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Revista

Ano 7 Nº 35 Novembro/Dezembro 2012

Uma parceria pela geração de trabalho e renda no país.

ISSN 1809-466X

R$ 12,00

Editora Círios

Ano 7 Número 35 2012 R$ 12,00

A Fundação Banco do Brasil e o BNDES se uniram para promover o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais e urbanas que vivem em situação de vulnerabilidade econômica, por meio de programas e tecnologias sociais voltados à geração de trabalho e renda.

5,00

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Em três anos, foram investidos R$ 130 milhões, envolvendo mais de 120 mil famílias no processo de transformação social. www.fbb.org.br/bndes-fbb

OPERAÇÃO ATLÂNTICO III

EM DEFESA DA AMAZÔNIA AZUL


2 REVISTA AMAZテ年IA

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eletrobras.com

A Eletrobras investe cada vez mais para que a eletricidade chegue a todos, em cada cantinho do Brasil, com segurança e responsabilidade. Atuando num país que não para de crescer, ela dissemina muito mais que energia: por onde passa, leva também cidadania. Já são mais de 14,5 milhões de beneficiados, que podem usufruir do direito da energia elétrica e de ter em suas casas conforto, qualidade de vida e dignidade. A chegada da luz ainda traz novas oportunidades para quem sabe fazer bom uso dela. Famílias, cooperativas e pequenos produtores estão conseguindo aumentar a sua produção, e também a sua renda, sem precisar abandonar a sua terra. Tem energia mais poderosa que essa? Há 50 anos, nossa energia transforma a vida dos brasileiros.

Romeriton Produtor beneficiado pelos Centros Comunitários de Produção

2 REVISTA AMAZÔNIA

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Revista

Editora Círios

Dez mil homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica estiveram em alerta máximo de meados para fins de novembro, visando à proteção da chamada Amazônia Azul, como é conhecida a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil no mar. Eles participaram da Operação Atlântico III, sob comando do almirante-de-esquadra Gilberto Max Hirschfeld e coordenação do Ministério da Defesa...

12 11ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica Especialistas ambientais de 170 países da ONU se reuniram na cidade de Hyderabad e alertaram que o mundo tem apenas uma década para evitar uma extinção das espécies, que também representa uma ameaça à Humanidade...

Realizado no Auditório Nereu Ramos o “VI Simpósio Amazônia: Desenvolvimento Regional Sustentável Regiões Norte e Nordeste”, teve a presença de deputados, senadores, Ministros de Estado líderes dos partidos, estudiosos e sociedade civil. Entre os participantes, destacamos a presença dos deputados Wilson Filho, Carlos Manato, Sarney Filho, Henrique Afonso, Janete Capiberibe, Franscisco Praciano, o senador Wellington Dias e outros parlamentares...

21 Ganhadores do Prêmio FINEP, Região Norte

Os vencedores da região Norte do Prêmio FINEP de Inovação 2012 foram conhecidos em cerimônia no Espaço Cultural São José Liberto, em Belém (PA). Em sua 15ª edição, o Prêmio recebeu 588 inscrições, um aumento de 56% em relação a 2011. A região Norte teve 39 inscritos, e 10 finalistas; estes são os cinco vencedores, por categoria: Amazon Dreams...

36 Extrativistas plantam o futuro na Amazônia

Uma série de novos desafios e metas para os próximos três anos foi estabelecida durante o III Congresso do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), realizado este ano em Macapá, marcando o Amapá como o grande protagonista do evento.

XPEDIENTE

PUBLICAÇÃO Período (novembro/dezembro) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn

FAVOR POR

PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn CIC

RE

18 VI Simpósio Amazônia

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COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn

I LE ESTA REV

ARTICULISTAS/COLABORADORES Camillo Martins Vianna , Cinthya Simões, Ciro Antônio Rosolem, Elder de Abreu, Lílian Guimarães, Edy Prado, Adryane Magalhães, Fabiola Gomes, Michaela Füher, Karla Marques, Sarney Filho, Silke Wünsch e Torsten Schäfer e Walter Chile FOTOGRAFIAS Agência Câmara, Arquivo Fucapi, Andy Hardin, André Abrahão, Antônio Cruz/Abr,Benichio,,Bruno César Barreto, Antônio Silva, Carlos Silva, Carlos Sodré/ Agência Pará, Deshraj Yogi, GODDARD, João Paulo Gonçalves, Jose Paulo Lacerda;, Laiana Rios, Leonardo Prado, Luiz Padilha, Marcelo Camargo/ABr, Márcia do Carmo, MSFC, NASA, Gustavo Arouche, Pentop, Rafael Forte,Perigo, Ricardo Stuckert/ Instituto Lula; Roberto Stuckert Filho/PR, Rogério Rangel/ FINEP, Rudolph Hühn , Sergio Amaral, Tânia Rêgo/ABr, valter Camparato/Abr, Zilfhes Wartys e Willian Putman EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA Mapa do Brasil com a Amazônia Azul, em hachurado azul claro

52 Biônica: a tecnologia imita a natureza

Mais conteúdo verde

[05] Prêmio culturas indígenas [10] Navio oceanográfico apoiará pesquisas minerais do Brasil em 2013 [24] 4º Global Social Business Summit [26] VII Olimpíada do Conhecimento [28] Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia [30] Forum Green Tech 2012 [34] Economia da natureza mostra que proteger o ambiente compensa [40] Plano Safra da Pesca [43] Nº de patentes e tecnologias licenciadas cresce e incentiva capital científico [44] Inpe desenvolve câmera astronômica inovadora [45] Nanotecnologia: novos horizontes, novos desafios [46] NASA usa laser e 3D para criar complexas partes de foguete [47] Nasa cria trem ecológico magnético [49] Amazonas Greenergy - Simpósio Internacional de Energia Sustentável [50] Empresa britânica faz combustível a partir de ar e água [54] O uso de computação intensiva na ciência [56] Sprout: um lápis com uma semente [60] Prêmio Eureca New Scientist [64] Aves da Amazônia estão mais ameaçadas do que nunca, alerta IUCN [66] Quanto vale o ambiente? [68] “Produz Brasil 2012” [70] Extinção de espécies na Amazônia deve aumentar até 2050

Editora Círios

ISSN 1809-4 66X

A biologia é cheia de truques e serve de inspiração para a tecnologia. Pode-se dizer que Leonardo da Vinci inventou a biônica quando estudou o voo dos pássaros. A águia prolonga as penas da extremidade de suas asas de forma que deslize pelo ar, gastando pouca energia. Com o movimento descendente das asas, ganha-se empuxo...

ST A

06 Operação Atlântico III

Ano 7 Número 35 2012 R$ 12,00 5,00

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OPE ATLÂNTRICAÇÃO O III DA AMAZ ÔN

EM DEFESA

IA AZUL REVISTA AMAZÔ

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Portal Amazônia

www.revistaamazonia.com.br PA-538


Povos Indígenas do Alto Xingu

Prêmio culturas indígenas

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esde 05/11 e até 5 de fevereiro de 2013, o Prêmio Culturas Indígenas está recebendo inscrições para sua 4ª edição, que leva o nome de Raoni Metuktire, líder do povo Mebengokre, conhecido internacionalmente por sua luta pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação da Amazônia. A cada edição o Prêmio é realizado por uma organização indígena em parceria com o Ministério da Cultura. Neste ano, a organização indígena proponente é a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ARPINSUL. A premiação é realizado com o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e irá premiar 100 projetos voltados para a manutenção da identidade e o fortalecimento das culturas tradicionais dos índios: 30 com o valor de R$ 20 mil e 70 com R$ 15 mil. O concurso terá um investimento total de R$ 1.650.000,00. Todas as comunidades indígenas do Brasil podem participar, realizando uma ou mais inscrições, até 5 de fevereiro de 2013. O formulário online deve ser preenchido até 14h do último dia do prazo. Podem ser feitas também inscrições por escrito e oralmente. Serão aceitas apenas iniciativas coletivas, de caráter comunitário. Saiba mais no edital.

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16 de outubro, no Diário Oficial da União Os interessados podem se inscrever pelo site do prêmio www.premioculturasindigenas.org.br ou pelos Correios, por meio de carta registrada para o seguinte destinatário: PRÊMIO CULTURAS INDIGENAS 4a Edição – Raoni Metuktire Caixa Postal 66256 São Paulo, SP – CEP: 05314-970

Como participar Raoni Metuktire, líder do povo Mebengokre, conhecido internacionalmente por sua luta pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação da Amazônia

Criado pelo Ministério da Cultura em parceria com ONGs do Grupo de Trabalho das Culturas Indígenas, o prêmio se propõe a desburocratizar o acesso desse grupo às políticas públicas, desde 2006. Até hoje, foram contemplados 256 projetos de valorização cultural. O edital realizado pelo MinC, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, foi publicado no dia

Para participar do Prêmio Culturas Indígenas, os proponentes deverão encaminhar à Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, documento que comprove a participação e aprovação da(s) comunidade(s) na elaboração da iniciativa cultural; carta de declarações do representante da iniciativa cultural; e formulário de inscrição devidamente preenchido. O formulário de inscrição também poderá ser respondido oralmente, através de gravação em áudio ou vídeo (CD, DVD ou outro meio). Dúvidas sobre o Prêmio Culturas Indígenas devem enviadas pelo formulário do site ou esclarecidas pelos telefones (11) 39383559 / 39693558.

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Operação Atlântico III Marinha, Exército e Aeronáutica fazem operação conjunta para proteger Amazônia Azul Fotos: Tânia Rêgo/ABr, Luiz Padilha

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Navio-Tanque “Marajó” e Corveta “Barroso” em transferência de óleo no mar

ez mil homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica estiveram em alerta máximo de meados para fins de novembro, visando à proteção da chamada Amazônia Azul, como é conhecida a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil no mar. Eles participaram da Operação Atlântico III, sob comando do almirante-de-esquadra Gilberto Max Hirschfeld e coordenação do Ministério da Defesa. O objetivo foi de simular possíveis ataques estrangeiros a pontos estratégicos ao longo da costa, desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, incluindo a infraestrutura petrolífera, principalmente contra os campos do pré-sal, usinas hidrelétricas e nucleares, portos e refinarias. Este

Assalto aéreo do DstMec em uma manobra “fast rope”

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Operação em alto-mar das Forças Armadas

ano o comando do teatro de operações é da Marinha, que empregará sete navios, dois submarinos e seis helicópteros. O Exército participou com cerca de 200 viaturas de vários usos e a Aeronáutica disponibilizou 15 aeronaves, incluindo quatro aviões de ataque. A Operação Atlântico 3 foi acompanhada a partir da Escola Naval do Rio de Janeiro por um Estado-Maior, chefiado pelo contra-almirante José Renato de Oliveira. Dali foram dadas as ordens de ataque e defesa do exercício. “A operação teve grande importância pela integração das três forças e para garantir a proteção da Amazônia Azul, onde estão as plataformas do pré-sal. Foram si-

Novo sistema "CISNE" auxilia o sucesso das ações da Operação Atlântico III O Centro de Integração de Sensores e Navegação Eletrônica (CISNE) está sendo, pela primeira vez, empregado em uma operação de simulação de guerra. Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), com o suporte do Centro de Apoio a Sistemas Operativos, o CASOP se encontra em fase de testes no Navio de Desembarque de Carros de Combate “Almirante Sabóia”, primeiro navio da Marinha a operar com o sistema. O CISNE é um sistema produzido com tecnologia e pessoal nacionais, o que facilita sua instalação e desenvolvimento. Atualmente, são utilizados sistemas internacionais. “Nossa ideia é instalar em todos os navios da Força. Futuramente será integrado com o SSTT3 que é um sistema de simulação de navegação utilizado para treinamento na Escola Naval”.

Comando das ações no mar no NDCC “Almirante Saboia”

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A operação em alto-mar das Forças Armadas

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ôos rasantes, bombas, tiros de canhão e metralhadoras e fumaça em plena costa brasileira fizeram parte da simulação de ataque de duas aeronaves contra o navio de desembarque de carro de combate Almirante Sabóia, de 138 metros de comprimento, da Marinha brasileira. O ataque simulado, feito a cerca de 80 quilômetros da entrada da Baía de Guanabara, foi um dos exercícios da terceira edição da Operação Atlântico III, coordenada pelo Ministério da Defesa. De acordo com o comandante da Primeira Divisão da Esquadra da Marinha, contra-almirante Márcio Ferreira de Mello, testes como esses servem para preparar o país para emergências que possam ameaçar a chamada Amazônia Azul, área marítima com cerca de 700 quilômetros de extensão a partir da costa brasileira. “Neste ano focamos na defesa de instalações estratégicas, como as nossas plataformas de petróleo e nossas linhas de comunicação marítimas, pois o tráfego marítimo é responsável por 95% do nosso comércio exterior”. Outro objetivo importante, segundo Ferreira de Mello, é testar e incrementar a integração entre as três Forças para momentos de atuação conjunta. A operação durou duas semanas, mobilizou cerca de 10 mil homens das Forças Armadas e custou aproximadamente R$ 15 milhões. Além da parte marítima, que contou com submarinos, navios-patrulha oceânicos, fragatas e corvetas, a parte aérea mobilizou aviões, helicópteros e homens, enquanto carros de combate do Exército encarregaram-se da proteção terrestre. Ao longo do dia foram feitos cinco exercícios: simulação de ataque de aeronaves à Força Naval, de incêndio a bordo causado por ataque, incidente de proteção marítima envolvendo um suposto navio exercendo atividades ilegais em águas brasileiras, tiro de superfície sobre alvo à deriva e a transferência de um militar entre dois navios. As operações Atlântico anteriores ocorreram em 2008 e 2010. O contra-almirante ressaltou que todos os anos as Forças Armadas fazem pelo menos duas operações de testes, na costa ou nos rios brasileiros.

Tenente Talita realizando o briefing meteorológico

A Operação Atlântico III mobilizou mais de 10 mil militares Estado-Maior Conjunto da Operação Atlântico III, no encerramento das atividades

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Gurupi patrulhando a Bacia de Campos

Amazônia Azul Um território submerso de milhões de quilômetros quadrados, repleto de riquezas biológicas e minerais, como o Pré-Sal, gás natural e o petróleo. Esta é a Amazônia Azul, área de interesse mundial e protegida pela Marinha do Brasil, de onde são extraídos aproximadamente 88% da nossa produção de petróleo, cerca de 2 milhões de barris/dia o que, a preços conservadores, fica na ordem de US$ 2 bilhões por mês. Por ela, circulam aproximadamente 95% do nosso comércio exterior, cujo valor total deve alcançar bilhões de dolares. mulados ataques à Reduc [Refinaria Duque de Caxias, da Petrobras] e à estação de tratamento de Guandu [onde é captada a água da região metropolitana do Rio]”, disse o contra-almirante. O militar explicou que 95% das riquezas que o país importa ou exporta passam pelo mar, o que justifica garantir um domínio seguro das rotas na região. Um dos submarinos foi usado como arma de apoio a essas linhas de comunicação, enquanto o outro simulou um ataque inimigo, tudo coordenado pelo Estado-Maior. “O subma-

rino é uma arma que tem como principal característica a discrição, sendo essencial na guerra naval. O principal projeto da Marinha hoje é a construção do submarino nuclear, que deverá estar navegando por volta de 2025.” A Amazônia Azul tem 3,6 milhões de quilômetros quadrados e se estende por 200 milhas náuticas, cerca de 370 quilômetros, a partir da costa. Além dos campos petrolíferos do pré-sal, o fundo do oceano também abriga inúmeros materiais e metais preciosos, que poderão ser futuramente explorados pelo país.

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Navio oceanográfico apoiará pesquisas minerais do Brasil em 2013

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Brasil contará, a partir do próximo ano, com um dos mais modernos navios de pesquisas oceanográficas do mundo. Com a embarcação, avaliada em R$ 162 milhões, será possível aumentar o volume de informações sobre recursos minerais e biológicos na chamada Amazônia Azul, como é conhecida a zona econômica exclusiva do mar brasileiro, com 3,6 milhões de quilômetros quadrados. Com isso, o país contará com três navios oceanográficos de grande porte. O valor do navio, que está sendo construído em Cingapura, foi dividido entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Petrobras, a Marinha e a Vale. O acordo de cooperação foi assinado com a presença do ministro Marco Antonio Raupp. “É uma plataforma científica e tecnológica importante para fazer levantamento, explorar, ter conhecimento sobre o mar e a geologia do fundo do mar. Exploração mineral, de petróleo, tudo sob o desafio da sustentabilidade, sem destruir os recursos naturais. Para termos sucesso como potência ambiental, só poderemos fazer isso com conhecimento”, disse Raupp. Ele considerou que o interesse das empresas em investir no navio se justifica pelas possíveis novas descobertas de metais preciosos a serem explorados no leito do oceano, o que poderá ser a nova fronteira econômica do país neste século. “As empresas também reconhecem que sem ciência e tecnologia não têm futuro e, por isso, estão investindo. Várias empresas estão buscando minérios no fundo do mar e o mesmo querem fazer aqui. Temos que ter meios de reconhecer [as potencialidades] para ter capacidade regulatória de como utilizar esses recursos.” A coordenadora-geral para Mar e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Janice Trotte, ressaltou a parceria inédita para a construção do navio, envolvenAlpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP)

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Amazônia Azul (hachureado), inclui o mar territorial e a Zona Econômica Exclusiva da plataforma continental

Para aumentar o volume de informações sobre recursos minerais e biológicos da Amazônia Azul

do recursos públicos e privados. “O modelo de parceria é totalmente inovador, em que você junta os interesses do governo e da iniciativa privada. É um navio de última geração, está entre os cinco melhores do mundo, confere condições de trabalho à nossa comunidade oceanográfica ainda não experimentadas, em termos de conforto e na capacidade de gerar conhecimento.” Janice disse que atualmente pesquisadores brasileiros precisam atuar em navios estrangeiros no Atlântico Sul, pela ausência de uma plataforma de pesquisa adequada, o que deverá mudar com a entrada em operação da nova embarcação. Segundo ela, ainda serão necessários novos navios para atender à demanda na região. Atualmente, o país conta com o Cruzeiro do Sul, vinculado à Marinha, e o Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), como plataformas de grande alcance.

A nova embarcação vai permitir que o país faça explorações mais aprofundadas do leito oceânico, em busca de metais e materiais preciosos. “Nos mantínhamos em um patamar atrás por não dispor de plataforma de infraestrutura embarcada para chegar a esse tipo de exploração. Já temos conhecimento de rochas cobaltíferas e fosforitas e diversos outros recursos minerais muito valorizados no mercado internacional. Temos esta fronteira a desbravar, jamais desenvolvida em nosso país”, disse a coordenadora. O navio foi solicitado pela Marinha a 22 estaleiros nacionais e estrangeiros. A embarcação tem 78 metros de comprimento, autonomia de 60 dias no mar, acomoda 146 pessoas, sendo 40 a 60 pesquisadores, três laboratórios, robô com capacidade de coletar amostras no fundo marinho, podendo operar a até 5 mil metros de profundidade. O custo do navio será dividido entre os quatro parceiros: MCTI, R$ 27 milhões, Marinha, R$ 27 milhões, Vale, R$ 38 milhões, e Petrobras, R$ 70 milhões. Cruzeiro do Sul, vinculado à Marinha

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11ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica Fotos: Deshraj Yogi, Rudolph Hühn e Zilfhes Wartys

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specialistas ambientais de 170 países da ONU se reuniram na cidade de Hyderabad e alertaram que o mundo tem apenas uma década para evitar uma extinção das espécies, que também representa uma ameaça à Humanidade. “A atual crise económica global não nos deve deter, an-

tes pelo contrário, deve encorajar-nos a investir mais na melhoria do capital natural, para garantir a continuidade dos serviços dos ecossistemas, dos quais toda a vida na Terra depende”, disse Jayanthi Natarajan, ministro indiano do Ambiente e das Florestas, na sessão de abertura da COP 11, das Nações Unidas, em Hyderabad, na Índia. Ele disse ainda: O fracasso em financiar a proteção da biodiversidade significaria um preço maior a pagar no longo prazo. “Os gastos com a biodiversidade precisam ser vistos na verdade como um investimento que terá benefícios para nós e para as gerações futuras”.

Conservação da Biodiversidade Para a conservação das espécies ainda existentes no mundo

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Jane Smart, diretora da União Internacional para a Conservação da Natureza, afirmou que os países deveriam deixar de ver a proteção ambiental como um peso financeiro. “Investir em infraestrutura natural é uma relação de custo-benefício para responder às necessidades humanas de longo prazo, assim como uma economia estável e a geração de empregos”, disse. Mas “em um momento de crise econômica global, é um investimento que percorrerá um longo caminho”, admitiu ela. Quase a metade das espécies de anfíbios, um terço dos corais, um quarto dos mamíferos, um quinto de todas as O evento realizado em Hyderabad, na Índia, teve como principal desafio a captação de recursos para a conservação das espécies ainda existentes no mundo. Os signatários da convenção defenderam que as economias mais desenvolvidas contribuam financeiramente para a conservação da biodiversidade. Mas, sob alegações baseadas principalmente nos impactos provocados pela crise mundial, os países mais ricos resistem a se comprometer com esse tipo de responsabilidade. Os recursos captados devem ser utilizados pelos países mais pobres para implantar o Plano Estratégico de Biodiversidade, orientados pelas Metas de Aichi. Essas diretrizes foram acertadas durante a Conferência das Partes (COP-10), em Nagoya, no Japão, em 2010, a partir de cinco objetivos estratégicos: *Envolver governo e sociedade na identificação e no combate às causas fundamentais de perda de biodiversidade; *Reduzir as pressões sobre a biodiversidade, *Promover a sustentabilidade, *Proteger os ecossistemas, espécies e diversidade genética; *Usar os benefícios de biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

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Cerimônia de iluminação da lâmpada

plantas e 13% das aves do planeta correm risco de extinção, segundo a “Lista Vermelha” compilada pela União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN.

Países dobrarão fundos para biodiversidade em países pobres MF Farooqui, Índia; Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB, e Charles Gbedemah, Secretário da COP/MOP 6

Ao término da COP11, os governos concordaram em dobrar o financiamento até 2015 para que países pobres revertam a perda crescente de recursos naturais. O acor-

Plenária de abertura da COP / MOP 6 Tapeçaria representando a Mãe Terra e biodiversidade Delegada jogando pétalas em homenagem ao aniversário de Mahatma Gandhi

Entretenimento cultural na COP / MOP 6

Bjørn Bedsted, Coordenador do WWViews Global entregou o proteto a Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB

Ampla vista no Mundo sobre a Biodiversidade O projeto World Wide Views on Biodiversity, coordenado pelo Ministério do Ambiente da Dinamarca, organizou um dia de debate, sobre a biodiversidade envolvendo 3000 cidadãos em 25 países. Em mesas redondas foram debatidas as principais questões da atualidade e a forma como são vistas pela sociedade civil. O relatório final, que conclui que 96% dos inquiridos dizem estar preocupados com a perda da biodiversidade, foi apresentado na COP11 aos decisores políticos e entregue a Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB . Até ao momento são conhecidas para a ciência dois milhões de plantas e de animais. Todos os anos, os cientistas descobrem cerca de 15.000 novas espécies revistaamazonia.com.br

Dança indiana tradicional com o deus hindu Ganesh

Instalação peixe feito de resíduos de plástico do oceano, criado por Silas e Birtwistle Adão. REVISTA AMAZÔNIA 13


Na abertura da COP 11

do foi concluído após longas noites de duras negociações sobre a extensão e o prazo da nova ajuda, na mesma semana em que 400 plantas e animais foram adicionados à “lista vermelha” de espécies em risco de extinção. Os governos expressaram preocupação no documento publicado no encerramento da reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) de que “a falta de recursos financeiros suficientes” esteja comprometendo os esforços para conter o declínio das riquezas naturais de que os seres humanos dependem para se alimentar, abrigar e manter seus estilos de vida. Eles instaram uns aos outros “a considerar todas as fontes e meios possíveis que possam ajudar a alcançar o nível de recursos necessários”. Na conferência de Nagoia, no Japão, há dois anos, os países da ONU adotaram um plano de 20 pontos para reverter a perda da biodiversidade até 2020. Ryu Matsumoto, ex-ministro do Meio Ambiente do Japão, Hoshino Kazuaki, representante do Ministro do Ambiente, do Japão, entregam o martelo e a Presidência da COP 11 para Jayanthi Natarajan, Ministra do Meio Ambiente e Florestas da Índia

Lyle Glowka, da ecretaria CBD; Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB; MF Farooqui, Presidente da COP 11, e Olivier Jalbert, Secretário da Assembléia

As chamadas Metas de Aichi para a Biodiversidade incluem reduzir à metade a perda de hábitat, expandir áreas terrestres e aquáticas em conservação, evitar a extinção das espécies na lista de ameaçadas e restaurar ao menos 15% dos ecossistemas degradados. Mas o plano tem encontrado barreiras na falta de financiamento para conservação, principalmente em países pobres que lutam contra a inflação, a pobreza e o desemprego em um momento de crise financeira internacional. Larissa Lima Costa, Brasil

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Felipe Ferreira, Brasil

Maria Cecilia Vieira, Brasil

Davi Bonavides, Brasil

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Francisco Gaetani,

A ampliação do sistema de áreas protegidas no mundo foi um dos principais debates entre os secretário executivo do Ministério do países signatários do acordo, e na opinião do secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente Meio Ambiente (MMA), Francisco Gaetani, esse será o grande legado da 11ª Conferência das Partes da Convenção (MMA) sobre Diversidade Biológica – COP11. Com o compromisso serão disponibilizados mais 3 bilhões de euros para apoiar o cumprimento das Metas de Aichi, que pretendem, até 2020, promover a proteção dos ecossistemas mundiais. “O importante é que os países ricos vão dobrar doações em relação à média entre 2006 e 2010. Isso significa que teremos mais 3 bilhões de euros adicionais para apoiar as Metas de Aichi”, disse o secretário, momentos antes de deixar Hyderabad. “As negociação que fizemos foram muito bem sucedidas, graças à atuação do nosso ministério [MMA] e do Itamaraty. O guarda-chuvas do Ibsa [grupo formado por Brasil, da Índia e da África do Sul, destinado a alinhar o posicionamento dos três países durante as negociações] funcionou”, disse o secretário. A conquista foi mais significativa pelo fato de os países ricos terem alegado que a crise mundial impossibilitaria compromissos mais significativos da parte deles. Como os Estados Unidos não são signatários do Protocolo de Nagoia, assinados em 2010 na COP10, eles não estão entre os países que assumiram o compromisso. Pelo documento de Aichi, 17% das áreas terrestres e de águas continentais e 10% das áreas marinhas e costeiras terão de estar protegidas por sistemas de proteção até 2020. O relatório do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, apresentado na última reunião da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), apontou que o Brasil tem, hoje, 16,8% da área terrestre conservada. Mas a proteção da área marinha não ultrapassa 1,5% do total.

Pavan Sukhdev, presidente do painel de alto nível sobre a avaliação global de recursos para a implementação do Plano Estratégico 2011-2020

Participantes indígenas do Brasil, Joziléia Daniza Kaingáng, Lucia Fernanda Jófej Kaingáng e Edna Marajoara Estande do Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola no HITEX

O restauro dos ecossistemas foi um dos temas centrais da COP 11

Delegados do Brasil em consultoria

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No evento paralelo sobre o lançamento da parceria global de informação de espécies exóticas invasoras

Ministros e vice-ministros de 77 países negociaram a essência do financiamento em Hyderabad, sul da Índia, no encerramento da conferência de duas semanas. Eles acabaram concordando em dobrar os recursos vinculados à biodiversidade para países em desenvolvimento até 2015, tendo como base uma média anual de financiamento no período 2006-2010 – e manter este nível até 2020. O número tomado como base não foi revelado. Em contrapartida, os países em desenvolvimento deverão apresentar garantias sobre a utilização dos fundos e implementar estratégias nacionais, proporcionando os meios para preservar a biodiversidade. “É a primeira vez na história que há um acordo que fixa um objetivo financeiro internacional em favor da biodiversidade”, comemorou a ministra francesa da Ecologia, Delphine Batho. Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da União Interna-

Estande do PNUD sobre Exposições Comerciais Internacionais (HITEX)

Assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) sobre a facilidade global de Informação sobre Biodiversidade

Estande da BirdLife

Apresentações de pôsteres na CDB COP 11

Exposição de papel machê sobre a Mãe Natureza Participantes observaram um minuto de silêncio em homenagem à falecida Marie Aminata Khan, membro da equipe CBD

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Veteranos da CDB na COP 11

Manmohan Singh, primeiro-ministro da Índia, anunciou a ratificação da Índia para o Protocolo de Nagoya sobre ABS

cional para a Conservação da Natureza (UICN), também saudou “progressos positivos para alcançar objetivos adotados há dois anos”. “Esses esforços precisam agora de ser ampliados com urgência com financiamentos adequados de todas as fontes possíveis”, ressaltou ela. Para a organização ambiental WWF, por outro lado, o componente financeiro é “decepcionante, porque não é o suficiente para atingir os alvos ambiciosos” adotados em Nagoia. Durante a assembleia plenária de encerramento, que foi concluída às 3h, o Canadá destacou que não concordava com este compromisso, mas sem bloquear o processo. Alguns meses depois da cúpula Rio+20, a conferência permitiu progressos para a proteção das espécies marinhas em alto-mar, cada vez mais expostas aos pescado-

res e às companhias de petróleo. Cerca de cinquenta zonas consideradas sensíveis no Pacífico, no Caribe e no Mediterrâneo foram definidas. Elas devem servir de base para a formação de eventuais áreas marinhas protegidas. A próxima conferência será realizada em 2014, na Coreia do Sul.

Florina Lopez Miro, da Rede Latino-americana de Mulheres sobre Biodiversidade, deu um presente para o Museu da Natureza e Cultura da CBD, para Bráulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB

Malásia, Brasil, Venezuela, Filipinas e Estados Unidos em consultas informais Achim Steiner, Diretor Executivo do PNUMA; Jayanthi Natarajan, Ministro do Meio Ambiente e Florestas, da Índia; ESL Narasimhan, governador de Andhra Pradesh, Manmohan Singh, primeiro-ministro da Índia, Kiran Kumar Reddy Nallari, ministro-chefe, Andhra Pradesh, Hiroyuki Nagahama, Ministro do Ambiente, do Japão, e Bráulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB

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Bráulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da CDB

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VI Simpósio Amazônia Fotos: Agência Câmara, André Abrahão, João Paulo Gonçalves, Leonardo Prado, Gustavo Arouche

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ealizado no Auditório Nereu Ramos o “VI Simpósio Amazônia: Desenvolvimento Regional Sustentável Regiões Norte e Nordeste”, teve a presença de deputados, senadores, Ministros de Estado líderes dos partidos, estudiosos e sociedade civil. Entre os participantes, destacamos a presença dos deputados Wilson Filho, Carlos Manato, Sarney Filho, Henrique Afonso, Janete Capiberibe, Franscisco Praciano, o senador Wellington Dias e outros parlamentares. Representando o Presidente Marco Maia, o deputado Carlos Manato falou que, “a iniciativa do simpósio realizado desde 2007 tem trazido em pauta questões importante oferecendo alternativas para desenvolvimento regional sustentável do Norte e Nordeste”. Para Manato, “no atual plano de governo umas das prioridades é combater as desigualdades sociais visando o crescimento econômico e a redução da pobreza. A iniciativa da comissão junto com o presidente Wilson Filho reforça a política sustentável e promove ações que irão influenciar no desenvolvimento de vários setores da sociedade”. O presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Sarney Filho, afirmou que, “as políticas de governo estão alheias à crise climática sofrida pelas regiões Norte e Nordeste, dificultando o desenvolvimento sustentável. E diz, “espero que esta Casa saiba aproveitar essa oportunidade para influenciar as políticas de governo”. O deputado Wilson Filho,presidente da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR), autor do requerimento 156/2012 que resultou no VI Simpósio,disse que o grande desafio do Simpósio era obter resultados práticos após o debate teórico sobre o desenvolvimento sustentável. De acordo com Wilson Filho, “neste ano, o tema em pauta é o Desenvolvimento Regional Sustentável para as Regiões do Norte e Nordeste. Quando falamos de desenvolvimento no Brasil, é necessário pensar em ações que visem a produção de riquezas, preservação ambiental e a redução das desigualdades sociais”. “É importante o planejamento e a execução de políticas 18 REVISTA AMAZÔNIA

Deputado Wilson Filho, presidente da CAINDR, foi o autor do requerimento que resultou no VI Simpósio Amazônia: Desenvolvimento Regional Sustentável Regiões Norte e Nordeste

que promovam a integração nacional e busquem alternativas para o desenvolvimento sustentável de todas as regiões brasileiras, respeitando as suas particularidades e necessidades. A atenção especial dada para o Norte e Senador Wellington Dias, presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal

Nordeste neste VI Simpósio é visto como uma oportunidade de apresentar um processo de evolução social e econômica para as regiões mais necessitadas do País”. O presidente conclui, “hoje, o Nordeste passa pela maior seca dos últimos 50 anos, e o Norte convive com problemas primários como a indisponibilidade de voos comerciais, altas tarifas e outras questões que precisam de resolução. Nosso objetivo com a realização do VI Simpósio é entregar uma carta com dados obtidos nesse debate à presidente Dilma Rousseff com sugestões para o desenvolvimento sustentável das regiões Norte e Nordeste”. O VI Simpósio foi dividido em três Mesas. A primeira teve como tema a Economia Verde Inclusiva, baseado no relatório divulgado pela ONU durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que pode tirar milhões de pessoas da pobreza. No contexto de transição para essa nova economia, o Brasil tem condições de ocupar papel de destaque, uma vez que dispõe de capital natural, biodiversidade, sociodiversidade, matrizes energéticas bem equilibradas, políticas de distribuição de renda, além do estímulo à pesquisa, a qualificação de mão de obra, entre muitos que podem servir de base à construção de uma economia próspera, com preservação ambiental e redução da pobreza. A segunda Mesa, coordenada pela deputada Janete Capiberibe, tratou de Energia e Transporte, dois setores de importância fundamental no combate às mudanças climáticas decorrentes da elevação dos gases de efeito estufa na atmosfera. Os veículos que circulam nas cidades são causadores de problemas ambientais, por isso é necessário qualificar o planejamento urbano, instrumento essencial para a organização de malhas de transporte O deputado Sarney Filho, presidente da Comissão do Meio Ambiente da Câmara, em seu pronunciamento

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adequadas às demandas da sustentabilidade. A deputada Janete cobrou do Governo Federal a criação da linha de crédito para os estaleiros tradicionais da Amazônia, com recursos do Fundo da Marinha Mercantes, subsídio de até 50%, 6 anos de carência e 20 para pagar. “Motores velhos e inadequados que provocam acidentes com escalpelamentos nas embarcações seriam dados como entrada e tirados de operação”, explicou a deputada. A terceira Mesa colocou em questão a Agricultura, Indústria e Turismo, dando sequência ao debate sobre possibilidades de conciliar crescimento econômico, inclusão social e cuidado com o meio ambiente. O senador Wellington Dias, presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, afirmou que “está na hora de termos, Congresso, Governo, setores diversos da sociedade, uma discussão mais práticas, a partir das experiências exitosas e estudos que já existem no País, sobre o desenvolvimento regional, principalmente dos estados da região amazônica, o Nor-

Na abertura do VI Simpósio da CAINDR: Luiz Gil Siuffo (Vice -Presidente Financeiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC), o Deputado Federal Wilson Filho (Presidente da Comissão da Amazônia), o Deputado Manato ( Segundo Suplente de Secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados),Deputado Sarney Filho(Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados) e o Senador Wellington Dias(Presidente da Subcomissão Permanente do Desenvolvimento do Nordeste, da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal)

Deputado Manato representou o presidente da Câmara Marco Maia

te brasileiro, e do Nordeste, observando atentamente as potencialidades de cada estado, cada região, investindo nas suas cadeias produtivas de modo geral”. O presidente da Comissão do Meio Ambiente da Câmara, deputado Sarney Filho, voltou a lembrar que esse tema A mesa sobre Economia Verde Inclusiva, com a coordenação do Deputado Francisco Praciano

Luiz Gil Siuffo, vice-presidente financeiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC

– desenvolvimento com sustentabilidade – foi bastante discutido na Conferência Rio+20, “mas não houve uma deliberação prática”. E cobrou uma posição “mais concreta, prática e eficiente” do governo brasileiro para execução de ações de promoção do desenvolvimento regional e projetos de sustentabilidade para o Norte e Nordeste do País. Para Luiz Gil Siuffo, vice-presidente financeiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC tem uma visão positiva sobre os avanços revistaamazonia.com.br

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Energia Limpa Os expositores do Ministério do Meio Ambiente mostraram-se satisfeitos com os resultados conseguidos na Amazônia, especialmente no que se refere à redução do desmatamento e às políticas públicas para implantação de infraestrutura, como a construção de hidrelétricas, hidrovias, rodovias e portos com menor impacto social e ambiental. Já o diretor de políticas públicas do Greenpeace Sérgio Leitão afirmou que “pelo governo federal, parece que nós vivemos em um país banhado pelo óleo diesel. O Governo Federal esquece que vivemos num país tropical, com imenso em potencial de energia limpa”, referindo-se às gerações eólica e solar, ainda pouco presentes como fonte de energia no Brasil. “O país tem alternativas. O país não precisa de hidrelétricas”, arrematou. Segundo Leitão, não há qualquer base que justifique a construção de hidrelétricas na Amazônia, e considerou que o poder público brasileiro tem dificuldade de dialogar com as populações mais empobrecidas. Mesmo assim, o Brasil figura entre os países com grande percentual de energia limpa: 44,1% de toda a energia usada no país e 88,8% da eletricidade, enquanto a média mundial é de 25% e 20%, respectivamente. Os dados reafirmados pelos palestrantes foram apresentados pela deputada Janete, para quem “é preciso ressalvar os impactos sociais e ambientais das hidrelétricas para classificá-las como geradoras de energia limpa”. Pedindo licença à deputada Janete Capiberibe, Ricardo Padilha, do Ministério do Meio Ambiente, sugeriu que sejam instaladas placas geradoras de energia solar nas coberturas do Congresso Nacional e um sistema de captação e uso de água da chuva. sustentáveis no País e acredita que o Brasil tem dado exemplo ao mundo nessa direção, por exemplo, com a produção de combustível não poluente, como o etanol e o biocombustível. “Além disso, somos privilegiados pela natureza, mais de 40% da nossa energia é hidráulica, temos sol o ano inteiro para a energia solar, e somos favorecidos pelos ventos, o que pode nos transformar num país com grande produção de energia eólica”. O deputado federal Jesus Rodrigues, que também participou do evento, ressaltou que é urgente a promoção Deputado Valtenir Pereira, Coordenador da terceira mesa

Hidrovias

Paulo Barreto, Engenheiro Florestal, Mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Yale e Pesquisador Senior do Imazon, na palestra de abertura do VI Simpósio Amazônia

de políticas públicas para o crescimento econômico e a redução da pobreza nas duas regiões. O VI Simpósio promoveu a discussão sobre a necessidade de definir soluções para o crescimento sustentável das regiões Norte e Nordeste e também colocou em questão se o Brasil está evoluindo para o desenvolvimento sustentável. A deputada Janete Capiberibe coordenou a 2ª mesa que debateu Desenvolvimento com Sustentabilidade: Energia e Transporte

O coordenador do Projeto de Transporte Hidroviário e Construção Naval na Amazônia (THECNA), Waltair Vieira Machado, afirmou que apenas 0,29% do volume de cargas na Amazônia é transportado por via fluvial e 60% por via marítima. Segundo ele, o transporte hidroviário custa 1/10 do que custa o rodoviário. Apontou, ainda, gargalos na construção naval, como a técnica precária para montagem de blocos e a tubulação. Disse ainda que 80% dos mais de 442 mil usuários do transporte hidroviário de passageiros na Amazônia, a maioria na faixa até 3 salários mínimos, reclamam do serviço, especialmente nos aspectos de segurança, higiene e conforto. A Bacia Amazônica tem mais de 23 mil quilômetros de rios navegáveis. Menos de um terço está sendo usado. A frota naval de cargas e passageiros na Amazônia tem idade média ponderada de 14 anos, chegando a média de 18 anos em algumas classes (ANTAQ, fevereiro de 2011). Finalizando, Machado, do THECNA, afirmou: “Podemos, sim, fazer embarcações de madeira na Amazônia com qualidade e alto valor agregado”. [*] Com informações da Agência Câmara, de Gil Maranhão, Sheila Guelfi e Sizan Luis Esberci.

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Ganhadores do Prêmio FINEP, Região Norte Fotos: Rogério Rangel/FINEP Arqivo Fucapi, Pentop, Bruno Cesar Barreto, Rafael Forte, Carlos Sodré Agência Pará

O

s vencedores da região Norte do Prêmio FINEP de Inovação 2012 foram conhecidos em cerimônia no Espaço Cultural São José Liberto, em Belém (PA). Em sua 15ª edição, o Prêmio recebeu 588 inscrições, um aumento de 56% em relação a 2011. A região Norte teve 39 inscritos, e 10 finalistas; estes são os cinco vencedores, por categoria: Amazon Dreams (PA) - Pequena Empresa; FUCAPI - Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (AM) – Instituição de Ciência e Tecnologia; Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM) – Tecnologia Social; Pentop do Brasil (AM) – Tec-

nologia Assistiva; Pharmakos d’Amazônia (AM) – Inovação Sustentável. O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Pará, Alex Fiúza de Mello, na abertura da cerimônia, afirmou que o Prêmio é “uma tradição e uma referência para se consolidar a cultura do empreendedorismo, e que a natureza da premiação, que prestigia os esforços regio-

nais, é um incentivo especial à inovação”. O coordenador do Prêmio na região Norte, Rochester da Costa, representando o presidente da FINEP, Glauco Arbix, disse que o evento é “um incentivo e um reconhecimento para que as regiões mostrem o que fazem de melhor ao País e ao mundo”, e desejou boa sorte ao vencedores do Norte na etapa nacional, que será no Palácio do Planalto, em dezembro. Em 2012, são nove categorias contempladas, e o vencedor de cada categoria regional concorre automaticamente à etapa nacional. Este ano, pela primeira vez na história do Prêmio, serão disponibilizados de R$ 100 mil a R$ 600 mil para os primeiros colocados regionais e nacionais de cada categoria, totalizando cerca de R$ 9 milhões. As categorias Média Empresa e Inventor Inovador não tiveram finalistas na região Norte. Grande Empresa e Inovar Fundos concorrem apenas à final Nacional. Vencedores da região Norte

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Pequena Empresa – Amazon Dreams (PA) Etapa Regional

A Amazon Dreams fornece antioxidantes naturais e óleos naturais, a partir de espécies nativas do bioma amazônico. A empresa tem capacidade de extrair, Colocação os Categoriaseparar e purificar antioxidantes de espécies florestais da amazônia com um grau de pureza de até 90%, de forma sustentável, com certificação orgânica e segurança Inventor alimentar. 1º lugar Inovador Antioxidantes de Açai Clarificado

Tecnologia Assistiva

1º lugar

Inovação Sustentável

1º lugar 1º lugar

Micro/Pequena Empresa

2º lugar

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

1º lugar Instituição de Ciência e Tecnologia

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

2º lugar 3º lugar 1º lugar

Média Empresa

Inovação Sustentável – Pharmakos d’Amazônia (AM)

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

* As categorias Inventor Inovador, Tecnologia Assistiva e Inovação Sustentável não possuem premia 2º e 3º lugares.

A empresa cultiva os insumos naturais

Tecnologia Social – Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM) O sistema de abastecimento de água desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, em áreas de várzea, tem como principal característica o uso de energia renovável para captação e distribuição de água do rio para populações ribeirinhas, com finalidade de promover o abastecimento doméstico.

A energia solar é a base do sistema 22 REVISTA AMAZÔNIA

Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap Troféu Prata Troféu Bronze Troféu Ouro R$ 300 mil / Concorre na Etap

2º lugar

O projeto Abonari, desenvolvido pela Pharmakos d’Amazônia, consiste em um sistema de plantação e produção de plantas medicinais amazônicas com certificação orgânica. A empresa cultiva os insumos naturais, gerando desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente.

Plantação e produção de plantas medicinais amazônicas com certificação orgânica

Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap

2º lugar

1º lugar Tecnologia Social

Premiação Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap

Água do rio para o abastecimento doméstico das populações ribeirinhas revistaamazonia.com.br


Tecnologia Assistiva – Pentop do Brasil (AM) Etapa Regional

A Caneta Falante Pentop, desenvolvida no laboratório da pentop no Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (CIDE), em Manaus, é umCategoria dispositivo com formato Colocaçãode caneta, que possui um sensor na ponta e um computador interno, capaz de decodificar o material impresso e reproduzir sons previamente gravados. Inventor As etiquetas permitem1ºà lugar pessoa Inovador com deficiência gravar sua própria voz ou de outras pessoas para a identificação de objetos, leitura de livros, e demais funcionalidades. 1º lugar Tecnologia Assistiva Caneta Falante Pentop, dispositivo com formato de caneta, que possui um sensor na ponta e um computador interno

Premiação Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 100 mil / Concorre na Etap Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap

Inovação Sustentável

1º lugar

Micro/Pequena Empresa

2º lugar

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

Etiquetas 1º lugar SonorizadasAcessibilidade

1º lugar Instituição de Ciência e Tecnologia

2º lugar

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

1º lugar Tecnologia Social

2º lugar 3º lugar 1º lugar

Média Empresa

Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap

Troféu Ouro R$ 200 mil / Concorre na Etap Troféu Prata Troféu Bronze Troféu Ouro R$ 300 mil / Concorre na Etap

2º lugar

Troféu Prata

3º lugar

Troféu Bronze

* As categorias Inventor Inovador, Tecnologia Assistiva e Inovação Sustentável não possuem premia 2º e 3º lugares.

Instituição de Ciência e Tecnologia – FUCAPI - Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (AM) A FUCAPI é uma instituição privada sem fins lucrativos que tem por missão o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Seu centro de desenvolvimento tecnológico desenvolveu, nos últimos três anos, forte interação com empresas do segmento eletroeletrônico para desenvolvimento de hardware e middleware para TV digital, além de hardware, software e embalagens para máquinas de auto-atendimento bancário.

Filtro Raiz, executado em parceria com a Funasa, um sistema de póstratamento de esgoto que não utiliza produtos químicos e trata o esgoto usando plantas, areia e brita

Laboratório de TV Digital, da Fucapi

Prêmio Jovem Inovador Mais uma novidade de 2012, a primeira edição do Prêmio Jovem Inovador, que premia fotos realizadas por adolescentes de 14 a 18 anos, com o tema energia sustentável, também teve seu vencedor na região Norte conhecido na cerimônia do Prêmio FINEP: Miguel das Mercês dos Santos, do Pará, com foto de uma semente de dendê (veja imagem abaixo). Foram pré-qualificadas 72 fotos entre 130 inscritas, de todo o País. O primeiro colocado em cada região receberá R$ 2,5 mil e concorre à final nacional na mesma categoria.

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Foto vencedora do Prêmio Jovem Inovador na região Norte. Miguel das Merces dos Santos, do Para

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4º Global Social Business Summit Desafios da Amazônia são destaque em cúpula global de negócio social por Cintya Simões neira economicamente viável, ambientalmente amigável, eticamente responsável e socialmente justa”. Helenilson também ressaltou os investimentos que o Pará receberá até 2016. “Mais de 50 milhões de dólares serão investidos no desenvolvimento de infraestrutura no Pará, incluindo estradas, ferrovias, hidrovias, portos, operações de mineração e barragens hidrelétricas”, disse Helenilson.

Fotos: Antônio Silva/Ag. Pará

O

Pará foi destaque no 4º Global Social Business Summit, onde o vice-governador do Pará, Helenilson Pontes, apresentou as potencialidades do Estado para uma plateia com mais de 400 participantes da cúpula de negócios, entre eles a rainha Sofia, da Espanha, Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006 e realizador do evento, e representantes de empresas mundiais, como o presidente da Adidas Group, Frank A. Dassle, em Viena, capital da Áustria. A apresentação do Pará no Global Social Business começou com a exibição de um vídeo produzido especialmente para o evento, em que o governador do Estado, Simão Jatene, fez uma saudação aos participantes e em seguida mostra as potencialidades econômicas, culturais e naturais do Pará. Em seguida, Helenilson Pontes, que liderou a comitiva do Pará em Viena, destacou o desequilíbrio social que há na região que ocupa 60% do território nacional brasileiro e é responsável apenas por 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. “Acreditamos que o ‘negócio social’ pode nos ajudar a preencher a lacuna entre a riqueza e a po-

Desigualdades

Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, realizador do evento e pioneiro do microcrédito

breza na Amazônia Brasileira”, disse o vice-governador. Ao negócio social, segundo ele, pode-se acrescentar uma dimensão ambiental, “para resolver muitos dos nossos problemas ao mesmo tempo: reduzir a pobreza, criar empregos verdes, gerar renda local sustentável e preservar o meio ambiente. Podemos fazer isso de ma-

Ao final do pronunciamento, Helenilson Pontes agradeceu a Muhammad Yunus, que convidou o Estado para participar da cúpula de negócios mundial. Ele enfatizou a intenção do Governo do Pará em se engajar no conceito do “negócio social”. “Já que o Estado do Pará é conhecido como a entrada para a Amazônia, conte conosco para ajudar a espalhar o conceito de negócio social em toda a Amazônia brasileira”, finalizou Pontes. Para a coordenadora do Pro Paz, Izabela Jatene, que compõe a comitiva paraense, esta é uma oportunidade importante para o Estado no combate à pobreza e às desigualdades. “Participando do Global Social Business, estamos alargando a rede de relacionamentos do Estado. Vamos agora traçar estratégias para difundir o conceito do negócio social entre a classe empresarial local, e com isso ajudar no combate às desigualdades”, afirmou.

Uma plateia com mais de quatrocentos participantes no Social Business Summit

Na reunião de negócios com o diretor do Grameen Bank, Mhuzzatul Islan, em Viena 24 REVISTA AMAZÔNIA

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Helenilson Pontes falou para uma plateia de 400 pessoas, de diversas partes do mundo, sobre os desafios da região amazônica

Entre os participantes do Social Business Summit estiveram representantes das empresas BASF, Continental, GE Healthcare, Danone, Pfizer, Procter & Gamble, SAP, Volkswagen, Instituto Asiático de Tecnologia, Universidade da California, Harvard Business School, além de autoridades políticas mundiais e membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Helenilson Pontes, Izabela Jatene, Augusto Sérgio Amorim (presidente do Banco do Estado do Pará), Catarina Vale (assessora de Relações Internacionais do Governo) e Eduardo Costa (assessor da Secretaria de Estado de Indústria e Mineração) compuzeram a comitiva paraense no evento. O “social business” tem como princípio fundamental a superação dos problemas sociais. Um negócio social é definido como uma empresa que não tem a perda de dividendos, não maximiza lucros, gera superávit, é ambientalmente sustentável, adota as leis trabalhistas e segue regras compatíveis com as regras de mercado. Diferente, porém, de uma organização sem fins lucrativos, pois o negócio deve buscar o lucro, sendo este usado para expandir a empresa e melhorar o produto ou serviço que subsidiem uma missão social.

Sérgio, e a coordenadora do Pro Paz, Izabela Jatene. O Grameen Bank foi fundado pelo professor bengalês catedrático do Programa de Economia Rural da Universidade de Chittagong(Bangladesh) - Muhammad Yunus, em 1976, visando a erradicação da pobreza. O banco é reconhecido mundialmente pelo sucesso do acesso ao microcrédito direcionado a população de baixa renda, tendo recebido a premiação do Nobel da Paz, em 2006, juntamente com seu fundador. Para o vice-governador, a instituição financeira pode ser um grande parceiro do Governo do Estado do Pará. “O Grameem Bank é uma referência mundial. Para o Pará, fomentar um programa de microcrédito semelhante ao A criação de um Fundo de Negócios Sociais no Pará foi o tema do encontro da delegação paraense com Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006 e realizador do Global Social Business Summit

Muhammad Yunus, prêmio Nobel da paz e o vice-governador Helenilson Pontes

O sistema de microcrédito Desenvolvido em prol da população de baixa renda foi o tema do encontro entre o vice-governador, Helenilson Pontes, o diretor do Grameen Bank, S. Mhuzzatul Islan, o presidente do Banco do Estado do Pará (Banpará), Augusto O vice-governador e Izabela Jatene convidaram a rainha Sofia, da Espanha, para conhecer as ações integradas de assistência do Pro Paz

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Precisamos utilizar o potencial e a criatividade de cada pessoa para promover inovações, se queremos resolver os problemas que nossas sociedades estão enfrentando atualmente, disse Hans Reitz, Chefe da Cúpula Global de Negócios Sociais

utilizado pelo banco, pode ajudar no combate a pobreza e a desigualdade no governo, planejando a criação de um fundo de “negócios sociais” no Estado. Para desenvolver um sistema de microcrédito semelhante ao utilizado pelo Grameen Bank, estamos estudando a criação de uma iniciativa de negócios sociais no estado”, afirmou o vice-governador. Helenilson em nome do Governo do Pará formalizou um convite ao diretor do banco, S. Mhuzzatul Islan, para em parceria com o Banpará, desenvolver uma solução eficiente de microcrédito, que possa atender a população de baixa renda no Estado. Nos próximos meses, Islan formará uma equipe do Grameem Bank para conhecer a realidade do Pará e promover workshops sobre microcréditos para servidores do Governo do Pará. Helenilson Pontes também teve encontro com a rainha Sofia, da Espanha e na oportunidade, o vice-governador e a coordenadora do Pro Paz, Izabela Jatene, convidaram a rainha para conhecer o projeto que promove ações integradas de assistência nas áreas de promoção, proteção e defesa social. Outro encontro foi com representantes de duas empresas globais: a fabricante de materias esportivos Adidas Group e a montadora Renault. Frank A. Dassler, presidente da Adidas Group e Claire Martin, vice-presidente de responsabilidade social da Renault foram recebidos pelo vice-governador, que discutiu a possibilidade de parcerias entre o Estado e as marcas, no apoio de programas sociais que o governo desenvolve. REVISTA AMAZÔNIA 25


VII Olimpíada do Conhecimento Fotos: Benichio, Jose Paulo Lacerda; Marcelo Camargo/ABr; Ricardo Stuckert/Instituto Lula; Roberto Stuckert Filho/ PR e Sergio Amaral

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presidenta da República, Dilma Rousseff, visitando a 7ª edição da Olimpíada do Conhecimento, no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo (SP), assinou memorando de entendimento para realização da Competição Mundial de Formação Profissional, WorldSkills, no Brasil, em 2015, destacando a importância da valorização da educação profissional. “São momentos como esse que mostram que o nosso país vem avançando no modo correto, que é o rumo da educação. (…) Esses 640 estudantes que foram selecionados, dos cursos técnicos e profissionalizantes do Senai e do Senac de todo o país evidenciam a importância que nós, sociedade e governo devemos dar à questão da educação profissional e da capacidade que a educação profissional tecnológica e técnica tem para o nosso país”, disse. Dilma ainda ressaltou a importância da cooperação entre o governo federal e os serviços nacionais de aprendizagem Industrial e Comercial (Senai e Senac). Segundo a presidenta, dos 2,2 milhões de jovens e profissionais que passam por cursos técnicos e de capacitação, cerca de 1,6 milhão são atendidos pela parceria. Ela ainda citou o financiamento de R$ 1,5 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o projeto do Senai que visa estimular competitividade industrial. “O desafio era de chegarmos em 2014 com 8 milhões de vagas em cursos técnicos de nível médio e de qualificação profissional no Brasil. Passado pouco mais de um ano de lançamento do nosso programa, eu posso afirmar que o Brasil ganhou e muito. Nós já oferecemos 2,2 milhões de vagas para jovens e para trabalhadores. (…) Hoje nós temos 736 mil jovens cursando o ensino Presidenta Dilma Rousseff durante visita à VII Olimpíada do Conhecimento

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A presidenta da República, Dilma Rousseff, discursa ao visitar a Olimpíada do Conhecimento, evento promovido pelo Senai, em parceria com o Sesi e o Sebrae

Durante a abertura da 7ª Olimpíada do Conhecimento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)

técnico de nível médio, e grande parte deles fazem isso com a parceria com o Sistema S. Temos também outros 1,5 milhão de jovens e trabalhadores que estão fazendo cursos de qualificação, com mais de 90% deles também no Sistema S”, detalhou. A presidenta estava acompanhada dos ministros Aloizio Mercadante (Educação), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). A competição bienal é organizada pelo Serviço Nacional Durante a visita

de Aprendizagem Industrial (Senai) e seleciona os jovens que vão representar o Brasil no WorldSkills, torneio mundial de profissões que, em 2013, será realizado em Leipzig, na Alemanha. A Olimpíada do Conhecimento, é o maior torneio de educação profissional das Américas. Reuniu 640 estudantes brasileiros de educação profissional, dos quais 543 são do Senai e 97 do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) que buscam a melhor pontuação em 54 profissões. Entre essas profissões, 50 são da indústria e quatro dos setores de comércio e de serviço: cabeleireiro, cozinha, serviço de restaurante e técnico em enfermagem, no Parque de Exposições do Anhembi. Participaram da abertura o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade; o presidente da Fiesp, Paulo Skaf; o diretor do Senai no Paraná, Marco Secco; o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, dirigentes de federações industriais de todos os Estados, além de empresários e lideranças do setor. A solenidade teve a presença, ainda, de Simon Bartley, presidente do WorldSkills (maior torneio internacional de educação profissional do mundo), do presidente do O governador Geraldo Alckmin participou da abertura da 7ª Olimpíada do Conhecimento, no Palácio de Convenções do Anhembi.

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Lula na 7ª edição da Olimpíada do Conhecimento Lula, que se formou torneiro mecânico pelo Senai, em 1963, destacou a importância da formação em sua vida. ““O Senai me deu cidadania. Eu tinha oito irmãos. Eu fui o primeiro a ter um diploma primário, eu fui o primeiro a ter um diploma do Senai. Por conta disso, eu fui o primeiro a ter emprego em uma fábrica, a ter uma televisão, uma geladeira, a ter uma casa, o primeiro a ter um carro, a fundar um sindicato e um partido e, por conta disso, virei presidente do Brasil”. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da 7ª Olimpíada do Conhecimento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)

Sebrae, Luiz Barreto, e do ex-velejador Lars Grael, que proferiu palestra motivacional aos alunos. Eles são os futuros profissionais que as indústrias brasileiras precisam para atender aos crescentes níveis de exigência e de complexidade e conquistarem competitividade cada vez maior. Durante o encerramento da 7ª Olimpíada do Conhecimento

Vencedores 2012 A dupla Henrique Baron e Maurício Zangali Toigo, do Rio Grande do Sul, obteve a maior pontuação em toda a 7ª Olimpíada do Conhecimento. Os dois somaram um total de 576 pontos, tendo ganhado a medalha de ouro na ocupação mecatrônica e ficado em primeiro lugar geral. O competidor Sávio Vieira Silva Moura, da ocupação eletrônica industrial foi o segundo melhor competidor geral, com 564 pontos. Ele é do Estado de Minas Gerais. Em terceiro, o paulista Richard Souza da Silva, ouro em polimecânica, com 559 pontos. Na quarta colocação geral aparece uma mulher, Patricia Cristina Martins, de São Paulo, que conquistou a medalha de ouro na ocupação confeitaria ao obter 559 pontos. Veja a lista completa dos Vencedores em: http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/conteudo_18/2012/ 11/19/2549/20121119003115364750i.pdf

Vencedores da 7ª Olimpíada do Conhecimento revistaamazonia.com.br

O melhor período da minha vida não foi quando eu era deputado ou presidente. Foi quando eu estava no Senai, em 1961, afirmou Lula na ocasião

Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Gaby Amarantos no show de encerramento da 7ª Olimpíada do Conhecimento

A competição WorldSkills Américas 2012 O Brasil conquistou o primeiro lugar na World Skills Americas 2012, competição de ensino técnico e profissional que foi realizada paralelamente à 7ª Olimpíada do Conhecimento. Os 34 competidores brasileiros conquistaram 26 medalhas de ouro, quatro de prata e quatro de bronze. O torneio reuniu 216 competidores de 20 países, que disputaram 34 ocupações. Victor Cunha, de 19 anos, do Pará, foi ouro em eletrônica, com 558 pontos, à frente de outros seis países. A conquista vai dar força à bandeira que ele pretende levantar: de tornar o Pará referência na formação de eletrônicos

O paraense Victor Cunha foi ouro em eletrônica

industriais. “Quero apoiar esse movimento e fazer com que o SENAI invista mais nessa área no estado”, diz o medalhista, que faz faculdade de Engenharia de Controle e Automação e estagia na Universidade Federal do Pará (UFPA). Para chegar ao WorldSkills Americas Victor foi segundo colocado na Olimpíada do Conhecimento de 2010, no Rio de Janeiro. REVISTA AMAZÔNIA 27


Os premiados posam para foto após receberem o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, com o tema Inovação Tecnológica na Saúde

Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia Durante a entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia

Fotos: Valter Campanato/ABr

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as quatro categorias especiais do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia deste ano, duas saíram para estudantes brasileiros e em uma terceira foi premiado um grupo com participação de cientistas brasileiros. A temática desta edição foi inovação tecnológica na saúde. A solenidade de entrega dos prêmios foi realizada no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI),

em Brasília. Na categoria Estudante Universitário o vencedor foi Ivan Lavander Cândido Ferreira, 21 anos, que cursa ciências biológicas na Universidade de São Paulo (USP) e o Prêmio Jovem Pesquisador ficou com Rafael Polidoro Alves Barbosa, 27 anos, doutorando em bioquímica e imunologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ferreira recebeu um prêmio de US$ 2 mil por um estudo do uso de substâncias do veneno da aranha Nephilengys cruentata no desenvolvimento de fármacos antimicrobianos e Barbosa ganhou US$ 5 mil por um 28 REVISTA AMAZÔNIA

trabalho sobre o uso de vacinação com vírus influenza e adenovírus como resposta imunológica e proteção contra a doença de Chagas. A categoria Integração, dada a cientistas seniores que desenvolvem trabalhos em grupo, ficou com três argentinos e dois brasileiros que produziram formulações sólidas e líquidas de Benznidazol para combater o Mal de Chagas. O grupo recebeu um prêmio de US$ 10 mil. A categoria Iniciação Científica distinguiu a peruana Kathya Linette Mimbela Barrera, de 16 anos. A estudante do ensino médio recebeu US$ 2 mil por um trabalho que teve como objetivo solucionar o problema da sedirevistaamazonia.com.br


Alvaro Toubes Prata, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, fala durante entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia

Na categoria Estudante Universitário o vencedor foi Ivan Lavander Cândido Ferreira

A categoria Iniciação Científica distinguiu a peruana Kathya Linette Mimbela Barrera, de 16 anos

A categoria Integração, dada a cientistas seniores que desenvolvem trabalhos em grupo, ficou com três argentinos e dois brasileiros que produziram formulações sólidas e líquidas de Benznidazol para combater o Mal de Chagas

mentação e absorção de chumbo do Rio Rimac, no Peru, usando o carbonato de cálcio presente na casca de ovo, aliada à técnica da biadsorção com o caroço da azeitona que contém um íon conhecido como carboxilo, que absorve outros metais. Criado em 1998 para promover a cooperação técnica e científica em temas de interesse do Mercosul e dos países a ele associados, o prêmio tem respaldo das agências de cada país, sob coordenação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo o secretário de Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Toubes Prata, o objetivo do prêmio é desenvolver ações de redução das desigualdades sociais, de modo a que as populações do continente alcancem melhores patamares de qualidade de vida. No seu entender, a premiação funciona como um estímulo para que pesquisadores de todos os níveis se engajem ao processo. O Prêmio contou com o patrocínio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a

Ciência e a Cultura (UNESCO), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Movimento Brasil Competitivo (MBC), do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina, do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Paraguai, do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai e do Observatório Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação da Venezuela.

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Forum Green Tech 2012

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epresentantes da indústria eletroeletrônica, de empresas de reciclagem e membros do setor público durante o Forum Green Tech, principal evento nacional sobre sustentabilidade no segmento TIC (Tecnologia da Informação e Telecom), enfatizaram que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) caminha a passos lentos, envolta em problemas relativos a infraestrutura, normatização e educação da sociedade brasileira. Um dos pequenos avanços, segundo o pesquisador e coordenador de projetos do CTI do MInistério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), José Rocha Andrade da Silva, foi a criação da Norma 03:111.01-009, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que foi aberta para consulta pública na internet desde o dia 1º de novembro. O objetivo é criar requisitos para proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, controlar os riscos de segurança para pessoas e ecossistemas no manejo de resíduos de produtos eletroeletrônicos. “Após três meses disponível para sugestões, a ABNT irá produzir um guia de implantação, favorecendo a criação de documentos e tecnologias operacionais

José Rocha Andrade da Silva, pesquisador e coordenador de projetos do CTI do MInistério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

Alexandro Mavropoulos, engenheiro químico, da International Solid Waste Association (ISWA)

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complementares”, explicou Andrade da Silva. Munidos desses dados, espera-se que as pessoas deixem de olhar apenas o preço de produtos para determinar a escolha de compra, mas considerar o impacto socioambiental que eles causam — calculando sua vida útil e pensando nas possibilidades de descarte. André Luis Saraiva, diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), observou que embora seja consenso a necessidade de uma legislação que contemple o descarte dos produtos, diversas incertezas relacionadas à lei dificultam a sua efetivação. “A lei estabelece a necessidade de incluir ‘catadores’ e outras atividades de coleta, importantes para reciclagem. Ao mesmo tempo, o lixo eletrônico é tóxico e pode ser considerado perigoso. Então, cria-se uma situação de risco na própria redação da lei”. Além disso, ele menciona a falta de tecnologia brasileira para lidar com a extração de metais de placas de circuitos integrados, falta de política fiscal, de regulamentação de empresas de reciclagem, entre outros problemas. Outro avanço apontado pelos especialistas foi o início da atuação de duas entidades para defender os interesses de outros segmentos envolvidos no descarte e manejo dos resíduos sólidos provenientes de computadores, baterias, celulares, entre outros equipamentos, e ao mesmo tempo tentar evoluir com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. São elas a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletrônicos e Eletrodomésticos (Abree) e a Associação Brasileira de Empresas de Reciclagem de Eletroeletrônicos (Abere). Mesmo assim, encontram dificuldades para operar plenamente. Segundo o diretor de sustentabilidade da Abere, Marcus Oliveira, o primeiro passo para fazer com que a legislação, de fato, se cumpra reside em resolver um problema estrutural do país: a logística. “Como eu vou reivindicar a criação de uma tecnologia nacional, em parceria com universidades, por exemplo, para reciclar placas e monitores, se terei problemas para direcionar resíduos de todo o país para uma única localidade? Nesse caso, só o transporte já acarreta em emissão de gás carbônico e afeta negativamente o meio ambiente”, observa, evidenciando a complexidade do sistema nacional e a falta de perspectiva para implantação no médio prazo da Política Nacional de Resíduos Sólidos. revistaamazonia.com.br


Jayme Spinola - Si2 Soluções Inteligentes Integradas

Selma Rabelo da OR Odebrecht Realizações Imobiliárias

André Luis Saraiva, diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee)

Gestão de resíduos sólidos deve ter abordagem global O engenheiro químico Alexandro Mavropoulos, da International Solid Waste Association (ISWA), entidade internacional voltada a promoção e desenvolvimento de práticas sustentáveis para o descarte de resíduos sólido, durante sua palestra, defendeu que a gestão de resíduos sólidos, com destaque para o lixo eletrônico, é uma necessidade imediata e deve ter uma abordagem global, além fazer parte de políticas governamentais. “A forma de produção de um aparelho eletrônico implica no impacto em diversos países. Seja nos meios de produção, seja na distribuição de lucros. Por isso, é natural que a responsabilidade por manejar os resíduos sólidos seja compartilhada”, ressalta Mavropoulos. Ele citou números da ISWA que apontam que até 2 bilhões de toneladas

Marcus Oliveira, diretor de sustentabilidade da Abere revistaamazonia.com.br

de resíduos sólidos serão produzidos globalmente neste ano. Para 2050, são estimados 4,2 bilhões de toneladas, devido principalmente ao consumo cada vez maior celulares, computadores, tablets, entre outros aparelhos eletrônicos. Atualmente, o lixo eletrônico responde por cerca de 50 milhões de toneladas anuais. “Grande parte é exportada ilegalmente para países pobres e emergentes, como a

China, Índia, Paquistão, Gana e até mesmo o Brasil, devido à alta concentração de metais como cobre e ouro presente nos equipamentos eletrônicos descartados”, afirma

o especialista. Isso, segundo Mavropoulos, confirma a alta lucratividade gerada pela extração desses materiais. “O problema é a falta de infraestrutura desses países para lidar com o material, altamente tóxico e nocivo para o meio ambiente e também para os seres humanos.” Para Mavropoulos, é “mais que óbvia” a necessidade de se adotar ações para a gestão eficaz do lixo eletrônico, a começar pela eliminação do tráfico dos materiais. Algumas das regulamentações existentes, como as regras estabelecidas pela Organização das Nações Unidas na Convenção de Basileia, não são cumpridas. “Oitenta e cinco por cento do lixo com material não perigoso é enviado ilegalmente da União Europeia, por exemplo. Se esse percentual é tão alto, imagine o lixo realmente prejudicial?”, pergunta o engenheiro. Ele considera fundamental também diminuir a probabilidade do manuseio inapropriado do lixo eletrônico, por meio da infraestrutura adequada nas localidades receptoras. Além disso, ele defende que todos países precisam ter regulamentações ambientais mais claras e objetivas, para tornar mais difícil a recepção ilegal do lixo eletrônico. “Todos esses pontos requerem muito tempo e dinheiro para serem implementados. Enquanto isso não acontece, os países exportadores de resíduos são ainda mais responsáveis pelo tráfico e devem ser alvo de acompanhamento de organizações internacionais”, defende Mavropoulos. O especialista não insenta de responsabilidade os consumidores, que devem ser conscientizados sobre os impactos ao meio ambiente e à sociedade como um todo. Mesmo assim, Mavropoulos diz que o dever principal de convencimento é do poder público, que ainda não consegue esclarecer às pessoas sobre a importância do descarte correto nem tampouco mitigar a realidade do tráfico de lixo. “Mesmo com todas as iniciativas, o tráfico continua acontecendo. É uma atividade global. Isso evidencia ainda mais a necessidade cooperação global para combatê-lo”, alerta. REVISTA AMAZÔNIA 31


Celso Placeres, diretor de engenharia de manufatura da Volkswagen do Brasil

Megaempreendimento em SP usa tecnologia para prover sustentabilidade Tendo como principal apelo a sustentabilidade, mais um megaempreendimento imobiliário começa a nascer na cidade de São Paulo, só que desta vez com a promessa de modificar os parâmetros de qualidade em construções multiuso — que reúne em um único lugar emprego, comércio, serviços e lazer. Trata-se do complexo Parque da Cidade. Segundo Selma Rabelo, da Odebrecht, o Parque da Cidade é um dos 18 projetos no mundo que integram o pro-

grama “Climate Positive Development Program”, criado pelo C40 (Climate Leadership Group) em parceria com a Fundação Clinton, com o objetivo de lidar com os desafios de urbanização desenfreada e mudança climática. O CPDP inclui os melhores projetos em todo o mundo que tenham a proposta de conseguir saldo climático positivo, sem aumentar emissões de carbono, através de desenvolvimento economicamente viável e ecologicamente sustentável. Além de integrar o programa CPDP, o projeto Parque da Cidade segue parâmetros da LEED ND, (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema de certificação e orientação ambiental de edificações, criado pelo US Green Building Council, organização sem fins lucrativos dedicada a projetos de edificações e construções sustentáveis. Ele é o selo referência em gestão ambiental e urbanística de maior reconhecimento internacional e o mais utilizado em todo o mundo, inclusive no Brasil. O Parque da Cidade será controlado por um sistema interativo com tecnologia ICT (Information and Technology Communication), que informará em tempo real o consumo de água, energia e condições de trânsito e tempo. Na prática, o complexo é formado por construções sustentáveis que levam em conta itens como eficiência energética, consumo e conservação de água e gerenciamento de resíduos. Conforme explica Jayme Spinola, da Si2 Soluções Inteligentes Integradas, que fornece consultoria de ICT para o projeto, toda a tecnologia é voltada para a sustentabilidade. A ideia, segundo ele, é transformar o Parque da Cidade em uma smart facility de modo que seja o embrião para a cidade do futuro. O Forum Green Tech, em São Paulo, foi promovido pela revista TI INSIDE e organizado pela Converge Comunicações.

Volkswagen implanta projeto de sustentabilidade auxiliada por software e reduz emissões A Volkswagen do Brasil, com o propósito de reforçar os projetos de sustentabilidade da empresa e estimular práticas de preservação dos recursos naturais entre seus fornecedores e concessionária, contou como transformou as suas instalações administrativas em escritórios

Necessidade de se adotar ações para a gestão eficaz do lixo eletrônico

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Parque da Cidade, da Odebrecht, em São Paulo, controlado por um sistema interativo com tecnologia ICT

inteligentes, a partir do uso de ferramentas de software e soluções sustentáveis. O projeto intitulado “Escritório Sustentável Volkswagen” foi iniciado na fábrica de São Bernardo do Campo, SP e já está presente em cerca de 35% dos 62,8 mil metros quadrados de escritórios da montadora.

Graças à reorganização dos espaços, foi possível, por exemplo, acomodar duas áreas da fábrica de S. Bernardo em um único espaço, que antes abrigava apenas uma delas. As mudanças proporcionaram uma redução no consumo de energia de 17%, e as alterações de layout apresentaram um ganho de espaço de

30%, graças ao uso de um novo conceito de móveis. De acordo com o diretor de engenharia de manufatura da Volkswagen do Brasil, Celso Placeres, o projeto de sustentabilidade auxiliada por software – de gerenciamento de sustentabilidade SoFi e de análise do ciclo de vida no processo industrial GaBi, ambos da fabricante alemã PE International. Além dos softwares, o executivo ressalta que diversas ações foram desenvolvidas pela montadora para garantir que os recursos naturais fossem utilizados com eficiência. Além disso, as ações implementadas para reduzir as emissões atmosféricas, a fábrica de São José dos Pinhais, desenvolveu um sistema para o uso de tinta à base de água na pintura de automóveis. Ainda mais, a Volkswagen do Brasil, em 2010, inaugurou sua primeira PCH (Pequena Central Hidrelétrica), a Anhanguera, e já anunciou a construção de sua segunda usina, a PCH Monjolinho, com inauguração prevista para 2014. Juntas, as duas centrais serão capazes de gerar 40% da energia utilizada pela Volkswagen do Brasil, localizada no rio Sapucaí-Mirim, entre as cidades de São Joaquim da Barra e Guará, no estado de São Paulo. Os resultados dos projetos são bastante palpáveis. Somente com consumo de energia elétrica, houve uma economia de 26% no período de 2008 a 2011. O índice de reciclagem de resíduos, por exemplo, atingiu 93,5%, no mesmo período, e o de emissões atmosféricas alcançou 16,2%. A emissão de solventes teve uma redução de 22,13% e a economia de água atingiu 25%.

A Volkswagen conquistou Créditos de Carbono, aprovados pela ONU, para a PCH Anhanguera, sua 1ª central hidrelétrica revistaamazonia.com.br

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Economia da natureza mostra que proteger o ambiente compensa por Torsten Schäfer a contribuição econômica dos manguezais não aparece em lugar nenhum. Pelo contrário: sua destruição gera, à primeira vista, crescimento no PIB – cálculo que é criticado pelos pesquisadores de economia ambiental.

Fotos: Karen Robinson

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alcular o valor financeiro dos ecossistemas tem se tornado um fator cada vez mais importante para a política ambiental. Economistas propõem incluir os custos dos danos ambientais nas decisões das empresas. Quanto vale uma floresta? Qual é a receita gerada pela produção de uma única abelha? E quanto custa o serviço prestado pelos manguezais ao protegerem a costa e a vida marinha? Até agora, questões como essas desempenhavam papel secundário na política ambiental, porque os serviços da natureza são difíceis de mensurar economicamente. Porém, desde que o Programa Ambiental das Nações Unidas realizou um estudo para estimar o valor da diversidade ecológica do planeta, em 2007, a perspectiva financeira da natureza ganhou mais força. O rendimento econômico das florestas é imenso. De acordo com o estudo Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês), o mundo perde por ano de dois a cinco trilhões de dólares devido à destruição das florestas. Conservá-las, entretanto, custaria apenas 45 bilhões de dólares. Quanto menor o ecossistema, mais preciso o estudo. De acordo com o Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ), em Leipzig, um hectare de floresta urbana na cidade de Freiburgo vale cerca de 13 mil euros ao longo de cem anos. As árvores agem como um filtro de ar e água, e além de armazenar gás carbônico, a floresta fornece madeira, emprego para silvicultores e serviços de lazer gratuitos para os cidadãos, que praticam esportes ali e não precisam gastar dinheiro em outro lugar. Tais considerações são incluídas nos estudos e levam a conclusões importantes: por exemplo, que a biodiversidade aumenta a eficiência de um ecossistema. Estuários e manguezais são tipos de vegetação com valor especial, pois oferecem proteção contra enchentes e possibilitam a pesca. Um exemplo: proteger 12 mil hectares de man34 REVISTA AMAZÔNIA

Uma nova mentalidade Os economistas ecológicos estão interessados em promover a ideia de indicadores ambientais de crescimento. O economista americano Robert Costanza propõe que as empresas paguem um fundo de precaução quando inEconomia dos Ecossistemas e Biodiversidade – TEEB

guezais no Vietnã custa 1,1 bilhão de dólares por ano. Se fossem construídos diques para proteção artificial contra enchentes, só a manutenção custaria 7,3 bilhões de dólares por ano. O problema é que o investimento na construção de diques é incluído no Produto Interno Bruto (PIB) do país, já

Receita gerada pelas abelhas vai muito além do preço do mel O rendimento econômico das florestas é imenso

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Manguezais prestam um caro serviço ao protegerem as zonas costeiras de enchentes

vestirem em empreendimentos de alto risco e recebam o dinheiro de volta apenas se o projeto de fato causar pouco ou nenhum dano ambiental. A companhia petrolífera British Petroleum, por exemplo, teria que depositar mais de 25% do seu capital antes de começar a perfurar o Golfo do México na busca por petróleo, destaca Constanza. “Se houvesse a regra, a empresa decidiria não furar, ou teria que procurar maneiras de reduzir o risco e aumentar seu investimento em tecnologia de segurança.” O derramamento de petróleo nos Estados Unidos em 2010 é um exemplo de quanto a compensação ambiental preventiva pode valer a pena. Estudos como o TEEB promovem o aumento da conscientização em relação aos custos ambientais. A economia da natureza é baseada numa proporção de 1:100. Significa que para cada euro investido em proteção ambiental, a natureza paga em retorno uma média de 100 euros em serviços, valor que vinha sendo ignorado por muito tempo. revistaamazonia.com.br

Quanto vale uma floresta?

O Preço da Vida: Um olhar sobre a Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade Qual é o valor de um pássaro? De uma flor? Do prazer que proporciona? Do papel de um inseto em um ecossistema? Estas são questões locais e globais luta constantemente com as comunidades e, a cada mês que passa, a destruição de áreas naturais e seus habitantes faz encontrar respostas para essas questões mais urgentes. Em todo o mundo, as pessoas estão em busca de respostas. Muitas dessas pessoas estão chegando à mesma conclusão: não há soluções perfeitas. No entanto, a falta de uma solução única e perfeita, não significa que um certo número de imperfeito. REVISTA AMAZÔNIA 35


Extrativistas plantam o futuro na Amazônia Plantando o presente para colher o futuro por Elder de Abreu, Lílian Guimarães, Edy Prado, Adryane Magalhães, Fabiola Gomes e Karla Marques

Fotos: Márcia do Carmo

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ma série de novos desafios e metas para os próximos três anos foi estabelecida durante o III Congresso do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), realizado este ano em Macapá, marcando o Amapá como o grande protagonista do evento. Além de fechar importantes parcerias com o Governo Federal para regularização fundiária, assistência técnica florestal aos produtores rurais, entre outros avanços, o estado amapaense conseguiu emplacar um filho da terra no posto mais alto do movimento extrativista no Brasil: Joaquim Belo. Ele foi eleito por aclamação dos 329 delegados presentes no congresso como novo presidente do CNS. No campo político, o congresso mostrou a força dos extrativistas. O primeiro dia de trabalhos reuniu, entre outras autoridades, a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, e o ministro Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário, além do governador do Amapá, Camilo Capiberibe e representantes da ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. Juntos na primeira mesa de debates, eles ouviram as reivindicações e anseios de mais de 400 representantes de Reservas Extrativistas (Resexs) e outras entidades ligadas a este

modo de vida e atividade econômica. Atual presidente do CNS, Manoel Cunha evidenciou o investimento do Governo do Amapá – R$ 400 mil – no congresso e que o Executivo local assumiu um déficit de políticas públicas, já que nos últimos 10 anos “pouco ou nada” foi feito em favor do segmento. Ele também destacou o interesse político de Capiberibe em abrir as portas do Estado para os extrativistas brasileiros debaterem os rumos da vida na floresta – acordo fechado em junho deste ano, durante a Conferência Mundial das Nações

Camilo Capiberibe, governador do Amapá, assumiu o compromisso de criar mecanismos para desenvolver uma política clara para os extrativistas

Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Rio de Janeiro. “Nunca havíamos reunido um governador e ministros para discutir nosso futuro. O governo do Amapá mostrou sensibilidade ao receber os nossos heróis da Amazônia de braços abertos para ponderar as políticas públicas e subsidiar resultados para que se possa dar uma resposta concreta a todos nós”, frisou Cunha. Pepe Vargas enfatizou que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica com o povo extrativista, e que o encontro já é um sinal de avanço rumo ao desenvolvimento econômico e social, por intermédio dos acessos a políticas públicas, aos homens e mulheres que trabalham com a extração de produtos naturais. O governador Camilo Capiberibe assumiu o compromisso de criar mecanismos para desenvolver uma política clara para os extrativistas. Ele destacou ainda o sucesso dos trabalhadores amapaenses com o extrativismo do açaí, que vem gerando renda para os produtores do campo e na cidade com a venda e exportação. “Com o PAC Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário, disse que o encontro já é um sinal de avanço rumo ao desenvolvimento econômico e social, por intermédio dos acessos a políticas públicas, aos homens e mulheres que trabalham com a extração de produtos naturais

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das Florestas, todos os governos unidos podem costurar ainda mais políticas públicas não só para o Amapá, como para toda a Amazônia, onde residem essas populações extrativistas”, disse o governador. Além do governador e dos ministros, estiveram presentes o presidente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Guedes, e do Instituto Chico Mendes da Conservação e Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin.

Benefícios Izabella Teixeira anunciou um conjunto de medidas, entre elas, o levantamento das 76 unidades de conservação, para se ter um diagnóstico dos potenciais dessas áreas. “Queremos junto com os governos estaduais e municipais, além dos outros ministérios, formular um novo plano para ser lançado ainda no próximo ano, que incluía benefícios como o SUS, Projetos Minha Casa, Minha Vida, INSS, Mais Educação, ampliando a visão da infraestrutura para os extrativistas”, explicou a ministra.

Presidente nacional do Incra discute sobre Reforma Agrária no III Congresso do CNS

tratos com a Associação da Reserva Extrativista de Chico Mendes no Acre, nos municípios de Xapuri e Assis Brasil. Do lado amapaense, Governo do Estado assinou um convênio com o Incra para a abertura de chamada pública para a seleção de entidades executoras de Assistência Técnica em Extensão Rural (Ater). O acordo, no valor de R$ 5,3 milhões, vai atender 2.815 famílias de 20 assentamentos com a elaboração de Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos (PDA) e Plano de Recuperação de Assentamentos (PRA), por meio de atividades indivi-

50 anos de idade. Ele milita no movimento extrativista desde a adolescência, quando foi estudar em uma escola família no município capixaba de Anchieta. Em 1997 retornou ao Amapá, onde disseminou a filosofia das escolas-família. Por sua luta em favor das comunidades extrativistas foi convidado a compor o conselho do CNS em 2002. Foi fundador da escola-família do Pacuí (distrito de Macapá). “Agradeço a confiança de todo o movimento. É um desafio muito grande porque o CNS, na conjuntura atual, abrange 57 Reservas Extrativistas (Resexs), centenas de Projetos de Assentamentos e congrega mais de 350 mil

Durante o III Congresso do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) Mais de 14 mil famílias extrativistas receberão Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) diferenciada, em documento assinado pelo ministro Pepe Vargas e pela ministra do Meio Ambiente (MMA), Izabella Teixeira.

Outro benefício anunciado pela ministra foi a transferência de posse de algumas áreas que pertenciam a União e foram cedidas ao ICMBio para regularização da Floresta Nacional do Macaã (AC), Delta do Parnaíba (PI) e Gleba do Jacundá (PE). Foram assinados ainda protocolo de intenções entre a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Coopeacre), que tem como finalidade a parceria entre as partes, visando a negociação para celebração e comercialização de produtos naturais. Foram ainda assinados Contratos de Concessão de Direito Real de Uso entre ICMBIO e os presidentes das Resex, da Associação de Moradores das Reservas, além dos conPovos do campo, da floresta e das águas no III Congresso do CNS

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duais, coletivas e complementares, que contemplam planejamento, execução e avaliação no contexto da implementação da Política Nacional de Assistência Técnica de Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater), e o Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pronater).

extrativistas. A presença do Governo Federal, com dos ministros que estiveram aqui, que mostra o quanto o CNS é uma entidade forte. Vamos focar no fortalecimento da entidade e na contemplação de políticas públicas. Queria agradecer o Governo do Estado do Amapá, que entendeu a luta dos extrativistas e foi um grande parceiro na realização do congresso”, ponderou o presidente eleito do CNS. O mandato da nova diretoria inicia no dia 1º de Janeiro de 2013.

Novo presidente Nascido na comunidade do Foz, no município do Mazagão, o novo presidente eleito do CNS, Joaquim Belo, tem

Extrativistas debateram modelo de educação Joaquim Belo, do Amapá, foi eleito por aclamação dos 329 delegados presentes no congresso como novo presidente do CNS, posto mais alto do movimento extrativista do Brasil

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ONU apresenta Brasil como exemplo de redução do desmatamento

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s conquistas brasileiras de redução do desmatamento ilegal, principalmente na região da Amazônia, foram apontadas recentemente, em Londres, como um exemplo a ser seguido por todos os países do mundo. Ao alertar para a impossibilidade de manter a elevação de temperatura abaixo dos níveis ideais para minimizar os impactos do aquecimento global, o relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indica, pela primeira vez, experiências exitosas que deveriam ser adotadas pela comunidade internacional. No caso brasileiro, o estudo destaca que as medidas de controle e fiscalização do crime ambiental nas florestas do País resultaram na redução da derrubada de árvores. Na Amazônia Legal, por exemplo, a extensão do desmatamento caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km2) em 2004, para 6,4 mil km2 esse ano. O levantamento do Pnuma foi um dos instrumentos usados pelos negociadores na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP18, que está ocorrendo no Catar. Os investimentos em florestas e na criação de áreas protegidas na Costa Rica também foram destacados no estudo. De acordo com os dados divulgados pelo Pnuma, o Brasil conseguiu ampliar a conservação da biodiversidade, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e associando essa medida à atração de novos recursos para o País, com a vinda de turistas curiosos em visitar esses locais. Segundo os pesquisadores, com essas ações, Brasil e Costa Rica conseguiram antecipar os resultados da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, a chamada REDD, na sigla em inglês. A medida é um dos pontos polêmicos a serem tratados na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Nas últimas semanas, o governo brasileiro tem ressal-

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O estudo destaca que as medidas de controle e fiscalização do crime ambiental nas florestas do País resultaram na redução da derrubada de árvores

tado a importância da regulamentação internacional do mecanismo que está no centro das polêmicas nas discussões sobre clima. O REDD funcionaria como uma compensação financeira para os países em desenvolvi-

mento ou para comunidades específicas desses países, pela preservação de suas florestas. Mas, segundo o governo brasileiro, apesar de todos os avanços conquistados, a única compensação real até o momento são os recursos do Fundo Amazônia. O fundo foi criado em 2008 para captar doações para investimentos em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas amazônicas. No relatório, o Pnuma ainda cita outras “ações inspiradoras” que foram implementadas internamente e voluntariamente por vários países - com destaque para Alemanha e Brasil, principalmente, em setores como o de eficiência energética de edifícios, redução de emissões de veículos e investimentos em fontes de energia renovável.

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Seminário reúne nomes da Sustentabilidade para diálogo com a sociedade civil

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onferencistas e debatedores de renome nacional e internacional estiveram em Porto Velho (RO) no último dia 29 participando do XI Seminário Internacional de Sustentabilidade. O evento aconteceu no auditório da Uniron, no Shopping Porto Velho, e contou, entre outros, com a presença da Cônsul Geral da Venezuela no Amazonas, Carmen Reyes; de José Francisco Marcondes e Cleoni Trindade (Federação das Câmaras de Comércio Brasil-Venezuela); de Renato Brito (Coordenador-Geral de Sustentabilidade Ambiental do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento); Carlos Barbieri (Minerva Foods); Obedes Queiroz (SENAR-RO), Ricardo Leite (Procurador Federal); Basílio Leandro (Secretário de Turismo de Rondônia); Dárius Vaquer (Secretária de Turismo de Porto Velho); Mauro Nazif (Prefeito eleito de Porto Velho), e Douglas Sidrim (Bolsa Verde do Rio). Entre os principais assuntos em pauta, destacaram-se: os objetivos sustentáveis na rota de integração a partir da entrada da Venezuela no Mercosul; os negócios turísticos, sociais e comerciais possíveis para ambos os povos, em especial, para a região amazônica; os aspectos bené-

Renato Brito, Coordenador-Geral de Sustentabilidade Ambiental do Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, falou aos participantes sobre a importância da cooperação para o alcance do desenvolvimento rural sustentável revistaamazonia.com.br

ficos da nova rota Andes Pacífico e Amazônia; as possibilidades de integração nas Cotas de Reserva Ambiental (CRAS) e os créditos de carbonos. Renato Brito, Coordenador-Geral de Sustentabilidade Ambiental do Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, falou aos participantes sobre a importância da cooperação para o alcance do desenvolvimento rural sustentável, dando como exemplo o projeto que acaba de conquistar uma verba de cerca de R$ 80 milhões como doação vinda da Inglaterra para o Brasil e que será investida no desenvolvimento rural sustentável de sete estados brasileiros, entre eles, Rondônia. Segundo ele, serão, ao todo, 70 municípios e cerca de 15

Renato Brito (Mapa), Hércules Góes (coordenador do Seminário) e Carlos Barbieri (Minerva Foods)

mil famílias de pequenos e médios produtores beneficiados. “Não se faz política pública sozinho, mas sim com parcerias, e as SFA’s (Superintendência Federal de Agricultura) nos estados são fundamentais para a execução de projeto como esse”, enfatizou Brito. Durante o evento, temas como agricultura e pecuária sustentável, cidades sustentáveis, construções sustentáveis, turismo sustentável e justiça climática também foram explorados em plenária que votou a recriação oficial do Fórum Permanente de Sustentabilidade da Amazônia na Carta de Rondônia. Para o chefe da pasta de sustentaDurante o XI Seminário bilidade do Mapa, o XI Seminário Internacional de Internacional de Sustentabilidade Sustentabilidade, em Porto Velho - RO proporcionou um diálogo aberto com a sociedade civil para a discussão de políticas públicas. O público do evento englobou a população das principais capitais da região amazônica: Rio Branco/AC, Macapá/AP, Manaus/ AM, Cuiabá/MT, Belém/PA, Porto Velho/RO, Boa Vista/RR, Palmas/ TO, São Luís/MA e das cidades peruanas, Cuzco e Lima. REVISTA AMAZÔNIA 39


Plano Safra da Pesca

O Plano Safra da Pesca irá investir cerca de R$ 4 bilhões até 2014 em ações de fomento à produção e comercialização de pescado. Com a ação, a produção nacional deverá dobrar e atingir a marca de 2 milhões de toneladas por ano Fotos: Antonio Cruz/ ABr e Carlos Silva

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presidenta Dilma Rousseff, garantiu que as atividades ligadas à pesca e à aquicultura serão “centrais” para o país, tanto no âmbito econômico como no social, ao anunciar o Plano Safra da Pesca e Aquicultura em cerimônia no Palácio do Planalto. A meta é ampliar a produção nacional para 2 milhões de toneladas de pescado ao ano até 2014. “Essa atividade, que era lateral, será central do nosso país”, garantiu a presidenta. Segundo Dilma, o Brasil sempre teve condições de ter atividades de pesca e aquicultura mais fortes. Agora, acrescentou, é hora de o país transformar seu potencial – o maior do mundo – em atividades sociais e econômicas, além de estimular melhores hábitos alimentares para o brasileiro.

“Vamos fortalecer a atividade pesqueira, transformando-a em instrumento de crescimento econômico do país, aumentando nossos investimentos nesse que é, sem dúvida, junto com a agricultura, um dos grandes setores que caracterizarão o século 21: o fornecimento de proteína, para gerar inclusão social e melhoria da qualidade do trabalho”, explicou a presidenta. Na solenidade de lançamento do plano, Dilma apresentou dados que mostram o potencial do país para as atividades de pesca e aquicultura. “Temos mais de 8 mil quilômetros de costa marítima, 13% da reserva mundial de água doce e um mar interno feito de reservatórios e açudes em praticamente todas as nossas bacias hidrográficas. É como se fosse o acesso a um grande mar de água doce”, explicou. A presidenta, no entanto, lembrou que a realidade econômica e social da atividade está distante do potencial. “No ranking, ocupamos a 23ª posição na pesca e a 17ª na aquicultura. Esses números dão o tamanho do nosso desafio”, argumentou. Com o plano anunciado, o gover-

Plano Safra da

cultura Pesca e Aqui 2013/2014 2012/

Você investe

no pescado. O

Brasil investe

em você.

Cartilha Plano Safra

no pretende tornar o Brasil, até 2020, “um exportador do tamanho do seu potencial”, ampliando a renda e o trabalho de milhões de brasileiros. Para atingir o objetivo, o governo pretende, entre diversas frentes de ação, ajudar os produtores a reduzir o

Plano Safra da Pesca e Aquicultura para produção e comercialização de pescado

Marcelo Crivella, ministro da Pesca e Aquicultura, na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura 40 REVISTA AMAZÔNIA

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A presidenta Dilma Rousseff lança o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, no Palácio do Planalto

senvolvimento do setor. Entre os objetivos do Plano Safra da Pesca e Aquicultura estão o resgate de 100 mil famílias que estão na linha da pobreza; a assistência técnica e extensão rural a 120 mil A ministra Gleisi Hoffmann, a presidenta Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Marco Maia, e o ministro Marcelo Crivella, participam da cerimônia de lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura

desperdício no manuseio. Só com essa frente, o governo quer aumentar em 40% a renda dos profissionais. A ampliação das ações governamentais abrangerá, também, aprimoramento das técnicas de cultivo e manuseio, modernização de equipamentos, oferta de assistência técnica, investimento em pesquisa e mais estrutura à cadeia produtiva. O Plano Safra da Pesca, lançado pelo governo federal, por meio do Ministério da Pesca e Aquicultura, irá investir até 2014, cerca de R$ R$ 4,1 bilhões, em ações de fomento à produção e comercialização de pescado. Destaque para as ações inclusivas com pescadores e cooperativas, que irão gerar emprego e renda aos trabalhadores, e programas que facilitem o acesso ao crédito para os trabalhadores da atividade, aumentem a oferta de assistência técnica e a formação de cooperativas e que ajudem a melhorar as condições de armazenagem e a comercialização do pescado. Com as ações, estima-se que a produção nacional chegará a 2 milhões de toneladas por ano. O público-alvo do Plano serão aquicultores familiares e comerciais, pescadores artesanais, armadores de pesca, agricultores familiares e indústrias do setor. Linhas especiais de crédito serão concedidas a pescadores e aquicultores familiares, mulheres pescadores e aquicultoras, marisqueiras e jovens empreendedores, cooperativas e associações. Além de crédito com juros mais baixos, prazos de carência maiores e ampliação dos limites, o plano desonera a cadeia produtiva, garante assistência técnica, fortalece o cooperativismo, disponibiliza equipamentos, renova embarcações, moderniza a indústria e a comercialização, e investe em ciência, tecnologia e inovação. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também lançará, junto com o Plano Safra, uma linha de crédito especial com as melhores condições para o derevistaamazonia.com.br

Marcelo Crivella, Helenilson Pontes durante o lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura

Também, dentre as ações do Plano, estão a liberação de linhas especiais de crédito – com juros mais baixos, prazos de carência maiores e ampliação dos limites -, a assistência técnica e extensão rural a 120 mil famílias de pescadores e aquicultores; a escavação de 60 mil tanques, que produzirão 78.750 toneladas de pescado ao ano; a criação do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento de Novas Tecnologias MPA/MAPA-Embrapa Pesca e Aquicultura; entre outros. Dessa forma, o plano desonera a cadeia produtiva, garante assistência técnica, fortalece o cooperativismo, disponibiliza equipamentos, renova embarcações, moderniza a indústria e a comercialização e investe em ciência, tecnologia e inovação.

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Plano vai fomentar a pesca e aquicultura no Pará O Plano Safra da Pesca e Aquicultura, vai fomentar a atividade pesqueira no País, sobretudo no Pará, pois, o Brasil tem oito mil quilômetros de costa e 13% da água doce do planeta, e grande parte dessa água está na Amazônia, especialmente nos rios do Pará. Presente à cerimônia, o vice-governador do Estado, Helenilson Pontes, disse: “O Pará tem uma tradição na pesca e aquicultura, e com o Plano Safra, aliando crédito de um lado e assistência técnica de outro, temos certeza que vamos promover a inclusão de um contingente enorme de pescadores, agrupando inclusão das atividades sociais e serviços públicos que melhorem a vida, a qualidade e a renda dessas pessoas que dedicam a sua vida à pesca no Estado”, enfatizou. “Importante eu registrar que o Pará está sintonizado com a política nacional implantada hoje pela presidente Dilma Rousseff, de um Plano Safra para a Pesca e Aquicultura. Faremos todos os esforços para incluir cada vez mais pescadores paraenses dentro dessa estratégia nacional de apoio ao setor. Vamos ter uma reunião com o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, para detalhar e saber exatamente o que toca o Pará nesse primeiro momento. Vamos estar organizados numa grande política estadual de alinhamento à política federal de apoio à pesca e aquicultura no Pará”, acrescentou o vice-governador. Acredito que o que ganhamos de mais estratégico nesse processo foi a consciência da importância desse setor, esse setor de aquicultura e pesca. Nós quem? Nós, governo, e nós, cada vez mais, sociedade”, enfatizou. famílias de pescadores e aquicultores; a escavação de 60 mil tanques que produzirão 78.750 toneladas de pescado ao ano; a criação do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento de Novas Tecnologias; a promoção de 75 projetos de P,D & I; e a reestruturação de nove unidades de produção de formas jovens e alevinos. Os recursos do plano serão provenientes do Crédito Rural: Pronaf, Prodecoop, Pronamp, Procap-Agro e Moderagro. Atualmente, de acordo com dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, de setembro de 2011, cerca de 970 mil pescadores registrados, 957 mil são artesanais. Na pesca industrial, 40 mil trabalhadores atuam somente no setor de captura, conforme dados da pasta. O lançamento do plano contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS)

Vamos fortalecer a atividade pesqueira, transformando-a em instrumento de crescimento econômico do país…

Na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura, no Palácio do Planalto 42 REVISTA AMAZÔNIA

e de representantes do setor, dos presidentes da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), Abraão Lincoln, e da Associação Brasileira de Criadores de Tilápia, Ricardo Neukirchner. Também participaram do evento os ministros Marcelo Crivella, da Pesca e Aquicultura; Gleisi Hoffmann, da Casa Civil; Alexandre Padilha, da Saúde; Aloizio Mercadante, da Educação; Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

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Nº de patentes e tecnologias licenciadas cresce e incentiva capital científi co Grandes universidades criam novos mecanismos para

transferir resultados de pesquisas ao mercado e à sociedade; patentes obtidas por Harvard subiu de 35 para 60 por ano

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os últimos seis anos, a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, conseguiu melhorar seus indicadores relacionados à transferência de tecnologia, que representavam um ponto opaco no desempenho da líder de vários rankings internacionais de instituições de ensino superior. O número de invention disclosures, documentos com a descrição de resultados de pesquisas para avaliar a possibilidade de sua proteção por meio de direitos de propriedade intelectual, aumentou de 180, no ano de 2006, para 351, em 2011. No mesmo período, o número de patentes obtidas no escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos (Uspto, na sigla em inglês) subiu de 35 para 60, enquanto o de tecnologias licenciadas cresceu de 11 para 45. O combustível dessa mudança foi uma reforma na estrutura e nas práticas do Escritório de Desenvolvimento Tecnológico (OTD) de Harvard, voltada para multiplicar a cooperação entre a universidade e o setor privado. Não por acaso, subiu de 12 para 75 o número de acordos entre Harvard e empresas envolvendo a chamada pesquisa patrocinada, modalidade em que companhias

financiam o trabalho realizado em um laboratório da universidade muitas vezes em troca de privilégio no licenciamento de descobertas resultantes. O montante investido nesses acordos chegou a US$ 37,2 milhões em 2011, quatro vezes mais do que o total de 2006. Entre as empresas que celebraram parcerias estratégicas recentes com Harvard destaca-se, por exemplo, a Novartis, para desenvolver fármacos a partir de células-tronco junto com Lee Rubin, do Instituto de Células-Tronco de Harvard. O movimento feito por Harvard é exemplar de um fenômeno que se esboça nos escritórios de transferência de tecnologia de universidades - e não apenas naquelas de classe mundial. Além das tarefas rotineiras, que consistem em identificar descobertas com potencial econômico e protegê-las por meio de patentes, esses escritórios abraçam várias outras atividades, como fomentar colaborações de pesquisa de longo prazo entre empresas e laboratórios, auxiliar na criação de empresas baseadas em tecnologias nascentes, arregimentar investidores privados para financiá-las, oferecer a consultoria de pesquisadores para a indústria e estimular o empreendedoris-

Fenômeno se esboça nos escritórios de pesquisa de transferência de tecnologia das universidades

mo já entre os estudantes de graduação. “A experiência mostra que é possível alcançar resultados altamente positivos quando empresas e universidades, a despeito de suas diferenças culturais, comprometem-se com parcerias em que ambos os lados saem ganhando”, diz Todd Sherer, presidente da Associação de Gestores de Tecnologia das Universidades (AUTM), entidade que congrega 3,5 mil profissionais vinculados a 350 universidades, instituições e hospitais de pesquisa em vários países e lhes oferece treinamento e apoio sobre mecanismos de transferência de tecnologia.

Células estaminais embrionárias humanas pluripotência

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Descobertas fundamentais e a aplicação de conhecimentos emergentes da engenharia, biocatálise, microbiana e catálise química

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Inpe desenvolve câmera astronômica inovadora Por obter imagens em quatro cores ao mesmo tempo e permitir medir a polarização da luz, a SPARC4 será única no mundo

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Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está desenvolvendo um instrumento inovador para estudos astronômicos. Trata-se de uma câmera que permitirá a realização de fotometria e polarimetria com resolução temporal moderal e em quatro bandas espectrais de modo simultâneo. Denominada Simultaneous Polarimeter and Rapid Camera in Four Bands (SPARC4), o projeto conceitual da câmera é realizado com apoio da FAPESP. Em astronomia, quando se fala de câmeras ópticas, o padrão é que as imagens sejam obtidas em um único intervalo de comprimento de onda (da luz). Por obter imagens em quatro cores ao mesmo tempo e permitir medir a polarização da luz, a SPARC4 será única no mundo. O projeto conceitual do novo instrumento foi aprovado por um comitê de especialistas do Inpe e do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), externos à equipe técnica do SPARC4. O instrumento deverá ficar pronto no prazo de dois a três anos e será instalado no telescópio de 1,60m do Observatório do Pico dos Dias, coordenado pelo LNA, em Itajubá, Minas Gerais. De acordo com Claudia Vilega Rodrigues, pesquisadora da Divisão de Astrofísica do Inpe, os dados científicos em astronomia são basicamente informações sobre a luz emitida pelos objetos de interesse – como estrelas e galáxias – , que são obtidos por instrumen-

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O SPARC4 será um instrumento inovador para estudos astronômicos

tos acoplados a telescópios. Também chamados de “medidores de luz”, esses instrumentos medem fluxo, espectro (fluxo como função do comprimento de onda), obtêm imagens e medem polarização, entre outras funções. Já a SPARC4 é bidimensional e, portanto, não obterá imagens. “Com ela nós vamos medir não apenas o fluxo, mas também a polarização”, disse Rodrigues.

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Nanotecnologia: novos horizontes, novos desafios

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Brasil vem se deparando com um novo debate, a nanotecnologia, e mais uma vez colocam-se na mesa os mesmos questionamentos: o que é, para que serve, quais são os riscos e a quem atende. Do ponto de vista científico, Nano é uma medida, uma escala; trata de dimensões infinitesimais. É a divisão de 1 metro por 1 bilhão. A nanotecnologia, isto é, a tecnologia em escala nano, surgiu quando cientistas perceberam que os materiais, quando reduzidos ou trabalhados nessa escala, assumem propriedades químicas e físicas diferentes: o alumínio pode pegar fogo espontaneamente e poderia ser utilizado como combustível para foguetes; a platina torna-se um potente catalisador das reações químicas. Como resultado, nanoprodutos estão sendo lançados no mercado. Por exemplo, aditivos e suplementos alimentares, vitaminas; bandagens antimicrobianas (que impedem a respiração das células dos micróbios); baterias; biocidas para uso médico e farmacêutico; biomembrana (induz a formação de novos vasos sanguíneos e de novos tecidos na superfície sobre a qual é aplicada); bolas de tênis que impedem a saída de ar; cosméticos de penetração profunda; embalagens “inteligentes” para alimentos; materiais de construção... Na verdade, ainda não há uma legislação regulamentando o setor. Hoje, as pesquisas e o comércio de nanoprodutos ocorrem sem nenhum controle dos órgãos de Governo. As pessoas estão utilizando ou ingerindo nanomateriais sem saber dos riscos que correm. E quais são os riscos? Ninguém sabe. O Partido Verde não é contra as novas tecnologias. Nossos posicionamentos são pontuados pelo princípio da

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por Sarney Filho Dep. Sarney Filho, no recente VI Simpósio Amazônia

precaução quanto aos riscos e tecnologias que possam representar danos à saúde e ao meio ambiente, (como, por exemplo, a geração de energia elétrica usando fontes radiativas). Defendemos o Princípio da Precaução, como explícito na Declaração do Rio de 1992: “Quando houver perigo de dano grave ou irreversível, a falta de uma certeza científica absoluta não deve ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes em função dos custos para impedir a degradação ambiental”. (Princípio 15).

O posicionamento do Partido Verde é pela identificação dos riscos que a sociedade corre em manipular ou consumir nanoprodutos. Como aceitar o descarte de rejeitos de nanotubos de carbono nos aterros sanitários se não sabemos o que pode resultar disto? O que acontece se descartarmos nanoprodutos nas fontes de água consumidas por pessoas e animais? O que temos são mais dúvidas que certezas sobre os riscos em se lidar com a nanotecnologia. Por isso, antes que o problema tome proporções gigantes propomos três linhas de ação: fazer um amplo debate com a sociedade, pesquisar e identificar claramente quais são os riscos e aprovar uma regulamentação que seja boa para todos. A história do DDT, do amianto, e da talidomida - somente para citar três grandes e trágicos exemplos -, revela que a não-identificação dos riscos e a manipulação da informação em benefício de um setor pode provocar catástrofes. A nanotecnologia não pode repetir esses erros. [*] Ex-ministro do Meio Ambiente, é deputado federal, líder da bancada do PV, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista

Do ponto de vista científico, Nano é uma medida, uma escala; trata de dimensões infinitesimais. É a divisão de 1 metro por 1 bilhão

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NASA usa laser e 3D para criar complexas partes de foguete Um projeto da NASA utiliza uma impressora laser para gerar peças metálicas complexas que serão utilizadas em sistemas de lançamento. os pesquisadores, o processo reduz o tempo de produção de uma peça de meses para alguns dias. As peças produzidas pelo SLM, vão integrar o foguete do próximo veículo da agência espacial. Algumas das partes serão testadas em um sistema de ignição J-2X ainda este ano.

Fotos: NASA / MSFC / Andy Hardin

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método chamado de fusão seletiva a laser – SLM (do inglês selective laser melting), utiliza pó de metal e um laser de alta energia para derretê-lo em um padrão projetado, para gerar as peças. O laser é disparado em pontos exatos do pó, que derrete e se solidifica. SLM é semelhante à impressão 3-D, e como acontece nessas impressoras, aos poucos a peça vai sendo construída. É o futuro da fabricação. Segundo o Centro Espacial Marshall, em Huntsville, o maior benefício do processo é a segurança e o corte de gastos. Para

Engenheiros do Centro Espacial Marshall, observam o SLM, a máquina fusão seletiva a laser

Os engenheiros da NASA estão usando um sistema de impressão a laser 3D para produzir peças metálicas complexas. A máquina em operação

Prova do ensaio produzido pela primeira vez na máquina do Centro Espacial Marshall

Segundo Ken Cooper, líder da equipe de produção do Centro Marshall. “O laser vai a camada de poeira derretida para fundir qualquer parte que precisamos a partir do zero, criando intrincados desenhos. O processo produz peças com geometrias complexas e precisas com propriedades mecânicas de um desenho tridimensional assistido por computador”. “Esse processo reduz significativamente o tempo de produção necessária para produzir peças de meses para semanas ou mesmo dias, em alguns casos”, disse. “É uma melhoria significativa na acessibilidade, economizando tempo e dinheiro. Além disso, já não estamos usando peças de solda, por isso, as peças são estruturalmente mais forte e confiáveis, o que cria um veículo global mais seguro.” Há dois grandes benefícios para este processo, que são as principais considerações para o Programa de Sistema de Lançamento Espacial: economia e segurança. Impressora à laser para gerar peças metálicas complexas que serão utilizadas em sistemas de lançamento

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Algumas das partes serão testadas em um sistema de ignição J-2X ainda este ano

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Trem ecológico magnético

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m projeto-piloto feito em colaboração com a Nasa deve levar às ruas de Tel Aviv, em Israel, um trem aéreo elétrico, que não encosta nos trilhos. Está sendo promovido como uma “forma ecológica e rápida” de facilitar o transporte público. c(norte da cidade), a ser concluída em dois anos. Os veículos poderão alcançar uma velocidade de 240 km/h e “voarão” em uma altura de 7 m, presos sob trilhos suspensos no ar. O sistema será movido a eletricidade, parte da qual será “produzida pelo próprio sistema”, disse Jerry Senders, diretor da empresa Skytran, responsável pela tecnologia. Senders explica que dentro de cada veículo haverá um “motor linear” que será movido por um misto de eletricidade e ondas magnéticas. “A principal inovação do projeto é o movimento por intermédio de ondas magnéticas, e essa é a contribuição tecnológica da Nasa”, diz. “Não haverá atrito entre o veículo e o trilho de alumínio, já que, a partir do momento em que o veículo começar a se mover, se criará, por meio da onda magnética, uma especie de travesseiro de ar e cada bondinho navegará no ar”. O único momento em que haverá atrito com o cabo de alumínio será quando o veículo parar nas estações.

Custos e capacidade “Trata-se de uma maneira econômica, rápida e ecoló-

Sistema terá trilhos suspensos, com trens a uma altura de 7 metros

rão apenas 200 kg cada, e poderão transportar dois passageiros por vagão. Mas, segundo Sanders, poderá transportar até 11 mil pessoas por hora. Os passageiros que entram nos bondinhos podem apertar um botão indicando em qual estação querem parar, como em um elevador. Segundo Senders, o presidente de Israel, Shimon Peres, já pediu que a Skytran prepare planos para ampliar a rede aérea para as periferias de Israel, e o projeto poderia chegar até Eilat (cidade no sul do país). “O sistema tem características de uma espécie de internet física”, explica Senders, “uma rede ilimitada de linhas aéreas, que poderá, inclusive, ter estações dentro de edifícios e sobre os prédios”. “Estou orgulhoso de Tel Aviv ter sido escolhida para a

gica de resolver o problema do transporte público”, diz Senders, afirmando que o projeto custará apenas US$ 6 milhões por quilômetro. Para efeitos comparativos, a prefeitura de Jerusalém concluiu recentemente a construção de um bonde que cruza a cidade, que durou 12 anos e custou mais de dez vezes o preço por quilômetro. E estima-se que o custo por quilômetro do metrô de São Paulo seja de US$ 60 Concepção artisticaa milhões a US$ 100 milhões. de estação dos trens em uma cidade Os trilhos de alumínio do trem aéreo de Tel Aviv serão erguidos entre postes, que também servirão como fonte de energia. “O sistema aproveitará ondas magnéticas que serão geradas pelo próprio movimento dos veículos sob os trilhos de alumínio”, afirma a prefeitura. Os veículos serão leves e pesaSkytran é uma maneira econômica, rápida e ecológica de resolver o problema do transporte público

implementação do projeto piloto em colaboração com a Nasa”, declarou o prefeito Ron Huldai. “O projeto se enquadra na percepção da prefeitura, que vê Tel Aviv como centro de inovação tecnológica”, disse o porta-voz da prefeitura de Tel Aviv, Gali Avni Orenstein.

Vagão será movido por eletricidade e ondas magnéticas revistaamazonia.com.br

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Retrato do ar na Terra Fotos: William Putman, NASA/Goddard

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Nasa divulgou uma imagem de alta resolução da modelagem atmosférica global executado no supercomputador Discover no Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, Maryland, para simulação do clima. Fornece uma ferramenta única para estudar o papel do tempo no sistema climático da Terra. O modelo Goddard Terra Observing System, versão 5 (GEOS-5) é capaz de simular o tempo em todo o mundo em resoluções de 10 a 3,5 quilômetros (km). O supercomputador Discover no Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, Maryland

O tempo evoluindo com concentração atmosférica de CO2, simulação usando a NASA GEOS-5

Em alta definição a imagem mostra concentrações na atmosfera de poeira (em vermelho), levantada da superfície pelo vento; de sal marinho (azul), carregado por ciclones; de fumaça (verde) produzida por incêndios; e de partículas de sulfato (branco), emitidas por vulcões e das emissões de combustíveis fósseis. Este retrato de aerossóis globais foi produzido por uma simulação GEOS-5 com uma resolução de 10 km. Retrato do ar da Terra. Aerossóis globais

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Amazonas Greenergy Simpósio Internacional de Energia Sustentável Energia solar tem incentivos no Polo Industrial de Manaus Fotos: Layana Rios

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om a crescente demanda por energia sustentável em todo o mundo, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) reforçou, durante o “Amazonas Greenergy - Simpósio Internacional de Energia Sustentável”, que o Polo Industrial de Manaus já tem benefícios para produção de dispositivos fotovoltaicos - utilizados para converter a luz solar em energia elétrica. O simpósio, realizado esta semana no auditório Gilberto Mendes de Azevedo, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), contou com a participação do superintendente em exercício da SUFRAMA, Gustavo Igrejas, e de representantes de empresas nacionais e internacionais do setor energético, visando discutir a elaboração de um “Plano de Atração de Empresas do Setor de Energias Renováveis” para o Estado. Igrejas mediou duas palestras: “Experiências de importação de mecanismos de incentivos e financiamentos diferenciados para energia solar”, realizada pelo coordenador de Energias Renováveis do Greenpeace, Ricardo Baitelo; e “Plano de atração de empresas do setor de energias renováveis”, proferida pelo secretário de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SEPLAN), Airton Claudino. Durante as palestras lembrou que atualmente já existem cinco portarias interministeriais de Processos Produtivos Básicos (PPBs) aprovados para produtos fotovoltaicos no Polo Industrial de Manaus (PIM). “É importante dizer que hoje já é possível produzir com os incentivos que temos. A SUFRAMA trabalha constantemente com a atração de investimentos, então, acredito que é viável identificar onde estão esses fabricantes e dar um passo à frente, apresentando nossas vantagens aos investidores para trazê-los para a região assim que a demanda tornar viável a produção no Brasil”, afirmou o superintendente.

Energia solar fotovoltaica “Para a Eletrobras Amazonas Energia o Amazonas Greerevistaamazonia.com.br

Secretária Nádia Ferreira (SDS), secretário Airton Claudino (Seplan) e Gustavo Igrejas, da Suframa

energia solar fotovoltaica, bem como posicionar o país e o Estado nessa direção tendo em vista as últimas normas legais publicadas pelo governo federal que visam a expansão da geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, em especial energia solar”, disse Bittencourt.

Conselho Estadual de Energia Durante o Amazonas Greenergy

Presidente da ADS, Valdelino Cavalcante; Secretária de Meio Ambiente, Nádia Ferreira; e Presidente do IDEAL, Mauro Passos

nergy, coincide com os principais objetivos da empresa que é a promoção da mudança na matriz energética e a melhoria da qualidade de vida das pessoas por meio de usinas a gás e agora, com a grande possibilidade de investimentos no aproveitamento da energia solar como é o caso das miniusinas fotovoltaicas”, destacou o diretor de Geração, Transmissão e Operação para a Capital, Tarcísio Estefano Rosa. O coordenador de energia da SDS, Anderson Bittencourt, explica que no evento foram reunidos especialistas, para compartilhar experiências da área de energia sustentável e eficiência energética. “Foi uma oportunidade de discutir com as maiores empresas do mundo nesse setor sobre o desenvolvimento de uma economia em escala para a

A criação do Conselho Estadual de Energia, como órgão consultivo de natureza permanente, tem por finalidade participar da formulação e implantação da política energética do Estado do Amazonas e acompanhar as atividades decorrentes de sua execução. Uma das principais atribuições será discutir a proposta para um Plano de Incentivos Econômicos e Fiscais para atração de Empresas do Setor de Energias Renováveis, visando estimular a implantação de um Polo Industrial Renovável, desenvolvendo o mercado de equipamentos e serviços. “Passaremos a ter um Conselho presidido pela SDS, que visa discutir junto com 30 membros, sendo 15 da sociedade civil e 15 de órgãos governamentais, uma proposta de um plano de incentivo fiscal e econômico para atrair empresas do setor de energia renovável para o nosso Estado”, explica Nádia Ferreira, titular da SDS.

Greenergy O Simpósio foi organizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), em parceria com a Eletrobras-Amazonas Energia, e contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Seplan). O público-alvo foram organizações governamentais, empresas privadas, instituições de ensino e pesquisa, representantes da sociedade civil e do setor empresarial. De acordo com a secretária da SDS, Nádia Ferreira, o evento visou articular uma política industrial para fomentar a cadeia produtiva de energias renováveis, desenvolvendo o mercado de equipamentos e serviços, incluindo a atração de investidores internacionais e favorecimento da transferência de tecnologia. REVISTA AMAZÔNIA 49


Empresa britânica faz combustível a partir de ar e água O feito foi saudado como o “Santo Graal” da energia verde

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ma pequena empresa britânica anunciou ter desenvolvido uma tecnologia que, na visão de seus entusiastas, poderia ajudar a amenizar de uma só vez a crise energética provocada pelos altos preços do petróleo e o problema do aquecimento global. Segundo a Air Fuel Synthesis, com sede no norte da Grã-Bretanha, seus cientistas e pesquisadores conseguiram produzir combustível a partir de ar e água. Mais precisamente, a partir de hidrogênio extraído de vapor d’água e gás carbônico – substância que costuma ser responsabilizada pelas mudanças climáticas.

Bom demais para ser verdade? A novidade atraiu a atenção da imprensa britânica, principalmente depois de ter sido respaldada pela sociedade Nova tecnologia revolucionária produz gasolina do ar

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de engenheiros Institution of Mechanical Engineers, de Londres. “Cientistas transformaram ar em combustível”, anunciou o jornal Independent em sua manchete. Citando especialistas britânicos, o Daily Telegraph classificou a descoberta como “revolucionária”. Para o tabloide Daily Mail, ela “promete resolver a crise energética global.” A tecnologia envolvida nesse processo não é inteiramente nova. Ela já vinha sendo pesquisada por laboratórios de diversos países, entre eles o Centro de Tecnologia Industrial Tokushima, no Japão, e o Centro de Estudos de Materiais Freiburg, na Alemanha.

O pequeno protótipo de refinaria da Air Fuel Synthesis

“Gasolina do ar” tecnologia desenvolvida pela Companhia Britânica, Air Fuel Synthesis

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Basicamente, consiste em extrair dióxido de carbono do ar e hidrogênio do vapor d’água (por eletrólise) e, em seguida, combinar as duas substâncias em uma câmera de alta temperatura. O processo produz metanol, que é então processado para virar combustível.

Entusiastas e céticos Os resultados da Air Fuel Synthesis, porém, chamaram a atenção porque a empresa conseguiu criar um pequeno protótipo de refinaria no qual a produção é feita de forma constante. E, com isso, produziu desde agosto cinco litros de combustível. Agora, ela está começando a construir uma instalação maior com a intenção de produzir, em dois anos, uma tonelada dessa gasolina por dia. E segundo o diretor da empresa, Peter Harrison, a ideia é erguer, em até 15 anos Motoristas poderão em breve encher tanques com gasolina feito a partir do ar

Este diagrama ilustra o processo pioneiro para a criação de gasolina d’água

uma refinaria em escala comercial. “Podemos mudar a economia de um país permitindo que ele produza seu próprio combustível”, explicou Harrisson ao Independent o diretor da Air Fuel Synthesis. Mas nem todos estão tão entusiasmados com a iniciativa. O engenheiro químico e especialista em energia limpa Paul Fennell, do Imperial College London, é um dos céticos. Ele explica que, para levar adiante o processo de produção de combustível a partir de dióxido de carbono e vapor d’’água é preciso gastar uma grande quantidade de energia elétrica. “Trata-se de um processo custoso e que não compensa esse gasto de energia”, opinou Fennell. Para ele, faria mais sentido, do ponto de vista de eficiência energética, usar a energia elétrica diretamente – e apostar no desenvolvimento de outras formas de transporte movidas a eletricidade. “A ideia de desenvolver uma nova técnica para criar combustível líquido à primeira vista é muito atraente porque não exige uma mudança das estruturas e sistemas de transporte usados hoje”, afirma Fennel. Mas isso não quer dizer que essa opção seja a mais eficiente nem a mais limpa – afinal, quando o novo combustível é queimado os poluentes voltam para a atmosfera.” Segundo Harrison, o objetivo da empresa por enquanto não é ampliar a eficiência do processo de produção de combustível a partir de dióxido de carbono, mas provar um princípio. “Queremos mostrar que aqui na Grã-Bretanha é possível produzir petróleo a partir de ar”, disse. “Esses processos são capazes de funcionar em escala industrial. Mas teremos trabalho para desenvolver as cadeias de suprimento e reduzir os custos”, admitiu. Membro da equipe técnica com parte do equipamento de captura de CO2

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Biônica: a tecnologia imita a natureza por Silke Wünsch* Aprendendo com a natureza A biologia é cheia de truques e serve de inspiração para a tecnologia. Pode-se dizer que Leonardo da Vinci inventou a biônica quando estudou o voo dos pássaros. A águia prolonga as penas da extremidade de suas asas de forma que deslize pelo ar, gastando pouca energia. Com o movimento descendente das asas, ganha-se empuxo.

Efeito lótus Desde a década de 1990 também usamos o efeito lótus. Superfícies autolimpantes se encontram, atualmente, em tintas, telhas e louças. No futuro, os engenheiros tentarão também selar a superfície de aeronaves com o efeito lótus. Cristais de gelo já não poderão se acumular – seria o fim do descongelamento das asas no inverno. Uniformes de natação que imitam a estrutura da pele dos tubarões

A águia prolonga as penas da extremidade de suas asas de forma que deslize pelo ar, gastando pouca energia

Asas curvadas Os cientistas estudaram esse método de economia de energia das águias. Hoje em dia, as aeronaves têm as pontas das asas curvadas, um componente aerodinâmico chamado winglet, que confere mais sustentabilidade no ar e também reduz o consumo de combustível.

Favo de mel Construir um recipiente que ofereça máxima estabilidade, economia de material, e, ainda, proporcionar o maior espaço de armazenamento possível: a abelha realiza essa tarefa brilhantemente. A estrutura do favo de colmeia parece ser calculada matematicamente e é a forma ideal para as abelhas. Superfícies autolimpantes se encontram, atualmente, em tintas, telhas e louças.

Dentículos Dentes afiados em alguns tubarões são apenas um começo. Existem algumas espécies que possuem dentes minúsculos (escamas placoides) ao longo do corpo. Esses dentes microscópicos ficam alinhados na direção da barbatana caudal do tubarão, diminuindo a resistência da água contra a pele. Assim, o tubarão desliza através da água de forma rápida, consumindo pouca energia.

As aeronaves têm as pontas das asas curvadas, um componente aerodinâmico chamado winglet, que confere mais sustentabilidade no ar

Sinônimo de pureza A flor de lótus, em grande parte da Ásia, é sinônimo de pureza. As folhas desta planta flutuante possuem um mecanismo autolimpante na superfície. Rugosidades de cera repelem a água e a sujeira. Mas outras plantas e insetos também usam esse método. Assim, eles protegem partes do corpo que não podem limpar. As folhas desta planta flutuante possuem um mecanismo autolimpante na superfície

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A estrutura do favo de colmeia parece ser calculada matematicamente

Estrutura de colmeia Se falarmos em design leve e muito resistente, a colmeia serve de inspiração para designers. De tijolos especiais até pneus de inverno, que garantem boa estabilidade na estrada. A estrutura de uma colmeia pode ser encontrada ainda dentro de pranchas de snowboard. A colmeia serve de inspiração para designers

Existem algumas espécies de tubarões que possuem dentes minúsculos (escamas placoides) ao longo do corpo

Pele de tubarão Empresas de artigos esportivos desenvolveram uniformes de natação que imitam a estrutura da pele dos tubarões. Nos Jogos Olímpicos de 2000, quase todos os medalhistas usaram esse tipo de roupa especial. O efeito “pele de tubarão” pode ser utilizado, teoricamente, sempre que se quer otimizar comportamento de fluxos, por exemplo, em asas de aviões ou navios.

Filamentos elásticos e resistentes O engenheiro suíço Georges de Mestral estava sempre tirando os irritantes carrapichos do pelo de seus cães. Ele colocou um desses carrapichos no microscópio e faz uma descoberta fascinante: na extremidade dessa plantinha, revistaamazonia.com.br


existe um pequeno gancho elástico e muito resistente. Assim, a planta é precursora em colar materiais de forma simples.

Tromba necessária A tromba é uma das partes mais visíveis do corpo do elefante. Para o paquiderme ela é vital. Como seu pescoço é muito curto, o elefante só pode comer e beber com a ajuda da tromba. Formada inteiramente por músculo, a tromba também serve para tatear, substituindo os dedos. O protótipo se chama Tabbot

Dente-de-leão As sementes do dente-de-leão possuem pequenos paraquedas naturais. Através dessas estruturas, elas aumentam a sua superfície de resistência e podem flutuar suavemente ao vento.

Na extremidade dessa plantinha, existe um pequeno gancho elástico e muito resistente

Patente do velcro Em 1951, o engenheiro Mestral patenteou sua ideia e criou o primeiro material têxtil de fecho reversível, que ficou conhecido como “velcro”. O velcro de aço é capaz de resistir à tração de 35 toneladas por metro quadrado.

A tromba serve para tatear, substituindo os dedos

Tromba biônica A cópia robótica da tromba do elefante não é menos hábil e flexível do que o modelo da natureza, apenas é menos voraz. Portanto, a tromba biônica manipula facilmente ovos crus, tomates ou consegue segurar um copo de água.

As sementes do dente-de-leão podem flutuar suavemente ao vento

A tromba biônica manipula facilmente ovos crus, tomates ou consegue segurar um copo de água

Queda livre Um salto de paraquedas pode ser feito entre 1.000 e 4.500 metros de altitude. A 200 quilômetros por hora, em queda livre, basta o saltador puxar um cabo para abrir o paraquedas. A partir daí, o passeio é confortável: descendo a cinco metros por segundo, o paraquedista flutua lentamente de volta ao chão, como uma semente de dente-de-leão.

Aranha que rola A aranha “ciclista” vivia incógnita no deserto do Saara. Até que o professor berlinense Ingo Rechenberg a descobriu e deu esse nome pelo modo incomum da sua locomoção. Quando a aranha se sente ameaçada, ela foge, inacreditavelmente, rolando. Com este modo de se locomover, a aranha se torna extremamente rápida nas areias do deserto.

O paraquedista flutua lentamente de volta ao chão, como uma semente de dente-de-leão

O velcro de aço é capaz de resistir à tração de 35 toneladas por metro quadrado

Movimento ancestral As águas-vivas são compostas por 99% de água. Já há mais de 500 milhões de anos, elas vivem nos oceanos e são caracterizadas pela forma única de se locomoverem. Com o princípio de propulsão, elas fazem até 10 quilômetros por hora. Elas retraem seu “guarda-chuva” e lançam simultaneamente a água para baixo.

As águas-vivas se locomoverem com o princípio de propulsão, elas fazem até 10 quilômetros por hora

Águas-vivas robôs A empresa Festo copiou o padrão do movimento das medusas para criar suas águas-vivas biônicas “AquaJelly” e “AirJelly”. A água-viva robô usa na água e no ar a mesmo a técnica de locomoção dos animais verdadeiros. Com a ajuda destes robôs poderemos no futuro, por exemplo, melhorar a aerodinâmica dos aviões e automóveis.

A aranha se torna extremamente rápida nas areias do deserto

Protótipo espacial A aranha inspirou Rechenberg a construir um protótipo do “saltomóvel”. Esta invenção poderia servir como automóvel espacial, que se moveria não necessariamente com pneus e correntes. O protótipo se chama “Tabbot”.

Fio resistente Estar por um fio nem sempre é algo ruim. A teia de aranha é mais fina que um fio de cabelo, mas, em relação ao peso, é quatro a cinco vezes mais resistente que um cabo de aço. Além disso, no caso de se chocar com um inseto, não há problema, porque a teia pode ser esticada até três vezes seu comprimento sem rasgar.

A teia pode ser esticada até três vezes seu comprimento sem rasgar [*] Em Deutsche Welle

Águas-vivas biônicas AquaJelly e AirJelly

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O uso de computação intensiva na ciência Sistemas computacionais complexos em estudos que simulam fenômenos científicos em larga escala a partir de grandes volumes de dados

É

a Ciência orientada por dados. Na avaliação de Yan Xu, gerente de programas de pesquisas da Microsoft Research, esse novo paradigma tem ganhado espaço na pesquisa científica de ponta. A internet e demais plataformas computacionais dispõem atualmente de uma enorme quantidade de dados que guardam uma ciência ainda não conhecida. “Quarto Paradigma” é o nome dado à produção científica gerada a partir da investigação desses dados preexistentes e produzidos por terceiros. Xu participou da São Paulo School of Advanced Science on e-Science for Bioenergy Research (SPSAS e-SciBioenergy), promovida pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), com apoio da FAPESP por meio da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA). Uma tendência discutida na Escola foi o uso de sistemas computacionais complexos em estudos que simulam fenômenos científicos em larga escala a partir de grandes volumes de dados.

Uso de tecnologias de computação em nuvem na ciência

O próximo passo é levar o uso de computação intensiva dos projetos de grandes empresas para os fornecedores-chave da cadeia produtiva dessas companhias

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Foram apresentadas simulações sobre o avanço da infecção de gripe aviária na população norte-americana, a incidência de terremotos em todo o planeta nos últimos anos, entre outros. “Um grande desejo da comunidade científica mundial é dispor de tecnologia suficiente para fazer previsões acuradas e em tempo real de fenômenos distintos e ser capaz de propor respostas adequadas a esses acontecimentos”, disse Xu. Outro destaque da SPSAS e-SciBioenergy foi a apresentação do diretor do National Center for Supercomputing Applications (NCSA) da Universidade de Illinois, Thom Dunning. O NCSA administra o Blue Waters, um dos três maiores complexos de computação intensiva aplicada à ciência dos Estados Unidos. O Blue Waters custou US$ 170 milhões e outros US$ 26 milhões são investidos anualmente na sua operação – sendo US$ 13 milhões só para gastos com eletricidade. Grande parte desse custo é financiada por agências federais como a National Science Foundation (NSF) e o escritório científico do Departament of Energy (DOE). Dunning falou que tem aumentado o interesse de companhias do setor privado no Blue Waters. Segundo normas, essas podem ocupar até 5% do tempo de uso anual do sistema. “Empresas têm nos procurado não apenas para melhorar seus produtos com a ajuda da computação de alta performance, mas também para minimizar impactos ambientais. Uma empresa do setor de produtos de consumo, por exemplo, desenvolve um projeto para redesenhar embalagens plásticas para os seus produtos. Eles buscam algo resistente e que ao mesmo tempo utilize o mínimo possível de plástico em sua composição. Também trabalham conosco produtores de aviões, motores, máquinas agrícolas e outras”, disse. De acordo com o pesquisador, o próximo passo desse tipo de cooperação é levar o uso de computação intensiva dos projetos de grandes empresas para os fornecedores-chave da cadeia produtiva dessas companhias. Palestrantes presentes na SPSAS e-SciBioenergy des-

Yan Xu, gerente de programas de pesquisas da Microsoft Research, disse que e-Science é novo paradigma que tem ganhado espaço na pesquisa científica de ponta revistaamazonia.com.br

A e-Science nos permite integrar informações sobre genética, fisiologia e ecofisiologia da cana-de-açúcar com dados sobre solo, clima e sustentabilidade para, a partir daí, desenhar estratégias de produção de biomassa ou etanol de segunda geração, disse Marcos Buckeridge, diretor científico do CTBE

tacaram a preocupação com a falta de mão de obra especializada em projetos de e-Science. Segundo eles, o aumento de projetos nessa área tem elevado a disputa por profissionais com sofisticada expertise em sistemas computacionais que lidam com grandes volumes de dados, análise e visualização dessas informações. Para minimizar essa situação nos Estados Unidos foi criada, na Universidade de Illinois, a Virtual School of Computational Science and Engineering. A iniciativa já treinou mais de 700 alunos de pós-graduação nos últimos anos em tópicos que não costumam ser abordados em cursos regulares, como computação heterogênea e programação em escala peta (dos quatrilhões de bytes).

No Brasil, duas importantes iniciativas começam a ganhar forma nessa área. Uma delas, de acordo com Roberto Cesar Junior, pesquisador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e da Universidade de São Paulo (USP), é a aprovação de um projeto sobre métodos de e-Science pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), da FAPESP e do CNPq. Em contrapartida a esse projeto, foi criado o Núcleo de Pesquisa em e-Science, na USP, com foco nas áreas biológicas, médicas, ciências agrárias e humanas. Segundo Cesar Junior, essas duas ações almejam aumentar a massa crítica e redes de conhecimento na área, assim como implantar uma infraestrutura para compartilhar serviços de e-Science em rede.

Thom Dunning, diretor do National Center for Supercomputing Applications (NCSA) da Universidade de Illinois, foi outro destaque da SPSAS e-SciBioenergy

O novo conceito, e-Science, incorpora modelagens matemáticas, análises estatísticas e ferramentas de visualização de dados que possibilitam lidar e integrar grandes volumes de informação provenientes de diferentes áreas do conhecimento REVISTA AMAZÔNIA 55


Sprout: um lápis com uma semente Com 22 opções de sementes, Sproud vira legumes, flores e também ervas Existem diferentes lápis, cada um com sua própria semente

A

o invés de jogar os tocos de lápis por ai, que tal plantá-los em um vaso na mesa do escritório, em casa ou na sala de aula? A proposta é de um grupo de empreendedores dos Estados Unidos. Eles criaram o Sprout, um lápis de madeira que carrega em sua extremidade algumas sementes. Em contato com terra e água, elas começam a germinar. São 22 tipos de sementes, de berinjela e tomate, a menta e malmequer. Confeccionado em cedro, o único inconveniente do lápis e que ele, de fato, ainda não está disponível para a comercialização. Seus criadores estão em

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fase inicial de desenvolvimento do projeto e o lançaram no site de crowdfunding Kickstarter, uma ferramenta que permite a designers e outros profissionais envolvidos em processos de criação a conexão com públicos dispostos a financiar suas invenções. Portanto, com US$ 5 (cerca de R$ 10), os interessados, que no Kickstarter são chamados de apoiadores, conseguem investir na produção do Sprout e, assim que o produto alcançar a fase de produção, recebem um lápis em casa. Para o Brasil, os criadores do Sproud pedem mais US$ 5 para custear as despesas com o transporte.

Água diariamente. Sprout geralmente dá brotos em cerca de uma semana revistaamazonia.com.br


Sprout

Detalhes Sprout não tem uma borracha porque não pensamos em cometer erros. Queremos que cada parte do uso do Sprout possa ser divertido, então ao invés de sacrificar a qualidade geral (e adicionando custo e complexidade) por enxertia em uma borracha. Colocar uma borracha achamos que teria sido um erro. Para o Sprout ter sucesso, é incluso pelo menos três sementes em cada cápsula para maximizar as chances de sucesso de germinação. Cada pacote de Sprout vem com um cartão de instrução útil para plantio. E se eu mastigar meu lápis? Se você tem o hábito de mascar o seu lápis, Sprout provavelmente irá dissolver na sua boca.. Em uma nota mais clara, Sprout é inteiramente nãotóxico! O Sprout é eco-equivalente a um lápis padrão, que é uma boa maneira de se reconectar com o nosso meio ambiente. Sprout é uma alegria para escrever

E se em vez de jogar fora seus tocos de lápis, você pudesse plantá-los e vê-los crescer e transformado em algo delicioso, bonito e divertido? E lápis pode crescer? Sprout é um lápis com um interior de semente. Quando esta muito curto ( pequenos tocos) para usar, ele pode ser plantado em casa, no escritório, ou em sala de aula. (Se você está realmente animado para plantar Sprout, você pode fazê-lo antes que seja muito curto. Sprout é feito nos EUA.

Este Sprout está a caminho de se tornar um rabanete

Plantio Sprout

Plantar o Sprout virado para baixo até a linha de profundidade do vaso

Quando o Sprout estiver muito curto para usar, ele pode ser plantado para crescer em uma flor maravilhosa, erva, ou vegetal. Imagine um conjunto Sprout: lápis de cor onde a cor da flor coincide com a cor do lápis ... já está na “meta de expansão…

Sabores do Sprout Sprout vem em vários sabores deliciosos, incluindo: manjericão; cilantro; tomate cereja; endro; beringela; pimenta Verde; pimenta Jalapeño; hortelã; salsa; rabanete; alecrim; Bacon Edição Especial e tomilho

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Supercontinente Amásia deverá formar-se junto ao Pólo Norte por Helena Geraldes

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b Extroversion: close Pacific Ocean

180° E

a Introversion: close Atlantic Ocean

Pangeia. Mas Ross N. Mitchell, geólogo da Universidade de Yale, e os seus colegas têm uma ideia diferente: a Amásia deverá formar-se no Ártico, a 90 graus do centro geográfico do supercontinente anterior, a Pangeia. Os geólogos chegaram a esta conclusão depois de analisar o magnetismo de rochas antigas para determinar as suas localizações no globo terrestre ao longo do tempo. Além disso mediram como a camada diretamente abaixo da crosta terrestre, o manto, move os continentes que “flutuam” à sua superfície.

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270° E

“A forma como os continentes se movem tem implicações para a biologia – por exemplo, pode afetar os padrões da dispersão das espécies – e para as dinâmicas no interior da Terra”, disse um dos autores do estudo, Taylor M. Kilian, da Universidade de Yale, em comunicado no site desta instituição. “Compreender a disposição das massas dos continentes é fundamental para compreendermos a história da Terra”, disse Peter Cawood, geólogo na universidade britânica de St Andrews. “As rochas são a nossa janela para a história.”

180° E

planeta terá um novo supercontinente dentro de 50 a 200 milhões de anos. Amásia resultará da junção da América e da Ásia junto ao oceano Ártico, estimam geólogos da Universidade de Yale num artigo publicado recentemente na revista Nature. Dentro de 50 a 200 milhões de anos, os atuais continentes do planeta serão empurrados para uma massa de terra única, em redor do Pólo Norte, escrevem os investigadores que propõem um modelo dos movimentos lentos dos continentes nas próximas dezenas de milhar de anos. “Primeiro deverão fundir-se as Américas e depois irão migrar para Norte, colidindo com a Europa e a Ásia mais ou menos onde hoje existe o Pólo Norte”, disse Ross N. Mitchell, geólogo da Universidade de Yale e principal autor do estudo.“A Austrália deverá continuar a mover-se para Norte e fixar-se perto da Índia” e o oceano Ártico e o Mar das Caraíbas desaparecerão. A última vez que a Terra assistiu ao nascimento de um supercontinente foi há 300 milhões de anos, quando todas as massas terrestres se fundiram no Equador, dando origem à Pangeia, situada onde hoje está a África ocidental. Depois de estudar a geologia das cadeias montanhosas em todo o mundo, os geólogos têm assumido que o próximo supercontinente se irá formar no mesmo local da

Locais previstos para o futuro supercontinente Amasia, de acordo com três modelos possíveis do ciclo supercontinente: a) introversão; b) extroversão e c), orthoversão. Os centros rotulados de Pangéia e Rodínia são os locais previstos de cada supercontinente (Fig. 2). Círculos amarelo representam supercontinente equatoriais induzidas ressurgências do manto, e a grande ortogonal azul, faixa círculo representa cinta Pangéia de subducção (como na fig. 3). Em c, Amasia poderia estar centrado em qualquer lugar ao longo do cinto de Pangéia de subducção. As setas vermelhas indicam onde bacias oceânicas iriam fechar acordo com cada modelo. Continentes são mostrados na atuais coordenadas. Estimativa da distribuição das massas terrestres dentro de 100 milhões de anos. 58 REVISTA AMAZÔNIA

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O geólogo David Rothery da Open University, em Milton Keynes, no Sul da Inglaterra, disse que não está preocupado com o choque de continentes. “Podemos compreender melhor o Ambiente da Terra no passado se soubermos exatamente onde estavam os continentes”, disse. “Não me interessa se os continentes vão convergir no Pólo Norte ou se a Inglaterra vai colidir com a América num futuro longínquo. Prever o futuro tem muito menos importância do que saber o que aconteceu no passado.”

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Rodinia

Supercontinent centres a) Successive post-Rodinia (orange and green open ellipses) and post-Pangaea (light-blue and dark-blue open ellipses) Imin axes are calculated as the poles to great-circle fits of palaeomagnetic poles from Australia at 650–560Myr ago (orange solid ellipses) and Gondwanaland from 550–490Myr ago (light-green solid ellipses), and the global running-mean apparent polar wander path for 260–220Myr ago (light-blue solid ellipses) and 210–90 Myr ago (dark-blue solid ellipses)24.Dark-green poles for laterPalaeozoic time from Gondwanaland are displayed but not included in any mean calculation (see text for discussion). b, Successive post-Nuna (red open ellipse) and post-Rodinia (orange open ellipse) Imin axes. Filled red ellipses are poles for Laurentia from 1,165–1,015Myr ago. Filled orange ellipses are poles for Laurentia rotated from Svalbard at around 800Myr ago18 (see Methods section for discussion of rotation).All ellipses are projections of cones of 95%confidence. Pole information is listed in Supplementary Table 1, statistical parameters are detailed in Supplementary Table 2, and a version of this figure with the poles numbered to give a sense of age order is provided in Supplementary Fig. 1..

800 Myr ago

Absolute palaeogeographic maps. Since 260 Myr ago, each Imin about which TPW occurred is pinned at 0u N, 10u E. Before 260 Myr ago, continents are rotated in palaeolongitude such that the Rodinian Imin is ideally ‘orthoverted’ at 0u N, 100u E. Yellow equatorial circles represent supercontinent-induced mantle upwellings (not showing the antipodal upwellings such as under the Pacific Ocean), and orthogonal blue great-circle swaths represent subduction girdles (as in Fig. 1). See text for details and Supplementary Tables 3, 4 and 5 for absolute reconstruction parameters. An animation for the past 500 million years is also included in the Supplementary Information. REVISTA AMAZÔNIA 59


Prêmio Eureca New Scientist O fotógrafo Jason Edwards foi o vencedor (que já tinha sido o vencedor em 2011, com o registro de uma geleira retrocedendo) da edição deste ano do Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas . Ele capturou, pela primeira vez, o acasalamento da baleia-jubarte, também conhecida como baleia-corcunda. Durante várias horas, um grupo de baleias do sexo masculino competiu em uma batalha de força e resistência. O macho bem-sucedido acabou acasalando com a fêmea, acariciando flancos da baleia com suas nadadeiras peitorais e segurando-a de encontro ao seu corpo, durante a cópula. A fotografia das baleias foi feita na costa de Tonga, no Pacífico Sul, em 2010. Antes, o fotógrafo observou duas baleias macho brigando pela fêmea. Em entrevista ao jornal australiano “Daily Telegraph”, ele disse que a relação durou apenas 30 segundos.

isa prestigiar conquistas importantes nos campos de pesquisa, inovação, ciência escolar e jornalismo científico, em ‘flagrantes inéditos’ da ciência O Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas é apresentado anualmente pelo Museu Australiano. Além de premiar inovações nas áreas de pesquisa, ciência acadêmica e jornalismo científico, ele também conta com uma disputada categoria de fotos científicas. As imagens deste ano reúnem diversos flagrantes da vida animal e vegetal nunca antes registrados por uma câmera fotográfica. A imagem que conquistou o primeiro lugar no prêmio deste ano foi a feita por Jason Edwards, que capturou, pela primeira vez, duas baleias-jubarte fazendo sexo. A imagem do Dr. Dave Abdo capta o lançamento de um peixe imperadortrompeta (lethrinus miniatus) ao mar, pouco após ele ter sido submetido a uma cirurgia para implantar um rastreador sonoro. Ele foi solto na Ilha de Heron, na Austrália, na região conhecida como Grande Barreira De Corais . A pesquisa visa conhecer os padrões de movimentação do peixe em relação às mudanças ambientais e em relação à eficácia das áreas de proteção marinha na região

O nosso Sol entra em um período de atividade máxima a cada 11 anos, com sua cromosfera exibindo proeminências, manchas e chamas. A imagem de alta resolução foi registrada por Peter Ward e mostra em detalhes a dinânimca da atmosfera solar 60 REVISTA AMAZÔNIA

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O camarão mantis (odontodactylus scyllarus), que pode ser encontrado na Grande Barreira de Corais da Austrália, possui o mais complexo sistema de visão do mundo marinho.

As lagartas cyana meyricki se cobrem com uma espécie de teia formada por pelos protetores. Quando está prestes a entrar em estado de pupa, formando um casulo, ela reúne esses pelos de seda para construir uma elaborada gaiola em torno de si mesma. Mas a crisálida dentro dessa gaiola não pertence à lagarta, mas sim a uma mosca que foi devorada pela lagarta e que agora está longe do alcance de potenciais predadores

A imagem ‘Mais Um Dia na Vida da Arbidopsis’ mostra uma pequena muda de apenas seis dias de idade de Arabidopsis thaliana vista por um microscópio eletrônico e captura a essência de germinação das sementes e o nascimento delicado de uma planta. A imagem foi artificialmente colorida com tons que reproduzem as cores naturais da muda de uma planta. A foto mostra a raiz brotando, folhas de sementes, bem como células estaminais embrionárias O inseto Dryococelus australis já foi descrito como o inseto mais raro do mundo. Esta imagem mostra o animal saindo de seu ovo, seis meses após a incubação. Este processo nunca antes havia sido fotografado. O autor da imagem, Rohan Cleave, esperou pacientemente por várias semanas para registrar a foto revistaamazonia.com.br

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Esta mosca foi preservada em âmbar báltico, que tem cerca de 40 milhões de anos, o depósito de âmbar mais famoso do mundo. Âmbar é a resina fossilizada de árvores. O âmbar é capaz de preservar muitas espécies por anos a fio, quase como se tivessem sido capturadas há pouco tempo

O fotógrafo Jason Edwards foi o vencedor Eureca New Scientist 2012

A docilidade desta imagem é bem condizente com a espécie retratada. Os delicados insetos crisopídeos medem de 6 a 65 milímetros. O autor da imagem usou um efeito de luzes para realçar a impressão de equilíbrio e simplicidade

Este neurônio está sob o efeito da proteína beta-amilóide. A proteína gera uma placa, as chamadas placas de senilidade, que, acreditase, seriam as principais causas da Doença de Alzheimer

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Aves da Amazônia estão mais ameaçadas do que nunca, alerta IUCN No total, são 95 as espécies das Américas que subiram a categorias de risco maior na Lista Vermelha

A

s aves que habitam na Amazônia estão mais ameaçadas do que nunca, pois o risco de extinção de uma centena de espécies aumentou neste ano, segundo a nova edição da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) divulgada recentemente. Nas estatísticas da BirdLife em 2012, estão identificadas 10.064 espécies de aves, das quais 130 já se encontram extintas e 1313 estão em risco de extinção. O documento conclui que o risco de extinção aumentou “substancialmente” para cerca de uma centena de espécies de aves da Amazônia e destaca o caso do Chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonaria) e do João-de-barba-grisalha (Synallaxis kollari)

Chororó-do-riobranco (Cercomacra carbonaria)

A Lista Vermelha classifica as espécies em nove categorias, conforme o grau de ameaça ao qual estão submetidas. Existem dois grupos (“Não avaliado” e “Dados insuficientes”) para designar as espécies das quais há poucas informações, e outros sete grupos que as ordenam de acordo com o risco de extinção.

Por ordem de menor para maior risco, os grupos são: preocupação menor, quase ameaçada, vulnerável, em perigo, em perigo crítico, extinta em estado silvestre e extinta. Na última edição da Lista Vermelha, o Chororó-do-rio-branco era uma espécie “quase ameaçada”, enquanto

João-de-barba-grisalha Mergulhão-de-touca (Synallaxis kollari). (Podiceps gallardoi), Foto Marc Thibault agora em “perigo crítico”

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O priolo, em Portugal, continua com o estatuto de ameaçado de extinção Formigueiro-do-litoral (Formicivora littoralis), passou de “em perigo crítico” a uma categoria de menor risco. Foto Prof. Sávio Freire Bruno

o João-de-barba-grisalha foi catalogado como “em perigo”. Já nesta nova atualização, ameaçadas pelo desmatamento, as duas espécies avançaram a categorias de maior risco, e o João-de-barba-grisalha foi considerado “em perigo crítico”. “Subestimamos o risco de extinção de muitas das espécies de aves da Amazônia”, lamentou o diretor de Ciência, Política e Informação da ONG BirdLife, Leon Bennun. Segundo ele, a situação pode ser pior que o previsto em decorrência do que chamou de “enfraquecimento” da legislação florestal brasileira, referindo-se ao polêmico recém-aprovado Código Florestal. No total, são 95 as espécies das Américas que subiram a

categorias de risco maior, entre as quais também se encontra o Mergulhão-de-touca (Podiceps gallardoi, agora em “perigo crítico”) e a Tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris), uma espécie recém-descrita que foi pela primeira vez avaliada como “em perigo”. A Lista Vermelha também reconhece certos avanços na conservação de algumas espécies animais, como o Formigueiro-do-litoral (Formicivora littoralis), pequeno pássaro da Mata Atlântica que passou de “em perigo crítico” a uma categoria de menor risco após se descobrir que está mais difundida do que se achava. Embora a situação de um grande número de espécies de aves da Amazônia tenha piorado, o relatório da UICN é

Pato-fusco (Melanitta fusca) passou para a categoria “em perigo”. Foto Jari Peltomäki

Tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris) “em perigo”. Foto Cláudia Rodrigues

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Rarotonga Monarch (Pomarea dimidiata), uma das aves mais raras do mundo. Foto Ian Karika

otimista com relação ao Formigueiro-do-litoral, pois considera que seu futuro é mais seguro, já que a área onde vive esta espécie foi recentemente declarada protegida. A atualização de 2012 também adverte sobre uma piora na situação do Pato-de-cauda-afilada (Clangula hyemalis), considerado agora uma espécie “vulnerável”, frente à “preocupação menor” da última edição da Lista Vermelha. Também na Europa, o Pato-fusco (Melanitta fusca) passou de “preocupação menor” para a categoria “em perigo”. Em Portugal, há espécies que continuam com estatutos de ameaça, como o priolo, a águia-imperial e a pardela-balear, e precisam de programas de conservação reforçados. Nem tudo são más notícias, nas Ilhas Cook, no Pacífico, a sustentada recuperação de uma das aves mais raras do mundo – da espécie Pomarea dimidiata –, levou a que a sua população aumentasse dez vezes, embora seja de apenas 380 indivíduos.

Pato-de-cauda-afilada (Clangula hyemalis), considerado agora uma espécie “vulnerável”. Foto Jouko Lehmuskallio

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Quanto vale o ambiente?

Projeto Mina d’Água, prevê uma compensação no caso de preservação de nascentes consideradas importantes para o abastecimento público

por Ciro Antonio Rosolem*

P

arece ponto pacífico que: se a sociedade como um todo se beneficia da conservação do ambiente ou dos serviços ambientais, é a sociedade quem deve pagar pelo serviço, não o agricultor. Esse ponto ainda está obscuro em toda discussão do Código Florestal brasileiro, uma vez que o ônus parece que recairá nos produtores rurais. Por exemplo: quem pagará pela recomposição da reserva florestal e matas ciliares que foram legalmente cortadas? Isto não está certo. Olhemos para um exemplo ocorrido recentemente na Holanda. A atividade agrícola estava reduzindo o número de ninhos de pássaros numa determinada área. Ao invés de gritos pela imprensa, denúncias pela TV ou gritos de “veta Dilma”, os técnicos do governo, universidades e ONGs se reuniram com os agricultores para achar uma solução. A solução acordada resultou em perda de produção e, portanto, de renda. Foi estabelecido um consórcio, com a participação de todos interessados. Os agricultores se engajaram na resolução do problema, reduzindo a atividade. Em contrapartida, recebem um valor em euros como compensação pela perda de produtividade resultante da preservação. Evidentemente isso precisa ser fiscalizado, ou seja, as regras estão sendo cumpridas? 66 REVISTA AMAZÔNIA

A estratégia tem resultados positivos? Mas, quem fica encarregado do controle? O próprio consórcio, através de técnicos contratados, além de voluntários e os próprios agricultores. E agora o principal: quem paga por tudo isso? Quem se beneficia é a sociedade como um todo, assim o governo assume a conta. Alguém pode imaginar como isso seria resolvido se acontecesse no Brasil? Apesar do número de interessados no assunto ambiente, o Brasil ainda engatinha quando se trata de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Ou seja, vamos preservar, sou amigo do ambiente, desde que outro pague a conta. Há algumas iniciativas estaduais e apenas uma em nível federal. Mas o PSA em si fica fora, com exceção do Estado de São Paulo, onde o pagamento por serviços ambientais é um dos instrumentos de ação da Política Estadual de Mudanças Climáticas, de 2009. No conjunto de ações previstas aparece o Projeto Mina d’Água, lançado em 2011, que prevê uma compensação no caso de preservação de nascentes consideradas importantes para o abastecimento público. Note que não se fala em agricultura ou produção de alimentos. Assim, isso ainda está muito, muito longe de compensação por renda cessante, o que vai ocorrer daqui por diante. Qual o valor previsto? De R$ 75,00 a R$ 300,00 que cada agricultor poderia re-

ceber por mina por ano. Agora, um pouco de aritmética. Se para cada mina for necessário preservar perto de 1 ha, o valor pode ser menor que o arrendamento de 1 ha de pasto degradado. Minha gente, quanto vale o ambiente, menos que um pasto degradado? É necessário mais seriedade no trato de assuntos importantes. Necessário é preservar o ambiente, necessário é preservar o agricultor. Para isso há necessidade de se regulamentar o PSA em todas as regiões brasileiras, estabelecendo-se valores razoáveis, que remunerem minimamente mais esse serviço a ser prestado pela agricultura.

Sobre o CCAS Conselho Científico para Agricultura Sustentável - CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicílio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto. [*] Professor Titular, Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP, Botucatu, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável – CCAS revistaamazonia.com.br


Expansão urbana pode deixar cidades mais verdes até 2030

A

s áreas urbanas do mundo vão mais do que dobrar de tamanho até 2030 e isso será uma oportunidade para construir cidades mais verdes e saudáveis, segundo um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Medidas simples de planejamento, como a abertura de mais parques, o plantio de árvores e a construção de jardins sobre lajes de prédios, podem tornar as cidades menos poluídas e ajudar na proteção de plantas e animais, especialmente em grandes nações emergentes, como China e Índia, onde o crescimento urbano deve ser mais acelerado, disse o estudo.

“Uma rica biodiversidade pode existir nas cidades e é extremamente crítica para a saúde e o bem-estar das pessoas”, escreveu o editor-científico do estudo, intitulado “Perspectiva das Cidades e da Biodiversidade”, Thomas Elmqvist. A população urbana do mundo deve saltar de pouco mais de 3,5 bilhões atualmente para 4,9 bilhões em 2030, segundo avaliação da Convenção da ONU para a Diversidade Biológica. Ao mesmo tempo, a área coberta pelas cidades deve crescer 150%, diz o estudo. “A maior parte desse crescimento deve acontecer em cidades pequenas e médias, não em megacidades”, diz o estudo, divulgado na COP 11, em Hyderabad, na Índia. Alguns dos mais rápidos crescimento de cidades do mundo em estão perto de importantes centros de biodiversidade

Mais espaços verdes nas cidades podem filtrar a poluição e a poeira e absorver o dióxido de carbono, principal dos gases do efeito estufa. Alguns estudos mostram que a presença de árvores pode ajudar a reduzir a asma e as alergias em crianças que vivem próximas, diz o texto. O estudo salienta também a ampla diversidade de plantas e animais nas cidades. Varsóvia, por exemplo, concentra 65% das espécies de aves encontradas na Polônia. A Montanha de Mesa (Cidade do Cabo, África do Sul) e o Parque Nacional Saguaro (Tucson, Estados Unidos) são citados como outros exemplos de riqueza natural urbana. “O desenvolvimento urbano sustentável que ampara ecossistemas valiosos representa uma grande oportunidade para melhorar vidas e subsistências”, disse o chefe do Programa Ambiental da ONU, Achim Steiner. Uma maior arborização das cidades pode ajudar a resfriá-las no verão, reduzindo o uso do ar-condicionado, diz o texto. “Recentes estudos salientam a importância dos jardins urbanos, mesmo que pequenos, no fornecimento de um habitat para polinizadores nativos, como abelhas, que vêm declinando em ritmo alarmante nas últimas décadas”, disse o estudo. E o relatório aponta também argumentos imobiliários para uma cidade mais verde. Nos Estados Unidos, “parques urbanos elevam o valor de propriedades residenciais próximas numa média de 5%; parques excelentes podem representar um aumento de 15%”, afirma o texto. Avaliação global das relações entre a biodiversidade, urbanização e Ecossistemas

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“Produz Brasil 2012” BASF, Cerradinho Bio Energia, Cocamar, FMC e WEG foram as empresas vencedoras com os melhores projetos do agronegócio nacional Fotos: Perigo

C

om o objetivo de reconhecer e incentivar as empresas dos diferentes segmentos do agronegócio brasileiro, que investem em tecnologia e sustentabilidade, o Produz Brasil 2012 premiou, com troféu e certificado de reconhecimento, cinco empresas. Entre os presentes, o Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, que no seu discurso falou sobre a integração com o campo desde a infância. “Agradeço a fidalguia desta homenagem, pois tenho raízes no campo também. Meu pai foi, por 40 anos, médico veterinário, e eu, até os 18 anos, sempre morei nas fazendas onde ele trabalhava. O contato com a natureza aproxima o homem de Deus. Podemos nos orgulhar de ter a mais Produz Brasil 2012

eficiente agricultura dos trópicos”, disse. O presidente do sistema FAESP/SENAR, Fabio de Salles Meirelles, também recebeu uma homenagem. “O homem do campo sempre precisou falar com a voz do coração! Gostaria de saudar todos os presentes, especialmente os representantes da Faesp, por alcançar a marca 68 REVISTA AMAZÔNIA

Premiação

de 563 municípios onde a Federação está implantada”. O cantor Eduardo Araújo abriu a cerimônia com um pocket show que animou os presentes. Também fazendeiro, Eduardo Araújo recebeu uma homenagem do prêmio, em reconhecimento ao incentivo e à contribuição que presta no meio rural.

“Os cases são uma amostra do atual estágio do nosso setor, de crescente inovação, aprimoramento, ganho de produtividade e busca contínua pela excelência na produção, atendimento à demanda dos consumidores, além do respeito às pessoas que atuam diretamente na cadeia produtiva”, diz Claudio Silveira Brisolara, da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e membro da comissão técnica do 3ª Produz Brasil. De acordo com Brisolara, merece destaque a preocupação das empresas participantes com a sustentabilidade, palavra que para muitos é um chavão, mas que segundo a Comissão Técnica de avaliação está incorporada de forma pragmática nos processos de gestão das empresas, em especial daquelas que participaram do prêmio e foram visitadas, tanto é que algumas empresas já criaram diretorias de sustentabilidade. “Sustentabilidade é, simultaneamente, cuidar da saúde financeira da empresa, cuidar dos colaboradores e da sociedade na qual a empresa está inserida, e é também se preocupar com o meio ambiente para garantir a reprodução das gerações presentes e futuras”, diz. “É isso que estamos semeando e colhendo e por isso somos referência mundial e temos tudo para sermos a maior potencial revistaamazonia.com.br


O prêmio Produz Brasil 2012 foi realizada no Jockey Club de São Paulo

agrícola mundial”, completa Brisolara. Na categoria “Responsabilidade Social” a vencedora foi a usina Cerradinho Bio Energia, com o projeto Criança Doce Energia. Implementado na cidade de Chapadão do Céu, Goiás, em 2010, o projeto atende 60 crianças e jovens entre 8 e 16 anos. É idealizado para incentivar e prepará-los para o mercado de trabalho e para a vida. São desenvolvidas atividades de esporte e lazer para atender às expectativas e carências locais dos jovens. Para inserir os jovens no mercado de trabalho, a usina ofertava vagas para os familiares dos empregados, mas hoje abriu para comunidade de Chapadão do céu. Em “Responsabilidade Ambiental”, quem ganhou foi Cocamar, Cooperativa dos Cafeicultores de Maringá, com o projeto Cultivar “Produzindo Florestas com Mãos Especiais”. Com a implementação de viveiro de mudas nativas na APAE de Maringá, o projeto atende hoje 32 pessoas, todos colaboradores da COCAMAR Na categoria “Maior Investimento em Inovação e Tecnologia na Gestão, no Processo e no Produto”, BASF, com o projeto DIGILAB, ficou com o primeiro lugar. Um diagnóstico rápido e preciso de doenças que atacam as Eduardo Araújo, cantor e fazendeiro, também foi homenageado

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FMC, uma das líderes no fornecimento de inseticidas, herbicidas e fungicidas, recebeu sua premiação

lavouras é fundamental para assegurar o sucesso da colheita. Com essa preocupação, a BASF criou o DIGILAB, um sistema que auxilia na identificação dos sintomas das principais doenças em diferentes tipos de plantações e auxilia o produtor a escolher o procedimento correto de controle e prevenção. A WEG, empresa especializada na fabricação e comercialização de motores elétricos, transformadores, geradores e tintas, com o projeto Eficiência energética no sistema de aeração de silos de armazenagens de grãos ganhou na categoria “Melhor Integração Fornecedor-Produtor”. Em grande parte dos silos de grãos instalados o aerador funciona em velocidade constante e é acionado quando detectado o aumento de temperatura. A FMC, uma das líderes no fornecimento de inseticidas, herbicidas e fungicidas, venceu como a “Marca Mais Lembrada do Agronegócio”. No relatório de sustentabilidade enviado, a empresa descreve a estratégia da empresa tanto no Brasil como em outros países para gerenciar a marca, missão e visão, objetivando investir em novas tecnologias, preocupando-se com as pessoas e também com o meio ambiente. Para concorrer ao prêmio foram recebidos, analisados e

Fábio Meirelles, presidente do sistema Faesp Senar, Claudia Marques, da Produz Brasil e Geraldo Alckmin, Governador do Estado de SP

avaliados 38 cases de empresas. O prêmio é reconhecido pelo rigor e transparência da avaliação. Os projetos inscritos foram analisados por uma Comissão Técnica especializada, e depois por um Conselho de Jurados. Esta edição do prêmio superou a marca de empresas públicas e privadas inscritas e atraiu importantes apoios de institucionais de entidades de classe ligadas ao setor rural, como Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg) e União Brasileira da Avicultura (Ubabef). Por conta da diversidade e da qualidade dos cases recebidos nesta edição os organizadores do Prêmio já pensam em criar novas categorias e até em fazer etapas estaduais, por exemplo. A ideia é ampliar as possibilidades de participação de outros projetos que podem servir de referência. Governador Geraldo Alckmin entrega o prêmio da Cerradinho Bio Energia, com o projeto Criança Doce Energia.

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Extinção de espécies na Amazônia deve aumentar até 2050 Desmatamento mostra que devastação da Amazônia ocorre também dentro de áreas de mata preservada

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e afirma que ainda há tempo para agir

U

ma equipe de ecologistas e matemáticos, do Imperial College London, da Sociedade Zoológica de Londres e da Universidade Rockefeller (EUA), liderados pelo ecólogo Robert Ewers, calculou quantas espécies são perdidas no curto e longo prazo, à medida que uma área da Amazônia é desmatada. No estudo, os autores tratam apenas de fenômenos locais, analisando o que aconteceria em média com um terreno de 2.500 quilômetros quadrados na Amazônia. As previsões sobre extinções totais, porém, já começaram a ser feitas. “Nós rodamos o modelo tentando prever extinção global também, e no cenário ‘business as usual’ (em que o ritmo de desmatamento segue quase sem controle da lei), terminamos com algo em torno de 45 espécies sendo extintas e mais de 100 sendo condenadas à extinção”, disse Ewers. As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Os pesquisadores consideraram as taxas de desmate na

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região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente. Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já

estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar. É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia aconteSinal de perigo: espécies endêmicas, como a rã do dardo vermelho, venenosa, poderia estar em maior risco de desmatamento na Amazônia do que se pensava

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Robert Ewers, ecólogo do Imperial College, de Londres

cer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações. Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma –, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não signi-

Segundo Thiago Rangel, ecólogo da Universidade Federal de Goiás, agora é possível olhar para o mapa e enxergar riqueza de espécies também

fica que ela desapareceu por completo. Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica Robert Ewers. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta

diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.” Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na

As tendências históricas da perda de espécies absoluta e relativa e extinção da dívida entre 1970 e 2008, prevendo as futuras tendências até 2050 em quatro cenários: BAU, GOV, SR, e EOD revistaamazonia.com.br

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Os padrões espaciais da perda de espécies absoluta (representada pelos tamanhos dos quadrados) e dívida de extinção (representada por cores) na Amazônia brasileira para 2008 (A) e para 2050 em quatro cenários: GOV (B), BAU (C), SR (D), e EOD (E). Quadrados menores sofreram maior extinção, enquanto praças mais avermelhados têm as dívidas maiores de extinção e são esperados para experimentar as maiores perdas futuras de espécies sem atenção conservação. Quadrados grandes e vermelhas estão intactos, mas em perigo e onde estão os maiores ganhos se poderia esperar de ações de conservação. Os valores são médias através de simulações de Monte Carlo e foram somados entre aves, mamíferos e anfíbios

melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos. Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes. Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a 72 REVISTA AMAZÔNIA

restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios. Em um artigo comentando o estudo de Ewers, Thiago Rangel, ecólogo da Universidade Federal de Goiás, elogia o método estatístico criado pelos britânicos para medir o risco que o desmatamento implica para a biodiversidade. “Antigamente a gente olhava para o mapa da Amazônia e via apenas quais regiões estão mais desmatadas e quais estão sofrendo desmatamento naquele momento”, afirma, explicando que esse era o único tipo de informação crucial usado para guiar ações de conservação. “Agora é possível olhar para o mapa e enxergar uma medida

combinada de desmatamento e de riqueza de espécies também.” Rangel também destaca que é difícil prever quando a “dívida de extinção” de uma área parcialmente desmatada será saldada. “Uma espécie de anfíbio vai ser afetada em cinco gerações, o que pode variar de três a quatro anos”, diz. “Já uma espécie de mamífero de grande porte, com maior capacidade de locomoção e dispersão, pode resistir por até 50 anos.” Apesar das limitações, Ewers defende que o conceito que criou deve ser usado para planejar ações de conservação, incluindo a preservação de mata que cresce em fazendas abandonadas na Amazônia: “Claro que nosso método carrega um grau de incerteza, mas ele nos dá o poder de imaginar cenários e ver o que vai acontecer de 40 a 50 anos no futuro em algumas áreas, em razão das decisões que são tomadas hoje”, afirma. Finalizando os pesquisadores de ecologistas e matemáticos, afirmam que o modelo provê uma janela de oporturevistaamazonia.com.br


nidade para salvar essas espécies. “Eu gostaria de pensar que as pessoas vão olhar para os dados e dizer – agora sabemos exatamente onde estão os maiores débitos de

extinção e nós podemos mirar essas áreas em particular para conservar as espécies que ainda estão ali”, disse Robert Ewers. Trajetórias de relaxamento sob a perda de habitat único e múltiplo-episódio. A linha cinza mostra a trajetória de relaxamento espécies modelado com um único episódio de perda de habitat em t1. A linha vermelha mostra um padrão mais complexo de destruição do habitat, com habitat perdeu em quatro episódios distintos (T1, T2, T3 e T4), dando origem a uma curva de relaxamento composta como modelado sob Eq. 2. Tracejadas linhas pretas mostram o fim da cauda a realizar de cada curva de relaxamento; cinza linhas pontilhadas destacar o número de equilíbrio transferência de espécies; os comprimentos de seta indicam o tamanho da dívida extinção que ainda precisa ser pago antes de cada novo episódio de perda de habitat ocorre. Mais de longos períodos de tempo suficiente, ambos os padrões de resultado habitat destruição do número mesmo equilíbrio de espécies, mas o desmatamento modelagem como um único evento-episódio (linha cinza) grandemente superestima a gravidade da extinção, por vezes, finitos em relação à perda que ocorre na múltiplos episódios de caso (linha vermelha)

Desmatamento ao longo das últimas três décadas em algumas localidades da Amazônia

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O projeto nasceu na era do papel, avançou pela idade digital e ganhou diferentes versões: o Prodes mede taxas anuais de desmatamento e o Deter trabalha com um levantamento mais rápido, que emite alertas para a fiscalização

Brasil exporta sistema de monitoramento de florestas por Nádia Pontes

S

istema desenvolvido pelo Inpe e aplicado nos últimos 23 anos para identificar desmatamento na Amazônia é exportado para outros países. Além dos sul-americanos, africanos e asiáticos querem aprender com o Brasil. Depois de mais de 20 anos de monitoramento da floresta amazônica, o Brasil começa a levar a experiência acumulada a outras partes do mundo. Em tempo: a pressão para que países em desenvolvimento aumentem a vigilância sobre sua área verde cresce à medida que as negociações climáticas avançam. Foi nos laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que nasceu o primeiro sistema de monitoramento de floresta tropical do mundo, o Terra Amazon, em 1988. “Temos um método já consolidado, maduro o suficiente para ser exportado. Nosso objetivo é capacitar países que tenham cobertura florestal e que precisem de um sistema robusto”, explicou Alessandra Gomes, do projeto Inpe Amazônia.

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Outros parceiros de peso abraçaram a iniciativa: a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e a Agência de Cooperação Japonesa (Jica) formularam, junto com o Brasil, programas de capacitação. O resultado: México, Gabão, Guiana, Congo, Papua Nova Guiné e Vietnã já começaram a aplicar o sistema de monitoramento aprendido com os brasileiros. “Terra Amazon é operacional, cientificamente sólido e aceito internacionalmente. Muitos países veem aí um exemplo e querem adotá-lo em seu contexto. Damos o suporte para que o sistema se adeque às necessidades nacionais dos países interessados”, contou Inge Jonckheere, da FAO.

Da Amazônia para o mundo Seis turmas internacionais já foram habilitadas. E,venezuelanos, bolivianos, colombianos, peruanos e

equatorianos já estão em treinamento em Belém, no Pará. “Depois, eles voltam para o país de origem e montam uma sala de observação para fazer o monitoramento lá”, acrescentou Gomes. Também nações africanas com cobertura florestal estão envolvidas. Além do Congo, que possui a segunda maior floresta tropical do mundo e sofre com a extração ilegal revistaamazonia.com.br


Monitoramento ajudou Brasil a reduzir desmatamento

de madeira, Moçambique e Angola enviaram pessoal para ser treinado no Brasil. A transferência de tecnologia é gratuita: os participantes aprendem como baixar as imagens de satélites, a transformar estas informações em dados que indiquem onde há desmatamento e a montar o banco de dados. “O objetivo é que, por meio desse sistema que o Brasil desenvolveu, outros países trabalhem na detecção do desmatamento, degradação florestal, e estoques de carbono em seus territórios”, completou Jonckheere. A FAO incentiva os participantes a irem além de um simples monitoramento de florestas. “Olhamos para esse projeto no contexto das negociações climáticas e do programa de REDD”, argumentou Jonckheere. A Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) é um dos mecanismos criados pelas Nações Unidas que inclui na conta das emissões de gases de efeito estufa aquelas que são evitadas pela redução do desmatamento e pela degradação florestal. A ferramenta começou a ser elaborada mais efetivamente na última Conferência do Clima, em Cancún, e pode beneficiar principalmente os países em desenvolvimento. “Existem duas maneiras de essas nações vigiarem

suas florestas para aderir ao REDD: elas podem começar do zero e inventar seu próprio sistema ou utilizar o know how já existente. E nisso o Brasil pode ajudar”, pontuou a representante da FAO.

Os efeitos práticos O monitoramento por satélite da floresta amazônica brasileira ganhou impulso com a criação do programa de computador Terra Amazon. O sistema coleta as imagens do satélite norte-americano Landsat e as transforma em Para André Muggiati, da Campanha Amazônia, do Greenpeace, o trabalho do Inpe é fundamental

EXPRESSO VAMOS + LONGE POR VOCÊ ! revistaamazonia.com.br

informações: mapas, área e local onde acontece a degradação florestal. O projeto nasceu na era do papel, avançou pela idade digital e ganhou diferentes versões: o Prodes mede taxas anuais de desmatamento e o Deter trabalha com um levantamento mais rápido, que emite alertas para a fiscalização. “Esses dados são disponibilizados para o Ibama em 15 dias, que vai no local fiscalizar para ver se está acontecendo alguma coisa”, diz Alessandra Gomes. Para André Muggiati, da Campanha Amazônia, do Greenpeace, o trabalho do Inpe é fundamental. “É a base para medir o progresso ou retrocesso nas políticas públicas na região amazônica. Sem o monitoramento, não daria para avaliar o que acontece na região.” O especialista, que coordena os estudos do efeito da pecuária sobre a floresta, classifica a iniciativa como “pioneira e eficaz”. Muggiati complementa que, desde que começou a observação via satélite e picos de derrubadas de árvores foram identificados, o governo brasileiro agiu para conter a degradação florestal. “Por isso vemos que a curva do desmatamento diminui. E o interessante é que esses dados são acessíveis para todos, a sociedade é alertada e pode fazer pressão para que o governo reaja”, comentou.

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Soluções energéticas chegam às comunidades mais pobres

E

por Michaela Führer

m todo o mundo, a falta de energia elétrica é um dos fatores que levam as pessoas a migrarem para as cidades. O consumo cresce rapidamente e traz consequências

para o clima. Tudo cresce: a população mundial, as cidades, o consumo de energia. As metrópoles são centro da vida econômica e política e também grandes consumidoras de energia. As grandes concentrações urbanas consomem 80% da energia produzida no mundo e emitem 85% dos gases de efeito estufa do planeta. A constatação é da pesquisa intitulada Metrópoles – o foco do desenvolvimento global. O Instituto de Crédito para a Reconstrução (KfW), órgão federal alemão que atua como um banco de fomento ao desenvolvimento, calculou que, em 2015, cerca de dois terços das cidades com mais de cinco milhões de habitantes estarão sediadas em países em desenvolvimento. Sobretudo nestes países, a população cresce de forma acelerada porque aumenta o número de pessoas nas metrópoles, onde a moradia é escassa e cara. Aumentam os bairros mais pobres, na periferia das cidades. O resultado é uma infra-estrutura catastrófica.

Martin Winterkorn, presidente da Volkswagen, na sessão de gala que precedeu o Salão de Genebra 2012, anunciou uma reestruturação ecológica do grupo

Moradias sem infra-estrutura “Especialmente nos arredores das grandes metrópoles da Índia ou da África subsaariana, não há qualquer tipo de infra-estrutura regular como água, energia elétrica ou coleta de lixo”, explica Eberhard Rothfuss, geógrafo urbanista da Universidade de Bonn. Com isso, as comunidades acabam se organizando e criam, por exemplo, linhas de abastecimento de eletricidade a partir de geradores a diesel. Mas isso representa um índice elevado de emissões de CO2, o que é prejudicial para o clima. A estrutura das favelas é diferente em cada país. “Comunidades urbanas pobres costumam ser mais bem equipadas do que as favelas nos subúrbios das cidades”, diz Rothfuss. Nas favelas da Índia, não existe praticamente nenhuma infra-estrutura. De acordo com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), apenas 15% das moradias em favelas têm acesso a água potável, energia 76 REVISTA AMAZÔNIA

No Brasil, as residências em favelas costumam ter ligação de água e energia elétrica, embora feitas muitas vezes de forma irregular

elétrica e esgoto. Diante do quadro, organizações não governamentais têm trabalhado na tentativa de melhorar a qualidade de vida dos residentes. A Missão de Renovação Urbana, do governo da Índia, programa que existe desde 2005, tem implementado ações similares: oferecer melhores condições de moradia, água potável e esgoto nas comunidades.

Favelas antigas se desenvolvem mais No Brasil, as residências em favelas costumam ter ligação de água e energia elétrica, embora feitas muitas vezes de

forma irregular. Estimativas dão conta que 20 a 30% da energia produzida são perdidos em ligações clandestinas ou mal feitas. No entanto, a maior parte dos moradores paga pela luz que consome e isso não é uma novidade para as comunidades mais antigas. “No Brasil, esse entendimento existe há bastante tempo. As favelas mais antigas estão no Rio de Janeiro desde o início do século 20”, diz Rothfuss. Cerca de 80% dos brasileiros vivem hoje em áreas urbanas. Enquanto as favelas mais antigas apresentam um grau maior de desenvolvimento e infra-estrutura, as comunidades surgidas nas regiões periféricas têm poucos revistaamazonia.com.br


recursos. Nelas, os moradores possuem poucos eletrodomésticos: geralmente uma televisão e uma geladeira. Por outro lado, são produtos antigos e que consomem bastante energia elétrica. “Por essa razão, as residências mais pobres acabam consumindo uma parcela grande da renda familiar com a conta de luz”, explica Bernhard Boesl, especialista em energia da Agência de Cooperação Internacional Alemã. Mas existem planos de mudar isso. Desde 2008, está funcionando um projeto que permite aos moradores das favelas trocar, sem custos, geladeiras antigas por modelos energeticamente mais eficientes, recicláveis e ecologicamente corretos.

Uso de energia solar para o aquecimento da água para consumo residencial

Soluções criativas. O meio ambiente também ganha com o consumo de menos energia

Energia solar para aquecer a água Outra proposta é o uso de energia solar para o aquecimento da água para consumo residencial. Isso porque a maioria dos brasileiros ainda usa chuveiros elétricos. Susanne Bodach, especialista em energias renováveis, fez as contas e percebeu que uma família de quatro pessoas gasta cerca de R$ 53,00 por mês para aquecer a água do banho, enquanto a instalação de painéis solares para o mesmo fim representaria um custo de R$ 15,00 no mesmo período. Os sistemas de captação e armazenamento de energia solar são, no entanto, muito mais revistaamazonia.com.br

caros que os chuveiros elétricos, embora o investimento acabe por se pagar no período de quatro a cinco anos. O meio ambiente também ganha com o consumo de menos energia. No Brasil e no México, sistemas de captura de energia solar devem se tornar mais comuns em projetos de habitação popular. No entanto, o geógrafo Rothfuss duvida que esses projetos possam garantir desenvolvimento econômico e social. “O estado até procura desenvolver projetos que auxiliem no desenvolvimento econômico, mas a maioria não é sustentável e não contribui para a redução da desigualdade social”. Além disso, os moradores das comunidades mais pobres respondem por apenas uma pequena fatia de toda a demanda energética. “Os ricos culpam os pobres pelo

desperdício, mas é a classe média que usa cada vez mais energia”, salienta.

Estimativas dão conta que 20 a 30% da energia produzida são perdidos em ligações clandestinas ou mal feitas, os famosos gatos REVISTA AMAZÔNIA 77


A tecnologia Biofotovoltaica BPV Mesa de musgo coleta energia da fotossíntese

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á pensou em ter uma mesa de musgo? Não?! Melhor pensar novamente, porque agora ela pode coletar energia elétrica da fotossíntese dessas pequenas plantas. Dois grupos de pesquisa na Universidade de Cambridge, Londres, a Engenharia e Ciências Físicas (EPSRC)e a do design na ciência – se uniram para criar uma tabela, ao lado de uma série de conceitos de produtos, que integra a tecnologia Biofotovoltaica (BPV). Dispositivos biofotovoltaicos para gerar energia renovável através dos processos fotossintéticos de organismos vivos, tais como algas e musgo, de uma maneira que os cientistas estimatimam, será uma alternativa competitiva para painéis solares dentro dos próximos cinco a dez anos. Olhando para o futuro da tecnologia Biofotovoltaica BPV, o doutorando Paolo Bombelli trabalhou com os designers Alex e Carlos Peralta em produtos que vão desde

durante a noite, como resultado de excesso de elétrons naturalmente sendo armazenados dentro das células de algas durante o dia. A maneira biofotovoltaica de como a mesa produz eletricidade é razoavelmente simples. Na sua superfície, há pequenos potinhos com musgo. As plantas crescem e fazem fotossíntese, liberando seus bioprodutos no solo, no qual os criadores da ideia colocaram algumas bactérias, que vivem desses produtos. Conforme as bactérias quebram os compostos, elas liberam elétrons, o que acaba criando cargas. Então, fios em baixo dos potinhos absorvem as cargas e as transmitem para uma bateria central. Os designers contam que eles têm a invenção em suas próprias casas e que o funcionamento é perfeito. O único ponto negativo é que os musgos precisam ser aguados. Mas, afinal, quanto de energia a mesa consegue produzir? Os musgos produzem apenas 50 miliwatts por Gerador de BPV flutuante, destinado a colher água dessalinizada

Para possível utilização futura por investigadores na Universidade de Cambridge ilustrar a possível utilização da tecnologia Biofotovoltaica BPV

Visualização de algas revestidos com mastros que retiram água do subsolo para alimentar os organismos, tornando o sistema autosuficiente

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uma “mesa musgo ‘, que gera sua própria eletricidade para a luz embutida; um conjunto de painéis solares para uso doméstico, e um gerador flutuante biofotovoltaico que é projetado para colher água dessalinizada. A equipe também projetou uma estação off-shore de energia que consiste em vários grandes “lírios” flutuantes cobertos de algas, capaz de produzir 5-6 watts de energia elétrica por metro quadrado. Em terra, uma “floresta” de coleta de postes solares poderia tirar água do solo ou da chuva para apoiar as algas em terra. os pesquisadores observaram em aplicações baseadas que tais estações de energia pode até mesmo gerar energia revistaamazonia.com.br


A função destas algas flutuante revestido ‘lírio almofadas”, como uma estação de energia biofotovoltaica

metro quadrado, o equivalente a 520 joules de energia por dia, o que não chega a ser suficiente nem para ligar um laptop por alguns segundos. O máximo que pode se beneficiar dessa energia é um relógio digital ou um sensor atmosférico. Apesar disso, a mesa pode ser um artigo de decoração diferente. Contudo, ela pode não ser lançada como um produto comercial, segundo seus inventores.

Enquanto a realização destes conceitos podem ainda exigir anos de desenvolvimento, a exploração foi concebido para estimular novas pesquisas e investimento em tecnologia BVP, que é uma fonte de energia limpa e ambientalmente amigável. Ela pode não substituir as energias eólica, solar ou nuclear, mas mostra que a energia está aí para quem quiser coletar.

Nos próximos dez anos a BPV será uma alternativa para as tecnologias tradicionais renováveis

Alex Driver e Carlos Peralta, em colaboração com Paolo Bombelli, da Universidade de Cambridge, realizou uma série de pesquisas sobre como obter combustível a partir de plantas, a tecnologia Biofotovoltaica BPV

A Tabela Moss é um produto de conceito e não foi originalmente concebido para se tornar um produto comercial, mas existem planos para projetar e desenvolver produtos comerciais que incorporam a tecnologia Biofotovoltaica. Por exemplo, um relógio digital alimentado por musgo está em desenvolvimento.

Como funciona a tecnologia da tabela Moss? A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas e algas converter o dióxido de carbono da atmosfera em compostos orgânicos utilizando energia da luz solar. As plantas usam esses compostos orgânicos (como carboidratos, proteínas e lipídios) para crescer. Alguns destes compostos orgânicos no solo contém as bactérias. As bactérias quebram esses compostos orgânicos, que elas precisam para sobreviver, liberando subprodutos que incluem elétrons. Estes elétrons são captados por fibras condutoras dentro da tabela Moss e colocada em uso. Isto é conseguido usando uma matriz de ‘potes de Moss 112, que são dispositivos bio-electroquímicos. Isto significa que eles convertem energia química em energia eletrica utilizando material biológico. Cada uma gera um potencial de cerca de 0,40,6 volts (V) e uma corrente de microamperes 5-10 (mA).

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Biogás é alternativa sustentável para pequenas comunidades

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o mundo todo, 3,2 bilhões de pessoas não têm acesso a modernas fontes de calor. Elas usam a fogueira para cozinhar e se aquecer, o que prejudica a saúde e o meio ambiente. Uma solução é a produção de biogás. Em muitos países falta infraestrutura para fornecer energia aos habitantes de regiões remotas. Para quase metade da população mundial, a alternativa é queimar o que há à disposição, geralmente madeira. Isso não só afeta negativamente a saúde, como também consome grandes quantidades de combustível e libera altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Uma alternativa é a utilização da biomassa nas chamadas unidades domésticas de biogás. Atualmente, essas unidades oferecem energia renovável para áreas rurais no Nepal, onde as pessoas produzem metano através da fermentação de dejetos humanos e animais. A energia é utilizada para cozinhar, iluminar lâmpadas a gás e abastecer geradores. Uma vez que a unidade de biogás é instalada, não há custos de manutenção

Uma alternativa é a utilização da biomassa nas chamadas unidades domésticas de biogás

Uma vantagem dessas unidades é que a energia é produzida no local onde é utilizada. Não são necessárias tubulações terrestres. A instalação da unidade é feita junto à casa, fácil de montar e usar, e funciona com o combustível fornecido naturalmente pelo lixo doméstico. 80 REVISTA AMAZÔNIA

Biogás como ajuda ao desenvolvimento Nos países em desenvolvimento, em regiões com pouca infraestrutura, as unidades domésticas de biogás são usadas primeiramente para suprir as necessidades imediatas da população rural. “É um princípio eficiente”, diz Andreas Michel, especia-

lista em energia da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica (GTZ). “O esterco diário produzido por duas ou três vacas é suficiente para gerar gás metano para cinco horas de iluminação ou energia para cozinhar”, explica. Nos últimos anos, a GTZ ajudou a financiar a instalação de centenas de unidades de biogás em países como Bolívia e Ruanda. Os países com o maior número de unidades de biogás são China, Botswana e Índia. Também é possível instalar unidades maiores, que não só produzem energia excedente como também são capazes de abastecer um vilarejo inteiro. Para que o suprimento de biomassa seja garantido, elas são instaladas de preferência em fazendas. Porém, o benefício das unidades domésticas é mais significativo na hora de cozinhar e aquecer residências.

Benefício ambiental versus impacto climático O WWF cofinancia a instalação de 7.500 unidades domésticas de biogás no Nepal. A ONG estima que cada unidade economize cerca de 4,5 toneladas de lenha e evite a emissão de aproximadamente quatro revistaamazonia.com.br


toneladas de CO2 por ano. De acordo com Andreas Michel, há um melhoramento na saúde da população, já que as partículas liberadas dentro da casa não são nocivas. Outro benefício é o chorume gerado durante a produção do biogás, que pode ser usado como fertilizante. Outro aspecto crucial do projeto é assegurar que todo o gás metano gerado seja capturado e queimado. O metano é um gás de efeito estufa potente, 25 vezes mais nocivo do que o dióxido de carbono. “Por isso é importante prevenir vazamentos por onde o metano escape para a atmosfera”, disse Martin Hofstetter, especialista em agricultura do Greenpeace. Um dos problemas é que as unidades de biogás não podem ser colocadas em qualquer lugar. Nem todas as Cada unidade economiza cerca de 4,5 toneladas de lenha e evite a emissão de aproximadamente quatro toneladas de CO2 por ano

famílias possuem terra ou gado para gerar os resíduos orgânicos necessários para a transformação de energia. Sem falar no custo: de 300 a 1,2 mil dólares, dependendo da capacidade e do país. Mas uma vez que a unidade de biogás é instalada, não há custos de manutenção. O biogás possibilita que pessoas em áreas remotas possam gerar a própria energia para melhorar suas vidas. A cozinha passa a funcionar com o biogás, gerado com o lixo doméstico

O Biogás Biogás normalmente se refere a um gás produzido através da fermentação de material biodegradável, como a biomassa, o estrume, esgotos, resíduos verdes, material vegetal e culturas. Os resíduos orgânicos, tais como partes de planta morta, bem como restos de animais e de alimentos podem também ser usados. Esta forma particular de biogás tem um potencial úni- O biogás será produzido, co para combater a mudança climática. Em vez de dei- normalmente, 15 dias após a instalação xar o esterco de vaca decompor naturalmente e liberar gás metano para a atmosfera, este sistema aproveita as suas capacidades como uma fonte de combustível eco-amigável. E, naturalmente, a utilização generalizada deste e outras formas de biogás provavelmente vai diminuir a quantidade de desmatamento para fins de produção de carvão. Logo, o biogás será produzido (normalmente, 15 dias após a instalação), que será o combustível suficiente para cozinhar o alimento para uma família de cinco membros. Isto vai poupar tempo e esforços para recolher outro combustível (lenha e bosta de vaca seca), além de dar o fim na bosta de vaca, vai ser uma entrada útil como fertilizante. revistaamazonia.com.br

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Lembranças Marajoaras

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a parte alagada dos campos marajoaras, onde é possível identificar búfalos soltos ainda encontra-se com facilidade regos abertos pelos próprios búfalos quer seja à noite, dia. Esses pesados animais conseguem abrir pequenos canais com muita facilidade, seja na canarana, seja no algodão brabo. Sem esquecer a várzea onde possam se alimentar. Eles atacam também quintais ou canteiros onde passam e encontram roupas estendidas e o que encontrarem. São considerados animais predadores, como também são considerados alvos pre-

por Camilo Vianna* e Walter Chile ** Búfalos d’água

-se animais selvagens. Outro fato curioso aconteceu na praia do Chapéu Virado, Recentemente a reportagem da tv na ilha do Mosqueiro, nesse mesmo tempo de água Globo em voo de helicóptero, ao ten- grande, quando um enorme jacaré-açú foi levado pela tar pousar foi atacada por esses búfa- água do mar que vinha da ilha de Marajó, assustando los, mas sem maiores consequências, grande número de moradores e banhistas. Com a interpois eles não puderam alcançar os ferência dos membros do corpo de bombeiros acantonaaparelhos da equipe, foi só o susto. dos na Ilha, o problema foi resolvido. Como já foi relatado por um dos au- Na orla de Belém durante as água grandes pode ocorrer tores em outra oportunidade, o escri- a subida de jacarés e cobras. Esta última, mais frequente ba levou outro grande susto quando e chegando a medir até três metros, invadem quintais O batalhão da PM baseado em oferecendo risco para moradores. Neste caso, os búfalos Soure, capital da ilha, tem o uma jacaroua em área alagada do búfalo como montaria Campo das Pindobas, onde diversas aparecem raramente. cabeças de pedra (como são conhe- Uma curiosidade que foi relatada é que na realidade as diletos dos zebristas (ladrão de gado) para serem vendi- cidos os jacarés dentro da água), estavam se refrescando serpentes vem sendo chamadas, por influencia de prodos em pequenos açougues da cidade ou encaminhados nesse pequeno lago, onde já haviam pequenos montes gramas televisivos, de sucuris quando na realidade, na de palha seca e onde a jacaroua fazia seu ninho. Um ilha de Marajó, elas são conhecidas desde os antepaspara Soure, Salvaterra ou Belém. Os búfalos d’água, como também são chamados, podem dos autores futucando o tal montículo com uma vareta, sados de sucurijú. Seja qual for o nome, elas dão grande ser encontrados na Ilha em maior número em comuni- forçou o animal a soltar bufidos. Quando a jacaroua se trabalho para os bombeiros. dades humanas ou mesmo perto delas, e já começam a movimentou para saber o que estava acontecendo em ser exportados em grande número para a Venezuela. O seu território, a solução encontrada foi dar marcha ré, [*] Sopren/Sobrames [**] Sopren/Geca/Ufpa batalhão da PM baseado em Soure, capital da ilha, tem o batendo em retirada rapidamente no rumo do cavalo selado que o levou Cabeças de pedra, como búfalo como montaria. são conhecidos os Problemas podem existir entre os índios Yanomamis até aí. jacarés dentro da água como resultado da introdução do búfalo marajoara na Daí em frente os membros da equipe tribo. Criados soltos continua a predação exercida por desistiram de andar montados nas áreas alagadas e se equiparam de esses animais. Na costa do Amapá, na ilha de Maracá-Jipióca, reserva terçado rabo de galo e bastão de bom criada por intervenção do Dr. Paulo Nogueira Neto, ligado tamanho. a Presidência da República e por um dos autores, quando Outro fenômeno que está ocorrendo em observavam búfalos pretos ali colocados e abandonados, comunidades é a invasão dos jacarés com a subida das águas grandes como vivendo primitivamente em número de sete na época. No vale do Guajará o problema é mais complicado e bú- acontecido na localidade Taciateua na falos levados do Marajó por falta de cuidados tornaram- zona bragantina. Praia do Chapéu Virado, na ilha do Mosqueiro

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CONTE ATÉ DEZ. A RAIVA PASSA. A VIDA FICA.

PAZ. ESSA É A ATITUDE.

No Brasil, todos os anos, milhares de pessoas são vítimas de assassinatos por impulso em situações como brigas em bares, discussões no trânsito ou entre vizinhos. Mortes que poderiam ser evitadas com uma simples mudança de atitude. Valorize a vida acima de tudo. Ela é única. Sua vida vale mais que qualquer briga.

Anderson Silva Campeão Mundial Peso-Médio do UFC

Acesse cnmp.gov.br/conteate10. Conheça a campanha, o game, as ações educativas e muito mais. Opine, apoie, sugira, participe.

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Revista

Ano 7 Nº 35 Novembro/Dezembro 2012

Uma parceria pela geração de trabalho e renda no país.

ISSN 1809-466X

R$ 12,00

Editora Círios

Ano 7 Número 35 2012 R$ 12,00

A Fundação Banco do Brasil e o BNDES se uniram para promover o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais e urbanas que vivem em situação de vulnerabilidade econômica, por meio de programas e tecnologias sociais voltados à geração de trabalho e renda.

5,00

www.revistaamazonia.com.br

Em três anos, foram investidos R$ 130 milhões, envolvendo mais de 120 mil famílias no processo de transformação social. www.fbb.org.br/bndes-fbb

OPERAÇÃO ATLÂNTICO III

EM DEFESA DA AMAZÔNIA AZUL


Amazonia 35  

Operação Atlântico III Em defesa da Amazônia Azul

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