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ÍNDICE 14

Farmácia Chafariz De bem com a sua saúde, na Madeira

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Município de Arganil É bom viver aqui

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ANTÓNIO VILAR

Certoma Um exemplo claro de uma empresa de sucesso

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Quinta da Fontoura Para eventos inesquecíveis

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Misericórdia de Galizes Em prol do próximo

TIMOR-LESTE

EDITORIAL

N

as últimas edições da Revis-

ambos os países.

da máxima de não devermos voltar aos locais

pessoal ou profissional.

ta Business Portugal, temos

A excelência empresarial completa esta nossa

onde já fomos felizes, é impossível não voltar

Estas são apenas algumas das razões para folhear

constatado a relação de Portugal

edição de Maio. São exemplos de empresas

ao melhor destino insular do mundo. Desta vez,

e ler a nova edição da Revista Business Portugal.

com Timor-Leste. Para lá da nossa

nacionais e internacionais que perduram no

deliciamo-nos na gastronomia local e trazemos às

Não perca!

relação histórica que fará de nós,

tempo, que se têm renovado década após década,

nossas páginas uma mostra de produtos típicos

para sempre, países irmãos, esta ligação tem sido

contrariando a crise que muitos julgaram ser a

que fazem já furor por todo o mundo. Já sabe que

fortalecida através da cooperação de Portugal

meta final de várias empresas e empreendedores.

na sua próxima viagem ao arquipélago da Madeira

com Timor-Leste no seu processo de desconcen-

Damos a conhecer ainda municípios portugueses

tem que se fazer acompanhar da sua revista para

tração e descentralização administrativo que o seu

que encaram com muita vivacidade e espírito

desfrutar de um verdadeiro guia gastronómico.

Governo tem em curso. É aprazível perceber que

de missão o seu papel de ‘protectores’ dos seus

Também a organização de eventos toma

esta ligação continua a ser cimentada e a crescer

munícipes, implementando várias medidas e

lugar nesta Revista Business Portugal.

de dia para dia, onde a língua é uma mais-valia

incentivos em prol do seu bem-estar e melhor

Apresentamos-lhe várias soluções, de Norte a

fundamental e o elo fundamental para uma coop-

qualidade de vida.

Sul do país para que possa, finalmente, organizar

eração que continuará a dar frutos no futuro para

Voltamos, uma vez mais, à Madeira. Apesar

e celebrar aquele momento único, seja a nível

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Corpo Redatorial: Joana Castro, Rita Carreira Matos, Susana Lopes, Vera Pinho | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Dep. Comercial: Fernando Lopes, Filipe Amorim, Isabel Brandão, Miguel França, José Machado, Luís Silva, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Rui Diogo (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 6ºandar, sala 6.2 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuíta com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de Maio

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entrevista | antónio vilar

“Um Homem sem dono” É este o título da obra biográfica de António Vilar. Este advogado natural da cidade Invicta é o atual presidente da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional (AACDN). O seu reconhecimento nacional e internacional advém do seu espírito dinamizador e pelas inúmeras iniciativas de caráter político, empresarial e social que tornou reais, nomeadamente o Fórum Portucalense, a Fundação Afro-Lusitana, o Instituto Euro-Atlântico e a cooperação entre a Galiza e o norte de Portugal. Conheça melhor este ‘homem sem dono’ e os desafios que se avizinham neste seu mais recente papel de presidente da AACDN.

Começo esta entrevista por lhe pedir que contextualizemos os nossos leitores. Como nasce a Associação de Auditores de Cursos de Defesa Nacional (AACDN), nomeadamente a sua criação, filosofia e objetivos e principais atividades. A AACDN (Associação dos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional) enquadra-se em princípios, valores e objetivos que decorrem do ‘Conceito Estratégico de Defesa Nacional’ e de segurança que acompanham a interpretação política dos interesses vitais do Estado e da Nação Portuguesa. Ao contrário das ideias muito superficiais que ainda circulam no espaço público sobre estes conceitos e o seu âmbito, importa referir que na atualidade, e com crescente acutilância, neles se incluem múltiplas e complexas questões da nossa vida, quer pessoal quer societal. A AACDN, considerando que em Portugal há já mais de 1.700 auditores, tem a sua razão de ser na necessidade de dar sentido e utilidade aos conhecimentos privilegiados que o Estado concede anualmente a alguns cidadãos através da frequência dos cursos de Auditores de Defesa Nacional. Mediante a superação de sucessivas etapas, desde a escolha rigorosa dos candidatos pelo IDN que frequentarão o Curso de Auditor de Defesa Nacional até à apresentação final de uma tese, a intenção é a de lhes transmitir conhecimentos para que possam tornar-se uma verdadeira elite da sociedade. A AACDN constitui-se num espaço de continuidade de investigação e debate das referidas questões de Segurança e Defesa Nacional e tem como objetivos: - Preservar e projetar os valores culturais que contribuam para o reforço da identidade nacional; - Participar ativamente na definição e difusão de conceitos doutrinários e realizar estudos no âmbito da Segurança e da Defesa Nacional; - Cooperar com o IDN e reforçar a sua projeção e prestígio nos diversos António Vilar Advogado e Presidente da AACDN

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setores da vida nacional; - Fomentar entre os seus membros o debate e atualização de conhecimentos sobre Segurança e Defesa Nacional e estreitar os laços de solidariedade, entre eles. Tomou posse recentemente, a 16 e março de 2016. Como novo presidente da direção da AACDN, questiono sobre o porquê da sua candidatura. No mandato que há pouco iniciei como presidente da direção e sem perder de vista a concretização da prática dos demais objetivos, é-me particularmente querida a ambição de aprofundar a solidariedade e a partilha entre todos os Auditores de Defesa Nacional de modo a que todos sejamos um património de valores, princípios e ideias ao serviço de Portugal e dos seus interesses vitais. Após mais de 30 anos de exercício ativo da profissão de advogado em regime liberal e quase outros tantos de professor universitário, germinou no meu espírito a necessidade de retribuir ao meu país um pouco do tanto que dele recebi, designadamente, no âmbito do Curso de Defesa Nacional que frequentei. Além disso, tendo-me interessado sempre pela vida política, em que exerci múltiplos e diferentes cargos, afigurou-se-me que, como presidente da direção da AACDN, poderia ainda contribuir de algum modo para, com todos os meus colegas auditores e em absoluta lealdade às autoridades do país com competência nessas áreas, alcançar uma maior realização pessoal e deixar, porventura, umas pedrinhas no caminho para dar mais futuro às causas e valores da Segurança e Defesa Nacional. São fundamentais os vossos parceiros nacionais e internacionais. Quem são eles? Em tempos de aparente declínio do projeto Europeu e de crise económica, social e moral que marcam o nosso quotidiano, desfeita que foi a ‘Ordem Mundial’ alcançada após a última Guerra Mundial, parece que as relações internacionais também terão de encontrar-se e encontrar novas soluções para o mundo. Ora, este desafio não dispensa a intervenção de pessoas e instituições que, tal como a AACDN, se empenhem na construção de outros possíveis. É neste contexto que pretendemos aprofundar e alargar as nossas relações com instituições equivalentes de outros países, designadamente do Brasil, de Espanha, de França e de Marrocos. Temos muita expectativa também na eventualidade de alargar a outros países, nomeadamente aos Estados Unidos, a nossa rede de cooperação.

António Vilar na Tomada de Posse enquanto presidente da AACDN

General Garcia Leandro palestra sobre a Segurança e Defesa Nacional no Porto

No seu discurso de tomada de posse há um profundo sentido de missão e amor à pátria, ao mesmo tempo que descreve uma sociedade e um mundo “conflituosos” onde “a verdadeira vida está ausente”. Considera que esses sentimentos pela pátria se foram perdendo, em geral, ao longo dos anos? A que se deve essa perda? Poucos serão os cidadãos que,no dealbar deste século, se coloquem como missão outra coisa que não seja o bem estar material, esquecendo-se que outras missões se impõem cumprir nomeadamente o amor aos outros e o amor à pátria. Homenagem a Daniel Serrão no seio do Fórum Portucalense na presença do secretário de Estado da Saúde Manuel Teixeira


entrevista | antónio vilar

Haverá entre nós quem esteja disposto a dar a vida, hoje, pelos superiores interesses da pátria? A conclusão a que políticos, economistas e sobretudo sociólogos têm chegado aponta para a caracterização do nosso tempo como o do “fim da sociedade” (Alain Touraine), o desenlaçamento das relações sociais e o triunfo do individualismo mais agressivo. Diversas e múltiplas causas poderão ser apontadas para se ter chegado a esta situação mas, sem as esquecer, o que me parece decisivo é pensar em superar as patologias sociais, económicas, financeiras e políticas atuais tornando-o de um pesadelo dramático num tempo de esperança em novas primaveras. Quais os planos e estratégias que tem pensados para o seu mandato? Quais os projetos que ambiciona levar a cabo neste seu mandato? É certo que na atualidade se me colocam maiores desafios e mais responsabilidade, todavia o meu ritmo de trabalho não se alterou substancialmente. Começa pelas 6 horas da manhã com a leitura e audição da comunicação social nacional e estrangeira e atravessa o dia cumprindo a agenda que me cabe e onde tem lugar importante, para além dos assuntos da AACDN, o apoio a várias instituições e empresas no domínio dos negócios internacionais. Com tal atividade procuro levar Portugal ao mundo e abrir o mundo a Portugal, nomeadamente buscando investimento estrangeiro para o nosso país e acompanhando empresários à conquista de outros, novos mercados, alguns deles nunca antes ‘navegados’. Neste aspeto dedico também particular atenção às relações com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, bem como a tudo o que respeita a financiamentos da União Europeia e outras instituições internacionais (sobretudo financeiras) que possam contribuir para o desenvolvimento da lusofilia. Permita-me ainda referir o meu envolvimento pessoal que vem já de 2012 na área do Turismo de Saúde e Bem-Estar, através da Health and Leisure Portugal, Associação para a Promoção do Turismo de Saúde e Bem-Estar. Aqui, a ambição é, de um lado atrair pacientes de outros países para se tratarem em Portugal e entre nós recuperarem o bem-estar e por outro abrir a porta às melhores condições para que cidadãos de outros países escolham Portugal como destino para gozarem os seus dias após a dia e por outro abrir a porta às melhores condições para que cidadãos de outros países escolham Portugal como destino para gozarem os seus dias após a reforma.

Almoço com o embaixador da Holanda por ocasião do início da atividade da Câmara do Comércio Portugal | Holanda no Porto

António Vilar com Artur Osório no contexto da promoção do turismo de saúde e bem-estar em Portugal

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COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA Timor-Leste tem em curso um processo de desconcentração e descentralização administrativa, com o propósito de instituir o Podel Local em todas as divisões municipais que compõem o país. O país tem contado com o apoio fundamental de várias Câmaras Municipais portuguesas que, paralelamente à introdução de língua nacional, se comprometeram a auxiliar o desenvolvimento do tecido económico do país que, 14 anos após a sua independência, se assume como um Estado genuinamente solidário para com os seus congéneres da CPLP em assuntos tão vitais como a democracia. Timor-Leste e Portugal celebraram, em 2015, 500 anos de união e esta cooperação dos municípios permite reforçar ainda mais os laços com um importante país da Europa. Hoje o mundo é global e há uma nova possibilidade de as indústrias e o comércio se articularem entre Ásia, Europa e Austrália. E Timor-Leste é um centro de distribuição para a Ásia. Não perca a entrevista a Tomás do Rosário Cabral, vice-ministro da Administração Estatal da República Democrática de Timor-Leste.

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TIMOR-LESTE | COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA

uma descentralização administrativa de olhos postos na cooperação com Portugal e o mundo “Hoje o mundo é global, pequeno, e há uma nova possibilidade de as indústrias e o comércio se articularem entre Ásia, Europa e Austrália. Timor-Leste é um centro de distribuição para a Ásia.” Tomás do Rosário Cabral vice-ministro da Administração Estatal da República Democrática de Timor-Leste

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COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA | TIMOR-LESTE Na presença do Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da CPLP, Antonito de Araújo, a Revista Business Portugal teve a honra de conversar com o Dr. Tomás do Rosário Cabral, vice-ministro da Administração Estatal da República Democrática de Timor-Leste. O tema forte do diálogo foi o processo de desconcentração e descentralização administrativa que o Governo tem atualmente em curso, com o propósito de instituir o Poder Local em todas as divisões municipais que compõem o país. A acompanhar cada município timorense neste processo estão uma série de Câmaras Municipais portuguesas que, paralelamente à introdução da língua nacional, se comprometem a auxiliar o desenvolvimento do tecido económico e empresarial de um país irmão que, 14 anos após a sua independência, se assume como um Estado genuinamente solidário para com os seus congéneres da CPLP, em assuntos tão vitais como a democracia. Acima de tudo, no entanto, há um convite especial aos empresários e municípios portugueses: situado no sudoeste asiático, Timor-Leste pode estar longe, mas contarão com ele. É o vice-ministro da Administração Estatal que assim o garante.

Está otimista em relação a esta cooperação entre Portugal e Timor-Leste? Nós temos uma boa relação. Neste momento, há técnicos da desconcentração do Ministério da Administração Estatal a fazer trabalhos com as Câmaras Municipais de Torres Novas, de Lisboa e com o secretário de Estado das Autarquias Locais, por exemplo. E temos um apoio permanente através do Governo de Portugal, que conta com uma representação em Díli, que foi o ponto de contacto com as Câmaras Municipais portuguesas. Significa isso que, desde 2002, os laços entre Portugal e Timor-Leste estão a ser recomeçados numa nova área, situada entre a Austrália e a Indonésia. A

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Antonito de Araújo Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da CPLP Tomás do Rosário Cabral Vice-ministro da Administração Estatal da República Democrática de Timor-Leste

Gostávamos de começar por pedir-lhe uma breve apresentação de Timor-Leste. Timor-Leste está dividido em 12 administrações municipais e uma unidade regional especial do ponto de vista económico, social e de mercado, que é Oecússi. Temos 67 postos administrativos e 498 sucos, que são unidades administrativas locais tradicionais, que existem desde o tempo em que éramos uma colónia. Sabemos que, a partir de 2002, Timor-Leste fez a introdução da língua portuguesa na administração pública e essa tem sido uma das prioridades do Governo, tal como a desconcentração administrativa. Um dos papéis do nosso ministério é a cooperação com Câmaras Municipais portuguesas para podermos começar o processo de desconcentração e, posteriormente, de descentralização. Durante 24 anos de ocupação indonésia, a língua portuguesa foi proibida em Timor-Leste e, por isso, em 2013 começámos uma cooperação com 38 Câmaras Municipais portuguesas e com o Governo de Portugal.


TIMOR-LESTE | COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA língua portuguesa vai crescer neste país, e é nisso que tenho orgulho. Mas os portugueses também têm que voltar, porque os protocolos que assinámos com as Câmaras Municipais não se referem só à introdução da língua portuguesa; as câmaras também podem trazer as empresas para cá. Por exemplo, as empresas que ganharam os projetos de preparação dos futuros edifícios municipais são portuguesas e estão a desenhar projetos com características típicas. Por isso, a cooperação com as Câmaras Municipais também vai noutros sentidos, como a criação de bibliotecas ou a introdução de pequenas indústrias, para dar mais força económica à população. Neste momento, temos protocolos de cooperação com Portugal, Austrália e estamos a avançar com a Indonésia e a China. No futuro, Timor-Leste será um espaço entre Portugal e Austrália, porque a Câmara Municipal de Lisboa e o governo local de Darwin estão a trabalhar com Díli, podendo haver aqui uma articulação económica e da indústria. No fundo, é uma forma de manter os laços entre Portugal e Timor-Leste, que duram há mais de 500 anos… Comemorámos os 500 anos em 2015 e esta cooperação dos municípios vai permitir-nos reforçar os laços com um país importante da Europa. Hoje o mundo é global, pequeno, e há uma nova possibilidade de as indústrias e o comércio se articularem entre Ásia, Europa e Austrália. E Timor-Leste é um centro de distribuição para a Ásia. Sendo a descentralização administrativa uma das grandes bandeiras deste executivo, gostávamos que explicasse melhor como vai funcionar este procedimento. Em 2012, com a formação do V Governo Constitucional, tornei-me secretário de Estado da Descentralização Administrativa. Naquele tempo o primeiro-ministro era Xanana Gusmão, que convidou especialmente António Rodrigues – da Câmara Municipal de Torres Novas – para ir a Timor-Leste fazer uma primeira pesquisa sobre o modelo de Poder Local que poderíamos adotar. Depois desse levantamento, o Governo fez uma consulta à comunidade e uma visita ao território nacional. Tínhamos o pensamento português, através de António Rodrigues, mas acompanhámos também o sistema administrativo indonésio para podermos decidir o modo a implementar em TimorLeste. Decidimos que o mais vantajoso seria uma representação executiva eleita por sufrágio universal – à qual chamamos presidente do município – e assembleias municipais, constituídas por deputados municipais. A diferença é que, em Portugal, fala-se em câmara municipal e nós falamos em presidente do município e em assembleia municipal. O presidente do município é o executivo que terá de fazer o plano político e que poderá ser um candidato independente

ou individual, podendo ter o apoio de um partido ou grupo. A assembleia municipal serve para controlar o funcionamento do Governo. Isso significa que mantemos 12 administrações municipais e 67 postos administrativos, mais a região especial de Oecússi. Poderemos criar mais municípios de futuro mas, por agora, manteremos a composição que vem do tempo dos portugueses e que a ocupação indonésia não alterou. Mas ainda não vamos entrar com o Poder Local. Neste ano de 2016 estamos a fazer a desconcentração administrativa e, para já, o Governo central delega competência administrativa e financeira em cada município. Em cada um dos 12 municípios? Sim. Oecússi é uma região autónoma, que já tem fundos próprios e esses 12 também. Díli, Baucau, Ermera e Bobonaro têm mais população e avançam para autoridade municipal. Os restantes vão ficar com administradores municipais. O Governo central investe para podermos levar os quadros técnicos que estão em Díli com mérito para cada um destes municípios. Depois vamos fazer uma avaliação conjunta com as Câmaras Municipais com que assinámos protocolos para podermos decidir. Um dos critérios é ter vida económica suficiente, indústrias e aí já poderemos avançar para as eleições. Temos algumas dificuldades porque a governação ainda está no Governo Central, mas com a desconcentração administrativa, o apoio das Câmaras Municipais portuguesas e as cidades amigas da Austrália, poderemos avançar. Em Díli, há uma cooperação com quatro Câmaras Municipais portuguesas. Na avaliação que faremos também poderemos convidar os técnicos dessas câmaras e, se essa avaliação

não for favorável, eles também assumem responsabilidade. Isto significa que estamos a avançar muito rápido. Tive um encontro com o presidente da Câmara Municipal do Porto e ele quer reforçar o apoio a Baucau, que é a segunda maior cidade de Timor-Leste. Vai ajudar a criar uma biblioteca municipal. É interessante que as segundas maiores cidades de Portugal e Timor-Leste tenham relações muito próximas entre si… No mínimo, temos três Câmaras Municipais portuguesas em colaboração com cada município e, em alguns casos, temos quatro ou cinco. O protocolo vai no sentido de reforçar a economia básica e também significa que as empresas inseridas nessas câmaras municipais podem fazer articulação com os municípios. Ou seja, a ideia é as Câmaras Municipais poderem levar até Timor-Leste empresas portuguesas que queiram internacionalizar-se? Essa é a ideia principal. Por exemplo, a empresa Arlindo Correia & Filhos, S.A. está em Timor-Leste, fruto do protocolo de Manatuto com Braga. Todas podem fazer isso. Neste momento, há técnicos que estão em Portugal para dialogar com as Câmaras Municipais, de forma a podermos preparar a última Conferência Internacional sobre o Poder Local do VI Governo Constitucional, porque no ano seguinte já haverá um novo Governo. Por isso, no mês de agosto vamos fazer uma declaração de Díli, onde as Câmaras de TimorLeste, Portugal, Indonésia, Austrália e China vão decidir a continuidade deste protocolo.

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COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA | TIMOR-LESTE Recentemente foram divulgados os vários Planos Estratégicos de Desenvolvimento Municipal. Pode falar-nos um pouco sobre estes documentos? Para cada município temos um guia do funcionamento administrativo, com duração até 2030, que é o Plano Estratégico Municipal, que tem relações com o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Governo, de raiz nacional. Por exemplo, Lospalos está em cooperação com Penafiel. Estando Lospalos mais voltada para a área turística, o Plano Estratégico deste município define esse como o ponto mais importante. As Câmaras Municipais que têm protocolos com Timor-Leste podem escolher onde fazer investimento. Também temos o Programa de Desenvolvimento Nacional dos Sucos, que são uma unidade administrativa local, na qual o Governo investe até 10 milhões de dólares anuais, sobretudo em infraestruturas. O sentido da implementação do Programa de Desenvolvimento Nacional dos Sucos é reforçar o avanço do Poder Local. Temos também um fundo especial dos municípios – o Programa de Desenvolvimento Integrado Municipal – que tem quase 50 milhões de dólares, divididos pelos 12 municípios. O Programa de Desenvolvimento Integrado Municipal destina-se a projetos físicos, para podermos encorajar e dar força às empresas locais, pois são elas o parceiro do Governo Municipal. Estas empresas municipais podem ter ligações com os acordos que assinámos com as Câmaras Municipais portuguesas, que ajudam a introduzir a indústria mais básica nos municípios. Voltando um pouco atrás, referiu há pouco que o desenvolvimento de novos distritos ainda não vai ser desempenhado… Da restauração da nossa independência até ao IV Governo Constitucional, que foi de 2007 a 2012, houve uma secretaria do Estado da Reforma Administrativa. Todo o funcionamento do Governo estava em Díli e os administradores dos municípios eram representantes do Governo Central, o que significa que ainda não havia desconcentração administrativa. Mas desde 2012 que há uma secretaria do Estado na área da descentralização. Depois daqueles dois estudos que fizemos, com António Rodrigues e com o então primeiro-ministro Xanana Gusmão, decidimos não avançar diretamente para o Poder Local, porque tem que haver uma fase de transição. Em primeiro lugar, tivemos que preparar as legislações e regras técnicas para podermos avançar. Depois de três anos com esta legislação, criámos não só a desconcentração administrativa, mas também a autonomia financeira. Relativamente à autonomia financeira, decidimos que Baucau, Díli, Ermera e Bobonaro são autoridades municipais, e os outros são administradores municipais. Até 30 de junho deste ano, a delegação de competências será feita 100 por cento ao Governo Local e, no orçamento de 2017, o envelope fiscal dos municípios irá separado. No passado dia 19 de abril, a direção central da descentralização administrativa mandou para o primeiro-ministro, o ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, o ministro do Petróleo e Recursos Minerais e à ministra das Finanças a proposta do orçamento municipal. Significa que, a partir de 30 de junho, o pedido de pagamento será diretamente ao Ministério das Finanças, já não passa pelo Ministério da Administração Estatal. Nós, ministério central, estamos a preparar em 2016 o Orçamento que será implementado em 2017. Mas, para 2018, os municípios já poderão fazer sozinhos um envelope fiscal. E, no orçamento geral de 2017, haverá uma verba de cooperação para as autoridades e administradores municipais em Timor-Leste. Em agosto vamos ter um encontro para a avaliação das condições do nosso acordo para podermos fazer uma declaração de Díli entre a autoridade administradora dos municípios e os parceiros que vão apoiar. Uma das maiores dificuldades em que os portugueses terão que nos apoiar é na introdução da língua portuguesa.

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TIMOR-LESTE | COOPERAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA É essa a base do fortalecimento das relações entre Timor-Leste e Portugal… Timor-Leste é pequeno, mas está na Ásia, o que significa que há uma luz verde para a língua portuguesa, entre a Austrália e a Indonésia. Agora esta luz verde precisa da força que está nas Câmaras Municipais que assinaram o protocolo. Vamos acabar o nosso mandato em agosto de 2017, mas deixamos esta abertura do Plano Estratégico Municipal com a cooperação. Várias vezes falei com os presidentes de câmara portugueses para levarem as empresas portuguesas a investir em TimorLeste. Precisamos de qualidade e da vossa preferência. Recentemente, o vice-ministro esteve em São Tomé e Príncipe para apoiar aquele país com infraestruturas para a realização do recenseamento eleitoral. Pode falar-nos dessa iniciativa? Antes de ser secretário de Estado e viceministro, trabalhei com as Nações Unidas na área eleitoral e um dos patrimónios

transferidos para o Governo foi o organismo eleitoral. Depois da transição, iniciámos o recenseamento eleitoral em TimorLeste, mas naquela altura não tínhamos capacidade administrativa nem financeira, por isso o orçamento geral do Estado veio de doadores. Portugal apoiou-nos com 700 mil euros para que pudéssemos iniciar o nosso próprio recenseamento. Depois, em 2007, fundámos em Portugal o Fórum dos Órgãos de Administração Eleitoral, através do qual fomos adquirindo mais conhecimento. Até que, em 2013, houve um pedido oficial de apoio da Guiné-Bissau ao Governo de Timor-Leste porque não conseguiam fazer o recenseamento de raiz e não tinham uma base de dados eleitoral. Conseguimos desenvolver a base do recenseamento na Guiné-Bissau com 150 equipamentos biométricos e construímos um edifício para manter essa base, através da qual conseguimos organizar as eleições presidenciais e legislativas. Ficámos oito meses a prestar apoio a um país irmão. Depois da Guiné-Bissau, recebemos

um pedido de São Tomé e Príncipe, que apoiámos com 30 equipamentos biométricos. O nosso apoio vem do nosso laço de amizade: eles apoiaram a nossa resistência contra a Indonésia durante 24 anos e nós tínhamos o conhecimento e experiência na área do sistema eleitoral e recenseamento, por isso ajudámos os nossos irmãos da CPLP. Hoje podemos iniciar, em conjunto, um único pensamento para avançar mais na área da democracia. É nobre ver como Timor-Leste, apesar dos condicionalismos da sua história, acabou por servir como um exemplo inspirador de democracia… Durante os dois ou três anos do nosso período de transição, acompanhámos o curso básico desse processo, que foi desenhado pelas Nações Unidas. Temos quatro técnicos timorenses com acreditação internacional e, com a nossa experiência, estamos a introduzir esta formação na Universidade Nacional de Timor Lorosae, onde há um departamento só para o processo eleitoral.

Sabemos que o processo eleitoral é mais democrático, precisa de mais custos e pessoas com capacidade nesta área, mas não é difícil fazer uma introdução política administrativa na área das eleições. Como gostaria que estivesse a ligação de Timor-Leste com os restantes membros da CPLP? A minha visão é a de que Timor-Leste está longe de todos os outros países de língua portuguesa, mas poderão contar connosco porque o valor dos nossos laços anteriores é mais forte. Vamos preservar a presença da língua portuguesa e, acima de tudo, a cooperação. Espero ver também mais pessoas de Timor-Leste a estudar em Portugal.

Diretora Nacional da Modernização Administrativa, Maria Goretti Marques Belo Diretor do Secretariado Apoio a Instalação dos Municípios, Adérito M.A. Guterres Vice-ministro da Administração Estatal da República Democrática de Timor-Leste, Tomás do Rosário Cabral Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da CPLP, Antonito de Araújo Diretor de Sucos, Amandio Paulino G.R. Sousa Funcionária do Gabinete do Vice-Ministro da Administração Estatal, Leonor Faria Soares

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MELHOR DESTINO INSULAR DO MUNDO Contando com uma área total de 741 km2, uma orografia montanhosa e um clima extremamente favorável e atrativo, há muito tempo que a Ilha da Madeira deixou de ser um segredo bem guardado dos portugueses, no que aos destinos turísticos diz respeito. Bem pelo contrário, são cada vez mais escusadas as apresentações ao arquipélago que reúne cerca de 267 mil habitantes (Censos 2011) e que tem vindo a fazer da atividade turística a sua principal fonte de rendimento. A atestar o prestígio, a qualidade e o consenso que a Ilha da Madeira tem vindo a reunir pela beleza natural da sua fauna e flora, pela maravilha do seu relevo montanhoso ou pelos encantos do seu clima está o título de Melhor Destino Insular do Mundo. A distinção foi atribuída pelos World Travel Awards, em finais de 2015, como reflexo de uma votação em que paraísos turísticos de todo o planeta viram o seu apelo e riqueza secundados pela essência madeirense, incontestada na arte de receber e encantar. Mas numa economia em que o turismo assume um relevo indisputado, importa salientar que a atividade empresarial da Madeira se tem vindo a afirmar de forma sólida e bem-sucedida em universos tão díspares como o setor agrícola (nomeadamente, através do cultivo da banana ou da produção do vinho da Madeira), representando o comércio outro dos pratos fortes de um tecido empresarial caracterizado pelo predomínio de entidades empresariais de pequena e média dimensão. É precisamente um retrato do tecido empresarial da Ilha da Madeira que nos propomos fazer no decurso das próximas páginas, procurando enfatizar o valor e a vertente empreendedora de uma região do nosso país que, mediante características muito próprias, serve de base a mais um conjunto de empresas vencedoras que produzem riqueza, garantem emprego e, em muitos casos, exportam. Caso para dizer que há muito mais do que o turismo para ficar a conhecer daquele que é o melhor destino insular do mundo.

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melhor destino insular do mundo |farmácia chafariz

serviço de qualidade Criada há 80 anos, no Funchal, a farmácia foi adquirida na década de 90 e entregue a Paula Fernandes, directora técnica, e a Bruno Neves, gestor, em 2005. Hoje, o grupo é composto por quatro farmácias e uma parafarmácia.

O setor “É de conhecimento geral que as farmácias não estão bem”, explica Bruno Neves. “A farmácia que era um excelente negócio, hoje não o é”. Para o economista e gestor, o problema reside na falta de adaptação aos novos tempos por parte das farmácias, uma vez que, antes da crise económica, algumas farmácias estavam sobredimensionadas para as necessidades que tinham. “Há que esperar sempre o melhor mas preparar-se sempre para o pior” e foi o que fez Bruno Neves, conseguindo escapar à situação precária que muitas farmácias vêm

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Paula Fernandes Diretora Técnica Bruno Neves Gestor

Economista de profissão, Bruno Neves viu-se envolvido no mundo das farmácias quando em 2005, para além da farmácia Chafariz, a gerência ganhou em concurso uma outra na Ponta Delgada. Natural de Coimbra, o economista e, hoje, gestor da empresa abriu os braços a este novo projeto por considerar ser “uma boa oportunidade” e desde então, a sua vida tem-se pautado pela gestão das farmácias. Embora a área de formação seja distinta, o economista garante que tem “alguns conhecimentos na área farmacêutica que permitem resolver as questões mais simples”, fruto da curiosidade e da vontade de aprender. As farmácias do grupo têm como objetivo melhorar cada vez mais a qualidade de prestação dos seus serviços e cuidados de saúde de forma a satisfazer as necessidades dos utentes/ clientes, ao mesmo tempo que pretende melhorar o seu desempenho continuamente. Este trabalho só é possível através de uma normalização de procedimentos, do envolvimento e parceria de todos os colaboradores, da boa gestão e formação dos recursos humanos, do estabelecimento de protocolos nas diferentes áreas de atuação do farmacêutico bem como da participação em programas promocionais de saúde, melhorando a eficácia e avaliando a satisfação dos clientes. Do grupo fazem parte as Farmácias São Martinho, Confiança, Ponta Delgada, São Vicente e a parafarmácia Chafariz Farma. Com cinco pontos de venda “há sempre problemas”, mas o importante é “filtrar todas as questões e conseguir gerir da melhor maneira possível”.

a atravessar. Com o centro do Funchal cada vez menos movimentado pelo corte de alguns acessos, o grupo viu-se na condição de retirar a farmácia Chafariz do centro da cidade e instalar-se numa outra zona com outro tipo de clientes. Desta forma, conseguiram adaptar novamente a sua estrutura de rendimentos à estrutura de custos fazendo com que a grande quebra do setor não fosse sentida da pior maneira. “Conseguimos prever algumas situações e soubemos sempre que caminho seguir”, admite. No entanto, as grandes questões do setor não se ficam

por aqui. Outro dos problemas que as farmácias (e outras empresas) atravessam é a motivação dos seus funcionários. Hoje, “é difícil motivar alguém que, por ter começado a trabalhar cedo (14-16 anos), tem já 40-50 anos de casa e está, compreensivelmente, cansado. No entanto, por ainda não ter chegado à idade legal não se pode reformar sem grandes penalizações”. Da mesma forma a “contratação de farmacêuticos a recibos verdes e sem perspetivas” também não traz força ao setor. Por não concordar com algumas das políticas praticadas,


farmácia chafariz | melhor destino insular do mundo responsabilidade é maior e existirem “promoções em medicamentos é um choque” uma vez que a toma de um medicamento, se não for correta, pode traduzir-se num problema de saúde pública. A farmácia tem tentado diferenciar-se pela qualidade de atendimento e serviço, mas para o gestor este é um setor que necessita de uma forte regulamentação e algum tipo de bom senso. Futuro Há 12 anos no ramo, o balanço é, essencialmente, positivo. O que começou com uma das melhores farmácias do centro do Funchal, hoje, é um grupo e detém cinco pontos de venda. A solução para continuar a vingar neste negócio é a realização de economias de escala e a sinergia, caso contrário a sobrevivência das farmácias torna-se cada vez mais difícil. Neste momento, Bruno Neves espera que a realidade do setor tenha sido percebida por parte de quem tem as rédeas do país e que as multinacionais não tomem conta do negócio, uma vez que a possibilidade da extinção de farmácias de proximidade pode tornar-se realidade. Recentemente, abriram um novo ponto de venda no centro da cidade e a crença no trabalho que vêm a realizar mantém-se, uma vez que os resultados obtidos demonstram que a empresa está no bom caminho. Para o gestor, “de agora em diante, as condições só podem melhorar”, termina.

o gestor garante que “sempre que abrimos uma vaga para farmacêutico, oferecemos contrato, salário nunca inferior à tabela, prémios por objetivos e perspetivas de futuro”, porque a verdade é que “o nosso sucesso depende sempre da nossa equipa”. Mas gerir uma empresa é a parte mais difícil, há que tentar descobrir o que faz com que cada um dos funcionários se esforce para lá do habitual. “Com quem se identifica com a minha forma de estar, o trabalho é mais fácil”, explica, “no entanto, é preciso algum ‘jogo de cintura’ para conseguir levar os outros ao objetivo final”. Com funcionários de várias faixas etárias e mentalidades desiguais, Bruno Neves admite que é um “equilíbrio difícil de alcançar”. PME Excelência PME Excelência em 2015, para o gestor, é apenas o reconhecimento do que tem sido feito. Embora seja motivo de orgulho e traga facilidades na concessão de financiamento, a farmácia pretende continuar com o mesmo método sem mudar a sua identidade. Para além deste estatuto, a farmácia é certificada pelo Sistema de Gestão de Qualidade ISO 9001:2015. Concorrência “Como em qualquer negócio, há sempre quem faça uma concorrência salutar e outros que fazem uma concorrência a qualquer preço”, esclarece. Num período conturbado para as farmácias, Bruno Neves afirma que “enquanto puder evitar uma concorrência menos leal” é o que fará porque, de uma forma ou de outra, todos perdem. Por ser um negócio diretamente ligado à saúde, a

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melhor destino insular do mundo | J. Faria & Filhos

O melhor rum da Madeira

Luís Faria Administrador

Com quase 70 anos de existência, a J. Faria & Filhos é uma empresa familiar madeirense que começou a sua atividade no fabrico de licores. Hoje, com o crescimento do mercado regional, conta com um vasto leque de produtos e é dinamizada por Luís Faria juntamente com os dois irmãos.

Fundada em 1949 pelo tio e adquirida pelo pai dos empresários dois anos depois, a empresa dedicava-se, inicialmente, à produção de licores e sumos de fruta concentrados. Numa região lotada por inúmeras empresas, nessa altura, a J. Faria sentiu muitas dificuldades na sua implementação no mercado. “Foram anos difíceis”, explica Luís Faria, “de muita batalha mas, felizmente, conseguimos crescer”. Em meados da década de 80, os irmãos resolveram dar outro rumo e outra dinâmica à empresa com a aquisição das primeiras máquinas de engarrafamento, máquinas semiautomáticas. Pouco tempo depois, compraram a primeira linha de enchimento, sendo umas das primeiras empresas em Portugal a ter uma linha de enchimento de licores totalmente automática, o que permitiu um maior crescimento da J. Faria na região. Estas alterações trouxeram a capacidade de dar resposta num curto espaço de tempo, relançando a empresa que, hoje, é líder de mercado na produção de licores. Com uma linha de produção completa no que diz respeito aos licores, a empresa enveredou, mais tarde, pelo envelhecimento de aguardente de cana de açúcar da Madeira, o chamado rum da Madeira. Dependentes de uma outra empresa, Companhia dos Engenhos do Norte,

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que produzia essa aguardente, a J. Faria limitava-se a envelhecê-la e a comercializar. Com a morte do proprietário, a Companhia dos Engenhos do Norte foi adquirida pela J. Faria e hoje faz parte do grupo, agora com a denominação de Engenhos do Norte. Em 1995, a comercialização do vinho Madeira começou a fazer parte da realidade da empresa. Com uma forte aposta numa vertente moderna e inovadora, conseguiram aliar a qualidade do vinho e a diversidade de embalagens. Hoje, a empresa produz vinho, licor, aguardente de cana de açúcar/rum da Madeira, sumos, poncha e brandy. Todas estas sinergias que foram acumulando ao longo dos anos permitiram que a J.Faria & Filhos crescesse, conseguindo nos dias de hoje uma implementação e uma notoriedade cada vez mais significativas na região. De todos os produtos, Luís Faria destaca o rum que tem “uma excelente qualidade” e tem ganho medalhas internacionais. No entanto, “sabemos que não podemos aumentar os preços e não há outra forma senão poupar na produção”, esclarece, “e fazer com que o produto chegue ao consumidor final da forma mais competitiva possível”. A J. Faria & Filhos Lda é composta, hoje, por duas unidades: a unidade fabril onde se encontram os escritórios e os armazéns com três linhas de enchimento no Funchal; e a Engenhos do Norte onde se encontra a produção de aguardente e uma mercearia na vila do Porto da Cruz.


J. Faria & Filhos| melhor destino insular do mundo Engenhos do Norte Construído em 1927 e equipado com maquinaria do século XIX, a Engenhos do Norte, no Porto da Cruz, é um dos principais testemunhos vivos do passado na produção do açúcar na ilha da Madeira que garante a sua importância patrimonial. A J. Faria trabalhou quase 10 anos com o antigo proprietário do Engenho e adquiriu o espaço que estava velho e com muitas dificuldades a nível de infraestruturas, daí o receio em aceitar a proposta de compra. Mas o que outrora foi uma dúvida, hoje é a grande mais valia da empresa. Há três anos a trabalhar na recuperação do espaço, o edifício já está praticamente restaurado bem como os alambiques e os engenhos. A Engenhos do Norte dedica-se, exclusivamente, à produção de aguardente de cana de açúcar/rum de onde se destacam duas: a Aguardente Branca e a Aguardente Envelhecida 970 Reserva. Mas o que o torna especial é o facto de ser o único na Europa que trabalha a vapor, dando uma qualidade superior à aguardente e “os resultados estão à vista”. A produção é feita, normalmente, entre março e maio onde se podem sentir os odores da fermentação e os movimentos da maquinaria, e está fechado o resto do ano percebendo-se melhor o funcionamento das máquinas.

Papel dos turistas Desta forma, a J. Faria entendeu que devia tornar os Engenhos do Norte num ponto turístico obrigatório para quem lá passa. Contactadas as agências de viagens, o espaço foi totalmente dinamizado e hoje conta com a presença diária de turistas. Para o empresário, “foi uma aposta ganha”. Esta proximidade com os turistas traz um maior conhecimento à empresa. “Apercebemonos de muitas situações que nos passariam completamente ao lado se não tivessemos este tipo de contacto directo com eles”, esclarece Luís Faria. “A verdade é que há produtos que iremos lançar devido a esse mesmo contacto”. Há uma valorização da opinião de quem visita o Engenho e as sugestões são sempre levadas em conta, principalmente por parte dos franceses devido ao seu hábito no consumo de runs agrícolas. Para o empresário, o rum da Madeira pode implementar-se a nível internacional e tem o seu espaço no mercado. Para além do Engenho, o espaço conta com uma mercearia antiga típica madeirense e uma Casa do Rum onde podem ser feitas degustações. Mercado A grande percentagem de produção da J. Faria & Filhos é para consumo interno da ilha, passando muito pelos turistas que visitam a Madeira. No que diz respeito à exportação, a empresa exporta para a Europa para países como França, Inglaterra, Bélgica e Holanda; fora da Europa exporta para Austrália, África do Sul, Estados Unidos da América e Jersey. Futuro De momento, a empresa tem dois projetos em mãos: a construção de uma adega nas instalações do Funchal, um projeto antigo que não foi concluído devido à compra da Engenhos do Norte; e outro para a Engenhos do Norte com a construção de um edifício novo no mesmo espaço para colocar caldeiras em biomassa, não querendo mexer na raíz do antigo. Luís Faria termina com um conselho: “Digo a todas as pessoas que passem pela ilha da Madeira e venham visitar a Engenhos do Norte que é um museu vivo e vale a pena conhecer”.

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melhor destino insular do mundo | henriques & henriques

200 anos de tradição familiar

Fundada em 1850, a Henriques&Henriques dedica-se à produção de vinho Madeira desde o seu início. Hoje, é gerida por Humberto Jardim que tem sido o responsável pelo destino da empresa nos últimos 22 anos.

Vinho Madeira O vinho da H&H resulta de uma dose significativa de paciência, uma vez que os vinhos Madeira evoluem por oxidação e precisam de tempo. O processo de vinificação começa por ser simples e torna-se complicado à medida que é necessário tomar decisões no destino de cada vinho: a utilização de madeira velha ou nova, de mais calor ou menos ou de mais perda de água ou de volatéis. Da sua oferta fazem parte as categorias 3, 5, 10, 15 e 20 anos; vinho Harvest, Solera, vinhos datados e reservas velhíssimas. O vinho Madeira sendo um vinho que não fala de estilos, fala de castas: Sercial, Boal, Malvasia, Terrantez e Tinta Negra, que se foram adaptando às condições orográficas da ilha. Mais de 80 por cento da produção da empresa é exportada para países como França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Bélgica e todo o norte da Europa bem como os Estados Unidos da América e o Canadá que têm mercados de grande importância. “O segredo para a sobrevivência desta e de qualquer empresa é a persistência”, esclarece Humberto Jardim, “não basta ter o produto certo”. O

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Humberto Jardim Administrador

“Era uma empresa familiar que produzia uvas nas propriedades dos Henriques”, começa por explicar Humberto Jardim, “vendidas depois às famílias inglesas que estavam na Madeira dando origem à internacionalização do vinho Madeira”. A Henriques&Henriques (H&H) teve, desta forma, um papel crucial na colocação do vinho da região no mapa o que tornou a Madeira na zona de turismo profissional mais antiga do país. Estabelecida em Câmara de Lobos, a família Henriques era considerada latifundiária e ocupou, desde sempre, um lugar de destaque na vinicultura e na arte de fazer vinho. Nos finais de 1800, com a praga da filoxera, a empresa foi obrigada a estabelecer-se diretamente no mercado uma vez que os vinhedos desapareceram e a família tinha vinho e disponibilidade económica. Formado em Gestão, Humberto Jardim foi chamado em 1994 para fazer a recuperação económica da empresa devido à construção da unidade central em Câmara de Lobos e uma unidade de vinificação na propriedade de Quinta Grande, investimento superior a 5 milhões de euros. Hoje, a empresa está inserida no grupo La Martiniquaise do qual faz parte também a Justino’s Wine Madeira, representando ambas mais de metade do negócio do vinho Madeira.


henriques & henriques| melhor destino insular do mundo gestor considera que é importante saber aquilo que o mercado quer, cirando um produto com uma excelente imagem e qualidade que sejam percebidas por aqueles que consomem. “Há que conseguir ultrapassar a vontade que as pessoas têm de manter o seu dinheiro no bolso e que o queiram trocar pela satisfação que venham a ter na expectativa da imagem que foi criada acerca de determinado produto”. No entanto, é um processo difícil de obter uma vez que uma empresa é um conceito complexo devido à conjugação de recursos humanos, físicos e de capital. Para o gestor é preciso ter uma liderança com firmeza mas sem agressividade e a confiança dos funcionários no trabalho de quem tem o destino da empresa na mão. O segredo, no fundo, é estar atento, atualizado e procurar o caminho certo. Prémios Com um funcionamento pautado desde sempre por viticultura, a empresa segue ainda esse caminho na sua produção. A acumulação de vinhos de extrema qualidade ao longo dos anos permite que a Henriques&Henriques faça lotes diferenciados levando a que o seu reconhecimento internacional seja cada vez maior. Em 2015 no International Wine Challenge, em Londres, a empresa viu três dos seus vinhos receberem medalhas de ouro: o Verdelho 20 Anos, o Single Harvest Boal 2000 e o Medium Rich Single Harvest 1998. Durante cinco anos a H&H foi a empresa com maior consistência no que diz respeito aos prémios que recebeu. Futuro Com uma atitude otimista, o futuro da empresa passa por alargar as margens de comercialização de forma a que o mercado perceba que o vinho Madeira não é apenas e só um vinho de culinária. Existem mercados com maior ou

menor margem que precisam de um ajustamento na comercialização através de recolocação e preenchimento de alguns espaços. No final do ano passado foi lançado o Tinta Negra 50 anos que deu o primeiro lugar à H&H no Top10 na cidade do Porto. Em jeito de conclusão, Humberto Jardim deixa uma mensagem: “O meu conselho é que as pessoas procurem este vinho para terem uma percepção da 5ª essência do vinho Madeira. O Tinta Negra tem um potencial tremendo e uma excelente frutose, e este que lançamos é um vinho fora de série”.

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melhor destino insular do mundo | fábrica santo antónio

O ancestral sabor da tradição

Há 123 anos em funcionamento, a Fábrica Santo António mantém o seu estatuto enquanto empresa ímpar na produção de doces únicos, assentes em dois grandes fatores: a qualidade e a tradição.

Fundada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva, a Fábrica Santo António nunca deixou de ser um projeto familiar, encontrando-se atualmente na quinta geração. Falar desta casa é, por isso, fazer alusão à longa história de um percurso de 123 anos que começou com a produção e venda de bolachas e biscoitos artesanais, mas que foi evoluindo e adaptando-se aos novos tempos, ao mesmo ritmo com que se foi firmando enquanto ex-líbris da ilha da Madeira. Bruno Vieira, atual gerente da Fábrica Santo António, assumiu o comando há dez anos com um projeto de visão. “Numa fase inicial, a fábrica precisava de modernizar-se sem estragar o seu lado artesanal e antigo”, recorda, antes de acrescentar que recentemente “foram feitas algumas obras”, como a mecanização dos processos de embalamento. A esses, acrescentam-se também melhoramentos no edifício que mantém, todavia, a sua traça original. Os anos mais recentes da Fábrica Santo António têm-se traduzido, por isso, num “balanço muito positivo, porque temos vindo a crescer e começámos a exportar”, explica o porta-voz. Uma gama de produtos cada vez mais doce Em crescimento nos últimos anos tem estado o leque de produtos feitos diariamente na Fábrica Santo António, à medida que o estatuto da loja se tem vindo a cimentar ainda mais, entre madeirenses e não só. “Começou a criarse um bom hábito entre as pessoas que visitam a Madeira: elas passam por aqui e levam sempre um produto nosso, para a família ou para os amigos”, salienta Bruno Vieira. “Ao fim e ao cabo, o nosso produto começa a ser muito conhecido”, esclarece. Entre as grandes iguarias que a Fábrica Santo António tem para oferecer, destacam-se, por exemplo, os famosos rebuçados de funcho e eucalipto que, em anos recentes, receberam a companhia “de uma gama mais vasta de sabores”. Outras das hipóteses irrecusáveis é o bolo de mel, produzido através das canas de açúcar produzidas na ilha, ou as bolachas artesanais, que são “o produto mais antigo”. Outro dos produtos típicos desta casa centenária são as broas tradicionais que, recentemente, se têm vindo a preparar em novos sabores, como o chocolate, que faz sucesso “com as novas gerações”. Tal como explica Bruno Vieira, “ao longo do tempo temos vindo a lançar novos produtos porque temos a noção de que é preciso adaptarmo-nos à realidade e ir de encontro às gerações mais jovens, sem nunca perdermos

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fábrica santo antónio | melhor destino insular do mundo Bruno Vieira Gerente

a nossa tradição”. É precisamente atendendo a esse fator que, às montras da loja, se têm vindo a acrescentar bolachas dietéticas de amêndoa ou avelã e uma série de produtos destinados às pessoas com doença celíaca, como é o caso das bolachas de gengibre sem glúten. Estas, em particular, têm vindo a reunir um extraordinário sucesso, já que “não há nada semelhante no mercado”. O fator qualidade Composta atualmente por 15 colaboradores, desde a sua génese que a Fábrica Santo António se manteve fiel a uma filosofia assente no ancestral sabor da tradição. “Sempre fomos uma fábrica pequena e artesanal que apostou na qualidade, nunca na quantidade”, refere o nosso interlocutor. Até porque a acumulação de um grande stock não coincide com a necessidade de “ter um produto sempre fresco”. De facto, “a nossa preocupação é satisfazermos todos os clientes e conseguir fornecer as encomendas que nos vão chegando, tentando introduzir novos produtos”.

mercado que ainda falta conquistar. Mas o encanto dos doces aqui criados faz-se sentir já noutras paragens além-fronteiras. “Neste momento estamos a exportar para os Estados Unidos e para o Reino Unido”, refere o gestor, frisando que a grande fatia do seu público é o mercado da saudade. Mas a vontade de crescer permanece. “Queremos chegar a outros pontos, mas teremos que dar um passo de cada vez”, esclarece Bruno Vieira. A entrada no mercado francês é uma das próximas etapas. Outra passa, entretanto, por continuar o “melhoramento das infraestruturas” da centenária fábrica. Com 123 anos de existência, mas preservando um espírito jovem, ousado e visionário, a Fábrica Santo António tem visto o seu crescimento consolidar-se em concomitância com a presença nas redes sociais, através das quais tem vindo a reforçar, ainda mais, os estreitos laços com o cliente. Em jeito de mensagem final, Bruno Vieira deixa um repto aos portugueses: “acreditem no que se faz de bom em Portugal, porque o nosso país tem muita qualidade”, remata.

Do continente ao mercado da saudade Os produtos da Fábrica Santo António podem ser encontrados em diversas lojas gourmet de Portugal continental “onde também temos vindo a crescer”, especialmente na região sul do país, através de uma parceria com a empresa de distribuição Albano Almeida, Lda. Já com necessidade de uma consolidação maior está a zona norte. “O nosso próximo objetivo passa por tentar manter o ritmo, a qualidade e o crescimento de uma forma sustentada”, nomeadamente num

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melhor destino insular do mundo | justino’s madeira wines

Afirmar o vinho da Madeira no De portas abertas há 146 anos, a Justino’s é atualmente o líder na exportação de vinho da Madeira. Aliando a qualidade do seu produto ao peso da tradição, a empresa assume a ambição de consolidar o estatuto do vinho da Madeira além-fronteiras.

Sediada no Caniço, Santa Cruz, a Justino’s Madeira Wines, S.A. é “uma das mais antigas empresas” dedicadas à produção e exportação de vinho da Madeira. A data de constituição remete-nos ao longínquo ano de 1870, sendo resultado da “união de algumas empresas”, entre as quais se incluiu a Companhia Vinícola da Madeira, fundada nos inícios do século XVIII. Um dos ícones da Companhia Vinícola é o Terrantez 1795 do qual ainda hoje se podem encontrar algumas garrafas, contextualiza um dos administradores, Juan Teixeira. Claro está que, ao longo deste percurso, a Justino’s enfrentou vários desafios, ânimos, sucessos e condicionalismos. “Nos anos 80, nossa situação económica não era a melhor”, prossegue o nosso interlocutor. Foi nesta etapa em particular que o papel do Coronel Costa Campos se revelou essencial para a continuidade de uma empresa cujo futuro se encontrava em risco. “O Coronel visitou a Ilha com intenção de avaliar a situação da empresa e provavelmente terminar sua atividade, mas apaixonou-se rapidamente pela Ilha Madeira e pelo seu vinho”, continua Juan Teixeira, antes de acrescentar que se tratava de “um homem com bastante garra e visão que decidiu pegar nas rédeas” da Justino’s, conseguindo em 1993 uma parceria com um grupo francês - La Martiniquaise. Um nome que se consolidou no mercado A partir desta parceria, o crescimento foi rápido e sólido. “Em 1994 fizemos o primeiro projeto de investimento e mudámo-nos para a zona industrial da Cancela”, explica Juan Teixeira, que chegou à Justino’s em 2000. “Éramos uma empresa vocacionada sobretudo para a venda a granel e nosso produto engarrafado representava cerca de 20 por cento”, recorda. Com criação da nova legislação, que impedia a exportação dos vinhos a granel nos moldes realizados até essa altura, a diminuição da importância do granel passou a ser uma realidade. Para além desta mudança acrescentaram-se outras evoluções, como o “crescimento de uma unidade industrial para cinco edifícios associados a atividade de produção, envelhecimento, engarrafamento e exportação de vinhos”.

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Juan Teixeira Administrador

mundo


empresa | tema

Mas a ritmo semelhante consolidou-se também a vocação exportadora da Justino’s. “Hoje somos os maiores exportadores de vinho da Madeira, com um share entre 40 e 45 por cento”, garante o administrador. Os mercados oscilam, por seu turno, entre a Europa e países como Estados Unidos, Japão e Brasil. A ambição de chegar mais longe Contando atualmente com uma equipa de 21 colaboradores, a Justino’s é uma empresa que alia o mérito da obra já feita com a vontade de alcançar novos objetivos, focando-se nos patamares ainda não alcançados. “Não lideramos o segmento premium, mas esse é o grande objetivo da nossa empresa, dentro de 15 a 20 anos”, assegura o porta-voz. Existem, no entanto, outras metas: “o mercado nacional apenas representa apenas 5 por cento do nosso volume de negócio. Durante alguns anos não demos especial destaque a este mercado”, considera o responsável. Sendo a Ilha da Madeira um dos principais mercados e constituindo uma montra de excelência vamos, devido ao cariz turístico que nossa ilha tem, dar especial destaque a este mercado nos próximos tempos. É atendendo a aspetos como este que, entre os projetos futuros da Justino’s Madeira, encontra-se a “construção de um centro de visitas, que poderá incluir um museu e restauração”. Afirmar o vinho da Madeira De acordo com Juan Teixeira, existe uma frase que caracteriza o vinho da Madeira: “é um vinho muito famoso, mas pouco conhecido”. Até porque, apesar de tudo, este é um produto que “continua a ser difícil de comercializar”. Existem “ainda mercados que infelizmente olham para o Madeira como sendo um vinho de culinária”, considera o nosso entrevistado, em alusão a uma mentalidade que é necessário diluir. “Para além de estar presente em eventos promocionais no exterior temos que continuar a trazer à Madeira especialistas da área como críticos, jornalistas e sommeliers para que venham conhecer/entender o nosso produto”. Porque, afinal de contas, este é um vinho bem mais versátil do que aquilo que muitos julgam: “Pode ser tomado como aperitivo, a acompanhar entradas, pratos de peixe, carne e sobremesas”, garante. Mas, na lista de afazeres de preocupações da Justino’s Madeira está também a necessidade de trazer uma faceta “mais jovem e apetecível” a este produto, nomeadamente através de campanhas como o lançamento de vinho da Madeira tónico ou com gelo. Já em registo de conclusão, Juan Teixeira deixa um repto: “o consumidor tem que que provar o vinho da Madeira. É um produto único no mundo, com grande versatilidade no consumo e com um poder de perdurar no tempo que outro vinho não tem. Se não o incluirmos na nossa lista de vinhos, estamos a excluir um vinho com 500 anos de História”.

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melhor destino insular do mundo | santa casa da misericórdia do funchal

servir

Instituída pelo rei D. Manuel, por Carta de Lei de 27 de julho do ano de 1508, a Santa Casa da Misericórdia do Funchal tem como principal missão a prática da solidariedade e das obras de misericórdia, corporais e espirituais. Passados mais de cinco séculos, a Santa Casa conta com uma Mesa Administrativa e o provedor Jorge Spínola na aplicação dos seus ideais.

Inicialmente, a instituição teve como principal objetivo a fundação do primeiro hospital na ilha da Madeira. Porém, ao longo dos séculos, foi ganhando cada vez mais importância e conseguiu abranger um vasto número de serviços de carácter social. Com um papel fulcral na sociedade funchalense, a instituição que criou o Recolhimento das Orfãs, prestou assistência aos presos e garantiu o sustento dos pobres foi perdendo valências e privilégios com o período liberal. No ano de 1975, o hospital que detinha foi nacionalizado e a partir dessa data até cerca de 1984, a Santa Casa da Misericórdia não teve praticamente qualquer atividade, recomeçando depois a sua atuação na área social. Foram várias as pessoas que pertenceram à instituição ao longo dos mais de 500 anos da sua existência, entre elas, nobres, oficiais generais, clero e pessoas de todas as classes e condições sociais. Atualmente, a Santa Casa da Misericórdia centra a sua ação no apoio à terceira idade e conta com dois lares: o “reconvertido” Lar e Centro de Dia Santa Isabel onde outrora funcionava o Recolhimento das Orfãs do Funchal, é propriedade da instituição e tem, neste momento, 31 utentes; e o Lar, Centro de Dia e Centro de Convívio Jardim do Sol, no Caniço, propriedade da segurança Social e gerido pela Santa Casa, mais novo e moderno, com 24 utentes no lar, 25 utentes no centro de dia e 67 utentes no centro de convívio. Para além desta mais-valia, a instituição tem, ainda, um protocolo com o Instituto de Segurança Social no âmbito do Programa de Emergência Alimentar (PEA), onde apoia, de momento, cerca de 217 famílias no concelho do Funchal, número que se traduz num público alvo de 700 pessoas. O programa consiste na entrega de cartões recarregáveis de grandes superfícies às famílias, com um determinado montante, que fazem as suas compras de acordo com os produtos que estão previamente estipulados no regulamento. Uma vez respeitadas as normas, o cartão é recarregado no mês seguinte. No que diz respeito aos critérios de selecção das famílias, a Santa Casa da Misericórdia está articulada com a Segurança Social que detém a base de dados completa e indica as famílias que serão apoiadas. Porém, se a instituição tomar conhecimento de um caso ainda não referenciado pela Segurança Social, tem capacidade para o analisar, encaminhar e resolver. Com uma forte componente na área alimentar, a Santa Casa tem, também, na freguesia do Caniço, concelho de Santa Cruz, uma cantina social que apoia duas famílias através da entrega de refeições confecionadas.

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Jorge Spínola Provedor

507 anos a


santa casa da misericórdia do funchal | melhor destino insular do mundo No entanto, “as dificuldades são as dificuldades próprias do tempo que se vive, da crise económica”, explica Jorge Spínola, “e manifesta-se a todos os níveis”. Embora existam algumas isenções de impostos, para o provedor a carga fiscal é um entrave na ação de qualquer instituição e que se agrava cada vez mais com as “elevadas contribuições” para a Segurança Social. O aumento do salário mínimo regional também contribui para o crescente desafio das instituições, uma vez que “o pessoal auxiliar tem uma remuneração perto do salário mínimo e qualquer alteração tem sempre efeitos negativos na tesouraria de qualquer instituição”, esclarece. Provedor há apenas 5 anos, Jorge Spínola admite que é preciso ter disponibilidade de tempo para conseguir fazer um bom trabalho ao mesmo tempo que são compensadores os “benefícios da prática do bem, dando uma satisfação espiritual e pessoal tremendas”. De momento, o futuro da Santa Casa da Misericórdia do Funchal passa pela construção de um novo lar no centro da cidade, uma vez que a instituição entende ser uma lacuna nessa área urbana. Parte do investimento está feito e o terreno já foi adquirido. “É no período de crise que as instituições da economia social se destacam”, afirma o provedor, “e por isso é sempre uma oportunidade para a Santa Casa mostrar a sua dinâmica”. Desta forma, Jorge Spínola espera que, no futuro, haja uma maior articulação entre as Santas Casas na região da Madeira no sentido de se tornarem mais unidas, em conjunto com a tutela, o Governo Regional.

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MUNICÍPIOS EM DESTAQUE Fazendo jus ao seu nome e estatuto, é missão da Revista Business Portugal estabelecer um retrato fiel, compreensivo e abrangente daquilo que constitui o tecido empresarial do nosso país. Significa isto que, no desempenhar da nossa missão, interagimos com empresários, instituições ou agentes económicos que, de uma forma positiva, têm vindo a contribuir para o cimentar de Portugal no mapa do empreendedorismo, da inovação, da boa gestão ou do sucesso empresarial. Estabelecer um retrato económico desta natureza sem recorrermos, todavia, a algumas das vozes mais decisivas para o aparecimento, o sucesso ou a consolidação de muitas iniciativas empresariais seria um ato de pura negligência. É, pelo contrário, atendendo à inegável importância do papel que os agentes do poder local ocupam no desenvolvimento do sucesso económico e empresarial português que lhes damos voz, procurando compreender que posicionamentos, perspetivas e ambições reservam, quer para os seus territórios, quer para quem ousa investir neles. Afinal – e pesem embora os condicionalismos impostos pela sua natureza enquanto agentes do poder local – é graças à singular visão dos presidentes das câmaras municipais ou das juntas de freguesia propagadas pelo país que se adotaram algumas das medidas mais marcantes e diferenciadoras, quer para a fixação das respetivas populações nestes territórios, quer para a sustentada atração de novo investimento. Caso para dizer, por isso mesmo, que a inovação e o empreendedorismo são atributos que não se cingem à classe empresarial, afirmando-se também elas enquanto fatores-chave para a dinamização e o crescimento de qualquer município ou freguesia. Nesta edição, damos especial enfoque ao município de Arganil e às suas freguesias.

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municípios em destaque| município de arganil

Ideal para viver,

visitar e investir Arganil reúne condições que tornam este território um dos concelhos com mais potencial para se viver, visitar e investir. As belas paisagens da Serra do Açor, as medidas de incentivo que visam melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e os estímulos concedidos às empresas são fatores preponderantes para a dinamização e desenvolvimento do concelho. Em entrevista ao presidente do Município de Arganil, Ricardo Pereira Alves descobrimos as mais-valias deste concelho.

Ricardo Pereira Alves Presidente

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Arganil representa o destino ideal para os amantes do turismo de natureza, as deslumbrantes paisagens e trilhos proporcionados pela Serra do Açor, conjugados com as margens do rio Alva e Ceira são um dos pontos mais fortes do concelho. A somar a isto existe todo um património arquitetónico e histórico, já que a região tem várias aldeias de xisto, tendo como ex-líbris o Piódão. O edil revela que “Arganil tem nas pessoas a sua maior riqueza, gente muito hospitaleira e acolhedora. Aquilo que temos para oferecer é sobretudo uma experiência inesquecível. Somos um território único, diferenciador e que, para além da envolvente e do acolhimento das pessoas, temos de facto um conjunto de recursos naturais e paisagísticos que são verdadeiramente notáveis, como a Fraga da Pena, área de paisagem protegida da Serra do Açor, é reserva biogenética do Conselho da Europa. Depois temos a aldeia histórica do Piódão e as aldeias de xisto, as praias fluviais no rio Alva e o rio Ceira e ainda os parques verdes urbanos do Prado em Côja e Parque Verde Urbano do Sub-Paço. Numa outra vertente, existe a antiga Cerâmica Arganilense, um imóvel à beira do colapso, que foi reconvertido nos últimos anos num moderno centro de excelência, cultura, desporto e lazer, onde estão as piscinas municipais, um auditório de média dimensão e onde, em breve, queremos instalar o Museu do Rally”, destaca o entrevistado. Uma das apostas do município, na vertente do turismo, para os próximos anos, passa pela dinamização do legado deixado pela passagem do rally de Portugal. “Organizámos há pouco tempo a exposição Arganil - Capital do Rally, que contou com os carros que fizeram um pouco a história do rally de Portugal desde 1967. Tivémos também uma tertúlia com os principais pilotos portugueses, onde esteve presente o piloto finlandês Markku Alen, que ganhou o Rally de Portugal cinco vezes”, explica o autarca. Questionado sobre a oferta de alojamento na região, o interlocutor afirma que “duplicámos o número de camas no concelho o que é verdadeiramente significativo, a taxa de ocupação também é elevada. Temos todas as tipologias de alojamento desde um hotel de quatro estrelas, que está a ser gerido pela Fundação Inatel, temos um hotel de três estrelas e temos unidades de turismo em espaço rural de grande qualidade. Motivos não faltam para visitar Arganil”, remata. Viver em Arganil O município tem procurado melhorar a qualidade de vida dos arganilenses através de vários incentivos que passam pela educação, emprego e cultura. Na educação, Ricardo Pereira Alves revela que foi efetuada “uma grande revolução, no setor da educação, com a construção de três novos centros escolares, processo que vai ficar concluído com a remodelação da escola primária e do jardim de infância de Sarzedo. Estes centros escolares têm todas as condições ao nível daquilo que de melhor existe nas cidades. A reorganização da rede escolar foi feita em diálogo com as freguesias e a população. Desde 2005, já fechámos mais de uma dezena de escolas, sem problemas, porque as pessoas perceberam que os filhos iam ter melhores condições”. Ainda neste setor, há a destacar a remodelação que foi feita ao


município de arganil |municípios em destaque

nível dos transportes, através de uma nova política feita em parceria com a Direção Geral dos Transportes Terrestres, possibilitando, “que as crianças que saíam de casa, antes das 6 horas da manhã, passassem a sair no limite às 7:30. Isto comportou reflexos naquilo que é o rendimento escolar dos alunos, nomeadamente, na redução da taxa de insucesso e abandono escolar. Hoje os resultados na educação são bem melhores, inclusivé, a Escola Secundária de Arganil foi considerada ,há dois anos, a sexta melhor escola pública do país, representando também o bom trabalho do agrupamento e de toda a comunidade”, exalta Ricardo Pereira Alves. No que diz respeito aos incentivos ao investimento, que visam o desenvolvimento da economia e a criação de postos de trabalho, o município tem procurado através de diversos incentivos atrair novas empresas para o concelho. “Procuramos criar um ambiente favorável ao investimento, não apenas na captação de novos investimentos, mas também, na consolidação do tecido económico existente, Arganil tem grandes empresários. Em breve, vai ser aprovado em Assembleia Municipal um pacote de incentivos, o Arganil Investe Mais, que será para devolver as taxas de IMI e IMT aos investidores, consoante o nível de investimento. Este plano implica também a bonificação dos terrenos nas zonas industriais, uma forma de poder apoiar e atrair investimento”, revela o interlocutor. À semelhança do que acontece em todo o território nacional, Arganil também tem sofrido com a desertificação, as medidas elencadas pelo autarca visam sobretudo inverter esta tendência atraindo “gente para viver no concelho, isso passa por medidas locais mas também por medidas de diferenciação positiva a nível nacional, nomeadamente, ao nível dos impostos. É preciso haver uma diferenciação, tratando com equidade estes territórios. Assim, tem de haver uma verdadeira estratégia para os territórios de baixa densidade populacional, temos pontos muito fortes que podem ajudar ao que é a consolidação do crescimento

do país, de forma sustentável e harmoniosa, em coesão territorial”, evidencia o presidente do Município de Arganil. O entrevistado exerce funções enquanto autarca do concelho, há dez anos, na altura em que foi eleito, em 2005, era o autarca mais jovem do país. Questionado, sobre o maior desafio de dez anos de mandato, o interlocutor esclarece que “porventura a situação financeira da Câmara, que era muito problemática, foi preciso engenho e arte para ultrapassar esses problemas e colocar o concelho a crescer”. Projetando o futuro Em termos de futuro, o município tem apostado, neste último mandato, “em duas áreas muito importantes, o ambiente e a mobilidade. Entraram em funcionamento nove novas etars e estão projetadas mais quatro. Temos ainda o sistema de captação do Lago e Feijoal, um projeto dinamizado em parceria com as Águas Centro e Litoral. Na mobilidade, estamos a requalificar a rede viária municipal, temos perto de 400 quilómetros de estradas, já teremos requalificado cerca de 150 e, até ao fim do mandato, julgo que ultrapassaremos, em mais de metade, as estradas requalificadas do concelho, melhorando a qualidade de vida

das pessoas”, destaca o autarca de Arganil. Em breve, “o grande desafio é o Museu do Rally, algo que tem uma ligação histórica com a identidade de Arganil, faz parte do nosso código genético, trabalhamos para que o Rally de Portugal possa regressar a Arganil”, destaca Ricardo Pereira Alves, acrescentando que “paralelamente a isso entendemos que a criação do museu é algo diferenciador que ajuda a contar um pouco da nossa história, representando mais um ponto de atração do concelho”, remata. Numa outra vertente “temos a requalificação do Teatro Alves Coelho, cedido à Câmara Municipal até 2058. Queremos renovar esta antiga sala de espetáculos que foi considerada pela Ordem dos Arquitetos como um edifício marcante do século XX”, evidencia. Numa mensagem final, o interlocutor destaca que apesar das dificuldades inerentes à crise “onde os recursos financeiros têm sido cada vez menores, tal exige que sejamos mais seletivos nos investimentos a realizar e que são feitos sempre a pensar nas pessoas, que são a inspiração para as políticas públicas locais. Estou certo que apesar das dificuldades, havemos de conseguir ultrapassá-las e conseguir um concelho mais próximo de todos, solidário e coeso”, finaliza o presidente do Município de Arganil.

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municípios em destaque |União das Freguesias de Coja e Barril de Alva

Um local

abençoado pela natureza A União das Freguesias de Coja e Barril de Alva é a freguesia mais importante do concelho de Arganil, não só pela sua história, mas também pelo seu património arquitetónico e natural. A sua proximidade às serras do Açor e da Estrela são motivos mais do que suficientes para que esteja incluída nos roteiros turísticos do interior de Portugal. Um dos seus principais ex-libris é o rio Alva, por onde se mosqueiam locais paradisíacos e paisagens inesquecíveis.

Com uma panóplia de potencialidades, a União de Freguesias de Coja e Barril de Alva assume-se como o ponto de partida ideal para descobrir todo o concelho de Arganil. Aqui bem perto, em plena Serra do Açor, poderá visitar, entre outros locais de beleza ímpar, a Mata da Margaraça, a Fraga da Pena e a aldeia histórica do Piódão. Esta terra abençoada pela natureza e pelo ar fresco do rio assume-se como o local ideal para a prática de atividades desportivas como BTT, Todo o Terreno ou até mesmo percursos pedestres. O vasto e rico património religioso desta união de freguesias, quer em termos arquitetónicos quer em imagens, é outro dos motivos para conhecer esta região do nosso país, que goza de uma localização privilegiada e excelentes acessibilidades, estando equidistante entre as cidades do Porto e Lisboa e muito próxima da cidade de Coimbra. No verão, a alegria é uma constante, todos os dias podemos desfrutar de atividades de animação na praça central da freguesia, sem esquecer o evento ‘Músicas de Verão’, que decorre no parque de lazer e combina diversos estilos musicais, desde o rock, passando pela música popular, até à animação proporcionada por DJ’s, indo assim ao encontro do gosto musical de todas as faixas etárias. A Feira de Artesanato que decorre no mês de agosto e a Feira de Velharias que acontece quatro vezes por ano são outras iniciativas que têm captado cada vez mais visitantes. “Estas iniciativas acabam por reunir as pessoas, que desta forma convivem e socializam, sempre com um espírito de grande alegria”, desvenda Luís Moura, presidente da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, sublinhando que esta zona do país vive bastante dos momentos religiosos, elencando a Páscoa e o Carnaval, que por estas bandas assume características singulares. Segundo os habitantes, o Carnaval de Coja é obra de teimosos e cabeçudos beirões. Para além da folia, do gozo, da crítica brejeira, da sátira, do colorido dos fatos, desfilam também temas da política local, para além de muita música. “O Carnaval de Coja é um ponto de encontro de amigos e de toda a comunidade do alto concelho, incluindo a comunidade estrangeira, que é sempre ativa e participativa”, salienta o autarca. Segundo Luís Moura, Coja tem uma grande capacidade de atração turística, mas ainda não está a tirar partido disso, por isso realça que o Município de Arganil deverá adotar uma postura mais concertada e preconizar uma aposta mais veemente no turismo, criando dinâmicas que captem a atenção e a curiosidade das pessoas. “O caminho a seguir deveria passar pela aposta no turismo religioso, dada a riqueza do património, aliando-o ao turismo de natureza, uma vez que a envolvência natural e os cenários bucólicos desta região têm um enorme potencial”, avança o edil.

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União das Freguesias de Coja e Barril de Alva | municípios em destaque

Dinâmica autárquica No comando dos destinos da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva está Luís Moura que assumiu a autarquia com verdadeiro espírito de missão e com uma vontade positiva de servir a freguesia e a sua população, tendo em conta que é um homem de convicções e de causas, de princípios e valores, de trabalho e de diálogo. A sua chegada permitiu imprimir um novo ritmo de trabalho, na senda do desenvolvimento e dinamização desta freguesia.

Quando tomou posse dos destinos da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, Luís Moura assumiu o desafio de contribuir para a resolução do problema social que assolou a freguesia, com a mudança de realidade e paradigma. “Coja perdeu a capacidade industrial com o encerramento de três empresas que tinham um grande peso em termos de empregabilidade. O fenómeno do desemprego chegou em força, causando uma grande depressão nas pessoas. Dessa realidade de emprego total, acabamos por ter que nos virar para outro horizonte, percebendo as potencialidades desta região”, avança o presidente, salientando que procurou fazer a transição da realidade industrial para uma realidade mais virada para o comércio e serviços. A Junta de Freguesia acabou por adquirir as três unidades empresariais devolutas, sendo que uma delas, a da cerâmica, corresponde a dois terços da Vila de Coja. “Fizemos o investimento na aquisição dos imóveis, porque percebemos que esta questão das falências tem dois momentos maus”, nomeadamente o fecho da empresa e o vilipêndio dos seus ativos. A propósito da unidade empresarial que outrora foi uma cerâmica, Luís Moura

evidencia as suas mais-valias, bem como a arquitetura singular, que deverá ser potenciada. “O terreno da antiga cerâmica tem dois hectares de área asfaltada e diversos edifícios sociais que permitiriam albergar todas as coletividades da freguesia, ou até mesmo do concelho”, adianta o autarca, lembrando que a aquisição do imóvel foi uma aposta para o futuro, na perspetiva de encontrar os parceiros certos que lhe possam dar um destino rentável para a freguesia. Mas enquanto esse investidor não aparece, aquela zona vai sendo potenciada através de diversas atividades, no âmbito da Espeleologia e do Arvorismo. “Aquele espaço - que para além de área florestal, conta com diversos edifícios, e nas proximidades, um rio navegável, lagos naturais e um aeródromo com todas as estruturas funcionais - acolheu também um jogo de Airsoft, no qual participaram 200 jogadores”, desvenda Luís Moura, salientando que em maio, realizar-se-á uma nova edição que contará com 600 participantes. No entanto, o grande objetivo passa pela organização de “um encontro ibérico que poderá reunir cerca de 3 mil pessoas em Coja”, conclui.

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municípios em destaque |freguesia de são martinho da cortiça

Onde a

floresta é rainha

Localização estratégica A freguesia de São Martinho da Cortiça é, atualmente, a terceira maior freguesia do concelho de Arganil. De acordo com o nosso interlocutor, “temos uma freguesia que está estrategicamente localizada, a meio do caminho entre o

Rui Miguel Franco Presidente

São Martinho da Cortiça é a terceira maior freguesia do concelho de Arganil. Estrategicamente localizada entre o mar e a serra, esta freguesia prima pela sua proximidade aos grandes centros urbanos e pelos seus acessos extraordinários. Ficámos a conhecer melhor São Martinho da Cortiça pela voz de Rui Miguel Franco, presidente desta Junta de Freguesia.

Localizada ao longo da centenária Estrada da Beira, entre a Serra da Estrela e o Atlântico, São Martinho da Cortiça contempla uma soberba paisagem natural, entre montes e vales banhados pelas águas do rio Alva, “onde a floresta é rainha”. Rui Miguel Franco é o rosto do executivo desta Junta de Freguesia. Questionado pelas suas gentes, não hesita em destacar a sua hospitalidade, simpatia e capacidade de trabalho.

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mar e a Serra da Estrela, além de que temos vias de acesso extraordinárias através do IP3 e do IC6”. Desta forma, o edil reforça a aptidão e capacidade da freguesia para a instalação e fixação de empresas, tendo presente que a acessibilidade é muito fácil e rápida. “A fixação de empresas é também, obviamente, uma forma de fixação de habitantes, mas as acessibilidades também o são. Temos muitas pessoas que vivem aqui e trabalham em Coimbra, por exemplo. Até porque há transportes públicos em horários compatíveis”, completa.

Qualidade de vida de excelência Rui Miguel Franco revela à Revista Business Portugal que a principal preocupação do seu Executivo passa, indubitavelmente, pela qualidade de vida dos seus habitantes. Para tal, houve uma séria aposta em áreas tão fundamentais como a saúde, ensino e a terceira idade. “Temos um bom serviço médico aqui na freguesia, o que não deixa de ser um atrativo para quem aqui quer viver. Além disso, temos um centro escolar de excelência, de acordo com as avaliações do Ministério da Educação, onde agregamos todo o ensino préprimário e primário da freguesia”, refere o edil. No que concerne à terceira idade, o projeto mais recente foi criado em parceria com uma freguesia vizinha, que dista apenas nove quilómetros. “O novo lar para idosos foi construído recentemente numa freguesia vizinha e albergará igualmente os habitantes de São Martinho da Cortiça, pois as condições de construção lá eram bastante mais favoráveis. Não me preocupa que o lar seja feito em Pombeiro da Beira, o que me preocupa é ter uma resposta social para os idosos da minha freguesia e a sua qualidade de vida”, refere o nosso entrevistado. Além disso, a freguesia conta com uma IPSS com valências destinadas à população sénior, assim como com a presença da Cáritas Diocesana de Coimbra, que presta serviços de apoio domiciliários e de centro de dia. Sabendo que o apoio à terceira idade está assegurado pela Cáritas, “que tem desempenhado um excelente trabalho”, a preocupação do Executivo da Junta de Freguesia tem incidido no apoio à infância, “pois se projetamos o futuro, temos que preparar as nossas crianças para o mesmo”. Rui Miguel Franco frisa que “existe uma estratégia de desenvolvimento que está pensada e articulada com os nossos vizinhos e entidades que cooperam connosco, não estamos a navegar ao sabor do vento, estamos a navegar com um rumo e uma direção, pensando no bem estar da nossa população e no desenvolvimento da nossa freguesia”. O nosso interlocutor refere que “trilhamos um caminho de modernização, pugnando pela justiça social, melhoria da


freguesia de são martinho da cortiça | municípios em destaque qualidade de vida da nossa população e, simultaneamente, preservando a natureza que nos rodeia”. Aposta no turismo A principal característica desta freguesia é a sua beleza natural. Falamos de uma freguesia essencialmente florestal, atravessada pelo rio Alva, onde a Albufeira das Fronhas é a principal pérola. Em pleno coração da freguesia, esta albufeira é o maior espelho de água existente no concelho de Arganil. O edil da Junta de Freguesia refere que “este é um espaço ainda por explorar em termos turísticos, com várias apetências, uma vez que é um espelho de água considerável para a prática de desportos náuticos e pesca desportiva”. Aqui, desenvolve-se um microclima propício à criação de trutas, aqui surgiu um espaço de excelência para campeonatos de pesca à pluma, tanto a nível nacional como internacional. “Há ainda muito que explorar no que concerne ao turismo. Somos uma freguesia com grandes potencialidades, com características a serem exploradas muito brevemente”, confidência, pois está projetado, em parceria com a Câmara Municipal, a criação de um parque de lazer com piscina junto às águas da Albufeira das Fronhas, no sentido deste espaço começar a ser rentabilizado turisticamente.

no rio Alva, visitar todas as 22 aldeias, todas elas muito características da região, com especial destaque à Sanguinheda, uma aldeia que já foi sede de concelho e vila, tendo recebido o seu Foral das mãos de D. Manuel I. O percurso deverá incluir também uma visita às 18 capelas e à igreja matriz, a casa do padroeiro S. Martinho.

De visita obrigatória Mas vir a São Martinho da Cortiça não é apenas deliciar-se na albufeira. Uma prova gastronómica terá também que fazer parte dos seus planos. Aqui terá que contemplar o verde, banhar-se e pescar

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municípios em destaque| freguesia de pombeiro da beira

concordância Pombeiro da Beira é sem dúvida uma memória histórica, outrora sede de concelho. Desde “ Aufragia” fundada pelos romanos e cidade “Columbaria” do tempo dos Lusitanos, são das versões da sua origem. Esta última versão talvez seja a mais crédula, dado que existiram em tempos abundantes castas de pombos e com o tempo se foi trocando o alatinado do termo pela palavra “Pombeiro”, que significava “viveiro de pombos”. Em 1354, no reinado de D. Afonso IV dá-se a formação do senhorio de Pombeiro e em 1355 o mesmo rei doou-o a Martim Lourenço da Cunha 1º senhor de Pombeiro. Sucede-lhe João Lourenço da Cunha que por volta de 1368, casa com D. Leonor de Telles, que mais tarde vem a ser rainha, casando com el-rei D. Fernando. A 10 de novembro de 1513, D. Manuel dá carta de foral a pombeiro passando-a a vila. Muitos outros senhores se seguiram, entre os quais, em 1529, reinado de D. João III, Mateus da Cunha passa a ser o 7º senhor de Pombeiro. Este encontra-se sepultado na capelo mor da Igreja Matriz de Pombeiro. Luís Rodrigues e António Branco, presidente e tesoureiro da junta de freguesia, respetivamente, em entrevista à Revista Business Portugal falam-nos sobre os pontos turísticos de paragem obrigatória na região bem como dos vários eventos organizados ao longo do ano e que tornam a freguesia uma referência nesta vertente. Turismo de natureza crescente Na encosta da Serra com o mesmo nome - Serra de Santa Quitéria - erguese a capela em honra da referida Santa, uma edificação do século XVII (1719). Ao que se diz, esta não terá sido a primitiva, que se situava no alto da mesma, onde ainda existem indícios de remotas ruínas no local denominado Padieira da Santa. Também o cancioneiro local se refere a este facto na seguinte quadra: “Ó minha Santa quitéria Onde te foram prantar, Lá em cima, ao Soito Sêco, À serra do Salgueiral!? “Somos uma freguesia com muita história é hoje repleta de encantos e recantos naturais únicos. Todos os anos realizamos a Feira de Santa Quitéria a 1 de novembro e vêm pessoas de todo o país para visitar esta feira. É uma feira que tem uma vertente religiosa e outra profana, com muitas pessoas devotas a Santa Quitéria. Estou em Portugal há 39 anos e recordo-me desta festa. Antigamente, tinha uma vertente de comércio para a freguesia pois as pessoas nesse dia iam para lá vender tudo o que produziam, inclusivé, os porcos que criavam para serem vendidos na Serra de Santa Quitéria, sendo que um dos fortes é a carne de porco. Os nossos torresmos são muito afamados e é altura dos frutos secos, nomeadamente as castanhas, avelãs, das nozes e como é na entrada do inverno as pessoas também aproveitam para comprar roupa”. Este santuário sofreu obras de requalificação recentemente, estando dotado de infra-estruturas de apoio, que permitirão

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desenvolver uma variedade de atividades ligadas ao turismo religioso, ao turismo ambiental-rural e de lazer, “bem como aos amantes do auto caravanismo que frequentemente nos visitam”, começa por nos contar António Branco. Por sua vez, também a Feira de Maio possui bastante relevo na região, atraindo toda a família pombeirense espalhada pelo país. Este é o ponto de encontro anual onde se encontram todos os pombeirenses “para assim continuarem a fortalecerem os laços que nos unem e degustarem a nossa gatronomia como arroz de fressura e os torresmos de Santa Quitéria. Como somos uma freguesia agrícola, as pessoas nesta altura, em maio, já tinham as sementeiras prontas então vinham vender ou trocar os bois para a próxima campanha. Mais tarde, começaram a aparecer os comerciantes, com uma vertente muito forte. Já há alguns anos para cá criámos um Concurso de Bovinos de Trabalho, onde atribuímos vários prémios e é um dia de festa para toda a população. Desde 1998 implementámos um ‘Concurso dos Galos do Campo e Exóticos’, este galinácios desfilam numa passerelle construída para o efeito, e são classificados por um júri

dentro do público presente, as pessoas que nos visitam gostam deste momento . Depois, temos um almoço, muito concorrido, em que participam cerca de 400 pessoas, onde recriamos a matança do porco e fazemos vários pratos típicos para esse almoço a par de uma mostra do melhor artesanato que se faz na região”, acrescenta. A partir deste ano a Feira Anual de Maio terá a duração de dois dias. O domingo será preenchido com o Festival do Rancho Infantil e Juvenil Os Columbinos. Em termos de património, são vários os pontos turísticos existentes na freguesia, como o autarca Luís Rodrigues faz questão de explicar. “Temos uma capela octogonal da Rainha Santa que é considerada monumento de interesse público, mandada construir pelo Cónego Thomé Nunes em 1633, destinada a servirlhe como sepultura, sob invocação da Rainha

Luís Rodrigues e António Branco Presidente e Tesoureiro

Ruralidade e Modernidade em


freguesia de pombeiro da beira |municípios em destaque Santa Isabel ( séc VVII - XVIII)”. O pelourinho perdido durante anos (caso comum no país), foi finalmente recuperado pela autarquia local e em boa altura, em 1997, somando a esta freguesia farta em património histórico, mais um ponto de interesse. O seu fuste de dois metros e trinta de altura, construído em grés de Sabouga, foi levado para a Várzea Pequena, enquanto que o remate, um tronco de cone com as armas dos donatários da terra (Cunhas) se encontrava fixado na empena da capela de Santo António. Na Igreja Matriz da sede de freguesia encontram-se dois túmulos, um na parede, com estátua jacente sobre arca tumular, de Mateus da Cunha - 7º senhor de pombeiro, da época quinhentista , da autoria de Diogo Pires, ‘O Moço’, esculpido em pedra de Ança, e outro no pavimento, do prior de Martinho e São Guinheda, falecido em 1564, que é considerado um monumento de interesse público e visitado por várias pessoas, nomeadamente estudantes de história e arqueólogos. A par da ruralidade, na freguesia existe também um hotel, o B & W Hotel Rural, com traços bastante modernos, que contrastam com os vários trilhos pedestres implementados em Pombeiro da Beira. “Temos um hotel bastante recente, com apenas quatro anos e que está aberto todo o ano. Tem disponível uma suíte, nove

quartos, piscina, um salão para conferências e eventos, bar, tasquinha e restaurante. Quem visita a região tem num espaço só tudo aquilo que necessita para pernoitar e passar uns dias sem preocupações. A nossa freguesia é bastante rural, sendo uma das maiores freguesias do concelho de Arganil em área florestal e por essa razão criamos vários trilhos pedrestes, o Trilho Histórico, o Trilho das Ribeiras, o Trilho à Beira de Água e o Trilho de Santa Quitéria e que têm tido bastante aceitação e participação por parte da população. Trilhos esses que têm que ser melhorados e estamos a trabalhar nesse sentido, distribuindo vários panfletos pela região com todas as informações sobre os mesmos”, destaca António Branco. Apoio canalizado a todas as classes Um dos sonhos deste Executivo é a construção do lar de idosos de Pombeiro da Beira que está já em contrução, constituindo um polo essencial na freguesia no apoio à classe mais idosa. “Temos uma população muito envelhecida e carenciada e que tem que ser apoiada. Temos uma doutora que faz esse acompanhamento e que ajuda naquilo que é necessário. Para além disso, o lar é também uma forma de dar emprego e isso é muito importante para uma freguesia que tem perdido muitas referências em termos

de empregabilidade. O lar terá 56 camas sendo que este número poderá aumentar, aproveitando um outro espaço e o lar terá inclusive a vertente de apoio domiciliário”, frisa Luís Rodrigues. Para além disso, a junta dá também bastante apoio às sete coletividades da freguesia. “Temos a Associação Juvenil Os Columbinos, fundada em 1991 por um grupo da catequese, que organiza bastantes atividades, inclusive nas aldeias, que é apoiada pela junta nas várias atividades que organiza bem como as restantes. O Município de Arganil organiza todos os anos a Feira das Freguesias, uma feira de gastronomia, em que convidamos todas as associações a estarem presentes mostrando assim os pratos regionais, damos todo o apoio logístico”, remete. Fazendo uma retrospetiva do trabalho desenvolvido por este Executivo, os nossos entrevistados fazem um balanço positivo do mesmo. “Quando tomamos posse na junta a nossa primeira grande obra foi toda a sinalética da freguesia. Hoje qualquer ponto turístico está sinalizado, o que facilita muito a orientação de quem vem de fora. As grandes prioridades deste Executivo são as acessibilidades porque temos muitas aldeias onde as pessoas à porta de casa têm ruas em terra. Temos vindo a combater esta situação através de contratos-programa

em parceria com a Câmara Municipal e já conseguimos fazer várias ruas em calçada de granito e esperamos alcatroar brevemente a estrada que nos leva às povoações do lado de lá da Albufeira das Fronhas. Para além disso, queremos também construir as valetas e bermas das estradas existentes em betão, de modo a dar mais durabilidade às mesmas. O saneamento básico nas aldeias também nos preocupa. Estamos empenhados na construção do Lar, já existe um protocolo com a Cáritas Diocesana de Coimbra, onde a junta de freguesia além de ceder o terreno para a sua edificação, doou uma verba de 500.000,00€, para a sua construção”, explicam. O objetivo passa assim por continuar com a mesma política de proximidade que marca este Executivo. “Ambos estamos na Junta de Freguesia há vários anos, o atual presidente, já pertenceu a anteriores executivos e o tesoureiro é funcionário da Junta, somos de cá e fazemos questão de nos mantermos uma politica de proximidade da população e perceber quais são as suas reais necessidades, sempre”, conclui António Branco.

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municípios em destaque | Freguesia de Abrantes e Alferrarede

Centralidade

e modernidade em sintonia Repleta de história, comprovada através do seu centro histórico, a Freguesia de Abrantes e Alferrarede é igualmente uma freguesia vocacionada para o futuro. Bruno Tomás, líder do executivo, falanos sobre esta freguesia, passando pelos polos turísticos de paragem obrigatória na região, como os jardins do castelo, o Parque Urbano de São Lourenço e o AquaPolis, bem como dos projetos delineados para os dois pontos principais de atuação do seu mandato: os idosos e crianças.

Como forma introdutória, qual o balanço que faz desde que é líder do Executivo da Freguesia de Abrantes e Alferrarede? O balanço do Executivo da junta estará a ser dividido em duas partes: uma primeira parte em que nós face às vicissitudes da agregação de três freguesias tivemos que ter algum tempo para arrumar a casa, ou seja, criar procedimentos iguais nos diferentes polos, refiro-me a polos porque tínhamos o compromisso nas eleições de manter os edifícios das antigas juntas a funcionar porque os colaboradores estavam lá e não faria sentido distanciar ainda mais os serviços prestados pela Junta de Freguesia. A primeira parte consistiu em uniformizar procedimentos internos, criar relações inclusive de colaboradores da junta para que todos pudessem conhecer a união de freguesias e isso é extremamente importante e esta equipa achou que esse era um ponto fundamental para um posterior bom desempenho das nossas funções em questão do espaço público, que é utilizado por todos nós. Nesta primeira fase, que deve ser constante, existe sempre uma forte aprendizagem contínua. Uma segunda fase foi olharmos para aquilo que tínhamos prometido para as pessoas e que para o qual merecemos o voto delas, foi o caderno de encargos, como costumo dizer, em que a equipa estabeleceu dois pontos essenciais de atuação: os idosos e as nossas crianças. De que forma esse apoio será prestado? Nos nossos idosos apoiá-los até no simples facto de melhorar as suas acessibilidades junto das suas habitações e nas parcerias que eu acredito muito que são parte integrantes nos nossos projetos, exemplo disso, são as várias associações que existem na freguesia que trabalham com eles e com as quais temos que reforçar a ligação existente e até alargá-las ao

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território. Uma das associações que é exemplo disso é a ‘Crescer’, que quando iniciámos o mandato tinha apenas três ateliês e agora alargou para cinco, comparticipados pela junta e que trabalha em média com 40 idosos. Nas crianças e jovens, sob protocolos de competências que a Câmara tem com a Junta relativamente à manutenção e conservação de escolas e o regular funcionamento das mesmas. Para isso temos o projeto ‘Escolinhas’ que através de várias carrinhas dão manutenção e prestam uma rápida resposta às escolas. Estamos também a desenvolver um protocolo com a Câmara Municipal de Abrantes para criar vários parques infantis. Temos que ser próximos da população e perceber quais são as suas reais necessidades e neste caso o associativismo é parte integrante pois queremos promover a relação entre as pessoas. Quais as potencialidades da sua freguesia? Primeiro, considero que é uma das melhores freguesias para se viver em Portugal. É central a nível nacional, estamos a uma hora de Lisboa, da praia e de Espanha. Hoje em dia, as questões de mobilidade e de tempo são extremamente importantes e isso temos. Na educação, temos uma excelente cobertura de jardins de infância públicos, escolas do 1.º ciclo excelentes, todas recuperadas, a seguir escolas secundárias, as várias existentes estão igualmente recuperadas e possuímos igualmente ensino superior em Abrantes, com vários cursos e valências. Também a nível de saúde estamos muito bem situados, em que o hospital de Abrantes é ao lado da nossa freguesia e temos também o único campo de basebol da Península Ibérica, onde são realizados vários estágios. Assim, a nossa freguesia tem vários fatores factuais que vão de encontro ao que as pessoas procuram e necessitam para o seu dia a dia.


municípios em destaque | município de pinhel

O “novo” centro de Portugal A região distingue-se pela qualidade de vida e pelo posicionamento geográfico estratégico, que permite a proximidade às principais cidades portuguesas e espanholas. Pinhel é um concelho que trabalha na captação de investimentos empresariais, a par disto, procura através do legado histórico potenciar o turismo na região. Rui Ventura, presidente do Município de Pinhel, falou do trabalho que a autarquia está a desenvolver e que está a marcar a diferença na região. O concelho de Pinhel declarou há muito um combate à desertificação e adotou uma série de estratégias com resultados visíveis, extensíveis a várias áreas. A região tem indústrias bem distintas, mas que são o espelho do trabalho que está a ser levado a cabo pela autarquia. Com uma tradição muito forte no setor da extração e transformação do granito, a zona industrial de Pinhel tem também a operar no setor do calçado e da aeronáutica. Rui Ventura começa por destacar a centralidade geográfica do concelho, uma vantagem que tem levado muitos empresários a interessarem-se pela região, “com a proximidade à fronteira, temos uma realidade completamente diferente, de outros pontos do país que, muitas vezes, não aproveitamos. Por exemplo, só a Junta de Castilla e Leon tem mais habitantes do que a região centro do país. Daqui a Valladolid e Salamanca demoramos duas horas. Mais, estamos a duas horas e meia de Lisboa e de Madrid. Aliás, pagamos mais de portagem para ir a Lisboa do que a Madrid. Do ponto de vista geográfico, estamos no centro, situados a 30 quilómetros da maior fronteira de Portugal, Vilar Formoso, perto da A23 e da A25, dois eixos que nos levam para norte e sul do país”, destaca o presidente da autarquia de Pinhel. Durante 18 anos, um dos maiores empregadores do concelho pertencia ao calçado, com o encerramento em 2006, centenas de pessoas ficaram sem trabalho, neste sentido, o município procurou atrair investimentos neste setor, reaproveitando o conhecimento existente. Atualmente, os resultados já são visíveis, “uma preocupação foi atrair algumas empresas na área do calçado, a mão de obra cá excedia, o equipamento já tínhamos porque alugámos o espaço que era da antiga Rhode. Pus-me a caminho para tentar arranjar alguns postos de trabalho e conseguimos, neste momento, temos duas fábricas a laborar, em Pinhel, que têm um contrato com a autarquia que implica dez anos de manutenção. Fazem o recrutamento de pessoal aos poucos, uma delas emprega, neste momento, 30 pessoas a outra cerca de 40, ambas têm capacidade para chegarem aos 60 postos de trabalho”, destaca Rui Ventura. Para não estar dependente apenas de algumas áreas, o município entende que a diversificação é um dos fatores que pode favorecer a economia da região, o interlocutor explica que “agora é tempo de fazermos algo fora do calçado, começámos por apostar no cluster da aeronáutica, existe já uma empresa instalada no concelho. Recentemente, assinámos contrato com duas novas empresas, que vão começar a construir, em setembro, os seus pavilhões, certamente, vamos ter mais algumas novidades, porque estamos a falar de empresas com capacidade financeira que recrutam outro tipo de quadros com formação superior e qualificada”. A autarquia estabeleceu uma série de regras e condições que representam fatores de atratividade, ao mesmo tempo que garantem a criação de postos de trabalho. Questionado sobre as condições que o município tem para oferecer, Rui Ventura responde convictamente, “damos tudo, com condições obviamente, a principal contrapartida passa pela criação de postos de trabalho”, destaca, especificando que, “não aplicamos derrama a empresas com sede em Pinhel, reduzimos até 75 por cento o pagamento de taxas. Às empresas que façam

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um investimento superior a 250 mil euros e que, no espaço de dez anos, criem mais de 50 postos de trabalho oferecemos o terreno na zona industrial. Um fator importante é ser diferenciador, ou seja, investimentos diferentes aos que já existem. Felizmente, Pinhel tem empresários muito estáveis, exemplo disso, é que não me recordo de ver nenhuma empresa a falir neste últimos anos de crise, aliás a zona industrial está no limite, estamos numa fase de ampliação, mas se o empresário quiser vir amanhã, nós temos a solução”, enaltece o autarca. Esta reposta passa por dinamizar “um novo pólo na aldeia de Pínzio, perto de Pinhel, onde passa a A25. A câmara adquiriu um conjunto de terrenos, juntamente com a junta de freguesia, onde vamos criar uma zona industrial à medida das necessidades dos empresários, conforme formos sendo contactados criamos as infraestruturas, não vamos investir milhões e construir uma grande zona industrial para depois ficar vazia”, explica o autarca pinhelense. Na economia da região há também a destacar a produção de vinho, a Adega Cooperativa de Pinhel é a segunda maior do país, tendo ainda “sete produtores particulares, a produzirem vinhos de boa qualidade, aliás os vinhos da Beira Interior estão a dar cartas”, enaltece o presidente. Cultura e educação Mas a qualidade de vida da região não se mede só pela dinamização económica, a autarquia entende que a parte social, educacional e cultural deve ser dinamizada, como exemplo importa destacar as atividades proporcionadas aos alunos desde o pré-escolar ao 4º ano, “música, educação física, artes plásticas, inglês, ballet, informática e os pais não pagam, se colocar um filho na escola de Pinhel que precise de prolongamento de horário e refeição não paga mais de 35 euros por mês”, revela Rui Ventura. Culturalmente, existem todos os fins de semana atividades que procuram envolver toda a comunidade, o município investe, por exemplo, todos os anos um montante que se destina a levar o cinema gratuito todos os fins de semana aos pinhelenses. O autarca refere que “foi um processo moroso mas o desafio foi superado e, em termos de eventos, Pinhel deu grandes passos, não há fim de semana nenhum que não tenha uma atividade cultural e desportiva, criámos aqui várias atividades interagindo com as freguesias, foi necessário transmitir às coletividades o sentimento de partilha”. Pinhel medieval De 3 a 5 de junho, a cidade vai acolher a segunda edição da Feira Medieval, da Cidade Falcão. Rui Ventura revela que a expectativa é grande, já que no ano passado foram cerca de


Rui Ventura Presidente

5 mil as pessoas que deslocaram à cidade para assistirem ao evento. Conhecida pela sua história, “Pinhel é a cidade do país que mais solares possui por metro quadrado. A cidade tem uma zona histórica digna de visita, com castelos, a nossa muralha ainda está intacta, é possível fazer o percurso da muralha através das seis portas”, revela o entrevistado. A destacar existe também o Museu Municipal que se situa no antigo Paço Episcopal. No primeiro piso está patente uma exposição do Mestre Soares que doou todo o seu património, avaliado em mais de 600 mil euros à autarquia. Rui Ventura enaltece também “Cidadelhe, que segundo o escritor Saramago é o ‘calcanhar do mundo’, a porta sul do Vale do Côa, estamos a tentar que seja classificada como aldeia história. Está recuperada e tem todas as infraestruturas, possui alojamentona vertente de turismo rural, está projetado um restaurante panorâmico e existe um Centro de Interpretação do Vale do Côa. Cidadelhe é o ideal para as pessoas se iniciarem a visitar conhecer o Vale do Côa”, frisa o presidente. Pela sua história e todo o património, Pinhel é um destino turístico de excelência, neste momento, o principal entrave existente neste setor está relacionado com a falta de alojamento, questão que a “médio prazo terá uma solução”, revela o autarca. Sobre o futuro, Rui Ventura começa por destacar que “o caminho faz-se caminhando. Eu comecei muito jovem na política e o meu percurso é reflexo desta máxima. Pretendo que Pinhel tenha cada vez mais projeção, sabendo que é preciso dar muito de nós, que continue a conseguir atrair investimento, para proporcinar qualidade de vida às pessoas. Se for este o caminho que as pessoas de Pinhel querem, certamente, que nos vamo continuar a cruzar, nunca baixei os braços, no que diz respeito ao meu concelho, estou sempre atento e é este o contributo que quero dar à minha terra”, conclui o autarca de Pinhel.


EXCELÊNCIA EMPRESARIAL Não é tarefa fácil ser-se empresário em Portugal. Especialmente, um empresário de sucesso que consiga desenvolver um projeto capaz de aliar uma visão empreendedora, arrojada e inovadora sobre a constante incógnita que é o mercado. É precisamente ao longo de contextos e conjunturas mais complicadas que as empresas se veem forçadas a superar novos desafios e a testar, uma vez mais, a sua firmeza. Mas mesmo em contextos menos desfavoráveis, há aspetos e condicionantes que não cessam de acompanhar o dia-a-dia do empresário. Imprevisibilidades, a força concorrencial, as evoluções do mercado, o comportamento do consumidor, entre muitas outras. É por essa mesma razão que um empresário e uma empresa de sucesso não surgem no decorrer de um instante, correspondendo, por outro lado, ao trabalho de uma mulher, homem ou equipa munidos de uma visão singular, uma ambição ousada, um projeto que se conseguiu diferenciar e que, acima de tudo, soube fazer da excelência um lema. São exemplos de empresas como essas que apresentamos nas próximas páginas. Nelas, relatamos histórias e percursos de proatividade, esforço, singularidade e, numa palavra, excelência. Não por acaso, muitas delas serão pequenas e médias empresas que desde há algum tempo têm vindo a ser agraciadas com o estatuto de PME Excelência. Este, tal como o nome sugere, corresponde a um mérito atribuído anualmente pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), com o objetivo de atribuir visibilidade às entidades empresariais que melhores resultados apresentem, não só do ponto de vista do desempenho económico e financeiro, mas também no que à gestão concerne. Contando com uma validade anual, o estatuto PME Excelência atesta, também, fatores como a geração de riqueza e emprego, sendo atribuído a empresas que, no universo das PME Líder, tenham assistido a uma evolução positiva do seu próprio desempenho em comparação ao ano anterior. Estas correspondem, por isso, a entidades empresariais que se afirmam como um verdadeiro exemplo para os setores em que operam, atestando ainda o modo como o empreendedorismo, o esforço e a seriedade compensam e originam a excelência. Cá dentro, mas também além-fronteiras. 46 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


International House Braga | excelência empresarial - ensino

Uma

referência no ensino de línguas em Braga

Janet Sinclair Diretora

Ao longo de 30 anos de existência da International House Braga muitas foram as mudanças, mas os seus princípios e filosofia mantêm-se inalterados – excelência no ensino de línguas com uma metodologia comunicativa e centrada no aluno. Em entrevista à Revista Business Portugal, a diretora Janet Sinclair fala-nos sobre a dinâmica e o futuro da escola de línguas.

A International House Braga é uma escola de referência na cidade de Braga desde 1985, e membro da International House World Organisation (IHWO), uma rede de mais de 160 escolas em mais de 52 países, reconhecida mundialmente pela alta qualidade no ensino de línguas e pioneira na formação de professores. O conceito pedagógico é baseado numa metodologia comunicativa e numa dinâmica de aulas para incentivar os alunos a participar e desenvolver as suas competências comunicativas de cada aluno. “Destacamonos pela alta qualidade no ensino de línguas, centrado nas necessidades linguísticas dos nossos alunos. Procuramos ajudar os nossos alunos a enfrentar desafios e alcançar os objetivos pessoais, académicos e profissionais”, revela Janet Sinclair, sublinhando que, para além do inglês, a escola leciona também alemão e francês. Simultaneamente, prepara os alunos para os exames de Cambridge English. A International House Braga é, desde 2011, um Centro Autorizado de Exames de Cambridge. Esta acreditação permite organizar a realização destes exames, quer para os alunos externos, quer para escolas de línguas e colégios do distrito. A International House oferece à população em geral e às empresas soluções de formação eficientes e adaptadas aos seus objetivos específicos, no sentido de melhorar as suas competências linguísticas. Para isso, os alunos são divididos em grupos consoante o nível e faixa etária e Janet Sinclair considera que esta divisão é “fundamental para o sucesso

das aulas com enfoque na comunicação e interacção, “ambiente acolhedor e familiar que fazemos questão de proporcionar, ao bom relacionamento criado entre alunos e professores, à constituição de turmas pequenas e homogéneas, permitindo um ensino e apoio individualizados e personalizados e à progressão clara ao longo dos níveis e de acordo com o Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas”, advoga a diretora. Janet Sinclair entende que em 30 anos, a escola tem se mantido fiel aos princípios e filosofia, “só integrámos as melhores novidades pedagógicas que surgiram e foram introduzidas novas tecnologias nas salas, como computadores e ecrãs interativos. Na International House Braga temos todos os recursos necessários, mas o que mais valorizamos é o fator humano, a relação professor/aluno”, adianta a nossa entrevistada. Com os olhos postos no futuro, Janet Sinclair pretende dar continuidade ao bom trabalho desenvolvido em Braga e fazer com que a International House se assuma cada vez mais como uma referência no ensino de línguas.

na aprendizagem de qualquer língua”. Para além de aulas em grupo, a escola de línguas disponibiliza aulas individuais, que são procuradas maioritariamente por empresários. “Temos cursos direcionados às empresas, em que os planos curriculares são elaborados consoante as necessidades linguísticas apresentadas e o ramo de atividade. A formação pode ser dada na escola de línguas ou na própria empresa”, esclarece a diretora da International House Braga. Os meses de julho e de setembro também podem servir de base para uma progressão mais rápida na aprendizagem de uma língua, para a consolidação de conhecimentos e desenvolvimento de competências comunicativas. A IH Braga dispõe de cursos intensivos para crianças, jovens, adultos e profissionais, orientados para as necessidades específicas. A International House Braga assume-se como uma referência na região e a verdade é que a sua taxa de sucesso supera os 90 por cento nos exames de Cambridge English. Janet Sinclair considera que as razões para o sucesso do posicionamento estratégico da escola de línguas passa pelo ensino focado no aluno, metodologias usadas, e pelos professores altamente qualificados, bem como pela dinâmica

solidariedade, tendo angariado cerca de 3 mil euros para a CERCI Braga para ajudar na construção do Centro de Atividades Ocupacionais”, salientou Janet Sinclair, lembrando que no dia 14 de maio realiza-se um convívio entre antigos alunos e professores e os vários colaboradores de todas as escolas International House do país, e no dia 22 de maio, a escola de línguas vai promover uma Caminhada Solidária, com o intuito de angariar fundos a reverter para a TEM – Associação Todos com a Esclerose Múltipla.

30 anos a ensinar A International House Braga assinala o seu aniversário com diversas iniciativas ao longo do ano letivo. A primeira, um “Sponsored Spell” (Jogo de Palavras Solidário) teve lugar no 1º período e foi um enorme sucesso. “Com a ajuda dos nossos alunos, conseguimos aliar a aprendizagem à

No início de março, teve lugar o Concurso de Bolsas de Estudo promovido pelas escolas International House de Braga, Porto, Viseu, Lisboa, Coimbra e Coimbra Sta Clara. Participaram no concurso alunos dos 7ºs, 8ºs, e 9ºs anos de 30 escolas públicas dessas cidades, que tiveram de escrever uma composição em Inglês sobre um tema surpresa. Os dois grandes vencedores vão ter a oportunidade de poder frequentar um Curso de Inglês de 2 semanas num Centro International House, em Inglaterra ou na Irlanda, com tudo pago. Um dos vencedores é de Braga.


excelência empresarial - ensino | ined nevogilde

Uma estrutura sólida, consolidada ao longo dos anos

Situado na Avenida da Boavista e na Rua do Marechal Saldanha, em plena cidade do Porto, o INED Nevogilde é um colégio com largos anos de história, pautado por um grupo docente de eleição, em que as palavras de ordem são personalização e exigência.

Polo II, 3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário

Tendo iniciado atividade em 1998, com o 2.º ciclo do ensino básico, e numa perspetiva de continuidade, rapidamente alargou a sua oferta formativa ao 3.º ciclo, no ano 2000, e ao ensino secundário, em 2003. Em 2015, abraçou um novo desafio com a abertura do 1.º ciclo, que entrou em funcionamento com os quatro anos de escolaridade. Maria Helena Amaral, diretora do colégio, em entrevista à Revista Business Portugal, apresenta-nos o INED Nevogilde e faz um balanço do trabalho desenvolvido. “Iniciamos este projeto em 1998 com 20 alunos e cerca de 15 docentes e muitas das pessoas que começaram, continuam a trabalhar aqui. Há uma certa consistência, o que é uma mais valia para nós. Mas o que nos define é o serviço personalizado, muito dedicado à pessoa”, começa por nos explicar Maria Helena Amaral. Na sua perspetiva, serviço esse incompatível com um grande número de alunos. “Se o número de alunos crescer abruptamente numa escola ou colégio, perde-se a personalização, porque a equipa não tem tempo de se adaptar. Se se começar com um colégio pequeno e a equipa for crescendo de forma sustentável, pode atingir-se um grau de personalização muito grande. Por outro lado, quando se ultrapassa um milhar de alunos, a capacidade humana de identificar a cara, a pessoa e de se interligar, perdese. Hoje em dia, efetivamente, a mais valia do ensino é ser capaz de ter essa personalização.” No entanto, explica que é essencial estabelecer regras aplicáveis a todos, mesmo as mais básicas, para promover um desenvolvimento global nas várias dimensões humanas. “Mais importante do que aquilo que se faz em termos absolutos é que todos atuem de uma forma consistente, algo que considero fundamental e que muito prezo. É assim que se transmitem valores. As crianças evidenciam, hoje, algumas lacunas que não eram frequentes há alguns anos, consequência de uma alteração

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do paradigma familiar. Perdeu-se muito da entreajuda entre gerações, do tempo disponível para acompanhar o quotidiano dos filhos e, por isso, a escola assume, mais do que nunca, um papel muito relevante na formação integral dos alunos”. Por sua vez, Rita Duarte, docente do colégio, destaca a boa relação existente entre docentes e alunos, crucial para a sua integração e consequente sucesso escolar. “O caráter personalizado do relacionamento professor-aluno está bem patente no facto de cada vez mais os alunos encararem os professores como um foco de apoio generalizado, muito para além da função docente, o que se revela ser uma mais valia do colégio. Os alunos encontram nos diretores de turma, em particular, e nos professores, em geral, o apoio necessário à resolução de problemas diversos. Esta proximidade é perfeitamente compatível com o necessário respeito dos alunos para com os professores e com o encarar do docente como uma figura de autoridade. O trabalho de todos, onde se inclui a direção, o serviço de psicologia e orientação e os funcionários, permite promover o desenvolvimento integral da pessoa. Aqui, eles sentem-se bem, não só com os colegas, mas também connosco”. Para além do horário letivo, o INED Nevogilde tem tido a capacidade de oferecer várias opções em termos de atividades extracurriculares, face aos interesses manifestados pelos alunos. “Proporcionamos opções diversificadas, dentro de várias áreas, e selecionamos as que têm maior aceitação. Fazemos questão de manter as vertentes artística, desportiva e científica. Desenvolvemos ações de responsabilidade social, articuladas com a paróquia de Nevogilde e outras entidades, nas quais os alunos manifestam interesse e entusiasmo em participar”, frisa Maria Helena Amaral.


ined nevogilde | excelência empresarial - ensino Sala dos Professores (Polo II)

Polo I, 1.º e 2.º ciclos do ensino básico

A nível académico, o quotidiano dos alunos é pautado pela exigência, um fator determinante nos bons resultados obtidos, ano após ano. Também assume particular importância o apoio prestado aos alunos pelo serviço de psicologia e orientação, que desenvolve a sua intervenção desde o 1.º ciclo até ao final do ensino secundário, numa perspetiva de trabalho colaborativo com as várias estruturas do colégio. “Diferencia-se pelo desenvolvimento de uma exploração vocacional, permitindo a cada aluno construir o seu projeto de vida futuro, tendo em conta toda a informação inerente ao acesso ao ensino superior, a nível de novas ofertas, das bolsas que estão disponíveis, em Portugal ou no estrangeiro”, refere Ana Cunha, do serviço de psicologia e orientação. Como salienta Maria Helena Amaral, no INED Nevogilde há duas vertentes inseparáveis.“Juntamos o melhor de dois mundos: somos exigentes com os nossos alunos e mantemos, com eles, um bom relacionamento, o que se traduz numa sólida formação integral dos mesmos. A este nível, a nossa conduta manteve-se inalterada e disso não abdicamos”, conclui.

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excelência empresarial | certoma

Há 30 anos na liderança

A empresa dedica-se ao comércio de equipamentos destinados à limpeza e conservação de superfícies urbanas e industriais, limpeza de praias, manutenção de espaços verdes e águas e saneamento. Com recurso a máquinas e tecnologias de última geração, a Certoma contribui para a melhoria da qualidade de vida, tendo em conta o papel que desempenha nas áreas da higiene e limpeza. Em entrevista, José Alfredo Pereira, responsável pela empresa, explica como tem sido a evolução do negócio num mercado cada vez mais global.

instalações pequenas, achei que devíamos criar um serviço de assistência técnica ao domicílio de excelência, minimizando os constrangimentos para o cliente”, revela o interlocutor. Questionado sobre qual as áreas de negócio que têm mais peso e significado para a empresa, o responsável da Certoma explica que “vendemos muita mais unidades em máquinas industriais do que em máquinas urbanas, a questão é que as máquinas industriais dão muito menos serviço no pós-venda e menos ganho em termos de continuidade”.

Ana Varela Pereira, José Alfredo Pereira e João Varela Pereira Diretora financeira, gerente e diretor comercial

Inicialmente, a Certoma dedicou a sua atividade a um setor que era líder em Portugal, a agricultura. A empresa deu os primeiros passos, em 1986, com a designação de Comércio Técnico de Máquinas. Nesta época, tinha como principal área de negócio o comércio e assistência técnica de equipamentos agrícolas. Dois anos depois, perspetivando uma crise no setor agrícola, José Alfredo Pereira explica que era chegada a altura de se dedicar a outra área de negócio, tendo em conta a crescente preocupação com a sustentabilidade do meio ambiente e a qualidade de vida dos cidadãos. Após algumas experiências que passaram pela área informática, o interlocutor explica que, “pensei na limpeza, porque qualquer um precisa nem que seja de uma vassoura ou de um pano para limpar o pó. Depois, refleti sobre o que poderia ser rentável dentro desta área. Com a tecnologia e a alteração dos métodos e dos hábitos, os pisos passaram a ser diferentes, passaram a haver outras exigências nas empresas, em termos de higiene, e decidi dedicar-me a este setor”, remata. Foi no ramo do comércio de equipamentos de limpeza industrial que a empresa lançou o modelo atual de negócio. Mais tarde, passa também a dedicar-se à comercialização de equipamentos de limpeza urbana, o que possibilitou o salto qualitativo e desenvolvimento da Certoma. O entrevistado explica que atualmente, “a nossa área de negócio é a comercialização de equipamentos de limpeza industrial e urbana, mais forte a área urbana do que a industrial, onde temos uma quota de mercado na ordem dos 70 por cento. O nosso negócio tem uma vertente principal que é a venda de equipamentos, em que temos associado o serviço pós-venda. Numa outra vertente, devido à sofisticação dos equipamentos que comercializamos, há clientes que preferem contratar um serviço, do que fazer uma aquisição”, explica José Alfredo Pereira. A Certoma foi marcando a diferença em relação à concorrência, porque optou pela excelência dos equipamentos comercializados, independentemente dos custos, Assim, a estratégia delineada passou pela angariação “das melhores marcas a nível mundial, que não estavam presentes em Portugal, porque as empresas que comercializam este tipo de equipamentos entendiam que o produto tinha de ser barato. Assim, resolvi atuar de forma diferente. Fui buscar as melhores marcas, entendi que não ia vender muito, mas que iria conseguir vender provavelmente aos clientes com poder de compra que já possuíam outros equipamentos semelhantes, valorizando o meu produto, e foi nessa base que nos conseguimos impor. Como tínhamos umas

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A marca da inovação A Certoma tem apostado na inovação associada à tecnologia procurando dar aos clientes soluções diferenciadoras à medida de cada um, “mandamos construir máquinas específicas consoante a necessidade de determinado cliente, um serviço personalizado”, destaca o gerente da empresa. Detentora da representação exclusiva em Portugal das maiores marcas de referência internacional, a Certoma conseguiu alcançar um grande leque de clientes institucionais e particulares, como autarquias, empresas municipais, empresas de água e saneamento e indústria. Recentemente, no sentido de aumentar a capacidade de armazenamento dinâmico do armazém de peças, bem como otimizar a gestão do stock, a Certoma resolveu instalar um novo equipamento, o armazém automático vertical, deixando essa gestão de estar dependente apenas do responsável de armazém, “na secção de peças temos uma pessoa responsável, quando essa pessoa faltava havia alguma dificuldade em fazer a gestão deste material. Assim, basta a qualquer operador autorizado pesquisar a referência desejada no programa informático PHC, e a peça é transportada


automaticamente até à boca de acesso do armazém, o que nos possibilita ter informação sobre a rotatividade dos produtos. Este armazém permitiu-nos ainda obter ganhos de 85 por cento de superfície de solo, comparativamente ao nosso antigo sistema convencional de armazenamento”, afirma José Alfredo Pereira. A consolidação do modelo de negócio, tendo como base a inovação e a tecnologia, valeram à empresa o estatuto PME Líder, desde 2007 até aos dias de hoje, galardão que reconhece a qualidade e a excelência empresarial da Certoma.

A internacionalização e o futuro Atualmente, Portugal representa o maior mercado da Certoma, todavia o interlocutor realça a importância de outros países, “este ano a primeira fatura de Abril foi relativa a uma encomenda para França”. Reconhecendo que este processo de internacionalização se deve sobretudo à necessidade de alguns fornecedores em estarem presentes em vários pontos do globo, José Alfredo Pereira explica também que a Certoma tem soluções que não se encontram facilmente em outros países, “no que diz respeito ao tratamento de esgotos, Portugal começou mais tarde, mas foi corrigindo aquilo que a Europa foi fazendo de errado ao longo dos últimos anos. Com o conhecimento que temos do nosso mercado, fomos construindo equipamentos, alguns deles, por exemplo, já fazem reciclagem da água de esgoto, retiram os detritos e depois voltam a reutilizar a mesma água”. A aposta na internacionalização valeu à empresa a abertura de uma filial na cidade de Madrid, em Espanha e, no ano passado, a expansão para o Brasil. A aposta em novos mercados faz parte da estratégia que a empresa quer adotar para o futuro, tendo como objetivo principal a consolidação dos negócios da empresa. Para tal tem sido também fundamental o investimento feito, através dos “vários aumentos de capital, em detrimento da possível divisão de lucros”, ressalva o responsável, concluindo que para continuar na senda do sucesso a Certoma tem de “correr pela qualidade e não pela quantidade”.


excelência empresarial | firmo

65 anos no papel da vanguarda

Dedicada à produção e comércio de material escolar e de papelaria, a Firmo é uma empresa familiar que, num percurso de 65 anos, se afirmou enquanto nome de referência em Portugal e no estrangeiro.

Rui Carvalho Administrador

A história destes heroicos 65 anos começou em 1951, na cidade do Porto, quando três irmãos decidiram fundar uma empresa dedicada ao fornecimento de artigos de papelaria. Desde a sua génese, a então apelidada Firmino dos Santos Carvalho, Lda. optou por se assumir em duas frentes de negócio que perduram no ADN da atual Firmo: a componente industrial e a vertente de distribuição grossista. Mas se os anos 60 se traduziram

um elemento apetecível para potenciais acionistas. Não admira, por isso, que no arranque dos anos 90 a empresa familiar tenha sido adquirida na sua totalidade por uma instituição financeira – o Banco Finantia. Após este investimento, a empresa mudou o seu nome para Firmo e, “passados quatro ou cinco anos a vendeu a um grupo de origem francesa, chamado Antalis”, recorda o atual administrador, Rui Carvalho. “O que despertou o apetite deste grupo foi

Carvalho e da empresa que fundou e viu crescer voltaria a cruzar-se na década seguinte. Isto porque, depois da venda da sua firma à Antalis, Manuel dos Santos Carvalho e os filhos adquiriram uma unidade industrial de fabrico de envelopes, a AVS, à qual deram “um importante desenvolvimento”. De facto, em 2010 “houve uma convergência de interesses entre a nossa família e os acionistas da Antalis Portugal”, lembra

Um papel de adaptação Falar da Firmo é aludir-se a uma marca que dispensa qualquer tipo de apresentação, contando atualmente “com mais de dez mil referências em stock”, onde se destacam artigos icónicos como os cadernos de capa preta ou azul, o caderno de estudos e a sebenta. Mencionar a marca implica, todavia, que se refira um invulgar estatuto de liderança, visão, arrojo e adaptação no universo da produção e venda de artigos de

essencialmente num período de consolidação nacional, foi a partir da década seguinte que dois grandes episódios se fizeram sentir na Firmino dos Santos Carvalho, Lda. Por um lado, a direção geral ficou a cargo da segunda geração familiar (através de Manuel dos Santos Carvalho), por outro, a firma aventurou-se no universo da exportação, nomeadamente para o Reino Unido e a Irlanda. O sucesso obtido ao longo das décadas seguintes fez com que a Firmino dos Santos Carvalho, Lda. se tornasse, entretanto,

uma unidade de negócio que a Firmo tinha na altura, voltada para a distribuição de papel por grosso”, prossegue o nosso interlocutor. “Hoje detemos uma unidade industrial e uma de distribuição de artigos de papelaria, mas à altura tínhamos também uma terceira unidade de negócio, que era a distribuição de papéis para a indústria gráfica”, explica Rui Carvalho, antes de revelar que foi esta dimensão a despertar o entusiasmo da multinacional francesa que, na década de 2000, alterou o nome da Firmo para Antalis Portugal. Mas o destino da família Santos

Rui Carvalho. O resultado do acordo então estabelecido foi “a separação das unidades de negócios industriais e de distribuição de artigos de papelaria numa nova sociedade” que, fazendo jus à já popular marca, se passou a chamar Firmo. “Tomámos conta deste negócio da Firmo e houve uma espécie de regresso às origens”, recorda o nosso interlocutor, que representa a terceira geração familiar. A Antalis Portugal manteve, entretanto, o seu rumo na distribuição de papel, “numa área que não compete com a nossa atividade”.

papelaria, escritório e escolares. Afinal, a Firmo trata-se de uma empresa que sempre procurou “olhar para as ameaças vendo nelas oportunidades”. É precisamente atendendo a esse aspeto que, perante um país afetado por uma complicada conjuntura económicofinanceira, a empresa “saísse da sua zona de conforto”, consolidando a sua “componente internacional” noutros mercados. Se em Espanha e Angola a Firmo conta com empresas-satélite aí sediadas, a verdade é que o leque de clientes internacionais da

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empresa | tema famosa marca estende-se também a países como Marrocos, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, entre outros. Dimensão social e sustentável Atente-se, no entanto, ao modo como uma empresa familiar com o sucesso da Firmo assume uma importante consciência e responsabilidade social, que a apoiar as crianças e jovens mais carenciados, não apenas em Portugal (por intermédio de associações como a Bagos d’Ouro), mas também em países como Timor-Leste, através de instituições locais. “Enquanto fornecedores de artigos de cariz escolar, tentamos ajudar algumas instituições dentro das nossas capacidades e limitações porque sabemos que pequenos gestos nossos podem fazer uma diferença muito grande”, reconhece o administrador. Mas sustentabilidade é uma palavra que desde sempre rimou com a atividade da empresa, composta atualmente por 175 colaboradores. Não admira, neste âmbito, que a Firmo tenha obtido as certificações PEFC e FSC, que atestam “que as nossas matérias-primas provêm apenas de florestas sustentáveis”, cimentando-se deste modo um importante compromisso para com as necessidades do meio-ambiente. Otimizar, a palavra de ordem Pese embora o estatuto de liderança que a Firmo conseguiu granjear no seu percurso de 65 anos, esta é uma empresa que fixa o seu olhar no porvir, não se escapando a novos desafios, como a modernização tecnológica. Atualmente em curso está “um processo de otimização de todo o nosso processo logístico”, que incluirá “toda uma zona de picking automático”, permitindo “o aumento da nossa capacidade de expedição e produtividade a nível logístico”, esclarece Rui Carvalho. Também digna de investimento será a capacidade industrial da Firmo, “não no sentido de aumentar a capacidade produtiva, mas numa lógica de melhoria contínua em termos de qualidade e produtividade”, prossegue o porta-voz. Até porque “o produto é um resultado dos processos e, se estes tiverem qualidade, as probabilidades de o produto final também a ter serão melhores”. O futuro Questionado sobre como gostaria de ver a Firmo num intervalo temporal de cinco anos, o administrador aponta a consolidação da internacionalização enquanto principal meta. “A nossa componente de internacionalização está na ordem dos 25 por cento e, em 2021, queremos ultrapassar os 50”, esclarece. E já se vislumbram esforços nesse sentido, ou não estivesse a Firmo atualmente em contacto com alguns mercados do Médio Oriente que, nos próximos anos, poderão vir a reforçar ainda mais o estatuto de uma marca que, num percurso de 65 anos, soube descrever a tinta permanente a importância do seu papel.

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excelência empresarial| autoformigal Luís e Cristina Alves Administradores

Renovação, empenho e qualidade

A operar em Torres Vedras há 18 anos, a AutoFormigal é a história de uma empresa que, somando dedicação, esforço, seriedade e qualidade ao seu modus operandi, tem visto o seu estatuto consolidar-se num setor em que a exigência é constantes. Mas, para além de tudo isso, esta é uma oficina que serve de testemunho para o arrojo empreendedor de Luís Alves. Afinal, foi depois de muita experiência acumulada no setor – enquanto trabalhador por conta de outrem – que o nosso interlocutor optou por fundar o seu próprio negócio, em 1998. “Começámos do zero mas, felizmente, sempre tivemos trabalho e pudemos ir fazendo as coisas passo a passo”, recorda Luís Alves. Sinal de que esta foi uma aposta ganha, em que arriscar foi preciso: “Eu tinha um trabalho, também por conta de outrem, mas ele precisava de alguém que o fizesse trabalho de escritório”, sublinha a esposa, Cristina Alves, que hoje assume também as rédeas do projeto. Um serviço multimarcas exemplar Felizmente, “as coisas começaram a evoluir e começámos a empregar” naquela que tem sido uma jornada “muito positiva”, esclarece. A comprovar isso mesmo está, por exemplo, o facto de hoje a equipa da AutoFormigal ser constituída por oito colaboradores, devidamente capacitados para o desempenho de qualquer serviço na área da mecânica de veículos ligeiros. A estes trabalhos acrescentam-se, por outro lado, reparações na componente eletrónica e de ar condicionado dos automóveis. Acima de tudo, há uma postura de honestidade que compensa: “somos uma empresa sólida e os clientes reconhecem os nossos serviços”, afirma Luís Alves.

Capacitada para prestar serviços e reparações a todas as marcas do ramo automóvel, a AutoFormigal teve o mérito de sobreviver até aos períodos mais complicados da conjuntura económico-financeira. “No início, quando se começou a falar em crise, sentimos um recuo muito ligeiro, especialmente nos nossos clientes da área da construção civil”, sublinha o responsável. Felizmente, tratou-se “de um receio passageiro” ao qual a mudança de instalações e a seriedade do serviço conseguiram dar a volta. “Desde que nos mudámos para estas instalações, as condições são outras”, ressalva Cristina Alves, antes de acrescentar que o volume de clientes “triplicou”. A aposta no valor jovem Um dos aspetos que – paralelamente à honestidade, o empenho ou a qualidade – mais contribui para a diferenciação da AutoFormigal é o modo como esta tem vindo a acreditar no valor dos colaboradores mais jovens. “Hoje em dia não é muito fácil encontrar pessoas especializadas”, lamenta Cristina Alves, especialmente na componente eletrónica. “ É por isso que queremos apostar nos jovens: eles têm força de vontade e estão mais abertos às novas tecnologias”, completa Luís Alves. A importância da certificação Paralelamente à necessidade de adaptar-se aos novos tempos e ao valor que as novas gerações de colaboradores

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poderão proporcionar, a AutoFormigal tem vindo a reforçar também o seu estatuto de empresa séria, responsável e exigente através da obtenção de certificações. Assim sendo, ao estatuto de oficina devidamente creditada para a realização de revisões a automóveis dentro do período de garantia, este é um espaço em que a responsabilidade ambiental se afirma como outras das preocupações, havendo um cuidado extremo na separação e acondicionamento dos diversos resíduos que são posteriormente recolhidos por entidades creditadas. Não admira, neste âmbito, que as perspetivas de futuro da AutoFormigal pareçam rimar com as palavras ‘sustentabilidade’ e ‘esforço’. Até porque gerir uma empresa moderna, atualizada e genuinamente preocupada com o serviço prestado ao cliente “é fazemos das tripas coração”, confessa Cristina Alves. Por isso mesmo, o futuro será a continuação destes mesmos passos.


excelência empresarial|grupo ispt

Manutenção

industrial de qualidade

António Ferreira Administrador

Foi em 2014 que nasceu a ISPT Industrial Services SA, empresa do Grupo ISQ, direcionada para a Manutenção Industrial. Com uma forte visão de crescimento contínuo, pretende ser uma referência não só no mercado nacional como também no internacional e conta com António Ferreira, administrador executivo da empresa.

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Com a missão de disponibilizar soluções integradas de Manutenção acrescentando valor para o negócio dos seus clientes, a ISPT Industrial Services SA é fruto de uma fusão entre duas empresas: Integridade - no domínio dos equipamentos estáticos e NTM - na área dos equipamentos dinâmicos. Com a fusão, diz António Ferreira, “não só integrámos os negócios existentes como estamos a ampliá-los”. O objetivo fulcral desta junção foi “agregar uma série de esforços que podiam ser ativados com esta decisão. As empresas, embora trabalhassem ambas na manutenção industrial, tinham tipos de clientes e mercados distintos”. Desta forma, foram criadas sinergias de recursos e, ao mesmo tempo, de mercados, fazendo frente aos concorrentes que na sua opinião “têm descorado algumas competências necessárias para bem servir os clientes”. A ISPT tem, agora, uma equipa experiente e competente no domínio geral da manutenção industrial, tanto em equipamentos estáticos como dinâmicos. Para além destas

atividades, desenvolve, ainda, serviços de manutenção em edifícios comerciais, laboratórios, hotéis, bancos e hospitais; e já com uma larga experiência em atividade de consultoria, gestão, organização e execução de manutenção, pretende tornar-se, também, uma referência nestas áreas. Estratégia e crescimento Existe uma perspetiva de crescimento sustentado, contínuo e efetivo das competências técnicas e de execução, aumentando, assim, o domínio de valências, ao mesmo tempo que pretendem aumentar a sua dimensão e estrutura. Para o administrador “só uma empresa financeiramente superior e com um vasto número de valências é uma empresa completa e preparada para negócios maiores”. A diferenciação recai na atenção dada ao cliente, na qualidade, na disponibilidade e na abrangência do serviço prestado. Atuando em nichos de mercado, são reconhecidos como “uma empresa competente que procura melhorar e se foca nas necessidades do cliente”. A estratégia e o posicionamento competitivo adotado pela ISPT baseiam-se em três pontos chave: a excelência operativa que se traduz num aumento de produtividade dos processos operativos; a parceria com os clientes que requer maior proximidade, lealdade e confiança; e a liderança de produtos e serviços com inovação, qualidade e avanço tecnológico. A estratégia seguida tem como objetivo


grupo ispt| excelência empresarial redefinir o valor dos serviços para os clientes nos respetivos mercados. Para tal, é necessário não só modificar o que os clientes valorizam como também a forma como são entregues os serviços, o que implica estar num patamar de elevada diferenciação relativamente à concorrência, aumentando assim o valor percecionado pelo cliente. A verdade é que, nos dias de hoje, os clientes se tornaram mais exigentes e possuem um conceito de valor mais amplo, tendo em atenção um maior número de vertentes nos serviços que adquirem. Desta forma, a necessidade de perceber o que cada cliente valoriza ganha cada vez mais terreno e os motivos que o levam à compra devem ser descritos e “sempre que possível, aprovados pelo próprio”. Internacionalização Com uma consolidação no mercado português cada vez mais significativa pela existência de uma considerável margem de crescimento para os serviços de manutenção especializados, a ISPT pretende, agora, abrir novos caminhos no exterior do país. De forma a alcançar o objetivo da internacionalização, a empresa vai recorrer

à plataforma que clientes com presença internacional facultam. Os mercados alvo passam por Espanha, Norte de África e Médio Oriente, em colaboração com o ISQ. IS Maroc Depois de alguns anos de interesse e acompanhamento pelo mercado marroquino, a ISPT decidiu analisar a viabilidade desse mercado. Com uma primeira visita de cariz comercial e mais tarde com uma visita técnica, os resultados da prospeção efetuada foram uma agradável surpresa. Elaborado o plano de negócios para este novo desafio, a empresa decidiu lançar-se neste mercado no início do ano passado e criou a IS Maroc. Confiante de que esta primeira aposta no mercado internacional “será um sucesso”, António Ferreira espera que este projeto impulsione a empresa para uma “dimensão verdadeiramente internacional”, condição que considera ser indispensável para a política que se tem vindo a implementar. Assim, 2016 será um ano fulcral na consolidação da atividade da IS Maroc, ao mesmo tempo que se dará continuidade à análise de outros mercados.

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excelência empresarial| petrologis

“O bom cliente constrói a boa empresa”

Nélson Gaspar Administrador

Desde 1995 a prestar serviços às empresas petrolíferas, a Petrologis reconhece as mais-valias da evolução e do conhecimento, e procura a partir de agora que as lições do passado a preparem para os desafios do futuro. Pela voz de Nelson Gaspar, ao mesmo tempo que desvendamos o que está para trás, fomos perceber as ambições que se concretizarão daqui para a frente.

A experiência adquirida ao longo de mais de duas décadas ao serviço da multinacional petrolífera SHELL, em conjugação com a extinção do setor de transportes, foram o ponto de partida para que o atual sócio gerente fundasse a Petrologis. “Inicialmente a empresa dedicava-se à formação e inspeção de motoristas de mercadorias perigosas, assim como à venda e manutenção de equipamentos ligados à área da distribuição de combustíveis”, expõe. À medida que a empresa se ia consolidando, a visão estratégica mais natural foi a de começar a oferecer novos serviços, fruto das exigências e necessidades deste tipo de indústria. Desta forma alargaram a oferta de novas valências a este tipo de indústria, começando pelas trasfegas, quer de gás em fase líquida, quer de gasóleo e gasolinas, abastecimento/descarga

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de navios. Seguidamente, iniciaram com as manutenções de parques de armazenagem de GPL, e numa fase posterior com os ensaios aos reservatórios de GPL. Diferentes abordagens que fê-los facilmente perceber como seria fácil crescer neste negócio desde que preservassem sempre a qualidade dos seus recursos, humanos e materiais. Paralelamente a esta conjugação, constataram que a capacidade de abranger diferentes áreas arrastava sempre consigo a necessidade de aquisição de novos equipamentos. A Petrologis teve, por isso, de adaptar a sua estrutura ao longo dos anos. “O nosso core business sempre foi a manutenção dos reservatórios, mas com o decréscimo deste tipo de serviços de manutenção, apostamos também na construção de novas instalações de gás. Durante todo o percurso fomos aproveitando as oportunidades que o mercado nos deu, e trabalhando de forma a rentabilizarmos a nossa empresa, sem que nunca deixássemos de oferecer as mais-valias aos nossos clientes porque, no fundo, o bom cliente constrói a boa empresa”, reforça o nosso entrevistado. Sentindo a abertura dos mercados a outros segmentos, a mão de obra qualificada nunca fora um fator negligenciado aqui dentro. Hoje, com 15 colaboradores, sabem que reúnem aqui um espírito onde a perseverança, a união, e a sustentabilidade andam sempre de mãos dadas. Sempre mais direcionada para as grandes companhias do que para o cliente particular, o nosso interlocutor assume: “tivemos de adaptar as nossas potencialidades às necessidades que o mercado estava a pedir. Em 2011 formamos uma outra empresa de distribuição de gás, a Petroleixões. Somos também distribuidores concessionários da Repsol, aqui no concelho de Matosinhos e Porto, sendo uma área complementar ao que fazemos. Nesse âmbito, sempre fomos parceiros dos nossos clientes, trabalhando em conjunto na investigação e desenvolvimento de protótipos e soluções para o mercado do GPL”, explica. Ultimamente têm-se dedicado à montagem de sistemas GPL-Auto, tanto para estações de serviço, como para enchimento de garrafas de empilhador. Brevemente a Petrologis revela que pondera vir a trabalhar com outras empresas e, nessa perspetiva gerará diversificados trabalhos na área de GPL-Auto e instalações de gás.


agility | excelência empresarial - logitrans

89 anos de história A Agility em Portugal tem cerca de 89 anos de história, tendo sido fundada em 1927. Rapidamente nos tornamos uma marca de prestígio no ramo dos transportes e logística, mantendo-nos até aos dias de hoje reconhecidos no mercado nacional, como uma empresa referência da atividade. Em 2006 incorporamos o grupo Agility, uma multinacional com uma network multifacetada, sendo uma das suas principais atividades a área de transitário e de logística. O grupo Agility tem sede e é cotado na bolsa do Kuwait. Estamos representados em 120 países, mais de 500 filiais e já passamos os 22.000 colaboradores. Faturamos USD 4.4 Biliões no último ano, e somos o maior operador logístico do médio oriente, posicionando-nos no TOP 15 a nível mundial. Em Portugal, afirmamo-nos como transitário generalista. Apresentamos soluções em todas as áreas de transporte e de logística. Oferecemos serviços de Transportes Terrestre, Marítimo e Aéreo, serviços de Armazenagem, Distribuição e Operações de Logística. Temos uma equipa especializada em Feiras, Eventos e Mudanças Internacionais. Somos uma empresa sólida, idónea e com credibilidade no mercado, transmitindo confiança aos nossos clientes, parceiros e fornecedores, e estabilidade aos nossos colaboradores. Temos uma classificação grau 1 no rating da D&B , sendo este um objetivo que queremos manter. Em 2015 facturamos 55 milhões de euros e ultrapassamos os 150 colaboradores diretos. Em Portugal assentamos a nossa estratégia em três pilares: os colaboradores, os clientes e os parceiros. A qualidade de serviço que apresentamos, apesar de integrados numa multinacional, mantem uma lógica de prestação de serviços focalizada nas necessidades concretas de cada cliente. Disponibilizamos ferramentas diferenciadoras, que permitem para além da visibilidade e interatividades múltiplas, nomeadamente o track and tracing, o controlo e gestão de stocks, estatísticas, trânsito digital de documentação, etc., como também a conetividade direta numa mesma plataforma entre clientes e os seus fornecedores. Temos várias operações de logística dedicada, especialização e know-how adicional em sectores mais exigentes como o automotive e químicos. Dispomos de um departamento sénior de Customer Service apoiado no programa global de ISCS (Integrated Supply Chain Solutions), onde, em conjunto com os nossos clientes e potenciais, analisamos, optimizamos e rentabilizamos as suas necessidades, fazendo um acompanhamento individualizado de todos os procedimentos para que se mantenham alinhados com as exigências de cada cadeia de abastecimento. Participamos ativamente na busca das melhores e mais económicas soluções para cada cliente. Para isso, procuramos manter connosco os melhores profissionais, motivados, com formação contínua, objetivos bem claros, definidos e divulgados, onde cada um sabe exatamente qual a sua missão, tentando ser sempre justos no reconhecimento de todos, e dos melhores. Somos muito rigorosos na seleção dos nossos fornecedores, de modo a garantir uma boa continuidade do nosso trabalho e dos compromissos que assumimos com os clientes que em nós confiam. Em contrapartida temos práticas de pagamento acima da média nesta atividade. A partilha de informação, a apresentação de casos de estudo, a otimização de recursos, a redução de custos e o knowhow que podemos absorver de um evento como a Logitrans é sempre positivo, na medida em que escasseiam eventos de qualidade relacionados com o tema no nosso país direcionados essencialmente para a visão do operador logístico. A globalização, a internacionalização das empresas e serviços, as novas tecnologias e técnicas de informação e informatização são a chave para abrir as portas a novos negócios. É a pensar no futuro que nos encontramos numa fase de melhoria, nomeadamente de infra-estruturas. Mudamos recentemente de instalações da sede da empresa no Porto para um novo edifício, semi-inteligente, proporcionando assim maior bem-estar dos nossos colaboradores. O nosso já histórico armazém em Perafita será ainda este ano totalmente

Eduardo Marinho Country Manager

remodelado e ampliado, para responder às novas solicitações de prestação de serviços, e simultaneamente melhorarmos as condições para os nossos atuais e leais clientes. Desde 2012 temos registado um crescimento de resultado líquido de dois dígitos e perspetivamos que até 2020 o nosso crescimento seja continuado, embora de forma menos acentuada. Daremos continuidade ao nosso objetivo de dar maior equilíbrio ao peso orçamental de cada produto, tornando a empresa mais homogénea. Este objetivo cujas iniciativas iniciamos em 2012, tem vindo a ser atingido por antecipação, sendo por isso muito animador. Em 2010 o grupo fez uma nova aposta em Portugal criando mais uma control tower de serviços especializados, o que tem ajudado à criação de postos de trabalho para o país. Temos em Portugal o departamento de ESSC (european shared service center) que tem genericamente como finalidade a gestão de grandes contas a nível mundial da Agility, e serviços de suporte interno ao grupo. Esta experiência tem tido o reconhecimento mundial. Este departamento é um orgulho não somente para a Agility PT, mas também para a qualidade profissional que internacionalmente é reconhecida ao nosso país, demonstrando que o culto do “pequenino” e “os outros são melhores”, é um fraco culto que em nós não acolhe aderentes. Sabemos que as adversidades de futuro continuarão, mas tal como até hoje, a equipa profissional que mantemos, é, de todos, o nosso maior segredo e que nos permite seguir num trajeto de confiança, e continuar a receber merecidamente o reconhecimento dos nossos investidores. Artigo de Eduardo Marinho, Country Manager da Agility PT

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excelência empresarial - logitrans |gefco

Jorge Possollo Diretor Geral

cadeia logística de valor

Começo por lhe pedir que nos apresente a GEFCO. A GEFCO está presente em Portugal desde 1992, oferecendo aos seus clientes, soluções logísticas globais, inovadoras e feitas à medida. Estas soluções estão disponíveis no mercado nacional, mas também a nível internacional através da nossa rede integrada. São soluções que permitem a otimização de cadeias de fornecimento e de prazos de entrega, tanto na logística inbound como outbound. A atestar a qualidade das soluções disponibilizadas e dos serviços prestados, a GEFCO tem as certificações ISO 9001 (sistemas de gestão de qualidade), ISO 14001 (Certificação Ambiental) atribuídas pela Bureau Veritas e a Certificação de Operador Económico Autorizado (AEO) atribuída pela Autoridade Tributária e Aduaneira.Já este ano, e mais uma vez em reconhecimento da qualidade e competência dos seus serviços, recebeu a Certificação Excelência da APAT – Associação dos Transitários de Portugal. Entre os diversos prémios e reconhecimentos, destaque-se, em 2015, o título de Melhor Operador Logístico, atribuído pelos Prémios Logística & Transportes Hoje, durante a Logitrans Summit 2015. Ao nível dos indicadores de ordem económica e financeira, refira-se que a GEFCO atingiu um volume de negócios de 64,5 milhões de euros e um resultado operacional de 2,3 milhões de euros em 2014. A 31 de dezembro desse ano tinha 234 colaboradores e seis plataformas logísticas para armazenamento e serviços de valor acrescentado (Alverca e Mangualde), transporte terrestre (Alverca, Pombal, Porto e Mangualde), transporte marítimo e aéreo (Alverca e Porto) e logística automóvel (Setúbal e Mangualde). A GEFCO chega a Portugal em 1992. Que análise faz destes 25 anos? É muito curioso ter trabalhado para uma empresa que era fornecedora da GEFCO há cerca de 25 anos e ter conhecido bem o primeiro diretor geral da

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empresa em Portugal e agora ocupar um lugar que era o dele. Conheci bem a GEFCO no seu início no nosso país e posso dizer que a evolução da empresa é abismal e francamente positiva nos últimos 25 anos, o que neste mercado não é muito comum. Obviamente que agora a dimensão da empresa é outra e os desafios têm uma muito maior magnitude, uma vez que a GEFCO precisa de se impor no mercado por e de continuar a progredir nos seus principais vetores estratégicos de desenvolvimento por si só. Novos desafios, são novas oportunidades e é com grande ambição para a GEFCO e satisfação que a minha equipa e eu próprio encaramos um futuro, que necessariamente terá de apresentar soluções inovadoras para ser bem sucedido. Como tem sido a evolução da empresa no mercado nacional? A GEFCO inicia a sua atividade em Portugal em 1992, para dar suporte à Citroën Portugal nos transportes de veículos das fábricas até aos concessionários nacionais, gerindo todas as suas operações a partir da sede da Citroën em Lisboa. Em 1993, abre a sua primeira plataforma de transporte terrestre, no Porto Alto, para gestão de distribuição de mercadorias e em 2000, a sua primeira agência dedicada ao transporte marítimo e aéreo. Para responder às novas tendências do mercado, a GEFCO abre, em 2005, o seu primeiro armazém dedicado exclusivamente à armazenagem e serviços de valor acrescentado, sendo que em 2009, abre uma plataforma MAF/MEP em Mangualde para dar suporte ao arranque da operação de abastecimento da fábrica Citroën. Desde então, a GEFCO Portugal tem diversificado a sua carteira de clientes e de atividades quer dentro e fora do ramo automóvel. A evolução no mercado nacional tem sido progressiva e consistente, tendo aumentado gradualmente a sua quota de mercado e alargando a sua presença em todo o território nacional. O balanço é assim muito positivo. Após 25 anos de atividade, a GEFCO Portugal conseguiu assegurar um forte posicionamento e consolidar a sua posição no mercado como operador logístico de referência. São várias as soluções que têm ao dispor dos vossos clientes, de acordo com as necessidades de cada um. Assim, que serviços podemos encontrar na GEFCO? Dispomos de um conjunto de soluções logísticas que estão constantemente em renovação e desenvolvimento. A nossa ambição é ser cada vez mais uma referência na ajuda a quem nos honra com a sua preferência, tanto no que se refere à prossecução dos seus objectivos, como na identificação das sua ‘dores’ em termos logísticos e da sua cadeira de abastecimento, para que possamos desenvolver soluções inovadoras que se possam transformar claramente em ganhos de produtividade e de eficácia. Assim, graças à nossa cobertura geográfica, à nossa rede integrada e ao nosso know-how operacional e setorial, a GEFCO propõe soluções logísticas com diversos níveis de integração na cadeia de abastecimento, de acordo com as necessidades dos clientes. As nossas soluções: • INTEGRATED LOGISTIC: soluções de aprovisionamento e de distribuição geridas por um contacto único, torre de controlo, e que assegura o desempenho de toda a cadeia de abastecimento • CORE FREIGHT: uma gama completa de operações de transporte robustas que respondem às suas necessidades quer regulares quer pontuais • STRATEGIC-XPERT: soluções LLP e 4PL que garantem a gestão integral da sua cadeia de abastecimento bem como a otimização aduaneira e fiscal • ONE TIME SOLUTIONS: a resposta adequada aos seus pedidos pontuais e urgentes bem como a logística de eventos • GEO-GATEWAYS: soluções fiáveis, seguras e globais porta-a-porta • INDUSTRY SOLUTIONS: conhecimento e experiência comprovada em todos os setores Podemos falar num conceito ‘chave na mão’? Com certeza, o conceito ‘chave na mão’ traduz perfeitamente o espírito GEFCO e são essas as operações mais bem sucedidas que gerimos, com altos níveis de satisfação dos nossos clientes. A logística eficiente é um fator fundamental ao crescimento do PIB. De que forma contribui a GEFCO para tal em Portugal? A GEFCO procura contribuir para o desenvolvimento de todas as geografias onde está presente. A prova está na crescente implantação no mercado nacional, espelhado de norte a sul do país. As soluções oferecidas quer às empresas nacionais quer internacionais operando no território português, contribuem para a boa evolução dos negócios dos nossos clientes e, por essa via, para o desenvolvimento económico de Portugal. O acompanhamento do crescimento da PSA em Portugal é o exemplo prático do que foi referido anteriormente.


gefco | excelência empresarial - logitrans É importante também referir o trabalho de responsabilidade social da empresa. É fundamental à GEFCO este lado solidário? A GEFCO mantém uma clara política de responsabilidade social corporativa a nível global. Integra o pacto Global das Nações Unidas e introduziu um acordo estrutural global em responsabilidade social corporativa em 22 das suas filiais em 2009, e Portugal não é exceção. O desenvolvimento sustentável é parte integrante do serviço que a GEFCO oferece aos seus clientes e neste sentido tem desenvolvido diversas iniciativas. Uma delas passa pela definição de padrões ambientais aplicados em todas as suas plataformas e programas de formação para todos os colaboradores bem como par os condutores. A GEFCO possuiu um Sistema de Gestão de transportes por módulos que permite monitorizar as emissões de CO2 e a maioria dos seus camiões integra a categoria mais elevada. As nossas políticas ambientais são auditadas por entidades externas, como o atestam as certificações que nessa matéria a GEFCO tem alcançado. Para a gestão de fluxos de embalagens industriais, a GEFCO desenvolveu uma solução ecológica e ‘lean’ para otimizar o aprovisionamento das fábricas. A GEFCO propõe assim há mais de 15 anos, um conjunto de embalagens industriais que são mantidas em perfeitas condições para várias utilizações graças aos nossos centros de lavagens. Em termos de apoio a IPSS, a GEFCO mantém uma grande proximidade com instituições nas suas zonas de atuação. Em Portugal, essa realidade tem-se traduzido no apoio a instituições tais como a Casa do Gaiato, o Banco Alimentar, o Instituto Sorriso e a Comunidade Vida e Paz, entre outros, ou, numa outra vertente, no apoio a atletas que disputam provas de superação como os paralímpicos. Neste trabalho específico falamos da Logistrans. Quais as vossas expectativas para a feira? AP PORT enchere 210x148,5:AP PORT enchere 210x148,5 25/11/13 O Logitrans é sem dúvida um evento com grande repercussão para o setor da logística e

dos transportes, e as expectativas são sempre muito grandes. Com eventos deste cariz, o debate e a partilha de temas emergentes é facilitado e a temática deste ano “Eficiência dos processos logísticos“ promete ser muito interessante. O mercado está em constante mudança e isso exige uma adaptação permanente, sendo necessário que as empresas estejam atentas às tendências e inovações. Por onde passa o futuro da GEFCO em Portugal? O futuro da GEFCO passa necessariamente por conseguir uma cada vez maior consolidação da presença da GEFCO Portugal tanto no mercado nacional como nos transportes internacionais, reforçando a sua quota de mercado globalmente e através de cada uma das nossas áreas de atividade. Relativamente ao mercado automóvel, pretende-se potenciar num futuro próximo, o desenvolvimento de serviços mais inovadores que supram as necessidades existentes, embora ainda não totalmente identificadas pelo mercado. Acredito que as maiores oportunidades se encontram no que chamamos o nosso “não mercado”, com o desenvolvimento de novos modelos de negócio, que tragam vantagens claras para os nossos clientes. Estaremos no entanto sempre atentos a todas as oportunidades que possam surgir, para o desenvolvimento da pegada da GEFCO, quer nacional quer internacionalmente. Por outro lado, a estratégia da GEFCO continuará a ser também a oferta de serviços adaptados a cada um dos seus clientes, primando sempre pela qualidade. Este pensamento, juntamente com a ideia de que o futuro da logística passa por superar desafios e conhecer as tendências, tem permitido que a marca se distinga ano após ano. A escuta ativa e atenção ao cliente, conjugados com a inovação e polivalência, continuarão a ser os fatores-chave que permitirão dar resposta às novas exigências e necessidades do mercado. 12:18

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Nunca a sua cadeia logística teve tanto valor. Enquanto industrial, o controlo da sua cadeia logística é um elemento chave para o seu crescimento e rentabilidade. O trabalho da GEFCO consiste em conceber e implementar diariamente soluções logísticas globais e internacionais. Para obter mais informações, consulte o nosso site: www.gefco-business.net

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excelência empresarial - logitrans |linde

Linde sempre na vanguarda

A Linde Material Handling lançará dois novos modelos dentro da sua inovadora série de equipamentos robotizados Linde-MATIC: o portapaletes Linde T-MATIC e o stacker contrapesado Linde L-MATIC AC, que complementarão a gama atualmente disponível. Além disso, 12 novos empilhadores diesel e GPL com capacidade de carga de 5.000 a 8.000 kg, completarão a gama EVO. Neles combina-se maior eficiência, segurança e ergonomia, assim como um inovador sistema de pós-tratamento de gases de escape, que implica uma importante poupança de combustível, enquanto protege o meio ambiente.

armazém (WMS) e transforma-as em ordens de transporte. Linde H50-H80 EVO A Linde Material Handling incorpora 12 novos modelos à sua gama EVO: os empilhadores diesel e GPL H50-H80, com capacidades de carga de 5.000 a 8.000 kg, que respondem às necessidades operacionais dos clientes procedentes principalmente das indústrias de bebidas, de materiais de construção e do papel, assim como do setor da fundição. A mais avançada tecnologia de motores e o novo controlador eletrónico adicional para o sistema hidráulico de tração garantem um consumo de combustível altamente eficiente. Graças à ampla gama de relações de transmissão das bombas e motores de caudal variável da transmissão hidrostática Linde, obtém-se o máximo rendimento do motor. A possibilidade de escolher entre três diferentes modos de condução –Economy, Efficiency e Performance– gera um potencial adicional de poupança. Estes modos podem ser pré-selecionados, permitindo assim adaptar o rendimento ou as prestações do equipamento às necessidades individuais de cada cliente. Um sistema hidrostático ainda mais preciso e uma dinâmica de condução configurável traduzem-se numa redução do consumo de combustível de até 20 por cento, relativamente às versões anteriores da Linde, com as mesmas capacidades. Este avanço é económico: partindo de 5.000 horas de funcionamento de acordo com o ciclo VDI e supondo um preço de 1 euro por litro de diesel, a poupança alcança os 4.500 euros.

Máxima flexibilidade Os novos equipamentos O porta-paletes Linde T-MATIC dispõe de garfos de grande comprimento para transportar duas paletes ao mesmo tempo e uma capacidade de carga de três toneladas. Por seu lado, o stacker contrapesado Linde L-MATIC AC permite o transporte de contentores de carga fechados e está desenhado para a recolha de cargas em estações de recolha e entrega que não estão acessíveis com os braços de carga. Igualmente, pode suportar cargas de até 1,2 toneladas. Estes dois novos modelos robotizados, que se somam aos dois lançados no ano passado (o stacker Linde L-MATIC e o trator Linde P-MATIC) têm como base os equipamentos standard da Linde e cobrem uma ampla gama de tarefas no armazém. A logística do futuro estará interligada digitalmente e cada vez mais automatizada. Os equipamentos da série MATIC podem circular de forma autónoma pelo armazém sem nenhum tipo de infraestrutura adicional. Além disso, podem detetar obstáculos em tempo real, e por outro lado, podem modificar-se e ajustar-se de forma flexível às novas disposições do armazém. Com eles as rotas e acessos da área traçada num mapa podem modificar-se de forma fácil e rápida. Estes veículos realizam as suas tarefas independentemente das horas de trabalho e proporcionam máxima segurança no tráfego. Em combinação com módulos LAN sem fios (denominados COMBOXes), o software de supervisão destes equipamentos garante a conexão com os diferentes elementos existentes, como transportadores de rolos, cintas transportadoras, máquinas retráteis e portas automáticas. Por último, recebe ordens de sistemas corporativos ERP ou de gestão de

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1. Mobilidade ORTHOS XXI |excelência empresarial 2. Banho 3. Pediatria 4. Geriatria 5. Bariatria 6. Hospital 7. Transferência 8. Anti-escaras e conforto Com 30 anos de existência, a ORTHOS XXI 9. fabrica um amplo Posicionamento e Compressão significativamente para a rápida evolução motriz de um paciente lesionado com AVC ou outra StandingdeFrame Supino Elétrico portfolio produtos ortopédicos e hospitalares. Tendo iniciado a sua incapacitanteàs da marcha. Na procura incessante dedoença responder necessidades específicas dos utilizaAjustes modulares independentes atividade na Maia, como Frame Ortomaia, a dores ORTHOS XXI encontra-se Uma equipa forte e motivada, suportada em pilares de flexibilidade produtiva, de consolidação Electric Supine Standing finais, frequentemente desenvolvemos produtos novos e customizados dos processos e de constante desenvolvimento e inovação de produtos, tornaram-se pontos desde há anos sediada em Santa Leocádia Briteiros,gamas, Guimarãesalargando eé nasde várias e renovando assim a nossa oferta. fulcrais para a ORTHOS XXI e permitiram alavancar um crescimento sustentado da empresa atualmente dinamizada por António Ribeiro, diretor geralXXI e um fabrica dos oito que não se cinje ao mercado nacional e está em quase1, 30 países de quatro A ORTHOS Dispositivos Médicos depresente Classe ostentando a continentes. sócios. Certificação CE, de acordo com as directivas europeias, nomeadamente a “Aquilo que nos diferencia”, explica António Ribeiro, “é a nossa capacidade de inovação 93/42/CEE. Orthos XXI é também certificada nos standards ISO 9001:2008.

Produtos de excelência e inovação permanente

aplicada não só ao produto mas também aos processos e à nossa presença no mercado. Este

ORTHOS XXI (www.orthosxxi.com, antiga Ortomaia) é uma empre trabalho implica a boa gestão humanos tecnológica e produtivos, com o enfoque de servir os A qualidade dos produtosfabricante da ORTHOS XXI,dosarecursos inovação no procese distribuidora de material ortopédico e dispositivos médicos clientesde da melhor forma”. e a sua personalização, bem assim so de fabrico, a Certificação Produto hospitalares localizada em Guimarães, Portugal, com 30 anos de experiênc Caribe Advance Cadeira de posicionamento modular c/ tilt/ reclinação Titl&Recline positioning wheelchair

Para além de querer conquistar novos mercados, o futuro passa, também, por “continuar a como uma estreita relação com os de seus clientes constituem algunsdedos fatores Para um alargado de na produtos (cadeir alargaralém a gama de produtos e a dinâmica leque implementada empresa, subir nafabrico escala de próprio valor diferenciadores da empresa, tal como podemos comprovar nos melhores manuais e eléctricas, canadianas demais ajudas de marcha, dispositivos e dar mais notoriedade à marca”, termina AntónioeRibeiro. hospitais, clínicas e lares, tanto no sector privado como noumpúblico, tanto em reabilitação, arneses, hospitalares e geriátricas O galardão PME gruas Excelênciaede 2015 é, paracamas António Ribeiro, reconhecimento e motivo e outro equip mento hospitalar...), a ORTHOS XXI complementa o seu portfolio com prod Portugal como noutros mercados de orgulho, nãoEuropeus sendo porém um e fimalém-Europa. em si mesmo: é uma “consequência” do que move e Activa 4Life

tos de reputadas empresas nacionais e internacionais, oferecendo 9 catá

motiva a equipa no trabalho diário, a vontade de ter produtos mais completos e uma presença Dispomos de amplo de médico revendedores a nível nacional e, em Cadeira ultra-leve parauma Util. Ativos gosnúmero nos sectores e de reabilitação: mais ampla no mercado, de modo a contribuir para a melhoria da qualidade de vida de quem Light weight active wheelchair Portugal, facultamos demonstrações com as soluções técnicas mais adequa1. Mobilidade deles necessita e os usa. Este galardão constitui uma responsabilidade acrescida de manter o das para a sua Instituição qualquer 2.seme Banho profissionalismo fazer mais e melhor. encargo nem compromisso! 3. Pediatria Contacte-nos!

Domus III Solicite Proteção de escaras Dinâmico Desde os seus iníciosbedsore que o ‘DNA’ de fabricação de produtos para pessoas com mobilidade Dynamic/ static prevention reduzida e/ou portadoras de deficiência marcou a pauta desta empresa que tem vindo, ao longo dos anos, a alargar e aprofundar o leque de produtos que fabrica, antecipando Standing Frame Supino Elétrico e acompanhando as necessidades dos seus clientes. Ajustes Assim, após a primeira década, o modulares independentes Electric Supine Standing Frame crescimento tornou-se inevitável e a mudança de espaço também. A partir de 1996 a empresa constituíu-se na terra natal dos fundadores, em Santa Leocádia de Briteiros, contando atualmente com dois pavilhões fabris, nessa localidade e no Avepark. Orthos XXI, unipessoal, Para além dos produtos de fabrico Lda. próprio (cadeiras manuais e elétricas, canadianas e Rua Santa Leocádia demais ajudas de marcha, dispositivos de reabilitação, gruas e arneses, camas hospitalares e 4809-012 Sta. Leocádia de Briteiros geriátricas e outro- Portugal equipamento hospitalar...), a ORTHOS XXI complementa a sua oferta com Guimarães produtos empresas e internacionais, oferecendo nove catálogos nos Tel. de reputadas + 351 253 470nacionais 270/1/2/3/4 Fax + 351 253 470 278 setores médico e de reabilitação: Mobilidade; Banho; Pediatria; Geriatria; Bariatria; Hospital; www.orthosxxi.com info@orthosxxi.com Transferência; Anti-escaras e Conforto; Posicionamento e Compressão. A personalização dos Caribe Advance produtos, de acordo com as necessidades mais específicas dosdeseus utilizadores é também Cadeira posicionamento modular c/ tilt/ reclinação uma característica distintiva da ORTHOS XXI. Titl&Recline positioning wheelchair Os produtos da ORTHOS XXI, alguns dos quais estão certificados, classificam-se essencialmente como dispositivos médicos de classe 1 e são fabricados no estrito cumprimento das normativas Europeias relevantes e registados no INFARMED, a autoridade reguladora portuguesa. A empresa é também Certificada nas normas de Qualidade Internacionais. A vitalidade e cunho inovador da ORTHOS XXI demonstram-se em vários projetos Domus III desenvolvidos pela empresa, nomeadamente em parcerias comde instituos internacionais Proteção escaras Dinâmico de Dynamic/ staticprojetos bedsoredesenvolvido prevention desenvolvimento e com universidades. Um dos mais recentes destes em parceria com a Universidade do Minho, contribui para o desenvolvimento de um andarilho dinâmico que ajuda de forma interativa a capacidade de marcha, podendo assim contribuir

4. 5. uma 6. 7. 8. 9.

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Na procura incessante de responder às necessidades específicas dos utiliz dores finais, frequentemente desenvolvemos produtos novos e customizad nas várias gamas, alargando e renovando assim a nossa oferta.

A ORTHOS XXI fabrica Dispositivos Médicos de Classe 1, ostentando Certificação CE, de acordo com as directivas europeias, nomeadamente 93/42/CEE. Orthos XXI é também certificada nos standards ISO 9001:2008

A qualidade dos produtos da ORTHOS XXI, a inovação tecnológica no proce so de fabrico, a Certificação de Produto e a sua personalização, bem ass como uma estreita relação com os seus clientes constituem alguns dos fator diferenciadores da empresa, tal como podemos comprovar nos melhor hospitais, clínicas e lares, tanto no sector privado como no público, tanto e Portugal como noutros mercados Europeus e além-Europa.

Dispomos de uma amplo número de revendedores a nível nacional e, e Portugal, facultamos demonstrações com as soluções técnicas mais adequ das para a sua Instituição sem qualquer encargo nem compromiss Contacte-nos!

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL 63 Orthos XXI, unipessoal, Lda. Rua Santa Leocádia


ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS Dividida numa miríade de serviços e categorias – capaz de ir da organização de seminários, congressos ou workshops às inaugurações, ações de team-building, lançamento de produtos ou aniversários e outro tipo de festas –, a organização de eventos é uma área que se tem vindo a afirmar enquanto componente indissociável quer do tecido empresarial português, quer da nossa vida em particular. Acima de tudo, importa referir que este é um setor de características muito próprias, no qual a preocupação perante a especificidade de cada cliente se assume como um fator ainda mais premente num mercado que se tem vindo a distinguir pelas persistentes mutações. Assim, e obedecendo a uma política que tem vindo a enfatizar a qualidade, por oposição à mera quantidade, torna-se imperativo que, a cada evento realizado, a imagem da entidade promotora consiga sair reforçada e prestigiada. Não admira, posto isto, que a organização de eventos se tenha vindo a consolidar enquanto uma arte e setor onde a estratégia, a inovação e a adaptação se afirmam como peças fulcrais, pois só através destes elementos se alcançará a máxima rentabilização possível perante os constrangimentos orçamentais. A responsabilidade, a expectativa e a valorização do evento têm, de resto, vindo a crescer ao mesmo ritmo com que os empresários têm encontrado nestas especiais ações uma fonte de investimento ou dinamismo. Associada a uma empresa centrada na organização de eventos poderá estar uma série de outros serviços ou entidades, através dos quais se garante o sucesso do acontecimento. Entre esses mesmos elementos poderemos destacar, a título de exemplo, os serviços de captação de vídeo, som e imagem, mas também o catering, a limpeza ou a decoração. Estando este longe de ser um mercado estático, não admira que seja também heterogéneo o público-alvo de qualquer empresa a operar no setor. Numa conjuntura em que a organização de eventos é planeada até ao ínfimo pormenor, atendendo nomeadamente às já mencionadas limitações financeiras, aspetos como a personalização da oferta, o acompanhamento constante e o desenvolvimento de novas ideias são hoje um must para o sucesso de qualquer empresa centrada na organização de eventos. Depois existe, ainda, o fator da qualidade. Estes são alguns dos principais aspetos que se discutem nas próximas páginas. 64 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Foi no passado dia 25 de abril que a Ferreira de Sá celebrou com pompa e circunstância o seu 70º aniversário. Especialista na produção de carpetes personalizadas e à medida dos seus clientes, esta empresa de Silvalde, em Espinho, é a mais antiga empresa nacional na produção de tapeçarias tradicionais. ‘Custom-made luxury rugs’ aliando tecnologias avançadas de fabrico aos processos artesanais. Foi num ambiente de festa, mas igualmente de emoção e celebração, que a Ferreira de Sá juntou todos os seus clientes, parceiros, fornecedores e colaboradores para uma celebração única, os seus 70 anos de existência. O evento teve lugar no FACE, Fórum de Arte e Cultura de Espinho.

FERREIRA DE SÁ - 70 ANOS


organização de eventos | francisco vieira catering

Catering ao serviço da qualidade e inovação

Com sede em Vila Nova de Gaia, a Francisco Vieira Catering promete enriquecer os seus eventos através de um menu personalizado ao sabor da ocasião, sem esquecer o fator qualidade.

Francisco Vieira Administrador

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No evento da Ferreira de Sá


francisco vieira catering | organização de eventos “O projeto foi iniciado pelo meu pai – Francisco Vieira –, que foi chefe de cozinha, tendo representado diversas vezes a cozinha nortenha no estrangeiro”, introduz Francisco Vieira (filho). Esse mesmo começo deu-se “há sensivelmente 30 anos”, tendo o nosso interlocutor assumido as rédeas da empresa em 2010, depois de uma infância e juventude durante a qual confirmou a paixão pelo catering enquanto “ia conhecendo pessoas diferentes em ambientes distintos”. “Felizmente, tenho tido alguma sorte e estou a conseguir diversificar aquilo que o meu pai iniciou”, prossegue o empresário. Até porque “nos últimos três anos temos sentido que existe um crescimento”, sendo que, “as pessoas atualmente estão mais otimistas e já começam a reservar eventos com maior antecedência”. Apostando num serviço que prima por valores como a excelência, a personalização e/ou a adaptação a novos contextos, o principal foco de ação da Francisco Vieira Catering são os casamentos. Ainda assim, os seus serviços podem ser solicitados também para eventos empresariais, coffee breaks ou lançamentos de produtos, por exemplo. Independentemente da tipologia do evento, há um conjunto de garantias que a Francisco Vieira Catering se compromete a proporcionar. “A nível de matéria-prima, procuramos manter a qualidade acima de todos os outros fatores”, explica o nosso interlocutor. Uma das especialidades da empresa é “a cozinha nortenha”, descrita como “tradicional”, não descurando uma apresentação cuidada e cada vez mais contemporânea. A adaptação é outra palavra-chave, na medida em que tem capacidade de adequar o serviço às condicionantes específicas de cada local. “Para todos os eventos, efetuamos antecipadamente reuniões em que procuramos compreender qual o tema e como o apresentar”, aponta Francisco Vieira. Além disso, distingue-se ainda pelo fator personalização. “Apesar de alguns concorrentes apresentarem pacotes predefinidos, o nosso menu é sempre personalizado”, de modo a “refletir o perfil do cliente”. “Sem dúvida que torna a organização mais complexa, mas permite obter resultados distintos”. Até porque cada situação exige um sabor único.

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organização de eventos | quinta da fontoura

três séculos de história, cinco gerações e a mesma traça e dedicação A Quinta da Fontoura é uma quinta secular, com origem no tempo da Guerra Civil Portuguesa, situada no lugar de Beduído, na freguesia de Alquerubim, concelho de Albergaria-a-Velha. Outrora uma quinta agrícola, foi alvo de uma recuperação cuidada, resultando numa unidade de turismo em espaço rural que também acolhe eventos, na sua maioria casamentos. Alberto Lemos, médico cirurgião, é o atual proprietário de um espaço que atravessou gerações e já vai na quinta, mantendo, tanto quanto possível, a sua traça original.

Na Quinta da Fontoura há uma porta que dá acesso à casa e nela existem dois buraquinhos. É uma porta do século XIX, com a mesma idade da quinta que, à época, pertencia ao trisavô do atual proprietário. Portugal estava em plena Guerra Civil, também conhecida como Guerra Miguelista. “O meu trisavô estava à espera de ser preso pelos miguelistas, por essa razão tinha um

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buraquinho na porta. E o meu bisavô também quis um buraquinho na porta para poder espreitar”, conta Alberto Lemos. Aquela porta constitui assim uma das provas mais remotas das origens da Quinta da Fontoura, que foi resistindo ao tempo e às gerações. Quando Alberto Lemos herdou a quinta, de seu pai, esta do ponto de vista agrícola, não

era rentável, pelo que resolveu transformar a horta num jardim, criar um lago e piscina biológica com 700m2 de espelho de água no meio dos jardins, preservar a mata e a grande diversidade de árvores seculares que aí existem, bem como uma nascente de água pura, a água de S. Brás, e recuperar a casa da quinta. A ideia de tornar aquele espaço numa quinta para eventos não surgiu da vontade ou necessidade de ganhar dinheiro. Alberto Lemos, médico cirurgião de profissão, passava pouco tempo na quinta. A opção de “abrir a casa a outras pessoas” nasceu assim de uma vontade de que a casa e o espaço envolvente pudessem ser “vividos” mais tempo, embora, por razões óbvias, a Quinta da Fontoura tenha seguido um trajeto de empresa. Como empresa, a Quinta da Fontoura existe assim há dez anos, tendo começado a operar há sete. Começou como quinta de eventos, entre os quais casamentos, batizados, comunhões, reuniões de trabalho, embora o primeiro tivesse sido para turismo em espaço rural, que não ficou esquecido, até porque mais tarde acabou por se concretizar, mas

era mais dispendioso para uma primeira aposta. Há três anos, a Quinta da Fontoura converteu-se então, para além de um espaço para realização de eventos, numa unidade de turismo em espaço rural. Até porque são duas atividades que se complementam. No que concerne à organização de eventos, o forte da Quinta da Fontoura são, sem dúvida, os casamentos. A quinta é hoje um espaço idílico, com uma decoração fortemente conotada com a região e com a história da família, que, mesmo depois de recuperado, manteve a sua traça original. É isso que atrai muitos clientes e visitantes, boa parte deles estrangeiros. Aos noivos, a Quinta da Fontoura oferece, preferencialmente, o pacote completo, com serviço de catering, decoração personalizada, muito ao estilo rústico, lá está, sem descurar as suas origens. O Jardim da Senhora, a piscina biológica e a mata são os espaços exteriores mais emblemáticos. A pedido de um casal, em 2015 realizou-se o primeiro casamento na mata. Desde então, têm sido muitos os pedidos


quinta da fontoura | organização de eventos para realizar a cerimónia naquela que foi entretanto apelidada de “catedral da natureza”, um local verdadeiramente mágico e encantador. “Agora, 70 por cento das cerimónias são realizados na mata e apenas 30 nos jardins”, refere. Depois existem outros espaços para refeições. A tenda, com capacidade para 250 pessoas, e um espaço exterior, coberto. Esta zona é dotada de uma cozinha industrial própria. A casa, a funcionar agora como unidade de turismo em espaço rural, tem capacidade para 12 hóspedes e possui uma “suite” nupcial, o chamado ‘cabanal’, onde em tempos se guardavam a palha e as batatas. Na casa existe ainda um pátio e uma eira, e é na antiga manjedoura que se tomam os pequenos almoços e outras refeições. Na cozinha, ainda se podem confecionar refeições no fogão e forno a lenha. Os jardins, piscina e mata de uma dimensão invulgar (3ha), proporcionam uma oportunidade de isolamento e descanso absolutos. Embora o negócio dos casamentos (como tantos outros) tenha registado uma quebra entre 2012 e 2013, há sinais de uma retoma. “Pela primeira vez este ano temos

casamentos marcados a dois anos, ou seja, para 2018, e nunca tivemos tantos casamentos marcados para o ano seguinte [2017] nesta época do ano”, afirma Alberto Lemos. Os casamentos são também eventos com grande flutuação sazonal, pois decorrem sobretudo entre maio e outubro. O turismo rural está a ajudar a combater essa sazonalidade. Alberto Lemos refere que “os nossos clientes para o turismo rural eram quase todos estrangeiros e por isso reforçavam essa sazonalidade. Contudo, este ano a Quinta da Fontoura reforçou a sua presença na web, em sites como o ‘booking’ou o ‘airbnb’, e já houve retorno em termos de reservas, com clientes portugueses a aderirem mais no inverno”. Os encontros empresariais, que registaram uma grande quebra a partir de 2012, também voltam a estar em voga, sendo crescentes as consultas deste tipo de clientes. A Quinta da Fontoura é, por tudo isto, já uma referência no que toca à organização de eventos, sobretudo casamentos, e ao turismo em espaço rural e procura retomar o seu lugar no que respeita a eventos empresariais. O facto de já existir antes de ter sido criada

para o efeito, mantendo-se, tanto quanto possível, fiel ao original, faz da quinta um espaço único. “Temos uma relação ótima com todos os nossos clientes. Temos alguns noivos que se casaram na quinta e depois vieram batizar aqui os filhos, outros que vêm passar o aniversário do casamento aqui. Em relação aos hóspedes mantemos com muitos troca de correspondência após a estadia, alguns

já voltaram segunda vez e outros indicaram a nossa quinta a amigos nos seus países. É uma relação que se torna especial e isso tem também permitido dar outra dimensão económica à empresa”, conclui Alberto Lemos.

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organização de eventos | quinta da torre de bera

Cenários

perfeitos em eventos de sonho Inserida numa propriedade do século XIX, a Quinta da Torre de Bera proporciona-lhe momentos inesquecíveis e reúne um conjunto de características que fazem dela um espaço fascinante. A Quinta da Torre de Bera é o espaço ideal para o seu evento. Perceba porquê.

no esquecimento”, começa por nos contar Ana Bento. A ideia inicial era criar um espaço para eventos empresariais e com capacidade acima das 300 pessoas. Havia, na altura, uma falta de espaços com essas características na zona de Coimbra. Daí, a Quinta da Torre de Bera ter apostado desde logo no sistema de som e televisores para facilitar apresentações em congressos. A casa de habitação continua a existir, trazendo uma elegância e graciosidade acrescidas ao espaço. Questionada sobre a escolha do nome, Ana Bento explica à Revista Business Portugal que o mesmo advém da aldeia onde o espaço se encontra. “Quisemos que as pessoas associassem de imediato o espaço ao local, daí termos optado por dar à quinta o nome da aldeia que a alberga”. Além disso, a Torre de Bera é também conhecida pela sua tranquilidade e beleza inimagináveis, “daí que a associação do nome passe também por essas duas características”.

Ana Bento

Espaço único À chegada somos, desde logo, absorvidos pela beleza inigualável do jardim. Graças a uma mistura de cores e aromas provenientes das várias espécies ali presentes, o jardim revela-se perfeito para uma sessão fotográfica ou apenas para apreciar a tranquilidade do local. “O jardim está repleto de ervas aromáticas e cria um ambiente singular de cores e perfumes. É uma área que nos merece muita atenção e pela qual temos um

Ana Bento é a responsável pela Quinta da Torre de Bera desde o primeiro minuto. Este projecto, sediado em Coimbra, começou a ser pensado em 2004. Entre obras e licenças, o espaço abriu as portas no início do ano de 2008, depois de cerca de 12 meses em período de obras. “Os terrenos que hoje albergam a Quinta da Torre de Bera foram, desde sempre, utilizados para cultivo e pasto. Com o passar dos anos, começaram a ficar ao abandono e é nessa altura que surge a ideia de criar um espaço destinado a eventos, até porque era uma pena uma área tão grande como esta ficar

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gosto especial”, frisa a nossa interlocutora. O espaço concilia de forma única o estilo moderno com o estilo rústico. Com detalhes únicos, a Quinta da Torre de Bera tem uma sala ampla, com capacidade para 500 pessoas, e bastante iluminada pela luz natural. O seu jardim proporciona um ambiente único de cores e perfumes graças às ervas aromáticas e a varanda permite-lhe apreciar as fabulosas paisagens circundantes. “A sala tem detalhes únicos: é muito ampla, bastante iluminada e temos ainda uma varanda com cerca de 200 m2, que proporciona a quem nos visita uma vista fabulosa sobre a paisagem circundante de uma beleza ímpar”, conta-nos Ana Bento. A Quinta da Torre de Bera está preparada para receber qualquer tipo de evento, independentemente do número de participantes. “Como temos capacidade para 500 pessoas, conseguimos sempre adaptar o espaço ao número de convidados. Conseguimo-lo através da disposição das mesas, dos elementos decorativos utilizados, entre outros. A questão do espaço ser grande não é condicionador ao número de participantes, conseguimos sempre adaptar a sala”, explica Ana Bento. Quer seja um evento social ou profissional, a Quinta da Torre de Bera organiza todo o seu evento, sempre com vários fatores em conta de maneira que seja totalmente ao seu gosto. Para tal, Ana Bento e a sua equipa contam com o apoio de várias empresas suas parceiras, nomeadamente nas áreas de catering e decoração, de modo a que cada serviço seja o que melhor corresponde à sua personalidade. “Aqui, é tudo pensado de acordo com o que o cliente idealizou. Temos como missão tornar os sonhos realidade, e é isso que fazemos a cada evento que organizamos. Embora sem exclusividade, atualmente estamos a trabalhar mais frequentemente com ‘Morais Eventos’ e ‘D. João Catering’, empresas de Coimbra com um serviço fantástico” .


quinta vale estevão | organização de eventos

Espaço

acolhedor para um dia especial Situada na bela cidade de Anadia, no distrito de Aveiro e perto do rio Cértima, a Quinta Vale Estevão é o espaço ideal para a realização de diversos eventos, como casamentos, festas e reuniões. Carlos Santos, inserido na área de organização de eventos há mais de 30 anos, assegura toda a gestão do espaço em sintonia com a Caterfesta, empresa especializada na área do catering. Espaço diferenciador Com uma arquitetura tradicional da zona da Bairrada, a Quinta Vale do Estevão, com uma história com mais de 300 anos, constituída por amplos espaços verdes e recantos acolhedores, a arquitetura original do edifício manteve-se e é este um dos principais fatores que tornam este lugar único, perfeito para a comemoração de um dia especial aliando a gastronomia da região, à qualidade de serviço . Manter o espaço cuidado é uma das grandes preocupações de Carlos Santos, como o próprio nos começa por explicar. “A manutenção de um espaço como este não é fácil, requer muitos custos e temos que estar em constante investimento. A dimensão que temos obriga a ter manutenção quase diária mas também é um dos motivos que nos difere, para além do nosso serviço”. Nas instalações possui acesso para pessoas com mobilidade reduzida, casas de banho para deficientes motores, local próprio para crianças e possibilita ainda a realização de cerimónia religiosa e civil. Produto chave na mão Com o objetivo de criar uma identidade própria para a quinta, Carlos Santos também sócio gerente da Caterfesta, há 18 anos no mercado, aposta neste espaço como uma alternativa, para a organização de eventos com a qualidade que os clientes já estão habituados.

“Temos uma unidade de produção devidamente equipada, com 800m2 só para a área do catering, com cozinhas industriais, showrooms e gabinetes de trabalho. Já organizamos serviços de catering entre Lisboa e Porto”. Dedicado a um segmento de mercado cada vez mais exigente e competitivo, ressalva igualmente a aposta em colaboradores altamente qualificados na área bem como na formação constante implementada. “Todo o pessoal que connosco colabora, possui experiência e primamos pela formação. Possuo formação em serviço de mesa e eu próprio também colaboro nesta parte.Tenho colaboradores a trabalhar comigo desde 1992 e já nem preciso lhes dizer como é preciso trabalhar devido a todos estes anos de experiência. Quando trabalhamos num segmento alto, temos que saber servir e estar e nisso sou muito exigente, não se pode falhar”. No entanto, destaca a qualidade dos pratos e onde possui uma proposta geral que é sempre previemente apresentada aos seus clientes para que estes possam ter um primeiro contacto com seu trabalho, podendo ser naturalmente adequados a pedido. “Considero que a qualidade da comida é uma das partes mais importantes numa cerimónia/ comemoração e primamos por isso. Fazemos questão de apenas usar produtos de qualidade na confeção dos nossos pratos. Toda a gestão do tempo é bem organizada e aqui, os noivos não têm que ter preocupações. É por isso que nos diferenciamos. Dispomos de pratos vegetarianos e celíacos, onde nos estamos a tornar especialistas e porque consideramos que não estão muito explorados em várias quintas também porque cada vez mais as pessoas querem este tipo de menu especial. É também uma forma de satisfazermos os nossos clientes”. Aqui é também possível realizar cerimónias civis e religiosas e os mais pequenos contam com um espaço próprio A quinta tem catering próprio, proporciona a decoração do espaço e possui acesso para pessoas com mobilidade reduzida, além de casas de banho para deficientes motores.

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AÇÃO SOCIAL A definição mais aceite de ação social é aquela que é defendida como uma ação que é orientada pelas ações de outros. Isto é, a ação social é todo o comportamento cuja origem depende da reação ou da expectativa de reação de outras partes envolvidas. Essas “outras partes” podem ser indivíduos ou grupos, próximos ou distantes, conhecidos ou desconhecidos por quem realiza a ação. A ideia central da ação social é a existência de um sentido na ação: ela realiza-se de uma parte (agente) para outra. É uma atitude sobre a qual recai o desejo de um intercâmbio e o de relacionamento. Como toda relação social, esta é determinada não só pelos resultados para o agente, mas também pelos efeitos (reais ou esperados) que pode causar no outro. Uma divisão clara entre ações que podem e não podem ser consideradas como sociais é impossível de ser feita. Na verdade, para que se entenda se uma ação é social deve-se prestar atenção no contexto em que ela ocorre. A mesma ação pode ser classificada como social ou não. A ação social destina-se à prevenção, redução ou resolução de problemas decorrentes da situação laboral, pessoal ou familiar que não sejam atendíveis através dos regimes gerais de proteção social. A ação social complementar é desenvolvida nas seguintes áreas: fornecimento de refeições, apoio a crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiência, apoio nas despesas respeitantes à educação, apoio socioeconómico em situações socialmente gravosas e urgentes, apoio a atividades de animação sociocultural, apoio a atividades de ocupação de tempos livres e apoio a ações de prevenção, promoção e vigilância da saúde dos beneficiários. Os serviços de ação social estão distribuídos em diversas áreas, desde escolas, universidades, lares de idosos, instituições geriátricas, Santas Casas da Misericórdia, juntas de freguesia, câmaras, entre outros. O elo de ligação que une todas estas instituições é, única e exclusivamente, o ato de entreajuda em relação ao próximo, proporcionando-lhes condições que permitem superar desigualdades económicas e sociais.

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ação social | santa casa da misericórdia de galizes

Uma instituição

José Alexandrino Mendes, Bruno Miranda e Pedro Mota Soares Presidente do Município de Oliveira do Hospital, provedor e ex-ministro da solidariedade, trabalho e segurança social

diferenciadora e plural A instituição fundada em 1668 surgiu com o intuito de conceder os cuidados necessários à população mais desfavorecida e a prestação de serviços religiosos. Atualmente, a sua atividade está vocacionada, sobretudo, para a solidariedade social, com uma forte especialização na vertente da deficiência, contando esta com cerca de 100 utentes internos e externos.

A Santa Casa da Misericórdia de Galizes centra a sua atividade, portanto, no apoio que presta aos utentes portadores de deficiência. Com a inauguração, no ano passado, da Casa de Nossa Senhora da Visitação, a instituição duplicou a capacidade de resposta em valência, de lar residencial. Segundo o provedor Bruno Miranda “a particularidade desta instituição é que, contrariamente, à maioria, não tem, ainda, lar da terceira idade. Os dois lares residenciais que temos são para a deficiência. O Complexo/ Lar Casa São João de Deus, a funcionar desde 1999, tem capacidade para 42 pessoas. O mais recente, Casa de Nossa Senhora da Visitação tem capacidade para 36 utentes em lar residencial e cinco em residência autónoma”. A cerimónia de inauguração contou com a presença do então ministro da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares. O lar residencial está destinado para alojar jovens e adultos com deficiência, de ambos os sexos, a partir dos 16 anos, que não possam residir com os seus familiares. Para além da infraestrutura que permite ter utentes residentes, a Santa Casa da Misericórdia de Galizes tem um centro de atividades ocupacionais que funciona durante o dia, dinamizando várias atividades. Como explica o provedor, “recebemos utentes de todo o país e neste momento já não temos vagas a nível de lar. Associado à deficiência, temos o centro de atividades ocupacionais que dá uma ótima resposta aos nossos utentes, desde a área da alfabetização, aos trabalhos artesanais e pintura, ao movimento e à música, às tecnologias da informação. O centro de atividades ocupacionais tem um bom funcionamento e é destinado à região de Oliveira do Hospital e concelhos limítrofes”, ressalva Bruno Miranda. A Casa de Nossa Senhora da Visitação é um espaço moderno que reúne condições de “excelência para prestar apoio aos cidadãos portadores de deficiência”, destaca o entrevistado. Sobre o panorama nacional relativo a este setor, o interlocutor entende que “no que diz respeito à deficiência, o aproveitamento do último quadro comunitário foi extremamente favorável e, nesse aspeto, o anterior Governo deu um empurrão decisivo com a abertura deste e de mais alguns lares a nível nacional, que vieram permitir a melhoria da assistência nesta área”, destaca Bruno Miranda. A completar 348 anos de existência, a Misericórdia de Galizes é uma instituição que pode ser considerada sui generis devido às diferentes valências que disponibiliza à população. Para além dos lares residenciais, a Misericórdia presta apoio domiciliário a idosos, tem

remodeladas recentemente. A Misericórida possui ainda uma equipa destinada ao Rendimento Social de Inserção. O provedor revela que desde 1999, a Santa Casa ganhou um novo impulso e desde aí tem procurado dar resposta a várias necessidades, em prol do bem-estar da comunidade. A qualidade e excelência dos serviços prestados mereceram o reconhecimento por parte da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, com a atribuição da Medalha de Ouro do Município e ainda a renovação da atribuição do Certificado de Qualidade do EQUASS - European Quality in Social Services pelos serviços prestados. Questionado sobre os desafios em ser provedor de uma instituição com valências tão distintas, Bruno Miranda refere que a instituição é dirigida por “uma Mesa Administrativa com sete pessoas, estando as responsabilidades

também disponível fisioterapia, através do seu centro de medicina física e reabilitação, serviço destinado aos utentes internos e à comunidade em geral. Outras valências ainda a destacar são o serviço de apoio domiciliário e o centro de dia, em Lourosa, a farmácia, o ginásio/ health club, os CTT/Posto de Serviços e a creche, que aceita crianças dos três meses aos três anos, funcionando em horário alargado, das 7:30 às 19 horas, com instalações que foram

repartidas por todos, contando com o imprescindível auxílio prestado por uma equipa de técnicos especializados e excelentes profissionais que garantem o bom funcionamento da Misericóridia”. Sendo na vertente da economia social um dos maiores empregadores da região, a Santa Casa da Misericórdia de Galizes é responsável, neste momento, por quase 100 postos de trabalho.

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santa casa da misericórdia de galizes| ação social Património histórico e religioso A instituição marca também a diferença pelo vasto património histórico e religioso composto pela Igreja da Misericórdia de Galizes, o cemitério, o calvário, o cruzeiro e o campanário. A Igreja da Misericórdia foi construída em 1670 tendo sido doada pelo Padre João Álvares Brandão, natural de Galizes e vigário geral do bispado, provedor fundador da instituição. O edifício conserva a frontaria primitiva, mas a torre, com o corpo e a capela-mor foram alvo de obras de reabilitação no início do século XIX. Futuro Questionado sobre os projetos e perspetivas de futuro, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Galizes sublinha que faz parte dos planos a médio prazo, a constituição de uma nova valência dirigida aos idosos, que passa pela criação de um lar na localidade de Galizes, dedicado à terceira idade. “Faz parte dos nossos projetos de futuro porque entendemos que é uma das áreas sociais que nos falta abranger”, explica Bruno Miranda. No que toca ao apoio aos portadores de deficiência a instituição pretende continuar a ser uma referência tendo já em vista a constituição de uma “outra valência inovadora no âmbito concelhio e distrital”, conclui o provedor.

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ação social | santa casa da misericórdia de vale de besteiros

Contacto permanente com as necessidades dos utentes A Santa Casa da Misericórdia de Vale de Besteiros é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), situada na vila de Campo de Besteiros, pertencente ao concelho de Tondela. A sua história remonta aos finais dos 70. Atualmente, conta com sete valências. Com cerca de setenta colaboradores, esta IPSS presta assistência a mais de duzentas pessoas, confecionando por exemplo, mais de quatrocentas refeições por dia.

A instituição surgiu oficialmente em 1981, com a criação da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Vale de Besteiros. Contudo há que salientar que anteriormente já tinham sido dados os primeiros passos que visavam a sua constituição, como explica o provedor, Fernando Meneses, “começámos por criar um infantário com seis funcionários e capacidade para acolher vinte crianças. Contudo, passado um ano o edifício ardeu e fomos obrigados a ir para o salão paroquial com as crianças. Tivémos de nos reorganizar. Montámos uma cozinha e todas as condições necessárias para dar continuidade ao nosso infantário”, relata o entrevistado, destacando que “a tarefa de requalificação do edifício não foi fácil, foi muito complicado a criação de uma Santa Casa da Misericórdia a seis quilómetros de outra. Tivémos de persistir nos nossos objetivos e conseguimos. Hoje a nossa Santa Casa é atípica e conta com sete valências multifacetadas”, frisa o entrevistado. As valências desta Santa Casa da Misericórdia passam pela infância com creche e infantário, uma casa de acolhimento dedicada à infância e juventude, já no que toca à terceira idade a Santa Casa dá resposta às necessidades existente na região através do lar de idosos, do centro de dia e do apoio domiciliário. Considerada uma instituição sui generis, dado às diferentes valências que disponibiliza, a Santa Casa da Misericórdia de Vale de Besteiros tem ainda uma empresa de inserção agrícola que surgiu com o intuito de apoiar a reintegração de toxicodependentes e alcoólicos na sociedade. No diz respeito ao apoio domiciliário a Santa Casa de Vale de Besteiros presta apoio a 45 pessoas pertencentes à comunidade local. A creche e o jardim de infância contam com 60 crianças, já o lar possui 32 jovens que têm entre 12 e 18 anos de idade. Já o lar de idosos da Santa Casa possui alojamento coletivo, fornecimento de alimentação, cuidados de saúde, higiene e conforto, bem como, animação social e ocupação dos tempos livres dos seus utentes. Com cerca de 70 colaboradores, esta IPSS do concelho de Tondela presta assistência a mais de duzentas pessoas onde, por dia, são confecionadas mais de quatrocentas refeições, apoiadas por duas cozinhas. Apesar de contar com diversas parcerias como a Câmara Municipal de Tondela, a Escola Industrial de Tondela, o Instituto de Enfermagem de Viseu e a Escola Profissional de Torredeita, o provedor, Fernando Meneses, e o vice provedor, Isaías Mateus, salientam a necessidade de novas instalações para aumentar a capacidade de resposta aos seus utentes. Questionado sobre os desafios inerentes à atividade a que se dedica, que implicam a gestão de valências diversificadas, o interlocutor realça que “a provedoria tem uma excelente relação com os funcionários, existe até um ambiente familiar. É muito importante termos esta relação de proximidade.

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Fernando Meneses e Isaías Mateus Provedor e Vice-Provedor


santa casa da misericórdia de vale de besteiros | ação social Reconhecemos diariamente o trabalho que a nossa equipa faz em prol dos outros e em prol da nossa sociedade”, frisa o entrevistado. Futuro: acompanhar os desafios Questionados sobre os projetos de futuro, o entrevistado revela que a instituição está atenta às necessidades atuais da população, deste modo, “queremos alargar as nossas valências para a área da demência, um grande flagelo na nossa sociedade, principalmente na população idosa. Nós temos de estar atentos, para responder eficazmente a essas necessidades. Queremos acompanhar de perto os problemas da nossa comunidade local.” A missão da Santa Casa passa pelo desenvolvimento de ações sociais, no sentido de acompanhar as transformações sociais, “temos muitos idosos e poucas crianças e temos de nos adaptar à mudança desse paradigma, apostando na qualificação dos nossos serviços e na formação dos nossos profissionais que zelam diariamente pelo bem estar dos nossos utentes”, salienta o provedor.

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ação social | santa casa da misericórdia de semide

“Nós temos

ajudado muito boa gente”

João Mourato Provedor

Estivemos em Semide à conversa com João Mourato que, após um percurso político de vários anos, atualmente é o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Semide, uma das associações mais antigas do distrito de Coimbra.

A Santa Casa da Misericórdia de Semide conta atualmente com 185 anos de existência e é considerada uma das organizações mais antigas não só de Semide, mas de todo o distrito de Coimbra. “A Misericórdia para além de ser a maior empresa social daqui é talvez das entidades e associações mais velhinhas que há aqui”, expôs-nos João Mourato. João Mourato, natural de Semide, está envolvido na Casa da Misericórdia desde 1973, tendo sido presidente da Câmara da Mêda por 24 anos (1985 a 2009). Está neste momento no seu segundo mandato como presidente da Assembleia Municipal de Miranda do Corvo e é atualmente o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Semide. A associação centenária conta neste momento com um centro de dia, serviço de apoio domiciliário, uma creche, uma cantina social e uma loja social. São vários os utentes que contam com os apoios prestados por parte desta entidade, estando 25 pessoas a frequentar o centro de dia, 30 utentes a usufruir de apoio domiciliário, 40 crianças a frequentar a creche e 55 indivíduos a usufruir da cantina social. Apesar de não ter lucro com as suas ações de ajuda, João Mourato não perde de vista o foco

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pelo qual se guia a Santa Casa da Misericórdia. “Estamos aqui a cumprir o desígnio das obras da Misericórdia: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar de vestir a quem não tem roupa.” Mais do que uma entidade que visa prestar apoio aos mais desfavorecidos, a Santa Casa da Misericórdia de Semide é também empregadora de trabalhadores de várias áreas de estudo e idades. João Mourato confirmou-nos que tem neste momento 25 trabalhadores a exercer funções, assim como vários estagiários provenientes de áreas tais como história, educação e vários assistentes sociais. “Tem passado por aqui muita gente boa, é pena é nós não termos possibilidades de os empregar a todos.” Apesar de João Mourato considerar que o serviço domiciliário da Santa Casa da Misericórdia ser bastante vantajoso para os utentes idosos, está em vigor um projeto que visa criar um lar. A iniciativa, denominada pelo provedor de ‘Projeto Executivo’, pretende ser um acolhimento para cerca de 60 pessoas, esperando ainda empregar 20 a 25 pessoas que ficarão responsáveis de prestar a assistência necessária. Além desta iniciativa, a Santa Casa da Misericórdia tem em vigor um outro plano, em parceria com a Fundação ADFP, que visa a criação de uma Universidade Sénior. Uma característica que muitos desconhecem relativamente à Santa Casa da Misericórdia de Semide, conforme nos revelou João Mourato é o facto de todos os membros pertencentes à entidade agirem como uma Irmandade, sendo a religião um fator de união. Além dos apoios, a organização costuma organizar iniciativas lúdicas, tais como sardinhadas, caminhadas, peregrinação a Fátima onde participam tanto os “irmãos” como os utentes. Em agosto, as Santas Casas de Coimbra marcarão presença na Romaria do Divino Senhor da Serra, uma festa que decorre anualmente em Semide durante o mês de agosto. Este ano, a missa de peregrinação das misericórdias será celebrada por D.Ximenes Belo.


santa casa da misericórdia de almeida |ação social

No caminho da solidariedade há quase 500 anos e este espaço ficou ao abandono, em degradação total, foi colocado em hasta pública várias vezes. A dada altura a Santa Casa da Misericóridia adquiriu-o, sem saber ainda o que podia fazer, mas pensando que poderia vir a ser utilizado em prol da comunidade e, efetivamente, assim veio a acontecer, mantivémos a traça externa praticamente intocável, no fundo, foi feita a reabilitação do edificío existente”, afirma. Neste momento, a lotação da unidade ainda não está completa, mas dada a “falta de camas, em Portugal, é um modelo que ainda tem futuro e portanto, em breve, pensamos ter a unidade a trabalhar na capacidade máxima”, refere o provedor. Questionado sobre os novos estatutos da limitação de mandatos, o provedor afirma que “concorda com esta nova realidade, frisando até que o anterior modelo é que não era o correto”. Destacando o papel dos vários responsáveis que já passaram pela Misericórdia de Almeida, Carlos Pereira frisa que “tudo o que nós conseguimos não se deveu apenas aos provedores e às mesas administrativas, claro que tiveram o seu mérito, mas há aqui também que salientar, o trabalho e dedicação dos funcionários, ao longo destes anos. Continuamos hoje, apesar de toda a oferta existente na região, com listas de espera, portanto, quer dizer que as pessoas estão satisfeitas com os nossos serviços”. Futuramente, o provedor espera que a instituição continue a ser uma referência na região e que seja “possível ocupar na totalidade a nova unidade de cuidados continuados”, conclui.

Carlos Pereira Provedor

A instituição completa daqui a quatro anos 500 de história, a Misericórdia de Almeida surgiu quando um escudeiro real da Coroa de D. Manuel I propôs a criação de uma Misericórdia no concelho. Durante largos anos, o propósito da instituição era o apoio à infância, hoje, as valências são várias e a mais recente, a unidade de cuidados continuados, foi inaugurada há quatro meses, em dezembro de 2015.

A Santa Casa da Misericórdia de Almeida, uma instituição histórica, tem ao longo dos tempos acompanhado as necessidades da população. Localizada numa região histórica, a instituição desempenhou também um papel importante durante as invasões francesas, época em que a Praça Forte de Almeida era assediada constantemente, a Misericórdia de Almeida teve uma participação muito ativa no campo da solidariedade, nomeadamente, nos socorros a feridos. Atualmente, a Misericórdia é uma das instituições mais importantes do concelho, sobretudo, pela diversas respostas sociais que presta à comunidade. Carlos Pereira, provedor da instituição começa por destacar as valências existentes, “creche, jardim de infância, estrutura residencial para idosos, com capacidade para 64 pessoas e acesso para utentes de mobilidade reduzida. Temos ainda o lar de grandes dependentes, apoio domiciliário e a mais recente, a unidade de cuidados continuados, vertente de longa duração e manutenção com capacidade para 30 camas”, destaca. A misericórdia possui três edifícios distintos, assim, inseridos na área da muralha de Almeida, encontra-se o antigo hospital, hoje lar dos grandes dependentes e a Igreja da Misericórdia, fora estão situados os restantes. No que diz respeito à nova valência, o entrevistado explica que “o edifício onde está instalada a nova unidade de cuidados continuados foi um externato particular, depois o Estado adquiriu este espaço, tornando-o uma escola pública. Mais tarde, foi construído um novo estabelecimento escolar

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ação social| santa casa da misericórdia de penacova

Uma instituição aberta à comunidade

Com 90 anos de história, a Santa Casa da Misericórdia de Penacova não é apenas uma instituição prestigiada, de créditos firmados, com uma tradição de intervenção como poucos se podem orgulhar de ter, é também uma grande protagonista do presente. A comprovar isso mesmo está o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta instituição em todas as suas valências. Ao longo dos seus 90 anos de existência, a Misericórdia de Penacova tem revelado uma extraordinária capacidade de se renovar e de atualizar o seu lugar na sociedade, preconizando uma ação incansável junto da população. Atualmente, a Misericórdia de Penacova tem em funcionamento, na Vila de Penacova, as seguintes respostas sociais: estrutura residencial para idosos, centro de dia, apoio domiciliário, cantina social e creche, que se dividem entre a sede da instituição e polo de Carvalho, sendo que as valências dedicadas à terceira idade têm um universo de 80 idosos. Quanto à valência dedicada às crianças, esta possui um berçário dos quatro meses ao um ano, uma sala para crianças com 1-2 anos e outra 2-3 anos. As 20 crianças que frequentam a creche possuem um plano individual que é definido, no início de cada ano letivo, e monitorizado periodicamente com os pais. Esta resposta social assegura não só o bem-estar como também proporciona atividades lúdico-pedagógicas importantes para o desenvolvimento global das crianças. José António Amaral fala ainda nas atividades intergeracionais, um projeto que surge na sequência de uma necessidade de minorar o afastamento e esquecimento dos mais velhos pelas camadas mais jovens. Assim, esta instituição tem exercido uma intervenção estruturada e complementar nesta temática, porque os seniores gostam de partilhar as suas histórias e vivências com os mais pequenos. De acordo com José António Amaral, Provedor da Misericórdia de Penacova, as cantinas sociais têm como objetivo minimizar a situação de carência social no âmbito alimentar do concelho, garantindo o acesso a refeições diárias aos que mais necessitam. “Abrimos ao público uma nova valência, a Rede Local de Intervenção Social (RLIS), cuja criação tem na sua génese a intervenção articulada e integrada de entidades públicas e privadas no desenvolvimento da ação social”, revela José António Amaral, lembrando que o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social da RLIS entrou em funcionamento em janeiro de 2016. Os locais de atendimento estão sediados em Carvalho, Figueira de Lorvão, Frúmes, Oliveira do Mondego, Lorvão, Paradela, S. Paio do Mondego, S. Pedro de Alva, Sazes do Lorvão e Travanca do Mondego. “Estando próximo das pessoas, conseguimos perceber mais facilmente as suas necessidades, daí esta abertura à comunidade através das juntas de freguesias e outras instituições de solidariedade social”, consubstancia. Para fazer face aos desafios diários que uma instituição desta natureza tem que enfrentar, a Misericórdia de Penacova conta coma dedicação e entrega dos seus colaboradores. “Felizmente, temos pessoas altamente qualificadas. Temos 42 funcionários, mais 4 POC’s (Plano Ocupacional de Emprego) e entre eles, temos uma equipa técnica multidisciplinar que satisfaz as necessidades da instituição: técnica de serviço social, enfermeiros, psicóloga, animadoras e educadores de infância”, realça o provedor. A importância das misericórdias As misericórdias são instituições centenárias que têm vindo a ver o seu trabalho reconhecido

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ao longo dos tempos, quer na erradicação da pobreza, quer no combate à crise. “As misericórdias, a maior parte delas não sendo ricas, têm tido disponibilidade para fazer face a este contexto de crise que vivemos. Não é fácil apoiar os que mais precisam, porque nos últimos tempos, o número de pessoas com carências sociais têm vindo a aumentar”, avança. As misericórdias têm uma tradição de intervenção social incontornável, tendo feito bastante em prol do nosso país, no entanto “estas instituições têm as suas próprias necessidades e os seus próprios défices de capital disponível”, acentua o nosso entrevistado, acrescentando que, em termos financeiros e económicos, cada instituição tem-se socorrido dos apoios possíveis que vão aparecendo e a Misericórdia de Penacova não é exceção. José António Amaral adianta que, brevemente, a estrutura residencial para idosos vai ser intervencionada, recorrendo ao Fundo Rainha Leonor, no sentido de aumentar a sua capacidade para 50 utentes. As obras vão avançar brevemente e o investimento previsto é de 500 mil euros. A Misericórdia de Penacova é proprietária do antigo hospital, que se encontra completamente devoluto, mas existe o desejo de poder avançar com um projeto de intervenção social distintivo. Por outro lado, “a nossa instituição é sócia maioritária do Hotel Penacova, uma unidade que está encerrada e que nos tem trazido diversos constrangimentos. O nosso maior desejo é que aquela estrutura continuasse como hotel, para que Penacova tivesse uma oferta de qualidade, existem conversações nesse sentido, mas nada de concreto”, recorda o provedor. Um espírito de missão José António Amaral é provedor da Misericórdia de Penacova desde janeiro de 2015, no entanto a sua ligação à instituição é antiga, isto porque foi funcionário durante 30 anos. “Entrei como escriturário e saí como diretor coordenador, por isso tenho um conhecimento perfeito da instituição. As minhas funções atuais são o cúmulo dos anos que estive como funcionário nesta instituição. Faço-o com muito gosto, de forma voluntária, mas sempre com grande alegria e com vontade de fazer sempre mais”, remata o provedor.


Associação Coutoense | ação social

“Conseguimos fazer a diferença, mas ainda há muito para fazer”

A Associação de Solidariedade Social, Cultural e Recreativa Coutoense desde 1989 que é reconhecida como uma Instituição Particular de Solidariedade Social tratando de providenciar aos mais desfavorecidos, o conforto que nem sempre têm possibilidade de ter.

A Revista Business Portugal viajou até Couto de Cima em Viseu, onde teve a oportunidade de estar à conversa com António Martinho, atual presidente da direção desta IPSS que já exerce a sua atividade desde os anos 80. Inicialmente, a Associação Cultural, Desportiva e Recreativa Coutoense focava-se mais numa dinamização cultural, com um Grupo de Cantares e uma Tuna. Foi em 1989, após uma remodelação dos seus estatutos, que passou a ser reconhecida como uma IPSS, começando por ter um jardim de infância, atividades de tempos livres, centro de dia e apoio ao domicílio. Atualmente, a Associação Coutoense conta também com cantina social e uma estrutura residencial para idosos que surgiu em 2012, inteiramente por conta da direção. Este serviço em particular é bastante requisitado, tendo vários pedidos para admissão de novos utentes todas as semanas. “De 2012 para cá, temos o lar completamente lotado. A procura continua a ser maior que a oferta”, revelou-nos António Martinho. Ao todo, a associação conta neste momento com cerca de 175 utentes em todas as suas vertentes. No que toca às crianças, contam-se 26 no jardim de Infância e 32 no ATL. Já no caso dos idosos, 20 frequentam o centro de dia, 40 utilizam a cantina social e 26 contam com apoio ao domicílio. Além dos serviços, a Associação Coutoense organiza atividades diárias, assim como celebra várias festividades (nomeadamente o São Martinho, o Natal, o Carnaval, o dia do pai, o dia da mãe e a festa de fim do ano letivo) e até uma “Festa da Família” na qual se juntam os familiares dos utentes. Além disso, a instituição organiza visitas de estudo para as crianças, assim como passeios em vários pontos do país para os idosos. Quando perguntamos pela motivação que leva António Martinho a estar na frente desta organização, o presidente da Associação Coutoense indica a “paixão” por aquilo que faz. “Vivemos num meio pobre em que a maioria da população é de idade avançada, muitas pessoas não têm condições nas suas casas, tanto condições de habitabilidade como de apoio familiar, vivendo sós e isoladas. Portanto temos que fazer este trabalho, uma vez que o Estado também não pode chegar a todo o lado. A sociedade civil também tem obrigação de contribuir para que todas estas pessoas tenham um nível de vida melhor”. António Martinho reconhece que o futuro das IPSS em Portugal está num estado delicado e que o futuro destas instituições “não será muito risonho. Mas acho que toda a sociedade e o próprio Estado têm a obrigação

de as ajudar.” Não fossem as IPSS do país, a crise porque passámos e que ainda não está totalmente ultrapassada, os problemas sociais teriam tido uma muito maior dimensão”. No que toca a projetos futuros, António Martinho revelou-nos que assim que as condições financeiras o permitirem, pretende construir um parque de lazer no exterior do estabelecimento. Até lá, o presidente da Associação Coutoense aproveitou para deixar uma mensagem aos seus utentes: “Acreditem em nós. Toda a equipa, desde os órgãos sociais aos colaboradores do quadro de pessoal, cerca de 50 elementos, está cá para vos servir.”

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ação social | Centro Paroquial de Canas de Santa Maria

26 anos ao serviço da população

Direção

Como surge o Centro Paroquial de Canas de Santa Maria? O inicio do Centro Paroquial começou no final da década de 50, quando o pároco de então Padre António Coimbra, numa visão empreendedorista como se diz hoje, fez nascer uma obra de grande projeção humanitária. Sem apoios oficiais, apenas com engenho e arte dele, e dos paroquianos que generosamente foram solicitados e conquistados para esta nobre tarefa, foi construído um edifício muito bem elaborado para a época, sobretudo o grande salão paroquial que ao longo deste tempo foi palco da realização da vida cultural e comunitária da paróquia e freguesia de Canas de Santa Maria. Só para termos uma ideia da dimensão da obra humanitária do então Centro Paroquial ficam alguns números: por ano eram servidos em média 8.700 refeições de leite e pão e quase 10.000 almoços na então sopa dos pobres e cantina escolar. O nosso tesoureiro Fernando Natal não se cansa de referir que a primeira vez que comeu manteiga foi no tempo do Padre Coimbra na catequese. Mas esta obra foi sempre crescendo. Em 1962 foi inaugurado o posto clínico de assistência materno-infantil e sete meses depois já tinham sido assistidos 259 utentes, realizadas 76 consultas, 161 tratamentos, ministradas 67 injeções e 577 vacinas. Mas a formação humana e moral, também uma preocupação do Centro Paroquial, estiveram sempre associados à promoção social e intelectual da população, por isso eram realizadas aulas de formação sobretudo para as jovens mulheres, bem como foi sempre promovido iniciativas culturais de recreio e lazer levados a cabo no salão de festas. Também quando nasceu a RTP a população de Canas pode ter acesso a tão importante acontecimento porque sobretudo aos domingos podiam ver a televisão que estava no Centro. O Centro Paroquial tornou-se desde essa época no verdadeiro motor de desenvolvimento da comunidade. É o coração da paróquia. A evolução social e económica registada após a década de 70, sobretudo após o 25 de abril, foi dispensando a componente assistencial do Centro Paroquial que esmoreceu a sua função dinamizadora da comunidade, mas o mesmo espírito de serviço baseado na lição dos Evangelhos fez com que o atual pároco Padre João Dinis, que está na paróquia há 42 anos, por sua intervenção tornou-se possível a vinda em 1989 da comunidade religiosa das Missionárias Filhas do Coração de Maria que vão dar outro impulso ao nosso Centro. Iniciase, assim em 1989 formalmente a criação da IPSS – Centro Paroquial de Canas de Santa Maria, que celebra acordos de cooperação com o Centro Regional da Segurança Social para as valências da creche, centro de dia, apoio ao domicílio e ATL. Celebrou, em 2015, bodas

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Abordando a temática da ação social, cada vez mais presente no nosso país, a Revista Business Portugal visitou o Centro Paroquial de Canas de Santa Maria, em Tondela, e encontrou um projeto muito centrado no apoio ao próximo e à sua população.

de prata, vinte e cinco anos ao serviço da vida. A dinâmica e o próprio desenvolvimento social de Canas de Santa Maria e freguesias limítrofes tornou pouco funcional o edifício construído na década de 50 e assim, a direção entendeu construir novo edifício, apetrechado para uma melhor resposta em termos logísticos às necessidades sentidas. Assim, em 2005 inicia-se a construção do novo edifício do Centro Paroquial ao lado das instalações iniciais, apenas com os apoios da Câmara Municipal de Tondela e com generoso apoio e carinho de quantos foram solicitados e conquistados para fazer nascer este novo edifício, bem como o empréstimo assumido pela direção, no valor de trezentos mil euros, junto de uma instituição bancária. A obra finalizada, com todos os equipamentos sociais, ficou em cerca de um milhão e oitocentos mil euros. Em 2007 as valências da creche, centro de dia e apoio domiciliário já estavam a funcionar no novo edifício, ficando ainda por concluir o lar de idosos, uma valência justificada pelas necessidades sentidas pela instituição, no que diz respeito à carência de apoio familiar dos idosos, e depois porque se entendeu que os mais idosos da nossa terra, deveriam ficar num ambiente familiar e de vizinhança sem o estigma da desenraização tão desumana nesta idade. Nesse mesmo ano, iniciou-se nova valência do jardim de infância, em substituição do ATL que deixou de ser protocolado pela Segurança Social, pelo facto do período escolar ter sido alargado até às 17h30. Em 2013 ficou concluído o espaço da resposta social de lar com 21 camas que de imediato ficou preenchido, na maioria por pessoas da nossa vila. Mas a obra é dinâmica, há sempre mais a fazer para que as necessidades de quem nos procura sejam prontamente respondidas, tornando mais suave e mais fácil a vida dos nossos utentes e familiares. Adquirimos por isso, novas carrinhas, novos materiais didáticos e contratualizamos mais colaboradores externos, como sejam o médico, fisioterapeuta, os professores de músicas e de ginástica, criámos espaços de lazer para os nossos idosos e parque infantil para as nossas crianças. Com que tipos de serviços e atividades podem contar os vossos utentes? Quantas pessoas têm neste momento a usufruir daquilo que o vosso Centro tem para oferecer? Neste momento no apoio à infância temos a creche que se divide em berçário, sala de 1 e 2 anos, sala de 2 e 3 e jardim de infância. No apoio aos idosos temos centro de dia, apoio domiciliário de segunda a domingo e lar de idosos. Os serviços que prestamos não podem ser definidos apenas e só com a palavra ‘serviço’. Nós temos como suporte da nossa atividade a dimensão de missão, além dos serviços básicos contratualizados, temos a capacidade de dar, ouvir e estar na vida dos nossos utentes, como mandam os Evangelhos. É habitual de noite, de dia ou no fim de semana as pessoas procurarem o Centro Paroquial na pessoa das Irmãs porque sabem que todos se esforçam para resolver os seus problemas. Por isso, temos ginástica, fisioterapia e muitas saídas culturais para o teatro, cinema e para exposições na cidade de Tondela para os mais idosos bem como procuramos relembrar e viver as tradições da sua vida passada como seja os santos populares, com as sardinhadas, magustos, etc., e para as crianças temos aulas de música e ginástica infantil bem como passeios anuais, assim como atividades decorrentes do ano letivo, festas de natal, final de ano e temáticas. Também somos parceiros do Município na componente de apoio à família, à escola e jardim de infância público de Canas, fornecemos os almoços escolares às crianças que frequentam este ensino, num total de 67 refeições diárias. Felizmente no nosso território não temos casos graves de carências sociais, mas mesmo assim apoiamos gratuitamente dois indivíduos e temos ainda três refeições diárias em cantina social. Somos também parceiros do Banco Alimentar para a zona. Relativamente à segunda parte da questão temos em creche 30 crianças e em jardim de infância, 20. No centro de dia, 20, no apoio ao domicílio, 25 e no lar 21.


Centro Paroquial de Canas de Santa Maria | ação social Quantas pessoas colaboram com vocês no presente? Que tipo de pessoas têm a trabalhar com vocês? Funcionários temos 37, se contarmos com o trabalho voluntário da direção temos mais cinco pessoas e temos em média três voluntários da comunidade paroquial, por ano diariamente. Em média são pessoas jovens, residentes na freguesia, com um grande espírito de missão, são dedicadas e voluntariosas, não baixam os braços e participam ativamente em todas as atividades do Cento Paroquial e da paróquia, conhecemo-nos todos e provavelmente somos todos família. Temos licenciados, (psicóloga, educadoras de infância, educadora social, e enfermeiro), cozinheiros, ajudantes de cozinha, ajudantes de ação educativa, ajudantes de ação direta, escriturários e também temos dentro dos nossos colaboradores outros com contrato emprego apoiado, pessoas com deficiência ou incapacidade. O que sentem que mudou nos últimos 25 anos, desde a génese até ao momento? Que tipo de feedback têm recebido relativamente ao vosso trabalho? O que mudou mais foi a dimensão da organização. Passámos de seis colaboradores para 37, aumentado a nossa capacidade de resposta, os nossos equipamentos, de uma carrinha passámos a ter cinco, e passámos de uma organização mais ou menos familiar para uma organização mais estruturada. Quanto à segunda questão temos tido um feedback muito positivo, mas o que mais no motiva é o carinho e o apoio da população de Canas que nos momentos bons e nos momentos maus está connosco. Temos a noção, sem exageros que somos no concelho de Tondela uma instituição de referência e isso nota-se nos nossos almoços-convívios anuais em que para além dos habitantes de Canas também outros amigos de outras freguesias do concelho estão connosco. O que torna a vossa IPSS única em relação a outras instituições que se foquem na mesma atividade? A presença desde o início da comunidade das Missionárias Filhas do Coração de Maria, as Irmãs como são conhecidas. O nosso Centro é conhecido como ‘lar das freiras’,

carinhosamente o Centro Paroquial são as freiras com tudo o que elas representam, a disponibilidade, o carinho, a atenção e bem-fazer. É habitual a população partilhar com o Centro e com as Irmãs as suas vidas traduzidas nos produtos que produzem, nas festas familiares em que estão presentes, etc. Têm algum projeto futuro em mente para a vossa instituição? Sim, acalentamos a esperança de vir a adquirir um terreno adjacente às nossas instalações para que os vindouros possam aumentar a capacidade de resposta social do Centro Paroquial e também para os presentes possam ter mais espaço para as atividades normais de uma grande casa de família como é o Centro Paroquial. Os habitantes e naturais de Canas de Santa Maria deixaram e deixarão para os vindouros a prova da sua capacidade e honraram a memória de quem há 50 anos, acreditou que o futuro será sempre melhor, se não adormecermos sobre o passado.

Direção: Presidente – Pe. João Dinis Lopes Figueiredo Vice-Presidente – Maria José Marques Loureiro de Jesus 1º Secretários – Maria Fernanda Rebelo de Figueiredo Natal 2º Secretário – Paula Cristina Antunes Dinis Tesoureiro – Fernando Carlos Cardoso Natal Conselho Fiscal Presidente – Felisberto Henriques Gomes de Figueiredo Marques 1º Vogal – José Agostinho Martins Marques 2º Vogal – Ilda Antunes Gonçalves Silva Gomes

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tema | empresa

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Revista Business Portugal | Maio '16