Page 1


Temas: Cancro digestivo - big five Inovação na imagem da endoscopia digestiva Benefício de tratar as doenças hepáticas Hipertensão portal não cirrótica Doença inflamatória intestinal Doença de refluxo Nódulo sólido do pâncreas

Valores de Inscrição: sócios SPG/SPED/APEF: 200€ Não sócios: 300€ Internos/Estudantes de Medicina: 150€ Enfermeiros: 150€ *As inscrições feitas após o dia 20 de abril terão um acréscimo de 50€.

Data limite para envio de resumos: 26 de março

ÍNDICE 25

Secretariado: SPG | SPED | APEF Av. António José de Almeida, 5F – 8.º 1000-042 Lisboa Telefone: +351 217 995 530 E-mail: secretariado@semanadigestiva.pt

Dark Sky Alqueva

SAVE THE DATE

A melhor chuva de estrelas

34

Município de Torres Vedras Capital da horticultura e agroindústria

TU

UE

SA DE END

O

IV

A

• SP D • E

T

C

ES

IED

A DIG

Município de Valpaços

OPI

ADE POR

G

SC

57

06 - SOCIEDADE PORTUGUESA DE GASTRENTEROLOGIA

WWW.SEMANADIGESTIVA.PT

SO

XIX Feira do Folar

82

Draft-in Do projeto à construção

110

Grupo José Magalhães Três empresas, um objetivo: qualidade

20 - CÂMARA MUNICIPAL DE ÁGUEDA

EDITORIAL

E

stamos de volta! Uma vez mais,

sentem que o ‘fazer’ em solo português lhes

Alentejo, Leiria, Torres Vedras, Lisboa e Ourém.

Estes são motivos mais do que suficientes para

trazemos-lhe o que de melhor há

dá credibilidade, muito pela sua qualidade e os

E porque março é o mês da mulher por excelên-

que a edição de março da Revista Business Por-

no mundo empresarial português.

conduz ao sucesso.

cia, fomos à descoberta de várias empresas

tugal faça parte das suas leituras obrigatórias!

A internacionalização continua a

Não são raros os casos que a marca ‘Portugal’ é

nacionais lideradas por mulheres. Aqui, colo-

ser a chave do sucesso de muitas

suficiente para que uma marca estrangeira opte

ca-se uma questão obrigatória: são as mulheres

empresas nacionais. Podemos ver o sucesso

por um produto nacional. E são esses projetos

melhores líderes? É a essa questão que nos

de muitas empresas pelos seus rácios e pela

que queremos mostrar e que queremos alavan-

propusemos responder.

sua taxas de exportação. São alguns desses

car a nós, Revista Business Portugal. Se bem

É também em março que acontece a ‘Semana

exemplos que apresentamos na nossa edição

que, para nós, todos são casos de sucesso e

Digestiva’. Nesse sentido, a Revista Business

de março.

são mais do que meritórios a figurar nas nossas

Portugal esteve à conversa com as mais diver-

Numa viagem de norte a sul do país, encon-

páginas, edição após edição.

sas entidades ligadas a esta especialidade. É

tramos inúmeros empresas que escolheram

Iniciamos esta nossa viagem bem no norte, em

nosso propósito, igualmente, mostrar as institu-

Portugal para investir. Ao invés de deslocarem

Valpaços.

ições que se destacam pelo empreendedorismo

as suas infraestruturas para outros locais,

Mais a centro e no sul, passámos pelo Alto

e inovação na área da saúde.

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues | Corpo Redatorial: José Miguel Dias Lopes, Laura Azevedo, Rita Carreira Matos, Sílvia Pinto Correira | Outros Colaboradores: Adélia Abreu, Catarina Ferreira, Daniel Moreira, Elda Ferreira, Joana Quintas, Melanie Alves, Teresa Teixeira, Rita Inácio, Verónica Pereira | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Dep. Comercial: Fernando Lopes, Filipe Amorim, Isabel Brandão, Luís Silva, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Pedro Ribeiro, Rui Diogo, Rui Moreira (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuíta com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de março de 2017

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 5


GASTRENTEROLOGIA: A SAÚDE DO APARELHO DI

A Gastrenterologia é a especialidade médica que se ocupa do estudo, diagnóstico e tratamento clínico das doenças do aparelho digestivo, nomeadamente do esófago, estômago, intestinos, fígado, vias biliares e pâncreas. Nas páginas seguintes apresentamos-lhe a entidade que tem como objetivo promover o desenvolvimento desta especialidade ao serviço da saúde da população

6 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


IGESTIVO

portuguesa, de estimular a investigação no domínio da Gastrenterologia, de difundir ideias, de promover a atualização de conhecimentos e trabalhos nesta área e de contactos no intercâmbio nacional e internacional entre os diversos profissionais ligados à especialidade, de desenvolver atividades educacionais no domínio da Gastrenterologia bem como de exercer atividades de consultadoria no campo desta área médica: a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Pelas palavras do seu presidente, José Cotter, ficamos a conhecer melhor esta associação, bem como dos projetos, a curto e longo prazo, delineados no sentido de cumprir o objetivo crucial: promover os estudos e a investigação no âmbito da Gastrenterologia. Nesta entrevista, José Cotter ressalva a importância da relação entre a comunidade científica nacional e europeia no âmbito da Gastrenterologia, a nível da investigação e formação pós-graduada, os progressos que foram desenvolvidos e quais as suas mais valias, a forte dinâmica que a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia tem implementado ao longo dos anos e revela-nos um pouco sobre a iniciativa “Semana Digestiva 2017”, a realizarse no Algarve. Estes são só alguns dos temas ou pontos a descobrir nesta entrevista que pretende não só, dar a conhecer o trabalho desta instituição,como de alertar os portugueses para as problemáticas desta especialidade médica.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 7


a saúde do aparelho digestivo | sociedade portuguesa de gastrenterologia

Investigação e desenvolvimento de cuidados inovadores A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia é uma associação científica, sem fins lucrativos de utilidade pública que tem como missão promover o desenvolvimento da Gastrenterologia ao serviço da saúde da população portuguesa, estimular a investigação no domínio da Gastrenterologia, difundir ideias, promover a atualização de conhecimentos e trabalhos de Gastrenterologia, promover contactos e o intercâmbio nacional e internacional entre os diversos profissionais ligados à especialidade, desenvolver atividades educacionais no domínio da Gastrenterologia e exercer atividades de consultadoria no campo da Gastrenterologia. Em entrevista a José Cotter, Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia revelamos as mais-valias da associação. Qual a importância da relação entre a comunidade científica nacional e europeia no âmbito da Gastrenterologia? A importância é grande pois além da estimulante troca de experiências com os nossos congéneres de outros países, verifica-se cada vez mais existir uma participação dos gastrenterologistas portugueses em estudos multicêntricos internacionais, o que é uma prova da mais-valia que a nossa experiência traz para a comunidade internacional. A esse facto não é estranha a pujante participação científica nas mais importantes reuniões mundiais de gastrenterologia, com especial destaque na United European Gastroenterology Week, em que Portugal tem sido sistematicamente um dos países “top” no que ao número de trabalhos submetidos e selecionados diz respeito. Isto é comprovativo da qualidade da Gastrenterologia nacional e dos seus profissionais, bem como, do valor dos trabalhos de investigação que produzimos e que são frequentemente publicados em prestigiadas revistas estrangeiras.

Prof. Dr. José Cotter Presidente

Assumiu a direção da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia com o propósito de dar uma atenção redobrada a toda a atividade que se relacione com a prática da Gastrenterologia, Hepatologia e Endoscopia Digestiva, quer no respeitante aos profissionais, quer no referente aos cuidados prestados à população. Que balanço faz do trabalho desenvolvido? Se formos ambiciosos, como é o nosso caso, nunca nos poderemos considerar completamente satisfeitos. Mas muito foi feito e o saldo é francamente positivo, embora muito haja para fazer nas direções vindouras. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) tem, e deverá continuar a ter, um caráter ecuménico dentro da especialidade, ainda que respeitando a vocação e atividade desenvolvida pelas suas secções especializadas. Temos tido uma atenção especial sobre os cinco cancros que na área da nossa especialidade mais afetam a população (coloretal, estômago, pâncreas, fígado e esófago), desenvolvendo sobre isso múltiplas atividades vocacionadas para a população com efeito pedagógico e de sensibilização, nomeadamente na vertente preventiva. As inúmeras intervenções nos media generalistas e especializados (como não havia história até à data), e a permanente atividade nas redes sociais com um êxito assinalável, são consensualmente reconhecidos e unanimemente destacados na Gastrenterologia nacional. Interviemos várias vezes publicamente e junto da tutela alertando para problemas assistenciais, disponibilizandonos sempre para colaborar na sua resolução. Primamos por exponenciar a qualidade assistencial e a segurança, mas também nos preocupamos com a elementar defesa dos gastrenterologistas, razão pela qual ineditamente fornecemos aos associados um importante e extenso documento orientador sobre “Responsabilidade em Medicina e Procedimentos Invasivos em Gastrenterologia”, que reputamos da mais elevada importância. Atribuímos várias bolsas de investigação e entregamos pela primeira vez o Prémio Nacional de Gastrenterologia, o mais elevado e prestigiado prémio da Gastrenterologia nacional. É impossível neste curto espaço fazer um balanço pormenorizado, mas gostaria ainda de destacar o impulso que demos ao CEREGA, uma estrutura da SPG criada para estimular e

8 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


sociedade portuguesa de gastrenterologia | a saúde do aparelho digestivo aglutinar trabalhos multicêntricos, que é agora presidido pela professora Marília Cravo e que já está, e se prevê possa ainda mais no futuro, incrementar de forma assinalável a realização deste tipo de trabalhos. Ao nível da investigação e formação pós-graduada, que progressos foram desenvolvidos? Que mais-valias se refletem no dia a dia dos pacientes? Todas as bolsas que nós apoiamos e que são em número assinalável, bem como, os prémios que patrocinamos, têm por finalidade última melhorar a qualidade assistencial junto dos pacientes. Por isso, também o investimento que fazemos anualmente na formação pós-graduada, tem esse objetivo final ao dotar os nossos profissionais da informação e “know-how” que lhes permitam exercer a sua atividade de acordo com o mais recente “state of the art”. Os progressos na medicina são contínuos, e na Gastrenterologia, que além da vertente clínica possui uma importante vertente técnica relacionada com a endoscopia digestiva, isso ainda se faz sentir mais. Tendo presente a sua tese de doutoramento, intitulada “Enteroscopia por Cápsula e Doença de Crohn: Caminhos para a Otimização”, como poderia explicar aos nossos leitores em que consiste a doença, que muitos ainda desconhecem e quais os seus sintomas mais frequentes? A doença de Crohn está juntamente com a colite ulcerosa no grupo das chamadas doenças inflamatórias do intestino. Sendo uma doença benigna, pode ser muito agressiva e depauperante, manifestando-se pela primeira vez na maioria dos casos nos adolescentes e adultos jovens. Pode atingir qualquer segmento do tubo digestivo, mas mais frequentemente o intestino delgado e grosso. O primeiro era um segmento dificilmente acessível pelos meios de diagnóstico existentes, permitindo hoje a cápsula endoscópica uma fácil observação do mesmo, o que em muito veio ajudar no diagnóstico e seguimento destes doentes. Os sintomas mais frequentes são diarreia, dores abdominais, emagrecimento, mas essencialmente a doença pode degradar muito a qualidade de vida do seu portador se não for tratada atempada e eficazmente. Nos últimos anos têm surgido fármacos novos e têm sido estabelecidas novas estratégias que

permitem controlar bem melhor a atividade da doença, com consequente repercussão na melhoria da qualidade de vida e diminuição das complicações. A doença de Crohn é uma doença gastrenterológica por excelência, devendo os doentes recorrer aos cuidados desta especialidade, uma vez que os gastrenterologistas são pela sua formação os que estão capacitados clínica e tecnicamente para a abordar tão eficazmente quanto a medicina o permite, uma vez que ainda não existe cura para a mesma. No que concerne à terapêutica, que tratamentos estão acessíveis aos doentes e que lacunas ainda subsistem? Os tratamentos atuam essencialmente pelo controlo da atividade inflamatória da doença, através das suas diferentes vias, mas indiscutivelmente a lacuna principal relaciona-se com o facto de não se saber exatamente a causa que desencadeia a manifestação da doença e como tal tornar mais difícil encontrar uma cura definitiva para a mesma. Mais especificamente, como explanado na sua tese de doutoramento, realça que tanto a cápsula endoscópica como a enteroscopia introduziram um elemento novo na Gastrenterologia e na endoscopia digestiva. Quais os benefícios decorrentes da utilização destes procedimentos? Como atrás foi referido a cápsula endoscopica permitiu um acesso fácil ao intestino delgado do ponto de vista diagnóstico, com vantagens sobre outros métodos. A enteroscopia assistida com balão possibilita em alguns casos complementar as informações fornecidas pela cápsula, introduzindo uma vertente terapêutica (dilatação de segmentos de menor calibre, por exemplo), mas também colheita de fragmentos de biópsia para análise. Ambos os procedimentos foram de facto uma grande revolução na endoscopia moderna, permitindo a acessibilidade a um órgão (intestino delgado) a que outrora era difícil aceder. Hoje já se evolui no sentido de com uma única cápsula se poder observar a totalidade do tubo digestivo (do esófago ao reto). Num olhar pela atualidade, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia afirma existirem pressões administrativas para

que os médicos de família restrinjam os pedidos de colonoscopias aos pacientes, ou seja na requisição de exames complementares de diagnóstico. Em que se baseia esta afirmação? Nas conversas e queixas dos próprios profissionais e utentes, que têm chegado até nós. Tudo tem a ver com uma lamentável estratégia política em que a parte financeira do imediato ou do curto prazo se sobrepõem a tudo o mais. Mas acredito que os médicos de Medicina Geral e Familiar, que serão quem mais pode ser visado pela questão, e que desenvolvem um trabalho assistencial notável junto das populações, saberão resistir e tornear qualquer ingerência na sua atividade clínica, que terá que se manter livre e pautada pelas melhores condições de cuidados que têm de ser prestados aos cidadãos. Esta é uma imposição da Constituição da República Portuguesa que tem de ser respeitada. Simultaneamente, os clínicos devem proteger-se e evitar potenciais problemas do foro da responsabilidade médico-legal. Considera que esta pressão decorre do ‘espartilho financeiro’ que se assiste no que se refere à saúde? Admito perfeitamente que sim. Pessoalmente trabalho num hospital público e nunca tive restrições desta natureza, mas também não as aceitaria e denunciá-las-ia, pois não me competiria assumir as consequências das mesmas. A saúde é o tesouro principal de qualquer cidadão e não se compadece com este tipo de questões. Deve haver um feroz combate ao desperdício, mas nada deve faltar no que é essencial. Que se poupe noutras coisas que não são tão essenciais como os cuidados de saúde. De que forma é que esta medida entra em rota de colisão com a observância dos protocolos de rastreio? Obviamente que é consensual que a colonoscopia é o procedimento de eleição para o rastreio e prevenção do cancro do intestino. Por isso quem tem possibilidades de a ela aceder e está informado, fá-lo. Mas isto não poderá ser apenas uma prática de alguns grupos de cidadãos. A população em geral, o chamado vulgar cidadão, também tem o legítimo direito, ratificado constitucionalmente, de ter igual acessibilidade a esses cuidados de saúde. E devemos estar atentos, pois por vezes quem manda e decide, nem sempre faz parte de

uma “ casta de puros” que se preocupa em primeiro lugar com estas questões que dizem respeito aos cidadãos, mas sim em muitos casos com questões paralelas como a apresentação de resultados financeiros. A isto chama-se hipocrisia política. Tendo em conta que as colonoscopias também são prescritas para prevenir o cancro do cólon e do reto, um dos mais mortíferos existentes em Portugal, considera que a situação pode comprometer o sucesso da terapêutica? Há que distinguir duas questões. Mais de 90% dos cancros do intestino têm ponto de partida em adenomas (pólipos) que são diagnosticados essencialmente por colonoscopia, que além do mais permite num mesmo tempo retirá-los e impedir a sua evolução até á malignidade. Desta forma se evita o cancro, que é o que mais interessa. Os restantes métodos, entre os quais a pesquisa de sangue oculto nas fezes, pretendem detetar o cancro em fase precoce, mas infelizmente já maligna, com todas as consequências inerentes à cirurgia e tratamentos subsequentes. Além do prognóstico ser sempre reservado (mortalidade de cerca de 50% aos 5 anos). Além disso esta pesquisa implica uma colheita todos os anos, periodicidade e estratégia maçadores a que poucos aderem. Mas essencialmente convém destacar que evitar o cancro é indiscutivelmente a melhor solução. Fora isso, o diagnóstico da lesão precoce é sempre melhor do que a da lesão evoluída, mas longe do ideal. E é completamente inaceitável ouvir pessoas com responsabilidades dizer que concordam com “métodos minimamente eficazes”. Nesta matéria tão séria e com consequências tão nefastas, só pode haver lugar primordialmente para métodos maximamente eficazes. Do seu ponto de vista, porque é que o investimento na saúde é, não raras vezes, equacionado como um custo, sem ter em conta a perspetiva de ganhos a médio longo prazo? Devido a erros de estratégia política de quem nos governa em cada momento, que apenas olham para o curto prazo e lhes falta a coragem para assumir estratégias de longo prazo. A isso associa-se por vezes alguma hipocrisia, o que é ainda mais difícil de rebater. A política de saúde precisava

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 9


a saúde do aparelho digestivo | sociedade portuguesa de gastrenterologia urgentemente de ser alvo de um acordo de regime para que todos soubessem com o que poderiam contar no futuro. Assim é pouco mais do que a gestão para o dia a dia. Todavia, o tratamento do cancro do cólon tem registado, nos últimos anos, avanços significativos? Tem melhorado, mas os tratamentos quer de quimioterapia quer de radioterapia são caríssimos e imensamente perturbadores da qualidade de vida de quem sofre. E a sobrevida global não diminuiu tanto quanto se desejaria. Tudo isto são mais razões para se apostar na prevenção e rastreio e não nos ficarmos apenas pelas intenções. Neste momento apenas a ARS Norte e o seu presidente deram um sinal pró-ativo nesta matéria, que ainda que ténue e longe do ideal, é bem melhor do que a omissão e as sucessivas cartas de intenções a que estamos habituados desde há longos anos. Mas lembro que nada será possível fazer sem a colaboração e a audição de quem está no terreno e o conhece, como é o caso dos gastrenterologistas. No âmbito da Hepatite C, com a comparticipação total dos medicamentos, fala-se na hipotética erradicação da doença. Como presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia e como profissional defende ser fundamental uma estratégia. Em que pressupostos assenta esta estratégia e que medidas deverão ser tomadas? Portugal é um caso exemplar a nível mundial no que respeita ao tratamento desta doença. Após uma difícil decisão inicial que pecou um pouco por tardia, só após uma enorme pressão mediática, dos médicos e doentes se atacou eficazmente a doença. Neste momento os doentes diagnosticados com hepatite C e cujos médicos assim o entendam, têm acesso aos melhores tratamentos. Convém por isso enaltecer o esforço do anterior Governo e do atual, mais ainda recentemente, quando foram comparticipados novos medicamentos que permitiram a otimização dos resultados terapêuticos ao ser possível escolher o melhor esquema farmacológico em função de cada caso concreto. A erradicação é uma meta interessante, havendo necessidade de conjugar estratégias para tratar alguns focos importantes como serão as prisões e os toxicodependentes.

10 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

No passado dia 4 de Fevereiro, decorreu a reunião monotemática da SPG 2017, centrada no tema “Doença Inflamatória Intestinal – aspetos práticos do diagnóstico à terapêutica”. Quais as resoluções práticas deste encontro? Foi uma reunião excecional, que contou com o patrocínio do American College of Gastroenterology e da SPG, mas também porque teve um elevado nível e uma assistência que bateu os records de todas as reuniões monotemáticas da SPG realizadas até ao momento (esta foi a 8ª edição). Nela estiveram presentes grandes figuras da gastrenterologia mundial, e como a doença inflamatória intestinal é um tema transversal a todos os gastrenterologistas, pela necessidade que têm de sobre o mesmo estarem completamente atualizados, era previsível o sucesso que aconteceu. A abrangência que a SPG emana sobre a generalidade dos gastrenterologistas e o facto de uma reunião deste tipo se enquadrar perfeitamente no seu espírito estatutário, também contribuíram para o sucesso. Na sequência de um programa apelativo, foi possível rever o estado da arte na abordagem da doença inflamatória intestinal, com especial enfase nos aspetos de ordem prática com os quais os gastrenterologistas se debatem no quotidiano. Mas também foi possível rever tudo o que se prevê referente a novos fármacos recentemente lançados, ou outros que estarão em via de ser aprovados e que se apresentam como alternativas válidas para uma doença complexa. As felicitações pelo conteúdo e êxito da reunião organizada prioritariamente pelo vice-presidente professor Guilherme Macedo, foram imensas. O assunto, pela sua importância e contínua atualização, continuará a merecer nos tempos mais próximos a atenção da SPG, em prol dos seus associados. Este ano estão a promover mais um evento ligado à especialidade Gastrenterologia: a Semana Digestiva 2017. De que forma este tipo de ações beneficia o profissional e o utente? A Semana Digestiva realiza-se anualmente e assume-se como a reunião magna da Gastrenterologia nacional. Ela percorre a generalidade das áreas da especialidade, desde o tubo digestivo ao fígado, do pâncreas às vias biliares, bem como as mais

diferentes doenças do foro da especialidade. É um fórum de eleição para os diferentes grupos de interesse, como acontece com as seções especializadas da SPG (Grupo de Estudos Português do Intestino Delgado, Grupo Português de Ultrassons em Gastrenterologia, Clube Português do Pâncreas e Núcleo de Neurogastrenterologia e Motilidade Digestiva). Aí se apresentam os resultados das múltiplas investigações que ao longo do tempo se vão efectuando nos diferentes centros nacionais e se debatem os temas da atualidade no âmbito da especialidade. É um congresso de grande qualidade, que tem por objetivo final a melhoria da atividade pós-graduada com óbvio subsequente benefício para os utentes. Nele participam várias centenas de profissionais e a esmagadora maioria dos gastrenterologistas portugueses. Qual o principal desiderato a apontar para a organização da Semana Digestiva 2017, dado que falamos do maior evento anual da especialidade? Este ano haverá um curso no primeiro dia de atividades, subordinado ao tema “Imagem em Endoscopia Digestiva”. Ao longo dos dias realizar-se-ão vários minicursos sobre temas como Enteroscopia, Ecoendoscopia, Ecografia Clinica para Gastrenterologistas, Mucosectomia, Elastografia Hepática e ainda treino na colocação de alguns acessórios endoscópicos (clips e laços). Múltiplas sessões se desenrolarão sobre os mais variados temas da gastrenterologia, mas também haverá oportunidade para Workshops sobre “doença inflamatória intestinal”, “preparação para colonoscopia” e “terapêutica da anemia ferropénica na hemorragia digestiva”. Além de vários simpósios satélite, haverá lugar para conferências de entre as quais destaco uma sobre “Aspetos Jurídicos das Complicações em Endoscopia Digestiva”, proferida por uma reputada jurista especializada na área do Direito Médico. Uma referência ainda para a participação de médicos de Medicina Geral e Familiar num programa denominado “GastroDigest 2017”, vocacionado para aqueles profissionais e com abordagem prática de problemas que os assolam no quotidiano. Com um programa tão abrangente e de qualidade, estão reunidos os condimentos para que a Semana Digestiva 2017 tenha um grande sucesso tal como aconteceu nas anteriores.

A Semana Digestiva 2017 vai decorrer assente no mote “inovar, formar, para melhor cuidar”. Quais são as suas expetativas perante esta iniciativa? Enquanto presidente da SPG e interpretando a vontade da Comissão Organizadora da Semana Digestiva e do seu presidente professor Rui Tato Marinho, associado ao labor que têm demonstrado na preparação desta reunião magna, tenho a certeza que a mesma se vai traduzir por um grande sucesso e pelo atingimento dos objetivos propostos. Trata-se de um evento a que qualquer gastrenterologista português não pode mesmo faltar. Estes últimos anos refletiram grande dinâmica por parte da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Que expetativa tem em relação ao futuro da especialidade e dos avanços no âmbito da mesma? A Gastrenterologia é uma especialidade que engloba áreas muito vastas como sejam o tubo digestivo, pâncreas, hepatologia (fígado e vias biliares), proctologia, endoscopia digestiva, ecografia gastrenterológica e nutrição. Em todas elas os avanços são constantes pelo que se torna necessário um grande esforço dos profissionais em torno da sua constante atualização. As Sociedades Científicas e neste caso concreto a SPG, têm um papel importante em incrementar e de alguma forma proporcionar aos seus associados as condições para que esses objetivos sejam atingidos, de forma a continuar a assegurar que se prestem cuidados assistenciais gastrenterológicos de grande qualidade. A vertente tecnológica, nomeadamente a endoscopia digestiva, é também pelas suas características e pela sua contínua evolução, um excelente sedutor e um extraordinário estímulo para a atualização. Todo este conjunto de avanços, associado à geração de jovens gastrenterologistas de grande qualidade que têm sido formados em Portugal, traznos um enorme otimismo quanto ao futuro próximo, na perspetiva de que cada vez mais a gastrenterologia e os seus especialistas se afirmem como elementos fundamentais na prestação de cuidados de saúde aos cidadãos.


Temas: Cancro digestivo - big five Inovação na imagem da endoscopia digestiva Benefício de tratar as doenças hepáticas Hipertensão portal não cirrótica Doença inflamatória intestinal Doença de refluxo Nódulo sólido do pâncreas

Valores de Inscrição: sócios SPG/SPED/APEF: 200€ Não sócios: 300€ Internos/Estudantes de Medicina: 150€ Enfermeiros: 150€ *As inscrições feitas após o dia 20 de abril terão um acréscimo de 50€.

Data limite para envio de resumos: 26 de março Secretariado: SPG | SPED | APEF Av. António José de Almeida, 5F – 8.º 1000-042 Lisboa Telefone: +351 217 995 530 E-mail: secretariado@semanadigestiva.pt

UE

SA DE END

O OPI

ADE POR T

G

SC

U

SAVE THE DATE T

IV

C

ES

IED

A DIG A

• SP D • E

WWW.SEMANADIGESTIVA.PT

SO


SHS Guimarães

a saúde do aparelho digestivo | smart healthcare solutions

Dignidade, sentido ético e humano Júlio Barbosa e Joaquim Oliveira são, respetivamente, administrador e diretor clínico e administrador da Smart Healthcare Solutions (SHS). Numa edição com enfoque na gastrenterologia, esta é a entrevista obrigatória. Conheça a instituição e a realidade portuguesa numa temática tão fulcral como a prevenção do cancro. Quais são os valores da SHS – Smart Healthcare Solutions? Ou seja, qual é a identidade da organização? JO - A dignidade, o sentido ético e humano são pilares fundamentais para a SHS. Pretendemos propor ao público em geral a prestação de um serviço de saúde de qualidade, de excelência técnica, cientificamente evoluído, personalizado e focado nos nossos pacientes, com acesso em tempo útil e prestado por profissionais altamente qualificados. A nossa missão é a prevenção do cancro e a defesa da vida. A conjugação dos nossos valores, da nossa missão e da rigorosa política de qualidade formam o que designamos por “identidade SHS”. A SHS dedica-se à gestão de unidades de saúde, particularmente na área da Gastrenterologia. Quais são os serviços

12 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

disponibilizados por essas unidades de saúde? JO - A SHS disponibiliza aos seus pacientes a possibilidade de realização de exames endoscópicos – MCDT e consultas de especialidade na vertente privada e através do recurso a protocolos com o SNS – Serviço Nacional de Saúde, ADSE em regime livre e Seguradoras. Estamos continuamente a trabalhar e a inovar para oferecer mais valências aos nossos utentes, dentro da Gastrenterologia e Endoscopia Digestiva. Estão presentes um pouco por todo o país, de norte a sul. Há diferenças nas unidades de cada região? JO - De Lisboa a Fafe, dispomos de Unidades de Gastrenterologia e Endoscopia Digestiva cumprindo todos os cânones legais, equipadas com tecnologia de ponta onde o paciente poderá realizar o seu

exame ou consulta confortavelmente, em segurança, seguido por profissionais de topo e focados no paciente. O cumprimento rigoroso dos manuais técnicos das infraestruturas é fundamental. Procuramos também, fazer alguns ajustes/ adaptações às especificidades de cada região, essencialmente ao nível da comunicação e da disponibilização do serviço resultado das analises ao mercado e concorrência. Podem resultar, por exemplo, em trabalharmos inclusivamente aos domingos! São uma referência nacional. Como conquistaram essa distinção? Ou seja, de que forma se distinguem? JO - Os responsáveis dessa distinção são os nossos pacientes/ utentes. O projeto SHS obedeceu a um criterioso e ambicioso plano estratégico. Estivemos dois anos a trabalhar no seu planeamento, antes

mesmo de o implementarmos. A execução é assente numa gestão de proximidade, com equipamentos e tecnologia de última geração, com os melhores profissionais das mais variadas áreas, do marketing à economia, numa valorização constante dos nossos Recursos Humanos. Todos estes fatores são fundamentais para proporcionarmos um serviço de excelência aos nossos pacientes/ utentes, infelizmente nem sempre encontrado no setor da saúde. Recentemente estabeleceram um acordo com o Serviço Nacional de Saúde. O que advém dessa parceria? JB - Sim, celebrámos Convenção na área de Endoscopia Digestiva com o SNS. Isto permite aos utentes do SNS efetuarem connosco nas diversas unidades, entre outros, a Colonoscopia e Endoscopia alta, com ou sem sedação, sem despenderem


smart healthcare solutions | a saúde do aparelho digestivo

Como descreveria o ambiente atual que se vive no setor da saúde e em particular no setor da gastroenterologia? JB - Como toda a gente sabe, o estado atual no setor da saúde não é o melhor, pois este encontra-se muito subfinanciado. A par disso, este ainda não recuperou, do duro golpe sofrido entre 2011 e 2016, mas esperamos que este governo consiga inverter e resolver esta situação, pois Portugal tinha um dos melhores Serviços Nacional de Saúde do mundo, e o povo português merece novamente um Serviço Nacional de Saúde a funcionar plenamente. Quanto à Gastroenterologia esta é um reflexo do que se passa nos outros setores. Os preços pagos pelos exames endoscópicos não são os mais corretos, sendo muito baixos, e esperamos que possam ser corrigidos a curto prazo. Para agravar a situação temos notícia de que pelo menos determinadas chefias têm pressionado os nossos colegas clínicos gerais para diminuírem o pedido de exames endoscópicos. Nada mais errado do que isto, pois a partir da comparticipação do Estado nas anestesias, os utentes começaram a aderir bastante melhor à realização de exames de colonoscopia, com evidentes ganhos na prevenção do cancro do colon e do reto (CCR), o que leva a uma poupança na despesa do Serviço Nacional de Saúde, com menos consultas, menos quimioterapia, menos radioterapia, e sobretudo poupança de vidas humanas.

endoscópico, pelo SNS às Entidades Convencionadas, pois quando devíamos estar a avaliar a valorização monetária dos exames endoscópicos, fala-se em diminuir o preço destes, mas isso, todos em conjunto, não iremos permitir isso. São membros da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia? Se sim , o que advém dessa relação? JB - A SHS, como empresa de prestação e gestão de Serviços Médicos e de Gastrenterologia, não é sócia da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Todos os nossos colaboradores, médicos gastrenterologia são sócios da SPG, e como tal estão presentes nos congressos e reuniões da SPG, apresentando trabalhos e comunicações, e alguns deles, inclusive, pertencem aos seus corpos dirigentes. Como país mediterrânico , Portugal é conhecido pela sua alimentação. Considera que os portugueses têm uma alimentação saudável? Algum aspeto da nossa dieta deve ser alterada? JB - Portugal tem uma das dietas mais saudáveis do mundo, que é a dieta mediterrânica, muito rica em fibras, legumes, frutas, peixes e gorduras insaturadas. Infelizmente, desde algumas dezenas de anos para cá que os portugueses começaram a alterar a sua dieta, passando, paulatinamente a consumir em excesso açúcares, alimentos refinados ou processados, carnes vermelhas e outros. Ora, isto, trouxe-nos um aumento de , entre outras patologias, do CCR. Todos nós temos pois de investir numa alimentação mais saudável, o que quer dizer , também, investir na nossa saúde, pois se comermos de uma forma saudável , iremos ser mais saudáveis de futuro. Há muitas coisas que devíamos modificar na nossa dieta. Não podemos ser exaustivos neste aspeto, mas se evitarmos alimentos processados, enlatados, açúcares, sal, refrigerantes, gorduras saturadas, carnes vermelhas, álcool em excesso, iremos ser sem dúvida mais saudáveis, e em contrapartida, se ingerimos muitas fibras, legumes, frutas, poucas gorduras, pouca carnes, pouco sal, podemos evitar em grande medida determinados tumores, nomeadamente o cancro gástrico e o CCR.

A nossa função também passa por informar o público, assim sendo considera que os portugueses estão bem informados acerca da saúde do seu aparelho digestivo? JB - Não, de todo. O povo português é um dos povos menos informados do mundo no que toca à saúde . Podemos dizer que os portugueses têm pouca cultura médica, ligando pouco às questões da saúde, só se lembrando delas quando estão doentes. Entre outras coisas deve-se consultar regularmente o médico de família, comer bem e saudável, bem como praticar exercício físico periodicamente . Consideramos o assunto da educação para a saúde um assunto atual e importante. É altura agora que se estão a rever os curriculum escolares, de se implementar de uma forma séria durante o ensino escolar obrigatório, de uma disciplina cientificamente elaborado sobre saúde, especialmente vocacionada para a prevenção das doenças. Quais são os objetivos para os próximos cinco anos da SHS – Smart Healthcare Solutions? JO - Os objetivos da SHS para o futuro orientam-se por 2 vetores essenciais: - Consolidação: pretendemos solidificar a presença no mercado nacional de forma sustentada e consistente; ajudar ativamente à prevenção e diminuição da incidência do cancro; aumentar a confiança nos nossos parceiros, dos prescritores e dos pacientes/ utentes. Encaramos os tempos que aí vêm como uma oportunidade para que cada vez mais, mais pessoas tenham acesso aos serviços prestados pela SHS, reconhecendo claramente a nossa marca. -O segundo vector é a Expansão - crescer em número de Unidades, elevar ainda mais os nossos padrões de qualidade ao nível de soluções tecnológicas, apostar na inovação, aumentar o número de serviços disponibilizados e alargar as áreas de negócio da empresa na saúde, tendo a Gastrenterologia como núcleo central.

SHS Guimarães

O Ministério da Saúde procede a alterações da legislação com frequência. Estas modificações afetam a dinâmica da SHS? JB - Sim , sem dúvida, qualquer empresa seja ela qual for, sofre com mudanças de legislação com frequência, e nós, no setor da saúde não ficamos imunes a isso. Possolhe dar dois exemplos ilucidativos: O primeiro prende-se com as frequentes mudanças de legislação sobre os consultórios privados, nomeadamente com as Unidades de Endoscopia, que nos obrigaram a efetuar obras sucessivamente. O segundo exemplo prende-se com o preço pago por cada ato

SHS Lisboa

qualquer importância em dinheiro, caso sejam isentos, ou pagarem as habituais taxas moderadoras. Evidentemente que as polipectomias, quando necessárias também podem ser realizadas nas nossas instalações sem qualquer custo para o utente.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 13


a saúde do aparelho digestivo | clínica júlio barbosa, lda

Prevenção como a melhor forma de combate Júlio Barbosa é o rosto principal da Clínica Júlio Barbosa Lda., em Viseu e da Policlínica Senhora dos Remédios, em Lamego. Numa edição com destaque à gastrenterologia, uma visita a estas unidades de saúde é perentória. Conheça melhor as mesmas na primeira pessoa, numa entrevista ao diretor clínico.

Júlio Barbosa, médico, é sócio e diretor clínico das Unidades de Gastrenterologia e endoscopia digestiva Júlio Barbosa Lda., em Viseu, e Policlínica Senhora dos Remédios em Lamego. Para que possamos elucidar os nossos leitores, questiono-o sobre há quanto tempo estão as clínicas no ativo e que especialidades aí podemos encontrar? Ambas as Unidades iniciaram a sua atividade no ano de 1986, ou seja , há 31 anos que se dedicam à causa da Gastrenterologia e da Endoscopia Digestiva. são duas empresas altamente prestigiadas nas regiões de Viseu e Lamego, tendo realizado neste tempo centenas de milhares de exames endoscópicos. Estas empresas souberam acompanhar sempre a inovação, quer sob o ponto de vista profissional, quer tecnológico , podendo-se dizer hoje que nestas Unidades

14 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

de Endoscopia existem aparelhos de endoscopia de topo de gama, assim como instalações modernas e confortáveis, bem como pessoal médico e de enfermagem altamente profissionalizante e afável. Como estão a Júlio Barbosa, Lda e a PoliclÍnica Senhora dos Remédios apetrechadas a nível de recursos humanos e materiais? Neste momento, estou reformado dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, sendo o diretor clínico destas unidades, contando com a colaboração de colegas que trabalham nos Hospitais do Serviços Nacional de Saúde, nomeadamente colegas dos hospitais de Vila Real, Universidade de Coimbra, Castelo Branco , Vila Franca de Xira, e Santa Maria, em Lisboa. É desta conjugação de gerações distintas que está o

segredo da excelência dos nossos serviços. Contamos também com equipas de colegas de anestesia e de enfermeiros especializados em gastrenterologia e anestesia, alguns pertencentes aos nossos quadros. Quanto ao material técnico, estamos apetrechados com os aparelhos de endoscopia mais modernos , de forma a podermos fazer um diagnóstico acertado. As nossas instalações são modernas e funcionais, com salas de anestesia e de recobro, com material moderno e funcional para os exames de anestesia e pós anestesia. A Policlinica Senhora dos Remédios, Lda., está sediada em Lamego , região esta muito periférica, quais os condicionalismos com que se deparam para exercer a sua atividade? Efetivamente, podemos considerar Lamego

Júlio Barbosa Diretor Clínico


policlínica senhora dos remédios | a saúde do aparelho digestivo ultra periferia. Somos desde sempre o único prestador de atos endoscópicos nesta região. Os nossos doentes pertencem a uma área que se estende de Vila Real a Castro Daire, e de Cinfães a Vila Nova de Foz Côa, vivendo nestas zonas cerca de 200 mil pessoas. A dificuldade de transportes é enorme nesta zona, pelo que , tivemos que nos adaptar a fazer exames de manhã e de tarde, de forma a prestar serviços a doentes que só têm transporte no período da manhã ou da tarde. Sem falsa modéstia , acho que podemos dizer que já fizemos alguma coisa por esta região, pois há mais de 30 anos, pelo número de exames realizados e a polipectomia sistemática, levam-nos à perceção de que o cancro coloretal poderá estra em curva descendente nesta zona. Que exames se fazem nas Unidades de Gastrenterologia e Endoscopia Júlio Barbosa , e Policlínica Senhora dos Remédios? Os dois principais exames que se realizam são a endoscopia alta e colonoscopia, que se executam com ou sem anestesia , conforme solicitação do doente. Evidentemente que, sempre que encontramos um pólipo, a este no mesmo ato é feita uma polipectomia, não necessitando o doente de efetuar segundo exame para o fazer. Estamos praticamente na fase de lançamento da cápsula endoscópica, que como sabe é uma pequena cápsula do tamanho de um comprimido, que deglutida pelo doente vai filmar todo o seu intestino delgado e o cólon. Trata-se pois, de um avanço muito importante para o estudo da patologia do intestino delgado, nomeadamente, no estudo da anemia de causa desconhecida. Esta cápsula endoscópica é usada atualmente principalmente para o estudo do intestino delgado, mas que no futuro, que penso que será próximo, servirá também para um estudo satisfatório do cólon, o que atualmente ainda não é possível. Que tipo de acordos é que têm para a realização dos exames de endoscopia na clínica Júlio Barbosa e na Policlinica Senhora dos Remédios? Desde o início que estas duas unidades têm convenção na área da gastrenterologia com o Serviço Nacional de Saúde. isto é, os doentes portadores da credencial (modelo P1), não têm que despender qualquer dinheiro para a realização do seu exame. Mesmo quando o exame é realizado com anestesia ou é feita uma polipectomia , o doente não tem de pagar nada, caso esteja isento, caso contrário está sujeito ao pagamento das habituais taxas moderadoras. Para cápsula endoscópica ainda não temos convenção com o Serviço Nacional de Saúde, mas iremos entrar em conversações para que tal aconteça. Tem contrato com a ADSE? Não, não temos, e isto é um problema importante que urge resolver junto das instâncias próprias. Não se compreende que após insistentemente pedida, a convenção com a ADSE não tenha sido efetuada, pois assim todos os utentes da ADSE da área de Lamego têm que se deslocar aos hospitais privados do litoral. Isto viola claramente o princípio da igualdade de oportunidade plasmado na nossa Constituição. Sabia o leitor que o Estado paga por um utente da ADSE três vezes mais, num hospital privado, para a realização de exame endoscópico com anestesia, do que o mesmo Estado paga pelo mesmo exame no SNS? Como é possível que este tipo de coisas aconteça? Como é possível um desbaratar de dinheiro dos nossos impostos desta forma? Só por compadrio ou por corrupção tal situação pode coexistir. Iremos continuar a lutar para que os utentes do interior do país possam ter as mesmas oportunidades dos utentes residentes no litoral. Considera que a população de Lamego está sensibilizada para a medicina preventiva, nomeadamente no que diz respeito às doenças do aparelho digestivo? Gostaria de dizer somente duas palavras sobre o cancro gástrico e do colon e do reto. A população da área geográfica de Lamego não é diferente do resto da população do país. Essencialmente é uma população ligada ao campo, relativamente pobre e com

pouca literacia, como tal as questões das doenças e principalmente do cancro, não são muito abordadas e praticadas. O nosso trabalho de sensibilização para o cancro do estômago e cancro do colon e reto junto dos clínicos gerais e da população praticada há mais de 30 anos, parece estar a dar os seus frutos, na medida em que, por um lado, os doentes têm aderido de uma forma excecional à realização de exames de colonoscopia desde sempre, e principalmente desde que estes exames se fazem com anestesia, o que por outro lado parece nos estar a conduzir a uma diminuição do número de casos do cancro do colon do reto. Quais os principais sintomas e sinais do cancro do colon do reto? O sinal que mais vezes nos aparece, sem dúvida, é o da presença de sangue nas fezes, que é muitas vezes negligenciado pelos médicos e pelos doentes. É comum, ao fazermos diagnóstico do cancro, verificarmos que este já deu sinais capazes de ser diagnosticado anos antes. Outros sintomas frequentes que nos podem dar a pista deste tumor são a alteração do trânsito gastrointestinal, com obstipação ou diarreia, alteração da consistência das fezes, dores abdominais, perda de peso súbita ou não, fadiga e anemia. Evidentemente que a nossa tarefa principal não é fazer o diagnóstico do cancro, mas sim da sua lesão percursora, isto é , o pólipo. É esta lesão que do início é muito pequena , vai crescendo e que em muitas situações degenera para cancro do colon do reto. É, pois, vital que a nossa atenção se prenda essencialmente na deteção destes pólipos, e como muitos deles não sangram, e quase nenhum dá sintomas, não podendo por isso ser detetados pela pesquisa de sangue oculto (PSOF), sendo o único método eficaz para a sua deteção, a colonoscopia total com remoção dos pólipos.

Rua Alexandre Herculano 433 3510-039 Viseu 232 422 490 | 232 423 127 geral@juliobarbosa.pt WWW.JULIOBARBOSA.PT

COLONOSCOPIA COM E SEM SEDAÇÃO (SNS P1) ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA (SNS P1) NOVO SERVIÇO DE CÁPSULA ENDOSCÓPICA

Urbanização Mártires de São Sebastião Lote 2, R/C Fração BT 5100-201 Almacave , Lamego 254 613 120 | 254 666 478 anatomiapatologica.pr@gmail.com

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 15


a saúde do aparelho digestivo | spirituc

Inovação, veracidade e competência Empresa de referência na área de estudos de mercado em Portugal não quer ser a que mais fatura, mas a melhor neste setor, não se limitando à apresentação de resultados. Em entrevista aos membros de direção da Spirituc – Investigação Aplicada damos a conhecer uma empresa de sucesso. são os pilares do vosso crescimento e sucesso? Acreditamos que o know-how, que temos vindo a desenvolver num conjunto significativo de áreas terapêuticas é, sem dúvida, um desses pilares. O domínio sobre determinadas áreas terapêuticas permitenos produzir um conjunto de insights estruturantes nas decisões estratégicas dos nossos parceiros de negócio. A confiança que depositam no nosso trabalho é resultado deste conhecimento profundo que temos do mercado. Não será por acaso que alguns dos nossos parceiros de negócio nos acompanham desde a génese da Spirituc.

Vítor Vieira, Ana Lopes e Rui Costa

A Spirituc - Investigação Aplicada é uma empresa de estudos de mercado especializada na área médica. Qual a génese da empresa e quais os objetivos que presidiram à sua criação? A Spirituc-Investigação foi fundada em 2002 pelo sociólogo Victor Cavaco. Formado pelo ISCTE, teve um percurso de vários anos ligado aos estudos de mercado, em particular no setor farmacêutico, o que lhe conferiu experiência e know-how para criar um projeto diferenciador no setor dos estudos de mercado em Portugal. Na génese da empresa, estava presente a ideia que tem sido o nosso ADN ao longo destes 15 anos de história: Não queremos ser a empresa que fatura mais, queremos

16 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

ser a melhor empresa de estudos de mercado. Que balanço faz destes 15 anos de percurso? O balanço é positivo. Na história da Spirituc podemos destacar três períodos que marcam o nosso percurso. De 2002 a 2010 a empresa cresceu de forma sustentada, tornando-se parceiro preferencial junto de um conjunto significativo de empresas de referência a nível nacional. Foi uma fase de solidificação do negócio e de crescimento técnico da equipa. Em 2011, com o falecimento prematuro de Victor Cavaco, a Spirituc viveu necessariamente um período de alguma instabilidade e adaptação a

uma nova realidade, que coincidiu com um período de recessão dos mercados a nível nacional e internacional. O terceiro momento tem início em 2013, com a entrada de Vitor Vieira, cunhado de Victor Cavaco, que veio a assumir a gestão da empresa. Nesta altura, foi criada a Direção Técnica, composta por Ana Bagulho Lopes e Rui Costa, que assumiram a coordenação técnica e científica da Spirituc. Tanto a Ana como o Rui fizeram grande parte do seu percurso profissional na Spirituc-Investigação Aplicada, percorrendo as várias etapas com o acompanhamento de Victor Cavaco. Hoje em dia são considerados pioneiros em Portugal e especialistas em estudos para a indústria farmacêutica. Quais

‘Produzimos saber, acrescentamos valor!’ A filosofia da Spirituc – Investigação Aplicada assenta neste pressuposto? O que vos diferencia num mercado cada vez mais competitivo e global? Sim, sem dúvida. Somos sensíveis às preocupações da indústria nestas matérias. Não nos limitamos a apresentar números. Fazemos uma leitura crítica dos resultados o que resulta, em grande medida, numa elevada capacidade de recomendação junto dos nossos parceiros de negócio. Sabemos que cada cliente é um cliente, com um conjunto de necessidades específicas e a nossa capacidade de adaptação e flexibilidade são princípios que norteiam a nossa ação e que acreditamos diferenciarem-nos dos nossos concorrentes. Do ponto de vista comercial, desde 2015, temos vindo a desenvolver um conjunto de produtos/estudos, que respondem de forma dedicada a necessidades específicas do setor. Concomitantemente, enquanto agentes neste setor, é nosso dever ter também uma atitude de responsabilidade social, desenvolvendo investigações que produzam debate e reflexão junto da sociedade civil e, em particular, junto dos diferentes agentes


spirituc | a saúde do aparelho digestivo da área da saúde em Portugal. São exemplo disso, estudos como BOP Health: Os Portugueses e a Saúde, o E_Health ou o Vacinómetro. E a vossa equipa, em que medida contribui para o sucesso da empresa? Aquilo que é o resultado visível do nosso trabalho deve-se, em grande medida, ao desempenho técnico, envolvimento e perseverança de todos os colaboradores. A equipa é jovem, dinâmica, com espírito inovador, dotada de uma enorme capacidade crítica e reflexiva sobre a realidade. Vivemos internamente uma lógica de proximidade, baseada numa relação de confiança e espírito de entreajuda. Fomentamos uma cultura de curiosidade sobre as coisas, de partilha sobre as descobertas, de não resignação, permitindo que cada colaborador faça o seu percurso de crescimento dentro da organização. Qual o vosso target? Quais as especialidades médicas e as áreas terapêuticas trabalhadas? Qual a abordagem utilizada da Spirituc- Investigação Aplicada? Em 15 anos e mais de 1.500 investigações, é difícil identificar o target X ou Y como sendo os principais. Aquilo que podemos dizer é que dificilmente haverá uma área terapêutica ou especialidade médica que a Spirituc nunca tenha trabalhado. Mas não só. As sociedades científicas, as administrações hospitalares, as farmácias (hospitalar e de comunidade), os doentes, os cuidadores são targets que fazem parte do nosso dia a dia. Quais os valores pelos quais norteiam a vossa forma de estar no mercado? A qualidade e rigor das investigações que desenvolvemos. A flexibilidade, envolvimento e compromisso que estabelecemos com o cliente.

presentes noutras áreas, tais como o setor financeiro, o setor das telecomunicações, a grande distribuição, o setor da energia, entre outros. A experiência nestes mercados tem-se revelado importante num contexto de competitividade crescente, em que a diversificação do negócio é, sem dúvida importante, do ponto de vista estratégico. Os mercados internacionais, pela crescente globalização a que temos vindo a assistir, assumem um peso cada vez maior na nossa realidade.

A Spirituc - Investigação Aplicada tem vindo a crescer de forma sustentada, desde a sua fundação, num conjunto diversificado de setores de negócio. Quais? Que balanço pode ser feito a este nível? Historicamente o mercado farmacêutico é o nosso core de negócio, mas também estamos

Em termos de futuro, que projetos estão nos horizontes da Spirituc – Investigação Aplicada? Quais os predicados pelos quais pretende que a Spirituc seja reconhecida? Mantendo o foco naquilo que é o nosso core, mas não descurando outras áreas de negócio, queremos ser a empresa de referência na área dos estudos de mercado em Portugal.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 17


a saúde do aparelho digestivo | lifefocus®

Relações de confiança com os utilizadores O grupo Lifefocus® surge como entidade agregadora de várias estruturas de diagnóstico médico. O seu objetivo foi estabelecer um elevado grau de qualidade clínica baseada e sustentada numa confiança crescente dos clientes e utilizadores dos serviços médicos. As unidades do Grupo Lifefocus® complementam entre si a sua oferta de serviços, permitindo obter cuidados de saúde de acordo com os mais exigentes padrões clínicos e de conforto. Conversámos com Pedro Carrilho e Luís Fraga, administradores. Com estes objetivos a nortear toda a filosofia da organização assumimo-nos como modelo de referência para todos os prestadores almejando o destaque na escolha dos nossos clientes.

Começo esta entrevista por lhe pedir que explique aos nossos leitores no que consiste a LifeFocus®. LifeFocus® é um termo anglo saxonico que determina o que fazemos e o nosso enfoque. Adotámos esta designação para associar as unidades já existentes, que já tinham uma denominação, as surgentes adotaram diretamente esta descrição. Assim, a Lifefocus é uma marca registada que agrega um conjunto de 12 unidades nas áreas do diagnóstico e tratamento do radiodiagnóstico, endoscopia digestiva, exames de cardiologia, neurofisiologia. Estamos presentes desde Trás-os-Montes ao Alentejo, passando por Paredes, Porto, Aveiro, Santarém, Alenquer e Lisboa. A necessidade de ter uma visão como um todo foi também uma prioridade da gestão. É imperioso que todo este universo partilhe regras transversais, procedimentos uniformes, serviços partilhados, suporte, sistema informático, base de dados única e essencialmente os mesmos valores. Isto representa um ganho de eficácia e uma orientação muito concreta para os processos de qualidade, que se repercute em todos os processos beneficiando todos os nossos clientes internos e externos. Qual a principal missão da LifeFocus® e qual o seu propósito? A Lifefocus® dispõe unidades de saúde modernas e diferenciadas pela qualidade no atendimento, excelência das equipas clínicas, inovação e vanguarda dos equipamentos médicos. Estando suportada numa rede integrada de unidades de saúde, dispersas geograficamente desde Chaves e Mirandela até Lisboa e Évora, temos a visão de um crescimento sustentado com a presença de unidades de saúde LifeFocus® em todo o território de Portugal. Centramos a nossa atenção nas necessidades da populução, prestando um serviço personalizado e integrado, centrado numa confiança mútua com os nossos clientes. Associamos a este princípio a excelência técnica e cientifica dos nossos colaboradores e a qualidade e inovação dos nossos equipamentos médicos. Tal implica a prestação de cuidados de saúde personalizados, com responsabilidade e competência, em tempo útil, garantindo que os serviços médicos prestados têm como pilar a eficácia e rapidez de forma personalizada, assumindo um compromisso de excelência na relação com os nossos clientes e com toda a organização.

18 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Qual a principal missão do Portal Lifefocus® e como funciona o mesmo? O portal do cliente surge como uma vantagem que queremos dar aos nossos clientes, disponibilizando-lhes de forma segura os relatorios e imagens médicas de exames que sejam efetuados em qualquer das nossas unidades. O cliente tem uma password unica de acesso que lhe permite a qualquer momento desmaterilizar, imprimindo, partilhando via e-mail ou outras ferramentas. Deixa de constituir uma preocupação dispor de exames anteriores. Imaginamos que em qualquer momento pode aceder ao seu diagnóstico, partilhar com o seu clinico, comparar com exames anteriores. A solução apresenta alguma complexidade na sua conceção e modelo tecnologico, mas pelas vantagens que representa foi um investimento que sempre considerámos e que já operacionalizamos. Operam essencialmente na área do diagnostico por imagem, de endoscopia digestiva e cardiologia, porquê estas áreas? A saúde já hoje, e cada vez mais no futuro, está assente na profilaxia. Tratar ou prevenir a doença ou, no pior do cenários, antes que cause danos irreversíveis na pessoa. Uma parte dessa profilaxia está assente num rastreio útil de algumas patologias, como é o caso do cancro da mama e cancro do cólon, que, estima-se, aumentará significativamente nos próximos anos, decorrente da expansão e envelhecimento da população. A prevenção, de forma generalizada, é no presente e será futuro próximo uma ferramenta fundamental para os ganhos em saúde da população. Daí o grupo já ter iniciado a valência de cardiologia e se preparar para a disponibilização nas suas unidades de mais duas novas valências: a pneumologia e a neurofisiologia. Como tem evoluído a medicina nestas áreas? As inovações tecnológicas e a melhoria contínua da eficiência


lifefocus® | a saúde do aparelho digestivo

e eficácia dos equipamentos têm sido fundamentais à evolução clínica. Estando a atividade clínica da Lifefocus (r) centrada na imagem médica, a evolução na qualidade da imagem e o pós processamento têm tido um papel fundamental na interpretação correta e atempada das imagens médicas, assim como nos tratamentos intra-exame, como é o caso da gastrenterologia. Os portugueses têm atenção com estas áreas específicas? Como vê o seu comportamento no que diz respeito à prevenção? A população, fruto da comunicação em massa, está cada vez mais atenta e disponivel para cuidar do seu bem estar e tentar evitar o surgimento precoce de problemas de saúde. O médico assistente ou médico de familia têm um papel fundamental na prevenção e atualmente estão devidamente preparados para estarem atentos a sinais externos. A Lifefocus® colabora regularmente com os Cuidados de Saúde Primários no âmbito da formação estabelecendo pontes com os Médicos de Familia de forma a que os doentes tenham um acompanhamento eficaz e personalizado.

Registo Oncológico Nacional que demonstrou um aumento da incidência em Portugal. Neste contexto, a existência das nossas unidades assume uma maior relevância. Os nossos coordenadores Dr. António Marques e Dr. Tito Correia, ambos especialistas de gastroenterologia, têm uma preocupação constante na melhoria dos processos clínicos, ligação com a área de anestesiologia e anatomia patológica bem como no apoio à consultoria para os equipamentos médicos disponíveis, pois é vital garantir que os procedimentos endoscópicos realizados são eficazes e confortáveis para o doente. Estas técnicas permitem a deteção de lesões neoplásicas para posterior tratamento cirúrgico e excisão de lesões prémalignas, pólipos do cólon. Esta capacidade assume um fator determinante para a detecção precoce do cancro, permitindo assim um tratamento eficaz, mas também na possibilidade de impedir a degeneração de lesões pré-malignas. Assim, a existência de Unidades de Endoscopia diagnóstica e terapêutica, em parceria com o SNS, permitirá no futuro uma diminuição da incidência do carcinoma colorretal.

Quais as vossas principais preocupações e desafios?

Por onde passa o futuro da LifeFocus® e da saúde dos seus utentes?

A incidência do carcinoma colorrectal tem vindo a aumentar nas últimas décadas em todo o Mundo, sendo esta realidade recentemente comprovada pelos dados do

A Lifefocus® assenta a sua filosofia na prevenção e na proximidade com os seus clientes. O acompanhamento não só na saúde como também na doença são marcas que

os nossos clientes, nestes já longos anos, se habituaram a identificar sempre que entram numa unidade de saúde Lifefocus®. É esta matriz que queremos cultivar e manter levando esta forma de cuidar dos nossos clientes a outros locais de Portugal. Que outros fatores críticos de diferenciação consideram ter? Temos um grupo de enfermagem altamente profissionalizado e devemos fazer referencia à enfermeira coordenadora Joana Barreira e também à enfermeira Rita Paninho, incansáveis na boa execução e proliferação da qualidade pelas várias unidades. As equipas de enfermagem estão orientadas para considerarem também fulcrais as fases pré e pós exame. A boa preparação intestinal é um dos principais fatores para uma correta visualização da mucosa do cólon, conhecendose esta importância, o esclarecimento do utente sobre a realização da mesma preparação, diminui o número de utentes com colonoscopias inconclusivas. Estar atento aos sintomas após o exame e fazendo a ligação com o medico especialista, a enfermagem aqui surge sempre como primeiro contacto com o utente. Consideramos essencial a qualidade nesta área pois é um dos grandes pilares para um funcionamento bem estruturado.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 19


a saúde do aparelho digestivo | manoph

Pela saúde do aparelho digestivo

A Revista Business Portugal esteve à conversa com o Profº Miguel Mascarenhas, diretor técnico da ManopH, a propósito da especialidade de Gastrenterologia. Conheça um pouco mais desta clínica da cidade do Porto que se dedica em exclusivo às doenças do aparelho digestivo.

sempre ser vistos com a rapidez e especificidade que estas patologias exigem.

Prof. Miguel Mascarenhas Diretor técnico

Considera que a população está sensibilizada para uma medicina preventiva, nomeadamente no que diz respeito às doenças do aparelho digestivo? Acredito que se têm dado grandes passos nessa direção. Os cidadãos estão em média muito mais esclarecidos em relação à saúde em geral. Os mais novos, especialmente devido ao trabalho realizado nas escolas. A nível da população com mais idade, foi muito importante a sensibilização actual para a realização da colonoscopia de rastreio do cancro colo-rectal, objectico de importantes campanhas realizadas pelas Sociedades Gastrenterologia, Endosocpia Digestiva e Coloproctologia. Claro que a medicina preventina na gastrenterologia não se limita a este tipo de rastreio, mas é essencial e forma uma face visível na campanha para que toda a medicina preventiva faça parte do quotidiano.

Que especialidades podemos encontrar na ManopH? A ManopH dedica-se exclusivamente ao diagnóstico e tratamento de doenças do aparelho digestivo. O nosso foco é a implementação de técnicas diferenciadas e de ponta, em quase todas as sub-especialidades da Gastrenterologia. Na ManopH os doentes encontram uma resposta para quase todas as necessidades dentro desta área. Claro que realizamos também toda a endoscopia tradicional, mas o nosso principal objectivo é fazer sobretudo o que não se encontra em outros centros. Como está a clínica dotada a nível de recursos humanos e materiais? Para atingir este objectivo, é necessário um grande investimento para que possamos estar sempre na vanguarda. As nossas actuais instalações, inauguradas há dois anos, são constituídas por três pisos concebidos de raíz para a prática destas técnicas, nomeadamente o centro de endoscopia digestiva e o laboratório de estudos funcionais digestivos, onde dispomos do equipamento mais moderno da actualidade. Este investimento envolve também uma componente humana, de todos os colegas que que compõem o corpo clínico, que partilham esta paixão pela investigação e especialização nas áreas às quais se dedicam dentro da nossa estrutura. Quais as mais-valias que vos distinguem das demais clínicas? A nível técnico, a Enteroscopia por cápsula e enteroscopia por duplo balão para avaliação e tratamento do intestino delgado, que não é acessível através da endoscopia convencional. Outra grande área de diferenciação é a Ecoendoscopia (especialmente a biópsia guiada por Ecoendoscopia), essencial para o estudo, localização e estadiamento dos tumores do sistema digestivo. Por fim a motilidade digestiva, também chamada neuro-gastrenterologia, em que realizamos estudos que permitem caracterizar, sob o plano funcional, todo o tubo digestivo, nomeadamente a manometria, pHmetria, impedanciometria, estudos da incontinência e da motilidade intestinal. Também nos dedicamos muito às intolerâncias alimentares, por exemplo à lactose e fructose. Esta diferenciação técnica tornou-nos um centros de referencia não só a nível da Medicina Privada, como para Hospitais do SNS. A nível clínico, dispomos, além da consulta geral de Gastrenterologia, de consultas orientada especificamente para determinadas áreas, como as doenças funcionais digestivas, a Doença Inflamatória Intestinal ou a proctologia (tratamento médico e cirúrgico das doenças ano-rectais), de forma a que estes doentes possam

20 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Que outras informações considera pertinentes dar a conhecer aos nossos leitores? A ManopH tem também como uma das suas missões contribuir para a formação pré e pós-graduada a nível nacional e internacional. A nível pré-graduado, temos colaborado com instituições universitárias a vários níveis. A nível pós-graduado, destaco os nossos cursos práticos e os estágios observacionais. Organizamos anualmente o que batizamos de “Cursos hands-on”, em que convidamos internos de formação específica de todo o país para alguns dias de partilha intensiva do nosso “know-how”. Também temos recebido internos e especialistas de gastrenterologia e cirurgia colo-rectal, de hospitais nacionais e estrangeiros (Espanha, Brasil) para estágios reconhecidos pela sua diferenciação, em que têm contacto com técnicas não implementadas nos seus hospitais de origem, o que não só é um motivo de grande satisfação como creio que atesta o reconhecimento do grau de especialização que aqui conseguimos atingir.

R. de Sá da Bandeira 752, 4000-432 Porto Telefone: 22 207 6370 E-mail: manoph@manoph.pt www.manoph.pt


MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

O poder local desempenha um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das regiões, quer pelas atividades dinamizadas, quer pelos estímulos concedidos às empresas, trabalhando sempre em prol da qualidade de vida das populações. Neste sentido, a Revista Business Portugal continua o seu trabalho na descoberta dos melhores exemplos e das melhores práticas desempenhadas pelos municípios de norte a sul do país. Os municípios têm, também, um importante papel na economia, uma vez que são os principais empregadores, em algumas regiões, conferindo-lhes uma grande responsabilidade social. No seguimento deste trabalho, concluímos que as autarquias estão preocupadas em contribuir para a melhoria das condições de vida e desenvolvimento das suas regiões. Os incentivos à natalidade, o investimento privado, a dinamização do turismo, o apoio aos mais carenciados e o suporte à terceira idade, são algumas das questões que ocupam os dias e o trabalho dos autarcas portugueses. Se no cômputo geral os municípios são os representantes do Estado, já as freguesias e os seus presidentes são vistos, na maioria das vezes, como o primeiro contacto para a resolução de alguns problemas. A par dos municípios, as freguesias são o garante do bem-estar das populações, contribuindo para a melhoria das suas condições de vida e apoiando, dentro do possível, os cidadãos. O poder local desempenha, assim, um papel crucial na dinamização e no desenvolvimento do país. Desta forma a Revista Business Portugal, destaca os eventos tradicionais e típicos, alguns com dezenas de anos, que animam todos os cantos do nosso país e que contribuem para a manutenção e divulgação das tradições portuguesas que atraem, cada vez mais, os turistas que nos visitam. Nas páginas que se seguem damos destaque ao papel dos nossos autarcas, homens e mulheres que, acima de tudo, abraçaram a missão de liderar e levar mais longe o seu município. Venha connosco conhecer estas realidades!

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 21


municípios em destaque | câmara municipal de águeda

“A transparência defende a democracia”

Gil Nadais Presidente

Em entrevista à Revista Business Portugal, Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda, explica os motivos que levaram o concelho a atingir um honroso terceiro lugar no Índice da Transparência Municipal.

Águeda ficou em terceiro lugar no ranking nacional Índice da Transparência Municipal, da Associação Cívica Transparência e Integridade. Tinha sido 52º no ano anterior (2015). Quais os esforços feitos pelo município para conseguir este lugar no pódio? Em 2013 estávamos em 13º no ranking nacional, descemos para 52º (2015) e agora subimos para terceiro. Embora seja uma preocupação que temos em todos os nossos atos, analisamos com mais cuidado o que era avaliado e procuramos responder. Obviamente, aquilo que nós entendemos sobre estes índices e sobre todos os outros procedimentos concursais onde participamos, é que eles têm as suas regras. Nós tentamos melhorar as nossas práticas, adequando-as àquilo que é avaliado, porque as reconhecemos como referenciais de qualidade. A transparência nas autarquias é uma

22 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

mais-valia, não só no diz respeito à vida dos munícipes, mas também na atração de investimento? A transparência é um dos elementos, juntamente com outros procedimentos, que faz com que possamos ser mais atrativos para os investimentos e também para que haja melhor relação com os cidadãos do nosso concelho. Entendemos que devemos procurar a máxima transparência por uma questão de filosofia, pois a transparência defende a democracia. Nós não estamos a gerir o nosso dinheiro, estamos a gerir o dinheiro público, e devemos fazê-lo com a máxima abertura e transparência, tendo sempre como bons exemplos aqueles que vão à nossa frente, como é o caso dos países nórdicos, onde a transparência é muito superior. A governança pública não deve ter segredos e eu defendo, inclusivamente, que os procedimentos de aquisição e outros devam ser feitos online, escrutinados no momento, pois estou convencido que isso trará mais pessoas para participarem e serem ativos na construção da sociedade. Como se atrai um empresário a investir em Águeda? Há incentivos fiscais? Aquilo que disponibilizamos aos empresários não são tanto os incentivos fiscais, embora também tenhamos, como é o caso da isenção de IMI durante cinco anos. Mas, por exemplo, a Derrama está no valor máximo e só nos pequenos investimentos, até 100 mil euros, é que estão isentos de pagamento. Nós tentamos ser atrativos no conjunto de serviços que oferecemos às empresas. Não somos alguém que está do outro lado a criar problemas, somos um parceiro que as ajuda a resolver os problemas. Quando eles têm situações para resolver noutros órgãos do Estado, a Câmara está com eles e procura os melhores caminhos

para que as coisas se resolvam rapidamente. Penso que esta forma de estar nos tem trazido alguns êxitos. As pessoas confiam em nós, porque estamos interessados em que a sua empresa cresça. Quais são as áreas empresariais de destaque em Águeda? Águeda tem várias áreas empresariais que consideramos com muito boa performance. Temos, por exemplo, no setor da cerâmica, algumas empresas de renome, como é o caso da Revigrés. Depois temos muitas empresas na área da subcontratação e, sobretudo, na área da metalomecânica. Temos também um conjunto muito vasto de empresas nas áreas da iluminação e das duas rodas – com fábricas de componentes e acessórios para montagem de bicicletas. No setor automóvel, também temos várias empresas de peças e componentes, e é neste setor, que temos atualmente os maiores investimentos, com a inauguração recente de uma grande empresa de fundição. No setor das duas rodas temos a primeira fábrica do mundo, a produzir quadros para bicicletas em alumínio soldados através de robots e um empresário de Taiwan que vai comercializar bicicletas de alta gama. O país vive num ‘boom’ turístico. De que forma Águeda se posiciona neste setor? Nós começamos por desenvolver uma área de turismo de natureza, onde temos mais de uma dúzia de percursos pedestres, que mostram um pouco do bom que temos no concelho ao nível paisagístico, que vai desde a Pateira de Fermentelos até à Serra do Caramulo. Atualmente, estamos também, a desenvolver uma parte de turismo industrial, onde por exemplo, uma empresa já está a preparar – sem interferir com a produção – as visitas de quem vem até nós. O expoente máximo do turismo chega em julho com o “AgitÁgueda”. Durante os meses de verão temos algumas instalações artísticas pela cidade, onde as mais conhecidas são os guarda-chuvas, que já são uma imagem de marca. Esta dinamização permitiu-nos chegar a públicos inesperados. Por isso é normal termos turistas dos cinco continentes a visitarem o nosso concelho. Tivemos conhecimento até que uma publicação vietnamita, que nos inseria no roteiro para 2017. E nós ficamos muito contentes com essa notoriedade, que referenciou, inclusive


câmara municipal de águeda | municípios em destaque os famosos guarda-chuvas. “Foram muito significativas as alterações que foram feitas ao longo desta década”. Está no último de três mandatos. O que mudou em Águeda nestes 12 anos? Penso que mudou muita coisa. Na minha perspetiva, nós aproveitámos muito bem os fundos de reabilitação urbana e mudamos a face da cidade. Nós não somos contra a circulação de veículos motorizados, mas tornamos a cidade mais amiga das pessoas e do ambiente. O foco deixou de ser a utilização desses veículos como meios de transporte e passou a ser o aproveitamento da cidade. A nível industrial, não tínhamos um parque empresarial, mas hoje temos e até estamos, neste momento, a tratar da segunda ampliação. Na área da educação também construímos um conjunto bastante alargado de centros educativos, pois aquilo que queremos é que todos os alunos tenham as mesmas condições de ensino e de aprendizagem. Temos neste momento ótimas condições de educação no concelho, e estamos até a desenvolver um projeto, que é o maior do país, para a introdução de tablets nas escolas. Na área cultural, criamos

o ‘AgitÁgueda’ e motivamos a pessoas a participar.Realço ainda o Centro de Artes de Águeda como uma infraestrutura construída de raiz que irá colocar a produção artística local e o acesso à cultura, num patamar superior. Em suma, penso que foram muito significativas as alterações feitas ao longo desta década no concelho. Qual é aquela que considera ser a sua marca enquanto presidente da Câmara de Águeda? Não posso falar numa ‘marca’, penso que temos várias marcas. Na área da modernização administrativa, por exemplo, fomos o primeiro município do país a trabalhar praticamente tudo digitalmente, temos toda a Câmara certificada pela norma ISO 9001. Por isso, não temos problema em medir o índice da transparência ou outro qualquer. Nós fazemos todos os anos, por exemplo, inquéritos de satisfação com os cidadãos, faz parte da avaliação que temos de ter da nossa ação e verificamos que a nossa ação é considerada extremamente positiva. Temos certificação ISO 27001, da segurança, e estamos a trabalhar, neste momento, para termos uma certificação EFQM (European Foundation for Quality Management). Em Portugal não há nenhuma autarquia que esteja no segundo nível, que é aquilo que almejamos, para podermos ver se as nossas práticas são adequadas ao público e comparar com standards internacionais. Este ano esperamos, concluir também, uma certificação no âmbito das cidades inteligentes, porque almejamos ser uma ‘Human Smart City’. As políticas na área da sustentabilidade, também mereceram o reconhecimento nacional e internacional, com projeto como o beagueda – bicicleta elétrica de Águeda. Também na área da participação somos uma referência nacional, pelas práticas de democracia participativa que

desenvolvemos com as diferentes faixas etárias. Felizmente tivemos atuações em várias áreas, que foram significativamente positivas. Águeda é hoje uma cidade onde é bom viver, trabalhar, estudar e divertir-se!

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 23


municípios em destaque | câmara municipal de ponte da barca

mais do que um destino, um exemplo Em entrevista à Revista Business Portugal, António Vassalo Abreu, presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, faz um balanço do trabalho efetuado ao longo de três mandatos. À margem de muita obra feita, há um “destino turístico de excelência” que fica para a posteridade, onde o melhor da natureza se alia aos incomparáveis sabores da região.

Vassalo Abreu Presidente

Inserido no distrito de Viana do Castelo, Ponte da Barca é um concelho com aproximadamente 12 mil habitantes (dados de 2011) que se encontra, atualmente, numa posição completamente diferente daquela em que o poderíamos situar em 2005. De facto, e tal como recorda o atual chefe do executivo, “assim que chegámos à Câmara Municipal, as nossas grandes prioridades foram a ação social e a educação”, por forma a combater as lacunas de cobertura que então se faziam sentir no território. A ênfase e inovação com que estes imperativos foram assumidos traduziram-se em verdadeiras apostas ganhas. “Nos indicadores da educação e da ação social conseguimos passar do último para o primeiro lugar a nível distrital”, releva o nosso entrevistado. A comprová-lo está a qualidade das infraestruturas e do ensino atualmente ministrado nos centros educativos de Entre Ambos os Rios e Crasto. Já no que à ação social diz respeito, importa salientar o modo como – em constante parceria com os demais agentes locais – a Câmara Municipal contribuiu para o impulsionamento de infraestruturas como creches, jardins de infância, lares e unidades de cuidados continuados. A preocupação com o bem-estar da população sempre correspondeu, de resto, a uma

24 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

prioridade assumida de forma continuada, aspeto constatável pelo cariz pioneiro com que Ponte da Barca dinamizou uma loja do cidadão, um gabinete de atendimento ao munícipe e uma unidade móvel de saúde numa altura em que estes serviços eram ainda raros à escala nacional. Fatores como este ajudam a esclarecer a “volta completa” que, nas palavras de Vassalo Abreu, o território sofreu. Turismo: um trunfo natural Por outro lado, e já no decorrer do segundo mandato, o turismo foi apontado como a aposta de maior potencial. Mais concretamente, não se escondeu a ambição de fazer da vila minhota “um destino turístico de excelência”, utilizando como grande argumento o facto de, integrado neste território, se encontrar uma porção significativa (52 por cento do território) do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Reconhecido pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera, o património natural e as paisagens proporcionadas por este espaço único em Portugal justificam a visita “de pessoas dos quatro cantos do mundo”, contribuindo para o dinamizar de um paraíso cada vez menos secreto.


câmara municipal de ponte da barca | municípios em destaque

Efetivamente reconhecidos são os atributos que o território reúne para a prática de modalidades como o canyoning e outros desportos de natureza. Mas o município que viu o seu parque de campismo devidamente aclamado soma outros trunfos turísticos. Desde logo, podemos referir a integração de Ponte da Barca em plena Rota do Românico através dos três mosteiros que tem para partilhar com os seus visitantes (e entre os quais se destaca a icónica Igreja de Bravães). Dos sabores à tradição Consciente da essência que caracteriza a gastronomia do concelho, a Câmara Municipal assumiu – em parceria com uma miríade de estabelecimentos de restauração – uma iniciativa que tem permitido reforçar a vila no panorama nacional. Mais concretamente, e marcados ao longo do ano, existem seis “fins de semana gastronómicos” através dos quais se confeciona e dá a provar o que de melhor Ponte da Barca tem para oferecer. Mais concretamente, e consoante a altura do ano, os turistas poderão deliciar-se com iguarias tão variadas quanto o cabrito da serra amarela, a posta barrosã, o naco à Terras de Nóbrega, o cozido à portuguesa, o sarrabulho ou a lampreia. O segredo para o sucesso de iniciativas como esta explicam-se, por seu lado, através do modo como a qualidade dos produtos locais é conciliada com o mais elementar amor pela tradição local. É este respeito pelos valores ancestrais que, de resto, se propaga pelas diversas festividades que, ao longo do ano, aqui se celebram. Se as alegrias da famosa Romaria de São Bartolomeu (19 a 24 de agosto) – e as “milhares de concertinas a tocar ao longo de toda a noite” – correspondem ao evento-rei do concelho, igualmente digno de referência é o Pai Velho (realizado em Terras de Lindoso), descrito por Vassalo Abreu como “um dos poucos entrudos tradicionais que persistem” em Portugal. Entre as referências a apontar no calendário sobressai também a Mui Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebrada na quinta-feira santa de cada ano, esta corresponde a uma festividade onde é recriado – através de uma representação que reúne mais de cem participantes – o último dia e a morte de Jesus, entre outros episódios bíblicos.

História e transparência Um retrato de Ponte da Barca que não mencionasse iniciativas municipais como a construção da Casa da Cultura (reaproveitando as instalações de uma antiga escola primária), o desenvolvimento de uma das melhores bibliotecas do país ou a reconversão dos paços do concelho ficaria, forçosamente, incompleto. Posto isto, e em contexto de balanço, Vassalo Abreu acredita – falando da sua equipa – que “cumprimos, em geral, aquilo a que nos propusemos”. Assim sendo, e também digna de orgulho existe uma recente vitória que poderá trazer novos dividendos turísticos a Ponte da Barca: nada mais, nada menos do que a sua integração na rede internacional de cidades magalhânicas. A inserção da vila minhota neste conjunto de municípios justifica-se pela já verificada autenticidade de documentos históricos que atribuem a naturalidade do histórico navegador português Fernão de Magalhães a Ponte da Barca. Mas numa altura em que o município tem vindo a consolidar, de forma continuada, os seus estatutos turístico e histórico, o executivo camarário somou no começo deste ano outra distinção: o 8º lugar nacional no Índice de Transparência Municipal de 2016 (ITM). Utilizando como plataforma de análise o website das 308 Câmaras Municipais do país, este é um instrumento que procura, a cada ano, aferir o desempenho das autarquias em fatores tão amplos quanto a relação com a sociedade, a execução de planos e relatórios ou a transparência económico-financeira. Sublinhando que a transparência sempre fez parte da autarquia barquense, sendo diariamente praticada de forma independente aos rankins, Vassalo Abreu descreve como “excelente” o resultado atribuído pelo ITM que, em comparação com o ano transato, se traduz num esforço ainda maior do que a boa pontuação obtida em 2015. Elementos recentes como este somamse, por seu turno, às consolidações mais antigas com o efeito único de reforçar Ponte de Barca por aquilo que o município já é: uma referência, um exemplo e um valor a seguir por todo o país.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 25


LIDERANÇA NO FEMININO

Todos, de uma forma ou de outra, nos recordamos de um mercado estável. Onde parecia resultar bem uma liderança autoritária e orientada para resultados, produtividade e redução de custos. Uma chefia rígida para uma estrutura rígida. Tradicional e direcionada para a obediência. Basicamente uma gestão tática e inflexível. E todos concordamos que a situação mudou. Cada vez mais os negócios exigem diferenciação, criatividade, inteligência emocional e fluência na comunicação. O que tem tornado o estilo de liderança anterior um pouco obsoleto. Podemos refletir que estas exigências criam a necessidade de certas caraterísticas: uma liderança democrática, onde o líder atua com maior flexibilidade e partilha as responsabilidades; uma liderança comunicativa, em que é a compreensão que leva ao consenso; uma liderança relacional, onde a empatia permite mais facilmente gerir conflitos; e uma liderança transformacional, com um líder que tem a capacidade de gerar confiança e estimular a sua equipa de trabalho através da gestão de expectativas e necessidades de cada pessoa. Se concordamos com tudo isto, estamos a concordar com a liderança no feminino. E essa tendência já se começa a verificar, com o aumento gradual do número de mulheres em cargos de direção nas organizações em Portugal. Seja no mundo empresarial, nas instituições ou na política, este crescimento é uma realidade. Podemos então pensar em assumir que não faz mais sentido as mulheres tentarem adotar um estilo de liderança marcadamente masculino, e passarem a dar primazia às características que por natureza lhe são mais fortes. É altura de entrarmos nesse novo paradigma de gestão, em que também os homens poderão “aprender” e enriquecer a sua liderança com estes exemplos. É momento de deixar de considerar que só um deles é bom. Características diferentes são complementares. Optar por uma é pensar pequeno. Nenhuma é melhor, nenhuma é pior. Ambas úteis em seu lugar. E a verdade é que duas metades nunca terão o potencial do todo.

26 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


dark sky alqueva | liderança no feminino

A melhor chuva de estrelas

Apolónia Rodrigues Criadora e coordenadora

Sky® Alqueva como Starlight Tourism Destination, o primeiro do mundo. E trazer prémios internacionais tais como o Prémio Ulysses, First Runner-Up, da Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas, e o prémio ETIS - Impacto Social e Cultural, da Comissão Europeia. E um prémio nacional, mais Inovação, atribuído pela Revista Mais Alentejo. E chegar em 2016 ao TOP 5 dos melhores destinos do mundo para observação astronómica.

A Reserva Dark Sky Alqueva é um projeto inovador em Portugal. Conte-nos como tudo começou e quais os objetivos que motivaram a criação deste projeto. A ideia surgiu em finais de 2007 sendo que todo o processo de desenvolvimento começou em 2008, já com a visão, missão e objetivos consolidados. O Alqueva precisava de um elemento diferenciador face às perspetivas de desenvolvimento no turismo anunciadas e que levavam a região por um caminho de crescimento acentuado mas baseado em unidades tipo resort turístico. No entanto havia um outro Alqueva com projetos de pequena e média dimensão que já estavam no terreno e precisavam de um elemento atrativo e forte para a sua sustentabilidade. Teria de ser algo que se enquadrasse nos objetivos da Agenda para a Sustentabilidade e Competitividade do Turismo Europeu mas com capacidade de diferenciar um destino no mercado internacional. A minha base de trabalho era o Turismo Científico, mais especificamente o Astroturismo, pois permitia cumprir a minha visão para o destino e assim nasceu a ideia de utilizar o recurso céu como elemento diferenciador do Alqueva e catalizador de toda uma oferta turística baseada nos recursos endógenos deste território. E com muito trabalho conseguimos certificar, em 2011, o Dark

O fenómeno só pode ser admirado à noite quando a iluminação artificial é mais elevada. Os municípios tomam algumas medidas de precaução ao nível da iluminação, para que o céu negro e estrelado possa ser contemplado em pleno? Sim, e essa é uma das condições fundamentais para ter um céu cada vez mais escuro e contrastado. E a certificação exige melhorias contínuas que os municípios têm vindo a implementar aos poucos. Desde 2008 que assumimos a luta contra a poluição luminosa como fundamental para o sucesso do Dark Sky® Alqueva tal como o desejo de ter uma boa iluminação que respeite as comunidades residentes e a sua saúde, o ambiente mas também o direito de acesso a um céu escuro e contrastado que nos permita ver todo o seu esplendor. É um trabalho diário, por vezes repleto de frustrações dado o pouco conhecimento dos efeitos da poluição luminosa e devido a questões culturais, mas dada a transversalidade deste tema e a sua importância a vários níveis nunca desistimos e começamos agora a sentir os resultados desses esforços. Sendo o céu noturno, o ponto turístico atrativo da região, a agenda de eventos dos concelhos envolvidos é programada em torno deste fenómeno da natureza? De que forma? O céu noturno permite atividades ao longo de todo o ano pois no caso do Alqueva sempre que a Lua não permite a observação do céu profundo é possível fazer um passeio romântico ao luar a cavalo, passeios em grupo a pé, ou de bicicleta, ou ainda nas fases em que esta não se encontra cheia, observar por exemplo as crateras da Lua. É ainda possível outras atividades ao longo de todo o ano, como uma prova cega de vinhos, canoagem, um workshop de astrofotografia, sessões de Yoga e de Fitness Natural, tendo ambas por base o tema “Universo”. É esta a nossa diferença!

O céu noturmo é sim o nosso recurso diferenciador mas a nossa oferta vai muito para além da observação astronómica, pois é este verdadeiramente o espírito e o conceito do Astroturismo! Assim é possível ter um calendário relativo à observação astronómica que inclui as melhores alturas para observação da Via Láctea a olho nu, do céu profundo como nebulosas, enxames de estrelas e galáxias, dos Planetas dos Sistema Solar, e de fenómenos mais esporádicos tais como as conhecidas ‘chuvas de estrelas’ e ocasionalmente, a passagem de algum cometa mais brilhante. A mulher lutou e conquistou os seus direitos, tendo travado várias lutas ao longo de décadas. Desde então tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na sociedade e a ocupar cargos de liderança. A sra. Presidente considera que pode ser um caso dessa força feminina e um exemplo para outras mulheres? Na minha opinião ocupar um cargo de liderança é sempre uma grande responsabilidade pois passamos a estar muito mais expostos profissional e pessoalmente e é preciso ter uma personalidade muito forte para não ceder. No meu percurso profissional reparei que tanto é difícil a homens como a mulheres ascender a cargos de liderança por muitos motivos. Os obstáculos são muitos e por isso percebi que a desistência, é, para muitas pessoas, não a melhor opção, mas inevitavelmente a mais fácil e tentadora. Eu tracei desde muito cedo o que queria e por isso trabalhei arduamente para conquistar o meu lugar. Aprendi com os erros, o passado faz parte de mim mas apenas para me ajudar no presente e no futuro. Adoro viajar, conhecer novas realidades, desafiar-me a mim mesma, e isso ajuda-me a ter uma visão mais alargada do mundo e do nosso lugar nele. E acima de tudo nunca desistir dos nossos sonhos por mais difíceis que sejam de atingir, especialmente, se estivermos rodeados das pessoas que gostam de nós e ficam ao nosso lado. O caminho é sempre longo e difícil mas às vezes temos surpresas. E foi por isso que com grande honra que vi, este ano, parte do meu trabalho ser reconhecido internacionalmente ao ser-me atribuído o prémio Dark Sky Defender 2016 pela associação americana IDA, International Dark Sky Association.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 27


liderança no feminino | tpmc

A satisfação do cliente em primeiro lugar

Fundada em 1995, a TPMc é baseada numa estrutura de grupo, particularmente nas áreas da contabilidade, jurídica e fiscal oferecendo um leque de reputados consultores. A satisfação do cliente continua a ser o modelo da sua estrutura que se compromete a suportar de forma eficiente e eficaz a gestão de compromissos comerciais , fiscais, administrativos e jurídicos das empresas que fazem parte da sua carteira de clientes. Numa edição dedicada à liderança no feminino, conversámos com Tânia Castro, diretora geral da TPMc. A TPMc é uma empresa que iniciou atividade em 1995. Que fatores estiveram na sua origem e que balanço podemos fazer destes 20 anos de percurso? A TPMC nasceu da necessidade dos nossos clientes. A nossa empresa mãe é uma sociedade de contabilidade estabelecida no mercado regional há mais de 35 anos. Quando o Centro Internacional de Negócios da Madeira nasceu começaram a chegar muitas questões relativas à operacionalidade das sociedades, ao formato de negócio e o próprio mercado “transpirava” a necessidade de orientação e de sociedades que pudessem orientar e ajudar a gerir os investimentos empresariais que estavam a ser criados na Madeira. Daí surgir naturalmente a TPMc. Estes 20 anos serviram para consolidar os nossos profissionais, munir a empresa de técnicos à altura e cada vez mais conscientes do âmbito internacional que é necessário e, como é óbvio demonstrar profissionalismo e dedicação. Nada se consegue sem muito trabalho, muito estudo e muita persistência.

Tânia Castro Diretora geral

28 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

A TPMc proporciona uma vasta gama de serviços ao dispor da sua carteira de clientes. Quais os principais? Permita-me apenas salientar que a nossa empresa, sendo uma Management Company- Estatuto reconhecido pela SDM e Governo Regional –tem vários sectores operacionais de apoio a clientes e investidores nacionais e internacionais, nomeadamente : departamento legal, departamento de estudos e projetos comunitários, departamento de salários e recursos humanos, departamento administrativo, departamento de fiscalidade internacional e departamento de contabilidade. São estas as razões que nos levam a acreditar sermos uma mais valia no apoio a possíveis investidores Nacionais que queiram utilizar a Madeira como plataforma para a Internacionalização e a investidores Estrangeiros que queiram penetrar no Mercado Europeu, via Portugal. A TPMc é uma empresa do Grupo PREVISÃO (presente no mercado regional há 35 anos), e já existe no mercado regional há 20 anos. É membro da ACIF – Associação comercial e Industrial do Funchal; da APCINM – Associação dos Profissionais do Centro Internacional de Negócios da Madeira; é Corporate Member da Portuguese Chamber no UK e da CCILF – Câmara de Comércio e Industria Luso-Francesa ; e está inserida na lista de Managements reconhecidas e certificadas da SDM – Sociedade de Desenvolvimento da Madeira. Somos uma das únicas Management na Madeira com a totalidade do Capital detida por Portugueses e anualmente envidamos várias ações promocionais em parceria com a SDM, adicionalmente às individuais que realizamos. Posso confirmar-lhe que, só em 2016, em parceria com a SDM estivemos em


tpmc | liderança no feminino ação promocional em Nice, Mónaco, Paris, Londres, Luxemburgo, Moscovo, Dubai e Itália. Além das diversas deslocações a Lisboa e Porto, que são muito regulares. Como caracterizam a vossa carteira de clientes? E qual a filosofia da TPMc no contacto com cada um deles? A TPMC caracteriza-se pelo contacto direto e pessoal com todos os clientes. Todos os clientes são do nosso conhecimento pessoal. Fazemos questão disso. Só assim conseguimos transmitir a confiança e postura necessárias para poder continuar a fazer este negócio ao lado dos clientes. Os nossos clientes são empresários ou grupos empresariais internacionais que se dedicam às mais variadas áreas do trading, serviços e shipping. As áreas são muito vastas. Cerca de 90 por cento dos nossos clientes veem recomendados por outros clientes que já trabalham connosco há vários anos. Sendo uma sociedade de Management não fazemos publicidade, sendo os clientes satisfeitos, na prática, a nossa melhor promoção. Não é o nosso objetivo o crescimento desenfreado, mas sim bem sustentado e nunca descurando o apoio diário e direto ao cliente, que é o que nos caracteriza. Atualmente, que retrato económico e empresarial poderíamos traçar da Madeira? E que potencialidades apresenta este mercado para eventuais investidores? Neste momento estamos no Regime IV que vigorará até 2027. Os resultados têm sido positivos, notamos cada vez mais interesse, quer em termos de empresários Portugueses que estão a internacionalizar, quer em termos de investidores estrangeiros que querem expandir, em utilizar praças regulamentadas, pré-aprovadas pela Comissão Europeia e transparentes. É o caso da Madeira e do CINM (Centro Internacional de Negócios). Cada vez menos contactamos possíveis investidores que vêm à procura de taxas zero ou excesso de facilitismos. O Mundo mudou, a economia e a fiscalidade também. E temos de acompanhar os sinais do tempo e atualizarmo-nos. Havendo um Mundo Global a informação torna-se global, logo quer-se o mais transparente, credível e compatível com todos os sistemas o mais possível.

A TPMc tem parcerias estabelecidas com outras instituições madeirenses. De que forma estas entidades complementam o vosso trabalho? A TPMC tenta concentrar nos seus Departamentos Internos todas as necessidades diárias dos seus clientes. Obviamente que trabalhamos lado a lado e diariamente com os Bancos, Cartórios, Finanças e todos os Departamentos Públicos da ilha. Quando há necessidade de estabelecer parcerias para melhor servir o cliente recorremos à nossa rede de contactos, quer Regional, Nacional e Internacional de modo a colmatar qualquer necessidade. Num Mundo Global temos de estar todos “ligados”, só assim faz sentido para que a estrutura e as empresas cresçam e prosperem. Que perspetivas, ambições e objetivos reserva a TPMc para 2017 e os próximos anos? Continuar a trabalhar todos os dias. Continuar a insistir nos mercados, a promover e a divulgar (que na minha opinião é muito importante) o Regime do CINM. Contactar outros mercados, trocar informações e mantermo-nos atualizados. Há cerca de dois anos começámos também a fazer conferências em vários países, nomeadamente Russia, Londres, Luxemburgo e Portugal, mais especificamente Lisboa e Porto. A nossa intenção é continuar nesta linha e tentar aumentar os países de interesse. Se pensarmos que o regime atualmente em vigor oferece toda a estabilidade de um regime comunitário com uma taxa de IRC de 5 por cento, podendo adicionalmente recorrer a todos os tratados de depla tributação de Portugal tem em vigor, que são mais de 70, alguns dos quais com países muito interessantes como Moçambique, Cabo Verde, China, Macau, Colômbia, Perú ,Chile, etc… vemos que o potencial é enorme. Continuar a trabalhar com o mercado Português que está em franco crescimento e levar a informação aos restantes países, aliás como tentamos fazê-lo todos os anos. A persistência e clientes satisfeitos são os pontos-chave para a continuidade do CINM e tencionamos dar o nosso contributo para que a economia regional da ilha cresça.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 29


liderança no feminino | agência blood.com

Celebrar a mulher ‘integral’ Tendo como mote o Dia Internacional da Mulher, fomos ao encontro de casos de sucesso, ligados ao empreendedorismo e liderança no feminino. O movimento Integral Woman (IW) é representado em Portugal por Mafalda Flores, CEO e Founder da Agência Blood.Com. Dando a conhecer a dinâmica desta comunidade, entrevistámos Mafalda Flores e Maria João Figueiredo, partner da Ciphra e membro da IW. De forma a contextualizarmos os nossos leitores importa perceber como surgiu a comunidade de empreendedorismo feminino Integral Woman Portugal e quais os objetivos a que se propõe? Mafalda Flores (MF) - A Integral Woman (IW) surge em Portugal em março de 2016, um ano após o seu lançamento no Brasil, por Tânia Trevisan, com o objetivo de criar uma comunidade de mulheres empresárias e empreendedoras integrais, que se apoiassem mutuamente nos seus negócios dia a dia. O sucesso e recetividade incentiva a expansão para os países com que já tinha boas relações: Portugal, Espanha e mais recentemente Angola. Cada país tem uma embaixadora representante com a missão de adequar os princípios à cultura e necessidades demonstradas pelas membros, promovendo a interação a nível global. A IW propõe-se celebrar a mulher ‘integral’, na vertente profissional, pessoal e espiritual, e é neste contexto que vem criar uma rede de networking. Atualmente com cerca de 5 mil membros, apoiamo-nos mutuamente, através da partilha de experiências, empoderamento e disponibilização de ferramentas de suporte aos nossos negócios. Durante o ano organizamos vários encontros e almoços de networking, em ambiente descontraído, numa perspetiva de enriquecimento pessoal e intelectual, com a presença de figuras carismáticas que nos inspiram e podem ser uma ajuda para o início de um novo desafio. As redes sociais e os ‘IW Tour’ ajudam a promover o intercâmbio e novos negócios nos vários países. A vertente social é outra constante, havendo sempre a ligação a uma causa ou atividade solidária, como é o caso da Fundação Maria Cristina, fundada pela mulher furacão, Maria da Conceição.

Mafalda Flores CEO e Founder da Agência Blood.Com

Qual o motivo que levou a Mafalda Flores e a Agência Blood.Com a liderar este movimento em Portugal? MF - Por tudo o que já referi, acrescido do desafio de representar algo com que me identifico totalmente. Soube do projeto por uma amiga, que logo me reviu no conceito e pôs em contato com a fundadora, com o intuito de apoiá-las na divulgação dos encontros de networking. Comunicadora por paixão e networker por convicção, aceitei o desafio de me juntar ao grupo, já com grande expetativa nos resultados. Et voilà superámos os objetivos, o que me valeu o convite para assumir a representação da IW Portugal, em conjugação com a minha agência de comunicação, que é uma mais-valia na implementação da estratégia de divulgação e expansão da marca. Na Blood.Com, (www.bloodcom.pt) somos especialistas em gerar notoriedade e reputação positiva. Comunicamos pelas marcas através da imprensa, redes sociais e ativação experiencial e relações públicas. Como tem sido o processo de expansão da comunidade, em Portugal? As empresárias portuguesas estão sensibilizadas para a comunidade? MF - Estamos numa fase de expansão gradual, onde pretendemos regionalizar o conceito com embaixadoras locais. A recetividade tem sido muito positiva, pelo que já contamos com 820 membros, de norte a sul do país. Em Lisboa, conto com o apoio da embaixadora social Fernanda António, que vai dinamizando o grupo e consolidando os contatos. Após o lançamento no Porto, chegámos à margem sul com a Maria João Figueiredo, embaixadora que assumirá a região de Setúbal. Empresária de sucesso, dinâmica e empática por natureza, é diretora geral da Ciphra, empresa de Contabilidade, Gestão e Recursos Humanos. Pela sua experiência e competências nas áreas financeiras, RH e formação, representa uma mais-valia no desenvolvimento desta comunidade. Com isto o reconhecimento vai sendo mais visível, associado ao entendimento dos benefícios que cada empresária pode usufruir

30 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ciphra | liderança no feminino

Maria João Figueiredo Partner da Ciphra e membro da IW

como profissional. Estar atenta às necessidades, antecipar dificuldades e gerir frustrações, tendo como certa uma palavra de reconhecimento na hora de celebrar, é um passo garantido na liderança de uma equipa vencedora. Para motivar é necessário envolver e acompanhar o crescimento, porque um chefe manda, um líder faz-se seguir. E é isso que é a liderança no feminino, criamos líderes que crescem connosco. MJF - Em reforço ao mencionado anteriormente, creio que as competências que melhor acompanham a tomada de decisão no feminino, são o foco e o pragmatismo que a mulher transpõe para essa mesma tomada de decisão. Em termos de foco, realço a característica de olharmos para o ‘ser humano’ enquanto ‘ser humano’ e não enquanto número de colaborador ou alvo a atingir como cliente, sendo que o pragmatismo está sempre associado à mulher atendendo a que somos diariamente confrontadas com situações em que recorremos a esse mesmo pragmatismo quer enquanto líderes, mães ou esposas.

de uma plataforma de contatos que vem potenciar negócio, criar sinergias e até amizades. Os encontros vêm fortificar esta filosofia, traduzindo-se em momentos de convívio, onde nos revemos umas nas outras e compartilhamos os desafios do dia a dia.

Qual a mensagem que querem deixar às mulheres empreendedoras do nosso país? MF - Ser mulher empreendedora é como ter um estatuto de ´super-mulher’ que encara desafios, ultrapassa contratempos e encontra soluções para chegar aos seus objetivos. E ainda tem tempo para ser mãe, mulher, amiga, voluntária, confidente, etc…O que parece difícil, é bem possível, quando se tem um sonho e se traça um plano para o concretizar. Importante é mantermo-nos fiéis à nossa essência e garantir a estabilidade emocional. A atitude certa e a vontade de ir mais além, aparece como consequência natural. MJF - Desde 1975, que o dia 8 de março é comemorado pelas Nações Unidas como o Dia Internacional da Mulher. Existe ainda um caminho a percorrer, com a atitude certa e com a pessoa certa ao lado da mulher é possível, ser empreendedora e mulher. Claro que o nosso esforço é sempre maior, porque a mulher gosta de cuidar e servir. Somos empreendedoras em casa, então basta replicar nas nossas empresas.

Maria João Figueiredo, porque decidiu fazer parte da Integral Woman Portugal? Maria João Figueiredo (MJF) - A parceria já existia entre a Ciphra e a Blood.Com, estando eu também ligada à IW como membro e presença habitual nos encontros de Lisboa e Porto. Atendendo ao facto de me identificar com os valores e com a missão desta comunidade de empreendedorismo feminino, que priveligia o networking, aceitei prontamente e de bom grado o convite para integrar a equipa. Consciente do desafio que foi proposto, estou convicta de que muito em breve será um grande sucesso! Pretendemos crescer, mas principalmente ajudar a crescer todas aquelas que caminharem lado a lado, juntamente conosco. Como empresária, de que forma avalia a presença das mulheres nos cargos de decisão no nosso país? MJF - Ao longo do século XX, fomos assistindo a uma mudança do paradigma da mulher enquanto interveniente da sociedade. Esta mudança tornou-se tão mais visível e acelerada, nas duas últimas décadas, sendo que hoje em dia, não obstante ainda haverem situações de bastante desigualdade, nas sociedades ocidentais o papel da mulher enquanto líder já é bem aceite, conseguindo trazer para as tomadas de decisão a sensibilidade, assertividade e intuição tão características da mulher. A estas capacidades inatas, poderemos também marcar positivamente, por outras características sempre presentes como sejam o maior foco na pessoa (quer sejam clientes quer sejam colaboradores), e no desembaraço próprio das mulheres. No âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher aliado ao empreendedorismo e liderança no feminino, quais são, na vossa ótica, Mafalda Flores e Maria João Figueiredo, as competências de liderança no feminino que merecem destaque? MF - O Dia da Mulher remete-nos para o contexto da segunda revolução industrial que identifica o dia 8 de Março como a data para homenagear as mulheres que lutavam pelos seus direitos! Vejo assim as competências de liderança no feminino ligadas à gestão de pessoas pela empatia e pelo exemplo de ponderação e assertividade, tanto a nível pessoal

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 31


liderança no feminino | business 2 level e Colégio do vale

Foco na individualidade

Paula Mateigueira chegou ao mundo dos negócios muito jovem, aos 23 anos passou a ser responsável pelo negócio da família. Hoje é também responsável pela Business2Level, em entrevista damos a conhecer um bom exemplo de empreendedorismo no feminino.

Magda Gonçalves é o rosto feminino que lidera o Colégio do Vale. Este atingiu o primeiro lugar, no ano letivo de 2015/2016, no ranking dos Percursos Diretos de Sucesso do Ensino Básico criado pelo Ministério da Educação. Mais um exemplo de sucesso no feminino.

Paula Mateigueira lidera a Business2Level, como surgiu este projeto e qual a sua missão? Nasci numa família de comerciantes de artigos de decoração e toda a minha infância observei tudo o que o meu pai fazia na empresa, adorava fazer perguntas, perceber como ele conseguia fazer tantas tarefas e gerir tantas pessoas ao mesmo tempo, e apesar de ter sido um pouco contra a sua vontade, decidi aos 18 ser trabalhadora estudante. Iniciei os meus estudos em Gestão de Empresas mas rapidamente descobri a minha paixão pela área criativa, e acabei por mudar e concluir a minha licenciatura em Arquitetura. Apesar de todos os desafios que a vida sempre me colocou, incluindo a tomada de liderança do negócio da família, aos 23 anos, por motivos de doença do meu pai, nunca desisti e acabei por constituir a minha própria empresa, e em simultâneo, continuar a gerir a da família. A Business2Level é uma empresa Start up cuja missão é elevar as pessoas a outro nível, seja no âmbito profissional como a nível pessoal através do desenvolvimento pessoal e profissional. Quais são as competências essenciais que uma empresária deve reunir para ter sucesso na liderança? Acredito que o sucesso de qualquer negócio é determinado pela qualidade

32 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

das suas pessoas e das relações que têm capacidade de estabelecer, seja com os seus colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros; e foi com isto em mente que decidi criar a Business2Level. As competências essenciais que uma empresária deve reunir para ter sucesso na sua liderança são: 1) Capacidade de comunicação: para poder com clareza transmitir às pessoas com quem trabalha e se relaciona profissionalmente, quais os objectivos e metas a alcançar, devendo fazê-lo de uma forma inspiradora, partilhando também a sua visão e missão; 2) Capacidade de ouvir: esta competência reflete-se em duas perspetivas na minha opinião, a primeira ter efetivamente capacidade de ouvir quem trabalha connosco, e a segunda, ter a capacidade de fazer as perguntas ‘certas’ e saber ouvir cuidadosamente a perspetiva dos outros; 3) Capacidade de decisão: por mais óbvio que esta competência possa parecer, é extremamente difícil de pôr em prática, pois engloba ter a capacidade de decidir, de escolher qual a opção mais favorável para o negócio ou a equipa, mas fazê-lo no momento certo. 4) Liderar pelo exemplo: existem estudos que comprovam que apenas 15 por cento do seu ‘conhecimento’ concorre para um líder de sucesso, e que os restantes 85 por cento, resultam das suas ‘atitudes e habilidades’. Uma competência essencial de qualquer empresária é liderar dando o exemplo. Muitas outras competências poderíamos definir, mas julgo que estas são as essenciais, sendo a base de qualquer pessoa para ter sucesso na sua liderança.

do aluno

Magda Gonçalves Diretora

Paula Mateigueira Administradora

“O sucesso dos negócios são as pessoas”

O Colégio do Vale atingiu o primeiro lugar, no ano letivo de 2015/2016, no ranking dos Percursos Diretos de Sucesso do Ensino Básico criado pelo Ministério da Educação. O que contribuiu para este resultado? É verdade e é um reconhecimento do qual nos orgulhamos muito. É o reconhecimento de um trabalho que vem sendo realizado há quase 25 anos. Este resultado é produto da convergência de diversos fatores, destacando-se em primeiro a EQUIPA. Outro fator é a forma como encaramos o ALUNO. A nossa missão é formar alunos competentes, responsáveis, motivados, autónomos, sinérgicos, pró-ativos, solidários e felizes. O Colégio tem um ambiente muito familiar e as FAMÍLIAS são efetivamente parceiros, que colaboram e participam ativamente em todo o processo de ensino e aprendizagem tendo um papel vital nos diferentes momentos de transição pelos quais a criança passa no percurso da educação básica: da casa à escola, da creche ao jardim de infância, do jardim de infância ao ensino básico, por aí fora. Por último, o envolvimento com a COMUNIDADE é também fundamental para o sucesso. Por um lado, é importante que os alunos tenham oportunidade de ter experiências de aprendizagem fora da instituição, nomeadamente através de

participação em: aulas em Instituições de Ensino Superior; atividades desportivas com outros estabelecimentos de ensino; concursos; ações de solidariedade em Instituições de Solidariedade Social, projetos internacionais, entre outros. Por outro, sentimos também que temos um contributo a dar à Comunidade e, por isso, abrimos as nossas portas não só a quem queira frequentar as nossas atividades extracurriculares como também aos alunos das diversas escolas profissionais e de instituições de ensino superior com quem temos protocolos de estágio. Em que medida a gestão no feminino pode trazer vantagens? Na nossa área de negócio a presença maioritariamente feminina é uma realidade, 90% das pessoas que trabalham no Colégio do Vale são mulheres e todos os cargos de Direção são ocupados por elas. A nossa área é muito emocional, muito baseada na comunicação, nas relações e na empatia, não esquecendo o papel de cuidadoras e essas, por norma, são características mais ligadas às mulheres. Normalmente liga-se também às mulheres uma grande capacidade de alternar e conjugar várias tarefas em simultâneo, o que depende da eficiência e da capacidade de organização e controlo do tempo. Também são muitas vezes atribuídas às mulheres características como sejam a facilidade da visão global dos problemas e de defenderem aguerrida e eficazmente os seus projetos e as suas equipas, o que são mais-valias num cargo de liderança. Ainda assim não concordo em dizer-se que as mulheres são melhores líderes que os homens ou vice-versa, apenas exercem estilos de liderança diferentes devido às diferentes características que cada um possui.


ecosativa | liderança no feminino

A desenvolver soluções

Com mais de uma década de experiência no mercado da consultoria ambiental, a ECOSATIVA destaca-se pela excelência do serviço prestado e capacidade de resposta às necessidades dos seus clientes. Com um rosto feminino a liderar a equipa, e numa edição a propósito de liderança no feminino, uma conversa com Teresa Saraiva é obrigatória.

Teresa Saraiva Administradora

No contexto atual, de emergente dinamismo do mercado, a maturidade e solidez alcançadas posicionam-nos como uma referência no setor da consultoria ambiental, o que tem permitido a retoma dum crescimento sustentado da empresa e a expansão da nossa carteira de clientes.

A ECOSATIVA tem mais de uma década de experiência no mercado da consultoria ambiental. Como é que surgiu este projeto e que balanço pode ser feito destes anos de experiência com mais de 130 projetos realizados? A ECOSATIVA surgiu no âmbito da oportunidade criada pelo mercado, em que o crescimento do investimento em projetos de produção de energia com recurso a fontes renováveis oferecia enormes potencialidades na área ambiental. O balanço tem sido muito positivo. Nos primeiros anos de existência assistimos a um rápido crescimento, a um ritmo de dois dígitos ao ano, o que constituiu um desafio ao nível organizacional. Desde o início a aposta foi feita na qualidade e confiabilidade do serviço e na competência técnica dos recursos humanos. Com o abrandamento do mercado, durante a crise económica, esta aposta revelou-se crucial no sucesso duma estratégia de diversificação de serviços e envolvimento em projetos em que a competência e credibilidade são fatoreschave.

Quem são os vossos clientes e quais as vossas maisvalias? Os nossos clientes são as grandes empresas do setor energético, como o Grupo EDP ou a REN S.A., são entidades como a EDIA S.A., as Sociedades Polis, o ICNF e Câmaras Municipais, mas também o pequeno e médio empresário, nomeadamente na área da avaliação de impactes ambientais. Os nossos clientes salientam a competência técnica e a confiança nos nossos serviços, o bom relacionamento estabelecido e disponibilidade e a capacidade de compreensão das suas necessidades. A nossa atenção à constante dinâmica do mercado permite um enfoque no desenvolvimento de técnicas e soluções que melhor lhes permitem alcançar os seus objetivos. Quais são os grandes desafios de futuro da ECOSATIVA? Definimos como objetivo a consolidação das áreas de serviço orientadas para os setores da água e solos, e para a responsabilidade ambiental, nomeadamente na análise de riscos e danos ambientais. Numa fase em que o desenvolvimento sustentável, particularmente a sustentabilidade ambiental, se encontra em grande enfoque a nível político, económico e social, o futuro da ECOSATIVA, para além da manutenção das áreas de serviço habituais, passa também fortemente pela aposta em projetos em parceria com as instituições públicas e privadas que constituem a nossa rede de colaboração, potenciando as competências e experiência adquiridas. Assim, temos vindo a apostar no desenvolvimento de plataformas de participação e envolvimento de parceiros

e stakeholders, com a missão de contribuir para a sustentabilidade ambiental, promovendo ações concretas e aproximando cidadãos e entidades. No dia 8 de março celebra-se o dia internacional da mulher. Têm alguma atividade programada para assinalar a data? Em que consiste? Não programamos nenhuma atividade para esse dia. Na ECOSATIVA não existe uma cultura de diferenciação baseada no género. Do mesmo modo que não se assinala um dia internacional do homem, não faria sentido fazê-lo no dia internacional da mulher. Considero que o dia internacional da mulher poderá fazer ainda sentido em contextos em que não exista igualdade/ equidade. Não é o caso da ECOSATIVA. Hoje as mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia em diversas áreas. Considera que pode ser um caso dessa força feminina e um exemplo para outras mulheres? Não encaro a minha posição de liderança como um feito notável. Serei sobretudo um produto de um contexto familiar e social em que a cultura de não diferenciação pelo género esteve sempre presente. Nunca senti a minha condição de mulher como potencialmente desvantajosa. Sempre superei os desafios convicta de que o mais importante é o carácter, a motivação e o esforço. Se alguém poderá servir de exemplo são os meus pais, professores e demais educadores que tive a sorte de fazerem parte do meu percurso de vida, assim como os meus colaboradores e clientes. Esses sim serão um bom exemplo, por nunca terem feito da diferença de género uma diferenciação nas oportunidades.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 33


TORRES VEDRAS: CAPITAL DA HORTICULTURA

Torres Vedras é considerada a capital da horticultura e fruticultura. O concelho localizado a poucos quilómetros de Lisboa, é rico na cultura de feijão, batata, vinha. No concelho de Torres Vedras a atividade agrícola, sobretudo a vinha e a horticultura, a indústria agroalimentar e metalúrgica, bem como, o comércio a retalho assumem um papel preponderante na economia da região. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes a 2010 o concelho tinha na altura 9976 empresas. Apesar de ser conhecida pela terra onde se pode assistir e viver o “carnaval mais português de Portugal”, Torres Vedras contribui grandemente para o desenvolvimento da economia nacional. Os produtores e empresários do concelho souberam modernizarse e acompanhar as inovações, a agricultura e a indústria agroalimentar são responsáveis por milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos. O concelho é composto por 13 freguesias que se estendem do mar à serra, contribuindo para uma beleza natural única. O pelouro do turismo do município de Torres Vedras evidencia as “terras férteis pinceladas com muita cor, costa atlântica que faz viver ondas de prazer, rica gastronomia e gente que acolhe de braços abertos. Bem perto de Lisboa somos surpreendidos por uma zona cheia de atrativos para quem gosta de paisagens com contraste, história, desporto, gastronomia, gente simpática e muito festiva. Há muito para experimentar, muito para recordar, entre ondas de prazer, de mar, ao sabor do vento, do tempo. Descubra Torres Vedras, um concelho com cerca de 80 mil habitantes, marcado pela sua economia essencialmente agrícola e pela sua paisagem de vinhedos, com cheiro a mar atlântico. Com mais de 400 km2 de área, este é o maior concelho do distrito de Lisboa e possui cerca de 20 kms de costa, composta por praias de rara beleza e extensão. Não faltam estações arqueológicas, povoados romanos, castelos árabes, igrejas e mosteiros medievais, fortalezas quinhentistas e solares, dos séculos XVII e XVIII, uma surpresa adicional, numa região que tem bom vinho e deliciosa gastronomia para experimentar. Para tornar a visita mais doce, não deixe de experimentar os típicos Pastéis de Feijão”. Torres Vedras, uma região rica que merece ser visitada.

34 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


torres vedras: capital da horticultura | município de torres vedras

Território produtivo, verde e sustentável

Carlos Bernardes Presidente

Torres Vedras é um dos concelhos onde a agricultura representa um forte contributo para a economia nacional. Os setores da vitivinicultura, horticultura e fruticultura são dominantes e contribuem para o desenvolvimento da agro-indústria. A par disto, o município leva a cabo uma política sustentável em prol do ambiente, tendo sido mesmo reconhecido pela Comissão Europeia como território Green Leaf. Carlos Bernardes, presidente do município revela quais as estratégias e mais-valias da região.

“A matriz identitária do concelho em termos económicos é a agricultura, o trabalho associado à vinha e ao vinho tem uma tradição secular e hoje somos um dos principais produtores de vinho a nível nacional”, é desta forma que o entrevistado evidencia o contributo de Torres Vedras para o desenvolvimento deste setor a nível nacional. A região é uma referência no setor dos vinhos, tendo como alavanca a designação dos Vinhos de Lisboa, o presidente destaca que no concelho está situada “a maior adega cooperativa nacional, a par das adegas privadas e novas empresas que têm surgido ligadas ao setor. A Câmara Municipal tem criado incentivos de valor acrescentado para atrair mais investidores, numa área que para nós é muito importante, é a matriz do nosso concelho: a agricultura”. Carlos Bernardes explica que “na última década temos evoluído muito na vertente vitivinícola, com jovens enólogos que têm contribuído para dar uma melhor qualidade ao produto final. O município tem estado sempre ao lado dos produtores de forma a encontrar formas e sinergias, com o Ministério da Agricultura, no sentido de termos o nosso parque vitivinícola o mais atualizado possível, do ponto de vista tecnológico. Na vertente promocional, uma área em que estamos a apostar, o ano passado fizémos uma parceria com o município de Alenquer para nos candidatarmos à distinção de Cidade do Vinho 2017 e ficámos em segundo lugar. Temos também parcerias e atividades com o município de Lisboa e a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa”. Sendo Torres Vedras um concelho onde a agricultura é dominante, a autarquia aliou este setor ao turismo através de um plano estratégico de turismo sustentável, através da aposta na gastronomia e nos vinhos. O entrevistado afirma que “no

36 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

que se refere à agro-indústria, na produção de legumes, tanto a céu aberto, como em estufa, destaca-se a alface, tomate e produtos emergentes como a curgete, pepino e recentemente a batata doce. Torres Vedras tem a maior área de estufas em Portugal. Ao nível da tecnologia utilizada e toda a modernização da fileira está devidamente organizada no trabalho que tem vindo a desenvolver com as universidades, na área da investigação para a produção hortícola e toda a cadeia de valor inserida, quer no abastecimento do mercado nacional, quer na exportação, uma vertente muito importante. Temos também associadas a este setor empresas de transformação de embalagem com elevada relevância em Portugal e na Europa. Temos um cluster muito importante na área da agro-indústria e da agricultura sendo também o contributo de Torres Vedras para o PIB nacional”, evidencia Carlos Bernardes. Projeto EcoCampus No sentido de desenvolver a economia verde na região, o município lançou em 2016 o EcoCampus, que visa “criar oportunidades empreendedoras e atrair talento empresarial que ajude a criar empregos e a gerar valor económico, agarrando no melhor que Torres Vedras possui e desenvolver e transformar este conceito num pilar de transformação económica para


município de torres vedras | torres vedras: capital da horticultura

a economia verde. O município de Torres Vedras está apostado em constituir a primeira e a mais ambiciosa Plataforma de Empreendedorismo para a Economia Verde 4.0 nacional no seu território”, revela o presidente da autarquia. Com o EcoCampus, Torres Vedras pretende reforçar a sua posição enquanto município sustentável, tendo sido até reconhecida, neste âmbito, pela Comissão Europeia, assim a “Câmara Municipal de Torres Vedras tem feito e quer continuar a fazer uma aposta estratégica neste domínio, sendo que hoje em dia os domínios de especialização são muito importantes para o sucesso da vertente empresarial. Nesta área, claramente, o domínio da economia verde é a aposta fundamental para o futuro do valor nacional. Torres Vedras tem valor acrescentado neste domínio e irá criar condições privilegiadas para que surjam mais e melhores empresas que se especializem na economia verde. Nesta medida, entende-se fundamental um trabalho prévio, que se refere à inventariação, estruturação, e seleção de novas entidades empresariais e start-ups através de um exercício de benchmark, identificando potenciais parceiros institucionais, empresariais e financeiros, bem como estruturando diferentes linhas e modalidades de acesso e disponibilidade de know-how a distintos segmentos empreendedores na economia verde. Cada empresa, a ser desenvolvida na plataforma, deverá ter características de sustentabilidade e desenvolvimento ambiental que as tornem únicas e específicas para esta unidade de desenvolvimento empresarial”, determina o interlocutor. Os desígnios da Agenda 2030 A preocupação com o desenvolvimento sustentável é já uma herança e uma linha que tem vindo a ser seguida no concelho pelos diferentes dirigentes, “a Câmara Municipal de Torres Vedras tem vindo a acompanhar desde o início os debates internacionais sobre o desenvolvimento sustentável que se iniciaram com a Cimeira do Rio em 1992. Somos um concelho sustentável, amigo do ambiente, começámos por ter o Plano Municipal do Ambiente, depois a Agenda 21 Local e agora estamos a trabalhar a Agenda 2030, um programa da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo uma honra ter António Guterres enquanto Secretário-Geral da organização. Lançámos em 2016 a primeira agenda participativa no âmbito da Agenda 2030 dedicada a vários eixos estruturantes, nas áreas da saúde, qualidade do ar, ambiental, gestão de recursos hídricos, gestão da água e desenvolvimento sustentável no âmbito urbano. Este caminho traçado pelo município é contínuo e refelxo disso é o facto de no próximo mês de setembro acolhermos o maior Fórum da Mobilidade da Europa promovido pela Comissão Europeia”, evidencia o entrevistado. Futuro: Palavra de ordem requalificar No que diz respeito aos projetos de futuro, destacam-se “as obra de regeneração urbana, estamos agora a dar início também ao Plano de Desenvolvimento Estratégico Urbano (PEDU) para requalificar a zona junto ao Parque do Choupal, onde vai ser feita a construção do Centro de Artes e Atividade associado ao carnaval. De destacar que o concelho tem 20 km de costa e 20 km de campo, é quase um quadrado perfeito com a cidade no centro, há muito trabalho de regeneração urbana para fazer na cidade, estamos empenhados em desenvolver essa componente. Neste momento continuamos o trabalho de requalificação da costa de norte para sul, vamos intervir nas praias Formosa e Azul que vão ser alvo de intervenções de proteção costeira com os objetivos de preservar e conservar a linha de costa do território, prevenir e minimizar o risco associado à instabilidade das arribas, assegurar a fruição pública em segurança das zonas costeiras e proteger e reabilitar os escossistemas e os valores naturais”, finaliza Carlos Bernardes.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 37


torres vedras: capital da horticultura | junta de freguesia do ramalhal

“O Ramalhal tem futuro” Situada na região do Oeste, a freguesia do Ramalhal teve um crescimento efetivo ao nível empresarial, Carlos Terêncio, presidente da Junta de Freguesia acompanha a história da freguesia e dela faz parte há quarenta anos. Enquanto autarca está de saída, mas deixa projetados dois equipamentos, um Centro Educativo e uma Unidade de Saúde Familiar.

Carlos Terêncio Presidente

Há 30 anos, era a indústria do barro que marcava a atividade económica do Ramalhal. “Chegaram a existir 13 cerâmicas. Contudo, algumas não se modernizaram e com a crise que houve na construção civil, temos apenas três em funcionamento, que não deixam de ser grandes referências no país”, começa por nos contar o autarca. Com a construção da A8 e a requalificação da Nacional 8, a freguesia ficou dotada de boas acessibilidades, o que acabou por captar investidores. “Hoje, esta freguesia tem uma

38 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

presença muito forte no comércio metalomecânico. O Grupo Joper – Tomix destina-se ao mercado de exportação, já as outras empresas do ramo destinam-se mais ao mercado interno. Temos duas grandes empresas de transportes a Barraqueiro Oeste e a Paulo Duarte, a Abrunhoeste, a maior unidade de frio, na agro-indústria, a Valouro, a maior fábrica de rações do país, a Avibom, o maior matadouro de aves do país, a Extincêndios, que é PME Excelência e que serve de norte a sul do país os bombeiros e a frota da GNR. Em 30

anos, o Ramalhal tornou-se extremamente dinâmico ao nível empresarial”. O Ramalhal diferencia-se das freguesias junto à costa por uma agricultura diferente, aliás dois terços da freguesia é florestal. A área agrícola está também bem desenvolvida e a freguesia tem a maior área de produção de morangos do país, com mais de 120 hectares. E, mais de 70 por cento dos trabalhadores que trabalham nas atividades enumeradas residem nas freguesias limítrofes. “É uma freguesia geradora de emprego. É-nos reconhecido esse papel”, admite. No campo da ação social é notória a preocupação em servir bem a população. O Ramalhal tem boas infraestruturas e um conjunto de equipamentos muito forte. “Temos um lar, mas vai ser construído um novo pela Misericórdia de Torres Vedras. Será um espaço amplo e condigno. Por enquanto está tudo no papel, mas a obra é para começar em breve”, revela, acrescentando “temos uma população envelhecida, mas felizmente a população envelhece com alguma qualidade de vida”. A educação sempre foi uma prioridade e preocupação enquanto presidente de junta. Como havia uma escola em cada lugar da freguesia, centralizamos o ensino básico no Ramalhal, colocando uma sala para cada ano, onde o professor passou a interagir apenas com um ano. Inicialmente houve alguma resistência por parte dos pais, dois anos letivos depois, não há qualquer resistência ao novo método, perceberam que era uma mais-valia. “Também


junta de freguesia do ramalhal | torres vedras: capital da horticultura o jardim de infância foi centralizado na escola do Amial e abrimos a Escola da Abrunheira, que estava encerrada para o mesmo efeito, ou seja, é sinal que a natalidade está a crescer. Há muitos estrangeiros a fixarem-se na freguesia. Vêm trabalhar para a apanha do morango, há trabalho todo o ano e é uma população jovem. Portanto, vamos crescendo pelos estrangeiros”. A qualidade de vida da freguesia fixa a população, mas as infraestruturas são preponderantes para essa fixação como explica: “estamos bem dotados. Ao nível de água estamos completamente abastecidos, ao nível de saneamento básico a freguesia está a noventa por cento e as estradas também são bastante acessíveis”. Um bonito largo, uma bela igreja e um coreto único são marcas de um património que Carlos Terêncio considera pequeno. “O mais importante é o património humano e a proximidade que temos junto da população”. De saída em setembro, o autarca recordou os 40 anos de trabalho na freguesia, os cargos que ocupou, deixando ferramentas de trabalho. “Uma das coisas que fiz com o meu antecessor foi dotar esta Junta de freguesia com os equipamentos necessários para não ter de recorrer a terceiros. Espero que se mantenha”. Junto à estação, à saída do Ramalhal, a freguesia tem um terreno de 20 mil metros quadrados de património público, onde está previsto construir dois equipamentos essenciais para a freguesia, uma Unidade de Saúde Familiar, que

vai abranger as três Freguesias: Ramalhal, Campelos e Outeiro da Cabeça, Maxial e Monte Redondo. “Ficará no Ramalhal para ficar no centro das três freguesias. Já estamos a avançar com o projeto, é o que vou deixar para o meu sucessor, ferramentas para que se possa trabalhar. Será uma obra morosa, porque está dependente do Ministério da Saúde, mas quando for preciso avançar temos o projeto”. E, um Centro Educativo, que com o apoio da Agenda 2020, será possível iniciar mais rapidamente com a construção. “Neste centro teremos capacidade para fazer tudo em módulos, ao nível de um piso apenas. Ambas as obras são fáceis de implantar, o terreno é todo plano e, se for necessário crescer, existirá muito espaço disponível. Possivelmente, será esta a primeira obra a arrancar. Antes de ir embora, espero que fique em plano de concurso público, conforme está programado”. Prevê-se que junto ao Centro Educativo haja um ‘apêndice’, um pavilhão gimnodesportivo, aberto à comunidade. Perspetivas risonhas para o futuro da freguesia, “o Ramalhal tem futuro”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 39


torres vedras: capital da horticultura | joper

Entre as raízes e o progresso Cada geração colhe os seus talentos e as empresas construídas numa base familiar inspiram os seus caminhos em diferentes dimensões. Jorge Pereira, representa na JOPER a terceira geração, reconhecendo aqui uma história de tradição e inovação.

Jorge Pereira Administrador

O percurso iniciado pelas mãos do seu avó transporta-nos para o olhar retrospetivo dos seus antepassados: “Em 1941 criou-se uma pequena oficina, que naquele tempo se dedicava à reparação e fabrico de carroças e alfaias agrícolas manuais”. Durante esse ciclo as diferentes gerações viveram os desafios do seu tempo e observando o que ficou para trás muitos foram os sucessos alcançados. Os primeiros tratores modificaram a paisagem de Torres Vedras e do país, e à medida que a necessidade aguçava o engenho estendiam-se outras mudanças. Numa primeira abordagem focaram-se na mecanização e só posteriormente a inovação trouxe o apelo da internacionalização. Chegados aos anos 90 afirmaram-se junto das suas congéneres europeias, quer em termos de qualidade, quer em termos de preço. A JOPER fundada em 1941 viera assim a adquirir 75 por cento do capital da TOMIX (empresa fundada em 1924 líder em Portugal no fabrico de pulverizadores agrícolas), obtendo a partir daí sinergias em diferentes vertentes: comercial, industrial e administrativa. Este trilho partilhado deulhes alento, tornando-as referência no contexto ibérico e europeu. A imagem corporativa começava a ficar cimentada e no final dessa década criaram uma delegação no Norte do país. Claro que o mercado ditava outra capacidade de resposta e novos recursos físicos eram exigidos. Já em 2013, com vários investimentos realizados no âmbito da modernização, a JOPER adquiriu 100% de capital da Ribatejo - Metalúrgica Benaventense, Lda., Empresa fundada em 1919. O objetivo era claro: ganhar conhecimentos com empresas mais antigas, captar maior diversidade de produtos e conhecer mercados prósperos.

40 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Atualmente as três empresas seguem uma linha de orientação em conjunto e apresentam uma vasta gama de equipamentos, incluindo o transporte de produtos agrícolas, a mobilização do solo e o tratamento de culturas. “A transição de gerações nem sempre é fácil, mas felizmente o Grupo JOPER teve a possibilidade de ter seguidores e hoje laboram aqui três gerações em simultâneo”, revela. O mercado externo representa cerca de 40% e atravessa continentes tão diversos como Europa, América e África, sendo Espanha, França, Marrocos e Angola os mercados mais importantes. Neste horizonte de pensamentos sublinham a sua presença

em feiras internacionais como a EIMA Internacional (Itália), a SITEVI (França), a FIMA (Espanha), a SIAM (Marrocos) e a FILDA (Angola). A produção anual de mais de 5.000 máquinas aponta-nos apenas para um matemático número, mas olhando mais de perto facilmente reconhecemos uma dimensão humana muito forte. Os adventos tecnológicos não poderiam deixar de estar ligados aos seus 170 colaboradores e aos próprios agricultores, pois “eles ajudaramnos a evoluir e nós ajudamo-los a mecanizar e a crescer”. Os afetos que a terra produz ligam-nos a uma vontade maior e a evolução sente-se aos pares: “hoje o agricultor dispõe de melhores condições de trabalho, e a mentalidade está em mudança. A população mundial está sempre a aumentar, pelo que é preciso produzir mais. Temos de dar valor a quem produz”, assevera. Jorge Pereira ainda reconhece clientes que pertenciam ao tempo do seu pai e, contrariando as técnicas de outrora, encontra-se vocacionado para a vinha, o pomar, o olival e as culturas hortícolas. Perspetiva o Grupo JOPER e procura o equilíbrio, mas sabe que o futuro pede mais - mercados, desenvolvimento tecnológico e produtos. A busca assentará daqui para a frente nesses três vetores, que tanto cativam o país para novas soluções, apoiando-se nas opiniões de quem trabalha a terra.


torres vedras: capital da horticultura | hortafina

Uma empresa com forte presença no mercado

Paulo Rodrigues CEO

A Hortafina é uma empresa familiar fundada em 1982, mas a ligação com os produtos hortícolas já tinha começado com Tito Rodrigues, pai do nosso entrevistado e CEO da empresa Paulo Rodrigues.

Sediada no concelho de Torres Vedras, na localidade de Palhagueiras, a Hortafina dispõe de instalações com cerca de 8000m2. Especializada em produtos hortofrutícolas, proporciona aos seus clientes os melhores produtos, através de uma seleção rigorosa para garantir um excelente controlo de qualidade. Inicialmente a Hortafina era uma empresa de pequenas dimensões. Foi a partir dos anos 2001/2002 que a empresa cresceu a grande velocidade e nunca mais parou. Este grande passo deu-se devido a uma aposta forte no mercado nacional e internacional, desde aí que a Hortafina se tornou numa empresa de sucesso com várias frentes internacionais, tendo produção em Portugal, Espanha e Marrocos, partindo daí a exportação de produtos hortofrutícolas para vários países. Atualmente, a empresa tem cerca de 120 funcionários em Portugal e 130 em Marrocos. A Hortafina é uma empresa de foro familiar e com espírito empreendedor, que se preocupa não só pela quantidade mas pela qualidade dos seus serviços e produtos. Ao longo da sua existência, a empresa preocupou-se em criar marcas que tivessem presença

42 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

em vários pontos do mercado. O Rio Seco está direcionado para produtos de referência de Marrocos, a marca OesteGormet disponibiliza produtos portugueses mais especiais e únicos e, por fim, o Campoverde é designada por ser uma marca standard. A Hortafina tem conseguido grandes parcerias ao longo dos anos, mantendo sempre o mesmo empenho, garra e profissionalismo. Isto criou um grande nível de confiança com os seus clientes e fornecedores. Essas relações continuam a prosperar garantido um elevado nível de satisfação. É maioritariamente nas grandes superfícies que se pode encontrar os produtos da Hortafina. Produção de qualidade “As horticulturas são o nosso forte, produzindo diversos produtos hortofrutícolas, a chegar aos 50 milhões de quilos. A produção é feita de forma responsável e com medidas adequadas, permitindo garantir a qualidade e frescura que lhes é reconhecida”. A maioria dos produtos provém de Portugal, Espanha e Marrocos, “garantindo assim o melhor


Vítor, Paulo e Ruben Rodrigues Administradores

controlo no cumprimento das nossas diretivas de produção e consequentemente da qualidade exigida pelos nossos clientes. Todos estes procedimentos obrigam-nos a muita força de trabalho e uma tremenda logística. O que nos obrigou à criação dos Transportes Hortafina, empresa que nos faz toda a logística a nível nacional e internacional em transporte rodoviário”. Diferentes mercados Para Paulo Rodrigues os “preços do mercado são muito complicados, todo o negócio é complicado e tem que haver muita força e muita atenção para conseguir manter as coisas a funcionar”. Atualmente, a Hortafina possui cerca de 50 hectares certificados, trabalhando diretamente com cerca de 50 produtores que albergam 150 hectares de estufas e 100 hectares de ar livre. Como resume, Paulo Rodrigues, “quando é bom para o produtor é bom para nós e bom para todos”. Criando uma sinergia de crescimento em conjunto com os produtores. Sediada na zona oeste do nosso país, a Hortafina encontrase numa região muito propícia para a agricultura, um setor que na opinião do nosso entrevistado “ainda se vê crescer”, isto porque, “nos últimos cinco anos temos tido temperaturas muito boas para a agricultura, temos um grande clima em Torres Vedras para fazer tomate”. Perspetivas futuras A Hortafina rege-se pelos valores de bom profissionalismo, seriedade, espírito de equipa e perseverança. O facto de ser uma empresa familiar não é uma desvantagem, mas sim um impulso e apoio necessário, num negócio onde é preciso estar sempre em alerta. Sendo uma empresa multidisciplinar, acaba por criar um trabalho bastante completo e mais satisfatório para o cliente, como é possível verificar nos números anuais relativamente a Portugal, que rondam os 40 milhões de euros. A empresa pretende continuar a crescer com novos projetos para oferecer novos produtos aos nossos clientes. Neste momento, todos os indicadores apontam para que a Hortafina continue neste caminho. Acerca das perspetivas que alimentam daqui para a frente, o nosso entrevistado diz que “o futuro constrói-se trabalhando”. Para o futuro desta empresa familiar está nos planos manter o seu bom serviço, evoluindo de uma forma gradual, mas sendo que o mais importante é manter a estabilidade e prestar um bom serviço a todos os seus clientes. E essencialmente investir, já que de acordo com Paulo Rodrigues, “o mercado obriga-nos a continuar a investir, apesar de algumas dificuldades, o mercado é exigente e somente assim poderemos apresentar novos projetos para o futuro”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 43


torres vedras: capital da horticultura | grupo linos

Produzir com a natureza Num tempo em que a agricultora levanta novos desafios torna-se importante observar as dinâmicas de um setor que fora outrora ditado pelas tradições. O processo de globalização, a inovação e a preservação dos recursos são elementos que assumem uma importância vital para o Grupo LINOS e hoje, através das palavras de Nuno Santos, temos a possibilidade de conhecer a abrangência deste mercado.

44 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Nuno Santos Administrador

Constituído por uma série de empresas que se repartem por diversos ramos de atividade – desde o setor primário (com a produção de bens hortícolas em estufa e ar livre) à comercialização, passando também pelo ramo dos transportes – o Grupo LINOS é um paradigmático exemplo de inovação e sucesso nacional. Falamos, afinal, de um projeto de natureza familiar cuja origem remonta à década de 80, mas que, volvidos 30 anos, se assume como porta-estandarte da excelência nacional na arte da horticultura. O jovem Lino Santos (pai de Nuno Santos), consciente da importância da união no mundo agrícola, avançara inicialmente para um projeto com outros colaboradores. Anos depois, a empresa LINOS, Lda assumiu o seu nome no mercado e a sua aposta passou pela comercialização. “Com a entrada de Portugal na União Europeia o meu pai começou por detetar a falta de mão de obra e deixou de produzir”, explica o filho. Posteriormente, chegou a aquisição de veículos próprios e a eventual conquista do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa. Só mais tarde, já em 2008 – e na tentativa de conseguir fortalecer a sua capacidade de produção – é que este empreendimento se multiplica num conjunto de firmas associadas, dedicadas à exploração de novos produtos em estufa. Pelo caminho, e mediante uma travessia de vitórias e algumas peripécias, nasce uma organização de produtores – a Primores do Oeste. Hoje o Grupo LINOS é reconhecido como uma referência pela produção e distribuição de uma série de produtos onde se inclui o tomate, o pepino e a


grupo linos | torres vedras: capital da horticultura batata doce (num primeiro plano), mas também a beringela, a alface ou o pimento. “A nossa inovação não se prende apenas com o volume de área. Somos habitualmente os primeiros a ter acesso à maioria das variedades que depois acabam por vingar”, conduz. Parceiros ecológicos Diferentes vínculos têm vindo a ser criados desde a fundação do LINOS e durante esse percurso a qualidade dos produtos nacionais revela-se uma prioridade. Foi estabelecida uma parceria com a Galp Energia tendo em vista a instalação de uma Central de Cogeração para a produção de energia elétrica através de gás natural. O conceito é simples: a central - a maior a nível agrícola em Portugal - produz eletricidade para vender à rede, enquanto a totalidade do calor gerado na produção elétrica é aproveitada para aquecer a água que mantém estável a temperatura das estufas, assegurando desse modo a não-poluição. A utilização do gás natural como energia primária transporta benefícios que vão para além da eficiência energética - a aplicação de dióxido de carbono acelera a fotossíntese, melhora o metabolismo e equilíbrio hormonal nas plantas, resultando em produtos hortícolas mais resistentes a doenças e ao ataque de pragas e produção fora de época. “Para além de garantirmos melhor frescura, conseguimos obter maior qualidade”, assegura Nuno Santos. Há uma preocupação crescente com a pegada de carbono dos alimentos e o orgulho em consumir o que é português sentese junto das pessoas: “Procuramos colocar os nossos produtos nas grandes superfícies, principalmente com o Grupo Jerónimo Martins, e somos reconhecidos pelo próprio consumidor”. O aquecimento das estufas antecipa a colheita do pepino e garante uma safra de tomate quase permanente, trazendo melhorias na homogeneidade da coloração e consistência dos produtos. Para que a terra germine com futuro a administração preocupa-se ainda com o uso eficiente de água, preservando a biodiversidade do ecossistema. Respeitar e valorizar região Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado

chegará mais longe. As organizações de produtores como a Primores do Oeste são a prova viva desta máxima, distinguindo-se pela sua função de “agrupar o produto da região de forma a que os produtores mais pequenos alcancem o mercado em maior escala”. Presentemente, a Primores do Oeste conta com 60 associados e, contrariamente a outrora, observa as novas gerações chegarem com novas ideias sobre métodos e tecnologias. As organizações de produtores são um fator impulsionador para o desenvolvimento socioeconómico da agricultura, gerando benefícios para o produtor, a distribuição e o consumidor. “Chegar a todo o lado sem grande dificuldade” é o seu lema e por isso exportam para diversos pontos da Europa, como é o caso da Itália (um dos maiores produtores e consumidores de tomate), Polónia, Espanha e França. O intuito do trabalho é ajudar os agricultores locais a otimizar os seus recursos e melhorar a produtividade. “Produzimos anualmente cerca de 20 milhões de quilos e, com os nossos associados perto de 30 milhões. A exportação em 2016 ficou a rondar os 35 por cento”, adianta. O principal destino das suas exportações é a nossa vizinha Espanha. Futuro Durante a conversa foi-nos também possível abordar a evolução do setor e a inovação no exterior. Nuno Santos está atento aos investimentos tecnológicos realizados na Holanda e aos novos pensamentos no campo da modernização. Ainda assim é importante ressalvar que “somos, de longe, o país do sul da Europa com mais tecnologia a nível agrícola”. O futuro da horticultura está bem assegurado e o grupo é constantemente solicitado para participar em fóruns. São convidados, há quatro anos consecutivos, para a Feira Internacional Fruit Logística Berlim e marcam presença como um dos melhores produtores de tomate do mundo. Daqui para a frente, o Grupo LINOS acompanhará outros investimentos como o da cogeração, conjugando outros desafios sustentáveis. Os 280 colaboradores sabem a força que a região aglomera, mas reconhecem os benefícios do crescimento contínuo e procurarão novos parceiros de negócio.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 45


tema | vedras: torres empresacapital da horticultura | jardins ramos

Dinamismo e inovação como imagem de marca Fundada em Torres Vedras há 7 anos atrás, a Jardim Ramos fornece serviços de construção e manutenção de espaços verdes para todo o distrito de Lisboa. Com uma aposta clara numa equipa jovem e dinâmica, a empresa está equipada com os melhores produtos para prestar todo o tipo de assistência a jardins de diferentes dimensões e especificidades.

sempre a pesquisar e a atualizar-me sobre todas as técnicas novas e dar apoio permanente”, refere. Equipa dinâmica aposta na qualidade Uma das grandes apostas de Nuno Ramos ao formar a sua empresa foi a aposta numa equipa com espírito jovem, dinâmica e com qualidade para trabalhar na área. Para o responsável, estas características são essenciais para poder dar solução aos mais variados obstáculos que podem surgir na manutenção dos espaços. “Procuramos que a nossa equipa tenha um bom conhecimento das nossas máquinas e que muitas vezes no terreno se possam resolver problemas com os materiais. A ideia é que todos sejam polivalentes a resolver problemas e que não deixemos trabalhos a meio, o que nunca nos aconteceu”. Para além desta aposta muito vincada no perfil dos seus funcionários, o principal responsável da Jardins Ramos é igualmente exigente na qualidade dos materiais que utiliza para o seu trabalho.

Nuno Ramos e Sónia Ramos Gerentes

“Utilizamos as melhores máquinas do mercado. Quem recorre à nossa empresa sabe que vai usufruir de um serviço eficaz, rápido, de qualidade, do conhecimento dos nossos profissionais, de boas máquinas e de uma boa relação com o cliente”, indica Nuno Ramos.

Nuno Ramos trabalha na área da manutenção e construção de jardins há mais de 17 anos e conta com Sónia Ramos como sua aliada neste projeto. Foi desta vasta experiência que fundou a Jardins Ramos, uma empresa de cariz familiar que pretende assegurar os melhores cuidados para tratamento de espaços verdes no distrito de Lisboa. Com uma frota de três viaturas totalmente equipadas, a Jardim Ramos é especializada em serviços de construção e manutenção de espaços verdes, limpeza de terrenos, corte e abate de árvores, criação de lagos e sistemas automáticos de rega, manutenção de piscinas e ainda de aplicação de

46 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

produtos fitofarmacêuticos. “Estamos credenciados para detetar se a planta tem uma praga ou uma doença, temos formação específica nessa área, o que é uma lacuna em muitas outras empresas. Nós somos autónomos: estamos no jardim a fazer manutenção e identificamos se é praga ou doença”, explica Nuno Ramos. Para além da vasta lista de serviços disponibilizados e da realização de orçamentos grátis, a empresa aposta na inovação e na ligação de proximidade com o cliente como fatores diferenciadores. “Os nossos clientes são como amigos, temos clientes de há 12 anos, antes mesmo de formar a empresa. Procuro estar

A expansão como meta de futuro Uma dos grandes objetivos de Nuno Ramos para o futuro é ampliar a empresa e a sua área de abrangência nos serviços fornecidos. “Vamos entrar na área da rega para agricultura. No futuro queremos ter um piquete só de rega, para todo o género de regas. O nosso objetivo é tratar de todo o processo de implementação, desde a construção do projeto de rega e elaboração de proposta para o cliente. É uma mais-valia que pretendemos acrescentar”, explica. Com esta alteração, o responsável planeia também alargar o número de trabalhadores e as infraestruturas da Jardim Ramos. “A nossa ideia é crescer e dinamizar a nossa atividade, dobrar a nossa capacidade de resposta – queremos ficar com o dobro do pessoal a trabalhar e de viaturas e futuramente aumentar as instalações”, refere.


Patrícia Pilar com Secretário de Estado da Agricultura

torres vedras: capital da horticultura | frutas patrícia pilar

“Tradição e qualidade da nossa terra”

A aposta na distribuição de produtos hortícolas de qualidade da zona oeste é a imagem da marca da Frutas Patrícia Pilar, empresa com 12 anos de experiência no mercado português. Com sede em Torres Vedras, a firma trabalha em proximidade com os produtores locais para negociar o melhor preço pelos seus produtos e proporcionar aos clientes a melhor qualidade. Uma política empresarial que lhes garantiu o prémio de PME Líder 2015.

Patrícia Pilar na Feira Internacional de Madrid

um produto que é o tomate. É o nosso produto principal que exportamos de 200 diferentes produtores locais, o que é um número considerável. O tomate português é um produto muito reconhecido a nível internacional. É diferente e tem uma qualidade muito boa”, refere Patrícia Pilar, principal responsável da empresa. A exportação é uma das apostas mais fortes da firma, que pretende trabalhar de forma afincada na distribuição de produtos portugueses de qualidade. “Exportamos principalmente para a Europa e para Marrocos. Estamos a trabalhar agora na internacionalização da empresa”, explicam os responsáveis. Esta política de desenvolvimento constante e a forte aposta na qualidade, validada pela implementação da certificação HACCP, valeu à empresa o galardão PME Líder, atribuído pelo IAPMEI em 2015.

Embora se tenha estabelecido em Portugal em 2005, a experiência dos responsáveis da empresa Frutas Patrícia Pilar é bastante anterior a esta data. Com origem em Espanha, este projeto nasceu há sensivelmente 25 anos e aproveitou a abertura de fronteiras para expandir a sua

48 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

ação para Portugal. Com sede na zona oeste, a empresa dedica-se à importação de vegetais e frutas de todo o mundo e à exportação de produtos hortícolas endógenos, como nos explicaram. “Nós importamos vários produtos de vários pontos do globo e exportamos principalmente

Um negócio em constante expansão Um dos pontos diferenciadores da Frutas Patrícia Pilar são os leilões de produtos que ocorrem todos os dias nas instalações da empresa. “Os leilões são um dos pontos fortes desta empresa. Todos os dias a mercadoria dos vários produtores é leiloada para obter o melhor preço pelo produto. Há um preço orientador de mercado e a partir daí tentamos obter o melhor preço, que varia todos os dias”. A variação dos preços dos produtos fica dependente de condicionantes do mercado e constitui, no entender dos responsáveis da empresa, uma forma mais justa para todos de poder negociar. “O preço vai variar em função da procura


frutas patrícia pilar | torres vedras: capital da horticultura

da sua atividade e por uma maior aposta na exportação dos produtos. Um crescimento que passa inicialmente por assegurar a consolidação financeira da empresa. “A empresa está a crescer, vamos ter novas instalações e vamos agora fazer um investimento muito grande, por isso temos em curso um projeto para conseguir esta solidificação financeira. Somos um projeto forte e com envergadura, como não existe na região”, refere Patrícia Pilar. Para além desta intenção de consolidar o volume de negócios já existente e o raio de ação da empresa, os responsáveis da empresa pretendem desenvolver o rumo dos negócios no sentido de aumentar a produção e exportação de produtos nacionais. “Queremos produzir e exportar mais e importar menos. Tanto é que temos agora uma quinta, no Alentejo, de sete hectares, para produção de pêssego e nectarina. O objetivo é cada vez exportar mais e importar menos com produtos

nacionais – é esse o objetivo da empresa. Queremos chegar a um resultado de vendas de 80% de exportação e de 20 por cento de importação. Neste momento temos uma média de 70 por cento de importação e 30 por cento de exportação”. Um rumo que os responsáveis começaram a traçar já há alguns anos, quando a agricultura nacional atravessava ainda uma fase de vincada estagnação. Com um plano de expansão em curso, a Frutas Patrícia Pilar pretende seguir o mesmo curso de ação já estabelecido e que tem trazido os frutos desejados, mas numa perspetiva de expansão contínua. “De futuro a ideia é seguir com o crescimento da empresa, quer nas instalações, quer na produção e no apoio permanente aos produtores – para que se possa ter o melhor preço e exportar o máximo possível”, concluem.

Produtos prontos para leilão

Responsabilidade social com a comunidade Apesar dos objetivos comerciais inerentes a qualquer negócio, a Frutas Patrícia Pilar assume também um forte papel de responsabilidade social na zona oeste, papel esse que os responsáveis da empresa assumem como fundamental na política orientadora da empresa. Os largos anos de estabelecimento em Portugal levam a que os gestores da firma já sintam este país como parcialmente seu. “O nosso lema é tradição e qualidade da nossa terra. Nós já estamos em Portugal há vários anos, somos espanhóis e não nos podemos considerar portugueses, mas estamos aqui implementados, fazemos parte da economia e investimos em Portugal. Acho que estamos a fazer um bom trabalho no desenvolvimento da economia da região”, refere Patrícia Pilar. Neste sentido, a empresa trabalha com produtores locais e assegura o escoamento de parte da produção agrícola da sua região. “Nós acabamos por ser também motores aqui do sector agrícola da região, onde se cultiva essencialmente tomate e hortaliça. Acaba por ser um pouco de serviço social, é um apoio que também prestamos aos produtores para escoarem os seus produtos”. Este apoio verifica-se não só na comercialização de produtos locais, mas também pelo apoio logístico que a empresa fornece aos seus colaboradores. “Temos um departamento de qualidade para dar apoio aos produtores: temos técnicos que acompanham e orientam os produtores. É uma forma de os fidelizar à empresa, porque sentem esse apoio que lhes damos”, explicam.

Emílio Lloret e Patrício Lloret

de mercado. O produtor pode obter um preço diferente pelos seus produtos, dependendo do dia. É um processo mais célere e sério, na medida em que é muito claro para o agricultor e todos estão contentes com este sistema”, explica Patrícia Pilar. A evolução do volume de negócios da empresa tem sido sempre bastante positiva segundo os seus responsáveis, fazendo com que a empresa tenha já uma dimensão considerável, com uma média diária de processamento de produtos fixado nas 100 toneladas diárias. Neste sentido, a PME conta com uma frota de 27 camiões frigoríficos e com uma equipa média de 180 pessoas. A grande maioria da distribuição dos produtos da Frutas Patrícia Pilar é realizado para cadeias de supermercados, nomeadamente o Grupo Sonae em Portugal e o Grupo Mercadona, em Espanha. O crescimento do volume de negócios da empresa fez com que os seus responsáveis apostassem na inauguração de novas instalações, o que vai ocorrer já este ano. A nova sede vai permitir à empresa maior capacidade de escoamento de produtos e de gestão da logística necessária para escoamentos dos mesmos. “Neste momento temos capacidade para armazenar 3000 toneladas, mas nas novas instalações vamos ter capacidade para 14.000 toneladas. Há sempre oscilações de mercado, mas por norma conseguimos sempre escoar os nossos produtos”, indica Patrícia Pilar.

Futuro local com pensamento global Grande parte da ação futura da empresa passa pelo aumento

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 49


torres vedras: capital da horticultura | viveiros lino

Cuidar com profissionalismo e simplicidade A casa enche-se de verde e logo os aromas e cores trazem para perto memórias afetivas. António Lino Silvestre e Vânia Silvestre estão no ramo da floricultura há 20 anos, e hoje falam-nos sobre os sucessos do seu projeto.

Vânia Silvestre e António Lino Administradores

e inspiram bem-estar e reaproximição da natureza. Com o objetivo de compreender melhor as necessidades e tendências de mercado, a Viveiros Lino mantém o foco do seu segmento, abrangendo um leque alargado e fidelizado de clientes. Muitas são as histórias que deixam transportar de pessoa para pessoa: “Fornecemos floristas e temos clientes desde Coimbra até Estremoz”. Esta vontade de levar as plantas para mais próximo dos lares produz mudanças a nível da qualidade de vida, porém algumas estratégias têm de ser implementadas na gestão e comunicação deste negócio. “Temos plantas de interior, plantas de exterior, plantas com flor e plantas verdes”. Dentro dessas camadas observamos como o público aborda as plantas da época, sendo neste

Cruzada a arte de cuidar à arte de comunicar fomos conhecer a Viveiros Lino. Um ramo que apaixona os nossos interlocutores faz adivinhar mensagens positivas sobre a essência desta atuação. Ele, com mais de 40 anos de experiência na área, ela com uma vida preenchida por flores, não se imaginam noutro ofício. “É um trabalho cheio de cores e perfumes e nós temos o privilégio de estar em contacto com esta beleza”, cativam. A atenção única que dedicam ao seu cliente faz com que a experiência de compra se torne enriquecedora e humana, não esquecendo o papel que assumem como revendedores. Dotadas de diversidade de solo e clima, as flores respiram

50 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

momento a orquídea a mais procurada. “As pessoas veem nela uma simbologia, um gesto de gratidão. É uma planta nobre”, sugere Vânia Silvestre. Toda a flor tem o seu mecanismo de adaptação e sobrevivência e as diferentes espécies de orquídeas não se incluem nas exceções. Envoltas em segredos, podemos aqui encontrar: a Paphiopedilum, a Cymbidium, a Phalaenopsis, a Cambria, entre muitas outras. “A primavera é o nosso forte. Aliás, nós estamos expectantes de uma boa primavera - muita flor, cor e alegria”, adiantam. A produção de flores, folhagens e plantas ornamentais nacionais por vezes não é suficiente e, numa busca intensa pela qualidade, os empresários estão atentos ao mercado externo. Holanda torna-se, nesse aspeto, o principal fornecedor destes produtos, não escondendo que dão um salto até ao sul de Espanha e outro até à Bélgica para maior diversidade. A procura torna-se ainda mais vasta com a captação de oportunidades no norte e sul do país. “O Algarve também tem uma grande produção de plantas ornamentais”, salientam.

Dinâmico e delicado, este negócio reconstrói-se todos os dias com novidade, perpetuando constantemente o elo com as suas raízes. António Lino e Vânia Silvestre reconhecem uma crescente expansão da cultura do consumo de flores, e isso anima-os a inspirar os próximos tempos com sensibilidade e aproximação. Daqui para a frente sabem que outros desafios estarão à espreita, mas não deixam de sublinhar as relações humanas para que a importância do seu trabalho e gestos nunca se percam.


torres vedras: capital da horticultura | ferreira da silva, s.a.

Qualidade e engenho, de Portugal para o mundo Produzir, importar e exportar produtos frutícolas fazendo da melhor qualidade e do preço mais competitivo as suas grandes linhas-mestras. Eis o modus operandi da Ferreira da Silva, S.A. – exemplo paradigmático de sucesso e visão num setor cada vez mais exigente.

Susana Marques e Vítor Fonseca Administradores

contextualiza o presidente do conselho de administração, Vítor Fonseca. Se, todavia, a importação e consequente distribuição de um vastíssimo leque de bens frutícolas sempre se assumiu como uma constante no ADN da empresa, importa salientar que só em anos posteriores a Ferreira da Silva, S.A. sentiu a necessidade de se dedicar também à produção própria. Posto isto, e de modo a garantir um contínuo aproveitar das potencialidades da região onde se insere, dinamizando ainda mais a sua capacidade de resposta ao mercado e atendendo à crescente procura, a empresa dedica-se atualmente à produção de maçã Royal Gala (numa área de aproximadamente 40 hectares) e pera Rocha (numa extensão de sensivelmente 20 hectares). “Fazemos exportação a partir do primeiro dia de colheita”, explica Vítor Fonseca, antes de acrescentar que “70 por cento do que se produz acaba por ser exportado”.

Fundada em 1988 e sediada em A-dos-Cunhados (Torres Vedras), a Ferreira da Silva, S.A. é hoje uma incontornável referência ibérica na produção e distribuição de produtos frutícolas e hortícolas. Mais do que isso, todavia, aquilo que o seu percurso empresarial de 29 anos nos narra é a história de uma constante superação, adaptação e expansão. Essa mesma busca exprime-se, por sua vez, através de um simples mas nobre objetivo: a procura pela liderança no seu ramo de atividade. Somando um volume de faturação que ronda os 40 milhões de euros anuais, “este é um grupo que se encontra dividido em vários setores – a produção, a importação e a exportação”,

52 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ferreira da silva, s.a. | torres vedras: capital da horticultura A qualidade do que é português Questionado sobre a mais-valia que estes produtos em concreto apresentam perante os clientes internacionais, o nosso entrevistado é perentório. “No caso da pera Rocha, estamos a falar de um produto que é único e que conta já com um mercado conquistado. Entretanto, o que ainda não está, vai-se abrindo a pouco e pouco”, constata. Por outro lado, a maçã portuguesa encontra não apenas forte concorrência oriunda do norte da Europa, como também do hemisfério sul, o que implica que o sucesso deste produto se torne possível através de “muita ginástica, boas relações no mercado e do saber diferenciar”. Claro está que muito do inusitado sucesso que estes produtos nutrem em mercados externos tão díspares quanto a Europa, o Médio Oriente, a Ásia, o continente africano ou as Américas se justifica pela importância de dois outros critérios: o preço competitivo e a especial preocupação atribuída à qualidade. Importa, nesse âmbito, salientar que a Ferreira da Silva, S.A. se encontra devidamente credenciada com as certificações internacionais HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Point) e GSFS (Global Standard for Food Safety), BRC, numa dupla de argumentos que ajudam a cimentar esta empresa enquanto inegável parceiro de confiança além-fronteiras. Da importação à exportação Obedecendo ao imperativo de assegurar uma inalterada capacidade de escoamento ao longo dos 12 meses anuais, a Ferreira da Silva, S.A. importa “ao longo de todo o ano” uma miríade de produtos frutícolas e hortícolas oriundos das mais variadas geografias, embora com forte incidência nos mercados americanos e sul africano. Dentro desse mesmo leque contam-se não apenas as já mencionadas pomóideas (maçã e pera ), mas também uvas, citrinos, frutos tropicais e exóticos, ou tubérculos como, por exemplo, a batata doce. Contando com um conjunto de instalações que garantem uma capacidade de armazenamento entre as 15 e as 17 mil toneladas – encontrando-se já em curso a construção de um espaço no Bombarral que permitirá conservar até 3200 toneladas de produtos – a Ferreira da Silva, S.A. está também devidamente munida com um eficientíssimo sistema de distribuição. “Fazemos a nossa própria logística, temos os nossos próprios transportes intraeuropeus e também temos os nossos próprios porta containers”, enumera Vítor Fonseca, sublinhando que a flexibilidade de uma frota constituída por 25 camiões “permite dar um pouco mais de valor ao nosso produto”. Mas uma das chaves para o continuado sucesso deste grupo empresarial português reside, precisamente, na relação desenvolvida com um rol cada vez mais amplo e exigente de clientes. Características como “a confiança e a amizade” são descritas como as mais importantes na altura de desenvolver negócios alémfronteiras. De facto, e nas palavras do presidente do Conselho de Administração, “são precisos muitos anos, um carácter forte, sério e honesto e um conhecimento global do mercado mundial” para que as exportações sejam efetivamente bem-sucedidas e se mantenham como “um negócio de futuro”. Uma referência na Península Ibérica Empregando neste momento um leque de aproximadamente 200 colaboradores, o papel social que a Ferreira da Silva, S.A. assume na região é inegável. Contudo, e paralelamente à sua função enquanto agente empregador de grande relevo no concelho, a empresa goza de uma parceria firmada com nada mais, nada menos do que cerca de 50 produtores propagados por Torres Vedras, Bombarral e Cadaval. Descritos como “produtores que já têm muito conhecimento e know-how”, estes parceiros são encarados como uma autêntica mais-valia, reforçando ou complementando a capacidade produtiva da Ferreira da Silva, S.A. num processo através do qual é garantida uma maior capacidade de escala à produção nacional. “Eles sentem que esta é a sua casa”, considera o nosso interlocutor, numa alusão à relação de apoio e acompanhamento proporcionada a estes produtores. Elementos como este ajudam, por seu turno a explicar o porquê de hoje – volvidos 29 anos de árduo trabalho – a Ferreira da Silva, S.A. constituir um exemplo de sucesso, ousadia e qualidade digno de elogios em toda a Península Ibérica. Ao longo deste mesmo percurso, Vítor Fonseca constata que “o mundo está sempre a mudar e ou as empresas se adaptam à realidade, ou perdem o seu volume de negócio”. Neste momento, por seu turno, a empresa orgulha-se de “continuar a dar passos em frente”, embora sempre atenta aos novos desafios que o futuro, pela sua natureza, acarreta. Assim sendo, e sem grande surpresa, os próximos anos “passarão por encontrar novas soluções”, bem como pela continuada aposta num universo cada vez mais vasto de mercados internacionais. Sempre com a garantia de continuar a marcar a diferença pelo que realmente importa: uma política de boas relações e, claro está, de qualidade.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 53


VALPAÇOS, A ESSÊNCIA NATURAL Portugal é sem dúvida um país abençoado por belas paisagens, boa gastronomia e pela arte de bem receber. Viajando em direção a norte chegamos à cidade de Valpaços, um ponto de paragem obrigatória para os apreciadores destas três qualidades bem portuguesas. À medida que nos aproximamos das linhas fronteiriças da cidade, a paisagem verdejante salta à vista, o ar é genuinamente puro e faz-se sentir através de leves brisas que vão agitando as folhas dos gigantescos castanheiros, as videiras inundam o quadro paisagístico com os seus troncos retorcidos de data centenária. Assim, se apresenta Valpaços aos olhos de quem está prestes a entrar nas suas portas, para descobrir tudo o que esta cidade tem de bom tem para oferecer. A cidade transmontana, pertencente ao distrito de Vila Real, tem atualmente cerca de 16882 habitantes e tem como cidades vizinhas: Chaves, Vinhais, Mirandela, Murça e Vila Pouca de Aguiar. Os primeiros documentos que citam Valpaços, anteriormente denominada de Vale do Paço, remontam ao século XII e a sua história tem páginas ligadas a famílias nobres e senhoriais, por ser um destino muito próximo de Espanha. Já foi, inclusive palco da Guerra da Patuleia, travada em 1846 entre cartistas e setembristas. Do seu património arquitetónico destacam-se a Igreja Paroquial e os Paços do Concelho, espaço projetado por Augusto Xavier Teixeira. A sua herança gastronómica, comporta um longo legado na produção de vinho, desde a época em que os romanos ocupavam aquele lugar, até aos dias de hoje. São também de destacar o azeite, a castanha, a amêndoa, o fumeiro e o folar (certificado oficialmente em 2015). O vinho é possivelmente a relíquia mais antiga desta terra onde as vinhas com centenas de anos continuam a produzir uvas, que dão origem a um néctar de elevada qualidade, motivo que levou um grupo de valpacenses a fundarem a Confraria dos Vinhos Transmontanos. Com sede na casa do vinho Valpaços, foi fundada em 28 de agosto de 2009. Convidamos os nossos estimados leitores, a viajarem através das próximas páginas, para esta terra transmontana que muito tem para oferecer.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 55


valpaços, a essência natural | quinta o joca

Uma Experiência Inesquecível

Cândida Coutinho e Paulo Alvadia Administradores

Cândida Coutinho e Paulo Alvadia, casados quase há 25 anos, estão à frente deste espaço de eventos. Um casal que realmente mostra a hospitalidade de Valpaços e que aposta na boa gastronomia. A equipa da revista Business Portugal teve a oportunidade de visitar e conversar com os proprietários enquanto saboreava as iguarias desta casa que acolhe cerca de 280 convidados.

singular e privado, em ambiente familiar e requintado, tal como Paulo refere: “cada festa para nós é muito importante e somos nós os primeiros a querer que tudo corra bem. Por isso, vivemos intensamente cada evento, desde a organização até ao seu culminar. Queremos também que as pessoas se sintam em casa”. O conhecido Joca afirma, em risos, que o bom ambiente do espaço e a simpatia com que nos relacionamos os faz voltar para outros eventos, este é aliás um dos nossos melhores cartões de visita. Projetos futuros Os proprietários estão de momento a apostar na renovação do espaço para lhe conferir uma imagem mais contemporânea, nobre e glamorosa. Assim, está prevista a criação

A história começou em 1996 quando Paulo abriu o café ‘O Joca’, logo seguido de ‘O Joca 2’, os quais granjearam de enorme sucesso. Este projeto já era um sonho antigo, que foi impulsionado com a venda de ambos os espaços e proporcionou a oportunidade perfeita para a sua concretização e, desde aí, não mais têm parado. Elementos distintivos Para além da envolvência e da harmonia dos espaços, da naturalidade do acolhimento, do empenho e dedicação do saber fazer ao saber receber, configura um espaço acolhedor garantia de uma experiência personalizada e inesquecível, como todos os nossos eventos exigem. As palavras-chave que o caracterizam são assim: a qualidade, a simpatia e o primor. Paulo Alvadia afirma que uma das preocupações foi tornar o espaço funcional: “Utilizamos sempre os dois espaços, tanto o exterior como o interior, de modo a oferecer aos nossos clientes em casamentos, batizados, aniversários e outros convívios, diversidade na oferta, conforto e bem-estar”. Desde o acompanhamento

56 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

permanente, ao carinho no acolhimento, ao cuidado que dedicam a todos os pormenores até ao superar das expectativas, para que cada evento possa constituir um momento único e inesquecível. Cândida assegura que as propostas gastronómicas incluem produtos de qualidade e regionais, que enaltecem os sabores e os paladares naturais, garantindo a originalidade e a tradição de uma cozinha genuína. As ementas refletem também variedade e requinte, ao mesmo tempo que respondem aos gostos pessoais de cada cliente e de cada evento. Eventos únicos e personalizados Decoração, flores, música, animação para as crianças e fogo de artifício integram a oferta de serviços, contudo procuram satisfazer sempre os desejos de cada cliente em cada evento que realizam. Todas as festas representam para a Cândida e para o Paulo um momento único e memorável, empregando todo o seu saber para que os clientes e convidados possam experienciar que cada um deles é especial. Por mais pequeno que um evento seja será sempre

de um parque infantil, zona de sombras, piscina e esplanadas. Este não será apenas um lugar de eventos, pelo que a nova aposta passará também por novas dinâmicas culturais, direcionadas para um público mais alargado e com ofertas diversificadas, e pela abertura aos domingos para um serviço de almoço efetuado por marcação. Ambicionase com esta nova dinâmica conquistar outros visitantes para a localidade. Assim, sem medo e cheios de honestidade pretendem também contribuir para a valorização de Valpaços, afirmando que cada valpacense deve colaborar para o investimento da sua terra. Finalizam com um agradecimento sentido ao presidente da Câmara Municipal, pelo apoio ao empreendedorismo que se pretende desenvolver em prol do concelho.


PARA O SEU EVENTO

de sonho

www.quintadonaadelaide.com

Para mais informações ou reservas: pauloazevedo@quintadonaadelaide.com | +351 964 218 097 joana.l@quintadonaadelaide.com | +351 926 636 299 Rua do Pomar, Lugar da Ribeira | 5430-434 Valpaços | Portugal


valpaços, a essência natural | agromontenegro

“A nossa principal aposta é a qualidade” Desde 1989 no mercado, a AgroMontenegro é das principais empresas na comercialização de produtos agrícolas bem como materiais para a produção. Reconhecidos mundialmente pelas castanhas de grande qualidade e sabor, encontram-se agora em fase de crescimento e na aposta em novos mercados. Dinis Pereira esclarece as apostas desta empresa e como conseguiu alcançar o sucesso.

Dinis Pereira Administrador

parte mesmo da região em que se insere com “condições climatéricas excecionais. Temos de nos adaptar ao mundo em que vivemos, e não o mundo adaptar-se a nós. Situamonos na maior mancha de castanha judia da Europa, a Serra da Padrela. Podemos dizer, à vontade, que é aqui que se produz a melhor castanha do mundo. Dedicamo-nos, então, à produção. Temos uma área de exploração agrícola grande e a partir daí seguimis para a exploração comercial à descoberta de novos mercados”. Para além de todo o trabalho burocrático, Dinis Pereira acompanha de perto todo o trabalho de produção. Fornece os conselhos necessários a todos os trabalhadores, e está sempre disponível para esclarecer dúvidas, seja presencialmente, ou por telefone. Desloca-se frequentemente ao terreno para que nada da produção falhe e consiga, assim, satisfazer cada cliente. A aposta na qualidade Quanto ao sucesso, a empresa destaca-se pelos produtos de grande qualidade, e na procura da satisfação continua do cliente. Diz que, embora com preços acessíveis, a qualidade é o foco. “O cliente de ‘preço’ é de todos os produtores, o cliente da ‘qualidade’ é fiel ao produtor que o satisfaz. Temos Estão em campo já há bastante tempo, mas foi só em 1989, que oficializaram a marca Agromontenegro. Escoam a produção agrícola da região, que se destaca pelas “condições climatéricas excecionais”, como afirma Dinis Pereira. De salientar a produção da castanha, que é comercializada desde a Europa até aos Estados Unidos da América. O segredo da castanha Questionado sobre como consegue produzir castanhas de tanta qualidade, procuradas em vários cantos mundo, Dinis Pereira, sócio-gerente da empresa, afirma que o segredo

58 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

partido à descoberta de mercados e, felizmente, temos conseguido penetrar em vários. Tanto na nossa produção como naquilo que comercializamos, a nossa principal aposta é a qualidade”. Afirma que a concorrência é forte, mas têm conseguido alcançar mais mercado. Onde encontrar os produtos A empresa possui várias lojas na região de Valpaços. Para além de produzirem e receberem a produção de outros agricultores, esterilizam, embalam, comercializam e asseguram grande parte da distribuição em Portugal. Qualquer pessoa individual ou coletiva pode ter acesso a estes produtos. Outra das grandes vantagens é a loja online da empresa, onde se pode encomendar facilmente a famosa castanha durante todo o ano e não só em épocas sazonais. Objetivos Futuros Ainda em expansão, a empresa pretende desenvolver a sua loja online e avançar com outro segmento de produtos, como a castanha pilada e a farinha de castanha, muito procurada atualmente na Europa. Dinis Ferreira adianta que o negócio passará de geração em geração e que possui os valores que criaram e fizeram desta empresa uma referência.


valpaços, a essência natural | câmara municipal de valpaços

O passo gigante do concelho de

Valpaços: do

investimento, à saúde e à cultura Valpaços volta a ver os seus produtos reconhecidos, do Folar à castanha, passando pelo azeite, vinho, mel e frutos secos, bem como o seu município e os valpacenses sentem a diferença. Tendo iniciado o mandato em 2013, o presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Amílcar Castro de Almeida, despoletou um grande investimento quer na produção local quer no lançamento de novas infraestruturas, com avanços significativos nos cuidados de saúde e na cultura. Para além de uma ótima terra, de solos férteis, para visitar é também uma sábia e grande aposta para construir vida. Amílcar Almeida tem uma grande história de vida, mas preferiu alongar-se sobre o seu município, que fala com imensa paixão. Foi em 2015 distinguido como um dos melhores municípios do país, está no topo dos melhores municípios do distrito de Vila Real. Conseguiu recentemente honrar o pagamento das dívidas sem contrair nenhum empréstimo, onde a taxa de execução da receita ultrapassou a despesa. O presidente da Câmara procura ‘mais e melhor’. Acha que estas notícias trouxeram alento aos valpacenses para continuar a lutar por um concelho melhor? Naturalmente que sim, qualquer munícipe gosta de sentir que a sua Câmara Municipal tem sustentabilidade económica e, acima de tudo, que consiga pagar atempadamente aos seus fornecedores e empreiteiros. Este é o princípio que qualquer autarquia deve seguir, se todos nós atuarmos responsavelmente e honrando os nossos compromissos, certamente estamos a assegurar a sustentabilidade económica ao município. Essa era de facto a nossa primeira preocupação.

60 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

O que foi preciso fazer primeiramente? Procurei ‘arrumar a casa’, há sempre despesas supérfluas que podemos evitar. Entendi que tinha de cortar em alguns segmentos, sem descurar o investimento. Durante o último ano, a tranquilidade financeira foi uma constante, honramos os nossos compromissos. Fomos considerados no fim deste ano o 2º município do distrito de Vila Real com maior investimento, designadamente com mais obras adjudicadas. Aliás, segundo o anuário financeiro de 2015, Valpaços é o segundo município com maior equilíbrio orçamental e dos 308 municípios Valpaços está em 25.º. É uma questão de controlo e de rigor financeiro, sabendo definir prioridades. Com efeito, se nós conseguimos honrar os nossos compromissos, subsequentemente os nossos fornecedores e empreiteiros vão honrar os seus compromissos com os respetivos operadores do mercado e trabalhadores, tornando-se possível a dinamização económica e financeira tão almejada e

Amílcar Almeida Presidente

imprescindível. Porquê investir em Valpaços? Porque acima de tudo é um concelho repleto de potencialidades e com muitas oportunidades. Costumo dizer que Valpaços é dos concelhos, à sua dimensão, o melhor concelho do país, porque conseguimos reunir num só cabaz os melhores produtos que se podem encontrar no mercado, desde logo o azeite. Nós temos um dos melhores azeites do mundo. O nosso azeite ano após ano ganha prémios, o ano passado foi brindado e distinguido como segundo melhor azeite do mundo, sendo que terá lugar em Valpaços, nos dias 5 a 7 de maio, a Feira Nacional do Azeite – Olivalpaços, alternando anualmente o local da sua realização com Moura. Temos bons vinhos, os vinhos de Valpaços começam novamente a ter sucesso e a conquistar os mercados (diga-se que os vinhos de Valpaços

foram procurados e muito distinguidos ao tempo do império romano, em que o nosso vinho era consumido à mesa do imperador e denominado o vinho ‘Valpassum’). Temos ótimas condições para fazer prosperar a cultura da vinha e do vinho, tanto em mercado nacional como internacional. A castanha é a maior referência a nível de setor primário na nossa economia. Só a castanha por si só representa mais do que 50 milhões de euros, nós vendemos mais de 15 mil toneladas/ano. Somos o concelho de toda a região de Trás-os-Montes que mais castanha produz, sendo que, não obstante o castanheiro ser caracterizado por uma ampla variabilidade genética, com numerosos ecótipos, particularmente em Trás-os-Montes, destaca-se a Denominação de Origem Protegida para a Castanha da Padrela (DOP), através do Regulamento (CE) n.º 1107/96, de 12 de junho. O concelho de


câmara municipal de valpaços | valpaços, a essência natural

Valpaços distingue-se pelo microclima que existe no concelho. Embora às vezes exista condições climatéricas adversas, nós não baixamos a produção. Aliás, ao contrário da quebra de produção de castanha registada

relativamente ao setor primário. Há cada vez mais jovens no concelho de Valpaços que, inclusive, vêm de diferentes cantos do país e se agarraram à agricultura. Finalmente, é uma vantagem viver no interior

novas formas de acondicionamento e de comercialização. Assim, o “Folar de Valpaços - IGP” adquire uma mais valia, suscetível de ser exportado e consumido em qualquer parte do mundo, integrando, certamente, o

em 2016 a nível nacional, Valpaços teve um incremento da produção em cerca de 30%, porquê? Porque tem realmente havido um cuidado acrescido por parte da autarquia de Valpaços. Sabendo de antemão do drama das vespas da galha do castanheiro, quisemos colaborar com o agricultor. Constituímos brigadas, formadas por 780 homens, que percorreram todos os soutos do concelho de Valpaços e, sob minha orientação, tudo aquilo que estivesse infectado naturalmente era para cortar. Ano após ano temos repetido este método. Com um cabaz de produtos endógenos de inegável e reconhecida qualidade, tornou-se imperativo criar em Valpaços uma marca. A marca Valpaços é muito forte. Todos os

e no concelho de Valpaços, pois temos qualidade de vida, temos água e saneamento ao domicílio, carreiras públicas ao longo de todo o concelho, infra-estruturas sociais quase em grande parte de todas as nossas freguesias… fugimos ao trânsito, fugimos ao reboliço das grandes cidades, temos tempo para a família, para os amigos e para tudo o que nos apetece fazer, é bom saber que saímos de casa e estamos a 5 minutos do trabalho.

roteiro gastronómico e turístico português. Aproxima-se já este mês a feira do folar, especialmente nos dias 7 a 9 de abril. Esta é a maior feira gastronómica da região transmontana, realizada anualmente durante o denominado “Fim de semana de Ramos”, anterior à Páscoa, em que o folar é o rei. Para além do folar, existe também uma montra de todos os produtos da terra, artesanato, incluindo uma mostra da atividade das associações. Trata-se da única feira a nível nacional em que apenas participam os valpacenses e os produtos da terra. Há desde o folar industrial e o caseiro produzido em forno de lenha. Recebe cerca de mais de 100 mil pessoas em três dias e envolve um volume de negócios de

produtos de Valpaços saem hoje com uma marca – Valpaços Essência Natural. Além da inequívoca aposta na saúde de proximidade aso valpacenses, o nosso propósito também perpassou por impulsionar o nosso setor primário. Foi realizado um claro investimento em torno da marca Valpaços Essência Natural, através da sua promoção, divulgação e presença, juntamente com os respetivos produtos, em vários certames, com o apoio da autarquia e os frutos começaram a ser colhidos, surgindo novas linhas de escoamento e novas fileiras de mercado. A partir daí ressaltou uma espécie de revolução

COOPAÇOS e da Direção Geral de Agricultura e Pescas do Norte, teve lugar, no pretérito de 14 de fevereiro, a inscrição da denominação “Folar de Valpaços (IGP)” no registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas, tornandose o 138.º produto a obter a inestimável proteção do sistema de qualificação da União Europeia. Tendo em atenção o respetivo caderno de encargos, as características deste famoso bolo integram não só o saber fazer perpetuado através das gerações e produtos integradores do concelho de muitíssima qualidade, mas também

Valpaços é a Capital do folar? Ao fim de 18 edições da Feira do Folar e após um longo iter, de trabalho, persistência e de dedicação, juntamente com todos os produtores e contando com a colaboração da

cerca de 1,5 milhões de euros. Há mesmo excursões que vêm da outra ponta do país e onde a animação não falta. Todos os folares que entram para o recinto de venda são examinados, para saber se o produto pode ser vendido. São três dias de festa, em que nada falta a quem participa, a quem nos visita. A nível da saúde foi feito um grande avanço, fale-nos um pouco dessa área. Quando fui eleito presidente da Câmara em 2013, o centro de Saúde fechava as 20h, aos fins de semana e feriados estava

fechado. Eu não entendia como é que era possível, sabendo que cerca de 30 por cento da população tinha idade superior a 65anos. Portanto, dialoguei com o Governo e consegui com que o nosso centro de saúde estivesse de portas abertas até às 22 horas todos os dias e aos sábados, domingos e feriados estivesse aberto até às 20h. Foi, de facto, uma luta que travei e que consegui levar por diante e encetei contacto no sentido de poder reabrir o nosso hospital, que outrora tinha sido inclusive uma autêntica referência regional e até nacional nas áreas de oftalmologia e ortopedia. Assinamos assim um protocolo tripartido, no pretérito dia 10 de dezembro de 2016, entre a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e o Ministério da Saúde, contemplando, no essencial, a elaboração e execução de um projeto de intervenção tendente à reabertura do Hospital do de Valpaços, abrangendo um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) a funcionar até às 24.00 horas, um bloco operatório com 5 camas para recobro e um internamento até 20 camas, além das consultas externas de especialidade variada e ainda a possibilidade de abranger os cuidados continuados. Aquilo que o autarca mais deseja é ter gente saudável no seu concelho, gente saudável e capaz. A saúde é o maior bem e o maior bem que o ser humano possui. No espaço de um mês as obras irão começar nos cuidados continuados que farão parte do nosso hospital. Valpaços e as obras de requalificação Uma das grandes prioridades de Amílcar Castro é a requalificação das Escolas, especialmente a Escola Secundária de Valpaços e a Escola EB 2,3 José dos Anjos de Carrazedo de Montenegro, que respeitam a renovação da cobertura, a remodelação do pavilhão desportivo, pinturas dos exteriores, colocação de novo pavimento e remodelação quer da cozinha, refeitório e sala de professores, instalações e equipamentos de AVAC, substituição de caixilharias e dos painéis em fibrocimento constituintes da cobertura nos edifícios mais antigos, as quais se tornam urgentes, de modo a permitir dar cumprimento ao quadro legal em vigor, pois a eliminação de todos os materiais com partículas de amianto nocivas à população escolar, pessoal docente e pessoal discente, contribuem para a

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 61


valpaços, a essência natural | câmara municipal de valpaços resolução de um problema de saúde pública que urge debelar. Serão ainda adquiridos novos equipamentos. Para além das escolas foi aprovada a candidatura do município à elaboração de cadastro de infra-estruturas existentes de abastecimento de água e saneamento de águas residuais. Mais, é de destacar a sala de espetáculos a surgir a partir do Centro Cultural Luís Teixeira, a ciclovia que ligará a Praia Fluvial do Rabaçal à Serra de Santa Comba, dois pontos estratégicos muito importantes no setor do turismo no concelho, a ecovia que está a ser desenvolvida em conjunto com a NUT III do Alto Tâmega e Galiza que também ligará este território a Santiago de Compostela, indo de encontro à promoção da qualidade de vida dos valpacenses e de quem nos visita.

O município formalizou com a Secretaria de Estado da Modernização Administrativa o protocolo para a instalação, depois dos “Espaços do Cidadão”, em Carrazedo de Montenegro e Vilarandelo, da “Loja do Cidadão” na sede do concelho, tendo em vista disponibilizar à população um conjunto de serviços num local nobre da cidade. Serviços como a Autoridade Tributária, Ministério da Agricultura, Espaço do Cidadão, com várias valências, e Gabinete de Promoção ao Investimento. Quanto às aldeias, além das obras de conservação e manutenção que se vão revelando essenciais nas respetivas freguesias, estas voltarão a ter iluminação pública durante toda a noite, deixando para trás o limite de funcionamento da 1h da manhã. Cultura Como amante da cultura, Amílcar Almeida pretende investir, em novos espaços destinados à cultura e atrações de todo o tipo. “Enquanto presidente da Câmara já trouxemos aqui grandes nomes da cultura, como Tozé Martinho, Carlos Areias ou Marina Mota”. Como se encontra em obras o centro cultural Luís Teixeira, considera este campo “adormecido de momento”, mas que terá pernas para andar, para propiciar conforto a quem possa passar por ali, um auditório com 268 lugares sentados, com camarins colectivos e individuais, bar e bilheteira, cinema e espaço de exposição, o presidente de Valpaços afirma que “o homem não vive só de pão”.

Encontram-se em fase de reabilitação as principais artérias viárias de Valpaços que permitirão a requalificação das avenidas, renovação das infraestruturas e embelezamento urbanístico, a fim de melhorar as condições do transito automóvel, de transeuntes, estacionamento, iluminação, águas pluviais, regeneração de jardins. De referir ainda, neste contexto, o parque de estacionamento, que surgiu em frente à Biblioteca Municipal, que além de reabilitar uma zona degradada da cidade serve melhor a população que acede aos espaços de comércio envolventes, bem como à igreja matriz. Aliás, ao nível da reabilitação urbana perspetiva aproveitar, no âmbito do Portugal 2020, a possibilidade de intervir em vários bairros da cidade de Valpaços.

62 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

O que caracteriza um bom valpacense? Acima de tudo, a sua honestidade e a forma hospitaleira como recebe quem o visita, é uma característica comum a todo o transmontano. O valpacense tem sempre as portas abertas de sua casa, tem gosto em receber e mostrar a sua terra, dar o melhor que tem, sempre com um sorriso no rosto. Para os turistas quais são as principais atrações de Valpaços? Os últimos quase três anos de atividade municipal ficaram marcados por um vasto conjunto de medidas de especial importância para o setor do turismo. O executivo inaugurou a Casa do Vinho, a Loja Interativa de Turismo, estando em rede e a trabalhar continuamente com a Entidade do Turismo e Norte de Portugal. Requalificou praias

fluviais e piscinas, dispõe de um parque de campismo bem localizado e equipado, organizou e apoiou a concretização de eventos de relevo no panorama regional e nacional, criando condições de atração de visitantes ao nosso concelho. Assim, temos um património único, lindo, quem nos quiser visitar durante o período outonal poderá constatar a linda paisagem de um souto. No concelho Valpaços está a maior mancha de castanha Judia de toda a península Ibérica, situada na serra da Padrela. Belas paisagens, rios, águas límpidas, cristalinas, a praia de fluvial do rabaçal, um parque de campismo com 7 bungalows. Uma pessoa pode de manhã acordar, dar um mergulho naquelas águas límpidas em que abunda a truta. Direcionado para os turistas, mas também para as famílias valpacenses, foi laborada uma rede de percursos temáticos no concelho, sendo suscetível apreciar e valorizar rotas turísticas, de património natural, histórico e religioso, “algumas sabia e amplamente reconhecidas pelo nosso ilustre escritor valpacense Adérito Freitas, contando elementos como sejam os relógios de sol e os lagares cavados na rocha”. A Feira do Folar de Valpaços é a “rainha” das iniciativas levadas a cabo por esta autarquia e uma lufada de ar fresco para a economia local, sendo de destacar a romaria em honra da Nossa Senhora da Saúde, bem como todo um leque de eventos organizados e promovidos pela Câmara Municipal de Valpaços, inclusive com a participação das Juntas de Freguesia, no sentido de dinamizar o mercado dos ricos produtos locais. Em parceria com as várias associações do concelho tem sido desenvolvida uma variada oferta cultural, desportiva e recreativa enquanto chamariz de um leque variado de turistas alvo, especialmente, provas do campeonato nacional de enduro, provas de ciclismo, provas de BTT, percursos pedestres, provas de campeonato nacional de pesca, provas de tiro desportivo, entre outras. Aliás, “quem pela primeira vez nos visita, regressa sempre”, refere o edil. O que é, ainda, preciso fazer? Muito! Nunca me dou por satisfeito. Sou demasiado exigente para comigo. Não sei cruzar os braços nem nunca me dou por vencido. Sou um lutador… quero sempre mais e melhor para Valpaços. De facto, é imperioso continuar a sustentar

a marca “Valpaços Essência Natural” junto dos mercados, dar qualidade de vida às nossas populações e continuar a fazer com que este território seja ainda mais atrativo quer a investidores quer a visitantes. Dentro desta marca há ainda um setor a desbravar: a implementação e desenvolvimento da transformação dos nossos produtos endógenos, especialmente do azeite e da castanha, permitindo que as mais valias daí resultantes fiquem no concelho. É aposta deste executivo dinamizar sinergias, a nível nacional e internacional, no sentido de sediar em Valpaços grandes centros de transformação no setor agroalimentar e seus derivados. Por fim, é necessário ter a arte de fixar os nossos jovens à terra, pois são eles o futuro do nosso concelho. A terra que apaixona todos os dias este presidente, percorreu um longo caminho, mas segundo Amílcar Almeida há ainda muita coisa a fazer para que a sua terra alcance o sucesso que ele deseja. Declara que é preciso continuar a lutar até porque segundo o mesmo “para colher, é preciso semear e cuidar”.


LEIRIA, CAPITAL DA INOVAÇÃO Leiria é cidade e é distrito. Quando pronunciamos o seu nome somos transportados numa viagem através do tempo, que nos leva ao passado. Deixem-se conduzir, caros leitores, até ao século XIV, onde Portugal ainda era reino e quem o reinava era D. Dinis. Foi este rei e senhor o responsável por expandir a plantação do famoso Pinhal de Leiria, cuja madeira serviria, nos séculos seguintes, para construir as naus utilizadas nos Descobrimentos, um dos maiores (senão mesmo o maior) feitos que o português alguma vez levou a cabo. Permanecemos na nossa viagem por tempos passados e encontramo-nos no ano de 1422, onde D. João I autorizava a instalação de um moinho de papel, que viria a ser a primeira fábrica deste material em Portugal. Atualmente, o moinho foi convertido em museu, um projeto arquitetónico que tem a mão de Siza Vieira. Prosseguimos ao longo das décadas, cada vez mais nos aproximamos do Tempo Presente. A nossa próxima paragem é o Século XX, época na qual a posição estratégica e vantajosa de Leiria no território português favoreceu o desenvolvimento de indústrias diversas, o que produziu um desenvolvimento considerável e notório da cidade e da sua região envolvente. A História encontra a Cultura nesta região, que anos mais tarde veria o prestigiado escritor português, Eça de Queirós, aqui escrever a sua primeira novela realista. Chegamos aos dias de hoje. Se até este momento, caros leitores, não ficaram convencidos das maravilhas que compõem este território, desafioos a visitarem o Castelo de Leiria, monumento emblemático que se ergue imponente sobre o rio Lis e contrasta da paisagem natural circundante. A nível empresarial destacam-se os plásticos, os moldes e os vidros, no entanto, muito mais áreas estão a ser desenvolvidas, muitos mais negócios a ser criados, muito mais investimento a ser implementado, destacando-se a hotelaria, a restauração, o automobilismo, e a cultura. Não fosse Leiria a principal candidata a ser a próxima capital da cultura. Para mais, a região tem um pouco de tudo, desde o agradável clima, às infraestruturas completas, a presença do desporto e uma vasta oferta no que é relativo à educação, sem deixar de referir o extremamente rico património, os museus, o artesanato, o entretenimento, até à gastronomia e ao turismo. Praias, muitas praias compõem este distrito. Como vê, dífícil é não agradar!

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 63


leiria, capital da inovação | a2+ arquitectos

Projetando os seus sonhos Criada em 2005, a A2+ Arquitectos nasceu pelas mãos de Sara Oliveira e Marco Guarda, dois arquitetos que assumem como filosofia de trabalho as premissas do rigor, transparência e qualidade, através de uma equipa que labora com paixão e vontade. Estes princípios são a base da estratégia que tem permitido alcançar um crescimento significativo e olhar o futuro com entusiasmo e otimismo.

Marco Guarda, Sara Oliveira, Mariana Guardado e André Pereira (dir. para a esq.) Fundadores (à dir.) e colaboradores

Numa tentativa de perceber as dinâmicas empresariais no concelho de Leiria, a Revista Business Portugal foi desta feita ao encontro de Sara Oliveira e Marco Guarda, dois jovens arquitetos que contam com um vasto e rico portfólio. Adotando valores dos quais não abdica, a A2+ Arquitectos tem um percurso de 12 anos recheado de sucessos e trabalhos memoráveis. Em entrevista, Marco Guarda recorda que este foi o primeiro gabinete/atelier de projetos de arquitetura e engenharia a abrir um espaço na vila da Caranguejeira. “A aposta na Caranguejeira, uma das maiores freguesias do concelho de Leiria em termos de área mas sobretudo populacionais, deve-se essencialmente às grandes potencialidades que esta oferecia em termos de mercado”, sublinha. E porquê A2+ Arquitectos? Bem, a resposta é fácil, “o A é de Atelier, Arquitectura e Arquitectos, 2 porque fomos dois elementos a fundar a empresa e o + porque é tudo o que está à volta de nós os dois e que sem eles não existíamos, os colaboradores, os clientes, os fornecedores, entre outros”, refere. Com uma filosofia muito própria e que tem dado excelentes frutos, hoje grande percentagem do trabalho desenvolvido pela A2+ Arquitectos centra-se na área geográfica da região de Leiria, nomeadamente nos concelhos de Pombal, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós e Ourém. A restante percentagem espalha-se por outros pontos do país, como Seia, Coimbra, Lisboa e Algarve bem como no estrangeiro, designadamente em França. A A2+ Arquitectos trabalha essencialmente para empresários e promotores na área da construção civil e imobiliária, bem como para particulares de habitação própria, projetando desde a

64 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

habitação ao edifício empresarial. Na esfera da habitação, a empresa faz projetos de blocos habitacionais, “mas também de lares e centros de dias, edifícios industriais e armazéns, comércio e serviços, empreendimentos na área do turismo rural e de habitação, remodelações de interiores, stands de feiras e show-rooms de empresas”, realça Sara Oliveira. A equipa da A2+ Arquitectos é composta por quatro arquitetos a trabalhar no atelier e ainda por uma equipa multidisciplinar, que quando é necessário cruzar a arquitetura com a engenharia ela funciona na perfeição, na medida em que “oferecemos um produto completo, desde o levantamento topográfico executado com o maior rigor até ao projecto chave na mão com inclusão de um acompanhamento da obra de excelência”, salienta Marco Guarda. No percurso da A2+ Arquitectos, muito focado na habitação unifamiliar, muitas são as obras emblemáticas e marcantes, mas Marco Guarda e Sara Oliveira decidiram destacar entre muitas a Casa Xieira 2 , a Casa Vale da Catarina 2 e a primeira obra que a empresa desenvolveu, a Casa do Poço. Em fase de licenciamento, o gabinete tem um curso diversas habitações unifamiliares, dois lares de idosos, um projeto de agro-turismo, dois hotéis e edifícios industriais. Marco Guarda referenciou que, em 12 anos de atividade, há um percurso de progresso e, genericamente, “temos conseguido estabelecer e manter uma relação com os nossos clientes de grande proximidade. Aliás, a relação do arquiteto com o cliente tem que ser muito próxima para que possamos compreender a sua forma de estar, de ser e de viver e este aspeto acaba por ser o principal gerador do projeto”, sustentou, salientando que a A2+ Arquitectos se distingue essencialmente pela diversidade na criatividade do produto final, isto é “ao oferecermos diversidade oferecemos poder de escolha ao nosso cliente pois não podemos acomodar-nos a um estilo ou uma linha de conceito”. Para além disso, Sara Oliveira e Marco Guarda que têm como inspiração os seus clientes e as relações que daí surgem, tentam aliar a imagem exterior e interior de uma obra com a funcionalidade, tentando sempre colocar a sua marca pessoal nos projetos que desenvolvem, o que se tem refletido na satisfação dos seus clientes. De resto, referiu que o principal elo de ligação é o cliente anterior que traz um amigo consigo, sendo que esta filosofia permitiu alargar o leque de clientes ao longo destes últimos 12 anos. Simultaneamente, “o networking, a visibilidade que têm trabalhado e as publicações também têm impulsionado o crescimento do nosso volume de trabalho”, sublinha o Marco Guarda. Em termos de futuro, Sara Oliveira e Marco Guarda pretendem manter a estabilidade na coerência e saber estar no mercado, bem como a honestidade e a humildade. “Claro que ambicionamos crescer, mas um degrau de cada vez, de forma sustentada e ponderada, de forma a alcançar um futuro risonho”, afirmam. A finalizar, estes jovens arquitetos deixam uma pequena mensagem de esperança e otimismo no futuro, realçando: “Portugal é um país com muitos e bons exemplos ao nível da inovação e conhecimento, por isso temos que os valorizar e investir mais no que é nosso para construir um futuro melhor”.


leiria, capital da inovação | polialfaia

Polimento de moldes feito ao pormenor

Encontrando-nos no distrito de Leiria torna-se inevitável abordar o setor dos moldes. A Polialfaia, criada em 2001, é, hoje, uma empresa experiente na arte do polimento de moldes. Com sede na Marinha Grande, região Centro de Portugal, conta com a confiança de diversas marcas de renome internacional, nomeadamente do setor da indústria automóvel (90% da sua carteira de negócios), indústria farmacêutica e mercado dos eletrodomésticos. José Alfaia é o administrador desta empresa e foi com ele que estivemos à conversa para esta edição da Revista Business Portugal. concentrar-se na sua atividade principal, com a segurança de que o seu serviço de polimento responderá adequadamente às exigências do negócio. Com uma capacidade de produção de dez toneladas o novo pavilhão, inaugurado no ano passado, começa a tornar-se pequeno para a quantidade de trabalho que é exigida diariamente à equipa da Polialfaia: “Somos uma firma pequena que auxilia grandes grupos”, reiterou o empresário que começou, recentemente, a trabalhar diretamente com o nosso país vizinho, a Espanha. José Alfaia admite que o distrito de Leiria se encontra em forte crescimento, no entanto, lamenta a quantidade de impedições burocráticas, impostas pela Câmara Municipal, ao desenvolvimento industrial da região. “Trabalhar o aço é um desafio do qual gostamos muito” e, por isso, o futuro da Polialfaia passa por continuar a crescer, sempre mantendo a qualidade do trabalho efetuado. “Queremos sempre ser melhores do que os outros”, finalizou o nosso entrevistado.

A Polialfaia é uma aliança entre a arte e o mestre, sendo a especialização a alma do seu sucesso. Desde cedo que esta empresa soube marcar o seu cunho, caracterizando-se atualmente pelo trabalho com moldes que exigem extrema perícia devido ao seu alto nível de polimento: “Polir moldes envolve um gosto próprio, é uma arte em que é necessário gostar muito do que se faz. Ir mais além no polimento de moldes é fazer diferente e ir buscar pormenores que os outros não procuram”, explicou-nos. Para chegar a este patamar de exigência, a Polialfaia tem apostado na formação dos seus colaboradores, através de um acompanhamento próximo e contínuo que consiste na transmissão de conhecimentos e técnicas, em contexto de trabalho, que permitem a execução de um trabalho altamente especializado: “Não é fácil arranjar mão-de-obra qualificada. Normalmente recrutamos pessoas que não são da área mas que têm, de alguma forma, gosto por esta arte e procedemos à devida formação aqui na empresa”. José Alfaia é quem dirige mas, também, quem orienta a equipa na linha de produção: “Eu trabalho todos os dias ao lado dos meus funcionários, ajudando-os e orientando-os”, confidenciou. Paralelamente, a Polialfaia aposta num rigoroso cumprimento de prazos e num acompanhamento próximo em cada projeto para aumentar os níveis de satisfação de cada cliente. Isto porque, com uma proposta de valor assente na qualidade dos seus técnicos, na capacidade de compreensão e na capacidade de resposta às necessidades dos seus clientes, a Polialfaia oferece um serviço de consultadoria que permite ao cliente

66 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


leiria, capital da inovação | hélio paiva-viveiros de plantas, lda

Cinco hectares de negócio familiar

Hélio Paiva, Ricardo Paiva (filho) e Dulce Paiva (esposa)

Fradplanta é a marca, Hélio Paiva – Viveiros de Plantas, Lda., o nome da empresa e do seu administrador. Trata-se de um negócio familiar que demonstra crescimento e qualidade no mercado dos viveiros de plantas. Situada em Valado dos Frades, Nazaré, distrito de Leiria, esta é uma empresa que serve Portugal, de norte a sul.

A empresa foi fundada em nome individual no ano de 1989, dedicando-se, na altura, à produção de plantas hortícolas e uma pequena parte, apenas para consumo próprio, a viveiros hortícolas. Em 1998 o panorama inverteu-se: “Este era um setor menos explorado e do qual gostava mais por isso, e com o crescimento de encomendas, optamos por dedicar-nos apenas aos viveiros”, começou por nos explicar Hélio Paiva. Alface, tomate, pimento, pepino, salsa, nabos, alho francês, etc., fazem parte do leque de produtos da lista da Fradplanta: “Todo o tipo de produtos hortícolas que se podem plantar nós produzimos aqui nos viveiros”, afirmou. Tomate industrial e ervas aromáticas De 40 a 50 por cento da produção da Fradplanta diz respeito ao tomate de indústria e, por isso, encontram-se já a ser desenvolvidos projetos de expansão da área de produção por forma a fazer face às encomendas. Relativamente às ervas aromáticas, estas foram implementadas recentemente no leque de oferta desta empresa, o que veio demonstrar que estes produtos também têm tido uma crescente procura pelos portugueses: “Procuramos sempre inovar e introduzir novos produtos, acompanhando as evoluções do mercado”, garantiu o empresário.

68 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

A produção da Fradplanta segue as seguintes fases: lavagem e desinfeção dos tabuleiros que posteriormente passam para uma máquina de semear, onde é depositada uma semente por alvéolo sendo, depois, coberta com vermiculite e regada. Numa segunda fase, já no processo de germinação, os tabuleiros são colocados dentro de câmaras de germinação, durante um período de tempo que será diferente consoante a espécie. E, numa terceira fase, os tabuleiros são distribuídos pelas estufas e ali permanecem até à entrega ao cliente. Distribuição própria Com uma frota composta por quatro camiões, a Fradplanta oferece a vantagem de possuir meios para uma distribuição própria e personalizada, que facilita a entrega de produtos de norte a sul do país. A equipa desta empresa é composta por 20 funcionários, 30 nas épocas altas, no entanto, encontrar mão-de-obra para este tipo de tarefa parece não


hélio paiva-viveiros de plantas, lda | leiria, capital da inovação

ser fácil: “Não é fácil encontrar mão-de-obra. Apesar de este não ser um trabalho pesado, as pessoas não aderem muito bem a este tipo de atividade”, lamentou Hélio Paiva. Tendo consciência de que esta é uma área ainda pouco motivadora, o administrador da Fradplanta, garante atribuir uma gratificação a todos os seus funcionários no final do verão, bem como no final de cada ano, para assim garantir a satisfação dos mesmos. A importância dos viveiros Entende-se por viveiros de plantas parcelas de terra reservadas à multiplicação e cultura de variadas espécies de plantas, até que estas se tornem aptas para serem transplantadas ou comercializadas. Desta forma, e segundo o nosso entrevistado, os viveiros existem porque as sementes são muito caras e, por isso, torna-se necessário existir um maior aproveitamento das mesmas. Sobre o setor agrícola, Hélio Paiva teceu o seu comentário: “Penso que o setor agrícola está desvalorizado e nós sentimos isso porque os agricultores estão com uma dificuldade muito grande devido à falta de apoios à produção. As pessoas não têm noção do custo de produção de qualquer produto, então, na hora de comprar, tudo parece caro. Antes de existirem os supermercados havia picos em que se ganhava dinheiro nesta área mas, atualmente, isso não acontece e os supermercados estão a estragular os produtores”, reiterou.

Já sobre a sua atividade, o empresário garante haver trabalho para todos, desde que todos saibam estar no mercado: “A Fradplanta tem qualidade, preços competitivos e facilidade na distribuição, por isso, temos tudo para corresponder às exigências dos nossos clientes”. Produção integrada vs produção biológica A busca crescente por uma alimentação saudável, onde os legumes e as ervas aromáticas têm lugar, resultam num aumento da procura e, logo, num aumento da produção deste tipo de alimentos. Neste capítulo distinguem-se duas formas de produção em viveiros: a produção integrada e a produção biológica. Acerca deste assunto, Hélio Paiva foi perentório na defesa da sua estratégia de produção: “Os produtos resultantes de produção biológica não são tão testados como os da produção integrada. Já para não falar que esse tipo de produção é muito mais dispendiosa”, garantiu. O futuro passa por… A empresa Hélio Paiva – Viveiros de Plantas, Lda., é já uma PME Líder e PME Excelência de referência na região e, por isso, ser em 2017 o que foi em 2016, continuando a crescer, é o principal desejo do administrador da entidade que a Revista Business Portugal visitou. Já para daqui a dez anos: “Gostava que o meu filho, que agora está a tirar Engenharia Agronómica, estivesse à frente da empresa e que esta estivesse em contínuo crescimento”, finalizou.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 69


leiria, capital da inovação | ceo club

O novo “3 em 1” de Leiria tem um nome: CEO Club

Paulo Soares e Luísa Reis são casados e donos do CEO Club, o novo espaço que se encontra em Leiria, junto ao jardim Luís de Camões. A Revista Business Portugal esteve à conversa com o primeiro por forma a conhecer a oferta atual e os planos futuros deste que é um dos espaços mais ‘in’ do momento em Leiria.

Paulo Soares Administrador

Aberto ao público há três meses o balanço ainda não consegue ser expressivo, no entanto, as expetativas mantêm-se boas e muito positivas para os meses que se seguem: “O balanço que faço destes três meses ainda é prematuro porque nós abrimos numa altura complicada, na chamada época baixa, mas as expetativas para o que aí vem são muito boas e já estamos a preparar essa fase”, revelou-nos o proprietário. Mas, comecemos pelo início. Natural de Lisboa, este casal reside em Leiria há três anos e, foi num jantar entre amigos, que ficou a conhecer a disponibilidade do espaço onde hoje se encontra o CEO. Depois de pensarem seriamente sobre o assunto, Paulo e Luísa, decidiram avançar num projeto a dois: “Este é um projeto meu e da minha esposa, Luísa Reis, e é um projeto de vida a dois uma vez que a Luísa é uma apaixonada pela cozinha portuguesa e uma

70 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

excelente crítica de cozinha. Portanto, este projeto só faria sentido com ela”, contou-nos. No mesmo espaço congregam-se três conceitos diferentes: restaurante, cafetaria e bar lounge. “Eu próprio sentia que faltava um espaço mais tranquilo onde pudesse jantar e ficar a beber um copo. Senti que esta ideia era partilhada pelas pessoas daqui e decidi arriscar e apostar neste projeto”, explicou então Paulo. 3 em 1 Trata-se de um restaurante intimista, com capacidade para 32 pessoas, requintado, mas transversal porque pretende ser acessível à maioria. Um local onde a cozinha portuguesa brilha e é rainha: “Nós tentamos dar uma abordagem diferente àquilo que já existe e que


ceo club | leiria, capital da inovação difícil orientar a equipa, jovem, com 17 funcionários, liderada por Paulo Soares: “São os meus miúdos, a equipa mais fantástica que tive até hoje”, afirmou perentório o empresário que opera, também, numa outra área de negócio.

é nosso, atribuindo-lhe um toque gourmet. Recomendo o nosso lombo de veado, o nosso linguini nero com gambas e, para uma ocasião especial, recomendaria o nosso wellington de porco preto”. A cafetaria tem a particularidade de servir refeições rápidas para quem vai com menos tempo para almoçar e procura um menu mais económico. Já o bar, encontra-se aberto todos os dias, das 18h às 20h, num conceito mais lounge onde durante a semana conseguem ouvir-se vários estilos de música, sempre num conceito descontraído onde se consegue ouvir música e conversar ao mesmo tempo: “O conceito aqui é conviver ao sabor dos nossos cocktails que são a grande aposta do nosso bar”. De facto, tratam-se de mais de vinte cocktails diferentes e de sabores que prometem agradar a todos quantos os queiram provar. No que concerne à garrafeira, esta apresenta mais de 150 títulos, tornando-se numa das mais extensas de Leiria e que envolve um cunho muito pessoal do proprietário do CEO Club: “Temos vinhos de todas as regiões do país, vinhos com muita qualidade”, afirmou orgulhoso o nosso entrevistado. Apesar de se encontrarem no mesmo espaço, os três conceitos do CEO funcionam de forma distinta, o que torna ainda mais

Novas ofertas Num futuro próximo irão ser introduzidas, no menu da cafetaria, tapas a partir de uma certa hora (que ainda está por determinar) e uma televisão para fazer face aos inúmeros pedidos que têm sido realizados pelos clientes do CEO. No verão, os que usufruírem do espaço, irão ainda poder contar com uma banca de gelados tradicionais na esplanada. Mil e um motivos para desfrutar de um momento calmo e relaxante, onde a comida, o requinte, o ambiente, a música, os vinhos e os cocktails se unem numa simbiose com um único propósito: o seu bem-estar. “Toda a gente é bem-vinda ao CEO”, garantiu-nos o nosso interlocutor. CEO porquê? Eis a dúvida que pairava e que ainda não havia sido respondida. A Revista Business Portugal conseguiu saber o motivo que originou o nome deste novo espaço de Leiria: “Este é um espaço dedicado a CEO´s da sua própria vida. Pessoas que se assumem, que estão bem consigo próprias e que queiram desfrutar de um bom momento, seja ele de culinária ou de bar. Este é um espaço dedicado às pessoas que gostam de viver”, finalizou Paulo Soares.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 71


leiria, capital da inovação | paddock wine bar

Onde os entusiastas dos desportos motorizados se encontram

Bruno Crespo Administrador

O Paddock Wine Bar é um espaço situado em Leiria que funciona como restaurante e bar em simultâneo. Com a intenção de oferecer um conceito alternativo, o proprietário Bruno Crespo decidiu apostar num estabelecimento onde os clientes pudessem jantar e seguir para um bar sem que o grupo se desmembrasse, bastando “descer ao piso do bar para continuarem juntos em festa”.

Após alguns anos a ser planeado acabou por ser inaugurado em maio de 2016. “Queria um estabelecimento deste género e dentro da cidade. Era este o conceito que eu queria e está a resultar muito bem”, afirma o proprietário. Desde aniversários, grupos de amigos, ou até jantares de empresas, este espaço tem funcionado acima de tudo com grupos. Já a decoração reflete a grande paixão de Bruno Crespo: o desporto motorizado. Até o próprio nome, Paddock, diz respeito à edificação encontrada nas pistas que serve de abrigo ao pessoal das equipas, veículos e imprensa. Sendo Wine Bar, Bruno Crespo não descurou a boa garrafeira: “Neste momento temos uma garrafeira completa com vinhos de todo o país. Várias castas e regiões, temos vinhos para todos os gostos e preços”. No Paddock também se aposta no vinho a copo, afirmando o proprietário que “há muitas pessoas com o copo de vinho na zona do bar e na própria pista”. Com um público de uma faixa etária média acima dos 25 anos, o estabelecimento adapta-se a uma maior exigência, já que se trata de “um cliente que sabe o que está a consumir e que prefere pagar um pouco mais para garantir a qualidade”. Quanto à comida, a relação preço-qualidade foi pensada de forma a poder atingir toda a gente. E, apesar da atração variar consoante os pratos que vão fazendo semanalmente, o que mais costuma apelar aos clientes são os bifes e o polvo à lagareiro. Relativamente à música pode-se contar com uma oferta para todos os gostos. Às quintas é dia de música ao vivo com um estilo mais rock. Já às sextas abre-se espaço para os

72 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

acústicos e ao sábado a vez é dada ao DJ, que passa música desde os anos 80 até à atualidade. Também aqui se faz sentir o cuidado com o bem-estar do cliente, havendo o objetivo de criar condições para que as pessoas consigam conviver e conversar num tom normal: “Não colocamos a música muito alta para permitir que quem queira conversar o possa fazer tranquilamente e quem queira ouvir a música, possa também desfrutar”. O Paddock difere-se pelo conceito, ambiente e decoração. Com uma equipa jovem, a boa disposição acaba por ser uma consequência natural: “Temos um misto de tudo o que é preciso para uma noite correr bem”, confessa Bruno Crespo. Já afirmado como referência da zona, muitas das pessoas que ali se deslocam fazem-no no sentido de “tomar uma boa bebida num ambiente acolhedor, ver os pormenores da casa e divertirem-se”, refere o proprietário. Com um horário de funcionamento das 18h às 3h, Bruno Crespo acredita que o futuro passará por não o alargar: “Acho que os bares têm de trabalhar até uma certa hora para que as discotecas também possam trabalhar. Dá para toda a gente e eu sou apologista disso”, confidenciou. “O balanço é muito positivo, o Paddock foi muito bem aceite e temos estado a crescer cada vez mais”, finalizou o jovem empresário.


paddock wine bar | leiria, capital da inovação

Fazer bem feito com a Coberfer

José Febra Administrador

Coberfer, Lda., é o nome da empresa de serralharia civil que se encontra no mercado há já 17 anos. Situada em Leiria, é gerida por José Febra, com quem estivemos à conversa por forma a conhecer os serviços disponibilizados por esta empresa bem como a dinâmica desenvolvida pela mesma.

Surgiu no mercado no ano 2000 e celebra, portanto, este ano, 17 anos de atividade. No seu leque de serviços contam-se coberturas, serralharia e construção civil, mais pormenorizadamente no âmbito das estruturas, coberturas, revestimentos, demolições, pinturas, remoção de fibrocimento com amianto, comércio de máquinas e equipamentos de segurança, painéis, chapas e perfis. Nas palavras de José Febra, “a Coberfer pega numa obra e entrega-a sob o serviço ‘chave na mão’, com estrutura, revestimentos, cobertura e construção civil”. O segredo está na mão de obra O parâmetro distintivo da Coberfer relativamente às demais empresas

do setor foi explicado por José Febra: “a maior parte da concorrência diz respeito a produtores que subcontratam a mão de obra. Nós, por outro lado, como fomos habituados a montar, preparamos tudo à nossa imagem, compramos os materiais e montamos com o nosso pessoal. Sempre que é necessário produzir algo recorremos a empresas especializadas na produção. O nosso know-how é a montagem e o pessoal que está habilitado a montar”, garantiu. Contam-se nesta empresa 60 funcionários fortemente motivados no desempenho das suas funções. Todos têm formação ao nível de passaportes de segurança, segurança e higiene no trabalho, trabalhos em altura e na remoção de fibrocimento contendo amianto e manobrador de equipamentos de elevação. Os chefes de equipa têm formação em primeiros socorros e a Coberfer tem, ainda, soldadores certificados ao seu serviço. Apesar de os funcionários ocuparem uma posição bastante importante na empresa, José Febra confidenciou-nos que não tem sido fácil arranjar mão de obra qualificada para os trabalhos que realiza. “Temos sobrevivido com as mesmas pessoas há anos. Somos nós que formamos sempre que entra alguém novo”. Como apoio aos funcionários a empresa possui uma frota de veículos devidamente equipados com as ferramentas necessárias para um bom desenvolvimento dos trabalhos, assim como uma vasta gama de máquinas elevatórias (articuladas, tesouras, empilhadores, manitous), retro e miniretro, camião-grua e carros para transporte de materiais.

A complementaridade de empresas José Febra é proprietário de mais duas empresas, a Ecomafer e a Ferisolda. Duas empresas que surgiram para complementar o trabalho realizado pela Coberfer. “A Ecomafer surgiu para gerir os resíduos que a Coberfer produz e a Ferisolda é uma sociedade que comercializa máquinas e ferramentas”, explicou o nosso entrevistado. Com obras realizadas um pouco por todo o país, como o Terminal do Aeroporto de Lisboa e ainda em Espanha, Venezuela, Polónia, França, Gana, Gibraltar e Curaçao, José Febra garante nunca esquecer a cobertura que desenvolveu para o Santuário de Fátima. “O segredo é fazer bem feito”, disse perentório o administrador da Coberfer e, para isso, no futuro desta empresa perspetiva-se uma nova unidade de produção que permitirá desenvolver alguns materiais. A Coberfer comercializa, também, painéis sandwich, variados tipos de chapa, perfis e policarbonatos. Mas, para uma consulta mais pormenorizada, visitem o site em www. coberfer.pt.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 73


leiria, capital da inovação | jorcanita’s

um espaço autêntico para saborear leitão assado No distrito de Leiria, nasceu há cinco anos, uma casa especializada em leitão assado. No Jorcanita’s tudo é preparado de forma tradicional, garantindo todo o sabor e textura que requer esta iguaria gastronómica.

Jorge Carpalhoso e Carina Carpalhoso (filha)

crocante. Mas, a qualidade da carne é extremamente importante neste negócio e é um dos fatores mais levados em conta pela gerência. Cliente fiel ao sabor Jorcanita´s A herança que lhe foi deixada já fidelizou centenas, senão milhares de clientes de norte a sul de Portugal. A preocupação por deixar o cliente satisfeito e saciado com uma refeição servida pelo Jorcanita’s é a filosofia da casa. “É pelos clientes satisfeitos que trabalhamos todos os dias”, afirma o nosso interlocutor. Situado na Rua Álvaro Pires Miranda, o Jorcanita´s soma apenas cinco anos de existência, mas a sua génese remonta à década de 70, revela Jorge Carpalhoso, gerente do espaço. “Quem começou a atividade foi a minha mãe na década de 70”, comprado, assando e vendendo leitões. Jorge foi crescendo e aprendendo a arte de confecionar o pitéu, até se dedicar, aos 18 anos, a tempo inteiro ao negócio familiar, que hoje gere com dedicação e largos anos de experiência. Maravilha gastronómica O famoso leitão assado é um dos pratos regionais portugueses galardoados com a distinção de Maravilha Gastronómica de Portugal. No Jorcanita’s pode degustar esta maravilha que nunca passa de moda, num espaço que lhe oferece um serviço de excelência. As opções passam por poder encomendar o leitão inteiro, a retalho servido em avantajadas travessas, ou em sandes. A

74 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

casa dispõe de um serviço de take-away, se preferir fazer a sua refeição em casa. Quanto aos preços, esses parecem mais do que justos a Jorge Carpalhoso, tendo em conta o fator indissociável de qualidade-preço. Receita de família guardada a sete chaves Na hora de desvendar os segredos do sucesso do seu leitão assado, o gerente, apenas avança que a qualidade do produto e a tradição no tempero e confeção continuam a caminhar de braço dado. “Mantemos a qualidade e a tradição”, relativamente à matéria-prima, “os produtos são selecionados para satisfazer o cliente”, assegura Jorge Carpalhoso. O tempero que rega a carne e lhe confere um sabor único é receita da casa, aperfeiçoada ao longo de décadas. O modo de confeção precisa apenas de um assador bem quente, de modo a deixar o preparado bem cozinhado e com textura

Um legado em expansão Satisfeito com o rumo que tem dado à sua casa, Jorge Carpalhoso tenciona expandir o negócio de família com a abertura de mais um estabelecimento. “O balanço é positivo, mas temos outros objetivos no horizonte”. “Tencionamos continuar a crescer”, agora que se “nota um aumento do poder de compra “ dos portugueses. O nosso entrevistado, revela ainda o sonho de expandir o seu projeto a outras cidades europeias, levando os seus leitões até aos paladares apurados de todo o mundo. É de salientar que a empresa já comercializa o produto por todo o país, por isso, se não tem oportunidade de ir ao Jorcanita’s, mas estas linhas lhe abriram o apetite, pode fazer já a sua encomenda. Se vive nas redondezas, ou se Leiria está nos seus destinos turísticos a visitar, não perca esta experiência gastronómica e vá saborear um fantástico leitão assado ao restaurante Jorcanita’s.


leiria, capital da inovação | lubrigaz

Lubrigaz funciona a todo o gás

Nuno Roldão Administrador

Lubrigaz é um concessionário oficial Volkswagen, Skoda e Audi, sob a designação Lubrisport, com uma equipa cumpridora dos standards das marcas, especializada em assistência técnica e serviço de pós-venda. Foi em conversa com Nuno Roldão, um dos administradores desta empresa, que a Revista Business Portugal ficou a conhecer a realidade do setor automóvel do distrito de Leiria. O resultado dessa conversa segue abaixo.

76 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

O nosso entrevistado é licenciado em Educação Física mas, quis o destino, que enveredasse pelo ramo automóvel. Embora sem formação, garante que teve todo o apoio da sua equipa que o tornou no profissional que é hoje. A Lubrigaz foi fundada em 1940 para comercializar lubrificantes e gás. Na altura, foi responsável pela montagem do primeiro esquentador em Leiria. A sociedade atual foi fundada por quatro ou cinco empresários e foi evoluindo, atravessando o período da guerra, que levou a que a empresa fizesse uma reestruturação, iniciando-se no ramo automóvel: “Na altura as empresas compravam e vendiam carros e era o que nós fazíamos em paralelo com a atividade inicial dos lubrificantes e do gás. Em 1952 foi quando surgiu a parceria com a Wolkswagen e, a partir daí, fidelizámo-nos ao grupo e passámos apenas a representar essa marca


abandonando o negócio dos lubrificantes e do gás”, começou por nos explicar Nuno Roldão. O nome, confidenciou-nos, manteve-se devido à credibilidade que este possuía no mercado e o processo de alteração da área de atuação foi muito progressivo e natural: “A Wolkswagen surgiu naturalmente, porque era uma marca que na altura procurava implementar-se no mercado e nós estávamos à procura de uma marca com este perfil. Foi uma conjugação natural e uma comunhão de interesses muito feliz”, contou-nos. Já a Lubrisport é uma marca registada pela Lubrigaz, criada para explorar o negócio Audi.

Esta revista faz parte integrante da edição 1632 do Jornal de Leiria, de 22.10.2015

Características das marcas Dedicando-se, atualmente, apenas ao ramo automóvel, a Lubrigaz vive da venda de viaturas, da assistência a viaturas e da venda de peças para viaturas: “A marca Wolkswagen, assim como as restantes marcas que representamos, têm como grande atributo a durabilidade, a fiabilidade e o valor seguro. São carros que têm características muito boas com um valor residual muito elevado, ou seja, as viaturas no mercado usado estão muito bem posicionadas”, enumerou-nos o empresário. Já no que diz respeito ao campo de atuação da sua empresa, Nuno Roldão afirmou existir um acordo de cavalheiros que condiciona a venda onde existem parceiros: “Nós não deixamos de vender para fora da nossa zona, quando nos procuram, mas nós não vamos procurar clientes fora daqui. Na componente do pós-venda temos clientes que vêm de outras zonas do país fazer a sua manutenção na nossa oficina e nós estamos em crer que é pelo bom serviço prestado”, disse orgulhoso o administrador da Lubrigaz.

pessoa pode vir falar comigo”, reiterou. A Lubrigaz sempre apostou na formação: “Não a vimos como um mal necessário mas sim como uma forma de abertura para o futuro da empresa. A formação é a tábua de salvação de qualquer entidade. Naturalmente que temos que ter um bom produto, mas isso já temos, por isso somos nós que temos que fazer a diferença”, adiantou. Procura contínua pela perfeição Conquistam-se clientes quando se consegue corresponder, na íntegra, àquilo que o cliente procura: “Nós temos dois tipos de clientes, o cliente fidelizado e o cliente conquistado e aí temos duas lutas, temos que lutar por manter o cliente sempre fidelizado à nossa marca e, por outro lado, engrossar a linha de clientes através da conquista. A conquista faz-se através da qualidade do produto e dos serviços prestados”, esclareceu de imediato. Nestes mais de 75 anos de atividade muita coisa foi feita por esta empresa mas, o segredo, parece estar nos mecanismos que esta possui para evitar que erros voltem a ser cometidos: “Já fomos galardoados com a distinção de uma das 100 melhores oficinas Wolkswagen do mundo. Somos PME Líder e trabalhamos, todos os dias, para conseguir ser sempre melhores e atingir mais. Nunca nos damos por satisfeitos”, disse Nuno Roldão. Leiria e o automobilismo O distrito de Leiria caracteriza-se por ter pólos industriais extremamente dinâmicos, “se houvesse mais dois distritos como o de Leiria o país estava a evoluir de uma forma completamente diferente”. A riqueza que é gerada em Leiria extende-se a todo o tecido empresarial, onde a Lubrigaz está inserida e, portanto, esta consegue ter, também, sucesso nas vendas, tendo no último ano crescido em mais de seis milhões de euros na faturação. O parque automóvel de Leiria tem uma caracterização muito vasta que vai desde a frota da empresa para os seus colaboradores, passando pelos quadros intermédios até ao topo de gama para o empresário: “Por isso, nós vivemos em função da economia da região. Em período de crise o setor automóvel é muito afetado mas, quando a economia cresce, esse panorama inverte-se. Nós somos uma empresa exclusivamente virada para o mercado local interno e, por isso, se esse mercado estiver bem, nós estamos bem”, garantiu. O futuro passa por… Esta empresa foi uma das primeiras concessões a ser certificadas pela ISO 9001: “A certificação de qualidade não é mais do que

evidências daquilo que estamos a fazer bem”, e foi uma das três primeiras concessões da Wolkswagen a aderir ao veículo elétrico porque entende que o futuro passa por aí, “seja através, numa fase inicial, das viaturas híbridas seja, numa fase posterior, das viaturas elétricas”. O futuro da Lubrigaz passa por fazer mais 75 anos. O futuro da Lubrigaz passa, portanto, por continuar a fidelizar clientes, conquistando outros: “Somos uma empresa vaidosa, consistente e orgulhosa por aquilo que conquistámos”. A par da estrutura-mãe da Lubrigaz, situada em Leiria, juntamente com o hangar da Lubrisport no mesmo concelho, existem também umas instalações nas Caldas da Rainha, com 12 mil metros quadrados. “Temos, também, um terreno na zona industrial de Pombal para uma futura expansão quando o momento for oportuno”, confidenciou, em primeira mão, Nuno Roldão.

UM PERCURSO

DE EXCELÊNCIA

Equipa como pedra-basilar da empresa Neste momento contam-se 93 pessoas a ser lideradas pelo nosso entrevistado e por Frederico Ferreira, o outro membro da administração. Estar à frente, garante, é um trabalho duro mas que se torna fácil devido ao grande espírito de equipa e entreajuda que ali se vive. Todos na Lubrigaz têm noção de que são pedras essenciais desse puzzle: “Temos todos que remar sempre no mesmo sentido que é o da satisfação dos clientes. Eu trabalho sempre com a porta aberta para que os meus colaboradores sintam facilidade no acesso à chefia da empresa. Qualquer

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 77


ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA Lisboa é uma das poucas cidades, a nível mundial, a oferecer um cenário natural único. A presença do rio Tejo acompanha-nos ao longo da visita, na descoberta da frente ribeirinha e respetiva zona portuária, das ruas cheias de história das suas gentes e acontecimentos mais marcantes que moldaram o “rosto” desta cidade. Sob um céu quase sempre azul, a luz de Lisboa vai colorindo telhados, ruas, casarios, janelas e verdes recantos numa diversidade de tons e cores, que têm sido escolhidos como motivos para filmagens e sessões fotográficas. Sendo uma cidade construída sobre colinas, dos diversos miradouros, instalados nos pontos mais altos, podem usufruir-se de vistas deslumbrantes. Destaque para o do castelo de S. Jorge, donde alcançamos os cacilheiros na sua travessia para a margem sul, a ponte 25 de abril, o Rossio, o convento do Carmo, o Bairro Alto, o parque Eduardo VII entre outros pontos da cidade. A par da cidade antiga, com um património bastante rico, Lisboa é também uma cidade moderna que se tem renovado em novas propostas culturais e de lazer. Lisboa tem boas e variadas razões para investir, destacando-se a sua situação geoestratégica privilegiada que a situa como porta atlântica da europa com acesso a 500 milhões de consumidores europeus, beneficiando da vantagem de manter relações únicas com os países de língua portuguesa, que representam um mercado de 250 milhões de pessoas. A cidade, centro económico de uma vasta região, dispõe de recursos humanos qualificados, um ambiente cosmopolita e elevada qualidade de vida. Por outro lado, Lisboa é uma cidade com preocupações ambientais, criativa e empreendedora, com uma ampla oferta imobiliária, sendo também uma das cidades mais seguras da Europa. Considerando ainda a moderna rede de infraestruturas de transportes e telecomunicações, muitas empresas internacionais têm instalado em Lisboa as suas sedes e centros de competências. Lisboa recebeu em Bruxelas em junho de 2014 a distinção de Cidade Empreendedora Europeia 2015, que premeia as melhores estratégias regionais para a promoção do empreendedorismo e da inovação junto das pequenas e médias empresas. Posto isto, quer seja para visitar, quer seja para investir, Lisboa apresenta-se e assume-se com força para receber todos aqueles que o destino ali os leve.

78 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Uma empresa de pessoas

nucase | área metropolitana de lisboa

para pessoas

António Nunes Administrador

Fundador da Nucase, António Nunes apresenta-se como um homem de rigor e entrega. Com uma larga experiência na área da contabilidade, atribui o seu sucesso à dedicação total e à paixão pela atividade. Após 39 anos da fundação da Nucase, empresa de contabilidade e assistência fiscal, assume que a sua motivação sempre se baseou em ajudar os clientes a encontrar as melhores soluções. Considera ainda que a disciplina e a correção fizeram com que esta empresa já tenha sido a maior do país nesta área de atividade durante muitos anos.

Conta o proprietário que “começou com um cliente, esse trouxe outro, e foi através do passa-palavra que a empresa cresceu”, contando atualmente com 160 colaboradores distribuídos por seis escritórios. Uma das chaves de crescimento foi uma gestão inteligente e ponderada, direcionando os seus investimentos no sentido de modernizar a empresa e acompanhar o desenvolvimento do mercado e da concorrência. “Fui sempre

aproveitando ao máximo as oportunidades que surgiam no dia a dia e definindo prioridades. Podia comprar algo pessoal, mas fazia-me mais sentido investir na empresa. E além disso nunca fui esquisito com clientes, independemente de ser o pequeno empresário ou a multinacional todos eram tratados com a mesma consideração”. O fundador reconhece a importância que uma profissão e um salário têm na realização

pessoal e social. E isso bastou para que mesmo em tempos de crise resistisse aos despedimentos. Mesmo considerando que os ajustes foram algo inevitável, sempre evitou esse “cenário dramático”, como lhe chama António Nunes. “Quando não temos condições de pagar 100 é preferível passar de 100 para 80. Aí a pessoa organiza-se e gasta menos, mas continua a trabalhar. Quando de um momento para o outro fica

sem nada é muito difícil lidar com isso e até mesmo conseguir trabalho novamente.“ António Nunes refere também a questão de despedimentos de colaboradores antigos para contratar jovens. “Assim como os jovens têm certas capacidades, também os mais velhos têm as suas características específicas acrescentadas à experiência, além de que são muito fáceis de reciclar”. Este afirma que as experiências da Nucase neste tipo de formação com pessoas acima dos 50 deram resultados fantásticos. Outro caso que destaca é o dos contratos a termo. António Nunes defende que terminar um contrato com uma pessoa para admitir outra “é um erro tremendo. Se estão aqui há três anos e deram provas de que são capazes não tem sentido mandá-las embora para receber outras. Ainda para mais teríamos de ensinar tudo novamente e investir muito no novo elemento.” Quanto aos jovens, a tentiva de ajudar traduz-se na Campanha NUCASE Startup, em que através de conselhos e preços especiais facilita esses projetos em fase de arranque. Resultado de toda a sua experiência no caso, António Nunes considera que a cultura empresarial em geral é muito baixa. Assume que durante muito tempo os empresários tiveram a vida facilitada porque “sabiam fazer negócios e ganhavam dinheiro, mas acabavam por investir em coisas que nada tinham que ver com as suas atividades”. Dada a dimensão da concorrência no mercado, o fundador da Nucase afirma que é necessário haver uma maior formação dos empresários. Quanto ao futuro o objetivo é manter a estratégia. Numa fase em que a empresa está em processo de transição para os filhos, António Nunes afirma que o objetivo é que estes dêem seguimento ao trabalho que tem sido feito seguindo os mesmos valores. Considerando fundamental o respeito pelas pessoas, o seu desejo é que este valor paute sempre esta empresa.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 79


área metropolitana de lisboa | restaurante e marisqueira pica peixe

Um restaurante de gerações

António Silvestre e Carlos Manso

O Pica Peixe é um restaurante e marisqueira situado em Tires desde 1985. Tendo aberto como cervejaria onde servia também marisco, foi-se definindo ao longo dos tempos e remodelando as suas instalações. A primeira alteração aconteceu logo em 1994, com uma ampliação da cozinha e uma melhoria das condições de trabalho. Além da modificação da disposição do espaço, tirando o balcão de forma a tornar-se num estabelecimento direcionado exclusivamente para o serviço de mesa. E o desenvolvimento continuou. Como espaço de referência que é na região, em 2012 o dono Carlos Manso optou por adquirir mais uma sala, que lhe proporcionou crescer de 55 lugares para mais 90. Nesse momento voltou a alargar a cozinha, copa e armazém.

O mais recente crescimento aconteceu em dezembro de 2016. A abertura de um salão exclusivo para eventos e com entrada independente. Ideal para todo o tipo de festas, quer casamentos, quer batizados, mas também para eventos empresariais. Foram já algumas as empresas que optaram por este salão como solução para organizar workshops e reuniões de trabalho, visto que este conta com um televisor a funcionar como projetor e , dependendo da configuração, tem lugar para 60 pessoas. Neste momento o Pica Peixe conta com cerca de 200 lugares no total. A necessidade desta expansão refletiu-se no grande sucesso que este salão teve desde a sua abertura, já que a partir desse dia, 8 de dezembro, até ao 31 desse mês, esteve sempre ocupado. Carlos Manso confessou até que no dia 6 de fevereiro já estava a receber reservas de um casamento para o dia 13 de maio, antecedência essa que espelha a solicitação que está a ter.

80 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Uma referência na região Muitos são os que frequentam este espaço há anos. Muitos outros são os que lá vão dar sugeridos por amigos. “Ainda há bocado tive aqui um cliente que foi mandado pelo amigo para provar as nossas ostras. No final disse-me que tinha de voltar com essa pessoa para provar o arroz de marisco”. A tendência de quem prova é voltar. A lampreia e o sável chegam a atrair clientes que se deslocam de longe para fazer esta refeição. Os mariscos vivos, o camarão de Espinho, a gamba nacional e o lavagante são exemplos do que torna esta marisqueira num destino tão procurado. Entre os vários produtos oferece também as tábuas de marisco, com lagosta, sapateira, amêijoas, ostras, pão torrado e maionese, canilhas e percebes. Durante a semana proporciona almoços mais em conta através do chamado “menu”, adaptado à realidade dos muitos trabalhadores fabris ali existentes.


restaurante e marisqueira pica peixe | área metropolitana de lisboa Tendo começado como cervejaria não poderia deixar de ter os petiscos, tais como: caracóis, pica pau, moelas e salada de polvo. Mas é no prego que está o grande destaque. O dono diz que “estes pregos são os melhores da costa do Estoril. São mesmo muito bons.” Apostando na qualidade da carne, que é sempre fresca, e com uma maneira de fazer que lhes é própria, optam por nunca fritar mas sim servi-los grelhados. Em relação aos vinhos, o Pica Peixe adaptase ao gosto do cliente. A inclinação vai para o Alentejo e Douro. Alguns da região de Setúbal, mas poucos. A escolha vai para vinhos concretos e afirmados. Já a grande surpresa surge nas sobremesas, e cai sobre o exclusivo “trolaró”. Inventado pelo dono, foi resultado das circunstâncias: “Fiz uma tarte de maçã e mais tarde aqueci-a no microondas. Quando a tirei pensei que a tinha estragado, mas lembreime de lhe colocar uma bola de gelado por cima e um bocado de chocolate, e pronto...”. Estava feito, restou o seu colega António darlhe aleatoriamente o nome “trolaró” e assim ficou. A verdade é que continua presente e com bastante saída.

“Um cliente, um amigo.” Conta o dono que tem clientes que conhece “desde a barriga da mãe. A mãe já era cliente quando namorava, casou, foi mãe, e agora tenho o salão de eventos reservado para o casamento do filho”. Quanto a fornecedores alerta: “neste caso do marisco e do peixe é preciso ter muito cuidado com a frescura e a qualidade. Nunca podemos baixar o nível, os clientes notariam logo. E eles vêm aqui precisamente por causa da qualidade”. Trabalha com alguns fornecedores desde o início, e naturalmente com uma amizade desenvolvida. No entanto afirma estar aberto a outras propostas. Umas aceita, outras não, mas o que é certo é que continua sempre ativo na procura da melhor qualidade, quer destes produtos, quer de outros. Carlos Manso considera que o essencial para o sucesso foram a dedicação e a disponibilidade totais para o trabalho. Foram 31 anos em que sempre houve evolução, tanto nos pratos, como no conceito e nas próprias instalações. Em que passou de três funcionários inicias, para 12 atuais. “Eu acabo por não ser um patrão. Eu sou um colega deles, estou aqui com eles, trabalho

e brinco com eles. Sinto-me muito bem aqui. Não ando aqui por causa do dinheiro, ando aqui porque me divirto”, diz o já reformado dono. Em plena expansão e com cada vez maior capacidade de responder aos pedidos dos clientes, este é um restaurante que mostra ser a solução perfeita para qualquer circunstância, desde as habituais refeições a eventos familiares ou empresariais.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 81


área metropolitana de lisboa | quinta do pé da serra

Quinta histórica com um toque de modernidade e requinte

Luísa Monjardino e José Orge Administradores

Situada numa das cidades mais românticas de Portugal, a Quinta do Pé da Serra faz história em Sintra há mais de 200 anos. A sua longa vida e preservação contam agora, também, com o cuidado de Luísa Monjardino e José Orge, responsáveis pela organização de eventos desde 1987.

A Quinta do Pé da Serra é um lugar envolto pela natureza, destinado à organização de eventos, como casamentos e encontros empresariais, mas nem sempre foi essa a sua finalidade. Em meados do século XIX, a família começou por explorar os seus terrenos agrícolas que circundavam a propriedade, desenvolvendo negócio na produção de vinhos. Mais tarde, essa produção, que não se deixou abalar pela praga da filoxera (inseto que atacava as videiras, mas não as de casta Ramisco), serviu de mote para a família receber e alojar na quinta vários apreciadores de vinho e empresários ligados ao setor. Depois de se ter dado por terminada essa atividade, ficou única e exclusivamente destinada à família, enquanto espaço de lazer. Sem grande atividade e visitas regulares, a casa-mãe (edifício principal) e espaços verdes envolventes iam esmorecendo com o passar dos anos, até a família resolver dar-lhe uma nova vida. Foi este o motivo que os levou a realizarem o primeiro evento público, em 1980. Desde então, a Quinta do Pé da Serra, com lotação para 240 pessoas, tem recebido centenas de visitantes, que acrescentam páginas à sua história centenária. Conta José Orge, que “a quinta chegou à família no último ano do século XVIII” e desde então, “tem-se mantido sempre na família”, passando de geração em geração. A Quinta do Pé

82 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

da Serra foi das primeiras a organizar casamentos, evento que ainda hoje atrai dezenas de noivos por ano àquele espaço mágico. Obras realizadas na casa principal, no início do século XX, conferiram-lhe um traço arquitetónico da época, que ainda hoje preserva a par do novo e amplo salão envidraçado, de onde podem admirar-se as cameleiras centenárias, enquanto se disfruta de uma saborosa refeição ou se dança ao som da música ambiente. No jardim verdejante a fauna e a flora entram em perfeita harmonia, assim como o mar e a serra que se cruzam na linha do horizonte, onde o sol se esconde lentamente. Se o espaço histórico e naturalmente embelezado enche as medidas a quem o visita, saiba que o interior pode ser personalizado. Diz José Orge, que a decoração do espaço sofreu várias alterações ao longo dos anos, mas que cada um pode optar por vários estilos para o seu dia especial. Atualmente, “os clientes têm um nível de exigência muito maior” e a quinta tem de estar preparada para responder aos seus pedidos. Para tal, no que toca à decoração, o cliente tem ao dispor várias opções com diferentes motes, que lhe permitem viajar no tempo desde o estilo vintage até ao contemporâneo. À mesa as ofertas também não se esgotam. O cliente tem uma diversificada escolha de


quinta do pé da serra | área metropolitana de lisboa pratos, servidos sempre com qualidade e requinte. “Temos serviço próprio, confecionando quase tudo aqui”, realça o responsável. Relativamente à equipa de confeção e serviço de sala, Luísa Monjardino e José Orge sentem-se orgulhosos por poder contar com elementos que já completaram mais de 20 anos de casa. “Eu e a minha mulher organizamos tudo. O serviço é personalizado e é detalhado, alicerçado num ambiente familiar”, revela o nosso interlocutor. Questionado sobre o que diferencia a Quinta do Pé da Serra das restantes, que também realizam este género de eventos, os responsáveis não têm dúvidas: “esta é uma quinta histórica com algum toque de diferenciação no tempo”. Para além disso, “tem um enquadramento e uma vista fantástica”, proporcionados pela simbiose entre a serra e o mar, “com fins de tarde magníficos”. O outono e a primavera são as estações do ano, que os nossos interlocutores distinguem como as que mais realçam as paisagens da quinta. “O outono é um mês calmo, sem vento e com um pôr do sol lento”, onde se pode observar na perfeição os contrastes

entre o azul do mar e os tons da vegetação, típicos daquela época do ano. A primavera representa o alvorecer e o desabrochar das cores das espécies que embelezam os jardins da quinta, numa fusão de cores. Embora destaquem estas duas estações, as demais são igualmente propícias para disfrutar de um dia inesquecível. O balanço que Luísa Monjardino e José Orge

fazem destes 30 anos à frente do negócio familiar é indubitavelmente positivo. O espaço tem sido preservado e tem propiciado aos seus visitantes momentos únicos. “Isto passou a ser a nossa vida”, refere Luísa Monjardino, consciente de que é também uma forma de “melhorar e preservar o património da família”. Por toda a sua história e atualidade a Quinta

do Pé da Serra é um espaço que alia bemestar e bem servir, com uma vista aprazível e de contacto com a natureza - um local de eleição de muitos noivos portugueses e estrangeiros. Fácil de encontrar em sites da especialidade e fácil de se gostar quando se avista pela primeira vez, a quinta centenária continua a ser um espaço de referência na organização de eventos.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 83


área metropolitana de lisboa | draft-in

Do projeto à construção

A Draft-in é uma empresa que iniciou a sua atividade há cerca de dez anos na área da arquitetura. Com o tempo foi alargando a sua atuação às especialidades de engenharia e construção, oferecendo ao cliente a solução “chave na mão”. Conta para isso com uma equipa multidisciplinar que passa por arquitetos, engenheiros e pessoal especializado.

Pedro Gonçalves e Vasco Torrete Administradores

Esta empresa foi fundada pelo arquiteto Vasco Torrete e Pedro Gonçalves. Com idades e caraterísticas diferentes, estes assumem que se complementam profissionalmente. Por um lado, Vasco tinha para oferecer um enriquecimento resultante do todo o estudo e viagens que tinha realizado até então e experiência acumulada em vários gabinetes de referência, e por outro, Pedro contribuía com os mais de 40 anos de experiência acumulados na câmara de Cascais. A lista de contactos e a confiança de antigos clientes eram outras das vantagens que este trazia para o grupo. Iniciado o projeto em plena crise, pode dizerse que talvez não houvesse melhor fase para o terem feito. “Em Cascais havia muito bons arquitetos que na altura se ressentiram e muitos deles fecharam. Desse modo, o concelho ficou um pouco órfão desses

84 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

profissionais, e aí apresentávamo-nos como alternativa. Foi também a falta de respostas a essas solicitações que foi fazendo com que alargássemos às outras especialidades”, afirma Vasco Torrete. Hoje em dia a equipa da Draft-in é constituída por 13 profissionais. No entanto devido à dimensão dos trabalhos e obras que movimentam, as parcerias com algumas empresas por eles contratadas é frequente. Algumas dessas acompanham a empresa já desde o início. Vasco Torrete destaca que “a nossa forma de trabalhar não passa por ir ao melhor orçamento, mas sim à melhor qualidade. Daí trabalharmos com algumas empresas há bastante tempo, não pelo preço, mas porque sabemos que com eles os problemas são resolvidos, e que filtram e selecionam as melhores soluções”. Desde os projetos de arquitetura aos projetos de especialidades, da eletricidade às mecânicas, águas e esgotos ao avac, a Draft-in estende-se por todas as especialidades ligadas à construção, passando todas por um arquiteto ou engenheiro da empresa. Aqui também há uma mentalidade curiosa em relação ao perfil do profissional: “um bom perfil de pessoa dá um bom profissional, mas o contrário já não é necessariamente verdade”, afirma Vasco Torrete. A verdade é que ambos os sócios concordam que o interesse em aprender e trabalhar dará mais garantias à empresa do que simplesmente um bom currículo. Assim como também acreditam que a boa relação do grupo e uma atmosfera de motivação potencializam os resultados. Outro objetivo importante de ser conseguido é a satisfação do cliente. “Dá-nos imenso

gosto quando sentimos que atingimos precisamente o que o cliente pretende. Neste momento os clientes quando nos procuram já trazem referências nossas, afirmando que é aquilo que querem. Isso mostra-nos que conseguimos construir uma identidade, e isso é o mais gratificante”, confessam os sócios. Desde projetos a obras, os trabalhos são já muitos. Na habitação, na restauração, mas também em outras áreas, como por exemplo a Birre Medical Clinic. O palacete no Estoril foi uma obra que acabou por dar reconhecimento e visibilidade à empresa a nível nacional. Isto do ponto de vista de construção, já que até ali essa imagem era apenas ao nível de projeto. Esta foi uma obra enorme, com uma duração de dois anos e com mais de 200 trabalhadores de cerca de 30 empresas no total desse tempo. Essas empresas parceiras foram


draft-in | área metropolitana de lisboa

quase todas de Cascais, mesmo tendo a possibilidade de encontrar melhores preços noutros sítios. No entanto, os sócios optaram por fazer uma grande obra de Cascais com empresas de Cascais. “Esta foi muito importante para mim, fez-me sentir mais capaz do que aquilo que já era. Depois de

conseguir, senti que podia vir o que viesse que nós conseguiríamos enfrentar”, afirma Pedro Gonçalves.“E no final, a obra foi o reflexo da vontade do cliente. O que fizemos foi concretizar o seu sonho”. Quanto ao futuro, o plano é avançar pausadamente e com segurança. Os

fundadores da Draft-in consideram que a sua base está no concelho de Cascais e que aí há ainda margem de crescimento. “Se quisermos sair, teremos também de começar a estabelecer novos contactos, e nisto as relações são muito importantes, têm de ser de confiança. Alguns dos nossos parceiros

poderão eventualmente ir connosco, mas no caso de sairmos, a logística começa a ser completamente diferente. Claro, se houver um desafio interessante que nos dê algo que nós não tenhamos aqui, porque não? Mas se a nossa máquina está bem cimentada aqui, é aqui que nós trabalhamos”, afirma Pedro Gonçalves. Não sendo essa expansão um objetivo, também é verdade que se vai tornando inevitável, estando já esta empresa a fazer a ampliação da fábrica da Lecifarma em Cabeço de Montachique, Loures. Entre vários trabalhos, a carteira de 2017 já está preenchida. Tanto Vasco Torrete como Pedro Gonçalves descrevem este projeto como uma aventura. Com surpresas e desafios, a satisfação é no final o objetivo. “Somos um empresa em constante evolução e queremos que o ritmo se mantenha”, remata Pedro Gonçalves.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 85


área metropolitana de lisboa | clínica central de tires

Serviço de qualidade, carinho e proximidade

Sónia Silvério Administradora

Na Clínica Central de Tires encontrará uma moderna equipa de profissionais apostada em melhorar o seu bem-estar, aliando a qualidade dos tratamentos a um serviço de especial proximidade e familiaridade.

sempre sujeitas à medicação”, prossegue a porta-voz. Até porque, efetivamente, “estamos a falar de saúde” e valências como estas assumem uma importância “cada vez maior”, permitindo dar “outra credibilidade à terapia”, complementa Sónia Silvério.

De portas abertas desde 2005, a Clínica Central de Tires corresponde à concretização de um projeto pessoal que Sónia Silvério – médica dentista de profissão – “desde muito cedo” ambicionava. “Licenciei-me em 2001 e logo nessa altura procurei um espaço onde pudesse exercer a minha profissão”, recorda. Mais, todavia, do que um local que funcionasse apenas como centro de medicina oral, o sonho passava por fundar uma clínica dedicada ao mais vasto leque de especialidades médicas, atendendo àquilo que a nossa interlocutora aprendera ao longo do seu percurso profissional. “Tinha trabalhado numa policlínica e gostava da dinâmica e interação que havia entre os médicos de diferentes especialidades”, explica Sónia Silvério, antes de acrescentar que tal correspondia ao tipo de ‘ambiente’ que gostaria de sentir e promover no seu próprio espaço de trabalho. De facto, “para

86 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

mim fazia sentido abrir uma unidade de medicina que pudesse ser o mais alargada quanto possível”, podendo desse modo prestar um serviço mais abrangente e completo ao utente. Nesse âmbito, se a medicina oral ou o serviço de análises clínicas se encontravam entre as primeiras valências deste projeto familiar, o facto de a Clínica Central de Tires se encontrar numa localização bastante icónica da vila cedo permitiu que novos serviços e especialidades médicas fossem acrescentadas, mediante as necessidades do seu público-alvo. Claro está que, neste processo, foi também integral a ajuda e o ânimo proporcionados pelos familiares e marido de Sónia Silvério: “tínhamos muita vontade e energia”. Especialidades e terapias Hoje, volvidos 12 anos de árduo trabalho, a Clínica Central de Tires proporciona um serviço de cerca de 20 especialidades médicas. Nesse amplo leque (e para além das valências já mencionadas), podemos encontrar – a título de exemplo – a pediatria, a ginecologia, a oftalmologia, a psiquiatria ou a otorrinolaringologia. Mas, numa unidade clínica onde a enfermagem e a clínica geral assumem também um importante espaço, existe uma interessante aposta num conjunto de serviços associados à medicina alternativa ou complementar. Mais concretamente, é possível experimentar e sentir o benefício de terapias orientais como a acupuntura ou o shiatsu. Estas são descritas pela sócia-gerente como “um complemento extremamente importante” àquilo que se convencionou apelidar de medicina convencional. Neste contexto, “sentimos procura desde o início, pois as pessoas gostam de não estar

O utente em primeiro lugar Contando atualmente com uma equipa de aproximadamente 30 médicos e quatro enfermeiras, a Clínica Central de Tires compromete-se única e exclusivamente com o bem-estar, prestando o melhor serviço possível aos seus utentes. Por esse motivo, todos os elementos que compõem o seu corpo clínico são profissionais devidamente formados nas suas áreas de atividade, que aliam o constante atualizar de conhecimentos com a preocupação em prestar um atendimento e acompanhamento de cariz digno, sensível e humano. “Hoje em dia, a proximidade com o doente é muito importante para alcançarmos os resultados desejados”, atesta a nossa entrevistada. Assim sendo, o projeto inicial de Sónia Silvério foi o de desenvolver “uma clínica que se diferenciasse não só pela qualidade, mas principalmente pelo cunho familiar e pela proximidade”. Esta é, por seu turno, uma filosofia que pressupõe a


clínica central de tires | área metropolitana de lisboa necessidade de ensinar e aconselhar o utente sobre as características de cada tratamento, num processo assumido com a “naturalidade” que é já firme característica do modus operandi da clínica. “O que acontece na área da saúde é que vamos conquistando o público pela qualidade do nosso trabalho”, realça a sócia-gerente, em alusão a um processo que “é lento mas firme”. Não surpreenderá, como tal, que sejam já comuns os pacientes que experimentam o espaço por sugestão de um anterior utente. Contudo, o bom ambiente que se tornou apanágio da Clínica Central de Tires é refletido também na interação entre o seu leque de colaboradores. “Temos uma equipa de profissionais que é mais do que uma equipa, quase uma família”, garante Sónia Silvério.

Um projeto para crescer Dotada neste momento de oito gabinetes médicos e três consultórios dentários, a policlínica é a prova viva de um constante esforço de dinamismo e vontade de chegar mais longe. Acima de tudo, no entanto, esta travessia de 12 anos tem sido uma autêntica viagem de enriquecimento pessoal para a nossa entrevistada: “Aprendi imenso e cresci como pessoa, gestora e médica”. Fazendo um balanço muito positivo de todo o trabalho desenvolvido até agora, a porta-voz – que assume também funções de docente universitária – assegura não se arrepender, em momento algum, “do tempo, corpo e alma” dedicados à Clínica Central de Tires. Subsiste, por outro lado, uma declaração de intenções para o futuro: “Sinto que ainda consigo fazer mais. Imagino o projeto a crescer”. Posto isto, a expectativa para os próximos anos passará por um continuado acompanhamento da inovação, até porque, nesse aspeto, a policlínica se encontra devidamente munida de “médicos e técnicas muito motivados e atentos a tudo o que vai surgindo”. Por fim, existe a vontade de “aumentar a equipa, com outras especialidades”, sempre em busca do único, embora determinante, objetivo de prestar o serviço mais completo, profissional e íntegro, sem nunca esquecer o mais importante: a naturalidade do lado humano.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 87


área metropolitana de lisboa | phoenix contact

Uma empresa do passado com os olhos no futuro

Michel Batista Diretor Geral

A Phoenix Contact é uma multinacional alemã, fundada em 1923, dedicada às áreas de eletrotécnica e de automação. Em Portugal, a empresa foi fundada oficialmente em 2008, embora estivesse presente já desde os anos 70.

Atualmente a variedade de serviços é imensa, contando com cerca de 60 mil produtos diferentes. Mas é nos conectores que esta empresa é líder mundial. “Somos os que mais produzimos e os que mais vendemos”, afirma o diretor geral Michel Batista. “Outra área onde somos também reconhecidos é ao nível de proteções contra sobretensões. Isto numa escala industrial, onde as máquinas não se podem danificar e nem sequer parar”. Além da oferta tradicional, esta empresa, adaptada às novas tecnologias, disponibiliza soluções ao nível da cibersegurança. “A indústria gere quantidades astronómicas de dados que precisam de ser salvaguardados. Dados que não estão à vista mas que são fundamentais para garantir o funcionamento

88 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

das fábricas e das indústrias. São áreas muito sensíveis. Se são quebradas ou atacadas simplesmente param”. Outra área é a da mobilidade elétrica, com produtos que estão a ser comercializados em marcas como a Volkswagen ou a Porsche, mas também ao nível dos sistemas de carregamento. ”A tendência será num futuro breve conduzirmos veículos elétricos ou veículos híbridos, e aí já estamos presentes”, afirma Michel Batista. Esta empresa sempre se caraterizou pela inovação tecnológica, e tem sempre uma visão de futuro, focando-se na antecipação de problemas. O objetivo é dotar parceiros e clientes de soluções que não existem no mercado conferindo-lhes vantagem tecnológica e competitiva em relação aos demais. Tendo começado com 12 colaboradores, atualmente a empresa em Portugal conta com 19. Fundamentalmente a equipa é constituída por engenheiros eletrotécnicos e engenheiros mecânicos, todos eles com muita experiência. Já a rotatividade dos colaboradores na empresa é muitíssimo baixa. “Para nós é fundamental ter colaboradores satisfeitos. É a cultura da Phoenix global. Nós aderimos ao programa ‘Great Place to Work’, e em Portugal destacamo-nos pela positiva até mesmo dentro do grupo. Os colaboradores estão motivados nesse sentido, e na verdade são eles a força da empresa. Eles é que fazem a diferença para que sejamos uma empresa de sucesso dentro de Portugal”.

Uma outra forma que a empresa tem para exercer a sua responsabilidade social é através de vários protocolos com institutos e universidades do país. “Por um lado os nossos técnicos transmitem conhecimentos e o nosso know-how aos estudantes, e por outro colocamos à disposição equipamentos e produtos que nós comercializamos e que são úteis no seu currículo académico, de modo a que saiam da faculdade já com experiência com esses produtos. Colocámos recentemente no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e no Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, os mesmos equipamentos que estão neste momento a servir as linhas da Autoeuropa. Tudo isso requer recursos financeiros”. Já o balanço, Michel considera ser francamente positivo. Com uma faturação que praticamente duplicou em nove anos, e avaliados por entidades externas assim como pela casa-mãe. “Para dizermos que fazemos um bom trabalho, é preciso sabermos qual é o nosso enquadramento. Dentro de Portugal a Phoenix Contact teve uma performance invejável, tendo em conta que este setor está em recessão desde 2009. O sucesso é fruto do empenho e da equipa espetacular que tenho. E a eles deixo o agradecimento”, finaliza Michel Batista.


empresa | tema

Mar e a Ilha da Berlenga como pano de fundo Construído em 2007 como hospedaria e requalificado para hotel desde 2010, o hotel PINHALmar é uma unidade turística moderna, localizada em plena cidade de Peniche, bem perto do Cabo Carvoeiro, beneficiando assim de uma localização única e ímpar. O conforto e o bem-estar, presentes em todas as divisões do empreendimento, são a principal preocupação de uma equipa profissional de excelência, que assegura todo o seu funcionamento do hotel, liderada por Jeffrey Almeida. “Grande parte do estabelecimento está decorado com referências ao mar e é sem dúvida um local paradisíaco, ideal para passar umas férias de verão ou uma escapadinha de inverno sem preocupações”, explica o entrevistado. Para este ano, o melhor de sempre em termos de faturação do PINHALmar, a aposta passou pela expansão em termos de espaço do restaurante e bar, o que permitiu organizar e desenvolver festas temáticas neste espaço renovado. Para 2017, o objetivo passará pela renovação dos 27 quartos -duplos, triplos e suites, com vista mar e pinhal. Uma nova cara, na zona da piscina exterior e do Pool Bar também está em mente, tudo isto apenas possível devido à chegada de uma nova gerência em 2014. “Peniche está efetivamente na moda em termos turísticos e são muitas as nacionalidades que nos procuram. Queremos oferecer as melhores condições para continuar a conquistar novos mercados. A aposta passa por uma oferta variada e de qualidade”, conclui o Diretor de Hotel, Jeffrey Almeida.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 89


área metropolitana de lisboa | Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados

Uma ponte entre Portugal e Brasil

A Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados é composta por Gustavo Hofstaetter Tramujas e Felipe Hingel Castelo Branco Osório, uma parceria de advogados que faz a ponte entre Portugal e Brasil. Prontos a ajudar com todas as questões, a dupla tem vários escritórios no Brasil e planeiam aumentar a sua presença em terras lusas.

Felipe Osório Advogado

Gustavo Tramujas Advogado

Felipe Osório e Gustavo Tramujas encontraram-se por acaso. Brasileiros de nascença, acabaram por partilhar casa enquanto tiravam o mestrado em Direito Internacional, aqui em Portugal. Felipe Osório, nosso entrevistado, reconhece que foi o seu sócio, Gustavo Tramujas, o impulsionador do empreendimento, que surgiu decorrendo das suas necessidades pessoais e dos seus colegas estudantes, que procuravam renovar os vistos.

que estava por explorar, principalmente para os brasileiros”, narrou-nos Felipe Osório. Inicialmente, focaram-se na questão dos vistos e na obtenção da nacionalidade. Seis meses decorreram e a carteira de clientes ia aumentando. “O plano inicial dos dois era regressar ao Brasil”, admitiu, planos que, entretanto, ficaram na gaveta: Felipe Osório nunca voltou e agora, revelou, sente-se em casa.

A amizade que se devolveu rapidamente deu origem a uma relação profissional, primeiro de forma independente e, no ano de 2009, nascia a sociedade Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados. “Começamos a aperceber-nos da dificuldade que era obter informação acerca dos vistos. O meu sócio reparou que existia aqui um nicho de mercado

A lei portuguesa e a brasileira têm a mesma base, porém muitos são os aspetos que as diferenciam. Esse foi um dos obstáculos com que a dupla de advogados se deparou no início da sua carreira. Foram autodidatas e contaram com a ajuda paciente dos funcionários das conservatórias, aos quais agradecem. Esta profissão “é uma aprendizagem constante”.

90 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados | área metropolitana de lisboa

No decorrer do seus percursos, e de acordo com a procura que foram encontrando, Felipe Osório e Gustavo Tramujas começaram a alargar as áreas de atuação, para melhor servir o cliente. Hoje fazem a ponte entre Portugal e Brasil, cumprindo o que consistia um objetivo inicial, “não só para os brasileiros que vêm para Portugal, ou para a Europa através deste país, mas também ao contrário: na altura da crise muitos portugueses procuraram o Brasil”. Se já na altura havia alguma procura, agora muito mais. No Brasil tudo é mais caro, desde a água aos transportes públicos, já para não falar da ausência de segurança que se espalha pelo país desde há algum tempo. O nosso entrevistado explica que é esse um dos motivos que leva alguns brasileiros preferiram viver em Portugal, um país onde se fala a mesma língua. “Todos os dias recebemos dezenas de contactos, há muita procura, de há dois anos para cá aumentou exponencialmente a procura, desde camadas sociais mais baixas às mais altas”. Esta sociedade é um porto de abrigo junto daqueles que procuram um novo horizonte e uma nova vida. Obter a nacionalidade ou um visto do país para onde se pretende deslocar é apenas o primeiro passo, depois há que saber lidar com as questões do dia a dia, por exemplo, como adquirir um imóvel. “A questão fiscal que é de extrema importância e todos os nossos clientes precisam de assessoria fiscal. É fundamental estarmos preparados para responder a todas as necessidades dos clientes, em toda as esferas, para que eles possam tomar decisões com mais convicção e virem para Portugal com toda a tranquilidade. Contam connosco para isso mesmo”. De tal forma que começaram, recentemente, a habilitarem-se na área do Direito do Trabalho, uma vez que muitos brasileiros pretendem abrir negócios aqui. “Tentamos sempre anteciparnos e ver quais são as possibilidades de mercado”.

O perfil do imigrante brasileiro sofreu uma considerável mudança desde os anos 90: hoje são empresários, são reformados com poder económico, são milhares de estudantes, etc., de tal forma que já não é possível estabelecer um perfil específico. O nosso entrevistado faz notar que o seu escritório presta uma consulta de forma a permitir ao recém-chegado apenas apresentar os documentos no consulado para obter o visto. Contudo, esta organização tem deixado algo a desejar na sua prestação de serviços atualmente: “O Ministério dos Negócios Estrangeiros português sofreu grandes cortes orçamentais com a crise, isso reflete-se nos consulados, nomeadamente na preparação dos funcionários, que por vezes não dominam a legislação. Acho que é algo que o Governo Português tem de resolver”. Com dois escritórios em Portugal e cerca de dez no Brasil, são perto de 30 os colaboradores diretos e indiretos da Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados. Apesar de realizarem muito do trabalho via internet, os espaços físicos são necessários para apoiar o cliente e até o ‘acarinhar’: “Algumas coisas exigem a presença física, é uma questão de confiança, afinal estão a contratar alguém que está a milhares de quilómetros e o cliente gosta de nos conhecer. É muito importante oferecer segurança a quem está a mudar de país e de vida”, explicou-nos. Agora a ‘intenção’ é crescer em Portugal e consolidarem-se como um dos escritórios de referência na área da imigração, nacionalidade, investimentos, entre outras. “Ou seja”, referiu, “quando alguém ponderar vir para Portugal, que pense em nós”, concluiu o advogado. Prestes a ter escritório no Porto, Felipe Osório entende que a sua firma está no caminho certo e está bastante otimista em relação ao futuro da sua empresa e de Portugal.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 91


área metropolitana de lisboa | rud manibe

Referência conceituada como

João Fernandes, Aníbal Chaves e Sousa e Carla Pinto Equipa RUDManibe

sinónimo de qualidade Sediada na Amadora, Lisboa, a RUD Manibe - Tecnologia Industrial, Lda, surgiu em Portugal em 2008, com o objetivo de ampliar a distribuição dos produtos RUD (marca de origem alemã com mais de um século de existência), no país. Em entrevista à Revista Business Portugal, Aníbal Chaves e Sousa, fundador da RUD Manibe, Carla Pinto e João Fernandes, apresenta-nos esta que é uma empresa de referência a nível nacional no universo das correntes de elevação e de transporte.

“A RUDManibe é uma empresa portuguesa constituída por um grupo de sócios, a RUD alemã ,em conjunto com um grupo de espanhóis também ligados a essa empresa. Surgiu há quase 10 anos e temos como base principal de atuação, a comercialização e prestação assistência de qualidade, em meios de elevação e movimentação de cargas- dispondo de uma gama completa de soluções (lingas de corrente, cabo de aço, cintas e pontos de suspensão) para as mais variadas indústrias, sistemas transportadores, através de uma variedade de correntes e acessórios para o transporte de materiais e no sector eólico, manipulando peças até 200t, começa por nos contar Aníbal Chaves e Sousa. Apesar de ser uma empresa muito focada essencialmente em produtos da RUD, o que permite grande parte do suporte que a empresa necessita, em termos de material de elevação e acessórios necessários com qualidade, a um preço proporcional, a qualidade é sem dúvida o foco da RUD Manibe e é nesse campo que a empresa se pretende afirmar. “Iniciei este projeto, de seguida a Carla Pinto e o João Fernandes começaram também a laborar na empresa, fazendo um trabalho mais de campo, ou seja, em termos de ação quando nos colocam questões dentro do produto que a RUD tem, nós oferecemos. Por outro lado, quando o cliente nos põe situações diferentes ou que é preciso sermos mais criativos, também o fazemos. Não nos limitamos a ter apenas um stock, mas vendemos também aquilo a que eu gosto de chamar “apoio ao cliente”. Adequamos o produto ao cliente, com a máxima

92 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

qualidade e esse é o nosso principal objetivo”, acrescenta o entrevistado. Questionado sobre a evolução da RUD Manibe ao longo de quase uma década de existência, é perentório em afirmar as várias dificuldades que a empresa enfrentou ao longo dos anos, apesar do crescimento notório em detrimento do esforço e dedicação de toda a equipa. “De ínicio, os anos iniciais, foram um pouco duros, mas felizmente tudo tem corrido bem. Temos tido, alguns altos e baixos porque industrialmente, neste momento, nem todas as empresas estão atravessar boas fases e a indústria é o nosso principal mercado, apesar de termos um mercado específico dirigido para as torres eólicas. Por sua vez, Carla Pinto, voz ativa e membro crucial na divulgação das mais valias dos serviços e produtos RUD no país, dá-nos o seu parecer relativamente à notória mudança de mentalidade por parte das empresas, que cada vez mais ganham consciência da importância, em termos de segurança, desde tipo de produtos. “O meu trabalho está vocacionado para a elevação e movimentação de cargas, nomeadamente, na indústria eólica. Para lém deste setor, a empresa em si está também vocacionada para a indústria de moldes, que se situa na região da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis e para revendedores. O setor da construção, apesar de estar parado, também se adequa ao produto e trabalho que prestamos. Quando cheguei à empresa, foi duro, em Portugal não é fácil crescer neste tipo de setor, bati a muitas portas, mas começamos a crescer, a ganhar mercado e hoje, somos uma empresa de referência, pela nossa qualidade. Os trabalhadores estão sujeitos a muitos perigos e nas empresas nem sempre existe essa consciência. Hoje em dia, começam a perceber a importância da segurança e estão mais sensibilizados para este tipo de produtos. Temos uma forte concorrência por parte dos chineses, mas cada vez mais, sendo que no setor do moldes é possível haver custos muito elevados em caso de dano, tendem em apostar nos moldes, em material de qualidade”. Em termos de produtos novos e inovadores, João Fernandes, salienta um dos produtos desenvolvidos pela empresa alemã, deixando uma mensagem de positivismo para o futuro da RUD Manibe. “No seguimento da indústria dos moldes, projetámos uma máquina, “Tool-mover” há cerca de dois anos e lançada no mercado pela RUD, que garante a segurança dos operadores e do molde aquando da sua viragem. Participámos em feiras, como a Moldplás, em que a máquina esteve exposta e estivemos um feedback muito positivo que resultou em algumas encomendas por parte dos clientes. Em termos de suporte técnico, sem qualquer modéstia, somos uma das melhore empresas a atuar no mercado português e é neste registo que nos queremos manter futuramente: qualidade como foco principal”, conclui.


REGIÃO DO MÉDIO TEJO Situada na sub-região do médio tejo, o concelho de Ourém é um misto entre o passado e a atualidade, com muito para descobrir. Fátima, uma das cidades mais emblemáticas de Portugal, ligada ao turismo religioso é um dos maiores atrativos deste concelho. O Santuário da cidade, palco onde o Nossa Senhora de Fátima se revelou aos três pastorinhos, a 13 de maio de 1917 é hoje local de visita e culto de milhares peregrinos portugueses e estrangeiros. No ano corrente, Fátima torna-se ainda mais atrativa com a visita do Papa Francisco ao Santuário. De tempos anteriores às aparições de Fátima, destaca-se, no cimo de um dos morros da cidade, a Vila Medieval de Ourém que se inscreve no interior de uma muralha. O castelo representa um marco da povoação do Burgo na Idade Média, é formado por três torres e esconde, no seu interior uma cisterna subterrânea. Regressando ao presente, o concelho de Ourém tem tido um desenvolvimento industrial significativo e conta, agora, com um Centro de Empresas. Este espaço resultou da parceria entre a ACISO- Associação Empresarial Ourém- Fátima e da Câmara Municipal de Ourém e tem como objetivo basilar apoiar as novas Microempresas que fizeram apostas em projetos inovadores. Desta forma, a cidade cria postos de trabalho e consequentemente ajuda à fixação da população naquela zona.

“ART IS A MIRROR HELD UP TO NATURE!”

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 93


região do médio tejo | fótica

O melhor serviço ótico ao longo de gerações Fundada pelos irmãos José e Fernando Duque Simões em 1951, a Fótica foi a primeira ótica que abriu portas na bela cidade de Torres Novas. onde tudo é melhorado, desde a exposição dos produtos ate à renovação dos mesmos, esta estratégia inteligente ajudou a abranger várias faixas etárias. Atualmente a empresa possui três simpatiquíssimas funcionárias que representam uma mais-valia para a ótica.

Equipa Fótica

Qualquer torrejano conhece a Fótica, para além de já ter servido várias gerações é reconhecida não só pela excelente qualidade dos seus produtos mas também pelo atendimento personalizado. Situada no centro da cidade, a Fótica oferece uma vasta gama de marcas ao seu cliente, com uma excelente relação preço/qualidade. O ambiente familiar e bastante acolhedor é percetível para qualquer pessoa que entre neste estabelecimento comercial, direcionado para a todas as idades e gostos, tendo sempre a preocupação em seguir as últimas tendências na moda. Os serviços são concebidos com rapidez e qualidade, devido às parcerias que são feitas com os melhores fabricantes de lentes, que

94 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

levou a que ao longo de 66 anos, fosse criada uma larga lista de clientes fiéis que sabem que vão ser servidos pelo melhor produto. Sendo uma das empresas mais antigas do concelho de Torres Novas, a Fótica já obteve reconhecimento por parte da entidade política da cidade. Fernando Duque Simões, mais conhecido por Senhor Simões, expõe o porquê do nome Fótica: “era adolescente, e um dia vi um livro sobre fotografia, era antigo, mas eu apaixonei-me logo, sempre fui um apaixonado pela física e pela química e isto começou como uma loja de fotografia a tirar retratos, fazer reportagens na rua, casamentos entre outras coisas”. Mas claramente o futuro puxou os irmãos para a área da ótica, daí o nome da empresa ser a junção das palavras ótica com fotografia. Durante muitos anos José e Fernando Simões foram os únicos oculistas da cidade. Com uma diferença de dez anos, Fernando, o irmão mais novo, muitas vezes, recorria a José para concelhos sobre todo o tipo de assuntos, onde exprime que “nós não nos dávamos bem, nós dávamo-nos muitíssimo bem”. Fernando Simões faz questão que ao longo dos anos a Fótica seja renovada,

Evolução da ótica Um dos conselhos que Fernando Simões não dispensa em dar aos seus clientes é para estes adquirirem lentes de qualidade que protejam os seus olhos com lentes de qualidade. Recordando como fora há alguns anos, Simões explica que “antigamente tinha um super armário com muitas gavetas onde tinham 90 por cento das lentes, que eram todas em vidro, todas grossas, todas perigosas. Agora é de uma leveza extraordinária”. Antes das atuais máquinas que fazem o corte das lentes automaticamente, estas eram cortadas à mão que consistia em bastante precisão e cuidado. Os óculos progressivos foram uma grande evolução que deixou para atrás os óculos bifocais, atualmente “temos um ângulo de visão muito maior e também a fabricação, o máximo de diâmetro que se fazia era de 60cm, agora se for preciso faz-se com um tamanho superior, mas a moda é assim é como a mala das senhoras, evolui e às vezes até se repete”. Com a evolução dos equipamentos, hoje em dia, as lentes são muito leves e inquebráveis, acompanhado de armações confortáveis para a pessoa. A Fótica tem a preocupação em manter o bem-estar da saúde ocular de qualquer cliente que entre na loja, e por isso, tem disponível uma sala devidamente equipada para fazer a despistagem de problemas oculares, de uma forma gratuita. Assim, técnicos especialistas ajudam o cliente na identificação e resolução de problemas ou aconselhando a prosseguir para exames mais concisos junto de um oftalmologista. Ainda sobre o olhar atento de Fernando Simões, a Fótica continua a prosperar e continuamente a melhorar em todos os aspetos, tanto empresariais como humanos a cada ano que passa e é assim que garantidamente será quando no futuro passar o seu legado aos seus filhos.


pvc sousa | região do médio tejo

empresa de excelência e líder no setor de caixilhos em pvc Sediada em Atouguia, no concelho de Ourém, a PVC SOUSA foi criada por José Sousa. Referenciada em vários mercados, a empresa é especializada em fabricação e comercialização de caixilharia em PVC para janelas e portas.

Rosa e José Sousa Administradores

A PVC Sousa iniciou a sua atividade em 2005, no ano anterior a família Sousa decidiu sair de França e voltar para as suas raízes e montar o seu próprio negócio. Conversamos com José e Rosa Sousa, que explicaram que inicialmente o produto era bastante desconhecido do público português em geral. Hoje em dia, esse conhecimento é mais abrangente e quem procura uma isolação térmica e acústica com poupança energética, percebe que o PVC (Polyvinyl chloride) é a melhor solução para isolamento. Sendo uma matéria neutra, não é condutora, não responde a calor, ao frio ou ruídos, é resistente à ação de fungos, bactérias, insetos e roedores e também é resistente às intempéries (sol, chuva, vento e maresia). É uma mistura composta por sal e resíduos de petróleo (57 por cento de cloro - derivado do cloreto de sódio, ou seja, sal de cozinha) e 43 por cento de eteno (derivado do petróleo). A evolução do PVC e do vidro ajudou ao melhoramento do processo

de isolação de janelas e portas, sendo hoje um elemento fundamental de construção das casas eficientes. Estando na frente de dois importantes mercados, o português e o francês, a PVC Sousa é conhecida pelo trabalho de qualidade que pratica em ambos os mercados. O processo de contratação por parte de novos clientes é feito de uma forma natural, devido às inúmeras referências dadas por outros clientes, essencialmente existe uma promoção do bom trabalho de clientes para futuros clientes. Trabalhar em dois mercado com exigências diferentes, torna-se um desafio para esta empresa certificada que tem como clientealvo empresas particulares. José e Rosa Sousa explicam que particularmente em Portugal, depois da crise financeira deixaram de existir novas construções e que o público virou-se para a reabilitação de casas mais antigas. Adaptados para qualquer tipo de obra, a PVC Sousa faz o processo da fabricação das barras de PVC até à instalação do produto. “Fazemos a instalação dos caixilhos na obra, mesmo para França, nós fabricamos aqui e depois enviamos por transportador uma obra inteira, depois lá existe outra estrutura que vai fazer o assentamento e a montagem na obra”. Exigências dos mercados Grande percentagem do produto fabricado pela empresa é destinado ao comércio francês, que ao longo de doze anos tem

conseguido lidar com as discrepâncias que existem entre o mercado português e francês. Rosa Sousa dá o exemplo de uma situação que mostra claramente essa diferença: “nós trabalhamos essencialmente para particulares, havia o problema do IVA, nós estamos aqui a 23 por cento e em França a reabilitação tem o IVA a 5.5 por cento e nós não podíamos vender diretamente para o consumidor final, tínhamos que faturar a 23 por cento, então fomos obrigados a criar uma estrutura a quem vendemos os produtos e que vai fazer lá as montagens, até porque as montagens lá também carecem de certas normas”. Outra situação diferencial está relacionada com os seguros de responsabilidade que são obrigatórios em França, no caso de uma janela ficar mal posicionada e que posteriormente possa haver infiltrações de água que provoquem danos, existe uma proteção para o consumidor final, o que não acontece em Portugal. A PVC Sousa disponibiliza aos seus clientes, um serviço de fabricação de caixilhos sob medidas personalizadas, adaptando-se desta forma a qualquer exigência que lhe seja submetida tanto a nível estético (por exemplos diferentes cores) como a nível estrutural (por exemplo janelas com curvas). Perspetivas Futuras Atualmente com cinco colaboradores, a PVC Sousa pretende crescer o dobro no prazo de três anos, “gostava de multiplicar as vendas da produção, temos capacidade, porque as pessoas que já trabalham para nós são capazes de produzir o dobro”, expõe Rosa Sousa. A génese da PVC Sousa é o trabalho de qualidade que proporcionam ao cliente, tudo isto possível devido á dedicação de todos os trabalhadores na empresa. Com uma excelente capacidade de resiliência, José Sousa vence assim em dois mercados mesmo em alturas mais difíceis.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 95


região do médio tejo | fátima exporte

Negócio familiar com mais de 50 anos

Com quase 29 anos de atividade, a Fátima Exporte é uma empresa dedicada ao comércio de artigos religiosos, regionais e decorativos. Os irmãos Sandra e Ricardo Gonçalves contam à Revista Business Portugal como gerem o legado que lhes foi entregue pelo pai.

Fátima, Sandra e Ricardo Gonçalves Administradores

neste tipo de mercado, que recheia a maioria das lojas de comércio da cidade de Fátima, desde o artigo religioso ao meramente decorativo. Exporta ainda, com regularidade, para alguns países da Europa e América do Norte e do Sul. No entanto, é também uma empresa que trabalha para nichos de mercado, relacionados com o turismo religioso e, os irmãos Gonçalves sabem que “Fátima é um mercado que tem bastante concorrência a esse nível”.

A empresa Fátima Exporte Lda. foi fundada no ano de 1988, mas a sua história e atividade são muito mais antigas. O negócio familiar “começou com o nosso pai há mais de 50 anos”, revela Sandra Gonçalves. Foi José Gonçalves, que começou a construir o negócio, ainda hoje gerido por ele, a sua esposa e dois dos seus filhos, inicialmente fabricando e vendendo peças de índole religiosa aos pequenos comércios, peregrinos e visitantes da cidade. “Aprendemos muito com o nosso pai”, diz a nossa interlocutora, que gere a parte financeira da empresa. Atualmente, o fabrico próprio é muito reduzido, pois, devido ao forte crescimento na revenda de produtos, os irmãos Gonçalves optam por importar os artigos que comercializam.

96 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Milhares de produtos à escolha O armazém, com cerca de 2000m2, alberga mais de 10 mil produtos, de entre os quais, “80 por cento são religiosos ou regionais”, afirma Ricardo Gonçalves, responsável pela gestão operacional. Na Fátima Exporte encontra um vasto leque de rosários, imagens religiosas, produtos decorativos ou de utilidade para o lar, tipicamente portugueses, como o galo de Barcelos, os barcos rabelos e acessórios com imagens alusivas ao nosso país. Mas, também encontra artigos de decoração para o lar e centenas de brinquedos, com qualidade e preço amigo do consumidor. Conscientes de que é um risco ter o armazém carregado de mercadoria o ano inteiro, Sandra e Ricardo Gonçalves entendem que têm de apostar e arriscar, para poderem dar resposta às encomendas dos seus clientes. Mercado competitivo Atualmente a Fátima Exporte é uma empresa representativa

Foco no cliente Os irmãos Gonçalves concordam que a principal preocupação da empresa é “a satisfação do cliente”. É também esta preocupação que os leva a arriscarem a ter um armazém lotado e a preservarem os seus melhores fornecedores. Para Ricardo Gonçalves, que lida diretamente com o público, não é difícil perceber se o cliente ficou ou não satisfeito com o produto, pois, para o operacional, ter um cliente que faz uma nova encomenda é “sinónimo de que gostou” do produto e do serviço prestado. Sandra Gonçalves acrescenta, que a regularidade com que os clientes compram também é uma forma de demonstrarem o seu agrado. “Temos clientes fidelizados, que vêm praticamente todas as semanas fazer encomendas”, reforça a mesma. Focados na satisfação do cliente, mas acima de tudo no conjunto de normas, valores e estratégias pelas quais se regem para gerir a Fátima Exporte, Sandra e Ricardo Gonçalves, que ainda hoje têm o grande apoio dos pais, vão continuar, com a esperança de que, mais tarde, possam ser os seus filhos a gerir o negócio familiar.


tecnoalmonda | região do médio tejo

Aposte em serviços de qualidade!

Carla Formigo, José Formigo e Graciela Rodrigues Administradores

Constituída em 1996, a Tecnoalmonda é uma empresa familiar que alberga vários serviços no domínio de equipamento electrotécnico. A empresa possui o estatuto de PME Líder, é em Torres Novas que está sediada a sua sede de onde opera para todo o pais.

José Formigo, diretor geral da empresa desde muito cedo se interessou pela área da electricidade, surgindo daí a vontade de abrir o seu próprio negócio. Juntamente com a sua esposa Graciela Rodrigues e a filha Carla Formigo, a Tecnoalmonda emprega cerca de trinta colaboradores, apresentando-se uma empresa certificada que possui serviços de projecto, montagem, assistência nas áreas de manutenção industrial, electromecânica, electricidade BT e AT, iluminação industrial, instrumentação, AVAC – aquecimento, ventilação ar condicionado, detecção extinção de incêndios, manutenção de extintores, CCTV, comunicações, ambiente, segurança e higiene, tudo realizado com elevados parâmetros de qualidade e excelência. Fundamentalmente a empresa presta serviços e comercializa

para a indústria, embora esta valência se estenda nas áreas da venda e instalação de ar condicionado, igualmente a particulares como por exemplo; escritórios, hotelaria e apartamentos. No âmbito deste assunto, José Formigo esclarece que: “dentro dos serviços temos o ar condicionado, temos a manutenção industrial, temos as montagens electromecânicas, temos a instrumentação, temos a extinção de incêndios, fazemos a manutenção de extintores, com posto de venda ao público também de gás”. As vendas de sistemas de ar condicionado tem crescido em termos de comercialização sendo que no ano de 2016 tiveram um crescimento exponencial. A distribuição de serviços é feita por todo o território continental, chegando mesmo ao mercado espanhol. Ao longo dos anos tem feito várias parcerias ou prestação de serviços com grandes empresas no âmbito das montagens industriais, nomeadamente com a Efacec , Schrader Verfahrens Technick Gmbh, Alstom e Siemens. Na manutenção industrial tem como clientes importantes entre estas Caima, Renova, apresentando uma taxa de crescimento cada vez maior mesmo com algumas adversidades conjunturais, devido à crise financeira que se instalou na Europa. José Formigo recorda que o melhor projeto que a empresa já realizou foi o projecto e construção da infra-estrutura eléctrica do estaleiro para a construção da Central de Ciclo Combinado de Lares na figueira da Foz, o mais recente em Ferreira do Alentejo, construção de raiz onde fizeram a instalação da rede eléctrica, rede estruturada, ar condicionado, rede incêndios, rede ar comprimido e apoio na instalação electromecânica. Em termos de preocupações ambientais, a empresa cumpre todas as normas tem de seriação e reciclagem de resíduos. A Tecnoalmonda, sempre correspondeu às espectativas dos seus clientes, isto porque, como explica o nosso entrevistado, “a oportunidade faz o negócio, mas também é preciso que exista um grande trabalho de equipa, de pesquisa de novas soluções”, embora não seja só esse trabalho que

justifica o sucesso da empresa mas também, as referências apresentadas através dos clientes pelos serviços de excelência que a empresa oferece, o que ajuda e motiva a procura de novos projetos. O fato de existir uma proximidade geográfica com grandes empresas tem contribuído para uma prestação serviço cada mais rápido e de maior qualidade. Formação José Formigo explica que a formação é essencialmente para um maior rendimento dos colaboradores, “além de termos essa necessidade, estamos em áreas que são muito específicas, queremos sempre que as pessoas façam mais e melhor, há sempre essa preocupação”. A aposta em serviços de qualidade é um dos alicerces da Tecnoalmonda e para isso acontecer é preciso estar sempre atualizado e principalmente saber como se adaptar à evolução da conjuntura económica e financeira, e esse processo passa pela aposta constante na formação e qualificação de competências. Objetivos Futuros No ano de 2012 a Tecnoalmonda iniciou um projecto de raiz para umas novas instalações, e esse objetivo foi concluído no ano de 2016, neste momento as mesmas encontram-se em fase de licenciamento. No ano de 2017 o objetivo passa pela renovação da frota. Com uma crescente confiança do mercado, este início de ano tem apresentado uma tendência de crescimento, entre outras causas, face ao aumento do consumo interno pelas famílias e exportação das empresas. A aposta na exportação passa pelos planos de estratégia da empresa. Atualmente José Formigo detém um papel de mentor na empresa e está a trabalhar no sentido de melhorar a qualificação da gestão, no futuro passar a gestão para a próxima geração.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 97


região do médio tejo | dsb

“Continuar os valores do berço” Fundada em 1948 por Maria de Jesus Lima e Diamantino Simões Borges a DSB – Diamantino Simões Borges, Lda começou por ser uma fábrica de refrigerantes na pequena aldeia de Belga de Cima no concelho de Torres Novas.

Tudo começou há 69 anos atrás numa pequena fábrica manual com uma habitação por cima onde morava a família Borges, onde o único equipamento que detinha naquela época era uma engarrafadora bi posto manual. O início dos anos 60 foi tomada a decisão de abandonar a produção própria e co-fundar a Superfresco em Leiria. Mas em 1988 essa ligação foi quebrada e começou nesse mesmo ano uma união que dura até aos dias de hoje, quando a DSB se tornou agente de distribuição da Sumol-Compal. Em 1987 a sede da empresa deslocou-se para a zona industrial de Tomar, num terreno amplo perto da IC3/ A13, com armazém e diversas áreas administrativas. A DSB chegou a ser a única empresa a nível nacional a fazer distribuição das 3 principais marcas de referência em refrigerantes, que de acordo com os atuais administradores, Diamantino e João Borges, “ era uma coisa impensável”. Em 1989 com o objetivo de diversificar a atividade e aproveitar as estruturas, a DSB apostou no setor dos transportes de semi-reboques de grande carga e nos transportes internacionais. No ano 2009, devido á conjuntura económica e financeira que arrebatou com o setor dos transportes, a DSB decidiu cessar com essa vertente da empresa mas não sem antes certificar-se que todos os colaboradores que trabalhavam nesse departamento tivessem emprego, dentro ou fora da empresa. Para além de serem distribuidores da com a Sumol-Compal, a DSB tem parceria com outras marcas como

98 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

a Parmalat, Castello, Carvalhelhos, Licores Albergaria, Quinta de Romarigo, Lusiteca e Licor Beirão. Não tendo a condição de distribuidores mas com um peso significativo na faturação, a empresa também trabalha com as duas maiores marcas de cerveja em Portugal, a Super Bock e a Sagres. A empresa tem a sua própria marca – PERCAPITA – que surgiu na necessidade de ampliar os produtos ao cliente que consome cerveja, comercializando produtos da mais alta qualidade em conjunto com a melhor relação qualidade-preço. Criando assim um espaço no mercado onde a “aquilo que nós vendemos não vendem os outros”. A distribuição dos produtos é feita por 15 concelhos: Tomar, Torres Novas, Alcanena, Entroncamento, Golegã, Chamusca, Alpiarça, Almeirim, V N Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal, Ferreira do Zêzere, Alvaiázere e em parte de Ansião. Esta logística é feita através da distribuição direta, visita semanal aos clientes e com entrega no dia seguinte, neste departamento estão destacados 5 vendedores e 1 chefe de vendas. Os clientes da DSB são essencialmente do setor alimentar, laboral e do Canal Horeca. A distribuição é feita ao longo do ano de uma forma uniforme, já que o mercado escolar realiza-se entre os meses de Setembro e Junho e o mercado dos refrigerantes está mais ativo nos meses de Verão. Criando assim um bom equilíbrio de faturação para empresa. Futuro A DSB – Diamantino Simões Borges, possui um fator de longevidade que já não existe em muitas outras empresas nos dias de hoje. Tudo começou com uma “pequena” máquina que agora está em exposição na sala de reuniões da empresa. Sobrevivente de várias crises financeiras, a família Borges sempre teve ânimo e uma enorme força para trabalhar mesmo nas alturas mais difíceis. Diamantino e João Borges desde que estão á frente da empresa sempre tiveram em mente os ensinamentos que foram passados pelo seu pai, criando serviços e produtos com a melhor qualidade para o seu clientes. Sem nunca deixar que o nome da empresa fosse comprometido. O próximo passo dos irmãos Borges é passar a empresa “tranquilamente para a geração seguinte e ensinar-lhes do mais possível daquilo que sabemos desde que queiram aprender”.


manhãs restaurante | região do médio tejo

“O sucesso está no equilíbrio entre o atendimento, o

profissionalismo e a qualidade”

João Manhãs Administrador

A trabalhar no ramo da restauração há cerca de trinta anos, João Manhãs lançou-se por conta própria com o Manhãs Restaurante, em Fátima. Um serviço de excelência aliado a produtos de qualidade, cozinhados com rigor e profissionalismo, são os objetivos diários de toda a equipa, que pretende marcar pela diferença.

Situado numa zona que recebe muitos visitantes, portugueses e estrangeiros, o Manhãs Restaurante abriu há quatro anos e é dos mais recentes na cidade. “Estamos em Fátima, que é uma terra que tem restaurantes, lojas de artigos religiosos e hotéis. Estamos no segmento onde todos são mais antigos que nós. O primeiro ano não foi fácil, mas tem sido mais fácil com o passar do tempo. Sentimos que temos os nossos clientes, conseguimos o nosso mercado e temo-nos focado no nosso público alvo”, explicou João Manhãs, gerente e proprietário do espaço. Um dos principais ideais deste restaurante é proporcionar uma experiência única ao cliente. “O cliente para nós é a pessoa mais importante. Quando se senta à mesa, nada está confecionado, ele escolhe e fazemos tudo na hora. Com uma refeição no Manhãs, tentamos proporcionar um momento único, um momento de convívio para recordar mais tarde”, afirma João Manhãs, que fala também dos principais pratos da lista. “Uma das sugestões do chefe é o arroz de línguas de bacalhau. É um prato que normalmente não se vê muito nos restaurantes, mas que antigamente era muito usual. É um prato que, tanto portugueses como turistas, gostam bastante, tem aquela textura mais suave que desfaz na boca. Depois, temos também os bifes, que são o que sai mais, até porque temos vários e cozinhados de várias

formas. Quanto ao peixe, temos fresco todos os dias, exceto à segunda-feira”. Também no que respeita à carta dos vinhos, a escolha é variada. “O Roberto Costa, nosso funcionário desde quase o início, é o responsável pela nossa carta de vinhos, na qual fizemos uma reformulação e alteramos bastantes. Atualmente, conta com cerca de cinquenta vinhos e a nossa prioridade é que estes estejam ligados só à restauração e não à venda nas grandes superfícies”. Tentando chegar a toda a gente e abranger todos os gostos, o Manhãs Restaurante apresenta ainda dois pratos vegetarianos, a carbonara de legumes e o gratinado de beringela. De acordo com o gerente, “o sucesso está no equilíbrio entre o atendimento, o profissionalismo e a qualidade”, pelo que todo o staff trabalha sempre neste sentido. “Quando temos uma matéria prima com qualidade, confecionada com profissionalismo e o atendimento é feito com amabilidade, o sucesso está garantido. Temos é que ter estas três características. Lutamos todos os dias por isso, nem sempre é fácil”. No entanto, há uma regra de ouro no Manhãs, “quando servimos um cliente, desejamos bom apetite e passado algum tempo voltamos a perguntar como está e o que esperamos é a sua sinceridade”, garante João Manhãs. Na tentativa de cativar

ainda mais pessoas, apostam também na realização de eventos, como “noites de fado e noites temáticas”, e assinalam datas importantes com ofertas diferentes em dias como o “dia da mulher e dos namorados”. Sendo o restaurante um negócio de família, com o próprio nome a ser uma homenagem ao avô do proprietário, o objetivo é fazêlo crescer e ficar estável. Depois, e como plano a médio prazo, João Manhãs tem um intuito claro: “Tenho intenção de que, daqui a uns anos, consiga retirar-me e ter alguém que me consiga levar isto em frente e dar rentabilidade”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 99


região do médio tejo | autocarisma

Estrutura sólida e experiente no ramo automóvel

Armando Ferreira Administrador

A AutoCarisma é uma empresa do ramo de sector automóvel que se foca na comercialização de automóveis novos e usados. Com cerca de 30 anos de experiência na activdade, o Administrador da empresa Armando Ferreira deu uma entrevista à Business Portugal onde abordou, entre outros temas, histórico da empresa, a concorrência, os desafios do sector e as perspectivas futuras.

A história e a estratégia actual. “Já exercemos actividade no ramo do sector automóvel há 30 anos. A AutoCarisma começou como agente distribuidora da Mitsubishi, mas hoje estamos por conta própria. A nossa actividade é a comercialização de automóveis, mas também dispomos de assistência automóvel própria e um serviço de ‘rent-a-car’ de veículos comerciais. O nosso foco principal, neste momento, é mesmo o automóvel para as empresas. E, até ver, tem sido uma boa aposta. Estamos posicionados no centro do país, perto da A1, com pontos de venda em Fátima e em Ourém”. A conjuntura do mercado. “Não fomos abaixo com a crise, mas 2016 mostrou-se um ano positivo a nível de

100 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

vendas. Aliás, creio que para todos, não só para a AutoCarisma. Nós trabalhamos para o país inteiro, mas também temos uma vertente de exportação, para a Europa e os PALOP, em especial, para a GuinéBissau, particularmente nos automóveis usados. Angola já foi um bom mercado, mas a alteração da legislação angolana e o aumento das taxas aduaneiras fizeram arrefecer o negócio. Por isso, procurámos outros mercados”.

Parece que, em vez de olhar para cima, olham para baixo. No passado, eram importadores e distribuidores, mas hoje isso perdeu-se. São apenas agentes ou concessionários. E isso faz diferença, até para a economia nacional. Por isso, viraram o foco para baixo. Os bancos estão no negócio, e até as empresas tecnológicas criam plataformas informáticas de venda de automóveis. Isto, para eles, são trocos. Para nós, é competição real”.

matricular a viatura cá em Portugal, os custos retiram-nos competitividade no preço para o cliente final. Outro problema é o Imposto Único de Circulação, que tem de ser pago, quer o veículo circule ou esteja parado no stand. Faz falta as associações do ramo serem ouvidas sobre estes temas, que resolvidos desenvolviam a actividade, potenciavam o sector e davam uma maior competitividade às empresas, também na exportação”.

A concorrência. “Hoje em dia levamos com todo o tipo de

As dificuldades e limitações da actividade.

As perspectivas futuras. “O objectivo para 2017 é consolidar o

concorrência. Tanto leal, como desleal, bem como dos grandes grupos, que, cada vez mais, entram dentro da actividade de revenda de carros usados ou semi-novos. Vão à procura até da migalha, do nicho.

“A própria legislação do mercado não estimula a exportação. Por vezes encontramos uma boa oportunidade de negócio e queremos importar para voltar a exportar. No entanto, como temos de

nível de vendas. Quando existem proveitos, temos sempre o objectivo de melhorar as instalações, para actualizar e fomentar os vários serviços que prestamos, sempre de forma sólida e sustentada”.


ALENTEJO: ESTREMOZ E ELVAS Situado no centro-sul de Portugal e compreendendo a totalidade dos distritos de Évora, Portalegre e Beja, o Alentejo é um território que apresenta uma cada vez mais valiosa diversidade não apenas de argumentos empresariais, como também de elementos turísticos. Mais concretamente, todavia, a Revista Business Portugal protagonizou um interessante périplo pelos concelhos de Estremoz e Elvas, constatando o dinamismo que se sente nestes dois municípios em particular. Se, neste âmbito, a cidade de Estremoz tem a capacidade de nos presentear com um vastíssimo leque de produtos regionais – do azeite e vinho ao queijo, sem esquecer as ameixas ou os enchidos – é no mármore aqui extraído que encontramos o seu ex-líbris. Elvas corresponde, por seu turno, a uma cidade turisticamente viva, através da qual é possível provar não apenas o melhor da gastronomia alentejana (tendo em conta a amplíssima oferta na restauração), mas também sentir verdadeiras experiências únicas, de conforto e encanto, em unidades hoteleiras como a Pousada de Santa Luzia. Ao longo desta edição, damos a conhecer alguns casos de especial sucesso, arrojo e inovação vividos nestes dois concelhos. Se há algo que, com este trabalho, poderemos provar é que a vontade de marcar a diferença e primar pela excelência não se fixa apenas num setor de atividade ou tipologia de instituição. Não admirará, por isso, que ao longo desta visita pelo Alentejo tenhamos visto empresas de variadas áreas fazer brilhar a economia local, ao mesmo ritmo com que as instituições de solidariedade social vão contribuindo para o desenvolvimento de uma região progressivamente mais coesa e feliz.


alentejo: estremoz e elvas | centro social paroquial de santo andré

Obra em prol dos mais carenciados O Centro Social Paroquial de Santo André é uma instituição de solidariedade social que tem como principal objetivo apoiar famílias carenciadas da cidade de Estremoz. E é pelas palavras do seu fundador, o pároco Fernando Afonso, que passamos a conhecer melhor esta instituição, edificada em 1984.

Fernando Afonso Diretor

Natural do Sabugal, distrito da Guarda, é desde cedo que o Pe. Fernando Afonso deixa a sua terra natal, se muda para o Alentejo e inicia assim a sua obra em prol da ação social em Estremoz, constituindo há 33 anos o Centro Social Paroquial de Santo André. “Estudei nos seminários da diocese, em Vila Viçosa e Evóra e ordenei-me em Estremoz. Certo dia, o arcebispo de Evóra fez uma nomeação para eu assumir a paroquialidade de Santo André e depois, como consequência da minha ação como pároco, resolvemos construir o centro, que fomos alargando até à dimensão que hoje possui”, começa por contar o nosso entrevistado. Em termos de valências, atualmente a instituição disponibiliza creche, pré-escolar e A.T.L., para os mais jovens e centro de dia e de convívio, dirigido para a classe mais idosa, prestando também serviços de atendimento e acompanhamento social, a problemas mais gerais da sociedade, como a toxicodependência. “Em termos de números, atualmente, a nossa creche possui 33 crianças, o pré-escolar, 21, as atividades dos tempos livres, 40, o centro de dia tem, neste momento, 15 utentes, o centro de convívio, 45, o apoio domiciliário, 83, o lar, 13 utentes e em termos de serviço de atendimento familiar, por ano, damos esse apoio a 1080 utentes. Ao longo dos anos prestamos cada vez mais apoio domiciliário e temos cada vez mais utentes a nível de centro de convívio e centro de dia. É fundamental prestarmos este tipo de resposta”, ressalva o nosso interlocutor, destacando a importância que o apoio domiciliário assume com o passar dos tempos. Questionado sobre quais os principais objetivos/preocupações a que esta instituição se

102 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

propõe colmatar é perentório em afirmar que estes passam por “dar resposta a situações de carência que os habitantes da cidade de Estremoz e arredores possuem”, acrescentando porém que “não temos um lar muito grande, com grande capacidade de acolhimento mas, tentamos compensar com outro tipo de apoio, que vá de encontro às necessidades de quem nos procura”. Relativamente ao balanço do trabalho que tem desenvolvido, o Pe Fernando Afonso, mostrase visivelmente satisfeito, não deixando, no entanto, de salientar o constante desafio que enfrenta na gestão deste centro. “O balanço é francamente positivo. O maior desafio, como presidente, passa por estabelecer diariamente o equilíbrio que é necessário para suportar esta instituição, com todas as suas valências. É preciso um equilíbrio muito grande financeiro para poder dar resposta e cobertura a todas as solicitações que nos são feitas. Na região existem muitas pessoas carenciadas, muito devido à taxa de desemprego que existe”. Para o futuro, mostra-se confiante, apesar das dificuldades inerentes. “Espero que, um dia que deixe esta instituição, o sacerdote que me substitua tenho o mesmo ou maior empenhamento que eu tive até hoje. Aguardo por um futuro promissor pois, sou uma pessoa muito positiva. Temos 60 pessoas a laborar na nossa instituição e a nossa maior preocupação é que todos os ordenados sejam pagos a tempo e horas no final do mês, apesar da comparticipação habitual que recebemos da Segurança Social. Porém, estamos de braços abertos para receber na nossa instituição quem precise da nossa ajuda. Tentamos sempre realizar um trabalho de qualidade e daí advém a nossa certificação”, conclui o pároco.


alentejo: estremoz e elvas | cofre previdência

Instituição centenária aumenta qualidade de vida

Maria do Mar e Tomé Jardim Diretora técnica e presidente

O Cofre é uma instituição de previdência social, de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira destinada a trabalhadores da função pública a exercer funções na Administração Central Regional e Local, das empresas públicas, fundações e institutos públicos que age há 115 anos na criação de melhores condições de vida dos associados, nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Lazer. “Trabalhamos todos os dias para que todos consigam ter conforto”, garante o seu presidente Tomé Jardim, à Revista Business Portugal.

Fundada em 1901, na Praça do Comércio, em Lisboa, o Cofre Previdência nasce num cenário marcado pela luta entre a monarquia, que impunha a sua repressão, e os movimentos republicanos, que agiam na tentativa de instaurarem a Primeira República em Portugal. A função inicial da instituição passava por atribuir às famílias ligadas à fazenda, um subsídio de morte, que auxiliasse nas despesas funerárias do funcionário e da sua família. A partir do ano de 1919, as inscrições no Cofre passam a assumir caráter obrigatório para todos os funcionários do Corpo de Fiscalização de Impostos. No ano anterior à queda da Primeira República, o Cofre alarga, em 1925, a adesão aos funcionários da Direção Geral das Contribuições e Impostos e, por fim, a todos os funcionários e agentes do Estado. Atualmente, a instituição conta com cerca de 50 mil associados de todos os ministérios e empresas do Estado, desenvolvendo ações no âmbito da Cultura, Educação, Saúde e diversas valências de cariz social. Em entrevista à Revista Business Portugal, o presidente Tomé Jardim, explica que apesar de terem “sócios espalhados por todo o país” e de terem inclusive entrado “mais 880 novos sócios” no ano de 2016, a média da “faixa etária é bastante elevada”, rondando os 59 anos de idade. Na tentativa de colmatarem esta problemática e adquirirem associados mais jovens, o presidente, garante que “o núcleo de angariação tem feito um excelente trabalho os trabalhadores do Cofre fazem o seu trabalho junto dos ministérios”, para conseguirem assegurar um futuro sólido e promissor à instituição e beneficiários. Uma associação polivalente Sediada na Rua do Arsenal, em Lisboa, a associação reúne, hoje em dia, um conjunto de seis unidades de valência destinadas a diferentes setores da sociedade. Na área da educação, desde o início do século XXI estão em funcionamento duas residências de estudantes, uma no Porto e outra em Lisboa, destinadas a albergar sócios ou familiares que frequentam o Ensino Superior. Pensando no repouso dos seus sócios, o Cofre investiu na criação de duas unidades de lazer: o Centro de Lazer do Vau (1991), em Portimão

104 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

e o Centro de Lazer da Quinta de Santa Iria (2002), na Covilhã. Acrescenta, o presidente, que o centro de Portimão funciona como um “aparthotel, com 74 apartamentos, situado a 200 metros da praia do Vau”. O espaço tem ao dispor uma ampla piscina, um parque infantil e, mais recentemente, um campo polidesportivo. Situada no Teixoso (Covilhã), a unidade de turismo rural da Quinta de Santa Iria possui uma área de 24 hectares de espaço verde e 35 apartamentos totalmente equipados, para que os associados possam gozar de uns dias calmos, longe da agitação dos grandes centros urbanos. Neste espaço “temos ainda um centro de ciência viva, com um planetário, observatório e auditório”, onde podem ser vistas réplicas de módulos espaciais e a representação do sistema solar. “No ano passado batemos o record de visitas das escolas”, conta o nosso interlocutor, satisfeito com a afluência da visita de alunos pertencentes a agrupamentos escolares, que têm parceria com a associação que preside. Para além das residências universitárias, o Cofre de Previdência, investiu na criação de duas residências sénior em Loures e Vila Fernando destinadas aos sócios, seus conjugues, ascendentes e descendentes. Os dois espaços têm como objetivo basilar a prestação de auxílio e de serviços de qualidade aos seus utentes. Inaugurada no ano de 1998, a Residência Sénior de Loures foi a primeira a ser edificada numa quinta, com cerca de dois hectares, onde se insere uma horta que abastece a cozinha com os mais variados produtos hortícolas adotando, desta forma, uma medida de desenvolvimento sustentável. “Loures tem uma capacidade para 51 residentes, um projeto aprovado para a ampliação de mais 20 camas e um corpo clínico de dois


cofre previdência | alentejo: estremoz e elvas médicos e quatro enfermeiros”, que apoiam permanentemente os seus utentes. Residência Sénior de Vila Fernando A Residência Sénior de Vila Fernando, no concelho de Elvas é um dos projetos finalizados pela Cofre, inaugurado em junho de 2006. A Maria do Mar Cruz, diretora da residência, conta à Revista Business Portugal, que o projeto “nasceu de uma ideia da Associação dos Amigos de Vila Fernando com o patrocínio do Cofre em toda a construção”. “É uma instituição vocacionada para os sócios do Cofre, portanto a nossa prioridade é o apoio aos sócios e respetivos familiares”, acrescenta referindo-se à residência como uma casa que “procura satisfazer as necessidades básicas, providenciando um bom ambiente” aos senióres da região. O projeto de Vila Fernando criou 23 postos de trabalho e acolhe atualmente 30 utentes, tendo lotada a sua capacidade. Contudo, adianta o presidente Tomé Jardim, que estão previstas obras para aumentar o número de quartos da unidade. Relativamente ao corpo profissional da residência, a diretora assegura que no recrutamento selecionam sempre “pessoal com alguma experiência e formação”. “Neste momento temos uma equipa excecional, muito motivada e com uma relação extraordinária com os utentes”, realça a mesma. Maria do Mar Cruz, que já tinha trabalhado

15 anos na área da reabilitação de lares entende, que as residências para seniores da Cofre são “diferentes pelo respeito, pela dignidade, por quererem fazer mais e melhor”, mas acima de tudo, por prezarem a autonomia e

dedico-a ao Cofre”, acrescenta. O trabalho desenvolvido pelo presidente, aliado à sua dedicação e paixão de ajuda ao próximo tem levado a Instituição a bom porto e a perspetivar

vivências passadas dos seus utentes. “Nós temos conseguido proporcionarlhes experiências novas que desconheciam, nem iriam conhecer noutro sítio qualquer”, diz a interlocutora. Pois, para além dos cuidados básicos e do conforto assegurado, a unidade de Vila Fernando proporciona aos senióres atividades ocupacionais, sessões de ginástica, passeios ao ar livre e saídas ao exterior, incluindo visitas a outras propriedades do Cofre. “Eu tenho um carinho especial por todas as instituições do Cofre”, diz o presidente da associação, acrescentando que todas as semanas faz visitas regulares às diferentes unidades. “Neste momento 75% da minha vida

um futuro melhor. Américo Tomé Jardim acredita que em Portugal no seu interior é essencial “criar condições de benefícios fiscais para os naturais se fixarem e quem ali se quer investir como acontece por exemplo nos Açores”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 105


alentejo: estremoz e elvas | cooperativa agrícola de estremoz

O azeite de qualidade vem sempre ao de cima Conquistando todos os obstáculos que o caminho lhe foi apresentando, a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Estremoz teve um desenvolvimento meritório. Entrevistamos o presidente, Dias Alves, para conhecermos o processo de fabrico deste azeite de tão alta qualidade

de Estremoz, labora a azeitona de cerca de 500 sócios. A maioria da nossa azeitona (cerca de 95 por cento) é da variedade ‘Galega’, a melhor azeitona para produzir azeite de qualidade. O nosso azeite é cada vez mais procurado, vendemos quase toda nossa produção embalado, só o restante vendemos a granel. O nosso azeite é comercializado com a marca LAVRADOR em embalagens de 25cl, 75 cl e garrafões de 5 litros, nas diferentes variedades, virgem, virgem extra e DOP”. Certificação Estão associados à Agricert, empresa certificadora dos Azeites do Norte Alentejano DOP,(denominação de origem protegida), mais um benefício que garante a qualidade do azeite. Contra factos não há argumentos. O presidente afirma que o azeite LAVRADOR é muito bom e um dos melhores do mundo, e continuam sempre a trabalhar para manter a qualidade e, se ainda for possível, melhorá-la. A Cooperativa preocupa-se em satisfazer não só os sócios, como também todos os clientes, pelo que a distribuição é assegurada pela mesma. Numa demonstração de consciência coletiva, apresentam um preço especial, mais

Dias Alves Presidente

Todos os percursos de uma empresa têm altos e baixos. Os percalços são oportunidades em si mesmos para impulsionar as condições existentes. Exemplo disso é o caso da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Estremoz, CRL., fundada em 1952, e que em 1981 sofreu um incêndio cujas consequências foram devastadoras, mas não irreversíveis. Com o auxílio dos sócios, que criaram quotas suplementares, e recorrendo à banca, foi construído um lagar novo, com a tecnologia mais moderna na altura. “Desde aí temos vindo sempre a melhorar, os depósitos que inicialmente eram de chapa de ferro, hoje são de inox, para melhor armazenar e higienizar o nosso azeite. Também já substituímos o equipamento de laboração para um com maior capacidade, adquirimos também um equipamento mais moderno para analisar a azeitona, o que nos permite rapidamente determinar o seu rendimento”, conta-nos Dias Alves, presidente da Cooperativa. “A nossa Cooperativa tem a sua área de ação no concelho

106 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

em conta, para certas instituições de solidariedade social. Apoios à produção Pouco tempo depois da chegada ao cargo do presidente Dias Alves, foi estabelecido que a Cooperativa pagaria aos produtores um adiantamento sobre cada quilo de azeitona entregue, o que representa um alívio significativo aos agricultores, que “estão descapitalizados” devido ao baixo rendimento do setor. Questionado acerca do apoio estatal, o presidente afirmou que “têm tido alguns benefícios fiscais”, porém não tanto como gostaria. De referir, ainda, o papel da Direção Regional da Agricultura do Alentejo, que acompanhou os projetos desenvolvidos. “Teve uma acção meritória”. 17 anos de atividade Dias Alves aproveitou os anos da reforma do B.N.U., para dirigir a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Estremoz, já lá vão 17


cooperativa agrícola de estremoz | alentejo: estremoz e elvas anos. Aceitou o cargo de presidente porque conhece o que toda a população local pensa a seu respeito, contou-nos. Alentejano convicto, é “apaixonado” por todos os produtos endógenos da sua terra é um “ defensor acérrimo” do Alentejo. Quando o abordaram inicialmente, pesou na decisão a “ pequena mas ativa” vida agrícola que levava e a insistência dos seus conterrâneos. Ponderou, discutiu com a família a possibilidade e, por fim, decidiu aceitar. Tinha o receio de “ proceder mal”, de deixar ficar mal os fundadores da Cooperativa, que conheceu pessoalmente. Tal não foi o caso. Se pudesse regressar ao passado, admite, “ teria feito mais”, a ambição de fazer mais e melhor não lhe falta mas “não se pode ter tudo”. Concretamente, um circuito de embalamento automático. “O semiautomático que temos atualmente por vezes é insuficiente”. Esse projeto tem sido adiado em prol de outros mais urgentes. Acima de tudo, Dias Alves sente-se “feliz” pela forma como a empresa se tem desenvolvido e garante que a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Estremoz é uma instituição séria e respeitada a nível geral.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 107


alentejo: estremoz e elvas | bricoelvas

Revitalização como base de sucesso crescente “Construir sonhos desde 2005” é o lema da BricoElvas, empresa dirigida para a comercialização de materiais de construção liderada por Ismael Poejo. Um economista de formação que, por vontade do destino, trocou as belas praias do Algarve pela cidade “Rainha da Fronteira”, às portas de Espanha, para assumir as rédeas da BricoElvas. Um projeto fundado pela mão do seu pai, Januário Poejo, um homem prestigiado na cidade berço da firma, mas que, em 2012, por motivos de doença, confiou ao seu herdeiro a desafiante liderança do negócio. O jovem proprietário confessa que, numa fase inicial, os receios e desafios eram muitos. No entanto, rapidamente e sem medos, decidiu arregaçar as mangas, abraçar o projeto e apostar na renovação do logótipo e das instalações. Atualmente, o azul e o branco são as cores que representam a marca BricoElvas e o diretor não tem dúvidas: “a empresa encontra-se revitalizada e o objetivo passa por dar continuidade ao trabalho que o meu pai desenvolveu ao longo destes anos”. Sinal disso mesmo, são os promissores resultados alcançados nos últimos tempos. “Felizmente, temos conseguido manter a qualidade e daí, continuarmos a ser uma referência na região e, em simultâneo, o nosso volume de negócios ter aumentado de forma significativa”, assegura Ismael Poejo, visivelmente orgulhoso e satisfeito com as perspetivas animadoras que se desenham para este ano de 2017 e seguintes.

Ismael Poejo Administrador

Serviço personalizado e familiar A firma de materiais de construção situa-se na zona industrial de Elvas e tem como missão “garantir a qualidade dos produtos disponibilizados, a excelência e a personalização dos serviços, bem como, a competência da equipa presente nas instalações”, atesta Ismael Poejo. Em específico, a empresa prima por ter um atendimento ao público, de cariz familiar e especializado, por entregar gratuitamente as encomendas no local de destino e, ainda, por fazer um “acompanhamento pósvenda sempre disponível”. Há 12 anos a satisfazer as necessidades dos seus clientes, aqui pode-se encontrar todo o tipo de produtos necessários para a construção, remodelação e decoração de um espaço. A cerâmica plana é o produto mais requisitado, contudo, no que toca à bricolage, nada é descurado. Desde da sala aos quartos, da casa de banho à cozinha – sem esquecer o exterior do edifício – neste espaço de raiz alentejana conseguem-se realizar todos os sonhos. A aposta da firma recai em marcas de prestígio nacional e internacional, que, conciliando a qualidade das soluções apresentadas com preços atrativos, asseguram a satisfação do comprador, quer seja um profissional informado ou um particular interessado. Nesse sentido, na hora de idealizar um espaço, a árdua tarefa está mesmo nas mãos dos clientes, dada a alargada panóplia de propostas disponíveis. Sucesso na bricolage Estando a BricoElvas a crescer com solidez e consistência no mercado, Ismael Poejo não esconde que o crescimento será um passo que tem de ser dado com calma e cautela. Já quanto às chaves do sucesso para a BricoElvas continuar a ser uma firma competitiva e de renome no mercado dos materiais de construção, a resposta é simples: “as pessoas vestirem a camisola da empresa e estarem atentas ao mercado e às suas evoluções”, finaliza.

108 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO Portugal é, cada vez mais, um motivo de orgulho para todos nós. Mas, numa altura em que as vocações turísticas do nosso país parecem estar na moda, importa referir que não é apenas nesse âmbito que estamos de parabéns. Muito pelo contrário, Portugal é encarado cada vez mais como um autêntico agente catalisador da mudança, da inovação e do progresso a nível empresarial e científico. De facto, ao longo das próximas páginas, narramos uma série de exemplos de sucesso e de vontade de marcar a diferença. Estas são características que mostram a relevância que os nossos empresários assumem nos seus ramos de atividade, propagando o seu prestígio, não raras vezes, além-fronteiras – elevando, como não poderia deixar de ser, o estatuto do nosso país bem longe. Estes são, efetivamente, caminhos trilhados com a dedicação, o know-how e a capacidade de inventividade que cada vez mais contribuem para cimentar a diferença. Como prova de que o sucesso português não conhece efetivamente limites, atente-se à diversidade das empresas aqui enumeradas.

pub_JAN17.indd 1

23-02-2017 17:58:03

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 109


inovação e empreendedorismo | casas do sobral

Férias no campo com

Indalecio Salcidos Administrador

vista para o mar A 40 quilómetros da cidade portuguesa de Valença, encontra-se um espaço de tranquilidade e descanso, ideal para umas férias em pleno contacto com a natureza. As Casas do Sobral ficam entre os conhecidos municípios galegos de A Guarda e Baiona. Fomos conhecer o empreendimento rural e as suas mais-valias em entrevista, ao proprietário Indalecio Salcidos.

A construção em granito, tão típica da região da Galiza, embeleza a paisagem verde que rodeia as Casas do Sobral. Ao lado passa um pequeno rio, em cascata, que se ouve na esplanada e nos jardins do empreendimento. As casas são do século XVII e estão unidas pela galeria luminosa do restaurante, um espaço onde é possível apreciar a natureza, durante a refeição. O empreendimento é constituído por dez quartos, alguns com camas individuais, existe “um quarto especial, uma suite com banheira de hidromassagem, temos também quartos adaptados para pessoas incapacitadas, serviço de cozinha de meia pensão ou pensão completa, dependendo daquilo que o cliente pretender. O restaurante só está disponível para os clientes da casa, mas também fazemos comunhões, batizados, casamentos, eventos empresariais”, releva o entrevistado, Indalecio Salcidos. A gastronomia é um dos pontos fortes desta casa, com uma forte aposta nos produtos típicos oriundos da região, “aqui pode comer-se marisco e carne de qualidade, acompanhados dos bons vinhos da região, da Galiza e de toda a Espanha, estamos junto ao mar e à serra, o que nos permite ter uma grande variedade. A nossa cozinha alia o tradicional ao moderno”,

110 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

destaca o interlocutor. Questionado sobre as mais-valias da Casas do Sobral, Indalecio Salcidos considera que o ambiente familiar e o atendimento personalizado estabelecem a diferença, “permitimos animais de estimação como cães e gatos, se as pessoas quiserem conhecer as Ilhas Cies, nós tomamos conta deles, por exemplo. Pretendemos facilitar a vida e as férias dos nossos hóspedes, sugerimos as rotas pedonais, providenciamos os bilhetes para os passeios às ilhas, gostamos de dar sugestões e informar o cliente da melhor forma. Gosto que os clientes sintam que estão em casa, não temos fechaduras, as pessoas são livres de circular dentro de casa. A cozinha nunca está fechada, servimos almoços e jantares conforme demanda e isto faz a diferença”. Na região, um dos grandes ex-libris é o Mosteiro de Santa Maria Oia, as gravuras rupestres, os moinhos, os percursos pedestres e a beleza de toda a costa marítima. A Casas do Sobral abriu as portas, em 2011, depois de ter sido escolhida como o local ideal para um casamento, a partir daí, o proprietário revela que decidiu apostar neste espaço e “o destino fez o restante. Atualmente, já recebemos pessoas de todo o mundo, da Austrália aos Estados Unidos da América, temos clientes que, por exemplo, vêm para visitar as adegas da região”. Nas Casas do Sobral “tudo está adaptado aos gostos e às preferências do cliente, tendo em conta a qualidade dos serviços prestados, quem vier vai sentir-se em casa”, remata Indalecio Salcidos.


inovação e empreendedorismo | grupo josé magalhães

Um grupo, três empresas, o mesmo objetivo: qualidade No Grupo José Magalhães estão integradas as empresas Refrivia, ALPstone e Eurotransmissão. Com mais de seis dezenas de colaboradores, o grupo bracarense prevê continuar a ser uma referência no ramo do equipamento hoteleiro, frio industrial e ar condicionado com a Refrivia, no ramo da transformação e comercialização de mármores e granitos com a ALPstone e ainda uma referência no setor da reconstrução de caixas de velocidades automáticas multimarcas, através da Eurotransmissão.

José Magalhães Administrador

José Magalhães é o empreendedor responsável por este grupo de três empresas, com sede em Braga. Com um público-alvo diversificado, o Grupo José Magalhães pretende atingir diferentes nichos de mercado, desde o setor hoteleiro ao automóvel. Refrivia: equipamento hoteleiro de qualidade Beneficiando da grande aposta que tem vindo a ser feita no turismo, a Refrivia tem-se afirmado no setor hoteleiro nacional e estrangeiro, explica José Magalhães em entrevista. Com vasta experiência no ramo do equipamento hoteleiro, frio industrial e ar condicionado, “apresenta um saber adquirido ao longo dos anos que permite trabalhar junto do cliente de uma forma transparente, para que cada decisão seja tomada com toda a informação disponível”, refere. A Refrivia disponibiliza assistência técnica especializada, 24 horas por dia, que garante um eficaz serviço pós-venda em todos os equipamentos fornecidos, desde a linha de queima, ao frio comercial e industrial. “Dispomos de profissionais altamente qualificados, sempre disponíveis para atender o cliente da melhor forma”, indica José Magalhães. Na Refrivia são projetados e montados diversos tipos de estabelecimentos comerciais, como pastelarias, cafés, restaurantes, take-away, churrasqueiras ou câmaras frigoríficas. José Magalhães destaca o serviço “chave na mão”, no qual o cliente mostra o espaço que pretende e a Refrivia concebe, projeta e executa todo o trabalho. Para tal, além do seu pessoal especializado, conta com a colaboração de arquitetos, engenheiros e designers, de forma a corresponder corretamente ao desafio. Este serviço tem-se revelado uma mais-valia, rendendo já trabalhos em território nacional e no estrangeiro, como França, Suíça e Estados Unidos da América.

112 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

“O que nos distingue é a qualidade e a inovação. No setor hoteleiro, os materiais têm de ser especialmente duradouros e, ao mesmo tempo, apelativos. Os nossos clientes são pessoas muito exigentes e têm-se revelado muito satisfeitos com o tempo de vida dos nossos produtos e com o design dos mesmos”, indica o responsável pela Refrivia. ALPstone: personalização e dinâmica A ALPstone é outra das empresas do grupo. Dedicando-se à transformação e comercialização de mármores e granitos, desde 2009, tem a capacidade de oferecer ao cliente um serviço de qualidade com atendimento de excelência. “Para a


grupo josé magalhães | inovação e empreendedorismo ALPstone, a qualidade é decisiva para o sucesso de uma indústria transformadora. Por essa razão, adota estratégias que proporcionam aos nossos clientes mais valor, aproveitando as potencialidades dos nossos recursos. A satisfação é o nosso objetivo”, explica José Magalhães. Sob o lema “Traga a planta da sua casa, nós fazemos uma proposta”, a ALPstone aborda cada projeto como se fosse único. Para tal, possui uma equipa especializada e profissional que permite um acompanhamento permanente ao cliente. Depois de dar resposta a todos os requisitos do projeto, e após o aconselhamento das características técnicas e da escolha do material pelo departamento criativo da ALPstone, procede-se à medição em obra pelos técnicos especializados para a sua execução e assentamento. A ALPstone trabalha com pedras naturais, como mármores, granitos e onixs, e

compactados. “Somos uma empresa grande, que tem vivido um crescimento intenso. Em termos técnicos, no que diz respeitos a maquinarias, estamos muito avançados e temos um produto bastante atrativo. Apostamos fortemente na inovação e na tecnologia”, refere José Magalhães. Eurotransmissão: liderança no mercado nacional A Eurotransmissão é a primeira empresa do Grupo José Magalhães. Vocacionada para a reconstrução de caixas de velocidades automáticas multimarcas, conta com uma equipa de trabalho com mais de 25 anos de experiência no mercado norte-americano e nacional. Desde 2004 em Portugal, tem vindo a crescer de uma forma sustentada e aumentando cada ano, de forma significativa, os seus clientes por todo o país. Atualmente conta também com um polo de distribuição em França. Paralelamente à reconstrução de caixas de

velocidades automáticas, a Eurotransmissão disponibiliza serviços de oficina, manutenção, atualização de software, venda de componentes, departamento técnico, recolhas e entregas. Ao mesmo tempo, realiza gratuitamente check-ups às viaturas, disponibilizando ainda orçamentos gratuitos. Encontrar colaboradores com formação adequada para trabalhar nas diferentes empresas é uma das principais dificuldades que José Magalhães enfrenta. A solução passa por ser a empresa a disponibilizar essa formação, conforme explica o empresário: “Não é fácil encontrar pessoal com formação nesta área. Nós damos essa formação, temos técnicos com muitos anos de experiência e preferimos ser nós a dar a formação de base e moldar o colaborador à nossa filosofia e ao nosso modo de trabalhar”, explica. Questionado sobre o papel da concorrência nos setores em que atua, José Magalhães

acredita que tal é bastante positivo e que traz mais força ao seu trabalho: “A concorrência obriga-nos a pensar em estratégias diferentes. Contudo, creio que os empresários do mesmo setor deviam ser mais unidos. Em vez da palavra “concorrência”, devia falar-se mais em “parceria”. “Precisamos de nos juntar em prol de um bem comum: fazer um bom trabalho, criar emprego e levar o nosso país mais longe”. O responsável termina com uma palavra de agradecimento para com os seus colaboradores, já que o sucesso alcançado só foi possível com o seu trabalho e dedicação: “Tenho muito orgulho nos meus funcionários, estou muito satisfeito com a equipa que tenho. Sinto que todos eles gostam de trabalhar nestas empresas e isso é muito bom”, conclui.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 113


inovação e empreendedorismo | centro social paroquial de ribeirão

30 anos a servir a comunidade

Cecília Vieira, Conceição Oliveira e Manuel Fernandes Diretora técnica, coordenadora geral e diretor

Este é o lema e o objetivo que rege o Centro Social Paroquial de Ribeirão. Uma instituição, com 30 anos de atividade, que pretende proporcionar bem-estar físico e emocional às crianças, jovens, adultos e pessoas com incapacidades. Um local de paz e de harmonia constante entre utentes, colaboradores e famílias. A Revista Business Portugal esteve à conversa com Monsenhor Manuel Fernandes, presidente da direção desta instituição, que se fez acompanhar pela coordenadora geral, Conceição Oliveira, e pela diretora técnica para a resposta da deficiência, Cecília Vieira, para que, juntos, pudessem deixar o seu testemunho.

O Centro Social Paroquial de Ribeirão tem como missão “educar e apoiar ao longo da vida”, todos aqueles que mais necessitam. Assim, e no início de conversa, o Monsenhor Manuel Fernandes fez um breve balanço sobre os 30 anos que já tem dedicados a esta instituição. “Tem sido uma luta constante e contínua com o objetivo de servir as pessoas e de fazer caridade no mais verdadeiro sentido da palavra. Não tem sido fácil, mas tem sido possível e é isso que importa”, referenciou. Projetos concretizados e valências Do leque de serviços prestados nesta instituição contam-se o centro de atividades de tempos livres (para os 1º, 2º e 3º ciclos), a creche, o jardim de infância, o centro de dia, a estrutura residencial para idosos, o serviço de apoio domiciliário, o centro de atividades ocupacionais e a horta acessível. Segundo o fundador desta instituição e nosso entrevistado, a valência mais urgente na freguesia prendia-se com a terceira idade. “No entanto, não foi possível começar por aí. Começamos pelo ATL, numas instalações provisórias, que depois foi evoluindo com a construção de um edifício para o funcionamento da creche e do jardim de infância e depois o alargamento para o centro de dia”, contou-nos. No que diz respeito à estrutura residencial para idosos, esta tem capacidade para 40 pessoas, apesar de o projeto inicial ter sido concebido para 50. “Algo que não se compreende. Estes lugares estão todos preenchidos e já temos lista de espera”, deplorou o nosso interlocutor. As mais recentes obras da instituição destinam-se às pessoas com deficiência e/ou incapacidade. Tratase de um Lar Residencial, um Centro de Atividades Ocupacionais, o Serviço de Reabilitação com piscina, ginásio e sala de Snoezellen, e a Horta Acessível. Este conjunto de respostas sociais denomina-se de Casa Santa Maria, que enquanto entidade promotora de reabilitação física e psicossocial tem uma filosofia de intervenção centrada no cliente. Diariamente promove atividades estritamente ocupacionais que proporcionam

114 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

a valorização pessoal e o máximo aproveitamento das capacidades dos clientes, no sentido da sua autonomia, facilitando uma possível transição para programas de integração socioprofissional. São desenvolvidos métodos de trabalho que visam o alcance máximo de bem-estar e qualidade de vida. Bem recentemente, iniciaram trabalho nas atividades socialmente úteis (ASU´s) com a Horta Acessível, concretizando os valores que norteiam a intervenção do CSPR quanto à dignidade e valorização da pessoa humana, uma vez que com o envolvimento prático dos utentes no cultivo em hidroponia dos bens produzidos se alcança o reconhecimento social das habilidades desta população. “A casa de apoio a deficientes surgiu devido ao grande número de pessoas portadoras de deficiência na freguesia. No entanto, a maioria dos nossos clientes são de outros locais que não da freguesia, isto porque os de cá ainda não sentem necessidade dos nossos serviços, acham que ainda é cedo”, lamentou o pároco de Ribeirão. Constrangimentos à caridade “Pelo caminho aparece quem ajude e aparece quem estorve. Se não houver quem estorve já é bom”, foi assim que o nosso entrevistado se referiu à caminhada realizada nos últimos 30 anos por esta instituição. A principal limitação, aferiu, é a própria legislação. “Neste momento as IPSS´s atravessam uma situação complicada, porque o governo ainda não reviu os acordos e isso tem consequências. É preciso entender que nós, elementos


centro social paroquial de ribeirão | inovação e empreendedorismo

da direção, estamos aqui em regime de voluntariado e o Estado tem obrigação de participar mais ativamente na nossa causa.

da Estrutura Residencial para Idosos, num espaço que possa albergar mais 10 pessoas, recolocando essa lavandaria

Estamos aqui a fazer um ótimo trabalho, nós e as restantes IPSS`s, a poupar imenso dinheiro ao Estado e, por conseguinte, a legislação não deveria colocar obstáculos”, reiterou. Com 110 funcionários a colaborar com o Centro Social Paroquial de Ribeirão, a tarefa de recrutamento nem sempre se demonstra simples e a coordenadora geral, Conceição Oliveira, explicou a razão. “Este trabalho envolve trabalhar aos fins de semana e um horário por turnos. Na área da deficiência ainda mais difícil se torna visto ser demasiado exigente física e psicologicamente”. No entanto, tudo se consegue quando se faz o que se gosta. “Se as pessoas tiverem vontade e valores, já ajuda. É preciso gostar, ter perfil e aguentar. Tem dado muito trabalho, mas claramente temos tido reconhecimento externo que nos faz acreditar que estamos num bom caminho”, acrescentou a diretora técnica, Cecília Vieira. Em Ribeirão ainda existem muitas situações de desemprego o que leva a que a cantina social, disponibilizada por este centro, sirva, diariamente, cerca de 60 refeições a pessoas mais carenciadas.

noutro local da instituição. “Mas para isso é preciso dinheiro e temos que ir com calma. Também queremos melhorar a estrutura que funciona como centro de dia e a dos serviços administrativos”, contou-nos Monsenhor Manuel Fernandes. Segundo os nossos entrevistados existe, também, a necessidade e o desejo de criar uma valência respeitante a cuidados continuados. “Já a pensámos há algum tempo, no entanto, naquela altura não era possível, esperamos que em breve o seja. Nós temos adquirido espaços para podermos ir alargando os nossos serviços ao longo dos anos e, por isso, já temos um terreno que pode servir para essa finalidade”, adiantaram. “Que as pessoas confiem nos nossos serviços”, desejou, em fim de conversa, Conceição Oliveira. “No que me diz respeito podem acreditar que vou continuar a lutar por uma sociedade mais inclusiva. Temos muitas ambições e lutaremos por as concretizar. A nossa motivação são as pessoas”, acrescentou Cecília Vieira. “Quero agradecer a colaboração das pessoas. Tudo o que temos deve-se a elas. Lidar com pedras não é fácil, mas lidar com pessoas ainda mais difícil se torna e, são as pessoas que compõem esta casa, que fazem a instituição”, finalizou Manuel Fernandes.

Projetos futuros Num futuro próximo, esta instituição, pretende transformar a atual lavandaria

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 115


Revista Business Portugal | Março '17  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you