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ÍNDICE Especial Açores - Turismo e natureza Veja o melhor do arquipélago nas páginas centrais!

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Bienal Internacional de Arte de Cerveira A marca da arte contemporânea

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05 - MUNICÍPIO DA PÓVOA DE VARZIM

Tuvmetálica A construir um mundo melhor

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Hospital Veterinário da Universidade do Porto Cuidar dos animais enquanto se formam os profissionais do futuro

100

Águas do Centro Litoral Uma empresa do cidadão e do ambiente

13 - HORTIPOR

EDITORIAL

N

uma altura em que o ano de 2017

aventureiros – não só do empreendedorismo

e sede de inovação – têm feito as delícias da

tamanho geográfico. Porque, em tudo o resto,

caminha para a sua segunda

empresarial, mas também do mundo das artes

região Centro, demonstrando que Portugal não

somos enormes.

metade – e em que o verão prom-

ou do universo desportivo – no continua a dar

conhece contrastes regionais no que à força

ete aquecer alguns dos principais

inusitados motivos de orgulho.

empresarial diz respeito.

marcos turísticos do nosso país

Como tal, não constituirá surpresa que na

Mas porque falamos em regiões, deixamos,

com as mais positivas taxas de ocupação

edição da Revista Business Portugal que

já agora, o convite para que fiquem a par do

hoteleira – importa que se faça um balanço

agora tem nas suas mãos encontre alguns

que de exemplar se tem feito em territórios

daquilo que, até agora, Portugal nos deu a ver.

dos principais nomes na vanguarda da saúde

tão amplos como os arquipélagos dos Açores

Acima de tudo, e pese embora as más notícias

animal praticada no nosso país. Paralelamente,

e da Madeira, o distrito de Santarém ou a zona

que também marcam a nossa atualidade, se há

todavia, aos sucessos e elogios que este setor

Oeste. Aventure-se, caro leitor, nestas páginas

algo que o ano de 2017 tem vindo a demonstrar

de atividade em particular nos exige, deixamos

e faça o favor de constatar – tal como nós – o

é que este continua a ser um país de vence-

também a nossa vénia às diversas Empresas

que 2017 nos tem ajudado a comprovar: que

dores, à medida que o volume de corajosos

Gazela que – através do seu rápido crescimento

Portugal é um país pequeno, mas apenas em

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues, Vanessa Martins | Corpo Redatorial: José Miguel Dias Lopes, Laura Azevedo, Sílvia Pinto Correira | Outros Colaboradores: Filipa Júlio, Joana Capinha, Joana Quintas, Melanie Alves, Teresa Teixeira | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Direção Comercial: José Moreira | Dep. Comercial: António Santos, Fernando Lopes, Filipe Amorim, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Pedro Ribeiro, Rui Moreira, Vítor Santos (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de julho de 2017

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PÓVOA DE VARZIM: É BOM VIVER AQUI

A Póvoa de Varzim situa-se numa planície costeira arenosa e é a sétima maior aglomeração urbana em Portugal e a terceira do norte. É sede de um município com cerca de 82km² de área e com 63.408 habitantes. A competência e riqueza dos seus navegantes nas rotas comercias, impulsionaram a cidade na Época dos Descobrimentos. As raízes desta terra estão desde sempre ligadas ao mar e a uma enseada acolhedora para a faina da pesca. Assim, tornou-se no porto pesqueiro dominante no norte do país e tem uma frente atlântica de aproximadamente 13 km. Possui uma economia diversificada que assenta no turismo, na produção de leite e horticultura e é ainda virada para o mar. A indústria piscatória, quer através do pescado que chega diariamente ao Porto de Pesca da Póvoa de Varzim para o fabrico de conservas e para venda no mercado da cidade, a agricultura nas dunas, a apanha de sargaço para fertilizar os campos e o turismo são o resultado da sua geografia. A cidade da Póvoa de Varzim é uma reconhecida praia balnear desde há três séculos, a mais popular no Norte de Portugal, o que instituiu uma cultura literária influente e patrocínio na música e no teatro. Mantém uma identidade cultural própria, uma cozinha piscatória rica e tradições antigas, tais como siglas poveiras, a técnica agrícola das masseiras e as suas festas. Um areal extenso e acessível, uma areia de textura única, um mar rico em iodo e uma costa recortada e acolhedora são características que tornam a praia da Póvoa um polo de atração. Este ponto de encontro convida ainda a caminhadas, passeios de bicicleta e outras práticas desportivas

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município da póvoa de varzim | póvoa de varzim: é bom viver aqui

Inovar no presente, garantir o futuro Em entrevista à Revista Business Portugal, Aires Pereira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim explica os pontos fortes do município enquanto destino turístico de excelência, o investimento no crescimento da economia local e o desenvolvimento da política social, medidas que têm norteado este mandato.

Aires Pereira Presidente

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tema | empresa Quais as principais características deste território? A Póvoa de Varzim é um concelho muito peculiar, em que coexistem duas realidades muito diferentes. Por um lado, apresenta-se a componente urbana, com os serviços terciários, o comércio e a restauração, e por outro lado a componente rural, com a sua importância capital para a economia e para a criação de emprego. Neste âmbito junto ao mar temos a atividade hortícola e no Interior do concelho a atividade pecuária. Aliás, estamos num território único de cultura em areia, as chamadas culturas em masseira, que funcionam como uma espécie de estufas para produção de hortícolas. Quanto à atividade pecuária, surge em destaque a produção de leite. Portanto, temos um grande efetivo de explorações agrícolas. De referir ainda a atividade piscatória, estando localizado neste território a maior comunidade piscatória artesanal do país, muito importante do ponto de vista económico e do funcionamento da própria cidade.

O país vive tempos áureos em termos turísticos. De que forma se posiciona a Póvoa de Varzim neste âmbito, sendo reconhecido como um destino turístico de qualidade. Hoje, a cidade vive com a sua relação de proximidade com o Porto, esse grande destino turístico, onde no ano passado aterraram mais de nove milhões de pessoas no aeroporto Francisco Sá Carneiro, que vieram visitar este território. Portanto, digamos que todos cabemos no Porto do ponto de vista da oferta turística, até porque a cidade tem boas acessibilidades, com a ligação direta do metropolitano à baixa portuense e ao aeroporto. Neste caso a Póvoa tem as suas particularidades. Se analisarmos, entre o rio Douro e o Norte da Área Metropolitana do Porto, que é o nosso concelho, a única cidade com unidades hoteleiras na primeira linha de mar é a Póvoa de Varzim. Portanto, temos vindo a ser cada vez mais procurados pelos turistas, que procuram as nossas unidades hoteleiras qualificadas, as nossas praias e o nosso casino. Logo isto tem trazido à cidade, uma taxa de ocupação que ultrapassa a nossa capacidade de oferta de camas. Um estudo realizado pela Universidade do Minho sobre a caracterização do turismo na Póvoa de Varzim com a auscultação dos profissionais da área de hotelaria, fez-nos perceber que já somos um destino onde as pessoas ficam mais dias, cerca de três noites por turista. Deste modo, estamos a posicionar-nos como uma alternativa turística de excelência. Ao longo dos últimos 20 anos dotamos a cidade de um conjunto de equipamentos de excelência, tais como, piscina olímpica, campo de golfe, campo de tiro e marina, ou seja, temos vindo a preparar a cidade para ser um destino turístico qualificado, onde as pessoas se sintam bem e queiram fundamentalmente voltar uma segunda vez. Somos uma cidade voltada para o turismo e para o lazer.

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Se pensarmos, já nos anos 60, esta era a estância balnear de excelência do país. Neste momento, estão a ser equacionados novos investimentos para aumentar o número de camas na cidade? Podemos dizer que atualmente a oferta é muito inferior à procura. Desde abril até novembro já não existe capacidade hoteleira para grupos. Diga-se de passagem que nós também temos dificuldades em ter resposta hoteleira para abarcar a nossa agenda de eventos, que acontece durante os meses da época baixa. Nesta altura está em curso a transformação do Club House Golfe num hotel de cinco estrelas e existe procura para abrir novas unidades hoteleiras, nomeadamente num empreendimento do centro da cidade. Neste caso está em curso o licenciamento de um hotel com 140 quartos. No fundo queremos criar condições para receber uma percentagem dos turistas que chegam ao aeroporto Francisco Sá Carneiro e procuram conhecer a Póvoa de Varzim, as nossas praias e o nosso mar. Qual o impacto do turismo, na dinamização do setor da restauração? Em relação aos eventos e às festas, quais as que merecem maior destaque? Durante o ano de 2016 e, ainda, neste presente ano abriram cinco novos espaços de restauração qualificada. Claro que continuamos a fomentar a gastronomia tradicional, estabelecendo uma ligação com estes espaços para que ofereçam os pratos típicos da região. Esta dinamização levou à requalificação do património histórico, à criação de emprego, sendo essencial humanizar as cidades. Por outro lado, recuperamos o Cine-Teatro Garrett, dando-lhe uma nova vida e trazendo uma programação diária, com música e teatro. Também trouxemos o cinema para o centro da cidade. Tudo isto criou uma nova dinâmica, que voltou a trazer gente à cidade, o que nos satisfaz profundamente. Do ponto de vista desportivo realizamos muitos eventos, até para rentabilizar as infraestruturas do concelho. Durante o verão surge em destaque os espetáculos e os eventos ao ar livre. Em fevereiro realizam-se as Correntes de Escrita.

Durante este período estamos a apresentar uma programação forte no Cine-Teatro Garrett, em que já passaram por lá grandes nomes da música portuguesa. O mês de junho é muito importante para nós e começa no dia 10 com os Dias no Parque. Esta é a grande festa das associações da Póvoa de Varzim, associando nomes de referência da música nacional para dar forma à animação. Este é o grande evento da cidade, que atrai milhares de pessoas. No final de junho temos o São Pedro, que hoje é uma festa de rua, onde se realizam as tradicionais rusgas. São movimentos gerados dentro dos próprios bairros e das associações. Nos últimos anos transformamos esta festa numa semana, ou seja, realizamos eventos diariamente. Este mês também é marcado pelo Festival Internacional de Música, o festival mais antigo da região, com música clássica, que ocupa todas as nossas igrejas com espetáculos, dando a conhecer o nosso património religioso. O mês de julho é a época das festas nas nossas freguesias, com romarias de caráter mais popular. Durante julho e agosto temos o Verão conVida, em frente ao casino, em que todos os fins de semana uma associação do concelho é responsável pela animação. Todos estes eventos são promovidos junto dos serviços de turismo e unidades hoteleiras, para dar a conhecer tudo o que se passa no concelho. Autodenominam-se como um ‘Município amigo das pessoas’. Quais as principais medidas tomadas do ponto de vista social? O Município tem um programa de emergência social muito interessante, que está dotado com uma verba de cerca de 150 mil euros. Este programa visa acudir as pessoas que se vêm confrontadas com uma emergência num mês. O assistente social recebe essas famílias, avalia a situação e após essa verificação paga a despesa que o agregado não consegue satisfazer, como por exemplo a compra de medicamentos, a renda de casa ou a conta da luz. Todos os anos aprovamos a dotação financeira para apoiar diretamente as pessoas. A juntar a isto temos uma política fiscal, que penso ser muito importante. Somos o único município que cobra 0.3 por cento de IMI,

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póvoa de varzim: é bom viver aqui | município da póvoa de varzim a taxa mais baixa da Área Metropolitana do Porto. Quanto às empresas não cobramos derrama e, ainda, devolvemos 1 por cento do IRS aos munícipes, ajudando também as pessoas durante este período difícil. De salientar, a aprovação da tarifa social para as famílias numerosas e para as famílias com baixos rendimentos, que abrange um número significativo de agregados do concelho. O projeto ‘Desporto Sénior’ é um programa pioneiro no concelho. Em que consiste? Posso dizer que tenho um grande carinho por este projeto, que é tudo menos uma atividade desportiva. Esta foi a forma que arranjamos de juntar todos os reformados da Póvoa de Varzim e dessa forma sabermos onde está cada um, qual a sua situação e assim criarmos a nossa rede de contactos. Hoje temos mais de 1.200 idosos que aderiram a esta iniciativa. Fundamentalmente trata-se de um programa de inclusão social, que lhes eleva a autoestima. Este projeto permitiu-nos caracterizar toda a nossa população idosa e perceber as suas necessidades. Para aqueles que por motivos vários não podem sair de casa, procuramos criar um sistema que se chama sinalização, ou seja, distribuímos um equipamento a todas essas pessoas. Este colar está equipado com um botão e um telefone, que por sua vez está ligado à nossa base de dados. Caso a pessoa tenha um problema carrega no botão e automaticamente um dos nossos assistentes sociais liga para a casa indicada. Se, por algum motivo, esta não atender, uma equipa sairá de imediato para o local para averiguar a situação. Este projeto está em fase de implantação, mas a nossa população mais desprotegida já está totalmente sinalizada. Por outro lado, estamos a implementar dois novos projetos. No município temos duas escolas que com a diminuição dos alunos foram encerradas, uma em Aver-oMar e outra no sul da cidade. Com esse encerramento e o aumento da população mais envelhecida, resolvemos transformar essas escolas do concelho em centros de dia, que vão permitir uma maior comunicação e convívio nessas localidades.

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Qual a política de captação de investimentos da Póvoa de Varzim? Há incentivos fiscais? Com a isenção de derrama, tentamos ser um Município mais competitivo, porque a sede de uma empresa não tem a ver com o local da sua laboração. O que aconteceu aqui é que tivemos muitas empresas que passaram a ter a sua residência fiscal na Póvoa de Varzim. Do ponto de vista do ensino qualificado de proximidade, quais as características do Município? Nós tomamos uma decisão, em detrimento dos outros municípios, que consistiu em não construir centros escolares. Hoje, penso que foi uma boa decisão. Nós decidimos requalificar as nossas escolas, apostando na preservação da sua localização geográfica. Tudo isto faz parte da política humana da cidade. Com esta decisão não alteramos a nossa realidade, logo a minha perceção e penso que se perguntar aos poveiros eles vão concordar é de que esta foi a escolha mais acertada. Uma das imagens de marca deste concelho é o ambiente. Nesse sentido, qual a importância da atribuição do galardão ‘Bandeira Azul’ e ‘Bandeira Acessível’? Toda a nossa costa está coberta por bandeira azul e isto fez parte de uma política de credibilização de uma marca de qualidade. A Associação Bandeira Azul da Europa é uma instituição europeia, que tem parâmetros muito exigentes, nomeadamente a qualidade da areia, da água, dos serviços, passando pelas campanhas de sensibilização. Enfim o caderno de encargos é muito exigente, mas penso que é uma aposta que se deve fazer para nós e para quem nos visita. Isto obriganos a ter muitos cuidados, nomeadamente na questão da acessibilidade. Nesse campo já ganhamos várias vezes a Bandeira Acessível, dando igualdade de oportunidades a toda a gente. Este ano e tal como o ano passado, temos oito zonas balneares com Bandeira Azul. Por outro lado, fizemos a requalificação de

toda a costa. Hoje, desde o casino até aos limites do fim do concelho pode-se caminhar pelos passadiços, com a recuperação das zonas mais degradadas e a construção de parques de estacionamento. De salientar ainda o programa ‘Esta é a minha praia! Póvoa de Varzim – uma praia para todos’, que relembra os tempos áureos deste destino turístico em vários pontos do Norte do país, e mantém o objetivo principal, trazer mais gente ao concelho da Póvoa de Varzim. Olhando para o futuro, quais são as perspetivas de crescimento para o Município? Penso que é muito importante dar continuidade ao projeto de reabilitação da cidade, porque na minha opinião não são necessárias novas obras. A cidade precisa de reabilitar o seu património e esta crise do setor imobiliário veio trazer essa oportunidade, com a mudança de paradigma. Portanto, temos de continuar a investir na requalificação dos arruamentos, na criação de infraestruturas, dando cada vez mais privilégio ao peão em detrimento do automóvel e aumentando consequentemente os níveis de conforto na cidade. Relativamente ao turismo, este representa uma oportunidade a vários níveis, nomeadamente na criação de emprego, de riqueza, de atratividade do próprio Município. Logo, temos de melhorar as condições de quem nos visita, mas pensando sempre na sustentabilidade da cidade. Queremos manter a nossa identidade, as nossas características, não podemos perder a nossa matriz cultural e identitária.


clínica s. josé de ribamar | póvoa de varzim: é bom viver aqui

30 anos de cuidados de saúde diferenciados Com 30 anos de presença no mercado, a Clínica S. José de Ribamar assume-se como espaço de saúde com elevados padrões de competência, qualidade e excelência, prestando um serviço diferenciado, que marca a diferença no panorama empresarial da Póvoa de Varzim. Em entrevista à Revista Business Portugal, Fátima Sá Couto, diretora clínica, dá a conhecer a dinâmica e as valências da Clínica S. José de Ribamar. Fátima Sá Couto (ao centro) e equipa

junto dos doentes”, revela a médica dentista, evidenciando que “ao auscultarmos os nossos pacientes, concluímos que existia uma lacuna aos nível dos serviços de saúde, por isso entendemos avançar para a implementação das valências de Psicologia Clínica e da Saúde e de Medicina Geral e Familiar, com uma urgência em horário pós-laboral e com um custo acessível”. Com estas duas novas valências, a Clínica S. José de Ribamar procura assim estreitar a relação de proximidade com os seus utentes, até porque o lema deste espaço sempre foi “saúde não é comércio”. Psicologia Clínica e da Saúde As unidades públicas de saúde têm menos recursos, principalmente nesta especialidade, daí a aposta da Clínica S. José de Ribamar na criação de um serviço de excelência, que pautasse a sua atuação por uma política de grande proximidade com os seus pacientes. Com serviços de consulta de Desenvolvimento Infantil, Psicoterapia Individual e Terapia Familiar, a Clínica S. José de Ribamar atua essencialmente ao nível da prevenção, promovendo assim o bem-estar físico e mental. Medicina Geral e Familiar O novo serviço de Urgência em Medicina Geral e Familiar funciona de 2ª a 6ª feira, em horário pós-laboral, tendo como particularidade um preço acessível. Neste âmbito, a Clínica S. José de Ribamar também se distingue por assumir a sua responsabilidade social e por colocar o utente em primeiro lugar. “As necessidades dos nossos utentes passam a ser as nossas prioridades, com humanismo, profissionalismo e dedicação”, conclui Fátima Sá Couto.

A Clínica S. José de Ribamar há 30 anos, fruto da vontade de Fátima Sá Couto exercer Medicina Dentária, da forma que considerava ser incontornável ser exercida, ou seja, onde o humanismo e a proximidade com o paciente fossem a pedra toque. O pilar da Medicina Dentária e de qualquer área de saúde deve centrar o cuidado, tecnologia e conhecimento a favor do paciente, ressalva a diretora clínica, sublinhando que a Clínica S. José de Ribamar se orgulha de cultivar uma relação de grande proximidade com os seus pacientes. De acordo com Fátima Sá Couto, o paciente está sempre em primeiro lugar, por isso a par da prestação de serviços de excelência e qualidade, esta clínica valoriza a responsabilidade social. “A nossa principal recompensa é a satisfação dos nossos clientes”, evidencia a médica dentista.

A Clínica S. José de Ribamar disponibiliza um vasto leque de especialidades e profissionais que emprestam toda a sua competência, dedicação e profissionalismo em prol do utente. A Clínica S. José de Ribamar pauta a sua atuação pelo exercício da Medicina Dentária especializada que inclui as áreas da Medicina Dentária Geral, Ortondontia Removível e Fixa, Prótese Removível e Fixa, Cirurgia, Implantologia, Periodontologia, Prevenção e Saúde Oral. A Medicina Dentária é a especialidade base da Clínica S. José de Ribamar, mas a oferta foi aumentando, porque fazia sentido a disponibilização de especialidades complementares como a Medicina Geral e Familiar e a Psicologia Clínica e da Saúde. “A expansão da clínica para outras valências da saúde resultou de uma necessidade que foi identificada

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póvoa de varzim: é bom viver aqui | trium informática

Há 15 anos a desenvolver a informática em Portugal

A Trium Informática, sedeada na Póvoa de Varzim, é já uma referência no panorama informático português e internacional. Em forma de comemoração dos seus 15 anos de atividade a nossa revista esteve à conversa com Fernando Dinis, proprietário desta entidade inovadora e empreendedora de sucesso. A Trium presta serviços na área de consultadoria de Sistemas de Informação, assistência técnica em empresas e a particulares e comercialização de soluções informáticas. Esta empresa foi criada para prestar serviços aos clientes que procuram qualidade nos serviços, produtos, preços competitivos e um atendimento profissional diferenciado. Fundada por três amigos em 2002, passou a ser gerida unicamente por Fernando Dinis em 2007, celebrando, portanto, este ano, 15 anos desde a sua fundação e 10 anos desde a sua reestruturação. A partir de 2007, a Trium assumiu um novo conceito, redirecionando-se mais para o setor empresarial: “deixamos o mercado da assistência a particulares e dedicamo-nos mais ao setor empresarial. Não podemos ser só gestores de produto temos que ser gestores de recursos humanos e, por isso, reformulamos a equipa, as metodologias e a visão de negócio. Não foi fácil, mas consideramos que foi e é o melhor rumo a seguir”, explicounos o proprietário da Trium. De entre os diversos serviços prestados destacam-se três pela sua capacidade inovadora e abrangente: conceção, manutenção e gestão de redes informáticas (em que são estruturadas redes informáticas de raíz), prestação de serviços em software de gestão (são distribuidores oficiais e parceiros qualificados da XD Software e da Sage) e, desenvolvimento de software à medida (estes softwares e aplicativos - onde também podem ser incluídos os websites – são desenhados de acordo com as necessidades dos clientes e sempre com a intenção de superar as expetativas criadas). Fernando Dinis Proprietário

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Aposta na internacionalização Neste momento, a Trium encontra-se a apostar na internacionalização, mais precisamente em trabalhos realizados para a Europa e particularmente para a Suíça: “os suíços são clientes muito exigentes, mas nós, com profissionalismo, conseguimos dar a melhor resposta para as necessidades deles. Cumprimos todos os prazos de entrega a que nos propomos e somos muito criteriosos com horários”, revelou Fernando Dinis, acrescentando uma novidade: “vamos desenvolver um produto, em termos de hardware, para aplicarmos lá”. Assumindo-se como um parceiro dos seus clientes, que tem como objetivo o sucesso dos mesmos, a Trium foca-se sempre nas mais-valias dos seus parceiros, garantindo a continuidade do negócio com eles, fidelizando-os. O futuro da Trium continuará alicerçado na assistência técnica às redes informáticas, ao software de gestão e software desenvolvido por medida: “temos o bichinho de querermos sempre mais. Procuramos ter sempre produtos inovadores no mercado e a minha equipa partilha desta minha visão. Nós trilhamos o nosso caminho juntos”, finalizou o nosso entrevistado.


REGIÃO OESTE: TORRES VEDRAS E LOURINHÃ A Região do Oeste, no centro do país, incorpora a parte norte do distrito de Lisboa e uma parte do distrito de Leiria. Com uma área de 2486 km² e uma população de 362 523 habitantes, compreende 12 concelhos. Local com muita luz e um clima ameno, situa-se na costa do Oceano Atlântico e a serra do Montejunto, um fascinante ponto de observação. Um território muito fértil, iluminado com uma grade intensidade, em que a costa marítima e o campo se interligam, numa mancha verde, salpicada de casario branco. Este território, dada a proximidade da capital e de outros centros, tem-se destacado pelo seu crescimento e modernidade. Nesta edição, a Revista Business Portugal leva até si o que de melhor existe em Torres Vedras e na Lourinhã. Ao visitar a cidade de Torres Vedras, não fica indiferente à harmonia da sua paisagem nem à animação de

grande qualidade. Pelas suas reflexões sociais, culturais e económicas, destaca-se um facto histórico: o complexo sistema defensivo das Linhas de Torres, que permitiu vencer as tropas napoleónicas aquando das suas invasões. Terra de sol e mar por excelência, com 20 km de costa marítima, as praias de Santa Cruz, Porto Novo, Santa Rita ou da Assenta, recebem milhares de visitantes, não só nos meses do verão mas ao longo de todo o ano. Ambientes tranquilos ou areais limpos podem possibilitar momentos de lazer e instantes de prática desportiva, nomeadamente, o surf. O complexo termal do Vimeiro, o centro hípico, o campo de golfe do Hotel Golf Mar ou o Aeroclube são equipamentos que suscitam uma ocupação complementar à oferta das praias. Já o concelho da Lourinhã, situado no litoral da região Oeste, tem cerca de 18 km de costa marítima, paisagens

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REGIÃO OESTE: TORRES VEDRAS E LOURINHÃ deslumbrantes distribuídas pelo campo e pela praia, onde se localizam excelentes miradouros e baías inexploradas que convidam à prática dos mais variados desportos náuticos. Terra com raízes históricas que remontam ao tempo dos Romanos na Península, possuidora de um riquíssimo património monumental, como a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia, com o seu portal manuelino, são exemplos onde figuram a austeridade e a delicadeza da arte antiga. A Lourinhã é ainda conhecida pelos valiosos achados do período jurássico e pela sua valiosa gastronomia, desde a sua famosa confeitaria à famosa água ardente da Lourinhã, classificada como uma das três melhores da Europa. Repleta de sol e bom tempo, a região Oeste é uma constante caixa de surpresas que lhe oferece um pouco de tudo: museus e monumentos fascinantes, uma gastronomia deliciosa com sabor a mar, lugares cheios de história e os alguns dos melhores destinos de surf do mundo. Um projeto recente e que trará um novo mundo à Lourinhã é o Parque de Dinossauros da Lourinhã. Já é possível encontrar um tiranossauro rex à porta da Câmara Municipal. Andaram por aqui há 150 milhões de anos os répteis gigantes de carne e osso. Pisaram este chão onde hoje estão a igreja, a câmara, o edifício do turismo, as casas, as ruas. E agora estão ali de novo, espalhados pelas praças da vila, em tamanho real e de cores apetitosas, fiéis à descrição que a ciência faz deles. São os primeiros ‘habitantes’ do futuro Parque de Dinossauros da Lourinhã que, se tudo correr como previsto, abre portas a 1 de janeiro do próximo ano. Esta ‘invasão’ é só uma pequena amostra do que aí vem na terra dos dinossauros. Para já são sete. O tiranossauro rex, com 13 metros de comprimento, está junto à câmara municipal, o stegossaurus deteve-se mesmo em frente da igreja, o allosaurus foi colocado ao pé do edifício turismo. Os outros estão noutros pontos igualmente centrais: junto ao mercado, no pátio do museu, e cá fora, na rua. São a materialização da ideia que a Lourinhã tem de si própria e de como ela é vista também a nível internacional: como capital dos dinossauros. Com apoio do programa europeu Compete 2020, as obras já se iniciaram no local onde vai nascer, em 2018, o Parque de Dinossauros da Lourinhã, um terreno de 36 hectares com pinhal adulto, que é propriedade do município. As 120 réplicas à escala real dos répteis que há muito se extinguiram da face do planeta e que ali vão estar patentes, a ilustrar as diferentes épocas em que viveram, em vários locais e percursos ao ar livre, para os visitantes percorrerem, também já estão a ser produzidos. Os primeiros seis acabam de chegar: são aqueles que desde ontem dão um alegre toque “jurássico” às ruas da “capital dos dinossauros”. 14 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


hortipor | região oeste: torres vedras e lourinhã

Produtor de Tomate em Portugal garante produção o ano inteiro A Hortipor é uma empresa familiar especialista na produção de Tomate para fresco. Fundada em 2001 instalou as suas estufas em Sobreiro Curvo, Torres Vedras e mais tarde no Litoral Alentejano e recentemente em Espanha. Hoje conta com 60 hectares de área coberta que asseguram a produção nos doze meses do ano.

Portugal reúne excelentes condições climatéricas, adequadas à produção hortofrutícola tendo, inclusive, em 2016 alcançado o posto de terceiro maior produtor de tomate da União Europeia. Telmo Rodrigues, proprietário da Hortipor é detentor de um know-how que lhe permite aproveitar as vantagens do nosso clima e produzir várias variedades de tomate o ano inteiro. A empresa familiar iniciou a sua atividade no ano de 2001, em Sobreiro Curvo - Torres Vedras, cidade reconhecida como a capital portuguesa da produção hortofrutícola. Em 2007 aumentaram significativamente a sua área de produção com a introdução de novas estufas na região Alentejana e mais recentemente, em 2016, na vizinha Espanha, na região de Almeria. Recorda Telmo Rodrigues, nosso entrevistado, que o cultivo de tomate está presente na sua família há largos anos e que a produção em estufa já vem desde o início do negócio. Começaram por produzir o tomate de salada, por ser o tipo de tomate mais utilizado em Portugal para as saladas e por se manter em perfeitas condições por um largo período de tempo. Com o passar dos anos, a experiência foi aumentando de braço dado com o espírito empreendedor. Gradualmente, foram sendo introduzidas novas variedades e realizados variadíssimos ensaios até se tornarem numa empresa especialista e única no ramo, que aposta

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região oeste: torres vedras e lourinhã | hortipor em produtos diferenciadores, tanto no sabor como na apresentação. “Parte da área de produção da Hortipor são especialidades. Passamos para a linha das especialidades, com produtos únicos no mercado português”, refere Telmo Rodrigues. Tomate Cherry Sweet Sendo uma variedade Premium na Hortipor, esta variedade, tal como o nome indica é muito doce, com formato arredondado e dimensões pequenas, fazendo lembrar uma cereja. No entanto é muito diferente do convencional tomate cherry, apresentando um elevado conteúdo em frutose que lhe confere um sabor frutado único. Explica o entrevistado: “é visto como um cherry, mas à medida que se saboreia percebe-se que o sabor e textura são muito diferentes. O seu elevado conteúdo em açucares e ácidos orgânicos, combinados com a textura crocante e suculenta, faz com que ao comêlo se converta numa explosão de sabor. Pode ser consumido de variadíssimas maneiras, seja em saladas, salteado ou ao natural, como quem come uma cereja”. O tomate cherry sweet é produzido nas unidades de produção da Hortipor situadas no Litoral Alentejano. Explica Telmo Rodrigues, que o clima é o fator chave para o sucesso deste produto, pois no litoral desta região as temperaturas são constantes e amenas durante todo o ano, “criando uma espécie de microclima favorável à atividade agrícola”. A Hortipor detém a exclusividade de produção e comercialização desta especialidade, e em Portugal apenas podemos encontrar nas lojas Continente, cadeia que foi responsável pela introdução do produto em Portugal, em parceria com o Clube de Produtores Continente, no qual a Hortipor é membro. Tomate Cacho Tasty Como o próprio nome indica é um tomate do segmento sabor. Apresentado em cacho, frutos vermelhos, redondos, com peso entre 60-100 gramas. Suculentos, com textura muito suave, doces e ligeira acidez, ideais para utilização em saladas, entradas e elaboração de receitas culinárias. Muito apreciado nos mercados Gourmet do centro e norte da Europa.

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Telmo Rodrigues Administrador


hortipor | região oeste: torres vedras e lourinhã O tomate cacho tasty produzido e comercializado exclusivamente pela Hortipor, é resultado de um longo trabalho de investigação e desenvolvimento, que mereceu uma Menção Honrosa, atribuída pelo Clube de Produtores Continente à Hortipor. Encontram-se à venda nas lojas Continente, cadeia responsável pela introdução em 2016 do produto em Portugal. Tomate Kumato® e Mini Kumato® Variedades da linha de especialidades, também produzidas e comercializadas pela Hortipor, em regime de acordo de exclusividade para o nosso país. Kumato® é uma marca reconhecida por toda a Europa. São frutos que variam de cor verde dourado a castanho escuro, sendo este o seu aspeto natural. O Kumato® é redondo e varia entre 80-120 gramas, o Mini Kumato® é um cherry de forma alongada. Distinguem-se dos outros tomates, para além da cor, por serem mais doces, e terem notas ligeiramente ácidas, que contrastam e produzem uma sensação única e bem definida. Além disso tem uma textura firme e suculenta, o que faz deles a melhor eleição para preparar saladas, entradas excecionais e receitas á base de tomate. Originário de tomateiros silvestres que crescem espontaneamente na natureza. O Kumato® é o resultado brilhante de muitos anos de esforço, e conseguido através de técnicas tradicionais de reprodução vegetal. “O Kumato® e Mini Kumato® são únicos, por isso não tolere imitações”. Comercialização do produto A Hortipor tem conseguido marcar a sua posição quer no mercado português quer no internacional. Revela Telmo Rodrigues que foi em 2002 que aumentaram significativamente o volume de comercialização em Portugal, com a entrada nos grandes grupos de hipermercados. Adianta ainda que foi com estes gigantes do mercado que a Hortipor desenvolveu um trabalho qualitativo que lhes permitiu crescer e obter a primeira certificação Global GAP, em 2005. Atualmente a empresa é certificada em Global Gap, BRC, Clube de Produtores Sonae, Vida Auchan e membro da United Nations Global Compact. O Grupo Sonae e o Grupo Auchan continuam a ser os maiores clientes da Hortipor em Portugal há mais de uma década. A exportação é toda realizada através de uma empresa espanhola, na qual a Hortipor é um dos principais sócios, juntamente com outros produtores e comercializadores Espanhóis. É através desta empresa que a produção da Hortipor chega aos supermercados e mercados em Espanha, França e outros países europeus. “A produção em estufa não é artificial, simplesmente a planta ao estar protegida de pragas, doenças e adversidades climatéricas, encontra condições mais favoráveis que Tomate rama (em cima), tomate cacho tasty e kumato (à esquerda), tomate cherry sweet e mini kumato (ao centro) e cocktail romântico (à direita)

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região oeste: torres vedras e lourinhã | hortipor melhoram a sua proteção e aceleram o seu processo de desenvolvimento”. Estufas e controle de pragas Na atualidade, cada vez é atribuída maior importância ao aspeto dos alimentos e segurança alimentar. Na secção das frutas e legumes, os hipermercados expõem produtos apetecíveis ao olhar, com cores vistosas e formas calibradas. Mas poderão estes produtos serem sinónimo de artificialidade? Estarão eles ligados à introdução excessiva de produtos químicos? Em resposta a estas questões, Telmo Rodrigues, baseia-se no processo de produção da sua empresa, referindo que “a primeira opção é sempre o recurso à solução biológica e a última opção o recurso a produtos químicos”. Fundamenta dizendo: “as pessoas têm a ideia de que um produto cultivado em estufas leva necessariamente mais químicos, mas é precisamente o contrário. O cultivo em estufa, não é mais que um cultivo protegido, menos vulnerável a ataques de pragas e doenças, e mais protegido das agressões climatéricas, comparativamente com a produção ao ar livre, que está muito mais vulnerável a essas situações”. Na Hortipor a polinização é feita de forma natural, com a introdução de abelhas e o controle de pragas é praticamente assegurado pela largada de insetos auxiliares que combatem as pragas, como por exemplo, mosca branca, traça do tomateiro e lagarta. O facto de os seus produtos terem um aspeto praticamente idêntico está relacionado com a temperatura constante que as estufas propiciam e com o maneio das plantas, dotado de um knowhow que lhes permite obter exatamente um número de tomates específico por rama. Nos últimos anos Telmo Rodrigues tem-se dedicado à experimentação e procura de novas variedades de tomate em parceria com a Semillas Fito, tendo parte das suas estufas de Sobreiro Curvo - Torres Vedras apenas dedicada a experimentação de novas variedades desta casa de sementes Catalã. Este ano apostou na produção de tomate em modo biológico, onde pretende ser produtor líder em Portugal e na melhoria do processo produtivo, introduzindo para o efeito sistemas de aquecimento nas suas estufas, utilizando apenas biomassa como energia. “Produzimos o melhor tomate do mundo……sem dúvida!!”

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menos quantidade, mais qualidade Dedicada à produção e comercialização de vinhos, tanto na região de Lisboa como do Alentejo, a Santos & Santos privilegia a qualidade do seu produto, oferecendo alguns dos melhores vinhos da região. Sediados em Torres Vedras, beneficiam do clima e da proximidade ao mar, caraterísticas que fazem a diferença nas uvas, tendo ao seu dispor um total de 450 hectares de vinhas. Fundada em 1977 pelos irmãos Adílio e Armando Santos, começou por ser uma empresa de pequena dimensão, com a aquisição de uma vinha pequena. O tempo e o empenho foram ditando o crescimento da Santos & Santos, até atingir a dimensão que tem agora, já a ser gerida por uma segunda geração da família. “Há medida que foram conseguindo, foram crescendo com mais alguma área de vinha, para produzir. Nos primeiros anos vendiam a empresas que compravam vinho por grosso, e depois mais tarde, optaram por começar a vender a estabelecimentos, isto há cerca de 40 anos”, conta Francisco Santos, administrador da empresa. De apanha da uva à produção do vinho Com cerca de 450 hectares de vinhas, na zona de Lisboa e do Alentejo, a Santos & Santos tem à disposição clientes dos mais variados tipos de vinhos, entre brancos, tintos, rosés, reservas e topos de gama. Atuam no mercado nacional, onde estão bem estabelecidos, mas também no internacional, onde estão presentes em cerca de 17 países com principal destaque para o mercado da China, Rússia, Guiné Bissau, Suíça, Angola, Estados Unidos e mais recentemente Brasil. Procuram ter à sua disposição a mais recente tecnologia a ser usada na área, de modo a garantir a qualidade do seu produto. “As adegas que temos, onde transformamos o vinho, têm tecnologia de topo. Na parte da apanha da uva funcionamos com vindima mecânica, mas também com apanha manual quando é para os vinhos topo de

gama e de reserva. A apanha mecânica, de forma geral, não diferencia o maduro do não maduro, enquanto que no manual podemos selecionar o que colhemos. Da forma manual acabamos por ter mais qualidade. Todo este processo é acompanhado por um enólogo e um engenheiro, que fazem os controlos de maturação”, explica Francisco Santos. Para o administrador da Santos & Santos, uma das mais importantes caraterísticas da empresa está no optar pela qualidade em vez da grande quantidade. “Tanto em Lisboa como em Évora não temos a ambição de produzir muito, preferimos menos, mas bom. O facto de estarmos aqui perto do mar, em algumas variedades e alguns vinhos ajuda a fazer a diferença, acaba por ser benéfico”, afirma o administrador. A qualidade do produto e ambições futuras Com muitos hectares à disposição e recurso à última tecnologia usada na área, a Santos & Santos acredita que o crescimento do turismo em Portugal pode ser uma via a explorar num futuro próximo, até porque, garantem qualidade no produto e isso é algo de que se podem orgulhar. “Não somos só nós que temos bons vinhos, mas a verdade é que temos alguns dos melhores da região distinguidos nos mais prestigiados concursos da especialidade. Temos uma loja, voltada para o enoturismo. Temos a ambição de crescer mais no mercado externo, mas sem nunca abandonar o nacional. Em termos de faturação, podemos falar de valores a rondar os 10 milhões de euros. Estamos neste momento a tratar de obter uma certificação de topo na área da segurança alimentar, muito por pressão do mercado externo. No próximo mês vamos lançar um novo vinho no mercado, Fonte Santa que é um vinho regional de Lisboa, branco leve, com graduação alcoólica na casa dos 9,5. No fundo, são 40 anos de atividade, podemos dizer que somos uma referência no nosso setor. Atualmente está à frente do negócio a segunda geração e espero que venha a terceira para dar continuidade”, conclui Francisco Santos.

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região oeste: torres vedras e lourinhã | estufaplanta

Fomentar a qualidade Toda a semente carrega consigo a oportunidade de germinar, florescer e dar vida a algo maior. Paralelamente a vida de cada empresário também fica dependente desse fruto. Mário Neves acompanha de perto o universo das estufas desde pequeno e tendo como inspiração a figura paterna aprendera gradualmente a movimentar-se neste ramo. A capacidade de antever oportunidades leva o empresário a colher frutos robustecidos e saudáveis. grande diversidade e cada um apresenta características técnicas e económicas. No entanto, é de ressalvar que “as estufas não são trabalhadas para serem bonitas, mas sim para serem práticas e darem as devidas condições”. A qualidade dos materiais que hoje há para oferecer não se poderá equiparar ao que outrora existiu e embora esteja especializada essencialmente na montagem, a Estufaplanta acaba por procurar verdadeiros parceiros de negócio que lhe permite progredir neste ofício com agilidade, segurança e, acima de tudo, qualidade. “Por exemplo, na questão das estufas, trabalhamos com uma empresa de Viana do Castelo que está atenta à conjuntura dos agricultores”, refere. Oeste A agricultura ainda ocupa um lugar muito próprio na vida dos portugueses e na zona Oeste, em específico, os ventos

Mário Neves Administrador

Com uma história de três décadas, a Estufaplanta aborda o mercado confiantemente e conhecedoramente. O rápido sucesso, porém, permitiu-lhe alavancar outras alternativas e oportunidades. Nesse âmbito, há dez anos atrás, a empresa iniciou a comercialização de plantas, artigos de decoração e de jardim, sendo esta uma atividade secundária acaba por trazer complementaridade e um valor acrescentado a uma história já rica. “Eu e o meu pai dedicamo-nos à áreas das estufas, enquanto a minha mãe, juntamente com outras colaboradoras trabalham a vertente das plantas”, explica o nosso entrevistado. Cultivo consciente A aquisição de uma casa, de um carro, ou de um trator, tende a realizar-se de modo criterioso, tendo em consideração uma série de requisitos, algo que habitualmente não sucede no caso das estufas. Muitas pessoas desconhecem que para cada tipo de cultivo e de terreno existem estruturas muito próprias e tudo isso poderá afetar a produtividade do agricultor. O acompanhamento de um técnico tornase preponderante nesta fase e Mário Neves gera um aconselhamento personalizado para todo o cliente que o procura. “Aqui acabamos por ter uma oferta diversificada que

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nos permite trabalhar com estruturas adaptadas ao tipo de cultura que o agricultor pretende fazer. Oferecemos assim um serviço que passa pela terraplanagem, a construção da estufas e a instalação de sistemas de rega”, acrescenta. Tudo o que determina uma boa estufa será sempre a sua funcionalidade para a manutenção da estrutura como um todo. Dentro dos materiais estruturais contempla-se uma

são mais favoráveis. O facto de o empresário agregar aqui um conjunto de referências assegura-lhe um caminho de passos firmes. “Sente-se muita competitividade e há quem queira superar os outros através do preço, mas será sempre a qualidade que vai distinguir este produto. A qualidade do nosso trabalho é o que nos distingue”, sublinha. Torres Vedras, assumindo-se como um local privilegiado para o mercado das estufas, torna mais viva uma atividade que se quer próxima das pessoas. Apesar das necessidades locais estarem muito presentes na dinâmica do empresário, que também por aqui cresceu, isso não o impede de ganhar uma dimensão nacional. “Temos agilidade para trabalhar um pouco por todo o país e começamos a notar que agora o


estufaplanta | região oeste: torres vedras e lourinhã Algarve também tem vindo a desenvolver muito esta área”, corrobora. Para dar continuidade a todo o trabalho que vai desde a concepção até à manutenção, o empresário conta com mais 25 colaboradores: “É um desafio constante e por isso temos que estar sempre atentos”. Vitalidade e conhecimento Sabendo de antemão que a atualidade não é apenas o momento presente, mas sim a soma de um conjunto de pretéritos perfeitos que se foram somando ao longo do tempo, a Estufaplanta cresce com sensibilidade e audácia. Tudo isto pressupõe uma gestão equilibrada, justa, e inteligente dos recursos existentes e será sempre paulatinamente que se vão acrescentando novos desenvolvimentos. Se o ecossistema estiver em equilíbrio com a vida humana, o ambiente será sempre mais saudável, se a empresa procurar igualmente esse balanço com a sociedade, toda a estrutura retirará também vantagens inigualáveis. A possibilidade de fazer parte de algo assim acaba por despertar sonhos e é nesse crescimento sustentável que o empresário quer agora trilhar. “Verificamos uma escassez de mão de obra a nível nacional, mas a oferta dos serviços que proporcionamos é cada vez maior e mais completa”, afirma. Daqui para a frente, a inovação deixar-se-á guiar ao sabor das necessidades, mas sem perder o foco na ruralidade de cada uma das regiões. “É um percurso positivo. Procuraremos estruturar melhor tudo isto, mas a responsabilidade social e a capacidade de lidarmos com as pessoas será sempre um desafio”, move o nosso interlocutor. Afinal a perpétua modernização só será possível em consonância com a vida dos portugueses.

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região oeste: torres vedras e lourinhã | eugster/frismag

Referência mundial na fabricação de máquinas de café Com sede em Amriswil, na Suíça de língua alemã, o grupo Eugster/Frismag, cuja atividade inicial remonta a 1976, altura em que o seu fundador, Arthur Eugster, criou uma empresa ligada à fabricação de pequenos eletrodomésticos, é atualmente constituída por cinco unidades fabris, três com sede na Suíça, uma fábrica implementada na China e pela fábrica de Torres Vedras. Todas estas unidades empregam, no seu todo, cerca de 3.000 pessoas e geram um volume de negócios de várias centenas de milhões de euros anuais. Em entrevista à Revista Business Portugal, João Cachatra, diretor geral da unidade fabril sediada em Torres Vedras, apresenta-nos este grupo e fala-nos sobre a evolução do mesmo ao longo dos anos, focando essencialmente o trabalho desenvolvido na unidade portuguesa. pela primeira vez, em 1997. A empresa começou assim a crescer, quer na sua atividade, quer na sua dimensão, porque também em termos de infraestruturas, começámos a ampliar. Em 1997, a nossa atividade estava muito centrada na fabricação das máquinas expresso. Nessa altura, iniciou a sua atividade a que é hoje a quinta unidade fabril do grupo, sediada na China, e progressivamente fomos transferindo para lá algumas produções mais básicas. No virar do século, a nossa produção centrava-se assim nas máquinas expresso e de filtro e alguma produção residual, de sistemas de passar a ferro, ou seja, ferros de engomar e de vapor”, frisa. Nessa altura e em Portugal, o principal cliente da E.F. era a Krups, que pertencia ao Grupo Moulinex, e chegou a atingir 50 por cento da atividade da empresa, como João Cachatra

João Cachatra Diretor geral

“A atividade principal do grupo centra-se fundamentalmente no projeto e fabricação de pequenos eletrodomésticos, muito particularmente em máquinas de café para uso doméstico, área em que atingiu posição de destaque a nível mundial, através das muitas marcas de notoriedade com as quais trabalha. Exemplos disso, são a Nespresso, Jura, Miele, Bosch, Krups, Laura Star, Delta, entre outras”, começa por nos contar. Com o objetivo de manter o elevado nível de produção, a E.F. foi desenvolvendo ao longo dos anos vários níveis de tecnologia nos seus produtos e de qualidade na sua produção e hoje este grupo é especializado na conceção e fabricação de pequenos eletrodomésticos e as empresas ligadas do grupo distinguem-se pelo seu elevado conhecimento nas áreas de projeto, qualidade e inovação. No nosso país, a E.F. existe desde 1989, e atualmente emprega cerca de 870 colaboradores, tendo atingido o

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pico em abril deste ano, com cerca de 990 colaboradores, constituindo-se como um dos principais empregadores do concelho de Torres Vedras. Inicialmente, produzia apenas máquinas de café de filtro e hoje é uma empresa vocacionada para a fabricação (montagens finais, prémontagens e injeção de plásticos) e apresenta invulgares características de flexibilidade e capacidade produtiva. A sua evolução é, portanto, bastante notória. “Hoje, em Portugal, possuímos uma área de 33.000m2 e começámos com apenas 5.000m2 e cerca de 200 colaboradores. Depois, iniciámos o processo de expansão. Em 1996 demos um salto tecnológico importante. Começamos a produzir máquinas de café expresso, que apesar de ser uma máquina de café, é um produto completamente diferente das máquinas básicas que fabricávamos. Nesse período, investimos na nossa organização e fomos certificados pelas normas ISO 9000,


eugster/frismag | região oeste: torres vedras e lourinhã

nos explica. Porém, começou a ter sérios problemas e acabou por falir, tendo sido posteriormente tomado por um outro grupo francês, que alterou a estratégia em termos de aquisição de produtos, passando a privilegiar a sua aquisição na Ásia. “Vimo-nos confrontados com uma redução muito forte por parte do nosso principal cliente”, explica. Nesse momento, colocou-se a questão de qual seria o futuro da empresa em Portugal, mas desde o início que a intenção

para esse segmento, ou seja, não fabricamos as máquinas ditas industriais direcionadas para cafés, pastelarias, etc). A tecnologia deste produto foi desenvolvida pelo próprio grupo, nas unidades suíças. Em 2006, o primeiro projeto veio para Portugal, as coisas correram bem, o nosso primeiro produto foi para o grupo BSH e esteve em produção até janeiro de 2017, constituindo uma longevidade rara neste tipo de produtos que têm um ciclo de vida relativamente curto no mercado. Respondemos bastante bem em termos de

de máquinas de café para diversos clientes do grupo. Todas as máquinas têm um elevado nível de automatismo na sua operação, todas possuem um interface com o utilizador, sendo a sua grande vantagem a programação que cada utilizador pode fazer da sua própria bebida. Todas têm uma característica comum, o moinho do café, que está integrado na própria máquina, o que, em termos de qualidade do café, apresenta inúmeras vantagens, pois o café é moído no próprio momento”.

da Eugster/Frismag era manter a sua atividade, que fazia parte, de forma clara, da estratégia do grupo. “A grande reação/resposta a essa redução passou pela transferência das fábricas suíças para Portugal, de uma parte da produção que era feita para o nosso cliente Nespresso, que é uma grande referência mundial na área do café. A Eugster era, na altura, o fabricante exclusivo de máquinas de café para a Nespresso, a qual desenvolveu todo o conceito da cápsula, mas as máquinas e sistemas para as processar foram desenvolvidos dentro do nosso grupo. Porém, depois de a Nespresso iniciar a sua grande expansão no mercado, deixámos de ser os únicos fabricantes, pois já não tínhamos capacidade para tal, nem pretendíamos ter apenas um cliente. Hoje, a Nespresso possui vários fornecedores, apesar do grupo Eugster manter um importante lugar como parceiro”. Entre 2001 e 2011, a Eugster/Frismag fabricou várias máquinas Nespresso em Torres Vedras, mas, mesmo nessa altura, a estratégia desta unidade fabril não passava pela fabricação deste tipo de produto, que no universo das máquinas de café corresponde a uma gama intermédia e tornou-se imperativo encontrar uma nova estratégia para a fábrica em Portugal. “Nesse momento, foi tomada a grande decisão, que sustentou o nosso crescimento e tudo aquilo que somos hoje: em 2006, foi decidido iniciar o processo de fabricação de máquinas automáticas de café, aqui na fábrica de Torres Vedras. Estas máquinas, digamos que são o topo de gama dentro das máquinas de café para o consumidor doméstico (a atividade do grupo centra-se em produtos essencialmente

qualidade, começámos a consolidar a nossa reputação dentro do grupo o que fez com que, a partir de 2008, iniciássemos um percurso constante e acelerado de sucessivos modelos

Outra das características, é o preço deste tipo de máquinas, que pode variar entre os 500 e os 1.500 euros, segundo João Cachatra, sendo que os mercados para os quais se

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região oeste: torres vedras e lourinhã | eugster/frismag

destinam são essencialmente aqueles com maior poder de compra, fundamentalmente a nível da Europa Central, como Suíça, Alemanha, Escandinávia, França, Inglaterra, entre outros, representando 90 por cento da produção, existido ainda alguma exportação para países Asiáticos, como a China, Coreia e Japão. “Desde 2011 até hoje, tivemos um ritmo acelerado de crescimento devido à vinda para Portugal da marca Jura, o nosso cliente com uma posição mais forte no mercado e mais exigente. Este nosso último ciclo de crescimento, que se iniciou nos finais de 2010, consistiu na ampliação das infraestruturas e consolidação da organização, em termos de competências e de recursos humanos. Um dos últimos desenvolvimentos da empresa, ocorreu o ano passado, em que estabelecemos uma ligação com uma marca nacional, a Delta Cafés, fabricando uma máquina de café de cápsulas para esta marca. O facto de sermos, igualmente, fornecedores internos, de subconjuntos, das próprias fábricas do grupo, constitui uma enorme vantagem em termos da estratégia financeira do grupo. De salientar também, em termos de organização, a introdução das metodologias Lean e Kaizen, quer ao nível do grupo, quer em Portugal, nas quais estamos focados no momento. Existe um outro serviço muito importante que também prestamos que é o desenvolvimento da engenharia dos próprios aparelhos, centrado nas fábricas suíças. Mais de 80 por cento dos produtos fabricados foram desenvolvidos pelo próprio grupo. Complementarmente, desde 2008, passámos a produzir novos sistemas de passar-a-ferro (estações e tábuas a vapor), de elevada tecnologia e performance”. Com um crescimento sustentado e gradual ao longo dos anos, os objetivos de futuro, segundo João Cachatra, passam por manter o patamar de liderança e de fiabilidade em que atualmente o grupo e a unidade fabril portuguesa se encontram e evoluir na expansão da empresa, caso estejam reunidas as condições ideais para tal. “Neste momento, diria que com os dados disponíveis, atingimos o limite da nossa infraestrutura atual. Se em termos de estratégia de grupo, se perspetivar um aumento ainda mais significativo em Portugal, terá que haver um repensar de toda a operação em termos de infraestrutura. No entanto, para os próximos anos as perspetivas, são que este nível se mantenha, existindo um crescimento sustentado. Existem projetos novos em desenvolvimento e as perspetivas são para mantermos a qualidade que nos caracteriza”, finaliza.

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tema |oeste: região empresa torres vedras e lourinhã | obranagroup

ObranaGroup investe na Lourinhã Obrana é um grupo empresarial premiado a nível internacional, cujo core business é a oferta de soluções imobiliárias integradas para particulares e empresas que procurem investir em Portugal. Depois do desenvolvimento efetuado nas Caldas da Rainha e em Óbidos chegou a vez da Lourinhã receber o investimento e serviços do grupo Obrana.

Rajan Sahay Administrador

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Com uma presença de mais de 20 anos em Portugal, a Obrana assume-se como um grupo de referência no mercado de promoção imobiliário e turismo, prestando um conjunto de serviços que vão desde a promoção de projetos de investimento e turismo à consultoria, arrendamento e gestão de propriedades. Mas falar da Obrana, é também falar de Rajan Sahay, um empresário carismático que coloca paixão e entusiasmo em tudo o que faz e detentor de uma vasta experiência no mundo dos negócios. Licenciado em Economia pela Universidade de Oxford, RajanSahay começou a sua carreira profissional como consultor de gestão na área de fusões e aquisições. Mais tarde, rumou a Boston onde fez consultadoria de marketing empresarial, até que em 1995, fundou a Obrana. A juntar a tudo isto é também Presidente da Câmara do Comércio Portugal – Índia. Em entrevista à Revista Business Portugal, o diretor da Obrana confidenciou que a estratégia e filosofia adotadas permitiram que rapidamente esta se tornasse reconhecida pela qualidade dos seus produtos, pelo nível de excelência de serviço aos clientes, bem como pela sua integridade, credibilidade e transparência. “Consequentemente, a empresa cresceu, conseguiu fidelizar clientes e foi convidada para realizar projetos específicos de grande prestígio e notoriedade”, sublinhou. Acrescentando que “a experiência e know-how da empresa permite-lhe orientar tanto um novo


obranagroup| região oeste: Torres vedras e lourinhã

investidor, como apoiar o empreendedor mais experiente a entrar no mercado do investimento imobiliário e do turismo”. RajanSahay salienta que 99 por cento dos seus clientes são estrangeiros, nomeadamente, do norte da Europa, de países como Noruega ou Suécia, mas também do Médio Oriente, com grande foco no Dubai, Jordânia, Líbano e Índia. E porquê investir em Portugal? As razões são mais que muitas, mas há que destacar o razoável custo de vida, o sol, a gastronomia e claro a segurança, que nos dias de hoje é uma das grandes prioridades de qualquer investidor. À semelhança de RajanSahay, também os estrangeiros se deslumbram com Portugal e com as suas potencialidades. No fundo, “estou a vender a marca Portugal e um conjunto de soluções, porque hoje em dia não podemos vender apenas imóveis, mas sim soluções de investimento”. Assim sendo, a Obrana vende soluções que podem ser uma casa de sonho, férias, um investimento, ou um passaporte, isto porque a empresa detém uma substancial experiência no programa de Vistos Gold, desde a sua implementação, estando envolvido nas revisões e atualizações do programa, no qual “temos uma taxa de sucesso de 100 por cento”, sublinhou o diretor. As Silver Coast Heights da Lourinhã A Obrana assume como missão criar empreendimentos excecionais em ambientes únicos. Em Portugal, a Lourinhã é uma região com grande potencial e “pouco explorada”, por isso mesmo é esta área o foco da Obrana neste momento. Situadas perto da histórica cidade da Lourinhã, e das praias douradas, e com vistas deslumbrantes sobre o Oceano Atlântico, as Silver CoastHeights são empreendimentos exclusivos compostos por 65 casas e unidades de alojamento, num total de três projetos inovadores. Desenvolvidos por premiados projetistas britânicos cada espaço residencial ou turístico é uma harmonia de design fino, excelência em construção e vida confortável. Para isso, possuem grandes janelas que aproveitam plenamente a luz portuguesa para piscinas brilhantes e cozinhas totalmente equipadas, tornando este um lugar especial para uma vida elegante. Para aqueles que procuram relaxamento, estes espaços refinados com amplas áreas de estar, terraços de tamanho generoso, piscinas privadas e jardins paisagísticos, proporcionam um retiro contemporâneo perfeito, longe das distrações da vida quotidiana. De facto, é a exclusividade do local e a possibilidade do anonimato que os clientes do ObranaGroup mais valorizam nestes empreendimentos. Tratam-se de personalidades internacionais e figuras públicas muito conhecidas lá fora que procuram, no nosso país, a tranquilidade para umas férias ou até para manterem a sua segunda residência: “Todas as casas são diferentes. O que garantimos são as vistas de mar, por isso, arquitetonicamente são construídas para esse efeito. Vale muito a pena procurar lugares fora dos grandes centros de Porto e Lisboa. A Lourinhã é uma ótima alternativa e melhor em muitos aspetos como em beleza natural e em segurança. Aqui ainda

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região oeste: torres vedras e lourinhã | obranagroup

se consegue comer com qualidade e a preços acessíveis, sem preços inflacionados pela grande procura”, acrescentou. Investimento e dinamização na região Com o forte investimento proporcionado pelo grupo Obrana na região, a verdade é que mais de 2000 pessoas, maioritariamente estrangeiras, são atraídas, todos os anos, por estes empreendimentos. Com as construções e manutenções dos edifícios criam-se centenas de postos de trabalho. E, por último, mas não menos importante, dinamiza-se e valoriza-se o nosso país a nível internacional: “Incentivamos os nossos fornecedores a exportar porque mostramos a qualidade dos produtos deles nos nossos empreendimentos, dando-lhes confiança para arriscar lá fora”, afirmou RajanSahay. As Silver CoastHeights 2 prevêem-se concluídas dentro de 18 meses. Em breve, iniciar-se-á o arranque do projeto de aldeamentos turísticos, denominado por Silver CoastHeights 3: “Queremos criar em cada empreendimento serviços diferentes disponíveis a todos os clientes (como spa e golf, por exemplo) mas, atualmente, fornecemos todos os serviços de hotelaria, agregados às unidades de alojamento: serviço de quartos, limpezas, manutenção de jardins, piscinas, babysitting, professores de línguas para aprendizagem do português, motoristas, ‘chefs de cuisine’, tudo para satisfazer os nossos clientes”, confidenciou o nosso entrevistado. Atrair portugueses para este tipo de investimentos não é fácil, por dois motivos: o poder de compra que ainda não é muito alto no nosso país e o desconhecimento dos portugueses em relação a esta região. A Lourinhã, apesar de todas estas potencialidades apresentadas, ainda não é um destino de eleição para os portugueses quer seja para férias ou para viver, fazendo deste um destino maioritariamente escolhido

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por turistas estrangeiros, algo que o nosso entrevistado lamenta e tenta inverter. No futuro imediato, RajanSahay, apostará no projeto de desenvolvimento de uma clínica de longevidade, com base científica, onde o público-alvo se enquadre entre os 35 e os 55 anos. Este tipo de centros já existe na Suíça e na Alemanha e o empresário pretende replicá-lo no nosso país, especificamente na Lourinhã. Atlas Property Portugal RajanSahay é também administrador da Atlas Property Portugal, uma empresa que tem ao seu dispor propriedades novas, renovadas e personalizadas nos melhores resorts de golfe, na tranquilidade do campo ou nas cidades costeiras. Com mais de 25 anos de experiência em vendas, a sua equipa multilingue detém um vasto conhecimento do mercado e um espírito empresarial notável, o que lhe permite disponibilizar um serviço de qualidade e excelência. Assumindo o forte compromisso de encontrar a sua casa perfeita, a Atlas Property Portugal tem um vasto leque de propriedades para venda na Costa de Prata, por isso se procura a sua casa de sonho ou um investimento direto do construtor, a Atlas Property Portugal é o seu parceiro imobiliário perfeito. “A equipa de gestão Atlas Property Portugal traz uma amplitude impressionante de experiência e capacidade que, aliadas ao nosso compromisso de dar os melhores conselhos sobre as mais diversas propriedades a cada cliente, faz da Atlas Property Portugal uma escolha perfeita para vendedores e compradores”, evidenciou RajanSahay.


região oeste: torres vedras e lourinhã | concha mar

“Queremos levar o marisco a

um número cada vez maior de pessoas” A Concha Mar é uma empresa familiar fundada em 1996 por Sérgio Sousa. Especializada na distribuição de mariscos vivos, a firma é atualmente gerida pelos filhos do fundador, Vanessa e Telmo Sousa, e por Noémia Sousa, esposa. Em entrevista à Revista Business Portugaç, Vanessa Sousa revelou um pouco sobre as atuais atividades da empresa e os seus desafios futuros, com a abertura de novas instalações e a aposta na transformação de mariscos e no alargamento da oferta de produtos. Com sede na Lourinhã, a Concha Mar ocupa-se fundamentalmente da compra e distribuição de mariscos vivos. “Os nossos principais produtos são a sapateira, o lavagante, a santola, o caranguejo e a navalheira”, referiu a responsável. A generalidade dos produtos distribuídos pela empresa é importada de diferentes pontos da Europa. Os mariscos são transportados vivos dos pontos de origem, sendo depois abrigados nos viveiros da firma, atualmente dos maiores da Península Ibérica, e posteriormente distribuídos pelos diferentes clientes. “Importamos a maior parte dos nossos produtos do Reino Unido. Também importamos alguns produtos de França, como a santola e a ostra francesa, que é excelente e diferente da nacional. Para além dos produtos importados a Concha Mar trabalha atualmente com produtos oriundos da costa portuguesa. “Temos alguns produtos nacionais: lagosta, algum lavagante e santola nacional, camarão da costa, lagostim, perceve da Berlenga e da Costa”. Encontro de tradição e inovação A Concha Mar assegura atualmente o fornecimento de mariscos aos diferentes segmentos de mercado, desde o comércio grossista até ao consumidor final. “Fornecemos hipermercados, temos os revendedores, a restauração e fazemos venda ao público. Trabalhamos com restaurantes do norte a sul do país”, explicou Vanessa Sousa. A responsável refere que a empresa já tem uma dimensão alargada, com uma equipa de vários comerciais e diferentes pontos de revenda, que incluem uma loja própria em Portimão e na Lourinhã. A passar por uma fase de mudanças e reestruturação, que coincidiu com a entrada de Vanessa Sousa, a empresa de distribuição de mariscos procura consolidar a sua atividade de mais de duas décadas com o estabelecimento de novas metas e desafios. A atual gestora da Concha Mar assumiu um cargo na firma há sensivelmente dois anos, após ter feito formação numa área bastante diversa. Desde então tem procurado manter a linha basilar de negócio e ao mesmo tempo alargar a abrangência de atividades do mesmo. “É uma área interessante, a adrenalina é imensa com muitos desafios”, refere. Vanessa Sousa acredita que é exatamente este espírito de procura da diversidade e de inovação, a par com o nome firme que já tem estabelecido no mercado, que diferencia a Concha Mar da concorrência. A responsável refere que estabelecem sempre todos os esforços para encontrar os produtos que os clientes pretendem e assume mesmo uma enorme dificuldade em dizer que não ou em recusar uma encomenda. “Quando não há produto no mercado nacional, a Concha Mar tem. Temos boas relações com fornecedores fixos, temos um bom nome com os fornecedores. E somos lutadores, eu passei esse Natal todo ao telefone. Pretendemos sempre inovar, eu gosto muito de ter novos produtos, detesto dizer que não”. Vanessa Sousa Administradora

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concha mar | região oeste: torres vedras e lourinhã

Investimento em oferta diversificada Uma das vertentes em que Vanessa Sousa mais procurou apostar desde que se envolveu na gestão da Concha Mar é na diversificação e ampliação da oferta de produtos. A responsável investiu no aumento da oferta de mariscos da empresa, com introdução de produtos como a lagosta e alguns víveres da costa nacional. “Gosto de apostar em produtos novos, de chegar a grandes marisqueiras e ter conversa e alguma coisa que oferecer. E a introdução de novos produtos fez com que os funcionários ficassem motivados e com vontade de ir aos clientes apresentar os produtos”, refere. Para além de querer variar a oferta dos produtos que a Concha Mar já comercializava, Vanessa Sousa pretende ainda criar novos setores de atividade, como a depuração de bivalves e a comercialização de produtos transformados a partir do marisco. “Neste momento temos este comércio mariscos vivos, este depósito de crustáceos, e sentimos necessidade de entrar no mercado com outro tipo de produtos. Neste caso, produtos decorrentes da transformação do produto mãe, da sapateira e do lavagante”. Esta aposta decorre da necessidade que a gestora verifica no mercado de produtos de marisco mais fáceis de adquirir e servir e que possam por isso agradar às camadas mais jovens do mercado. “Nós sentimos que neste momento a maior parte das pessoas não quer pegar numa sapateira viva e colocar dentro da panela. As pessoas já não têm tempo e mesmo que tenham não o querem disponibilizar dentro de quatro paredes. Acho que as camadas mais jovens querem chegar e comprar o produto, fresco e sem descongelar, e colocar em cima da mesa”. Com este objetivo, a empresa começou já a vender produtos como o paté de sapateira natural e as bocas de sapateira cozidas, produtos que, segundo a responsável, agradam bastante ao público e têm uma saída muito relevante. Apostas sustentadas para o futuro Um dos marcos fundamentais para o futuro da Concha Mar passa pela inauguração das novas instalações, que estão já a ser construídas e que cuja finalização é expectável para o natal de 2017. Esta aposta prende-se com a necessidade que os responsáveis verificam de ter infraestruturas modernas e mais adaptáveis ao desgaste criado pela água e produtos marítimos e também de ter uma nova localização, mais central e que facilite a logística da empresa. Nas futuras instalações a direção da empresa vai manter o viveiro de mariscos, a parte de indústria e a venda ao público – setores fundamentais para que a empresa possa manter o foco na sua atividade principal - e ao mesmo tempo apostar nas áreas de restauração e de transformação de produtos e de venda direta ao público. Embora estas duas últimas atividades já sejam desenvolvidas nas atuais instalações da empresa, Vanessa Sousa acredita que com as novas condições será possível aumentar mais a capacidade de armazenamento e comercialização dos mariscos. Para o futuro, a responsável acredita que a o caminho é apostar num crescimento sustentado das atividades que já têm e apostar em novos mercados para os produtos da Concha Mar. “Sinto-me perfeitamente confiante com o futuro. Tenho a certeza que mesmo que existam decisões que não corram bem, outras correrão com certeza. Creio que esta empresa tem vindo a crescer nos últimos três anos, de forma sustentada, e a ideia é continuarmos. Acho que mesmo a exportação é uma área que poderemos investir. Queremos levar o marisco a um número cada vez maior de pessoas: desenvolver a parte dos petiscos e do takeaway”.

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região oeste: torres vedras e lourinhã | meganuncius

Seis anos a traçar

Nova frezadora CNC

a diferença Enquanto “ás da comunicação”, a Meganuncius tem vindo a assumir-se como uma referência no setor de reclamos luminosos. Munida de uma equipa particularmente jovem e dinâmica, a empresa não esconde, porém, a vontade de alcançar novos mercados, através da sua impecável política de compromisso.

sócios-gerentes da Meganuncius apostaram recentemente na aquisição de uma fresadora CNC que, entre outras mais-valias, possibilita o trabalho de publicidade e sinalética numa miríade de materiais, desde o metal ao plástico, sem esquecer a cerâmica, o PVC ou a madeira. “Podemos, inclusivamente, entrar em outros setores que até então não estavam no nosso portefólio, nomeadamente mobiliário (mesas e cadeiras), moldes , iluminação personalizada, entre outros”, sublinha Marçal Garcia, numa alusão à heterogeneidade de soluções que a empresa – dotada de um armazém de 1500 m2 – pode agora proporcionar.

Mário e Marçal Garcia Administradores

Constituída por “uma equipa jovem e dinâmica”, a Meganuncius – Design e Reclamos Luminosos, Lda. corresponde a um projeto relativamente recente, pese embora encontre nos seus quadros elementos com “15 a 20 anos” de trabalho efetuado e provas dadas no setor da publicidade. Fundada em agosto de 2011, no concelho da Lourinhã, por uma equipa de sócios que partilhava um importante background e uma visão diferente daquilo que se praticava no mercado, esta é uma empresa que se orgulha de um ADN e ousadia diferenciadoras. “Dedicação, proximidade, compromisso e personalização” correspondem a algumas das características que, no entender do sócio-gerente Marçal Garcia, compõem o código genético da Meganuncius. “Se as pessoas nos ligam, nós atendemos e, se precisam de algo para amanhã, nós fazemolo”, atesta o porta-voz de uma empresa que começou por se afirmar enquanto especialista no desenvolvimento/design de imagem interior e exterior, nomeadamente reclamos luminosos, mobiliário expositor e sinalética para o restaurantes, pastelarias ou cafés. Este corresponde, todavia, a apenas um dos múltiplos serviços aqui proporcionados e entre os quais se inclui, por exemplo, o desenvolvimento de projetos 3D , a decoração de espaços comerciais e viaturas, mupis e sinalética multimédia e – mais recentemente – o uso de ecrãs, montras e estores com sistema LED. Sempre atentos à evolução do mercado e predispostos a abraçar novas áreas de negócio, os

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Uma mega equipa Se o que acima se descreveu não bastasse para cimentar o cariz dinâmico e particularmente ambicioso da empresa, importaria salientar o modo como, mediante um percurso de seis anos, a Meganuncius conquistou uma série de reconhecimentos a nível nacional, entre os quais poderemos sublinhar os estatutos de PME Líder e PME Excelência ’16. Atribuída pelo IAPMEI a firmas que se destacam no que à sua gestão financeira e estratégia diz respeito, este último estatuto é descrito por Marçal Garcia como o “resultado de muito esforço, trabalho e dedicação”, aos quais se junta “a coordenação controlada e quase familiar” que, desde o início, aqui se aplicou. Obedecendo a uma trajetória que, ao longo dos últimos anos, tem sido de continuado crescimento – só no ano passado, a evolução foi de 10 por cento – existem renovados motivos para uma perspetiva “otimista”. Exemplo disso são as diferentes parcerias que têm vindo a ser estabelecidas com outras entidades e tentando sempre fazer “um cliente, um amigo”, no intuito de proporcionarem novos caminhos à Meganuncius. Enquanto porta-voz da empresa Marçal Garcia faz questão de salientar outro importante ingrediente para o sucesso: nada mais, nada menos do que a equipa de 16 colaboradores, que tem feito questão de “vestir a camisola” a cada dia, o que se demonstra pelo seu singular contributo e empenho. Evoluir com o cliente Consciente da importância de atentar ao que ocorre em seu redor, esta é uma empresa que faz questão de não se fechar em si mesma, nunca desperdiçando a hipótese de evoluir através do contacto com os outros – sejam eles o cliente ou demais agentes do setor. Não admira, por isso, que palavras como ‘concorrência’ ou ‘crise’ sejam mais do que bem-vindas:


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região oeste: torres vedras e lourinhã | meganuncius

“se não houvesse concorrência nem crise, não nasceriam as ideias brilhantes, nem surgiria a necessidade do empreendedorismo ou a diferenciação”, argumenta o sócio-gerente que não se deixa intimidar pelo “mercado exigente” com que diariamente lida. Mas nem só de condições adversas se faz a aprendizagem da Meganuncius, até porque as entidades que lhe solicitam serviços também desempenham, nesse âmbito, um importante papel. Exemplo disso são grupos empresariais de grande dimensão em Portugal, como é o caso da Delta Cafés ou da Jerónimo Martins que, para além da especial exigência, se apresentam como verdeiros sinónimos de inovação nacional, funcionado a sua visão empresarial como um modelo diário de inspiração. Não é, efetivamente, incomum que o historial de alguns dos principais clientes da empresa funcione como catalisador para a vontade de chegar cada vez mais longe. Outro empreendedor que Marçal Garcia destaca é Vasco Esteves, gerente do Mercado da Carne, firma voltada para o setor alimentar. Ressalvando estar a falar do seu “cliente mais exigente”, o nosso interlocutor não subestima o quanto cresceu através dos “desafios de timing e perfeição” impostos pelo empresário. O sócio-gerente da Meganuncius, admitindo que “o patamar onde hoje nos encontramos também se deve um pouco a ele”. Ressalvando, ainda assim, a importância particular que cada cliente assume no dia a dia desta ainda jovem firma, o nosso entrevistado realça também que cada trabalho aqui desempenhado é único e, como tal, memorável à sua maneira. Antecipar o futuro Somando atualmente seis anos de atividade, a empresa demonstra saber precisamente quais os próximos objetivos a alcançar. Um deles será o maior investimento no mercado da publicidade em ecrãs LED, que deverá ser assumido de forma sustentada, recorrendo a materiais e equipamentos de excelência, bem como a parcerias que permitam marcar a diferença, ou não estivesse em jogo aquilo que, desde sempre, se afigurou como mais importante para a Meganuncius: a “fidelização do cliente através da confiança e da amizade”. Igualmente assumidos a curto prazo estão outros passos estratégicos, entre os quais se poderão destacar a entrada em novos mercados, a modernização das atuais instalações ou a entrada da firma em processo de pré-certificação, mediante o qual se poderão abrir novas relações de parceria e uma ainda mais diversificada tipologia de clientes. Acima de tudo, no entanto, há uma ambição que começou por se materializar em 2011 mas que, volvidos alguns anos, ainda persiste: “Há uma série de projetos em Portugal em que gostávamos de participar e marcar a diferença”, sintetiza o sócio-gerente, cimentando desta forma outra das características que ajuda a descrever esta empresa: nada mais, nada menos do que a sua eterna juventude.

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região oeste: torres vedras e lourinhã | luftec

Energia com inovação,

sustentabilidade e know-how Com sede na Lourinhã, a LUFTEC proporciona uma miríade de serviços em torno do setor energético, não apenas em Portugal mas também nos PALOP, assumindo-se, ainda, como um importante player na área das soluções renováveis.

Luís Antunes Administrador

Fundada em 1997, a LUFTEC – Instalações Elétricas, Lda. é uma empresa que, mediante uma impressionante heterogeneidade de serviços, se tornou um inegável agente de referência no setor elétrico nacional. De facto, a firma começou por se dedicar exclusivamente à execução de projetos técnicos de eletricidade. “Com a necessidade de criação de novos desafios”, foram abraçadas outras vertentes de atuação, nomeadamente a execução de obras, redes elétricas e de telecomunicações, redes de distribuição de energia, centrais de produção de energia e postos de transformação, bem como a sua posterior certificação, assumindo-se uma lógica “chave-na-mão”, projeto – execução capaz de assegurar a qualidade do serviço ao longo de todo um processo de excelência. Sempre atenta ao mercado, e sensibilizada para a importância de proporcionar soluções de especial eficiência e inovação, a LUFTEC foi investindo no constante diversificar dos seus mercados . Assim sendo, a empresa fez questão de posicionar-se numa trajetória de constante evolução tecnológica, procurando acompanhar os diferentes progressos sentidos no setor e assumir-se como um player de vanguarda. Desta forma, a firma consolidou, também, a sua presença nos setores do gás, das telecomunicações, ou dos projetos de engenharia

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voltados para diferentes especialidades, à medida que passou a desenvolver serviços de eficiência energética, nomeadamente auditorias energéticas com soluções completas de monitorização. Devidamente certificada pela norma ISO 9001 (Sistema de Gestão de Qualidade) e tendo sido já agraciada em solo português pela qualidade do seu modelo de administração, a LUFTEC encontra-se também acreditada como empreiteiro oficial da EDP, significando isto que a firma se encontra devidamente sintonizada com os mais elevados padrões de qualidade. Aposta nas energias renováveis Se há, todavia, um marco importante ao longo deste percurso de duas décadas, tal corresponderá ao ano de 2008, altura em que foi criada a empresa LUFTEC Renováveis. Fazendo jus ao seu nome, esta corresponde a uma área de negócio especialmente vocacionada para o desenvolvimento de soluções energéticas alternativas como, por exemplo, a instalação de painéis solares fotovoltaicos para a produção de eletricidade. Questionado sobre o enraizamento desta tecnologia nas empresas e consumidores


luftec | região oeste: torres vedras e lourinhã portugueses, Luís Antunes é perentório: “Até há bem pouco tempo, tínhamos uma realidade dominada pelas micro-gerações e as pessoas habituaram-se ao conceito de produzir energia para ganhar dinheiro rapidamente”. Hoje, todavia, o gerente constata que “o que se tenta dinamizar no nosso país já não é a produção de energia para vender, mas para diminuir a nossa fatura energética”. Verifica-se, nesse âmbito, “que apenas não instala painéis fotovoltaicos quem não tiver condições, porque é um investimento que, ao fim de cinco anos, está totalmente liquidado e tem uma garantia de 25 anos”, argumenta o nosso entrevistado, que tem vindo a constatar uma maior sensibilização das empresas e da população em geral.

Uma das salas de formação

PALOP: um mercado de oportunidades Pese embora a sua forte presença a nível nacional, falar da LUFTEC é fazer alusão a uma empresa que conseguiu desencadear um interessante trajeto de internacionalização que encontra em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri uma parte significativa do seu volume de negócio. Contrariamente ao que sucede em território luso, a principal atividade da firma nestes mercados passa pela instalação de painéis fotovoltaicos para produção de energia, mas também pela instalação de rede de energia com instalação de postos de transformação. Existe, neste contexto, uma importante responsabilidade social que a empresa assume. “O grande problema destes países é a falta de energia”, sustenta Luís Antunes, antes de sublinhar que a utilização de painéis fotovoltaicos e o fornecimento de “soluções ajustadas às necessidades”, quer de entidades estatais, quer de particulares, surge como uma importante alternativa, atendendo ao elevado preço do gasóleo nestes territórios. Uma muito significativa fatia dos clientes da empresa corresponde, efetivamente, a organizações não-governamentais, que encaminham a energia elétrica para organismos como escolas primárias, centros de saúde ou hospitais. Apesar da forte presença no setor das energias renováveis, a LUFTEC efetua também serviços em redes de distribuição, mas também análises energéticas e auditorias a fábricas e empresas, assegurando a implementação das respetivas melhorias técnicas. “O cliente valoriza o facto de fazermos o percurso completo e de o acompanharmos até ao final”, sustenta o gerente. Formação que antecipa o futuro Um dos fatores que melhor contribui para diferenciar a LUFTEC passa pela formação especializada de todos os colaboradores associados à empresa. Precisamente no seio das suas instalações, existe um Centro de Formação que opera em parceria com o CIFOTIE – Centro Internacional de Formação dos Trabalhadores da Indústria e Energia e o Instituto de Emprego e Formação Profissional. Este é um centro de formação especializado nas áreas energéticas, na eletricidade, nas telecomunicações e nas energias renováveis, bem como nas áreas de segurança e ambiente. Essencialmente, este corresponde a um espaço através do qual são ministrado dois tipos de formação profissional. Um deles está precisamente centrado num regime de aprendizagem local que tem proporcionado importantes hipóteses

de empregabilidade para jovens estudantes que se pretendam iniciar nesta área. Luís Antunes não esconde, de resto, “a importância de conhecer as pessoas que entram” nestes programas e que, mediante um percurso de três anos, se podem vir a assumir como verdadeiras maisvalias para a LUFTEC. Por outro lado, a empresa proporciona uma outra metodologia de formação, ajustada às necessidades das empresas e mercados estrangeiros, fornecendo, inclusivamente, todos os serviços logísticos necessários à acomodação de jovens e empresários estrangeiros durante o período de tempo necessário, não esquecendo que todos os formandos poderão assumir um importante papel de ‘embaixadores’ da LUFTEC alémportas. Um percurso de consolidação Questionado sobre o caminho assumido pelo projeto que tem vindo a liderar, Luís Antunes fala de “um balanço muito positivo”, ressalvando que este “é um projeto que é necessário viver diariamente”. Posto isto, o engenheiro eletrotécnico constata que hoje “temos o knowhow e temos o nome de mercado, o que nos dá conforto e sucesso”. Ainda assim, o nosso interlocutor faz questão de salientar que o seu objetivo “não é um grande crescimento”, atendendo ao facto de o mercado da energia “não ser fácil”, pressupondo, como tal, um conjunto de passos caracterizado por uma especial sustentabilidade. Uma das metas que a LUFTEC pretende alcançar a curto/médio prazo envolve a obtenção das certificações internacionais ISO 14.001 (sustentabilidade ambiental) e OHSAS 18.001 (segurança e saúde ocupacionais), o que proporcionará “alguma abertura de portas porque é, efetivamente, uma mais-valia”. Paralelamente, existe o desejo de “manter os elevados padrões de qualidade, o que implica um controlo apertado de tudo, desde os colaboradores aos equipamentos e às ferramentas”, prossegue o gerente. Tudo indica, por conseguinte, que o futuro da LUFTEC continuará a ser marcado por aquilo que faz a diferença: o conhecimento, a qualidade e, como não poderia deixar de ser, a sustentabilidade.

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especial bienal internacional de arte de cerveira

A Marca da Arte Contemporânea

Com mais de 39 anos de existência, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira detém já um passado histórico. É a mais antiga do país e da Península Ibérica e dedica-se à promoção da arte contemporânea, num evento sustentado por uma notoriedade e reputação nacional e internacional.

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A Bienal Internacional de Arte de Cerveira é atualmente uma marca de nome nacional e internacional. Cultivando e estimulando a criatividade da região, a descentralização cultural e internacionalização, o certame tem vindo a proporcionar um espaço de encontro, interação, divulgação de ideias e uma oportunidade de projeção para artistas nacionais e internacionais. Até à 18.ª edição, foram quatro os Diretores Artísticos, entre eles Jaime Isidoro, José Rodrigues, Henrique Silva e Augusto Canedo. A 19.ª edição estará a cargo de António Cabral Pinto e o evento integra concursos, homenagens, projetos curatoriais, artistas convidados, performances, residências artísticas, workshops e ateliers infantis, conferências e debates, visitas orientadas às exposições e concertos. Este é um dos acontecimentos mais marcantes das artes plásticas em Portugal e uma referência para a cultura artística. Contínuo na sua realização, congrega e estimula a criatividade da região e tem maioritariamente lugar em Vila Nova de Cerveira. No entanto, nas últimas edições tem vindo a alargar a sua incidência geográfica ao promover exposições em espaços culturais em outros concelhos do Vale do

Minho e da Galiza, como Porto, Vigo, Braga, Santiago de Compostela, Paredes de Coura, Caminha, Tomino e Ourense. A Bienal funciona ainda como plataforma de reflexão e criação de oportunidades para a mudança de atitude coletiva, potenciando a criatividade, como força motriz, que serve de ponte entre a cultura e a economia. História Após a transição para a democracia no ano de 1974, Portugal conhece uma ânsia de intervenção artística, de disseminação das artes, de troca de experiências em liberdade, sem os constrangimentos existentes durante o Estado Novo. Logo em 1974, surgem os Encontros Internacionais de Arte, que pretendiam estimular a criatividade artística nos jovens e conseguir a descentralização cultural, num país com fortes carências. Assim, prepara-se a V edição dos Encontros. Jaime Isidoro, artista de referência nacional, recebe o desafio de trazer a arte contemporânea até ao espaço rural e opta por Vila Nova de Cerveira, sendo organizada neste âmbito a 1.ª edição da Bienal Internacional de Arte de Cerveira.


especial bienal internacional de arte de cerveira

1982

“Vila das Artes” Assumindo como desígnio transformar-se na “Vila das Artes”, Vila Nova de Cerveira tem vindo a apostar, nas últimas décadas, na arte, na cultura e na criatividade enquanto elementos diferenciadores deste espaço, no plano nacional e internacional, criando assim uma marca que distingue e diferencia o concelho. Beneficiando da sua localização transfronteiriça, das amenidades ambientais e patrimoniais, da capacidade de atração turística e da prevalência de segunda residência de grande qualidade, Vila Nova de Cerveira fez uma aposta que se traduz numa programação cultural criteriosa e inovadora, em que se pontifica a Bienal Internacional de Arte. Esta estratégia concedeu à região um estatuto que em termos culturais a transforma num palco de um processo que se encontra em crescente integração e cooperação com a Galiza e com os aglomerados urbanos do Porto, Braga e de

Vigo. Ao longo das suas edições, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira já recebeu a visita de alguns Presidentes da República Portuguesa, como Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Aníbal Cavaco Silva. António Guterres marcou presença em 1999 enquanto Primeiro-Ministro, tal como outras personalidades do Ministério. Atualmente trata-se de um evento que é dinâmico e acompanha as novas tendências, pelo que a Arte Digital tem vindo a ganhar relevância nas últimas edições, sendo crescente o número de apresentações de trabalhos nesta área. No futuro, pretende-se que continue a existir esta boa relação entre artes visuais em suportes tradicionais e arte digital, nos seus mais diversos formatos e suportes. É mais um fator de diferenciação que se pretende reforçar fortemente durante este ano, através das plataformas digitais e sua interação com a criação artística.

1986

1992

1997

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ALENTEJO, REFERÊNCIA INCONTORNÁVEL

Quem quiser viajar levando na bagagem o tema das fortificações, tem um excelente pretexto para conhecer alguns lindíssimos centros históricos que nasceram à sua proteção. Tem ao seu dispor uma lista interminável de lugares, cada um com a sua singularidade histórica e o seu enquadramento paisagístico,

No Alentejo viaja-se naturalmente com e pela História. A abundância e a qualidade do Património que a exprime tornam simples a sua descoberta, mas quem visita a região pela primeira vez pode sentir alguns problemas de escolha. Mas não hesite: procure sugestões e verá que a magia do Alentejo se encontra, com um infinito prazer, em todos os lugares. A época do apogeu da cultura megalítica situa-se entre os IV e III milénios a.C., estando inventariadas várias centenas de monumentos em toda a Região. Partir para o campo à descoberta de antas, cromeleques e menires é uma das experiências mais gratificantes que pode viver-se no Alentejo. Basta treinar o olhar para descobrir diversos monumentos pelo campo. Alguns percursos pedestres de natureza, que vivamente aconselhamos, são a melhor forma de os encontrar e, também, de sentir como é exemplar a aliança milenar que aqui se forjou entre a paisagem e o património. É de salientar ainda o período romano em que ficaram múltiplas memórias: da exploração mineira do ouro, da prata e das pirites; da agricultura intensiva feita em grandes propriedades coroadas por casas luxuosas e ricamente decoradas; das indústrias de cerâmica, de extração de sal, de salga de peixe e de construção naval; das fortalezas, templos, pontes, calçadas, santuários, teatros, barragens, aquedutos; dos municípios como estrutura base da administração local. E ficou-nos, obviamente, o latim como língua-mãe do português.

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desde castelos, fortes e atalaias. Évora é uma referência incontornável para quem vem ao Alentejo motivado pelo tema do Património. Classificada pela UNESCO Património da Humanidade, ocupa um justo lugar de relevo em qualquer itinerário de Turismo Cultural. O seu património arquitetónico e artístico é tão omnipresente e impressivo que, por si só, guia os passos de quem gosta de caminhar sem rumo: do romano ao neoclássico, passando pelo gótico e pelas várias expressões do manuelino, da renascença e do barroco, todas as épocas da história estão documentadas com obras que nos enchem os olhos e a alma. Deixe-se ficar mais uns dias, viva tudo isto e, quando a intuição lhe disser que é tempo de partir, aventure-se à descoberta do muito que está para além das suas muralhas e tanto contribui para lhe dar sentido: outras cidades, vilas e aldeias, outros tantos lugares de eleição.


alentejo | galeana

O Templo do Toiro Bravo Onde Portugal termina e Espanha começa, encontramos um local mágico, único, com belas paisagens a perder de vista. Aqui na Galeana, onde pasta a Ganadaria Murteira Grave tomamos contacto com a vida privada do toiro bravo. Pelas palavras do ganadeiro Joaquim Grave percebemos a essência do toiro, a importância do taurismo e a emoção genuína dos turistas que valorizam este verdadeiro templo. Um mundo admirável, que a Galeana nos leva a desbravar. o privilégio raro e emocionante de apreciar o toiro bravo em toda a sua plenitude e no seu habitat natural. É este o prazer que pretendemos proporcionar a todos os que nos queiram visitar. Em Galeana observamos de perto a maneira majestosa como se movimentam, como vivem, como lutam entre si. Tudo isto me dá um enorme prazer, mais ainda quando sinto como se emocionam os que partilham a Galeana comigo. No final serve-se um belo almoço num local emblemático da ganadaria onde, tranquilamente, se prolongam animadas tertúlias.

O Taurismo é um projeto inovador em Portugal. Como nos descreve esta experiência. O toiro bravo é um animal singular, ímpar, com umas características absolutamente extraordinárias. Será das poucas raças no mundo em que a sua selecção foca sobretudo aspectos de comportamento, anímicos, sendo os aspectos morfológicos secundários. Durante os últimos três séculos o homem tem trabalhado a sua agressividade natural, para a transformar naquilo que hoje conhecemos e definimos como bravura, que assenta em qualidades tão eternas e indiscutíveis como são a coragem, a nobreza e, naturalmente, a força física para poder expressá-las. Não seriam estas as qualidades dos Cavaleiros verdadeiros heróis da idade média!? Tendo a noção que a esmagadora maioria da sociedade desconhece a vida do toiro bravo no campo, a sua vida privada que dura entre quatro a cinco anos, considerei importante e fundamental para uma melhor compreensão daquilo que se passa numa arena durante vinte minutos e que chamo a vida pública do toiro bravo, abrir as portas da minha casa a todas as pessoas que sintam curiosidade em compreender melhor que animal é este. Só se ama o que se conhece. O vocábulo Taurismo é o resultado de Toiro + Turismo. É uma aposta a todos os níveis fascinante! Na herdade de Galeana, os visitantes podem ter

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Bravura e nobreza são as principais qualidades que podemos encontrar no toiro bravo? As características que procuro selecionar no toiro são, em duas palavras, bravura e nobreza; mas estes conceitos, ao serem subjectivos, podem variar muito de criador para criador. Para mim, bravura não tem tanto a ver com temperamento, mas sim com entrega. Entrega apaixonada no combate que o toiro trava durante uma lide na arena. Deve investir com transmissão para que provoque emoção nas bancadas. Para mim, a Festa dos Toiros é mais uma festa de emoções do que de perfeições. Nobreza é a retitude no ataque, a prontidão na investida, o galope franco para o adversário. O toiro deve dar tudo quando o desafiam na arena. Deve manifestar toda a sua animalidade, é um combatente por natureza, um profissional da luta.

O modo de criação influencia a seleção do toiro? Existem dois aspectos na criação do toiro bravo. Um tem a ver com a produção do toiro, a sua criação propriamente dita, que reclama conhecimentos zootécnicos, de produção animal ou se quiser conhecimentos veterinários. Outro aspecto, é a sua selecção para a qual não existe nenhum curso específico, mas que pede uma sensibilidade especial. A selecção do toiro bravo baseiase em aspectos anímicos ou psíquicos e, portanto, não quantificáveis. Para selecionar bravura não existe nenhum “bravómetro”. Trata-se de uma apreciação subjectiva, é um conceito qualitativo e não quantitativo. Resumindo, a criação, a produção tem a ver com a “carroçaria” e a selecção tem a ver com o “motor” (comportamento). Há ganaderos que criam bem os seus toiros mas os seleccionam mal, outros que os seleccionam bem mas os criam mal. E há, felizmente, os que sabem criar e selecionar bem os seus toiros. Em Galeana trabalho arduamente para fazer parte deste último grupo. O toiro bravo deve possuir as qualidades


galeana | alentejo

natureza bravo, ele realiza o seu grande bem lutando, ele realiza a sua natureza de lutador na luta, e ele realiza-se plenamente a ele próprio na corrida e pela corrida. Antes de seguir para a arena, o toiro está tranquilo no campo e aí ele é apenas potencialmente bravo. Aristóteles deixou-nos dito que o bem estar supremo ao qual pode aspirar um ser, consiste em actualizar tudo aquilo que é em potência, isto é, efectuar a sua própria natureza realizando as suas possibilidades todas. O que um ser há-de ser é, simplesmente, o que ele é em potência. Então na arena, a bravura actualiza-se, transforma-se nos actos que lhe são próprios: acometividade reiterada sobre o seu objectivo, arrancada sistemática contra todos os oponentes; e estes actos são os que pautam a bravura. A bravura, se no campo era passiva, na arena torna-se activa. A bravura é portanto a natureza do toiro de lide e a corrida de toiros faz-nos entender que Aristóteles tinha razão: o maior bem para um ser consiste em poder expressar a sua própria natureza e realizar tudo aquilo que potencialmente é. O orgulho de animal livre é o que me encanta admirar no campo, porque, para um animal bravo, uma vida de acordo com o seu carácter rebelde, insubmisso, indócil e indomável, tem que ser uma vida livre e não uma vida encurralada num espaço exíguo como vivem os outros bovinos de carne. A Galeana é procurada maioritariamente por estrangeiros. Como observa este facto? As visitas a Galeana iniciaram-se há bastante tempo, mas só depois de a página web estar online tomaram uma dimensão mais próxima do que idealizei. A grande maioria dos visitantes são estrangeiros sobretudo franceses (90%). Os franceses são um povo que procura o autêntico e que valoriza bem a cultura de cada canto da Europa. É gratificante ver a satisfação genuína e a emoção com que desfrutam da herdade da Galeana promovendo-a ao verdadeiro Templo do Toiro Bravo. Paulatinamente, o publico português está a aderir cada vez mais a este projecto, o que me anima e Joaquim Grave Administrador

de um atleta de alta competição. Aqui surge um paradoxo, uma vez que o toiro deve apresentar-se gordo na arena, empresários e público assim o exigem. A lide contemporânea é muito exigente do ponto de vista físico. Como ruminante que é, não faz parte das espécies corredoras, daí que não esteja preparado nem anatómica, nem fisiologicamente para suportar esforços físicos continuados e prolongados como é uma lide de vinte minutos. O consumo de glucose é bastante mais rápido que a sua reposição para níveis basais, o que provoca um défice de energia só compensado pelo milagre da bravura. Faço correr os toiros três vezes por semana durante oito a dez minutos; desta forma dou-lhes preparação física para aguentarem melhor a lide. É a bravura do toiro alicerçada numa boa preparação que faz com que o animal continue o combate até ao final da lide; um autêntico milagre zootécnico. Aliás toda a ética da corrida repousa sobre a ideia de bravura e a sua legitimidade intelectual deve ser analisada sobre uma resposta simples a uma simples questão: o que é o toiro? O toiro de lide, o toiro bravo, não é um animal doméstico, nem um animal selvagem, é um ser essencialmente bravo. Ele põe o valor intrínseco do seu combate acima do seu próprio sofrimento e é isso mesmo que o define como bravo. O toureiro trata o toiro de lide de acordo à sua própria natureza, isto é, conforme a sua natureza de animal que luta. A ética tauromáquica é a seguinte: respeita-se a própria natureza do toiro combatendo-o, pois é um animal de combate. É uma espécie de ética aristotélica. Com efeito, o seu princípio diz: para cada ser, o seu bem supremo não é (pode não ser), simplesmente um estado passivo (o prazer em face à ausência de dor). O bem-estar supremo pode residir numa actividade pela qual cada ser actualiza as suas potencialidades, pela qual realiza activamente a sua própria essência. É exactamente o que faz o toiro; sendo um ser por

renova a paixão de continuar a trabalhar. Por opção do seu autor, Joaquim Grave, este artigo não segue o novo acordo ortográfico

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alentejo | herdade do porto carro

Paixão pela diferença Considerado o ‘Melhor Produtor do Ano de 2016’, José Mota Capitão distingue-se por uma filosofia assente na qualidade, na diversidade e na sustentabilidade, que se reflete no estilo inconfundível dos vinhos produzidos em Portocarro. Situada no Alentejo com características atlânticas, esta herdade cria néctares profundamente originais, destinados aos apreciadores mais exigentes. José Mota Capitão Administrador

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José Mota Capitão relembra as suas raízes profundamente ligadas ao Alentejo. A paixão pela agricultura vem desses tempos, embora toda a sua infância tenha sido passada na capital. Para ele é fundamental manter o equilíbrio da natureza, retirando apenas da terra, os bens que desde os nossos antepassados nasciam nesses mesmos territórios. Garantir a genuinidade dos produtos e a sustentabilidade do meio ambiente é a matriz que norteia a gestão da Herdade do Portocarro. “O meu pai é de Evora mas veio estudar Medicina para Lisboa e por cá ficou. Embora nunca tenha tido contacto direto com o campo, sempre adorei esta área. Mais tarde, tirei o curso de Agronomia e comecei a delinear o meu futuro, ou seja, queria ser produtor de vinho, arroz e gado bovino. Após terminar o curso, cumpri o serviço militar e trabalhei durante quatro anos na área da nutrição vegetal. Mais tarde, surgiu


herdade do porto carro | alentejo a oportunidade de arrendar a Herdade de Portocarro, que passado dois anos adquiri”, recorda o agricultor. Situada a Sul de Lisboa, no concelho de Alcácer do Sal, esta propriedade era constituída por uma várzea de arroz e tinha gado bovino, sendo possível a plantação de vinha, tornando-se o território ideal para o projeto de José Mota Capitão. Desde o início que a Herdade do Portocarro se dedicou à produção de vinhos únicos, com características diferenciadoras, posicionando-se em nichos de mercado. “Não acredito numa agricultura intensiva em sequeiro. Na minha opinião, temos de nos adaptar à realidade da natureza e às características edafoclimáticas do território,

as marcas Herdade do Portocarro, Anima, Cavalo Maluco, assim como algumas edições limitadas e exclusivas. Composta por 140 hectares, dos quais 60 hectares são destinados à produção de arroz, a vinha ocupa os terrenos mais adequados para a concretização deste processo. “Na implementação deste projeto resolvi delimitar o terreno e plantar três vinhas, consoante os vinhos que queria produzir, destinados a determinados nichos de mercado, para consumidores avisados e evoluídos”, completa José Mota Capitão. Na parte mais baixa da herdade, voltada para sul e totalmente banhada pelo sol, junto à várzea de arroz estão plantados dois hectares, que correspondem à marca

daí a minha opção pelo abandono da produção pecuária. Aos 35 anos comecei a olhar para a agricultura e para este projeto de uma forma diferente, fazendo apenas aquilo que a terra suporta por si só”, explica o produtor, acrescentando: “A vinha foi um processo que demorou sete anos a ser concretizado, pois trata-se de um negócio geracional e era absolutamente indispensável perceber que tipo de vinhos queria produzir. A conselho de alguns especialistas do setor, viajei e fui tomar conhecimento da produção vinícola em Portugal e no estrangeiro”.

Anima. “Ao longo da minha vida descobri e fiquei encantado com os vinhos italianos, e por isso mesmo, decidi trazer a casta Sangiovese para Portugal, que se adapta perfeitamente aos solos da herdade”, afirma o produtor. Este vinho destaca-se pelo aroma extremamente rico, pela frescura e elegância, e por uma grande capacidade de envelhecimento. Passando à vinha mais resguardada pelo montado, que ronda os sete hectares, surge aqui a marca Cavalo Maluco. Trata-se de um blend de Touriga Franca, Touriga Nacional e Petit Verdot, com aromas intensos e fortes, que se conjugam com uma frescura invulgar e um não muito alto teor alcoólico, garantido pela casta Petit Verdot. Este vinho presta homenagem ao grande chefe Sioux, que resistiu à ocupação e destruição das suas terras e da cultura do seu povo, permanecendo fiel aos seus valores. Cada ano de Cavalo Maluco presta homenagem a uma personalidade que se identifica com

A superioridade na diversidade Inserida na região demarcada da Península de Setúbal, mas localizada, em termos geográficos, no Alentejo, a Herdade do Portocarro representa as condições ímpares do clima mediterrânico para a produção de vinhos, devido à sua proximidade com o mar. Nas encostas da herdade encontramos os 15 hectares de vinha, de onde saem

este espírito e com paixão pela diferença. Chegados à zona mais alta da encosta, onde predomina o vento e as temperaturas mais baixas durante a noite, encontramos as castas Cabernet Sauvignon e Aragonez, e os brancos Galego Dourado e Sercial. As primeiras variedades são a base da marca Herdade do Portocarro e Autocarro 27. Em vinhos de quantidades limitadas surgem em destaque o Sercial e o Galego Dourado. “As castas brancas que utilizo nestas edições muito exclusivas estão em vias de extinção, o que me torna um dos únicos produtores a fazer destes vinhos no mundo. Quanto ao vinho rosé, este é encarado como um vinho nobre, que se deve beber à mesa. Em 2013 lancei o Tears of Anima (Lágrimas da Alma), com base na casta Sangiovese”, acrescenta José Mota Capitão. Nos dias de hoje, os vinhos da Herdade do Portocarro são comercializados em mais de 20 países, em especial na União Europeia. “Estas marcas estão presentes em nichos de mercado, que procuram essencialmente a qualidade, a sofisticação e a diversidade de sabores e aromas. De uma forma simples, estou a falar de estruturas familiares, que são parceiros fortes, profissionais e sérios. Existe de facto uma relação de confiança e um conhecimento mútuo. Atualmente, exporto sensivelmente 50% da produção.

Quanto ao mercado nacional, os vinhos da Herdade do Portocarro são distribuídos pela PortfolioVinhos”, sublinha o administrador. Olhar o presente e o futuro “Este prémio, concedido pela a revista WINE Essência do Vinho, é o reconhecimento do trabalho sério, apaixonado, afastado dos holofotes. Estou muito grato por esta distinção e sei a responsabilidade que acarreta para o futuro do meu projeto”. Foi com estas palavras que José Mota Capitão se referiu ao prémio “Melhor produtor do ano de 2016”. Um sentimento ainda mais especial devido ao percurso solitário que tem efetuado, mas que tem sido coerente com a sua forma de estar e com a produção do seu vinho. Por isso mesmo, reconhece a fidelidade dos seus clientes, que ao longo da última década têm confiado na qualidade do seu vinho. “Defino-me como um artesão que procura a matéria que a natureza oferece, em escalas limitadas. Interessa-me a pureza do local e do projeto, este é o ideal para o qual trabalho diariamente. E, como o sonho comanda a vida, o meu futuro passa por continuar a sonhar e a idealizar novos projetos, que se materializem em produtos de excelente qualidade”, termina José Mota Capitão.

WWW.PORTOCARRO.COM REVISTA BUSINESS PORTUGAL 45


alentejo | vetheavy

Na vanguarda da gestão pecuária Atuar como parte integrante da exploração é o principal desígnio da VetHeavy. Fundada pelos médicos veterinários Filipe Roque e Pedro Cabral, a empresa é uma referência na prestação de serviços veterinários de campo. Constituída em 2008, a VetHeavy está na primeira linha nos setores da reprodução e melhoramento genético e na gestão informática dos efetivos pecuários.

Filipe Roque e Pedro Cabral Administradores

Inovação é a palavra de ordem desta jovem equipa de médicos veterinários, que ao longo da última década tem procurado dar resposta na área dos animais de grande porte, encontrando soluções essenciais para melhorar o dia a dia do produtor. Pioneira no setor da reprodução, a VetHeavy apresenta um conjunto de serviços veterinários, que procura garantir a criação de valor e o aumento da sustentabilidade e produtividade das explorações pecuárias. “A partir de um determinado momento, sentimos que era necessário começar a ter uma visão mais abrangente do setor, equacionando quais seriam as exigências no futuro. Logo, decidimos enveredar pela área da reprodução em animais de produção.

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Hoje, através de um trabalho de campo afincado e do acesso a equipamentos tecnológicos de excelência, conseguimos controlar todos os fatores inerentes à reprodução animal, o que nos torna parceiros fundamentais para os produtores, pois com a nossa intervenção conseguimos aumentar os níveis de fertilidade nos animais”, assegura Filipe Roque. Há sensivelmente quatro anos, a VetHeavy adquiriu o laboratório de reprodução móvel, que permite a realização de exames andrológicos ou a congelação de sémen, proporcionando uma maior segurança e condições de trabalho mais adequadas às exigências reais do dia a dia no campo. Paralelamente a VetHeavy concentra todas as valências relacionadas com a atividade veterinária, sanidade e profilaxia

animal, assim como a gestão do maneio e o registo dos efetivos pecuários. A realização do “Dia Aberto VetHeavy” é já uma imagem de marca da empresa, que acredita na formação e procura levar aos seus clientes todas as informações inerentes ao seu trabalho. Este evento que se realiza de dois em dois anos procura fomentar o conhecimento dos produtores e firmar laços de confiança, proporcionado um dia de convivío, mas ao mesmo tempo abordando assuntos importantes da atualidade na área agropecuária. Na 6.º edição do dia aberto, a VetHeavy tratou o tema das transações intracomunitárias e lançou o seu mais recente produto, a plataforma de gestão vocacionada para o produtor, sendo aliás a primeira empresa privada a proporcionar este serviço no setor. Este projeto está a ser desenvolvido em parceria com a Alentapp. “Desde o início que todos os dados de cada vaca e de cada propriedade estão informatizados. Esse trabalho informático é crucial no nosso dia a dia, ao permitir um controlo rigoroso de todos os elementos, mas mesmo assim decidimos apostar fortemente nesta vertente. Por isso mesmo, desenvolvemos um programa informático, que vai estar disponível para todos os nossos clientes, no qual o produtor poderá aceder a todos os dados de cada animal, mesmo tendo várias explorações, em tempo real. Este será um apoio fundamental e uma segurança para o produtor”, explica Pedro Cabral. Olhando para o futuro e com uma área de atuação que abrange o Alentejo, o Ribatejo e o Algarve, a VetHeavy terá como principal desafio, continuar a assegurar a celeridade e a qualidade, que sempre pautou o trabalho da equipa. Por outro lado, permanecer na linha da frente do setor é o principal propósito da VetHeavy para os próximos anos, continuando assim o seu trabalho pelos animais.


alentejo |ponto óptimo consultores

As novas tecnologias ao serviço do cliente Sinónimo de qualidade, inovação e conhecimento, a Ponto Óptimo Consultores foi fundada em 1999 por Orlando e Ricardo Roque. Desde a fundação, a empresa sempre apostou na introdução das novas tecnologias existentes, apresentando um conjunto de serviços diferenciado e adaptado às exigências do mercado.

Ricardo e Orlando Roque Administradores

Disponibilizar soluções para a criação e desenvolvimento do tecido empresarial regional e nacional é a principal missão da Ponto Óptimo Consultores. Sediada em Beja, esta empresa nasceu da vontade dos dois sócios e irmãos, que sentiram a necessidade de criar uma empresa na sua terra natal, um negócio apelativo e adequado às solitações do mercado. “Na altura estava a terminar a licenciatura em Gestão de Empresas na Universidade do Algarve e o Orlando tinha terminado a licenciatura em Auditoria. Tendo obtido então a formação académica, estavam reunidos os pressupostos para a criação da empresa nos setores da contabilidade, consultoria e realização de projetos”, recorda Ricardo Roque. No que diz respeito à área da contabilidade e assessoria fiscal, a Ponto Óptimo disponibiliza aos seus clientes três modalidades de prestação de serviços, nomeadamente a execução dos serviços tanto dentro de portas, como também nas instalações dos próprios clientes

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ponto óptimo consultores | alentejo ou a disponibilização de plataforma informática nos escritórios dos clientes com a supervisão final efetuada pela empresa. “Há cerca de três anos que procuramos aprofundar os serviços de contabilidade, implementando um projeto de proximidade junto dos nossos clientes. Através de protocolos com vários parceiros informáticos, estamos a prestar serviços com base num software online, adaptado ao nosso método de trabalho, que permite aproximar os serviços administrativos das empresas aos nossos serviços de contabilidade, conseguindo dessa forma dar uma resposta mais célere, mais pormenorizada e mais fidedigna aos clientes”, explica Orlando Roque, acrescentando que “com a permanente evolução, mesmo do ponto de vista fiscal, os métodos tradicionais tendem a desaparecer e torna-se quase obrigatório oferecer uma solução diferente. Este tem sido o nosso produto estrela e somos uma referência no Alentejo nesta área de negócio. Basicamente a ideia passa por reduzir o número de lançamentos efetuados na empresa, a uma percentagem de 5 a 10 por cento, ou seja, queremos alocar esse tempo à conferência de dados e não à introdução dos mesmos”. Mas, também na vertente organizacional, a Ponto Óptimo Consultores ganha destaque, ao ter implementado em 2009 uma plataforma única no país, que permite um controlo processual do trabalho executado. Por outras palavras, quando a tarefa é terminada, o software envia um email ou um sms para o cliente, a dar conta da conclusão desse processo, como por exemplo a entrega de uma declaração de IVA. Essa plataforma permite à empresa controlar o trabalho da equipa, conseguindo uma maior fiabilidade na gestão do trabalho e nos processos internos. Quanto aos clientes conseguem realizar o autocontrolo dos processos que a Ponto Óptimo efetua internamente. “Esta plataforma foi criada por uma empresa de informática e foi feita à nossa medida, porque não existe nada do género no país”, completa Ricardo Roque. A par da contabilidade, a Ponto Óptimo Consultores apresenta como outra das áreas de negócio a componente da consultoria económica, assim como a realização de projetos de investimento e candidaturas a apoios comunitários. “Temos realizado candidaturas essencialmente para os setores do turismo, agricultura, indústria e comércio, tendo em conta também a diversidade de setores que existem na nossa região”, revela Ricardo Roque. De salientar ainda a criação da Ponto Óptimo Ninho de Empresas, que foi a primeira incubadora a ser criada em Beja. Um investimento positivo segundo os fundadores, que procuram continuar a apoiar o surgimento de novas ideias e empresas na região. A Ponto Óptimo Consultores trabalha com os mais variados setores de atividade, sendo que os seus clientes são sobretudo pequenas e médias empresas, dando-lhes acesso a ferramentas de vanguarda, a um custo muito acessível. No que toca ao raio de intervenção das empresas, este estende-se à zona sul do rio Tejo até ao Algarve. Auxiliar o sucesso dos seus clientes é o principal objetivo da empresa, que prima pela inovação, pelo recurso às novas tecnologias, pelo controlo das operações, pelo conhecimento do setor e pela proximidade com os seus clientes. “Não aceitamos a estagnação, quando vivemos num mercado em constante mudança, que necessita efetivamente de novas soluções, quer a nível fiscal, quer a nível contabilístico. Essencialmente o escritório da empresa e o nosso tem de ser uma única unidade. Queremos eliminar o gap temporal entre o fecho do mês e a concretização propriamente dita do trabalho contabilístico, que pode ir até três meses, mas nós estimamos que seja possível uma redução substancial desse período até cerca de dias, semanas”, completa Orlando Roque. Reconhecida em 2004, no âmbito do programa REDE, como uma das melhores práticas empresariais, a empresa continua a manter o mesmo foco, ou seja, investir na gestão e no mapeamento dos processos adaptado às novas tecnologias, para criar valor aos seus clientes. “O nosso grande objetivo e desafio é terminar com o papel e com o lançamento. Este é um objetivo ambicioso, visto numa perspetiva a dez anos, sendo que o ambiente neste momento é propício para alcançar essa meta. Por outro lado, queremos reduzir o tempo de resposta com o apoio das novas tecnologias, evitando a duplicação de trabalho e

permitindo uma informação mais fidedigna e atempada, mantendo sempre vivo o pilar da proximidade junto dos nossos clientes. Relativamente aos serviços penso que conseguimos abranger todas as áreas, sendo que iremos continuar a fomentar parcerias com os especialistas da área informática”, salienta Orlando Roque. “Quanto ao ninho de empresas, iremos continuar a apostar no aparecimento de novos projetos, acolhendo novas empresas que se pretendam instalar nesta região. Este é um mecanismo de indução do empreendedorismo que faz parte da nossa marca e do nosso espírito empresarial”, termina Ricardo Roque.

Ponto Óptimo Consultores ® Contabilidade – Consultoria – Candidaturas Comunitárias – Incubação de negócios Rua dos Marceneiros, 2 – 1º Andar | 7800-009 Beja Tel +351 284 322 985 www.pontooptimo.pt

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alentejo |restaurante o aficionado

O Pedro da Amieira - “O Aficionado” Junto ao grande lago do Alqueva, encontramos a aldeia ribeirinha da Amieira, que é conhecida pela marina e pelo Pedro da Amieira. Neste belo recanto do Alentejo, o restaurante O Aficionado surge em grande destaque, pela cozinha regional e pela decoração ligada ao mundo tauromáquico, que faz deste espaço local de paragem obrigatória. própria de vinho – O Aficionado tinto e branco, que completa a refeição e tem sido muito bem recebido por todos”. Com capacidade para 250 pessoas, O Aficionado recebe clientes de todos os pontos do país e do estrangeiro, sendo um meio fundamental para a dinamização da região. Situado numa localização privilegiada, junto ao Alqueva, o restaurante está aberto de terça-feira a domingo, das 12 às 15 horas, e das 19.30 às 22.30, exceto quinta-feira à noite. Quanto ao futuro, o Pedro da Amieira pretende que O Aficionado continue a ser uma referência desta aldeia e do gosto pelo mundo tauromáquico.

Clotilde, Pedro e Cátia Pimenta Proprietários

Ao chegar à aldeia da Amieira, em pleno coração do Alentejo, não podemos deixar de parar no restaurante O Aficionado. Este local emblemático da região, que conta com mais de duas décadas de existência, representa a enorme paixão da família Pimenta pelas suas raízes e pelo mundo tauromáquico. “Desde os 13 anos que estou ligado à área da restauração. Inicialmente trabalhei em Évora, mas acabei por regressar à minha terra natal, onde estabeleci o meu próprio negócio. Há 28 anos que O Aficionado abriu as portas, numa primeira fase num espaço mais pequeno. Mais tarde, decidimos ampliar o restaurante, inaugurando este espaço há cerca de nove anos, precisamente no dia 25 de abril. Sempre mantivemos a estrutura familiar, e hoje a segunda geração já está inserida na estrutura da empresa, o que representa o nosso gosto pela Amieira e pela tradição tauromáquica”, revela Pedro Pimenta. Ao entrar na casa com a traça tipicamente alentejana pode saborear iguarias de excelência e encantar-se com a beleza e a peculiaridade do local, pois toda a decoração tem como tema as touradas. De lá sobressaem os quadros dos forcados e dos toureiros, mas igualmente os cartazes publicitários originais de todas as touradas realizadas na Amieira, desde que a praça de touros foi inaugurada, tornando-se num verdadeiro museu da aldeia. Mas o grande ícone é o touro que está no centro do restaurante e prende todas as atenções. Conhecido pelo restaurante que tem o “boi lá dentro”, O Aficionado prima pela gastronomia regional, pelo serviço de qualidade, pela simpatia e por fazer com que os seus clientes se sintam claramente em casa. O conceito d’O Aficionado é conhecido pelo seu menu completo, desde entradas, pratos principais e sobremesas, aliando a boa gastronomia regional, à sua marca própria de vinho. Como entradas pode saborear o pão, o presunto, o queijo, o paio e as azeitonas, produtos típicos da região alentejana. Quanto à ementa é constituída pelo bacalhau à casa, pelos grelhados ou pelo lombo assado no forno. Para acompanhar esta bela refeição, O Aficionado lançou recentemente a sua marca própria, como nos explica Pedro Pimenta: “com a cooperação da Sovibor conseguimos lançar e registar a nossa marca

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Rua de Évora 7220 Amieira PRL Tel: 266 611 374 Email: restaurante.aficionado@sapo.pt


EMPRESAS GAZELA

As empresas jovens e com elevados ritmos de crescimento, sustentados ao longo do tempo, têm já uma designação própria: empresas gazela. O conceito é assumido internacionalmente e traduz organizações inovadoras, capazes de se posicionar de forma diferenciadora nos mercados, afirmado a sua competitividade. O sucesso é apresentado a um ritmo acelerado e contribuem para a criação de emprego. Cada vez mais se assiste na região Centro ao aparecimento de empresas de nova geração, centradas em tecnologia e inovação, com atividades económicas geradoras de valor acrescentado com base nos novos fatores de competitividade. As empresas portuguesas são, fundamentalmente, de dimensão reduzida, mas são elas que mais se reinventam e que procuram inovar. Por isso mesmo, o número de empresas gazela não para de aumentar no centro do país e só no ano anterior foram identificadas 87 empresas com as características necessárias para esta designação. Um crescimento muito significativo, face ao ano de 2015, na ordem dos 53%. A importância das empresas gazela é fulcral no universo empresarial, quer pelos seus elevados níveis de crescimento como pela significativa criação de postos de trabalho. Motor de desenvolvimento da economia regional e riqueza, apresentam ainda uma articulação e complementaridade com os sectores de atividade económica instalados nos municípios e na região Centro. Encontram-se disseminadas pelo território, repartindo-se por 45 dos 100 municípios da região, sendo o concelho de Coimbra o que tem um maior número, com dez empresas gazela.

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empresas gazela |iht

A qualidade aliada à inovação Sediada em Soure, a principal atividade da IHT passa por desenvolver, produzir e comercializar soluções de pavimentos e revestimentos compósitos e perfis em PVC para caixilharia. Em entrevista a Marco Duarte, gestor da empresa, ficámos a conhecer a história, o produto e a estratégia desta jovem empresa. leva a empresa a competir a uma escala global não assusta Marco Duarte quando nos confidencia que no futuro “se queremos continuar a crescer, temos de procurar novos mercados.” A inovação aliada à preocupação de oferecer um serviço de qualidade é considerado um valor estratégico para o crescimento da IHT. Pensar no cliente é o mais importante, e nesse sentido este compromisso (IHT – cliente) assenta em três pilares: o Produto (com o máximo de qualidade e que correspondam às necessidades e expectativas dos clientes), o Serviço (mais rápido e eficaz) e a melhor relação Qualidade/Preço.

Marco Duarte Gestor

Em plena crise económica de 2009 surgiu a IHT, uma empresa pensada para oferecer soluções inovadoras ao mercado da construção. Apesar do aparecimento da empresa ter acontecido numa altura de dificuldades no mercado onde viria a operar, a resiliência da equipa e a matriz inovadora do projeto permitiu-lhe atravessar este período menos bom da economia portuguesa, tendo vindo a afirmar-se como a principal fabricante de soluções compósitas para pavimentos e revestimentos do nosso país, e como um player reconhecido internacionalmente no que toca à qualidade e inovação dos seus produtos. “a IHT não tem medo de inovar, mesmo sabendo que a inovação acarreta desafios difíceis de superar.” De ressalvar que o mais importante para a IHT não é pensar em vitórias de momento, mas sim em estratégias a longo prazo capazes de consolidar a marca nos mercados onde opera. Tendo a empresa nascido para fabricar sistemas de perfis de PVC para caixilharia, produto que não tinha à data fabricantes nacionais, e sendo ainda hoje a única a fabricar este tipo de soluções, cedo decidiu avançar com o

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desenvolvimento e fabricação de sistemas compósitos para pavimentos e revestimentos, nomeadamente deck compósito, área onde detém várias patentes nacionais e internacionais, e onde é reconhecida internacionalmente como uma das empresas de referência no que toca à qualidade e inovação. Hoje a marca tem um produto “com qualidade, com caraterísticas intrínsecas e extrínsecas que o mercado percebe e valoriza. É um produto que tem competências para estar em qualquer parte do mundo” sublinha Marco Duarte. A IHT recorre às mais avançadas tecnologias para desenvolver e produzir soluções simples, inovadoras e duráveis. Quanto ao mercado, apesar de atualmente produzir principalmente para o mercado nacional, a ênfase tem sido colocada na exportação, onde tem vindo a aumentar a presença de forma gradual e consistente (cerca de 35por cento de exportação no ano 2016). Este crescimento que

Marco Duarte indica que o sucesso da empresa deve-se a uma forte aposta na inovação, mas também e principalmente ao esforço de uma equipa competente e altamente motivada de 17 colaboradores (sendo que 75 por cento têm menos de 35 anos) que foi selecionada criteriosamente. Como o Gestor da IHT menciona “somos uma empresa pequena, no entanto, os nossos colaboradores são grandes no que toca à entrega e competência, grande parte tem formação superior e todos são continuamente sujeitos a formação e acompanhamento para o desenvolvimento das suas competências.” Cultivando um espírito de equipa assente na motivação, transparência, no respeito e na formação contínua a IHT promove o envolvimento e a participação de todos os colaboradores com o objetivo de procurar fazer mais e melhor, no sentido de chegar sempre mais longe.


empresas gazela | Solintellysys

“Criamos soluções para o mundo” Apostar em soluções de alta qualidade e eficiência, de forma a satisfazer as necessidades e as expetativas dos seus muitos clientes são os pilares da Solintellysys, uma empresa dinâmica com visão na internacionalização.

João Figueiredo CEO

Oficializada a 20 de outubro de 2008, a Solintellysys beneficia de um knowhow acumulado ao longo de 15 anos e da vontade em quebrar paradigmas e de fazer a diferenciação pela qualidade, cumprimento de prazos e assistência técnica disponibilizada. Uma tarefa efetivamente trabalhosa se considerarmos que as soluções produzidas marcam presença nos mais variados setores, como o aeronáutico, automóvel, ferroviário, energético e metalomecânico em geral. Dos serviços prestados pela Solintellysys fazem parte o estudo, projeto, fabrico, montagem e assistência pós-venda de instalações de tratamento de superfícies e pintura para indústria, bem como para instalações de meio ambiente, robótica, energia, automação industrial e projetos industriais

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especiais. A passar neste momento por um processo de expansão, com a construção de uma nova fábrica cuja inauguração se fará no próximo ano, as perspetivas só podem ser de crescimento, garante João Figueiredo, CEO da Solintellysys: “Trata-se da primeira fábrica em Portugal construída de raiz com indústria 4.0, ou seja, totalmente digital”, orgulha-se o engenheiro. Tendo crescido 84 por cento no ano transato e com vários projetos nos 26 países em que a Solintellysys está presente – nos quais se incluem Brasil, México, Alemanha, França e Dubai – o investimento nas novas infraestruturas irá permitir uma melhor e mais célere resposta no que diz respeito a equipamentos grandes, assim como condições mais condignas para a atividade, possibilitando que o mercado olhe para a Solintellysys como um grande player mundial.


Solintellysys | empresas gazela de crescimento, sustentados ao longo do tempo. São organizações inovadoras, capazes de se posicionar de forma diferenciadora nos mercados. A principal vantagem da mesma, na visão do engenheiro, acontece junto da banca: “quanto mais prémios tivermos, melhores acessos temos ao crédito”, uma ferramenta hoje em dia indispensável.

O mercado português está a também a evoluir, o que deixa João Figueiredo contente: “Temos conseguido balancear, esta ano, as exportações com o mercado português. Até ao ano passado tínhamos um perfil de exportação, sendo que

por cento da cota, no setor das duas rodas temos 99,9 por cento dos clientes. Na indústria temos cerca de 50 por cento. Estamos a tomar conta do mercado das máquinas novas. É claro que o parque de máquinas ainda não é todo nosso,

mais de 80 por cento do volume de negócios se destinava à exportação. Neste momento baixámos para 60 por cento exportação e 40 por cento mercado interno. O mercado português está a assumir um papel preponderante, também por força de Espanha que está a começar a crescer”, explica o responsável.

já que há empresas com 20 e 30 anos e nós só temos oito. Mas em tudo o que é novo conseguimos instalar as nossas soluções, que são inovadoras”, garante o CEO. João Figueiredo explica que o que distingue a Solintellysys das demais concorrentes é o facto da sua empresa “vender máquinas com alma”, ou seja, não vender por aquilo que a máquina faz, mas sim pelo que representa ao cliente. Os valores da Solintellysys são sustentados pela confiança, criatividade, qualidade, competitividade, responsabilidade, desenvolvimento e eficiência.

Reconhecimento do mercado “Os produtos estão cada vez mais reconhecidos pelo mercado. Temos vendido às grandes empresas portuguesas e estamos a ser reconhecidos no mercado pela nossa qualidade. Agora o desafio é a consolidação”, refere João Figueiredo. Essa consolidação passa pelo panorama financeiro e pelo número de clientes, de forma a aumentar a penetração no mercado: “No setor aeronáutico já temos 100

Empresa Gazela Há vários anos consecutivos que esta empresa tem vindo a ser agraciada com a distinção “Empresa Gazela”, que corresponde a empresas jovens e com elevados ritmos

Uma equipa verde e profissional A Solintellysys orgulha-se de ser um bom exemplo nos que a práticas ambientais diz respeito. Um trabalho iniciado dentro das próprias instalações e que se estende ao cumprimento das normas e diretivas em vigor. Os mecanismos de produção são otimizados de acordo com uma ótica de preservação do ambiente e de redução da contaminação do ar, da água e da natureza. Relativamente à massa humana que compõe esta instituição, João Figueiredo é perentório: “somos uma empresa com as pessoas e para as pessoas”. A equipa é o grande diferencial e a melhor ferramenta que pode ter ao seu serviço, imprescindível nas relações duradouras estabelecidas com os clientes. Apesar de responsável pela criação de postos de trabalhos na área circundante, a constante solicitação e prontidão da Solintellysys em responder aos desafios propostos tem obrigado ao alargamento da área de recrutamento. Perante a dificuldade em encontrar profissionais qualificados, a solução passa pela criação de uma academia nas novas infraestruturas: “Trata-se de uma pequena escola técnica, onde vamos receber e transmitir os nossos conhecimentos a pessoas que queiram trabalhar nesta área”, adianta João Figueiredo. Na nova fábrica haverá também lugar para um centro lúdico, com piscina, sauna, ginásio e um conjunto de meios para que os colaboradores da Solintellysys possam libertar o espírito e sentir-se bem: “Os nossos colaboradores são um pilar fundamental para o sucesso da empresa. Sem eles nada disto seria possível, pelo que queremos fomentar um espírito saudável entre todos e dar-lhes as melhores condições para tal”, conclui o responsável.

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empresas gazela | transJHL

10 anos a traçar destinos Em entrevista à Revista Business Portugal, José e Henriqueta Loureiro resumem os dez anos de atividade da TransJHL, uma pequena empresa de Mangualde que, mediante muito esforço e coragem, alcançou o estatuto de PME Excelência.

Henriqueta e José Loureiro Administradores

Falar da TransJHL, Unipessoal Lda., implica que comecemos por fazer alusão a um já longo percurso, pautado por uma especial dose de esforço, coragem e visão. O começo desta história dá-se em 2000, momento em que José Loureiro, em conjunto com outros empresários, mantém uma sociedade dedicada ao transporte de mercadorias. O projeto – para o qual entrou também a esposa, Henriqueta Loureiro – acabaria, no entanto, no final de 2006 depois de, por acordo de todas as partes, terem decidido cessar a sociedade. É neste momento que o sonho que o casal partilhava de criar, em nome próprio, uma firma do mesmo setor de atividade acaba por se tornar realidade. Foi deste modo que nasceu a TransJHL, há precisamente dez anos – cujas iniciais remetem para o nome dos respetivos fundadores: José e Henriqueta Loureiro. “Na altura, tínhamos aquele receio que

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toda a gente sente, mas achávamos que conseguiríamos”, recorda a nossa entrevistada. “Foi mesmo um desafio”, complementa o empresário que, em contexto de retrospetiva, recorda como o projeto começou com apenas três camiões. O progresso, por sua vez, foi lento mas sustentado. “Começámos numa divisão da nossa casa, onde fizemos um escritório”, salienta Henriqueta Loureiro, à medida que o marido constata como foram adquirindo “praticamente um carro por ano”. Somando atualmente 12 viaturas munidas com a mais recente tecnologia, a TransJHL é uma empresa devidamente certificada para proporcionar serviços de logística, bem como de transporte de mercadoria afeta a setores tão diferentes como o automóvel ou o mobiliário. Com capacidade para operar um pouco por toda a Europa e, mais particularmente, no mercado Ibérico,

esta é uma empresa que tem assistido a uma importante consolidação e reforço da sua presença em mercados como França, Holanda, Bélgica ou Alemanha. Contando atualmente com o esforço e dedicação de uma equipa de 15 colaboradores, os dois sócios fazem um balanço positivo dos dez anos de percurso assumidos em conjunto. De facto, “estamos tão entregues ao nosso trabalho no dia-a-dia que nem nos apercebemos da passagem do tempo”, constata Henriqueta Loureiro. Mas os méritos da TransJHL estão bem comprovados: afinal, e para além do estatuto de Empresa Gazela (uma distinção atribuída pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro a firmas jovens que demonstrem elevados índices de crescimento), acrescenta-se o selo PME Excelência ’16 (atribuído pelo IAPMEI) que atesta a existência de uma política de

gestão estratégica direcionada para fatores como a competitividade ou o crescimento sustentado. Mas, uma vez alcançados dois patamares como estes, o que fazer a seguir? José Loureiro fala na necessidade de continuar a merecer “a confiança dos clientes”, consolidando, desse modo, a “nossa marca”. A esposa, por seu turno, destaca a importância de se expandirem, naquilo que também se poderá traduzir num eminente – embora necessário – risco: “porque sempre que crescemos também a nossa responsabilidade aumenta”. Já em contexto de conclusão, Henriqueta Loureiro constata que estes foram dez anos feitos a “traçar destinos”, numa referência ao conjunto de sucessos, circunstâncias e imprevistos que, dia após dia, inspiram os nossos entrevistados a chegar cada vez mais longe.


empresas gazela | tuvmetálica

“Juntos, ajudamos a construir um mundo melhor” Enquanto especialista em metalomecânica com obra concretizada em diversos pontos do globo, a Tuvmetálica é uma empresa jovem que faz da elevada especialização da sua mão-de-obra, da sua política de qualidade e da inovação as suas linhas-mestras.

Jorge Cardoso Administrador

Sediada em pleno concelho de Viseu, a Tuvmetálica, Lda. é uma empresa que, através de um breve mas assinalável percurso, se conseguiu cimentar enquanto agente especializado, a nível mundial, na área da metalomecânica. Fundado em 2012 pelas mãos do empresário Jorge Cardoso, este corresponde a um projeto que resultou não apenas do extenso conhecimento acumulado ao longo da sua experiência profissional, mas também da sua singular visão de mercado, através da qual se apercebeu do potencial que existia no nosso país para o desenvolvimento desta atividade. Iniciar um projeto em plena conjuntura de crise revelou-se um desafio ao qual não foi alheia uma importante dose de coragem e estratégia. “O nosso primeiro ano foi difícil e especialmente dedicado à angariação de clientes”, recorda o nosso entrevistado. Posto isto e se, ao início, a Tuvmetálica começou por funcionar “subcontratando mão-de-obra para a execução de serviços”, os anos seguintes traduziram-se

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numa rota de crescimento, comprovada pelo modo como, atualmente, a firma se dedica não apenas à realização de projetos, como também à concretização de toda a empreitada proporcionando, quando solicitada, soluções “chave-namão”. Presenciando, desde então, uma incansável trajetória de crescimento, a Tuvmetálica caracteriza-se pela sua exigente política de qualidade e pela elevada formação dos seus colaboradores, bem como pela miríade de serviços que proporciona. Fazendo da manutenção industrial o seu corebusiness, esta é uma empresa que consegue dar respostas inovadoras a agentes dos mais variados setores de atividade, desde o energético ao nuclear sem esquecer, por exemplo, os ramos automóvel, petrolífero ou de construção naval. Importa, neste âmbito, acrescentar ainda os serviços de montagem de reservatórios, equipamentos mecânicos, estruturas metálicas ou de todo o tipo de tubagens industriais.

Reconhecimento além-fronteiras Acima de tudo, “a nossa luta tem sido ganhar mercado no estrangeiro”, realça Jorge Cardoso que, na prossecução de tal objetivo, não tem poupado esforços na tentativa de reforçar o estatuto e credibilidade da Tuvmetálica. Não admira, nesse contexto, que hoje a empresa se encontre devidamente certificada por um importante conjunto de normas internacionais, entre as quais se destacam a ISO 9001 (gestão de qualidade), ISO 14001 (qualidade e ambiente) ou OHSAS 18001 (saúde e segurança). Hoje, em retrospetiva, o empresário atesta que a implementação além-fronteiras “não foi difícil porque, enquanto portugueses, já somos reconhecidos como bons profissionais em boa parte da Europa e do mundo”. Salientando ainda fatores como “os métodos de trabalho, as éticas, as formações e a tecnologia”, Jorge Cardoso constata também que quem contrata firmas nacionais sabe


tuvmetálica | empresas gazela

que poderá contar, ainda, com uma série de mais-valias que passam pela “eficiência”, a “inovação” ou uma singular “capacidade de adaptação”. Já no âmbito da sua política de internacionalização, a Tuvmetálica faz questão de se diferenciar pelo modo como tem procurado implementar escritórios e sucursais em “mercados estratégicos” como, por exemplo, França, Bélgica ou Moçambique. Mas mesmo com uma importante presença nos mercados estrangeiros (e, particularmente, europeus), esta é uma firma que não pretende voltar as costas ao seu país de origem, assumindo, por seu turno, a ambição de assistir ao crescimento da sua faturação também em Portugal. Projeto 2020 Fazendo jus ao desejo de ver a sua internacionalização reforçada, a Tuvmetálica apresentou uma candidatura ao programa Portugal 2020, no âmbito da internacionalização que, por sua vez, resultou na “aprovação de uma importante verba”. Por outro lado, e atendendo à necessidade de crescer

Uma gazela de olhos no futuro Somando atualmente nada mais, nada menos

também em território português, a empresa concorreu a um novo projeto de investimento orçado em 21.17 milhões de euros, correspondendo ao sétimo maior financiamento a nível nacional. Em concreto, esta iniciativa visa o desenvolvimento de uma unidade fabril em Vouzela centrada no fabrico e recondicionamento de turbinas hídricas, eólicas, a gás, a vapor ou de ciclo combinado. Este corresponde a um setor de atividade em que a

Tuvmetálica tem procurado entrar, atendendo ao facto de não existir, em Portugal, nenhuma empresa que se dedique a este serviço. Considerando que este é um projeto bem estruturado e perfeitamente assente na estratégia de crescimento da empresa, Jorge Cardoso sublinha que “temos muitas microhídricas e hídricas que necessitam deste tipo de trabalho especializado”, antes de lamentar que “sempre que é precisa uma intervenção, recorremos a mão-de-obra estrangeira”.

do que cinco anos de percurso, a Tuvmetálica tem assistido a um justo reconhecimento do seu trabalho também em Portugal. Prova disso mesmo é a obtenção do estatuto de “Empresa Gazela”, uma distinção que anualmente certifica firmas jovens que se encontrem sediadas na região Centro e demonstrem elevados índices de crescimento, bem como uma conduta de comprovada inovação. “Acaba por ser o reconhecimento do nosso espírito de sacrífico”, constata o administrador de uma PME que, ao longo de três anos consecutivos, tem apresentado um aumento de faturação acima de 20 por cento. Acreditando que a aprovação do novo projeto 2020 se poderá traduzir na criação de “cerca de 300 a 400 novos postos de trabalho diretos”, o nosso entrevistado assume o objetivo de “assegurar que os parques eólicos portugueses se tornem mais eficientes e produtivos”, diversificando ainda mais a capacidade de respostas que a Tuvmetálica poderá fornecer. Paralelamente, continuará a ser missão deste projeto garantir um “crescimento sustentado”, traduzido não apenas nos índices de faturação ao final do ano, mas também na formação dos colaboradores e – como não poderia deixar de ser – na inovação tecnológica. Claro está que tudo isto apenas se torna possível através de uma máxima que fala por si: a garantia de que “Juntos, ajudamos a construir um mundo melhor”.

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empresas gazela | Sistmava

Uma empresa de confiança Sediada em Coimbra, a Sistmava - Sistemas de Eletricidade e Climatização desenvolveu-se rapidamente após a sua fundação, valendo-lhe o prémio Empresa Gazela. Essa distinção é o resultado de muito emprenho e dedicação à empresa, que hoje é reconhecida como um parceiro fiável.

Quando foi fundada, a 12 de dezembro de 2008, Portugal passou por uma crise no mercado da construção. Porém, a Sistmava desenvolveu-se de forma notória precisamente nessa altura. “Costuma-se dizer que nas alturas de crise há boas oportunidades de negócio”, admitiu Vasco Carvalho, “nesses anos eu detetei que caíram certas empresas. Nós aproveitamos esse nicho e hoje estamos sólidos, com base para poder olhar para o futuro com otimismo”. A contribuir para essa solidez da empresa, a Sistmava escolhe os fornecedores com que trabalha com base na qualidade e confiança, “tanto a nível de logística, como de preço, são as mesmas garantias que tentamos passar para o nosso cliente”, garantiu o administrador. Possuem um “leque de fornecedores específicos para cada situação”, de forma a garantir a adaptabilidade a cada caso, conforme a

Vasco Carvalho Administrador

Quando o mercado iniciava a sua pior recessão económica, a Sistmava - Sistemas de Eletricidade e Climatização, florescia. De tal forma que lhe foi atribuída a distinção «Empresa Gazela», que reconhece firmas recentemente formadas e com um elevado ritmo de crescimento, o qual é sustentável. Vasco Carvalho, administrador, expressou que essa distinção não alterou em nada o seu método de trabalho, apesar ter sido “bom receber o prémio e ter reconhecimento de um trabalho bem feito”, que demonstra uma empresa de confiança: “Nós mercados é sempre uma mais valia”. Atualmente, a Sistmava aceita todo o tipo de projetos que se enquadrem “na dimensão da empresa”. As oportunidades

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que surgem são avaliadas caso a caso, processo no qual a empresa decide se aceita o empreendimento. “Contudo”, revelou Vasco Carvalho, “o que mais procuramos é serviço público, com maior incidência em empreendimentos que não sejam habitacionais, apesar de também os fazermos”. Procuram trabalhar com parceiros que forneçam garantias e “felizmente”, nos dias que correm, têm alcançado esse objetivo. “O sucesso”, garantiu o empresário, “tem tudo a ver com muito trabalho, dedicação e tempo despendido”. Cobrem todo o país, porém a área geográfica que mais trabalham é a zona centro e Lisboa. Coimbra e arredores também é uma constante.

necessidade. Questionado acerca que obras teria no seu portfólio como cartão-de-visita, Vasco Carvalho esclareceu-nos: “Temos diversas, como vários museus no Alentejo, Lisboa e Sesimbra. Recentemente tivemos em mãos uma obra caricata: a wTVision, em Telheiras. Tenho de referir, no entanto, que todas contribuíram para o nosso crescimento sustentado e para estarmos hoje no mercado de uma forma positiva”. O nascimento da empresa, ainda no ano de 2008, contou com apenas dois ou três colaboradores e foi crescendo “passo a passo”. Atualmente são 25. “O volume de faturação e de trabalho foi aumentando gradualmente”, assegurou o administrador, “sempre de forma sólida e estável, não há aqui segredo nenhum neste negócio: é trabalho e aproveitar as oportunidades que nos vão surgindo”. Para concluir a nossa conversa, Vasco Carvalho revelou só ter “bem a dizer” dos seus trabalhadores, os quais são uma “ajuda fundamental no sucesso da empresa”, o qual se prevê que irá permanecer.


heatermec | empresas gazela

Empreendedorismo jovem de sucesso Nascida em 2011, com raízes em Coimbra, a Heatermec é um projeto de três engenheiros, na área da manutenção industrial. Uma história de sucesso, com um forte crescimento no setor, o que lhes valeu a distinção de Empresa Gazela. Este reconhecimento é o culminar de um projeto empreendedor e inovador, que hoje se apresenta no mercado como uma marca de excelência.

Marta Rodrigues Pedro Santos e Carlos Carvalho, engenheiros nas áreas de Mecânica, Eletromecânica e Ambiente, com um passado ligado a este particular setor, decidiram aventurar-se no mundo dos negócios, por conta própria. Após saírem de uma empresa que atravessava uma fase complicada, e visto que eram, à data, os responsáveis máximos pela assistência aos clientes, criam o seu próprio projeto. Muito direcionada para a área mecânica e técnica, com base no mercado das caldeiras industriais, a Heatermec, atualmente, tem como missão projetar, desenvolver, construir, instalar e conservar mecanicamente equipamentos térmicos com tecnologias que respeitem os altos padrões de qualidade dos nossos clientes, com boas regras de construção,

pertinentes normas de engenharia e a redução do consumo energético. Além disso, elaboram estudos de acordo com as necessidades do cliente, visando a resolução de problemas detectados ou a criação de novos instrumentos de trabalho. Estes projetos englobam um levantamento pormenorizado das necessidades do cliente, cálculo, elaboração de desenhos e listas de materiais. Com uma abrangência nacional, com clientes espalhados ao longo do país, a Heatermec tem, neste momento uma total capacidade de resposta aos seus diversos clientes. Com um nicho de mercado muito centrado nas indústrias têxtil, farmacêutica, alimentar, o crescimento e sucesso que se tem verificado, de forma sustentada, permite que a Heatermec abra agora novos horizontes. O próximo passo

nesta afirmação no mercado, é a criação de uma linha de construção (de diversos equipamentos de produto, nomeadamente caldeiras). Este passo irá obrigar a criação de uma unidade de produção, recrutamento de mão de obra e muito possivelmente a uma mudança de instalações. Uma história de sucesso, numa cidade predominante vinculada aos serviços, num sector dominado por empresas com anos de serviço. A prova viva de que o trabalho, a qualidade e o empenho são as ferramentas fundamentais para se alcançar o êxito. Um exemplo a seguir.

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empresas gazela | earth consulters

“O sucesso advém dos nossos clientes”

David Magalhães CEO (à direita) e a sua equipa

Sediada em Viseu, a Earth Consulters atua por todo o país. Esta empresa de consultoria e formação, certificada pela DGERT, faz questão de atuar sob os mais exigentes padrões de qualidade. De portas abertas ao público desde julho de 2010, a empresa encabeçada por David Magalhães dirige a sua ação a entidades públicas e privadas em qualquer ponto do país, contando com filiais em todo o país. Reconhecimento do seu esforço, dedicação e profissionalismo é a atribuição dos galardões PME Líder, Cliente Aplauso e de Empresa Gazela 2016.

David Magalhães esteve, desde cedo, ligado à área da formação. Quando, em 2010, decide iniciar o projeto da Earth Consulters, fá-lo com a noção de que existiam diversas lacunas no mercado para responder à legislação da formação profissional em vigor em Portugal. “Era nossa intenção, desde o primeiro minuto, disponibilizar um produto e um serviço que alertasse as entidades para a obrigatoriedade da formação profissional, assim como da sua impotância para o aumento da competitividade”. Atualmente, a Earth Consulters continua a promover projetos de formação e intervenção nas empresas nacionais de forma inovadora. Questionado sobre o que distingue a Earth Consulters das restantes empresas, David Magalhães é perentório na sua resposta: o contacto próximo e regular com formadores e formandos. “Queremos ser os melhores, essa é a nossa premissa. Para tal, é necessário um acompanhamento contínuo com colaboradores e clientes, ou seja, formadores e formandos. Além do rigor que aplicamos em todas as tarefas da Earth Consulters, sejam elas internas ou a nível de formação, a nossa equipa está amplamente vocacionada para um atendimento personalizado e que

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responda às necessidades dos nossos clientes. Queremos que o empresário português, se dedique apenas ao seu negócio, deixando tudo o que é secundário e excedente para nós. E esta é a chave do nosso sucesso porque , efetivamente é isto que nos propomos fazer e fazemos”. Integridade, credibilidade e solidez Estes são os pilares pelos quais esta equipa se rege diariamente. “O nosso sucesso depende da dedicação e ambição da nossa equipa. Costumo dizer que o sucesso não é tudo, mas querê-lo é”. A Earth Consulters é reconhecida pelos seus formadores qualificados, pelo seu departamento de formação dedicado e homogéneo, assim como pelo seu departamento comercial, que acompanha todas as fases. Sete anos de sucesso Questionado sobre o balanço de sete anos de atividade, David Magalhães revela que este é positivo, “cada vez mais positivo, com um crescimento consolidado no mercado”. Prova disso são as empresas que voltam constantemente à Earth Consulters para ministrarem novas formações aos seus

colaboradores. “Sinto que estamos em velocidade de cruzeiro, o que é muito positivo numa área de negócio como a nossa, onde além de haver demasiada concorrência, a mesma é desleal, pois muitas empresas de formação não cumprem a legislação. Nós, por outro lado, temos a homologação e certificação do Ministério da Agricultura, IMT e somos certificados pela DGERT”. Mas além desta realidade dentro das empresas de formação, o nosso interlocutor revela ainda o desconhecimento por parte das empresas portuguesas na obrigatoriedade de ministrarem formações contínuas aos seus funcionários. “Podemos afirmar, infelizmente, que existe uma percentagem significativa de pessoas, nomeadamente empresários, que desconhecem a legislação”. Sentimos a necessidade de fazer ver que a formação profissional não é apenas uma obrigação, mas sim uma mais-valia, tanto para chefias como funcionários. Dou-lhe um exemplo muito prático e que, não raras vezes, chega aos notíciarios: a manobração de tratores. Todos os dias deparámo-nos com notícias de acidentes e mortes com tratores. Isto acontece por duas razões: primeiro muitos

dos veículos existentes são já obsoletos e não oferecem a segurança necessária. Em segundo lugar, quem já tem veículos novos, mais modernos, não sabe tirar partido das funcionalidades dos mesmos. Porquê? Porque não tem a formação necessária”. Perante esta realidade, a Earth Consulters já solicitou que seja alargado o seu leque de abrangência para que possam oferecer novos serviços aos seus clientes e, assim, contribuir significativamente para o seu sucesso. Serviços disponibilizados Além da formação, as empresas nacionais podem igualmente contar com a Earth Consulters na área da consultoria. “As empresas vão percebendo a importância e necessidade destes serviços”, refere. “Prestamos serviços de consultoria jurídica, auxiliando os nosso clientes no melhor caminho a seguir para a resolução dos problemas que surgem. Prestamos ainda consultoria na área de marketing e do novo novo quadro comunitário, auxiliando os clientes a incrementar a sua área de negócio, tornando-os mais competitivos num mercado cada vez mais preparado ”.


município de ponta delgada

A capital turística dos Açores Situada na ilha de São Miguel, a cidade de Ponta Delgada é a mais povoada de toda a Região Autónoma dos Açores, representando cinquenta por cento da população da ilha e um terço de toda a população açoriana. Apresenta-se como uma cidade cosmopolita, urbanizada, com paisagens de cortar a respiração e um leque inesgotável de atividades turísticas e de conhecimento, no coração da natureza marítima e terrestre. A Revista Business Portugal procurou saber, junto do autarca José Manuel Bolieiro, quais as estratégias e políticas municipais que a Câmara Municipal de Ponta Delgada tem adotado para o desenvolvimento do turismo de natureza na cidade.

Ponta Delgada assume um papel de relevo na Região Autónoma dos Açores nos mais variados setores económicos. Neste sentido, gostaríamos que começasse por nos fazer uma caracterização do concelho. Ponta Delgada é o maior concelho dos Açores, o mais povoado e é por isso uma cidade cosmopolita, com enorme relevância geoestratégica, económica, social e de logística no que diz respeito à extensão atlântica de Portugal. Quanto à sua dimensão humana somos a mais povoada e portanto temos aqui uma concentração muito significativa, representando cinquenta por cento da população da ilha de São Miguel e estamos por isso acima de um terço da população total dos Açores. No que diz respeito à economia a margem é ainda maior, isto é, em termos de influência e geração de riqueza quer do ponto de vista industrial quer do ponto de vista do setor primário e em matéria de serviços, essa percentagem aumenta. Assim como, na oferta de cuidados de saúde, de ensino e de turismo. Somos portanto o maior pólo, com uma dinâmica de grandiosidade que supera muitas cidades do continente. O turismo, e em especial o de natureza assume já um lugar no pódio da economia do concelho? Nós temos nos Açores o virtuoso círculo de abranger na importância estratégica da nossa economia ao longo dos últimos anos o setor primário tanto em terra como no mar e o setor industrial, ligado essencialmente à agroindústria e agropecuária. A capacidade de autarcia na criação de bem-estar foi motivada em grande parte por vivermos esta insularidade. Atualmente, o setor turístico acrescenta quer no setor primário, quer no secundário um valor acrescentado, que se traduz num aumento de riqueza. O turismo representa para nós a cereja no topo do bolo aos mais variados níveis, incluindo para o comércio local, restauração, alojamento turístico e dos nossos produtos gastronómicos. Daí esta Câmara Municipal acreditar no potencial do turismo no vetor de desenvolvimento económico. José Manuel Bolieiro Presidente

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município de ponta delgada

Os encantos de Ponta Delgada são cada vez mais um cartão-de-visita para atrair novos turistas. Foram inclusive, o destino mais procurado na internet na categoria de alojamento e o mais visitado na época da Páscoa em todo Portugal. O que motivou este crescimento exponencial? Somos hoje um destino turístico competitivo e, como referiu, muito procurado. Chegamos a mercados que há uns anos eram para nós uma miragem. Acredito que o principal entrave ao turismo nos Açores estava relacionado com o custo da acessibilidade aérea e nós, felizmente, combatemos esse constrangimento com uma renegociação das obrigações dos serviços de transporte aéreo que fez diminuir os preços, quer para os residentes quer para os visitantes. Esta liberalização permitiu outras companhias aéreas, incluindo as chamadas companhias low cost acederem a São Miguel, promovendo direta e indiretamente a ilha, enquanto destino turístico e aumentando, consequentemente, a notoriedade internacional da Região Autónoma dos Açores. Os turistas passaram a estar familiarizados com esta nova oferta e as companhias aéreas, sem quaisquer custos para nós vieram garantir uma notabilidade fundamental ao nosso tipo de turismo, caracterizado pelo bem-receber, pela sua boa gastronomia, pelas atividades lúdicas e de conhecimento, pela biodiversidade e pela beleza paisagística que nos foi atribuída por fenómenos naturais. Um estudo da City Branding de 20016 atribui a Ponta Delgada o 21º lugar no ranking dos 308 municípios portugueses para visitar. O que podemos encontrar neste concelho? O turista procura Ponta Delgada, por ser um lugar longínquo, pela aventura, pela natureza e pelo sentimento de segurança que transmitimos. Nós estamos longe dos palcos do terrorismo, temos os mais baixos níveis de criminalidade e portanto essa é outra vantagem para sermos um destino turístico de eleição. A juntar a isso, temos os cuidados de saúde assegurados e a segurança alimentar, com uma gastronomia deliciosa e segura sob o ponto de vista epidemiológico. Temos qualidade no acolhimento, um povo simpático, cordial, prestador e a excelência de entidades dedicadas às atividades turísticas. Também neste sentido desenvolvemos uma política municipal para garantir formação aos profissionais dos negócios turísticos em parceria com empresários e com a Câmara de Comércio e Indústria. No que respeita aos lugares e roteiros turísticos, e em especial os de turismo de natureza deixo o especial destaque para a Lagoa das Sete Cidades, uma das 7 Maravilhas de Portugal e o melhor postal para caracterizar a ilha de São Miguel. Situada numa das crateras vulcânicas que deram origem à ilha, é uma das áreas de paisagem protegida dos

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município de ponta delgada

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município de ponta delgada

Açores e, uma das mais belas paisagens que o homem pode ter o privilégio de vislumbrar. Podemos afirmar que hoje, em Ponta Delgada, existe e fomenta-se a cooperação entre os diversos prestadores de serviços turísticos e a autarquia? Este é um fator determinante para o desenvolvimento de pacotes turísticos atrativos? Sim, sem dúvida. Nos dias que correm pratica-se um ajustamento entre a oferta e a procura e uma complementaridade de serviços. Como o nosso crescimento no turismo tem sido acentuado tivemos que alterar a estratégia e fazer um acompanhamento aos vários setores de atividade ligados à economia do turismo. A Câmara Municipal de Ponta Delgada tem procurado, por razões doutrinais, que a criação de riqueza tenha iniciativa cívica, por acreditarmos na economia de mercado. Mas, também, por acreditarmos que as políticas públicas devam potenciar a criatividade e a criação de parcerias entre o público e o privado, que sejam geradoras de riqueza, de emprego e de negócio turístico para o concelho. Falamos de um tipo de turismo que vive a natureza de forma muito próxima e que pode ser invasivo ao ponto de por em causa a sua preservação? Esta é uma preocupação do município? Infelizmente isso pode acontecer, mas nós estamos cá para o evitar. O fluxo turístico tem aumentado e nós autarcas temos de ter um sentido estratégico e acompanhar esta evolução. Não podemos permitir que esse crescimento seja de tal maneira elevado e progressivo tornando-se nocivo para o meio ambiente. Não podemos permitir que contaminem a nossa galinha de ovos de ouro: a natureza. Por isso mesmo, desenvolvemos um sentido estratégico para consolidar o aumento da procura com a conservação e preservação daquilo que é a nossa grande virtude e que nos torna atraentes enquanto destino turístico. Um dos exemplos do nosso trabalho baseia-se numa relação de harmonia entre a natureza e a

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construção de novos alojamentos turísticos. Não é nossa intenção incendiar a cidade com hotéis e, por isso, apostamos no incentivo à criação de alojamento local e rural. Esta diversificação do alojamento turístico permite mais oferta sem penalizar a natureza e o urbanismo. Temos também políticas públicas de apoio à reabilitação urbana, pois queremos seguir um caminho de charme e não de massificação. Perguntamos-lhe, para terminar, como gostaria de ver o concelho de Ponta Delgada daqui a uma década. Eu gostaria que o concelho aproveitasse o seu potencial de valor acrescentado na economia no setor turístico e industrial. Não gostaria de assistir a uma massificação destruidora das características suis generis de Ponta Delgada. Não gostaria que o turismo na ilha de São Miguel aumentasse de forma desmesurada, desgastando a sua qualidade e equilíbrio. Ao invés disso, gostaria de acrescentar valor à oferta disponível. A nossa arte deve ser ir de encontro à excelência na oferta para depois conseguirmos implementar preços geradores de riqueza e de emprego. Nos produtos transformados devemos garantir que haja ofertas atrativas ao consumo e genuinidade do produto. Se o negócio turístico for visto com esta abrangência, daqui a dez anos, ou até menos, vai favorecer o setor primário na produção e a indústria para a sua transformação e comercialização. O aumento e melhoramento de serviços de atividades turísticas e de conhecimento é outra peça-chave da minha mensagem. Aquilo que eu tenho procurado na política municipal do desenvolvimento turístico para além da formação designadamente na área da restauração, prática da língua estrangeira e do bem-receber, passa por transformar em termos de capacidade credível sob o ponto de vista científico o chamado turismo que na natureza possa deixar definitivamente de ser meramente contemplativo e possa ser ativo e de conhecimento. Quero poder dar a conhecer a nossa origem científica e de tornar Ponta Delgada e a restante Região Autónoma dos Açores num laboratório para o mundo, pois sei que temos potencial para isso, para nos envolvermos num patamar europeu e mundial para a ciência da investigação de fenómenos naturais. A nossa estratégia basilar é e será sempre um ato de inteligência de perspetivar o futuro.


Município da calheta

Um diamante em bruto no meio do Atlântico A ilha de São Jorge caracteriza-se pelas suas arribas escarpadas, pelas fajãs, pelas suas gentes e pela sua natureza tão bem preservada. É neste diamante em bruto, o mais verde de todo o arquipélago dos Açores, que se localiza a vila da Calheta, uma das mais antigas povoações da ilha de São Jorge.

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município da calheta

Décio Pereira Presidente

Foi no decorrer das festividades do Espírito Santo que visitamos a vila da Calheta e ficamos a conhecer esta terra verdejante beijada pelo imenso azul do oceano. Décio Pereira, presidente da Câmara da Calheta recebeu-nos rodeado pelas suas gentes, no decorrer de um convívio típico desta tradição religiosa, onde se degustam algumas das iguarias gastronómicas da ilha e se sente a onda de união e solidariedade da população, ao longo de sete semanas de festejos. O presidente está prestes a completar o seu primeiro mandato, mas a recandidatura já foi anunciada. O que o move para entrar novamente na corrida eleitoral é o desejo de “desenvolver o município da Calheta em diversos setores, pensando sempre na preservação do seu ímpar território natural”, diz Décio Pereira. Segundo o mesmo, “a Calheta é um município repleto de recursos, que os seus munícipes ainda não foram capazes de aproveitar e de lhes dar o devido valor e visibilidade”. É precisamente este panorama que o nosso entrevistado quer mudar, investindo na dinamização e promoção dos produtos gastronómicos da ilha e do turismo de natureza. As principais atividades económicas da vila da Calheta são a pecuária, a agricultura e a transformação de pescado. Na agroindústria, o queijo de São Jorge, resultante da atividade da pecuária, é o fator mais relevante para a economia da ilha. O artesanato, a doçaria regional têm também uma expressão significativa. Para além destas atividades, o concelho da Calheta constitui um destino por excelência para a prática do turismo de natureza, tendo ao dispor um riquíssimo património natural. “Somos uma terra de lagoas, ribeiras, trilhos pedestres, temos a caldeira de Santo Cristo onde se produzem as ameijoas, temos o melhor queijo de Portugal, como referiu o nosso caríssimo Presidente da República, somos terra de fajãs que fazem parte da nossa identidade e de gente afável que sabe receber. Todas estas características posicionam-nos num patamar privilegiado

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para o desenvolvimento do turismo de natureza”, reforça Décio Pereira. O maior apelo que o presidente deixa é aos jovens naturais da vila da Calheta: “peço que eles entendam que esta é uma terra boa para se viver. É preciso saber interpretar a ilha e saber o que está a emergir para se fazerem novas apostas e investimentos. Hoje estou seguro de que na Calheta há condições para os jovens regressarem e se fixarem. Vejo no turismo de natureza um grande futuro, pois fazendo uma avaliação às empresas ligadas a esta área, desde o alojamento local, às empresas que promovem atividades ao ar livre, o sucesso e crescimento está a olhos vistos”. Outro dos aspetos realçados pelo presidente consiste na população da Calheta perceber e aceitar que o turismo é uma mais-valia para a economia da ilha de São Jorge. “O turismo só nos traz benefícios. Por norma quem visita São Jorge tem poder de compra, que por consequência vai contribuir para todos ou praticamente todos os setores de atividade económica do nosso município”, explica o presidente. É também este, um dos motivos que leva o presente executivo a incentivar o desenvolvimento do turismo e a ser um constante parceiro ativo nesta matéria. Questionado sobre o papel da autarquia na divulgação e promoção do turismo, Décio Pereira afirma que estão a fazer os possíveis para melhorarem todas acessibilidades e infraestruturas, para preservarem e manterem limpos todos os espaços e para incentivarem a criação de novas empresas


Município da calheta

de atividades turísticas e alojamentos locais. “As autarquias, numa ilha como São Jorge são uma fonte de criação de emprego se souberem aproveitar os recursos que têm à disposição. Para além disso, nós estamos na linha da frente na questão da preservação e limpeza dos trilhos pedestres, das caldeiras e de todo e qualquer espaço público”, acrescenta o presidente. A proximidade com a população é uma das características deste autarca, como pudemos presenciar. E foram precisamente as gentes da sua terra que o motivaram a regressar: “eu nunca escondi que voltei pelo amor às minhas origens. Voltei com o propósito de arrumar a casa que enfrentava graves problemas financeiros e de desenvolver uma carteira de projetos que pudessem potenciar o crescimento turístico, através da criação e melhoria de infraestruturas. Hoje temos a casa arrumada a nível financeiro e isso vai-nos possibilitar crescer. É por um crescimento saudável e sustentável que luto todos os dias, tudo a pensar no bem-estar dos munícipes”, fundamenta Décio Pereira. O município apresentou no presente ano uma candidatura às Sete Maravilhas de Portugal, na categoria de Aldeias de Mar e Aldeias Remotas, com a Fajã dos Cubres e Fajã de São João. A valorização destes paraísos à beira mar plantados, tem sido o projeto mais desafiante para o autarca e seu executivo. Para o presidente, as fajãs “têm tudo de especial, têm uma tranquilidade apaziguadora, tradições religiosas, gastronomia de destaque como as ameijoas, aguardentes, vinho e pessoas simples e que sabem receber os visitantes”. Para além da candidatura ao prestigiado concurso nacional, a Câmara Municipal da Calheta já realizou dois colóquios sobre estas aldeias com mais de 500 anos de história, que são um autêntico pomar durante todo o ano. “Preservar para desenvolver São Jorge” foi um dos motes dos colóquios organizados e é também um dos lemas deste executivo. Refere o presidente, que São Jorge é uma ilha muito genuína e que os autarcas têm de ter o cuidado de a preservar e de manter a sua identidade. Para o futuro pede “um concelho asseado, com uma comunidade política e cívica mais ativa, sem medo de dar o seu parecer e de apostar no turismo”, pois considera que “com tanta natureza, diversidade de fauna e flora e produtos de extrema qualidade” esse é o caminho a seguir para o desenvolvimento e futuro da vila da Calheta. Por último, Décio Pereira deixa uma mensagem para todos os nossos leitores: “São Jorge é uma ilha muito genuína, onde tudo é imperdível. Espero que nos visitem com vontade de nos conhecer, de conhecerem o nosso mar, as nossas zonas balneares, as nossas ribeiras que são das melhores da Europa, as nossas Fajãs e toda a parte alta da ilha. Visitemnos, pois aqui tudo é a não perder!”

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tema | empresa

Vila da Madalena do Pico é Capital da Vinha e do Vinho Conhecida como a Capital dos Açores da Vinha e do Vinho, a vila da Madalena do Pico assume nas verdes paisagens vínicas parte da sua identidade e singularidade. Estivemos à conversa com o Presidente da Câmara, José Soares, que nos deu a conhecer um concelho que muito tem para descobrir.

José Soares Presidente

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Gostaríamos que começasse por nos fazer uma apresentação do município da Madalena do Pico. O que pode encontrar quem vos vista em termos de património natural e edificado? Situada em pleno coração do oceano Atlântico, o Pico é a segunda maior ilha do arquipélago dos Açores. O nosso concelho situa-se na parte ocidental da ilha e encontra-se distribuído por seis freguesias: Bandeiras, Madalena, Criação Velha, Candelária, São Mateus e São Caetano. Devido à sua proximidade com a ilha do Faial, a Madalena é o principal eixo de comunicação da ilha do Pico, o que faz dela uma privilegiada porta de entrada para visitantes. O que temos


Município da madalena do pico para mostrar recai sobre um riquíssimo património herdado pela natureza e edificado pelo homem, que faz parte da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, classificada em 2004 pela UNESCO. Destaco os Arcos do Cachorro, um dos pontos de interesse turístico mais visitado. Este monumento natural é constituído por uma formação rochosa de origem vulcânica, com grutas vulcânicas e tubos de lava solidificada, que se estende até ao mar. Outros pontos imperdíveis são as Grutas das Torres, as Furnas e o Museu do Vinho, verdadeiros exemplos de utilizações sustentadas que permitem a preservação da natureza e dão a conhecer a nossa identidade. A Madalena foi também recentemente distinguida como a Cidade do Vinho. Que significado trouxe essa distinção? O facto de sermos a Cidade do vinho de 2017 foi motivo de grande orgulho e felicidade. Para além disso, alavancou-nos bastante, pois temos conseguido chegar a mercados que nunca imaginamos chegar. Todos juntos, em comunidade, temos conseguido fazer uma boa divulgação, exemplo disso é que termos concentrado 35 municípios nacionais no nosso concelho, aquando da Gala de Abertura da Cidade do Vinho. Muitos visitaram-nos pela primeira vez e ficaram maravilhados com as nossas paisagens e, acima de tudo, com o nosso potencial. Sentimos que hoje a ilha do Pico e em particular a Madalena do Pico está mais próxima de Portugal Continental. Temos realizado, todas as quintas-feiras, as enotecas itinerantes por todas as freguesias do concelho, onde damos a provar os vinhos do Pico e de outras regiões do país, com o acompanhamento de enólogos e dos seus produtores. Com esta iniciativa queremos criar uma dinâmica muito forte e aumentar a nossa notoriedade. Tivemos ainda recentemente, o privilégio de receber o nosso Presidente da República, que no coração da nossa paisagem disse que se queria tornar no embaixador do vinho do Pico. Claro que as suas palavras foram para nós mais um motivo de orgulho e uma mostra viva da nossa qualidade. Na vila da Madalena do Pico podemos falar de turismo de natureza? Um tipo de turismo onde os visitantes não são meros espetadores, mas participantes ativos? Hoje o turismo no Pico e, particularmente,

na Madalena é uma realidade em expansão. E sim, é essencialmente um turismo de natureza. Nós temos uma paisagem vínica, por excelência, uma zona costeira a ser devidamente explorada, não temos praias, mas temos zonas balneares muito naturais e bastante apreciadas pela qualidade das suas águas, temos monumentos belíssimos edificados pela própria natureza e trilhos, que permitem observar toda a paisagem. Temos uma série de empresas que atuam na promoção de um turismo de natureza ativo, como a observação de cetáceos, mergulho, passeios pedestres e uma panóplia de desportos terrestres e aquáticos.

internacionais. Confesso que neste momento estamos com falta de alojamento, mas felizmente já temos vários projetos em andamento, alguns deles já aprovados e outros em fase de aprovação. Já estão inclusive a ser construídos novos hotéis aqui na Madalena. Esta autarquia tem noção de que é preciso criar mais condições para podermos receber os nossos visitantes. Acredito que a liberalização do espaço aéreo foi fundamental, assim como a união entre o triângulo Pico, Faial e São Jorge. Hoje o Pico é um destino muito procurado, muito visitado e nós sentimos que tudo está a evoluir no bom caminho.

Dada a sua forte paisagem vínica, podemos também falar em enoturismo aliado ao turismo de natureza? Já existem infraestruturas para o efeito? Em 2014, esta autarquia deu início a um processo, cujo objetivo passava por promover o concelho, através da produção de vinho e requalificação das vinhas. Somos o concelho que mais vinho produz em toda a região e penso que o nosso desenvolvimento passará em muito por investir neste setor. Também dentro desta atividade económica, que faz parte da nossa história, importa desenvolver o turismo, de modo a que os nossos visitantes possam conhecer as nossas vinhas e degustar os nossos preciosos néctares. Neste sentido, temos aberto ao público um Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, o Museu do Vinho e a Adega Cooperativa, estes dois últimos situados aqui no concelho da Madalena. Por forma a criarmos melhores condições para receber os nossos turistas, e podermos aliar o turismo de natureza ao enoturismo estão já a ser construídas infraestruturas, como adegas e alojamentos turísticos, com projetos já aprovados ou em fase da aprovação.

Com o turismo em constante expansão, a natureza pode sair prejudicada. É possível manter a balança equilibrada, isto é, continuar a desenvolver e dinamizar o turismo e preservar os espaços ambientais? Eu acredito que sim. Estou consciente de que o aumento do fluxo turístico pode trazer consigo desvantagens para o meio ambiente, mas, em contrapartida acho que há mais gente sensível a essas questões. A própria autarquia está cada vez mais sensível a isso. Lutamos permanentemente para sensibilizar a população e todos aqueles que nos visitam. Temos também atenção aos novos empreendimentos turísticos, de modo a garantirmos que são estruturas que tem no máximo dois pisos e que se tentam assemelhar à traça original e regular dos restantes edifícios da ilha. O próprio regulamento da paisagem protegida e os planos autárquicos de proteção da natureza são bastante apertados e através deles conseguimos controlar aspetos fundamentais para a preservação da nossa paisagem.

A liberalização do espaço aéreo permitiu o desenvolvimento do turismo de natureza na ilha do Pico e, em particular na vila Madalena? Estavam preparados para esse crescimento? Hoje o turismo no Pico e, particularmente, na Madalena são uma realidade, há cada vez mais gente a visitar-nos devido a liberalização do espaço aéreo. Notamos que o fluxo de turistas portugueses aumentou, assim como de outros mercados

cultura. Felizmente, temos tido espetáculos recorrentes e fizemos questão, que os nossos grupos folclóricos fossem os primeiros a pisar o palco, exactamente, para sentirem, que esta obra também foi feita a para eles. Retomamos também uma tradição muito antiga da vila da Madalena, que é o cinema e que está a ter um sucesso extraordinário. Neste momento estamos a dar início à terceira fase da reconstituição do concelho, porque queremos que se torne num centro mais apelativo para quem aqui vive e para quem nos visita. A requalificação da rede de águas do concelho é outro dos projetos que temos em mãos. Passados quatro anos, acredito que este executivo ajudou a mudar a Madalena para melhor, sem lhe retirarmos a sua identidade. Para terminar que mensagem gostaria de deixar aos seus munícipes e a possíveis visitantes da Madalena? Aos munícipes da Madalena quero deixar a mensagem de que acreditem em nós, pois estamos no caminho certo. Fomos eleitos para os servir e zelar pela sua qualidade de vida. Aos possíveis visitantes recomendo que nos venham conhecer. Somos um povo português marcado por diferenças únicas que não encontrarão em mais parte nenhuma.

Falemos agora do seu trabalho enquanto Presidente de Câmara. Conseguiu alcançar os seus objetivos, que balanço faz deste último mandato? Eu sou muito otimista e acredito que estes quatro anos foram muito bons para a Madalena, por todas as obras que concluímos e pelo dinamismo e união que conseguimos criar entre os nossos munícipes e quem nos visita. Alguns dos projetos de destaque que já concluídos são a Biblioteca Municipal, uma obra notável altamente visitada com uma vasta oferta literária e o Auditório da Madalena também ele um espaço único para a nossa

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empresas gazela | Churrasqueira da várzea

“Tentamos sempre ir de encontro ao que o cliente gosta”

Surgiu da vontade de inovar e fazer a diferença, numa área de negócio que desde sempre foi importante para o seu proprietário, Nuno Petronilho. Localizada na cidade de Coimbra, a Churrasqueira da Várzea distingue-se pelo requinte do espaço e qualidade dos produtos e do atendimento, sendo já uma referência na região. Tendo como principal objetivo manter-se a par das novas tendências e das necessidades dos clientes, continuam a trabalhar diariamente para o sucesso do projeto.

Motivado por explorar oportunidades em aberto na área da restauração, sempre com a vontade de inovar e criar algo de novo em vez de seguir outros projetos já criados e bem estabelecidos, Nuno Petronilho abriu em Coimbra a Churrasqueira da Várzea, primeiro numa versão take away e, cinco anos depois, com um restaurante. Acabado de se mudar de Lisboa, onde desde novo esteve ligado à restauração, facilmente identificou o churrasco como um nicho onde gostaria de atuar e marcar a diferença, pela qualidade e pelo requinte, avançando para a criação do seu próprio negócio. As raízes e o contexto do aparecimento da Churrasqueira da Várzea Com as ideias alinhadas, vontade de avançar e alguma experiência e conhecimentos na área, Nuno Petronilho percebeu facilmente por onde queria começar e o que teria de fazer para conseguir apresentar-se de forma inovadora. “Desde sempre gostei muito de restauração, logo em miúdo comecei a ajudar num café e o “bichinho” ficou. Eu sou de Lisboa e lá há

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uma série de churrasqueiras de referência e, quando me mudei para cá, para a cidade de Coimbra, percebi que a realidade era diferente. Não havia um espaço que as pessoas indicassem quando se perguntava por uma churrasqueira, era tudo muito vago, enquanto que em Lisboa as pessoas facilmente indicavam dois ou três sítios como sendo os melhores. E foi neste seguimento que decidi avançar, começando por abrir um take away e tendo logo na altura tentado dar um toque diferente: a pessoa em vez de levar o frango num saco de plástico levava num de papel. A ideia era, no fundo, aproximar o frango ou o entrecosto a outro qualquer prato de requinte que se vai buscar fora, como camarão ou sapateira. Pela qualidade do produto, tudo funcionou muito bem. Tentamos sempre ir de encontro ao que o cliente gosta, procurei sempre o que era bom para o cliente. Ao fim de cinco anos, a pedido de muita gente, entre clientes e amigos, surgiu a oportunidade de abrir um restaurante, um espaço onde as pessoas pudessem também ficar a conviver enquanto comiam, não estando obrigadas a consumir sempre o nosso produto em casa. Normalmente as pessoas


empresas gazela | Churrasqueira da várzea

Nuno Petronilho Administrador

têm uma ideia errada associada a uma churrasqueira, e nós aqui quisemos dar todo o requinte e qualidade. O espaço tem quatro anos, enquanto que o take away já tem nove. Como seria de esperar fomos adicionando novos pratos às ementas e, para além dos frangos e entrecosto, já temos também outras opções, como secretos de porco preto, bifes, bacalhau, polvo... no fundo, e volto a insistir neste ponto, estamos a seguir as necessidades do cliente. O que nós não temos são as diárias, optamos por não seguir esse caminho. Há uma tendência de os empresários tentarem imitar o que já tem sucesso, mas para mim o importante é criar referências, criar a marca”, explica o proprietário da churrasqueira.

muito bem qualquer crítica de um cliente, porque a verdade é que um erro pode sempre acontecer, errar é humano, mas a diferença está em ter a capacidade de reconhecer, pois só assim somos capazes de corrigir e melhorar. No fundo, temos todos a noção de que ter um restaurante é um trabalho que é contínuo. Para estarmos atualizados e a par das tendências do mercado, temos que estar sempre a investir. Temos que estar sempre a melhorar para garantir mais qualidade e mais valias para o cliente. Agora que o IVA desceu, conseguimos amealhar algum dinheiro para continuar a investir, é importante que assim seja para nos mantermos na linha da frente”, afirma Nuno Petronilho.

A importância do relacionamento com equipa de trabalho e fornecedores Apostado em marcar a diferença, não só pelo conceito e espaço, mas também pela qualidade do serviço e dos produtos confecionados, Nuno Petronilho vê na relação com

Reconhecimento atual e projetos futuros Tendo atingido um patamar de reconhecimento e excelência entre clientes, sejam moradores da região, alunos universitários ou turistas, a Churrasqueira da Várzea é um nome importante da restauração na cidade de Coimbra,

a sua equipa de trabalho e fornecedores uma mais valia para o sucesso e crescimento do negócio. “As empresas já perceberam que não vale a pena enganar o cliente, porque quem engana, mais tarde ou mais cedo, acaba por cair. Neste momento, trabalho com muito bons fornecedores, nos quais tenho plena confiança, e que ajudam a que o meu produto tenha sempre muita qualidade. Este é um aspeto fundamental para que consiga que as coisas se mantenham num bom caminho. Outro ponto importante é a minha equipa, os meus funcionários, que são pessoas com vontade de deixar uma marca nesta área e que têm perfeita noção de que não podemos descansar só porque tudo está a correr bem, temos que continuar a trabalhar. Felizmente, aceitamos

tendo sido distinguida como Empresa Gazela e sendo escolhida, pelo segundo ano consecutivo, para uma parceria com a Associação Académica de Coimbra, através da qual serviu refeições a todos os artistas presentes nas festividades da Queima das Fitas. Para Nuno Petronilho, tudo isto acaba por fortalecer a empresa e todos os que a ela estão ligados: “O reconhecimento é fantástico e não é só para mim enquanto empresário, é também para quem trabalha diretamente comigo. Para os nossos fornecedores é importante saber que nós estamos bem e, para os nossos colaboradores, é bom perceber que o seu trabalho está a ser reconhecido. Foi muito gratificante ouvir os funcionários celebrarem o prémio, assim como ter clientes que nos vieram

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dar os parabéns por sermos uma empresa Gazela. É bom saber que há alguém que anda a olhar para as empresas que se estão a destacar e perceber que ao fim de nove anos ainda conseguimos fazer a diferença”, admite o proprietário. Com a churrasqueira estabelecida e a marca criada e lançada, Nuno Petronilho já começou a delinear projetos para o futuro, pensados de modo a divulgar e fazer crescer o nome Churrasqueira da Várzea. “Brevemente irei abrir um franchising em Leiria, que funcionará apenas nos moldes de take away. Estamos a tratar de tudo para que seja possível abrir ainda em Julho, talvez mesmo no final, o que coincide com a altura das praias, piscinas e vindas dos emigrantes. Eu abro franchisings, portanto, a quem quiser investir, eu dou a formação toda aqui, durante cerca de um mês e meio. Neste momento, estamos a trabalhar só para os take aways, que são um formato engraçado e menos trabalhoso do que o restaurante, que tem muita burocracia, o que é algo que muitas pessoas nem imaginam”, conclui o empresário.


SAÚDE ANIMAL

Tal como acontece com os seus donos, a saúde é um fator prioritário para a vida e bem-estar dos animais. Cada animal deve ser observado regularmente por um médico veterinário, que além de fazer o check-up geral administra as vacinas e os desparasitantes que permitem aos animais uma maior qualidade de vida e a não transmissão de doenças, quer entre eles, quer com os seus donos. Assim como para quando os seus donos estão doentes, nasceua Linha Saúde Animal 24. O serviço Saúde Animal 24 é uma linha telefónica de apoio veterinário a funcionar 24 horas por dia, que tem como principal objetivo esclarecer as dúvidas que surgem fora de horas, ou que não se enquadram no âmbito das consultas veterinárias, encaminhando os clientes, sempre que se justifique, para uma clínica ou um hospital veterinário da sua freguesia de residência. Pensada para dar resposta a questões do âmbito da saúde animal e da vida com os animais, sejam estas relativas a animais de companhia, exóticos ou equinos, esta linha de apoio está preparada para apoiar, fazer a triagem, dar aconselhamento e fazer o acompanhamento da situação, em situações de imprevisto ou de incidente, estando apta a responder a dúvidas dentro das áreas da nutrição, do comportamento, das viagens, das intoxicações e ainda questões de saúde pública (relacionadas com os animais ou com o convívio com os mesmos).

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saúde animal | zoetis

“Somos e fazemos saúde animal” A Zoetis é uma empresa global de saúde animal dedicada a apoiar cada vez mais os seus clientes e respetivos negócios. Mantendo a tradição e experiência farmacêutica consolidada ao longo de 60 anos, a Zoetis disponibiliza medicamentos e vacinas, meios de diagnóstico e testes de genética, entre um vasto leque de serviços.

De reforçar a dedicação da nossa empresa em apoiar os médicos veterinários, os donos dos animais e os criadores de animais de produção em todo o mundo, que criam e cuidam dos animais dos quais todos dependemos. Como avalia a implementação e crescimento notável no mercado nacional? Somos uma equipa pluridisciplinar e extremamente motivada! Os gestores de zona e os técnicos veterinários da Zoetis estão entre os mais experientes da indústria. Mantemos a tradição e experiência farmacêutica consolidada ao longo de 60 anos, com uma aposta grande e continuada em inovação e temos consciência do desafio que representa ser líder. Trabalhamos diariamente para conhecer melhor os desafios e dificuldades que os nossos clientes enfrentam e oferecer as melhores respostas.. Temos orgulho em desenvolver os produtos e serviços necessários para os nossos clientes. É importante que possam obter o que necessitam da Zoetis – quando e onde precisem.

Mário Hilário Country Manager

Como surge a empresa e quais os pressupostos da sua criação? A Zoetis nasceu a partir da separação da unidade de negócio de saúde animal da Pfizer e tinha como objetivo ser a maior empresa mundial exclusiva em Saúde Animal. Desde o primeiro momento que assim foi e tem vindo a reforçar a sua liderança ao longo dos anos. O objetivo era criar uma estrutura mundial focada exclusivamente na promoção da saúde dos animais e consequentemente contribuir para melhor qualidade de vida dos seus donos ou proprietários.

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Para isso foi importante a decisão de criar um negócio independente da Pfizer. Após quatro anos podemos dizer com convicção e confiança que os objetivos estão a ser cumpridos e estamos totalmente focados em oferecer as melhores soluções que mais satisfazem as necessidades dos nossos clientes e seus pacientes. Temos como objetivo estratégico oferecer soluções diferenciadas, com atributos únicos que permitam aos médicos veterinários dispor das melhores soluções clínicas, aumentar qualidade de vida dos animais e a produtividade nos animais de produção.

“Somos e fazemos saúde animal. Temos paixão pelo que fazemos”. Este é o segredo do sucesso? Sem dúvida. Somos uma empresa dedicada exclusivamente à saúde animal, concentramo-nos na essência da nossa atividade. É um privilégio liderar uma equipa de pessoas motivadas e focadas na cultura Zoetis. Fazemos parte de um projeto global onde as pessoas fazem a diferença. Temos uma equipa dedicada e determinada, com o foco em trabalhar diariamente colocando os nossos clientes em primeiro lugar. Queremos estar o mais perto possível dos nossos clientes esforçando-nos por ouvi-los diariamente para conhecermos melhor e focarmo-nos nos verdadeiros desafios que

enfrentam aqueles que criam e cuidam dos animais. Quais são os principais serviços e soluções disponibilizados pela Zoetis? A que grupo de animais se destinam? A nossa atividade segmenta-se em duas áreas distintas: animais de produção e animais de companhia. Enquanto Zoetis, estamos determinados em apoiar os médicos veterinários e os seus clientes criadores de animais de produção, responsáveis pela produção de alimentos de alta qualidade para servir uma população cada vez maior, num mundo com recursos finitos e os clientes de animais de companhia porque cuidam e tratam dos animais para que tenham uma vida mais longa e mais saudável. A saúde animal é importante para nós – e para as pessoas em todo o mundo. O portefólio Zoetis integra cinco categorias importantes de produtos: vacinas, desparasitantes, anti-infecciosos, prémisturas medicamentosas, e outros produtos veterinários, respeitantes a mais de 300 linhas de produtos destinadas, em primeira linha a oito espécies principais de animais. Com os produtos e serviços que desenvolvemos para bovinos de leite e de carne, ovinos, suínos, aves e peixes, oferecemos produtos e serviços para que os nossos clientes possam criar animais, e produzirem alimentos saudáveis. A nossa liderança em inovação contribui também para que os médicos veterinários possam prestar serviços de excelência no tratamento e prevenção de doenças em cães, gatos e cavalos. Adicionalmente oferecemos um conjunto de ferramentas e conhecimentos especializados para potenciar a atividade dos nossos clientes, designadamente meios de diagnóstico, testes de genética, formação e consultoria técnica profissional.


saúde animal | zoetis

“Na Zoetis, o nosso compromisso é com o sucesso dos nossos clientes”. De que forma esta máxima é colocada em prática? É totalmente verdade. Na Zoetis, o nosso compromisso é com o sucesso dos nossos clientes. Estamos determinados em trabalhar diretamente com os clientes, Universidades, Autoridades locais e demais empresas na área da saúde animal, contribuindo para o desenvolvimento deste sector de atividade e em particular para o sucesso daqueles que criam e tratam dos animais. Valorizamos o sucesso dos nossos clientes, incentivamos a investigação e o exercício da profissão de médico veterinário através de bolsas de estudo, patrocínio de cursos e investigação, assim como incentivamos os criadores de animais de produção a serem mais produtivos através de inovações importantes, sempre cientes que as alterações ambientais, as doenças emergentes e os avanços tecnológicos são desafios diários dos nossos clientes. O nosso papel é estar um passo à frente desses desafios, para que os nossos clientes possam estar exclusivamente dedicados à sua atividade. A filosofia da empresa assenta no pilar valor através da Inovação. Pode dizer-se que a preocupação em trazer inovação está no ADN da empresa? A aposta na inovação é característica do nosso modelo assente em Investigação & Desenvolvimento. Uma parte importante dos lucros é destinada exclusivamente para reinvestimento em pesquisa e inovação. Áreas como a Dermatologia em animais

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de companhia e o iminente lançamento no mercado do primeiro anticorpo monoclonal para cães, mostram que estamos no caminho certo. Quais os principais desafios que se colocam na atualidade ao sector farmacêutico, nomeadamente na saúde animal? Não quero ser muito maçador para quem nos lê e por isso tentando responder de uma forma simples, penso que a palavra de ordem para a sustentabilidade das empresas portuguesas no geral e as dos setor agropecuário em particular é: Adaptabilidade. Este processo começa por uma análise do presente e uma estimativa do que o futuro nos pode reservar. Essa análise deverá ser feita com base em informação objetiva de indicadores económicos e fatores políticosociais. Estamos num enquadramento crescente de interesse com o bem-estar animal, segurança alimentar, pegada ambiental, entre outros. Simultaneamente a indústria farmacêutica tem alguns desafios, nomeadamente a redução dos tratamentos com antibióticos e aposta no desenvolvimento de soluções profiláticas inovadoras, e num Mundo com cada vez maior turismo o aparecimento de doenças emergentes que necessitam de programas de vacinação extremamente adaptados. Qual tem sido a visão estratégica da Zoetis para responder às exigências atuais de um mundo em constante mutação? Na Zoetis, trabalhamos para satisfazer as exigências de uma população mundial em

crescimento, o aumento de qualidade de vida e a necessidade vital de contribuir para uma produção animal eficiente, assim como trabalhamos para o crescimento do número de animais de companhia e para responder às espectativas dos nossos clientes. A qualidade de vida e bem estar dos nossos animais são um dos pilares da nossa ação. A Zoetis conjuga a sua experiência e recursos mundiais essenciais para o desenvolvimento global da saúde animal, com a presença local e os conhecimentos necessários para responder às espectativas de cada cliente. Comercializamos os nossos produtos em mais de 120 países e estamos continuamente a aumentar a nossa aposta tanto nos mercados emergentes como nos mercados desenvolvidos. Como já tive oportunidade de referir, estamos com os nossos clientes - onde vivem e trabalham, esforçando-nos por ouvi-los diariamente para os conhecer melhor e focarmo-nos nos verdadeiros desafios que aqueles que criam e cuidam dos animais enfrentam. A Zoetis está empenhada na inovação contínua para desenvolver soluções de saúde animal que vão ao encontro das necessidades de todos os que criam e cuidam dos animais. A investigação e desenvolvimento assumem-se como a pedra toque para alcançar esta meta? A nossa área de investigação e desenvolvimento, empenha-se na pesquisa de novos produtos, analisando resultados de descobertas relevantes da indústria agropecuária, farmacêutica e biotecnológica, antecipando as necessidades atuais dos animais, daqueles que os criam e cuidam bem como as tendências do mercado. Quanto aos nossos produtos atuais a I&D dedica-se ao desenvolvimento e expansão do portefólio existente através da inclusão de novas espécies ou de novas indicações terapêuticas. Como já tive oportunidade de referir, temos também marcado uma forte aposta na área de Dermatologia para animais de companhia e iremos lançar no mercado a muito breve prazo o primeiro medicamento desenvolvido com anticorpo monoclonal caninizado para tratamento de manifestações clínicas de dermatite atópica em cães. Estamos convictos que a investigação e

desenvolvimento são pedra basilar para o futuro. Produtos e serviços diferenciados e adaptados aos animais, aos donos e aos consumidores, que somos todos nós. Por isso, referimos na nossa assinatura o compromisso: PARA OS ANIMAIS, PARA A SAÚDE, PARA SI. Acredita que a Investigação e o Desenvolvimento têm ditado o sucesso da empresa. O elevado nível de investimento em I&D é um dos vossos elementos diferenciadores? Quais as principais áreas em foco? Continuamos a desenvolver a nossa oferta atual, mantendo o nosso compromisso na investigação e desenvolvimento de produtos inovadores e a trabalhar com os nossos clientes para encontrar novas soluções e assim através da saúde e bem estar animal contribuir para animais com melhor qualidade de vida. Temos fábricas e laboratórios de Investigação & Desenvolvimento em todo o mundo e continuaremos a dedicar o nosso esforço para garantir que os nossos clientes tenham acesso aos melhores produtos e à melhor informação, agora e no futuro. Que balanço faz do desenvolvimento da atividade da Zoetis em 2017? Que objetivos e desafios estão estabelecidos para 2018? Estamos extremamente satisfeitos com o nosso trabalho em 2017. Lançamos novos produtos, estamos em mais áreas terapêuticas e temos mais serviços disponíveis, consequência dos investimentos recentes da Zoetis a nível global, adquirindo novas empresas, designadamente na área de diagnósticos. Somos líderes mundiais e queremos manter essa posição. Tal como o desportista português mais conhecido faz questão de demonstrar, ser o melhor do mundo é um processo diário de superação e de definir novos objectivos. Na Zoetis, o nosso compromisso é com o sucesso dos nossos clientes e com a saúde e bem estar dos nossos animais. Esse é o objetivo e simultaneamente o desafio para 2018.


saúde animal | up vet - hospital veterinário da universidade do porto

Cuidar dos animais enquanto se formam profissionais do futuro O UPVet – Hospital Veterinário da Universidade do Porto é o resultado da evolução natural da clínica veterinária criada em 1998, por forma a responder às necessidades crescentes do ensino universitário e dos seus utentes. Este Centro de Atendimento Médico-Veterinário integrado nos serviços prestados à comunidade portuense, e não só, pelo ICBAS–UP, é acreditado como hospital pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária desde 2015, e nunca descura dos seus objetivos a formação prática dos estudantes do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária (MIMV). Falamos de um ‘hospital-escola’ ao serviço dos animais de companhia e de uma equipa liderada pelo Prof. Miguel Faria, diretor clínico deste espaço.

Em pleno centro da cidade do Porto, junto ao Palácio de Cristal, o UPVet, disponibiliza diversos serviços clínicos à população, além de apoio a médicos veterinários privados em regime de consultas de referência, assim como investigação de melhores métodos de diagnóstico e tratamento das doenças dos animais de companhia. Com um serviço de urgência permanente, este hospital tem capacidade de resposta imediata a todas as situações clínicas. Primordialmente pelo ensino Miguel Faria explica que, da mesma forma que os estudantes de medicina, que ao fim de três anos na faculdade continuam a sua formação em instituições de saúde, passando a interagir com utentes reais, o mesmo acontece com os estudantes de medicina veterinária. Uma vez que não existem hospitais veterinários públicos, o ICBAS-UP sentiu a necessidade

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de criar o Hospital Veterinário para poder disponibilizar aos seus alunos esta componente importante da sua formação onde os estudantes aprendem em contexto de casos clínicos reais numa era do ensino virtual e à distância que não se pode aplicar às áreas da saúde. “Aqui complementamos a formação dos nossos estudantes, em contexto real”, refere o nosso interlocutor. “Numa primeira fase estivemos um pouco ‘fechados’, trabalhando apenas para a comunidade académica da UP e auxiliando médicos veterinários em casos referidos. Com o passar dos anos, houve a necessidade de evoluir em termos de casuística, por demanda de avaliações internacionais a que o curso do MIMV se submeteu e que ditam rácios mínimos de casuística presenciada para preparar devidamente os estudantes do MIMV e isso só se consegue num ambiente mais profissional, daí que tenhamos aberto o hospital à comunidade em geral. Neste contexto, exerce-se uma das outras funções


up vet - hospital veterinário da universidade do porto | saúde animal

primordiais de uma Universidade que é o serviço de extensão pelo qual os técnicos apoiam as diferentes necessidades da comunidade.

O papel crucial do estudante Miguel Faria, durante a sua entrevista à Revista Business Portugal, reitera a importância do UPVet na formação dos futuros profissionais da saúde animal em Portugal. “O UPVet é um centro cuja principal vocação é a preparação dos futuros médicos Veterinários, no âmbito curricular do MIMV. Os estudantes são, por este motivo, uma parte essencial do trabalho efetuado, participando ativamente nas consultas e procedimentos clínico-cirúrgicos efetuados”, refere. Assim, é prática comum que a primeira abordagem aos animais que aqui vêm para ser consultados seja efetuada por um ou mais estudantes finalistas ou estagiários do mestrado integrado que terão a responsabilidade de obter a história clínica de cada paciente e efetuar uma avaliação geral inicial, de modo a identificar os eventuais sinais de doença. Importa referir que este trabalho é permanentemente supervisionado e monitorizado por médicos veterinários clínicos e docentes, portadores de Carteira Profissional emitida pela Ordem dos Médicos Veterinários de Portugal. É natural que, concluída a avaliação inicial, o caso seja continuado pelos estudantes sob orientação tutorial ou que o médico veterinário responsável assuma a continuação do processo de diagnóstico e plano de tratamento.

Investigação e Extensão No ICBAS-UP o ensino está fortemente ligado à investigação e extensão. Com efeito, “o desenvolvimento de atividades de investigação no sentido de dar resposta a problemas reais é uma preocupação dos docentes do Departamento de Clínicas Veterinárias”, refere a Prof. Rita Cabrita, docente de Nutrição Animal, do MIMV. Estas atividades de investigação enquadram-se em projetos nas áreas das ciências veterinárias e da ciência animal, como são exemplo a fisiologia da reprodução de animais de companhia, ruminantes e equinos, cirurgia experimental e engenharia de tecidos/medicina regenerativa, sanidade animal, nutrição animal, produção animal, entre outros. “A abertura da universidade à sociedade e à resolução dos seus problemas está bem patente nas parcerias estabelecidas com outras entidades, nomeadamente do setor empresarial, quer a nível de projetos de investigação, quer a nível de consultoria técnica”, acrescenta a nossa interlocutora. “Mesmo a este nível, os estudantes do ICBAS-UP assumem um papel ativo, colaborando e participando nestes projetos”, diz Rita Cabrita. No contexto da extensão universitária refira-se ainda que, além dos serviços dirigidos aos animais de companhia, o ICBAS-UP disponibiliza, noutro Pólo, localizado em Vairão, apoio nas áreas da reprodução animal, medicina e cirurgia de equinos, e de outros animais de produção, bem como consultoria na área da sanidade animal, nutrição, e da produção animal.

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AMARANTE Sediado no distrito do Porto e integrando a região do Douro-Tâmega, Amarante é um concelho com 26 freguesias, que se propaga por uma área de aproximadamente 301km2 com uma população de cerca de 56 mil habitantes. Atendendo às suas características naturais, a agricultura corresponde a uma das atividades de maior evidência no município, especialmente através dos vinhos verdes aqui produzidos. Mas entre os setores económicos de maior potencialidade no concelho, destaca-se o turismo, o qual tem vindo a contribuir para a consolidação de Amarante no mapa do norte de Portugal, depois de décadas em que setores como a construção civil e a metalomecânica se tinham afirmado como as grandes fontes de rendimento económico do território. Se há algo, todavia, que também contribui para a diferenciação da cidade são os argumentos gastronómicos que encontramos em produtos como o já mencionado vinho verde, bem como a doçaria conventual. Já no que respeita ao artesanato, é no barro negro de Gondar, na arte das rendas e bordados e na cestaria que Amarante encontra exemplos das suas tradições. Mas “tradição” corresponde, efetivamente, a uma das palavras que melhor poderíamos usar para definir o concelho, se atendermos à forma como o passado histórico e a religião se cruzam no vasto património edificado que encontramos nas ruas. É neste âmbito que, entre os variados pontos de visita, se destacam construções como o Mosteiro de S. Gonçalo, o Mosteiro de Travanca ou toda a miríade de igrejas de cariz românico que podem ser encontradas, aquando de uma visita pelo concelho. Sublinhe-se, todavia, que o apelo de Amarante não se circunscreve à riqueza deste património religioso. A comprovar isso mesmo está a beleza natural da paisagem, a contar não só com a presença do rio Tâmega, como também das serras da Aboboreira e do Marão. Não admira, por isso mesmo, que atividades de desporto e lazer como o montanhismo, o parapente, a caça, a canoagem ou o campismo se juntem a muitas outras, aproveitando as potencialidades únicas de um concelho que deixa a natureza falar por si, como muito poucos.

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amarante | União de freguesias de amarante

Uma União em nome de todos Prestes a concluir o primeiro mandato enquanto presidente da União das Freguesias de Amarante (S. Gonçalo), Madalena, Cepelos e Gatão, Joaquim Pinheiro fala-nos do especial esforço de conciliação que foi necessário para garantir a harmonia em todo o território. Igualmente garantida foi a manutenção dos principais serviços nas antigas sedes autárquicas, o que “criou confiança nas pessoas”, impedindo a sua deslocação a outros locais para o atendimento das suas necessidades. Mais do que unir houve, no entanto, a intenção de se garantir uma “uniformização” tão plena quanto possível das diferentes realidades sociais. Assim sendo, outras das principais iniciativas do executivo passou pela sincronização – recorrendo à mesma regularidade, equipamento e qualidade – de serviços como, por exemplo, a limpeza urbana, de forma a combater anteriores assimetrias.

Joaquim Pinheiro Presidente

Uma visão complementar Apesar do esforço de garantir uma plena igualdade de direitos a todos os habitantes da União das Freguesias, Joaquim Pinheiro fez questão de ressalvar também as diferentes necessidades e potenciais

Professor de vocação, desde cedo que Joaquim Pinheiro assumiu uma paixão pela vida política que o levou, ao longo de um percurso de duas décadas, a assumir não apenas o cargo de membro da assembleia da Freguesia da Madalena, mas também a presidência desse mesmo organismo, antes de se tornar chefe do executivo. O prosseguir desta mesma narrativa acabaria por colidir com a reforma administrativa de 2013, mediante a qual este território se tornou parte integrante de “um mega agrupamento de freguesias”, conjuntamente com as localidades de Amarante (São Gonçalo), Cepelos e Gatão. Convidado a assumir a presidência da União das Freguesias que então se constituíra – e onde vivem pouco menos do que 11 mil eleitores – Joaquim Pinheiro fala de “um desafio muito grande que se colocou na minha curta carreira de autarca”, pois “sabia que o que ia encontrar não seria muito fácil”. Mais concretamente, o nosso interlocutor

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fala nas condicionantes de ter de gerir nada mais, nada menos do que três realidades completamente distintas, nomeadamente as características urbanas de São Gonçalo e Madalena, mas também o cariz mais rural de Gatão, bem como a natureza intermédia de Cepelos. O imperativo de unir “O meu primeiro combate foi tentar uniformizar o território e fazer com que esta fosse uma verdadeira união e uma realidade única”, contextualiza o presidente, antes de falar numa “luta difícil” que deu, todavia, azo a “uma agregação pacífica e sem grandes divergências”, caracterizada pelo “diálogo feito junto das populações”. Como forma de garantir essa mesma coesão, Joaquim Pinheiro fez questão de integrar no atual executivo os ex-presidentes das Juntas de Freguesia entretantos extintas, atendendo à popularidade e proximidade que nutriam junto das populações locais.


união de freguesias de amarante | amarante de cada território. Não admira, posto isto, que na localidade de Gatão se tenha verificado um forte investimento no reforço das vias de comunicação, nomeadamente através da execução de pavimentações e alargamento de caminhos. Já assumida em Cepelos foi a preocupação de reforçar os mecanismos de limpeza através, por exemplo, da colocação de uma equipa que se pretende em permanência e de suportes para os contentores de lixo doméstico. Por seu turno, as ex-freguesias mais urbanas – “que contavam já com um conjunto de infraestruturas devidamente concluído” – sentiram uma maior aposta noutras iniciativas, nomeadamente de apoio à educação e iniciativas culturais. A comprová-lo, a Festa do Livro é um evento criado no contexto do atual executivo que, “para além dos livros, procura a presença de escritores, contadores de estórias, ilustradores e cantores”, garantindo à população e às crianças em idade escolar uma ligação de especial proximidade com os artistas. Uma outra bandeira da equipa chefiada pelo atual presidente foi a implementação do Prémio de Fotografia Ilustre Amarantino. Realizado em parceria com a Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto e o Café Bar, esta é uma competição que tem por objetivo “promover Amarante e os seus ilustres através da fotografia”.

Perspetivar o futuro “Isto foi algo que iniciámos, mas um mandato não chega para cimentar absolutamente nada”, confidencia Joaquim Pinheiro, quando lhe solicitámos uma retrospetiva do ciclo de quatro anos que agora finda. “Falta, ainda, concluir algumas infraestruturas em cada uma das freguesias que não estão no coração do concelho”, exemplifica. Não constitui, como tal, novidade que o nosso entrevistado se revele disponível para assumir um novo mandato. “O que vão encontrar, com certeza, será um homem extremamente dedicado a esta população, preocupado em atender a todas as realidades da mesma forma e preocupado em criar todas as condições para uma verdadeira União de Freguesias”. Nesse âmbito, “a principal preocupação não será descurar a inovação, mas continuar com uma acentuação mais vincada na uniformização, garantindo o cuidado para que tudo seja tratado de igual forma e caminhe ao mesmo ritmo”, conclui.

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amarante | União de freguesias de vila meã

Vila Meã, uma terra com história… Constituída pelas freguesias de Ataíde, Oliveira e Real, Vila Meã é oficialmente vila desde o dia 1 de fevereiro de 1988. Tem uma área total de 12,1 quilómetros quadrados e uma população de 4.463 habitantes. Por forma a conhecer um pouco melhor esta freguesia, a Revista Business Portugal esteve à conversa com Lino Macedo, presidente da mesma. remonta a meados do século XVII, mas ampliada no século XIX, são mais exemplos. Também de ressalvar os antigos Paços do Concelho (séc. XVII); a Casa das Donas (séc. XVIII) e o CineTeatro Raimundo de Magalhães, imóvel de meados do século XX, característico da arquitetura do Estado Novo.

Lino Macedo Presidente

Festas e romarias de Vila Meã Sendo uma freguesia que resulta de uma União de freguesias, Ataíde, Oliveira e Real, Vila Meã é uma terra rica em festas e romarias. Em Ataíde o padroeiro é o S. Pedro, em Oliveira o S. Paio e em Real o Divino Salvador. Para além destas festas também se dá lugar às celebrações em honra de S. Raimundo e S. Brás.

Vila Meã deve o seu nome a um pequeno lugar central, situado na freguesia de Real. Foi durante séculos um ponto de passagem obrigatório entre o litoral e o nordeste transmontano. Terra de solos férteis, facilmente se compreende que o seu povoamento tenha origens remotas, provavelmente numa “villa” agrária primitiva da época romana, como o comprova a existência de uma necrópole do século IV descoberta em 1955 durante a construção do Bairro Brasil. Externato de Vila Meã O Externato de Vila Meã já não se encontra em risco. Há um ano, com as novas diretrizes do governo, em que foi acordada a cessação de apoios a todos os colégios privados e semiprivados, temeu-se o pior em Vila Meã. No entanto devido, também, à pressão exercida pelo executivo desta freguesia junto dos órgãos competentes e visto que esta é a única oferta de ensino secundário na região, foram mantidos os apoios, para gáudio dos vilameanenses. Enorme património arquitetónico e cultural Em Vila Meã há um apreciável património monumental e artístico, sendo de realçar: a Igreja Velha de Real, originariamente de estilo românico, provavelmente do séc. XIII. Sofreu grandes alterações no séc. XVIII. As Igrejas Matrizes de Ataíde (séc. XVIII) e Real (1938). A Igreja Matriz de Oliveira, construída no século XVIII e restaurada e ampliada durante o século XX, representando nossa Senhora da Guia e S. Paio. Várias capelas dos séculos XVIII e XIX, bem como algumas alfaias, pinturas e imagens de grande valor escultórico, nomeadamente nas igrejas de Ataíde e Igreja Velha de Real. A Casa de Santa Cruz, projeto de Marques da Silva, famoso arquiteto portuense, inaugurada no início do século XX, e a Casa do Marmoiral, que

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Projetos na freguesia A construção de um parque de lazer/manutenção junto da nova variante (Bombeiros) e a construção de um passadiço entre a Ponte Pedra e Ponte da Serração na margem do Rio Odres serão dois dos projetos a realizar no próximo mandato. A juntar a isto, será também desenvolvido um Pavilhão Gimnodesportivo, para alargar a oferta desportiva. O presidente confidenciou, em fim de conversa, que o seu principal objetivo (desde que está à frente desta União de Freguesias) tem sido garantir o consenso entre os três lugares.


restaurante filhos de moura |amarante

O leitão faz as honras da casa Amarante é o local onde podemos encontrar o restaurante Filhos de Moura, especialista em criar, confecionar e servir leitão bísaro. O responsável Agostinho Moura apresentou-nos este projeto que “era impensável há dez anos atrás”.

a produção de porcos bísaros e esse fator bastou para que continuasse determinado em lhe conferir rentabilidade. A partir daí foi “quase um acidente”, afirma. O empresário amarantino tinha outros investimentos na parte da produção e esta foi uma forma de conciliar e se dedicar e ter a cadeia toda: produção, transformação e venda de uma forma integrada. Hoje sabe que o sucesso do seu negócio passou por aqui. Da natureza para a sua mesa Na casa Moura, o sucesso do suculento leitão que lhe chega à mesa, vai muito para além das técnicas de confeção desta iguaria gastronómica. Tudo começa na quinta da família, lugar onde os leitões bísaros são criados ao ar livre. Acrescenta, que “todos os dias são alimentados e livres para percorrem a grande área que lhes foi confinada. Desta forma eles não engordam demasiado e nós conseguimos garantir todo o seu sabor”. O tempero é outro ponto a não descurar, assim como o período de tempo que os leitões passam nas câmaras frigoríficas que não pode ser elevado, pois perde qualidades essenciais para assar em perfeitas condições. Depois de

Agostinho Moura Proprietário

Natural de Amarante, a família Moura é detentora de terrenos vinícolas, cujos frutos deram origem aos vinhos Filhos de Moura, uma homenagem que os três filhos fizeram aos pais. Com o intuito de dinamizar os terrenos da família, após o falecimento do pai, Agostinho Moura decide começar a criar porcos bísaros, uma raça autóctone da região. O objetivo era criar um negócio agroindustrial na produção de fumeiro, projeto que esmoreceu com a subida abrupta do fatores de produção. Foi então que o empresário se iniciou no negócio de venda dos animais a outros restaurantes, mas o resultado também não se mostrou rentável, pois os proprietários preferiam leitões de maiores dimensões. O seu espírito empreendedor não o deixou cruzar os braços e partiu em busca de uma solução rentável para a sua produção de porcos bísaros. Revela que começou por assar alguns leitões para os amigos e por desenvolver um molho próprio que banhasse a carne com um sabor único, distanciado dos tradicionais molhos. “Não podia desistir, sabia que tinha em mãos um produto diferente e de qualidade e, após o incentivo dos meus amigos que provaram e aprovaram o meu cozinhado, decidi avançar com o restaurante”, explica o entrevistado. Há 10 anos, diz Agostinho Moura que seria impensável abrir um restaurante. Sabia que não queria abandonar

deixar os fornos, suculento por dentro e estaladiço por fora, o prato de leitão é acompanhado por batata frita e salada de alface temperada com vinagre de vinho tinto. O restaurante só abre mediante marcação. “Preferi gerir o negócio desta forma, não tenho desperdícios e as pessoas já sabem que se quiserem saborear um bom leitão só têm de fazer a reserva e nós preparamos tudo. Temos inclusive serviço de takeaway”.

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amarante | taberna do coelho

Sabor tradicional vestido a rigor História e modernidade, tradição e inovação, pratos portugueses. É toda uma história cheia de elementos tradicionais que nos reportam a um tempo de sabores intensos e naturais, no qual as refeições primavam pela qualidade dos produtos. Por serem locais, naturais e cozinhados com tempo e dedicação. E são estas as características que diferenciam a Taberna do Coelho, que conta já meio século de existência.

Filipe Jorge Coelho Proprietário

Quem chega à Rua da Boavista, num lugar discreto de Cepelos, depara-se desde logo com a simplicidade requintada da Taberna do Coelho, um espaço de restauração que prima pelo rigor na escolha dos produtos, marcadamente tradicionais e potencialmente locais, desde as entradas às sobremesas, passando pela carta de vinhos. A cozinha aberta, onde a equipa de cozinha pode ser observada em qualquer momento, revela desde logo uma intenção clara de proximidade com o cliente, que se confirma depois na presença do proprietário Filipe Jorge Coelho. Cabrito assado em forno a lenha, bacalhau à Coelho e feijoada a transmontana foram três dos pratos que vinham do tempo dos pais. Agora juntamos o bacalhau com broa, tibornada

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de bacalhau, a carne de vitela que é certificada – raça arouquesa – pode ser assada aba ou bico da pá e na grelha uma posta, vazio, bife, picanha, lombinhos de porco bísaro, açorda de camarão, filete de pescada, salmão, são muitos e variados os pratos a saborear. Aberta de terça a domingo, ao almoço e ao jantar de quarta a sábado, a Taberna do Coelho oferece almoço executivo todos os dias úteis, mais rápido e prático, confecionando outros menús por encomenda, organizando ainda eventos, semanas gastronómicas, noites temáticas, aniversários e batizados. Neste espaço que conta com uma sala para 20 pessoas e outras duas com capacidade para 40 e 30 pessoas respetivamente, nos cozinhados em forno a lenha, até a madeira é escolhida


taberna do coelho |amarante com muita atenção, por forma a garantir um processo lento, que mantenha a melhor qualidade da refeição final. Em 1964, naquela Rua da Boavista, num Cepelos marcadamente rural, e onde se vivia essencialmente da agricultura, passavam os trabalhadores que levavam os produtos para venda no mercado. Era uma rua crucial, portanto, na economia local. “No regresso traziam fome, traziam sede e paravam. As pessoas pediam bebidas, depois comidas, pelo que surgiu a necessidade de se criar um espaço para satisfazer esses pedidos”, conta Filipe Jorge Coelho, atual proprietário deste negócio familiar, que tem vindo a crescer paulatinamente. É no dia de São Gonçalo, a 10 de janeiro de 1966, que o seu pai, Joaquim Coelho, e a sua mãe, Maria, mais conhecida por Miquinhas, vêem assinada a escritura que daria início à Taberna do Coelho, espaço de restauração que substitui a mercearia. Aos poucos, sentia-se a necessidade de ampliar o espaço, para responder aos constantes pedidos. Em 1971, estando Miquinhas grávida, numa aposta, o dono do terreno onde atualmente se encontra a Taberna do Coelho disse que “se fosse rapaz, oferecia o terreno, se fosse rapariga, vendia o terreno”. Ora, nasceu Filipe Jorge Coelho que com a idade de quatro anos já ajudava os pais na mercearia, tendo, entretanto, assumido a gestão do negócio familiar. Filipe Jorge é uma pessoa de tradições, que não gosta de parar no tempo. Assim, apesar de lembrar com uma certa nostalgia na voz os tempos em que o moleiro chegava a cavalo para ir buscar o milho para moer, Filipe Coelho gosta de apostar na renovação e criatividade, ao mesmo tempo que mantém o espírito que está na génese deste espaço de restauração. Por isso, quando instigado a destacar os pratos imperdíveis, Filipe Coelho salienta as iguarias mais antigas e tradicionais, explicando que na Tabena do Coelho só se utilizam temperos simples, nomeadamente loureiro, alho, salsa vinho .... O cabrito é um dos pratos mais apreciados: assado, grelhado, com batata, arroz, legumes. É

o ‘rei’ que durante uma semana brilhará quase sozinho na segunda semana de agosto (de 8 a 13). Filipe Coelho destaca ainda o verde, um prato semelhante às papas de sarrabulho, em que são aproveitados os miúdos do cabrito, a que se juntam o sangue umas carnes diferentes. Segue-se o bacalhau, para os amantes de peixe. A oferta é variada: bacalhau no forno, bacalhau à Coelho, bacalhau na brasa, tibornada de bacalhau, bacalhau com broa e bacalhau à Zé do Pipo. A carne arouquesa também figura como prato forte, uma vez que esta espécie, se estende desde a Serra da Freita até à Serra da Aboboreira, apostando-se sempre na qualidade da carne através de um trabalho directo com a ANCRA, Associação Nacional dos Criadores de Raça Arouquesa. De salientar que tanto o bacalhau como o cabrito são servidos no barro, o que confere um toque especial à refeição. Os medalhões de vitela são uma das novidades mais recentes e todos os pratos podem ser acompanhados por uma variedade de vinhos de qualidade, do Douro e Amarante, podendo estes ser saboreados igualmente à moda tradicional, ou seja, bebendo da caneca. Em cada dia, destaca-se uma especialidade diferente: porco à terça-feira, bacalhau à quarta-feira, carnes grelhadas à quinta, aba arouquesa à sexta, feijoada à transmontana ao sábado e ao domingo vitela assada. O cabrito ao sábado e domingo ou outros dias por encomenda. Nas paredes estão fotograficamente registados alguns dos momentos deste espaço de restauração, nomeadamente de várias figuras públicas.

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amarante | logic estores

Estores de qualidade fabricados em Amarante A Revista Business Portugal esteve em Amarante e, numa das suas habituais visitas aos empresários de sucesso da região, chegou à fala com Nuno Barbosa, fundador e proprietário da Logic Estores. Nas linhas seguintes conheça, caro leitor, a história desta empresa bem como todos os pormenores sobre o seu funcionamento.

Nuno Barbosa Administrador

Foi fundada em 2010 e conta, portanto, com sete anos de atividade que ultrapassaram a mais recente e caótica crise económica e financeira vivenciada. Nuno Barbosa explicou que o segredo esteve no saber posicionar-se frente a um mercado mais sólido: “O mercado médio-alto não parou e nós direcionamo-nos para esse mercado por forma a evitarmos passar pelo mesmo que passou o restante setor da construção civil”, começou por adiantar. A Logic Estores assume-se como um fabricante de todo o tipo de estores, mas são especializados na produção de estores térmicos. Estores de interiores e exteriores são conseguidos através de parcerias com outras empresas, parcerias essas que diminuem os custos de produção e de mão-de-obra, resultando num preço final mais competitivo: “Estas parcerias de negócio são positivas em todos os sentidos. Todos ganham”, afirmou o empresário. Apesar de ser reconhecida como uma empresa produtora de estores de qualidade, a verdade é que o mercado nacional, por si só, não chega para

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logic estores | amarante escoar toda a produção deste tipo de entidades. Isso resulta em altos índices de exportação: “Vocacionamo-nos para a exportação. Neste momento, cerca de 70 ou 80 por cento do que fazemos é para fora do nosso país. Produzimos essencialmente para França, Bélgica e Luxemburgo, mas também estamos presentes na Argélia e Caraíbas. Até por uma questão de logística (porque é mais rápido e mais barato) o nosso maior mercado é o europeu”, confidenciou. Ao longo da conversa com Nuno Barbosa percebemos que também nos estores o fator prazo é extremamente importante: “Trabalhamos sempre com prazos muito apertados e isso obriga a que nós tenhamos muita capacidade de resposta bem como os nossos fornecedores. A sorte é que estamos munidos de bons fornecedores. Por isso, somos rápidos a fazer as coisas e fazemo-las com qualidade”. Isto tudo porque o empresário fundador da Logic Estores aposta diariamente na fidelização do cliente: “As pessoas preocupam-se com demasiadas coisas e deixam a fidelização do cliente para trás”. O nosso entrevistado salientou que não é viável conseguir uma venda imediata que não seja bem realizada e, por isso, mantém uma postura de seriedade, humildade e de confiança mútua para com os seus clientes: “Tentamos que o cliente compre e que se mantenha nosso cliente. Ele sabe exatamente o que está a comprar porque nós desmistificamos todas as preocupações existentes”, garantiu. Nesta empresa tudo é feito com conta e medida, até o crescimento. E, por isso, todos os funcionários formam uma equipa coesa e unida que rema toda para o mesmo lado: “Nós formamos as pessoas aqui. Tenho uma equipa fantástica, a remar toda para o mesmo lado. Espero é que Portugal nos dê um pouco mais de trabalho e apoio”, desejou Nuno Barbosa. “Faço o que for preciso para a empresa crescer”, disse-nos o nosso entrevistado ao mesmo tempo que explicava que a inovação, neste tipo de produtos, passa pelo aperfeiçoamento das peças que são fabricadas. Lidar com arquitetos parece ser a tarefa mais difícil para Nuno Barbosa e este explicou a razão: “Não é muito fácil introduzir novas situações a arquitetos que estão habituados a uma única realidade. O arquiteto imagina o produto acabado, nós concebemo-lo e, por vezes, não é fácil explicar que aquele não é o produto mais adequado para determinada situação. Muitas vezes os produtos/obras imaginados não são funcionais e nós tentamos sempre que o nosso produto seja funcional”, esclareceu. Ser empresário em Amarante é “salutar”. São poucos, mas pretende-se que o número de empresários por esta região aumente porque “queremos fazer mais por esta terra”. Falta, por fim, segundo o nosso entrevistado, o apoio do Estado por forma a melhorar a relação entre as empresas portuguesas e estrangeiras numa tentativa de promoção das trocas comerciais. Daqui a cinco anos Nuno Barbosa deseja que a Logic Estores esteja a faturar o dobro do que fatura atualmente e pretende, ao mesmo tempo, iniciar exportação para países como África do Sul, Cabo Verde e Angola. Quanto a crescer, o nosso entrevistado garante não ter medo: “Quero é crescer de forma sustentável”, finalizou.

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SANTARÉM Santarém esteve sempre presente nos principais momentos da história de Portugal. Aqui nasceram príncipes, viveram reis, reuniram-se cortes do reino, decorreram batalhas, construíram-se torres e mosteiros, templos e palácios dos mais belos do país. Situada num planalto, rodeada pelos cumes de Alcáçova, Capuchos, Outeiro da Forca, Sacapeito, S. Bento, Senhora do Monte e Monte dos Cravos, banhada pelo majestoso Rio Tejo, a cidade de Santarém, também chamada cidade das sete colinas, é capital de Distrito, capital da província do Ribatejo e considerada, pelo seu passado artístico imponente e glorioso “capital do gótico português”. A cidade de Santarém possui igrejas cheias de interesse e o conhecido Jardim das Portas do Sol, jardins rodeados pelas muralhas medievais da cidade, com vistas magníficas sobre o rio e as vastas planícies. Neste jardim ainda se preserva parte das muralhas defensivas da cidade, que teve grande importância na Idade Média, período em que adquiriu a maioria do seu rico património artístico e cultural. Vale a pena visitar a Igreja romano-gótica de S. João de Alporão, onde está instalado o Museu Arqueológico de Santarém, e alguns dos tesouros góticos desta cidade, como a Igreja da Graça, a igreja de Santa Clara ou a Igreja de Santa Maria de Marvila. Merece também visita o Santuário do Santíssimo Milagre e o Núcleo Museológico do Tempo, instalado na Torre das Cabaças e uma das primeiras gerações de torres-relógio construídas no país. Na lezíria, outros pontos de interesse, como Alpiarça, com a sua bela igreja e a Casa Museu dos Patudos ou Almeirim, conhecida pelos seus vinhos e, em especial, a sopa de pedra. Também as bonitas ruas da cidade de Tomar valem uma visita, assim como o Convento de Cristo que pertenceu à Ordem dos Templários e cuja arquitectura partilha traços românicos, góticos, manuelinos, maneiristas e barrocos. Perto daqui, o santuário de Fátima, onde se diz que a Virgem Maria apareceu a três pastorinhos, atrai centenas de milhares de peregrinos por ano.

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empresa | tema

Vinhos de excelência, com sabor a Ribatejo À conversa com João Alcobio, ficámos a conhecer a filosofia e o trabalho que existe por detrás dos vinhos laborados na Adega do Feitor. Eis uma história que nos convida a degustar o melhor que uma região tem para oferecer.

João Alcobio Administrador

A proporcionar vinhos de elevadíssima qualidade desde pleno centro de Alpiarça, a Adega do Feitor é um projeto que, embora surgido em 2002 – pela mão de João Alcobio e Nuno Franco –, simboliza a longa paixão que ambos os sócios nutrem pela nobre arte de fazer vinho. De facto, e tal como recorda o nosso entrevistado, “sempre tive o conhecimento, adquirido no terreno, de todo o processo que vai da produção até à vinificação”, numa alusão a um know-how que, desde o início, se soube complementar por uma singular visão de mercado e vontade de inovar. Mas, à vasta experiência com que ambos os colaboradores contam, importa acrescentar o peso da sua ética de trabalho, que se traduz na enorme exigência relativamente ao vinho a granel que adquirem (a produtores regionais) para posterior tratamento e engarrafamento, mas também na política de qualidade que serve de selo a todos os produtos com a marca Adega do Feitor. Já a comprovar a eficácia desta mesma filosofia, refira-se que os vinhos aqui produzidos poderão ser encontrados em alguns dos melhores restaurantes nos distritos de Lisboa e Santarém. Divididos pelas gamas Adega do Feitor (caracterizada pela ótima relação qualidade-preço), Premium (definida pela diversidade dos vinhos) e Platinum (para quem pretende uma experiência verdadeiramente singular e cujo produto passa por um período de estágio em barricas de carvalho francês), os néctares aqui laborados proporcionam, a todos que os provarem, um sabor “que nos lembra a terra e a arte da agricultura”. Já consoante o desejo e a ocasião, há um amplo portefólio de vinhos tintos, brancos ou rosés e – a pensar nos mais curiosos – há espaço ainda para os frisantes e os licorosos. A operar há 15 anos num mercado particularmente competitivo, a Adega do Feitor é o resultado de um projeto e de uma sociedade “onde soubemos conciliar-nos muito bem”, considera João Alcobio. Ainda em contexto de retrospetiva, o sócio-gerente atesta o modo como “temos crescido um bocadinho todos os anos”, numa lógica de esforço assumida “degrau a degrau, com estabilidade e consistência”. O desafio da exportação encontra-

se, por isso mesmo, entre as próximas experiências da empresa. Nesse âmbito, é expectável que nos próximos meses os vinhos com o selo Adega do Feitor cheguem cada vez mais longe, não apenas em termos geográficos, como também no que ao seu estatuto e reconhecimento diz respeito. Assim sendo, entre os mercados preferenciais dos empresários incluem-se países tão díspares quanto São Tomé e Príncipe, Nigéria ou África do Sul, bem como Suíça ou França. Mas o futuro do projeto passará, inevitavelmente, por um reforço das atuais instalações. “Fizemos a aquisição de uma nova adega em Alpiarça e estamos, neste momento, a efetuar obras”, confidencia o nosso entrevistado, antes de acrescentar que “daqui a seis ou sete meses” estará devidamente inaugurado o novo edifício-sede da Adega do Feitor. No seguimento desse reforço logístico, igualmente amplificadas deverão ser as capacidades de armazenamento e escoamento, garantindo o continuado crescimento de uma marca que, para além de se cimentar cada vez mais no setor da restauração, faz questão de apoiar o trabalho, esforço e visão dos produtores regionais. Está servido, pois, o sabor da terra.

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santarém | taberna do quinzena

A “Catedral do Ribatejo” há 147 anos Para quem não conhece a Taberna do Quinzena, trata-se da “Catedral” da boa comida tipicamente ribatejana desde há 147 anos. Um negócio que passou de geração em geração e que atualmente é composto por sete espaços em Santarém. A qualidade dos produtos, do atendimento e a satisfação dos clientes são os principais objetivos desta equipa de 100 colaboradores, que através de eventos gastronómicos, leva as especialidades ribatejanas mais longe.

A história do “Quinzena” já é longa mas as memórias e os sabores ribatejanos continuam bem presentes. O primeiro restaurante foi fundado em 1870, pelo bisavô do atual proprietário Fernando Batista e passou de geração em geração. Apesar de ter sido remodelado e ver as condições melhoradas, a traça original do espaço não se alterou e mantém uma decoração típica que o caracteriza e ajuda a contar a sua história. “Em 2006 pensamos alargar e abrir a Taberna do Quinzena II. Há 5 anos atrás fechamos esse espaço e abrimos um outro, com uma lotação de 130 pessoas, ao lado do Mercado de Santarém”, conta Fernando Batista. Com a mesma simpatia e qualidade de sempre que habituou os clientes, o “Quinzena” não tem parado de crescer. Desde o dia 1 de Junho de 2011, podemos encontrar os paladares ribatejanos no Santarém Hotel. Uma exploração que vai mais além do restaurante e que

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também serve almoços e jantares noutras salas onde se realizam diversos eventos. “Partimos depois para o conceito de selfservice em dois hipermercados, assim como uma cafetaria. Há 3 anos abrimos o terceiro espaço, na Zona Industrial, dada a afluência de pessoas que lá trabalham”, refere o proprietário. Muito mais do que uma taberna, o “Quinzena” tem levado as suas especialidades a feiras gastronómicas que ocorrem em vários pontos do país. De Trás-os-Montes ao Algarve, passando pelos Açores, surgem convites para “levar o Ribatejo mais longe, para que todos possam provar os seus pratos típicos”. Os resultados dessas mostras são já bem visíveis e

Fernando Batista Proprietário

muitas são as pessoas que passam por Santarém e visitam o restaurante. Aqui pode-se deliciar com um magusto com bacalhau assado, um naco de toiro bravo ou até um entrecosto com arroz de feijoca, entre a variedade de pratos que compõem a ementa. A curiosidade em experimentar estas iguarias, dá depois lugar a pedidos habituais, seja dos clientes que visitam os espaços diariamente, bem como de pessoas que chegam do norte ou de outras regiões. “A maioria dos clientes são já nossos amigos e no final da refeição oferecemos um dos nossos licores caseiros, como gentileza da casa. O objetivo é satisfazer o cliente e garantir que ele sinta que foi bem servido. Além disso, os próprios clientes criam laços de amizade entre eles. Já não chegam só pela comida, mas sim pelas conversas e ambiente que se criam, por vezes até de madrugada”, recorda. O equilíbrio entre a cozinha e a sala é primordial para garantir o sucesso do “Quinzena”. Entre a qualidade dos ingredientes, execução dos pratos e preços acessíveis, o atendimento personalizado é prioritário. “Temos que ser simpáticos, resolver as questões na hora, ouvir as sugestões dos clientes e criar uma relação de proximidade”, acrescenta Fernando Batista. Para isso, a Taberna do Quinzena conta com uma “grande e excelente equipa” de 100 profissionais que diariamente trabalham em prol do mesmo objetivo. A antiguidade torna esta casa uma referência, não só pelos vinhos que a caracterizam desde a abertura como pelo espírito acolhedor de uma típica taberna. Para o futuro, “queremos continuar a alargar a rede, que só vai parar quando existir uma Taberna do Quinzena em Lisboa”, conclui.


in-bottle | santarém

Especialistas em engarrafamento de vinho e azeite Pedro Vieira e Francisco Vicente são amigos e administradores da In-Bottle. Têm vários anos de experiência na área e, há cerca de um ano, aventuraram-se neste negócio por conta própria. Os produtos, os serviços, as mais-valias e os principais desafios desta atividade foram explorados pelos sócios em entrevista à Revista Business Portugal.

Francisco Vicente Administrador

A In-Bottle – Comércio e Representações, Lda. nasceu em 2016 enquanto empresa dedicada e especializada em equipamentos de engarrafamento em Portugal. Através do seu know-how – o seu principal trunfo – a In-Bottle projeta e instala, sobretudo, linhas de engarrafamento de vinho e de azeite, mas também outros equipamentos para a indústria alimentar: “A In-Bottle surgiu porque nós tínhamos

experiência no setor, conhecíamos muito bem quer o mercado interno quer o mercado externo e achamos que era a altura certa de arriscar por conta própria. Tudo aconteceu porque acreditamos nas nossas capacidades”, revelaram. Com uma prestação de serviços ampla e muito completa, esta empresa não se deixa ficar apenas pela comercialização de máquinas para linhas de engarrafamento. Aqui também

se procede à sua instalação, acompanhamento e manutenção (pós-venda). Na verdade, é o contacto direto que Pedro Vieira e Francisco Vicente mantêm com os seus clientes, é o segredo do sucesso da In-Bottle. Aqui valoriza-se a confiança e a qualidade do serviço prestado acima de tudo: “A venda é o inicio de uma relação. Os clientes connosco sentem-se acompanhados. A grande diferença entre nós e a concorrência é que nós, apesar de termos menos variedade de produtos, conseguimos ser mais especializados nos que temos”, asseguraram os empresários. As máquinas que comercializam adaptam-se desde as necessidades de um pequeno produtor até às necessidades de uma grande adega. São maioritariamente de marcas italianas porque aí reside a panóplia dos materiais com melhor qualidade neste setor de atividade. Para estarem atentos aos avanços tecnológicos, os nossos entrevistados confidenciaramnos serem presença assídua em feiras no estrangeiro: “Deslocamo-nos muitas vezes a Milão, Munique e Saragoça por forma a estarmos sempre informados sobre novos aparelhos e novas tecnologias na área da maquinaria para engarrafamento”. Apenas com um ano de atividade a In-Bottle já se encontra a crescer e até em processo de recrutamento para mais um membro completar a equipa. Com um raio de atuação que vai desde Melgaço até Faro, a In-Bottle pretende continuar a consolidar-se e a crescer, sempre com muita ambição. Aqui os prazos de entrega são cumpridos ao rigor, a qualidade dos produtos assegurada e o atendimento uma mais-valia que fideliza todos os que já recorreram aos seus serviços. Ingredientes mais do que suficientes que tornarão, a curto prazo, esta empresa numa referência a nível nacional.

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santarém | adega cooperativa de alcanhões

60 anos a valorizar Alcanhões De norte a sul de Portugal, a tradição do vinho implementa-se em cada região quase como uma forma de arte, com identidades distintas. No Ribatejo os vinhos são marcas de história e de contrastes, sendo a região uma das denominações vitivinícolas de referência no mapa dos vinhos nacionais. Nesse sentido, com uma nova direcção, jovem e dinâmica, a Adega Cooperativa de Alcanhões tem vindo a desenvolver a valorização do vinho da respectiva freguesia, de todo o concelho de Santarém, do qual é a única Adega Cooperativa, e também da região Tejo.

Pedro Luís,João Baldeante, João Sardinha

O Ribatejo sublimado, o prodígio de uma paisagem que deixa de ser, à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam, é um excesso da natureza. Uma região única, com a sua própria identidade na produção de vinhos. Localizada na freguesia de Alcanhões, no concelho de Santarém, a Adega Cooperativa de Alcanhões tem passado por diversas fases ao longo da sua existência. Erguida em 1957, teve inicialmente um grande impacto em todo o concelho, tendo perdido alguma preponderância com o decorrer dos anos. No entanto, após um período menos bom da sua história, teve em 2016 a reformulação da sua direcção que, desde então, tem vindo a desenvolver um

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trabalho notável, criando uma nova dinâmica na produção e na valorização, não apenas dos seus vinhos como também da região. Em conversa com a Revista Business Portugal, o presidente da Adega, Pedro Luís, o enólogo João Sardinha e o diretor comercial João Baldeante, falaram sobre a adega e o trabalho que têm vindo a desenvolver. Um dos primeiros passos na reformulação da adega foi a renovação da imagem, de modo a ter um maior impacto como “marca” e ganhar um maior destaque junto do consumidor. Seguiu-se a reestruturação da estratégia de mercado e da comercialização, no qual o papel de João Baldeante tem sido indispensável. Na produção, o objectivo

passa por diminuir a comercialização a granel, aumentando a quantidade de produtos embalado, em garrafa ou B&B., uma forma que permite valorizar as uvas entregues pelos associados, no final de cada vindima. Sendo o vinho apenas o produto final de uma série de etapas, a importância de acompanhar todo o processo da sua produção passou a ser um dos principais compromissos – ter uvas de qualidade é fundamental para se obter um vinho de qualidade. Nesse sentido, o presidente Pedro Luís explicou: “o vinho faz-se na vinha, e é importante valorizarmos a produção e os viticultores da região. A nossa qualidade advém do controlo que temos na vinha”.


adega cooperativa de alcanhões | santarém A Adega Cooperativa de Alcanhões trabalha apenas com uvas produzidas pelos seus associados, sendo este um factor relevante para a preservação da identidade dos vinhos produzidos na região. Apenas com um ano de mandato, a nova direcção tem mudado por completo o paradigma da Adega de Alcanhões. Os passos para o futuro passam agora pelo aproveitamento da dinâmica criada. Existe um compromisso entre a adega e os seus associados, em que estes têm de produzir uvas com qualidade e a adega tem de produzir bons vinhos com essas uvas, efectuando uma comercialização rentável. “É um objectivo para a valorização da região e das gentes que trabalham de modo a produzirem qualidade que possamos oferecer aos nossos consumidores”, destacou Pedro Luís. O presidente realçou também a ambição de, aproveitando o aumento do fluxo turístico no nosso país, integrar a Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo, após a sua reactivação. Com vinhos com uma excelente relação qualidade/preço, esta direcção promete que irá continuar a surpreender com os seus produtos. Diferentes gamas e vinhos para todos os gostos… A região do Ribatejo é repleta de vinhos de qualidade, sendo uma referência nacional até para os mais requintados palatos. O vinho desta Adega reúne as qualidades da Anuncio_255x150mm_bleed.pdf

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região ribatejana, com uma personalidade muito própria. O enólogo João Sardinha é o responsável pela concepção dos diversos vinhos que a Adega tem para oferecer: “Os brancos são vinhos frutados, mas com uma boa capacidade de envelhecimento. Quanto aos tintos, apresentam boa cor, também frutados, e têm boa estrutura, com alguma acidez natural, às vezes mesmo com alguma agressividade na boca, mas queremos manter a personalidade da região”, destacou o enólogo. Na produção o segredo é, de certa forma, “não pretender imitar outros vinhos e respeitar a identidade da região e das diversas castas utilizadas”. A Cooperativa comercializa diversos vinhos de diferentes gamas. O vinho com a marca Ribaleve, é a gama de entrada, um vinho mais leve e mais fresco, principalmente para o mercado de verão. A marca Adiafa, branco, tinto e também um licoroso abafado de sabor doce, suave e persistente. Quanto aos vinhos Terras do Paço, branco tinto e rosé, são vinhos mais intensos, de grande qualidade. A referência da Adega são os vinhos da marca Cardeal Dom Guilherme, produzidos com uvas de castas selecionadas, nomeadamente a Fernão Pires e Arinto nos brancos, a Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Castelão e Trincadeira. São vinhos que oferecem uma excelente relação de preço/qualidade, sendo certamente vinhos que deixarão surpreendido qualquer apreciador da arte vinícola.

No seguimento da realização do 60º aniversário do início de atividade da empresa, criou-se o Cardeal Dom Guilherme, um vinho comemorativo desta data, que requereu cuidados especiais na produção. Este ano foi apresentado pela primeira vez o Rosé Terras do Paço, produzido exclusivamente com uvas da casta Syrah, um vinho diferente em especial pelo seu aroma e sabor, bem como pela lindíssima cor de cereja. Posição de Mercado A abordagem de mercado tem sido definida pela nova direcção, passando essencialmente por “trabalhar com distribuidores e armazenistas, de norte a sul do país. São eles que possuem os seus próprios canais de distribuição”, esclareceu João Baldeante. Há também uma aposta no mercado internacional, exportando cerca de 40 porcento da produção para Angola, China, Polónia, Alemanha, Holanda, Suíça, Estados Unidos da América e, mais recentemente, a França. No concelho, os vinhos da cooperativa, podem encontrar-se na loja própria Adega. Podem também ser adquiridos em vários pontos de comércio em Santarém e também na loja que a Adega tem no Mercado de Santarém.

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santarém | cenfim

“Somos um centro de formação de profissionais” Reconhecido como o maior centro de formação na área da indústria, o CENFIM conta já com 32 anos de experiência, tendo vários núcleos espalhados por todo o país. Apostados em formar não só profissionais de excelência, mas também seres humanos capazes de assumir os seus compromissos e responsabilidades, têm à disposição uma oferta formativa que abrange jovens, adultos, empresas e formadores. Em entrevista à Revista Business Portugal, José Gomes, diretor do núcleo de Santarém, explica as principais especificidades e mais valias da instituição.

José Gomes (ao centro) Diretor e colaboradores

A trabalhar desde 1985 na formação de profissionais para á área da indústria, o CENFIM é reconhecido pela qualidade dos seus cursos, lançando para o mercado profissionais de qualidade, capazes de responder às exigências de um dia a dia de trabalho. Para isso, um dos pontos a favor é a realização de estágios em todos os anos do curso, que colocam os alunos em constante contato com a realidade do mercado. “Todos os anos vão fazendo a formação, teórica e prática, mas têm ao mesmo tempo os estágios, que são um ponto que os favorece

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porque têm contato com a realidade do mundo do trabalho. Tudo isto facilita uma aproximação entre os jovens e as empresas”, admite José Gomes. Uma vasta oferta formativa à disposição de qualquer interessado Com 13 núcleos no país, abrangendo o território de norte a sul do pais, o CENFIM tem à disposição vários planos de oferta formativa. De acordo com José Gomes, diretor do núcleo de Santarém, a realidade com que lida, ligada à metalúrgica e

metalomecânica observa as seguintes dimensões. “Nas nossas áreas formativas, em Santarém, possuímos setores ligados às áreas, da maquinação convencional, maquinação programada, serralharia da chapa e tubo, bem como uma secção de soldadura, onde o Núcleo de Santarém do CENFIM detém mesmo certificação internacional, ou seja, os formandos que aí fizerem a sua formação e obtenham correspondentes certificados, estes são reconhecidos em qualquer parte do mundo. Associadas à área da manutenção industrial

possuímos ainda respostas formativas nas áreas da eletricidade, eletrónica, automatismos e robótica, possuindo-se ainda respostas nos domínios do desenho assistido por computador, 2D e 3D, ou mesmo no campo da programação de impressoras 3D. Os nossos cursos são fundamentalmente práticos, onde a teoria é dada em acompanhamento direto com a prática. Como oferta formativa, e no que respeita a públicos objetivo possuímos, para os jovens, cursos técnicos no âmbito do Sistema de Aprendizagem, ao nível do secundário, que tem, do nosso ponto de vista uma vantagem relativamente ao ensino profissional, os jovens acedem a estágios curriculares em empresas ao longo de todo o curso. No primeiro ano, em acordo com a área tecnológica, pode variar entre as 180 horas e as 300 horas de estágio, atingindo mais de 400 horas quer no segundo quer no terceiro ano de formação. No final, os formandos ficam com uma qualificação de nível IV, de elevada qualidade, a par do 12º ano da escolaridade. Em matéria de formação para adultos desempregados, desenvolvemos cursos tecnológicos, conferindo o nível III ou o nível IV de qualificação, ou em regime de dupla certificação, em que aquela componente tecnológica associada se encontra associada a uma componente escolar, visando a obtenção, a par da qualificação técnica, o 9º ano ou do 12º da escolaridade. Para os interessados que já detenham o 12º ano de escolaridade temos a oferta dos designados Cursos de Especialização Tecnológica - CETs, cursos de natureza pós-secundária pré-universitária, essencialmente técnicos, que possibilitam o acesso dos formandos ao ensino superior, junto de instituições com as quais o CENFIM


cenfim | santarém se encontra protocolado. O CENFIM, no seu todo é o maior centro de formação nacional dedicado ao setor da indústria. Aliás, desde logo somos instituídos pelas duas maiores associações empresariais do setor. Possuímos uma metodologia de trabalho baseada numa articulação muito intensa e permanente com as empresas, vocacionada à colocação dos nossos formandos em estágios, designadamente curriculares, mas que procuram igualmente aperceber-nos das necessidades do tecido produtivo nomeadamente através de levantamentos de necessidades específicas e ou transversais em qualificações, sejam elas dos seus ativos, formação continua de ativos, seja decorrentes da evolução dos próprios perfis das profissões e de melhoria de qualificações, as quais possam ser encaminhadas para as entidades públicas responsáveis pelo desenvolvimento dos perfis formativos. É também dimensão desta atividade prospetiva, a sinalização de quadros técnicos das empresa que possam posicionar-se como potenciais formadores em ações que levemos a efeito, procurando que a formação seja ministrada por profissionais do setor, com profundo

conhecimento das tecnologias, dos sistema, processos e procedimentos em utilização”, explica. A distinção na hora da chegada ao mercado de trabalho A indústria é desde logo um setor onde não é possível aceder-se sem um adequado nível de qualificações, José Gomes acredita por isso que o investimento na formação é absolutamente incontornável para quem pretenda vir trabalhar para o setor, mas também para quem já la labuta, na medida em que os desafios da competitividade e modernização são constantes. “Na indústria, em face dos contextos fortemente tecnológicos em que se trabalha não é possível operar sem conhecimentos, saberes práticos e atitudes adequadas. Nesta medida é importante que se perceba que para trabalhar neste importante setor, são necessárias qualificações adequadas e estas conseguem-se em ações de longa duração, quando se trata de processos de qualificação, continuada em processos de permanente atualização ao longo da vida.

do ponto de vista ecológico e ambiental e com muito mais recurso às tecnologias de informação, nomeadamente à programação de maquinaria e equipamentos. A indústria é o suporte forte da economia, está presente em todo o lado. Hoje em dia está em cima da mesa a indústria 4.0, que significa uma integração quase total entre sistema produtivo, sistema de gestão, integrandose estas dimensões, com toda a cadeia de valor, ou seja, com os sistemas de clientes e fornecedores. As decisões de gestão, conceção do produto, produção, custos associados, fornecimento montante de bens e serviços, fornecedores, e colocação nos clientes, incorporando aqui todas as notas e ou sugestões destes, por forma a adaptar o produto às constantes mutações do mercado, praticamente em tempo real, é uma necessidade, diria, de quase sobrevivência.”, afirma o diretor do núcleo. Com cursos que conferem um contato constante entre alunos e empresas, a integração no mercado de trabalho acaba por estar bastante mais facilitada para quem sai do CENFIM. “Não temos jovens

afixados nas instalações e não conseguimos dar resposta a todos. Aos nossos alunos é disponibilizada uma formação técnica de elevadíssima qualidade, no entanto não descuramos todo um trabalho nas áreas socioculturais e comportamentais, possibilitando a abertura a novas perspetivas e visões sobre a vida e o trabalho, fomentando-se valores fundamentais ao desempenho de qualquer atividade profissional como o rigor, o compromisso a honestidade, a cooperação e a valorização do esfoço e do mérito, resumidamente as bases do que designamos habitualmente por profissionalismo. Relativamente aos nosso formandos, e fruto do grande trabalho de aproximação às empresas e de um eficaz sistema de realização de estágios, muitos dos deles vêm-se confrontados com propostas de trabalhos mesmo durante o período formativo, todavia é nossa missão incutir-lhes a ambição de estudar e trabalhar na prossecução do seu desenvolvimento pessoal dando assim o maior contributo possível para este coletivo que é a economia do país. Nesta medida somos pois, um centro

O setor mudou muito nos últimos tempos com as novas tecnologias, hoje é mais limpo

no desemprego, aliás como se constata, temos muitos anúncios de emprego aqui

de formação de profissionais. ”, conclui José Gomes.

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santarém | eva cadima

“A inovação para mim é instintiva”

Eva Cadima Administradora

Atenta ao mundo que a rodeia, em busca constante por novos conceitos e ideias, Eva Cadima estabeleceu-se em 2013 por conta própria na área da publicidade, à qual desde sempre esteve ligada. A proximidade com os clientes e a honestidade são marcas distintivas da empresa, associadas à qualidade e criatividade dos serviços prestados.

Com uma carteira de clientes fidelizada e satisfeita com os seus trabalhos, não foi difícil para Eva Cadima avançar para um negócio por conta própria. Desde sempre interessada na área da publicidade, foi percebendo que teria o necessário para avançar com um projeto seu. “Acabei de estudar e consegui trabalho nesta área. Entretanto, a empresa onde eu estive passou por dificuldades e acabei por ter que sair. Mas a vontade de trabalhar novamente em publicidade e o incentivo de alguns clientes fez-me ganhar coragem de avançar. Comecei a aceitar trabalho e percebi que talvez fosse capaz de trabalhar sozinha em publicidade”, explica Eva Cadima. Desenvolveu-se assim a marca Eva Cadima, Design, Web e Produções Gráficas, à imagem da própria uma marca com os seus próprios valores. Estabelecida na cidade de Santarém, admite

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ter um negócio onde faz um pouco de tudo, tendo por base a criação de uma imagem para as empresas. Para manter os clientes satisfeitos e fidelizados, acredita que para além da qualidade dos produtos é também importante a honestidade. “Somos uma agência de publicidade, fazemos aqui um pouco de tudo. A criação de uma imagem, ou seja, o design gráfico, é no fundo o ponto de partida para o restante. Quem faz a imagem normalmente vai precisar de um cartão de visita, de um brinde, de um site ou da gestão das redes sociais. A minha prioridade, sempre, e em todas as áreas que eu trabalho, é a qualidade!”. Instituída no mercado a pulso da sua própria determinação, a qualidade de seu trabalho sustentou que a sua carteira de clientes fosse crescendo, trabalho após trabalho. Na relação com o cliente a proximidade é um

factor relevante na forma como desenvolve e acompanha cada trabalho: “as empresas procuram-me e dizem aquilo que precisam. Eu tento aconselhar pelo que é necessário fazer, mesmo que implique não fazer negócio. O que consigo fazer, faço e cumpro. Quando vejo que não consigo, não faço promessas. Eu só prometo aquilo que sei que vou cumprir”, elucida Eva Cadima. Destacou também o elemento mais importante que sustenta o sucesso do seu negócio: “eu gosto realmente daquilo que faço!”. Valor Criativo Numa área em que a criatividade tem um valor significativo, Eva Cadima destaca a importância de trabalhar sempre de forma a ir de encontro com os objetivos do cliente “A criatividade tem sempre a ver com o gosto pessoal de cada um, não considero que

seja algo intrínseco. Tento adaptar-me com cada um deles e fazer o melhor que consigo, sempre com grande honestidade”, afirma a proprietária. Na publicidade é indispensável largar o olhar virgem e contemplar cada momento como único, aquilo que parece o mais simples é muitas vezes a forma mais eficiente de realizar a comunicação. No design e no desenvolvimento, o instinto criativo de Eva Cadima suplementa-se de forma espontânea, despontando em cada trabalho a responsabilidade de criar uma fórmula de sucesso que satisfaça os seus clientes. É um trabalho que se realiza de forma diferente. Se em cada esquina a publicidade satura o olhar cansado do consumidor, com Eva Cadima, a publicidade ganha uma nova cor - a simplicidade e o engenho criativo fazem com que cada trabalho seu seja algo de diferente.


fencaça | santarém

25 anos a promover a atividade cinegética Criada no início dos anos noventa, a FENCAÇA foi a primeira federação de caçadores, de âmbito nacional, a surgir, com o intuito de apoiar e fomentar o início do ordenamento cinegético a nível nacional. Hoje, falamos da federação mais representativa dos caçadores portugueses, que procura fundamentalmente a revitalização do setor.

Com 25 anos de existência, a FENCAÇA centra-se num projeto que procura defender as diversas associações e caçadores existentes no território nacional. Jacinto Amaro, presidente da FENCAÇA revela o historial que envolveu a criação da única federação de âmbito nacional neste setor. “Com a publicação da Lei n.º30/86, o Estado Português iniciou um processo de ordenamento da atividade cinegética, com a criação de zonas de caça e a atribuição da sua gestão, ou concessão a associações

de caçadores ou empresas. Aliás, no ano seguinte criei a primeira zona de caça associativa no país. A Federação Portuguesa de Caça acaba por resultar da necessidade de defender o regime ordenado e os seus associados”. Atualmente, a FENCAÇA apresenta como principais serviços a criação, concessão ou renovação de zonas de caça associativa, turística ou municipal; a criação de aparcamentos para gado; e ainda, o aconselhamento científico, técnico e jurídico, adaptado às especificidades de cada território. Após um quarto de século, a federação continua a debater-se pela melhor qualidade do ordenamento, pela sustentabilidade do meio ambiente e pelo combate à diminuição do número

Jacinto Amaro Administrador

de caçadores. “Desde os primórdios, que a atividade cinegética é importante para o desenvolvimento do mundo rural, promovendo a luta contra a desertificação dos meios rurais. Hoje em dia, existem mais de 1000 funcionários em zonas de caça, que ocupam esses territórios, incrementando o seu desenvolvimento. No presente, a nossa luta prende-se com o facto de não tornar esta atividade elitista, pois a caça sempre teve como matriz ser uma atividade lúdica, transversal a toda a sociedade”, explica o presidente da federação. Nesse sentido, a federação é responsável pela realização do Campeonato Nacional de Santo Huberto e pelo fomento de atividades desportivas ligadas à caça. Também no âmbito governamental, a FENCAÇA é o maior orgão consultivo do governo para assuntos relacionados com a atividade cinegética. A federação está em contacto direto com as universidades, entidades públicas e associações governamentais, sendo um parceiro importante para a investigação. “Nós conservamos a natureza, a biodiversidade e os ecossistemas, limpando e equilibrando o meio ambiente. Por isso mesmo, a política ambiental é uma das nossas matrizes, na medida em que transmitimos valores fundamentais para as gerações futuras. No último congresso ibérico organizado na cidade de Évora, procuramos aproximar os saberes e as experiências de Portugal e Espanha, procurando soluções nomeadamente na questão das doenças que estão a afetar as espécies selvagens”, revela Jacinto Amaro. Por isso mesmo, o futuro passa por resolver o problema das doenças que estão a prejudicar a caça maior e a caça menor. Por outro lado, “queremos inverter o declínio no número da atribuição de licenças de caça, procurando com isso revitalizar o setor e atrair jovens para esta atividade, pautando sempre a nossa intervenção pela preocupação com a preservação e sustentabilidade do meio ambiente. Gostaria ainda de deixar uma palavra ao trabalho desenvolvido pelo atual Ministro da Agricultura, que tem mostrado o seu interesse pelo setor, prestando um apoio próximo junto das organizações do setor da caça”, termina o presidente.

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ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA A Área Metropolitana de Lisboa (AML) regista a maior concentração populacional e económica de Portugal. Nos seus dezoito concelhos, que constituem 3,3% do território nacional, residem quase três milhões de habitantes, cerca de um quarto da população portuguesa. Ao nível económico concentra cerca de 25 por cento da população ativa, 30 por cento das empresas nacionais, 33 por cento do emprego e contribui com mais de 36 por cento do PIB nacional. Com uma costa atlântica com cerca de 150 quilómetros e uma frente ribeirinha de cerca de 200 quilómetros, a AML apresenta uma grande variedade morfológica e abundante riqueza natural, que lhe confere um potencial ambiental, paisagístico, económico e de lazer que importa preservar e valorizar. Possui dois grandes estuários: o Tejo e o Sado, e cinco áreas protegidas, integradas na Rede Natura 2000. No seu território integra dois grandes portos: Lisboa e Setúbal e três portos médios piscatórios: Sesimbra, Cascais e Ericeira. À escala internacional, os portos de Lisboa e Setúbal assumem um crescente protagonismo que se deve não só à sua posição de charneira entre o norte da Europa, Mediterrâneo e África, como também devido ao elevado valor histórico e paisagístico das áreas envolventes ao porto. A Área Metropolitana de Lisboa afirma-se cada vez mais como uma das regiões mais competitivas para o turismo, competitividade essa que assenta no enorme manancial de recursos que dispõe, destacando-se neste domínio a oferta de alguns dos produtos que sofreram maior aumento da procura internacional, city-breaks, ligadas ao turismo cultural, o turismo de congressos e mesmo o turismo de cruzeiros. Pela sua ambição de futuro, a Área Metropolitana de Lisboa é uma região em constante mutação, onde ganham relevo os polos de inovação e de desenvolvimento tecnológico e o incremento de indústrias competitivas.

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ae sintra | área metropolitana de lisboa

“Pelo desenvolvimento económico do comércio e indústria de Sintra”

Luís Miguel Almeida é presidente da Direção desde novembro de 2016 mas a sua ligação à Associação Empresarial de Sintra existe há 17 anos. Com uma extensa cobertura empresarial no concelho, conta já com cerca de 4 mil associados e vários serviços de apoio aos empreendedores. Dinamizar o setor faz parte da missão da AE Sintra que detém um papel ativo no desenvolvimento e promoção de iniciativas que envolvem a população e os empresários.

Luís Miguel Almeida Presidente da direção

Que apresentação faz da Associação Empresarial de Sintra? Esta Associação tem 73 anos e tem uma grande cobertura empresarial no concelho. Começou por ser uma Associação Comercial, virada para o comércio, mas dada a dinâmica, a procura e interesse de empresas de vários tipos de atividade, decidimos alargar o objeto e passou a ser Associação Empresarial de Sintra. Portanto, atualmente temos aqui todo o tipo de setores de atividade, o que enriquece a associação bem como a sua importância. Neste momento, temos uma cobertura de cerca de 4 mil associados.

De que forma apoiam os associados? Prestamos apoio jurídico, como consultoria e opinião aos sócios que tenham necessidade de receber esse tipo de apoio de forma gratuita. Montamos uma estrutura, face às necessidades que o mercado hoje dita para a generalidade das empresas, ao nível da obrigatoriedade, do serviço de medicina do trabalho, segurança e higiene, segurança alimentar, entre outros. Ou seja, nós fornecemos esses serviços aos nossos associados a preços privilegiados em relação ao mercado. Para isso contamos com um leque de colaboradores técnicos e profissionais de saúde. Temos ainda um outro serviço: a formação. Existem exigências legais para que as empresas forneçam ações de formação aos seus trabalhadores e a associação também presta esse serviço. Muitas são prestadas pelos nossos técnicos que estão preparados para dar formação. Funciona em duas vertentes: nós organizamos e promovemos ações de formação, através de planos mensais que divulgamos junto dos nossos associados e estamos disponíveis para traçar planos de formação à medida do que o associado pretende. São eles que nos dizem o que precisam e nós ajudamos a melhorar e preparamos uma ação de formação nesse sentido, tanto nas instalações do cliente como aqui na associação. Existe

um calendário trimestral com as ações definidas e vamos ajustando em função dos associados. Como caracterizam a vossa atividade neste concelho? A nossa missão é dinamizar ao máximo o setor empresarial. Temos alguma experiência na matéria e a dinâmica potenciou um salto, aumentando os colaboradores para 21. Este concelho é um espelho perfeito daquilo que se passa no nosso país. Cerca de 80 por cento dos nossos associados são pequenas e médias empresas. Conseguimos evoluir com a variedade de problemas ou questões por resolver e assim melhoramos a nossa capacidade de resposta no futuro. Desenvolvemos ainda parcerias com instituições que confiam em nós e no nosso trabalho. Sentimos que também temos responsabilidades sociais e é importante estar presentes em alguns projetos de formação ou qualificação para o mundo empresarial. Que iniciativas promovem nesse sentido? Lançamos o ‘Sintra Empreende’, um evento em que convidamos alguns oradores e discutimos um tema numa espécie de conferência, em que as pessoas debatem as suas opiniões. Tem tido muito sucesso e a próxima edição será em Setembro. Promovemos a ‘Feira de Stocks’, em

que todas as empresas e interessados podem fazer um outlet para promover e vender os seus produtos com descontos. Queremos ainda apostar em mais iniciativas direcionadas para o setor têxtil e do calçado, como o ‘Sintra Moda’, dando visibilidade às empresas do concelho. Será um evento de destaque a nível nacional e o objetivo é trazer até aqui modelos conceituados para desfilarem com roupa das empresas do setor que estejam interessadas em divulgar a sua marca ou loja. Como vê os novos desafios futuros? Vejo estes próximos anos com otimismo e alicerço esta opinião nas capacidades das pessoas que aqui trabalham. A AE decidiu criar há alguns meses um Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo, para aqueles que querem formar a sua própria empresa e investir. Num curto espaço de tempo, temos já dezenas de pessoas a trabalhar connosco nesse sentido, que querem ser empresários. Contamos com pessoas que estão atentas ao que se está a passar no mercado e tentam arranjar soluções, aproveitando oportunidades que se ajustem às necessidades e, simultaneamente, possam fazer com que a Associação tenha um papel ativo e dinâmico nesse apoio.

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área metropolitana de lisboa | mare et corvus

O vinho mais ocidental do continente europeu Começou como um hobbie de família, mas atualmente é já uma marca reconhecida na área dos vinhos. O Mare Et Corvus resulta da junção das castas Malvasia de Colares, Chardonnay e Fernão Pires e apresenta-se como um vinho fresco, salgado e vivo, ideal para acompanhar qualquer refeição de peixe, marisco e carnes gordas. Produzido e engarrafado na Adega Regional de Colares, podemos encontrar este produto no comércio local, na grande Lisboa e o objetivo é levar o vinho além-fronteiras.

João Corvo e José Corvo Administradores

“Este vinho nasceu da vinha mais Ocidental da Europa Continental, localizada no promontório da Adraga, a 1,5 km do Cabo da Roca, Sintra. Local único e difícil, sobre o Atlântico, fustigado por ventos violentos e nevoeiros salgados”. É assim que se apresenta o Mare Et Corvus. Um projeto com alguma história e que tem dado cada vez mais frutos. Comecemos pelo nome: “Corvus” surge do apelido da família Corvo e “Mare” pela proximidade ao mar. Escrito em latim, as origens romanas são explicadas pela inserção na Vila Romana de Santo André. Marca registada

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e com características únicas, vamos conhecer a história deste projeto que nasceu como um hobbie de família, homenageando os seus antepassados. Os irmãos João e José Corvo iniciaram este projeto há 6 anos atrás, após reestruturação de uma vinha velha que já tinham e que ainda mantêm uma parte, nomeadamente uma manta de uva Ramisco onde se inclui a maior exemplar da região. Com a experiência adquirida, concluíram que esta é uma região de vinhos brancos, “pois raramente temos temperaturas no verão acima de 25 graus centígrados e

daí uma maior dificuldade no amadurecimento dos tintos”. A Malvasia de Colares é a casta que melhor se adapta. “Tínhamos mais de 20 castas diferentes e de todas é a mais produtiva e a que melhor resiste ao clima”, avança João Corvo, um dos administradores. Numa zona reconhecida pelos vinhos brancos, o Mare Et Corvus resulta da junção das castas Malvasia, Chardonnay e Fernão Pires. Apresenta-se como um vinho fresco, salgado, vivo, com notas cítricas e de maça verde e quem prova sente a salinidade inerente à localização. Produzido e engarrafado na Adega Regional de


mare et corvus | área metropolitana de lisboa Colares, com marca própria, supervisionado pelo enólogo Engenheiro Francisco Figueiredo. O clima e a produção Localizadas numa zona turística por excelência, as produções são influenciadas pelas condições naturais da região. O microclima existente entre a Serra de Sintra e o mar contribui como fator de diferenciação deste produto. “Tal como tudo o que é produzido na região, o nosso vinho é diferente e isso é percetível numa só prova. Com características e um sabor único, consegue-se fazer uma simbiose perfeita entre o vinho e o peixe apanhado nas nossas águas, como o sargo e o robalo”, assegura João Corvo. No entanto, nem sempre as condições climáticas ajudam na produção. Enquanto a Malvasia de Colares rebenta mais tarde e foge aos ventos fortes dos meses de Fevereiro e Março, o Fernão Pires e o Chardonnay têm mais problemas, por serem mais precoces. “No entanto, penso que as mesmas estão a criar algumas defesas e ambientação, o que muito têm contribuído para a diferenciação do vinho”. O vinho e o peixe da Roca Ideal para acompanhar com tudo o que nasce do mar, o Mare Et Corvus é um vinho apreciado pela frescura e são várias as sugestões de pratos que combinam com o vinho. Apesar da procura deste casamento perfeito com o peixe da costa, João Corvo conta que ainda há uma certa dificuldade em introduzir este conceito na região. “Alguma restauração está presa a determinadas marcas e empresas de distribuição que fazem as cartas de vinhos, por isso tem-se tornado difícil de vender este conceito, mas como somos uma empresa jovem, persistente e que acredita na qualidade do produto, esperamos alcançar este reconhecimento”. A maioria da produção é comercializada na região e a empresa conta ainda com distribuidor na zona de Lisboa “Espaço Delux”. O escoamento do vinho não tem constituído problemas, “vendeu-se rapidamente a colheita de 2014 e a de 2015 já só resta 20% da produção”, conta. A participação em eventos ligados a área vinícola é importante para a família Corvo que marcou presença na Feira de Vinhos do Campo Pequeno, no Páteo da Galé em Lisboa, no Mercado da Villa, em Cascais e no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras. A curto prazo, os objetivos para o futuro passam pelo aumento da produção. “Se tivermos êxito, temos mais algumas parcelas de terreno e estamos a pensar seriamente investir nelas, sempre focados numa melhor qualidade”, conclui.

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área metropolitana de lisboa| centro clínico da luz

“Estamos cá de corpo e alma” Maria da Luz Ribeiro dedica-se às áreas de estomatologia e clínica geral desde 1980. A dedicação e paixão que entrega no exercício da sua profissão são já reconhecidas pelos pacientes que visitam o Centro Clínico da Luz. Localizado no Cacém, conta com várias especialidades e uma equipa dinâmica que presta um serviço diferenciador. Numa área que requer altruísmo, este negócio familiar atravessa já uma fase de passagem de testemunho e será Gustavo Ribeiro a assumir a gestão da clínica. Com a conceção de que existem médicos e doutores, Maria da Luz assumese como uma profissional que ainda preserva uma ideia romântica. “A medicina requer altruísmo e preocupação do médico para com os doentes e não pelo estatuto. Escolhi a sala mais pequena e ao mesmo tempo que trabalho no computador estou em contacto com as pessoas. Acredito que precisam de aconchego, de atenção e de uma explicação que nem sempre o médico fornece. Para mim é muito importante que a ligação médico-doente seja explorada e próxima”, reforça. Foi através da sua dedicação e paixão no exercício da medicina que a diretora alcançou o reconhecimento por parte dos pacientes. “Pratico preços abaixo da média para aqueles que não têm seguros nem possibilidades mas que guardam algum dinheiro para vir cá. Todos os dias recebo pessoas novas que chegam cá por recomendação de outras e prestamos um serviço diferenciador. As pessoas sentem que estamos cá de alma e corpo. A abordagem é diferente das outras clínicas, mas como médica sou sempre a mesma pessoa e profissional. Os pacientes

Maria da Luz Ribeiro Administradora

Durante quase 20 anos, a prioridade de Maria da Luz Ribeiro foi a sua clínica em Cascais. Em 2007, fundou o Centro Clínico da Luz, numa das zonas mais agradáveis de Agualva-Cacém, que apesar de estar longe da cidade tornou-se uma referência nos serviços médicos e dentários. “As pessoas sabem onde estamos e acabam por cá vir, já conhecem o nosso trabalho”, conta a diretora. A exercer a profissão desde 1980, na área de estomatologia e clínica geral e familiar, nos centros de saúde da região, Maria da Luz Ribeiro teve uma motivação extra. “O meu filho estava a estudar Medicina Dentária e pensei no futuro dele ao abrir esta clínica. Ele é um dos médicos dentistas que temos cá e estou a passar o testemunho. Atualmente é ele quem faz a gestão da equipa, materiais e tratamentos da parte dentária”, afirma. O balanço destes 10 anos de atividade é positivo, apesar das dificuldades inerentes à situação económica do país. A equipa do Centro Clínico da Luz não baixou os braços e continuou a acreditar num futuro risonho e promissor com motivação e entrega. “Os colaboradores da clínica são escolhidos a dedo e têm que ter certas características. São meus colegas, pessoas simples, de quem eu gosto e que têm uma forma de estar parecida com a minha. Neste momento, temos várias especialidades e para cada uma delas temos um ou mais especialistas que vêm cá determinados dias mediante o número de utentes”, explica a diretora. A clínica disponibiliza uma ampla oferta de serviços de saúde, da clínica geral à medicina dentária, da pediatria à dermatologia, da ginecologia à urologia, passando pelas análises clínicas.

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devem ter as mesmas oportunidades e ser tratados de igual forma, independentemente do estado de ânimo e do nível financeiro”, revela. Continuar com esta filosofia faz parte dos planos de Maria da Luz para o futuro da clínica. No entanto, a diretora não esconde que gostaria de assistir a uma evolução e para isso confia no filho, Gustavo Ribeiro. “Estou a pensar investir na equipa e valorizar a profissão para atingir melhores resultados. O que dá vida à clínica são os pacientes.”, conclui.


BAIXO MONDEGO A região do Baixo Mondego, na zona centro de Portugal, rica em paisagens idílicas e monumentos, apresenta-se como confluência do Distrito de Coimbra e do Distrito de Aveiro. Limitada a norte pelo Baixo Vouga e com Dão-Lafões, a leste com o Pinhal Interior Norte, a sul com o Pinhal Litoral e a oeste com o Oceano Atlântico, é uma das zonas de maior destaque nos sectores da cultura e turismo do nosso Pais. Com realidades tão diferentes como as típicas paisagens urbanísticas, características de grandes urbes, separadas por zonas montanhosas e serranas, uma bela costa com praias paradisíacas e notáveis cidades e históricas aldeias. Em particular destaque nesta edição estão as cidades de Coimbra e Figueira da Foz. Coimbra é uma cidade historicamente universitária, por causa da Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa e das maiores de Portugal. Na história recente a população estudantil da Universidade teve um papel importante ao ser ativamente defensora dos valores da liberdade e democracia frente à ditadura do Estado Novo. Uma das cidades mais antigas do país, foi a capital de Portugal antes de Lisboa, até 1255, e nela está o primeiro Panteão Nacional, o Mosteiro de Santa Cruz. A Figueira da Foz, situada no litoral atlântico, junto à foz do Rio Mondego e estendendo-se até ao Cabo Mondego, candidato a Património Mundial por ser um lugar exemplar do jurássico de rara visibilidade, é um dos centros turísticos mais importantes de Portugal, com o Casino mais antigo de toda a Península Ibérica e único na região Centro, uma praça de touros, um enorme areal (a praia urbana mais larga da Europa) com equipamentos lúdicos e desportivos e uma animada vida noturna.

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ETAR de Olhalvas, Leiria

baixo mondego | águas do centro litoral

Uma empresa do cidadão e do ambiente

Nélson Geada Presidente do Conselho de Administração da AdCL

A Águas do Centro Litoral é uma empresa regulada pela ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), o que significa que toda a sua atividade se rege pelas normas determinadas pelo regulador a nível económico e a nível da qualidade dos seus serviços. “Uma empresa recente com uma história antiga” começa por nos apresentar Nelson Geada, Presidente do Conselho de Administração da Águas do Centro Litoral (AdCL). A empresa Águas do Centro Litoral surge como resultado de uma fusão de três empresas: a SIMLIS, S.A. com sede em Leiria, a SIMRIA, S.A., com sede em Aveiro e a Águas do Mondego, S.A. com sede em Coimbra. Apesar da complexidade de todo o processo, a fusão foi conseguida sem dispensar nenhum colaborador e mantendo os níveis salariais. A empresa é uma sociedade anónima com capitais exclusivamente públicos, significando que a empresa tem a particularidade de ser inteiramente participada por capitais públicos não estando, portanto, no mercado como as empresas privadas. Como Nelson Geada explica: a Águas do Centro Litoral presta um serviço público de qualidade procurando sempre a sustentabilidade, não deveria, portanto, ter lucros nem prejuízos. Importa, assim, referir os grandes números: até à data, a AdCL investiu mais de 610 milhões de euros, tendo recebido dos fundos da União Europeia cerca de 1/3 do investimento total. A AdCL é detentora de um capital social de 40 milhões de euros, sendo que mais de metade

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águas do centro litoral | baixo mondego ETAR de Ílhavo

Neste sentido, Nelson Geada sublinha que é fundamental “sensibilizar o cidadão para duas realidades: primeiro, que o recurso água é finito e escasso; e segundo, que a água também tem o seu preço”. O Presidente do Conselho de Administração da AdCL considera, ainda, que as exigências dos cidadãos e do governo são cada vez mais altas. Esta elevada exigência deve-se muito à compreensão de toda a conjuntura ambiental e à mudança de hábitos proveniente das várias campanhas de sensibilização, que começa pelas camadas mais jovens. Nelson Geada reforça que “há uma grande evolução em relação às questões ambientais e da água, num esforço que dura há mais dez anos”. A pensar num futuro para concretizar O futuro deve ser pensado a partir de avaliações continuadas. Para Nelson Geada “este sistema, estabelecido a partir das fusões no ano 2015, ainda não está 100 por cento estabilizado” e portanto, a médio prazo deverá ser construída uma nova cultura de empresa. Nelson Geada conclui, afirmando que é necessário integrar todo o ciclo urbano da água, privilegiando a “gestão conjunta de recursos”.

veio do seu maior acionista - Águas de Portugal e o restante dos 29 municípios servidos pela Empresa. A empresa – o ambiente - o cidadão A AdCL é responsável pela captação, tratamento e abastecimento de água para o consumo público e pelo correto tratamento das águas residuais. Em 2016, tratou cerca de 76 milhões de m3 de águas residuais, que são, posteriormente, devolvidas ao meio hídrico com o mínimo de impacto ambiental. Paralelamente, a sua missão é fornecer água em quantidade e qualidade. No que respeita à quantidade, a AdCL forneceu em 2016 cerca de 24 milhões de m³ de água tratada. Quanto á qualidade, Nelson Geada considera a água do Mondego de muito boa qualidade por natureza e com o intuito de garantir essa qualidade, a AdCL “tem um laboratório acreditado que faz análises diárias desde a captação de água à rejeição no meio hídrico”. “A nossa missão é, assim, garantir o fornecimento de água em qualidade e quantidade, tratar os efluentes com um impacto mínimo no ambiente e sensibilizar o cidadão”. diznos Nelson Geada. Percebe-se, então, claramente que a AdCL é pautada tendo em conta um triângulo que engloba a empresa, o ambiente (a sua preservação) e o cidadão. No entanto, para alcançar uma geometria perfeita do triângulo é fundamental fazer apostas dentro e fora da empresa. Dentro da empresa há a formação contínua dos seus colaboradores e um ambiente de eficácia no trabalho. Já fora da empresa, há a preocupação a nível social nos apoios a iniciativas ligadas ao ambiente. A responsabilidade de comunicar para o cidadão Sendo um dos vértices do triângulo a preservação do ambiente (uma preocupação que o mundo enfrenta), a responsabilidade da empresa junto da sociedade é maior.

ETA da Boavista, Coimbra

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baixo mondego |marégrafo petisqueira

tapas e petiscos com sabor a mar Inspirado a servir o que chega do mar, o Marégrafo é uma boa opção não só pela qualidade e variedade da carta, mas também pela magnífica vista para o horizonte do Atlântico.

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Na principal praça de Buarcos, na Figueira da Foz, onde antigamente os pescadores se reuniam depois da faina, encontramos o Marégrafo. Com as portas abertas desde 2004, o Marégrafo nasceu de uma brincadeira de três amigos com o objetivo de reinventar a gastronomia da Figueira da Foz ao oferecer o mais fresco peixe e marisco que o mar poderia dar, num ambiente descontraído e relaxado. Hoje quem está ao comando deste conceituado restaurante é Carlos Ferreira, que acabou por deixar os seguros e a banca para se agarrar a este negócio. Dedicado totalmente ao Marégrafo, com o apoio incondicional do seu filho, Rui Ferreira, que é hoje o seu braço direito na gestão do Marégrafo, conseguiu fazer do restaurante uma referência da cidade. O conceito do restaurante apela ao bom gosto do tradicional português e propõe uma vasta ementa baseada em tapas e petiscos. Quando se abre a carta percebe-se que é em torno do peixe e marisco fresco da costa que assentam as especialidades da casa. A carta é tão diversificada que aumenta a dificuldade em escolher entre tanta coisa boa. Quanto aos preços, podem variar entre os 15 euros e os 25 euros (no entanto, há pratos mais económicos). Carlos Ferreira justifica que estes preços são reflexo do elevado nível de exigência da qualidade dos pratos. E é bem verdade, a qualidade começa quando a prioridade é a frescura dos produtos e a confeção na hora de todos os pratos - o que, por vezes, pode demorar algum tempo, mas é o que garante a perfeição que o paladar exige. Com o crescimento, a carta vai aumentando e entrando um pouco na onda das modas. Uma moda em que pegaram foi a do sushi. Como analogia ao conceito do sushi confecionaram um sushi ibérico à base de presunto e de queijo. Outros pratos também se relevam interessantes pelo nome, como as maminhas da noviça, bife má-língua ou a sopa do caco. Este último prato é a aposta mais famosa da casa devido à sua apresentação: a sopa é servida diretamente num pão regional. Todos os pratos são ótimos para se fazerem acompanhar com uma boa sangria da casa ou qualquer vinho disponível na carta. O Marégrafo é conhecido pelos seus dois ambientes distintos. O interior, mais acolhedor e intimista. Um espaço pequeno onde se destaca uma parede, à entrada, composta de fotografias que nos contam histórias. Apesar de pequeno, a proximidade entre as mesas é uma boa forma de


marégrafo petisqueira | baixo mondego

promover a conversa e a partilha das iguarias entre os clientes. E o exterior, uma esplanada com uma vista incrível que leva os nossos olhos a alcançarem o horizonte do branco da areia e o azul do mar. É a esplanada que faz parte do seu cartão de visita. Um local perfeito para passar finais de tarde com um cheiro da brisa do mar. Quanto aos clientes, muitos vêm por recomendação de outros clientes ou pelo aparecimento do restaurante em roteiros turísticos. Desde a abertura do restaurante que há muitas histórias que merecem ser partilhadas. A mais caricata foi há cerca de três anos quando um casal de alemães foi passar uma semana de férias à Figueira da Foz e visitaram pela primeira vez o Marégrafo. Visitaram a primeira e o resto da semana, ao almoço e ao jantar. Por esta fiel consideração, na última noite de visita antes de irem embora, o restaurante ofereceu uma garrafa de vinho da casa. Mas o inesperado aconteceu e passados dois anos apareceram um grupo de amigos dos tais alemães à porta do restaurante com a garrafa vazia para agradecer a amizade. Para o Marégrafo o cliente está em primeiro lugar. E sobre este ponto há a referir que para além da qualidade que tentam apresentar, é preciso ter disponibilidade. A qualidade é explicada a todos os níveis: a qualidade do sabor, a qualidade do serviço e qualidade da relação com o cliente. A disponibilidade é uma aposta sempre ganha quando não negam pratos a ninguém independentemente das horas. Sem dúvida que é por estas qualidades que o Marégrafo se distingue, mostrando ser um restaurante com tanto sucesso e comentado com tanto amor.

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baixo mondego | caçarola i

Onde desagua o sabor da terra e do mar De portas abertas desde maio de 1976, o Caçarola 1 é um dos restaurantes mais emblemáticos da Figueira da Foz. Rapidamente, percebemos que não é apenas um tradicional restaurante, mas também um espaço com história e alma. A história do Caçarola 1 nasce em maio de 1976. Desde cedo ligados à área da restauração, Graça Mortágua e o irmão, Mário Esteves, decidiram abrir em sociedade uma casa gastronómica na Rua Cândido dos Reis. Uma rua estratégica que fica situada na lateral do casino figueirense, no centro da cidade. Conta-nos Graça Mortágua que “sempre foi uma casa de referência desde o primeiro dia”. Com um estilo tradicional, o Caçarola 1 começou por ser uma pequena sala onde ao centro havia (e ainda há) um balcão com a forma de uma proa de um barco. Porém, com a ascensão rápida do negócio, e após um grande investimento em remodelações, hoje o restaurante tem um amplo espaço de duas salas com destaque aos grandes aquários de marisco e expositor de peixe junto à escadaria da entrada. O sucesso da antiga casa foi tão grande que há pessoas que ainda se recordam e a procuram, mas são surpreendidas com o formato novo. A sociedade adquire o Caçarola 2 em 1981 . No entanto sendo das duas famílias , os irmãos decidem dividir os restaurantes , sendo os dois restaurantes pontos de referência regional e nacional. O Caçarola 1 tem a particularidade de apostar na qualidade do sabor, do serviço e da relação com o cliente. Sem folga semanal, a casa mantém a mesma ementa e o serviço de almoços e jantares há 41 anos. Num ambiente familiar, oferece o melhor e mais saboroso da cozinha portuguesa capaz de levar o cliente às melhores sensações no paladar. A oferta passa pela aposta de sabores únicos entre a terra e o mar. Graça Mortágua explica que a casa tem uma variedade de “três em um, temos pratos para todas as pessoas”. Quer com isto dizer que o cliente pode começar pelo petisco tradicional, passar pelo prato diário (com pratos específicos para cada dia da semana) ou até mesmo ir aos pratos mais elaborados (como a cataplana de peixes e gambas e ainda a popular traineira de marisco). O importante é “ter qualidade e que as pessoas notem a diferença”, refere. Tem cerca de quinze trabalhadores, um número que pode aumentar em época alta. Internamente, o restaurante funciona muito bem, como explica a proprietária “somos uma família”. Percebe-se que o segredo do sucesso passa por estarem todos unidos a mover o barco a bom porto. Este fator acaba por transparecer para o lado de fora, melhorando o ambiente e a relação com quem os visita. É uma casa de fazer e para fazer amigos, tendo um trato bastante familiar. Menciona que há clientes da terceira geração, e isto acontece porque é criado um elo de ligação emocional. Toda a equipa tem consciência que o Caçarola 1 é um ponto de encontro de todas as classes sociais sem qualquer diferença no tratamento, sendo a única diferença a qualidade. O principal objetivo é que o cliente saia satisfeito, pois não há nada mais gratificante saber que “o cliente voltou porque gostou”, acrescenta Graça Mortágua. Como prova do mérito e da excelência são os vários prémios e estatutos ganhos ao longo dos últimos anos. Foram distinguidos com prémios PME Líder e Excelência, sendo este reconhecimento público uma forma de recompensa de toda a dedicação e esforço.

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LEIRIA O distrito de Leiria situado na região centro de Portugal é o 13º maior distrito do país. Dele fazem parte dezasseis municípios e mais de cem freguesias, quase todas elas urbanizadas e industrializadas. Apenas uma ou outra ainda permanece rural, por não ter ainda reunido as condições necessárias para dar o salto para o panorama industrial. Segundo a Associação Empresarial de Leiria este distrito produz taxas elevadas na produção de algumas frutas e legumes (maças, peras, pêssegos, etc), comparativamente com o total nacional. Mas, a sua grande aposta é o fabrico de moldes metálicos a par com a indústria transformadora, extrativa e construção civil, setores líderes a nível nacional com elevada taxa de exportação. A indústria ligada a estes setores localiza-se essencialmente nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Alcobaça, Pombal e Caldas da Rainha. Nos últimos cinco anos, a linha de crescimento industrial neste distrito tem traçado o seu caminho sempre no sentido ascendente, tanto ao nível das importações, exportações e saldo comercial. No ano anterior, foi inclusive o quinto distrito com melhor saldo comercial em Portugal (dados INE). O turismo cultural e natural é outro dos atrativos deste distrito. Destacamos o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha, o lugar da Pia do Urso, a Praia Fluvial das Rocas, o Penedo da Saudade, o castelo de Leiria e as Grutas de Mira de Aire.

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leiria| porsche

A concretização de um sonho

Um ponto de referência em Leiria: o concessionário Porsche, uma equipa de 14, liderada por Pedro Mar Rodrigues, continua a crescer como empresa e a transformar em realidade os sonhos de quem procura obter um carro que satisfaz todas as necessidades práticas, ao mesmo tempo que mantém requinte e o ADN desportivo que caraterizam a marca.

Pedro Mar Rodrigues Administrador

Pedro Mar Rodrigues sonhava com a marca Porsche desde tenra idade. Percorria os catálogos e apaixonava-se pelas figuras que neles admirava. A primeira vez que conduziu um Porsche lembra-se bem, “foi qualquer coisa de notável”, recorda, “era jovem e foi um amigo que conhecia a minha paixão e deixou-me conduzir o seu carro, um 993”. O responsável pelo concessionário de Leiria nunca mais esqueceu o som do motor, a sensação de apenas encostar o pé no acelerador e sentir o “pontapé nas costas”. “Foi um click”, relembra, “apercebi-me da diferença, andei dois dias com os pés no ar”, e desde então que não havia como voltar atrás. A Revista Business Portugal visitou o

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concessionário da marca Porsche em Leiria, cuja reputação se estende a todo o país, uma colaboração direta com a Porsche Ibérica, uma delegação da Porsche AG, sediada em Madrid. Por que razão corre nas bocas do mundo este ponto de venda? Pedro Mar Rodrigues, responsável, alegra-se que assim seja, sem nunca colocar de lado a humildade, até porque, nas palavras do próprio, “quando pensamos que já fizemos tudo, morremos no dia seguinte, há ainda muito trabalho a ser feito, não perdemos essa noção”. É um esforço diário oriundo da ambição de conseguir o “nível ideal” que, apesar de tudo, estará sempre um passo à frente. Leiria é uma cidade relativamente pequena,

apesar de o distrito ser grande. Pedro Mar Rodrigues divulga que têm, de facto, “um índice de penetração de mercado acima da média e isso é notório”. Factos como esses não acontecem por mero acaso. A estratégia passa pela excelência ao cliente, desde o primeiro contacto: “Deve sentir-se diferenciado, conhecer uma abordagem que não conhecia até ao momento”. Num setor de mercado em permanente mutação e atualização, o gerente avança com intenções de serem “disruptivos”, de marcar pela diferença. Todas as características num só carro A marca Porsche não é, no sentido lato do termo, acessível, pelo menos no que se refere aos preços médios do mercado.

Porém, tem registado uma faturação cada vez superior e um crescimento “sustentado nos últimos anos”, graças à perspicácia dos seus líderes. É sabido que o ícone máximo desta marca são os desportivos, particularmente o modelo 911, muito identificativo. O que o público em geral desconhece são todas as outras gamas de produtos existentes, disponíveis para quem o pretender, toda ela com o ADN distintivo da Porsche. Em jeito de exemplo, referimos a gama Cayenne, um conceito SUV que embala todas as qualidades dinâmicas necessárias à representação da marca. A começar pela robustez, que é “indiscutível e incontornável”, o que transmite segurança. Combinada


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É necessário coragem para nos aventurarmos num caminho pela primeira vez. O novo Panamera Sport Turismo. Estereótipos? Convencionalismos? Os novos modelos Panamera Sport Turismo deixam-nos para trás. Com potentes motores que debitam até 404 kW (550 Cv) e um design que estabelece novos padrões. A sua viagem começa aqui: www.porsche.com/PanameraSportTurismo

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leiria| porsche com a desportividade, ADN da Porsche, este modelo serve as necessidades de uma família que precisa de se mobilizar no quotidiano, bem como satisfaz o condutor mais energético. “Não é por acaso que são produtos de referência”, declara Pedro Mar Rodrigues, “a Garantia Porsche Approved estende a sua garantia a todos os veículos da marca até 15 anos de idade. Esta é a afirmação de confiança que a Porsche deposita nos seus produtos. Tal facto diz muito acerca da qualidade dos nossos automóveis. Entre todos os veículos da nossa marca alguma vez construídos, 70% ainda circulam”. Fiabilidade absoluta. Como seria de esperar, o detalhe não é esquecido. O cliente é cada vez mais exigente e as expectativas são elevadas. Nesse sentido, e garantindo uma vez mais a adaptabilidade ao mercado, “Um exemplo é o Porsche Car Connect, com múltiplas funcionalidades, GPS, conexão 4G/LTE, WiFi no interior do veiculo, serviços online de navegação, com informação de transito em tempo real, e a Porsche app store, entre outros e, nos tempos atuais, como não poderia ser de outra forma, a conectividade e os serviços online desempenham um papel fundamental”. Ao fim desta enumeração de traços caraterísticos, tivemos de questionar o nosso entrevistado se havia como superar as expectativas. A resposta foi afirmativa, aliás, “a Porsche têm-nos surpreendido sempre”. Nota-o Pedro Mar Rodrigues, como também os clientes, cujo nível de satisfação é muito elevado. A título de exemplo, o gestor refere que quando se assumiu que o modelo 911 tinha atingido o seu auge, foi lançada a segunda geração da gama 997, na qual é introduzida a caixa PDK e os motores DFI (motores de injeção direta de gasolina). “A surpresa foi total , o carro era brilhante”, garante, “achávamos que não existia forma de aperfeiçoar um carro como este e, mais uma vez, ficámos perfeitamente siderados, a prova disso é o 991 (atual) simplesmente Único”. Uma marca emocional Quem procura a Porsche, procura a realização de um sonho, tal como o responsável pelo concessionário tinha desde

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os seus tempos de miúdo. “É uma marca muito emocional, está no imaginário de todos nós, são metas, objetivos de vida”. Só experimentando conduzir é que se sente o que é um Porsche. Este é um carro que lhe consegue transmitir “pura adrenalina”, de tal forma que “o nosso trabalho baseiase essencialmente em proporcionar essas experiências aos nossos clientes”. Depois de experimentar, é extremamente difícil sair da marca : o nível de fidelização é muito acima da média, uma vez que o carro preenche necessidades práticas e emocionais. Serviço pós-venda “Este é um departamento ao qual dedicamos particular atenção, procuramos ter serviços e soluções que vão de encontro às necessidades do cliente. Temos, por exemplo, um serviço de recolha e entrega de viaturas, que é muito valorizado pelo cliente, proporcionando-lhe toda a comodidade”, explica o gerente. “Temos feedback nesse sentido. O distrito é bastante grande, mas a nossa geografia é fantástica. O público vem até nós porque compreendem que têm um parceiro em quem podem confiar”. Uma marca de futuro Constantemente a desenvolver novos produtos, a Porsche preocupa-se com o futuro. Não lhes passa ao lado o facto de se aproximar um período de grande mudança em relação aos combustíveis que alimentam o veículo: a eletricidade, entre outras soluções. Em 2019 será lançado o primeiro Porsche 100% elétrico. Este é um passo rumo ao futuro. O mercado está a mudar de forma muito rápida, com particular incidência nos motores de combustão interna. A mobilidade como a conhecemos vai-se transfigurar nos próximos anos. A Porsche não teme de todo que a performance seja alterada com esta inovação. Para concluir, quisemos saber o que Pedro Mar Rodrigues considerava da relação preçoqualidade: “É excelente. O preço do Porsche é superior à média, mas o carro também o é. Para ter estas caraterísticas, é caro? De todo, está absolutamente enquadrado com a percepção que o cliente tem. Nem todos conseguem alcançar este objetivo, mas também é isso que faz a diferenciação e o apetite”.


leiria| grupo ferrar

“Servir bem e bem servir dá saúde e faz sorrir” O Grupo Ferrar iniciou a sua atividade em 1990, a pulso da determinação de Lúcio Ferraria. Com atividade na área das pedras calcárias portuguesas, é hoje um grupo consolidado, onde a qualidade, o rigor e a variedade são palavras-chave para o sucesso.

Lúcio Ferraria e Tiago Coelho Administrador e técnico de CNC

A atividade do Grupo Ferrar começou com a criação da empresa Mármores Ferrar, através da exploração de uma pedreira de Moca Creme. O administrador e impulsionador de todo este projeto é um homem de mil ofícios, como o próprio o indicou, já foram tantas as atividades em que já trabalhou, que seria difícil de as enumerar. Depois de alguns anos como comercial na área da pecuária, sentiu que o negócio em que estava era um mercado incerto, arranjou um terreno onde montou a sua primeira pedreira e assim começou a construção do grupo que hoje está fortemente consolidado. Hoje o Grupo Ferrar é composto por quatro empresas que lhe dão uma dimensão considerável. O grupo trabalha desde a extração de blocos de pedra calcária, até à sua transformação e comercialização do produto acabado para colocação em obra. A formação das empresas que constituem

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o grupo permitiu uma maior consolidação no mercado, assim como estender a sua atividade da extração de blocos à transformação e comercialização em chapa e produtos acabados. Um grupo forte que se complementa A primeira empresa do grupo, a Mármores Ferrar, surgiu em 1990, pela mão de Lúcio Ferraria, mentor daquele que viria a ser um projeto de sucesso. Começou por explorar uma pedreira de Moca Creme e foi-se especializando na extração de blocos de pedra calcária portuguesa. Ao longo do tempo foi obtendo renome no mercado. É uma empresa que concilia o saber extrair a pedra com uma grande capacidade de fornecimento. A empresa Azumobrel é a segunda empresa do grupo, e foi criada como resultado da expansão da Mármores Ferrar, uma empresa que surgiu como complemento da primeira e para reforçar a posição de mercado. A Azumobrel é hoje uma empresa especializada na transformação de blocos em chapa serrada, assim como é responsável pela parte comercial do grupo. Funciona essencialmente para compra e venda de blocos que


grupo ferrar |leiria não são das pedreiras do grupo e também para serviços prestados de oficinas e serralharia. A Rocha D’Aire, terceira empresa do Grupo, surgiu numa época de grande mercado no que diz respeito ao fornecimento de produtos acabados em pedra. Trabalha essencialmente na transformação de diversos produtos acabados de pedra natural; produtos para interiores e exterior de casas e também com pavimentos e revestimentos tanto interiores como exteriores. É uma empresa multifacetada que realiza praticamente todo o trabalho acabado em pedra natural. Por fim, a quarta empresa é a DRV, uma empresa de extração de pedra de lioz, em Pêro Pinheiro. Foi comprada aquando atravessava um período de maior dificuldade e, portanto, é a única do grupo que não foi criada por Lúcio Ferraria. A arte de tratar a pedra O grande negócio da empresa é a pedra, logo aqui este recurso é tratado com primazia e rigor. Cada pedra é única e diferente de todas as outras, cada uma tem a sua história, as suas marcas, e a sua própria tonalidade. O grupo dispões de cinco pedreiras: a Moca-Creme, a Brecha Santo António, a Azul Valverde, a Creme Ferrar e a Lioz. Todas elas trabalham um género diferente de pedra e respeitam a essência da rocha que a natureza oferece. A maquinaria é um dos fatores de referenciação no trabalho que realizam. Para além das pedreiras, o grupo dispõe de uma fábrica, localizada na zona de Pé da Pedreira, em Alcanede, com a mais avançada tecnologia na transformação de pedras, tais como engenho, polidora de chapas e ladrilhos, mono-fio, mono-lâmina, máquina de corte de ladrilhos, pórtico, entre outras. O grupo também dispõe de uma britadeira situada em Pêro Pinheiro, de forma a aproveita o desperdício da pedra. Acompanhar o avanço tecnológico é uma forma de garantir uma produção de qualidade disponibilizando assim uma vasta oferta à medida de cada consumidor. Posição de Mercado O Grupo é destacado com os prémios de PME Líder e PME Excelência, prémios que evidenciam por si só a qualidade dos serviços prestados e a importância que oferecem às regiões onde atuam. Atualmente embarcam 30 funcionários, mas o administrador referenciou a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada e a necessidade de ter de dar horas de formação a todos os seus funcionários. No mercado, fazem distribuição por todo o território nacional, embora o principal foque seja as exportações, onde atuam no mercado Europeu, na China, no México, no Dubai e no Brasil. O administrador destacou: “Temos preços baratos, temos qualidade e trabalhamos bem. A pedra é um artigo valorizado que pode ser usada no revestimento, fachadas, interiores, exteriores, pavimento ou decoração. Nós trabalhamos ao gosto do cliente”. Dentro do mercado da pedra, o grupo oferece uma diversidade de serviços que satisfazem praticamente toda a procura. O Grupo Ferrar tem uma vasta carteira de clientes, que acabam por se fidelizar pela

qualidade dos serviços que oferecem e pelos baixos custos a que vendem os seus produtos. A relação com a concorrência é sempre positiva, pois é a sua existência que permite a evolução de todas as empresas do grupo e do sector. Lúcio Ferraria elucidou que “os clientes não são de ninguém. Quando o cliente é bem servido ele continua. Em negócios tem de haver simpatia e educação, hoje em dia facilmente se sabe se uma empresa é viável ou não, nós só temos que corresponder da melhor forma ao cliente”. A procura de clientes é essencialmente feita através de feiras, onde marcam presença em várias feiras internacionais em diversos países da Europa, da América e da região Árabe. Futuro O Grupo Ferrar tem vindo a crescer de uma forma

sustentada, sempre apoiada nos valores de rigor, qualidade e de exigência. Atualmente a aposta para a consolidação e futuro da empresa é, principalmente o mercado externo, sendo que o objetivo está agora direcionado para o mercado árabe, e especificamente a Arábia Saudita e o Dubai onde começaram a operar recentemente. “Os países árabes são países muito quentes e por essa razão consomem muita pedra que é uma substância fresca” destacou o administrador. O grupo está atualmente a fazer alargamento das próprias instalações de forma a conseguir responder a toda a procura. Existem também projetos para criar um pavilhão para receber os clientes, um espaço onde se sintam bem e onde possam conhecer um pouco melhor a oferta da empresa.

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leiria| jl santos

“Pretendemos gerar no cliente confiança, segurança e satisfação” A JLSantos é uma empresa que se dedica à produção de peças em série e personalizadas, para moldes e máquinas com destino às indústrias automóvel, alimentar, farmacêutica e da rega. Fundada em 1994 por José Luís Santos, a JLSantos procura, desde formação, possuir os melhores equipamentos e dar a melhor resposta aos seus clientes.

Ricardo, Maria de Lurdes, José Luís e Nuno Santos Administradores

Quando, há 23 anos, José Luís Santos começou a trabalhar numa cave, sozinho, com uma única máquina, não imaginaria que passadas mais de duas décadas estaria a faturar mais de um milhão de euros, com uma equipa de 18 colaboradores e uma carteira de clientes que ultrapassa as três centenas. “As exigências dos clientes e o volume de trabalho foram sendo cada vez maiores e tive que ir adquirindo mais máquinas e contratando mais colaboradores”, recorda o administrador da empresa, que neste momento conta também com a colaboração da esposa Lurdes Santos e dos dois filhos, Ricardo e Nuno Santos. O crescimento foi significando dificuldades de espaço, ao ponto de, em 2000, José Luís Santos ter construído o seu próprio pavilhão, onde hoje se encontra, na Marinha Grande, que, entretanto, em 2014, foi novamente alvo de uma ampliação e modernização, dado o crescimento da empresa. “A JLSantos dedica-se, fundamentalmente, à produção de acessórios para moldes e componentes de máquinas. Sempre marcámos pela diferença em relação à concorrência. O nosso cliente faz apenas as estruturas dos moldes e nós executamos a parte moldante. Temos o equipamento mais avançado para atingir esse objetivo, em conjunto com recursos humanos altamente qualificados”, explica o responsável pela empresa. Trabalhando para empresas exigentes, a JLSantos prima por uma resposta

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rápida e eficaz aos seus clientes, mantendo a qualidade desde o início até ao fim. A empresa dedica-se ainda à parte da tornearia automática, para clientes das indústrias automóvel, alimentar, da rega e farmacêutica. Destes, entre cinco a dez por cento são estrangeiros. “Trabalhamos para empresas exigentes e nós também somos muito exigentes. Quando um artigo sai da nossa porta, não pode haver erros”, garante José Luís Santos. Valorização da equipa José Luís Santos orgulha-se de manter um ambiente de trabalho familiar, onde cada colaborador é valorizado: “O primeiro colaborador que contratei ainda hoje trabalha connosco. Esta é uma empresa que se orgulha de manter os seus colaboradores, o que significa que eles se sentem bem”,


jl santos |leiria como motorista, a entregar as peças aos clientes. Depois passei pela retificadora cilíndrica, daí segui para o torno CNC e agora estou na parte de tornearia automática. É um trabalho muito interessante. Sou um colaborador como todos os outros. Aprendi tudo com o meu pai, ele é que me ensinou tudo o que sei. Mas ainda tenho muito a aprender”, refere Ricardo Santos. Na JLSantos, as perspetivas continuam a ser de crescimento, tal como em 1994. Em 2016 a faturação foi de um milhão e 200 mil euros, com 16 funcionários. Este ano são já 18 e prevê-se atingir um milhão e meio de euros. Paralelamente, a empresa foi mais uma vez considerada PME Líder, estatuto que atinge continuamente desde 2014. “Somos a prova de que o trabalho e a dedicação compensam”, conclui José Luís Santos.

refere o empresário. O CEO afirma mesmo ter uma “equipa fantástica”. Na JLSantos é dada toda a formação necessária, já que se trata de um setor em que é difícil encontrar mão de obra especializada, dada a especificidade do trabalho: “Damos formação a todos os colaboradores e todos passam pelos diferentes setores da empresa, até eu perceber em qual cada um deve ficar e para que possam perceber de todas as fases de produção e resolver qualquer problema que surja. Todos nos ajudamos uns aos outros”, garante. “Os nossos colaboradores sentem que estamos presentes e sentem-se valorizados”, acrescenta. Dois dos 18 colaboradores da JLSantos são os dois filhos de José Luís Santos e Lurdes Santos, Ricardo e Nuno. O percurso dos filhos foi equivalente ao de qualquer outro funcionário, tendo passado pelas diferentes áreas da empresa: “Comecei a trabalhar aqui

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leiria| mosteiro do leitão

“Monumento gastronómico no centro do país ” Desde a produção até ao empratamento, o Mosteiro do Leitão, na Batalha, diferenciou-se de todos os outros. À mesa, na conversa entre Zita Freire e Bruno Figueiredo, os proprietários explicaram-nos de que forma se destacaram e se tornaram uma referência gastronómica no mercado da restauração e na região de Leiria, cada vez mais conhecida pela sua gastronomia de qualidade.

Bruno Figueiredo e Zita Freire Proprietários

batata frita e salada ou, no caso de querer variar, pode optar pelo risotto de cogumelos selvagens, prato premiado com o ‘Melhor Arroz de Portugal’. A conjugação dos dois pratos e os prémios conquistados aguçaram a curiosidade e trouxeram inúmeros críticos gastronómicos que se renderam ao Restaurante Mosteiro do Leitão, conseguindo sobressair de todos os outros. Entre os vários prémios conquistados sobressai com enorme orgulho a nomeação em 2017 para os prémios AHRESP, na categoria de jovens empresários. Sendo considerado os ‘Óscares’ da Restauração’ e sendo um prémio com o alto patrocínio do Presidente da Republica, a nomeação foi uma enorme surpresa e motivo de orgulho para toda a equipa. Vendo assim até parece fácil sair vencedor, mas nem tudo o que parece é. Para chegar a este patamar houve momentos de muita dificuldade numa altura na qual se começava a falar em crise, foi realizado um O reconhecimento do talento culinário foi-se consolidando ao longo destes nove anos, fruto de muita dedicação e exigência, tanto na seleção dos produtos como do próprio serviço “foi fundamental traçarmos a nossa estratégia e definirmos muito bem o nosso mercado”, esclareceu-nos o casal de empreendedores, “por estarmos em Portugal, somos naturalmente privilegiados e por isso, temos que primeiramente valorizar o nosso território e saber retirar o melhor partido disso, oferecendo aos nossos clientes o que de melhor temos que é: uma gastronomia muito variada e de alta qualidade e uma produção vínica única”, por esse motivo o Mosteiro do Leitão apresenta uma carta de vinhos impar “houve nos últimos anos uma forte aposta numa boa garrafeira”. Outro dos aspetos diferenciadores assenta na qualidade do prato estrela: o leitão “os nosso leitões são selecionados, temos os nossos próprios produtores que lhes dão uma alimentação cuidada e controlada”, o segredo do considerado Melhor leitão de Portugal, começa, assim a revelar-se, da escolha da matéria prima segue o tempero único, receita secreta do Chef Bruno Figueiredo. O restaurante alberga oito fornos a lenha, aos quais é dado uso diário para assar um iguaria sem igual. Para acompanhar, a típica

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mosteiro do leitão |leiria

forte investimento, sem perder o foco nos objetivos iniciais. “Sou uma pessoa optimista por natureza mas confesso que houve momentos muito difíceis”, revela Zita Freire “quem está na área da restauração, está por gosto. São muitas horas, principalmente para os proprietários, que acabam por sofrer algum desgaste emocional e físico. Todavia, quando se faz por gosto e quando se tem uma boa equipa ao nosso lado, tudo acaba por se tornar mais fácil e assim conseguir

melhorar cada vez mais, satisfazer cada vez mais os clientes, atendendo às suas exigências e utilizar as críticas construtivas de forma positiva”. Como marido e mulher, admitem que gostam de trabalhar juntos, apesar de nem sempre ser fácil. Porém, têm tarefas diferentes no dia a dia e, desta forma, conseguem manter uma gestão equilibrada. Zita dedica-se à comunicação, marketing de qualidade e área de recursos humanos. O Bruno é o Chef responsável pela qualidade do leitão, desde a escolha, assadura e à técnica de corte.

iluminação direccionada. Estes são pequenos pormenores que acabam por representar grandes fatores diferenciadores. O Turismo de Portugal divulga o Mosteiro do Leitão exatamente nesse sentido. “Queremos ser inovadores sempre em prol do cliente”, garantem. Além do reconhecimento do Turismo de Portugal mantêm o primeiro lugar em vários sites de turismo internacional. No que toca às redes sociais, estas não ficam aquém das expectativas já têm cerca de 14 mil seguidores no Facebook e Instagram.

Pioneiros no turismo acessível e inclusivo – um restaurante para todos Se o que foi referido até agora não bastou para demonstrar a diferenciação deste restaurante, convém referir a implementação do conceito de Turismo Acessível e Inclusivo. “Qualquer pessoa independentemente de ter ou não limitações é tratada da mesma forma, dispomos de ementas em braille, ementas digitais com interprete de língua gestual portuguesa e ainda ementas pictográficas (com imagens) quebrando as barreiras comunicacionais. Todo o restaurante tem rampas de acesso, mobiliário adaptado e

E a equipa … Após a gastronomia e o ambiente, é importante referir a equipa de trabalho, cartão-de-visita de qualquer restaurante: “os nossos colaboradores são a nossa cara e têm de assimilar os nossos valores e forma de estar. Temos quatro valores fundamentais: profissionalismo, rigor, simpatia e a familiaridade. Aqui a experiência tem que ser muito positiva, na comida, no atendimento, nada pode falhar” Os proprietários referem ainda com orgulho “A nossa equipa é muito boa, além de ser jovem é dinâmica”. Assim sendo, não será surpreendente

terem um número considerável de clientes habituais, apesar de ser uma quantia que procuram em permanência aumentar. “Muitos dos clientes novos ficam surpreendidos pela positiva, porque a nossa fachada não condiz ao que está por dentro”. Com um restaurante de renome o Mosteiro do leitão acolhe diariamente cliente advindos de todos os cantos do mundo, orgulham-se os proprietários. Para além da casa-mãe, o Mosteiro do Leitão têm o Sandwhich Club, localizado no centro da Batalha, espaço com um conceito alternativo, mais pequeno, à base de saladas e sandes de leitão e a surpresa ficou mesmo para o final “Fomos convidados a inaugurar um espaço no final do mês de Julho em Paris, poderão degustar o nosso leitão em Paris uma vez sermos nós a fornecer o leitão , o tempero do nosso Chef Bruno Figueiredo e termos dado a formação aos assadores”. Aproveitamos esta edição para informar que o Restaurante Mosteiro do Leitão encontrase aberto todos os dias sem dia de descanso semanal, exceto entre os dias 04 e 12 de julho que estará encerrado. Não deixe de visitar este monumento gastronómico português.

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Anselmo Antunes e Sandra Correia Administradores

o doce tradicional de

Porto de Mós

O concelho de Porto de Mós, distrito de Leira, já tem um doce típico: os Pastéis de Mós estão disponível na Pastelaria Portomosense, concebidos por Anselmo Antunes e Sandra Correia. A vila de Porto de Mós é ponto de passagem para quem se dirige ao Castelo de D. Fuas Roupinho, às Grutas de Mira de Aire ou de Alvados, ou à Capela de Santo António, por exemplo, entre outros diversos pontos. Quem passava questionava qual era o doce tradicional da localidade, que não tinha nenhum. Aqui se apresentou uma necessidade e uma oportunidade, que foi aproveitada por Anselmo Antunes, pasteleiro de ofício e Sandra Correia, sua esposa. Para a sua criação inspiraram-se nos doces conventuais e o formato relaciona-se com a zona onde se insere: a pedra mó, um dos símbolos do concelho. Entre os ingredientes usados encontra-se o ovo (com abundância), a amêndoa, açúcar, e uma farinha especial, e mais os criadores não revelam, até porque a receita está fechada a sete chaves. Quem prova os Pastéis de Mós revela sentir uma sensação de bem-estar, um doce que o é, mas não em demasia, onde o ovo e a amêndoa se balançam de forma perfeita, envolvidos numa base de massa diferente de qualquer outra que já tenha provado. O acompanhamento perfeito para o café ou chá: fresco, de qualidade e agradável. O casal expôs-nos que pretendiam um produto que fosse fácil de identificar como um doce português e regional. Até chegarem à fórmula final “foi preciso muitas tentativas, o processo de criação demorou cerca de seis meses”. Já lá vão quatro anos desde que alcançaram a receita que pretendiam e nada alteraram desde então. Os pastéis requerem seis horas de confeção, uma vez que precisam de ser arrefecidos de forma natural. Depois, são serviços dessa mesma forma, à temperatura ambiente, na qual se conservam durante um prolongado período de tempo. Os clientes, que aumentaram desde a invenção dos Pastéis de Mós, não param pela Pastelaria Portomosense apenas para tomar um café. Aproveitam para provar o pastel e levar uma caixa para familiares e amigos. A maior parte da clientela é local, que aprecia muito este produto que é tanto seu, como dos proprietários, e muitos são os que “vão visitar alguém e vêm aqui de propósito buscar uma caixa, porque querem oferecer alguma coisa da terra, já surgiu esse hábito”. A própria caixa dos pastéis foi uma criação do casal de empreendedores, para efeitos de identificação. Os desenhos que aparecem na lateral representam um roteiro turístico de Porto de Mós e um texto sobre a história do concelho, sobre a pedra que inspirou o formato do doce e a cor da caixa e todos os restantes pormenores. O próprio embrulho do pastel colabora na composição da sua identidade e aumenta a sua atratividade, até porque “os olhos também comem”. O estabelecimento, que já era propriedade do casal desde 2003, sofreu renovações decorativas para albergar os novos Pastéis de Mós, os quais tiveram mais divulgação após essa mudança de visual da pastelaria. Desde então que teve “outro impacto”. De tal forma que a reputação desta pastelaria já começa a espalhar-se. Os empreendedores acreditam que todas as atividades profissionais deveriam contribuir, de alguma forma, para dinamizar a própria área e a região: “Toda a profissão tem de ser inovadora, se todos fizerem mais um bocadinho… Nós sentimos que contribuímos”. Foi um forte investimento próprio que “valeu a pena”. Os colaboradores da Pastelaria Portomosense recebem formação para melhor aconselharem o cliente que procura provar os Pastéis de Mós. Se essa opção não for do seu agrado poderá provar uma das muitas delícias à disposição, todas elas de fabrico próprio. De futuro, Anselmo Antunes e Sandra Correia ponderam abrir novo estabelecimento, de forma a expandir o negócio, o que será feito de forma ponderada.

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