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ÍNDICE 28

Complexo Santa Bárbara Lar doce lar

46

Real Transfer Crescer em parceria

56

Mundimat 19 anos de sucesso

60

Agridirect O melhor parceiro para a agricultura

78

Frutas Cruzeiro Referência da fruta nacional

06 - SERVIREBOQUES

EDITORIAL

U

ma vez mais, encontramos de

Somos conhecidos e reconhecidos em todo o

norte a sul um país de excelên-

mundo pelo nosso brio profissional, pela nossa

cia, disposto a contrariar crises

capacidade de adaptação e, sobretudo, por

económicas e outras dificuldades

sermos bons naquilo que fazemos. E é por isso

com que se vai deparando diaria-

que a cada edição que passa, temos ainda mais

mente. É uma luta afincada e, não raras vezes,

orgulho por trazer às nossas páginas estes

desigual, é certo. Mas também é certo que os

exemplos.

empresários portugueses têm a capacidade de

Nesta edição da Revista Business Portugal

vencer, de ‘dar a volta por cima’ e continuarem

apresentamos os melhores dos melhores no

a primar pela sua competitividade, inovação e

investimento, investigação e inovação. Torres

excelência. Alguns chegam mesmo a ‘carregar’

Vedras, Sintra, Setúbal, Lisboa, Santarém e

esse galardão, com o orgulho que lhes é devido,

Armamar são algumas das regiões que a nossa

e merecido.

equipa percorreu para esta edição de Outubro.

A direção editorial da Revista Business Portugal

Errata: Por lapso na edição passada, na reportagem relativa à Apisland, referimo-nos a José Carlos Mestre como João Carlos Mestre. Aos visados, apresentamos as nossas sinceras desculpas.

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues, Vanessa Martins | Corpo Redatorial: Laura Azevedo, Sílvia Pinto Correira, Tânia Pacheco | Outros Colaboradores: Diana Barros, Joana Capinha, Joana Quintas, Melanie Alves | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Direção Comercial: José Moreira | Dep. Comercial: António Matos, António Santos, Fernando Lopes, Filipe Amorim, Isabel Brandão, Manuel Fernando, Maria José Moreira, Paulo Padilha, Rui Moreira, Vítor Santos (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de outubro de 2017

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INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E INVESTIMENTO A investigação e a inovação devem ser prioritárias nos orçamentos nacionais e da União Europeia, e deve ser duplicado o orçamento do próximo programa quadro de apoio à ciência, que venha a seguir ao atual programa Horizonte 2020. Estas são duas das onze recomendações apresentadas pelo grupo de alto nível de peritos liderados por Pascal Lamy, sobre a nova visão da investigação e inovação na Europa pós 2020. Para o grupo de peritos, o próximo programa europeu de investigação e inovação deve, também, “envolver os cidadãos na resolução de desafios globais através de missões de inovação amplamente mobilizadoras.” Mais de 700 cientistas, peritos em inovação, empresários e governantes políticos encontraram-se para debater o futuro da investigação e inovação na Europa na conferência Researche & Innovation – Shaping our future. A conferência organizada por Carlos Moedas, Comissário para Investigação, Ciência e Inovação, abordou em debate o relatório apresentado pela equipa de Pascal Lamy. Para Carlos Moedas, Comissário Europeu para a investigação, Ciência e Inovação, “a investigação e a inovação fazem uma grande diferença na produtividade, aumentando a competitividade e melhorando de forma tangível a nossa qualidade de vida.” O Comissário acrescentou, à época que “a Europa é uma potência científica global, mas é preciso aproveitar melhor os benefícios deste conhecimento, transformando-o em valor para a economia e para a sociedade através da inovação. O trabalho do grupo independente presidido por Pascal Lamy”, com “as suas recomendações, constitui uma base sólida para a nossa reflexão sobre o programa de financiamento que vai suceder o Horizonte 2020.” De acordo com o relatório de Pascal Lamy dois terços do crescimento económico nos países industrializados devem-se à investigação e à inovação, pelo que as recomendações que são apresentadas centram-se na maximização do impacto dos investimentos da UE na investigação e na inovação, de forma a aumentar a prosperidade e resolver os maiores desafios sociais da Europa. Para se atingirem os objetivos pretendidos o Grupo de peritos propõe 11 recomendações: 1. Dar prioridade à investigação e à inovação nos orçamentos da UE e nos orçamentos nacionais, duplicando o orçamento do programa de investigação e inovação da UE pós 2020; 2.Criar uma verdadeira política de inovação da UE que crie futuros mercados; 3.Educar para o futuro e investir em pessoas que vão fazer a mudança; 4.Conceber o programa de investigação e inovação para um maior impacto; 5.Adotar uma abordagem orientada para missão e para enfrentar os desafios globais; 6.Racionalizar a paisagem de financiamento da UE e alcançar sinergias com os fundos estruturais; 7.Simplificar ainda mais o impacto de privilégios sobre o processo; 8.Mobilizar e envolver cidadãos; 9.Alinhar melhor o investimento na UE e nacional em investigação e inovação; 10.Fazer da cooperação internacional em investigação e inovação uma marca registada da investigação e inovação da UE; 11.Capturar e comunicar melhor o impacto.


inovação, investigação e investimento | servireboques

“Juntos somos mais fortes” Na última edição demos a conhecer a história e os serviços da Servireboques. Uma empresa líder que apresenta soluções de armazenamento, transporte e logística para toda a Europa. A qualidade do serviço, a confiança e o espírito de equipa têm pautado o exercício da atividade ao longo destes anos. Características já reconhecidas pelos clientes e que constituem a fórmula de sucesso para levar a empresa mais longe.

João Gomes Administrador

A experiência na área dos transportes já é longa e tem vindo a atravessar gerações. João Gomes aliou a sua paixão aos carros e todo o tipo de veículos e abraçou mais um projeto que constitui um desafio. A assumir a gerência da Servireboques desde 2016, tem alcançado resultados bastante satisfatórios e conquistado a confiança dos clientes. Crescer e aumentar o volume de faturação anual faz parte dos planos da administração e os últimos registos indicam que estão num bom caminho. Na Batalha, já não há quem não conheça os serviços desta empresa de referência que se tem diferenciado pela especialização de produtos químicos. O objetivo é destacarem-se pelo transporte de produtos químicos ou considerados perigosos mas afirmam que estão totalmente disponíveis para todos que requisitem os seus serviços, pois a frota encontra-se preparada para responder as necessidades dos seu clientes dos diversos ramos. Divididos entre a exportação e importação de mercadorias, contam com empresas com alguma proporção como clientes na concretização de

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negócios. Definiram manter um equilíbrio entre o mercado nacional e internacional e esta opção tem-se revelado compensatória. “Temos uma forte presença no mercado alemão. Também trabalhamos para a França, Bélgica, Holanda e Espanha, mas o nosso foco principal é a Alemanha. Desta forma, temos acesso a outros mercados e estabelecem-se ligações. Já aqui em Portugal temos parcerias e acordos com outras empresas de transportes para garantir o melhor serviço em zonas que não nos são tão acessíveis”, explica o sócio-gerente. Este intercâmbio é considerado benéfico para ambas as partes: se por um lado, as transportadoras fortalecem relações e ganham votos de confiança, também os clientes ficam satisfeitos com a disponibilidade e flexibilidade existente. João Gomes acredita que a concorrência deve existir e que o facto de trabalhar em conjunto é uma forma de atingir resultados favoráveis. A importância da equipa A confiança na equipa é fundamental em qualquer empresa, principalmente no caso dos transportes em que não devem existir atrasos na entrega das mercadorias ou outro tipo de incidentes. Transmitir uma boa imagem, tendo cuidados com a identificação, limpeza e manutenção das viaturas e prestar um serviço de excelência é condição essencial para a Servireboques e os seus motoristas. Estes são os elementos mais


empresa | tema importantes e o cartão de visita da empresa na chegada aos clientes, onde são presença habitual. Confiança e responsabilidade são valores inerentes a esta atividade e apesar de a gerência ter acesso às rotas de trabalho e quilómetros percorridos, são os próprios motoristas que gerem as suas horas de condução e descanso, tendo em conta todas as condicionantes com que se deparam na estrada. “Como transportamos produtos considerados perigosos, os nossos motoristas recebem uma formação sobre ADR para terem conhecimento da mercadoria transportada. Ao longo do ano damos formação interna para que estejam preparados para os desafios que surgem através de um novo cliente, por exemplo”, adianta João Gomes. O gerente conta ainda com o apoio da esposa Filomena, considerada o seu braço direito, em várias questões relacionadas com clientes e colaboradores. Aqui torna-se evidente e é confirmado que “atrás de um bom homem, está sempre uma grande mulher”. O setor dos transportes O controlo por parte de várias entidades é cada vez mais evidente e é necessário ter tudo em conformidade com o exigido. “As multas e penalizações são cada vez mais pesadas e as transportadoras têm que se ajustar à lei e respeitar as condições impostas. Preferimos não correr o risco, daí apostarmos também em viaturas novas e na constante renovação da frota”, frisa. Contudo, o combustível representa uma grande fatia das despesas e todos os cêntimos contam nesta atividade. Apesar de já existir o gasóleo profissional e incentivos associados à sua utilização, este continua a ser mais caro e as empresas de transportes, principalmente as que trabalham com o mercado externo, continuam a optar por abastecer em Espanha. A paixão pelas quatro rodas Além da administração da Servireboques, João Gomes preserva a sua paixão pelos automóveis e ralis. Juntamente com o seu primo, tem participado em alguns eventos desta índole e o próximo será a 31ª Edição da Baja Portalegre, uma prova mítica que já fura há alguns anos. “Este ano vou estrear-me como copiloto e chegar ao fim já seria bom. No ano passado, participamos

com a equipa Team UMM Servireboques, representando a empresa, alcançando o 2ºlugar no Troféu UMM. Apesar de ser uma prova bastante reconhecida, que envolve alguns profissionais, nós somos amadores e participamos por desporto e gosto pela modalidade. Temos conseguido resultados e posições muito satisfatórias e isso também se deve à paixão e entrega que depositamos em tudo aquilo que fazemos”, assegura. Crescimento sustentado Como foi adiantado na edição anterior, a Servireboques ambiciona aumentar a frota para 40 veículos já no primeiro trimestre de 2018. Mas as novidades não ficam por aqui. Com o objetivo de diversificar, a empresa irá adquirir uns frigoríficos para transportar cargas de frio nas suas viaturas e prestar um serviço mais completo. Recentemente apostaram em porta-contentores para dar resposta a algumas solicitações deste segmento no mercado nacional. Continuar a crescer de forma sustentada, saudável e como uma referência nos transportes faz parte das pretensões do gerente que deixa uma mensagem a todos os leitores, colaboradores e clientes: “Vamos continuar a lutar, rumo ao crescimento, preservar o espírito de equipa e trabalhar para o mesmo objetivo, porque juntos somos mais fortes!”, conclui João Gomes.

Rua José Sousa Ribeiro, nº 6 Jardoeira 2440-387 Batalha Telefone: 244 764 800 Fax: 244 764 809 E-mail: geral@servireboques.com

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inovação, investigação e investimento | iequaltecs

“Por mares nunca d´antes navegados” Alexandra Carvalho e Miguel Reis são doutorados em Física e acumulam mais de 25 anos de carreira. A experiência na área da investigação fê-los abraçar um novo projeto e ajudar pequenas e médias empresas a resolver problemas de produção. Fique a conhecer o trabalho da IEQUALTECS, uma empresa que se distingue pela alta tecnologia e inovação.

Alexandra Carvalho e Miguel Reis Diretores

Aliar a investigação à alta tecnologia é uma forma de distinção para qualquer empresa e só poderia traduzir-se num excelente resultado. Com o objetivo de atenuar as dificuldades sentidas pelas Pequenas e Médias Empresas, surge a IEQUALTECS, fundada em 2015. “Oferecer ao mercado empresarial serviços privados de investigação e recursos humanos a custos mais reduzidos foi o compromisso que estabelecemos. É importante passar para o tecido empresarial português, a capacidade instalada que existe no nosso país em termos de investigação. Ainda existe muito a ideia de que só é possível ser feita lá fora, quando no exterior já todos reconhecem o elevado nível da investigação em Portugal”, começa por evidenciar Miguel Reis, diretor geral da empresa. A essência do projeto Com mais de 25 anos de experiência nesta área que é já uma paixão, o casal divide funções.

Alexandra Carvalho dedica-se à Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e dirige o Departamento de Investigação, Formação, Inovação e Serviços (DIFIS). Já Miguel Reis especializou-se em Física Atómica aplicada a questões ambientais e de materiais de exploração mineira e comanda o DECIS, Departamento de Equipamentos, Comercialização, Inovação e Sistemas. De um modo geral, a IEQUALTECS assume-se como uma empresa de investigação vocacionada para o uso de métodos físicos de caracterização, frequentemente não destrutivos e não invasivos. Mas afinal, como se explica esta atividade? “Nós propomo-nos a ajudar as empresas com tecnologia de ponta, com recursos humanos formados e competentes para resolver problemas específicos. Por exemplo, se uma empresa está a desenvolver um produto na área alimentar e há um problema qualquer na cadeia de produção que não sabe como resolver, nós podemos intervir aí”, elucida a vice-diretora, Alexandra Carvalho. Alternativamente aos métodos convencionais, a IEQUALTECS apresenta soluções tecnológicas com RMN Unilateral que possibilitam

Escritório Torres Vedras Rua Cavaleiros da Espora Dourada, nº15 - 1º Escritório M | 2560-668 Torres Vedras 932 568 321/3 | geral@iequaltecs.pt | www.iequaltecs.pt

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iequaltecs | inovação, investigação e investimento mais pomares para controlar”, conta o diretor do DECIS. Mas a ação da IEQUALTECS não fica por aqui e já existem outros projetos igualmente interessantes a caminho. Um deles, em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria, visa comparar a produção de tomate em dois sistemas de produção agrícola totalmente diferentes: a hidroponia, que é o método mais comum e a aquaponia, em que a planta está a crescer num tanque em que existem peixes e os nutrientes para a planta passam pelo metabolismo do peixe. “Este último método é altamente ecológico porque se produz fruta, legumes e peixe e não gera resíduos. Neste projeto queremos comparar a mesma espécie de tomate produzida por ambos os métodos e verificar as diferenças do produto. Já sabemos que são diferentes mas queremos quantificar a diferença. Estamos convencidos que vamos conseguir mostrar que o tomate de aquaponia é vantajoso para a nossa saúde e do ponto de vista ambiental”, esclarecem os diretores.

otimizar processos produtivos e monitorizar processos logísticos e o controlo de qualidade de uma ampla gama de produtos. Sempre dotados de alta tecnologia e inovação, estes serviços de I&D fornecidos aos clientes, permitem ainda ganhos de valor acrescentado à atividade em estudo, eficiência operacional e produtiva e soluções economicamente viáveis. Uma mais-valia Apesar de existir uma vasta gama de objetos de estudo, alvos de aplicação, o primeiro vetor de ação da IEQUALTECS foi no campo agroalimentar. “Temos a capacidade de determinar se houve adulteração de determinado produto sem violar o invólucro onde ele está armazenado. Ou seja, sem abrir a garrafa, o contentor, a embalagem conseguimos perceber as propriedades do produto. Conseguimos avaliar a qualidade e o grau de maturação da fruta sem a abrir e sem testes químicos”, assegura a diretora do DIFIS. Além de analisar os produtos sem os destruir ou danificar, o que é uma mais-valia, o reduzido custo do equipamento constitui a peça chave de todo o processo uma vez que torna a investigação “acessível e capaz de chegar a mais empresas”, completa Miguel Reis. Mais investigação, melhor produção Recentemente, a IEQUALTECS tem vindo a desenvolver um projeto de previsão precoce do acastanhamento interno na Pera Rocha, co-financiado pelo CENTRO2020, e que visa reduzir prejuízos das centrais fruteiras da região Oeste. A ideia é simples: utilizar a Ressonância Magnética Nuclear, na sua vertente Unilateral, na análise de um sistema, produto ou objeto sem o danificar. Assim, foi alcançado um método para prever o aparecimento de certos problemas que afetam a Pera Rocha. Uma fruta colhida no verão e armazenada em atmosfera controlada durante longos meses, com temperaturas baixas que abrandam o seu processo de maturação. Contudo, frequentemente surge um acidente fisiológico na fruta, que por fora não é visível: o acastanhamento interno. “Com a nossa técnica conseguimos “ver” (analisar) o interior da Pera sem a abrir. O que nos propomos fazer é usar esta metodologia para obter um conjunto de parâmetros que nos permitam aferir quando é que esse acastanhamento pode surgir. Queremos saber se ela tem de ser comercializada já, daqui a dois meses ou até quando pode ser armazenada. Assim, conseguimos ajudar os produtores e as empresas ao fornecer informação para que eles possam gerir melhor o stock e avaliar os mercados. O nosso objetivo é prever quando esses problemas podem ocorrer sem usar químicos, e sem abir peras ”, argumenta a vice-diretora.

Investigação nacional de qualidade Prever é uma palavra de ordem para a IEQUALTECS e uma vantagem para empresas e produtores que ficam a saber aquilo que vão lançar no mercado. Além de existir ainda alguma resistência a técnicas como estas que pautam pela inovação e rigor, o paradigma de que a investigação é cara continua presente. “Costumo dizer que os custos de investigação, comparados com os custos de produção, têm vários zeros a menos. É competitivo e difícil de convencer, precisamos de dizer que existe, explicar o que fazemos, mostrar o quão interessante pode ser e nem sempre temos bons resultados”, acrescenta Miguel Reis. Como não se trata de um produto físico e acabado para as suas produções, a renitência por parte dos clientes é inevitável mas mais tarde os meios de estudo são valorizados. Os diretores da empresa adotaram o princípio “Por mares nunca d´antes navegados” porque outrora os portugueses já arriscaram, estudaram, inovaram e alcançaram grandes feitos. Para repetir a história é necessário que acreditem na investigação nacional, tal como outros povos do exterior. As novidades da IEQUALTECS não ficam por aqui. Alexandra Carvalho e Miguel Reis levantaram a ponta do véu que dá a conhecer outros projetos na área da saúde, construção e outras. As parcerias não são esquecidas, bem como a aposta na internacionalização e outras ambições futuras. Poderá saber tudo isto e muito mais numa edição futura da Revista Business Portugal.

As vantagens Se num processo de laboratório comum, com preparação de amostra, a análise é mais demorada, aqui é possível saber e medir em apenas dois minutos. Para chegar a este grau de eficiência e sofisticação foi desenvolvida uma metodologia para encontrar a fórmula ideal. “Já temos alguns resultados e estamos numa fase de tentar validar os indícios apresentados, numa tentativa de angariar

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inovação, investigação e investimento|hotel concha

“Queremos que encontre no Hotel Concha a sua casa” O Hotel Concha localiza-se em São Martinho do Porto, Alcobaça, com a sua baía natural em forma de concha, única no país. Em trabalho ou lazer, o Hotel Concha proporciona um ambiente acolhedor e familiar, com todas as comodidades para uma estadia onde o bem-estar e tranquilidade são a prioridade.

Luisa Graça Proprietária

Totalmente remodelado em abril deste ano e contando com nova gerência, o hotel Concha é o local ideal para umas férias tranquilas com acesso a atividades desportivas em mar, terra ou ar. A unidade hoteleira é composta por 26 modernos quartos com diferentes tipologias e quatro apartamentos familiares, divididos por quatro andares, pensados para proporcionar uma estadia agradável e acolhedora. Os apartamentos têm kitchenette e a possibilidade de acrescentar um quarto comunicante, transformando-se assim em T1 ou T2, consoante as necessidades das famílias. Há ainda uma suite júnior que está adaptada para pessoas com mobilidade reduzida. Luísa Graça é a atual proprietária do Hotel Concha e, em entrevista, fala-nos na grande aposta que foi feita na remodelação total do edifício: “Apenas se manteve a estrutura original, tudo o resto foi feito de novo. É quase uma obra de raiz”, refere. Ao Hotel Concha foi atribuída a classificação de três estrelas, embora a qualidade e o serviço sejam de quatro estrelas.

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hotel concha| inovação, investigação e investimento

Hotel preparado para famílias Visto que São Martinho do Porto é considerado um destino de praia para as famílias, o Hotel Concha está ainda preparado para fornecer berços, cadeirinhas e banheiras para os mais pequenos. “Queremos que os nossos hóspedes se sintam em casa”, acrescenta Luísa Graça. No espaço hoteleiro é também possível usufruir de um bar, aberto das 15h às 24h, com esplanada no verão. Este espaço, aberto ao público, possui uma vasta carta de vinhos que pode ser degustada por tantos quantos desejarem. De salientar, ainda, que apesar de o hotel não

não é o típico de hotel. É muito diversificado, com produtos da nossa zona”. A pensar na dinamização do espaço e de São Martinho do Porto, estão já planeados vários eventos no Hotel Concha, que passarão por encontros gastronómicos e provas de vinhos da região. Luísa Graça aproveita para convidar todas as pessoas a visitar o Hotel Concha, quer seja para ficar, quer seja para conhecer as novas instalações: “Estamos de braços abertos para vos receber”.

ter restaurante existe a possibilidade de usufruir do sistema de meia pensão (para grupos e quando solicitado), uma vez que existe uma parceria com uma empresa de catering local para esse efeito. Com meio ano de portas abertas, o feedback tem sido o melhor. “O nosso livro de honra está quase cheio, com comentários que nos deixam muito orgulhosos. As pessoas referem muito a qualidade do nosso pequeno-almoço, que

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INTERCASA E LXD’17 Ponto de encontro do setor nacional, profissionais e público em geral, a Intercasa reúne uma oferta global para a casa, em consonância com as necessidades e exigências do mercado. A Intercasa tem sido a plataforma de promoção e negócios na área da decoração e design de interiores e indústria nacional, que apresenta, anualmente, as coleções do setor casa e as tendências da arte de decorar em linha com estilos de vida e padrões de consumo cosmopolitas. Em 2017, com uma área de exposição de 10.000 metros quadrados e uma expetativa de mais de 55.000 visitantes, desde os profissionais ao público em geral, que vivem a casa com emoção, a Intercasa apresenta-se num conceito inspiring, áreas de exposição premium e cenografia trend. Durante mais de quatro décadas, a Intercasa tem recebidos visitantes entusiastas do design e da decoração. Na edição de 2017, a realização em simultâneo com o Salão Imobiliário de Lisboa pretende criar sinergias entre os dois eventos e potenciar negócios com um novo público – o target do setor imobiliário. Participar na Intercasa como expositor será uma garantia de sucesso, negócios e abertura a novos mercados, compradores de qualidade e visitantes internacionais. Em 2017, a Intercasa aparece renovada dispondo de uma gama de possibilidades e opções para participar. Para tal, existem diferentes tipos de stands e recursos para cada um dos setores: Interiores, Exteriores, Tecnologia, Remodelação. Paralelamente diferentes iniciativas de animação de carater interativo com o visitante farão deste evento uma referência na área da decoração/renovação da casa. Esta é, portanto, a montra que lhe faltava! Para os visitantes…Talvez queira dar à sua casa um novo visual, transmitir uma imagem para combinar com o seu estilo de vida, redecorar “de cima a baixo” ou apenas fazer algumas mudanças… Na Intercasa encontra todas as tendências e estilos para ajudar a decorar a sua casa e fazer melhor uso do espaço. Faça da sua casa a melhor casa do mundo!

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EM CADA ESPAÇO VAZIO, EXISTE UM AMBIENTE POR CRIAR

Fundada em 1993 e com mais de 20 anos no mercado da decoração de interiores, a Piramidal assenta os seus valores em três pilares fundamentais: qualidade, inovação e satisfação dos clientes.

Com sede em Sintra, o grupo da empresária Ruth Brito Guilherme é atualmente composto por três empresas, Piramidal, Carpintaria Sucupira e Oficina de Interiores, localizadas na zona da Grande Lisboa e em Angola. Hoje, os ambientes Piramidal diferenciam-se pelo mobiliário de design exclusivo e por uma seleção de representações de diversas marcas nacionais e internacionais nos setores de decoração, mobiliário, iluminação e textêis. Sempre atentos à evolução das tendências internacionais, a nossa equipa de arquitetos e designers tem flexibilidade para criar e recriar ambientes. Espaços menos apelativos podem ser transformados em algo

acolhedor, harmonioso e com personalidade; materializando assim os seus sonhos, reinventando formas, criando o belo.Os projetos Piramidal são pensados à imagem e às necessidades dos clientes, trabalhamos no sentido de superar as suas expectativas; não queremos que fiquem apenas satisfeitos, mas sim impressionados. Esforçamo-nos por nos destacarmos num mundo em que a inovação é uma constante. Você sonha. Nós criamos. Procuramos renovar constantemente as nossas coleções que têm como principal tendência o uso de materiais naturais. Nasce assim uma nova coleção.

A Seiva explora a natureza como fonte de inspiração e é sinónimo de transformação e criatividade. Surge com o intuito de trazer as formas belas da natureza para dentro das nossas casas. Procuramos na madeira das àrvores a sua forma natural e original. Recorrendo à criatividade, diferentes tecnologias e materialidades, surgem peças contemporâneas, sofisticadas e únicas. As àrvores transmitem a ideia de símbolo da vida em perpétua evolução. É este conceito de equilíbrio e harmonia que transmitimos nos nossos projetos e nas peças que criamos.

Rua Alto da Bonita, 142 - Ranholas 2710-185 Sintra . 219 106 169 . piramidal@piramidal.pt www.piramidal.pt . Piramidal.Decoracao . Piramidal_interiores


intercasa 2017 | love design

“Concretizamos sonhos

e proporcionamos emoções” Em Caldas da Rainha, no coração da região Oeste, está sediada a Love Design – uma empresa de interiores, decoração e arquitetura. Foi da união de vários criativos, com ideias intermináveis e apaixonados pelo design de interiores, que surgiu em 2001 o conceito Love Design. Desde então, desenvolvem projetos de interiores de âmbito residencial – apartamentos, moradias, quintas – e de âmbito empresarial – lojas, escritórios, hotéis. Trabalham maioritariamente para a região Oeste e Lisboa, embora tenham no seu currículo trabalhos realizados em todo o país e alémfronteiras.

Marta Cação e Sara Amorim Faria Designer de ambientes e arquiteta, coordenadoras de projeto da Love Design

A aposta numa equipa multidisciplinar, permite ao cliente contar com a Love Design como único interlocutor num processo de construção, reabilitação e/ou decoração do seu espaço residencial ou comercial. Ao longo dos 16 anos de atividade, a Love Design elegeu um conjunto de parceiros de excelência que respondem com eficácia aos elevados padrões de qualidade impostos pela empresa – desde estofadores, costureiras, marceneiros, entre muitos outros. O desenvolvimento de competências dos elementos da equipa da Love Design é umas das prioridades internas da empresa. As visitas frequentes a feiras, certames e eventos de design e arquitetura internacionais, bem como a partilha de experiências e know-how, são condições fulcrais para uma equipa coesa e em constante progressão. “Realizamos projetos únicos onde cada ambiente se destaca pelas soluções criativas e diferenciadoras, sem nunca descurar o conforto e a funcionalidade”, refere Filomena Almeida. “Valorizamos o equilíbrio, a proporção, a seleção rigorosa dos materiais, a luz e o pormenor, para que o resultado seja perfeito “, acrescenta. Superar as expectativas do cliente “As expectativas do cliente não devem ser cumpridas, mas sim superadas”, afirma Rui Ribas. Com grande experiência nesta área de atividade e contando com um leque vastíssimo de clientes de grande exigência, que não abdicam de rigorosos critérios de qualidade, a equipa da Love Design, mediante os conceitos selecionados, as propostas apresentadas e as ambiências desenvolvidas, supera com frequência as expectativas dos mesmos.

A Love Design tem uma equipa de profissionais competentes e versáteis, aptos a responder às solicitações e desafios colocados pelos seus clientes. Esta inclui decoradores de interiores, designers de produto, designers de ambientes, arquitetos, arquitetos paisagistas, entre outros profissionais.

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love design | intercasa 2017 A montante de cada projeto, está o briefing inicial do cliente, o qual é essencial para a perceção das necessidades, rotinas e dinâmicas, seja numa habitação ou numa empresa. Com o desenvolvimento da proposta, a interação com o cliente é fundamental já que, apenas assim, se atinge um resultado personalizado. Após a execução da obra, a Love Design mantém a sua responsabilidade sobre o trabalho desenvolvido, seja na célere assistência pós-venda ou em upgrades subsequentes. “ A satisfação do cliente é a nossa prioridade. Fazemos aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós”, afirma Filomena Almeida. Alma e dedicação em cada projeto Na Love Design a entrega da equipa aos projetos que desenvolve é total, seja num processo em se acompanha a edificação de uma moradia ou a sede de uma empresa, seja no desenvolvimento de uma proposta para um quarto de criança ou para uma sala de espera de uma clínica. Assim, a alma conferida a cada trabalho

surge a partir do imaginário, sonhos e emoções dos profissionais que o concebem, considerando os condicionalismos impostos pelos desejos e ambições do cliente, as limitações do espaço físico e o registo estético em que este se insere. O resultado do trabalho desenvolvido pela Love Design reflete a dedicação dos profissionais ao longo do processo, isto é, desde a fase de conceção até à conclusão do trabalho, cada elemento da equipa envolvido no projeto desenvolve uma relação emocional com o mesmo. “A parte mais gratificante de todo o processo é observar a reação do cliente quando vê o resultado final”, afirma Sara Faria. Estando a empresa envolvida em constantes desafios, estes são encarados com determinação, intensidade e entusiasmo… …We Love Design – what about you?

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intercasa 2017 | architect your home

Um arquiteto por medida A Architect your Home é uma empresa de arquitetura com um conceito único em Portugal: democratizar o acesso aos serviços de um arquiteto e garantir um acompanhamento personalizado e próximo do cliente, tão próximo que a colaboração do mesmo no processo criativo é fundamental para o desenrolar do projeto. Com um sistema de pagamento por fases, o cliente paga, literalmente, apenas aquilo que precisa. e pedir ajuda para uma determinada fase da obra”, refere Mariana Morgado Pedroso. No caso do cliente contratar todo o pacote de serviços da Architect Your Home e não puder participar das diferentes fases da obra, só terá de se preocupar em desfrutar da sua casa. “Podemos ajudar a pessoa em todas as fases, desde os engenheiros, a escolha do mobiliário, da decoração, todos os pormenores. Caso a pessoa não tenha tempo, nós temos equipas que fazem todo o trabalho e podemos montar a casa até ao último detalhe sem que a pessoa se preocupe com nada”. O conceito da Architect Your Home passa por se adaptar a todo o tipo de orçamentos: “a ideia é que pessoas que não tinham capacidade para contratar um arquiteto, ou que normalmente não utilizariam os serviços porque seria muito caro, possam ter esse tipo de expertise nas suas casas, porque isso desbloqueia situações que, às vezes, as pessoas não conseguem resolver”.

Mariana Morgado Pedroso Diretora geral

“Este é um serviço de arquitetura, decoração e acompanhamento de obra que permite ao cliente usar os serviços de um arquiteto tanto ou quanto precisar”, explica Mariana Morgado Pedroso, diretora geral da empresa. “Por exemplo, se quiser acrescentar um quarto ou mudar uma sala, pode contratar o arquiteto só para a parte criativa, para fazer os desenhos iniciais e depois o cliente toma conta do resto”. Esta separação de serviços é possível graças ao sistema de funcionamento da Architect Your Home, que possui um menu que permite ao cliente decompor em pequenos passos todo o processo de obra e optar por aqueles em que realmente precisa de ajuda. “Nós ajudamos a pessoa a decidir quais são os passos de que ela vai precisar. Ela é livre de avançar com todos, só com alguns, ou ligar-nos, ao longo do tempo,

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Menu “Pay as you go” Tudo começa com a consultoria, em casa do cliente. “Essa consultoria pode ser de meio dia ou dia inteiro, dependendo do tamanho da casa, em que o arquiteto vai passar esse tempo com a pessoa, vai perceber quais são as expectativas, as motivações, o que se quer fazer na casa, o que se está à procura e vai responder a isso tudo muito rapidamente, no sítio. Vai sentar-se com as pessoas, com um bloco na mão e começar a desenhar. As coisas vão aparecendo e ganhando vida”. É precisamente graças a esta visita à casa dos clientes que a interação entre o mesmo e o arquiteto é diferente. “O cliente contribui de forma criativa na elaboração do desenho. É um trabalho muito mais colaborativo, que não é habitual na arquitetura. Normalmente, o arquiteto recebe um briefing, vai para o atelier e trabalha sozinho. No sistema mais tradicional da arquitetura, as pessoas ficam constrangidas quando o arquiteto lhes traz o projeto ,e afinal, não era exatamente

aquilo que elas queriam. Isto é o oposto disso. É o desmistificar dessa situação”. Só esta primeira etapa do processo de construção ou remodelação na Architect Your Home é que tem um preço fixo. Todas as outras etapas em que o cliente escolher ter o apoio da empresa têm um preço variável, de acordo com os materiais a utilizar, o tempo necessário para efetuar a tarefa e, muitas vezes, os imprevistos, que a Architect Your Home faz questão de contemplar logo de início. Uma rede de arquitetos espalhados por todo o país garante o sucesso desta empresa. “Cada um dos arquitetos que trabalha para a Architect Your Home tem o seu atelier e juntamo-nos em rede para trabalhar sob o mesmo método. Na sede angariamos trabalho e depois distribuímos por todos. Cada um destes profissionais tem a sua forma criativa de trabalhar, o que é igual para todos é a metodologia”. Outro ponto que todos têm em comum são as características: “são pessoas comunicativas, práticas e com quem é fácil trabalhar. O mercado de trabalho mudou e, se antes as pessoas que tradicionalmente recorriam a um arquiteto esperavam um artista, que se fechava num sítio, trabalhava, apresentava uma solução e ninguém contestava, hoje as pessoas querem participar no processo de criação da sua casa e penso que é legítimo que queiram, porque a casa é para elas”. Na Architect Your Home, os arquitetos incorporam as ideias dos clientes nos projetos e tiram delas o melhor partido.

02/10/2017 12:37


TOIRO BRAVO Ao longo das últimas edições temos vindo a mostrar ao público português o lado menos visível que envolve a criação e a preservação da raça brava em Portugal. A génese da tauromaquia como outrora se escreveu perde-se no tempo e na história, sendo descrita como uma arte ancestral que se foi desenvolvendo ao longo dos séculos. Assim, o toiro bravo revelase no íntimo destas gentes e nas histórias destas famílias como uma paixão imensa, por vezes, indescritível. Ainda no passado mês tivemos a notícia da conquista por parte do projeto “Tauromaquia, Património Cultural de Portugal”, um dos vencedores do Orçamento Participativo de Portugal, iniciativa lançada pelo Governo e em que estiveram a concurso cerca de 600 projetos. Com isto o projeto de âmbito nacional pretende inserir a cultura tauromáquica na lista de Património Cultural Imaterial de Portugal, ao abrigo da Convenção da UNESCO. Falamos de uma tradição que representa uma forte componente sócio-cultural e económica por todo o país. Gostaríamos, ainda, de prestar uma homenagem a todos os forcados portugueses pela coragem e dedicação que espalham pelas praças deste país. Nas próximas edições iremos continuar a contar as histórias daqueles que dedicam a sua vida à criação do toiro bravo.


tema | empresa

Um legado que atravessou gerações A divisa azul e branca representa a histórica Ganadaria Palha, que foi fundada em 1848 por António José Pereira Palha. Com 750 ha de extensão em plena lezíria ribatejana, a herdade da Adema onde pasta esta mítica ganadaria brava é o local ideal para observar a vida animal em plena liberdade. A presença assídua de toiros nas principais feiras taurinas demonstram que esta ganadaria é verdadeiramente uma marca reconhecida a nível internacional. “Para se ser aficionado é preciso que se tenha um cromossoma, uma razão genética que nos traz a vontade e a paixão pelo toiro bravo e pela arte tauromáquica. Penso que só isso explica o porquê de na mesma família termos gente aficionada e não aficionada”, refere João Folque e continua: “Para mim o toiro representa uma enorme paixão. Desde pequeno que estou habituado a contactar com o toiro e a participar da vida no campo. Hoje tenho a possibilidade e os meios para dar continuidade à ganadaria, o que significa uma enorme responsabilidade, que carrego com alegria e satisfação, pois estou a fazer algo de que gosto, que é criar o toiro bravo”. Do ponto de vista histórico, remonta ao século XIX a constituição da Ganadaria Palha através da aquisição por António José Pereira Palha de animais oriundos da real vacada “Vasqueña” do rei D. Miguel, as quais são cruzadas em 1871 com sementais Concha Y Sierra e Miura, adquiridos por José Pereira Palha Blanco, sucessor do primeiro titular, que modifica o ferro e a divisa inicial.

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ganadaria palha | toiro bravo Em setembro de 1854 o primeiro toiro criado pela Ganadaria Palha subiu à praça do Campo de Santana, em Lisboa, com um cartel composto por três cavaleiros de nacionalidade portuguesa, francesa e espanhola, respetivamente. Chegados a 1883 deu-se a apresentação oficial da ganadaria a nível internacional, com uma corrida completa lidada na praça madrilena. A partir deste momento, esta exploração dedicada à criação do toiro bravo começou a ser uma presença constante nas principais feiras taurinas espanholas, sendo ainda hoje frequentemente solicitada para as praças de primeira categoria do país vizinho. Em 1937 herdam a ganadaria Francisco e Carlos Van-Zeller Palha, netos de Palha-Blanco. Até aqui a linha genética da ganadaria residia essencialmente na casta Vasqueña, o qual posteriormente foi modificado para a casta Vista Hermosa. Em 1980, e após falecimento daqueles irmãos, foi a ganadaria adquirida pelos irmãos Botelho Neves e Folque de Mendonça, trinetos de Palha Blanco, os quais introduzem sementais de Ribeiro Telles, comprando posteriormente vacas e sementais de Oliveira Irmãos e, ainda, sementais de Torrealta. Em 1994, a ganadaria acabaria por ser dividida entre os irmãos. Mais tarde, o efetivo da ganadaria foi aumentado com vacas e sementais Contrera via Baltasar Iban e Pinto Barreiros através de Oliveira Irmãos. Hoje, o atual proprietário, João Folque assume a relevância e a importância desta ganadaria portuguesa no estrangeiro, relembrando os principais prémios atribuídos aos toiros de lide criados na herdade da Adema. “Posso referir os cinco galardões de ‘Melhor Corrida’ e ‘Melhor Toiro’ em Madrid e os três prémios de ‘Melhor Corrida’ e ‘Melhor Toiro’ em Sevilha. Estas são as principais distinções que se pode receber no mundo taurino”, sublinha o ganadeiro. Se definirmos o toiro da Ganadaria Palha identifica-se como um tipo de toiro com casta, força, agressividade, ferocidade, que não facilita a vida aos toureiros mas que sobretudo proporciona um grande espetáculo. Por outras palavras, todas estas características têm de estar presentes dentro desta ganadaria. “O momento da lide demonstra a supremacia da inteligência sobre a força bruta. Esta é a razão de ser da tauromaquia. A emoção tem de surgir tanto do sentimento estético que nos transmite, mas igualmente do sentimento de perigo que a acompanha”, acrescenta o ganadeiro. Portanto, no momento do processo de seleção, João Folque procura animais que representem agressividade, poder físico, vontade de lutar, ou seja, características intrísecas e básicas que sustentam a sua visão da tauromaquia e que têm de estar patentes nos futuros pais da ganadaria, assegurando o critério da imprevisibilidade. “Nós nunca aprovamos mais do que cerca de 25% das novilhas, mantendo sempre o rigor, a seriedade e a exigência na seleção. Aqui a tenta divide-se em dois momentos distintos: a sorte de varas e o toureio com a muleta. Primeiro pretende-se medir o nível de bravura, a forma, a atitude e

a intensidade e a prontidão com que a novilha acomete ao cavalo; depois o comportamento debaixo do peito do cavalo; e finalmente a forma como se comporta diante da muleta – a investida, o galope, a prontidão, o recorrido, a humilhação. Só através destes fatores que intuitivamente o animal nos transmite é que decidimos apurar ou refugar o animal”, explica João Folque. Esta exploração demonstra uma enorme preocupação com o bemestar dos animais, contribuindo para a preservação e conservação do meio ambiente onde estão inseridos. Por isso mesmo, o ganadeiro

defende que o toiro bravo deve ter o mínimo contacto possível com o Homem, afirmando mesmo que este não tem de estar habituado ao movimento ou às pessoas. Fala-se de um animal bravo que necessita de espaço e de tranquilidade. Da mesma forma a alimentação está vocacionada para nutrir o toiro como se de um atleta se tratasse. A lide é sinónimo de uma dose intensa de esforço, logo o animal tem de estar preparado fisicamente para dar o seu melhor e ter durabilidade, mostrando-se poderoso na luta em praça. “O toureio é uma arte universal, mas de facto penso que a atividade tauromáquica em Portugal não está a ser gerida da melhor forma. Esta é uma festa do campo, que se cria à volta desses territórios, onde os aficionados mostram a sua ‘afición’ pela arte tauromáquica. Mas essa cultura taurina nota-se com maior fervor em determinadas regiões, portanto torna-se difícil criar expetativas em relação ao futuro”, termina João Folque.

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toiro bravo | ganadaria lopes branco, herdeiros

Um século de história Há mais de um século que a família Lopes Branco se dedica à atividade agrícola e pecuária, estando já a ganadaria na quarta geração. Para o ganadeiro o toiro bravo simboliza um animal que luta de forma justa, salvaguardando que o momento da tenta e da ferra é fundamental para mostrar às pessoas distanciadas do campo a verdadeira essência que envolve a criação do toiro bravo.

Artur Teles Branco Ganadeiro

Localizada no concelho de Coruche, a Herdade do Vale de Mouro conta com perto de cem anos ligados à criação de gado bravo. Fundada em 1918 por Artur Lopes Branco, por compra, em 1916, de uma ponta de vacas e sementais à viúva de Soler, que cruzou com vacas portuguesas, a ganadaria começou a ser estruturada pelo tio-avô do atual proprietário, um aficionado por natureza. Na época, por volta do ano de 1915, o fundador, que era médico, decidiu aumentar a sua área de lavoura arrendando várias propriedades. Como a atividade agrícola, nos campos do Sorraia, era difícil, tornava-se necessário aumentar o efetivo bovino de trabalho, recaíndo a escolha na raça brava, uma vez que o toiro, após castração, tem as características necessárias para esse tipo de função nomeadamente grande energia, ânimo e vigor, qualidades difíceis de encontrar noutras raças. Portanto, a ganadaria começou com uma dupla aptidão, ou seja, a vertente lúdica, o gosto de ver lidar toiros, mas ao mesmo tempo pensando na componente económica, enquanto força de trabalho. Os primeiros toiros com o ferro Lopes Branco foram corridos

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no Vidigal, em 1919, tendo a ganadaria sido considerada como tal em 1925 quando lidou na praça do Campo Pequeno. “A partir de 1920, com a morte do meu tio, foi o meu pai que assumiu os destinos da ganadaria, continuando a seguir a mesma linha de pensamento. Até 1937, a ganadaria teve como sementais toiros pertencentes a Norberto Pedroso, Conde de la Corte e Pinto Barreiros. A partir daí foi adquirido ao Dr. António Silva um semental (Gamero Cívico) que padreou durante seis anos. Mais tarde, em 1947, adquire vacas e sementais de Pompeu Caldeira, proveniente de Soler e Pinto Barreiros”, recorda o ganadeiro Artur Teles Branco. Foi por esta altura que se conta a história de um semental chamado “Poeta”, de origem Dr. António Silva e que,

Outubro de 1975) e praticamente destruída, uma vez que, “são entregues, em 1978, 28 vacas, sem semental. Para agravar a situação, à data da entrega da vacada, a Herdade do Vale de Mouro encontrava-se ocupada pelo que não havia local para a colocar”, recorda Artur Teles Branco. “Em 1978, de um total de 237 cabeças, entre toiros e vacas, foram entregues 28 vacas, mas nenhuma propriedade, uma vez que o Vale de Mouro tinha sido expropriado, pelo que não tínhamos local onde colocar as vacas. Valeu-nos a solidariedade do D. António Paulino Lobo da Silveira que se disponibilizou de imediato para acolher essas vacas nas suas terras e juntá-las à sua ganadaria que pastava na Herdade da Fajarda com um semental Ribeiro Telles. Um ano depois acabaram por nos entregar a nossa propriedade, mas

provavelmente contrariado por ter de deixar a vacada fora da época de cobrição e ter que se juntar aos garraios e novilhos que pastavam noutra propriedade, próxima do Couço, a cerca de 25 Km das fêmeas, empreendeu várias vezes a caminhada no sentido oposto. Durante o percurso, tinha de passar pela única rua da aldeia da Volta do Vale, onde pára à entrada, berrando, como que a avisar que vai passar e dando tempo às pessoas para se fecharem em casa. Com a revolução de Abril de 74 esta ganadaria foi ocupada, um mês antes da morte de João Lopes Teles Branco (em

ficamos sem toiro, tendo, dessa vez sido o Dr. António Silva que nos cedeu um semental” explica Artur Teles Branco. O reduzido número de vacas em exploração e os elevados encargos diretos suportados, levaram várias vezes a ponderar a extinção da ganadaria. Mas o gosto e a tradição falaram mais alto e em 1988 foi tomada a decisão de prosseguir com a ganadaria, tendo adquirido 19 vacas e um semental a David Ribeiro Telles. Em 1999, foi largado um semental próprio, corrido na Aldeia da Pedra no ano anterior, e entre 2003 e 2007 foi


introduzido, em cerca de metade da vacada, um semental de Vasconcellos d’ Andrade. Presentemente a ganadaria dispõe de um efectivo de

seriedade na muleta. Como é sabido, este é um processo extremamente subjetivo, sendo necessário esperar entre dois a dois anos e meio para observarmos o comportamento das

quarenta vacas de ventre, número que se considera prudentemente adequado à exploração agrícola em que se insere e equilibrado entre o risco empresarial da atividade e o gosto em manter uma tradição que tem quase 100 anos.

filhas”. “A propósito da componente teórica que envolve a construção da ganadaria, relembro uma história ocorrida no tempo do meu pai com o toiro Conde La Corte, que veio para a propriedade através de um conhecido. Este toiro tinha levado 17 ferros na lide, foi considerado um toiro bravíssimo, pelo que o meu pai o comprou. Após ser tratado e curado esteve como semental durante dois anos. As tentas das filhas foram fatais e nenhuma foi apurada. Desapontado com o resultado, o meu pai decidiu acabar com a linhagem desse toiro cá em casa e vendeu toda a sua descendência, fêmeas e machos. Os machos foram vendidos a um negociante de Coimbra, que os correu mais tarde na Póvoa do Varzim, em Nisa e em Portalegre e que viria a enviar dois telegramas onde felicitava o meu pai pelos toiros, cinco dos quais foram aplaudidos com chamada à Praça. Portanto, existe sempre uma elevada subjetividade na seleção e nos resultados pretendidos. Selecionamos fêmeas para passarem as características que pretendemos ver nos filhos”, conta Artur Teles Branco. Preservar os valores que sempre marcaram a história da ganadaria ao longo deste século é o principal objetivo do ganadeiro para o futuro. “As tentas e ferras são sempre momentos importantes no maneio da ganadaria, contribuindo para juntar várias gerações o que é muito importante em famílias que estão há muitos anos no setor agrícola, ainda que grande parte dos seus membros tenham atividades fora do meio. E isso tem um valor incorpóreo muito elevado, que iremos promover e salvaguardar sempre”, termina Artur Teles Branco.

O Significado do Toiro Bravo A ‘afición’ sempre esteve presente no seio da família Lopes Branco, que apesar de todas as adversidades continua a manter viva a ganadaria, preservando e difundindo esta paixão pelo toiro bravo. “O toiro bravo representa um animal que luta de uma forma justa, com ética. Na nossa ganadaria procuro que ele seja capaz de transmitir emoção, de mostrar prontidão no desafio, assim como capacidade de superação para lutar do princípio ao fim da lide. Claro que depois temos o reverso da medalha, ou seja, temos de incorporar a vertente económica nesta equação. Logo, o toiro bravo tem de estar enquadrado num sistema económico rentável, ou pelo menos sustentável, porque existem muitas pessoas envolvidas na concretização da festa tauromáquica”, sublinha o ganadeiro. Hoje, a Ganadaria Lopes Branco tem como encaste Pinto Barreiros, tendo sempre diferentes sementais cedidos pelas ganadarias anteriormente mencionadas. Quando chega ao momento da tenta, prova fundamental para a seleção das futuras mães da ganadaria, Artur Teles Branco afirma que “a valorização do comportamento nas varas supera a prestação da novilha na lide. O nosso critério de seleção assenta no número de varas, na prontidão da investida e na forma como humilha e empurra quando chega ao cavalo. Claro que também procuramos o sentido e a

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toiro bravo | ganadaria condessa de sobral

O “Torrestrella Português” dos Montezes

Bem junto do rio Guadiana, perto de Beja, encontramos as herdades de Montezes e Varginha onde pasta a ganadaria brava Condessa de Sobral. Constituída em 1880 falámos de uma exploração dedicada à criação do toiro bravo, que tem atravessado fronteiras, escrevendo-se a sua história tanto em Portugal, como em Espanha. Hoje o principal objetivo da ganadaria é recuperar um encaste emblemático, melhorando-o e criando o próprio “Torrestrella Português”.

Manuel Madeira, Jorge Pica e Rui Gomes, Manuel Vázquez Gavira e Francisco Camacho Maioral, vaqueiros, ganadeiro e médico-veterinário

A história mais recente da Ganadaria Condessa de Sobral narra-se com o início do novo século, quando em 2001 todo o efetivo da exploração foi substituído progressivamente por vacas e sementais de Torrestrella. Nessa altura, a propriedade foi adquirida pela Herdade dos Montezes – Agricultura e Produção Animal Sociedade Unipessoal Lda, esta administrada por D. Alvaro Domecq Romero, que adquire 60 vacas de “Torrestrella” e mantém 60 vacas de D. Joaquim Sobral, procedência Jijona. Esta última seria totalmente eliminada em 2006. Assim se começavam a dar os primeiros

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passos na introdução de um encaste com origem em Espanha, que viria a ser incrementado, quando em 2015 a sociedade foi adquirida pela família Vázquez Gavira, administrada por D. Manuel Vázquez Gavira, que desde essa altura tem impulsionado a ganadaria com o encaste Torrestrella, tendo adquirido um lote de vacas e sementais desta linhagem pura. “Queremos continuar a lutar por este encaste criado por D. Alvaro Domecq. Falamos de um toiro único e diferente que apresenta uma enorme nobreza e mobilidade durante a lide. Apesar de termos adquirido esta propriedade à família Domecq, continuamos

a ser assessorados por D. Alvaro, uma visita assídua da Herdade dos Montezes, pretendendo criar uma linhagem Torrestrella exclusivamente portuguesa. D. Alvaro Domecq foi o criador deste encaste em Espanha, portanto para além de ser nosso amigo, continua a ajudar-nos na nossa missão de melhorar e criar o ‘Torrestrella Português’. Esta é a sua casa de sempre. Aliás quando decidimos comprar esta herdade, mantivemos esse trato de prosseguir o seu trabalho no que se refere ao toiro de linha Torrestrella”, refere o administrador Manuel Vázquez Gavira. A família Vázquez Gavira dedica-se desde

sempre à criação de gado manso e gado bravo, sendo proprietária de inúmeras herdades em Espanha, como nos revela Manuel Vázquez Gavira: “Efetivamente somos agricultores e ganadeiros em Espanha, e agora em Portugal. O meu avô Salvador Gavira foi um ganadeiro espanhol importante, criador também ele de um encaste próprio, mais propriamente a linha Gavira”. Fundada em 1880 por Filiberto Mira de Olivenza (Badajoz) com reses de casta jijona procedentes de Marquês de la Conquista e aumentada por António Soler (1902) com outras reses de Campos Varela, às quais sua viúva, Casimira Fernandez Soler, agrega


empresa | tema

sementais Conde La Corte, assim se escreve o início desta exploração dedicada à criação do toiro de lide. Em 1937 a ganadaria foi adquirida à viúva de Soler por D. Cláudio Moura, que aumenta o efetivo com sementais Conde La Corte. Mais tarde, já na década de 50, após introdução de sementais Conde La Corte e Dr. Silva, foi a ganadaria vendida a D. Diogo d’Affonseca Passanha que aumenta com reses de Urquijo (1957), sendo a mesma dividida, por morte deste em 1963, em dois lotes que se destinam a seus filhos. Entretanto, a D. Maria Ana (Condessa de Sobral) cabe o direito ao ferro primitivo de Soler, bem assim como as reses desta origem, cruzando algumas com sementais de Urquijo, enquanto anuncia em nome de Diogo Passanha, Herdeiros. Chegados à década de 70 passa a anunciarse como ganadaria de D. Maria Ana Passanha até ao ano de 1988, data a partir da qual se anunciaria Condessa de Sobral. Inscrita na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide desde a década de 30 do século passado, esta ganadaria é também uma das ganadarias portuguesas mais antiga inscrita na Unión de Criadores de Toros de Lidia, podendo portanto lidar nos dois países. Esta temporada a ganadaria

lidou uma novilhada em Madrid e esteve presente nas praças portuguesas de Alcochete, Albufeira e Nazaré. A Importância da Equipa Há mais de 30 anos que nesta casa se mantém a mesma base no que se refere aos cuidados veterinários e ao maneio da vacada, responsabilidade de Francisco Camacho, médico-veterinário, e de Manuel Madeira, maioral, que representam um pilar estrutural para o bom funcionamento da exploração. Nos Montezes o maneio do gado bravo é feito totalmente a cavalo, de forma tradicional, e é realizado pelo maioral em conjunto com os vaqueiros Rui Gomes Madeira e Jorge Pica (antigo forcado do grupo amador de Póvoa de S. Miguel). Aqui na ganadaria a assistência veterinária e a prevenção das doenças representam um investimento obrigatório e primordial para a sustentabilidade da exploração, com vista a combater antecipadamente possíveis doenças e por outro lado prevenir a inutilização de algum toiro, que acabaria por trazer prejuízo à ganadaria. Situada em pleno Baixo Alentejo, a sociedade agropecuária apresenta um efetivo de animais na ordem dos 470 bovinos, dos

quais aproximadamente 370 são gado manso e perto de 100 vacas de ventre bravas, que constituem a Ganadaria Condessa de Sobral. “Temos ainda um núcelo de vacas de raça Mertolengo Puro, de onde retiramos a nossa camada de cabrestos e que também comercializamos para outras ganadarias”, sublinha o maioral Manuel Madeira. Todos os animais são alimentados com pastagens naturais, mantendo-se apenas no caso do gado bravo o acompanhamento durante o inverno à base de silagem de milho, feno e palha, alimentos esses produzidos dentro da herdade. “Procuramos que os terrenos com melhores características sejam direcionados para a criação do gado bravo, de forma a manter o nível e a exigência necessários para criarmos este belo animal, que é o toiro bravo”, acrescenta Manuel Madeira. No que se refere à seleção, Manuel Vázquez Gavira afirma que “pretende efetivamente melhorar as características do encaste Torrestrella, procurando sobretudo o toureio apeado, embora reconheça que temos bons resultados no que diz respeito ao toureio a cavalo. Este toiro tem como principais características a nobreza e o galope intenso,

que se traduz em mobilidade na arena. Por isso mesmo, nos últimos dois anos a vacada tem sido aumentada com origem Torrestrella pura, de forma a cimentar este encaste em Portugal”. Quanto à escolha das futuras mães dos toiros de lide, a seleção é feita numa primeira fase com o picador e depois a novilha é toureada com a muleta. “Temos em atenção as notas, mas acima de tudo o animal tem de ser bravo no cavalo e depois mostrar humilhação e mobilidade na muleta. Relativamente aos refugos da tenta chamamos sempre um grupo de forcados para vir cá treinar, uma forma de ajudar a manter esta tradição portuguesa, que é tão emblemática e atrativa para todos”, termina o maioral.

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toiro bravo | ganadaria rosa rodrigues

Rosa Rodrigues e a cruzada do temple

E COM O SEU CRITÉRIO DE SELECÇÃO E O SEU ESPÍRITO DE ”MALETILLA” Pede a Deus que te dê sorte, e que a saibas carregar A esperar… que sejas forte !!! Com quietude templando vai deixando o toiro chegar E lucido liderando na hora de trinfar

A nossa ganadaria foi fundada em 1927, tendo já testemunhado quatro gerações de fascínio e dedicação ao campo bravo. As primeiras reses procederam de Alves do Rio e pertenciam portanto aos encastes de Tamarón e Murube. Em seguida já em nome de José Rosa Rodrigues adquiriu vacas e um semental de “Capea”. Ao longo da sua carreira, o cavaleiro José Rosa Rodrigues perseguiu sempre o mesmo objectivo: com suavidade e harmonia, temperar as acometivas dos touros, adaptandoas ao ritmo cadenciado da montada. Reproduzir, a cavalo, o que viu fazer ao matador Domingo Ortega, numa tenta da ganaderia de Pinto Barreiros. Parece que estou a ver… saiu do burladero, despreocupado, e aquele capote começou a esvoaçar com uma lentidão espantosa, sem atritos, dominador, contou numa entrevista à “Novo Burladero” (nº109, junho de 1994). E as bezerras, ásperas, revoltosas, submeteram-se ao temple do maestro de Borox.

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Foi com base nessa lição que Rosa Rodrigues estruturou o seu conceito de toureio e encetou a sua “cruzada do temple”– missão que procurou depois transpôr para a sua actividade como “ganadero”, selecionando um toiro que proporcionasse a sua faena sonhada. Em termos mais técnicos, será certo afirmar que a nossa seleção está orientada por esse mesmo conceito de temple, que colocamos no centro do potencial criativo da tauromaquia – e por tal como consequente garante da essência artística do fenómeno tauromáquico. Se é certo que o poder que o toiro induz sobre quem fascina advém da bravura da sua investida, o poder da tauromaquia pode ser compreendido como a capacidade do homem em controlar e moldar essa bravura aos seus próprios desígnios. Imprimindo-lhe tanto o ritmo como a trajectória subjectivos ao toureiro. É neste sentido que se compreende porque Hemingway fala de escultura e de dança em Morte ao Entardecer.

Torna-se assim mais claro o carácter ambientalista da festa brava. Para além dos importantes factos como o carácter excecionalmente extensivo da criação do toiro bravo ou a sua riqueza em termos de biodiversidade é necessário relacionar esse mesmo modo de criação com as características da tauromaquia descritas acima. Como já referido, parte importante do fascínio pelo toiro bravo decorre do conceito de bravura – que deve não só ser associado ao património genético da espécie, mas também ao habitat que a consagra como uma espécie selvagem. De facto, esta concepção do animal puro só é viável face a um regime de criação particularmente extensivo onde a interferência humana está permanentemente reduzida ao mínimo – elementos que tornam a festa brava num baluarte por excelência da ética ambientalista. Texto escrito por: José Rosa Rodrigues Mantero

E-mail: jrosarodrigues@sapo.pt Facebook: Ganaderia J. Rosa Rodrigues

José Rosa Rodrigues Mantero e Joana Rosa Rodrigues

José Rosa Rodrigues

A GANADERIA CONTINUA NA CHARNECA BRAVA ONDE O TOIRO É HEROI


ganadaria jorge de carvalho | toiro bravo

“O toiro de lide é um gladiador selecionado e preparado para uma luta nobre com o

Homem”

Esta é uma das expressões que poderia definir a singularidade deste nobre animal. Com qualidades ímpares e incomparáveis na classe dos bovinos, o toiro bravo goza de uma vida longa com um nível de bem-estar imbatível.

Jorge de Carvalho ganadeiro dando a volta após um touro muito bravo no Cartaxo em 21/06/2013

“A essência do toiro bravo observa-se no campo. Neste espaço ele vive em total liberdade, desfrutando do seu habitat natural, sendo um animal com grande sentido de território. O toiro de lide é um gladiador e é este comportamento que torna possível a existência da tauromaquia”, afirma Jorge Carvalho e acrescenta: “Claro que com a implementação do processo de seleção do toiro de lide, este é selecionado, nos dias de hoje, e preparado para uma luta nobre com o toureiro, nas suas variadas vertentes. Durante a lide o touro bravo deverá investir quando citado e somente nessa ocasião”. Engenheiro químico de formação e professor universitário (I.S.T.), o conhecido ganadeiro (que também é empresário da praça de toiros da Arruda dos Vinhos), foi cavaleiro amador, até se ter licenciado em 1970, tendo ainda atuado já de casaca em Lourenço Marques, Moçambique, até 1973,

ano em que partiu para Inglaterra para realizar o doutoramento. Concilia atualmente a atividade científica com a gestão de explorações agrícolas onde uma das vertentes é a ganadaria brava. Fundada em 1969 com vacas de Camarate e um semental Lopes Branco, tendo sido posteriormente adquirido um lote de 70 novilhas por tentar à ganaderia Simão Malta do encaste Oliveira e Irmãos e Cabral Ascensão. A Ganadaria Jorge Carvalho está localizada na zona Oeste/Ribatejo, mas há sensivelmente seis anos expandiu a sua área de intervenção para o Alentejo, dividindo dessa forma a ganadaria. Neste momento a vacada é constituída por cerca de 100 cabeças, subdivididas em dois grupos, um que permanece em Arruda dos Vinhos e outro localizado em Alcáçovas no Alentejo. Relativamente ao encaste estamos a falar de Oliveira Irmãos e Cabral Ascensão, que são atualmente a base da ganadaria, uma vez que nos últimos 30 anos foram utilizados vários sementais Oliveira e Irmãos. “O toiro bravo tem características muito específicas, que tornam interessante a sua seleção, pois enquanto no gado manso observamos apenas os parâmetros referentes ao rendimento da carne, no gado bravo procuramos apurar traços de personalidade do toiro, que se irão materializar na sua bravura. O toiro exibe características únicas, sendo por isso muito mais complexo o seu processo de seleção”, realça o ganadeiro. Quando as novilhas atingem os dois anos de idade passam pelo teste da tenta, prova de seleção da bravura. Numa primeira fase deparam-se com o teste de varas. Nesse processo é necessário que galopem para o cavalo do picador quer em curto, quer de longe, sendo primordial que ao sentirem a “puya” do picador se empreguem no cavalo. De seguida são toureadas a pé, devendo ter como critérios essenciais um conjunto de características, tais como a capacidade de investir de largo, a nobreza, o recorrido, a fijeza, permitindo dessa forma faenas longas. As novilhas que são apuradas para futuras mães da ganadaria são toureadas a cavalo passado dois meses. Isto porque o toureio a cavalo tem uma enorme representatividade em Portugal. Assim só são apuradas aquelas que embora tenham passado os dois primeiros testes, apresentem ótimos resultados quando são toureadas a cavalo. Relativamente à seleção do semental processa-se da seguinte forma. Após a lide em praça o animal é tratado, estando completamente curado em apenas umas semanas. Mais tarde são enviados para as esperas ou largadas de rua, à excepção daqueles que na lide exibam qualidades que se pense nele como semental, sendo neste caso sujeito a uma prova de tenta idêntica à realizada

com as novilhas de tenta. Para que se realize a sua escolha como semental ter-se-á de considerar a família a que pertence. A par com a criação do toiro de lide, que representa uma longa tradição nesta casa, surgiu naturalmente a comercialização da carne brava de pastagem. “Estes animais têm características próprias, nomeadamente o facto da carne ser mais fibrosa, apresentar uma cor mais escura e consequentemente mais rija o que é ultrapassado com a maturação. Nós concretamente fazemos a maturação da carne, na câmara de frio, com o controlo de temperatura, durante duas semanas. Depois é embalada a vácuo e sai em fresco ou congelada para não perder a qualidade. Um dos produtos mais vendidos é o hambúrguer, garantindo a sua qualidade e sabor, pois estes animais ficam cerca de quatro anos no campo e são alimentados apenas com pastagem e forragens naturais, o que dá um valor nutricional elevado à carne para além de ser rica em micro-elementos o que robustece o sistema imunológico de quem a come, uma das maneiras de prevenir o flagelo do cancro”.

TEL: 962 556 720 EMAIL: casaagric@sapo.pt

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REGIÃO OESTE – EXCELÊNCIA NA SAÚDE O nosso trabalho pela região oeste continua e, neste âmbito, a cada quilómetro percorrido, a cada visita e a cada conversa, descobre-se exemplos de empreendedorismo e de excelência empresarial. Nesta edição contamos com exemplos de empreendedores e empresas de sucesso nas diversas áreas, mas, principalmente, na área da saúde. A saúde é sempre um tema sensível, mas pertinente e atual. No contexto do Oeste apercebemo-nos, com o tempo, da importância que os concelhos de Torres Vedras e Lourinhã têm neste contexto. São inúmeros os exemplos de hospitais, clínicas e lojas ligadas à saúde instaladas nestes dois concelhos. De tal forma que, talvez, possamos apelidar Torres Vedras como capital da saúde no Oeste e a Lourinhã como a capital dos cuidados continuados em Portugal. O Concelho de Torres Vedras aderiu à Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis em dezembro de 2004, e no âmbito do Projeto “Torres Vedras Saudável” procedeu-se à elaboração do Perfil de Saúde e Plano de Desenvolvimento em Saúde. Neste seguimento vários são os programas e iniciativas levadas a cabo pelo município de Torres Vedras: O ‘+ Saúde: Hábitos e Estilos de Vida Saudáveis’ tem por objetivo desenvolver hábitos e estilos de vida saudáveis na população escolar do concelho e na comunidade, numa perspetiva abrangente e integradora de promoção da saúde; O Programa “Torres Vedras Consigo no Coração” visa prevenir as doenças cardiovasculares através de um conjunto de ações que pretendem melhorar o controlo da hipertensão arterial (HTA) e a diminuição do risco cardiovascular global; A Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis propôs aos municípios que dela fazem parte a participação num estudo dos hábitos tabágicos dos jovens, com o objetivo de elaborar um relatório e plano de ação interconcelhio, ao qual o município de Torres Vedras aderiu.

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centro hospitalar do oeste | região oeste

Cuidados de proximidade O Centro Hospitalar do OESTE (CHOeste) é muito Importante para os Cuidados de Proximidade. Num trabalho dedicado à saúde, a Revista Business Portugal conversou com Ana Paula Harfouche, presidente do Conselho de Administração e António Curado, diretor clínico do Hospital.

António Curado e Ana Paula Harfouche Diretor clínico e presidente do conselho de administração

Quais os serviços e valências prestados pelo Centro Hospitalar do Oeste? O CHOeste é um Centro Hospitalar que pertence ao Serviço Nacional de Saúde. Situado na região do Oeste, é dotado de autonomia administrativa e financeira e património próprio, com natureza específica de hospital do sector público administrativo (SPA). O CHOeste assegura cuidados de saúde à população da sua área de influência (cerca de 300.000 habitantes e mais cerca de 50.000 não residentes), numa região que se estende desde S. Martinho do Porto a Mafra, em diversas especialidades médicas e cirúrgicas (vinte e uma), distribuídas pelas três unidades hospitalares que o compõem: Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Dermatologia, Gastrenterologia, Ginecologia e Obstetrícia, Imunoalergologia, Imunohemoterapia, Infecciologia, Medicina Física e Reabilitação, Medicina Interna, Neurologia, Oftalmologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia, Patologia Clínica, Pediatria, Pneumologia, Psiquiatria e Saúde Mental, Radiologia e Urologia. Assegura, ainda, seis urgências das quais: duas médico-cirúrgicas, com duas unidades de VMER no âmbito da emergência pré-hospitalar, uma urgência básica na unidade de Peniche, duas urgências pediátricas e uma urgência obstétrica/ginecológica, esta última na unidade de Caldas da Rainha. A oferta de cuidados de internamento encontra-se assegurada através das 3 unidades hospitalares (330 camas no total). Quais as características diferenciadores deste Hospital comparativamente a outros? Este Centro Hospitalar conjuga as características de hospitais de proximidade, de primeira linha de cuidados, com as de hospitais de maiores dimensões e com múltiplas ofertas de serviços clínicos. Qual a importância desta instituição para a comunidade envolvente? A sua missão é prestar cuidados de saúde com rigor e excelência técnica e, nessa medida, pela proximidade e pela procura de diferenciação, é de alta importância para as comunidades residentes. Acresce ainda, que o Oeste é atualmente uma região estratégica em termos de desenvolvimento turístico. Há locais da costa de grande procura turística (Ericeira, Santa Cruz, Vimeiro, Óbidos, Peniche, Foz do Arelho, S. Martinho do Porto), de enorme riqueza histórica, de oferta diversificada de alojamento (desde alojamentos locais a grandes unidades hoteleiras de luxo), de promoção das artes e do desporto (campeonatos mundiais de surf em Peniche, por exemplo), representando esta região, por outro lado, um importante cluster do golfe (com muita afluência de estrangeiros), prevendo-se ainda para 2018 o relançamento do Termalismo

em Caldas da Rainha. Por tudo isto esta instituição reveste-se da maior importância para a região e para o País, sendo desejável que, para uma melhor, mais diferenciada e mais racional resposta, se possa vir a construir na região uma nova unidade hospitalar que congregue as actualmente existentes. Um novo Hospital para o Oeste é um projeto a desenvolver. Um desejo com largos anos. Considera que as potencialidades de Torres Vedras no sector da Saúde são diversificadas? A região de Torres Vedras tem, de facto, ofertas diversificadas no setor da Saúde, incluindo o setor privado. Acresce que é uma região onde se instalaram muitas ERPI (Estabelecimentos Residenciais para Idosos), o que impacta na frequente necessidade de recurso aos cuidados hospitalares públicos e nomeadamente às urgências. Que projetos e iniciativas estão previstos para este Centro Hospitalar? Estão previstos investimentos para breve nas três unidades que compõem o CHOeste: remodelação e ampliação da urgência de Caldas da Rainha, remodelação e melhoramentos da Urgência de Torres Vedras, obras de requalificação de um piso na Unidade de Peniche, com instalação de internamento de Psiquiatria e obras de reinstalação da Farmácia em Caldas da Rainha.


região oeste | complexo santa bárbara

Lar Doce Lar O Complexo de Santa Bárbara – Healthcare & Villas, pertencente ao Grupo Ametic, existe desde 2001 e é considerado um projeto único em Portugal. Trata-se de um condomínio fechado com cerca de 2.5 hectares, situado na Lourinhã, a cerca de uma hora de Lisboa. Possui diversas estruturas de apoio na área da saúde, bem como equipamentos diversos destinados ao lazer. Healthcare & Villas é o mote para um local onde tudo foi pensado para que esta seja a sua nova casa. Isabel Beltrão é a diretora desta unidade e foi com ela que estivemos à conversa por forma a reconhecer as potencialidades deste espaço.

‘My Smarthome’ - Um novo estilo de vida Quando nascemos os nossos pais, familiares e amigos desejam que vivamos pelo maior número de anos possível, com saúde e qualidade de vida. Desejam que sejamos pessoas importantes na sociedade e, a verdade, é que tanto eles como nós, fazemos planos para a vida toda, exceto para a velhice. “Eu sou médica e quando há 25 anos tive problemas graves com os meus pais e procurei estruturas deste tipo não as encontrei. Portanto senti necessidade de perceber como é que as pessoas podiam viver numa instituição em que se sentissem em casa e assim desenvolver um projeto que desse essa resposta à sociedade”, foi assim que Isabel Beltrão nos contextualizou no surgimento do Complexo de Santa Bárbara. Do Complexo fazem parte o edifício central e várias moradias independentes totalmente equipadas, destinadas a séniores autónomos e ativos, que pretendem usufruir com tranquilidade dos prazeres da vida. Assim, esta unidade oferece moradias T1 e T2, em condomínio fechado, rodeadas de espaçosos jardins, com uma equipa disponível 24 horas. Este é o conceito a que podemos chamar ‘My Smarthome’, não tanto pela tecnologia

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instalada nestas casas, mas sim pela comodidade e serviços que oferece. Este conceito, para além de inovador e único no nosso país, desmistifica por completo a velhice e ajuda na melhoria da qualidade de vida das pessoas, tornando-se inteligente ao oferecer autonomia aos seus utilizadores pelo maior número de anos possível. As villas do Complexo de Santa Bárbara oferecem um estilo de vida independente, instalações e infraestruturas pensadas para o fim a que se destinam e a oportunidade de fazer parte de uma ‘família’ com desejos e ambições semelhantes. Estas villas podem ser adquiridas em regime de arrendamento, com um pagamento mensal pelo espaço e serviços disponíveis, ou então podem ser adquiridas/compradas, em regime de utilização vitalícia pelo residente, para usufruto prolongado do espaço.


complexo santa bárbara | região oeste

Em suma, o conceito ‘My Smarthome’ permite viver numa casa inteligente, com as facilidades inerentes às possíveis necessidades futuras: integração numa família, num lugar confortável e seguro para viver, que garante paz de espírito em todos os momentos. A estrutura logística e de recursos humanos está organizada segundo um modelo de origem canadiano que visa proporcionar o melhor dos cuidados aos clientes. O Complexo de Santa Bárbara está integrado na RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados) e, neste âmbito, mereceu do Ministério da Saúde uma das melhores avaliações a nível nacional para este tipo de estruturas. De facto, trata-se de um serviço completamente inovador que desafia, em muito, a mentalidade conservadora da sociedade portuguesa: “temos vindo a mudar mentalidades. Claro que o conceito se vai atualizando, mas não queremos ser aquela instituição que é o ‘guarda das patologias das pessoas’, mas

sim os promotores da continuação da vivência da vida com prevenção de patologias. Apostamos e defendemos a prevenção acima de tudo”, garantiu-nos a doutora Isabel Beltrão. Fatores diferenciadores Para além das excelentes condições físicas oferecidas por esta unidade, existem outras características únicas e inovadoras que tornam o serviço do Complexo de Santa Bárbara uma referência no nosso país: possui médico residente, espaços verdes amplos, programas socioculturais, relação qualidade/preço muito atrativa, vivendas e alimentação mediterrânica (confecionada na cozinha própria da unidade e com produtos regionais da zona oeste). Outro dos pontos que mais distinguem o Complexo Santa Bárbara das demais estruturas residenciais para idosos é o facto de ser possível, para os residentes do mesmo, usufruírem de visitas prolongadas dos seus familiares, nomeadamente de férias com os netos, nas suas respetivas villas. “Santa Bárbara é uma unidade que pretende estar disponível para todos aqueles que em alguma fase da sua vida precisam de apoio, seja ele psicológico, físico ou de reabilitação. A solidão é, também, algo dramático e que nos preocupa e penso que é muito bom haver respostas deste género para ajudar os nossos idosos”, elucidou-nos a diretora do Complexo. Para quem julga que este é um serviço acessível a poucos, desengane-se: “Nós estamos a trabalhar o turismo sénior. Em Portugal temos acordos com a Rede Nacional dos Cuidados Continuados Integrados que permite que todos tenham acesso aos nossos serviços. E o que nós queremos no estrangeiro é, para além daqueles que tenham possibilidades económicas e financeiras, ter também convenções com seguradoras estrangeiras que permitam que todas as pessoas possam usufruir,

Isabel Beltrão Diretora

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região oeste | complexo santa bárbara também, da nossa unidade”, confidenciou-nos a nossa entrevistada. Médica e gestora ao mesmo tempo, Isabel Beltrão, contou-nos (já em final de conversa) como tem sido esta experiência. “É um desafio, mas este casamento é perfeito. Quando tiramos o curso de medicina em Portugal não é suposto sabermos gerir uma empresa. Mas é-nos natural e exigido que saibamos gerir diariamente os nossos recursos. Aplicando isso à realidade de uma empresa é querer oferecer o máximo, com o melhor custo possível para todas as partes. Enquanto médica sempre fui muito próxima das pessoas. O doente e a pessoa como um todo é algo que me dá prazer em ajudar. Eu não estou só na parte científica, mas sim muito no ‘ajudar o outro’ e é por essa razão que me dá muito prazer colaborar para a tranquilidade das pessoas”. Talvez por isso o balanço destes 16 anos de atividade do Complexo de Santa Bárbara seja tão positivo. “Digo isto porque quando as pessoas vêm, mesmo que seja apenas para reabilitação, voltam. Inclusivamente quando os utentes trazem a família para visitar o espaço, todos gostam.”, afirmou, orgulhosa, a empresária. Nos próximos cinco anos espera-se que neste Complexo se falem outras línguas para além do português. “Queremos que seja uma unidade multicultural”, concluiu. Lourinhã: Capital dos Cuidados Continuados Também durante a entrevista com Isabel Beltrão, a Revista Business Portugal verificou que estão a ser desenvolvidos esforços por forma a reconhecer a Lourinhã (nacional e internacionalmente) como a Capital dos Cuidados Continuados em Portugal. As razões são mais que muitas e foram apontadas pela nossa anfitriã: “temos um ótimo clima aqui, sem muito frio, nem demasiado calor, sabemos receber muito bem as pessoas, oferecemos segurança, temos praia e campo e uma boa luminosidade. Também temos ótimas ofertas ao nível da saúde na região e, por isso, podemos muito bem ser a Capital dos Cuidados Continuados e do Turismo Sénior e de Saúde em Portugal. Temos todas as condições para isso”, reiterou.

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As 7 maravilhas do Complexo de Santa Bárbara - Healthcare & Villas 1 – Aumento da qualidade de vida e bem-estar dos utentes, com consequente promoção da sua vida ativa; 2 – Confiança, Segurança, Tranquilidade e Acompanhamento, evitando o isolamento; 3 – Abolição de custos com manutenções respeitantes a uma casa, como IMI, água, luz, lavandaria e limpezas; 4 – Diminuição de custos em cuidados de saúde, resultante do facto de o Complexo de Santa Bárbara ter um médico residente ao serviço dos utentes; 5 – Clima temperado; 6 – Localização: suficientemente longe da agitação e poluição, mas suficientemente perto da capital (uma hora) e do mundo (através do aeroporto); 7 – Património histórico e cultural: com muita gastronomia característica e incontáveis locais a visitar (sejam museus, parques, praia ou campo, acompanhados de diversas atividades como o surf e o parapente, por exemplo). Posto tudo isto, levanta-se uma dúvida que gostaríamos de lhe colocar a si, caro leitor: considerando a sua vida futura, será a sua casa atual a casa ideal? Para melhor conhecer as mais-valias do Complexo de Santa Bárbara, no acompanhamento do seu envelhecimento, queira, por favor, visitar o site: www.santabarbarahealthcare.pt.


região oeste | biofisio

Fisitoterapia individualizada, personalizada e inovadora Cada vez mais o conhecimento não é só o que a experiência empírica nos dita, mais sim aquela corrente que equilibra a componente teórica à prática. João Caetano conhece os verdadeiros desafios da Fisioterapia em Portugal e conduz a BioFisio para um crescimento sustentável. Hoje a BioFisio já cresceu muito, e em muito pouco tempo, e isto deve-se não só à sua visão ampla, mas também à sua capacidade de resposta, que abrange desde atletas profissionais até trabalhadores ou donas de casa. Não será pois por acaso que este ano a BioFisio se tornara no 1º centro clínico homologado na técnica de Eletrólise Percutânea Terapêutica - EPTE®, no concelho de Torres Vedras. “Mente sã em corpo são” Muitos abordam a tecnologia na área da Fisioterapia, e João Caetano ainda que não esconda alguns dos seus benefícios, alerta como muitas das vezes ela mascara a dor. “Penso que em Portugal a Fisioterapia clássica é muito conservadora, pois utiliza muitos aparelhos. Eu prefiro compreender a dor. Há uma componente muito forte da comunicação aqui na BioFisio”, revela. Como todo o corpo precisa de dedicação e cuidado, João Cateano junto com

João Caetano Administrador

“Quando terminei a licenciatura em 2010 na Escola Superior de Alcoitão (ESSA) frequentei o curso de Terapia Manual do conceito de Mulligan. Posteriormente tive a oportunidade de começar a colaborar com um antigo professor (José Esteves), que me deu a oportunidade de ter o meu primeiro contacto laboral”, introduz. Essa prática começou por ser estimulada na Clínica Laser de Belém, e uma vez aí, exerceu funções que iam da Fisioterapia Desportiva às Terapias Manuais da Coluna, algo que perdurou até 2015. Como a capacitação de competências traz também consigo uma maior responsabilidade, o nosso interlocutor verificou que este contacto tinha de ser complementado com uma boa formação e paralelamente a isso associou-se à primeira equipa de fisioterapeutas portugueses a formar-se em Electrolíse Percutânea Intratecidula - EPI®. “A minha formação começou por aí, algo que naquele momento não era lecionado nas universidades”, refere. A gestão desta descoberta impulsionou-o não só à permanente atualização como também o motivou a procurar algo que pudesse marcar a diferença na vida das pessoas. E foi por isso que em 2013 frequentou o curso “Certificate in Ortophaedic Manual Therapy”, pela Curtin University of Technology e Manual Concepts. “Hoje é essa formação que eu incorporo na clínica”, fundamenta.

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a sua equipa (Patricia Rosado - Osteopata; Catarina Afonso - Personal Trainer; Carla Lopes - Psicóloga) adota o modelo contemporâneo da Fisioterapia, ou seja “não tratamos os sintomas, mas vamos diretamente à raíz do problema, e só assim conseguimos resultados rápidos, eficazes e duradouros”. Isto permite a avaliação do paciente na sua dimensão física, psicológica e emocional. Integrando ainda a equipa de formação da Clínica das Conchas, João Caetano tem também desenvolvido competências ao nível da avaliação e tratamento da dor crónica em atletas: “Estamos numa zona muito direcionada para o atletismo e neste momento desenvolvo algumas parcerias com equipas de Trail”. Ao mesmo tempo a sua prática clínica fica igualmente conhecida pela biomecânica articular, a avaliação ecográfica dos tecidos moles, a neurofisiologia da dor e da dor miofascial e do exercício terapêutico. A conjugação de várias técnicas na mesma sessão vem não só comprovar um mundo em mudança, um mundo em que a Fisioterapia não fica reservada a um único campo do saber e acaba por relacionar-se com a saúde física e mental de cada pessoa. O espaço que tem como prioridade o conforto e o bem-estar do paciente não deixa de pensar no futuro, e por isso existe já uma ânsia de progredir na técnica da punção seca, num percurso que terá sempre como âncora o conhecimento.


fisioeste | região oeste

25 anos a cuidar das pessoas As necessidades de cuidados de saúde estão em constante mudança, e Portugal, não sendo exceção, assiste a verdadeiros desafios. A experiência e a formação qualificada continuarão a fazer a diferença, e José Traguedo, como fisioterapeuta há mais de 25 anos, dá-nos uma perceção maior não só do caminho que a Fisioeste já percorreu, mas também das responsabilidades que o verdadeiro fisioterapeuta assume.

José Traguedo Administrador

“Frequentei a formação em Alcoitão e a minha primeira experiência na área foi precisamente em Alcoitão. Entretanto, surgiu a oportunidade de abrir o serviço de Fisioterapia no Hospital de Peniche, e estive lá cerca de um ano. Mais tarde, concorri ao Centro Hospitalar Oeste (outrora conhecido como o Hospital de Torres Vedras). Na altura, José Mateus e António Rodriguez (ortopedistas), juntamente com Aires Gouveia (Medicina do Trabalho), sentiram a necessidade de completar a equipa do então Centro Ortopédico e Traumatológico e convidaram-nos a mim e à Paula Costa para colmatar a lacuna que havia na Fisioterapia. Foi assim que surgiu a Fisioeste”, começa por introduzir. Decorridos 25 anos, a Fisioeste é atualmente conhecida por ter uma abordagem simples e direta às necessidades das pessoas, pois aqui “não nos substituímos a uma máquina”. A atenção pormenorizada e personalizada que é dada ao doente desde o primeiro momento em que entra na clínica, faz com que o fisioterapeuta nunca coloque para segundo plano o diálogo e a interação. Numa área em que cada vez mais são implementadas novas técnicas e intervenções, José Traguedo olha para as terapias manuais como uma mais-valia, pois só através delas é que o profissional poderá atuar diretamente na causa do problema, e não apenas nos sintomas. Isto não significa que o seu trabalho esteja exclusivamente dependente da mão, pois em alguns tratamentos o fisioterapeuta tem de recorrer a aparelhos de eletroterapia, “mas damos sempre mais importância à terapia manual”, reforça. Existe uma diversidade de correntes que podem ser utilizadas na eletroterapia, e cada uma delas tem

particularidades muito próprias, no entanto “não nos deixamos seduzir pelas modas. Na Fisioeste, pensamos que é mais valioso usar as mãos”, completa. Com meios capazes de responder às necessidades da população, José Traguedo faz-se acompanhar de uma equipa devidamente qualificada, destacando predominância em áreas como a da Ortopedia (englobando as perturbações músculo-esqueléticas que intervêm na prevenção, no tratamento e na reeducação de lesões resultantes da prática desportiva ou da atividade física); a Neurologia (no tratamento de sequelas provenientes de patologia neurológica); e a Pneumologia (na melhoria e manutenção da função respiratória, que acaba por ser especialmente procurada na faixa etária pediátrica). “No fundo, abrangemos todas as especialidades”, sintetiza o responsável que agora verifica que as valências são cada vez mais diversificadas daquelas que se encontravam há 25 anos atrás. A população também acaba por estar mais aberta à prevenção. Porém, José Traguedo está sensível a muitas outras questões como o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que incapaz de cobrir as necessidades de toda a população, acaba por diferenciar e valorizar os utentes que dispõem de seguro. “Espero que o SNS melhore, pois ainda há muita população que não pode recorrer ao sistema privado e que tem direito a ser tratado no público”, sublinha. A Fisioeste confia na qualidade do seu trabalho e espera que daqui para a frente Portugal reconheça o valor dos bons profissionais, pois é só através deles que o doente ficará em boas mãos.

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região oeste |dental fix

“O nosso trabalho exige ética e responsabilidade” A saúde oral é cada vez mais uma preocupação para a maioria da população portuguesa. Muito associada à questão estética, o tratamento dentário é cada vez mais procurado para garantir uma manutenção cuidada da boca e não só por necessidade, mas como uma prevenção. Situada em Torres Vedras, a Dental Fix conta já com cinco anos de existência, tendo conquistado um leque de clientes satisfeitos.

André Silveira, Tatiana Tangari e equipa

Já ligado à área dentária há cerca de 17 anos, André Silveira decidiu avançar para a criação do seu próprio espaço. Atualmente, junto com a sua esposa, Tatiana Tangari, gere a Dental Fix, em Torres Vedras. “Temos a Dental Fix desde 2012. Esta não é uma área fácil, no entanto, aos poucos, vamos conquistando a confiança dos clientes”, afirma André Silveira. “Dedicação, ética e profissionalismo” Num meio onde a concorrência é grande, mas sobretudo onde está em causa a saúde e o bem estar das pessoas, é importante para André Silveira e Tatiana Tangari que

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a gestão da clínica se baseie em alguns princípios fundamentais que, não só eles seguem, mas também toda a equipa com quem trabalham. “Gosto muito da nossa equipa, somos 10 ao todo, onde cada colaborador é único, mas o objetivo é o mesmo: a satisfação dos nossos clientes. O nosso trabalho exige ética e responsabilidade e conseguimos ter uma equipa que vai de encontro a isto, a todos estes valores. É preciso gostar do que se faz, estar focado. Dedicação, ética e profissionalismo, trabalhamos todo o dia para isto”, explica Tatiana Tangari. Num espaço onde abrangem as várias especialidades que a medicina dentária tem, diferenciam-se não só pelo serviço prestado, mas também pela constante capacidade de aprendizagem e formação relativa a novas metodologias de trabalho. “A medicina dentária tem evoluído muito em todas as áreas. Nesses casos, e mediante a necessidade, vamos estando atentos às formações


dental fix| região oeste que surgem para estarmos atualizados, de acordo com a necessidade profissional de cada um. Temos um plano de tratamento individual, em que analisamos cada paciente e verificamos qual o tipo de tratamento mais adequado porque cada paciente é único”, admite André Silveira. A consciencialização para a importância da saúde oral Os cuidados da população portuguesa com o seu corpo e estética são cada vez mais constantes e cada vez mais procurados. A área da saúde oral não é, com certeza, exceção! Com o sorriso a ser um dos principais cartões de visita de cada um, é importante mantê-lo cuidado. Para isso, nada melhor do que apostar na prevenção e manutenção. “Notamos uma maior consciencialização das pessoas para a importância da saúde oral, e também a preocupação com a estética, o que ajuda a relembrar as pessoas para a importância de manter os dentes saudáveis. Já não nos procuram só para resolver o problema em si, mas para evitar que ele surja. Isso é muito importante. O facto da saúde oral estar cada vez mais acessível também contribui de forma significativa para isso. Há muita oferta e os preços acabam por ser mais competitivos, o que se torna uma mais-valia para as pessoas. Ainda assim, continua a existir o medo de vir ao dentista. Na geração mais nova já não se nota tanto, mas nas gerações mais antigas sim. Nestes casos, a parte psicológica e a confiança nos profissionais, tem um papel fundamental”, esclarece Tatiana Tangari.

O serviço que prestam aos seus clientes faz com que tenham trilhado um percurso coerente e firme, desde há cinco anos. Para além de conquistarem clientes e fidelizá-los, conseguem ainda que estes ajudem na divulgação da clínica, sendo para isso, o passa a palavra, uma ferramenta muito importante. “Temos clientes não só em Torres Vedras. O passa a palavra ajuda muito: eles vão recebendo boas indicações de outros pacientes e acabam por chegar aqui. Esse retorno é a certeza da satisfação dos nossos pacientes. Esta relação de confiança é fundamental. Todos nós, dentistas ou não, devemos fazer sempre o nosso melhor. A qualidade e fiabilidade são importantes. O nosso espaço foi todo construído de raiz. Tudo o que aqui está foi feito de forma funcional e pensado de acordo com a nossa atividade”, explica André Silveira. Para a Dental Fix, os proprietários apenas pensam num futuro que seja uma continuação do sucesso presente. “A alimentação e a higiene são muito importantes, assim como fazer uma revisão de seis em seis meses. Tudo o que pretendemos é que as coisas continuem nesse caminho, que a clínica possa satisfazer cada vez mais a necessidade dos nossos pacientes”, conclui André Silveira.

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região oeste | grupo valouro

Um império que Val(e)ouro “Preparado para altos voos”, o Grupo Valouro assume-se como o maior grupo económico do setor agroalimentar português e um dos maiores da Europa. Com uma história com mais de um século, atualmente possui um volume de negócios acima dos 300 milhões de euros e um portfólio de marcas líderes em alimentos de e para aves e animais. Em entrevista à Revista Business Portugal, José António dos Santos, administrador, dá a conhecer o Grupo Valouro, mais particularmente a sua história, o seu universo e as suas ambições para o futuro.

José António dos Santos Administrador

O Grupo Valouro é um projeto empresarial que se pode orgulhar do seu percurso sólido e consistente, com mais de um século. Esta empresa com uma gestão familiar no código genético iniciou atividade em 1875, pelas mãos de Henriqueta Lurgui. Mais tarde, a administração veio a ser assumida pelo genro Manuel Santos e em 1965 pelos sobrinhos-netos, os gémeos José António e António José dos Santos, que revolucionaram o negócio com estratégias inovadoras e empreendedoras, resultado da atenção dada a cada oportunidade. Chegado o ano de 1974, o negócio começava a derivar para outras áreas e os irmãos gémeos, juntamente com os seus dois irmãos mais velhos e o primo, decidem constituir uma sociedade no dia 25 de abril. Dirigem-se ao cartório da Lourinhã pelas 9h,

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hora em que já se ouvia falar da revolução que estava a acontecer em Lisboa…e foi neste memorável dia que nasce a Persuínos, empresa que deu depois origem à Avibom e posteriormente à Rações Valouro e por fim ao Grupo Valouro. A partir desta data, dá-se um verdadeiro momento de viragem da empresa, através da modernização de técnicas, de meios e de ramos do negócio. Em 1978, com o objetivo de garantir a qualidade da alimentação das aves, nasce a primeira fábrica de rações do grupo na terra natal dos irmãos gémeos, na Marteleira, Lourinhã, localidade onde se concentra aliás a sede da maioria das empresas do grupo, e que deu origem ao nome Valouro, um “vale de ouro” com uma riqueza natural extrema que reunia as condições perfeitas para a produção das rações. Posteriormente, o

grupo abre uma segunda fábrica de rações no Ramalhal, em Torres Vedras, servido por caminho de ferro, o que lhe veio proporcionar uma competitividade no caminho das rações. As Rações Valouro têm soluções nutricionais para a alimentação animal no fabrico e comercialização de pré-misturas e alimentos compostos para frangos, frango do campo, perus, patos, codornizes, galinhas reprodutoras, galinhas poedeiras, bovinos de leite e de engorda, ovinos, suínos, roedores e outras espécies. Dois voos bem altos para frangos, patos e perús Após finalizar estes importantes passos, chega o momento, em 1986, de verticalizar a atividade do grupo, avançando para a produção de ovos para incubação e pintos do

dia através da criação da Sociedade Agrícola Quinta Freiria, no contexto da qual nasce a marca Pinto Valouro, que produz hoje 3 milhões de pintos do dia e cerca de 70 mil patos e 70 mil perus por semana. Nesta quinta, situada no Bombarral, para além da produção animal que inclui a multiplicação avícola (frangos, patos e perus) e a produção de carne de aves, o grupo desenvolve também a produção agrícola e florestal. Já o processo de incubação, engorda e abate de codornizes é assegurado por outra empresa do grupo, a Interaves, situada em Alenquer, que produz cerca de 250 mil codornizes por semana, entre outras aves e carnes de aves, sendo este um dos principais focos das exportações do grupo. Do centro de incubação, os pintos do dia seguem o caminho direto do mercado ou dos pavilhões de engorda, onde permanecem durante cinco a sete semanas até atingirem o peso recomendado para o mercado. A Sociedade Agrícola Quinta Freiria recebeu os selos da certificação na fileira de patos e de frangos, comprovando assim o cumprimento dos requisitos de biosegurança, ambientais e de bem-estar animal. 14 anos mais tarde surge a oportunidade de implementar um sistema integrado agropecuário na Herdade da Daroeira, em Santiago do Cacém, que é hoje uma das maiores unidades de produção avícola, agrícola e industrial da União Europeia, onde são desenvolvidas atividades agrícolas e criados mais de 15 milhões de frangos por ano, para além de outros negócios visionários da empresa, como o Freitifreiria: a produção de fertilizantes orgânicos naturais esterilizados a partir da unidade de compostagem situada nesta herdade. Neste complexo agroindustrial existe também uma unidade de fabrico de rações que se destina à alimentação destes animais que,


grupo valouro | região oeste por sua vez, absorve a produção anual de milho - cerca 15 mil toneladas - que o Grupo Valouro diretamente produz nesta herdade. Mas são precisas mais 15 mil toneladas de milho para responder às necessidades alimentares deste parque avícola. Na mesma década de 90 o grupo adquire ainda uma marca que vem potenciar uma área específica do negócio, a Kilom, para além de ser um excelente exemplo do esforço de modernização e de crescimento que o grupo promove em todas as empresas. A Kilom oferece aos consumidores soluções diversificadas e abrangentes de produtos que vão desde os tradicionais cortes de frango e charcutaria de aves, passando pelos úteis e sempre disponíveis pré-cozinhados, até aos cómodos e deliciosos produtos pronto-a-comer. A dimensão deste Grupo é de facto impressionante, mas José António dos Santos desmonta de uma forma muito simples toda a sua complexidade: “temos de ter bons cereais para fazer boas rações, bons pavilhões com as melhores condições para receber as aves, tenho de ter aves sãs e matadouros ultra-modernos para as abater. Os resíduos são transformados numa fábrica própria que dão origem a adubos orgânicos. O que aumenta a qualidade e o preço”. É portanto fácil perceber que, com tanta atividade, façam parte da empresa mais de três dezenas de empresas de produção avícola e agrícola, que vão desde os ovos de incubação à multiplicação de aves, abate e comercialização de carnes frescas e transformadas. Como também empresas de transporte, produção de energia, seguros e até turismo. Palavras de ordem: inovação e qualidade O Grupo Valouro aposta fortemente na inovação dos produtos e nas melhores técnicas. Possui, por exemplo, laboratórios próprios nas suas fábricas de rações, nos centros de incubação e matadouros para desenvolver e testar novos produtos; os seus aviários têm o chão aquecido e outros benefícios tecnológicos; e os seus centros de abate de aves são considerados de topo na Europa. “Tudo isto é possível com o trabalho de muitas pessoas: com a visão estratégica dos fundadores mas acima de tudo com o empenho e o entusiasmo dos colaboradores”, afirma o administrador do Grupo. E aqui é que entra a sua diferenciação, garantida pela conjugação de uma série de fatores de elevada especialização dos quadros superiores e da equipa de técnicos e colaboradores locais. Um modelo assente na responsabilidade social A responsabilidade social existe quando a empresa decide, voluntariamente, contribuir para um ambiente mais limpo e para uma sociedade mais justa. Assente nesta filosofia, o Grupo Valouro é conhecido por desenvolver o conceito de responsabilidade social a dois níveis: ao nível interno, quando se relaciona com os trabalhadores e com a forma como a empresa está organizada, imprescindível para a motivação dos trabalhadores e, consequentemente para os resultados da empresa; ao nível externo, pela forma como a empresa se

relaciona com os seus parceiros de negócio e com a sociedade onde está inserida. Neste caso, o Grupo apoia organizações de solidariedade social, tanto de âmbito regional como nacional e grupos desportivos. Um passo, um investimento Uma das principais máximas da empresa é: “uma empresa que não investe, morre”. Significa que o Grupo Valouro procura constantemente “sangue novo” e novas oportunidades. Para além de querer reforçar as suas marcas em termos nacionais, também pretende aumentar ainda mais a sua presença no mercado internacional, sendo reconhecido como um fornecedor que se pauta pela excelência e pela qualidade. Tem a consciência total dos seus pontos fortes e fracos, procurando sempre uma estratégia de equilíbrio. E por isso mesmo é um império de tanto sucesso, que vale ouro.

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tema | empresa

Construir junto das pessoas Existem percursos erguidos solitariamente na mente do empreendedor, mas depois também há aqueles caminhos que são conduzidos lado a lado com a região. A PréOeste, localizada numa zona de espontânea beleza, fala-nos de uma história de 22 anos e de um presente que salvaguarda valores como a confiança e a qualidade.

Vítor Batista e José Luís Sousa Administradores

Fundada em 1995, José Luís Sousa recorda uma evolução que começou jovem, mas rapidamente se adaptou ao dinamismo do mercado: “A empresa surgiu da vontade de dois jovens, que com 30 anos, quiseram propor-se a um novo desafio”. Deixando de parte o trilho que até ali tinham percorrido, José Luís Sousa e Vítor Batista, aproveitaram os conhecimentos consolidados da área e deram forma e rosto ao projeto. A operar no setor de pré fabricados em betão, a PréOeste evoluiu num percurso contínuo de crescimento, atributo que lhe garante abertura para as áreas agrícola e industrial. “Também fazemos bancadas para campos de futebol, embora estejamos mais vocacionados para as outras duas áreas. No fundo, adaptamo-nos às necessidades do cliente”, mostra. Graças à qualidade gerada e a todo o know how que lhes pertence, os responsáveis conseguem garantir as diversas fases do projeto, passando por etapas que vão desde a fabricação, transporte e montagem. Este último, ao contrário do que se possa pensar, não força o trabalho a uma estrutura rígida, mas agrega todo um conjunto de soluções versáteis, que podem ir das mais simples, passando pelas economicamente interessantes, até chegar às construções não habituais, como é o caso das bancadas, anfiteatros, picadeiros, ringues e módulos habitacionais. Para além da estrutura, a PréOeste prontifica-se também a executar trabalhos de acabamentos. “Grande parte das nossas obras integram o serviço chave na mão”. Não deixando, claramente, de estar abertos a outras opções. “Durante este processo é evidente que o facto de estarmos perto do cliente é sempre uma mais valia”. Atingido este patamar a PréOeste vive atualmente uma fase de consolidação, em virtude do

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região oeste | préoeste conhecimento e experiência de todos os seus colaboradores. Estas pessoas, que fazem já parte da vitalidade de toda a estrutura, têm contribuído não só para a expansão, mas também para a confiança dos seus valores. Aqui palavras como ‘qualidade’ e ‘cumprimento de prazos’ surgem sempre em primeiro plano, pois embora reconheçam que existam outras empresas que apresentam preços mais competitivos, José Luís Sousa acredita que a excelência do trabalho é que fará a diferença. É também nessa medida que a empresa dispõe de um gabinete técnico que garante a flexibilidade necessária para as respostas específicas de cada cliente, podendo aqui intervir em parceria com empresas de construção e gabinetes de arquitetura. “O gabinete propõe soluções, pois por vezes as ideias quando estão desenhadas num papel assumem uma determinada forma, mas depois na prática traduzem-se noutras perspetivas”. A presença constante com o engenheiro Miguel Ângelo, traça um rigor de maior profundidade, pois as estruturas são pensadas em favor da durabilidade, que têm em conta as mais agressivas condições ambientais. “A nossa implantação no mercado poderá estar relacionada com diversos fatores, mas há duas características das quais nunca abdicamos: a qualidade do trabalho e o compromisso com o cliente”, garante o nosso entrevistado. Qualidade e Resistência Todos os setores se movem fazendo face às vicissitudes que o próprio mercado encerra. A PréOeste conhece bem os meandros da construção e não será por acaso que a imagem do construtor em Portugal tenha manifestado alterações nos últimos anos. A vontade de inovar alia-se a outras formas de pensar e se atualmente o betão armado corresponde ao material mais usado na construção, cada vez mais estão a ser considerados alguns cuidados que podem condicionar o comportamento das estruturas

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perante a ação sísmica. “O nosso tipo de estrutura pré-fabricada em betão é dimensionada para as solicitações de origem sísmica de acordo com os regulamentos em vigor. Para além disso, entre os vários elementos estruturais, com exceção da ligação entre pilares e sapatas, as ligações realizadas não são de encastramento mas fundamentalmente com apoios simples, em que os elementos préfabricados horizontais, por si só resistem aos esforços a que são sujeitos de forma isolada, não dependendo de encastramentos, resultando em teoria numa solução que não tende a colapsar em cadeia e na qual a estrutura se mantém estável, podendo continuar a ser utilizada após o fenómeno sísmico, implicando reparações menos onerosas do que uma estrutura convencional executada ‘in situ’”, informa. O setor da construção civil acaba por atravessar todo um processo de evolução, que vem culminar nas várias transformações económicas, sociais e políticas. Uma empresa, um parceiro, um amigo Isto implica um trabalho que seja cada vez mais adaptado às necessidades do cliente, “por exemplo, a nossa estrutura é constituída por pilares de betão armado, executados numa só peça encastrados nas fundações, alinhadas em fiadas longitudinais com afastamentos entre si, que variam habitualmente entre cinco e sete metros, podendo facilmente ajustar-se à utilização de outras modulações ou mesmo à eliminação de um ou mais pilares intermédios, em qualquer fiada. A distribuição dos pilares é importante e há portanto toda uma série de elementos a ter em conta, por isso nós damos sugestões consoante o projeto que estamos a trabalhar. Antes de tudo queremos ser parceiros e ajudar”, sublinha. Nessa perspetiva, a importância do acompanhamento é fulcral para que as boas técnicas de construção sejam cumpridas e os materiais concretizem a sua verdadeira

função, sem desperdícios. Para além da questão dos pilares, existem preocupações a ter a nível da cobertura, das chapas de revestimento, dos pisos intermédios (caso existam), e de muitos outros elementos estruturais da construção. Caminhos partilhados Com uma atuação que se estende a todo o país, José Luís Sousa não poderia deixar de marcar as regiões que maiores oportunidades de negócio lhe despertam. “O ponto mais alto do país onde a PréOeste já esteve foi em Vila da Feira (Santa Maria da Feira), mas temos várias obras no centro do país (Coimbra), na região do Alentejo (Moura, Beja, Évora, Ferreira do Alentejo e Sines). Trabalhamos com maior incidência no distrito de Lisboa”, enumera. A região Oeste vive também um franco crescimento de expansão, onde a pegada do turismo só vem vincar o excelente índice de qualidade de vida que aqui já se sentia. Este crescimento produz efeitos benéficos na economia local e a empresa não poderia deixar de aproveitar as oportunidades e singularidades do movimento positivo. Paralelamente ao mar, e ao turismo, o setor agro-alimentar vem completar o terceiro eixo desta região de luz e azul. A PréOeste aproveita esse fluxo para dispor de soluções capazes e integradoras. E neste aspeto, a facilidade de manutenção vem somar-se à resistência e durabilidade dos equipamentos para dar continuidade a um trabalho que não tem só em vista os frutos de hoje, mas sim o de um futuro que seguramente se percorre com ânimo e ambição. Numa ótica de traçar outros possíveis cenários, a mente empreendedora afirma ainda que “se não tivéssemos fábrica, penso que deixaríamos de ser competitivos. Existem algumas empresas no setor que, com a crise, sentiram a necessidade de diversificar os seus serviços e produtos, uma aposta que não correu bem e acabaram por fechar portas. Isso acontece porque

este nosso mercado é muito específico e só conseguimos vingar sendo experts nesta matéria. Alargar o leque de atividade não é, claramente, uma aposta acertada. Trabalhamos maioritariamente a nível local e conhecemos esta nossa realidade. O mercado para este material não é muito grande e temos que saber trabalhar a dimensão que existe.”. Concentrando todos os esforços numa gestão equilibrada, a estrutura conta neste momento com 21 colaboradores e mais sete na equipa de montagem. “A fábrica já teve três ampliações, e ainda recentemente recrutamos mais pessoas. Neste momento, penso que temos a dimensão certa”, confidencia. E se a cultura portuguesa nos diz que “quem corre por gosto não cansa”, a PréOeste está consciente que a recompensa chega sempre em igual medida ao esforço concretizado. O nome da empresa já está presente na mente das pessoas e esse é um rasto que fica na memória, não daquelas empresas que cruzam os braços perante as adversidades, mas sim das que mantêm a mente aberta e o olhar amplo para as novas oportunidades. Oeste que cresce Este Oeste acredita que o futuro passará sempre por um crescimento sustentado, tendo em conta as vidas dos colaboradores, as vidas dos que os rodeiam, e sobretudo a vida que está para lá dos números e se foca na dimensão humana que toda a empresa deveria assumir. “Muita desta estabilidade passará pela pré-fabricação industrial, mas procuramos sempre conhecer o nosso cliente e ajustamo-nos às necessidades da região”, fundamenta. A excelência dos produtos e serviços da PréOeste está mais do que garantida e a partir deste ponto haverá sempre razões para recordar a história e reinventar o futuro.


região oeste | restaurante panorama

“Uma agradável surpresa” Este é o comentário mais comum entre os clientes que visitam o Restaurante Panorama, em Torres Vedras. De facto, quem apenas vê de fora não reconhece a infinidade de pormenores que se verifica no interior. Bruno Silva é o gerente deste estabelecimento e foi com ele que estivemos à conversa de forma a conhecer o funcionamento do mesmo. Abaixo seguem-se as muitas razões pelas quais o Restaurante Panorama merece uma visita. O Restaurante Panorama foi fundado há sete anos pela família Silva, que ainda hoje partilha a gerência do estabelecimento. Luís Silva, pai do nosso entrevistado, é o chef de cozinha e parece que “tem mãos de ouro” para os cozinhados. Fernanda Silva, a mãe, auxilia Bruno Silva no atendimento aos clientes e gestão do pessoal. O primeiro ano de existência deste restaurante não foi fácil, isto porque a conquista de clientes é sempre um processo moroso. “Não tínhamos a dimensão física que temos hoje, nem tínhamos clientes. Foi o nosso trabalho e os bons comentários de ‘boca em boca’ que nos trouxeram àquilo que somos hoje”, começou por contar o gerente do Restaurante Panorama. Uma referência em Torres Vedras e no Oeste

Luís Silva, Bruno Silva e Fernanda Silva Gerentes

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Detentor do certificado do Tripadvisor e do Zomato Gold, este restaurante é já uma referência no concelho e na região. Muitos são, principalmente nos fins de semana, os clientes oriundos de Lisboa. “O turismo na região tem aumentado a olhos vistos. A par da procura internacional temos, também, muitas pessoas que vêm de Lisboa visitar-nos nos seus fins de semana. Isto deve-se à nossa tranquilidade e boa oferta de serviços”, afirmou orgulhoso o proprietário do restaurante. Torres Vedras encontra-se a cerca de 25 minutos de Lisboa e essa também é uma mais-valia para o concelho que tem vindo a ser trabalhada pelo município e pelos empresários da região.


restaurante panorama | região oeste Gastronomia de qualidade A qualidade dos produtos cozinhados é uma garantia dada pelo Restaurante Panorama. Aqui trabalha-se com as melhores carnes selecionadas e com peixe fresco de mar, por forma a garantir o melhor sabor, todos os dias, aos seus clientes. Assim, de entre as especialidades da casa, destacam-se os grelhados no carvão (muito característicos deste restaurante), o rodízio, o bacalhau na telha, a tiborna de bacalhau e a presa de porco preto. A par destes pratos também se cozinham: o cabrito assado no forno, o cabrito estonado à moda de Oleiros (porque a família Silva tem raízes em Oleiros), o ensopado de borrego, a chanfana, o maranho, o bucho Recheado, o arroz de cabidela e o cozido à portuguesa. Pratos típicos portugueses recriados com criatividade e o gosto do chef Luís Silva. De salientar que a particularidade dos grelhados no carvão é serem servidos em doses que dão para toda a família (entre quatro a cinco pessoas).

preocupação nossa”, garantiu o empresário. A apresentação dos pratos também é uma preocupação nesta casa e, todos eles, são servidos com classe porque “os olhos são os primeiros a comer”, como afirma Bruno Silva. A decoração do restaurante é toda ela o espelho da comida servida. “Aqui conjugamos a tradição com a modernidade”, esclareceu. A equipa da Revista Business Portugal teve a oportunidade de contemplar a vista oferecida pela varanda deste restaurante: “aqui as pessoas podem comer boa comida com a tranquilidade que a vinha envolvente, da encosta do Varatojo, transmite”. Apesar de não ser a sua área de negócio (nem de ser o pretendido) o Restaurante Panorama tem diversas parcerias com instituições da região, fazendo entregas diárias nesses locais. “Não é esse o nosso core business, mas sentimos a responsabilidade social que está inerente ao nosso negócio e não nos importamos de contribuir para um melhor funcionamento

Mas, para além das especialidades descritas na carta, existe a opção, durante a semana, do menu executivo. Trata-se de uma opção mais económica, com sete soluções diárias, que não se repetem durante um período de dois meses. Esta dinâmica e diferenciação criada pelo Restaurante Panorama resulta numa grande afluência de pessoas a esta casa e numa grande confiança depositada quer na comida servida quer na equipa que serve. “Trabalhamos muito com grupos e empresas e isso comprova a confiança que as pessoas depositam em nós. Temos constantemente marcações. Temos lotação para 170 pessoas, mas, ao fim de semana, aconselhamos que façam reserva porque temos mesmo muita procura, felizmente”, disse orgulhoso o nosso entrevistado.

das instituições da região em que estamos inseridos”, aclarou. São 14 os funcionários que compõem a equipa de Bruno Silva. “Começámos com cinco pessoas e somos 14 atualmente. Esta é uma excelente equipa, a melhor com quem trabalhei até hoje”, confidenciou orgulhoso o gerente do Restaurante Panorama ao mesmo tempo que acrescentou: “é importante referir que este é um trabalho muito difícil, muito exigente e cansativo física e psicologicamente. É preciso gostar-se muito disto para se trabalhar na restauração”. Por fim, ficou o convite: “vale a pena visitar Torres Vedras, porque oferece tranquilidade, locais a visitar e boa comida num mesmo local. Temos vários eventos a acontecer frequentemente e temos praia e campo sem a azáfama das grandes cidades. Quanto ao nosso restaurante, de certeza que não vão ficar desiludidos nem com a comida nem com o atendimento. Queremos que no nosso restaurante se sintam em casa”, finalizou Bruno Silva.

Inovação na cozinha – comida para todos Um novo prato de lombo de coelho sem osso promete fazer as delícias dos clientes deste restaurante. Mas, não é só nos pratos típicos e tradicionais portugueses que o Restaurante Panorama se especializa. Recentemente foram lançados três pratos vegan que pretendem atrair novos públicos a este estabelecimento. “Ter uma oferta que se adeque a todos os públicos é uma

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EMPREENDEDORISMO A SUL Falar do tecido empresarial da área metropolitana de Lisboa é automaticamente falar em casos de sucesso. Não é por acaso que é na zona da cidade das sete colinas que encontramos a maior concentração do volume de negócios a nível nacional: a área da capital representa o principal centro de decisão económico do País e um polo de consumo de valia internacional, desempenhando um papel fundamental de intermediação entre o conjunto do país e do mundo. A restruturação económica da metrópole fez com que atualmente as empresas se encontrem descentralizadas, tendo-se deslocado do centro da cidade e instalando nas zonas periféricas, cada vez mais atrativas e com forte potencial para desempenhar o papel de incubadoras de iniciativas inovadoras. É disso exemplo Sintra, vila pitoresca localizada no centro das colinas da Serra de Sintra, e Setúbal, cidade portuária exportadora na margem do rio Sado conhecida pelas suas magníficas baías. As características únicas para viver, trabalhar e investir na região da “cidade Atlântica” resultam em concentrações significativas de empresas com elevado grau de tecnologia, investimento estrangeiro, capital humano e de conhecimento. No fundo, é a definição perfeita de uma economia aberta ao mundo. É neste ecossistema empreendedor que encontrámos as histórias inspiradoras que se seguem nas próximas páginas.


b-training consulting | lisboa

“O segredo do sucesso é a constância do propósito” de benjamim disraeli

Sediada no centro de Lisboa, a B-Training Consulting assume-se no mercado como uma empresa que atua ao nível da implementação e manutenção de Sistemas de Gestão da Qualidade na Formação - no âmbito da Certificação DGERT -, da Formação Profissional e da Consultoria de E-learning. Em entrevista à Revista Business Portugal, as suas fundadoras, Alda Neves e Mafalda Isaac, apresentam-nos este que é o projeto das suas vidas.

Alda Neves e Mafalda Isaac Administradoras

empresas de referência na área, até que decidimos seguir um conselho de uma professora, com a qual desenvolvemos alguns trabalhos, que sugeriu que criássemos um projeto profissional conjunto. Apesar da crise financeira e económica que se instalou na altura, decidimos que era o momento certo para arriscar e lançar o projeto que sempre ambicionámos. Alda Neves: A nossa vontade de trabalharmos juntas era muito grande e como tínhamos uma forte experiência e competência nas áreas em que estávamos a lançar o nosso projeto, sempre acreditámos que iria haver uma grande recetividade para o acolher. Tínhamos naturalmente muito a aprender, ainda hoje temos, mas tínhamos a crença de que iríamos superar as dificuldades iniciais e que tudo iria correr bem. Costumamos dizer que somos ‘filhas da crise’; arriscámos sem saber até onde o nosso projeto iria e, na nossa perspetiva, foi no momento certo. Estávamos muito confiantes no nosso trabalho, na nossa dedicação ao projeto e isso foi e tem sido determinante para o sucesso que temos vindo a alcançar.

Como e quando surgiu a B-Training Consulting? Mafalda Isaac: A nossa empresa foi constituída em 2005, mas apenas em janeiro de 2007 registámos a marca B-Training, Consulting. Fomos colegas de faculdade, no curso de Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa, tendonos especializado em Formação de Adultos. Em termos de percurso profissional posterior, adquirimos experiência em

Qual o vosso principal core-business? A.N: É a Formação Profissional, nas suas vertentes pedagógica e comportamental, a Consultoria para implementação e manutenção de Sistemas da Qualidade pela DGERT e a Consultoria de E-learning. A 02 de janeiro de 2017, constituímos uma outra empresa - a Big-Experience – em conjunto com dois profissionais que possuem uma reconhecida experiência na área das soft skills. Esta nova aposta surge mais vocacionada para a formação e consultoria nesta área, assim como para o executive coaching. Quais as vossas perspetivas para os próximos anos? M. I:. O nosso objetivo passa por nos superarmos no mercado todos os dias, em sintonia com uma gestão da empresa equilibrada e sustentada, garantindo a fasquia de alta de qualidade que sempre nos definiu. Queremos continuar a ser uma empresa de referência, apostando em novas áreas que façam sentido, a nível nacional e internacional.

Na vossa perspetiva, quais os principais fatores de diferenciação que vos permitem ser uma empresa de referência nesta área? M.I: Existem naturalmente algumas especificidades que nos marcam. Um planeamento estratégico em termos de gestão muito bem definido; a inovação em tudo o que fazemos, que nos permite estar ao nível das melhores práticas do mercado e superar as expectativas dos nossos clientes; um saudável relacionamento interpessoal da estrutura acionista, que permite um alinhamento sólido e estruturado da gestão da empresa; e um foco na especialização de serviços; ou seja, em tudo o que fazemos pautamo-nos por elevados padrões de exigência e qualidade.

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lisboa | real transfer

Crescer em parceria Com uma história que se propaga para o resto do mundo, a Ultra, SGPS assume valores de honestidade, seriedade e excelência. Junto de António Menezes Rodrigues, a Business Portugal foi conhecer melhor o percurso do grupo que opera no mercado de câmbios e de transferências, desde 2000.

“O grupo começou no início deste século, onde o mentor Pedro Mascarenhas dos Santos, junto de mais quatro pessoas, decidiu constituir a NovaCâmbios”, começa por introduzir o nosso entrevistado. Esta sociedade conjugava os conhecimentos do mercado cambial com o saber secular da mais antiga instituição bancária portuguesa (Montepio Geral) para abrir a sua primeira loja de câmbios NovaCâmbios - em Lisboa. Depois da abertura no Rossio, a NovaCâmbios abriu mais sete agências (três em Lisboa, uma no Porto, uma em Aveiro, uma em Braga, e outra na Amadora). E embora António Menezes Rodrigues Administrador todo este processo de arranque tenha conhecido algumas ruturas devido à saída do escudo e à entrada do euro, a verdade é que Pedro Santos, com toda a bagagem e conhecimento que naquela época já possuía, conseguiu avaliar negócios e compreender que o mercado cambial apresentava características muito particulares e por isso “decidiu estabelecer-se em Angola (um país que estava a iniciar o seu crescimento)”, informa. Novo êxodo Angola exibia encantos vários e começou então a surgir como um mercado apetecível aos olhos do mundo. Para os portugueses este movimento não era exceção, e o fundador do Grupo Ultra, que desde sempre soubera antever oportunidades, acabou por estabelecer aí a NovaCâmbios Angola. Decorria o ano de 2002 quando isso aconteceu, “mas o desenvolvimento foi veloz”. O mundo empresarial, que dava perspetivas de novos e constantes ciclos migratórios, trouxe novas expansões e, consequentemente, novos batismos. Depois de Angola surgiram portanto a NovaCâmbios França (2003), a

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NovaCâmbios Namíbia (2007), a NovaCâmbios Moçambique (2012), a NovaCâmbios Suécia (2014), a RealTransfer Namíbia, a NovaCâmbios Espanha, o estabelecimento da Sucursal da RealTransfer em Madrid e Paris e o escritório de representação da NovaCâmbios em Cuba, estando todas estas unidades empresariais sob o controlo acionista da Ultra, SGPS. “Sintetizando, hoje o grupo possui 140 balcões (aproximadamente 70 em Portugal e 40 em Angola) e cerca de 700 colaboradores”, aponta António Menezes Rodrigues. Âncoras de crescimento Em 2015, Angola sentiu uma queda abruta nos preços do petróleo e isso fez diminuir drasticamente a entrada de divisas no país, necessárias para garantir as importações de bens essenciais. Com a crescente desvalorização do kwanza e as perturbações sérias na situação cambial, o cenário não se adivinhava promissor. Porém, graças à boa e consolidada rede de parceiros que a empresa RealTransfer mantinha, o grupo conseguiu impor-se no mercado: “Tínhamos enormes movimentos com Angola, mas neste momento as transferências baixaram imenso”, confidencia. Naquele momento do boom angolano, para além da banca e dos dois maiores operadores mundiais, a RealTransfer Angola era a única Instituição de Pagamentos autorizada a operar em

Angola. O reajustamento poderia parecer lento, e efetivamente seria-o, mas a capacidade de observar oportunidades nunca cessou, pois “já em Angola começamos a notar muitos emigrantes cubanos”. Decorria então o ano de 2015, quando o grupo abrira relações com Cuba, iniciando aí os movimentos transferenciais. É de referir que a Ultra, SGPS é uma sociedade que detém parte do capital da NovaCâmbios, juntamente com parceiros locais. António Menezes Rodrigues, tendo frequentado o curso de Finanças na Universidade Técnica de Lisboa, possui um percurso cimentado no associativismo empresarial: é atualmente Presidente do Conselho Geral da Ultra, SGPS; Presidente do Conselho de Administração da RealTransfer – Instituição de Pagamento, S.A; e foi eleito para o Conselho Geral e de Supervisão da Caixa Económica Montepio Geral, na Assembleia Geral de Agosto de 2015. A RealTransfer assume uma posição importante como uma empresa especializada no mercado de câmbios e de transferências de dinheiro, desde 2008, e é sempre a pensar na comunidade migrante que criou uma rede de balcões, que se estende de norte a sul do país. “A RealTransfer nasceu como uma instituição de pagamento; a NovaCâmbios como uma agência de câmbios, que evoluiu depois para uma instituição de pagamento. Hoje abrangem a mesma atividade, e Pedro Santos é o mentor de todo este desenvolvimento”, explica o nosso interlocutor. Com sede em Lisboa, a RealTransfer tem reforçado a sua posição no mercado, fruto também das sucessivas vagas de migração: “Este negócio é um negócio de migrações das diferentes diásporas e os portugueses estão em todo o mundo”, caracteriza. Claro que o processo de globalização é multidimensional, e embora muitas das vezes esteja focado na vertente


real transfer | lisboa

económica, convém lembrar as outras dimensões - política, segurança, e cultural - e é aí que surgem as pessoas como um dos principais agentes de mudança. Respeito pelos clientes, empresas, e países Como instituição financeira autorizada pelo Banco de Portugal, a RealTransfer oferece rapidez, honestidade e, acima de tudo, eficiência. Porém, a economia mundial nunca pára e essa velocidade a uma escala global provoca muitas vezes atitudes antiéticas e imorais em todo o sistema financeiro. É, nesse âmbito, que a empresa assume como obrigação legal o impedimento da prática de crimes de branqueamento de capitais, procurando fazer o possível para coibir o abuso e a má utilização dos serviços. A experiência de todos os colaboradores na deteção e identificação de novas fraudes permite trabalhar todas as unidades Compliance, Auditoria Interna, Controlo Interno e Gestão de Risco - com transparência e segurança. “Isto só pode ser feito com pessoas que saibam gerir o negócio, pois existem princípios éticos muito fortes que

têm de ser cumpridos”, sublinha. Esta relação direta que existe entre aquilo que ocorre todos os dias no sistema financeiro e a vida dos cidadãos, faz com que António Menezes Rodrigues reconheça “ não ser hoje fácil qualquer empresa conseguir este desenvolvimento empresarial, e estamos muito felizes pelo que alcançámos até aqui”.

Futuro Globalização, tecnologia, e criação de valor, são algumas das palavras que sugerem desafios a este grupo. E se razões há para consolidar o presente, motivos também não poderiam faltar para que a Ultra, SGPS se abrisse ao futuro. “Neste momento, o grupo está focado numa só natureza (a financeira), mas preparamo-nos para desenvolver a Ultra, Serviços, uma empresa que passa a ter apenas a componente dos serviços”, afirma. Aquando questionado sobre essa vertente, o responsável mostra-nos que muito mais do que um agregador de recursos pretende criar serviços de qualidade, “uma espécie de cross-selling, onde o foco será sempre o cliente, pois há todo um universo que se abre e se encerra num só cliente e nós estamos prontos para servi-lo”. O grupo encontra-se em diálogo constante com o Banco de Portugal, mas sem uma única vez desviar as suas prioridades. A consolidação no mercado português, a crescente expansão na Europa, a possibilidade de negócios em Moçambique, e a confiança de Cuba são já algumas perspetivas de um futuro que nunca negligencia as pessoas.

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lisboa | k invest

“Preencha as suas expectativas”

Sérgio Coelho e Claúdia Gaspar Administradores

Situada na Praça de Londres, em pleno coração da freguesia do Areeiro, em Lisboa, a K Invest - Consultoria Imobiliária, surgiu no mercado há cerca de cinco anos, com o objetivo de oferecer um modelo de negócio assente na oferta de serviços especializados 360 graus, na área de consultoria, mediação e gestão imobiliária. Em entrevista à Revista Business Portugal, António Coelho, Cláudia Gaspar e Sérgio Coelho, mentores deste projeto, explicam-nos como aliar a experiência de vários anos em diversas áreas que se complementam neste setor, adequando a uma nova realidade de mercado, pode ser determinante para um projeto de sucesso.

Como e quando surgiu a K Invest? Sérgio Coelho: Esta empresa surgiu há cinco anos. Começámos num espaço de co-working apenas com uma secretária, mas fomos ficando mais fortes com o passar do tempo e fomos crescendo de forma bastante consolidada. Cada um de nós já possuía experiência nesta área, fazíamos negócios de forma independente, sempre em parceria com outros colegas e com outras agências. Depois, vimos a oportunidade de desenvolver este negócio, porque a procura estava a crescer, e de criarmos uma situação mais profissionalizada, tendo um espaço onde as pessoas pudessem ter contacto direto conosco, através de uma loja física. Cláudia Gaspar: Apesar deste mercado se direcionar cada vez mais para a presença online, sentimos que ao nível nacional ainda existe muita necessidade das pessoas se referirem a alguém, verem que existe presença e um rosto. Tudo se desenvolveu aproveitando e dando resposta aos clientes e carteira de negócios que o António já trazia consolidada,

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derivada dos seus 15 anos de experiência nesta área, conjuntamente com a minha experiência na área comercial, marketing e financeira e à do Sérgio, em organização de eventos e na parte social, diretamente com instituições públicas. Acabámos por reunir as três valências e vimos que existia potencial para as desenvolvermos uma actividade profissional diferente do comum, existente no nosso país. António Coelho: Acreditámos que iríamos conseguir fazer algo diferente, num setor tão competitivo como este, seja a nível direto ou indireto, e principalmente com a tendência da subida da reabilitação urbana em Lisboa, que oferece um vasto conjunto de oportunidades a preços competitivos à escala europeia, surge um leque de oportunidades. Há dois anos que estamos neste espaço, na Praça de Londres, zona nobre, uma área bastante comercial, o que para este setor é muito importante e temos sido muito bemrecebidos. Ao longo dos anos, a empresa foi adoptando novas estratégias, adaptadas a nossos clientes e ao mercado, que muda a um ritmo vertiginoso. Quais os serviços que prestam atualmente? C.G: Inicialmente, numa altura em que o imobiliário estava muito apetecível

para os grandes investidores, esse era o nosso foco e o nosso core business inicial, porque a nossa carteira de clientes assim o exigia, os nossos serviços centravam-se principalmente na assistência, assessoria e mediação imobiliária a esse tipo de cliente. O mercado evoluiu, o turismo veio impulsionar imenso o negócio e começaram a surgir outro tipo de investidores com menos know-how e experiência que acabavam por necessitar de serviços complementares. Depois de nos mudarmos para as instalações onde hoje estamos sediados, tivemos que nos reposicionar, porque num ano e meio, tudo se tinha desenvolvido muito rápido e tínhamos que pensar igualmente rápido no próximo passo a dar. Hoje o mercado está com um sentido de urgência muito forte e a fidelização do cliente, apesar de não ser fácil, é muito importante. Neste sentido, temos que oferecer serviços que suportem as necessidades destes investidores e desenvolvemos um serviço de 360 graus, ou seja, uma oferta de serviços mais representativa e transversal à área da mediação imobiliária, não só de consultoria, como de certificação energética, qualificação do ambiente, gestão do património, apoio a nível de obra, incluindo a parte de arquitetura e de reabilitação, avaliações comerciais e de assessoria jurídica a todas as mediações e transações que realizamos, o que para o mercado internacional então, é fundamental. A.C : Temos aconselhamento exclusivo ao nível da arquitetura, prestamos apoio ao cliente a este nível. No acompanhamento de obra, na reabilitação e na componente do desenvolvimento de projetos 3D que potenciam a venda do imóvel, por exemplo, no caso do imóvel se apresentar degradado, a visibilidade do projeto 3D ajuda o cliente vendedor a potenciar a venda do imovel ficando o comprador, a perceber e valorizar


k invest | lisboa como o espaço poderá ficar depois de reabilitado, o que nos ajuda imenso no momento da compra e venda. Para além deste ambito e outros na área da reabilitação e arquitectura, também nos apoia na peritagem e emissão dos processos de certificação energética dos imóveis. Notam uma maior procura por parte de estrangeiros em adquirir imóveis na região de Lisboa? Quais os principais mercados com os quais trabalham? S. C: Existe muita procura por parte do mercado estrangeiro em adquirir imóveis na região de Lisboa e notamos esse crescimento sobretudo nesta altura. A oferta hoje é menor que a procura e os imóveis que ficam disponíveis e a preços competitivos rapidamente são vendidos, a preços muito superiores aos registados em anos anteriores. Esta situação acontece, pois, a oferta é realmente escassa para a procura que existe, apesar da reabilitação continuar hoje a ser uma realidade que implusiona o mercado, o cliente estrageiro continua a pagar e em consequêcia, os preços inflacionam. Neste momento existe muita procura

sobretudo por parte de brasileiros, que pretendem mudar-se para Portugal, franceses, alemães, ou seja, por parte da Europa de forma geral, bem como de norteamericanos e israelitas, sendo que a fatia mais representativa para a nossa empresa continua a ser o investidor nacional. Preve-se que o mercado poderá estabilizar daqui a sensivelmente dois anos,mas só o mercado poderá afirmar como vão decorrer as coisas, até lá julgamos que os preços continuarão a crescer ligeiramente mas também sabemos que a cidade tem uma capacidade, um limite. Devido à saturação e à fraca oferta competitiva na zona historica o mercado e a procura está a expandir-se para as zonas periféricas alargando a cidade e alavancando o negócio imobiliário também noutras zonas até agora mais estagnadas. Na vossa perspectiva, quais os principais fatores de diferenciação da K Invest relativamente a outras empresas do mesmo setor? C. G: Na nossa atividade, não conseguimos sobreviver sozinhos, por isso é importante termos uma rede de parceiros profissionais, com os quais estabelecemos uma relação

de proximidade e confiança que certamente iremos encontrar em vários negócios, priviligiamos a transparência e a seriedade na negociação entre colegas, partilhando informação uns com os outros e é isso que potencia sermos mais ou menos eficazes na comercialização dos nossos imóveis e na assistência que prestamos ao cliente que nos procura, porque o nosso objetivo final é que os nossos clientes sejam devidamente representados e com os seus objectivos atingidos, é esse o nosso foco. Assim, o nosso fator diferenciador, é que, para além de partilharmos com todos, temos uma oferta de serviços bastante diversificada e diferenciada que apoia todo o tipo de soluções necessárias para cada situação. Para a futuro, gostariam de ampliar a vossa rede de consultores em outras regiões da cidade e do país? Qual será o vosso foco? S. C: De momento, ampliar a nossa rede de consultores para conseguirmos chegar a mais clientes que nos procuram, implica não prestarmos um serviço de excelência que nos move e, portanto, preferimos ir etapa a etapa e continuar com a nossa rede

de parceiros profissionais e de confiança e continuar com a mesma partilha que até então, que tem corrido muito bem, do que perdermos o controlo daquilo que queremos como representatividade. Era bom para o nosso crescimento, mas perderíamos a nossa identidade C. G: Estamos focados na questão do serviço online, que acreditamos que ganhará cada vez mais importância neste setor e num futuro próximo. Para isso, queremos apostar no melhoramento constante do nosso site, alavancar a presença das visitas virtuais 360 graus, que sabemos, não substituindo a visita ao imóvel, facilita a logística e o esforço de todos os intervenientes no processo, acreditamos que poucas empresas a nível nacional o disponibilizam. Queremos continuar a crescer de forma sustentada como ao longo destes cinco anos de atividade, prestando um serviço diferenciado e de qualidade. Este é um negócio de pessoas, para pessoas, a base do nosso negócio são as pessoas as relações e a confiança que desenvolvemos com os nossos clientes, queremos continuar a ajudá-lo a tomar a melhor decisão, sempre.

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3RDomus uma referência na área da reabilitação Presente no mercado há 11 anos, a 3RDomus não para de crescer. Apta para responder tecnicamente aos mais diversos tipos de edificações, a equipa de engenheiros ambiciona contudo ir mais longe. Sob o lema ‘Rentabilização por Reestruturação através da Reunião para a sua construção’, a 3RDomus, já marcou a sua presença no mercado e tem vindo a registar um aumento de volume de trabalho devido à capacidade de resposta técnica sobre os mais diversos tipos de edificações. O último ano, a empresa estima uma faturação na ordem de um milhão de euros e para os próximos anos se o ritmo de trabalho se mantiver, poderá verificar-se um aumento significativo na faturação. Miguel Traça, o nosso entrevistado, é engenheiro civil de formação e conta como é importante a experiência profissional. “Trabalhei como gestor de projetos numa empresa de Lisboa, o que também me deu alguma formação extra, além de ser o típico empreiteiro/construtor. Também complementei a minha formação ao trabalhar em boas empresas em Lisboa, porque o mercado da reabilitação exige muito conhecimento de projeto complementado com a parte da execução, já que existem sempre supressas em termos de obra”, o empresário acrescenta que a empresa também produz construção nova e presta serviços de arquitetura e engenheira de forma a complementar a parte da execução da melhor forma com vista á satisfação dos seus clientes.

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O forte da 3RDomus é a execução e realização de obra, no entanto, a gestão dos projetos e a fiscalização são prestações também oferecidas pela empresa. A história da empresa já conta com 11 anos e Miguel Traça conta como tudo começou: “Inicialmente abrimos este negócio com três sócios, em 2006, eu, o engenheiro José Ruaz, e o senhor Leopoldo Inácio, meu tio, que faleceu recentemente. Foi pelo desafio criando entre eles dois, que eu entrei no projeto. Eu estava a trabalhar fora, numa empresa de obras públicas no Alentejo, grande construtora nacional, e fui convidado e aceitei o desafio”, o jovem empreendedor conta que a escolha do nome para o projeto foi fácil, uma vez que teria de estar ligado diretamente a área da reabilitação: REMODELAÇAO, RECONSTRUÇAO, REABILITAÇÃO. O engenheiro civil confessa que foi já na sua formação que começou o seu interesse pela área da reabilitação: “A nossa formação em civil, minha e do José Ruaz, meu colega de curso, numa fase final do curso foi já virada para a reabilitação, algo que não é muito comum na época. Nós pertencemos ao IPS, portanto ao politécnico de Setúbal, e foi lá que fizémos a nossa formação, e já na altura o diretor


3rdomus| setúbal da escola, quis fazer uma vertente final de curso diferente. Não havia nada ligado à reabilitação e como já se estava a prever a necessidade do mercado, houve uma aposta forte formativa e o curso foi direcionado para a reabilitação”, explicou o engenheiro.Miguel Traça acredita que a área escolhida foi uma boa aposta da empresa desde o início: “apostámos neste setor por considerámos ser uma aposta a médio-longo prazo, porque o mercado começava a abrandar. Em 2006, quando começámos e passado dois anos em 2008, a construção nova cai a pique, com o drama que houve na área do imobiliário e as pessoas precisavam, pelo menos, quer a titulo privado quer ao nível dos condomínio, manter o seu património conservado. Não compravam novo mas, pelo menos, preservavam o existente”, o administrador conta que estes dois últimos anos o trabalho aumentou exponencialmente. A empresa passou, no ano passado, um milhão de euros faturados e a equipa não pàra de aumentar: “A faturação do ano passado apresenta um número significativo quando nos referimos a uma empresa na nossa escala. A equipa também cresceu, neste momento já somos mais de 22 colaboradores, acompanhamos os critérios de uma PME porque acreditamos neles. A empresa também tem 11 viaturas, temos equipamento próprio, máquinas próprias, temos uma pequena serralharia”, Miguel Traça garante que a empresa possuí tudo o que é necessário para o setor da reabilitação. O administrador explica que são os colaboradores acima dos 40 anos que fazem a diferença na prestação dos serviços que a empresa oferece: “Trabalhos menos qualificados são colaboradores jovens que prestam, para os trabalhos

qualificados estão todos acima dos 40 anos. Não são “velhos” de maneira nenhuma, e são mais fiáveis em termos de prestação de trabalho comparativamente aos mais jovens, são mais assíduos, tem mais motivação no trabalho e assumem outro tipo de compromisso perante os nossos Clientes. A parte mais difícil do nosso trabalho são os recursos humanos como em qualquer outra empresa.

Mas contamos com uma equipa estável, em média, acima dos 40 anos que nos dá garantias em termos de trabalhos multidisciplinares tais como carpintaria, serralharia, trabalhos de pedreiros, barramentos e estuques e pinturas”, o empresário garante, no entanto, que a equipa da 3RDomus é sólida e tem vindo a construir-se. Miguel Traça confessa que a melhor publicidade ainda é feita de boca em boca: “Nós nem fazemos publicidade, o nosso site ainda está em construção, ainda não o terminamos. Nas viaturas temos um plano de marketing montado para implementar este ano, mas não sentimos a falta urgente de fazer publicidade, o nosso cliente satisfeito é que nos referencia a outros potenciais clientes”, conta o administrador da empresa. O engenheiro civil considera a qualidade a palavra-chave da 3RDomus: “O foco do nosso trabalho é sempre a qualidade dos nossos serviços e nunca o volume, até porque os nossos clientes mesmo que considerem os nossos orçamentos mais caros, recorrem aos nossos serviços pelas garantias dadas e por vezes, devidos a outras anteriores experiências e percebem que a qualidade é fundamental para que a obra fique bem-feita” explica Miguel Traça.As obras são mais que muitas, e a empresa continua a apostar em Almada, na grande Lisboa e na sua zona circundante. A empresa também é uma via promotora que compra e vende imóveis depois de reabilitados. A remodelação de espaços de escritórios de empresas nacionais e internacionais, sediadas em plena Lisboa, têm-se constituído como outra vertente de negocio que a 3R Domus tem vindo a explorar e assume reais objetivos de crescimento no próximo ano.

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Equipa

setúbal | hélder de sousa congelados

Atendimento próximo e personalizado garantem o sucesso Hélder de Sousa Congelados, empresa de comércio e distribuição de produtos alimentares congelados, pretende ser um exemplo de trabalho e dedicação. Trabalhando numa área geográfica com uma forte concorrência – distrito de Setúbal – Hélder de Sousa é um caso de sucesso. A empresa que iniciou a sua atividade em 1994 com Hélder e Ana Paula de Sousa, conquistou o seu setor e mostra ser uma empresa atrativa apostando na excelência do serviço prestado, apoiando-se na relação de proximidade com os seus clientes e colaboradores.

Hélder de Sousa e Ana Paula Sousa Administradores

Hélder e Ana Paula de Sousa começaram o seu negócio seis meses após o seu casamento, a nossa entrevistada Ana Paula de Sousa conta como foram os primeiros passos de um sonho criado, de raiz, pelos dois. “Iniciámos o projeto com apenas uma carinha, começávamos de madrugada para fazer o carregamento e da parte de tarde fazíamos as entregas. Felizmente e dado a todo o nosso esforço e dedicação as coisas foram evoluindo”, a administradora caracteriza o crescimento da empresa como um processo gradual. Em poucos anos, a Hélder de Sousa medrou e adquiriu o seu primeiro armazém, aumentou o número de colaboradores e de veículos de transporte e, consequentemente, o bom nome da empresa não permitiu baixar o número de vendas. “A empresa cresceu, mas quando se cresce também não se criam facilidades. Ainda temos mais trabalho, é preciso mais esforço e mais dedicação. Felizmente as coisas foram-se desenvolvendo ainda mais, começámos a ter necessidade de procurar um espaço com uma maior capacidade de armazenamento e foi então que comprámos um segundo armazém em Santa Marta do Pinhal, até chegarmos ao ponto de termos necessidade de alugar espaços de frio para conseguirmos focar todo o material que precisávamos para vendas e entregas”. Paula de Sousa explica

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hélder de sousa congelados | setúbal

que foi nessa época, e com a crise instalada no país, que o grupo decidiu mudar-se para o espaço atual na Aldeia de Paio Pires no Seixal. Atualmente o grupo já dispõe de um espaço com 450 metros quadrados, várias carrinhas e 15 colaboradores. As zonas fulcrais do grupo centram-se entre Setúbal e a grande Lisboa, no entanto, a Hélder de Sousa disponibiliza-se a cobrir qualquer área do país. “Nós fazemos todos os setores onde os nossos produtos congelados possam ser comercializados, na margem sul e área

circundante à nossa sede. No entanto, temos clientes específicos sendo vários grupos hoteleiros, então tudo o que é desses grupos fazemos de norte a sul do país. São clientes singulares e somos nós que nos deslocamos para fazer essas áreas, contudo conseguimos responder às necessidades de qualquer cliente”, evidenciaram. A Hélder de Sousa é uma empresa consolidada por força do seu nome reconhecido, são os seus clientes que vão recomendando a possíveis novos clientes que necessitam dos seus serviços.

A gestora garante que a chave do sucesso está no atendimento. “O que nos distingue é a nossa proximidade ao cliente, uma relação quase de amizade, nós tratamos cada cliente como se fosse da nossa família. Tanto eu como o Hélder preocupamo-nos com a satisfação do cliente e se isso implicar fazer uma entrega às 22 horas, a entrega é feita”, Ana Paula de Sousa conta que cada cliente é tratado de forma única e singular. São vários os produtos tradicionalmente comercializados no distrito de Setúbal e o grupo Hélder de Sousa são os fortes fornecedores na zona. Num setor caracterizado pela sua competitividade as palavras-chave para o sucesso são empenho e esforço. “Para a Hélder quando se começa do zero todos os momentos são de grande luta, de grande força e grande tentativa de se fazer o melhor, o melhor que se sabe e que se pode. Eu sinto que há sempre a necessidade de estarmos a fazer um bom trabalho”,

a empresária garante que a equipa está preparada para satisfazer as necessidades de todos os clientes. 2017 é sinónimo de um crescimento gradual e saudável, assim como tem sido a história desta empresa familiar. “A Hélder de Sousa cresce de forma positiva e sustentável e felizmente não houve ao longo destes anos um único ano em que a empresa não crescesse. Todos anos são caracterizados por conquistas feitas pelo grupo”, garante a

empresária. Para o futuro o casal promete continuar a oferecer aos seus clientes o melhor serviço, garantindo trabalhar sempre para o bem do projeto e nunca desistindo deste sonho que foi construído a dois ao longo de 23 anos.

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setúbal | bolacha piedade

uma história com

163 anos

Equipa Bolacha Piedade

DIG é o nome que representa a Bolacha Piedade. Delfina, Isabel e Gabriela Piedade são as irmãs administrativas da empresa, juntamente com Ilda e Manuela, netas de Maria Piedade (irmã das restantes sócias, já falecida) que além da pastelaria aberta ao público contém um espaço para o fabrico artesanal da bolacha.

A história da criação da Bolacha Piedade começara em 1855, ainda Setúbal não era cidade e a receita da bolacha com o nome da família dos seus criadores já era famosa na terra. A bolacha era vendida de rua em rua pelo chamado ‘miúdo do tabuleiro’. A doçura é agora comercializada na pastelaria, aberta em 2004, e os setubalenses continuam a ficar encantados pois ninguém consegue ficar indiferente ao seu aspeto delicioso. Foi na feira de Santiago que a Bolacha Piedade se tornou afamada. Gabriela Piedade nasceu no meio deste negócio, no entanto, recorda-se da época em que a bolacha se tornava assunto central para toda a família. “Desde que me lembro de ser gente que a bolacha faz parte da minha vida. A minha mãe contava que teria aprendido a receita com a sua mãe que já teria aprendido com a minha avó. A receita da bolacha já esta na nossa família há gerações. Recordo-me perfeitamente de juntar toda a família na altura da feira de Santiago, que se realizava naqueles tempos aqui na Avenida Luísa Todi, para fazermos

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a bolacha que, posteriormente, era vendida pelos homens da família”. Gabriela Piedade acrescentou que embora a feira tenha mudado de lugar a bolacha continua a ser comercializada na feira. O domingo é dia de família para os Piedade, portanto é o único dia em que a pastelaria Bolacha Piedade se encontra encerrada, no entanto, mesmo em dia santo a bolacha pode ser encontrada em locais como Jumbo de Setúbal, a Casa da Baía e o Mercado do Livramento. O verão é uma boa época para o negócio, o turista procura a bolacha Piedade para conhecer a iguaria tão célebre na cidade. No entanto, Gabriela Piedade explica que não é apenas o turista que aprecia a bolacha da família. “Temos pessoas que vêm ao fim de semana de propósito para, juntamente com o moscatel, comerem as nossas bolachas. Fazem questão de nos seus passeios conjuntos passarem pelo nosso estabelecimento”. A bolacha, que ainda hoje é fabricada de forma artesanal, é vendida além-fronteiras e permanece uma das delícias da cidade,

Setúbal ficou mais rica, assim como a doçaria. “A nossa bolacha é muito apreciada, temos pessoas que vivem no estrangeiro e nos fazem encomendas para poderem matar saudades e temos também curiosos que nos contactam para conhecer a bolacha porque já ouviram falar nela e são nessas situações que enviamos a nossa bolacha para o estrangeiro. Ainda há pouco tempo enviamos uma encomenda para a França”. Gabriela Piedade confessa que o reconhecimento a deixa muito satisfeita. Maria Piedade, mãe das três atuais proprietárias, persistiu e nunca deixou expirar uma receita que permanece na família Piedade há gerações. São 163 anos de história e Gabriela Piedade garante que é para continuar. “O segredo da receita vai permanecer na família, nós queremos que o negócio continue na família por mais gerações e os nossos filhos também mostram interesse em continuar a fabricar”. A nossa entrevistada concluiu a conversa revelando que a Bolacha Piedade é um amor partilhado por toda a família. A gerência deixa o convite a todos os que queiram aparecer na pastelaria localizada na Avenida Luísa Todi, em Setúbal, para poder provar a deliciosa bolacha fabricada pela família Piedade.

POEMA HISTÓRIA DA BOLACHA PIEDADE Em 1855 ainda Setúbal não era Cidade A doçaria da Terra ficou mais rica Por se ter inventado a receita de uma Bolacha Com o nome da família dos seus criadores “Piedade” Vendida de rua em rua Pelo chamado “Miúdo do tabuleiro” Todos os Setubalenses se deliciavam Pois quando ele passava, era tão apelativo aquele cheiro Na Feira de Santiago tornou-se muito afamada Neste certame a mais antiga presença Homenageada e Condecorada É vendida além-fronteiras E continua a marcar a diferença Setúbal ficou mais rica E a doçaria também E foi a persistência de Dª. Maria Piedade Que lutou e deu continuidade A esta maravilhosa Bolacha que Setúbal tem. “As Tradições são para manter, os Saberes para “enriquecer” e os Sabores para se provar, apreciar e depois comer.” Autora: Paula Martins


setúbal | mundimat

19 anos de sucesso

A MUNDIMAT SA é uma empresa com 19 anos de atividade nas áreas de distribuição de materiais inovadores de construção, reabilitação e manutenção de edifícios, com sede na zona Industrial de Palmela e com mais dois balcões abertos ao público na Zona Industrial Arrancada em Portimão e na Rua 1º de Maio em Lisboa. É representante de conhecidas marcas e reúne uma ampla oferta de produtos e serviços capaz de responder eficientemente a todas as solicitações e necessidades dos seus clientes. A empresa destaca-se pela sua flexibilidade e rapidez capaz de realizar qualquer obra em qualquer altura do ano.

Lídia Mestre e Marcos Vicente Administradores

A administração desta empresa está a cargo de Marcos Vicente há cinco anos. O nosso entrevistado conta como chegou ao projeto. “A MUNDIMAT SA foi fundada em 1998 por três sócios e foi criada com o intuito de fornecer produtos novos, para romper o que estava em Portugal tradicionalmente incutido na construção. Entretanto, a empresa sofreu uma reestruturação dos anteriores donos e é nessa altura que eu assumo a pasta na direção comercial. Com a reviravolta que a crise levou acabei por chegar ao lugar de administrador, surgiu a oportunidade ,com os meus colegas, de gerirmos a empresa e agarrei-a”, acrescentando ainda que assumiu a administração numa época de crise em que se assistia ao desmembramento de sócios e a uma situação financeira muito negativa. No entanto, Marcos Vicente nunca deixou de acreditar na viabilidade da MUNDIMAT SA, uma empresa com nome no setor da construção e distribuição de materiais em Portugal. A viragem aconteceu em 2010 e o gestor explica a relevância do projeto no mercado. “A MUNDIMAT SA tinha nome, era importante no setor, chegou a ser uma das maiores distribuidoras em Portugal de placas de gesso. Começar algo do zero podia ser um erro numa época de crise e, portanto, foi nesse momento que decidimos tentar recuperar um nome, uma referência que poderia facilitar o trabalho”. O

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empresário referiu ainda que o processo não foi fácil, mas nos dias de hoje a MUNDIMAT SA é um exemplo de sucesso. A logística e distribuição destacam-se pela otimização das operações de carga e descarga, pelos custos e tempos reduzidos, pelas soluções personalizadas e pela logística própria complementada com Outsourcing. A MUNDIMAT SA também é reconhecida pela qualidade em produtos e serviços certificados, pela comercialização e instalação de sistemas completos e pela sua gama alargada de produtos com as principais marcas e fabricantes de referência. Uma empresa capaz de resolver problemas ‘In Situ’, evidencia-se pela proximidade com o cliente e a formação permanente fornecida aos seus colaboradores. A orientação para o cliente assegura a fidelização do cliente e a satisfação das exigências crescentes de soluções à medida, aposta no crescimento comum e parcerias em diversas áreas. A MUNDIMAT SA é representante de marcas de referência que sustentam a credibilidade da empresa como a Knauf, Agepan, Aquapanel, Arga, Armstrong, Cin, Danosa, Decosa,

Eurocoustic, Falper, Gabelex, Gyptec, Isover, Makita, Microcimento Secil, Mundi Perfil, Open Space, Poliface, Profilpas, Rapid Doors, Sagiper, Secil Argamassas, Semin, Senor, Tarkett e Viroc. Esta empresa aposta na exportação para Espanha, Angola, Cabo verde, Guiné e Africa do sul. Apresentou uma faturação de 3 milhões durante os últimos três anos e em 2016 indicou uma taxa de 4 milhões faturados. O grupo passou de 30 colaboradores para 94 este ano. O ponto forte das vendas da empresa é a margem sul, no entanto metade destas são feitas para a grande Lisboa. Marcos Vicente evidencia a localização estratégica da sede do grupo lamentando as dificuldades impostas. “A nossa empresa faz distribuição a nível nacional, no entanto temos três balcões, tornando a área junto a estes mais fortes em vendas. No distrito de Setúbal claramente que nos destacamos, estamos a dez minutos das pontes que nos dá acesso para todo o lado com uma eficácia muito grande. E só não temos uma eficiência maior porque há uma enorme dificuldade de transportes de materiais aqui no centro de Setúbal, não há transportadoras nem circuitos o que dificulta o processo”, confessa o gestor da empresa. A MUNDIMAT SA apresenta este ano crescimentos na casa dos 42 por cento em relação ao último ano. O nosso entrevistado indica os fatores que levam a este aumento: “A construção está novamente em crescimento em Portugal, mas há sobretudo uma aposta na reabilitação e no melhoramento das infraestruturas”, o administrador explica ainda que: “estes


mundimat | setúbal

materiais que a MUNDIMAT SA tem tradicionalmente há 15 anos, eram comprados apenas para o setor comercial e nos dias de hoje a habitação começa a ser um consumidor natural destes produtos, o gesso e ‘pladur’ que toda a gente conhece em Portugal começou a entrar em tudo que era espaço de residência, claro que isso também permitiu à MUNDIMAT SA sobressair-se da crise mais depressa”, confessa o jovem empresário. Passados os anos de ouro para as empresas de construção e de venda de materiais de construção, foi a reabilitação de casas históricas que sustentaram a empresa durante alguns anos: “Se virmos cronologicamente ocorreu uma expansão do setor comercial muito grande em Portugal há 10 anos, eram centros comerciais a serem construídos por todo lado, e nessa época para empresas como a nossa foi ótimo, foi um período dourado, acabado isto, o mercado ficou estagnado. Ao estarmos a recuperar casas nos centros históricos há aqui uma gama de produtos que se junta a estes materiais que eram modernos há 18 anos e faz um bolo que de facto fez disparar as nossas vendas”, o empresário acrescenta que os materiais da MUNDIMAT SA são os mais requisitados atualmente para a construção das novas habitações. O Almada Fórum é uma obra do qual Marcos Vicente se orgulha, no entanto, é o Madrid Xanadu que representa a maior construção feita pelo grupo: “Trabalhei literalmente dentro da obra Almada Fórum portanto é uma obra em que pessoalmente tenho muito orgulho, mas a maior obra feita pelo grupo terá sido Madrid Xanadu em Espanha, foi uma obra com uma dimensão astronómica em termos logísticos podemos dizer que foi um El´dourado, uma obra que levava 20 camiões TIR de três em três dias, mas claro que é mais fácil tomar conta dos pequenas projetos” confidenciou o nosso entrevistado. Marcos Vicente revela que um dos segredos para o sucesso da empresa é a diretora financeira do grupo: “A Lídia Mestre teve um aspeto quase fulcral na recuperação da empresa na época, estamos a falar em depositar confiança nas pessoas, em que o nosso futuro passava por permanecer ou por irmos todos embora, e há de facto quatro ou cinco pessoas que colocaram

as mãos à obra e com muita dificuldade conseguimos ultrapassar todas as dificuldades”, o empresário conta também que a MUNDIMAT SA é uma vitória coletiva. O gestor explica o funcionamento da firma: “a empresa funciona em três patamares completamente distintos, temos os três armazéns que são a parte mais forte da empresa e a génese dela quer na venda quer na compra de materiais e distribuição destes, e, portanto, para cobrir estas áreas, temos as lojas que se encontram em Palmela, Lisboa e Portimão. Num segundo patamar temos um segmento muito profissionalizado que faz as manutenções industriais. Nós fazemos a manutenção de várias cadeias de hipermercados, e edifícios públicos e privados. Temos também uma terceira vertente que se focaliza na reabilitação, que faz a intervenção em obras. Temos três vertentes a funcionar de forma distinta dentro da empresa. Em teoria poder-se-ia estar a falar em três empresas diferentes, juntas numa só empresa. E trabalhamos completamente separados porque são zonas que só se tocam ao nível da administração para se poder definir estratégias”, no entanto Marcos Vicente sublinha que todos os diferentes patamares são trabalhados de maneira distinta. A Mundimat ainda dispõe do serviço 24 horas direcionado para as manutenções industriais realizadas durante a noite. O grupo disponibiliza técnicos especializados a qualquer hora para interferir em diversas áreas e conta com uma frota de aproximadamente 40 viaturas p/ o efeito e responder a todas as áreas da empresa. Marcos Vicente e Lídia Mestre garantem que a empresa financeiramente está bem de saúde e por fim deixa uma mensagem: “As empresas são feitas de pessoas e nós que tivemos numa fase menos boa tivemos o apoio dos nossos clientes e dos nossos parceiros, apoio este que foi essencial para a sobrevivência à crise. Quero também agradecer a todo a equipa, somos um grupo jovem e dinâmico e temos um ambiente de trabalho fantástico, temos uma equipa flexível capaz de exercer qualquer tipo de trabalho dentro e fora da empresa. Há uma boa energia entre todos. A equipa da MUNDIMAT SA é o segredo do sucesso da empresa”, finalizou.

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sintra| global international relocation

Mobilidade internacional! A Global International Relocation é uma organização internacional com reconhecimento a nível mundial e com uma rede de agentes presente em cerca de 190 países do mundo. Jorge da Costa é o CEO desta empresa e foi com ele que estivemos à conversa por forma a conhecer melhor os serviços por ela disponibilizados. Trata-se, portanto, de uma empresa com um serviço completo e especializado que permite efetuar mudanças internacionais, armazenagem, transporte de animais de estimação, relocation e imigração, um serviço integral de mobilidade internacional. Foi fundada em 2008 e em 2013 era já líder de mercado. Isto porque conseguiu angariar a confiança de clientes mundialmente reconhecidos, em diversos pontos do globo, com a sua panóplia de serviços de elevada qualidade: mudanças internacionais, serviços de relocation, immigration, armazenagem, embalagens especializadas e transporte de animais de estimação. Nas instalações oficiais desta empresa também está localizado um cofre, inviolável, onde podem ser guardados os bens mais preciosos dos clientes (jóias, quadros, esculturas, entre outros artigos valiosos). No início da sua implementação no mercado, a principal dificuldade prendeu-se com o típico conservadorismo português: “tivemos que começar lá fora e depois integrar o mercado português. Só conquistamos a confiança do mercado português depois de darmos provas de que somos

Jorge da Costa CEO

bons”, confidenciou o empresário. 78 por cento dos clientes da Global International Relocation diz respeito a empresas multinacionais, 11 por cento ao corpo diplomático (onde se incluem as embaixadas), quatro por cento diz respeito à mobilidade militar e o restante aos privados (onde se integram, por exemplo, os jogadores de futebol). Clientes exigentes, que depositam nesta empresa a plena confiança sobre os seus bens desde a desmontagem no país de origem à montagem no país de destino, passando pelo transporte dos mesmos e sua respetiva e correta acomodação – o chamado serviço ‘chave na mão’. Para melhor garantir a qualidade do seu serviço esta empresa trabalha em parceria com entidades seguradoras que se encontram disponíveis para assegurar os bens dos clientes da Global International Relocation se estes assim o desejarem, funcionando, assim, como um complemento aos serviços já disponibilizados. De salientar, ainda, que com o objetivo de não melindrar o bem estar pessoal e profissional dos seus clientes, a empresa em questão oferece um serviço completo não só de mudanças, mas, também, de relocation onde a procura de casa, escolas, ginásios, registo de automóveis, advogados, entre outros, são agilizados de uma forma simples e eficaz. Mudar, de facto, nunca foi tão fácil. O índice de reclamações da empresa de mudanças internacionais não ultrapassa os 1,7 por cento e o preço dos serviços prestados são considerados o garante da qualidade dos mesmos: “Se tivermos um serviço mais barato obrigatoriamente vamos prejudicar a qualidade e nós não queremos isso”, assegurou-nos Jorge da Costa.

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global international relocation | sintra

A equipa da Global International Relocation é bastante jovem e com formação especializada na área e em constante desenvolvimento na própria empresa. “O nível de coordenação e qualificação é bem acima da média, mesmo comparativamente com outros países do mundo”, contou-nos orgulhoso o CEO. São 50 os trabalhadores fixos desta empresa, mas muitos mais (cerca de 38) trabalham indiretamente para ela. Constrangimentos a ultrapassar Questionado sobre as principais dificuldades com que se depara na gestão da sua empresa, Jorge da Costa foi perentório ao afirmar que a comunicação entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e as Alfândegas falha muitas vezes, dificultando o seu trabalho: “deveria existir um melhor assessoramento do Ministério para com as Alfândegas porque o que acontece é que não há formação para as medidas impostas serem aplicadas devidamente”, afirmou.

Por fim, ainda houve tempo para o nosso entrevistado confidenciar que os EUA, Ásia, Moçambique, Colômbia e a Polónia têm sido os destinos mais notórios para investimentos das empresas portuguesas, a par, claro está, dos países onde se fala a língua de Camões. Quanto ao seu negócio, revela “sinto que estou a caminhar para o sucesso, mas ainda não atingi os meus objetivos. Fizemos os alicerces, os pilares e as paredes, agora falta tudo o resto. Queremos atingir a liderança noutras áreas de negócio”, finalizou.

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sintra| gravoplot

A sua empresa de gravação, corte e impressão Com 23 anos de existência, a Gravoplot distingue-se pela diversidade de serviços que oferece aos seus clientes, sempre obedecendo a regras elevadas de qualidade (a empresa esteve certificada de acordo com a ISO9001:2008 de 2011 a março de 2017). Luís Dominguez, atual sócio-gerente desta empresa, foi com ele que estivemos à conversa por forma a fazer um balanço do que ali tem sido desenvolvido. A evolução e crescimento da Gravoplot seguem abaixo descritas.

CNC e laser, sinalética, trabalhos em acrílico, impressão digital (impressão direta em todos os materiais), recorte de vinil, reclames com e sem iluminação e troféus, são trabalhos que fazem parte do que a Gravoplot pode oferecer.

Luís Dominguez e Vítor Soares Administradores

A Gravoplot tem a sua origem na empresa Luís de Oliveira, Lda, sediada na Baixa de Lisboa no ano de 1937. Na altura, era uma empresa que se dedicava à gravação manual e mecânica de joalharia, tendo sido uma referência, recebendo pedidos de todo o país. A qualidade do trabalho permitiu avançarem para a aquisição dos primeiros pantógrafos (máquinas de gravação), começando dessa forma a alargar os horizontes para outras áreas como a sinalética. “Nós avançamos para algo mais técnico, por exemplo fazíamos todas as placas identificativas para o interior de vários navios para a Lisnave, placas de inauguração para entidades publicas, medalhística e troféus e placas para empresas iniciando-nos assim na sinalética”, começou por relembrar o nosso entrevistado. Mais tarde, através de diversas agências de publicidade e design, a Gravoplot começou a produzir trabalhos para grandes marcas nacionais e internacionais, das quais se destacam a Galp, PT, Vodafone, Sonae, Ren, Levis, várias entidades públicas, unidades hoteleiras clubes desportivos, são responsáveis pelo mural dos fundadores do Benfica Estádio e pela sinalética do estádio Alvalade XXI, Edifício Galp, Frota Portugal Telecom ), a Gravoplot trabalha para clientes espalhados de norte a sul do país e estrangeiro. A empresa presta uma enorme panóplia de serviços aos seus clientes: gravação e corte em

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Aposta em tecnologias avançadas Por forma a cumprir da melhor forma todas as tarefas, em todas as áreas em que atua, a Gravoplot investe, constantemente, em novos equipamentos: fresas CNC, laser, impressão digital (impressão UV pequeno e grande formato), corte de vinil, plotter de lamina e vinco, dobragem de acrílicos, máquina de corte de esferovite são os equipamentos disponíveis. Em breve irá ser adquirido um novo equipamento de laser por forma a fazer face às necessidades atuais da empresa. “Hoje desenvolvemos trabalhos muito interessantes. Destaco as obras de arte que fazemos em cortiça e artigos de auxílio para a ciência e industria. Trabalhamos com


todo o tipo de materiais e isso também nos distingue”, rematou. A internet é também uma importante ferramenta para esta empresa. Desde que surgiram as plataformas de apresentação das empresas, online, que a Gravoplot possui site com todos os serviços de que dispõe, no seu portefólio podem encontrar diversas opções para todo o tipo de trabalhos nos mais diversos materiais ou serviços e respetivos contactos. Inicialmente localizada em São Bento, a empresa de Luís Dominguez mudou para umas “maiores e melhores” instalações, em Sintra: “Estas instalações foram projetadas para nós, a localização é boa, com boas acessibilidades, facilmente estamos em qualquer lugar”, destacou o empresário. “Hoje já temos em Sintra dois pavilhões com 1250m2”. Com cerca de 12 funcionários – dos quais cinco já trabalham na empresa há mais de 30 anos – a Gravoplot dispõe de uma equipa de profissionais especializados que faz uso das mais modernas tecnologias, personalizando os produtos de acordo

com as exigências dos seus clientes. Destaca-se nos serviços desta empresa a capacidade de qualidade nos acabamentos, a seriedade e os reduzidos prazos de entrega. Resiliência na publicidade Questionado sobre a mais recente crise económica que abalou o país e consequentemente a maioria das empresas cá instaladas, Luís Dominguez foi perentório na sua interpretação da atualidade. “A publicidade e a sinalética andam quase sempre atrás das crises, por necessidade de procura de clientes, quando uns estão a entrar na crise já outros estão a sair. Há sempre empresas a investir, a surgir e a distinguir-se. Também soubemos diversificar os nossos serviços por forma a adaptarmo-nos ao mercado”. Em final de conversa, ficou a ressalva para o facto de a Gravoplot se encontrar em processo de recrutamento de mais colaboradores.


sintra| f. marques e filhos

Uma família Citroën O concessionário F. Marques e Filhos, Lda abriu em 1981, depois de o pai de Mercês Ferreira Marques, atual gerente e principal acionista da empresa, se reformar. “O meu pai era uma pessoa de alguma responsabilidade dentro da marca CITROËN e, por isso, quando abriu um negócio próprio, fê-lo no ramo automóvel e reparação, mas sempre numa óptica de uma relação com a CITROËN, como representantes da marca CITROËN. Somos um concessionário monomarca e mantemo-nos assim desde 1981”.

Mercês Ferreira Marques e Rodrigo Marques Administradores

depois entregam-no e não têm preocupações nenhumas. E hoje faz sentido, porque as pessoas que moram nas cidades não precisam de carro próprio, porque a rede de transportes melhorou significativamente”, nota a nossa interlocutora. Além destes serviços, o concessionário F. Marques e Filhos Lda tem ainda disponível o Business Center, uma área da empresa que é especializada em atender clientes empresariais. “Os clientes empresariais têm outro tipo de necessidades e fazem a aquisição de formas muito diferentes do cliente particular, que procura uma viatura praticamente para a vida, neste momento, face à crise pela qual passámos, o tempo de renovação do parque automóvel aumentou substancialmente. Porém, os clientes empresariais, até pelo número de quilómetros que fazem, e o tipo de atividade que desenvolvem, têm a necessidade de rejuvenescimento do parque automóvel muito mais rapidamente”, conta Maria das Mercês. E continua: “dada a nossa dimensão, a equipa comercial tanto faz a venda ao cliente particular como ao cliente empresa ou ao empresário em nome individual. No entanto, temos especialistas nessa área, para poder encontrar as melhores soluções para o cliente empresarial, porque o cliente empresarial, também

Neste momento, a empresa já fornece aos seus clientes uma vasta gama de serviços. “Temos vários serviços disponíveis. Temos a venda de viaturas novas e de viaturas Select, que são viaturas usadas mas dentro de padrões de garantia e de qualidade com um limite de número de anos previamente definidos. Não são viaturas usadas, propriamente ditas, mas sim semi-novas. Temos a venda de peças e a reparação de viaturas ou seja os serviços de pósvenda, e uma outra atividade, que surgiu recentemente e é uma marca registada do grupo PSA, que se chama CITROËN RENT & SMILE, onde fazemos o aluguer de viaturas de curta duração”, explica Maria das Mercês. Este serviço está disponível por apenas 19 euros por dia, já com IVA incluído. “A faixa etária dos 30 aos 40 anos é a faixa etária que compra menos e daí termos esta nova atividade, que é o RENT & SMILE. As pessoas querem fazer um fim de semana com os amigos vêm aqui, alugam um carro por um preço extremamente competitivo, e Gerência

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f. marques e filhos | sintra do ponto de vista financeiro, é diferente do cliente particular. Há que obrigatoriamente ter conhecimento dos impactos contabilísticos e financeiros, e não só da própria viatura em si. Qualquer compra tem impacto na empresa do cliente e portanto temos que lhe oferecer a melhor solução, e existem várias”. De acordo com a nossa interlocutora, o concelho de Sintra é muito dinâmico e rico em empresários em nome individual e pequenos e médios negócios, e são esses empresários que mais precisam dos conselhos de um especialista. “Os empresários em nome individual precisam de ser aconselhados, porque a compra não pode ser vista só na ótica do preço. Cabe-nos a nós demonstrar que, por pequenas diferenças de valor, em vez de comprar aquela viatura que tinha em mente, deve adquirir uma viatura com mais, cilindrada ou de diferente dimensão dado o tipo de produto que o cliente transporta, entre outras considerações relativas tipo de aquisição”. Infelizmente, a crise económica na qual Portugal mergulhou levou à falência de muitas empresas, o que obrigou a F. Marques e Filhos, Lda a uma reestruturação profunda, como nunca havia feito anteriormente. “Temos um histórico muito grande em termos de base de dados de clientes e, com base na análise que fizemos, cancelámos quase metade das empresas nossas clientes. Em 35 anos, foi a pior fase. A pior crise. Tivemos de estar muito atentos aos sinais e enveredar imediatamente pela reestruturação. Foi a primeira vez que isso aconteceu, mas houve efetivamente, a nível de recursos humanos, uma renovação, com extinções de postos de trabalho. Além disso, fizemos e fazemos um controlo de custos muito rigoroso”, lembra Maria das Mercês. Ao longo dos três anos seguintes ao período mais forte da crise, a empresa atravessou um momento delicado, com mudanças profundas, mas os esforços foram recompensados e, atualmente, a F. Marques e Filhos, Lda já conta com 25 trabalhadores, sendo que cerca de metade, com excepção do pós venda são mulheres. “O que é facto é que o que foi feito permitiu que a

empresa, tendo dois anos de prejuízo como nunca tinha tido, rejuvenescesse, regenerasse quadros e contratasse novas pessoas. Mas as vendas ainda estão muito débeis ao nível do cliente particular”, alerta. O perfil do cliente particular alterou-se e, por isso, foram surgindo novas realidades. “O cliente particular recorre muito menos ao financiamento, continua com um certo receio de compromissos financeiros. As pessoas que vêm comprar fazem-no a pronto pagamento e, portanto, tem que utilizar a sua poupança na aquisição do automóvel. O dinheiro que retiraram dos bancos serve agora para adquirir uma nova viatura. A viatura possuída é levada até ao limite da capacidade de utilização”, salienta Maria das Mercês. A mudança no perfil do cliente levou, obrigatoriamente, à mudança do produto da marca CITROËN. “Estamos numa fase de rejuvenescimento da marca CITROËN. O nosso cliente tradicional, que era o nosso grande target, foi desaparecendo aos poucos, porque atingiu um limite de idade ou porque já não se revê neste novo conceito. A conquista de novos clientes é mais difícil, porque o perfil do novo consumidor, entre os 30 e os 40 anos, mudou radicalmente. Essas pessoas procuram essencialmente aquilo que chamamos o segmento B, que é o novo C3, e um SUV que também será muito interessante para esta faixa etária, e que iremos lançar agora – o CITROËN C3 AIRCROSS”. A CITROËN possui uma gama de carros dinâmicos, jovens e que realçam a importância da pessoa, como mostra a própria assinatura da marca. “A assinatura da marca neste momento é ‘inspirado por si’ porque são pensados para o

cliente e as novas gerações de clientes têm um poder económico muito diferente e uma consciência cada vez maior de que um carro é uma utilidade e não algo para exibir”. Quem vem ao concessionário F. Marques e Filhos pode contar com o atendimento padrão da marca CITROËN e com a diferença que a equipa desta empresa faz questão de imprimir ao seu trabalho diário. “Somos muito descontraídos e joviais com o cliente, mas também rigorosos e fazemos um acompanhamento personalizado a todos os que nos visitam”, realça. Além disso, os clientes já podem contar com um espaço dedicado às crianças, onde os pais podem deixar os filhos enquanto escolhem o novo carro e, brevemente, a F. Marques e Filhos Lda tornar-se-á uma empresa pet friendly. Para Mercês Ferreira Marques, a marca CITROËN é uma marca revolucionária. “Nós sempre fomos uma marca revolucionária. Os nossos modelos cortaram sempre com o status quo. O cliente é que nos inspira. Temos uma boa história, tivemos bons produtos e outros de menor sucesso, é verdade, temos que o assumir. É por tudo isto e pela sua capacidade de reinvenção que tenho muito orgulho nesta marca, e confiança no seu futuro”.

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sintra| ddpl

DDPL - Distribuição de brinquedos Prestes a fazer 20 anos, a DDPL é uma empresa de venda e distribuição de produtos licenciados, sobretudo da área infantil, e que dispõe de uma vasta gama de escolhas: “A DDPL habitualmente tem um pouco de tudo, de todos os personagens que estão na moda e numa variedade de produtos – temos mochilas, peluches, cantis, relógios, perfumaria e cosmética infantil”, conta Rui Cabral, proprietário da empresa.

Rui Cabral Proprietário

Antes de iniciar uma atividade própria, Rui Cabral já tinha trabalhado na distribuição de brinquedos, nomeadamente aquando do lançamento em Portugal dos jogos Trivial e Pictionary. “A empresa onde eu trabalhava abriu um

muito de uma vez mas compram muitas vezes. Diariamente, quase. E nós distinguimo-nos pela capacidade de resposta que temos”, explica Rui Cabral. Essa capacidade de resposta provém de uma estratégia

A prova de que a aposta na tecnologia valeu a pena pode ver-se pela facilidade com que os clientes rapidamente interagem com a empresa, podendo inclusivamente manter encomendas em aberto sem que, com isso, atrasem o prazo

departamento para a venda e distribuição de jogos, nomeadamente o Trivial e o Pictionary, e eu trabalhei aí durante 20 anos. Em 1998 saí, e alguns dos fornecedores vieram trabalhar comigo, na distribuição de brinquedos”. Atualmente, a DDPL distribui por todo o país e tem uma equipa de vendas, pertencente aos quadros da empresa, que trabalha de norte a sul do país e ilhas, para satisfazer a necessidade dos clientes. “Há muitas empresas que trabalham essencialmente só com os hipermercados. Chegam, fazem as suas encomendas, entregam as encomendas e vão de férias. Normalmente, em agosto não há férias, porque trabalhamos também muito com o retalho, que continua ainda dinâmico. São clientes que não compram

comercial muito bem organizada e conta com a ajuda das novas tecnologias. “Nós fizemos um investimento grande, há cerca de seis anos. Começámos com uns PDA’s, que faziam a leitura do código de barras no catálogo e faziam a sincronização para a empresa, onde as encomendas entravam rapidamente. Agora, com o tablet, visualiza-se o catálogo no tablet, onde se tem as fotos de tudo e continua a haver a mesma sincronização. Com isso ganhou-se uma maior mobilidade e uma grande capacidade de resposta de serviço”, conta Rui Cabral. “Um vendedor sai do cliente às três da tarde, a encomenda é sincronizada e entra no sistema e, se houver disponibilidade no armazém, sai nesse próprio dia às seis da tarde. Há um ganho muito grande de tempo”.

de entrega. “Durante a época de campanha escolar, a nossa campanha é forte e temos clientes que nos telefonam todos os dias, praticamente, a pedir produtos, que saem nesse mesmo dia. E temos clientes que telefonam de manhã e pedem para adiar a encomenda, para não a enviar logo, porque ainda poderão ligar de novo à tarde” detalha Rui Cabral. “Hoje em dia, com as novas tecnologias, os clientes trabalham quase totalmente online e pedem para deixar a encomenda aberta até à tarde, à espera que os seus clientes decidam se querem, por exemplo uma mochila, ou a mochila com a lancheira. Portanto, existe esta rapidez de comunicação, tal como a possibilidade de entregar o produto rapidamente”.

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ddpl | sintra A juntar à facilidade de entregas e de encomendas, a DDPL pode ainda contar com a confiança dos seus clientes, no que diz respeito à capacidade que tem de satisfazer até os pedidos mais difíceis ou desconhecidos. “Quando precisam de alguma coisa, e não encontram, os nossos clientes vêm perguntar-nos. E é bom saber que quando os clientes têm uma dúvida falam com a DDPL primeiro”. Graças à sua ligação de grande proximidade com os clientes, garantindo a sua máxima satisfação e o serviço mais rápido possível, no que diz respeito a entregas de mercadoria, a DDPL tem vindo a garantir clientes novos todos os anos. “A nossa equipa de vendas, que está em campo, cultiva uma relação de amizade muito grande com os nossos clientes, que vai ficando. Além disso, qualquer reclamação que exista, atendemo-la de imediato. Trocamos o produto,não pomos sequer questões. Resolvemos na hora. Damos essa garantia aos clientes e eles também reconhecem e agradecem”, conta Rui Cabral. Se algum produto chega ao cliente com um defeito de fabrico, a empresa compromete-se a trocar a mercadoria e a recompensar o cliente, sem demoras e grandes análises. “Se chegou ao cliente uma mochila com um fecho avariado, essa vem para trás e segue imediatamente outra. Se, por qualquer motivo, demorarmos, mais do que o normal, quando devolvemos a mochila oferecemos um ‘miminho’, para compensar o tempo de espera”.

Infelizmente, também existem casos em que alguns clientes, sobretudo do setor do retalho, se debatem com graves dificuldades financeiras, mas Rui Cabral garante que a DDPL se posiciona como uma empresa parceira dos clientes e procura ajudar. “Temos vindo a gerir da melhor forma essa situação e posso dizer que os incobráveis, de ano para ano, vão diminuindo”. O segredo para conseguir diminuir a dívida dos clientes é não vender em excesso. “Temos algum cuidado em não encharcar as pessoas com mercadoria. Damos o suficiente para que eles possam ter a porta aberta, porque no início do negócio as pessoas têm muitas ilusões. Aparecem vendedores de outras empresas e eles enchem a casa de mercadoria. Depois têm dificuldade para vender, têm de pagar a mercadoria e não venderam o suficiente”. Esta situação é, para Rui Cabral, frustrante. Por esse motivo, o proprietário da DDPL acredita que garantir aos clientes o stock ideal

para trabalharem é o suficiente. “Nós preferimos que eles vão construindo. Costumo dizer, por graça, que eu tenho armazém, não preciso de mudar o meu armazém para o dos clientes. Quero que os meus clientes vendam. Prefiro ir ao cliente 10 vezes e vender-lhe 10 peças do que deixarlhe logo lá a mercadoria toda, porque conforme eles vão vendendo, ficam contentes e vão evoluindo. Há aqui um fator psicológico”. Graças à sua gestão, muito apoiada na estrutura comercial e de logística de distribuição, a DDPL já ganhou, várias vezes, o prémio de PME Líder no seu setor. Rui Cabral considera que isso se deve ao cuidado que a empresa tem com cada negócio que faz e à rentabilização dos lucros. “O prémio ganha-se pela boa gestão financeira e tem que ver com os rácios que a empresa vai criando e vai gerindo. Isso quer dizer que a DDPL, em 20 anos, nunca teve um problema, nunca teve um cheque devolvido, nunca falhou nenhum pagamento”. Para o futuro, a DDPL já tem novos investimentos em vista. “Estamos a pensar ter alguns produtos próprios e arranjar um armazém único, em vez dos três que temos, de momento. Fica mais fácil de gerir o stock e de organizar o sistema de picking num armazém único. Além disso, o site da DDPL está quase pronto e terá vendas online, para os nossos clientes, tendo apenas que fazer o registo”, finaliza.

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sintra | transgrande

Experiência e segurança sobre rodas Com 16 anos de atividade e sediada em Sintra encontra-se a Transgrande, uma empresa de transportes vocacionada para o setor da pedra. Paula Cristóvão é, a par do seu marido – Américo Cristóvão –, uma das administradoras e foi com ela que estivemos à conversa por forma a conhecermos um pouco mais sobre esta empresa e sobre o setor em que ela se encontra inserida.

Surgiu em 2001, dispõe de um escritório, estaleiro e oficina com cerca de 100 metros quadrados e é administrada pelo casal Paula e Américo Cristóvão. “Não trabalho aqui a tempo inteiro desde o seu início, no entanto, há seis anos tive um problema de saúde e tive que repensar a minha vida. Devido a isso decidi juntarme ao meu marido na gestão desta empresa”, contou-nos a empresária, ao mesmo tempo que explicava a divisão bem definida das tarefas de cada um: “ele gere a equipa, faz a manutenção dos veículos e até alguns transportes, por outro lado, eu concentro-me na gestão da papelada”, rematou. Com 13 viaturas a compor a sua frota – todas da marca Volvo e equipadas com sistema de localização e mobilização de frota – a Transgrande é uma empresa que trabalha, maioritariamente, com a indústria da pedra: “Do Alentejo vem o mármore branco para aqui ser transformado e, posteriormente, exportado. Transportamos, também, muito basalto, granito e mármore para o norte do país e fazemos contentores para a Arábia”, explicou-nos a nossa entrevistada. A Transgrande trabalha essencialmente o mercado nacional e, pontualmente, Espanha, mantendo-se fiel aos clientes com quem já trabalha há diversos anos: “Para nós, quer clientes, quer fornecedores são extremamente importantes e nós mantemos uma ótima relação com todos eles”, garantiu. Nesta empresa não existe distinção entre patrões e empregados, segundo Paula Cristóvão, todos formam “uma equipa”, que se entreajuda e procura o sucesso comum. “Só para vos dar um exemplo, ao sábado eu faço um almoço para toda a equipa e vejo-os a conviverem e a trocarem conselhos entre si”, confidenciou. A qualidade dos veículos e a experiência dos seus condutores fazem a diferença nos serviços prestados pela

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Transgrande. “O acomodamento correto da pedra é muito importante, bem como a manutenção frequente dos veículos que andam na rua. Nisso nós nunca descuramos. A segurança e a qualidade do transporte são as nossas prioridades”, garantiu-nos. Os fardos do setor Já é sabido que o setor dos transportes sofre com o preço do gasóleo. Neste caso, a explicação dada por Paula Cristóvão foi bastante esclarecedora: “nós recebemos de quase todos os nossos clientes a 60 ou 90 dias, no entanto, exigem-nos que o gasóleo seja pago a 30 dias. A juntar a isso temos a demasiada burocracia existente neste setor bem como regras que não se aplicam em determinados contextos”, enumerou a representante da Transgrande. O futuro próximo passará, talvez, pela aquisição de um novo veículo, aumentando a frota ao dispor da Transgrande. “Como não gosto do número 13 já começamos a pensar num décimo quarto veículo”, finalizou a nossa entrevistada.


SANTARÉM, UM DISTRITO COM HISTÓRIA As teorias tardo-renascentistas que associam a fundação de Santarém ao nome do fundador mítico de Tartessos (o herói Habis) são inaceitáveis à luz dos conhecimentos atuais. A arqueologia demonstra-nos que a primeira “estrutura urbana” do povoado remonta ao Bronze final. Por outro lado, a importância de Santarém desde o século XII documenta-se por inúmeros privilégios que constam nos seus forais e reflete-se nos seus quinze mosteiros e cerca de quarenta ermidas, dois paços realengos e vários palácios e solares da melhor nobreza do reino, distribuídos pelas suas quinze paróquias urbanas. O seu número e relevância testemunham uma opulência artística e cultural sui generis à escala do território português, ombreando com importantes metrópoles europeias. Ao nível empresarial esta é uma cidade em franca expansão e com muito empreendedorismo. Os exemplos de negócios de sucesso e de pessoas inovadoras que estarão presentes nas páginas seguintes serão capazes de inspirar cada um dos nossos leitores. E se não for pelo negócio, vale pela beleza uma visita a Santarém!

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santarém | santa casa da misericórdia do entroncamento

Tradição, Atualidade e Modernidade Firmino Falcão é o rosto principal da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento. O provedor revelou à Revista Business Portugal o passado o presente e o futuro de uma das mais jovens Santas Casas do país.

Como nasce a sua ligação à SCM e como se torna provedor desta instituição? Para além do conhecimento e amizade que mantinha com o ex-Provedor Manuel Fanha Vieira, foi no quadriénio de 2014/2018, que integrei, como presidente da Assembleia Geral, os Órgãos Sociais desta Santa Casa. Posteriormente, após demissão de Manuel Fanha Vieira, por razões de saúde, a 26 de outubro de 2016, passei a integrar a Comissão Administrativa, nomeada pelo Sr. Bispo da Diocese de Santarém, D. Manuel Pelino. Esta Comissão tomou posse no dia 27 de outubro de 2016 e a sua nomeação teve como objetivo assegurar a gestão desta instituição por um período de seis meses, fim do qual seriam eleitos os novos Órgãos Sociais, o que veio a acontecer a 21 de abril, efetuando-se a tomada de posse a 28 de abril, do presente ano, dai resultando a minha eleição e tomada de posse como provedor para o próximo quadriénio de 2017/2021. Qual a vossa principal preocupação? Acima de tudo, continuar o caminho inicialmente traçado pela equipa da Comissão Administrativa, onde nos focamos primeiramente na sustentabilidade económica e financeira da instituição e, de forma igualmente prioritária, na excelência dos nossos serviços, que abrangem duas áreas fundamentais: saúde e área Social. Não nos podemos esquecer que a missão desta instituição é a diminuição de carências sociais e a prestação de serviços de apoio diversificado à comunidade, nas áreas referidas, portanto, o melhoramento na qualidade dos Serviços e a procura contínua das melhores respostas serão sempre a nossa preocupação.

Firmino Falcão Provedor

Como e quando surge a SCM do Entroncamento? É uma das Santas Casas mais jovens do país, surge a fevereiro de 1950, com um posto hospitalar, que é atualmente o nosso Hospital São João Baptista. À semelhança das restantes Santas Casas, vem tentar suprimir as necessidades que se verificavam, na altura, no concelho do Entroncamento, nomeadamente no apoio na área da saúde e, posteriormente, na área social, com o problema emergente do envelhecimento da população.

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Que valências possuem? Atualmente temos quatro valências, com diferentes repostas. Na área da saúde temos o Hospital São João Baptista, recebe diariamente centenas de utentes

nos diferentes serviços, que vão desde exames de cardiologia, imagiologia e gastroenterologia, consultas de especialidade, nas mais diversas áreas, cirurgias de oftalmologia e ortopedia, quer pelo privado, quer pelo Sistema Nacional de Saúde, ou beneficiando os utentes de outros subsistemas ligados à prestação de cuidados, serviço de medicina (internamento) e o serviço de consulta aberta (antigo serviço de urgências). Ainda nesta área, temos, igualmente, a Unidade de Cuidados Continuados Integrados, com as unidades de convalescença, internamento de média duração e reabilitação e de longa duração e manutenção. A nível social a Santa Casa possui duas ERPIs (Estrutura Residencial para Idosos): Lar Fernando Eiró Gomes (54 utentes) e Lar Santa Casa a Misericórdia (64 utentes), que inclui também os serviços de Centro de Dia (25 utentes) e Apoio Domiciliário (56 utentes). Que trabalho tem sido desenvolvido pela SCM na área da saúde? Acima de tudo, oferecer os melhores serviços à nossa comunidade. Procuramos e estabelecemos acordos que tornem os cuidados de saúde mais acessíveis a toda a população e tornem este hospital a sua primeira opção. Assinámos, este ano, um acordo de cooperação com a ARSLVT que permite o encaminhamento dos Centros de Saúde de utentes com presunção cirúrgica, nas áreas de ortopedia e oftalmologia, para o nosso hospital. Permitindo que tanto as consultas, como a cirurgia, seja realizada neste hospital. Em articulação com a União das Misericórdias Portuguesas e o Grupo Misericórdias de Saúde, aderimos aos protocolos pelos mesmos já estabelecidos, bem como ao cartão de saúde, através da Multicare, que permite o acesso aos nossos serviços de saúde. Isto, sem nunca esquecer a melhoria contínua dos nossos serviços, sempre a pensar na excelência e nos melhores cuidados.


santa casa da misericórdia do entroncamento | santarém instituição, não só pelos serviços que presta, como pelo universo de cerca de 400 colaboradores (diretos e indiretos) que prestam o seu trabalho diário a esta casa e da qual depende o seu próprio sustento e a estabilidade familiar. Em segundo lugar, toda a Instituição que não se adapta às novas realidades e que não inova nos seus processos na prestação de serviços a que o seu objeto social a obriga, está destinada a estagnar e a perder-se. Neste sentido, o maior desafio que enfrentamos passa por manter a capacidade de inovação, que sempre caracterizou esta casa, sem negligenciar a sua sustentabilidade. Quantas pessoas trabalham para a SCM? Atualmente temos um universo de cerca de 350 colaboradores no quadro de pessoal, aos quais acrescem cerca de 100 indiretos (prestadores de serviços). E a Unidade de Cuidados Continuados. Como surge? Surge com o intuito de alargar os serviços prestados pela SCME. Foi um projeto que a Santa Casa abraçou logo após a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em 2006, ano em que o HSJB passou a integrar o Serviço de Convalescença. Mais tarde, em 2010, surge então a UCCI que integra agora as três respostas de Convalescença, média duração e longa duração.

social como de saúde. Esta unidade não trabalha diretamente com a comunidade, uma vez que recebemos utentes, que se encontram em situação de dependência, dos vários pontos do país, encaminhados de outras Unidades de saúde. No entanto, é, sem dúvida, uma unidade de referência, não só pela qualidade das instalações, como pela excelente equipa multidisciplinar que aqui desenvolve o seu trabalho, pelo que, na área da formação consideramos ser relevante os protocolos estabelecidos com as várias instituições de ensino

Que investimento foi necessário fazer? Inicialmente foi necessário o alargamento do HSJB, com a criação de uma ala, que, em 2006, pertencia à Unidade de Convalescença e que é hoje designada pelo Serviço de Medicina II (Internamento). Em 2009 iniciou-se a construção do edifício, concluído em 2010, onde se encontra instalada a UCCI, que integra 15 camas de convalescença, 40 camas pertencentes à tipologia de média duração e reabilitação e 30 camas à tipologia de longa duração e manutenção.

(escolas profissionais e de ensino superior), para a realização de estágios, curriculares e profissionais. Como reflexo da qualidade dos serviços prestados, a par da competência e dedicação dos profissionais desta unidade, a 19 de abril, do presente ano, foi atribuída a Acreditação da Qualidade de nível Bom, pelo Secretário de Estado Manuel Delgado, na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa. Esta atribuição constitui um incentivo no empenho de todos quanto ao caminho a percorrer com vista à ‘Excelência’.

Que serviços prestam à comunidade? A RNCC é constituída por diversas instituições, públicas e privadas, que prestam serviços continuados, tanto a nível

Quais os maiores desafios que têm enfrentando/ encontrando no trabalho desenvolvido? Não podemos descurar a responsabilidade social desta

Quais os projetos futuros? A reabilitação do Lar Fernando Eiró Gomes é, sem dúvida, a nossa prioridade. Estamos, atualmente, através de diversas candidaturas, a procurar uma forma de reabilitar esta infraestrutura que é a casa de 54 utentes, e que, no entanto, consideramos que não apresenta as melhores condições. As demências são um problema social emergente, a diminuição das capacidades físicas e cognitivas, e consequentemente da autonomia, é igualmente uma realidade, sendo que pretendemos que esta ERPI, possa dar resposta a esta nova realidade, que nos é tão próxima, e que esteja preparado para acolher, da forma mais adequada, os utentes. Com a referida restruturação do edifício a capacidade de acolhimento de utentes aumenta para 74, ficando com alas específicas, de acordo com as necessidades dos utentes. A infância é um público que ainda não é abrangido por esta instituição, no entanto, dada esta nova realidade social, tanto dentro da nossa Instituição, como na própria comunidade, é, sem dúvida, um projeto que tem sido pensado e a ponderar para o futuro.

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tema | empresa

“Somos o melhor parceiro para a agricultura” A Agridirect é uma empresa de comércio e distribuição de máquinas agrícolas de precisão. Localizada em Benfica do Ribatejo, concelho de Almeirim, a Agridirect assume-se como um precioso aliado aos agricultores da região e do país.

Nuno Paim Gerente

Nuno Paim, é o gerente da Agridirect e, em entrevista à Revista Business Portugal, dá-nos conta da evolução deste seu projeto e do setor agrícola em Portugal. “A empresa foi fundada há 10 anos, embora numa outra vertente, a do comércio de automóveis e acessórios. Entretanto, com a crise, o setor automóvel ficou muito difícil e decidimos apostar na agricultura, há cinco anos, quando esta dava sinais de retoma”, explica. A qualidade desde sempre foi uma obrigatoriedade para Nuno Paim e tal comprova-se pelas marcas representadas pela Agridirect. “Começámos por ser representantes da marca alemã Lemken. Ao longo do tempo, e como os resultados do trabalho foram sendo positivos, foi surgindo a oportunidade de trabalhar com outras marcas e, assim, conseguimos conquistar uma maior cota de mercado”, garante. Atualmente, a Agridirect é concessionária da marca de tratores Case IH e trabalha ainda com as marcas Lemken,

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agridirect | santarém

Geringhoff, Caffini, Sauter, TMC Cancela, D’Eusanio, Goweil, entre outras. Ao fim de cinco anos, a aposta não se poderia revelar mais certeira. Nuno Paim confessa que a evolução tem sido bastante notória, quer em termos de vendas de máquinas e acessórios, como em termos de faturação e de assistência. “Os nossos clientes têm dado um feedback muito positivo, até porque só trabalhamos com marcas de elevada qualidade. São praticamente todas alemãs, são robustas, têm pouco desgaste e é isso que nos distingue em relação à concorrência”, garante. Numa empresa como a Agridirect, a assistência não pode ser descuidada. A empresa encontra-se, de momento, a investir neste setor, com a preparação de uma carrinha que só se dedicará a essa função. “É uma área que exige muita preparação e sabedoria e que queremos que seja uma mais valia para o nosso cliente”, realça o responsável.

Para Nuno Paim, as perspetivas futuras são boas e passam pela expansão. “O mercado está a mudar muito rapidamente, mas tenho boas perspetivas. Há projetos de expansão e não fechamos a porta, a curto ou a médio prazo, a ter filiais e parcerias em vários pontos do país”, acrescenta. O gerente aproveita para convidar os leitores a uma visita à Agridirect. “Venham à Agridirect pela nossa grande variedade de marcas, pelo stock de novos e usados, pela qualidade a nível de atendimento e de assistência. Venhas comprovar a melhor relação qualidade/preço e façam da Agridirect o melhor parceiro do seu negócio”, termina.

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santarém | frescura aromática

Aromas com uma frescura sem igual Naturais da ilha da Madeira, Maria Vieira e o seu marido, Manuel Vieira, adquiriram experiência no cultivo de ervas aromáticas. No Cartaxo, juntaram-se ao pai de Maria, numa exploração familiar de produção de hortícolas, até que, em 1990, decidem especializar a sua produção em ervas aromáticas. Conheça a história da Frescura Aromática.

crescimento e temos lutado sempre para que assim continue, apostando na inovação e na experimentação de novos produtos. A mudança de nome é a prova da modernização da nossa empresa no mercado das ervas aromáticas. Que balanço faz destes anos de atividade? Têm sido anos de trabalho árduo, de várias mudanças, mas que tem vindo a crescer, principalmente após a nossa entrada no MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa), onde temos adquirido cada vez mais clientes. Como em todas as empresas, temos momentos menos bons mas o nosso lema consiste em não desistir e enfrentar sempre as adversidades com positividade.

Manuel e Maria Vieira Administradores

Como surge a Frescura Aromática? A Frescura Aromática é a renovação de uma empresa já existente mas com uma diferente representação. Antes esta mesma identificava-se por Fernando Marques Gouveia e CªLda. Após a saída de um dos sócios, a outra sócia, Maria Vieira, tomou a frente desta empresa juntamente com o esposo e os filhos. Hoje somos uma empresa em

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também leguminosas como o espinafre, beterraba, aipo, cebolette e acelgas. Temos apostado também em saladas como a rúcula selvagem, mizuna, folha de mostarda e folha de beterraba. Na época de verão produzimos quiabos, malaguetas, piri-piri, milho doce (maçaroca), pimento padrão e o pimento lampião, produtos que se têm revelado uma aposta de sucesso.

Porquê esta ingressão pelo mundo das aromáticas?

O público e os consumidores estão cientes dos benefícios das aromáticas na sua saúde? Cada vez mais as ervas aromáticas têm sido divulgadas através de programas televisivos que incentivam à inovação na culinária com o uso das mesmas. Os clientes com que temos contacto direto, é-lhes dado a conhecer os diversos benefícios das ervas por nós produzidas, e esse fator tem

A ingressão neste mundo veio por parte do antigo sócio, que esteve emigrado em França vários anos e trabalhou na área. Na altura viu este ramo como uma mais-valia, pois o mercado era pouco explorado nesta área e acabou por dar bons frutos mesmo após a sua retirada.

ajudado ainda mais à propagação dessa informação. O uso das ervas aromáticas, principalmente em termos medicinais, já vem dos nossos antepassados e nos dias de hoje, cada vez temos mais presente a sua utilização como calmantes naturais, curas de gripes, constipações, azia, entre outros.

Como tem corrido esta aposta? Esta aposta, principalmente após nova gerência, tem corrido de forma positiva. Tudo consiste num trabalho de equipa em que todos temos o objetivo de evoluir e expandir cada vez mais. Visto que somos uma empresa que emprega cerca de 40 trabalhadores, numa cidade em que o desemprego é elevado, podemos afirmar que somos um benefício para várias famílias.

Já são exportadores? Não. Já ponderamos entrar no mercado internacional, mas como temos tido muita procura a nível nacional , temo-nos dedicado a esse nível.

Que produtos podemos encontrar na Frescura Aromática? Podemos encontrar uma vasta variedade de ervas aromáticas, desde o manjericão, cebolinho, alecrim, tomilho, salsa, coentros, hortelã, entre muitas outras. Produzimos

Por onde passa o futuro da Frescura Aromática? O futuro da Frescura Aromática passa na inovação, melhoria da qualidade e satisfação dos nossos fiéis clientes. Acreditamos que se nos mantivermos sempre firmes e apesar da concorrência ser cada vez maior, já temos um nome bem forte no mercado e é nisso que continuamos a apostar.


rolineves | santarém

“Temos todo o tipo de materiais que

possam ser necessários na construção”

Um leque variado de produtos na área da construção está à disposição de quem visita a Rolineves. Situada em Alcanena, diferencia-se pela gama de artigos que oferece e que cobre todos os aspetos que a construção envolve. Carlos Rosa, gerente da empresa, fala à Revista Business Portugal dos projetos futuros de um negócio que já atravessou duas gerações e tem os alicerces bem estabelecidos.

da empresa que esta se mantenha na linha da frente: “estamos a acompanhar as novas tecnologias e as novidades que vão surgindo na área, como no pladour por exemplo”, esclarece. Com cerca de 40 anos de mercado, a Rolineves atua em diversas frentes. Para além de loja aberta em que trabalham o cliente comum que vai à procura de um produto simples, funcionam também como armazenistas, tendo a mais-valia de serem fornecedores de empresas da zona.

Carlos Rosa Administrador

O conhecimento e envolvência com a área da construção está presente na família há vários anos. Com o avô como construtor civil, Carlos Rosa acredita que foi mais fácil para o seu pai seguir o impulso de se lançar com a Rolineves. “A empresa nasceu em 1977, na área de materiais de construção. É uma empresa familiar, que já atravessou duas gerações. O meu avô era construtor civil e, como não havia nenhuma casa deste género aqui na zona, o meu pai decidiu arriscar. Isto existe já há cerca de 40 anos. É muito tempo e estivemos sempre no mercado. Como é óbvio, passamos por períodos de crise, mas aguentamos sempre. Inicialmente, tínhamos atividade aberta em nome individual e passamos para empresa em meados de 1995. Já fomos três, neste momento sou só eu. Temos todo o tipo de materiais que

possam ser necessários na construção, desde o alicerce até uma torneira para a casa de banho”, afirma o gerente. Embora localizada numa zona em que a concorrência direta não é muita, a Rolineves compete com as grandes superfícies estabelecidas no mercado, que também comercializam materiais semelhantes. A estratégia de diferenciação é simples: a variedade e qualidade dos produtos disponíveis. “Temos várias qualidades de material. Temos o material de gama mais baixa, como o que é vendido nas grandes superfícies, mas também temos outros com grande qualidade, que têm preços mais altos. A construção é uma mais valia, porque é uma área muito abrangente. Tanto se faz uma casa com mil euros em material, como com 4 mil ou 5 mil euros”, explica Carlos Rosa. Outro dos aspetos que permite uma maior diferenciação em comparação com os demais, é o interesse no desenvolvimento da área e das novas tecnologias. Com as coisas sempre em evolução, é importante para o gerente

“Aqui em Alcanena somos fornecedores de algumas empresas e somos parceiros de algumas marcas. Tanto trabalhamos como armazenistas, como com o cliente final, em loja”, afirma Carlos Rosa. Com o negócio bem estabelecido e os alicerces bem assentes, o futuro passa por aumentar o reconhecimento da marca e, um dos passos importantes nesse sentido é, na óptica do gerente, centralizar tudo numa loja única. “No futuro, pretendo que a marca seja uma referência pela oferta que proporciona ao cliente. Desde o jardim, materiais de construção, azulejos, mosaicos, temos uma vasta gama de material à disposição de quem nos visita e quero que, quando as pessoas cheguem cá para comprar um artigo, acabem por perceber que podem servir-se com muitas outras coisas que podem ser essenciais para o trabalho que estão a realizar”, conclui Carlos Rosa.

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santarém | costa martins & dias

Soluções viáveis para a indústria metalúrgica Costa Martins & Dias, Lda. é o nome da empresa, localizada em Rio Maior – Santarém, que foi visitada pela Revista Business Portugal para esta edição. São três os sócios representantes desta empresa: José Costa, João Dias e Paulo Martins. Foi com José Costa e João Dias que estivemos à conversa por forma a percebermos melhor qual a área de atuação da Costa Martins & Dias bem como a atualidade do setor. As informações conseguidas seguem abaixo.

Esta empresa surgiu através de uma sociedade inesperada. “Juntámo-nos porque estávamos descontentes com a empresa onde trabalhávamos anteriormente. Já lá vão 16 anos”, começaram por contar os empresários. Arriscar num negócio próprio “valeu a pena”, garantem, uma vez que

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agora têm “mais trabalho e mais retorno” pela atividade que exercem. Apesar de serem especializados no fabrico e montagem de estruturas metálicas e coberturas, a Costa Martins & Dias comercializa, também, painéis sandwich, chapas simples,

calhas, portas, portões e janelas para diversos clientes. “Nós fabricamos e montamos. Realizamos o chamado projeto ‘chave na mão’”, destacaram os nossos entrevistados. De salientar, ainda, que esta empresa também se encontra habilitada à remoção de amianto e à projeção de polibutano. Metalúrgica Casal Filipe Há cinco anos, os sócios da Costa Martins & Dias fundaram um novo negócio: a Metalúrgica Casal Filipe, que se dedica à comercialização das peças e estruturas fabricadas pela primeira empresa: “Tínhamos estaleiros com o material e começaram a surgir pessoas a solicitar os nossos produtos. Vendemos tudo o que esteja ligado à construção metálica”, explicaram. São, no total, 23 os funcionários que formam a equipa destas duas empresas que se complementam. No entanto, os nossos entrevistados afirmam necessitar do dobro das pessoas para conseguirem dar resposta às requisições dos (cada vez mais) clientes das suas empresas: “Não há mão de obra qualificada para a indústria metalúrgica. Vêm aqui estagiar, mas eles vêm sem saber fazer nada. Nós temos que lhes ensinar tudo. E nas montagens acontece o mesmo. Neste momento precisávamos de ter o dobro dos funcionários. Estamos, inclusivamente, a recusar trabalho porque não temos mão de obra suficiente e o tempo de espera está muito longo. Felizmente, os clientes esperam porque confiam em nós, mas é uma situação muito complicada”, assumem. Esta confiança que se denota entre empresa e clientes existe devido ao tratamento de proximidade com que os negócios são realizados. “Sempre tivemos e continuamos a ter muito cuidado com os nossos clientes. Estimamo-los, somos sérios e trabalhamos com qualidade. Todos eles gabam os nossos acabamentos, por exemplo”, desvendaram orgulhosos. Para o futuro prevê-se uma mudança de instalações, visto as atuais se estarem a tornar cada vez mais pequenas. “Pretendemos crescer, mas temos tido problemas com as devidas autorizações necessárias à construção de novas instalações num terreno que temos nas Caldas da Rainha”, finalizaram.


justino louro fernandes & filhos | santarém

“Trabalhamos quatro áreas: ferro, alumínio, PVC e inox” A visão e o empenho de Justino Louro Fernandes levaram-no à criação do seu negócio, tendo dado o seu nome à empresa. Atualmente gerida pelos filhos, Paula Fernandes e António Fernandes, atua em várias frentes ligadas à construção: serralharia de ferro, alumínio, PVC REHAU e inox. Localizada em Tomar, é já uma referência no setor, sendo certificada e distinguida como PME líder. comercializamos, produzimos e instalamos”, explica Paula Fernandes. Com o projeto a ser-lhes passado para as mãos, Paula Fernandes e António Fernandes quiseram continuar o bom caminho até aí percorrido. As crises pelas quais o país passou não passaram ao lado da Justino Louro Fernandes & Filhos, Lda sendo que o bom nome no mercado, a confiança dos clientes e a capacidade de superação acabaram por ser suficientes para que fossem ultrapassadas. “O meu irmão está ligado sobretudo à parte fabril na gestão e organização do alumínio e PVC REHAU, o meu marido: Paulo Silva na gestão e organização do ferro e inox e eu á parte administrativa. O António trabalha nisto já há 29 anos, Paulo Silva há 24 anos, têm muitos conhecimentos não só dos clientes, mas também do produto. É uma mais valia, integram a coordenação da parte fabril e das obras no exterior. No que diz respeito aos recursos humanos, chegamos a uma altura em que tivemos uma média de 17 empregados. Neste momento, somos cerca de 20. O nosso pai passou por uma crise muito grande, em que ia para a porta dos armazéns esperar que tivesse ferro para carregar, mas foi ultrapassando. Através do passa a palavra começamos também a fazer exportação para França, conseguindo uns clientes atrás dos outros, e estamos lá há cerca de cinco anos. O alumínio e o ferro são o forte”, afirma a sócia gerente.

Paula e António Fernandes Administradores

A Justino Louro Fernandes & Filhos LDA assume-se como uma referência na sua área. Fundada há já 44 anos, foi sempre gerida de forma sustentada e voltada para a inovação, sendo que, para isso, ajudou a visão para o negócio de Justino Louro Fernandes, o seu fundador. “A empresa existe há cerca de 44 anos, começada pelo nosso pai. Entretanto foi crescendo, o espaço foi ampliado e depois, mais tarde, construiu-se a parte de serralharia civil com as valências indicadas. Temos a parte de serralharia civil e a parte de alumínio e trabalhamos quatro áreas: ferro, alumínio, PVC e inox. O nosso pai começou com a serralharia de ferro e depois os clientes e as suas necessidades foram fazendo com que fosse avançando no negócio com outras valências. Na altura, o meu irmão foi introduzido na parte do alumínio e acabou por ficar autónomo. Depois, foram sendo feitos investimentos e fazemos prestação de serviços a outros colegas, nomeadamente corte e quinagem de chapas. O nosso pai acabou por perceber que o PVC iria começar a ser solicitado e investiu em todo o equipamento necessário para a sua produção. Mesmo sem clientes para isso, o nosso pai quis investir porque sabia que ia ser bem-sucedido. E foi! O inox chegou depois, no fim. Em suma, fazemos todo o tipo de trabalhos nestes materiais e atuamos em três fases:

Com o presente estabilizado, o futuro passa por uma estratégia de crescimento, que começa com o ampliar das instalações e levará, em consequência, ao aumento do volume de negócios. “Presentemente adquirimos um espaço na zona industrial de Tomar, onde estamos a trabalhar numa ampliação e prevemos iniciar lá, se tudo correr bem, em 2018. Após a abertura das novas instalações pretendemos ter um determinado cuidado na gestão, a todos os níveis. O nosso objetivo é aumentar o volume de vendas, que levará ao aumento dos postos de trabalho e investir em novo equipamento afim de nos diferenciarmos no mercado. Esta é a sequência lógica do aumento das instalações”, conclui Paula Fernandes.

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santarém | centro de estética pura beleza

Na vanguarda da saúde estética O Centro de Estética Pura Beleza surgiu no Entroncamento há cinco anos e desde aí que tem revolucionado a área da estética. A aposta na qualidade e em tratamentos que só existem nas grandes cidades fez com que o projeto de Rosário Rodrigues crescesse, culminando, há seis meses, na abertura do Solário Golden Sun Lovers, frequentado por já mais de duas centenas de pessoas.

Pedro e Rosário Rodrigues Administradores

“Sempre tive paixão pela área. Desde muito nova que me lembro de maquiar as bonecas e, mais tarde, as minhas amigas. Pintava-lhes as unhas e tratava do cabelo”, recorda Rosário Rodrigues, responsável pelo Centro de Estética Pura Beleza e pelo Solário Golden Sun Lovers, na cidade do Entroncamento. Foi, portanto, natural que, mais tarde, enveredasse pela área da estética. A trabalhar como esteticista há 10 anos, alguns deles no Spa de Ílhavo, foi na cidade do médio Tejo que decidiu apostar num projeto em nome próprio que reúne toda a sua experiência e conhecimento. Assim, há cinco anos, nasceu o Centro de Estética Pura Beleza. Durante os primeiros tempos Rosário trabalhou sozinha, mas o sucesso não se fez esperar e a empresária rapidamente percebeu que teria que aumentar a equipa. A ela juntaram-se, então, Joana, Teresa e Vânia. No espaço é possível encontrar tratamentos e serviços muito variados. Desde os mais comuns como manicure, pedicure, gel com extensão na unha e acrílico, depilação a cera e laser díodo e limpeza de pele com aromaterapia, aos

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mais específicos como microlifting com ou sem agulhas, radiofrequência, microblading ou sobrancelhas definitivas, micropigmentação, tratamentos que permitem a retirada de derrames, fungos, tatuagens, peeling químico e ultrassónico, cavitação, Endermologia LPG – uma drenagem linfática eficaz e sem riscos que ajuda no combate à celulite, retenção de líquidos e tonifica a silhueta –, pressoterapia e muito mais, tudo isto num espaço alegre, moderno e com colaboradoras altamente especializadas. “Temos cinco a seis formações por ano. Exijo mesmo que assim seja para estarmos sempre atualizadas e garantirmos a máxima segurança aos nossos clientes”, garante Rosário Rodrigues. E se o sexo feminino lidera em número de visitas, a responsável nota uma crescente procura por parte dos homens. “Os homens estão cada vez mais interessados em vir, principalmente para realizar tratamentos de LPG ou derrames”. Com um feedback altamente positivo, surgiu a oportunidade de expandir os serviços prestados, o que culminou na abertura do Solário Golden Sun Lovers há cerca de meio ano. O novo espaço conta com um solário ergoline devidamente certificado com lâmpadas de colagénio e já é frequentado por mais de duas centenas de pessoas. Além disso, é possível

Equipa

ainda usufruir de massagens, reiki e reflexologia. “Cada vez temos mais clientes e mais tratamentos. As pessoas gostam de vir aqui e sentem-se bem, o que me deixa muito feliz”, refere Rosário Rodrigues, que termina garantindo que novos projetos virão. “Ainda tenho muitos projetos para realizar que passam pela abertura de novos espaços com novos tratamentos e pelo crescimento na área da saúde estética”, confessa.


FEIRA DA MAÇÃ maçãs, um dos frutos mais consumidos a nível mundial, em circunstâncias muito especiais, com reflexos diretos no produto final. Em Armamar a cultura da maçã desenvolve-se a cotas de altitude que variam entre os 500 e os 800 metros e isso permite obter frutos com características únicas. As maçãs de Armamar são mais aromáticas, mais crocantes e mais saborosas que outras das mesmas variedades produzidas noutras regiões. Daqui surge a Maçã de Montanha. São produzidas mais de 75 mil toneladas por ano e este valor tende a aumentar por força dos investimentos na plantação de novos pomares e na requalificação dos existentes, do apuramento contínuo das técnicas e tecnologias aplicadas ao processo produtivo e da melhoria das redes de rega criadas. A meio do verão passear pela parte sul do município, onde se concentram os extensos pomares de macieiras, permite-nos desfrutar da beleza das paisagens pintadas com o verde das árvores e sentir no ar o cheiro das maçãs que nas macieiras começam a ficar prontas para a colheita. O trabalho que começa a chamar a atenção dos produtores é o da estratégia de colocação nos mercados e de venda do produto. Já se registou a marca “Armamar, Capital da Maçã de Montanha” a pensar nisso e a Feira da Maçã, um evento organizado pela Câmara Municipal em conjunto com a Associação de Fruticultores de Armamar e outros produtores, segue essa mesma linha de promoção da marca e do produto. Em setembro de 2008 surgiu a primeira edição, ainda como Feira das Atividades Económicas de Armamar. A abertura do certame coube ao Ministro da Agricultura que, conduzido pelo Presidente da Câmara Municipal pôde, num único espaço, conhecer o trabalho dos diversos setores da economia armamarense, com destaque para a agricultura e seus produtos representativos: os vinhos do Douro e Porto e a Maçã de Montanha.

À medida que as edições iam passando percebeu-se que se devia associar a Feira da Maçã a entidades que pudessem acrescentar valor ao evento, oferecendo aos visitantes momentos e ações capazes de trazer algo de novo. Foi a partir de 2010 que o certame se passou a designar de Feira da Maçã. Desde então a feira tem ganho dimensão, com os agentes económicos locais a envolver-se cada vez mais por perceberem a importância da promoção dos seus produtos e da sua terra. Fonte: www.cm-armamar.pt


feira da maçã | frutas cruzeiro

Referência da fruta nacional A Frutas Cruzeiro foi fundada em 1996, por um grupo de 14 fruticultores, sendo atualmente composta por nove. Tem a sua sede na freguesia da Vila da Ponte, em Sernancelhe, atualmente possui 32 colaboradores e comercializa em média aproximadamente 12 mil toneladas de maçã para consumo em fresco. José Teieira é o diretor geral desta ‘casa’ de referência da fruta nacional, onde chegou em 2017. Quais são as principais qualidades e variedades da vossa maçã? Relativamente às variedades, também se está a assistir a uma revolução nas variedades instaladas, com predominância para as variedades com coloração vermelha (galas e variedades vermelhas), que vão de encontro às preferências dos mercados, tendo alterado a proporção das variedades produzidas, com especial diminuição percentual na produção da variedades do grupo Golden e um crescimento enorme da produção nas variedades do grupo Gala.

José Teixeira Diretor geral

Como e quando surgiu a Frutas Cruzeiro? A Frutas Cruzeiro foi fundada em 1996, por um grupo de 14 fruticultores, sendo atualmente composta por nove. Tem a sua sede na freguesia da Vila da Ponte, em Sernancelhe. Atualmente possui 32 colaboradores e comercializa em média aproximadamente 12 mil toneladas de maçã para consumo em fresco. O objetivo pela melhor qualidade começa no cultivo dos pomares, onde as culturas das diferentes variedades de fruta são produzidas seguindo as mais modernas tecnologias desenvolvidas na área agrícola. Toda a produção está localizada numa área de cerca de 220 hectares, cujo a altitude é superiro a 700 metros. A empresa Frutas Cruzeiro têm capacidade de refrigeração para 4.500 toneladas de frutas, sendo 80 por cento em atmosfera controlada. Para que pontos do país fazem distribuição? E relativamente à exportação? A Frutas Cruzeiro comercializa a sua produção principalmente para a grande distribuição, tendo como clientes empresas como Jerónimo Martins, Auchan, Intermarché e Makro. Também possui um espaço no mercado abastecedor de Coimbra onde comercializa junto do comércio local e regional. A Frutas Cruzeiro já efetua alguma exportação, principalmente Espanha, Médio Oriente e América do Sul. Com o crescimento da produção que se irá verificar nos próximos anos, devido a novas áreas de plantação, o objetivo desta empresa passa por aumentar o volume de exportação e consolidar o mercado da grande distribuição em Portugal. Qual é a média de produção por ano? E quantos hectares têm? A produção para um ano normal, é de cerca de 8 a 9000 toneladas de maçã, para cerca de 220 ha de produção. Para complementar a totalidade de produção a empresa adquire a produção diversos associados da região. A maçã é largamente a cultura mais produzida, no entanto a empresa comercializa outras frutas da época, oriundas dos associados, tais como cereja, marmelo e castanha. No entanto a comercialização da maçã representa cerca de 95 por cento do volume de vendas.

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O que falta para favorecer a produção nacional? Com o aumento de produção e um aproximar da autossuficiência de produção de maçã no país, a concorrência nacional e internacional provocará uma maior pressão sobre a oferta, mantendo-se a procura relativamente estável. Para contrariar esta tendência previsível será necessário evoluir num sentido de uma maior organização da produção e na defesa de um produto que claramente se diferencia pela qualidade (consistência, cor, sabor, aroma capacidade de conservação e transporte). É fundamental a atenção nos seguintes aspetos: criação de uma marca identificativa da maçã produzida na região; campanhas de marketing e promoção da maçã envolvendo os operadores comerciais (debaixo uma marca identificativa da região); criação de uma estrutura comercial eficaz que, agregando os principais operadores, adquira capacidade negocial e possa explorar mercados de exportação (concentração oferta); reforço das políticas de qualidade do produto e certificação, como forma de garantia da segurança e qualidade alimentar; Diversificação da oferta (compotas, sumos, maçã desidratada, maçã congelada) por aproveitamento de maçã de refugo; controlo e fiscalização sobre as importações de maçã como forma de defesa da produção regional; reforço da ação das OP. Com a previsível evolução climática e o consequente aumento das temperaturas médias, esta região, será cada vez mais a região para produção e maçã de excelência em Portugal, representando um incremento importante na atividade económica destes concelhos, na criação riqueza, na fixação de população, na coesão territorial. As Frutas Cruzeiro estando consciente destas necessidades trabalhará no sentido de criar condições para com parceiros locais, públicos e privados, para a defesa da qualidade da produção nacional e de divulgação dessa qualidade junto dos consumidores.


frutas cruzeiro | feira da maçã Que problemas enfrentam neste setor? O crescimento quantitativo e qualitativo, também representa uma nova exigência na organização da fileira, criando novas realidades e necessidades que merecem a atenção de todos os intervenientes com responsabilidades neste setor. É de especial importância a atenção nos seguintes aspetos: • Água para rega (fundamental a construção de barragens) • Caminhos agrícolas • Escassez de mão de obra • Seguros agrícolas (adequados) • Formação em toda a fileira • Centro de estudos frutícolas que promova a experimentação, demonstração e inovação de processos e de produtos com os parceiros da fileira, designadamente variedades, porta-enxertos, práticas culturais, novos equipamentos e novos produtos, novas formas de acondicionamento e de apresentação, novos métodos de conservação e de tratamentos pós-colheita. • Novas estruturas de frio de qualidade para conservar o incremento de produção. Vasilhame para a colheita e conservação em frio da maçã • Modernização e reforço dos equipamentos de conservação e embalamento (aumento da qualidade, eficiência e rapidez de abastecimento aos mercados) • Desenvolvimento de técnicas e de produtos que

Há falta de apoio por parte do Estado? Com o surgimento do quadro comunitário de apoio Proder, que coincidiu com o inicio da crise em Portugal passou a haver uma maior atenção sobre a agricultura. Na verdade passou a haver um interesse por novos jovens de se instalarem na agricultura e um interesse de agricultores instalados de se modernizarem e aumentarem as suas áreas produtivas. Com o Proder houve um forte apoio à plantação de novos pomares e à instalação de jovens agricultores. Na transição para o programa de apoio comunitário PDR 2020, os apoio financeiros diminuiram consideravelmente originando um menor crescimento das novas plantações e dificuldades para o surgimento de investimentos de consolidação, tais como câmaras frigoríficas, diverso equipamento e angariação de água para rega.

permitam uma melhor conservação da maçã (pós-colheita)

capacidade técnica de apoio aos associados de forma a reforçarmos a garantia da qualidade e a segurança, respeitando o meio ambiente. A segurança alimentar

existente, aliada à melhoria da qualidade permitirá no futuro explorara outros mercados principalmente o da exportação, abrindo-se novas oportunidade para a evolução comercial sustentável desta empresa. Nos próximos anos também teremos de dar especial atenção a investimentos na modernização e ampliação da nossa capacidade de receber, conservar e embalar a maçã para a apresentação aos mercados.

Quais os vossos projetos futuros? Os projetos passam pelo crescimento da produção dos associados e pela melhoria da qualidade por forma a consolidarmos a nossa posição junto dos nossos parceiros comerciais e clientes, indo de encontro às suas expectativas de adquirirem um produto de qualidade e seguro. No momento já produzimos segundo as regras da produção Integrada, segundo o referencial Global GAP e com a certificação IGP ‘Maçã da Beira Alta’ e DOP ‘Maçã Bravo de Esmolfe’, no entanto temos como objetivo reforçar a

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feira da maçã | quinta de silvares

100% biológico É no Lugar da Lapinha, no concelho de Armamar, que está localizada a Quinta de Silvares. Alberto Madureira, proprietário, decidiu recentemente pôr em prática tudo o que aprendeu com a mãe sobre as maçãs. Em entrevista à Revista Business Portugal, Alberto Madureira dá a conhecer a Quinta de Silvares, a agricultura biológica e a casa de turismo rural com uma vista de cortar a respiração.

Alberto Madureira Proprietário

Os projetos não param, assim como a ambição de fazer mais e melhor. Em breve novos produtos à base de maçã serão apresentados. Outro projeto passa pela reformulação da imagem do sumo de maçã, que terá um “novo rótulo e uma marca associada”. Esta já está registada e o proprietário adianta à Revista Business Portugal que o nome será “Pomaria”, “alusivo ao pomar, à romaria, à festa do pomar, à festa da fruta e Maria, que é o nome da minha mãe”, ou seja, “uma nova imagem para entrar no mercado”. A fruticultura de excelência visível através da agricultura biológica é um fator primordial para continuar com este negócio, nunca esquecendo a qualidade da maçã, bem como o aumento da produção e da biodiversidade com a “implementação de novas práticas agrícolas”. A missão da Quinta de Silvares passa por continuar a produzir de forma sustentável e a apostar em produtos biológicos diferenciados de elevada qualidade. “A satisfação final do cliente quando saboreia a fruta comprova isso mesmo”.

Em 1920, a Quinta de Silvares foi adquirida por Manuel Patrocínio, avô de Alberto Madureira. “Os meus avós sempre foram muito ligados à agricultura e em 1993 a minha mãe herdou a propriedade”. A maçã de montanha começou a ganhar destaque numa Quinta que inicialmente estava ligada à vinha. Foi assim que surgiu a paixão da terceira geração envolvida no agronegócio. Alberto Madureira afirma que “acompanhava isto sempre que podia, mas tinha a minha atividade profissional como engenheiro mecânico”. O bichinho da maçã acompanhou-o desde cedo e foi nesse sentido que decidiu dedicarse a este negócio de família a tempo inteiro, “é um gosto, uma paixão pela agricultura, pelo ar livre”. Com cerca de cinco hectares e uma produção anual de 30 a 40 toneladas por ano, acredita em tudo aquilo que a agricultura biológica lhe proporciona. “O biológico é uma forma natural de estar na Quinta, não faz sentido de outra maneira. Produzimos fruta de excelência e que é biológica, sem utilizar produtos químicos de sintese. É preciso consciencializar os consumidores para os malefícios dos tratamentos utilizados na agricultura dita convencional”. Com as variedades de maçã que existem na Quinta de Silvares, desde a golden delicious, a royal gala, a fuji até às regionais, há uma forte aposta nos produtos transformados da maçã com destaque para os sumos 100 por cento naturais de maçã, devidamente certificados. Este produto, considerado por muitos “O verdadeiro nectar dos deuses”, está à venda nas melhores mercearias biológicas do país e têm sido muito bem aceite. A casa de animais foi recuperada e passou a ser uma casa de turismo rural. O silêncio e cheiro característico da região faz com que se proporcionem bons momentos. Nos meses de verão, a ocupação é de 100 por cento. “Tem sido fantástico receber as pessoas, principalmente o mercado estrangeiro por aquilo que eles procuram: a paz, o sossego numa total harmonia com a Natureza. É nesta quinta que se dá o casamento perfeito entre o turismo e a agricultura. Um setor que pelos olhos de Alberto Madureira, otimista por natureza, tem tudo para crescer.

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pomar da montanha | feira da maçã

União que dá frutos A união faz a força e os produtores da maçã de Armamar sabem-no bem: a Pomar da Montanha é uma associação de agricultores empenhados em fazer render esta fruta de alta qualidade. dificuldades em produzir o suficiente para corresponder à oferta que o mercado pedia. Assim, uniram-se à empresa espanhola Horto Verin para aumentar a produção e facilitar a comercialização. Dessa união surgiu Frescura da Natureza, sediada no Porto.

Maurício Fonseca trabalhou toda a vida na agricultura. Cresceu no meio da fruta do seu concelho de Armamar, famoso pela maçã e pela qualidade de toda a fruta que por aqui nasce. Corria o ano de 1999 quando se juntou ao seu cunhado, Albino Pinto, e oficializou a sua atividade: nascia assim a empresa Fonseca e Pinto. Durante dez anos continuaram o trabalho desta forma, porém, ambos compreendiam que nesta área o trabalho individual é menos rentável, de tal forma que encaravam

A união faz a força “Armamar tinha problemas de escoamento de frutas, os pagamentos eram inconstantes e, de repente, aparece uma entidade que começa a pagar e a escoar fruta regularmente. Uma vez que nós somos cumpridores, a procura pela nossa empresa aumentou por parte dos agricultores particulares de Armamar. Durante cerca de oito ou nove anos funcionou assim, todos os anos aumentavam os nossos parceiros fornecedores”, explicou-nos Maurício Fonseca.Entretanto, outra empresa foi constituída na ilha da Madeira sob a denominação de Frescura da Ilha, para onde orientam as peças de fruta de tamanho pequeno, muito procuradas nessa zona. Finalmente, há apenas dois anos atrás, o grupo formalizou a união das várias entidades que se foram juntando e já trabalhavam juntas: Pomar da Montanha, de sua designação, é um agrupamento de 16 empresas, 14 produtoras e duas comerciais que se encarregam de tudo o que se relaciona com as vendas. “Quantos mais, melhor”, afirmou Maurício Fonseca, que ainda acrescentou que são “o maior grupo envolvido na comercialização de maçãs no concelho de Armamar”. Esta é uma organização de pequenos produtores que consegue ter presença fortíssima no mercado “simplesmente” porque se uniram. Neste momento, este grupo conta com cerca de 400 hectares. A fruta de Armamar tem uma qualidade superior, muito graças ao solo e ao clima deste concelho, que produz maçãs crocantes e mais doces do que o habitual. Este é um fruto que encanta, Maurício Fonseca revela que onde deixam uma das suas maçãs é um

cliente garantido, que depois se mantém ao longo do tempo. A Pomar da Montanha tem protocolos instalados de forma a garantir um produto uniforme por entre os vários participantes. É importante que toda a maçã tenha as mesmas caraterísticas, a qual se divide em duas marcas: Carolina e Papagaio, esta última deve-se ao mercado brasileiro, o qual é uma forte aposta. Não pudemos deixar de questionar quais as maiores dificuldades que os produtores enfrentam. Entre elas está a mão de obra, escassa para um trabalho tão exigente a nível físico, e a falta de água, uma vez que a barragem não tem um sistema de irrigação eficaz para cobrir todos os pomares em necessidade. Este ano as colheitas sofreram com o flagelo do granizo, apesar de o grupo

Pomar da Montanha não ter sido atingido na sua maioria, exceção feita a um dos sócios, o qual teve perdas de 100 por cento. Para esses casos ativam-se mecanismos para rentabilizar de alguma forma a maçã que não pode ser comercializada da forma habitual: “há empresas no estrangeiro que fazem sumos e iogurtes e aproveitam essas maças. Não há casos perdidos. Temos uma série de ideias inovadoras para o local”, expôs Maurício Fonseca. A associação traz partilha de conhecimento, o qual é bem empregue no aumentar da rentabilidade da empresa. A Pomar da Montanha está orientada para a exportação do seu produto, o qual tem bastante qualidade para se firmar no mercado estrangeiro. O futuro só pode ser risonho para este empreendimento.

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Revista Business Portugal | Outubro '17