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O sucesso é um caminho e não um destino PLC Corretores de Seguros, S.A. Pedro Cardoso é o rosto de uma empresa sólida e consolidada no mercado, a PLC Corretores de Seguros, S.A., criada em 1999 pelo próprio. Juntamente com a sua equipa são especialistas na atividade da mediação em Portugal, primando essencialmente pela qualidade na prestação de serviço, sendo o seu principal lema: “asseguramos o seu seguro”

Pedro cardoso Administrador

A sua primeira relação com esta atividade data ao ano de 1985, quando é convidado para ser insurance manager de um rent-a-car. Como o próprio afirma, foi “amor à primeira vista!”. Após um período nessa função e com o surgimento em Portugal de novas oportunidades na área, Pedro Cardoso ingressa uma companhia de seguros onde desenvolve paralelamente uma carteira própria. Porque sempre considerou fundamental a formação, decidiu voltar aos estudos e tira o seu curso complementar de seguros e, mais tarde, o mestrado em ’Seguros e Pensões’. Em 1999, e após dois anos como angariador, Pedro Cardoso decide deixar os quadros da seguradora e lançar-se em definitivo por conta própria, fundando a PLC Mediação de Seguros, Lda. Mais tarde, e dado o crescimento sofrido, a empresa passa a designar-se em PLC Corretores de Seguros, S.A.

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PLC Corretores de Seguros, S.A. Enquanto empresa e desde a sua constituição, a PLC tem crescido a um bom ritmo, não só em termos da sua receita mas também ao nível do número de clientes, o que se traduz em resultados positivos. A aposta deste corretor passa pela proximidade e relação com o seu cliente, na procura da melhor solução de mercado, pois cada caso é um caso e, na PLC, os seguros são sempre à medida do cliente, quer seja empresarial ou individual. Atualmente, a PLC conta com nove pessoas altamente motivadas e formadas; quatro escritórios, sedeados em Gondomar, Lisboa, Cascais e S. Pedro do Estoril, que encaram o negócio como sendo de pessoas param pessoas. Nos últimos anos, a aposta tem sido de forma vincada na consolidação e crescimento

de carteira. Neste âmbito, Pedro Cardoso refere, com orgulho, que a “fidelização de clientes chega a atingir os 70 por cento, em média, nos últimos três anos”, acrescentando que “o crescimento da empresa tem vindo a ser muito positivo. É sempre nossa missão olhar para o crescimento e consolidá-lo no ano seguinte. Por outro lado, os resultados têm sido positivos e confiamos muito na estratégia seguida, pois não confere aquisições mas crescimento orgânico da empresa”. O investimento na mobilidade foi uma das suas maiores apostas. “Hoje, o nosso cliente pode em qualquer lado e em qualquer momento ter acesso a toda a sua carteira, saber dos recibos pagos e a pagar, saber em que estado está um determinado sinistro e isso foi fruto de um investimento elevado, quer em meios quer em adaptação a esta nova realidade”. Pedro Cardoso faz questão ainda de frisar


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que tanto seguradoras como clientes querem parcerias fortes, com entidades vigorosas, quer em técnica, que financeiramente, “e a PLC detém essas qualidades”.

Futuro da classe dos empresários da mediação Apesar de estar na atividade há muito, Pedro Cardoso é de opinião que muitos desafios ainda estão por enfrentar, “sendo o maior deles o acrescento de mais valias para além da mediação, do contrato e da sua assistência”. Pedro Cardoso acredita que no futuro, o mediador terá de saber ler um balanço da empresa cliente, além de que terá que perceber da capacidade de auto financiamento do seu cliente e dos programas que faz em relação à formação dos seus colaboradores. “No que diz respeito à prevenção, o mediador do futuro vai integrar a equipa de gestão do cliente promovendo de forma constante a mitigação do risco e, para isso, a formação que terá de ter tem de ser muito especifica para poder acrescentar essa mais valia”, diz o nosso interlocutor. Pedro Cardoso defende ainda que o mediador do futuro será um técnico superior como hoje é um contabilista ou um advogado. “Olhar para o mediador do futuro como um mero ‘vendedor’ é considerar que o seguro só vale pelo preço do prémio”. Na sua ótica, “se considerarmos que, no futuro, será o cliente e não a seguradora que nos pagará o serviço de mediação, então mais sentido faz o que acima está descrito. Será para este modelo, que já se começa a falar no norte da Europa e o qual é aplicado em alguns países como o caso inglês, tendo tido, para já, por parte dos países do sul alguma resistência nessa forma de remuneração para a mediação de seguros”. E o futuro? “O caminhar, para já, para a constituição de uma Câmara de Mediadores de Seguros pode ser um primeiro passo de gigante da mediação em Portugal, criando, com isso, condições de base para, no futuro, a concretização de uma Ordem”, finaliza Pedro Cardoso.

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial

pronto para as férias?

FICHA TÉCNICA Diretor

Por Diana Ferreira

Fernando Silva

EDITORA Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt)

REDAÇÃO Catarina Carvalho Cátia Fernandes Márcia Cardoso Ana Lopes Marta Caeiro Rita Burmester Sandro Santos Sara Pelicano Sílvia Dias Sílvia Martins (redacao@revistabusinessportugal.pt)

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues (tiago.rodrigues@revistabusinessportugal.pt)

E eis que é chegado o mês de Agosto. O mês do Verão, por excelência, do sol, da praia, das férias… as tão merecidas férias! Praia ou rio, serra ou planície, há muito por onde se divertir, descansar, descontrair e… colocar a leitura em dia. Aproveite para folhear a sua Revista Business Portugal de Agosto e desfrute do que lhe trazemos nesta edição de Verão. A região de destaque desta edição é a cidade Invicta. Não queremos ser vaidosos, tendo em conta que esta é a cidade que nos acolhe, contudo, o Porto merece esta distinção. Aqui, temos de tudo… lugares que nos levam a viajar no tempo, a relembrar a história de locais que fazem parte da história desta ‘nação’ (ou não fosse o ‘Porto’ do nome ‘Portugal’). Outros que nos conduzem a um futuro luxuoso, entre espaços que fazem desta cidade um local de eleição, por onde também se escreverá a história que há-de vir. Mas estas férias não se fique pelo Porto. Afinal, o Turismo de Portugal venceu os World Travel Awards 2014, também conhecidos como ‘Óscares do Turismo’, na categoria de melhor organismo oficial de turismo europeu. A eleição, que distingue o Turismo de Portugal de entre os restantes dez nomeadosa esta categoria, surge como resultado de uma votação em que participaram milhares de profissionais do sector, oriundos de todos os países do mundo. Esta é mais uma prova de que aquilo que é feito neste país à beira-mar plantado, é do melhor que há! Mas outros assuntos actuais completam esta nossa edição de Verão. Desfrute… e boas férias

Diogo Belém

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt)

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO

edição de agosto 04- PLC corretores de seguros

10 - município de monchique

Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão Luís Silva Manuel Fernando Nuno Ferraria Paulo Padilha Pedro Paninho Sofia Silva

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistabusinessportugal.pt)

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral) Tlf: 224 109 098 (Redação)

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Impressão: Lidergraf Sustainable Printing Depósito Legal: 374969/14 Edição de agosto

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EXPORTAÇÃO PARA PAÍSES ÁRABES

CINFÃES

SOLICITADORES E AGENTES DE EXECUÇÃO

MISERICÓRDIAS E AÇÃO SOCIAL

36 - Climar 42 - COBA

50 - Associação de Agentes de Execução 54 - José Ribas e Orlanda Albuquerque

60 - Restaurante Encosta do Moinho 62 - Quinta da Ventozela 76 - SCM Viana do Castelo 88 - Senior Club


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municípios em destaque

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território de Portugal conta atualmente com 308 concelhos, com cerca de 10 mil habitantes, em que a diversidade vai desde os costumes locais, as tradições, a cultura, a gastronomia, a história e as figuras de destaque e que se traduzem numa enorme riqueza. Nesta edição da Revista Business Portugal damos a conhecer três municípios exemplares, em termos de património paisagístico, cultural e diversidade de eventos. Assim sendo, deslocando-nos até à região centro do país, encontramos o município de Penalva do Castelo, uma vila portuguesa do distrito de Viseu, com perto de 2 mil habitantes. A Câmara Municipal de Penalva do Castelo pretende adotar uma gestão estratégica alicerçada no

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planeamento, programação, coordenação e avaliação e nos princípios da eficiência e eficácia, visando a modernização, a melhoria contínua e a qualidade dos serviços prestados. Atualmente é presidida por Francisco Lopes de Carvalho. Deslocando-nos mais para sul, entramos em território alentejano e encontramos a vila de Ponte de Sôr presidida por Hugo Hilário, eleito nas últimas eleições autárquicas. Cultura, ação social, saúde e educação são as suas prioridades. Ainda mais a sul encontramos Monchique, em plena serra algarvia. Hoje, Monchique é uma vila airosa, com um artesanato ativo, uma economia variada e voltada para o turismo e para a produção artesanal de produtos que são testemunhos da riqueza cultural da serra. Apresentamos ainda o Município de Alcoutim, um lugar priveligiado pela natureza aliado à excelência na qualidade de vida. Um dos setores claramente em expansão é o turismo, o que se traduz numa alavancagem efetiva das várias regiões de Portugal. Segundo o relatório “Tendências e Políticas de Turismo 2014” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal é um dos países em que o Turismo mais contribui para a economia. Segundo o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, “Portugal já segue a maior parte das recomendações e orientações previstas neste estudo. No domínio das parcerias efetivas para captação de rotas aéreas ou no domínio do envolvimento do setor privado na promoção turística, algo que começa a ser implementado em alguns países da OCDE, mas que o nosso País já desenvolve há quase 10 anos através das Agências Regionais de Promoção Turística”. Cotrim de Figueiredo salienta ainda que, “estas comparações lisonjeiras para Portugal utilizam dados de 2012. Estamos em crer que a nossa posição relativa melhorará ainda mais quando se levarem em conta os dados de 2013. Prova do crescimento sustentado do setor turístico é a atribuição constante de diversas distinções. Mais recentemente, o turismo de Portugal venceu os World Travel Awards 2014 – também conhecidos como “Óscares do Turismo” – na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Europeu. A eleição, que distingue o Turismo de Portugal de entre os restantes dez nomeados para esta categoria, surge como resultado de uma votação em que participaram milhares de profissionais do sector, oriundos de todos os países do mundo. Para o presidente do Turismo de Portugal “este prémio é um motivo de orgulho porque reconhece o trabalho desenvolvido pelo Instituto, e tem de ser dedicado por inteiro a todos os seus colaboradores. Termos ganho este prémio em concorrência com reputados congéneres dos países nossos concorrentes valoriza ainda mais esta distinção e coloca-nos perante uma responsabilidade acrescida: a de continuar a fazer de Portugal um destino turístico de excelência.” Outra dos setores que têm merecido uma especial atenção e um forte investimento por parte dos municípios é o setor da educação, dado que, o estado da educação é um fator decisivo para o desenvolvimento dos concelhos. Assim sendo, a aposta em melhorar infraestruturas, qualificar recursos humanos, utilizar material didático diversificado e atrativo, bem como, reestruturar e direcionar a oferta educativa para as necessidades de cada região são algumas das estratégias utilizadas pelos municípios. Portugal é um vasto território, onde cada município tem os seus encantos, venha conhecer mais um pouco do nosso país.

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uma rota turística em constante crescimento Município de monchique

* Fotos e capa de pedro inácio

A vila portuguesa de Monchique, inserida no distrito de Faro, é cada vez mais um concelho procurado pelos turistas. Com dinâmica de excelência, e uma diversificada oferta turística. Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, em entrevista à Revista Business Portugal, define o concelho como “uma boa aposta turística em constante crescimento”.

Rui andré Presidente

O

concelho de Monchique nos últimos anos tem conquistado um lugar de destaque nas escolhas turísticas de quem visita o Algarve. Com uma dinâmica evidente e um espirito empreendedor bem definido, o presidente Rui André revela alguns dos segredos da região e as inúmeras vantagens subjacentes. “Cada vez mais Monchique tem deixado de ser um concelho de passagem, mas sim uma região que as pessoas visitam, pernoitam e fazem todo o gosto em regressar. Ao nível do turismo temos definido metas que estão a ser fundamentais para o nosso crescimento”, foi com esta afirmação que Rui André iniciou a nossa conversa.

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Como caracteriza o turismo em Monchique? O que tem para oferecer aos turistas? Considero que o nosso turismo tem sido um reforço muito interessante no que respeita à oferta turística da região, sendo que nos últimos anos temos delineado diversos planos na área, de modo a implementar novas atividades e dinamizar o concelho. Um fato que temos vindo a constatar é que os turistas procuram conhecer as tradições, quando nos visitam preferem conhecer e participar ativamente, colocando um pouco de parte o turismo típico de sol e praia. Desse modo a câmara criou um plano denominado de ‘O Topo do Algarve’, em que pretendemos ser, mais do que fisicamente o ponto mais alto da região, mas também o topo na oferta e nos produtos turísticos.

Divididos em quatro vertentes: turismo de natureza, turismo de saúde e bem-estar, turismo gastronómico e o turismo cultural. Para cada um foi delineado uma agenda própria, em que na maior parte dos casos exigiu uma requalificação da oferta, incluindo a relação com os players locais. O que é que o turista pode encontrar em cada uma das vertentes? A oferta é variada em cada uma das áreas. No turismo de natureza pode usufruir de quase 400km de percursos demarcados, com rotas temáticas denominadas de “Veredas de Monchique”. Existem rotas para todos os gostos, e um fato cada vez mais evidenciado é o turista que chega de mochila às costas, e parte à descoberta.


REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE Depois pretendemos realizar e consolidar uma forte aposta no BTT, sendo que atualmente está em fase de arranque, a construção no centro da vila um centro de BTT, de onde partirão uma série de percursos e diferentes graus de dificuldade. O turismo de saúde e bem-estar é outra grande oferta, pois somos o único concelho com termas a sul de Portugal, sem dúvida que é uma oferta diferenciadora da região e que deve ser valorizada. O bem-estar nesta situação não está apenas associado à área da água e parte física dos tratamentos relacionados, pois temos ainda zonas e ofertas para executar tratamentos espirituais, trabalhando também a parte emocional, para além da física. Na área do turismo cultural somos reconhecidos como euro art city, caracterizado por um movimento europeu de cidades e vilas em que os artistas viajam pela Europa e permanecem num só lugar durante um período de tempo, a desenvolver as suas obras de arte, seja a pintar ou a escrever um livro. É também uma riqueza local, o património construído, mas acima de tudo, um saberfazer que resulta num variado número de iniciativas, quer sejam em formato evento público, quer seja na prática de muitas atividades artesanais que nos distinguem e são um constante fator de atratividade. Por fim no turismo gastronómico, estamos a aproveitar esse saber-fazer associado à confeção de um vasto património gastronómico que desta forma fomenta a atividade agrícola e valoriza os produtos da região e o melhor que temos para oferecer da terra.

Dinamizar Monchique: incentivos Apesar de ser um grande dinamizador da economia local, Monchique não é apenas turismo, e a dinâmica e os incentivos à atração de novos habitantes, bem como de cativar e preservar os existentes é uma grande preocupação da autarquia. Perante a conjuntura do país, o despovoamento de regiões como Monchique é muito frequente, quais os incentivos à preservação da população que têm vindo a ser tomados? Enquanto presidente da autarquia um dos meus principais objetivos é atrair jovens para Monchique, criando inúmeros incentivos para a instalação e/ou estabilização de novos jovens. Por exemplo, um jovem que pretenda comprar ou recuperar uma casa é atribuído um valor de 5 000 euros (após conclusão do programa que se encontra em consulta pública), que prevê ainda a oferta dos projetos e isenção de taxas. Um outro projeto que ainda não está aprovado, mas que estamos a implementar dirige-se não só aos jovens mas também para o público em geral e remete-nos para a questão do arrendamento. Em que se uma pessoa tem uma casa que não esteja a utilizar, e se algum interessado quiser alugar a casa e o proprietário não tiver dinheiro para realizar obras, o programa da câmara pretende dar a ajuda direta até aos 5 000 euros para a recuperação da casa, com a exigência de preservar a fachada, conseguindo-se desta forma um benefício público, para além do arrendatário e proprietário do imóvel.

Estes incentivos à instalação no concelho são apenas um exemplo dos imensos que disponibilizamos, pois possuímos uma equipa que faz o acompanhamento de todo o quadro de soluções que possuímos. Em Monchique é possível que uma pessoa chegue à câmara e apresente uma ideia e no “Gabinete Monchique Investe” é apresentado um quadro de apoio aos vários financiamentos a que pode recorrer, e que mais se adequa à realidade do que é pretendido. O gabinete foi criado há cerca de dois anos e meio e já apoiamos mais de cem projetos. A maior parte deles estão neste momento a ser executados, muito na área de turismo da natureza, e na área de turismo rural, pessoas que estão a fazer alojamento local com a vertente rural, isto é, com atividades associadas ao mundo rural que aqui ainda é presente. Temos vindo a promover um concurso denominado “Monchique criativo e empreendedor”, que tem como objetivo, incentivar e estimular ao investimento no

concelho com novas ideias de negócio. O projeto que ganhou o prémio na última edição, já se encontra em andamento, é um projeto de turismo rural mas dos outros que concorreram, registam-se alguns casos de sucesso e que já conseguiram dar o passo seguinte e avançar também com o projeto. Atualmente os jovens que ficam desempregados têm uma visão diferente das coisas, são dinâmicos e com espirito empreendedor e há que aproveitar esta oportunidade. Sabemos que a Câmara disponibiliza um vasto leque de iniciativas para os idosos. Em que se baseia o plano gerontológico? Monchique é um município pioneiro na realização de um Plano Gerontológico, que consiste num plano estratégico para o envelhecimento ativo desta população. Temos vindo a criar um pacote de iniciativas e intervenções juntos das pessoas que tem sido muito interessante na recetividade, nomeadamente na criação de uma

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Universidade Sénior, assim como um vasto e organizado plano de atividades e eventos para este público-alvo. Pretende-se sobretudo que as pessoas quando chegam à idade da reforma, possam realizar um segundo plano de vida, criando condições para que tenham a possibilidade de ter uma nova ocupação, quer profissional, quer de usufruto desse tempo como ocupação para o seu tempo livre. O Plano Gerontológico de Monchique assenta em quatro Eixos de intervenção, fundados na Promoção do envelhecimento bemsucedido/promoção da saúde; Valorização da imagem e participação social da pessoa idosa; Vulnerabilidade funcional e social; e por fim, o Turismo sénior. No fundo é com muito orgulho que afirmo que ao longo dos quatro anos como presidente da câmara, temos vindo a dedicar grande parte do nosso trabalho a ajudar a população em geral, desde as crianças até aos idosos, e que felizmente tudo está a correr bem, pois no concelho vivemos uma situação estável, inúmeros projetos já aprovados e em execução.

Atividades da região e o melhor a oferecer Monchique é cada vez mais um concelho atrativo para jovens, população em geral, e com destaque para os estrangeiros. Com uma localização de excelência em que facilmente e em poucos minutos se está na tão procurada praia da Rocha, como nas emblemáticas praias da Costa Vicentina, enquanto se desfruta da vegetação luxuriante e das soberbas vistas sobre a costa algarvia, sendo como principal ponto de referência o alto da Foia, com os seus 902 metros de altitude. O número de população estrangeira já ronda os 20%, e é um mercado muito procurado para ingleses, alemães e irlandeses. Mas existem também muitos portugueses que estão a regressar a Monchique quando terminam a sua atividade profissional, é certo, mas também muitos dos que olham para a terra que deixaram como uma oportunidade de futuro. Quais as atividades que caracterizam a região de Monchique? Atualmente ainda existem atividades vivenciadas num contexto familiar, como a matança do porco, o fabrico de enchidos, a própria produção do medronho. Foram evoluindo para atividades económicas e atualmente temos no concelho praticamente o tecido económico local totalmente suportado nestas pequenas atividades. Possuímos também uma grande área florestal, e posso afirmar que direta ou indiretamente, dependemos muito desse mesmo setor. A principal atividade é a extração de madeira mas atualmente, desde as atividades de desportos de natureza, até à utilização das várias espécies para além do eucalipto, dos frutos, e de tudo o que se tira da floresta vieram constituir diversas atividades económicas e que têm levado à criação de emprego e de riqueza. Apesar de ainda não ser suficiente, estamos a trabalhar nesse segmento, de

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caminhar para a sustentabilidade do território, muito suportado na dinâmica criada a partir da floresta. No concelho temos também a área forte da pedra, o famoso e raro “sienito nefelínico”. A nossa pedra é exportada para o mundo inteiro, desde os EUA, Japão, Austrália e China e é também esta uma importante atividade extrativa e de exportação até no contexto nacional. A água também importante, desde a água termal, à água engarrafada, é uma vertente que representa uma forte imagem e leva o nome do concelho ao mundo. Temos também legalizadas 75 destilarias de aguardente de medronho no concelho. Apesar de estarmos perante pequenas destilarias e com produções até 2000 litros, neste momento existem já 55 marcas deste produto no mercado, assim como outros subprodutos como a melosa que registam uma implementação crescente. Recentemente registamos o aparecimento de outras bebidas e licores à base dos produtos de grande qualidade existentes, com destaque para o licor de limão, estando em fase de valorização deste produto que já assistiu à exportação para destinos como a Itália. Monchique é ainda, um grande produtor de mel, pois em anos de boas condições, a produção pode chegar às 300 toneladas. Neste momento este é um produto que não apresenta dificuldades de escoamento já que é vendido para exportação, apesar de ser um produto com a Denominação de Origem Protegida (DOP) e a venda local ser de pequena dimensão. Neste último, como em muitos outros produtos de excelente qualidade, nota-se um grande constrangimento e um dos principais problemas do concelho. Possuímos excelentes matérias-primas, temos produtos de extrema qualidade, mas depois fazemos pouca transformação e talvez esse seja um dos grandes enfoques do problema da falta de emprego, o que a inverter-se como esperamos, poderá tornar ainda mais este concelho sustentável, e em cujas principais atividades extrativas e produtos conseguem gerar oportunidades de negócio, emprego e riqueza local. Neste momento e depois de muitos anos de atraso, cerca de 25, encontra-se em fase de arranque a construção do Parque Empresarial de Monchique com vista a dotar o concelho desta importante infraestrutura, já que a mesma se revela de importância capital para o desenvolvimento do concelho, sendo indispensável para satisfazer o desenvolvimento da diversificação da economia, constituindo sobretudo um meio para a implantação e promoção das pequenas e médias empresas industriais e também alguns serviços. Para incentivar a fixação de unidades industriais no concelho e potenciar a transformação das matériasprimas existentes, a Câmara Municipal coloca assim à disposição dos investidores e população em geral, terrenos infraestruturados e bem localizados e com condições adequadas à fixação dessas indústrias. Para além da grande importância para o desenvolvimento do concelho, este equipamento é indispensável para atrair investimento e potenciar a fixação no concelho de

empresas que possam também eles ser geradoras de emprego e de dinâmica social, ao mesmo tempo que contribui para a fixação da população, principalmente a mais jovem.

O futuro de Monchique Com um espirito empreendedor bem visível, Rui André afirma que a organização de eventos é fundamental para atrair pessoas e promover os produtos da terra, pois só dessa forma “conseguimos que os produtos demonstrem as suas qualidades e que permitam futuramente aumentar os seus preços, tornando-se assim mais competitivos”. Confiante no futuro de Monchique, Rui André não tem dúvidas do potencial do concelho nem do dinamismo que ao longo dos últimos anos tem permitido conquistar novos mercados e públicos, de modo a atrair mais população e mais turistas.


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Um complemento à educação Município de ponte de sor O programa Kiitos é um projeto de iniciação à língua inglesa e orientação musical no pré-escolar, promovido pelo município de Ponte de Sor. Desenvolver o inglês como segunda língua em todas as crianças que frequentam a educação pré-escolar da rede pública do concelho e desenvolver as bases para a aprendizagem musical e a prática coletiva da música são os principais objetivos do programa, recentemente galardoado. Hugo Hilário, presidente do município, falou à Revista Business Portugal sobre este reconhecimento. Qual a reação destas crianças neste contacto com as línguas? É um projeto que também elas acarinham? As crianças são o ‘elo mais forte’ de todo este trabalho. O gosto e interesse manifestados pela aprendizagem do inglês, a participação entusiástica nas atividades, a capacidade de comunicação, o domínio de vocabulário e de estruturas que lhes permitem construir pequenas frases e a pronúncia fantástica, são a prova de que estamos no bom caminho, e que vale a pena investir neste nível etário. Com a introdução do ‘Cantinho do Inglês’, em cada sala de atividades, as crianças exploram autonomamente os diferentes materiais, ‘brincando e aprendendo em inglês’.

rogério alves e francisco alexandre Vereadores

Falemos, então, deste reconhecimento pelo programa Kiitos. Comecemos por explicar aos nossos leitores no que consiste este programa. O “Kiitos” é um projeto de iniciação à língua inglesa e orientação musical na educação pré-escolar, desenvolvido nos jardins de infância públicos do concelho de Ponte de Sor, promovido pelo município em parceria com a escola. Este projeto tem como objetivo complementar a educação pré-escolar nos vários domínios, integrando a aprendizagem de uma segunda língua (o inglês) e a ‘orientação’ musical, como estratégia de desenvolvimento integral da criança. Não é um projeto circunscrito à educação pré-escolar, mas constitui a primeira fase de um projeto mais alargado, visando a aprendizagem de uma segunda língua ao nível dos 12 anos de escolaridade obrigatória. A introdução do inglês é incluída no currículo do préescolar através de uma abordagem natural na qual o professor interage com a criança nas várias atividades programadas no âmbito das orientações curriculares, num sistema bilingue, duas horas por dia, em todas as salas de atividades do jardim de infância. A música, sendo transversal a toda a atividade do pré-escolar, é desenvolvida durante duas horas por semana por professores especialistas, que desenvolvem um trabalho de ‘orientação musical’, seguindo os princípios da Teoria da Aprendizagem Musical de Edwin Gordin.

Este programa está implementado há cerca de oito anos. Como tem corrido o mesmo? O Kiitos iniciou em 2006, como projeto piloto em duas salas de atividade, sendo generalizado em 2009 a todos os jardins de infância do concelho, abrangendo no momento 13 salas de pré-escolar e cerca de 250 crianças em média por ano. É desenvolvido por uma equipa de oito professoras de inglês e sete de música, coordenados pela técnica superior de educação do município e 13 educadoras de infância. Nos últimos cinco anos de implementação em que o projeto foi generalizado, deparámo-nos com algumas dificuldades, próprias de um processo de adaptação, onde o educador de infância e o professor de inglês, partilham o mesmo espaço educativo durante duas horas por dia. Esta integração foi sendo alcançada graças à excelente cooperação das educadoras de infância e a capacidade de adaptação das professoras de inglês a uma nova forma de ‘ensinar’ a língua, recorrendo às metodologias da educação pré-escolar. No sentido de melhoramos as práticas pedagógicas, realizámos formação conjunta com as educadoras de infância e professoras de inglês, com o apoio da APPI – Associação Portuguesa de Professores de Inglês. Podemos dizer que temos evoluído e melhorado imenso, tanto ao nível das práticas educativas como no trabalho colaborativo entre a equipa pedagógica do projeto.

O Kiitos foi agora premiado a nível europeu com o Selo Europeu para as Iniciativas Inovadoras na área do Ensino Aprendizagem das Línguas 2013. É o reconhecimento merecido? Este reconhecimento é merecido, mas não é suficiente para que os objetivos do projeto se concretizem num horizonte temporal mais vasto. Todo o investimento financeiro que tem sido suportado pelo município, o qual ascende a mais de 120.000,00 euros/ano ao nível da remuneração, formação e capacitação de professores, terá que ter um retorno que só será conseguido quando o projeto educativo passe a ter esta dimensão sequencial que projete o ensine bilingue para os 12 anos de escolaridade obrigatória, com as necessárias adaptações ao nível das metas e orientações curriculares definidas pelo MEC. Estamos conscientes que não é um processo fácil, mas acreditamos que este reconhecimento do Selo Europeu das Línguas poderá constituir uma alavanca no processo de projeção da abordagem e práticas pedagógicas no ensino das línguas no pré-escolar e a possível generalização para as escolas públicas a nível nacional. O Kiitos vai continuar? A continuidade do Kiitos irá depender dos resultados avaliados a longo prazo e da consequente necessidade das adaptações curriculares nos níveis escolares subsequentes. Pretendemos com o apoio do Ministério da Educação, envolver a parceria de universidades e de organizações ligadas a esta área, que nos apoiem na avaliação dos impactos do projeto e na investigação sobre o ensino bilingue, como fator diferenciador na capacitação das gerações futuras, na promoção do sucesso escolar, académico e profissional.

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A excelência do Dão Município de penalva do castelo Penalva de Castelo é sinónimo de excelência. Dos seus produtos endógenos, passando pelo seu património e também pela qualidade de vida dos seus habitantes, esta vila em pleno coração do Dão tem muito para oferecer a quem lá vive e quem a visita.

Francisco lopes de carvalho Presidente

P

enalva do Castelo delicia quem lá passa com os seus aprazíveis vinhos do Dão, com o ainda artesanal queijo Serra da Estrela e com a dádiva da natureza, a maçã bravo de Esmolfe. A excelência destes três produtos, conjugada com a beleza da paisagem, tornam Penalva do Castelo um lugar a desejar… e até viver. Francisco Lopes de Carvalho está à frente dos destinos de Penalva de Castelo e tem primado a sua ação por uma política de proximidade. Para isso, este executivo conta diariamente com dois colaboradores no exterior, nomeadamente o vice-presidente e o adjunto do presidente. “Pela reação das pessoas, temos notado que este nosso primeiro mandato tem pautado por uma boa dinâmica. Como temos colaboradores diariamente na rua sentimonos mais perto das pessoas e mais facilmente temos contacto com as suas realidades, tentando resolver os problemas que lhes surge o mais rapidamente possível”, conta-nos Francisco Lopes de Carvalho. Para tal, contribui igualmente a adesão do município à modernização administrativa da Região Dão Lafões, “um projeto de modernização administrativa na região onde estamos inseridos, Dão Lafões, que se norteia por princípios de simplificação, eficiência e transparência, no sentido de prestar melhor serviço aos cidadãos e

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às empresas”, explica o nosso interlocutor. Na prática, esta modernização resulta em várias ações, como são exemplo o balcão único de atendimento e a capacitação interna dos municípios. “As práticas das entidades da Administração Pública Local têm uma grande influência no funcionamento de toda a atividade de um concelho e de uma região. A identificação e eliminação progressiva dos fatores que são habitualmente identificados como ‘custos de contexto’, deverá constituir um objetivo central e integrado do conjunto dos catorze municípios da CIM Dão Lafões, evitando, assim, as situações, ações ou omissões que prejudiquem a atividade das empresas, ou a vida dos cidadãos”.

Antigos Paços do Concelho De entre os vários projetos que este Executivo tem planeados, a recuperação dos antigos Paços do Concelho merece destaque, não só por ser um edifício emblemático, mas porque grande parte da história de Penalva do Castelo é contada através daquelas paredes. Francisco Lopes Carvalho revela à Revista Business Portugal que o projeto de recuperação preservará a fachada original. “Este é um projeto de grande importância para nós mas temos que ter alguma contenção, pois temos outras prioridades”, começa por

referir o nosso interlocutor. O edifício terá um auditório com capacidade para 160 pessoas e no andar superior nascerá o Museu da Câmara Municipal, onde serão apresentadas uma exposição permanente e outras temporárias, alusivas ao concelho e de artistas locais. No total, serão 704 metros quadrados à disposição dos habitantes de Penalva, num edifício central que trará uma nova vida ao centro da vila.

Produtos endógenos O concelho deu um salto qualitativo ao nível do turismo com a entrada em funcionamento do Hotel de Charme Casa da Ínsua. “Esta é uma unidade hoteleira de referência na região centro e no país e que tem trazido a Penalva do Castelo muita gente, permitindo também divulgar aquilo que temos de melhor, que é o nosso património e sobretudo os nossos produtos endógenos, nomeadamente os vinhos do Dão, o queijo da Serra da Estrela, a maçã bravo Esmolfe e ainda o nosso azeite, de altíssima qualidade”, diz o presidente. Os pratos tradicionais desta terra são o caldo casado da região (junto com azeite), caldo de cebola, sopa de feijão com couves, sopa de castanhas secas, papas laberças (de farinha de milho com couves), papas de milho rolão com


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mel, torresmos de vinho de alhos com batatas à racha, cabrito guisado ou grelhado e o bolos de Azeite ou de Páscoa. A maçã bravo Esmolfe é de tamanha importância que tem honras de festival no segundo fim-de-semana de outubro. Também pela primeira vez o vinho vai ter o seu dia, nas festas do concelho, com a realização da “feira do vinho Dão de Penalva”, dia 24 de agosto, onde seis produtores e a adega cooperativa de Penalva do Castelo, terão uma excelente oportunidade de promoção e divulgação dos seus vinhos. Também neste dia serão entregues os prémios obtidos (duas medalhas de ouro e três de prata) , no concurso internacional de vinhos “La Selezione del Sindaco”.

algumas freguesias dos concelhos de Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tábua, Tondela, Trancoso e Viseu. Vinho do Dão Durante séculos, o vinho foi associado à alegria de viver, um elemento significante para a união de amigos e a inspiração de muitos artistas que enriqueceram a cultura e o folclore de muitos povos.

Maçã bravo de Esmolfe Como próprio nome indica, esta variedade terá aparecido na aldeia de Esmolfe há cerca de 200 anos. Provavelmente terá sido obtida a partir de uma árvore de semente, cujos frutos foram muito apreciados, originando uma intensa procura de material e enxertia e a disseminação da variedade. Queijo Serra da Estrela A área geográfica de produção abrange os concelhos de Carregal do Sal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Mangualde, Manteigas, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo e Seia e

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Uma natureza privilegiada aliada a uma qualidade de vida de excelência Município de alcoutim Inserido no distrito de Faro, a vila portuguesa de Alcoutim é um município com “uma excelente qualidade de vida, onde os incentivos à população são uma forte aposta, de modo a colmatar a desertificação que afeta a maioria das zonas de interior” confidencia Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim em entrevista à nossa revista.

A questão da desertificação é um problema que nos últimos anos tem vindo afetar os municípios do interior, como se posiciona Alcoutim perante essa dificuldade? O processo da desertificação nas zonas de interior tem uma expressão significativa, e Alcoutim é infelizmente um dos números negros da desertificação. Nos últimos 20 anos registamos uma perda de população muito acentuada, e isso está relacionado com a falta de condições dos jovens permanecerem na região. Atualmente assistimos por parte das entidades governamentais a uma abertura na implementação de medidas que possibilitem alguns benefícios fiscais que permitam contribuir para a criação de empresas, por outro lado da parte do governo local temos desenvolvido várias medidas de apoio e estamos totalmente recetivos a novas ideias. Quais as medidas de incentivo tomadas pela autarquia para ajudar as famílias e os jovens de Alcoutim? Temos feito um enorme esforço em implementar medidas que ajudem à fixação de pessoas e promovam a empregabilidade. Possuímos incentivos para as crianças

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desde o primeiro ano de escolaridade até ao ingresso no ensino superior. Do primeiro ao terceiro ciclo prestamos auxílio na totalidade do pagamento dos transportes, e no apoio por turma. Para os mais crescidos que ingressem no ensino secundário fornecemos um subsídio, e dirigido aos que frequentam a universidade uma bolsa de estudo de 1 000 euros por ano. Recentemente criamos um incentivo à natalidade com a atribuição de 5 000 euros por anos, entregues em bens, adquiridos na localidade. O turismo é um grande dinamizador da economia. Quem visita Alcoutim que tipo de atividades encontra? A aposta nas diferentes modalidades de desporto é uma forte aposta na dinamização do concelho de Alcoutim. Na nossa região temos vários desportistas que têm feito grandes brilharetes por todo o país e além-fronteiras na modalidade de canoagem, e isso para nós é um enorme orgulho. Dedicamos grande parte do nosso trabalho e dos nossos investimentos a valorizar e aproveitar os recursos já existentes, sendo que temos inúmeras pessoas a andar de bicicleta, andarem a pé e fazerem marcha.

Uma natureza privilegiada e que não passa despercebida é o nosso rio, tem inúmeras ofertas e potencialidades que pretendemos que venham a ser mais exploradas, nomeadamente no que diz respeito às condições de navegabilidade. Ao melhorarem a navegabilidade acredito que seja uma alavanca para atrair mais pessoas à nossa região. Além do desporto e mais comum na época de verão temos dispersas por todas as freguesias do concelho as típicas festas de verão, em que se destaca a festa de Alcoutim que decorre em Setembro com a durabilidade de três dias. Qual a mensagem que gostaria de transmitir aos nossos leitores, incentivando-os a visitar Alcoutim? Aos que visitem Alcoutim só de passagem gostaria de transmitir que o nosso concelho tem uma diversificada oferta turística para explorar. Mas aproveito para deixar também a mensagem a todos os que procuram um recomeço, que Alcoutim tem uma excelente qualidade de vida com inúmeras iniciativas e incentivos.


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cidade de eleição Entrevista a Rodrigo Pinto de Barros, Presidente da APHORT

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cidade do Porto tem-se assumido como um destino de eleição e é hoje a escolha de muitos turistas das mais variadas nacionalidades. Mas se hoje é este o cenário nem sempre foi assim. Rodrigo Pinto de Barros, é atualmente o presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT) e relembra que “antes de 2004 o Porto era praticamente um destino de negócios que foi sendo transformado num destino de lazer”. Esta transformação teve nas palavras do presidente da APHORT várias origens: “Em primeiro lugar houve um bom trabalho de promoção do destino no exterior. Realizamos visitas quer de jornalistas, quer de operadores turísticos ao Porto para que pudessem divulgar o destino no país de origem. Depois foi também muito importante para o crescimento do Porto como destino turístico a modernização do aeroporto Francisco Sá Carneiro em 2004 aquando do Euro. Não nos podemos esquecer que este é hoje um dos melhores aeroportos europeus com capacidade até 5 milhões de passageiros. Embora esta não seja uma capacidade muito elevada, este aeroporto pode aumentar a sua capacidade até 17 milhões de passageiros caso isso seja necessário. Um outro fator

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importante foi a criação do metro que ofereceu à cidade um ar mais cosmopolita. Os espaços noturnos por sua vez têm trazido dinâmica à cidade e a Universidade do Porto, a partir do programa Erasmus deu a conhecer a cidade a muitos jovens de outras nacionalidades, o que foi também um motor importante para transformar o Porto num destino diferente do que ele era”. No mundo extremamente competitivo como é o do turismo, diz Rodrigo Pinto de Barros, é importante sabermos diferenciar-nos e no que a Portugal diz respeito, o presidente não tem dúvidas que “somos um povo que sabe receber muito bem e um destino com uma relação qualidade-preço atrativa”. Numa fase que diz ser a mais difícil, de consolidação, e em que é necessária manter a atratividade do ponto de vista turístico, o presidente da APHORT, garante que estão a ser trabalhados novos produtos turísticos para a cidade do Porto e Norte do país: “Existem dois produtos que vão ser agora trabalhados, o produto religioso e as atividades ligadas ao mar, que poderão trazer também um crescimento interessante. Depois existe também outro produto que estamos a começar a trabalhar que é o turismo de saúde porque temos bons hospitais e um preço da saúde competitivo”.

Motivada pela dinâmica da cidade Invicta, a Revista Business Portugal leva-o a conhecer algumas empresas ligadas ao setor do turismo e a sua visão sobre o presente e o futuro do Porto e Norte do país enquanto destino turístico.


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Em Casa Fora de Casa Holiday inn porto gaia Há 10 anos, este foi o primeiro hotel Meliá em Portugal e o maior hotel do norte. Mónica Gonçalves aceitou o desafio de gerir um hotel que aposta na qualidade e conforto. Desde há três anos para cá, com novo nome: Holiday Inn Porto Gaia .

mónica gonçalves Diretora Geral

Um projeto que desde o início foi uma boa aposta e que tem acompanhado os tempos. Antes ainda do novo nome, o lobby recebeu alterações em 2010, a principal preocupação foi ter um open space onde estivesse incluído o bar, o restaurante, zona de estar e receção e onde os clientes se sentissem em casa. Um espaço confortável e acolhedor , objetivo conseguido, visto que se pode observar clientes sentados num dos sofás a beber algo, trabalhar no seu portátil, trocar dois dedos de conversa ou ainda ver um pouco de televisão. Numa década apenas, as comunicações alteraram por completo e por isso, o Holiday Inn Porto Gaia, orgulha-se de ter sido dos primeiros a avançar para Internet WiFi gratuita. Segundo Mónica Gonçalves, hoje a pergunta é: “Precisa de acesso WiFi para quantos dispositivos ?”. Outro dos sinais do tempo é que o cliente, seja ele turista, corporate, ou mesmo residente do hotel, preocupa-se com exercício diário, assim, existe um ginásio com a possibilidade de treino acompanhado. Aquando o termo de contrato com a marca Meliá,

várias foram as marcas interessadas no hotel, a decisão recaiu pela Intercontinental Hotels Group, e dentro da mesma passou pela marca Holiday Inn. A cadeia não quis alterar praticamente nada, apenas reforçar alguns aspetos de segurança, uma vez que é um ponto pelo qual a Intercontinental prima. A diretora afirma que esses detalhes são uma mais valia para todos. A mudança de marca foi tão tranquila e rápida que o hotel recebeu um prémio pela mudança mais rápida alguma vez feita na Intercontinental. Já por parte dos clientes habituais foi ouvido: “o mais importante para nós é que a equipa seja a mesma” como indica a gerente. Igualmente já recebeu um outro prémio de Qualidade e Excelência atribuído pela Intercontinental Hotels Group. Sendo Holiday Inn, o turista americano passou a fazer parte dos hóspedes, ainda que não em grande escala. Já o turista francês tem vindo a crescer muito, até porque há cada vez mais voos low cost para o Porto. Mónica Gonçalves refere que “eles adoram SPA”, motivo pelo qual o Holiday Inn oferece um pacote especial com

SPA incluído a pensar neles. Os serviços de SPA estão disponíveis a todos os clientes: diversas terapias e tratamentos efetuados por terapeutas especializados que melhoram a qualidade de vida, desde um circuito de hidroterapia, massagens de relaxamento, massagem para grávidas e ainda tratamentos pós-parto, entre outros. O hotel Holiday Inn tem a vantagem de estar situado no centro de Gaia, cidade com pontos interessantes e culturais que o turista quer visitar: a marina, os muitos quilómetros de praia com bandeira azul, o El Corte Inglês e tantos outros aspetos com o centro do Porto a ‘dois passos’. Mónica Gonçalves fala-nos que “o Porto mudou completamente”, por isso há um crescimento ligado a este destino e uma promoção deste que inclui Gaia. Afirma ainda que “não podemos olhar só para nós – Vila Nova de Gaia, a promoção tem de ser em conjunto. A promoção tem de ser do destino Porto e Norte de Portugal ”. Portanto, é sabido que o Douro é uma grande atração, o vinho do Porto tão apreciado pelos turistas em geral e as caves. Afinal, “quanto mais interessante o cliente achar o destino, mais tempo fica e mais vezes volta”, refere Mónica Gonçalves. O restaurante do hotel é também fonte de interesse, a especialidade é a confeção de sala como nos hotéis de antigamente. Na carta vem bife de lombo, um dos pratos mais vendidos, feito à frente do cliente, depois é escolhido o molho ou ainda a possibilidade de ser com queijo da serra - as entradas centram-se em alimentos típicos portugueses. O cliente corporate opta, contudo, por refeições ligeiras no bar à conversa com o barman. Nos Coffee Breaks tem o prazer de experimentar as iguarias de parceiros como a ‘Padaria Ribeiro’ com as suas miniaturas, biscoitos e folhados. Há cerca de 1700 metros quadrados para receber reuniões, conferência e palestras. Para celebrar os 10 anos – o bar de gin no espaço exterior, talvez dos poucos pontos que faltassem ao hotel. Tem sido um sucesso, por isso, vai manter-se. Há que entrar, sentar e beber!

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Cafés que emanam história Café majestic e guarany Ao passear pelas ruas do Porto não é raro depararmo-nos com espaços verdadeiramente emblemáticos, que nos deliciam com a sua beleza, a sua história e cujas paredes, por vezes, nos transportam no tempo. O Café Majestic e o Café Guarany são dois desses espaços. Tão diferentes entre si, mas ambos igualmente deslumbrantes e repletos de história.

agostinho barrias Gerente

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onsiderado um dos locais mais icónicos da Invicta, o Majestic é um ponto de paragem obrigatório para os milhares de turistas que, todos os anos, visitam a cidade. Seja apenas para beber um café, uma fantástica sangria, tomar o famoso Chá das Cinco, acompanhado pelas rabanadas envoltas num suave creme de ovos e frutos secos ou para apreciar uma deliciosa refeição, o Majestic encanta as pessoas, acima de tudo, pela sua atmosfera ‘Belle Époque’. Olhando para o Majestic hoje em dia, é difícil imaginar que nem sempre tenha sido assim, mas a verdade é que o mesmo esteve votado ao esquecimento, durante algumas décadas, até que a 24 de janeiro de 1983 foi decretado Imóvel de Interesse Público e nesse mesmo ano foi adquirido por Agostinho Barrias, que imediatamente deu início a um audacioso processo de restauro. “O estado atual do Majestic deve-se a duas

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pessoas, o arquiteto Alfredo Magalhães, presidente da Câmara do Porto entre 1980 e 82, que trabalhou para o decretar Imóvel de Interesse Público e a mim que o comprei e restaurei”, comenta. O processo de restauro foi longo e moroso, mas o objetivo de devolver ao Majestic a sua beleza original foi bem sucedido. “Procurei recuperar o mobiliário original que existia no interior do café e o que não existia foi replicado ao mais ínfimo pormenor. As mesas e as cadeiras que hoje vemos no Majestic são réplicas perfeitas das originais, os sofás foram completamente recuperados e os originais espelhos de Antuérpia foram mantidos, mesmo com as visíveis marcas da passagem do tempo. O resultado final orgulha-me imenso”, confessa o empresário. E a beleza restaurada do Majestic não passou indiferente aos olhos do mundo, tendo sido eleito como o sexto café mais bonito do mundo, em 2011, pelo site Ucityguides. A propósito da distinção, o site referiu que foi na Invicta

que encontraram “o mais deslumbrante dos cafés da nação e um dos mais atrativos do mundo”. Além de ser um enorme motivo de orgulho para os cidadãos do Porto, esta distinção é o reconhecimento pelo trabalho levado a cabo por Agostinho Barrias para devolver este espaço à cidade, “um processo que envolveu vários sacrifícios pessoais”, salienta Fernando Barrias, filho do empresário. Em 1992, o café foi encerrado para a concretização de um projeto de recuperação, projeto esse que ficou a cargo da arquiteta Teresa Mano Mendes Pacheco. Volvidos dois anos, em 1994, depois da substituição do pavimento interior e recolocação do mobiliário original, o Majestic, finalmente, reabriu as suas portas. Fotografias encontradas por Fernando Barrias permitiram conservar a alma do espaço, transportando com uma enorme sensibilidade, um passado luminoso para o presente. Trabalho que tem sido reconhecido e distinguido nacional e internacionalmente, com prémios como a ‘Medalha de Prata de Mérito Turístico’, em 2000; a ‘Medalha de Prata de Mérito Municipal – Porto’, em 2006; a ‘Medalha Municipal Mérito - Grau Ouro’, em 2011; e o ‘Certificado do Prémio Mercúrio - O melhor do comércio na área das empresas na categoria Lojas com História’. Com base neste sucesso, e numa enorme paixão por cafés cheios de história, não é de admirar que Agostinho Barrias tenha adquirido e recuperado, com o mesmo nível de exigência e perfeição, um outro espaço emblemático, situado em pleno coração do Porto, o Café Guarany. Do mesmo modo que o Majestic foi devolvido à cidade, o mesmo aconteceu com o Guarany. E à semelhança do Majestic, o Guarany tem vindo a tornar-se mais do que um espaço turístico e comercial, tornando-se cada vez mais num espaço cultural.

Turismo no Porto - qual o caminho a seguir? Obviamente uma conversa com Agostinho Barrias, proprietário de diversas unidades de restauração e de hotelaria no Porto, não estaria completa senão se falasse do crescente potencial turístico da cidade. Para Agostinho Barrias, esse potencial tem de ser rentabilizado, principalmente através da criação de uma atividade diversificada de lazer, que não esteja apenas focada na animação noturna. “Sem dúvida é importante, mas não é a animação noturna ‘per si’ que atrai o turismo e os turistas. Isto não significa que não aprovemos a mesma, significa sim que acreditamos que a animação noturna deve estar sujeita a regras que impeçam os resultados


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negativos que daí derivam como, por exemplo, o barulho e falta de limpeza nas ruas. Nós queremos captar mais turismo para a Baixa do Porto e pensar neste localização como o elo principal de alojamento turístico, mas para isso creio que as autoridades locais devem conciliar a animação nocturna ao direito ao sossego e um não pode estar sobreposto ao outro. Defendo, por isso, a diversidade de atividades de lazer criando eventos de cariz etnográfico como, por exemplo, aproveitar a malha urbana da Ribeira, única na Europa, para a organização de eventos de temática medieval ou a baixa portuense como palco para procissões religiosas, na Páscoa”, sublinha. Agostinho Barrias acredita que para chegar a um consenso nesta matéria é fundamental que a autarquia oiça os empresários. Outro aspeto que desperta a atenção do empresário é o aumento exponencial de unidades hoteleiras no Porto, um fenómeno que o preocupa, pois considera que sem a devida regulação este setor corre sérios riscos de colapsar, até porque durante a época baixa o turismo na cidade é residual. Na sua opinião, as novas unidades hoteleiras devem apresentar um carácter inovador e um potencial assente numa prime location, além de ser urgente que os empresários se unam para que as suas vozes sejam ouvidas pelas autoridades competentes. “Só assim será possível definir o caminho a seguir para o turismo no Porto”, conclui.

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Luxo e conforto aliados aos negócios Hotel sheraton Único, distinto e autêntico, o Sheraton Porto Hotel & Spa localizado no centro da cidade, dispõe de um ambiente acolhedor, que proporciona aos seus visitantes a possibilidade de desvendar um dos segredos mais cobiçados da Europa, o Porto.

joana almeida General Manager

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Sheraton é uma marca internacional que integra o prestigiado grupo Starwood Hotels & Resorts, sendo composto por várias marcas, nomeadamente W, Meridien, Westin, Element, Four Points, entre outras, posicionadas no segmento de quatro/cinco estrelas de luxo. Em Portugal, existem três unidades hoteleiras Sheraton, estrategicamente bem localizados: Porto, Lisboa e Algarve. A Revista Business Portugal esteve à conversa com Joana Almeida, general manager do Sheraton Porto Hotel & Spa. Como surgiu o Hotel Sheraton numa das zonas mais luxuosas da cidade do Porto? O Sheraton Porto abriu na cidade há 10 anos. Um hotel diferenciador, com um posicionamento de topo, seja em trabalho ou em lazer, o hotel dispõe de 266 quartos

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envolvendo todo o conforto para uma estadia relaxante, podendo ainda usufruir de um ambiente diferenciado, moderno e luxuoso do spa. Construído a pensar nos negócios e eventos sociais, o Sheraton Porto possui inúmeros espaços flexíveis, para conferencias, reuniões e banquetes. A cidade do Porto tem sido considerada nos últimos tempos como um destino de eleição para visitar. Qual a sua visão relativamente ao turismo na cidade? Ao longo destes dez anos considero que o Porto tem evoluído muito como destino. Passamos de um destino de segunda linha na Europa ou de segunda cidade de Portugal, para um destino que nos últimos anos tem vindo a conquistar uma notoriedade e um lugar próprio nos mercados internacionais. Nos últimos seis

anos, o crescimento do Porto tem sido evidente, e é resultado de uma série de estratégias e sinergias que são consolidadas e que são seguidas de forma conjunta, com a ATP, o organismo de promoção externa. Na sua opinião a que se deve essa evolução enquanto cidade? Em 2001, altura em que foi reconhecida como Capital da Cultura, a cidade iniciou um processo de requalificação de património. A baixa surgiu com um novo dinamismo, que, complementado com uma maior acessibilidade, posiciona o destino de uma forma muito mais atrativa. Adicionalmente, a construção e posicionamento do novo aeroporto, eventos como o Primavera Sound, o WTCC e o mediático Red Bull Air Race, um maior dinamismo do tecido empresarial e o empreendedorismo da cidade a , complementam o posicionamento da cidade.


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O que torna a cidade do Porto, uma cidade diferente? A alma. Temos um património, uma cultura, uma gastronomia e vinhos fantásticos, mas sem a ‘alma’ que colocamos em tudo que fazemos, não seríamos o destino diferenciador em que nos tornamos. Quais os principais mercados do Sheraton? Os maiores mercados são europeus, sendo os franceses a liderar, seguindo a nossa vizinha Espanha. Depois segue a Inglaterra, Alemanha e os mercados do leste que começam a surgir de uma forma carenciada mas consistente. Adicionalmente, os EUA e Brasil são mercados muito fortes e com um crescimento muito consistente nos últimos anos. Sendo um hotel muito mais direcionado para os negócios, como estão posicionados relativamente à questão da sazonalidade. Sendo o nosso hotel muito vocacionado para a componente de viagens em negócios, sentimos que a sazonalidade tem sido colmatada com o crescimento

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da componente de lazer. Estando o segmento de lazer neste momento, num crescimento acentuado, a nossa sazonalidade está muito mais controlada. Como caracteriza o setor do turismo em Portugal neste momento? O setor do turismo é um setor dinâmico e Portugal tem de potenciar não só esse dinamismo, mas pensar em criar estruturas e valências para que isso seja consistente e consolidado a longo prazo. Questões como a relação preço vs qualidade e a segurança potenciam o desenvolvimento do turismo de uma forma consistente. Se todos os agentes de turismo seguirem uma estratégia e caminho comum pensada a longo prazo, entao os resultados aparecerão também a longo prazo. O Sheraton Porto é considerado um hotel de luxo, qual a maior dificuldade vivenciada perante a conjuntura do país? Considero que o nosso hotel não foi dos equipamentos mais afetados, pelo fato de não termos seguido uma

estratégia demasiado focada em volume, descurando outras questões como a qualidade dos serviços prestados. Sheraton Porto desde o ano de 2013 tem vindo a crescer significativamente, não só ao nível de ocupação, mas também a nível de preços o que considero ser importante para a viabilidade a longo prazo nos negócios. Como prevê o futuro? Fale-nos um pouco dos projetos que gostaria de desenvolver. Prevejo um futuro risonho. A dinâmica que o Porto como destino turístico tem vindo a sentir, é uma dinâmica consistente e de longo prazo. Em conjunto com a Associação de Turismo do Porto, que é o organismo que está mandatado para a promoção externa, com a política e visão do turismo que o novo executivo trouxe à Câmara, a dinâmica dos privados, tenho efetivamente esperança de que esta é uma cadência sustentada. Falta apenas fechar o projeto de centro de congressos para o Porto ter ainda mais uma âncora a gerar fluxos turisticos de negócios à cidade.

17/07/14 11:44

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Cinco restaurantes, uma única filosofia Restaurante mauritânia O Mauritânia é uma referência no mundo da restauração de Matosinhos e do Porto. No entanto o que a maioria das pessoas desconhece é que este nome não está apenas associado a um espaço, mas sim a cinco.

Nuno rocha Gerente

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história do Mauritânia começou em 1980, altura em que foi fundado o primeiro restaurante situado no centro de Matosinhos. Ao longo dos anos, mais espaços foram adicionados ao grupo Mauritânia, nomeadamente o Mauritânia Grill, o Casarão do Castelo, o Mauritânia Real e, mais recentemente, o Lagosta da Mauritânia, o único localizado no Porto e o mais distante da zona costeira. “Foi uma aposta diferente que resultou num restaurante diferente dos restantes. Devido à zona em que se encontra localizado, este é um restaurante de passagem e não tanto um restaurante de destino. Por estar junto ao Hospital São João e ao Pólo Universitário, o Lagosta da Mauritânia é um restaurante mais frequentado durante a semana, em particular à hora de almoço, pois é a escolha das pessoas que trabalham e estudam naquela área”, comenta Nuno Rocha, gerente dos Mauritânia. A filosofia de funcionamento dos Mauritânia é comum a todos, contudo as diferentes localizações e características dos espaços conferem a cada um dos restaurantes, uma atmosfera própria e única. Por exemplo, “o Casarão do Castelo oferece um ambiente

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mais requintado e intimista, pois o interior é composto por várias salas pequenas de refeição, o que possibilita um serviço mais personalizado”, indica Nuno Rocha. Já o Mauritânia Real, junto à Câmara de Matosinhos, é mais procurado pelo seu serviço de snack-bar, onde podem apreciar pratos mais rápidos, mas igualmente deliciosos, como os pregos e as francesinhas. A casa original Mauritânia é uma marisqueira de renome, conhecida pela sua cozinha tradicional portuguesa, com um público fiel, sendo que muitos dos clientes elegem este restaurante como local de celebração de momentos importantes como batizados, aniversários e casamentos. Enquanto o Mauritânia Grill, com uma maravilhosa vista panorânima para o mar, devido à sua dimensão e proximidade à praia atrai mais pessoas que moram na zona limítrofe à grande área metropolitana do Porto. Curiosamente, “cerca de 70 por cento dos clientes do Grill não conhecem os outros espaços Mauritânia, enquanto os clientes de Matosinhos e do Porto sabem que existe mais do que um espaço com a nossa chancela”, acrescenta. Uma das características do Mauritânia Grill é a

organização de eventos temáticos como, por exemplo, a festa de verão que irá decorrer todas as quartas-feira, até ao fim de agosto, entre as 23 e as 4 horas. “É uma festa ao ar livre, na esplanada do restaurante, ideal para quem se quer divertir e fugir à rotina. Estamos sempre a reinventar o espaço e a inovar para oferecermos aos clientes aquilo que procuram, por isso já organizamos exposições de motas antigas, de mesas de bilhar e semanas temáticas como a Semana do Sushi, algo que não é comum vermos nas marisqueiras, mas que teve uma adesão incrível. Não podemos ficar parados, senão acabamos esquecidos e com isso em mente, nos últimos cinco anos, avançamos com a remodelação dos cinco espaços”, refere Nuno Rocha. A este espírito inovador alia-se a contínua preocupação com a qualidade das matérias primas utilizadas na confeção das refeições servidas nos espaços Mauritânia. Aliás, para Nuno Rocha, apesar das dificuldades enfrentadas, mais recentemente, pelo setor da restauração como o aumento do IVA ou das matérias primas, é essencial manter os elevados padrões de qualidade a que os clientes dos Mauritânia


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estão acostumados. “Atendendo à atual conjuntura do país seria impensável aumentar o preço final aos clientes, mesmo perante o aumento do IVA ou dos alimentos, mas isso não significa que devemos abdicar da qualidade dos nossos produtos, isso seria dar um tiro no pé”, salienta o nosso entrevistado. Manter os padrões de qualidade no setor da restauração é fundamental e Nuno Rocha acredita que, para isso, é essencial que existam regras impostas e seguidas por todos os empresários, de modo a que o setor funcione num sistema de competitividade igualitária. “Para fazer face aos problemas do setor, era importante que existisse maior união entre os diferentes players”, considera. “Tal como é essencial que exista colaboração entre os empresários da restauração e as autarquias locais para rentabilizar ao máximo o potencial turístico do Porto e de Matosinhos, a fim de evitar que esta vaga de turistas seja apenas um fenómeno passageiro. Ambas as cidades têm muito para oferecer, mas acredito que é importante trabalhar no sentido de aperfeiçoarmos o que temos desde os restaurantes, esplanadas, as ruas até a uma maior interligação entre todos os intervenientes turísticos, a fim de oferecer uma experiência única a cada turista que nos visita”, conclui.

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Pão-Quente Quentinho Confeitaria luso Impossível é passar e ficar indiferente à pastelaria da Confeitaria Luso! Apesar do público ser na maioria feminino, os homens também saem satisfeitos. Com fabrico próprio, é possível comer pão quentinho a várias horas do dia, sendo o pão d’avó recomendado por Manuel Mendes, o dono deste estabelecimento.

manuel mendes Administrador

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casa conta apenas com 13 anos, mas a vida do fundador da Confeitaria Luso é recheada de trabalho nesta mesma área. Há 57 anos que trabalha em confeitarias. “Parar é morrer.”, afirma Manuel Mendes quando se refere ao fato de continuar a dar vida a um negócio como este pãoquente que conta com a ajuda de cinco funcionários. Noutros tempos já empregou dez pessoas, contudo as portas fechadas do Hospital Maria Pia, os correios que também assim se encontram, a mudança da Faculdade de Farmácia e até o colégio ao lado acabar encerrado tem ajudado a que o movimento diminua. A rua onde se encontra, outrora tinha todos os estabelecimentos

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abertos ao público, agora há lojas vazias. Ainda assim é uma confeitaria com uma localização privilegiada: a estação de metro Carolina Michaelis fica no topo da rua, o Conservatório de Música no final da mesma e a rotunda da Boavista também é já ao virar da esquina uns metros mais à frente, o que faz com que a confeitaria tenha fácil acesso. Num ambiente tranquilo, de tarde, é possível ver as senhoras a entrar para o seu “chá das 5”, sentam conversam e ali ficam um pouco à volta da mesa, coberta com uma toalha, a saborear o seu lanche e a companhia das amigas. Porém as amigas não são as únicas que fazem companhia. Manuel Mendes conhece

os seus clientes e mesmo os que não conhece recebeos sempre com um sorriso e sabe indicar os melhores docinhos ou salgados para fazer as delícias de cada um. As prateleiras estão cheias com produtos próprios e é possível levar para casa biscoitos, pão, húngaros, brigadeiros que se derretem na boca ou croissants que são muito pretendidos, assim como outros produtos pedidos ao balcão – afinal, há quem assim prefira, levar no final do dia para sua casa. Os bolos de aniversário não estão esquecidos e na montra há opções, podendo, contudo, encomendar o desejado. Manuel Mendes recebe também outro tipo de encomendas. A trabalhar já há algum tempo com as faculdades do Porto, é solicitado para requintar as mesas com os seus produtos para o Coffe Break das conferências da FEUP sobretudo, mas também as de outras. Em 2007 foi lançado o desafio de fazer renascer o “Bolo do S. João”, que deixou de ser fabricado no séc. XX, década de 30 ou 40. Este bolo que estava entretanto esquecido passou a ser confecionado, no S. João, por várias confeitarias que agarraram este projeto lançado por Hélder Pacheco e pela, na altura, UNIHSNOR – Núcleo de Pastelarias. A Confeitaria Luso em 2007 passou a ter as suas montras com o “Bolo de S.João” e nunca mais deixou de o ter, segundo o proprietário, “o bolo tem saída”. Mas como este, noutras épocas do ano são feitos os Pão de Ló e o Bolo Rei que são igualmente procurados. Para o futuro Manuel Mendes deseja ver mais movimento, porque é o movimento que gera movimento. Afirma ainda que seria bom que houvesse algumas ajudas sobretudo a nível de impostos, porque as mesmas podem ser a alavanca necessária para muitos. Atualmente recebe também alguns turistas que ficam alojados nas proximidades, este é um novo público, já que ao longo destes 13 anos a zona tem vindo a sofrer algumas alterações. Depois de uma refeição, seja ela o pequeno almoço, o lanche ou mesmo um almoço leve, sai-se da Confeitaria Luso conforme se entra: com um sorriso.


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Versatilidade e excelência com vista para o mar Hotel praiagolfe O Hotel PraiaGolfe localiza-se na cidade de Espinho em frente à praia da Baia e ao passeio marítimo, mesmo ao lado do Casino, estando circundado pelos melhores campos de golfe da área metropolitana do Porto, assumindo-se como um paraíso cosmopolita à beira-mar. e vai-se desvanecendo quanto maior é a distância do centro da cidade do Porto. Desde 2012 que a oferta hoteleira se tem expandido bastante, em alguns casos excessivamente, julgo eu, descorando aquilo que é a capacidade de atração e a própria capacidade de carga do Porto e norte de Portugal. Não obstante o referido, o Porto e norte de Portugal tem apresentado uma grande dinâmica comercial e tem conseguido nos últimos anos alcançar sucessivamente resultados históricos para o turismo da região. As sucessivas ações do Porto e norte de Portugal nos mercados internacionais têm produzido os seus efeitos e o Porto apresenta-se hoje como um destino de eleição.

hélder couto Diretor

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undado em 1972 é um hotel não fumador que dispõe de oito pisos, com 133 quartos confortavelmente equipados, e conta ainda com três salas e dois restaurantes panorâmicos, todos com luz natural e capacidade para acolher eventos entre dez a 400 pessoas. Espinho é uma cidade dinâmica e moderna, integrada na área metropolitana do Porto, a 15 minutos da cidade Invicta. Como é que encara o estado do setor turístico e a promoção que o destino Porto e norte de Portugal têm evidenciado? Nesta altura, o setor do turismo encontra-se numa fase de recuperação e todas as unidades hoteleiras têm uma opinião consensual relativamente a essa situação, porque os números assim o dizem. No entanto, esse efeito não é igual para todas as unidades

Até que ponto o Aeroporto Francisco Sá Carneiro tem capacidade suficiente para alimentar esta expansão? Os números do Aeroporto Francisco Sá Carneiro não deixam margem para dúvidas nos últimos anos, com cerca de seis milhões de turistas recebidos em 2013, demonstram um claro caso de sucesso. A aposta na conquista de sucessivas rotas em mercados estratégicos como Espanha, França, Alemanha, EUA, tem permitido captar fluxos turísticos significativos que passam a encarar a região como um destino turístico de referência. Dado que o crescimento do Aeroporto se tem verificado muito à custa das low cost (Ryanair, Easyjet), entendo que é um grande desafio no futuro fazer diminuir a dependência destas companhias aéreas. O Aeroporto tem, em si, capacidade para alimentar uma maior expansão, mas julgo que poderão vir a ser necessárias obras de ampliação do mesmo no futuro. Como é que o Hotel PraiaGolfe se integra nessa realidade? O Hotel PraiaGolfe está ligeiramente distante do que é o centro da cidade do Porto, e sofremos muitas vezes o efeito de não estamos no Porto. Somos um hotel

de sol e praia, com todos os predicados e que pela sua localização e qualidade de serviço proporciona que sejamos uma unidade hoteleira com sucesso desde 1972. Dependemos sobretudo do mercado internacional, ainda que não possamos descurar o mercado empresarial nos arredores de Espinho e que revela uma força bastante grande na época média/baixa, de outubro a março, e que nos dá um apoio fundamental para que possamos ter uma atividade continua ao longo de todo o ano. É óbvio que um hotel desta dimensão, com 133 quartos tem altos e baixos, que muitas vezes têm a ver com o próprio clima. Vejo Espinho não como destino, mas sim como uma submarca da região Porto e norte de Portugal. Como é que combatem a sazonalidade própria da atividade hoteleira? Usamos uma estratégia bastante dinâmica de forma a criar programas temáticos na época mais baixa e que possam fazer movimentar pessoas para terem experiências de lazer, cultura, bem-estar, etc. Ao mesmo tempo, desenvolvemos iniciativas como jantares temáticos, almoços de família, entre outros. Não devemos descurar também a importância de alguns eventos de media/grande dimensão que decorrem em Espinho, alguns deles em época baixa e que permitem obter taxas de ocupação bastante satisfatórias. Projetos para o futuro? O Hotel PraiaGolfe trabalha constantemente para se atualizar e inovar a sua base de oferta, pelo que tem em curso um plano de investimentos faseados que visa a remodelação completa do Hotel PraiaGolfe. Neste momento, temos 70 quartos remodelados, e prosseguiremos os trabalhos de remodelação para preparar a unidade para outros desafios mais ambiciosos. Temos a convicção que o faremos e conseguiremos!

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Um lugar à beira mar plantado lais de guia Costuma-se dizer que o ar do mar abre o apetite. Se tal é verdade, o Lais de Guia, situado em pleno areal da praia de Matosinhos, é o melhor sítio para saciar o seu apetite a qualquer hora do dia, todos os dias do ano.

Ultrapassar dificuldades e rentabilizar novas oportunidades

MANUEL COSTA E ANA MARIA Proprietários

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berto há 18 anos, o Lais de Guia foi o primeiro espaço na praia de Matosinhos a estar aberto todos os dias do ano, confessam Manuel Costa e Ana Maria, proprietários do espaço. Com horário alargado de funcionamento, este é o local ideal para qualquer refeição do dia, uma breve paragem para um café ou desfrutar de um delicioso cocktail na companhia de amigos, depois de um longo dia de trabalho, sempre com uma vista privilegiada para o mar. De inverno pode desfrutar da vista dentro da acolhedora sala, já no verão um dos atrativos do Lais de Guia é poder apreciar o sol numa das várias espreguiçadeiras, enquanto se coloca a leitura em dia. E se a fome apertar? Poderá sempre desfrutar das diferentes sugestões diárias de carne e de peixe, preparadas na cozinha do Lais de Guia, como o peixe grelhado, a espetada de polvo, o arroz de tamboril, as famosas francesinhas

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e, claro, as sobremesas caseiras como o leite creme ou o bolo de bolacha, que segundo Manuel Costa é simplesmente “excecional”. Mas se por algum motivo precisar de fazer uma refeição mais tardia, a cozinha do Lais de Guia pode sempre preparar umas deliciosas tapas, preguinhos de lombo ou até mesmo um reconfortante prato de moelas. Manuel Costa e Ana Maria concordam que o segredo para o sucesso do Lais de Guia é a simpatia e profissionalismo dos funcionários, um espaço que tem o mar como pano de fundo e acima de tudo a aposta na qualidade dos produtos usados na confeção dos pratos. A par da qualidade das matérias primas, uma das preocupações de ambos é comprar, sempre que possível, produtos de origem nacional. Para ambos, o importante é oferecer aos seus clientes sempre o melhor.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos proprietários do Lais de Guia, desde a abertura do espaço, foi o aumento do IVA para 23 por cento, um golpe “brutal”, aponta Manuel Costa. Sem poderem repercutir este aumento no preço final, o mesmo teve de ser incorporado nas suas margens de negócio, “o que é extremamente penalizante neste setor”, sublinha. “Fomos forçados a adaptarmo-nos, em algumas situações tivemos de dispensar alguns elementos da equipa. Com o aumento de clientes na época balnear, necessitamos de contratar mais funcionários que, por vezes, mantínhamos para o inverno, o que nos permitia formá-los melhor para a época balnear seguinte. Perante este aumento, tal deixou de ser possível”, refere. Contudo, nem tudo são más notícias para o Lais de Guia, especialmente atendendo à nova vaga de turistas que chegam ao Porto e Matosinhos, todos os dias. Manuel Costa e Ana Maria admitem que “após o início dos voos low-cost começaram a notar uma maior afluência de turistas e que os cruzeiros, que aportam no Porto de Leixões, trazem também alguns turistas até à praia de Matosinhos, mas em menor número, isto porque normalmente vêm com programas prédefinidos, que apenas incluem o centro histórico do Porto”. Ambos percebem que é fundamental rentabilizar esta oportunidade rapidamente e apesar de não saberem em concreto qual será o melhor caminho a seguir, consideram que talvez fosse necessário criar sinergias entre as cidades do Porto e de Matosinhos, valorizando a vertente histórica e cultural da primeira e o espólio arquitetónico (dos arquitetos Pritzker Siza Vieira e Souto Moura) e a reconhecida vertente gastronómica e de lazer da segunda, providenciando assim uma oferta mais alargada aos muitos turistas que escolhem o Grande Porto como destino de férias.


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União perfeita entre a tradição e a modernidade Hotel brasília Localizado em pleno coração da cidade do Porto, entre a Rotunda da Boavista e a Avenida dos Aliados, o Hotel Brasília assume o primor e o classismo do século XIX aliado ao conforto e requinte da era moderna.

Carlos azevedo Proprietário e Gerente

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ropriedade de Carlos Azevedo há cerca de três décadas, quando ainda funcionava como hospedaria, a atual unidade hoteleira de duas estrelas situa-se num belo e antigo edifício datado do século XIX e carateriza-se como “hotel familiar, onde os hóspedes desfrutam de um ambiente intimista, que os faz regressar”, revela o proprietário. Com 14 quartos e uma suite, esta unidade hoteleira atinge a sua época alta entre abril e setembro, e é procurado sobretudo por turistas estrangeiros: franceses, ingleses, espanhóis, alemães, e alguns portugueses com idades compreendidas entre 30 e os 40 anos. A massificação dos voos low-cost que no aeroporto Francisco Sá Carneiro é realizada em grande parte pela companhia aérea Ryanair, tem-se revelado uma mais-valia, não só para as unidades hoteleiras, mas para o setor do turismo em geral. Aliado a isto surge o site booking. com, atualmente uma das principais formas de angariar clientes. Localizado numa rua onde a oferta hoteleira é diversa,

o Hotel Brasília assume características muito singulares: o pé direito dos quartos e da casa em si, os tetos trabalhados, uma abóboda que deixa entrar a luz natural e que ilumina toda a escadaria, o que permite ter plantas naturais no seu interior. De destacar ainda que os quartos desta unidade hoteleira estão decorados com um estilo clássico e requintado, o que lhes confere uma atmosfera agradável e acolhedora, tendo ao dispor dos seus clientes casa de banho privativa, ar condicionado, frigobar e tv por cabo. Alguns aposentos foram remodelados recentemente e assumem um caráter de maior modernidade, estando equipados com cabines de hidromassagem. Apesar das raízes clássicas, o Hotel Brasília mantêm-se atual e atento às necessidades dos seus clientes, pelo que incluiu acesso gratuito à internet via wireless, assim como garagens privativas. Tem ainda à disposição dos seus hóspedes todas as manhãs um pequeno-almoço tradicional e completo, que pode ser complementado com um passeio matinal pelo colorido jardim localizado nas traseiras do hotel, conferindo calma

e tranquilidade em pleno centro da cidade do Porto. Carlos Azevedo, de 77 anos, é atualmente o rosto deste hotel com uma atmosfera familiar que tem como missão receber os seus clientes e fazê-los sentir como se estivessem em casa, prestando-lhe todo o apoio e atenção de que necessitam. Relativamente à politica de preços praticados, o Hotel Brasília apresenta preços diferenciados, mediante as necessidades de cada cliente, quer seja um indivíduo, um casal, uma família ou simplesmente um cidadão em viagem de negócios. Questionado relativamente ao estado do turismo no Porto e norte de Portugal, o proprietário não hesita na resposta: “tem-se notado uma grande afluência de turistas à cidade do Porto, fruto do investimento e da divulgação que se tem feito, aliada a alguns grandes eventos, e o resultado está à vista, e tem-se notado bem no Hotel Brasília”. Se está à procura um local calmo e tranquilo, com uma localização privilegiada para conhecer a cidade do Porto já encontrou: Hotel Brasília, na Rua Álvares Cabral, 221.

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A Tradição Representada no Restaurante Cufra Restaurante cufra Com 39 anos de portas abertas e reconhecido pelo seu horário entre as 12 e as 2 horas, o restaurante Cufra faz as delícias das diferentes gerações que por ali passam.

manuel antónio Sócio-gerente

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ma casa que transpira tradição e que emprega 70 funcionários, alguns dos quais se encontram a trabalhar desde o primeiro dia da sua abertura. O conhecimento, portanto, é transmitido “como de pai para filho”, afirma Manuel António, um dos sócios que se encontra na gerência da marisqueira Cufra há 32 anos. Os funcionários mais novos aprendem com os mais velhos para que um dia os venham a substituir pela ordem da natureza. Há então pratos que são servidos ao longo dos anos preservando o mesmo sabor e isso é comprovado pelas pessoas

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que voltam para recordar. Neste seguimento, Manuel António conta-nos um episódio de um senhor, que vivia ao lado do restaurante, e que costumava ir na sua infância acompanhado pelos pais. Entretanto, já não vive no Porto e esteve inclusive muitos anos fora do país, quando teve oportunidade de regressar ao Porto não resistiu e passou pelo restaurante Cufra para relembrar os bons velhos tempos e ainda os sabores de outrora. De lá, não saiu desiludido. O tempo passa, muita coisa foi transformada, mas a essência dos pratos mantevese deixando-o feliz. Outros casos, porém, vinham com

os pais e agora fazem-se acompanhar pelos filhos. Há ainda aqueles que no seu tempo de estudantes vinham por causa da francesinha e do bom tempo que se passava com os amigos à mesa e que agora passam para experimentar outros pratos e passar um bom bocado. Afinal, segundo Manuel António, “cada mesa tem um sonho, sonhos para além da cozinha”, cabe aos empregados de mesa rechear esses sonhos com um bom serviço que é o principal objetivo do restaurante Cufra. Foi uma longa viagem até chegar a este local na Avenida da Boavista. Na realidade, os sócios deste restaurante atravessaram um oceano até chegar à Cufra. Foi em 1982 quando a casa já tinha sete anos de vida que Manuel António e os sócios numa passagem por Portugal decidiram comprar um negócio na área da restauração 'Cufra' que era o ramo dos mesmos. O negócio foi para a frente e continua já lá vão 32 anos, desde que este passo foi tomado. A casa progrediu e cresceu no sentido de manter a sua qualidade e inovação, mantendo tradição na arte de bem servir e receber. Portanto em altura de crise já muitos cortes foram feitos, reduziu-se no que foi possível, mantendo ainda assim os funcionários da casa e a qualidade na matéria prima que os permite continuar a ser a mesma marisqueira Cufra. Como não podia deixar de ser, o tempo pede investimento, e este foi efetuado interior e externamente, através do parque de estacionamento, que se encontra ao serviço dos clientes há sete anos, sem custos para os mesmos. Festivais Gastronómicos são criados para que haja inovação e algumas novidades. É bom para os cozinheiros, que aceitam novos desafios, mas também para o cliente que pode vir até à Cufra e experimentar esses novos pratos que são criados no âmbito de festival, (marisco, grelhados, papas, caça, lampreia, mar, etc.), continuando a existir as tradicionais escolhas. Para além das tradicionais francesinhas podem ser degustados pratos como Parrilhada de Marisco à Cufra, Tripas à Moda do Porto, Cabrito Assado, Vitela Assada, Filetes de Pescada, Bife Rolha, Pinheiro Manso, Bacalhau à Cufra, Arroz de Marisco, Sapateira Recheada e Tigre à La Plancha, e todo o tipo de peixe grelhado, produtos sempre frescos, e confecionados ao momento, na vertente das sobremesas uma enorme variedade, nos quais se destacam os gelados, (Pinheiro Manso, Élite e Bébé), semi-frio frutos silvestres, tarte de lima, tarte gelada de chocolate, etc.


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Manuel António afirma que “a restauração é aliciante” pelo contacto com as pessoas, como atrás foi referido não se vende só comida, fala-se também de boa disposição, comunicação, momentos de prazer... e termina dizendo que “o convívio é o bom da restauração”. A paixão pela restauração é evidente ao falar com Manuel António, expressa ainda o desejo de uma união por parte desta classe, de forma a conseguir mais direitos para a mesma. Talvez assim se despertasse mais sensibilidade no governo deste país com relação à sobrecarga de impostos. A alteração do IVA para 23 por cento, significou o aumento para o dobro,que teve que ser absorvido pelas empresas, uma vez que não foi repercutido na integra ao cliente. Manuel António refere que este aumento do IVA, veio retirar liquidez a nível da tesouraria, acrescendo assim dificuldades na restauração tradicional. Afinal é este ramo de atividade que mais pessoas emprega. Com a carga de impostos a que estão sujeitos, está-se a incentivar a abertura de casas fast-food, ou outro tipo de negócios que empregam menos pessoas e que acabam por fazer concorrência directa à restauração de qualidade. “Cufra é uma casa tradicional, fiel a si mesma, no paladar e no prazer de continuar a servir várias gerações”, afirma Manuel António com um brilho de quem está à frente de uma casa, tão referenciada no Porto, há 39 anos e que mantém o tradicional horário das 12 às 2 horas, com os tradicionais sabores e um tradicional atendimento.

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Turismo é Exportação Hotéis premium Portugal é um destino com diversas vantagens para o turista, a questão é que a mensagem chegue até ao mesmo. Andrea Ramos, gerente dos Hotéis Premium, afirma que se deve apostar na comunicação do que há de melhor no país para o resto do mundo e, ao mesmo tempo, facilitar o trânsito dos estrangeiros pelo país.

andrea ramos Gerente

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turismo em Portugal sofreu grandes alterações nos últimos anos. Até 2010, os portugueses e espanhóis eram o grande número dos clientes, com as scuts tudo se transformou, fala-nos Andrea Ramos: “As scuts são mais uma barreira psicológica do que monetária para o turismo”, visto que quando uma pessoa procura um local para férias quer tudo menos ter de se preocupar. Assim sendo, o turista espanhol que cá vinha para tomar um café, almoçar, jantar, visitar grandes superfícies e fazer algumas compras, por vezes até pernoitava praticamente desapareceu. O impacto das scuts foi grande em todo o país, mas prejudicou gravemente o turismo de interior, uma vez que no Porto, em Lisboa e em Faro as viagens low cost vieram dinamizar o turismo com passageiros vindos de toda a Europa. Portugal apresenta vantagens que o público no exterior desconhece, como é o baixo custo e excelente qualidade dos restaurantes e hotéis, a riqueza das tradições, a hospitalidade com a qual os portugueses recebem os estrangeiros tentando comunicar na língua mais apropriada, além da tranquilidade e segurança que

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encontramos em terras lusas. E o interior do país não fica assim tão longe! Todas estas vantagens competitivas de Portugal, ao serem conhecidas, pesariam na decisão final daquele que viaja: “Entre duas viagens ao mesmo preço qual é a escolha? A decisão é baseada nas características do produto turístico como um todo, mas também nas facilidades de alimentação e de transporte que o local oferece” diz-nos a gerente. É preciso incluir estes itens na estratégia de comunicação para o turismo internacional. Os Hotéis Premium estão sobretudo no norte do país e esta cadeia está a caminho de ser aumentada. Em Chaves por exemplo, o turista pode usufruir das termas, tendo o privilégio e conforto no percurso entre as mesmas e o hotel - através de um túnel que os une. Contudo, a gerente mostra-se preocupada com relação às termas, visto que são a grande atração da cidade e neste momento estão encerradas desde novembro, para obras, sem que haja uma data de reabertura concreta. Há clientes que todos os anos recorrem aos serviços do hotel para fazer tratamentos nas termas, muitos vêm já sem aviso. Este ano acabam por ir logo embora e, pior, é a incerteza de manter este público que sai sem uma data para voltar. Não é só este hotel em concreto que sofre com o encerramento, mas todos os outros operadores económicos da mesma área de serviços. Mas, vir até Chaves pode ser muito relaxante e um momento familiar. A cidade proporciona vários eventos ao longo do ano, em agosto enche-se de emigrantes e o Tâmega está ali ao lado! É possível dar um passeio na ciclovia e ainda usar as valências do próprio hotel: piscina aberta inverno e verão, ginásio, ping-pong, minigolfe, entre outras. Bragança é uma das próximas apostas dos Hotéis Premium. Uma cidade com seis museus, reconhecida pela caça, pela castanha, pelos cogumelos, pelas suas tradições e ainda pelo parque natural de Montesinho, é um local interessante para um novo investimento por parte deste grupo de hotéis que pretende requalificar o cineteatro da cidade. Este projeto está neste momento nas mãos de Nuno Brandão, arquiteto, para de lá nascer um novo hotel vocacionado a ser um centro de congressos . A antiga sala de cinema de 650 lugares

será uma das salas! Um edifício que vai contar ainda com um SPA, piscina interior e uma vista lindíssima do último piso. Andrea Ramos afirma que “será a jóia do grupo”. O fato dos Hotéis Premium apostarem em Bragança num público corporate vai beneficiar o local envolvente, até porque o hotel só terá capacidade para 80 quartos, o que significa que os outros hotéis da região serão preenchidos, afinal, e segundo a gerente “o turismo não funciona sozinho. Para haver um destino turístico é necessário vários promotores que desejem trabalhar para proporcionar uma experiência marcante ao turista”. Andrea Ramos refere que é importante aproveitar as parcerias e as sinergias, assim como acontece em Bragança, uma cidade do interior em constante desenvolvimento. Os outros hotéis da cadeia situam-se em Setúbal e no Porto , onde dentro de um ano o grupo Premium abrirá mais um hotel quatro estrelas com um restaurante panorâmico. Contudo, as apostas do grupo no Porto têm sentido a forte concorrências de um conjunto de alojamentos que não são hotéis. A publicidade ‘boca a boca’ é muito importante, e cada vez mais a internet é um meio para angariar clientes. Andrea Ramos pensa ser importante uma legislação que defenda o turismo a longo prazo. “Quando se abre uma página com ofertas de alojamento para o Porto , podem ser visualizadas cerca de 350 opções, porém só 70 destas são hotéis” Segundo a gerente, é importante que o turista saiba plenamente o que escolhe, como forma de proteger o turismo no futuro. “Não se podem misturar hotéis, que fornecem qualidade de serviço e informação turística, com alojamentos nos quais se coloca um código fornecido através da internet para abrir a porta, e passase toda a estadia sem conhecer o promotor económico daquele estabelecimento, sem ter a quem solicitar uma fatura ou fazer uma reclamação”. Portanto, apesar do recente crescimento do turismo, este necessita de medidas para que possa continuar a crescer e o turismo necessita de ter as atenções do governo. Afinal, “turismo é exportação”


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Qualidade e requinte restaurante japonês Góshò Localizado em pleno coração da cidade do Porto, o restaurante japonês Góshò abriu as portas em 2007 com o objetivo de “ trazer para o Porto uma oferta diferenciada relativamente à culinária japonesa” salientou Daniela Coutinho, umas das sócias do restaurante, a par de Jorge Costa. Para além do conhecido sushi, esta unidade de restauração apresenta uma combinação única do que é tradicional e contemporâneo na cozinha japonesa e de fusão: sushi, teppan yakki e uma surpreendente seleção de tapas japonesas, preparadas sob a mestria do Chef Paulo Morais, que traduz bem a diversidade dos sabores do país do sol nascente.

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ualidade, ingredientes frescos e naturais e simpatia no atendimento são os princípios basilares para o sucesso do Góshò pelo que o balanço destes sete anos de existência é extremamente positivo. “Quando fomos desafiados pela Sonae sabíamos que tínhamos de apostar no melhor - desde a matéria prima, à mão de obra, ao atendimento, à arquitetura, e sabíamos também que um dos segredos do êxito é nunca baixar a qualidade dos nossos ingredientes. Só assim foi possível manter a fidelidade dos nossos clientes”, revela Daniela Coutinho. A localização no centro da cidade do Porto, numa zona residencial, com várias unidades hoteleiras nas proximidades e facilidade de estacionamento é sem dúvida uma mais valia. A promoção do Porto e da região norte como um destino de eleição tem alavancado o turismo na região, e o aumento de estrangeiros, não só em lazer, mas também em negócios é uma realidade, que também se

reflete na restauração. Questionada sobre a escolha do nome Góshò, Daniela Coutinho esclarece: “Góshò é o Palácio Imperial em Quioto e o nome surgiu dada a envolvente, o Porto Palácio Hotel. O nome acabou por resultar muito bem, desde logo junto dos nossos clientes japoneses”. Para mais informações: www.gosho.pt

Av. da Boavista, 1277 4100-130 Porto Tlf: (+351) 226 086 708 Fax: (+351) 226 086 709 geral@gosho.pt www.gosho.pt

negócios e lazer um hotel à sua espera Hotel leça da palmeira Localizado em Leça da Palmeira e num prédio histórico de interesse de património municipal, inserido numa zona privilegiada do norte do país, o Hotel Leça da Palmeira contabiliza 12 anos de serviço de excelência, num ambiente acolhedor e um espaço de eleição para quem se desloca em negócios ou lazer. A Revista Business Portugal esteve à conversa com a diretora do hotel, Helena Gomes de modo a perceber qual a sua visão do setor do turismo na atualidade. “O crescimento do turismo na cidade do Porto está a ser uma alavanca para atrair mais pessoas à cidade, conquistar novos mercados e implementar novos projetos, nomeadamente no contexto cultural. O turismo religioso tem conquistado cada vez mais praticantes, e no nosso hotel temos recebido inúmeros turistas dos Caminhos de Santiago”, revela Helena Gomes. Dos diferentes cantos do mundo, famílias e companheiros procuram o Hotel Leça da Palmeira no decorrer da sua caminhada. Helena Gomes esclareceu ainda que o outro tipo de cliente que recebe recaem na área dos negócios, “um cliente fiel, em que muitos dos casos são

recorrentes desde a abertura das instalações, apesar da conjuntura do país já não permitir que estes venham com tanta frequência”. O futuro revela-se promissor e Helena Gomes acredita que o turismo é um setor em crescimento contínuo, defendendo que “o Porto acolhe iniciativas de excelência e qualidade, que devemos preservar ao longo dos anos”.

Rua Dr. Albano Sá Lima nº 222 4450-602 Leça da Palmeira T. +351 229 997 770/1 F. +351 229 997 772 geral@lecahotel.com

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países árabes, uma porta à exportação

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s relações económicas e comerciais entre Portugal e os 22 países da liga dos estados árabes foram sempre admiráveis, sendo que o volume das trocas comerciais entre os dois povos mais que duplicou na última década. O ambiente favorável criado pelo governo português, com as várias deslocações feitas aos mercados árabes, são o suporte para a penetração das empresas árabes em Portugal, e em especial das empresas portuguesas nos países árabes. As exportações portuguesas para os 22 países da liga dos estados árabes têm vindo a crescer ano após ano, perfazendo neste momento (ano 2013), cerca de 4,27 por cento das exportações totais de Portugal para o mundo, os chamados invisíveis (serviços) têm um impacto estimado em cerca de mais de 6 por cento. Hoje os países árabes são o 2º partner de Portugal, como aliás o 2º partner da Europa. Os 22 países da liga dos estados árabes, com mais de 400 milhões de habitantes e potenciais consumidores detêm oportunidades ímpares para a internacionalização das empresas portuguesas, sendo que os seus planos de desenvolvimento económicos, atribuídos a todos os setores de atividade, demonstram o crescimento rápido deste grupo de países.

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Requinte e excelência a iluminar os seus dias Climar A Climar nasceu em 1977 pelas mãos de Eduardo Sucena e António Mota e assume-se como uma empresa fabricante de iluminação, especialista em iluminação de interiores, que concebe, desenvolve, fabrica e fornece soluções de iluminação adequadas a satisfazer as necessidades de cada cliente.

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Atualmente, é um dos maiores fabricantes nacionais no setor da iluminação, tendo dado início ao seu processo de internacionalização no final da década de 80, mais precisamente no ano de 1989. Hoje conta com uma rede alargada de distribuidores e agentes que operam a nível mundial. Em entrevista à Revista Business Portugal, José Sucena, um dos administradores da Climar falou do estado do setor e dos projetos da empresa para o futuro. Como é que teve início a Climar? A Climar foi constituída em 1977 dedicada à climatização do ar e aquecimento. No entanto, logo no primeiro ano da sua existência verificou uma forte sazonalidade nesta atividade de fabrico, e ainda no primeiro ano, dado que as semelhanças no fabrico eram muito similares iniciou a produção de artigos de iluminação. Durante os primeiros 12 anos de vida andou a fabricar tanto artigos de aquecimento, como artigos de iluminação, tendo em 1990 terminado definitivamente com a parte do aquecimento. Manteve a mesma denominação, que já era conhecida no mercado, e passou a ser uma indústria de iluminação.

josé sucena Administrador

Atualmente, qual é a missão da Climar? A atual missão da Climar é ser cada vez mais uma empresa profissional, que procura trazer mais valor acrescentado nos produtos de iluminação de interiores, que fabrica. A empresa procura continuamente novas formas de satisfazer as necessidades dos seus clientes, e deste espírito nasce o conceito de soluções de iluminação para o qual a abordagem através do design e a arquitetura são elementos fundamentais como forma de acrescentar valor aos seus produtos. Há ainda um grande caminho a percorrer quando pretendemos ser especialistas seja em que área for.

Como é que tem sido a evolução da empresa ao longo destes 37 anos de existência? Tem sido muito positiva, e felizmente que os acionistas desta empresa decidiram dar um passo em frente no conceito da empresa e no conceito do próprio produto. Isto é, estávamos muito voltados para o fabrico de produtos de linha branca, que são fortemente concorrenciais e estão muito expostos aos mercados emergentes, e como tal, nós sentimo-nos ameaçados pelos países emergentes, tais como a China, a Turquia, a República Checa e a Polónia. Portanto, tínhamos que encontrar um caminho alternativo. Fixamo-nos dentro da iluminação de interiores, que é um mundo muito vasto e fazemos apenas alguns apontamentos de iluminação de exteriores.

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Enveredamos por um caminho que dá muito mais prazer e muito mais gozo, fruto do nosso trabalho com designers e arquitetos e o reconhecimento começou a vir ao de cima. Inicialmente, procuramos identificar a nível europeu qual era a nossa concorrência, e assim reconhecemos pontos fortes e pontos fracos, definimos uma estratégia, no sentido de nos aproximarmos dessas empresas. Assim, enquanto fabricantes de iluminação, queremos fazer da marca Climar uma referência internacional, proporcionando design de qualidade, satisfazendo os nossos clientes com base em bons relacionamentos e justas propostas de valor. O processo de desenvolvimento e conceção da solução adequada a todas as circunstâncias espaciais e especificações técnicas é o estímulo que nos inspira diariamente. Quais são as vantagens que distinguem a Climar dos seus concorrentes? Hoje em dia quando falamos em concorrência falamos de concorrentes europeus e não portugueses. A Climar procura via design, via conceção e desenvolvimento dos novos produtos, novos materiais, novos processos passar a desenvolver soluções inovadoras com um conjunto de atributos completamente diferenciadores. Exploramos a via arquitetural e de design que é imensa e se aplica de uma forma transversal a museus, hotéis, restaurantes, centros comerciais, hospitais, estações de metro e outros espaços públicos.

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Qual é o lugar que a internacionalização ocupa para a Climar? Relativamente ao mercado internacional em 2013 representou já 40 por cento do volume de vendas e temos traçado para este ano o objetivo de atingir 45 por cento das nossas vendas. No que respeita ao mercado nacional, é um mercado muito confortável pela língua que se fala, pela cultura que já conhecemos, pela legislação a que já estamos habituados, e é tudo muito mais barato. Os mercados árabes são mercados muito apetecíveis e muito interessantes, cuja cultura a Climar se identifica muito e estes países sabem reconhecer o valor das nossas peças e onde temos vantagens competitivas relativamente aos nossos congéneres europeus. Projetos para o futuro? A área de atividade da Climar vai desde as estações de metro, em que no nosso portefólio contamos já com mais de 60, e neste momento estamos a concorrer ao metro de São Paulo e ao metro da Argélia. Paralelamente, estamos também em hipermercados, onde atualmente fornecemos um número significativo de rede de supermercados em Angola. Nos centros comerciais, em Portugal e em Espanha, grande parte tem alguma iluminação Climar e, neste momento, temos concursos a decorrer para Angola, Moçambique e Marrocos. Somos líderes ibéricos na área hospitalar e estamos a concorrer a dois hospitais em Espanha. Torres de escritórios, felizmente, temos muitas e outros projetos estão na calha.

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Rigor, isenção e profissionalismo Avalibérica A Avalibérica opera no mercado da gestão e valorização de ativos desde 1998, sendo hoje reconhecidamente uma das principais referências do setor. Ao longo destes 16 anos é sinónimo de desenvolvimento progressivo, suportado pelas excelentes parcerias com todas as entidades com que se relaciona. Atualmente, a Avalibérica dedica-se exclusivamente aos leilões provenientes de processos de insolvência. Conversamos com Cláudio Ranito, sócio-gerente, e Gabriela Antunes, coordenadora operacional, sobre este projeto que tem por lema a inovação e o dinamismo como modo de enfrentar o futuro.

cláudio ranito Sócio-gerente

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ertificados há já uma década, pela Bureau Veritas e SGS, galardoados como PME Líder em 2013 e 2014, a Avalibérica nasceu pelas mãos de Adelino Gonçalves, em 1998. Iniciou a sua vida profissional na área de recuperação de crédito e quando sentiu que estava na altura de dar mais um passo em frente, fundou a Avalibérica que, à época, começou por se dedicar à realização de leilões particulares. Contudo, e com a evolução do mercado, logo em 1999, a Avalibérica apresenta-se aos tribunais, passando a especializar-se em leilões extrajudiciais, sendo nomeada pelas entidades competentes como encarregado de venda, fiel depositário e louvado. Logo no seu ano de estreia, a Avalibérica tratou do seu primeiro processo de falência, bastante complexo na época, e desde então nunca mais parou. Atualmente, está especializada em leilões de índole judicial, ou seja, tudo o que envolva tribunais, insolvências e administração fiscal. “Temos sido, ao longo dos anos, sinónimo de desenvolvimento progressivo, suportado pelas excelentes parcerias com todas as entidades com

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quem nos relacionamos”, afirma Cláudio Ranito, sóciogerente.

Insolvências como mercado De há três anos a esta parte, a Avalibérica dedica-se exclusivamente à venda de imóveis e recheio de bens provenientes de insolvências. “Encaramos este aumento do número de insolvências como uma oportunidade. Uma vez que não conseguíamos dar resposta a todas as solicitações, optámos por nos dedicar exclusivamente a um mercado específico, neste caso, as insolvências”. A partir do momento que são nomeados encarregados de venda de uma determinada entidade, a Avalibérica trata de todos os trâmites exigidos, desde procura de bens, inventário, armazenamento e venda. “Temos nas nossas mãos a obrigação da valorização do produto”, refere Cláudio Ranito. A crise trouxe um maior volume de negócio, mas isso não significa obrigatoriamente que existam mais vendas, pois o poder de compra é também menor. “A oferta é

muito superior à procura, sem dúvida, mais notoriamente no mercado imobiliário”, esclarece Gabriela Antunes. No que diz respeito aos restantes negócios, Cláudio Ranito clarifica que “continuam a aparecer bastantes investidores e os bens são escoados com alguma facilidade. Isso também acontece porque, hoje em dia, as empresas não têm tantos equipamentos, uma vez que optam pela subcontratação, por exemplo”. Outra realidade que as empresas portuguesas insolventes atravessam prende-se com os leasings e créditos. “Muitos dos bens não podem ser leiloados porque pertencem a entidades externas credoras. Nesses casos, os bens são, automaticamente devolvidos”, acrescenta. Ainda assim, não deixam de existir casos em que a leiloeira apresenta as propostas existentes para esses mesmos bens às entidades credoras que optam pela venda dos mesmos.

Modo de trabalho A Avalibérica preza, acima de tudo, o rigor, a isenção e


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o profissionalismo. Neste pressuposto, garante com toda a segurança aos seus parceiros, empenho e dedicação nas atuações, alicerçadas num lema que a acompanha desde a fundação. Prosseguindo uma estratégia de crescimento, tornouse imperativo dotar a empresa dos meios tecnológicos mais avançados do mercado. “A inovação e dinamismo são vetores fundamentais para enfrentar o futuro”, diznos o nosso interlocutor. A Avalibérica atua sob a forma de leilão presencial, leilão electrónico vulgo online e carta fechada. Todos os negócios estão disponíveis no sítio da internet da leiloeira, “a nossa maior e melhor ferramenta de trabalho”. Com uma equipa multidisciplinar, que engloba desde solicitadores, advogados, técnicos oficiais de contas, a empresa tem sede em Leiria e conta ainda com delegações em Lisboa, Paços de Ferreira, Ponta Delgada e Funchal. Além-fronteiras, é possível encontrar a leiloeira em Angola, Cabo Verde, Marrocos, Moçambique e Uruguai, onde o volume de negócios tem crescido exponencialmente, fruto da exemplar competência imposta nas suas intervenções.

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A maior empresa de consultoria de engenharia e ambiente do país Coba A COBA é uma empresa multidisciplinar de Consultoria de Engenharia e Ambiente, que desenvolve estudos e projetos, assegurando assistência na gestão e supervisão da construção de empreendimentos no domínio do armazenamento e utilização da água para produção de energia, para abastecimento público de água potável, para o desenvolvimento agrícola através da rega, no domínio dos sistemas de drenagem de águas pluviais e do saneamento e tratamento das águas residuais e no domínio das infraestruturas de transporte rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias e da cartografia e cadastro. Com mais de 50 anos de existência, a COBA foi fundada em Portugal, onde se tornou a maior empresa do ramo e é hoje um grupo empresarial com forte presença em várias regiões, com destaque para a África Austral, a África do Norte e a América do Sul. Desde os seus primórdios que apostou na internacionalização, destacando-se, entre os países árabes a Argélia, onde iniciou atividade em 1978.

alexandre portugal Administrador

A

COBA é uma empresa de consultoria que trabalha essencialmente em infraestruturas. “Somos uma empresa de projetistas e fiscais de obra, não construímos. O que vendemos é engenharia, ou seja, técnica e capacidade intelectual. Trabalhamos em todas as infraestruturas públicas, em dois grandes setores”, começa por nos explicar Alexandre Portugal, administrador deste grupo de engenharia com empresas em Portugal, Angola, Moçambique, Argélia, Brasil, Colômbia e Peru. São eles o setor da água, incluindo abastecimento e saneamento (em todas as escalas), irrigação e hidroeletricidade; e o setor dos transportes, sejam estradas, caminhos de ferro, aeroportos (em todas as vertentes) e portos. “Temos toda a gama de serviços

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técnicos e multidisciplinares que suportam este tipo de infraestruturas”. São exemplos a Ponte da Vasco da Gama e as grandes barragens portuguesas, nomeadamente a do Alqueva em que foram responsáveis pelo projeto do reforço de potência. A COBA foi ainda selecionada para líder do consórcio da Linha de Alta Velocidade Poceirão-Caia, o TGV, até ao momento em que este foi cancelado. Fundada em 1962 por três engenheiros civis, desde a sua criação que a COBA apostou nos mercados internacionais. “Logo no ano seguinte à fundação da COBA, começámos a trabalhar no exterior, maioritariamente noutros países europeus e no Brasil. Trabalhar fora de Portugal faz parte no nosso ADN”, refere o nosso interlocutor.

Internacionalização nos países árabes A chegada aos países árabes dá-se logo na década de 70, na Argélia, “onde ainda mantemos uma presença muito significativa em ambos os setores”, revelanos Alexandre Portugal. No que diz respeito ao setor das águas, a COBA foi responsável pelo projeto de barragens, de sistemas de transferência de água e de sistemas de tratamento de águas e de saneamento. No que concerne à área dos transportes são exemplo a segunda pista do aeroporto do Orão, assim como vários projetos de autoestradas e caminhos de ferro. “A Argélia é, neste momento, um dos países que está a fazer um investimento maior, não só em infraestruturas em todos os setores, mas também em habitação. Estamos


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presentes com bastante expressão e visibilidade, pois é um país onde mantemos atividade contínua há já mais de 30 anos”, explica o administrador. Esta empresa, que será a maior empresa do ramo em Portugal, tem também atividade em Marrocos, onde “entre os anos 1995 e 2000 tivemos uma presença bastante consistente e que diminuiu nos últimos anos, um pouco à semelhança de toda a comunidade portuguesa. Hoje trabalhamos essencialmente em operações muito específicas na área do regadio e tratamento de água, projetos onde acreditamos trazer valor acrescentado”. Marrocos é um país muito maduro, que tem grandes empresas na área da consultoria, “pelo que não acreditamos que se justifique ir para um país fazer aquilo que as empresas locais sabem fazer”. Um sítio onde a COBA tem trabalhado bastante bem, embora em pequena escala, é a Tunísia, “um local, para nós, bastante tranquilo, apesar de toda a instabilidade que lhe tem estado associada, onde estamos a fazer projetos financiados por agências internacionais de financiamento, pois é um país com poucos recursos, que vive essencialmente do turismo”, esclarece Alexandre Portugal. Também presentes na Líbia, este “era um país onde, antes de começar a guerra, estávamos a dar os primeiros passos ainda comerciais e agora esperamos que a situação estabilize para podermos voltar em força. Nesta altura há ainda muitas interrogações, mas mantemos os nossos contactos e as portas abertas para futuras parcerias”. Com o Egito, a COBA vive a mesma situação, “apesar de ser um país mais maduro, muito consolidado e que tem um setor militar muito forte com muita capacidade de realização, até porque é o principal empreiteiro do país”. O administrador refere que aqui se vive um ambiente particular, onde a COBA tentou, no passado, fazer algumas coisas mas sem grande sucesso. Onde ainda mantêm a sua presença é nos Emiratos Árabes. Contudo, vingar aqui tem sido um pouco mais difícil, uma vez que “existe uma concorrência feroz, como não existe em mais lugar nenhum do mundo”. Com efeito, a COBA tem conseguido realizar algumas parcerias com empresas nacionais, transmitindo-lhes o seu know-how em áreas de maior domínio por parte desta equipa portuguesa. De acordo com o nosso interlocutor, no futuro a aposta da COBA continuará a passar pelos países árabes, “onde há a necessidade de criar infraestruturas e existe capacidade de investimento. Após 50 anos, somos a única empresa que se mantém no ativo daquelas que foram criadas na mesma altura e acreditamos que isso é sinónimo da nossa qualidade, onde continuaremos a apostar, obviamente”.

Tradição que se mantém Desde a sua origem que a COBA está especialmente vocacionada para a produção e transporte de energia hidroelétrica, ou não fosse COBA um acrónimo de Consultores de Barragens. Ao longo dos seus já mais de 50 anos de atividade,

a hidroeletricidade tem estado sempre presente na atividade da empresa. Com efeito, é com o reconhecimento por parte das autoridades portuguesas da importância da energia hidroelétrica na economia e no desenvolvimento do país que se inicia um novo ciclo na produção hidroelétrica em Portugal, com o lançamento do ‘Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico’. Além de terem participado neste estudo, em que a COBA identificou dez potenciais aproveitamentos, a empresa de consultoria de engenharia e ambiente foi, a posteriori, contactada para a elaboração de estudos e projetos e assistência técnica a estas mesmas obras durante a sua execução. Em Angola, a COBA está ligada ao desenvolvimento de um vasto leque de empreendimentos hidroelétricos, em que se destaca a segunda central de Cambambe, com uma capacidade instalada de 700 MW, a nova hidroelétrica em construção em Laúca, e que será equipada com 2.000 MW de potência e a que será lançada a curto prazo no sítio de Caculo Cabaça, também com uma potência

de cerca de 2.000 MW. Os três empreendimentos localizam-se no rio Kwanza. Apesar de organizada e habilitada a atuar no campo da hidroeletricidade, o grande volume de trabalho implica, não raras vezes, o reforço dos quadros técnicos permanentes em áreas fundamentais como a eletrotecnia, mecânica, geotecnia, estruturas, hidráulica e engenharia ambiental, bem como a mobilização da intervenção de algumas empresas do grupo COBA. Por outro lado, quadros técnicos altamente experientes têm sido chamados a coordenar e dirigir projetos que envolvem colaboradores em grande número, grande parte deslocada no estrangeiro, de modo a criar condições para o cumprimento dos contratos e desenvolver os projetos com qualidade técnica. Este é um trabalho multidisciplinar, que requer profundos conhecimentos, vasta experiência e disponibilidade. A COBA pode dispor de equipas completas com perfis adequados e dos melhores especialistas portugueses, contribuindo para o prestígio da engenharia portuguesa no mundo.

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“Fórmulas para a vida” Tecnifar A Tecnifar é uma empresa que encara o mercado farmacêutico de forma distinta: onde uns vêem saúde, a Tecnifar vê vida. Mais do que dar resposta aos desafios da indústria, às expetativas dos agentes que operam no setor e às necessidades da população, a Tecnifar procura ter um papel ativo na melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Este posicionamento, que se materializa em todos os aspetos da sua atividade, é o fator que leva a empresa a disponibilizar uma oferta de produtos inovadores e a desenvolver continuamente novas soluções. Falamos com João Sampaio, Head Corporate da Tecnifar.

Para que possamos contextualizar os nossos leitores, pedia-lhe que nos explicasse como nasce a Tecnifar. A Tecnifar nasce no final da década de 60, fruto de sinergias entre o Instituto Luso-Fármaco e a Medicamenta. É uma empresa familiar cujos principais pilares de atuação no mercado assentam em valores como ética, flexibilidade, rigor e sustentabilidade económica e social. Em resumo, gostamos de ser quem somos e de nos afirmar pela qualidade das nossas soluções terapêuticas, as quais estimamos e acarinhamos com um profícuo e bem organizado trabalho em equipa. Qual a sua missão e valores? A missão passa por contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos utentes, através de medicamentos inovadores e das mais recentes propostas terapêuticas, desempenhando um papel importante na I&D que se levam a cabo em Portugal. A responsabilidade social é outra das áreas que colhe a atenção da Tecnifar, com um projeto que conta já com oito anos de atividade e o qual denominamos SMS – Solidariedade Médica e Social. Quanto aos valores, mais do que os enumerar, que é um lugar comum, gostamos de agir com perseverança e coragem, valores bem patentes no crescimento do grupo nos últimos anos. Pautamos a nossa conduta pela lealdade para com os nossos parceiros, utentes e colaboradores, permitindo-lhes a previsibilidade e coerência das nossas ações e posições, face aos temas em que estamos envolvidos.

joão p. sampaio Head of Corporate Development

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São já uma referência na área da saúde... A Tecnifar, a Welance e a IMAG são as três marcas que o grupo detém para cada um dos pilares estratégicos. A Tecnifar, nos medicamentos, a WELANCE no Consumer Health e Self Care e a IMAG, na área de diagnóstico por técnicas de imagem que conta já com 11 clínicas entre o Porto e o Algarve. Atendendo a que o grupo faturará este ano mais do que 40 milhões de euros e serve já mais de 1.000.000 de pessoas por ano, seremos, porventura, uma referência para uma parte significativa da nossa população e não só...


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Em que áreas terapêuticas trabalham? Assumimos as nossas apostas na área do Sistema Nervoso Central, nas doenças Cardiológicas, nas doenças dos Sistema Respiratório, na Diabetes, entre outras, como por exemplo a Ginecologia, Ortopedia, etc. Como referi há pouco, somos uma empresas flexível e com enorme capacidade de adaptação qualquer desafio compatível com a nossa dimensão. O grupo emprega já cerca de 250 profissionais altamente comprometidos com os propósitos estratégicos do grupo e isso é um ativo que nos tem permitido crescer todos os anos, apesar do contexto económico e social em que vivemos.

A aposta em países da África lusófona e no Médio Oriente, nomeadamente com as maiores empresas distribuidoras do mundo árabe é, já hoje, uma realidade no grupo, quer em medicamentos, quer em produtos de Consumer Health. O grupo tem uma força comercial em Moçambique e está a concluir a implementação de uma força de vendas em Angola. O mercado de Cabo Verde, mais pequeno e concentrado, é trabalhado, com excelentes resultados, pela força comercial de Portugal. O grupo espera, no próximo ano, apresentar vendas fora de Portugal num valor próximo dos 10 por cento do volume de negócios do pilar farma do grupo.

alguns países árabes e do Médio Oriente as dificuldades são regulamentares e, numa segunda fase, o acesso ao pagamento atempado para que o fornecimento seja efetuados dentro dos prazos contratados. Por outro lado, noutros países, a grande dificuldade é logística, no âmbito da distribuição capilar dos nossos produtos, de forma a manterem-se stocks suficientes para que os doentes não interrompam as terapêuticas. Temos muito trabalho feito nesse sentido, que hoje, cremos, colocam a marca Tecnifar como um garante de soluções terapêuticas sempre disponíveis em cada um dos mercados, o que se tem refletido em vendas crescentes.

A investigação é uma das áreas mais importantes da farmacêutica. Como se classificam na mesma? Fruto da nossa estratégia de apoio ao I&D nacional, como foi já dito anteriormente, somos os únicos patrocinadores de um novo medicamento biológico específico para o pé diabético que a semana passada recebeu luz verde da FDA para entrar em ensaios clínicos. A Tecnifar foi a única patrocinadora financeira desde projeto que decorre com o patrocínio científico da Technophage. Orgulhamo-nos deste sucesso que partilhamos com a equipa da Technophage.

Como tem corrido esta aposta? A aposta tem corrido muito bem e estamos muito confiantes no crescimento futuro destas apostas. Os dossiers dos medicamentos têm sofrido alterações importantes, no sentido de os tornar mais robustos e prontos para as várias exigências dos países que são os principais alvos das nossas exportações. Nos anos 2015 e 2016 as nossas apostas, para além das atuais, passarão por encontrar e desenvolver novas parcerias europeias, quer em termos de obtermos novos medicamentos para Portugal, quer em termos de licenciamentos de produtos nossos que apresentam inovação em alguns mercados europeus.

Que outros países estão na vossa mira? Como foi referido anteriormente, temos em curso e, nalguns casos, em conclusão, um conjunto de parcerias para o mercado europeu as quais poderão ser conhecidas muito em breve.

A exportação é também já uma realidade da Tecnifar, nomeadamente para os países árabes. Como surgiu esta oportunidade? A exportação tem sido outra das apostas estratégica do grupo, com principal esforço no último par de anos.

Por onde passa o futuro da Tecnifar em Portugal e no estrangeiro? Tenho que responder a esta questão, garantindo-lhe que o futuro do grupo passará por onde existirem oportunidades de negócios e de desenvolvimento sócioeconómico. O facto de sermos uma empresa familiar, permite-nos trabalhar com um processo de decisão ágil e flexível, apoiado por uma equipa que fará tudo.

Quais as principais dificuldades em vingar nestes mercados? Não existe um padrão assumido de dificuldades. Em

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Pequenos mas Grandes extrafrutas Há 35 anos a comercializar fruta, a Extrafrutas é mais uma das empresas do nosso país que se dedica à exportação. Os gerentes Gilberto Franco e a economista Lucinda Franco, sua esposa, falam-nos dos objetivos e dos desafios da empresa.

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edicando-se, maioritariamente, à produção e comercialização de pêra Rocha, a Extrafrutas, é uma das empresas do setor que viu na exportação um meio para crescer. A Extrafrutas começou por ser uma empresa que comercializava fruta nacional nos mercados tradicionais. Na década de 90, a empresa optou por complementar a sua atividade com a importação de frutas. Na viragem do século, verificaram-se alterações ao mercado que levaram a que a estratégia da empresa fosse adaptada à nova realidade, sendo que, gradualmente se tivesse abandonado a importação, enveredando pela via da produção de pêra Rocha, no sentido de garantir o aumento da oferta de exportação, refere Gilberto Franco. A Extrafrutas, atualmente, dedica-se à produção e comercialização de pêra Rocha. “Contamos com mais de 40 hectares de produção própria e em conjunto com os nossos fornecedores e parceiros, deveremos

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chegar quase aos 100 hectares de produção. Apostamos na produção intensiva e, para isso, temos investido anualmente em equipamentos modernos e adequados ao bom desempenho da nossa atividade, nomeadamente, plataformas de colheita e um sistema de calibragem”, explica o gerente. A exportação é a grande aposta da Extrafrutas nestes últimos anos. Brasil, Canadá e França são os principais mercados com que trabalham, mas não descartam outros destinos. “Estamos a tentar já há algum tempo entrar no mercado árabe. É muito complicado, temos de fazer várias diligências até que o negócio se concretize. São mercados com culturas muito diferentes da nossa, o que dificulta a sua abordagem.”, refere Lucinda Franco. Gilberto Franco reforça a ideia, dizendo que o Dubai é uma referência, visto que é a porta de entrada para o universo de muitos países árabes, onde existe de fato a possibilidade de efetivar elevado volume de negócios,

uma vez que à potencial económico e de consumo. Quando questionados acerca da aposta nos PALOPS, respondem “apenas temos um cliente em Angola. É um mercado que está a ficar muito visado mas que, sem dúvida alguma, é uma das apostas que queremos fazer no futuro. Atualmente, queremos dinamizar e melhorar os mercados onde estamos presentes. É importante reforçar as relações com os clientes existentes, na perspectiva de consolidar a nossa posição e até aumentar o volume de negócios, aproveitando as sinergias existentes”. Relativamente à realidade do setor agrícola no nosso país, Lucinda Franco diz que “ainda há muito a fazer, mas noto sem dúvida, grandes melhorias. Por exemplo, o fato da fileira da pêra Rocha demonstrar capacidade de organização e mobilização (associações, presenças em feiras internacionais, colóquios, etc), o que nos orgulha e permite concluir que estamos no caminho certo, rumo


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ao futuro da atividade. De salientar a importância do sector para a nossa economia, e que na campanha 2013/2014 conseguiu passar a barreira dos 100 milhões de quilos de pêras exportadas”. Quanto a objetivos futuros, a Extrafrutas pretende continuar a apostar na inovação como sempre tem feito. A empresa está devidamente apetrechada de equipamentos para poder processar a nova produção que estimam poder atingir três milhões de quilos de fruta. Para concluir, Gilberto Franco define a Extrafrutas como “uma empresa perfeitamente instalada e enraizada no setor, sempre consciente da realidade dos mercados e da atividade em que estamos inseridos. Tentamos sempre inovar e fazer melhor que no ano anterior. Há sempre coisas a melhorar, sempre novidades no mercado e temos de ter a capacidade de absorver isso tudo sempre de acordo com a nossa realidade. Somos uma empresa de pequena dimensão, mas contribuímos com a nossa experiência e saber em prol da melhoria de toda a fileira”.

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solicitadores e agentes de execução

U

m profissional de solicitadoria desempenha funções em consulta jurídica, acompanha e representa os interesses dos cidadãos ao nível singular ou coletivo, junto dos tribunais, bem como administração fiscal,

cartórios notariais, conservatórias dos registos prediais, comercial, civil, autarquias locais e muitos outros órgãos e repartições públicas. Perante a necessidade de dar resposta a uma sociedade cada vez mais exigente, surge o profissional de agente de execução, em que é possibilitado aos solicitadores e advogados, após uma formação específica e comum a ambos, as competências da generalidade de diligências de execução, nomeadamente penhoras, citações, notificações, despejos e arrestos. Para a edição de agosto, a Revista Business Portugal esteve à conversa com a associação de agentes de execução. Uma conversa muito interessante onde foram enumeradas dez medidas urgentes para resgatar a dignidade da classe, bem como as vantagens inerentes à criação da ordem dos agentes de execução.

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Em prol da defesa de uma classe Associação dos agentes de execução Insatisfeitos com o desempenho dos dirigentes da Câmara dos Solicitadores, no que concerne à defesa dos direitos e interesses dos agentes de execução, Francisco Duarte e outros três colegas de profissão decidiram criar a AAE - Associação dos Agentes de Execução. Sobre a referida associação, conversamos com o presidente da direção, Francisco Duarte.

francisco duarte Presidente da direção

“A

Associação dos Agentes de Execução não foi constituída contra nada nem contra ninguém! A AAE foi constituída para que todos os agentes de execução possam dizer que têm o seu próprio espaço, uma associação dedicada exclusivamente a eles”, começa por nos referir o nosso interlocutor. Neste sentido, Francisco Duarte afirma que é propósito da associação que encabeça “promover a institucionalização de uma associação pública que exerça a regulação não estadual, mas de natureza pública, da atividade dos agentes de execução, bem como a criação do estatuto profissional”. Assim e segundo o nosso entrevistado, “a finalidade última da AAE é extinguir-se quando se conseguir induzir a Tutela a criar a Ordem dos Agentes de Execução. Há uma necessidade urgente de criar uma estrutura própria

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dos agentes de execução, à semelhança do que existe noutras classes, como os solicitadores, advogados, notários, médicos ou arquitetos, como acontece em praticamente todas as profissões liberais”. Sendo já a AAE uma entidade reconhecida na sua classe, este pretende “provar que não existem intocáveis nem assuntos tabus na sua classe”. De acordo com Francisco Duarte, esta classe tem-se vindo a tornar refém de um sentimento de medo e impotência enorme que é urgente combater. Por isso mesmo, existe a necessidade de consolidar a estrutura desta associação, na qual serão simultaneamente criados suportes informáticos de profunda utilidade para os profissionais da classe. Além de um site, uma revista informática e algumas equipas que facultem aos colegas de profissão o que estes necessitarem.

Finalmente, Francisco Duarte e a sua equipa mantêm na mira o seu grande sonho, a criação da Ordem dos Agetes de Execução. “Se, eventualmente não chegarmos lá, pretendemos fazer com que a AAE tenha condições para sindicar a Câmara dos Solicitadores no que diz respeito ao Colégio da Especialidade dos Agentes de Execução”. As diferenças de opinião entre os dirigentes da AAE e os dirigentes da Câmara dos Solicitadores são do conhecimento público, até porque o presidente da direção da AAE afirma que “se a justiça falasse, todos iriam saber a enorme e principal responsabilidade que a Câmara dos Solicitadores tem tido em tudo o que de negativo aconteceu no percurso e desempenho da atividade e profissão de agentes de execução, nos seus mais de dez anos de existência”. Segundo


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Francisco Duarte, a Câmara dos Solicitadores insiste em considerar que o exercício da profissão e atividade de agente de execução não passa de uma especialidade dos solicitadores, “uma leviandade que a Câmara dos Solicitadores cometeu e comete porque oportunisticamente lhe convém”.

Ferramenta ineficaz

imprescindível…

mas

O SISAAE/GPESE é a plataforma informática que a Câmara dos Solicitados desenvolveu para uso exclusivo e legalmente obrigatório dos agentes de execução. “Tal plataforma tem-se mostrado, desde a sua criação até à atualidade de uma ineficácia constrangedora e a maior fonte dos problemas diários dos agentes de execução, uma vez que estão legalmente obrigados a trabalhar com ela”, diz o presidente da AAE. O nosso entrevistado sugere fazer-se, através de uma entidade independente, um estudo sobre o impacto profissional e pessoal desta da AAE diz que “foi praticamente inexistente e de caráter meramente punitivo”. De acordo com o nosso interlocutor, uma vez que a Câmara dos Solicitadores não facultou à classe dos agentes de execução mecanismos para agir de acordos com os preceitos normativos, “Como é que se pode punir se não se ensinou nem se proporcionaram as condições necessárias?”, questiona, complementando “concordo, isso sim, com uma fiscalização preventiva e, fundamentalmente, pedagógica. A situação chegou a tal ponto que a Tutela se viu na necessidade de criar a CPEE, um órgão que, apesar de se pretender independente, continuou na esfera da Câmara dos Solicitadores, de quem dependia orgânica e economicamente. A CPEE foi, recentemente, substituída pelo CAAJ (Comissão para o Acompanhamento dos Auxiliares da Justiça). Esta nova estrutura de fiscalização herdou todas as competências, estrutura e pessoal da extinta CPEE. Ainda é uma caixinha de surpresas, mas continua a cometer o erro mesma plataforma. “Muitas multas que nos têm sido aplicadas pelos juízes resultam da ineficácia do GPESE e a impossibilidade de podermos cumprir as nossas obrigações. Perante os mandatários estas questões têm impactos de imagem profissional e psicológicos relevantes”. Em alternativa, Francisco Duarte sugere o uso do CITIUS, como ferramenta de substituição do GPESE, uma vez que este já é utilizado por todos os restantes operadores da justiça relacionados com a ação executiva. Para que o CITIUS substitua com maior eficácia “este cego, surdo e mudo que é o SISAAE/GPESE bastaria a Tutela permitir o acesso direto às bases de dados que são propriedade do Estado”.

A importância da fiscalização No que diz respeito à fiscalização, corporizada inicialmente pela Câmara dos Solicitadores, o presidente

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de não respeitar a lei no exercício da sua atividade! Não me parece que quem fiscaliza possa levar seis meses para elaborar um relatório de fiscalização. No entanto, há que apoiar e dialogar com esta estrutura para encontrar o melhor caminho entre a aridez da implementação das boas práticas, pela Câmara dos Solicitadores, pois nem formou, nem criou uma ferramenta fiável e eficaz e muito menos criou procedimentos que pudessem e devessem ser praticados por todos os agentes de execução. Afinal, tem sido um salve-se quem poder! Só espero que o atual presidente do CAAJ não venha a ser boicotado pela Câmara dos Solicitadores, como foi Paula Meira Lourenço, enquanto presidente da CPEE. Em conclusão, espero que o CAAJ, para além de fiscalizar, se preocupe, principalmente, em criar condições para, preventivamente, incutir uma série de boas práticas que impeçam e inibam, o agente de execução, de atuar em sentido inverso. Tem sido essa a atuação que a AAE tem vindo a ter com o CAAJ, com quem, desde sempre, vem mantendo uma relação de cordialidade e respeito, esforçando-se por encontrar plataformas de entendimento.”

E o futuro? O presidente da direção da AAE pretende provar aos seus colegas de profissão que com coragem e firmeza não existem limites para os que desejam um futuro mais risonho para esta sua classe. Sob esse pressuposto, Francisco Duarte, delata, ainda, a inflação da justiça. A chamada taxa do grande litigante é aplicada a quem, no ano transacto, tiver interposto 200 ações executivas. Assim, no ano que se segue, por cada nova ação terá de pagar “só” uma taxa no montante de 51 euros, sem possibilidade de recuperação. O nosso interlocutor acredita que esta realidade é ilegal e inconstitucional. “A Câmara dos Solicitadores em vez de lutar contra esta taxa, assumiu uma posição fingida. Apesar de se dizer contra a taxa, é a Câmara quem cobra, gere e beneficia em ¼ dessa quantia”, finaliza.

As 10 medidas urgentes, recomendadas

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por Francisco Duarte para “resgatar a dignidade da classe” 1. Que as sociedades de agentes de execução possam vir a ser nomeadas, como qualquer agente de execução e, com isto, evitar-se a necessidade de liquidar escritórios, por morte, doença ou até por muitas outras razões, garantindo-se sempre a continuidade da mesma estrutura e a tramitação processual, sem sobressaltos; 2. Nenhum agente de execução ou sociedade de agentes de execução, pode ter mais do que uma certa percentagem de processos parados, por culpa própria (defendo 10 por cento, mas este valor deve ser discutido); 3. Criar-se um rácio por agente de execução e colaborador, de tal modo que a quantidade dos processos recebidos, por cada profissional, seja proporcional à sua estrutura; 4. O dinheiro gerado pela nossa atividade (procuradoria, protocolo BCP, taxa grande litigante, quota, etc.) deverá ser aplicado numa política de pleno emprego na nossa classe: A) A Ordem dos Agentes de Execução ou o Colégio da Especialidade dos Agentes de Execução deverá

promover a inclusão dos novos colegas que não têm trabalho, designadamente nas sociedades de agentes de execução mais antigos e subsidiar a sua remuneração para, ao fim de dois ou três anos, o colega acabar por se integrar na estrutura em que já trabalha ou abandoná-la, já com uma visão do mercado que o espera. B) Quanto aos colegas mais antigos que estão sem trabalho – porque os há, e alguns desde 2003 – deverá fomentar-se a criação de sociedades entre esses colegas, subsidiando, inicialmente, as despesas de estrutura e angariando clientes ou percentagens de trabalho de grandes litigantes. 5. Foi-nos dada por João Correia a garantia de que o exequente deixa de nos poder destituir, sem justificação, pois esse desejo tem de ser decidido pelo juiz, depois de ouvido o agente de execução; 6. Tarifas iguais para todos nós, ponderando os valores já hoje praticados; 7. Extinção das ‘contas-clientes’, sendo o dinheiro dos exequentes imediatamente depositado em contas destes, criando-se mecanismos que garantam os interesses do exequente e do agente de execução; 8. Extinção da Caixa de Compensações porque é ilegal, injusta, irrazoável e injustificada, e posterior criação de uma quota mensal fixa (que pode ser ‘plafonada’ de acordo com os processos que cada agente de execução possua no fim de cada mês), que serviria para acudir às despesas da estrutura dos agentes de execução e à procura de uma política de pleno emprego (1.000x150=150.000euros/mês); 9. Auditoria do GPESE pelos técnicos que criaram o CITIUS para aferir a possibilidade da sua compatibilidade ou até mesmo a sua substituição, fazendo-se a utilização direta das bases de dados que são pertença do Estado; 10. Só ministrar cursos quando o mercado assim o exigir, sendo o controlo feito pelo Ministério da Justiça e o Colégio da Especialidade, de forma a garantir o pleno emprego. Com estas 10 medidas, Francisco Duarte acredita que seria possível “resgatar a dignidade dos agentes de execução, pois estariam reunidas as condições para voltarmos a ser independentes, imparciais e isentos”.


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“ Qualidade e rigor no cumprimento dos deveres éticos e deontológicos” Agente de execução fernando cunha Com uma localização privilegiada em pleno coração da cidade do Porto, Fernando Cunha dispõe de umas instalações amplamente renovadas na Avenida da Boavista, que ao mesmo tempo o aproximam do setor empresarial e valorizam o seu escritório.

fernando cunha Agente de Execução

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ernando Cunha iniciou o seu percurso profissional como funcionário forense num escritório de advogados ao qual se segui a realização do curso de solicitadoria, e foi um pouco “por acaso” que enveredou pelo mundo da solicitadoria. Exerce a atividade de solicitador há 14 anos, sendo que nos três primeiros anos trabalhou como solicitador generalista. Em 2003 entrou em vigor a chamada reforma da ação executiva, cuja principal mudança foi a criação da figura do solicitador de execução, atual agente de execução, que passou a ter a responsabilidade de efetuar todos os atos do processo de execução: citação, penhora, convocação de credores, venda, entre outros. Desde essa altura que Fernando Cunha desempenha as funções de agente de execução, e passados dez anos de atividade na ação executiva, faz um balanço

muito positivo: “tenho uma posição muito assertiva, diplomática e felizmente tem corrido tudo bem, quer para o credor que consegue recuperar o seu crédito, quer para o agente de execução que também vê satisfeito o seu papel”. Questionamos o nosso interlocutor do porquê da ação executiva? “A ação executiva é, incontestavelmente, um dos capitais de qualquer sistema jurídico. A sua eficiência é uma das mais importantes condições para a credibilização dos agentes económicos e, em geral, é um dos elementos estruturais que contribui para a confiança dos cidadãos na justiça e nas instituições. É por via da ação executiva que os direitos, muitos deles já declarados por sentença transitada em julgado, se tornam efetivos” declarou o agente de execução. Estes profissionais têm como principal objetivo “tentar recuperar o crédito do exequente, que através do processo judicial recorre aos tribunais para ver ressarcido o seu crédito de forma legal” esclarece Fernando Cunha. “Não se pode confundir solicitador com agente de execução. O solicitador de execução ‘morre’ e surge uma nova figura que é o agente de execução. Mas não acredito que tenhamos que extinguir o que quer que seja. Devemos olhar para esta realidade como uma adaptação e uma evolução da atividade” frisou o agente de execução.

Atualmente, a área da execução enfrenta uma situação delicada, uma vez que, se torna difícil recuperar os créditos em tempo útil, dadas as circunstâncias que a economia portuguesa enfrenta, que se traduzem diretamente na diminuição de rendimentos para pessoas singulares e empresas. Nomeados pelos mandatários dos exequentes, os agentes de execução, por norma, atuam a nível nacional, mas, na opinião de Fernando Cunha “o papel do agente de execução passaria pelo papel de agente natural, ou seja, tal como é o princípio do juiz natural, só assim se faria maior justiça a nível nacional na repartição do trabalho para os agentes de execução”.

A atual fisionomia da profissão Em muitos casos por desconhecimento ou por estigma, a solicitadoria ainda é encarada como uma profissão menor, dado o número reduzido de profissionais em relação à quantidade de advogados e também pelo fato de os cidadãos se terem habituado à figura do advogado. “As funções que os solicitadores desempenham quer na solicitadoria generalista, quer na área da ação executiva são tão relevantes como as ações dos profissionais da advocacia” revela o agente de execução. Relativamente ao estado atual da profissão Fernando Cunha admite que o setor atravessa a crise que é transversal ao país, todavia, o papel do agente de execução está em ascensão, “vamos progredindo gradualmente” salienta. A solicitadoria tal como outras áreas profissionais carece de uma atualização constante, deste modo, “a formação deve ser continua e obrigatória, para que haja qualidade e rigor no cumprimento dos deveres éticos e deontológicos” concluiu o agente de execução.

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“O profissionalismo é fundamental” Solicitadores josé ribas e orlanda albuquerque Um companheirismo de longa data, e com visões muito semelhantes da profissão, a Revista Business Portugal esteve à conversa com José Ribas e Orlanda Albuquerque, de modo a perceber qual a visão da atividade em que estão inseridos, bem como quais as principais dificuldades com que se deparam no dia a dia.

josé ribas e orlanda albuquerque Solicitadores

Enquanto profissionais costumam brincar afirmando serem “uma espécie de dois em um”. Valorizam a constante troca de impressões, e encaram o trabalho de equipa como um aspeto de diferenciação do escritório. José Ribas, solicitador e agente de execução, além da colega Orlanda Albuquerque, solicitadora e licenciada em direito, possui mais duas colaboradoras no seu escritório. “Juntos trabalhamos para um só objetivo e a qualidade dos nossos serviços é um dos fatores diferenciadores, pois estamos ao lado do nosso cliente sempre e quando ele mais necessitar”, confidenciou José Ribas. Questionado sobre o porque da escolha de solicitadoria como atividade profissional, José Ribas revelou: “creio que foi no último ano em que o curso foi lecionado na Câmara dos Solicitadores, antes de passar a ser lecionado nas universidades. O curso decorreu entre 1999-2002. Posteriormente, no ano de 2008, especializei-me em agente de execução. Considero que esse foi o grande passo. O meu início da carreira de solicitadoria aconteceu numa empresa que se dedicava a outra atividade, mas que possuía muito trabalho de

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solicitadoria o que resultou numa experiencia muito gratificante em que aprendi e cresci muito enquanto profissional. Atualmente possuo um escritório com mais três colaboradoras, nomeadamente Orlanda Albuquerque”. Como tem acompanhado a área dos solicitadores e profissionais de agentes de execução em Portugal? JR: Tem sido gratificante. Já acompanhamos várias reformas do processo executivo. Temos acompanhado sempre a situação com grande esforço, pois esta alteração da legislação tem levado a grandes alterações do processo executivo, que nos obriga a estar constantemente em atualização para que não se cometam erros, e para que os processos corram da melhor forma. Sente que as pessoas já estão mais consciencializadas do tipo de serviço que os profissionais de solicitadoria estão capacitados para fazer?

OA: Se por um lado, atualmente, a área da solicitadoria tem vindo a crescer, por outro lado é uma área que ainda não tem grande procura. As justificações não recaem propriamente na falta de consciencialização das pessoas dos serviços que os profissionais de solicitadoria exercem, mas em muitos dos casos recaem sobre a procuradoria ilícita, pois há pessoas que se voluntariam para fazer os serviços por metade do preço. A procura existente tem sido muito gradual, à medida que os tempos vão mudando. O facto de atualmente estarmos possibilitados de fazer publicidade é muito importante, no processo de consciencialização das pessoas. Creio que muito em breve seremos conhecidos por aquilo que fazemos, da maneira como fazemos, respeitando sempre a profissão. JR: É importante esclarecer que os profissionais de solicitadoria estão habilitados a exercer a sua atividade em Portugal Continental e nas ilhas. Neste momento, temos processos em todo o país, qualquer advogado independentemente da sua situação geográfica pode nomear-nos para os seus processos.


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O papel de agente de execução nem sempre é encarado pelas pessoas da melhor maneira. De que forma é que o profissional gere essa situação? JR: O agente de execução creio que tenha um papel muito importante, independemente do ato pelo qual vá proceder. Antes de contatar o executado através de uma notificação ou outro tipo de meio, deve esclarecer o que será feito. Esclarecer a pessoa do que irá acontecer e porque irá acontecer. A Câmara dos Solicitadores e a tutela tenham um papel fundamental nessa situação, mas creio que na maioria das vezes o agente de execução é que deve elucidar para a situação em questão. Qual a sua opinião em relação à questão da distribuição e da nomeação dos processos? JR: Atualmente existe muito pouca distribuição. Mas há a nomeação o que representa para nós a gratificação, pois se somos nomeados é sinal que existe reconhecimento do nosso trabalho. Preocupa-me que a Câmara dos Solicitadores esteja a formar profissionais de solicitadoria e de execução que iniciam a sua atividade no mercado de trabalho e que depois não tenham um único processo distribuído, desse modo gostava que a Câmara dos Solicitadores desse uma resposta a esta situação, e explicasse qual o futuro destes colegas que investiram na sua formação e posteriormente não têm oportunidade de exercer e aplicar os seus conhecimentos. A partir do dia 1 de setembro de 2014, irá entrar em

vigor o Pepex. Como encaram esse procedimento? JR: Penso que é um procedimento que irá retirar trabalho tanto a profissionais de solicitadoria como de advocacia. Creio que é um procedimento criado para diminuir as pendencias em tribunal, o que irá evitar é que haja exequentes na pessoa dos seus mandatários a impulsionar em processos executivos que não irão ter qualquer seguimento, pois não existem qualquer tipo de bens para penhorar. OA: Considero que seja uma atitude errada quando neste momento existe executados que se durante um período de tempo não tem bens parar penhorar, não quer dizer que depois não volte a ter, com a atribuição de um herança ou um emprego.

José Ribas e Orlanda Albuquerque são dois profissionais que afirmam amar o que realmente fazem, descrevendose como duas pessoas “completamente realizadas profissionalmente”. Esperam ansiosamente por um futuro estável na solicitadoria, que todo o trabalho seja devidamente reconhecido, bem como o esclarecimento de alguma questão que consideram fulcral: “de que forma os processos são distribuídos e analisados? Porque não deixam os novos profissionais exercer a sua atividade com dignidade?”

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PEPEX só é positivo para os novos agentes de execução Agente de execução maria josé martins Com escritório aberto desde 2006, a agente de execução Maria José Martins, em entrevista à Revista Business Portugal, afirma que “com o procedimento extrajudicial pré-executivo (PEPEX) vai existir distribuição de processos o que vai ser positivo porque vai dar trabalho aos colegas que não o têm”.

bem. Trabalho com advogados de Lisboa e do Porto essencialmente. Nunca me apresentei a ninguém mas o meu trabalho permitiu que me recomendassem.

maria josé martins Agente de Execução

Quais foram as maiores dificuldades que encontrou quando iniciou a atividade como agente de execução? Sinceramente não encontrei grandes dificuldades. Quando abri o escritório não conhecia ninguém, nem tinha nenhum advogado que me recomendasse. No fundo foi um tiro no escuro mas na altura, em 2006, ainda existia distribuição de processos ao contrário do que acontece hoje em que existe maioritariamente nomeação. Hoje os advogados nomeiam um agente de execução mas no passado os processos iam à distribuição do tribunal. Fui conseguindo algum reconhecimento pelo meu trabalho ao longo do tempo e assim consegui que me nomeassem para vários processos. Por isso mesmo hoje posso dizer que estou

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Qual é a sua opinião relativamente ao PEPEX, procedimento extrajudicial pré-executivo? O que acha que vai trazer de novo e que dificuldades podem advir deste novo procedimento? De novo considero que não vai trazer nada. A forma como a ação executiva funciona neste momento, recebemos os processos e fazemos as buscas, permitem-nos ter logo a informação relativa aos bens que o executado tem, no caso de existirem bens, e depois notificamos o exequente que decide se quer avançar ou não para a penhora de bens. O PEPEX vai funcionar nos mesmos moldes. É um processo pré-executivo em que são feitas buscas e é informado o requerente do resultado das mesmas. A partir desse momento, ele decide se quer avançar para o processo executivo. O que considero é que com o PEPEX vai existir distribuição o que vai ser positivo porque vai dar trabalho aos colegas que não o têm. Acho que só neste ponto é que poderá ser positivo. Vantajoso só será para os grandes litigantes, para o exequente dito comum o PEPEX não é expressivo em termos de custos. Acho que este novo procedimento é mais uma forma de tentar contornar as nomeações porque hoje em dia os agentes de execução como já referi são quase todos nomeados pelos mandatários. De que forma é que isso é negativo? Na minha opinião a nomeação não é algo negativo. Gosto de saber com quem trabalho e a relação de maior proximidade permite agilizar os processos. Claro que para os colegas que iniciaram a atividade há pouco

tempo as nomeações não são um sistema vantajoso porque estes novos agentes acabam por não ter trabalho. É então nessa medida que considera que o PEPEX vai ser positivo? Sim, só nessa medida. É uma forma também de “acalmar” os colegas que estão revoltados com as nomeações. Há grandes escritórios de agentes de execução que concentram um grande volume de execuções e depois os restantes colegas que chegam ao mercado para exercer o processo executivo na qualidade de agente de execução ou conhece alguém ou então não consegue manter um escritório. Como classifica o trabalho que a Câmara dos Solicitadores tem vindo a desenvolver? Considero que desde a entrada da atual equipa para o Conselho Geral da Câmara dos Solicitadores os agentes de execução ganharam. Foi criado o iup (identificador único de pagamento) e as referências multibanco que nos facilita o trabalho e permite também algum controlo. As penhoras de saldos bancários foi também um trabalho desenvolvido pela Câmara dos Solicitadores, que já estava prometido há muito, e é um avanço muito positivo. Desde que se implementou esta medida, no final de 2013, foi possível recuperar muitos valores através da penhora de saldos bancários. Foi uma maisvalia e foi esta nova equipa que lutou para que este tipo penhora fosse uma realidade. Para além disso agora há também um melhor acesso a um maior número de bases de dados e esse foi também um trabalho feito por esta nova equipa. Em conclusão pode dizer que as coisas melhoraram bastante e hoje nós, agentes de execução, temos a vida mais facilitada.


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cinfães, um concelho a descobrir

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ma terra originária do lendário Viriato, a vila portuguesa inserida no distrito de Viseu, Cinfães é uma região de inúmeras potencialidades. Um território riquíssimo para o turismo, atraí famílias e grupos de amigos, ideal para quem procura desfrutar de uns dias de tranquilidade, em contato permanente com a natureza. Demarcado por dois eixos morfológicos determinantes, a Serra de Montemuro e o vale do Rio Douro, conferem ao concelho de Cinfães características paisagísticas de uma beleza e diversidade inigualável. Sem esquecer a qualidade de excelência do Rio Bestança, considerado dos rios mais limpos de toda a Europa, às cascatas que conferem uma paisagem única e inesquecível. Um concelho com um forte espirito empreendedor, está atualmente a desenvolver inúmeros projetos na área do turismo, ao qual destacamos o Hotel Rural do Douro a iniciar-se brevemente, e ainda o projeto do núcleo interpretativo do Vale do Bestança e o projeto de Vale de Papas. A Revista Business Portugal viajou um pouco por todo o concelho, e dá-lhe a conhecer alguns pontos turísticos de referência. Com uma hospitalidade de excelência e uma saborosa gastronomia regional para degustar com reconhecidos pratos típicos como a sopa seca e terra de cozido.

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“ Diamante por lapidar” Encosta d’arêgos Álvaro Monteiro Ribeiro é o produtor do vinho Encosta d’Arêgos, produzido e engarrafado na região de Baião. Este vinho carateriza-se como um branco de atrativa presença citrina (lima, toranja), a par de elegantes notas de frutos tropicais e leve vegetal de folhas. Muito equilibrado de acidez, com corpo e frescura, bem atrativo. Em entrevista à Revista Business Portugal, o produtor falou do seu projeto e do estado do setor vinícola. Para outros, uma minoria é uma paixão. Na minha opinião, julgo que cada vez mais não podemos estar no negócio do vinho só por paixão. Face aos elevados investimentos que a produção de vinho de qualidade envolve, a atividade do vinho tem de ser encarada como um negócio, caso contrário torna-se insustentável. O ideal será que como tudo na vida o negócio do vinho também envolva paixão.

Como é que nasce o projeto Encosta d’Arêgos? Este projeto nasce essencialmente da necessidade de manter e rentabilizar o património vitícola existente, assim como, de explorar as potencialidades da casta avesso, considerada uma das melhores castas brancas da Região dos Vinhos Verdes. Quais são, no seu entender, as potencialidades da casta avesso? Trata-se de uma casta regional, cujo cultivo se circunscreve práticamente à Região de Baião, (fronteira com a Região do Douro), encontrando aqui e em certos micro-climas condições favoráveis para o seu cultivo. Como o seu próprio nome indica, é uma casta do avesso, do contra. Requer bastantes cuidados quer no seu cultivo, quer na elaboração do seu vinho. Quando bem vinificada, dá origem a vinhos únicos, estruturados e frescos, de bom potencial alcoólico e capacidade de guarda, sendo capaz de envelhecer em garrafa de forma surpreendente, atingindo todo o seu explender ao fim de 2/3 anos. Como encara a atividade do vinho? Negócio ou paixão? Esta pergunta encerra duas respostas. Para a maioria dos produtores esta atividade é encarada como um negócio.

Em termos comerciais como tem sido o seu desenvolvimento? Atualmente o negócio assenta em quatro segmentos: venda a particulares; restauração; exportação; e distribuição (pequena). O objetivo, no médio prazo, será o de exportar 50 por cento da produção.

Onde é possível encontrar o Encosta d’Arêgos? Pode ser encontrado nas garrafeiras da especialidade, restauração e claro está na própria adega. Priviligiamos a venda a particulares na própria adega, porque é uma oportunidade de poder mostar a quem nos procura, quem somos, o que e como fazemos. Atualmente como está o setor do vinho em Portugal? O setor do vinho em Portugal está a despertar, não pelo consumo interno mas pela exportação. A nível do consumo interno, verificamos bastantes fragilidades, pois proliferam vinhos de baixo preço que influenciam

o consumo de vinhos de qualidade. Em termos de exportação temos assistido ao seu incremento, com preços mais atrativos do que os vinhos dos mercados tradicionais nomeadamente os do velho mundo (França em especial) e que está a rivalizar com os vinhos do Novo Mundo (Chile, Argentina, Austália, Nova Zelandia etc.). Os vinhos verdes de qualidade, dada a sua boa relação qualidade/preço e pelo facto de serem únicos, têm tido um incremento da procura externa, dada, como referi a boa relação qualidade/preço, originando atualmente uma quota de mercado de exportação de 40 por cento.

O que é necessário para dar mais visibilidade à Casta Avesso e consequentemente à Sub-Região de Baião? Sendo uma casta cujo cultivo se circunscreve à Subregião de Baião e ainda não muito divulgada, teremos de, em minha opinião, dar atenção aos aspetos que se seguem. Em primeiro lugar, devemos ter sempre a preocupação de fazer vinhos autênticos, em que não sejam desvirtuadas as potencialidades da casta. Só assim conseguiremos mostar as suas qualidades. Por outro lado, a qualidade implica sempre um preço justo e adequado à mesma. Não podemos dizer que produzimos o melhor “vinho do mundo”, quando a seguir estamos a pedir pelo mesmo um preço que mal remunera a garrafa e a vestimenta. Um vinho com um preço baixo terá sempre a seu lado um concorrente. É mau para o produtor que não vê o seu esforço recompensado, e para a imagem da casta e da própria Região. Dada a reduzida área de implantação desta casta, julgo que seria benéfico para todos a união dos produtores através da dinamização da já criada Associação dos Produtores de Avesso de forma a poder-mos falar a uma só voz e divulgar os nossos vinhos nos mercados escolhidos para o efeito, através de feiras etc. Todos sairíamos a ganhar.

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Com sabor a terra e a serra Encosta do moinho Na rusticidade da aldeia da Gralheira, no cimo da Serra de Montemuro, encontramos o local ideal para apreciar os bons pratos da típica cozinha regional portuguesa. O restaurante Encosta do Moinho transporta-nos para tempos ancestrais e oferece-nos verdadeiros sabores a terra e a serra. Venha connosco conhecer este espaço de referência na região e viajar por entre sabores e aromas, num espaço que faz questão de preservar e defender a tradição da cozinha regional da Serra de Montemuro.

taberna, onde serviam pequenos petiscos serranos, mas sem um espaço apropriado para servir refeições, era na sua própria casa que o Sr. Amadeu e a esposa, há 40

António neves Gerente

E

ntre um cozido à portuguesa, um borrego ou um cabrito assado em forno de lenha ou ainda uma bela costeleta de vitela de raça arouquesa, aqui tudo é servido com um gosto que nos conforta a alma… e o estômago. É considerado por muitos o melhor restaurante da região e as imensas excursões que vêm dos mais variados pontos do país só para aqui provarem uma iguaria comprovam-no. A primeira camioneta chegou há 20 anos, provinda de Vila Franca de Xira. E desde então, o rol de excursões gastronómicas nunca mais parou. Mas recuemos no tempo para conhecermos como nasceu esta casa. António Neves, natural de Lisboa, desde cedo foi desafiado pelo seu sogro, Sr. Amadeu, a abrirem conjuntamente um restaurante na aldeia da Gralheira. Dar a conhecer as iguarias gastronómicas da região foi um desejo que o ‘Ti’ Amadeu, como gentilmente é conhecido, sempre teve. Proprietário de um pequeno estabelecimento comercial, mercearia e

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anos, atendiam aos pedidos de quem não dispensava subir à serra e apreciar o que de melhor esta tinha para oferecer a nível gastronómico, o cozido à portuguesa ou, melhor dizendo, o cozido à Gralheira. Com o propósito de responder a todos os pedidos, surgiu a necessidade de construir um restaurante moderno e aprazível, capaz de proporcionar conforto e acolher um número maior de clientes. E há 20 anos António Neves atendeu ao seu pedido e em conjunto construíram este restaurante. Deixou Lisboa para trás, assim como um emprego com

uma carreira promissora e voltou às origens da sua esposa, de onde não pretendem sair.

E assim se conta o início da história de uma casa que ficará na história da Gralheira e na memória de todos os que por lá passaram. Atualmente, o Encosta do Moinho conta com duas salas com capacidade para 50 e 130 pessoas, além de um espaço ao ar livre, que convida às pizzas cozidas em forno de lenha que são também já características desta casa. Em cada prato reconhecemos o aroma dos produtos da terra e da serra, como são exemplo as tronchudas, as batatas, o borrego, o cabrito, a vitela arouquesa e os enchidos, feitos artesanalmente pela esposa do Sr. Amadeu. Aqui, tudo é genuíno e com o selo de qualidade ancestral que a serra imprimiu nos genes dos produtos que aqui se produzem. O arroz de enchidos, criação da casa, já foi inclusivamente premiado e mereceu honras de uma conceituada revista de culinária, além de já ter marcado presença em várias edições. Além de um almoço familiar, o Encosta do Moinho recebe e organiza almoços e jantares empresariais,

assim como outras festividades. É aconselhável fazer reserva prévia. Este é um ponto de passagem obrigatória na sua próxima viagem à Serra de Montemuro.


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Na Princesa da Serra Casas de montanha Escolher o melhor local para recuperar de um ano de trabalho é um desejo comum a todos nós. Ter a oportunidade de optar pelo empreendimento Casas de Montanha da Gralheira é uma oportunidade que não deve perder nas suas próximas férias.

A

s Casas de Montanha da Gralheira, totalmente construídas em madeira, oferecem-lhe a possibilidade de passar uns dias de descanso em perfeita harmonia com a natureza. Localizadas na aldeia da Gralheira, também conhecida como a ‘Princesa da Serra’, bem no cimo da serra de Montemuro, as Casas de Montanha da Gralheira vieram suprimir a falta de alojamento existente por estas altitudes. Há três anos, António Neves, mentor deste projeto, sentiu ser chegada a altura de aumentar a oferta turística nesta pequena aldeia e permitir que os que aqui vêm possam desfrutar de uma estada confortável, em plena natureza. A opção por casas totalmente construídas em madeira advém da possibilidade destas proporcionarem uma vida mais saudável, agradável e descontraída.

E assim nasceram as Casas de Montanha da Gralheira. Atualmente são duas, mas António Neves pretende fazer crescer este número brevemente. Por serem construídas em madeira, o conforto nunca falha. Quentes no inverno e frescas no verão, estas duas casas de tipologia T1, com capacidade para albergar quatro pessoas em cada uma são a solução ideal para quem quer passar uns dias na Serra do Montemuro e contactar com a rusticidade das aldeias serranas. Se a família for um pouco maior, não se preocupe. É possível ‘juntar’ as duas casas e transformá-las apenas numa, podendo, assim, acolher todos no mesmo espaço.

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O esplendor da natureza em estado puro Quinta da ventozela Com uma paisagem magnífica, que tem como ator principal o rio Douro, a Quinta da Ventozela assume-se como um local idílico onde o descanso, a tranquilidade, a calma e a paz são o mote para um fim de semana relaxado ou, quem sabe, para umas férias diferentes. Localizada numa zona privilegiada do norte de Portugal, a poucos quilómetros da vila de Cinfães, é possível desfrutar da beleza natural de uma paisagem encantadora, onde a natureza anda de mãos dadas com a humanidade.

A Quinta: mais de três séculos de história A construção da Quinta da Ventozela data de meados do século XVII e, nessa altura, assumiu-se como uma casa senhorial, de dimensões generosas, com vista para o vale do rio Douro. Decorridos mais de trezentos anos, a imponência da casa mantêm-se tal como os principais traços da fachada. Mais recentemente, a Quinta da Ventozela sofreu obras de recuperação, no sentido de preservar a memória de um espaço magnífico. Assim sendo, atualmente, a Quinta da Ventozela é constituída por três casas – a casa principal, a casa da eira e a casa do jardim, num total de oito quartos. Conta ainda com uma capela (datada de 1635), lagares, tanque, horta, uma fonte com água pura e piscina. Desde 2010, o rosto deste projeto é um casal habituado às turbulência da capital portuguesa e que decidiu mudar de vida. “Após um ano de pesquisa por espaços no norte de Portugal encontrámos um outro espaço

no rio Bestança, e depois, por acaso, acabamos por encontrar este espaço, e percebemos que tinha grandes potencialidades” conta-nos Lurdes, uma das responsáveis pela Quinta da Ventozela. Desde então, Lurdes e Vicente têm encetado um grande trabalho de recuperação de toda a quinta, que estava visivelmente abandonada e degradada, no sentido de conciliar o turismo de habitação com a agricultura biológica. “Sempre quisemos ter uma coisa deste género, para receber as pessoas, de forma a que se sintam em casa, com um ambiente confortável e acolhedor”, revela a proprietária.

Sobre o motivo que os encantou nesta região nortenha, Lurdes e Vicente não hesitam em responder. “Foi o património natural deste sitio, que é absolutamente extraordinário, que nos apaixonou e que queremos transmitir às pessoas, uma vez que é desconhecida de grande parte delas” . Motivos não faltam para uma visita à Quinta da Ventozela. Com uma localização central relativamente ao norte de Portugal, é possível realizar passeios de comboio até à Régua, numa viagem agradável, que tem o rio Douro como companhia. Passeios de barco pelo Douro, a descoberta do rio Bestança são outras das atividades possíveis. Com um curso de cerca de 14 quilómetros, este rio é considerado um dos mais limpos da Europa. As suas águas cristalinas, envoltas por uma vegetação paradisíaca, provocam o espanto e o bem-estar de qualquer visitante. Da flora ao longo do vale, destacamse o castanheiro, o carvalho, a amieiro, o freixo e o salgueiro. Da fauna, a truta, a lontra e diversas espécies de pássaros e borboletas.

Projetos futuros Com seis hectares disponíveis para a prática da agricultura, a aposta da Quinta da Ventozela para os próximos anos passa por rentabilizar os terrenos com a produção de alimentos em regime de agricultura biológica. Atualmente, contam já com dois hectares plantados de mirtilos, que estarão já em plena produção no próximo ano. A certificação dos produtos agrícolas da Quinta é outro processo que está em curso, fator indispensável na produção de caratér biológico. A exploração do medronho, que nasce naturalmente um pouco por toda a propriedade, bem como,a recuperação do castanheiros são outras das apostas para o futuro. Para mais informações visite http://www.quintadaventozela.com

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Boassas – um lugar, dois projetos a descobrir Quinta do outeiro Em Boassas, Cinfães, a Quinta do Outeiro reserva uma casa de turismo rural que convida a umas férias de sonho, a casa do Lódão. Na aldeia vizinha, o Lodeiro, nascerá brevemente um hotel rural, o ArsDurium Douro Hotel. Este é o resultado do empreendedorismo de Manuel Carlos Cerveira Pinto, um dos sócios gerentes da empresa ArsDurium, ligada ao alojamento e atividades turísticas.

O

portão de metal verde está aberto e convida a entrar. À porta pode ler-se ‘Quinta do Outeiro’. Pelo caminho de pedras que encaixam como num puzzle vamos vislumbrando uma casa toda em pedra, que nos faz recuar no tempo. Por cima de nós as videiras deixam ter um pouco de sombra neste dia quente encobrindo de surpresa o nosso destino a Casa do Lódão. Precipitamo-nos ao encontro de Maria Alice Cerveira Pinto e do filho, Manuel Carlos Cerveira Pinto, que já nos aguardam à porta enquanto fitam a piscina bem apetecível. Batemos. Eduarda Marinho chega apressada para nos receber. É a hóspede que escolheu esta como a sua casa de campo por uns dias. Vai ficar 15, conta-nos. Quatro já lá vão. Habituada a fazer turismo rural, há mais de 12 anos, garante que este lugar tem encantos únicos: “Fecha-se os olhos e só se ouve a natureza. É um sítio muito bom para descansar do stress da cidade e esta casa para além de estar num sítio muito bom, é muito bonita e agradável”. Visitamos a casa. No interior, a arquitetura moderna da responsabilidade do arquiteto Cerveira Pinto, um dos outros filhos de Maria Alice, contrasta com a fachada que mantém os traços de origem. Três quartos, 2 WC, uma cozinha, uma sala de refeições,uma sala de estar

e uma marquise propícia à leitura. Um lugar ideal para umas férias em família, ou para receber visitas “a um preço simpático”, quem o diz é a dona da casa por 15 dias que receberá a filha e ainda outras visitas durante a estadia. A vista lá fora é de cortar a respiração. O silêncio é pontuado pelo barulho da natureza. No verão o verde pinta as montanhas e é quebrado apenas pelo azul do rio, no outono as cores das folhagens dão uma paisagem nova a cada dia que passa e no inverno tudo fica mais branco. Razões que cheguem para que quem cá vem volte, diz Maria Alice Cerveira: “Temos vários clientes que vêm mais do que uma vez, quer nacionais, quer estrangeiros”. Deixamos esta casa cujo nome foi dado devido a uma árvore que existe junto a ela e partimos para conhecer um outro projeto desta família, o ArsDurium Douro Hotel.

a alguns entraves que têm sido criados”. Numa altura em que os investimentos em Portugal escasseiam e, nestas regiões são quase sempre nulos, Manuel Carlos pede uma maior colaboração da Câmara, entenda-se serviços técnicos,para a resolução de alguns pequenos obstáculos que têm impedido a finalização deste projeto. Entramos no hotel. Está quase tudo pronto. Faltam

Um novo hotel prestes a nascer Chegamos ao local onde o ArsDurium Douro Hotel já tem forma ( o percurso poderá ser efetuado através de um caminho ao longo da Quinta do Outeiro. O projeto idealizado em 2008 por Manuel Carlos Cerveira Pinto, já deveria estar concretizado mas burocracias e alguns entraves atrasaram a conclusão dos trabalhos. Com 10 quartos, campo de jogos , piscina interior aquecida, jacuzzi, zonas de lazer e 100% autónomo a nível energético, este criará vários postos de trabalho aquando da sua abertura. Ainda assim algumas barreiras têm sido colocadas o que Manuel Carlos lamenta: “Este é um investimento na região considerado de interesse turístico mas não estamos a conseguir terminar devido

apenas alguns acabamentos. O mobiliário combina com o conceito ecológico e inovador que Manuel Carlos concebeu. Todas as peças foram desenhadas a pensar neste espaço e no seu conceito e até podem ser adquiridos pelos clientes. Os quartos têm janelas de dimensões generosas que servem de moldura a um magnífico quadro do rio e das montanhas. Tudo foi pensado ao pormenor, para que nada choque com o que aqui já existia. Sem uma data concreta de abertura, Manuel Carlos Cerveira Pinto está certo que ainda durante este ano este hotel estará pronto a receber todos os que queiram viver esta experiência única.

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A sua Casa de Campo no Douro Quinta da costeira Recuperada em 2006, a Quinta da Costeira preserva uma traça originalmente rústica que combina na perfeição com o verde das vinhas que cobrem a propriedade e com a deslumbrante paisagem sobre o rio Douro. Ideal para escutar o silêncio e desfrutar da paisagem verde a perder de vista, este é o espaço perfeito para uma férias relaxantes a dois ou em família.

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or trás das paredes de pedra, uma decoração que conjuga o rústico com elementos de modernidade confere um conforto único a quem quiser fazer desta a sua casa de campo. Para além de seis quartos, distribuídos pelos dois pisos da casa, a Quinta da Costeira possuí ainda uma sala de jantar, uma sala de convívio e uma cozinha totalmente equipada onde os hóspedes podem confecionar as suas refeições e relaxar. No exterior, o barbecue e o forno a lenha convidam a refeições ao ar livre e nos dias quentes nada melhor que um mergulho na piscina ou o conforto de um jacuzzi enquanto contempla o douro. Ao final da tarde, os amantes da natureza podem desfrutar de um passeio a pé pela quinta e apreciar de perto as vinhas e o cerejal. Na horta pode colher alguns legumes para confecionar uma refeição com produtos

totalmente biológicos. Razões não faltam para fazer desta a sua casa de campo. A Quinta da Costeira está a sua espera por isso venha até Cinfães e desfrute deste lugar único.

Calçada de Medados 158 Cinfães Portugal 4690-055 Tlf: (+351) 255 563 096 geral@quintadacosteira.pt www.casadacosteira.pt

Descanse com o Bestança aos Pés Quinta do casal de vila pouca Na aldeia multisecular de Vila Pouca, a Quinta da família Pinheiro adotou o nome da localidade e preservou, como ela, os traços que deixam contar histórias de outro tempo. Em pleno Douro, a Quinta Casal de Vila Pouca está situada no Vale do rio Bestança, o rio que se garante ser um dos menos poluídos e mais belos da Europa.

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om duas casas individuais, cada uma com dois quartos, e mais uma casa principal com sete suites, a Quinta Casal de Vila Pouca oferece um ambiente familiar e acolhedor, garante Pedro Pinheiro, filho dos proprietários: “Este projeto não foi pensado como um negócio mas como uma atividade que permite aos meus pais estarem ativos nesta fase das suas vidas em que já estão afastados da vida profissional que tinham e é ao mesmo tempo uma forma de conseguirmos manter a quinta como um lugar agradável que queremos mostrar, dar a conhecer e a desfrutar aos nossos clientes”. De portas abertas há um ano e meio, Pedro Pinheiro faz um balanço positivo deste arranque embora garanta que ainda não atingiram as expetativas: “O primeiro ano ainda foi de arranque e por isso ainda não tivemos tantos clientes como gostaríamos. Este verão promete trazer mais clientes mas temos que pensar em formas para dinamizar também o Inverno para que este seja um projeto com sucesso o ano inteiro”. Para isso, está já pensada a construção de um mini spa

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para atrair clientes nos meses mais frios. Para já o calor convida a um mergulho na piscina, uma refeição ao ar livre com uma paisagem deslumbrante sobre o vale ou a um passeio junto ao rio. As opções são várias mas Pedro Pinheiro reforça a necessidade das casas de turismo rural se unirem para oferecer juntas outros serviços e mais dinamismo a toda a região. Por agora fica o convite para que visite a Quinta Casal de Vila Pouca e venha desfrutar das maravilhas deste lugar que tem o rio aos pés.

Rua de Vila Pouca, 454 4690-897 Cinfães Tlm: (+351) 914 202 220 quintacasalvilapouca@gmail.com www.quintacasalvilapouca.com


varanda de lisboa restaurante do hotel mundial galardoado

O Restaurante Varanda de Lisboa foi um dos vencedores do certificado de excelência 2014 pela Tripadvisor, tendo como base as boas avaliações e opiniões recebidas no decorrer do ano de 20013, através dos viajantes da Tripadvisor. Este é apenas mais um galardão que vem, uma vez mais, afirmar a qualidade e excelência deste restaurante que é já um ex-libris da cidade de Lisboa. No último andar do Hotel Mundial, com uma vista deslumbrante sobre a cidade, o restaurante panorâmico apresenta um serviço de cozinha tradicional, não esquecendo a vertente internacional num ambiente requintado e acompanhado ao jantar por música de piano. O Hotel Mundial, recebeu ainda, um certificado de excelência desta vez do Holidaycheck.

Praça Martim Moniz 2 • 110-134 Lisboa, Portugal Tel. 218 842 000 • Fax. 218 842 110 • reservations@hotel-mundial.net

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portugal sou eu

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ortugal somos todos nós. Portugal é cada um de nós. ‘Portugal Sou Eu’. Este é um programa que sucedeu ao ‘Compro o que é Nosso’ e que foi aprovado pela resolução do conselho de ministros 56/2011. É um programa do Ministério da Economia que visa valorizar e dar visibilidade aos produtos com selo nacional. Este programa alicerça-se numa estratégia económica que surgiu numa altura em que, tal como hoje, a economia nacional enfrenta um conjunto de desafios, incluindo-se a dinamização do seu tecido empresarial, uma aposta na formação e qualificação da mão de obra e desenvolvimento de novos processos produtivos. Este programa, através de diversas iniciativas, procura melhorar a competitividade do país, e contribuir para o equilíbrio sustentado da balança comercial. O ‘Portugal Sou Eu’ tem o objetivo de aumentar a produção nacional através da dinamização do mercado interno, mas contribuindo também para criar condições para aumentar o número de empresas com implementação em novos mercados, nomeadamente, de nível internacional. Assim sendo, qualquer organização ou instituição, pode aderir a esta iniciativa nacional tornando-se, assim, consciente da importância que a valorização da produção portuguesa e da sua representação para a sustentabilidade económica e a criação de emprego em Portugal.

Cambres │ 5110-424 Lamego │ Portugal www.quintadapacheca.com

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apoio no desenvolvimento empresarial AirV - Associação Empresarial da Região de Viseu A AIRV tem como principal objetivo representar e defender as empresas e os empresários da região de Viseu, apoiando-os nos domínios técnico e económico, inovação, qualidade, ambiente, internacionalização, informação e formação, de modo a tornar o tecido empresarial cada vez mais competitivo. Fundada em 1982, esta instituição é liderada por João Cotta que vai já no seu terceiro, e último mandato, à frente da AIRV. “Foi um privilégio poder trabalhar com esta equipa fantástica, o que se traduziu numa experiência muito enriquecedora”, afirma o presidente. Em entrevista à Revista Business Portugal falou dos desafios da instituição e dos projetos para o futuro. desta diversidade de empresas. Por outro lado, o valor acrescentado bruto das nossas empresas é menor, o que traduz uma necessidade de melhor gestão, mais produtividade e de maior inovação.

João cotta Presidente

Em outubro, a AIRV comemora 32 anos de existência. Que balanço faz do trabalho desenvolvido pela instituição? O balanço é claramente positivo. Hoje, somos uma instituição respeitada, com mais de 800 associados e gozamos de uma excelente reputação, quer a nível regional, quer a nível nacional. Tudo o que a AIRV faz, procura fazer bem feito. Atualmente, é a voz dos empresários e procura dar credibilidade ao tecido empresarial da região. O ano passado foi constituído o CERV - Conselho Empresarial da Região de Viseu, que é uma cúpula associativa que começou por englobar a AIRV e a Associação Comercial do Distrito de Viseu, tendo depois entrado a Associação Empresarial de Lafões e a Associação Empresarial de Mangualde. Por enquanto, o CERV é uma associação das associações mas o objetivo é ir mais longe. Se o entendimento das associações for esse, o caminho pode ser a fusão. Que caracterização faz do tecido empresarial da região de Viseu? É um tecido empresarial muito diversificado, em que não dependemos de um único setor. Obviamente que temos empresas muito importantes, dos mais variados ramos de atividade, nomeadamente saúde, turismo, lazer, indústria automóvel, farmacêutica, agroalimentar e serviços. Penso que está também a existir uma grande renovação do tecido empresarial, fruto das circunstâncias, e que se reflete na continuidade das empresas mais preparadas e, por outro lado, no fecho de outras. É de notar que na região de Viseu e na região centro temos um desemprego abaixo da média nacional, tal como em toda a zona centro, fruto

Quais são atualmente os principais desafios com os quais se deparam? Existem seis grandes desafios: capacidade de gestão, qualificação, fomento da capacidade empreendedora, financiamento, dimensão e procura de novos mercados. O grande desafio é a qualificação dos colaboradores e dos empresários para melhorar a capacidade de gestão dos próprios empresários e o aumento da produtividade. A meu ver, os empresários ainda acreditam pouco na qualificação, quer deles próprios, quer dos seus colaboradores. Estes dois aspetos influenciam muito a capacidade de inovação das empresas e de se afirmarem. A qualificação e as competências diferenciadas são um motor do empreendedorismo. Desenvolvemos inúmeras iniciativas para fomentar o empreendedorismo. Acredito que esta aposta no empreendedorismo irá dar frutos a médio-longo prazo. Temos duas incubadoras de empresas, criámos o clube ‘Business Angels’, em que algumas das empresas apoiadas estão a dar cartas no mercado nacional e internacional. Temos uma rede regional de empreendedorismo, a funcionar muito bem, fruto da excelente colaboração com a Comunidade Intermunicipal Dão Lafões e com o Instituto Politécnico de Viseu. Por estas razões, a questão da formação e da qualificação é uma das nossas prioridades. A organização de seminários e conferências é intensa, para transmitirmos informação útil aos empresários. Para melhorar a capacidade de gestão e melhorar os processos de decisão, temos serviços de consultoria e jurídicos que prestamos às empresas e temos ainda parcerias com diversos municípios para prestar apoio aos empresários. O financiamento é hoje um problema que está muito ligado à perceção do risco das empresas. Os bancos necessitam de informação fiável para financiar as empresas. Esta informação reduz o risco percebido. Uma empresa bem gerida tem, em geral, um bom reporte, será mais convincente e, por isso, será mais fácil obter financiamento. As empresas têm, em geral, uma dimensão muito pequena, muitas vezes insuficiente para procurar novos mercados. Uma das grandes dificuldades é promover o trabalho em rede de empresas complementares, dado o nosso grau de individualismo. O trabalho em rede dá

dimensão, dá maior ambição e capacidade negocial. Por outro lado, a procura de novos mercados passa por missões empresariais diretas ou inversas. Colaboramos ativamente com a Câmara Municipal de Viseu na organização do encontro dos empresários da Diáspora, que trazem empresários portugueses no mundo a Viseu. A AIRV é também um dos parceiros de apoio às empresas que pretendam aderir ao ‘Portugal Sou Eu’. Que registo faz da adesão dos empresários da região a este programa e quais os motivos subjacentes a esta aposta? Eu penso que está melhor estruturado que o ‘Compro o que é Nosso’, valoriza a incorporação de matéria prima e mão de obra de origem nacional, acho que é um excelente programa. O grande desafio é as empresas saberem trabalhar em rede para irem para o mercado externo. Na região de Viseu, é o setor alimentar que tem o maior número de empresas aderentes ao programa. Quais os projetos delineados para o futuro? Pensamos manter as mesmas apostas: agregação associativa, qualificação empresarial, trabalho em rede, inovação, novos mercados e fomento do empreendedorismo. São prioridades da região e, como tal, são de longo prazo. O CERV está num caminho de afirmação. Penso que as associações empresariais regionais deveriam receber competências delegadas pelo poder central. Algumas das competências das extintas Direções Regionais de Economia poderiam passar para as associações empresariais organizadas a nível da NUT III. A aposta na formação diferenciada e de qualidade é importantíssima, dado que, os baixos salários são incompatíveis com o aumento da produtividade. Os baixos salários não incentivam o investimento e a melhoria de processos. A investigação aplicada é crucial para o futuro das empresas. A aproximação do ensino superior às empresas já deu passos importantes mas é insuficiente. É necessária a fixação de doutorados nas empresas de forma a desenvolverem investigação aplicada, acrescentarem know-how e valor. A criação de escala para a procura de novos mercados é muito importante. Devemos pedir às grandes empresas ‘locomotivas’ que puxem pelas empresas portuguesas mais pequenas. A sementeira de uma mentalidade empreendedora exige muitas sementes, muita persistência. Já começa a dar frutos, mas daqui a 5-10 anos estes serão seguramente muito importantes.

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A tentação mora aqui Chocolateria delícia Manuela Soares e o seu marido, Ilídio Oliveira, sempre souberam que o que é nacional é bom. Foi este lema e o carinho pelas guloseimas de infância que os levaram a transformar a sua loja de doces Pirulito, aberta há 17 anos na cidade de Viseu, numa fábrica e loja de chocolate artesanal.

manuela soares e ilídio oliveira Administradora e Mestre Chocolateiro

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chocolate já era uma paixão quando lhes chegou a notícia que duas das mais tradicionais fábricas de chocolate do país iam fechar portas. Daí até comprarem todas as máquinas e todos os moldes dos chocolates da nossa infância foi um respirar fundo e um vamos lá. Em 2007, os cigarrinhos, os carrinhos, os ratinhos, as sombrinhas de chocolate e muitos outros tesouros antigos estavam novamente a criar memórias de felicidade. Em 2013, outro investimento arriscado veio a transformar-se no seu maior trunfo. Mantiveram a fábrica em atividade para a grande produção e a loja da Chocolateria Delícia abre também com uma pequena unidade de fabrico, aberta para o balcão da loja, para que os clientes possam ver como se confeciona o chocolate, sentir os aromas e, depois, deliciarem-se e presentearem quem mais gostam. Desde então, o mestre chocolateiro Ilídio Oliveira não tem parado de adoçar a boca aos viseenses, e não só. Vendem para todo o país e exportam para os EUA, mas querem dar a conhecer o verdadeiro sabor do chocolate a todos os

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continentes. Nas feiras onde marcam presença já foram abordados por clientes em lágrimas, emigrantes a quem chega este bocadinho de Portugal, que lhes querem agradecer pela possibilidade que os seus doces dão de saborear esta memória. As tabletes de chocolate com as imagens emblemáticas da cidade de Viseu e as barrinhas de chocolate com recheios de fruta variados já fazem parte dos hábitos de consumo dos seus clientes. Mas a grande aposta é na produção de bombons de vitrina, uma extensa variedade para todos os gostos e paladares, desde os mais exóticos como o bombom de vinagre balsâmico, de queijo da serra ou com licor de caipirinha/licor de mirtilo e trufas de todos os sabores. O rei de vendas é, neste momento, o bombom coulis de framboesa. Um dos últimos desafios do mestre chocolateiro partiu de uma provocação da Confaria da Urtiga - um bombom de urtiga. Têm ainda outros produtos diferenciadores, como o chocolate sem glúten, sem lactose, o chocolate sem açúcar, os copinhos de chocolate para a ginjinha e as caixinhas e latinhas – únicas.

Outra missão de Manuela Soares e Ilídio Oliveira é ajudar à queda dos mitos de que o chocolate engorda ou faz mal. “O que faz mal”, dizem, são os produtos que se adicionam, que muitas vezes retiram pureza e excelência ao resultado final. O cacau de boa qualidade tem excelentes propriedades como magnésio, ferro e antioxidantes. A lista é extensa, associado a outras matérias-primas de excelência, selecionadas minuciosamente, que dão origem a chocolates deliciosos. O programa ‘Portugal Sou Eu’ tem ajudado muito nesta aventura que pretende espalhar a palavra da qualidade dos produtos portugueses. A estratégica coletiva e colaborativa já lhes abriu algumas portas para novos mercados, apoio na divulgação dos seus produtos e mais presenças em feiras, outros eventos e formação profissional em várias áreas. Além disso, este selo no rótulo garante uma maior visibilidade e competitividade. Por tudo isto, ambos consideram que a adesão a este programa foi uma aposta ganha e prometem continuar a criar tentações para todos os paladares.


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Dinamizando a agricultura Bioterris A Bioterris nasceu a janeiro de 2013 em Viseu como a plataforma conjunta de três projetos ligados à produção de cogumelos Shiitake em estufa. Três amigos de longa data viram as suas vidas alteradas pela recente crise do país e resolveram deitar mãos à obra para um objetivo comum que lhes garantisse a sua independência, ao mesmo tempo que dinamizavam uma atividade à qual todos tinham ligação: a agricultura.

Cristofe Pedrinho, Filipe Balula e Hugo Trindade Sócios-gerentes

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enhum deles trabalhava diretamente nessa área – Cristofe Pedrinho era técnico de seguros, Hugo Trindade é licenciado em marketing e publicidade e Filipe Balula, engenheiro civil – mas todos eles tinham esta associação em comum à terra, as suas famílias tinham terrenos que podiam ser aproveitados e rentabilizados e nenhum deles tinha problemas em ‘sujar as mãos’. Cada um desenvolveu a sua produção e o seu projeto autónomo, sendo a Bioterris a interseção onde os três unem esforços para criar condições mais vantajosas para escoar e divulgar os seus produtos. A ideia de produzir cogumelos Shiitake surgiu de uma premissa simples: consomem-se muitos cogumelos em Portugal mas a produção nacional não é suficiente para suprir a procura. A espécie é, hoje em dia, o segundo cogumelo comestível mais consumido no mundo, incorporado desde há muito nos hábitos alimentares dos povos asiáticos. Recentemente, foi introduzido para produção e consumo nos países ocidentais. As sementes são inoculadas em troncos de castanho, carvalho ou eucalipto e crescem em estufa de ambiente controlado, um método simples e natural que não requer complexas unidades de fabrico. Com a tendência crescente de proteger e consumir o que é nacional e a certeza de haver as melhores condições para os produzir, a Bioterris pretende provar que o Shiitake português tem, realmente, uma qualidade superior para enfrentar a concorrência e até tornar-se um dos mais desejados produtos gourmet a nível internacional. O selo do programa ‘Portugal Sou Eu’ ajuda a distinguir o produto em mercados nacionais e internacionais e, num momento em que o chamado ‘mercado da

saudade’ é cada vez mais alargado e requisitado, todos os produtos que apresentem esta certificação são automaticamente associados, e bem, a um produto de excelência. A adesão ao programa já lhes permitiu também garantir presença em importantes feiras do setor, inclusivamente de caráter internacional, e aí encetar várias parcerias com outras marcas e unidades de produção. Os três empreendedores, bem conscientes de que a união faz a força, acreditam na especialização e nas sinergias que se criam quando se trabalha em conjunto. Um exemplo bem sucedido destas colaborações foi a introdução dos cogumelos que produzem em alheiras do Fumeiro Terras do Demo e o Doce de Cogumelo. Associaram-se também ao projeto Umamibox – empresa que seleciona produtos artesanais e gourmet para degustação – onde constam como produtores associados, precisamente com o seu Doce de Cogumelo. Para já, a internacionalização passa por países como França, Inglaterra e Suíça, mercados onde a sua produção já encontra uma procura informada e consumidores que conhecem e valorizam ingredientes com estes atributos. Querem expandir-se, mas de forma sustentada, com a garantia de que mantêm o mérito dos seus produtos e sempre atentos aos desejos dos consumidores. A Bioterris está localizada em Viseu, à venda em algumas lojas gourmet.

Troncos onde as sementes de cogumelo são inoculadas

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homenagem à terra do coração Azeite trevo douro Da freguesia de Trevões, concelho de São João da Pesqueira, chega-nos um azeite único na sua composição e história. Foi nesta região demarcada do Douro que o produtor José Carlos Fausto decidiu idealizar um produto que prestasse homenagem à terra de onde saiu muito jovem mas que sempre guardou no coração.

adérito fausto, josé fausto e isabel lamas Produtores

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om uma localização privilegiada em zona de escarpas montanhosas onde são visíveis os típicos socalcos durienses, o solo fértil de Trevões, com as suas propriedades ímpares, é capaz de gerar frutos da mais elevada qualidade e sabor. Foi esta certeza de ter um produto excecional que levou José Carlos a juntar-se ao seu pai, Adérito Fausto, no cuidado e exploração de oliveiras criteriosamente selecionadas. O nome Trevo Douro surgiu da união do nome da aldeia e do rio Douro porque é também da união destes dois elementos que se faz a memória de José Carlos, memória que quer transmitir a todos os que provarem este azeite. É um azeite virgem extra especial de categoria superior, obtido diretamente de azeitonas, unicamente por processos mecânicos, laboração a frio em lagar ecológico, acidez inferior a 0.3 por cento, cor amarelo esverdeado, cheiro e sabor frutados, muito fresco, sensação notável a verde e ligeiramente amargo e picante, atributos que estão associados a dezenas de componentes naturais e que são característicos da variedade e estágio de maturação da azeitona utilizada, do microclima da região produtora, das características do terreno em que a oliveira está localizada e das

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condições climáticas a que foi submetido o olival durante a safra. O reduzido teor de acidez é também um indicativo de que todas as etapas de produção do azeite, desde a colheita até o envase, foram feitas de maneira adequada. É que não é só a qualidade do fruto que vai determinar a percentagem de ácido, mas também a forma de extração. Quanto mais mal tratada a azeitona na hora de extração - danos, fermentação, alterações de temperatura, mais alta a acidez. Então, ainda que a acidez não se revele no sabor, ela será também um óptimo medidor de qualidade. Também o rótulo das garrafas não foi deixado ao acaso e nos remete à terra, chamada Trevões por lá crescer grande quantidade de trevos e pela existência no antigo pelourinho da vila, hoje desaparecido, da representação de um escudo com cinco folhas de trevo. Com a associação ao programa ‘Portugal Sou Eu’ e a colocação deste símbolo no rótulo do azeite Trevo Douro, José Carlos espera conseguir a divulgação necessária para levar à mesa de cada vez mais gente o seu produto, assim certificadas as suas origens e produção portuguesas, de uma região que é mundialmente reconhecida como sinónimo de qualidade.


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Porque Oferecer é Soberano Cabazes lusitanos Há cerca de quatro anos, Berta de Almeida questionou-se “Porque não juntar tudo o que temos e que é tipicamente português num cabaz?”. Desta ideia e da aliança com Cristina Ferreira, que materializou o conceito criado por Berta de Almeida, nasceu a Cabazes Lusitanos que ganhará em breve um espaço onde nasceu “Vizeu”.

cristina ferreira e berta de almeida Diretora Criativa e Gestora Executiva

“Saudades, só portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm”. Fernando Pessoa

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evar a Saudade, uma Saudade Boa, uma Saudade que só os portugueses sentem e com ela os produtos que são desta terra à beira mar plantada. Este é o conceito da Cabazes Lusitanos. Desde que a emigração levou há já várias décadas muitos portugueses para longe de casa, os produtos típicos ganharam um espaço nas bagagens dos que por estes dias quentes voltam para matar as saudades da sua terra. Para estes e para os que por cá ficaram mas querem experienciar e oferecer o que é “nosso” surgiu a Cabazes Lusitanos, uma ideia de Berta de Almeida concretizada pelas mãos de Cristina Ferreira. Nascida em 2010 esta empresa é 100% portuguesa, de conceito único no país e surge no sentido de satisfazer o mercado mais exigente. Nas palavras de Berta de Almeida, gestora executiva, este projeto “alia o que é tradicional à modernidade, tendo sempre como ponto fundamental que o produto seja genuinamente português

(criados, fabricados e embalados no nosso país)”. Uma condição que tanto Berta como Cristina levam muito a sério, até porque estão ligadas ao Programa Portugal Sou Eu: “Quando não temos a certeza que o produto é genuinamente português excluímo-lo”, garante Cristina. Os produtos escolhidos para figurarem nos Cabazes Lusitanos vão muito para além dos queijos, dos enchidos, ou do famoso vinho do Porto. Nestes cabazes elaborados com a paixão de Berta e a criatividade de Cristina estão produtos muito difíceis de encontrar em Portugal embora sejam nacionais, como nos conta a diretora criativa: “Temos alguns produtos que nos deram muito trabalho a conseguir porque há uma parte muito significativa de produtores que estão muito direcionados para a exportação e que não vendem os seus produtos em Portugal, por isso mesmo, somos dos poucos locais a ter alguns dos produtos que figuram nos cabazes. O azeite Andorinha é um dos exemplos. Foram necessárias muitas horas de negociação e algumas dezenas de telefonemas para conseguirmos ter este produto magnífico.” Com dezenas de produtos já disponíveis para a elaboração dos Cabazes Lusitanos, é de realçar a forma como ambas encaram cada um dos produtos: “Cada artigo é tratado com muito respeito e estima porque os nossos artesãos e produtores têm muito orgulho em trabalhar o que é nosso e estão a levar o que é português além-fronteiras”. Com muito orgulho pelo que é nosso e considerando ainda a importância de divulgar o que é nacional, os Cabazes Lusitanos levam, para além dos produtos genuinamente portugueses, um pouco da nossa história aos seus clientes, como explica a diretora criativa: “Em cada cabaz colocamos um pergaminho resumindo a proveniência do seu nome, tendo em conta temáticas que vão desde os nossos usos e costumes a referências nacionais (patrimoniais e/ou intelectuais). A título de exemplo, criámos a propósito de um evento de fitness que se realizou, aqui, em Viseu um cabaz em homenagem à Rosa Mota, “A nossa Rosinha”, e que contém produtos ligados ao desporto”. Embora tenham uma variedade de cabazes prédefinidos, os clientes podem personalizar o cabaz escolhendo os produtos que querem que ele contenha.

Disponíveis todo o ano, estes cabazes proporcionam uma experiência única de (re)descoberta de tempos dourados de uma vida e a plena certeza que o que é Português é Bom. Para além dos cabazes, Cristina e Berta elaboram lembranças mais pequenas para casamentos e outros eventos. O balanço tem sido, segundo a gestora executiva, muito positivo porque “as pessoas acham muito engraçado receberem um pedaço da nossa história e cultura”. Tendo enviado já vários cabazes para fora de Portugal através da loja online, que está de momento em reestruturação, Berta e Cristina preparam a abertura de uma loja no centro histórico de Viseu: “Vamos abrir brevemente a nossa loja no sítio onde nasceu “Vizeu” e temos muito orgulho deste local onde vai estrar instalada a nossa loja porque é um lugar com história o que encaixa na perfeição com o conceito do nosso produto”. Para já Berta e Cristina não adiantam mais pormenores sobre este projeto mas garantem muitas novidades e deixam o convite para que visitem num futuro próximo a loja da Cabazes Lusitanos, no centro de Viseu.

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O apoio empresarial na Guarda Nerga O NERGA – Núcleo Empresarial da Região da Guarda está situado no interior de Portugal e presta apoio a cerca de 220 associados. Falámos com o presidente desta associação empresarial, António Pedro Tavares sobre a região da Guarda e do programa ‘Portugal Sou Eu’.

situação que se reflete no NERGA através da diminuição de associados e de proveitos de quotizações. Apesar das contrariedades o NERGA consegue cumprir os seus objetivos? Temos consciência que qualquer projeto associativo é sempre difícil de implementar. Não obstante e fazendo o balanço dos 30 anos de atividade do NERGA podemos constatar que somos hoje uma associação de referência não só a nível regional, como também conhecidos em termos nacionais. Nessa medida podemos dizer que somos tidos como um ator imprescindível para tudo o que sejam projetos que envolvam empresas e desenvolvimento desta região.

antónio pedro tavares Presidente

O NERGA comemora 30 anos ao serviço dos seus associados. Qual é o balanço que faz deste percurso? Apesar dos atuais constrangimentos, o NERGA tem vindo a cumprir o seu papel como estrutura de apoio às empresas e de agente promotor do desenvolvimento regional. São tarefas que em muitos casos não fazemos de forma isolada, mas sim através de uma cada vez maior rede de parcerias e da colaboração com outras instituições públicas e privadas, sendo de maior relevo as que como nós têm por objetivos a dinamização empresarial. Neste sentido destaco as participações na CIP, na AIP e no CEC, onde, para lá de fazermos parte dos seus órgãos sociais, manifestamos as nossas opiniões sobre os problemas com que as empresas desta região se confrontam, procurando também contribuir para um lobby que permita desenvolver as melhores soluções, bem como beneficiamos de projetos em que estas entidades nos envolvem, tanto ao NERGA como aos seus associados. Num outro plano e num contexto mais regional, temos vindo a estreitar os laços com as autarquias da região e organismos descentralizados da administração, procurando através de um diálogo construtivo encontrar soluções e desenvolver projetos que estimulem o desenvolvimento das nossas empresas e da nossa região. Não tem sido tarefa fácil, pois estamos numa região que sendo do interior tem vindo a perder população e consequentemente empresas,

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Que projetos colocam em prática de forma a apoiar as empresas? Uma das áreas em que as nossas empresas são carentes é na qualificação dos seus trabalhadores e na preparação dos seus responsáveis para uma economia em contínua e profunda mudança. Nessa medida, muita da nossa atividade tem-se focado na formação, tendo no caso da formação de empresários, através do modelo de formação/acção implementada pelos projetos como os “inPME” e agora “MOVE”, obtido óptimos resultados na generalidade das 462 empresas que participaram e que reconhecidamente ganharam maiores capacidades competitivas. Outra das áreas que tem motivado especial atenção do NERGA são a qualificação e promoção dos recursos endógenos desta região, pois reconhecemos neles uma riqueza potencial que importa desenvolver acrescentando-lhes valor. Assim, no que ao artesanato diz respeito, promovemos 19 feiras que foram conhecidas por “Beirartesanato”. Relativamente aos vinhos, e com o apoio da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, temos vindo a organizar concursos, tendo este ano decorrido a 7ª edição. Sendo o azeite um produto agrícola com significativa expressão neste distrito, é ainda suscetível de grandes melhoramentos, tanto na qualificação, como em especial na sua comercialização. Nesse sentido, estamos a desenvolver o projeto “AGRILOGIS” que irá permitir gerar acréscimos de valor e melhorar o seu modo de produção. Esta região apresenta também um elevado potencial turístico, em que, produtos como o património, a história, o ambiente, as acessibilidades, produtos regionais de qualidade e gastronomia, entre variados outros, podem ser combinados e organizados no sentido de estruturar ofertas que permitam uma maior

dinamização e qualificação deste setor. A promoção do empreendedorismo e a captação de novos investidores tem sido também uma nossa preocupação. Para tal, a existência de uma Plataforma Logística, valorizada pelas boas acessibilidades e ligações ferro-rodoviárias que atravessam a nossa região como as mais importantes em termos nacionais de ligação ao resto da Europa, são recursos que continuaremos a promover, bem como a reivindicar que nela seja criado um porto seco. A promoção de novos investimentos, tanto internos como externos, tem sido prejudicada também pelos insuficientes incentivos governamentais, refiro-me ao incentivo que tem por base o IRC para as empresas do interior. Relativamente ao programa ‘Portugal Sou Eu’, como tem sido a adesão das empresas? O programa ‘Portugal Sou Eu’ sucede ao ‘Compre o que é Nosso’, estando este, nessa altura, já relativamente divulgado. No início penso dever ter havido um maior esforço de divulgação junto das empresas e do público em geral, salvaguardando formas de transição mais compreensíveis entre os dois programas, tanto junto das empresas como para os destinatários finais, aproveitando em benefício deste último as sinergias já geradas pelo primeiro. Não obstante, reconheço que é um bom programa, que pode ter um impacto positivo na nossa economia e em particular nas empresas, divulgando e sensibilizando o público para a qualidade dos nossos produtos e gerando assim uma nova cultura do consumidor ainda muito imbuído na velha ideia de que tudo o que vem de fora é que é bom. Nesse sentido, apelo também aos empresários para um maior aproveitamento deste projeto, tanto na utilização deste selo, como numa maior incorporação nacional nos produtos da sua atividade. Aponta alguma sugestão? Sim. A nível da indústria agro-alimentar existem inúmeras cooperativas agrícolas fechadas. Uma solução era transformar as cooperativas em centros logísticos e de distribuição que sirvam as necessidades das empresas portuguesas, abolindo a necessidade de ir comprar fora do país produtos que existem em Portugal mas não cumprem as exigências da empresa compradora. *Leia esta entrevista na íntegra em www.revistabusinessportugal.pt


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Para o prazer da Degustação Alquimia do paladar Em pleno centro histórico da Guarda, a Alquimia do Paladar promete desde 2011 ser um local onde pode encontrar produtos gastronómicos variados, num ambiente acolhedor, que apela ao prazer da degustação.

À frente deste projeto estão Miguel Frias e Antonieta Pinto. O que outrora foi uma sapataria é hoje a concretização de uma ideia que nasce, segundo as palavras de Miguel Frias, “de uma mudança de vida”. Com dois públicos-alvo distintos, os turistas e a população local, a Alquimia do Paladar procura oferecer aos seus clientes produtos tradicionais mas também inovadores. Afirma Miguel Frias: “A tradição e inovação encaixam na perfeição e pretendemos ter ambas aqui. Por isso mesmo, temos produtos regionais para poder mostrar a quem é de fora e temos outros produtos que não são daqui, mas que trazem valor e que damos a conhecer aos locais”. Com uma seleção de produtos essencialmente portugueses e que não são comercializados nas

grandes superfícies, Miguel e Antonieta dão primazia à qualidade e à diferenciação, partindo do pressuposto de um preço justo. Tendo aderido ao programa 'Portugal Sou Eu' logo desde o início, na Alquimia do Paladar encontram-se vários produtos com este símbolo nacional. Nas prateleiras da convidativa loja, para além de uma seleção cuidada de várias marcas, existem também alguns produtos da marca Alquimia do Paladar, resultado de parcerias com vários produtores. Iniciar-se na produção própria é um dos passos seguintes, garante Miguel Frias. O futuro reserva também outros projetos, onde a replicação do espaço em outras cidades e a exportação para outros mercados dos produtos da marca Alquimia do Paladar estão na mira desta empresa da Guarda.

Praça Luís de Camões, 14 6300-725 Guarda Tlf: (+351) 271 237 547 alquimiadopaladar@gmail.com www.alquimiadopaladar.com www.facebook.com/alquimiadopaladar

Amêndoa com sabor a Portugal Pabi - euroamêndoa Especializada no descasque e transformação de frutos de casca rija comestíveis, com especial destaque para a amêndoa e seus derivados, a Pabi – Euroamêndoa assume-se como uma empresa altamente tecnológica, fruto do investimento feito por Nuno Ferreira, diretor da empresa desde 2004. A profunda reestruturação sofrida transformou a Pabi na líder nacional neste setor, mas nem por isso os investimentos pararam.

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ara além da posição forte que ocupa no mercado nacional, os produtos transformados pela empresa estão atualmente presentes em mercados internacionais dos quais se destacam a Espanha, França, Angola e Brasil. Dando ainda mais força ao que é nosso, a Pabi – Euroamêndoa, implantada em Pinhel, aderiu em 2013 ao programa 'Portugal Sou Eu'. Uma decisão importante já que, segundo Nuno Ferreira, este 'selo' aumenta a competitividade da empresa: “Portugal Sou Eu é uma das marcas que traz competitividade ao mercado doméstico. Isso foi algo que agradou à Pabi porque partilhamos o mercado nacional com as nossas congéneres de Espanha e é uma mais-valia apresentar um produto nacional. A marca 'Portugal Sou Eu' vem criar um eixo de competitividade importante para a nossa indústria sendo o motor de escoamento da amêndoa nacional”. Para além deste fator, Patrícia Gil, responsável de qualidade, garante que a amêndoa nacional tem

características diferentes face a outras e que a “nível nutricional tem valores mais ricos e elaborados para o nosso organismo em relação a amêndoas de outras origens”. A amêndoa é um produto rico em fibras que contribui de forma positiva para o colesterol. Razões mais que suficientes para introduzir na sua alimentação a amêndoa da Pabi para ajudar a sua saúde mas também a do país.

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misericórdias e ação social

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erante a conjuntura económica do país, muitas famílias recorrem a instituições solidárias para obter apoio para a sua sobrevivência. Uma missão solidária que contabiliza centenas de anos dedicada a quem mais precisa, concentrando as virtudes de carácter religioso, denominando-se como instituições privadas e envolvendo-se com a comunidade numa só entidade, que promove uma ação solidária de ajuda ao próximo. Em Portugal, encontram-se no ativo aproximadamente 400 instituições, um pouco por todo o país, consideradas em muitos dos casos o grande empregador local. A Revista Business Portugal, nas últimas edições, tem dedicado uma especial atenção a esta temática, neste presente mês de agosto estivemos à conversa com as instituições de Gavião, Sousel, Elvas, Gáfete, Arez, Amieira do Tejo, Viseu e o Sénior Club em Lisboa. Instalações de qualidade e equipamentos modernos disponibilizam todo o tipo de cuidados médicos e sociais, dando resposta a grande parte das necessidades da população. Questões como o envelhecimento populacional como consequência do crescimento demográfico mundial tem sido uma grande preocupação para as Santas Casas da Misericórdia, nomeadamente nas regiões do Alentejo, onde constatamos ser cada vez mais visível. Praticar o bem, ajudar o próximo, reunir condições dignas para que exista uma boa harmonia entre as comunidades, são alguns dos objetivos das Santas Casas praticados há centenas de anos e que permanecem na atualidade.

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Da infância até à terceira idade Santa casa da misericórdia de viana do castelo Desde a sua fundação, há perto de cinco séculos de existência, as Misericórdias têm sido “porto de abrigo” para milhares de portugueses. Estas instituições nasceram do preceito cristão da caridade, expresso nas 14 Obras de Misericórdia, sete espirituais e sete corporais e a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo não é exceção. Nasceu em 1521 com o objetivo da ajuda aos mais necessitados, e desde o início do ano Manuel Gomes Afonso é o rosto mais visível da instituição.

manuel gomes afonso Provedor

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undada em pleno século XVI a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo é atualmente uma instituição de referência nas respostas sociais às necessidades sentidas pela população deste concelho nortenho de Portugal, e pretende aplicar soluções efetivas pautando-se por uma melhoria continua nas suas áreas de intervenção.Com respostas sociais desde a infância até à terceira idade, atualmente a instituição presta apoio a cerca de 435 utentes divididos nas várias valências. No que se refere à terceira idade a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo conta com duas infraestruturas, o Lar de Santiago, atualmente com 54 residentes e o Lar Nossa Senhora da Piedade com 40 residentes. Os lares de idosos têm como missão responder com adequação e humanidade às atuais necessidades da população sénior, atendendo ao elevado envelhecimento populacional. Os residentes dos lares da Santa Casa dispõem de uma ampla gama de serviços, incluindo serviços médicos, de enfermagem,

e fisioterapia, bem como, atividade recreativa e lúdica, com o propósito de manter ativos e dinâmicos todos os residentes, de acordo com as respetivas capacidades, dispondo para isso de uma vasta equipa de profissionais preparados e motivados. A Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo está ainda a criar e a dinamizar um serviço de voluntariado visando o apoio em complementaridade a esta instituição, numa perspetiva de promoção da cidadania, da solidariedade e da parceria. No que se refere ao apoio à infância a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo conta com dois equipamentos: a Creche e Jardim de Infância de Santiago da Barra, atualmente com 94 crianças e a Creche e Jardim de Infância Nossa Senhora da Misericórdia com 152 crianças. Estes edifícios foram construídos de raiz e são dotados de instalações amplas, modernas e atuais que proporcionam às crianças um tempo alegre e saudável. Toda a equipa da área da

infância está motivada e empenhada em proporcionar às crianças do concelho o melhor atendimento, estabelecendo adequados projetos pedagógicos num clima de desenvolvimento humano alegre, saudável e harmonioso tendo em vista a sua educação integral. A instituição presta ainda serviço de apoio domiciliário a cerca de 29 utentes sendo asseguradas várias respostas além da higiene, alimentação, tratamento das roupas, cuidados de saúde primários, medicação e conforto pessoal. Para o futuro, Manuel Afonso aposta “na inovação com respostas adequadas às necessidades da população sénior, dado que, que grande maioria dos idosos preferem as suas casas aos lares”. Nesse ponto, prevê-se “a instalação de equipamento de teleassistência, o apoio a pequenas intervenções de manutenção no domicílio, eliminação/minimização de barreiras existentes na habitação e ainda o serviço de acompanhamento noturno para idosos”, refere o provedor.

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL MISERICÓRDIAS E AÇÃO SOCIAL Manuel Afonso adianta que os investimentos têm de ser feitos com rigor, objetividade e ponderação, tendo presente a função social da instituição. A Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo dispõe ainda do serviço de cantina social, onde diariamente são servidas cerca de 36 refeições. À frente da instituição desde 2 de janeiro, Manuel Gomes Afonso é natural de Viana, profundo conhecedor da realidade socioeconómica do Concelho, fruto da sua atividade médica de três décadas. Faz questão de salientar que tem como objetivo reestruturar a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo e rentabilizar o património da instituição, contando para o efeito com uma vasta equipa de colaboradores. Desde os funcionários aos mesários que participam ativamente no dia-a-dia da administração, bem como um conjunto de coadjutores que contribuem com o seu vasto aporte profissional como resultado dos seus múltiplos saberes e experiência.

Património e obras A Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo é detentora de um significativo património urbano e rústico que deve ser colocado ao serviço dos objetivos originários da instituição. Assim sendo, Manuel Afonso tenciona investir, a nível de património, no Antigo Hospital da Misericórdia, na Praça da República, através da criação de um equipamento de carácter social condizente com a sua localização e riqueza histórica, estando a ser equacionadas várias alternativas, aguardando as definições dos eixos comunitárias, não estando excluídas eventuais parcerias com investidores privados. No mesmo sentido vai o futuro destino do ex-pavilhão cirúrgico na Quinta de Valverde, sendo também necessário obter o melhor aproveitamento da antiga creche e jardim-de-infância situado na Rua José Espregueira. Estes e outros recursos patrimoniais devem ser postos direta ou indiretamente ao serviço da economia social, podendo ser geradores de recursos que permitam à Santa Casa reinvestir em projetos e respostas inovadoras na área social. Propõe a melhoria da funcionalidade do edifício do Lar da Piedade através da sua requalificação, incluindo a implementação de medidas de autoproteção que garantam a sua manutenção na atual localização. Reduzir aos custos de funcionamento é também uma das suas preocupações, aumentando a eficiência e eficácia dos serviços. Nesse sentido estão em curso estudos técnicos para concentração de serviços, nomeadamente lavandarias e cozinhas. Do património da Santa Casa faz ainda parte atual Igreja da Santa Casa da Misericórdia, datada do século XVIII e que goza de uma localização privilegiada em pleno coração de Viana do Castelo. Constitui quer pela sua especificidade quer pela riqueza do seu interior um dos principais locais de visita da cidade. Num espaço anexo, dispõe de um núcleo museológico em fase de reclassificação de peças para um aumento da sua área de exposição, dando assim maior visibilidade ao acervo de quinhentos anos de história da Santa Casa. Esta nova administração visa “ter em conta a

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL MISERICÓRDIAS E AÇÃO SOCIAL sustentabilidade das diversas valências da instituição, sem descurar a vertente de apoio aos mais desprotegidos da sociedade” salienta o provedor. Deste modo, “queremos uma gestão séria e rigorosa que garanta o equilíbrio financeiro da Santa Casa, sendo nosso compromisso não fazer investimentos avultados sem prévio estudo da garantia de financiamento e sustentabilidade dos projetos a médio e longo prazo e sempre mediante aprovação da Assembleia Geral”, garante Manuel Afonso. A melhoria da comunicação interna entre os corpos gerentes e demais colaboradores, bem como a sua formação e motivação, são também objetivos a curto prazo. Concluir o processo de levantamento e atualização cadastral de todos os bens, assim como, completar o registo de todo o património rústico e urbano, prosseguir com uma política justa e equilibrada de arrendamento dos prédios de habitação fazem também parte dos projetos para o futuro. Segundo Manuel Afonso, a dádiva e o trabalho voluntário tem sido um dos grandes suportes da Santa Casa ao longo dos seus cinco séculos de existência, prática que ultimamente tem rareado, particularmente no que respeita aos donativos. Nesse sentido e atendendo aos tempos atuais, em articulação com toda a equipa de colaboradores, está em curso a definição de uma política de captação de mecenato e parcerias que possam ser mutuamente vantajosas, através da definição e levantamento de áreas prioritárias para requalificação e investimento.

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Um papel cada vez mais relevante Santa casa da misericórdia de viseu Numa altura em que diversas carências assolam uma parte significativa do país, o papel da Santa casa da Misericórdia torna-se ainda mais relevante. Na de Viseu, cultivam-se as mesmas sementes que foram lançadas em 1516 – ano do seu nascimento – e a sua missão continua a passar pela ajuda aos mais necessitados. Em tempos de grandes dificuldades, as respostas tornaram-se gigantes.

Adelino costa Provedor

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delino Costa, atual provedor da instituição, dá voz, precisamente, à importância da ação desenvolvida pelas Misericórdias no auxílio aos que mais precisam. “As Misericórdias são a primeira resposta nestes momentos difíceis. A crispação social seria bem mais agressiva sem essa ação rápida e eficaz destas instituições que têm uma missão tão nobre e que se iniciou desde a criação das primeiras Misericórdias há mais de 500 anos, pela rainha Dª Leonor . A experiência, as boas práticas e os bons princípios são transmitidos de uns para os outros”. Relativamente à sua instituição, o provedor revela números que ilustram a importância detida no seio do município. As muitas valências disponibilizadas pela Santa Casa de Viseu constituem-se, assim, como um garante de justiça social junto dos mais carenciados. “Em termos de idosos, a Santa Casa apoia mais de 690 idosos entre a Residência Dª Leonor – unidade sem protocolo com a Segurança Social- o Lar Viscondessa de Sª Caetano, o Centro de Dia de Santa Maria e de Teivas e o apoio domiciliário. Relativamente à infância temos à nossa responsabilidade 521 crianças distribuídas pelas diversas valências, com principal relevo para as duas creches de Nª Senhora de Fátima e de Sº Teotónio e da creche familiar que, no conjunto, ascendem a 185 bebés, bem como nos dois jardins infantis – Nª Senhora de Fátima e Sº Sebastião- com 264 joias. Importa referenciar que temos principalmente na creche muitas crianças - 68 - sem acordo, o que exige por parte da instituição um esforço financeiro significativo porque, naturalmente, que a Santa Casa suporta o diferencial do custo por utente.”Além destas valências,

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outras constituem a panóplia de ofertas da Misericórdia de Viseu junta da população. O grande destaque, para Adelino Costa, é o Centro de Acolhimento Temporário (CAT). “Temos que é, para nós, uma área muito sensível e por isso dispensamos todo o carinho a estes meninos que são colocados à nossa guarda numa fase em que o destino não lhes foi favorável. Para estas crianças, algumas com meses de vida, queremos dar tudo aquilo a que têm direito, principalmente com uma grande dose de amor, para que amanhã estejam preparados para enfrentar a vida de forma igual às restantes crianças. O nosso CAT está permanentemente completo e temos pena que o Estado não esteja disponível para participar na construção de uma nova estrutura com mais capacidade. Da nossa parte a abertura é total, porque estamos convictos de que era mais um passo para ajudar a melhorar a nossa sociedade e a torná-la mais justa e solidária”, revelou. O contexto atual, além de requerer maior ajuda para a população mais vulnerável, criou novos paradigmas relativamente àqueles que realmente precisam de apoio. Hoje, a ação da Santa Casa da Misericórdia de Viseu incide, também, num outro grupo de pessoas. Assim o demonstra a nova vaga de utilizadores do Restaurante Social. “Temos 100 utentes a utilizar a Cantina Social, com três formas de utilização e de acordo com a vontade das pessoas. Há cidadãos que utilizam as instalações do Refeitório Social, Uma mão por Um Sorriso; há utentes que vão buscar a refeição e há outros que, talvez por não desejarem dar a conhecer a situação por que estão a passar, recebem a refeição pelos nossos serviços, nas suas habitações,” revelou Adelino Costa. E o que o sustentará todas estas

valências? “Tendo em consideração o grande esforço da instituição no cumprimento da sua missão, naturalmente que temos de socorrer-nos de um modelo de gestão que inclui a rentabilização de outros ativos, como são exemplo a nossa Farmácia da Misericórdia que, além do atendimento ao público em geral, fornece o nosso lar e a residência, mas a rentabilidade da mesma já não é o que era”, afirmou o provedor. O modelo de negócios, por ora, está confinado a outras áreas. “ Muitas misericórdias têm apostado em setores que, tradicionalmente, não exploravam, mas a necessidade aguça o engenho e temos as mais variadas apostas por forma a gerarem recursos financeiros para aplicar no social. Outras fontes de financiamento são um hotel, o edifício da Pousada e um complexo desportivo que estão a ser explorados por grupos da especialidade por contrato de cessão de exploração, a que se junta o rendimento de cerca de uma centena de apartamentos e alguns espaços comerciais “. Quanto ao futuro, novos projetos prometem enriquecer a oferta e a disponibilidade da Santa Casa da Misericórdia de Viseu para continuar a dar as respostas sociais necessárias. “Temos a intenção de, através da recuperação de um antigo edifício, construir um lar para 60 utentes recorrendo, para isso, aos fundos estruturais que, segundo sabemos, irá apoiar o setor social. Outra grande aposta vai ser na eficiência energética por forma a prepararmo-nos para o futuro. Esta ambição enquadra-se num plano mais lato que visa preparar melhor a instituição através da reorganização dos serviços ,por forma a tornar a Santa Casa da Misericórdia de Viseu sustentável, de modo a prosseguir a sua missão de fazer o bem sem olhar a quem”.


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Mais de três séculos a ajudar os mais necessitados Santa casa da misericórdia de gavião Desde a sua fundação, há mais de cinco séculos, as Misericórdias têm sido “porto de abrigo” para milhares de portugueses. Estas instituições nasceram do preceito cristão da caridade, expresso nas 14 obras de bem-fazer, sete espirituais e sete corporais e a Santa Casa da Misericórdia de Gavião não foge à regra. Nasceu em 1657 sob o preceito da ajuda aos mais necessitados, e desde os últimos seis anos tem como provedor Edmundo Neves.

de medidas de apoio integrado centrado na criança e na família, incluindo ações de natureza preventiva e reabilitiva”, revela Inês Martins, diretora técnica da Santa Casa da Misericórdia de Gavião há 10 anos. Este projeto apoia crianças dos 0 aos 6 anos de idade dos concelhos de Gavião e Nisa, cujas alterações nas funções ou estruturas do corpo limitam a sua participação nas atividades típicas da sua idade.

Do século XX até à atualidade

Edmundo neves Provedor

As valências A Santa Casa da Misericórdia de Gavião assume-se como uma instituição de solidariedade social, que tem como missão o apoio à população e dispõe de várias valências, de forma a proporcionar a todos os cidadãos um serviço de qualidade, indo ao encontro das necessidades da comunidade. Neste sentido, atualmente conta com três lares. São eles o lar Nossa Senhora dos Remédios, onde recebem 120 utentes, o lar Nossa Senhora das Necessidades, que se situa numa freguesia de Comenda a 17 quilómetros de Gavião e que apoia 50 pessoas, e o lar São Francisco de Assis que acolhe 24 utentes. Para além da valência de lar, dispõe ainda do regime em centro de dia (Gavião e Comenda com 16 utentes), que atualmente conta com 24 utentes. A creche e jardim de infância Sagrada Família alberga 35 crianças, sendo a única no concelho de Gavião. A cantina social apoia cerca de uma dezena de pessoas (oito utentes), o serviço de apoio domiciliário conta com 43 utentes e o projeto da intervenção precoce onde a Misericórida auxilia 32 crianças. “A intervenção precoce na infância é um projeto que consiste num conjunto

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Uma misericórdia é uma irmandade de leigos, animados pela mesma fé e unidos pelos objetivos de testemunharem em colegiadade uma caridade fraternalista, formando uma presença e uma força de esperança junto de todos os que precisam. Desta forma, a Santa Casa da Misericórdia de Gavião foi evoluindo ao longo dos 357 anos de história. “Há cerca de 30 anos atrás, a Misericórdia contava apenas com o centro de dia, que funcionava numa habitação emprestada e houve uma pessoa que ficou à frente da instituição e a fez crescer”, salientou a diretora técnica. Atualmente, a Santa Casa da Misericórdia de Gavião conta com uma equipa de excelência, composta por 145 profissionais multidisciplinares, empenhados em proporcionar os melhores cuidados e uma excelente qualidade de vida aos seus utentes. Tal como em grande parte dos concelhos alentejanos, desempenha um papel fundamental na economia social da vila, sendo mesmo a maior entidade empregadora do concelho. Ligado à Santa Casa da Misericórdia há mais de duas décadas (completa este ano 25 anos), Edmundo Neves é atualmente o rosto da instituição, acompanhado por uma equipa de irmãos desta Santa Casa que revelam a sua disponibilidade e carinho pela instituição. O futuro da Santa Casa da Misericórdia de Gavião passa pela aposta contínua na sustentabilidade da instituição. Neste sentido, atualmente é necessária a renovação e manutenção de alguns espaços, que já começou pela intervenção na valência da creche e jardim de infância.


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na luta contra a desertificação por uma qualidade de vida de excelência Santa casa da misericórdia de amieira do tejo A Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo considerada uma das mais antigas instituições do país, data de 1554 como primeiro registo. David Esteves, provedor da Santa Casa desde Janeiro de 2014, em conversa com a Revista Business Portugal, revelou como a caminhada da instituição se processou até aos dias de hoje, bem como as grandes dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, muito justificada pela desertificação da região em que estão inseridos.

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omo grande parte das instituições do país a Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo iniciou a sua atividade transparecendo solidariedade com o próximo, ajudando os mais desfavorecidos e prestando assistência aos idosos. O primeiro registo da instituição remete-nos a 1554, apesar de se prever que a instituição seja mais antiga. O provedor David Esteves revela que “inicialmente como quase todas as misericórdias a atividade começou com um hospital”. No ano de 1985 a instituição começa a desempenhar funções de centro de dia, de uma forma mais organizada. Questionado sobre o património da Santa Casa de Amieira do Tejo, o provedor afirmou que “apesar da longevidade da instituição o património é muito discreto. Possuímos o lar e centro de dia, o antigo edifício onde funcionou em tempos o hospital, a capela da misericórdia, uma casa na Amieira e uns pés de Oliveira”. A necessidade de dar novas respostas e atingir novos

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públicos levou que no ano de 2002 fosse idealizada a construção das atuais instalações de centro de dia e de lar de idosos, em que posteriormente no ano de 2011, abriu-se a primeira fase do lar, com capacidade para acolher 16 utentes. A instituição com 24 funcionários, além dos utentes da região de Amieira acolhe também utentes de freguesias vizinhas, nomeadamente de Arez, Nisa e Portalegre. Atualmente possui 27 utentes em lar de idosos, na valência de centro de dia contabiliza 10 utentes e por fim em apoio domiciliário presta assistência a 15 utentes. Ao longo dos anos os projetos foram imensos e a vontade de crescer é uma constante. Confiante num futuro melhor o provedor David Esteves afirmou que “tudo o que desejo só é possível devido ao excelente trabalho desenvolvido pelo antigo provedor da instituição. Por agora é dar continuidade e melhorar sempre que possível, pois não queremos o desenraizamento das pessoas, numa época em que a desertificação de

Amieira do Tejo é evidente, não queremos que os nossos idosos envelheçam longe das suas raízes, do espaço onde sempre viveram”. Como prevê o futuro? “Apesar de estarmos num momento de consolidação das obras, o objetivo agora é efetuar uma paragem, para posteriormente aproveitarmos o edifício do antigo hospital da situação e construirmos algo semelhante a residências assistidas. A médio prazo pensamos avançar com o projeto, andamos também em negociações para a compra de um terreno atrás das instalações de modo a que o prédio não se torne num edifício devoluto”. A Santa Casa da Misericórdia desempenha ainda um papel muito importante junto dos utentes idosos que acolhe, sendo que grande parte ou toda a sua família está fora da região de Amieira do Tejo, e cabe aos funcionários da instituição acompanharem os utentes para consultas e exames médicos.


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Mais de 500 anos de trabalho e dedicação Santa casa da misericórdia de elvas Uma das mais antigas instituições do país, a Santa Casa da Misericórdia de Elvas foi fundada em meados de 1501. Minimizar as dificuldades das pessoas, ajudar os mais carenciados e exercer o bem são alguns dos princípios da instituição, nas palavras de Fernando Lopes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Elvas há cerca de três anos.

fernando lopes Provedor

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história da Santa Casa da Misericórdia de Elvas remonta ao ano de 1501 e 1502. Mas só no ano de 1930, a Santa Casa de Elvas incorporou o Asilo Silva Martins como a sua primeira valência na área da segurança social. Nos tempos conturbados de 1974 e após a ocupação do edifício do Hospital da Misericórdia de Elvas pelo Estado de então, a instituição viu- se obrigada a reverter o seu paradigma e passar de ser uma instituição voltada maioritariamente para a área da saúde para, a partir daí, se dedicar ao apoio social no âmbito da terceira idade. Foi nesta altura que com muito esforço e sem qualquer apoio, se implementou na Quinta de Vale Marmelos o que hoje se conhece como Lar Silva Martins. É desta forma que o provedor Fernando Lopes inicia o seu testemunho à Revista Business Portugal. Atualmente inserida na Quinta Vale Marmelos, um espaço amplo, único e de uma beleza incondicional, a Santa Casa da Misericórdia, ao contrário das inúmeras instituições espalhadas pelo país, possui apenas a valência de idosos, mais propriamente do sexo feminino. Um espaço que tem vindo a ser aperfeiçoado às necessidades ao longo dos anos, com capacidade para 96 utentes, a instituição detém quatro pavilhões independentes, um posto médico, uma grandiosa sala de convívio onde os utentes estão diariamente. Para

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prestar um serviço de qualidade possuem uma cozinha avantajada e um refeitório, bem como uma lavandaria com máquinas industriais. Questionado do porquê de apenas acolher nas suas instalações o sexo feminino, Fernando Lopes justifica que “de outra forma não era possível atuarmos com tanta qualidade e rigor, pois é muito complicado manter dentro de uma instituição como a Santa Casa Misericórdia de Elvas utentes dos dois géneros. Além disso, desde meados dos anos 50 estabeleceu-se um acordo, em Elvas, com o Lar Júlio Alcântara Botelho para estes receberem os utentes do sexo masculino, ficando a Santa Casa com a obrigação de alojar os utentes do sexo feminino”. Presentemente, a idade média das utentes ronda os 85/86 anos, apesar de existirem utentes que já completaram um século de vida. Um dos aspetos que o provedor salientou, várias vezes ao longo da nossa entrevista, remete-nos para a questão das valências, referindo que “apesar de não possuirmos mais nenhuma valência isso não significa que a ação social acabe na valência do lar de idosos. Tendo em conta a conjuntura económica do país e as dificuldades diárias que me são dadas a conhecer pelas funcionárias da instituição, faço questão de disponibilizar uma espécie de cantina social, em que, devidamente

analisados os casos, autorizo a distribuição de refeições, para que as nossas funcionárias possam satisfazer as necessidades da sua família”. Os projetos não faltam e o provedor Fernando Lopes revela um dos mesmo há muito idealizado. Seria a construção de uma unidade de cuidados continuados de convalescença, que estava previsto ser construído no topo dos edifícios já existentes. O projeto de construção desta unidade foi aprovado pela Administração Regional de Saúde do Alentejo e as obras iam ter o seu início quando, por faltas de verbas desta administração, foram forçados a suspender a sua construção. Atualmente partilha da opinião de que f”oi uma grande sorte para a instituição, pois vejo muitos colegas provedores que já tinham avançado com as obras e atualmente têm as instalações concluídas mas não estão em funcionamento por falta de acordo de comparticipação com o Estado, originando grandes dificuldades financeiras para estas instituições”. Como o futuro é promissor, o nosso interlocutor Fernando Lopes pretende ainda construir na ala superior do edifício do posto médico, um espaço destinado às funcionárias da instituição. O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Elvas afirma com algum carinho que este projeto será como “um prémio para as colaboradoras, pois reconheço que todas elas merecem”.


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A crescer pouco a pouco para uma qualidade de vida melhor Santa casa da misericórdia de gáfete Inserida no concelho do Crato, a Santa Casa da Misericórdia de Gáfete ,com mais de 300 anos de história e dedicação, presta assistência nas variadas valências: centro de dia, apoio domiciliário e lar de idosos.

josé marquito vinagre Provedor

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nstituições muito antigas como a Santa Casa da Misericórdia de Gáfete depararam-se com a dificuldade em encontrar registos históricos exatos no que respeita à data da fundação da instituição. “Segundo os dados que conseguimos reunir através do arquivo nacional ‘Torre do Tombo’, a Santa Casa de Gáfete foi fundada a 15 de novembro de 1698”, confidencia o provedor José Vinagre, em entrevista à Revista Business Portugal. Após vários anos de incerteza, em meados de 1886 começaram a surgir documentos que comprovem e revelem mais informações acerca da instituição. O provedor, no decorrer da conversa, revelou que o grande salto na história da Santa Casa de Gáfete aconteceu em 23 de junho de 1985, com a criação do centro de dia, inicialmente com capacidade para dar

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resposta a 40 idosos. A 7 de novembro de 2003, data em que o atual provedor tomou posse, bem como os atuais corpos sociais da irmandade, é o momento em que “a instituição começou a conquistar um outro estatuto de credibilidade e confiança para as pessoas”, afirmou José Vinagre. A ambição de inovar, aumentar e criar novas valências resultou na criação do apoio domiciliário, que obteve uma adesão significativa por parte da população de Gáfete. Esta valência atualmente contabiliza cerca de 33 utentes. Quem visita a Santa Casa da Misericórdia de Gáfete não consegue ficar indiferente ao seu espaço amplo, leve e luminoso. Um encanto natural e muito agradável para os utentes lá residentes desfrutarem de uma qualidade de vida digna.

O edifício atual do lar de idosos é uma obra concluída no ano de 2007, inicialmente despendia de 20 camas, mas o sucesso e a forte procura levaram à implementação de mais, originando um total de 24 camas até ao momento. O lar tem 10 quartos duplos e três individuais. O espírito empreendedor e a vontade de vencer são visíveis na Santa Casa da Misericórdia de Gáfete, sendo revelados na voz do provedor José Manuel Marquito Vinagre alguns dos projetos idealizados. A criação de apartamentos independentes são um exemplo das obras aprovadas na Câmara Municipal até ao momento. Com o objetivo de atingir um segmento de utentes específico, o projeto aprovado contabiliza a construção de seis apartamentos. Está, também, em curso o projeto de ampliação do lar com mais oito camas.


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“Tínhamos duas opções. Escolhemos vencer” Santa casa da misericórdia de arez A Santa Casa da Misericórdia de Arez foi criada no ano de 1517 e, segundo os estatutos em vigor, continua a ser, à semelhança das outras misericórdias, “uma associação de fiéis, constituída na ordem jurídica canónica, com o objetivos de praticar atos de culto católico, de harmonia com o seu espírito tradicional, informado pelos princípios da doutrina e moral cristãs”.

de que não somos proprietários, incapaz de continuar a assegurar de forma apropriada as funções que lhe competem e menos ainda as que se vierem a acrescentar. Contamos iniciar ainda este ano a obra do novo edifício. A dignidade dos utentes e colaboradores, as necessidades da população (residente e a residir fora mas disposta a tornar-se utilizadora dos serviços a prestar, como provam as várias informações entregues nesse sentido na misericórdia) exigem que avancemos.

maria josé mandeiro Provedora

Como caracteriza a missão da Santa Casa da Misericórdia de Arez? A missão da Santa Casa é sustentada pela filosofia que deriva do enquadramento das restantes misericórdias espalhadas um pouco por todo o país. Guia-se pelos seus fins e pelas necessidades sentidas na comunidade, visando o desenvolvimento local e a proteção de grupos sociais mais vulneráveis. O desafio para a Misericórdia de Arez e para a sua obra social resume-se de forma simples: ou cresce ou encerra as portas. Nós optamos por crescer e vencer. No fundo, o que pretendemos é construir um projeto amigo dos utentes, dos utilizadores

e dos funcionários em ambiente de respeito mútuo. Quais as valências a que a instituição dá resposta? A obra social da Misericórdia iniciou-se em 1982, com a criação do Centro de Dia. Posteriormente, o serviço de Apoio Domiciliário foi criado em agosto de 1986. Atualmente, é na base dessas duas obras sociais que a Misericórdia ainda hoje se apoia. Qual o maior desafio enquanto provedora da instituição de Arez? Vivemos num edifício com mais de 100 anos, adaptado,

Qual o número de utentes da instituição nas duas valências? Quantos funcionários prestam serviço à Santa Casa da Misericórdia de Arez? Enquanto instituição somos uma micro-misericórdia e essa realidade transmitisse em números. Na valência de centro de dia temos sete utentes e no que abrange o serviço de apoio domiciliário damos resposta a 19 utentes. Enfrentando todas as dificuldades contamos com a colaboração de sete funcionárias. Enquanto provedora da instituição e figura de luta por um futuro melhor, qual a mensagem que gostaria de deixar aos nossos leitores? Na Santa Casa da Misericórdia de Arez nós não somos diferentes das restantes instituições. A dignidade humana é inerente ao facto de sermos pessoa. E não de sermos muitas pessoas. Assim sendo, vamos continuar a lutar de modo a preservar uma instituição digna e que ofereça aos seus utentes um futuro de qualidade. Nascemos em 1517, e continuamos a acreditar que o futuro é possível.

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Conforto e qualidade em ambiente familiar Senior club Aberto em setembro de 2013 pela força da união familiar e aliança de conhecimentos técnicos na área da construção, decoração e gerontologia, o Sénior Club acolhe os seus utentes com conforto e qualidade de serviço num ambiente familiar. A propósito deste projeto, conversamos com Marco Canudo, diretor técnico.

Administração

Como nasce o Sénior Club? Dentro do nosso seio familiar existem competências diferenciadas, as quais decidimos aliar para criar o Sénior Club. O meu pai é construtor, a minha mãe decoradora e administrativa, um dos irmãos fisioterapeuta, o outro jurista e eu formado em Direito, Gerontologia e Gestão. Qual a capacidade do Sénior Club e quais as valências? Temos capacidade para 64 utentes com residência permanente, dez utentes em Centro de Dia e 80 utentes de Apoio Domiciliário. Falamos de uma instituição com capacidade para dar uma considerável resposta social, sendo a nossa responsabilidade acrescida por tão elevado número de utentes. Neste momento apenas temos a residência a funcionar, ainda não passámos para as outras duas fases, que são o Centro de Dia e o Apoio Domiciliário. Que atividades proporcionam aos utentes? Os idosos são um público-alvo muito difícil, mas extremamente compensador. Tentamos analisar o que

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os nossos utentes conseguem fazer e o que necessitam, investindo ao máximo na sua ocupação, recuperação e bem-estar. Ao nível de infraestruturas temos todas as condições necessárias; desde uma vista magnífica para o Tejo a uma sala de cinema; piscina onde realizamos aulas de hidroterapia, salas de fisioterapia e ginásio, para fisioterapia de manutenção e de recuperação, salas de atividades e de trabalhos manuais, biblioteca, sala de computadores, cabeleireiro, horta, jardins, entre outros. Temos de tudo um pouco. Criámos um espaço que é maravilhoso, com pessoal competente, desde a enfermagem, fisioterapia, médico, às técnicas de geriatria, que os alicia a aproveitar a vida. Todos os utentes utilizam as infraestruturas e serviços? Sim, mesmo que com menos capacidade. Durante o dia, os utentes autónomos entram e saem quando querem, voltando para utilizar os espaços que acabei de enumerar como se de um hotel se tratasse. Os que não têm essa capacidade, tudo fazemos para adaptar o que temos disponível às suas necessidades, tendo em

consideração que trabalhamos sobretudo com utentes que ainda têm capacidade ou recuperação possível, para usufruir dos nossos serviços. Enquanto família, é mais fácil aproximarmo-nos tanto dos utentes como dos familiares, pois percebem que não existimos para ter um serviço apenas lucrativo, mas para que eles se sintam verdadeiramente em casa. Sessões de música, de teatro, as danças, as marchas populares, as sessões de anedotas, as caças ao tesouro e até mesmo as idas diárias ao café são exemplos da nossa envolvência com todos eles. Qual o balanço que faz desde a abertura até hoje? Faço um balanço positivo! O Sénior Club tem capacidade para 64 utentes e neste momento, temos aproximadamente 40. Isto desde setembro de 2013, o que é muito bom. Cerca de metade dos utentes vieram por recomendação das pessoas que frequentam ou que conhecem as nossa casa, algo que nos deixa muito satisfeitos. Muitas das dificuldades não estão por vezes, em lidar com os idosos ou com as famílias, mas em quem lida diretamente com os mesmos. Enquanto


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diretor técnico, tenho muita dificuldade em encontrar profissionais competentes para a função, posso afirmar que essa é a minha grande luta, mas que com o passar do tempo revela excelentes resultados e uma grande equipa. Quais os próximos passos? Iniciar o serviço de Centro de Dia e o Serviço de Apoio Domiciliário. O primeiro funcionará para que as pessoas que se sentem seguras na sua morada, mas que não têm ocupação diária e ninguém com quem estar. Acabam por beneficiar de grande parte dos nossos serviços, mesmo não residindo connosco. Instituições como a nossa são o ideal, pois proporcionamos uma segurança constante e uma qualidade de vida acima da média. Iremos também entrar na vida de muitas pessoas, apoiando-as nas suas casas, com as limitações óbvias ao apoio que é fragmentado no dia, e à segurança distinta daquela que é proporcionada na nossa estrutura principal, mas que permite uma maior abrangência a diferentes realidades e necessidades. Para quando a abertura destes dois serviços? Pretendemos abrir até ao final do ano. A abertura do Centro de Dia está pendente por uma questão de logística, a do Apoio Domiciliário está depende de um investimento em recursos humanos e equipamento.

O que diferencia o Sénior Club ao nível do preçoqualidade? Fizemos um estudo para poder calcular o preço justo dentro dos serviços que oferecemos e o que os utentes podem pagar. Um utente que vier viver connosco tem uma mensalidade que começa nos 1.250 euros, estando o nosso valor a par de inúmeros lares com condições de serviço bastante inferiores. Incluímos neste valor a alimentação, o tratamento da roupa, a fisioterapia de manutenção, a hidroterapia, a utilização do ginásio, da biblioteca, dos computadores, as múltiplas atividades, a animação, a enfermagem, o acompanhamento médico, entre outros serviços. Estou convicto de que os nossos preços são bastante competitivos para a nossa qualidade. Qual é o papel da família na instituição e para o utente? A família tem um papel muito importante e, por isso, não temos horário de visitas, nem para os utentes, nem para quem nos quer conhecer. Os familiares e amigos podem vir almoçar, lanchar ou jantar connosco, as portas do Sénior Club estão sempre abertas! Trabalhamos enquanto família e queremos diariamente proporcionar o que quero para os meus próprios avós, que não por acaso, também vivem connosco no Sénior Club.

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inovação em português

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014 tem sido uma ano marcado pela recuperação da economia portuguesa e, consequentemente, pelo crescimento das empresas nacionais. Sempre atenta à actualidade, a Revista Business Portugal tem dado relevo ao trabalho desenvolvido pelas empresas e instituições nacionais que se caraterizam pelo empreendedorismo, inovação e dinamismo, relativamente ao leque diversificado de serviços e produtos que tem ao dispor dos seus clientes. Deste modo, o conceito de inovação assume particular relevância e define-se como o processo de exploração e experimentação de novas ideias, cujo objetivo é o sucesso de uma organização. Isto é, traduz-se no aumento de faturação, internacionalização e exploração de novos mercados, aumento das margens de lucro, entre outros benefícios. A inovação dos processos, dos produtos, da formação e da qualificação da mão de obra traduz-se num maior valor acrescentado para as empresas relativamente aos seus concorrentes, direcionando-as para o caminho do sucesso tanto a nível nacional, como no mercado externo. A comprovar isso mesmo, e com objetivos bem definidos a curto e a médio prazo, esta edição de agosto dá a conhecer exemplos de sucesso de empresas nacionais, com como a Ship4you, MT Brandão, Instituto Politécnico de Beja e a Youcork, que têm na inovação a sua principal alavanca para um crescimento sustentado.

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“Fazer da Cortiça algo diferente” Youcork Herdaram o gosto da cortiça do avô e do pai. Elsa Gamero (EG) e Ricardo Gamero (RG) são atualmente os administradores da YouCork, empresa que criaram há cerca de 4 anos. Com o slogan “Play to Nature”, esta empresa marca pela diferença, pela inovação e design. A Revista Business Portugal foi conhecer com mais pormenor este projeto. nos suportar. Dessa vontade, nasceram soluções para aquilo que já sabíamos fazer, tirando muito partido dos vários anos de know-how. Temos a noção que quando entrámos neste mercado trouxemos uma lufada de ar fresco, porque conseguimos vários padrões novos, nunca antes vistos em cortiça. Com certeza que esse facto terá dinamizado outras empresas porque começámos depois a ver outras a evoluir, também nesse sentido e a procurar fazer coisas novas. elsa gamero e ricardo gamero Administradores

Quando assumiram a liderança deste negócio de família e que mudanças trouxeram? EG: Há cerca de quatro anos iniciamo-nos e quisemos criar uma nova imagem, inovação na cortiça e a aplicação em outras coisas. RG: Era a única forma de entrar porque estávamos num mercado saturado e, por isso, tivemos que tomar uma decisão - ou paramos este negócio de família ou seguíamos para um conjunto de outras coisas dentro do ramo. Acabamos por decidir seguir e quer por sorte, quer por sacrifício, conseguimos chegar onde estamos hoje. Inicialmente, começámos por fazer pavimento com um equipamento que tínhamos parado há muitos anos e que não era suposto recuperar. Iniciámo-nos nesta vertente após uns contatos com a Alemanha. Como acharam muito interessante o nosso produto, apresentaram-nos um fabricante em Portugal para fazer o acabamento, já que naquele momento eramos pequenos e não tínhamos capacidade, e foi da relação com esse fabricante em Portugal que nós fomos crescendo em dimensão. Entretanto, surgiu a hipótese de fazermos algo de diferente. Não queríamos estar dependentes de um só produto porque, se alguma coisa corresse mal, não tínhamos outras vertentes para

E têm um slogan? RG: Sim. A nossa ideia era que o nome tivesse uma certa comparação com o youtube e daí o YouCork, porque a marca está ligada a algo que nós queremos mostrar e depois o slogan está relacionado com o carregar no play e por isso é ‘Play for Nature’. EG: Queremos com este slogan transmitir a imagem de um produto natural, com suavidade, em que não são utilizados químicos. Passar a imagem de que o nosso produto é o mais natural possível. Neste momento que produtos têm à disposição do cliente? RG: Começámos por fazer só pavimentos e depois avançámos para os decorativos de parede. Entretanto, evoluímos para os tecidos e, muito recentemente, estamos a desenvolver, numa fase já muito avançada, a componente dos papéis de parede com muita qualidade para uma área de luxo. Este produto pretende-se que seja quase artesanal, feito manualmente. A ideia é ter um produto que não possa ser feito massivamente e que nos permita ter um preço diferente. Hoje temos que nos destacar e, por isso, queremos fazer coisas realmente diferentes com o nosso conhecimento. Isto não significa que não iremos criar um papel de parede para ser feito

de uma maneira mais massiva e mais barato, porque de certeza que teremos de abranger dois tipos de público. Qual é a visão que têm do setor em que estão inseridos e quais as maiores dificuldades? RG: Eu acho que a cortiça está na moda e isso tem sido uma boa alavancagem para o setor. De repente, toda a gente fala em cortiça e há razões para isso acontecer. Entendo que o trabalho da APCOR ao nível do InterCork tem sido fabuloso e tem trazido, com certeza, um feedback muito grande. A criação dos tecidos dá também uma grande visibilidade à cortiça. Ao nível das dificuldades, entendo que a única que o setor tem está relacionada com as matérias primas. Entendo que temos que estimar mais a floresta, porque toda a indústria se baseia numa matéria prima com características muito específicas. A extração é feita em três meses e temos que esperar nove anos para que a cortiça seja extraída, o que é muito tempo. Tal significa que a base desta indústria tem de estar muito enquadrada com aquilo que são as preocupações ambientais hoje em dia. A grande questão é conseguir que isso não seja violado e manter a cortiça disponível. As quantidades hoje já não são as desejáveis e a qualidade da cortiça tem vindo a decair ao longo dos anos, porque os montados não são devidamente cuidados. A reflorestação está a decorrer, mas ainda não apresentou os resultados que se pretende. Depois, não podemos esquecer que para tirar a primeira cortiça trabalhável de uma árvore são precisos 45 anos e, por isso, é necessário um projeto que ultrapassa as pessoas, um projeto de interesse nacional. Quais os projetos da YouCork para o futuro? RG: Nós temos alguns projetos muito interessantes ao nível do conceito. Neste momento, preferimos não desvendar muito, mas penso que desde a indústria automóvel até à da própria energia, a cortiça tem o seu lugar devido às propriedades que tem. Entendo que o futuro passa por encontrar as melhores aplicações para a cortiça de forma a que ela seja bem valorizada.

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Soluções simples, à sua medida Ship4you A Ship4you é uma empresa recente, localizada em Alcabideche, que atua na área da logística e do marketing direto e tem no mercado externo o seu principal público-alvo. Sob a direção de Cristina Coelho, a Ship4you tem como lema principal “tentar fazer a vida do cliente o mais simples possível”.

a equipa ship4you

Crescimento sustentado A Ship4you nasceu em 2012 após a restruturação de uma empresa suíça, que decidiu abandonar o mercado, e atualmente dedica-se à área da logística integrada e do marketing direto, tendo ao dispor dos clientes um conjunto alargado de serviços que vão desde a gestão e manutenção de bases de dados, gestão e armazenamento de mercadorias, processamento de encomendas, serviços promocionais de marketing direto e web marketing, serviços de assistência a clientes e e-commerce. Paralelamente a este leque de serviços, dispõem ainda de um departamento informático, com um software próprio, desenvolvido internamente e que está também à disposição dos clientes, na língua mãe de cada país, que se tem vindo a revelar uma das mais-valias da empresa. Paralelamente, o cliente pode gerir todos os seus mercados a partir de uma mesma plataforma. A rapidez na execução dos serviços é outra

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das vantagens competitivas da empresa portuguesa, dado que, neste tipo de negócios, os clientes são muito exigentes com os prazos de entrega. Inicialmente, a preocupação imediata foi “consolidar e estabilizar a empresa para poder avançar no mercado”, revela a administradora. Atualmente, a Ship4you conta com cerca de 98 por cento de clientes estrangeiros, essencialmente empresas de venda à distância e considera estar mais capacitada e habilitada para este mercado, que ao mesmo tempo é vasto, uma vez que operam praticamente em toda a Europa e estão também com alguns projetos na América Latina, nomeadamente Brasil e México. “Temos também parceiros em toda a Europa, que prestam o mesmo serviço que nós, mas operam para outros destinos. Esta parceria entre nós e os nossos clientes permite, a determinado tipo de empresas, trabalhar a Europa toda”, conta Cristina Coelho. “Não temos a ambição de fazer tudo, alicerçamo-nos nos nossos parceiros”, salienta a administradora. Os serviços

de tradução, e do webmarketing são apenas algumas das parcerias que a Ship4you estabelece com outras empresas portuguesas e estrangeiras. O que, por vezes, coloca alguns constrangimentos ao estabelecimento de parcerias portuguesas é a demora na disponibilização dos orçamentos ou o custo excessivo dos serviços pretendidos. Após dois anos em funcionamento, a administradora faz um balanço positivo. “Foram dois anos muito duros e muito intensos, mas não me arrependo, tenho uma equipa fabulosa”, refere Cristina Coelho. Com 24 colaboradores, a Ship4you tem no rigor e na excelência da sua equipa um dos seus fatores-chave de sucesso. Juntos há vários anos, estes elementos “vestem a camisola e empenham-se a 100 por cento na satisfação de cada cliente, razão pela qual a empresa vingou em plena época de crise financeira”, elucida a administradora. Como é que se têm adaptado à fragilidade económica que Portugal e a Europa


REVISTA BUSINESS PORTUGAL INOVAR PARA CRESCER enfrentam, perguntamos a Cristina Coelho. A resposta não tardou. “O facto de trabalharmos basicamente com clientes estrangeiros faz com que não tenhamos estado tão sujeitos a variações. No entanto, sentimos que este mercado está a cair e o mercado nacional está a subir ligeiramente”. Numa área tão volátil como é a da logística e do marketing direto, a Ship4you tem que estar sempre preparada para se adaptar e conhecer o funcionamento dos mercados e dos países dos seus clientes. “A capacidade de experimentarmos novos mercados e novas soluções é também uma vantagem, uma vez que, no espaço de um mês, somos capazes de pôr um novo projeto a funcionar”, adianta a administradora. Com formação académica na área da engenharia eletrónica e das telecomunicações, Cristina Coelho revela que a sua principal motivação é o contacto e relação direta com as pessoas.

Projetos para o futuro A Ship4you não para e tem em mente o desenvolvimento de novas parcerias e a procura de novos mercados, em países diferentes, num curto prazo. Assim sendo, o desenvolvimento de projetos com a Roménia está também no horizonte da empresa portuguesa, bem como, o relançamento do mercado espanhol. “Temos confiança no futuro e estamos prontos para dar o salto para novos países e novos continentes”, adianta Cristina Coelho. Relativamente, ao estado do setor da logística e do marketing direto em Portugal não existe propriamente uma concorrência assumida para a Ship4you. O que existem são grandes empresas nacionais que prestam alguns dos mesmo serviços no que à venda à distância diz respeito. Não existem empresas com um serviço tão integrado como a Ship4you, “gostamos de pensar que não temos concorrência, mas sim parceiros”, afirma a administradora. A parceria entre as empresas é encarada como uma vantagem competitiva pela Ship4you, pelo que a reunião dos pontos fortes dos vários parceiros permite um serviço de qualidade e a satisfação plena dos clientes.

Serviço integrado Tendo como principal objetivo a satisfação plena dos clientes, a Ship4you define a sua filosofia como “tornar a vida dos clientes o mais simples possível”. Isto é, a rapidez na execução do serviço, a comunicação na língua materna de cada país e qualidade são a imagem de marca da empresa. Apesar de ser uma empresa com uma estrutura e cultura portuguesa, a escolha do nome Ship4you reflete um posicionamento claramente assumido para os mercados internacionais. Isto é, as setas a amarelo, vermelho e verde refletem as cores da bandeira nacional e como estão voltadas para fora traduzem a expedição para mercados estrangeiros. Simplicidade e clareza são os valores transmitidos pelo logotipo da empresa.

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Na vanguarda da tecnologia Mt brandão Implementada há 30 anos, pelas irmãs Teresa Pinto da Silva (TPS) e Maria Jorge Pinto da Silva (MJPS), a MT Brandão assume-se como líder de empresas distribuidoras de equipamentos de teste e análise nas áreas da petroquímica, alimentar, farmacêutica, lasers e ótica. Um dos princípios da MT Brandão é “só representarmos os melhores, por isso temos muito cuidado ao escolher os nossos parceiros”, afirmam as diretoras.

teresa pinto da silva e maria jorge pinto da silva Diretoras

Como nasce a MT Brandão? TPS: A MT Brandão foi fundada por mim e pela minha irmã. Era uma altura em que fazíamos tudo: desde levar a correspondência para o correio, buscar encomendas e entregá-las ao cliente. A empresa foi crescendo com o aumento do número de marcas com que trabalhamos e uma maior visibilidade no mercado. Começamos pelas universidades, na área da investigação que era o mercado que eu conhecia melhor, devido ao meu background técnico na área da física, nomeadamente em lasers e ótica. Depois começamos a conhecer outras técnicas, como as utilizadas em caracterização de materiais, mas sempre muito virados para a investigação. Passados cinco anos, entramos no mercado industrial na área da petroquímica. Quando a MT Brandão fez dez anos fomos convidados por uma das nossas representadas, curiosamente de lasers e ótica, a ficar com o escritório de distribuição que eles tinham em Espanha e, obviamente, agarrámos essa oportunidade.

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O mercado da petroquímica veio a seguir e hoje somos uma empresa de referência tanto em Espanha como em Portugal na área de distribuição de equipamentos de teste para Refinarias e Laboratórios de Controle de Qualidade naquela área. Na área de lasers e ótica, em Portugal somos líderes de mercado. Quais são os vossos principais mercados? TPS: Houve outros mercados que se foram desenvolvendo como o mercado de alimentação & bebidas e a indústria farmacêutica. Hoje em dia, a grande maioria dos nossos clientes estão mais na indústria do que na área científica. Primamos por ter mercados diferenciados, ligados tanto ao setor público, como ao privado, de modo a termos sempre um equilíbrio caso haja alguma crise num desses setores. Alguns dos nossos clientes dizem que existe a era antes e depois da MT Brandão; isto porque a nossa filosofia sempre foi a de suporte ao cliente. Até ao surgimento da MT Brandão,

as empresas forneciam os equipamentos aos clientes e não davam qualquer tipo de apoio técnico. Apostamos muito na formação dos nossos comerciais e técnicos, que são licenciados, mas recebem formação específica nas fábricas das nossas representadas. Deste modo, os nossos clientes sentem confiança e segurança porque sabem que quando compram na MT Brandão têm um suporte técnico especializado, tanto no momento de decisão de compra da solução, como durante toda a vida do equipamento. A MT Brandão dá formação aos clientes para saberem utilizar os equipamentos? TPS: Sim. Apostamos na formação dos nossos clientes para eles poderem utilizar os equipamentos em conformidade. Notamos que cada vez mais querem poder usar o equipamento para testar a sua produção de imediato. Isso implica que, além de explicarmos o seu funcionamento e potencialidades, programamos


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os métodos necessários para a aplicação do cliente. Muitas vezes pedem-nos formação específica em determinados equipamentos porque a empresa tem novos colaboradores e não tem tempo de lhes dar formação ou pretendem aumentar o seu conhecimento de modo a conseguir um maior rendimento. Fazemos contratos de assistência técnica, calibrações de equipamentos em tempo útil. Cada vez mais, as pessoas estão habituadas a ter respostas rápidas e isso implica uma maneira de estar completamente diferente de há 20 anos atrás. Nessa altura, uma máquina podia ficar parada durante dois meses, hoje poderá ficar horas, isto porque temos stocks, técnicos qualificados e maior rapidez em termos logísticos. Quais são as mais-valias da vossa empresa? TPS: É muito importante estarmos preparados e termos uma grande experiência. Duas das grandes vantagens da MT Brandão é ter representações com as quais trabalha há muito tempo e dispor de técnicos e comerciais muito bem formados. Como a nossa área abrange equipamentos de tecnologia de ponta, o conhecimento desses produtos é cumulativo, não se aprende de uma só vez. Além disso, o mesmo equipamento pode ser utilizado em indústrias muito diferentes, o que implica conhecer também a aplicação do cliente. Por exemplo, um densímetro tanto pode ser utilizado para medir a densidade da gasolina ou gasóleo, como do vinho ou da cerveja. A equipa é constituída por quantos elementos? TPS: Nós somos 14 pessoas em Portugal. Temos quatro técnicos, cinco comerciais, duas administrativas e uma ligada ao departamento de Marketing. A diretora financeira/administrativa e da qualidade, Maria Jorge Pinto da Silva, e a diretora comercial, Teresa Pinto da Silva. A MT Brandão é uma empresa certificada? MJPS: Somos uma empresa de serviços certificada desde 2001 pela norma NP EN ISO 9001:2008. Creio que fomos uma das primeiras em Portugal. A alteração das normas de certificação e a sugestão de um dos nossos maiores clientes, a Petrogal de Sines, levou-nos a dar esse passo. Neste momento representam quantas marcas e quantos produtos totaliza? TPS: Estamos organizados por divisões, de acordo com o tipo de produtos. Temos a Divisão de Lasers e Optoelectrónica que abrange a parte de ótica e lasers – Newport e SpectraPhysics; a de Instrumentos de Análise de Laboratório que é bastante mais extensa e abrange várias marcas, nomeadamente Metrohm, Anton Paar e PAC; a Divisão de Processo que se dirige à área de controle em linha – Applikon e Anton Paar; a divisão didática que abrange equipamentos para o ensino da física, química e biologia nas universidades – Phywe e Helioentris; a Divisão de Teste e Medida com equipamentos como as câmaras de termografia que tem muitas aplicações em manutenção – NEC AVIO; a

Divisão de Caracterização de Materiais com Analisadores de Partículas, XPS, Difração Raios-x – Microtrac e ThermoScientific. Estamos agora a lançar a Divisão de Ciências da Vida com equipamentos para Analise de Tecidos biológicos e Dissecação Laser. Na área do controlo de qualidade das bebidas e da petroquímica somos líderes de mercado. Como carateriza o mercado da MT Brandão? MJPS: Temos um mercado muito pequeno, por isso somos obrigados a diversificar. Se compararmos o mercado português com o espanhol temos cinco vezes menos mercado do que do outro lado da fronteira, por isso, temos necessidade de representar mais marcas. Em Espanha temos melhores resultados e maior faturação com um número menor de representadas. O crescimento tem sido feito de forma sustentável? MJPS: Houve uns anos melhores que outros, mas temos vindo sempre a crescer ao longo destes anos. É muito complicado fazer distribuição em Portugal. É necessário representar mais marcas e a equipa comercial tem de conhecer um maior número de equipamentos. Há a perspetiva de expandir para outros mercados, para além do espanhol? MJPS/TPS: Estamos a tentar expandir para Angola, mas é um mercado complicado na nossa área. Algumas situações podem ser interessantes, como as universidades e a investigação. Relativamente à área da petroquímica o mercado angolano é muito importante e interessante. Se surgir uma oportunidade talvez seja uma opção. Por onde passa o futuro da MT Brandão? MJPS/TPS: Passa pela economia europeia melhorar e, se isso acontecer, a nossa economia também melhorará. Se isso ocorrer, haverá mais investimento nas universidades e centros de investigação, o que não tem acontecido nestes últimos anos. Felizmente, a indústria da petroquímica andou num ciclo contrário ao da investigação, quer em Portugal quer em Espanha e isso foi ótimo para nós. Estamos a olhar para o mercado da biomedicina onde há uma grande aplicação de técnicas óticas, que é uma das áreas que dominamos. Estamos atentos a este mercado e por isso criamos já a Divisão Ciências da Vida. Qual é o balanço que fazem deste ciclo de 30 anos? MJPS/TPS: Só o facto de existirmos ao fim de 30 anos é um balanço positivo! Estamos em força no mercado e com vários projetos para continuarmos a crescer. Passámos por décadas de evolução a nível de informática, de telecomunicações e de transportes. Conseguimos acompanhar essa evolução e vamos continuar com esta forma de estar no mercado. Por isso fazemos investimentos contínuos na nossa página web e em marketing digital. www.mtbrandao.com

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UMA INSTITUIÇÃO AO SERVIÇO DA SOCIEDADE instituto politécnico de beja Atualmente o Instituto tem uma estrutura académica que inclui quatro Escolas – Escola Superior Agrária, Escola Superior de Educação, Escola Superior de Tecnologia e Gestão e a Escola Superior de Saúde. Vito Carioca, presidente do IP Beja, apresenta o Politécnico como um instituto virado para os alunos, professores e funcionários.

vito carioca Presidente

Como carateriza o Instituto Politécnico de Beja e a sua localização? O IP Beja acompanha o perfil e a matriz nacional. São tempos de preocupações, de muitas limitações provocados pelos estrangulamentos financeiros. O maior problema é a recessão demográfica e a desertificação. Desde 2010 perdemos cerca de 500 alunos, isto muito devido às causas que apontei anteriormente, mas também devido aos constrangimentos financeiros das famílias. Muitos alunos optam por trabalhar e estudar, mas muitas vezes não conseguem conciliar as duas coisas. O que sugeria para inverter esta situação? Sugeria uma análise rigorosa de custo-benefício às regiões do interior. No caso de Beja deveria haver uma aposta financeira grande. O comboio era fundamental, o melhoramento das vias rodoviárias e uma efectiva dinamização do aeroporto. O Alqueva está a começar a dar frutos é um exemplo das muitas potencialidades do Alentejo. Deveria haver políticas de fixação da população, de apoio à natalidade. Era necessário voltar às origens, de voltar à terra e cultivá-la. É presidente do IPBeja há 5 anos. Qual é o balanço

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que faz? Faço um balanço muito positivo. Apesar deste ser o pior período do Instituto – devido à conjuntura geral do nosso país – temos 34 anos de existência e estes têm sido os cinco anos mais difíceis por variáveis externas como acabei de referir. Estes últimos cinco anos também foram diferentes porque antes tínhamos um modelo de estatutos de gestão descentralizada nas unidades orgânicas e passamos para um modelo de centralidade em que tudo assenta no presidente. A formação dos docentes deu um salto muito grande, temos um corpo docente com cada vez mais de doutorados, o que é excelente. A dimensão social é um ponto forte do Instituto, assumimo-nos como uma organização de intervenção social, de apoio aos nossos alunos, procuramos pensar as pessoas em primeiro lugar. O que diferencia o IPBeja dos outros politécnicos com a mesma dimensão? As medidas que foram implementadas nos últimos dois anos em relação aos alunos: bolsas de mérito social, apoio a atividades como o “summerfield”, em que os alunos desenvolveram actividades no verão e ficaram com as propinas pagas, por um empresário agrícola da região; temos uma ligação forte ao “Santander”

que também nos está a apoiar. O nosso segredo tem sido a forma como vemos os alunos e os apoiamos. Iremos ter um programa de apoio para os alunos com dificuldades em algumas disciplinas mais complexas, como matemática e ciências. Como vê o estado atual do ensino superior? Eu defendo que um país culto é aquele que tem cada vez mais licenciados, mais mestres e mais doutorados; quanto maior for a ignorância de um país, mais dificilmente conseguirá ser um país competitivo; principalmente a nível europeu. Acredito que a formação, a educação, a ciência, a cultura e a investigação são pilares fundamentais no desenvolvimento sustentável de uma nação. Enquanto presidente do IPBeja, qual foi a decisão que mais o marcou, que mais lhe custou tomar? A decisão mais difícil de tomar é quando não renovo contratos, quando tenho de comunicar às pessoas que não há lugar para elas no ano seguinte. Todas as decisões que envolvem pessoas são sempre difíceis de tomar. É um presidente próximo dos alunos?


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Sim, muito! Para mim a dimensão social de intervenção é fundamental, essa acompanha tudo o resto: saber se os alunos, professores e funcionários estão bem, como se sentem, se há insatisfação, se há fome; são conceitos que nos aparecem e existem atualmente. Só com muita proximidade é que nos podemos aperceber destes problemas. Que projetos tem em mente para o IPBeja? A oferta formativa é uma questão, para nós, muito pertinente e queremos ter uma oferta que se enquadre nas exigências de empregabilidade atual. Apostamos nos mestrados, numa ligação forte ao ensino profissional, o estabelecimento de novas parcerias com os nossos colegas (de outros Institutos) na área de intervenção no sentido de articular a oferta formativa. Estas são questões para nós muito importantes, mas estabilizar o número de alunos é a mais importante de todas. Como gostava de ver o IP Beja daqui a cinco anos? Gostava de ver o Politécnico com 3.000 alunos, com mais patentes, mais inovador, com renovação da oferta formativa nomeadamente a ligada às áreas emergentes aqui no baixo Alentejo. Com um corpo docente estável, se possível, todos Doutorados; estável financeiramente, com todos laboratórios a funcionar em pleno (vamos acreditar os de investigação). Gostava que fosse um politécnico pulsante, dinâmico e principalmente um politécnico de afetividades!

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20 anos de trabalho acompanhados de um crescimento sustentável Lidergraf - sustainable printing Líder no mercado nacional das artes gráficas, a Lidergraf foi fundada em 1994. Com uma oferta variada de soluções, serviços e produtos gráficos, onde a criatividade e a imaginação são uma prioridade, de modo a superar as expetativas dos clientes mais exigentes. O compromisso ambiental, ético e a responsabilidade social são encaradas pela empresa como um elo fundamental. a receção à venda do produto certificado. Não existia um modelo a seguir, as próprias entidades certificadoras em Portugal estavam a dar os passos iniciais, e nem existiam auditores acreditados para ambos os referenciais, sendo que tivemos a presença de um auditor espanhol. Esta situação acabou por criar condições para um conhecimento profundo sobre estas duas normas e aumentar a nossa credibilidade perante os nossos clientes, tornando-se uma vantagem competitiva para a Lidergraf, bem como os clientes que inicialmente adotaram pela compra de produtos com a certificação PEFC e FSC.

Andrea carneiro Diretora Técnica

Num momento de comemoração do 20º aniversário da Lidergraf, qual o balanço do trabalho realizado ao longo dos anos, tendo em especial enfoque as questões de sustentabilidade e ambiente? O balanço é muito positivo, não encaramos estas preocupações como uma moda, mas é algo que define a identidade da Lidergraf enquanto empresa, e achamos fundamental desafiar os nossos parceiros a também estarem atentos às questões da sustentabilidade. Ao longo dos anos, fomos adaptando a forma de comunicar o trabalho desenvolvido, mas o essencial mantém-se. Continuamos a acreditar no compromisso que tínhamos na fundação da empresa, há 20 anos. São uma empresa pioneira em Portugal na certificação segundo as normas FSC e PEFC. Falenos desse processo pela qual a Lidergraf passou e se tornou uma referência. A certificação FSC e PEFC é uma certificação aplicada ao produto de origem florestal (papel, no nosso caso). Surgiu na nossa empresa no ano de 2008. Fomos os pioneiros na implementação e certificação destas normas no nosso setor de atividade, bem como no mercado em geral. Partilhamos da opinião de que tudo o que é novo significa um novo desafio e, por isso, pusemos mãos à obra e implementámos o nosso sistema em tempo record, nomeadamente ao nível dos sistemas de informação, que permitiram criar um processo robusto ao nível da rastreabilidade e um workflow simples desde

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Muitos dos nossos leitores certamente não têm grande conhecimento do que significa as certificações FSC e PEFC. Como se desenvolve esse processo de certificação e dos logótipos associados? As duas normas de certificação o FSC e PEFC podem ser consideradas como ‘concorrentes’, pois embora defendam princípios muito idênticos, as suas origens são distintas. No essencial, estas duas normas visam contribuir para a promoção da sustentabilidade das florestas mundiais através de uma gestão equilibrada da floresta tendo em conta os três pilares da sustentabilidade, ou seja, os interesses ambientais, sociais e económicos. Há princípios que são acautelados como, por exemplo, assegurar que a madeira cortada não é em maior quantidade do que a madeira regenerada; as árvores são replantadas ou há regeneração natural após corte; proteger a exploração e abate ilegal e proteger os povos indígenas e os direitos e segurança dos trabalhadores. A certificação da Cadeia de Responsabilidade tem como objetivo estabelecer uma ligação, com base em informação verificável, entre a matéria-prima incluída num produto de base florestal (no nosso caso, o papel) e a origem dessa matéria-prima. Permite ainda a colocação de declarações e/ou rotulagem referente à origem das matérias-primas incluídas nos produtos de base florestal. Um exemplo será uma revista produzida na Lidergraf com o logotipo PEFC ou FSC e respetiva alegação. Qual o feedback por parte dos clientes? Foi bastante positivo. A Lidergraf elegeu alguns clientes que poderiam ter interesse em usar o produto certificado e comunicá-lo. De certo modo, estava relacionado com o background do cliente e o seu posicionamento ao nível da sustentabilidade, também ligada à divulgação

nacional, pois para a empresa era também importante que existisse força de expressão. A certificação correspondeu a um aumento da competitividade para a Lidergraf? Podemos dizer que aumentou a responsabilidade, no sentido de fazer bem e de acordo com as normas certificadas. Desde o momento que determinada organização assume publicamente uma certificação, posteriormente tem de prestar um serviço bem feito e de qualidade. Nem sempre é fácil mensurar a competitividade, mas é verdade que existem clientes que ainda hoje quando procuram um produto que tenha certificação FSC e PEFC, consultam a Lidergraf por termos sido pioneiros e podermos vender produtos com uma certificação florestal. Falando dessa competitividade, a Lidergraf tem um posicionamento de liderança. Assumem-se “não como a maior, mas a melhor”. Quais os grandes desafios que têm encontrado ao longo dos tempos? Efetivamente, a nossa visão é ser a melhor empresa de artes gráficas aos olhos de clientes, colaboradores, fornecedores e investidores. Os nossos desafios são implementar diariamente os valores que acreditamos, trabalhando todos os dias para proporcionar a qualidade e excelência no que fazemos; manter a disponibilidade e espírito de mudança para superar a concorrência e manter o entusiasmo e a determinação em fazer melhor. Procuramos ainda de modo contínuo melhorar a nossa produtividade e eficiência em todos os aspetos do negócio, nomeadamente assegurar que as gerações vindouras possam usufruir dos mesmo recursos naturais de que dispomos atualmente e também como a reputação da Lidergraf é importante, promover junto dos nossos parceiros relações de elevada confiança. Alcançando duas décadas de sucesso, trabalho e dedicação com todo o compromisso ambiental, económico e social intrínseco ao DNA da Lidergraf, quais os maiores desafios que sentem que têm em mãos? No futuro, pretendemos continuar a fazer o melhor possível, mantermo-nos atualizados aos vários níveis, de modo a continuar a ser uma empresa líder, não só de nome mas também de ações e de solidez na organização.


Revista Business Portugal | Agosto '14