfícies prejudicaram a produção local”, e desta forma colmatase essa falha, com a construção do futuro Mercado

Eventos e festas “Já nem a quaresma resiste a que haja festa”. De entre as muitas festas, atividades lúdico-culturais, arraiais, até aos eventos mais eruditas, como o ‘Angra em Festa’, o ‘Angra Jazz’ e o ‘Festival de Folclore’, há uma festividade que marca com grande simbologia a ilha: as festas do Espírito Santo que “tem a vertente religiosa que está a ficar atenuada e a da folia”, explica o nosso interlocutor. Um culto implementado pelos franciscanos, numa época em que se acreditava que após o ano mil e de Jesus Cristo, seria a do Espírito Santo, com a partilha entre todos e os mais humildes. “Quando ganhou proporção, a igreja reagiu violentamente e um dos pontos onde a festa sobreviveu foi aqui, nos sítios onde a igreja oficial não chegava com grande intensidade”. Durante sete semanas, da Páscoa até ao Pentecostes, acontece este ritual: a coroação na igreja, o padre coroa

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Vila Presépio transformada num Ecomuseu câmara municipal do corvo A ilha do Corvo é a mais pequena do arquipélago dos Açores, com apenas 435 habitantes, mas não é por isso que deixa de ter marcos a assinalar como pontos turísticos de elevado interesse. Falámos com o presidente da câmara municipal José Silva, que nos deu uma perspetiva sobre a ilha, que se distancia apenas a 27, 8 km das Flores, e sobre o futuro promissor que se avizinha.

josé silva Presidente

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este momento do ano, o Corvo tem um evento que traz muitos estrangeiros, como “espanhóis, franceses, alemães, belgas, noruegueses, finlandeses”, explica o presidente, devido à sua especificidade e raridade: “a observação das aves migratórias da América do Norte”, o que vai acontecer no parque natural e um pouco por toda a ilha de uma biosfera assinalável. De acrescentar que a ilha do Corvo está classificada pela Unesco como Reserva da Biosfera. Ao longo dos meses de outubro e novembro, esta ilha regista um incomparável movimento de turistas que, equipados com potentes teleobjetivas e tripés tentam avistarem aves raras, percorrem os recantos encantadores e selvagens da ilha. As possibilidades de cumprirem as suas expectativas não têm paralelo

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no contexto europeu. Este tipo de turismo proporciona importantes receitas para a economia local. Ainda há poucos meses, “foram observados na ilha do Corvo, três Grous (Grus grus)”, comenta o nosso interlocutor, dois adultos e um juvenil. O local de onde se poderá assistir ao voo destas aves é o Caldeirão e a Lagoa. De acordo com José Silva, para quem nos visita “o ar puro e a qualidade de vida”, são dois fatores que em simbiose se tornam características da ilha, assim como a qualidade da água. Quanto aos corvinos, “facilmente recebem pessoas, dão uma enorme importância ao convívio e à interação”, afirma José Silva. Os pontos turísticos que não se devem perder são, de facto, o já mencionado, Caldeirão, “a cerca de 6 quilómetros da Vila do Corvo”, uma cratera sem atividade vulcânica, “onde se encontra uma lagoa e pequenos

ilhéus”, monumentos geológicos dignos de observar que, dizem, pela sua configuração, fazerem lembrar o arquipélago dos Açores, que o presidente José Silva confessa não ser assim tão semelhante, mas que não deixa de ser imperdível. Também o Monte Gordo, e o ponto mais alto da ilha, o morro dos homens, com 770 metros de altura, é um ex-líbris, a par do Pão de Açucar, um miradouro cuja vista panorâmica é digna de registo. O grande projeto do ano do Corvo aprovado pelo Governo dos Açores O presidente José Silva conta-nos que um dos grandes projetos onde o município da Vila do Corvo está envolvido e empenhado há já um ano, foi aprovado, no passado mês de julho, pelo Governo Regional. É um projeto de grande dimensão que pretende que a Vila Presépio, tal e


REVISTA BUSINESS PORTUGAL REDESCOBRIR OS AÇORES qual como sempre pareceu, pequena e acolhedora, se transforme num ecomuseu. De acordo com José Silva, “é um projeto arrojado”. O presidente explica que “a ideia do ecomuseu não é criar um monumento classificado, mas várias unidades para a própria convivência, escolher uma casa e na casa ao lado ter uma família que faz a sua vida ali, o grande fim é o de conviver”, verbo sempre presente na descrição do objetivo deste projeto assim como na caracterização do espírito de Vila do Corvo. As expectativas são muitas, tendo o projeto começado há um ano e “nesta altura já temos um historiador e um gabinete técnico a apoiar-nos nos diversos levantamentos. Toda a zona antiga já se encontra mapeada e, desta forma, não temos um museu tradicional. A ideia é ter vários sítios e os próprios proprietários serem os promotores”, partilha José Silva. O conceito é original e único. Para rematar, o presidente convictamente espera que “dê frutos enormes. Aliás, uma das nossas razoes é a fixação de jovens”. Outra preocupação social permanente é a ilha manter-se sempre limpa. Somos desde alguns anos, considerados “município parceiro Eco-escolas, bem como município eco-freguesia, grau Excelência. Todas as casas do Corvo estão equipadas com bombas de calor ou painéis solares, para reduzir o consumo do gás e luz”. Outra distinção que receberam foi pela Quercus, este ano, de Praia de Qualidade de Ouro. Não deixem de visitar o Corvo, cuja zona histórica está a sofrer uma revitalização que certamente irá atrair mais turistas. Atualmente, com os voos low-cost até à ilha de São Miguel e os encaminhamentos da SATA entre as ilhas, podem suscitar a vinda de mais gente à ilha. No entanto, na opinião do presidente, apesar de já terem notado mais ocupação de camas no verão, o Corvo não terá muitos benefícios, pelo menos com o low-cost. Uma vez que o turista comum não é o que os procura. “Não creio que os clientes das low-cost sejam clientes que venham à procura do Corvo”.

“Pedra negra, areia negra e um mar esverdeado, que de Inverno assalta, vagalhão atrás de vagalhão, este grande rochedo a pique, com fragas caídas lá no fundo e que as águas corroem num ruído incessante de tragédia. Céu muito baixo, nuvens esbranquiçadas. Braveza, solidão e negrume.” Assim descrevia Raúl Brandão a ilha do Corvo, em 1926 (3Brandão, Raul “As Ilhas Desconhecidas – Notas e Paisagens”. Açores: Artes e Letras, 2009.)

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Graciosenses e uma Reserva da Biosfera câmara municipal de santa cruz da graciosa A ilha Graciosa, classificada pela Unesco como Reserva da Biosfera, tem 4.393 habitantes e é a segunda mais pequena dos Açores. Tem apenas quatro freguesias e conta com uma fauna e uma flora ímpares.

Outro local muito interessante de se visitar é o Ilhéu da Baleia, que recebeu nome deste cetáceo, exatamente pela sua configuração se assemelhar a uma baleia. No entanto, ex-libris da ilha é a Caldeira, “de visita obrigatória”, afirma o presidente. Desta elevação consegue-se ter, em dias de céu limpo, uma vista panorâmica sobre as ilhas Terceira, São Jorge, Pico e Faial.

manuel santos Presidente

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alámos com o presidente da Câmara de Santa Cruz da Graciosa, Manuel Santos, que já tem a seu cargo o segundo mandato e nos ajudou a perceber alguns dos principais pontos a visitar, contextualizando-os com a história, vivências e tradições da ilha branca, também assim conhecida. “A ilha tem a forma de um ovo, é fácil dar a volta” O presidente começa por nos explica que a ilha vive de três áreas de sustento: a agropecuária, as pescas e o turismo, tendo este última surgido “numa fase posterior, mas com nichos de mercado. A ilha não está preparada para turismos de massa”, refere Manuel Santos. O mergulho, assim como a fotografia subaquática são fortes apostas ao nível do turismo, tendo-se “já realizado vários eventos e mais recentemente o primeiro Campeonato Europeu de Fotografia Subaquática”. Para os turistas que tenham um interesse particular por estas atividades, há uma curiosidade muito interessante pela Graciosa que não se deve deixar passar ao lado. “Em Santa Cruz e na Praia, temos dois navios afundados, como é exemplo o ‘Terceirense’ que se afundou em 1969. Para além disso, as nossas águas são muito transparentes”, o que se torna num convite ainda mais

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apetecível neste nicho de mercado. Há três empresas marítimo-turísticas sedeadas na Graciosa, o que na opinião de Manuel Santos se traduz num fator de sucesso no sustento do turismo na ilha. O mesmo partilha que “este ano tivemos mergulho com tubarão. Uma experiência nova na Graciosa que contribuiu também para promover um turismo de qualidade”. O presidente convida todos os amantes destas atividades a visitarem a Graciosa durante pelo menos uma semana. Relativamente a alojamento, “pequenos espaços de turismo rural, como os moinhos”, são também um excelente opção para repousar. Começa a aparecer um outro nicho de turismo que ainda é mais específico: a observação de aves. Para além de falarmos sobre as ricas paisagens graciosenses, cobertas por enseadas e pasto, bem como de animais existentes na ilha, como a vaca ou a grande variedade de peixes, Manuel Santos enfatizou a existência da espécie endémica “Painho-de-Monteiro”, preservada no Ilhéu da Praia, que apenas pode ser visitado na companhia de um guarda do ambiente. A este respeito, refere que o Governo Regional tem apostado muito na preservação ambiental, sendo que a ilha também tem o Parque Natural da Graciosa.

Planos Estratégicos e Projetos Desde os anos 90 que se tem registado um êxodo da população jovem, que não volta. A população da Graciosa é envelhecida (30 por cento de idosos), no entanto, as preocupações com os jovens e a sua fixação não deixam de existir. Um grande exemplo disso mesmo é a iniciativa do Governo Regional com a criação dos Programas Estagiar T e L, que, no caso da Graciosa, permitem aos jovens recém formados realizarem estágios cuja duração poderá ser de dois anos. Manuel Santos alerta para alguns problemas muito evidentes na ilha e, por conseguinte, na própria Câmara. Por um lado, a falta de mão de obra qualificada na ilha. “Trabalhamos com dois gabinetes de arquitetura, um na Terceira e outro em Aveiro. Temos muito poucos técnicos: um economista, um engenheiro civil, um engenheiro do ambiente e um veterinário municipal. Por outro lado, não há construção, logo o desemprego aumenta e a economia da ilha não se desenvolve como desejado”. A nível económico, salientamos positivamente a área do comércio alimentar, bem como a exportação de carne e de leite. Produz-se mais de oito milhões de litros de leite por ano. Na ilha existem dois grandes lares de idosos e este ano foi inaugurada uma creche, havendo capacidade, no privado e no estatal, para todas as crianças da ilha, a


REVISTA BUSINESS PORTUGAL REDESCOBRIR OS AÇORES partir dos três anos. As Termas do Carapacho tornam a área da saúde uma das fortes atrações da ilha. Apesar de “este ano terem ocorrido alguns problemas técnicos”, todos os esforços estão a ser efetuados no sentido de, para o ano que vem, estarem a funcionar na sua plenitude. Em termos de Câmara, tem havido nos últimos anos um grande investimento. Em Santa Cruz, com a remodelação da Praça Fontes Pereira de Melo e da Praça de São Francisco, “são das praças mais bonitas dos Açores”, afirma convicto o presidente Manuel Santos. Para dar outro exemplo, “Está a decorrer um concurso para a construção de um parque empresarial e gostaríamos que a sua inauguração decorresse já em 2016”. Quanto aos encaminhamentos entre ilhas, Manuel Santos garante que sempre foi favorável. Contudo, o presidente é da opinião de que tem de haver um “entendimento” entre a SATA, o Governo Regional e as agências, “para que as pessoas chegadas do continente a São Miguel, e futuramente também à Terceira, possam ser devidamente informadas e reencaminhadas para outra ilha o mais comodamente possível. Os transportes marítimos são um grande problemas para a nossa ilha, principalmente no que diz respeito a horários porque como não estamos no triângulo, não temos, a não ser no verão, barcos diariamente para escoar os nossos produtos. Nós precisávamos de criar um novo triângulo com a Terceira, São Jorge e a Graciosa. Água mole

em pedra dura, tanto bate até que fura!”, conclui com esperança. Eventos e Folia De maio a setembro, a Câmara colabora muito com todas as festas da ilha. “Começamos no domingo de Pentecostes e até meados de setembro não paramos. Na Graciosa temos quase 40 ermidas e cada uma faz uma festa. A grande festa da ilha são as festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, no segundo domingo de agosto”. Quanto à típica animação de verão da Graciosa, “à quinta-feira há sempre festa na Praça Fonte Pereira de Melo, com atuações de bandas locais. A ilha branca é muito rica em músicos e, para além de várias bandas de música ligeira e de rock, temos cinco grupos corais, dois grupos folclóricos, quatro filarmónicas, sendo duas delas centenárias”, partilha Manuel Santos. O presidente Manuel Santos afirma que gostava que no fim do seu mandato visse uma ilha ainda mais limpa e graciosa, onde as pessoas vivessem felizes. Que fossem criados outros atrativos, além dos naturais, para que cada vez mais o turismo crescesse e também que os jovens voltassem. Aos turistas deixa uma mensagem de incentivo: “Visitem a Graciosa e conheçam a nossa maneira de ser e receber bem, assim como as nossas paisagens únicas.”

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Unidades hoteleiras de excelência grupo investaçor O Grupo Investaçor foi criado em 1990 por um conjunto de empresários açorianos e elegeu o sector do turismo como a sua principal área estratégica. A Investaçor consagra a sua presença no denominado Circuito Açoriano com três unidades hoteleiras nas principais ilhas açorianas: São Miguel, Terceira e Faial. Como se caracteriza o Grupo Investaçor? Em todas as suas unidades o Grupo Investaçor prossegue numa missão de melhoria e inovação na criação e desenvolvimento de diversos produtos e serviços, garantindo a contínua satisfação e fidelização dos nossos clientes. Como caracteriza os três hotéis do Grupo e o que de melhor têm para oferecer? O Grupo dispõe de três hotéis em ilhas diferentes que, não obstante assentem todos em pilares de excelência no conforto e qualidade, distinguem-se entre si, em termos de conceito. Em Ponta Delgada, ilha de S.Miguel, o Royal Garden Hotel apresenta-se como uma unidade de quatro estrelas de arquitetura contemporânea e decoração exótica. Localizado no centro da cidade, e tem uma oferta de 193 quartos, entre os quais amplas suites, executivos, standards, comunicantes (ideal para famílias) e de mobilidade reduzida, com vistas distintas como mar, jardim e piscina. Nos serviços, podem optar por piscina interior ou exterior, jacuzzi, sauna, banho turco, spa, cabeleireiro, sala de jogos, restaurante, bar, parque de estacionamento coberto e inúmeras salas de eventos onde poderá festejar uma data especial. Na Horta, ilha do Faial, o Faial Resort Hotel é um dos mais conceituados hotéis de quatro estrelas da ilha. Além do edifício principal, o hotel dispõe ainda de cinco vilas, ao longo dos jardins, que compõem a imagem de resort. Com uma oferta de 131 quartos de tipologias diversas como suites, executivos, standards e de mobilidade reduzida, com vista jardim e mar/montanha do Pico, apresenta ainda uma diversidade de serviços, entre os quais, campo de ténis, campo de vólei, piscina exterior e interior, ginásio, sauna, banho turco, jacuzzi, restaurante, bar e parque de estacionamento privativo. Trata-se de um hotel com excelência no serviço de restauração, sendo o local de eleição para diversos eventos. O Faial Resort Hotel está a ser alvo de remodelações, traduzindo-se num upgrade em termos de ambiência e conforto de quem o visita. Em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, o Angra Garden Hotel está localizado na Praça Velha, centro histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO. O Angra Garden Hotel faz parte desta paisagem, oferecendo serviços de qualidade e conforto adequados a um hotel de três estrelas. Dos 120 quartos, com tipologias de suites, executivos e standard. No Angra Garden Hotel pode ainda optar por usufruir do terraço panorâmico, do restaurante, bar, piscina interior, ginásio, jacuzzi, sauna, tanho turco e spa, ideais para relaxar a final do dia. O que significa para o Grupo o prémio arrecadado este ano de melhor hotel da cidade? O prémio recebido da Olimar, em que prestigia o Royal Garden Hotel na categoria City Hotels é, sem dúvida, o resultado do esforço de uma equipa motivada, profissional e de confiança que muito nos orgulha, refletindo-se na satisfação dos nossos clientes e dos nossos parceiros de negócio. Há algum projeto para breve? Para 2016, estamos a preparar novos produtos e ações de dinamização para o público local e turistas. Haverá uma grande aposta em novos eventos, transversais a todas as idades. Contamos assim, conquistar novos públicos e trazer uma nova dinâmica comercial para o hotel.

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liderança no feminino

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istoricamente, as mulheres entraram no mercado de trabalho mais tarde do que os homens. A mentalidade foi-se alterando ao longo dos tempos e, sobretudo, por força das circunstâncias, o trabalho das mulheres passou a ter importância e a ser valorizado aos olhos da sociedade mundial durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Enquanto os homens combatiam, muitas passaram a trabalhar fora do mundo doméstico. No presente, o retrato já é diferente, mas nem em todas as partes do mundo. No nosso país, atualmente, já existem nos bancos das faculdades mais mulheres do que homens, contudo estes números ainda não se traduzem nos cargos de topo das empresas. Um estudo recente feito pela Comissão Europeia, mostra que Portugal é dos países da União onde existem menos lugares de topo ocupados pelo género feminino. Neste seguimento, o Governo Português quer, até 2018, 30 por cento de mulheres nos cargos do conselhos de administração das empresas cotadas. Para tal, aprovou


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em março deste ano, uma resolução em Conselho de Ministros que prevê isto mesmo. O documento emitido refere também a importância de se analisar as diferenças salariais entre homens e mulheres, que desempenham as mesmas funções, através “da criação e o fornecimento, sem custos para as empresas, de um mecanismo de apoio para identificação e análise das diferenças salariais entre homens e mulheres, ficando as empresas vinculadas à implementação de uma estratégia para a eliminação das diferenças salariais que forem identificadas”. Nas última legislativas, no passado dia 4 de outubro, fezse história, passando as mulheres a corresponderem a um terço dos deputados. da Assembleia. São 76 deputadas num total de 230 lugares. Recorde-se que, em 2006, foi aprovada a Lei da Paridade que estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais sejam compostas, no mínimo, por 33 por cento de cada um dos sexos — ou seja, um terço da lista. Nesta edição decidimos ir ao encontro de casos de sucesso, onde a liderança no feminino é uma realidade, são exemplos de vida inspiradores, com negócios de sucesso liderados pelo género feminino.

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d e fendid e ia s

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Elevar Angola no mundo Cilene Correia é conhecida como a ‘mulher furacão’. Empresa de sucesso, mulher de causas, é fundadora e administradora da Defendideias, uma empresa de direito angolano, que opera no mercado na área de design. Falamos de uma empresa que explora a cultura angolana, sendo pioneira nesta vertente. A Defendideias já conquistou algum espaço no mercado angolano devido às suas peças inovadoras e originais.

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alar da Defendideias é falar já de um pequeno império ‘made in Angola’ e que pretende elevar e dar a conhecer este país. “É a minha terra”, faz questão de frisar Cilene Correia, sempre com emoção na voz, nunca esquecendo de referir aqueles que fizeram de si a mulher que é hoje, os pais, a família e todos os que de alguma forma, passaram pela sua vida. A sua missão é clara e está bem patente na sua empresa: recontar a história do seu país nas mais diversas peças que aqui são criadas, sem nunca descurar a verdadeira essência da alma angolana. O próximo patamar passa por internacionalizar os diversos produtos Defendideias. Mas não há melhor forma para conhecer Cilene Correia do que na voz da própria. Antes de falarmos da empresa, parece-me pertinente falarmos da mulher. Quem é Cilene Correia? Uma mulher forte, lutadora, hipersensível, mas simultaneamente uma mulher de extremos . A vida obrigou-me a isso... Sente que a sua infância e a história do seu país a moldaram enquanto mulher e também enquanto empresária? Sem dúvida que a minha infância e a minha história de vida, no geral, fizeram de mim esta batalhadora... Tive uma infância feliz, com uma família consistente que conseguiu fazer com que acreditasse no Pai Natal até setembro de 1975... ano em que tudo mudou... e é aqui que se ‘mistura’ o peso da história do meu país com as vivências no “país que nasceu Meu Pai” (parafraseando a música do grande Paulo Flores).

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cilene correia - Administradora


REVISTA BUSINESS PORTUGAL LIDERANÇA NO FEMININO Esta coleção está divida em duas partes: uma que mantém o mesmo segmento, apenas as peças especiais alusivas a essas datas comemorativas do país e a outra parte, a parte nova que são as louças, os lenços, os tecidos africanos que reinventámos em sedas, os Kimbundus : pequenos ‘recuerdos’ para quem viaja e os Mussulus...e, apesar desta parte da coleção ter uma vertente mais dinâmica, mantemos aqui esse lado nacionalista e patriótico que é imagem de marca da Defendideias.

estojo comemorativo dos 40 anos da independência de angola Uma história para contar com sabor a vitória

Esta coleção conta com convidados de renome… Sabe que o meu lema ou o lema da Defendideias é ‘Juntos somos melhores e por isso mais fortes’. Luís Fernando, um bom amigo, patriótico como eu, escritor e jornalista conceituado, a pessoa certa para ‘falar’ sobre a alma angolana e a sua génese, fê-lo como ninguém através da galinha de Angola por nós intitulada de ‘Galinha Maluca’. Nadir Tati, uma senhora, a grande estilista da moda angolana, a quem convidámos para com a sua sabedoria transformar os nossos tecidos e assim conseguirmos dar uma

Apelidaram-na de ‘mulher furacão’. É assim que se auto-intitula? Sim, nunca ninguém tão bem resumiu, em duas palavras apenas, aquilo que sou! Tem enraizado em si a promoção de Angola? Sente ser sua missão levar e elevar o nome de Angola mais longe? Sabe que sinto que isso é uma necessidade que tenho? Eu sinto necessidade de mostrar que em Angola, na minha terra, há coisas e pessoas que valem a pena, aqui há pessoas capazes, há gente de valor e com alma... Há gente de valor e com alma, capaz de se entregar a uma causa e mostrar Angola na sua essência. É perante este sentido de missão que nasce a Defendideias? Para quem ainda não conhece, a Defendideias é uma empresa de design que explora a cultura angolana. Fale-nos um pouco deste projeto. A Defendideias nasce, de facto, da vontade de levar o nome de Angola bem alémfronteiras, de mostrar ao mundo que temos história para contar, que temos uma paisagem maravilhosa para mostrar, que temos gente genuína que faz com que a nossa cultura e as nossas tradições sejam tão ricas. Como é que se eleva o nome de Angola? Acreditando no meu país, na minha terra! No que é que se inspira para a criação das coleções? Essencialmente nas memórias da minha infância no Seles, Kwanza Sul, terra onde nasci e onde vi a minha família ser tão feliz... Na história do país que precisa de ser contada. Pegámos nas datas especiais como: o 4 de fevereiro (que marca o início da luta pela independência) ou no 4 de abril que é um dia marcante para qualquer angolano : nesse dia, em 2002, foi assinado o acordo de Paz. Terminou a guerra. Então isto não é inspirador? Ah, permita-me que lhe diga que esta data me comove particularmente, já temos três peças diferentes em edições limitadas e numeradas, de comemoração deste dia especial. Tenho também a sorte de ter profissionais que colaboram e vestem a camisola. Temos as duas designer’s que trabalham connosco - a Inês Andrade e a Ana Pinto - são fantásticas, conseguem dar vida às minhas ideias e às do grupo, ‘beberam’ do espírito Defendideias tornando-se imparáveis...

Amor encavalitado por Angola Angola, eu QUERO namorar contigo. Preciso. Tem de ser. Para que dês sentido ao fogo que levo dentro. E tens de ser tu a dizer-me o que faço, como o faço e qual a medida certa. Só não me digas por quanto tempo, porque contigo tem de ser ad eternum. Quero namorar contigo qualquer que seja a tua forma. Conheço-te a beleza até de olhos fechados. E se estou de cabeça perdida, inebriado por mil males de amor, melhor ainda. Assim te amarei sob a forma de embondeiro vetusto, vento da anhara, floresta do Maiombe. Ou caqueia do Moxico, cacusso do Panguila e areia quente do chão do Namibe pontilhado de welwitchias soberanas. Talvez praias, frutas sumarentas como as mangas da Cabala, ou talvez o sorriso invencível das tuas gentes. Pode ser com a força triunfal das zungueiras, o beijo secreto do orvalho a caminho da lavra ou o frescor saltitante do peixe que desembarca nas margens do Atlântico. Como és diversa, qualquer amor serve! Deixas-me, Angola? Que seja aquela saudade dos anos sem ti, porque aconteceu a partida mas a alma aqui ficou, presa à raiz. Que seja com a garra dos dias de hoje, de te reerguer dos destroços e tornar-te imensa. Como mil aves fénix em acção robusta. Que seja como tiver que ser. Com a força mágica, se calhar, montada sobre o dorso de uma galinha carregada de mil segredos.

Luís Fernando 2015

Falemos agora da nova coleção, apresentada no passado dia 24 de setembro. O que representa esta coleção? Qual a mensagem que estas peças transmitem? kimbundus - Ímans e Alfinetes

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outra imagem dos panos africanos. E o Guilherme, o Mampuya, esse artista que me chama de ‘cota’ (risos) e que tem um traço inconfundível ao qual juntou a técnica do seu pincel à nossa vontade de bem fazer. Resultado? Uma tela que simboliza o ‘grito’ da independência... Foquemo-nos nos Mussulus. Primeiramente pergunto-lhe de onde vem este nome? Na Defendideias nada surge por acaso (até os nomes que damos às peças e aos artigos traduzem essa vontade de elevar Angola) e este nome Mussulus foi inspirado numa ilha paradisíaca na costa sul de Luanda que se chama Mussulo e que vale a pena conhecer. Assim, estamos a despertar a curiosidade da origem do nome e, consequentemente, a vontade de lá ir... O que transmitem estes chinelos? Qual a sua mensagem? A nossa mensagem é sempre a mesma em todas as peças ou artigos que produzimos...e os Mussulus não são exceção. O que os distingue dos restantes chinelos do mesmo segmento? Os Mussulus têm uma tela na sola que lhes confere um maior conforto, o pé não fica em contacto com a borracha, não escorrega com a transpiração ou humidade. Reinventámos padrões criados por nós, mais precisamente pela Inês Andrade, inspirados na cultura africana conjugando com os tecidos dos quais já falei e isso torna-os únicos. Os mussulus são sinónimo de… De calor, de cor, de sol, de praia, de batuque, de liberdade... Há ainda uma peça alusiva à comemoração dos 40 anos da independência de Angola. Antes de a questionar sobre a peça, pergunto-lhe sobre o que esta data lhe diz enquanto angolana, enquanto cidadã, enquanto empresária. O que significa, para si, 40 anos de independência. A independência é um marco importantíssimo na vida de qualquer angolano... passaram 40 anos, cabe-nos a manutenção da Paz!

edição dia da paz

Fale-nos, então, um pouco desta peça. Qual a mensagem da mesma? O facto de termos ‘transportado’ para a peça de porcelana (um guarda-jóias) a tela do Guilherme Mampuya significa que, com a celebração dos 40 anos, celebramos também a herança cultural e a força da tradição do nosso país.

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COLLECTION

ana rita pinto - Designer e criadora da Xifutus Collection

XIFUTUS

linha mussulus

Por onde passa o futuro da Defendideias? No futuro imediato, internacionalizar os Mussulus e abrir um espaço em Portugal.


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O meu sonho? Ver os Mussulus ‘viajarem’ pelo mundo fora.

“Os padrões dos Mussulus são uma criação minha, inspirados na natureza africana e em elementos da cultura angolana. Focalizei-me nas cores fortes e quentes que traduzem o espírito alegre do povo angolano, tentei transmitir através deles os sons da marimba e do batuque… Depois, veio a ideia de os ver complementarem-se com os tecidos dos mesmos padrões: um sonho tornado realidade! Trabalho há quatro anos na Defendideias e tenho crescido imenso. Aqui, nós temos a possibilidade de fazer tudo, por exemplo, a produção dos chinelos foi iniciada por mim e sou eu que coordeno esse setor, orgulho-me de participar num projecto desde a sua conceção ao produto final. É óbvio que o meu trabalho não se resume aos Mussulus, também são de minha autoria algumas peças das edições especiais entre outras”. Inês Andrade

inês andrade - Designer e criadora dos Mussulus

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Mulheres de sucesso há 95 anos Casa Ermelinda Freitas As vinhas da Casa Ermelinda Freitas sempre foram geridas por mulheres. A excelência e qualidade dos vinhos têm sido reconhecidas com diversos prémios e distinções, em Portugal e internacionalmente. Em entrevista a Leonor Freitas ficámos a conhecer a história de um negócio liderado no feminino há quatro gerações.

Leonor freitas Administradora

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A Casa Ermelinda Freitas é liderada por mulheres desde o ano em que surgiu, 1920. A atual administradora, Leonor Freitas é já a 4ª na linha de sucessão. Neste sentido, quais são os principais desafios em ser administradora de uma das marcas de vinhos mais conceituadas em Portugal, numa área de negócio onde os homens (ainda) estão em maioria? A Casa Ermelinda Freitas teve sempre mulheres na gestão devido a um fatalismo da linha masculina, que morreu muito cedo. Por uma questão de sobrevivência, de mães e filhos, as mulheres Ermelinda Freitas tiveram de ser capazes e fortes, conseguindo gerir casas agrícolas, mantê-las e passar os negócios de geração em geração. Não vou dizer que está nos genes da família, julgo que espontaneamente, as minhas antecessoras foram transmitindo o amor que tinham à terra, concretamente, às vinhas e ao vinho e assim comprovaram que não há trabalho, nem para mulheres,

nem para homens, mas sim, as pessoas certas com amor naquilo que fazem. Claro que não posso dizer que é fácil, mesmo com todo este historial, represento a quarta geração, sou muito exigente comigo própria e tenho de acreditar ser capaz, mesmo sendo mulher… senti que não havia espaço para errar. O espaço tem de ser ganho dentro de cada mulher, para que a diferença seja respeitada como igualdade. Leonor Freitas não projetou a sua vida profissional para ser administradora da vinha da família, contudo teve que assumir o desafio. Como foi o seu percurso antes de chegar à liderança da Casa Ermelinda Freitas e porque optou por dedicar-se a este negócio? A família e eu própria queríamos ter uma vida “melhor”, mais citadina, com mais saber intelectual. Para isso, após ter feito a quarta classe em Fernando Pó, onde nasci, saí para estudar. Fiz o ensino secundário, tirei uma


REVISTA BUSINESS PORTUGAL LIDERANÇA NO FEMININO licenciatura e organizei toda a minha vida fora do mundo rural. Mas, após a morte do meu pai, o sentimento de amor à terra, que a família me tinha passado foi mais forte. Sendo eu filha única não fui capaz de vender o negócio e decidi manter a Casa Ermelinda Freitas. Posso dizer que fiz muitas coisas que gostei, como profissional de serviço social, mas foi no mundo rural, de onde tinha saído e onde passei a minha infância, que me reencontrei. Todos os dias agradeço ter voltado às minhas origens, ao mundo rural. Abordando agora a produção vitivinícola, como correu a colheita este ano? Quais são as perspetivas em termos de produção? Qual será o vinho ou vinhos que vão estar em destaque? Este ano podemos dizer que tivemos uma vindima de ouro, boa produção, mas sobretudo, muito boa qualidade. Eu aconselharei mesmo aos nossos consumidores o vinho Casa Ermelinda Freitas 2015, é de certeza um grande vinho. Não consigo destacar nenhum neste momento. Importa referir que vamos ter o Leo D´Honor de 2015, que é feito de uvas de vinhas com 70 anos e só é produzido em anos de grande qualidade. A excelência e a qualidade dos vinhos Casa Ermelinda Freitas têm vindo a ser galardoados em Portugal e no estrangeiro há vários anos. Como conseguem alcançar e manter os bons resultados? Qual o segredo do sucesso?

O segredo do sucesso é muito simples: três gerações a trabalhar antes de mim, a minha família, que me apoiou na mudança da minha vida, uma equipa pequena em tamanho, mas muito grande em dedicação e trabalho, destacando o enólogo Jaime Quendera que tem sabido tirar partido da qualidade das uvas. Depois, a ótima região onde as vinhas estão inseridas e os consumidores que têm preferido os vinhos da Casa Ermelinda Freitas, o que me tem permitido dar continuidade a uma paixão de quatro gerações. Em resumo, amor à terra, amor à família, amor à região e um grande respeito e agradecimento por aqueles que têm bebido em cada garrafa o amor que eu lhe atribuo, um muito obrigado aos nossos consumidores. No que diz respeito ao futuro e ao seguimento do negócio, a 5ª geração Ermelinda Freitas vai

continuar a ser no feminino? Quanto à vinha existe algum projeto ou produto que queira destacar? Em relação à continuidade da Casa Ermelinda Freitas, não tenho dúvidas, pois a quinta geração (os meus filhos) já cá trabalham. Resultará de um trabalho de equipa e de ambos os sexos, pois tenho um filho e uma filha, eles complementam-se, mas não duvido que a gestão continuará no feminino. Falar de futuro e projetos, não é fácil, não por falta deles, mas porque tenho muitos que gostaria de concretizar. De uma forma geral, posso dizer que vou continuar a plantar vinhas e a fazer cada vez melhor e a presentear os nossos consumidores com novos produtos, nomeadamente, para este natal iremos ter o nosso primeiro Moscatel Superior Roxo, que será mais um produto para dignificar Portugal, a região e a Casa Ermelinda Freitas.

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A igualdade de género Comissão para a igualdade no trabalho e emprego Joana Gíria é o rosto nacional na luta pela igualdade no trabalho e emprego, ocupando o cargo de presidente da CITE. Numa edição com especial destaque à liderança no feminino, esta era uma entrevista obrigatória. Saiba como se alcança a igualdade e a não discriminação entre mulheres e homens no mundo laboral, assim como a proteção da parentalidade e a conciliação da vida profissional, familiar e pessoal.

joana gíria Presidente

A proporção de mulheres nos conselhos de administração das empresas portuguesas cotadas em bolsa é de 9 por cento, metade da média europeia. A Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego (CITE) lançou recentemente a campanha de promoção nacional “Mulheres nos Conselhos

Apesar dos números apresentados, nas pequenas e médias empresas existem bons exemplos de sucesso, de liderança no feminino. No entender da CITE, porque motivos as mulheres continuam em minoria nos cargos de decisão? O estereótipo de género continua a comprometer as mulheres a assumir as

de Administração das Empresas”, como surgiu a iniciativa e quais são os objetivos que pretendem alcançar? A campanha de promoção nacional de mulheres a cargos de administração foi lançada pela CITE, com o apoio da Secretaria do Estado do Emprego e da Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, com o objetivo de sensibilizar as entidades empregadoras e os seus órgãos de decisão no segmento mais direto, sendo transversalmente ampliada a toda a sociedade, de modo a promover o necessário equilíbrio na representação de mulheres e de homens nos lugares topo de decisão das empresas, e de se eliminarem progressivamente as diferenças salariais que persistem entre mulheres e homens. A campanha surgiu, fundamentalmente, considerando que a prática social continua a implicar uma assunção de maior responsabilidade pelas mulheres na conciliação entre a atividade profissional e a vida familiar, o que se traduz na discriminação das mulheres no trabalho e no emprego ao nível da progressão nas carreiras, das remunerações e no acesso aos cargos de decisão.

responsabilidades inerentes à esfera familiar, de que são exemplo os cuidados com os/as filhos/as, com ascendentes, e com a casa, fator que não lhes tem vindo a permitir aceder à progressão na carreira com a mesma facilidade que os homens. O investimento na educação e na formação académica por mulheres e por homens não tem tido resultados idênticos no que respeita à ascensão a lugares de topo. Enquanto que os homens acabam por seguir por uma espécie de “via verde” em direção a cargos de chefia e de decisão, às mulheres é imputada uma “portagem”, que lhes dificulta a continuação do percurso ou, mesmo, as faz desistir de prosseguir em direção ao destino almejado. Neste domínio, a partilha de responsabilidades entre homens e mulheres é fundamental. Torna-se cada vez mais importante “chamar” os homens ao contacto com as responsabilidades/cuidados com a família, e sensibilizar toda a população para o facto de que as mulheres podem e devem apostar nas suas carreiras profissionais, sem se sentirem constrangidas, “culpadas” por exercerem o seu direito ao trabalho.

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A CITE promove a igualdade entre mulheres e homens no trabalho e no emprego. No que diz respeito à discriminação, quais são atualmente os principais obstáculos que homens e mulheres enfrentam no local de trabalho? Destacaria, em relação às mulheres, a ainda persistente desigualdade salarial em relação aos homens, o chamado Gender Pay Gap. Verifica-se, quer através dos dados nacionais, quer dos dados do Eurostat, que o trabalho igual ou de igual valor exercido por mulheres e por homens não é igualmente compensado, desvalorizandose o realizado por mulheres. Em Portugal, de acordo com os últimos dados nacionais disponíveis, relativos a 2013, as mulheres ganham menos 17,9 por cento de remuneração média mensal de base do que os homens, e essa diferença salarial aumenta quando se calcula a remuneração média mensal de ganho, atingindo 20,8 por cento. Na União Europeia, segundo dados do Gender Pay Gap, de 2013, disponibilizados pelo

A CITE tem vindo a assinalar o Dia da Igualdade Salarial no mês de março, na expectativa de o poder vir a fazer mais cedo em cada ano mas a verdade é que, em 2015, para conseguirem ganhar o mesmo que os homens, as mulheres, em Portugal, teriam de trabalhar mais 65 dias, ou seja, até dia 6 de março, enquanto os homens poderiam começar a trabalhar apenas nesse dia para haver igualdade salarial. No que respeita aos homens, salientaria a discriminação de que ainda vão sendo alvo ao decidirem partilhar responsabilidades familiares. Assistimos, paulatinamente, à mudança de paradigma, fruto quer da evolução da mentalidade e da alteração de comportamentos, quer do progresso legislativo que determinou o gozo de um período de licença parental exclusiva obrigatória para o pai, aliás recentemente aumentado de 10 dias úteis para 15 dias úteis, e da possibilidade de, a partir das seis semanas após o parto, mãe e pai poderem partilhar a licença parental de modo a que ambos possam escolher

seu papel de cuidador.

Eurostat, Portugal apresenta uma diferenciação salarial de 13 por cento, sendo esta percentagem a nona mais baixa da UE28, diferença que se justifica, face aos valores nacionais apurados a partir dos Quadros de Pessoal, pela utilização de diferente metodologia de recolha e tratamento dos dados.

em que momento cada progenitor acompanham a criança. Contudo, e embora cada vez menos, a opção do pai trabalhador pela licença partilhada é ainda suscetível de enfrentar alguns constrangimentos uma vez que nem toda a sociedade reconhece ao homem, com genuinidade, o natural e legítimo direito a exercer o

humanos. A complementaridade das características das mulheres e dos homens colocada ao serviço da sociedade é o percurso cujo equilíbrio contribuirá para aprofundar a democracia, tornando a sociedade mais justa e mais respeitadora dos direitos fundamentais constitucionalmente consagrados.

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Tendo em conta o tema “Liderança no Feminino”, quais os conselhos da CITE para que as mulheres que pretendam possam enveredar por uma carreira em cargos de decisão? A adoção de práticas e políticas de gestão que favoreçam a conciliação entre a atividade profissional e a vida e familiar e pessoal é, certamente, um contributo decisivo para que as mulheres assumam cargos de decisão ou possam gerir um seu negócio. Para tanto, é necessário incluir os homens na vida privada e promover o acesso das mulheres à vida pública sendo este o caminho justo que, aliás, de acordo com diversos estudos realizados contribui para o aumento da produtividade e, consequentemente, da competitividade. A base da escolha na meritocracia não pode nem deve conhecer entraves e obstáculos. Trata-se de uma questão de cidadania e de direitos

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Roteiro do PR - Educação e Formação Profissional

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O

Presidente da República dedicou a 6ª Jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica à Educação e Formação Profissional. Com o intuito de dar a conhecer o

que está a ser feito no setor, Cavaco Silva visitou a ATEC, Academia de Formação, sediada em Palmela, junto ao Parque da Autoeuropa, que possui também vários pólos no resto do país. O Centro de Formação Profissional de Setúbal foi outro dos locais visitados pelo Presidente da República, onde esteve em contacto com as oficinas de serralharia mecânica, soldadura, CNC e aeronáutica. Os cursos dinamizados na ATEC funcionam através de um Acordo de Cooperação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), que tutela ainda as atividades do Centro de Formação Profissional de Setúbal. Segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, em 2014, os cursos profissionais foram


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frequentados por 69.730 alunos, valor que tem vindo sempre a aumentar, se tivermos em conta que, em 2008 por exemplo, os números revelam que frequentaram esta modalidade de ensino 35.223 jovens. O IEFP é a maior entidade pública portuguesa responsável pela formação e certificação de competências, fora da tutela do Ministério da Educação. O IEFP tem ao dispôr ações de formação em várias áreas, sendo que, são estabelecidas prioridades conforme as reais necessidades do mercado de trabalho. No período de 2014 – 2015, foram identificadas como áreas prioritárias de formação a eletrónica e automação, a eletricidade e energia, a metalurgia e metalomecânica, as ciências informáticas, o trabalho social e orientação, a indústria do têxtil e ainda a construção e reparação de veículos a motor. Após este levantamento, percebe-se que a educação e a formação profissional são áreas cruciais para o progresso e desenvolvimento da economia portuguesa, tendo sempre em conta as verdadeiras necessidades do mercado de trabalho. Neste contexto, nas próximas páginas damos a conhecer a realidade da educação e formação profissional no nosso país, através do retrato elaborado junto das instituições mais representativas do setor, em Portugal.

fotos gentilmente cedidas pela presidência da república portuguesa Luís Filipe Catarino/Presidência da República

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“A formação profissional é fundamental para o futuro do país” Instituto de Emprego e Formação Profissional O Presidente da República dedicou a 6ª Jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica à Educação e Formação Profissional, tendo visitado, entre outras entidades, o Centro de Formação Profissional de Setúbal. Neste seguimento, entrevistámos o Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Emprego e Formação Profissional – IEFP, Jorge Gaspar, com o intuito de perceber quais as medidas e ofertas disponíveis e qual o papel do IEFP na formação profissional dos portugueses.

jorge gaspar Presidente do Conselho Diretivo

Nos últimos anos, devido à crise que se instalou no país a aposta na formação profissional intensificou-se. Qual a importância da visita do Presidente da República a várias instituições de formação, no âmbito do 6º Roteiro para a Economia Dinâmica? Interpretei a visita do Presidente da República ao Centro de Formação Profissional de Setúbal, mas também a uma escola profissional e ao centro de formação ATEC, que aliás tem um acordo com o IEFP,

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como o reconhecimento público e institucional da importância do ensino e da formação profissional para a capacitação da população portuguesa e também como o reconhecimento que a mesma tem no quadro do desenvolvimento económico e social do país. Qual o papel desempenhado pelo IEFP no atual contexto da formação profissional no nosso país? A formação tem vindo a crescer, do ponto de vista

quantitativo e qualitativo, sendo que, no caso do IEFP, somos responsáveis pela formação profissional. O ensino profissional está na tutela do Ministério da Educação e a Formação Profissional está na tutela do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social. Contudo, apesar desta distinção, há obviamente áreas de contacto. A vertente profissional implica uma ligação ao mercado de trabalho e às empresas. Além do IEFP, não vejo nenhuma outra instituição em Portugal que tenha o conhecimento da realidade económica


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têm as competências desajustadas ao que é exigido pelo mercado de trabalho. O IEFP está a trabalhar no sentido de perceber quais são as necessidades atuais e futuras das empresas, adaptando a nossa estrutura e oferta formativa a essas necessidades e requalificando os trabalhadores desempregados de longa duração. Esta questão é muito importante, essencialmente por duas razões: primeiro, sabemos que quanto mais dirigida, focada e incisiva for a ação de formação profissional, mais eficaz é. Por outro lado, é importante a formação prática em contexto de trabalho, nas empresas. Temos uma medida de formação designada de ‘Vida Ativa’ que potencia profundas parcerias com as empresas e onde estas participam ativamente na formação dos trabalhadores desempregados de longa duração.

Foto de Luís Filipe Catarino/Presidência da República

do país, das empresas e das suas necessidades, em bom rigor, das potencialidades de desenvolvimento económico e social dos vários territórios. Não é a mesma coisa trabalhar competências em Aljustrel ou na Área Metropolitana do Porto e, portanto, temos que conhecer as diferentes realidades para ajustar a nossa oferta formativa, em função das necessidades atuais e futuras do tecido empresarial de cada uma das regiões. Procuramos fazer isto a dois níveis. Por um lado, no que toca à formação dos jovens, a modalidade da aprendizagem, (existente há já 31 anos) é um sistema de dupla certificação. Os jovens dos 15 aos 23 anos podem frequentar os cursos de formação profissional, que têm uma componente académica e, num percurso de três anos, obtêm o 12º ano. Além da componente académica tem também a componente profissional, o que significa que, no final do percurso, os jovens para além de uma habilitação académica, que lhes permite acesso ao ensino superior, têm também uma habilitação profissional que os capacita para o exercício de uma profissão. A grande mais valia da aprendizagem reside no facto de a formação decorrer nas empresas. Para a aprovação de um curso de aprendizagem, a

Para além dos jovens, existem muitos adultos a participar em ações de formação profissional. O que está a ser feito nesta vertente? Neste caso, falamos de adultos desempregados. Este público tem tido uma atenção especial por parte do IEFP. Temos apostado na reconversão profissional dos desempregados de longa duração pela seguinte razão: as pessoas que estão desempregadas há muito tempo

Os números relativos ao desemprego estão a baixar. Que tipo de protocolos têm estabelecidos com as empresas? Quais as áreas onde faltam trabalhadores? Temos inúmeros exemplos, tanto ao nível das tecnologias como das áreas mais tradicionais. Celebrámos com um conjunto de entidades, como a Microsoft, a Cisco, a Samsung e várias universidades, protocolos para a formação em contexto de trabalho, com o objetivo de os trabalhadores desempregados poderem reorientar as suas competências para essas áreas. No IEFP, sabemos que o fundamental para desempregados, a partir dos 45 anos, é apostar decisivamente nas competências, na reconversão e na reorientação. Naturalmente que o processo de

participação das empresas é requisito incondicional, o que significa que os jovens são formados nas empresas que depois potencialmente os vão contratar. Em 2014, houve 40 mil jovens abrangidos pela modalidade da aprendizagem, com a verdadeira formação dual. Foto de Luís Filipe Catarino/Presidência da República

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Foto de Luís Filipe Catarino/Presidência da República

ajustamento entre a oferta de emprego e a oferta de qualificações e competências está a ser feito. Nós verificamos que, quer nos jovens, quer na longa duração, o desemprego está a baixar, o que significa que, do ponto de vista do ajustamento, as coisas estão a funcionar. O IEFP tem uma grande dimensão com mais de 100 Centros de Empregos e Formação Profissional, 3.200 trabalhadores, com alto nível de responsabilidade, relativamente, a todos os inscritos, sejam eles licenciados ou pessoas com a 4º classe. Em Portugal, um conjunto

Foto de Luís Filipe Catarino/Presidência da República

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de setores mais tradicionais estiveram, durante alguns anos, adormecidos, mas foram recuperando e hoje são setores exportadores, que criam mais valias e empregam: o agroalimentar, o calçado, o têxtil e a metalomecânica são áreas que identificamos como tendo um potencial de empregabilidade forte. Exemplo disto foi a criação de uma Academia Têxtil, em Famalicão, precisamente para formar desempregados de longa duração, numa articulação com a Câmara Municipal e o Centro Tecnológico do Têxtil.

Neste contexto, o papel dos trabalhadores do IEFP é cada vez mais exigente? O que é exigido aos trabalhadores do IEFP não é uma tarefa fácil, mas, na minha opinião, o IEFP é a mais importante organização da administração pública portuguesa e tem de continuar a ser. Para tal, tem de ser assegurado um conjunto de condições financeiras e de operacionalidade que permita continuar a assegurar, com cada vez mais eficiência e capacidade, o seu trabalho.


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“A missão da academia é levar o saber mais longe” ATEC - Academia de Formação A ATEC é um projeto promovido pela Volkswagen Autoeuropa, Siemens, Bosch e Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. No âmbito do 6º Roteiro para a Economia Dinâmica, dedicado à Educação e Formação Profissional, o Presidente da República fez questão de visitar esta academia. Para conhecer melhor o trabalho da instituição, entrevistámos Margarida Gomes da Silva, administradora da ATEC. em Aveiro, Braga, São João da Madeira, Sines, Viseu e, brevemente, em Cascais. Queremos levar a qualificação mais longe, se não é fácil e acessível vir ter connosco, que sejamos nós a ir ter com quem precisa. A nossa oferta formativa é focada na indústria e orientada consoante as necessidades do mercado. As áreas de formação abordam a manutenção industrial, mecatrónica automóvel, mecatrónica, automação, eletrónica, gestão de redes, programação, entre muitas outras.

margarida gomes da silva Diretora Geral

Como surgiu a ATEC? A ATEC surgiu em 2004, fruto do esforço conjugado da Volkswagen Autoeuropa, Siemens, Bosch e Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, decorrente da necessidade de criar uma organização que contribuísse para o aumento da qualificação dos profissionais. Têm uma abrangência nacional. Onde estão localizados os vossos polos e quais são as vossas opções formativas? A ATEC está sedeada em Palmela. Temos uma delegação no Porto com valências muito semelhantes às da sede, mas numa dimensão mais reduzida. Temos também polos descentralizados, no seio da indústria,

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Como caracteriza a vossa oferta formativa? A ATEC tem quatro modalidades de formação. A aprendizagem, cursos de dupla certificação, escolar e profissional, para jovens com o 9º ano. Começámos já a ter a procura espontânea de jovens que terminam o 9º ano e querem ingressar na ATEC, o que mostra que o ensino profissional deixou de ser uma opção de recurso e passou a ser primeira opção. Oferecemos Cursos de Especialização Tecnológica (CET), para jovens com o 12º ano de escolaridade ou nível 4 de qualificação, que pretendem fazer uma especialização antes de entrar no mercado de trabalho ou ingressar num curso superior. Oferecemos também cursos de Educação e Formação de Adultos, para adultos acima de 23 anos, com o 9º ano, que pretendem requalificar-se. Temos casos de sucesso, que são motivo de orgulho, como por exemplo pessoas com 40 anos que encontram o seu rumo, ou seja qualificamse e conseguem um posto de trabalho. Adicionalmente,

temos programas de Qualificação Profissional para recém-licenciados com dificuldade em ingressar no mercado de trabalho. O programa tem duração de um ano, repartido em 10 por cento na ATEC a receber formação em soft skills que facilitem a entrada no mercado de trabalho,e 90 por cento em estágio numa empresa. No final do programa a empregabilidade é bastante significativa. Qual a importância das parcerias com as empresas? Grande parte da formação dual é passada em contexto de trabalho nas empresas. Desde o primeiro dia de formação, temos de ter esta vertente garantida, a nossa network empresarial tem de estar a funcionar para conseguirmos colocar os mais de mil formandos. Por outro lado, é fundamental inovar. A indústria está sempre a evoluir, com novas tecnologias e recursos e nós temos de responder às suas necessidades. A relação com as empresas passa também pela colaboração na criação de novos cursos, como por exemplo o CET em Gestão e Controlo de Energia desenvolvido em parceria com a Siemens, Efacec, REN e EDP. O que representou para a ATEC a visita do Presidente da República? É um orgulho receber todos quantos nos visitam, mas o Presidente da República em especial, porque é a pessoa máxima da nação. É um reconhecimento do nosso trabalho.


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A Tecnologia e o Futuro num Só Centro cinel Com 30 anos de história, o CINEL continua com os olhos postos no futuro, assumindo o desiderato de se afirmar como um parceiro ativo na formação de profissionais, dando assim o seu contributo para a promoção de um emprego mais qualificado e para a modernização das empresas.

C conceição matos Diretora

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om início em 1985, o CINEL é uma instituição de formação criada através de um protocolo entre o IEFP, IP e a Associação das Empresas do Sector Elétrico e Eletrónico (ANIMEE) que forma e certifica profissionais nos domínios da Eletrónica, Energia, Telecomunicações e Tecnologias da Informação. Distribuído por um total de 22 laboratórios, em Lisboa e no Porto, o centro ministra formação nas áreas da eletrónica, automação, robótica e controlo industrial, domótica, energias renováveis, eletrónica médica, microssoldadura, telecomunicações e redes, CISCO, ITED/ITHUR, fibras óticas e sistemas digitais, ou seja, áreas prioritárias no mercado de emprego. Em entrevista à Revista Business Portugal, Conceição Matos, diretora da instituição, traçou um balanço positivo dos 30 anos do CINEL, salientando que este tem vindo a crescer de forma sustentada e que hoje, se orgulha das condições técnicas de que dispõe e da qualidade

da formação que ministra na preparação de quadros técnicos especializados em áreas de reconhecido interesse pelas empresas. Durante este percurso, houve uma aposta clara no alargamento da oferta formativa em áreas ligadas ao núcleo central da instituição, na dinamização de protocolos e na criação de parcerias e ligações com as empresas. “Abrimos o centro à comunidade, para que as empresas percebam que têm no CINEL um parceiro estratégico”, salienta. No CINEL é desenvolvida formação nas várias modalidades formativas disponíveis no Quadro Nacional de Qualificações, desde a formação de jovens e de adultos até à formação à medida das empresas. Dotado de equipamentos com as tecnologias mais modernas, o CINEL obedece aos mais recentes requisitos do mercado, estando certificado pela APCER, ANACOM, Microsoft Academic Training Provider, CISCO e em Domótica em


REVISTA BUSINESS PORTUGAL EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Tecnologia KNX (EIB) e em Microssoldadura SMD e BGA. Protocolos e parcerias Conceição Matos deu nota da celebração de diversos protocolos com instituições de ensino superior, nomeadamente, com o intuito de criar melhores condições para o prosseguimento de estudos por parte dos formandos que frequentam Cursos de Especialização Tecnológica no CINEL, através de processos de equivalências a algumas unidades de crédito (ECTS) em cursos de nível superior. Assim, para além de protocolos já celebrados com o ISPGaya e Instituto Superior Politécnico de Setúbal, foram também celebrados protocolos com o ISCTE e com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. “Os formandos que optarem pelo ingresso em determinados cursos na Faculdade de Ciências e Tecnologia têm garantidas equivalências a algumas unidades curriculares num conjunto muito significativo de créditos, facto que constitui uma prova inequívoca do reconhecimento da qualidade da formação ministrada pelo CINEL”, entende Conceição Matos, sublinhando que, desta forma, o centro confere um maior leque de oportunidades aos seus formandos para proceder a um up grade das suas qualificações. Por outro lado, a diretora desvenda o desiderato do CINEL trabalhar ao nível da investigação científica, “criando um projeto de investigação agregador com o patrocínio de uma universidade”, até porque o centro de formação detém tecnologia e formadores altamente especializados e qualificados. Mudança de paradigma O CINEL tem dado um forte contributo para desconstruir a ideia de que a formação profissional é uma segunda opção, prova disso mesmo são os vários formandos na segunda geração, mas também a procura de formação complementar por parte de formandos já detentores de formação universitária. Segundo a diretora, não faz sentido esse tipo de estigma, até porque “um técnico de automação e robótica, por exemplo, pode ser melhor remunerado do que certos quadros superiores”. Na sua ótica, a formação profissional não deve ser uma escolha de segunda, mas sim “fazer parte de um projeto de vida, uma escolha consciente em função de uma opção de ingresso no mercado de trabalho”, disse, salientando que o CINEL pretende acima de tudo prestar um serviço de qualidade e passar a mensagem de que os seus cursos são uma alternativa para a requalificação e ingresso no mercado de trabalho. Qualidade e excelência O CINEL é detentor do primeiro laboratório tecnológico da Samsung Internacional em Portugal. Esta estrutura, que vem sublinhar o papel das parcerias tecnológicas

enquanto capacitadoras de quadros técnicos, eleva o CINEL enquanto centro de formação apto para qualificar

desemprego, que demonstrem interesse e motivação nesta área”, sublinhou a diretora da instituição.

quadros técnicos portugueses em tecnologia Samsung. Os conteúdos formativos de smartphone e smart tv foram desenvolvidos pelo CINEL e estão disponíveis no Catálogo Nacional de Qualificações. Conceição Matos revelou ainda que o centro de formação também tem um laboratório dedicado à Vodafone, sublinhando que a empresa cedeu os equipamentos necessários para garantir a formação e certificação dos profissionais que prestam serviços para o grupo e que os conteúdos programáticos também estão disponíveis no Catálogo Nacional de Qualificações. Na linha da política de criação de laboratórios dedicados e certificados por marcas nacionais e internacionais que, sem dúvida, atestam a excelência do centro, em 2014 o CINEL passou a contar com uma Microsoft IT Academy que permite a realização de formação específica e certificação Microsoft.

Assumindo-se como unidade de excelência, o CINEL é o único centro de formação de ensino não superior que integra a Rede Mundial de Laboratórios Remotos (VISIR) que permite interligar-se com universidades internacionais sedeadas na Suécia, Índia, Espanha, Áustria e Alemanha. Conceição Matos destacou ainda que na esfera de atuação do CINEL está o desempenho de um papel ativo na ligação com a comunidade. Neste sentido, integrou a Comissão Social de Freguesia e a rede comunitária de empregabilidade criada no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social do Vale de Alcântara, no sentido de dar resposta a grupos mais desfavorecidos. Conciliar a tecnologia e o futuro num só Centro continua a ser a grande máxima do CINEL, que segundo Conceição Matos, pretende continuar a apostar na certificação dos seus laboratórios, na especificidade da sua oferta formativa e, sobretudo adequar a sua formação às necessidades das empresas, sempre com os predicados que o caracterizam: tecnologia, inovação e competência.

Inovação e competência Fruto da sua aposta clara na tecnologia, inovação, criatividade e competência, o CINEL ganhou um concurso para ministrar formação nas áreas das telecomunicações com fibra ótica aos quadros da empresa angolana Fibrasol. Paralelamente, o CINEL foi escolhido para ser palco do lançamento da medida Fit4Jobs – Curso de Produção de Software e promoção das Soft Skills. Trata-se de um projeto europeu, inspirado no caso irlandês, financiado pelo Programa Progress, coordenado em Portugal pelo Programa Escolhas, sendo o CINEL a entidade formadora escolhida para a realização de dois cursos nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação. “Estes cursos têm 275 horas de formação e três meses de estágio, visam a formação e requalificação profissional na área das TIC, envolvendo os jovens em situação de

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“O teu futuro é agora” garantia jovem Sob o propósito de aumentar as qualificações dos jovens, de facilitar a transição para o mercado de trabalho e reduzir o desemprego jovem, nasce o programa ‘Garantia Jovem’. Este é um compromisso para que, gradualmente, após o jovem sair do sistema de ensino ou do mercado de trabalho, lhe seja proporcionada uma oferta de emprego, de continuação dos seus estudos, ou até mesmo de formação profissional ou de um estágio. A propósito deste programa, conversamos com Francisco d’Aguiar, coordenador nacional da ‘Garantia Jovem’ e com Vítor Moura Pinheiro, diretor executivo. Centros de Emprego como jovens desempregados à procura de emprego. Mas há um universo de jovens que não estão aqui inscritos, estão afastados do sistema (centros de emprego, escola, etc.). O problema está em detetar esses jovens e trazê-los de novo para o sistema. Quem os conhece são os parceiros locais, tais como clubes recreativos e desportivos, as paróquias, as juntas de freguesia, os centros de convívio, entre tantas organizações. Desde modo, foi criada uma rede com 800 parceiros locais e são estes que têm este trabalho fundamental de identificar estes jovens e trazê-los de volta ao sistema.

francisco d’aguiar e vítor moura pinheiro Coordenador Nacional da Garantia Jovem e Diretor Executivo

Em que contexto surge o programa ‘Garantia Jovem’? A ‘Garantia Jovem’ surge, no contexto europeu, através de uma proposta da Comissão Europeia, como forma de resposta ao elevado volume de desemprego jovem, nomeadamente até aos 25 anos, em toda a Europa. O programa anterior, denominado ‘Impulso Jovem’ terminou em 2013 pelo que acolhemos desde logo este novo programa. Convém realçar que a ‘Garantia Jovem’ não é simplesmente a continuidade do ‘Impulso Jovem’, é muito mais do que isso. No âmbito do plano estratégico do ‘Impulso Jovem’ falávamos essencialmente de estágios profissionais. Este novo programa é muito mais abrangente. O que é a ‘Garantia Jovem’? A ‘Garantia Jovem’ é um programa que consiste numa metodologia de intervenção, para garantir que qualquer jovem que já tenha terminado os estudos, não esteja empregado ou que tenha abandonado a escola, consiga no espaço de quatro meses uma resposta. A ‘Garantia Jovem’, em Portugal, destina-se aos jovens até aos 29 anos, inclusive, que não estejam integrados em qualquer modalidade de ensino, formação ou no mercado de trabalho. O objetivo primordial é que, num prazo máximo de quatro meses, estes jovens possam ser alvo de uma proposta de trabalho, ou possam fazer uma continuação dos seus estudos ou da sua formação profissional ou tenham ainda a possibilidade de realizarem um estágio profissional. E estes jovens estão todos identificados? Nem todos e esse é o primeiro grande desafio. Este programa de ação depara-se com uma necessidade de identificar o público-alvo, os jovens NEET (Not in Employment Education or Training). Uma parte significativa destes jovens está registada nos

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Referiu anteriormente que o objetivo passa por arranjar uma resposta em quatro meses…. Este é o nosso segundo desafio, ou seja, sermos capazes em tempo útil, durante os quatro meses, após ficarem desempregados, ou terem saído do sistema educativo e formativo conseguirmos encontrar uma oportunidade de emprego, educação e formação, ou estágio. Os quatro meses são o prazo definido pelo Programa. Contudo, podem existir casos, em que tal não aconteça, mas é desenvolvido um trabalho para encaminhar o jovem da melhor forma, após identificado. Há que reforçar que a ‘Garantia Jovem’ não é uma garantia de emprego. Tem, isso sim, como objetivo dar aos jovens, o mais rapidamente possível, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho, com vista a combater a inatividade e o desemprego dos jovens. Quais os parceiros estratégicos deste programa? Na ‘Garantia Jovem’ estão envolvidos diversos organismos com competências nas áreas da educação, formação, emprego, segurança social e juventude, que são considerados parceiros nucleares. São eles o Instituto do Emprego e Formação Profissional; o Instituto da Segurança Social; a Direção-Geral da Educação. A DireçãoGeral do Ensino Superior; a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Superior; o Instituo Português do Desporto e Juventude; a Direção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas; a Direção-Geral de Política Externa; a AICEP Portugal Global; a Direção-Geral das Autarquias Locais e a CASES, a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social. Não existem, portanto, candidaturas ou concursos à ‘Garantia Jovem’, correto? No sentido concreto de “uma candidatura à ‘Garantia Jovem’, não existe, de facto. Contudo, os jovens podem registar-se na Plataforma da Garantia Jovem e sinalizar que tipo de resposta estão à procura. Posteriormente, serão chamados pelo serviço mais próximo capaz de fornecer essa resposta. As entidades candidatam-se, isso sim, às medidas de formação e emprego que se enquadram nesta iniciativa junto dos organismos promotores.


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logística e embalagem

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esta edição, apresentamos-lhe empresas e soluções que fomos conhecer à feira Empack&Logistics, organizada pela EasyFairs Iberia, multinacional belga dedicada à gestão de eventos, que decorreu na Exponor, nos dias 23 e 24 de setembro. No certame estiveram expostas as mais recentes novidades da indústria da embalagem e da logística. A logística na gestão de stock tem vindo a crescer no mercado português. A logística atualmente é um fator preponderante de contribuição para o sucesso ou insucesso das empresas, ou seja, constitui uma grande riqueza que as empresas podem obter e administrar. A logística pode ser compreendida como a junção de quatro atividades básicas: aquisição, movimentação, armazenagem e distribuição de produtos ou serviços. A evolução e a história das embalagens, etiquetagens e rotulagem, talvez tenha tido os seus primeiros contributos na comunicação organizacional e no setor alimentar, sempre de mãos dadas com a logística. Hoje, é de extrema importância, tanto no que diz respeito ao condicionamento dos produtos, como no processo de fabrico e apresentação final, para a venda. Matosinhos juntou-se às 11 cidades europeias que integram o roteiro desta feira ibérica, que até hoje só tinha expressão em Madrid. Atualmente, a multinacional conta com 20 feiras concretizadas com muito êxito, à volta da Europa. As cerca de 80 empresas presentes no evento, que a Exponor acolheu pela primeira vez, tiveram a oportunidade de expor os seus serviços e produtos, dispostas em stands, unindo-se no primeiro salão que une o mercado. A presença no evento possibilitou também a perspetiva de novos negócios que podem ser decisivos no seu percurso futuro. O lema da empresa Easyfairs, ‘visit the future’, foi incutido na feira e todas as empresas com quem falámos fazem um balanço muito satisfatório. A disposição dos stands, as sinergias que se criaram, com a componente extra de um centro de congressos e áreas de demonstração foram contributos fundamentais, tal como a participação de especialistas em organização empresarial, para discutir temas pertinentes para as empresas, como a explicação de estratégias de sucesso de conhecidas marcas internacionalizadas. A Revista Business Portugal falou com algumas empresas que fazem parte do setor, tanto da logística como da embalagem, tentou conhecer os seus produtos, serviços e sobretudo o seu posicionamento no mercado.


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A etiqueta tem um nome marcaembal A MarcaLabel é uma marca registada no espaço da Comunidade Europeia, e sob a qual a empresa Marcaembal, Lda., apresenta os produtos que fabrica. Ramiro Luta, foi apresentado ao mercado uma nova solução de impressão a cores, de mais uma marca negociada para o mercado nacional. Desta forma, a empresa ficou apta a corresponder à cada vez maior solicitação de soluções de customização, através da diferenciação que os seus clientes necessitam. Num balanço final, Ramiro Luta partilha que trabalhar neste setor “é um processo de busca de melhoria constante, no sentido de poder apresentar mais qualidade e inovação, daí a necessidade de investir constantemente em novos equipamentos. É uma

ramiro luta Administrador

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Marcaembal é uma empresa de âmbito nacional, com quase 30 anos de existência. Foi criada com o objetivo de apresentar ao mercado soluções de marcação industrial, nomeadamente prazos de validade, lotes, entre outros, bem como a comercialização de equipamentos para automação dos processos de embalagem, daí o seu nome, Marca de marcação e Embal de embalagem. Aquando da implementação em Portugal dos códigos de barras, pela grande distribuição, os clientes da Marcaembal solicitaram à empresa que esta desenvolvesse solução de impressão de códigos de barras, bem como o fornecimento das respetivas etiquetas auto adesivas. A empresa aceitou o desafio e negociou a representação para Portugal de um prestigiado fabricante alemão de impressoras de etiquetas, situação que já se verifica há mais de 20 anos, tendo a Marcaembal um parque instalado em Portugal com mais de 500 instalações de impressoras desta origem. Não satisfeitos com este passo, e porque a

empresa desejava poder apresentar o pacote completo ao cliente, deu início ao fabrico das etiquetas, bem como, ao fabrico das fitas de impressão. Desta forma, é responsável junto do cliente por todo o processo, o que não só facilita os procedimentos aos seus clientes que recebem só uma fatura, como em caso de avaria é a Marcaembal a responsável pela solução, pois não poderá endossar responsabilidades para outrem. Com esta evolução, o core business da empresa deslocou-se para a etiqueta auto adesiva e equipamentos relacionados, tendo por isso, criado a marca MARCALABEL, que identifica melhor o respetivo core. Nesse sentido, foi então adotado o slogan ‘A ETIQUETA TEM UM NOME, MARCALABEL’. A Marcaembal tem crescido ao longo dos anos baseada na presença em certames nacionais e internacionais, tendo estado presente na primeira EMPACK realizada no Porto, na Exponor, nos passados dias 23 e 24 de setembro. Neste certame, segundo nos explicou o diretor geral

indústria de capital intensivo, no fundo”. Quanto à feira organizada pela EasyFairs, mostra-se satisfeito com a organização deste primeiro salão que une todo o setor de embalagem e logística, para que se façam bons negócios, na cidade do Porto. “Como a nossa empresa cresceu e continua a crescer baseada no ‘passa palavra’, as feiras são importantes locais a não menosprezar”.

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A Força do Ferro e da Ferrinha, Filhos Ferrinha, Filhos, Ldª A Ferrinha, Filhos, Ldª, marcou presença na maior Feira Ibérica de Logística e Embalagem, que decorreu pela primeira vez em Portugal, nos passados dias 23 e 24 de setembro, na Exponor, Matosinhos. Depois do enorme sucesso que o evento alcançou, é relevante falar sobre aquela que é uma empresa familiar portuguesa, com um acervo histórico riquíssimo e sólido e que, por isso mesmo, teve um contributo fundamental no espaço dedicado à logística para a Feira.

António josé, isabel joão E JOSÉ ARMANDO FERRINHA Responsável comercial, responsável financeira e avdministrador

A importante presença na Feira Logistics & Empack 2015 Faz todo o sentido fazer uma comparação entre a forma como a feira expôs os seus stands e o funcionamento da Ferrinha, Filhos. Tal como a divisão entre a zona de Logística e de Embalagem na Feira Logistics & Empack 2015, também esta Empresa nacional se coordena em duas

pela Ferrinha, Filhos, Ldª, tendo como mensagem ‘Uma Porta Que Se Abre Na Solução Dos Seus Projetos’. Armando Ferrinha, empreendedor e fundador da Ferrinha, Filhos Industrias, Ldª – Terminal de Contentores, Embalagens, Logística Industrial e de Transportes, é um empresário que só está bem a trabalhar, a pensar e a ousar para novos desafios. O percurso da Ferrinha tem sido de adaptabilidade aos momentos que o setor onde

tempo exige capacidade para sermos ousados, adaptando-nos aos desafios introduzindo novas áreas de negócio, ajudando-nos a inovar para competirmos melhor. Temos uma maneira muito própria de estar e de nos relacionar, com profundas dificuldades em nos situarmos num contexto do talvez, ou seja, num espirito conservador e de acomodação. Habituamo-nos a ser agradecidos às pessoas que nos ajudam, dando-nos a

valências. São estas a Ferrinha Naval e Assistência Industrial e a Ferrinha, Filhos Industrias, Ldª - Terminal de Contentores, Embalagens, Logística Industrial e de Transportes, “distintas, mas com os mesmos valores, diferenciadas apenas nos serviços”, refere José Armando Ferrinha, CEO. Armando Ferrinha falou com a Revista Business Portugal sobre os diversos serviços que prestam. “Quando se fala em contentores, fala-se em Ferrinha” referindo que esta é para si “uma caixa mágica onde tudo é possível”. O lema ‘iron’s… force and temper’ – a força e a têmpera do… ferro, já internacionalmente conhecido, é uma homenagem a seu pai, tendo como base o trabalho, o saber, o sofrer, em coletivo, em equipa. A título de curiosidade, à entrada da Feira era possível admirar uma porta inspirada num contentor, fabricada

se integra vai exigindo, novos conceitos, para soluções e intervenção no tempo certo. “Há um caminho, um objetivo, um norte”, diz Armando Ferrinha, que o acompanha ao longo dos seus já 51 anos de trabalho, tendo tido como seu mestre, formador e orientador, um homem muito especial, seu pai, António Ferrinha, pessoa que em nada via como sendo impossível. Entre as várias mensagens recebidas do seu progenitor, agarra-se com solidez à seriedade, à credibilidade, à qualidade, ao rigor e à grande paixão pelo trabalho e respeito pelos seus inestimáveis colaboradores e colaboradoras. “As últimas décadas do nosso país tem sido de incertezas, de instabilidade setorial, deixando atrás de si rastos com marcas profundas e que recomendam prudência, inteligência, bom senso mas ao mesmo

oportunidade de podermos servir, fazendo mais e melhor a cada momento, recebendo as construtivas críticas e que tão proveitoso é e nos serve para ponderarmos, estudarmos, conhecermos e aprofundarmos um pouco mais com os que são próximos, quaisquer que sejam as suas identidades, clientes, parceiros, colaboradores, amigos”. Na gestão, nos serviços administrativos, serviços técnicos e na logística, a Ferrinha dispõe de colaboradores que formam uma equipa estruturalmente organizada, competente, dedicada e que é transversal a todos, nos mais diversos setores e que gostam de trabalhar na empresa, conhecendo bem o seu líder com a sua autenticidade, o seu feitio, o seu rigor, a compreensão e humanismo que “me salta sem hora marcada”. “Para ser grande sê-lo por inteiro -, assim dizia o nosso

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grande Fernando Pessoa, mas, mais do que isso, é sê-lo a cada dia e a cada momento como missão assumida e que avança, com a mesma alegria, luz e vida que encarei no inicio de uma nova etapa na Ferrinha, quando aos 25 anos de idade me foi dado o comando e a direção, fazendo uma inflexão para novos rumos, novos serviços, com o objetivo permanente para uma continuidade sustentada na diversidade, na resiliência, na tecnologia e na colaboração com acompanhamento”. Missão, visão, valores * 24 horas a servir e a encontrar soluções na logística industrial e terminal de contentores, embalagens, logística industrial e de transportes, executando com integridade, qualidade e agilidade, agregando valor aos clientes. * Continuar a ser referência de qualidade dos serviços que prestam. * Atuar no mercado, visando o crescimento alicerçado na ética, na cultura e nos valores da empresa, tendo sempre presente uma visão humanista com os seus colaboradores, com os seus amigos, clientes e fornecedores, partners do seu negócio. F E R R

iabilidade e Estabilidade tica e Eficácia esponsabilidade e Segurança igor e Experiência

TERMINAL DE CONTENTORES

I ntegridade e sobriedade N ão faças aos outros o que não queres que te façam a ti H onradez e História A mbição e Delicadeza

na Comunidade Portuária de Leixões, a paredes meias com o Terminal de Contentores de Leixões, e demais estruturas de relevância do Import/Export da região do grande Porto e do Eixo Atlântico norte de Portugal.

Os serviços * Logística Industrial; Armazenagem in/out e alfandegada; * Terminal de contentores e de carga, a espaço aberto; * Consolidação e desconsolidação de mercadorias; * Desmontagens/montagens de complexos industriais; * Transformação e venda de contentores normais, especiais e frigoríficos; * Aluguer de empilhadores, de 0,7 ton a 40 ton, camião grua; * Transportes normais, especiais e de grandes dimensões; * Lashing/peação; * Fabricação de embalagens normais e especiais. “Dentro da área da logística, focamo-nos com maior

Os Princípios da Ferrinha * Ter orgulho naquilo que fazem * Desenvolver um clima de boas relações humanas e de trabalho * Serem ambiciosos nos objetivos e ultrapassá-los * Valorizar a iniciativa e aceitar com entusiasmo as sugestões que nos chegam interna e externamente * Apoiar os seus colaboradores, porque acreditam neles * Procurar a excelência dos seus serviços e produtos * Promover a melhoria contínua, pela via da formação * Adaptarem-se de forma inovadora ao mercado * Cliente 100 por cento satisfeito * Diminuir com afinco o desperdício * Continuar a assumir um compromisso responsável e de conformidade com a lei

ênfase nas grandes peças, grandes pesos e grandes volumes, com mais incidência na exportação. Somos solicitados para fazer o acondicionamento dessas peças. Nós queremos dar grandes soluções”, salienta Armando Ferrinha. A Ferrinha conta com uma área própria de 4 hectares, privilegiada com vias de acesso aos principais pontos de embarque e desembarque de contentores. Situa-se

* Comunicar abertamente e com seriedade com os seus clientes, colaboradores, todos os seus parceiros, com a comunidade e com a sociedade no seu todo * Ter prazer em pertencer à Ferrinha, Filhos, Industrias, Ldª - Terminal de Contentores, Embalagens e Logística Industrial e de Transportes * Maximizar o lucro, pela preferência dos seus serviços fazendo bem à primeira e no prazo acordado.

LOGÍSTICA INDUSTRIAL E TRANSPORTES

ARMAZENAGEM IN/OUT E ALFANDEGADA

EMBALAGENS METÁLICAS

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Inovação e qualidade à medida do cliente Cartonagens Vila Verde A estratégia da Cartonagens Vila Verde assenta principalmente na qualidade dos seus produtos e serviços e no contacto direto com os seus clientes, criando assim uma relação de confiança e transparência. Falamos de uma empresa dinâmica que tem pautado o seu percurso por uma grande visão estratégica, a par de uma imagem de credibilidade no mercado onde atua.

hugo tavares Administrador

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história das Cartonagens Vila Verde iniciase em 2001, pela mão de dois sócios, um deles, Manuel Tavares, dedicando a sua atividade à produção e comercialização de tubos de cartão, de embalagens cilíndricas e de placas de cartão compacto/intercalares. A aposta nas embalagens cilíndricas surgiu para colmatar uma lacuna existente no mercado nacional, uma vez que este género de embalagens era importado de Espanha ou França, como nos revelou o administrador Hugo Tavares, em entrevista à Revista Business Portugal. Assumindo-se como uma organização de referência no mercado interno, as Cartonagens Vila Verde têm vindo a granjear um sucesso efetivo, fruto da sua filosofia de inovação e qualidade, tendo como linhas orientadoras para a prossecução dos seus objetivos, a criação de soluções de qualidade.

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Os tubos de cartão e as embalagens cilíndricas produzidas pelas Cartonagens Vila Verde são comercializadas para empresas ligadas ao setor das bebidas e setor alimentar, mas também para empresas de promoção publicitária, escritórios de arquitetura, instituições financeiras e outras empresas em que este género de embalagem seja adequada para a inserção do produto. Hugo Tavares, que se encontra na gestão da empresa há cerca de dois anos, considera que a embalagem cilíndrica está na moda, por isso cada vez mais clientes de diferentes setores de atividade procuram este género de produto, pelo seu design apelativo, funcionalidade e qualidade. No fundo, as Cartonagens Vila Verde não criam apenas embalagens, mas sim produtos diferenciadores com inovação e qualidade, sempre à imagem do cliente. “Fazemos trabalhos personalizados, produzimos o tubo,

as tampas e os fundos e aplicamos os rótulos que nos são entregues pelos nossos clientes”. Segundo Hugo Tavares, a aplicação de rótulos é uma área bastante exigente, porque cada vez mais, os clientes procuram elementos diferenciadores como o relevo e a estampagem. Conjugando a produção do tubo com a aplicação do rótulo, a empresa assume uma posição de liderança neste âmbito, bem como uma referência no setor em que atua. O administrador confessou que, numa fase inicial, a aplicação dos rótulos era manual, e apesar de hoje em dia ser automática, os rótulos com relevo e estampagem ainda exigem um trabalho manual para garantir qualidade e perfeição. “Temos conseguido ultrapassar os vários desafios que nos são colocados pelos nossos clientes, resultando num crescimento a todos os níveis”, adiantou Hugo Tavares.


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Crescimento sustentado A qualidade, exigência, flexibilidade, rapidez e eficiência assumem-se como fatores distintivos da empresa no mercado concorrencial, no entanto Hugo Tavares ressalvou que a grande vantagem competitiva da empresa é o capital humano, pela sua capacidade de trabalho, flexibilidade e polivalência no seio da empresa, requisitos essenciais para responder de forma cabal às necessidades e exigências dos clientes. “As pessoas entendem que os clientes são a razão de existência da empresa e quando existem desafios, há que tentar superá-los e ir ao encontro das expectativas dos nossos clientes”. A comprovar o desenvolvimento sustentado das Cartonagens Vila Verde está o volume de faturação da empresa que duplicou desde 2012, com um crescimento ao ano que ronda os 15 por cento, prevendo-se para este ano um crescimento na casa dos 10 por cento. “O forte incremento do mercado dos vinhos acabou por funcionar como uma âncora para o

Perspetivas de futuro As Cartonagens Vila Verde pretendem alargar o leque de sectores para os quais desenvolvem as suas soluções de embalagem, e têm projetos para novos conceitos e abordagens dos seus produtos, contudo o crescimento registado não tem permitido prosseguir esses objetivos. “Um dos conceitos que queremos divulgar é o bag in tubo, que em Portugal não está muito dinamizado, mas está em voga nos países nórdicos, porque se trata de uma embalagem que acrescenta valor e qualidade”, entende. No que se refere à participação das Cartonagens Vila Verde na feira Empack & Logistics, Hugo Tavares salientou que não tinha grandes expectativas, contudo considerou positiva a presença da Cartonagens Vila Verde no certame, até porque permitiu uma maior proximidade com os clientes e revelou-se uma oportunidade para a empresa se dar a conhecer a clientes de menor dimensão, não só na área dos vinhos, mas também noutros setores de atividade.

crescimento da nossa empresa, uma vez que este é um dos sectores de atividade com maior peso na estratégia das Cartonagens Vila Verde”, disse, esclarecendo que o crescimento acentuado permitiu um conjunto de investimentos, nomeadamente em instalações mais amplas e numa segunda linha de produção, quer nos tubos, quer na rotulagem e montagem.

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Serviço de logística económica Lusoracks Com soluções económicas à medida de cada cliente, a empresa, nasce em 2010, apresentando um serviço de logística e armazenamento, com custos inferiores aos praticados no mercado. A competitividade deve-se à aposta no material usado, mantendo a qualidade. Em apenas cinco anos, a Lusoracks tem já a distinção de PME Líder 2015.

alexandre alves Administrador

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crise financeira que se instalou no país, em 2008, levou ao surgimento da Lusoracks. A empresa está no mercado procurando responder a uma nova necessidade de poupança, que se instalou, levando à diminuição dos custos nas áreas da logística e armazenamento. Este ano, e apostando numa política de divulgação da empresa, a Lusoracks marcou presença no certame Impact Logistics, realizado na Exponor. Numa entrevista a Alexandre Alves, da Lusoracks, percebemos a essência do negócio e da empresa. Quem procura os seus serviços pode contar com uma solução de proximidade, a um preço competitivo, onde o principal objetivo é a poupança e satisfação do cliente. O nosso interlocutor explica que, “hoje armazenar produtos fica muito mais barato, na Lusoracks, antes podia custar 50 mil euros,

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agora custa 30 mil, por exemplo. Marcamos a diferença no mercado porque compramos, recondicionamos e reutilizamos, é a nossa mais-valia, ao mesmo tempo que, damos uma solução de logística económica”. As estruturas que utilizam para armazenamento são na sua grande maioria usadas, mas têm sempre a garantia de estarem em boas condições. A Lusoracks “trabalha com todos os setores, desde grandes multinacionais a empresas familiares. A vantagem da nossa empresa é termos stock permanente, o que nos permite atuar com eficácia e rapidez. Respondemos a orçamentos em 24 horas e em 48 horas podemos entregar os nossos produtos”, refere Alexandre Alves. A empresa tem sede no Porto e, este ano, abriu uma filial em Lisboa, no sentido de responder às necessidades do mercado naquela região. Através dos 16 colaboradores, distribuídos entre

Lisboa e Porto, têm vindo a crescer, “a cada ano que passa a faturação tem aumentado, à exceção deste ano, devido ao investimento com a abertura do armazém de Lisboa”, refere o interlocutor. Uma outra grande maisvalia, que tem levado ao desenvolvimento da empresa, é a aposta na competitividade e no serviço completo, ou seja, “podemos montar um supermecado a metade do preço que há no mercado. Caso o negócio não funcione, voltamos a ficar com o material, pagando metade do preço a que foi comercializado, inicialmente”, explica, o interlocutor, frisando que “as pessoas procuram sobretudo economizar, é isto que é fundamental. Tentamos acompanhar as empresas a todos os níveis, constantemente, prestando um serviço de proximidade, nas melhores condições”, remata Alexandre Alves. Todavia, o nosso entrevistado ressalva que uma das condições que apresentam, a todos os clientes, sem exceção “é o pagamento no ato da entrega”, pois só assim o negócio pode ser viável. Em apenas cinco anos de existência, a Lusoracks, deu o salto além fronteiras, estando presentes sobretudo, em Angola e Moçambique. “No ano passado 30 a 40 por cento da faturação foi para exportação. Este ano, devido ao abrandamento da economia, naqueles mercados, estamos apenas com cinco por cento”, revelou o interlocutor. Mas, a aposta na internacionalização continua, no futuro, através da presença em feiras da especialidade, tanto em Portugal, como em Marrocos e Luanda. Daqui para a frente, o principal desafio da Lusoracks é trabalhar a fidelização dos clientes, que está a ser construída desde o primeiro minuto, “mas que tem agora de ser reforçada”, conclui Alexandre Alves. Lusoracks – A certeza de bons negócios.


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Soluções personalizadas que criam valor Gesticer Com presença no mercado há oitos anos, a Gesticer assume como core business, a importação, exportação, comercialização, conceção e fabrico de equipamentos e soluções de qualidade e excelência para a indústria e serviços. “A Gesticer acredita ter possibilidades no futuro para demostrar as suas competências, de forma a alavancar o crescimento da empresa, tanto a nível de negócios, como na capacidade de satisfazer os seus clientes”, remata o administrador.

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António teixeira Administrador

Gesticer surge em 2007, com o desiderato de prestar serviços e disponibilizar soluções tecnológicas para o sector da cerâmica, na área dos pavimentos e revestimentos, assumindo uma cultura de qualidade e inovação. As novas necessidades e exigências do mercado ditaram uma mudança de paradigma e levaram a empresa a encetar um processo integração de novas áreas de negócio, como nos contou António Teixeira, administrador da Gesticer. A organização da Gesticer resulta do compromisso permanente com as necessidades do cliente, por isso desenhou uma estrutura diferenciada constituída por quatro áreas de intervenção: cerâmica, logística, packaging e produtos e soluções industriais. De acordo com António Teixeira, a Gesticer sempre seguiu a máxima de crescer na procura daquilo que não há, mas que o cliente precisa, tentando estar sempre um passo à frente do seu tempo. Nesse contexto, desenvolveu uma máquina de embalagem, cuja inovação consiste em responder às necessidades dos nichos de mercado. “Procurámos uma empresa que tivesse essa necessidade em termos tecnológicos, desenvolvemos um protótipo, e colocámo-lo no cliente, e em conjunto otimizamos o equipamento a nível industrial de modo a responder as suas reais necessidades”, explicou o administrador em entrevista à Revista Business Portugal. O passo seguinte foi mostrar esta solução tecnológica a outras empresas que evidenciassem a mesma necessidade, aproveitando o apoio de grandes marcas internacionais com as quais a Gesticer mantém uma relação de proximidade, com o intuito de potenciar a sua capacidade de exportação. Paralelamente, a Gesticer disponibiliza a assistência técnica e manutenção a todos os equipamentos que produz e representa. O acompanhamento e a garantia do bom funcionamento dos seus produtos resultam do seu compromisso em fomentar relações sólidas com benefício comum para clientes, fornecedores e colaboradores. O crescimento e evolução registados têm por base uma cultura de qualidade e excelência, bem como a atuação dos profissionais que dão vida ao universo Gesticer pela sua motivação, disponibilidade, competência e know-how. António Teixeira considera que a empresa tem uma capacidade de crescimento, a curto prazo de 20 a 30 por cento, incorporando de uma forma consistente a área da logística e da embalagem no global do seu volume de negócios.

Empack & logistics A participação da Gesticer na Empack & logistics serviu essencialmente para estabelecer contactos com potenciais clientes, mas também teve como mote o crescimento da empresa e a diversificação das suas áreas de negócio, principalmente na área da logística, cujo objetivo é conquistar uma quota de mercado substancial. António Teixeira adiantou que a casa mãe, ou seja, a empresa fabricante das soluções tecnológicas, na área da logística, pretende alargar exponencialmente a produção, duplicando a sua capacidade na fábrica em Itália e criando uma unidade produtiva nos Estados Unidos da América. “O objetivo é passar de uma produção, que este ano, será aproximadamente de mil máquinas para uma capacidade produtiva de três mil”, revela, sublinhando que este forte investimento requer uma maior força comercial para colocar o produto no mercado. Esse será o desafio da Gesticer no mercado nacional.

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administração e gestão de condomínios

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gestão e a administração de condomínios pode, à partida, parecer uma tarefa simples, mas ao pensarmos que este ramo tenta garantir a boa convivência entre os habitantes de um mesmo prédio, garantindo a manutenção dos espaços comuns, a gestão de um condomínio é mais complexa do que possa parecer. A proteção da propriedade privada, a assembleia de condóminos, as despesas dos condomínios, as obras no condomínio e o seguro dos condomínios são questões que constam da lesgislação e que as empresas a operar nesta área devem saber garantir. A manutenção dos elevadores, a limpeza dos espaços comuns, como escadas, garagens, átrios, a iluminação, a preservação dos jardins e de todas as áreas comuns têm de ser asseguradas e, é por isto, que importa destacar o papel da gestão e administração de condomínios. Neste sentido, as empresas deste ramo têm para oferecer aos clientes um conjunto de serviços complementares que pretendem responder a todas as necessidades inerentes ao funcionamento da infraestrutura, tornando desnecessária a contratação de outras entidades para efetuarem os serviços de rotina. A administração de um condomínio pode ser feita por qualquer condómino, desde que este seja tido como pessoa idónea, eleito pela maioria dos membros da assembleia de condóminos. Contudo, as empresas que se ocupam da gestão e administração de condomínios são cada vez mais requisitadas. Todos estes motivos levam a que nas próximas páginas seja importante destacar os exemplos de sucesso e trabalho, nesta área de singular importância, para todos aqueles que habitam em regime de condomínio. errata Na edição passada, no artigo sobre a ‘Apuramento Home’, houve um lapso, sendo publicado erradamente “vale de escada” ao invés de “vão de escada” e “custo para os condomínio” ao invés de “custo para os condomínios”. Faltou ainda referir uma afirmação de Márcio Lopes relativamente à falta de regulamentação do setor: “Da mesma forma que uma empresa de contabilidade tem de ter, obrigatoriamente um Técnico Oficial de Contas, os condomínios deveriam ser administrados por empresas especializadas nessa valência, de modo que tudo fosse realizado com transparência”. Aos visados, a Revista Business Portugal apresenta as suas desculpas.

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE CONDOMÍNIOS

credibilidade na gestão e administração de condomínios Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios A Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (Apegac) foi criada em 2004 com o intuito de contribuir para a profissionalização e credibilização da atividade. ministros pelo Instituto da Construção e do Imobiliário (INCI) com a garantia dada na altura que até março deste ano seria aprovada, mas fomos informados em maio que a lei já não seria aprovada na legislatura que agora terminou, quando a proposta já tinha sido colocada em discussão pública, o que significa que só não foi aprovada por falta de vontade política”, explica o presidente. Neste sentido, a Apegac decidiu iniciar o processo de autorregulação. Para a associação, esta alternativa é uma mais-valia enquanto não há uma lei que regulamente a atividade. Para Vítor Amaral, “o facto de o mercado ficar a saber que há empresas de administração de condomínios que são membros da associação do setor que se autorregula, que impõe regras para a boa prática e exercício da actividade e que as pune quando tiver de punir, dá mais segurança às pessoas na altura de escolherem com que empresa querem trabalhar”, contribuindo para a credibilização da atividade.

vítor amaral Presidente

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om cerca de 200 associados, a Apegac tem vindo a desenvolver ações de formação e workshops de qualificação dos profissionais, como aconteceu ainda recentemente com duas formações sobre a área empresarial e de gestão. Na área empresarial é importante, nas palavras de Vítor Amaral, que os administradores saibam gerir os problemas internos das suas empresas para, consequentemente, prestarem um bom serviço aos seus clientes. A par destas formações, a Apegac realizou duas ações de formação promovidas pela Autoridade Tributária para que os administradores tenham, igualmente, conhecimento das suas obrigações fiscais. Isto porque, “entendemos que não se pode ser bom profissional se não se souber minimamente aquilo que se está a fazer. Formação adequada à atividade, para se saber como funcionam as assembleias, resolver os problemas dos condomínios e gerir conflitos”, salienta o presidente acrescentando que “as empresas de administração têm mesmo de obter formação porque esta atividade abrange desde o setor jurídico, ao económico e até ao social”. Com o mandato quase no fim, Vítor Amaral explica que há um problema que se arrasta desde 2004: a regulamentação da atividade. “Não há interesse político na aprovação desta lei”, comenta Vítor Amaral. “Temos vindo a tentar que seja aprovada a lei que regulamente esta atividade, inclusive, a proposta já foi apresentada a conselho de

Futuro O principal desafio da Apegac é dar credibilidade à atividade de administração de condomínios. Para Vítor Amaral, o facto de não existir a necessidade de emissão de alvará para o exercício da actividade e, por isso, qualquer pessoa puder exercê-la como atividade secundária, muitas vezes nem sequer declarada, como acontece com algumas empresas de limpeza, empresas de jardinagem, empresas de construção civil, mediadores imobiliários, mediadores de seguros, contabilistas, advogados, etc, e o facto de não ser obrigatório ter um seguro de responsabilidade civil profissional, e nem ser sequer obrigatório que o administrador profissional tenha um estabelecimento aberto ao público cria um descrédito sobre os verdadeiros profissionais de administração de condomínios, sendo, como tal, urgente que o governo regulamente uma atividade que gere muitos milhões de euros de cerca de metade da população portuguesa que é a que vive em condomínios. A associação tem como aliado a presença do regime da propriedade horizontal no código civil, onde estão plasmadas as funções do administrador do condomínio e um código deontológico próprio. A somar a isto, a Apegac vai passar a aplicar medidas e sanções, tendo em vista a credibilização e o aumento da confiança dos condóminos para com as empresas administradoras. O objetivo da Apegac, segundo o presidente da associação, é aumentar o número de associados para conseguirem ter uma representatividade maior. Apesar das contrariedades, o interlocutor faz um balanço positivo da atividade da Apegac, “ao longo destes anos levamos a cabo muitas ações de formação, contribuímos para a existência de um setor de atividade com melhor formação e preparação para estar no mercado. Esse contributo que devia ser do estado foi nosso” conclui o presidente.

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“O que nos distingue é a transparência e honestidade” multifracção A empresa nasceu em Ovar, em 1995. O crescimento sólido e sustentado levou à abertura de mais dois escritórios, em Santa Maria da Feira e Vila Nova de Gaia. Atualmente, a Multifracção é responsável pela gestão de 365 condomínios, um trabalho focado na “transparência e na honestidade”, revela em entrevista, Sérgio Pinho, gerente da empresa.

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undada em 1995 por intermédio do “sócio-fundador Vítor Amaral, trabalhou durante alguns anos em nome individual, mas sempre com um crescimento sólido, ao contário de algumas empresas que possam ter crescido de forma abrupta. A Multifracção ocupou-se de outras áreas de negócio, mas quando os condomínios passaram a representar grande parte da faturação, passou a dedicar-se em exclusivo à gestão de condomínios”, explica Sérgio Pinho, um dos gerentes da Multifracção. A empresa, de cariz familiar, cresceu ao longo dos anos e, atualmente, tem escritórios abertos nos concelhos de Ovar (sede), Santa Maria da Feira e Vila Nova de Gaia, de forma a abranger todos os concelhos desde Paredes (a norte) a Ílhavo (a sul). “Em termos de território, temos prédios muito dispersos, por isso, decidimos abrir escritórios na Feira e, mais tarde, a terceira filial, em Vila Nova de Gaia. Temos pessoas responsáveis em cada zona e informaticamente estamos ligados em rede”, revela o interlocutor. A empresa afirma-se no mercado pelo serviço de qualidade regido pela transparência, clareza, honestidade, ética, compromisso, qualidade, preservação, economia e rigor. O crescimento passou pela aplicação de fundos próprios, não estando dependente da banca, “crescemos com os nossos recursos, o que nos permite respirar melhor”, destaca o entrevistado. Questionado sobre os principais desafios, Sérgio Pinho revela que “é um trabalho muito desafiante, nunca sabemos como vai ser o amanhã. Lidamos com todo o tipo de pessoas, de várias idades e fomações diferentes. Não há nenhum curso específico para esta profissão, tenho o curso de gestão de empresas e adaptei os meus conhecimentos a esta área, mas um curso de direito ou de psicologia também é viável. A administração de condomínios permite ao gestor um grande desenvolvimento em termos de capacidade de trabalho e também ao nível pessoal”. Quanto aos serviços que prestam, a Multifracção trabalha em exclusivo com a administração de condomínios, não contempla serviços adjacentes como reparações ou limpeza. No que toca a estas áreas, a empresa opta por trabalhar em regime de prestação de serviços, através de uma rede de prestadores, como evidencia o nosso entrevistado, “lidamos, em exclusivo, com a administração de condomínios. O único serviço que temos extra é a mediação de seguros. Como administrador pretendo poupar o máximo possível, prestando o melhor serviço aos condomínios. Qualquer empresa de prestação de serviços é incompatível, porque a lógica é contrária, ou seja, querem faturar o máximo”. Em jeito de conclusão, e no que diz respeito à ausência de regulamentação, Sérgio Pinho afirma que já estão habituados a trabalhar sem ela, mas reconhece que “é necessária para dar mais credibilidade, certezas e confiança aos condóminos, equiparando, também, todas as empresas que operam no ramo. Não há ninguém a fiscalizar a administração de condomínios, e isso era essencial”, conclui o nosso interlocutor.

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uma gestão de condomínio personalizada a cada condómino M Condomínios A equipa da M Condomínios juntou-se em 2007, mas a empresa já detém um posicionamento bem marcado no mercado português, no setor de gestão e administração de condomínios. Paulo Alves, gestor da empresa, explica a estrutura de trabalho que seguem. meu redor em quem confio. Quanto à necessidade de prestadores de serviços externos, tentamos pedir sempre três orçamentos e depois a assembleia decide. A decisão final é sempre da assembleia”. Quanto à defesa dos direitos e deveres dos condóminos não há regulamentação deste setor no mercado, nem há necessidade de qualquer licenciamento para abrir uma empresa de gestão e administração de condomínios. “Tem que haver profissionalização”, refere o nosso interlocutor. O gestor da M Condomínios é de opinião que a APEGAC, da qual são associados, “tem feito um bom trabalho, com formação às empresas”.

paulo alves Gestor

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as antes, porém, é importante fazer um parêntese, uma vez que o nosso interlocutor tem um percurso digno de ser partilhado, e que nos ajuda a contextualizar o nascimento da empresa, bem como, as metas pelas quais se rege e que já atingiu. “Eu trabalhava numa outra empresa que fechou, nessa altura cerca de 95 por cento dos clientes pediu que eu continuasse a fazer a gestão dos seus prédios, por estarem satisfeitos com o serviço que estava a prestar na empresa”. Paulo Alves explica-nos ainda que na M Condomínios “cada caso é um caso”. Na prática, flexibilizam o trabalho consoante a situação, personalizam a prestação do serviço ao condómino e não ao condomínio. “No mesmo prédio temos pessoas que pagam as quotas todos os meses ou de três em três meses”, explica. Esta forma de prestar os serviços de administração prima por ser diferente das mais comuns empresas do setor.

O que distingue a M Condomínios No site apresentam uma área reservada ao condómino, através do qual o condómino tem acesso a todos os movimentos do ano civil em curso, incluindo as quotas ou em dívida ao condomínio. A grande particularidade é o serviço que vendem ser “um pacote”, com um preço fixo, para evitar que suscite desconfiança, que inclui a administração e gestão do prédio, a M Condomínios não tem serviços de limpeza ou de jardinagem alocados diretamente à empresa, sendo que, quando estes serviços são necessários, são pedidos orçamentos a empresas parceiras. Isto permite que se evitem mais desentendimentos. “Se a mesma empresa estiver a fazer a administração e a limpeza, e estiver satisfeita só com uma, ou mantém a limpeza porque gosta da administração ou muda de administração porque quer mudar de empresa de limpeza. Eu optei, desde o início, por ter empresas ao

Serviços e clientes A M Condomínios tem duas vertentes de prestação de serviços: uma em que são os administradores do edifício em causa e outra, em que prestam serviço ao administrador do condomínio. Nesse último caso tratam apenas da parte burocrática, mas não tomam as decisões. O prédio mais pequeno que a empresa gere tem quatro condóminos. Já o maior, tem 98 frações, e é um condomínio fechado na Margem Sul. Tem outro com 94, em Lisboa, duas torres em Benfica e um em Alcântara com 210 frações, mas com apenas 12 condóminos. “Tanto fazemos obras em prédios pequenos, como em maiores. Costumo dizer que temos do ‘oito ao oitenta’, com pessoas que se veem com muita dificuldade em pagar as quotas e outros que não. Nós temos clientes que vêm aqui e ainda pagam em dinheiro”, o que, na opinião do nosso entrevistado, reflete a proximidade que têm com a empresa e a confiança e respeito de ambos os lados.

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Um compromisso de qualidade proposta comum A Proposta Comum é uma empresa que desde 1993 se dedica em exclusivo à prestação de todos os serviços inerentes à administração de condomínios, privilegiando a qualidade do serviço e a satisfação dos clientes, com uma filosofia assente na clareza, transparência e comodidade.

Amândio Santos Administrador

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ssumindo uma postura proativa, Amândio Santos abraçou a área da administração de condomínios com grande vontade de marcar a diferença, desenvolvendo com a máxima eficiência um conjunto de serviços e valências inerentes à atividade. Pela sua mão nasceu a Proposta Comum, uma empresa de referência, com presença e provas dadas no mercado desde 1993, cuja esfera de influência geográfica abrange a cidade de Coimbra, Montemoro-Velho, Figueira da Foz, Condeixa-a-Nova, Penela, Miranda do Corvo, Vila Nova de Poiares e Pampilhosa da Mealhada. Ao longo dos anos, a empresa tem registado um forte crescimento, sempre alicerçado numa filosofia de atuação muito rigorosa e uma preocupação constante na

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qualidade dos seus quadros, no sentido de fazer face às necessidades e exigências do mercado. “A nossa equipa integra uma colaboradora licenciada em Engenharia Civil, porque um dos objetivos da Proposta Comum é garantir a manutenção dos edifícios, prevenindo a sua degradação, pois quanto mais degradados estiverem os edifícios, maior será o custo para os condóminos”, entende Amândio Santos. Atualmente, a Proposta Comum está vocacionada para a administração de condomínios, mas também para a prestação de outros serviços e a resolução dos problemas que surgem diariamente, o que constitui um benefício para o condómino. “Existe uma política assumida por todos os colaboradores de que quando somos eleitos para administrar um condomínio, os condóminos fiquem descansados e que toda a responsabilidade seja transferida para a Proposta Comum”, salienta. A Proposta Comum administra um conjunto de condomínios, mas uma vez que os seus recursos humanos ainda têm capacidade para aumentar a quantidade de condomínios administrados, Amândio Santos continua a pensar que é possível o crescimento da mesma. “Precisamos de mais trabalho, condomínios e condóminos, só nesta perspetiva as empresas podem criar sustentabilidade”, entende o empresário. Valorização e afirmação Amândio Santos é bastante crítico quanto à situação atual do sector, lembrando que há vários anos se discute a criação de uma legislação própria, mas a tão ansiada legislação ainda não avançou. “As empresas de administração de condomínios têm diversas dificuldades, uma delas é não ter uma legislação compatível para o

seu exercício, o que acaba por empobrecer a nossa atividade”, diz salientando que a regulamentação da atividade constitui uma oportunidade de separar o trigo do joio. O empresário lamenta a falta de informação acerca da propriedade horizontal, sublinhando a necessidade das pessoas entenderem que quando adquirem um apartamento, está inerente um condomínio e partes comuns que devem ser zeladas. Por outro lado, refere outra das lacunas da lei, que consagra a obrigatoriedade do Fundo Comum de Reserva, mas que não penaliza quem não o cria. Promoção e divulgação Em 2014, a Proposta Comum realizou o 1º Workshop de Administração de Condomínios. O evento teve uma grande adesão quer de profissionais dos diversos ramos relacionados com condomínios, quer de condóminos, e serviu para esclarecer diversas temáticas do universo da administração de condomínios. “Em novembro, vai decorrer a segunda edição, na qual vamos dar ênfase à manutenção e conservação, bem como à importância da regulamentação da atividade”, revelou Celina Mendonça, quadro técnico da Proposta Comum.

Horário de funcionamento Dias úteis: 09:00 às 19:00 Sábado: 09:00 às 13:00 14:00 às 18:00


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administração que dá provas de confiança F.a.s.maia Francisco Maia assume a direção da empresa de administração e gestão de condomínios f.a.s.maia, há 18 anos como empresário em nome individual, juntamente com a sua esposa que desempenha funções de contabilidade. A Revista Business Portugal foi conhecer o que oferecem aos clientes, podendo estes serem condóminos de um edifício habitacional, comercial, ou de escritórios e uma das conclusões a que chegamos foi a de que o grande objetivo da empresa é proporcionar tranquilidade, conforto e segurança. Conheça as outras linhas condutoras do funcionamento da f.a.s.maia e a sua relação com o cliente.

francisco maia e olga maia Administradores

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administração de condomínios tem várias vertentes”, começa por contextualizar Francisco Maia. Uma vez que é uma área muito abrangente “ há que ter conhecimento nas várias áreas envolventes de um condomínio” e que, de momento, não há regulamentação do setor no mercado, o que fragiliza uma administração profissional pela falta de regras e concorrência desleal, explica. Com o seu público-alvo centrado na área de Lisboa até Cascais, Francisco Maia garante que “as assembleias são o local onde mais pode ajudar. Temos tido muitos pedidos de propostas, muitas vezes porque os condóminos não têm tempo, conhecimentos, não se dão bem entre si ou porque há situações de divídas”. Associados da APEGAP, assumem uma responsabilidade enorme, e fizeram-se associados muito com o mote de melhorar a vida do cliente, “para levar aquilo que era

necessário a todos”. Francisco Maia diz que começou a ler muito quando começou a trabalhar nesta área porque, de facto, tem a sua complexidade e burocracias muito alavancadas, para além de ter adquirido várias formações. Porém, acredita que “quem não deve, não teme”, desempenhando com verdade e honestidade as suas funções e, hoje em dia, tem muitos clientes que depositam confiança na f.a.smaia para gestão do seu condomínio. A experiência adquirida pela f.a.s.maia ao longo destes anos, e os contactos com empresas fornecedoras de serviços acreditadas e consolidadas nos respetivos mercados, permite garantir uma gestão pronta e eficaz, atuando não só na reparação imediata, como igualmente na prevenção de possíveis anomalias. Com vários certificados de qualidade recebidos, ao longo dos anos, Francisco Maia “tem consciência que o ideal era conseguir o melhor, no entanto em alguns casos há o problema de disponibilidade financeira”. Tendo como grande interesse propor melhorias, o nosso interlocutor partilha que “tentamos sempre propor um seguro que abranja a totalidade do edifício, seguros comuns, coletivos, mas nem toda a gente pensa como nós. Nesse sentido, tem que se ter uma dose de paciência, ‘saber ouvir falar’ é fundamental neste setor”, remata. Cada vez mais, os condóminos são mais exigentes e para esse efeito a f.a.s.maia está sempre presente, “há muitas reuniões”, afirma.

Para que tudo corra da forma mais eficaz, o uso de um “sistema informático próprio e adequado à gestão de condomínios”, permite uma relação privilegiada com os condóminos dos prédios que administra, prestando-lhes, em qualquer momento, esclarecimentos e fornecendo meios de suporte, através de listas, sobre os mais variados assuntos: – situação económica do condomínio ; – relação de condóminos devedores; – situação da conta corrente do edifício e do Fundo de Reserva; – situação das faturas pagas e de faturas a pagamento; de igual modo são favorecidos os contactos, pessoais ou escritos, sempre necessários, através da presença semanal de elementos da administração no edifício para fiscalização das zonas e equipamentos comuns, bem como para entrega e recolha de correspondência, afixação de circulares informativas e comunicações. A f.a.s.maia, acrescenta Francisco Maia, “representa o condomínio perante as autoridades administrativas, em todos os atos que tal sejam requeridos, promove contactos com as entidades exteriores ao condomínio, empresas como empreiteiros, entre outras, de modo a promover correções de eventuais defeitos de construção conforme deliberações da Assembleia de Condóminos”.

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Gestão do risco com qualidade há 16 anos Globalgest A empresa com sede em Amora, Seixal, opera na área há 16 anos, garantindo aos seus clientes uma gestão com elevados padrões de qualidade, pautada pela assiduidade, eficiência, rigor e profissionalismo. Com uma carteira de clientes “de quase 200 condomínios entre Almada e Setúbal”, a Globalgest é já uma referência no mercado. Regulamentação precisa-se O interlocutor explica que, apesar da complexidade deste negócio, existem muitas empresas e pessoas a trabalhar, a título unipessoal, na administração de condomínios sem qualquer tipo de formação ou conhecimento. Exemplo desta situação, são empresas a trabalhar na zona de Lisboa a cobrar “11 euros por

Luís Resendes Gerente

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experiência da Globalgest na administração de condomínios traduz-se na fidelização dos clientes. A empresa nasceu da vontade de dois sócios e hoje presta todos os serviços necessários nesta área. Em entrevista, o gerente da empresa, Luís Resendes salienta que “administrar um condomínio não é só fazer uma reunião, preparar uma ata, mandar pintar uma parede e tratar da limpeza, é muito mais do que isso”. Neste sentido, a empresa apresenta um vasto leque de soluções, recorrendo a técnicos de manutenção, com capacidade de intervenção em diversas áreas, como eletricistas, canalizadores ou profissionais da construção civil. É ainda garantido um serviço de rondas de manutenção periódicas aos edifícios, para o registo de possíveis anomalias. A Globalgest presta aconselhamento em

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matéria de seguros, através de um técnico especializado, com responsabilidades em matéria de sinistros. A resolução extrajudicial de dívidas ao condomínio é outro dos serviços disponibilizados. A administração de condomínios reúne várias áreas e, como explica Luís Resendes, “esta atividade é muito complexa. Nas reuniões de condomínio somos muitas vezes confrontados com questões que deveriam ser dirigidas a um advogado, a um solicitador, a um eletricista ou a um mecânico e nós temos de ser um pouco tudo isto. O administrador que desenvolve a sua atividade não tem que estar necessariamente formado em todas as áreas, mas hoje em dia, há condomínios que são muito complexos em que é feita uma gestão de riscos constante. No fundo, gerir um condomínio é como ser gestor de uma empresa”.

fração, onde também há casos, em que pelo mesmo serviço, há quem esteja a cobrar cinco ou seis euros”, demonstra o gerente da Globalgest. É com base nestes casos que o interlocutor considera fundamental a regulamentação no setor, “porque separaria de certa forma as empresas que ganharam estrutura e que construíram um projeto de forma profissional, daquelas que efetivamente não o fizeram. A regulamentação representaria uma mais-valia para todos. A Margem Sul é o espelho da degradação desta atividade. Muitas destas pessoas não têm formação e quando existem problemas abandonam os condomínios. Depois, são empresas como a Globalgest que têm de os resolver”, conclui. O entrevistado desempenhou um papel ativo na busca da legalidade, quando em 2013 e 2014 fez “parte do grupo de trabalho que andou a percorrer os grupos parlamentares. Reunimos com todos os partidos, para que ainda dentro desta legislatura fosse aprovada a nova regulamentação, mas não conseguimos. Alertámos para o facto desta atividade ter uma grande importância para a economia, existindo negócios paralelos, que fogem aos impostos, valor que atinge milhões de euros”, denuncia Luís Resendes. Questionado sobre o futuro e, em jeito de conclusão, ressalva que a evolução do negócio deve passar obrigatoriamente pela regulamentação deste setor.


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Transparência e dedicação todos os dias do ano Bruno Filipe Botelho Manutenção & Conservação Lda A empresa familiar que nasceu em 2008, atualmente, é responsável pela gestão de 50 condomínios, distribuídos por todos os concelhos do distrito de Lisboa. Para além dos dois sócios, conta com mais seis colaboradores, prestando serviços na gestão de condomínios, limpezas e manutenção de edifícios.

bruno filipe Sócio-Gerente

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Bruno Filipe Botelho Manutenção & Conservação Lda opera na área da administração de condomínios, em todas as suas vertentes, procurando dar resposta a todas as necessidades dos condóminos, dispondo também do serviço de limpezas domésticas a particulares e empresas. Bruno Filipe é o sócio-gerente da empresa à qual deu o próprio nome, símbolizando a proximidade, uma das principais bandeiras da entidade.

parcerias que temos são com canalizadores, operadores de fechaduras, empresas de jardinagem, inspeções na área do gás e seguradoras. Quando escolhemos estes parceiros queremos transmitir às pessoas que não é preciso eu estar presente, portanto escolho sempre pessoas de confiança”, explica Bruno Filipe, gestor de condomínios. A empresa entende que é na base da confiança que se estabelecem determinados protocolos e “quem trabalha connosco sabe que temos um vasto

É por isso que, “desde 2008, não sabe o que é perder um negócio de gestão de condomínios e trabalho desde Cascais a Lisboa. Fomos evoluindo por mérito e trabalho. Por defeito, mesmo errando, estamos sempre contatáveis. Sou o representante da empresa e, por isso, tenho de estar presente em todas as situações, presido a todas as assembleias de condomínios. As únicas

leque de potenciais clientes, sendo do interesse deles fazer um bom trabalho, é o caso das seguradoras, por exemplo, têm aqui a oportunidade de angariarem novos clientes”, explica o interlocutor. A disponibilidade, a dedicação, a proximidade, a rapidez, a confiança e a eficiência regem o trabalho da empresa, onde o objetivo é a prestação de um serviço de excelência. Bruno Filipe

considera que “este trabalho não é pesado, mas é muito exigente, implica uma dedicação 24 horas por dia, há pessoas que ligam às 11 da noite. Damos uma resposta a qualquer solicitação, via email, em 12 horas”. Apesar das parcerias, o sócio-gerente alerta para o facto de “um gestor de condomínio ter de possuir uma boa equipa, com conhecimentos técnicos, em várias áreas, desde os elevadores, passando pela iluminação, a construção ou a limpeza. Muitos indivíduos decidem dedicar-se a esta área mas desconhecem as especificidades. Se tiver um cliente que me questiona sobre determinado assunto eu tenho de saber responder”, esclarece. É neste seguimento que o nosso entrevistado gostaria de ver alterações à legislação que regulamenta a área “porque existem pessoas a trabalhar a recibos verdes e a fazer gestão de condomínios. Deveria existir um alvará, obrigando à formação e à profissionalização do setor, o que contribuiria para aumentar a confiança dos condóminos. Assim, continua a existir a concorrência desleal. Tenho ficado com condomínios onde os antigos administradores deixam muito trabalho e irregularidades, que depois cabe à minha empresa resolver”, explica. Para além de uma boa equipa, um outro fator facilitador do trabalho nesta área é a tecnologia, que Bruno Filipe faz questão de destacar, “a informática facilita a gestão, trabalho com o programa Geconde, uma excelente ferramenta. Representa um encargo, mas contribui também para a prestação de um serviço de qualidade”. O futuro da Bruno Filipe Botelho Manutenção & Conservação Lda passa por continuar a desempenhar o bom trabalho pela qual já é reconhecida no presente.

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Qualidade, rigor e profissionalismo lex urben Criada em 2004, a Lex Urben – Consultadoria, Gestão e Conservação de Imóveis tem dedicado a sua atividade à administração de condomínios residenciais de um segmento médio alto e alto. Acompanhando a evolução deste sector, a empresa tem apostado em modernas estratégias de funcionamento e organização para estar sempre à altura dos desafios, cumprindo a sua missão de qualidade.

empreendimentos de grande dimensão, temos uma gestora do condomínio, que coordena e fiscaliza os serviços prestados, quer pela Lex Urben, quer por empresas exteriores, e apoia diretamente o condómino”. Em cada local, existe ainda uma equipa de manutenção que pode ser composta por um ou mais elementos, consoante a necessidade do empreendimento. Pereira da Fonseca coordena toda a equipa na área administrativa e também na manutenção, embora esta área tenha um coordenador técnico e um assessor na área da engenharia. Hoje em dia, para além das Twin Towers, a Lex Urben administra outros empreendimentos de referência como o Malhoa Plaza, o Green Park, o Saldanha Residence e o Nova

Pereira da fonseca Administrador

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om um percurso notável na gestão do imobiliário, Pereira da Fonseca sempre teve o gosto pela conservação dos edifícios. Por isso assumiu voluntariamente a gestão do condomínio dos prédios onde residiu e teve escritório. Em 2002, mudou-se para as Twin Towers e, pouco tempo depois, o empreendimento estava numa situação complexa, uma vez que a empresa que tinha a seu cargo a administração de condomínio não conseguiu tomar pulso à gestão. Como tem gosto pela atividade, Pereira da Fonseca começou a preparar um plano de gestão e propôsse gerir o empreendimento, fazendo então nascer a Lex Urben. “No empreendimento das Twin Towers, tivemos um grande trabalho de recuperação de contribuições em atraso e no pagamento a fornecedores, no sentido de garantir a sua organização e normal funcionamento”, revelou, sublinhando que, numa fase inicial, a área da manutenção foi assegurada por empresas do exterior, mas passado pouco tempo sentiu a necessidade de criar a sua própria equipa de manutenção, para garantir melhor serviço. Com presença no mercado há 11 anos, a Lex Urben assume-se como uma empresa de referência no sector, com uma filosofia de atuação assente em elevados padrões de qualidade, de forma a satisfazer as necessidades e exigências dos seus clientes. Atualmente, a Lex Urben conta com uma equipa profissional de 18 pessoas. “Nos

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Campolide, em Lisboa; o Estoril Sol Residence e o Atlântico Residence, no Estoril. De acordo com Pereira da Fonseca, estes empreendimentos são um grande desafio profissional, mas com gosto, know-how e empenho é possível dar resposta capaz, eficiente e de curto prazo. Uma gestão rigorosa, manutenção própria, uma equipa multidisciplinar e a escolha de parceiros estratégicos são predicados incontornáveis e marcas distintivas de uma empresa em constante crescimento e evolução. Um olhar pelo sector Pereira da Fonseca entende que uma grande maioria das pessoas que adquirem uma fração de um edifício não entende que na propriedade horizontal não existe propriedade plena, quer porque toda a envolvente da fracão é do conjunto, quer porque há regras incontornáveis a observar. Por outro lado, refere que os seguros multirriscos do condomínio já têm uma abrangência interessante, mas ainda assim não cobrem muitas das eventualidades que surgem. “À matriz da apólice de seguro, que normalmente é apresentada pelas seguradoras é, pelo menos, necessário acrescentar a responsabilidade civil extracontratual, danos nos equipamentos, incluindo elevadores”, salienta, acrescentando que faz a pedagogia do seguro geral do condomínio com a inclusão das frações, até porque em caso de sinistro tudo se resolve mais facilmente. A terminar, Pereira da Fonseca corroborou que a regulamentação da atividade da administração de condomínios é imprescindível para uma maior valorização e afirmação do sector, mas sobretudo para a defesa e garantias do consumidor, no caso, os proprietários.


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Porque a limpeza não se vê… sente-se easyfresh A Easyfresh é uma empresa galardoada pela Câmara Municipal de Odivelas com o Prémio de Distinção Empresarial no ano de 2013 e 2014, especializada em limpezas, higiene e manutenção, que está atenta às necessidades dos seus clientes, com os quais pretende assumir uma ótima relação de confiança, para que os serviços prestados sejam de qualidade e profissionalismo. empresa expansiva. “A nossa zona de atuação vai desde Alverca até Cascais, por enquanto ainda não avançámos para a Margem Sul, não obstante as diversas propostas e solicitações de empresas. Começar apenas com um prédio ou dois não é rentável, teria que ser um conjunto de condomínios”, explica.

Ricardo fernandes Administrador

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icardo Fernandes é um empresário carismático e dinâmico que tem pautado a sua atividade profissional por uma grande visão estratégica, a par de um grande sentido de responsabilidade. Com um percurso profissional ligado à banca, viu a vida trocar-lhe as voltas, com um acidente de viação, mas não deixou que este episódio lhe roubasse o espírito empreendedor, por isso fez nascer a Easyfresh. Esta aventura começou a partir de casa com o apoio de alguns colaboradores, volvidos quatro anos, a empresa tem cerca de 40 colaboradores e seis viaturas. Ricardo Fernandes traça um balanço positivo, tendo em conta que a empresa despontou em plena crise económica em Portugal, estando inserida numa área de grande competitividade, concorrência desleal e margens de lucro muito baixas. “O crescimento surgiu através do passa palavra”, refere

o empresário, acrescentando que a empresa evoluiu bastante e orgulha-se de estar em constante inovação. A Easyfresh garante a realização de todos os serviços de higiene e limpeza, bem como uma panóplia de outros componentes tais como certificações energéticas, jardinagem, fornecimento e colocação de tapetes, desinfestações, resposta a inundações, limpezas de caixas pluviais e manutenção de edifícios sempre com elevados padrões de eficiência e qualidade, procedendo a uma otimização de meios com a finalidade de satisfazer as necessidades dos clientes. As áreas a intervencionar poderão ser condomínios, garagens, escritórios, instituições públicas ou privadas como escolas e infantários. A área de intervenção da Easyfresh não se limita só a um local, o significativo número de condomínios existentes no seu mapa de trabalho, assim como as diversas empresas de gestão, de referência no mercado que são suas parceiras, torna a Easyfresh uma

Excelência e qualidade A Easyfresh tem um compromisso de excelência com os seus clientes, mas também com os seus colaboradores, por isso uma imagem profissional e cuidada são indispensáveis. “O recrutamento assume por isso uma grande importância na visão estratégica da empresa”, sublinha o empresário, acrescentando que há uma preocupação de tratar bem o colaborador, por isso são criados mecanismos para que se sinta motivado e acarinhado pela empresa, tendo ao dispor equipas muito profissionais, extremamente dedicadas e bastante versáteis. “A nossa máxima é a qualidade do serviço, mas só a poderemos assegurar se os nossos colaboradores estiverem bem e se sentirem bem na empresa”. A formação é outro dos predicados, por isso mesmo qualquer colaborador que entre na Easyfresh tem, no mínimo 15 dias a três semanas de formação, isto porque a missão da Easyfresh é assumir-se como a empresa de limpeza de referência, atuando sempre com honestidade e transparência. A Easyfresh preocupa-se com o meio ambiente e com o bem-estar dos seus colaboradores, prova disso é que a empresa pertence ao clube restrito ecofriendly. “A nível de materiais, a Easyfresh teve um papel importante na implementação de dois materiais em Portugal: o Wet System e o Dosely”, desvenda. Com um futuro promissor, a Easyfresh promete continuar a trilhar um percurso sustentado e a prestar um serviço com altos padrões de excelência e qualidade.

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“Reabilitar é preservar a memória das cidades” domusrehabita A Domusrehabita surge da necessidade de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável na área da reabilitação de edifícios e núcleos urbanos, através da elaboração de modelos de gestão integrada e financeiramente viável.

catarina antunes CEO

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icenciada em Arquitetura e com Mestrado em Reabilitação Urbana, Catarina Antunes é uma profissional de excelência, que face ao fenómeno da expansão urbana e as suas repercussões, decidiu contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável das áreas urbanas, com o seu know-how, criando a Domusrehabita. Em entrevista à Revista Business Portugal, a arquiteta clarifica que juntamente com o seu marido, este com formação na área jurídica, decidiu criar uma empresa que conjugasse as suas especialidades, apresentando uma oferta distinta e única. O primeiro desafio da Domusrehabita consistiu na Área de Reabilitação Urbana da Baixa-Chiado, um projeto realizado em conjunto com a Universidade Lusófona de Humanidades de Tecnologias de Lisboa para a Requalificação da Baixa Pombalina e Chiado, nomeadamente na execução de documentos de apoio à decisão da Sociedade de Reabilitação Urbana

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da Câmara Municipal de Lisboa: vistorias, relatórios de inspeção de anomalias, levantamentos métricos, esquemas funcionais, levantamentos fotográficos,

do desenvolvimento sustentável e integrado. Outro dos projetos protagonizados pela Domusrehabita foram as Áreas de Reabilitação Urbana – Lezíria Do Tejo,

estimativas orçamentais e autos de vistoria a 47 quarteirões, 376 edifícios e 4 793 frações. “Este projeto exigiu a criação de uma equipa de 50 pessoas, porque todas vistorias têm que ser feitas por três pessoas, com a obrigatoriedade de ser um arquiteto, um engenheiro e um historiador, e decorreu num espaço de quatro semanas”, sublinha Catarina Antunes, referindo que se assumiu como uma alavanca para o crescimento da empresa. A Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Vila Real de Santo António foi o desafio que se seguiu, surgindo da necessidade urgente de valorizar a acessibilidade e o simbolismo daquele local, de grande importância histórica e cultural, contrariando as descontinuidades e os limites internos ao crescimento e à expansão económica, acompanhando a consolidação

para os municípios de Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Cartaxo, Chamusca, Golegã, Rio Maior e Santarém, que segundo Catarina Antunes surge da necessidade de valorizar a acessibilidade e o simbolismo destas áreas conhecidas como tradicionais e de importância cultural. Esse ordenamento decorreu, necessariamente, da análise física e da resolução dos diversos interesses em confronto, identificando as diversas estruturas do território. A Domusrehabita teve ainda a seu cargo a execução das Áreas de Reabilitação Urbana dos municípios da CIM das Beiras e Serra da estrela, assim como os Planos de Ação de reabilitação urbana a candidatar ao quadro de apoio do Portugal 2020. No âmbito da Arquitectura, um dos projectos emblemáticos da Domusrehabita é a Cidade Tecnológica


REVISTA BUSINESS PORTUGAL ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE CONDOMÍNIOS

Projeto do Parque de Dinossauros da Lourinhã

Projeto da Cidade Tecnológica de Paços de Ferreira

de Paços de Ferreira. Este projecto surge como um instrumento de política urbana que visa beneficiar a criação de um espaço de conhecimento, inovação e criatividade no interior da cidade, reunindo condições de atratividade de empresas e de trabalhadores do conhecimento, favorecendo a instalação dentro da cidade de um cluster de actividades geradoras e valorizadoras de conhecimento. Inovação e qualidade A Domusrehabita encontra-se vocacionada para a apresentação de soluções integradas de negócio, aliando ao desenvolvimento estratégico de ações de correção dos mercados fundiários, os estudos técnicos operacionais e de viabilidade bem como a engenharia financeira necessária ao desenvolvimento de projetos, conjugando as valências inerentes ao aproveitamento

dos recursos financeiros nacionais e comunitários disponíveis. “Emitimos a nossa opinião, os municípios decidem qual a área que necessita de intervenção mais urgente e delineamos uma estratégia, conjugando o planeamento urbano com a reconversão dos edifícios e a estimativa do investimento financeiro”, refere a arquiteta, sublinhando que a estratégia não está diretamente ligada com uma execução física, ou seja, ela transmite linhas orientadoras para execução. “Até agora, houve apenas uma situação em que chegámos a apresentar uma proposta física, porque havia mesmo essa necessidade, no caso do Fundão, em que não havia um projeto em si”, refere. Para a apresentação destas soluções é importante a transversalidade do conhecimento, por isso mesmo a Domusrehabita conta com uma equipa multidisciplinar, com valências técnicas variadas, aliadas à implementação

de políticas fundiárias eficientes e equitativas na área dos respetivos concelhos. “Estas políticas conjugadas com a elevada experiência da sua equipa de coordenação, constituem um portfólio único e especializado, totalmente dirigido para o desenvolvimento da função de regeneração urbanística”, consubstancia Catarina Antunes, sublinhando: “Procuramos a colaboração de pessoas de outras áreas técnicas, dependendo do tecido urbano em que vamos atuar, como por exemplo, já contámos a coadjuvação do Professor Sidónio Pardal”. Com os olhos postos no futuro, Catarina Antunes gostaria de ver no seu país, a grande maioria do património reabilitado, de uma forma economicamente viável, conferindo-lhe a pujança que atualmente não detém. “Em relação ao edificado e a arquitetura, verdadeiros legados que ao longo da história nos deixaram, temos a responsabilidade de os manter ou reconverter”, remata.

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inovar para crescer

REVISTA BUSINESS PORTUGAL

O

conceito de inovação é bastante variado, dependendo, principalmente, da sua aplicação. Aliás, não é estanque, porque o significado é exatamente a melhoria e evolução, o crescente alinhamento das políticas de inovação e empreendedorismo, de base tecnológica, nas áreas das ciências e economia, sobretudo. Ao conceito atribui-se a aceção de promoção da valorização do conhecimento e o resultado dos esforços de uma empresa para desenvolver novos produtos, serviços, modelos de negócios ou processos. Nas palavras de Nick Baldwin, “inovação é a exploração com sucesso de novas ideias”. As pessoas confundem, com frequência, inovação e processos de inovação com melhoria contínua. Para que uma inovação seja caracterizada como tal, é necessário que seja causado um impacto significativo na estrutura de preços, na participação de mercado, na receita da empresa. Considerando que as inovações são capazes de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo, inovar torna-se essencial para a sustentabilidade das empresas e dos países no futuro. De um modo geral, as empresas são o centro da inovação. É através delas que as tecnologias, invenções, produtos, resumidamente, ideias, chegam ao mercado. As empresas portuguesas estão cada vez mais predispostas à inovação e a apostar cada vez mais em resultados visíveis, mesuráveis, em tecnologia de ponta, a par das últimas tendências. Medir a inovação é sempre uma tarefa difícil devido ao âmbito alargado das atividades inovadoras. O output principal resultante de um processo de inovação é o sucesso da empresa. É de empresas com estas características que vamos falar nas próximas páginas desta edição.

errata Na edição passada, no artigo sobre os Vinhos da Beira Interior, houve um lapso, sendo publicado erradamenteo nome de Rodolfo Queirós como presidente da Comissão Vitivinícola da Região da Beira Interior. O presidente da CVRBI é João Carvalho. Aos visados, a Revista Business Portugal apresenta as suas desculpas.

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Motores em forma chegam mais longe.

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os gatos e os cães em primeiro lugar royal canin® Reconhecida como uma marca pioneira na inovação científica e que molda a sua história, assim como o seu crescimento na procura constante pela precisão nutricional para os animais de estimação, a ROYAL CANIN® é uma referência na área da alimentação, mas também da saúde e bem-estar animal. Tivemos a ousadia de perguntar a Rita Silva, médica veterinária, Formação e Comunicação Científica da ROYAL CANIN® qual a melhor forma de definir a marca. A resposta não tardou: gato e cão em primeiro lugar. Saiba porquê. vista nutricional. A base científica da ROYAL CANIN® recusa qualquer espécie de antropomorfismo (forma de pensamento que atribui características ou aspetos humanos aos animais) e não nos permite concordar com tal argumentação. Assim, também vemos como uma missão importante desbravar este caminho sinuoso de desinformação, estando próximos dos donos, quer diretamente quer por via dos nossos parceiros, de forma a partilharmos a ciência que hoje os nossos produtos representam e de forma a suportá-los na escolha do alimento para o seu animal. rita silva Formação e Comunicação Científica da ROYAL CANIN®

Nesta edição falamos de saúde, bem-estar e alimentação animal. Neste sentido, perguntolhe que cuidados essenciais devem ter os portugueses em prol dos seus animais de estimação? Em Portugal, os animais de estimação são cada vez mais verdadeiros membros da família e os seus donos, felizmente, estão mais informados e mais exigentes. Se quisermos ser abrangentes podemos falar de cinco dimensões de responsabilidade por parte do dono do animal: garantir o acesso a cuidados de saúde adequados; escolher um alimento que possa, para além da satisfação da fome, ter um impacto positivo saúde do animal e sua na longevidade; garantir ao animal um espaço digno, abrigado e confortável para viver; respeitar o comportamento natural do animal e dar-lhe a oportunidade para o viver em pleno (na ROYAL CANIN® falamos em respeitar a “animalidade” dos gatos e dos cães) e por fim, é fundamental proporcionar ao animal oportunidades para exercício físico e atividades com a sua família que o estimulem e lhe proporcionem bemestar. A ROYAL CANIN®, através dos seus alimentos de elevada qualidade pretende ser um suporte na escolha do melhor alimento pelos donos, já que esta decisão é mais complexa do que aparenta ser. Sobre a alimentação de gatos e cães existem muitas ideias preconcebidas, erradas ou demasiado influenciadas pela emoção. Por exemplo, há donos que preparam as refeições dos seus animais em casa como um ato de carinho e que também acreditam ser esta a melhor opção do ponto de

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Quando pensamos nos donos de gatos e cães em Portugal, qual seria, na opinião da marca e da empresa, a grande alteração em termos de mentalidade na temática dos animais de estimação? Na temática dos animais de estimação observa-se uma sensibilização maior em torno de alguns tópicos, o que é reforçado pelo número cada vez maior de campanhas e ações de comunicação em torno dos mesmos. Em primeiro lugar referimos a importância crescente do tema da adoção de gatos e cães. Cada vez mais pessoas em Portugal preferem adotar um animal e darlhe a opção de uma vida melhor e mais confortável. Nesta área é de referir e louvar o trabalho de algumas associações com as quais a ROYAL CANIN® tem o privilégio de colaborar mais de perto, testemunhando o compromisso máximo que existe com o bem-estar e a saúde dos animais. Se pudéssemos identificar uma área onde ainda assim, é preciso gerar mais sensibilização, é a da adoção de animais mais velhos ou que sofrem de alguma doença crónica: estes animais acabam por não ser a primeira escolha da maioria das pessoas que procuram um animal de estimação e em muitos casos permanecem nas associações sem a possibilidade de disfrutarem os últimos anos das suas vidas entre uma família e num ambiente diferente. Outro tópico que consideramos importante em termos de mentalidade da sociedade é o da responsabilidade social dos donos de animais que vivem em espaços urbanos. Em 2014 a ROYAL CANIN® interveio nesta área através de uma parceria com a Câmara Municipal de Oeiras para a promoção de educação para a cidadania

ambiental ativa naquele concelho. É importante que os espaços urbanos partilhados por todos, possam ser respeitados e mantidos limpos, para que mais pessoas possam um dia sentir o desejo de ter um animal de estimação. Finalmente, é importante referir o aumento de popularidade do conceito pet friendly em Portugal. Se cada vez mais existir a vontade de incluir os animais de estimação em todos os aspetos da vida dos seus donos, inclusivamente o aspeto mais social ou recreativo, então o movimento pela criação de cada vez mais espaços pet friendly continuará a crescer. Na verdade esta vontade de fazer do mundo um local melhor para os animais é um mote inspirador para a ROYAL CANIN® e é nesse sentido que em 2015, em conjunto com as Pousadas de Portugal do Grupo Pestana, iniciámos uma parceria de colaboração que visa promover e impulsionar o conceito de “férias com o seu cão” em Portugal, para uma maior integração dos animais de companhia em todos os momentos importantes para os seus donos, inclusive nas férias. Neste momento já são 17 as Pousadas aderentes de norte a sul do país e com esta parceria esperamos desbravar o caminho para outras iniciativas deste tipo. Falemos agora da ROYAL CANIN®. Porque deve o dono de um gato ou cão optar pelos produtos desta marca? Quais os elementos diferenciadores que tornam ideais os alimentos da Royal Canin? O nosso produto é a chave do nosso sucesso e a nossa maior bandeira diferenciadora. A ROYAL CANIN® é mundialmente reconhecida como uma marca pioneira na inovação científica e que molda a sua história e o seu crescimento na procura constante pela precisão nutricional. Desde a fundação da marca em 1967 por Jean Cathary, um médico veterinário, que todos os produtos nascem de uma necessidade identificada em primeiro lugar no gato e no cão. Esta abordagem é o fio condutor e diferenciador de tudo o que fazemos e também aporta à empresa uma grande responsabilidade: a de não parar nunca esta procura de precisão. Às vezes dizemos que somos “teimosamente científicos” porque há mais de 46 anos que produzimos alimentos segundo fórmulas muito precisas e equilibradas que satisfazem


REVISTA BUSINESS PORTUGAL INOVAR PARA CRESCER definir a ROYAL CANIN®, qual seria? A história da ROYAL CANIN® desde a sua fundação tem sido dirigida, inspirada e moldada pelos gatos e pelos cães. Tudo começa com as suas verdadeiras necessidades com vista a proporcionar-lhes mais saúde, bem-estar e mais anos de vida na companhia dos seus donos. Portanto, não há só uma palavra para nos definir, há duas: gato e cão.

as verdadeiras necessidades dos gatos e dos cães. E fazemos tudo isto, confiando na ciência, nos factos e no conhecimento sobre gatos e cães, para o qual a marca também contribui. Somos teimosamente científicos e vamos continuar a ser: não é o caminho mais fácil, mas é aquele que nos tem permitido cumprir juntos dos gatos e cães com as promessas que os nossos alimentos fazem, porque os resultados são visíveis para os seus donos. Portanto, estamos em crer que as melhores razões para o dono de um gato ou de um cão optar pelos nossos alimentos são exatamente a garantia de qualidade dos nossos alimentos, a possibilidade de ver diariamente resultados no seu animal de estimação e o poderem contar com esta vontade constante da marca em inovar e contribuir para a nutrição de gatos e cães. Ao contrário do que se possa pensar, na Royal Canin não existem apenas os alimentos mais tradicionais para gatos e cães, mas também produtos específicos consoante o cão e o gato de que estejamos a falar. O que está por detrás do vosso vasto portfolio de produtos? Para fazer uma introdução a esta questão podemos dizer por exemplo que na ROYAL CANIN® não falamos de “nichos de mercado”. A nossa missão é criar um mundo melhor para os gatos e para os cães, e queremos chegar a todos eles. Mas, queremos fazê-lo pela via da individualização máxima da nutrição: a melhor solução nutricional para aquele cão ou gato, que tem aquela raça, aquele modo de vida, aquele tamanho e idade. Daí que os donos dos animais encontrem na ROYAL CANIN® um portfolio tão extenso. Gostaríamos de imaginar que para o dono de um gato ou de um cão que conheça pela primeira vez os nossos alimentos, a primeira pergunta a fazer seja: “qual dos vossos alimentos é o alimento certo para o meu animal?”. Porque temos a máxima confiança no nível de especificação nutricional que oferecemos. Somos os primeiros a reconhecer que os alimentos da ROYAL CANIN® são tecnicamente complexos e portanto é preciso que esteja um profissional a explicar os seus

benefícios. Não podemos deixar de referir a importância que os nossos parceiros representam no crescimento do nosso negócio: a ROYAL CANIN® nasceu pelas mãos de um médico veterinário que trabalhava ao lado dos seus clientes criadores e que depois uniu esforços às lojas da especialidade por reconhecer que, só estes parceiros, poderiam ser embaixadores destes alimentos. Hoje, pensamos da mesma forma. Acreditamos que o crescimento da ROYAL CANIN® acontece de mãos dadas com o crescimento destes profissionais que são capazes de valorizar os nossos produtos, a nossa abordagem, de educar e sensibilizar os donos dos gatos e cães para as verdadeiras necessidades dos seus animais. Existem portanto alimentos específicos para o suporte de algumas doenças dos gatos e dos cães? A ROYAL CANIN® tem uma gama completa de dietas terapêuticas (secas e húmidas) de suporte ao tratamento de algumas doenças dos gatos e dos cães e que deve ser prescrita pelas equipas médico-veterinárias, dado tratarem-se de dietas formuladas recorrendo a nutrientes específicos em doses suplementares, que têm efeitos sobre diferentes órgãos e diferentes funções do organismo. Quando uma doença é diagnosticada pelo médico veterinário, daí em diante, a gestão diária dos aspetos relacionados com o seu tratamento pode ser uma fonte de ansiedade e dificuldade para o dono. Na grande maioria das doenças dos gatos e dos cães é possível intervir com dietas especialmente formuladas para atenuar ou mesmo controlar alguns sintomas. Para os animais, os benefícios da utilização destas dietas só são percetíveis com uma utilização prolongada das mesmas: na grande maioria dos casos, o tratamento nutricional pode ser prescrito por períodos de 4 a 6 meses, sendo que em algumas doenças a utilização da dieta será vitalícia.

De que forma é que a ROYAL CANIN® pretende no futuro continuar a oferecer esta especificidade nutricional aos gatos e cães de todo o mundo? A ROYAL CANIN® tem o pioneirismo inscrito no seu ADN, o que tem permitido à empresa desenvolver soluções nutricionais para gatos e cães, considerando a sua idade, o seu nível de atividade e estilo de vida, o seu estado fisiológico, a raça e as suas sensibilidades. A missão da marca é ambiciosa, mas é muito clara: desenvolver alimentos cada vez mais precisos e adaptados às verdadeiras necessidades nutricionais dos gatos e dos cães. Todos os alimentos formulados pela ROYAL CANIN® representam marcos históricos para a empresa, pelo seu cariz inovador, pelo que acrescentaram à ciência da nutrição animal, e pelo impacto que têm na saúde, bem-estar e longevidade dos gatos e dos cães de todo o mundo. O nosso principal desafio é a expansão contínua do território da nutrição-saúde para gatos e cães e a continuação do caminho da individualização nutricional. Por outro lado, conforme já referi, queremos chegar a cada vez mais gatos e cães em todo o mundo. Uma das nossas estratégias para continuar esta expansão é a partilha de conhecimento com todos os donos e a experimentação dos nossos produtos. Acreditamos que a compreensão dos benefícios dos nossos produtos pelos donos e a verificação dos mesmos, comprovando o seu efeito na saúde dos seus animais, são a melhor forma dos donos perceberem esta empresa e esta marca. O futuro da ROYAL CANIN® vai continuar a ser construído através da antecipação de necessidades, tendências e modos de vida que possam influenciar a saúde e bem-estar dos gatos e dos cães. Vamos continuar a descobrir novos caminhos, mesmo percebendo que nessa descoberta reside sempre alguma resistência, porque o nosso compromisso é sempre com os gatos e os cães em primeiro lugar.

Se pudéssemos selecionar uma palavra para

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soluções tecnológicas de referência fernandes & canhoto A Fernandes & Canhoto (F&C) foi constituída em 1997, com o objetivo de intervir no mercado e colaborar com as empresas e instituições em todos os aspetos relacionados com a conservação, segurança e acessibilidade a arquivos e documentação. Numa altura em que as soluções tecnológicas fazem cada vez mais parte do dia a dia das empresas portuguesas, a Revista Business Portugal falou com Carlos Antunes sobre a Fernandes & Canhoto, uma referência neste setor de atividade, assim como sobre os desafios que se avizinham nesta área. colaboradores com formação em cada uma das áreas especificas de projeto, ‘leaders’ de projeto com capacidade de motivação das equipas e conhecedores da real importância do seu desempenho na qualidade final do trabalho e ainda aplicações informáticas vocacionadas para elevados desempenhos com recurso a utilização de algoritmos que permitam validações, sempre que possível, fazendo concorrer para 100 por cento a fiabilidade final dos dados. Nesse sentido, prezamos o know-how interno, usando e melhorando constantemente as aplicações desenvolvidas pelos técnicos da organização, resultado da experiência que também nos é transmitida pelos colaboradores nos diversos projetos que, ao longo dos tempos, temos vindo a desenvolver com os nossos clientes. carlos antunes Administrador

Como é que surge a Fernandes & Canhoto (F&C) e quais os principais objetivos e missão inerentes à sua criação? A Fernandes & Canhoto foi criada em 1997, inicialmente com o objetivo de intervir no mercado na área de digitalização e indexação de grandes massas documentais com reconhecimento de caracteres utilizando tecnologias de OCR (tecnologia de reconhecimento de texto em imagens digitais provenientes de digitalização ou de ficheiros eletrónicos, resultando em texto passível de ser editável, guardado em ficheiros ou bases de dados) ou ICR (tecnologia de OCR avançada, utilizada para reconhecimento de caracteres manuscritos, permitindo a aprendizagem pelo computador durante o processamento e correção, melhorando constantemente a eficácia e percentagem de reconhecimento), por recurso a processos de leitura de códigos de barras ‘data entry’, criando ainda interfaces com as diversas plataformas de gestão documental, de diferentes fornecedores, que cada cliente já possuísse ou tivesse intenção de adquirir para o seu carregamento, associando os dados e imagens tratadas ao software de destino da informação. Saliente-se que a F&C tinha, e ainda tem, alguns colaboradores que fizeram parte ativa do primeiro projeto desenvolvido neste âmbito em Portugal, iniciado em 1996/7, para o tratamento de informação contida em formulários diversos com recurso a motores de ICR (Intelligent Character Recognition). Em 2004, a F&C passou a representar e comercializar software de gestão documental. Em 2007, decidiu ainda alargar o seu espectro de atuação no mercado, passando a dispor de um armazém para prestação de serviços de Guarda Documental. Pretendem ser uma empresa competitiva na sua área de negócio, apresentando aos seus clientes soluções modernas e inovadoras. Que soluções são essas? Sempre foi convicção desta organização que, para a prestação de um serviço de qualidade na área de tratamento da informação, teríamos de dar particular atenção a quatro aspetos que teriam de estar sempre presentes: confidencialidade,

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Quais os principais serviços e produtos que disponibilizam aos vossos clientes? A Fernandes & Canhoto atua na área de BPO (Business Process Outsourcing) digitalizando e indexando documentos para carregamento em plataformas de gestão documental, procedendo a processos de recolha automática de informação contida em documentos ou formulários, na área de custódia documental, garantindo a sua segurança e conservação, satisfazendo todos os pedidos apresentados pelos clientes sobre a documentação à sua guarda e na área de consultoria e fornecimento de software de gestão documental. O que vos distingue das demais empresas da área? A confiança e a fiabilidade dos serviços por nós prestados. Para nós, todos os clientes são considerados parceiros e a nossa primeira preocupação é a de percecionar as suas dificuldades e encontrar, em parceria com eles, as mais eficazes e menos onerosas soluções a implementar, garantindo sempre que a solução apresentada é a que mais se adapta a cada um dos clientes. E que feedback têm recebido dos vossos clientes? Ao longo dos 18 anos de atividade da F&C foram por nós desenvolvidos vários projetos de colaboração com diversos clientes e se alguns desses projetos foram marcados por um início e fim, sendo a sua continuidade garantida pelo cliente, outros houve que ainda hoje continuam a ser garantidos por aplicações e/ou equipas nossas, o que se traduz numa fidelização fruto de uma demonstração de satisfação que muito nos honra, motivando-nos a fazer cada vez melhor. A gestão e guarda documental são cada vez mais necessárias. As empresas nacionais têm essa noção? Nota que já estão adaptadas aos dias de hoje? Nota-se uma maior sensibilidade para o assunto, contudo algumas empresas ainda olham para algumas vertentes das TI como um custo e não como um investimento. Precisamos de lhes demonstrar que ainda não fizeram contas ao tempo/custo gasto na procura de documentos, ou até aos benefícios da rápida divulgação de normas, instruções ou estratégias de negócio na organização. Isto na grande maioria das vezes


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traduz-se na diferenciação relativamente à concorrência menos rápida na adesão a novas tecnologias e processos. Tempos de resposta curtos a um potencial cliente ou parceiro de negócio, com base na rapidez e maior quantidade de informação conseguida em menos tempo, conseguido com bases de dados e acesso rápido a um conjunto de informação específica, consultável através de um computador, por exemplo, podem significar o sucesso num potencial negócio ou um ganho significativo de confiança depositada. Temos o exemplo sobejamente conhecido, que contém informação pública, o motor de pesquisa do Google que todos já utilizamos. No que toca a informação sensível e privada, que pode diferenciar cada organização da(s) sua(s) concorrente(s), o seu conhecimento ou rápido acesso não pode depender do papel armazenado em estantes, muitas vezes disperso e desorganizado. Os tempos estão difíceis e os ganhadores são sempre os que melhores ferramentas e estratégias utilizam. Por outro lado, os espaços físicos têm um custo por m2 que não se compadece com a utilização de salas para arquivo e, nesse sentido, há que conseguir fazer a demonstração de que a entrega da documentação a empresas da especialidade se traduz numa grande economia financeira, sem com isso comprometer o acesso à documentação física, em prazos temporais baixos e adequados a cada necessidade. O acesso à informação sensível da organização, com o seu armazenamento digital, ganha também a possibilidade de passar a possuir regras de acesso por parte dos trabalhadores, função mais difícil de implementar em arquivos físicos. A informação organizada digitalmente, permite a sua duplicação com grande facilidade em locais distintos, tarefa normalmente apelidada de backup. Esta tarefa torna-se impraticável se pensarmos em arquivos físicos que, em caso de furto, catástrofe ou outro qualquer imprevisto, pode custar muito dinheiro. Os tempos de concretização de todo o processo também pode, muitas vezes, imaginar-se ser um obstáculo mas é, sem dúvida, um erro provocado por algum desconhecimento. Um scanner, para digitalizar grandes quantidades de documentos, digitaliza mais de 20 mil por dia. Significa que, por dia, com um só scanner, se conseguem converter cerca de 60 dossiers para um formato digital, atribuindo a cada imagem os atributos necessários à sua classificação para posterior tratamento ou pesquisa. Por onde passa o futuro da gestão e guarda documental? Cada vez mais vai ser digital. Assistiremos à modernização do setor da administração pública que, cada vez mais, está sensibilizado para o efeito. Creio que o próximo quadro de ajudas europeias poderá dar um impulso na digitalização de grandes volumes de informação que deveriam já estar há muito em formato digital. Terão quase, garantidamente, de recorrer ao outsourcing porque lhes falta o ‘saber fazer’, embora podendo nalguns casos, ter recursos humanos para o fazer. Mesmo o setor privado terá aqui uma oportunidade de se modernizar no mesmo quadro de ajudas, assim o aproveite. Outro desafio que se avizinha é o reconhecimento probatório das cópias dos documentos digitalizados que, sem dúvida, virá dar um impulso muito grande no setor. Penso que o papel nunca deixará de existir, todavia a sua circulação nas empresas e nas relações entre empresas, dará origem a uma redução substancial. Com a digitalização e a captura automática dos seus dados a procura e localização torna-se quase imediata, poupando-se muito tempo e energia, por outras palavras, diminuem-se custos e aumenta-se a eficácia. E da Fernandes & Canhoto? É nosso entendimento que o futuro da Fernandes & Canhoto assentará, necessariamente, na continuidade do desempenho de qualidade que se foi conseguindo manter ao longo dos anos e, nessa perspetiva, garantimos que continuaremos a estar atentos ao mercado, que seremos sempre inovadores nas tecnologias a utilizar e, no fundo, que nos esforçaremos sempre para que possamos ter a capacidade e o objetivo firme de sermos os primeiros a ver o invisível.

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Consolidar o futuro preservando o passado Serralharia Américo Rocha Moreira

geral@sarm.pt Serralharia Américo Rocha Moreira, Lda. Rua do Emissor, 168 4400-436 VILA NOVA DE GAIA Tlf: +351 227 810 935 Fax: +351 227 819 284

A Serralharia Américo Rocha Moreira é uma empresa vocacionada para a serralharia civil, com uma vasta experiência no sector, tendo desenvolvido o seu mercado, no sentido de satisfazer os mais elevados padrões de qualidade dos seus clientes, apresentando-lhes soluções capazes e inovadoras. Em entrevista à Revista Business Portugal, Rosa Maria e José Valente, administradores da empresa, deram a conhecer a dinâmica e estrutura organizacional da Serralharia Américo Rocha Moreira, evocando um passado rico em história, experiência, profissionalismo e know-how.

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riada em 1979, a empresa nasce pela mão de Américo Rocha Moreira, um empresário e empreendedor carismático e dinâmico que pautou a sua atividade profissional por uma grande visão estratégica, a par de um grande sentido de responsabilidade e uma grande paixão. Fruto de uma vasta experiência, Américo Rocha Moreira conseguiu que esta empresa alcançasse uma posição assinalável, inicialmente vocacionada para as atividades siderúrgicas e, posteriormente para a construção civil na montagem de caixilharia de alumínio. Com a expansão da marca ‘Continente’, insígnia de hipermercados pertencente à Sonae Distribuição, Américo Rocha Moreira foi convidado para as obras de execução da primeira superfície comercial do grupo em Matosinhos. “Na altura, não tínhamos noção da dimensão que a

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marca e o grupo alcançariam no contexto do mercado nacional. Mas a verdade é que várias superfícies comerciais foram criadas um pouco por todo o país, não só hipermercados, mas também um conjunto de lojas com insígnias pertencentes ao grupo Sonae”, ressalva Rosa Maria, sublinhando que três décadas passaram e a empresa continua a laborar com aquele grupo empresarial, o que denota que a Serralharia Américo Rocha Moreira conseguiu satisfazer as suas exigências e os mais elevados padrões de qualidade. A ligação da Serralharia Américo Rocha Moreira às insígnias do grupo Sonae acabou por potenciar o crescimento e desenvolvimento da própria empresa. “O crescimento do grupo empresarial acabou por ser a âncora do crescimento da Américo Rocha Moreira, até porque a nossa empresa resumia-se a 15 funcionários e, hoje conta com 40 colaboradores”, adiantou.

Valorizando o passado, vivendo o presente e pensando no futuro, a Serralharia Américo Rocha Moreira adota uma filosofia vanguardista, estando sempre um passo à frente do seu tempo, tendo como linhas orientadoras a prossecução dos seus objetivos e a apresentação de soluções de qualidade. Seguindo tais valores, a empresa tem vindo a reestruturar-se ao longo dos anos, para desenvolver cada vez mais e melhor, soluções que vão ao encontro das necessidades do seu mercado, “que cada vez mais se caracteriza por uma procura baseada na rapidez de execução, de qualidade e de avanço tecnológico, fatores que fazem parte da nossa filosofia”, refere José Valente. Pese embora o sucesso alcançado e a visão otimista partilhada pelos dois administradores, ambos consideram que ter uma carteira de negócios com apenas um cliente poderá constituir um risco, por isso deram nota de que,


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rosa maria e josé valente Administradores

paulatinamente, a empresa está alargar o leque de clientes, tentando igualmente diversificar os sectores para os quais desenvolve soluções. A consolidação da empresa é umas das principais prioridades dos dois gestores, até porque gostariam de deixar um legado empresarial sólido ao seu herdeiro. “O meu filho, Marco Moreira, está a terminar a sua formação em Engenharia Mecânica, e se ele optar por vir trabalhar para a empresa, queremos deixar-lhe uma estrutura sólida, à qual ele possa dar continuidade”, refere Rosa Maria, sublinhando que para tal é imperativo

criar novas oportunidades e abrir a empresa a novos sectores e mercados. De acordo com Rosa Maria, os principais valores que lhe foram transmitidos pelo seu pai, fundador da empresa, e que sustentam o crescimento e desenvolvimento da Serralharia Américo Rocha Moreira são a honestidade e seriedade, valores que tem vindo a transmitir a Marco Moreira, e que no fundo também fazem parte da sua personalidade e forma de estar na vida. Segundo Rosa Maria e José Valente, numa altura em que a crise económica ainda é uma realidade, o sucesso

de uma empresa só pode ser alcançado através de uma gestão rigorosa e uma forte contenção de custos. Como forma de consagração desta visão e posição estratégica, a Serralharia Américo Rocha Moreira foi distinguida com o estatuto PME Líder, uma iniciativa que visa premiar as empresas que alcançaram melhor desempenho, gestão, solidez e autonomia financeiras. “Esta distinção reflete todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Serralharia Américo Rocha Moreira, ao longo destas três décadas e reforça a excelência da estratégia de negócio que temos vindo a consolidar”, sublinha José Valente, acrescentando ainda que acima de tudo, esta distinção constitui uma maior responsabilidade, não só em manter, mas também em tentar melhorar a cada dia. Os últimos anos da Serralharia Américo Rocha Moreira foram de um exercício assinalável pela coerência na prossecução dos objetivos, consistência da gestão e validade da estratégia definida para a empresa. Com estes pressupostos, a competitividade da empresa está assegurada, assumindo-se cada vez mais como uma empresa de referência. Como objetivos estratégicos, Rosa Maria e José Valente pretendem apostar na expansão internacional, na criação de valor sustentável e na obtenção dos mais altos níveis de qualidade, uma opção estratégica que tem ajudado a consolidar todos os processos e a estrutura organizacional, funcionando como catalisador para o crescimento da Serralharia Américo Rocha Moreira.

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O vidro em constante evolução polivitrium Fomos ao encontro de uma das empresas portuguesas que maior contributo tem dado para o tecido empresarial do país, sobretudo no que toca à inovação: a Polivitrium. Nascida em 2001, a empresa tem como missão “fazer parte dos projetos ligados à construção civil, seja de interior como de exterior”, sendo o seu principal foco a decoração de interiores, nomeadamente escritórios, hotéis e habitação. Este ano, já contam com seis hotéis e participaram no ‘Encontro com Jovens Empreendedores de Sintra’.

Rui sousa Administrador

A

empresa, sediada em Lisboa e que já é PME Líder há cinco anos consecutivos, conta atualmente com 40 colaboradores. O seu administrador, Rui Sousa, acrescenta que o foco da empresa é “tentar estar sempre junto dos nossos clientes, ajudá-los a inovar e colocar produtos novos que valorizam os projetos”.

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O nosso interlocutor é dotado de uma experiência incomparável, o que se revela também um fator de destaque da Polivitrium. “Desde os 18 anos que trabalho nesta área, mas desde os 11 que o vidro me é comum, pois a minha família tinha uma empresa desta área”. O próprio assume que tem um background muito vasto quanto ao conhecimento do vidro e que este tem evoluído muito. No que concerne aos colaboradores da empresa, Rui Sousa não esconde que mantém uma relação sólida com os mesmos e a exigência que assume que lhes incute é uma das apostas que o caracterizam, assim como à empresa, estando a grande maioria da equipa há “15 anos a trabalhar na empresa”. O galardão de PME Líder é um reconhecimento que o nosso interlocutor sente valorizar o seu trabalho e o da sua equipa. No entanto, Rui Sousa afirma que a inovação é o grande galardão da Polivitrium. O administrador da empresa refere ainda que está no seu ADN ajudar aqueles que não têm a oportunidade de serem reconhecidos pelo seu esforço em aprendizagem pelo que acredita ser “essencial que as empresas empreguem esses jovens para lhes transmitir o que não aprenderam na faculdade, que é a experiência. Já tive jovens arquitetos e engenheiros nos quadros da empresa, bem como visitas de estudo de estudantes de arquitetura”. Mostrando-se sempre disponível para partilhar o que sabe, durante dois anos Rui Sousa deu aulas de empreendedorismo ao 9º ano, a convite da

Junior Achievement. Para a empresa são também de valorizar convites para a participação em eventos como o ‘Encontro com Jovens Empreendedores’, que contou com a presença do Presidente da República. O que distingue a Polivitrium Rui Sousa acredita que os seus colaboradores são a grande mais valia da sua empresa e defende que o lucro deve ser, por isso, investido, revelando que “não houve um ano em que não se investisse em novidades. Eu digo isto muitas vezes: nós podemos ter as melhores instalações e máquinas do mundo mas se não tivermos pessoas que saibam trabalhar com as mesmas e tirar partido delas, nós não fazemos nada com a empresa. O maior valor que nós temos é, realmente, a massa humana que trabalha connosco e porque temos uma parte que nenhuma máquina substitua: a aplicação e a colocação em obra”. Rui Sousa aprofunda esta vantagem que a Polivitrium tem para oferecer de diferente aos seus clientes, que, regra geral, não são o consumidor final. Além dos recursos humanos altamente qualificados e em constante aprendizagem e formação, a empresa divide-se em três serviços diferenciadores no mercado português. São eles o fornecimento de vidro, onde compram o vidro e os seus clientes instalam; a colocação; o cliente nos pede o fornecimento e a instalação; e, finalmente, a têmpera do vidro.


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Além de distribuidores e instaladores em Portugal da marca alemã Dorma, que disponibiliza acessórios e automatismos de vanguarda, Rui Sousa explica à Revista Bussiness Portugal que “temos o equipamento que outras vidreiras não têm. Recorrem a nós, trazem os vidros deles que já transformaram e nós temperamos o vidro”. Depois de partilhar que o serviço mais solicitado é o de colação/instalação, o nosso interlocutor explica ainda que “quando chega a parte da colação em obra é a qualificação dos recursos humanos que tenho a trabalhar comigo desde o primeiro dia que fazem a diferença”. Obras e projetos Mas que melhor forma de explicitar o trabalho e a qualidade dos projetos com o selo Polivitrium do que referenciar alguns dos seus trabalhos de maior destaque? Além dos hotéis, como o Myriad by SANA, com quem mantêm uma relação muito próxima, no Parque das Nações, também o BBC e o Piazza que agora pertencem ao grupo supra referido, o Sana Falésia no Algarve, o Júpiter da Avenida da República, em Lisboa, o Banco Central de Moçambique, são outros dos projetos. Um dos serviços prestados pela empresa passa pela colocação de vidros inovadores, como o caso

de um comercializado pela Polivitrium: com o fim de ter privacidade entre divisões, mas ao mesmo tempo contribuir para um espaço moderno e polivalente, de certa forma até ‘futurista’, Rui Sousa e a sua equipa fazem a instalação de paredes em vidro, nas dimensões pretendidas pelo cliente, com uma particularidade única. “Este vidro tem uma película que não chega a ter um milímetro de espessura, que tem como um LCD, no meio de dois vidros em colados em chapa. Quando se ‘faz on’ - liga - esse lcd fica transparente, fosco ou com alguma imagem, o que permite privacidade”. Esta inovação serve ainda, por exemplo, para dinamizar uma sala de estar, adquirindo o registo de animação. Responsabilidade social e ambiental Além da responsabilidade social que demonstram com os jovens talentos, a Polivitrium também assume notoriamente uma responsabilidade ambiental, uma vez que todos os resíduos de vidro são reciclados e reutilizados, pelo que não há qualquer tipo de desperdício. “A água gasta nos processos de trabalho, também é enviada para a ETAR, tratada e volta para nós”, finaliza Rui Sousa.

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A afirmação de uma profissão em mudança Dulce Cordeiro – Agente de Execução Em entrevista à Revista Business Portugal, Dulce Cordeiro falou do seu percurso, da filosofia adotada em termos profissionais, dos desafios que os agentes de execução enfrentam, bem como das perspetivas para o futuro da profissão. execução, confessando que, neste âmbito se depara com um conjunto de dificuldades, designadamente, a falta de placas toponímicas e números de portas, que dificultam o desempenho das suas obrigações, bem como a falta de colaboração dos vizinhos para fornecer informações.

Dulce cordeiro Agente de Execução

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olicitadora há cerca de 25 anos, Dulce Cordeiro explica que o interesse pela profissão surge ainda muito jovem, quando começou a tratar de questões burocráticas e administrativas no escritório de advocacia do seu pai. Após a conclusão dos estudos, surgiu a oportunidade de frequentar o curso de solicitadoria e não hesitou. Desde então, o exercício das suas funções sempre foi pautado por um grande sentido de responsabilidade, profissionalismo, eficiência e competência. Em 2003, com a entrada em vigor da reforma da ação executiva, foi criada a figura do solicitador de execução, responsável por efetuar todos os atos do processo de execução. Perante este cenário, Dulce Cordeiro decidiu tornar-se também solicitadora de execução, fazendo parte da primeira vaga de agentes de execução. Como agente de execução, ainda hoje, embora não com a frequência de outros tempos, Dulce Cordeiro é questionada acerca do seu papel e funções, no entanto

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a ideia que passa não é bem entendida pela população. “O agente de execução atua no sentido de ajudar o exequente a conseguir cobrar a sua dívida, olhando para o executado sempre com respeito e transmitindo todas as informações necessárias pra proceder ao pagamento da dívida”. Contudo, a ideia de que o agente de execução é o ‘mau da fita’ acaba por prevalecer, porque o seu papel nem sempre é agradável. Muitas vezes “chegamos a casa do executado, dizemos que têm que cumprir um pagamento e se não o efetuarem, procedemos à remoção dos bens, se estiverem reunidas as condições legais para tal”, revela, acrescentando que um agente de execução tem que saber gerir muito bem as suas emoções. Na verdade, “não efetuamos apenas cobranças, ou seja, desempenhamos outras funções, nomeadamente nas citações em processo declarativo ou nas notificações avulsas, em que o seu papel é pouco mais que entregar uma carta que veio devolvida”, esclarece a agente de

Dulce Cordeiro adota sempre uma postura profissional, porque tem uma ordem a cumprir, explicando ao executado os mecanismos de defesa que tem ao seu dispor, não obstante, a pressão psicológica exercida pelo exequente e a chantagem emocional, muitas vezes exercida pelo executado. A agente de execução já passou por diversas situações no seu percurso profissional, chegando ao limite de ter sido agredida, no entanto, “quando estou perante uma ação executiva, tenho que cumprir as minhas funções, seguindo as orientações do tribunal”, consubstancia. Quanto ao futuro da profissão, Dulce Cordeiro considera que, no âmbito das execuções, há muita coisa para alterar, nomeadamente a questão da distribuição de processos e a entrada em vigor dos leilões eletrónicos, que serão operacionalizados através de uma plataforma informática gerida pela Câmara dos Solicitadores. No que concerne à publicação, em Diário da República, da Lei n.º 154/2015 de 14 de setembro, que transforma a Câmara dos Solicitadores em Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução, e aprova o respetivo estatuto, Dulce Cordeiro defende que em todos os processos de mudança tem que existir uma adaptação gradual, até porque a profissão evoluiu, entendendo que o essencial é a valorização da classe.


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Primar pela diferença, rapidez e eficiência Pedro Gonçalves – Agente de Execução Com escritório na cidade de Coimbra, Pedro Gonçalves assume as suas funções de agente de execução com grande sentido de responsabilidade, primando pela diferença na sua atuação, bem como pela competência e celeridade nas suas diligências.

pedro gonçalves Agente de Execução

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m entrevista à Revista Business Portugal, Pedro Gonçalves confessa que costuma dizer que caiu nesta área um pouco de pára-quedas, até porque a sua formação sempre esteve ligada à área da economia e gestão. Não obstante, no ensino superior, acabou por escolher uma licenciatura em solicitadoria, não tanto pela solicitadoria generalista, mas sim pela solicitadoria de execução, uma área que o cativou bastante. Deu seguimento ao seu percurso académico em solicitadoria, mas a sua intenção sempre foi enveredar pela solicitadoria de execução, o que acabou por acontecer através do seu estágio, até que em 2014, decidiu abrir o seu próprio escritório. Quando questionado acerca do agente de execução ser muitas vezes encarado como o ‘mau da fita’, Pedro Gonçalves costuma dizer que não é o problema, mas sim um profissional que pretende resolver um problema. “Tanto para o exequente como para o executado, acabamos por ser os ‘maus da fita’” refere, salientando que tenta primar pela celeridade para satisfazer as demandas do exequente, mas de forma a não prejudicar o executado, e agindo sempre de acordo com a letra da lei. “Quem, como eu, está a começar nesta profissão, tem de primar pela diferença,

competência e prontidão na resposta, até porque quando existem bens penhoráveis, essas diligências têm que ser feitas rapidamente, sob pena de desvalorização dos próprios bens”, refere, adiantando que, independentemente das situações e das razões que as pessoas têm para não cumprirem as suas obrigações, não julga ninguém, apenas tenta transmitir a ideia de que pretende resolver um problema e cumprir uma diligência. Segundo Pedro Gonçalves, um bom agente de execução deve ter bons conhecimentos jurídicos e primar para ser diligente, rápido e eficaz para cumprir as suas funções, e são estes os valores que tenta seguir no seu percurso. Esta área profissional acabou por se tornar uma paixão, por isso está sempre atento ao GPESE/SISAAE, “a aplicação informática, onde fazemos todas as pesquisas e comunicações com o tribunal, onde recebemos notificações e realizamos as notificações de penhora, assim como as penhoras bancárias, que hoje em dia são realizadas eletrónicamente, de forma a responder rapidamente a todas as situações”, explica. PEPEX O PEPEX é um Procedimento Extrajudicial Pré-Executivo, que pode ser definido, em poucas palavras, como uma ferramenta que permite ao credor avaliar, de forma rápida, qual a real possibilidade de recuperação do seu crédito ou de certificar a sua incobrabilidade. Apesar de efetuar o PEPEX, Pedro Gonçalves diz-se a favor do processo executivo, porque faculta ao exequente, enquanto houver pesquisa e bens, a opção de penhorar, enquanto que com o PEPEX existe a possibilidade de dissipação dos bens, enquanto decorre o processo que, neste caso, não tem opção de penhorar. Atribuição de processos Em entrevista, Pedro Gonçalves revela que nunca recebeu nenhum processo pela distribuição eletrónica, os processos que recebe são por nomeação de advogados que vão conhecendo o seu trabalho e gostam da sua forma de atuar. “Acho legítimo que o exequente e o advogado possam escolher com quem querem trabalhar, porque isso também nos obriga, enquanto profissionais liberais a dar o melhor de nós e marcar a diferença”, esclarece o agente de execução, sublinhando que se sente a crescer profissionalmente e espera prosseguir o seu percurso com sucesso.

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Sabores e aromas de distinção Vinilourenço Jorge Lourenço é o rosto de uma história de capacidade empreendedora e, ao mesmo tempo, de tradição. A Vinilourenço começa pela mão do seu pai, um retornado de Angola que, aos poucos e poucos foi, adquirindo as terras que hoje recebem as vinhas que trazem à nossa mesa sabores e aromas de distinção. Conheça um pouco melhor este projeto que tem a sua ‘casa’ em Mêda, no distrito da Guarda. prestigiada do mundo. “Os prémios são o melhor reconhecimento daquilo que fazemos, pois o que fazemos, para nós, é sempre muito bom, e ouvi-lo de outras pessoas deixanos orgulhosos e com vontade de continuar a fazer mais e melhor”, refere o produtor. “O mercado obriga-nos a ter produtos de qualidade, pelo que a nossa aposta passa também por aí, ao invés da quantidade”. A exportação já é uma realidade, representando 30 por cento do volume de vendas da Vinilourenço. O objetivo é equilibrar as vendas internacionais com as nacionais, “ou até mesmo inverter, tornando a exportação superior relativamente ao mercado nacional”. O produtor

jorge lourenço Produtor

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odemos dizer, sem falsas modéstias, que esta é uma história de luta e de um profundo amor à terra. O pai de Jorge Lourenço, retornado de Angola, regressou a Portugal “aquando da maior parte dos retornados” e começou por se dedicar à construção civil. No entanto, o seu amor pela terra e pela agricultura levaram-no a “amealhar algum dinheiro, e adquirir alguns terrenos e a investir na agricultura”, conta-nos. Chegados a 2002, a família tinha já 25 hectares e Jorge Lourenço sentiu ser chegada a hora de apostar na produção própria, “fazermos novos vinhos, com marcas próprias e apresentar ao consumidor novas propostas e produtos inovadores”, diz Jorge Lourenço. E assim começa uma história de sucesso, que passou já as fronteiras nacionais e foi galardoado com prémios e distinções internacionais. Atualmente, a Vinilourenço conta com 45 hectares de vinha e produzem os únicos ‘D.Graça’, ‘Fraga da Galhofa’ e ‘Poço do Canto’. As vinhas As vinhas, espalhadas por 45 hectares, com idades entre um e 35 anos, estão repartidas por diversas parcelas, sendo que a maior cota está entre os 500 e os 650 metros de altitude, na zona de Mêda, e algumas, com uma altitude inferior 200 metros, no Pocinho. As principais castas que aqui podemos encontrar são a Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina. Há ainda Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Sousão e Tinta Barroca. A viticultura, por aqui, é sustentável e, para além das tradicionais castas do Douro, existem ainda várias parcelas de castas antigas, de modo a preservar e recuperar sabores do passado. A adega é moderna e a produção de vinho minimalista, para respeitar e oferecer identidades aos vinhos produzidos. Reconhecimento da marca Passados mais de 10 anos deste projeto, a Vinilourenço vê os seus vinhos já reconhecidos pela crítica, incluindo a ‘Wine Spectator’, a revista de vinhos mais

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Jorge Lourenço decidiu, aos 18 anos, dinamizar os 25 hectares de vinha da família, iniciando este projeto de vinificação da produção própria e de modernização do cultivo da vinha, de modo a melhorar as uvas produzidas. E foi assim, juntamente com um curso de empresário agrícola, que nasceu este jovem empresário, que construiu o seu futuro tendo com base o seu passado. O seu destino é o sucesso, tanto pelo seu espírito empreendedor, como pela sua capacidade de trabalho, perseverança e empreendedorismo.


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e acordo com Max Weber, um dos fundadores da sociologia, a ação social é aquela que é orientada ao outro. Nesta edição levamos o leitor a saber mais sobre instituições que se dedicam ao apoio social, como o mutualismo, as unidades de cuidados intensivos e santas casas da misericórdia. As associações mutualistas são instituições particulares de solidariedade social com um número ilimitado de associados que através da quotização dos seus associados praticam fins de auxílio, designadamente: concessão de benefícios de segurança social e de saúde, destinados a reparar as consequências da verificação de factos contingentes relativos à vida e à saúde, normalmente, dos mais carenciados. O mutualismo prevê outros fins de proteção social e de promoção da qualidade de vida, através da organização e gestão de equipamentos e serviços de apoio social, de outras obras sociais e de atividades, que visam especialmente o desenvolvimento moral, intelectual, cultural e físico dos associados e suas famílias. As unidades de cuidados intensivos, por sua vez, assentam num contínuo de ações e procedimentos (humanos e instrumentais) de monitorização, avaliação, diagnóstico e tratamento, assegurados, em função das necessidades do doente, 24 horas por dia. A natureza dos doentes admitidos, a capacidade de recuperação das funções vitais, a disponibilidade e a capacidade para acorrer às necessidades decorre da missão atribuída a cada Serviço/Unidade de Cuidados Intensivos. Atualmente, existem em Portugal 398 Misericórdias ativas e outras 80 inativas de que há memória ou vestígios patrimoniais. A importância da reflexão sobre o seu papel é fundamental, para perceber os apoios sociais que dão aos mais carenciados e como se organizam. A nossa equipa foi, nesta edição, conhecer as formas de trabalho e apoios que dão aos associados e aos doentes.

saúde e ação social

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Um serviço de excelência que marca a diferença clínica rio Com um corpo clínico profissional e experiente, a Clínica RIO assegura um serviço médico de excelência em diagnóstico e tratamentos. Com instalações modernas e tecnologias sofisticadas, garante a máxima eficiência e qualidade nos serviços prestados.

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Clínica RIO nasceu em outubro de 2008, fruto da vontade da médica dentista Noélia Dias exercer Medicina Dentária da forma que considerava ser incontornável ser exercida, ou seja, onde o humanismo e a proximidade com o paciente fossem a pedra toque. “O pilar da Medicina Dentária e de qualquer área da saúde deve centrar o cuidado, tecnologia e conhecimento a favor do paciente”, ressalva a diretora clínica, sublinhando “devemos ser prestadores de saúde – cuidadores”. A Medicina Dentária é a especialidade base da Clínica RIO, mas a oferta foi aumentando ao longo dos anos, porque fazia sentido uma equipa clínica multidisciplinar com a Medicina Geral e Familiar, Psicologia, Nutrição, Terapia da Fala e Enfermagem. Além destas seis especialidades, também as análises clínicas e o apoio ao domicílio fazem parte dos serviços que presta. “Ambos são fundamentais na nossa intenção de exercer saúde. As análises clínicas e os meios complementares são o elemento de maior valor a qualquer correto e preciso diagnóstico. O apoio ao domicílio solidifica o intuito de conseguir chegar a quem não consegue chegar até nós”, afirma a médica dentista. Para a prossecução da sua atividade, a Clínica Rio conta com um corpo clínico composto por 15 profissionais: seis médicos dentistas, com prática exclusiva na sua área de especialidade, uma médica de Medicina Geral, duas psicólogas, uma nutricionista, uma terapeuta da fala, uma enfermeira e três assistentes dentárias.

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A Clínica RIO pauta a sua atuação pelo exercício da Medicina Dentária especializada que inclui as áreas da Medicina Dentária Geral, Ortodontia, Endodontia, Odontopediatria, Cirurgia e Implantologia, Estética e Prótese e Higiene Oral. Para além da área clínica, esta unidade de saúde, disponibiliza um original conceito: Consultoria em Ortodontia. No fundo a transmissão do conhecimento e da experiência da médica dentista Noélia Dias, que exerce Ortodontia, há 14 anos, em exclusividade e movida por uma grande paixão. “Já fiz diversas formações, entre elas, um Mestrado na Universidade Autónoma de Barcelona e, ao longo dos anos, fui sempre auxiliando colegas e recém-licenciados a obter o melhor diagnóstico e plano de tratamento”, refere a médica dentista, ressalvando que “por isso a Consultoria em Ortodontia surgiu como prestação de serviço de uma forma muito natural e destinandose a todos os colegas, que ao iniciarem o mundo da Ortodontia, necessitem de uma orientação clínica de confiança”. A inovação marca o ritmo da civilização atual, por isso a última novidade da Clínica RIO foi a Medicina Dentária ao domicílio, um projeto que surgiu da dificuldade que os pacientes mais idosos ou com limitações físicas tinham para se deslocar à clínica. “Essa necessidade levou-me a pesquisar e encontrei um equipamento funcionalmente semelhante ao da clínica, mas compactado numa mala de viagem. São poucos os médicos que apostam neste serviço, mas esta é a verdadeira essência da prestação

noélia dias Diretora Clínica

de cuidados de saúde”, refere, lamentando que os seguros não enquadrem esta modalidade de consultas ao domicílio. Em termos de futuro, a médica dentista Noélia Dias pretende continuar a prestar cuidados de saúde ao utente, de forma próxima, quase familiar, bem como potenciar os conhecimentos e inovar em tecnologia. Exemplo disso é o “RX 3D que adquirimos há dois anos, que muita precisão deu à nossa prática clínica diária”, conta, ressalvando: “são os desafios que nos levam a aprender cada vez mais, a superarmo-nos, e quem me conhece sabe que adoro um bom desafio profissional”.


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Em prol da humanização dos cuidados assap A Associação de Solidariedade Social do Alto Paiva (ASSAP) nasceu há 35 anos com a valência de creche e jardim de infância, uma vez que esta era uma carência da região. Passados 20 anos deu-se a inauguração do lar de idosos, onde estão ainda inseridos os cuidados ao domicílio e o apoio domiciliário. Mais recentemente, e após uma grande luta por parte da direção desta instituição, a Unidade de Cuidados Continuados é já uma realidade e contou, inclusivamente, com a presença do ministro da Saúde na sua inauguração oficial. Carlos Ferreira, presidente da ASSAP, revelou à Revista Business Portugal os principais desafios desta instituição.

alfredo afonso e Carlos ferreira Tesoureiro e Presidente

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om cerca de 180 utentes em todas as valências e 68 funcionários divididos pelas várias áreas profissionais, a Associação de

questões resultaram desta situação como, por exemplo, “todos os equipamentos perderem a sua garantia, uma vez que a lei portuguesa estabelece o período de dois

coordenador acrescenta ainda que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados está muito bem pensada e estruturada, “contudo, há certos pontos que

Solidariedade Social do Alto Paiva é uma referência no apoio, bem estar e cuidados de saúde, mas igualmente um importante motor para Vila Nova de Paiva, onde está sediada. A mais recente e mais importante aposta da instituição é, indubitavelmente, a Unidade de Cuidados Continuados. O plano para a criação da mesma começa a ser pensado em 2009 e abriu portas em 2014, “mas já passavam dois anos da sua conclusão quando a Unidade começou, finalmente, a funcionar. Estivemos 24 meses com tudo o que era necessário, desde funcionários a equipamentos e não nos foi permitido abrir as portas, uma vez que nos faltavam as licenças”, revela Carlos Ferreira. Além dos custos inerentes a manutenção e salários, “gastos relativos a um serviço que não está a gerar lucros, pois estava fechado, pelo que só dava prejuízo”, outras

anos como período de garantia, período esse em que tivemos as máquinas sem funcionar”, explica. Foi em 2014 que, finalmente, a UCCI da Associação de Solidariedade Social do Alto Paiva abriu as portas à sua comunidade, tendo a sua inauguração oficial acontecido em agosto de 2015, cerimónia que contou com a presença do ministro da Saúde. O enfermeiro coordenador da mesma é António Gomes, que faz questão de frisar que estas unidades têm como propósito essencial a “humanização dos cuidados”. Questionado sobre a forma como se alcança tal objetivo, António Gomes refere que passa pela dedicação da equipa, assim como pela forma como os serviços são prestados aos seus utentes. “Além de cuidadores, não raras vezes somos uma extensão das suas famílias e é necessário cuidá-los e tratá-los como tal”. O enfermeiro

ainda não foram devidamente colocados em prática, o que não torna a Rede tão eficiente como deveria e está pensada para ser”. A Unidade de Cuidados Continuados da ASSAP conta com 20 camas e está classificada como Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração e Manutenção. Estas unidades têm por finalidade proporcionar cuidados que previnam e retardem o agravamento da situação de dependência, favorecendo o conforto e a qualidade de vida, por um período de internamento superior a 90 dias consecutivos. Para tal, a Unidade de Cuidados Continuados da Associação de Solidariedade Social do Alto Paiva conta com uma equipa multifacetada de jovens profissionais, nomeadamente um médico, enfermeiro, técnico de serviço social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, psicólogo clínico,

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nutricionista, auxiliares de ação médica e, finalmente, animador sócio-cultural. Alfredo Afonso, tesoureiro da instituição refere que esta equipa estende-se, sempre que necessário, às restantes valências da instituição. “Se for necessário um médico ou um enfermeiro no lar de idosos, por exemplo, a equipa da UCCI dirige-se até lá e vice-versa, uma vez que esta valência conta com os seus próprios profissionais”. Nesta unidade são assegurados vários serviços em prol dos utentes, como atividades de manutenção e estimulação, cuidados de enfermagem e médicos diários, prescrição e administração de fármacos, apoio psicossocial, controlo fisiátrico periódico, cuidados de fisioterapia, de terapia ocupacional e de terapia da fala, animação sócio-cultural, higiene, conforto e alimentação e apoio no desempenho das suas atividades diárias. A Unidade de Cuidados Continuados de ASSAP conta com umas instalações de excelência, totalmente funcionais com equipamentos de topo. Localizada numa zona bastante calma, a Unidade prima igualmente pela paisagem verde e ambiente calmo que proporcionam aos seus utentes. “Aqui todos podem respirar ar puro, passear numa zona verdejante, o que acreditamos ser igualmente importante e positivo para a recuperação dos nossos utentes”, refere o presidente, Carlos Ferreira. Além disso, os utentes contam ainda com uma horta terapêutica, na qual são responsáveis pela produção de alguns produtos hortícolas que depois são consumidos por si durante a sua permanência na Unidade. António Gomes refere que este projeto mereceu a visita do ministro da Saúde, Paulo Macedo, que teceu vários elogios a esta iniciativa, “pelo seu lado terapêutico mas também por fazer os utentes sentirem-se úteis e capazes, apesar das limitações que os trouxeram até à UCCI”. De referir que a duração do internamento nesta unidade pode ir até aos 180 dias e existe a possibilidade de prestação de serviço de descanso do cuidador. Este serviço permite que as pessoas que têm a seu cargo alguém que necessita de cuidados, possa deixar esta tarefa pelo período de 90 dias por ano, período esse que pode ser utilizado de uma só vez ou repartido durante o ano. “Pessoas que cumpram este requisito podem ser admitidas na rede e, por isso, usufruir dos nossos serviços”, explica. As outras valências A Associação de Solidariedade Social do Alto Paiva nasceu como humanitária a 3 de dezembro de 1980. Sob o propósito da solidariedade social, a instituição construiu um infantário onde desenvolveu as valências de creche e jardim de infância, a partir de 1984. Em 2003, o edifício sofreu algumas obras de restauro e ampliação, passando a ter capacidade para 66 crianças

em creche. “A nossa creche nasceu pela necessidade de respostas aos pais de crianças a necessitar de apoio. Nesta medida, prestamos um serviço de excelência com instalações modernas e muito bem equipadas, profissionais de excelência, jardins exteriores e uma ótima localização”, refere Alfredo Afonso. O lar de idosos surge em 1996, iniciando-se nesse mesmo ano as respostas sociais dirigidas aos idosos. O lar oferece toda a qualidade necessária ao seu bem-estar, contando com a proximidade da Unidade de Cuidados Continuados. Conta com uma equipa multidisciplinar que presta igualmente apoio na valência de centro de dia. Aqui, é contemplado um conjunto de serviços que contribuem para a manutenção da população mais idosa no seu meio familiar, contribuindo, assim, para a melhoria da sua qualidade de vida. Finalmente, a valência de apoio domiciliário completa o rol de serviços disponibilizados pela ASSAP à população, valência na qual são prestados cuidados e serviços personalizados de assistência domiciliária, oferecendo, tanto a quem usufrui dos serviços como ao seu cuidador, uma melhor qualidade de vida não tendo de deixar o conforto do seu lar, os seus hábitos e costumes e, mais importante, a proximidade dos seus familiares.

Horta terapêutica criada pelos utentes

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Abraçar o futuro, sem esquecer o passado santa casa da misericórdia de sernancelhe Ao longo de mais de 50 anos, a Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe tem estado em todas as frentes de apoio à população do concelho, sempre pautando as suas intervenções pela melhoria e bem-estar das populações mais carenciadas. do que funcionário administrativo”, mas sente-se no seu discurso que é um apaixonado por este projeto e que este já faz parte de si. Além da valência do hospital, a Santa Casa da Misericórdia iniciou igualmente com creche e jardim de infância. Ambas as valências continuam a funcionar e prestam atualmente apoio a 53 crianças. Por sua vez, a Estrutura Residencial para pessoas idosas, sob o propósito da dignidade da pessoa humana, proporcionando um prolongamento de vida em família, acolhe 52 utentes. Disponibilizando também o serviço de apoio domiciliário a 35 utentes, a Misericórdia garante cuidados de higiene pessoal e habitacional, alimentação, serviço de lavandaria e acompanhamento a consultas. Além destes, merece também referência e destaque a ação e serviços desta casa na luta contra a pobreza e exclusão social, com o fornecimento de refeições na sua cantina social, que auxilia já 34 pessoas.

mário pinto Provedor

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história da Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe acompanha a história do próprio concelho. Após a extinção de todas as ordens religiosas existentes no país, em 1834, é na década de 50 que Hermínio de Azevedo e Natália de Azevedo visitam Sernancelhe e, perante a miséria e pobreza que ali evidenciaram, decidiram construir um hospital na vila. Na altura, o casal disponibilizou mil e cem escudos para que o hospital se tornasse uma realidade e foi em março de 1954 que a comissão nomeada para instalar a Santa Casa da Misericórdia passa a ser responsável pela gestão do hospital. Este inaugura em setembro de 1960 e todo o concelho esteve presente na mesma, “houve inclusivamente uma parada de carros alegóricos, e todas as freguesias trouxeram lenha e outros bens para que o hospital pudesse começar a funcionar em pleno. Só aqui se vê a importância que esta obra tinha para os sernancelhences”, diz Mário Pinto. Mário Pinto, atual provedor, está nesta casa desde 1960, juntamente com o presidente da Assembleia Geral, Reverendo Monsenhor Cândido de Azevedo. Brinca, afirmando que tem “mais tempo de Misericórdia

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A nova Unidade de Cuidados Continuados No passado dia 12 de agosto inaugurou a tão desejada Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração e Manutenção, “com a qual se recupera, em boa parte, a primeira razão de existência desta obra social, a prestação de cuidados de saúde, com o então hospital da Misericórdia de Sernancelhe, obra de incontornável importância que serviu as pessoas do concelho e da região”, refere o provedor. “A nossa Misericórdia soube, ao longo do tempo, interpretar as necessidades da comunidade, bem como vencer os desafios que as mudanças sociais, económicas e políticas lhe coloca, procurando atingir o seu objetivo primeiro e último: servir as pessoas que mais precisam e que dela esperam respostas concretas”, diz o nosso interlocutor. A unidade tem capacidade para 30 camas, da qual também faz parte um ginásio de fisioterapia e sala de eletroterapia, ou seja, “o equipamento fundamental para a concretização de uma política pública de saúde que procura as soluções dentro das comunidades, numa política de proximidade”. No que concerne a esta equipa, Mário Pinto faz questão de ressalvar que a mesma prima por ser um grupo dinâmico, jovem, estável e coeso, que desenvolve o seu trabalho com notável profissionalismo e dedicação aos doentes e utentes, tratando-os com grande compaixão e carinho. A inauguração da Unidade contou com a presença de Paulo Macedo, ministro da Saúde, entre outras personalidades.


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139 anos de história solidária previdência familiar do Porto - associação de socorros mútuos É no número 75 da Rua Coelho Neto, na cidade do Porto, que a Instituição Particular de Solidariedade Social (I.P.S.S.) está sediada. Fundada em 1876, presta atualmente serviços de apoio social, saúde, educação e formação, promovendo a qualidade de vida e bemestar dos associados. Para conhecer melhor o trabalho da instituição, estivémos à conversa com Sérgio Meira, Presidente do Conselho de Administração e Carla Magalhães, Diretora Técnica/Assistente Social da Instituição.

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ssente nos pilares base do Mutualismo - Solidariedade, Democraticidade, Independência e Liberdade, a Previdência Familiar do Porto tem cerca de 50 mil associados, que podem beneficiar dos seguintes serviços: Caixa Económica Social; Serviço Social; Serviço de Apoio Domiciliário; Clínica Social; Aconselhamento Jurídico; Serviço Médico ao Domicílio; Subsídio de Funeral; e, por último, Centro de Convívio. “A instituição tornou-se numa das maiores do país, em número de associados. Formámos juntamente com mais oito associações do Porto, a Liga das Associações de Socorro Mútuo do Porto”, refere Sérgio Meira. Entre 2008 e 2011, a instituição foi alvo de uma grande mudança devido às obras de reconstrução do novo edifício, que permitiram o alargamento das valências, sobretudo nas áreas da ação social e da saúde. No que diz respeito à Caixa Económica Social, esta instituição anexa à Previdência Familiar do Porto, surgiu há 109 anos como “uma forma de apoio económico aos Associados, na medida em que se realizam empréstimos sobre o penhor de metais e pedras preciosas e a captação de depósitos à ordem e a prazo. Esta atividade representa uma mais-valia para os nossos associados que, em caso de necessidade de dinheiro urgente, recorrem a este serviço”, explica o interlocutor. No entanto, devido à publicação do Decreto-Lei nº 190 de 10 de Setembro de 2015, que obriga a uma separação dos órgãos de gestão das duas entidades – Associação Mutualista/Caixa Económica Social - a Instituição está a ponderar quais as medidas a levar a cabo, para minimizar os efeitos negativos desta alteração, junto dos nossos associados, como por exemplo, manter o alvará do banco central, mas só com a atividade prestamista. Quanto ao Serviço de Apoio Domiciliário e à Clínica Social, a instituição procurou junto das entidades competentes estabelecer os protocolos/ acordos necessários para viabilizar estas atividades. Tanto a Segurança Social, como a Administração Regional de Saúde emitiram, inicialmente, pareceres favoráveis para a Previdência Familiar do Porto poder prestar Serviço de Apoio Domiciliário e Serviços Clínicos. Foram previamente “auscultadas a junta de freguesia da área e outras entidades ligadas aos serviços de saúde e aos serviços sociais. Todos apontavam no sentido de que era necessária esta obra e decidimos avançar”, explica o representante da entidade. Todavia, em 2011, quando terminaram as obras de reconstrução e a Previdência Familiar do Porto estava em condições para iniciar, em pleno, a prestação dos novos serviços, “a tutela não realizou o protocolo para a prescrição dos meios complementares de diagnóstico e por isso, estamos limitados”, lamenta o presidente, Sérgio Meira. No que toca ao Serviço de Apoio Domiciliário, “a situação é semelhante, tínhamos previsto a prestação a curto prazo deste serviço, equipámos uma cozinha e uma lavandaria industriais com material de qualidade para a confeção de 60 refeições diárias e tratamento de roupa de 60 utentes; contratámos uma equipa inicial de quatro profissionais de geriatria, entre outras iniciativas. O que acontece é que temos os equipamentos parados porque o acordo de cooperação não se concretizou e não renovamos os contratos de trabalho com dois desses profissionais devido à falta de verbas na Segurança Social”, explica Carla Magalhães. Apesar das limitações, a instituição continua a prestar serviços médicos, recorrendo a uma equipa especializada de profissionais. Prestam consultas de várias especialidades, nomeadamente, de

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Pediatria, Dermatologia, Otorrinolaringologia, Clínica Geral, Medicina Dentária, entre outras. Carla Magalhães refere ainda que “de qualquer forma, o Serviço de Apoio Domiciliário está a funcionar, ainda que limitado, e todas as semanas o Gabinete de Serviço Social atende pessoas com necessidade deste serviço; a Junta de Freguesia, e outras entidades da comunidade, encaminham-nos situações carenciadas, mas nós não temos capacidade

de resposta e, assim, não podemos contribuir para a melhoria do bem-estar destas pessoas, porque não temos o acordo de cooperação com a Segurança Social”. A nova e mais recente valência, já com Acordo de Cooperação, é o Centro de Convívio, “onde o objetivo principal é manter os idosos ocupados, durante a tarde, com atividades sócio-recreativas, pedagógicas e lúdicas. Neste momento, o Centro de Convívio conta já com

24 utentes, mas tem capacidade para 30”, esclarece a assistente social. Futuramente, os grandes desafios que se colocam à Previdência Familiar do Porto são a obtenção dos protocolos/acordos de cooperação junto das respetivas tutelas, para os serviços de saúde e de ação social e ainda a clarificação das normas de atuação da Caixa Económica Social.

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Poder Local desempenha hoje, mais do que nunca, um papel de catalisador no processo de desenvolvimento local, em virtude da sua proximidade aos cidadãos e da sua capacidade de mobilização das forças vivas locais. As autarquias locais são pessoas coletivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução dos interesses próprios das respetivas populações. As atribuições e competências das autarquias locais, estando associadas à satisfação das necessidades das comunidades locais, inserem-se no âmbito do desenvolvimento sócio-económico, ao ordenamento do território, ao abastecimento público, ao saneamento básico, à saúde, à educação, à cultura, ao ambiente e ao desporto. Hoje, a gestão das autarquias locais está orientada para a competitividade e sustentabilidade económica e caracteriza-se por um conjunto de apostas, designadamente na fixação e captação de população, competitividade económica e social, promoção do empreendedorismo local, captação de investimento e na preocupação com a igualdade de oportunidades para todos. É fundamental que o Poder Local seja cada vez mais um agente de desenvolvimento e que este papel seja reconhecido pelos outros níveis de poder. Por isso, nesta edição da Revista Business Portugal colocamos em destaque as dinâmicas das freguesias, projetando as suas estratégias, no sentido de catapultar as suas freguesias para um desenvolvimento sustentável.


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em constante desenvolvimento junta de freguesia de castelejo Paulo Infante cumpre este mês o seu segundo ano à frente do executivo da Junta de Freguesia de Castelejo. Esta freguesia do concelho do Fundão tem cerca de 29.52 km2 e, de acordo com os censos de 2011, alberga 656 habitantes. Em entrevista à Revista Business Portugal, o edil revela que encontrou a freguesia “num caos”, mas que, fruto de muita dedicação, está tudo praticamente resolvido.

paulo infante Presidente

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astelejo é uma das 31 freguesias do município do Fundão, correspondente a 4.22 por cento do território do concelho. Esta freguesia conta, também, com outras duas aldeias, sendo Enxabarda e Açor. Paulo Infante não esconde a surpresa que encontrou na Junta de Freguesia que lidera onde, entre outros imbróglios, encontrou uma falha de oito mil euros sem explicação. “Quando tomamos posse deparamo-nos com um caos no que concerne a dívidas. Falta de adjudicações, entre outras dívidas que vão surgindo. Ou seja, uma verdadeira confusão”, diz o nosso interlocutor. “Um dos maiores problemas com que nos deparamos foi a construção de um edifício sem uma adjudicação, sequer! De salientar, que o mesmo não se encontrava liquidado. Felizmente, já conseguimos resolver e legalizar o referido edifício, sito no Largo do Chão Grande”,

explica. A próxima etapa passa pela adaptação e alteração no edifício da Junta de Freguesia para um melhor acolhimento de pessoas com mobilidade reduzida. Para além do edifício da Junta, Castelejo tem também escola primária com jardim de infância, onde o presidente em primeira voz, refere: “Gostaria que os pais e encarregados de educação não centralizassem a educação dos seus filhos nas escolas urbanas em

acessibilidade. Proceder à construção de um recanto de lazer na Enxabarda. Refiro, portanto, que possuímos poucos recursos financeiros iremos construindo e melhorando a nossa freguesia segundo as nossas possibilidades. Contribuindo, também, para que os nossos concidadãos se sintam satisfeitos com o nosso empenho”, conclui.

discernimento das rurais. Pois, futuramente, poderemos, com as novas políticas aplicadas pelo Ministério da Educação, ver as escolas das nossas aldeias encerradas por falta de crianças, Assim, como pai e presidente apelo a todos os habitantes da freguesia para manterem e inscreverem os seus filhos na EB1 do Castelejo”. A freguesia conta, de igual modo, com dois centros de dia para os mais idosos e ainda um posto de saúde que funciona quatro vezes por semana, sendo que dois dias têm a presença de um enfermeiro e nos outros dois, médico. A nível cultural possui na sede de freguesia uma Casa Cultural e Recreativa. Em Enxabarda um Centro Cultural e no Açor uma Associação denominada Pastores do Açor. Na freguesia existem ainda três ranchos folclóricos e um Grupo de Bombos. Para o futuro, Paulo Infante afirma que o seu executivo está a elaborar um projeto para qualificar um terreno existente na aldeia. “Nesse terreno estamos a prever construir um parque de estacionamento e também criar um espaço para a prática de exercício físico para a população mais idosa, mas não descurando os mais jovens. Assim, como um espaço de lazer e merendas, de modo a dinamizar o centro da aldeia, dando mais vitalidade ao coração da mesma. É de nossa intenção proceder a uma requalificação das ruas da nossa freguesia, melhorando, assim, as infra estruturas de

Há quem afirme que Castelejo podia perfeitamente chamar-se a terra de grelos. A alcunha levou o Rancho Folclórico ‘Os Romeiros de Santa Luzia’ a organizar, há uns anos a esta parte, o Festival do Grelo. Esta é uma das iniciativas que esta associação promove para dinamizar a freguesia. Recebe gente de várias localidades. Durante dois dias, os grelos colhidos nos campos ao pé da ribeira são o prato principal de um festival que além de promover o grelo produzido no Castelejo, serve igualmente para animar as suas gentes. Paulo Infante refere que que “são confecionados cerca de 50 quilos de grelos, todos produzidos no Castelejo”.

Festival do Grelo

Aromas e Sabores da Maunça É em pleno coração da serra da Maúnça, no Açor, que desde 2000 se celebra a chegada da castanha, num evento que apela aos sentidos e à tradição, valorizando a gastronomia, as tradições e o artesanato locais. As festas de Santa Luzia Coincide com o feriado municipal do concelho do Fundão e é considerada a maior romaria da Cova da Beira. Em Castelejo as festas em honra de Santa Luzia acontecem em setembro e decorrem no Santuário que a Santa dá o seu nome. O mesmo, sofreu alguns melhoramentos, em termos paisagísticos.

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freguesia dinâmica freguesia de escalos de baixo e mata No concelho de Castelo Branco, encontramos a Freguesia de Escalos de Baixo e Mata com quem a Revista Business Portugal falou e percebeu os fatores que explicam que seja uma zona com muita atividade sinergética. e na vinda de muita gente de fora à nossa Freguesia, esclarece Romeu Fazenda. Quanto a projetos, planos estratégicos e obras, o presidente garante que “não é nosso objetivo fazermos obras só por fazer, mas sim fazer aquilo que a Freguesia e os seus habitantes realmente necessitam, sem entrar em gastos desnecessários e inúteis; a ideia é que o principal papel de uma junta de freguesia seja resolver os pequenos problemas de uma forma rápida, como um simples paralelo da rua, mas principalmente fazer um

Romeu fazenda Presidente

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ntes de mais, o presidente Romeu Fazenda é o próprio a explicar que uma vez que “estamos numa zona intermedia, enquadrados no meio dos territórios da Raia, do Geoparque e do Tejo internacional, embora a nossa área não faça parte, poderemos beneficiar com a proximidade”. Além dessa vantagem, a proximidade a Castelo Branco e a tudo aquilo que a cidade nos pode oferecer (Saúde, Cultura, Politécnico, Desporto) é também uma vantagem para que as pessoas gostem de morar na Freguesia. Relativamente a Instituições Sociais e Associativismo, também aí a Freguesia apresenta grande dinamismo: tem o Lar de S. Silvestre em Escalos de Baixo e o Centro de Dia Sta Margarida na Mata, instituições essas que contam com todo o apoio da Junta de Freguesia, bem como as associações de caça e pesca de Escalos de Baixo e da Mata. Nos Escalos de Baixo encontra-se ainda o grupo desportivo, também apoiado pela Junta de Freguesia, que desenvolve um elevado número de atividades no campo recreativo, desportivo e cultural, o que se reflete num grande envolvimento da população

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bom trabalho em prol da qualidade de vida dos que cá vivem e dos que nos visitam”. Na realidade, Romeu fazenda partilha que têm feito um pouco por preservar os pequenos monumentos e que ao contrário de aldeias históricas com um conjunto de casas tradicionais, não têm, por exemplo, os solares. “Então a estratégia passa por termos a aldeia limpa, cuidada, tratada, de forma a que as visitas que temos tido nos vejam bem”. Ao nível de Obras, depois de nestes dois primeiros anos se terem feito já algumas obras, como a requalificação da zona de lazer do Chafariz de Escalos de Baixo, a reparação do pavilhão multiusos de Escalos de Baixo, a requalificação do Largo de S. Pedro e do Largo do Centro de Dia na Mata, irão avançar novas obras, como sendo a Requalificação do Largo das Festas de Escalos de Baixo, a requalificação, com colocação de rede de águas pluviais e nova pavimentação, de algumas ruas em Escalos de Baixo e ainda a pavimentação e construção de infraestruturas de águas e saneamento de algumas ruas na Mata. No último ano foram feitas recuperações de fontes, igrejas e capelas, tanto em Escalos de Baixo como na Mata. “O grande desafio que se colocava no início a quem entrou nas uniões de freguesias, porque não se pode cair no erro de gerir isto só a pensar politicamente.

Passamos a ter que gerir duas aldeias, o dobro da área e dos problemas. E o executivo é só um, já não são dois. Eu acho que o membro de uma junta ou o presidente é mais por gosto.” Hoje, a Freguesia tem horário de atendimento das 9 às 17h30 todos os dias, e no mesmo espaço físico os serviços da junta e dos correios.

Festas A Páscoa, o Natal e o verão é quando mais se junta a família e os emigrantes na Freguesia, no entanto há romarias e tradições diferentes em cada zona, Escalos de Baixo e Mata. O presidente Romeu fazenda partilha que as romarias são muito queridas à população. A romaria de São Luís é no domingo a seguir à Páscoa, em Escalos de Baixo. A festa de verão, no segundo fim de semana de agosto, em honra do mártir de São Sebastião é que traz mais emigrantes e junta toda a povoação em comemorações. Na Mata, comemora-se na segunda-feira de Páscoa o São Pedro. No último fim de semana de julho tem também têm a festa de verão.


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