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Editora Daniela Salsa Paginação Daniela Salsa Redactores Daniela Salsa Pedro Henrique Ribeiro Raúl Rodrigues Rui Veloso Patrícia Silvério Ana Mestre

Colaboradores Jéssica Silva Marco Claro Vânia Silva

Contacto radar-magazine@hotmail.com Facebook facebook.com/magazineradar

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Editorial Chegaram finalmente os dias quentes e com eles a boa disposição. Esta foi, talvez, uma das edições mais difícies de concluir mas nem os inúmeros imprevistos afectaram a vontade da nossa equipa de vos dar a conhecer mais projectos e talentos portugueses. Para inspirar os vossos outfits para este Verão, nada melhor do que dar um saltinho ao fantástico blog da jovem bracarense Nádia Sepúlveda, o famoso My Fashion Insider que todos os dias nos consegue surpreender com looks frescos e com um toque clean e minimalista. Mas como nenhum outfit está completo sem os acessórios, damo-vos a conhecer a La Bohe Mia, a loja online de produtos handmade e alternativos da talentosa Miriam Rodrigues. É um facto que aliada aos dias quentes está a vontade de por os pés fora de casa, e, por essa mesma razão, nada melhor do que calçar algo diferente e ao mesmo tempo confortável. A nossa sugestão? As Josefinas, as sabrinas portuguesas criadas pela jovem artista Filipa Júlio que além de serem visualvelmente agradáveis prometem ser boas companheiras em qualquer caminhada. Mas como transportar os nossos bens essenciais - ou não - já há muito que passou a ser uma necessidade, porque não apostar nos artigos Teresa Gameiro, que além de serem 100% portugueses são sustentáveis e ecológicos? E como o Verão e as viagens andam sempre de mãos dadas, a RADAR leva-vos a conhecer dois mundos distintos: o mundo de fantasia do fotógrafo André Varela e o mundo de aventura de Ana Morais do fantástico blog Tapas na Língua. Mas não ficamos por aqui, como poderão comprovar já a seguir! Boa Leitura!

Daniela Salsa.


Sumário

8 // Teresa Gameiro

32 // My Fashion Insider

68 // editorial: I’m not the only one

14 // La bohe mia

48 // André Varela

82 // Tapas na Língua

20 // josefinas

60 // RADAR eventos: clamp

98 // radar spots: la boutique


+ E AindA

94 // Radar tech 102 // Tretas para esquecer 104 // Receitas radar 108 // À Cabeceira 110 // Sugestþes radar 112 // Em cartaz 116 // no radar

40 // Editorial: over the city

54 // film review

78 // Album Review


PROJECTO EMPREENDEDOR

Teresa Gameiro UM PROJECTO ECOLÓGICO, SUSTENTÁVEL, DIFERENTE E 100% PORTUGUÊS TEXTO: DANIELA SALSA FOTIGRAFIA: TERESA GAMEIRO


Teresa Gameiro é natural de Leiria, tirou design de moda na Academia de Moda do Porto e modelação no Modatex, em Lisboa. Estagiou nos Burgueses em 2009, trabalhou para a marca Barena em 2010, em Veneza, e desde então que tem vindo a desenvolver vários projectos, em regime freelance, no seu atelier (Teresa Gameiro) em Lisboa. Recentemente, apresentou a sua colecção de Primavera - Verão, à qual deu o nome de Bagoxo. A Radar quis conhecer melhor este projecto único, ecológico, sustentável e ainda artesanal! 1. Como surgiu a ideia de criares uma marca própria? A ideia de lançar a minha própria marca surge após a passagem pela Barena, uma marca que se inspira em tradições locais e que realça valores como qualidade, elegância e distinção. A minha primeira tarefa consistiu em criar malas a partir da desconstrução de casacos com pequenos defeitos. Esta experiência foi bastante inspiradora, na medida em que me fez amadurecer algumas reflexões e aprofundar algumas experiências que já tinha nesta área da reciclagem têxtil. Quando regressei a Portugal, apercebi-me de que as minhas avós, no fundo, também elas, e por motivos económicos, já faziam há muitos anos reaproveitamento têxtil, no sentido em que prolongavam a vida das suas peças de roupa, usando técnicas como a tecelagem e o patchwork. É neste contexto que surge a ideia de criar uma marca própria que alia a tradição à contemporaneidade, revalorizando técnicas em vias de extinção como a da tecelagem e criando produtos elegantes e de qualidade.

2. Fala-nos um pouco da coleção Primavera/Verão 2013. E já agora, porquê Bagoxo? Devido ao facto de usar despedicios têxteis, a coleção Primavera/Verão 2013 apresenta uma palete de cores variadas, tendo no entanto sempre em conta as tendências desta estação. O nome desta coleção, Bagoxo, surgiu da palavra „bagocho“ que designa o pedaço de trapo ou papel sobre o qual se enrola o fio para formar o novelo, que as avós levavam antigamente às tecedeiras para fazerem as mantas. O bagocho designa portanto a transição entre a peça de roupa usada e o novo produto e representa assim um novo início, uma segunda vida. Por isso, achei que seria um bom nome para a primeira coleção da Teresa Gameiro. 3. Na apresentação da coleção, afirmas que cada tecido é único. O que te inspira na hora de criar? Cada tecido é único porque é feito de diferentes peças de roupa. Há malas com camisas do meu pai, calças de amigos ou sobras de tecidos de marcas conceituadas e de grande qualidade. Na hora de criar, as vivências do dia-adia são particularmente importantes, por ex. descobrir nos lugares mais diversos combinações de materiais e texturas diferentes, pesquisar em redes sociais e plataformas (como a pinterest ou a tumblr). Marcas como a Barena e artistas plásticos como a Mimi Jung ou a Sheila Hicks são também referências importantes para o meu trabalho.

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PROJECTO EMPREENDEDOR

4. A tua marca é ecologica, sustentável e também artesanal. Consideras que estas carecterísticas são valorizadas no mercado actualmente? Penso que se tem vindo a dar passos importantes nesta área mas há ainda um longo caminho a percorrer. Seria, por exemplo, muito vantajoso criar um rede de marcas portuguesas que apostam num design ecológico e assim reunir esforços para um Portugal mais “verde“. A Teresa Gameiro pretende, sem dúvida, dar um contributo neste sentido. 5. Na apresentação da marca, referes que todo o processo de confeção é feito na região de Leiria-Fátima com pessoas locais e artesãos. Consideras importante a mão de obra ser “made in Portugal“? Sim, é extremamente importante, ainda mais nos dias de hoje, investir na sustentabilidade de um produto, valorizando

a mão-de-obra e a matéria-prima locais e reduzindo custos de deslocação e produção e assim evitar um maior desgaste ambiental. No caso da coleção Bagoxo, os tecidos e as malas são feitos na região Leiria-Fátima e as peles são provenientes de fábricas de curtumes de Alcanena e Vila Moreira, mas também da zona centro. 6. Estando Portugal a atravessar uma crise económica, não te assustou o facto de apostares numa marca própria? Não, porque este projeto tem correspondido à realização comedida de um sonho. O facto de estarmos a viver esta crise faz com que eu e muitas outras pessoas pensemos em desenvolver projetos mais sustentáveis. A crise não inibe necessariamente a criatividade. No entanto, seria muito importante que os novos designers portugueses fossem


apoiados financeiramente e assim incentivados a comercializarem o seu produto, independentemente de terem já ou não uma marca própria.

8. O que podemos esperar da Teresa Gameiro num futuro proximo? Irei lançar uma nova coleção de malas, com novos modelos e, quem sabe, vir a apostar numa linha de vestuário e

7. Sendo tu uma portuguesa notoriamenteempreendedora, que conselhos gostarias de deixar aos leitores que, tal como tu, se queiram aventurar numa experiência semelhante? Diria aos leitores que um bom estudo de mercado é muito importante, ou seja, que olhem à sua volta e percebam o que é que já foi feito e o que é que ainda há a fazer. E para além disso, e citando a minha avó, não importa o tempo que dedicas a uma coisa, mas sim a qualidade do trabalho feito.

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PROJECTO EMPREENDEDOR


de design de produto. Pretendo ainda desenvolver uma publicação independente sobre a história da tecelagem na região Leiria-Fátima, contribuindo se possível para a criação de uma rede de tecedeiras da região e dando assim continuidade a esta técnica de longa data. Para além disto, haverá umas quantas surpresas, mas essas irão ser divulgadas na página do facebook da Teresa Gameiro.

9. Onde podemos encontrar os produtos Teresa Gameiro? Os produtos estão à venda online, através do site www.teresagameiro.com 10. Por último, uma mensagem que gostarias de deixar aos nossos leitores. Que continuem a apoiar a Radar e que acompanhem as novidades da Teresa Gameiro. E que sejam criativos, claro!

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LOJA ONLINE

La Bohe Mia A L.B.M. é um conceito que surgiu em 2011 da vontade de criar algo novo e com um design audaz, para preencher as necessidades de quem aspira vestir algo mais alternativo. Por detrás da marca encontra-se a designer Miriam Rodrigues que cresceu com uma enorme paixão pela moda e pelo incomum. Desde cedo que se lembra de ver a sua mãe pintar os lábios de vermelho e de sempre parecer uma estrela de cinema, facto que lhe serviu de inspiração na hora de criar peças pouco casuais, uma vez que a sua arte se apresenta como uma receita composta pela exclusividade, o alternativo e pensamento estético com uma pitada de extravagância. O nome tem origem nas noites boémias

que foram fruto de inspiração de vários artistas em qualquer das eras. Pessoas excêntricas, sem medo de arriscar ou de seguir os seus desejos e criatividade para fazerem peças de arte únicas. E é assim que Miriam sente o espírito da L.B.M., o projecto que chama de seu e que nasceu da necessidade de criar peças para uso pessoal, diferentes daquelas que estamos habituados a ver. “O conceito de body harness era novo em Portugal e quando comecei a usar as minhas peças na rua, captei a atenção das pessoas, que mostraram grande aceitação ao conceito e me incentivaram a começar este projecto para que elas próprias as pudessem usar.”

por Daniela Salsa Imagens: La Bohe Mia

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“Faço as peças a pensar no que gostaria de ver mais no nosso mercado” Numa altura em que novos projectos surgem todos os dias, decidiu apostar nos acessórios pois, segundo a própria, completam de forma singular o estilo pessoa de cada pessoa. As lojas multinacionais tornam a nossa roupa igual à de tantas outras pessoas, e os acessórios ajudam a atribuir o toque único. “Essa é a parte importante dos acessórios, caracterizar a nossa essência” Miriam cria todas as peças à mão e cria-as com o intuito de preencher uma lacuna no mercado português. “Faço as peças a pensar no que gostaria de ver mais no nosso mercado, faço-o para uso pessoal, mas também para pessoas que tenham sede de algo mais alternativo.” Mas nem tudo é simples. No processo de criação, enfrentou alguns obstáculos. O factor financeiro, o tempo livre para criar e ainda a paciência e determinação exigidas são apenas alguns exemplos. Salienta ainda a divulgação do produto, que por vezes também é complicada mas nada que não consiga superar, não tivesse já adquirido alguma experiência.

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Analisando toda esta aventura, a jovem portuguesa afirma que o feedback tem sido bastante bom, visto ter sido pioneira do conceito em Portugal. “No início, pensei que o público alvo mais óbvio para este tipo de acessórios seriam as camadas jovens com espírito alternativo, mas cada vez mais aderem pessoas de todas as ideias e estratos sociais.” Com uma nova colecção que prima pela originalidade, Miriam afirma estar ansiosa por conhecer a reacção do público face às suas novas criações: “A receita desta nova colecção tem com como ingrediente especial a body harness. São peças um pouco mais audazes que as da colecção anterior, construídas com outro tipo de técnica e materiais.” Mesmo antes de terminar, quisemos saber o que podemos esperar da La Bohe Mia no futuro. Sem levantar muito o pano, a jovem artista confessou apenas que o importante mesmo é tentar enveredar por caminhos improváveis e inexplorados, aprendendo sempre com os sucessos e falhanços para assim garantir a evolução das peças. “No futuro espero continuar a ter inspiração para criar peças sempre diferentes e continuar a ter aquela sensação de realização quando olho para as minhas criações” No final, e para não fugir à regra, deixou uma mensagem para todos os nossos leitores: “Inspirem-se. A inspiração e a vontade de fazer algo tornam tudo possível. Somos arquitectos do futuro e moldamos as coisas com a nossa passagem, aproveitem esse poder para deixar uma pegada positiva.”


LOJA ONLINE

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Projecto empreendedor


A origem das Josefinas remonta a recordações de uma infância plena de amor, por entre passeios na baixa do Porto ou idas ao ballet pela mão da avó Josefina e a paixão desperta por um avô sapateiro. Foram esses momentos felizes que levaram Filipa Júlio a iniciar um projecto que fosse a homenagem perfeita a par de um artigo que pudesse ser o começo de histórias com coração para outras mulheres. As sabrinas Josefinas são peças de design clássico, feitas de couro, pele e algodão pelas mãos de mestres sapateiros portugueses, ajustáveis aos pés e concebidas para durarem anos. E o tempo que passa oferece às mulheres Josefinas uma peça símbolo das milhas de histórias felizes e acontecimentos marcantes. Porque “amor com amor se paga.”

Por ana mestre fotografias: josefinas.pt, Carmo e Maria Guedes

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1. Quem é a Filipa Júlio? Sou uma mulher de 30 anos, arquitecta de formação, aluna da FAUP. Exerço arquitectura há 6 anos como colaboradora num gabinete no Porto. Durante um ano vivi na Suíça Italiana e trabalhei 6 meses em Barcelona. Amo o que faço e a profissão que tenho e sinto que a Escola do Porto foi essencial para a minha formação, assim como a segunda escola no gabinete do arquitecto Nuno Brandão Costa. A sensibilidade, a questão da proporção, da importância dos pormenores, da escala, é essencial em arquitectura como é no desenho das Josefinas. O meu avô paterno é um sapateiro reformado, o meu pai ajudava-o na produção de sapatos, a avó Josefina levava-me ao ballet e a minha mãe foi sempre um exemplo de elegância e bom gosto. O amor pela avó Josefina deu o nome ao projecto, a obsessão por sapatos está no ADN.

2. Como é que a história da Filipa se cruza com a das Josefinas? No início de 2012 comecei a pensar na hipótese de criar uma marca só dedicada à produção de sabrinas. A pouca oferta de sabrinas básicas e bonitas no mercado fez com que o projecto ganhasse força. Seria viável criar uma marca que se tornasse sinónimo deste tipo de sapatos? A participação num concurso de ideias e o intercâmbio que esse momento gerou entre possíveis investidores foi essencial para ter opiniões sinceras e críticas construtivas sobre como poderia começar a evoluir o sonho. Conheci a Maria, sócia do projecto, e criámos uma sociedade para que as Josefinas deixassem de ser apenas uma ideia e passassem a existir no mercado. A aventura das Josefinas acabava de começar.


Projecto empreendedor

3. O que torna as sabrinas peças icónicas de calçado? As sabrinas são uma peça ícone porque são sucessivamente reinventadas. São confortáveis e elegantes. Adaptam-se a várias ocasiões, podem completar um look de dia de trabalho como um de um passeio de fim-de-semana. São sapatos ideais para conhecer cidades, ir a museus, assistir a inaugurações ou ir a festas. São versáteis e extraordinariamente elegantes. Quando usadas por mulheres como Audrey Hepburn com os seus skinny jeans ou Brigitte Bardot, Kate Moss, Olivia Palermo ou Keira Knightley tornam-se símbolos de elegância e passam a ser uma peça essencial para todas as mulheres.

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4. O que torna as Josefinas únicas? As Josefinas são fruto de um trabalho de longos meses de experimentação, de procura de materiais, da melhor forma, de alterações sucessivas. Foram construídas através de um longo processo. São sabrinas de desenho clássico, têm a particularidade de se ajustarem ao pé porque o cordão corre ao longo de toda a sabrina. A sola é em couro, a palmilha em pele, o forro 100% algodão. O exterior das Josefinas é em pele maleável o que acaba por as transformar numa segunda pele. Têm a elegância de um sapato básico e bem desenhado. Seguem a máxima da Coco Chanel “La simplicite est le discours de tous les vrais elegance.” 5. Quais as influências e inspirações na criação das Josefinas? A referência inicial vem do ballet clássico onde as bailarinas usam sapatilhas de ballet para fazerem aulas e espetáculos. As Josefinas de rua são uma adaptação desta imagem inicial do sapato flexível que se adapta ao movimento do pé. A grande inspiração é o dia-a-dia nas ruas das cidades, na observação constante das pessoas, de como elas estão vestidas, o que calçam, que cores usam. A moda urbana é uma grande escola e referência. Seguimos também o trabalho feito por grandes marcas, colecção após colecção. Veneramos a irreverência e bom gosto de Marc Jacobs, Charlotte Dellal e Karl Lagerfeld.


Há um enorme imaginário de pessoas, cores, formas, cheiros, ideias que nos influenciam permanentemente e diáriamente. 6. A primeira vez que as Josefinas surgiram foi nos blogs de Maria Guedes e Soraia do Carmo, Stylista e Carmo respectivamente, o que gerou um interesse crescente. Conte-nos um pouco sobre a estratégia de comunicação. O contacto com as bloggers Maria Guedes e Carmo foi feito de uma maneira muito genuína e informal. O que lhes pedimos foi se teriam disponibilidade para receber umas Josefinas em casa e, em troca, receberíamos uma crítica verdadeira sobre o produto, aspectos a melhorar, pequenos detalhes que precisassem de ser alterados. A Maria e a Carmo são duas referências na blogosfera e ficamos fãs da postura destas duas mulheres sobre a vida e a moda. Pareceu-nos essencial ter a opinião delas no início do projecto das Josefinas. A reacção foi muito melhor do que alguma vez estaríamos à espera e resultou na criação de posts numa altura em que tínhamos as Josefinas ainda em produção e o site a ser criado. A enorme procura e curiosidade, apoio e incentivo de muitos comentários nos blogues motivaram-nos a seguir com o projecto e a tê-lo disponível o mais rapidamente possível. A estratégia de comunicação passou por esta abertura com mulheres portuguesas que se interessam por novos


projectos e das quais estamos abertas a receber todas as críticas sempre com o objectivo de melhorar e de seguir em frente. A frase “Onde te levam as tuas Josefinas?”, que incentivamos as pessoas a responderem através de um postal online, e a hashtag #josefinasportugal no Instagram permitem criar uma relação mais directa e verdadeira com as pessoas que gostam de seguir ou de usar as Josefinas. Ver a adesão e o prazer de quem as usa e as Josefinas presentes no dia-a-dia de várias mulheres é a nossa maior recompensa. 7. As Josefinas são uma recordação dos passeios com a sua avó e da paixão por sapatos que passou do avô, para o seu pai e, consequentemente, para si. Que histórias gostaria que as Josefinas contassem nos pés de outras mulheres? O meu avô materno tinha um escritório no gaveto da Rua de Sta Catarina com a Rua Firmeza, no Porto. Muitas vezes, durante a semana, a minha avó levava-me a passear pelas ruas da baixa. Toda a gente a conhecia. Foram muitos bons momentos cheios de carinho e amor. Gostava que as Josefinas contassem histórias de momentos felizes de várias mulheres. O ideal seria que todas as mulheres sentissem que podem voar com as Josefinas no pés. Espero que elas sejam o objecto que permanece numa vida que está sempre em movimento e mudança e que contem mui-

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tas histórias, porque uma vida cheia de histórias, projectos e acontecimentos é uma vida mais rica, feliz e preenchida.

de grande animação e entusiasmo e alturas mais críticas que são superadas com trabalho, dedicação e diálogo.

8. Qual o melhor momento ou a melhor história que aconteceu através das Josefinas? O primeiro postal que recebemos no site foi da Marta Marcelo Santos de Lisboa que nos escreveu a seguinte mensagem. “As minhas Josefinas levam-me a um admirável mundo novo! Descobri esta semana que estou à espera de bebé e a felicidade encheu a minha vida! Caminharei para essa nova vida com passos seguros e a certeza de que o caminho será maravilhoso!”. A associação das Josefinas a este momento de genuína felicidade deixou-nos a todos comovidos e orgulhosos. Este foi sem dúvida um dos bons momentos das Josefinas.

10. Que maiores dificuldades encontrou? Desde a ideia inicial até à concretização das Josefinas o processo é longo. Como era um objecto com uma série de pressupostos definidos à priori foi preciso um trabalho intenso e contínuo com os mestres sapateiros Jorge e Carlos de São João da Madeira. Havia dificuldades de produção como, por exemplo, o correr do cordão dentro do gorgorão que, por sua vez, é cosido à pele. Este pormenor que, aparentemente é bastante simples, foi uma luta na produção porque é necessária uma peça específica que serve como guia. Não podíamos abdicar de o ter porque ter um cordão ajustável é essencial para a adaptação do pé às Josefinas e da garantia de longevidade das mesmas quando a sabrina alargar com o passar do tempo. Outra questão prende-se com as cores das peles que, sendo o tingimento um processo natural, a cor varia ligeiramente de peça para peça e altera ao longo do tempo. Isto cria limitações ao nível de encomendas e sucessivas adaptações aos materiais disponíveis.

9. Iniciar este projecto num momento de maior fragilidade nacional é, certamente, um grande desafio. Qual o momento em que achou ter um conceito vencedor que lhe permitisse arriscar? O incentivo de amigos e de pessoas que ouviam falar pela primeira vez no projecto e que se mostravam interessados foi sem dúvida a alavanca para acreditar que era possível. Não houve propriamente um momento de decisão para avançar. Há um grande conjunto de passos que são dados com o objectivo de tornar um sonho em realidade. É um processo que tem momentos

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11. Não tem medo do que o futuro lhe reserva? Sou uma optimista e acho que tenho capacidade de adaptação. As Josefinas vão tentar conquistar novos


mercados e crescer. É um trabalho duro e sem garantias mas os desafios são uma motivação. Não tenho medo, tenho esperança e acredito que é possível. O meu sonho é recuperar uma fábrica e criar um atelier para a produção das Josefinas. Um lugar onde a criatividade e o bem-estar, o trabalho diário de designers, mestres sapateiros, costureiras, jovens e adultos experientes tenham um porto de abrigo para dar lugar à imaginação e ao sonho. Gostava que as Josefinas fossem muitos maiores do que uma ideia da Filipa e da Maria e que passassem a ser um projecto de um conjunto de pessoas com o mesmo objectivo: a longevidade e sucesso das Josefinas. 12. Qual o balanço que pode fazer em poucos meses de existência? As Josefinas estão no mercado há menos de um mês e a adesão das pessoas tem sido uma surpresa muito agradável num período difícil. Ler os e-mails de incentivo e falar com as pessoas nas feiras em que participámos é a melhor maneira de percebermos o carinho que há pela marca. Uma produção nacional, feita de alma e coração. 13. Que novos projectos existem relacionados com a marca? A marca quer internacionalizar. Exportar o que é feito em Portugal é um dos objectivos. Criar raízes no território nacional e garantir que as mul-

heres que compram as Josefinas sejam clientes para a vida. A criação de duas coleções por ano e a divulgação através da internet com a ajuda das bloggers a par da interacção com as amantes das Josefinas é outro objectivo da marca. As Josefinas são como um bebé, com uma vida enorme pela frente. Uma vida que esperamos que esteja cheio de bons momentos e de prosperidade. Não se paga mais por sonhar. 14. A que gostaria que as Josefinas fossem associadas? Em primeiro lugar a Portugal, à qualidade do fabrico nacional e à comodidade e elegância que proporcionam às mulheres. Em segundo lugar às histórias das várias mulheres que as usam e que, no fundo, fossem uma desculpa para unir mulheres com várias profissões, sonhos e idades. Mulheres com um ponto em comum: as Josefinas a seus pés.

ONDE ENCONTRAR Site: www.josefinas.pt Facebook: www.facebook.com/JosefinasPortugal

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BLOGUE

My Fashion Insider Três anos após a criação do seu blog, Nádia afirma que o que a motivou a entrar no mundo da blogosfera foi a possibilidade de partilhar o seu ponto de vista sobre a moda com pessoas que, tal como ela, são apaixonadas por esse mundo. “À minha volta, poucas eram as pessoas que se interessavam por editoriais, por modelos e por tendências, daí ter criado um blog”. Caracterizado muitas vezes como um fashion blog, o My Fashion Insider não é apenas um local onde Nádia partilha o que veste, é também um local onde partilha o que pensa. “É muito importante para mim ter uma voz, não quero ser apenas um cabide que passeia roupa, calçado e brincos. Gosto

de tecer os meus comentários, expôr as minhas opiniões, mesmo que sejam inusitadas, por vezes. Não consigo manter a minha boca calada, basicamente!” Quem segue o seu trabalho enquanto blogger percebe imediatamente que o estilo pessoal desta jovem bracarense tem sofrido alterações ao longo do tempo. Não há muito tempo, Nádia apresentava uma figura sonhadora. Actualmente, a sua imagem é mais clean e minimalista. “A que se deveu esta mudança?”, questionamos. “Quando comecei o blog, ainda em 2009, vestia-me de uma forma simples e clássica, onde dominavam o preto e o branco e os saltos-altos.

por Daniela Salsa Imagens: Nádia Sepúlveda Site: myfashioninsider.net

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BLOGUE

estilo clean e minimalista Há medida que me fui tornando mais autoconfiante, quis ousar, experimentar vários estilos: num dia era uma romântica sonhadora, no outro usava baton preto e caveiras e mais logo usava vestidos longos e cabelo num puxo…a universidade permitiu-me vestir tudo isto, sem pudores. Agora que os meus tempos de estudante estão a chegar ao fim, e me apercebo que em breve estarei a trabalhar, senti uma necessidade de “assentar”, de perceber, afinal de contas, qual era a minha identidade e essência… tornar-me mais “mulherzinha”. O meu estilo actual é resultado dessa “escolha”, de me ter apercebido daquilo que gostaria de vestir na minha vida adulta.” Apesar de se encontrar a estudar medicina, Nádia Sepúlveda atualiza o seu blog diariamente. “Por vezes é complicado”, confessa, “mas ao longo de três anos e meio fui aprendendo a organizar-me, a ser disciplinada e a relaxar quando o plano falha. O segredo

é gostar do que se faz e ter capacidade de organização”. Sendo uma blogger portuguesa já bastante conceituada, quisemos saber a sua opinião quanto aos ingredientes necessarios para que um blog tenha sucesso:

“Penso que é preciso ter um pouco de tudo: muita paixão, talento, dedicação, esforço, garra e humildade.” Estando bastante dentro da realidade dos blogs em Portugal, a Radar quis ainda saber o que existe de melhor e pior neste mundo virtual. Relativamente aos aspectos positives, salientou a universalidade dos blogs “pois tanto podem ser escritos por uma “stylist” reconhecida, como por uma menina de 14 anos que começa a descobrir a sua paixão por moda” e ainda as relações que se criam entre as pessoas. Já no que diz respeito ao pior que este mundo tem para ofere-


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BLOGUE

cer, Nádia refere a falsidade, sem hesitar: “Por detrás de um ecrã de computador, pode-se fingir ser uma pessoa completamente diferente, é muito difícil perceber quem é genuíno.” Nesta sequência, confessa que ao longo destes três anos o blog lhe trouxe maioritariamente coisas boas, salientando as amizades que através dele descobriu e o facto de este a ter ajudado a sentir-se mais segura de si, o que lhe possibilitou ser uma pessoa mais sociável e menos introvertida, mas também a não ter medo de se vestir de forma diferente. No entanto, afirma que o blog lhe ocupa imensas horas por dia e que isso acaba por ser um factor negative já que se traduz em falta de tempo.

“Por detrás de um ecrã de computador, podese fingir ser uma pessoa completamente diferente, é muito difícil perceber quem é genuíno.”


BLOGUE

“Braga tem estilo, sem dúvida! É uma das cidades mais jovens do país, mas por cá até as pessoas mais velhas se vestem bem!” “Há uns tempos dava por mim a estar junto das pessoas e constantemente no telemóvel, a verificar a caixa de e-mail ou a página do Facebook. Por isso, há uns tempos, decidi fazer umas férias de uma semana inteira do blog, coisa que nunca tinha feito. Voltei cheia de garra, com a noção de que não era o fim do mundo se não publicasse isto ou aquilo na hora x ou y. “ Como dissemos anteriormente, Braga é a cidade natal de Nádia Sepúlveda e, portanto, quisemos ouvir a sua opinião no que diz respeito ao estilo dos bracarenses. “Braga tem estilo, sem dúvida! É uma das cidades mais jovens do país, mas por cá até as pessoas mais velhas se vestem bem! Poderíamos arriscar mais um bocadinho e sair da concha, mas temos elegância e bom-gosto, na globalidade!” No final desta nossa conversa com a blogger ruiva mais carismática da blogosfera portuguesa, Nádia não quis deixar de dirigir uma pequena mensagem a todos os nossos leitores: “A melhor mensagem que posso dar é que sejam quem são! Não tenham receio do que os outros irão ou não dizer. Isto não se aplica só ao que vestem, à forma como se maquilham ou penteiam, mas a tudo o resto! Estamos numa fase em que é preciso ousar, pensar em grande, sair da redoma e arriscar!”

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EDITORIAL

OVER THE CITY Fotografia: Marco Claro Styling: Ana Barbosa Make-up & Hair: Cรกtia Lousada Modelo: Marina Oliveira (Facemodels)

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Casaco Zara; Cropped Top: Zara; Colar e Brincos: Bijulandia AF; テ田ulos: Gucci


Top e Saia: Zara; Colar e Brincos: Bijulandia AF; テ田ulos: Marc by Marc Jacobs


Casaco Zara; Cropped Top: Zara; Colar e Brincos: Bijulandia AF


Camisa, Cropped Top e calções: Zara; Colar e Brincos: Bijulandia AF; Cinto: Kookai


V estido: Zara; Colar e Brincos: Bijulandia AF; Clutch: Kookai


FOTOGRAFIA

André Varela

UMA VIAGEM A UM MUNDO DE FANTASIA Por Daniela Salsa Fotografia: André Varela


André Varela é um fotógrafo e terapeuta da fala de 28 anos natural de Guimarães. Desde pequeno que a fotografia faz parte da sua vida e a Radar quis conhecer melhor este artista português cujas imagens por si produzidas conseguem, sem espaço para dúvidas, captar a nossa atenção e fazer-nos viajar num mundo de fantasia sem fim. Confessa que a fotografia o acompanha desde que se lembra. “Era muito pequeno quando comecei a fotografar com a máquina do meu pai”, afirma. No entanto, esta paixão apenas começou a ser alimentada nos últimos dois anos, com a entrada no curso profissional na Oficina da Imagem. Atualmente, André Varela encontra-se a exercer Terapia da Fala, mas isso não o impede de estar constantemente a planear e criar novos projectos ligados à fotografia. É notório o seu fascínio pelo mundo abstrato. Afirma que este mundo é algo complexo. “Se a fotografia pode ter múltiplos sentidos, no abstrato isso é exacerbado. O próprio sentido que a imagem ganha pode ser interpretado a vários níveis e transmitir uma mensagem objectiva torna-se quase impossível”. Por essa razão, quando trabalha na área do abstrato, André Varela procura sempre ter uma mensagem vasta, um conceito alargado do que sente no momento em que cria a imagem e no que pretende que os outros sintam no momento em que com esta se deparam.

ONDE ENCONTRAR www.andrevarela.com

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FOTOGRAFIA

Analisando o seu portefólio, é possível perceber que por diversas vezes o fotógrafo é também o protagonista da imagem. Questionamos se esta tendência era uma opção ou, por outro lado, uma necessidade, pergunta à qual respondeu: “Depende muito...Por vezes é uma opção pois quero estar na mensagem, quero fazer parte fisicamente do que transmito. Outras vezes é mesmo uma necessidade pois no momento não tenho o modelo que preciso.” É perceptível a pós-edição, não fossem as suas fotografias uma porta para um mundo imaginário e de fantasia. Quisemos saber a que programas recorre, e a resposta foi clara: Photoshop. “Utilizo o Photoshop CS6 e é o único que uso no processo de edição. As imagens que crio são sujeitas a um processo de edição intensivo e para isso ainda não encontrei ferramenta melhor que o Photoshop.” Quisemos ainda saber se na hora de tirar uma - ou mais - fotografias, André Varela pensa no resultado final, ou se tudo acaba por ser um processo de experiências onde vai testando inúmeras possibilidades até o resultado lhe agradar, na pós-edição. Confessa que na maior parte das vezes existe uma ideia muito geral do que o produto final vai ser, no entanto, muitas das vezes, não passa disso mesmo, de uma ideia. “No processo criativo deixo sempre levar-me pelo que acho que a imagem “pede”. Não me prendo a conceitos pré-definidos do que “deve” ser. Vou criando até achar que aquele

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FOTOGRAFIA

é o produto final. E por vezes vejo a imagem no dia seguinte e acho que falta algo.” Utiliza uma Canon 60D para produzir as suas imagens, mas não considera que o material seja fundamental. “É importante, mas não fundamental. O material mais importante está dentro da nossa cabeça.” Admira diversos artistas mas poucos influenciam o seu trabalho final. A música é o que mais o inspira na hora de criar. “Dependendo do estilo de música que estou a ouvir a mesma foto pode ter resultados bastante diferentes. Mas a música é o que mais me inspira, inclusive no momento de planear novos projetos” Considera que a mentalidade em Portugal foi mudando em relação a novos formatos de arte, no entanto afirma que a mentalidade a nível de apoios ainda está muito longe do que seria aceitável. “As coisas vão mudando mas muito devagarinho. Os fotógrafos ainda se vêem “obrigados” a recorrer a áreas com mercado e não a fotografar o que realmente gostam.” Já no final, a Radar quis saber o que podemos esperar deste jovem artista português, e apesar de não ter levantado muito o pano, André Varela confessa que irá trazer-nos novos projectos em breve e o seguimento de alguns que atualmente possui (série Inanis e Fragilidades). Como já é habitual, e sem fugir à praxe, André Varela deixou ainda uma mensagem a todos os nossos leitores: “Criem o que gostam de criar e não o que parece dar resultado. Sigam a vossa criatividade, e não o que os outros dizem ser “bom” e “mau”.”

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film review

film review

por Pedro Henrique Ribeiro

“42” é um filme que nunca poderia ter

Na vida real, esta icónica história

sido muito pior do que “bom” – ape-

americana condensa o tumulto das

nas e só porque a verdadeira história

relações raciais após a 2 ª Guerra

de Jackie Robinson, seria impossível

Mundial, e como o desejo dos Estados

de contar sem tropeçar em pelo

Unidos pela excelência, lentamente,

menos alguns momentos incríveis. Ele

venceu sobre o medo do “outro”.

foi aquele verdadeiro homem com H

Embora se consigam obter alguns

grande, um símbolo duma profunda

desses momentos incríveis, infeliz-

mudança que mais tarde ou mais

mente o filme nem sempre atinge o

cedo tinha que acontecer.

nível esperado e exigido, optando

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film review

por tentar que grande parte das cenas apenas sejam divertidas e estereotipadas. “42” poderia legitimamente ser um candidato a “melhor filme de baseball de sempre”, mas parece não ter sido esse o objectivo, pois privilegia essencialmente a parte biográfica. Em 1946, o mundo estava em mudança. As atitudes e perspectivas culturais foram mudando, e Jackie Robinson foi um dos intervenientes em destaque dessa anunciada mudança. Também enfrentou o ódio, perpetrado por personagens que lhe eram completamente estranhas e que ninguém deseja nem ao pior inimigo. O proprietário do Brooklyn Dodgers, Branch Rickey (Harrison Ford) decidiu que ganhar competições e dinheiro era bastante mais importante do que manter o baseball segregado. A sua preocupação era encontrar um homem que fosse capaz de suportar a enorme violência que certamente iria existir sobre o primeiro jogador negro de baseball. Eis que Jackie Robinson entra em cena. Trata-se de um veterano da 2 ª Guerra Mundial a jogar pelo Kansas City Monarchs, claramente talentoso e que possuía uma forte estrutura emocional que certamente não iria sucumbir sob fogo directo. Jackie Robinson foi o embaixador escolhido por Branch Rickey para representar e defender a sua etnia, bem como as esperanças dum futuro melhor e mais justo. “42” é a história daqueles primeiras temporadas de 1946 e 1947 e a viagem em que os Dodgers, Branch Rickey e Jackie Robinson embarcaram. Performances bem conseguidas de Chadwick Boseman (Robinson) e Harrison Ford (Rickey), levam praticamente toda a duração de 128 minutos, embora os esforços de


film review

e

Porém, existem alguns momentos majes-

Christopher Merloni (Leo Durocher) tam-

tosos em “42”. Há uma cena entre

bém devam ser louvados. O que “42”

Jackie Robinson e Pee Wee Reese, que

faz muito bem é definir o tom da época

estará ao melhor nível do que se fez

em questão, em que a maioria das pes-

este ano. Além disso, é um regozijo con-

soas eram fortemente contra a ideia de

stante ver o comentador dos Dodgers,

um jogador de baseball não-branco,

Barber Vermelho (John C. McGinley),

investindo completamente na estrutura

com a sua discreta dicção “retro”, va-

dum poder absoluto da raça branca.

lorizando qualquer intervenção para

O primeiro sujeito a abrir a porta leva

fazer comentários extremamente apel-

sempre o maior soco, e “42” faz bem

ativos. Infelizmente, a vida real parece

em realçar a constante e árdua luta

não ter fornecido grandes floreados à

que Robinson enfrentou na busca pela

história, mas o escritor/realizador Brian

igualdade racial.

Helgeland faz o seu melhor introduzindo

Onde “42” perde alguma qualidade

oportunamente alguma tensão onde

é com o desenvolvimento de perso-

esta é possível encaixar. Os velhos está-

nagens e a desigualdade geral das

dios, os equipamentos, e as multidões

transições entre cenas. Muitos dos joga-

são colocados com uma autenticidade

dores dos Brooklyn Dodgers aparecem

admirável, e é precisamente no campo

apenas por curtos momentos, ficando

que “42” alcança o auge.

para o espectador muito difícil definir

Voltar a pensar na pressão que Jackie

a sua posição relativamente à prob-

Robinson deve ter enfrentado com

lemática em questão, não se perce-

cada confrontação, a reputação de

bendo se são ou não um dos opositores

toda uma etnia injustamente colocada

ou simpatizantes da causa de Jackie

sobre os seus largos ombros, é quase

Robinson. Neste caso, tentando fazer

equiparável a um herói moderno. Um

com que “42” explorasse mais profun-

passo em falso, um movimento errado,

damente isto, fica a sensação que falta

e Jackie faria regredir e muito, toda a

algo na personagem de Jackie e tam-

evolução alcançada na mentalidade

bém algumas cenas de puro baseball.

americana, pois não estava a lutar

À esposa de Jackie Robinson, Rachel

por si mesmo, estava a lutar pela alma

(Nicole Beharie) também lhe é dado

negra da América. O tema é pois,

tempo de antena que no geral é posi-

aliciante, o protagonista muito bem

tivo, embora ocasionalmente, pareça

escolhido e oportuno numa época em

um pouco superficial.

que os heróis andam um pouco arre-

Lucas

Black

(Pee

Wee

Reese)


dios do nosso quotidiano. É recordado

e decente, mas que não conseguiu, no

hoje e sê-lo-á sempre felizmente, equi-

meu entender, retratar de uma forma

parando-o a um herói nacional, recon-

significativa a luta, a determinação,

hecendo assim a sua contribuição para

empenho, sofrimento e o enorme e

um mundo melhor e mais justo. A título

importantíssimo contributo social con-

de curiosidade, em 1997 a MLB (Major

seguido por Robinson. Talvez isso não

League Baseball), em forma de recon-

seja de todo fácil ser retratado num

hecimento, decidiu distinguir Jackie

filme de desporto, pois trata-se de uma

Robinson, retirando o número 42 de

época extraordinariamente rica e simul-

todas as equipas, tornando-o no pri-

taneamente tumultuosa socialmente,

meiro e único atleta do mundo a ter

em que a vida real é emocionante,

semelhante honra. Em 2004, reforça-se

difícil e complexa. Porém reconheço

esta homenagem, sendo adoptado o

que mesmo assim, poderia ter sido bem

“Jackie Robinson Day”, dia em que os

mais ambicioso e ter ido mais além e

jogadores de todas as equipas usam

mais profundamente, numa época tão

o número 42, contribuindo para que

rica e agitada. Optaram por uma visão

nunca se esqueça o lema de então

muito aligeirada e pouco explorada,

“Para que ninguém nos possa diferen-

roçando ao de leve nestas problemáti-

ciar”

cas, tornando-o assim num agradável

“42” é um bom filme. Um filme simpático

filme de domingo à tarde.


RADAR EVENTOS

Radar Eventos

CLAMP Clamp é um projecto que surge no momento em que dois jovens povoenses decidem combater a rotina e pôr em prática algumas ideias que vagueavam nas suas cabeças. Este é um projecto bastante descontraído e informal que reúne dois amores antigos: a música e a roupa! No passado mês, decorreu a apresentação da Clamp e a RADAR marcou presença. Fiquem a conhecer melhor o projecto que promete revolucionar as festas sunset! TEXTO: DANIELA SALSA FOTOGRAFIA: DANIELA SALSA E ALEXANDRA GOMES

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RADAR EVENTOS

1. Em que consiste a CLAMP? A Clamp é um projecto que envolve música e roupa! Inicialmente estamos mais focados na organização de festas ao ar livre e preferencialmente de tarde com o intuito de promover o convívio entre as pessoas em locais únicos e mais descontraídos. A Clamp pode ser adjectivada como um projecto bastante informal e descontraido. Só nos interessa que as pessoas se sintam bem, sem formalidades e com espirito aberto. 2. Falem-nos um pouco sobre vocês... Bem, falar de nós próprios é um pouco complicado, mas basicamente somos dois jovens povoenses cansados da rotina que se vive hoje em dia e, nesta sequência, decidimos pôr em prática algumas ideias que “murmuravam” na nossa cabeça. Não somos nenhuns visionários, apenas fazemos aquilo que gostamos. 3. O que vos levou a criar este projecto? Este projecto surgiu num desabafo de café onde falávamos desta rotina que, infelizmente, caracteriza esta vila (Póvoa de Lanhoso). Foi muito fácil chegar à CLAMP: juntamos dois amores muito antigos e dos quais não prescindimos, a música e a roupa! Inserimos a vertente “open air” nas nossas festas e chegamos à conclusão que esta seria a base do nosso projecto. Portanto para responder mais concretamente à questão, a CLAMP surgiu como uma resposta à passividade em que esta vila se encontra. 4. Na breve apresentação da Clamp feita na rede social Facebook, falam de Festas Sunset em espaços únicos aliados a uma linha de roupa. Falem-nos um pouco sobre como funcionará esta última...


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RADAR EVENTOS


Bem, a linha de roupa será o próximo passo deste projecto. Temos pessoas dessa área que trabalham connosco para juntos tentarmos lançar para o mercado algo que nos faça orgulhar. O grande problema é juntar a verba necessária para que tudo isso funcione, por isso estamos a tentar angariar fundos para que sejamos bem sucedidos no mercado têxtil. Deixamos já aqui a “dica” para possíveis interessados em ajudar o nosso projecto 5. No passado dia 15 de Junho realizaram a primeira festa Sunset da Clamp. Consideram que cumpriram o objectivo estipulado? Claramente. O objectivo estipulado foi cumprido tanto a nível de adesão ao evento como na qualidade do mesmo. Mas mais importante do que isso foi o feedback incrível demonstrado pelas pessoas que participaram no Sunset e isso, para nós, é sem dúvida o mais importante. Humildemente pensamos que a melhor publicidade já a conquistamos: o “boca a boca”. 6. Essa festa, que consistiu na apresentação da marca, teve lugar na vossa terra natal, a Póvoa de Lanhoso. Está nos vossos planos sair da vossa “zona de conforto” e levar a Clamp até outros destinos? Não podemos responder concretamente a esta questão,. Estamos com os pés bem assentes na terra e sabemos o quão difícil será expandir o nosso conceito para fora. Mas sim, claro que isso nos passa pela cabeça e quem sabe num futuro próximo poderás fazer-nos uma nova entrevista em Ibiza (risos). Actualmente, tencionamos fazer as nossas festas na nossa terra natal, junto dos nossos amigos e de quem gostamos mais. O futuro é uma incógnita...

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RADAR EVENTOS

7. Falaram num conceito que incide nas festas sunset. Possuem alguma carta na manga para quando os dias quentes acabarem? Tentaste “tramar-nos” com esta questão (risos). Não somos mágicos mas claro que temos sempre uma carta na manga mas, para já, não podemos para revelar os nossos “trunfos”. O segredo é a alma do negócio. Apenas podemos garantir que a qualidade dos eventos se manterá e que quando os dias de sol acabarem e a “depressao de inverno” se apoderar dos nossos clientes, estes terão sempre uma oportunidade de se poderem divertir connosco. 8. Por último, uma mensagem que queiram deixar aos nossos leitores. Em primeiro lugar felicitar-te pelo teu projecto, a Radar Magazine e pelo trabalho que tens feito na divulgação das gentes da nossa terra e não só. Por último mas, não menos especial, queremos dizer aos leitores que apoiem estes novos projectos que surgem na Póvoa de Lanhoso e para não deixarem de acreditar naquilo que realmente gostam e que realmente vos faz felizes.


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Fotografia e Edição: Jéssica Silva Modelo: Catarina Branco Makeup: Victoria Goulding Clothing: Krisp


album review

por pedro henrique ribeiro

É difícil pensar numa banda de

as coisas “frescas”. Não há nenhuma

heavy metal que tenha explorado

música má no álbum, mas nem todas

tantos géneros como Amorphis. Estes

conseguem captar de imediato a

rapazes têm feito um pouco de tudo,

nossa atenção. Dito isto, algumas das

desde death metal, para melodeath,

suas melhores e mais bonitas melo-

doom, progressivo, ao folk, e assim

dias estão aqui.

por diante. Nunca foram de ficar no

Nos tempos que correm, parece que

mesmo lugar por muito tempo, porém

várias bandas de metal melódico

foram-se constantemente esforçando

têm vindo a explorar sons japoneses.

para evoluir o seu som como banda,

Amorphis segue-lhes o exemplo, com

bem demonstrado pelo seu continu-

a bela “Narrowpath”, uma das faixas

ado desejo de explorar e pisar novas

de destaque. Uma bela introdução

águas. A sua evolução de género em

de flauta que poderia facilmente ser

género pode ter sido mais premente

a voz de um rouxinol é seguido de

no álbum “Tales from the Thousand

“guitarradas bravas” que o levarão

Lake”, e aquando da mudança de

de encontro a uma das suas melhores

vocalista no ano de 2005. Porém, tanto nos outos álbuns mais recentes, o que nos é apresentado em “Circle” é outra boa e consistente peça. Esta banda parece ter encontrado um bom molde para se equilibrar num caminho bastante sólido e gratificante. O que se ouve neste álbum é basicamente o mesmo conceito dos três últimos álbuns (2007 – “Silent Waters”, 2009 – “Skyforger”, 2011 – “The Beggining of Times”), embora conseguindo manter 79


album review

canções de sempre. “A New Day” é outro exemplo, que serve como uma excelente faixa de encerramento. A influência pop da banda continua a sentir-se, embora sempre com novos métodos de desenvolvimento. A arte de escrever músicas devia ser considerado um dos aspectos mais importantes do “musicalismo”, nunca deixando de parte a capacidade de tornar as letras em música propriamente dita. Neste contexto, os Amorphis são excelentes músicos. São excelentes compositores, algo que não pode nem deve ser questionado. A sua diversificada formação musical está constantemente em exibição nas suas produções. Eles tocam todos os instrumentos muito bem, e utilizam-nos divertida e criativamente. É sempre um verdadeiro prazer ouvir um álbum de Amorphis, porque nunca se sabe o que vai surgir na faixa seguinte. Eles têm uma abordagem canção por canção, executam bem, e não permitem que os rótulos lhes limitem a sua escrita. Uma música pode ser composta de melodias de piano suaves, enquanto outra a seguir poderá ser quase composta de riffs pesados e ​​ o poderoso gutural do vocalista Tomi Joutsen. “Circle” é como uma caixa de bombons - nunca se sabe o que se vai tirar a seguir, mas as hipóteses são de que vai ser doce e saboroso. A melodia tem sido sempre o conceito deste grupo, sendo este álbum basicamente a mesma história, mas numa versão diferente. Essa é a palavra-chave: diferente. Amorphis traz sempre algo especial para a mesa, constantemente a esforçar-se para atingir a excelência. A banda é formada por um grande grupo de compositores que trabalham com uma fórmula muito original, continuam a explorá-la bem, e mantendo a toada dos trabalhos anteriores, “Circle” revela-se um sólido esforço adicional para somar ao seu extenso catálogo, que vai certamente demonstrar que os Amorphis são grandes no que fazem.


BLOGUE

O Tapas na Língua tem cheiro a comida caseira feita com influências dos quatro cantos do globo, das memórias de infância e do sentimento reconfortante de receber família e amigos com amor. Tem a excitação do admirável mundo novo que nos transporta em viagens pelo Vietname, Banguecoque ou Itália. Tem fotografias que ilustram momentos para deleite do estômago, da alma e do coração. Conheça o blogue e Ana Morais, a autora. Site: www.tapasnalingua.com

por Ana Mestre Imagens: Tapas na Língua

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BLOGUE

Ana Morais é apaixonada por encon-

paixões mais evidentes do blogue:

trar beleza no mais ínfimo pormenor

Culinária.

e o Tapas na Língua é o veículo perfeito para a partilha. A mais recen-

“As primeiras memórias levam-me

te, uma receita caseira de gelado

indubitavelmente ao cheiro a mel e

de frutos vermelhos (nham!) óptima

canela das papas de aveia da minha

para refrescar os quentes dias deste

avó. Ela cozinhava-nos as papas em

Verão e que antecipa os posts de

tardes frias de Inverno e aquecia-

uma viagem a Itália. Mas há mais,

nos o estômago e o coração. O caril

muito mais para estímulo de todos os

é um ingrediente que também me

sentidos.

traz à memória os grandes almoços de família em tardes de Verão. O

A casa é o ponto de partida. É na

lado materno da família é moçam-

familiaridade do seu “ninho” que se

bicano, e por isso, nestes encontros,

inicia e desenvolve o processo de

nunca faltam especiarias, ingredien-

pensar e criar tudo o que será par-

tes exóticos e conversas animadas.”

tilhado no blogue – e nem tudo faz sentido. O que gosta de oferecer

É na essência destas recordações

ao público é aquilo que gosta de

felizes que Ana encerra as principais

experienciar ou descobrir em out-

influências da sua cozinha. Gosta de

ros blogues. É inspiração diária por

cozinhar, especialmente, para famí-

entre receitas de fazer crescer água

lia e amigos que, em torno de uma

na boca (apresentadas num styl-

“mesa farta”, partilham um momen-

ing igualmente delicioso), fotogra-

to de união. São risos e experiências

fias de viagens inebriantes, projectos

que se promovem numa refeição

criativos de DIY, lugares especiais e

confeccionada

momentos irrepetíveis do seu dia.

equivalente ao de “abraçar alguém

“Daqui a uns anos, será sem dúvi-

e dar-lhes amor através de tempe-

da um precioso álbum de recorda-

ros e sabores”. Os grandes jantar-

ções e boas memórias” refere Ana.

es são sempre um delicioso desafio

Memórias como a que nos revela

que Ana ganha com o puro prazer

quando falamos de uma das três

em se aventurar nas três frentes.

no

sentimento

85


BLOGUE

Entradas para aguçar o paladar.

paladar, eis os pratos incontornáveis

Sangria seguida de um prato prin-

de países que Ana já visitou: em

cipal reconfortante, como lasanha

Portugal é impossível fugir ao ba-

e assado, ou exótico, como caril.

calhau ou ao cabrito, no Brasil a

Clafoutis de mirtilos ou crumble de

moqueca de camarão é recomen-

morangos coroam de êxito um man-

dada assim como no Vietname são

jar dos Deuses. Quando a questão

os rolls de legumes com noodles fres-

é dedicar um prato para o conforto

cos, em Moçambique o caril com

do corpo e da alma, a escolha é

óleo de coco e caju, na Polónia o

rápida: para satisfazer o estôma-

goulash..

go nada melhor que um prato de massa. É simples de confeccionar

Se dúvidas houvesse sobre a paixão

– à massa adicionar tomate, man-

que nutre por gastronomia do mundo,

jericão, queijo et voilá… hummm

quando perguntamos “Quem gos-

delicioso! Para a alma, pão e café

taria de ser?” a resposta é segura e

fresco pela manhã, um ritual calm-

dissipa hesitações: “Gostava de ser

ante, que oferece aromas revigoran-

uma espécie de Anthony Bourdain,

tes para o começo de um novo dia

que viaja pelo mundo inteiro com o “pretexto” de explorar a gastrono-

Família, partilha e união são uma

mia local. Haverá trabalho melhor?”

metade que se complementa nos

A entrega à gastronomia local é

sabores do mundo oferecidos pela

um dos pressupostos com que inicia

genética e pelo ímpeto de explora-

cada uma das suas aventuras além-

dora. Em cada viagem que efectua,

fronteiras - “Levar o paladar livre de

os mercados locais são ponto de

preconceitos” refere. E são muitas

paragem obrigatório servindo como

as que se podem contar! Espanha,

fonte de inspiração, quer pelas pes-

Andorra, França, Inglaterra, Polónia,

soas, quer pelos ingredientes ou pra-

República Checa, Brasil, Croácia,

tos exóticos que se vendem. É através

Eslovénia, Itália (Milão e Veneza),

destas experiências que vive a iden-

Moçambique, África do Sul, Grécia

tidade do país. E, para quem pre-

(o país que mais lhe conquistou o

tende percorrer o mundo através do

estômago),

Holanda,

Alemanha,


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BLOGUE

Tailândia, Vietname, Camboja e, recentemente, Itália (Roma, Florença e a zona da Toscana) são países onde fez check-in. A escolha do destino é ditada pela vontade comum dos participantes, pelo orçamento e número de dias de férias disponíveis. Há viagens que são preparadas com um ano de antecedência, como a da Ásia, porque são viagens longas, complexas e dispendiosas. Há um entusiasmo contagiante e a pergunta impõe-se: o que existe de fascinante em viajar? “Tudo é fascinante! A descoberta, o novo, a aventura, o sair da nossa zona de conforto e entregarmo-nos ao desconhecido. Sentirmo-nos pequeninos, indefesos e prontos a absorver e aprender mais com outras culturas.” Para experienciar ao máximo, Ana gosta de se misturar com os locais, visitar os mercados e andar de transportes públicos. Esta é a forma privilegiada de obter uma vivência mais genuína do povo e descobrir os melhores lugares que não vêm nos guias – restaurantes são pontos fulcrais. Mas os ex-libris nunca são negligenciados. O regresso a casa é feito com memórias só suas, que se geram a partir de saber des-

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BLOGUE

frutar verdadeiramente do momento ou cristalizá-lo, através de inúmeras fotografias (digitais e polaroids): “As minhas fotografias são o meu auxiliar de memória mais precioso. Consigo lembrar-me de cheiros, cores e pessoas que de outra forma acabariam por se apagar no tempo.” Dos muitos lugares que visitou há os que são “Imperdíveis” e, desafiada a ser um guia de viagens a promover um roteiro turístico, Ana revela o quanto adorou o Vietname, o Brasil e, com um sentimento especial, Moçambique “por tudo. As praias paradisíacas, a gastronomia, mas principalmente as pessoas. O sorriso e humildade das crianças. É um país com uma beleza incrível, e que felizmente ainda não está demasiado explorado ao nível turístico. Maputo é uma cidade encantadora, uma espécie de Rio de Janeiro de África. E claro que também nos faz sentir em casa, porque falam a nossa língua, e isso é muito reconfortante.” Calcorreada uma parte ínfima do mundo, a lista dos países a visitar é extensa mas encabeçada pela Austrália, Islândia, Peru, Argentina,

90


BLOGUE

Amazónia e o Pantanal, no Brasil.

Ana elege as suas fontes de inspiração no campo da imagem: as

A incerteza do próximo destino con-

revistas Kinfolk e Cereal são ponto

trabalança com o lugar cativo que a

de referência, os blogues Rose and

máquina fotográfica, respectiva bat-

Crown, Industry of One, Lingered

eria suplente e carregador, possuem

Upon e La Buena Vida são segui-

no kit essencial de viagem – inclui

dos de perto. O que todos têm em

ainda mochila, um livro e um guia

comum é uma fotografia incrível por

sobre o destino. O que nos remete

oferecerem momentos bonitos trans-

ao terceiro elemento caracterizador

postos num lifestyle muito próprio.

do blogue. Ana é uma ávida consumidora da beleza que existe nas

Num futuro próximo os desejos são

pequenas coisas e tudo capta em

de evolução contínua - porque é

fotografias. É uma obsessão. “Clique”

“um prazer partilhar o meu mundo

e o momento dura para sempre. O

com os leitores e levá-los a viajar

gosto que sempre nutriu por esta

quando lêem o meu blogue.” Que

arte, a par do fascínio que sentia

o Tapas continue a inspirar as pes-

pelas imagens de blogues e fotógra-

soas a cada novo dia e que novos

fos que admira, levaram à evolução

desafios se apresentem a si. Que

natural por aprender mais. Tirou um

as actuais colaborações no Público

curso e investiu numa câmara “mais

e na revista Visão se multipliquem

profissional”. O blogue é prova viva

por uma mão cheia. Que se inicie

da sua paixão. A lente incide sobre

na olaria e na costura. Que viaje e

o que mais gosta de fotografar, por

aprenda sempre mais. Que viva uma

entre pratos culinários (de delicioso

vida plena. Que seja “uma mulher

styling), os projectos DIY, as inspira-

realizada e feliz com a vida. Uma

ções do dia-a-dia, sítios especiais

mãe e mulher completa de alma

e as suas viagens, de forma crua e

e coração. Correr o mundo com a

sem recurso a artificies. Ana gosta do

minha família, e com ela conhecer

genuíno e, o próximo desafio, é feito

novos destinos e experienciar coi-

à sua medida. Grávida de muitos

sas maravilhosas. Espero ensinar aos

meses (Parabéns!) terá a esponta-

meus filhos a importância de terem

neidade do filho para registar em

um espírito livre e de amor e respeito

todas as etapas da sua vida. Ávida

profundo pela Natureza.”

de oferecer e desfrutar de beleza,

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por Rui Veloso


TECNOLOGIA

Projeto Loon da Google Embora estejamos em pleno século XXI, e em constante inovação tecnológica, existe ainda bastante gente que não possui acesso à Internet, e por consequência a todas as potencialidades que ela traz. A Google desenvolveu um projeto que promete revolucionar a questão do acesso à Internet em zonas remotas. A ideia consiste em colocar balões de ar quente na atmosfera e a partir deles partilhar o acesso à Internet. Este projeto encontra-se já em prática, sendo que está a ser testado na Nova Zelândia. Convém referir que estes balões não irão ser controlados ao pormenor, sendo que poderão pairar livremente na atmosfera. A Google apenas implementou um sistema de controlo de altitude para que os balões possam apanhar uma determinada corrente de ar que os possa levar a outro rumo. A alimentação de todo o equipamento e da infraestrutura que fornece a ligação à Internet serão alimentadas através de um painel solar colocado no balão. A Google espera que o projeto piloto na Nova Zelândia tenha grande sucesso e caso o mesmo aconteça promete alargar o projeto a outras regiões do globo.

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TECNOLOGIA

Nokia Lumia 1020 Vai sair em finais de Julho um dos smartphones mais esperados dos últimos tempos. Falo do Nokia Lumia 1020. Com este smartphone a Nokia elevou a fasquia no que toca a imagem nestes tipos de dispositivos. E elevou porque o Lumia 1020 vai possuir nada mais, nada menos do que um sensor de 41 Megapixéis de última geração. Com recurso a uma funcionalidade de captação dupla, o Lumia 1020 tirará duas fotografias de cada vez. Uma na resolução de 38 Megapixéis que será ideal para editar, e uma segunda imagem com 5 Megapixéis que facilita a partilha

Condutores Coloridos Embora este conceito não seja totalmente novo, tem ganho bastantes adeptos e parece que veio para ficar, sendo que está já a ganhar diversas implementações práticas. Fala-vos de uma tinta condutora que tem a capacidade de substituir os fios elétricos dos circuitos. Este conceito foi desenvolvido por um grupo de estudantes do Royal College of Arts no Reino Unido. Esta tinta permite “pintar um circuito” numa parede ou num papel e depois acender uma lâmpada com recurso a esse circuito. A tinta poderá ser aplicada em qualquer tipo de superfície desde papel, plástico, metal ou tecido. O único senão é que seca bastante rápido quando exposta à temperatura ambiente. Quem sabe num futuro próximo teremos uma tinta deste género que não seque tão rapidamente, e talvez até diferentes cores.

das fotografias para as redes sociais. O sensor inclui óticas ZEISS, com seis lentes físicas e um estabilizador ótico de imagem, possuindo ótimas fotografias mesmo em ambientes com baixa luminosidade. Entre as restantes funcionalidades destaca-se o sistema operativo Windows Phone 8, o ecrã AMOLED de 4,5’’, a bateria de 2000mAh com carregamento sem fios, o processador dual-core Snapdragon S4 de 1,5Ghz e memória de 2 GB, sendo a memória interna de 32 GB.


Feedly E foi no dia 1 de Julho que o mais famoso leitor de RSS, o Google Reader entregou a alma ao criador. Mas uma vez que as RSS são amplamente utilizadas por todo o mundo, era necessário haver alternativas viáveis. Desde o anúncio do fecho do Google Reader que o Feedly logo se colocou como

PRISM

o mais forte substituto, e agora com o

Desde há dois meses que diariamente nos

fecho oficial trouxe ainda mais novi-

telejornais temos ouvido falar de um jovem

dades aos seus utilizadores.

chamado Edward Snowden. Este jovem decidiu abandonar o seu país, trabalho, família para

O Feedly surgiu como uma extensão

denunciar o sistema de vigilância americano, o

aos principais browsers e como uma

PRISM.

aplicação para Android e iOS. A equi-

O PRISM é um programa de vigilância de tele-

pa decidiu agora criar um serviço web

comunicações secreto. Foi um projeto desen-

que permite que o Feedly seja utiliza-

volvido pela National Security Agency (NSA)

do em qualquer browser. Foi também

e trata dos assuntos de espionagem. É um

redesenhado o interface do serviço, e

sistema em tempo real e que monitoriza desde

criada uma API que permite a integra-

telefonemas, atividades de cartões de crédito,

ção do Feedly com outras ferramentas.

mensagens nas redes sociais, histórico de sites na Internet, Email, fotografias, Vídeos e muitos outros. Estes dados são depois enviados para a NSA. Entre as instituições mais populares, a maioria faz parte da base de dados do PRISM, sendo que se conta com na lista com dados da Microsoft, Google, Facebook, Yahoo, Apple, Youtube, Skype e outros. Com a denúncia de Snowden, foi gerada uma discussão pública sobre a legalidade e legitimidade de um sistema destes, mas os EUA tem adoptado uma postura de deixar convenientemente o assunto de lado.

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por Patrícia Silvério www.pumps-fashion.com


RADAR SPOTS

A La Boutique – Deli & Bistro é uma das cafetarias mais conceituadas na Zona Histórica de Braga. Para quem gosta de tomar um bom café ou uma infusão de ervas maravilhosa, a escolha certa é mesmo no La Boutique. Deli & Bistro acolhe-nos num espaço de cores vibrantes num ambiente seleto, suave e muito agradável para quem gosta de saborear produtos seleccionados. Mas o que nos levará a visitar um lugar destes? Eu digo-lhe algumas boas razões! No La Boutique poderá almoçar pratos quentes deliciosos como um óptimo Caril de Gambas, Blinis de Salmão ou um Vol-au-Vent de frango e cogumelos frescos ou as sandes da casa: Croque Monsieur, Italiana, Do Campo, Escocesa ou de Caranguejo. E como a sobremesa não pode faltar, recomendo como final de refeição algo caseiro e delicioso como um Quindim, Salame,

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RADAR SPOTS

As minhas sugestões... Chá: Mariage Fréres. Chocolate: Premium (Belgas); Chocolate S/Açucar: Blanxart. Brevemente poderá personalizar na hora a sua própria pasta de chocolate! Existem sabores variadíssimos de banana, violeta, goji. Gomas: Gomas sem açucar, naturais e feitas à base de fruta.

Morada: Rua Dom Gonçalo Pereira (Junto à Sé de Braga) Nº29, 4700-032 Braga Facebook: https://www.facebook.com/ laboutique29

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opinião

STRESS COMERCIAL

Estando nós a chegar ao sempre aguar-

tos negócios são feitos em função do

dado período de férias, em que ansio-

stress diário, uns para criar, outros para

samente esperamos ter momentos de

eliminar. Temos o caso do mercado da

descanso e lazer e onde podemos

publicidade que está em todo o lado

finalmente pôr de parte o stress do quo-

incentivando a comprar bens ou ser-

tidiano, começo a pensar na seguinte

viços, asfixiando-nos com conteúdos

questão: o que nos leva, afinal, a sofrer

muitas vezes nada relevantes. Ou então

de stress?

o mercado da tecnologia que nos leva

Bom...dando início a um dia normal,

a ficar “prisioneiros” de dispositivos de

ligando a TV ou lendo um jornal diário

tal modo que um dia acordamos e nos

somos automáticamente bombardea-

apercebemos que não sabemos viver

dos com notícias da atualidade que

sem eles.

nos deixam angustiados e stressados

Do outro lado temos ofertas comercias

acerca da realidade em que vivemos.

para eliminar o stress, como agências

Depois, se calhar, convém passar pelo

de viagens, hotéis, spas, empresas de

ginásio e fazer aquela horinha de des-

divertimento, entre muitas, muitas out-

porto “rápida” para ficarmos em forma

ras. Refletindo sobre tudo isto, chego

e teoricamente bem dispostos. No final

à conclusão que, se calhar, antes de

do dia, para descomprimir, vamos até a

tentar eliminar o stress talvez seja mel-

um café ou fazemos umas comprinhas

hor pensarmos sobre as causas que nos

rápidas antes de chegarmos a casa,

levam a sofrer deste mal.

onde sistematicamente temos de fazer tarefas domésticas. Resumindo e concluindo andamos sempre a correr, tentando fazer o máximo possível em menos tempo possível. Olhando para este panorama, mui-

por raúl rodrigues ilustração: joão brandão

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Receitas Radar por Vânia Silva

Enrolados de peru com bacon Receita para 2 pessoas – – – – – –

2 bifes de peru compridos e finos 2 fatias de bacon fatiado 2 colheres de sopa de manteiga sal e pimenta a gosto 2 dentes de alho folhas de orégãos q.b

Tempere os bifes de peru com sal e pimenta e recheie com a fatia de bacon. Enrole e ate com fio de cozinha. Aqueça a manteiga numa frigideira bem quente, junte os alhos inteiros e amassados deixando caramelizar um pouco. Aloure os bifes virando-os com frequência e regando com o molho. Quando servir verta o molho que restou sobre os enrolados. Polvilhe com os orégãos frescos e sirva com arroz de couve bruxelas.


receitas

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receitas

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Supremo de Framboesas Receita para 4 pessoas – 1 embalagem de quadrados de massa folhada congelada – 1 embalagem de chantily de pressão – framboesas q.b – compota de frutos silvestres – açúcar em pó para polvilhar Pré-aqueça o forno a 200ºC/220ºC e disponha no tabuleiro de forno sobre uma folha de papel vegetal os quadrados de massa folhada espaçados entre si. Coloque no forno a massa folhada quando o mesmo tiver atingido a temperatura desejada. Assim que começarem a folhar (levantar) pode baixar um pouco a temperatura, para a massa folhada secar. Retire e deixe arrefecer completamente. Pode fazer as caixinhas de massa folhada com antecedência e até guardá-las dentro de um recipiente fechado e sem humidade, pois conservam durante dias e sempre crocante. Aconselho a montagem da sobremesa pouco tempo antes de servir, porque o chantily derrete com facilidade. Para a montagem faça um corte na horizontal sobre o folhado, barre com um pouco de compota de frutos silvestres, disponha as framboesas nas extremidades do folhado e no meio o chantily. Coloque a parte superior e termine polvilhando com açúcar em pó.


LITERATURA

À Cabeceira IMAGEM IKEA

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VIAGENS

UM DIA

Paul Bowles

David Nicholls

Entre a imensa e majestosa solidão do Saara e a tranquilidade doméstica da sua ilha tropical no Ceilão, Paul Bowles percorreu incessantemente os caminhos do globo terrestre. Uma curiosidade inesgotável por todas as paisagens humanas e a atração por dois tipos antitéticos de paisagem geográfica, o deserto e a floresta tropical, alimentaram um fluxo constante de viagens, em que Bowles alternou a deslocação com a permanência em todos esses lugares que quis conhecer e onde escolheu viver por períodos maiores ou menores. Viagens, livro inédito e o primeiro de uma série que a Quetzal dedica a Paul Bowles, reúne relatos das suas aventurosas deambulações pela Europa, África, América Central e Ásia.

Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente. 15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA.

SINOPSES

wook.pt


alex stoddard Nasceu em 1993 em Jacksonville, na Florida, e com apenas dezasseis anos começou a tirar fotografias a si próprio num pequeno bosque atrás de sua casa e foi aperfeiçoando a arte de fotografar. Hoje o seu talento é facilmente reconhecido no momento em que apreciamos todo o seu portefólio. Site: www. alexstoddard.4ormat.com

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SUGESTÕES

Sugestões Radar Common ground Mazgani

“Common Ground” foi gravado em Bristol por dois mestres da canção, John Parish (habitual colaborador de PJ Harvey) e Mick Harvey (ex-Nick Cave & the Bad Seeds, e também colaborador de PJ Harvey). O resultado é um disco denso e rico nas geografias que explora – não fosse Mazgani um cidadão e músico do mundo - primando ao mesmo tempo pela simplicidade e despojamento. “Common Ground” revela um cantor/ compositor no pico da criatividade, dando primazia à palavra e à história que dela brota.

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CINEMA

SÓ DEUS PERDOA

Paixões proibidas

Drama - 25 julho

DRAMA - 25 julho

Julian (Ryan Gosling) dirige um clube de boxe tailandês, em Banguecoque, o qual serve, na realidade, de fachada para o seu negócio de tráfego de droga. A sua mãe, Crystal (Kristin Scott Thomas), líder de uma organização criminosa, viaja dos Estados Unidos para transladar o corpo do seu filho predileto, Billy, irmão de Julian, morto por ter selvaticamente assassinado uma jovem prostituta. Enraivecida e sedenta de vingança, ela exige a Julian a cabeça dos assassinos. Mas para tal, Julian terá de enfrentar Chang, um misterioso policia, uma espécie de justiceiro divino, idolatrado pelos seus pares.

Uma envolvente história de amor, desejo e o poder da amizade, que acompanha os amores pouco convencionais e paixões de duas amigas, Lil e Roz, as quais se apaixonam pelos filhos uma da outra. Com receio de enfrentar a ira e o julgamento da comunidade, elas decidem, durante anos, manter as duas relações em segredo, até a sua descoberta ameaçar dividir as vidas e as famílias dos dois jovens, que eventualmente vão ter de optar entre um caminho seguro e os seus desejos mais íntimos.

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Hóspedes indesejados

RED 2

terror - 1 agosto

ação/Aventura - 8 agosto

O hotel Yankee Pedlar Inn está prestes a fechar as portas após mais de um século de existência. Muitos creem que este é um dos hotéis mais assombrados de Nova Inglaterra (EUA) e os dois últimos funcionários estão determinados a registar provas antes que o hotel feche as portas. Com a data de fecho a aproximar-se, começam a chegar ao Pedlar Inn estranhos hóspedes que tornam ainda mais sombrio o ambiente. Luke e Claire continuam a sua busca e começam a ter alarmantes experiências paranormais. Apreensivos e aterrorizados não percebem que as suas próprias vidas estão agora em risco e que apesar de toda a violência daquela experiência, eles serão apenas referências de rodapé na vasta lista de episódios inexplicáveis deste hotel.

Sequela da famosa comédia de ação, em que o reformado agente da CIA Frank Moses reúne a sua equipa de improváveis agentes de elite para a missão de descobrir um dispositivo letal de última geração desaparecido, que pode alterar o equilíbrio do poder mundial. Para tal, eles precisam de sobreviver a um exército de assassinos implacáveis, terroristas impiedosos e funcionários do governo obcecados com o poder, todos ansiosos por meter as mãos nesta arma tecnológica super avançada. A missão leva Frank e o seu bizarro grupo a Paris, Londres e Moscovo. Com menos armas e menos homens, eles contam apenas com a sua astúcia, as suas técnicas “oldschool”, e uns com os outros, para salvar o mundo e sobreviver a esta missão.


CINEMA

os instrumentos mortais Cidade dos ossos ação/aventura - 22 agosto Um mundo oculto está prestes a ser revelado. Quando Clary Fray (Lily Collins) decide ir a uma boate em Nova York para se divertir, nunca poderia imaginar que testemunharia um assassinato - muito menos um assassinato cometido por três adolescentes cobertos por tatuagens enigmáticas e brandindo armas bizarras. Clary sabe que deve chamar a polícia, mas é difícil explicar um assassinato quando o corpo desaparece e os assassinos são invisíveis para todos, menos para ela. Tão surpresa quanto assustada, Clary aceita ouvir o que os jovens têm a dizer. Uma tribo de guerreiros secreta dedicada a libertar a terra de demónios, os Caçadores das Sombras, têm uma missão no nosso mundo, e Clary pode já estar mais envolvida na história do que gostaria.

Dá E Leva ação/aventura - 22 agosto Do aclamado realizador Michael Bay, chega-nos “Dá e Leva”, o novo filme de ação e comédia, protagonizado por Mark Wahlberg, Dwayne Johnson e Anthony Mackie. Baseado na inacreditável história verídica de um grupo de ‘personal trainers’ de Miami nos anos 90, que persegue o Sonho Americano, mas que se vêm envolvidos num esquema criminoso que corre terrívelmente mal.

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NO RADAR os espectáculos que não vais querer perder

1. ANARCHICKS 03 de agosto, 22h00, espaço gnration (Braga) 2. FILHO DA MÃE 20 de julho, 22h00, Espaço gnration (BRAGA) 3. klaxons 20 de julho, 21h30, festival marés vivas 4. kap bambino 25 de agosto, 18h00, castelo (leiria) 5. linda martini 25 de agosto, Cacela Velha (Vila Real de Santo António) 6. Belle and sebastian 17 de agosto, festival paredes de coura

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e ainda... Luísa Sobral 22 de Agosto, 23h00, Casino Figueira(Figueira da Foz) Bezegol 24 de Agosto, Santa Cruz (torres vedras) capitão fausto 29 de agosto, Mina de São Domingos (Mértola) Skunk Anansie + Diabo na Cruz + Spinning Sparks 31 de agosto, crato



Radar 7