A pequena semente - Manual digital do professor

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A PEQUENA SEMENTE

VÉRONIQUE VERNETTE

TEXTO E ILUSTRAÇÕES

Autoria deste Manual Digital: Márcia Leite

LIVRO DO PROFESSOR

A PEQUENA SEMENTE - MANUAL DIGITAL DO PROFESSOR

© DA EDIÇÃO: EDIÇÕES JOGO DE AMARELINHA, 2021 © DO TEXTO DESTE MANUAL: MÁRCIA LEITE, 2021

© DAS ILUSTRAÇÕES DESTE MANUAL: VÉRONIQUE VERNETTE, 2013

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: WALKYRIA GAROTTI

REVISÃO: CLAUDIA MAIETTA E ANA LUIZA COUTO

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, SP, BRASIL)

VERNETTE, VÉRONIQUE

A PEQUENA SEMENTE : LIVRO DO ALUNO / VÉRONIQUE VERNETTE ; TRADUÇÃO MÁRCIA LEITE. -- 1. ED. -- SÃO PAULO : EDIÇÕES JOGO DE AMARELINHA, 2021.

TÍTULO ORIGINAL: PETITE GRAINE

ISBN 978-65-995002-2-0 (ALUNO)

ISBN 978-65-995002-3-7 (PROFESSOR)

1. LITERATURA INFANTIL 2. NATUREZA I. TÍTULO. 21-66271

ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:

1. NATUREZA : LITERATURA INFANTIL 028.5

2. NATUREZA : LITERATURA INFANTOJUVENIL 028.5

ALINE GRAZIELE BENITEZ - BIBLIOTECÁRIA - CRB-1/3129

TODOS OS DIREITOS DESTA RESERVADOS

CDD-028.5

• São Paulo, SP, Brasil Tel.: [55 11] 3255 6523

Rua General Jardim, 482, conj. 22 • CEP 01223-010

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MANUAL DIGITAL DO PROFESSOR

A PEQUENA SEMENTE

AUTORA E ILUSTRADORA: VÉRONIQUE VERNETTE

Tradutora: Márcia Leite

CATEGORIA CRECHE II

Este livro é adequado para crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) por despertar a curiosidade e o respeito pelo meio ambiente; favorecer o interesse pela leitura de palavras e imagens; demonstrar atitudes de cuidado com a natureza;

TEMAS:

Mundo natural, meio ambiente, plantas, Biologia e Ciências; Quotidiano de crianças nas escolas, nas famílias e nas comunidades (urbanas e rurais)

Animais da fauna local, nacional e mundial

GÊNERO LITERÁRIO:

Narrativo: fábulas originais, da literatura universal e da tradição popular, etc.

Sobre a autora deste Manual:

Márcia Leite é escritora de livros de literatura para crianças e jovens e de coleções didáticas na área de Língua Portuguesa. Publicou cerca de 50 títulos por diversas editoras, alguns deles premiados, traduzidos e integrantes de programas de leitura como PNBE e PNLD.

Educadora com 35 anos de prática escolar, foi professora e assessora de Língua e Literatura em todos os ciclos do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Atua como especialista e formadora de professores nas áreas de leitura e literatura para crianças e jovens ministrando palestras, seminários, cursos e oficinas.

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APRESENTAÇÃO

Prezado(a) Professor(a),

É com muito prazer que escrevemos este Manual, com a intenção de que o trabalho com o livro A pequena semente seja plenamente frutífero junto aos pequenos leitores. Organizamos este manual em duas partes. Na primeira, falaremos um pouco da criança inserida na Educação Infantil e abordaremos alguns pontos do trabalho com leitura, principalmente da leitura literária, que julgamos importantes evidenciar com base nas orientações sobre as habilidades de literacia anunciadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e no Plano Nacional de Alfabetização (PNA).

Na segunda parte, apresentaremos o livro e conversaremos sobre suas possibilidades de exploração de leitura e de atividades. Antes, durante e depois da leitura de A pequena semente, as crianças serão incentivadas a entrar em contato com os campos de experiência ligados à Natureza e Sociedade e a se familiarizar também com elementos que compõem a leitura literária. Terão também a oportunidade de conhecer o processo de evolução semente/árvore, bem como o contato lúdico com a linguagem verbal e visual proposta pela autora.

O livro é indicado para crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos, faixa etária adequada para um trabalho voltado à estimulação visual, motora e auditiva e para a familiarização com textos orais e escritos. Mundo natural, meio ambiente, plantas, Biologia e Ciências; e Animais da fauna local, nacional e mundial são temas presentes no livro e com os quais o pequeno leitor entra em contato ao acompanhar as experiências da protagonista da história, uma menina que planta uma semente e, ao cuidar dela, vai se surpreendendo com as transformações e com o mundo de possibilidades que se apresenta durante o crescimento da pequena muda.

Procuramos fazer deste manual uma oportunidade precisa e preciosa de aproximação dos professores com a literatura já na primeiríssima infância. Você está pronto? Vamos plantar e cultivar um pequeno leitor com o livro A pequena semente?

Desejamos boa leitura e bom trabalho.

Márcia Leite Autora deste Manual

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PARTE 1

da leitura de livros de literatura na Educação Infantil

A importância

É possível que a expressão “leitura na Educação Infantil” ainda cause estranheza, incompreensão, dúvidas e até mesmo receio entre professores e familiares. Perguntas como as listadas abaixo são frequentes quando se fala em livros de literatura na Educação Infantil:

Como assim: leitura no Berçário, na Creche e na Pré-Escola?

O que crianças não alfabetizadas farão com livros nas mãos além de estragá-los, se não sabem ler?

Ah, isso é perder tempo e jogar dinheiro fora. Crianças da Educação Infantil não ligam para livros, elas gostam de brincar.

Não é mais importante cuidar dos bebês e crianças da Creche e acompanhá-los no que diz respeito à escolarização e ao desenvolvimento motor?

Se sabemos a razão pela qual devemos trabalhar com livros de literatura infantil na Educação Infantil (na escola e fora dela), esses questionamentos deixam de incomodar e ainda geram oportunidade de dialogar e confirmar nossas boas práticas leitoras com nossos alunos.

“Os livros manipuláveis por bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas cumprem o propósito de estimulá-las do ponto de vista visual e motor, ao passo que os livros destinados à prática da leitura em voz alta feita pelos professores às crianças adicionam o estímulo auditivo àquele do componente visual, promovendo oportunidades de familiarização com materiais impressos. Vale lembrar que, seja em relação a livros manipuláveis, ou a livros para leitura do professor às crianças, a presença de um adulto é fundamental, guiando, aprimorando e exercitando a curiosidade dos pequenos.”

Secretaria de Educação Básica (SEB), Secretaria de Alfabetização. Nota Técnica Nº 43/2020/COGEAM/DARE/SEB/SEB, Ministério da Educação

Sabemos que é nos pr imeiros anos de vida que as crianças adquirem grande parte da cultura e da sabedoria social, graças às relações linguísticas estabelecidas com os adultos e outras crianças. De acordo com Goodman (2010), uma parte importante do desenvolvimento da linguagem está relacionada à necessidade da criança em participar das interações sociais: todas podem aprender com o outro.

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Ao crescerem em um ambiente que oferece materiais impressos, aprenderão com mais facilidade a linguagem escrita como estratégia de comunicação. Ao terem contato com a língua oral, por meio de leituras e contação de histórias, desenvolverão a linguagem oral e entenderão como funciona a língua e os sistemas convencionais de fala, leitura e escrita.

Ao lermos para as crianças em voz pausada ou ritmada, com genuíno interesse e crença no que estamos propondo, quase sempre “encantamos” o pequeno interlocutor, que, por sua vez, acaba por tomar o professor como modelo para suas futuras experimentações com os livros. Se contamos uma história mostrando as páginas do livro e suas ilustrações, chamando a atenção para o que está acontecendo, permitindo que se relacionem com o objeto, seremos depois surpreendidos ao vermos uma criança caminhar até a estante, pegar um livro e “imitar” que está lendo para os coleguinhas, reproduzindo nossos gestos, assim como fizemos anteriormente.

Os pequenos leitores são capazes, desde muito cedo, de ler sem saber ler. As crianças sabem ler nossos rostos, nossos gestos, nossas expressões físicas, nossa voz, nosso humor, o ambiente onde estamos. Crianças e adultos, mesmo quando não alfabetizados, efetuam uma plena leitura do mundo em que estão inseridos.

Quando nós, professores, compreendemos esse conceito mais amplo de leitor e de leitura, que não se restringe somente à proficiência e ao domínio do código escrito, então também entendemos a importância de oferecermos situações de leitura para os que ainda não sabem ler livros. A prática da leitura incentivada pelo professor introduzirá um novo tipo de aprendizagem que vai desde a compreensão da escrita e da gramática até a compreensão de mundo, sem contar com o desenvolvimento sensitivo e crítico do aluno leitor (Charmeux, 2000).

A importância da leitura vai além da atividade em si e contribui também para a construção do repertório linguístico, para a ampliação do conhecimento prévio e da capacidade da criança de expressar suas ideias e concepções sobre o mundo. A relação da criança com o livro transforma-se, como diz Angela Kleiman, em um “ato social entre dois sujeitos, leitor e autor que interagem entre si, obedecendo a objetivos e necessidades socialmente determinados”.

O livro infantil é, por isso, um objeto cultural capaz de propiciar e garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento propagados pela BNCC e divididos em conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.

Agora, vamos conversar um pouco sobre como a literatura infantil pode nos ajudar a promover tudo isso?

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Literatura Infantil: por que ler para nossos alunos?

A construção da identidade do indivíduo inicia-se na sua infância e vai sofrer influência de todos os referenciais com os quais ele irá se deparar ao longo de sua história. A literatura é um desses referenciais.

A literatura infantil é indispensável na primeira infância. Além de propiciar situações de profunda interação entre as crianças e professores, a leitura de livros literários promove a constituição de valores que:

desenvolvem no pequeno leitor habilidades cognitivas; promovem oportunidades para a criança “conversar” com o texto, atribuindo-lhe significados; oportunizam entrar em contato com nossa própria herança cultural, bem como com a de outros povos e culturas; ajudam a dar voz às emoções e aos sentimentos; incentivam a criatividade e a imaginação; nutrem o desenvolvimento da personalidade e as habilidades sociais da criança.

O primeiro valor observado é que a literatura infantil oferece às crianças oportunidades de ampliar seus conhecimentos prévios e principalmente desenvolver opiniões próprias sobre determinado assunto. Cada criança vai perceber algo no livro infantil com base no que conhece, nos seus pontos de vista, nas suas experiências pessoais (conhecer-se). Isso fortalece as funções cognitivas dos alunos, dando a eles a oportunidade de se expressarem por meio da linguagem, relatando o enredo de uma obra (seja ela uma narrativa, seja um livro de poemas) e dando sua opinião sobre ele.

Em segundo lugar, ler e trabalhar com literatura infantil oferece um caminho para os alunos aprenderem sobre sua própria herança cultural e conhecerem um pouco sobre as culturas de outras pessoas. É fundamental a leitura literária na Educação Infantil porque “desenvolve atitudes positivas em relação à nossa própria cultura e às culturas dos outros é necessário para o desenvolvimento social e pessoal” (Norton, 2010, p. 3). Há muitas histórias capazes de estabelecer e resgatar relações culturais, como os contos populares, as histórias africanas, os mitos indígenas e até mesmo as fábulas e os contos de fadas. O cancioneiro, as cantigas e as parlendas populares também nos trazem informações sobre quem somos e de onde viemos.

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Na Educação Infantil, as escolhas dos livros pelos professores precisam considerar sempre as mensagens positivas, os temas ricos em empatia que incentivam a aceitação das diferenças culturais entre as pessoas. É importante, desde cedo, levar esse pequeno leitor a valorizar e a conviver com diferentes culturas e tradições, a sua e a de seus colegas.

Terceiro ponto importante, a literatura infantil ajuda as crianças a desenvolver emoções e criatividade, pois as histórias têm o poder de promover seu desenvolvimento emocional e moral. Vários livros infantis trazem histórias cujos temas dialogam com os sentimentos e descobertas: um bichinho de estimação que se perde ou pequenas adivinhas para descobrir um tesouro são situações que desafiam os alunos a se colocarem no lugar do outro e a pensarem em soluções. Esses exemplos incentivam a criança a explorar mais profundamente seus próprios sentimentos e a desenvolver a imaginação.

A literatura infantil é valiosa porque oferece elementos que incentivam o desenvolvimento social. Piaget afirma que quando os alunos passam do estágio pré-operacional para o estágio operacional do desenvolvimento cognitivo, eles se tornam menos egocêntricos, começam a se relacionar a partir de situações que envolvem o outro. Enquanto os alunos da Creche podem estar inteiramente focados em si mesmos, à medida que crescem, eles começam a considerar os sentimentos e pontos de vista dos outros. Ser capaz de entender o que pensa o outro, colocando-se em seu lugar, é habilidade importante que os adultos devem cultivar nas crianças.

Por fim, a literatura infantil tem valor porque é uma tradição atemporal, na qual “os livros são o principal meio de transmissão de nossa herança literária de uma geração para a outra” (Norton). Livros consagrados, como Reinações de Narizinho (Monteiro Lobato, 1920), Ou isto ou aquilo (Cecília Meireles, 1964), A Arca de Noé (Vinícius de Moraes, 1970), A Bruxinha Atrapalhada (Eva Furnari, 1982) e tantas outros, são obras importantes por atravessarem gerações agregando contribuições na formação dos leitores atuais.

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A narrativa para crianças nos livros ilustrados

Gostaria de saber, disse para si mesmo, o que se passa dentro de um livro quando ele está fechado. É claro que lá dentro só há letras impressas em papel, mas, apesar disso, deve acontecer alguma coisa, porque quando o abro, existe ali uma história completa.

O livro A pequena semente enquadra-se no gênero narrativo (fábulas originais, da literatura universal e da tradição popular etc.). O termo narrativa é usado quando nos referimos a contos, romances, novelas, fábulas etc. que apresentam estruturas e elementos específicos. Quando falamos em gênero narrativo nos livros infantis, geralmente estamos no “território” dos contos.

Na literatura mundial e brasileira, temos uma variedade de contos que atendem a diferentes leitores em diferentes idades, como os contos populares, os contos de fadas, de assombração, de mistério, de esperteza, entre outros. A estrutura composicional do conto clássico geralmente apresenta:

a introdução, que insere o leitor no universo a ser relatado, tecendo-lhe as particularidades do espaço onde desenvolve a ação e apresentando-lhe, paulatinamente, os personagens que transitarão pelo mundo exposto;

o conflito, que implica o surgimento de um problema, um impasse que desencadeará todas as peripécias e infortúnios necessários para o encaminhamento da trama;

o clímax, que se institui como a ação mais impactante da obra;

o desfecho, em que o conflito configurado na narrativa é solucionado (ou não, pois nem todas as narrativas terminam em final feliz).

A pequena semente, escrito em 2013, tem uma estrutura distinta dos contos tradicionais. Trata-se de uma narrativa descritiva em que a personagem/narradora explora e compartilha com o leitor suas descobertas.

Acompanhamos a transformação da semente em árvore por meio da sequência narrativa das ilustrações, como fotografias de uma criança a crescer: vemos o nascer do broto, das folhas, dos galhos, a chegada dos animais que habitarão a árvore. A narrativa vai acontecendo aos olhos da narradora e do leitor concomitantemente, o tempo cronológico não é pautado pelas palavras do texto, mas pelas imagens que anunciam a passagem do tempo.

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Nesse livro, assim como acontece nos livros ilustrados, o texto verbal e o texto visual (ilustrações) atuam juntos para favorecer a compreensão do leitor. Ora um, ora outro, trazem novas informações sobre a história para o leitor. Complementam-se e permitem novas descobertas.

“os gêneros da literatura infantil se caracterizam pelo equilibrado diálogo entre as imagens visuais e o texto verbal. Essa configuração, que lhe é peculiar, instaura modos de ler sensíveis aos efeitos produzidos pelo e no entrelaçamento dessas linguagens. Para isso, é preciso contar com a percepção de elementos como a cor, as formas, os traços da composição visual, tomados como componentes das escolhas de estilo que dividem as páginas com os textos verbais.”

(Machado, 2014)

Na Educação Infantil, sobretudo, é fundamental que possamos valorizar a leitura desses dois signos (verbal e visual) durante a situação de mediação para que as crianças possam explorar e relacionar os elementos disponíveis para a compreensão da narrativa. “Quanto mais conhecimento textual o leitor tiver, quanto maior a sua exposição a todo tipo de texto, mais fácil será sua compreensão.” (KLEIMAN, 2009).

Como mediador de leitura na primeira infância, o papel do professor ultrapassa a ação restrita de apenas ler o livro em voz alta. Nosso maior desafio é introduzir o aluno no universo da literacia

Literacia, numeracia e linguagem em textos infantis

Para desenvolver a linguagem da criança na primeiríssima e primeira infância, é sempre muito importante que a família e a escola ofereçam atividades de leitura por meio de livros ilustrados que possam ser vistos e manuseados pelas crianças.

[...] a escuta das palavras diante das imagens que as representam permite à criança estabelecer a relação entre palavra e objeto. Essas primeiras experiências exigem a mediação do adulto que lê para o pequeno, oportuniza situações para a criança realizar atividades com o livro, as quais inicialmente passam pelos órgãos de sentido como: olhar, agarrar, apalpar, cheirar, levar o livro à boca, ouvir seus sons.

Na primeiríssima infância, a criança na faixa etária de 06 meses a 3 anos é muito sensível ao desenvolvimento da linguagem. Ela aprende a pronunciar os sons e domina um pequeno vocabulário.

Modesto-Silva e Motoyama (2020, ficha 1, p.1).

As atividades de leitura na família e na escola precisam considerar que o processo de desenvolvimento de cada criança é particular quanto ao tempo e modo como se relaciona com a linguagem verbal e visual.

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De maneira geral, observamos que, à medida que cresce o interesse das crianças pelo mundo que a cerca, pelos seres e objetos que as rodeiam, cresce também a necessidade de compreender e dominar a linguagem.

Todos que convivem com crianças em fase de aquisição da linguagem se surpreendem com o deslumbramento e entusiasmo quando elas são apresentadas a pequenas narrativas, parlendas, cantigas e textos poéticos. Esse é o momento ideal para ampliar e motivar a atenção para a escuta de palavras, frases e textos curtos, para trabalhar a significação e apresentar as diferentes funções de um personagem na história.

Por meio de atividades lúdicas e brincantes (antes, durante e depois da leitura), as crianças aprendem a “imitar” o adulto, assimilam a linguagem da comunicação, reproduzem o manuseio com o livro, desenvolvem a imaginação e a memória. Todas essas relações com a leitura são possíveis na Educação Infantil antes de a criança se alfabetizar formalmente.

Pesquisadores da primeiríssima e primeira infância utilizam a expressão literacia emergente, ou apenas literacia, ao definirem os comportamentos das crianças muito novas quando começam a responder e se aproximar de atos de leitura e escrita. A literacia, porém, vai além da leitura e da escrita, abrange a inter-relação da linguagem: falar, ouvir, ler, escrever e ver. Assim, há muitas maneiras de crianças pequenas, incluindo bebês, se envolverem com os livros:

segurar, provar (literalmente, colocar na boca) e virar as páginas; engatinhar buscando um livro (quando bebê); ir até uma estante e escolher um livro; apontar e falar o nome de objetos ou de algum acontecimento representado nas ilustrações; repetir alguma palavra, expressão ou frase do texto; perguntar para o adulto sobre a história por meio de pronomes interrogativos “o quê”, “quando”, “como”, “quem”, “por quê”; conversar, questionar ou manifestar opiniões sobre o tema; recontar um texto do seu jeito, reinventando-o.

A família coloca em prática a literacia familiar quando propicia à criança que se relacione, se familiarize e aprenda sobre os textos escritos antes de frequentar a escola ou quando está em casa (Mata, 2006). As relações precoces com o texto escrito nas interações do dia a dia em ambiente familiar (histórias, listas de compras, jornais, livros infantis, bilhetes etc.) são essenciais e parte integrante do processo de aprendizagem como um procedimento social, funcional e participativo (Teale e Sulzby, 1995).

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O Plano Nacional de Alfabetização (Brasil, PNA, 2019) afirma que o cérebro humano não foi biologicamente programado para aprender a ler e escrever e que “Aprender a ler e a escrever faz criar no cérebro um caminho que liga as áreas de processamento fonológico com as de processamento visual, de modo que uma palavra, quando é vista, ativa no cérebro as mesmas áreas que uma palavra quando é ouvida” (p.26).

Estudos desenvolvidos nos últimos anos sobre a aprendizagem da linguagem escrita reforçam conceitos da literacia emergente, em que se considera o processo de descoberta e apreensão da linguagem escrita como um processo precoce, no qual a criança desempenha um papel ativo e participativo.

Pesquisadores revelam o caráter positivo e lúdico da leitura de histórias pelas famílias nos aspectos de aquisição da linguagem.

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Foi identificada uma associação significativa entre a frequência de leitura, os conhecimentos sobre literacia das crianças aos 5 anos e sua compreensão em leitura. Também se evidenciaram a aquisição e a ampliação de vocabulário, bons índices de alfabetização, de compreensão, de conhecimentos de literacia e de mundo.

A pesquisadora portuguesa Lourdes Mata mostrou que as crianças cujas mães utilizavam, durante os momentos de leitura de histórias, intervenções “não imediatas” (questões, comentários, inferências, predições...) apresentavam melhor resultado na compreensão e interação com o texto escrito. A prática de leitura no ambiente familiar torna-se, assim, uma atividade significativa que proporciona variedade e riqueza de intercâmbios, facilitando o desenvolvimento de algumas aquisições e competências de literacia, como também a motivação positiva à leitura e à escrita.

Já quando a criança está na escola, motivá-la para a leitura, verificar seu desenvolvimento, reconhecer do que ela gosta e “modelar” suas práticas é papel e competência do professor. E sobre isso discutiremos a seguir: a função do “moldar” e do “mediar” na Educação Infantil.

Todos nós, desde pequenos, tivemos alguém a quem seguíamos como modelo, alguém que admirávamos e queríamos imitar. Existe uma relação especial entre a criança e o professor, principalmente nos primeiros anos da infância. É por esse motivo que o termo modelagem, utilizado nos Estados Unidos desde a década de 1980, começou a ser usado em escolas brasileiras.

Alguns professores chamam “modelagem como inspiração” o papel do docente em ajudar as crianças a pensar além do óbvio, sem ser instrutivo, controlador ou muito influente no processo. O professor não dá respostas prontas, ele questiona para fazer que as crianças pensem além do que é evidente.

A modelagem é um princípio da metacognição; ao “modelar” uma ideia, o professor fala em voz alta para que as crianças ouçam seu pensamento e, a seguir, no debate com o grupo, ele desafia os alunos e os ajuda a tomar decisões. Dessa forma, o professor não modela apenas o processo, mas motiva, por meio de perguntas estratégicas, uma troca de pontos de vistas, ponderando as intervenções.

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As interações sociais: professor modelo e mediador

Como professores da Educação Infantil, algumas vezes nos apressamos e emitimos nossas opiniões antes de promover o debate. Nesses momentos, o grande desafio é fazer que nossos alunos saiam das respostas monológicas (“porque sim”, “é”, “não gosto”, “porque não”) e expressem oralmente suas ideias, aprofundando e elaborando melhor as respostas.

Vejamos um breve exemplo do que vem a ser a modelagem em uma situação didática.

O professor está em uma roda de conversa com crianças da Creche (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses de idade) segurando alguns círculos de papel-cartão colorido nas mãos. Seus alunos também têm o mesmo material. Ela fala:

Professor (P) — “Hummm, acho que vou usar esses círculos para fazer uma fileira.”

Aluno C — “Usei círculos grandes e pequenos”, mostrando no chão sua sequência.

P — “Minha fileira de círculos parece uma lagarta. Acho que vou desenhar algumas pernas de lagarta.”

Aluna J — “Ela também precisa de olhos e boca.”

Aluno T — “Boa ideia, assim ela fica uma lagarta feliz!”

Aluno C — “Olha, fiz um triângulo com meus três círculos!”

P — “Sim, você tem três cantos!”

O aluno C decide usar uma caneta hidrocor para conectar seus três círculos.

Nesse caso, quando o professor diz que havia três cantos e a criança desenha um triângulo a partir da junção dos círculos, percebe que há duas formas geométricas sendo exploradas.

Geralmente, o professor modela do início ao fim um processo e então deixa as crianças livres; ele não assume o controle inteiro da discussão, mas inicia a conversa com seu pensamento (fazer pernas no círculo) e deixa as crianças dialogarem com os seus (fazer um triângulo com os círculos). Quando o professor percebe que os alunos estão inseridos na discussão, ele pode incitar a conversa e ficar disponível para ouvir outras ideias, ou deixar o aluno livre para trabalhar sozinho com seus conceitos e imagens.

Modelar é diferente de mediar, muito embora, ao modelar, o professor esteja mediando. Há uma linha muito tênue entre esses dois conceitos.

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Vejamos como o conceito difere e/ou se complementa: Vygotsky fala em aprendizagem mediada quando o professor representa um elo entre o aluno e o conhecimento disponível no ambiente. A mediação, nesse sentido, é relevante para o desenvolvimento dos chamados processos mentais superiores, ou seja – planejar ações, perceber consequências para uma decisão, imaginar objetos etc. Se passarmos a relacionar a definição de Vygotsky com o papel do professor na mediação de leitura, podemos dizer que sua função é a de compartilhar conhecimentos, histórias, poesias para que a criança se desenvolva como leitor.

Mediar a leitura, porém, não significa apenas oferecer livros ou outros tipos de materiais impressos às crianças, mas fomentar o hábito da leitura, ser “modelo” de leitor, modelar a leitura.

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PARTE 2

Sobre o livro e a autora

O livro

Uma menina planta uma semente e a partir desse pequeno gesto todo um mundo brota em torno dela. A semente se transforma em um pequeno broto, depois em uma pequena árvore. Quando esta cresce, suas folhas e frutas, seus galhos e sombra dão início a um novo ciclo de vida que se organiza ao redor da inventiva garota... Um mundo de outras pequenas vidas: pássaros, animais, insetos. O ciclo da vida que se perpetua.

O livro começa com traços simples e poucas cores e, à medida que a natureza se desenvolve, toda sua exuberância é representada pela invasão de cores e de novas técnicas, entre elas a colagem de tecidos florais africanos que vão preenchendo o cenário, que se enche de vida.

Da simples ação de plantar, repleta de significado, surgem percepções poéticas acerca da natureza e da relação que o homem desenvolve com ela, instigando o pequeno leitor a imaginar interações tão criativas e divertidas quanto as da personagem do livro.

A autora

Véronique Vernette nasceu na França, em 1972. Durante e depois de ter cursado a Escola de Belas-Artes, Véronique realizou diversas viagens para Burkina Faso, país situado no oeste da África, cuja língua oficial é o francês. Seu trabalho como autora e ilustradora reflete, direta ou indiretamente, suas vivências no continente africano. Em A pequena semente, as ilustrações recriam a organização do espaço de maneira particular e autoral. A artista promove diferentes formas de olhar, lançando mão de técnicas mistas, como pintura e colagens de tecidos com estampas africanas, que surpreendem e realçam cores e formas dos elementos da natureza.

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Nossa sugestão para o trabalho

Organizamos propostas, comentários e abordagens em tópicos cujos títulos dialogam com o ato de plantar, observar, cuidar e colher.

ESPAÇO DA LEITURA: preparando o solo e o cenário para receber o leitor.

ANTES DA LEITURA: separando a semente para o plantio de novas ideias.

DURANTE A LEITURA: regando o broto com histórias e conversas.

LINGUAGEM: um mundo inteiro de palavras e sentidos.

APÓS A LEITURA/INTERDISCIPLINARIDADE: coisas que acontecem em volta do livro.

LITERACIA FAMILIAR: espalhando e colhendo frutos.

Procuramos fazer uma abordagem interdisciplinar que busca sensibilizar as crianças ao componente curricular Ciências, explorando a curiosidade natural dessa faixa etária, o entusiasmo para investigação e descobertas, a capacidade para imaginar.

Essa intencionalidade consiste na organização e proposição, pelo educador, de experiências que permitam às crianças conhecer a si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica [...] (BNCC, p. 55)

Dessa forma, as propostas sugeridas foram pensadas para motivar:

a acuidade visual, motora e auditiva; a prática da direcionalidade horizontal da linguagem escrita; a familiarização da criança com textos orais e escritos; o desenvolvimento sociocognitivo das crianças.

ESPAÇO DA LEITURA

Preparando o solo e o cenário para receber o leitor

Quem gosta de ler sabe que qualquer experiência de leitura é intensamente sensorial desde o momento em que o leitor recebe ou pega o livro em suas mãos, começa a manuseá-lo, a virar as páginas, a sentir a textura do papel da capa, o cheiro da tinta da impressão etc.

Os livros ilustrados trafegam em três camadas de significação: nos discursos do texto verbal (por escrito), no texto visual (das ilustrações)

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e no projeto gráfico (formato, tipo e gramatura do papel, encadernação, disposição das palavras e das imagens na obra). Quando lemos um livro ilustrado de qualidade estética, percebemos que essas três dimensões de leitura, essas três camadas de significação se entrelaçam e contribuem ainda mais para gerar a vontade de ler aquele livro.

Para favorecer esse encontro entre o leitor e o livro, nada melhor do que a preparação cuidadosa para que essa experiência sensorial literária aconteça, mesmo entre os pequenos leitores.

Aqui falamos de experiência sensorial, ou seja, atividades que explorem em maior ou menor intensidade os cinco sentidos: tátil, visual, auditivo, olfativo e gustativo. As crianças da Creche, como sabemos, são particularmente receptivas ao desenvolvimento dos sentidos.

Assim sendo, é muito bem-vinda a iniciativa de arrumar o ambiente da sala de aula para receber os alunos antes da leitura, propiciando, dessa forma, uma aproximação lúdica com o tema do livro por meio de elementos que remetam ao que será abordado.

Atiçar a curiosidade das crianças é um caminho para enriquecer a leitura e já fazer que, aos poucos, entrem em contato com a narrativa, percebendo o tema, envolvendo-se com a história. Analogamente, ao avançar pela capa ilustrada, página a página, o aluno da Educação Infantil vai se familiarizando com as características materiais do livro e abraçando o enredo.

Como o campo de experiência “Espaços, Tempos, Quantidades e Transformações” é o que apresenta maior possibilidade de articulação com o livro A pequena semente, propusemos vivências que podem sensibilizar os pequenos leitores a explorarem:

experiências com a natureza e os ciclos de vidas; diversidade de espécies; relações entre seres vivos; afinidades desses mesmos seres vivos com o ambiente; germinação e experiências com botânica.

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A construção de uma árvore acolhedora para a leitura

1 Sugerimos a construção de uma árvore, simples e estilizada, dentro da sala de aula ou no espaço onde as atividades de leitura acontecem com seus alunos.

Estruture um tronco de árvore com raízes e galhos usando papel ou cartolina marrom, papel pardo (kraft) amassado ou qualquer material que possa simular o formato de um tronco (plástico, madeira, cano de pvc, metal etc.). Na parte superior da árvore, dos galhos e copas, pregue ou cole somente algumas cartolinas brancas recortadas nos cantos para deixá-las com forma arredondada. Assim, no decorrer da leitura e das atividades, essa árvore vai se transformar e ganhar vida.

Se a escola possuir um regador, coloque-o no chão junto ao tronco. Posteriormente, as crianças perceberão que esse objeto aparece em mais de uma cena do livro. Regadores são associados ao plantio e cuidado das plantas, pois são recipientes que levam um elemento tão importante ao seu desenvolvimento: a água.

2 Quando iniciar o trabalho com o livro, convide seus alunos para se sentarem com você perto desse tronco e inicie perguntando: “Quem sabe o que é isso?”; “O que tem galhos e raízes?”; “O que está faltando nessa árvore?” etc.

Durante a conversa, pergunte se viram que o tronco não tem folhas. Talvez a escola tenha uma árvore cortada ou haja uma em alguma calçada perto da escola. “E o que falta na árvore da nossa sala?”

3 Com base nas respostas, damos ao professor duas sugestões – a escolha vai depender do currículo, da fase de desenvolvimento do pequeno leitor, de habilidades para trabalhar com tesoura com pontas arredondadas etc.

A primeira ideia é que cada criança faça o molde de sua mão aberta em papel colorido, depois recorte-o e cole em volta da árvore.

A outra é que o professor prepare tintas verdes (veja receita de tinta natural na seção: Após a leitura/Interdisciplinaridade), para que os alunos carimbem suas mãozinhas abertas ao redor do tronco.

O professor pode criar outras formas de trabalho com as crianças para completar a copa e as folhas da maquete.

Veja a seguir algumas ideias.

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Figura 1 – Modelos de troncos (fazer somente o tronco)

Tronco de papelão cortado

Tronco de papel kraft torcido

Fonte de pesquisa: https://www.elo7.com.br/cenario-de-mesa-arvore-2d/dp/C972C8

Folhas: mãozinhas recortadas

Fonte de pesquisa: https://fi.pinterest.com/pin/484277766187321478/

Folhas: mãozinhas carimbadas

Fonte de pesquisa: http://tia-auri.blogspot.com/2012/09/

Fonte de pesquisa: http://tia-auri.blogspot.com/2012/09/

Ao realizar atividades como as sugeridas, as crianças estão desenvolvendo habilidades para:

Pegar e rasgar: se elas ajudarem o professor a rasgar e amassar o papel para fazer o tronco, serão incentivadas na coordenação motora fina e no domínio do movimento de pinça (muito importante posteriormente, na aprendizagem da escrita). É na Educação

Infantil que os alunos adquirem a capacidade e a habilidade de segurar, rasgar com firmeza etc. A rasgadura amplia a percepção sensorial e a concentração do aluno; o objetivo é desenvolver sua curiosidade, aprimorar e adquirir novas habilidades, trabalhando a coordenação motora fina e grossa.

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Figura 2 – Árvore, galhos, copas e folhas (contribuição dos alunos)

Desenhar e recortar: ao optar pelo desenho e recorte das mãozinhas, as crianças conquistam vários benefícios, pois a utilização da tesoura com pontas arredondadas estimula o tônus muscular; como escrever envolve um ato motor, atividades com tesoura ajudarão no processo da alfabetização; outro fator refere-se à força inicial que as crianças colocam nas atividades (em nossos primeiros escritos, apertávamos tanto o lápis que quase rasgávamos o caderno). Sempre que possível, incentive trabalhos motores com menos pressão, com menos força nas mãos. Dessa maneira, saber recortar e lidar com a tesoura pode ajudar muito.

Carimbar e pintar: carimbar as mãozinhas das crianças também é uma atividade lúdica voltada para a Educação Infantil. Se o professor escolher carimbar as mãozinhas das crianças ao redor do tronco, a atividade proporcionará também o reconhecimento do próprio corpo e suas possibilidades para explorar, pelo manuseio das tintas, a percepção das formas e a distinção das cores.

Escolha se prefere compor integralmente a árvore antes de iniciar a leitura do livro ou se a construção será feita gradativamente no decorrer do contato com o livro, ao acompanharem as etapas de desenvolvimento da árvore durante a leitura.

Com o ambiente da história totalmente ou parcialmente montado, passemos para as atividades antes da leitura.

ANTES DA LEITURA

Separando a semente para o plantio de novas ideias

Como já foi apresentado aos leitores, a narrativa do livro A pequena semente explora as descobertas e o encantamento da narradora enquanto acompanha as etapas de desenvolvimento de sua semente em broto, pequeno arbusto, pequena árvore, até a transformação em uma frondosa árvore cheia de vida e de novos habitantes. Com a mudança do ambiente, a menina vai também descobrindo que a presença da árvore modifica o lugar onde vive, trazendo outras vivências e novas companhias e atividades.

1Antes de introduzir o livro e explorar a capa, talvez seja interessante conversar com as crianças, lançando questões que introduzem alguns assuntos explorados no livro. É uma maneira de aferir os conhecimentos prévios que as crianças possuem sobre o tema e aguçar a curiosidade delas.

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Sugestões:

– Se fôssemos plantar uma árvore, qual seria a primeira coisa que precisaríamos?

– Será que as flores são apenas para embelezar e perfumar as plantas?

– Já notaram os vários tipos e formatos e folhas? E repararam que as folhas menores são mais claras e molinhas e as maiores são mais escuras e mais duras?

– Vocês acham que a semente serve para quê?

– Quem traz a semente para a terra? (Lembre-se também das abelhas, dos pássaros e animais que se alimentam dos frutos, antes de chegar à loja de sementes.)

– Sabiam que a gente também se alimenta de sementes? Quem conhece alguma?

Se a escola tiver um pátio com árvores, que tal dar uma volta com os alunos após a conversa? As crianças podem ser convidadas para explorar, tocar, cheirar, regar, observar como são as folhas, se dão frutos, se têm insetos por perto etc. Fique atento para que as crianças não levem as folhas à boca.

2Em um segundo momento, que pode ou não ser na sequência, é hora de apresentar o livro

Antes de iniciar a leitura, é sempre muito importante chamar a atenção para a capa e a quarta capa do livro, visto que elas geralmente trazem informações que antecipam, de forma análoga, partes do enredo.

Auxilie seus alunos a “lerem” as ilustrações como uma “cerimônia” antes de abrir as páginas iniciais. Quanto mais curiosidade isso provocar, mais motivação e envolvimento haverá durante a leitura.

Na realidade, a leitura já está ocorrendo, pois ler não se restringe ao código escrito com seus parágrafos, frases e palavras compostas por letras. As crianças também observam, tiram suas conclusões e realizam sua própria leitura durante a exploração da capa e do título do livro.

A nós, professores, cabe garantir o respeito às hipóteses e interpretações dos alunos, em especial, nesse instante inicial de aproximação com o livro – antes da leitura da narrativa.

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Leitura dialogada da capa e do título do livro

Diga o nome de quem escreveu e ilustrou a história e vá orientando o olhar para os detalhes de traços, linhas, cores e formas que aparecem na capa e na quarta capa.

Propomos algumas questões que podem provocar conversas e descobertas:

– Olhem só esta linda capa! Ela traz desenhos e palavras. O que será que está acontecendo aqui? O que vocês estão vendo na ilustração?

Com base nas respostas das crianças, prossiga na exploração:

– O que a criança está fazendo?; Como ela está vestida?; O que ela está segurando?; Que outros desenhos vemos na capa além da menina?; Onde será que ela está?.

– Alguém sabe o nome disso? (Aponte para o nome de seres e objetos que estão representados na ilustração e, se quiser, peça a todos os alunos que repitam os nomes levantados.)

– Vejam as palavras do título (mostre onde estão). Aqui nós lemos: A pequena semente.

– A história tem um título: A pequena semente. Quem tem alguma ideia sobre o que trata a história do livro sabendo o título e vendo o desenho da capa?

O professor pode apresentar outras questões que não foram aqui apontadas, mas que surgiram no grupo por meio da exploração coletiva. Quando avaliar que todos estão motivados, é hora de iniciar a leitura do livro.

DURANTE A LEITURA

Regando o broto com histórias e conversas

As crianças já estão preparadas para a leitura. E você, também se preparou para esse momento?

Parece simples ler um livro infantil para crianças. Mas, na sala de aula, a escolha de um livro envolve também todo um propósito e preparação.

O professor precisa se sentir seguro e amparado para que não seja surpreendido pelas perguntas das crianças, comprometendo a qualidade da abordagem.

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Explore o livro com calma, procurando se colocar no lugar das crianças. Aproprie-se do enredo, do conteúdo, das linguagens e possibilidades de abordagens que o livro oferece nas três dimensões já mencionadas neste Manual: o texto verbal (escrito), o texto visual (ilustrações) e o projeto gráfico (capa, contracapa etc).

Observe como a autora se vale das ilustrações para representar, passo a passo, o que o texto sintético relata. É por meio das ilustrações que o leitor confere e acompanha a sequência narrativa, que pode ser dividida em quatro momentos, como você observa a seguir:

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1 Plantação e desenvolvimento da semente em árvore.

2 A árvore apresentada em suas particularidades: folhas, flores, frutas e bichinhos que a habitam ou frequentam.

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A menina, a convivência com a árvore e a introdução de elementos não naturais (casinha, varal, roupas).

4 As descobertas da menina sobre o mundo que existe em volta de sua árvore.

Vemos, portanto, que a soma das quatro partes da sequência narrativa representa e traduz a percepção da narradora sobre o mundo que a cerca a partir da transformação de sua sementinha em árvore. Do pequeno para o grande. Do simples para o mais complexo. Do perto para o distante. Do quintal para o mundo inteiro.

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Abrindo as “folhas” do nosso livro: leitura dialogada

Ao iniciar a leitura coletiva do livro, procure escolher um lugar confortável, um momento em que as crianças estejam preferencialmente tranquilas e descansadas. Ainda que elas tenham também seu exemplar do livro, sugerimos que a leitura seja dirigida por você no primeiro contato com a história. Avalie se é aconselhável que as crianças também estejam com o livro em mãos nesse momento.

Sempre é bom lembrar que a leitura conduzida por nós, professores, dá oportunidade às crianças de confirmarem hipóteses, perguntarem e escutarem os colegas. O comportamento dos alunos pequenos ao participar da leitura, porém, é diferente daquele esperado dos alunos maiores. Participar pode ser falar junto com o colega, achar graça durante a leitura, conversar, fazer perguntas, olhar o que coleguinha está fazendo ou falando etc.

Elaboramos algumas questões que podem favorecer a leitura dialogada, esse momento de diálogo e interação entre adultos e crianças sobre o texto. Nosso intuito foi tão somente auxiliar e contribuir com a leitura do professor, jamais fechar, induzir ou influenciar qualquer interpretação durante a leitura dialogada com as crianças.

Optamos, também, por detalhar as duplas de páginas, reproduzindo o texto e comentando as ilustrações. Em outra cor, são apresentadas sugestões para a leitura dialogada. Comecemos, então:

UMA SEMENTE

A primeira ilustração da narrativa apresenta a protagonista com uma pá. O desenho mostra um corte da terra, expondo o nível subterrâneo, para claramente enfatizar a localização da semente. Vale observar o “diálogo” entre a ilustração e as palavras, com o texto “Uma semente”.

LEITURA DIALOGADA:

Quem será essa menina?; O que ela está fazendo?;

O que será que ela plantou?; Onde ela plantou a sementinha?;

Que instrumentos ela está usando para plantar sua sementinha?;

Vocês já viram uma semente?; Já plantaram alguma?.

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UM PEQUENO BROTO

Depois, a protagonista já aparece com um regador na mão, molhando a planta que desenvolveu um broto. A ilustração mostra uma das técnicas de composição que acompanharão a estética do livro inteiro, que é o recorte de retalho de tecido.

LEITURA DIALOGADA:

O que aconteceu de diferente nessa ilustração?; Onde está a semente?; Como se chama a plantinha que está brotando da semente?; O brotinho fica em cima ou embaixo da terra?; A menina é mais alta ou mais baixa do que o broto?; Como a menina cuida da sua plantinha?; O que tem dentro do regador?; De que a semente precisa para crescer e se transformar em broto?.

UMA PEQUENA ÁRVORE

Agora, a garota surge, de sorriso escancarado, segurando um guarda-chuva, perto da árvore já crescida. A terra vai progressivamente assumindo um destaque menor na ilustração, à medida que a árvore vai ocupando mais a superfície. Folhas verdes e azuis da árvore conferem uma tonalidade ao mesmo tempo chamativa e discreta à narrativa visual.

LEITURA DIALOGADA:

Olhando para a ilustração, como está o broto?; Por que a menina não está com o regador?; Por que a menina parece surpresa?; A menina agora é mais alta ou mais baixa do que a pequena árvore?; Como a menina está se protegendo da chuva?; A chuva é importante?; Por quê?.

UMA GRANDE ÁRVORE

A cena mostra a protagonista deitada no chão, aproveitando o momento, contemplando a árvore e as folhas nos galhos, todas decoradas, cortadas com retalhos de tecidos.

O tronco ocupa grande parte da página dupla, e os galhos expandem a área da planta, preenchendo toda a extensão. A faixa de terra agora é uma fina camada, um trecho quase saindo da margem do papel.

LEITURA DIALOGADA:

Agora a árvore cresceu muito. Quantos galhos e folhas! Antes era ela pequenina, agora é grande. O que a menina está fazendo?; Vocês acham que embaixo dos galhos da árvore tem Sol ou sombra?; Agora a árvore precisa de pouca água ou muita água?.

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AS FOLHAS – AS FLORES

A menina, dessa vez, não aparece. Tudo o que vemos e percebemos é exatamente o que está descrito em duplo discurso, em palavras e em imagens: as folhas e as frutas de um galho em destaque, uma espécie de close fotográfico, em tonalidade de verde, azul, roxo e grená.

LEITURA DIALOGADA:

Esse galho é um pedacinho da árvore. O que ela mostra pra gente?; De que cor são as flores?; E as folhas?; Quantas flores há na ilustração?; Vamos contar?; E quantas folhas?; Vamos contar?.

AS FRUTAS – OS PÁSSAROS

Dois pássaros, um azul e um amarelo, permanecem nos galhos, olhando as frutas. A ilustração praticamente reforça o texto. Novamente, não há a representação da menina, o que pode, por um lado, instigar perguntas do tipo:

“Ué? Para onde foi a menina?”, como também pode reforçar o destaque dado pela autora para as frutas e para os pássaros. Percebemos o uso da técnica mista da ilustradora, pois, além da colagem dos retalhos de textos, a utilização da aquarela no desenho das aves faz a ilustração se destacar e dar mais força ao texto.

LEITURA DIALOGADA:

Onde os pássaros estão pousados?; Quantos passarinhos vemos na ilustração?; De que cores são?; Qual pássaro está mais perto das frutas?; O que ele está fazendo?; Quantas frutas aparecem no desenho?; Além das frutas e dos pássaros, o que mais vemos nos galhos?.

UM GATO SELVAGEM – INSETOS

Um gato se espreguiça na árvore, de forma centralizada na imagem. No tronco, uma joaninha, vermelha e preta, caminha, assim como um besouro-verde.

A ilustração enfatiza o aspecto lúdico, ao indicar, com uma linha tracejada, os percursos feitos pelos insetos. Ou seja, a narrativa visual faz que a criança acompanhe o trajeto com seus dedinhos, realizando uma interação com a imagem que a auxiliará em processos de aprendizados futuros, incluindo a aquisição da linguagem escrita e dos símbolos. Repare também que o texto “um gato” está acompanhado de uma ilustração no formato de asas, como um pássaro para o qual o gato olha.

LEITURA DIALOGADA:

Agora apareceram mais alguns animais: quais são eles?; Para quem o gato parece estar olhando?; Por que ele está lambendo os beiços?; Quantos insetos você vê?; Que cores têm?; Quais são os nomes desses insetos?; Que outros insetos encontramos nas árvores? (formiga, cupim, taturana); Por que eles gostam de ficar na árvore?.

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SAGUIS

A cena traz, em primeiro plano, dois saguis azuis balançando no galho e um pássaro amarelo à direita. Há predominância da cor azul na cena: os saguis estão representados em azul, inclusive o texto que traz a palavra “saguis”. Em azul mais escuro aparecem as frutas, bem vistosas. O contraste com o amarelo do pássaro destaca a ilustração.

LEITURA DIALOGADA:

A árvore da história acolhe também outros animais. Quem são eles?; Quantos são?; O que eles estão fazendo?; Qual animal está observando os saguis?; Alguém já viu um sagui?; Será que pular de um galho para outro é uma maneira de os saguis brincarem?.

MINHA CASINHA

A ilustração mostra uma casinha suspensa na árvore, apoiada nos galhos em meio a muitas folhas, e a menina, contente, está dentro dela. O texto “minha casinha” dá sentido de posse, algo que é só da menina. Também na árvore, andando por entre os galhos, um gato sai do campo de visão da ilustração, como se fosse para a outra página, no sentido da esquerda para a direita, e confere um dinamismo na cena.

LEITURA DIALOGADA:

Quem apareceu de novo na história?; Onde ela está?; O que ela está fazendo?; A casinha é maior ou menor do que a árvore?; E a menina, é maior ou menor do que a casinha?; Vocês já viram uma casa na árvore?; Que bicho também aparece na ilustração?.

UM LONGO VARAL

Um sagui representado num canto esquerdo e um varal de roupas preso num dos galhos da árvore em dois planos de faixas horizontais é a composição da imagem que acompanha o texto narrativo que menciona um longo varal. Roupas estendidas indicam que a descoberta da menina não se restringe apenas aos elementos da natureza (animais, folhas, frutas, flores), mas aos componentes culturais, as roupas.

Aqui, vale notar um aspecto gráfico interessante, as roupas penduradas no varal foram pintadas com tinta transparente e traço de nanquim, em estampas muito próximas às que encontramos nas roupas coloridas.

LEITURA DIALOGADA:

Agora a árvore serviu para outra coisa. Para quê?; O que está dependurado nesse varal?; A corda do varal foi amarrada em que parte da árvore?; De quem serão as roupas: da família da menina ou do sagui?.

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UM MUNDO INTEIRO...

A árvore traz agora os elementos que foram apresentados ao longo da narrativa e outros novos, como o varal, um cesto para abrigar as frutas, o gato selvagem, os saguis, os pássaros cantando e até ovos no ninho, a escada e a casa suspensa na árvore, com o texto “um mundo inteiro”.

A cena representada pela ilustração aponta para uma síntese de tudo o que a garota já viu – uma percepção de que há muito mais para se ver no mundo inteiro. Ela está sentadinha e notamos que, em oposição à ilustração do início, a faixa de terra é praticamente um traço marrom.

LEITURA DIALOGADA:

O que nós vemos nessa ilustração?; Quem está em cima da árvore, quem está embaixo da árvore?; Onde está a menina?; O que ela está fazendo?; Quais são os nomes dos animais que aparecem na árvore?; O que nós vemos nessa ilustração que não foi apresentado nas outras páginas?; Você descobriu como a menina chega até sua casinha?.

... DE COISAS QUE ACONTECEM

Nessa cena, a protagonista está deitada de bruços com um binóculo em punho, em seu posto de observação, prestando atenção nas coisas que acontecem. Um passarinho está pousado em sua cabeça e ambos olham para a mesma direção. Há um pontilhado que “sai” de cada uma das lentes do binóculo para a árvore e para além, sugerindo que seu olhar (e, espera-se, também o olhar do leitor) não está agora mais extasiado com o que tem ao seu redor, mas muito mais interessado no que está além do seu quintal. E isso se confirmará com o trecho do texto das páginas seguintes.

LEITURA DIALOGADA:

E agora, o que a menina está fazendo?; Onde ela está?; O que ela está segurando?; O que ela está observando?; Vocês já viram um binóculo?; Sabem para que serve? (um binóculo parece um telescópio, dá para a gente ver as coisas que estão longe bem de perto).

NOS LUGARES MAIS DISTANTES

A cena desse trecho da narrativa é bastante colorida, ao apresentar três pássaros pintados que apontam um novo caminho a seguir, lugares mais distantes a explorar. Novamente, a ilustração dispensa a presença da menina, pois a ênfase está no mundo que ela observa com seu binóculo e que começa a conhecer.

LEITURA DIALOGADA:

Será que a menina está usando o binóculo?; Olha o tamanho das flores. Parece que estão maiores, não é? Grandes e perto? Será que é assim que funciona o binóculo?; Quantos pássaros a menina e você observam?; Quantos estão voando?.

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E EM VOLTA DA MINHA ÁRVORE.

Essa ilustração traz, em um primeiro e mais distante plano, um gato selvagem e um leão, um elemento novo à narrativa verbovisual. Em um segundo plano, mais próximo da perspectiva do leitor, ligeiramente localizado mais à direita, há também a representação de um pássaro, de um gato azul, de um sagui dentro de um rio ou lago, aparentemente saindo ou acenando para um gato azul que o olha. Ressaltamos um detalhe imagético que talvez até passe despercebido para muitos adultos, mas que provavelmente despertará a curiosidade das crianças mais observadoras: é uma semente caindo de uma árvore. Cabe notar, inclusive, um sutil detalhe: uma pequena seta apontando para o chão, indicando o caminho que deve ser seguido pela semente. Ela vai cair no solo e germinar, indicando um caráter cíclico, lembrando que o livro começa com uma semente.

Pela primeira vez, a narradora diz “minha árvore”.

LEITURA DIALOGADA:

Tudo acontece em volta da árvore plantada pela menina. Muitas novidades aparecem nessa parte da história. Você descobriu?; Quais são os novos animais?; Quantas árvores encontramos agora?; Quem está tomando um banho no laguinho?.

Lembram-se da semente da primeira página?; Há outra semente aqui?; Ela está caindo de onde? De um fruto?; E o que vai acontecer?.

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LINGUAGEM

Um mundo inteiro... de palavras e sentidos

O texto verbal do livro A pequena semente é bastante sintético e apropriado à faixa etária das crianças que estão iniciando a relação com os livros. Em compensação, as ilustrações trazem muitas informações para o pequeno leitor por meio do texto visual e suas cores, formas, texturas.

Pensamos em algumas sugestões de atividades favoráveis que aumentem o desenvolvimento da linguagem verbal, na articulação com a língua portuguesa.

1Explorar a percepção dos opostos, promovendo a ampliação cognitiva e o vocabulário. Já no início da narrativa, na segunda página dupla, o texto traz “Uma pequena árvore” e, logo em seguida, apresenta “Uma grande árvore”. Ao longo do enredo, outros adjetivos podem fazer que o professor explore essa relação entre opostos

Veja:

Pequeno/Grande (“Uma pequena árvore”/“Uma grande árvore”)

Longo/Curto (“um longo varal”)

Distante/Perto (“nos lugares mais distantes”)

Inteiro/Pedaço (ou Parte) (“um mundo inteiro”)

Chamar a atenção para o sentido e uso de palavras antônimas permite às crianças que comecem a empregá-las com propriedade em seu vocabulário em diferentes campos semânticos (para indicar tamanho, distância, peso, percepções sensórias etc). Para isso, podemos brincar oralmente com opostos por meio de perguntas e desafios ou até mesmo por meio de jogos com objetos e ilustrações (jogo da memória, cartas, blocos etc.). 2

O livro apresenta algumas palavras no singular e outras no plural. Explorar a diferença fonética e semântica de palavras que indicam essa variação, mostrando a diferença conceitual entre um e muitos, é bastante importante para o desenvolvimento cognitivo.

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Selecionamos alguns exemplos, que estão no texto:

Semente/Sementes (“Uma semente”)

Árvore/Árvores (“Uma pequena árvore”)

Folha/Folhas (“As folhas”)

Flor/Flores (“As flores”)

Fruta/Frutas (“As frutas”)

Pássaro/Pássaros (“Os pássaros

Inseto/Insetos (“Insetos”)

Sagui/Saguis (“Saguis”)

Se desejar, aproveite essas e outras palavras para fazer cartões com imagens e palavras que indicam singular e plural, de modo que as crianças brinquem de encontrar o par. É uma espécie de jogo da memória: um cartão apresenta a figura de um pássaro e a palavra “Pássaro”. O outro, que será embaralhado e misturado durante a brincadeira, terá dois (ou três) pássaros e a palavra “Pássaros”.

APÓS A LEITURA/ INTERDISCIPLINARIDADE

Coisas que acontecem em volta do livro

Um livro é sempre uma porta aberta para conversas, descobertas e atividades que levam a novos saberes. O livro oferece possibilidades para muitas explorações.

Sugerimos algumas propostas que reforçam e ampliam os conhecimentos adquiridos durante a leitura do livro.

Organizando uma coleção vegetal

Que tal organizar uma pequena exposição de frutos, flores, folhas, sementes e caroços, nos mais variados formatos e colorações?

Considere a possibilidade de promover um momento de coleta de material na escola com as crianças, ou convide os familiares a ajudarem nessa tarefa (estabelecendo a ponte da escola com a família –familiar).

Caso as alternativas acima sejam descartadas, você poderá cuidar da tarefa de recolher o material, convocando depois os alunos para a preparação da exposição com os elementos botânicos.

Vale lembrar a afirmação de Neil deGrasse Tyson de que “toda criança nasce cientista”, ou seja, é nos períodos iniciais que a curiosidade

Curricular estão em:

Exploração das características dos objetos e materiais: odor, sabor, sonoridade, forma, peso, tamanho, posição, plasticidade etc.

Selecionamos duas atividades simples, mas ricas, em experimentações. Como as crianças da Creche ainda costumam colocar “tudo” na boca, sugerimos uma tinta natural para a pintura de folhas, bem verdinhas.

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TINTA DE VERDURAS

Ingredientes para tinta natural verde:

• Água

• Pedaços de verduras escuras, como couve, espinafre, rúcula, escarola etc

Modo de preparo: Bata no liquidificador a verdura com pouca água. Não é necessário coar.

Variações:

Para obter uma massa bem mole, acrescente farinha de trigo e óleo. Para conseguir efeito de aquarela, acrescente mais água. Ainda é possível engrossar a tinta. Coloque tudo em uma panela, acrescente amido de milho ou farinha de trigo à mistura e cozinhe até ficar com aparência de mingau. Poderá ser usada quando estiver fria ou morna.

Outra atividade muito comum na Educação Infantil – e até mesmo nos primeiros anos do Ensino Fundamental – é o experimento de germinação de feijão em algodão, que propicia vários desdobramentos científicos e pedagógicos.

EXPERIMENTO DE GERMINAÇÃO DO FEIJÃO

Você vai precisar, para cada aluno, de:

• um copo plástico descartável;

• cerca de 5 gramas de algodão;

• dois ou três grãos de feijão;

• água.

Primeiro, oriente os alunos a umedecer o algodão com a água. Em seguida, eles devem forrar o fundo do copinho descartável com o algodão umedecido. Depois, eles vão colocar seus feijões sobre o algodão. Ensine os alunos a regar o algodão sempre e em pequenas quantidades. Em mais ou menos três dias, a raiz deve surgir, bem aos pouquinhos. Logo, o feijão vai começar a nascer.

Além da interação natural com a área de conhecimento da Biologia (acompanhamento do processo do desenvolvimento vegetal, observando a raiz quando brota da semente, as pequenas e primeiras folhinhas), a

experiência da germinação possibilita trocas interdisciplinares em atividades com outros componentes curriculares, como Matemática

Verificar quantos dias o feijão leva para crescer é uma forma de trabalhar com as crianças a sequência numérica (Dia 1, Dia 2, Dia 3...), além da percepção da rotina e da ordem de sucessão dos dias, qual dia vem antes do outro, pois as crianças demoram um pouco a sedimentar a compreensão do que é o ontem, o hoje e o amanhã. É comum as crianças pequenas dizerem “Amanhã eu fiz”.

Essa é uma ideia que vai alegrar as crianças e imaginamos que será difícil conter a paciência delas. Você, com certeza, vai se sentir satisfeito em ver uma atividade contextualizada com base em um livro infantil.

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LITERACIA FAMILIAR

Espalhando e colhendo os frutos

O processo de se estabelecer uma ponte entre a família e a escola é uma dinâmica benéfica em todo o desenvolvimento da aprendizagem das crianças, além de proporcionar a participação dos pais ou responsáveis em um momento tão importante para seus filhos. No nosso caso específico, o da literacia familiar, as atividades podem ser lúdicas e prazerosas também para os pais ou responsáveis, recuperando instantes inesquecíveis que remetam à própria infância.

Sugerimos duas atividades para as crianças fazerem em suas casas. São desdobramentos das vivências em sala de aula e uma boa maneira de fixar o conteúdo e de interagir com os pais ou responsáveis, que muitas vezes se ressentem de momentos assim, em razão da rotina atribulada.

1Aprimeira delas complementa o experimento da germinação do feijão no algodão. Com o tempo, os copinhos descartáveis serão pequenos para acondicionar a plantinha. É momento de levar a plantinha de feijão para casa, a fim de que seja transplantada para um vaso ou até mesmo, como já foi mencionado na parte em que abordamos a interdisciplinaridade, para o próprio solo. E quais seriam os melhores adultos para desempenharem tal função do que os próprios pais ou responsáveis?

2Outra atividade interessante e artística para promover a literacia familiar consiste em criar elementos para completar a decoração da árvore construída na escola. Como o livro trata de pássaros e flores, que tal propor a cada aluno que leve para a escola um pássaro e/ou uma flor? Além de bem divertido, é uma forma de embelezar ainda mais o ambiente da sala de aula com a participação das famílias.

Para tanto, sugerimos que os pássaros ou flores sejam feitos na folha de papel sulfite por meio de desenho, pintura ou colagem. Depois de concluídos, serão recortados. Se alguma mãe, pai ou responsável tiver outras habilidades, poderá fazer com seu filho flores de crochê ou de papel crepom ou até mesmo um pássaro de origami.

Atividades de desenhar, colar, recortar, procurar imagens em revistas, além de envolver a participação da criança e da família, permitem desenvolver a motricidade, as capacidades manuais e a concentração das crianças menores.

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Sugestões de leitura

O livro da ciência; as grandes ideias de todos os tempos, de Globo Livros. Rio de Janeiro: Globo, 2016.

Apresenta, em linguagem facilitadora, o desenvolvimento da Ciência desde 600 a.C. até os tempos modernos. Cada sábio ou cientista apresentado tem sua obra descrita brevemente e o trabalho dele é relacionado com o de outras pessoas que vieram antes e depois. Desse modo, mostra a ciência como construção humana, com a participação de diversos indivíduos, desfazendo a ideia de que ela é resultado de gênios isolados, como muitas pessoas ainda acreditam.

Ensinando Ciências na Educação Infantil, de Alessandra Arce, Debora A. S. M. da Silva, Michele Varotto e Carolina Costa Miguel. Campinas: Alínea, 2020.

O professor da Educação Infantil vai se encantar durante a leitura desse livro com tantas possibilidades para o ensino de Ciências aos pequeninos! Há uma série de sugestões de conteúdos acompanhados de aulas práticas para serem trabalhados na escola. São atividades que têm durações diversas e temáticas que perpassam o conhecimento do eu e do outro, do mundo natural e social, e das transformações nele efetuadas pela presença de nós, seres humanos.

Experiência da Germinação do Feijão –Mundo de Kaboo

Disponível em:

<https://www.youtube.com/watch?v=eGhFfkI3sRk>.

Acesso em: 29 abr. 2021.

Dona Árvore – CD de Bia Bedran

Disponível em:

<https://www.youtube.com/watch?v=0Zp94O8SfEo>.

Acesso em: 29 abr. 2021.

Letra da música

Tronco, folha, galhos têm

Fruto e flores e raiz

Dona árvore vai bem e é muito feliz

Subir, subir, vamos subir

Sou macaquinho e eu não vou cair

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Referências bibliográficas

ADAMS, M. J.; FOORMAN, B. R.; LUNDBERG, I.; BEELER, T. Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2005.

Escrito para uso dos professores de educação infantil, o livro coloca em prática uma nova forma de ensino da leitura e da escrita na fase pré-escolar. Um guia eficaz de como desenvolver a consciência fonológica nas crianças por meio de jogos, brincadeiras e desafios envolvendo sons.

BRANDÃO, H. M. B. Modos de ler na infância. Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Isabel Cristina Alves da Silva Frade, Maria da Graça Costa Val, Maria das Graças de Castro Bregunci (Org.). Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2014.

O Glossário CEALE foi concebido para ser um apoio aos processos de ensino e aprendizagem da alfabetização, leitura e escrita; definido como “conjunto de termos de uma área de conhecimento e seus significados”.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial curricular nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. vol. 1 e 3.

O Referencial foi concebido de maneira a servir como um guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais que atuam diretamente com crianças de zero a seis anos, respeitando seus estilos pedagógicos e a diversidade cultural brasileira. Pretende apontar metas de qualidade que contribuam para que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes de crescerem como cidadãos.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Educação é a base. Brasília: MEC/CONSED/UNDIME, 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site. pdf>. Acesso em: 30 abr. 2021.

Documento normativo que define o conjunto de aprendizagens, competências e habilidades que os estudantes precisam desenvolver ao longo da escolaridade básica. A BNCC orienta os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Alfabetização. PNA Política Nacional de Alfabetização, Secretaria de Alfabetização. Brasília : MEC, SEALF, 2019.

A Política Nacional de Alfabetização (PNA) foi criada para reverter resultados insatisfatórios no ensino e na aprendizagem da leitura, escrita e matemática. O documento apresenta os conceitos de literacia, literacia familiar e numeracia, que embasam as atividades apresentadas.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Guia 1 - Educação Infantil PNBE na escola - Literatura fora da caixa. Brasília: MEC/ COGEAM/SEB, 2014.

O guia apresenta análises textuais e ilustradas de obras selecionadas por pesquisadores e professores para as principais categorias de seleção do PNBE Educação Infantil 2014 – prosa, verso, imagem e história em quadrinhos -, refletindo, por meio de exemplos, as possibilidades de uso e prática de algumas destas obras para a Educação Infantil.

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CARDOSO-MARTINS, C. Beginning reading acquisition in Brazilian Portuguese. In: JOSHI, R. M.; AARON, P. G. (Org.). Handbook of orthography and literacy. London: Lawrence Erlbaum Associates, 2006. p. 171-187.

O capítulo Beginning reading acquisition in Brazilian descreve a aquisição precoce da leitura em língua portuguesa. Nesta obra, pesquisadores de diferentes países e com diferentes origens linguísticas examinam a conexão entre os sistemas de escrita e de alfabetização.

CHARMEUX, Eveline. Aprender a ler: vencendo o fracasso. Trad. de Maria José do Amaral Ferreira. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

Apoiando-se em dados científicos, o livro problematiza questões fundantes para todos que trabalham ou se encontram diretamente envolvidos na orientação das aprendizagens da linguagem escrita.

ENDE, Michael. A História sem fim. Tradução de Maria do Carmo Cary. 1. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

Clássico da literatura infantojuvenil alemã sobre o poder da fantasia. Em uma busca original e cheia de perigos, o jovem protagonista Bastian descobre a verdadeira medida de sua própria coragem e capacidade para amar.

GINSBURG, H.; GREENES, C.; BALFANZ, R. Brincando com a Matemática: 4 anos: programa de desenvolvimento de competências matemáticas em idade pré-escolar. Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, 2012.

Este estudo tem como objetivo analisar em que medida o desempenho nos usos das linguagens oral e escrita, bem como a consciência fonológica, estão correlacionados com o desenvolvimento de competências matemáticas nas crianças em idade pré-escolar.

GIRARDELLO, G. Crianças inventando mundos e a si mesmas: ideias para pensar a autoria narrativa infantil. Childhood & Philosophy, v. 14, p. 71-92, 2018.

O livro apresenta relatos de experiências sobre o processo de criação e propostas lúdicas para a escrita autoral de narrativas com crianças, levando em conta a imaginação, a memória, a apropriação cultural, a abertura à historicidade e o compartilhamento social.

GOODMAN, Y. Como as crianças constroem a leitura e a escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 2010.

Este livro reúne o aporte teórico e o registro de experiências de alfabetização de importantes pesquisadores, cuja leitura é indicada para os psicopedagogos e professores de séries iniciais.

KLEIMAN, A. B. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. In: KLEIMAN, A. B. (Org.). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 2003. p. 15-61.

Os ensaios reunidos são resultados de pesquisas realizadas no Brasil sobre diversas concepções do fenômeno do letramento como um conjunto de práticas sociais pelas quais os sujeitos envolvidos constroem relações de identidade e de poder.

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KLEIMAN, A. B. Projetos de letramento na educação infantil. Caminhos em Linguística Aplicada, Unitau, v. 1, n. 1, 2009, p. 1-10. Disponível em: . Acesso em: 01 fev. 2021.

Trabalho que apresenta exemplos de projetos de letramento envolvendo a comunidade, a família e a escola, desenvolvidos nos três segmentos da Educação Infantil no sistema de Educação Municipal.

MACHADO, M. Z. V. Gêneros literários para crianças. Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Isabel Cristina Alves da Silva Frade, Maria da Graça Costa Val, Maria das Graças de Castro Bregunci (Org.). Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2014.

O Glossário CEALE foi concebido para ser um apoio aos processos de ensino e aprendizagem da alfabetização, leitura e escrita; definido como “conjunto de termos de uma área de conhecimento e seus significados”.

MATA, L. Literacia familiar: ambiente familiar e descoberta da linguagem escrita. Coleção Infância. Porto: Porto Editora, 2006.

O livro discorre sobre as práticas de literacia em contexto familiar apoiadas nos trabalhos de literacia emergente que evidenciam o papel ativo e participativo que a família desempenha no processo de descoberta, apreensão e aprendizagem da linguagem escrita pela criança.

MATA, L. Interacção entre crianças e apropriação da linguagem escrita. Inovação, 1991, 4 (1), p. 167-179.

O texto evidencia a importância de que as crianças sejam introduzidas, o mais precocemente possível, de forma contextualizada e diversificada, aos mais diferentes materiais escritos.

MATA, L. Era uma vez ... Aná. Psicológica [on-line]. 2004, vol.22, n.1, p. 95-108. ISSN 0870-8231.

A leitura de histórias como uma forma lúdica, positiva e informal de proporcionar diversas oportunidades para a transmissão de conceitos, conhecimentos, regras e competências que influenciarão a motivação e o processo de aprendizagem da linguagem por parte das crianças.

NORTON, D.; NORTON, S. Through the eyes of a child: an introduction to children’s literature. 8th ed. Boston: Prentice-Hall, 2010.

O título “Através dos olhos de uma criança: uma introdução à literatura infantil” fornece uma visão abrangente da literatura infantil com foco em questões contemporâneas, apresentando um panorama detalhado sobre a Literatura Infantil, biografias e bibliografia de livros literários e informativos para crianças e jovens.

SOUZA, R. J., MODESTO-SILVA, K. A. A., MOTOYAMA, J. F. M. Ler e ensinar: contar e dizer histórias. Presidente Prudente: Educação Literária, 2020.

Esta obra oferece ao leitor uma gama bastante diversificada de técnicas para momentos de contação de histórias, conceituando e oferecendo recursos para atividades com a palavra oralizada.

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TEALE, W.; SULZBY, E. “Emergent Literacy as a perspective for examining how young children become writers and readers”. In: W. Teale & E. Sulzby (Ed.). Emergent Literacy: writing and reading (4. ed., pp. vii-xxv). Norwood: Ablex Publishing Corporation, 1989.

O livro fala sobre o desenvolvimento da escrita e da leitura durante os primeiros anos de vida. Os capítulos são de autoria dos principais pesquisadores sobre o desenvolvimento da linguagem oral e escrita na primeira infância.

______ Emergent Literacy: new perspectives. In: D. Strickland; L. Morrow (Ed.), Emerging Literacy: young children learn to read and write. 7th ed. p. 1-15. Newark: International Reading Association, 1995.

Este artigo apresenta uma visão geral da alfabetização emergente baseada na literatura a partir das necessidades de aprendizagem de crianças com deficiências visuais.

VAIANO, Bruno. “9 Reflexões que vão te introduzir ao pensamento de Neil deGrasse Tyson”. Revista Galileu, São Paulo, 15 de set. de 2016. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/09/9-reflexoes-que-vao-te-introduzir-ao-pensamento-de-neil-degrasse-tyson.html >. Acesso em: 07 de jun. de 2022.

O artigo da revista Galileu selecionou nove considerações reflexivas do reconhecido astrofísico Neil Tyson sobre como o conhecimento científico nos ajuda a entender o universo, a existência, o espaço e o tempo.

VYGOTSKY, L. Interaction between learning and development. Mind in Society, 79-81. Cambridge: Harvard University Press, 1978.

Nesses ensaios, o autor introduz a teoria do desenvolvimento cognitivo que antecipou trabalhos recentes nas ciências sociais americanas. Ele aplica essa estrutura teórica ao desenvolvimento da percepção, atenção, memória, linguagem e jogo, examinando suas implicações para a educação.

WELLS, G. Preschool literacy-related activities and success in school. In: D. Olson; N. Torrance; A. Hildyard (Ed.). Literacy, Language and Learning: the nature and consequences of reading and writing (pp. 229-255). New York: Cambridge University Press, 1988.

Este livro oferece uma pesquisa abrangente sobre a natureza da linguagem escrita e seu papel na cognição e na vida social e intelectual, considerando uma ampla gama de disciplinas.

WELLS, G. The meaning makers: children learning language and using language to learn. 8th ed. London: Hodder & Stoughton, 1991.

Este ensaio mapeia o desenvolvimento da linguagem de 32 crianças britânicas com base em um estudo longitudinal desde o primeiro aniversário, até o final do ensino fundamental, apresentando uma série de dilemas relacionados a esse processo.

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