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REVISTA BUSINESS PORTUGAL EDITORIAL

FICHA TÉCNICA

Editorial

Diretor Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira

Portugal para lá da fronteira Por Diana Ferreira

REDAÇÃO Cátia Fernandes Márcia Cardoso Kathleen Araújo Sara Gomes Ana Lopes Fernanda Teixeira Luana Soares Marta Caeiro Rita Burmester Sílvia Dias Sílvia Martins (redacao@revistabusinessportugal.pt)

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues

Não é a primeira vez que lhe mostramos um Portugal além-fronteiras. Mas o exemplo é de tal modo enriquecedor, que nesta edição apresentamos-lhe, uma vez mais, este país à beira mar plantado crescer além dos seus limítrofes. São exemplo a recente Capital Europeia do Móvel, outrora apenas Capital Nacional do Móvel. Paços de Ferreira, na pele do seu Executivo e empresários, têm apostado na grande força e mais-valia da cidade, o imobiliário. Reconhecidos pela qualidade e inovação nas peças de imobiliária por si criadas, Paços de Ferreira decidiu ir mais longe, apostando na internacionalização desta marca. Hoje, Paços de Ferreira é o maior centro de negócios de mobiliário do país e da Galiza. Com uma área de exposição de cerca de um milhão de metros2, Paços de Ferreira é o motor do sector mobiliário em Portugal. Esta nova marca foi apresentada na Intercasa, em Lisboa. Só num dos pavilhões desta feira de mobiliário e decoração, as empresas de Paços de Ferreira representam, regra geral, mais de 50 por cento dos expositores, ressalvando, uma vez mais, a importância deste sector. Mas existem ainda outros temas de destaque que lhe trazemos nesta nossa nova edição. Por isso mesmo, não perca a oportunidade e comece, desde já, a folhear a sua Revista Business Portugal.

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt)

edição de outubro 16- município do montijo

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão José Machado Luís Silva Manuel Fernando Nuno Ferraria Paulo Padilha

06 - município de paços de ferreira

Pedro Paninho Sofia Silva

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistabusinessportugal.pt)

CONTACTOS

CAPITAL EUROPEIA DO MÓVEL

MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

FEIRA NACIONAL DO PORCO

INOVAR PARA CRESCER

10 - Moverna 12 - AM Classici 24- AliraçõesI 34 - Elanco

64 - Município de Alijó 71 - Município do Fundão

100 - Conteúdo Chave 104- Anselmo Mendes, enólogo

Tlf: 223 754 806 (Geral) Tlf: 224 109 098 (Redação)

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Impressão: Lidergraf Sustainable Printing Depósito Legal: 374969/14 Edição de outubro

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL PAÇOS DE FERREIRA, CAPITAL EUROPEIA DO MÓVEL

paços de ferreira, a capital europeia do móvel

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cidade de Paços de Ferreira é reconhecida como a Capital do Móvel. Um espaço onde se pode encontrar diversos móveis, com uma excelente relação qualidade/preço. A Capital do Móvel é considerada a maior feira de mobiliário e decoração do país. Todos os anos, os empreendedores que aqui marcam presença pretendem continuar a surpreender o público com a inovação e o design dos produtos do concelho. Quando visitamos a cidade, encontramos mobiliário com variadíssimas aplicações, nomeadamente pele de peixe, óculos com armações em madeira, uma mesa automatizada que ajuda a sua dimensão com recurso a uma aplicação para smartphones, representando algumas das inovações apresentadas nas últimas edições da feira do capital do móvel. Paços de Ferreira tem mais de quatro mil empresas na área do mobiliário, com mais de 35 mil trabalhadores. Não é intitulada a ‘Capital do Móvel’ por acaso. Os móveis a sério estão lá. A qualidade é garantida e no passado dia 10 de outubro nasceu a nova marca do concelho. Hoje, Portugal abraça a ‘Capital Europeia do Móvel’, um projeto que tem por objetivo principal trazer um novo fulgor, não só à economia, mas igualmente ao município pacense. Esta apresentação teve honras de apresentação na Intercasa/Lisboa Design Show 2014, a maior feira de mobiliário e decoração de interiores do país. Fernando Medina, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa assistiu ao lançamento desta nova marca, e afirmou que “Portugal tem que descobrir uma forma de valorizar os seus produtos e este é um projeto assente no futuro”, pois a utilização dos recursos disponíveis (proximidade ao aeroporto do Porto e a capacidade económica dos visitantes de Paços de Ferreira) juntamente com o design, a Marca e uma venda adequada, concorreram para anúncio_revista negocios_145x42 copiar copiar.pdf 1 06/03/14 10:27 aumentar o valor do produto.

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paços de ferreira

apresentação da nova marca ‘capital europeia do móvel’ A apresentação teve lugar na InterCasa’14

* Créditos a: Câmara Municipal de Lisboa

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DA capital nacional À “CAPITAL EUROPEIA DO móvel” Município de paços de ferreira A Câmara Municipal de Paços de Ferreira criou a marca “Capital Europeia do Móvel” com o intuito de evidenciar o potencial exportador da indústria e comércio locais, afirma Humberto Brito, presidente do Município.

Humberto Brito Presidente

“Temos a ambição de pegar naquilo que é a nossa essência – a fabricação do mobiliário e o setor têxtil – e promover ainda mais a nível nacional e internacional. Esta semana recebemos, na Câmara Municipal, empresários franceses que procuravam referências de empresas do nosso concelho. Pesquisaram na internet e perceberam que Paços de Ferreira é a capital do móvel, que há aqui uma concentração de fábricas de móveis e vieram cá em busca de mais informações”. Que ilação tirou desta atitude, dos empresários franceses virem à Câmara Municipal e não se dirigirem logo às empresas? A minha leitura, com base também na experiência empresarial que tenho, é que as empresas têm muita dificuldade em idealizar campanhas de marketing, a

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que acrescem os elevados custos associados. Como a maioria das empresas têm bastantes constrangimentos em se fazer representar nos mercados externos, o município devia trabalhar no sentido de fazer essa alavancagem encontrando fórmulas que permitissem, de forma coletiva, promover o concelho.

está com dificuldades. Os nossos clientes que vinham de todo o país para comprar os nossos móveis hoje vêm menos. É necessário dar o salto e fazer com que pessoas de outras latitudes – sobretudo da Europa – venham a Paços de Ferreira. Isto está intrinsecamente ligado com a revolução do preço das viagens de avião.

Esta ideia tem de ser integrada em duas perspetivas: comercial e industrial. Qual é a sua perspetiva? No que diz respeito á parte comercial o nosso concelho tem algo de único: 1 milhão de m² de área de exposição. Isto não existe em nenhum país europeu, só existe uma situação semelhante na China. E estou a falar só de lojas, o maior centro comercial do mobiliário, da Europa, está em Paços de Ferreira. Infelizmente, o mercado nacional

De que forma poderia aliciar os turistas para virem a Paços de Ferreira? Transportadoras low cost, como a Ryanair, traz muitos turistas estrangeiros a Portugal. Dados recentes dizemnos que, à cidade do Porto, vêm cerca de 3 milhões de estrangeiros/ano. Mais de 50% desses turistas vêm fazer compras e têm rendimentos entre os 2.000 e os 7.000 Euros/Mês. O que precisamos é fazer com que estas pessoas que vêm ao Porto, se desviem 10


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minutos, para conhecer Paços de Ferreira e comprar os nossos móveis. Um sofá que custe 600 euros cá, não custa menos de 2.000€ em Paris. Se um turista tiver a oportunidade de conhecer esta realidade além de usufruir da viagem, também pode comprar um sofá por um preço (para ele) inimaginável.

APOIO AO MOBILIÁRIO VS APOIO AO CALÇADO “Quando falamos no “cluster” do calçado que congrega duas autarquias, com dimensões consideráveis, que são Felgueiras e São João da Madeira e o que representam hoje para o país, não anda muito longe do que representa hoje o mobiliário; ou seja, falando em volume de exportação: o calçado representa 1.500 milhões de euros e o mobiliário 1.200 milhões de euros. Ao analisar estes valores sabemos que ainda não temos a mesma promoção que tem o calçado, mas sabemos que o setor do calçado tem apoios fechados na ordem dos 20 milhões de euros para fazer promoção internacional, e nós temos uma verba que nem sequer se aproxima desses valores.” A empregabilidade no setor do mobiliário é comparável com a do setor do calçado? Empregamos praticamente o mesmo número de pessoas que o setor do calçado. A indústria do mobiliário também requer uma mão-de-obra intensiva e emprega cerca de 40 mil pessoas, sensivelmente o mesmo número que a indústria do calçado. Os setores do mobiliário e do calçado são altamente competitivos na Europa. Em França o nosso mobiliário ultrapassou o francês, o espanhol e o que vem dos países de Leste. Tal deve-se à nossa qualidade-preço e à confiança que as pessoas depositam nas nossas empresas. A juntar a tudo isto temos a melhor gastronomia do mundo e um sol que deixa qualquer turista apaixonado pelo nosso país. A indústria do calçado passou por dificuldade e agora é reconhecida fora do país… O calçado, tal como o mobiliário são setores tradicionais do país. O calçado é um exemplo de agregação: teve vários problemas estruturais, um nível de desemprego brutal, empresas a fechar; com consequências para os concelhos onde estavam radicados (Felgueiras e S. João da Madeira) e nos últimos anos conseguiram dar um salto qualitativo muito importante porque fizeram apostas claras: formação, inovação, design e internacionalização e exportação. O calçado trabalha diretamente com as marcas/lojas e é isso que nós queremos. Não interessa vender muitos móveis a um cliente, mas poucos a vários e para isso precisamos de nos dar a conhecer.

OBJETIVO: INTERNACIONALIZAÇÃO “Temos de divulgar o melhor que temos principalmente dentro da europa e acredito que a resposta é através da internacionalização. Nesta perspetiva, as pequenas empresas, com poucos recursos humanos e pouca

disponibilidade financeira deveriam ser motivadas e ajudadas a fazer o processo de internacionalização, o que as ajudaria a criar oportunidades de negócio. Hoje existe a obsessão da atração de investimento e eu pretendo equilibrar isso com a criação de oportunidades de negócio para garantir a sustentabilidade das empresas – que precisam de negócio e de clientes – para poderem vender os seus produtos.” O facto de os empresários terem pequenas e microempresas dificulta a internacionalização? No que diz respeito aos nossos gestores creio que estamos numa época de transição: já se encontram jovens á frente de empresas com alguns anos e eles têm outra perspetiva de negócio, com ideias claras, objetivos concretos, sabem que caminho querem seguir e um deles é a internacionalização. Posto isto, entendemos

que o município e a Associação Empresarial podem dar uma ajuda, sendo agentes aglutinadores e inovadores. Por isso é que lançámos a ideia de fazer o Plano Estratégico da Indústria do Mobiliário e que pretendemos alargar ao têxtil. Os empresários locais fazem muita concorrência entre si, estão virados de costas voltadas? Sou gestor de uma empresa com 50 anos que também é a empresa de sofás mais antiga do concelho ou seja, sou a segunda geração e já estou a gerir a empresa há cerca de 15 anos. A exportação começou no tempo do meu pai e sinto que temos vindo a evoluir, que demos um salto qualitativo naquilo que diz respeito á afirmação da própria empresa, mesmo sendo uma pequena empresa. Por isto não entendo que os empresários estejam de costas voltadas e que não estejam cientes

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de que a sua união nos possa trazer valor acrescentado. Com base na sua experiência qual é/são as melhores formas de divulgação internacional? Pela experiência que tive ao longo destes últimos anos, na área da internacionalização, afirmo que precisamos de promover os nossos produtos, de ter uma presença constante nos palcos internacionais; há um ditado que diz isso de uma forma muito simples: “Longe da vista, longe do coração!”. Se não estivermos presentes todos os dias nos mercados internacionais as pessoas vãose esquecer que nós existimos e isso obriga-nos a um esforço permanente de promoção, de presença junto do mercado externo e isso é feito através das feiras internacionais, e não nas feiras regionais; é feito nos grandes palcos, na feira de Paris, na Alemanha, Polónia.. Os empresários podem contar com algum tipo de apoio? Como os empresários não podem fazer estes investimentos sozinhos, estamos atentos ao novo quadro comunitário e a todos os programas que nesse âmbito irão surgir. A divulgação é feita num só sentido, para fora do país? Não. Falamos de dois tipos de divulgação: a divulgação da indústria do mobiliário que tem de ser levada para fora do país, que tem de procurar clientes no estrangeiro e a divulgação para atrair clientes para o concelho de Paços de Ferreira. Ou seja, a divulgação é feita a nível industrial e comercial. E é um trabalho que tem de ser feito de forma contínua. O marketing e a publicidade são áreas muito dispendiosas e que têm de estar em constante atualização e, por isso, é um trabalho que nunca está concluído, mas também não tem de ser um trabalho individual pode ser colectivo. Não tem de ser cada empresa por si, com esforço individual, pode ser a promoção a nível do concelho, da região e tem de ser feita de uma forma muito vincada.

PAÇOS DE FERREIRA – A CAPITAL DO MÓVEL “Capital do móvel é uma marca. Agora pedimos o registo da “Capital europeia do móvel” sustentado no facto de termos 1 milhão de m² de rede de exposição, de ser o maior centro comercial de móveis da Europa e simultaneamente termos um volume de faturação significativo: mais de 500 milhões de Euros anuais de fabricação de mobiliário. Somos que produz mais mobiliário em Portugal.” A Câmara Municipal de Paços de Ferreira tem tido especial cuidado com a imagem do concelho? Uma das preocupações do município é a imagem do concelho, porque a primeira imagem é a que fica retida na memória das pessoas. Quando as pessoas nos visitam não analisam só o espaço onde compram os produtos, também são sensíveis á imagem exterior e

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zonas envolventes. A autarquia tem tido o cuidado de fazer a manutenção das vias rodoviárias, a sinalização, os jardins e zonas envolventes para que seja agradável para quem vive cá e quem nos visita; uma vez que a imagem de modernidade e qualidade que o concelho apresenta é uma mais-valia para os nossos empresários. Quais são os maiores pontos de interesse? Temos dois pontos de interesse muito importantes: a Citânia de Sanfins que é o maior castro a noroeste da Península Ibérica e o Mosteiro de Ferreira que está englobado na rota do Românico e é um dos monumentos mais emblemáticos desta rota. Para além dos pontos de interesse que referi também tentamos promover, desde que assumi a presidência da C.M., um conjunto de produtos que têm uma história muito forte no concelho. Temos a semana gastronómica do capão, as festas das Sebastianas, ambos em Freamunde. O concelho de Paços de Ferreira faz parte da rota do Românico abrange. Que mais-valias traz para o município? A VALSOUSA tem feito um excelente trabalho nomeadamente na promoção do espaço territorial do Tâmega e Sousa. O município pode aproveitar a visita das pessoas para ajudar a promover o turismo de negócio. A Câmara Municipal tem como parceiro a AEPF – Associação Empresarial de Paços de Ferreira. Como descreve esta parceria? A AEPF é um bom parceiro institucional e tem a sua posição bem definida. Temos uma relação de parceria, confiança e cooperação, que são valores fundamentais para que este trabalho que desenvolvemos em prol das nossas empresas e empresários e da atividade económica em geral possa ser feito com qualidade, profissionalismo e competência. Para já damos passos seguros de sustentabilidade do nosso concelho e, por isso, é que na questão do Plano Estratégico da Indústria do Mobiliário quis envolver a Associação.

A AEPF vai ser reconhecida brevemente pelo município… Vamos atribuir a da medalha de ouro pelos serviços prestados á comunidade e pelos 25 anos da AEPF. É um reconhecimento que damos a todos a todos os homens e mulheres que trabalharam para que a marca “Capital do Móvel” hoje seja reconhecida em todo o lado.


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Qualidade e design inovador Moverna Há mais de três décadas no mercado, a Moverna assume-se como uma marca de referência no panorama do mobiliário em Portugal. Localizada em Paços de Ferreira, localidade conhecida como a “ Capital do Móvel” esta empresa foi fundada por Hernâni Silva, corria o ano de 1982 e ,“com o passar dos anos e fruto do nosso trabalho foi crescendo, e hoje é uma empresa de referência em Paços de Ferreira” , salienta Hernâni Silva.

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ualidade, rigor e um design exclusivo são as principais características que definem o mobiliário produzido pela Moverna, que disponibiliza ainda aos seus clientes uma seleção alargada de cadeiras. “Temos móveis de muita qualidade que são pensados integralmente por nós: temos um designer que traduz para o papel as nossas ideias e nunca produzimos móveis iguais”, refere o fundador da empresa. A inovação e a aposta em matéria-prima de qualidade são desde sempre um dos pilares fundamentais da empresa, que ao longo dos anos foi alvo de algumas remodelações e investimentos. Assim sendo, hoje as instalações da Moverna contam com 2450 m2, onde está instalada maquinaria com tecnologia de ponta e diariamente trabalham 27 funcionário da produção de mobiliário à medida de cada cliente, com ênfase na produção de mobiliário maciço. Com um passado forte, a Moverna é atualmente uma marca reconhecida no que respeita à qualidade dos seus produtos, e que ao longo dos tempos se foi adaptando às necessidades dos seus clientes. Desta forma, hoje,

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esta empresa familiar produz mobiliário com linhas modernas, com design próprio e exclusivo, procurando sempre responder às necessidades únicas de cada um dos seus clientes. Questionado sobre o estado do setor do mobiliário, Hernâni Silva não hesita na resposta: “tal como o país e a Europa o setor do mobiliário enfrenta dias difíceis”. Como forma de responder a esta crise e dar um novo fulgor não só à economia, mas também ao município pacense, Humberto de Brito, o atual presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira apresentou no passado dia 10 de outubro a nova marca do concelho, “Paços de Ferreira – Capital Europeia do Móvel”. Na opinião do fundador da Moverna esta é uma iniciativa de louvar. “Ainda bem que este Executivo está a fazer esta nova aposta, penso que o novo presidente tem contribuído para colocar Paços de Ferreira no mapa e que esta iniciativa é muito boa e poderá trazer bons resultados para o futuro”. Bruno Silva, filho de Hernâni Silva partilha da opinião do progenitor.“Considero de facto, uma boa iniciativa, que futuramente pode trazer vantagens e dar maior visibilidade ao mobiliário do

concelho”. Com uma vertente fortemente assumida para as exportações, a Moverna encontra nos mercados externos um dos seus principais públicos-alvo, com a França, Espanha e Suíça a assumirem particular destaque. Para além, das instalações de produção, a Moverna dispõe ainda de dois espaços de exposição, num total de cerca de 1000 m2, onde os clientes podem observar diferentes tipos de mobiliário e podem ainda encontrar soluções decorativas originais e obter conselhos de profissionais especializados. A Moverna é ainda presença assídua em exposições e feiras nacionais onde faz questão de sempre apresentar uma linha de produtos novos e por diversas vezes é premiada pelo seu design inovador, como aconteceu na 43ª Capital do Móvel. O futuro da Moverna passa pela aposta em novos mercados por forma a cimentar um crescimento sustentado.


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Qualidade e exclusividade na manufatura de mobiliário clássico Am Classic Localizada em Paços de Ferreira, conhecida como a “ Capital do Móvel”, a AM Classic assume-se como uma empresa de referência no setor do mobiliário, fortemente vocacionada para a exportação. Fundada por Armando Ferreira da Silva, um homem humilde, mas determinado, corria o ano de 1962, a história da AM Classic foi construída tábua a tábua, como uma empresa familiar em que o patriarca passou o seu saber para os filhos, que atualmente dividem a gestão da empresa.

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tualmente, a AM Classic é uma das maiores empresas de mobiliário do concelho de Paços de Ferreira e tem na manufatura de mobiliário clássico de estilo francês o veio da empresa. “A empresa foi criada pelo meu pai, que a geriu até aos anos 80. Posteriormente, passou para as mãos do meu irmão mais velho, Diamantino Ferreira da Silva, até ao ano 2000, e desde então está sob a minha administração”, refere o atual CEO da empresa, Mário Ferreira da Silva. A madeira é um material natural e delicado, com

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variações no que respeita à tonalidade, configuração, estrias e estrutura do grão. Neste sentido, e sempre com o objetivo de produzir móveis de alta qualidade, a AM Classic aposta numa rigorosa seleção de matériasprimas, usando apenas a melhor madeira: cerejeira e carvalho. A empresa faz coleções próprias para sala, quarto e escritório e, paralelamente, desenvolve peças únicas para clientes exclusivos, produzidas por artesãos dedicados, que colocam uma vasta experiência, conhecimento e vocação no seu trabalho, desenvolvendo produtos únicos e especiais. “Nós

construímos um móvel bem feito, em que se produz um produto clássico com um design mais atual, ou seja, pegamos num móvel desenhado há muitos anos e damos-lhes formas, funções e acabamentos mais contemporâneos”, salienta o CEO. Com uma equipa composta por 170 trabalhadores, a AM Classic assume-se como empresa de grandes dimensões que tem nos seus trabalhadores a chave para o seu sucesso. “Os nossos funcionários são trabalhadores esforçados e têm o ‘saber-fazer’, o que tornou relativamente fácil o crescimento da empresa”,


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frisou o administrador. Com uma forte componente no que diz respeito à responsabilidade social, a AM Classic cumpre todas as regras no que se refere à qualidade, ambiente e higiene e segurança no trabalho, encarando, ao mesmo tempo, a equipa de trabalhadores como uma “grande família”. A criação de um fundo social para ajudar os mais necessitados e o pagamento de consultas aos filhos de trabalhadores com necessidades especiais são apenas algumas das iniciativas da AM Classic que visam proporcionar as melhores condições possíveis aos seus funcionários. Com a chegada em 1995 de Mário Ferreira da Silva, engenheiro químico têxtil de formação, houve a necessidade de um reajustamento da empresa: cortar a dependência do mercado nacional e levar a empresa além-fronteiras. “A minha experiência no setor têxtil abriu-me novos horizontes e comecei a desenhar uma nova estratégia, focada, numa primeira fase, em vender para fora de Paços de Ferreira e, passo a passo, fomos avançando para novos mercados”, destacou Mário Ferreira da Silva. Atualmente, a AM Classic assume-se como uma empresa voltada essencialmente para o mercado externo, com cerca 98 por cento da sua produção destinada às exportações. É possível encontrar peças de mobiliário desta empresa portuguesa em cerca de 50 países um pouco por todo mundo, com especial destaque para o mercado espanhol, belga, alemão, italiano, russo, americano e asiático. A presença nas mais importantes feiras internacionais do setor do mobiliário, em que são apresentadas as novidades criadas ao longo de cada ano, é um dos trunfos da empresa, que trabalha diariamente para satisfazer o gosto refinado e exigente dos clientes atuais. Numa altura em que não só a economia portuguesa, mas também a economia europeia atravessam momentos frágeis, esta empresa nacional sentiu a necessidade de encontrar novas soluções. Assim sendo, desenvolveu duas novas áreas de negócio: “a private label, em que produzimos móveis que vão ser comercializados sob a marca do cliente, sobretudo para o mercado francês e alemão, e o negócio contract, em que a AM Classic passou a fabricar movéis para o setor hoteleiro, fornecendo já unidades hoteleiras em Portugal,

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL PAÇOS DE FERREIRA, CAPITAL EUROPEIA DO MÓVEL UK, Israel e Estados Unidos da América”, mencionou o CEO. O reforço da exportação é sem dúvida a aposta da empresa para o futuro, assente numa estratégia bem definida, com vista à entrada em novos mercados.

Paços de Ferreira – Capital Europeia do Móvel Paços de Ferreira assume-se como uma importante montra no setor empresarial e de negócios do norte do País, com especial enfoque para o setor do mobiliário, onde a AM Classic está cimentada, fazendo parte da tradição da indústria do móvel do concelho há mais de 50 anos. Sobretudo nos últimos dois anos, a empresa tem registado um crescimento sustentado, tendo aumentado inclusivamente o número de trabalhadores. A aposta na qualidade, design e inovação dos produtos aliada à localização e acessibilidades fazem do concelho pacense um local estratégico e favorável ao crescimento do setor empresarial. O apoio ao desenvolvimento económico da região, com especial destaque para o setor do mobiliário, é uma das principais estratégias do novo executivo, liderado por Humberto Brito, que tomou posse em setembro de 2013. Nesse sentido, no passado dia 10 de outubro, no Salão Imobiliário de Lisboa (SIL), no Parque das Nações, foi apresentada a nova marca do concelho: «Paços de Ferreira – Capital Europeia do Móvel», com o objetivo de trazer um valor acrescentado à marca e de reforçar ainda mais a importância do concelho pacense do ponto de vista económico, como uma forte alavanca para o País, numa altura em que é cada vez mais importante mostrar ao mundo aquilo que de melhor temos para oferecer. O novo presidente de Paços de Ferreira considera que o concelho tem todas as condições para ser «Capital Europeia do Móvel», nomeadamente porque “possui um milhão de metros quadrados de área à disposição – algo único na Europa – e fatura cerca de 1000 milhões de euros no setor do mobiliário”.

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22ª Feira nacional do porco

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 22ª FEIRA NACIONAL DO PORCO

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carne de porco é um produto de qualidade e de confiança do consumidor português, sendo até reconhecida como a preferida, registando um consumo de 41kg por habitante por ano, acima da média comunitária. A produção de carne de porco é um setor que passou por um forte período de crise, sendo necessária uma reestruturação com a criação de grupos de produção organizados que, atualmente, conseguem níveis de produtividade superiores à média. A qualidade dos produtos é evidente e reconhecida na taxa de exportação anual, que ronda cerca de 40.000 toneladas. A Federação Portuguesa da Associações de Suinicultura, em conjunto com os seus associados e relacionado com o apoio do Ministério da Agricultura está a desenvolver um plano denominado de “segmento de ciclo”, que pretende chegar a um aprovisionamento de 100 por cento do país e resolver algumas questões de poluição que atualmente ainda são evidentes. A Revista Business Portugal marcou presença no Montijo, na 22ª Feira Nacional do Porco, onde estiveram presentes operadores de fileira e onde muitos milhares de visitantes que tiveram a oportunidade de apreciar a maneira como o porco é produzido e degustando a extraordinária gastronomia tradicional. O evento, que recebeu a visita da ministra da Agricultura e do mar, Assunção Cristas, foi também marcado pela assinatura de três protocolos: um com a Universidade de Trás os Montes (UTAD) que visa a participação de projetos de investigação, formação e transferência de tecnologia; outro com o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (Pólo da Estação Zootécnica Nacional) que tem por objetivo o aprofundamento de estudos e o apoio à manutenção do Malhado de Alcobaça, raça em elevado perigo de extinção; e o terceiro protocolo assinado com o INIAV e a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva procura o desenvolvimento de unidades experimentais de compostagem, visando a valorização de subprodutos agrícolas e pecuários. Falámos com os maiores intervenientes do setor e nas próximas páginas apresentamos-lhe como a fileira do porco em Portugal e o que o futuro reserva à mesma.

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL 22ª FEIRA NACIONAL DO PORCO

22ª Feira Nacional do Porco, O alicerce da economia local Município de Montijo Mais uma vez, Montijo abriu as portas à 22ª edição de uma das feiras mais prestigiadas da região - a Feira Nacional do Porco. À conversa com o presidente da Câmara Municipal, Nuno Canta, a revista Business Portugal foi conhecer as mais-valias do tradicional evento e outras potencialidades que hoje faz do Montijo uma região rica em desenvolvimento económico e cultural.

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os últimos anos o Montijo tem conquistado um lugar privilegiado no desenvolvimento da sua economia. Não só pelo valor paisagístico da região, mas também pela riqueza gastronómica e pelas diferentes atividades tradicionais ali desenvolvidas. Uma delas é a suinicultura, que atualmente se pode denominar como a grande protagonista da economia local. “Há muitos anos que a nossa região se define como a cidade de transformação de carnes de porco e esta tradição começou com as dificuldades que havia no passado, porque um dos grandes problemas da humanidade sempre foi como conservar os alimentos, e considero que hoje é particularmente grato ver como o Montijo se tem afirmado no setor suinícola” contanos Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo. Nesse sentido, fomos conhecer de perto as particularidades da grande e tradicional Feira Nacional do Porco, decorrida no Parque de Exposições do Montijo nos passados dias 26, 27 e 28 de setembro, onde teve lugar a 22.ª edição. Mais uma vez, esta feira conseguiu reunir na região toda a fileira da carne de porco, desde a produção de alimentos compostos para animais até à indústria de abate e transformação, passando pela produção e outras atividades - genética, consultoria, laboratórios de análise, fabricantes e distribuidores de produtos médicoprofiláticos, projetistas, fabricantes de equipamentos, entre outros. Nuno Canta, enquanto presidente e engenheiro agrónomo, explica que “a feira foi uma importante aposta da autarquia, da Associação Livre dos Suinicultores Portugueses (ALISP) e da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (FPAS), que se constituiu numa parceria estratégica na qual nós quisemos revitalizar esta atividade económica da região”. Na opinião do presidente, o grande sucesso obtido na feira deve-se sobretudo à excelente organização das parcerias envolvidas, que atingiram todos os objetivos que inicialmente foram traçados, nomeadamente na visibilidade dada à atividade suinícola a nível nacional e na própria propaganda da região. Quem também

Nuno Canta Presidente

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esteve presente no evento foi a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que segundo o nosso entrevistado, mostrou claramente a importância do setor no país. Contudo, além do enfoque especial a nível nacional, as entidades organizadoras também conseguiram internacionalizar um pouco a feira, designadamente com a presença de vários expositores espanhóis, que se traduziu num fator bastante positivo e prestigiante. Assim, os visitantes da Feira foram envolvidos e acompanhados com um vasto programa de sessões temáticas: Jornadas Técnicas FPAS; Simpósio Bienal da SCS; Colóquio “A PAC 2014/2020 – o que os suinicultores devem conhecer”; Ponto de situação sobre o PCEDA; Apresentação do conceito “PORC d`OR” de Espanha e, finalmente, FILPORC – O Interprofissional da carne de Porco. Relativamente ao evento nacional, Nuno Canta não esconde o orgulho e enfatiza a importância deste para o Montijo “nós, enquanto câmara municipal, demos todo o apoio logístico à feira porque no fundo acreditamos na mais-valia do diálogo entre as empresas, os políticos, as associações, os trabalhadores, e considero que esta iniciativa é um espelho disso mesmo”. Posto isto, a grande missão da autarquia, a curto prazo, é dar o salto e levar a feira aos patamares da internacionalização, considerando que esse passo será essencial não só para a atividade local, mas sobretudo para o rumo do concelho e também para a transmissão de conhecimentos, “uma vez que há coisas que nós

fazemos cá em Portugal e que podem ser aproveitados noutro local” explica o presidente da Câmara. Em suma, a 22.ª Feira Nacional do Porco contou com a presença de mais de 200 empresas do setor, com atividades para todo o tipo de público, como jornadas técnicas e workshops dirigidos aos empresários e especialistas do setor, mas também atrativos para o público em geral como espetáculos de stand up comedy, música, dança e área de restauração/gastronomia.

Suinicultura: as potencialidades da indústria Hoje em dia a suinicultura traz consigo um conjunto de grandes empresas de transformação. O Montijo, por exemplo, reúne as três maiores do país, entre as quais: Carmonti, STEC e o Grupo Montalva – empresas que possuem uma elevada evolução tecnológica e, consequentemente, atracam consigo uma excelente capacidade produtiva na transformação de carnes. Esta indústria, para além de ser forte nos progressos tecnológicos, nomeadamente na conservação da carne – com a questão do frio, dos congelados, das carnes maturadas – tem também grande influência para o desenvolvimento da cidade, na medida em que ainda não é dominada pela automatização, como acontece noutras indústrias, e desta forma acaba por criar muitos postos de trabalho para a população local. “A câmara municipal do Montijo considera que a criação

emprego é decisiva para o futuro da região e como na área produtiva temos atividades como a desmancha das carcaças/lombos dos animais, precisamos de uma mãode-obra muito personalizada, já que não há nenhuma máquina que consiga fazer com precisão aquele tipo de trabalho” destaca Nuno Canta. O presidente acrescenta ainda que esta é uma atividade com futuro, pois consegue casar a necessidade de mãode-obra com o desenvolvimento económico sustentável. Para além disso, atualmente algumas empresas suinícolas do Montijo já estão a incrementar e alargar as suas unidades de produção, o que vem espelhar a vontade dos produtores de melhorar continuamente a sua atividade e manter o sucesso que têm obtido.

Valências da Região: O que podemos admirar no Montijo Para contextualizar melhor o leitor, note-se que o Montijo é uma cidade pertencente ao distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, com cerca de 29 900 habitantes, que até 1930 chamava-se Aldeia Galega do Ribatejo. Falamos por isso de uma terra com história multissecular que possui uma importante herança cultural e que nos últimos anos tem conquistado um desenvolvimento económico exemplar. Isso deve-se de alguma forma a um aproveitamento rigoroso dos recursos e à insistente preservação da tradição que eleva as atividades

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agrícolas. Geograficamente também se pode afirmar que falamos de uma cidade que abraça uma área favorecida, uma vez que está aliada à capital como explica o presidente da Câmara Municipal: “A região do Montijo sempre foi um porto muito importante para Lisboa e, do meu ponto de vista, é uma ligação de grande relevância até porque, com a construção da Ponte Vasco da Gama (inaugurada em Março de 1998), torna-se numa grande centralidade dentro da área metropolitana de Lisboa”. Percebendo a mais-valia das diferentes atividades tradicionais da região, é também importante perceber as vantagens da localização, onde a ponte Vasco da Gama surge como um marco decisivo, recolocando a ligação com Lisboa - que foi sempre secular - e retomando a centralidade histórica, tal como refere o nosso interlocutor “O Montijo sempre fez da sua localização geográfica o seu bilhete de identidade”. Com esta facilidade de acesso, o comércio da região foi e está a ser revitalizado e, desta feita, a aposta no turismo rural tornou-se agora um assunto em cima da mesa da autarquia. Além deste fator, a gastronomia surge também como um aspeto altamente diferenciador da região, pois parte da sua história alimentar está ligada aos produtos da terra e ao rio. Encontramos primores, legumes, peixe, carne de porco e nas zonas rurais, aves e outros animais de capoeira, que compõem a base da alimentação do Montijo e Nuno Canta acredita que isso é algo elementar para atrair novos visitantes, traduzindo-se de igual forma numa forte alavanca para o turismo. Relativamente às diversas atividades agrícolas exploradas na região, o presidente da câmara inúmera algumas: “temos uma série de setores com forte peso económico, como é o caso da horticultura, com a produção de produtos hortícolas que exporta para inúmeros países, especialmente para Alemanha. E temos ainda a vantagem de ter um clima que não tem períodos de paragem de produção agrícola e isso dános um grande privilégio”. Outra área de igual importância é a floricultura, e não é por acaso que o Montijo é conhecido como a “capital da flor”. Com as maiores explorações agrícolas em termos de área coberta (estufas), esta cidade é considerada o centro que produz mais flores gerbérias da península ibérica. Outro setor, não tão visível mas de igual relevância, é a floresta – 70% do território – e nessa área há uma vasta produção de eucaliptos e sobreiros (produção de cortiça), sem esquecer a elevada produção da pasta de papel. Outra atividade prestigiante é a vinicultura, como indica Nuno Canta: “temos uma produção de vinhos estrondosa, nomeadamente através da nossa Adega de Pegões - uma adega moderna e altamente competitiva reconhecida tanto a nível nacional como internacional, com inúmeras distinções e cerca de 300 prémios

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Nuno Canta Presidente

Nuno Vieira e Brito, nuno canta e vítor menino Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Presidente do Município do Montijo e Presidente da FPAS


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dos concursos mundiais de vinhos - que transformou a nossa área numa grande potencialidade em termos vitivinícola”. Uma vez que falamos de um território com uma vasta área agrícola pode-se afirmar que é justamente pela agricultura, pela suinicultura ou pecuária, pela horticultura, pela vinicultura, pela floricultura, pela floresta, e por todas estas atividades tradicionais que o presidente da Câmara Municipal considera essencial a criação de uma posição mais próxima a centros de investigação ligados por exemplo à agronomia ou à pecuária, que acabariam por se traduzir numa maisvalia, casando as universidades com as empresas. Além de que essa proximidade, na opinião de Nuno Canta, iria potenciar a investigação possibilitando fomentar o conhecimento nas matérias ligadas à agricultura. Segundo o presidente Nuno Canta, os objetivos futuros passam por continuar a potenciar e apoiar as atividades rurais, apostar no turismo e levar a cidade a um crescente desenvolvimento económico e cultural.

500 anos Galega

do

foral

da

Aldeia

Esmiuçando os eventos culturais do Montijo, torna-se quase indispensável falar sobre “Feira Quinhentista de Aldeia Galega”, uma feira decorrida entre 12 e 14 de setembro, que foi um marco importante para Montijo, consentindo aos visitantes fazer uma viagem ao passado. Esta feira é um evento comemorativo sobre os 500 Anos do Foral Manuelino e a organização foi da responsabilidade da Câmara Municipal do Montijo e da ALIUSVETUS – Associação Cultural História e Património, com o apoio da Junta de Freguesia da União de Freguesias Montijo/Afonsoeiro. Nesse sentido, o presidente fez-nos um breve enquadramento histórico: “durante séculos o nome antigo de Montijo era “Aldeia Galega”, e aquele foral foi concebido no sentido de regular o transporte de comboio de pessoas e bens para Lisboa”. Neste evento foi então recriado o ambiente da época dos forais, inspirado num estilo medieval, onde se potenciou o convívio social e cultural do século XVI através da reconstituição do tipo de mercado e produtos comercializados na época, acompanhada com muita música e dança, bem como tascas, tabernas e grelhadores para comes e bebes. 
Simultaneamente, foram recriados quadros históricos ficcionados baseados em factos e lendas da Aldeia Galega do Ribatejo, nas primeiras décadas do século XVI. 
 Atualmente a Câmara Municipal do Montijo está a planear, até janeiro de 2015, realizar uma série de conferências temáticas, com historiadores de referência nacional, para falar sobre a evolução histórica da região.

Nuno Canta discursa na 22ª feira nacional do porco

Nuno Vieira e Brito, nuno canta Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Presidente do Município do Montijo

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22ª feira nacional do porco

vítor menino Presidente da FPAS

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Nuno Vieira e Brito Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar


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atribuição do pin de ouro da FPAS

assunção cristas e nuno canta visitam a feira Ministra da Agricultura e do Mar e Presidente do Município do Montijo

Vítor Menino, assunção cristas e nuno canta visitam a feira

assinatura dos protocolos com a utad, iniav e edia

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O desejo de relançar, redimensionar e reestruturar a suinicultura Federação Portuguesa das Associações de Suinicultura A realização da 22ª Feira Nacional do Porco no Montijo é vista como um sinal de grande vitalidade da fileira de carne de porco em Portugal. Em entrevista à Revista Business Portugal, o Presidente da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultura (FPAS) e perfeito conhecedor da área, Vítor Menino, falou da posição em que se encontra o setor e das suas ambições para levar a feira regional ao mais alto nível.

irá trazer um trabalho de investigação e conhecimentos científicos para defendermos teses. Irá, desta forma, munir-nos a nós enquanto produtores.

Vítor menino Presidente

Enquanto presidente da comissão organizadora da Feira Nacional do Porco, quais os principais objetivos da feira e qual o retorno da mesma? O grande objetivo desta feira era passar para o setor, e especialmente para a classe politica, a necessidade que tínhamos de relançar, redimensionar e reestruturar o setor. Para isso, houve um trabalho antes da feira que veio culminar com frutos que entendemos bastante positivos, que foi o devolver jovens à atividade e, especialmente, devolver o investimento de forma a que o setor pudesse ser relançado. A Federação apresentou ideias e projetos, fez a ligação com as universidades, conseguiu trazer toda a administração pública ligada ao setor e creio que atingimos o objetivo na feira, conseguimos passar a mensagem que queríamos porque neste momento o setor é tido como um setor competitivo.

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No setor suinícola, o que melhorou nos últimos anos? Nós durante muitos anos, por uma questão de falta de legalizações das explorações, do ponto de vista do ornamento do território, não podíamos fazer investimentos ou candidatarmo-nos a programas comunitários. Felizmente hoje isso está ultrapassado e há todas as condições necessárias para investir. O PRODER contemplou aquilo que nós chamamos «a menina dos nossos olhos» que é a segmentação do ciclo, possibilitando transferir zonas onde as explorações são problemáticas para zonas onde estas possam ser aproveitadas. Que vantagens trará a aproximação do setor com as universidades? Essa aproximação vai-nos permitir ter bases científicas para discutir problemas que nos afetam hoje em dia e

Sobre a internacionalização da Feira Nacional do Porco, quais são os pontos fulcrais que a Federação Portuguesa das Associações de Suinicultura pretende atingir? Queremos sobretudo duas coisas: a transferência de tecnologia - aprender com os melhores, com os maiores e com os mais capazes. Estamos a falar em know-how e em saberes que precisam ser comunicados e transferidos para o produtor, portanto esta internacionalização vai trazer novos layouts, novas formas de fazer, novas formas de pensar, e inclusive vai trazer às pessoas a capacidade de pensar «porque é que ele é capaz e eu não?» sendo isso um fator muito importante. Do ponto de vista da comercialização, queremos que Portugal seja um país exportador. É necessário abrir as portas à exportação e criar alternativas à concentração da procura interna que existe – cerca de 80 por cento da carne em Portugal é comercializada pelas grandes superfícies, que sendo poucas têm um poder negocial fortíssimo – e é, por isso, imprescindível que as nossas empresas aproveitem e vejam a exportação como alternativa. É essencial que possamos ver os mercados como mercados globais e não domésticos. Quais as expectativas para as próximas edições da Feira Nacional do Porco? Expectamos uma feira mais envolvente, mais participativa, com mais matéria critica, com mais knowhow e muito mais abrangente. Queremos trazer cá os mercados lusófonos, que são de extrema importância. Temos de continuar a produzir com respeito pelo território, pelas pessoas e pelo ambiente e temos de produzir em locais que contribuam para o desenvolvimento agrícola. Temos aqui muito para trabalhar e acredito que, se todos remarmos no mesmo sentido e fizermos as coisas bem, seremos capazes de cumprir com a nossa missão que é ajudar Portugal a tornar-se num país mais viável.


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A excelência da nutrição animal eurocereal A Euroceral é uma empresa vocacionada para a prestação de serviços nutricionais e para a produção e comercialização de produtos correlacionados com o setor da alimentação animal. Atualmente, atua com forte incidência nas espécies suína em que é líder e na bovina (de carne e de leite) ,na qual já é uma referência no mercado nacional subjacente a melhor e mais eficiente combinação do binómio custo/qualidade nutricional”, refere o nosso interlocutor.

A medida certa em nutrição animal

Miguel Leitão Administrador

N

asceu em 1988, através de um conjunto de produtores e tem a sua sede na Malveira, concelho de Mafra. A empresa deu os primeiros passos dedicando-se à compra e venda de matérias primas e à nutrição animal. A área da nutrição acabou por se afirmar como a sua verdadeira vocação. O conceito adotado assenta na prestação de serviços nutricionais e na produção e comercialização de produtos correlacionados. A área de negócio da suinicultura destaca-se das demais, representando 80 por cento do seu volume de negócios. Em 2010, foi efetuada uma forte aposta na área de negócio dos bovinos de carne e das vacas de leite, apresentando-se hoje como uma referência nestas espécies. Para perceber o core business da empresa, a Revista Business Portugal esteve à conversa com Miguel Leitão, administrador da Eurocereal, que explicou

pormenorizadamente o modelo de negócio ali desenvolvido. Assim, a atividade assenta na venda de pré-misturas e núcleos nutricionais (compostos por ingredientes e nutrientes essenciais de alto valor nutritivo) destinados a auto produtores (produtores que têm as suas próprias fábricas de ração) e a fábricas de rações comerciais que os incorporam nos seus alimentos finais, suportada por um conjunto de serviços diversificados. “Nós produzimos os concentrados, os mesmos são introduzidos no alimento final – a ração – através de um processo de mistura com os outros ingredientes e cereais e já moídos”, esclarece o gestor da empresa. Neste contexto, e de uma forma prática, pode-se dizer que a Eurocereal fornece a base da receita do que será o ‘bolo final’. Deste modo, estes produtos integram a formulação final geral fornecida pela Eurocereal: “otimizamos a utilização das matérias-primas facultando uma solução ao nosso cliente/associado que tem

Sobre o lema da empresa Miguel Leitão realça: “na parte da nutrição, temos a meta constante de garantir as escolhas certas, a preços adequados, para nos podermos apresentar ao mercado como a decisão de valor acertada”. Um dos pontos fulcrais da Eurocereal é a oferta de serviços que dão suporte à fileira da produção animal. Neste contexto, os serviços integrados na venda dos produtos contemplam serviços laboratoriais, serviços técnicos de diagnóstico e serviços de formulação. Os serviços laboratoriais são elaborados por uma equipa especializada, em laboratório próprio, e permitem validar em tempo útil as amostras em análise relativamente à sua composição. Quanto aos serviços técnicos de diagnóstico, Miguel Leitão destaca a importância de se efetuar, junto dos produtores pecuários, um diagnóstico e levantamento de necessidades, que permita aferir resultados de produtividade. Finalmente, os serviços de formulação, como referido anteriormente permitem uma otimização constante do produto Eurocereal e das fórmulas/rações dos seus clientes/associados. Respondendo ao impacto da 22ª edição da Feira Nacional do Porco, Miguel Leitão considera que esta apresentou um dinamismo empresarial muito forte que se pode traduzir num “bom cartão de visita para o setor”. “Os temas abordados foram diversificados e passaram nomeadamente pela renovação do modelo negócio (segmentação de ciclo) com produtos financeiros próprios, potenciando o crescimento da atividade e a captação das gerações mais novas”. No presente, a Eurocereal encontra-se em fase de ampliação das suas instalações centrais na Malveira, o que permitirá reforçar as condições de laboração, armazenamento e de capacidade negocial de compra.

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A união faz a força Alirações Nascida de um agrupamento de suinicultores (Aligrupo), a ALIRAÇÕES surgiu como uma solução para organizar o setor da suinicultura e proporcionar aos membros cooperantes uma posição privilegiada na venda, controlo e qualidade das rações.

Stand da ali rações na 22ª feira nacional do Porco

A

empresa nasceu a partir de um projeto de um agrupamento de produtores – Aligrupo – um grupo que se juntou em 1993 para combater a globalização e para fazer adotar, entre os seus membros, regras comuns para a produção e para a comercialização. Assim, os suinicultores associados da Aligrupo conseguiram resolver um grande problema que era a comercialização dos seus animais, através do agrupamento, em que os produtores indicavam a quantidade de animais para vender numa determinada semana e o agrupamento é que colocava-os à venda, garantindo deste modo o pagamento total. Em termos comerciais e técnicos o assunto esteve desde logo resolvido, mas havia outros fatores que os associados precisavam de resolver. O principal - que por sua vez representa 75 por cento do custo da produção - é a alimentação, que numa primeira fase os associados decidiram fazer rações numa fábrica de terceiros. Contudo, mais tarde surgiu uma oportunidade única:

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a construção da sua própria fábrica de rações, dando origem à Alirações em 1997. Fábrica que reuniria em exclusivo os cooperantes da Aligrupo. Vítor Menino, diretor do agrupamento e presidente da Federação Portuguesa da Associação de Suinicultores, explicou à Revista Business Portugal que foi “a falta de rentabilidade, o esmagar de margens, o concorrer com gigantes que levou a que nos organizássemos em agrupamentos para ganhar estrutura, dimensão e competitividade nas explorações”. Desta forma, tiveram que restruturar e redimensionar a atividade e hoje têm dado continuidade a este processo. Para além disso, a modernização é também um caminho que, no seu entender, deve ser contínuo.

A aposta na Genética e no controlo do produto final A partir do momento em que a empresa ganhou forma

e ficou consolidada, os membros cooperantes seguiram em frente e decidiram dominar outro fator de produção de extrema importância – a Genética. Dois anos depois, em 1999, adquiriram a SMUR - Sociedade de Multiplicação e Recria Animal, SA, que passou a fazer a própria genética do grupo. “O grande objetivo foi termos o nosso próprio produto, e que geneticamente tivéssemos um produto final com as características exatas que nós pretendíamos” explica Vítor Menino. Atualmente a SMUR é uma empresa que produz cerca de 70 mil suínos por ano e produz toda a genética, desde o sémen até às futuras mães, para todas as explorações dos associados.

“Compramos a uma só voz” Numa linha geral o diretor do agrupamento caracteriza a ALIRAÇÕES: “somos o mais competitivos possível, temos bom nome em termos de mercado, somos sólidos


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em termos de rigor de pagamentos e representamos volume”. A grande mais-valia da Alirações é que consegue comprar produtos em quantidade e qualidade e passar essa compra para o associado - mais fácil do que se o próprio comprasse isolado. Vítor Menino justifica a união de forma clara: “se nos unirmos chegamos mais longe. Dez pequenos produtores unidos ganham escala e dimensão, ganham em termos de custos de produção, de poder negocial e é por isso importante que se intensifique essa organização”.

Principal missão da ALIRAÇÕES Produzir alimentos seguros, viabilizar a atividade pecuária, ganhar a confiança dos consumidores e contribuir para a melhoria da imagem do setor. São quatro elementos que a empresa aponta como indispensáveis. Segundo o nosso interlocutor, o importante é que o produtor seja capaz de concorrer aos quadros comunitários e tenha condições para o fazer. Aos olhos de Vítor Menino esta é uma atividade com futuro, adiantando de forma convicta que “o nosso grupo hoje quer continuar a crescer porque sabemos que podemos ser competitivos em qualquer bacia de produção”. A segmentação do ciclo que os suinicultores tanto têm

propagado criará condições para resolver problemas do ornamento de território, transferindo as explorações e deixando que elas se transformem - deixando de ser um carga poluente e passando a ser uma oportunidade de negócio para a agricultura. Para além disso, o diretor explica que cada exploração pode ter um tipo de abordagem, há que estudar cada caso e há que propor a cada produtor uma solução.

Quem corre por gosto não cansa Vítor Menino, para além de diretor do agrupamento, é também presidente da Federação Portuguesa da Associação de Suinicultores, presidente da Associação Livre de Suinicultores Portugueses, e um conhecedor nato sobre esta matéria. O trabalho sempre fez parte da sua vida. Começou a trabalhar aos 22 anos, aos 23 anos já fazia duas explorações arrendadas e uma sua, aos 30 ajudou a formar a organização de suinicultores e durante muitos anos esteve ligado a atividades suinícolas. Para ele, “quem ama constrói”, por isso orgulha-se do que faz e hoje em dia debruça-se sobre as questões do setor de forma intensiva, considerando que as atividades rurais “são atividades necessárias para o país que têm de ser acarinhadas e bem-feitas”. Vítor menino Presidente do Conselho de Administração

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Especialista em tornar os animais mais saudáveis Msd - saúde animal A MSD é uma empresa farmacêutica inserida na área de saúde animal que tem como foco ser “a melhor”, sendo que o grande chavão da empresa, segundo o responsável de unidade de negócio, Nuno Costa, é ser a ciência dos animais mais saudáveis. refere que do ponto de vista global faltam projetos estruturantes, “ou seja, o produtor devia ser mais associativista e mais corporativista, juntando-se num objetivo em comum”. Salientando de igual forma a importância da exportação. Outro desafio que Nuno Costa aponta como fulcral, é a falta de gestão de informação, isto é, a necessidade dos produtores melhorarem e fazerem o registo dos índices produtivos para depois poderem monitorar e controlar o negócio.

No caminho da Inovação Nuno Costa (à Direita) e colaborador Responsável de Unidade de Negócio

À

conversa com Nuno Costa, a Revista Business Portugal foi explorar os métodos utilizados na empresa e a qualidade da ciência ali desenvolvida. Neste contexto, na MSD trabalha para várias espécies, possuindo quatro áreas de negócio: animais de companhia, aves, ruminantes e suínos, sendo as três últimas designadas como áreas de produção. Neste contexto, falamos de uma empresa que oferece a veterinários, produtores, proprietários de animais de estimação, a mais ampla variedade de produtos farmacêuticos veterinários, vacinas e serviços de gestão da saúde. Assim, a missão que orienta a empresa é preservar e melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais. Os produtos traduzem-se em vacinas (para a área da prevenção) e hormonas (destinadas à reprodução). Para além destes, o responsável de unidade de negócio refere que há também uma gama de antibióticos que permitem fazer a diferença no cliente final - sejam eles os suinicultores, vacarias, ou aviculturas. Sobre o método de atuação da MSD, Nuno Costa

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simplifica: “por exemplo se um suíno tiver um problema de respiração, não vai reproduzir e não vai dar o número de leitões estimado por ano. Nós, com os nossos produtos, tentamos dar soluções integradas para que cada cadeia de produção seja otimizada”. Outra área de igual relevância é a prevenção “apostamos nessa área evitando que o animal não esteja doente e que o índice produtivo seja constantemente melhorado” diz o nosso interlocutor, acrescentando que a MSD mais do que vender um produto, vende um serviço.

“Queremos ser a ciência dos animais mais saudáveis” E porque um serviço tem de ser prestado com a máxima eficácia, nesta empresa há um trabalho rigoroso de consultoria. Com uma equipa técnica especializada, o responsável destaca a importância desta ir com os Médicos Veterinários às explorações dos clientes e identificar que tipo de problema está por detrás de uma eventual quebra de produção. Quanto aos desafios encontrados no setor, o empresário

A inovação é algo que a MSD vê como indispensável para o sucesso. Assim sendo, e já que opera nos campos da reprodução e respiração, a empresa prevê o lançamento de dois produtos inovadores dentro dos dois conceitos – Reprodução e Profilaxia, “sempre que desenvolvemos novos produtos acompanhamos todo o processo até à fase final, e por isso estamos sempre próximos dos clientes para dar as devidas indicações sobre a utilização dos mesmos” explica o responsável de unidade de negócio. O principal objetivo das inovações desenvolvidas é que estas possam facilitar o maneio e otimizar a saúde do animal. Relativamente às características que diferenciam a MSD das restantes empresas, Nuno Costa sublinha a constante inovação de serviços, a renovação dos processos - tentando fazê-los mais ágeis e mais adequados - e finalmente mas não menos importante, a Equipa – que integra pessoas bem formadas que conhecem bem o mercado onde atuam, prestando um serviço de informação eficaz. Em conclusão a MSD é e continua a ser, uma empresa de referência nacional que luta diariamente para construir confiança nos seus parceiros. “Queremos ser líderes nos segmentos chave e queremos ser a ciência dos animais mais saudáveis” completa Nuno Costa.


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“Um país só é rico se produzir mais e melhor” Silva & filhos É uma empresa de cariz familiar que sempre centrou a sua atividade na produção e comercialização de suínos reprodutores da raça Pietrain. desconhecida na Europa. A partir da mudança dos hábitos alimentares da população, esta raça tornou-se conhecida no continente por possuírem uma menor percentagem de gordura na sua carcaça. Desde 1970, essa raça é utilizada em programas genéticos, objetivando melhoramento da qualidade da carne, sendo que a cada ano a sua participação nesses programas tem aumentado. São caracterizados por uma pelagem branca, com manchas pretas e pela excelente massa muscular, especialmente excelentes pernis. Apresentam uma cabeça larga, perfil de formato côncavo e orelhas do tipo asiáticas, médias, grossas, dirigidas para frente, portadas horizontalmente. O Pietrain possui boa precocidade, eficiência transformadora, prolificidade e qualidades criadeiras.

Uma junção conhecimento

Jorge eduardo Silva e jorge silva Administradores

J

orge Silva assumiu o comando da Silva & Filhos, Lda em 1995 e numa primeira fase começou por apostar num alargamento de instalações que conferisse melhorias significativas para o bem-estar animal. Desvendando um pouco a história da empresa, o administrador recordou-nos aquilo que outrora fazia parte da tradição familiar. “O meu pai trabalhava no Alentejo, comprava lá os leitões e engordava-os aqui em Leiria”. Só depois de formar a Silva & Filhos, Lda. é que decidiu investir na produção intensiva em ciclo fechado, que consiste na produção de leitões para recria e acabamento na própria exploração. Desde esse momento, o administrador começou a ganhar solidez no mercado e admite que a atividade tem vindo a evoluir de forma positiva “hoje temos de ter mais cuidados, ao nível da segurança e higiene no trabalho, do bem-estar animal e das condições necessárias para desenvolver a atividade da forma mais produtiva possível”. Jorge

Silva refere que é igualmente importante respeitar os intervalos de segurança dos medicamentos usados na atividade suinícola de forma a garantir a segurança alimentar para o consumidor final. Para além desta atividade, a Silva & Filhos, Lda. realiza a importação de machos reprodutores da raça Pietrain, provenientes de Espanha. Estes são usados em pecuárias que produzem Inseminação Artificial para auto-consumo, sendo comercializados no mercado nacional, com especial enfoque para a zona centro e sul de Portugal. Trata-se de um mercado muito exigente pois a escolha da raça e do próprio reprodutor tem uma influência decisiva nos resultados económicos da produção.

Curiosidades da raça Pietrain Pietrain é uma raça suína, originária da Bélgica, sendo que até o ano de 1950 era uma raça praticamente

de

experiência

e

Tinha 17 anos quando começou a trabalhar neste ramo. A vasta experiência do administrador dita hoje o sucesso da empresa. E tal como diz o ditado “filho de peixe sabe nadar”, o filho do empresário, Jorge Eduardo Silva, também pretende seguir na área suinícola, estando neste momento a terminar a sua formação académica, em Medicina Veterinária. Neste sentido contou à Revista Business Portugal um pouco sobre as suas ambições: “Estamos focados em aproveitar os apoios e aumentar a nossa capacidade de produção, aplicando os conhecimentos científicos adquiridos ao longo do meu percurso académico. Queremos crescer e vamos trabalhar para isso”. Outro projeto futuro, que se revela num sonho antigo do administrador, é um dia poder vender diretamente ao consumidor final - neste caso a talhos – porque, no seu entender, isso será mais vantajoso. Em conclusão o nosso interlocutor deixa uma mensagem de relevo: “nos dias de hoje nós, para além de produzir, temos que ser incentivados a produzir mais e melhor”.

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Em busca de um ambiente mais cuidado golden fibra Vocacionada sobretudo para a área da preservação ambiental, a Golden Fibra é uma empresa nacional capaz e experiente que surgiu em 1998, em Turquel – concelho de Alcobaça. Quem a lidera é Paulo Subtil que, em entrevista, falou sobre os desafios e as preocupações ambientais.

Paulo Subtil Administrador

A

Golden Fibra delineou desde o seu surgimento um crescimento sustentável, renovando a sua estratégia ao longo do tempo e mantendo-se sempre a par da modernização tecnológica. O empresário Paulo Subtil começa por contar que, numa primeira fase, os serviços prestados destinavamse não só para o setor doméstico – para tratamentos de águas residuais como vivendas, caseiros e privados - mas também para a área da suinicultura – estufas para leitões com reservatórios de água. Com o passar do tempo, a empresa foi ganhando consistência e em 2002 canalizou a sua atividade na comercialização e instalação de produtos e equipamentos adequados à preservação ambiental. A partir de 2009, mediante a quebra significativa na área da construção, Paulo Subtil confessa ter sentido necessidade de emergir

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por outros caminhos. Nesse sentido, a empresa abriu um novo trilho para o tratamento de águas industriais, incidindo em matadouros, salsicharias, queijarias, e todo o setor que até então não era da sua responsabilidade (mas especialmente das câmaras municipais). “Aparecemos no mercado a representar duas multinacionais de muita credibilidade, nomeadamente a SIGMA – uma empresa espanhola, na área de tratamento de águas residuais – e a BIGAS E ALCINA – uma empresa que fabrica toda a maquinaria para os matadouros” explica o nosso interlocutor.

O segredo de fazer tudo ‘bem feito’ Falamos de uma empresa altamente certificada de acordo com a ISO 9001 que, além de ter uma estrutura

comercial, possui um laboratório interno para a realização de análises e despistes, que permite aos profissionais regularizar eventuais problemas em tempo real, seja para resolver afinações, falhas ou outras anomalias. Com uma equipa técnica e comercial especializada por todo o país, a Golden Fibra tem como mais-valia responder de imediato a qualquer solicitação, de forma a oferecer os melhores produtos e serviços que vão desde: separadores de hidrocarbonetos, separadores de gorduras, depósitos de água, reservatório de águas, fossas biológicas, fossas sépticas, ETAR compactas, até estações elevatórias, entre outros. Segundo Paulo Subtil, os serviços da firma distinguemse pela flexibilidade e personalização que conferem em cada atuação: “nós chegamos ao local, instalamos, abrimos, furamos e transformamos mediante a


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necessidade do cliente” um exemplo disso são as estações elevatórias por medida. Dos principais clientes podem-se realçar: as Câmaras Municipais, as empresas de construção, matadouros, entre outros. Sendo referenciada pela ARH – agência portuguesa do ambiente - pela eficiência e qualidade dos serviços, o administrador sublinha que “mediante a relação muito próxima com esta entidade, conseguimos tirar várias vantagens porque partilhamos conhecimentos técnicos”. A par desta ligação, a Golden Fibra aproveita para realizar várias palestras, com o intuito de alertar a sociedade para as diversas preocupações ambientais. Assim, de acordo com o nosso interlocutor, a filosofia da empresa passa por informar os clientes e prestar um serviço “eficiente e bem feito”. Para além desta empresa situada em Alcobaça, o administrador indica outra empresa do Grupo Golden Fibra designada de Silver Water, que possui uma delegação no Algarve e que opera essencialmente no tratamento de águas residuais potáveis.

Processo eficaz na recolha de animais mortos Os biodigestores - um equipamento usado para o processamento de matéria orgânica – que de acordo com o nosso interlocutor são reservatórios indispensáveis utilizados para incinerar os animais mortos nas explorações, de modo a evitar as recolhas

tradicionais. Contudo, e apesar das mais-valias visíveis, o administrador diz que depois de vários anos a batalhar, só em 2012 teve a devida aprovação/legalização do equipamento. “É importante que as pessoas saibam que com este equipamento conseguimos manter o vírus da exploração dentro da mesma, e é aqui que retiramos a grande vantagem” indica Paulo Subtil, acrescentando que atualmente a sanidade entre as explorações é um assunto preocupante. Deste modo e através deste método, a empresa presta um serviço diferenciado que confere resultados muito positivos nomeadamente nos impactos sociais, ambientais e económicos.

Abrir novos horizontes Apesar de falarmos de um tipo de produto que não é de fácil exportação, a Golden Fibra não se confina ao mercado nacional, estando atualmente inserida num projeto para participar em feiras importantes: uma em Moçambique e outra em Cabo Verde. “Iremos apostar mais na internacionalização, na área industrial e na implantação de empresas de subprodutos animais” adianta o administrador. Com 18 colaboradores, Paulo Subtil mostra-se orgulhoso de possuir uma empresa “que vai mantendo o grupo de trabalhadores como uma família” salientando que a Golden Fibra acaba por se caracterizar num espaço que integra uma equipa esforçada e sempre disponível.

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Uma visão global da produção animal Ibersan Com conhecimento transversal nas várias vertentes da zootecnia, a Ibersan é uma empresa capaz de oferecer uma resposta completa às exigências das explorações, tais como a prestação de serviços, consultoria técnica e comercialização de produtos e equipamentos, no âmbito da Produção Animal.

sandra chamusco Diretora de Operações

I

nicialmente de cariz familiar e com 30 anos de experiência, a Ibersan começou por atuar exclusivamente na área da higiene e desinfeção para pecuária. Mais tarde, através de uma parceria com outra empresa, deu um salto e especializou-se em nutrição animal. A partir dessa altura, o sucesso começou a ser uma constante. Contudo, foi em 2002 que a Ibersan alcançou o mais alto nível, após ter sido adquirida por um grupo francês CCPA – Conseils et Compétences en Productions Animales – que é um dos grandes atores em França na área da nutrição e saúde animal e em técnicas de produção. Atualmente, o mesmo Grupo é formado por um conjunto de empresas responsáveis pela produção de produtos especiais, por uma Estação Experimental (Euronutrition

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SAS) e por filiais: em Portugal (Ibersan), Brasil (Ibersan do Brasil), na República Checa (Iframix) e no México (Euronutec). A partir desse lançamento, a empresa sentiu grandes e positivas alterações. Consolidou o seu suporte técnico, potenciou o seu desenvolvimento, acrescentou mais e melhores soluções e “aquilo que hoje em dia apresentamos ao mercado português ultrapassa a venda do simples produto, e vai a todo um apoio técnico que faz dos nossos clientes, verdadeiros parceiros de negócios” refere Sandra Chamusco, diretora de operações. Detalhando os produtos que integram a Ibersan, podem-se identificar vitaminas e minerais e adjuvantes para rações. E para que servem? Segundo Sandra Chamusco, com estes complementos de nutrição

pretende-se que os animais consumam as vitaminas necessárias para o seu desenvolvimento, contribuindo para o funcionamento adequado do organismo e para a devida produção. E para além da alimentação básica que todo o animal precisa, a nossa interlocutora refere ainda que, através da investigação desenvolvida pela equipa, é possível incluir outro tipo de adjuvantes que potenciem a produção desejada, assim como, a saúde dos animais, “por exemplo, criamos soluções para que uma porca reduza os processos inflamatórios e de stress no parto. Isto permite, para além do aumento do bem estar do animal que a porca transmita à sua descendência a melhor protecção imunitária possível, potenciando a viabilidade futura e as performances dos seus filhos, ou seja, dos leitões e porcos na engorda” esclarece. Actualmente, os dois principais mercados onde a Ibersan


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intervém são suinicultura - que representa 70 por cento do volume de negócios - e ruminantes, tendo clientes por todo o território nacional e já alguma presença internacional. Uma das características da Ibersan que a distingue das demais é que, ao longo dos anos, conseguiu afirmarse em várias áreas de negócio, tornando possível ter como slogan “a visão global da produção animal”. Por isso, hoje, é especialista em nutrição, reprodução (inseminação artificial), higiene e desinfecção e possui ainda vasto conhecimento na gestão técnica das explorações, principalmente suinícolas.

A importância da Inseminação artificial Com 20 anos de experiência nesta área, a Ibersan lança-se com uma linha de produtos de marca própria e uma gama completa de equipamentos, materiais e técnicas de reprodução animal assistida, que vai desde a recolha e processamento do sémen, passando pela sua conservação e transporte, até à fase de inseminação. Relativamente aos materiais e equipamentos de inseminação, a diretora de operações refere à Revista Business Portugal que a empresa fez uma grande aposta na internacionalização, considerando que foi

fundamental abrir as portas à exportação, uma vez que o mercado português estava a ficar limitado. Neste contexto, este passo traduziu-se na abertura e entrada em novos mercados (Polónia, Áustria, França, Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Israel, e outros). Um dos produtos estrela realçado pela nossa interlocutora é um ecógrafo portátil, desenvolvido em exclusivo pela Ibersan, perfeitamente adaptado às condições de utilização nas explorações.

O que falta melhorar no setor? Quanto aos desafios atuais, a diretora de operações aponta a necessidade de formação dos trabalhadores de qualquer ramo da pecuária: “as associações deviam criar mais cursos de formação profissional porque os intervenientes das explorações deviam entender perfeitamente o que estão a fazer e porque o estão a fazer, isso evolveria a pessoas e aumentaria a dedicação, simplificaria todo o processo de produção e o retorno seria bem maior” explica. Para além desse fator, Sandra Chamusco diz que hoje em dia há uma forte concentração de empresas do ramo e as margens estão cada vez mais apertadas. Respondendo à questão sobre como se pode

ultrapassar esse obstáculo, a responsável assegura que é só pelo caminho da inovação.

Próximas novidades da empresa Estando atualmente em processo de alteração de imagem, a Ibersan está a “refrescar” a sua apresentação gráfica e simbólica, passando a estar em consonância com o grupo francês CCPA. Já o crescimento, de acordo com Sandra Chamusco, será assente na estratégia de diferenciação “aquilo que apresentamos ao mercado, para além de ser exclusivo, tem a mais-valia de ser comprovado, através da nossa estação experimental em França”. A mais longo prazo, refere a importante participação do grupo CCPA no programa europeu de investigação em saúde animal – Prohealth, que sendo um programa a cinco anos, trará certamente para o dia-a-dia, da pecuária, novas soluções para a promoção da saúde animal através da nutrição. Sobre o futuro, a nossa interlocutora revela a principal ambição: “aquilo que desejamos diariamente é a eficiência do nosso parceiro (cliente) porque o êxito dele é o nosso êxito e é isso que nos tem feito resistir !”.

A nossa experiência, a sua eficiência

NUTRIÇ IÇÃO Ç ÃO ANIMALL

Investigação

INSEMINA NAÇÇ ÃO ARTIFICIALL HIGIENNE E DESINFECÇÃ ÇÃO

Inovação

MATERIAI M AISS E E UIPAMENT EQ NTOSS

Segurança

Ibersan | Casal Vale Medo | Apartado 68 | 2534 - 909 Lourinhã Tel. : (+351) 261 416 450 | www.ibersan.pt | geral@ibersan.pt

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Marcar a diferença no setor Dinazoo O grande potencial da Dinazoo é a capacidade técnica e o elevado empenho de toda a equipa que nela integra. Falamos por isso de uma empresa que foca a sua atividade na distribuição por grosso de medicamentos veterinários, abrangendo também a comercialização de produtos relacionados com a produção animal em geral.

Henrique Fonseca Administrador

C

onstituída em 1987, esta empresa de medicamentos vem acumulando experiência e conhecimento, distinguindo-se pelo rigor, segurança e qualidade na prestação dos mais diversos serviços que a área exige. Relativamente ao principal mercado, a suinicultura fazse prevalecer, ocupando 60 por cento do volume de negócios da empresa. No entanto, a Dinazoo possui também medicamentos destinados à bovinicultura, à avicultura e aos pequenos ruminantes (ovinos e caprinos). Desta forma, a produção vai desde vacinas de prevenção, antibióticos (injetáveis) equipamentos para a área da desinfeção das instalações e alguns suplementos vitamínicos, no âmbito da nutrição animal.

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Nesse sentido, a distribuição dos produtos é feita pelos principais laboratórios a operar em Portugal, para além disso a Dinazoo representa em exclusivo a Farm’Apro France e também a MS Schippers – duas empresas de renome internacional inseridas na área da produção animal. Embora consciente da importância das representações, Henrique Fonseca conta ainda com uma gama própria que, do seu ponto de vista, é um motivo de muito orgulho e, igualmente, muito vantajoso para potenciar a imagem. Outros produtos distribuídos são importados de Espanha, França, Alemanha, entre outros países da União Europeia. Seguindo o lema de que a empresa tem de satisfazer sempre as solicitações do mercado com a máxima

eficácia, o nosso interlocutor explica a necessidade de ter uma equipa “versátil, já que estamos num mercado bastante dinâmico”.

Particularidades da Dinazoo “Tentamos sempre acompanhar os clientes na pósvenda, percebendo se eles estão a ter retorno com os medicamentos que fornecemos” revela Henrique Fonseca, caraterizando, em parte, o espírito comercial adotado. Outra missão da equipa de profissionais é “marcar a diferença” no setor, não só pela capacidade técnica, mas também pela dedicação e rigor na hora de responder a qualquer serviço. Tal como revela o administrador: “com


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uma equipa bem formada e adequada, conseguimos levar até ao produtor os nossos serviços com a máxima rapidez e eficácia”. Outro ponto forte que contribui para o sucesso da Dinazoo deriva da capacidade de estar na linha da frente com novos produtos e também dos contactos com outros países da União Europeia, onde a empresa tem parceiros de produção que, a posteriori, possibilita o teste de novos produtos em Portugal.

Forte aposta em novas instalações E porque gerir uma empresa é manter a desorganização no mínimo, Henrique Fonseca decidiu seguir esta ótica ao construir em 2011 as novas instalações. As mudanças fizeram-se sentir no aumento das várias áreas de armazenagem - desde áreas refrigeradas, áreas de pré-misturas, entre outros – que, por sua vez, permitiram uma melhoria na gestão de stocks e consequente melhoria na organização e na qualidade dos serviços. A ideia de que os pormenores fazem toda a diferença na obtenção de qualidade no produto final, é algo que o empresário está ciente.

Olhos postos no futuro Apesar do setor da agricultura ter regredido, é bem visível a sua reviravolta e quanto a este assunto o nosso

interlocutor, engenheiro zootécnico, ressalva: “acho que a agricultura nunca devia ter saído do centro de atenções, mas pelo menos agora estamos a retomar e isso é algo promissor”. No futuro “a Dinazoo quer continuar a crescer, continuar a fazer parcerias com outras empresas, seja em Portugal seja fora, e sobretudo quer avançar com mais representações e mais produtos próprios. É esse o

caminho” afirma o administrador. E porque falamos de uma área complicada para exportação, devido ao rigor da legislação dos medicamentos, Henrique Fonseca admite que hoje em dia exportam muito pouco para Angola mas que, caso essa situação se resolva, esse será um passo a seguir e que pretende apostar, de modo a internacionalizar a empresa.

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Em prol de uma vida animal mais feliz e mais saudável elanco No âmbito da área da saúde animal, a Revista Business Portugal foi conhecer a ELANCO, uma empresa líder mundial na inovação e desenvolvimento de produtos e serviços que melhoram o desempenho, o bem-estar e a saúde dos animais. Tendo como parcerias as mais inovadoras empresas em todo o mundo, a Elanco mostra-se hoje especialista em desenvolver produtos responsáveis pelo aumento da produção de alimentos e pela sua segurança. Em entrevista à administração ficamos a conhecer aquilo que faz desta empresa uma referência nacional.

Rui Gabriel (Country Manager) e a sua Equipa Elanco

Como se caracteriza a empresa? A Elanco é a divisão de saúde animal da Eli Lilly and Company. A sua sede mundial está localizada em Indianápolis e conta com mais de 2500 colaboradores em 40 países. Este ano a empresa comemora o seu 60º aniversário e os nossos produtos contribuem para um fornecimento, acessível e abundante, de alimentos garantindo a segurança dos mesmos. Os produtos para animais de companhia asseguram-lhes uma vida mais longa,

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saudável e feliz. Em Portugal, a Elanco conta já com 4 décadas de desafios e sucessos criando valor para a companhia e para os seus clientes, através de uma equipa que sempre foi constituída por pessoas que se importam dando respostas que contam. A nossa missão assenta em três objetivos principais: em primeiro lugar contribuir para um fornecimento de alimentos seguros, mais acessíveis e mais abundantes, melhorando a saúde e o desempenho dos animais. Em segundo, ajudar os animais de companhia a ter uma vida mais longa, mais

saudável e com mais qualidade e finalmente, melhorar a segurança alimentar. Sendo uma empresa relevante na descoberta, desenvolvimento e comercialização de produtos para a saúde animal, gostaria que me indicasse quais os principais produtos e serviços que põem à disposição dos vossos clientes? A Elanco é líder mundial no que respeita à inovação e desenvolvimento de produtos e serviços que melhoram


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o desempenho, o bem-estar e a saúde dos animais. Nos animais de produção destacamos os “coccideostáticos” na área de avicultura, os antibióticos e vacinas em suinicultura e mais recentemente um produto inovador para a indústria leiteira, que previne a cetose reduzindo em 74% a sua incidência. Além disso, a Elanco oferece serviços diferenciados no suporte à tomada de decisão, por meio da análise e interpretação de dados, ajudando os clientes a fazer um melhor uso das suas próprias informações. Os dados e análises conduzem a aplicações, tais como cálculos equilibrados e ferramentas de otimização de metas. Nos animais de companhia, a Elanco foi a primeira companhia com o primeiro comprimido mastigável para a prevenção e tratamento das pulgas, hoje em dia temos já um portefólio mais alargado na prevenção da pulga: dirofilariose e nemátodos gastrointestinais. Para que tipo de setores se destinam os produtos de prevenção e tratamento de doenças? A Elanco assume-se como líder global na área da integridade intestinal em avicultura e suinicultura, sendo que nestas mesmas espécies a patologia respiratória também é um foco de interesse e liderança. Nos animais de companhia, a nossa empresa iniciou uma revolução com uma nova abordagem na prevenção e tratamento da pulga através de um comprimido mastigável estes sucessos resultam de um focos na inovação e na missão da nossa companhia enquanto “Alimentos e confiança que enriquecem a vida”. Quais os principais desafios que hoje encontra nesta área? Como vê a situação do setor em Portugal? Reconhecendo o momento de crise, sabemos que existe também uma oportunidade para melhorar as nossas capacidades de diferenciação e resposta as necessidades dos nossos clientes. Sendo, pois, um desafio acrescido mas também uma oportunidade. À medida que ultrapassamos as incertezas dos tempos de dificuldade económica que correm, há coisas que permanecem inalteradas. Uma das certezas que permanece inalterada é que, independentemente das suas origens, irão sempre ser necessários alimentos seguros, nutritivos e acessíveis todos os dias. E é aqui que entra a Elanco. A nossa missão é aplicar as ciências em prol do bem-estar das populações, transformando a produção de proteína animal e os cuidados de saúde dos animais de companhia. É esta a nossa visão relativamente à importância que os alimentos e o companheirismo têm na nossa vida. A situação de mudança a nível global representa uma oportunidade para melhor servir os nossos clientes, garantindo o fornecimento seguro, saudável e acessível de alimentos a uma população em crescimento. Nesta economia, os produtores procuram formas de fazer chegar até nós os alimentos seguros, nutritivos e acessíveis.

Tiago Salvado, Ana Costa e Tiago Grosso Sales Rep. and Key Account, Sales Supervisor e EKS Specialist

Na sua opinião, quais as principais características, na área da saúde animal, que aponta como

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essenciais para que se possa tornar o parceiro preferencial dos Veterinários e Produtores? A Elanco tem como objetivo ser a empresa número um no aporte de valor para os nossos clientes, não apenas pelos produtos inovadores, mas também pelo valor que aportamos aos nossos clientes para além do nosso portfólio de produtos. Assim, temos também disponíveis serviços e ferramentas analíticas que permitem aos produtores e médicos veterinários tomadas de decisão com base numa análise de dados e um serviço de consultoria customizado ao cliente. Relativamente à vossa presença na XXII Feira Nacional do Porco, gostaria que me indicasse quais foram as vantagens que encontrou? E a possibilidade da sua internacionalização? A XXII Feira Nacional do Porco foi um momento importante para o setor da suinicultura nacional, como tal, foi importante para os nossos clientes e para a nossa empresa. Este evento permitiu-nos estar mais perto dos nossos clientes mostrando o quanto estamos envolvidos na indústria da saúde animal com produtos inovadores ajudando a produção a produzir ainda melhor. A internacionalização da feira é importante para a divulgação dos produtores e produtos nacionais noutros países, permitindo assim um crescimento do setor e dos nossos clientes fazendo-nos também crescer com eles. A Elanco tem desenvolvido algumas áreas de responsabilidade social? A Elanco já identificou várias causas sociais que

correspondem às áreas de especialização e interesse da empresa. Estas causas abrangem questões a nível mundial, tal como a luta contra a fome e o reforço da sustentabilidade, incluindo vários projetos de prestação de serviços à comunidade por todo o mundo. A Elanco, dentro da sua área de responsabilidade social, estabeleceu uma parceria com a Heifer Internacional, destinada a combater a fome no mundo, através do suporte na produção animal e do seu treino em famílias carenciadas em várias áreas do mundo. A sustentabilidade é uma das maiores preocupações atuais, particularmente a necessidade de encontrarmos soluções para alimentarmos uma população potencialmente crescente e que irá requerer nos próximos anos, até 2050, duplicar a oferta alimentar atual e crescer no mínimo 60 % a oferta atual de proteína de origem animal. No mesmo sentido da disponibilidade de alimentos, está classificada como um dos 8 maiores riscos da sociedade a nível global, teremos que produzir mais com menos recursos. As três áreas críticas nesta área são a Inovação, a Escolha e o Comércio. “Não podemos alimentar o mundo amanhã com a tecnologia de ontem”. Junte-se a nós no combate à insuficiência alimentar – Enought – www.sensibletable.com ou sigam-nos no twitter #feedthe9. Finalmente interessa-nos saber quais as expectativas para o futuro, novos mercados, novas apostas, mais inovação? Uma aposta muito clara é a nossa intenção de continuar a investir e apostar neste setor. A população mundial

continua a aumentar e existe também uma melhoria na qualidade de vida nos países emergentes. Por isso, acreditamos que a procura da proteína animal vai continuar a crescer e é crítico ter produtos e tecnologia que permita aumentar a produção de um modo sustentável. Por outro lado, os animais de companhia são um elemento importantíssimo para muitas famílias e cada vez existem mais pessoas com animais de estimação nas suas casas. Nós queremos aportar valor e crescer em ambas as áreas e as novas aquisições ajudam-nos também a concretizar este objetivo. As novas aquisições são importantes pois permitem-nos oferecer um portefólio e serviços mais completos aos nossos clientes. Queremos ser no futuro reconhecidos pelos nossos clientes como a empresa de maior aporte de valor em produtos e serviços aos nossos clientes, produtores e médicos veterinários, um valor que possa ser mensurável pelos nossos clientes. A Elanco continuará a ser uma empresa que forma e desenvolve com excelência as pessoas que formam parte dela, e acreditamos que para cumprir os nossos objetivos trabalhamos com humildade todos os dias dando o nosso melhor para chegar aos nossos clientes.

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UMA FORMAÇÃO ADAPTADA ÀS NECESSIDADES DO MERCADO escola profissional do montijo Está localizada na cidade de Montijo, distrito de Setúbal, e foi criada em outubro de 1991. A Escola Profissional do Montijo é hoje uma entidade reconhecida pela qualidade da formação profissional que oferece e caracteriza-se pela forte ligação com o tecido empresarial. Em entrevista com o diretor João Martins, fomos perceber as mais-valias desta unidade de ensino.

Quando e como surgiu a Escola Profissional do Montijo? A escola surge em 1991 de acordo com as atuais diretrizes sobre a criação de escolas profissionais e após a assinatura do Contrato-Programa entre a Câmara Municipal, que se constituiu como entidade promotora, e o Ministério da Educação. A Escola resultou de uma abertura do estado à sociedade civil, de forma a permitir estabelecer localmente a criação de uma unidade de ensino profissional que pudesse vir a colmatar duas falhas: a escassez de técnicos qualificados intermédios e permitir uma intervenção local direcionada para aquilo que eram as atividades regionais - a indústria de carnes e de cortiças. Uma vez que ainda existiam alguns entraves nas

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instalações e condições, a escola abriu as suas portas somente em 1993. Entretanto, considerando que não devíamos ficar reduzidos a estes dois setores de atividade, arrancamos com mais um curso na área do Design Industrial. Mais tarde os cursos foram aumentando, o número de alunos também, e em 1999 a Câmara Municipal de Montijo tomou a iniciativa de fundar uma associação que fosse a entidade proprietária para a escola, e assim nasceu a Associação para Formação Profissional e Desenvolvimento de Montijo, que é a entidade representativa das forças vivas do Montijo, procurando juntar as atividades através de várias áreas – economia social, cortiça, carnes, comércio e a câmara. O principal objetivo desta Associação foi dinamizar a qualificação

de recursos humanos e fomentar o desenvolvimento da região. Atualmente quais os cursos que a Escola Profissional do Montijo oferece? Temos um total de catorze cursos profissionais, que vão desde as Informáticas à Manutenção Industrial, ao Frio e Climatização, Artes Gráficas, Secretariado, Comunicação, Turismo, entre outros, todos eles adaptados às necessidades das empresas e ao que nos parece ter uma maior inserção no mercado de trabalho. Que outros investimentos é que a Associação fez para dinamizar o ensino? Devido ao Decreto-Lei n.º 4/98 de 8 de Janeiro, a


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entidade promotora tomou a iniciativa da criação da AFPDM, em 1999, como já mencionei anteriormente e que se constituiu como entidade proprietária da EPM. Com a criação da AFPDM foi possível apostar num conservatório de música, chamado Conservatório Regional de Artes do Montijo (CRAM), localizado nas antigas instalações da EPM, escola esta reconhecida pelo Ministério da Educação, que dá aos alunos formação qualificada nas várias áreas da vertente artística – música, dança, artes plásticas e teatro - que, do nosso ponto de vista, é algo bastante enriquecedor para os nossos jovens. Na sua opinião, quais são as principais vantagens das escolas profissionais privadas? Do meu ponto de vista as escolas profissionais conseguem, com maior facilidade, agilizar a oferta consoante as áreas que atualmente têm mais saída. Aqui o nosso grande objetivo é que o aluno que frequente um curso profissional tenha uma maior probabilidade de emprego e, nesse sentido, tentamos adequar a oferta às necessidades exigidas pelo nosso mercado. De um modo geral, pretendemos formar jovens com competências técnicas que lhes permitam dominar minimamente uma área de intervenção e, de igual forma, jovens com capacidade de se integrar facilmente num local de trabalho. Daí propiciamos uma série de experiências ao longo do curso. A Feira Nacional do Porco foi um exemplo disso, em que tivemos alunos que participaram ativamente durante quatro dias nas atividades de organização e desenvolvimento da feira, vivenciando assim uma experiência real. Acima de tudo queremos que os nossos jovens entrem no mundo do trabalho com aptidão para fazer um pouco de tudo, obviamente sem deixar de lado a sua especialização.

o programa Erasmus+. Sendo que um dos projetos chave da Escola é precisamente o intercâmbio, onde queremos primar, não só por enviar os nossos alunos, mas também por receber da melhor forma os de fora. Nesse sentido, a adesão tem sido bastante positiva e prevemos no próximo ano receber 500 estudantes estrangeiros. Consideramos que internacionalizar a Escola é fundamental nos dias de hoje. Para o futuro, que projetos têm delineado? Futuramente ambicionamos consolidar as parcerias que temos com o tecido empresarial da região, continuando a fortalecer a relação com o mesmo. Pretendemos construir o espaço-oficina que faz parte do projeto inicial de construção da EPM, tentando alargar a nossa capacidade atual, no sentido de reforçar a qualificação dos jovens, apostando em novos projetos que possam enriquecer a sua formação e ainda continuar a criar condições para o desenvolvimento de intercâmbios internacionais e nacionais.

Quais os desafios que a Escola Profissional do Montijo enfrenta hoje em dia? Hoje uma organização como esta, que teve de construir infraestruturas quase à sua custa, tem de estar sempre atenta a novos projetos para conseguir suportar as duas parcelas – investimento e funcionamento. De momento, estamos a tentar desenvolver um conjunto de consultorias em várias áreas que nos permitam entrar no próximo quadro comunitário e posicionar-nos de uma forma completamente diferente daquela que temos desenvolvido até então, passando a ser mais atores e mais ligados ao tecido empresarial. Para além disso queremos que os nossos alunos vivenciem experiências lá fora, aproveitando também

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apoiar mais feiras e iniciativas que fomentem a riqueza da região Junta de freguesia da união de freguesias de montijo e afonsoeiro Em entrevista a Fernando Caria, presidente da Junta de Freguesia da União de freguesias de Montijo e Afonsoeiro - resultante da extinção das freguesias de Afonsoeiro e Montijo - a Revista Business Portugal foi perceber a importância de preservar os eventos tradicionais e quais as suas estratégias para continuar a criar riqueza local. nosso site, para permitir que as pessoas possam não só resolver assuntos a partir de casa, mas também participar e sugerir novas soluções para a freguesia”, explica Fernando Caria. O presidente acrescenta que, recentemente, também investiram num autocarro novo, com condições modernas e mais confortáveis para transportar crianças. Em suma, o Presidente exprimiu o seu firme otimismo nos passos dados e em curso para a consolidação administrativa da nova área geográfica das duas antigas freguesias, pois conhece bem a realidade das populações de Afonsoeiro e Montijo e é para o bem-estar dessas freguesas e desses fregueses que ele e o restante Executivo trabalham.

Apoio à XXII Feira Nacional do Porco

Fernando Caria Presidente

O

Executivo da Junta tem várias áreas rotuladas de prioritárias. Contudo, de momento, o presidente da Junta diz estar especialmente atento à vertente social “porque infelizmente no Montijo é cada vez mais urgente trabalhar essa área para apoiar tanto às famílias carenciadas, como para resolver outros problemas sociais que todos os dias nos chegam”. A Junta mostra-se também focada na educação, nomeadamente no apoio aos jardins de infância e escolas básicas, para colaborar na melhoria dos resultados das aprendizagens e da socialização das crianças e jovens da freguesia. Além destas ações, “as instalações foram intervencionadas para se criar melhores condições de atendimento dos fregueses. Estamos ainda a criar o

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Relativamente à tão prestigiada feira dos montijenses – a Feira do Porco - Fernando Caria disse entender que, dado a extrema importância da mesma, todo o apoio que a Junta pudesse dar era bem-vindo, considerando que “a indústria da suinicultura é fundamental no Montijo, pois não só potencia a região, como também traz emprego”. Em termos logísticos, a Junta também teve um papel relevante, uma vez que acompanhou de perto todas as necessidades envolventes e deu sempre o seu apoio. Notando-se que, paralelamente à suinicultura, outros setores tradicionais tiveram a oportunidade de se expor na feira, o presidente da Junta realça que o retorno foi grande e positivo para a região, sendo que o grande objetivo “é que se consiga atrair mais gente todos os anos”. Hoje em dia, consciente da importância de ter uma economia sustentável, Fernando Caria defende que se torna elementar apoiar qualquer indústria na sua dinamização. Para além disso, revela primordial

aproveitar ao máximo os pontos fortes da região: “o Montijo tem qualidade de vida, tem muito futuro e precisa de beneficiar da sua localização para que esta possa ser muito próspera no futuro”.

Quais as necessidades do Montijo? Nas palavras do nosso interlocutor, o Montijo, do ponto de vista social, precisa de um apoio muito grande, visto que há cada vez mais famílias com dificuldades. Deste modo, a solução da Junta passa por tentar reunir as melhores opções: “temos empresas de transformação de carnes que nos apoiam quando precisamos de fornecer alimentos às pessoas”. Neste contexto, Fernando Caria diz despir a camisola para ajudar a população. Porém, a Junta de freguesia não se confina apenas em apoiar a vertente social, mas tem também particular atenção ao fator ambiental: “colaborando com a Câmara Municipal embelezamos o espaço junto ao rio, criamos soluções para prevenir cheias e inundações e tentamos estar atentos ao bem-estar das pessoas” garante o nosso entrevistado. A colaboração da Câmara Municipal de Montijo é outro aspeto que o presidente da Junta define como uma aliança muito forte, uma vez que trabalham sempre em unanimidade e com os mesmos objetivos.

Expectativas para os próximos anos “Perante o cenário atual considero que o nosso Montijo tem futuro, vai a bom porto e para o ano iremos apoiar mais feiras e todas as iniciativas que fomentem riqueza da nossa região” conclui Fernando Caria, presidente da Junta de Freguesia da União de freguesias de Montijo e Afonsoeiro.


REVISTA BUSINESS PORTUGAL BRAGA, TURISMO DE ELEIÇÃO

braga, turismo de eleição

O

turismo na cidade de Braga está a corresponder às expetativas que temos vindo a alimentar para a sustentabilidade da economia da cidade e da região”. Quem o afirma é Domingos Macedo Barbosa, presidente da Associação Comercial de Braga. “Temos assistido, naturalmente, a um aumento sustentável da atração de turistas à cidade. Temos sentido que a cidade cada vez mais se assume como uma cidade cosmopolita, visto que acaba por atrair turistas dos mais variados lugares do mundo”. Domingos Macedo Barbosa refere que “isto é sinal da notoriedade que a cidade de Braga tem vindo a conquistar e o seu comércio não passa ao lado disso. Naturalmente que está intimamente ligado a esse sucesso porque toda a vida também esta instituição tudo fez para colocar o seu comércio à altura dos pergaminhos desta sua cidade”. De acordo com o nosso interlocutor, ser associado da ACB é fazer parte de uma associação que congrega valores empresariais de futuro e abraça desafios. “É construir, em conjunto, o caminho do desenvolvimento empresarial do nosso país. A par de pertencer a um grupo de empresas associadas por excelência, todos os sócios usufruem de um conjunto diversificado de serviços, benefícios e regalias, exclusivos dos nossos associados”. Entre eles estão o apoio jurídico, especializado à interpretação e aplicação da legislação. Além disso, a Associação Comercial de Braga valoriza a qualificação da população ativa nas empresas da região bracarense. Os seus associados têm também à sua disposição serviços que permitirão a dinamização da sua atividade económica e empresarial. “No que diz respeito à oferta existente na cidade, acreditamos que nunca nos podemos dar por satisfeitos, assim como com a formação e qualificação dos empresários e seus funcionários”, diz-nos o presidente da Associação. “Temos que fazer constantemente um upgrade à nossa cidade e à sua oferta, tendo em vista a sua notoriedade, posicionamento, o seu reforço em termos de qualificação. Estamos sempre interessados em, cada vez mais, qualificar o nosso comércio, as nossas empresas, os nossos empresários e todos os ativos”, finaliza.

EU

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL BRAGA, TURISMO DE ELEIÇÃO

Braga, destino turístico associação portuguesa de hotelaria, restauração e turismo Entrevista a Rodrigo Pinto de Barros, Presidente da APHORT

externa da cidade enquanto destino e enquanto produto turístico”. O presidente acredita ainda, que todo este desenvolvimento se deve “a uma visão alargada da autarquia de perceber onde é que estava o potencial turístico da sua cidade e do seu distrito, após essa avaliação potenciaram essas valências e hoje em dia, começa a ter o retorno”. Ainda assim, o presidente alega que Braga “tem que melhorar na sua informação turística, a nível de trajetos pedonais pela cidade, com maior informação e formação autárquica e empresarial no sentido de que a experiência que o turista tenha na cidade seja uma experiência positiva e que vá no caminho da qualificação enquanto destino turístico.” Com isto, Rodrigo Pinto de Barros prevê que o concelho de Braga nos próximos anos tenha um crescimento bastante grande e que seja uma alternativa à Invicta. Motivada pelo empreendedorismo patente na cidade, a Revista Business leva-o a conhecer algumas empresas ligadas ao setor do turismo e a sua visão sobre o presente e o futuro do concelho de Braga enquanto destino turístico.

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ada vez mais a evidenciar-se no mercado do turismo a cidade de Braga já é a escolha de muitos turistas a nível internacional. “Braga tem-se vindo a afirmar em termos de importância regional. É uma cidade que vem compor a atratividade que a região norte já conquistou”, afirma Rodrigo Pinto de Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT). “A cidade, por si só, já consegue atrair o cliente e fazer com que este permaneça no concelho, pois tem um património cultural, religioso e paisagístico propícios para as pessoas desfrutarem de dois ou três dias na cidade”, afirma Rodrigo Pinto de Barros. Em termos de gastronomia o atual presidente da APHORT afirma que “estão com uma oferta muito mais atraente e moderna e já se vê uma visão cosmopolita”. Já a hotelaria, “está-se a modernizar e está super adequada à procura que tem, neste momento, com hotéis de uma a cinco estrelas, ou seja já oferece todas as possibilidades para todo o tipo de turismo, uma oferta a ter em conta hoje em dia. E a leitura que faço

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é que o sector privado começa a apostar no município ligando as suas empresas ao setor de turismo, o que dá também à cidade uma certa presença, e um certo dinamismo para captar estes turistas e fazer com que estes permaneçam no concelho”. Defende também que “o polo universitário a partir do programa Erasmus deu a conhecer a cidade a muitos jovens de outras nacionalidades, o que é um fator de crescimento de turismo derivado à excelente relação preço - qualidade que é atrativa para os jovens estrangeiros”. Relativamente a eventos, Rodrigo Pinto de Barros destaca a aposta da cidade na captação de congressos nacionais, no parque de Exposições de Braga, onde realizam eventos anuais com “bastante projeção”. E ainda, as festas populares, como o São João de Braga e a Festa Branca, “eventos que começam a ter uma grande importância para além fronteiras”. Recentemente, o concelho de Braga começou a fazer parte da agência de promoção externa da região o que lhes permite participar em workshops e feiras e, na visão do presidente, vai ser “muito importante na divulgação


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Conforto e familiaridade em pleno centro histórico Hotel dona sofia Situado no Largo de S. João do Souto, em pleno centro histórico da cidade de Braga, o Hotel Dona Sofia assume-se como um local de conforto, ao mesmo tempo que proporciona aos seus hóspedes a familiaridade e um atendimento personalizado.

Maria da Conceição e filhos Administradora

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o alto dos seus 72 anos, Maria da Conceição e a filha, Sofia, são a cara deste estabelecimento que está na família desde os finais da década de 30. A mãe da atual proprietária de origem polaca, casou com um português e veio para Portugal, aquando da segunda Guerra Mundial, instalando-se na cidade de Braga, de onde era natural o marido. “ No início a adaptação foi difícil, dado que a minha mãe não tinha os hábitos, nem os costumes dos portugueses”, revela Maria da Conceição. “Quando chegaram, começaram por servir caldo verde e preguinhos no pão no segundo andar deste edifício”, adiantou a matriarca da família. Mais tarde, começaram por servir os famosos pratos de três escudos, constituídos por sopa, pão e vinho. Com o passar do tempo, a família adquiriu também o primeiro andar do edifício e assim nasceu a pensão económica, voltada essencialmente, para os viajantes. Há cerca de duas décadas, Maria da Conceição e o irmão tomaram as rédeas do negócio da família e sentiram a necessidade de uma atualização e modernização das

instalações. Assim sendo, todo o interior foi reconstruido e a antiga pensão económica passou a ser o ‘Hotel Dona Sofia’ em homenagem à matriarca da família.

Saber receber é uma arte das gentes do minho...no Hotel D. Sofia, sabem cultivá-la Ocupando um belíssimo edifício, muito próximo da Sé Catedral de Braga, o Hotel Dona Sofia dispõe de 34 quartos, sala de reuniões, bar com instalações modernas e devidamente equipadas. Disponibiliza ainda, quartos com uma televisão de ecrã plano e canais por cabo, assim como quartos com ar condicionado que no Hotel Dona Sofia estão decorados com tons quentes e incluem uma casa de banho privativa moderna. Todas as manhãs, os hóspedes podem desfrutar de um buffet de pequeno-almoço e existe um bar que serve bebidas frescas.

Com um acolhimento familiar e uma hospitalidade característica das gentes do minho o Hotel Dona Sofia é muito procurado por estrangeiros, nomeadamente espanhóis, brasileiros e belgas. As famílias e os empresários com empresas na cidade bracarense são também o target desta unidade hoteleira, dadas as suas características mais tradicionais e a sua localização privilegiada no coração da capital do minho. Relativamente ao desenvolvimento que o setor turístico tem verificado na cidade de Braga, Maria da Conceição não hesita: existe mais dinamismo, mais gente no centro da cidade, mais negócios dirigidos por jovens. Resumindo, “Braga está melhor”. Braga, tal como toda a região do Porto e norte de Portugal, tem beneficiado da crescente popularidade e dos consecutivos prémios atribuídos à região, e isso reflete-se num crescente aumento do número de turistas, não só da Europa, mas também asiáticos e sulamericanos. Com um caráter mais vocacionado para o turismo religioso, a Semana Santa da cidade de Braga está amplamente divulgada a nível nacional e começa agora a ser conhecida no circuito internacional. Todavia, no entender de Maria da Conceição existe ainda um amplo trabalho que deve ser feito para dar a conhecer Braga e alguns dos seus eventos mais emblemáticos, como é o caso do S. João. “Nós temos um S. João muito bonito, que congrega a cidade toda e a dança do rei David, que é um aspeto particular de Braga”, revela a empresária. No que respeita à gastronomia, esta cidade minhota é riquíssima e não há quem não conheça o famoso pudim abade de priscos ou o bacalhau à Braga. Em jeito de mensagem final, Maria da Conceição espera ver nos filhos, Sofia e Joaquim, cujos nomes homenageiam os avós maternos, a continuidade deste negócio de família, que atravessou décadas e está implantado no mercado com grande sucesso. A comprová-lo estão os clientes, grande parte fidelizados, que regressam sempre que voltam à cidade bracarense.

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A excelência num paraíso natural do Minho Hotel do parque Localizado há mais de um século em pleno coração do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, o Hotel do Parque faz parte da cadeia hoteleira dos Hotéis do Bom Jesus, que neste local emblemático da cidade dos arcebispos possui um resort com quatro unidades hoteleiras: Hotel do Elevador, Hotel do Parque, Hotel do Templo e Hotel do Lago.

varico pereira e mário pereira Administradores

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otada de uma beleza singular, aliada a uma riqueza natural e cultural única, a estância do Bom Jesus é considerada um dos locais mais emblemáticos da cidade bracarense e de toda a região do Minho. Marcada pelo património religioso, arte, natureza e espiritualidade andam de mãos dadas, fazendo deste local paragem obrigatória tanto para os portugueses como para os estrangeiros.

A modernidade do presente sem esquecer a história do passado O Hotel do Parque foi alvo de um projeto de remodelação que durou cerca de oito meses e dotou esta unidade hoteleira de quatro estrelas de todos os serviços e características necessárias para responder às crescentes exigências do mercado. Num projeto que teve um custo de cerca de 3 milhões de euros, apenas as fachadas do edifício se mantiveram com as características originais, os espaços interiores foram redimensionados e o Hotel do Parque passou a ser considerado um hotel boutique. Estas unidades são, por

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definição, caraterizadas pelo atendimento personalizado e pelos espaços personalizados. “Com este investimento procurou-se conceder serviços inovadores que valorizem os produtos regionais e o património local, nomeadamente a estância do Bom Jesus, possibilitando elevar os níveis de qualidade dos serviços prestados e focar a sua ação nos mercados internacionais” revelou Mário Pereira, administrador dos Hotéis do Bom Jesus. Com as portas abertas ao público desde o passado mês de junho, esta unidade hoteleira conta com 44 quartos modernizados e acolhedores, todos eles equipados com casa de banho e decorados ao pormenor, onde todo o mobiliário e objetos de decoração foram projetados em exclusivo para este hotel, por empresas portuguesas da região minhota, dando um cunho singular e de requinte a este hotel. “A tranquilidade e a comunhão com a natureza aliam-se à monumentalidade do hotel, ao mobiliário distinto, condições de charme e aos serviços personalizados”, salientou Mário Pereira. O Hotel do Parque tem ainda ao dispor dos seus clientes um Piano Bar, salas de estar e de leitura, zonas de jogos, entre outros serviços. Numa lógica de complementaridade aos

serviços de alojamento, o hotel dispõe de espaços de reuniões, um SPA e serviços de bar e esplanada. “O Hotel do Parque reúne ainda todas as condições para a realização dos mais variados eventos: jantares de grupo, reuniões, casamentos, batizados, tornando-os em momentos marcantes” adianta o administrador. Para além desta alteração funcional do hotel e da introdução de novos equipamentos e softwares, há ainda que destacar o investimento em energias alternativas com o objetivo de modernizar os processos de eficiência energética. Assim sendo, o Hotel do Parque tornouse pioneiro na produção e consumo de biomassa, um processo energético comum às quatro unidades hoteleiras do Bom Jesus e que permite um maior respeito pela natureza e pelos recursos energéticos ao dispor do homem. Os Hotéis do Bom Jesus detêm assim a primeira rede de calor por biomassa, em Portugal. Nos últimos anos, a cidade de Braga assumiu particular importância no panorama turístico nacional, tornando-se uma cidade que pelo seu património cultural, natural, religioso e espiritual, é visitada por muitos estrangeiros. Num breve passeio pela cidade, a terceira maior de


REVISTA BUSINESS PORTUGAL BRAGA, TURISMO DE ELEIÇÃO Portugal, a mais jovem do país e que durante dez anos ostentou o galardão da mais jovem da Europa é possível observar inúmeros turistas estrangeiros, “nomeadamente brasileiros, nórdicos, ingleses e orientais”, revela o administrador. O grupo de Hotéis do Bom Jesus não é alheio a esta melhoria no turismo. Desde há cerca de um ano e meio que tem sentido um aumento de turistas.“Braga deixou de ser uma cidade excursionista para ser uma cidade turística, as pessoas já não passam só umas horas em Braga, já começam a pernoitar e a ficar, desde que haja atrativos” frisa Mário Pereira. A aposta em novos mercados, sem esquecer a génese do local onde estão inseridos, têm sido a ferramenta utilizada por esta cadeia hoteleira para combater este período mais frágil em termos económicos, que tanto Portugal como outros países da Europa enfrentam. Para além, dos quatro hotéis situados na estância do Bom Jesus, esta cadeia hoteleira detém ainda o Hotel João Paulo II, a Colunata de Eventos e a Hospedaria de Tibães na cidade de Braga. O futuro advinha-se sorridente, já que existem vários projetos em marcha. Um deles passa pela parceria com Santiago de Compostela com vista à partilha de clientes e outros recursos. Em jeito de mensagem final Mário Pereira convida todos “a visitarem a cidade de Braga e a descobrirem os Hotéis do Bom Jesus, onde o calor humano, o serviço esmerado, a culinária e os vinhos portugueses proporcionam uma experiência inesquecível. Temos tudo o que a modernidade nos pode dar, sem esquecer a história do local onde estamos inseridos”, finaliza o administrador.

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“Produzimos Sabores, Partilhamos Saberes” bem-me-quer restaurante

No Campo das Hortas, bem no centro histórico na cidade de Braga, encontra um local apetecível para todas as suas refeições, onde os sinónimos mais adequados a cada uma das iguarias, deliciosamente confecionadas sob a orientação de José Dias, passam pelo ‘agradável’ e ‘acolhedor’. E foi com neste ambiente aprazível que José Dias nos recebeu. Falamos do Restaurante Bem-Me-Quer. “Sinto-me um privilegiado porque represento uma casa que nasceu em 1953. E não sou da cidade de Braga, o que me faz sentir ter ainda mais responsabilidade para com esta casa. Não é tarefa fácil”, começa por nos confidenciar. Quando questionamos José Dias sobre as especialidades da casa, a lista não termina! Ou não falássemos de um lugar com tradição, onde os costumes, os saberes e os sabores de outros tempos estão presentes em todos os pratos. “Pretendemos manter viva a tradição nos cuidados da seleção dos produtos, assim como na preparação e confeção da vasta gastronomia minhota”. Aqui não falta o bom gosto e o requinte, além de apetitosos e suculentos pratos. Seja umas papas de sarrabulho à Braga ou a lampreia à bordalesa, sem esquecer os rojões à moda do Minho ou a pescada à Bem-Me-Quer, assim como o cabrito assado, aqui é tudo, literalmente, de comer e chorar por mais, e algumas contam ainda com um toque pessoal

do chef. “Mas também existem pratos onde só nós seguimos a receita original, preservando os costumes mais antigos”, diz José Dias. “Busco no trabalho, sob a forma de exigência e perfeição, a continuidade de busca de novos sabores afeiçoados aos saberes das experiências de vida e da partilha múltipla com o outro ou o próximo”. E aqui a fama traz proveitos. O Restaurante Bem-MeQuer é uma casa premiada e eleita embaixadora do Pudim de Abade Priscos. Em parceria com a Pastelaria S. João, outro local de referência gastronómica em Braga, esta casa está a recuperar a receita da Sopa Dourada, com base na receita do Pudim de Abade Priscos. “O abade conseguiu transpor de simples composições, grandes feitos, e a Sopa Dourada é uma iguaria sem igual”, revela. Outra referência, “se bem que erradamente menos reconhecida” é a Tíbia, “um doce totalmente bracarense”.

O restaurante Bem-Me-Quer tem experienciado uma procura acima do habitual, fruto das várias parcerias estabelecidas com instituições locais dedicadas ao turismo. “Temos o compromisso de fornecer a quem nos visita a típica gastronomia bracarense e temos orgulho em afirmar que o temos cumprido na perfeição”, conclui.

Campo das Hortas, nº6 - Braga Tlf: (+351) 253 262 095 rest.bemmequer@hotmail.com www.restbemmequer.com

O belo prazer da pastelaria nacional Pastelaria s. joão Famosa pelo seu bolo folhado, a Pastelaria São João, em plena Avenida da Liberdade da cidade de Braga, conta já com 33 anos de existência e um reconhecimento alcançado a partir de muito sangue, suor e lágrimas. João Pereira, ao lado de Fernando Machado, são os rostos desta casa que já acolheu Marques Mendes, Mário Soares, António Guterres e até José Mourinho que, à época, se deliciou com uma francesinha, “e ainda teve tempo de levar uns folhados para casa”, contanos José Pereira. “Contamos também já com alguns clientes internacionais, por assim dizer. Existem alguns clientes espanhóis que voltam várias vezes à pastelaria e sentimo-los como já sendo da casa”, diz. O ambiente acolhedor e o atendimento excecional são alguns dos elementos sedutores desta Casa, que faz com que os clientes saiam… mas voltem. Obviamente que a qualidade dos produtos é também inquestionável. A par do folhado, que já referimos ser um dos ex-libris da Pastelaria São João; ou não fosse o folhado mais famoso da região; esta pastelaria é também especialista em doces de ovos. “Os ovos moles são confecionados aqui mesmo e são vistos por muitos como uma iguaria”, refere o nosso interlocutor. “Mas toda a nossa pastelaria é de extrema qualidade e marca a diferença aqui na região”, acrescenta.

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Na época natalícia o Bolo-Rei e o Pão-de-Ló são bastante procurados pelos bracarenses. Mais uma prova da qualidade e dedicação desta equipa passa por serem um dos 27 espaços autorizados a confecionarem o Bolo-Rei gourmet há alguns anos a esta parte. “Apenas 27 pastelarias selecionadas foram autorizadas a fazer o Bolo-Rei gourmet, uma especialidade desenvolvida em parceria com outras duas instituições da região”. Esta edição especial é confecionada com ingredientes selecionados, que incluem frutos secos, recheios e coberturas ricas em fruta natural, preparados de uma forma criteriosa e com uma extraordinária combinação de sabores, texturas e cores. Questionado pelo turismo na região, João Pereira acredita que a procura de estrangeiros mas também de portugueses a esta que é já uma das grandes cidades nacionais poderá trazer melhorias significativas ao setor, nomeadamente à restauração. “Penso que o necessário é dar continuidade aos incentivos existentes e reinventar o turismo da cidade”, completa.

Av. da Liberdade, nº 205 a 207 4715-037 Braga Tlf: (+351) 253 263 802 pastelariasjoao@gmail.com


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Modernidade e requinte no coração do minho hotel meliã braga O Hotel Meliã Braga existe desde 2010 com o objetivo de dotar a cidade de Braga de uma unidade hoteleira de cinco estrelas, capaz de responder às exigências crescentes do setor turístico. O resultado foi um hotel sofisticado, com requinte e primor na decoração dos seus espaços, que enaltecem a cultura minhota, aliado ao conforto e modernidade.

delfim filho Diretor Geral

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ituado na Avenida General Carrilho da Silva Caracterizado como um hotel de negócios e de família, Pinto, uma localização privilegiada junto à o Meliã Braga possui ainda diversas soluções que visam Universidade do Minho e ao Centro Ibérico proporcionar momentos de lazer e descontração em de Nanotecnologia, o Hotel Meliã dispõe de plena capital do minho. Deste modo, a piscina exterior 182 quartos com uma decoração sóbria e elegante para adultos e crianças e o spa health club com ginásio que incluem: 20 suítes executivas com kitchenette, 20 com equipamento de cardiofitness e musculação, assim quartos comunicantes, uma suite presidencial e dois como piscina interior, jacuzzis, sauna, banho turco, quartos para utilizadores com mobilidade reduzida. duche sensações, fonte de gelo e banho de contraste Todos os quartos contam ainda com casa de banho, ar são um grande atrativo. condicionado com controlo individual, televisão, canais Outra característica que faz parte do DNA desta unidade digitais por cabo, telefone, internet, cofre de segurança hoteleira são os congressos e outros tipos de eventos, e minibar, assim como, serviço de quarto 24 horas. Tem como casamentos, batizados, comunhões, jantares ainda ao dispor dos seus clientes o restaurante El Olivo e reuniões, dado que, as diversas salas existentes com capacidade para cerca de 150 pessoas, e que no edifício permitem responder às mais variadas disponibiliza vários buffets temáticos com serviço show solicitações. cooking e à la carte com pratos baseados na gastronomia portuguesa, que está aberto do pequeno- almoço até Turismo do norte, um turismo de ao jantar. Para um momento mais descontraído existe eleição o Bar Bracara, onde hóspedes e não hóspedes podem ainda desfrutar de um serviço de tapas, refeições ligeiras Como é do conhecimento geral, e também reconhecido e serviços de cocktail num ambiente confortável com ao nível 1internacional diversos prémios, o turismo AF_meliabraga-anuncio-jantares-de-natal.pdf 20/10/14com11:28 música ao vivo e animação. do Porto e norte de Portugal tem conhecido um

grande crescimento alavancado, essencialmente, nos mercados externos e Braga tem também beneficiado deste cenário. “O turismo tem aumentado todos os anos, nomeadamente o mercado nacional, o mercado espanhol, o mercado brasileiro e o mercado francês”, revela Delfim Filho, diretor regional de operações norte do grupo Hoti Hotéis e diretor geral do Meliã Braga. Nos últimos anos, a cidade bracarense beneficiou de alguns investimentos que aliados ao seu elevado potencial cultural e religioso a tornaram mais atrativa do ponto de vista turístico. “Braga beneficia de uma localização central, relativamente ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, a Guimarães, Viana do Castelo, a todos o norte, bem como de uma gastronomia e de um património cultural riquíssimo”, salienta Delfim Filho. No entender deste especialista da área hoteleira, a cidade dos arcebispos necessita de “continuar a comunicarse, sobretudo para novos mercados, atrair as pessoas para conhecer Braga e pernoitar na cidade”. A época natalícia aproxima-se a passos largos e o Hotel Meliã assume-se como um local de eleição para a realização de jantares natalícios das empresas de toda a região norte. Outro evento que desde 2010 assumiu destaque no Meliã Braga foi a passagem de ano, onde hóspedes e convidados, vestidos a rigor, beneficiam de uma saborosa refeição ao som de uma magnífica orquestra que abrilhanta toda a festa. Em jeito de mensagem final, Delfim Filho convida os nossos leitores “a visitarem Braga e a passarem a próxima passagem de ano no Meliã Braga, uma experiência inesquecível”. Além disso, Delfim Filho deixa ainda o desafio às empresas da região a fazerem o tradicional convívio de natal no Meliã Braga.

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107 anos de história em pleno coração da cidade de Braga A brasileira Localizado numa das artérias principais do centro histórico da cidade de Braga, o café ‘A Brasileira’ conta já com mais de um século de histórias e vivências, que fazem deste estabelecimento um local emblemático e de referência na cidade bracarense.

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café abriu as portas a 17 de março de 1907 pelas mãos de Adolpho de Azevedo, um negociante portuense e vice-cônsul do Brasil em Braga. Passados 30 anos o café foi adquirido por Joaquim Queirós, que o manteve nas quatro décadas seguintes, integrando o vizinho café Sport, na parte mais baixa do café. Em 1977, foi passado a Joaquim Domingos Godinho. Já em pleno século XXI, ‘A Brasileira’ foi comprada por Armindo Pinheiro, natural de Ponte da Barca, que ganhou o gosto pelo negócio da restauração nos quase 30 anos em que permaneceu emigrado no Brasil, sendo os seus filhos que atualmente se ocupam com a gestão do estabelecimento. Com o objetivo de conservar e manter toda a traça original do edifício, o café sofreu importantes obras de restauro, conservação e modernização ao longo de seis meses, reabrindo ao público em março de 2009. “No dia da reabertura havia uma multidão de pessoas e fotógrafos à porta para avaliar o trabalho que nós

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tínhamos realizado”, revela Elvira Pinheiro, uma das responsáveis pela gerência. Este foi um projeto de requalificação que envolveu um custo bastante avultado, dado que, a ideia primordial, foi manter intata toda a traça do edifício com cinco pisos, situado em pleno centro histórico da cidade dos arcebispos. “Desde mesas em ferro fundido, cadeiras, escadaria interna, claraboia, passando pelo soalho, tudo foi recuperado ou replicado de modo a manter a identidade e a atmosfera da Brasileira”, salienta Elvira Pinheiro. E realça que essas obras permitiram a abertura ao público de mais duas salas, situadas no primeiro andar no edifício, onde também se realizam, ao longo do ano, várias tertúlias e outros eventos de interesse relevante para a cidade. Como há alguns anos que o aniversário do estabelecimento não era comemorado com “pompa e circunstância”, este ano, no passado dia 29 de março, a Brasileira apresentou um cartaz recheado, que ao longo de todo o dia animou os amigos e clientes. Nesse dia passaram pela Brasileira nove grupos de diferentes

géneros musicais, que fizeram as delícias de quem passou por este local centenário na cidade de Braga.

A convivência de várias gerações Situado no Largo Barão de S. Martinho a Brasileira é o ponto de encontro de várias gerações, e os funcionários, alguns com várias décadas de serviço, comprovam isso mesmo. “Aqui, os nossos colaboradores mais antigos presenciam a convivência de várias gerações, primeiro, os avós, depois, os filhos e, mais tarde, os netos, numa convivência enriquecedora”, refere Elvira Pinheiro. Este local emblemático e de paragem obrigatória tem como uma das especialidades o café de saco, sendo que a máquina e o moinho são os originais, o que permite manter inalterado o seu sabor ao longo dos anos. O mesmo café de saco que os clientes mais antigos ‘exigem’ tomar ainda no copo de vidro, como manda a tradição, e sempre na mesa que já adquiriram por ‘usucapião’. “Somos quatro irmãos unidos neste desafio incessante,


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dado o elevado grau de exigência dos nossos clientes, mas sempre gratificante pelo constante apoio e simpatia de todos aqueles que nos visitam”, confidenciou Elvira Pinheiro. Acrescentando ainda que esta parceria com os irmãos também inclui a gestão da pastelaria ‘Lusitana’, situada junto do jardim de Santa Bárbara, também no centro histórico desta cidade de Braga. Mas, nem só de café vive a Brasileira. Com efeito, ao longo do ano, os irmãos Pinheiro promoveram tertúlias, lançamentos de livros, exposições e algumas festas que visam dinamizar e atrair mais pessoas à Brasileira. Neste mês de outubro a Brasileira aderiu à mais recente iniciativa da Associação Comercial de Braga (ACB) “Amigos do Café”, e disponibiliza aos seus clientes, de segunda a sexta-feira, um menu por 3,95€, composto por café de saco, pão de sementes com queijo e sumo de laranja natural. Esta iniciativa conta também com a parceria da ‘Delta Cafés’, e abrange outros estabelecimentos do concelho, e tem como principal finalidade “ contribuir para a dinamização dos negócios no setor da cafetaria” adianta Elvira Pinheiro. Passados dez anos desde que começou a aventura da Brasileira, o balanço é muito positivo. “Com muito esforço, dedicação e empenho, aliados à atualização e modernização temos conseguido levar este projeto por diante” refere uma das irmãs. Em jeito de mensagem final, Elvira Pinheiro convidou todos os leitores a conhecerem não só a Brasileira, como a cidade de Braga.

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Novos sabores em novos espaços Ascensão quintas catering e restaurante A flor do sal Corria o ano de 1982, quando Ascensão Quintas substituiu a Alta Costura pela Restauração. A entrada numa área maioritariamente chefiada pelo masculino não foi fácil. Contudo, a sua paixão pela gastronomia e o seu espírito empreendedor fizeram dela uma empresária na área da restauração de referência na cidade de Braga.

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empreendedorismo e a paixão pela gastronomia parecem correr nas veias de Ascensão Quintas. Numa área profissional, ainda hoje maioritariamente masculina, empreende e lidera projetos na área da restauração desde há mais de 30 anos. O início dá-se em 1982, quando abre, em regime de sociedade, as portas da primeira lanchonete da cidade, transformando um atelier de Alta Costura, num espaço de restauração de conceito inovador, na região. O requinte e a sofisticação influenciados pelo mundo da moda onde trabalhara anos antes, aliados aos desafios propostos pelos seus clientes, levaram-na a apostar no serviço de banquetes, corria o ano de 1997. Desde então, e emprestando o seu nome próprio ao projeto, cria a empresa – Ascensão Quintas Catering, que se torna uma referência de excelência na área da organização de eventos, na região. O sucesso deste projeto advém, e segundo a própria, “do profissionalismo prestado em cada serviço, aliado à experiência, adquirida ao longo dos anos e à alta qualidade da equipa que aqui trabalha. Procuramos que cada serviço seja único. Cada desafio proposto pelos nossos clientes é pensado ao pormenor

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para ir de encontro das expetativas dos que deixam a nosso cargo um dos momentos mais marcantes das suas vidas, como acontece, com os casamentos”. E os pormenores parecem, de facto, morar em cada detalhe. Desde a matéria prima, aos métodos de confeção, passando pela sofisticação da decoração, todos os pormenores contam num evento a cargo da Ascensão Quintas Catering. Mas os projetos na área da restauração não se ficam por aí. Sempre enamorada pela gastronomia e pela arte de bem servir, Ascensão Quintas inaugura em 2009 o restaurante A Flor do Sal, implantado num edifício cheio de história, em Palmeira – Braga. As iguarias que aqui se degustam são resultado de uma cozinha tradicional com inspiração contemporânea, combinando portanto com o ambiente e decoração de todo o espaço. A Flor do Sal “é a concretização de um sonho. É um local onde nos sentimos bem pela arte de bem comer aliada ao espaço e à arte de bem servir”, explica-nos a empresária que conta atualmente com a preciosa colaboração dos filhos, Pedro e Rita, que parecem ter herdado da mãe a paixão por esta área.


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municípios em destaque

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ma vez que Portugal abraça uma vasta riqueza natural e é detentor de distintos lugares carismáticos, a Revista Business Portugal dá-lhe a conhecer mais uma vez a essência de alguns municípios nacionais. Nas páginas seguintes poderá ‘viajar’ e conhecer um pouco das regiões marcadas pela História e pela tradição. A qualidade dos patrimónios aqui apresentados acabam por tornar a sua descoberta num infinito prazer, em que damos a conhecer paisagens inigualáveis, a gastronomia típica de cada lugar, as atividades tradicionais, os produtos regionais e os programas que os executivos dos municípios pretendem desenvolver para dinamizar o turismo, fazendo valer o que de melhor existe na sua região, bem como, auxiliar a população naquilo que são as suas necessidades. Deste modo, damos a conhecer: a Câmara Municipal Figueira Castelo Rodrigo - dando especial atenção ao novo cartão de saúde, a Câmara Municipal do Douro, a Câmara Municipal de S.Pedro do Sul, a Câmara Municipal do Fundão – no âmbito da Feira do Mel – a Câmara Municipal de Alijó, e a Junta de Freguesia de Carrezedo e Montenegro – sobre o tema da castanha. Neste contexto exibimos com particular destaque o município de Alijó, sendo o maior vinhateiro do Douro, com uma fronteira muito marcada pela riqueza do Douro e pela montanha. É uma região banhada por quatro rios – Douro, Tua, Tinhela e Pinhão, onde atualmente vivem 12mil habitantes, envoltos de variadas paisagens naturais de atração turística, um clima único, entre outras regalias. Pretendemos assim, apresentar as valências deste território do ponto de vista paisagístico, gastronómico, económico e turístico.

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FÓRUM NACIONAL de

APICULTURA

XIII Feira do Mel

24 a 26 out. 2014 FUNDÃO MERCADO DO MEL WORKSHOPS PROGRAMA APÍCOLA NACIONAL

a decorrer em simultâneo organização

apoios

FNAP

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Federação Nacional dos Apicultores de Portugal


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Smart Travel 2014 Smart travel De 4 a 7 de dezembro, o nordeste transmontano vai acolher uma iniciativa internacional inédita no país: o Smart Travel 2014 que vai receber alguns dos melhores oradores de todo o mundo, especialistas na área do turismo, tecnologia e inovação. A partilha de conhecimentos, experiências e soluções inovadoras e inteligentes a uma escala mundial é o objetivo deste evento.

Vítor Pereira (diretor do evento Smart Travel 2014) O que é o Smart Travel 14? É um evento dedicado aos Destinos Inteligentes, ao Turismo, ao desenvolvimento económico, à tecnologia, ao e-marketing e às Cidades Inteligentes. Trata-se de uma iniciativa que acompanha a tendência global de aproximação de mercados tão diversos mas cuja convergência é notória, sendo o Turismo um ponto comum, neste momento, a todo o conceito Smart. O Smart Travel 2014 é um projeto de parceria que envolve dois Grupos de Ação Local (GAL), representativos de nove municípios do Nordeste de Portugal: A Corane – Associação para o Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina (Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais) e Desteque – Associação de Desenvolvimento da Terra Quente (Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor). Quais os objectivos do evento? São vários mas o principal é mesmo capacitar os

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agentes locais e levar conhecimento ao um território de baixa densidade populacional com muitos desafios pela frente, na óptica do desenvolvimento regional, e a assunção de estratégias comuns de integração de todo o potencial do território numa lógica de união e sintonia com as melhores práticas a nível mundial. É por isso que temos neste evento alguns dos melhores oradores com contribuições que esperamos valiosas para o futuro do Nordeste Transmontano. Em segundo lugar, o evento pretende atrair também atenções para o potencial turístico em vias de desenvolvimento, com a participação de parceiros (bloggers, agências de turismo e operadores turísticos) que testem as experiências inovadoras que estão a ser preparadas. Quais são os principais atrativos? Desde logo, a qualidade dos oradores com a presença dos melhores no mundo como Boyd Cohen, um dos estrategas urbanos mais considerados da atualidade. Também Nick Hall, um guru da estratégia online e

mobile com especial ênfase para projetos de destinos turísticos. Também o presidente da cidade de Santander, Iñigo de la Serna, uma presença incontornável no tema das cidades inteligentes assim como o CIO de Barcelona, Manel Sanromà. Podem ver a lista completa online (www.smartravel14.com) mas gostaria também de destacar a presença de um jovem promissor como o Rui Vasquez que tem trabalhado no desenvolvimento de cidades sustentáveis e ainda Lorenzo Cantoni, presidente da Federação Internacional de Turismo e Tecnologia e responsável da UNESCO na área das TIC para desenvolver e promover turismo sustentável nos sítios Património da Humanidade. Também gostaria de desatacar a presença de Steve Lewis, um empreendedor de primeira linha mundial, fundador da Living PlanIT e que mantém um projeto que é talvez o mais arrojado na área das Smart Cities em Portugal, o PlanIT Valley, em Paredes. Os outros atrativos prendem-se com a região onde decorre o evento, uma zona praticamente imaculada, cheia de saborosas ofertas gastronómicas, qualidade


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de alojamento e muita paisagem, património, cultura e natureza. Artur Nunes (presidente da direcção da CORANE) Cooperação e parceria são dois conceitos que estão na base deste projeto Smart Travel 2014. O evento foi pensado com espírito de união e com a real noção de que os problemas que territórios de baixa densidade populacional enfrentam precisam de estratégias bem definidas. As soluções e as decisões devem ser assumidas com bases sólidas, assentes no conhecimento, na informação credível, usando as melhores ferramentas ao nosso dispor. E é isso que esperamos deste evento: capacitação para o sucesso no futuro. Duarte Moreno (presidente da direcção da DESTEQUE)

com especial destaque para o imponente Castelo de Bragança, e museus que transmitem a história e as tradições que perduram através dos tempos, mas também a arte contemporânea. Tem uma gastronomia impar, confecionada com produtos regionais de excelente qualidade e uma vida noturna animada pelos milhares de jovens que estudam no Instituto Politécnico de Bragança. António Branco (presidente da Câmara Municipal de Mirandela) O Nordeste de Portugal abre as suas portas ao mundo organizando o Smart Travel 2014. Especialistas e estrategas mundiais, de primeira linha, visitam este território para deixar, de viva voz, o seu contributo para a necessária e urgente definição de estratégias de desenvolvimento para o futuro próximo, partilhando neste congresso os seus conhecimentos, estudos e investigações, as suas experiências. Esta é uma

oportunidade não apenas para o Nordeste de Portugal, para todo o país e, porque não, para a comunidade internacional.

Mirandela Com cerca de 11 500 habitantes, Mirandela é a segunda mais populosa cidade do distrito de Bragança. É uma cidade acolhedora que gosta e sabe receber. Situada nas margens do rio Tua é uma verdadeira cidade jardim, enfeitada com oliveiras, as mesmas que preenchem boa parte da paisagem e que representam um dos setores económicos mais importantes do concelho. Dizem os mirandelenses que aqui se produzem os melhores azeites do mundo. Na gastronomia esta cidade exibe uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal: a alheira. Mas há muito mais para ver, para provar e saborear, para sentir. Mirandela é vida, tem vida e convida a uma visita que só pode ser fantástica, cheia de experiências enriquecedoras e únicas.

“Pensar global, agir local”, é uma máxima que a cada dia faz mais sentido e é a principal razão deste evento. Um Congresso Internacional que vai trazer ao território o conhecimento mais atual, de vanguarda, fundamental para a preparação dos agentes ativos na definição de estratégias. Um evento que tem como tema “Destinos Inteligentes”, na defesa da afirmação do território pela originalidade, capacidade e diferenciação. Acreditamos no nordeste de Portugal e confiamos que este congresso nos pode preparar para melhor trabalharmos pelo seu desenvolvimento. Hernâni Dias (presidente da Câmara Municipal de Bragança) No atual contexto europeu, num ambiente de mercados sem fronteiras, a criação e implementação de estratégias baseadas na inovação e sustentabilidade é, seguramente, o caminho que permite gerar riqueza, empregos e desenvolvimento. Os Municípios têm vindo a criar vantagens competitivas, explorando as oportunidades existentes e potenciando os recursos endógenos, definindo uma estratégia local sustentada, baseada na inovação, competitividade e empreendedorismo. O Smart Travel 2014, um espaço que será de reflexão, debate, partilha e disseminação de novos e inovadores conceitos, apresentados por especialistas mundiais, assumirá um papel relevante na definição de projetos regionais capazes de contribuir para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, em consonância com a Estratégia 2020.

Bragança Bragança, com mais de 35 mil habitantes, é um território moderno, inovador, dinâmico e atrativo, com uma excelente qualidade de vida reconhecida por vários estudos externos. Os milhares de turistas que visitam esta terra têm ao seu dispor uma excelente e variada oferta de alojamento e restauração, sentem a simpatia e hospitalidade das suas gentes, apreciam as inigualáveis paisagens naturais, os belos monumentos,

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Pôr Figueira de Castelo Rodrigo no Mapa Município de figueira de castelo rodrigo À frente dos destinos do Município de Figueira de Castelo Rodrigo há cerca de um ano, Paulo Langrouva garante que o seu grande projeto é “Pôr Figueira Castelo Rodrigo no Mapa”. A Revista Business Portugal esteve à conversa com o autarca e conheceu mais de perto os projetos que estão a ser levados a cabo para tornar possível este objetivo.

É notória a perda de população neste município? Sem dúvida. Desde os Censos de 2001 até aos Censos de 2011 perdemos cerca de 1000 pessoas, o que dá uma média de 100 pessoas por ano. Este é um problema gravíssimo aqui nestas zonas hoje designadas como zonas com baixa densidade. É fundamental reverter essa tendência mas não é fácil. No que a este ponto diz respeito, o que é que tem feito a autarquia de Figueira Castelo Rodrigo para fixar população?

Paulo Langrouva Presidente

Como caracteriza o município? Neste momento é um concelho particularmente envelhecido, com muitas oportunidades mas que carece da mudança de mentalidade de muitas pessoas. No passado tinha-se a ideia que a câmara era responsável por empregar as pessoas ou criar empregos. Hoje a população tem que entender que não é essa a vocação das autarquias. O seu papel é criar as condições

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adequadas e necessárias para se tornar um polo de atração à iniciativa e aos investimentos privados. É certo que esse trabalho não é fácil principalmente em zonas do interior. Quantas pessoas vivem hoje em Figueira Castelo Rodrigo? Atualmente temos 6290 pessoas.

Nós na próxima reunião de câmara vamos levar o regulamento de apoio à natalidade para discussão. Este é um dos incentivos que só por si não é suficiente mas que constitui um elemento adicional que nos pode ajudar a estancar a saída de pessoas, principalmente jovens. O que temos feito é dar algumas possibilidades aos jovens. Temos o ninho de empresas que possibilita estimular o empreendedorismo. Na prática um jovem que se queira instalar e criar uma empresa das áreas dos serviços ou das tecnologias de informação tem acesso de forma praticamente gratuita a um gabinete totalmente equipado, durante um período de três anos, sendo possível a prorrogação por mais dois anos. Isto dá possibilidade aos jovens de se fixarem aqui e desenvolverem aqui a sua atividade.


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Qual é o balanço que pode fazer desta medida? Tem havido procura por parte dos jovens? Sim, já começa a ter. Uma empresa de contabilidade instalou-se recentemente cá e embora seja de pequena dimensão é já um reflexo que os nossos esforços estão a ter resultados. Depois há também a possibilidade de existir aqui um investimento considerável mas, neste momento, não posso avançar muitas informações porque ainda estão a decorrer as negociações para a instalação desse projeto cá. A concretizar-se a sede ficará instalada no ninho de empresas. Depois estamos também a trabalhar no sentido de estabelecer protocolos com universidades, nomeadamente com a Universidade da Beira Interior, com o Instituto Politécnico da Guarda e com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O objetivo é existir um intercâmbio de alunos. Há jovens do nosso concelho que vão estudar para essas universidades e queremos que quer estes, quer outros alunos possam, em vez de ficar nas incubadoras de empresas que existem nestes estabelecimentos de ensino, ser deslocalizados para aqui e nós disponibilizamos o transporte e o ninho de empresas para receber estes alunos. Penso que esta associação com as universidades é fundamental porque não podemos andar sozinhos a remar contra a maré. A existência de uma rede de cooperação é fulcral para se conseguir estancar esta saída de jovens especializados que são extremamente importantes para o interior do país. Uma outra iniciativa que tivemos também aqui e que parece importante referir é a “Escola de Verão de Arquitetura”. Durante uma semana um grupo de 16 alunos e quatro professores de Doutoramento em Arquitetura da Universidade da Beira Interior realizaram estudos em Barca de Alva com o objetivo de traçar um plano de regeneração urbana de forma a melhorar as condições de Barca de Alva como polo de atração turística. Os resultados vão ser apresentados brevemente ao público e são fantásticos. Este tipo de trabalho só é possível com esta massa crítica universitária, com pessoas com uma dinâmica e uma postura completamente diferentes. Esta área do turismo tem merecido por parte da

autarquia uma atenção especial? É uma das nossas riquezas. Figueira Castelo Rodrigo tem a primeira reserva privada a nível nacional que é a Faia Brava. Temos depois o cais de Barca de Alva como polo de atração turística que traz um fluxo anual de que andará perto dos 300 mil turistas. Os barcos da Douro Azul fazem a atracagem ali e todo esse fluxo de turistas acabam por conhecer quer Barca de Alva, quer Figueira Castelo Rodrigo e o Concelho. Outro dos atrativos do município é a Igreja de Escalhão que é uma das mais bonitas e que tem a particularidade de possuir uma imagem da Nossa Senhora com dois Cristos. Pelo que tenho conhecimento só existem duas destas imagens a nível nacional, uma no Museu de Arte Antiga de Lisboa e outra aqui, sendo que esta é a única que permanece no local original. Temos ainda o Museu Etnográfico de Escalhão onde se encontram os artefactos que eram utilizados na agricultura, pecuária e outras artes e ofícios tradicionais, já que nos anos 60 este concelho era considerado o segundo celeiro de Portugal. Não podemos claro deixar de citar o Castelo Rodrigo pela importância da batalha que aqui se travou. Celebramos no dia 7 de Julho deste ano os 350 anos da Batalha de Castelo Rodrigo. Ao contrário do que muita gente pensa esta foi uma das batalhas mais importantes tendo contribuído para a independência de Portugal. Na sequência dos 350 anos foi criada uma comissão instaladora do futuro Centro Interpretativo da Batalha de Castelo Rodrigo. O projeto arquitetónico para este futuro Centro Interpretativo já está em execução e espero que a obra inicie no próximo ano. Além destes atrativos, existem alguns eventos anuais marcantes no município? A nível de eventos temos em meados de Fevereiro, início de Março a Festa da Amendoeira. Esta é uma festa marcante que até há 20 anos tinha uma pujança significativa e uma dinâmica bastante acentuada. Chegavam a estar aqui estacionados 100 autocarros de turismo. Era uma festa que tinha grande impacto na economia local mas foi-se perdendo ao longo do anos algum desse dinamismo. Este ano conseguimos voltar a criar essa dinâmica, rivalizando até, no bom sentido,

com os nossos vizinhos de Foz Côa. Designamos a nossa festa como Festa da Amendoeira – Rainha das Amendoeiras. Ainda no âmbito de eventos marcantes, organizámos este ano a primeira Feira de Caça que teve uma adesão enorme. Foram mais de 100 caçadores vindos de todo o país que se deslocaram aqui a Figueira Castelo Rodrigo. Depois organizamos também pela primeira vez este ano uma concentração de motares, onde realizamos um espetáculo de perícia com um dos melhores profissionais dessa área. Este foi outro evento que possibilitou trazer muita gente a Figueira Castelo Rodrigo. Uma outra forma que encontramos de dinamizar ainda mais o município foi a criação de um protocolo com a CP que passa por trazer de 15 em 15 dias um grupo de pessoas de Lisboa até Figueira Castelo Rodrigo para provar o nosso Borrego, criando assim a rota do Borrego da Marofa. Comparticipamos uma parte do bilhete para que estas pessoas venham e conheçam as nossas iguarias e o concelho. Esta iniciativa tem tido uma aceitação muito boa e contamos que tenha ainda mais adesão à medida que mais pessoas vão conhecendo esta rota. Associada a esta rota está já a ser preparado o primeiro Festival Gastronómico do Borrego, dos Vinhos e de outros produtos e que irá decorrer no mês de novembro. Este é o seu primeiro mandato. O que é ambiciona enquanto Presidente de Figueira Castelo Rodrigo? Essencialmente gostava de fazer alguma coisa pelo concelho. Quer saia daqui a quatro anos, quer a oito, ou mais anos gostava de poder dizer que pus Figueira Castelo Rodrigo no mapa. Esse é o meu grande objetivo pôr Figueira Castelo Rodrigo no mapa. Temos potencialidades e elas têm que ser aproveitadas.

Que mensagem gostava de deixar aos habitantes de Figueira Castelo Rodrigo? Gostava de deixar uma mensagem de esperança e ânimo.

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Figueira Saudável – Apresentação do Cartão de Saúde Municipal Município de figueira de castelo rodrigo Teve lugar no passado dia 9 de outubro, no auditório da Casa da Cultura de Figueira de Castelo Rodrigo, uma conferência de imprensa com o objetivo de apresentar o novo Cartão de Saúde Municipal, que em breve irá estar ao serviço da comunidade.

E

ste projeto tem como finalidade complementar o Serviço Nacional de Saúde, de forma a que todos os munícipes possam ter acesso a melhores e mais rápidos cuidados de Saúde. “Uma iniciativa pensada para a melhoria do bem-estar da população em geral, numa área com nítidas carências”, refere Paulo Langrouva, presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo. “Um projeto marcante não só para o concelho, mas a nível nacional”, afirma o presidente da câmara de Figueira de Castelo Rodrigo. Uma vez que a população,

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maioritariamente idosa, carece de serviços primários de saúde, a autarquia após estudo com consultores da área dos seguros decidiu avançar com o projeto do Cartão de Saúde Municipal. Projeto este, que irá complementar o Serviço Nacional de Saúde, de maneira a que os seis mil e trezentos munícipes tenham acesso aos referidos cuidados primários e consultas de especialidade e meios de diagnóstico, que é necessário prestar às populações a “que cada vez mais tarda a resposta do SNS”. Atualmente, o Centro de Saúde local, que já contou com nove médicos, encontra-se com três médicos correndo

o risco de a partir de novembro ficar reduzido apenas a dois, “portanto vejam o problema que se vai criar aqui, principalmente às pessoas que dependiam destes três médicos para receberem os cuidados primários básicos, obviamente que é um problema e nós temos uma responsabilidade” explica o autarca. No município já se encontram cerca de 1500 pessoas sem médico de família, e com a futura aposentação “prevê-se que o problema se agrave” e “temos que salvaguardar a situação”. Após refletirem sobre a problemática consideraram que


REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE havia “um nicho de mercado” que poderia ser explorado. Com a ajuda de consultores da área dos serviços de seguros, estudaram a possibilidade de facultar aos munícipes um serviço abrangente e que pudesse resolver o problema da falta de médicos no Município, um problema comum nos concelhos considerados de baixa densidade territorial. “Muitos dos idosos que estão radicados em Lisboa ou outros concelhos e que gostariam de regressar a Figueira de Castelo Rodrigo, não regressam ao Concelho devido às dificuldades de acesso aos cuidados de saúde primários, cuidados que são um princípio e um direito que está consagrado na constituição” refere Paulo Langrouva. O autarca defende que cabe ao Município prestar serviço aos seus munícipes e que uma das suas “bandeiras” é servir e cuidar das pessoas, “por isso, aqui está uma iniciativa que se destina precisamente às pessoas e portanto o nosso foco é, e continuará a ser apostar e cuidar dos munícipes e lhes dar o tal bem-estar”, sublinha Paulo Langrouva. Durante seis meses analisaram soluções para colmatar “estas falhas do Sistema Nacional de Saúde” e em conjunto tentarem resolver e minimizar um problema “que é também transversal aos concelhos vizinhos”. Dessa forma, o autarca defende que esta solução poderá vir a ser replicada em outros concelhos com o mesmo problema. Em primeiro lugar depararam-se com um problema técnico, saber se o mercado segurador estava em condições de responder às necessidades do Concelho. “A pior coisa que pode acontecer é lançar-se um concurso público e não haver resposta para essas necessidades, necessidades essas que vão fazer parte do caderno de encargos”, diz Feliciano Martins, Presidente da Assembleia Municipal. Além dos custos associados aos cuidados de saúde, devido às taxas moderadoras e às restantes taxas para exames complementares, os munícipes do Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo debatem-se com outras questões, tal como o transporte. “Não existem transportes compatíveis com os horários das consultas que são feitas no concelho da Guarda ou em Viseu, e portanto as pessoas têm que se sujeitar a outros meios, como táxis ou até a familiares que têm que faltar ao emprego para levar os parentes às consultas, e tudo isto tem custos significativos”, sublinha o autarca. De forma, a salvaguardar os interesses dos seus munícipes e antes de ser lançado o concurso público às entidades seguradoras, tiveram de ser equacionadas várias premissas para a implementação do serviço, para assim existir uma parceria entre uma seguradora e a câmara. Primeiramente, o serviço dirige-se apenas e exclusivamente às pessoas abrangidas pelo seguro, os residentes no Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, a partir do Cartão de Saúde Municipal que lhes possibilitará ter acesso gratuito às consultas, “ é preciso que os seguros da entidade que ganhar tenha resposta numa área que dê aos munícipes acesso fácil a esses cuidados de saúde”, e por esse motivo todas as consultas serão disponibilizadas num raio inferior a 150km. Relativamente ao atendimento, esse deverá ser

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realizado e providenciado num prazo máximo de 7 dias, para assim colmatar o facto de vários habitantes ficarem meses à espera de consultas de especialidade, “uma grande deficiência que temos nos nossos territórios e que nos casos mais difíceis acabam por desembocar em situações bem mais gravosas e com esta iniciativa garantimos que haverá acesso às várias especialidades em função das necessidades”. E por outro lado, outra “grande deficiência” neste sistema são os meios de diagnóstico, devido à dificuldade de acesso, mas não inclui cirurgias e tratamentos. Outro dos aspetos mais importantes é que este Seguro de Saúde Municipal não terá qualquer encargo para os munícipes, haverá uma isenção de taxas moderadoras e também não terão custos com os transportes para consultas. “Portanto, o que vamos lançar a concurso é que alguma seguradora nos dê essa resposta, em tempo, em espaço, com rapidez, segurança e com garantias de que temos bons cuidados de prestação de Saúde”, explica Feliciano Martins. O problema do concurso e do caderno de encargos, onde vêm as exigências já mencionadas, estão a ser ultimados e está previsto que o município lance, na primeira quinzena de novembro, o concurso público. O presidente da câmara municipal acredita que este tipo de serviço poderá ser um motivo de atração e de fixação de pessoas no Concelho. “A partir do momento em que pessoas perceberem de que o problema de cuidados de saúde está ultrapassado, eu julgo que as pessoas poderão encarar com maior pragmatismo e facilidade a possibilidade de permanecerem no nosso Concelho. Penso que conjugado com todo o conjunto de outros fatores, poderá ser também mais um elemento adicional de fator de atratividade para os futuros residentes do nosso Município”.

“Um desafio permanente” Para João Paulo Simões, consultor da área dos seguros foi com “grande privilégio” que recebeu este desafio de procurar saber se este projeto era possível de instalar em Portugal. “Hoje em dia, assiste-se a uma discussão permanente sobre aquilo que são os cuidados de saúde em Portugal e a forma de os financiar. Este projeto é disruptivo no sentido de que nenhuma seguradora, até agora, tinha pensado em montar um projeto juntamente com a autarquia como este. Existem muitas soluções da área de seguros de saúde em Portugal, pois estamos a falar de empresas que buscam o lucro, ou seja quando lançam qualquer seguro, pressupõem que no final há um serviço prestado e há um lucro obtido para a seguradora desde logo, uma das grandes questões que tivemos de debater com as seguradoras e que se levantou na montagem de um projeto destes, foi «se seria economicamente viável?», o que se comprovou”. E como consultor defende que o mercado segurador tem “um desafio permanente” que é o de mostrar à sociedade a forma de organização social mais eficaz para gerir riscos comuns. “Hoje em dia, o risco de

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disponibilizar serviços de saúde às pessoas é um risco efetivo”. De momento, ainda não há uma solução à medida montada, há um conjunto de ideias base, “que requer aperfeiçoamentos”, mas que permite afirmar que a construção da solução é possível com o valor que esta definido e dentro do limite daquilo que a câmara definiu para este projeto o concurso público irá ter um valor de referência de 300 mil euros, ou seja, dentro do padrão de custos que foi referenciado pela câmara com o custo que se pretende suportar para este projeto. E aqui o mercado segurador tem de facto a hipótese de dizer sim, em coordenação com a câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, “somos capaz de gerir uma oferta de serviços de cuidados básicos de saúde de elevado valor acrescentado que vão ser percecionados como um verdadeiro benefício para todos os cidadãos residentes de Figueira de Castelo Rodrigo”, refere João Paulo Simões. Já António Andrade, consultor da área de seguros afirmou que “a vida é dividida entre os que fazem barulho e os que fazem, e nós gostamos de ser os que fazem, limitamo-nos a fazer e fizemos. E aqui, o que esta a ser assegurado a esta população é que efetivamente existe um caminho para que as populações esquecidas do interior possam ter uma assistência médica condigna”. O autarca por fim, quis reforçar a ideia de não querer entrar em colisão com os préstimos do Serviço Nacional de Saúde, “pelo contrário queremos ser complementares ao SNS”. “Estamos aqui, a dar uma oportunidade às pessoas que não têm acesso ao serviço de cuidados primários terem acesso e de uma forma rápida, cómoda, sem custos de transportes e sem taxas moderadoras e o importante é possibilitar a todos terem acesso a estes cuidados de saúde.” ”Eu tenho competências no âmbito da lei 75 para poder tratar de determinados assuntos no âmbito da saúde e é isso que o nosso governo e as pessoas têm de perceber, não é uma afronta, mas sim uma complementaridade.” “Hoje sabemos que o mercado pode-nos ajudar a arranjar uma solução de saúde para estes territórios, e aqui, as exigências que colocamos são exigências que até agora os seguros não tinham na sua carteira de encomendas, são exigências rigorosas e específicas deste território. Definitivamente, não podemos continuar a ser discriminados por força da geografia. As desigualdades do litoral e do interior não podem continuar a ser numa área tão importante, como é o direito à Saúde”. O Município de Figueira de Castelo Rodrigo e a Junta de Freguesia de Alvalade celebraram no passado dia 18 de outubro um protocolo de solidariedade, sob projetos de dinamização económico-social, tendo em vista inverter o ciclo de despovoamento. Um outro protocolo da mesma génese foi celebrado com a Junta de Freguesia de Arroios.

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Um cenário de beleza natural município de alijó O município de Alijó é atualmente o maior município vinhateiro da região do Douro. Possui uma dicotomia fisionómica geográfica muito acentuada com uma parte do Douro vitivinícola muito forte e outra parte montanhosa vocacionada para atividades florestais, que confere ao município uma panóplia de cores verdadeiramente surpreendente. À conversa com o vice-presidente, José Paredes, a Revista Business Portugal foi perceber as potencialidades daquele território e os programas da Câmara Municipal para os próximos tempos.

José Paredes Vice-Presidente

É

um concelho com 12 mil habitantes, banhado por quatro rios – Douro, Tua, Tinhela e Pinhão. Sendo uma área muito vasta, apresenta uma população muito dispersa e segundo o vicepresidente: “temos perdido muita população ativa, principalmente mão-de-obra qualificada, e como tal o nosso próximo objetivo será criar condições para que as pessoas se possam fixar sem ter necessidade de sair em busca de novas oportunidades”. Para além da vasta riqueza natural que Alijó abraça, o clima também se traduz numa mais-valia para que os produtos da região se mantenham com características muito peculiares. Por esse motivo, o vice-presidente realça: “somos ricos em gastronomia e os pratos típicos do concelho são muito apreciados pelos nossos visitantes”. Deste modo, e porque o executivo da Câmara Municipal se mostra atento a todas as oportunidades, prevê-se que já no próximo ano todos os projetos ligados à transformação dos produtos locais sejam seriamente apoiados. Perante este cenário, e de forma a potenciar os produtos tradicionais, a Câmara reuniu as condições

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necessárias, investindo num departamento ligado ao empreendorismo – um espaço dotado de uma elevada capacidade técnica – que tem como finalidade apoiar os jovens empreendedores em todas as fases dos seus projetos “não só na pesquisa de ideias de negócio, mas também no encontrar fontes de financiamento e no acompanhamento da implementação dos projetos” explica o vice-presidente.

Expectativas e programas a concretizar Sendo o primeiro ano de mandato, José Paredes afirma ter encontrado problemas de ordem financeira que têm causado alguns constrangimentos relativos ao desenvolvimento de novos projetos que a câmara ambiciona concretizar. Neste contexto, o vice-presidente revela que, numa primeira abordagem, o executivo está focado na coordenação dos serviços, no ‘arrumar da casa’ e no árduo trabalho de consolidar o passivo. Contudo, com uma equipa dedicada e esforçada num só objetivo – resolver os assuntos pendentes e fazer crescer o município – José Paredes adianta que em 2015 pretende cumprir com as promessas eleitorais. A primeira ação que está prevista para se realizar ainda este ano, será dotar o concelho de uma viatura que propiciará às famílias carenciadas o acesso ao serviço de pequenas reparações domésticas, “esta viatura estará equipada com as ferramentas necessárias e responderá aos pedidos da população, efetuando reparações ao domicílio a custo zero” esclarece o vice-presidente. A preocupação social, em ajudar as famílias mais carenciadas, é um tema que o executivo estabeleceu

como prioridade. Neste seguimento, há ainda mais um projeto, direcionado sobretudo para os idosos, no âmbito da prestação de cuidados básicos de saúde. Atualmente, a grande missão do executivo de Alijó centrase em dinamizar a economia local procurando fontes de rendimento complementares da agricultura. Como revela o vice-presidente, o foco está em “aproveitar a riqueza natural, valorizar os produtos tradicionais, apostar na transformação, saber vendê-los e apostar, definitivamente na Zona de caça Municipal como uma atividade económica relevante para o concelho”.

Em prol de um ambiente mais cuidado Responsável pelo setor ambiental, José Paredes revela que uma das grandes preocupações da Câmara Municipal de Alijó será a resolução dos problemas ambientais. O primeiro passo passará por identificar e melhorar as infraestruturas e tratar de questões importantes, como é o caso dos efluentes domésticos. “Pretendemos atuar nesse sentido, queremos ver se no quadro comunitário que se avizinha encontraremos meios para solucionar os problemas ambientais que existem”.

Empenho em dinamizar o Turismo Alijó, na perspetiva do nosso interlocutor, é visto como um concelho de excelência para o turismo, pelas suas variadas vertentes. E não é por acaso que, só no ano passado, o concelho foi visitado por cerca de 300 mil turistas “e este número tende a aumentar,


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porque felizmente o Douro está na moda” refere o vice-presidente. Distinguindo a vila do Pinhão como a principal porta de entrada do turismo - uma vez que é uma zona de extrema relevância em todo o Douro vinhateiro, que inclusive apresentou um rápido desenvolvimento, alcançando o estatuto de centro económico geográfico da região demarcada do Vinho do Porto - José Paredes adianta que Câmara de Alijó tem em marcha um projeto, que visa requalificar toda a baixa da vila do Pinhão “sobretudo para que os turistas possam encontrar uma vila limpa, bonita, um espaço aprazível e com condições para os receber”. Além deste projeto, o executivo deseja, de igual modo, dotar a vila de uma infraestrutura para receber os autocarros, permitindo uma maior mobilidade. De um modo geral, este será um empreendimento que o Pinhão espera há muitos anos e que, na opinião do nosso interlocutor, será definido como o grande projeto do mandato. Com 8 miradouros bem no coração da região do AltoDouro Vinhateiro, o concelho de Alijó é o somatório de lugares que, no seu esplendor, formam um cenário paisagístico inolvidável. E porque está sempre atenta ao que ainda há para melhorar, a Câmara estima que em 2015 possa apresentar um posto de turismo interativo, com o intuito de dar uma ideia ao turista, não só do que é o concelho, mas também do que pode visitar. Para José Paredes a época das vindimas é sem dúvida alguma a melhor altura para quem quiser visitar o concelho, visto que para além de uma paisagem incomparável, “há uma série de eventos tradicionais para atrair turistas que do ponto de vista cultural são bastante enriquecedores”. Respondendo à questão sobre o que espera do futuro, José Paredes afirma estar otimista uma vez que reúne dentro de portas “uma equipa jovem, persistente, com muita vontade de trabalhar, com grande espirito de sacrifício e que não desiste à primeira tentativa”. Assim, para os próximos tempos o vice-presidente da Câmara acredita que conseguirão “levar o barco a bom porto”.

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Uma comunidade dedicada à valorização do Douro CoMunidade intermunicipal do Douro A Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro) integra 19 municípios das duas margens do Douro, basicamente entre Mesão Frio e Freixo de Espada à Cinta, na margem direita e entre Lamego e Vila Nova de Foz Coa na margem esquerda. São municípios dispersos por uma área geográfica extensa, diferentes em dimensão e também nas realidades socio económicas. Conversamos com Francisco Lopes, presidente da CIM. para o próximo período de programação dos fundos comunitários. Pretendemos ter uma estratégia que oriente a atuação dos municípios e dos restantes stakeholders da região, mas que também contenha uma componente de pragmatismo que nos permita financiar estes projetos com fundos comunitários. Entretanto, estamos envolvidos em diversos dossiês de enorme interesse para a região, como a revisão do Plano Intermunicipal do Alto Douro Vinhateiro, que suporta junto da UNESCO a classificação do Douro como Património da Humanidade. Estamos a desenvolver trabalho útil e com benefícios diretos para os municípios ao nível da eficiência energética e da contratação pública de eletricidade, estamos a desenvolver os planos de mobilidade, de apoio ao empreendedorismo e de levantamento das condições de instalação de empresas industriais no território. francisco lopes Presidente

Para quem não tem bem presente este conceito, explique um pouco o que representam as comunidades intermunicipais e com que objetivo foram criadas. As comunidades intermunicipais são instrumentos de articulação da atuação dos municípios que têm como objetivo responder aos desafios com que se confrontam os territórios e, para os quais, a escala municipal se tornou desadequada, porque é reduzida ou simplesmente porque os problemas hoje são excessivamente grandes e complexos e a vida das pessoas, das empresas e das comunidades não se confina às fronteiras de um município, antes tende a ter como palco um mundo globalizado. Neste sentido, é necessário definir estratégias conjuntas, articular e planear as redes de serviços e equipamentos públicos, assegurar estratégias transversais de mobilidade e apontar caminhos para o desenvolvimento socioeconómico da região, em articulação com os demais atores regionais. Enquanto presidente desta comunidade quais as áreas de intervenção que têm merecido mais atenção? Estamos a preparar a estratégia da CIM para o Douro

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Quais as maiores dificuldades sentidas atualmente pelos municípios que fazem parte desta comunidade? As maiores dificuldades são claramente de natureza financeira. Os municípios são chamados a intervir em praticamente todas as áreas de atividade dos respetivos territórios, da vida das suas populações, das empresas e das coletividades e não têm meios para isso. Aliás, sempre que são transferidas competências do Estado para os municípios, estas não são acompanhadas pela necessária ‘mochila financeira’, e isto tem sido especialmente grave

na área social e assim os problemas dos municípios vão-se agravando continuamente. Que balanço faz da atuação das Comunidades Intermunicipais desde o seu surgimento? Acho que o balanço é muito positivo, tendo em conta a tradição fortemente municipalizada do nosso país e, portanto, uma atuação habitualmente confinada às fronteiras do município e marcada pelo individualismo e, frequentemente, até por algum bairrismo. Temos dado passos muito firmes na afirmação da região do Douro como um todo e há, hoje, claramente um empenhamento consensual de todos os autarcas no projeto da CIM. * Leia esta entrevista na íntegra em www.revistabusinessportugal.pt


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A CAPITAL DA CASTANHA Junta de freguesia de carrazedo de montenegro e curro É em plena serra de Viduedo que se encontra a freguesia na qual a castanha é rainha. António Costa, Presidente da Junta de Freguesia da Carrazedo de Montenegro e Curros, organiza a 18º Feira da Castanha, fruto que gera riqueza na região e que, anualmente, traz inúmeras pessoas ao concelho de Valpaços para participarem neste evento.

há oferta de trabalho qualificado acabam por ir embora da freguesia. A população de meia-idade fixa-se por cá e dedicam-se principalmente à agricultura. A produção da castanha tem um peso enorme na economia do concelho, gera uma receita anual entre os 15 e os 20 milhões de euros e é o principal sustento das famílias que se dedicam exclusivamente à produção da castanha. Existe muita população de Carrazedo de Montenegro a viver fora do país? Sim, muita; nos meses de Julho e Agosto o número de pessoas quase triplica, mas muitos afirmam que já não é a mesma coisa, independentemente do país de destino. Tenho esperança, e acredito, que muitos desses emigrantes vão acabar por regressar, principalmente os mais jovens porque temos verificado que muitos deles investem em plantações de castanheiros e de cerejeiras já a planear o regresso às origens.

António costa Presidente

Como carateriza a freguesia de Carrazedo de Montenegro? Carrazedo de Montenegro é uma freguesia bastante grande, com cerca de 6 mil habitantes e somos conhecidos pela produção de castanha. Se não fosse este produto os nossos agricultores teriam muita dificuldade em sobreviver, principalmente em tempos difíceis como os de hoje. A nossa castanha é muito famosa e procurada a nível nacional e internacional e,

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consequentemente, é uma atividade que gera riqueza e postos de trabalho na altura da apanha da mesma. Temos trabalhadores estrangeiros que se instalam na freguesia e que vivem da apanha da castanha. A tendência, a nível nacional, é de abandono dos meios rurais. Esta atividade tem ajudado a que haja mais população a fixar-se na freguesia? O que se nota muito é a saída dos jovens; como não

Está em construção uma fábrica de transformação de castanha. É uma mais-valia para a freguesia? Sem dúvida! Prevê-se a criação de, pelo menos, 30 postos de trabalho, número que pode aumentar mediante a produção. O terreno para a instalação desta fábrica, com cerca de 20.800 mil metros quadrados, foi vendido pela Câmara de Valpaços. Agora deixa de se vender a castanha exclusivamente a fresco para passar a ser vendida após a sua transformação. Esta fábrica faz


REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE isso mesmo: transforma, embala e comercializa não só a castanha, mas também a cereja, a amêndoa, figos, morango, mirtilo e melão; ou seja, quase toda a fruta que produzimos, fazendo com que haja escoamento da produção dentro do concelho. É um investimento lusoitaliano no valor de, aproximadamente, 1,2 milhões de euros. Quais são as característica que aponta para que esta seja uma freguesia com tanto sucesso na produção de castanhas? As caraterísticas do solo, que são muito férteis, e o clima são bons aliados para esta atividade: a nossa terra não é muito quente, nem é muito fria; estamos sensivelmente na Estremadura e a castanha cria-se bem neste contexto. Quantas toneladas de castanha produzem por ano? Existem herdades que se dedicam exclusivamente à produção de castanha, os pequenos e médios agricultores também, daí que, só no ano passado foram produzidas 15 mil toneladas de castanha. Cerca de 60 a 70% é para exportação para países como França, Itália, Espanha e Brasil, o restante é para consumo interno. A fábrica faz todo o sentido, uma vez que aproveita os excedentes e cria um novo mercado à volta da castanha e dos outros produtos que referi. Existe uma praga que, neste momento, ameaça a produção de castanha. Já chegou cá? Esse problema que assola algumas regiões é a vespa asiática; ela passou por Itália, França e Espanha e destruiu tudo no seu caminho e agora chegou a Portugal. Esta praga está a ser combatida e esperemos que não chegue à nossa região! Carrazedo de Montenegro também é conhecida pela feira da castanha. Como é que surgiu este evento? Esta feira começou por ser organizada pela Associação dos Agricultores, mas depois começou a ficar cada vez menos concorrida e a Junta de Freguesia decidiu começar a dinamizar este evento e, a cada ano, fazer melhor. A organização da feira da castanha custa, à junta de freguesia, em média, 30 a 35 mil euros e nós não

temos essa disponibilidade financeira; por isso, temos de pedir sempre um reforço à Câmara Municipal de Valpaços. A Feira da castanha traz quantas pessoas a Carrazedo de Montenegro? O ano passado a feira foi organizada em data tardia e trouxe, aproximadamente, 50 mil pessoas durante os três dias; este ano a organização da mesma começou mais cedo e prevemos ultrapassar esse número. O que se pode encontrar na feira, além da representação dos produtores locais? Temos vários stands com os produtos tradicionais da região de Valpaços, venda de todos os produtos que se colhem da terra, o azeite, o vinho, as compotas e os licores de castanha; além de termos sempre castanha assada quente a sair para os nossos visitantes. Na abertura escolhemos a Banda Musical e o Rancho Folclórico de Carrazedo de Montenegro; à noite contratamos um grupo para o arraial e no Sábado temos animadores de rua; este ano também organizamos provas de BTT e Jipes. Existe uma particularidade nesta feira. Quer-nos falar dela, ou melhor, dele? Uma das particularidades desta feira é o bolo de castanha que ronda os 800 quilogramas e é feito com castanhas, farinha da mesma e 1.200 ovos. Quem o confeciona são dois padeiros, de uma aldeia vizinha, que estão emigrados em França; o bolo é cozido numa outra aldeia e trazido para Carrazedo de Montenegro com a ajuda da GNR, dada a sua dimensão. Quais são as suas ideias para o futuro de Carrazedo de Montenegro? Pretendo mudar o centro de Carrazedo porque, a meu ver, estava muito mal aproveitado; os jardins e rotundas necessitam de algum trabalho e gostaria de ter o Museu da Castanha a funcionar, temos o projeto, preparou-se o imóvel e agora está parado. Também pretendo promover o património edificado, como a Igreja de S. Nicolau e a Casa senhorial de Argemil, que foram classificados como Imóvel de Interesse Público.

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16ª Festa da Castanha e do Mel município de S. pedro do sul São Pedro do Sul é uma cidade portuguesa do distrito de Viseu, com cerca de 4 mil habitantes que tem nas termas o ex-libris do concelho. Um ano após a tomada de posse, em entrevista à Revista Business Portugal ,Vítor Figueiredo faz um balanço do inicio do mandato e fala das expetativas para a 16ª edição da Festa da Castanha e do mel.

passa pela indústria do turismo termal. As Termas de S. Pedro do Sul são as termas mais importantes de Portugal e as maiores da península ibérica, representando cerca de 30% do termalismo praticado no nosso país. Tudo isto faz delas um agente ímpar na afirmação do concelho. Empregam cerca de 2 centenas pessoas diretamente e várias centenas indiretamente. Sendo que a economia do concelho é alicerçada no turismo, com grande enfoque no turismo termal. O turismo termal é o grande atrativo do concelho, passando todos os anos pelas termas perto de 20 mil aquistas. Vítor Figueiredo Presidente

Passado um ano após a tomada de posse deste novo executivo, qual é o balanço que faz? O balanço que faço é positivo, e face aos problemas encontrados posso dizer que só com muito esforço e sacrifício conseguimos atender às necessidades mais urgentes da população. Tivemos maior rapidez na resolução dos problemas, significativa redução da dívida, melhoria da situação na parte termal, desburocratização administrativa, mais apoios sociais, melhoria na educação e mais atividades culturais a baixos custos.

Quais são os principais eventos que decorrem ao longo de todo o ano? É um orgulho pertencer a um concelho com uma tão forte e manifesta identidade histórica, cultural e patrimonial, que está abraçado pelos rios Sul e Vouga e emoldurado pelas serras da Arada, Gralheira e S. Macário. Perante tão vasto património, destaco como principais eventos a Feira da Vitela no mês de maio, as nossas Festas da Cidade em fins de junho, o Musidanças na primeira quinzena de agosto, o Festival da Água no fim deste mês, o Festival do Feijão em setembro e a Feira da Castanha e do Mel em novembro.

Caracterizando S. Pedro do Sul como a capital do termalismo, no seu entender qual é papel que o termalismo desempenha para o concelho? A grande alavanca do desenvolvimento económico local

Falando agora da castanha de S. Pedro do Sul, como é que define este produto tão típico da região? O mel e a castanha de S. Pedro do Sul possuem

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um paladar único, sendo muito apreciados pelos consumidores. Estas características particulares surgem do nosso enquadramento natural, sendo os nossos solos favoráveis ao desenvolvimento da urze e da carqueja, propiciadas pelos recursos geológicos que lhes dão origem, prestando um sabor inigualável a estes produtos. Como é que vai ser esta edição da festa da castanha e do mel que acontece em novembro e quais as expectativas para o evento? Nesta 16ª edição, esperamos ter cerca de 30 expositores, sendo que a prioridade será sempre dada aos produtores locais, que promovem desta forma o artesanato, a gastronomia e os produtos endógenos. Os visitantes vão poder apreciar a castanha e o mel, típicos e únicos da região, bem como, todos os seus derivados, nomeadamente cremes, doçaria, licores, entre outros. Todas as atividades inseridas no programa da Festa da Castanha e do Mel são tradicionais e ilustram bem a qualidade dos nossos produtos e a simpatia das nossas gentes. Destaco o Magusto Tradicional, que tem como intuito potenciar o convívio entre as famílias e os visitantes à volta do assador típico, pelo modo tradicional como é realizado. Para além desse, também a atuação dos ranchos folclóricos, que homenageia o trabalho e esforço desenvolvido por todos os seus membros ao longo do ano. E por fim, a tradicional sopa de S. Macário que personifica a união entre todos e a entreajuda, valores que permitiam às populações mais serranas subsistirem e reagirem aos rigores dos invernos.


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Fundão aposta na apicultura e no setor agro-alimentar Câmara Municipal do fundão Porque falamos de um concelho fortemente rural e agrícola, onde o número de apicultores é considerável, cerca de 200, o Fundão foi a cidade escolhida para acolher a 13ª edição da Feira do Mel e o XV Fórum Nacional de Apicultura. A propósito destes dois eventos já de referência no panorama agrícola nacional, a Revista Business Portugal esteve à conversa com Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão. Fique a conhecer esta região, que tem muito mais para oferecer além da sua famosa (e deliciosa) cereja.

Ambos os certames fazem já parte do calendário apícola nacional, sendo não só o ponto de encontro dos seus vários intervenientes, mas também a principal mostra da diversidade e qualidade dos produtos da apicultura nacional, constituindo a oportunidade ideal para a sua divulgação, quer junto dos consumidores, quer dos principais operadores do mercado nacional e internacional do mel. Paulo Fernandes Presidente

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feira agrícola mais importante para os apicultores portugueses tem lugar no fim de semana de 25 e 26 de outubro, no Pavilhão Multiusos do Fundão. De acordo com Paulo Fernandes, presidente da Câmara, são esperados mais de 50 expositores e mais de 200 apicultores. “Neste fim de semana somos o concelho mais doce do país”, graceja o autarca. Além da mostra de produtos dos vários expositores presentes, a Feira contará ainda com workshops e formação. “Para esta edição da feira, a organização oferece aos apicultores a possibilidade de assistirem a um conjunto de workshops, sob diversas temáticas”. São elas a polinização de culturas, as boas práticas no processamento de cera, a produção de cosméticos a partir de produtos apícolas e ainda a multiplicação de colónias. No que concerne ao Fórum, o nosso interlocutor prevê contar com a presença de 500 participantes no edifício Octógono do Fundão. “Este será um espaço que se pretende aberto à discussão entre apicultores, dirigentes associativos, técnicos, investigadores e responsáveis pelas entidades oficiais com competências no setor apícola”. De destacar a mesa redonda dedicada ao Mercado do Mel, onde se junta a produção, a distribuição e o comércio, cujo objetivo é discutir e analisar o presente e a evolução da produção nacional de mel.

Outros produtos a descobrir Paulo Fernandes diz ser “uma honra ser autarca da cidade onde nasci”. Questionado sobre que projetos tem para o Fundão durante o seu mandato, faz destacar a internacionalização dos produtos endógenos e a criação de emprego. “Temos uma agenda económica muito forte, com uma forte aposta na tecnologia e metalomecânica”, refere. E porque falamos em produtos endógenos, o Fundão é conhecido nacional e internacionalmente pela sua cereja, da qual se orgulham de intitular capital. “Somos o maior produtor nacional de cereja, cerca de seis mil toneladas por ano e temos, inclusivamente, o record de pagamento por quilo de cereja”, diz-nos o autarca. Mas, para além da cereja, o Fundão merece destaque também pelo seu queijo, vinho, azeite, enchidos e outras frutas. “O setor agro-industrial no concelho representa, para a economia local, uma facturação anual de aproximadamente 100 milhões de euros. Só a produção de cereja é responsável por uma faturação acima dos 20 milhões de euros”. Na sua próxima visita ao Fundão, não se esqueça de provar estas iguarias da Cova da Beira, mas aproveite ainda para visitar a aldeia histórica de Castelo Novo, envolta numa aura de misticismo e transcendência. Depois, siga até duas das 27 aldeias de xisto existentes no nosso país, a Barroca e a Janeiro de Cima, ambas em comunhão com a natureza e prontas para serem descoberta

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O melhor mel do mundo Associação dos apicultores do litoral centro Dizem os entendidos que o mel da Serra do Buçaco tem um sabor e características únicas. E a diversidade dos seus derivados vai crescendo. Há quem se dedique apenas à produção do mel, o ex-libris dos apicultores, mas há ainda os produtores de licores e até de pólen. A propósito do 15º Fórum Nacional de Apicultura, que terá lugar na cidade do Fundão, falamos com a Associação dos Apicultores do Litoral Centro.

Andrea Chasqueira e João Cristóvão Engenheira Apícola e Presidente

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ndrea Chasqueira diz que nasceu no meio das abelhas. Começou em pequena, a acompanhar os avós nas suas idas às colmeias. Continuou essa tradição com os seus pais e, obviamente, o gosto pela atividade começou a correr-lhe no sangue. Conclusão: hoje é técnica apícola. “Não podia ser de outra maneira”, confessa. Andrea Chasqueira é um dos rostos principais da Associação dos Apicultores do Litoral Centro – AALC -, juntamente com João Cristóvão, que ocupa o lugar de presidente, e Sandra Gabriel, também técnica apícola. Esta Associação nasceu no final do ano de 2001, pela mão de meia dúzia de apicultores da região que notavam a necessidade de promover com maior veemência aquele que, por muitos, é considerado dos melhores méis do mundo. Sob este pressuposto, a AALC opera com a finalidade de divulgar e promover o mel e seus derivados, provenientes das explorações dos seus associados, além da realização e participação em atividades relacionadas com a apicultura.

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Com cerca de 600 apicultores na sua área de intervenção, a Associação conta com mais de 400 associados dispersos por 13 concelhos. São eles Ovar, Oliveira do Bairro, Águeda, Mira, Anadia, Mortágua, Santa Comba Dão, Penacova; Mealhada (onde está a sede da AALC), Cantanhede, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Coimbra. “Pretendemos promover o desenvolvimento da apicultura na região do Litoral Centro, esclarecendo os nossos associados e os apicultores em geral, por meio de difusão de conhecimentos técnicos, das melhores práticas a usar na sua atividade e promover o desenvolvimento da indústria e o comércio dos produtos da colmeia”, esclarece João Cristóvão, também ele apicultor.

Atividade em crescente É sabido que a agricultura tem crescido exponencialmente no nosso país. A apicultura é um dos exemplos desse

crescimento. Andrea Chasqueira revela que todos os anos há um aumento do número de apicultores. “Há muitos jovens a optarem pela apicultura, e notamos que isso acontece porque hoje em dia quem está a escolher a agricultura, está a optar por áreas diferentes ou menos convencionais, digamos”. Contudo, e como em tudo o que é novo, muitos dos que escolhem esta nova profissão, “não sabem o que é uma abelha, pelo que a aposta na formação é imprescindível”, diz a nossa interlocutora. Por isso mesmo, e também para que o apicultores já com alguma experiência possam continuar a evoluir, a Associação dos Apicultores do Litoral Centro organiza entre sete a oito formações anuais. Um conselho que esta equipa faz questão de deixar passa pelo aproveitamento das potencialidades da apicultura no seu todo. “Hoje em dia não se pode apostar apenas mel. Atualmente, a aposta passa também muito pela extração do pólen, que hoje em dia é um produto de excelência, muito procurado. Há que aproveitar todas


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as potencialidades de tudo o que as abelhas nos dão”. E acrescenta que “todos os jovens que estão a fazer estes novos projetos têm mesmo gosto pela arte e colocam todo o seu empenho e pretendem mesmo conseguir um projeto para toda a vida”.

A futura cooperativa Um objetivo desta direção passa pela criação de uma cooperativa, projeto que está já a ganhar forma. “Estamos a criar uma cooperativa, para que os nossos associados ganhem mais força e consigamos fazer mais por todos, nomeadamente no que diz respeito à escoação e exportação dos produtos”. Está ainda a ser implementado o DOP, para que este mel tenha Denominação de Origem de Produto, de modo a tornar o mel do Buçaco único. Questionados sobre as principais dificuldades do setor, Andrea Chasqueira acredita que no que concerne às entidades competentes, estas não percebem a realidade da atividade, pelo que não regulam a mesma em conformidade. “Aqui na Associação notamos que há muita burocracia, e o nosso papel fundamental passa

por dar apoio aos nossos associados. Tantos papéis roubam-nos tempo fundamental para ajudá-los e penso que isso é necessário mudar”.

Várias apresentações em prol do Buçaco A Associação participa em vários eventos. Merecem destaque a Feira do Artesanato e Gastronomia da Mealhada, Semana Florestal do Buçaco, Semana Cultural do Luso, Amostra de Produtos Naturais da Pampilhosa, Feira do Mel da Covilhã, Romaria da Ascenção no Buçaco e Feira de Produtos Naturais da região. São ainda de relevar a Feira do Mel e do Pão do Luso, colóquios, seminários, sessões de esclarecimentos e cursos sobre a atividade, estas últimas organizadas pela Associação. “O nosso mel tem na sua base o eucalipto, com um sabor bem suave e uma cor âmbar, diferente dos das outras regiões. É por isso que podemos afirmar, sem pudores, que o nosso mel é um mel de excelência”, conclui.

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misericórdias e ação social

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o longo das suas últimas edições, a Revista Business Portugal tem divulgado o trabalho que as várias Santas Casas da Misericórdia do país têm vindo a desenvolver. Um exemplo de um trabalho digno e de grande relevância, que tem vindo a fazer história ao longo dos últimos cinco séculos de existência. Atualmente, encontram-se a funcionar 400 instituições, espalhadas um pouco por todo o território português. Perante as dificuldades económicas que são evidentes em Portugal, as Santas Casas da Misericórdia, juntamente com as Câmaras Municipais, são, em muitas localidades ,as principais entidades empregadoras da região. Com inúmeras valências como lar de idosos, centro de dia, creche, posto médico, cantinas sociais, lojas sociais, estas instituição de cariz social prestam um apoio indispensável à população e proporcionam cuidados adequados a quem mais necessita. Com uma nobre missão, estas instituições lutam diariamente por enormes dificuldades.. Enquanto órgão de comunicação, na edição de outubro, voltamos abordar a temática, e dar a conhecer bons exemplos de instituições que pautam pelo rigor, excelência de serviços e igualdade de oportunidades para todos. Vamos ainda mais longe, dando a conhecer outros exemplos dignos da nossa atenção, no âmbito da ação social

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Uma casa multifacetada Santa casa da misericórdia do fundão A Santa Casa da Misericórdia do Fundão é o exemplo de uma instituição que, apesar da sua localização no interior do país, tem crescido e constitui uma referência nas diversas valências que disponibiliza. Um exemplo de modernidade, esta é uma Santa Casa multifacetada, como encontramos poucas no país. O porquê? Uma aposta incansável na inovação social, no empreendedorismo e na excelência.

Jorge Gaspar Provedor

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orge Gaspar, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão desde há seis anos, conta-nos que esta é, de facto, uma Misericórdia multifacetada, que atua na área social, mas também em diversas outras, entre as quais destacamos a saúde, a educação, a cultura e o desenvolvimento local. A Academia de Música e Dança do Fundão é um exemplo desta diversidade. “Trata-se de uma escola de ensino artístico reputada a nível nacional e já reconhecida a nível internacional pela qualidade do ensino que aqui se pratica e das iniciativas que promove, de que destacamos o Concurso Internacional de Piano, Violino, Guitarra e Canto. É uma escola de ensino artístico com autonomia pedagógica e administrativa, conferidas pelo Ministério da Educação, que conta este ano com 560

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alunos”. Contrariamente ao que acontece no ensino no interior do país, esta é uma escola que tem vindo a crescer, fruto essencialmente da aposta na qualidade. “A nossa aposta é na excelência. Sabemos que é sempre possível melhorar e evoluir, mas também temos consciência de que o ensino que hoje proporcionamos é de elevada qualidade”, afirma Jorge Gaspar. Pelo seu desempenho e dedicação, a Academia de Música e Dança da Santa Casa da Misericórdia do Fundão é, hoje em dia, um dos principais agentes culturais do concelho, promovendo a prática das artes para lá da sua escola. De forma a complementar a sustentabilidade financeira desta aposta cultural e da instituição no seu todo, a Santa Casa tem a sua própria loja de instrumentos musicais, vestuário e outro equipamento para o ensino

da música e da dança, que explora através da empresa “Afectos & Motivação”, que para o efeito criou, que já tem a representação exclusiva em Portugal de algumas marcas mundiais. “É também um espaço de referência, onde fazemos questão de oferecer equipamentos de qualidade, não só para os nossos alunos, mas também para todos aqueles que se dedicam à música e à dança”, refere o provedor. Ao contrário da maioria das Misericórdias portuguesas, a atuação da Misericórdia do Fundão extravasa as fronteiras do concelho onde está inserida. A Misericórdia serve uma área aproximada de 720 quilómetros quadrados, com uma população na ordem das 35 mil pessoas. Para além do Fundão e de diversas freguesias rurais deste concelho, a Santa Casa exerce a sua actividade nos concelhos da Covilhã e Penamacor, através do Centro


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Comunitário das Minas da Panasqueira e pelo Pólo da Academia de Música e Dança, respectivamente.

Inovação social em prol da inclusão e da sustentabilidade Na Quinta da Arraboa e noutras propriedades rústicas da instituição, nascem da terra grande parte dos produtos utilizados pela Santa Casa da Misericórdia do Fundão na preparação das refeições para os seus utentes, desde os miúdos aos graúdos. Aí produz-se fruta, cereais, hortícolas, ao ar livre e em estufa, vinha e olival. “Já somos autossuficientes em diversos produtos hortícolas e frutícolas e, inclusivamente, já vendemos para o exterior”, revela o nosso interlocutor. No âmbito desta aposta na agricultura, a Santa Casa marcou uma vez mais pela diferença, criando uma marca própria para comercializar os produtos agrícolas que produz ou que transforma, tais como vinho, azeite, licores e compotas. “Trata-se de uma aposta numa estratégia de criação e desenvolvimento do nosso próprio merchandising”, esclarece Jorge Gaspar. “A venda destes produtos e dos excedentes da produção hortícola e frutícola é, em primeiro lugar, direccionada às misericórdias e IPSS’s da região, que terão a vantagem de poderem adquirir produtos de qualidade a um preço mais baixo”, explicita o provedor. Nesta forte ligação à agricultura, numa vertente mais social, é também importante referir que esta Santa Casa foi pioneira na criação de hortas sociais, “disponibilizando à população mais carenciada parcelas onde podem cultivar produtos hortícolas e outros, ganhando em qualidade e diminuindo a despesa do agregado familiar”. O Cartão do Amigo da Santa Casa é um outro marco inovador da instituição. Com este cartão, que qualquer pessoa pode adquirir, mediante o pagamento de uma pequena anuidade, o seu utilizador usufruirá descontos em valências da instituição e em diversas empresas parceiras neste projecto. “Estamos a ajudar de duas formas: quem adquire o cartão ajuda a Santa Casa e os seus utentes e, por sua vez, a instituição e as empresas que ao mesmo aderiram conferem vantagens aos seus titulares, permitindo a aquisição de produtos e serviços a um preço mais baixo”. O próximo projecto da instituição passa pela construção duma Quinta Pedagógica, que constituirá uma mais valia para as suas valências de infância e terceira idade, bem como para as escolas e outras entidades da região. Um dos grandes projectos e desafios em que a instituição se encontra emprenhada passa pela área da demência. “Este é um problema que afecta um número cada vez maior de portugueses, que necessitam de apoio diferenciado e especializado, razão pela qual pensamos que o futuro passa obrigatoriamente por aí”, finaliza. O projecto está a ser implementado no Centro Comunitário Minas da Panasqueira, resposta social localizada no concelho da Covilhã, cujo edifício foi recentemente objecto de obras de requalificação e remodelação.

Outras valências Creche Na creche da Santa Casa da Misericórdia do Fundão os mais novos encontram um ambiente capaz de lhes proporcionar um crescimento feliz e harmonioso. Dos quatro meses aos três anos as crianças têm à sua disposição pessoal qualificado e dedicado, que leva a cabo um projecto educativo adequado a cada idade e a cada fase de crescimento e aprendizagem. A creche funciona durante todo o ano, num edifício funcional e de qualidade excepcional, com uma grande área exterior de recreio. Jardim de Infância Aqui, o trabalho assenta na relação afectiva que é criada com cada criança e que é a base de todas as aprendizagens. Esta equipa proporciona às crianças entre os três e os seis anos a oportunidade de aprenderem brincando e explorando, descobrindo o mundo com segurança e autonomia. O jardim de infância aposta nas artes, contando, para lá da expressão artística, com educação musical. Outras referências deste espaço passam pelo projecto de empreendedorismo “ter ideias para mudar o mundo”, pela educação física e pelo ensino da língua inglesa. CATL Este espaço para actividades e tempos livres foi criado para apoiar as crianças que frequentam a escola, sendo um espaço onde crianças e adolescentes podem utilizar os seus tempos livres de uma forma lúdica e pedagógica. Aqui, crianças e adolescentes, entre os seis e os quinze anos, têm à sua disposição estudo acompanhado, apoio psicopedagógico individualizado, transportes da e para a escola, actividades extracurriculares, além de algumas oficinas, como é exemplo a informática. ESTRUTURAS RESIDENCIAIS PARA IDOSOS (Lar da Misericórdia, Lar Nª Sª da Fátima, Lar S. Sebastião e Lar Nª Sª do Amparo) Os utentes destes espaços encontram boas condições de alojamento, alimentação, higiene e atendimento, sendo os funcionários e colaboradores que aí trabalham vistos, não raras vezes, como uma extensão da sua própria família. A ocupação e animação dos utentes constitui uma preocupação da instituição, onde pretende continuar a apostar. Unidade de Cuidados Continuados A Santa Casa da Misericórdia do Fundão disponibiliza dez camas de média duração e outras dez para longa duração, que, no entanto, são insuficientes para fazer face às efetivas necessidades das populações da Beira Interior. A instituição tem um projecto de reabilitação do edifício antigo do hospital do Fundão, de que é proprietária, para aí instalar a sua unidade de cuidados continuados, aumentando o número de camas disponíveis, em convalescença, média e longa duração, instalar uma unidade de medicina física e de reabilitação e uma unidade de medicina nuclear. Centro Comunitário das Minas da Panasqueira Este espaço surgiu da adaptação das instalações do Hospital da Barroca Grande, doado à Santa Casa da Misericórdia do Fundão em 1997, pela empresa concessionária da exploração mineira, para a criação de uma estrutura de cariz social de apoio à comunidade. Foi nos últimos anos objecto de profundas obras de requalificação e remodelação, que visaram adaptá-lo às necessidades do presente e do futuro, aumentando substancialmente a sua capacidade de admissão de utentes em estrutura residencial para pessoas idosas, criando aí uma resposta social especializada em Alzheimer e outras demências. Cozinha P’ra Si O café/restaurante ‘Cozinha P’ra Si’ é propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Fundão e tem funcionado como empresa de inserção, com o propósito da reinserção socioprofissional de desempregados de longa duração ou em situação de desfavorecimento face ao mercado de trabalho. Aqui, é possível deliciar-se com uma belíssima refeição, a um preço também ele apetecível.

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Ano de Prata em Figueira de Castelo Rodrigo Santa casa da misericórdia de figueira de castelo rodrigo A Santa Casa da Misericórdia de Figueira de Castelo Rodrigo comemora, este ano, os 25 anos de vida do Lar Santa Maria de Aguiar. Os próximos anos avizinham já novas instalações, remodeladas à altura dos seus utentes. nasce a ideia de criação de um lar de idosos. O processo teve início nos anos 80 e foi inaugurado em março de 1989, com uma capacidade para acolher 60 utentes. Hoje, passados 25 anos, a Santa Casa da Misericórdia vê-se em vias de uma expansiva remodelação interna e externa. “Temos um projeto bastante ambicioso, que esperamos levar a bom porto, que vai passar pela remodelação e ampliação global das instalações”, conta-nos, Artur Santos, atual Provedor da Santa Casa. O projeto estará totalmente aprovado até ao final deste ano. Ainda que os custos sejam avultados, Artur Santos sente que os seus utentes merecem esta obra. “A necessidade e o bem-estar dos nossos utentes não se compadece com as atuais instalações do edifício”, refere. Com as obras previstas para o início de 2015, o lar passará a dispor de 64 camas, mais quatro do que aquelas que existem atualmente.

“A família somos nós”

Artur Santos Provedor

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s origens da Santa Casa da Misericórdia de Figueira de Castelo Rodrigo remontam aos inícios do século XX. Foi fundada no dia 1 de junho de 1923 por um grupo de figueirenses, que tinham como objetivo principal prestar assistência a doentes, pobres e indigentes do concelho. Mas foi apenas no ano de 1989 que a Santa Casa, tal como a conhecemos hoje, foi inaugurada. A Misericórdia esteve inicialmente instalada numa casa adaptada para o efeito, onde acontecia, e como único fim, a assistência hospitalar. Nascia então a primeira valência da Santa Casa da Misericórdia de Figueira de Castelo Rodrigo. O primeiro edifício da Santa Casa foi fundado nos anos 50 e corresponde ao Hospital, cuja construção demorou dez anos. Este foi explorado pela Misericórdia durante 28 anos, até ao 25 de abril de 1974, ano em que foi nacionalizado, em consequência da alteração política do país, passando então para o domínio do Estado e, mais tarde, objeto de arrendamento ao mesmo. Alguns anos se passaram, e, em resposta às necessidades e exigências da população figueirense,

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Neste edifício vem-se desenvolvendo uma atividade útil e especializada no acolhimento aos idosos, por meio dos seus dedicados trabalhadores e daqueles que generosamente dão de si e dos seus conhecimentos, junto destas pessoas com tantos anos de vida cheios de tantas vivências. “A família deles somos nós e tentamos transmitir-lhes toda a nossa amizade e carinho”, atenta o Provedor. Com uma equipa de trabalho bem estruturada e empenhada em servir o próximo com a máxima dedicação e competência, Artur Santos procura transmitir os valores que melhor encaixam no perfil desta Casa. “Tentamos transmitir a todos os trabalhadores a ideia de competência e de profissionalismo. Cada utente que aqui está deve ser tratado com dignidade, profissionalismo, competência e perseverança, transmitindo uma imagem de verdadeiros técnicos”. O facto de estarem longe de casa provoca, em algumas situações, um ligeiro sofrimento psicológico nestes idosos que habitam o lar da Santa Casa. A equipa de trabalho atua diretamente neste sentido de minimização do sofrimento, dando-lhes tudo aquilo de que mais necessitam, fazendo-os sentir em casa. À frente da Santa Casa há dois anos, Artur Santos ambiciona ainda abrir esta Casa a toda a comunidade figueirense e integrar a população dentro da mesma. “Era opinião unânime que esta Casa não era aberta à comunidade, mercê de uma gestão pessoalizada e adversa a possíveis comunicações com o exterior”,

explica o Provedor, relembrando os anos passados antes da sua chegada ao cargo de chefia. Hoje, está em curso uma tentativa de abertura desta Casa à comunidade e já foram, inclusivamente, feitos alguns eventos como os festejos de São João, as comemorações dos 25 anos do Lar, entre outras atividades.


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No apoio às crianças e aos idosos Santa casa da misericórdia de sobreira formosa Maria Rosa André é desde 2004 o rosto da Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa em Proença-a-Nova. A Revista Business Portugal foi conhecer o trabalho que esta instituição tem desenvolvido e os seus projetos futuros.

Maria Rosa André Provedora

Como é que se torna provedora da Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa? Eu sou natural daqui. Embora tenha feito a minha vida profissional em Coimbra acabei por regressar quando me reformei. Em 2004 tornei-me provedora porque o meu regresso coincidiu com alguns problemas na Santa Casa da Misericórdia e pediram-me que viesse ajudar e fiquei até hoje. Instituições como a Santa Casa são muito importantes para estes meios quer pelo apoio que prestam, quer pelo emprego que criam. Para mim estar à frente desta Santa Casa tem sido um trabalho muito gratificante porque me sinto útil e vejo a instituição a seguir no caminho certo o que me dá uma satisfação enorme. Que projetos tem desenvolvido deste que se tornou provedora? Quando me tornei provedora em 2004 a Misericórdia de Sobreira Formosa só tinha centro de dia e apoio domiciliário. Depois conseguimos que fosse aprovado o projeto para centro de noite que foi transformado pouco tempo depois num lar. No entanto, como o projeto inicialmente foi pensado para funcionar como centro de noite acabamos por ficar com um lar com pouca capacidade, apenas 12 camas. Este ano foi possível fazer um alargamento, tendo aumentado a capacidade para 15 camas, o que ainda assim não se mostra suficiente. Por isso mesmo estamos, neste momento,

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muito empenhados em nos socorrer do novo quadro comunitário para conseguirmos ampliar o lar para pelo menos 30 camas porque, segundo estudos realizados, é o número mínimo necessário para se conseguir ter sustentabilidade. Ao mesmo tempo temos tido alguma procura o que justifica também este aumento. Há uns anos atrás não existia tanta procura talvez porque as outras respostas que aqui existem foram sendo suficientes para satisfazer as necessidades. Atualmente e coincidindo provavelmente com a idade da reforma de muitas pessoas que migraram para Lisboa e querem agora regressar, temos recebido vários pedidos, tendo até nesta altura já uma lista de espera significativa. Continuaram a manter o apoio domiciliário? Sim continuamos a manter o apoio domiciliário. Neste momento prestamos esse apoio a 45 pessoas e temos 15 pessoas no lar. Além destas valências, mais direcionadas para a terceira idade, a Santa Casa de Sobreira Formosa possuí também algum apoio aos mais novos? Sim. Quando me tornei provedora senti de imediato que era importante criar alguma valência direcionada aos mais pequenos. Por isso mesmo criamos uma creche que foi para mim a concretização de uma prioridade absoluta. A nossa creche tem capacidade para 20 crianças, sendo que neste momento é frequentada

por 17 e em janeiro vão começar a frequenta-la mais duas. Para além de ser importante esta valência como local onde os pais podem deixar tranquilamente as suas crianças, é também fundamental para nós enquanto Santa Casa ter mais esta valência porque sinto que cada vez mais tem de existir um encontro intergeracional. Tive há alguns anos a possibilidade de visitar a Suécia e foi uma experiência fantástica porque fui a alguns lares e percebi que em todos eles existiam jovens e esse encontro de gerações tinha um impacto muito positivo quer para os mais novos quer para os idosos. Temos procurado estabelecer esse encontro entre gerações e por isso temos trazido as crianças com frequência ao lar e os idosos também se deslocam sempre que há oportunidade à creche. Ainda para esta faixa etária temos uma carrinha de apoio às crianças com deficiência que as transporta até à Sertã onde está localizada a APPACDM. Que outros projetos gostava de ver concretizados? Na mesma altura em que surgiu a creche, esta Santa Casa criou também uma fábrica de licores com o objetivo de aproveitar os produtos aqui da região e ajudar os próprios agricultores. Neste momento com a criação da marca misericórdia estamos a colocar a hipótese de desenvolver esta atividade com vista a garantir cada vez mais a sustentabilidade da instituição.


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Foz Côa renascida numa Misericórdia Santa casa da misericórdia de foz côa A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa carrega uma história de ambição e solidariedade. Dela fazem hoje parte um Lar de Idosos, Creche, Centro de Dia para Crianças Inadaptadas e uma Unidade de Saúde de Medicina Física e de Reabilitação.

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rê-se que a fundação da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa se situe a par da criação do concelho. No século XIII, ao lado da Igreja Matriz, foi construído um hospital, que terá ficado a cargo da Irmandade do Espírito Santo (por influência da Rainha Santa Isabel). Este hospital, além de prestar assistência à população residente, também acolhia os peregrinos que se dirigiam a Compostela (Galiza, Espanha). A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa surge, como tal, na segunda metade do século XVI. No início do século XX, a realidade nua e crua de que Vila Nova de Foz Côa, tão populosa, e com um concelho com freguesias importantes, não tinha um hospital, abalou os moradores. Era necessário que alguém se lançasse nessa obra e é assim que, em 1916, se volta a falar da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa. A construção do hospital galvanizou a população do concelho e a inauguração dá-se em 1930. A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa tem o objetivo, descrito no Artigo 1º do seu Estatuto, de “satisfazer carências sociais e praticar atos de culto católico, de harmonia com o espírito tradicional das

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António Gouveia Provedor

Misericórdias, informados pelos princípios da doutrina e moral cristã”. O Provedor António Gouveia reafirma e realça esse estatuto, na mensagem que nos deixa: “Não é só de hoje o gosto de deixar pelos caminhos a marca dos nossos passos. Todos desejamos que os lugares conservem, na poeira dos tempos, como se iniciaram os projetos, se alimentaram os sonhos, se uniram as vontades. Sobretudo que, aquilo que alguma vez mereceu ser tido como louvável, possa perdurar como lição ou como exemplo. Na história da humanidade podemos descobrir um fio condutor onde se nota, indelevelmente, um traço de solidariedade, um esforço continuado que vem do fundo dos tempos e completa os nossos dias”. A Santa Casa preocupou-se, desde cedo, em responder às necessidades dos fozcoenses e é assim que parte para a construção das primeiras valências: o Lar de Idosos de Nª Sra. da Veiga e o serviço de apoio domiciliário a idosos, em que foi pioneira. O Lar integra ainda um Centro de Dia com capacidade para 30 utentes. Neste mesmo ano da inauguração, as inscrições para

internamento no lar já atingiam a capacidade máxima e, em 1991, chegaram a estar 202 pessoas em lista de espera. Anos mais tarde, 1993 chegou a vez de olhar os mais novos, nascendo então a valência de creche, para crianças dos três meses aos três anos. A somar a esta, foi criado, em 1998, o Centro de Dia para Crianças Inadaptadas (CDCI). António Gouveia, na altura presidente da Câmara Municipal de Foz Côa e irmão da Misericórdia, pensou como seria útil que, no seu concelho, se instituísse uma obra que tivesse por objetivo apoiar as crianças carecidas de apoio. A Santa Casa possui ainda outras unidades, entre elas, a de saúde de medicina física e de reabilitação ‘Senhora da Aldeia Nova’ ou ‘Clínica da Misericórdia’. “Criámos esta valência para que, em vez de se andar a encaminhar doentes para outros centros de reabilitação, reduzamos as despesas de transporte, as demoras e os traumas psicológicos”, refere o Provedor. António Gouveia evidencia também todas as irmãs e irmãos que, “responsável, voluntária e solidariamente participaram nos Órgãos Sociais. Bem hajam a todos quantos já o fizeram”.


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Saúde e bem – estar ao serviço dos habitantes Centro social e paroquial de campeã Criado em 1995 o Centro Social e Paroquial da Campeã cresceu e hoje é um dos maiores empregadores da região e no âmbito da ação social.

Manuel Queirós Presidente

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oram detetadas algumas carências, sobretudo ao nível da terceira idade, e o pároco Américo Pereira Gonçalves juntamente com um grupo de pessoas da freguesia criaram o centro social”, diz o Padre Manuel Queirós, presidente da instituição. Juntando-se ao projeto em 1998 abriram a primeira valência “embora existissem estatutos aprovados, ainda não havia estrutura, foi então que reunimos com a comunidade e decidimos iniciar atividade, com o apoio domiciliário”, acrescenta o presidente. Numa região maioritariamente idosa e marcada pela emigração, o projeto de apoio social era visto como uma solução para a maior parte dos habitantes. “Alguns viviam em situações precárias, mas o problema era a impossibilidade das tarefas do dia-a-dia, não tinham autonomia e sem o apoio familiar as coisas agravavamse, daí a importância da criação de uma estrutura que lhes prestasse apoio”. Iniciaram com poucos utentes, mas rapidamente

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se foi alargando com o apoio da segurança social, autarquia local “que sempre foi sensível a esta questão” e a população local “com a ajuda dos emigrantes adquirimos a primeira carrinha de distribuição. Aliás as comunidades portuguesas sobretudo no Luxemburgo, França e Inglaterra foram sempre uma ajuda preciosa” Ao longo do tempo verificaram que as pessoas estavam “muito dependentes e sem autonomia”. Decidiram então, aderir ao programa de apoio domiciliário integrado com o apoio do centro de saúde número um de Vila Real. No entanto, já no ano de 1999, se verificava a necessidade de uma estrutura residencial, pois “as pessoas que apoiávamos já careciam de outra resposta social”. Juntamente com a comunidade e todas as forças locais decidiram avançar com a ideia. “Inicialmente foi necessário encontrar o espaço necessário para a sua implantação. Felizmente, contamos com a generosidade de várias famílias”, salienta o presidente. Em 2008, o projeto foi aprovado ao abrigo do programa

PARES II, e em 2009 foi lançada a primeira pedra. Já a inauguração decorreu a 31 de maio de 2013 com a presença do primeiro-ministro e também o reconhecimento do Presidente da República que visitou as instalações a 31 de julho de 2013. “Tentamos responder sempre às necessidades concretas das pessoas, nunca criando nada sem a sustentabilidade do terreno, ou seja fizemo-lo porque era necessário e não havia qualquer outra resposta na região”, salientou Manuel Queirós. Atualmente, o centro conta com quatro valências: estrutura residencial para idosos com 39 vagas onde existem sete quartos individuais e 16 duplos; a creche com capacidade para 31 vagas entre os zero e os 36 meses “não estamos completos porque a natalidade nesta região sofreu alterações, apenas 15 estão ocupadas”; o centro de dia com 20 vagas, “uma valência aberta para responder às necessidades de convivência” e por último, o apoio domiciliário com 62 utentes diários. O acordo com a Segurança Social abrange duas


freguesias do Concelho de Vila Real: Campeã, e a União de Freguesias de Pena, Quintã e Vila Cova. “Temos tido o apoio de uma direção alargada com pessoas representantes das várias localidades e isso é muito importante, são pessoas que se dedicam, que se empenham e colaboram”, sublinha o presidente. Para prestar apoio a todos os utentes, a equipa do centro é constituída por 50 pessoas. “Atualmente, somos um dos maiores empregadores da região, além de toda a ação social que desenvolvemos, que é a nossa missão, também criamos postos de trabalho, o que promove a fixação de jovens nesta região”. Para além das quatro valências referenciadas, ainda têm uma cantina social com capacidade de servir 65 refeições diárias na zona oeste de Vila Real, e ainda, uma valência de ajudas técnicas que fornece material, como cadeiras de rodas, andarilhos, camas, entre outros, de acordo com as necessidades que lhes são apresentadas. Para este projeto contam com o apoio da UTAD e estão ligados a programas a nível nacional como o programas Cáritas - Dar e Receber. Relativamente a projetos futuros Manuel Queirós afirma que o bem comum e a qualidade de vida desta população estão sempre no horizonte e, por exemplo não se exclui a hipótese de vir a trabalhar a área da deficiência e até os cuidados continuados. “Temos conhecimento de alguns casos e vamos apoiando como podemos, mas para isso necessitávamos de apostar em valências próprias, direcionadas para essas áreas”. E ainda, criar um centro de atividades, num edifício da paróquia, aberto a toda comunidade, “no sentido de promover a atividade e a cultura e até futuramente formar uma universidade sénior, porque vemos que as pessoas têm essa apetência e gosto em aprender”, neste projeto desenvolveriam atividades de reabilitação física a ateliês artesanais e até atividades musicais. “Os projetos futuros passarão por isso, vamos continuar atentos às necessidades da população e vamos colmatando essas mesmas necessidades dentro da nossa área. Sentimos que existem muitas pessoas que não têm a resposta mais adequada, mas temos os pés bem assentes na terra e neste momento, ainda estamos em consolidação. Foi um desafio tremendo erguer um novo equipamento social numa altura complicada para todos. Ainda temos empréstimos para pagar e continuamos dependentes de parcerias e da ajuda generosa de todos. É a união que faz a força.”

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mutualismo em portugal

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ascido na Grécia Antiga, entre os séculos VI e V a C, o mutualismo é um movimento social que se

traduz em comportamentos de entreajuda aplicáveis a muitas áreas da vida: um conceito da biologia que exprime a relação de interdependência entre espécies diferentes; uma corrente ideológica e uma forma de proteção dirigida a cidadãos que se organizam de forma voluntária, não lucrativa e com o objetivo do auxílio mútuo. Inspirado na solidariedade, o Mutualismo como instituição é o sistema mais antigo do mundo. Se, inicialmente, surge ligado a organismos religiosos, económicos e políticos, na Idade Média servia os propósitos de agremiações de profissionais do mesmo ramo, promovendo a regulamentação, a qualidade da profissão e a proteção de órfãos, viúvas e inválidos. Com a revolução francesa de 1789 emergiram os valores que regeriam o Mutualismo e as mutualidades: liberdade (de adesão e saída), igualdade (dos associados) e fraternidade (um fundo comum que dilui o risco individual no risco coletivo). O liberalismo que inspirou o século XIX e a Revolução Industrial, conduzindo à proletarização, à destruição dos mecanismos de solidariedade familiar ou informal e à emergência de novas classes sociais desprotegidas pelas instituições públicas, suscitaram a necessidade da criação de associações de defesa mútua. O Mutualismo associado a grupos profissionais ganhou a forma de associações mutualistas ou mutualidades, que custeavam despesas de funeral e sustentavam na invalidez, na doença, na orfandade ou nos acidentes de trabalho. As associações mutualistas, ou mutualidades, evoluíram em torno de valores de democracia (um homem/associado, um voto); adesão voluntária; independência (autonomia face aos poderes públicos); ausência de fim lucrativo (os excedentes gerados são de apropriação coletiva e destinam-se ao reforço dos fundos próprios e/ou ao financiamento de projetos destinados aos associados ou à sociedade); solidariedade (promovem o bem-estar dos membros sem a motivação do lucro individual); número ilimitado de associados; capital variável; duração indefinida e prossecução de fins de auxílio recíproco a partir de respostas complementares aos sistemas públicos de Segurança Social e Saúde. Na esfera nacional, são regidas pelo Código das Mutualidades, posicionam-se entre a solidariedade da unidade familiar, o Estado e as empresas privadas e inserem-se no que se define por Economia Social, Setor Social ou Terceiro Setor.

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UMA REDE MUTUALISTA E SOLIDÁRIA Redemut A RedeMut, Associação Portuguesa de Mutualidades, é um projeto inovador, nascido da iniciativa de um conjunto de associações mutualistas portuguesas que decidiram unir esforços em torno do objetivo comum: prestar cuidados de saúde à comunidade de associados que as integram.

Carlos Salgueiral Presidente

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eforça-se a proteção social garantida a todos, num esforço de entreajuda orientado para uma melhor qualidade de vida. Garante-se a prestação de cuidados de saúde primários, diferenciados e continuados, além de serviços de apoio domiciliário e ação social. A RedeMut disponibiliza, desde o mês de março, um serviço inovador nas mutualidades: a prestação de consultas noturnas de clínica geral ao domicílio. A nova oferta surge como complemento aos serviços já efetuados durante o dia. Um projeto histórico para o mutualismo português. Organização sem fins lucrativos, segue e promove os valores mutualistas de liberdade, igualdade, democracia, solidariedade e responsabilidade. Interliga mutualidades que congregam mais de 700 mil associados e permite que qualquer um destes associados beneficie dos serviços de saúde prestados por todas elas, sem necessidade de nova filiação. Basta apresentar o cartão que identifica o associado de uma das mutualidades que integram a RedeMut e usufruir do serviço a que pretende aceder. Perante a difícil conjuntura económica, cujos reflexos são cada vez mais sociais, sobretudo nos custos associados à saúde e os constrangimentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a RedeMut desempenha um papel preponderante na promoção de uma proteção social responsável, eficiente e solidária. Contribui para a prevenção da saúde, para a acessibilidade e humanização de cuidados e para a difusão e expansão do mutualismo em Portugal. Uma alternativa à medicina privada e um complemento ao SNS, gerando maior oferta ao nível dos serviços e da cobertura territorial. Assumindo-se como uma rede de eficiências, os seus objetivos passam por estimular o aumento da rede de

mutualidades e da oferta mutualista disponibilizada; assim a procura associativa dos serviços de cada uma, através do aumento da notoriedade Convite do mutualismo, garantindo DATA a promoção conjunta de 25 DE OUTUBRO DE 2014 LOCAL uma marca comum. AUDITÓRIO 1 – ATMOSFERA M Na defesa da proteção Rua Júlio Dinis, 158/160 – 5º 4050-318 Porto social para todos, e ao GPS: 41.150276; -8,625876 Estacionamento Gratuito – n.º impulsionar a força e o 290 da mesma rua espírito da entreajuda, a MAIS INFORMAÇÕES EDEMUT – ASSOCIAÇÃO RedeMut pratica tarifas RPORTUGUESA DE MUTUALIDADES Tel. 220 004 510/1 acessíveis e sustentáveis; geral@redemutapm.pt realiza campanhas de educação e de prevenção para a saúde, em parceria com outras organizações; maximiza o aproveitamento das capacidades instaladas e potencia sinergias entre diversos serviços, reforçando também a capacitação técnica e a sustentabilidade estratégica e económicofinanceira das mutualidades aderentes. A RedeMut corporiza um projeto recente, suportado nas pessoas e nos valores mutualistas que inspiram cada um dos seus membros, e tem caminho a percorrer na constante melhoria e satisfação das necessidades dos associados das mutualidades que a integram, mas também na afirmação da solidariedade, da entreajuda, da partilha, do mutualismo português e da cidadania.

DIA NACIONAL DO MUTUALISMO Eficiência nos Sistemas Complementares de Saúde Caro Mutualista, A RedeMut – Associação Portuguesa de Mutualidades, tem o prazer de o convidar para a palestra subordinada ao tema “Eficiência nos Sistemas Complementares de Saúde”, uma sessão informal integrada nas comemorações do Dia Nacional do Mutualismo. O evento decorre no próximo dia 25 de outubro, no Auditório 1 da Atmosfera M, na cidade do Porto.

Agradecemos confirmação de presença para o email geral@redemutapm.pt. Gostaríamos muito de contar com a sua presença neste evento.

PROGRAMA

10H00 Boas Vindas 10H15 Palestra 12H00 “Porto de Honra” PARTICIPANTES

Sr. Carlos Salgueiral – Presidente do CA da RedeMut Dr. Carlos Beato – Administrador Montepio Geral – Associação Mutualista Dr. Jorge de Sá – Presidente da CIRIEC Portugal; Representante da Associação Internacional “Rencontres du Mont-Blanc” Dr. Carlos Gonçalves – Diretor Clínico da Clínica da Liga das Associações de Socorro Mútuo de V N Gaia Mme. Arielle Garcia – Federação Nacional das Mutualidades Francesas Frl. Corinna Hartrampf – Project Manager Associação Internacional das Mutualidades

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Complexo de Saúde em prol da ação social Liga das associações de socorro mútuo de v.n.gaia Associação vilanovense de socorros mútuos

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uitas das associações mutualistas que surgiram no século XIX, tinham como princípio e valor fundamental, proporcionar dignidade no fim de vida aos seus associados, através de concessão de um subsídio de funeral, tendo com o evoluir dos tempos, alterado o seu paradigma e passarem a ter como objetivo, ‘Qualidade de Vida, em Vida’, através da criação de respostas rápidas e eficazes, com vista à satisfação das necessidades dos nossos associados, na área da saúde. “Hoje, constatamos que o mutualismo tem muito mais visibilidade do que aquela que tinha há uns anos atrás, e acima de tudo, é mais percetível na sua essência e no seu objeto”, afirma Luís Amorim, presidente da Liga das Associações de Socorro Mútuo de Vila Nova de Gaia. Farmácia, Clínica e Clínica de Estética são as três áreas nucleares, devidamente equipadas e modernas, que

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elevam a Liga das Associações de Socorro Mútuo de Vila Nova de Gaia a um nível superior do mutualismo em Portugal. Com uma farmácia “de topo a nível nacional” quer em termos de capacidade de resposta, com um “atendimento bastante personalizado”, quer em termos de espaço e de equipamentos, onde se investiu fortemente na área da robótica e onde criamos um espaço de ótica, que tem tido muito sucesso, frisa Luís Amorim. Com uma Clínica que conta com 23 especialidades médicas e cinco especialidades não médicas, 35 colaboradores, 43 médicos e três enfermeiras. “Especialistas de altíssima qualidade”, que poem o seu melhor saber e querer ao serviço da causa mutualista e da comunidade. “Preferencialmente, servimos os nossos associados, mas em casos de necessidade ou urgência

atendemos qualquer pessoa não associada”. Complementando estes serviços com parcerias, na área dos exames cardiológicos, (com uma empresa domiciliada nas suas instalações) e na área da colheita de amostras de produtos biológicos, (análises clínicas). Na saúde e no bem-estar, as soluções devem chegar antes de serem necessárias, e assim sendo, desenvolveramuma área totalmente dedicada aos serviços relacionados com a estética – Clínica Estética da Liga – Spa Urbano, oferecendo programas personalizados de tratamento integrado que envolvem áreas tão variadas como a nutrição, endocrinologia, psicologia, acompanhamento farmacêutico e tratamentos estéticos, terapias de reabilitação, programas de tratamento da obesidade infantil e desabituação ao tabaco e uma aposta muito forte nas medicinas complementares.


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A Vilanovense - Associação Mutualista, criada em 1882, já com um legado secular, e societária maioritária da Liga das Associações de Socorro Mútuo de V.N. Gaia, conta actualmente com cerca de 38.000 associados, tendo por objetivo uma constante procura de serviços capazes de servir cada vez melhor os seus associados, acompanhando os tempos e estando sempre alerta com as respostas e possibilidades das inovações tecnológicas, apostando na formação e competência de todos os seus colaboradores, na utilização de novas ferramentas, meios técnicos e tecnológicos disponíveis desenvolvendo o seu de trabalho no âmbito da proteção social, e contribuindo para relações mais solidárias dos seres humanas, para a redução da pobreza e de outras formas de exclusão social, vive de forma empenhada um dos principais desafios que se colocam ao Movimento Mutualista: o desafio de saber reunir a tradição e o passado, que nos honram, aos desafios e perspetivas do futuro, que nos motivam. Os associados da Vilanovense dispõem de três tipos de quotas: Quota Sénior, em que, por 2.5 euros mensais, beneficiam de um subsídio de funeral de 650 euros, desconto 10 por cento na aquisição de produtos na farmácia da Liga e consultas clínicas especializadas a 39.50 euros; Quota Vida, em que por 3.5 euros mensais, beneficiam de desconto 10 por cento na

aquisição de produtos na farmácia da Liga e consultas clínicas especializadas a 29.50 euros; Quota Mais, em que por 5 euros mensais, o associado tem acesso a todos os serviços pelo mais baixo preço e ao subsídio de funeral. Este ano, arrancou o projeto “19h/24h” que consiste em fornecer cuidados primários de enfermagem às pessoas a partir das 19 horas. “Temos o serviço de enfermagem na clínica até às 19 horas e a partir das 19 horas temos uma secção na farmácia que fornece esse serviço até às 24 horas”, explica o representante da Liga e da Vilanovense.

Parcerias na área da saúde através da RedeMut Resultado da união das maiores mutualistas de saúde, que se associaram para fazer a cobertura em rede de todo o território nacional, os associados da Vilanovense usufruem de apoio médico noturno, das 20 horas às 7 horas, mediante o co-pagamento de um valor de 20 euros. “Foi uma ideia prática e funcional. Pode dizer-se que vem complementar as lacunas que hoje existem no Serviço Nacional de Saúde. Somos também cofundadores da Mutuália – entidade de grau superior que desenvolve a sua atividade na área dos seguros,

mormente: complemento de reforma; poupançareforma; complemento por desemprego e protecção – jovem”. Uma outra valência importante que a associação irá desenvolver é o serviço de apoio domiciliário que pretende que até ao fim do ano, esteja criado, implementado e contratualizado. “Essencialmente atuarse-á em três áreas - higiene pessoal, higiene domiciliária e na área de saúde”, explica Luís Amorim. É preocupação da instituição, e sendo um dos principais objectivos, sensibilizar os jovens que frequentam o ensino superior para as virtualidades do mutualismo. “Acima de tudo estamos focalizados na população mais jovem, fazer-lhes chegar o que é o mutualismo para eles assimilarem, perceberem e aderirem”, afirma Luís Para Luís Amorim, o mutualismo está “inevitavelmente a crescer”, pois devido à conjuntura económica atual, as instituições mutualistas tiveram que fornecer apoio a pessoas com dificuldades financeiras que precisavam de auxílio em termos da saúde e de apoio medicamentoso. Dessa forma, a associação, juntamente com a autarquia de Vila Nova de Gaia e a farmácia da Liga, apoiaram as pessoas com carência económica. Atos que também realizam no que toca a associados com dificuldades económicas, através da função de apoio social destas instituições.

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Mutualismo numa nova fase Associação de socorros mútuos de s.mamede Numa altura de cortes na área social, em resultado da crise económica, Áureo Almeida acredita que o mutualismo tem um papel importante a desempenhar, tal como colmatar algumas das dificuldades que a população e o próprio Estado vai sentindo.

Áureo Almeida Presidente

exame de cardiologia

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Associação de Socorros Mútuos de São Mamede existe há cerca de 125 anos e nasceu da necessidade de realizar cerimónias fúnebres para quem, fruto da crise que se vivia à época, tinha dificuldades financeiras. “Foi uma questão de ajuda, solidariedade e saúde pública”, referiu Áureo Almeida, representante do Conselho de Administração. Nos últimos anos, desenvolveram uma grande aposta

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na área da saúde, levando-a às pessoas com custos mais reduzidos, especialmente para os associados, pois “nem todos os utentes o são, temos uma tabela de honorários que é muito mais baixa especialmente para eles. Um não associado pagará um pouco mais mas, mesmo assim, um valor mais baixo considerando a qualidade dos serviços prestados onde se incluem as excelentes instalações. A qualidade do serviço é uma aposta ganha, o que poderá fazer com que muitas

pessoas venham a apostar fortemente nas instituições mutualistas”, sublinha Áureo Almeida. Atualmente, a Associação conta com duas valências: saúde e subsídio de funeral. Além do posto de enfermagem e do serviço de clínica geral, que é diário, a Associação presta apoio em várias especialidades, tais como na área da cardiologia onde detêm convenção com exames médicos ao nível da consulta e de diagnóstico, como eletrocardiogramas, provas de esforço e ecocardiogramas; na área de oftalmologia; medicina dentária; ginecologia; urologia; reumatologia; ortopedia; otorrino; medicina integrativa, “um misto de homeopatia , acupunturae outras terapias visando resolver vários problemas ao nível da dor e oferecendo alguma qualidade de vida”, medicina física e de reabilitação, “onde temos um enorme cartão de visita devido a algumas recuperações de sucesso que tivemos em vários utentes”, destaca o representante do Conselho de Administração. A Associação conta ainda, com uma convenção com o Serviço Nacional de Saúde que lhes permite prescrever receituário e meios complementares de diagnóstico, exceção feita aos que necessitam de autorização especial da unidade da saúde familiar. Com uma média de 250 utentes por dia e um quadro de funcionários relativamente jovem, a Associação tem ainda um parque de estacionamento exclusivo para entrada e saída de ambulâncias e viaturas de transporte de doentes. Procurando sempre a integração na comunidade de que fazem parte, criam parcerias. Tendo protocolos com algumas casas de ortopedia, com centros de formação e com algumas farmácias da freguesia e do concelho, apesar de continuarem a lutar pela questão das farmácias sociais. “Basicamente, tudo o que possa ser uma mais valia para um associado nosso e para a comunidade, nós fazemos”. No movimento mutualista há sete anos, Áureo Almeida, afirma que consegue ter uma perceção de uma mudança muito grande, nos últimos cinco anos, e que este, está a passar por uma nova fase, tanto pelo número de iniciativas entre as instituições como a recente aposta na criação de uma plataforma mutualista onde partilham as valências de cada associação e ainda, no apoio ao nível das iniciativas que se fazem para formação, o que provoca um crescimento gradual do movimento mutualista. “Tenho-me apercebido em reuniões promovidas pela União das Mutualidades que instituições que estavam praticamente ‘mortas’ resolveram voltar a reativar as suas atividades”, defendendo ainda, que acredita “que se mostrarmos os nossos serviços à população e se


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passarmos a mensagem de forma positiva, a população irá passar a ver – nos como uma excelente alternativa à prestação de cuidados especiais da sociedade”. Para projetos de futuro tencionam criar um parque de estacionamento para os utentes, de forma a evitar constrangimentos a nível de trânsito, aumentar o horário de funcionamento, realizar protocolos com uma ou duas funerárias para que, dessa forma, possam oferecer um preço mais reduzido aos associados, aliado à qualidade, e ainda criar uma outra valência de modo a dar utilidade ao terreno de 5.000m2 recentemente adquirido, mas que passará , na sua opinião, pelo partilhar de necessidades, com a rede social de Matosinhos, órgão que congrega, sob o patrocínio da Câmara Municipal de Matosinhos, as várias entidades da área social, tendo a noção exata das necessidades ao nível de equipamentos dessa área e, eventualmente, em parceria concretizar o projeto que melhor sirva os interesses dos matosinhenses. “Esse foi um dos objetivos que levou a CMM a criar a rede social, pelo que cabe-nos a nós ajudar a concretizar os mesmos”. Neste momento, está a decorrer na instituição um processo de rastreios com o apoio da União das Mutualidades Portuguesas, POPH e QREN, rastreios estes, que já realizavam “mas de uma maneira muito mais modesta e não tão abrangente porque tínhamos

custos enormes”, sublinha Áureo Almeida, mudanças estas que ocorreram nos últimos anos. Áureo Almeida defende que “o espírito tem de ser esse, dar as mãos com as entidades que possuem os elementos e que possam, querem e têm a obrigação de o fazer. Já a nossa obrigação é a de tratar bem os nossos associados e defender os interesses da nossa instituição”. Pretendendo cada vez mais a sua afirmação e procurando ir ao encontro das pessoas, foi recentemente criada e registada a marca CLIMÚTUA que irá ser utlizada na área da saúde, tornando assim mais simples a perceção do que aqui se faz. Renovadas as instalações da Secretaria e Posto de Enfermagem juntamente com o nascimento da CLIMÚTUA que esperam que venham a ser inauguradas condignamente, estão a preparar, desde já, os próximos 125 anos na certeza de que quem os suceder, “fará melhor de certeza, pois esse tem que ser o principio que norteia a Associação”. Por último, o representante deixou uma mensagem para os leitores. “Venham conhecer-nos, sabemos que quem entra na nossa porta e nos conhece fica como sendo um dos nossos. Somos das instituições que não diferenciamos ninguém e defendemos os valores mutualistas”, finaliza

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88 Anos de História mutualidade Popular - Associação Mutualista Faro Com os ideias mutualistas bem presentes nas práticas de ações solidárias, a associação Mutualista de Faro destaca-se no Mutualismo em Portugal. Recentemente, juntou-se à RedeMut, dando continuidade ao processo de expansão da Associação Portuguesa de Mutualidades na região.

Como surgiu a Mutualidade Popular? A mutualidade popular foi criada por alvará de 10 de setembro de 1926, tendo inicialmente a designação de “Mutualidade dos Funcionários Públicos”, sendo atualmente de âmbito a nível nacional. Cumprimos, pois, recentemente, o octogésimo oitavo aniversário. Quais os princípios que a associação defende? A Mutualidade Popular é uma associação mutualista, inspirada nos ideias mutualistas, prosseguindo a prática de ações solidárias. A sua ideologia básica assenta na liberdade, democraticidade, independência e solidariedade. Em que se baseia o mutualismo? As mutualidades têm o estatuto de pessoas coletivas de utilidade pública, são instituições particulares de solidariedade social, sem fins lucrativos, com um número

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ilimitado de associados, capital indeterminado e duração indefinida que, no interesse dos associados e suas famílias prosseguem fins de auxílio recíproco. Quais as modalidades associativas que a instituição presta serviço? A Mutualidade Popular, A.M. desenvolve atividade ao nível de seguros, com várias modalidades, arrendamento de imóveis, concessão de empréstimos e, duma maneira envolvente, a nível da economia social. Quais as vantagens de um associado da mutualidade popular? Ser-se associado da Mutualidade Popular proporciona os benefícios inerentes a qualquer instituição mutualista. Mais concretamente, os associados

beneficiam da atividade seguradora, de arrendamento de casas em condições muto vantajosas e de apoio médico através da adesão ao sistema ‘Redemut’, tudo numa visão de economia social profunda. Como prevê o futuro? Quais os projetos que pretendem desenvolver? O povo costuma dizer que o futuro a Deus pertence, de qualquer modo, os homens podem e devem construir um futuro mais risonho e solidário. Assim, a Mutualidade Popular irá prosseguir a sua normal atividade de angariação de sócios, prosseguindo os seus objetivos sociais e solidários, proporcionando mais e melhores benefícios aos seus associados, nas várias vertentes sociais.


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inovar para crescer

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esta edição da Revista Business Portugal trazemos-lhe, uma vez mais, os melhores exemplos de inovação do nosso país, e também alémfronteiras. Revelamos-lhe as empresas internacionais que confiam nos profissionais portugueses e aqui expandem o seu negócio. Nas mais variadas áreas de atuação, este mês pode conhecer a Linde, que pretende que os seus clientes transportem as suas mercadorias de uma forma simples. Conheça também a nova aplicação da Conteúdo Chave pensada ao pormenor para as smart cities portuguesas. Temos ainda tempo para lhe revelar o que de melhor há nas Termas de S. Pedro do Sul e ainda um dos melhores enólogos portugueses, Anselmo Mendes. Não deixe de folhear as próximas páginas da sua revista de negócios.

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Inspiração, inovação e ação Linde A Linde é uma empresa consolidada no mercado português, com uma estrutura importante e com resultados altamente satisfatórios, mas o seu objetivo é continuar a crescer sobre uma base sólida e rentável. Falamos com Jaime Gener Bover, diretor geral da Linde Material Handling Ibérica. circuito de provas as vantagens dos equipamentos da Linde. A Linde Material Handling Ibérica esteve presente neste evento com 140 clientes de Portugal e Espanha e 30 jornalistas de ambos os países. O balanço é altamente positivo, não só em termos de volume de visitantes, mas também no que diz respeito ao interesse que os nossos clientes demonstraram em conhecer os pormenores, características e tendências dos nossos produtos e serviços. A experiência vivida por todos os clientes no World of Material Handling foi muito positiva, o que nos entusiasma para planear uma nova edição.

Jaime gener Bover Diretor Geral

Classificaria a Linde como sinónimo de ‘inspiração, inovação e ação’? De onde vêm as mesmas? A resposta é simples: queremos oferecer aos nossos clientes as melhores soluções e conceitos para que eles possam movimentar as suas mercadorias de forma eficiente, produtiva, segura e que respeite o meio ambiente. O fundador da nossa empresa, Carl von Linde questionava-se sempre: como e que podemos fazer melhor? Esta ideia de superação, de procura das melhores soluções possíveis e a excelência foram a inspiração que levou a Linde a desenvolver a gama mais completa de veículos e serviços associados para a movimentação de mercadorias. A nossa aposta na inovação é clara. Temos um departamento de I&D que trabalha constantemente para estar um passo à frente em termos tecnológicos, esta é a nossa forma de atuar. Qual o balanço que faz do World of Material Handling organizado em maio na Alemanha? O World of Material Handling foi um conceito inovador, uma feira própria organizada pela Linde Material Handling para dar a conhecer aos seus clientes e potenciais clientes todas as novidades da marca. Organizado na cidade de Mainz na Alemanha, este encontro de quase 20 dias ocupou uma área de 20.000m2 e recebeu mais de 6 mil visitantes de 40 países, que assistiram a apresentações de especialistas da Linde, exibições, apresentações de produtos e puderam comprovar num

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Que novidades estão previstas lançar em Portugal ainda este ano? No campo dos empilhadores contrapesados, até ao final do ano lançaremos os novos empilhadores elétricos frontais com capacidade entre os 6 mil e os 8 mil kg. Este ano também apresentamos os novos modelos de empilhadores contrapesados elétricos de 1200 a 200Kg da gama EVO, que são uma referência no mercado. Estes veículos, tal como todos os nossos empilhadores contrapesados contam com o eixo de tração compacto com módulos de potência integrados e tração dianteira de dois motores e eixo de direção combi. Tudo isto aliado a um conceito ergonómico cuidadosamente estudado. Estes empilhadores têm também a opção de selecionar diferentes opções de funcionamento para que trabalhem da forma mais económica possível para conseguir sempre a combinação ideal entre rendimento e eficiência. No segmento dos veículos de interior, lançamos recentemente um stacker mais produtivo e um comboio logístico inovador. No que diz respeito ao stacker, trata-se de um veículo com capacidade de carga de 1400kg a 1600kg, que além de ser robusto e eficiente, está desenhado para potenciar ao máximo a segurança, já que dispõe de numerosas funcionalidades que protegem o operador de potenciais perigos. Por exemplo, o timão comprido com um ponto de fixação baixo em relação ao chassis, proporciona uma grande distância de segurança entre o operador e o veículo. A função ProportionalSpeed regula a velocidade de translação proporcionalmente à posição do timão, e as rodas estabilizadoras, que permanecem dentro da estrutura do veículo para proteger os pés do operador. Relativamente aos modelos de comboios logísticos que apresentamos, são baseados em dois desenhos completamente novos, e têm um nível de estabilidade muito elevado na direção e no manuseamento. Outro dos grandes pilares da Linde é a liderança tecnológica que implica também o equilíbrio entre a

eficiência e o respeito do meio ambiente. Por isso, este outono iniciamos a comercialização dos porta paletes Linde T16 a T20 com uma capacidade de carga entre 1,6 e 2 toneladas com baterias de iões de lítio. Estas baterias carregam-se de forma rápida, e são mais leves, o que também resulta numa grande poupança de energia. Se falarmos em termos de segurança – uma das nossas prioridades – este ano continuamos a apostar neste segmento, com duas novas soluções. O Linde Orange Belt é um cinto de segurança de cor laranja intenso, que permite detetar facilmente se o condutor tem o cinto colocado e caso o cinto seja desapertado, o empilhador é imobilizado de imediato. Por outro lado, apresentamos o Linde Safety Pilot, um sistema de controlo que evita os possíveis erros dos condutores durante o manuseamento da carga. O equipamento verifica que a capacidade do empilhador não seja ultrapassada em nenhuma situação. Na área da Gestão de Frotas, lançámos no ano passado o @LindeOnline, uma plataforma informática gratuita que informa os nossos clientes do estado dos seus empilhadores, em qualquer momento a partir do seu computador ou dispositivo móvel. Antes do Verão, lançamos a versão mobile deste serviço com um interface simples, mas com as mesmas funcionalidades, para utilizar nos dispositivos móveis. Durante o Congresso da APLOG – Associação Portuguesa de Logística que decorre no final deste mês, apresentaremos o sistema Optim@, um produto criado para que os nossos clientes disponham de todos os dados da sua frota em tempo real, tanto em termos de utilização como de informações técnicas. Graças a este sistema, é possível analisar a utilização do parque de máquinas inclusivamente em termos de fluxo e recolhas. O Serviço de Assistência Técnica da Linde também poderá dispor da informação técnica dos equipamentos em tempo real, podendo detetar qualquer disfunção no comportamento dos veículos e atuar em conformidade antes que haja uma avaria. A segurança continua a ser um marco incontornável da marca. Quais as vossas apostas neste segmento? Como já referi anteriormente, este ano apresentamos o Orange Belt e o Linde Safety Pilot enquanto novas soluções de segurança. No entanto, todos os nossos empilhadores contam com soluções de segurança de origem, que tornam a movimentação de mercadorias e a condução dentro do armazém mais segura. Dispomos ainda de uma oferta muito alargada de soluções de segurança adicional que podem ser incorporadas nos


REVISTA BUSINESS PORTUGAL INOVAR PARA CRESCER nossos empilhadores, e que incluem luzes para ver e ser visto, sensores de pessoas e objetos, sistemas anti-atropelamento, reguladores / limitadores de velocidade de acordo com as zonas do armazém onde o equipamento circula, circuitos fechados de televisão, sistemas automáticos de extinção de incêndios, só para nomear alguns. Todos estes sistemas são importantes, mas há alguém fundamental em quem centramos a nossa atenção: o condutor. O desenho das nossas cabines, assentos, e todos aqueles elementos com os quais o operador está em contacto de forma permanente, têm como premissa principal a ergonomia e o conforto. Na Linde, também realizamos cursos de formação para condutores sem experiência, com experiência e cursos de reciclagem, sempre em harmonia com as normas legais nacionais vigentes e as recomendações internacionais, para que a condução dos empilhadores e a movimentação das mercadorias ofereçam os níveis máximos de segurança. Por fim, gostaria de salientar que, para além de oferecer serviços de manutenção e reparação que permitem manter os empilhadores em perfeito estado e corrigir qualquer incidência, contamos com inspeções técnicas de segurança (ITS), que permitem assegurar aos nossos clientes o perfeito estado dos seus empilhadores. O que vos difere dos vossos concorrentes? Na Linde não nos centramos naquilo que fazem os nossos concorrentes, focamo-nos naquilo que os nossos clientes necessitam, para lhes oferecer sempre

empilhadores com a tecnologia mais avançada, que realmente se adequem às suas necessidades e que sejam mais produtivos, mais eficientes e que lhes permitam movimentar cargas com toda a fiabilidade e máxima segurança. Procuramos constantemente soluções que permitam minimizar os custos dos nossos clientes e que sejam simultaneamente respeitadoras do meio ambiente. Oferecemos serviços comerciais flexíveis, gestão integral de frotas, aluguer a longo e curto prazo – o nosso negócio denominado Rental Solutions – venda de máquinas Approved Trucks (empilhadores reacondicionados com garantia) e muito mais. Como referi anteriormente, oferecer os melhores serviços é também uma das nossas premissas, e por isso oferecemos os Linde Customer Services, que incluem desde análises de segurança até planos de manutenção específicos para cada cliente e tudo isto, para responder às expectativas dos nossos clientes para que continuem a confiar em nós.

de acordo com o seu perfil e as necessidades das empresas da zona norte. O primeiro passo foi criar uma estrutura e contratar pessoal adequado para potenciar as diferentes áreas do nosso negócio para ser gerido de forma local. O mercado português é sem dúvida um mercado muito atrativo para a Linde Material Handling Ibérica e continuaremos a investir para continuar a oferecer aos clientes confiança e continuidade.

Por onde passa o futuro da Linde em Portugal? A Linde é uma empresa consolidada no mercado português, com uma estrutura importante e com resultados altamente satisfatórios, mas o nosso objetivo é continuar a crescer sobre uma base sólida e rentável. É por isso que demos mais um passo no mercado português e transformamos a nossa subdelegação do Porto numa delegação independente da de Lisboa, com o objetivo de proporcionar ao cliente soluções e serviços

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cidades inteligentes, competitivas e sustentáveis Conteúdo chave A rede Smart Cities Portugal visa promover o desenvolvimento e produção de soluções urbanas inovadoras, de forma integrada, com vista à estruturação da oferta e sua valorização nos mercados internacionais, assim como potenciar a participação das empresas e cidades portuguesas no mercado das cidades inteligentes, além de afirmar a imagem de Portugal como espaço de conceção, produção e experimentação de produtos e serviços para smart cities. Em entrevista à Revista Business Portugal, Vítor Pereira, da Conteúdo Chave falou do projeto Smart Cities Online e do seu conceito inovador. O que é o Smart Cities Online? É o meu blogue/website pessoal. Começou apenas como forma de colocar online alguns dos textos que ia escrevendo, agora recebo visitantes de todo o mundo, partilhas e feedback sobre os conteúdos, a maior parte relacionados com o tema das Cidades Inteligentes em Portugal, da minha perspetiva de análise crítica, mas também de divulgação dos casos de estudo e boas práticas, que temos muitos. Como está ligado às grandes (e pequenas) Cidades Inteligentes? O facto de residir numa zona remota, isolada, desertificada, uma pequena cidade de interior como é Bragança, deu-me uma perspetiva quase tridimensional sobre as questões de urbanismo, planeamento, modernidade e desenvolvimento. Por exemplo, como estamos baseados também em Amsterdão, é um contraste absoluto entre a cidade mais aberta do mundo (e uma das mais empolgantes) com a cidade onde habito que é mais pacata, mas com um charme rural misturado com alguma modernidade, apesar de ser mais na ótica da construção moderna do que muitas vezes nas mentalidades. Liguei-me ao tema das Smart Cities, inicialmente pela parte da tecnologia, uma vez que, desde 2010 que a minha empresa, ‘Conteúdo Chave Lda.’, está a desenvolver aplicações móveis para o turismo com tecnologia de realidade aumentada, geolocalização, etc. Vítor Pereira Administrador e bloguer do Smart Cities Online

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Tem escrito sobre as soluções mais inovadoras em todo o mundo. Como vê o presente e o futuro? É difícil prever o futuro com a parafernália de informação que nos atinge constantemente. Somos bombardeados por diferentes tipos de linguagem comunicacional e há muito ruído que precisa ser filtrado. O papel do jornalismo devia ser cada vez mais esse mas, às vezes, parece que vai precisamente em direção oposta. O presente depende muito das formas de comunicar as soluções e, naturalmente, também o futuro depende dessa comunicação. Vivemos neste momento uma nova revolução. E ao invés de ser uma revolução na indústria, é mais uma revolução nas formas de transmitir e fazer chegar as mensagens aos cidadãos. Está em curso uma revolução comunicacional que tem as Smart


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Cities no centro e que tem por objetivo fazer a ponte entre as correntes de informação e todos os cidadãos, as pessoas (as mais e as menos informadas). Quais as grandes diferenças entre as Cidades Inteligentes? Muitas diferenças entre as cidades tem que ver, precisamente, com a forma como comunicam. Não basta aderir ao último grito de tecnologia e solução inovadora para a cidade. Se tal não trouxer uma vantagem evidente para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, esse investimento é perdido e, apesar de a cidade ganhar o selo ‘smart’, não é muito inteligente se não for sustentável nem benéfica para os cidadãos, ou que não tenha a utilização esperada. Há cidades que estão a comunicar excecionalmente bem e outras que são autênticos desastres. As diferenças tornam-se depois por demais evidentes. Que tipo de conteúdos privilegia enquanto bloguer? Sobretudo conteúdos que privilegiem o lado humano das

cidades. Naturalmente que vivemos numa tecnológica, conetada, mas temos de nos esforçar todos enquanto comunidade, para não perdermos de vista os valores mais importantes da humanidade e tentar incuti-los nos mais novos. O que é a Conteúdo Chave? É uma agência de comunicação, criativa e inovadora. Nasceu num processo de ILE (Incentivos Locais Emprego) mas não teve o financiamento público. Se aparecesse hoje era uma startup totalmente nascida da vontade e do empreendedorismo dos seus fundadores. De que forma a Conteúdo Chave está a trabalhar a temática das Smart Cities? Precisamente no esforço de comunicar as soluções e de envolver os cidadãos nas mesmas. Estamos a trabalhar formas de melhorar a comunicação institucional e fazer chegar a mensagem de uma maneira clara, objetiva e transparente aos recetores que são os cidadãos, neste caso. Fazemos um trabalho objetivo de jornalismo, mas sem a subjetividade da classe. Estamos a desenvolver

em Amsterdão a plataforma CityK, por exemplo, com o propósito claro de proporcionar às cidades e às regiões, as ferramentas necessárias para atingirem os seus respetivos públicos. Explique melhor o que é o CityK. É um conjunto de serviços, verdadeiras ‘vitaminas’ para a comunicação nas cidades e também formas de envolver e ativar marcas territoriais e urbanas numa base criativa, arrojada e inovadora. O CityK será a nossa marca de referência para a comunicação das Smart Cities. Enquanto especialista em turismo e Smart Cities, como é que esta relação se desenrola nos dias de hoje? Desde há dois anos que existe uma convergência clara de mercados e, neste momento, está tudo misturado. O setor do turismo está intrinsecamente ligado ao futuro das cidades e dos territórios. As cidades começaram a absorver a maior parte da tecnologia mobile e agora fazemos Apps para cidades e não especificamente relacionadas com uma atividade económica separada.

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL LXD’14 EPARA INOVAR CASACRESCER IDEAL

Vinhos e negócios com expressões Anselmo mendes - enólogo Anselmo Mendes nasceu e cresceu em Monção. Inserido numa família de várias gerações ligadas à agricultura e ao vinho, sendo que desde criança valoriza bastante o ambiente rural e a paixão pela cultura da vinha e pela produção do vinho.

“A

minha infância é a minha fonte de inspiração”, foi assim que Anselmo Mendes descreveu com carinho a sua profissão à Revista Business Portugal. Licenciou-se em engenharia agroindustrial em 1987, pelo Instituto Superior da Universidade Técnica de Lisboa, e posteriormente pós-graduou-se em enologia pela Universidade Católica. Com a aquisição de uma propriedade na região de Melgaço e um know-how de dez anos de experiência e de estudo, iniciou o seu projeto em 1998, na cave da própria casa, começando a produzir o seu primeiro vinho o ‘Muros de Melgaço’. Começando apenas com duas mil garrafas, este vinho fermentado em madeira, apresentou uma garrafa elegante e pouco usual, que causou um grande impacto no mercado. Os anos foram passando e o crescimento de Anselmo Mendes foi notório. Em 2001 produziu ‘Muros Antigos’, um alvarinho sem madeira e em 2008 lança o ‘Contacto’ alvarinho que atualmente é um caso de sucesso na Suécia. “Trabalhar como enólogo em Portugal é descobrir um universo rico e diverso, em que o maior desafio caracteriza-se em acrescentar ao melhor da natureza o conhecimento, a intuição e a tecnologia”, afirmou Anselmo Mendes. Apesar de ter sido com a casta Alvarinho que iniciou a sua carreira, declara que esta “continua a ser a sua casta de eleição e que pretende continuar a investir mais trabalho e dedicação, procurando

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Anselmo Mendes Enólogo

retirar o máximo partido das suas características naturais e as suas potencialidades”. Atualmente é a partir de três castas e em três zonas da região demarcada dos Vinhos Verdes, que desenvolve o seu trabalho, produzindo Alvarinho no Vale do Minho, Loureiro no Vale do Lima e Avesso no Vale do Douro. Um pouco por todo o mundo, o produtor Anselmo Mendes tem feito o seu percurso como enólogo, cultivando uma paixão em todas as regiões em que trabalha. O mercado de exportação representa cerca de 70 por cento, Suécia é distinguido como um mercado de eleição e enorme sucesso em termos de valor e de volume, seguindo-se a Bélgica, Brasil, Inglaterra, Canadá, Noruega, Holanda e muitos outros países. O trabalho do produtor de Monção é reconhecido pela excelência dos vinhos que produz, mas também pela forma surpreendente e consistente como inova. A fermentação de uvas Alvarinho em barricas de madeira ou o uso de técnicas de vinificação antigas, nomeadamente a curtimenta, são alguns dos métodos utilizados que fazem com que estes vinhos sejam diferenciados dos demais.

Prémios e distinções Os vinhos produzidos por Anselmo Mendes já conquistaram inúmeros prémios e distinções, conquistando a confiança dos críticos e os apreciadores de todo o mundo.

No ano de 1998 foi reconhecido como o enólogo do ano e em 2010 como produtor do ano, ambos pela Revista de Vinhos. Em 2012 conquistou o prémio de produtor com a cotação máxima no Hugh Johnson’s Pocket Wine Book, e também em 2012 foi considerado pelo jornal Expresso como uma da 100 personalidades mais influentes do nosso país. Intitulado como “produtor mais inovador no Alvarinho”, segundo José Penin, o maior crítico espanhol de vinhos. E recentemente apelidado como “um dos maiores enólogos portugueses”, segundo Parker’s Wine Buyer’s Guide e que também atribuiu ao seu vinho “Parcela Única”, 94 pontos, a pontuação máxima jamais obtida por um vinho branco português nesta revista NorteAmericana.

Projetos e futuro do produtor Os projetos são inúmeros e o futuro é promissor. Brevemente será lançado uma inovação, um spray recorrendo a uvas verdes vindimadas em Junho, que será um produto utilizado para substituir o vinagre e o limão. “A expressão original de uma paixão com raízes no passado, sedimentada com uma longa experiência e conhecimento”, definiu assim o seu percurso como produtor e enólogo Anselmo Mendes.


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portugal sou eu

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esta edição da Revista Business Portugal damos a conhecer aos nossos leitores exemplos de empresas de sucesso, que têm na produção nacional a sua principal estratégia. No passado dia 5 de outubro, data da implantação da República Portuguesa, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, falou da importância de apostar na produção nacional como premiar as empresas portuguesas, ao mesmo tempo que lhe possibilita a entrada em mercados emergentes. Algumas figuras públicas, como é o caso de Rosa Mota, Cristina Ferreira ou Cláudia Vieira passaram a ser embaixadores do programa ‘Portugal Sou Eu’. O programa, aprovado pela resolução do conselho de ministros 56/2011, é um programa do Ministério da Economia que visa essencialmente a valorização da produção nacional. Este programa surgiu numa altura em que, tal como agora a economia nacional enfrenta um conjunto de desafios, incluindo-se a dinamização do seu tecido empresarial, uma aposta na reindustrialização e em bens transacionáveis como fundamentais. ‘Portugal Sou Eu’ tem o objetivo de aumentar a produção nacional através da dinamização do mercado interno, mas contribuindo também para criar condições para aumentar o número de empresas com implementação em novos mercados, nomeadamente, além-fronteiras. Qualquer empresa ou instituição pode associar-se à iniciativa ‘Portugal Sou Eu’, tornando-se, desta forma, consciente da importância que a valorização da produção nacional representa para a sustentabilidade económica e a criação de emprego em Portugal.

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O sabor do que é tradicionalmente nosso Panificadora marques filipe São mais de quatro décadas de história. A Panificadora Marques Filipe nasceu em 1970 e preserva nos seus produtos o sabor do que é tradicionalmente nosso. Em Rexaldia, conversamos com Cátia Filipe, a terceira geração desta família, e Silvina Filipe companheira na vida e nos negócios de Luís Filipe que herdou do pai o gosto e saber por esta tradição e que não pode estar presente nesta conversa.

silvina filipe, luís filipe e cátia filipe Administradores

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cheiro que paira no ar enche de água a boca. As mãos amassam com destreza a mistura salpicada de branco. A temperatura sobe de cada vez que os fornos se abrem para deixar sair uma fornada e entrar outra. É assim 24 horas por dia, sete dias por semana, na Panificadora Marques Filipe, em Rexaldia, Torres Novas. Cátia Filipe é a terceira geração de uma família ligada desde 1970 ao fabrico de pão: “O negócio começou com o meu avô. Na altura em outras instalações e com uma dimensão diferente daquela que existe hoje. O meu pai acabou por dar continuidade ao negócio fazendo-o crescer com a introdução de produtos diferenciados e

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inovadores”. A empresa começou com apenas três colaboradores que fabricavam e entregavam o pão já cozido portaa-porta nas regiões vizinhas. Passadas mais de quatro décadas Marques Filipe é sinónimo de produtos de qualidade. Aqui tradição e inovação misturam-se e cozinham-se de forma perfeita. Na mesma mesa onde conversamos com Cátia Filipe está também Silvina Filipe, a mãe: “O que nos diferencia e que nos tem feito crescer é a forma artesanal com que desenvolvemos os nossos produtos. Já tivemos em tempos linhas de produção mas rapidamente percebemos que isso não resulta num produto de excelência. Os produtos que confecionamos

têm realmente de ser trabalhados com as mãos”. A seleção dos fornecedores é também, garante Silvina, um dos aspetos essenciais para ter produtos de qualidade.“Temos o cuidado de selecionar os melhores fornecedores para que os nossos produtos mantenham as características tradicionais que queremos ter. Por isso mesmo a farinha de milho com que é depois elaborada a broa de milho ainda é moída nas antigas mós o que lhe confere um sabor completamente diferente”. Com uma diversidade enorme de produtos, a Marques Filipe está longe de ser a mesma empresa que em 1970 confecionava e entregava pão porta-a-porta. Hoje para além das diferentes variedades de pão que cozinha


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diariamente para satisfazer as necessidades dos clientes mais próximos (entrega pão cozinhado num raio de 200 quilómetros), esta panificadora produz ainda pão cozido ultracongelado, pão pré-cozido ultracongelado, massas refrigeradas e pastelaria ultracongelada. Uma diversidade que Cátia Filipe garante responder às necessidades e pedidos do mercado: “O mercado está sempre a pedir produtos novos e o que tentamos fazer é adaptar os produtos já existentes e aos quais as pessoas já estão habituadas”. Desta tentativa e da incorporação do que é português nasceu o pão com chouriço da Sertã e o pão com queijo da serra. Produtos que garante Silvina Filipe “são muito apreciados e ainda divulgam além-fronteiras o que é nosso”. Sim, além-fronteiras. É que a Panificadora Maques Filipe, com os produtos ultracongelados, está também já espalhada pelo mundo. “Diretamente já estamos presentes no Luxemburgo, França, Inglaterra e Canadá. Depois temos também os nossos produtos presentes em outros países por via de distribuidores”, explica Silvina. Mas esta panificadora quer mais, garante Cátia Filipe: “Queremos conquistar o mercado Suíço, Angolano, Alemão e Holandês. Estar presente no chamado Mercado da Saudade é importante porque os portugueses saem do país mas continuam a querer sentir os sabores portugueses, o que

é tradicionalmente nosso. A exportação representa hoje cerca de 20% do volume da faturação, o que sendo já um número significativo ainda não nos satisfaz”, garante Cátia. Com produtos tão ligados ao que é nacional, a Panificadora Marques Filipe associou-se também ao programa “Portugal Sou Eu”. Catarina Santos, responsável pela qualidade, explica como se deu a adesão a este programa: “Estivemos recentemente num projeto, o MOVE para a certificação da empresa e através da nossa consultora foi-nos proposto a adesão ao programa “Portugal Sou Eu”. Foi nesse seguimento que aderimos porque consideramos que fazia todo o sentido”. Integrada no programa há apenas 6 meses, “ainda é precoce fazer uma avaliação do impacto desta adesão até porque só agora vamos começar a comercializar produtos já com o selo ‘Portugal Sou Eu’ ”. Sempre abertos a novas sugestões e a pedidos de produtos por medida, a Panificadora Marques Filipe não tem mãos a medir para a quantidade de trabalho. Com cerca de 50 pessoas a trabalhar por turnos 24 horas por dia, esta empresa está já a construir mais 800 metros quadrados de área que, quando estiverem concluídos ,vão possibilitar aumentar a produção e empregar mais pessoas da região.

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A Pensar no meio Ambiente Terrum Este é o slogan da Terrum, empresa sediada em Encarnação, Mafra, que produz composto biológico de origem vegetal e que aderiu ao selo “Portugal Sou Eu”. A Revista Business Portugal entrevistou Nuno Sardinha, administrador da Terrum, que falou da importância e vantagens da sua utilização na agricultura.

Nuno Sardinha Administrador

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nome, Terrum, é-lhe familiar. Faz recordar o passado, a infância e a avó que o criou. Já nessa altura, aproveitava todos os desperdícios da casa, muito ligada à agricultura, para produzir um composto a que a avó chamava Terrum. O resultado era depois utilizado nas várias plantações. Nuno Sardinha conta que começou por produzir húmus das minhocas, “aproveitando uma vaga que existiu em Portugal sensivelmente em 1990”. Esse húmus era vendido para a agricultura intensiva e para a jardinagem. Na sua produção, Nuno Sardinha explica que “utilizava os desperdícios das indústrias ligadas à família como a moagem, a panificação e ainda os desperdícios da própria agricultura”. Atualmente, Nuno Sardinha continua a utilizar esses mesmos desperdícios e outros que lhe vão chegando ou que vai recolhendo mas o processo de produção do composto alterou-se substancialmente alicerçado nas exigências a nível de legislação. Para continuar a produção do composto foi necessária a criação de uma plataforma. “Neste momento faço composto daquilo que a maior parte das pessoas faz biomassa para energia”, conta o administrador da Terrum que acrescente ainda: “As matérias-primas que utilizo são exclusivamente de origem vegetal e constando estas da lista de produtos que se podem utilizar em produção do orgânico biológico, significa que o meu produto é biológico. Assim o meu produto é denominado um composto biológico de origem vegetal”. No que respeita às grandes vantagens inerentes à utilização deste composto, Nuno Sardinha, começa por

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afirmar: “A grande vantagem é dar saúde às plantas, que ficam mais resistentes a todo o tipo de doenças necessitando assim de menos produtos químicos. Aquilo que nós estamos a fazer é aquilo que a natureza sempre fez, já que ela regenera os seus próprios produtos, a diferença é que nós fazemos o mesmo mas através de um processo bastante mais rápido”. Mas as vantagens da utilização deste composto não se esgotam aqui: “Esta solução é amiga do ambiente, não é poluente, reduz significativamente a quantidade de resíduos enviados para o aterro ou abandonados a céu aberto e permite a incorporação de elevadas quantidades de matéria orgânica nos solos. Existem benefícios quer físicos, quer químicos, quer ainda biológicos com a utilização deste composto”. O processo utilizado atualmente pela Terrum para produzir o composto leva cerca de cinco meses. Para a sua produção, Nuno Sardinha, explica que é necessária matéria-prima que tem várias origens, sendo uma delas a recolha feita pelas equipas da empresa que se dedicam à manutenção de jardins e às limpezas florestais: “Para além da produção do composto, a Terrum presta também serviços de jardinagem e agricultura, limpezas florestais e vende ainda a outros jardineiros vários produtos para jardins”. Atualmente, o composto produzido por esta empresa que pensa no meio ambiente, é vendido na sua maioria a nível regional quer ensacado, quer a granel. Embora tenha aderido ao selo ‘Portugal Sou Eu’ e o considere uma maisvalia, Nuno Sardinha, explica que “nem sempre é possível utiliza-lo já que muitos clientes querem que o produto seja ensacado com marca própria o que impede a sua utilização”. Com o objetivo de consciencializar para a importância deste

composto e do aproveitamento de desperdícios, a Terrum, explica o administrador, “fez um protocolo simples com Torres Vedras que vai permitir até ao final do ano realizar três visitas escolares às instalações da empresa”. Nuno Sardinha realça: “Podemos produzir muito mais matéria orgânica, aproveitar muito mais desperdícios e levá-la até aos agricultores para que não estejam dependentes de químicos. Continuam-se a desperdiçar imensas matérias vegetais excelentes para fazer composto orgânico e estamos numa área em que os agricultores necessitam muito deste composto. É necessário educar de uma forma global as pessoas para que elas percebam que esta é uma matéria que pode ajudar a desenvolver a região”. Para finalizar, Nuno Sardinha, garante que a Terrum está concentrada no mercado da agricultura, principalmente da agricultura biológica, à qual estão ligados atualmente muitos agricultores, dando a conhecer o composto que produz e as suas vantagens.


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CELEBRE A FESTA DE NATAL DA SUA EMPRESA COM OS HOTÉIS VILA GALÉ

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Os hotéis Vila Galé têm o espaço ideal para o seu evento de Natal. Feito a pensar em si apresentam uma diversidade de propostas nas várias unidades hoteleiras localizadas de norte a sul do país.

Vila Galé Coimbra Vila Galé Clube de Campo

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opularmente, o ensino é definido como uma forma contínua de transmissão de conhecimentos utilizada pelos seres humanos para instruir e educar nas escolas. O ensino pode ser praticado de diferentes formas: numa perspetiva formal ou não-formal. O ensino formal é aquele que é praticado pelas instituições de ensino tendo em conta os conteúdos, a forma e a pertinência dos ensinamentos. O ensino não formal ou informal está relacionado com o processo de socialização do homem, isto é, está relacionado a processos de desenvolvimento de consciência política e relações sociais. No que respeita ao ensino formal os estudantes podem optar entre o ensino público ou as instituições de ensino privado, que cada vez mais procuram dar uma resposta eficiente a quem os procura. Dentro desta área o Queen Elizabeth School assumese como uma escola na vanguarda do ensino bilingue. Com 78 anos de existência esta escola assenta em valores próprios onde a aprendizagem do inglês é uma das prioridades. Nesta edição damos também a conhecer aos nossos leitores uma instituição de ensino superior do norte do país, o ISMAI que se carateriza por uma oferta curricular alargada, tendo em conta as exigências do mercado de trabalho.

PORTUGAL PORTO E CENTRO Vila Galé Porto Vila Galé Coimbra COSTA DE LISBOA Vila Galé Ericeira Vila Galé Cascais Vila Galé Estoril Vila Galé Ópera (Lisboa) Vila Galé Collection Palácio dos Arcos MADEIRA Vila Galé Santa Cruz

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pioneiro no ensino da Solicitadoria em Portugal Ismai - curso de solicitadoria Uma referência do ensino superior privado em Portugal, o Instituto Universitário da Maia – ISMAI, foi pioneiro na abertura do curso superior de solicitadoria. Uma acção que teve muitos obstáculos, mas que mudou por completo o estatuto de uma classe trabalhadora. Maria do Rosário Anjos, atual coordenadora e responsável pelo curso de Solicitadoria do ISMAI, conta-nos como tudo surgiu.

Maria do rosário anjos Coordenadora e responsável pelo curso de Solicitadoria

Comecemos por falar do facto de terem sido pioneiros na abertura do curso de solicitadoria. Como surgiu esta ideia? As profissões jurídicas em Portugal, durante muito tempo, reduziam-se, basicamente, à advocacia e à magistratura (judicial e procudoria). O solicitador sempre existiu como profissional e um importante colaborador muito próximo dos advogados. Qualquer advogado tinha um solicitador a quem tinha de recorrer regularmente. Mas, na altura, os solicitadores não tinham formação académica. Tinham uma formação básica ministrada pela Câmara dos Solicitadores. Era uma formação de cariz profissional mas que não conferia qualquer grau académico. A ideia de criar uma licenciatura em Solicitadoria, surgiu pela

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mão de um magistrado – o já falecido Juiz Conselheiro Fernando de Araújo Barros – fundador do curso superior de Solicitadoria. O Conselheiro Araújo Barros era um maiato, profundamente envolvido na comunidade e na dinâmica da cidade da Maia, na qual surgiu também o projeto de criação do ISMAI, pelo que a oportunidade surgiu e daí o curso de Bacharelato, na altura designado de Solicitadoria e Acessoria Jurídica, ter surgido no ISMAI, no início dos anos 90, tendo sido um dos primeiros cursos em funcionamento na Instituição. Se os solicitadores eram colaboradores dos advogados no desempenho das suas funções, porquê que esta ideia de criar um curso superior

ter surgido por parte da Magistratura (Juíz)? Talvez por uma questão corporativa. Esta não era uma questão que preocupasse os advogados, naturalmente, mas começou-se a sentir que no exercício daquela profissão (solicitador), fazia falta algum tipo de formação. A Câmara dos Solicitadores desempenhava o seu papel mas faltava uma formação de base. Tratava-se de um estágio alargado mas nada que preenchesse as necessidades de formação de base destes profissionais. Após o 25 de Abril a Justiça dá uma grande volta e as necessidades de formação na área jurídica sofrem um alargamento brutal, facto que tornou cada vez mais premente que o solicitador, por todas as funções que foram surgindo, tivesse uma formação mais sustentada.


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Pode dar um exemplo de uma das funções fundamentais do solicitador, nessa época? No âmbito dos processos de constituição de propriedades horizontais, registo de propriedades, por exemplo, inventário e partilhas, no tratamento dos procedimentos mais diversos junto dos serviços públicos em geral, com particular destaque para as Finanças, Conservatórias e Notários. Tudo isto são funções de elevada complexidade, que exigem muito rigor, conhecimento e responsabilidade. Convém salientar que os advogados (e eu sou advogada), na sua licenciatura, não têm formação na área dos registos e notariado. Mas um solicitador precisava de a ter. Pois é o solicitador que no terreno fazia e faz um trabalho importante que serve de base não só ao trabalho do advogado, como também ao próprio trabalho do conservador e notário. Exerciam desde sempre, como disse, um conjunto diverso de funções de auxílio direto aos cidadãos, no relacionamento de serviços públicos, ou seja, funções para as quais os advogados não estavam nem estão talhados ou motivados para as fazer e que têm um peso fundamental no dia-a-dia das pessoas. A função da agente de execução é já algo muito mais recente

e que espelha bem o alargamento das funções e da importância da profissão. Sente que existe algum tipo de competição no que diz respeito às corporações jurídicas? Sim, infelizmente, sempre existiu e ainda existe, mas com tendência a desaparecer. Penso que em Portugal, no campo das profissões jurídicas, ainda existe algum caminho a percorrer na clarificação daquilo que é a função do solicitador, a função do agente de execução e afunção do advogado. Penso que a Ordem dos Advogados já fez alguma coisa nesse sentido, a Câmara dos solicitadores também está atenta, porque isso é do interesse de todos. Mas, penso que é sobretudo do interesse do cidadão porque, essa clarificação garantiria um maior grau de especialização nas funções que cada um desempenha e consequentemente garantiria um maior grau de competência e um melhor serviço ao cidadão. Houve um processo judicial por parte da Ordem dos Advogados para tentar travar o curso de Solicitadoria. Quer falar-nos um pouco acerca

disso? O curso superior veio dar “igualdade de armas” aos solicitadores para se debaterem num mercado muito competitivo, pois tinham uma condição de inferioridade que advinha, precisamente, do facto de não terem a mesma preparação e formação dos outros profissionais. Na época em que surgiu o curso de Solicitadoria, precisamente no ISMAI, a Ordem dos Advogados não aceitou bem a “novidade” e avançou com um processo judicial para tentar acabar com o curso, o único de Solicitadoria a funcionar em todo o país. O processo judicial demorou muitos anos, o ISMAI defendeu a sua posição tendo sido representado por um dos nossos docentes o Dr, Cordeiro Tavares, e importa referir que ganhou em todas as instâncias incluindo, por fim, no Tribunal Constitucional. O resultado desta “batalha” foi ter conseguido que o curso superior de Solicitadoria (à época bacharelato e hoje licenciatura) vingasse e os profissionais de solicitadoria do país tivessem assegurado o justo direito de acesso a formação superior na sua área de conhecimento. Hoje a profissão de Solicitador está muito mais credibilizada e fortalecida.

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ISMAI tem Doutoramento de Psicologia Clínica Pioneiro em Portugal Ismai - curso de psicologia É pioneiro em Portugal e é lecionado no Instituto Universitário da Maia. A Revista Business Portugal entrevistou o coordenador do Doutoramento em Psicologia Clínica, João Salgado, sobre as diferenças e vantagens do modelo utilizado. Este doutoramento em Psicologia Clínica é tido como pioneiro em Portugal. Em que é que este se diferencia dos demais existentes a nível nacional? Primeiro é o único doutoramento especificamente devotado à psicologia clínica e com um grande enfoque na psicoterapia e na consulta psicológica. Todos os outros doutoramentos, embora possam ter especialidades não são tão focados quanto este é. Todo o programa é inteiramente dedicado a estas questões da psicologia clínica. Depois é também o único ao seguir um modelo que une a formação em investigação científica, que é necessária no doutoramento, e a componente prática, neste caso o treino clinico. Os nossos alunos têm treino clinico em modelos específicos de psicoterapia durante o primeiro ano e têm depois supervisão clinica por terapeutas especializados no segundo ano, fazendo com que os seus próprios projetos de investigação sejam alinhados com aspetos da prática clinica. Estamos a seguir muito mais de perto o modelo americano também chamado modelo de Boulder ou “cientista-prático” em que se procura simultaneamente que as pessoas, tenham formação prática e científica. Isto é menos habitual na Europa e é muito pouco habitual em Portugal, pelo que somos pioneiros no país com um doutoramento em psicologia com esta natureza. Ao mesmo tempo também corresponde, julgo eu, a uma exigência e uma vontade que existe por parte das pessoas que fazem os doutoramentos: a de querer mais trabalho prático, que os favoreça depois no exercício profissional, dentro ou fora d academia. Este doutoramento permite que as pessoas que estejam a trabalhar possam vir fazê-lo e depois transportem o conhecimento adquirido para o local onde exercem a prática.

João Salgado Coordenador do Doutoramento

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Quais as vantagens claras deste modelo? Dá-lhes, aos alunos, mais competência profissional, mais capacidade de intervir em diferentes situações, dálhes mais supervisão, ou seja uma rede de apoio para situações difíceis e dá-lhes ainda depois uma capacidade de introduzirem alguns procedimentos de investigação que vão aprendendo ao longo do doutoramento na sua própria prática. Um doutorado nosso no final da formação poderá muito facilmente montar, por exemplo, um sistema de avaliação dos resultados que estão a ter numa clínica assim sinalizar muito melhor os casos que não estão a responder bem à terapia e introduzir medidas alternativas. Tratam-se de competências científicas que serão facilmente transportadas para a prática e poderão melhorar a eficiência dos serviços prestados.


REVISTA BUSINESS PORTUGAL ENSINO EM PORTUGAL Além disso, este é exemplo de como a nossa formação poderá ajudar a afirmar a própria prática da psicoterapia, quando realizada por profissionais de elevada formação. Falo disto porque muitas vezes a prática da psicoterapia é vista com alguma suspeita, ou com a ideia formada de que os seus resultados são muito subjetivos. Hoje há uma consolidação clara desta área o que mostra que a psicoterapia é altamente eficaz em múltiplas situações, inclusive no tratamento da perturbação de pânico em que a intervenção psicoterapêutica é o tratamento recomendado com resultados comprovados. Mas isto obriga claramente a sermos capazes de dar provas claras dos nossos resultados em psicoterapia. Na depressão a psicoterapia é também altamente recomendada como tratamento único ou em complemento com a medicação. É óbvio que há um lado subjetivo na definição de que é ou não um sucesso em psicoterapia, mas há formas muito claras e muito precisas de avaliar os nossos resultados. Finalmente, na medida em que há um estágio supervisionado, está em estudo a possibilidade dos atos psicológicos realizados no âmbito do doutoramento poderem vir a contar como estágio profissional de acesso à Ordem dos Psicólogos. Quem são os destinatários deste doutoramento e qual o número de alunos neste momento? Este doutoramento abriu o ano passado e estamos a atrair um perfil de alunos completamente diferente do que é habitual. Estamos a atrair alunos que estão a trabalhar e que vêm para complementar a sua formação. Existem apenas doze vagas por ano e há um processo criterioso de seleção das pessoas. O ano

passado tivemos uma procura acima desse número mas acabamos por ficar apenas com 10 candidatos porque nem todas as pessoas correspondiam às exigências necessárias. Fazemos um acompanhamento dos candidatos antes de entrarem e fazem aquilo que chamamos de pré-projeto, que não é vinculativo mas que permite perceber até que ponto estão motivados, e se as suas expectativas correspondem aquilo que podemos dar. Qual é a duração e como está estruturado este doutoramento? A duração é de quatro anos. O primeiro ano, em termos letivos, é o que apresenta maior carga letiva, no segundo ano a carga é aliviada e o terceiro e quarto ano não há necessidade de os alunos virem a aulas. Têm nesses últimos anos o acompanhamento por parte do seu orientador e envolvimento nos grupos de investigação. Há uma outra forma que consiste em realizar o doutoramento em 6 anos. Como este é um doutoramento que atrai pessoas que estão no mercado de trabalho, podem existir constrangimentos do ponto de vista de horário ou disponibilidade. Nesse caso, nós temos uma alternativa, na qual os alunos poderão fazer total ou parcialmente o seu doutoramento num regime de part-time. Podem estender o doutoramento até 6 anos, o que significa que são possíveis combinações entre full-time e part-time. Há essa flexibilidade e a vantagem não passa só por ganhar mais tempo mas também acaba por permitir dividir o custo total das propinas por esse período mais prolongado no tempo. O corpo docente também foi escolhido tendo em

consideração esta vertente cientifica-prática e por isso todos os docentes são pessoas com publicações em reputadas revistas internacionais da área da investigação em psicoterapia, formação num modelo específico de psicoterapia, experiência prática e finalmente têm grande capacidade de docência. Têm também um laboratório de investigação em psicoterapia. Fale-nos um pouco desse laboratório? Sim temos o Laboratório de Investigação em Psicoterapia onde todos os docentes deste departamento estão envolvidos e que está integrado dentro do Centro de Psicologia da Universidade do Porto. Isto significa que nós temos uma colaboração com a Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto e que nos põe no mapa científico nacional enquanto instituição de acolhimento e gestão de atividades investigação e desenvolvimento reconhecidas e inclusivamente financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Neste momento, temos um plano estratégico definido para o período de 2015 a 2020. O Centro de Psicologia da Universidade do Porto passou a primeira fase de avaliação já com a integração do nosso laboratório de investigação, fase a que só acedem as unidades com classificações iniciais iguais ou superiores a Muito Bom. Está a decorrer a segunda fase, pelo que vamos agora receber a visita do painel de avaliação no dia 23 de outubro. Estamos com expectativa de que nos manteremos dentro do grupo algo restrito das instituições que têm atividades de investigação e desenvolvimento dentro desta área da psicologia.

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Ensino primordial Queen elizabeth’s school Queen Elizabeth’s School é um estabelecimento de ensino com as valências de berçário, creche, educação pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico português, em que é dado um papel primordial à aprendizagem precoce do inglês como essencial num percurso formativo de qualidade, numa sociedade global que valoriza a riqueza da diversidade cultural e linguística, sendo o ensino desta segunda língua e a cultura britânica introduzidos aos alunos de uma forma intuitiva e natural em contexto bilingue.

conceição martins Diretora

O

projeto Educativo da Queen Elizabeth’s School assenta no estreitamento dos laços históricos e culturais entre Portugal e o Reino Unido, preservando o culto da Aliança mais antiga do mundo e no ensino bilingue portuguêsinglês, fazendo uso de uma nova abordagem no ensino das línguas estrangeiras no âmbito da Aprendizagem Integrada de Línguas e Conteúdos (AILC) / Content Language Integrated Learning (CLIL), que é uma maisvalia e um fator de diferenciação para os alunos desta escola que vão passar a ter o currículo do Programa Primário Internacional de Educação da Universidade de Cambridge, considerado de excelência a nível internacional, em complementaridade com o currículo oficial nacional do 1º ciclo do ensino básico. O ensino do Inglês é validado internacionalmente pelos “Young Learners English Tests” (Starters, Movers e Flyers) da Universidade de Cambridge, pelos “Integrated Skills in English” (ISE 0) do Trinity College London, correspondentes aos níveis A1 e A2 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas do Conselho da Europa (QECR) e pelo exame de Artes Performativas

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“Trinity Stars: Young Performers in English Award”. A Queen Elizabeth’s School ainda tem a funcionar, duas a três vezes por semana, os Clubes de Inglês para alunos e antigos alunos que proporcionam a possibilidade de desenvolvimento de projetos e a construção de um portofolio de trabalhos, assim como a preparação para os exames Integrated Skills in English (ISE 0, ISE I, ISE II), Graded Examinations in Spoken English (GESE VII) do Trinity College London e First Certificate da Universidade de Cambridge (FCE), correspondentes aos níveis A2, B1 e B2 do QECR. A Queen Elizabeth’s School tem participado em parcerias no âmbito de programas de intercâmbio educativo e cultural a nível nacional e internacional, é membro do Instituto Britânico no Programa de Parceria de Exames denominado “Addvantage”, Centro de Exames do Trinity College London, Cambridge International School e Cambridge Primary School. Os alunos finalistas do 4º ano realizam uma visita de estudo a Londres, com a duração de uma semana, organizada por uma “Summer School” inglesa, acreditada pelo “British Council”, cuja finalidade é o

contacto com a língua e cultura inglesas. É quase impossível falar-se da Queen Elizabeth’s School esquecendo o nome de Margareth Denise Eillen Lester, cidadã britânica que fundou esta escola em 3 de novembro de 1935 com três alunos, número esse que aumentou consideravelmente tendo chegado aos trezentos alunos em vida de Miss Denise Lester. Durante o período da Segunda Guerra Mundial esta Escola foi frequentada por crianças de vinte sete nacionalidades diferentes, estando hoje inscritos cerca de 400 alunos e continuando a ser procurada por encarregados de educação de crianças oriundas de outros países, residentes em Portugal. Miss Denise Lester criou uma fundação privada com o seu nome para garantir a continuidade do estabelecimento de ensino Queen Elizabeth’s School, a qual foi reconhecida por Despacho de Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional em fevereiro de 1965. A Fundação Denise Lester preserva o Queen Elizabeth´s School de acordo com o espírito com que foi criado pela sua Fundadora, procurando acompanhar os programas de ensino vigentes nas escolas britânicas, cultivando a


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amizade entre o Reino Unido e Portugal e honrando as suas bandeiras que deverão ser hasteadas a par, em todos os dias e atos solenes da história dos dois países, fazendo sempre parte do seu quadro de professores docentes de nacionalidade inglesa. É de mencionar que ao longo do ano letivo são realizadas muitas atividades educativas que fazem parte das tradições culturais britânicas e que desde cedo são incutidas nos alunos.

Valores assentes A Queen Elizabeth’s School aposta na internacionalização do seu currículo, na excelência do seu serviço educativo, empreendedorismo dos seus corpos docente e não docente e na formação pessoal e social dos seus alunos como cidadãos do amanhã, preparando-os para enfrentar os desafios da sociedade do conhecimento que exige melhores qualificações, maior capacidade de adaptação à evolução tecnológica, à globalização da economia e a novas realidades sociais daí decorrentes. A prioridade da sua ação educativa está direcionada para o bem-estar e formação do aluno, numa perspetiva holística que pressupõe uma pedagogia de desenvolvimento integrado e global da criança a nível físico, intelectual, moral, emocional e social respeitando a sua individualidade, realização pessoal e sucesso escolar; Visa-se a responsabilização crescente e continuada do aluno pelo seu percurso de aprendizagem e pela efetiva aquisição de conhecimentos, competências e capacidades indispensáveis à inserção na vida ativa e ao exercício de uma cidadania responsável. Desde sempre a Queen Elizabeth’s School tem vindo a preparar os alunos, cujas famílias assim o pretendam, para a Celebração da Primeira Comunhão e dos Sacramentos de Iniciação à Vida Cristã, sendo a educação para os valores e a sensibilização para iniciativas de solidariedade social parte integrante do projeto educativo desta Escola.

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intercasa|lisb O Lisboa Design Show (LXD) é um evento dedicado ao design em todas as suas formas de expressão: produto/equipamento, moda e interiores, à inovação e à criatividade nacional e internacional, que reúne marcas, indústria, designers, ensino, opinion makers, com um programa completo e variado de conferências, workshops, academias e desfiles de moda, que se realizou a 5ª edição de 8 a 12 de outubro na FIL - Parque das Nações - Lisboa. Enquanto evento multidisciplinar e criativo, o Lisboa Design Show tem como objetivo comunicar a identidade dos designers, empresas, culturas, sociedades, estilos de vida, o prazer, a arte de viver, potenciando uma rede de contatos e negócios a nível internacional, num único espaço, que colocam o design e a indústria nacional no centro da discussão e na agenda dos players do setor. A Revista Business Portugal marcou presença. Deixamos aqui o registo de alguns momentos de destaque do evento.

lislei

Saccus

ecolã

Pegada Verde


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boa design show

The Cork Tree

Elsa Barreto

Paula falcão

Imelda ’secret

kouform

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A diferença de Ser Único the cork tree Com três anos de existência no mercado, a The Cork Tree é a primeira e talvez ainda a única empresa no mundo que elabora acessórios de golfe em pele de cortiça. No Lisboa Design Show encontramos Nuno Nascimento, fundador da The Cork Tree, que nos deu a conhecer um pouco mais desta paixão que uniu o golfe e a cortiça.

Nuno Nascimento Fundador

Como nasce o projeto The Cork Tree? A minha ligação à cortiça começou muito cedo. O meu avô tinha em São Brás de Alportel uma fábrica onde trabalhava esse material. Fui desde muito novo absorvendo conhecimento ligado à cortiça pois sempre ajudei o meu avô. Quando ele se reformou continuei a trabalhar com este material e é daí que surge também a The Cork Tree. Já a minha ligação ao golfe surge há cerca de 15 anos atrás. Comecei como amador mas de há 8 anos para cá tornou-se algo mais sério, uma prática de alta competição. Esta experiência permitiume conhecer muita gente desta área e surgiu a ideia de juntar as duas coisas que gosto – cortiça e golfe. Numa conversa com uns amigos há 4 anos atrás perguntaram-me porque é que eu não fazia um saco de golfe em pele de cortiça e fartei-me de rir. A verdade é que passados cerca de seis meses houve uma semana inteira em que acordei a pensar nessa ideia e aí tentei encontrar uma forma de aplicar a cortiça no golfe. Uma coisa é o conceito e a possibilidade, outra é a viabilidade. A grande dificuldade dos designers e de quem produz é a distribuição. Percebi que conheço bem o meio do golfe e da cortiça e que conseguia desenvolver um saco, uma carapuça ou outros objetos ligados a este desporto recorrendo à cortiça mas e depois como é que iria comercializar esses produtos. Portugal não faz o meu mercado e a europa também não. Só faz sentido para mim investir o meu tempo e os meus recursos se for a

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uma escala global, esse é que é o meu mercado, porque não se vende um saco de golfe todos os dias, nem todas as semanas. Neste momento somos a única empresa no mundo que faz acessórios de golfe em pele de cortiça e é isso que queremos fazer. No último ano surgiram outras áreas de negócio. Que áreas são essas? Essas áreas surgem na sequência deste negócio e não é algo que expomos. Isto quer dizer que estes outros produtos surgem mais numa perspetiva de business to business. São trabalhos mais personalizados como é o caso da vespa que expusemos no Lisboa Design Show. Como é óbvio nós não vendemos vespas mas pediramnos que forrássemos o acento em pele de cortiça e nós fizemos esse trabalho personalizado. Fazemos esse trabalho se nos pedirem mas a nossa área de negócio principal é de facto ligada ao golfe. A The Cork Tree tem três anos. Qual o balanço que faz? É muito positivo. Em Março deste ano abrimos um escritório em Hong-Kong para distribuir para a Ásia. O ano passado estivemos presentes em duas feiras internacionais uma nos Estados Unidos da América, e outra na Alemanha onde ganhamos o prémio para o melhor saco de golfe contra as grandes marcas. Isso para nós foi algo incrível porque são marcas com um

poder financeiro muito grande e com investimento fortíssimo em inovação e desenvolvimento. Nós, não temos apoios. O que aconteceu foi muito importante para dar também a conhecer o material, cortiça, que ainda suscita muitas dúvidas. Esta feira para além do prémio foi também importante para criar uma rede de contactos fundamental. A nossa presença nestas feiras que referi faz parte de uma estratégia que definimos para nos darmos a conhecer lá fora, porque no final de 2012 por termos sido patrocinadores da Associação de Profissionais de Golfe de Portugal já todos os profissionais de golfe no nosso país conheciam a The Cork Tree. Quais são os planos para o futuro? Pretendemos abrir, durante o ano de 2015 através de uma parceria local, uma loja The Cork Tree na baixa de Hong Kong para imobiliário. Não está relacionado com o golfe mas são nichos de mercado que vale a pena explorar. Criamos também uma nova parceria na Asia que é a nossa grande aposta agora. Elaborar a pega de um taco específico de golfe - o putter - em pele de cortiça, Temos alguns jogadores profissionais a utilizar a pega nos diversos circuitos profissionais e o feedback tem sido muito bom. Já estamos a iniciar a produção e esperamos lançar até ao final do ano de 2014 uma linha só especifica para os grips.


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O essencial Basta lislei Esta é a linguagem que inspira todos os objetos com o cunho da marca LISLEI. 20 anos de experiência na conceção de projetos de arquitetura e no desenvolvimento de design de produto resultam numa opção de design clara e consistente. Fomos conhecer melhor o trabalho da equipa que junta o arquiteto José Leite, os filhos Tiago Martins Leite, arquiteto, e José Martins Leite, responsável pela gestão da marca e Joana Amaral, designer.

Tiago Martins Leite, José Leite e José Martins Leite

“N

ada mais do que é estritamente necessário para conferir a um objeto intemporalidade, segurança, conforto, bem-estar e prazer estético”. São estas as palavras que o arquiteto José Leite utiliza para definir os objetos da marca LISLEI. “Negamos em absoluto qualquer outro atributo que não estes. Não abordamos o objeto pela componente moda ou pela componente decorativa. Os objetos são algo que tem de conviver connosco de um modo tranquilo, pacifico e têm de justificar o investimento que neles fazemos. Não podem ficar sonegados no seu valor porque entretanto passou de moda.” Este é um trabalho difícil, um ponto perfeito de equilíbrio que a equipa LISLEI procura incessantemente: “É extremamente difícil chegar aquele ponto em que se coloco mais uma peça está a mais e se tiro uma o objeto desfaz-se. É esse ponto de equilíbrio que as nossas peças têm e que não sendo fácil de atingir me traz uma sensação muito boa sempre que é alcançado”. Uma opção que José Leite define como “clara e consciente e que até provém o contrário sobre a sua impraticabilidade é para manter não por teimosia” mas pela crença de que é esta opção que realiza a equipa LISLEI. Todos os objetos desenvolvidos pela LISLEI são pensados para satisfazer uma necessidade sendo para isso utilizados os critérios, valores e conhecimentos da equipa, sendo os da arquitetura uma mais-valia. José Leite explica: “Como arquitetos percebemos a cumplicidade que existe entre espaço e objeto. O espaço sem objeto é estéril, o objeto tem sempre uma posição relativa no espaço que visa suportar uma função, uma atividade. Temos essa relação consciente e por isso quando projetamos um objeto nunca o fazemos para o abstrato”. Os materiais utilizados para a conceção destes objetos também refletem o passado e o conhecimento de José

Leite: “Fizemos a opção por determinados materiais e soluções construtivas porque não domino certas tecnologias e os agentes com quem nós interagimos também não. Tendo eu formação em serralharia mecânica, para além da arquitetura, o que eu conheço são serralheiros, marceneiros, carpinteiros e é com eles que quero trabalhar pois sozinhos não fazemos nada. Eles são a minha pátria, a minha casa”. Com uma loja aberta ao público desde janeiro deste ano, no centro do Porto, Tiago Martins Leite diz que surgiram novidades em vários aspetos: “ Primeiro e desde logo o contacto com o público porque um arquiteto é sempre um individuo que contacta apenas ocasionalmente com o público já que desenvolve para um determinado cliente, numa determinada ocasião e em condições muito especiais. Quem tem uma loja aberta tem de estar preparado para receber qualquer pessoa em qualquer circunstância, para além da novidade de deixar de prestar exclusivamente um serviço, a arquitetura, para passar a vender um produto, concluído para um público anónimo”. Relativamente ao balanço que faz deste novo espaço, José Leite afirma que este projeto, a loja, trouxe o conhecimento que enormes sensibilidades têm para as propostas LISLEI e permitiu esbater certas dúvidas já que explica: “Às vezes refletíamos se esta moda de abordar

os assuntos um pouco avulso não criaria uma manta de retalhos mas as pessoas dizem-nos que os nossos objetos são pacíficos, serenos, agradavelmente silenciosos na medida em que não produzem ruído e percebemos que os nossos valores são tão claros e tão objetivos e as nossas referências tão parametrizadas que as coisas acabam por ter consciência e coerência”. Concebido pela LISLEI em 2013, o “CRANE”, nome do candeeiro “GRUA”, foi o projeto vencedor na categoria de iluminação na sexta edição POPs, 2014, em Serralves. Um prémio que distingue o trabalho e esbate ainda mais as dúvidas da equipa LISLEI. Relativamente ao futuro, Tiago Martins Leite afirma que encontrar pessoas fora de Portugal interessadas no produto LISLEI é o objetivo primordial, não só pelo produto enquanto marca LISLEI mas também porque permite levar longe a Portugalidade.

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Do material ao design funcional Paula falcão Explora os materiais e adequa as suas características ao produto de forma a obter um design extremamente funcional. Paula Falcão esteve presente no Lisboa Design Show onde apresentou a sua última coleção. Este sábado, dia 25 de outubro, reabre o seu atelier, em Setúbal, e apresenta a sua nova coleção em peles. fazer esse lançamento no evento. Que avaliação faz da presença no Lisboa Design Show? Faço uma avaliação muito positiva. Sair de Setúbal foi de algum modo uma necessidade para ter a confirmação da qualidade dos produtos e do interesse que despertam. Foi muito importante ouvir as pessoas dizer que ficam surpreendidas com a variedade de produtos criativos que eu tenho e em segundo aspeto que gostam de todos os produtos e que difícil é escolher. Fico muito orgulhosa e muito satisfeita porque há também da minha parte um grande trabalho. Empenho-me muito e sou muito exigente nos acabamentos e na relação do todo.

Paula falcão Designer de Produto

Como nasce a marca Paula Falcão - Design de produto? A marca Paula Falcão surge em 2014 da necessidade de criar uma nova imagem. Como designer de produto gosto essencialmente de trabalhar os materiais. A primeira coleção que apresentei foi muito baseada na cortiça porque, sendo novidade, é também um material genuinamente português com todo um conjunto de características de flexibilidade e resistência que se adequam muito bem ao conceito de design das minhas malas. O primeiro material que utilizei foi de facto a cortiça mas sempre aplicada em dupla face com outros materiais, bordados, tecidos africanos e peles mais sintéticas. Na pesquisa que encetei redescobri também o burel que nos traz agora uma nova valia, a possibilidade da cor. Quando comecei a utilizar este segundo material, começou a deixar de fazer sentido para mim a utilização da marca Mundo Cork que criei em 2012, na sequência de um casting de empreendedorismo promovido pela Associação Industrial Portuguesa no qual participei e em que o meu projeto foi escolhido para ser financiado. Senti então a necessidade de criar uma nova imagem, uma nova marca que pudesse abarcar todos os materiais que vou explorar e futuramente trabalhar. Como designer o meu objetivo primeiro passa pelo estudo dos materiais de acordo com as suas características adequando-as ao meu produto, de modo que o design seja extremamente funcional. Assim nasce a marca Paula Falcão. O lançamento da nova imagem, da nova coleção e da loja online que já estava a ser trabalhada coincidiu com o evento Lisboa Design Show e por isso aproveitei para

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O que significa o prémio de design Eco Friendly que recebeu em Hong Kong com a mother’s bag? Há uma grande expetativa quando se concorre a algo internacional. Logo que recebi o e-mail a congratularme por ser uma das seis selecionadas que ia disputar a final fiquei extremamente feliz. Fui a Hong Kong e na categoria Eco Friendly a minha mala quer pela apresentação que fiz, quer pelo processo como foi criada foi a escolhida. Para além do prémio, o que me dá ainda mais satisfação é que a mala está a ser produzida, embora ainda numa escala muito personalizada, e que tem uma aceitação grande por parte das pessoas. As pessoas gostam do conceito e essa é a concretização de todo o trabalho de um designer. O projeto de um designer só acaba quando ele consegue perceber que objeto é aceite pelo público para o qual foi criado. Não é pelo prémio mas esta mala é dos produtos que do meu design eu considero que vale a

pena massificar. É um conceito feito para qualquer mãe. O meu objetivo principal é sensibilizar os empresários do meu país para que olhem para este produto e quem sabe comprem o design. Há interesse de vários países neste produto. O que podemos esperar desta nova coleção? Entretanto, depois da experiência com cortiça e com o burel, apareceram-me as peles. Verifiquei que temos uma grande tradição de bons curtumes e peles que, neste momento, são muito aceites e de grande qualidade. Encontrei um empresário que tem uma grande sensibilidade artística e a mesma visão que eu e que gostou do meu conceito e me propôs trabalhar na dupla face com peles pintadas e com texturas. Isso interessou-me e assim fui buscar o conceito da pele. A coleção em pele foi agora lançada no Lisboa Design Show e estará disponível para ser vista quer na loja online, quer no atelier que reabre ao público sábado, dia 25 de Outubro.


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harmonia com a natureza hotel rural santo antónio

À

chegada deste paraíso em plena vila de Arronches, um excerto dos ‘Lusíadas’ revelanos um pouco do nos espera, numa “(...) Arronches sojugada / (...) cujo campo ameno / Tu, claro Tejo, regas tão sereno”. Este espaço, em plena harmonia com a sua envolvente, oferece-lhe a ruralidade e a beleza natural do Alto Alentejo. Para os amantes na natureza e da tranquilidade, este é o espaço a eleger para umas férias ou, simplesmente, para um fim de semana em família... ou a dois. A piscina e o jacuzzi são, desde logo, um dos espaços mais apetecíveis do Santo António. Se é adepto do terreno, basta pedir uma das bicicletas disponibilizadas e sair em descoberta da vila. Depois de um mergulho ou de um passeio a pedalar, tem passagem obrigatória pelo restaurante do hotel, onde pode provar os pratos típicos

alentejanos. E porque um bom prato pede um bom vinho a acompanhar, o restaurante Santo António é o melhor local para provar os vinhos regionais do Alentejo e, para tal, o hotel disponibilizará, brevemente, alguns jantares vínicos. Para tornar os seus momentos especiais simplesmente inesquecíveis, pode contar com esta espaço. O Hotel Rural Santo António pode receber a sua boda de casamento, o batizado do seu filho ou até mesmo acolhê-lo na sua noite de núpcias. Se vem em trabalho, não desanime. O hotel pensou também em si, disponibilizando-lhe um loca propício para trabalhar, além da rede wi-fi que abrange todo o espaço. Estas são apenas algumas das razões para visitar o Hotel Rural Santo António. Deslumbre-se e sinta a harmonia com a natureza.

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Revista Business Portugal | Outubro '14