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SALVE A AMAZÔNIA!

ISSN 1809-466X

Ano 4 Número 15 2009

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ESPÉCIES AMEAÇADAS 61ª REUNIÃO DA SBPC PANORAMA DA BIODIVERSIDADE GLOBAL

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08 Espécies ameaçadas no mundo 18 VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental 19 Eletronorte é uma das empresas mais inovadoras do Brasil

22 A 61ª Reunião Anual da SBPC 2009 Cerca de 1,5 mil pessoas, entre estudantes, pesquisadores e autoridades participaram, da cerimônia de abertura da 61ª Reunião Anual da (SBPC), comotemaAmazônia,CiênciaeCultura...

33 Petrobras é a quarta empresa mais

respeitada do mundo 36 Lula aprova MP 458 - a da Amazônia, com um veto 38 Casa flutuante ecológica servirá como laboratório na Amazônia

40 A primeira casa de força de usina no Madeira

42 Dia da árvore: Árvores símbolo do Brasil 44 Camu-camu: Fruto amazônico com mais vitamina C que o limão! Nem acerola, nem limão. O fruto com maior concentração de vitamina C ainda é um ilustre desconhecido. O título fica com o camu-camu, também chamadodecaçari,araçád'águaeazedinho...

46 Em Áquila, maiores economias

propõe limite de aquecimento de 2º C

48 Câmera brasileira do satélites CBERS-3 e 4 49 Amazonien, a magia da natureza recriada na Alemanha

50 O Panorama da Biodiversidade Global

Diversidade biológica ou biodiversidade, é o termo usado para designar a variedade de formas de vida existentes naTerra. Foi a combinação de formas de vida, e suas interações umas com as outras e com seu ambiente físico, que tornouaTerrahabitávelparaossereshumanos...

66 Cinco espécies de aves são

registradas pela primeira vez no Brasil 76 Amazônia terá o zôo mais moderno do Brasil 81 País pode gerar energia a partir do vento equivalente à produção de Itaipu

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PUBLICAÇÃO Período (agosto/setembro) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn

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ARTICULISTAS/COLABORADORES Ahmed Djoghlaf, Ascom SBPC, Camillo Martins Vianna, Jean-Christophe Vié, Oscar Smiderle, Silas Câmara; Vanessa Brasil FOTOGRAFIAS Antonio Cruz/Abr; Arquivos:IUCN;NASA e UNESCO; Carlos Sodre,Claudio Santos, Cher Lima/Agência Fapeam,David Alves, Elcimar Neves e Tamara Saré/Ag Pa; Carlos Lessa; Cleiby Trevisan; Conservação Internacional ; Denny Cesare; Doreen Zivkovic;Edson Guilherme da Silva; Edson Rodrigues/SecomMT;Ezequias Araujo/SecomTO; Fabiano Menezes; Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr; Flávio Santos/Vale; François Cardona; Francisco Araujo; Gustavo Tílio; Jean-Christophe Vié, Jefferson Rudy/MMA; Jeziel Rodrigues; Jimmy Christian; Josivaldo Modesto; Leonardo Prado/Funai; Marcello Casal Jr/ABr; Maria S. Fresy; Mário Oliveira/Agecom; Martir Schoeller; Maurício Bamberti;Melina Marcelino; Oscar Smiderle; Plínio Sist; Raylton Alves/ANA; Ricardo Stucker/PR; Rudolph Hühn/Amazônia; Salviano Machado; Ulbra/Manaus; Valter Campanato/ABR e Wilson Dias/ABR EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA Galo da Serra, da Rocha, do Pará. Foto de Jean-Christophe Vié, vice-diretor do Programa de Espécies da IUCN A Espécie Rupicola rupicola é uma ave de ocorrência em áreas montanhosas e florestais no Norte do Brasil, sul e sudoeste da Guiana, Sul daVenezuela,SurinameeGuianaFrancesa. A estatura da ave é de 28 cm, possuem plumagem amarelo/alaranjada e uma crista no formato de meia-lua cobrindo o bico. O galo-da-serra também é conhecido como galo-da-rocha e galo-do-Pará. O macho é polígamo e a fêmea tem a capacidade de botar de 1 a 2 ovos no ninho que é composto por lama, gravetos e saliva. O galo da serra gosta de fazer morada próximo de cursos d'água. O galo da serra realiza, ao cortejar a fêmea, uma dança prénupcial abrindo as asas e movimentando a cabeça de um lado para o outro, dentro de um círculo já especificado por ele. Vários machos realizam a dança para a fêmea que escolhe com quem ficará no final das apresentações. Participam da polinização de uma floresta, pois em sua alimentação consomem frutos de várias espécies, cujas sementes são dispersas naturalmente no terreno florestal. Na lista de espécies ameaçadas da IUCN, é considerado preocupante. É reconhecida como raridade, além de ser uma ave belíssima.

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Parabéns Lula

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UNESCO:

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Premio Félix Houphouet-Boigny atribuído a Lula da Silva

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Fotos Francois Mori

Lula recebe o Prix Félix Houphouët-Boigny de Koïchiro Matsuura, diretor geral da UNESCO

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Presidente brasileiro Lula da Silva foi laureado com o Prémio Félix HouphouetBoigny para a procura da paz, conforme anuncio de Mário Soares, ex-Presidente da RepúblicadePortugal,nasededaUNESCO,emParis. "Sendo um prêmio pela paz, nós entendemos que era alturadelhedaroprêmio",declarou,MárioSoares,"pela contribuição do presidente Lula em favor da paz, do diálogo, da justiça social e de igualdade de direitos, assim como pela sua grande contribuição para a erradicação da pobreza e em defesa dos direitos das minorias", justificou. É uma grande contribuição, não só naAméricaLatinacomoemtodaaparte",acrescentou.

Durante a solenidade Ao receber o prêmio Félix Houphouët-Boigny na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) em Paris, o presidente Luladisse: 'Sinto-me honrado de partilhar essa distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro', disse Lula diante da plateia de diplomatas, políticoseconvidadosdasNaçõesUnidas. O júri, presidido pelo ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger e 11 personalidades internacionais, concedeu o prêmio a Lula “pela sua atuação na promoçãodapazedaigualdadededireitos”. Atualmente na sua 20ª edição, a premiação já teve entre os ganhadores o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o ex-premiê israelense Yitzhak Rabin, o presidente da Autoridade Nacional Palestina Yasser 06| REVISTA AMAZÔNIA

Arafateoex-presidentedosEUAJimmyCarter. Além de um diploma e uma medalha de ouro, o premiado recebe um cheque de US$ 150 mil. Segundo Alioune Traoré, secretário-executivo do Prêmio Félix Houphouët-Boigny, um terço dos laureados ganhou posteriormente o Prêmio Nobel da Paz. Dirigindo-se a Lula, Traoré afirmou que, “com esse prêmio, o senhor assumenovasresponsabilidadesnahistória”. A avaliação foi partilhada pelo primeiro-ministro português, José Socrates, que disse que Lula é 'uma das vozes mais empenhadas na construção de uma nova ordem mundial'. Para Koichiro Matsuura, diretor-geral daUnesco,Lulaéexemplode“lutacontraapobreza”. O presidente Lula destacou a paz ao discursar. “É intolerável querer transformar diferenças entre as civilizações em razão de conflito. Não haverá paz enquanto houver intolerância étnica, cultural e ideológica”. Para Lula, a região da América Latina e Caribe é um exemplo de pacificação por formar “a primeira zona desnuclearizada do globo”. Sublinhou, porém, que “o desenvolvimento e a estabilidade política dos nossos vizinhos são fundamentais. Por isso, condenamos de forma veemente o golpe em Honduras”. Esse foi um dos momentosmaisaplaudidos. Outrosdoistrechosquerenderamovaçãoforamadefesa da criação de um Estado palestino e um pedido pela suspensão do embargo a Cuba.“Essa é uma relíquia da GuerraFria”. Sobre a agenda dos problemas internos brasileiros, dedicou espaço menor, com ênfase num balanço positivo: “Seis anos após o início do Fome Zero, a desnutrição é um problema marginal no Brasil. O índice de desigualdade é o mais baixo das últimas três décadas”. Pouco antes da premiação, dois militantes do Greenpeace subiram ao palco com duas faixas: “Lula Salve a Amazônia, Salve o Clima”. Eles foram retirados pelos seguranças do palco com alguma truculência. Lula depois se desculpou pelo incidente e pelo tratamento dado aos jovens e disse que o alerta das faixas dos manifestantes era“importante”e que“a Amazônia tem queserpreservada”.

Manutenção da Paz Criado em 1989, o Prêmio Felix Houphouët-Boigny homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO. Após receber o Prêmio

Lula agradecendo

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Lula "Salve a Amazônia" 0


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no mundo Vida Selvagem em um mundo em mutação

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Galo da Serra, da Rocha do Pará

Fotos Jean-Christophe Vié

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m todo o mundo, mais de 800 espécies de animaiseplantasjáforamextintasnosúltimos 500anosecercade17milespéciescorremrisco de desaparecer, segundo o relatório da IUCN, compiladoacadaquatroanos. O relatório foi publicado pouco antes do prazo fixado por governos internacionais para avaliar os progressos em relação à meta de combate à perda de biodiversidade até 2010. Segundo a IUCN, esses

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objetivos não serão cumpridos. Ao todo, 44.838 espécies – apenas 2,7% do 1,8 milhão deespéciesjádescritas–foramanalisadas. O documento mostra que pelo menos 869 espécies foram completamente extintas ou extintas em seu habitat natural, mas o número pode chegar a 1.159 se forem consideradas as 290 espécies classificadas como possivelmente extintas, que formam parte do grupo de espéciescriticamenteemperigo.

O Brasil é o país com maior número de espécies de pássaros ameaçadas de extinção em todo o mundo, segundo o mais recente relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais –IUCN,nasiglaeminglês),divulgadorecentemente. De acordo com a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, 122 espécies de pássaros correm o risco de desaparecer no Brasil. Em seguida, vêm Indonésia, com 115,ePeru,com93.

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mundo das espécies

A variedade de espécies existentes hoje, é um produto de 3,5 bilhões de anos de evolução, envolvendo radiação, especiação, extinção e, mais recentemente, os impactos das pessoas. Atuais estimativas do número de espécies variam de 5 a 30 milhões, com uma melhor estimativa de trabalho de 8 para 14 milhões, dos quais apenas cerca de 1,8 milhões já foram descritos.

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Na lista de mamíferos ameaçados, o Brasil fica em quartolugar,com82espécies.Opaíscommaiornúmero de espécies sob risco é a Indonésia, com 183; seguida porMéxico,com100,eÍndia,com96.

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Ao todo, pelo menos 16.928 espécies estão ameaçadas de extinção, incluindo quase um terço dos anfíbios, mais

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de um em cada oito pássaros e quase um quarto de todosmamíferos,deacordocomalista. Considerando-se a pequena proporção de espécies analisadas,onúmeropodeserapenas"apontadoiceberg", masdariaumaboaidéiadorisco,segundoaIUCN. “Quando os governos adotam ações para reduzir a perda de biodiversidade há alguns avanços, mas ainda estamos longe de reverter esta tendência”, disse JeanChristopheVié, vice-diretor do Programa de Espécies da IUCNeeditordorelatório. “É hora de reconhecer que a natureza é a maior empresa da Terra, trabalhando para o benefício de 100% da humanidade – e o faz de graça. Os governos deveriam seesforçartanto,oumais,parasalvaranaturezacomose

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esforçam para salvar os setores financeiros e econômicos.” Segundo Vié, a crise da biodiversidade é muito mais severa do que a crise econômica ou dos bancos. Na Europa, 38% das espécies de peixe estão ameaçadas e nolestedaÁfricaestenúmerochegaa28%. Um dos principais motivos para os altos índices de risco seriaaaltainterrelaçãoentresistemasdeáguadoce,que permite que a poluição se espalhe e que novas espécies invadam o habitat de outras e o desenvolvimento de recursosaquáticos.

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Mar No mar, a pesca excessiva, mudanças climáticas, espéciesinvasoras,desenvolvimentodacostaepoluição respondempelasameaças. Seis das sete espécies de tartarugas marinhas estão ameaçadas de extinção, assim como 27% das 845 espécies de corais. Outras 20% das espécies de corais estão quase ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha. Ospássarosmarinhostambémestãomaisameaçadosdoque os pássaros terrestres, com 27,5% das espécies em extinção, emcomparaçãocom11,8%dospássarosterrestres.

ESPECIAIS DESCONTOS M A OAB CONVÊNIO CO

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Shopping Iguatemi Amazonas Shopping Travessa Padre Eutíquio, 1078 - Lj. 331 Av. Djalma Batista, 482 - Lj. 246 LM Fone: (91) 3230.4522 / 3250.5815 Belém-PA Fone: (92) 3637.6574 Manaus-AM

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Foto Andy Gill

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No Brasil, a Arara Azul passou de Criticamente Amea ada para Amea ada A Arara azul aumentou quatro vezes em números como resultado de um esforço conjunto de organizações nacionais e internacionais nãogovernamentais, o governo brasileiro e fazendeiros locais.

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Jean-Christophe Vié, vice-diretor do Programa de Espécies da IUCN e editor do relatório

A principal causa de extinção e ameaça das espécies terrestres é a destruição de habitats por agricultura, exploração de madeira e desenvolvimento. A caça insustentáveléasegundamaiorameaçaaosmamíferos, atrásdaperdadehabitat. “O relatório é uma leitura deprimente”, disse Craig Hilton Taylor,diretoreco-editordaListaVermelhadaIUCN. “Elenosmostraqueacrisedeextinçãoestáruimouainda pior do que acreditávamos. Mas ele também mostra as tendências que essas espécies seguiram e portanto é parteessencialdosprocessosdetomadadedecisão.” A Lista Vermelha acompanha as tendências de risco de extinção em grupos de espécies, separados por regiões e habitats. Ela só considera espécies não extintas a partir doano1500.

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Governadores pedem a Lula políticas de REDD

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Fotos Esequias Araújo/SecomTO

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s nove governadores dos Estados da Amazônia Legal entraram oficialmente na briga pela aprovação do "desmatamento evitado" como mecanismo de combate ao aquecimento global. Em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes pedem uma "revisão urgente" da posição brasileira com relação às políticas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) nas negociações do acordo climáticoquesubstituiráoProtocolodeKyoto. "Existe uma crescente convergência internacional para a inclusão das florestas no mercado de carbono regulado por Kyoto", diz a carta, assinada na sexta-feira em Palmas (TO), durante o 5º Fórum de Governadores da Amazônia Legal. "Para surpresa de todos, dentro e fora do País, o governo do Brasil vem fazendo oposição à inclusão das florestas neste promissor mercado. Esta posição deve ser revista com urgência." Pelas regras atuais do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, somente projetos de florestamento e reflorestamento são válidos para obtençãodecréditosdecarbono.

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Durante o V Fórum de Governadores da Amazônia Legal

O modelo REDD, se adotado, criaria a opção de uma compensação adicional, pelo desmatamento evitado ou seja, pelo carbono que deixou de ser emitido graças à preservação da floresta. "Não há mais argumentos técnicos que justifiquem a exclusão do REDD", disse ao jornal O Estado de S. Paulo Virgílio Viana, diretor da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), no Estado do Amazonas,queapoiouaformulaçãodacarta.

Redução de Emissões, articulando e apoiando o papel dos governos federal, distrital, estaduais e municipais, assim como fomentando projetos de carbono não governamentais, envolvendo o setor privado, tanto empresarial, quanto familiar, comunitário e indígena, para Copenhague, liderada pelo Presidente Lula, para Em uma das reuniões dos governadores

Considerações

Exposição da SUDAM

O governador de Rondônia, Ivo Cassol, destacou dois pontos incluídos na Carta. O primeiro é o pagamento do débito que o Ministério da Fazenda tem com o estado. “Devido a débitos de governos anteriores, estamos impedidos de receber recursos federais”, afirmou Cassol. O segundo ponto sugerido pelo governador foi a simplificação do sistema de financiamento para compensar as perdas relacionadas ao Fundo de Participação dos Estados. “O Estado de Rondônia pode ser contemplado com R$ 112 milhões e fomos informados pelo Tesouro Nacional”, completou o governador. O governador do Amapá, Waldez Góes, 16| REVISTA AMAZÔNIA

Composta por especialistas indicados pelos estados da Amazônia e com apoio do Governo Federal, coordenado pelo Fórum de Governadores da Amazônia, com o objetivo de propor, num prazo de 30 dias, recomendações para a Presidência da República quanto ao posicionamento a ser adotado pelo Governo do Brasil em Copenhague. , vinculado à Casa Civil da Presidência da República, para cuidar da formulação, implementação e gestão de um Sistema Nacional de

falou sobre a necessidade de um pensamento e ações integradas entre os estados da Amazônia e considerou uma reivindicação feita por ele e pelo governador Marcelo Miranda, expressa na Carta de Cuiabá. “Nós levantamos a questão para que o Conselho Monetário Nacional abrisse aos estados do Amapá e Tocantins a possibilidade de contrair empréstimos internos”, disse, completando que o governo federal tem considerado e atendido muitas reivindicações do Fórum de Governadores. Já o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, avaliou positivamente a inclusão de serviços ambientais e mudanças

climáticas na Carta de Palmas. “Há duas semanas conversamos com o presidente Lula sobre esse assunto, da importância do Brasil mudar seu ponto de vista sobre a preservação da floresta e de abrir a possibilidade de pagamento por serviços ambientais prestados, porque se nós quisermos realmente preservar a floresta, teremos que receber por isso”, discursou Maggi. Segundo o governador do Acre, Binho Marques, a Carta de Palmas tem que ser pragmática. “A Carta representa o que é prioridade hoje para os governadores da Amazônia Legal. Um grande avanço entre nós foi construir um consenso, o que não é fácil, e fazer com que nossas decisões

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apresentar a visão da Amazônia Brasileira sobre as diretrizes prioritárias para o novo regramento internacional sobre mudanças climáticas, em dezembro de2009. Os governadores da Amazônia Legal elegeram em consenso dez prioridades que foram expressas na Carta de Palmas, documento oficial com as reivindicações e posicionamentos dos gestores no V Fórum de Governadores da Amazônia, que aconteceu no Palácio Araguaia, em Palmas, capital do Tocantins. Entre as reivindicações expressas pelos líderes, capitaneados pelo governador Marcelo Miranda, estão a revisão da distribuição de recursos do FPE – Fundo de Participação dos Estados, que sofreu perdas causadas pela redução da taxa do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, feita pelo governo federal; a transferência voluntária aos estados de recursos contingenciados na Suframa – Superintendência da Zona Franca de Manaus, além da urgência na tramitação da PEC – Proposta de Emenda Constitucional 315/2008, que trata da cobrança do ICMS – Imposto Sobre Mercadorias e Serviços na geração, transmissão e distribuição de energia. Essa última proposta beneficia diretamente o Tocantins, que é um estado produtor de grande quantidade de energia elétrica e exportador de 90% de sua produção. O governador Marcelo Miranda, anfitrião do encontro, recebeu os governadores do Acre, Binho Marques; Amapá, Waldez Góes; Pará, Ana Júlia Carepa; Rondônia, Ivo Cassol; Roraima, José de Anchieta Júnior; Mato Grosso, Blairo Maggi, além do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger; e do subchefe de Assuntos Federativos, Alexandre Padilha. Os estados do Maranhão e Amazonas enviaram representantes ao encontro.

aqui tomadas aconteçam”, falou. Marques defendeu que haja uma agenda contínua entre um fórum e outro, para que as discussões e decisões sejam agilizadas. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, também elogiou a confecção da Carta e solicitou um adendo ao documento. “Solicitamos que os governadores se manifestem em favor da Reforma Tributária, pois ela beneficia o Brasil e os estados da Amazônia”, disse. A sugestão da governadora foi acatada pelos governadores e inserida na Carta. O V Fórum de Governadores da Amazônia Legal encerrou-se após palestras do ministro Mangabeira Unger e do embaixador Sergio Serra.

A Carta na íntegra:

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ÀSuaExcelênciaoSenhor LuizInácioLuladaSilva PresidentedaRepública Emmãos ExcelentíssimoSenhorPresidentedaRepública, Os Governadores da Amazônia, signatários deste documento, reunidos em Palmas, Tocantins, vem, mui respeitosamente,fazerasseguintesconsideraçõesepropostas,abaixorelacionadas. V Fórum de Governadores da Amazônia Legal CARTA DE PALMAS

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Nós, Governadores dos Estados que compõem a Amazônia Legal - Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima eTocantins, reunidos emPalmas,capitaldoEstadodoTocantins,considerandoaatualcrisemundialeseus reflexos sobre a economia brasileira, que reduziu receitas e capacidade de investimento, cientes de nossas responsabilidades sociais e comprometidos com o destinosoberanodenossaregião,destacamos: A inclusão no âmbito do PAC do Projeto de Estradas Vicinais para a Amazônia – PREVIA, dando ênfase à transferência expedita e desburocratizada dos recursos para aexecuçãopelosEstadosaindanoverãoamazônicode2009. A criação imediata de grupo de trabalho composto pelos Ministérios de Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Assuntos Estratégicos, em conjunto com os nove estados da Amazônia, para rever a posição brasileira e elaborar proposta para remuneração por serviços ambientais, em conformidade com os seguintes fundamentos: i) os pagamentos devem ser destinados aos titulares das terras; ii) o conhecimento científico e a capacidadedemonitoramentosãosuficientesparaalcançarospatamaresdetransparênciadaConvençãoQuadrodas Nações Unidas para as Mudanças do Clima - UNFCCC; iii) mecanismos flexíveis são cruciais para gerar benefícios para áreasdealtadebaixapressãodedesmatamento. A premente necessidade da participação direta dos Governos Estaduais nas ações de regularização fundiária, para o queéfundamentalatransferênciaderecursosfederaisparaasinstituiçõesestaduaisdegestãofundiária. O transporte hidroviário na Amazônia Legal é estratégico para a integração e o desenvolvimento regional. Neste sentido, são necessárias política consistente de investimentos e aprovação de marco legal em tramitação no congressonacional. O compromisso assumido pelo Governo Federal com os Governadores para restaurar o transporte aéreo regional na AmazôniaLegalrequerurgêncianasprovidênciasderesponsabilidadedoMinistériodaDefesa; A necessidade de regime de urgência para a tramitação da PEC 315/2008, que trata da cobrança de ICMS na geração, transmissão e distribuição de energia, e do Projeto de Lei Complementar 351/2002, que altera o Fundo de Participação dos Estados (FPE-VERDE). Neste intuito, será formalizada agenda de reunião dos Governadores da AmazôniaLegalcomospresidentesdaCâmaraeSenadoFederal. Necessidade de imediata revisão da distribuição dos recursos previstos na Resolução 3716 do Conselho Monetário Nacional, de 17 de abril de 2009, considerando que os estados da Amazônia Legal não estão conseguindo recuperar as perdas do FPE, causadas pela desoneração do IPI. Também reivindicamos que recursos arrecadados na própria região pela SUFRAMA, atualmente contingenciados, sejam liberados aos Estados por meio de transferências voluntárias. QueasoperaçõesdecréditosreferentesaoPEF(ResoluçãoCMN3716)tenhamanálisediferenciadapelaSecretáriado TesouroNacional–STN,tendoemvistaquetratam-sedeapoiopararecuperaçãodoFPE. A importância de estabelecer mecanismo, pelo Ministério da Fazenda, para agilizar soluções sobre inadimplências dosEstadoseMunicípios,criandoumcanalefetivoentreoMinistérioeasSecretariasdeFazendadosEstados. A necessidade de aprovação, em regime de urgência, do Projeto de Lei da ReformaTributária, que beneficiará o Brasil eemespecialaRegiãoAmazônica. Palmas-TO,26dejunhode2009. 100

GovernadorMarcelodeCarvalhoMiranda-Tocantins GovernadorArnóbioMarquesdeAlmeidaJúnior–Acre GovernadorAntônioWaldezGóesdaSilva–Amapá GovernadorEduardoBraga-Amazonas GovernadoremExercício JoãoAlbertodeSouza-Maranhão GovernadorBlairoMaggi–MatoGrosso GovernadoraAnaJúliadeVasconcelosCarepa–Pará GovernadorIvoNarcisoCassol–Rondônia GovernadorJosédeAnchietaJúnior–Roraima

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VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental

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fórum de mais de 4 mil educadores ambientais do Brasil ouviu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmar que a Educação Ambiental é instrumento de transformação e de consciência. "Transformação que começa dentro de cada um, dentro dos sindicatos, das comunidades quilombolas, dentro da agricultura familiar". O ministro aproveitou a oportunidade para anunciar ao coletivo o descontingenciamento de R$ 40 milhões que estavam bloqueados no Ministério da Fazenda, sendo que, deste total, R$ 2 milhões irão para a EducaçãoAmbiental. Em sua apresentação durante a mesa "Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade", Minc lembrou que é do coletivo de educadores que poderá sair o envolvimento dopovonocombateaodesmatamento,àdestruiçãodos biomas, à agressão às nações indígenas. A mesa, da qual o ministro participou dentro do VI Fórum Nacional de Educação Ambiental teve a participação da secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, como debatedora, e de Lara Moutinho, comorelatora. Os programas desenvolvidos pelo Departamento de Educação Ambiental (DEA) do MMA foram explicados pelo ministro. Em primeiro lugar, ele comemorou os 10 anos do lançamento do Plano Nacional de Educação Ambiental (PNEA) no Brasil e informou, por exemplo, que uma das principais iniciativas do MMA está relacionada ao fortalecimento da Educação no âmbito do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), nas três esferas de governo.Também citou a forma articulada como esse Declev Reynier DibFerreira, Coordenador t ra b a l h o ve m s e n d o Geral do VI Fórum r e a l i z a d o c o m a Encontro pensado e organizado pela Rede Nacional de Educação Ambiental

Fotos Jefferson Rudy e Suelene Gusmão/MMA

Ministro Carlos Minc e Secretária Samyra Crespo no VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental

participaçãodaAnammaedasAbemas. O ministro informou que já no mês de setembro deste ano será aberto um processo de licitação para a construção de 200 telecentros, espaços de educomunicação que possibilitam a inclusão social por meio da inclusão digital. O papel do MMA na iniciativa é o de assegurar as informações necessárias sobre as localidades onde serão instalados os telecentros e articular as parcerias locais. Minc falou sobre o Projeto Salas Verdes, espaços interativos de informação, educação,formaçãoeaçãosocioambiental. Uma outra iniciativa destacada pelo ministro foi o programa "Nas Ondas do São Francisco". A proposta segue o modelo do projeto "Nas Ondas do Ambiente", daSecretariadeEstadodoAmbientedoRiodeJaneiro.O projeto trabalha questões socioambientais utilizandose de equipamentos e da linguagem radiofônica, dentro deumprocessoeducomunicativo.

Minc ressaltou o envolvimento do DEA no processo participativo de elaboração de diretrizes para educação ambiental no contexto das mudanças climáticas e saldou o lançamento, durante a realização do Fórum, da terceira edição da revista Agenda 21 e Juventude. A publicação, que reúne produções de jovens de todo o País, tem apresentação do Ministério do Meio Ambiente e traça um panorama sobre os cenários de futuro e o envolvimento da juventude na perspectiva das mudanças climáticas. Aos participantes do Fórum, o ministro do Meio Ambiente faz um balanço de sua gestão(14meses). Samyra Crespo, secretária do MMA, lembrou que uma das mais relevantes importâncias da realização do VI Fórum é que ele celebra os 10 anos de existência do Plano Nacional de Educação Ambiental. "O encontro permite a realização de uma avaliação deste período com suas conquistas e induz o olhar para o futuro", disse. Segundo ela, os primeiros 10 anos foram de conscientização, de acúmulo e agora começa a transformação para o fazer. "O fórum é uma conquista de ambientalistas e educadores. Ele é democrático, pleno,envolvetodooBrasil".

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Ministro Guilherme Cassel, Ministro Carlos Minc durante coletiva apara anunciar acordo com agricultura Familiar

"O Pensar e o Fazer". Garantir que esses dois lados se juntem numa mesma equação é o grande desafio hoje dos que pensam a educação ambiental no Brasil. No VI Fórum nacional, no Rio de Janeiro, essa questão transpirou por todos os lados, nas centenas de oficinas, nos minicursos, nas jornadas e nos pôsteres em exibição no espaço central do encontro. Na definição do Coordenador Geral do VI Fórum, Declev Reynier DibFerreira, o que a Educação Ambiental pretende é mudar o mundo, as pessoas, na sua forma de pensar e de agir e, para tanto, necessita de mecanismos e caminhos reais para se firmar entre eles, a via escolar, os meios institucional e o legal. "Educação Ambiental é um dos instrumentos certos para se formar um cidadão, aquele que é preocupado com o futuro, com o planeta e com as outras pessoas", explica o coordenador. Segundo ele, educação ambiental vem tomando contornos concretos com o aparecimento de algumas iniciativas, como, por exemplo, a criação do GT de Educação Ambiental e licenciamento, em dezembro de 2008, que vai ampliar e qualificar as ações de Educação Ambiental no licenciamento. O encontro pensado e organizado pela Rede Nacional de Educação Ambiental reuniu no Rio de Janeiro 40 integrantes da entidade com mais de quatro mil participantes. Nas mais de 100 oficinas que ocorrem simultaneamente, os participantes entram em contato com temas como: Os saberes e fazeres da Educação Ambiental na Educação Infantil; A Educação ambiental na colaboração entre instituições de pesquisa e a escola; A sociedade moderna, consumo e meio ambiente; Sociedade, Cultura e Natureza; e Os Desafios da Educação Ambiental Pública, entre outras.

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Eletronorte é uma das Empresas mais Inovadoras do Brasil para construir, para inovar, para crescer, para buscar agregar valor e mostrar que podemos fomentar a inovação”, declarou após o evento o diretor de Produção e Comercialização, Wady Charone, que representou o diretor-presidente, Jorge Da esquerda para direita: Álvaro Raineri de Lima, Gerente de Coordenação dos Programas de Pesquisas e Desenvolvimento-CPTC; Isabel Cristina Moraes Ferreira Palmeira. A lista anual das empresas Coordenação de Comunicação Empresarial-PCR; Fernando José Martins RennóEscritório de Representações de São Paulo-GRP; Wady Charone Júnior, Diretor de mais inovadoras do país Produção e Comercialização; Neusa Maria Lobato Rodrigues,Superintendente de em 2009 tem a Chemtech Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico-CPT e Frade no topo do ranking, Fotos Cleiby Trevisan / Época NEGÓCIOS Integram a relação das maisinovadorasasseguintescompanhias: oi noTeatro Raul Cortez, na sede da Federação Chemtech, Rio de Janeiro (RJ); Ticket, São Paulo (SP); do Comércio do Estado de São Paulo – GVT, Curitiba (PR); Cristália, Itapira (SP) Fecomércio, a noite de premiação das 25 C.E.S.A.R, Recife (PE); Bradesco, Osasco (SP); Brasilata, companhias que mais inovam no Brasil, São Paulo (SP); Eletronorte, Brasília (DF);Whirlpool, São reunindo mais de 200 convidados para prestigiar o Paulo (SP); IBM, São Paulo (SP); CI&T, Campinas (SP); talento, a criatividade e determinação de uma cultura Daichi Sankyo, São Paulo (SP); Ampla; Avaya; Brasilprev; que não apenas afeta o modelo de negócio das Engeset; Even; JFL; Laboratórios Sabin; Lanxess; empresas, como é apontada como o caminho para o Leucotron ; Prati-Donaduzzi; Predicta; Serasa e XP crescimento. Investimentos O prêmio é fruto da parceria entre a revista Época Negócios, o Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Fomentando novas ideias Vargas (FGV), a Escola de Administração de Empresas de “As empresas públicas deveriam dar o exemplo quando São Paulo (Eaesp) e o Great Place toWork (GPTW), com se trata de inovação. E não ser uma exceção neste apoio técnico da Fundação Nacional de Qualidade cenário”, disse na oportunidade Wady Charone, diretor (FNQ). Os critérios de avaliação do prêmio são de produção e comercialização da Eletronorte. elaboradoscombasenosseteanosdeestudosdoFórum Num campo marcado pelo marasmo de novidades de Inovação e nos 16 anos de experiência do Prêmio como o de energia elétrica, a empresa se destacou por NacionaldaQualidade,daFNQ. fomentar a geração de ideias entre seus funcionários. “Este prêmio é um estímulo à criação”, afirmou Celso Charone explica que as pessoas se sentem mais Lafer, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do motivadas quando são direcionadas por um prêmio.“As EstadodeSãoPaulo–FAPESP: “Ainovaçãoéohorizonte pesquisas mostram que de cada dez pessoas numa eofuturodoempreendedorismonoBrasil”. empresa, três gostam de novidades, outra três são "Ao inovar, as empresas mostram que são capazes de contra e quatro são indiferentes. Queremos ser mais transformar uma ideia em algo concreto que eficazescomessesindiferentes”,diz. movimenta a economia de uma forma diferente e pode mudar paradigamas", afirma Glauco Arbix, “Gaviões” em subestações coordenador-geral do Observatório de Inovação e A Eletronorte acaba de instalar quatro “gaviões” na Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da Subestação Guamá/Utinga em Belém (PA). O objetivo é UniversidadedeSãoPaulo(USP). afastar os bandos de andorinhas, pássaros cujas fezes “Uma das coisas mais importantes são responsáveis por prejuízos e danos nos sistemas de para uma organização é manter a transmissão da Empresa. O “espantalho-gavião”é uma equipe motivada e um dos fatores que leva a isso é o O espantalho-gavião já instalado reconhecimento. Este prêmio é u m re c o n h e c i m e n t o à Eletronorte, a única Empresa do governo e do Setor Elétrico a ser premiada, o que aumenta o nosso desafio

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das bem sucedidas experiências desenvolvidas pelo programa de P&D da Eletronorte, invento do técnico em manutenção civil da Subestação Tartarugalzinho (AP), Edson Ferreira de Barros. O problema é que as fezes das andorinhas contêm alta acidez e quando depositadas nos equipamentos das subestações, principalmente no período de Wady Charone Junior, chuvas, prejudicam a cadeia de diretor da Eletronorte, isoladores, chegando a causar com o troféu categoria curtos-circuitos. Equipamentos já Processo de Inovação chegaram a ficar indisponíveis por mais de seis horas devidoàsandorinhas. O trabalho para espantar as andorinhas teve início com o uso de rojões, mas passados alguns dias elas retornavam. Edson, que é químico por formação, reparou que os gaviões espantavam as andorinhas e começou a pensar no projeto. Quando houve um desligamento programado para manutenção de equipamentos, o projeto do “espantalho-gavião” foi implantado. A idéia é simples – mm um boneco de isopor, com estrutura metálica –, mas tem funcionado muito bem em diversas instalações da Eletronorte. O pedido de registro de patente do invento já foi feito junto ao INPI e o resultado tem sido uma economia com manutenção da ordem de R$ 276 mil/ano, sem falar no ganho ambiental, pois as andorinhas são aves migratóriasquecontamcomproteçãointernacional.

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Os técnicos Djalma Alves e Lourival Torres foram os responsáveis por instalar os “gaviões”

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As andorinhas deixam, além dos ninhos, uma grande quantidade de resíduos e de três em três meses era realizado o serviço de limpeza nas linhas, o que representava um custo muito elevado. A equipe da Eletronorte no Pará acredita que até o final do mês de agosto sejam instalados gaviões em todas as subestações. Serão instalados dois protótipos em Santa Maria e mais três no Guamá.

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Fotos Antonio Cruz/Abr, Cher Lima/Agência Fapeam, Francisco Araujo e Gustavo Tílio

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A 61ª Reunião Anual da SBPC 2009

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Abertura oficial levou mais de 1,5 mil ao Largo de São Sebastião, nas imediações do centenário Teatro Amazonas

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erca de 1,5 mil pessoas, entre estudantes, pesquisadores e autoridades participaram, da cerimônia de abertura da 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com o tema Amazônia, Ciência e Cultura. A cerimônia foi realizada num palco montado ao lado das escadarias do Teatro Amazonas – principal patrimônio cultural arquitetônico do Amazonas.

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Estiveram presentes à solenidade o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende; o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, representando o ministro da Educação, Fernando Haddad; o governador do Amazonas, Eduardo Braga; a nova reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Perales; a reitora da UEA, Marilene Corrêa, o diretorpresidente do Inpa, AdalbertoVal, secretário de Cultura,

Robério Braga; secretário de Governo, José Melo; secretário de Educação, Gedeão Amorim; diretorpresidente da Fapeam, Odenildo Sena, entre outras autoridades. O ministro da Ciência e Tecnologia destacou os avanços do Amazonas na área de C&T e a parceria do Governo do Estado com o Governo Federal na instalação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia no Amazonas, numa iniciativa coordenada pessoalmente

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pelo Governador Eduardo Braga, que assegurou os recursos do Governo Estadual por meio do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia para a instalação dos centrosdeexcelência. Coordenado pelo pesquisador José Carlos Verle Rodrigues, o instituto tem orçamento inicial de R$ 4,5 milhões, montante financiado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de AmparoàPesquisadoEstadodoAmazonas(Fapeam). Na abertura o ministro Sergio Rezende destacou a ampliação do número de doutores formados no estado. “Este evento em Manaus trouxe pessoas de todo o país, mas, sobretudo, a atenção do Brasil para a ciência na Amazônia. O Amazonas, em particular, progrediu muito nos últimos anos nesse aspecto. Em 2000, o Amazonas tinha cerca de 250 doutores e hoje tem quase 1,5 mil.” O presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, disse que a 61ª reunião da SBPC representa um momento especial paraaciênciabrasileiraeparaapopulaçãodaregião.Entre os temas que serão tratados, Raupp destacou a

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Centro, à esquerda, o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp; à direita, o Ministro Sergio Rezende e Flávia Grosso da Suframa, inaugurando a EXPOT&C,

Ainda durante a cerimônia foi realizada uma homenagem ao pesquisador e presidente de honra da SBPC Warwick Estevam Kerr. Pioneiro na genética brasileira e um dos maiores especialistas em genética de abelhas do mundo, o pesquisador foi diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) de 1999 a 2002. Impossibilitado de comparecer à homenagem por motivos de saúde, Kerr, que atualmente reside em Uberlândia, em Minas Gerais, gravou um depoimento em vídeo, que foi transmitidoduranteasolenidade. Outro homenageado foi o governador Eduardo Braga, que recebeu de representantes da SBPC o título de governador amigo da ciência. De acordo com ele, a realização do evento em Manaus reflete o reconhecimento da SBPC em relação aos esforços que o estado e o país fazem para promover o desenvolvimento e o progresso da ciêncianaAmazônia. Cerimônia de abertura realizada em frente ao Teatro Amazonas, “O Amazonas vem se esforçando para reuniu autoridades como o ministro Sergio Rezende; o governador do estado do Amazonas, Eduardo Braga; o presidente da SBPC, formarrecursoshumanose,comisso,nos Marco Antonio Raupp; e o presidente da Capes, Jorge Guimarães prepararmos para o futuro. Não vamos vencer os grandes desafios da Amazônia Durante a abertura se não tivermos ciência e tecnologia para que nossos jovens e as futuras gerações. Nos últimos sete anos, o Amazonas formou mais doutores e mestres que formamos nos 35 anos que nos antecederam. Estamos convencidos de que é exatamente na formação de mestres e doutores que poderemos formar melhores jovens e prepará-los para o futuro”, disse o governador. Para o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Hugo Valadares, a expectativa em relação à edição da SBPC deste ano é a melhor possível.“Ciência é paratodos.FoiumgrandeacertodaSBPC

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Ministro da C&T durante a visita à EXPOT&C

Sergio Rezende, fala durante a Abertura

O governador do Amazonas, Eduardo Braga, fala durante a Abertura da reunião da SBPC 100

biodiversidade da Amazônia e a conservação e utilização dafloresta.Duranteasemana,certamentesuperaremosa marca dos 10 mil participantes. Esse número é bastante significativa e com certeza são pessoas que vão contribuir com as discussões sobre ciência, modernização e avanço da sociedade. É importante que a população local aproveite oportunidades como essa e participe do evento”, comentou, ressaltando que as sessões são abertasegratuitas.

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Durante entrevista coletiva

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O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende na SBPC

trazer esta reunião para Manaus. A discussão sobre a Amazônia, de modo geral, tem sido muito marcante nos últimos tempos e o estado, como pólo de desenvolvimentoatual,teráumareuniãoexitosa.”

Convênio Duranteasolenidade,oministrodaCiênciaeTecnologia,a reitora da UEA e o secretário de Ciência e Tecnologia do Amazonas, José Aldemir de Oliveira, assinaram protocolo de intenções entres o MCT, o Governo do Amazonas, por meio da UEA e a SECT para implantação do Museu da Amazônia. O MUSA tem como diretor o físico Ennio Candotti,ex-presidentedaSBPCeprofessordaUEA. A 61ª Reunião Anual da SBPC, com o tema é“Amazônia: Ciência e Cultura”, foi realizada em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O evento contou com 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhoscientíficoseminicursos.

Governo vai ampliar bolsas para pós-graduação O governo vai criar um programa para ampliar o número debolsasdeestudosparaestudantesdepós-graduação. A iniciativa, foi anunciada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, durante a reunião da SBPC, e detalhada pelo presidente da Coordenação de A Palestra de Randal Keynes, tataraneto de Charles Darwin

SegundoRezende,eleeoministrodoMeio Ambiente, Carlos Minc, já entraram em acordo sobre a necessidade de uma nova versão para o texto, mais enxuta, que deve ser apresentada nos próximos meses. “Precisamos simplificar a lei, com menos artigos e depois regulamenta-se. Há uma concordância entre os dois ministérios de que precisamos de uma lei mais enxuta. Só estamosdiscutindoosdetalhes.” De acordo com o ministro, as autorizações À direita, o pesquisdador Ênnio Candotti falando sobre o projeto do MUSA (Museu) para o ministro Sergio Rezende, à esquerda de pesquisa, atualmente concedidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos principalmenteparaoNorteeNordeste.“Fazeradistribuição Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico geográficadessesrecursosnãoéfácil”,ponderou. Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Burocracia atrapalha depassarão a ser emitidas pelo Conselho Nacional de senvolvimento da ciência DesenvolvimentoCientíficoeTecnológico(CNPq). e tecnologia no país “O CNPq já emite autorizações para importação [de O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, criticouoexcessodeburocraciaparaotrabalhocientífico no Brasil, adiantou que vai apresentar uma nova versão para o projeto de lei que regulamenta o acesso de pesquisadores a recursos da biodiversidade e implantar medidas para dar transparência entre universidades e fundaçõesdeapoioàpesquisa. Ao apresentar um balanço do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação, o chamado PAC da Ciência, Rezende disse que muitas vezes os recursos são liberados, mas não chegam a ser executados por causa da burocracia. “Há complicações criadas no sistema público e que afetam a Ciência eTecnologia. A área tem que ter tratamento diferenciado”, disse, em entrevista durante a 61ª reunião anual da Sociedade Brasileira para oProgressodaCiência(SBPC). Entre os problemas, o ministro citou as dificuldades de compras de material para pesquisa, causadas pela proibição do repasse de recursos das universidades para material de pesquisa] e para entrada de pesquisadores fundações de apoio à pesquisa – após constatação de internacionais. Tem competência e tem a máquina irregularidades – e os casos de embargo de material enxuta para isso. O Ibama e o Chico Mendes deverão científico importado em aeroportos do país. apenasassessorar”,detalhou.

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Palestra de Maria Luiza Garnelo Pereira, da Fiocruz

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Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), JorgeGuimarães. “Os estudantes de instituições públicas que forem selecionados para pós-graduação terão bolsa garantida”, adiantou Rezende, que chamou o programa de“BolsaparaTodos”. O ministro afirmou que a ideia é melhorar a distribuição de bolsasdeestudoparapós-graduaçãoentreasregiõesdopaís, 24| REVISTA AMAZÔNIA

O principal entrave, segundo o ministro, é a falta de uma lei para regulamentar o acesso de pesquisadores a recursos da biodiversidade e destravar atividades como a entrada em unidades de conservação e a coleta de materiais para estudo de medicamentos a partir de plantas ou animais nativos da floresta, por exemplo. Atualmente, há um texto de projeto de lei na Casa Civil, quedeveserenviadoparavotaçãonoCongressoNacional.

O superintendente adjunto da Suframa, Elilde Menezes, o coodenador Manoel Malheiros Tourinho, da UFRA, e Fernando Galemberck, da Unicamp, durante palestra sobre a pesquisa científica e a indústria, na 61ª Reunião Anual da SBPC

Rezende culpou a falta de regulamentação para o acesso à biodiversidade pelo não cumprimento das metas de preservação assumidas pelo Brasil no âmbito da Convenção da Biodiversidade Biológica (CBD). Entre os

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Estudantes, professores e outros participantes

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O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, fala sobre o novo programa Bolsa para Todos

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compromissos assumidos internacionalmente pelo país estão a redução do desmatamento da Amazônia em até 75%, o fim do desmate da Mata Atlântica e o controle de espéciesinvasoras. Ao comentar os investimentos do PAC da Ciência na Amazônia, o ministro apresentou dados sobre o número

Índios da etnia Tuyuka, de São Gabriel da Cachoeira, norte do Amazonas, participam da 61ª Reunião Anual da SBPC

de doutores na região, que aumentou de mil para 4,7 mil em oito anos. Apesar do crescimento, a Amazônia Legal ainda concentra apenas 6% dos doutores do país e só recebe 4% dos investimentos nacionais em ciência e tecnologia. “As propostas de desenvolvimento sustentável para a região dependem da fixação de mestres e doutores na Amazônia. E esse é um processo em aceleração”, ponderou. Durante a entrevista, Rezende também anunciou os resultados da seleção de projetos para o Proinfra, que vai repassar R$360 milhões para 119 instituições públicas de ensino superior. A lista de selecionadas está disponível na página da Financiadora deEstudoseProjetos(Finep)nainternet.

Nenhuma censura para o sistema de currículos Lattes OministrodaCiênciaeTecnologia,SergioRezende,disse que o governo não pretende estabelecer nenhuma “censura” à base online de currículos da Plataforma Lattes, mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A legitimidade do sistema virou alvo de polêmica após a divulgação de que o currículo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, incluía informações erradas sobre títulosdemestradoedoutorado.

“Não vamos criar nenhum tipo de censura sobre o sistema Lattes”, afirmou Rezende, em entrevista. “A responsabilidade sobre as informações é das pessoas queascolocamlá.” Segundo Rezende, a base de currículos da Plataforma Lattes “é uma conquista do Brasil” e tem despertado interesse de outros países por um sistema semelhante. “Nenhum país do mundo tem um banco aberto como esse, com mais de 1 milhão de currículos”, defendeu. Os presidentes da SBPC, Marco Antonio Raupp, e da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Jacob Palis, também se manifestaram contrários à criação de regras de controle mais rígido sobre as informações do sistema Lattes. As duas entidades defendem o aperfeiçoamento daplataforma. Palis disse que o sistema é “uma grande conquista da comunidade científica nacional”e listou vantagens, como a atualização individual, o que agiliza o processo, e a possibilidade de comparação entre os currículos mesmo por pessoas que não sejam ligadas ao meio científico, comojornalistasembuscadefonteseconsultores. Segundo Palis, a SBPC e a ABC vão apresentar um manifesto público em defesa da Plataforma Lattes, com sugestões para aperfeiçoamento do sistema. Entre as ideias, estão a criação de senhas para os usuários e a escolha periódica de alguns currículos para verificação

por amostragem. “Ninguém vai arriscar incluir informações falsas se souber que pode cair na malha fina”,comparou.

Pesquisador defende aproximação entre ciência e indústria OprofessorFernandoGalembeck,doInstitutodeQuímica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defendeuaaproximaçãoentreciênciaeindústria.“Nãodá para pensar em pesquisa científica desvinculada do contexto”,afirmouGalembeckemdebate. Segundo Galembek, que desenvolve pesquisas aplicadas para a indústria química, as universidades, as empresas e os governos perdem oportunidades por falta de parcerias edeestratégiasparadesenvolvimentoeinovação. Fernando Galembeck, da Unicamp

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Três mil estudantes do ensino fundamental e médio participaram das atividades da SBPC Jovem

Crianças visitam estande na feira da Expot&c na UFAM

GalembeckacreditaqueoBrasilpodeliderara“transição globalparaumaeradopós-petróleo”,masressaltaqueé necessário definir com clareza onde se quer investir conhecimento e recursos. “Muito dinheiro, discursos e boa-vontade não criam realidades sem bons planos e estratégias”,argumentou.

Pesquisadora defende articulação entre ciência e conhecimentos tradicionais indígenas Os professores Fernando Antonio de Carvalho, da Universidade do Estado do Amazonas, e Carlos Frederico Marés de Souza, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, e ex-presidente da Funai, falam sobre Direitos Indígenas O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Otávio Presgrave faz palestra sobre pesquisa com animais

O pesquisador acredita que o investimento em pesquisa aplicada deve ser prioridade nos planos de desenvolvimento de ciência e tecnologia. Para ele, a conexão entre instituições de pesquisa e a indústria poderia tornar o país mais competitivo e desenvolver áreas em que ainda há dependência de outros países, comofármacos,equipamentosparatelecomunicaçõese tecnologiasdainformação. “Existe a ideia de que a ciência não tem a aprender com asempresas,aideiadequeofluxoéacademia-atividade industrial. E não é bem assim. É um caminho de duas mãos”, argumentou. De acordo com o pesquisador, muitas vezes, boas ideias surgem de problemas práticos encontrados nas empresas, “e não na leitura de papers [artigoscientíficos]”. 26| REVISTA AMAZÔNIA

A médica e antropóloga Luiza Garnelo defendeu a articulação entre a ciência e os saberes tradicionais, principalmente os relativos às práticas usadas para cuidados e cura de doenças entre índios da etnia Baniwa, que vivem no norte do Amazonas. Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Luiza disse que essa articulação poderá contribuir para avanços no sistema de saúde, de um modo geral. Ela fez palestra durante a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso daCiência(SBPC),emManaus. “É possível fazer essa articulação e produzir múltiplas formas de conhecimento", afirmou Luiza. Para ela, a melhor forma seria a interlocução com os índios para que eles determinem os termos em que querem fazer essa participação."A decisão tem que ser deles também, considerando que são detentores de conhecimentos relacionados sobretudo ao uso de plantas e técnicas própriasdaorganizaçãodoconhecimentodessespovos.” Desde 1996, a pesquisadora estuda os costumes e o modo de vida dos Baniwa, que vivem na região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Segundo Luiza, quase 100 comunidades Baniwa residem nessa área, no norte do estado, onde também se localiza São Gabriel da Cacheira, município que tem de 95% de indígenas em sua população. Para a pesquisadora, o que chama a atenção nas práticas de cuidado e cura de doenças entre os Baniwa é o respeito à vida: considerar o contexto de cada paciente é fundamental para o tratamento das enfermidades. “As pessoas dessa etnia têm de fato a consciência clara de que eles matam animais para sobreviver e que isso exige um cuidado para evitar a depredação. Eles sabem que têm um preço a pagar como sociedade. Além disso, o itinerário terapêutico depende muito das conjunturas de cada sujeito, seja numa sociedade indígena, ou não”,

ressaltouapesquisadora. Luiza Garnelo considera um desafio promissor para a ciência contemporânea estudar e conhecer mais sobre a Amazônia. “Como parte da sociedade que está na Amazônia e vive da Amazônia, temos que refletir mais sobre nosso papel nesse contexto. Isso é promissor. A sociedade amazônica, na minha opinião, precisa refletir mais do que tem feito e descobrir como valorar esses conhecimentos tradicionais e como lidar com isso de forma respeitável e harmônica”, afirmou. De acordo com a pesquisadora, a insuficiência de reflexões sobre as prioridades da sociedade contemporânea tem contribuído para uma certa inversão de valores entre a ciência e a economia. Em entrevista, Luiza disse que a atual dimensão econômica da ciência está relacionada à busca de lucros e, por isso, existem dificuldades no diálogo com as pessoas. Ela observou que, atualmente, quem manda na ciência não são as instituições que produzem o saber, e sim as indústrias que financiam e definem que tipo de remédio deve ser produzido. "Isso mostra a inversão de um processo que antigamente estava fundamentado na produção de conhecimento e depois no uso das respectivas patentes. Hoje, tem-se a patente antes de o conhecimento existir e antes de se saber sequer qual a sua utilidade real." Na indústria de medicamentos, com a garantia do direito a patentes, descobre-se depois a qual a finalidade o remédio atende melhor e, obviamente, o que é mais rentável, acrescentou. “A nossa condição de vida está ameaçada. Temos que pensar se o nosso bem-estar imediato vale mais que a nossa vida em escala planetária”, acrescentou a pesquisadora. Adalberto Val e Carlos Minc

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Biodiversidade na criação de novos remédios

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A biodiversidade brasileira está sendo estudada por cientistas para o desenvolvimento de novos medicamentos voltados ao tratamento de doenças como a de Chagas, esquistossomose e leishmaniose. Este foi uma dos principais temas da 61ª Reunião da SBPC..”Já temos alguns compostos que têm demonstrado boa atividade biológica e propriedades interessantes para o desenvolvimento de candidatos a novos fármacos. Embora as pesquisas estejam em um estágio avançado, ainda vai levar mais algum tempo para chegarmos ao desenvolvimento de um novo, que é o nosso maior objetivo”, disse o professor do Instituto de Física da USP de São Carlos (IFSC/USP) Adriano Andricopulo. Andricopulo foi nomeado no final de 2008 coordenador do Centro de Referência Mundial em Química Medicinal para a Doença de Chagas, instituído no Brasil pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Reunindo pesquisadores do IFSC/USP e da Unicamp, o centro brasileiro, único da América Latina, integra uma rede internacionaldelaboratóriosparaadescobertadenovos fármacos que faz parte do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR, em inglês),daOMS. “São doenças que afetam as regiões mais pobres e carentes do mundo e para as quais ainda não existem alternativas terapêuticas razoáveis porque a indústria farmacêuticanãovênelasumaoportunidadeatrativade mercado. O retorno financeiro das vendas desses medicamentos não justificaria o investimento em pesquisa e desenvolvimento que elas precisariam fazer paralançá-losnomercado”,explicaAndricopulo.

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Adriano Andricopulo do Instituto de Física da USP de São Carlos (IFSC/USP)

Livro indica alternativas energéticas para a região norte Apesar do potencial hidroelétrico da Amazônia, onde circula 20% da água doce do planeta, a energia ainda é um problema para a região norte do País.Visando buscar alternativas, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) desenvolveu um projeto para estudar a questão e propor soluções. Os resultados deste trabalho foram consolidados no livro“Alternativas para o uso do gás natural na região norte”, que foi lançado na 17ª ExpoT&C. A demanda foi gerada pela Financiadora de Estudos e

O cheirinho da Amazônia a seu dispor

Projetos (Finep/MCT), que apoiou o projeto com recursos do Fundo Setorial de Petróleo e Gás (CT-Petro), com o objetivo de examinar as diferentes possibilidades técnicas nas aplicações do gás natural que passou a ser explorado na bacia de Urucu, no Amazonas. Durante o desenvolvimento da pesquisa, foram avaliados os benefícios e impactos para a região sob os pontos de vistaeconômicoesócio-ambiental. Aorganizaçãodotrabalhoficouacargodosengenheiros Mauricio Francisco Henriques Junior e Sandra de Castro

Villar, ambos da área de energia do INT. O estudo também contou com a participação de especialistas da região, em particular do Centro de Desenvolvimento da Amazônia (CDAM/Ufam), com a colaboração da ManausEnergia,SuframaeCigas.

Sons da floresta O canto dos pássaros foi destaque na conferência“Sons da floresta”, realizada pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Mário Conh-

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Haft. Na ocasião, o pesquisador exibiu várias gravações de sons de animais da floresta e explicou qual o papel desses ruídos.“O barulho que ouvimos é de animais se comunicando. Como ser vivo, ele também tem a necessidade de compartilhar informações com outros seres de sua espécie”, afirma Conh-Haft. O som dos pássaros é comparado pelo pesquisador a uma orquestra. De acordo com ele, os animais seguem uma ordem e escolhem o momento, a freqüência e o timbre para se fazerem ouvir. “Para eles, não adianta cantar mais alto, pois precisam ser escutados. Esse é o objetivo deles quando emitem sons”, declara. A real biodiversidade da floresta amazônica também foi tema de explanação, como por exemplo, a multiplicação das espécies catalogadas após o estudo com os sons dos pássaros. Antes, eram 1,3 mil tipos de aves na Amazônia. Mas Conh-Haft explica que esse número pode duplicar, pois apesar dos pássaros serem fisicamenteiguais,elesnãopossuemamesmagenética. “Só foi possível perceber essa diferença após o estudo dos diversos tipos de sons que os pássaros fazem. Onde Eduardo Braga, governador do Amazonas, assinando o Convênio

Convênio assinado pelo ministro Sérgio Rezende

Reitora da UEA assina convênio para implantação do MUSA

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nós achávamos que tinha uma espécie só, descobrimos que tinham diversas. Assim, de 1,3 mil, o número de espécie pode chegar a três mil”, explica o pesquisador. Conh-Haft explicou que os sons dos pássaros da mesma espécie também podem mudar de acordo com a região onde eles se encontram. Para ele, essa variação também pode ser resultado de uma diferença genética, outra alteração que deve ser levada em consideração para catalogar espécies.“Além do som, há outras formas de descobrirseoanimaléounãoigualaooutro”,diz. Ao fim de sua apresentação, o pesquisador exibiu o canto de um pássaro do Havaí, denominado Kaua'i, extinto há 20 anos. Ele demonstrou sua preocupação com as outras espécies que ainda existem e aproveitou para fazer um apelocomrelaçãoàflorestaamazônica,que,segundoele, éincomparávelaqualquerlugardoplaneta. “Temos uma riqueza nas mãos e não damos o devido valor. Precisamos ter consciência do que estamos desperdiçando e tentar reverter um quadro que a cada dia só piora. Não adianta nada achar a floresta linda e nãocuidardoquefazabelezadela”,declaraConh-Haft.

Aproveitamento de áreas degradadas e de várzea na Amazônia pelo agronegócio

Amilcar Baiardi, da Universidade Federal da Bahia, falou sobre agronegócio

É preciso proibir ações de exploração agrícola que promovam desmatamento e substituição da vegetação original por lavouras de ciclo curto ou pastagem na Amazônia. Sem isso, áreas extensas da região podem chegar, em alguns anos, a um estágio de devastação irreversível. O argumento foi apresentado pelo agrônomo e professor do Departamento de Humanidades da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Amílcar Baiardi, em Manaus. Para ele, as terras firmes de florestas densas devem ser o foco de maior preocupação. “São áreas em que, no

Solenidade foi realizada na Praça São Sebastião

máximo, pode ocorrer um aproveitamento restrito e limitado, com sistemas agroflorestais envolvendo lavourasdeciclolongo,preferencialmente.Dessaforma, é possível expandir a produção de alimentos na Amazônia sem prejuízo à floresta, não só pensando na segurança alimentar, mas também em negócios que viabilizem emprego, renda e interesses de empreendedores”,destacouocientista. Baiardi explicou que limitar de forma mais intensiva as ações de desmatamento na Amazônia não significa impor o fim da prática da agricultura na região. Ele defendeu o uso de técnicas que garantam a utilização do território de forma menos agressiva e, ainda, o incentivo a métodos que permitam melhor aproveitamento das áreas de várzeas e daquelas já degradadas. O pesquisador reconhece que o agronegócio é uma das atividades econômicas mais importantes do país, responsável, segundo ele, por 4% do Produto Interno Brutodopaís(PIB). Desde a década de 70, o agrônomo realiza pesquisas sobre a economia rural da Amazônia. Após quase quatro décadas de estudo, ele concluiu que o desenvolvimento do agronegócio na região não pode estar em conflito com a preservação da floresta e do sistema hidrológico. Segundo o pesquisador, a Amazônia detém pelo menos 8 milhões de hectares de áreas de várzea que poderiam ser mais bem aproveitadas, inclusive, pelo agronegócio que, na avaliação dele, atualmente está em desacordo comaracionalidadeambiental. “Hoje o que se faz na Amazônia em agronegócio é bastante criticável. O que se pode fazer é desestimular o que já existe e criar alternativas melhores de agronegócio. Claro que a Amazônia não pode ficar eternamente dependente da produção de alimentos de outras regiões do país, mas tudo deve ser pensado para

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ocorrer de forma sustentável. Atualmente, o agronegócio praticado na região está se expandindo numa área em que não deveria se expandir, que é a área deterrafirme”,acrescentou. Levantamento feito pelo pesquisador revela que pelo menos seis modelos de agronegócio são passíveis de serem implementados na Amazônia sem comprometer a floresta. Entre eles estão extrativismos coletivos, com o uso de técnicas de manejo sustentável, de plantas que podem ser utilizadas em medicamentos ou cosméticos, por exemplo. Outra atividade rentável e alternativa ao agronegócio seria a prestação de serviços florestais. “Mas tudo isso deve ser feito com embasamento c i e n t í f i c o e t e c n o l ó g i c o ”, r e s s a l v a . “Embora possível no ambiente amazônico, o agronegócio deve estar sempre condicionado a normas de sustentabilidade dos biomas e ecossistemas regionais. A várzea pode desempenhar um papel extraordinário, tanto na parte de produção vegetal quanto na parte de produção animal. Numa abordagem racional, com conhecimentos de engenharia hidráulica, pode-se viabilizar um aproveitamento mais sistemático e permanente dessas áreas, que podem ser utilizadas em ciclos curtos como no caso de grãos e também na produçãodefibras”,exemplificouodocentedaUFRB.

finaliza um relatório comparativo que mostra se houve alteração na mata. “Existem duas análises, uma que é fechada a cada 15 dias, e outra anual. Todo final de ano fechamos um relatório extenso com todos os detalhes do comportamento da floresta. Nós conseguimos mapear por meio dos satélites Landsat e Cbers área de desmatamento ou de degradação acima de 6,25 hectares”. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais possui atualmente cinco sistemas de monitoramento da floresta Amazônica: Prodes, Deter, Degrad, Detex e Deter-R.

Torres ajudarão no monitoramento da floresta I Para monitorar de forma contínua as condições meteorológicas e as trocas gasosas entre atmosfera e floresta, uma parceria entre instituições de pesquisa do Brasil e da Alemanha construirá, em 2010, uma torre de monitoramento de 300 metros de altura em plena Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do INPE/MCT sendo entrevistado

Monitoramento da Floresta Amazônica

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Gibi, produzido pelo Polo de Telemedicina da Amazônia, ensina práticas de higiene bucal

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Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), é coordenado pelo Inpa e pelo Instituto Max Planck de Química, da Alemanha.Aocustoestimadode8,4milhõesdeeuros,a torre será importante para aprimorar modelos climáticos, diminuindo incertezas. Os custos serão divididosigualmentepelosgovernosdosdoispaíses. O local da construção do novo sítio experimental já foi definido: a Reserva Biológica do Uatumã, na região da hidrelétrica de Balbina. Segundo Manzi, a torre possibilita pela primeira vez a medição contínua de condições meteorológicas, incluindo temperatura, umidade e vento, além de fluxos de gás carbônico, vapor deáguaeenergiaentreaatmosferaeasuperfície.

Florestas são estratégia mais viável para sequestro de carbono As tecnologias de sequestro de carbono serão fundamentaisparaqueomundoconsigareduziroupelo

Dalton Valeriano, gerente do Programa de Monitoramento por Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE

O combate ao desmatamento e à degradação da floresta Amazônica foram os temas apresentados pelo gerente do Programa de Monitoramento por Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Dalton Valeriano, em Manaus . Os programas desenvolvidos pelo Instituto para o monitoramento da região servem de alerta para que órgãos responsáveis pela fiscalização da floresta atuem de forma a coibir a extração ilegal de madeira, bem como, a transformação dessas áreas em pastos para a criação de gado. De acordo comValeriano, as informações levantadas por satélite são repassadas periodicamente para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “O Instituto atua no combate às práticas ilegais na floresta Amazônia de duas formas: por denúncia, que em alguns casos pode ser um trote, ou pelas informações que coletamos por satélites. Sempre que compilamos as informações e vemos que tem alterações significativas mandamos um alerta para o Ibama. Nossas informações servem também para comprovar as denúncias que surgem”, enfatizou. O gerente do Inpa explicou que a cada 15 dias, o Instituto

Utilizando a bioacústica, pesquisadores estão descobrindo novas espécies no bioma amazônico

Floresta Amazônica, a cerca de 150 quilômetros de Manaus. De acordo com Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), o projeto objetiva gerar estimativas mais precisas sobre o papel do ecossistema amazônico no contextodemudançasclimáticasglobais. Manzi apresentou o projetoTorre Alta de Observação da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), em Manaus. Será a segunda maior torre meteorológica no mundo, após umanaSibéria. O projeto, que integra o Programa de Grande Escala da

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O representante do Ministério de Ciências e Tecnologia, Luiz Gylvan Meira Filho, faz palestra sobre Tecnologias para o Sequestro de Carbono, na Universidade Federal do Amazonas REVISTA AMAZÔNIA |29

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Gilberto Câmara Neto, do Inpe, faz palestra sobre os benefícios do Programa Espacial Brasileiro para Amazonia, na SBPC

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menos estabilizar a quantidade de dióxido de carbono (CO2 ) – um dos gases que intensificam o efeito estufa e aceleram o aquecimento global – na atmosfera. De acordo com o professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gylvan Meira, entre as tecnologias disponíveis atualmente, o reflorestamento é a mais viável e de mais fácil aplicação no curto prazo, o que coloca o Brasil em vantagemnocenáriointernacional. O pesquisador comparou a estabilização de carbono na atmosfera a um grande tanque de água em que para manter o nível constante é preciso fechar a torneira cortar as emissões de gases estufa - ou aumentar o ralo queseriamossumidourosdecarbono. "Nãoháumamaneirafácildefazerisso,emquevocêabraa listatelefônicaeencontreempresasquefaçamosequestro", disseontem(15),durante61ªReuniãodaSBPC. Meira apresentou as diversas possibilidades técnicas de sequestro de carbono, a maioria ainda em processo de pesquisa e desenvolvimento. A opção mais viável atualmente, segundo o especialista, é a captura por florestamento ou reflorestamento, aproveitando a capacidade natural que as plantas têm de absorver carbono,pormeiodafotossíntese. "A técnica que se sabe fazer melhor até agora é o plantio de árvore. Há uma experiência boa. E o Brasil tem grande potencial com ações de florestamento e reflorestamento, deflorestascomerciaisedenativastambém." Outra possibilidade que já tem apresentado resultados positivos em testes é o que a ciência chama de "fertilização de oceanos". A ideia é espalhar ferro nos oceanos para estimular o crescimento de algas e plantas microscópicas - o chamado fitoplâncton -, que assim como a vegetação da superfície também realiza fotossínteseeretiracarbononaatmosfera. Crianças visitam a feira da Expot&c na UFAM

No entanto, segundo Gylvan Meira, ainda há dúvidas sobre o destino do carbono dentro dos oceanos. "Faltam alguns experimentos para ver se o carbono realmente afunda, o que essencial". Caso contrário, todo o gás carbônico sequestrado poderia voltar para a atmosfera porcausadamovimentaçãodascorrentesmarítimas. Um dos principais entraves para a implantação de tecnologias de captura de carbono é o custo dos projetos. Meira calcula que para retirar 1 tonelada de CO2 são necessários, em média, R$ 140, quase o dobro do valor pago pela mesma quantidade no mercado de carbono. Ou seja, como o custo é maior que o lucro que pode ser obtido com a venda dos créditos de carbono, o sequestro ainda não é um negócio lucrativo do ponto de vistaeconômico. "Para baixar o preço tem que ter escala grande. Precisa de apoio do governo, alguém precisa pagar isso", defendeu.

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Carlos Minc, fez palestra sobre Meio Ambiente

O MPEG na SBPC O Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) participou com temas da preservação ambiental e da cultura popular paraense. Na já tradicional Expotec - Exposição de Tecnologia e Ciência, vitrine das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência eTecnologia, o Museu apresentou duas novas pesquisas. A que trata do uso da aninga, planta que se presta ao controle da poluição ambiental, e, outra, sobre a produção de terra preta nova a partir de resíduos de madeira. As pesquisas são de autoria, respectivamente, de Cristine Amarante e Dirse Kern da Coordenação de CiênciadaTerraeEcologia(CCTE). Na SBPC Jovem, foi uma exposição sobre o artesanato em miriti, matéria-prima essencial da cultura popular do estado do Pará. Além da mostra, foram ministradas oficinassobreoentalheemmiriti.

boa parte das crianças que estavam no local, que folheavam a ilustrada publicação enquanto o diretor do Instituto, Adalberto Luis Val, discursava sobre a revista. “Esta revista representa uma ferramenta muito importante no processo de popularização da Ciência, e este lançamento não poderia ter acontecido em lugar melhor que na reunião da SBPC, onde a Ciência, a Tecnologia e a Inovação são as grandes protagonistas. E tudoissoacontecendoquandonossoInpacomemora55 anosdevida”,declarouVal.

“Ciência para todos” O lançamento da segunda edição da Revista de Divulgação Científica “Ciência para todos”, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), chamou a atenção do público que prestigiava o último dia de atividades da reunião da SBPC, em Manaus. O evento aconteceu no espaço comunitário da tenda da Exposição de Ciência & Tecnologia – ExpoT&C, pouco depois da apresentação musical de crianças de uma escola pública municipal da capital. Mesmo após o fim da apresentação,noentanto,opúblicopermaneceunolocal, ondeváriosexemplaresdarevistaestavamdisponíveis. A edição, que sai justamente na ocasião de comemoração dos 55 anos de existência do Inpa, atraiu

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Carlos A. Nobre, do INPE, falou sobre aquecimento global e a Amazônia

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Adalberto Val lança na SBPC 2ª edição da revista de divulgação científica do Inpa - Ciência para Todos

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Extração de óleos essenciais A pesquisa é uma das atrações da SBPC Jovem. Colocar em prática tudo que foi aprendido nas aulas de química e despertar o interesse de alunos pela ciência. Esse foi um dos objetivos do projeto "Extração de óleos essenciais de plantas aromáticas e condimentares". A pesquisa foi realizada pela professora Solange Maria Almeida Freitas, da escola estadual Djalma da Cunha Batista, localizada na zona sul de Manaus, e contou com a participação de cinco estudantes do nono ano, com idadesentre14e15anos. O projeto foi desenvolvido dentro do Programa Ciência na Escola (PCE), mantido pela Fundação de Amparo à PesquisadoEstadodoAmazonas(Fapeam),emparceria com as Secretarias Estadual (Seduc) e Municipal (Semed)deEducação. A professora explicou que o projeto iniciou em junho e foi concluído em dezembro de 2008. Durante a execução, eles tiveram acesso aos conhecimentos sobre o potencial econômico da biodiversidade amazônica, sobre os princípios ativos e sobre as substâncias que podem ser extraídas e aproveitadas pela indústria de cosméticos. "Foram analisados o tipo específico de capim limão, pimenta longa e alfavaca. Para nossa surpresa, todos possuíam características que poderiam ser aproveitadas pelaindústriadabeleza",observou. Segundo a professora, a alfavaca, por exemplo, possui um tipo de eugenol que é usado na odontologia devido à ação antisséptica e analgésica. No capim limão, é encontrado o citronalol usado em cosméticos, devido ao cheiro agradável. A pimenta longa tem um princípio ativo chamado safrol, que pode ser usado como bioinseticida natural no controle de pragas, pois dispensa o uso de produtos químicos. O produto também pode ser usado em problemas de pele causadosporfungo,comounheiras.

Ao término, SBPC afirma que Amazônia é prioridade Marco Antônio Raupp, presidente da Sociedade BrasileiraparaoProgressodaCiência(SBPC)afirmou no encerramento da 61ª reunião anual da entidade, que o desenvolvimento da Amazônia tem caráter estratégico para o país, mas que deve ser ambiental e economicamente sustentável e, para isso, a ciência tem papel relevante na busca de soluções. A Amazônia continuará no foco da SBPC, garantiu. A ciência é O presidente da SBPC, Marco Antônio Raup, na 61ª Reunião Anual

A SBPC Jovem é composta de atividades educativas voltadas principalmente para adolescentes e jovens, proporcionando o desenvolvimento do espírito científico e cultural, por meio de atividades estimulantes, dinâmicas e lúdicas nas quais os jovens poderão descobrir novas formas de aprender sobre ciência pela curiosidade e imaginação.

Philip M.Fearnside, do INPE, falando sobre a modernidade e o fim da Amazônia

fundamental no processo de desenvolvimento da região e tem que ser feita por pessoas daqui, defendeu., destacando a importância de parcerias – entre comunidade científica, institutos de pesquisas, sociedade civil organizada, setor privado, governo e cidadãos – para o desenvolvimento da ciência na região amazônica.Aciênciaéfundamentalparaquearegiãose desenvolva de forma sustentável. Mas,“para que ela seja produzida e ajude a orientar a formulação de políticas públicas, é fundamental desenvolver parcerias”, disse Raupp - “Continuaremos a defender as atividades de ciência e tecnologia na região, dado o caráter estratégico da Amazônia para todo o País”, afirmou Raupp. Raupp ressaltou que a incorporação da Amazônia nas estratégias de desenvolvimento nacional é fundamental, em razão da impor tância do seu bioma. -Precisamosconservarosrecursosnaturaisdaregiãopara quepossamserpermanentementeutilizados,disse. “A SBPC seguirá estimulando a cooperação entre universidadeseempresas,comoobjetivodeaumentara competitividade nacional e de demonstrar a

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importância de um sistema de ciência e tecnologia para um país. No aspecto operacional, continuaremos a incentivar o aprimoramento das legislações de ciência e tecnologia, regularizando a situação das fundações de apoio a pesquisa e criando possibilidades de parcerias entrepesquisadores,governoeoterceirosetor”,afirmou. O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luis Val, definiu a reunião como “um dos momentos mais excepcionais dos últimos anos na região em termos de ciência e tecnologia” e destacou que, apesar da necessidade de mais investimentos em pesquisa sobre a região, o que já se sabe sobre a floresta tem que ser colocado em prática e considerado para a tomada de decisões e formulação de políticas públicas. Não há espaço para a imobilidade no que se refere à Amazônia. Nós precisamos de mais Alexandre A. F. Rivas, fala sobre a modernidade e o fim da Amazonia, na 61ª Reunião Anual da SBPC

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Gabriel Godoy, da ONU, falou sobre migrações e refugiados na Amazônia

informações, mas temos resultados que já permitem intervenções seguras em direção a um desenvolvimento comamanutençãodaflorestaempé. Val destacou o anúncio de investimentos para ciência e tecnologianaregião,feitospeloministroSérgioRezende e a criação do programa Bolsa para Todos, que vai financiar mestrado e doutorado para estudantes do Norte e Centro-Oeste, como bons indicadores para a mudança do perfil de pesquisas sobre a floresta. REVISTA AMAZÔNIA |31

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Estudantes participam do evento científico paralelo, SBPC Jovem

Luiz Carlos B. Molion, da UFAL, falou sobre aquecimento global e a Amazônia

Segundo ele, apenas uma pequena parte dos autores de estudos sobre a Amazônia vive na região. Precisamos produzir informação e não depender de produção científica de outros sobre a nossa região, acrescentou. ParaopresidentedoINPA,areuniãodaSBPCemManaus foi fundamental para subsidiar e implementar políticas públicasemciência,tecnologiaeinovaçãonaregião. - Todos os eventos programados tiveram frequência superior de 50%”, disse ele, que destacou também a presença de pesquisadores dos países amazônicos, o que, na sua avaliação, demonstra a importância estratégicadainiciativadaSBPC. Odenildo Sena, diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM, fez um apelo à SBPC para que os laços estabelecidos entre as entidades de ciência e tecnologia da Amazônia, não se afrouxem com o término do evento. - Durante a Reunião, pude constatar que a Amazônia não será mais a mesmo depois da Reunião da SBPC; o palco do evento poderá ir embora, mas permanecerá Odenildo Texeira Sena , assinatura da Fapeam com a Finep e Suframa

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MARCO ANTÔNIO RAUP, PRESIDENTE DA SBPC, FAZ BALANÇO DA 61ª REUNIÃO ANUAL DO ÓRGÃO A garantia de investimentos para a Ciência e Tecnologia na região amazônica e a criação do Programa Bolsa para Todos, que vai financiar mestrado e doutorado para estudantes do Norte e CentroOeste, são ótimos indicadores para a mudança do perfil de Pesquisas sobre a Floresta

simbolicamente montado no Amazonas, para todos nós,ressaltou. Em 2010, a reunião anual da SBPC será realizada em Natal,nocampusdaUniversidadeFederaldoRioGrande do Norte (UFRN). Segundo Raupp, as pesquisas sobre os oceanos deverão ganhar mais espaço no debate,

impulsionadas inclusive pela descoberta e início da exploração do petróleo da camada do Pré-Sal. É possível queessesejaotemadapróximareunião.Aindahámuito desconhecimento científico dos impactos. Intervenções no mar geram tantos ou mais impactos que interferênciasembiomascomoaAmazônia,disse.

BALANÇO DA SBPC EM MANAUS Oficinas na programação científica: 6.208 SBPC Jovem: 3.000 Conferências: 61 Mesas redondas: 53 Simpósios: 15 Minicursos: 47, com 1.800 inscritos Grupos de trabalho: 11 Pôsteres: 2.000 Público visitante na Expotec: 6.000 Assembléias / Sessões especiais/ Encontros: 23 Previsão de pessoas nos eventos por dia sala nas salas: 1.800 Previsão de pessoas circulando todo dia: 6.000

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Petrobras é a quarta empresa mais respeitada do mundo A Petrobras passou do vigésimo para o quarto lugar entre as empresas mais respeitadas do mundo, segundo pesquisa divulgada pelo Reputation Institute (RI), empresa privada de assessoria e pesquisa, com sede em Nova York

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Empresa que tem uma reputação forte cria uma relação de confiança com seus públicos de interesse, gerando empatia

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avaliação é do Reputation Institute criadora do modelo de avaliação (Modelo RepTrak) que mede o nível de estima, confiança, respeito e admiração, por meio de pesquisas realizadas com consumidores do país de origem das empresas. Foram realizadas 75 mil avaliações, de janeiro a março de 2009, em 32 países. A Petrobras obteve 82,37 pontos, ficando 18,17 pontos acima da média mundial (64,20 pontos). Desde 2006, a Companhia apresentou um crescimento de 8,4 pontos. Napesquisadesteano,aavaliaçãodopúblicodestacouo desempenho da Petrobras nas categorias ambiente de trabalho, governança, cidadania e desempenho financeiro. Os resultados foram os melhores de uma empresa brasileiradesde2007. A Companhia integra o seleto grupo de 17 empresas mundiais com reputação excelente, classificação mais alta da pesquisa. Com a quarta posição, a Petrobras superou empresas como Fedex, Google, Microsoft, 3M, Honda, Philips, General Electric e Walt Disney Co. A Petrobras conquistou também a melhor posição entre as empresasdeenergia. O mesmo ranking internacional revela que, entre as brasileiras, a Petrobras aparece em primeiro lugar, à

frente da Sadia (5º), Votorantim (20º) e Vale (28º). O resultado da pesquisa indica a presença de um maior número de empresas dos países emergentes – dentre os quais o Brasil, a Rússia, a China e a Índia são os representantes mais emblemáticos – no grupo acima da média mundial de reputação. Segundo o RI, isso demonstra que as empresas desses países têm sofrido menos impacto negativo junto ao público como efeito dacriseeconômicamundial. À frente da Petrobras, no ranking internacional, estão duas empresas européias e uma norte-americana: Ferrero (Itália), Ikea (Suécia) e Johnson & Johnson (EUA). O Reputation Institute avalia sete dimensões que integram o modelo da instituição, com base em pesquisas qualitativas e quantitativas, e explicam a reputação de uma empresa no âmbito internacional: liderança, cidadania, performance, produtos/serviços, inovação, ambiente de trabalho e governança. De acordo com o gerente de Imagem Corporativa e Marcas, Eduardo Felberg, “a empresa que tem uma reputação forte cria uma relação de confiança com seus públicos de interesse, gerando empatia. É um diferencial positivo, que traz benefícios concretos ao resultado da Companhiaalongoprazo”.

Trabalho reconhecido Para o gerente coordenador de Relações com Investidores, Alexandre Fernandes, este resultado corrobora todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos. “Ele ratifica aquilo que já sentimos junto aos investidores: a crescente credibilidade e confiança de todosospúblicosdeinteressenaPetrobras”. Alexandre explica que atingir metas e realizar o que se promete é fundamental no relacionamento com o mercado. “Esta pesquisa mostra que estamos avançando na direção certa: ser uma das cinco maiores empresas de energia do mundo e a preferida pelos nossos públicos de interesse. A Petrobras está evoluindo. AVisão 2020 será uma realidade e não ficará apenas no papel”,conclui.

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eputado Silas Câmara

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A Amazônia e a CAINDR

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oucos brasileiros sabem que existe uma data específica para a Amazônia, o dia 5 de setembro. Tampouco é do conhecimento geral que na Câmara dos Deputados há uma comissão dedicada à nossa região. Nesse fórum, os representantes legislativos discutem diuturnamente os problemas da Amazônia e aprovam projetos de lei que possam levar a região ao desenvolvimento, respeitando os valores sociais e culturais amazônicos e preservando esse imenso patrimônio ambiental, que não é só nosso, masdetodaahumanidade. Criada em 1997 como a “Comissão da Amazônia”, ela teve suas atribuições ampliadas em 2004, passando a se chamar“Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR)”. Assim, além de assuntos relativos especificamente à região a m a zô n i c a , a C A I N D R t a m b é m t rat a d e desenvolvimento e integração de regiões, planos regionais de desenvolvimento econômico e social, incentivosregionais,planosdeordenamentoterritoriale organização político-administrativa, assuntos de interessefederalnosmunicípios,estados,territórioseno Distrito Federal, sistema nacional de defesa civil, política de combate às calamidades e migrações internas. O foco maior, todavia, está na região amazônica, razão pela qualoDiadaAmazôniaétãocaroatodosnós. Ao longo dos doze anos de atuação da comissão, seus deputados, compondo-a ou integrando comissões especiais, já deram inúmeras contribuições para o desenvolvimento da região, com destaque, entre outras, para a discussão da Lei nº 11.284, de 2006, que dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável, e da Medida Provisória nº 458, de 2009, recentemente transformada na Lei nº 11.952, de 2009, que dispõe sobre a regulamentação fundiária das ocupações incidentes em terras situadas em áreas da

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União,noâmbitodaAmazôniaLegal. Atualmente,aCAINDRteminstaladastrêssubcomissões permanentes – a da Amazônia, a de acompanhamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na Amazônia e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste e a destinada a tratar das questões relacionadas ao Nordeste e áreas de abrangência da SUDENE – e três subcomissões especiais – a de Infraestrutura e Integração Nacional, a de Orçamento e Implementação e a de Regularização Fundiária e de Zoneamento EconômicoeEcológico. Além das dezenas de proposições que se transformaram em normas legais, a CAINDR tem cumprido simultaneamente, na sua área de atuação, a missão constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo. Ela também vem promovendo inúmeras reuniões de audiência pública, seminários e simpósios acerca de temas de interesse da região amazônica, buscando sempre ouvir a opinião da sociedade civil, populações indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas, além do setor produtivo, em seus anseios por um modelo de desenvolvimentomaisadequadoparaaregião. E esse modelo de desenvolvimento não pode mais tardar a ser implantado. Em verdade, todos nós, amazônidas, se, por um lado, temos orgulho de nossa terra, pela sua notável riqueza e potencialidade natural e humana, por outro lado, vemos com preocupação as notícias que vêm deixando nosso País na berlinda, aos olhos da comunidade internacional, em virtude do desmatamento ainda pouco controlado e das precárias condiçõesdevidadenossagente. Apenas como exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 2000, em suas três dimensões – educação, renda e longevidade – demonstra a defasagem dos estados da Amazônia em relação aos demais estados brasileiros e à própria média nacional: Deputado Silas Câmara, Presidente da CAINDR

enquanto o IDH do Brasil situa-se em 0,766, o da região Norte é de 0,725, sendo que nenhum estado amazônico alcança a média nacional. Destaques parciais, próximos ou pouco acima da média nacional, ocorrem apenas para Amapá e Roraima, no IDH de escolaridade, e Pará, no IDH de longevidade, sendo que, no IDH de renda, todos os estados amazônicos estão muito abaixo do índice nacional(0,723,contra0,652damédiadaregiãoNorte). Sendo assim, é mais que urgente transformar todo o nosso potencial em medidas concretas que possam reverter a situação de miséria da maioria da população, aliado, logicamente, à preservação de nosso valioso ambiente. Deter o processo de desmatamento e desenvolver a região é um desafio imenso, somente alcançável mediante um novo modelo de desenvolvimento da Amazônia, que tenha como primado o respeito e a valorização da potencialidade de seuimensopatrimônionaturalesociocultural. Com esse objetivo, a CAINDR - juntamente com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e com o apoio técnico da Confederação Nacional do Comércio (CNC/SESC/SENAC) e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) - irá promover um importante evento, no próximo dia 7 de outubro, na Câmara dos Deputados, em Brasília: o III Simpósio “Amazônia: Desenvolvimento Sustentável e Mudanças Climáticas”. Ele será precedido de etapas estaduais, e nele se discutirão as diversas potencialidades da região, retratando-se experiências de desenvolvimento sustentável. Desta vez, os temas abordados serão o pagamento sobre serviços ambientais, o potencial dos mercados de carbono, os produtos florestais e aquáticos, o uso sustentável da terra e os recursos mineraiseenergéticos. Trata-se, portanto, do terceiro simpósio consecutivo promovido pela CAINDR e por entidades parceiras. O I Simpósio “Amazônia e Desenvolvimento Nacional”, também precedido de etapas estaduais, foi realizado em novembro de 2007 e resgatou o Plano Amazônia Sustentável, trazendo para o Parlamento o debate em torno da Amazônia. Já o II Simpósio “Amazônia: o Desafio do Modelo de Desenvolvimento”, realizado em novembro de 2008, abordou os temas de desenvolvimento, transportes, ciência e tecnologia, saúde,gestãoambientaleproduçãoefinanciamento. Destaforma,aCAINDR,poriniciativadeseusmembrose deste presidente, vem, mais uma vez, envolver o Poder Público, o setor produtivo e a sociedade civil na discussão e exigência de ações práticas quanto aos melhorescaminhosparaodesenvolvimentosustentável da região que é o maior patrimônio ambiental e humanodacivilizaçãoatual,anossaqueridaAmazônia.

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Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a MP da Amazônia com um veto

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Lula aprova MP 458 - a da Amazônia, com um veto

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Fotos Marcello Casal Jr, Valter Campanato e Wilson Dias/ABr

presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a MP da Amazônia – Medida Provisória 458/09, que trata da regularização de terras públicas na Amazônia. O setor ambientalista se referia a ela como MP da Grilagem, e a criticadamuito. Lula vetou, entretanto, um dos artigos mais polêmicos – o que permitia a transferência de terras da União na Amazônia para empresas e pessoas que exploram indiretamente a área ou que tenham imóvel rural em outraregiãodopaís. De acordo com a nova lei, terá direito a receber a terra quem comprovar que estava na área antes de 1º de dezembro de 2004. As áreas com até 100 hectares serão doadas; as de médio porte, com até 400 hectares, serão vendidas por valor simbólico; e as de no máximo 1,5 mil hectares serão vendidas de acordo com o preço de mercado. Com a sanção da medida, 67,4 milhões de hectares de propriedades da União na Amazônia Legal (o

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que corresponde aos territórios da Alemanha e Itália juntos) serão transferidos sem licitação a particulares que ocuparamasterrasantesde1ºdedezembrode2004. Segundo a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT-AC), o veto presidencial foi importante, mas não resolve o problema. A senadora disse, em nota, que encaminhará requerimento à Comissão de Direitos Humanos do Senado, pedindo a criação de uma subcomissão para acompanhar o processo de regularização fundiária. “Essa subcomissão será um espaço de apoio, especialmente àqueles que estão na região há décadas e que não terão estrutura para disputar com os que chegarão a essas áreas como proprietáriosdasterras”. De acordo com ela a matéria deveria ter sido encaminhada como projeto de lei, e não como Medida Provisória.“A sociedade brasileira está preocupada, pois da maneira que foi sancionada a MP está destinando R$ 70 bilhões do patrimônio público a um grupo que

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Para Marina Silva, o veto presidencial foi importante, mas não resolve o problema

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Para Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil, o momento é delicado, pois o meio ambiente precisa resgatar sua relevância no contexto nacional

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resolveu aumentar o seu patrimônio em prejuízo daquilo que pertence a todos os brasileiros”, alertou. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e líder da bancada ruralista no Senado, disse que esperava a sanção integral da MP. Segundo ela, o veto ao artigo 7º émanutençãodopreconceitocontraosetorrural."Nãoé o que esperávamos, mas mesmo assim a MP é boa para oBrasileboaparaaAmazônia",afirmou.

Vitórias e derrotas do setor ambientalista Para a ONG WWF-Brasil é importante que a situação fundiária seja clara e transparente, sendo fundamental garantir a segurança jurídica a agricultores familiares da região, pois infelizmente os mecanismos introduzidos na MP pelo Congresso Nacional abrem inúmeras possibilidades de fraudes contra o patrimônio nacional e beneficiagrileiros. Segundo o superintendente de Conservação do WWFBrasil, Cláudio Maretti, a MP 458/09 não estabelece ações preventivas contra futuras invasões e desmatamento. Ele afirmou que a MP também não avançou num pacto social de compromisso com a conservação, para garantir o cumprimento da legislação ambiental e recuperação de áreas degradadas.“Em um momentoemqueodebatesobremudançasclimáticase o combate ao desmatamento, principal meio de emissão de gases de efeito estufa do país, é uma preocupação mundial e estamos vendo várias enchentes e secas extremas no país, precisamos de medidas de incentivo a uma economia ecologicamente responsável, mais proteção à floresta amazônica e benefícios às comunidades locais como a criação de unidades de conservação de uso sustentável e concessão real de uso para aqueles que moram nas

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O Veto

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O veto foi a transferência de terras da União na Amazônia para empresas e pessoas que exploram indiretamente a área ou que tenham imóvel rural em outra região do país. A transferência estava prevista no Artigo 7º do projeto que converteu em lei a Medida Provisória 458, que trata da regularização de áreas públicas na Região Amazônica. A sanção presidencial foi publicada no Diário Oficial da União de 26/06/09. O veto foi recomendado pelos ministérios da Justiça, Fazenda, do Planejamento, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, sob o argumento de que não atende ao objetivo da MP, que é de legalizar a situação de pequenos e médios agricultores que dependem financeiramente da exploração da área. O artigo vetado não fazia parte do texto original da MP, editada pelo Executivo. Foi incluído pelos parlamentares durante a tramitação da medida no Congresso Nacional. “Não obstante a motivação que embasou esta ampliação, não é possível prever seus impactos para o desenvolvimento do processo de regularização fundiária, uma vez que não há dados que permitam aferir a quantidade e os limites das áreas ocupadas que se enquadram nessa situação”, diz a mensagem de sanção com as razões do veto. O presidente vetou ainda parte do Artigo 8º, que perdeu o sentido em função do veto ao Artigo 7º. De acordo com a nova lei, terá direito a receber a terra quem comprovar que estava na área antes de 1º de dezembro de 2004. As áreas com até 100 hectares serão doadas; as de médio porte, com até 400 hectares, serão vendidas por valor simbólico; e as de no máximo 1,5 mil hectares serão vendidas de acordo com o preço de mercado. reservas extrativistas”, falou Maretti. Apesar disso o superintendente da WWF disse que o movimento ambientalista obteve algumas vitórias com a proibição de regularização de empresas privadas e aterceirizados. Para a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o momento é delicado, pois o meio ambiente precisa resgatar sua relevância no contexto nacional. “Precisamos sensibilizar os legisladores e o governo a colocarem o país numa posição de liderança e vanguarda no desenvolvimento sustentável. O debate em torno do Código Florestal continua. Por isso, a mobilização da sociedade civil brasileira para a proteção do meio ambiente e da Amazônia é fundamental”, avalia. Hamú declarou que o momento é delicado, pois o meio ambiente precisa resgatar sua relevância no contexto nacional. “Precisamos sensibilizar os legisladores e o governo a colocarem o país numa posição de liderança e vanguarda no desenvolvimento sustentável. O debate em torno do Código Florestal continua. Por isso, a mobilização da sociedade civil brasileira para a proteção do meio ambiente e da Amazôniaéfundamental”,falou.

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Para a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA e líder da bancada ruralista no Senado, não é o que esperávamos, mas mesmo assim a MP é boa para o Brasil e boa para a Amazônia REVISTA AMAZÔNIA |37

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A primeira casa flutuante ecológica

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Casa flutuante ecológica servirá como laboratório na Amazônia

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Fotos Josivaldo Modesto

flutuante Amanã foi construído para atender às demandas de pesquisa da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – IDSM, ele foi projetado e construído por Josivaldo Modesto, coordenador de Infraestrutura e Logística, a parte operacional do Instituto, juntamente com 4 carpinteiros navais de Tefé-Am. É a mais recente das 16 bases flutuantes de pesquisa que o Instituto mantém nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, cogeridas pela organização em parceriacomogovernodoAmazonas. Construção sustentável e ecológica

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usodetelhasPETemsubstituiçãodastelhasdealumínio ou de zinco bastante utilizadas na Região pelas populações locais e também pelo próprio IDSM nas bases anteriormente instaladas. Uma solução muito interessante e disponível no mercado em Manaus. Essas são produzidas simulando uma seqüência de três telhas romanas tradicionais, com a vantagem de serem exatamente iguais em suas propriedades e dimensões. O m2 (6 telhas/m2), pesa apenas 5,8Kg, cerca de um sexto das telhas de barro e podem durar até 300 anos.

A construção com capacidade para hospedar até 20 pessoas, tem 12 metros de largura por 18 metros de comprimento, apresenta características ambientalmente corretas: somente foi usada madeira legalizada com apresentação do DOF (Documento de Origem Florestal) emitidopeloIBAMAejuntoaoIPAAM.Aespécieusadafoi Manilkara huberi (maçaranduba) devido a sua resistência,durabilidadeeacabamentofinal. Para a cobertura do laboratório flutuante foi decidido o 38| REVISTA AMAZÔNIA

Detalhe dos painéis solares instalados no Flutuante. As telhas são de PET reciclado

Este fator, aliado à forma de fixação das telhas na estrutura do telhamento é extremamente favorável à aplicaçãoemflutuantes.

Energia A eletricidade é gerada a partir da luz solar, com energia suficiente para iluminar as instalações, manter o rádio para comunicação, o funcionamento de computadores e o refrigerador para a conservação de alimentos. O sistema tem autonomia para funcionar por dois dias e meio sem sol. O Sistema Fotovoltaico Autônomo (SFA) do flutuante foi projetado pela Coordenadoria de Operações do IDSM em conjunto com o GEDAE (Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Energias Alternativas) da UFPA, com quem o IDSM têm um convêniodecooperaçãotécnica.Atensãodo banco de baterias e dos geradores fotovoltaicos é de 24 VCC. Porém, foi utilizado um inversor de onda senoidal pura de 1500W de potência para alimentar os circuitos da base com tensão 110 VCA. São

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Instalação do Gerador Fotovoltaico

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Detalhe de um dos quartos do Flutuante

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16 módulos de 127Wp, 18 baterias seladas de 150Ah, doiscontroladoresde40Ae1inversorde1500W.

Água Pensando numa forma de aproveitamento da água de chuva, foi montado um sistema que capta as águas pluviais de todas as áreas de contribuição do telhamento. Isso faz com que o sistema abasteça o tanque principal com capacidade para 3.200 litros em menos de 40 minutos de chuva forte. A água acumulada neste tanque é bombeada para um reservatório localizado em um nível superior em relação a este tanque, para que depois seja aproveitada a força da Gravidade para os dois processos de filtragem, sendo um com capacidade de reter partículas maiores em suspensão na água (filtro de piscina com areia) e o outro com capacidade de retenção de partículas menores (micropartículas - filtro de piscina com celulose). Após as filtragens a água segue para outros dois reservatórios internos, com capacidade de 1000 litros cada um e de lá seguem para para o uso.

Da mesma forma funciona o sistema de captação da água do rio, com um estágio a menos. Pois não há a necessidade de estocagem. A água é retirada direto do rio e leva para um nível superior e de lá, segue para o uso da base, depois de passar pelas filtragens. O bombeamento que é feito com bombas de 24VCC que funcionam com energia solar. A idéia é fazer sempre teste de qualidade da água para verificar a eficiência dos sistemasneste. Outra iniciativa é o tratamento do esgoto, antes de ser devolvido à natureza. Esse sistema ainda será instalado.

Detalhe da laterla com Coleta Seletiva de Lixo

Pintura e acabamento Todaamadeiratevetratamentocontracupinsetambém contra a ação da umidade e do contato com a água nos casos de chuvas fortes, com um cupinicida inclolor, que também tem ação hidrorepelente. Depois aplicada uma camadadevenizisolantecompropriedadeespecialfeito a partir de PET reciclado para impedir a migração dos extrativos da madeira resinosa, como é o caso da maçaranduba, o que deixaria a madeira com manchas escuras. Por último, aplicamos um Stain semitransparente OSMOCOLOR a fim de valorizar a cor naturaldamadeiraeprotegelacontraaaçãodefungos.

Custo/prazo O flutuante Amanã custou perto de R$ 170.000,00 e levou4mesesparaserconstruído. SEDE Av. Brasil, 197 Bairro: Juruá CEP: 69470-000 Tefé - Amazonas Tel: (97) 3343-4672

Detalhe de parte do Sistema de Filtragem da Água de Chuva e da Água do Rio

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A primeira casa de força de usina no Madeira U Fotos Marcello Casal JR/ABr

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ma fábrica de cimento da empresa Votorantim foi instalada na área das obras para a concretagem da primeira casa de força da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira e atenderá também a Usina de Jirau e da própriacidadedePortoVelho,queestáseadaptandoaos impactosdosdoisempreendimentos. A capital e o estado de Rondônia receberão algo em torno de R$ 50 milhões, por ano, pelos royalties da energiageradapelaságuasdoMadeira. Os números das obras de Santo Antônio impressionam: cerca de 12 mil trabalhadores, 800 mil toneladas de cimento, 138 mil toneladas de barras de aço e um investimentodeR$13bilhões. A usina vai gerar 3.500 megawatts/hora (MW/h) de potência instalada - e cerca de 2.200 MW/h de energia assegurada. É o suficiente para abastecer 11 milhões de residênciasoucercade30milhõesdepessoas. A tecnologia utilizada, de acordo com o diretor do Consórcio Santo Antônio Civil (Csac), Mauro Lúcio Pinheiro, não é nova. Consiste em um sistema de turbinas horizontais que utiliza a força de vazão do rio para gerar a energia, ao contrário do modelo mais comum no Brasil, que utiliza, em geral, a força da queda degrandesbarragens. "Esse modelo é muito utilizado na Europa e já é usado em algumas usinas no Brasil. O que nós conseguimos foi aumentar a capacidade de geração de cada turbina, de cercade65MW/hpara72Mw/h",explica. Serão 44 turbinas do tipo bulbo, como é chamado esse modelo de equipamento, que também é conhecido por ser mais ecológico. "A turbina deixa passar todo o sedimento fino do rio. Além disso, com ela, nós não precisamos represar grandes quantidades de água, fazer

barragensquealagamáreasimensas." A barragem da Usina de Santo Antônio terá cerca de 14 metros de altura. Itaipu, para efeito de comparação, tem cerca de 140 m. A força das águas do Madeira já chegou a 48 mil metros cúbicos por segundo (m³/s), na maior cheia registrada no rio. O São Francisco, por exemplo, teve,nomáximo,4milm³/s,emsuamaiorcheia. Paraatenderàsexigênciasecológicas,oprojetotambém reutiliza todo o material que é revolvido pelas obras. Ou seja, todas as rochas e a terra, retiradas nas escavações, são utilizadas nos aterros e na fabricação do cimento, evitando a sobra de dejetos que ficariam às margens comofimdasobras. O presidente da concessionária responsável pela construção e geração de energia da usina Santo Antônio, Roberto Simões e o governador de Rondônia, Ivo Cassol, durante o inicio da concretagem da primeira casa de força da Usina

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"Esse ano, nós ainda vamos instalar uma fábrica de reciclagem aqui no canteiro de obras, de modo que todo o lixo produzido aqui, óleo, estopas não sairá daqui", contaPinheiro. Outra preocupação com o meio ambiente ainda não foi resolvida: o que fazer com os detritos sólidos maiores que descem naturalmente pelo rio. Estima-se que cerca de 1.600 troncos desçam diariamente pelo leito. "O rio não é chamado de Madeira à toa", diz o presidente da concessionária que irá gerir a usina quando estiver pronta,RobertoSimões. A primeira casa de força das obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, entra na fase de concretagem

Canteiro de Obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio

Segundo ele, esse é um problema para os construtores da Usina Hidrelétrica de Jirau, que está, geograficamente, posicionada acima da Usina de Santo Antônio. "Eles estão fazendo um estudo sobre como reter esses troncos. O contrato prevê que eles não podem ser devolvidos ao rio, nem utilizados com fins lucrativos. Nós estamos auxiliando nesse estudo porque nos interessa, mas ainda não se sabe se a retenção vai causar impactosaoecossistemadorio",explicaSimões. Os gestores da obra explicam, ainda, que outras questões ambientais estão sendo analisadas. Eles estão

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“Essa é a primeira concretagem da casa de força da usina, que é o lugar onde fica a turbina. Com isso, nós começamos o trabalho para antecipar o início da geração de energia para dezembro de 2011, em vez de maio de 2012, como está previsto atualmente”, explicou o presidente da concessionária Santo Antônio Energia, Roberto Simões, que irá gerir a usina pelos próximos 30 anos. A usina Santo Antônio terá 44 turbinas bulbo, que irão garantir a geração de 2.800 MW assegurados. A capacidade da hidrelétrica é de R$ 3.500 MW, o suficiente para atender a 11 milhões de casas

Telma Maria Rodrigues, 31 anos, trabalha com uma retroescavadeira hidráulica nas obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio

Em obras a primeira casa de força das obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia Treinamento em simulador de retroescavadeira, do programa Acreditar, da construtora Norberto Odebrecht , destinado aos trabalhadores nas obras da usina Santo Antonio

monitorando, por exemplo, o comportamento de cinco espécies de bagres do Madeira, que são muito importanteseconomicamentenaregião. Segundo o engenheiro Carlos Hugo Araújo, esses peixes têm o hábito de descer o rio quando jovens e, depois, sobem de novo. "Nós estamos observando esse comportamento para construir passagens que garantam que o peixe consiga se movimentar no rio", explica. Araújo minimizou o episódio no qual morreram milhares de peixes, quando estavam sendo transportados das ensecadeiras para o rio. "Na época, falou-se em 11 mil toneladas. Mas a maior parte foi congelada a pedido do Ibama. Perderam-se 5 mil toneladas de peixes. Mas nós transportamos mais de 100 mil toneladas. Então, acho que 5% é uma perda tolerável, tendo em vista a complexidade desse procedimento",justificou. REVISTA AMAZÔNIA |41

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Ipê-amarelo (Tabebuia serratifolia)

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Dia da árvore:

Árvores símbolo do Brasil

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o Brasil o Dia da Árvore é comemorado em 21 de setembro porque é véspera do início da primavera. No resto mundo em datas diferentes. Há quem diga que aqui no País o dia 21 de setembro foi escolhido pelos índios que cultuavam as árvores no começo da Primavera, época em que eles preparavam o solo paracultivo. Para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), a história é outra: No século passado, instituiu-se a "Festa das Árvores", pela dedicação de um francês chamado Fourrier. A idéia foi imitada por outras nações européias. Nesse mesmo período, era comemorado, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, o Dia da Árvore — The Arbor Day —, em Araucaria (Angustifolia)

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10 de abril de 1872. Esse dia foi instituído por J. Sterling Morton. No Brasil, segundo o IBGE, os responsáveis pela primeira comemoração da "Festa das Árvores" foram João Pedro Cardoso e Alberto Leofgren. O evento aconteceu na cidade de Araras, em São Paulo, no dia 7 de junho de 1902, com o respaldo das Leis municipais números 18 e 19 de 1º e 2 de fevereiro do mesmo ano. O objetivo era incentivar a plantação e a conservação do meio ambiente. No ano seguinte ao evento, no dia 3 de maio, uma festa igual foi realizada em Itabira, São Paulo. Somente em 24 de fevereiro de 1965, um decreto presidencial de nº 55.795, instituiu a Festa Anual das Árvores em todo o territórionacional. Em função das diferenças fisiográfico-climáticas brasileiras, o evento passou a ser festejado tanto na última semana do mês de março, quanto na semana iniciada em21desetembro. O artigo segundo do decreto, diz que a finalidade da festa é "difundir ensinamentos sobre a conservação das florestas e estimular a prática de tais ensinamentos, bem como divulgar a importância das árvores no progresso da pátria".

Bertholletia excelsa

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Cada região brasileira tem uma árvore típica como seu símbolo. Na região Norte, é a castanheira; já o símbolo da região Nordeste é a carnaúba; o ipêamarelo é típico da região Centro-Oeste; a Sudeste, tem o pau-brasil como símbolo; e na região Sul, a araucária.

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FIAM 2009

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Descubra as oportunidades de negócios da Amazônia

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aior vitrine dos produtos, serviços e oportunidades de negócios da Amazônia brasileira, a Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2009) terá sua quinta edição realizada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, noperíodode25a28denovembro. Promovido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o evento consta no calendário oficial de eventos do governo brasileiro, e tem por objetivo estimular o desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico associado apropostasdesustentabilidadedaAmazônia. Além da exposição de produtos e serviços inovadores nas áreas da indústria eletroeletrônica, bens de informática, duas rodas e de serviços ambientais, por exemplo, a FIAM 2009 inclui em sua programação a jornada de seminários internacionais, que objetiva debater questões regionais estratégicas, e ainda: rodadas de negócios e de turismo, salão de projetos, mostra científica, visitas técnicas, entre outrasatividadesvoltadasaosinvestidoresepúblicoemgeral. Empresas com visão de futuro se diferenciam no mercado quando produzem de forma sustentável. A partir de atividades

ambientalmente corretas e socialmente justas, contribuem efetivamente para o crescimento socioeconômico regional em bases sólidas e duradouras. Nesse sentido se faz necessário encontrar o parceirodenegócioadequadoparaessedesafio. Na FIAM 2009, o empreendedor tem a oportunidade de conhecer fornecedores e parceiros para a exploração de um amplo leque de negócios, seja na área de serviços, seja na área de produtos fabricados com insumos amazônicos, que vão desde as essências e óleos oferecidos pela floresta até as possibilidades de investimentos proporcionadas pelo Polo Industrial de Manaus, um dos maiores e maisimportantesdenossocontinente. Na Capital do Amazonas, o governo brasileiro mantém o modelo de desenvolvimento Zona Franca de Manaus, que incentiva a industrialização de produtos de alta tecnologia e aqueles vinculados à bioindústria. Interligadas a esse parque fabril estão instituições aptas a desenvolverasmaisvariadassoluçõestecnológicas. Venha para a FIAM 2009 e conheça de perto esta Amazônia de oportunidades, uma Amazônia que se desenvolve com responsabilidadeambientalesocial.

V FEIRA INTERNACIONAL DA AMAZÔNIA - FIAM 2009 25 a 28 de Novembro de 2009 - Manaus - Amazonas - Brasil Studio 5 Centro de Convenções

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Camu-camu Fruto amazônico com mais vitamina C que o limão!

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em acerola, nem limão. O fruto com maior concentração de vitamina C ainda é um ilustre desconhecido. O título fica com o camu-camu, também chamado de caçari, araçá d'água e azedinho, um fruto típico da região amazônica. Sua concentração de ácido ascórbico (vitamina C) é 20vezesmaiorqueadaacerolae60vezes a do limão. Cada 100 gramas de sua polpa tem entre 2,3 e 3 gramas de vitamina C. E a casca apresenta concentração ainda maior: até 5 gramas. É a maior fonte natural de ácido ascórbico que se conhece. Mais do que issosóemformatodecomprimido,nasfarmácias. Por conter um alto teor de ácido ascórbico e ácido cítrico, o camu-camu é um poderoso anti-oxidante. E pode funcionar como coadjuvante na eliminação de radicais livres, retardando o envelhecimento, além de fortalecer ossistemasimunológicoenervosoeestimularosistema cardíaco. Com estas propriedades, o camu-camu impõe-se no topo da lista das matérias-primas das indústrias de medicamentos, cosméticos, alimentos e bebidas. Mesmo após o cozimento, ele não perde a vitaminaC,comoocorrecomoutrosfrutos. Não é à toa, portanto, que as propriedades e benefícios do camu-camu têm despertado o interesse de outros

Fotos Jefferson Rudy/MMA

Camu-camu, fruto mais conhecido regionalmente como caçarí ou araçá d'água

países na importação da polpa e do fruto. Por outro lado, infelizmente, o camu-camu ainda não é popular na mesa do brasileiro, mesmo de quem mora na Amazônia. O fruto praticamente só é encontrado em seu estado natural, à beira dos igarapés e rios ou em regiões F.J.F. Luz

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permanentemente alagadas. Plantações comerciais ainda não são comuns. Mas a Embrapa Roraima vem realizando pesquisas que podem, num futuro bem próximo,transformarocamu-camunofrutodavez. Estamos trabalhando para conhecer mais e promover a propagação da planta. Nas pesquisas preliminares, verificamos que os teores médios de vitamina C em análises de amostras de frutos maduros e de vez (imaturos) correspondem a 2,59 e 2,52g/ 100g, respectivamente. Estes teores muito próximos indicam que,mesmoemfrutosimaturos,oteordeácidoascórbico é bastante superior a maioria das plantas cultivadas e que não é diferente em relação aos frutos maduros, nas amostras analisadas. Isso revela que a colheita da fruta, em Roraima, pode ser feita ainda no estado imaturo, permitindomaiorperíodoparaconsumo. A árvore do camu-camu, pertencente à família Myrtaceae, chega a alcançar até 8 metros de altura e

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Habitat natural de plantas de camu-camu vista na época das chuvas em Boa Vista, Roraima 44| REVISTA AMAZÔNIA

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Detalhe de frutos maduros e de vez

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Smiderle, O.J. ao lado de uma planta típica de caçari na margem de igarapé

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pode ser encontrada do Estado do Pará até a Amazônia Peruana.Éformadaporváriashastessecundárias,quese apresentam em forma de vasos abertos. O talo e os ramossãolisos,semespinhos,decormarromclaro.Suas raízes são profundas e com pêlos absorventes, sendo as folhas desde ovalado-elípticas até lanceoladas. A propagação do camu-camu se dá pelas sementes, que

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em escala desse fruto fora das áreas próximas de rios, especificamente em regiões de terra firme, com o cultivo sendo instalado em pomares produtivos e facilitando a comercialização dos frutos. São necessários ainda mais estudos para adaptação do cultivo em terra firme. Mas, quando isso acontecer, vamos ter uma boa notícia para a saúdeeaeconomiadobrasileiro. (*) Pesquisador da Embrapa Desenvolvimento de mudas a partir das sementes em canteiro de areia

Sementes de caçari após a retirada dos frutos e lavadas, antes da seleção e posterior plantio e armazenamento em ambiente controlado

não toleram perda de umidade, o que pode eliminar a germinação. Normalmente recomenda-se que, logo após a colheita, que as sementes despolpadas sejam lavadas e semeadas imediatamente, para que não percamaviabilidade. Agora, estamos concluindo uma pesquisa relacionada ao tempo de armazenamento das sementes do camucamu, obtidas em condições climáticas do Estado de Roraima. Os frutos foram coletados manualmente de plantas, da margem de rio, no município de BoaVista. O estudo foi realizado no laboratório de sementes da Embrapa-RR e em casa de vegetação. Coletou-se frutos independentes, em seguida retirou-se as sementes que foram lavadas e, então, armazenadas a 20ºC por 90 dias. Posteriormente, no momento do primeiro plantio fez-se uma seleção de acordo com o tamanho dessas sementes, para então semear em três épocas distintas e fazeraobservaçãoquantitativaequalitativadamuda. Durante a pesquisa, as sementes foram armazenadas e conservadas de modo a manter essa umidade. Esse tipo de conservação pode permitir a produção de mudas por umperíodomaior,poisassementesdocamu-camutêm uma durabilidade muito curta, não permitindo a secagem o que facilitaria a conservação a semelhança doquesefazparasementesdecultivosanuais. Os estudos e observações tem também como finalidade a possibilidade de propagação vegetativa com enxertia sobre plantas da mesma família botânica e da produção

Aspecto das mudas e detalhe para o sistema radicular de uma muda de caçari

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Aspecto visual do desenvolvimento do sistema radicular e de parte aérea das mudas produzidas em canteiro com areia obtidas a partir das sementes

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Da esquerda para a direita: o Primeiro-Ministro indiano Manmohan Singh, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do México, Felipe Calderón, presidente sul-africano Jacob Zuma e chineses Estado Conselheiro, Dai Bingguo, durante o G5

maiores economias propõem limite de aquecimento de 2º C Fotos Ricardo Stuckert/PR, Ciro Fusco e Maurizio Brambatti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista coletiva após participar da reunião do G8

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o fim da reunião na Itália para tentar chegar a um acordo sobre cortes de emissões de gases que provocam o efeito estufa, líderes das 17 principais economias do mundo divulgaram uma nota concordando sobre a necessidade de manter o aquecimento global médio em no máximo 2º em relaçãoaosníveispré-industriais. "Como líderes das maiores economias do mundo, tanto desenvolvidas quanto em desenvolvimento, temos a intenção de reagir com vigor a este desafio, convencidos de que a mudança climática representa um perigo claro, que requer uma reação global extraordinária",dizanota. O consenso entre a maior parte dos cientistas é de que a partir de um aquecimento de 2º, asconsequênciasparaoplanetapassamaser"imprevisíveis". Apesar das palavras fortes, o comunicado não dá indicações de como esse objetivo deve ser atingido, já que não estabelece qualquer meta ou compromisso conjunto nem prevê financiamentoparadesenvolvimentolimpodaseconomiasmaispobres. Por causa disso, a nota foi duramente criticada pelos principais grupos ambientalistas. O Greenpeace afirmou que "as esperanças de um resultado positivo" do encontro foram "torpedeadas pela falta de liderança demonstrada pelos líderes do G8 (Alemanha, Itália, EstadosUnidos,França,Japão,Canadá,Grã-BretanhaeRússia)". Já o WWF afirmou que os países ricos "precisam mostrar empatia de verdade, liderança realecompromissosfinanceirossólidosenãodeclaraçõesdeconsolo."

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Consenso histórico Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou o resultado como "um consenso histórico". Obama disse que pela primeira vez os países ricos e os em desenvolvimentoestãocomprometidoscomações. 46| REVISTA AMAZÔNIA

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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também afirmou que o consenso já é um avanço em relação às negociações anteriores e também disse esperar que se chegasse a um consenso sobre as medidas que devem ser tomadas para conseguir isso até aconferênciadeCopenhague. Amorim disse que os países em desenvolvimento mantêm a posição de que os países ricos precisam se comprometer com metas de curto e médio prazo e defendeu a meta de 40% de corte nas emissões dos paísesdesenvolvidosaté2020. Segundo ele, os países em desenvolvimento já fizeram uma concessão “importante” nas negociações ao concordar com a redução no ritmo de crescimento de suasprópriasemissões. Em linhas gerais, o Fórum das Principais Economias (MEF, na sigla em inglês), propõe cooperações para reduzir emissões provocadas pordesmatamento, além de fixar o prazo de 15 de novembro para a apresentação de planos de ações, a serem propostos "por países interessados",paraumaeconomiadebaixasemissões. O coordenador do Painel Intergovernamental para Mudança Climáticas – IPCC, Rajenda Pachauri, criticou a falta de precisão do acordo, chamando-o de "desleixado,ineptoebemridículo".

No Fórum das Principais Economias

Também no encontro em Áquila, na Itália, durante a reunião de cúpula anual do G8, o G5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) já tinha feito um apelo ao G8 pela adoçãodemetasdereduçãodegasesde40%até2020. A ausência de metas intermediárias é um dos principais obstáculos para se chegar a um acordo que deve substituir o Tratado de Kyoto a partir de 2012, que será discutidoemdezembro,emCopenhague. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, também criticou a falta de um acordo sobre metas do G8 para2020. Essa reunião fez parte do Fórum das Grandes Economias sobre a Energia e o Clima, convocado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e cuja primeira reuniãofoiemabril,emWashington. O objetivo do grupo é chegar a um consenso entre os 17 maiores emissoresdegasesdoefeitoestufaparafacilitar um acordo global para o chamado Tratado pós-Kyoto, que será discutido em uma conferência em Copenhague,naDinamarca,emdezembro.

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Da esquerda para a direita: o Primeiro-Ministro indiano Manmohan Singh, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do México, Felipe Calderón, presidente sul-africano Jacob Zuma e chineses Estado Conselheiro, Dai Bingguo, durante o G5

para limitar as emissões de modo a evitar um aumento médio das temperaturas globais acima de 2ºC em relação à era pré-industrial, ponto crítico após o qual se considera que as consequências do aquecimento globalsetornariamirreversíveis. Os 17 membros do Fórum das Grandes Economias, que além dos países do G8 e do G5 inclui Austrália, Coreia do Sul, Indonésia e Dinamarca, parecem concordar com a necessidade de evitar esse aumento de 2ºC na temperatura da Terra, mas a divergência aparece em relaçãoàmaneiradeconseguiressalimitação.

Compromisso Com o novo tratado, a comunidade internacional espera conseguir um comprometimento de todos os países

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva no interior do veículo elétrico no primeiro dia da Cimeira do G8 em L'Aquila

Presidente Obama durante Cimeira do G8 no MEF, faz anúncio sobre os planos para combater as alterações climáticas

Os países do G8 se propuseram a fazer um corte de 80% em suas emissões até 2050, desde que o restante do mundo se comprometa a um corte de 50% nesse mesmoperíodo. Além disso, em uma reunião paralela do G5, o grupo dos países emergentes pediu que as nações ricas fizessem mais para controlar o aquecimento global e que estabeleçam um mecanismo de compensação financeira por eventuais cortes de emissões realizados pelospaísesmaispobres. O argumento dos países em desenvolvimento é que o problema do aquecimento global foi causado historicamente pelas emissões dos países ricos em seu processo de desenvolvimento e que agora as nações maispobresnãopodempagaracontacommedidasque limitemseuprópriodesenvolvimento. A posição da China é considerada essencial para o sucesso de um acordo, já que o país superou recentemente os Estados Unidos como o maior emissor mundialdegasesdoefeitoestufa.

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Câmera brasileira dos satélites CBERS-3 e 4

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articiparam da cerimônia de entrega da câmera o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), GilbertoCâmara. AOptoEletrônicafoicontratadavialicitaçãopúblicapelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para o desenvolvimento e fabricação da MUX, uma câmera de 20 metros de resolução no solo que produz imagens destinadas ao monitoramento ambiental e gerenciamentoderecursosnaturais. A câmera é da série CBERS e seu desenvolvimento cumpre uma das funções do programa espacial brasileiro,queéaqualificaçãodaindústrianacional.

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A Câmera MUX sendo testada no LIT/INPE, em São José dos Campos (SP) 48| REVISTA AMAZÔNIA

CBERS Com os satélites do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), o Brasil monitora desmatamentos, a expansão urbana e da agropecuária, entre outras aplicações. Já foram lançados três satélites: CBERS 1, 2 e 2B, este atualmente em operação. Os CBERS 3 e 4 devem sercolocadosemórbitaem2011e2014. A política de acesso livre às imagens, uma iniciativa pioneira do INPE, tem levado outros países, como os Estados Unidos, a também disponibilizar gratuitamente dados orbitais de média resolução. O download das i m a g e n s é f e i t o a p a r t i r d o e n d e re ç o http://www.dgi.inpe.br/CDSR/. Além do fornecimento gratuito de imagens de satélite, que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro, o Programa CBERS promove a inovação na indústria espacial nacional, gerando empregos em um setor de alta tecnologia fundamental paraoPaís. O CBERS é hoje um dos principais programas de sensoriamento remoto em todo o mundo, ao lado do norte-americano Landsat, do francês Spot e do indiano ResourceSat. A missão de desenvolver e construir os satélites no Brasil cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério da Ciência eTecnologia. Na China, o programa está sob a responsabilidade da Chinese

AcademyofSpaceTechnology(CAST). Desde junho de 2004, quando ficaram disponíveis na internet, mais de meio milhão de imagens já foram distribuídas para cerca de 20 mil usuários, em cerca de duas mil instituições públicas e privadas, comprovando os benefícios econômicos e sociais da oferta gratuita de dados. Em média, têm sido registrados diariamente 750 downloadsnoCatálogoCBERS. Recentemente, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens do CBERS para todo o continente africano. A distribuição das imagens vai contribuir para que governos e organizações na África monitoremdesastresnaturais,desmatamento,ameaças àproduçãoagrícolaeriscosàsaúdepública. Em operação

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Amazonien, Alemanha

a magia da

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obra "Amazonien" usou 30 mil fotografias e teve 30 metros Um painel da altura de um prédio de dez andares com um panorama em 360 graus da floresta amazônica promete virar uma das maiores atrações de Leipzig, no lestedaAlemanha. O projeto foi criado pelo artista plásticoYadegar Asisi em seu atelier em Berlim e foi inaugurado dentro de um antigogasômetro. Amazonien ("Amazônia") é o título da obra, a ser montada com ajuda de cerca de 30 mil fotografias feitas naflorestabrasileira. Após o planejamento em computador, uma imagem da selva foi impressa em faixas de poliéster, formando um mural gigante de 100 metros de largura e 30 metros de altura, formando uma imagem de mais de três mil metrosquadrados.

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Humboldt A obra realizada como parte das celebrações dos 150 da morte do naturalista e explorador alemão Alexander von Humboldt foi acompanhada de uma exposição Alexander von Humboldt

Um painel da altura de um prédio de 10 andares com um panorama em 360 graus da floresta amazônica promete virar uma das maiores atrações de Leipzig, no leste da Alemanha

O que ver na Exposição

O público vai pode examinar o resultado de um trabalho de quase dois anos a partir de uma plataforma colocada nocentrodosalãocirculardogasômetro. Ele afirma que sua mensagem tem característica puramente estética, sem nenhuma intenção

Na plataforma colocada no centro em um gasômetro de Leipzig

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ambientalista. “Não me interesso pelo desmatamento daAmazônia”,diz. "Eu quero somente representar sua beleza e complexidade,queestimulamaspessoasasrefletir."

«Arquiteto das ilusões»

Asisi, o artista plástico e arquiteto nascido em Viena de pais iranianos, coletando imagens na região do Rio Negro

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sobre o ecossistema amazônico, incluindo uma instalaçãode25metrosdealturacominsetosdaregião. Esteéseuquartoemaiortrabalhoqueoartista,também conhecido como "arquiteto das ilusões", realiza para sua sériePanometer,depinturascolossaisdepanoramasem 360graus.

Qual é a lenda do rio dos golfinhos cor de rosa e como funciona o ciclo da água na chuva, ou de insetos, como a camuflagem engana..., é experiência na exposição.Você pode, por exemplo, ver a simulação espacial de uma árvore na selva com seu tamanho original de 25 metros. A flor-anamorphosis permite que o espectador, como uma espécie de inseto, no interior de uma enorme flor tropical ver um vídeo-instalação. E como uma formiga pode caminhar através da selva.Também pode ouvir as misteriosaslendasehistóriasdaAmazônia. Árvores, com longas raízes que aparentemente congelam no ar, tudo verde, em crepúsculo fenomenal: éofascinantemundodaflorestatropical. Na escala de 1:1, com cerca de 106 metros de comprimento e 30 metros de altura Amazônia revela a complexidade e beleza da floresta tropical brasileira remoto. Asisi, abriu uma clareira de 6 metros de alturaplataforma, para olhar longe na paisagem tropical. Com os binóculos descobriu – uma lagarta na folha, nativos da região amazônica, papagaios nas árvores, flores bonitaseumapreguiça. "Na exposição, você pode ver somente verde, o fascinante rainforest ecossistema em suas várias facetas, de muito perto. A luxuriante floresta tropical, com grande variedade de espécies”. Acompanhando os 360º em panorama de uma instalação de iluminação, do fim do dia à noite, em uma floresta tropical com profundo silêncio simulado, típica de floresta tropical e também efeitossonorosemmúsicacompostaespecialmente. REVISTA AMAZÔNIA |49

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O Panorama da Biodiversidade Global

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Convenção sobre Diversidade Biológica

Diversidade biológica ou biodiversidade, é o termo usado para designar a variedade de formas de vida existentes na Terra. Foi a combinação de formas de vida, e suas interações umas com as outras e com seu ambiente físico, que tornou a Terra habitável para os seres humanos. Os ecossistemas satisfazem nossas necessidades vitais básicas, oferecem proteção contra desastres e doenças, e constituem o fundamento da cultura humana. A Avaliação dos Ecossistemas do Milênio – uma empreitada científica envolvendo mais de 1.300 especialistas trabalhando em 95 países – confirmou recentemente as incontestáveis e esmagadoras contribuições dos ecossistemas naturais para a vida e o bem estar humanos. Porém, à medida mesmo que começamos a entender melhoroqueestáemjogo,genes,espéciesehabitatsestãosendorapidamenteperdidos. A preocupação com a perda de biodiversidade e o reconhecimento de seu importante papel na sustentação da vida humana motivou a criação, em 1992, da Convenção sobre Diversidade Biológica, um tratado global de compromisso legal. A Convenção abrange três objetivos igualmente importantes e complementares: a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes, e a repartição justa e eqüitativa dosbenefíciosadvindosdautilizaçãoderecursosgenéticos. A participação na Convenção é quase universal, um sinal de que nossa sociedade global está bem consciente da necessidade de trabalhar unida para assegurar a sobrevivência da vidanaTerra.

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m 2002, a Conferência das Partes da Convenção adotou um Plano Estratégico com a missão de “alcançar, até 2010, uma redução significativa da taxa atual de perda de biodiversidade nos níveis global, regional e nacional, como uma contribuição para a redução da pobreza e para benefício de toda a vida na Terra”. Esta meta de 2010 foi subseqüentemente endossada pelos Chefes de Estado e de Governo na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Johannesburg, África do Sul. Recentemente, líderes mundiais reunidos na Cúpula Mundial das Nações Unidas de 2005 reiteraram seucompromissodealcançarametade2010. Para avaliar o progresso rumo à meta de 2010 para a biodiversidade, a Conferência das Partes estabeleceu objetivosemetasdeapoioeidentificouindicadorespara avaliação do estado e das tendências da biodiversidade. A segunda edição do Panorama da Biodiversidade Global utiliza esses indicadores e metas para descrever as tendências atuais da biodiversidade e as perspectivas deseatingirametade2010.

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Por que a perda de biodiversidade causa preocupação? Os serviços fornecidos por ecossistemas saudáveis e biodiversos são o fundamento do bem-estar humano. No entanto, de 24 serviços ambientais recentemente avaliados pela Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, 15 estão em declínio. Estes incluem o provimento de água doce, a produção da pesca marinha, o número e a qualidade de locais de valor espiritual e religioso, a habilidade da atmosfera de se auto-purifi car, eliminando poluentes, a regulação de desastres naturais, a polinização, e a capacidade dos ecossistemas agrícolasdecontrolarpragas. Porcausarrupturasnasfunçõesdosecossistemas,aperda de biodiversidade torna os ecossistemas mais vulneráveis a choques e perturbações, menos elásticos, e menos capazes de fornecer aos seres humanos os serviços necessários. Os danos às comunidades costeiras causados por inundações e tempestades, por exemplo, podem aumentar dramaticamente após a perda ou degradação dehabitatsdeáreasúmidas que as protegiam. As conseqüências da perda de biodiversidade e a perturbação de ecossistemas são com freqüência mais severas para os pobres do meio rural, os

quais dependem de forma mais imediata dos serviços ambientais para sua sobrevivência, e que muitas vezes têm menos acesso a substitutos, ou capacidade de pagar por eles, quando aqueles serviços se degradam. De fato, a Avaliação dos Ecossistemas do Milênio confirmou que a perdadebiodiversidadecolocaumobstáculosignificativo para o atendimento das necessidades dos mais pobres do mundo, como estabelecido nos Objetivos de DesenvolvimentodoMilêniodasNaçõesUnidas. A capacidade de se reunir vontade política suficiente para interromper a degradação dos ecossistemas dependerá da clareza com que se conseguir demonstrar aos elaboradoresdepolíticaseparaasociedadeemgeraltoda a amplitude da contribuição dos ecossistemas para os esforços em prol da diminuição da pobreza e para o crescimentoeconômiconacionaldeformamaisgeral. Além de sua utilidade imediata para a humanidade, muitos argumentariam que toda forma de vida tem o direito intrínseco de existir, e merece ser protegida. Precisamos também reconhecer o direito das gerações futuras de herdar, assim como nós, um planeta florescente de vida, e que continue a oferecer oportunidades para se colher os benefícios econômicos, culturaiseespirituaisdanatureza.

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É ambicioso, mas vital alcançar a Meta da CDB para 2010. A Meta compromete as Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica a alcançarem, até 2010, u m a r e d u ç ã o significativa do atual Ahmed Djoghlaf ritmo de perda de biodiversidade em níveis regional, nacional e global, assim como a contribuírem para a redução da pobreza e para o benefício de toda a vida na Terra. A perda da biodiversidade é rápida e contínua. Nos últimos 50 anos, o ser humano alterou os ecossistemas mais rápida e extensivamente do que em qualquer outro período da sua história. As florestas tropicais, muitas terras húmidas, e outros habitats naturais estão diminuindo. As espécies estão sendo extintos a uma velocidade mil vezes superior à taxa de extinção natural. As causas diretas da perda de biodiversidade – mudança de habitat, sobrexploração, introdução de espécies exóticas invasoras, carga excessiva de nutrientes e alterações climáticas – não mostram sinais de redução. A perda de biodiversidade continua, à medida que o nosso conhecimento da sua importância cresce. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio confirma que a biodiversidade é a base da qual a vida humana depende inteiramente. Os ecossistemas biodiversos proporcionam não só bens essenciais (alimentação, água, fibras, medicamentos), mas também benefícios insubstituíveis, como o controle de doenças e da erosão dos solos, purificação do ar e da água, e oportunidades de reflexão espiritual. Ainda assim, ao descrever estes serviços ambientais, a Avaliação chega à conclusão de que 15 dos 24 serviços analisados já estão em declínio. Mais ainda, a importância dos ecossistemas para as sociedades humanas tornarse-á mais evidente à medida que as alterações ambientais aumentam. Os ecossistemas biodiversos tendem a ser mais resilientes, podendo, deste modo, lidar melhor com um mundo cada vez mais imprevisível. As alterações climáticas trarão eventos meteorológicos mais extremos, a partir dos quais os ecossistemas intactos podem oferecer proteção física. Níveis mais altos de poluição exigirão mais processos de desintoxicação, um serviço proporcionado por terras húmidas saudáveis. Infelizmente, aqueles que já são vítimas da pobreza serão os mais atingidos pela perda da biodiversidade. Os pobres das zonas rurais dependem dos ecossistemas para as suas necessidades diárias, e para apoio em tempos difíceis. Quando os benefícios proporcionados pelos ecossistemas são interrompidos, os mais necessitados não têm meios para os substituir. Com uma gestão adequada, todavia, os

ecossistemas podem oferecer uma saída à pobreza. Uma gestão inadequada, por outro lado, é certeza de que os o b j e t i v o s d e desenvolvimento nunca serão atingidos. O caminho futuro não é fácil. Atingir um desenvolvimento verdadeiramente sustentado requer que se repensem os atuais paradigmas econômicos, e se rejeitem soluções a curto-prazo que se mostram, em última análise, inúteis. O nosso conhecimento crescente deve a partir de agora incitar a fazer esforços para preservar as riquezas que ainda nos restam na natureza. A Convenção é o alicerce sob o qual este trabalho tem urgentemente de ser construido. A Convenção tem sido, desde o seu começo, um instrumento radical de mudança, baseado na crença de que a biodiversidade é essencial ao desenvolvimento, e que todos os povos têm o mesmo direito de se beneficiar da sua conservação e do seu uso sustentável. As ferramentas necessárias para alcançar os objetivos da Convenção são bem desenvolvidas e incluem os programas de trabalho voltados a cada grande bioma e as diretrizes de ações práticas. O desafio agora é colocar estas ferramentas em prática em todos os setores econômicos – desde a pesca à silvicultura, da agricultura à indústria, do planejamento ao comércio. Chegou a hora de cooperar e colaborar. A Convenção tem uma gama de ferramentas para enfrentar uma variedade de assuntos globalmente relevantes, e a Meta de 2010 para guiar estratégias e alcançar resultados concretos. Cabe às Partes da Convenção decretar mecanismos nacionais para o desenvolvimento sustentável que atendam aos três objetivos da Convenção. Os cidadãos do mundo estão cada vez mais atentos às alterações climáticas e preocupados com tudo aquilo que podem perder. Juntos, temos de agir imediata e efetivamente. Por que razão terão as boas idéias e os esforços de mais de uma década de reuniões no âmbito da Convenção de permanecer somente no papel? Porque haveremos de nos restringir ao diálogo apenas no seio da comunidade ambientalista, quando todos os setores econômicos têm interesse em parar a perda de biodiversidade? Chegou a hora de traduzir as nossas esperanças e energias em ação, para o bem de toda a vida na Terra. É neste espírito que eu o convido a cumprir o Panorama da Biodiversidade Global 2, um indicador do ponto em que chegamos, e como devemos agir para alcançar os nossos objetivos. Ahmed Djoghlaf Secretário Executivo

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A meta de 2010: estabelecendo as tendências atuais

Grau de proteção de eco-regiões terrestres e grandes ecossistemas marinhos (combinando todas as Categorias de Manejo de Áreas Protegidas da IUCN)

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Usando os indicadores da Convenção para fazer um levantamento das tendências atuais, o Panorama da Biodiversidade Global demonstra que a biodiversidade está sendo perdida em todos os níveis, por exemplo: » O desmatamento, principalmente pela conversão de florestas em terras de cultivo, continua acontecendo em níveis alarmantemente altos. A perda de florestas primárias desde 2000 foi estimada em 6 milhões de hectares anuais. Ecossistemas marinhos e costeiros sofreram fortes impactos causados pela ação humana, degradação que levou à redução da cobertura de florestas de algas marinhas, gramas marinhas e corais. No Caribe, a cobertura média de corais duros decresceu de 50% para 10% nas três últimas décadas. Cerca de 35% dos manguezais foram perdidos nas duas últimas décadas, em países para os quais existem dados adequados; » Cerca de 3.000 populações selvagens de espécies mostram tendência consistente de declínio em média de abundância de espécies de cerca de 40% entre 1970 e 2000; espécies de águas continentais sofreram um declínio de 50%, enquanto espécies marinhas e terrestres sofreram um declínio de cerca de 30%. Estudos sobre anfíbios feitos globalmente, mamíferos africanos, aves em terras agrícolas, borboletas britânicas, corais caribenhos e dos Oceanos Índico e Pacífico, e espécies de peixes comumente exploradas mostram declínios na maioria das espécies avaliadas; » Mais espécies estão-se tornando ameaçadas de extinção. O status das espécies de pássaros mostra uma contínua deterioração por todos os biomas durante as duas últimas décadas, e dados preliminares para outros grupos importantes, como anfíbios e mamíferos, indicam que sua situação é provavelmente pior do que a dos pássaros. Entre 12% e 52% das espécies de taxa mais altos bem estudados correm risco de extinção. Além disso, as florestas e outros habitats estão ficando cada vez mais fragmentados, o que afeta sua capacidade de manter a biodiversidade e de oferecer os bens e serviços ambientais. Nos 292 grandes sistemas fluviais avaliados,por exemplo, apenas 12% da área de bacia fluvial estavam livres de impactos causados por represas. 52| REVISTA AMAZÔNIA

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A intensificação da pesca levou ao declínio de grandes peixes de alto valor, como o atum, o bacalhau, as garoupas e espadarte, que estão bem no alto da cadeia alimentar. No Atlântico Norte, o número de grandes peixesdecresceuemdoisterçosnosúltimos50anos. As ameaças à biodiversidade estão em geral aumentando. Os seres humanos contribuem com mais nitrogênio reativo para os ecossistemas globalmente do que todos os processos naturais combinados. A taxa e o risco de introdução de espécies exóticas aumentaram significativamente no passado recente, e continuarão a subir como resultado do aumento das viagens, do comércio e do turismo. Em toda parte, o consumo nãosustentável continua, como indica nossa cada vez maior pegada ecológica global. A demanda global por recursos ultrapassa atualmente em cerca de 20% a capacidadeecológicadaTerraderenovaressesrecursos. Do lado positivo, a área e o número de áreas protegidas estão aumentando, embora a maioria das ecoregiões estejam bem aquém da meta de proteger 10% de sua superfície. Os ecossistemas marinhos em particular

e s t ã o p o b re m e n t e re p re s e n t a d o s , c o m aproximadamente 0,6% da área da superfície oceânica e cerca de 1,4% das áreas de plataforma continental protegidas. Com base nas informações disponíveis, emerge uma mensagem geral: a biodiversidade está em declínio em todos os níveis e escalas geográficas. Entretanto, as opções objetivas de resposta essa situação-seja a criação de áreas protegidas, ou de programas de gestão de recursos ou de prevenção da poluição—podem reverter esta tendência para habitats ou espécies específi cos. A tabela acima oferece um panorama do estado do desenvolvimento e dos dados do indicador. Diversos indicadores têm resolução suficiente para determinar uma mudança na taxa de perda da biodiversidade até 2010, incluindo: transformações de habitats em certos tipos de ecossistema; as tendências em termos de abundância e distribuição de espécies selecionadas; a situação de espécies ameaçadas; o Índice Trófico Marinho; e o depósito de nitrogênio. Outros indicadores poderão ser desenvolvidos para uso até2010.

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Distribuição da freqüência das eco-regiões terrestres pela porcentagem de superfície protegida

Ferramentas da Convenção para avaliação da perda de biodiversidade A Conferência das Partes respondeu ao desafio da perda de biodiversidade desenvolvendo um abrangente corpo de políticas relacionadas aos três objetivos da

Convenção. Os instrumentos dessas políticas incluem: programas de trabalho temáticos da Convenção, cobrindo sete biomas principais; programas de trabalho

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transversais sobre transferência de tecnologia, taxonomia e áreas protegidas; e princípios e diretrize sobre a abordagem ecossistêmica, uso sustentável, espécies invasoras, avaliação de impacto ambiental e outras questões. Além disso, o Protocolo de Biossegurança de Cartagena adotado como instrumento legal independente em 2000, visa assegurar que a biotecnologia não afete negativamente a biodiversidade ou a saúde humana. No nível nacional, dispositivos da Convenção e decisões sobre políticas da Conferência das Parte são traduzidos em ações através das estratégias e dos planos de ação nacionais para a biodiversidade (ENBPANs—em inglês: NBSAPs). Como as Par tes detêm a responsabilidade principal pela implementação, os ENBPANs são essenciais para que os objetivos da Convenção sejam atingidos Dez anos após a Convenção entrar em vigor, e reconhecendo a necessidade de uma implementação mais eficaz e coerente, a Conferência das Partes adotou, em 2002, um Plano Estratégico. O progresso realizado rumo às quatro metas do Plano Estratégico não é uniforme: O progresso em

direção à meta 1—promover a cooperação internacional em apoio à Convenção—é razoável. A Convenção está desempenhando um papel importante na coordenação de agendas entre as convenções e organizações relacionadas à biodiversidade. No entanto, restam ainda oportunidades para aumentar a coerência

das políticas com outros instrumentos internacionais, particularmente na área comercial; A meta 2 é assegurar que as Partes disponham de maior capacidade financeira, humana, científica, técnica e tecnológica de implementar a Convenção. Apesar dos grandes esforços despendidos, o progresso em direção a essa meta permanece limitado; O progresso em direção à meta 3, que se refere ao planejamento e à implementação em nível nacional necessários para atingir os objetivos da Convenção, é crítico. Embora as Partes estejam envolvidas nos processos da Convenção, a implementação estálongedesersuficiente;Ameta4éalcançar uma compreensão melhor da importância da biodiversidade e da Convenção, levando a um engajamento mais amplo da sociedade na implementação. O progresso em direção a essa meta é irregular. Os programas atuais de comunicação, educação e percepção pública não são sufi cientes. Apesar de alguns progressos, são necessários esforços adicionais para engajar atores principais e grupos de interesse para que integrem as preocupações com a biodiversidade a setores além do ambientalpropriamentedito. REVISTA AMAZÔNIA |53

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Perspectivas e desafios para alcançar a meta para a biodiversidade de 2010 Partindo da análise das tendências atuais e da exploração de cenários de futuros plausíveis, a Avaliação dos Ecossistemas do Milênio estima que a perda de biodiversidade, e em particular a perda de diversidade de espécies e a transformação de habitats, vai provavelmente continuar no futuro previsível, e certamente além de 2010. Isto se deve em grande parte à inércia dos sistemasecológicosehumanoseàprevisão de que a maioria dos fatores causadores da perda de biodiversidade- transformações de habitats, mudanças climáticas, a introdução de espécies exóticas invasoras, sobreexploração e excesso de nutrientes-permanecerão constantes ou se intensificarão no futuro próximo. Diante dessas descobertas não há lugar para complacência, mas nem por isso elas sugerem ser impossível o progresso em direção à meta de 2010 para a biodiversidade. Em relação a isso, três conclusões da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio são particularmentepertinentes: îEm primeiro lugar, ao mesmo tempo em que“esforços adicionais sem precedentes” serão necessários para alcançar a meta de 2010 para a biodiversidade nos níveis nacional, regional e global, com respostas apropriadas é possívelatingir,até2010,umareduçãonataxadeperdade biodiversidadeparacertoscomponentesdabiodiversidade ouparacertosindicadores,eemcertasregiões; îEmsegundolugar,amaioriadosalvosqueaConvenção estabeleceu como parte de sua estrutura de avaliação do progresso em direção à meta de 2010 são alcançáveis, 54| REVISTA AMAZÔNIA

desdequeasaçõesnecessáriassejamrealizadas; îEm terceiro lugar, em sua maior parte, as ferramentas necessárias para que a meta de 2010 seja alcançada, incluindo programas de trabalho, princípios e diretrizes,

já foram desenvolvidas. É preciso que estas conclusões sejam reconhecidas e que delas se faça uso, motivando as Partes e a sociedade civil a agir: aplicando as ferramentas já disponíveis através da Convenção, é possível obter progressos reais. É necessário, no entanto, que as ferramentas relativas à biodiversidade sejam amplamente aplicadas em todos os setores relevantes, para que os melhores resultados possíveis para a

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Um mapa da Amazônia 2030, mostrando florestas danificadas pela seca, extração de madeira e desmatamentos supondo uma futura continuação do desenvolvimento do clima dos últimos 10 anos

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conservação e o uso sustentável possam ser atingidos. O imperativo de se integrar as preocupações com a biodiversidade a planos, programas e políticas setoriais e trans-setoriais relevantes está entremeado na Convenção,realçadonoPlanoEstratégico,efoireforçado pelas descobertas da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio. O engajamento dos principais atores dos setores econômicos principais servirá não só para abordar diretamente os fatores provocando a perda de biodiversidade, mas também irá assegurar a ampliação da percepção das questões relacionadas à biodiversidade. A percepção ampliada trará consigo o aumento da vontade política e dos recursos necessários para que sejam realizadas mudanças positivas. O PanoramadaBiodiversidadeGlobaldelineiaasquestões prioritárias para serem tratadas junto aos importantes setores de alimentação e agricultura, comércio, redução da pobreza, e desenvolvimento. O Panorama também faz notar a importância de se integrar as preocupações com a biodiversidade ao setor energético, dado que as mudanças climáticas são uma causa cada vez mais significativa de perda de biodiversidade, que a conservação e o uso sustentável da biodiversidade podem contribuir para medidas tanto de mitigação quanto de adaptação. O setor de alimentação e agricultura contribui para as pressões sobre a

biodiversidadeprincipalmenteatravésdasmudançasde uso da terra-o que se considera que continuará sendo o maior indutor de perda de biodiversidade após 2010 e ao menos até 2050- mas também pelo aumento da carga de nutrientes e sobre-exploração dos recursos naturais. Essas pressões apontam para uma abordagem quíntupla para minimizar a perda de biodiversidade, abrangendo ações para: aumentar a eficiência da agricultura; planejar mais eficientemente a expansão agrícola para evitar a invasão de habitats de alto valor para a biodiversidade; moderar a demanda por alimentos (particularmente por carne entre setores mais ricos da sociedade); interromper a sobre-pesca e as práticas pesqueiras destrutivas; e proteger ecossistemas e habitats críticos. Para implementar esta abordagem, será necessária uma mescla de planejamento, regulamentações e medidas de incentivo, tendo por base as ferramentas desenvolvidas em conformidade com a Convenção. Além disso, a criação de mercados para os serviços ambientais, onde apropriado, irá encorajar os produtores e consumidores a valorizar a biodiversidade com exatidão, e planejar seu uso sustentável. Uma vez que o desenvolvimento econômico, incluindo a produção agrícola e de alimentos, é fortemente afetado pelas políticas de comércio, o Panorama da Biodiversidade Global discute

EXPRESSO

a necessidade de incorporar as preocupações com a biodiversidade às discussões comerciais. Ao passo que os compromissos assumidos junto à Agenda de Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio (tais como a remoção dos subsídios para a indústria pesqueira e a agricultura) tenham potencial para beneficiar a biodiversidade, estimasse que a liberalização do comércio levará, em curto prazo, à aceleração da taxa de perda de biodiversidade em algumas regiões e países, a menos que sejam acompanhadas por medidas pró-ativas para a conservação da biodiversidade. O desenvolvimento econômico é essencial para que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sejam alcançados, mas a sustentabilidade a longo prazo será minada se as questões relativas à biodiversidade não forem levadas em conta. Além disso, muitas das ações que poderiam ser implementadas para erradicar a pobreza extrema tendem a acelerar a perda de biodiversidade no curto prazo. A existência de relações de troca, e também de sinergias em potencial, implica em que as considerações ambientais, incluindo aquelas relacionadas à biodiversidade, precisam ser integradas à implementação de todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio relevantes. Como observado na Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, existem oportunidades substanciais para conseguir melhor proteção para a biodiversidade através de ações justificadas por seu mérito econômico. A realização deste potencial requer maiores esforços para a compreensão do valor total da biodiversidade e dos serviços ambientais para o bem-estar humano, e que esse valor seja levado em conta em processos de tomadasdedecisãoemtodosossetores.

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Ações necessárias para que a meta de 2010 seja alcançada Casa flutuante na Amazônia

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e devem ser apoiadas. O Panorama da Biodiversidade Global considera que alcançar a meta de 2010 é um desafio considerável, mas de modo algum impossível. São necessários esforços adicionais sem precedentes, e que precisam ser precisamente focados na abordagem dos principais fatores causadores da perda de biodiversidade. A Convenção já fornece um conjunto de políticas, orientações e programas que, com ajustes mínimos, podem guiar a ação nos níveis global, regional

e nacional para este fi m. Para que os melhores resultados possíveis sejam obtidos, contudo, estas ferramentas precisam ser postas em uso imediata e amplamente naqueles setores que geram os fatores causadores da perda de biodiversidade. Existem muitas oportunidades para a transversalização da biodiversidade, como delineado acima, mas para aproveitá-las será preciso agir eficazmente no nível nacional.

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A responsabilidade principal pelo cumprimento da metade 2010 de reduzir significativamente a taxa de perda de biodiversidade recai sobre as Partes da Convenção. Para imprimir foco e ímpeto a este esforço, todas as Partes devem desenvolver e implementar estratégias e planos de ação nacionais para a biodiversidade (ENBPANs) que incluam metas nacionais claras para 2010. A implementação precisa ocorrer transversalmente pelos diversos setores, integrando-se as questões relativas à biodiversidade em políticas, programas e estratégias nacionais para o comércio, a agricultura, as atividades florestais e a indústria pesqueira, e ao planejamento do desenvolvimento. Para que seus esforços sejam eficazes, as Partes precisam mobilizar recursos humanos, financeiros, técnicos e tecnológicos suficientes. Finalmente, cada Parte deve empenhar-se ao máximo para completar o quarto relatório nacional para a Convenção, como forma de relatar seu progresso em direção a seus compromissos com relação à meta de 2010 e determinar quais ações são ainda necessárias. A Conferência das Partes deve continuar a apoiar as Partes na implementação, revisando o progresso da implementação e identificando meios concretos para que os objetivos da Convenção sejam atingidos. Ainda que a Conferência das Partes esteja deslocando seu foco para a implementação restam, todavia algumas questões importantes relativas a políticas a serem resolvidas, incluindo a conclusão de um regimento internacional sobreacessoerepartiçãodebenefícios.Comocidadãose atores independentes, nós indivíduos temos um papel essencial a desempenhar na promoção da conservação e do uso sustentável da biodiversidade. Nós podemos exigiraçãodetodososníveisdegoverno.Alémdisso,em nossas escolhas do dia-a-dia, todos podemos causar impactos diretos sobre a biodiversidade e o estado dos ecossistemas de nosso planeta. As opções de consumo sustentável e redução de desperdício estão aumentando

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Utilidade dos indicadores para avaliar o progresso em direção à meta de 2010 O conjunto de indicadores titulares desenvolvidos pela convenção está sendo utilizado pela primeira vez para avaliar e comunicar as tendências da biodiversidade nesta segunda edição do Panorama da Biodiversidade Global. Como demonstrado neste capítulo, os indicadores titulares disponíveis para testes variam na extensão da série temporal de dados, na resolução temporal e espacial, e no grau de certeza com que se pode fazer afirmações sobre tendências atuais da biodiversidade, sobre os fatores causadores de mudança, e sobre algumas opções de resposta. Dos indicadores disponíveis para testes imediatos (decisão VII/30, recomendação X/5 do SBSTTA), os seguintes foram utilizados neste Panorama da Biodiversidade Global com séries temporais de dados: tendências da extensão de biomas, ecossistemas e habitats selecionados; tendências da abundância e distribuição de espécies selecionadas; mudança da situação de espécies ameaçadas; extensão de áreas protegidas; Índice Trófico Marinho; qualidade da água em ecossistemas aquáticos; depósito de nitrogênio; tendências de espécies exóticas invasoras (para alguns países e regiões apenas); pegada ecológica e conceitos relacionados; e assistência oficial de desenvolvimento fornecida para apoiar a Convenção. O indicador para conectividade/ fragmentação de ecossistemas (para biomas florestais e águas continentais) também foi usado, mas sem séries temporais de dados. De acordo com o teste do uso dos indicadores neste Panorama da Biodiversidade Global, e levando em consideração também o uso de indicadores na Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, as seguintes conclusões podem ser inferidas com respeito à utilidade da estrutura de indicadores para avaliar o progresso em direçãoàmetade2010: îJá existem informações disponíveis para usar vários dos indicadores da Convenção sobre Diversidade Biológica para descrever as tendências atuais da

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12 PRINCÍPIOS 1. Os objetivos da gestão da terra, da água e dos recursos vivos devem ser fruto de escolhas das sociedades. 2. A gestão deve ser descentralizada até o nível mais baixo apropriado. 3. Os gestores dos ecossistemas devem considerar os efeitos (reais ou potenciais) de suas atividades sobre ecossistema adjacentes e outros. 4. Uma vez que a gestão implica em ganhos potenciais, existe normalmente uma necessidade de se entender e gerir o ecossistema num contexto econômico. Qualquer desses programas de gestão de ecossistemas deveria: a) Reduzir as distorções de mercado que afetam negativamente a diversidade biológica. b) Disponibilizar incentivos para promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade. c) Internalizar os custos e benefícios no ecossistema em questão, ao máximo factível. 5. A conservação da estrutura e do funcionamento dos ecossistemas, de modo a manter os serviços ambientais, deve ser um objetivo prioritário para a abordagem ecossistêmica. 6. Os ecossistemas precisam ser manejados dentro dos limites de seu funcionamento. 7. A abordagem ecossistêmica deve ser levada a cabo nas escalas espacial e temporal apropriadas. 8. Levando em conta a variação de escalas temporais e os efeitos retardados que caracterizam os processos dos ecossistemas, deve-se estabelecer objetivos de longo prazo para o manejo de um ecossistema. 9. O manejo deve reconhecer que as mudanças são inevitáveis. 10. A abordagem ecossistêmica deve buscar equilibrar e integrar apropriadamente a conservação e o uso da diversidade biológica. 11. A abordagem ecossistêmica deve levar em consideração todas as formas de informação relevantes, incluindo a científica, a indígena e o conhecimento, inovações e práticas locais. 12. A abordagem ecossistêmica deve envolver todos os setores da sociedade e disciplinas científicas relevantes.

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A cada ano aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são devastados, estima-se que se continuar dessa forma em 30 anos 7% das epécies que habitam tais florestas poderão ser extintas causando assim considerável desequilíbrio biológico nesta região biodiversidade, os fatores causadores de mudanças, e algumasopçõesderesposta; îEntretanto, provavelmente apenas um subgrupo desses indicadores tem resolução sufi ciente para determinar uma mudança na taxa de perda de biodiversidade até 2010. (Entre tais indicadores poderse-ia incluir: tendências da extensão de biomas, ecossistemasehabitatsselecionadosemalgunstiposde ecossistemas; tendências da abundância e distribuição de espécies selecionadas; mudança da situação de espéciesameaçadas;eoÍndiceTróficoMarinho); Existem vários indicadores recomendados para testagem imediata, para os quais os dados disponíveis cobrem um período de tempo curto demais para se determinar tendências atuais em nível global, ou para os quais são necessários mais trabalhos / (Entre esses, estão incluídos: tendênciasdadiversidadegenéticadeanimaisdomésticos, plantas cultivadas, e espécies de peixe de maior importância sócio-econômica; área de ecossistemas florestais, agrícolas e de aqüicultura sob manejo sustentável;conectividade/fragmentaçãodeecossistemas; etendênciasdeespéciesexóticasinvasoras). Em resumo, embora ainda não tenhamos medidas abrangentes e em escala global para avaliar o progresso em direção à meta de 2010, é possível descrever as tendências do estado da biodiversidade utilizando essa estrutura. Examinados em conjunto, os indicadores nos permitem estabelecer tendências atuais de alguns aspec tos impor tantes da biodiversidade, particularmente quando são analisados e interpretados como um conjunto de variáveis complementares e î

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mar. À medida que as expectativas da sociedade e os requerimentos legais favorecem cada vez mais a biodiversidade, as companhias que possuem bons históricos de biodiversidade obterão uma vantagem significativa sobre aquelas que não os têm. O histórico de biodiversidade de uma companhia irá influenciar seu acesso à terra, ao mar e a outros recursos essenciais para seu funcionamento, assim como sua capacidade de obter o direito tanto legal quanto social de operar em uma determinada área. Ele afetará também o O interesse empresarial na biodiversidade acesso da companhia ao capital e a seguros, particularmente devido ao fato de que o O “interesse empresarial na biodiversidade” baseia-se impacto sobre a perda de biodiversidade está sendo na necessidade de uma companhia de manter sua cada vez mais reconhecido como risco material pelos vantagem competitiva e uma sustentabilidade a longo investidores, instituições financeiras e companhias de prazo. Ainda que alguns negócios possam escolher seguros. Para varejistas e outras companhias que integrar considerações relativas à biodiversidade a suas interagem diretamente com o público, a posse de um práticas por ser isso “a coisa certa a fazer”, ou apenas bom histórico de biodiversidade também facilitará o como exercício de relações públicas, um número cada acesso a mercados consumidores, particularmente à vez maior de companhias, particularmente aquelas que medida que aumente a percepção dos consumidores mais dependem da biodiversidade, ou que nela causam sobre a importância da biodiversidade. Em todas as maiores impactos, estão investindo na biodiversidade indústrias, ele pode também ajudar a atrair e reter de modo a sustentar e aumentar seus lucros. Em funcionários altamente qualificados. Além disso, para indústrias que causam impactos significativos na indústrias que dependem da biodiversidade, de seus biodiversidade, a produtividade de uma companhia, e componentes, ou de serviços ambientais sustentados freqüentemente sua vantagem competitiva, serão pela biodiversidade, a perda de biodiversidade é um influenciadas por seu histórico relativo à risco de produção que pode levar a cadeias de biodiversidade, incluindo o cumprimento de fornecimento inseguras, diminuição da produtividade, requerimentos legais, implementações de padrões serviços não confiáveis, e baixa qualidade de produtos. industriais, a resposta a demandas das sociedades Em tais indústrias, companhias que minimizam seus locais, grupos da sociedade civil e acionistas, e impactos negativos sobre a biodiversidade e investem aplicação de padrões voltados para o consumidor, tais na saúde dos ecossistemas estão ajudando a garantir a como projetos de certificação para madeira e frutos do sustentabilidade de seus negócios.

interdependentes. Entretanto, esforços de pesquisa que focalizem o aprimoramento da cobertura e da qualidade dos dados de base e metodologias relacionadas de indicadores são necessários para obter uma resolução suficiente para determinar, com segurança, a modificação geral da taxa de perda de biodiversidade até 2010. Ademais, os indicadores e os dados ainda não estão disponíveis para certas áreas focais da estrutura, em particular para tendências do acesso e repartição de benefícios. Também ainda são necessários indicadores

adicionais para a área focal relacionada com a proteção do conhecimento, inovações e práticas tradicionais. Com base nas informações disponíveis até o momento, uma mensagem comum emerge: a biodiversidade está em declínio em todos os níveis e escalas geográficas, mas as opções de respostas direcionadas— seja através de áreas protegidas ou programas de manejo de recursos e prevenção de poluição-podem reverter essa tendência para habitats ou espécies específicos (Tabela 2.1). É necessário reconhecer a importante conexão entre nossa capacidade de avaliar o progresso em direção à metade2010paraabiodiversidadeeaprobabilidadede alcançar essa meta. A adoção da meta de 2010 para a biodiversidade em 2002, e de uma estrutura flexível para avaliar o progresso em direção ao Plano Estratégico da Convenção em 2004, focou a atenção de muitos pesquisadores, segmentos da sociedade civil, setor privado, representantes de comunidades indígenas e locais, organizações e tomadores de decisão em duas questões relacionadas: onde estamos com relação à meta de 2010 e o que precisa ser feito para que ela seja atingida. Não há dúvidas de que o debate atual sobre a necessidade de reduzir, e eventualmente cessar a perda de biodiversidade, e nossa capacidade de avaliar a

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Terraços de arroz em Banaue, Filipinas, considerados a Oitava Maravilha do Mundo. Construídos há 2.000 anos, demonstram a habilidade de engenharia e a ingenuidade do povo Ifugao

efetividade de ações implementadas neste sentido, já obtiveram impacto signifi cativo nos processos decisórios e na implementação de atividades relacionadas com a biodiversidade. O próximo capítulo discute as ferramentas e mecanismos estabelecidos pela Convenção para auxiliar ainda mais as Partes e grupos de interesse a superar os principais desafios e a expandir os esforços necessários para atingir a meta de 2010eametadelongoprazodeeventualmentecessara perdadediversidadebiológica. REVISTA AMAZÔNIA |59

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A Abordagem Ecossistêmica A Abordagem Ecossistêmica é uma estratégia para o manejo integrado da terra, da água e dos recursos vivos quepromoveaconservaçãoeousosustentáveldemodo eqüitativo. Ela se baseia na aplicação de metodologias científicas focadas nos níveis de organização biológica que abrangem os processos, funções e interações essenciais entre os organismos e seu ambiente. Ela reconhece que os seres humanos, com sua diversidade cultural, são uma parte integrante dos ecossistemas. A Abordagem Ecossistêmica pode ser entendida em termos de seus 12 Princípios e cinco pontos de orientaçãooperacional.

CINCO PONTOS DE ORIENTAÇÃO OPERACIONAL I. Manter o foco nas relações e processos internosdoecossistema. II.Aprimorararepartiçãodosbenefícios. III.Usarpráticasdegestãoadaptativas. IV. Executar as ações de manejo na escala apropriada à questão abordada, levando a descentralizaçãoaonívelmaisbaixopossível. V.Asseguraracooperaçãoentresetores.

Conclusão Examinando as metas do Plano Estratégico, fica claro que, embora existam avanços em algumas áreas, são urgentemente necessárias mais ações em nível nacional. É no nível nacional que a Convenção deve ser focada, e onde podem ser obtidos resultados tangíveis para a biodiversidade. A ação em uma área em particular parece ser essencial: a transversalização da biodiversidade para fora do domínio ambiental no sentidoestrito,eparatodososplanosepolíticassetoriais (Metas 3 e 1 do Plano Estratégico). A transversalização não apenas promete reduzir os impactos diretos sobre a biodiversidade, como também aumentará a percepção da importância da biodiversidade (Meta 4). Uma compreensão melhor do valor da biodiversidade pode traduzir-se no aumento da vontade política para implementar mudanças, e para mobilizar recursos adicionais (Meta 2), necessários para um progresso real. O potencial para transversalizar a biodiversidade para os principais setores é explorado no próximo capítulo, como parte de uma avaliação geral das perspectivas e desafiosparaalcançarametade2010.

Resumo das principais conclusões sobre a biodiversidade da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio na biodiversidade

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perdas de biodiversidade e a redução dos 2 Asserviços ambientais são preocupantes para o bemestar humano, especialmente para o bem estar das pessoas mais pobres; custos da perda de biodiversidade que pesam 3 Os sobre a sociedade são raramente avaliados, mas as evidências sugerem que esses custos são freqüentemente maiores do que os benefícios obtidos através da modificação de ecossistemas; fatores causadores da perda de biodiversidade 4 Os e os fatores indutores de mudanças nos serviços ambientais estão estáveis, ou não mostram sinais de declínio ao longo do tempo, ou estão aumentando em intensidade; opções bem-sucedidas de resposta foram 5 Muitas utilizadas, mas para avançar ainda mais nos esforços de enfrentar a perda de biodiversidade será necessário implementar ações adicionais para abordar os principais fatores causadores da perda de biodiversidade; e

significativa da taxa de perda de biodiversidade em todos os níveis.

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está sendo perdida num ritmo 1 Asembiodiversidade precedentes na história;

adicionais sem precedentes serão 6 Esforços necessários para alcançar, até 2010, uma redução

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PERSPECTIVAS PARA ALCANÇAR OS OBJETIVOS DA ESTRUTURA DA CDB PARA AVALIAR O PROGRESSO EM DIREÇÃO À META DE 2010 PARA A BIODIVERSIDADE

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Cinco abordagens principais para reduzir a perda de biodiversidade: 1. Agricultura sustentável e eficiente: aprimorar a eficiência do uso d a terra, da água e dos nutrientes na agricultura, incluindo aqüicultura e monoculturas; 2. Planejamento em escala de paisagem: proteger áreas de alto valor para a biodiversidade e aquelas que produzem serviços ambientais essenciais, usando ao mesmo tempo as terras já convertidas, inclusive as terras degradadas, para expandir a agricultura, incluindo aqüicultura e monoculturas; 3. Consumo sustentável: limitar o consumo excessivo de energia, madeira e alimentos, especialmente carne, pelos setores mais ricos da sociedade. 4. Cessar a explotação excessiva de recursos selvagens, em particular a pesca excessiva e as práticas destrutivas de pesca. Expandir as áreas protegidas marinhas. Cessar o uso de espécies e populações ameaçadas. 5. Proteger e restaurar ecossistemas críticos que fornecem recursos para as pessoas pobres, permitem adaptações às mudanças climáticas, e fornecem bens e serviços ambientais.

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Não somos os únicos Para Braulio Dias, diretor de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, as metas firmadas em 2006 devem ser analisadas com uma abordagem alternativa. “Elas devem ser vistas como uma primeira etapa de um longo processo de mudança de paradigmas, de como as sociedades e os governos usam a biodiversidade. Na COP 10 – a próxima reunião da CDB, deveremos aprovar um novo plano estratégico da convenção com metas para 2020 e 2050", ponderou. Sobre o fato de que o Brasil deixará de cumprir as metas firmadas há três anos, Dias lembrou que a tendência é a de que esta seja uma realidade mundial. "No mundo inteiro a gente já sabe que não vai atingir as metas". Fabio Scarano, diretor-científico do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, órgão vinculado ao governo federal, argumentou que parte da lição de casa está sendo feita. "A primeira lista de espécies de plantas do Brasil, que terá mais de 40 mil nomes, ficará pronta em dezembro, dez meses antes de Nagoya", contemporizou.

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BRASIL DESCUMPRIRÁ META PARA O MEIO AMBIENTE

Desmatamento na Amazônia ainda persiste

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Especialistas da área de meio ambiente adiantam afirmando que o Brasil descumprirá as promessas de preservação assumidas em 2006, diante da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) – o mais importante acordo mundial para a gestão da fauna e flora do planeta. No ano que vem os membros do tratado terão que prestar contas sobre as metas que estabeleceram para si, em eventodaCDBaserrealizadoemNagoya,noJapão. Há cerca de três anos, o governo brasileiro havia prometido zerar o desmatamento da mata atlântica e reduzir, em 75%, as áreas desmatadas da Amazônia. Em meados de 2009, já há a certeza de que esses objetivos deixarão de ser cumpridos até o encontro de 2010. "A internalização da CDB aqui no Brasil foi extremamente mal conduzida pelo governo", afirmou recentemente ao jornal Folha de S. Paulo, Carlos Joly, botânico e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ele, que acompanha as políticas para a biodiversidade há décadas, o país deixará de atingir as promessas de 2006.

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Já Charles Clemente, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, preferiu analisar um suposto fracasso do CDB como um todo, incluindo seus efeitos na Amazônia, no Brasil e no restante do mundo. “A taxa de extinção continua a aumentar e os benefícios econômicos esperados não aparecem em uma velocidade apropriada para frear esse processo”, comentou. Ele também criticou a burocracia, que prejudica o trabalho dos cientistas. “Não já pesquisa, basicamente, porque ninguém consegue as licenças para as coletas na mata".

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Cinco espécies de aves são registradas pela primeira vez no Brasil Tese de doutorado mapeia 655 espécies de aves no Acre, rastreia os dados mais antigos já produzidos sobre o tema e realiza novos levantamentos em regiões que ainda não haviam sido visitadas por ornitólogos

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biólogoEdsonGuilhermeda Silva defendeu recentemente no Museu Goeldi, a tese “Avifauna do Estado do Acre: Composição, Distribuição Geográfica e Conservação”, sob a orientação do prof. Dr. José Maria Cardoso da Silva, no âmbito do Programa de Pós-Graduação de Zoologia, mantido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). A pesquisa objetivava contribuir para o conhecimento da avifauna do sudoeste amazônico respondendo a questões sobre quantas e quais são as espécies de aves do Acre, e como as espécies estão distribuídas dentro do estado.

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“Ao final dos trabalhos, 655 espécies foram confirmadas para o Acre [distribuídas em 73 famílias e 23 ordens], sendo que cinco destas foram registradas pela primeira vez em território brasileiro”, conta o pesquisador, que é professor do Departamento de Ciências da Natureza da UniversidadeFederaldoAcre(UFAC).

Registro de todas as localidades rastreadas durante este estudo onde ao menos uma espécie de Ave foi observada e identificada dentro do estado do Acre desde 1951

Cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla). Espécie frugívora amplamente distribuída no sub-bosque das florestas do estado do Acre Fotos Edson Guilherme da Silva

O Acre O Acre está situado no sudoeste da Amazônia e faz fronteira internacional com o Peru e a Bolívia.Trata-se de uma região reconhecidamente biodiversa localizada nas terras baixas da região amazônica, próxima ao sopé dos Andes. Embora a região seja considerada pelas instituições ligadas as questões ambientais como sendo prioritária para a realização de novos levantamentos biológicos, poucos estudos têm sido realizados nessa partedaAmazôniabrasileira.

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Flautim-rufo (Cnipodectes superrufus). Espécie descrita para ciência em 2007 a partir de registros feitos no Peru. No Brasil, esta espécie só é conhecida a partir dos registros feitos no estado do Acre

O autor da tese explica que o Acre foi o Estado da região amazônica que mais tardiamente recebeu a visita de ornitólogos. Segundo Edson, o conhecimento sobre as aves do Acre era escasso e estava disponível de forma difusa em poucos artigos científicos, em relatórios técnicos não publicados ou a partir de espécimes encontrados em diversos museus de história natural do Brasil e do exterior. “Diante disso, era urgente e necessário realizar um trabalho que pudesse reunir o quejáhaviasidoproduzidoecoletarnovosdadosdentro doEstadoemáreasaindanãovisitadasporornitólogos”. Além de organizar a informação que estava dispersa sobre a avifauna do estado, o novo doutor da UFAC foi o primeiro a realizar um inventário das aves da região central do Acre, situada no interflúvio entre os rios Juruá e Purus – pois, até então, só as porções oeste e leste do estadohaviamsidoinventariadas.

A pesquisa Para realizar o estudo, Edson organizou uma ampla revisão bibliográfica, realizou dois anos de levantamentos em campo, que incluiu busca de registros e coletas de espécimes testemunhos, e também confeccionou o mapa de distribuição de cada espécie. Após o término da revisão bibliográfica e das expedições em campo, que tiveram início em agosto de 2005 e se

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Localização Geográfica do estado do Acre

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Vista panorâmica de um ambiente conhecido como “Campina”, localizado próximo ao Igarapé Cruzeiro do Vale no Município de Porto Walter, Acre. O estudo realizado por E. Guilherme mostrou que apesar de algumas espécies de aves serem restritas as Campinas do oeste do Acre este tipo de ambiente está fora das atuais Unidades de Conservação do Estado

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Arapaçu-de-tschudi (Xiphorhynchus chunchotambo). Esta espécie era conhecida apenas do sopé dos Andes no Equador e Peru e foi registrada pela primeira vez no Brasil a partir da realização deste estudo

estenderam até dezembro de 2007, foram compilados 7.141 registros de aves para o todo o estado do Acre. “Destes registros, 4. 623 são de espécimes coletados, dos quais, 2.295 (49,6%) são oriundos de coletas feitas durantearealizaçãodesteestudo”,especificaoautor.

Os resultados A pesquisa registrou 59 espécies migratórias, das quais, 30 (50,8%) são migrantes neárticas (aves provenientes do hemisfério norte), 11 (18,6%) foram consideradas como migrantes intratropicais, e 18 (30,5%) como migrantes austrais (provenientes do sul da América do Sul). E o pesquisador ainda completa: “Nós aumentamos de 09 para 19 o número de localidades inventariadas com mais de 100 espécimes coletados dentrodoEstado”.

O autor destaca como principais conclusões do seu estudo:queariquezaavifaunísticadoestadodoAcrejáé bastante expressiva, porém, o número de espécies detectadas deverá aumentar à medida que novos levantamentos forem realizados; e que os rios Purus e Juruá não são as barreiras físicas que determinam o padrão de distribuição da maioria das aves residentes no estadodoAcre. A tese de Edson também apresenta uma análise de lacunas visando avaliar a eficiência do sistema de áreas protegidas do Estado na conservação das aves florestais residentes no Acre. Descobriu-se, a partir das análises, que o conjunto de todas as áreas protegidas (Unidades de conservação e Terras indígenas) ocupa uma área capaz de proteger quase 90% das aves florestais residentes no Estado.“Apesar disso, observou-se que as aves associadas à vegetação de campinas e campinaranas do oeste do Acre estão desprotegidas

Floresta dominada por bambus. Cerca de 26 espécies identificadas no Acre são restritas a este tipo de floresta conhecida na região como “tabocal”. Como exemplos de espécies estritamente associadas aos tabocais do sudoeste amazônico citamos o “Flautim-rugo” e o Pica-pau-lindo

uma vez que estes ambientes encontram-se fora do sistema de áreas protegidas do Estado”, finaliza Edson que, agora, pretende retornar ao Acre, seu estado de origem, com o intuito de orientar alunos que estejam interessadosnoestudodasaves.

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Beija-flor topázio-de-fogo (Topaza pyra). Espécie capturada nas “Campinas” e “Campinaranas” do oeste do Acre

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Pica-pau-lindo (Celeus spectabilis). Espécie restrita às florestas dominadas por bambus no sudoeste amazônico

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Beraca vence prêmio de empreendedorismo em desenvolvimento sustentável conferido pela ONU

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Fotos: Arquivo Beraca

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íder global no fornecimento de ingredientes naturais e orgânicos provenientes da biodiversidade brasileira, a Beraca foi uma das v e n c e d o r a s d o S E E D Aw a rd s d e Empreendedorismo em Desenvolvimento Sustentável, prêmio criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em reconhecimento a projetos inovadores, ambientalmente responsáveis e que promovem práticas sustentáveisnasáreasemqueatuam. Na quarta edição do prêmio, 20 iniciativas locais de países em desenvolvimento foram selecionadas entre 1100 projetos de todo o mundo por um júri internacional independente. Juntos, os vencedores cobrem uma vasta gama de modelos de negócios promissores que visam combater a pobreza através do usoracionalderecursosambientais.

O projeto A Beraca foi premiada por seu projeto“Uso sustentável de sementes da Amazônia”, desenvolvido na Ilha de Marajó, no Pará. Os habitantes da ilha sempre dependeram da pesca para garantir sua subsistência e sofriam para enfrentar os períodos de migração dos peixes. A Beraca enxergou uma oportunidade de transformar a coleta de sementes de andiroba, prática tradicional na região, em uma fonte alternativa de renda paraascomunidades. Atuando no treinamento dos habitantes e na transferência de tecnologia, a empresa incentivou a criação de uma cooperativa, a Coopemaflima, e possibilitou que a extração do óleo proveniente das sementes usadas pela indústria cosmética fosse realizada dentro própria comunidade. Atualmente, a Beraca compra 500 toneladas de sementes da cooperativa por ano, beneficiando cerca de 1.000 habitantes. O resultado foi o aumento da conscientização ambiental e da renda da população local, diminuindo sua vulnerabilidade a eventuais reduções na atividade econômica. A Beraca também auxiliou a comunidade a obter certificações orgânicas e ambientais para as matérias-primas coletadas, colaborando para o aumentodovaloragregadodosprodutos. “Um dos compromissos da Beraca é investir em projetos que promovam desenvolvimento regional. Estamos orgulhosos por representar o Brasil nesse importante Catando semente de andiroba em praia do Marajó

Óleo de andiroba

trabalham para combater a pobreza e a marginalização e administram recursos naturais de forma sustentável. A SEED também cria instrumentos de aprendizagem para a vasta comunidade de empreendedores sociais e ambientais, visando inspirar abordagens inovadoras paraodesenvolvimentosustentável.

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Sobre a empresa

prêmio, com um projeto que contribui diretamente para a preservação da maior floresta tropical do mundo”, afirma André Sabará, Coordenador de Responsabilidade Corporativa da Beraca. “Somente através de parcerias que reconheçam a importância do investimento nas comunidades e cooperativas é possível promover a dignidade, gerando conscientização e preservando o meioambiente”,completaSabará. Segundo Olav Kjørven, Secretário Assistente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o

objetivo do SEED Awards é promover idéias de negócios que serão sementes para as futuras economias e instrumentos chave para que alcancemos as Metas de Desenvolvimento do Milênio. “Este é um grupo de empreendedores inspirador, que demonstra que sustentabilidade ambiental e sucesso empresarial podemserobjetivossinérgicos”,afirmaele.

Sobre o prêmio OSEEDAwardséumprograma criado pela SEED Initiative, parceria entre a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos RecursosNaturais(IUCN)eduas redes de desenvolvimento global criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU): o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Programa das Nações UnidasparaoMeioAmbiente(PNUMA). A SEED Initiative identifica e apóia empresas locais promissoras de países em desenvolvimento que

A Beraca é uma empresa genuinamente brasileira, com abordagem internacional, que há mais de 50 anos investe no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no país. Oferece ingredientes, produtos e serviços a diversos mercados, atuando em quatro divisões: Animal Nutrition & Health, Food Ingredients, Health & Personal Care e Water Technologies. Presente atualmente em mais de 40 países, a Beraca agrega valor a um grande Olav Kjørven

númerodemarcaseprodutosemtodoomundo. Por meio de sua divisão Health & Personal Care, é uma das principais fornecedoras de ingredientes naturais e orgânicos provenientes da Amazônia e de outros biomas brasileiros para a indústria cosmética, farmacêutica e de fragrâncias. Em 2004, a Beraca obteve o selo FSC, concedido pelo Forest Stewardship Council. Dois anos depois, recebeu a certificação USDA/Ecocert para sua linha de ingredientes orgânicos, o que aumentou a competitividade da empresa no crescente cenário internacional de produtos naturais. No ano passado, a Beraca se aproximou ainda maisdomercadoeuropeucomaaberturadesuaprimeira filialnoexterior,emParis. 100

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Valter Cardeal, presidente da Eletrobrás), Adhemar Palocci, diretor de Engenharia da Eletronorte, André Farias, secretário de Integração Regional do Estado do Pará, deputado Paulo Rocha e o deputado Wandenkolk Gonçalves

BANCADA DO PARÁ LUTA PELA CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE

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urante a XI I Marcha dos prefeitos que aconteceu recentemente e m B r a s í l i a , o coordenador da bancada do Pará promoveu uma reunião entre os três consórcios de prefeituras do Estado. O objetivo desse encontro foi garantir que tanto o governo do Pará quanto a Eletronorte e a Eletrobrás possam continuar trabalhando em busca de levar o desenvolvimento para os municípios. O deputado Paulo Rocha propôs a realização de um seminário entre o Ministério Público do Pará e a população das cidades de Altamira,Vitória do Xingu, Pacajá, Anapu, Novo Progresso, Pacajá, Gurupá, Medicilândia, Brasil Novo, com a finalidade de convencer a Justiça Federal do Estado a retirar a ação q u e s u s p e n d e u o processo de licenciamento de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. “Essa medida liminar impede o Ibama e as Centrais Elétricas do N o r t e d o B r a s i l ( E l e t r o n o r t e ) , d e realizarem qualquer atividade relacionada ao empreendimento, inclusive as reuniões marcadas com as comunidades da região para discutirem os 70| REVISTA AMAZÔNIA

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impactosdessaconstrução,querepresentaachegada do crescimento econômico na região do Xingu”, argumentouodeputado.

Instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu (PA) deverá inundar uma área total de 440 km2 - um terço da área de Itaipu. Estudos dos anos 80 previam a inundação de 1.225 km2. A usina hidrelétrica de Belo Monte deverá gerar 11 mil megawatts

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PAC retoma obras fundamentais para a Amazônia

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m dos empreendimentos regional de abrangência nacional nos eixos de infraestrutura logística, energética e social, o aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, na bacia hidrográfica do rio Xingu, no Pará, deverá entrar em processo de licitação daqui a dois meses. A União conseguiu derrubar no início de agosto a liminar que impedia o licenciamento ambiental do projeto da hidrelétrica. Com essa liberação, a licitação será liberada emoutubrodesteano. Rodovia Transamazônica

O governo Lula, considerando Belo Monte como de interesse estratégico no planejamento de expansão da oferta de energia no País e fundamental para o desenvolvimento da região amazônica, incluiu essa histórica demanda de altíssimo investimento no Programa de Aceleração do Crescimento. Outros grandes projetos do governo federal para a Amazônia também foram estrategicamente incluídas no PAC, como a construção das eclusas da hidrelétrica deTucurui eaconstruçãodahidroviaAraguaiaTocantinsearodovia Transamazônica. Não estou falando de projetos novos, mas da determinação de retomar essas obras, enfrentar problemas e a dificuldade de carrear a verba pública para projetos antigos, inacabados, mas fundamentais para o tãofaladodesenvolvimentodaAmazôniaedoBrasil. Caminhamos em direção da democracia. Passamos daquele tempo em que governo, pela presunção de legalidade e autoridade, definia obras e projetos de forma arbitrária. Por isso, agora, com a liberação de Belo Monte, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos NaturaisRenováveis(IBAMA)vairetomaracontagemdos

dias de publicação dos estudos ambientais do projeto para a realização de audiências públicas, envolvendo, sobretudoapopulaçãodaregiãodoXingu. O projeto foi reformulado, a área inundada baixou em dois terços, de 1,2 quilômetros quadrados para 400 quilômetros quadrados e representa a substituição de termelétricas, muito poluentes, por uma fonte hídrica, mais barata e limpa. A expectativa é continuar a adequação do projeto a partir das contribuições obtidas nodebatepúblico. Ao lado do aumento da oferta de energia, a hidrovia e as eclusasvãocontemplarahistóricareivindicaçãodopovo do Pará, que é a verticalização da cadeia do ferro a partir da construção de uma siderúrgica. Nesse contexto, a construção da hidrovia Araguaia-Tocantins é estratégica. A hidrovia beneficiará não só a Amazônia como o País, vai integrar cinco estados, do Mato Grosso ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, município do Pará. Não há como falar em hidrovia sem falar em eclusas. Para tornar possível a hidrovia é fundamental restituir a navegabilidade do rio Tocantins, interrompida com a construção da maior hidrelétrica nacional, a de Tucurui, sudeste do Pará. Para tornar viável essa navegabilidade, ou seja, para se retomar o aproveitamento hidroviário do Tocantins é preciso a construção de duas eclusas, construírem elevadores de água, transpor os desníveis entre o rio e a altura da hidrelétrica. O projeto custa R$ 840 milhões e será sem dúvida uma das maiores obras

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Deputado Paulo Rocha (PT-PA), coordenador da Bancada do Pará no Congresso Nacional

deengenhariadoBrasil. Com as eclusas concluídas, previsão para o ano que vem, a hidrovia será a principal via de escoamento de produtos, como por exemplo, grãos do Centro-Oeste, para exportação, pelo porto de Vila do Conde. Para isso, também incluído no PAC, foi está sendo construída uma rampa,orçadaemR$7milhõeseampliadoumpíer. O governo Lula atendendo reivindicação do governo do Estado e da nossa bancada federal, incluiu essas históricas e fundamentais obras no seu maior programa de governo, o PAC, por ter o entendimento de que não é possível alavancar o desenvolvimento do País sem atacarasdesigualdadesregionaisexistentes. (*) Coordenador da Bancada do Pará no Congresso Nacional

Os paredões da Eclusa de Tucurui Hidrovia Araguaia Tocantins

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Bons frutos para as populações tradicionais na Amazônia

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Na audiência pública sobre os povos tradicionais realizada na ALEPA pelo Dep Airton Faleiro

Para Faleiro, o setor extrativista foi um dos que mais se fortaleceu através de políticas públicas Fotos David Alves/Ag Pa, Klauter Machado

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m primeiro lugar devemos falar do movimento liderado por Chico Mendes que coloca a Amazônia e as populações tradicionais como parte da meio ambiente. Existia um movimento na época em defesa do meio e o Chico Mendes defendeu uma outra concepção que colocava as populações tradicionais como parte integrante do meio ambiente e liderou um movimento sócio ambientalista. E esta tese ganha força internacional e neste momento ele prova que é possível uma convivência harmoniosa dessa população com o meio ambiente, inclusive mostrando que esta população pode ser a grande guardiã da

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floresta e do desenvolvimento. Assim se criou uma nova visão em que as populações são vistas como aliadas da floresta e do desenvolvimento sustentável. Este movimento sócio ambiental ganha, além do debate teórico de concepção de desenvolvimento, visibilidade internacional e depois ganha corpo e se consolida como ator social no Brasil. E quando se cria o CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros) surge uma forma de dar organização para estenovoatorsocial. Outro aspecto importante são as conquistas práticas deste segmento, um grande avanço na conquista dos seusterritóriosedosrecursosnaturaisquecompõeesses territórios e isso se traduz em reservas extrativistas florestais e marinhas. Na Amazônia como um todo nós temos um elevado número de hectares destinados a essas populações. A inclusão dessas populações das resex como um público integrante da reforma agrária que vai além das reservas como os programas de desenvolvimento sustentável defendidos pela irmã Dorothy que é uma modalidade de reforma agrária, como os projetos de assentamento agroextrativista, permitiu a criação de várias modalidades de reforma agrária para adaptar a realidade dessas populações. E na medida em que essas populações adquiriram as terras e os recursos dessas terras, foram sendo incluídas

noprogramadepolíticaspúblicas. O grande desafio agora é concluir esse processo de regularização, pois muitas dessas áreas ainda não foram regularizadas. Há também o aspecto da adequação da Governadora Ana Júlia Carepa no 2º Congresso das Populações Extrativistas

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Conquistas nos governos estadual e federal:

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»Inclusão na política de regularização

fundiária, »Política Geral de Preço Mínimo, »Política de crédito da Reforma Agrária -

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Ainda na audiência pública sobre os povos tradicionais

Pronaf. Habitação; »Política de Comunidades e Povos Tradicionais; »Política Estadual de Fomento ao Extrativismo; »Política de Manejo Florestal Comunitário e Familiar.

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Áreas criadas para populações extrativistas »São 68 Reservas extrativistas federais cobrindo uma área 12.994.045 representando 2.49% da Amazônia Legal. »O Estado do Pará conta atualmente com 19 Resex. Até ano que vem, este número deve chegar a 50. Extrativismo no Pará »500 mil pessoas vivem do extrativismo. »Já foram regularizadas mais de 5

milhões de hectares de áreas de reservas floresta e marinha.

própria legislação do plano de manejo dessas unidades de conservação mas o principal é o apoio para viabilidade econômica pois essas pessoas têm que melhorar a qualidade de vida. Eles têm que produzir mais, tem que vender melhor e industrializar os produtos.

Faleiro comemora os bons frutos para as populações tradicionais na Amazônia

O próximo dia 5 de setembro em se comemora o Dia da Amazônia é mais uma oportunidade para debater soluções para a sustentabilidade na região amazônica. Conclamo aos povos da floresta que neste dia possamos refletir sobre os caminhos para uma Amazônia sustentável que é o que nós e omundotodoquer.

Política Nacional de Desenvolvimento para os Povos Tradicionais 1) Garantia de acesso a territórios tradicionais e aos recursos naturais; 2) Infraestrutura; 3) Inclusão social e educação diferenciada; e 4) Fomento à produção sustentável. A política entende por povos e comunidades tradicionais: indígenas, remanescentes de Quilombos, ribeirinhos, extrativistas, quebradeirasde-Coco-Babaçú, pescadores artesanais, seringueiros, geraizeiros, vazanteiros, pantaneiros, comunidades de fundos de pastos, caiçaras, faxinalenses, dentre outros, se constituindo em grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.

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Minhas Amigas Árvores

ossa amizade é bem antiga e vem de minhas andanças, naveganças e avoanças nas Terras Remotas da Linha doEquador. Nas águas doces da Ilha do Mosqueiro, nas ondas encrespadas do Cabo do Maguari na Contra Costa da Ilha Grande do Marajó, no furo do Maracapucu, na região da ilhas do Baixo Tocantins, nas alvuras das praias de rio e igarapés, no lago Verde de Alter do Chão, na ilharga da Caiçara do rio Jutuba, no lameiro do manguezal de Ajuruteua, onde deixei um grande número de árvores que ficaram em minhamemória. Pequena Arvoreta A primeira delas é uma frágil arvoreta identificada em capoeira rala, nas margens da singela rodovia de terra batida que liga Belterra ao Porto de Pindobal. O seu fruto de pequeno tamanho, de cor pretinha, leva o nome, não sei bemoporquêdebafodeonça. Mureru-meira Encontrei na margem do rio de minha preferência, o Tapajós. Bordejei por ela as 70 vezes em que viajei por esse rio, onde, fica Fordlândia ex-sede da Cia Ford Industrial do Brasil e que foi base de de operações da SOPREN, juntamente com Belterra e a Fazenda de Daniel de Carvalho. Em sua floração se sobressai,pelacoloraçãolilás. Filhotão de Pau-mulato Com certeza gerado de remanescente que existia no furo do Maracapucu-Mirim, na região

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Pau-mulato

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A Filha do Cacique Resguardada por bela lenda e o douto parecer do patrono dos sanitaristas brasileiros, Oswaldo Cruz, que não deixou por menos e mandou dizer escritamente para sua esposa em carta que enviou de Belém quando aqui esteve de passagem, convocado pelo governo brasileiro para colaborar no combate à malaria e ao beriAçaizeiro a mais bela de todas as palmeiras brasileiras

Mangueira Mangífera índica

das ilhas do Baixo Tocantins paraense, nos tempos da Amazon Reaver Steam Navigation, usado nos navios como combustível abastecidos no chamado porto de lenha, desde o Amapá até rios acima. Graças a esse filhotão, também conhecido como mulateiro ou escorrega macaco, e por ser região operacional da SOPREN e aproveitando as mudinhas que ficaram debaixo da árvore, iniciou-se a distribuição da espécie em diferentes regiões do Pará e Amapá. Destacando-se o Bosque só dessa espécie formada às margens do igarapé Tucunduba que corta a Universidade Federal do Parácomasquaistenhotidoboasconversações. Mangueira da Cachoeira de Salto Teotônio, no rio Madeira O amazonólogo Paulo Cacalcante, em um dos seus trabalhos informa que a manga e a mangueira chegaram em nosso país por intermédio de nautas lusitano, trazidas da Índia e do Industão e pelo jeito encontraram agasalho em tudo o que é fim de mundo destas terras mais do que remotas. Elas se comportaram tão bem que a maioria dos brasileiros e, evidentemente, os amazônidas a consideram nativa. Uma coisa é certa porém, foi a mais importante das árvores que encontrei em minhas andanças e naveganças, por sua importância na alimentação e no embelezamentoderuas,praçaseavenidas. De todas as árvores dessa espécie de Mangífera índica foi a mais bela e robusta que encontrei por estas bandas. Foi me dito por lá que ela apresenta essas características por ter uma deusaprotetora.

beri que grassavam entre os construtores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, sobre a qual seespalhavamasmaisterríveisnotícias. O cientista informou ainda que o açaizeiro era a mais bela de todas as palmeiras brasileiras e considerou o plasmodium como verdadeiro duende amazônico que ainda hoje nos atormenta. Minha Amiga Solitária Bem na boca do antigo rio das Trombetas, na cruza com o Amazonas Velho de Guerra, existe

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Samaumeira


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pequena bacia no maior dos rios que de longe pode ser observada: uma bela samaumeira que servedemarcoparaorumoaseguir. A Bela Árvore dos Poetas A chamada Platonia insignes (o bacurizeiro) é de enorme importância na frutaria parauara. Desta vez, minha amiga fica mais chegada ao coração pois foi localizada em cruzamento de duas avenidas no coração da cidade de Santa MariadeBelémdoGrãoPará,ondeexisteamais bela praça da cidade, e que já foi considerada a mais bonita do Brasil. É a única existente em praça de Belém e já serviu de motivo para concurso de poesia promovido pela SOPREN e AcademiaParaensedeLetras. Minha Amiga de Brasília Legal Como foi dito e redito, o rio Tapajós é de minha maior preferência entre todos os afluentes do Amazonas. Em barranco alto, perto de Fordlândia está situado o Ponto de Brasília Legal que não tem nada a ver com a nossa capitalfederal. Em pequeno jardim situado bem em frente ao rio, uma árvore de fruta saborosa, uma araçazeiro cujo o fruto lembra uma pêra. Foi de lá de perto dessa amiga árvore que coletei seixo rolado assim como pequena tora de mogno que foi transformada por artesão local em imagem de Nossa Senhora de Nazaré e ofertada ao Papa JoãoPauloIIquandoestevenoPará. Árvore Sagrada Pelo menos para aqueles que foram destruídos pelos conquistadores espanhóis que se diziam estar sob a proteção de Nuestra Señora de Guadalupe, La Morenita, agora Padroeira de toda a América Latina, o povo de lá de cima, ou

Na estrada de rodagem que liga Santarém a Belterra existia magnífico exemplar de castanheira, excelente fonte de alimentação e de renda para o país. Por ser a única existente ao longo dessa rodovia, Presidente Militar foi levado a visitá-la. Infelizmente esse exemplar nãoexistemais. Recordando Outra Amiga Na questionável primeira rua de Belém, situada entre o Museu de Arte Sacra e o Forte do Castelo, hoje completamente restaurados, lembro que

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Araçazeiro

seja, de perto dos Andes, consideravam a samaumeira a escada para que pudessem entraremcontatocomseusdeuses. O Tajá-Fantasma Muito embora não seja uma árvore no sentido da palavra, pois se trata de um Tajá dos botânicos, sem tronco rígido, ou galhos, é relacionado muitas coisas estranhas que dizem aseurespeitonoTapajós. Identifiquei um deles em pequeno cemitério na beira de barranco que somente nos dias de finados, perto da fazenda Daniel de Carvalho, recebe tratamento especial com caiação e flores, pelo nome nativo indígena, o visitante já Taja-panema

Platonia insignes, o bacurizeiro

fica meio assustado pois trata-se de tajapanema, que significa falta de fonte de sorte, azar e que durante a noite emite gemido meio lúgubrequepõeopessoalpracorrerdolocal. A rainha das árvores Com copa típica dos modernos pára-quedas, uma das mais importantes árvores da Amazônia, superada, as vezes pela seringueira, a castanheira esta sendo brutalmente agredida e o famoso polígono dos castanhais já foi reduzido a nada e a madeira entra nas serrarias com o nome de cedro vermelho, artifício usado pelos madeireiros que bream (enlameam) as toras para dizer que são retiradas do lago e vendidas.

Castanheira, Bertholletia excelsa

desde os tempos de criança, meus irmãos, meus amigos e eu andávamos por uma belíssima Acra sapota dos botânicos, a sapotilhiera, cujos frutos era saboreados por nos. Apesar de ser considerado histórica, a rua, segundo opiniões contraditórias, foi a primeira de Belém. Uma coisa é certa, temos saborosas lembranças dessa fruta que infelizmente desapareceu também dos quintais de Belém que portavam variedades de árvores frutíferas, mas que devido a especulação imobiliária, foram dizimadas. Outra amiga de bem perto dessa rua onde fica verdadeira jóia da arquitetura jesuítica do Pará e da Amazônia, a Sé Catredal, estáemfasedeacabamentoderestauro. Alguém teve a infeliz idéia de derrubar outra árvore, uma goiabeira, muito freqüente de pequeno jardim que ladeia parte da Sé, e que bempoucosguardamnalembrança. Essa árvore, juntamente com sua companheira da provável primeira rua, não são nativas da região,foramtrazidaspeloscolonizadores.

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Acra sapota, a sapotilhiera

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Amazônia terá o zôo mais moderno do Brasil

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O espaço vai contar com um Centro de Pesquisas Ambientais do Centro Universitário da Ulbra de Manaus

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Fotos Ulbra Manaus

zôo do CIGS foi criado pelo Comando Militar da Amazônia nos anos 60 como um centro de treinamento para especialistas em operações de selva. "Era um 'depósito de animais' para atender às necessidades de instrução básica em fauna e flora", afirma o Comandante Antônio ManueldeBarros. Desde esse período, os animais que vivem no CIGS são resultado de apreensões do Ibama ou da iniciativa da população que encaminha animais feridos para que recebam cuidados no Centro. O CIGS possui biólogos e veterináriosespecializadosemanimaisselvagens. "Nos anos 90, o nosso zoológico foi remodelado e foi criado o espaço que existe hoje, apto para atender ao público, mas já não temos mais espaço para receber animais adequadamente", diz o Comandante Barros. Atualmente, o CIGS possui 172 animais de 54 espécies diferentes, todos da fauna amazônica. Com a expansão o zôo terá capacidade de receber um maior número de animais. Segundo o Comandante, o novo projeto - criado através de um convênio entre o CIGS e a Ulbra de Manaus e idealizado pelos arquitetos da Squadra Arquitetura pretende realizar um antigo sonho do Comando Militar da Amazônia: o de criar um zoológico digno da Floresta queocerca.

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Os recintos dos animais serão cúpulas de tela que reproduzem o habitat natural de cada espécie e respeitam o espaço e vegetação

Pensando nisso, os arquitetos Caio de Santi, Cristiano Santos e Marcos Cereto, elaboraram um projeto que visa, principalmente, criar um espaço que respeite a natureza utilizando o que existe de mais moderno em design e tecnologias para causar o menor impacto possível ao ambiente. "Queremos que o próprio zôo seja um

exemplodesustentabilidade",afirmaCaiodeSanti. Para isso, o projeto prevê reservatórios para o aproveitamento da água da chuva, uso de iluminação natural em todos os ambientes e painéis solares para geraraenergiaelétricaqueseráutilizadapeloparque. Os recintos dos animais serão elaborados com telas que cobrirão os ambientes sem danificá-los, preservando árvores, plantas e os próprios animais que terão uma reproduçãofieldoseuhabitatnatural. Os acessos aos recintos serão em forma de passarelas suspensas para causar o menor dano à vegetação e para evitar a necessidade de interromper o fluxo das águas. Assim, os visitantes terão uma visão ampla dos animais e dos espaços sem prejudicar o ambiente. Os espaços fechados, como auditórios e centros de pesquisa, terão ventilação natural cruzada para minimizar o uso de ar condicionado. Além disso, toda a madeira que será utilizada terá proveniência certificada e todos os resíduos produzidos serão separados respeitando a coleta seletiva. "A idéia é que todo o zoológico seja um ambiente de educação ambiental",dizCaiodeSanti. Todos os animais do zôo serão da fauna local contrariando o modelo de zoológicos pelo mundo que apresentam espécimes que não estão adaptados às condiçõesdoclimadasdiferentesregiões. Segundo o arquiteto Cristiano Santos, mais do que uma 'exposição de animais', o zôo pretende ser um espaço que atenda às necessidades deles, respeitando a sua saúde e a condições que eles necessitam para viver. "A anta, por exemplo, é um animal que precisa de pouca luminosidade. Nos zoológicos, geralmente, elas ficam

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expostas para que o público possa vê-las, mas isso prejudica o animal. Vamos recriar as condições ideais paracadaespécie",afirmaCristiano. Os recintos já existentes de animais como macacos, aves e jacarés serão reformulados para reproduzirem melhor o ambiente natural e esses conviverão juntos à outras espécies,comoocorrenanatureza. E o grande atrativo do local será o espaço dos aquários paraobotocor-de-rosa,opeixe-boieaquáriosmenores para mostrar a beleza dos rios amazônicos com sua variedade de peixes de grande porte e também os ornamentais.

Zoológico do CIGS - Centro de Instruções de Guerra na Selva

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Mantido e administrado pelo Exército Brasileiro, o zoológico foi construído em 1967, com o objetivo de proporcionar informações sobre a fauna amazônica aos alunos do Curso de Operações na Selva. Atualmente, possui cerca de 172 animais de 54 espécies

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As passarelas suspensas reduzem os danos causados pelos visitantes na vegetação e evitam o corte do fluxo das águas

General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia

O local terá um estacionamento com desenvolverem pesquisas acadêmicas espaço duplicado e um Centro de e trabalhos de iniciação científica que Acolhimento doVisitante que trata-se de contribuirãocomaexecuçãodoprojeto. um espaço coberto com as bilheterias, Segundo a diretora geral da Ulbra de auditório, lojas e praça de alimentação. Manaus, a professora Vera Heitor Com isso, promete ter uma estrutura Reinhardt a oportunidade de ímpar no Brasil, atraindo ainda mais os participar de um projeto desta turistasbrasileiroseestrangeiros. magnitude é único. "O que fica claro é Além disso, o espaço vai contar com um a grandeza deste projeto para o Estado Centro de Pesquisas Ambientais do Centro do Amazonas, para o Exército Universitário da Ulbra de Manaus, que brasileiro e para todos nós. Será um possibilita aos alunos dos cursos de Cel INF Antonio Manoel de zoológico modelo no Brasil e marcará Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Barros, Comandante do CIGS ahistóriadosacadêmicosdaUlbraque Engenharia Ambiental, Psicologia, Direito e Pedagogia participarãodele",afirmaVera.

"O projeto ainda está em fase de planejamento. As imagens ainda são conceituais", explica o arquiteto Marcos Cereto. "Mas temos a certeza de que será o zoológico mais moderno do Brasil, equivalente aos zoológicosdeprimeiromundo",conclui.

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Cientistas criam árvore artificial contra aquecimento global Absorveria mil vezes mais CO2 da atmosfera do que árvores comuns

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A árvore artificial deveria ser parte de uma estratégia global, diz Lackner

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Klaus Lackner, professor de geofísica da universidade Universidade de Columbia, em Nova York

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m grupo de cientistas da Universidade de Columbia,nosEstadosUnidos,anunciouter criado árvores artificiais que podem ajudar no combate ao aquecimento global, já que absorvem CO2 da atmosfera quase mil vezes mais rapidamentedoqueárvoresdeverdade. A estrutura tem galhos semelhantes aos de pinheiros, mas não precisa de sol nem água para funcionar. O segredo está nas folhas, feitas de um material plástico capaz de absorver dióxido de carbono, um dos principais gasesresponsáveispeloefeitoestufa. "Da mesma forma que o faz uma árvore natural, a medida que o ar flui pelas folhas, estas folhas absorvem o CO2 e o mantêm preso", explicou o cientista Klaus Lackner, geofísico do Centro de Engenharia da Terra da UniversidadedeColumbia,emNovaYork. No entanto, enquanto árvores e outras plantas armazenam o gás em seus tecidos, a árvore artificial guarda o CO2 em um filtro, que comprime o gás e o transformaemlíquido. Desta forma, o CO2 poderia ser enterrado e armazenado permanentementedebaixodaterra.

Tempo para novas tecnologias Embora alguns ambientalistas critiquem os métodos de enterrardióxidodecarbono,Lacknerafirmaqueousode suas árvores daria ao mundo tempo para encontrar

alternativas melhores, como, por exemplo, o desenvolvimento de energias "limpas", que não produzemgases. O grupo de pesquisadores americanos criou um protótipo pequeno, mas afirma ser possível produzir um modelomaior. "O que vejo a curto prazo é um aparelho do tamanho de um caminhão no qual se podem instalar as folhas numa caixa parecida com o filtro de uma caldeira. Cada máquina teria 30 filtros que juntos mediriam 2,5 metros dealturaeummetrodelargura",disseLackner. Esta torre de atuaria como um centro de captação ao ar livre, enquanto o CO2 capturado ficaria armazenado em outratorre. De acordo com Klaus Lackner, cada uma dessas árvores artificiais poderia absorver uma tonelada de dióxido de carbono por dia, tirando da atmosfera CO2 equivalente aoproduzidopor20carros. Isso significa que, para que a tecnologia tivesse algum impacto sobre o clima no planeta, seriam necessários milhõesdeunidadesdelas. No entanto, a tecnologia não é barata. Calcula-se que cada uma dessas máquinas custaria cerca de US$30 mil (quaseR$60mil). Mesmo assim, Lackner acredita ter em suas mãos uma

Como a nanotecnologia é a tecnologia do futuro, ela pode ser aplicada em vários domínios – no caso das energias renováveis, como nas árvores artificiais, são supostas para serem "mais poderosas do que eólicas, mais eficiente do que os painéis solares e muito mais prática e esteticamente agradável do que ambos. Embora o tipo de árvores artificiais são um conceito novo e futurista, combinando ambas as energias solar e eólica para aproveitar mais eletricidade, não é novo e parece que mais e mais empresas estão tentando pôr em novas formas para combiná-las de forma eficiente. As árvores artificiais ficarão apenas com a mesma regularidade árvores, porém, que irá agir como uma pequena usina que irá captar energia solar e eólica, graças à sua nanotecnologia. 78| REVISTA AMAZÔNIA

tecnologiaeconomicamenteviável. "O mundo produz cerca de 70 milhões de carros por ano, quer dizer, a produção de unidades neste patamar é certamente possível e também existe espaço suficiente nomundoparainstalarasmáquinas",disse. O pesquisador calcula que, se fossem instalados dez milhões de "árvores artificiais" no mundo, cerca de 3,6 gigatoneladasdeCO2seriamretiradasdoartodoano. Atualmente, o mundo produz 30 gigatoneladas de CO2 porano. Por isso, Lackner defende a sua invenção como parte de uma estratégia global, de forma a criar uma sociedade quesejaneutranaproduçãoeabsorçãodecarbono.

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Para melhor combater o aquecimento global, Universidade de Columbia geofísica professor Klaus Lackner tenha inventado o que ele chama de "atmosfera purificadores". Os filtros podem remover o CO2 da atmosfera de mil vezes mais rápido que os naturais das árvores - 90.000 toneladas por ano, equivalente às emissões de 15.000 carros.

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“Ao destruir a biodiversidade, os seres humanos hipotecam o futuro’’

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Entrevista com Jean-Christophe Vié, vice-diretor do Programa de Espécies da IUCN

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Quais são as principais ameaças à biodiversidade? "Por agora, as principais ameaças são a perda de habitat's, degradação dos solos, a sobre exploração dos recursos, tais como a sobre pesca nos oceanos, por exemplo. Quanto ao aquecimento global, vão ser acrescentadas mais causas às já existentes. A vida selvagem será a maior vítima das mudanças causadas pelo homem”

Que lugares serão afetados? "Depende dos grupos de espécies que estão a considerar. Mamíferos: Por exemplo, o principal está em declínio no Sudeste da Ásia, devido ao desmatamento. Anfíbios: Será bastante nos Andes e no Caribe, mas também em partes da Austrália. Para os corais, a maioria das espécies está na Ásia e, por isso, também existe o maior número de espécies ameaçadas de extinção. Contudo, corais são considerados equivalentes das florestas tropicais para o mar, porque é nos corais que são encontradasamaiordiversidademarinha".

Quais são as soluções? "Temos de parar de destruir habitat's, poluir rios... Nós realmente precisamos mudar a percepção do mundo e bem-estar dos homens e ir além do valor material e lucro imediato. Temos de criar áreas

protegidas, parques, reservas naturais. Para a pesca, é um pouco tarde...Temos de apelar a toda gente..., acho quenãotemoutraalternativa".

Quais as espécies de proteção? "É difícil se proteger uma formiga. Então às vezes eles optam por proteger um animal amigável, despertar mais interesse e, portanto, permite recolher mais dinheiro. Eles são conhecidos como espécies guardachuva, protegendo-os, nós protegemos seu habitat ecossistemas e, portanto, hospedeiros. Em outros casos, um território que é protegido com a criação de um parque,porexemplo.Epelaconscientizaçãodaspessoas paraumaexploraçãoracionaldosrecursos”.

que iriam zerar a mesma perda de biodiversidade. Tal é o caso da contagem regressiva (o countdown)que a UICN tenta pôr em prática e mobilizar o mundo inteiro para que a nomeação de 2010, que será ano dedicado à biodiversidade, não seja umfracassototal.

E nós? Qualquer pessoa pode contribuir para a preservação do planeta... "Chacun peut contribuer à la préservation de la planète. La nature a inventé un principe de base : l'économie. La nature ne gaspille jamais. Or, il faudrait qu'on se conforme à ceprincipe."

Como será em 2010? "Em 2002, na Cimeira de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável, os governos do mundo declararam que reduziriam significativamente a perda da biodiversidade até 2010. Os europeus anunciaram

Jean-Christophe Vié

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Temos de parar de destruir 80| REVISTA AMAZÔNIA

No Congresso mundial de conservação organizado pela UICN em Barcelona

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País pode gerar energia a partir do vento equivalente à produção de Itaipu

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Fotos Gervásio Baptista/ABr

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setor energético já recebeu 441 projetos para geração de energia elétrica pelo sistema eólico, pelo qual equipamentos captam a energia dos ventos para movimentar os geradores. Essa oferta, explicou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pode resultar em um potencial de 13.341 megawatts (MW), capacidade próxima da que é gerada pelaUsinaHidrelétricadeItaipu. O leilão que vai escolher as empresas que oferecerem os menores preços para instalação desses sistemas está marcado para o final de novembro, mas, segundo o ministro, ainda não está definido o potencial que será contratado, que pode ser de 3 mil MW a 4 mil MW, conforme a necessidade definida. A energia será interligada ao sistema de transmissão nacional, estando inscritos 322 projetos para a Região Nordeste (equivalente a 9.549 MW) e 111 projetos para aRegiãoSul(3.594MW). Já estão instalados no país, em diversos estados, sistemas de geração eólica com potencial para geração de 386 MW de energia eólica, volume que será elevado, até o final de 2009, para 427 MW, independentemente doleilãodenovembro. Em 2010, mais 684 MW serão gerados através dos captadores já existentes, que serão acrescentados ao

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Energia eólica A energia eólica provém da radiação solar uma vez que os ventos são gerados pelo aquecimento não uniforme da superfície terrestre. Uma estimativa da energia total disponível dos ventos ao redor do planeta pode ser feita a partir da hipótese de que, aproximadamente, 2% da energia solar absorvida pela Terra é convertida em energia cinética dos ventos. Este percentual, embora pareça pequeno, representa centena de vezes a potência anual instalada nas centrais elétricas do mundo.

sistema elétrico nacional, totalizando 1,4 mil MW de geração por meio do sistema eólico. A matriz energética nacionalconta,hoje,comageraçãode100milMWe,ao final de 2010, a contribuição da geração eólica para a matrizenergéticadeverásignificar1,4%dessetotal. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, fala sobre o leilão de Energia Eólica que será realizado em novembro

Ainda não está fixado o preço máximo da venda da energiaresultantedoleilão,quedeveráserdefinidoatéo final do próximo mês. Os projetos apresentados ao Ministério de Minas e Energia para geração via eólica se destinam aos estados da Bahia, Paraíba, do Ceará, Espírito Santo, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Sergipe. Lobão disse, ainda, que o Brasil tem potencial para geração de até 140 mil MW de energia eólica. Segundo ele, em todo o mundo, estão sendo gerados o total de 120milMWporviaeólica. A proposta inicial do Ministério era de que os projetos que vão se candidatar ao leilão envolvessem o compromisso de geração individual de 2 MW por catavento, mas, atendendo a um pedido dos empresários que vão participar da disputa, a exigência foireduzidapara1,5MW. Atualmente, a geração de cada unidade existente na

região litorânea brasileira, em diversos estados, não passa de 1 MW, mas a evolução constante da tecnologia nessa área poderá elevar bastante a capacidade individual dos cataventos, pois existem torres em outros países que são maiores que um avião Boeing 747, conformeexplicouoministro. 100

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Amazônia e Cataratas do Iguaçu finalistasdas 7 maravilhas da natureza

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Anavilhanas Localizadas no rio Negro

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Amazônia e as Cataratas do Iguaçu estão entre os 28 finalistas de uma pesquisa mundial para eleger as "Sete Novas Maravilhas da Natureza". A votação é feita pela internet (http://www.new7wonders.com ) e os vencedores serão anunciados em 2011. A região amazônica considerada para a votação inclui, além do Brasil, Venezuela, Suriname, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Equador, Colômbia e Bolívia, países da OTCA. As Cataratas do Iguaçu representam o Brasil e a Argentina, já que se localizam na fronteira entre os dois países. Os dois representantes brasileiros concorrem com o Grand Canyon (Estados Unidos), o Monte Vesúvio (Itália), a Grande Barreira de Corais (Austrália), o Mar Morto (Israel e Jordânia), o Monte Matterhorn (Suíça e Itália), o Monte Kilimanjaro (Tanzânia), entre outros. O Salto Ángel (Venezuela), maior cachoeira do mundo com mais de mil metros de altura e também localizada na Amazônia, concorre separadamente e igualmente está entre os finalistas. A votação é organizada pelo suíço Bernard Weber, que coordenou a eleição das Novas Maravilhas do Mundo, na qual o Cristo Redentor do Rio de Janeiro foi eleito. O site para votar é http://www.new7wonders.com/ (em inglês). Os vencedores serão anunciados em 2011.

VAMOS CONTINUAR

VOTANDO: www.new7wonders.com Em 2007, 100 milhões de pessoas votaram na escolha das Sete Novas Maravilhas do Mundo moderno. Os vencedores foram o Cristo Redentor (Brasil), o Coliseu (Itália), a Grande Muralha da China, o Taj Mahal (Índia), Petra (Jordânia), Machu Picchu (Peru) e a Pirâmide de Chichén Itzá (México).

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Cataratas do Iguaçu 82| REVISTA AMAZÔNIA

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Amazonia 15  

A Revista AMAZÔNIA é uma concepção de mídia que cobre uma lacuna sempre sentida por todos: a falta de informação utilitária, prática e dinâ...

Amazonia 15  

A Revista AMAZÔNIA é uma concepção de mídia que cobre uma lacuna sempre sentida por todos: a falta de informação utilitária, prática e dinâ...

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