Issuu on Google+

Aula 25 Creio na Igreja Católica.1 Frei Hipólito Martendal, OFM.

1. Leitura de At 2, 1-15. Ler e explicar ... Dia de Pentecostes (=Quinquagésima) é o 50º dia depois da Páscoa. Os judeus celebravam a Aliança do Sinai entre Deus e Israel. A Nova Aliança foi firmada entre Deus, através de Seu Filho Jesus, e toda a humanidade. Agora, 50 dias depois, nasce a Igreja. Podia haver data mais apropriada?  Eles se achavam reunidos todos juntos. Eles quem? Ler At 1, 13-14. O texto nomeia os 11, mais algumas mulheres, das quais só menciona Maria, “com os irmãos de Jesus”. Aqui aparece um fato curioso e edificante. Os irmãos de Jesus que, segundo Mc 3, 21, tinham chegado ao ponto de querer prender Jesus porque teria enlouquecido. Agora, estão no Cenáculo, local de encontro dos Apóstolos, onde a Igreja seria fundada. Faltava só Matias que será escolhido no versículo 26. Aí estão “os sócios fundadores” da Igreja! Encontram-se lá onde Jesus celebrara a Última Ceia e aparecera ressuscitado aos Apóstolos reunidos. É o endereço da Igreja que nasce. Observem os elementos: Última Ceia e Eucaristia; Cristo ressuscitado; Espírito Santo que ilumina tudo; Língua falada que todos, embora de idiomas diferentes, podiam entender; a Igreja é gerada! O fenômeno das línguas merece algumas considerações especiais. Não se trata do fenômeno chamado glossolalia, um balbuciar de sons


não inteligíveis que pode acontecer quando uma ou mais pessoas entram num transe espiritual. Aqui, trata-se de línguas faladas pelos diferentes povos. Para São Lucas o símbolo é muito forte. Na estória da Torre de Babel, cada um falava um idioma diferente, de tal sorte que ninguém o podia compreender. Isso tornou a convivência inviável, provocando a dispersão da humanidade para todos os recantos da Terra. Agora, pela ação do ES, muitos povos diferentes compreendem tudo que se fala, como se alguém estivesse falando em sua própria língua. Todos podem se entender e reunir-se. É a essência da catolicidade da Igreja de Jesus Cristo. Em linhas gerais, o primeiro discurso de Pedro tem praticamente só dois temas, duas ideias-força. Primeiro explica que, aqui, está acontecendo a concretização das promessas feitas ao povo judeu. Faz uma citação do profeta Joel (3, 1-5). O segundo tema diz que Jesus, o crucificado, foi ressuscitado pelo Pai. Também a ressurreição de Jesus estava prevista e Pedro cita o Salmo 16, 8-11. Por fim, tira a breve conclusão: “que toda a casa de Israel saiba com certeza: a esse Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. O “meu Senhor”, do Salmo 110, é o Rei Messias. Não podemos esquecer que Lucas usava o AT na tradução grega. Esta Bíblia grega dá o título de Senhor só a Deus. Então, aqui, Senhor é, ao mesmo tempo, o Rei Messias e Deus entronizado à direita do Pai Eterno. É o Messias (= ungido) esperado pelos judeus e mais. É o próprio Filho de Deus dos cristãos. Esse é o núcleo central do Plano de Salvação de Deus e constitui o ponto mais alto da pregação dos Apóstolos. Aceitar esses elementos da Fé era suficiente para alguém ser batizado “em nome do Senhor Jesus”.


2.

Leitura de At 2, 36-41 e explicação

O impacto das palavras de Pedro foi enorme. “Com o coração abalado” muitas pessoas sentem a necessidade de fazer alguma coisa nova, diferente, em termos de vida. Não tem ideias claras a respeito do que fazer, pois ainda não receberam a luz do Espírito Santo. Mas Pedro está “repleto do ES” e sabe o que eles precisam fazer.  Em primeiro lugar, converter-se. É uma mudança radical de vida. Consiste em romper com velhos hábitos, pecados e crenças. Fundamental é aceitar a verdade sobre Jesus Cristo. Isso implica em uma nova forma de viver, como veremos logo adiante.  Feito isso, importa aceitar ser batizado no nome de Jesus Cristo. Nós já sabemos que o nome traz em si as características mais importantes da pessoa de alguém. Aqui significa que o batizado é colocado numa relação estreita e total com a pessoa de Jesus e tudo o que isso implica.  O primeiro efeito dessa união com a pessoa de Jesus Cristo é o perdão dos pecados. Ainda hoje, quando um adulto é batizado antes ou durante uma missa, ele comunga sem ter confessado. É o contato com o Cristo que perdoa os pecados e sana tudo o que está doente ou degenerou na pessoa do batizado.  “... e recebereis o dom do ES”. Podemos agora entender melhor a importância que Jesus deu quando falou do ES em Jo 14 e 16. Receber o ES é essencial para o sucesso dessa “nova criatura”, fruto de um projeto tão lindo e caro, em todo sentido da palavra, para Jesus. Sem o ES, esse projeto desandaria e a nova criatura voltaria ao padrão do ser do velho Adão.


3- Notícia do resultado. At 2, 41 diz: “Os que acolherem sua palavra receberam o batismo e houve cerca de três mil pessoas que nesse dia se juntaram a eles”. A Igreja já existe. Três mil pessoas em torno dos Apóstolos, sentindo o ES a atuar neles, convictas de que realizam a obra de Jesus. A seguir Lucas dá o perfil médio desses milhares de cristãos, milhares que logo se multiplicaram, pois “cada dia o Senhor juntava à comunidade os que encontravam a Salvação” (2, 47). Traços característicos dessa gente que encantaram Lucas são apontados. “Eles eram assíduos no ensinamento dos Apóstolos e à Comunhão Fraterna, à fração do pão e às orações” (2, 42). Aqui temos umas preciosidades sobre a vida da Igreja recém-nascida.  Os Apóstolos logo adotaram um trabalho sistemático de ensino, de formação permanente aos já convertidos. Afinal, tratava-se de todo um programa de vida, vida segundo Jesus Cristo. Esses dados são mais do que suficientes para que qualquer cristão aceite a necessidade de uma formação permanente em toda a sua vida. Parece que as pregações se davam em ajuntamentos de povo, no templo e aos sábados nas sinagogas e tinham por objetivo atrair e converter novos elementos para engrossar as fileiras “dos salvos”. Outro elemento importante indicado no texto é a Comunhão Fraterna. Em parte essa comunhão se dava na própria fração do pão (= repetição da Ceia do Senhor) e nas orações coletivas. Pouco adiante, o texto fala que o espírito de comunhão levava os primeiros cristãos a vender suas propriedades e depositar o produto “aos pés dos Apóstolos”, visando atender às necessidades de todos. Este tema volta em 4, 32-37. Uma observação singela diz tudo: “Ninguém entre eles era indigente” (4, 34).  A fração do pão merece um destaque. Logo nos primeiros dias de sua existência, os seguidores de Jesus sentiram a necessidade de cumprir a ordem por Ele dada na Ceia Pascal: “Fazei isto em memória


de mim”. Vida da Igreja e Eucaristia são inseparáveis de berço, nasceram assim. Pode-se até dizer que a Igreja nasce da Eucaristia.


25