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ÍNDICE 21

Panificadora do Areeiro 75 anos a servir sem igual

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Valportas Abrir portas à qualidade e inovação

65

06 - CPLP

Costa & Irmão Aprender com os melhores exemplos da região e do país

102

RAN Quem salva uma vida, salva a humanidade

124

Centro Hípico da Costa do Estoril A paixão pelo mundo equestre

11 - MUNICÍPIO DE VILA DO PORTO

EDITORIAL

U

ma vez mais, encontramos de norte

Somos conhecidos e reconhecidos em todo o

e conjunturas mais complicadas que as empre-

e 6 de maio de 2017, no Centro de Exposições

a sul um país de excelência, dis-

mundo pelo nosso brio profissional, pela nossa

sas se veem forçadas a superar novos desafios

e Eventos da Associação Empresarial da Beira

posto a contrariar crises económi-

capacidade de adaptação e, sobretudo, por

e a testar, uma vez mais, a sua firmeza.

Baixa – AEBB.

cas e outras dificuldades com que

sermos bons naquilo que fazemos. E é por isso

Numa viagem por este Portugal à beira mar

Aqui ficam algumas dicas para que não perca

se vai deparando diariamente. É

que a cada edição que passa, temos ainda mais

plantado, para esta edição de maio visitamos

mais uma edição da Revista Business Portugal!

uma luta afincada e, não raras vezes, desigual,

orgulho por trazer às nossas páginas estes

Vila Real, a zona do Dão, a Área Metropolitana

é certo.

exempos nacionais, das mais diversas áreas.

de Lisboa, Coimbra, Leiria, Marinha Grande e

Mas também é certo que os empresários por-

Não é tarefa fácil ser-se empresário em Portu-

Torres Vedras. Passamos ainda pelos Açores e

tugueses têm a capacidade de vencer, de ‘dar a

gal. Especialmente, um empresário de sucesso

Salvaterra de Magos!

volta por cima’ e continuarem a primar pela sua

que consiga desenvolver um projeto capaz de

Em Castelo Branco, fomos ver os preparativos

competitividade, inovação e excelência. Alguns

aliar uma visão empreendedora, arrojada e

para a Primeira Grande Feira de Inovação

chegam mesmo a ‘carregar’ esse galardão, com

inovadora sobre a constante incógnita que é o

Agroalimentar de Portugal, a i9Agri – Feira de

o orgulho que lhes é devido, e merecido.

mercado. É precisamente ao longo de contextos

Inovação Agroalimentar decorre entre os dias 4

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues | Fotografia: Tworlds | Corpo Redatorial: José Miguel Dias Lopes, Laura Azevedo, Sílvia Pinto Correira | Outros Colaboradores: Daniel Moreira, Elda Ferreira, Joana Quintas, Melanie Alves, Teresa Teixeira, Rita Inácio, Verónica Pereira | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Direção Comercial: José Moreira | Dep. Comercial: António Santos, Fernando Lopes, Filipe Amorim, Isabel Brandão, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Pedro Ribeiro, Rui Moreira, Vítor Santos (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de maio de 2017

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breves

BREVES Salão Auto do Porto e AUTO Business A Exponor em parceria com a Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN) vai organizar, em simultâneo, o terceiro Salão Automóvel do Porto e a Auto Business, nos dias 8 a 11 de junho 2017. Este evento destina-se às marcas, distribuidores e concessionários, tendo como objetivo apresentar as novidades do sector, e criar relações para potenciais negócios. Irá ter um espaço de exposição dedicado às famílias portuguesas, que procuram preços mais baixos e uma oferta diversificada de modelos, e o público profissional. Com a realização da AUTO Business os clientes poderão encontrar soluções de financiamento e um espaço para aquisição de veículos comerciais. O Salão Automóvel do Porto assume-se assim como uma mostra de referência para apresentação das novidades do sector e espaço para aquisição de automóveis em condições únicas a nível nacional. Com a presença de 90% das marcas de automóveis do mercado nacional, espera ultrapassar os 30 mil visitantes da edição anterior. Para esta edição, a Exponor promete dar a conhecer algumas novidades com a apresentação de modelos em estreia no mercado nacional. É um evento que promete deixar de “boca aberta” todos os amantes de automóveis. A organização irá criar um espaço exclusivo para veículos seminovos assim como a realização em simultâneo do 1º Salão para profissionais de veículos comerciais e soluções de financiamento.

Ampere Energy Portugal - A solução inteligente de gestão de energia. AMPERE ENERGY é um sistema inteligente de armazenamento de energia. Através da inteligência artificial o sistema aprende decide a melhor opção para obter a máxima eficiência de acordo com os hábitos do equipamento. Graças a esta tecnologia, pode-se economizar e saber os custos da energia utilizada, a cada momento. Chega ao mercado português numa parceria com o Grupo Casais para lançar uma solução de equipamentos de design que promove o autoconsumo e a sustentabilidade energética. A apresentação da empresa e de todos os seus produtos será realizada no Auditório Multiusos da FIL, no âmbito da Tektónica (Feira Internacional da Construção e Obras Públicas, no dia 5 de maio de 2017. Esta é a oportunidade para os consumidores domésticos e empresas. Passam a dispor de um sistema que lhes permite aproveitar toda a energia solar que produzem, sem desperdícios e gerindo-a de modo inteligente e eficiente.

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tema de capa| cplp

Criando sinergias potenciadoras O Secretariado Executivo da CPLP assinala o dia 5 de maio como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP. A propósito desta data e da nomeação de uma nova secretária executiva, Maria do Carmo Silveira, a Revista Business Portugal esteve, uma vez mais, na sede da CPLP, no Palácio Conde de Penafiel. Conheça os projetos da segunda mulher secretária executiva da CPLP em 20 anos.

Maria do Carmo Silveira Secretária Executiva

Sendo apenas a segunda mulher secretária executiva da CPLP em 20 anos, como encara este desafio? Isto demonstra que na CPLP a igualdade de género continua a ser um desafio, havendo, por conseguinte, um longo caminho a percorrer para que haja igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Porém, não posso deixar de enaltecer o facto de que na CPLP há uma preocupação crescente com a problemática da igualdade e equidade de género e o facto de ser a segunda mulher a dirigir a Organização é também um sinal de uma evolução positiva neste sentido. Quanto a mim, encaro este desafio do mesmo modo que sempre encarei todos os outros que já tive no passado, ou seja, com toda a objectividade e serenidade. Quais as dificuldades e oportunidades que a CPLP enfrenta após 20 anos de existência? A última Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo aprovou uma nova visão estratégica para a CPLP para os próximos dez anos. Esta nova visão surge na sequência de uma profunda avaliação da situação da Organização e da necessidade de a mesma se adequar aos novos tempos. Apesar dos progressos consensualmente reconhecidos, existem ainda muitas dificuldades. Desde logo, o facto de ser uma organização intergovernamental entre Estados que funcionam a velocidades distintas e a que acrescem, ainda, as dificuldades financeiras atuais da maioria dos Estados Membros, o que limita, à partida, a capacidade de atuação da Organização. Mas, ao mesmo tempo, é também consensualmente reconhecido o manancial de oportunidades decorrentes do potencial económico e estratégico que a Comunidade representa e que deve ser explorado em prol do desenvolvimento dos seus Estados Membros. Os Estados Membros já cooperam entre si em vários domínios estratégicos e a perspectiva é de alargamento para novas áreas.

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cplp| tema de capa De que forma se podem aproveitar e conjugar as potencialidades dos nove países que constituem a organização? Criando sinergias que possam potenciar as vantagens comparativas de cada Estado Membro. Desde logo, promovendo a cooperação para troca de conhecimentos, experiências e de boas práticas e criando mecanismos que possam facilitar o intercâmbio de tecnologia, o fluxo comercial e de investimentos. E acredito que neste aspecto as oportunidades são imensas. Tendo recentemente assumido como prioridade “tentar levar a CPLP aos cidadãos”, quais as medidas planeadas para alcançar esse objetivo? Sendo a CPLP uma plataforma de intercâmbio, inclusão e partilha entre os Povos, temos de reforçar o sentimento de pertença à Comunidade, atuando em várias frentes. Em primeiro lugar, tornando-a conhecida e próxima dos seus cidadãos, divulgando a sua ambição e os seus projetos para os cidadãos. Por outro lado, temos que promover o conhecimento mútuo entre os povos da Comunidade, para o reforço da coesão e da identidade. Nestas duas vertentes, os mídia devem jogar um papel fundamental, mas também temos que fomentar o intercâmbio entre jovens, grupos sócio-profissionais, agentes económicos, entre outros. Há também a questão da mobilidade, que considero crucial para que se desenvolva nos cidadãos o sentimento de pertença à mesma Comunidade. Neste domínio, temos que avançar para novas etapas, nomeadamente, promovendo iniciativas para a facilitação da circulação de determinadas categorias profissionais, como os empresários, artistas, investigadores e pesquisadores. O que considera ser fundamental fazer para que a comunidade seja cada vez mais forte e dinâmica? É preciso agir, investindo em duas frentes. Por um lado, na frente intracomunitária, agindo para que os objetivos norteadores da criação da CPLP, várias vezes manifestados pelos Estados Membros, sejam traduzidos em ações concretas com impacto direto na vida dos cidadãos. Por outro lado, na frente externa, promovendo uma visibilidade crescente da organização e uma atuação pró-ativa na arena internacional. Acredita que as gerações mais jovens se identificam com o papel desempenhado pelo CPLP? Os jovens esperam que a CPLP crie oportunidades para o seu desenvolvimento intelectual, profissional e social. Esta é uma aspiração legítima que não deve ser ignorada se quisermos que a CPLP tenha futuro e constitui, por conseguinte, um desafio do presente. Neste momento a Juventude é uma área a que a CPLP dedica uma atenção especial. Está instituído um encontro regular dos ministros responsáveis pela Juventude da CPLP e criado

o Fórum da Juventude da CPLP. Portanto, os jovens da CPLP têm o seu enquadramento na Comunidade e um papel a desempenhar na construção das políticas de juventude da CPLP. O desafio é fazer com que tudo isto produza os resultados desejados. Que etapas ainda há a vencer até que seja criado um verdadeiro mercado comum na CPLP, à semelhança do que existe na União Europeia? Não acredito que venha a existir um mercado comum na CPLP e nem creio que seja este o objetivo. De acordo com a teoria económica, o Mercado Comum é uma fase muito avançada, quiçá, a última fase do processo de integração regional e tem que ser precedida de várias outras etapas com vista à harmonização de políticas e instrumentos, sendo que a criação de uma zona monetária é uma fase obrigatória. Ora, os Estados Membros da CPLP pertencem a três zonas monetárias distintas (Portugal na Zona Euro, Guiné Bissau na UEMOA e Guiné Equatorial na CEMAC), têm níveis de desenvolvimento bastante assimétricos, daí que não seja razoável falar-se em mercado comum. No caso da União Europeia, como sabemos, este processo levou cerca de cinquenta anos. Pela sua natureza e objetivos, a CPLP é uma organização internacional de cooperação e não supranacional. O que se pretende na CPLP é criar um espaço de cooperação e de solidariedade mútua entre os Povos, alicerçado na história e língua comum, o português. A cooperação económica e empresarial é, entre várias outras, uma área com enorme potencial a ser explorado, pelo que foi identificada a necessidade de se promover um ambiente que facilite os fluxos comerciais e de investimentos no seio dos Estados Membros e em prol dos respetivos processos de desenvolvimento. Portugal irá apoiar com 5 milhões de euros projetos de desenvolvimento rural na CPLP, afirmou recentemente o ministro português da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos. Qual a importância de projetos como este para combater a fome e a pobreza nos países da CPLP? O setor da Agricultura apresenta um grande potencial e um manancial de oportunidades nos nossos países. Neste âmbito, a CPLP tem vindo a colaborar com os Estados Membros na criação das respetivas Estratégias de Segurança Alimentar. Devo realçar que a nossa preocupação com a Segurança Alimentar ficou firmada em 2012, mantendo-se na agenda política da Organização até 2025, uma vez que interpretamos esta dimensão da cooperação como estruturante dos processos de transformação social, potenciadora de soluções sustentáveis e catalisadora de crescimento económico. O anúncio da República Portuguesa está claramente em linha com a estratégia multilateral da CPLP neste domínio e será, sem dúvida, um contributo positivo para os esforços nacionais dos Estados beneficiários.

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tema de capa | cplp

Este ano, qual será o tema do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP? Na sede da CPLP, a sessão solene vai ser subordinada ao tema “Politicas Culturais e Economia do Audiovisual na CPLP”. A escolha deste tema deve-se ao sucesso alcançado com o Programa CPLP Audiovisual. Trata-se de um vetor estratégico de grande alcance pelo seu contributo na promoção do conhecimento mútuo entre os cidadãos dos Estados membros da nossa Comunidade. O referido programa foi executado ao abrigo de parcerias estabelecidas com as televisões públicas nacionais e inscreve-se na estratégia de cooperação audiovisual da CPLP que ambiciona, ainda, estimular o intercâmbio entre populações, em particular, entre os profissionais do audiovisual, priorizando ações de capacitação, co-produção e teledifusão de documentários por cada um dos países, a partir de um modelo de operação em rede. Nesta linha, alavancando também o conhecimento mútuo das realidades nacionais, será lançada a segunda séria de documentários inéditos – DOCTV CPLP – e os primeiros quatro telefilmes de ficção – FICTV. Todos os produtos do Programa CPLP Audiovisual vão ser exibidos pelas emissoras públicas de televisão em cada um dos Estados-membros da CPLP. Importa ainda referir que o Programa CPLP Audiovisual esteve presente este ano no “Rio Content Market” e espera-se realizar este grande evento do sector dos audiovisuais em 2018, em Lisboa, com o apoio da CPLP e dos seus Estados membros. Em síntese, o tema foi escolhido pelo facto de traduzir o largo alcance em matéria de exponenciação do conhecimento mútuo e da promoção e difusão de produtos audiovisuais, evidentemente culturais, em Língua Portuguesa. De que forma será comemorado este dia? Na sede da CPLP cá em Lisboa, para além da sessão solene, vamos inaugurar uma exposição evocativa do 20º aniversário da nossa Organização e assistir à exibição de um produto do Programa CPLP Audiovisual. O dia 5 de maio vai, também, ser comemorado em todos os Estados membros. No Brasil, por exemplo, à margem da reunião dos ministros da Cultura da CPLP, prevista precisamente para 5 de maio, vão acontecer exposições, recitais de poesia, uma atuação da orquestra Afro-Sinfônica e Samba de Roda, encenações teatrais e outros momentos culturais. Igualmente, os grupos de embaixadores dos Estados membros da CPLP em países terceiros estão a organizar celebrações do Dia 5 de maio, como, por exemplo, em Banguecoque ou em Berlim. Qual a importância do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP na afirmação da Língua Portuguesa? A Língua e a Cultura estão na génese da CPLP e constituem a base desta plataforma multilateral que se projecta desenvolver. Na Declaração Constitutiva da CPLP, a Língua Portuguesa é apresentada nas suas múltiplas valências e potencialidades: é meio privilegiado de difusão da criação cultural e científica, de projeção internacional de valores e um instrumento ao serviço do desenvolvimento, da partilha de vínculos históricos e da valorização de um património linguístico comum. A cultura, por seu lado, constitui uma dimensão elementar do ser humano, pois é a base da sua identidade, e assume um papel inegável no desenvolvimento humano, no crescimento económico, na preservação do conhecimento, na transmissão de valores e ideias, na coesão social das comunidades e no diálogo intercultural. Ambos constituem um património a ser preservado, respeitado e acarinhado por todos. O dia 5 de Maio foi instituído pelo Conselho de Ministros da CPLP, em Julho de 2009, como o “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”, um dia em que é evocada a diversidade que carateriza os nossos povos e a língua comum, partilhada por todos.

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MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

Da Pop Arte às Transvanguardas, Apropriações da Arte Popular Homenagem principal a Paula Rego Homenagem a Alexander Calder, Homenagem a Ernesto de Sousa Homenagem a Jaime Azinheira Concurso Internacional e Convidados Projetos Curatoriais Performances Residências Artísticas Conferências e Debates Ateliers e Workshops Visitas Guiadas Espetáculos e muito mais!

15 JULHO_16 SETEMBRO 2017 VILA NOVA DE CERVEIRA

bienaldecerveira.pt

PROMOTOR

APOIO INSTITUCIONAL

MECENAS

O poder local desempenha um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das regiões, quer pelas atividades dinamizadas, quer pelos estímulos concedidos às empresas, trabalhando em prol da qualidade de vida das populações. Neste sentido, a Revista Business Portugal continua o seu trabalho de descoberta dos melhores exemplos e das melhores práticas desempenhadas pelos municípios de norte a sul do país. Os municípios representam também um importante papel na economia, pois em algumas regiões são os principais empregadores o que lhes confere uma grande responsabilidade ao nível social. No seguimento do trabalho elaborado, percebemos que as autarquias estão preocupadas, cada uma à sua maneira, em contribuir para a melhoria das condições de vida e desenvolvimento das suas regiões. Os incentivos à natalidade, ao investimento privado, à dinamização do turismo, ao apoio aos mais carenciados e suporte à terceira idade, são algumas das questões que ocupam o trabalho dos autarcas portugueses. Se no cômputo geral os municípios são os representantes do Estado, já as freguesias e os seus presidentes são vistos, na maioria das vezes, como o primeiro contacto para a resolução de determinado problema. A par dos municípios, as freguesias são o garante do bem-estar das populações contribuindo para a melhoria das condições de vida, apoiando os cidadãos. O poder local desempenha pois um papel crucial na dinamização e desenvolvimento do país, desta forma a Revista Business Portugal, destaca os eventos tradicionais e típicos, alguns com dezenas de anos, que neste final de verão, princípio de outono, animam todos os cantos do nosso país e que contribuem para a manutenção e divulgação das tradições portuguesas, em território nacional e que atraem também os turistas. w


município de vila do porto | municípios em destaque

Vila do Porto, o jardim de Éden dos Açores

Há um intenso orgulho na palavra Açor, em redor das ilhas o mar é maior, o azul atlântico é uma vastidão no ar onde brilha a luz da navegação, a terra escura é de lés a lés prado de agricultura, é terra lavrada por navegadores e os que no mar pescam são também agricultores. Carlos Rodrigues Presidente

Foi com entusiasmo e muito orgulho que o presidente do único Município da ilha de Santa Maria, Vila do Porto, falou da pequena ilha situada no extremo do arquipélago dos Açores. Professor durante muitos anos, Carlos Rodrigues está no cargo de presidente desde 2009 e explicou a sua envolvência na vida política da ilha de Santa Maria: “não conseguia estar quieto e, portanto, sempre estive envolvido em muitos projetos. Achei que havia muitas coisas que se podiam fazer de forma diferente da que vinha a ser feita. Reuni uma equipa jovem, definimos a nossa estratégia e os nossos objetivos e fomos largamente escolhidos pelos marienses”. A ilha de Santa Maria Na ilha de Santa Maria encontramos aquela que, reza a

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municípios em destaque | município de vila do porto história, é a vila mais antiga dos Açores, Vila do Porto, fundada em 1450. Completamente diferente das restantes ilhas, situa-se entre duas ribeiras. Caraterizada pela variedade de tons, a ilha de Santa Maria evoca uma aguarela, pelas suas colheitas e o ocre dos seus solos onde predominam flores de todas as cores. Uma ilha que nos presenteia com a simpatia de cerca de 5.500 habitantes e um vasto património cultural e natural para ser visitado. Hoje tem tudo para ser um destino turístico, contando com um vasto património, desde a Igreja Nossa Senhora da Purificação, uma das mais emblemáticas da ilha pela fachada de estilo barroco, ao Museu de Santa Maria, os Fortes de São Brás e de São João Batista. Os visitantes não devem deixar de conhecer as quatro baías da ilha, todas elas diferentes entre si. Na baía dos Anjos podemos encontrar a Estátua de Cristóvão Colombo erguida em homenagem ao navegador que, no regresso da descoberta do continente americano, terá desembarcado ali. A baía da Maia, é uma zona balnear de encostas repletas de vinhas onde se pode visitar a imponente Cascata do Aveiro, dar um mergulho na ótima piscina e observar no alto de uma escarpa o farol de Gonçalo Velho. A baía de São Lourenço é a única da ilha onde além de pequenas praias existe uma piscina natural. A Praia Formosa, é uma das referências com areal branco, é segundo Carlos Rodrigues “o único sítio do mundo onde com água pelo pescoço, conseguimos ver nitidamente os pés. Quando o mar está calmo vê-se a água com uma claridade muito grande”. Esta é a naturalidade e pureza que se pode aferir ao longo de toda a ilha. As praias de Santa Maria são também as mais quentes do país, com o mar a atingir muitas vezes os 26 graus nos meses de julho, agosto e setembro. Abundante em paisagens genuinamente esplêndidas, ainda que resultante de uma atividade vulcânica, é a única ilha dos Açores com zonas de origem sedimentar, uma característica peculiar que explica a presença, exclusiva nos açores, das formações calcárias de fósseis marinhos. Economia e turismo Numa ilha pequena como Santa Maria, é natural que exista uma economia muito dependente do Município e seus serviços. As indústrias são muito poucas e o setor

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primário tem sido cada vez menos lucrativo, o que leva os agricultores locais a optar por empregos mais rentáveis. Apenas a pecuária vai sendo uma das fontes de receita com maior volume, nas pescas a irregularidade constante nos últimos anos devido à escassez de cardumes nos mares da região aliada à falta de condições de muitas embarcações em termos de autonomia tem provocado grandes quebras nomeadamente na pesca do atum. Com o turismo em ascensão, o setor económico dos serviços tem ganho uma maior expressão e um crescente impacto na economia local. É precisamente no turismo que existe uma maior aposta, como refere o presidente Carlos Rodrigues: “Queremos que o turismo cresça mais depressa com os voos low cost, queremos que isso chegue às outras ilhas também. As pessoas podem ir de uma ilha para outra sem pagar nada, mas isso têm de ser as pessoas a procurar. O alojamento e a sua criação têm disparado. Temos a procura do turismo da natureza, a segurança da ilha, a simpatia das pessoas e a restauração que deixam as pessoas que nos visitam muito agradadas. As massas turísticas da europa são uma mais-valia muito grande”. Têm sido construídas condições no sentido de sustentar a procura turística que a ilha tem tido, oferecendo, também, atividades que conciliam a relação que a ilha tem com a natureza, “toda a ilha está rodeada com uma grande área pedestre e com cinco trilhos pedestres. Temos o projeto, ‘Ilha a Pé’, onde as pessoas podem conhecer a ilha caminhando em volta dela por diversas etapas” referiu Carlos Rodrigues. A realização de atividades como o Rally de Santa Maria e o Columbus Trail Run, que teve na sua última edição cerca de 150 participantes, são uma forma de convidar os amantes de desportos da natureza a visitar as ímpares características da ilha. O centro de controlo aéreo do Atlântico continua instalado em Santa Maria, no aeroporto inaugurado em 1944, vulgarmente conhecido por Nave 2, dá emprego a cerca de 80 pessoas, o que injeta capital na ilha, e a torna um pouco distinta de outras ilhas com a mesma dimensão “isto para a ilha é um fator muito importante devido às pessoas que emprega e pela importância que tem na economia local”, destacou o presidente. Há também uma

grande aposta no mergulho, que é um nicho ainda com margem de crescimento, muito direcionado para uma elite, até porque para se trazer o material, será pago como extra, ficando muito dispendioso, embora todas as empresas a operar localmente disponham de todos os equipamentos necessários para todos os que não quiserem transportar os seus. As melhorias têm sido notórias graças ao investimento das empresas que operam nessa área, mas terá de existir por parte das operadoras aéreas e de algumas entidades uma atenção especial a este mercado específico, adaptando as acessibilidades e melhorando os custos de operacionalidade. Uma ilha de festivais diferentes A festa do Espírito Santo é a festa mais simbólica e genuína, comemorada em todo o arquipélago, mas de uma forma bem marcada em Santa Maria. É uma festa de catolicismo popular, uma tradição coletiva e caritativa, de inspiração franciscana, onde se distribuí em dois dias a carne, de duas a vinte vacas, e as sopas por si só e de porta aberta a quem chega, em todas as copeiras. Para além das tradicionais festas ligadas à religião, em Vila do Porto existem vários festivais. Em julho, o Maia Folk recebe artistas dos quatro cantos do mundo e começa a ser um festival de referência no panorama nacional. No mesmo mês, a ilha é a capital do blues com o Santa Maria Blues, um festival de referência para os amantes deste estilo musical. A Maré de Agosto, é o festival mais antigo de Portugal, realiza-se na praia Formosa onde a arte se concilia com a serenidade do mar atlântico. Balanço e desafios dos últimos anos Há oito anos como presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, Carlos Rodrigues faz um balanço positivo do seu mandato: “fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e fizemos tudo o que era efetivamente possível de fazer. Apresentamos propostas para todos os projetos que foram aparecendo. Fizemos algumas obras que eram estruturantes e essenciais para os serviços municipais e que eram necessárias para a melhoria de qualidade de vida dos Marienses”. O balanço de obras feitas evidencia-se principalmente a requalificação de espaços e a reformulação das principais


município de vila do porto | municípios em destaque

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municípios em destaque | município de vila do porto os apelos das famílias mais carenciadas, um dos grandes desafios passa também por fixar na ilha as suas gentes. O turismo ajudou a que se tivesse criado alguns postos de trabalho, mas a falta de vagas e cortes a que os Municípios foram expostos criaram dificuldades para que estes ofereçam a empregabilidade desejada, como mencionou Carlos Rodrigues, “as Câmaras têm tido muitas dificuldades em abrir os seus quadros. Temos feito um esforço financeiro de dar uma oportunidade a essa gente para que ganhem experiência aqui e possam depois ir à partida de outra oportunidade. Isto tem tido um custo enorme e requer um esforço da nossa parte”. O presidente lamentou também o excesso burocrático para concorrer a alguns fundos, como por exemplo, os do Portugal 2020, que deveriam servir essencialmente para ajudar os Municípios mais pequenos e com menor orçamento, embora as exigências técnicas compliquem o acesso a esses fundos económicos. O futuro da pequena ilha Nada está parado no tempo, tudo é sujeito ao fator de mudança e é essencial acompanhar cada momento em direção ao futuro. Para Carlos Rodrigues, a definição de um plano estratégico para o futuro passa também por ouvir os Marienses e nesse sentido está a ser desenvolvido o projeto Santa Maria 2027, “sempre entendemos necessidades da população de Vila do Porto, “são obras que não são muito populares, mas que são uma obrigação do Município. É trabalho da Câmara levar água a todas as casas. Nem tudo são grandes projetos, não temos obras muito emblemáticas e de caça ao voto. As nossas obras são a base, o fundamental e o que é necessário para a melhoria da qualidade de vida da nossa gente. Desde que aqui estou que as obras que fizemos quando estão prontas para colocar à disposição de quem delas vai desfrutar ou as vai usar são disponibilizadas sem inaugurações”, referiu Carlos Rodrigues. As principais obras de requalificação foram feitas especificamente na Biblioteca Municipal que se tornou num edifício de referência na ilha obra ainda realizada pelo anterior executivo, a requalificação total do Mercado Municipal e a aquisição de edifício e respetiva recuperação do mesmo para instalação dos serviços administrativos do

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Município. Também a parte desportiva tem sido uma aposta significante por parte de Carlos Rodrigues, criando condições através da constante melhoria e manutenção do Complexo Desportivo - com pavilhão, piscina aquecida, campos de futebol e campos de ténis - que está disponível para receber estágios de equipas de qualquer modalidade. Os resultados desportivos têm aparecido, numa vila com apenas 5.500 habitantes, conta já com vários títulos regionais em todos os escalões, e em várias modalidades, andebol, voleibol, basquetebol, natação e futebol. “Temos muitas presenças em campeonatos nacionais e é também uma oportunidade de os mais jovens conhecerem mais fora da ilha. A Câmara tem nisso uma participação financeira e logística bastante considerável porque entendemos que há um bom retorno” referiu o presidente. Para além de gerir um orçamento muito curto e de haver a dificuldade de responder a todos

que o plano de envolvência das pessoas era fundamental. Ouvimos o maior número possível de pessoas, questionando-os como viam Santa Maria como um lugar para trabalhar, para viver e para passar férias. O que se pretendeu foi tentar traçar objetivos e linhas orientadoras. Penso que resultou num trabalho bem interessante, vamos agora lançar o desafio para o presidente da república vir visitar a ilha e apresentar o resultado desse projeto”. Refere ainda que o aproveitamento do turismo é essencial na construção de uma região melhor e mais competitiva economicamente “a nossa auto-estrada é o mar ou o céu e é nesse sentido têm sido dados grandes passos. O que perspetiva para o futuro é obviamente a criação de emprego e a fixação das pessoas. Há alguns projetos nesse sentido. O turismo é a atividade económica que mais retorno tem no imediato. O que se pede é que se chegue às outras ilhas o mais rápido porque isso vai originar a criação de empregos no imediato”. Alerta ainda que é necessário “ter precaução e não avançarmos para projetos e ideias megalómanas para que depois amanhã não estejamos aqui arrependidos.”. O presidente adiantou à Revista Business Portugal que se irá voltar a candidatar nas próximas eleições autárquicas de 1 de outubro “equacionei muito a possibilidade de passar a pasta, mas o desafio foi-me lançado novamente e eu ainda me sinto com força e capaz de dar o meu contributo”.


municípios em destaque | município de vila franca do campo

A primeira capital dos Açores São muitos aqueles que consideram Vila Franca do Campo um pequeno paraíso dentro de um maior que é a Ilha de São Miguel. Aquela que foi a primeira ‘capital’ dos Açores conserva um pequeno ilhéu, resultado da cratera de um antigo vulcão submerso, atualmente classificado como reserva natural, tendo-se já tornado numa das principais atrações turísticas da ilha. A Revista Business Portugal viajou até aos Açores e esteve à conversa com Ricardo Rodrigues, presidente do Município de Vila Franca do Campo sobre esta terra singular e ficou a conhecer tudo o que esta tem para oferecer.

Ricardo Rodrigues Presidente

Começo por lhe pedir que nos apresente Vila Franca do Campo, aquela que foi a primeira capital dos Açores. Vila Franca do Campo é um concelho localizado a meio da Costa Sul da Ilha de São Miguel, nos Açores, com 12 mil habitantes distribuídos por 6 freguesias. Da costa e das lagoas, podemos vislumbrar algumas das paisagens mais bonitas dos Açores. Tem um clima ameno durante todo ano, onde de maio a outubro se vai à praia. A qualidade de vida em Vila Franca do Campo não tem paralelo em muito lugar. Com serviços em todas as áreas como da saúde à educação, da segurança à justiça, passando pela proximidade por estruturas como o aeroporto e porto comercial, onde temos

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instaladas as mais modernas tecnologias de comunicação, fazem com que morar neste concelho seja um privilégio. Aconselho a todos quantos lerem esta entrevista a visitaremnos. Quais as principais atividades económicas que aqui encontramos? A nossa economia assenta em diversos pilares, embora alguns assumam uma importância maior do que outros. Realço assim a lavoura, que no nosso Concelho detém a segunda maior bacia leiteira da ilha. Cá também está instalado um dos melhores portos de pesca dos Açores,


município de vila franca do campo | municípios em destaque que contribui para a manutenção da industria conserveira local e do mercado de pescado, sendo que no mesmo local também existe um porto de recreio onde se prestam diversos serviços na área marítimo-turística. Temos instaladas duas unidades hoteleiras de média dimensão, assim como vários empreendimentos de alojamento local. A prestação de serviços, ou seja, o sector terciário, completa todas as outras atividades. Temos uma Vila bem munida de escolas, centro de saúde, bancos, tribunal, polícia, bombeiros, seguradoras e comércio local em quase todos os ramos de atividade. Resumindo, temos um concelho bastante eclético e diversificado, atenta a sua dimensão. Que programas de apoio aos munícipes tem a Câmara Municipal que merecem destaque nesta nossa edição? Existem três: dois de iniciativa municipal e outro, de empregabilidade, em parceria com o Governo Regional dos Açores. Atentos à situação social de muitos munícipes, criamos o Fundo de Emergência Social, que apoia as famílias carenciadas na aquisição de bens básicos para a vida de cada um, como os medicamentos, eletricidade ou bens alimentares. Também da nossa responsabilidade é o Programa de Apoio à Habitação degradada, que como o próprio nome indica, suporta pequenas intervenções nas casas de pessoas que não têm condições financeiras para executá-las. Nos últimos anos a Câmara tem-se candidatado aos programas de empregabilidade do Governo Regional, conseguindo ocupar centenas de munícipes em trabalhos de utilidade para o concelho, fazendo com que estes aufiram o respetivo vencimento, que na maioria dos casos é único no agregado familiar. Este é um local cheio de histórias e reconditos paraísos.. O que podemos aqui encontrar? Quais os locais de visita obrigatória? Na nossa costa existem belíssimas praias e em elevado número e qualidade, mas há um ‘monumento’ natural que é de visita obrigatória, que é o Ilhéu da Vila. Trata-se de uma pequena ilha a pouca distância da costa, que é um antigo vulcão, entretanto extinto, cuja forma circular proporcionou uma lagoa de água do mar no seu interior. Temos ainda a Lagoa do Fogo, a norte do Concelho,

que também foi formada no interior da cratera de um vulcão e igualmente a Lagoa do Congro – mais pequena, mas de grande beleza devido à intensa vegetação que a rodeia. Aliás, há diversos trilhos terrestres, que atravessam estas paisagens belíssimas. O nosso património arquitetónico tem também vários pontos de interesse, como são as muitas igrejas ou ermidas, o centro histórico e outros equipamentos municipais como o Museu, que dispõe de vários polos, a Biblioteca ou o Centro Cultural. E no que toca a gastronomia. Quem vem cá tem mesmo que provar o quê? Fortemente influenciada pela proximidade do mar, pela atividade agro-pecuária, a nossa gastronomia tem como tónica dominante a grande qualidade dos produtos que confecionamos. Não temos propriamente uma especialidade gastronómica no Concelho, mas posso destacar os chicharros casados ou a caçoila (carne de porco). De qualquer forma o que aconselho é o nosso peixe fresco, donde destaco o atum. Na doçaria temos as típicas Queijadas da Vila – uma delícia – e a massa sovada.

Estes visitantes distribuem-se um pouco por toda a ilha, o que provoca um aumento na ocupação das unidades hoteleiras e de alojamento local, bem como na utilização da nossa restauração, comércio ou serviços. Vila Franca do Campo não é exceção, e tem beneficiado deste aumento de visitantes, principalmente nos setores mais ligados ao turismo – aqui com bastante assento nas atividades marítimo-turísticas. O turismo continua em ascensão? Sim, o aumento contínuo do número de visitantes são factos estatísticos. Sintoma disto é a continua procura por parte de investidores em determinadas áreas do nosso concelho. Da hotelaria à restauração, têm sidas apresentadas várias propostas para criar negócio. Obviamente nem todos os projetos são concretizáveis, mas espero que em curto ou médio prazo venham a ser instaladas uma ou mais estruturas nestas áreas. Aliás, é fundamental a iniciativa privada fazer parte desta nova experiência que temos vindo a viver com a chegada dos voos low cost. É muito importante que melhoraremos o nível de serviços prestados, apostando na formação profissional.

Que vantagens e desvantagens trouxeram as viagens low cost aos Açores? As low cost aumentaram significativamente

Por onde passa o futuro de Vila Franca do Campo? O futuro de Vila Franca do Campo vai

o número de turistas que nos visitam.

passar por incrementar a nossa economia

apostando na oferta turística. Requalificar a nossa costa, sem a descaracterizar, ligando a vila ao mar, é uma forma de tornar o nosso quotidiano mais aprazível e garantir que quem nos visita também disfrute da nossa qualidade de vida. A ligação ao mar, tem como objetivo também aumentar a sustentabilidade nas atividades de veraneio marítimo, de onde destaco a observação de cetáceos, passeios de barco ou mergulho. Iremos também criar uma nova prestação de serviços com o Roteiro das Olarias, tradição secular desta vila, que irá dispor de uma visita histórica por esta atividade desenvolvida no concelho. Outra área, que estamos em negociações, é o aumento da nossa zona industrial que irá capacitar as nossas empresas para outro tipo de serviços em diversos setores, com a garantia de acesso à mais modernas tecnologia e meios de transporte, fruto da já referida proximidade ao porto e aeroporto (15 minutos). Em suma, com estes objetivos, o futuro de Vila Franca do Campo passará por um grande incremento na atividade económica que se refletirá numa melhoria das condições de vida dos nossos cidadãos e de quem nos visita.

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municípios em destaque | município de salvaterra de magos

Cuidando dos costumes e tradições

Salvaterra de Magos é um concelho que se situa na margem esquerda do Rio Tejo, a cerca de 50 km de Lisboa e a 30 km de Santarém, com paisagem natural que vai da Lezíria Ribatejana à Charneca. É um concelho com 22 mil habitantes e mais de sete séculos de história, pois Salvaterra de Magos tem foral outorgado por D. Dinis em 1295. Este ano comemoram-se os 500 anos do foral manuelino (1517-2017) com eventos que culminam em setembro com a iniciativa municipal ‘Jornadas da Cultura’, onde, para além de recriações históricas da época, exposições e animação musical, vamos ter a edição do Foral de D. Manuel I. Conversámos com Hélder Esménio, presidente da Câmara Municipal.

Heldér Esménio Presidente

assumimos de promoção do concelho e de divulgação da Falcoaria Real, a par do alargamento dos seus horários de abertura ao público, conseguimos já, ao fim de três anos, triplicar o número de visitantes a este espaço museológico. Na Falcoaria Real, os visitantes podem conhecer pormenores sobre as mais de duas dezenas de aves de presa que integram a nossa equipagem de voo e assistir a demonstrações de baixo e alto voo com estas aves. Ao mesmo tempo, a visita permite perceber a ligação histórica da família real a Salvaterra de Magos e as razões que a levaram a mandar construir uma Falcoaria nesta vila. A ligação de Salvaterra de Magos ao Rio Tejo é pretexto para fortes apostas culturais e Escaroupim está próxima de se tornar uma das 7 Maravilhas de Portugal. Como vê

O turismo tem sido uma das principais apostas do Executivo. Abordemos, então, esta parte importante do Município, nomeadamente a Falcoaria Real. Sabemos que o Município conseguiu alcançar o selo da UNESCO enquanto Património Imaterial da Humanidade … O turismo é, com efeito, uma das apostas do executivo para o desenvolvimento económico sustentável do concelho, a par da importância que o setor primário assume na economia local. Temos um concelho atrativo para a localização empresarial, bons acessos, taxas de impostos locais baixas, proximidade à Área Metropolitana de Lisboa e dispomos de um Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo que acolhe e acompanha todas as iniciativas de investimento. A Falcoaria Real é, de facto, um elemento distintivo do concelho, a nível nacional e internacional, que ganhou relevo com a distinção da UNESCO. Ao longo deste mandato, pela estratégia que

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esta nomeação? O Rio Tejo foi, durante séculos, a principal via de comunicação no concelho, daí que não seja de estranhar a relevância que assume na fixação humana junto das suas margens, de que a aldeia do Escaroupim é um bom exemplo. Os mouchões, a observação de aves, os passeios de barco, o núcleo museológico da Casa Tradicional Avieira, o recém inaugurado Museu ‘Escaroupim e o Rio’, o restaurante panorâmico, o parque de merendas, a proximidade ao Parque de Campismo e à Mata Nacional são algumas das razões que permitem explicar porque é que esta aldeia está entre as 49 pré-finalistas às 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias, numa candidatura que contou com mais de três centenas de participantes e entre as sete aldeias ribeirinhas que vão ser votadas pelas pessoas. O afluxo de visitantes ao concelho impõe-nos que continuemos atentos, a cuidar e a investir nestes espaços que são muito aprazíveis e distintivos. Igual atenção nos vai merecendo também a Barragem de Magos que conta com um restaurante sobranceiro à Albufeira e com um parque de merendas, onde além das muitas sombras, as

pessoas podem aproveitar o espelho de água para a pesca ou desportos náuticos não motorizados. Aproxima-se a Feira de Magos, um dos ex-libris do concelho. O que nos reserva a edição de 2017? A população participa ativamente neste certame, certo? Enquanto edil, o que representa, para si, esta adesão dos munícipes? A Feira de Magos, que vai decorrer entre 12 e 21 de maio, aproveita a antiga Feira de Maio que existia na sede de concelho e que definhava, revitalizando-a. Para além dos divertimentos para crianças e adultos e de comércio de feira, a Feira de Magos juntou-lhe o setor agro-industrial, com exposição e venda de produtos, serviços e equipamentos agrícolas, o artesanato e os produtos locais, as atividades taurinas e equestres, exposições, cultura e muita animação musical. Depois do Mês da Enguia, em março, a Feira de Magos é talvez o evento municipal que mais mobiliza as pessoas, pois as atividades que propomos são muitas e variadas. Por onde passa o futuro de Salvaterra de Magos? É um lugar comum dizer que o futuro se constrói todos os dias, com muito empenho e trabalho, aproveitando e promovendo as nossas potencialidades, os nossos recursos e tudo o que nos possa diferenciar dos outros, para sermos únicos. Essa autenticidade consegue-se pelo respeito pelo nosso património natural e edificado, mas também registando e cuidando das nossas tradições, dos usos e costumes, da nossa herança cultural. A aposta que fazemos na qualidade de vida das pessoas, na educação, na cultura, no desporto e na preservação do meio ambiente, dá-nos garantias de que estamos a construir um edifício sólido, onde todos amanhã vão caber e mais do que isso, em que todos se vão rever.


INOVAÇÃO E EXCELÊNCIA

Nesta edição da Revista Business Portugal, trazemos-lhe, uma vez mais, os melhores exemplos de inovação do nosso país. A inovação pode ser definida como fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência em processos, quer produtivos quer administrativos ou financeiros, quer na prestação de serviços, potenciar e ser motor de competitividade. Portugal tenta seguir para a sua internacionalização e, por conseguinte, conquistar a afirmação e recuperação da situação económica. Trazemos exemplos na área da saúde, imobiliária e, como não podia deixar de ser, algumas PME Excelência 2016. Inovação, melhores empresas para trabalhar em Portugal e empreendedorismo são os melhores adjetivos para revelar as empresas que figuram esta temática. Deixamos-lhe, então, com a vontade de folhear as próximas páginas e descobrir um país vencedor!

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inovação e excelência| panificadora do areeiro

75 anos a servir sem igual À conversa com José Neves, a Revista Business Portugal ficou a conhecer a história, o labor e a dedicação com que a Panificadora do Areeiro serve o seu leque cada vez mais vasto de clientes. Sempre com a qualidade e a solidariedade à mistura.

José Manuel, José Neves, Ana Neves e João Pedro

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De portas abertas em plena Lisboa desde 1942, há muito que a Panificadora do Areeiro surge como uma incontornável referência e símbolo de liderança na arte que lhe deu o nome. Falar da sua história implica, desde logo, a especial alusão a um assinalável percurso de 75 anos, pautados por uma singular miríade de alegrias, desafios, dificuldades e vitórias. Hoje, esta corresponde a uma empresa de cariz familiar, liderada pelo sócio-gerente José Neves e os filhos José Manuel e João Pedro. Mas a arte da panificação corresponde, de resto, a um valor há muito enraizado nos genes do clã Neves. “Em 1970, o meu pai, António Neves, era gerente da União Panificadora do Chile, Lda. e veio para esta empresa numa altura em que ela estava falida”, começa por recordar o nosso entrevistado. A relação de amizade entre os dois empresários, e a forma como o antigo proprietário da Panificadora do Areeiro auxiliara António Neves a iniciar o seu próprio negócio foram os motivos que levaram o pai do nosso


panificadora do areeiro | inovação e excelência interlocutor (e respetivos descendentes) a assumir as rédeas da firma, proporcionando-lhe não apenas a garantia de sobrevivência, como também muito do estatuto que atualmente a caracteriza. Sempre atenta ao evoluir do setor, bem como ao imperativo de atender a um cada vez maior leque de necessidades e clientes, a empresa soube perceber, ao longo da década de 1990, o potencial de conciliar o fabrico de pão com o serviço de pastelaria, algo que desde logo se traduziu numa aposta ganha. Sempre em processo ascendente, a Panificadora do Areeiro foi-se consolidando enquanto caso de liderança e inusitada prosperidade, onde “todos trabalham pela mesma causa”. A confirmá-lo está a satisfação de quem já não passa sem saborear, todos os dias, “referências” da casa como o pastel de nata, os petit fours de amêndoa ou o “muito elogiado” bolo-rei. Valores de excelência Questionado sobre a origem de todo este sucesso e reconhecimento, José Neves é perentório: “o primeiro ponto é que sempre optámos por trabalhar com a máxima qualidade possível. Em segundo lugar, somos exigentes connosco e temos uma grande capacidade de organização e uma rapidez de entrega muito importante”. Colocando a tónica na necessidade de atender da forma mais célere quanto possível aos pedidos que lhe são endereçados, a Panificadora do Areeiro faz de palavras como a ‘qualidade’, a ‘eficiência’ e o ‘profissionalismo’ autênticas linhas-mestras. O culminar de todo este esforço e política empresarial tem vindo, por seu turno, a ser recompensando não apenas com um continuado crescimento da firma, mas também com o recente estatuto de PME Excelência, uma distinção de carácter anual atribuída pelo IAPMEI às firmas que apresentam os melhores rácios financeiros, constituindo autênticos exemplos de sucesso de gestão à escala nacional. Interpretado como o culminar “do esforço de uma série de anos de trabalho”, este é um prémio encarado como um incentivo para uma mentalidade que José Neves espera ver seguida pelas novas gerações. Uma dimensão social Contando atualmente com três lojas já bem consolidadas no concelho de Lisboa, a Panificadora do Areeiro faz questão de funcionar num horário particularmente alargado – e com um serviço de praticamente 24 horas por dia todos os dias do ano (exceto Natal e Ano Novo), permitindo-lhe ser a primeira a superar as expectativas, quer do consumidor final, quer de um conjunto mais vasto clientes, onde se incluem também alguns dos mais prestigiados hotéis e restaurantes da cidade. “Hoje trabalhamos com cerca de 40 a 50 unidades hoteleiras”, refere o sócio-gerente. Paralelamente, todavia, a Panificadora do Areeiro faz questão de trabalhar e fazer chegar os seus produtos a importantes organismos de natureza social, desde creches a lares de idosos. “Acho que esta é uma importante forma de os apoiar e de os servir”, acrescenta José Neves, que faz questão de não negligenciar o valor da solidariedade. “Há muitos anos que apoiamos o Banco Alimentar Contra a Fome sempre que fazem peditórios, ou a Fundação do Gil”, prossegue o nosso entrevistado. Um novo espaço, um novo conceito Contando atualmente com cerca de 40 colaboradores, a Panificadora do Areeiro continua a destacar-se não apenas pela qualidade e proximidade do seu atendimento, ou pela sua incomparável capacidade de pronta resposta, mas ainda pelo cariz visionário e empreendedor que marca o seu dia a dia. No seguimento desta mesma forma de estar, a empresa inaugurou recentemente uma nova loja, dedicada a um mercado mais específico: o gourmet. “Selecionámos uma série de marcas que gostaríamos de colocar naquela montra”, na tentativa de cativar o público, contextualiza José Neves. Entre as iguarias que poderão ser provadas neste novo espaço, conta-se uma vasta gama de produtos tradicionais, tais como doces, mel, ou os famosos rebuçados da Régua, numa tentativa de apresentar o que de melhor Portugal tem para oferecer. Encarando com otimismo a aposta neste novo segmento de mercado, o sócio-gerente “espera conseguir adaptar a casa o melhor possível de forma a produzir sempre mais e empregar um número cada vez maior de pessoas”. É desta forma que constatamos, de resto, a rara vitalidade, energia e impulso com que uma empresa de 75 anos encara o seu próximo dia: tal como se fosse o primeiro e ainda houvesse tudo para provar.

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inovação e excelência| panificadora marques filipe

A tradição na sua mesa O negócio familiar nasceu há quase cinco décadas, em Rexaldia, Torres Novas. A atividade teve início em 1970, com apenas três colaboradores e Joaquim Marques Filipe, fundador da panificadora. Atualmente a Marques Filipe continua a levar a tradição para a sua mesa através do fabrico artesanal do seu pão. Estivemos à conversa com Cátia Marques Filipe, a terceira geração desta casa.

Abrem-se as portas da fábrica e de imediato se sente o cheiro a pão acabado de cozer, fazendo crescer água na boca. À medida que avançamos vamos passando pelas diversas fases que a produção atravessa. Homens e mulheres amassam habilmente a mistura de água, sal e farinha. Outros cortam-na e fazem-na ganhar forma até estar pronta a entrar nos fornos que abrem as suas portas para fazer entrar e sair várias toneladas de pão por dia. Este é o ritmo a que trabalham os quase 70 funcionários, divididos por

atuais administradores da panificadora. “Antigamente nada disto existia. A fábrica foi construída pelos meus pais e aumentada conforme as necessidades e crescimento do negócio”, refere a nossa entrevistada. Foi precisamente com Luís Filipe que a empresa deu o salto para a expansão, com a aposta em produtos que se diferenciavam pela qualidade e inovação no mercado. Uma das novidades trazidas por Luís Filipe nos anos 90 foi o ‘pão em massa’. “Vendia-se muito na altura. Este tipo de pão era vendido

pão diariamente aos comércios locais”, acrescenta a entrevistada. Em 2015, a Panificadora Marques Filipe atinge o estatuto de PME Líder e no ano seguinte alcança o de PME Excelência. Questionada sobre o que levou a empresa familiar a atingir tal patamar no mercado, Cátia Filipe não tem dúvidas: “ao extinguirmos praticamente toda a maquinaria da nossa linha de produção passamos a ter outro tipo de produto, o que nos permitiu ir crescendo gradualmente. Foi desta forma

aqueles partem para outros países em busca de novas oportunidades. Mas, hoje em dia, os portugueses ‘do mundo’ já conseguem aceder a alguns produtos genuinamente lusitanos, nos chamados Mercados da Saudade. E é precisamente nestes pontos de venda, que a Marques Filipe leva, através do seu pão, pedaços de Portugal a quem vive no estrangeiro. “Decidimos arriscar entrar no mercado da exportação, de modo a conseguirmos levar o sabor de Portugal a todos os portugueses

turnos, todos os dias da semana, 24 horas por dia. Mas nem sempre foi assim, explica Cátia Filipe, terceira geração da família e atual relações públicas da empresa. “O negócio começou com o meu avô em 1970 e com mais três trabalhadores que fabricavam e distribuíam pão aqui nas redondezas. O meu pai acompanhou o negócio desde muito cedo, ajudando na distribuição diária, porta a porta, do pão acabado de cozer”.

em massa e cozido nos pontos de venda. Depois de lêvedo e amassado era moldado, cortado e cozido nos pontos de venda”, refere Cátia Filipe. Da venda porta a porta junto dos fregueses, passaram também para a distribuição do pão em cafés, restaurantes e mercearias da zona, nunca descurando os clientes mais antigos e das redondezas. Atualmente são uma das panificadoras que abastece diariamente as grandes cadeias de hipermercados do país, embora não tenham deixado de fabricar e distribuir o seu produto aos clientes de sempre. “Não quisemos abandonar quem nos ajudou a crescer, por isso continuamos a fazer distribuição porta a porta e a fazer chegar o nosso

que nos diferenciamos e ganhamos pontos no mercado nacional. Pão amassado por máquinas todos têm, e nós também, mas o processo final é completamente manual, nós quisemos diferenciar-nos pelas mãos dos nossos trabalhadores. Desde então nunca mais abandonamos o nosso método tradicional”.

emigrados. A melhor forma de o fazermos foi através do Mercado da Saudade, em França e Inglaterra e outros países com comunidade portuguesa”, explica Cátia Filipe.

Do pequeno fabrico a PME Excelência De forma sustentada, o negócio foi crescendo e a empresa passada de pai para filho. Luís Marques Filipe e Silvina Filipe juntamente com Cátia Filipe são os

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O sabor da saudade Conhecido pela gastronomia e qualidade à mesa, Portugal é um dos países da União Europeia que mais pão consome (50 a 70Kg per capita, segundo a Bread Initiative) e para nós o nosso é especial. Este é um dos costumes que deixa saudade a todos

Mãos na massa Para além da venda porta a porta mantida desde há longos anos, esta panificadora faz chegar até si um produto carregado de tradição. Desde as farinhas moídas à mão que mais tarde dão corpo à broa de milho, até às mãos que moldam as diferentes massas, a Marques Filipe assegura a tradição à mesa. A entrevistada evidencia, que “parte do processo ainda é feito como antigamente”

DOS NOSSOS FORNOS SAEM NOVE TONELADAS DE PÃO POR DIA QUE VÃO PARAR À MESA DOS PORTUGUESES "

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panificadora marques filipe | inovação e excelência

WWW.MARQUESFILIPE.COM

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inovação e excelência| panificadora marques filipe e garante que é assim que vão continuar. “É esta a nossa verdadeira essência, é nisto que nos destacamos. Embora tenhamos em tempos introduzido uma linha de produção mais industrializada, atualmente já a excluímos da nossa fábrica. Sem as mãos a moldar o nosso pão, perdíamos qualidade”. Foi a preocupação em manter o pão artesanal que levou à decisão de abandonarem as máquinas e voltarem a apostar na mão de obra humana. “Precisávamos do saber, da técnica e da sensibilidade dos padeiros nas várias fases de fabrico, para assegurarmos um produto de excelência”, refere. Sempre fresco e sem aditivos A inovação e procura por produtos saudáveis, que se mantêm frescos pela sua qualidade e não pela introdução de aditivos foi uma das metas cortadas pela Marques Filipe.“O nosso pão é sempre fresco e raramente precisa de levar aditivos. Não precisamos de recorrer a eles, porque as nossas massas são muito hidratadas e têm bastante tempo de levedação”, explica Cátia. Segundo a mesma, há massas que chegam conter uma percentagem de água de cem por cento, fazendo com que o pão seja muito hidratado. Com esta fórmula conseguem ter um pão fresco e fofo durante vários dias, sem recorrerem a aditivos. Sempre saboroso, mas fitness A preocupação com a saúde e boa forma física tem ganho cada vez mais adeptos fidelizados. No que toca a este assunto, a Marques Filipe quis estar na linha da frente, apresentando um pão que não prejudica aqueles que querem manter a linha. Assim, a panificadora produz o denominado ‘pão fitness’, bastante apreciado pelo seu baixo teor de açucares e hidratos de carbono. Para além do fitness, acrescentaram à sua produção pão com vários tipos de sementes, com farinhas integrais e pão de alfarroba. Este último é isento de agentes alergénios, muito apreciado pelas suas qualidades nutritivas (vitaminas B1 e B2) e baixo teor calórico. O forte é o tradicional Embora o pão ‘light’ esteja na moda, o português continua a preferir o tradicional. “O pão com mais saída são as tradicionais bolas de lenha”, garante Cátia Filipe. Na confeção deste pão é utilizada a chamada “farinha de mistura” e o seu sabor é, segundo a entrevistada, “autêntico e inigualável, fazendo lembrar o pão de antigamente”. Luís Marques Filipe desenvolveu um pão único e inovador em Portugal a pedido de uma cadeia de hipermercados. Este é um pão 100 por cento português, produzido apenas com ingredientes nacionais, como é o caso da farinha trigo oriunda do Alentejo. Este produto pode ser encontrado em exclusivo em algmas prateleiras de norte a sul do país e é produzido apenas pela panificadora. As bolas de lenha são o produto Marques Filipe eleito pelos portugueses, mas existem mais 20 variedades de pão a saírem diariamente dos fornos da fábrica. Pão com chouriço, pão com azeitonas, broa de milho, pão da avó, chapata, bolas de mistura, pão rústico e pão alentejano são alguns dos produtos que põem as mãos dos padeiros a amassar 24 horas por dia as diferentes massas. O que importa aqui referir, diz a nossa entrevistada é que “todos os produtos nascem de matérias primas de excelência”. Lembra a preocupação que ela e os seus pais têm na seleção das farinhas e dos restantes ingredientes. Refere, como exemplo a qualidade do chouriço que utilizam para rechear o pão: “o nosso fornecedor produz o chouriço de forma artesanal. É fumado como antigamente, garantindo o sabor típico”. Amor à profissão Cátia Filipe é ainda jovem, mas sabe bem aquilo que quer. “Não me imagino a fazer outra coisa, cresci aqui e acabei por ganhar amor à minha profissão”, refere. Assistiu ao crescimento continuado da empresa familiar, viu os seus pais lutarem diariamente para conseguirem fazer crescer o negócio e isso é algo que a deixa orgulhosa. Considera especial ter a oportunidade de dar continuidade a um negócio iniciado há décadas atrás pelo seu avô e seria, no seu entender, impensável deixar esmorecer o negócio de família.

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inovação e excelência| maxpay

“Porque o mundo não pára”

José Pereirinha e Alice Vieira Administradores

Especializada em transferências internacionais, a MaxPay assume desde o início condições que garantem a total satisfação dos seus clientes. Com uma rede global de transferências, através de balcões próprios ou de balcões de agentes pagadores, a empresa é especializada no mercado de transferências e câmbios de dinheiro para todo o mundo. Em entrevista à Revista Business Portugal, Alice Moreira e José Pereirinha, sócios gerentes da marca, dão-nos a conhecer a vasta oferta de serviços, as estratégias que têm utilizado para vingar no mercado e ainda perspetivas futuras.

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maxpay | inovação e excelência

Começo por lhe pedir que apresenta a MaxPay aos nossos clientes. Qual o vosso core business? A MaxPay é uma Instituição de Pagamento que tem como objecto social o negócio de câmbios e de remessas de valores de e para o exterior. O seu foco principal tem sido Angola, mas preparamo-nos para entrar em outros mercados, o que anunciaremos brevemente. Como funciona este mundo das transações? O mercado de remessas de valores é um mercado muito interessante, mas muito delicado, já que exige um grande rigor na sua realização; é fundamental conhecer os clientes, daí a nossa exigência na realização de inicio de relação com todas as pessoas que nos procuram. Quais as principais dificuldades que este mercado encontra? É um mercado com muita concorrência, daí termos que ser sempre os melhores em qualidade, simpatia, rapidez e muita segurança. O facto de contarem com uma rede global de transferências, através de balcões próprios ou de balcões de agentes pagadores, faz da MaxPay a escolha certa? A MaxPay é sempre a escolha certa, embora ainda de pequena dimensão prepara-se para ocupar um papel relevante no mercado Portugues, Angolano e Caboverdiano. O que vos diferencia das restantes agências existentes no mercado? A nossa Qualidade, Transparência, Simpatia e preços, claro. Já estão presentes além-fronteiras, nomeadamente Angola e Cabo Verde. Quais os mercados que se seguem? Ainda não vamos divulgar os mercados que se seguem, isso faremos depois de se tornarem realidade. A qualidade é um dos vossos focos principais… Sem dúvida nenhuma, a nossa bandeira principal é a qualidade. Por onde passa o futuro da MaxPay? O futuro da MaxPay passa pelo seu crescimento consolidado, sem pressa, e com muita segurança e cautela.

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inovação e excelência| nutriprado

A semear o futuro com qualidade e segurança Especializada no ramo das pastagens e produtos forrageiros, a Nutriprado foi criada em 2010, sendo a empresa mais recente da família Proprado. Sediada em Elvas, a empresa encontra-se em processo de internacionalização, com o intuito de dar uma resposta cada vez mais segura e adequada ao mercado externo, no que se refere a mistura de sementes biológicas.

Contribuir para uma agricultura sustentável, moderna e inovadora, através do fomento dos prados, pastagens e de outras culturas amigas do ambiente, é a principal missão da Nutriprado, que disponibiliza aos agricultores os melhores produtos biológicos e naturais, assim como os serviços técnicos de acompanhamento personalizado, que garantem desde o primeiro momento o sucesso das suas culturas e o fomento das suas explorações. “O futuro passa, claramente, por oferecer aos nossos clientes um conjunto de soluções destinadas à produção de sementes em modo biológico”. Foi desta forma que Vasco Abreu falou à revista Business Portugal acerca da estratégia de crescimento da Nutriprado, uma empresa com um vasto know-how no setor das pastagens e produtos forrageiros. Atualmente, o mercado europeu, em especial o Norte da Europa, está à procura de misturas de sementes biológicas e de coberto vegetal, com o objetivo de aumentar e melhorar a

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rentabilidade dos solos. “Numa primeira fase vamos produzir as sementes biológicas em Portugal, mas o nosso propósito passa por apostar no mercado espanhol, que nos permite entrar com maior rapidez e facilidade na Europa. Dada a proximidade com as nossas instalações, a área de produção será instalada entre Elvas e Badajoz, onde serão produzidos cerca de 200 hectares de semente biológica, alargando, mais tarde, essa produção para outros nichos de mercado”, revela o entrevistado, e acrescenta: “Esses produtos começarão depois a ser comercializados para a França e a Alemanha, com vista a tratar a vinha e o olival biológico, através do nosso coberto vegetal à base de leguminosas. Esta tipologia de sementes está a atingir excelentes resultados no terreno, pois permite uma maior rentabilidade das produções”. Por outro lado, surge o mercado marroquino, com o qual a Nutriprado está a reunir condições para trabalhar, no âmbito da OCDE, com o intuito de fornecer quer em cereais, quer em


nutriprado | inovação e excelência Perspetivas de futuro Tendo como principal objetivo conquistar uma posição de destaque para a empresa no seu atual mercado de atuação, bem como alargar e intensificar a atividade a novos mercados internacionais, a Nutriprado está a apostar na introdução de produtos certificados, biológicos e naturais, de elevada qualidade, que respondam aos desafios lançados pelos seus clientes. “Somos um país que desde cedo se preocupou com a área das sementes e onde detemos um elevado conhecimento e experiência de campo. Por outro lado, sabemos que as leguminosas são o futuro, no que se refere à preservação do montado de sobro e azinho, de forma a acautelar a paisagem deste território”, afirma Vasco Abreu. Desse modo, a Nutriprado irá continuar a incrementar a investigação e a assegurar a prestação de serviços de qualidade, assentes nos pilares da competência e seriedade. “Quero dizer que a Nutriprado tem vindo a crescer com segurança, num percurso muitas vezes nada fácil. Os apoios do PRODER 2020 são essenciais, tal como a ligação entre as empresas e os núcleos de investigação é fundamental”, finaliza o entrevistado.

leguminosas, uma exclusividade de produtos ideais para implantar nesse território. No passado mês de abril, a empresa participou na feira do setor em Marrocos, com vista a preparar as vendas para as cooperativas e sociedades agrícolas interessadas nesta gama de produtos. Vasco Abreu sublinha ainda que a participação em feiras e a fomentação de dias de campo permite ao cliente final tomar conhecimento sobre o trabalho desenvolvido pela Nutriprado, que procura sobretudo preparar o futuro das explorações com qualidade e segurança. Serviço de proximidade Reconhecendo as tendências de um mercado cada vez mais exigente e informado, a Nutriprado tem vindo a responder às necessidades dos seus clientes, com uma oferta global de produtos, adequados aos mais diversos setores. Pioneiros na instalação de prados, Vasco Abreu revela que “é fundamental um apoio técnico especializado, para se atingirem os melhores resultados. Nesta área de negócio a assessoria técnica e o acompanhamento permanente são primordiais, para garantir uma maior rendibilidade dos terrenos agrícolas”. Nesse sentido, a empresa procura através da sua oferta de produtos ajudar a solucionar problemas e diversificar as suas áreas de negócio. Assim, o mercado da multiplicação de sementes biológicas surge em grande destaque, como forma de assegurar o futuro das produções e promover uma resposta às alterações climáticas. “Ao analisarmos cada exploração, temos como objetivo fornecer ao agricultor todos os elementos, que lhes proporcionem uma escolha de sementes e variedades forrageiras adequada e preparada para as suas explorações. Queremos incutir uma agricultura mais rentável e autossuficiente. Fala-se cada vez mais na proteção do ambiente e nos cuidados com a alimentação saudável, logo torna-se primordial promover a produção de produtos biológicos. Estamos situados num país com condições edafoclimáticas excecionais para a multiplicação de sementes, logo podemos comercializar daqui para o mundo inteiro. É esse o trabalho que procuramos incrementar diariamente, através dos contactos que estabelecemos com entidades oficiais, empresas e agricultores”, completa Vasco Abreu. Com parcerias estabelecidas com universidades, institutos politécnicos e com empresas, a Nutriprado procura desenvolver projetos que se traduzem numa importante mais-valia para a empresa, nomeadamente pela credibilidade e confiança que concedem ao trabalho por eles desenvolvido. Neste momento a Nutriprado está a liderar projetos em que contacta diretamente com equipas de cientistas, procurando desenvolver variedades de sementes que possam ser produzidas em Portugal e, posteriormente, comercializadas para o mercado externo, como destaca o entrevistado: “As parcerias com os núcleos de investigação são primordiais, de modo a direcionar os investimentos, criando valor e mais-valias para os produtores”. No entanto, Vasco Abreu alerta para a elevada carga burocrática exigida pelas entidades governamentais, que trava a facilidade de escoamento destes produtos para outros mercados, pois é crucial a certificação de sementes, e o mercado externo carece de entidades certificadoras, no que a este tema diz respeito.

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inovação e excelência| parque de natureza noudar

Com vista para tudo, à vista de ninguém Como descreve o Parque de Natureza de Noudar, o conceito inerente e as suas potencialidades? O Parque de Natureza de Noudar surge na sequência da aquisição da Herdade da Coitadinha, pela EDIA em 1997, com o objetivo de desenvolver nesta propriedade um projeto de compensação pela perda de habitats a nível dos ecossistemas de montado, galerias ripícolas e matagais mediterrânicos induzidos pela construção da Barragem de Alqueva. “Coitadinha” significa “Coutada Pequena”, o que diz bem da qualidade destas terras para a caça. A história da Herdade da Coitadinha está ligada à história da vila medieval de Noudar. No Parque de Natureza de Noudar convoca-se o princípio de que o uso promove a conservação do território e recria a atividade agrícola na Herdade, respeitando as práticas e as tradições da região, ao mesmo tempo que se promove o eco turismo no respeito pela natureza. A recuperação e adaptação da arquitetura original do Monte da Coitadinha possibilitam o acolhimento de visitantes, potenciando a vivência do território com todas as acomodações para permanecer e explorar, onde se incluem alojamento, restaurante e atividades de interpretação.

promovendo as raças autóctones e em vias de extinção (estamos a constituir um núcleo de bovinos garvoneses, que é a raça mais ameaçada em Portugal).

O Parque alia o que de melhor a natureza tem para oferecer no sentido de transformar uma estadia numa experiência inesquecível. Assim sendo, que atividades poderão ser desenvolvidas para descobrir a riqueza natural da região? O visitante poderá usufruir de uma variedade de atividades como passeios no parque, com sugestão de vários percursos pedestres, passeios de Noucar (veículos elétricos) e bicicletas, observação de fauna e flora, atividades para famílias, piqueniques, observação do céu com telescópio (integrado na reserva Dark Sky Alqueva), visitas de estudo e realização de campos de férias. A gastronomia também está presente em Noudar, no restaurante Pançona, podendo o visitante disfrutar dos nossos pratos, baseados em produtos regionais.

O Parque de Natureza de Noudar assume-se como um protagonista no desiderato da defesa da biodiversidade e no turismo sustentável, tendo aliás sido agraciado com a distinção Bes Prémio Diversidade. O que representa esta distinção para o parque? Representa o reconhecimento pelo trabalho, gestão e estratégia que a EDIA tem imprimido a este projeto desde a sua criação. Este prémio e todas as outras certificações que o Parque tem recebido, obrigam-nos a continuar a trabalhar de forma empenhada e responsável, com vista a melhorar sempre os nossos serviços, de forma a satisfazer cada vez mais os nossos clientes. Este reconhecimento só é possível graças a toda a equipa que trabalha diariamente no Parque, nas mais variadas valências, com um profissionalismo, dedicação e carinho que tornam este local irresistível de visitar.

O Parque de Natureza de Noudar apresenta elevada riqueza faunística e florística. Que animais e espécies podemos encontrar e observar? Nalguns locais do Parque ainda se mantém um coberto vegetal próximo do que seria o original, como se nunca tivesse havido qualquer intervenção humana. São bosques ricos, íngremes, difíceis, que ainda guardam o maior segredo de Noudar. Devido à necessidade de conciliar os seus valores naturais com a exploração, temos procedido desde 2001 à monitorização da fauna e flora, com o objetivo de quantificar as alterações na biodiversidade decorrentes da implementação do programa de gestão de Noudar. Não faltam animais para observar, flores e plantas para apreciar, entre as quais se destacam a fuinha, a lontra, o texugo, a geneta, a raposa, a lebre, o coelho, o saca-rabos, a doninha, o javali ou o veado, ou, entre as 200 espécies de aves que aqui habitam, o grifo, o melro-azul, a cegonha preta, a toutinegra real e o picanço-barreteiro. No âmbito da gestão florestal, agricultura, pecuária e cinegética, quais são os principais objetivos e os principais pilares da atuação do Parque de Natureza de Noudar? Assumimos a Gestão Florestal Responsável como elemento chave da gestão praticada no Parque. Comprometemo-nos com a necessidade de manter a cobertura vegetal do solo, quer para efeitos de conservação do solo e da água, quer para efeitos da conservação da biodiversidade. Significa que os objetivos passam pelo fomento da biodiversidade, melhoramento do aproveitamento do sob–coberto, promoção do desenvolvimento saudável do montado de azinho, assim como a proteção da regeneração natural. Contribuir para uma gestão sustentável e integrada do espaço, articulando todas as valências e recursos endógenos,

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Em 2017, ano internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o tema é Biodiversidade e Turismo Sustentável. Considera que as pessoas estão cada vez mais consciencializadas que a conservação e a preservação da diversidade biológica são fundamentais para garantir a sustentabilidade? Pensamos que sim. Temos assistido a uma mudança significativa na forma como as pessoas olham para a conservação da natureza e a importância que a mesma tem nos nossos dias. Só com uma gestão sustentável do território, onde se inclui o Turismo, é possível encarar o futuro das próximas gerações.

Quais as principais ambições e projetos em termos de futuro? A importância local e regional do projeto afirma-se pela fixação das camadas mais jovens e escolarizadas da população e pela revitalização das atividades ligadas ao turismo, restauração, comércio e cultura, constituindo um exemplo à escala nacional do aproveitamento multifuncional de um espaço rural. Assim, continuaremos a trabalhar em vários projetos que permitam a preservação do montado, a produção em modo biológico, a valorização das raças autóctones, a melhoria do habitat com vista à reintrodução do lince ibérico na região de Barrancos e a promoção do Turismo de Natureza Sustentável, como marca do interior do Alentejo. A EDIA tem como missão garantir que este espaço, de características únicas, se mantém e valoriza, com elevados índices de sustentabilidade. Entrevista a Diogo Nascimento, diretor do Parque de Noudar


transroque | inovação e excelência Parque Natural da Arrábida, R. da Alfarrobeira Telefone: 21 268 2677

sinónimo de confiança e credibilidade Criada em 1998, a Transroque assume nos dias de hoje uma posição de referência no panorama empresarial e, concretamente, no sector onde gravita. As páginas da história da empresa têm sido escritas com bastante empenho, profissionalismo e dedicação, permitindo assim granjear bons resultados. Numa tentativa de perceber as dinâmicas empresariais que proliferam na Península de Setúbal, a Revista Business Portugal foi desta feita ao encontro da Transroque - Comércio e Transporte de Materiais de Construção, na pessoa de Octávio Roque, um homem dinâmico e pró-ativo com mais de duas décadas de experiência e know-how no sector dos transportes. “No meu percurso, figura a empresa Transportes Centrais de São João das Lampas. A dada altura, decidi concretizar o sonho de criar a minha própria empresa, juntamente com a minha esposa, Maria João Roque, e assim sendo, há 20 anos nasceu a Transroque”, revelou o administrador, sublinhando que decidiu arriscar e adquirir o seu primeiro camião em 1998. Na verdade, este jovem casal empreendedor estava longe de imaginar que iriam alcançar o patamar que conquistaram como a sua forma transparente de estar no mercado. “Começámos a trabalhar, ou seja, a assegurar o transporte de materiais de construção, e as pessoas comeram a acreditar em nós. Face às solicitações foi necessário crescer e criar uma estrutura adequada à procura dos nossos serviços”, avança Octávio Roque, destacando que a empresa

foi adquirindo novos veículos e crescendo progressiva e sustentadamente. Hoje em dia, a Transroque detém 12 veículos e assumese como uma empresa familiar que tenta imprimir no seu trabalho e forma de estar no mercado qualidade, cumprimento dos prazos, eficácia e eficiência, sempre com a preocupação de dar uma resposta cabal aos seus clientes, o que tem permitido a sua fidelização ao longo dos últimos 20 anos. “Preocupo-mo igualmente com as pessoas que trabalham comigo, porque a minha empresa é responsável por 12 famílias, por isso o nosso grande objetivo é manter a estrutura que atingimos, proporcionando as melhores condições aos nossos colaboradores e adquirindo bons equipamentos, que assegurem a nossa performance”, afirma. Atualmente, a zona de influência geográfica da Transroque circunscreve-se Setúbal, Alcácer do Sal, Alenquer, Ota, Grande Lisboa e a Sintra e Cascais, conseguindo desenvolver “um trabalho de forma personalizada e atenta”. Empresa de excelência A Transroque assume-se como uma empresa que cresceu

de uma forma muito natural, granjeando resultados muito positivos ao longo da sua história. Este ano, a empresa foi reconhecida pela primeira vez com o Prémio PME Excelência 2016, uma distinção que muito orgulha os seus responsáveis, Octávio e Maria João Roque. O estatuto PME Excelência premeia as pequenas e médias empresas que apresentaram os melhores desempenhos económicofinanceiros e de gestão. Elementos como os rácios de solidez financeira, de rendibilidade e de crescimento de volume de negócios são critérios para a atribuição deste prémio. A distinção da Transroque como PME Excelência 2016 atesta a excelência que pauta a atuação da empresa no mercado, destacando a sua competência e visão, que lhe permitem ter um bom desempenho económico e financeiro, catapultando a sua afirmação e valorização. A terminar a entrevista, Octávio Roque, não quis deixar de agradecer o apoio do seu pai, Luís Roque, que lhe ensinou a arte, bem como agradecer aos seus colaboradores que, nos últimos anos o têm acompanhado, ajudando ao crescimento e desenvolvimento da Transroque.

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inovação e excelência| spitex

Na linha da frente

A Spitex desenvolve a sua atividade na área das impermebializações, isolamentos, pavimentos desportivos e decorativos, e na comercialização de produtos técnicos para a construção. A propósito de ter recebido o prémio PME Excelência, conversármos com Mário Pita, sócio-gerente da Spitex.

Que projeto da Spitex merece destaque nesta nossa edição? Destacamos três obras em que fazemos parte da equipa de construção: Região Autónoma da Madeira - Hotel Savoy Palace – Impermeabilizações - Hotel Gorgulho – Reabilitação de betão - Enrelvamento do Estádio Municipal da Ribeira Brava – Substituição do relvado sintético

Para que possamos contextualizar os nossos leitores,

neste balanço o reconhecimento e a

começo por lhe perguntar como surge a Spitex? A Spitex surge, depois da constatação de que no mercado açoriano existia uma lacuna no que se refere a uma empresa especializada em impermeabilizações e isolamentos.

confiança que o mercado madeirense tem demonstrado pelo nosso trabalho. Em termos gerais verificamos algum crescimento.

Que serviços disponibilizam aos vossos clientes? Disponibilizamos impermeabilizações de diversos tipos; isolamento térmico de coberturas; isolamento térmico pelo exterior de edifícios; pavimentos desportivos de campos de futebol, campos de ténis, polidesportivos; pavimentos industriais e decorativos em resinas epoxi, poliuretano, metacrilato, etc; reabilitação de estruturas de betão; reabilitação de edifícios e comércio de produtos técnicos para a construção. Que balanço faz destes anos de atividade? Apesar de estarmos inseridos numa área de atividade que nos últimos anos tem passado por momentos muito difíceis, fazemos um balanço muito positivo pois foi possível consolidar a nossa posição no mercado açoriano, onde somos atualmente referência. Importa igualmente incluir

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Numa área tão vasta como esta, o que se destaca na Spitex? Desde logo a especialização dos nossos serviços. Trabalhamos em áreas muito específicas apostando continuamente na formação dos nossos colaboradores e em materiais e sistemas de última geração. A qualidade é a vossa ‘bandeira’? Sem dúvida que sim. A qualidade é o principal pilar do nosso crescimento. Queremos continuar a ser vistos no mercado como uma empresa que aposta fortemente na qualidade e na excelência dos serviços prestados tendo sempre em vista a satisfação dos nossos clientes, que tanto valorizamos.

Região Autónoma dos Açores - Hangar de manutenção de aeronaves da Sata - pavimento autonivelante epoxi - Furnas Boutique Hotel – Impermeabilizações - Centro de Saúde de Ponta Delgada - Impermeabilizações e isolamentos - Centro de Arte Contemporânea da Ribeira Grande - Impermeabilizações e isolamentos Existem muitas outras que mereciam também destaque. Podem ser consultadas no nosso site www.spitex.pt e pagina de facebook https://www. facebook.com/spitex.lda Foram galardoados com o prémio de PME Excelência. É o reconhecimento merecido? Sim, é o reconhecimento do nosso desempenho que é fruto do muito trabalho de uma grande equipa que todos os dias dá o seu melhor para atingir a máxima excelência em todos os nossos serviços. Por onde passa o futuro da Spitex? A curto prazo, o nosso futuro passa por consolidar a nossa posição no arquipélago da Madeira, nunca descorando o mercado açoriano.


inovação e excelência| valportas

Abrir portas à qualidade e inovação

A vontade de fazer cada vez mais e melhor combinada com os altos níveis de exigência são a base de sucesso da Valportas. Fundada em maio de 1997, Mário Carvalho luta todos os dias para estar junto dos melhores parceiros de negócio, pois reconhece que embora a experiência possa ditar parte das suas vitórias, não esconde que as pessoas que aqui laboram fazem toda a diferença. Nesse equilíbrio seguro, as portas fabricadas em Valongo chegam hoje aos diferentes países da Europa.

“Inicialmente eu era diretor de produção, mas a empresa estava numa fase menos boa e eu senti a necessidade de enveredar pela comercialização”, introduz. Durante esse período, os obstáculos foram arriscados, mas nem por isso deixou de despertar em si a ambição. “Compreendia o produto, mas não conseguia satisfazer as exigências que eram procuradas naquele momento e então decidi começar a fabricar”, adianta. Com bastante dificuldade em encontrar parceiros no mercado nacional, Mário Carvalho foi paulatinamente disseminando alternativas e soluções. Em 1999, a experiência sugeria um novo ciclo produtivo e uma pequena unidade de 78 m2 fora construída. “Edifiquei com as minhas próprias mãos e na altura a oficina pareceu-me grande”, recorda. Três meses

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depois, o espaço fora ampliado para 250 m2, e passados seis meses voltara a tornar-se pequeno, conhecendo uma ampliação de 600 m2. No decorrer desse ano, fora ainda adquirida a primeira linha de perfilagem, onde todos os perfis utilizados eram 100 por cento fabricados. A inovação presente no código genético desta pequena fábrica, levava-a a acreditar na sua estratégia diferenciadora. Tendo em vista a soma de novos produtos, no ano 2002 inauguraram uma nova expansão. Como uma oportunidade para se antecipar aos concorrentes, rapidamente acresceu para 900 m2 no ano seguinte, com a introdução de uma linha de lacagem. A empresa criou um ambiente propício à inovação e não foi por acaso que paralelamente a tudo isto se deu o processo da internacionalização. “Hoje estamos com

12 mil m2 e começamos esta semana a preparar uma nova ampliação, onde passaremos a ter 18 mil”, informa. Muito mais do que um crescimento em área esta é um trilho de expansão. Com já o devido reconhecimento fora das fronteiras nacionais, o mercado da Valportas garante preços atrativos e todo o rigor de controlo de qualidade produtiva e administrativa. Quase 20 anos: um instante Se o ritmo de desenvolvimento parece fugaz é porque a realidade é sempre mais rápida para as empresas e empresários. “O objetivo da Valportas sempre foi reinvestir no seu crescimento, pois só desse modo se tornou naquilo que é hoje”, assume o nosso entrevistado.


valportas | inovação e excelência A força da inclusão O processo de seleção das pessoas é muito mais do que o momento de admissão dos funcionários e desse modo Mário Carvalho está consciente de que “as pessoas têm de se adaptar à empresa, mas a empresa também tem de os saber acolher”. Um princípio tão simples, mas que tem ditado o sucesso das 70 pessoas que se fixaram aqui: “Num ambiente fabril é difícil gerir isso, mas eu sempre procurei criar essa ligação, pois se o meu colaborador tem um problema, esse problema também passa a ser meu”. E se grande parte da vida de cada um de nós é passada no trabalho, os laços aqui criados unem-nos como uma família, “a família que nós escolhemos”, confidencia. “Preparamos tudo com antecedência. Conseguimos ser a primeira fábrica a desenvolver a porta de passagem para as cadeiras de rodas e, durante o próximo ano, a nossa porta vai ser certificada a nível ambiental”, avança. Este potencial humano em que a empresa não cessa de acreditar, fá-la movimentar-se para o futuro, com visão e determinação. Em breve, preparam-se para a ampliação da fábrica, com mais velozes linhas de produção, e produtos ecológicos. Numa abertura fácil e suave, trabalhar-se-ão assim todas as portas do seu futuro, não esquecendo o condão da inovação.

Mário Carvalho Diretor

Em busca do novo, nenhum dia se assemelha ao outro, e nessa rotina que é construída numa não rotina, o empresário contraria os mecanismos automáticos, preenchendo a vida de todos os colaboradores com entusiasmo e motivação. Sendo esta uma área onde a transformação acontece em cada detalhe, a aposta de novos equipamentos, bem como o incentivo na modernização tem sempre em vista o lançamento de novos produtos. “Apesar de fazermos todos os dias a mesma coisa, nenhum dia é repetitivo, pois em todos eles estamos sempre à procura de desafios. E embora o fabrico de uma porta possa parecer simples, a verdade é que há uma variedade de componentes que existem por detrás dela, e isso é o que torna esta área tão aliciante”, releva. O empresário lembra de que nada é como há 19 anos atrás, e se o mundo está cada vez mais pequeno também fortalece virtudes. Hoje aproximamo-nos de outras culturas com uma facilidade que não era possível noutros tempos, e naturalmente verificamos necessidades diferentes em cada pedaço de terra que pisamos. “Eu penso que nesse aspeto nós temos os melhores trabalhadores do mundo, e não digo isto porque os portugueses trabalham mais, ou são mais inteligentes do que os outros, digo-o porque são os mais flexíveis”, argumenta. Nessa perspetiva, existem características que tornam os países do sul da Europa radicalmente diferentes dos do norte, algo que a firma tem incutido no seu pensamento corporativo. Dedicando-se à exportação desde 2003, neste momento a Valportas transpõe-se para lá do mercado ibérico. Os países, de alguma forma “mais rígidos”, como a França, a Holanda e o Bélgica, mostram confiança no seu trabalho, e tudo indica que esta abertura é favorável, assegurando-lhes um sucesso tão igual, ou melhor ao já alcançado.

O 1 por cento que faz crescer A Valportas fabrica agora produtos tão variados como grades de lagarto, grades de enrolar, portas de livro, portas basculantes, portas seccionadas, entre outras. Simultaneamente, à qualidade do produto existe a qualidade administrativa, sendo por isso certificado pela Bureau Veritas. “Fomos a primeira empresa portuguesa na área de atividade com Certificação de Gestão de Qualidade NP ISSO 9001/2008”, confirma. Esta certificação dá-lhes ânimo para crescerem junto dos seus clientes, de forma a que a venda não se consuma num único contacto. Baseando-se na tecnologia de vanguarda vivem a responsabilidade e o conceito que querem transmitir. “Temos ainda uma outra empresa pertencente ao grupo - a Omnipro - onde desenvolvemos toda a componente eletrónica, complementando tudo ao que a Valportas já faz”, reforça. Este método produtivo prioriza objetivos tão fundamentais como a flexibilidade, o custo, nunca baixando a faísca da qualidade e inovação: “99 por cento das portas são todas iguais, mas depois existe o 1 por cento que as torna diferentes e é nessa que diferença que nós crescemos. E tudo isto acontece aqui, no sul da Europa”. Com uma produção anual de aproximadamente 15 mil portas, a formação e a possibilidade de garantir aos seus colaboradores um crescimento são permanentes metas. Os prémios de PME Excelência (este ano), e de PME Líder (durante anos anteriores), são por isso vistos como um sinal de solidez e estabilidade, mas o empresário assevera “os prémios dão reconhecimento e vieram confirmar o nosso potencial, mas é quando vemos a confiança que os clientes depositam em nós que sabemos que estamos no bom caminho”.

A Valportas no ano de 2007, quando se iniciou esta última crise, teve que tomar uma decisão, quem sabe, talvez a mais importante da sua vida, sobre o caminho a seguir: low-cost ou a qualidade com inovação à mistura. “Graças a Deus que optámos pela segunda e, desde então, temos um departamento de ID que não parou até hoje, colocando assim a fasquia dos fabricantes de portas todos os dias um pouco mais alta”.

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inovação e excelência| i9agri

i9Agri

A Primeira Grande Feira de Inovação Agroalimentar em Castelo Branco Numa iniciativa inédita, mas inovadora, vai ter lugar em Castelo Branco a Primeira Grande Feira de Inovação Agroalimentar de Portugal, a i9Agri – Feira de Inovação Agroalimentar decorre entre os dias 4 e 6 de maio de 2017, no Centro de Exposições e Eventos da Associação Empresarial da Beira Baixa – AEBB.

Atentos ao crescente aumento, relevância e peso do setor Agroalimentar na economia nacional e acima de tudo na economia, local e regional de Castelo Branco a Inovcluster e o CATAA- CEi, apostaram na organização da i9Agri, para reunir empreendedores, representantes de empresas agroindustriais e do agronegócio, associações, instituições de ensino superior e profissional, centro de ID, e os sempre necessários financiadores.

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As entidades da administração local, regional e nacional, marcam presença, entre os mais de cinquenta expositores, assistindo às apresentações dos produtos, novidades e acima de tudo a soluções inovadoras para o mercado nacional, internacional e ao cada vez mais exigente consumidor final. Desta forma, a participação neste evento permite o estabelecimento de novos contactos, o reforço de laços comerciais, avaliar a concorrência, medir o mercado,

aumentar a notoriedade das empresas, impulsionar as vendas e concretizar negócios. Nos dias 4 e 5 de maio, o evento de i9Agri promove reuniões bilaterais previamente agendadas entre as empresas e importadores, com vista a alcançar acordos comerciais, no que respeita à internacionalização. “Queremos mostrar provar que a inovação do setor agroalimentar é uma ferramenta estratégica para o


i9agri | inovação e excelência desenvolvimento local”, avança Cláudia Soares, Diretora Executiva da Inovcluster. A responsável acrescenta ainda que “a i9Agri representa uma excelente oportunidade quer para as empresas expositoras aumentarem a sua visibilidade nacional e internacional, através da valorização da sua aposta na inovação, quer para a Inovcluster, que, além de reforçar laços de cooperação nacionais e internacionais, contribui para a visibilidade do setor agroindustrial português, no caminho do aumento da competitividade das empresas do setor”. O Setor Agroalimentar é uma clara aposta da Câmara Municipal de Castelo Branco, que numa lógica de desenvolvimento sustentável tem vindo a criar as condições para a existência de um cluster agroalimentar no concelho e na região. Apoiada nos últimos anos, num crescimento social e económico que coloca o Concelho, como motor de desenvolvimento no Interior de Portugal, a autarquia Presidida por Luís Correia, através da InovCluster e do CATAA tem apostado na indústria agroalimentar e na promoção local e internacional dos produtos endógenos de Castelo Branco, caso do Figo da Índia, do Mel, da desidratação de frutos, queijos, enchidos, entre outros produtos. Seguindo igualmente, uma estratégia de internacionalização tem sido forte o apoio dado à internacionalização e procura de novos mercados, através da presença dos produtores da região em inúmeras feiras internacionais. A Câmara de Castelo Branco tem apostado e investido nos últimos anos num conjunto de projetos de dinamização do setor e de criação de infraestruturas de apoio ao setor agroalimentar. Desta forma, “criámos em Castelo Branco um verdadeiro ecossistema Agroalimentar. Um ecossistema com foco nas empresas e nos empreendedores, alicerçado nas suas necessidades e com foco no aumento da sua competitividade”, refere Luís Correia. O Presidente da Câmara escalabitana considera ser “evidente o apoio ao nível da conquista de novos mercados, em que os

produtos de Castelo Branco têm marcado presença em vários mercados, sendo já conhecidos vários casos de negócios concretizados nestes mercados. Podemos inclusive referir como positivo a criação de novos postos de trabalhos nestas empresas agroalimentar com um perfil direcionado para acompanhar a internacionalização das empresas”, conclui Luís Correia. É precisamente nesta lógica que surge a 1ª Feira da Inovação Alimentar. Em simultâneo, com a i9agri terá lugar o III Congresso Internacional Inovcluster, um congresso que tem reunido, nos últimos anos, cerca de 200 profissionais nacionais e internacionais do setor, para partilha de conhecimento, experiencias, novas soluções e ideias que contribuam para o desenvolvimento do setor agroindustrial. Para a edição de 2017, o mote escolhido para os congressistas foi: “ Pensar global para o desenvolvimento agroindustrial”, que desta forma, vão debater a inovação, a cooperação, o financiamento, o empreendedorismo e a internacionalização, procurando aprofundar estes temas, por forma a perceber as reais e efetivas necessidades das empresas e do setor. Na sua gestão, na tecnologia, na sustentabilidade e na criação de novos produtos agroalimentares, na sua aplicabilidade aos campos da comunicação e na abordagem ao cliente final. A partilha de experiências e casos de sucesso, neste Congresso, vai igualmente servir para as entidades da administração local, regional e nacional, que vão estar presentes abordarem com os profissionais do setor temas como a Cooperação, o Financiamento, o IDI, o Empreendedorismo, a Internacionalização, assim como, ficarem a conhecer os projetos atualmente desenvolvidos pela InovCluster. Com sede na cidade de Castelo Branco, a InovCluster Associação do Cluster Agro-Industrial do Centro, tem como principal missão contribuir para que a Região Centro se

afirme ao nível nacional, ibérico e europeu como um território líder nas fileiras agroindustriais de excelência, suportado na singularidade e na qualidade dos seus agrorecursos, na preservação da biodiversidade e da diversidade paisagística dos seus espaços agrícolas e rurais, e na competitividade dos sistemas produtivos locais e regionais. O InovCluster, tem à data, 177 associados, dos quais 143 empresas, e entidades como: Associações/Cooperativas, Instituições de Ensino Superior, Instituições de I&D ligados ao setor agroindustrial e agroalimentar e vários municípios da região Centro. Os seus eixos prioritários são: • Promover o setor agroindustrial da região centro em mercados nacionais e internacionais • Identificar e divulgar produtos junto de potenciais importadores • Estimular a inovação e o empreendedorismo • Dar a conhecer novas perspectivas e linhas de ação no setor. O CATAA - Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar de Castelo Branco, é detentor e gestor do Centro de Apoio Tecnológico Agroalimentar e do Centro de Empresas Inovadoras (CEi) e é constituída por três unidades laboratoriais (físico-química, microbiologia e análise sensorial) e por quatro unidades de desenvolvimento tecnológico (lácteos, cárneos, azeites e hortofrutícolas). No seu conjunto o CATAA está vocacionado para a investigação e desenvolvimento, para a transferência de tecnologia e para a formação, no sector agroalimentar. O Centro tem vindo a desenvolver a sua atividade de apoio técnico e tecnológico à agro-indústria em três grandes áreas de intervenção: • Inovação e Desenvolvimento de Novos Produtos • Investigação Aplicada e Desenvolvimento Tecnológico • Capacitação e Prestação de Serviços Para o efeito, foi equipado com laboratórios de tecnologia de ponta, o que permite prestar serviços nas áreas das análises

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inovação e excelência| i9agri

de microbiologia, físico-química e sensorial, o CATAA tem nas suas quatro unidades tecnológicas (Produtos Lácteos, Azeite, Carnes e Hortofrutícolas) instrumentos que têm conduzido ao desenvolvimento de novos produtos para o mercado. Exemplos do que tem vindo a ser desenvolvido: a desidratação de fruta (pêssegos, mirtilos, figo da índia, e mosto de maçã), cristalização de frutos, ou, ainda, ou a liofilização (congelação rápida e desidratação) de framboesas, cerejas, ervas aromáticas, figo da índia, carne e peixe. Uma das grandes apostas da autarquia albicastrense, através do CATAA, passa mesmo pelo Mel, e em dois níveis: da investigação e da produção. Assim, está a ser levada a cabo uma investigação que permitirá identificar compostos no mel que podem ser úteis à saúde, tendo já sido analisados 80 méis da região centro. Recentemente na Central Meleira, instalada na zona industrial de Castelo Branco entrou em funcionamento o único equipamento do distrito que purifica a cera produzida pelas abelhas e a transforma em novas lâminas para as

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colmeias. Para fechar o ciclo do mel, existe o Centro Nacional de Produção de Abelhas Rainhas, criados pela Câmara albicastrense, o que permite que o concelho tenha o ciclo completo do setor. O mesmo acontece com a produção do figo da índia, onde além de todo o trabalho desenvolvido no CATAA, foi construído pela autarquia, um Centro de Transformação daquele produto, localizado na freguesia das Benquerenças. O CEi - Centro de Empresas Inovadoras, gerido pelo CATAA - Associação Centro de Apoio Tecnológico AgroAlimentar de Castelo Branco, é uma instituição de apoio ao empreendedorismo e ao desenvolvimento empresarial, com valências de incubação, fabricação, prototipagem e transferência de tecnologia e formação, no sector agroalimentar. Desenvolve as suas atividades através de um conjunto de etapas desenhadas para proporcionar diversos apoios aos seus empreendedores. Exemplo, disso mesmo, a recente criação da academia de formação e de desenvolvimento de novas tecnologias, a Proside Academy

por via de uma parceria entre o CEi e a Proside, uma empresa tecnológica de desenvolvimento de software. A funcionar nas instalações do CEI começou a dar formação a 15 jovens tendo já sido criados quatro postos de trabalho. Formandos a quem a Câmara de Castelo Branco pretende criar condições para “vir a ser empreendedores, criar a sua própria empresa ou mesmo virem a integrar os quadros da empresa”, refere o Presidente Luís Correia para quem a Autarquia mais não está do que “a fazer a sua obrigação”, ao facilitar a dinâmica entre empresas, o CEi e a criação de postos de trabalho. O Concelho de Castelo Branco, tem neste momento, através das suas instituições, e inúmeras iniciativas nos mais variados quadrantes, um “enorme potencial” oferecendo atualmente “todas as condições, o que incentiva a criação de postos de trabalho e de emprego na área digital. Com empresas e ‘startup’s’ instaladas, com a academia, o CEi oferece todas as condições para poderem desenvolver e investir aqui”, considera Luís Correia.


empresa | tema

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TORRES VEDRAS, CAPITAL DA HORTICULTURA E


E AGRO-INDÚSTRIA

As fileiras com maior peso no Concelho de Torres Vedras, tendo apenas em conta a área ocupada, são a vinha, culturas forrageiras e pastagens, culturas cerealíferas, fruticultura, batata e horticultura. Importa referir o elevado minifúndio existente. Com um valor médio inferior a 0,5 explorações por hectare, surgem com grande significância as culturas industriais, prados e pastagens permanentes, viveiros, prados temporários e culturas forrageiras, cereais para grão, frutos frescos e vinha. Apesar de heterogéneo, o concelho, pode-se caracterizar, de um modo geral, como que dividido em dois setores. O setor norte: relevo menos acentuado, povoamento menos disperso e um menor aproveitamento agrícola, prevalecendo a floresta; e o Setor sul: relevo mais acidentado, solos mais férteis, maior conforto ambiental, maior aproveitamento agrícola, povoamento mais disperso. A cultura que apresenta maior dinamismo é a horticultura, havendo cada vez mais uma maior profissionalização e investimento em infraestruturas e equipamentos. A produção de vinha tem crescido exponencialmente no concelho, sendo, nesta altura, o de maior produção na região Oeste.


torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | adega fonte das moças

A qualidade como fator de identidade A Revista Business Portugal foi conhecer a Adega Fonte das Moças, um espaço onde se respira a excelência dos vinhos e a história de uma região. Num périplo pela propriedade, conhecemos recantos nobres e ímpares, com destaque para as vinhas a perder de vista, para a adega mosqueada de história e tradição, bem como o espaço dedicado a prémios e distinções.

João Melícias Administrador

A gestão da Adega Fonte das Moças é assegurada por João Melícias, um homem carismático, dinâmico e empreendedor que emana uma grande paixão pelas vinhas e pelo vinho. Agrónomo de formação e enólogo de paixão, foi assim que João Melícias se apresentou, presenteando-nos com uma breve resenha daquele que tem sido o seu percurso no mundo dos vinhos. Foi pela mão do professor Manuel Vieira, que o nosso entrevistado se dedicou à enologia, contudo a tradição vitivinícola familiar também contribuiu para alimentar e consolidar a paixão que sente pela vinha e pelo vinho. O seu percurso como enólogo iniciou-se na região do Alentejo, onde prestava assistência técnica a diversas empresas vitivinícolas de referência. A sua experiência e know-how enquanto enólogo permitiram-lhe granjear um sucesso assinalável e

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estender a atividade até à região de Lisboa. O apego às suas raízes e à terra e região que o viu nascer, levou-o a adquirir uma propriedade contígua à casa onde nasceu e cresceu e a aventurar-se, há cerca de 25 anos, num projeto de produtor engarrafador, assumindo um total de 20 hectares. Criar um produto diferenciador, de qualidade e com a sua assinatura sempre foram as premissas para fazer nascer este projeto, um pouco inspiradas nas regiões vitivinícolas de excelência existentes na Europa. “Este projeto implicou adaptar uma adega pequena e tradicional e apostar numa seleção de castas, muitas delas uma verdadeira inovação para a região”, refere João Melícias, destacando a Touriga Nacional, Touriga Franca, Aragonês ,Castelão, Syrah e Cabernet Sauvignon nos tintos. Já nos brancos, o enólogo apostou essencialmente no Arinto, uma belíssima casta

com bastante elegância e mineralidade, sob o ponto de vista aromático garantindo também longevidade aos vinhos resultantes. Com base neste pensamento e nos conhecimentos enológicos que foi adquirindo ao longo da vida, João Melícias deu asas às suas ambições e conseguiu adquirir notoriedade ao longo dos últimos 25 anos. “Contudo, para produzir um produto diferenciador, este tem que ter um preço de referência, o que nem sempre é fácil, por isso comecei a apostar no mercado internacional, visitando certames e feiras e cheguei a vender vinhos para o Brasil e para a Alemanha, em volumes interessantes”, lembrou o enólogo, sublinhando no entanto que o mercado internacional começou a perder expressão no âmbito da sua empresa por várias razões, mas essencialmente porque começaram a estar em destaque


adega fonte das moças | torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria os chamados “vinhos do novo mundo”, provenientes do Chile, Argentina ou Uruguai, “que têm preços absolutamente imbatíveis, essencialmente pelos baixos custos de produção, que começaram a invadir os mercados que tradicionalmente eram da Europa”, esclarece João Melícias. Hoje em dia, os vinhos Fonte das Moças estão basicamente direcionados para o mercado nacional, não obstante vendas pontuais para outros mercados. João Melícias lembra que foi em 1993 que fez a reestruturação da propriedade criando 20 hectares de produção e, volvidas duas décadas, tem quatro hectares em reconversão e 16 a produzir os vinhos Fonte das Moças, que se traduzem numa capacidade de produção média anual de 120 mil garrafas. A Adega Fonte das Moças é um espaço apetrechado com moderna tecnologia, que apresenta uma simbiose perfeita entre o moderno e o tradicional, integrando no mesmo edifício um conjunto de áreas que vão desde a produção ao estágio em barricas de carvalho e de vinhos engarrafados. Cada vez mais os consumidores querem um produto diferenciador e de grande qualidade, esta é uma tendência nacional e internacional, até porque as pessoas têm mais informação e são mais exigentes e é por esta lógica que

João Melícias tem pugnado ao longo de todo o seu percurso, não sendo por isso de admirar os variadíssimos prémios e distinções conquistadas. O enólogo define os seus vinhos como diferenciadores e de qualidade, sendo os brancos feitos à base de arinto, “que se apreciam muito enquanto jovens, mas que ganham bastante com a evolução, porque têm longevidade. Os tintos são simpáticos enquanto jovens, mas de grande complexidade na meia-idade e às vezes notáveis quando são velhos”, explica. João Melícias destaca ainda que a Adega Fonte das Moças têm “um espaço que foi pensado e desenhado para acolher uma loja de venda ao público”, até porque cada vez mais os clientes procuram diretamente os seus produtos, apesar de continuar a manter os atuais distribuidores. Por outro lado, desvenda a parceria com uma empresa de enoturismo que recebe grupos de turistas e os leva a visitar o universo da Adega Fonte das Moças, que apreciam vinhos de qualidade e excelência, verdadeiramente notáveis e diferenciadores. Em termos de futuro, João Melícias desvenda o sonho de aliar à atividade vitivinícola, uma vertente de enoturismo mais consolidada, que permita aos turistas visitar, conhecer e degustar os vinhos, bem como um espaço de alojamento, oferecendo uma experiência diferenciadora, que possibilite

ao turista ‘respirar’ a essência da Adega Fonte das Moças, transformando-a de igual forma num polo de atração para a região. Região de Lisboa como mais-valia De Estremadura passou a Lisboa. Esta é a mais recente região vitivinícola: Região de Vinhos de Lisboa. A alteração da indicação geográfica de Estremadura para Lisboa justifica-se no contexto de reorganização institucional do sector vitivinícola e surge após estudos levados a cabo e que concluíram que a utilização de “Lisboa”, enquanto cidade da região de produção, seria a indicação geográfica com maior valia, tendo em consideração fatores positivos, nomeadamente para os mercados externos, pelo facto de possuir mais notoriedade quanto à sua localização, um pouco à semelhança do que podemos encontrar em toda a Europa.

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torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | vegoeste & vegigreen

Hortícolas com qualidade e distinção

Susana e Afonso Miranda Administradores

Vegoeste & Vegigreen são as duas marcas desta empresa de produtos hortícolas que detém oito hectares de produção e assume igualmente a comercialização de tomates e courgettes, apostando na qualidade como o grande pilar da sua atuação. A Revista Business Portugal foi conhecer a exploração agrícola de Afonso e Susana Miranda, um casal empreendedor que tem vindo a granjear uma posição de destaque no mercado da horticultura.

Afonso e Susana Miranda conheceram-se durante o seu percurso académico, partilhando o gosto pelo mundo rural e por todas as potencialidades que este oferece. Após a conclusão dos cursos ambos trabalharam em empresas de referência do concelho de Torres Vedras, mas cedo perceberam que a área de produção de produtos hortícolas era uma boa oportunidade de negócio com um potencial de

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rentabilidade interessante. Assim, em 2001, Afonso Miranda decidiu seguir a sua veia empreendedora e investir na sua própria empresa, começando com uma exploração de um hectare, metade em solo e metade em hidroponia, no sentido de perceber qual teria maior rentabilidade. “Crescemos lentamente até aos três hectares optando pela hidroponia”. Em 2007, foi a vez de Susana Miranda submeter um projeto de jovem agricultor e, em 2008, iniciar uma exploração de três hectares. Agora, o produtor “não se arrepende” de ter dado o importante passo, até porque a empresa ganhou dimensão e prestígio junto dos parceiros do sector e conseguiu “ganhar nome” no mercado. Hoje em dia, no total, este casal empreendedor assume uma área de oito hectares de produção de tomates e courgettes em estufa. De acordo com Susana Miranda, o

Os dois produtos produzidos e comercializados por esta empresa são bastante diferentes, desde logo, porque a courgette é de produção mais fácil e o tomate requer mais cuidados, por isso, desde o início do processo tem que haver um controlo muito rigoroso. Todos os anos surgem novos desafios, porque há um conjunto de fatores exógenos que não são possíveis de dominar quer na produção, quer na comercialização. “Em termos de tratamentos fitossanitários, estes só são efetuados em caso de real necessidade tentando sempre intervir na altura certa de forma a aumentarmos a sua eficácia. Para isso faço observações semanais, registando a ocorrência de pragas, doenças e condições atmosféricas favoráveis ao seu desenvolvimento. Por outro lado, faço introdução de organismos auxiliares no sentido de controlar as pragas, numa lógica de profilaxia

grande foco foi sempre a qualidade, nível que só pode ser atingido com um grande acompanhamento e atenção a cada pormenor, por isso mesmo “estamos aqui todos os dias e, eu, especialmente, em altura de colheitas”, revela, salientando que a exploração iniciou-se com tomate, nas variedades redondo, chucha e cacho, “A partir de 2009, apostámos na produção da courgette, no sentido de assegurar um ciclo de produção durante todo o ano, garantindo a sustentabilidade da empresa e dos seus postos de trabalho”, esclarece a nossa entrevistada, lembrando que, nesta altura, a empresa começou a assegurar também a comercialização e o escoamento da produção para o mercado nacional e para o mercado internacional através das marcas Vegoeste e Vegigreen. “No mercado nacional, o único cliente é a Sonae, onde normalmente colocamos 100 por cento da produção da courgette e 20 por cento da produção de tomate. O grande escoamento do tomate, neste momento, é para Espanha”, refere sublinhando que a qualidade e a imagem estética dos produtos têm que estar de mãos dadas.

ecológica em detrimento da luta química”, avança Susana Miranda. Em termos de futuro, Afonso e Susana Miranda pretendem manter a estrutura que alcançaram, privilegiando acima de tudo a qualidade dos produtos, continuando igualmente a consolidar a boa imagem e nome que criaram no mercado dos produtos hortícolas.


torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | liscampo

Cinco valores, uma missão Há 35 anos na vanguarda de um setor em constante mutação, a Liscampo é uma empresa que proporciona ao seu leque de clientes as melhores soluções para o setor agrícola, recorrendo a marcas de excelência e a um serviço de grande proximidade.

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liscampo | torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria

Parceiros de referência Assumindo, desde a sua génese, uma estratégia e um conjunto de objetivos particularmente ambiciosos, o Grupo NOVAGRIL “acabou por se desenvolver, ao longo de 35 anos, num conjunto de áreas de negócio sempre relacionadas com a sua génese”, a agricultura. Para tal efeito, o estabelecimento de parcerias com marcas de excelência desde cedo se assumiu como uma prioridade. Não constituirá, como tal, surpresa que os produtos fitofarmacêuticos comercializados pela Liscampo possuam o selo de qualidade da Bayer. Por outro lado, “temos também importantes gamas ligadas à utilização de fertilizantes”, tais como a Biologicas Canarias, a BioIbérica ou a ICL. Já os clientes que procuram artigos e produtos para jardinagem poderão contar, por exemplo, com a confiança de marcas como a KB ou a Floragard.

Bárbara Corte-Real Administradora

Sediada em Lisboa, mas com estabelecimentos comerciais também em Torres Vedras e Arruda dos Vinhos, a Liscampo é “uma empresa familiar” com 35 anos de experiência e conhecimento na distribuição de produtos voltados para o setor agrícola e principais áreas afins. Atualmente na segunda geração – simbolizada pelos filhos Bárbara e Manuel Corte-Real –, este corresponde a um projeto iniciado pelo engenheiro agrónomo Luís Corte-Real que, após o seu trabalho enquanto diretor técnico da Bayer, optou por desenvolver um negócio em nome próprio, passando “do papel de fornecedor/fabricante para a área da distribuição”. Precisamente com a intenção de alcançar este mesmo objetivo, o empresário fundou em 1982 a Liscampo, em Lisboa, bem como o CAAL – Centro Agrícola do Algarve, aos quais se veio juntar, mais recentemente, a Floracampo, em Árvore (Vila do Conde). “O nosso foco foi apostarmos numa ligação forte com a agricultura e sermos um grupo com expressão nacional”, contextualiza Bárbara Corte-Real. Precisamente neste âmbito e contexto foi constituído o Grupo NOVAGRIL que – paralelamente às três empresas referidas – engloba ainda a firma

Ibercampo, com sede em Madrid e leque de atuação em toda a Espanha.

deslocamos do sul para o norte do país, a extensão dos terrenos vai diminuindo”.

Uma abordagem abrangente Assumindo como grande finalidade “encontrarmos soluções para os agricultores e para as áreas limítrofes desta atividade”, a Liscampo e as demais companhias do Grupo proporcionam uma vasta gama de produtos vocacionados para um conjunto de vertentes, tais como a jardinagem (nomeadamente através de artigos fitofarmacêuticos e adubos), mas também o controlo de pragas, ou o setor veterinário. Para este efeito, o fundador do projeto fez questão de “procurar as melhores marcas que havia no exterior para poder fazer as suas representações em Portugal”, prossegue a nossa entrevistada. A necessidade de o Grupo NOVAGRIL constituir polos em diferentes zonas de Portugal prende-se com o facto de “em termos agrícolas, existirem regiões que são muito demarcadas” no que à sua tipologia diz respeito. De facto, “a agricultura praticada no Algarve não tem nada de semelhante com aquela que é feita no Minho ou na região Oeste e até a forma de se abordar o produtor é diferente”, salienta a administradora, antes de acrescentar que, “à medida que nos

Portugal, um país próspero Um aspeto, todavia, comum a todo o território português que Bárbara Corte-Real faz questão de realçar é “a profissionalização cada vez maior da agricultura praticada”. Afinal, este corresponde a um setor de atividade que, ao longo de 35 anos, evoluiu de sobremaneira, mas cujo potencial deveria ser ainda mais reforçado. “Acho que Portugal tem características únicas, o que nos permite pensar em pequenos nichos de negócio, focados na qualidade”, considera a nossa interlocutora. Sempre atento às potencialidades que “o ótimo clima, as imensas horas de luz solar e a forte presença de água” permitem, o Grupo NOVAGRIL faz questão de disponibilizar ao seu cliente um importante leque de produtos que, mais do que pela referência da sua qualidade, se diferenciam igualmente pelo cariz inovador. Paralelamente ao serviço de comercialização, no entanto, os colaboradores de empresas como a Liscampo não subestimam a importância de proporcionar um “grande papel de aconselhamento técnico e de muita responsabilidade” aos produtores.

Cinco Valores Questionada sobre que aspetos melhor caracterizam a Liscampo e todo o grupo, Bárbara Corte-Real é perentória: “Acho que o que nos define é a forma como estamos ligados às pessoas e a forma como estamos dentro desta atividade”. Igualmente importante, todavia, tem sido o trabalho da equipa assumido pelos 50 colaboradores espalhados de norte a sul do país. “Tivemos muita sorte com as pessoas que trabalham connosco”, confessa a nossa entrevistada, que não se esquece de mencionar “o grande contributo” que a dedicação e empenho desta segunda geração trouxe para todo o grupo empresarial. Atualmente com 35 anos de existência, este é um projeto que conhece a importância de continuar a encarar o futuro com igual frontalidade e expectativa. “O mundo é um lugar de mudanças e nós sempre fomos conseguindo estar preparados para elas”, esclarece a administradora. Não admira, como tal, que as ambições dos próximos anos passarão pela intenção de “estar sempre à frente e apostar nos produtos mais recentes e inovadores”, fazendo alusão àquilo que são os cinco valores que caracterizam o Grupo NOVAGRIL: a ambição, o grupo, o rigor, a inovação e a lealdade.

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torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | união de freguesias de carvoeira e carmões

Carvoeira e Carmões, entre a tradição e o futuro Apostando numa política de proximidade e na necessidade de atrair nova população para Carvoeira e Carmões, o presidente da União de Freguesias, José Manuel Cristóvão, partilhou-nos a sua obra em nome de um território repleto de potencial. tendência que faz questão de contrariar desde 2013. “A nossa política é feita de forma muito próxima da população”, pois “o autarca, no verdadeiro sentido da palavra, deve estar perto das pessoas”. Fazendo jus a esta filosofia, a União de Freguesias está dotada de uma equipa multidisciplinar de colaboradores, sempre disponível para apoiar e aconselhar todos quantos venham à procura de auxílio. Uma vez ultrapassadas as dificuldades geradas pelo processo de agregação, “nestes últimos dois anos conseguimos ter uma freguesia coesa e a funcionar no seu todo”, considera José Manuel Cristóvão. Dinamismo e iniciativas Caracterizada por uma invulgar riqueza no que às infraestruturas e equipamentos diz respeito, Carvoeira e Carmões pode orgulhar-se dos serviços prestados – a título de exemplo – pelo seu centro educativo, pela extensão do seu parque eólico, pelas provas que decorrem no seu terrodromo, pela variedade do seu equipamento agrícola, ou pelo dinamismo que sobressai das atividades protagonizadas pelo tecido associativo. O apoio às coletividades corresponde, também ele, a outro dos imperativos assumidos pelo atual executivo. Lamentando a burocracia que muitas associações atravessam na tentativa de organizar eventos, a equipa chefiada por José Manuel Cristóvão não se coíbe de auxiliar como pode. A comprová-lo, a freguesia conta com um recém-criado pavilhão gimnodesportivo que proporcionará um interessante espaço para as diferentes coletividades – bem como as turmas escolares – desenvolverem as suas atividades. José Manuel Cristóvão Presidente

Criada no âmbito da reorganização administrativa de 2012/2013, a União de Freguesias de Carvoeira e Carmões é um território com 2.414 habitantes que se prolonga por uma área total de 20,9 km2. Enquanto elementos do concelho de Torres Vedras, Carvoeira e Carmões correspondem aos locais onde a beleza da paisagem natural assume um protagonismo partilhado com o cariz solidário e hospitaleiro das suas gentes. Um dos aspetos que, desde logo, se constata pelo elevado número de propriedades rurais aqui situadas é a força económica que as atividades como a produção de frutas e vinha assumem. Falar de Carvoeira e Carmões implica, desde logo, uma alusão à grande qualidade dos vinhos aqui laborados que são – tal como salienta José Manuel Cristóvão – “comprados por algumas das melhores marcas nacionais”. Resultado não apenas de uma agricultura moderna, mas também de elevado conhecimento, são várias as medalhas (conquistadas em Portugal e no estrangeiro) que a Adega Cooperativa de Carvoeira e outros produtores têm reunido ao longo dos anos, contribuindo para alastrar o mérito de uma terra que nasceu para o vinho. Política de proximidade Apresentando-se como “autarca desde o 25 de Abril e presidente desde 1989”, José Manuel Cristóvão conta com um vasto currículo político. Atualmente ao leme da recém-gerada União de Freguesias de Carvoeira e Carmões – ao serviço da qual não recebe qualquer remuneração – tem protagonizado um mandato definido pela proximidade e pelo apoio social. De facto, e sem esconder a sua oposição ao princípio da anexação de freguesias, o nosso entrevistado lamenta que deste modo “o Povo deixe de estar tão próximo do poder político”,

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união de freguesias de carvoeira e carmões | torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria

Pavilhão Gimnodesportivo

Cidade geminada Em honra à sua tradição vitivinícola, Carvoeira e Carmões assumiu um protocolo de geminação com a comuna francesa de Saint-Caprais-de-Bordeaux que, nas palavras de José Manuel Cristóvão, “tem servido para abrir a nossa visão”. Assente numa relação de intercâmbio pensada não apenas para os produtores regionais, mas também para jovens em idade escolar, existe a expetativa de reforçar ainda mais esta relação umbilical entre dois territórios que, embora distantes na geografia, partilham uma afinidade simbólica. Questionado sobre que futuro deseja para a freguesia, o ainda presidente é perentório: “Gostava de ver a Carvoeira muito melhor”, algo por que “com a nossa ginástica financeira e a troca de ideias que há na mesa [do executivo] temos vindo a lutar”. Orgulhoso da “quantidade de jovens bem formados e humildes” com que o território pode contar, o futuro adivinha-se radiante, embora não alheio a muito esforço.

Uma obra em nome do futuro Ao longo de toda a conversa são notórias a visão e o projeto que o atual presidente da União de Freguesias idealizou ao longo dos últimos anos. Ciente da necessidade de atrair novos habitantes e revitalizar o património edificado, o ‘Reabilitar para Arrendar’ corresponde a uma iniciativa que – mediante a disponibilização de financiamento – incentiva os proprietários de habitações degradadas a proceder à respetiva requalificação do seu imóvel, tendo em vista a sua colocação em regime de arrendamento. Entretanto, e fazendo jus ao intuito de cativar novos residentes para a freguesia – contribuindo para o aumento da população –, ‘o Caixa Cegonha’ assume-se como um incentivo à natalidade. Por outro lado, e a pensar na importância de valorizar o potencial dos mais jovens, é anualmente atribuído um prémio monetário ao ‘Melhor Aluno da Freguesia’ (um por cada ciclo de ensino). Mas estes correspondem apenas a alguns exemplos da solidariedade com que os agentes locais encaram as necessidades de quem aqui vive e cresce.

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torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | união de freguesias de campelos e outeiro da cabeça

Educar, unir e auxiliar Natalina Luís, presidente da União de Freguesias de Campelos e Outeiro da Cabeça fala da importância que o apoio social e o ensino têm vindo a assumir no decorrer de um quadriénio marcado por desafios e muita iniciativa.

Natalina Luís Presidente

Caracterizada pela presença de duas centralidades particularmente distintas, a União de Freguesias de Campelos e Outeiro da Cabeça é uma unidade administrativa ainda recente, que se propaga por uma área de 29.9 km2, onde reside uma população de 3.667 habitantes. Particularmente rico no que às vias de comunicação diz respeito, é no território de Outeiro da Cabeça que podemos encontrar a estação ferroviária, característica que faz de si “um espaço excelente para a implantação de indústrias ou empresas”. Esta corresponde, afinal, a uma localidade em tempos bastante dinamizada pelas atividades ligadas à cerâmica, tendência que entretanto se enfraqueceu pelos constrangimentos sentidos no ramo da construção civil. Já de características empresariais mais heterogéneas (e agregando também a maior fatia da população), Campelos assistiu ao saudável progredir não apenas do comércio ou da indústria, como também de atividades ligadas ao setor primário. Efetivamente dignas de destaque ao longo dos últimos anos, a pecuária e a hortifruticultura têm assistido ao reforço da sua presença, obedecendo a uma filosofia de produção que, para além da mera subsistência, se tem afirmado também no mercado das grandes superfícies comerciais, bem como na exportação. Enquanto territórios que se complementam pela sua natureza, ambos

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correspondem, de resto, a referências no que ao parâmetro da qualidade de vida diz respeito. Apoio social como imperativo Consciente de que o processo que resultou na agregação destas outrora autónomas freguesias ainda se encontra “em transição” e de que persiste “uma separação mental” entre os habitantes de ambos os territórios, Natalina Luís tem contribuído de sobremaneira para o fomentar de um espírito de verdadeiro entrosamento. Paralelamente, todavia, a presidente da União de Freguesias não esconde o seu especial apreço para com as coletividades que lutam, diariamente, pelo bem-estar social de toda a população. “Talvez por nos encontrarmos longe da sede do concelho de Torres Vedras, estamos bem desenvolvidos a nível associativo”, constata a nossa entrevistada. O apoio às crianças e jovens – através do Centro Social e Paroquial Santo António Campelos – e o auxílio à população sénior – por intermédio da Associação de Solidariedade Social e de Socorros de Campelos – estão garantidos por entidades “dinâmicas e fortes que são uma grande ajuda para toda a freguesia”. A essas acrescenta-se ainda o “apoio social bastante consolidado” da Associação de Socorros do Outeiro da Cabeça. “Temos conseguido aproximar e apoiar

estas coletividades”, considera Natalina Luís, que acredita que o bom trabalho por partes destes organismos beneficia toda a população. Educação e interação “Temos apostado bastante na educação, porque é uma das áreas mais fundamentais para o futuro”, explica a nossa interlocutora, quando questionada sobre a direção assumida pelo executivo por si liderado, ao longo do atual quadriénio. Posto nisto, e num apelo ao dinamismo e potencial das novas gerações, a União de Freguesias de Campelos e Outeiro da


união de freguesias de campelos e outeiro da cabeça | torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria

Cabeça conta atualmente com um centro escolar renovado em cada uma das duas principais localidades, assegurando-se, deste modo, um ensino moderno, rico em infraestruturas e tão competitivo quanto possível. “Esta iniciativa abriu-nos um novo leque de possibilidades, pois ficámos com as antigas escolas libertas para outras soluções”, prossegue Natalina Luís. A comprová-lo, será num destes antigos edifícios que assentará a sede da Banda e Escola de Música da Casa do Povo de Campelos, a qual funcionará como importante complemento às

infraestruturas do ensino regular. Outra das antigas unidades foi, de resto, reaproveitada para promover um espaço destino às “atividades inter-geracionais” – a Escola 4G – que concilia serviços de apoio ao estudo e colónia de férias com oficinas sénior. Assumindo o “objetivo de juntar as gerações numa troca muito positiva”, este corresponde a um projeto inovador que pretende unir as diferentes gerações e garantir a transmissão de conhecimentos e experiências – como as tradições do artesanato – entre as diversas faixas etárias. Estas correspondem, todavia, a ações que complementam uma importante

renovação de espaços vitais como o mercado municipal, cuja reabilitação das antigas instalações levou à abertura de um mercado social, onde é possível doar e receber roupa reutilizável. Um território com potencial Fazendo jus à “qualidade de vida, ao ar puro e sossego” que por estes locais se respira, Natalina Luís acredita no potencial turístico de Campelos e Outeiro da Cabeça. “Estamos numa situação privilegiada, entre Torres Vedras e Óbidos”, argumenta a porta-voz, antes de salientar a “paisagem bonita, perto do mar e da serra” cuja vista se pode usufruir da freguesia. Nesse âmbito, e projetada para o futuro, está a expectativa de se unirem os principais pontos de interesse da União de Freguesias por intermédio de uma rota especial. No fundo, “vamos aproveitar o que existe e acrescentar-lhe mais-valias” garantindo, deste modo, o cimentar de um território que, como poucos, consegue aproveitar o melhor de dois mundos.

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torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | junta de freguesia de freiria

Freiria, de olhos no futuro

Pedro Bernardes Presidente

Em entrevista à Revista Business Portugal, Pedro Bernardes apresenta-nos a riqueza intrínseca de Freiria, à medida que estabelece o balanço do seu primeiro mandato

Inserida em pleno concelho de Torres Vedras, Freiria é uma freguesia de cariz rural com uma população de 2.464 habitantes (dados de 2011) que se estende por um território de 13,5 km2. Apresentando um heterogéneo conjunto de características – onde as áreas agrícolas e de floresta coabitam com território situado em plena serra – Freiria é também o lugar onde o património natural e edificado se cruzam em perfeita sintonia, o que nos permite atentar, com igual encanto, na pureza da sua paisagem ou na beleza de marcos como a Igreja Matriz. Sem qualquer surpresa, é sobretudo nas atividades ligadas ao setor primário que a freguesia encontra a sua principal fonte de sustento. Tal como explica o nosso interlocutor, Pedro Bernardes, “existe uma aposta na agricultura feita com conhecimento” que, por seu turno, se tem vindo a traduzir “numa agricultura de sucesso”. Provas desse mesmo êxito são a projeção, o reconhecimento e a excelência que caracterizam não só a pera Rocha aqui produzida, como também o próprio labor da vinha. Esta última corresponde a uma cultura “que cresceu no nosso território porque o mercado estava apetecível”, contextualiza o presidente da Junta de Freguesia, que também se dedica à sua produção. Essencialmente inseridos na categoria dos vinhos leves da região de Lisboa, os néctares aqui desenvolvidos têm vindo a conquistar uma aclamação – aquém e além portas – que apenas se torna possível pela competitividade e “excelência” com que os agricultores locais encaram o potencial da sua terra, elevando o nome de Freiria. Freguesia Rural Piloto Pese embora a distância de 12 km que separa este território da sede do concelho de Torres Vedras, desde há muito que Freiria rima com prosperidade e pioneirismo, merecendo

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inclusivamente o reconhecimento de “freguesia rural piloto”. A comprová-lo, foi aqui que surgiu uma das primeiras Escolas Básicas de 2º e 3º Ciclo da região, cuja importância e estatuto se mantêm inalterados, ou não houvesse cerca de 700 alunos – da freguesia, de localidades vizinhas e até do concelho de Mafra – a frequentá-la. Mas o carácter diferenciador de Freiria faz-se sentir também na diversidade e riqueza das suas infraestruturas e equipamentos. Afinal, aqui reside “um dos melhores centros de saúde de Torres Vedras”, não constituindo surpresa que a qualidade do serviço justifique a preferência de utentes naturais de outras freguesias. A qualidade de vida corresponde, de resto, a um dos atributos de que Freiria mais se pode orgulhar, havendo à disposição de todos um equilibrado número de serviços sociais, uma farmácia ou uma dinâmica Casa do Povo. Dinamismo associativo Ativo por natureza, não poderíamos subestimar o modo como o espírito das associações culturais e desportivas de Freiria contribui para o constante revitalizar da freguesia. A título exemplificativo, o Freiria Sport Club proporciona atividades que vão do karaté e pilates ao teatro e ao ensino da música, sem esquecer outras iniciativas como as lições de ballet ou quizomba. Por outro lado, e em nova alusão ao seu cariz pioneiro, Freiria foi o local escolhido para a construção do primeiro campo de futebol sintético no concelho de Torres Vedras. A qualidade da infraestrutura foi já reconhecida pela Academia Sporting Turcifal, que faz questão de treinar os seus atletas neste mesmo equipamento, cimentando ainda mais a popularidade da freguesia.


junta de freguesia de freiria | torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria

Uma nobre missão Prestes a concluir o primeiro mandato enquanto presidente da Junta de Freguesia de Freiria, Pedro Bernardes fala-nos de quatro anos marcados pelo “desafio”, até por ser o único executivo PSD em Torres Vedras. Assumindo desde o início “estar na política para servir a população e não pelo salário”, o nosso entrevistado confessa passar muitas mais horas em torno da missão para a qual foi eleito do que aquilo que o regime legal de ‘meio tempo’ originalmente pressupõe. Tamanho nível de

dedicação apenas se explica pelo incansável afeto que nutre pela sua freguesia. “Quando assumi a presidência da Junta de Freguesia em 2013, encontrei-a em mau estado financeiramente”, explica Pedro Bernardes, numa alusão às dívidas e ao complexo processo de loteamento que então decorria em tribunal. A vontade, no entanto, de concretizar um projeto eleitoral diferenciador acarreta hoje os seus frutos. “Durante quatro anos, conseguimos endireitar uma Junta que estava com problemas graves”, a ponto de “neste momento encontrarmos aqui um suporte financeiro controlado, onde as dívidas estão pagas e o loteamento resolvido”. Significa isto que, no final do atual quadriénio, “podemos encarar a Junta de Freguesia como um organismo dinâmico e com obra feita”. De facto, e paralelamente aos imperativos de estabilização financeira, Pedro Bernardes fez questão de reforçar a rede de passeios disponível em Freiria, contribuindo desta forma para reforçar as acessibilidades e o potencial turístico de um território que encontra nos seus percursos pedestres outro belo argumento de visita. Questionado sobre o porvir, o presidente aponta a necessidade de se realizarem obras de reabilitação nas unidades escolares de Freiria, reforçando ainda mais a qualidade do ensino aqui ministrado. O futuro é, por sua vez, encarado com iguais doses de otimismo e realismo, até porque, tal como vaticina o nosso entrevistado, “Roma e Pavia não se fizeram num dia”.

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torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria | união de freguesias de dois portos e runa

Dinamismo, união e qualidade de vida

Ricos e amplos por natureza, Dois Portos e Runa são territórios com muito para mostrar, experimentar e encantar. Em contexto de balanço, o presidente da União de Freguesias, João Tomás, fala-nos também sobre quais foram as suas prioridades ao longo deste quadriénio.

João Tomás Presidente

Agregadas em 2013, Dois Portos e Runa constituem uma União de Freguesias inserida no concelho de Torres Vedras, que reúne uma área total de 42,3 km2 e uma população de 3.128 habitantes (dados de 2011). Disperso e amplo por natureza, este corresponde a um território que agrega em simultâneo uma essência citadina e um hospitaleiro carácter rural, que encontra nas atividades agrícolas e – mais particularmente – na produção de fruta e na vitivinicultura alguns dos seus ex-líbris económicos. Fazendo alusão a “um vinho que, pelas suas qualidades, concorre a muitos concursos e consegue medalhas de ouro e prata”, João Tomás não se coíbe de elogiar quer os méritos da Adega Cooperativa de Dois Portos – “uma grande maisvalia, pois emprega muita gente” – quer de organismos como a Estação Vitivinícola Nacional, uma infraestrutura única que permite uma contínua investigação sobre um setor importantíssimo para todo o país. Igualmente prestigiante é, de resto, o amplo leque associativo que se estende por uma União de Freguesias “que conta com 20 aldeias dispersas pelo seu espaço”. A título de exemplo, o presidente de Dois Portos e Runa fala-nos do legado de coletividades como a Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Furadouro que, para

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além de contar com o terceiro maior relvado sintético do distrito de Lisboa, promove atividades que vão do futebol à dança artística, ou da centenária Sociedade Filarmónica da Ribaldeira, que se dedica ao importante labor do ensino da música às gerações mais novas. União de desafios e oportunidades Efetivamente orgulhoso de estar perante um território “empresarialmente forte e dinâmico” onde o desemprego

não se assume de forma elevada, o presidente da União de Freguesias reconhece, no entanto, o carácter “forçado” que esteve na origem da agregação legal destas mesmas localidades. Pese embora as dificuldades iniciais, João Tomás garante, todavia, que “com calma e tempo temos conseguido” conciliar o interesse das populações, erradicando antigas rivalidades e garantindo um constante acompanhamento das necessidades de todos os habitantes. De facto, “temos aproveitado os alunos das escolas para


união de freguesias de dois portos e runa| torres vedras, capital da horticultura e agro-indústria Parque Verde de Runa inaugurado a 25 de abri

fazer a interligação” entre as duas ex-freguesias, argumenta o nosso entrevistado, em alusão a “um intercâmbio muito grande que tem promovido essa aproximação”, atendendo ao facto de estes serem dois territórios “que se complementam”. Acima de tudo, o executivo chefiado por João Tomás tem procurado pautar-se por um importante serviço de aproximação, não apenas ao amplo universo da sua população, como também a todo o leque associativo. Fazendo jus a esta mesma filosofia, também a ação social correspondeu a outros dos grandes imperativos assumidos no início do mandato. A comprová-lo, importa salientar o recente Centro de Dia – pensado para a população mais envelhecida – cuja inauguração apenas se tornou possível pelo reaproveitamento de uma instituição de ensino, entretanto desativada pela criação, em Dois Portos, de um moderno centro escolar. Outro dos espaços desativados será, por seu turno, convertido num recinto que servirá não apenas para eventos desportivos, mas também para celebrar os tradicionais festejos da União de Freguesias. Obra e futuro Considerando-se “um presidente satisfeito”, João Tomás faz um balanço positivo do mandato que iniciou em 2013 e ao longo do qual contribuiu para o surgimento de uma associação de socorros que pudesse proporcionar um importante complemento às necessidades da população de Dois Portos e Runa. Consciente, porém, de que “há sempre

algo mais por fazer”, o nosso interlocutor não esconde a intenção de se recandidatar, por forma a dar seguimento ao trabalho por si iniciado. O chefe do executivo salienta, a título de exemplo, a necessidade de reforçar ainda mais o apoio às carências sociais. Entretanto inaugurada a 25 de abril, uma das obras mais simbólicas da atual equipa governativa é um extenso parque à beira-rio, pensado não apenas para a população em geral, como também para o próprio turista. Acreditando que esta é uma infraestrutura que traz “muita qualidade de vida” para todos os que habitam na região interior do concelho de Torres Vedras, João Tomás realça a diversidade de práticas que o

espaço permite. Trata-se, afinal, de um parque que, para além de percursos pedonais e aparelhos de manutenção física, inclui ainda um espaço inteiramente dedicado às crianças, bem como uma horta comunitária. É, efetivamente, com um reforçado dinamismo e “otimismo” que o atual presidente encara o potencial de Dois Portos e Runa para os próximos anos, ou não estivesse este território a assumir-se, cada vez mais, como um ponto de passagem obrigatório, não apenas para quem procura emprego ou o lazer do turismo, mas também o imperativo de algo cada vez mais fundamental: a qualidade de vida.

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LEIRIA E MARINHA GRANDE Sob a alçada do Castelo onde habitara D.Dinis, que data a 1135 está a região de Leiria. Recheada de história e complementada pelo grande desenvolvimento, esta é ,sem dúvida, uma região-chave da economia. Pelas suas paisagens que se fazem de imensas e belas praias, bem como uma natureza viva e inigualável, assim como as praças e todos os monumentos que completam a cidade, esta não é só uma região de passagem. Leria é, já há algum tempo, uma cidade para viver ou fixar o negócio. Com cerca de 125 mil habitantes, registando um nível de envelhecimento abaixo da média nacional e onde cada vez mais empresas se fixam, fazendo jus ao que se diz ser a região sem desemprego. Chega agora a tão aguardada Feira de Maio, que traz todos os anos muitos visitantes, quer pela gastronomia, pela diversão, ou mesmo para conhecer este povo que tão bem sabe receber. A Marinha Grande celebra, este ano, o seu Centenário da Restauração. A Marinha Grande – nestes 100 anos – não defraudou as expectativas depositadas na sua restauração como Concelho. As Comemorações que decorrerão ao longo deste ano incluirão iniciativas em todas as freguesias e terão como propósito central a afirmação do que une todos OS cidadãos do Concelho da Marinha Grande. Fátima recebe este mês o Papa Francisco. Será o quarto Pontífice a visitar Portugal. Espera-se um milhão de pessoas em Fátima, em maio, o que o torna um evento único, como nunca se assistiu em Portugal. Apesar do Papa ir apenas a Fátima, o impacto será no país inteiro.

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ANTÓNIO COSTA VISITA A MARINHA GRANDE

Marinha Grande: um Pacto Territorial que antecipa um novo futuro Um singular exemplo de desenvolvimento, um dos principais centros lusos de exportação, um dos núcleos mais dinâmicos da indústria em Portugal e uma taxa de desemprego que corresponde a sensivelmente metade daquela que se reflete a nível nacional. Todos estes são atributos que poderemos utilizar para descrever e enaltecer o concelho da Marinha Grande e o estatuto que alcançou ao longo de uma história que chegou, em 2017, ao centenário da sua restauração. Precisamente na coincidência destas comemorações, e com o objetivo de dar seguimento ao PTE de 1998 – procurando realizar importantes ações nele previstas, embora acrescentado outras iniciativas, bem como uma perspetiva atualizada para o futuro – foi assinado, no passado dia 21 de abril, o Pacto Territorial para o Emprego e Desenvolvimento da Marinha Grande 2030. Agregando o interesse de uma miríade de instituições de ensino, associações empresariais e centros de investigação, este corresponde a um acordo que estabelece uma série de importantes objetivos para o concelho e, por extensão, para o país. A título exemplificativo, apontam-se a promoção da competitividade e inovação dos setores industriais mais dinâmicos, o alargamento da cadeia de valor associada às indústrias locais, o reforço do potencial do sistema local de inovação, o maior incentivo da capacidade de iniciativa das empresas, uma maior valorização das qualificações dos recursos humanos existentes, bem como a intenção de atrair investimento externo, através do reforço da imagem do próprio concelho. Apadrinhada pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, a sessão de assinatura do Pacto contou também com a intervenção de representantes do universo empresarial (João Faustino, presidente da direção da CEFAMOL) e do setor da educação (Cesário Silva, diretor do Agrupamento de Escolas da Marinha Grande Poente), aos quais se acrescentou o contributo da deputada do Parlamento Europeu, Maria João Rodrigues, e do presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente. Os méritos do tecido empresarial da Marinha Grande e, por extensão, do distrito leiriense falam por si. À margem da cerimónia de assinatura do Pacto, o presidente da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, Jorge Santos, salientou em declarações à Revista Business Portugal que o volume de exportações tem aumentado e que “ainda este ano cresceu cerca de 4 por cento no distrito”, aspeto que cimenta Leiria enquanto “uma das regiões mais dinâmicas” do país. Igualmente importante para este êxito tem sido o papel de entidades como o Instituto Politécnico de Leiria. “Temos procurado fazer a diferença e preparar pessoas que, para além de uma boa formação teórica possuam uma boa formação prática”, sustenta o presidente do organismo, Nuno Mangas. Ouvido pela Revista Business Portugal, o responsável partilhou também um apelo: “Temos que acreditar mais em nós e valorizar aquilo que temos. Devemos olhar para as excelentes empresas e instituições que temos e, sobretudo, valorizá-las não só internamente, mas também no exterior”.

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António Costa (primeiro-ministro) A assinatura deste Pacto é exemplo daquilo que o país necessita para o seu desenvolvimento. Precisamos de melhorar a competitividade da nossa economia, a produtividade das nossas empresas para termos mais e melhor emprego. É estando na crista da inovação que conseguimos desenvolver a nossa economia. É isso que deu a volta à Marinha Grande nestes vinte anos. A contribuição da Marinha Grande para a economia do país é da maior importância, pelo efeito que tem de arrastamento e de fixação de um conjunto de atividades que se fixam em Portugal porque querem estar cada vez mais próximos, designadamente dos moldes que adquirem, para poder desenvolver a sua atividade.

Paulo Vicente (presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande) Somos um concelho com história ligada de forma umbilical, primeiro, à indústria do vidro e, depois, aos moldes e plásticos. Assinalamos este ano o centenário da restauração do nosso concelho, mas celebramos estes cem anos a pensar no futuro. O Pacto Territorial para o Emprego e Desenvolvimento que hoje assinamos é resultado de um consenso com parceiros estratégicos e uma prova de que o nosso passado nos dá o exemplo e a perspetiva, mas que a nossa força e energia estão direcionadas para o futuro.

João Faustino (presidente da direção da CEFAMOL – Associação Nacional da Indústria de Moldes) A excelência, a capacidade de iniciativa, a inovação, a flexibilidade e a adaptação ao contexto económico-social, a competitividade e a internacionalização das empresas e organizações da Marinha Grande têm sido, ao longo dos anos, um fator diferenciador para a afirmação e distinção deste concelho. Da nossa parte, CEFAMOL, sabem que podem contar com o envolvimento, o empenho e a dedicação da indústria para que este Pacto Territorial para o Emprego e Desenvolvimento tenha a dinâmica e o sucesso que todos esperamos alcançar.

Cesário Silva (Diretor do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente) Parece-me importante realçar que só existe um desenvolvimento sustentado se o mesmo assentar numa visão estratégica que valoriza os recursos humanos e seja capaz de contribuir para o maior e melhor nível de qualificação dos cidadãos. É isso que diariamente fazem as instituições de educação e formação do concelho e da região. São disso exemplo a preocupação em promover uma oferta educativa e formativa diversificada e complementar, ao nível do ensino profissional e uma oferta formativa virada para a investigação, as empresas e o emprego, no caso das instituições de ensino superior da região.

Maria João Rodrigues (deputada do Parlamento Europeu) Vi sempre a Marinha Grande como um autêntico laboratório de inovação, sempre à procura de soluções, mesmo perante uma crise e com a entrada no mercado de grandes potências. Sei que não foi fácil, houve um grande embate mas hoje podemos dizer que, mais uma vez, a Marinha Grande deu a volta por cima. Percebemos que foi inventada uma nova solução, adaptada aos novos tempos. Mas percebo que não chega e daí essa ambição com o novo Pacto Territorial para o Emprego e Desenvolvimento. É um programa muito promissor, cheio de visão de futuro.


leiria e marinha grande | metalmarinha

Inovação reconhecida além-fronteiras A comercialização de resíduos metálicos é a principal atividade da MetalMarinha. Fundada em 2005 e direcionada para a exportação, atualmente serve o mercado nacional e internacional. O rigor e a qualidade são os valores desta empresa da Marinha Grande que prestam um serviço personalizado aos clientes. A experiência, a equipa e a forma de trabalho constituem uma aposta sólida no futuro.

Marco Pereira Administrador

experiência, a equipa e a forma como trabalham têm constituído uma aposta sólida no futuro. “Somos muito rigorosos e exigimos muita qualidade, tanto da parte dos fornecedores como da nossa parte, na entrega do material aos clientes. Isso acaba por tornar-se a nossa mais-valia e queremos continuar a seguir essa estratégia”, adianta. Os clientes da MetalMarinha vão desde o Alentejo até ao norte do país, tendo o sul pouca expressão. Presente no mercado internacional, exporta para continentes como a Europa, Ásia e América. Já Espanha e América do Sul são o alvo da importação. “Quem nos procura são

Além dos moldes, vidros e plásticos, também os resíduos metálicos assumem uma posição de destaque na região de Leiria. No ano de 2005, foi criada a MetalMarinha, na altura vocacionada para a exportação. Marco Pereira e o pai já possuíam uma empresa nesta área de atividade mas com a abertura do mercado chinês resolveram apostar num novo segmento de mercado direcionado para a comercialização internacional. “O grupo MetalMarinha tem ainda mais duas empresas: a MetalMarinha Barra e a MetalMarinha Eletronics. Uma é direcionada para produtos semi-acabados, ou seja, lingotes e barra de latão e a outra é para resíduos elétricos e eletrónicos, o que acaba por ser uma parte que queremos apostar no futuro porque há cada vez mais este tipo de resíduos”, começa por explicar Marco Pereira, administrador da empresa. Localizada na Marinha Grande, em 2007 foi dado um passo importante com o alargamento das instalações. A nova unidade, em Martingança, passou a ser o polo central da empresa que é já composta por 20 funcionários. Com uma política de valorização da equipa, a MetalMarinha distribui uma parte do lucro da empresa pelos trabalhadores, numa estratégia de incentivo. “Nós recolhemos tudo o que é resíduos metálicos , fazemos uma triagem, compactamos e enviamos o material para fundições. A nossa principal atividade é o comércio de resíduos metálicos”, explica o administrador. A trabalhar com materiais como alumínio, ferro ,bronze, latão, cobre, chumbo, inox, entre outros, a MetalMarinha aposta em equipamentos inovadores, fixos e móveis, para prestar o melhor serviço ao cliente. A

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produtores de resíduos que têm a necessidade de ter alguns contentores para fazer a recolha. Nós deslocamo-nos à empresa e colocamos os contentores necessários, adequando o serviço à dimensão da empresa. Ou então são empresas do nosso setor, que nos contactam para nos venderem os seus resíduos”, esclarece Marco Pereira. Este serviço personalizado tem tido bastante aceitação e procura da parte dos fornecedores e clientes. A atualização diária de preços e as transações rápidas acabam por diferenciar a empresa e torná-la competitiva. Conciliar a atividade com a integração na sociedade e respeito pelo meio ambiente faz parte da filosofia desta empresa que se orgulha do estatuto de PME Líder há quatro anos. Questionado sobre os projetos para o futuro, Marco Pereira pretende alargar as instalações e melhorar os acessos. “Todos os anos temos a preocupação de renovar e modernizar, por isso vamos fazer um investimento em novas máquinas”, conclui.


leiria e marinha grande | tecnocanto

Reconhecimento além-fronteiras

Fundada em 1997 na zona de Leiria, a Tecnocanto é uma empresa especializada em serviços e produtos de apoio à indústria. Com a gestão nas mãos da segunda geração da família Canto, a empresa, detentora do título de PME Líder desde 2008, aposta agora na internacionalização como fator de desenvolvimento no futuro. Uma relação de confiança A aposta marcada na inovação feita pelos responsáveis da Tecnocanto passa não só pelo planeamento da estratégia da empresa e pela escolha dos melhores materiais, mas também pela seleção da equipa. Para Leandro e Mário Canto, a formação é um fator essencial na altura de selecionar os funcionários da Tecnocanto. “Procuramos contratar pessoas com formação académica superior, que tenham capacidade e teorias para apresentar, porque a prática aprende-se aqui. Uma coisa tem que complementar a outra”, explicam. A empresa é também uma das primeiras empresas portuguesas a obter a certificação de qualidade segundo a norma ISO 9001:2015 atribuída pela TÜV-Rheinland. Todo o investimento e aposta da Tecnocanto na qualidade granjeou à empresa a conquista consecutiva do estatuto de PME Líder e um número fiel de clientes, dentro e fora de Portugal. exportação representa um volume de negócio com peso de 50 a 60 por cento na faturação da empresa, que tem os seus produtos expedidos para vários pontos distintos do globo.

A Tecnocanto foi criada por Mário Canto, atual administrador da empresa, que há 20 anos teve a iniciativa de fundar um negócio de cariz familiar especializado na prestação de serviços e produtos de qualidade para apoio à indústria. Atualmente com os filhos Leandro Canto e João Canto a seu lado, como diretor-geral e diretor de marketing respetivamente, o fundador da empresa pode testemunhar o desenvolvimento e internacionalização da marca que idealizou. Em entrevista à nossa revista, os dois responsáveis destacam que a empresa é especializada em equipamentos para extrusão, eletricidade e automação industrial, bem como na venda de produtos de marcas exclusivas, apoio técnico e conceção de projetos de engenharia e de equipamentos exclusivos para os mais diversos projetos industriais. “O ADN da Tecnocanto é a qualidade, o serviço pós-venda, a inovação e tecnologia. Temos apostado muito na inovação, na nossa área se não inovarmos e se não procurarmos tecnologia de ponta num curto espaço de tempo ficamos para trás”, explicam. Um dos exemplos mais recentes desta filosofia da empresa é a aposta recente, na fabricação de equipamentos de extrusão para a área médica/hospitalar. Com grande ênfase na criação de soluções e equipamentos criados com tecnologia de ponta, a Tecnocanto foi pioneira na Europa na criação da máquina de embalagens flexíveis para líquidos - bag-in-box. “Esta é a máquina onde se nota toda a tecnologia e qualidade de construção que temos. É a mais complexa máquina que oferecemos, fabricada em Portugal e com um consumo energético inferior”, explicam os responsáveis. Embora com predominância no trabalho com a indústria de plástico e de reciclagem, a Tecnocanto está preparada para elaborar projetos à medida de qualquer cliente nas mais variadas áreas de produção industrial. “Nós realizamos equipamentos por medida, máquinas que os nossos clientes não conseguiam encontrar no mercado as quais desenvolvemos de raiz, temos esta capacidade de entregar um projeto chave na mão”.

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Consolidação de uma marca diferenciadora Seja dentro ou fora do nosso país, a Tecnocanto procura criar uma postura sólida no mercado, que seja diferenciada da concorrência e que permita aos clientes reconhecer imediatamente o trabalho e os produtos da marca. E se em Portugal este é um objetivo mais tangível, devido à limitação de mercado, a concorrência a nível internacional é maior, como refere Mário Canto. Apesar disto, os responsáveis acreditam que a sua empresa tem margem para se impor, em grande medida pela qualidade que estabelece no seu trabalho, pela constante inovação e pela capacidade de criar projetos à medida dos clientes. “O nosso maior fator diferenciador é o facto de entregarmos um projeto chave na mão. Ou seja, nós desenvolvemos todo o projeto com base naquilo que o cliente quer fabricar”, explicam Leandro e Mário Canto. Para o futuro, os projetos da empresa passam por consolidar os ganhos atuais e apostar na expansão internacional. “A Tecnocanto quer ser a empresa de referência dentro de todos os nossos sectores de atividade. Queremos consolidar essa posição e apresentar aos clientes as melhores soluções, bem como reforçar a nossa presença internacional, para que seja ainda mais forte e importante”, explicam.


costa e irmãos | leiria e marinha grande

Aprender com os melhores exemplos da região e do país Sabemos bem que os negócios não crescem num dia só, mas muitas vezes desconhecemos aqueles que se consolidam tão simplesmente pelo impulso da vontade. Hilário Costa fala-nos hoje de uma história que antes de ser o percurso de uma empresa é também o percurso de uma família.

Familia Costa (Beatriz, Ana Luisa, Hilário e Helena)

Decorria uma época de oportunidades, quando o seu avô, Luís Costa, de espírito empreendedor e perspetivas visionárias, começou a dar os primeiros passos na atividade das resinas. Um ofício muito pouco comum naquela época, mas que o deixou antever oportunidades e inscrever o espírito empreendedor para as gerações que se lhe seguiam. “Ele é que iniciou tudo isto, não só na resina, que é atualmente o nosso principal negócio, mas também no comércio. Começou por fazer uma pequena ‘loja da aldeia’, denominada Loja do Luís Nicho e mais tarde e até à data presente, a Loja dos Costas. Com o meu pai passou ter um pouco de tudo, desde mercearias, fazendas, ferragens, adubos, cereais, rações para animais, entre outros”, enumera. Neste lugar onde as pessoas acarinham o saber da terra, a loja tornara-se uma referência para a região. Estamos a falar de uma época que ficara muito conhecida pelos grandes fluxos migratórios e que ao fim e ao cabo determinara o crescimento

de uma geração. “As pessoas confiavam muito no meu pai, muitas delas faziam grandes distâncias para virem abastecer-se neste espaço”. A partir daqui o negócio conheceu um momento de expansão. Paralelamente, o seu pai e tios, Hilário, Manuel e Diamantino assimilavam as aprendizagens que o seu avô tão bem estimulava. Após o seu falecimento, em 1934, a próxima geração veio dar continuidade ao progresso. “Quando o meu avô morreu, o meu pai, Hilário Costa tinha apenas 17 anos e deu continuidade à atividade comercial, que passado algum tempo tornou a loja numa referência para a região”, acrescenta o nosso entrevistado. A sucessão não só soube aproveitar os ensinamentos, como trouxe o sentido de resiliência perante as novas adaptações. Em 1945, a Costa & Irmãos foi formalmente constituída e a atividade lançou-se para outros crescimentos. Embora numa primeira fase, o comércio tradicional tivesse grande procura, o neto não esconde que, com o aparecimento das novas superfícies, este tenha sentido alguma recessão. “Hoje ainda permanecemos com esse vestígio para mantermos a nossa tradição, mas claramente é a atividade das resinas que vive maior expressão”, confidencia. Posteriormente, mais concretamente em 1965, o seu tio Manuel Costa, que estava responsável pela parte das resinas, conheceu uma morte precoce e novos ajustes tiveram de ser

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leiria e marinha grande | costa e irmãos feitos. A atividade tornava-se assim o principal sustento de toda a família. O filho de Manuel Costa veio tomar o lugar do pai na área de resinas. “A atividade consistia na aquisição de resina na floresta e transformá-la depois em pez e aguarrás. Por questões de acessibilidade, naquela altura as fábricas de resina situavam-se perto das estações de caminhos-de-ferro e a nossa não fugiu à regra”, explica. A partir do início da década de 70, a empresa iniciou-se na comercialização das rações para animais, tornando-se como agente exclusivo de algumas marcas como as Rações Isidoro, Alprema e, mais tarde, a Povimi (atual Cargill) que se mantém até hoje. De salientar que esta atividade comercial chegou a representar 50 por cento da faturação até finais da década 90, passando a partir daí a decrescer, representando atualmente não mais de 20 por cento. Paralelamente, a partir da 1ª metade da década de 2000, iniciou-se na criação de suínos e logo em 2010 abre uma nova loja para a venda exclusiva de produtos fitofarmacêuticos. Em 1973, Manuel Barbeiro da Costa acabou por sair da empresa e criar o seu próprio negócio, tendo Hilário Costa acumulado funções comerciais. Tudo isto trouxe consequências para a infraestrutura: “A Costa & Irmãos não possuía uma dimensão muito grande, tratavase apenas de uma pequena empresa, mas passado uns tempos juntou-se a quatro industriais e construíram uma fábrica moderna. Aí a transformação passou a ser feita com maior qualidade, rentabilidade e melhores equipamentos”, traduz. A nova fábrica, sem fins lucrativos, tinha como principal missão transformar a resina de todos os associados com técnicas de fabrico mais eficientes. Mais tarde, em 1979, seguiu-se para um projeto de derivados de resina, proporcionando maior valor acrescentado ao pez louro. Da teoria se passou à prática e assim se construiu uma fábrica de 2ª transformação de resinas, que para a época era pioneira e veio a tornarse uma referência das resinas naturais em Portugal. Aqui é preciso elucidar: a resina é um liquido viscoso transparente extraída do pinheiro bravo e da sua destilação obtêm-se dois produtos para a indústria da 1ª transformação: a terebentina (popularmente conhecida por aguarrás) e a colofónia (também conhecida por pez). Entre as aplicações destes materiais, destacam-se colas, borrachas, tintas de impressão, isolamentos, ceras depilatórias e ainda óleos essenciais, perfumes e vernizes. Paralelamente, ao entrar para estes projetos, a atividade da empresa cresceu em termos de negócio. Nos finais da década de 90, entraram em negociações com uma multinacional holandesa para a consequente venda das fábricas. Chegado aquele momento, “tínhamos o know how, mas não tínhamos a fábrica” - e obviamente isto pressuponha outras soluções. “Entre 2000 e 2005 coloquei a minha resina numa fábrica para a sua consequente transformação e, em 2005 os proprietários dessa empresa decidiram vendê-la, e eu adquiri-a”, aborda o empresário. Durante este período, mais precisamente em 2001, Hilário Costa faleceu e atualmente é o filho, com o mesmo nome do pai, o principal gerente da empresa. Em 2005, a Costa & Irmãos celebrou um contrato com a fábrica adqurida - Vieirifabril, Lda, a fim de desenvolver a atividade de uma forma mais autónoma e responsável. Em 2014 a empresa obteve a certificação Kosher e efetuou o registo da marca Costa & Irmãos, depois de se ter registado anteriormente no Reach. Claro que por detrás de tudo isto existiu sempre uma missão: “oferecer aos nossos clientes a melhor colofónia/essência de terebentina portuguesa do mercado” e uma visão: “ajustar-se às necessidades do mercado, abrangendo assim o maior número de setores de atividade e áreas de negócio. Para dar mais sustentabilidade aos nossos produtos temos também vindo a adquirir áreas de pinheiro bravo, de produção própria de resina, com a garantia de que é obtida em florestas com boas práticas de gestão florestal e de resinagem. Levar o produto português mais longe Segundo Hilário Costa, a atividade das resinas tem vindo a atravessar uma fase de renascimento, mas para o seu aproveitamento consistente, o nosso interlocutor não esconde que muito do seu trabalho passa pela defesa da fileira da resina, com o foco na importância da resinagem na defesa da floresta contra incêndios. E se o empresário conhece muito bem os benefícios de um crescimento sustentável não deixa

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também de considerar de grande importância em dar aos resineiros a maior estabilidade possível. “Nós não trabalhamos por impulso, estamos no mercado não só quando o mercado está bom. Procuramos por isso oferecer aos nossos fornecedores e clientes a maior estabilidade. A extração de resina é uma atividade sazonal, mas a comercialização do produto faz-se durante todo o ano”, salienta. A mais-valia de trabalhar com matéria-prima portuguesa traz-lhes maior proximidade com o que está assumidamente ligado à terra, não fosse afinal “Leiria a região pioneira da resina”. Embora não se possa afirmar que a resina portuguesa seja a melhor de todas, ela contém qualidades muito específicas e valorizadas pelos mercados. A empresa acaba não só por criar novos postos de trabalho, dinamizar o setor florestal, como também assegura a permanente evolução profissional dos seus 30 colaboradores. As perspetivas de futuro prendem-se agora com os desafios mundiais. Com um trabalho reconhecido além-fronteiras, a Costa & Irmãos prepara-se para voos maiores, nunca descurando a qualidade e essência que a terra carrega. “Sinto que o trabalho é reconhecido lá fora. Temos tido feedback de certos mercados que no passado não tínhamos. Nós preferimos perder o mercado por preço do que pela qualidade. Faz parte dos nossos valores. Tenho clientes que se foram embora por causa do preço, mas mais tarde regressaram porque reconheceram que a qualidade estava cá”, adianta. A par da atividade empresarial, Hilário Costa é também presidente da Resipinus - Associação de Destiladores e Exploradores de Resina, a única associação representativa do setor da resinagem em Portugal, que visa defender os direitos dos produtores e destiladores nacionais. Além de todo o potencial económico, a atividade soma especial importância no âmbito social e ambiental e, como tal, Hilário Costa não poderia deixar de alertar para a crescente valorização dos resineiros. “O nosso objetivo é reativar a resina no nosso país e assegurar a sua importância na defesa florestal contra os incêndios, além de levar Portugal a uma posição cimeira na produção de resina, que no século passado chegou a ser o 2º maior produtor mundial”


leiria e marinha grande | balbino & faustino

Uma essência que cruza gerações há 36 anos

Marco Faustino Gerente

Se o percurso de uma empresa é muitas vezes o retrato de um país, não poderíamos deixar de notar que a Balbino & Faustino soube aproveitar bem os seus recursos e é na madeira que hoje defendem a sua natureza. Numa aprendizagem que conjuga conhecimentos e competências, a empresa vive inteiramente as relações com os seus colaboradores, despertando para junto deles a consciência social que o trabalho promove.

“Há um paralelismo da empresa com o próprio setor e por isso temos de ter consciência que em 1980 esta região estava tal e qual como o país - cinzenta. Vínhamos de uma revolução. O meu pai (José Coelho Faustino) na altura trabalhava no Porto e o meu tio (José Balbino) tinha regressado da Alemanha. Ao regressar trouxe a vontade de se instalar por conta própria”, contextualiza Marco Faustino, um dos gestores da empresa sediada em Facho (Alcobaça). Esta vontade do tio combinou-se às ideias do pai e a partir

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daí surgiram os primeiros esboços do que viria a ser a Balbino & Faustino. Quatro anos depois, António Balbino veio juntar-se aos dois fundadores, e unidos deram continuidade ao projeto. Com os primeiros 200 m2, a empresa dedicou-se inicialmente à comercialização dos “produtos disponíveis a época, alguns, inclusive, desapareceram mais tarde do mercado”. Nesta época, o norte liderava o setor, mas a fileira da madeira ressurgia aqui com fortalecido vigor. Não tivessem eles

surgido afinal das imediações do Pinhal de Leiria, com envolvência nas indústrias resineira e de pinhão em Pataias, e ainda hoje desconheceriam uma tradição tão palpitante. Durante os primeiros anos, comercializaram entre outros produtos orlas de pvc, mas o ritmo lá fora sugeria novidade e rapidamente a firma preencheu outros segmentos. “Em 1986, tiveram contacto com fornecedores de Espanha e Alemanha, e aí encontraram uma máquina capaz de fazer a junção e o corte da folha simultaneamente”, informa. Dada


a acessibilidade do preço, acabaram por adquiri-la e hoje são conhecidos pela primeira empresa em Portugal a produzir orlas de folhas de madeira, e seguramente a que apresenta maior leque de produtos produzidos a partir dessa matéria-prima. Em 1987, destaca-se outro instante: “Sempre nos focamos na distribuição de componentes para a indústria do mobiliário, carpintaria e construção. Mas o mercado evoluiu e a partir de um dado momento expandimonos para outros territórios, intensificando a vertente industrial”, complementa. Estiveram no epicentro das madeiras em Portugal, mas hoje são muito mais do que isso. Com armazéns no Casal da Areia, Pêro Pinheiro (Lisboa), Frazão (Paços de Ferreira) – que aglutinou os armazéns em Paredes e Barcelos –, Leiria e Faro (Algarve), a Balbino & Faustino mudou quando os tempos o exigiam, e hoje são reconhecidos por possuírem uma das maiores unidades a nível mundial. “Temos consciência de que criamos sempre algum impacto nos lugares por onde passamos e queremos estar próximos das iniciativas e associações”, incentiva. Os factos não mentem. Com 204 trabalhadores, cinco gestores, dois pólos de produção e cinco de distribuição, a empresa assume-se como um parceiro importante no setor, quer pelo produto oferecido, quer pela inovação e trabalho desenvolvido. “Há dez anos atrás toda a gente dizia que este mercado tinha pouca saída, hoje estamos cá e não é só pela venda do produto”, garante o gestor. Respeito pelas relações Sabendo de antemão que a inovação não nasce de planos minuciosamente detalhados, mas de pensamentos transformadores, a Balbino & Faustino ganhou vantagem quando em 86 lançou a sua linha de produção e em 88 já exportava orlas de folhas de madeira para toda a Europa. “O mercado da madeira é muito tradicional, e nem sempre aberto à inovação, mas procuramos ouvir os nossos clientes, fornecedores e colaboradores. Nesse âmbito, iremos em breve lançar três orlas diferenciadoras no mercado,”, revela . E é precisamente na formação e na cultura corporativa que todo o potencial humano retira o melhor de si. “Os recursos humanos são o maior valor que nós temos, pois se as máquinas podem ser substituídas e renovadas, as pessoas não, e as empresas são as pessoas”, salienta. Este papel ativo do colaborador transmite-se posteriormente no contacto com todos os intermediários: “No século XXI, já não conseguimos distinguir-nos pelos produtos, mas sim pelo serviço. Claro que ter um bom produto é relevante, mas é muito mais simbólico sobressair pelo serviço”. A qualidade de distribuição soma-se assim à qualidade industrial, que conjuga produtos, tecnologia e inovação. “É por isso que a nossa estrutura já não pode ser familiar, ainda que continue com a mesma essência - a essência da madeira”, caracteriza. A forte presença em vários pontos do país duplica a responsabilidade e Marco Faustino sabe que a “mentalidade do norte é completamente diferente da do sul, mas as condições de trabalho que eu asseguro em Paços de Ferreira são exatamente iguais às do Algarve e a forma como abordamos o cliente é sempre a mesma”. Este nível de exigência e sentido de coerência motiva as interações, deixando que o regional cative ambições maiores. A exportação aponta agora os 7 por cento e a empresa já transporta o seu nome por esse mundo fora. Na Europa (em países tão diversos como a Inglaterra, a França, a Alemanha, a Holanda e a Bélgica), na América Central e na América do Sul (México e Chile), e no Médio Oriente e África do Norte (Tunísia e Marrocos), encorajam a diversidade e multiplicidade: “Nós não procuramos clientes para uma vez. O cliente grande e antigo é tão importante como o cliente pequeno e recente. Queremos acima de tudo relações de longo prazo”. Dentro desse raciocínio, a Colômbia será um dos próximos destinos a alcançar. “O nosso mundo é feito de madeira” O produto natural, sustentável e de futuro exige um compromisso global e nessa perspetiva a Balbino & Faustino aposta na preservação da natureza, conservando toda a diversidade biológica. “Já estamos certificados com o FSC e o PEFC, e preparamo-nos para avançar para a certificação ISO 14001”. Paralelamente, aderiram ao Compromisso Pagamento Pontual (um compromisso voluntário) e todas as suas ações continuam a ter preponderância na sociedade. Os longos anos de reconhecimento como PME Líder também lhes dá confiança para permanecerem com o caráter essencial e volátil. “Nós acreditamos na madeira, e o nosso mundo é feito de madeira”, traduz. Ainda que a herança carregue um valor muito próprio, a presença de gerações tão diferentes também lhes confere uma visão ampla. Querem, acima de tudo, contrariar expressões como “isso é normal” ou “sempre foi assim”. “Somos honestos, sérios, sem nunca sermos inocentes. Nunca quisemos ser maiores do que ninguém, queremos é superar-nos a nós próprios”, confidencia. A Balbino & Faustino cresce assim com a certeza firme de que o mundo será sempre o seu limite.


leiria e marinha grande | mpr moldes

“A MPR é o trabalho de uma vida” O distrito de Leiria é já reconhecido pelo fabrico e montagem de moldes. Na Marinha Grande encontramos a MPR, uma empresa especializada em serviços de bancada, manutenção e reparação de moldes para plástico. Além da prestação de serviços, Filipe Passagem e Nuno Rosado têm apostado na maquinação e marcam a diferente junto dos clientes.

O início da MPR Moldes começou a desenhar-se baseado em princípios como o conhecimento e a experiência. Filipe Passagem e Nuno Rosado “nasceram” para os moldes na empresa Aníbal H Abrantes e mais tarde trabalharam no Grupo Simoldes, um dos maiores da Europa. Com a falta de mão-de-obra especializada que se fazia notar na Marinha Grande, fundaram a MPR Moldes em 2001. “Criamos a MPR para formarmos mão-de-obra especializada no setor da montagem de moldes”, inicia Filipe Passagem, um dos sócios gerentes. A montagem de moldes marcou o começo desta empresa a nível de serviços. Começaram junto das maiores empresas do setor, com capacidade de maquinaria

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para grandes produções mas sem mãode-obra para apresentar o produto final. Desta forma, a MPR marcou a sua posição e foi acompanhando o desenvolvimento do mercado. “Os moldes têm ciclos de muito e de pouco trabalho. Tivemos que nos ir adaptando aos ciclos e, desde há sete anos, começámos a incluir mais pessoas. Nesta altura somos 18 pessoas, apenas na área da montagem”, reforça. Já para Nuno Rosado, também sócio-gerente da empresa, a MPR é “o trabalho de uma vida”. O trabalho e o esforço tem levado a uma evolução gradual na prestação de serviços, distinguida pela relação com os clientes. “Tentamos estar sempre em sintonia e responder às necessidades. A nossa

opinião conta, aconselhamos o cliente em relação ao processo mas é ele quem decide. A nossa experiência é uma mais-valia para o cliente”, revela. Mas afinal como se caracteriza a prestação de serviços de bancada? Filipe Passagem compara um molde a um lego, com inúmeras peças que depois de montado dá origem ao produto final ou uma ferramenta mecânica. O core business da empresa são os moldes de injeção de plástico, revelando maior procura, contudo, a MPR trabalha ainda com moldes de fundição injetada, moldes de estampagem e outros. Além desta componente, Filipe Passagem e Nuno Rosado têm apostado na reparação e manutenção de moldes e ainda na maquinação de peças, colmatando a

lacuna existente. Investimento e expansão “Desde 2016 até 2019 vamos atravessar uma fase de investimento. Este ano estamos a aproveitar as benesses do programa Portugal 2020 para certificar a empresa – um projeto completamente pioneiro na prestação de serviços. Vai ser um ponto de viragem muito forte para a empresa. Já estamos a trabalhar nisso e o nosso cliente-alvo, após a certificação, vão ser as inúmeras multinacionais existentes no país a injetar plástico, mas que têm uma lacuna muito grande na manutenção”, explica Filipe Passagem. A MPR admite que está bem posicionada


mpr moldes | leiria e marinha grande gente e nós temos o ouro da indústria. Há mais empresas com alguma capacidade, mas nós estamos a ir ao encontro de maior capacidade de organização interna, a nível de instalações, com softwares de visualização”, declara Filipe Passagem. Com uma equipa jovem, a MPR continua à procura de novos colaboradores e destaca profissionais para determinados serviços no exterior. “A nossa qualidade e mão-de-obra é reconhecida e procurada lá fora, principalmente na Europa. Não queremos o melhor profissional do mundo, o que queremos é a melhor pessoa do mundo, para termos a melhor equipa”, completam os gerentes. A humildade e a segurança nos projetos tem levado ao sucesso desta empresa liderada por uma equipa completa. Ter empresas de referência como clientes, como por exemplo o Grupo Vangest, incita a MPR a procurar a inovação, reforçar a sua posição e estabelecer parcerias. “O nosso maior segredo é o conhecimento na área. Não nos limitamos a montar uma ferramenta. Se evoluirmos todos, ficamos mais fortes. O nosso conceito é partilhar ideias e melhorar”, rematam. Para o futuro, com o objetivo de chegar mais longe, a MPR Moldes promete continuar atenta às necessidades do mercado e tornar-se uma mais-valia. “Somos bastante exigentes e queremos marcar a diferença em relação aos demais prestadores de serviços”.

Filipe Passagem e Nuno Rosado Sócios-gerentes

a nível de maquinaria e instalações e para concorrer com outros mercados tiveram que adaptar a indústria. “As empresas investiram nas máquinas que maquinam as partes grandes das peças. Vimos que havia uma

fornecer um serviço de maquinação, além da montagem”, esclarece. Questionados sobre a temática da exportação, os administradores comentaram a sua posição de exportadores indiretos de mão-de-obra e o grande desafio que é gerir

lacuna muito grande nas pequenas peças e altamente técnicas que fazem parte da ferramenta. Fizemos uma grande aposta para

e formar pessoas. “90% do trabalho dos nossos clientes é exportação, por isso somos indiretamente exportadores. Somos especialistas na montagem, uma área onde falta

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leiria e marinha grande | ferreira & filhos

“somos o parceiro a quem o cliente recorre de imediato”

Nuno e António Ferreira Gerente

No ramo automóvel há 25 anos, com venda de viaturas, peças e serviço pós-venda, a Ferreira & Filhos apresenta-se, desde 2012, como o concessionário IVECO na região centro do país, com espaços abertos na Marinha Grande, Leiria e Cantanhede. Com o principal foco na qualidade do serviço prestado, Nuno Ferreira, administrador da empresa, garante que mais do que a dimensão, o importante é que o cliente saia satisfeito e volte sempre que precisar.

Primeiro como espaço multimarcas, depois ligada à IVECO. Assim se resume a história da Ferreira & Filhos, empresa que Nuno Ferreira herdou do pai (António Ferreira) e que está no mercado há 25 anos. Com sede na Marinha Grande, foi assumindo um papel de importância crescente para a marca, num caminho que começou como oficina autorizada, até chegarem a concessionários. “Já trabalhamos com a IVECO há 23 anos, tendo passado para concessionários há 5 anos, ou seja, em 2012. E foi precisamente nessa altura que tivemos que dar aquele input e ir para Leiria, para o centro, para onde estão os outros também”.

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“Inicialmente, surgiu o interesse da IVECO em ter um agente nesta zona da Marinha Grande, até porque era uma oficina grande e que tinha muitos clientes de veículos comerciais, que é o forte deles. Nessa altura, houve a proposta de ficar a trabalhar como oficina autorizada. Entretanto, passámos a ser os primeiros em Portugal a fazer venda de veículos, tendo começado a sugerir aos clientes que trocavam de carro e de frotas que optassem pela IVECO. Isto chamou a atenção da marca, que quando o seu concessionário faliu, teve um interesse pelo nosso projeto. Quando a IVECO nos convida a sermos o concessionário da região, aceitamos mediante a condição de continuar na Marinha Grande, uma vez que o concessionário ficava normalmente na capital de distrito, e quando considerassemos ter as condições necessárias, aí sim, ir para Leiria, o que veio a acontecer em 2015”, conta o nosso entrevistado. Focados em oferecer ao cliente todas as soluções para garantir total satisfação, têm à disposição não só o serviço de venda de viaturas, mas também o de peças e o pósvenda. Para Nuno Ferreira, esse é um dos pontos-chave para o sucesso: “Em termos empresariais, tento transmitir aos meus colaboradores que, naquilo que fazemos, temos que ser os melhores, ter qualidade. Não interessa sermos os maiores, até porque temos noção da nossa dimensão, interessa sermos o parceiro a quem, quando o cliente tem um problema, recorre de imediato. Nós não vivemos só dos clientes aqui da zona Centro, trabalhamos com clientes do Porto, Bragança e outros sítios. E eu orgulho-me de dizer que conheço 99% dos meus. Tenho o prazer de ir conhecê-los pessoalmente e, quando há algum problema, damos a cara. Esse é um princípio que considero muito importante, é um dos nossos trunfos. Mas um dos aspetos que nos diferiencia

é termos um piquete sempre de serviço, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Aliás, fomos a primeira empresa da IVECO a estar certificada em termos de qualidade”. Prestes a inaugurar um novo espaço dedicado à venda de viaturas usadas, também em Leiria, Nuno Ferreira é assertivo ao enumerar os planos para o futuro da empresa. “Os objetivos futuros passam por estarmos atentos à evolução do mercado e conseguirmos manter, como até agora fizemos, um crescimentos sustentado”, conclui.


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JUROS TAEG ENTRADA DESPESAS ATÉ 48 MESES


leiria e marinha grande | automecânica da confraria

28 anos de excelência no ramo automóvel Quer esteja à procura de uma viatura nova ou semi-nova, de um carro para alugar ou de um serviço de reparação automóvel caracterizado pelo maior profissionalismo, a AutoMecânica da Confraria traz a solução. Sempre com inovação, lealdade e simpatia à mistura.

na vida deste grupo empresarial, através da aquisição da Leiribéria, S.A. – o único concessionário exclusivo da SEAT no distrito de Leiria. Esta é uma heterogeneidade de serviços que encontra correspondência apenas na equipa de cinco elementos que lidera o projeto. Posto isto, se Jaime Santos é o administrador do grupo e Francelina António protagoniza um importante trabalho de relações públicas, igualmente vital é o contributo das filhas Alexandra (departamento de marketing) e Sara Santos (administração da Leiribéria, S.A.). Mas numa empresa de verdadeiro cariz familiar, também o futuro papel de Feliciano Santos (atualmente a formar-se na área da Engenharia Automóvel) se assume como imprescindível.

Jaime Santos Administrador

Assumindo-se hoje como uma incontornável referência nacional do setor automóvel, a AutoMecânica da Confraria, S.A. corresponde ao realizar de um sonho e de uma especial paixão cujo início nos remonta ao já distante ano de 1989, momento em que o empresário Jaime Santos – à altura já com um forte bichinho pela área da mecânica automóvel – fundou, a meias com a esposa Francelina António, uma firma de reparação automóvel que ainda hoje dá nome ao grupo (entretanto constituído sociedade anónima). O percurso de sucesso traçado por Jaime Santos ao longo de quase três décadas caracteriza-se, nas palavras do próprio, como “uma evolução feita no dia-a-dia”, numa alusão a um caminho assumido de forma calma, embora firme e determinada.

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Hoje, volvidos 28 anos de tão árduo esforço, a AutoMecânica da Confraria é muito mais do que uma oficina de reparação automóvel multimarca. De facto, a qualidade da empresa e o seu singular dinamismo desde cedo (1992) lhe garantiram o estatuto de agente da marca Renault, à qual se sucedeu, por seu turno, a distinção de Reparador Autorizado Renault em 2008. Um grupo diversificado, uma família unida Paralelamente a esse serviço, todavia, este corresponde a um projeto que soube diversificar o âmbito da sua atividade, através de uma inteligente atenção às necessidades e oportunidades do mercado. Prova disso é o facto de, hoje, a AutoMecânica da Confraria se assumir como líder regional no setor da comercialização de automóveis usados

e semi-novos multimarca, através de três stands (Barracão, Pombal e Marinha Grande), sendo não apenas representante da marca Renault, como também reparador autorizado da Dacia. Mas este é um grupo empresarial que também aposta firme no mercado das peças, através das marcas representadas Renault, Dacia e SEAT, às quais se acrescentam as marcas Ssangyoung e Daihatsu, representadas pela Nova Confraria, sediada em Pombal. Entretanto, e no que à componente de rent-a-car diz respeito, importa referir que a Sarafauto proporciona ainda serviços de aluguer de automóveis ligeiros e comerciais. Já o ano de 2016 presenciou aquele que foi, sem dúvida, um dos investimentos mais importantes

Leiribéria: um ano de crescimento Sediada em plena freguesia de Colmeias, a AutoMecânica da Confraria assumia já um importante impacto em toda a região de Leiria, mas faltava-lhe um trunfo: ter instalações em pleno centro da capital de distrito. Tal como explica Jaime Santos, foi precisamente sob esse imperativo que a aquisição da Leiribéria – “e de uma marca automóvel muito apetecível, jovem e de notoriedade”, a SEAT – ganhou um reforçado sentido na estratégia de crescimento do grupo. Assumir a gestão do concessionário da SEAT tem sido, para Sara Santos, “um desafio muito aliciante e importante para nós”, correspondendo a “um projeto que está a correr muito bem e que, no primeiro ano, superou as expectativas”. A esses elementos, acresce o facto de esta ser uma marca “em forte expansão no mercado” e em total sintonia com “o movimento, o ritmo e as atividades” que melhor caracterizam o distrito de Leiria.


automecânica da confraria | leiria e marinha grande

Jaime Santos, por seu lado, acrescenta que a aquisição da Leiribéria (mais focada na comercialização de automóveis novos, para particulares e empresas) por parte do grupo AutoMecânica da Confraria “tem sido uma mais-valia” até para o próprio concessionário “que tinha perdido alguma credibilidade no mercado, embora agora as pessoas estejam a acreditar cada vez mais no produto”. Se há segredo para o sucesso, ele passa, pura e simplesmente, pelo maior respeito e acompanhamento ao cliente, ou não fosse nos pequenos pormenores que se alcançassem grandes vitórias.

prosseguir um rumo de crescimento sustentado. Igualmente ambicionada é a crescente aposta nos serviços de rent-a-car, aproveitando-se o potencial turístico que a região de Leiria – e o país, no seu todo – tem vindo a reunir. Já no que aos principais modelos automóveis diz respeito, a Leiribéria destaca o SEAT Ateca – nada mais, nada menos do que o primeiro SUV da marca lançado em Portugal –, mas também os novíssimos SEAT Ibiza e SEAT Arona, com estreia agendada ainda para este ano. Por seu turno, o administrador realça também os modelos Kadjar e Grand Scenic da Renault,

descritos como “dois modelos fantásticos e com patamares diferentes”. Já a título de conclusão, e prometendo continuar sempre atento ao mercado, Jaime Santos faz questão de saudar e agradecer a todos os amigos, clientes e colaboradores do grupo empresarial, garantindo que a AutoMecânica da Confraria “está de portas aberta para acolher e dar tudo o que temos”. Porque mais o que uma visão de negócio ou de um caso de sucesso, esta é uma história de verdadeira paixão sobre rodas.

Credibilidade e confiança Acreditando que “juntos somos mais fortes”, Jaime Santos não subestima a importância de ter toda a família envolvida num projeto que faz – através de valores como a seriedade, a confiança e a lealdade – a diferença. Se, todavia, o sucesso da AutoMecânica da Confraria é fruto do bom trabalho efetuado no dia-a-dia, o administrador faz questão de ressalvar o inquestionável contributo dos cerca de 70 colaboradores que “nos ajudam e graças aos quais estamos onde hoje estamos”. Conscientes da importância de proporcionar um serviço que se marque dos demais, esta corresponde a uma equipa de funcionários fortemente qualificada e atualizada no que ao know-how técnico diz respeito. Felizmente, este corresponde já a um mérito devidamente reconhecido a nível institucional (através de importantes distintivos como as certificações ISO 9001 e Centro de Zaragoza), ao qual se acrescenta o continuado estatuto anual de PME Líder, que atesta a qualidade e sustentabilidade financeira da gestão praticada em todo o grupo empresarial. Um futuro risonho Acreditando que “o setor automóvel está a atravessar uma fase muito boa e tem evoluído nos últimos anos”, Jaime Santos não esconde o seu otimismo relativamente ao futuro, bem como a intenção de ver este grupo empresarial

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leiria e marinha grande | sepsancho

“Queremos ser o fornecedor nº1 da suinicultura em Portugal” “Projetamos, Construímos, Equipamos e Mantemos” são as quatro razões para o progresso da SEP Sancho. Localizada na Benedita, distrito de Leiria, a empresa dedica-se à produção de equipamentos agropecuários e serviços para a suinicultura em Portugal. Com 25 anos de atividade, uma equipa de 130 funcionários e instrumentos especializados, o objetivo é continuar a ser uma referência no setor e alcançar mercados externos.

a produzir, principalmente na serralharia. Tentamos que a nossa marca esteja presente, dar um cunho diferente. Não queremos ser mais um nome no mercado, mas sim reconhecidos como um dos maiores distribuidores e instaladores”, assegura. “Estamos sempre a trabalhar” Sancho Silva tornou a sua empresa numa referência no setor e atualmente conta já com uma frota de 40 viaturas e quase 30 máquinas. O estatuto PME Líder foi visto com orgulho e impulsionou a família a trabalhar para alcançar a excelência. “O meu pai continua muito ativo, é ele que anda no terreno e vai falando com os clientes. É exímio e trabalha mesmo aos fins-de-

Tiago Silva Administrador

Estávamos em 1990 e uma quezília familiar ditou o fim de uma sociedade entre irmãos e o início de uma nova empresa. Sancho Silva decidiu seguir um caminho diferente do irmão e através dos seus valores e confiança dos clientes constituiu a SEP Sancho, na altura em nome individual. Sem equipamento para iniciar o trabalho de serralharia, procurou angariar máquinas usadas para trabalhar chapa e equipar a oficina, a fim de responder aos pedidos dos clientes. “Fizeram questão de oferecer ao meu pai duas máquinas novas, enviadas de imediato e prontas para a produção. O pagamento não era prioridade e ficou combinado que pagaria depois, quando tivesse lucro. Ele começou do zero mas trouxe a confiança das pessoas”, afirma Tiago Silva, atual administrador da empresa. Com 25 anos de atividade na área dos equipamentos pecuários, construção e serviços de apoio às explorações de suinicultura, o balanço desta empresa familiar revela-se positivo. A passar pela passagem de testemunho de Sancho e Lina Silva para Tiago e Joana, pais e filhos dividem tarefas com um objetivo comum, o crescimento e a reestruturação. “Queremos fazer uma certificação de qualidade e criar um sistema de gestão completo, mais profissionalizado. Ter 130 funcionários não é o mesmo que ter 50 e é preciso algum controlo e organização”, adianta o filho. A área da construção foi iniciada há 17 anos, pela necessidade de os clientes desejarem projetos ’chave na mão‘. O lema “Projetamos, Construímos, Equipamos e Mantemos” foi designado pelas quatro fases do processo executado pela SEP Sancho. “Nós fazemos tudo o que está relacionado com a suinicultura. Basta o cliente ter terreno, dinheiro para investir e saber qual o conceito que quer trabalhar. Nós temos a experiência e o conhecimento para transmitir, por isso tratamos de todo o processo. Desde o projeto, com a entrega de todos os documentos necessários, desenhos, orçamentos, construção, equipamentos em ferro, plástico ou eletrónico, sempre com a nossa marca, até à entrega do projeto”, explica Tiago Silva. O objetivo é responder às necessidades e pedidos dos clientes, por isso a estratégia da empresa passa pela constante atualização, participação em feiras e elaboração de estudos de mercado. “Percebemos que conseguíamos fazer melhor do que o que encontramos no exterior e começámos

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semana. Herdei dele a persistência, a confiança e a honestidade”, confessa o administrador. Com vários módulos de instalação a nível nacional, a SEP Sancho detém clientes, em núcleos grandes, no Alentejo, Vendas Novas, Santiago do Cacém, Estremoz, Mora e Crato. Já em núcleos mais pequenos, destacam-se regiões como Leiria e Montijo. Em Alvarenga e Fradelos, encontram-se projetos mais específicos na região Norte. A transparência tem permitido a sustentabilidade da empresa no que diz respeito ao bem servir. “O nosso foco principal é o cliente, por isso queremos que ele invista o mínimo possível e tire o maior rendimento”, acrescenta. A aposta na exportação faz parte dos planos da SEP Sancho que pensa ter capacidade e produtos com qualidade para chegar além-fronteiras. Em Portugal não existem muitas empresas dedicadas à suinicultura e ao projeto “chave na mão”, por isso Tiago Silva elogia a variedade de máquinas e os recursos humanos que possuem mas também recorda as despesas fixas. No entanto, a qualidade é uma garantia firmada pela SEP Sancho. “Estamos a elaborar um projeto, não só para a certificação, mas para afinar todo o sistema de gestão, para conseguirmos ter todos os recursos humanos a trabalhar de uma forma otimizada. Isso vai permitir-nos fazer mais e melhor. Assim conseguimos prestar ao cliente um melhor serviço, mais rápido e mais barato e ainda oferecer melhores condições a quem cá trabalha”, explana. A defesa do consumo do porco português e a venda justa do produto faz parte da realidade desta empresa que esteve envolvida num movimento de apoio aos suinicultores portugueses. Atualmente, o preço da carne de porco já subiu mas o administrador reconhece que este é um mercado instável. “Só produzimos 50 por cento daquilo que consumimos, por isso temos uma larga margem para progressão. Podemos ter mais explorações e respeitar o ambiente. Haverá trabalho e estamos a preparar a abertura de novos mercados e produtos, porque há clientes que nos vão pedindo material para bovinos ou caprinos e somos obrigados a evoluir nessas áreas. Hoje temos 90% da capacidade de trabalho nas suiniculturas mas um dia pode ser que cresça para outras áreas”, avança.


leiria e marinha grande | sepsancho

“SEP - Seremos Excelentes Profissionais” A aposta na inovação tem levado a um crescimento favorável e sustentado. A procura de novas soluções e desafios é uma constante para a SEP Sancho que já em 2009 ganhou um projeto que consistia na instalação de câmaras de frio para suínos mortos, em todas as explorações a nível nacional. “Atualmente estamos a desenvolver um projeto para controlo informático de tudo o que existe de eletrónica numa exploração. Vamos poder ter informações sobre as temperaturas máximas e mínimas, perceber se todos os sistemas estão em funcionamento, ter um controlo de ração para que os clientes possam fazer testes de genética e tipos de maneio e saber todas as características do desenvolvimento dos animais. Em Portugal, temos uma grande vantagem: o clima. Com a genética de porco que temos hoje, conseguimos ter uma carne muito saborosa e com uma gordura saudável”, reforça Tiago Silva. Também no sistema de montagem e construção civil a SEP Sancho surge como pioneira, uma vez que os moldes e painéis utilizados são feitos em obra. Assim, o nível de eficiência energética é muito maior e o isolamento mais completo. Para além dos projetos inovadores que passam por transformar a empresa numa gestão familiar mais profissional, o atual administrador quer levar o nome mais longe. “Gostávamos que lá fora se ouvisse falar mais da SEP Sancho. Temos trabalhado com parceiros e fornecedores que começam a perceber as potencialidades do nosso país. Apesar de sermos um país pequeno, compramos muito material, o que os faz questionar da nossa qualidade e grandeza”. Para já a presença nas feiras internacionais tem sido feita como visitantes mas a SEP Sancho ambiciona expor os seus produtos. O objetivo é muito claro: “Queremos ser o fornecedor número 1 da suinicultura em Portugal”.

Tiago Silva, Lina Silva, Sancho Silva, Joana Silva e Jacinta Silva

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leiria e marinha grande | albano morgado

“Estamos ao nível de

qualquer empresa italiana”

Criada em 1927, a Albano Morgado, SA é uma das mais prestigiadas empresas de lanifícios a nível europeu. A aposta na qualidade, design, tecnologia de ponta e inovação do produto tem levado a um crescimento exponencial na produção de tecidos cardados e penteados. Albano José Morgado faz parte da 3ª geração desta empresa familiar que valoriza os trabalhadores e a satisfação dos clientes. Em entrevista à Revista Business Portugal, o Presidente do Conselho de Administração contou como se concretiza o processo produtivo e o sucesso desta empresa vertical, localizada em Castanheira de Pera Albano José Morgado Presidente do Conselho de Administração

A Albano Morgado começou como uma pequena tecelagem há já 90 anos. Como foi o início da atividade? Foi difícil porque na altura existia o chamado ‘condicionamento industrial’ que limitava o desenvolvimento, nomeadamente tecnológico, e a própria criação de empresas. O meu avô iniciou a laboração com apenas quatro teares em madeira que foi a única forma encontrada para se obter o alvará de atividade já que estes teares eram considerados simultaneamente máquinas artesanais e instrumentos de trabalho. Entretanto, e com a evolução

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das circunstâncias, foram adquiridos posteriormente teares em ferro e máquinas têxteis mais modernas. Em 1958, a empresa, ao juntar a cardação e fiação à tecelagem que já possuía, adiciona a tinturaria e ultimação e passa assim a empresa vertical. A partir desse ano, passámos a ser uma empresa que recebe a lã lavada e transforma a mesma em tecido. Com as quatro secções em articulação e sem a dependência de empresas subcontratadas, passa-se a controlar, logo em primeira instância, a qualidade do produto ao longo de todo o processo produtivo, permitindo garantir que

no final, se obtenha um produto de acordo com os requisitos exigidos. Por outro lado, permite-nos também ter um controlo mais rigoroso em termos de prazos de entrega de modo a satisfazer as necessidades temporais dos clientes. A família Morgado estava ligada à área dos lanifícios? A família Morgado não estava ligada à produção mas sim à comercialização de tecidos. Foi a partir dessa tradição familiar e tradição local que nasceu a empresa, já que Castanheira de Pêra, nos anos 60, chegou

a ser o 3º centro industrial da indústria de lanifícios do país. Chegou a ter 12 empresas têxteis de produção de tecido. Na década de 90 houve um novo impulso e remodelação, certo? Exatamente. Nessa altura surgiram alguns apoios europeus e a empresa aproveitou essa facilidade para transformar e evoluir tecnologicamente bem como crescer em termos de área. Após o primeiro grande investimento, em meados de 1972, houve uma segunda fase em 1992 e posteriormente em 2000 com a


albano morgado | leiria e marinha grande deslocalização e construção de um pavilhão novo de tecelagem. Em 2008 foi a vez da deslocalização da cardação e fiação também com a construção de um outro novo edifício. Atualmente temos uma equipa de 84 funcionários. Quem são os vossos principais clientes? Essencialmente as confeções. Houve um período, em 1970/1980 em que tínhamos uma faixa de mercado interessante, a nível de armazéns, ou seja, tecido de venda ao metro. Depois com a evolução tecnológica, a confeção foi ganhando o seu lugar e nós acompanhámos essa evolução, portanto os nossos clientes deixaram de ser os armazéns e passaram a ser as confeções. Nos anos 90, o mercado nacional começou a ser relativamente pequeno para a nossa empresa e apostámos na exportação, pois era imperativo alargar os mercados. Até cerca de 2010, tínhamos cerca de 30 por cento de exportação, atualmente temos 55.

No entanto, o mercado nacional continua a ser uma referência, porque representa quase 50 por cento da nossa produção. Quais são os principais mercados? A seguir ao mercado nacional, temos os mercados nórdicos, como Suécia e Noruega. São países frios e temos que ir de encontro às necessidades de cada país, portanto são os principais mercados de exportação. Logo a seguir temos a França, Alemanha e Inglaterra. Fora da Europa, entre 2010 e 2014 tivemos um crescimento significativo da Turquia, mas pelas dificuldades sociais e políticas que o país atravessa, nos últimos anos temos perdido quota de mercado. Mas

continuamos a explorar outros mercados como o Japão e os Estados Unidos que serão as nossas apostas nos próximos anos. Para que o crescimento das exportações se tenha tornado uma realidade, participamos nas principais feiras internacionais de tecido. Estamos presentes em duas edições anuais da Première Vision em Paris, uma das feiras mais prestigiadas mundialmente e também em outras feiras têxteis espalhadas pelas principais capitais tais como, em Milão, Munich, Londres, Nova Iorque e Tóquio. Penso que foi a nossa presença nestes eventos que nos últimos anos representou o crescimento e a sustentabilidade da empresa até ao presente. E a nível de fornecedores? 80 por cento da nossa matéria-prima é nacional e é lã do Alentejo. Primamos pela tradição e pela utilização do produto nacional. Depois importamos da Austrália e África do Sul, lãs mais finas e limpas, pois

mais-valia para a empresa. Queremos que as pessoas se sintam bem no seu posto de trabalho, pois assim estão mais motivadas e dão o seu melhor. A relação humana é o que temos valorizado ao longo dos tempos e vamos continuar a valorizar para podermos ter sucesso nas várias áreas. Depois temos feito alguns investimentos em tecnologia e máquinas. A Albano Morgado, apesar de estar localizada no interior do país, está ao nível de qualquer empresa do setor. A empresa encontra-se tecnologicamente e em termos de instalações ao nível de qualquer empresa italiana. O produto que oferecemos e apresentamos aos nossos clientes é fruto de todo um investimento realizado de forma constante com o objetivo de melhorar a qualidade e ir de encontro às exigências dos nossos clientes. Como vê o estado do setor em Portugal? Penso que Portugal e as empresas portuguesas têm-se posicionado muito

o mercado nacional não tem essa oferta em quantidades suficientes. De forma mais residual, utilizamos outros materiais como a alpaca, o pêlo de camelo e caxemira também importadas. Mas gostava de ter um mercado que me permitisse utilizar fibras nobres.

bem no espaço europeu. Hoje, o ‘made in Portugal’ já começa a ser reconhecido pela qualidade e não apenas pelo preço. Foi algo que conquistámos nos últimos 20 anos e tem dado frutos positivos em vários setores, como o têxtil e o calçado.

O que diferencia a Albano Morgado de outras empresas da área? As pessoas, que eu penso que é fundamental neste tipo de empresas familiares. Há sempre uma proximidade muito grande entre a administração e os restantes trabalhadores. Temos colaboradores que cá estão há 40 anos e isso representa confiança e conhecimento e constituiu uma

Que projetos tem para o futuro? A nossa grande aposta é aumentar a quota de exportação, alargando a alguns mercados novos e consolidando outros em que já estamos presentes. Iremos continuar a produzir tecido cardado e investir em tecnologia para podermos acompanhar e estar na vanguarda e alcançar o sucesso.

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leiria e marinha grande | restaurante tonico

“Servimos aquilo que o mar nos dá”

António Raimundo, Maria Gomes e Maria Raimundo Proprietários

Fundado em 1976, a Marisqueira Cervejaria O Tonico é conhecida pelos seus pratos de peixe e qualidade do seu marisco. Situado junto à praia da Vitória (Pataias), o Tonico começou por ser uma taberna que foi crescendo e fidelizando clientes até se tornar numa das marisqueiras mais procuradas do distrito de Leiria. A Revista Business Portugal foi conhecer a família Raimundo, responsável pela fundação e sucesso deste espaço.

Assim que se entra pelas portas do Tonico a montra recheada de peixe fresco abre o apetite, o ambiente acolhedor convida a sentar e a simpatia com que recebem cada cliente é notória. O camarão é o ex-libris da casa, mas existe toda uma panóplia de petiscos do mar para descobrir. A açorda e arroz de marisco, a lagosta, a sapateira e os percebes fazem as delícias dos amantes de marisco. Sem esquecer o robalo, sargo e linguado, pescados na costa portuguesa, que são levados à mesa antes da confeção, para aprovação do cliente. O Tonico é hoje um espaço de requinte, muito procurado pela arte de bem servir. Mas nem sempre foi assim. António Raimundo, mais conhecido por “Tonico”, principal responsável pela abertura do espaço há mais de 40 anos começa por nos explicar que o Tonico começou por ser uma pequena taberna onde se serviam tremoços e alguns petiscos do mar. “Tudo começou com a abertura do bar Onda Quebrada aqui neste mesmo local. Na altura o meu

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pai sugeriu-me abrir um negócio para me iniciar no mercado de trabalho”. A ideia agradou ao nosso entrevistado, que avançou com a abertura do bar. Só alguns anos mais tarde nasce o Tonico com as suas “célebres navalheiras”. A qualidade do marisco foi falada em toda a zona e o Tonico começou a caminhar em direção ao sucesso. “Nessa altura já servíamos mais de 70 Kg de navalheiras, ao fim de semana. Fomos também o espaço que mais imperial vendeu nessa época”, acrescenta António Raimundo. Hoje são conhecidos dentro e fora do país pela sua cozinha e ambiente acolhedor, mas as navalheiras deixaram de fazer parte do menu, devido à fraca qualidade com que se apresentam, atualmente no mercado, refere o nosso entrevistado. “Para nós a qualidade é tudo, se o mercado não tiver o produto que procuramos deixamos de o servir. Se não é bom para nós também não vai ser bom para o cliente”, diz Maria Gomes, mulher de António Raimundo e responsável pela receção e serviço de sala. Neste espaço aposta-se na qualidade em detrimento do

preço, por isso jamais será surpreendido pela negativa. Adianta Maria Gomes que no Tonico se trabalha “com um produto de elevado custo, mas abdicar da sua excelência está fora de questão. Se vier cá um cliente hoje ou daqui a dez anos ser-lhe-á servido um peixe ou marisco com a qualidade de sempre.” Por este motivo têm clientes que se deslocam de longe só para se deliciarem com os sabores da casa. Segundo António Raimundo cerca de 90 por cento das pessoas que provam, regressam ao Tonico. Maria Raimundo, filha mais nova do ‘Tonico’, criada naquele espaço, ajuda e os seus pais nas tarefas diárias. É também ela a única privilegiada a quem António Raimundo ensinou a arte e os segredos de cozer os mais variados tipos de marisco, pois um dia será ela a gerir o negócio da família. “Os meus pais trabalharam muito para chegarem até aqui, houve muito esforço e dedicação e eu quero continuar o legado”, fundamenta a jovem. Um dos fatores que entende como diferenciador para além da qualidade inegável é o ambiente familiar que se respira neste espaço. “Queremos proporcionar boas experiências aos nossos clientes, queremos que eles se sintam em casa. Damos muito valor a todos aqueles que vêm de longe só para virem ao Tonico, por isso queremos que disfrutem da refeição e do ambiente familiar que transmitimos.


leiria e marinha grande | chico lobo e mata bicho

“Sempre foi nossa intenção cuidar dos clientes, proporcionar experiências” São dois projetos de sucesso na cidade de Leiria, ligados à área da restauração: Chico Lobo e Mata Bicho. Para além da qualidade dos produtos que servem, sejam refeições, bebidas ou petiscos, pretendem diferenciar-se pelas relações humanas que estabelecem, não só com os clientes, mas também entre colaboradores. Sabino Carvalho e Vasco Ferreira são os sócios gerentes dos espaços e acreditam que a energia positiva, o foco e a atitude podem ser os ingredientes principais para conseguirem ser bem sucedidos. Como surgiu a ideia de criar estes dois projetos? Tudo isto acabou por ser uma situação de crescimento natural. Nós começámos na área da restauração num outro projeto, que já não existe, mas que tinha um conceito tipo sala de estar, tipo um café / bar, que acabava por funcionar muito bem. Mas era um espaço num 2º andar e nós pensamos em crescer, mas num espaço mais amplo, com mais contacto com o público, num rés do chão. E foi assim que surgiu o Chico Lobo, em 2006, e depois o Mata Bicho. O Chico Lobo é um projeto central na cidade, que no fundo se chama Chico Lobo para não se chamar Café Central. O conceito de um café central é que esteja acessível a todos, que ninguém seja ou se sinta excluído por este ou aquele motivo, que serve como um ponto de encontro. Claro que em termos de imagem e conceito num todo, quisemos que fosse um espaço que tivesse capacidade de mostrar tudo o que a cidade tem em termos de desporto, cinema, música e artes gráficas, para enchermos o espaço com um pouco de tudo. O que se pretende, no fundo, é que haja uma comunidade que circule à volta do Chico Lobo e que o apadrinhe, como imagem da cidade. Quando arrancámos, conseguimos prolongar por três anos o conceito “night and day” (noite e

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dia), mas entretanto isso esgotou-se e optámos pela parte da comida, porque acreditamos que o futuro gira mais em torno do confraternizar enquanto se come. No entanto, temos também DJ’s, piano e música ao vivo, apesar de isso não acontecer todas as semanas. Este espaço tem quatro secções, quatro espaços, e isso dificulta que a música ao vivo chegue a todos. Em termos de oferta, no Chico Lobo, pretendemos ter quatro ou cinco cocktails de referência, com apresentação e que nos dêem credibilidade e fundir isso com comida como hamburgers, pregos, francesinhas ou uma pasta. No entanto, estamos a pensar mudar a carta, para uma linha mais cuidada, com ofertas diferentes que nos diferenciem dos outros espaços da cidade. Já o Mata Bicho surgiu da nossa necessidade de termos um espaço efetivo de restauração, onde seguimos um alinhamento mais gastronómico e mais tradicional. Neste momento, as pessoas que procuram qualquer tipo de refeição, ou de um lado ou do outro, vão encontrar. A nossa preocupação neste momento, com o Mato Bicho, é torná-lo mais apetecível para o conceito do “petisco a qualquer hora”, como se vê em Espanha, com as tapas, por exemplo, e que


chico lobo e mata bicho | leiria e marinha grande em Portugal ainda é pouco praticado. Basicamente, queremos vocacionar o cliente para isso. Identificam-se com a ideia de que gerir um negócio destes é como gerir os cinco sentidos dos clientes? Sim, sempre foi nossa preocupação seguir essa linha. Tanto neste como noutros projetos, apelamos muito ao conforto e ao bem estar, às pessoas, ao facto de que além de sairem contentes como o que vieram fazer, se sintam bem, como se estivessem numa segunda casa. Nesse aspeto, sempre foi nossa intenção cuidar dos clientes, proporcionar experiências. Tem sido nossa preocupação constante seguir este alinhamento, temos que fazer a diferença pelo que conseguimos fazer e não só pelo produto. É um dado adquirido que o cliente é cada vez mais exigente. Para além disso, fomos vendo com o tempo que o nosso maior desafio, mais do que os clientes, é a mobilização e a relação com a equipa de trabalho, o manter as pessoas ativas. O nosso negócio são os recursos humanos. Se tivermos uma equipa focada nos objetivos, onde remam todos para o mesmo lado, não há razões para que o cliente não fique satisfeito. É o processo que antecede o sucesso! Nós, no conjunto dos dois espaços, temos uma equipa de 28 pessoas e isso nem sempre é fácil para gerir. Optámos por ter uma pessoa que nos ajude na gestão de recursos humanos e consideramos que nos tem ajudado bastante, porque ajuda a que haja abertura entre todos e a que se discutam assuntos, com todos reunidos, sem que ninguém se sinta diretamente afetado. Qual é o vosso tipo de cliente? Neste momento dependemos do cliente de Leiria, porque nesta zona, mesmo sendo minimamente sazonal, conseguimos não ter uma flutuação muito grande graças ao cliente local, embora cada vez mais se note que no Verão há um aumento, muito devido ao turismo. Nesse caso, estar na Praça Rodrigues Lobo, com uma esplanada que tem o ex-libris à nossa frente, acaba por ser uma mais valia e da qual temos que saber tirar proveito. Grande parte dos clientes habituais sabe que o Chico Lobo e o Mata Bicho são projetos “irmãos”, mas depois há pessoas que continuam a ir só a um dos lados, o que é engraçado perceber, porque se identificam com o espaço, com as pessoas que estão na casa e com o produto. No Mata Bicho há a questão das diárias, porque temos um serviço de almoço que é diferente do de jantar, e então temos pessoas que vêm todos os dias almoçar. Acreditamos tanto neste projeto, que consideramos que ele não nos deixava mal em Lisboa ou no Porto, embora as pessoas ás vezes digam que temos sorte por estarmos no sítio onde estamos. O que consideram ser mais importante para serem bem sucedidos? Boa apresentação, energia positiva, trabalhar a energia das pessoas, atitude e foco nos tais cinco sentidos. Se estivermos concentrados nisso, não há razões para que corra mal. Quase por natureza, no sítio onde estamos, a máquina está a trabalhar. Nós temos é que nos focar em ir oleando, acertando coisas. Mais do que dizermos que temos o melhor bife da cidade, o importante são as pessoas. Trabalhamos de pessoas para pessoas. A experiência que se proporciona é que é importante, algumas vezes mais do que a qualidade do produto. E insisto, é muito importante os recursos humanos, termos colaboradores felizes e motivados, termos colaboradores que saibam que nos preocupamos com eles e com o seu bem estar. Em relação ao futuro, têm em vista um terceiro espaço? Está em estudo, em projeto. Temos algumas ideias, mas as coisas têm funcionado porque acontecem de forma natural e nós nunca quisemos antecipar mais do que o tempo certo para as coisas. Temos algumas ideias, mas que sentimos que ainda não é o momento exato para as pormos em prática. Em Portugal, estamos a assistir não só a uma explosão de turismo, o que nos beneficia, mas também a pessoas que procuram o nosso país para ter uma residência permanente. Nesse caso, Leiria tem um potencial muito interessante, tem autoestradas que ligam Porto e Lisboa, e está perto de Coimbra. Temos tudo para crescer!

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leiria e marinha grande | brisanorte

Diferenciação pela qualidade

12 espaços, 80 funcionários e um objetivo único: primar pela qualidade e pela diferenciação. É assim que a Brisanorte se apresenta ao público, pelas mãos de Armando Rato e Rui Sousa, gerentes desta empresa de Leiria.

Para que possamos contextualizar os nossos leitores, começo por lhe perguntar como surge a Brisanorte? A Brisanorte surge primeiramente como uma empresa de matriz familiar, em que a produção de pastelaria sortida tinha como fim a distribuição por alguns estabelecimentos de restauração da cidade. A nossa essência sempre primou pela diferenciação e aposta na qualidade dos nossos produtos, o que nos proporcionou o

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crescimento que constatámos ao longo de todos este anos. Como já referimos, a pastelaria sortida foi a nossa rampa de lançamento, e sem a qual não teríamos alcançado o sucesso desta nossa cadeia, que se tem expandido também por outras áreas da alimentação, nomeadamente na área da restauração. Hoje, com 23 anos de existência, contamos com uma rede de 12 espaços, um crescimento gradual e sustentado, sempre

com objetivos bem definidos, que visam a incrementação no mercado comercial dos nossos produtos, criando através deles uma imagem de marca com originalidade, exclusividade e sobretudo com muita qualidade. Que balanço faz destes anos de atividade? Um balanço positivo, com altos e baixos como é obvio. Estamos diretamente

dependentes do poder de compra dos consumidores, e ainda temos bem presente a crise que passámos á bem pouco tempo. Não somos exceção á regra, e é claro que também fomos afetados com isso. Consideramo-nos uma empresa empreendedora, lutamos arduamente pela nossa sustentabilidade, e é claro que dos momentos menos bons, há sempre um lado positivo, nem que seja os ensinamentos que tiramos ‘à força’ pela vivência das


brisanorte | leiria e marinha grande dificuldades. Mas nunca fomos de baixar os braços, e queremos continuar a crescer, a melhorar e a aprender, todos os dias! Numa área tão vasta como a pastelaria, o que se destaca na Brisanorte, qual a vossa especialidade? A pastelaria tipo francês, e a vasta oferta de produtos em cake design, sendo também uma grande referência nossa. Não podemos indicar uma única especialidade. Temos colaboradores especializados em várias áreas de pastelaria, o que faz com que a especialidades sejam diversificadas, desde a pastelaria francesa á doçaria regional e conventual. A qualidade é a vossa ‘bandeira’? Sem dúvida! É por aí que procuramos a diferenciação. Apostamos seriamente na vertente da qualidade dos nossos produtos, aliada sempre á constante inovação. Regemo-nos por uma norma fundamental – prestar um serviço com qualidade – que está diretamente dependente da qualidade dos produtos. Como qualquer empresa do ramo alimentar temos implementado o sistema de Autocontrolo/HACCP, por forma a garantir a segurança dos alimentos e velar pela criação, aplicação, atualização e cumprimentos de todos os procedimentos e normas de higiene e segurança alimentar. Para a implementação deste sistema, a Brisanorte tem nos seus quadros uma Engeheira

Alimentar, além de uma empresa externa para auditorias complementares. Mas a Brisanorte é muito mais do que pastelaria. Disponibilizam ainda serviços de catering e produzem igualmente produtos de padaria e salgados. Sim. Tentamos ir ao encontro das necessidades dos nossos clientes. Além dos nossos estabelecimentos, temos também à disposição um serviço de catering, em orçamentamos o serviço à medida de cada cliente, seja em festas a nível particular como aniversários, pequenos almoço de casamento, ou em eventos empresariais. A nível de produção de padaria e salgados, sempre esteve aliada à produção de pastelaria, sendo que são serviços que se completam. Aqui também procuramos a constante inovação e diversificação de produtos, tal como na pastelaria. Além da área da pastelaria, a vossa aposta passa também por espaços como uma gelataria, um restaurante de tapas e uma churrasqueira. Como surgem estes novos conceitos? Quase que como por aventura… Fazemos algumas viagens para fora do pais, na procura de novos conceitos e das ultimas tendências da área, e por vezes deixamonos fascinar com alguns conceitos que achamos interessantes e que podem ser diferenciadores de mercado. • A gelataria destaca-se pelo tipo de

oferta em gelados que temos, sendo eles produzidos de forma artesanal, inspirada nas famosas receitas italianas, utilizando uma seleção rigorosa de matérias primas, trabalhando por exemplo com polpas de frutas naturais o que confere ao produto a excelência do sabor fresco, intenso e cremoso do gelado. A ideia deste conceito surge aliada a uma oferta de produtos direcionada para um público mais jovem, sendo o próprio espaço adequado também a uma camada mais jovem. A oferta é diversificada, e além dos gelados temos crepes doces e salgados, bem como um serviço de refeições mais rápido composto por saladas, hamburgueres, francesinhas, etc. • A churrasqueira surge na necessidade da oferta aos nossos clientes de um local para quem aprecia o ritual da mesa, aliado a um serviço de refeição rápida, económica, de qualidade e numa vertente mais saudavél, na base dos grelhados em brasa de carvão. • A tapas, a nossa última aventura… surge como uma diferenciação de mercado tendo em conta a localização do espaço. Estamos bem no coração da cidade, e temos como mote ‘Das mãos de bem cozinhar, nasce o melhor paladar’. Aliás é uma dos muitas descrições dos quadros que estão espalhados no Bottega das Tapas e que servem para explicar o conceito do restaurante: servir boa comida e bons petiscos. Com uma decoração ‘suis genuris’ mistura vários registos em madeira e

azulejos. As tapas são a imagem de marca da casa e são estes petiscos que mais atraem os clientes. Como têm corrido as mesmas? Tem corrido bem, sendo que, sendo conceitos diferentes da área da pastelaria, vamo-nos adaptando e tentando melhorar todos os dias. Contam, ao todo, com quantos estabelecimentos? E funcionários? O grupo é constituído por 12 espaços no total, e cerca de 80 colaboradores. Por onde passa o futuro do grupo Brisanorte? O grande objetivo em mente para já, passa pela concretização de um projeto que temos em curso já há algum tempo. A construção de uma nova unidade de produção na zona industrial da zicofa em Leiria. Aqui passará a funcionar em pleno toda a produção do grupo, além da parte administrativa, central de compras e logística. Sendo um espaço mais amplo e produzido de raiz para o efeito, a nível de produção pretendemos alagar o leque de ofertas de produtos, colmatando assim algumas lacunas que existem no mercado. Por fim, a certificação da empresa segundo as normas europeias será a ‘cereja no topo do bolo’. A par disto, temos os cuidado constante da renovação dos espaços existes.

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COIMBRA Dizem ser uma região completa. Coimbra abraça novos e velhos, serve o turismo, a educação e o negócio da melhor maneira. Possui história que data desde 1920, é tipicamente uma cidade universitária, graças à Universidade de Coimbra, considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, uma das mais antigas da Europa e a mais antiga de Portugal. Antes de Lisboa foi a capital de Portugal. É considerada uma das mais importantes cidades portuguesas, devido a toda uma série de infraestruturas e empresas sediadas na região. O campo da investigação, desenvolvido sobretudo por alunos e ex-alunos da Universidade merece também destaque, já que impulsiona muita da vida que tem esta cidade. Distingue-se pela paisagem pitoresca que se faz rodear de edifícios antigos bem preservados, ruas estreitas, pequenas escadas e arcos medievais. Foi também local de nascimento dos seis reis portugueses da primeira dinastia. Com cerca de cento e trinta e sete mil habitantes, a região faz qualquer um querer ficar e ver mais. Afinal, como diriam os universitários, Coimbra “tem mais encanto na hora da despedida”.

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coimbra | farmácia do fórum

Dedicação ao utente

Fomos à descoberta da Farmácia do Fórum, em Coimbra. Entramos e deparámo-nos com os vários utentes à espera para serem atendidos. Por aqui passam várias centenas de pessoas todos os dias. Recebeu-nos João Monteiro, o gerente, que nos relatou a história desta empresa familiar. Inseridos neste setor há mais de 30 anos, a família Monteiro é detentora de várias farmácias. No seguimento deste facto, João Monteiro formou-se nessa mesma área. Terminou o curso com 23 anos, hoje tem 29 e uma bagagem intensa, proveniente da experiência a gerir esta casa. Revelou-nos que se sente perfeitamente confortável com o seu cargo e que tem sempre o apoio do pai. A entrada de João Monteiro no mercado de trabalho coincidiu com uma época, no mínimo, turbulenta. O setor atravessava uma grande crise, desde alterações nas margens, retirada de preço nas embalagens, o que exigiu o escoamento de todo o produto e, mais tarde, o voltar atrás dessa medida, a diminuição considerável do preço dos medicamentos, as alterações a nível de faturação na comunicação às finanças, etc. Estes seis anos de gerência “não deram

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descanso” ao jovem farmacêutico. No entanto, foram momentos de aprendizagem importante, a qual ninguém lhe “pode tirar”. Hoje, o mercado usufrui de maior estabilidade. A Farmácia do Fórum nasce em 2011, pelas mãos de outra empresa, mas o projeto não correu bem. “Foi em agosto de 2014 que foi adquirida pela sociedade Margem Estável Unipessoal, Lda. da qual sou sócio e gerente. Desde então que a gestão tem sido bem diferente, tendo sido efetuadas uma quantidade considerável de alterações a nível funcional, de capacidade e de tudo um pouco. Temos uma equipa de excelência, que passou a estar muito motivada neste novo projeto, o que trouxe uma maior eficiência e melhor prestação de serviços, expôs João Monteiro. Abordamos a questão do stock das farmácias e dos medicamentos rateados,

que “são um problema, principalmente porque esses medicamentos em falta são importantes, ainda mais se forem de toma diária obrigatória, como por exemplo para os diabetes”. O gerente garantiu-nos que têm “capacidade de manter o stock bem fornecido”, uma vez que se os armazéns falharem no fornecimento a farmácia recorre diretamente aos laboratórios. “Quando nos falta medicação, e por faltar entendase estarmos nas últimas três ou quatro embalagens, porque é nossa preocupação , nunca ficarmos a zero, então vamos adquirir esses medicamentos diretamente aos laboratórios, para nós é mais dispendioso, mas preferimos ter o medicamento e satisfazer o cliente”, ou não fosse esse o objetivo principal deste estabelecimento. Sendo Portugal dos países da União Europeia em que os medicamentos são mais baratos, há a tentação por parte dos laboratórios

de exportar o excedente, daí a origem da questão dos medicamentos rateados. No entanto, o utente não deixa de beneficiar com os preços baixos. Questionamos, também, se a Associação Nacional das Farmácias (ANF) desempenhava bem o seu papel na defesa dos interesses dos seus associados. João Monteiro acredita que sim: “A ANF tem um papel defensor, têm efetivamente sido bem-sucedidos, aliás o projeto “Via Verde do Medicamento” (constitui um mecanismo excecional de abastecimento das farmácias de medicamentos prescritos e que constem da lista de notificação prévia obrigatória de exportação ou distribuição para outros Estados-Membro da União Europeia) tem sido um êxito, porque obriga o laboratório a fornecer em 24 horas. Ora, é vantajoso para nós e para os utentes. A Associação também acautelou que as farmácias recebessem


farmácia do fórum | coimbra 35 cêntimos quando dispensam um medicamento que está entre os quatro mais baratos, representa um lucro que de outra forma a farmácia não recebia”. Dito isto, é necessário ter em consideração que “a ANF não tem tido um problema para solucionar, tem mil”, mesmo assim, o gerente acredita que o balanço final é positivo. Na linha da frente “Cada vez mais o utente quando tem um problema, desde que seja de pequena dimensão, vem aqui primeiro antes de recorrer ao médico”, denotou. A cara conhecida com quem se deparam por detrás do balcão transmite confiança, ao mesmo tempo que evitam as enormes filas de espera para serem atendidos no centro de saúde, se for o caso. “Depositam muita confiança em nós e nós todos os dias procuramos justificar essa confiança”, asseverou. Em certos aspetos, o farmacêutico pode ajudar e fá-lo. Quando este se apercebe de que não tem capacidade de resolver o problema, o utente é encaminhado para quem o faz. Em qualquer dos desfechos, o cliente pode sempre contar com alguém que o vai ajudar. “Daqui o utente leva o medicamento que quer. Tem informação sincera das opções à sua disposição e do que pode escolher, nós aconselhamos o que consideramos ser o mais adequado para a pessoa em questão. Nunca pressionaríamos na direção do medicamento mais caro, até porque se formos honestos ganhamos a fidelização do utente. E se nos for pedido um laboratório em específico nem há discussão. Temos escolhas para a necessidade de cada cliente, alguns de gama de preços mais altos, outros mais baixos. A política da nossa farmácia é providenciarmos o utente com o que o utente pretende e dentro dos preços justos”. A dedicação e disponibilidade aos utentes é de tal forma prática habitual, que a Farmácia do Fórum pensa em primeiro lugar nos seus clientes na altura de selecionar o stock. “A minha preocupação”, assegurou-nos João Monteiro, “é pelos princípios: honestidade, o que achamos correto e justo”. Serviços complementares Para além da venda da medicação, a Farmácia do Fórum disponibiliza serviços de nutrição, podologia, aconselhamento de dermocosmética, rastreios capilares, entre outros. Para alguns produtos têm promotoras dentro do estabelecimento, desde que abordem o público de forma correta e dentro da filosofia da farmácia, por exemplo, não vão impingir ao público todo o tipo de tratamentos dispendiosos, até porque mancha a imagem da própria farmácia. Procuram dar aqui a porta de acesso a uma multiplicidade de serviços ligados à saúde, de forma a resolverem quaisquer problemas do utente ou, pelo menos, encaminhá-los na direção certa. Equipa unida O nosso leitor já deve ter compreendido que a equipa de colaboradores que compõem a Farmácia do Fórum é bastante competente e empenhada. Porém, também é muito unida entre si: “Somos uma família”, afirmou-nos João Monteiro, “a equipa sente que a farmácia é um bocadinho de todos os que cá trabalham. Vestem a camisola e procuram diariamente fazer o melhor que podem”. Da mesma forma, a gerência preocupa-se com os seus colaboradores, verificam que estes tenham “ótimas condições de trabalho” e que se viva um “bom ambiente”. Quando estas circunstâncias se verificam isso “reflete-se na disposição do colaborador para trabalhar”. Até o nosso entrevistado admite ser “só mais um, faço por reconhecer o esforço e valorizar o trabalho da equipa, até porque o que eles oferecem no dia-a-dia não há dinheiro que o pague. Bem haja a todos”. Presente e futuro Para concluir a nossa visita, quisemos saber quais os projetos futuros da atual gerência da Farmácia do Fórum. Eis a resposta: “Nós temos um projeto futuro, mas que também é presente, o de sermos cada vez melhores, fazermos cada vez melhor o nosso trabalho, satisfazermos cada vez melhor o nosso cliente e é por nesse caminho que tencionamos permanecer. Para além disso, temos mais alguns serviços planeados para implementar, de forma a facilitar o acesso a determinado tipo de necessidades”.


coimbra | mrg construction

Fazer bem e com qualidade

Com quase 40 anos de existência no mercado nacional, o Grupo MRG passou já por fases distintas que alternaram entre uma expansão fulgurante e a retração financeira causada pela crise económica dos últimos anos. Fazendo uso da sua capacidade de reinvenção, o Grupo criou novos serviços, complementares à engenharia e construção, e trabalha agora também na área da montagem e gestão de negócios, energias renováveis e promoção imobiliária. Rodolfo Gouveia, atual presidente do Conselho de Administração da MRG Construction e neto do fundador do Grupo, recebeu a nossa revista para uma entrevista que incidiu sobre o percurso e as principais atividades da empresa.

Rodolfo Gouveia Presidente do Conselho de Administração

A semente do Grupo MRG foi lançada em 1978, quando Manuel Rodrigues Gouveia, já com vários anos de experiência no setor, criou uma firma com o seu nome.

pura e dura. Mas em dada altura notamos que o caminho para ser sustentável e contrapor os ciclos económicos da construção era criar outras atividades que,

dever-se em grande medida à necessidade de reinvenção que os responsáveis da MRG tiveram de implementar para se adequarem às alterações da sociedade atual. Uma

A empresa, especializada no ramo da construção, traçou um percurso de crescimento com a entrada no ramo de novas gerações da família e com o crescimento contínuo do seu volume de negócios. Em 1989 a firma passa a sociedade anónima e em 1991 Fernando Gouveia, filho do criador da empresa, assume a presidência do Grupo. Apesar da origem da atividade da MRG ser a construção, o âmbito de ação do Grupo foi alargado, nos últimos anos, a outras áreas análogas. “Nós começámos e durante muito tempo fomos uma empresa de construção

nos picos baixos da construção, pudessem alimentar o nosso grupo de empresas”, explicou Rodolfo Gouveia. Neste sentido, a MRG apostou nos mercados de promoção imobiliária, de montagem e gestão de negócios e mais recentemente, na área das energias renováveis. A trabalhar com a tecnologia mais moderna disponível, o grupo de empresas Manuel Rodrigues Gouveia está presente no mercado nacional e também em vários mercados internacionais como França, Argélia, Cabo Verde, Moçambique e Guiné Conacri. A multiplicidade de atividades e a expansão internacional do Grupo ficam a

realidade que nem sempre se revelou fácil de pôr em prática. “Cada vez mais o trabalho de quem está na direção de uma empresa é pensar no que vai ser o futuro, quais vão ser as tendências e em como nos organizarmos. E esse é o trabalho mais difícil porque nos obriga a calçar os sapatos dos outros, muitas vezes sapatos que ainda não existem”, refere Rodolfo Gouveia.

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Modernidade, rigor e garantia ao serviço do cliente A qualidade do serviço é um dos principais focos da MRG nos serviços que presta aos

seus clientes. Neste sentido, as diferentes equipas do Grupo procuram sempre fornecer diferentes tipos de soluções para os eventuais problemas em cada projeto. Uma característica que os responsáveis da empresa acreditam ser muito valorizada pelos clientes. “A grande diferença está na capacidade de resolver problemas aos clientes. Notámos que tínhamos mais valor acrescentado se usássemos as nossas competências de gestão, de otimização de equipas, de gestão de recursos humanos. Quando gerimos a obra também gerimos as equipas dos nossos parceiros”, explica Rodolfo Gouveia. Esta capacidade de apresentar serviços multifacetados permitiu já a participação do grupo em projetos com notória envergadura, como os Edifícios


mrg construction| coimbra Centrais do Parque Tecnológico de Óbidos, o Centro Materno Infantil do Norte no Porto e em vários hospitais e centros de saúde bem como escolas como a Rainha D. Leonor em Lisboa. Espírito inovador para encarar o futuro Os problemas enfrentados pelo sector da construção em Portugal não são novidade para a generalidade dos leitores. Sendo um setor muito ligado ao contexto económico e político, as flutuações decorrentes da crise que se fez sentir nos últimos anos causaram o fecho de muitas empresas da área e a diminuição do volume de negócios de tantas outras. A MRG não foi exceção a esta situação, como nos contou Rodolfo Gouveia. “Nós passámos por períodos difíceis, diminuímos o volume de atividade, mas com isto fizemos um conjunto de restruturações onde conseguimos equilibrar os custos aos proveitos, mantendo a empresa, em termos económicos, sustentável.” O gestor acredita que a sobrevivência do Grupo passou em

continuar a ser a mesma. Queremos ser uma empresa que faz bem, com qualidade e à primeira vez. Queremos ser uma empresa que cumpre os prazos acordados e portadora de soluções globais”. É com base neste objetivo e no estado atual do mercado nacional que o gestor aponta o mercado internacional como o principal foco das múltiplas atividades do MRG. Uma expansão que está a ser planeada numa ótica de proximidade, seja a mesma de ordem geográfica ou cultural. “De um momento para o outro o mundo mudou e nós fomos apanhados porque nunca tínhamos tido necessidade de nos internacionalizar pois sempre crescemos no mercado nacional. O grande desafio futuro é a capacidade de nos implantarmos em mercados internacionais. São cada vez mais os mercados externos que dão volume de trabalho às empresas portuguesas”, explica.

grande medida pela manutenção do espírito fundador da empresa. “A nossa filosofia vai

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coimbra | grupo alves bandeira

“A nossa forma de estar é de alma e coração”

Onde existe um posto de abastecimento Alves Bandeira, existe também, com certeza, excelência no serviço, com profissionalismo e dedicação. Constantemente à procura de inovar e melhorar, a empresa disponibiliza ao consumidor diversos produtos e serviços para sua conveniência, e que em os clientes sintam em cada posto de abastecimento de Alves Bandeira, “um amigo no seu caminho”.

Rui Bandeira CEO

Esta é uma empresa de cariz familiar que se está a expandir à escala nacional e, ainda assim, desempenha um papel importantíssimo a nível local. Quem pretende descobrir a génesis do Grupo Alves Bandeira pode questionar Rui Bandeira, atual CEO, o qual narra a história deste negócio com todo o gosto. A narrativa inicia-se, como não podia deixar de ser, com o seu fundador, Cassiano Alves Bandeira: “O meu pai trabalhou em Lisboa, dos 15 aos 24 anos na área da restauração (alguns dos espaços: Berlengas, Brilhante e Solmar). Mais tarde, por circunstâncias da vida, decidiu regressar à vila de Góis, sua terra”. Seria nesse local, em 1959, que daria início, com um pequeno posto de abastecimento de combustíveis, que incluía “oficina de pneus, lavagem de viaturas, café, venda de acessórios, tinha tudo”, acrescenta Rui Bandeira. Nessa altura o meu pai tinha

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a minha mãe Maria Adelaide como o seu grande braço direito. “O posto localizava-se na EN 2, entre Coimbra e Castelo Branco. Muitos eram os camiões de transportes que por ali passavam, a qualquer hora da noite o motorista batia à nossa porta porque precisava de abastecer, e lá vinha o meu pai ou a minha mãe abastecer”. Rui Bandeira foi crescendo, entre estudos e trabalho, para ajudar a família, sonhava nessa altura ser aviador. O destino, porém, tinha outros planos para ele e, em 1978, com apenas 17 anos, iniciava a sua carreira dentro da empresa fundada pelo pai, a qual na altura, já contava com quatro postos de abastecimento: Góis, Tentúgal, Marinha das Ondas e Ceira. Em perpétua dinamização, a empresa foi-se desenvolvendo e expandindo, nomeadamente com o aumento das instalações de

armazenamento, quer para os combustíveis (o seu maior foco), quer com pneus, óleos, entre outros produtos. Na década de 80 fundaram o primeiro posto com imagem própria, em Vila Nova de Poiares. “As grandes companhias de combustíveis não gostaram nada deste atrevimento”, admite, bem-disposto, o CEO, “mas todos podem ter o seu espaço”. Quisemos saber como foi o começo neste mundo empresarial das grandes marcas, respondeu-nos que “não foi nada fácil”. Facilitou a confiança que tinham nas capacidades da empresa e na consciência da sua posição no mercado: “Algo que sempre fizemos, e fazemos ainda hoje, é o manter belíssimas relações comerciais e de respeito com os parceiros do setor, nunca recorremos à tática de guerrilha. Nos negócios como na vida temos de respeitar e conviver uns com os outros. Há concorrência e há negociação,

todavia isso não causa problemas para nenhuma das partes, é a nossa forma de estar. Fomo-nos fortalecendo e chegou a um ponto em que o nosso prosperar e forma de estar mereceu o respeito da concorrência, e do mercado”. Com a entrada do novo milénio, o Grupo Alves Bandeira assumiu-se definitivamente como um verdadeiro player no mercado, o qual não era livre até essa altura: “Todos os procedimentos eram regulamentados pelo Estado Português. Mais tarde, entramos numa fase de transição”, e foi nesse ano de 2000 possível “iniciar o crescimento da rede AB e continuar o desenvolvimento do grupo” de forma mais acentuada. Também em 2002 Rui Bandeira estaria a reunir à mesa com alguns distribuidores do mercado dos combustíveis, os quais mal se conheciam pessoalmente, com o propósito de fundar uma associação que defendesse os interesses de todos os participantes. No ano seguinte nasce a EDIP com nove membros iniciais, algo que só foi possível por existir uma visão comum de todos os seus fundadores. Enquanto Grupo, foi-se desenvolvendo nas suas diversas áreas de negócio, com maior destaque para o retalho de combustíveis. Entre os anos de 2007 a 2014, foram-se desenvolvendo contactos e abordagens com outras empresas congéneres. E assim em 2014, dá-se uma concentração de empresas e famílias no Grupo Alves Bandeira, resultante da nova entrada dos acionistas da Petroibérica e da A.M.Holding. A concentração de negócios foi um processo natural e resolveu-se em tempo muito curto, revela-nos o nosso entrevistado, “porque antes disso já atuávamos e agíamos como um grupo, como uma família, ainda antes de estarmos juntos.


coimbra | grupo alves bandeira Concentrámos toda a operação no Pólo CAB na Mealhada, dando assim, lançamento a um projeto que fermentava desde 2007 ”. O Grupo Alves Bandeira foi dividido em unidades de negócio, no que se refere à comercialização/canal de produtos e serviços. O core-business manteve-se na área da energia (combustíveis brancos e pretos, lubrificantes) e na área de pneus. A Alves Bandeira com uma rede de postos de abastecimento de combustíveis, os quais são 150, distribuídos pelo país inteiro e complementados por produtos de conveniência e serviços. A Petroibérica comercializa e distribui combustíveis a granel, brancos e pretos (betumas asfálticos e fuelóleo), é uma empresa focada na indústria. Mais tarde, foi criada a AB Lubs, dedicada a soluções de lubrificação; são distribuidores da marca premium Texaco desde 2015 e têm a sua própria marca AB, a qual esta já representa vendas de 1.600 toneladas ano. Outra área de negócio é a AB Tyres, a qual tem por objeto a venda, representação e distribuição de várias marcas de pneus para o mercado nacional e também de exportação. De referir a comercialização para o mercado nacional da marca Falken, de origem japonesa (grupo Sumitomo –o 5º maior fabricante mundial de pneus), cujo êxito tem sido bastante relevante. A outra unidade ligada aos pneus, é a AB International, que desde 2012 está representada no Dubai (Emiratos Árabes Unidos), e que faz toda a área internacional de pneus. “Atualmente temos clientes (e amigos) em 52 países, que recebem pneus desde Portugal ou Dubai” refere Rui Bandeira. “Em maio de 2017 vamos abrir um novo negócio no Dubai (Stop & Go), agora na área do retalho e pneus que será muito interessante e desafiador de novos projetos”, considera Rui Bandeira. Situa-se próximo de um centro de lavagem e lubrificação que recebe, em média, cerca de 400 carros por dia e numa das melhores artérias de circulação do Dubai. O CEO acrescenta, sobre o negócio de pneus, que são ainda distribuidores da marca «Dunlop» em Angola e da «Continental» no Afeganistão e Irão. Até ao final deste ano, o grupo pretende ter a sua própria marca de pneus, a qual dará outro impulso à

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implantação da empresa e das suas vendas a nível mundial, mas “ … isso já é outro campeonato”, remata. A força de qualquer empresa ou grupo depende da equipa de colaboradores que o mantém funcional, e que são a sua maior força, declara Rui Bandeira. O Grupo Alves Bandeira emprega 630 colaboradores diretos e todos eles vestem a camisola do grupo. É um equilíbrio: por um lado, é-lhes exigido que se esforcem e lutem por objetivos, mas por outro, esse esforço é reconhecido e recompensado. Acredito que estamos a desempenhar um grande trabalho e com uma sintonia cada vez maior e melhor. Para isso, investimos imenso em formação, e em planos de melhoria contínua. Pretendemos que todos vejam e sintam o o trabalho e o seu local de trabalho como uma 2ª família. Procuramos ainda sempre inovar em todas as áreas. Nunca seremos “os maiores”, mas onde existir um posto Alves Bandeira temos de ser “os melhores nessa zona no que se refere ao serviço de excelência prestado e à nossa dinâmica local”, essa é a “obrigação de todos, e esse aspeto nunca estará em causa”. Campanha ‘Heróis Sem Capa’ Iniciada em fins de março, a Campanha «Heróis Sem Capa» pretende sensibilizar a população para a importância de colaborar com os bombeiros o ano todo, e não apenas na época dos incêndios. Nascida pelas mãos de Alves Bandeira, pretende angariar donativos para as Associações e Corporações de Bombeiros em todo o país. Para isso, os postos Alves Bandeira vendem o «Albi Bombeiro», ímanes, pelo valor de um euro, do qual 75 cêntimos revertem a favor dos bombeiros locais. “Num mês vendemos 30 mil unidades, o que significa 22 mil euros que entraram na conta dos bombeiros. As receitas das vendas que fazemos nos postos são para os bombeiros desse concelho. Queremos expandir esta iniciativa em todo o país, quer haja posto Alves Bandeira no local, ou não. O meu sonho é atingir as 400 mil vendas, seriam 300 mil euros para os bombeiros. Todos precisamos deles. Se todos ajudarmos um bocadinho não custa nada”.“A nossa forma de estar é de alma e coração”


empresa | tema

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coimbra | farmácia alva

“Qualidade, Excelência e Profissionalismo” Integrada no setor da saúde e fortemente marcada pelo contato direto com as pessoas, a farmácia define-se por um serviço rigoroso que estabelece a ponte entre o doente e a sua condição. No entanto, mais do que vender medicamentos, a Farmácia Alva aposta em distinguir-se pelas atividades que propõe aos habitantes de Coja, freguesia do concelho de Arganil onde se encontra, como explica em entrevista à Revista Business Portugal a proprietária, Paula Dinis. A vida de Paula Dinis esteve sempre ligada ao setor da saúde, resultado da relação com o pai, que exerceu medicina. Apesar de desde nova ter tido a intenção de seguir as pisadas paternas, acabou por ingressar no curso de Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Proprietária da Farmácia Alva há 21 anos, acredita que o fundamental na vida, e que permite bons resultados na sua profissão, é gostar do que se faz. “Acho mesmo fundamental fazermos aquilo que gostamos. É fundamental e eu gosto

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muito, quer da área profissional em si, quer da parte do contato com o cliente e de toda esta abordagem e também da parte do contato com todo o produto que existe na farmácia”, afirma Paula Dinis. A farmácia para lá dos medicamentos Mais do que vender medicamentos e limitar-se a fornecer aos doentes o que necessitam para obterem a cura ou a melhoria do seu estado de saúde, a Farmácia Alva aposta numa ligação mais próxima com os seus clientes, promovendo


farmácia alva| coimbra Paula Dinis Administradora

ações direcionadas para a promoção de estilos de vidas saudáveis, muitas das vezes associando-se a dias comemorativos de temáticas ligadas à saúde, como é o caso, por exemplo, do Dia Mundial da Saúde, Dia Mundial da Diabetes, Dia Nacional do Não Fumador e outros. Com o Agrupamento de Escolas de Arganil, nomeadamente com as Escolas Básicas 1 e 2,3 de Coja, também promovem ações de sensibilização junto das crianças e jovens, alertando-os para diferentes temáticas, citando como exemplo a diabetes, proteção solar, proteção ambiental através da Valormed, entre outros. Colaboram, ainda, com as IPSS Locais através de visitas temáticas e outros apoios que sejam solicitados. “Para além destas ações de Intervenção Comunitária, o papel que assumimos na sociedade é muito importante porque a farmácia é muitas vezes chamada a colaborar com Associações e Coletividades Culturais e Desportivas. Essa intervenção junto da comunidade é um ponto fundamental. Há uma proximidade muito grande. Todo este trabalho só é possível porque disponho de uma Equipa fortemente empenhada e motivada em participar em todas estas iniciativas. Considero um privilégio liderar esta equipa em que a comunicação interna é fator

determinante, onde todos os dias são valorizados os contributos dados por todos os colaboradores. Também considero fundamentais as reuniões trimestrais alargadas (pós-laborais) em que, para além do dia a dia, orientamos o nosso trabalho em função dos objetivos estabelecidos anualmente. É nestas reuniões que decidimos as ações que iremos implementar, por exemplo, para o Dia Mundial da Saúde faremos uma pequena ação, oferecendo fruta às pessoas e um pão sem sal, sensibilizando e esclarecendo para uma alimentação saudável e, desta forma, complementando o nosso papel de conselho diário. Para além disto, temos ainda uma caminhada, que tem este ano a sua décima edição, onde participam sempre mais de cem pessoas de todas as idades, e todos gostam! Tentamos sempre inovar, pelo que as caminhadas têm tido temas diferentes: Caminhada Bem Viver, Caminhada do Coração, Caminhada FarmaColor… Tudo isto são exemplos do nosso dia a dia: pensamos em todos os nossos clientes e gostamos de os surpreender e de os mimar”. Para Paula Dinis, um dos principais fatores que permite esta ligação às pessoas é o fato de a farmácia se situar numa zona em que “todos” conhecemos o “Sr. António” e a “Sra. D. Maria” numa freguesia relativamente pequena, sendo a única farmácia local. Hoje em dia, exercer a sua profissão

em Farmácia Comunitária é um desafio constante pois abarca muitos ramos: desde a gestão da empresa à gestão dos recursos humanos. Por outro lado, há que saber gerir o tempo, pensando sempre em desempenhar da melhor forma o seu trabalho para a obtenção da satisfação plena do cliente. “Com uma população muito envelhecida, tal como em muitas zonas do interior do nosso país, temos muitas pessoas que têm todo o tempo do mundo, porque precisam ser ouvidas e nós tentamos sempre fazer essa gestão. A pessoa ativa sabe o que quer e vem com o tempo contado, sempre com um objetivo muito definido. Mas a verdade é que o nosso cliente habitual são as pessoas reformadas, que têm outra disponibilidade”, esclarece. Uma equipa à altura dos desafios Com o foco em prestar um serviço de qualidade e estar à altura dos desafios que a área da saúde implica, Paula Dinis explica que sempre optou por trabalhar com colegas com a mesma formação: “Sempre foi minha prioridade ter uma boa equipa, tenho um grande orgulho nos colegas que me acompanham. Desde a altura em que comprei a farmácia que sempre tive colegas comigo e, entretanto, passámos de um quadro de quatro pessoas na farmácia para sete. Sempre foi minha opção estar a trabalhar desta forma, para termos um bom

desempenho e com qualidade acima de tudo. Posso referir que a minha farmácia é certificada desde 2007 pela Apcer e pelas Boas Práticas de Farmácia. Foi das primeiras a ser certificada e, inclusivamente, pelo menos no ano passado, foi a primeira aqui na zona centro certificada pela nova norma ISO 9001:2015 dos Sistemas de Gestão de Qualidade. São estes objetivos que nos fazem trabalhar em função de um serviço com profissionalismo e qualidade na procura da excelência. Olhando para o panorama nacional, no que à saúde diz respeito, Paula Dinis acredita que tudo se encontra num caminho de evolução, embora aponte facilmente algumas falhas. “Em Portugal, acho que falta articulação entre os principais setores da saúde: centros de saúde, farmácias e hospitais; a aposta nos cuidados de saúde primários é fundamental, sendo indispensável a articulação entre todos os parceiros. Aqui a farmácia assume-se como um parceiro fundamental, de ‘primeira linha’ dada a proximidade com o doente, principalmente nestas zonas em que muitos dos serviços fecham e a farmácia persiste em prestar o seu serviço com todas as dificuldades. Já no que diz respeito ao seu negócio, espera que o futuro se traduza em estabilidade. Com mais uma farmácia para além da Farmácia Alva, em Coja, possui a Farmácia Afonso, em Avô, concelho de Oliveira do Hospital, e uma Parafarmácia em Arganil, e deseja sempre melhorar o serviço acompanhando a evolução do sector farmacêutico. “Os objetivos futuros serão de estabilidade. Obviamente que na farmácia tenho estado sempre na linha da frente nos desafios que são lançados ao setor. Tentamos sempre melhorar e oferecer mais serviços. Acho que o futuro, sobretudo assim em terras pequenas, passa por sairmos destes espaços e irmos mais ao encontro das pessoas”, defende Paula Dinis, que acrescenta ainda que outro dos seus focos passa pela aposta na sensibilização para a prevenção. “A pessoa, estando com saúde, está em paz. Só quando falta a saúde é que a pessoa lhe dá o valor. Na farmácia, nós ouvimos queixas e temos sempre uma palavra de alento para as pessoas. Prevenir é um dos focos em que deveríamos atuar mais, para depois termos uma melhor qualidade de vida”, conclui.


VILA REAL Vila real enche de encanto quem lá passa. Nascida no ano de 1289, tenho sofrido várias transformações, tornou-se no que é hoje a capital de Trás-osMontes e Alto Douro. Banhada pelo Rio Corgo, esta é a cidade que Miguel Torga apelida de ‘Terra Maravilhosa’ onde “para cá do Marão, mandam os que cá estão!”. Com vestígios que datam desde o paleolítico, por toda a serra há pequenos rios que servem a cidade. Dotada de monumentos, de casas senhoriais, de espaços ao ar livre, de espaços de convívio e da Universidade de Trás-osMontes e Alto Douro que traz toda uma nova dinâmica à cidade, esta também se destaca pelo comércio e empresas que servem a cidade. Patriotas, muitos dizem não trocar Vila Real por nada, e muitos são os que vêm para estudar e que por lá ficam. Há também muito a desvendar sobre a cidade, que se faz ver em lendas e belas histórias, Vila Real faz realmente parte de um reino maravilhoso com um património inigualável.

Contactos 259 042 294 info@dourovillage.pt

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Morada Rua 31 de Janeiro Nº44 Vila Real, Vila Real, Portugal


vila real | ran

“Quem salva uma vida, salva a humanidade”

Uma clínica de reabilitação é sempre algo difícil de gerir, um local para onde ninguém pensa ir mas, como afirma José Loureiro, formado em terapia de adições e diretor terapêutico, bate à porta de qualquer um. Estes adictos, são principalmente “doentes de emoções”, que não as sabem gerir e se refugiam nos vícios. Do álcool, às drogas ou mesmo às compras compulsivas, a RAN compromete-se a tratar todos os tipos de adições, curando o paciente e a sua família, que se encontra, muitas vezes, destruída. José Loureiro mostra acima de tudo uma segurança e uma paixão pelos seus pacientes. Afirma que devem confiar e saber que “ninguém está sozinho”. Este seu interesse pela área surgiu naturalmente. Assim, em 1995, nasceu a RAN, indicada inicialmente para o alcoolismo e a toxicodependência, mas que atualmente trata agora qualquer tipo de adição.

exigente. As situações aparecem ao minuto. Eu e a minha equipa estamos disponíveis a 100 por cento. Esta é a única exigência que tenho com os meus colaboradores, terem total disponibilidade para abraçarem este projeto.

um utente, falamos de uma família inteira. Entristece-me quando as coisas não correm da melhor maneira, mas eu tenho de estar preparado para isso. Eu e a minha equipa tentamos lutar para obter sempre uma excelência.

Tal como nas drogas, as drogas leves, são drogas de igual peso. Muitos dos ataques de esquizofrenia surgem devido a essas drogas. Droga é droga. Temos de ter consciência que estamos a falar de uma coisa que mata. E que se não mata, machuca.

O que lhe dá mais gozo no seu trabalho? Definitivamente, saber que tocamos a vida de alguém. Pessoas que entram aqui com a vida completamente desfeita e passado alguns anos vêm felizes, com a sua família. Dá um gozo enorme saber que, de alguma maneira, tocamos a vida da pessoa daquela forma. É difícil colcar por palavras o que se sente. Isto é feito do coração. É preciso ter

O que é preciso numa equipa para estar nesta casa? Primeiramente eu tenho que sentir, independentemente da formação, que como pessoa tem uma formação acima da média. Tenho que sentir que a pessoa está disponível e que tem capacidade para criar empatia com os residentes. A empatia é uma coisa quase essencial. É um período de vida que as pessoas passam para poderem ter ferramentas para poderem ‘fixar’ o resto da sua vida, portanto temos de criar

Quais as adições que são tratadas na clínica? Tratamos aqui todo o tipo de adições. Um adicto é um individuo que tem dificuldade em gerir sentimentos, tudo isto é uma consequência, desde o alcoolismo, a toxicodependência, a depressão, o jogo, o lidar com o luto, a anorexia, a bulimia, entre outros. Há uma série de variantes que nós tratamos. O problema é sempre ‘cá dentro’ que depois se manifesta de várias formas. Os problemas são variados e são todos de igual

Se um paciente se nega a ser tratado, como se consegue convencer a pessoa a receber tratamento? É muito complicado. Tem que haver uma predisposição da família para fazer algo, é necessário agir. Os adictos têm características muito profundas e transversais: são pessoas muito inteligentes, mas extremamente manipuladoras e, portanto, temos de partir com esse pressuposto. A família tem de partir para este processo, unida. Temos de ter alguma

algum cuidado pois é um trabalho muito

conforto para o paciente. Não falamos só de

importância, é assim que se deve pensar.

capacidade de estar à altura desta situação.

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ran | vila real Penso que a honestidade e a assertividade têm de existir, afirmar que há um problema, sem ser a atacar e portanto dizer que só querem ajudar. E a decisão tem de ser tomada na hora. Qual o processo que um doente passa para entrar na clínica? As pessoas que vêm aqui já se encontram um pouco em fim de linha, por assim dizer. Portanto, não há necessidade de consultas, se vêm é para ficar. Temos de desenvolver um trabalho de maneira a que a pessoa fique, de maneira a que se sinta minimamente motivado a ficar. Quando entra um caso, a equipa reúne-se e toda a gente conhece o utente em causa e estudamos o caso. É importante haver uma equipa multidisciplinar, que acerte em determinado caminho a seguir. Cada um tem uma maneira de ver e analisar um caso. Obviamente que colocamos a família no processo, a família também tem de entrar em recuperação, há famílias que também estão muito ‘doentes’. Que tipos de terapias possuem? Somos um bocadinho contra a medicação, se não for necessária. Se for necessário, claro que a tem que tomar. Isso é uma parte. O resto tem que ver com a psicoterapia e sou muito a favor dessa vertente. Há terapias individuais, de grupo, há terapias que têm mesmo de ser feitas em grupo, porque assim identificam-se com os mesmos problemas, mesmo que não diga nada aos restantes utentes durante a sessão, identifica-se mentalmente com as outras histórias que vai ouvindo. O que faz um adito ser um individuo fechado lá fora? Ele acha que pensa de maneira diferente, que ninguém o percebe. É diferente quando estamos em terapia e há alguém que fala exatamente daquilo que ele sente. Este é o princípio de tudo: “eu não estou sozinho”. Isto exige muito dos terapeutas, ter a capacidade de subir ou descer a um níve,l de forma a olhar o paciente nos olhos. Não se deve fazer o paciente sentir-se envergonhado ou diminuído. Se lhe tiram o álcool, as drogas, o que seja, fica um vazio que tem de ser preenchido com coisas boas. No fundo, nós estimulamos a auto-estima, porque as pessoas vêm derrotadas e estão habituados a serem apontados. Quais as faixas etárias mais comuns e como se encontra a situação em

Portugal? Temos pessoas de vários cantos do país e do mundo, nomeadamente da Rússia. Não noto, contrariando os números, um grande decréscimo, há sempre adições e pessoas a sofrer com isso. As drogas mudam, tudo muda. Neste momento há mais gente a assumir, incluindo senhoras e cada vez há mais jovens, muito jovens entre os 13 e os 14 anos que já têm uma adição. E acabamos todos por ter culpa, é uma conjuntura, parece-me que a sociedade está ao contrário. Os valores perderam-se. Às vezes os pais têm de trabalhar de manhã à noite para poder ter o básico e o que vamos dizer a uma mãe ou pai que trabalha de manhã à noite? São pessoas que já passaram muita coisa na vida e que, supostamente, não deveriam ter passado. O certo e o errado nestas cabeças não está muito definido e é

preciso fazer um trabalho acima de tudo com muita responsabilidade, não nos queremos substituir aos pais ou à escola mas tentamos fazer o nosso papel e o nosso papel é salvar vidas. Quem salva uma vida, salva a humanidade e temos tido sucesso. A nível de instalações, de que estão munidos? Temos os quartos, uma ala de senhoras e outra de homens. Os quartos normalmente são de três pessoas, sozinhas nunca. As pessoas que possuem estas doenças já têm uma tendência para se isolar e se nós colocamos essa pessoa sozinha estamos a alimentar a doença, ficam muito tempo a pensar no que não devem, portanto três pessoas no mesmo espaço é importante. Colocamos normalmente um dos mais velhos que já está a acabar o tratamento com um

do ‘meio’ e um recém-chegado. Fazemos atividades com eles, temos um campo de futebol, há um vale aqui perto com um rio e faz-se vários passeios; temos aulas de yoga, piscina, e ao domingo fazem sempre um requerimento do que querem visitar. Tudo depende, claro está, se o grupo o merecer. No verão, aos domingos, normalmente vamos passar o dia fora, há um bom convívio, mas sempre acompanhados pelos nossos monitores, obviamente. Acompanham o paciente após a saída da clínica? Sim, claro e isso é muito importante. Muitos vêm por vontade própria. Muitos vêm porque acham que é uma mais valia. Quem segue este programa tem de ter uma máxima interiorizada: sozinhos não são capazes. O segundo passo é: juntos são capazes. E a partir do momento em que a pessoa tem o primeiro e o segundo passos interiorizados não faz sentido gerir a vida sozinho, porque rapidamente as coisas poderão descambar. Se eu sei e assumo que sozinho não sou capaz, mas que juntos somos capazes, provavelmente irei às reuniões e à casa mãe. Nós trabalhamos para não haver recaídas e pós-tratamento é mesmo isto, é evitar que haja recaídas. Sente que acabam por ser uma segunda família? É um pouco isso, no fundo, é verdade. Sintoos como meus. Isto é uma coisa que não se explica. Trazermos as pessoas das trevas para cá é uma recompensa a nível espiritual que não há igual.

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vila real | aquafit health club

Seja saudável, seja feliz O AQUAFIT Health Club é um espaço que pretende tornar todos mais felizes e saudáveis. Aqui, encontra um acompanhamento técnico contínuo, com base nos mais recentes avanços científicos do desporto e com o apoio de profissionais especializados em cada área de atividade, desde a cardiomusculação às atividades aquáticas, passando pelas aulas de grupo. Dispõe ainda de um conjunto diversificado de atividades físicas, para que cada utente encontre o seu ritmo e se sinta motivado para a manutenção e/ou melhoria da sua condição física. Sobre este projeto, conversámos com Bruno Martins, diretor técnico do espaço.

Como surgiu este empreendimento? O projeto AQUAFIT Health Club surgiu no momento em que este espaço se encontrava disponível, associado ao sentimento e enorme vontade de poder oferecer serviços desportivos de elevada qualidade essencialmente centrados nas atividades aquáticas. Possuímos uma escola de natação com reconhecimento da Federação Portuguesa de Natação, utilizando a experiência e conhecimento técnico apenas de professores especializados na área. Porquê a escolha do nome AQUAFIT Health Club? O nome AQUAFIT Health Club já existia numa gerência anterior, que achámos ser bom manter por diversas razões, como o facto de possuirmos a possibilidade de oferecer atividades aquáticas (escola de natação, natação para bebés, hidroginástica, hidrosénior, hidroterapia) e, por outro lado, o facto do nome ser já conhecido anteriormente. O vosso empreendimento é mais do que um ginásio. Quais são todas as vossas valências? Tentamos realmente fazer a diferença em diversos aspetos, utilizando os recursos físicos e humanos que nos permitam oferecer serviços diferenciados, baseados nos conhecimentos técnicos e científicos adquiridos com a experiência de trabalho e o estudo contínuo das novas tendências nas nossas áreas de trabalho. Para além da escola de natação certificada já referida, a hidroginástica, o hidrosenior e a hidroterapia são as outras atividades aquáticas que proporcionamos aos nossos sócios. Oferecemos também os serviços direcionados ao fitness, desde a cardio-musculação às aulas de grupo com grande diversidade, de forma a atingirmos uma maior margem de interessados nos nossos serviços. O personal trainning é um serviço premium para quem pretende um trabalho mais direcionado com resultados mais rápidos e com apoio técnico individual. Oferecemos também uma consulta de aconselhamento nutricional, porque acreditamos que o trinómio EXERCÍCIO-NUTRIÇÃO-REPOUSO é essencial para potenciar a atividade física que realizamos no sentido de atingirmos os nossos objetivos de uma melhor saúde e bem-estar. Quem é o vosso público-alvo? Devido à grande diversidade de atividades que podemos oferecer podemos utilizar a expressão ‘dos OITO aos OITENTA E OITO’, embora possamos iniciar a atividade aos seis

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meses de idade, na natação para bebés! Temos uma panóplia de atividades que abrange todas as faixas etárias, sempre com aconselhamento técnico, que determinadas populações, algumas delas especiais, deverão realizar atendendo a possíveis condicionantes relacionadas com patologias existentes, especialmente as que estão ligadas à idade. O AQUAFIT Health Club exige fidelização dos seus clientes? Acreditamos que a qualidade do nosso serviço proporciona excelentes experiências na realização das atividades que oferecemos aos nossos sócios. Apesar da enorme corrente da necessidade de fidelização neste negócio, e tendo em conta o referido antes, não achamos que haja necessidade de obrigar alguém a fixar-se a um serviço que não gosta, caso aconteça. A nossa ‘fidelização’ é no sentido de proporcionar boas experiências e que os nossos sócios se agarrem a nós! Consideram que têm um impacto positivo nas vidas de quem passa pelo AQUAFIT Health Club? Penso poder dizer que a grande maioria das pessoas que vem ter connosco sai daqui satisfeita e com vontade de voltar. Temos casos excecionais de frequência no nosso clube desde que iniciámos este projeto, demonstrativo da vontade de se manterem em forma, mas também da nossa tentativa de oferecer sempre a melhor qualidade possível nos nossos serviços. Têm parcerias e/ou protocolos com alguma entidade? Temos diversos protocolos com entidades e empresas na área de Vila Real, algumas sediadas na nossa cidade mas também com empresas de âmbito nacional (Serviços Sociais da CGD, Casa do Pessoal do CHTMAD, AdvanceCare e parceiros, Kathrein Automotive, OperScut, Utópica, Associação de Futebol de Vila Real, O Nosso Shopping, Jumbo, Continente, TreeGood). A grande maioria destas parcerias funciona com base em descontos percentuais na utilização dos nossos serviços por parte dos colaboradores destes instituições/empresas. Em alguns casos há uma troca de serviços, nos casos relacionados com a nossa área de atividade ou, por outro lado, descontos na utilização de serviços dos nossos parceiros por parte dos nossos sócios.


aquafit health club | vila real Considera que o público está bem informado acerca da importância do exercício físico para a sua saúde? Hoje em dia a informação está disponível e é entregue a toda a gente de diversas formas. No entanto, nem toda a gente está capacitada para entender a importância da atividade física na saúde e bem-estar de todos nós. Penso faltarem campanhas institucionais por parte das diversas entidades responsáveis para alertarem a população para esta necessidade. Por outro lado, e sendo a atividade física de tão enorme importância, provado cientificamente, a revisão dos impostos e contribuições sobre o desenvolvimento destas atividades deveria ser também considerada de forma séria, de forma a poder reduzir o valor a investir na nossa saúde e bemestar. Vivemos num mundo onde todo o tipo de informação está à distância de um clique, inclusive muitos vídeos e tutoriais de exercícios. Há informação a mais? Circula muita informação incorreta? Como profissional desta área e estando atento a esta questão, tenho pena de assistir a situações que põem em causa a idoneidade e competência de todos os profissionais que trabalham de forma árdua e séria de forma a oferecer os seus conhecimentos em prol de uma melhor saúde e bem-estar. Nem toda esta informação é viável de praticar, embora haja também excelente informação nestes canais de informação. No entanto, e uma vez que é aberto ao grande público, os bloggers, youtubers e afins deveriam ter consciência da perigosidade das suas publicações. Quais são os principais erros que uma pessoa poderá cometer ao praticar exercício físico sem orientação de um técnico? Tal como existem medicamentos que não são vendidos sem receita médica (…) exercícios mal efetuados e sem regra, poderão originar lesões graves e não ter o efeito desejado! Naquilo que se refere a prática do exercício físico, até que ponto observam a

preferência pela parte estética em detrimento da saúde? Podemos dividir esta questão em duas partes distintas. Existe realmente quem realize atividade física quer por iniciativa própria, quer por aconselhamento médico, no sentido da melhoria da saúde e bem-estar. Por outro lado, e parece-me que em quantidade bastante menor, temos os praticantes que consideram a questão estética como mais importante, embora a saúde seja sempre o segundo fator para o envolvimento nestas atividades. Como empresa e negócio, têm conseguido cumprir os objetivos a que se propõem? No início do projeto considerámos que neste momento estaríamos uns degraus acima do que se passa atualmente, nomeadamente ao nível da consecução de alguns projetos que ainda estão a ganhar forma. Variados fatores, internos e externos, têm provocado o adiamento de alguns desses projetos e o ‘engavetar’ de outros. A concorrência neste mercado, por vezes até desleal, e nomeadamente na cidade de Vila Real é bastante e forte, o que leva a que tenha de haver constante atualização de serviços e de abertura para novas possibilidades. Quais os projetos que reservam para o futuro? Temos a ambição de fazer evoluir a nossa escola de natação, em parceria com o Clube de Natação Interior Norte, no sentido de proporcionar uma aprendizagem técnica de elevado nível de execução com o intuito de criar a possibilidade criação de bons atletas a nível nacional. De uma forma mais comercial, um dos projetos referidos anteriormente, mas que ainda não avançou, divide a sua intervenção em duas partes, médica e de atividade física. Trata-se de apoio à recuperação física de indivíduos com doenças cardíacas ou que tenham sofrido qualquer tipo de acidente cardíaco. Não existe na zona norte do país, acima do Porto, qualquer instituição que realize as segunda e terceira fases desta recuperação, sendo que a primeira é realizada ainda na cama do hospital. É um projeto que acreditamos ter uma grande viabilidade atendendo à particularidade da incidência deste tipo de patologias na zona norte do país, talvez devido a um fator importantíssimo, a dieta por cá praticada, com comida boa demais para se dizer não!

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vila real | casa vilas boas

Um maior norte para o Norte A honestidade e a ambição de chegar mais longe sempre foram os princípios que nortearam a Casa Vilas Boas. Hoje, Hyron Resende (sóciogerente) desvenda-nos a história de um espaço que ficara conhecido por aquele que mais ferro comercializa em Vila Real.

Hyron Resende Administrador

O projeto nasceu quando ainda decorria o ano de 1959. Naquele tempo, era Manuel Vilas Boas o gerente da casa, mas durante a década de 80, Ilídio Gomes (avô de Hyron Resende), “que tinha estado no Brasil e decide voltar para Portugal”, põe mãos à obra e investe na firma. A paixão por este país e a ousadia de lutar por uma cidade melhor sempre o levaram a acreditar na força do trabalho, e hoje a prova está a vista de todos. Nos primeiros tempos, a empresa dedicava-se somente à comercialização de algumas peças. Em 1988, Ilídio Gomes compreendeu que estava na altura de ampliar o espaço, não só porque os camiões sentiam dificuldades na hora de efetuar as descargas, mas também porque a própria cidade expandia. Alguns contratempos surgiram, e só durante a década de 90 conseguiu essa ampliação. Começaram por estruturar a empresa numa ótica de rentabilizar o negócio,

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desta vez na Zona Industrial e no centro da cidade (Rua do Seixo). “No centro ficamos com mais um ponto de venda, o que acabou por nos ajudar no armazenamento de todos os materiais que tínhamos aqui”, adianta. Como Vila Real não possuía este segmento, o impulso arrastou outras oportunidades de negócio, motivando a procura pelo mercado interno. Hyron Resende apenas conhecera os meandros de toda a atividade em 2003 e aquando questionado sobre a vinda dele para a Casa Vilas Boas, esclarece: “Embora tivesse passado toda a minha infância no Brasil, a verdade é que sempre gostei de Portugal e como vinha passar férias varias vezes a Vila Real, um dia decidi deixar o Brasil e ajudar o meu avô no desenvolvimento da empresa”. O neto deu início ao curso de Engenharia na Universidade de Vila Real, passando a trabalhar de dia e a estudar à noite.

Vindo de uma outra geração, rapidamente assimilava todos os ensinamentos que o avô lhe transmitia. Esta dedicação deixava adivinhar um futuro risonho e não é por acaso que atualmente a Casa Vilas Boas redefine a alma do ferro, e das gentes que sentem neste ofício um carinho maior. Trabalhar e dar trabalho “O meu avó sempre me mostrou o que esta empresa ainda tinha muito para crescer, e sempre me motivou”, cuida Hyron Resende. Os 17 colaboradores, influenciados por esse pensamento, estão conscientes da importância dessa proximidade, e ainda mais neste Trás-os-Montes de relações tão vivas. Existe uma tradição muito forte que alimenta a dinâmica deste ofício e se os colaboradores são de longa data, também as relações que mantêm com os clientes e fornecedores


casa vilas boas | vila real foram construídas numa perspetiva de longo prazo. Amigos do trabalho, e amigos da terra, a atividade abrange dois grandes nichos - a construção civil e a serralharia. “Enquanto que na construção o ferro tem em vista a produção de vigas, sapatas e pilares; na serralharia existem outros elementos estruturais”, aborda. Criar riqueza no interior do país tem claramente mais valias e nessa base de proximidade a Casa Vilas Boas fomenta o espírito de iniciativa. “Grande parte dos nossos clientes são desta zona geográfica, mas temos alguns do distrito de Viseu, como é o caso de Lamego e São João da Pesqueira”, indica. A distribuição também já está pensada nesse sentido e se o cliente por algum motivo não tiver disponibilidade de se deslocar, a empresa garante o transporte. Paralelamente, existe toda a componente comercial que não pode ser negligencidada, pois são eles que acabam por viver mais de perto as necessidades do setor. Crescimento sustentável O ferro tem sido historicamente importante, e existe uma infinidade de aplicações que vão moldando as suas características. O cliente, procurando ou não ferro galvanizado, vai assim acabar por escolher a durabilidade e resistência do material. É preciso verificar que a Casa Vilas Boas também desenvolve o trabalho de corte e quinagem, tendo por isso a possibilidade de dar forma a alguns produtos. Tudo isto acaba por facilitar a acessibilidade

ao cliente, como vem revelar o seu poder de adaptação. “Em algumas situações, nós adquirimos o ferro em grandes quantidades para logo de seguida comercializá-lo, e noutros casos mais específicos damos origem a novos produtos”, mostra. Recentemente, a Casa Vilas Boas tem apostado mais na componente física, mas atualmente, com mais experiência e sabedoria, outros alicerces começam a ser desenhados. “No futuro, a longo prazo, queremos estar mais na vanguarda, mas a curto prazo, procuramos acompanhar as necessidades”, transmite. A vertente administrativa e a consolidação dos recursos físicos fazem parte dos planos de agora, mas no futuro esperam ditar maior inovação. Durante este trajeto, pretendem não perder a familiaridade que os une, pois embora o gerente seja uma peça fundamental na orgânica da empresa, ele sabe que só poderá trabalhar com o apoio de todos os outros colaboradores. “Gosto do que faço e todas as dificuldades por que passei nunca foram impeditivas de crescimento. Daqui para a frente o meu objetivo é continuar em busca de novas soluções em conjunto com o meu avô e as pessoas que nos acompanham”, conclui.

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tema | empresa

“Os sabores de antigamente” Falar de gastronomia transmontana é falar no restaurante A Viúva. Em Vila Real, este espaço com história pretende presentear todos os clientes com o melhor dos sabores de Trás-os-Montes, privilegiando a qualidade dos produtos e os métodos de confeção tradicionais.

António Pedro Penelas e Ana Filipa Lagoa Gerentes

António Pedro Penelas e Ana Filipa Lagoa são os anfitriões do restaurante A Viúva. A história deste espaço remonta a 1930, com a avó de António Pedro, Filomena Correia, mais conhecida por “Ti Filomena” ou “a viúva”, nome pelo qual ficou conhecida por ter enviuvado cedo e que deu origem à curiosa denominação do restaurante. Tudo começou por ser uma mercearia, na qual Filomena Correia abastecia a freguesia com a venda de bacalhau salgado, feijão, massa, farinha e todos os produtos básicos, vendidos a granel, numa época em que o acesso aos mesmos não era fácil. Este negócio durou até 1979, sendo continuado pelo pai de António Pedro, José Penelas (mais conhecido por Zé da Viúva), e pela esposa, Maria Comba Teixeira, ou Dona Comba. Com ideias mais inovadoras, José Penelas e Maria Comba criaram de raiz um novo espaço, que aliava a mercearia tradicional com uma taberna. Foi nesta taberna que Dona Comba começou a introduzir petiscos regionais como bacalhau frito, pataniscas, iscas de bacalhau, petinga, entre outros, que aliados ao bom vinho da zona, faziam as delícias dos muitos que já procuravam a casa. Em 2008, já pelas mãos de António Pedro e Ana Filipa, A Viúva sofreu novamente alterações. O espaço antigo foi demolido, dando lugar às instalações que hoje conhecemos. No andar de baixo fica a “Casa de Pasto”, com lotação para 24 pessoas, onde são servidos os pratos do dia e petiscos tradicionais. No primeiro andar encontramos o restaurante mais formal e sala de eventos, com capacidade para 92 pessoas, no qual é servido diariamente o menu executivo

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restaurante a viúva | vila real a 9,90€, com tudo incluído (entradas, sopa, prato de carne ou de peixe, sobremesas e bebidas). A excelência da cozinha transmontana No restaurante A Viúva, a gastronomia tradicional de Trás-os-Montes é rainha. Os proprietários destacam como especialidades da casa o bacalhau com broa, o pernil assado no forno, a posta de carne maronesa e o polvo grelhado na brasa, acompanhado com batata a murro, molho verde e legumes salteados. Ao domingo, o destaque vai para o cabrito e, ao sábado, podemos saborear as tripas à moda da Dona Comba, em homenagem à mãe de António Pedro. “Esta casa tem o sucesso que tem devido à minha mãe. A nossa atual cozinheira aprendeu com a ela, que lhe ensinou tudo o que sabia”, confessa o responsável. No salão são realizados todo o tipo de eventos, como casamentos, batizados, comunhões e programas especiais em determinadas datas festivas, como o dia dos namorados e o S. João. Todos são preparados com toda a atenção e profissionalismo por parte de toda a equipa. No verão, existe também uma esplanada com churrasqueira, que faz as delícias nos convívios dos dias mais quentes. “Os clientes sentem-se em casa e dizem-nos muitas vezes que os nossos sabores lhes recordam a comida da avó. E é neste conceito que nos queremos manter, na génese da gastronomia transmontana. Sentimos que os nossos clientes saem daqui satisfeitos”, indica António Pedro. Os responsáveis aproveitam para agradecer a confiança que os seus clientes têm depositado no restaurante A Viúva ao longo de todos estes anos, prometendo continuar a valorizar o melhor da gastronomia transmontana. O restaurante A Viúva está aberto todos os dias, com exceção da quarta-feira, dia do descanso semanal.

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vila real | frutas palaio

À moda antiga, à boa moda do pai

Fundada em 1968, esta foi uma empresa que cresceu do próprio suor e trabalho de José Teixeira, proprietário que mais tarde passa o legado às filhas, Maria José Teixeira e Paula Teixeira. Aqui encontram-se os melhores frescos do mercado de Vila Real e a uns preços tanto ou quanto tão apetecíveis como o sabor. Mas por que razão é esta uma casa à moda do pai? Porque, felizmente, cada um ainda pode “roubar” uma azeitona ou um morango.

Paula Teixeira, José Teixeira e Maria José Teixeira Administradores

gerações. Quanto a objetivos futuros, pretendem continuar com o bom trabalho, levando-os a “bom porto”. A geração futura irá provavelmente também gerir o negócio, embora se encontrem em áreas distintas. No entanto as férias são passadas a ajudar. Como Maria José refere, nem sempre é fácil trabalhar em família, mas há que separar o coração. No entanto, com união, tudo se consegue. “Estou onde estou com muito gosto e muita vontade, e enquanto for vivo tenho que fazer companhia aos meus filhos que me ajudaram muito ao longo da vida. Fizeram sempre tudo o que lhes pedi, porque tudo o que lhes pedi não foi para mal, foi e será sempre para bem” Para terminar toda uma conversa de risadas, José Teixeira fala com enorme orgulho dos seus filhos que apelida de ‘chefes’ ou de ‘ricos filhos’ e que sente que a estes tudo deve.

José Teixeira fala, desde logo, com um brilho nos olhos da sua pequena, grande empresa, criada no seio familiar. Distingue-se pela sua grande honestidade e pelo seu humor inigualável que não deixa ninguém sem um sorriso. Começa a conversa pela história do seu primeiro cliente, que como o próprio diz “me marcou a alma. Foi difícil, comecei com uma sementeira de batatas que eu próprio fiz. Sou de Santa Marta de Penaguião e vim vender essa colheita. Vim vendê-la ao mercado municipal de Vila Real”. Chegado ao mercado, o cliente decide comprar a mercadoria de José Teixeira para a levar para o seu supermercado. Chegada ao supermercado, a mercadoria acusa mais do que a que o nosso interlocutor tinha vendido, e assim sem alterar preço, criou-se um cliente para a vida graças a esta honestidade. Depois do falecimento do seu primeiro cliente, os empregados do mesmo tornaram-se, todos eles, clientes e consumidores dos frescos Palaio. E assim a empresa foi crescendo dia a dia. De facto, como a própria filha Maria José afirma, as duas vertentes, preço e qualidade, estão presentes nos produtos que a Palaio vende, das frutas aos legumes, das conservas às sementes. O pai acrescenta que mesmo assim se focam mais na qualidade: “O produto é que manda, e tem um certo valor.” Para um negócio funcionar, José Teixeira afirma com todas as certezas que a honestidade é a base. Paula Teixeira completa dizendo que fazem todos de tudo um bocadinho, até porque se deve estar atento e acompanhar o processo de início ao fim. Maria José atenta que tudo que aprendeu deve-se ao seu pai, que embora exigente lhes “abriu os olhos”, e que assim foi “uma boa vida”. Vendem sobretudo para pequeno comércio e alguns clientes que passam, sentem que o interior está cada vez mais desertificado e o tipo “cliente-ambulante” deixou de existir. Os produtos vão busca-los diretamente aos mercadores abastecedores, primando pela grande escolha de um bom produto final, esta escolha rigorosa foi criada com anos de experiência que o próprio José Teixeira tem vindo a incutir às

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vinhos odisseia | vila real

Odisseia, um vinho de requinte O Douro sublimado, o prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam, é um excesso da natureza. Uma região única para a produção de vinhos. A proximidade do rio traz a concentração, a altitude traz a frescura, cada casta dá as suas próprias características varietais e as vinhas velhas, completadas com várias castas, enriquecem os vinhos. É nestas condições que, desde de 2004, é produzido o vinho Odisseia.

Jean-Hugues Gros Administrador

casta Touriga Franca na sua produção. Entre tintos, brancos e rosés os vinhos Odisseia satisfazem qualquer pessoa que procura um vinho com elegância. A gama de entrada é o Odisseia Little e o maior destaque será certamente o Odisseia Branco, “é um vinho que tem um perfil muito constante todos os anos, feito de uvas de altitude o que é bom para a frescura e a mineralidade. É fermentado em inox, sem madeira, e tornouse num vinho conceptual que toda a gente gosta” enunciou Jean-Hugues Gros que destacou também o Reserva Branco e o Reserva Tinto. O vinho Odisseia destaca-se com um carácter marcado fresco, muito dinâmico, com o vigor a casar bem com a elegância, tudo com uma harmonia singular,

Jean-Hugues Gros é francês e optou por se fixar na região do Douro a produzir o seu próprio vinho. Formado em Borgonha, trabalhou em Marrocos, Bordeaux, Califórnia e em Champagne onde foi acumulando experiência na arte da enologia. Voltou a Portugal em 1999 para trabalhar numa empresa de vinhos do Porto, em Tabuaço. Em 2004, registou a sua marca e começou a produzir o seu próprio vinho. Assim nasceram os vinhos Odisseia, destacados por uma original elegância. Apesar de trabalhar também como enólogo e consultor em 15 quintas, concilia o tempo livre com a produção do seu próprio vinho que de momento ultrapassa as 60.000 garrafas que podem ser encontradas não só no mercado nacional, mas também na Bélgica, Suíça e Canadá. Em conversa com a Revista Business Portugal, Jeah-Hugues Gros explicou a razão de escolher Portugal e a

são de facto um vinho com uma excelente relação de preço/qualidade. A caminhar para o futuro Um dos principais projetos da Odisseia passa por lançar uma nova gama “feita com uvas de vinhas velhas de altitude”, enunciou JeanHugues Gros que pretende assim reforçar a sua presença no mercado e destacar a singularidade dos seus vinhos. A qualidade de produção que tem sido feita perspetiva que a Odisseia continue a crescer e a conquistar cada vez mais apreciadores. É fácil asseverar que os vinhos do Odisseia são autênticos, profundamente originais e senhores de uma identidade própria.

zona do Douro para trabalhar e produzir o vinho Odisseia, “é uma das regiões mais bonitas do mundo, principalmente em paisagens de vinhos. Comecei a trabalhar com o vinho do Porto que tem muitas gamas interessantes. É uma região com um microclima peculiar onde pode haver muita diversidade de castas que são produzidas com muita qualidade”. Gamas de Vinhos A região do Douro é repleta de vinhos de qualidade, é uma referência mundial de vinhos até mesmo para os mais requintados palatos, o vinho Odisseia reúne as qualidades da região duriense com uma personalidade muito própria. “Procuro sempre a elegância nos vinhos, uma fruta muito limpa e sem excesso de madeira. Gosto de respeitar as castas”, explicou o produtor que destacou também a qualidade e versatilidade da

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vila real | interzona transportes

“Onde houver estrada, nós vamos” De Vila Real para o mundo, a Interzona, PME Líder, transporta a sua mercadoria com toda a segurança. Verifique por si mesmo onde se encontra os seus produtos, através da plataforma online da empresa. Na era da informação, conhecimento diferencia o serviço.

José Cunha Administrador

Sediada em Vila Real, a Interzona - Transportes e Distribuição, tem uma frota de tamanho considerável: são 68 viaturas, divididas em furgões de 3.500 quilos, camiões até 19 toneladas e semirreboques, muitas vezes denominados de articulados, que representam a maioria. A empresa, fundada no ano 2000, freta todo o tipo de artigos e desempenha vários tipos de serviços. Para uma organização mais funcional, a Interzona foi dividida em quatro unidades de negócio: uma delas será a distribuição de todo o tipo de serviços na zona de Trás-os-Montes; outra vertente é a distribuição no código postal 4000, que abrange o distrito do Porto, Braga e Viana, nos quais toda a frota é refrigerada (transportes alimentares em regime de frio); de referir, também, os camiões, uma distinta unidade de negócio, que percorrem todo o território nacional; por último, a zona

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internacional. “Temos capacidade para nos deslocarmos a qualquer país”, afirmou José Cunha, cuja iniciativa própria deu origem à empresa de transportes e distribuição. “Onde houver estrada, nós vamos”, reiterou. Dentro de um setor extremamente competitivo, há que se distinguir. “Tentamos ter melhor informação, pela qual o cliente não está disposto a pagar mais, porém é um ponto diferenciador na altura da escolha” entre as empresas disponíveis para realizar o serviço, revelou-nos o proprietário. “O cliente pode ver, na nossa plataforma online, onde está a carga dele, em que carro está, se já foi descarregada. Nos dias que correm, a informação é muito importante.” Questionado acerca da legislação portuguesa, o empresário considerou que deveria ser revista, uma vez que não só

não está atualizada, como “não é viável”. Por exemplo, a exigência de pagar horas extra a um motorista que faça um percurso em mais tempo do que a duração necessária para o mesmo ser realizado por outro trabalhador, mais eficiente e responsável. Contratar motoristas de pesados é das maiores dificuldades que o setor dos transportes enfrenta atualmente, devido à escassa oferta. Por esse motivo, os trabalhadores têm facilidade em exigir condições e “nada protege a empresa”. Muitos são os trabalhadores que procuram receber “por fora”, algo que a Interzona não aceita, “mas há sempre quem aceite, deveria existir maior fiscalização nesse sentido”. Em relação à questão da qualidade VS preço do serviço, o proprietário respondeu que existe “um meio termo, todavia o preço é essencial”. A empresa de José Cunha acompanha os preços do mercado e, “em contrapartida, os clientes estão a ser mais cumpridores”. O presente é favorável, quanto ao futuro o empresário não é tão otimista: “Não vai ser fácil, é uma guerra de competitividade”. Já a pensar nisso mesmo é que a empresa foi dividida em unidades de negócio. “Nestes anos de atividade, aprendemos que não podemos pôr os ovos todos no mesmo cesto, vamos selecionar as mais rentáveis. Dividimos a empresa para percebermos quais aquelas que estão a dar-se bem, aquela que se sobressai é onde vamos apostar. Prevejo que seja o internacional que tenha futuro, mas nesta altura ainda é cedo para afirmar”. Uma coisa é certa: “da nossa parte haverá sempre um esforço para fazer um bom trabalho e prestar um bom serviço ao cliente”. Muito depende do estado do mercado e da Banca, a qual é uma parceira de negócios fundamental para o investimento, nomeadamente em viaturas novas.


pluma tour | vila real

Uma empresa que cuida do viajante e do transporte Após regressar a Portugal, Jorge Alves, proprietário da Pluma Tour e Pluma Pneus, trouxe consigo a inovação e implementou-a com sucesso em Vila Real. O projeto ‘Oficina Móvel para Pneus’ já tem rodas para andar. empresas juntas dividem-se em 30 por cento nos pneus, 20 por cento em negócios nacionais e 50 por cento com emigrantes”. Oficina móvel para pneus Apesar de Jorge Alves dizer a si mesmo, todos os anos, que não vai investir na empresa, acaba sempre por o fazer, ou não fosse o seu espírito de empresário. “Este ano fiz um grande investimento numa carrinha móvel para mudar pneus. Trouxe a ideia do estrangeiro, já existe em Portugal, mas não é algo que se veja com frequência, muito menos com as condições oferecidas pela Pluma Pneus. As empresas de transportes não podem parar os carros a semana toda, caso contrário têm despesas elevadas e os motoristas também têm restrições às horas que podem conduzir. Assim sendo, vamos nós de encontro às viaturas. Esta carrinha desloca-se até ao local onde estão as viaturas que precisam de mudar os pneus, seja onde for. Toda a maquinaria necessária para isso é transportada até ao local. Isto é um investimento para o futuro, uma vez que é preciso cultivar o mercado e divulgar a opção”. Entre investimentos e inovações, a Pluma Tour e a Pluma Pneus têm registado um crescimento notável. O futuro aponta que tudo se mantenha nesse caminho.

Jorge Alves Proprietário

Jorge Alves emigrou para a Suíça com 18 anos. Durante 12 anos trabalhou para o mesmo patrão, o único que teve, o qual presidia uma empresa agrícola que precisava de equipas de pessoas para trabalho, como a colheita dos morangos. Rapidamente, Jorge Alves foi apontado como chefe de equipa. “Quando lá cheguei, éramos oito colaboradores, começamos a aumentar a produção e chegamos a ser 30”, narrou-nos. “Eu recrutava trabalhadores de Portuga e levava-os para a Suíça”, remata. O nosso entrevistado referiu, ainda, que também transportou colaboradores para outras empresas. “Até que”, observou, “cheguei à conclusão de que deveria estar a fazer esse trabalho para mim mesmo”. Assim, adquiriu uma carrinha de sete lugares e deu início ao que se transformaria na sua nova carreira. Começou, então, a fazer transportes por conta própria. Em 2002, decidiu regressar definitivamente a Vila Real, a sua terra natal, fundando a Pluma Tour. O nome pluma “significa autocarro de luxo e viagens com conforto”. A atividade primaz da empresa são os serviços de transporte para a Suíça, valência que se mantém até hoje. Para além desse serviço, a Pluma Tour organiza várias excursões, freta autocarros para turismo, faz serviço ocasional, transporte escolar e encarrega-se do transporte de todo o tipo de mercadorias. A sua frota é constituída por autocarros com capacidade de 75, 51, 29, 17 e nove lugares. Atualmente, têm uma linha muito ligada aos emigrantes, com saída de Portugal para a Suíça, todas as terças-feiras e sábados, e saídas da Suíça para terras lusas todas as terças e sextas-feiras. A ‘força’ do mercado, explicou-nos, situa-se, principalmente, “em Vila Real”, porém, o empresário vai para “onde houver clientes”. Com a constante aquisição de viaturas tornou-se necessário uma maior preocupação com os pneus. O proprietário considerou que essa seria uma área proveitosa para onde poderia expandir o negócio. Em 2009 fundou a Pluma Pneus. “Hoje, as transações das duas

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vila real | solicitadora rosália ribeiro pereira

Solicitadores- Qual a sua missão?

O Solicitador é um profissional liberal, licenciado em solicitadoria, que pratica atos jurídicos por conta de outrem, dotado de formação, conhecimentos e meios para tais práticas, Se não está por dentro do assunto siga as próximas linhas e fique a saber um pouco mais sobre o seu campo de ação.

Rosália Ribeiro Pereira Solicitadora

mandato judicial, e muitos outros, que passam pela área do notariado e que estão contemplados na Lei 49/2004. Além disso é da sua competência o registo online, registo predial e comercial, registo automóvel, elaboração de contratos de trabalho, de arrendamento, de compra, de venda, entre outros. Explica a entrevistada que alguns destes serviços eram apenas prestados pelos notários, mas que hoje em dia fazem parte da carteira de serviços de um solicitador. “Assim podemos fazer um acompanhamento integral e permanente quer a empresas, quer a particulares em qualquer negócio jurídico”, acrescenta.

A génese da profissão remonta ao ano de 1174. Neste tempo quem a praticava eram pessoas com um nível de escolaridade ligeiramente mais avançado do que a população em geral e que auxiliavam na escrita e legalização de certos documentos. Com o passar dos anos a solicitadoria foi-se especializando. Hoje todos os profissionais passam pelo Ensino Superior e estão representados pela Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução. Apesar da sua evolução, o exercício da profissão ainda não é do conhecimento geral da população. Foi este o motivo pelo qual estivemos à conversa com uma profissional da área, com mais de duas décadas de experiência. Natural de Vila Real, Rosália Ribeiro Pereira, trabalha na área há cerca de 28 anos e é solicitadora há 7 anos. Tem escritório próprio na cidade transmontana, largos anos de experiência e um gosto enorme pela profissão que exerce. Em entrevista à Business Portugal, a solicitadora vem esclarecer algumas das valências destinadas ao seu trabalho. Que serviços prestam? Os solicitadores podem atuar em todo o território nacional sob qualquer jurisdição, instância, entidade ou autoridade pública ou privada. Cabe na sua profissão o aconselhamento jurídico, a celebração de documentos particulares autenticados, de doação, hipoteca, partilha, compra e venda e

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O que se alterou com o aparecimento da Ordem? Muitos destes novos serviços que enumeramos surgiram como atrás foi dito há relativamente pouco tempo. Refere Rosália Pereira que “nos últimos anos a Ordem tem contribuído para o desenvolvimento e para por em prática algumas ferramentas de trabalho que com esforço e dedicação vai aperfeiçoando, de modo a que os solicitadores possam cada vez mais e melhor dar excelência ao seu trabalho. Neste contexto, a OSAE tem realizado vários investimentos e acrescentado novas perspetivas de trabalho aos solicitadores”. Acrescenta que há relativamente pouco tempo “o solicitador era a pessoa que se deslocava à repartição em nome de outrem para requerer certidões e registos e pouco mais”, mas que atualmente as competências são definitivamente outras. Na opinião da entrevistada a Ordem tem feito “um trabalho que todos devemos reconhecer” pois tem permitido alargar o campo de ação e as competências do solicitador. “Tudo está numa mutação constante e felizmente que assim é, por isso, são por nós aceites de bom grado, novas competências que nos sejam destinadas”, avança. Entende que outra das mais valias que a OSAE trouxe foi o “acréscimo de novas oportunidades de trabalho aos solicitadores, até porque são cada vez mais os recém chegados à profissão”. Acrescenta ainda que “a formação contínua é fundamental para a consolidação de conhecimentos e que também tem sido uma preocupação da Ordem”.

Solicitadoria versus Procuradoria Ilícita Um problema que resistiu ao passar dos anos e evolução da profissão é a procuradoria ilícita- atividade ilegal de quem pratica atos reservados à solicitadoria, sem habilitações para tal. Sobre este assunto, Rosália Pereira deixa um alerta sobre a necessidade de combater este tipo de atividade: “É o nosso adversário mais feroz, com o qual travamos lutas diariamente. É preciso que a população, os profissionais e até as diversas entidades designadamente as Conservatórias, os serviços de finanças e os notários estejam atentos e denunciem estes casos”. (Re) Conhecimento da população Uma das dificuldades enumeradas pela solicitadora no que respeita à profissão é a falta de divulgação da mesma junto da população e o escasso conhecimento que esta ainda revela sobre os serviços que podem ser prestados num gabinete de solicitadoria. “Cabe à Ordem, mas acima de tudo a cada um de nós divulgar a nossa profissão junto dos cidadãos. Mas estou segura de que com estas novas valências e com o alargar dos serviços por nos prestados vamos conseguir marcar a nossa posição”, diz a entrevistada. Como solução para o problema não hesita em afirmar que a melhor forma de divulgação que um solicitador pode adotar é através do sucesso, da arte e capacidade do bem receber, do bem fazer e executar o seu trabalho e satisfação dos seus clientes.


vila real | junta de freguesia de mateus

“As freguesias nunca estão completas, mas Mateus, está bem munida”

Artur Ribeiro de Carvalho Presidente

Artur Ribeiro de Carvalho, atual presidente da junta, sendo este o segundo mandato, fala um pouco da terra que o acolhe. Assim toda a equipa da Junta se empenha na melhoria das condições desta freguesia.

Mateus é uma terra bem antiga, já desde tempos senhoriais, pelo que não será de estranhar que uma das grandes atrações de quem visita a freguesia seja o tão conhecido Palácio de Mateus. Não se sabe ao certo quando fora fundada, mas graças à heráldica da bandeira é de distinguir a enxada, ligada aos agricultores de Mateus que acabavam por abastecer Vila Real bem como à lira referente à tradição musical desta freguesia. A banda de Mateus faz agora 207 anos. Como refere o edil, Mateus está “bem munida”: é em Mateus que se encontra o Centro de Saúde de Vila Real nº 2, duas escolas secundárias, a igreja de Mateus

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e Igreja de Santo António, além do Centro Social e Paroquial de Santo António. Conta ainda com o Centro Social e Paroquial de Mateus com creche, centro de dia, apoio domiciliário e estrutura residencial para idosos e deficientes, que tem como equipamentos de apoio a piscina e o pavilhão desportivo. Assim, esta pequena freguesia apresenta as infraestruturas necessárias ao bom desenvolvimento de cada faixa etária. Embora Mateus possua todos estes equipamentos para atrair os mais jovens, esta luta continua difícil, visto que estes “fogem” para os grandes centros, com a criação de postos de trabalho e condições a todos os níveis”.

A nível cultural, comojá referido anteriormente, contam com a banda de música, que tem cerca de 70 elementos, que mantém uma atividade contínua e que comemora este ano 207 anos de existência. Existe ainda um grupo de escuteiros e dois grupos de bombos (Raia e Abambres). A nível desportivo, tem em atividade o Abambres Sport Club com instalações próprias que constam de um campo de relva sintética, prevendo para breve a conclusão de um segundo, que acolhe cerca de 300 atletas dos cinco aos 65 anos de idade. Quanto ao que visitar, Artur Ribeiro de Carvalho refere, claramente, de passagem obrigatória o Palácio de Mateus, mas frisa que a “freguesia não fica por aqui”. A Casa dos Urros e a Casa das Quartas são de visita imperativa. Imperativo é também provar o tão conhecido ‘Mateus Rosé’ e, quem sabe, assistir ao circuito internacional, que passa grande parte por Mateus. Os jovens e os visitantes são importantes para o atual presidente, mas da mesma forma se apresentam os mais idosos, que existem em maior número e precisam de cada vez mais cuidados. Assim, a ação social está bem presente em toda a freguesia, prestando serviços a todos, e a própria Câmara disponibiliza vários eventos para manter os idosos ativos e com companhia constante. Quanto à panóplia de obras que Mateus assistiu nos últimos tempos, estas passaram pela colocação de semáforo, na Estrada Nacional, junto do palácio de Mateus, para

trazer alguma segurança, já que este recebe visita de aproximadamente 100 mil visitantes por ano. A freguesia conta igualmente com uma melhoria das ruas, para haver todo um melhor acesso, seja no tempo das corridas de automóveis ou mesmo no dia a dia. O edil refere ainda a ampliação da capela mortuária e a área envolvente da igreja paroquial, a requalificação da mina da Raia, que representava um perigo público para os moradores e a requalificação do pavimento da Rua Silvestre Vaz e outras. A população sente as diferenças. Como o atual presidente afirma, “a nossa obrigação é criar melhores condições.” Mais projectos estão para vir, Artur Ribeiro de Carvalho refere que esses passam pela pavimentação da Rua da Raia, pela requalificação de parte da Rua das Flores, Rua da Poça, Rua Paula Vaz e Rua dos Entalhadores, bem como uma renovação da Praça junto do Palácio de Mateus, tornando-a mais atrativa, com a possibilidade de criar novos postos de trabalho. O nosso interlocutor termina dizendo que a Câmara Municipal tem sido um grande apoio à Junta de Freguesia, e que gosta de ser de Trás-os-Montes, o porquê, não o sabe bem. Sabe, isso sim, que se irá recandidatar, mas que um dia se despedirá com carinho desta casa. “Fazermos algo pelos outros, e isso é gratificante”. Diz que a sua freguesia é uma terra cativante, de gente boa e hospitaleira e espera que a população continue a confiar no seu trabalho que será sempre, dentro dos possíveis, o melhor.


junta de freguesia de folhadela | vila real

Entre a agricultura, a urbanização e o ensino A Revista Business Portugal entrevistou Manuel Libório, presidente da Junta de Freguesia de Folhadela, em Vila Real. Através das suas palavras, fez-nos uma visita guiada e deu-nos a conhecer um local que, por todas as suas características, merece ser destacado. à vida agrícola, pois as pessoas começaram a trabalhar no comércio tradicional e em empresas públicas que se instalaram em Vila Real, como por exemplo a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, instalada na nossa freguesia. Para além do campus da UTAD, temos o Aeródromo e o Kartódromo de Vila Real, a Adega Cooperativa, o Instituto de Meteorologia, parte da Zona Industrial, uma Escola Equestre, a Escola Fixa de Trânsito, e o Clube de Ténis de Vila Real. Quais são os produtos gastronómicos característicos da freguesia de Folhadela? Em termos gastronómicos, pode-se encontrar nos restaurantes da freguesia vários pratos típicos da região como Tripas aos Molhos, Naco na Pedra, Cozido à Portuguesa e Posta Mirandesa.

Manuel Libório Presidente

Começo por lhe pedir que apresente a sua freguesia em termos territoriais e populacionais. A freguesia de Folhadela é uma freguesia periurbana com cerca de 16 km2 e sensivelmente 2200 habitantes. É composta pelas aldeias de Folhadela, Vila Nova, Sabroso, Portela, Paúlos e Bustelo. Quais são as principais atividades económicas presentes na região? As gentes de Folhadela têm uma ligação muito forte à agricultura, que foi, durante muitos anos, o sustento de muitas famílias. Hoje são poucas as pessoas que se dedicam

Para quem visita, quais são os pontos de passagem obrigatórios? A freguesia de Folhadela apresenta um vasto património cultural e religioso, como é o caso da Igreja Matriz. Temos, também, várias atividades culturais e as festas religiosas, onde se destaca a festa de Sta. Luzia que tem vindo a ganhar alguma visibilidade por causa do doce conventual denominado Pito que tem a sua origem nesta freguesia. Temos também a festa do Carolo, que a Junta de Freguesia tenta reavivar, organizando um passeio anual de carros clássicos com o nome Rota do Carolo. Por esta altura está-se a preparar dramatização da Via-Sacra, que já é organizada há cerca de vinte anos. Falou em associações. Que associações é que existem em Folhadela? As associações são muito importantes no desenvolvimento e propagação da cultura. Por esse motivo terão sempre o nosso

apoio. Temos o GCR Folhadela, a ADC Sabroso e a ACDS Vila Nova, que são associações ligadas à prática desportiva e à cultura, e a Banda de Música da Portela que, para além de ser uma banda filarmónica com uma vasta história, tem também uma escola de música para os jovens. Presidente, como tomou a decisão de se candidatar? Confesso que não foi fácil, nunca pensei ocupar um cargo destes, mas sempre fui um homem de desafios, e acabei por aceitar. Olhando para estes três anos e meio de mandato, o balanço é positivo. Os orçamentos são limitados, porém fazemos o nosso melhor em prol da freguesia. Neste mandato, conseguimos responder às maiores necessidades da freguesia, tendo realizado investimento em equipamentos e maquinaria que nos permite ter as ruas limpas com menor custo. Fizemos várias intervenções nas ruas que se encontravam em pior estado, para que carros e peões circulem em segurança. O que é que ainda ambiciona concretizar? Pretendemos criar melhores respostas às necessidades sociais da freguesia, além disso, iremos continuar a dar as respostas necessárias à manutenção, limpeza e reparação de estradas. Temos em mente a criação de um espaço de convívio sénior e de um pavilhão multiusos. Uma vez que estamos em ano de eleições, atrevo-me a questionar se se tenciona recandidatar. Penso que ainda temos muito a contribuir para o bem da nossa freguesia e projetos que gostaríamos de concretizar. É possível uma recandidatura.

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ROTA DO DÃO Instituída em 1908 e situada no centro do país, a Rota do Dão ficou especialmente conhecida pelos seus vinhos graças a uma excepcional condição climatérica que fazem com que os vinhos ganhem propriedades únicas e bem definidas, que se distinguem na cor e no paladar. Abençoada por uma flora inigualável, com cerca de 16 000 hectares de vinhas, a região faz-se rodear das belas serras do a poente do Caramulo, a sul do Buçaco, a norte, a serra da Nave e a leste a Serra da Estrela. Por onde se passa os vários verdes fazem-se notar, bem como um ar puro. A ‘gente do Dão’ faz uso do seu clima e dos seus solos, fazendo justiça ao que já há muito é sua aptidão, a agricultura. Ainda de admirar os belos rios, Mondego, Alva e Dão, bem como a vasta gastronomia que a região possui. A gastronomia baseia-se sem dúvida de produtos que acompanham um bom vinho, como é o caso do queijo Serra da Estrela, o cabrito, os enchidos e a vasta doçaria. A região do Dão é de facto um local a conhecer, as páginas seguintes aguçam o apetite e mostram o que de melhor se pode conhecer nesta Rota do Dão.

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pão quente ribeira doce | rota do dão

O verdadeiro bolo de cornos

Equipa

Quem visita Mortágua não fica indiferente às suas paisagens, gastronomia e doçaria. A Pastelaria Ribeira Doce detém um papel importante na divulgação de um doce típico da região: o bolo de cornos. O nome é pouco comum, mas o sabor tem conquistado muitas pessoas. Além de ser amassado à mão, este produto tem segredos que garantem o sucesso. O negócio está a começar mas é já uma referência na região.

‘Aventura’ é o termo mais correto para caracterizar a origem da Pastelaria Ribeira Doce. Apesar de a casa já existir há mais de 20 anos, foi há cerca de seis meses que Miguel Santos assumiu a gerência e tem conquistado a confiança dos clientes. “Tinha conhecimentos na área e resolvi apostar na abertura de um negócio. Tem sido uma aprendizagem constante mas tem corrido bem. Considero-me um aventureiro”, revela o proprietário. Com os conceitos de pastelaria, confeitaria e pão-quente, a equipa da Ribeira Doce aposta na diferenciação e no fabrico próprio de qualidade. Entre as inúmeras referências na padaria, o tradicional pão d´avó é o mais solicitado pelos clientes. O fabrico, os ingredientes e a regularidade da cozedura são apreciados por várias pessoas. Diariamente são confecionadas e servidas uma grande variedade de pizzas, tendo como base massa de pão d´avó e um conjunto de ingredientes de qualidade que se interligam na perfeição. Já na área da pastelaria, o exlíbris da Ribeira Doce é o bolo de cornos. Simultaneamente conhecido como o doce típico de Mortágua, tem como origem uma receita antiga que o tornou num produto regional cada vez mais conhecido. “Tive acesso a uma receita, cedida por uma senhora que confecionava este doce. Fiz várias experiências até atingir um resultado satisfatório e de qualidade, quer pela textura como pelo sabor. Queria ter um

produto diferente mas tradicional, que fosse valorizado por quem nos visita”, acrescenta Miguel Santos. Na receita do bolo de cornos, encontram-se ingredientes como farinha, açúcar, ovos e limão e alguns segredos que o tornam especial. O proprietário evidenciou alguns detalhes: “Este bolo só pode ser amassado à mão, se utilizarmos algum instrumento elétrico, o sabor é alterado de imediato porque não se dá uma ligação perfeita dos ingredientes. Quanto mais tempo ficar a levedar, melhor. Depois moldamos a massa e vai ao forno, tendo como base uma folha de couve. Isto para a parte de baixo do bolo, não ficar muito dura ou demasiado cozida. Assim garantimos um sabor único e uniforme. Depois de aberto, o bolo aguenta muito tempo, sem ficar seco ou esfarelar e pode ser servido ao pequenoalmoço, lanche ou até como refeição”. Vendido à unidade, cada bolo pesa cerca de 1kg e é fabricado diariamente para responder aos pedidos dos clientes. Geralmente, na Ribeira Doce são confecionados 30 bolos de cornos por dia, sendo que em alturas festivas a produção aumenta significativamente. “Os clientes dizem que é um bolo divinal que não encontram em lado algum. Recebemos muitos emigrantes que vêm até aqui comprar o bolo para levar para o país onde residem. O objetivo é produzir cada vez mais sem esquecer o amor e carinho com

que é amassado”, revela o gerente. Além desta atração, Miguel Santos tem apostado na pastelaria tradicional e na inovação das receitas. “Criei um pastel baseado no típico pastel de Tentúgal, com creme de ovo. Foi mais uma experiência, gosto de desafios e de apresentar novos produtos, tendo em conta a opinião dos clientes”, destaca. Fazer encomendas de bolos de aniversário ou batismo é também possível nesta pastelaria. O atendimento da equipa é personalizado e os clientes sentemse já parte integrante da “família Ribeira Doce”. A qualidade dos produtos tem definido o sucesso deste negócio e um dos objetivos passa pela expansão e alargamento da rede de pastelarias em Portugal.

O famoso bolo de cornos

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rota do dão | sos animal - hospital veterinário de viseu

Pela saúde dos nossos amiguinhos!

Em Viseu encontrámos um hospital veterinário de referência. Sobre o mesmo, a Revista Business Portugal conversou com Filomena Cunha, diretora do espaço referência na cidade de Viriato.

Em atividade desde de 2009, qual tem sido o balanço destes oitos anos? Desde o dia 16 de abril de 2009 que

desde o simples conselho inicial até à resolução cirúrgica de fraturas complexas. Além do que asseguramos um serviço de

Viseu e o distrito tiveram um hospital a trabalhar em regime de 24h. E se nos primeiros anos foi muito duro uma vez que literalmente começámos do zero, atualmente é extremamente gratificante ver o nosso trabalho reconhecido não só pelos nossos utentes mas também pelos colegas veterinários, com quem cada vez mais trabalhamos lada a lado.

internamento permanente (isto é os animas são acompanhados durante a noite e dia por médicos e enfermeiros) e de doenças infectocontagiosas real. Temos também em parceria com o Banco de Sangue Animal um ponto de sangue para realizar transfusões, que podem ser realizadas nos CAMVs dos colegas ou se preferirem nas nossas instalações. São poucas as valências que não realizamos aqui.

Destacam-se por estarem disponíveis 24horas por dia e durante todos os dias do ano. Quais os serviços que oferecem? O principal serviço de um hospital é o serviço de urgência permanente, não só de nome mas também de facto. Claro que ainda temos alguns serviços a instalar mas qe não são essências ou principais. Seriam mais comodidades, que serviços médicos. Mas como verdadeiro hospital que somos, tentamos prestar todos os serviços

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Que animais de companhia mais estranhos já passaram pelos consultórios do Hospital Veterinário Viseu? Já cá passaram uns quantos, mas mesmo não sendo de companhia o mais estranho foi ter uma ovelha adulta internada durante três dias no Hospital! Era um cheiro muito “sui generis”! Mas já tivemos desde peixinhos, a vários tipos de répteis, a galinhas de estimação e cabritas. Temos vários cobaios

e coelhos como utentes e dos quais temos muito orgulho! E por vezes mantemos durante a noite alguns animais silváticos para entregar ao SEPNA.

relativamente ao número de partos e cirurgias de cesariana que realizamos! Estes investimentos têm que ter retorno e ser pagos.

Qual a filosofia de trabalho e os pilares do sucesso da SOS Animal – HVV? Desde o início que sempre foi nosso ponto forte a seriedade e honestidade na relação com os nossos clientes. Sem o respeito devido a ambos não pode haver uma relação de confiança, sobre a qual iremos trabalhar em prol da saúde dos nossos amigos e dos seus donos. Tentamos sempre oferecer as diferentes alternativas de tratamento, para as situações que nos chegam de forma a conseguir o máximo de efeito com o mínimo de custos (sejam monetários ou de outra natureza). E se por alguma razão um tratamento ou questão não pode ser resolvida, conversamos com o cliente e sempre há uma solução!

Quais os objetivos e projetos para o futuro da SOS Animal – HVV? O objetivo principal deste Hospital é primeiro consolidar a nossa presença na área como unidade de saúde veterinária de referência. Pretendemos investir em mais algumas valências e avançar na qualificação do corpo médico e de enfermagem. Queremos criar uma estrutura estável, motivada e com um objetivo comum – o bem-estar animal. Pela saúde dos nossos amiguinhos!

Quais os maiores desafios e dificuldades para a SOS Animal – HVV? O nosso maior desafio é sempre superar o que foi feito e sempre prestar o melhor serviço ao nosso utente. A nossa maior dificuldade e pena, é não podermos prestar serviços a todos… Somo uma empresa particular, que não recebe subvenções ou donativos para o nosso orçamento e infelizmente alguns tutores ainda pensam que uma estrutura desta dimensão ainda se mantem com abraços e obrigados… As despesas de medicação, equipamentos e educação contínua têm que ser pagas! Ainda este mês fomos ‘obrigados’ a adquirir uma unidade de cuidados perinatais/ intensivos! Foi um investimento necessário


ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA A Área Metropolitana de Lisboa serve a grande Lisboa bem como Setúbal. Aqui se centra a capital do país, e aqui se diz que está todo o futuro. A praia e as belas planícies, o património histórico espalhado um pouco por toda a parte, bem como os edifícios que fazem notar o grande avanço desta zona. As empresas têm crescido mais e apostado na inovação, muitas já com métodos de trabalhos paralelos, que fazem com que no fim resulte e compense todo o esforço. Uma região de visionários que tentam trabalhar em conjunto para que os as 118 freguesias tirem o maior partido do avançar do tempo, sem esquecer as raízes. Vista como uma cidade à escala mundial graças ao seu crescente domínio financeiro, comercial, turísticos e educacional. É um dos principais centros económicos do continente europeu Seguidamente, mostramos o que de melhor se faz na Área Metropolitana de Lisboa.

O Star inn Lisbon - Smart Choice Hotel, está localizado a 100 metros do Aeroporto Internacional de Lisboa e a 2 minutos a pé da estação de Metro do Aeroporto. Este hotel combina acomodações modernas, uma decoração contemporânea em todas as áreas e acesso gratuito à internet Wi-Fi.

Facilidades do Hotel

• Hotel de Cidade/Aeroporto • 173 Quartos • Internet Wi-Fi gratuita • Hotel para não fumadores • Área de refeições • Mini Bar e Cofre nos quartos • Quartos para clientes com mobilidade reduzida

Por lapso na edição passada, no artigo Páteo Velho referimo-nos a Paulo Caiano Santos e Milá Veloso como Pedro Caiano Santos e Milá Velos. Aos visados, a Revista Business Portugal apresenta as suas mais sinceras desculpas.

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área metropolitana de lisboa | centro hípico da costa do estoril

A paixão pelo mundo equestre

Fundado em 1982, o Centro Hípico Costa do Estoril passou, em 2014, para uma nova gerência, funcionando atualmente como uma escola de equitação e de preparação para competição. Para além disso, oferece um vasto leque de serviços que vão desde a hipoterapia, cavalos a penso, até festas de aniversário e campo de férias. As suas modernas instalações incluem para além de quatro picadeiros, dezenas de boxes que albergam cavalos da escola e particulares dos seus associados. Em entrevista à Revista Business Portugal, Adele Gambini, proprietária e diretora do Centro Hípico Costa do Estoril, fala-nos deste projeto que assume uma visão e filosofia diferenciadoras. O gosto pelo mundo dos cavalos surgiu muito naturalmente até porque o marido de Adele Gambini foi, em tempos, campeão de saltos, por outro lado, as suas filhas começaram a montar e apaixonaram-se pelo mundo equestre. Assim, em 2014 surgiu a oportunidade de negócio de adquirir o Centro Hípico Costa do Estoril e Adele Gambini não hesitou, pese embora o seu percurso profissional ser numa área completamente diferente. “Comprámos o centro hípico em 2014, uma estrutura que já existia e funcionava, mas que não tinha as condições infraestruturais necessárias. Quando decidimos investir neste espaço, foi necessária uma reestruturação completa, quer do próprio edifício, quer das boxes dos cavalos e assumir uma visão e uma filosofia diferenciadoras”, esclarece a diretora, sublinhando que um dos maiores investimentos efetuados foi no piso que controla, por exemplo, o nível de humidade do campo, porque “a nossa visão foca-se no bem-estar do animal, ao mesmo tempo que queremos que ao entrar no nosso centro hípico, os clientes se sintam bem”, sublinha Adele Gambini. Adele Gambini Administradora

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centro hípico da costa do estoril | área metropolitana de lisboa Atualmente, com cerca de 60 cavalos, o Centro Hípico Costa do Estoril tem uma escola de equitação aberta a todos, em que o atleta mais novo tem quatro anos e o mais velho tem oitenta, ou seja, um público muito transversal. Aqui existem dois tipos de aulas, os chamados volteios que são aulas individuais de 20 minutos e aulas de grupo com a duração de 50 minutos. E porquê? Bem, a explicação é fácil,o professor tem que ter a certeza que o aluno é capaz de fazer os movimentos de passo, galope e trote com toda a segurança. Quando essa confiança e segurança existem, o aluno passa para as aulas de grupo. Por outro lado, o Centro Hípico Costa do Estoril oferece um conjunto de produtos e serviços, o mais recente é um produto direcionado às famílias, em que pais e filhos podem ter aulas em conjunto. “Para além disso, temos passeios pela água até à Praia do Guincho, passeios com cavalos lusitanos para turistas, a par da equitação com fins terapêuticos, ou seja a hipoterapia”, salienta a nossa entrevistada, acrescentando que o centro hípico tem acordos com várias instituições que têm deficiência e dificuldades de mobilidade. “As terapias passam por vários níveis, ou seja, pessoas que precisam simplesmente do contacto que não conseguem montar, ou a pessoa que tem deficiência motora e senta-se em cima do cavalo e faz movimentos que normalmente não consegue fazer”. Ver os progressos dos alunos é algo mágico

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e com um valor incomensurável, afirma Adele Gambini, sublinhando o trabalho de Ana Veiga, atleta paralímpica portadora de paralisia cerebral, que está a trabalhar para os Jogos Paralímpicos Tóquio 2020. Competição e resultados Apesar de todas as contrariedades e reestruturação do centro hípico, em 2016, ao nível da competição, “a nossa escola conseguiu resultados fantásticos”, revela Adele Gambini, lembrando que “uma das nossas alunas conseguiu passar nos apuramentos e foi aos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, tivemos vice-campeãs ao nível de ensino no Campeonato de Dressage Open, e tivemos campeãs nos iniciados no Campeonato Nacional”. O que no fundo vem comprovar que forma-se uma equipa, o trabalho desenvolvese e os resultados começam a aparecer. Atualmente, o Centro Hípico Costa do Estoril tem uma equipa de iniciados em salto, uma equipa de ensino, outra de concurso completo e claro a equipa de competição. “Desde 2015, decidimos colocar os cavalos de escola a competir, assim quem não tem capacidade para comprar e manter um cavalo tem a possibilidade de competir”, mais um exemplo da visão inovadora e diferente deste centro hípico, como destaca Adele Gambini. Por outro lado, o Centro Hípico Costa do Estoril organiza competições internas, a cada dois meses,

abertas a todos, para que os atletas se sintam mais seguros e com menos pressão quando se apresentam diante de um júri e os não competidores percebam qual o seu nível. “Estas competições internas acabam por se transformar num grande convívio, porque somos todos uma grande família”, sublinha a diretora. Novos horizontes Os próximos eventos do calendário são uma competição de ensino nacional que se chama CDN, nos próximos dias 27 e 28 de Maio e as Jornadas Taça de Portugal que vão decorrer de 9 a 10 de Setembro. Em termos de futuro, Adele Gambini assume alguns objetivos: “Ao nível de competição queremos ter uma equipa em diferentes vertentes presentes nas competições nacionais e internacionais e queremos ter alguns conjuntos nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Por outro lado, queremos dar continuidade ao trabalho desenvolvido, melhorar cada vez mais o serviço que prestamos e consolidar a nossa filosofia de uma escola, uma visão, uma família”, conclui Adele Gambini, diretora e proprietária do Centro Hípico Costa do Estoril.

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área metropolitana de lisboa |associação nacional dos avaliadores imobiliários

Novos desafios para o exercício da Profissão de Perito Avaliador de Imóveis

Ramiro Gomes Presidente

Desde há muito que a ANAI – Associação Nacional de Avaliadores Imobiliários tem vindo a defender o desenvolvimento e a adoção de princípios e normas profissionais de carácter universal e transversal à atividade de avaliação imobiliária. Ramiro Gomes é o presidente da ANAI, e desde que aceitou o papel desafiante de gerir e dirigir as atividades da Associação, continua a perseguir o objetivo final de legislar, regulamentar e valorizar o exercício da Profissão de Perito Avaliador de Imóveis (PAI).

O que é? Fundada em outubro de 2004, a ANAI é uma associação profissional independente e sem fins lucrativos. São representados pela ANAI os profissionais que exerçam ou pretendam exercer a atividade de Perito Avaliador de Imóveis, em conformidade com a Portaria nº 788/2004, de 9 de Julho e a Lei 153/2015 de 14 de Setembro. Missão A missão passa por representar os interesses dos Peritos Avaliadores Imobiliários (PAI) perante os órgãos governamentais e instituições de carácter nacional e/ ou membros da comunidade Europeia; contribuir para a

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permanente valorização profissional, designadamente através da disponibilização de um plano de acções formativas; e para a correta atuação ética e deontológica dos PAI. Foi com um imenso agrado que a ANAI tomou conhecimento da publicação da Lei 153/2015, de 14 de Setembro, a qual regula a profissão de Perito Avaliador de Imóveis que prestem serviços a entidades do sistema financeiro. Todavia, face ao papel central desta atividade no domínio económico financeiro e, até mesmo social, consideramos essencial que a regulação desta área contemple outros setores para além das avaliações desenvolvidas para o sistema financeiro. O Presidente da ANAI realça que “área de avaliação de ativos imobiliários não deve ser compreendida de forma

segmentada e repartida, na medida em que as avaliações ainda que não sejam para o sistema financeiro, acabam por ter um impacto sistémico”. Visão Foca-se sobretudo na prossecução das atribuições nos domínios científico, profissional e social, gerindo, desta forma as atividades, garantindo, a execução eficaz dos processos de natureza associativa e dotando a estrutura organizacional de meios técnicos, tecnológicos e humanos capazes de dar resposta eficaz às solicitações dos seus membros associados e de outras partes com as quais interage. Para efetivação da inscrição na ANAI o Membro Associado


associação nacional dos avaliadores imobiliários | área metropolitana de lisboa

deve ser dotado de qualificações, que servem a portaria 788/2004, de 9 de Julho e a lei 153/2015 de 14 de Setembro, e os relatórios de avaliação devem ser elaborados com respeito pelos requisitos de conteúdo e de estrutura prevista em lei referida. Para além dos diplomas acima referenciados, o Presidente da ANAI destacou também a importância de outros entre os quais: Decreto-Lei nº 287/2003 de 12 de novembro (estabelece as regras de cálculo do Valor Patrimonial Tributários dos Imóveis); Lei 168/99, de 18 de Setembro (avaliação para efeito de determinação da justa indemnização devida em processos de expropriação), que aprovou o código de expropriação em vigor; Regime Jurídico dos Fundos de Investimento Imobiliário (RJFII) e o Regulamento da CMVM nº 2/2015 (referente ao Organismos de Investimento Coletivo (Mobiliários e Imobiliários) e Comercialização de Fundos de Pensões Abertos de Adesão Individual). Novas exigências para a ANAI Com a prossecução de um mercado (e seus clientes) mais exigente, os Membros Associados são consequentemente também cada vez mais exigentes. A ANAI tem diariamente procurado dar resposta a estes novos desafios colocados pelos Membros Associados mas também pelo público

O carácter imprescindível da formação e informação Conforme indicado o acesso e exercício da função de PAI está hoje sujeito a um novo quadro de exigências e qualificações profissionais. De forma a contribuir e sensibilizar os Membros Associados a apostarem na formação contínua foram recentemente celebrados dois Procolos de Cooperação, - com a Coimbra Business School | ISCAC e com a Escola Superior de Atividades Imobiliárias (ESAI) – ambos os Protocolos centrados na cooperação

em geral, através da implementação de novas políticas e procedimentos e de um novo padrão de exigência.

académica e científica na área de Avaliação e Gestão Imobiliária.

Próximas Ações de Formação A ANAI apresenta para os dias 6, 13 20 e 27 de maio o curso de “Avaliação de Máquinas, Equipamentos, Instalações Técnicas e Industrias” que terá lugar na sede da ANAI em Lisboa. Segue-se no Porto nos dias 12, 13, 19, 20, 26 e 27 de maio o curso de “Avaliação de Ativos Imobiliários”

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área metropolitana de lisboa | sushi prime

Sushi com vista para o mar

Situado em plena praia de Carcavelos, o restaurante Sushi Prime prima não só pela sua localização única, mesmo em cima da praia e com uma vista fantástica quer de dia, quer de noite, como pela confeção de sushi de fusão de qualidade e acessível a todas as carteiras. A Revista Business Portugal visitou este espaço e pelas palavras de um dos seus colaboradores, Miguel Lara, passou a conhecer a dinâmica deste espaço, que se distingue pelos toques decorativos ligados essencialmente ao mar e que em 2013 foi remodelado pelo programa ‘Querido Mudei a Casa’. não acontece no sushi japonês, criando um certo equilíbrio e as pessoas gostam desta diferença. Como menus de degustação, o All You Can Eat e o Prime, são os mais pedidos”. No entanto, como foi referido anteriormente, é também na diversidade de oferta em termos de pratos, que não se limitam apenas a uma gastronomia específica, bem como aos vários eventos organizados ao longo do ano, adaptados a pedido do cliente, que reside parte do sucesso do Sushi Prime. “Para quem não aprecia sushi temos outros pratos disponíveis. Destaco o bife com queijo de cabra, o bife de perú com batata francesa e legumes, os nossos hambúrgueres e ainda os nossos dois pratos vegetarianos. Para além disso e em dias festivos, como o Dia da Mãe, do Pai ou dos Namorados, por exemplo, realizamos

“Estamos no Sushi Prime há três anos, e neste momento, são os meus sobrinhos, Bruno e Pedro Lara que estão encarregues da gestão do mesmo. O nosso propósito passa por mostrar que o sushi é acessível a todas as pessoas e para isso, durante a semana, temos disponível um menu executivo por apenas 13,50 euros, que incluí 22 peças de sushi, sashimi, bebida e café, bem como disponibilizamos take-away e fazemos entregas ao domicílio “, começa por nos contar. Sobre este espaço, que se destaca igualmente pela sintonia entre gastronomia de qualidade e uma vista deslumbrante, Miguel Lara faz-nos uma breve apresentação, focando-se essencialmente no sushi, como ponto principal de procura por parte dos clientes que visitam o espaço, apesar de também serem servidos pratos mais tradicionais, como por exemplo um delicioso risotto de camarão. “Na minha opinião, pode gostar-se de sushi assim que se prova pela primeira vez. Se tal não acontecer, aprende-se gradualmente a gostar, começando por comer, por exemplo, apenas peças quentes. Esta gastronomia é pautada por sabores que são simultaneamente intensos e frescos, um pouco diferentes dos tradicionais portugueses. Para a confeção do sushi é essencial ter produtos de real qualidade e o sushi não se coaduna com fast food - tudo tem que ser elaborado no momento do pedido efetuado pelo cliente. E convém não esquecer que os pratos de sushi não se limitam à frescura e sabor, a apresentação é muito importante, as cores, harmonia e criatividade são fundamentais, afinal, os olhos são os que comem primeiro. O sushiman que está connosco - e a sua equipa - tem bastante experiência e cria peças novas com alguma regularidade. Em termos de serviço, a rotina está montada. Tanto de inverno, como essencialmente de verão, devido em grande parte à nossa localização, temos sempre bastantes clientes, o que é ótimo. Temos pessoas que na altura balnear, almoçam aqui e que depois de uma tarde de praia, regressam para jantar. O sushi que servimos é de fusão e distingue-se por fugir um pouco ao sushi japonês que é mais tradicional. Usamos fruta, como manga ou morango, por exemplo, o que

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menus especiais alusivos a esse dia. Para além disso, organizamos eventos ou festividades a pedido de empresas ou particulares, como por exemplo casamentos, batizados e festas de aniversário”. Como perspetivas de futuro, Miguel Lara desvenda os projetos delineados no sentido de potenciar o Sushi Prime, com um propósito comum: evolução constante e sustentada. “O objetivo atualmente passa por cimentar este espaço, mas não escondo que gostaria de abrir, numa zona distinta, um novo restaurante deste género. Mas não para já. Este mês a equipa de empregados de mesa foi renovada e estamos constantemente a rever menus, atendimento, eventos, sempre com o intuito de melhorar e evoluir. Um dos nossos projetos é poder fornecer sushi de qualidade, a preços acessíveis, na praia durante a época balnear. Sendo esta uma alimentação saudável, fresca, poderá ser alternativa às bolas de Berlim ou sandes que se habitualmente comem à beira mar. Gostava muito de ver os veraneantes a saborearem o nosso sushi, na areia da praia de Carcavelos. Estamos ainda a pensar organizar festas à noite na praia, o que daria uma nova dinâmica não só ao Sushi Prime, como à própria praia”, conclui.


Revista Business Portugal | Maio '17  
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