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QUINTA DA BARCA

VINHOS COM ALMA E CORAÇÃO… DO DOURO PARA O MUNDO “O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza…”, começa assim um poema de Miguel Torga sobre a beleza sublime do Douro e das suas encostas… e de facto, é uma das paisagens mais bonitas do mundo. A região do Alto Douro Vinhateiro é uma monumental escadaria de terraços e socalcos que a tornam única no mundo. Património Mundial da UNESCO desde 2001 divide-se em três sub-regiões, Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior. E é aqui no Baixo Corgo, na freguesia de Vila Marim, no concelho de Mesão Frio, que avistamos a Quinta da Barca enquadrada na majestosidade da paisagem desta região, com uma vista privilegiada para o Rio que é D’Ouro, e onde são produzidos verdadeiros néctares da região demarcada.

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Uma nova história para a Quinta da Barca A Quinta da Barca é uma das mais antigas quintas da região do Douro, que em 1995 vê ser escrito um novo capítulo da sua história quando foi adquirida por Maria Helena de Sousa Alves e Alcino Mamede Teixeira Alexandre, os pais da nossa entrevistada, Justina Teixeira. Detentores de um know-how assinalável começaram a construir aquele que hoje é um negócio de família. O primeiro passo foi a reestruturação e plantação da vinha, selecionando criteriosamente as castas, todas elas portuguesas por sinal, a

JUSTINA TEIXIERA

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fim de poder produzir vinhos de qualidade e com um perfil único, o que aconteceu em 2005, sendo o primeiro Busto lançado no mercado em 2007. E o nome Busto porquê? Busto para homenagear a pessoa responsável pela primeira região demarcada do mundo, Marquês de Pombal. O Douro é a mais antiga região demarcada de vinhos do mundo. Foi demarcada em 1756, por Marquês de Pombal, para garantir a qualidade e autenticidade dos vinhos desta região. Inicialmente, o vinho tinha o busto desta personalidade incontornável do Douro, mas, posteriormente, por questões burocráticas, não foi possível continuar a ter o busto do Marquês de Pombal nos rótulos dos vinhos da Quinta da Barca. Assim, foi necessário reestruturar o rótulo e a versão definitiva, ou seja, a que é utilizada hoje, surge em 2008, símbolo de uma quinta com uma filosofia distinta, imagem moderna, carisma peculiar e com o cunho pessoal dos novos proprietários, para que “os nossos vinhos também se pudessem diferenciar e estar mais próximos do público”, realça Justina Teixeira, sublinhando ainda a construção da adega em 2009 e o início de uma nova história para a Quinta da Barca. Qualidade e excelência Em 2005, é apresentado o primeiro vinho. Depois de muito “suor, sangue e lágrimas” a Quinta da Barca lança o BUSTO. Primeiro foram os tintos e, em 2009, foi lançado o primeiro branco, seguiu-se a gama dos reservas e, em 2011, chega ao mercado a gama dos colheitas, ou seja diferentes categorias de uma mesma marca. “Lançámos ainda o primeiro Busto Grande Escolha Tinto Touriga Nacional, que começou a ser comercializado em 2013”, revela a nossa entrevistada, salientando que com o intuito de tornar a marca mais completa surgem ainda o Busto Rosé e o Busto DOC Moscatel Galego Branco 2014. O primeiro distingue-se pela cor, estrutura e forma de produção e, apesar de no mercado ter encontrado alguma resistência, hoje é um dos elementos distintivos da quinta, e encontrou um espaço bastante interessante no mercado de exportação, tendo no entanto cada vez mais procura a nível nacional. Já o segundo foi a revelação surpresa da Quinta da Barca. “Quando saiu para o mercado e se falava no nome moscatel, as pessoas associavam automaticamente a um vinho licoroso e doce. A aceitação não foi imediata, mas quem acabava por provar este vinho ficava rendido à sua leveza e frescura. É um dos vinhos do nosso portfólio com maior crescimento”, avança. E a estrela da casa, segundo Justina Teixeira é “o nosso Touriga Nacional”, um vinho cuja produção é limitada, mas que presente em qualquer competição nacional ou internacional tem sempre uma excelente crítica e é bastante premiado. “É um vinho que se associa ao perfil da Quinta da Barca, um monocasta Touriga Nacional, bastante diferente dos demais existentes no mercado e é um vinho que surpreende sempre”, avalia a administradora da Quinta da Barca.

Paixão pelo vinho: uma herança familiar Justina Teixeira é uma mulher dinâmica, carismática e empreendedora que, em 2015 decidiu mudar o seu rumo profissional, voltar à terra que a viu nascer e abraçar de corpo e alma a gestão da Quinta da Barca. A sua chegada trouxe uma nova perspetiva sobre o negócio, que lhe permitiu mostrar que era possível fazer mais e diferente. Foi então criada uma estratégia para projetar o vinho a nível nacional

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e dar o passo seguinte para a internacionalização. Apesar de ser o rosto da Quinta da Barca, Justina Teixeira realça que o trabalho, os resultados, o sucesso e a projeção alcançados são fruto do trabalho de equipa, desde o investimento dos seus pais, passando pelas equipas de vitivinicultura, enologia e de estratégia comercial. Com 12 hectares de vinha que se divide entre castas… a Quinta da Barca produz vinhos com a qualidade, excelência e competitividade que o mercado nacional e internacional exigem. Por estratégia, o Busto não se encontra à venda em superfícies comerciais. A Quinta da Barca optou por ter os seus vinhos presentes em restaurantes e garrafeiras e, para a sua distribuição, escolheu pequenos distribuidores, espalhados de norte a sul do país, que conhecem bem a região e saberão melhor onde distribuir o seu vinho. Com algumas zonas no país por conquistar, mas também chegarão a essas, já se abriram as portas ao mercado externo. Reconhecimento internacional A Quinta da Barca viu reconhecido o seu trabalho ao conquistar a Medalha de Prata no Concurso Internacional de Vinhos, Espirituosos e Azeites, em Sevilha, Espanha, com o Busto Tinto Reserva 2008. Em 2013, conquista

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a Medalha de Ouro no concurso Mondial de Bruxelles com o Busto Reserva 2009. Também o Busto Reserva Tinto Touriga Nacional 2013 e o Busto Grande Escolha Tinto Touriga Na-

cional 2014 foram premiados com a medalha de Ouro no concurso ‘Melhores de Portugal’. Justina Teixeira ressalva que em provas e revistas da especialidade, os vinhos da Quinta da Barca têm sempre boas críticas e avaliações. “No Concurso Internacional de Lyon, o nosso branco é sempre contemplado com uma medalha de prata, no concurso mundial de Bruxelas voltámos a ser premiados, também em Itália com o prémio especial mulher no vinho e, em 2016, recebemos o prémio empresa do ano”, revela sublinhando que todos estes prémios e distinções confirmam o grande potencial dos vinhos Busto. “Estamos enquadrados numa zona de excelência (Baixo Corgo), que nos próximos anos ainda terá um crescimento relevante, os vinhos são elegantes e com um perfil diferente que está a surpreender críticos e consumidores”. A Quinta da Barca está também presente no Soul Wines – Wines with Soul, um projeto conjunto de internacionalização e que conta com a participação de vários produtores de vinhos da região do Douro. A primeira aposta neste projeto de internacionalização foi o mercado polaco. Em Junho de 2016 houve uma missão organizada pela NERVIR, foram realizadas degustações, apresentações dos vinhos e estabelecidos contactos com diferentes importadores, distribuidores e jorna-


questão de diferenciação, Justina Teixeira acalenta o objetivo de ter a sua própria marca de vinho do Porto, bem como complementar o portfólio com vinhos da região do Douro. “Se pensarmos em vinhos da região Cima Corgo e Baixo Corgo são completamente diferentes e seria importante enquadrar no nosso portfólio essa variedade e diferenciação e mostrar, principalmente, nos mercados de exportação que o Douro é uma região, mas que existem vinhos com diferentes perfis fruto do solo, exposição solar e do tipo de castas utilizadas”.

A Quinta da Barca está também presente no Soul Wines – Wines with Soul, um projeto conjunto de internacionalização e que conta com a participação de vários produtores de vinhos da região do Douro. A primeira aposta neste projeto de internacionalização foi o mercado polaco

listas. Neste âmbito, a Quinta submeteu ao concurso Wine Expo Poland Awards 2016 na Polónia, os seus vinhos, tendo arrecadado dois prémios: para o Busto Colheita Tinto 2013 Gold Award e para o Busto Reserva Tinto 2011 Silver Award. Trata-se de um passo decisivo para a construção da imagem e da marca do vinho Busto na Polónia, que já teve impacto ao nível da promoção no mercado polaco e a nível de contactos comerciais. Em 2017, os projetos de internacionalização levaram a Quinta da Barca para a Alemanha e Irlanda e, em 2018, para a Holanda, Bélgica e Estados Unidos, sendo o feedback bastante positivo. Fora do projeto Soul Wines, a Quinta da Barca tem desenvolvido outras ações, nomeadamente através de importadores suíços e franceses, tendo este ano iniciado também contactos com o mercado canadiano. Justina Teixeira tem a certeza que as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo são um bom alicerce para promover e divulgar os vinhos e produtos portugueses. E é essa estratégia que se pretende seguir, comercializar o vinho lá fora com o apoio das comunidades

E para a quadra natalícia? Se ainda não pensou nas prendas de natal, lembre-se que o Busto pode ser uma excelente lembrança nesta quadra natalícia. Para além dos vinhos do seu portfólio, a Quinta da Barca lançou para este natal uma edição limitada, Busto Rosé Premium, com 300 garrafas numeradas. “É um vinho que está a surpreender”, salienta Justina Teixeira que abre o apetite para a novidade: “Em 2019, teremos nova edição limitada, vamos lançar pela primeira vez o Busto Grande Escolha Branco”, mais um exemplar dos néctares da Quinta da Barca.

portuguesas e com parcerias estratégicas com os distribuidores. Quinta da Barca: o futuro Entusiasmada com o sucesso granjeado, Justina Teixeira realça uma conquista recente: o registo da marca Quinta da Barca de Vila Marim, que no futuro será o mote para o lançamento de algo muito especial. Por outro lado, revela que a quinta iniciou em 2016 a produção de um espumante produzido apenas com Tinta Francisca, que estará no mercado em 2019, sob a égide Pontas Soltas, isto porque “quisemos apostar em algo diferente e criar uma marca que possa crescer lado a lado com a marca Busto. Com uma aposta forte nos vinhos de mesa, também por uma

Quinta da Barca Rua entre quintas n 338, Vila Marim 5040-463 Mesão Frio Email: geral@quintadabarca.com

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ÍNDICE ANUÁRIO 2018

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RESTAURANTE T FOOD, WINE & FUN

FIRMINO´S


GASTRONOMIA A gastronomia portuguesa é conhecida em todo o mundo e, com os olhos do Mundo postos no nosso país, neste momento, a comida nacional tem sido alvo de muitos sucessos e de muita divulgação. Desde os restaurantes mais tradicionais àqueles que procuram introduzir novas propostas gastronómicas, através da cozinha molecular, vegetariana, ou os conceitos mais alternativos, que associam as tapas a um serviço descontraído e a um convívio entre amigos, todas as propostas têm espaço no mercado. Os restaurantes portugueses que trabalham conceitos mistos de co-

zinha portuguesa e outra cozinha do mundo também representam uma grande fatia das opções existentes atualmente, já que muitos dos turistas que visitam Portugal se identificam claramente com alguma das propostas. A sua revista mostra-lhe, nas páginas seguintes, alguns bons exemplos do que de melhor se faz em Portugal, no que respeita a gastronomia. A comida portuguesa é apreciada em todo o mundo e o respeito pelas tradições, pela qualidade dos produtos e pela forma de os cozinhar continua a fazer história, ao longo dos anos.


RESTAURANTE T - FOOD, WINE & FOOD

O ALMEJAR DE UMA ESTRELA MICHELIN Tudo começou quando decidiu inaugurar a Casa do Avô, um pequeno restaurante em Santo Tirso com uma garrafeira de qualidade e tapas com sabores a que os tirsenses não estavam habituados. O conceito evoluiu para a criação do Restaurante T – Food, Wine & Fun e depois abriu o C-House. Num rasgo de criatividade e apostando na equipa que o acompanha, envereda por um novo caminho e conceito ao criar o T Gold Floor almejando a tão cobiçada estrela Michelin. Conversámos com Pedro Moreira, Diretor Geral do Restaurante T – Food, Wine & Fun, Steakhouse & Fun, C-House e mentor do T Gold Floor .

É

É diretor geral e mentor de dois restaurantes, já está a pensar num novo espaço e, por incrível que pareça, não tem formação na área da restauração. Esta criatividade e paixão surge em que altura da sua vida? Trabalhei para o grupo Tivoli durante muitos anos, na minha área de formação, engenharia civil. Quando o ciclo de mudança do grupo Tivoli se concretizou e o seu futuro foi assegurado, decidi que era a altura de começar a trabalhar nos

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meus conceitos gastronómicos e abri um espaço denominado Casa do Avô. Esta casa foi um laboratório de ensaios, que surguiu por uma brincadeira – mais para a equipa que me acompanhava do que para mim – e que correu muito bem. Os tirsenses aceitaram o desafio de provar sabores novos e de compreender conceitos até então desconhecidos. Foi um projeto que, do ponto de vista do empresário, não fazia muito sentido continuá-lo, mas todos os elementos que compõem a minha equipa passaram por essa casa, por isso é um projeto muito emocional para todos nós, no fundo, é a nossa alma. As pessoas evoluem, os conceitos

e objetivos também e nesse seguimento acabei por criar o C-House e, brevemente, o T Gold Floor. Como nos apresenta o Restaurante T – Food, Wine & Fun? O Restaurante T – Food, Wine & Fun tem uma camada de clientes que compreende e aprecia o nosso conceito. A maior parte dos

JOÃO QUINTELA, PEDRO MOREIRA E PATRÍCIA MOURA

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nossos clientes vêm de outras regiões, principalmente do Porto, o que ajuda a colocar o nome de Santo Tirso no mapa dos restaurantes obrigatórios no norte do país. Temos uma vasta clientela empresarial que aprecia e requisita, com muita frequência, o serviço de restaurante e sala privada. Para além disso, o concelho de Santo Tirso, é a casa de várias empresas de renome internacional, e muito próximo temos duas equipas de futebol da primeira divisão, por isso, recebemos clientes que gostam do conceito e outros que querem um pouco mais. Para os receber temos o Chef Executivo João Quintela, que tem liberdade para dar azo à sua criatividade satisfazendo as exigências dos nossos clientes. Como o Restaurante T tem muitos lugares, decidimos segmentar a nossa oferta, mantendo o T, com o ADN de origem, com uma carta seguindo a linha que oferecemos atualmente, perde os menus de degustação, mas mantém a panóplia de risottos, de carpaccios, o beef wellington, os peixes, muito na linha do que temos feito, mas trabalhando mais os pratos, aprimorando o conceito e os empratamentos. Quero fazer o T evoluir para outro patamar e, se me chamaram louco quando abri o Restaurante T, agora vão dizer que estou

insano. Vamos despir-nos de modéstia e dizer claramente aquilo que queremos, que é estar no mapa da melhor gastronomia nacional e ganhar uma estrela Michelin aqui, no T, em Santo Tirso. Deixaremos de sussurrar essa pretensão, assumindo e expondo o conceito do T para o mundo nos ver, gerando curiosidade junto dos críticos gastronómicos nacionais e internacionais. Nesse sentido decidi criar o T Gold Floor, no piso superior do restaurante, onde vamos ter uma nova cozinha comandada pelo Chef Executivo João Quintela, e a sala será liderada pela Patrícia Moura, como já acontece nos restantes espaços. Até que ponto o T Gold Floor será a evolução e o refinar do conceito do Restaurante T? O T Gold Floor será a cereja no topo do bolo do Restaurante T e onde exibiremos o talento e a supremacia do nosso conceito. Existirá uma cozinha de finalização aberta, no centro da sala, onde o João irá brilhar com criação e confeção dos pratos ao vivo, numa espécie de show cooking. Iremos ter uma verdadeira mesa do chef, com menus de degustação preparados e servidos por ele, com poucas mesas e uma carta reduzida assente no

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conceito de altíssima gastronomia, rivalizando com restaurantes localizados nas cidades mais mediáticas e cosmopolitas. Desta forma, dimensionaremos a nossa posição para nos colocarmos no mapa gastronómico obrigatório em Portugal. O João Quintela sempre trabalhou muito bem a cozinha molecular, esse conceito corre-lhe nas veias e associa-o aos sabores mais tradicionais de Portugal. É uma combinação que está a dar bons resultados e, levantando um pouco o pano sobre este tema, temos um espumante de gaspacho do Alentejo, com base na cozinha molecular, que é servido num flute e sabe genuína e deliciosamente a um gaspacho alentejano; uma reinterpretação de uma caldeirada de marisco com salmonetes, também baseado na cozinha molecular com espumas e texturas com sabores que vão surpreender os nossos clientes. O João, acompanha-nos desde a abertura, quando assumiu a liderança da cozinha do Restaurante T, pôde dar azo a essa vertente diferenciadora ajudando a impulsionar a criação do T Gold Floor. A ideia deste espaço foi sendo maturada ao longo dos anos ou já tinha esta ideia quando abriu o Restaurante T? Desde a génese do T que pretendíamos propor uma oferta distinta para os clientes mais curiosos que procuram experimentar sabores diferentes e elevar as suas experiências sensoriais a outro nível. Este tipo

de cliente sabe e valoriza o sentido de não se tratar apenas de comer, mas de toda a experiência envolvida até ao prato chegar à sua mesa e, brevemente, poderá encontrar essa resposta no T Gold Floor. O T Gold Floor vai abrir apenas para o jantar e com lotação limitada. Vamos ter uma carta permanentemente aberta, que não necessita de marcação (mas que aconselhamos, porque existirão poucos lugares) e um menu de degustação sempre disponível, com base numa reinterpretação dos pratos que disponibilizamos na carta para dar a conhecer as nossas propostas. Teremos também um menu de degustação especial - o menu do chef -, que é uma surpresa pre-


parada na hora, ou seja, as pessoas não sabem o que vão experienciar naquela refeição e é sempre obrigatória a marcação prévia. Este menu terá como base a matéria-prima da altura do ano, os produtos mais frescos da época e da sua inspiração na altura da confeção do prato. Será uma experiência única, muito imersiva, para além de verem o chefe a cozinhar para si e para outras mesas conseguirão sentir o calor, a dinâmica e as questões que

se levantam enquanto o chefe cozinha. Teremos uma mesa especial, numa sala semi-privada com capacidade até 8 pessoas, onde existirão menus de degustação para grupos e eventos privados. Fica a promessa de que os nossos clientes irão usufruir de experiências ímpares, numa simbiose entre a criatividade do chef e do seu talento com a cozinha molecular. Este novo espaço será inaugurado no início do ano. Os sabores, conceitos e experiências são, por norma, bem acompanhados. A garrafeira costuma ser alvo de especial atenção nos vossos espaços. Certamente que a garrafeira do T Gold Floor vai surpreender... Desde que abrimos o primeiro espaço, a Casa do Avô, que a garrafeira foi alvo de uma atenção especial e tornou-se uma imagem de marca dos nossos espaços. A Casa do Avô tinha uma garrafeira linda, o Restaurante T vai ter duas garrafeiras muito desiguais, o C-House, apesar de não ser uma casa onde o vinho reine, também tem uma panóplia variada. Este espaço tem uma garrafeira muito especial, creio que única no país, que recua

a memória até à era industrial, que funciona por um sistema de roldanas. A Casa do Avô transmitiu os seus valores, a sua alma, carta e a sua gente para o C-House, que leva na letra C a Casa do Avô. É um local onde continuará a reinar a paixão, o mesmo conceito de tapas e petiscos, agora misturados com a oferta da boa musica ao vivo. O T Gold Floor terá, como não poderia deixar de ser, a melhor garrafeira de todas. Será totalmente em vidro, como se tratasse de um aquário, suspenso no teto, onde o cliente poderá entrar e retirar a garrafa do seu interior. Continuaremos a trabalhar com os nossos parceiros que nos ajudam a escolher os vinhos mais adequados para o tipo de cozinha que o chef João Quintela apresenta. Os upgrades vão ter réplicas nas casas do grupo? Claro que sim. O C-House irá receber um conceito que ainda não existe em Santo Tirso, que será um espaço de pré noite. Acho interessante conjugar o conceito desta casa, descontraída, jovem, com menus fáceis de comfort food, que é diferente de fast food, com um espaço onde se pode descontrair depois de sair do trabalho ou para um prolongamento do jantar até às duas da manha. Este conceito é muito comum na maioria dos países europeus mas em Portugal ainda não há muitas respostas para estes horários de pré noite. A oferta passará por disponibilizar um espaço com um palco permanentemente montado com instrumentos onde teremos música ao vivo, pelo menos, todas as sextas e sábados. Pretendemos que esse palco seja uma montra para as bandas emergentes, jovens e com qualidade, para que tenham a possibilidade de mostrar e promover o seu trabalho. Acredito que este conceito vai funcionar muitíssimo bem, vamos ter jazz, rock, pop, música com qualidade e alguns nomes de referência. Sendo um espaço acessível, os valores variam entre os dez e os 20 euros, podem convidar os amigos e familiares, aproveitando a noite, o convívio e o espaço.

Santo Tirso tem uma população jovem, que gosta de sair, tem bons espaços noturnos mas realmente faz falta um espaço como iremos ter no C-House. O grupo apresentará, em 2019, muitas novidades. Refira, em forma de resumo, os objetivos mais prementes. Quando o Restaurante T – Food, Wine & Fun e o novo espaço T Gold Floor estiverem com a sua imagem e carteira de clientes consolidada gostaríamos de expandir a marca pelo país, nomeadamente para o Porto, Lisboa e Algarve, este último local terá um caráter sazonal e, possivelmente, em parceria com outra entidade. O Algarve está em plena expansão, recebe os melhores restaurantes do país, facto comprovado por ter a maior concentração de estrelas Michelin do país e os clientes que frequentam estes espaços são conhecedores, logo, exigentes em todos os aspetos e apreciam novos conceitos e sabores. O C-House vai ajustar a oferta às diferentes camadas etárias, colmatando o gap de pré-noite que agora existe com um espaço jovem, cheio de cor e música aliado às excelentes ofertas de comfort food and drinks. Desde agosto que nos focámos nestes objetivo e temos vindo a trabalhar afincadamente neste sentido, continuaremos de mangas arregaçadas e a trabalhar com muito orgulho. Vamos iniciar 2019 com um sorriso ainda maior no rosto e temos mais um objetivo: a estrela Michelin. Sabemos o quanto valemos e trabalharemos para que o Natal do próximo ano nos traga a almejada estrela Michelin.

RUA DR. JOAQUIM AUGUSTO PIRES DE LIMA, 44 4780-449 SANTO TIRSO Tlm.: 966 099 844 Email: reservas@tfood.pt

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CONFEITARIA MOURA

A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA A fazer jus aos desejos mais requintados dos portugueses desde 1892, a Confeitaria Moura, prima por manter a tradição em todo o processo de confeção dos afamados jesuítas e limonetes de Santo Tirso. Casa centenária, conhecida a nível nacional, leva a fama dos jesuítas para fora das terras tirsenses e estendendo o negócio até ao Porto, cidade que recebeu a Confeitaria Moura de braços abertos, comprovando e reforçando a qualidade dos produtos da Confeitaria Moura.

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Jesuítas, a receita secreta O negócio nasceu pelas mãos de Luísa Moura que, depois de casar com Joaquim Moura, começaram a vender os denominados “doces de gaveta”. Quando um dos filhos foi para o Porto aprender a arte de pastelaria, a sua falta foi suprida com a contratação de um pasteleiro espanhol que trouxe a afamada e secreta receita da massa folhada, que é a base de praticamente todos os produtos que atualmente são confecionados na Confeitaria Moura. Os doces são confecionados da mesma forma há 126 anos, não substituem ingredientes, o creme de pasteleiro é feito dentro de portas, bem como o chocolate, usando sempre ovos frescos (exceção concedida através de uma licença para essa prática). A matéria prima com que confecionam os produtos na Confeitaria Moura é fresca

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e cuidadosamente selecionada, escolhida através de elevados padrões de qualidade e estas premissas são, certamente, detalhes que aprimoram a fama desta casa e o facto de não utilizarem produtos pré confecionados nem instantâneos. Negócio da família Moura A gerência mantém-se na família Moura, vai na quarta geração e, na parte do fabrico, já conta com a quinta. Os clientes também acompanham a evolução e crescimento da Confeitaria Moura desde há gerações e há casas onde não pode faltar o jesuíta ao pequeno

almoço e o domingo que não é domingo se não houver doçaria da afamada confeitaria. A tradição também se mantém quanto


à permanência dos funcionários nesta casa, uma vez que existem duas funcionárias com 50 e outra com 60 anos de casa, que são os rostos mais familiares que há tantos anos recebem os clientes da Confeitaria Moura com simpatia e profissionalismo, tratando os clientes habituais pelo nome. A história e fama desta casa, bem como a ímpar massa folhada já lhes valeram uma menção de ouro concedida pela Associação de Comerciantes de Santo Tirso, pelos 50 anos de vida associativa. O entra e sai da Confeitaria Moura é uma constante, entre tirsenses, turistas ou transeuntes que simplesmente entram para matar a curiosidade ou para provar os afamados jesuítas e todos acabam por sair com uma (ou mais) caixas repletas de exemplares para levar para casa. As caixas brancas, com o tão conhecido símbolo azul da Confeitaria Moura, ainda são fechadas com o cordão que, como manda a tradição, deve ser partido com os dedos e não com a tesoura senão “não seria a mesma coisa”.

Jesuítas, limonetes e não só. . . Por entre os líderes da escolha, jesuítas e limonetes, também se encontram a fatia de chocolate, os pivetes, os éclairs, as bolas de pão de ló, os pastéis salgados, as bolas de berlim e a oferta de bolo rei (fora do convencional). A maioria dos produtos confecionados na Confeitaria Moura tem massa folhada segundo a receita ancestral trazida pelo espanhol, que a memória esqueceu o nome, mas que dizia ter aprendido a receita nos conventos, na zona de Bilbau, onde tinha trabalhado anteriormente (e, efetivamente, existiam Conventos de Jesuítas). A massa folhada tem sabor leve e a fofura desta é inimitável, daí a receita ser guardada a sete chaves e ser passada apenas aos descendentes diretos da família Moura. O segredo também está nas pessoas O trabalho manual é a força motriz por detrás do balcão onde tudo

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é confecionado de forma artesanal. A azáfama começa bem cedo, pelas cinco da manhã, quando a massa começa a ser preparada, o estender e o corte desta são feitos à mão, por isso é que não há dois jesuítas iguais; os cremes são confecionados à maneira antiga, dentro de caldeirões de cobre e aos quais de adicionam açúcar, leite e ovos, uma série de afazeres são cumpridos até saírem as primeiras fornadas de jesuítas mesmo antes da porta se abrir para poderem satisfazer os primeiros pedidos do dia, muitos para clientes diários que não dispensam os jesuítas da mesa do pequeno almoço. Apesar da receita da massa folhada se manter a mesma desde o início e os processos de produção manterem as caraterísticas ancestrais, a força humana necessita de inovar e de aprender, nesse sentido, a gerência oferece formação aos pasteleiros para que estes possam aplicar novas técnicas mantendo as caraterísticas que definem esta casa. SANTO TIRSO

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Expetativas para a Confeitaria Moura Satisfazem pedidos de clientes exigentes, habituados a produtos de elevada qualidade e que não questionam o preço porque sabem que encontram produtos de qualidade na Confeitaria Moura. O mesmo se aplica aos clientes que não conhecem esta casa e aos quais a gerência não quer defraudar as expetativas, pois os produtos serão sempre confecionados de igual forma nesta casa, nas que abriram no porto, no Mercado do Bom Sucesso, na baixa do Porto, na Rua Rodrigues Sampaio e quem sabe. . . para outras paragens. . . o futuro o dirá.


RESTAURANTE DOM JOSÉ

QUALIDADE PREMIADA À MESA NO BOMBARRAL Comida caseira, sabor autêntico e tradição aliada à inovação é o que distingue o restaurante Dom José, no Bombarral. Premiado como Guia MICHELIN 2018, este é um projeto fundado por José Louro e continuado pelo filho, Nelson Louro.

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Desde 1992 que o restaurante Dom José inova nos pratos que serve aos seus clientes. José Louro, o fundador, trabalhou em hotelaria em Londres durante 30 anos, até que decidiu regressar ao seu país e abrir o restaurante. Consigo trouxe o know-how que aplicou na cozinha e no serviço: “quando abrimos já fazíamos pratos inovadores: peixe panado, que ninguém fazia, é um prato que continua a ser servido, assim como bife tártaro e feijoada de javali com feijão branco (agora com feijão preto)”, conta-nos Nelson Louro. O nosso entrevistado também estudou gestão

hoteleira em Londres e assumiu a gestão do restaurante há seis anos. “A minha ideia seria manter o conceito fundado pelo meu pai, comida caseira simples, mas com sabor autêntico”, esclareceu-nos. Atualmente, a ementa é guarnecida com feijoada de porco preto com feijão branco e couve lombarda, panadinhos de maruca com arroz de feijão e molho tártaro, lombinhos com castanhas, cogumelos e molho de natas servido com batatas fritas e couve, filetes de cação e “hoje fiz raia cozida com coentros”, acrescenta, explicando-nos que todos os dias adiciona um prato diferente, consoante o que encontra quando vai às compras. “Trabalhamos muito com clientes que vêm todos os dias, é preciso variar.” Pelo mesmo motivo, e sem nunca perder a identidade, o gerente introduziu apontamentos de modernidade, principalmente na decoração do espaço. “Todos os anos algo é alterado. Os clientes reparam e apreciam”. Também a apresentação do restaurante é inovadora: “já não tenho lista de vinhos, tenho garrafeira exposta, as pessoas vão lá, escolhem a garrafa e levam-na para a mesa”. Para finalizar a refeição com uma nota doce, o cliente pode saborear o doce da casa – uma versão da baba de camelo –, ou uma tarte de lima com manjericão, crumble de pera rocha

“Todos os anos algo é alterado. Os clientes reparam e apreciam”

servido com uma bola de gelado ou trouxas de ovos. Com exceção desta última sobremesa (que é, apesar de tudo, local), todas são confecionadas no Dom José. Se a gastronomia e o ambiente são fundamentais, o terceiro fator de que depende o sucesso de um restaurante é o serviço: “eu sirvo como gostaria de ser servido”, garante-nos. A ‘receita’ resulta de tal forma que o restaurante Dom José foi premiado como Guia MICHELIN 2018, um orgulho e uma responsabilidade. Este foi um ano repleto de sucessos, com o empreendimento também a ser reconhecido pelos vinhos que disponibiliza e a marcar presença no afamado Boa Cama Boa Mesa. “Trabalhei muito”, afirma-nos Nelson Louro, acrescentando que prevê continuar a ter muito trabalho no próximo ano: “manter a qualidade é fundamental. Posso desde já revelar que vou, novamente, redecorar o espaço e em termos de pratos há um mundo para crescer”. O restaurante Dom José está aberto de segunda a sábado. Aos fins de semana é aconselhável fazer reserva.

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RESTAURANTE MEIA TIGELA

TIGELA E MEIA DE BOA DISPOSIÇÃO O restaurante Meia Tigela está localizado nas Caldas da Rainha e assume-se como um espaço único que combina a boa gastronomia com a arte ceramista. Isabel Claro – mais conhecida por “Bolota” – é a proprietária do espaço e foi com ela que estivemos à conversa por forma a conhecermos um pouco mais sobre o conceito que pretende implementar.

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Quis o destino que a ceramista Isabel Claro enveredasse por outra arte: a restauração. Aquele que surgiu como um projeto de vida que a nossa entrevistada iniciou com o seu marido é hoje mais do que um restaurante, é um espaço de bem-estar e de convívio, onde se apela aos cinco sentidos numa experiência gastronómica única. No Meia Tigela são servidas doses generosas de convívio, partilha, afetos e, claro, comida. Para além das referências nacionais como o bife à portuguesa, o bacalhau à meia tigela, os crocantes de porco e morcela, também fazem parte da lista nomes com gosto a outras paragens. “A minha avó materna foi criada num colégio inglês da África do Sul e, por isso, tinha receitas muito diferentes das quais eu gostava imenso”, recordou. Neste restaurante, todos os pratos são confecionados no momento e todos os ingredientes são frescos e saudáveis, de origem controlada e próxima. Na cozinha da Bolota são também respeitados os tempos de cozedura de cada alimento e até os molhos são ali confecionados. Trata-se de uma gastronomia com sabor a casa. Nesse seguimento, também os bolos são uma surpresa. “Nós gostamos muito de fazer bolos

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e, por isso, quando alguém celebra aqui o seu aniversário nós fazemos questão de oferecer o bolo. É uma forma de dar a conhecer as nossas receitas, ao mesmo tempo que proporcionamos um miminho aos nossos clientes”, frisou a empresária. A cozinha aliada à cerâmica Isabel Claro mantém em funcionamento o atelier de cerâmica no qual trabalhava antes de abrir o restaurante. Nele são desenvolvidos projetos e peças de arte quer de estagiários, quer de profissionais que aproveitam o espaço para darem asas à sua imaginação. No entanto, e apesar de ter menos tempo para se dedicar à cerâmica, a nossa entrevistada procura trazê-la, sempre que pode, para o seu restaurante. “Quer a cerâmica, quer a gastronomia têm muita alquimia. A verdade é que se

conhecermos bem os materiais e como eles reagem uns com os outros, conseguimos um bom resultado em ambas as áreas”, explanou a artista. Assim, numa tentativa de aliar o restaurante à cerâmica surgiu um centro de mesa muito especial: “é constituído por três peças, uma em cerâmica muito colorida que serve de base para um panfleto que explica a ligação da cerâmica ao restaurante e um telemóvel em madeira (com várias curiosidades para ler e um lápis para escrever) que pretende substituir o uso do telemóvel à mesa”, explicou-nos Pedro Lopes, aluno da ESAD a estagiar no atelier Bolota e responsável pelo projeto. Neste espaço, a decoração e a música funcionam em sintonia: “nós reciclámos madeiras, reaproveitámos mobiliário, resgatámos objetos dignos de museu e criámos peças únicas. Ao mesmo tempo, valorizamos o silêncio e o prazer de ouvir uma boa música, que inspire uma boa conversa”, completou a Bolota. O Natal no Meia Tigela Para a época natalícia que se aproxima, este restaurante tem preparados três menus que prometem agradar a todos os paladares e carteiras: ‘o nosso natal é verde’ diz respeito a um menu vegetariano, ‘o nosso natal é tradicional’ conta com comida típica portuguesa e ‘o nosso natal é topo de gama’ refere-se a um menu mais completo e sofisticado.


RESTAURANTE PORTAS DE FORA

SABORES TRADICIONAIS ÀS PORTAS DO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA Situado muito perto do imponente monumento, o restaurante Portas de Fora assume-se como uma boa opção para locais e visitantes. Luís Espadana é o gerente deste espaço e foi com ele que estivemos à conversa para esta nossa edição especial de Natal.

O

O nosso entrevistado, ex-bancário, assumiu a gerência do Portas de Fora há dois anos e nele implementou um casamento de conceitos: petiscos e restaurante. Para os que gostam de petiscar ao fim do dia enquanto convivem com amigos e familiares, este restaurante dispõe de tábuas com enchidos, presunto e queijo, bitoques ‘à portas’, gambinhas com molho de cocktail, amêijoas à bulhão pato, moelinhas e, para os vegetarianos, cogumelos ao alhinho. Já para os que gostam de sentar com tempo e degustar uma refeição mais completa, o polvo à lagareiro, o caril de gambas e cogumelos, o camarão ‘à portas’, os lombinhos de alcaide com molho de alho e as postas da vazia e do lombo com molhos variados são as referências da carta. Nas sobremesas, destaca-se a conventual sopa dourada (feita com pão de ló e doce de ovos). Ficar em Alcobaça Luís Espadana admitiu Alcobaça como um destino “que está na moda”, no entanto, lamentou o facto de

LUÍS ESPADANA

este ainda ser um local de passagem e não tanto de paragem: “Precisamos de um turismo mais sólido, ou seja, que as pessoas venham até cá e fiquem por uns dias. Para isso, precisamos que sejam implementadas estratégias diferentes”, advertiu. Sobre a atualidade do setor, o gerente deu-nos conta de alguma contenção por parte do consumidor: “Noto que as pessoas estão, atualmente, com receio em gastar dinheiro e espero que em 2019 esse cenário mude”. O negócio familiar, que conta também com clientes oriundos de Leiria e Lisboa, tem dois menus elaborados para esta época natalícia, destinados a almoços e jantares de grupo. “Os menus rondam os 16 e os 18 euros e foram pensados para jantares de família, amigos e empresas”, reiterou. No próximo ano, “procuraremos continuar a manter uma comunicação aberta com o cliente, fazendo com que o mesmo se sinta em casa”. Ainda antes da despedida, o nosso anfitrião deixou os seus votos de boas festas a todos os leitores: “Faço votos de que o Natal de todos seja em família e com muita paz”. Não restam dúvidas de que o Portas de Fora dá vida e sentido à célebre frase: “quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar”.

RUA FREI ANTÓNIO BRANDÃO 105-107 ALCOBAÇA | TLF.: 262 598 072 | facebook.com/portasdefora

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RESTAURANTE RAMIRES

A ORIGEM DO FRANGO DA GUIA NASCEU NO RAMIRES Localizado na Guia, o restaurante Ramires iniciou o seu percurso há mais de 50 anos pelas mãos de José Carlos Ramires. A revista Portugal em Destaque esteve à conversa com a filha do fundador, Noélia Cabanita, para conhecer os segredos de uma das iguarias mais procuradas pelo país.

I

Ir ao Algarve significa paragem obrigatória na Guia para provar uma das especialidades mais procuradas da região: o típico frango de churrasco. Isto só foi possível porque José Ramires foi o grande criador deste prato que originou tanto sucesso pelo mundo fora. “Tudo começou em 1964, num pequeno café, quando o meu pai fez esta receita e também fazia outros petiscos como frango para os amigos”. Com o passar do tempo sentiram necessidade de ampliar o espaço e de atribuir um nome a um dos locais mais icónicos no sul do país: o restaurante Ramires. Bastante nova, Noélia Cabanita seguiu as pisadas do pai e a paixão pela restauração. Passou por diversas tarefas e hoje em dia é a atual proprietária que reconhece a exigência de ter um negócio. “Isto é uma grande responsabilidade e tem de haver muito controlo desde a entrada até à saída para o prato. É uma gestão muito rigorosa”, confessa.

NÓELIA CABANITA JUNTO À FOTOGRAFIA DO PAI

Seguir o caminho construído pelo pai era a única solução para Noélia. Assim, foi obrigatório manter a especialidade da casa, o frango da guia à Ramires, que contém diversos segredos, nomeadamente desde a preparação do frango em cru, o momento de o grelhar e, por fim, os molhos que são de confeção própria. A entrevistada explica-nos que “tento seguir aquilo que o meu pai me deixou, passando pela preparação do frango até à forma como é grelhado. Sigo as direções que ele seguiu”. Do frango da guia a outros pratos Sabemos que o frango é o rei da casa, refere. Na ementa está ainda disponível uma vasta gama de pratos que passam pelas carnes e pela seleção de legumes com massas salteadas, não esquecendo as ofertas vegetarianas. Para acompanhar, não podem faltar vinhos de regiões como o Douro, Alentejo e Algarve. A oferta vai sempre de encontro às necessidades dos clientes e a escolha vai depender do critério de cada um. Para que o cliente sinta a satisfação pretendida, cada prato é realizado com a máxima segurança e higiene alimentar. A qualidade e inovação também são duas características que fazem parte do local. “Privilegiamos os produtos frescos e nacionais. Eu acho que em nada é difícil de inovar. Quando se tem força de vontade e se faz com gosto, conseguimos fazer tudo”, avança a interlocutora. Reconhecimento do Ramires vira franchising O espaço original está sediado no Algarve, mas nos Açores e em

França já é possível deliciar-se com o famoso frango da guia. Foi inevitável dar a conhecer aos quatro cantos do mundo uma das maiores criações portuguesas e para quem estiver interessado em tornar-se no próximo franchisado, apenas terá de contactar a proprietária. Os desafios para o futuro centram-se na expansão do franchising, sem descurar da qualidade e dos segredos que tornam esta iguaria tão especial. Noélia não quis terminar a entrevista sem deixar um convite aos nossos leitores: “Quem não provou o nosso frango que venha provar. É igual desde 1964”, finaliza, desejando a todos os clientes, amigos e familiares um Santo Natal e Próspero 2019.

Rua 5 de Abril nº14 - Guia | 8200-433 Albufeira | Contactos: 963 097 945 / 289 561 232 | Email: restauranteramires@sapo.pt

www.restauranteramires.com

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PORTAL DOS QUEIJOS

REINVENTAR O TRADICIONAL QUEIJO FRESCO Sediado em São Brás de Alportel, o Portal dos Queijos nasceu pelas mãos de Olga Teixeira em 2008. A Portugal em Destaque esteve à conversa com Luís Teixeira, responsável pelo fabrico, para conhecer a panóplia de queijos que têm ao dispor dos clientes, bem como os objetivos para o próximo ano.

A

A história do Portal dos Queijos começou quando o pai de Luís decidiu extrair leite de cabra e o levou para casa para que a sua mulher experimentasse fazer queijo. “A minha mãe tinha uma amiga que lhe deu uma receita e, a partir daí, as pessoas gostaram e começou a fazer cada vez mais. Foi nessa altura que pensamos em abrir uma queijaria e assim o fizemos”, conta o interlocutor.O processo de preparação é efetuado de forma tradicional mas sempre com um toque de inovação pelo qual é possível acrescentar diferentes sabores e aromas, nunca perdendo a autenticidade daquilo que é o Portal dos Queijos. Luís Teixeira acrescenta ainda que “os equipamentos que compramos são sempre com o objetivo de nunca alterar o produto final”. Há dois anos, e para acompanhar a arte de bem atender os clientes, rapidamente perceberam a importância de acrescentar uma pequena mercearia à queijaria, o que acaba por funcionar como complemento ao produto-rei da casa. Para além dos queijos, existe leite do dia, iogurtes de vaca naturais, sem adição de açúcar e de diferentes tamanhos, charcutaria, fruta da época como a laranja al-

garvia e a anona e, por fim, diferentes produtos regionais (licor, mel, ervas aromáticas, bolos secos) e nacionais para acompanhar um bom queijo fresco de cabra. Dar alma ao tradicional queijo fresco De forma a recriar o típico queijo, Olga Teixeira teve a ideia de produzir queijos com diversos ingredientes. Exemplo disso é a conjugação de diferentes sabores como queijo fresco de caril com ervas aromáticas, tomate seco e orégãos, azeite e orégãos, manjericão e perpétua roxa, entre outros. Para os amantes de doces existem opções como queijo com figo e amêndoa, alperce e frutos silvestres. Opções não faltam, o melhor é mesmo experimentar. Para que não perca a oportunidade de conhecer este produto, poderá adquiri-lo na própria loja Portal dos Queijos e em pontos de referência no Algarve e em Lisboa como restaurantes, supermercados, mini-mercados e hotéis. O responsável descreve os queijos com orgulho, mostra que são feitos com amor “e queremos que assim continue”. O objetivo é fazer

um queijo o mais natural possível, sem adicionar conservantes que provoquem a alteração do produto em si. Uma vez que a satisfação do cliente é um dos fatores mais importantes da casa, o estabelecimento assenta numa equipa de seis profissionais que querem oferecer o melhor produto com a melhor qualidade. Um ano de crescimento Para Luís, falar de 2018 é falar de crescimento. O nosso entrevistado explica que “chegamos a um ponto que não conseguimos evoluir mais, porque não temos espaço”, mas para 2019 os desafios prendem-se pela possibilidade de ter um espaço maior para poderem desenvolver novos produtos. Este desejo é acompanhado pelo aumento de vendas, bem como pelo número de clientes. Para

concluir, o responsável pelo fabrico de queijos deixa uma mensagem a todos os clientes: “queria desejar um feliz Natal a todos os nossos clientes e que tenham um bom ano 2019”.

Rua Dr. Silva Nobre, N.º 7 8150-147 SÃO BRÁS DE ALPORTEL Tlm.: 965 773 725

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POLVO & COMPANHIA

O LUGAR ONDE O POLVO É REI! Foi aquando da nossa estadia pelo Algarve que tivemos a oportunidade de conhecer um dos restaurantes mais distintos e dinâmicos da região: o Restaurante Polvo & Companhia. H. Almeida, para além de proprietário do espaço, é também o chef responsável por todos os pratos confecionados e foi com ele que estivemos à conversa por forma a conhecermos um pouco mais sobre o conceito implementado.

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Natural do Porto, rumou a sul com o objetivo de adquirir experiência nas áreas da restauração e hotelaria. “Sou cozinheiro e no norte já existiam muitos e bons restaurantes, com alguns dos melhores chefs do país. Aprendi com os melhores, mas cedo percebi que o meu lugar seria noutra região onde eu pudesse fazer a diferença, pelas influências que tinha recebido”, começou por contar. Chegou ao Algarve em 2008, tendo trabalhado em vários restaurantes, com grandes chefs, onde muito aprendeu e também partilhou a sua forma de trabalhar. Em 2015, aceitou o convite do Sr. Rui Martins (antigo proprietário do restaurante Polvo & Companhia), para desenvolver um projeto diferente em Santa Luzia, donde nasce este conceito cuja matéria-prima base é o polvo. “Sou um apaixonado pelo polvo e queria construir uma carta em que 80 por cento dos pratos envolvessem esse molusco. Na altura, aconselhei-me com dois amigos, um chinês e um japonês (oriundos de países especialistas a trabalhar moluscos, que me orientaram nas potencialidades de confeção do polvo) e decidi arriscar neste conceito”, assumiu. Das raízes nortenhas à capital do polvo Santa Luzia, em Tavira, é considerada a capital do polvo, mas, para o nosso entrevistado, o molusco capturado por toda a Ria Formo-

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De seis em seis meses, a carta do Restaurante Polvo & Companhia é alterada e são implementadas “novas confeções de polvo”

sa é de excelente qualidade. “Tem que ver com a temperatura da água”, esclareceu-nos o chef que gasta cerca de dez toneladas de polvo por ano. Aproveitando a conversa, quisemos saber o segredo que está por detrás de um polvo bem cozinhado: “o que vos posso dizer é que o melhor momento para criar um bom paladar no polvo é na primeira cozedura. Daí para a frente ele já não absorve paladar nem incorpora mais sabores”, desvendou. De seis em seis meses, a carta do Restaurante Polvo & Companhia é alterada e são implementadas “novas confeções de polvo”. No entanto, os pratos mais emblemáticos são o polvo com mostarda e mel (que resulta num molho agridoce), o polvo grelhado com broa de milho e couve (que junta a tradição nortenha da broa de milho, com o polvo característico da zona sul), o polvo


CHEF ALMEIDA

à camponês (com ervas aromáticas e grelos) e a cataplana (que inclui polvo, batata doce e camarão). De salientar que, apesar do polvo ser o ingrediente principal desta casa, existem algumas alternativas para os que não apreciam esta iguaria, como seja uma opção de carne, peixe, mariscos e inclusive pratos vegetarianos, para responder às diferentes necessidades dos clientes. Na lista de sobremesas, destacam-se a torta de alfarroba com doce de ovos, as três delícias (que juntam o figo, a amêndoa e a alfarroba) e o semifrio de maracujá (confecionado com chocolate branco), entre outras delícias. Para além das sobremesas da carta, sempre que tem disponibilidade, o chef Almeida comentou-nos que elabora sobremesas da sua autoria, que funcionam como “uma explosão de paladar que permanece no tempo”. Para acompanhar todas estas propostas, o Restaurante Polvo & Companhia dispõe de um vinho da casa muito versátil “que combina com todos os pratos da casa”, garantiu. Trata-se de um vinho alentejano, bastante suave, equilibrado e de aroma composto e leve, mas, para quem prefere outras referências, aqui também se encontram vinhos do Dão, do Douro e do Algarve. O chef Almeida acredita que o sucesso do restaurante, bem como a fidelização dos seus clientes, assenta na “qualidade e frescura dos produtos, a confeção aprimorada, o cuidado no empratamento e a sofisticação dos pratos servidos, tornam este restaurante único na região”. Oferecer aos seus clientes uma experiência organoléptica exclusiva, à base de excelentes produtos locais, no ambiente tranquilo da Ria Formosa, é a razão de existir do Polvo & Companhia. Para o chef Almeida, conhecer as opiniões dos clientes é fundamental para continuar a inovar e melhor servir os gostos de todos os clientes que têm experiências de paladar muito distintas, dadas as diferentes nacionalidades que por aqui passam. Assim, visita diariamente a sala para cumprimentar os clientes. “Ouço tudo o que me dizem e procuro

A EQUIPA DO POLVO & COMPANHIA DESEJA A TODOS OS LEITORES, CLIENTES E AMIGOS, FESTAS FELIZES !

adequar a minha forma de trabalhar às necessidades deles. Também gosto de partilhar os meus segredos com eles, explicar o que provoca um ou outro paladar. Procuro que esta seja uma experiência gastronómica completa e intensa, preferencialmente inesquecível”, rematou sorrindo o chef. O restaurante encontra-se encerrado às segundas-feiras (todo o dia) e às quintas-feiras (ao almoço).

Av. Eng.º Duarte Pacheco, n.º 10 Santa Luzia - Faro Tlf.: 281 370 459 Email: polvoecompanhia@gmail.com Facebook: polvoecompanhia

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CENTRAL DOS LEITÕES

O LEITÃO DA CHARNECA A tradição da Bairrada está devidamente representada na margem sul. Quem conhece a Charneca da Caparica, conhece o leitão da “Central dos Leitões”. Porque se diz que um leitão é tão bom quanto o seu assador, a Portugal em Destaque esteve com Luís Dias, o responsável pelos fornos a lenha que cumpre a assadura à maneira da bairrada.

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Assadura à maneira da bairrada Nesta época festiva não necessita de se deslocar até à Mealhada para se deliciar com um Leitão à Bairrada de qualidade! Uma referência na confeção do tradicional leitão assado à bairrada, a Central dos Leitões está no número 3 da Rua D. João V, na Aroeira, Charneca da Caparica. Situado na Margem Sul, o restaurante especializado em leitões é o local ideal para saborear esta especialidade.

Luís Alcino Vieira Dias, comerciante e cozinheiro, é o “assador de serviço”. Familiar com as técnicas que ditam um bom assado, Luís Dias conta com 24 anos de experiência à frente de um forno a lenha. Sem termostato, o assador controla os fornos a lenha com o auxílio do conhecimento e da prática. Quando questionado quanto ao segredo da assadura, Luís Dias responde: “O segredo está no carinho e no amor com que temperamos o leitão!”.

Desde 1995 Imigrantes na Venezuela, os elementos da família Dias estiveram sempre ligados ao comércio de alimentos, tanto na restauração como na panificação. Começam por ser proprietários de uma padaria na costa norte da América do Sul, onde já confeccionavam o leitão. Em 1995, na Charneca da Caparica, surge a “Central dos Leitões”, uma casa especializada na confeção do Leitão assado à Bairrada. Nesta casa, o porco jovem é confecionado com base em técnicas tradicionais e assado em fornos especializados para o efeito. “Muito trabalho e dedicação” são os ingredientes que sustentam a longevidade da “Central dos Leitões”. Todos os colaboradores partilham da mesma mística: profissionalismo, dedicação, simpatia e um esforço em fazer com que o cliente se sinta em casa. Por este motivo, vários são os clientes que visitam o restaurante da Charneca da Caparica desde a data da sua fundação. A este respeito, Luís Dias afirma que “dificilmente faria outra coisa, a restauração faz parte de mim e gosto muito daquilo que faço. Temos clientes que nos visitam desde 1995 e que acompanham todo o percurso que a Central dos Leitões tem vindo a percorrer”.

São muitos os que procuram deliciar-se com o leitão desta casa. Provenientes de todas as partes do país, os visitantes da Charneca não deixam de averiguar a autenticidade da reputação do leitão servido na “Central dos Leitões”

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Leitão com Reputação São muitos os que procuram deliciar-se com o leitão desta casa. Provenientes de todas as partes do país, os visitantes da Charneca não deixam de averiguar a autenticidade da reputação do leitão servido na “Central dos Leitões”. Depois de degustar esta iguaria, servida com a tradicional batata frita e a típica salada mista, poderá conferir a exce-


lência deste ex-libris da gastronomia nacional. Com capacidade para receber 96 pessoas em simultâneo, o espaço que compõe a Central dos Leitões é amplo e convidativo. Localizado numa zona central da Charneca da Caparica, a Central dos Leitões é um espaço acolhedor e de acesso fácil. Com um parque privativo com cerca de 1000m2, o restaurante garante estacionamento rápido e cómodo. Perante uma casa cheia, a postura mantém-se. O proprietário garante que se trata de “manter sempre os mesmos parâmetros de qualidade” e que “tanto a atitude como a atenção ao detalhe permanecem os mesmos quando a casa está cheia”.

Rua D. João V – N.3 Aroeira 2820-179 Charneca da Caparica

COORDENADAS GPS 38.599887, -9.187316

RESERVAS 212 972 180 962 308 140

www.centraldosleitoes.com

“A cada dia fazer melhor!” No culminar de mais um ano, Luís Dias afirma que “2018 foi bastante positivo, crescemos bastante, foi um dos melhores anos até hoje”. O responsável do restaurante deseja a todos os clientes e colaboradores um próspero ano e muita saúde. Para o futuro o objetivo é bastante simples: “A cada dia fazer melhor!”

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TASCA DA FATINHA

A ESPECIALIDADE É O PEIXE FRESCO O melhor choco de Setúbal, excelência em pratos de peixe e muita simpatia para completar a experiência. Se ainda não conhece, a Tasca da Fatinha, em Setúbal, merece a visita. A Portugal em Destaque, em conversa com o Mestre Victor Correia e a Dona Fátima, proprietários da casa, dá a conhecer o que se faz de melhor no restaurante e como o consumidor pode se surpreender.

“Espaço acolhedor, maravilhoso e fantástico”: é o que diz quem passa pela Tasca da Fatinha. Um ambiente intimista com vista para o Sado, tem chamado à atenção pelos pratos únicos no que toca ao paladar, à qualidade e com o melhor choco de Setúbal. Um dos percursores, Mestre Victor, como é conhecido, esteve sempre ligado ao mar, era intermediário e pescador. A sua mulher, Dona Fátima, e seu braço direito, iniciou com as cobranças da empresa. A mãe do entrevistado também teve aqui um papel fundamental, pois foi através dela que o espaço para a Tasca foi conseguido e, desde então, foram anos de excelência. As sandes de choco estão no início de tudo. Há 35 anos que são o ex-libris desta casa que, depois, aderiu também a confeção do peixe assado. “Não tínhamos peixe assado, mas as pessoas passavam e perguntavam: ‘há peixe assado?’ Foi assim que tudo começou, um fogareiro e uma montra com qualidade e variedade de peixe. As pessoas passavam, ficavam curiosas e foi assim que fomos crescendo”.

“O grande diferencial ao tratar o peixe é a forma como se escala. Aqui, o peixe é escalado pelas costas”

FÁTIMA, VITOR CORREIA E RITA ROCHA

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O segredo está na frescura e no tratamento Com um novo espaço há 18 anos, é hoje um restaurante em que a frescura é o principal ingrediente para a qualidade dos pratos. O imperador, salmonete, robalo e linguado são algumas das especialidades da Tasca da Fatinha que prima pela transparência


com o consumidor. “O cliente escolhe, tudo é feito à frente dele, é limpo e tratado. Nenhum peixe leva molho, só carvão, brasa e sal e, depois de assado, vai direto para a mesa, não passa pela cozinha. O que passa pela cozinha é uma invenção do meu pai, que é o fígado do salmonete à setubalense”, sublinha Mestre Victor. E acrescenta: “o grande diferencial ao tratar o peixe é a forma como se escala. Aqui, o peixe é escalado pelas costas”, conclui. O choco frito é o cartão de visita da Tasca, acompanhado pelo molho, invenção de Dona Fátima, que é de comer e chorar por mais. Os pratos de marisco e caldeiradas são também um forte da casa. E para acompanhar, bons vinhos, desde os brancos aos tintos e rosés. A localização em frente ao Sado traz um requinte especial à Tasca e um olhar diferenciado que combina perfeitamente com a decoração náutica do ambiente. Embora, segundo os entrevistados, o período de chuva interfira no acesso ao restaurante, nem isto tem sido um empecilho devido à qualidade que oferecem e ao número de estrangeiros que têm vindo a crescer. Orgulhosos da própria terra, não fogem às raízes e mantêm o estabelecimento ao longo dos anos, sobretudo pela paixão que colocam naquilo que fazem. Com três herdeiros, apenas uma está ligada à Tasca e é a que, segundo Mestre Victor, dará seguimento ao negócio. O amor à terra faz do atendimento e serviço uma experiência única e completa e permite,

“O cliente escolhe, tudo é feito à frente dele, é limpo e tratado. Nenhum peixe leva molho, só carvão, brasa e sal e depois de assado vai direto para a mesa, não passa pela cozinha...”

ano após ano, a visita de novos clientes e o regresso de antigos. A Tasca da Fatinha está na Avenida José Mourinho em Setúbal, serve almoços e jantares de terça a domingo das 12:00 às 22:00.

Avenida José Mourinho, 58 | 2900-533 Setúbal Tlf.: 265 232 800

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McDONALD’S BRAGA

FAMÍLIA McDONALD’S EM BRAGA Foi em 1996 que Maria Teresa Soares levou até Braga o tão conhecido restaurante americano McDonald’s pela primeira vez. Até então, já são cinco os espaços que implementou na cidade historicamente conhecida como Bracara Augusta. O mais recente abriu portas em setembro de 2017 e Maria Teresa conta agora à Portugal em Destaque um pouco sobre o balanço do último ano e dos novos projetos que tem para os seus cinco restaurantes, sem esquecer a forte ligação à Fundação Infantil Ronald McDonald.

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Fundação Infantil Ronald McDonald: “uma casa longe de casa” Maria Teresa Soares começa por explicar que a cadeia McDonald’s é muito mais que um restaurante. Aqui há também uma parte social em que se privilegiam as crianças que são portadoras de algum tipo de doença, seja ela oncológica ou não, e que precisam de estar internadas em centros hospitalares para tratamento. Desta forma, existe a Fundação Infantil Ronald McDonald que construiu, há cinco anos, a Casa Ronald McDonald no Porto, que é a casa que Maria Teresa Soares e os seus colaboradores e consumidores apoiam. Maria Teresa descreve a Casa Ronald McDonald como “uma casa longe de

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MARIA TERESA SOARES

casa”, ou seja, “é uma casa onde as famílias que têm crianças em tratamento hospitalar, quer seja oncológico, quer seja no IPO ou no São João, podem permanecer na casa durante os tratamentos e usufruir de um espaço com todas as comodidades como teriam em sua casa. Eles podem cozinhar e normalmente fazem-no… até podem trazer membros da família e serem acompanhados, seja um pai, uma mãe, ou uma avó, para ajudar, e podem tratar das roupas, podem fazer tudo o que fariam em sua casa”. O balanço dos cinco anos de Casa Ronald McDonald no Porto são positivos e Maria Teresa Soares garante que o facto de existir a possibilidade das famílias

acompanharem as crianças em fase de tratamento é algo de extrema importância, não só para os próprios doentes como também para a família que, muitas vezes, mora longe dos centros hospitalares e não tem possibilidade de se deslocar diariamente para as visitas. Maria Teresa conta que na Casa Ronald McDonald no Porto existe uma


gestora e uma assistente e que a maior parte do trabalho e da mão de obra necessária e existente na casa é feita através da solidariedade e do voluntariado, quer seja através da própria Maria Teresa, quer seja através de pessoas que conhecem e que se quiseram juntar a esta nobre causa. Todos são bem vindos e toda a ajuda é necessária. Através dos seus restaurantes e com a ajuda de mais dois colegas franquiados, criaram aquilo a que chamam a ‘comissão de proximidade’, que é composta por três franqueados (incluindo a nossa interlocutora), a gestora da casa e mais três elementos. Neste projeto tratam das ligações da Casa Ronald McDonald nos mais diversos eventos, como foi o caso da participação no Portugal Fashion onde houve a apresentação das mascotes da Casa, a Maria e o Pedro, vestidos e apresentados pela primeira vez pela estilista e designer de moda, Katty Xiomara, que foi também quem desenhou e pensou as fardas que atualmente os funcionários usam nos restaurantes McDonald’s e, que mais tarde, também foram apresentados pelos estilistas Miguel Vieira e ainda, este ano, por Nuno Baltazar. Maria Teresa salienta esta envolvência e o apoio conseguido pois, desta forma, consegue haver uma maior divulgação da Casa Ronald McDonald e também se consegue alertar o público para a importância que este tipo de estruturas têm na vida das crianças e dos seus familiares em fases mais difíceis da vida, como é o caso de uma doença. A nível de instalações, a Casa Ronald McDonald, do Porto, que está localizada nos terrenos do Hospital São João, conta com 12

quartos individuais com casas de banho privativas, salas de estar e salas de jantar, que são comuns aos seus utilizadores, assim como cozinha, lavandaria, espaços exteriores de terraço e de jardim, zonas educativas com computadores e acesso à internet, entre outras comodidades que uma casa, dita normal, tem. As palavras de Maria Teresa Soares espelham o que se passa na casa, a entreajuda entre todos e o espírito de amizade e de carinho entre as pessoas que por lá passaram. “Sentimos, sabemos e é comprovado que uma família com uma criança doente é uma família doente, e tendo o carinho e o acompanhamento de uma casa, as pessoas acabam por ser uma terapia umas para as outras porque estão todas na mesma situação, geralmente, e têm todas uma razão grave para lá estar”, conta. Para ajudar no suporte às famílias e às crianças – que podem visitar a casa se a sua situação de saúde o permitir – existe uma componente de apoio psicológico, embora que não seja diário, e existem terapias como o reiki, massagens de relaxamento, entre outras coisas, que ajudam a atenuar um pouco o sofrimento que estão a passar naquele momento. Os restaurantes franquiados, além do apoio que dão à casa, organizam também jantares convívio, sessões de jogos, leitura de histórias, brincadeiras, etc. “São noites inesquecíveis. Para eles é bom, para nós é extremamente gratificante porque saímos de lá preenchidos e com um dia comprido, a sentirmos que fizemos a diferença àquelas pessoas naquele dia. Às vezes, juntamos 20 a 30 pessoas lá na casa, portanto é super gratificante, aqueles miúdos para nós já são como família”. Família McDonald’s em Braga Maria Teresa Soares embarcou na aventura e na família McDonald’s há 22 anos e, desde então, na cidade de Braga, já implementou um total de cinco restaurantes com uma família de colaboradores que já ultrapassa os 250 membros, entre eles profissonais de gestão, colaboradores na área administrativa, entre outros. Maria Teresa garante que passa mais tempo com eles do que com a sua família. “Somos uma família, tento estar lá no bom e no mau, até mesmo em termos pessoais, e todos nós sabemos que os jovens, por vezes, têm famí-

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lias destruturadas e situações muito difíceis e eu tento ajudar, ser a mãe, psicóloga – que é mesmo a minha área de estudos – tento ajudar, descomplexando as coisas e ajudá-los a ver o caminho”. A preocupação com os seus colaboradores, muitos deles numa faixa etária mais baixa, é notória: “caso precisem, têm aqui quem os quer ouvir e ajudar a decidir. Nós abrimos-lhes o caminho e ajudamos a ver outro caminho e mesmo financeiramente, em situações limite, ajudamos nesse aspeto. A nível de acompanhamento familiar, estamos abertos e disponibilizamos esse tempo para eles apoiarem a família. Tem que ser assim, nós precisamos deles. Nós temos que dar tudo o que está ao nosso alcance”, remata. A parte pedagógica é muito valorizada na cadeia McDonald’s e, por isso, existe também uma abertura para se entender a situação de cada trabalhador e existe também uma flexibilidade nesse sentido, para garantir o bom ambiente de trabalho e a eficiência de todos na prestação dos serviços aos consumidores. Outra das mais valias que a ‘Família McDonald’s’ proporciona é a possibilidade de

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O quinto restaurante McDonald’s na cidade de Braga nasceu pela necessidade em ter mais um serviço de McDrive para os clientes, um serviço em que o cliente não entra na loja nem no restaurante

progressão na carreira, como explica Maria Teresa Soares. “Temos vários (funcionários) que já são atualmente gerentes, que começaram como funcionários de mesa ou de balcão e foram progredindo, porque aqui existe a oportunidade de construir uma carreira”. Os restaurantes que Maria Teresa Soares implementou na cidade são muito distintos entre si, existem dois que estão instalados em centros comerciais, um deles com o serviço McDrive. Os restantes são em espaços


independentes, um deles mesmo no centro de Braga, que se revelou o mais desafiante de implementar, uma vez que sendo Braga uma cidade histórica e com vestígios romanos, a construção das instalações do restaurante atrasaram um pouco para garantir a preservação do espaço que tanto embeleza a cidade e que conseguiu receber, na perfeição, as instalações do McDonald’s que hoje é um dos pontos de passagem para quem visita o centro da cidade de Braga, sejam turistas, emigrantes ou mesmo consumidores da região. O número cinco em Braga O quinto restaurante McDonald’s na cidade de Braga nasceu pela necessidade em ter mais um serviço de McDrive para os clientes, um serviço em que o cliente não entra na loja nem no restaurante, e percorre o mesmo pelo exterior, dentro do seu automóvel, e é atendido através do balcão que dá acesso para o exterior do edifício. Perante esta necessidade, Maria Teresa Soares decidiu implementar mais um restaurante, em setembro de 2017, numa das pontas da cidade de Braga que ainda não era servida pela marca americana. Desta forma surgiu o local que “foi muito bem conseguido pela sua localização na estrada nacional, estando, por isso, muito visível. Esse espaço veio também apoiar o outro restaurante e consegue alcançar os consumidores do outro lado da cidade de Braga”. O restaurante número cinco é também diferente e inovador por um pequeno/grande pormenor: a existência do McCafé. Como explicou Maria Teresa Soares à Portugal em Destaque, “pequeno almoço já temos em todos os restaurantes”, o serviço existente no McDonald’s de Maximinos é à base de pastelaria fina e com a inovação do espaço McCafé o cliente pode usufruir de um espaço reservado do balcão principal onde pode fazer o seu pedido, estar próximo da sala de refeições, tomar café, uma sobremesa, ler o jornal, passar um bom tempo em família, o que, no fundo se traduz em ter um espaço mais acolhedor dentro do restaurante. O novo serviço de pequeno almoço também tem conquistado mais clientes uma vez que “as pessoas querem experimentar os produtos que temos como as tostas mistas, as torradas - que são muito (re)conhecidas - e que são produtos fantásticos, o pão é absolutamente divinal, da Panike. Servimos pequeno almoço diário das 8h às 11h e as panquecas têm muito sucesso, principalmente aos fins de semana. Até são os pais que dizem, ao acordar mais tarde, ‘olha, vamos comer panquecas ao McDonald’s’ e já temos agora os clientes a repetirem e a virem em família… é um ritual de fim de semana. É giro e divertido para todos”. Maria Teresa Soares garante que tem feito melhorias a nível interno nos restaurantes McDonald’s, sempre na perspetiva de evoluir a nível tecnológico, de conforto para os clientes e a nível da qualidade dos seus serviços e produtos. Como tal foi implementado o serviço automático para os pedidos, numa máquina, por forma a evitar que se formem filas nos balcões e assim conseguir também satisfazer as necessidades dos clientes, assim como o serviço de entrega à mesa para quem o solicitar, seja pessoa com mobilidade reduzida, famílias com crianças ou outro tipo de situações. Outra das conclusões a que Maria Teresa chega é que hoje em dia o paradigma do McDonald’s mudou, as pessoas de mais idade já procuram muito mais os produtos do McDonald’s e até se identificam com alguns deles sejam as sopas, o pão rústico, as saladas, os legumes ou outros produtos mais tradicionais, e isso acaba por aproximar também as gerações à mesa. A recetividade por parte dos mais velhos às sanduiches McDonald’s tem vindo a mudar, hoje em dia há uma maior aceitação nesse sentido. Outra das preocupações que Maria Teresa Soares e a McDonald’s Portugal têm é o facto de incluir legumes e frutas nos menus infantis (e não só) de forma a incutir nas crianças uma alimentação variada, dando a opção de escolha nesse sentido.

A Portugalidade aliada ao conceito McDonald’s Como Maria Teresa Soares refere, a procura de produtos e produtores portugueses é uma preocupação muito grande para a cadeia McDonald’s: “é definitivamente uma batalha ganha mas sempre a continuar e a tentar que ela cresça”. Maria Teresa conta que quando começou com os franquiados McDonald’s em Braga, no ano de 1996, eram muito poucos os produtos portugueses que tinham no restaurante. Dá destaque às bebidas – água e cerveja – e pouco mais. Hoje em dia já não é assim, são mais de 30 fornecedores portugueses como o caso da Terra Nostra que fornece queijo e leite, da empresa Mendes e Gonçalves, responsável pelos molhos, a Vitacress, a Campotec, a Azeite Galo, a

Panike, entre outros. Maria Teresa explica ainda que têm duas grandes empresas portuguesas que são fornecedoras da carne através do centro de distribuição em Toledo, Espanha e que estão a trabalhar cada vez mais a portugalidade para os seus produtos. Perspetivas para 2019 O ano de 2018 trouxe aos restaurantes de Maria Teresa Soares a consolidação das equipas, dos funcionários, gerência e direção dos restaurantes o que a faz ser uma pessoa feliz e realizada. Garante que está “em velocidade cruzeiro” e que não põe de lado novos projetos, no entanto não pode ainda revelar muito sobre isso uma vez que ainda não estão concretizados. Fala também do novo Diretor Geral da McDonald’s Portugal, Thomas Ko, que sucede ao português Jorge Ferraz que desde 2014 foi Diretor Geral da cadeia em Portugal. Maria Teresa explica que Thomas Ko “é uma pessoa que já teve experiência em vários mercados e países e que quer aprender, quer conhecer e quer acrescentar o seu cunho em Portugal”. Avizinha-se um ano risonho, de mudança de direção mas com a certeza que “vai ser uma mais-valia para o mercado português da McDonald’s” uma vez que o novo Diretor Geral, aquando a sua apresentação aos colaboradores, se mostrou empenhado em continuar o trabalho deixado por Jorge Ferraz e em consolidar a família McDonald’s, sempre garantindo a melhor qualidade e serviço aos seus consumidores. Uma das novidades no próximo ano será a possibilidade de escolha, no brinde do menu infantil Happy Meal entre o brinquedo ou um livro, assim fica ao critério dos pais e das crianças escolher o que pretendem adquirir com a sua refeição. A inclusão dos livros nos brindes do menu pretende também sensibilizar os pais e educadores para a prática da leitura e da literatura nas crianças. Em suma, Maria Teresa Soares afirma que “gostaria imenso que além de conhecerem o grande M pelos seus hambúrgueres, também conhecessem o grande M pela sua parte solidária” e apela ao apoio de todos para a Fundação Infantil Ronald McDonald.

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SIMPLES & FRESCAS

A ARTE DA HORTICULTURA, SIMPLES E FRESCAS A Simples & Frescas é uma empresa familiar sediada em Ribamar, sendo a produção e o armazém na localidade de São Bartolomeu dos Galegos, concelho da Lourinhã.. O negócio conta com 12 anos no sector hortícola nacional e internacional. A Portugal em Destaque foi recebida pelos empresários, João Pedro e Anabela Fernandes, para conhecer o projeto.

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Veterano da agricultura, João Pedro começou a produzir para o mercado do Barreiro e, com trabalho e dedicação, cresceu. Em 2006, o projeto toma um novo rumo. “Começámos na agricultura como empresários em nome individual e, posteriormente, a convite do Grupo Auchan, criámos a empresa. O grupo procurava contratar um agricultor que abastecesse diretamente os supermercados da cadeia com legumes e assim, evitar ao máximo os intermediários, para garantir qualidade e preços acessíveis ao consumidor e fizeram-nos o convite”, explica Anabela Fernandes. Em parceria com a Emergosol, empresa de comercialização de produtos hortofrutícolas, a Simples & Frescas marcou um novo crescimento para a internacionalização, com produtos como a couve lombarda e a abóbora para Inglaterra, e posteriormente, surgiram novos mercados estrangeiros como a França e a Espanha onde se faz também a ligação à Itália. Com 38 colaboradores, a empresa trabalha com uma média de 12 produtos hortícolas e com produção própria de 20 por cento da mercadoria que comercializa. “O encargo seria demasiado pesado e pouco rentável se fizéssemos toda a produção,

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assim a estratégia passa por criar parcerias com agricultores. A Simples & Frescas conta com 16 certificações Global G.A.P. , que asseguram a defesa da saúde pública, por forma a garantir um produto melhor. Este processo é um método que possibilita aos agricultores uma especialização dos seus produtos, sendo assim uma mais valia do seu trabalho perante o cliente”, refere o empresário. A exportação também se estende à Holanda porém é trabalhada de forma exclusiva, “a empresa holandesa contrata os nossos serviços desde a plantação até à produção final do produto, realizada por nós e pelos nossos parceiros. Posteriormente, os nossos colaboradores fazem toda a colheita para que exista um padrão de trabalho standard, o que possibilita uma maior qualidade e mais homogénea”, expõe João Pedro. A Simples & Frescas demarca-se no mercado por esta forma de trabalho, “temos a política de que tem de existir uma simbiose entre o produtor, o vendedor e o cliente, assim garantimos o sucesso e a sustentabilidade de todos. Não trabalhamos pelos números, mas pela qualidade”, confessa o sócio-gerente. A sustentabilidade e o rigor, são a imagem de marca da empresa e, por isso, foram premiados duas vezes com a distinção de PME Líder e uma vez com a distinção PME Excelência 2017, “é um orgulho o reconhecimento do nosso trabalho que traduz o sucesso do projeto”, reconhece João Pedro. O setor em Portugal Portugal é um país com vocação para a produção de frutas e de hortícolas, o que se demonstra pelo enorme peso assumido por este setor ao longo dos anos na agricultura. Muito embora ainda haja muito a fazer, este setor


“Temos a política de que tem de existir uma simbiose entre o produtor, o vendedor e o cliente, assim garantimos o sucesso e a sustentabilidade de todos”

ANABELA FREITAS E JOÃO PEDRO

banco dos trabalhadores, tendo em conta que trabalhamos com produtos perecíveis, que têm que ser tratados na hora exata, não podendo muitas vezes esperar”. Para o futuro a Simples & Frescas quer continuar com produtos de qualidade, frescos e a granel, porque a política da empresa é de reciclar e preservar a natureza, eliminando assim embalagens desnecessárias.

tem-se reinventado afirmando-se no panorama nacional como um dos mais dinâmicos e com maior vocação para a exportação, demonstrando que Portugal tem condições naturais e capacidade técnica e empresarial para se afirmar no panorama internacional. No entanto, continua a ser uma área de atividade “altamente penalizada em relação aos impostos. Sendo a agricultura um setor primário, a meu ver, não deveríamos ser tão subcarregados, pois a sustentabilidade do país depende destes setores. As leis que não se adequam à nossa realidade também são uma subcarga para estas empresas, como por exemplo, as guias de transporte necessárias para transportar cargas diretamente dos campos para a central; o rigor burocrático exigido ao nível dos recursos humanos; o máximo de horas que podemos utilizar em GASTRONOMIA 35


PAULINO PESCADOS LDA.

FRESCURA, QUALIDADE E DEDICAÇÃO

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Frescura e qualidade são as palavras de ordem da Paulino Pescados lda. . Empresa familiar dedicada ao comércio de pescado a grosso. O projeto começou em 2013 com os dois irmãos, Vítor e Emanuel Paulino. Uma paixão que atravessa gerações, conduziu Vítor, desde os 13 anos de idade, para este mundo onde é um player importante para a empresa. “O Emanuel, não tão próximo como irmão da área, mas ligado desde os seus 17 anos, deu continuidade e é, neste momento, um dos gestores de compra e vendas da empresa”, refere Maria João Casanova. A mãe desempenha um papel fundamental na transmissão de conhecimentos, “dedicou toda a sua vida, 50 anos, à manipulação de peixe grosso e peixe pelágicos”, sublinha a entrevistada. A equipa fica assim completa com a irmã dos sócios e Maria João Casanova, mulher de Emanuel, e que desempenha o papel de marketeer, comunicação, formadora e engenheira alimentar.

A Paulino Pescados lda. nasce de um projeto de família em Peniche e em cinco anos torna-se parte de um cenário de sucesso a nível nacional. A Revista Portugal em Destaque conversou com Maria João Casanova, responsável pela comunicação, para conhecer o que faz desta empresa tão recente uma grande potência no comércio do pescado.

Os 5 anos de dedicação e trabalho árduo colocam a empresa num patamar de qualidade e reconhecimento nacional. Desempenham um papel fundamental no porto de pesca de Peniche “trabalhamos com a primeira compra do peixe para os nossos clientes. Selecionamos, compramos, avaliamos a qualidade e frescura, calibramos, pesamos, reacondicionamos e expedimos o peixe, mantendo em todo o

processo a cadeia de frio. Posso dizer que o nosso crescimento advém deste desempenho e que a longo prazo se traduz numa maior rentabilidade”, conclui. Dedicação é a diferenciação “Não é o dinheiro que nos move” é a frase que Maria João utiliza para referir que a paixão é o grande motor do negócio. Para a marketeer, é preciso aliar trabalho e gosto para o sucesso, “Este é dos armazéns que funciona durante mais tempo neste porto de pesca. Funcionamos das 5:00 às 24:00 horas”, ressalva a entrevistada. Quando questionada sobre a mão de obra do sector, refere que “este é um processo em parte complicado. É necessário que exista confiança e, neste sentido, trabalhar com a família é um ponto a favor. A mão de obra qualificada existe, mas há sempre uma desconfiança porque a dedicação que queremos nem sempre é alcançada por parte dos colaboradores. A honestidade e transparência caracteriza-nos com os clientes e isso só é possível se a equipa fizer um bom trabalho e cada vez mais é difícil arranjar pessoas dedicadas com paixão pela profissão”, conclui. O futuro para a Paulino Pescados lda. passa por investir na divulgação e expansão do que melhor sabem fazer, preservando a qualidade. “Nós fazemos para além da venda de peixe a grosso, o recondicionamento do peixe para os clientes como restauração, grandes cadeias, países vizinhos. O fundamental é manter a qualidade e transparência no processo para que o cliente receba da forma mais célebre o produto”, finaliza. Mensagem aos leitores “Desejamos boas festas, umas boas entradas e que estaremos cá para acompanhar naquilo que for possível e necessário os nossos clientes.” Porto pesca lota comercial armazém 58 | 2520-630 Peniche 927 519 567 | 262 781 287 | 927 519 560 Email: paulinopescados@gmail.com www.paulinopescados.business.site

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INOVAÇÃO

Portugal é um país conhecido pela sua capacidade criativa. A inovação está diretamente associada à necessidade de respostas e de soluções para uma determinada área empresarial ou económica e a revista Portugal em Destaque, na sua edição de final de ano, foi precisamente à procura de bons exemplos do que de melhor se faz em Portugal na área da inovação. Na área da tecnologia, existem muitos exemplos, e variados, de soluções encontradas por profissionais portugueses, que foram depois exportadas para o mundo. Porém, a tecnologia não constitui, por si só, inovação. Nas páginas que se seguem, vai encontrar exemplos de empreendedorismo, formas de trabalhar distintas, que preservam a qualidade, o bom relacionamento com o cliente e o saber fazer próprio de quem trabalha há muitos anos na mesma empresa e na mesma área. Fique connosco e descubra bons exemplos de boas práticas empresariais em Portugal!

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FIRMINO’S

FIRMINO’S: A CRIAR MAGIA E DESPERTAR EMOÇÕES Criada em maio de 2014, a Firmino’s (marca registada) da empresa Surpresa Sensacional Unipessoal, Lda. nasceu pelas mãos de Rosa Silva, uma mulher dinâmica, empreendedora e carismática que, juntamente com a sua equipa, conseguiu que a empresa alcançasse um patamar de qualidade e excelência nas áreas da pirotecnia e iluminações festivas. De ano para ano, o número de clientes e serviços prestados têm vindo a aumentar substancialmente e, na verdade, são vários os concelhos do nosso país onde podemos contemplar as histórias iluminadas da Firmino’s, que fazem sonhar e acender emoções.

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Foi há quatro anos que Rosa Silva decidiu embarcar na ‘aventura’ de criar a sua própria empresa de pirotecnia e iluminação, fruto do seu legado de experiência e conhecimento e de uma grande vontade de vencer. Este projeto ganhou vida na sua terra natal, Vale de Cambra, com grande empenho e dedicação. A empresa começou devagarinho, mas rapidamente cresceu essencialmente pela sua forma de estar no mercado com muita autenticidade, qualidade, rigor e paixão. “Nós não trabalhamos com as mãos, trabalhamos com o coração, com a alma e com muito gosto. Não o fazemos pelo preço, mas sim pelo brilho e pela magia”, revela Rosa Silva, a administradora da Firmino’s, uma mulher de grande energia e fibra, características herdadas da sua mãe e, que fazem com que toda a gente a conheça, uns por engenheira Rosa, mas a maioria por Rosinha ou Rosita, isto porque cria laços de grande amizade e estima com os seus clientes. O início da atividade da empresa foi marcado pela angariação de clientes e o investimento em materiais e equipamentos. Esta aposta garantiu à Firmino’s, marca registada da empresa Surpresa Sensacional Unipessoal, Lda. , os primeiros trabalhos, essencialmente na área da pirotecnia. O salto para trabalhos maiores aconteceu quando “as pessoas começaram a ver a nossa qualidade e o tratamento que damos aos clientes”, refere, salientando que, nessa altura, começaram a multiplicar-se as solicitações e pedidos. Rosa Silva assume que, inicialmente pouco sabia desta área de atividade, mas esforçou-se bastante para aprender, conhecer e saber. Foi necessária uma grande dedicação e entrega para conseguir alcançar o patamar em que a Firmino’s se hoje encontra. E hoje, acredita que sendo uma mulher numa típica profissão de homem, está a dar cartas e a fazer frente à concorrência. “O segredo está na simplicidade e no carinho por aquilo que se faz. Gostar do que se faz é meio caminho andado para trilhar um percurso de sucesso”, considera a administradora, realçando a importância da excelente equipa que a acompanha quer pela sua dedicação e colaboração, quer pela sua disponibilidade e boa disposição. “Há uma boa relação entre todos, muito familiar, partilhamos a mesma visão, por isso imprimimos um grande profissionalismo em tudo o que fazemos. Para trabalhar connosco, as pessoas têm que vir à procura de qualidade, bom atendimento, simpatia e de profissionalismo”, elementos distintivos da Firmino’s. Apesar do crescimento alcançado, esta equipa aposta numa relação de lealdade com os seus clientes e não deixa por isso de lado os mais antigos, que acompanharam desde o início a atividade da empresa. “Mesmo os clientes mais pequenos, se me acompanharam desde início têm lugar cativo porque me deram o benefício da dúvida. Eu

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ROSA SILVA E FILHOS

UM ESPECIAL AGRADECIMENTO AO SEU MARIDO, JOÃO SILVA

organizo os clientes não pelo valor dos trabalhos, mas sim pela ordem de chegada e pelos clientes que já pertencem à casa, que já são meus amigos”. Este tipo de decisão exemplifica aquilo que Rosa Silva considera os predicados fundamentais para se ter sucesso no mundo


dos negócios e dirigir uma empresa sólida: humildade, paixão pelo trabalho e determinação. Projetos diferenciadores Atualmente a Firmino’s trabalha a nível nacional, com marcações a ocuparem os 12 meses do ano. Responsável pela iluminação de vários eventos e romarias, a Firmino’s cria projetos de iluminação, únicos e à medida de cada cliente, incluindo conceção, produção, instalação e assistência técnica permanente de iluminações festivas e decorativas. Produtos e soluções inovadoras para qualquer espaço onde um toque de luz possa fazer a diferença. “Apostamos na criatividade e no profissionalismo com o objetivo de conseguir, através do nosso trabalho, contar histórias que façam sonhar, provoquem emoções fortes e criem memórias”, salienta. A aposta na qualidade e na procura constante de novidades fazem parte do dia-a-dia de Rosa Silva, por isso acredita que o espetáculo piromusical de luzes é a vanguarda e, neste momento, uma grande aposta da Firmino’s. “Queremos apresentar sempre as melhores e mais surpreendentes soluções e estar sempre um passo à frente”, ressalva a administradora. Águeda, Albergaria, Ovar, Vale de Cambra, São Pedro do Sul, Valadares, Gulpilhares, entre muitos outros, são localidades onde se pode deixar surpreender pela vivacidade, colorido e beleza dos trabalhos idealizados e preconizados pela Firmino’s, nesta quadra natalícia. E estes projetos são “a montra do nosso trabalho e a nossa melhor publicidade”, avança Rosa Silva, sublinhando que acabando as montagens de iluminações festivas inicia-se o período de manutenção de todas as estruturas. Terminada essa fase começam também os espetáculos de pirotecnia e, posteriormente, a equipa da Firmino’s vai dedicar-se ao Carnaval em

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projetos além-fronteiras. Além disso, “temos em mãos outro projeto que vai acender em março, estamos a trabalhar nos piromusicais do próximo ano e também para as grandes romarias”. Rosa Silva desvenda ainda um pouco do projeto que a Firmino’s desenhou e que está a mais de 5000 quilómetros do nosso país. “Este projeto deu-nos um grande prazer e foi preparado em apenas nove dias. Um contentor de 40 pés com 22 arcos de oito metros por meio metro de largura, oito pórticos redondos de oito metros por um metro e trinta de largura em nove dias e toda a logística inerente, desde o comprar, fazer e desenhar. Foi um desafio muito grande, mas eu acho que, de vez em quando, temos que nos colocar à prova e sair da nossa zona de conforto, arriscar e conseguir”, refere Rosa Silva, ressalvando que a importância do projeto. Valorizando o passado, vivendo o presente e pensando no futuro, a Firmino’s adota uma filosofia vanguardista, estando sempre um passo à frente do seu tempo, tendo como linhas orientadoras para a prossecução dos seus objetivos, a simplificação da criação de conhecimento e a criação e disponibilização de soluções de qualidade. Estes ideais expressam a sua determinação em oferecer as soluções mais avançadas que vão ao encontro das necessidades de uma sociedade em constante evolução. Estes valores basilares encontram-se ainda representados na manifestação do seu empenho num percurso de contínua inovação. 40 INOVAÇÃO


Uma empresa de referência Desde a sua génese, a Firmino’s (marca registada) assumiu como objetivo superar as expectativas dos seus clientes e do público em geral, garantindo a qualidade do serviço prestado e a segurança dos seus espetáculos e ornamentações festivas. “Orgulhosos do nosso passado e confiantes no nosso futuro” - a empresa vê reconhecida a qualidade dos seus serviços, em espetáculos de pirotecnia realizados a nível nacional e internacional, acumulando um enorme saber pela arte, mostrando capacidade de dar resposta às mais variadas solicitações em espetáculos com fogo de artificio diurno ou noturno, piromusicais, multimédia, piro digitais, aquáticos, de palco, multiposto, teatro de rua e iluminações festivas de vanguarda em LED. Embora extremamente contente com a equipa que a acompanha, Rosa Silva não esconde o desejo de ter mais mão de obra e de que as escolas apostassem mais em formação para esta área de atividade, por isso refere “a nossa profissão está muito desconsiderada no nosso país”, mostrando revolta com aqueles que apelidam os iluminadores de poucos profissionais. Na sua opinião, há muitas empresas que dão mau nome aos iluminadores profissionais, mas esse é um estigma que tem que ser quebrado, valorizando as empresas que se focam na qualidade. E no caso da Firmino’s essa valorização tem acontecido, até porque são “as pessoas que me procuram e tenho uma lista de espera de pessoas para trabalhar connosco”. E se em 2014, a empresa começou com apenas

um pavilhão com 400 metros quadrados, hoje tem uma área total de 3000 metros quadrados na Zona Industrial do Rossio, em Vale de Cambra. Por outro lado, começámos com apenas uma grua e, hoje temos várias plataformas elevatórias, para além de uma panóplia de viaturas”, um crescimento substancial que permite dar resposta cabal às mais diversas solicitações. Com os olhos postos no futuro, Rosa Silva, administradora da Firmino’s, pretende que a empresa seja cada vez mais inovadora e competitiva, superando cada vez mais as expectativas dos seus clientes e dando continuidade à sua “missão” de criar magia e despertar emoções.

Morada (Sede)

Rua Chão da Cancela, Borbolga nº60 3730-241 Vale de Cambra

Morada (Armazém)

Travessa da Zona Industrial 3, Lote 8 3730-601 Vale de Cambra

Contactos

Telemóvel 919 909 125 912 579 430

www.fs-pirotecnia-iluminacoes.com INOVAÇÃO 41


ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DE PORTUGAL

ARTIGO DE OPINIÃO

PORTUGAL: DESAFIOS E COMPETITIVIDADE

A

Ao longo do ano, nas diversas intervenções e debates em que tenho participado um tema recorrente tem-se centrado nos desafios que o futuro próximo reserva para o País e, em particular, para as empresas. Qualquer reflexão sobre o tema requer uma especial atenção sobre os desenvolvimentos recentes. É bom lembrar que o ano de 2018, prestes a terminar, marca precisamente uma década desde o início da crise económica e financeira mundial, cujos efeitos fizeram-se sentir de forma profunda e prolongada em Portugal, tendo conduzido a uma forte contração da atividade e a uma subida do desemprego. Em resultado, em grande parte, do enorme esforço do nosso tecido empresarial, assistimos à recuperação da economia e a uma evolução muito positiva no mercado de trabalho, traduzida, nomeadamente na forte redução da taxa de desemprego. Para este ano prevê-se um aumento do PIB, em termos reais, de 2,3% e de 2,2% para 2019. É bom, mas é ainda muito pouco! É insuficiente para Portugal convergir rapidamente com o nível de desenvolvimento médio europeu – não podemos nem devemos negligenciar que, desde o início deste milénio, Portugal observou o terceiro pior crescimento económico acumulado, a seguir à Grécia e Itália. Para um melhor desempenho económico sustentável é fundamental prosseguir com a intensificação do processo de internacionalização da economia, elevando ainda mais o peso das exportações no PIB e atraindo investimento, nacional e estrangeiro, que permita, entre outros aspetos, inovar e, consequentemente, melhorar a produtividade. A evolução das exportações depende muito da capacidade competitiva das empresas. Os ganhos de quota de mercado alcançados são um claro sinal do reconhecimento da qualidade e diferenciação das nossas empresas nos mercados internacionais.

Quanto ao investimento, teremos que aproveitar a “onda positiva” que coloca Portugal entre os melhores destinos de investimento estrangeiro, segundo os resultados de um estudo da EY “EY’s Atractiveness Survey - Portugal”. Num ambiente globalizado e marcado por uma complexidade crescente e em acelerada mudança, o risco associado ao negócio empresarial é uma variável menos controlada pelas empresas. Aos habituais riscos associados à evolução do preço das commodities, das taxas de juro, das taxas de câmbio, do dinamismo dos mercados (abrandamento, recuperação lenta ou mesmo recessão), surgem (ou ressurgem) agora outros, como os “Cyber ataques”, o “Roubo e fraude de dados” (ambos potenciados pela “democracia digital”), o agravamento de tensões geopolíticas, as mudanças regulatórias e a adoção de medidas protecionistas a nível global. As incertezas são muitas. Por isso, como enfatizava o Professor Jorge Vasconcellos e Sá na brilhante intervenção que proferiu na 2ª Conferência Internacional da AEP, “Business On the Way”, realizada em novembro, “O melhor era não prevermos o futuro”. Porém, em termos de futuro, como foi apontado nesta mesma Conferência pelo Dr. Pedro Rodrigues, Adjunto do Secretário de Estado da Internacionalização, há quatro importantes desafios para Portugal: aumentar as exportações; aumentar o número de exportadores; diversificar os mercados; e alcançar maior valor acrescentado. Comungo totalmente quanto a tais desafios. O comércio internacional é uma fonte de ganhos de bem-estar global. Acredito que o País, em particular as empresas, com o envolvimento das associações empresariais, conseguirão mais uma vez responder à chamada. Este, é um dos meus desejos para 2019!

Paulo Nunes de Almeida Presidente da AEP


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CARONE

ESPECIALISTAS DA INOVAÇÃO

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Carone, marca líder na produção de artigos inovadores e de qualidade, no ramo da decoração e cortinados, continua a crescer e a apresentar soluções ímpares, abraçando novos desafios. Carlos Rocha e Ricardo Carvalho, gerentes da Carone, fazem um balanço da atividade e revelam algumas das diretrizes para novo ano que se avizinha.

O crescimento da Carone tem sido sustentado na qualidade e inovação dos vossos produtos. Que outros fatores têm contribuído para este sucesso? Ricardo Carvalho: A Carone tem apresentado uma curva ascendente quanto ao seu crescimento. Este ano, que ainda não está fechado, aponta para um crescimento na ordem dos 15 por cento, em comparação com o ano transato, muito devido aos trabalhos de âmbito setorial,

nomeadamente a hotelaria e os hospitais. O mercado da construção aumentou (em todo o país) refletindo-se no volume de encomendas que recebemos dos nossos clientes. Só não conseguimos prever quanto tempo vai durar este crescimento. Por isso, consideramos que é necessário ter muita cautela porque os mercados oscilam com frequência e preferimos crescer de forma sustentada e estruturada. Pretendemos crescer no mercado externo e na gama de novos produtos porque sentimos que temos de diversificar e apresentar novidades a um mercado que está cada vez mais exigente e seletivo. O facto é que o turismo veio ajudar a impulsionar o volume de vendas, devido ao aumento exponencial de novos hotéis e casas de alojamento local, como de imóveis particulares. A ampliação das vossas instalações irá trazer grandes mudanças. Quais serão as primordiais? Carlos Rocha: A principal alteração será a melhoria das condições de trabalho e de produção para os nossos funcionários. Com o tempo, iremos investir na renovação da maquinaria, tornando a produção mais moderna, otimizada e eficaz elevando, por seu turno, a qualidade, performance e durabilidade dos nossos produtos. A seu tempo, ponderaremos aumentar o número de funcionários, mas continuamos a debater-nos com o problema da falta de mão de obra. Por isso, faço o convite a quem quiser aprender uma arte, que estamos recetivos a receber candidaturas. Refere a falta de mão de obra como um problema recorrente. As funções que pretendem suprir exigem elevado grau de conhecimento e esforço físico? R.C.: As funções que pretendemos suprir exigem método, concentração e responsabilidade, a par com o desenvolvimento de capacidades manuais porque o material sai da fábrica com medidas específicas e é enviado tanto para locais próximos de nós, como para países distantes, nomeadamente Angola. Queremos empregar pessoas que querem trabalhar, damos formação e garantimos bom ambiente de trabalho. Uma das áreas em que temos ainda mais dificuldade em contratar é a da serralharia, mas havendo candidaturas, oferecemos

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ano, com dois jovens que estão a terminar os cursos de Engenharia Informática, na área da Domótica, e que pretendem desenvolver esta tecnologia em conjunto connosco. As vantagens são óbvias para ambas as partes, os jovens desenvolvem um projeto inovador, de raiz, de real aplicabilidade e nós garantimos o seu futuro profissional. O caminho da Carone vai continuar a ser no rumo da aposta nas camadas jovens, no desenvolvimento em tecnologia e de novos produtos com a marca Carone. Utilizaremos os canais de distribuição que temos para fazer chegar os nossos produtos aos clientes finais, fomentando e reforçando a marca Carone. RICARDO CARVALHO, CARLOS ROCHA E SOFIA ROCHA

a formação e ensinamos esta arte. Um dado interessante que temos vindo a constatar é que as pessoas que trabalharam durante muitos anos e que, por circunstâncias da vida, ficaram desempregadas ou se viram forçadas a mudar de área são as mais recetivas a aprender outra profissão e são os funcionários mais dedicados. Talvez pela experiência profissional e de vida, conseguem assumir facilmente outras funções com responsabilidade e empenham-se muito mais do que as pessoas que estão à procura de um novo emprego. A Carone apresentou um novo produto. Em que consiste e como surgiu esta inovação? C.R.: Um dos nossos instaladores obteve a informação de que seria necessário fazer a instalação de umas calhas em teto de pladur mas que estas não estavam disponíveis em Portugal e as que existiam (no mercado externo) ascendiam a valores extremamente elevados. Informados desta lacuna de mercado e sendo um cliente que detém uma parceria com um grupo hospitalar, com diversos edifícios espalhados pelo país, decidimos investir na criação e desenvolvimento de calhas para pladur e conseguimos apresentar o produto final – perfil e peças – em tempo recorde, um mês e meio. A parte de extrusão de alumínio respondeu em tempo recorde e nós também não poupámos esforços para cumprir os prazos que o cliente nos solicitou e, ainda, conseguimos entregar o trabalho antes de eles conseguirem montar a estrutura de pladur para instalarmos as nossas calhas. A calha para pladur da Carone já está devidamente testada e aplicada em, pelo menos, uma unidade hospitalar. A Carone prima por se manter na linha da frente na inovação e desenho de novos produtos. É essa a linha condutora que vos vai guiar nos próximos anos? R.C.: A Carone aposta na inovação e origina-

lidade de novos produtos, como aconteceu quando lançámos o sistema de onda perfeita nos cortinados. Temos a pretensão de nos aventurar num setor que acaba por estar ligado a nós: a domótica. Atualmente, já se encontram casas que oferecem comodidades aplicadas à iluminação, climatização, segurança, sistemas de abertura e fecho de janelas e cortinados, entre outras. Já tínhamos uma solução de domótica, que foi desenvolvida por uma empresa nacional, mas queremos apostar em produtos e desenvolvimento próprios. Entretanto, surgiu a hipótese de nos juntarmos, no início do próximo

A nova unidade irá, certamente, desempenhar um papel preponderante nesta nova componente... C.R.: Com a nova unidade poderemos pensar em apresentar projetos chave na mão. Será possível pensar numa moradia que precise de ser remodelada e aplicada domótica a todas as funcionalidades possíveis. Recentemente, tivemos um projeto de uma moradia, no distrito do Porto, em que uma parte é domotizada e, cada vez mais, assumimos como objetivo evoluirmos nesse sentido, satisfazendo as necessidades e evolução do mercado. Pretendemos receber novas ideias, desenvolver os produtos que possam vir a ter aplicabilidade e apresentar as novidades nas feiras e exposições da especialidade. O nosso nível de compromisso com o desenvolvimento é tão grande que, quando temos novas ideias, desenvolvemo-las, testamo-las e, se não funcionarem convenientemente ou como seria expectável, recomeçamos de novo e desenvolvemos outras até atingir a perfeição. Queremos ser líderes na inovação neste setor.

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TRANSPORTES SIMÕES & RODRIGUES

“A NOSSA DINÂMICA É A DE GARANTIR A PONTUALIDADE AO CLIENTE” A Portugal em Destaque esteve em Vila Nova de Poiares na empresa Transportes Simões & Rodrigues, Lda. que conta com 13 anos de atividade ao cargo de António Rodrigues e da sua esposa, Fernanda Simões. Em conversa, António conta que desde cedo esteve ligado ao ramo dos transportes através do seu pai.

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Trabalharam juntos e algum tempo depois António decidiu embarcar no projeto da transportadora a título pessoal com a sua esposa. Em 2005, abriu a empresa em seu nome e, desde aí, fez questão que a sua frota fosse exclusivamente de marca MAN, uma paixão que diz já ter desde miúdo. A empresa começou a ganhar forma e em 2013, através da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, a quem ainda hoje aproveita para agradecer o apoio prestado, conseguiu que lhe cedessem o terreno onde tem hoje o armazém e toda a parte logística que conta com uma frota de 17 camiões. A Transportes Simões & Rodrigues, Lda. especializou-se na Rota Ibérica, que liga Portugal a Espanha, mais concretamente a Saragoça e é lá que têm os seus clientes, uma opção tomada internamente e que fez com que a fidelização ao mercado ibérico ganhasse cada vez mais segu-

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rança e tivesse mais potencial. O forte das cargas que António Rodrigues e os seus 19 motoristas fazem é madeira de eucalipto. Em Portugal, fazem a recolha das cargas para levar a Saragoça e em Saragoça a mesma coisa, possibilitando assim o transporte das mais diversas mercadorias entre os dois países. Além dos 19 motoristas, a empresa conta ainda com dois funcionários especializados em mecânica que trabalham diariamente na oficina montada ao lado do armazém e que garantem as pequenas reparações e manutenção necessária à frota que a empresa possui. Além dos motoristas e dos mecânicos, a Transportes Simões & Rodrigues conta ainda com duas funcionárias no escritório, uma delas, Fernanda Simões, proprietária, que tratam de todos os assuntos que envolvem clientes, cargas, gestão de horários e pessoal, faturação, entre outros. Em conversa com a Portugal em Destaque, António garantiu que “os objetivos para 2018 foram cumpridos. Um dos problemas maiores deste ano foi a subida de combustíveis que não nos permitiu mexer nos preços dos serviços ao cliente para garantir a sustentabilidade da empresa”. No entanto, tem perspetivas risonhas para 2019 e ainda sem querer revelar muito sobre o projeto, garante que vai ser “uma alternativa aos transportes, uma forma de complementar o nosso trabalho” e continuar sempre com a qualidade que os diferencia dos concorrentes: a pontualidade do serviço. Explicou ainda que conseguem agilizar os horários das viagens – cerca de dez horas para cada lado – com o cliente e que isso os permite também garantir as horas de descanso aos seus

FERNANDA SIMÕES

motoristas, visto que uma das preocupações principais de António Rodrigues é proporcionar aos seus funcionários qualidade de trabalho, seja a nível de viaturas semi novas para os transportes, seja a nível de condições no próprio armazém para quando os motoristas chegam dos serviços. Para tal, a empresa tem uma cozinha equipada, sala de refeições, sala de convívio e ainda instalações onde os trabalhadores podem descansar e tomar banho no final dos serviços, o que acaba também por fomentar os laços, a produtividade e o bom ambiente entre os funcionários.


INSATEC

UM ‘MUST-HAVE’ COM ORIGEM NACIONAL

Must-haves para quem deseja fielmente acomodar as mais variadas peças ou artigos, os sacos de pano têm um propósito ambiental e uma utilidade imensa. Mais que uma solução rápida e fácil, os sacos de tecido podem ser verdadeiros artigos de moda personalizados. A Portugal em Destaque apresenta-lhe a Insatec, uma empresa de cariz familiar especializada na produção de sacos de tecido para calçado, jóias, marroquinarias, entre outros.

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Se outrora interessavam principalmente para transportar produtos de grande consumo, hoje em dia transformam-se em verdadeiros acessórios de moda, especialmente para quem pretende personaliza-los de acordo com o seu negócio. Os sacos de pano estão cada vez mais em voga. Surgem com vários tipos de estampados, tecidos, logótipos, confecionados de acordo com os detalhes exigidos pelos clientes. Aliás, são várias as finalidades de um saco de tecido. Este artigo pode ser utilizado para acomodar jóias, vestuário, calçado, entre muitos outros. No mercado desde 1991, a Insatec, empresa familiar são-joanina, é especialista na produção destes artigos, de forma personalizada e com entrega garantida. Componentes de calçado e artigos de moda com unicidade artística e multiplicidade de escolha Lino Armando Dias reconheceu a potencialidade do setor que hoje gere. A Insatec, que começou por se nominar NOVAGA (sendo nessa época especialista em serigrafia em vidro, espelho e desenhos em pinturas a pincel) é ,atualmente, uma empresa reconhecida na confeção industrial de componentes de calçado e artigos de moda.

O casal de São João da Madeira, Maria Duarte e Lino Dias, é um arquétipo do empreendedorismo. O que começou numa cave rapidamente tomou outras dimensões. A vasta experiência de Maria Duarte na costura, e a aptidão e competência comercial de Lino Dias formaram a combinação perfeita na génese da Insatec. Atualmente, a empresa são-joanina conta com a colaboração de experientes especialistas nas áreas da estamparia, corte, costura e acabamentos. Profissionais que garantem a qualidade do produto final, seguindo sempre as pretensões dos clientes e segundo elevados parâmetros. As possibilidades são infinitas: os sacos de tecido podem ter centenas de padrões, frases, desenhos e tecidos que combinam com os mais distintos desejos ou especificações. No que diz respeito às calçadeiras, a aposta está na inovação. As calçadeiras são artigos que o cliente pode, de igual forma, personalizar de acordo com o seu negócio. Esta ferramenta, utilizada para ajudar a calçar sapatos, é concebida através da mais recente tecnologia e toma as mais diferentes formas. Na Insatec todos os artigos são fabricados segundo a intenção do cliente. A multiplici-

dade de escolha e a unicidade artística são características presentes em qualquer artigo assinado pela Insatec. Produto 100 por cento português Perita na criação de um produto que costumava ser adquirido sobretudo através da

MARIA DUARTE

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importação, a Insatec destaca-se no mercado atual pela qualidade dos materiais, pela atenção ao detalhe e pela enorme adequação ao cliente. Toda a matéria-prima utilizada pela Insatec tem origem nacional. A Insatec trabalha com cerca de três fabricantes, cada um com a sua tarefa. “Temos um fabricante de tecido, um cardador que faz as cargas das flanelas e depois temos o tintureiro que dá a cor ao tecido”, garante Maria Duarte. A empresária continua explicando: “quando o tecido chega aqui, vem pronto a trabalhar. O tecido já foi escolhido no fornecedor e encaminhado para o tintureiro. A costura e o estampado constituem a fase final”. Fornecedores nacionais são a escolha do casal que gere a empresa de São João da Madeira. Reconhecendo a qualidade do produto fabricado em terras lusitanas, Maria Duarte e Lino Dias mantêm os mesmos fornecedores desde os primórdios do negócio. Neste sentido funciona o cariz familiar da empresa: fieldade e compromisso são os fatores que circunscrevem a dinâmica da empresa. De São João da Madeira para qualquer localização. Depois de completo todo o processo que origina componentes de calçado e artigos de moda

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“Quando o tecido chega aqui, vem pronto a trabalhar. O tecido já foi escolhido no fornecedor e encaminhado para o tintureiro. A costura e o estampado constituem a fase final”

personalizados, a Insatec assume o compromisso de entregar os artigos em qualquer localização do país. Apesar de ter sido sujeita a um processo de internacionalização, através da estreita colaboração com muitos dos clientes (clientes que trabalham com mercados internacionais como a Suíça, França, Inglaterra, Dinamarca, Canadá, Espanha, Polónia, Angola e Estados Unidos da América), a Insatec continua a considerar o mercado nacional como o mais relevante. Por esse motivo, a empresa da região norte de Portugal garante a entrega dos artigos, independentemente da distância e a tempo útil, a todos os clientes. Há 27 anos no Mercado São 27 anos que articulam a história da Insatec. O planear a longo prazo, a inovação permanente, uma equipa capaz e comprometida, produtos de qualidade, proximidade com o cliente e a dinâmica familiar são alguns dos fatores que contribuem para a longevidade da empresa. Apesar das dificuldades que foram surgindo ao longo de 27 anos, a Insatec sempre conseguiu vingar no mercado, demonstrando um crescimento sustentado e constante. Um futuro promissor. O balanço de 2018 “Tivemos um razoável cres-

cimento a nível nacional em principalmente, internacional”. Começa por nos elucidar Maria Duarte. Questionada sobre 2019, a resposta é clara “queremos continuar a elevar e a melhorar o nosso ‘ritmo’ corrente, de modo a não haver quebras na procura, produção e qualidade do nosso trabalho”. Os projetos incluem ainda a mudança para novas instalações, “pois as atuais estão a tornar-se insifuciente para o nosso contínuo crescimento, tanto a nível de matéria prima como de equipamento”. Prevê-se um 2019 pautado pelo sucesso!

Rua D. Afonso Henriques 696, 3700-027 São João Madeira • Telefone: 256829894 | 256 868 376 | 966 867 773 E-mail: insatec.lda@sapo.pt

www.insateclda.com

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ÁGUAS DO ALGARVE

ÁGUA: UM RECURSO NATURAL E ESSENCIAL À VIDA Todos sabemos que a água é um bem imprescindível nas nossas vidas, mas ainda existe receio em consumir água da torneira. Desde 2016, Joaquim Peres assume a presidência da Águas do Algarve para ajudar a garantir a qualidade e a certificação da água, nunca esquecendo a criação de projetos que se tornam numa mais-valia para os algarvios.

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O que o motivou a aceitar o desafio de estar à frente da Águas do Algarve? A vinda para o Algarve deu-se pela seguinte simbiose: aceitar um desafio interessante e porque o Algarve nesta área, quer no fornecimento de água quer no saneamento, tem problemas e desafios extraordinariamente bons para se poder aceitar. O Algarve é a única água certificada em Portugal. É preciso dar às pessoas um produto bom para que possam consumir água da torneira sem problemas. Temos feito a divulgação dessa mensagem através de provas cegas, ou seja, apresentamos água de várias origens e analisamos que há uma percentagem muitíssimo significativa da população que escolhe a água da torneira, porque tem realmente qualidade. Estas provas são feitas em escolas, Câmaras, praias em campanhas de verão e consideramos que cada vez mais é importante reforçar a mensagem de que a água da torneira é boa e é um produto de qualidade sem receios. O papel das ETARS é imprescindível para que haja água certificada na região? Sem dúvida. As ETARS são fundamentais. Depois da situação de seca que houve em 2005, tivemos a possibilidade de construir a barragem de Odelouca e a partir daí o conjunto de Odelouca e Bravura e Odeleite e Beliche resultaram em duas fontes de abastecimento de água superficial que são capazes de poder fornecer, em situação normal, água por todo o Algarve. Mesmo quando há falta de água de um dos lados, temos uma estação elevatória reversível que consegue colocar a água do barlavento no sotavento e vice-versa. Este fornecimento vem ser complementado com as águas profundas que podemos retirá-las de um dos furos. Essas águas eram a única fonte de fornecimento de água para a região. Já os aquíferos foram quase esgotados. Isto aconteceu antes de 2005 e posteriormente essa situação foi resolvida. Hoje os aquíferos estão com saúde e são mantidos em observação e em análise. Também é feita a recolha das amostras da água e a manutenção dos equipamentos que são necessários para que numa situação de emergência estejamos preparados para atuar. Por outro lado, é feita uma mineralização da água através de um ‘blend’ destas origens que resultam num ótimo produto. Porque é que a população deve beber água da torneira? Ao contrário das águas engarrafadas em plástico, a nossa água desde

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que é produzida até que é consumida tem um espaço de 16 horas. Neste sentido, existem questões ambientais importantes que são os vasilhames e também o lado económico em que um garrafão de água é mais caro do que 200 garrafões de água da torneira. A água deve ser utilizada de uma forma inteligente e nessa medida podemos reutilizar a água que sai das nossas ETARS, nomeadamente no campo da produção de energia, mas também para regas em vários setores. Temos estabelecido protocolos com campos de golfe para que a rega possa ser utilizada. Ainda na parte ambiental, temos a questão das lamas. Existem várias possibilidades para utilizar lama, tal como produzir compostos para a agricultura, possibilidade de fazer um aproveitamento para aquecimento (pellets), produção de energia (gás, biogás), ou seja, existe um conjunto de várias possibilidades. Conseguimos criar condições para que nas duas ETARS que foram concluídas agora deixemos espaço para fazer estufas para secagem solar dessas mesmas lamas. Que objetivos definiram para a proteção do meio ambiente? Tudo começa pela energia, ou seja, o tratamento das águas necessita de muita energia. Uma vez que no sul do país se verifica uma situação de muito sol, construímos duas centrais fotovoltaicas na ETA de Alcantarilha e na ETA de Tavira para que seja possível consumir energia sem custos tão elevados. No que diz respeito à questão dos plásticos, temos uma campanha de educação ambiental para que as crianças e os adultos se vão habituando à situação. Este ano queremos superar o plástico que existe nos oceanos e queremos que haja um ensinamento em todas estas áreas. Temos uma campanha que vamos desenvolver com restaurantes da região que tem como objetivo deixar garrafas de plástico de lado e fornecer garrafas nossas de vidro, tendo sempre a preocupação de que as pessoas consumam água da torneira sem medo. Que balanço faz de 2018? 2018 foi para a Águas do Algarve um ano sensacional. Para além dos vários projetos que concluímos, vamos iniciar uma obra fundamental: o reforço da capacidade de tratamento da ETA de Alcantarilha. Outro acontecimento importante foi a negociação de um acordo de trabalho com todos os colaboradores por parte do grupo Águas de


Sede: Rua do Repouso, nº 10
, 8000-302 Faro Telf.: +351 289 899 070 | E-mail: geral.ada@adp.pt

www.aguasdoalgarve.pt

Portugal. Ao fim de nove anos foi possível estabelecer um acordo coletivo de trabalho. Desta forma, só podemos recordar que foi um ano bastante positivo. O que perspetivam para 2019? Para 2019 teremos mais desafios. O primeiro é a ETA de Alcantarilha

que vai ser concluído no próximo ano. Haverá também a possibilidade de um novo contrato de conceção que irá ser feito com as Câmaras e que será útil para todos. Queremos criar as sinergias necessárias para que tudo funcione da melhor forma. Por fim, quero agradecer a todos aqueles que possibilitaram a concretização destes projetos e ao papel dos trabalhadores que se revela essencial.

JOAQUIM PERES

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ALGAR

ALGARVE: UMA REGIÃO AMBIENTALMENTE DESENVOLVIDA

TELMA ROBIM

Em 1995 nasce a Algar, integrada numa estratégia nacional com a missão de contribuir para a estruturação do setor dos resíduos urbanos (RU) em Portugal. A Portugal em Destaque esteve na empresa à conversa com Telma Robim, presidente da Comissão Executiva, para compreender um pouco sobre a empresa e sobre o mercado em que se insere.

“Em 1995 existiam 22 lixeiras na região sem qualquer controlo ou medidas de proteção para o ambiente. Recorrendo-se às mais variadas tecnologias, a empresa viria a viabilizar o tratamento e valorização dos RU de forma sustentável, economicamente viável, contribuindo para uma melhor qualidade do ambiente”, explica. 23 anos passados, existem já muitas diferenças. Hoje é “uma empresa com grande representatividade na região, com cerca de 300 trabalhadores e está presente em todos os municípios do Algarve”. A resposta é eficaz para os 450 mil habitantes e para os milhares de visitantes que o Algarve acolhe. Como é expectável, o mês de agosto é a época do ano com mais trabalho e que requer mais flexibilidade, mas contam já com equipamento e parcerias que permitem manter a qualidade do serviço todo o ano. O ano de 2018 foi marcado pela instalação de 52 INOVAÇÃO

“Este ano foi lançado o Programa Ecovalor, tem como objetivo promover boas práticas ambientais em estabelecimentos de ensino, premiando aquelas que apresentarem melhor desempenho na separação das suas embalagens usadas”

740 ecopontos novos que representam um aumento de 30 por cento da rede de contentorização. A Algar é responsável pela recolha dos ecopontos disponibilizados à população para a deposição seletiva. “Temos uma capitação muito elevada em relação à média nacional, cerca de 70 quilos/habitante. Para ter a noção do que este valor significa exemplificamos com as metas do PERSU 2020 que rondam os 45 quilos/ habitante. O Algarve já superou largamente o objetivo, mas a média do país também conta com o bom desempenho da nossa região”, refere Telma Robim. Para além da atividade de recolha seletiva, a empresa faz o tratamento dos RU em aterro, onde também é captado o biogás gerado e transformado em energia, que é depois injetada diretamente na rede elétrica nacional, também valoriza a componente or-

gânica dos resíduos, produzindo composto, o qual é utilizado na agricultura como corretivo orgânico dos solos. Os fatores principais do sucesso são a flutuação do número de habitantes (“a população recenseada aponta para os 450 mil habitantes, mas a nossa realidade diz-nos que a população média ronda os 750 mil habitantes”) e a preocupação ambiental enraizada na população. “Acreditamos que o turismo é uma motivação forte para que todos os players da região, como os municípios, as escolas, a restauração e hotelaria, apostem na questão ambiental”.


A sensibilização ambiental da população (residente e flutuante) tem sido uma das grandes apostas da empresa. Regularmente são desenvolvidas campanhas de sensibilização na região. Uma das iniciativas é o Programa Eco Evento destinado a entidades promotoras de eventos, atividades desportivas, festivais e feiras. “Participamos e tornamo-nos parceiros em vários ecoeventos com o objetivo não só de passar a mensagem como convidar as pessoas a participarem ativamente reciclando”. É junto das escolas que apostam na formação dos mais novos. “Este ano foi lançado o Programa Ecovalor, tem como objetivo promover boas práticas ambientais em estabelecimentos de ensino, premiando aquelas que apresentarem melhor desempenho na separação das suas embalagens usadas”. Caminhar lado a lado com a inovação e com o desenvolvimento tem sido também uma mais-valia para a empresa. “Somos parceiros num projeto de inovação para tratamento dos afluentes produzidos no aterro, os lixiviados, utilizando microalgas. Na natureza existem vários tipos de organismos e seres vivos que se alimentam das mais diversas matérias e utilizamo-las a nosso favor, neste caso, para ajudar a limpar as águas residuais”. Os equipamentos técnicos também têm evoluído para se adaptarem melhor às necessidades do setor. O trabalho da empresa, desenvolvido ao logo destes anos já está a gerar frutos. “A setembro do presente ano, os resíduos indiferenciados (não recicláveis) não apresentaram crescimento se comparados com o período homólogo. No entanto, a taxa dos resíduos recicláveis (embalagens de papel/ cartão e embalagens de plástico/metal) apresentaram um crescimento na ordem dos 10 por cento. Isto significa que a população começou a separar mais os resíduos recicláveis”, explica. No entanto, ainda existe um longo caminho a percorrer. Os maiores entraves que enfrentam é o uso do plástico. “ Achamos que somos dependentes do plástico e não conseguimos viver sem o plástico e temos de encontrar alternativas. No dia em que o consumidor responsavelmente disser: ’eu não quero este produto’, ele deixa de existir. Tem que haver quem compre, o consumidor é determinante”, explica. Os planos para o futuro próximo já estão em andamento. “Temos um planea-

mento na ordem dos 32 milhões de euros, que entre outros projetos inclui construir uma Central de Tratamento e Triagem de RU , para desvio da deposição de resíduos em aterro”. Continuar a inovar, a aumentar a rede de ecopontos e a realizar parcerias com entidades que apoiam as questões ambientais fazem também parte do plano. Já estão associados a diversas campanhas, a ‘Missão Eletrão’ a favor dos Bombeiros, a ‘Separar para Alimentar’ com o Banco Alimentar e ainda campanhas que se destinam ao encaminhamento das ‘Tampinhas + garrafas/garrafões de plástico’ a favor da Associação Oncológica do Algarve e da Cruz Vermelha.” . O caminho ainda está longe de estar terminado, mas o balanço dos anos de atividade é positivo e deixa a vontade de continuar o processo de tornar o Algarve numa “região ambientalmente desenvolvida”.

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EQUESTRIAN CENTRE VILAMOURA

VILAMOURA CHAMPIONS TOUR 2018

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“Pelo sexto ano consecutivo trouxemos a Vilamoura mais uma edição do Vilamoura Champions Tour, rota equestre internacional inaugurada em 2013 e que, desde então, tem vindo a ganhar um lugar cimeiro como destino de preferência europeia para a prática da modalidade. Esta edição tivemos um aumento de quatro para seis semanas de competição, entre os dias 27 de setembro e 8 de novembro. Todos os anos preocupamo-nos em melhorar ainda mais a qualidade do evento, o que se revela num grande esforço financeiro, mas frutífero para o nosso sucesso como, por exemplo, o investimento numa nova pista de relva. Por isso, decidimos subir a fasquia e fazer todas as semanas concursos de três estrelas dotados de 770.000 euros no total, o que provou ser uma boa aposta, visto que a adesão foi imediata de tal forma que tivemos com lotação esgotada. Nesta edição, que já provou ser um êxito, contámos com 1.000 cavalos e cerca de 450 cavaleiros de grande nível provenientes de 35 nações dos vários cantos do mundo. Durante seis semanas os cavaleiros tiveram provas diárias, 20 delas a contar para o ranking mundial Longines. Para além da aposta num programa forte, a nossa grande prioridade foi o bem estar dos cavalos, cavaleiros, sponsors, familiares, visitantes, etc..., pois todos eles são cruciais para o nosso sucesso. - 1.000 cavalos, dos quais 200 portugueses, chegaram a Vilamoura no dia 25 de setembro ficaram até 8 de novembro no Vilamoura Equestrian Centre; - Mais de 770.000 euros em prize money foram atribuídos ao longo das 24 provas que decorreram durante seis semanas de competição. - Evento Equestre com impacto de 21 milhões de euros na economia, e mais de 100.000 dormidas na região de Vilamoura naquela que é considerada a época baixa. O Vilamoura Champions Tour é o momento mais importante do

ANTÓNIO MOURA

ano para o desporto equestre nacional e o maior na modalidade a nível internacional.” explica António Moura, CEO do Vilamoura Atlantic Tour, acrescentando ainda que “o Champions Tour não é apenas um evento equestre, mas o importante agente económico, pois dinamiza a região do Algarve através do turismo num época considerada baixa.” O impacto económico do evento na região está estimado em 21 milhões de euros, contando com vários milhares de visitantes que terão um impacto direto nas dormidas nos alojamentos algarvios, mais de 100.000 ao longo das seis semanas de competição, assim como nos restaurantes e restante comércio da região”.

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info@vilamouratour.com Contacto: +351 960 308 299

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METALOPLÁS

QUALIDADE, RIGOR E CONFIANÇA

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Quais são as valências desenvolvidas pela Metaloplás nos seus mais de 30 anos no mercado e como se distinguem da concorrência dentro do setor? Desde a sua fundação, a Metaloplás trabalha com chapa metálica, arame e varão, para a produção de componentes. Fornecemos os mais diversos setores de atividade, desde o setor do calçado, até componentes para a construção civil ou o setor automóvel. Como acompanham as exigências do mercado atual, muito competitivo e exigente? A estratégia da Metaloplás passa por manter um parque de máquinas e equipamentos atualizado com a tecnologia mais recente. Para além disso procuramos assegurar recursos humanos como

elevado know-how. Desta forma, estaremos capacitados para responder de forma rápida e eficaz aos desafios cada vez mais exigentes dos nossos clientes. Por outro lado, estamos habilitados para oferecemos aos nossos clientes, atuais e futuros, soluções cada vez mais abrangente. Ou seja, podemos desenvolver a solução, assegurar a sua produção e responder de acordo com necessidades do cliente, integrando cadeias JIT se necessário. O que podemos esperar do futuro da Metaloplás? Ou seja, quais os projetos que a empresa ambiciona concretizar? A Metalopás continuará a trabalhar de forma a garantir relações duradouras com os seus clientes. Nesse processo evolutivo, irá integrar parcerias com alguns desses clientes para o desenvolvimento de novos componentes. Por outro lado, ambicionamos alargar a atual base de clientes em especial no que concerne os componentes em varão.

Rua do Alto de Vale Pereiras | 3730-415 Vale de Cambra Tlf.: (351) 256 463 586 | Email: geral@metaloplas.pt www.metaloplas.pt

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IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO

Após a crise imobiliária que o país atravessou, Portugal está atualmente numa fase ascendente das áreas da construção e da venda e arrendamento. Apesar de o fantasma da especulação imobiliária ainda pairar neste setor, os especialistas reconhecem que os investimentos estão a ser feitos com mais segurança, quer por parte dos clientes compradores, quer por parte das entidades bancárias, que serão os financiadores da aquisição. Neste momento, assiste-se novamente a uma necessidade de casas, quer para aquisição, quer para arrendamento, e a construção está novamente em expansão. De Norte a Sul do país, as empresas de construção civil que resistiram à crise voltaram a laborar e o renascimento do mercado obriga também a uma atualização, no que respeita a materiais e formas de construção. Os novos materiais, de início olhados com alguma desconfiança, estão a começar a ser reconhecidos enquanto mais-valias para a construção e a população voltou a querer adquirir uma habitação própria, ainda que de forma mais responsável. A revista Portugal em Destaque foi perceber como estão a funcionar estes dois setores, que impulsionam fortemente a economia e traz-lhe exemplos de como estão as duas áreas empresariais.

Quinta de

São Tadeu Boutique Guest House Rua Carlos Massett s/n, 2719-221 Sintra Tlm.: 915 759 691

A Quinta de São Tadeu é, sem dúvida um retiro deslumbrante, cujo entorno e arquitetura nos transporta para o requinte e atmosfera do século XVIII. Localizada num entorno privilegiado, no Parque Natural Sintra-Cascais, património mundial da UNESCO, estamos só a 2Km do Centro Histórico de Sintra e a 7Km das fantásticas praias Atlânticas. Esta propriedade, um palacete familiar com mais de 250 anos de história, é, sem dúvida, uma opção única para disfrutar da beleza do entorno natural e de uma casa totalmente recuperada, onde todos os detalhes foram pensados minuciosamente para conservar o encanto de outrora, sem perder de vista o conforto e comodidade da época atual. Uma fabulosa coleção de móveis familiares, tapeçarias e belíssimos azulejos pintados à mão são alguns dos elementos que fazem deste alojamento um espaço único para tornar cada evento, ou estadia, uma experiência memorável. Quer se trate de um casamento, batizado, um retiro, uma festa ou simplesmente uma reunião de negócios em Sintra, a Quinta de São Tadeu dispõe de um fabuloso salão, românticos jardins e vistas panorâmicas para a serra, que garantirão o sucesso do seu evento.


FCC ARQUITECTURA

FOTO: BRUNO BARBOSA

ARQUITETURA: UMA GRANDE ALIADA DO TURISMO E DA PAISAGEM Para os leitores assíduos, o gabinete FCC Arquitectura, localizado em Felgueiras, não será de todo estranho. Após um ano, a Portugal em Destaque volta a conversar com o proprietário, Fernando Coelho, para entender o que mudou numa época tão propícia ao desenvolvimento da arquitetura em Portugal.

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FERNANDO COELHO E ANA LOUREIRO

Com mais de 15 anos de experiência, Fernando Coelho e a sua sócia Ana Loureiro têm vindo a dar cartas no ramo da arquitetura. 2018 foi um ano de mudanças. “Este último ano deu-nos um novo espaço, que foi importante para termos mais área de trabalho e para reforçarmos a equipa”. Para além dos sócios, a empresa conta ainda com o excelente trabalho de Sérgio Silva, Luís Vieira, Diana Teixeira e ainda Paula Sampaio. Com estas 60 IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO

mudanças, passou a ser possível aceitar mais projetos e de maior dimensão. No momento atual, a FCC encontra-se envolvida em seis projetos no ramo da hotelaria que tem sido dos maiores desafios. “Este ano, estamos a fazer dois hotéis que são um desafio para nós. Não propriamente a nível de escala, mas a nível de estruturas e terrenos mais desafiantes. Um deles, na ilha do Pico e o outro na ilha de São Miguel, precisamente nas furnas”, explica. O arquiteto fala com entusiasmo do segundo projeto pela sua diversidade e complexidade. “O terreno é numa calota vulcânica com diferenças de cotas incríveis e com vista panorâmica. São mais de 400 metros

de diferença desde o ponto mais alto ao mais baixo. O hotel vai ser encaixado na escarpa com zonas suspensas. Um projeto desafiante que achamos que vai ser uma mais-valia para a Ilha”, conta. Edifícios de cortar a respiração que acrescentam beleza ao local sem ferir a natureza. É este o lema de todos os projetos em que se envolvem. “Primeiro está o terreno e depois vem a arquitetura. A arquitetura tem de se adaptar ao local e integrar-se de forma natural na paisagem”, explica. A escolha recorrente dos Açores prende-se muito com essa ideia de aliar um turismo de paisagem com uma construção que não seja um ruído, mas sim uma mais-valia para o local onde se insere. Este tipo de turismo


FOTO: BRUNO BARBOSA

Para além da excelente capacidade de construção em sítios únicos sem os ferir, tem também a capacidade de construir em pequenos centros não turísticos e atrair turistas que vem só pelas suas obras

é cada vez mais procurado não só por turistas de idade avançada, mas sim por jovens e por turistas de gama alta. Para além da excelente capacidade de construção em sítios únicos sem os ferir, tem também a capacidade de construir em pequenos centros não turísticos e atrair turistas que vem só pelas suas obras. “A arquitetura traz turismo. Há imensos projetos que atraem turismo para as regiões. No nosso caso, o hotel Monverde, na Lixa, vem trazer turistas para uma região que não tem oferta turística. O Monverde é um caso de sucesso, não só pelo nosso trabalho, mas por toda a equipa que faz do Monverde o que ele é. É um dos casos em que a arquitetura fez o local”, explica. Um projeto premiado e que tem vindo a conquistar o público mundial. O sucesso é tal que se encontram a aumentar o hotel em mais 15 quartos, mais luxuosos, para corresponder a uma gama alta. A arquitetura traz turismo e, consequentemente, traz emprego e dinamiza as localidades economicamente e socialmente. Parece impossível eleger o projeto preferido no meio de tantos projetos com potencial e bem-sucedidos. Existem coisas comuns a todos como é o caso do processo. Fernando Coelho explica que “a arquitetura tem uma parte muito criativa e uma parte muito técnica. A parte criativa

FOTO: FERNANDO GUERRA

não se aprende e é perante uma folha em branco que as ideias surgem. A parte mais técnica, essa sim, é estudada nos cursos e aperfeiçoada com experiência”. Ainda sem se render à tecnologia, o proprietário é o criativo da equipa. É com uma folha em branco que a sua criatividade nos transporta para os mais incríveis projetos. Com a ajuda da sua equipa moderniza e apresenta ao cliente os projetos em 3D. Refere ainda que “a tecnologia não é o início, mas é fundamental para o projeto final e ajuda a prender e a cativar o cliente”. É na burocracia que vê o maior problema do ramo da arquitetura. Deixa a sua opinião bem clara sobre este assunto: “eu concordo que é necessário existirem regras e, acima de tudo, processos formatados. O que não é admissível é que estes processos sejam tão morosos que estejam a ser um entrave à economia nacional e um impedimento para os investidores estrangeiros. Para além de que as regras deviam ser iguais para todos, porque não faz sentido num país tão pequeno, que cada autarquia tenha uma forma diferente de atuar”. Os projetos de sonho continuam a existir, apesar de já não serem os mesmos. “Os projetos de sonho vão mudando. Ao longo da carreira vamos conquistando sonhos e aparecem novos. No início talvez fosse fazer uma igreja, mas já realizei esse sonho. Neste momento, gostava de desenhar uma ponte. O desafio era mais para os engenheiros porque quando penso nisso imagino uma obra com o mínimo de impacto possível na paisagem”. Imensos projetos a decorrer a velocidade cruzeiro fazem de 2018 um ano que supera as expectativas. Sem planos, mas com vontade de corresponder às exigências dos clientes e alcançar as metas pessoais, é assim que Fernando Coelho olha para o futuro da FCC.

FOTO: FERNANDO GUERRA

Rua do Monte das Ruas, nº 9 | 4610-265 FELGUEIRAS - PORTO • Tel. +351 255 165 168 Tlm. 96 470 80 79 | 91 331 75 52 Email: arq.castrocoelho@sapo.pt • Email: atelierdearquitectura@yahoo.com • www.fc-arquitectura.com

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PRESTITI IMOBILIÁRIA

PAIXÃO PELA COMERCIALIZAÇÃO DE IMÓVEIS Fundada em 2005 e sediada em Guimarães, a Prestiti Imobiliária tem sido uma referência a nível nacional e tem conseguido ultrapassar fronteiras. A Portugal em Destaque esteve à conversa com Rui Abreu e com a Soraia Baptista, fundadores da empresa, para perceber o crescimento no mercado imobiliário e descobrir o que os distingue num setor tão competitivo.

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Desde 2005, a Prestiti Imobiliária é a escolha certa pela imagem associada ao requinte e ao conforto dos imóveis. Para os fundadores, estes 13 anos representam um longo percurso em que encontraram no ramo imobiliário um motivo de orgulho. A ética, seriedade e competência são alguns dos valores pautados pela empresa, que preza por um acompanhamento personalizado em que atingir nichos distintos é um dos grandes motes. Não é por caso que o lema da Prestiti Imobiliária se centra na preocupação com o bem-estar e com a felicidade do cliente todos os dias do ano.

RUI MIGUEL

Aposta em novos serviços Para além da Mediação de compra, venda e arrendamento, a Prestiti Imobiliária juntamente com os seus parceiros tem serviços

SORAIA BAPTISTA

Rua da Unidade Vimaranense,126-E 4810-026 Guimarães Tlf.: 253 431 993 Tlm.: 935 263 054 / 925 330 490 Email: info@prestiti-imobiliaria.com

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de arquitetura, certificação energética, design de interiores, serviços de limpeza, obras, soluções de crédito e seguros. Assim, é possível otimizar os próprios serviços e oferecer um tratamento diferenciado. Atualmente, ao contrário daquilo que se passava durante a crise, em que o arrendamento era a prática mais comum, a compra de imóveis tem sido o serviço com mais procura. As “rendas estão mais altas e não há intermédio. Há pouco arrendamento”, sendo que a maioria dos clientes são de classe média/ alta, jovens e investidores. O conceito chave na mão é um dos serviços utilizados pela empresa. Segundo Rui Abreu, “é o conceito de arquitetura em que o ter-

reno e o imóvel são as palavras-chave destes projetos, onde o cliente não tem que se preocupar com o processo, é serviço perfeito para quem não tem tempo e disponibilidade. Proporciona ao cliente um serviço total quando pretender construir a sua moradia que sempre sonhou. Após o cliente ter feito a escritura e pegar na chave, não queremos ficar por ai, pretendemos e queremos que uma amizade dure para sempre ”. Questionados sobre a área da reabilitação urbana, os interlocutores afirmam que, nos dias de hoje, ainda é um mercado bastante canalizado para as cidades de Lisboa e Porto. Apesar disso, acreditam que a reabilitação aos poucos começa a ter mais força em Guimarães. “Não temos tido muito contacto. É um mercado que se está a abrir em Guimarães”, explicam. Qualidade além-fronteiras Neste momento, o norte pode estar um pouco abaixo dos valores de mercado em comparação ao sul, mas isso já começa a mudar. Guimarães está cada vez mais associada à qualidade de vida e à segurança, fatores que distinguem a cidade. A “única especulação são os valores de mercado que atingem patamares elevados”, sublinham. Porém, o fator qualidade/preço também conta e é primordial para existirem esses valores, daí os clientes estarem dispostos a pagar tanto por um imóvel em Guimarães. O resultado é um mercado cada vez mais atento e exigente. Este comportamento é observado também por estrangeiros (França, Inglaterra e Brasil) que procuram os serviços fornecidos pela Prestiti. A aposta neste nicho de mercado tem expandido com a mobilização e com a preocupação em relação à imagem de marca da empresa. Perspetivas para 2019 De forma a serem uma imobiliária prestigiada, Rui Abreu e a Soraia Baptista têm diversas parcerias para otimizar o negócio e para garantir a confiança e a satisfação do cliente. Para o futuro, existem muitos desafios a serem concretizados. Empreendedorismo é a palavra de ordem numa casa que perspetiva crescer e investir noutros espaços tanto em Guimarães como noutras cidades.


GARANTIDAMENTE, O ÚNICO CLICHÉ QUE ADORAMOS. A ERA Portugal e os seus mais de 2200 Agentes desejam-lhe o melhor Natal e um excelente Ano Novo. É um cliché, sabemos disso, mas também sabemos que é na partilha e no sucesso de todos os nossos clientes e parceiros que temos a melhor garantia de fazermos ainda mais e melhor em 2019.

facebook.com/eraimobiliaria

era.pt XXXX 63


RE/MAX ORIGEM

ESPECIALISTAS NO SETOR IMOBILIÁRIO DO OESTE Ernesto Nogueira e Margarida Lopes são os administradores do grupo Origem, composto pela RE/MAX Rainha, localizada nas Caldas da Rainha, RE/MAX Mosteiro, em Alcobaça e RE/MAX Clássica, em Porto de Mós. Em entrevista, os brokers desvendaram a fórmula que está por detrás do sucesso deste grupo.

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O início do vosso caminho foi pautado por altos e baixos, até formarem o Grupo Origem. Contem-nos como tudo começou. Margarida Lopes: Tudo começou em Alcobaça, de onde eu sou natural – o Ernesto Nogueira é de Lisboa – que foi onde começamos a trabalhar, como consultores imobiliários. Trabalhámos como agentes na RE/MAX Mosteiro, eu desde maio de 2004 e o Ernesto desde setembro de 2005, até que, em 2008, surgiu a oportunidade de assumirmos a gerência da agência. Os primeiros tempos não foram fáceis, mas não baixámos os braços e continuámos a trabalhar para atingir os nossos objetivos. Atualmente, detemos o grupo Origem e o que nos distingue é a forma como lidamos e trabalhamos com as pessoas. Procuramos manter sempre a proximidade quer com o cliente quer com a nossa equipa. No fundo, é essa a nossa identidade: as pessoas. Entretanto adquiriram outra agência, em Caldas da Rainha, e ainda fundaram uma de raiz... Ernesto Nogueira: Tomámos conhecimento

de que uma das agências mais antigas da RE/MAX estava disponível para venda. Analisámos o negócio e, em 2017, decidimos assumir a gerência da RE/MAX Rainha, em Caldas da Rainha, o que representou o primeiro passo para formarmos um grupo de agências. Já em setembro deste ano, abrimos a RE/MAX Clássica em Porto de Mós. A RE/ MAX Rainha estava a atravessar um período de baixa produtividade, muito aquém do seu potencial. A ideia era dinamizar o projeto, trazer sangue novo, novas ideias, aumentar a equipa e fazer a casa crescer. Somatório que tem funcionado, porque estamos a ter resultados fantásticos ao nível do concelho e de toda a região, cobrindo os mercados de Óbidos, Bombarral, Cadaval e Peniche. A decisão de abirmos a agência de Porto de Mós foi no seguimento da linha de expansão que pretendíamos dar às nossas agências. Há mercado para as três agências? M. L.: O mercado está numa fase crescente e positiva. Sem dúvida que a flexibilidade e a abertura da banca vieram contribuir para o reforço da confiança, por parte do consumidor, e aumentar o investimento nacional. No que respeita ao investimento internacional, este tem crescido muito, principalmente no que concerne ao mercado francês. O mercado nacional opta pela compra (continua a ser um investimento mais seguro), embora o mercado do arrendamento tenha sofrido um disparo enorme, principalmente nas Caldas da Rainha. Também sentimos que há cada vez mais pessoas de Lisboa que vêm viver para cá porque a qualidade de vida é muito melhor e usam os transportes públicos para ir e voltar.

E. N.: Sem dúvida que sim, são os 32 elementos das nossas equipas que nos ajudam a crescer. Nós damos todo o apoio ao nível de formação, ensinamos as melhores metodologias e a nossa cultura a quem deseja juntar-se ao Grupo Origem. Felizmente, a imagem do agente imobiliário tem vindo a melhorar com o tempo e a marca RE/MAX tem contribuído muito para isso. O que esperam conquistar no ano que se aproxima? M. L. e E. N.: Em 2019 queremos consolidar o grupo, não queremos crescer em número de lojas, mas sim em número de pessoas, formando mais e novas equipas. Aproveitamos o momento, para deixar uma mensagem de Feliz Natal e bom final de ano para os nossos clientes e equipa e desejar que todos comecem o novo ano na sua casa de sonho!

Considera a equipa um dos fatores determinantes para o sucesso do Grupo Origem? MARGARIDA LOPES E ERNESTO NOGUEIRA

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CENTURY 21 RAMONI

A MAIS-VALIA DA MAIORIDADE NO SETOR IMOBILIÁRIO Ofélia Correia administra a sua empresa, ligada ao setor imobiliário, há já 18 anos (nove dos quais pertencente à rede Century 21). Atualmente, a empresária conta com o auxílio da sua filha, Tatiana Correia – consultora imobiliária –, com quem estivemos à conversa por forma a conhecermos um pouco mais sobre a empresa e o mercado onde atua.

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Na sempre emblemática vila da Nazaré, o mercado imobiliário atravessa uma fase bastante peculiar: uma crise de produto. “Nós não vendemos mais porque não temos produto para vender.”

Corria o ano de 2009 quando Ofélia Correia decidiu associar a sua empresa à rede Century 21. “Fizemo-lo com o objetivo de cativarmos mais clientes estrangeiros”, começou por nos contar Tatiana Correia. “Esta é uma marca que, para além de credível no mercado, dá-nos a formação e atualização necessárias para respondermos melhor às necessidades dos nossos clientes. A participação em feiras internacionais, por exemplo, permite-nos captar investidores que, apesar de terem interesse em Portugal, não conhecem as potencialidades da Nazaré”, acrescentou. Atualmente, são os franceses e os belgas aqueles que mais procuram a ‘capital da onda’ para residir. Segundo a nossa entrevistada, estas pessoas procuram moradias com privacidade e valorizam a localização geográfica central da região, as tradições e as gentes que ali habitam.

Perfil da equipa Century 21 Ramomi Trata-se de uma equipa composta por 15 pessoas “prestáveis, que olham mais para as necessidades dos clientes do que para a comissão”, assegurou Tatiana Correia, ao mesmo tempo que salientava a importância de um conhecimento profundo sobre o mercado

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onde atuam: “temos que saber mais do que aquilo que o cliente consegue saber sozinho através da internet”, frisou. Na sempre emblemática vila da Nazaré, o mercado imobiliário atravessa uma fase bastante peculiar: uma crise de produto. “Nós não vendemos mais porque não temos produto para vender. Há muitos projetos, mas faltam obras concluídas. Os clientes voltam a ter confiança no mercado, comprando novamente imóveis ainda em planta. Pela primeira vez, vendemos imóveis em planta”, deu-nos conta a porta-voz da Century 21 Ramomi. “Finalmente, temos a visão e a promoção que a Nazaré merece”, afirmou Tatiana Correia, enquanto deixava um conselho aos nossos leitores: “nós nunca sabemos qual o melhor momento para investir, porque antes esperávamos que os preços baixassem mais, hoje esperamos que não subam mais. O mercado é instável, mas o imobiliário continua a ser um bom investimento e a Nazaré um excelente destino quer para viajar quer para residir”, finalizou.

Telefone: 262 561 655 Avenida Vieira Guimarães 47 2450-110 Nazaré

OFÉLIA CORREIA

www.century21.pt


LAR DE SONHO

UMA ESCOLHA DE EXCELÊNCIA E MÁXIMA DISCRIÇÃO Honestidade, simpatia e transparência têm ditado o sucesso da imobiliária Lar de Sonho, uma solução diferenciadora num mercado em franca expansão. Com uma larga experiência no mercado imobiliário, Manuel Martins, diretor da agência de Braga, faz o balanço dos últimos quatro anos de atividade e partilha a sua história com os leitores da Portugal em Destaque.

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Com mais de uma década de dedicação na área da mediação imobiliária, Manuel Martins partilha como tudo começou. “O Lar de sonho é uma marca de franchising e surgiu em Braga há cerca de quatro anos. Estou ligado ao ramo imobiliário há 13 anos e surgiu a oportunidade de me juntar ao franchising Lar de Sonho. Decidi aventurar-me sozinho, nesta atividade, numa loja própria e assim estou há já quatro anos.” Essa decisão não foi tomada ao acaso. Associar-se à marca foi uma escolha pensada e consciente. “Gostei do que me foi apresentado pela marca: as estratégias, o know how e a forma como trabalham. Têm uma dinâmica muito expressiva, muito grande, que se identifica muito comigo e com a minha a forma de trabalhar”. A coragem com que abraçou o novo desafio foi fundamental para ultrapassar as adversidades. Hoje faz o balanço destes últimos quatro anos, em que o foco continua a ser a mediação imobiliária. “No início, há sempre alguma difi-

LARDESONHO BRAGA Praça do Condestável n.º 156 Loja 16 - Braga Tlf.: 253 041 727 Email: braga@lardesonho.pt AMI: 14727

culdade. Primeiro, há que semear para depois colher. No primeiro ano, fiz sobretudo angariações, mas também algumas transações. O segundo foi mais equilibrado e de ano para ano, felizmente, as coisas tem evoluído”, explica o empresário e completa que, neste momento, “os contactos diários são muitos. Mensalmente temos muito mais procura do que oferta”. Os clientes da Lar de Sonho são exigentes, informados e com perfis bastante heterogéneos. Procuram todo o tipo de negócios e ao alcance de diferentes bolsas. “Tentamos abranger um pouco de tudo e ter uma oferta variada. Temos clientes para compras acessíveis para habitação própria até à gama alta. Temos o cliente investidor, que compra para voltar a vender; o cliente que faz a remodelação e volta a colocar no mercado e nós voltamos a vender o mesmo imóvel”, ou seja, “temos um leque variado de imóveis e terrenos e até moradias de luxo, porque acabamos por abranger todo o tipo de clientes”. Para Manuel Martins, a base do sucesso tem sido a relação que tem estabelecido com os seus clientes, uma vez, que “este é um mercado complexo, onde as pessoas fazem compras de milhares de euros. Não é propriamente uma compra barata, por isso, é imprescindível criar laços de confiança com os clientes”. Quanto ao balanço deste ano, o empresário

MANUEL MARTINS

refere que “foi um ano extremamente positivo, houve meses em que podemos falar de um crescimento de 50 por cento e outros meses que chegou aos 100 por cento”. Para o futuro, Manuel Martins desvenda alguns dos seus objetivos: “somos uma equipa de cinco pessoas e uma das metas para o novo ano será aumentar o grupo, definir novos resultados e melhorar o desempenho”, uma vez que acredita que “2019 e 2020 vão ser anos especiais também. Penso que vai haver mais regras. Em termos de valores, acho que estes irão estagnar, pois os bancos estão a mudar as regras do jogo. Podemos estar a falar de um crescimento, de uma evolução isso sempre, mas não acredito em loucuras. Para os anos que se avizinham comprar um imóvel, julgo que continuará a ser o melhor investimento”.

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JANELA EXÓTICA

JANELA EFICIENTE POUPANÇA PERMANENTE Os 22 anos de experiência fazem de José Gomes um pioneiro na fabricação e instalação de janelas eficientes. Aposta na formação profissional, pesquisa e procura estar sempre informado das últimas novidades do setor, só assim “posso instruir os meus clientes da melhor opção energética para a sua residência”reforça o gestor da Janela Exótica, José Gomes.

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José Gomes descobriu cedo o gosto que tinha pela fabricação de caixilharia, decidindo apostar nesta área e aperfeiçoar o seu conhecimento técnico. “Tenho várias formações e adoro estudar sobre a eficiência energética, formas de poupança e como fabricar caixilharia que potencie essa eficiência”.Relativamente à poupança

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de energia,“também me considero uma pessoa informada, leio, pesquiso e aplico quando realizo trabalhos para os meus clientes. Concluí um curso profissional, através da Academia ADENE, de formação de Peritos Qualificados e Técnicos de instalação e manutenção do Sistema Nacional de Certificação Energética – SCE, curso que me apurou ainda mais os conhecimentos. Para além disso, posso aconselhar qual a janela mais eficiente para cada tipo de edifício, quanto ao seu coeficiente energético e resistência, tendo em consideração a dimensão e peso da caixilharia a instalar”, começa por referir José Gomes.


Em Portugal, poucas são as pessoas que têm formação nesta área e estão habilitados a prestar aconselhamento “quanto à escolha da janela eficiente mais adequada ao local onde vai ser colocada”. As formações estão disponíveis e são públicas “mas as salas de formação raramente estão lotadas, apesar de muitas pessoas trabalharem neste ramo de atividade.A formação é fundamental para prestar um bom serviço aos clientes,elevar,dignificar o nome da empresa e marca que representamos e ajudar na poupança de energia e monetária, poupando, por conseguinte, o ambiente”. Os materiais utilizados na fabricação e as características da caixilharia“são fatores fundamentais para tirar o melhor rendimento das suas caixilharias”.Também a dimensão e resistência de um vidro deve ser tomadas em consideração, para calcular o coeficiente de energia, resistência quanto ao impacto de objetos e do corpo humano, evitando acidentes.“A responsabilidade de equipar a casa com as janelas corretas,para usufruir da eficiência energética e da proteção contra acidentes também está no instalador, uma vez que este deve aconselhar qual a melhor opção para a infraestrutura a que se destina, mas a última palavra é sempre do cliente final”, informa o gestor. “Todos sabem a marca, cor, os cavalos e a cilindrada do seu carro mas quase ninguém sabe qual a marca e características das janelas da sua casa, apenas sabem a cor. Então eu pergunto ‘se conhece o seu carro porque não conhece as suas janelas?’. A reação é sempre a mesma, ninguém sabe a marca , coeficiente térmico , fator solar e acustico das janelas da sua casa”, desabafa o gestor. E reforça: “para colocar janelas medianamente eficientes numa habitação de tamanho regular,será necessário despender entre 15 a 20 mil euros,mas poucos

“Todos sabem a marca, cor, os cavalos e a cilindrada do seu carro mas quase ninguém sabe qual a marca e características das janelas da sua casa”

JOSÉ GOMES

são os instaladores que sabem aconselhar e informar tecnicamente, nem tão pouco da média de poupança que o cliente irá ter ao longo dos anos por optar por uma janela desta qualidade. Considero importante as pessoas saberem o que compram e a rentabilidade que vão tirar desse investimento, mas infelizmente muitos instaladores não se habilitaram para responder a questões básicas como a performance térmica,acústica, permeabilidade de ar,resistência ao vento,estanquidade à água ou o nível de controlo solar,informação esta que pode ser obtida em formações e junto de entidades competentes como ADENE, a CLASSE + e ANFAJE”, esclarece José Gomes. O conhecimento é um pilar que caracteriza José Gomes e aprofunda-o com formações profissionais e estudo sobre a matéria.“Tenho formação na parte da térmica e dou informações precisas aos meus clientes da importância de investir numa boa janela, mas também é importante que esta seja bem executada e instalada para se tirar o melhor aproveitamento desse isolamento. Considero que cerca de 90 por cento das janelas estão mal instaladas, o que representa uma perda anual de 20 a 30 euros em cada compartimento, mas o cliente final não tem noção desta realidade senão estaria mais atento e informar-se-ia melhor sobre as janelas que adquire e quanto à formação do instalador”, reitera o profissional. Um estudo aponta que “apenas 1 por cento dos portugueIMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO 69


ses liga o aquecimento regularmente durante o inverno, quando a percentagem de pessoas que têm aquecimento central instalado nas suas residências é muito superior à percentagem dos que o utilizam. As pessoas não ligam o aquecimento porque, para além da energia nacional ser das mais caras da Europa, o isolamento das paredes, tetos e janelas das habitações também é deficiente. Uma janela com um vidro duplo normal perde uma média de 44 por cento de calor,no inverno e um vidro duplo de baixa emissividade (térmico) perde apenas 22 por cento (mas existem caixilhos em que as perdas conseguem ser inferiores). Também há que ter em consideração que o investimento numa boa janela com um vidro adequado à exposição solar e temperaturas médias da região onde se encontra,representa menos perdas de calor e aumenta o conforto e qualidade de vida. As pessoas precisam de ser informadas de que o simples ato de mudar as janelas de casa pode aumentar muito o seu conforto e diminuir a fatura mensal de energia quer no inverno e quer no verão, devendo pensar-se no rendimento e poupança a longo prazo, já que não vai mudar as janelas de dez em dez anos”, afirma. Sempre que tem oportunidade, José Gomes viaja para uma capital mundial e,mesmo nesses dias de descanso e descontração,não deixa de pensar no trabalho. “Quando viajo comparo o material, marca e forma de instalação das janelas onde fico hospedado e dos vários locais que visito, chegando à conclusão de que nos falta muita formação e inovação para atingir uma eficiência energética satisfatória. Não deixando de referir que na estética e acabamentos estamos evoluídos. A marcação ‘CE’ é obrigatória desde 2010, atualmente ainda são

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poucas as empresas que facultam estes documentos ao cliente,pois este documento é a identidade da janela. Infelizmente as Câmaras Municipais passam as licenças de habitabilidade sem a existência deste documento”. O sucesso da Janela Exótica mede-se pelo crescimento que tem apresentado nestes 22 anos de experiência do gerente e pela expansão que assentou em França, a partir de 2010, e presentemente noutros mercados com menor expressão.Os produtos e serviços disponibilizados são semelhan-

-tes: caixilharia de alumínio, PVC e inox para janelas ou portas de correr, e uma vasta gama de serviços como remodelações, colocação de estores, grades, portões e tetos móveis.“Tudo depende da opção do cliente”. Aliado à sua experiência e criatividade,José Gomes desenvolveu uma gama de alumínio minimalista,que se encontra patenteada e em fase de desenvolvimento, gama esta que prima pela sua natureza completamente diferente em termos de elegância face à que existem no mercado. José Gomes,em algumas das suas reuniões com arquitetos teve oportunidade de partilhar algumas características do produto desenvolvido, sendo felicitado e agendado para o início de 2019 uma reunião com uma marca de alumínio no sentido de colaborar em conjunto a colocação deste produto no mercado. A Janela Exótica vê esta possível parceria com “bons olhos”.


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IMEG

QUALIDADE, INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE A estratégia da IMEG assenta principalmente na qualidade dos seus produtos e serviços e no contacto direto com os seus clientes, criando assim uma relação de confiança e transparência. Falamos de uma empresa dinâmica que tem pautado o seu percurso por uma grande visão estratégica, a par de uma imagem de credibilidade nos mercados onde atua, como contam em entrevista os seus administradores, Manuel Marinho e Rui Rosário.

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Com a premissa de conhecer de forma mais aprofundada o mundo onde gravita a IMEG - Instalações e Manutenções Gerais, a revista Portugal em Destaque, falou com os empresários Manuel Marinho e Rui Rosário, que abordaram a sua génese, crescimento e expansão, bem como o mercado e os projetos que a empresa pretende abraçar em termos de futuro. Criada em 2007, a empresa nasce pelas mãos de dois empreendedores carismáticos e dinâmicos que orientaram a sua atividade profissional por uma grande visão estratégica, sentido de responsabilidade e paixão. Fruto de uma vasta experiência, Manuel Marinho e Rui Rosário conseguiram que a empresa alcançasse uma posição assinalável, sustentada pelo know-how, qualidade e profissionalismo. Valorizando o passado, vivendo o presente e pensando no futuro, a IMEG adota uma filosofia vanguardista, estando sempre um passo à frente do seu tempo, tendo como linhas orientadoras para a prossecução dos seus objetivos, a simplificação da criação de conhecimento e a criação e disponibilização de soluções de qualidade. Estes ideais expressam a sua determinação em oferecer as soluções mais avançadas que vão ao encontro das necessidades de uma sociedade em constante evolução. Estes valores basilares encontram-se ainda representados na manifestação do seu empenho num percurso de contínua inovação. Fundada há 11 anos, a IMEG - Instalações e Manutenções Elétricas Gerais começou por ser uma empresa de fornecimento de mão-de-obra, que com um forte espírito empreendedor, trabalho, persistência, sacrifício e vontade de vencer conseguiu um crescimento e desenvolvimento assinaláveis. Em 2010, passa a denominar-se apenas IMEG - Instalações e Manutenções Gerais, e a apostar na execução de obras próprias para empreiteiros gerais, o que lhe proporcionou uma evolução

e uma posição forte no mercado, tendo ainda uma boa margem de progressão. A esfera de influência geográfica da empresa começou por ser a região de Braga, mas há quatro anos surgiu a oportunidade de trabalharem em Lisboa e os dois empreendedores não hesitaram, o que permitiu um crescimento mais acentuado da organização empresarial. “Hoje, a IMEG assume uma presença assídua no mercado nacional de norte a sul do país, contudo o volume de negócios é francamente superior na região de Lisboa”, referem, salientando que a crise acabou por ser um momento de oportunidade em que a empresa viu-se obrigada a procurar novos horizontes, mercados, a reinventar-se no cenário empresarial e a trabalhar para o cliente final. O core business da IMEG centra-se nas instalações elétricas e instalações mecânicas, na área da climatização, contudo há cerca de meio ano, os dois empresários decidiram ‘aventurar-se’ no mercado imobiliário, com o intuito de proceder à construção, promoção e venda de imóveis. “Neste momento, temos um projeto em mãos, que vai ter início em janeiro de 2019, referente a um prédio no Gerês com finalidade de venda”, adiantam Manuel Marinho e Rui Rosário, realçando que andam constantemente à procura de imóveis em várias zonas do país. Hoje, a IMEG conta com uma vasta carteira de clientes/ parceiros e atua com especial enfoque no mercado dos escritórios, lojas e indústria, tendo inclusive preconizado “obras de grande destaque para empresas internacionais com sede em Portugal”. Com uma equipa de 40 colaboradores distribuídos a nível nacional, os dois entrevistados assumem que uma das maiores dificuldades sentidas é ao nível da contratação de mão-de-obra qualificada nas áreas de eletricidade, mecânica e engenharia civil. Por isso, é nos seus colaboradores mais antigos que confiam e a quem agradecem a lealdade e dedicação à empresa. Chaves do Sucesso Dinâmica, proatividade e entreajuda, estes são os pilares do crescimento do negócio, de acordo com os empresários que se assumem como “os guerreiros do Minho”, essencialmente por tudo quanto passaram. Por outro lado, outro ingrediente importante num percurso de sucesso é a atenção na própria empresa e em como ela pode melhorar e crescer, por isso com naturalidade dizem “nós não temos concor-

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rência, a concorrência somos nós próprios”, transmitindo que o seu foco é prestar um bom serviço aos seus clientes, com qualidade no trabalho e nas parcerias, “sempre com honestidade, transparência e sentido de responsabilidade”. Com os olhos postos no futuro Como objetivos estratégicos, Manuel Marinho e Rui Rosário pretendem apostar na criação de valor sustentável e na obtenção dos mais altos níveis de qualidade, uma opção estratégica que tem ajudado a consolidar todos os processos e a estrutura organizacional, funcionando como catalisador para o crescimento da IMEG. Assim, em 2019 os dois empresários querem continuar a apostar no ramo imobiliário e desenvolver essa área, mas também encontrar novas áreas para investir. A par disso, pretendem continuar a ser cada vez mais uma referência de qualidade.

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SUBLIMAR

A SUBLIMAR FOI DISTINGUIDA COM O GALARDÃO DE PME LÍDER 2018 A Sublimar é uma empresa especializada em construção e engenharia, sediada na cidade berço. Fundada, em plena época de crise (janeiro de 2015), vingou no mercado dada a experiência do seu quadro técnico, desta forma ultrapassou os obstáculos e aprendeu a vencê-los com distinção. Este ano, a Sublimar foi distinguida com o galardão de PME Líder. Eurico Peixoto é o rosto da Sublimar e conta aos leitores da Portugal em Destaque o seu percurso, desafios e novos objetivos.

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São duas décadas de experiência profissional. Eurico Peixoto conta-nos como tudo começou. “Trabalhei em duas empresas de referência a nível nacional onde consegui executar um trabalho de sucesso e ganhar experiência. Cheguei a um determinado momento que senti vontade de criar a minha empresa. E assim o fiz, em janeiro de 2015. Estamos a falar de uma época de crise na construção, hoje entendo que foi a decisão certa, na hora certa”. Ao longo destes quatro anos a Sublimar tem vindo a conquistar gradualmente o mercado. Com orgulho, Eurico Peixoto conta-nos que “neste momento, tenho uma empresa que cresce de uma forma estável, tenho 18 colaboradores, classe 5 de alvará o que nos habilita a executar empreitadas até 2.650.000,00€ e um volume de faturação de 4 milhões por ano. Temos novas e modernas instalações, recursos humanos adaptados e equipamentos próprios o que nos torna mais eficazes e competitivos”. Tais conquistas muito se devem à filosofia da Sublimar: “manter o cliente satisfeito, para isso é necessário compreendê-lo, só assim conseguimos ir de encontro com as suas exigências”. Um dos clientes de referência da Sublimar e a cadeia de supermercados Lidl, com quem trabalhamos desde 2016, sendo o nosso principal Cliente. “Hoje, apostamos cada vez mais neste cliente, daí o nosso investimento em recursos humanos e equipamentos próprios, só desta forma é que conseguimos corresponder às suas exigências”. Tudo é e foi pensado ao pormenor inclusive o nome da empresa “SUBLIMAR”. Eurico Peixoto teve a preocupação que o nome fosse o pilar da filosofia de trabalho que implementa diariamente na sua equipa: “este nome significa também um pouco a nossa forma de pensar, acrescentar qualida74 IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO

de e melhorar o produto final. É um nome diferente, nem parece um nome de uma empresa de construção civil, com esta diferença pretendemos contribuir para a mudança de mentalidades”.

MORADIA DA QUINTA DA MARINHA

LIDL DE QUINTA CONDE

Poucos, mas bons clientes Quanto aos seus clientes, afirma que “não temos muitos clientes, queremos é ter bons clientes. Como se costuma dizer ‘poucos, mas bons’. Foi uma das lições que tirei ao longo da minha vida profissional. Como já referi anteriormente, apostamos no Lidl, como principal cliente particular e no Município de Guimarães como entidade pública”. O nosso interlocutor acrescenta que “os nossos clientes não nos escolhem pelo preço. Os nossos clientes querem um preço justo para o serviço que nós prestamos”. Para a Sublimar, o mais importante é a qualidade do seu trabalho. “Diariamente, damos o nosso melhor, tentamos perceber o nosso cliente, para que no final tenhamos um bom produto e um cliente satisfeito.” E é desta forma que se distinguem no mercado, “queremos ser diferentes, queremos ter uma imagem associada à boa qualidade. Somos uma equipa que se dedica ao cliente, daí a nossa política não ser a de ter muitos clientes”.


No dia a dia Para que os níveis de excelência sejam atingidos conta com uma equipa multidisciplinar. “No nosso corpo técnico temos cinco técnicos superiores com muita experiência e um grupo de empresas parceiras que nos garantem sempre um excelente produto final” Nestes quatro anos, a Sublimar já conta com diversas obras em todo o território nacional. “Neste momento, estamos a remodelar e ampliar lojas na zona sul do país, para o grupo Lidl, são empreitadas de grande dimensão, que estão a dar estatuto à SUBLIMAR e a comprovar a sua capacidade de estar no mesmo mercado das grandes construtoras. Dado o nosso esforço e dedicação temos tido bons resultados, a recompensa é encontrarmos constantemente em negociações com este cliente para novas obras e novos desafios, que vão fazer com que o próximo ano se mantenha em crescimento, aproximadamente de 25 por cento ao ano”. Com as mudanças no mercado, uma das dificuldades tem sido a mão-de-obra: “se há alguns anos atrás o problema era falta de trabalho, hoje é a falta de mão de obra. A

Sublimar luta diariamente contra esta adversidade, desta forma tentamos encontrar no mercado nacional bom recursos humanos e proporcionar-lhes boas condições de trabalhos, pois só assim conseguimos dar uma boa resposta às necessidades do nosso cliente. Temos noção que, hoje em dia, há clientes que querem construir, mas não têm quem o faça. Também já se verifica que, há quem adjudique uma obra hoje, para iniciar daqui a um ano, com sinalização. Há dois anos era impensável. Tudo

acontece muito rápido. O que eu verifico é uma economia em constante alteração, e penso que assim irá continuar”. Devido aos seus anos de experiência dentro e fora de Portugal não tem problemas em afirmar que “quando falamos de Portugal, devemos recordar que a construção é um setor do qual nos devemos orgulhar. Hoje em dia, temos empresas mais modernas, mais adaptáveis, houve sem dúvida uma grande revolução no sector da construção em Portugal”. Contudo, Eurico Peixoto adverte: “Se repararmos, o nosso país começa a ficar pequeno para nós. Podemos ver as nossas estradas completamente saturadas, já não são suficientes para o nosso crescimento, não temos mão-de-obra disponível, por isso acredito que vamos ter trabalho para muitos e bons anos”. E aconselha: “temos que ter consciência de que é necessário pagar mais e melhor aos colaboradores”.

“Os nossos clientes não nos escolhem pelo preço. Os nossos clientes querem um preço justo para o serviço que nós prestamos”

E para 2019? O balanço que faz destes quatro anos tem por base o crescimento. “Este ano está a superar as nossas espectativas, crescemos mais de 80 por cento. O nosso objetivo para 2019 é a consolidação do crescimento conseguido no ano 2018, não deixando de parte a possibilidade de um crescimento entre os 30 a 40 por cento ao ano. Pretendemos continuar a nossa aposta nos recursos humanos internos, queremos continuar a investir em equipamentos, e acima de tudo consolidar o nosso trabalho junto do nosso principal cliente”. Como palavras finais não se esquece de “agradecer aos seus colaboradores, clientes e parceiros, pois só com a colaboração de todos foi possível à SUBLIMAR crescer. O meu muito obrigado a todos”.

PRÉDIO PASSOS DA PRELADA

Rua da Pedreira, Pavilhão 18 • 4800-057 Guimarães • Tlf. 253 542 501

IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO 75


TECTOAVE

EFICIÊNCIA E RAPIDEZ NUMA SÓ EMPRESA

Com 14 anos de atividade, a Tectoave situa-se em Bairro, Vila Nova de Familicão, e é uma referência a nível nacional no mercado. Em entrevista à Portugal em Destaque, os empresários, Rui Costa e Sérgio Costa, revelam-nos o segredo para o sucesso.

A

A empresa possui uma visão única e diferenciadora com serviços de elevada qualidade nas áreas da construção e remodelação, carpintaria, arquitetura, engenharia, design e decoração. Os gerentes começam por esclarecer que a Tectoave oferece um acompanhamento personalizado desde a construção à conclusão da obra, garantindo todos as etapas e os timings certos. “Na sede, em Bairro, funcionam

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os escritórios, a fábrica e a loja. Trabalhamos no mercado internacional e nacional (Portugal Continental e Ilhas) onde temos um leque de vários clientes de referência. Temos fabrico próprio de cozinhas, mobiliário, entre outras e não nos baseamos apenas em grandes obras. Tanto pintamos apenas um teto como

“Somos a rapidez e a eficiência na execução dos projetos”

realizamos um projeto chave na mão”, explicam. Com 52 colaboradores experientes nas diversas áreas de atuação, a equipa é trabalhada de forma a garantir os recursos especializados e a formação diferenciada pela empresa. Cada colaborador é considerado família, e


este espírito de cooperação faz com que o projeto seja um sucesso. A união na Tectoave é palavra de ordem. A confiança, rapidez e eficiência são palavras que caracterizam a Tectoave. Uma empresa singular na forma de trabalho e que se diferencia dos concorrentes por um acompanhamento personalizado e completo a baixo custo. “Internamente nós conseguimos responder rapidamente ao que o cliente pretende e assim segurar os timings desejados. A nossa vantagem é que como temos todas as especialidades, não precisamos de subcontratar o que nos permite uma maior flexibilidade e capacidade de resposta”, revela Sérgio Costa. O caminho para o futuro A empresa trabalha com cau-

habitação, se a decoração não é uma área com a qual goste de lidar, aqui na Tectoave Interiores pode encontrar a solução. Com uma oferta diversificada de serviços, desde construção e remodelação, carpintaria, arquitetura, engenharia, design e decoração, este é o espaço para resolver o seu dilema com rapidez e eficácia.

tela, cada passo é ponderado e pensado para que o caminho seja o mais acertado. A inovação é o alicerce para o sucesso da Tectoave. “O ano revelou-se positivo, acreditamos que o sucesso é o reflexo da eficiência que possuímos”, reconhecem os empresários. Nova Loja em Vila Nova de Gaia: uma aposta À procura da proximidade com o cliente, no dia 24 de Novembro, a Tectoave abriu na Rua Gil Eanes, nº 47, um novo espaço. Quem procura, encontra uma loja repleta com tudo o que pretende para a sua casa. Se está sem ideias para a construção da sua

Escritórios/Armazém/Showroom Rua Padre Manuel Joaquim Salazar Pereira Silva, nº742 4765-683 Bairro Vila Nova Famalicão Telefone: 252 982 768 Email: geral@tectoave.pt comercial@tectoave.pt orcamentos@tectoave.pt www.tectoave.pt

IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO 77


BENEFITFUSION

A FUSÃO PERFEITA ENTRE CONSTRUÇÃO E IMOBILIÁRIA Sediada na Guia, concelho de Albufeira, a Benefitfusion cruza o melhor do setor da construção e do imobiliário. A gerente Catarina Rego esteve à conversa com a Portugal em Destaque para dar a conhecer o projeto que tem em parceria com o marido Mário Rego e para fazer um balanço de todo o trabalho realizado em 2018.

“A nossa experiência não diz realmente a idade da empresa”. É assim que a nossa entrevistada começa por nos falar da Benefitfusion que conta com apenas três anos de mercado. Apesar dos momentos complicados que vivenciaram aos longo dos anos, a dupla revela que sempre teve vontade de melhorar e mudar a forma de trabalhar e de estar no mundo empresarial. A imobiliária nasce na empresa em 2018 de forma a oferecer um serviço completo aos clientes. É uma área pela qual querem marcar a diferença através de projetos com um conceito chave na mão e com um serviço mais personalizado e adaptado às necessidades do cliente. “Tentamos apresentar apenas aquilo que é direcionado a cada cliente, porque ele é único e quer algo especial. Queremos dar um atendimento mais pessoal e acompanhamos desde o início até ao fim do processo”. Para Catarina e Mário, esta é a forma de trabalhar que dará mais confiança e sinceridade não só ao cliente como também aos fornecedores. No que diz respeito à construção e à imobiliária, a gerente afirma que o tipo de cliente tem vindo a mudar com o passar do tempo.

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“Anteriormente, trabalhávamos mais com o cliente estrangeiro e agora trabalhamos mais com o português ou o francês. Há um grande investimento de franceses em Portugal e principalmente no Algarve. É um cliente muito mais exigente e discute mais o valor, daí termos de ter outra sensibilidade com ele”, explica. Os materiais correspondem ao tipo de cliente e são obrigatoriamente os de melhor qualidade. Só no caso do cliente solicitar à empresa é que trabalham com materiais mais baratos. A gerente salienta que “é um dos aspetos que explicamos com antecedência ao cliente, uma vez que damos garantia do nosso trabalho”. Para além de outros serviços, podemos encontrar na Benefitfusion a venda e instalação de piscinas e projetos agrícolas. São dois serviços com muita procura, principalmente no caso das piscinas. “Há uma maior procura ao investimento junto à zona do campo, porque este lhe proporciona mais conforto, mais descanso e mais tranquilidade”, afirma. Questionada sobre o balanço de 2018, a gerente descreve-o com positivismo. Um dos

MÁRIO E CATARINA REGO

melhores acontecimentos foi a procura por projetos chave na mão e nesse aspeto a interlocutora realça que a imagem do site tem sido uma mais-valia para comunicar com os clientes que estão espalhados por diversos países. Em relação ao próximo ano que se avizinha, a Benefitfusion promete continuar a angariar mais trabalho sem descurar a qualidade com que trabalham. No futuro, o desejo passará por desenvolver e investir em projetos turísticos, uma vez que Catarina e Mário consideram essencial serem versáteis em todas as áreas e inovarem dentro dos parâmetros possíveis. A entrevistada não termina a conversa sem antes deixar uma mensagem: “acima de tudo sintam-se realizados e felizes, tanto a nível pessoal como profissional. É importante gostarmos daquilo que fazemos”, conclui.

Rua 1 de Maio, Edifício Tulipa, r/c direito, Loja B 8200-438 Guia Albufeira 289 561 516 | 961 890 122 | 935 315 009 www.benefitfusion.pt


MINIDESIGNERS STUDIO

“ATÉ AOS MÍNIMOS DETALHES” Se precisar de iniciar o seu projeto e não sabe como, nem o nome que deve escolher, os MiniDesigners Studio são a solução à medida. O conceito iniciou-se em 2010, com Andreia Querido e Ricardo Fonseca, na cidade das Caldas da Rainha. Atualmente, com quase uma década de experiência, já perderam a conta aos inúmeros projetos já concretizados, mas lembram-se bem da história por detrás de cada desafio.

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Como é que nasceram os MiniDesigners Studio? Andreia Querido: Este projeto iniciou-se em 2010. Eu tinha terminado o curso e, com a crise, na altura, não conseguia arranjar trabalho, decidi criar o meu próprio emprego. Inicialmente, em nome individual, hoje, já temos a empresa criada. Que tipo de serviços têm? Ricardo Fonseca: A nível de serviços temos vindo a crescer. Começamos com a área de formação da Andreia, o design gráfico e o design multimédia e comunicação, com os websites, logótipos e o packaging. Ultimamente, os clientes procuraram-nos também para a decoração e design de ambientes e espaços. Têm surgido no atelier alguns trabalhos de decoração e design de ambientes para espaços de hotelaria, nomeadamente Alojamentos Locais. Esta é uma área na qual gostamos bastante de trabalhar e

ANDREIA QUERIDO E RICARDO FONSECA

desenvolver projetos, tanto para clientes particulares, como também para a área comercial. E uma área diferenciadora, onde temos vindo a apostar. Quais são os fatores que contribuem para o vosso sucesso? R.F.: A satisfação dos nossos clientes, o toque pormenorizado e as sensações que transmitem cada um dos nossos projetos. Tentamos atribuir a cada projeto detalhes que os diferenciem no mercado. Porque nós vamos mesmo aos mini pormenores. O nosso slogan é “até aos mínimos detalhes” e isso acaba por transparecer. A.Q.: Gostamos de deixar a nossa marca. Seja qual for a área, criamos um conceito condutor por forma que consigamos corresponder às expectativas de cada cliente. Quais são as peças que querem destacar? E onde se inspiram? R.F.: Coisas do quotidiano. Quando trabalhamos na parte criativa, somos educados para saber observar, e às vezes, uma coisa pode ter outro tipo de utilização, tudo depende da imaginação. Quanto às peças que criamos, podemos começar pela primeira peça, que teve muita visibilidade, até na comunicação social, que foi o ‘Beijinho’, em 2010.

Lançamos uma peça inspirada num doce português, que tem o mesmo nome e na altura um pouco esquecido. Pensamos em fazer uma peça de joalharia de autor, inspirada na forma do beijinho, quase como se fosse a conotação emotiva de darmos um beijinho a alguém. Outro projeto, “As paredes têm ouvidos”, inspirado no artista plástico Rafael Bordalo Pinheiro, uma peça decorativa em cerâmica, que foi usada para a decoração de áreas sociais num nosso projeto de decoração de Alojamento Local ‘Bordallos – Prime Apartments’ com a temática bordaliana. A.Q.: Recentemente num outro projeto de decoração, ‘19Tile’ criámos um azulejo para um painel que decora uma das paredes num lobby de hotel. A este azulejo demos o nome ‘Leaf Tile’. R.F.: Nestes casos, fazemos tudo, desde a criação da marca, até à decoração de ambientes. Projetos 360 graus. Na área do packaging também somos muito procurados. Inspirado nos bordados tradicionais caldenses concebemos packaging para uma linha de produtos alimentares, uma inspiração com história. Por exemplo, para os ressurgidos pasteis pelicanos, para o pão-de-ló do Convento de Coz e para o doce conventual, cornucópias, entre outros projetos. Para futuro? A.Q.: Temos clientes nas Caldas da Rainha e Lisboa, mas queremos chegar a outros centros como Leiria, Coimbra e crescer nesse sentido.

IMOBILIÁRIO E CONSTRUÇÃO 79


INTERMARCHÉ MONTEMOR-O-NOVO

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SAÚDE E BEM-ESTAR

As clínicas de saúde e de bem-estar estão cada vez mais perto de quem delas precisa. Atualmente, pode encontrar com facilidade uma clínica, com várias especialidades médicas, dentro da cidade. Muitas delas, estão associadas a seguros e a acordos, o que permite às entidades privadas assegurar cuidados médicos abrangentes, mesmo àqueles cuja capacidade financeira não lhe permitiria aceder a esse tipo de serviços. O bem-estar é também uma área muito beneficiada, neste momento, já que a preocupação clínica extravasou o lado físico, para assegurar também um bom cuidado psicológico e emocional à população. A preocupação com o corpo e a sua saúde está também muito em voga, e os ginásios e centros de yoga e outras práticas meditativas constituem, cada vez mais, uma parte essencial do cuidado com o corpo e a mente. Fique a conhecer alguns bons exemplos das áreas da saúde e bem-estar em Portugal.

www.hotelsantacruz.pt Este hotel situa-se em Santa Cruz, apenas a 3 minutos a pé (100m) das praias, (condecorada como a 16ª Melhor Praia do Mundo e 2ª a nível Nacional pela prestigiada Revista Espanhola “Condé Nast Traveller”) durante 2 anos consecutivos. Os quartos do Hotel Santa Cruz possuem mobiliário em madeira, ar-condicionado, casa de banho privativa, varanda, telefone e televisão Led por satélite. O Hotel serve um pequeno-almoço buffet das 08h00 às 10h30. O Restaurante do Hotel está aberto de Março a Outubro e durante todo o ano efetuamos eventos (com e sem animação) para grupos superiores a 20 Pessoas. Não percam todos os Anos o “Festival da Sapateira” que é durante 5 fins-de-semana (este Ano de 7 Setembro a 7 Outubro). Disponibiliza também um estacionamento Privado gratuito no local (sujeito à disponibilidade), 2 Salas de Reuniões, um serviço de lavandaria e de uma receção aberta 24 horas. Esperamos por si!

Rua José Pedro Lopes (Ed. Hotel Santa Cruz) Silveira - 2560-498 Torres Vedras - Portugal Telefone: +351 261 930 330 Fax: +351 261 930 339 Geral hotel.santacruz@mail.telepac.pt Reservas reservas.hotelsantacruz@gmail.com


ARTIGO DE OPINIÃO

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

A COMPETITVIDADE DA ECONOMIA PORTUGUESA PREPARANDO O FUTURO

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Numa pequena economia aberta, como a portuguesa, a produtividade da economia, bem como seu crescimento, dependem muito do valor acrescentado das atividades que competem nos mercados externos - em termos de bens, serviços, conteúdos ou conceitos. Não basta pois aumentar as receitas das exportações para que a economia cresça. Este aumento de receitas brutas contribui seguramente para reduzir os défices externos, as necessidades de financiamento externo e o consequente nível de endividamento externo. Mas, para que haja crescimento da economia, é fundamental que as atividades mais presentes nos mercados externos sejam das que maior valor acrescentado gerem na economia. Essa é que é verdadeiramente a medida da competitividade. Uma competitividade sustentada depende pois: • Do alinhamento das atividades que exportam bens, serviços, conteúdos e conceitos com os fluxos de bens, serviços e dados que mais crescem na procura mundial e no comércio internacional. • Da posição que as atividades desenvolvidas em Portugal ocupam nas cadeias globais de valor acrescentado que organizam esses fluxos. • Da existência de multiplicadores internos de valor acrescentado, que resultam de compras internas entre setores, compras que dantes eram feitas ao exterior e que, ao serem endogeneizadas, aumentam a “superfície de geração interna de valor acrescentado”; os setores que fornecem a Formação Bruta de Capital Fixo encontram-se entre aqueles que, ao se expandirem em Portugal, permitem ampliar essa superfície (conceção e fabrico de equipamentos e veículos, desenvolvimento de software, etc.). Portugal tem vindo a experimentar vários percursos que vão no sentido de uma competiti-

vidade sustentada: a) Uma dinâmica de inovação de produtos, de processo produtivos e de modelos de negócio com maior componente de serviços incorporada na exportação industrial de clusters com longa tradição exportadora (. . .) b) O forte crescimento das exportações do Mega cluster da Construção Metálica e da Construção Naval (. . .) c) O forte crescimento do Megacluster da Mecânica, do Material Elétrico e da Automação e Robótica (. . .) d) O crescimento sustentado da exportação de Serviços, com o Turismo reforçando a sua importância nas exportações, com uma maior diferenciação de segmentos para além do sol praia que esteve na base do seu crescimento desde os anos 60; e com uma nova componente - os Serviços às Empresas prestados à distância e a nova geração de centros de competência e de centros de engenharia pertencentes a empresas multinacionais, em vários casos associados a atividades industriais que já estavam implantadas em Portugal. e) O Cluster Automóvel (. . .) f ) A transformação do Mega cluster da Construção, Obras Públicas e Imobiliário num dos polos mais dinâmicos de atração de poupanças e de capitais do exterior (. . .) g) A multiplicação de Protoclusters intensivos em conhecimento e inovação, orientados desde o início para a exportação (vários deles participando com empresas na Web Summit). Portugal tem pois vindo a ampliar, diversificar e aprofundar o valor acrescentado da sua oferta ao exterior. São bons sinais para uma pequena economia aberta que quer triunfar no mundo global.

José Manuel Féliz Ribeiro, do Fórum Gulbenkian de Reflexão e Debate


CRUZ VERMELHA PORTUGUESA – DELEGAÇÃO DE VILA NOVA DE GAIA

UMA ESTRUTURA DE SAÚDE ÚNICA NA PENÍNSULA IBÉRICA

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Par a conhecer melhor este projeto emblemático da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Vila Nova de Gaia, a Portugal em Destaque esteve à conversa com Veneranda Barbosa, diretora da instituição que, mais uma vez mostra o seu pioneirismo e visão estratégica. O Complexo de Neurointervenção que conta com parcerias estabelecidas com a Fundação Champalimaud e com a Fundação Rainha Sofia, será composto por vários centros, nas quais se destaca o Centro de Neurointervenção, uma resposta de dia para a neuroestimulação e nerointervenção com pessoas com diagnóstico de demência independentemente do estadio. O objetivo central é permitir a permanência da pessoa com demência em casa, no seu contexto familiar, capacitando-a para viver com a maior qualidade de vida possível, e em simultâneo apoiar a família/cuidador. Funcionará em regime diurno, de segunda a sexta, no período das 8 às 17 horas, disponibilizando um conjunto de terapias e serviços de apoio associados. Do complexo faz parte também uma Unidade Residencial com capacidade para 28 pessoas para dar suporte às pessoas sem retaguarda familiar, mas também numa lógica de alojamento temporário, ou no acolhimento de pessoas com demência e intervir e apoiar o seu cuidador. Um Serviço de Apoio domiciliário numa lógica clara de apoio às pessoas com défice cognitivo e aos seus familiares é outra das respostas que estará disponível para se deslocar ao domicílio durante 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano, com a vantagem de todas as terapias desenvolvidas em centro estarem disponíveis também em casa. “A par disso, teremos um serviço de apoio à distância, baseado na teleassistência que acom-

A Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Vila Nova de Gaia apresentou o seu mais recente projeto – o novo Complexo de Neurointervenção – cuja inauguração está prevista para o dia 8 de março do próximo ano. Trata-se de uma estrutura de saúde, única em toda a Península Ibérica pela forma como se propõe trabalhar, e assenta em quatro eixos de ação: Prevenção – Intervenção- Formação – Investigação que convergem no desenvolvimento de uma resposta integrada de promoção da saúde e apoio às demências e outras doenças neurodegenerativas.

VENERANDA BARBOSA

panhará a pessoa e o seu cuidador”, refere Veneranda Barbosa, realçando uma das novidades deste projeto: a instalação em centro de uma casa adaptada às novas necessidades da pessoa com demência para readquirir hábitos diferentes perante as limitações identificadas. No complexo encontraremos ainda um Jardim Terapêutico e um Centro de Formação Base Brain, que pretende ser uma referência na capacitação dos profissionais, na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da demência e todas as outras do foro neurológico. Este espaço contemplará também um centro de formação e apoio ao cuidador e um centro de integração na comunidade. SAÚDE E BEM-ESTAR 83


“Estamos claramente a ser pioneiros na forma como desenhamos e apresentamos esta resposta, pioneiros no sentido da integração, despertando as pessoas para um problema que precisa da nossa atenção, porque são os desafios que o futuro nos coloca e o futuro é amanhã”, ressalva. Tradição de intervenção social A Delegação de Vila Nova de Gaia da CVP foi fundada a 23 de março de 1916, fruto da vontade de dotar a comunidade de Gaia de uma resposta destinada aos mais desfavorecidos. Esta instituição centenária teve durante largos anos como única referência, em Vila Nova de Gaia, o posto de socorros no edifício da Câmara Municipal. Em meados de 95, um grupo de pessoas constituiu um Núcleo da Cruz Vermelha e o polo que hoje se assume como sede da instituição era uma resposta gerida pela Delegação do Porto em Vila Nova de Gaia. Após a mudança de direção, em 2012 o primeiro passo foi a unificação e a criação de uma única delegação em Vila Nova de Gaia que se baseou num trabalho de organização de processos e procedimentos e na harmonização de recursos. A equipa cresceu e novos serviços foram surgindo, sempre com o objetivo de contribuir para a melhoria da situação dos mais vulneráveis na comunidade. O 84 SAÚDE E BEM-ESTAR

crescimento e dedicação desta equipa tem-se vindo a traduzir num crescente impacto da marca “Cruz Vermelha Portuguesa” na comunidade de Vila Nova de Gaia. Uma panóplia de respostas sociais Constitui missão da CVP – Delegação de Vila Nova de Gaia prestar apoio humanitário e social, contribuindo para a defesa da vida, saúde e dignidade humana, missão esta que se consubstancia em cada uma das suas respostas sociais e valências. Com uma forte vocação de apoio aos mais idosos, a instituição acompanha diariamente 365 idosos em Gaia, através do Centro Comunitário numa lógica de apoio psicossocial e de participação cívica e ativa da população, apoiando também mais de mil jovens e as respetivas famílias. Por outro lado, através do Centro Infantil de Crestuma, “estamos com 145 crianças todos os dias nas respostas de creche, pré-escolar e ATL e, desenvolvemos um conjunto de atividades de envolvimento e participação da comunidade nas ações do Centro Infantil”, sublinha. O Espaço Saúde é outras das valências que assume um papel absolutamente social, com uma média de frequência de 500 utentes por mês, prestando apoio a um conjunto de pessoas que vivem sozinhas em pleno centro urbano. Paralelamente, a CVP tem um Gabinete de Inserção Profissional, uma estrutura de apoio ao emprego que, em estreita colaboração com o IEFP, contribui para a inserção ou reinserção profissional de pessoas desempregadas, promovendo o apoio à procura ativa de emprego e ao empreendedorismo. “A instituição tem ainda uma lavandaria, um restaurante social e uma loja social baseada no conceito re-use”. A atual direção criou ainda o Centro de Mo-

bilidade Jovem, um espaço de Suporte ao Projeto Via Gaia, que acolhe jovens em movimento internacional. “A Delegação de Gaia da CVP é um agente da rede Eurodesk e, nessa medida, acolhemos jovens em percursos de mobilidade para o serviço de voluntariado europeu. Já recebemos jovens da Colômbia, Romênia e, estamos neste momento com jovens da Turquia”, descortina a diretora. A instituição viu ser aprovado em 2015 um DLBC Urbano (Desenvolvimento Local de Base Comunitária), uma abordagem territorial, através da qual são implementadas Estratégias de Desenvolvimento Local, e na qual se pretende promover a empregabilidade de grupos populacionais com empregabilidade difícil e o combate ao insucesso e abandono escolar. ‘O Nosso Mercado’ que visa promover a autonomia e a responsabilidade no seio das famílias que apoia é outra resposta relevante e que faz a diferença. Por outro lado, a diretora realçou a importância do Serviço de Intervenção em Crise (SIC), um serviço abrangente de emergência psicossocial que reduz o impacto de eventos críticos na população, intervindo desde a fase pré-crise à fase pós-crise. “Esta é a resposta que, indubitavelmente, cumpre a missão da Cruz Vermelha e é um serviço que prestamos gratuitamente à comunidade de Gaia”, refere Veneranda Barbosa, lembrando que neste contexto a instituição preconizou um rastreio mental aos profissionais de emergência e aos gaienses, cujos resultados serão devolvidos num fórum a realizar nos dias 14 e 15 de fevereiro do próximo ano. “Todas estas respostas e valências permitem-nos estar num ano com mais de 12 mil gaienses” refere, realçando no entanto a aposta na juventude, na lógica do voluntariado, porque “queremos capacitar os nossos jovens para que sejam agentes de mudança positiva”. Hostel – um projeto inovador O Hostel Cruz Vermelha é um projeto inovador que se assume como uma referência no que diz respeito aos serviços de qualidade e excelência que proporciona. Localizado em pleno centro urbano, a dois passos do rio Douro, o hostel surgiu numa lógica de turismo social, proporcionando um espaço de lazer diferente a famílias com menos recursos e onde está sempre um quarto sempre disponível para garantir o descanso do cuidador. A ideia foi desenhada pela atual direção, que conseguiu mobilizar contactos e parceiros que apoiaram esta causa. “Foi um ato de cidadania, porque as pessoas perceberam que estavam a aderir a uma causa e perceberam a importância dessa causa”, afirma a diretora da CVP, salientando que a instituição tem desenvolvido uma simbiose marcante com os seus parceiros e, por outro lado, tem granjeado uma visibilidade crescente além-fronteiras.


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STASSA

A ARTE DE SABER CUIDAR A S. Tiago – Associação de Solidariedade Social de Areias (STASSA), tem o objetivo de dar resposta a pessoas idosas, em situação de risco ou de perda de independência, por período temporário ou permanente, contribuindo para que tenham uma vida digna, confortável e saudável. Conversámos com Luís Freitas, presidente desta associação, para perceber os desafios que tem vindo a ultrapassar ao longo do ano de 2018.

A

A vida não espera, quando percebemos, lá se foram longos anos de dúvidas e inseguranças, os cabelos brancos surgem, as rugas salientam-se e novas dificuldades se manifestam. A sensibilidade do envelhecimento é elevada na STASSA à distinção do bem tratar. Oferecer dignidade ao envelhecimento é um dos objetivos que fez erguer uma instituição cada vez mais relevante nas freguesias do além rio de Santo Tirso (União de Freguesias de Areias, Sequeirô, Lama e Palmeira). Luís Freitas, presidente e fundador número um, começou por contar como surgiu a

DIREÇÃO

LUÍS FREITAS

O carinho e o respeito no trato dos utentes são práticas comuns dentro das quatro paredes da STASSA. O serviço é tão rigoroso, quanto “gratificante. Fico feliz quando vejo um utente sorrir e percebo que fazemos a diferença na sua vida” STASSA. “Tudo começou após uma conversa com alguns amigos da freguesia de Areias, que apercebendo-se do avanço da idade que ia tolhendo a autonomia dos mais idosos consideraram viável a fundação de uma estrutura de apoio aos idosos, tanto na vertente centro de dia, como de apoio domiciliário e, possivelmente, de lar (ERPI)”. A sua constituição formal data de 29 de novembro de 1996, contando com, precisamente, 29 fundadores de todos os extratos sociais. Este projeto viria a transformar a ex-escola primária de Areias, desativada e em ruínas, na sede da instituição e equipamento prin-

86 SAÚDE E BEM-ESTAR

cipal, uma doação por parte da Junta de Freguesia de então.

Vocação A equipa de 50 co l a b o r a d o r e s constitui parte integrante do ativo mais importante da instituição. O carinho e o respeito no trato dos utentes são práticas comuns dentro das quatro paredes da STASSA. O serviço é tão rigoroso, quanto “gratificante. Fico feliz quando vejo um utente sorrir e percebo que fazemos a diferença na sua vida”. Para trabalhar nesta associação, tal como noutras, é necessário ter-se gosto e vocação para cuidar de quem já muito contribuiu para a sociedade. Agradar a colaboradores e a utentes “não é fácil”, confessa-nos o presidente Luís Freitas, mas faz-se. Vida ativa: devolver o sorriso Manter os cidadãos séniores ativos é fundamental, não só por uma questão de saúde física e psicológica, como também para garantir a sua qualidade de vida. A STASSA


OBRAS DE AMPLIAÇÃO DESTINADAS AO ALARGAMENTO DA ERPI

HORTA BIOLÓGICA

proporciona diversas atividades no exterior, algumas, como idas aos teatros e cinemas, realizadas através de convite do município, cuja rede social “funciona muito bem”, considera o presidente. Também as atividades desenvolvidas pela instituição são diversas, sempre com o objetivo de devolver a dinâmica e a alegria aos seus utentes. Para além das atividades relacionadas com desporto sénior – como a modalidade boccia – e o programa de competências digitais, a associação está a desenvolver um projeto na área da musicoterapia, denominado ‘Envelhecer com Ritmo e Saber’. “Por vezes, entram aqui pessoas sem autoestima” e sem um ritmo ativo, “é uma alegria muito grande quando verificamos que passado pouco tempo parecerem novas pessoas, voltam a sorrir”. O recomeço das obras Várias ampliações foram realizadas ao longo do tempo, numa busca permanente de oferecer as melhores condições aos utentes da STASSA. Atualmente, a associação procura aumentar o edifício da ERPI, proporcionando mais 18 camas, divididas entre quartos duplos e individuais. “Em condições normais, a obra já estaria concluída”, começa por nos expor Luís Freitas, introduzindo um tema que lhe causa algum desgosto: “A obra recomeçou depois de um contencioso que existiu entre concorrentes. Foram motivos alheios à instituição,

todavia, por força da lei, não foi possível avançar até que o tribunal decidisse o recurso entreposto pela empresa. Depois de um concurso público que cumpriu toda a tramitação legal, ficamos surpreendidos quando o concorrente que ficou classificado em segundo lugar achou que teria argumentos para ficar em primeiro. Recorreu a tribunal, mas a fundamentação desse recurso não fazia sentido”. Felizmente, o projeto de ampliação da infraestrutura já foi recomeçado, para alegria dos utentes que esperam pela ERPI. Nesta época propícia a alegrias, Luís Freitas deixa uma mensagem: “desejo, como presidente da direção, a utentes, familiares, colaboradores e parceiros, que todos tenham um Natal feliz, extensivo a todas as pessoas que lhes são queridas e que 2019 seja um ano de sucesso para a nossa instituição”.

Rua Abel Dias Palmeira, N.º 38 4780-010 Areias STS - Santo Tirso Telefone : 252 862 773 Email : geral@stassa.pt

www.stassa.pt

SAÚDE E BEM-ESTAR 87


ORALMED BARCELOS

UMA CLÍNICA PARA TODOS meios de diagnóstico avançados, vão mostrar todos os detalhes da sua boca e indicar-lhe o caminho para um sorriso saudável. Tudo para que mais pessoas sorriam para a vida! Neste que é o primeiro grupo português especializado em medicina dentária, são já cerca de 180 os médicos qualificados em diferentes áreas clínicas que compõem uma equipa multidisciplinar. A clínica de Barcelos conta com dez colaboradores internos e onze médicos de corpo clínico. “Qualquer funcionário que entra para a OralMED tem formação interna”, refere Madalena Loureiro. E porque a missão deste grupo passa também por formar os melhores profissionais assegurando a partilha de conhecimento e as melhores práticas médicas, existem dois pólos de formação, no Porto e em Lisboa.

As clínicas OralMED fazem parte do grupo OralMED Saúde, o primeiro grupo português dedicado exclusivamente à medicina dentária. Um grupo que se distingue por acreditar que todas as pessoas devem ter acesso a uma saúde oral de forma plena.

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Com uma presença em todo o país, que se traduz em 33 clínicas próprias – e com perspetivas de chegar às 50 já em 2019, a OralMED, que nasceu em 2009, mantém um forte intuito em mente: “ajudar todos os portugueses a sorrirem para a vida”. Assim, e por forma a fazer cumprir a sua missão, o grupo OralMED criou um novo conceito de clínicas dentárias, onde os pacientes não se tratam dente a dente. Em vez disso, realizam um tratamento integral, com o objetivo de recuperar a saúde oral de cada pessoa, tornando a medicina dentária mais acessível a todos. “Todos temos direito a uma boca saudável. Esta é a visão que nos orienta, todos os dias”. Em pleno centro de Barcelos, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, estivemos à conversa com Madalena Loureiro, que nos contou ao detalhe o modo de atuação deste grupo de saúde oral. Atualmente responsável do núcleo de Barcelos, Madalena Loureiro abraçou a equipa OralMED em 2014 como gestora de paciente. “Consideramos a OralMED importante em Barcelos, também porque Barcelos é o maior concelho a nível nacional e tem uma população muito envelhecida”, conta. “A ideia é sensibilizar as pessoas para a importância da saúde e da saúde oral. Sentimos que as pessoas não têm consciência, têm receios ou não têm possibilidades financeiras, deixando de ir ao dentista com a regularidade com que deviam. Não há uma sensibilização nacional para esta questão e o grupo OralMED tenta colmatar essa falha dando a possibilidade de fazer um rastreio dentário gratuitamente, perceber como está a saúde oral, os problemas que têm, as soluções que há e poder corrigir essa situação”, explica. Assim, a OralMED criou um protocolo de atendimento, em que privilegia a atenção a cada paciente. “Criámos a figura do gestor de paciente, que acompanha todo o tratamento e disponibiliza informação clara”. “...para que mais pessoas sorriam para a vida!” O primeiro passo para o seu sorriso começa com um check-up dentário completo. A OralMED oferece a primeira avaliação médica, para que cada paciente saiba de modo pormenorizado o estado da sua saúde oral. Médicos reputados em diferentes áreas da medicina dentária, auxiliados por 88 SAÚDE E BEM-ESTAR

A boca como um todo A medicina dentária moderna trata a boca como um órgão único. Práticas médicas antigas ainda fazem tratamentos dente a dente, o que não corresponde às atuais recomendações da medicina dentária contemporânea. As clínicas OralMED garantem um tratamento completo: recuperar a saúde da boca, a função dos dentes e devolver a beleza estética de um sorriso saudável. Saúde, função e estética – estas são as três pedras basilares do grupo, que encara a boca como um todo, porque “o sorriso deve ser uma expressão de saúde”. E quantas


MADALENA LOUREIRO

vidas são afetadas, social ou profissionalmente, pela falta de melhores condições de saúde oral? “São muitas”, assegura Madalena Loureiro. A confiança começa num sorriso saudável e não sorrir por motivos de saúde diminui a autoconfiança. E os dados da saúde oral em Portugal ainda são alarmantes. 34 por cento da população nunca foi ao dentista. 80 por cento dos portugueses não tem a

dentição completa. 37 por cento das pessoas não podem pagar tratamentos dentários. 50 por cento das pessoas com mais de 65 anos não tem qualquer dente. Estes, entre outros números, colocam Portugal no segundo lugar da União Europeia dos países com maiores carências de saúde oral. A OralMED, acredita que pode inverter estes números, conforme nos explica Madalena Loureiro. “A saúde oral é desvalorizada. O nosso objetivo é dar a volta a isso, para que as pessoas percebam que ela é tão importante como qualquer outra área da saúde, até porque tudo passa pela boca. Se começarmos a ter problemas a nível dentário, a probabilidade de vir a desenvolver outro tipo de problemas de saúde é muito grande. Queremos sensibilizar as pessoas para que entendam a importância do tratamento a nível oral”. Satisfeita com o seu percurso profissional em Barcelos, a responsável da clínica conclui: “acima de tudo, o que é importante é gostarmos do que se faz. Não dá para incutir nada em alguém se não gostarmos do que estamos a fazer. Este acaba por ser um trabalho em equipa em que todos interagimos em conjunto”.

“O sorriso deve ser uma expressão de saúde”. E quantas vidas são afetadas, social ou profissionalmente, pela falta de melhores condições de saúde oral? “São muitas”, assegura Madalena Loureiro

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PURITY BELEZA

TRATAMENTOS PUROS DE BELEZA Paula Vieira sempre gostou de estética, de perfumaria, de cosmética e de tratamentos de beleza. Foi apoiada nesse gosto e, em 2017, mais precisamente no dia da Mulher, Paula Vieira inaugurou a Purity Beleza.

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Iniciou a atividade com o intuito de apostar apenas na depilação a laser, mas o sonho não ficou por aí. Atualmente, a Purity Beleza oferece serviços que vão desde os cuidados de rosto e corpo, assim como depilação a laser de iodo, massagem de relaxamento, osteopatia, podologia até ao aluguer de equipamentos laser de iodo. A capacidade de comunicação, que trouxe da sua anterior carreira, tornou possível transformar a ideia de um centro de beleza em realidade. A sorte foi também uma companheira fiel que proporcionou a facilidade em formar uma “equipa repleta de profissionais capacitadas e que são uma mais-valia” para o negócio. “Hoje, tenho as mesmas profissionais desde que iniciamos, todas têm formação na área em que estão a trabalhar, são prestáveis e fazem o atendimento personalizado de forma cuidada e atenta, em que o

PAULA VIEIRA

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Quando o cliente entra é recebido por mim e onde é feita uma avaliação das suas necessidades para poder reencaminhar para uma das nossas funcionárias

cliente é o nosso foco”, explica a gestora Paula Vieira. Orgulha-se de ter um atendimento personalizado e que tenta sempre corresponder às exigências dos clientes. “Quando o cliente entra é recebido por mim e onde é feita uma avaliação das suas necessidades para poder reencaminhar para uma das nossas funcionárias. Antes de iniciar qualquer tratamento, o cliente responde a um questionário que visa ajudar e a compreender melhor qual será o melhor tratamento indicado ao seu caso”. Explica ainda que existem clientes que chegam à Purity Beleza com a ideia de fazer um determinado tratamento, “mas depois de apurado o diagnóstico é que podemos aconselhar o que fazer por forma a obter os melhores resultados”. A presença forte na web através do facebook, instragam e do site www.puritybeleza. pt permite aos clientes fazerem as suas marcações online e receberem, quase de imediato, a confirmação via e-mail ou SMS, esclarece Paula Vieira. Com apenas dois anos de existência, a Purity Beleza já conta com três profissionais e quatro gabinetes adaptados aos diversos serviços prestados. “A depilação a laser foi desde o início o serviço mais requisitado e, sem dúvida, algo que tem trazido excelentes resultados aos nossos clientes. No pódio, a proprietária coloca ainda as massagens quer de relaxamento quer de pedras quentes,


e com a medalha de bronze aos tratamentos de corpo e rosto. Os tratamentos a laser têm vindo a evoluir e o laser de iodo é um procedimento eficiente que anula, na totalidade os pelos e a necessidade de fazer manutenção. O número de sessões depende de cada pessoa, tendo um resultado bastante eficaz e visível para o nosso cliente”. A depilação e toda a área da estética tem vindo, ao longo dos anos, a conquistar a sua importância no mundo feminino, mas com um enorme crescimento no setor masculino onde a depilação definitiva no corpo inteiro, passa a ter um papel preponderante no nosso bem estar físico e mental. Segundo Paula Vieira, este tratamento é um investimento que vale a pena: “são 50 euros por cada sessão e num pequeno número de sessões extingue os pelos quase todos. Já a depilação a cera custa 20 euros mas tem de ser repetida durante toda a vida, para além da dor e desconforto que esta técnica provoca”, esclarece. A gama de tratamentos de corpo e rosto é alvo da exigência da gestora que prima por apostar na qualidade dos mesmos sem que isso se reflita no preço final, fazendo com que o cliente tenha uma qualidade de serviço percebida, por um valor claramente abaixo do praticado pelo mercado. Para impulsionar a vinda de novos clientes ou promover a manutenção dos clientes existentes, a Purity Beleza tem vouchers que podem ser adquiridos em loja ou na página online, para os clientes que queiram oferecer a alguém próximo, em que quem receba um voucher Purity, não receba só uma prenda, mas sim uma experiência única. O balanço destes anos de atividade “é positivo e o medo sempre foi sinal de responsabilidade”. A carteira de clientes tem vindo a aumentar, o que vai permitir que, em fevereiro de 2019, a Purity Beleza possa aumentar o seu leque de serviços. “Em fevereiro vamos ter um novo serviço que é criolipólise. Já adquirimos a máquina e contratámos a profissional que vai realizar os tratamentos. A criolipólise tem como objetivo eliminar as gorduras localizadas (barriga, coxas, estômago), mas sempre conciliada com o exercício físico e uma alimentação saudável”, apresenta,

orgulhosa, o novo tratamento da Purity Beleza. Para o futuro, Paula Vieira considera que o importante é continuar a “apostar na qualidade dos tratamentos e profissionalismo da equipa que me acompanha”.

Rua Dr. Severiano Nº240 • 4510-254 Fanzeres- Gondomar • Tel: 224 630 132 | 962 748 686

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DREAM GYM

15 ANOS DE RECORRENTES SUCESSOS E CONQUISTAS Foi a 1 de dezembro de 2003 que Sérgio Fonseca abriu as portas do Dream Gym. Ainda hoje mantém o mesmo lema: “Born to Win”. Vila do Conde recebe assim os sonhos de um jovem com vontade de passar a sua paixão pelo culturismo aos seus clientes.

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No dia seguinte a realizar 15 anos de conquistas e sonhos, o proprietário deixa uma mensagem a todos os que acompanharam e acompanham o projeto: “Parabéns Dream Gym!! Ontem, dia 1 de dezembro, completaste 15 anos de existência. Desde o início evoluiste muito, mas sempre com os pés assentes na terra, sem loucuras de investimentos, mas com trabalho diário e respeito pelos seus alunos que fazem do Dream Gym um local diferente, mas muito familiar. Nunca foste um ginásio comercial nem para massas, o teu ‘Boss’ nunca procurou isso, ele sempre sonhou ter um ginásio onde se respirasse competição, onde se respirasse aquilo que o faz acordar todas as manhãs que é a atmosfera do culturismo. Este ano tem sido muito positivo para mim enquanto dono do Dream Gym, surgiram muito boas oportunidades neste pequeno local, que muitos apelidam da mecca do culturismo na zona norte do país, a mim como proprietário 92 SAÚDE E BEM-ESTAR

SÉRGIO FONSECA

enche-me de orgulho falarem do meu ginásio nestes modos, sinal que o meu trabalho é reconhecido pelos amantes da modalidade. Espero que o ano de 2019 seja pelo menos tão bom para o meu ‘filho’ como foi o ano de 2018 e NUNCA se esqueçam, todos os desportos TODOS passam por uma sala de musculação. Continuação de um bom ano e muito, muito obrigado por estes 15 anos maravilhosos”. Segundo o proprietário o pior destes 15 anos de histórias foi começar. Foi ser um jovem cheio de vontade, mas que não tinha experiência e que tinha de conquistar um lugar no mercado e o respeito da comunidade. Um ginásio diferente, mas que nunca excluiu ninguém. Sérgio Fonseca não esconde que é no treino de campeões de culturismo que encontra a sua felicidade. Porém, o Dream Gym tem as portas abertas para todos os atletas e cidadãos que queiram usufruir de um treino completo. “Há muito preconceito sobre a competição de culturismo. Ser treinador de um atleta de competição em culturismo é muito mais do que ensinar a ganhar músculo. É todo um trabalho que precisa de um vasto conhecimento de desporto, nutrição e anatomia. Eu tento levar sempre atletas que tenham uma boa relação de massa muscular com definição muscular. Todo este processo da competição, principalmente a última semana, tem de ser analisada ao pormenor e ao minuto. Há um estudo exato das quantidades que devem ser ingeridas de água, proteínas, gorduras e hidratos. Este tipo de coisas não se aprende na universidade, aprende-se na atividade com a experiência”, explica o profissional.


O último ano foi muito importante para o proprietário, não só a nível profissional como pessoal. O projeto NAU (Nós Avançamos Unidos) aproxima Sérgio Fonseca da vida política onde pretende conseguir realizar projetos antigos e onde vê uma boa forma de conseguir comunicar a sua arte de uma forma mais correta. “Não foi uma brincadeira porque o projeto é sério e tem pernas para andar, mas aconteceu naturalmente sem ser forçado. Eu nunca estive ligado a nenhum movimento político e associativo aqui em Vila do Conde. Acho que chega a um momento em que temos de olhar um pouco para todos e esquecermo-nos um pouco de nós”, conta. O objetivo principal é unir toda a comunidade ao desporto com a criação de um centro de alto rendimento onde todos os atletas pudessem treinar independentemente do desporto praticado. É também importante para o entrevistado diminuir o sedentarismo da população local e fazer com que abram os horizontes para além do mar. É com orgulho que abraça estas causas que considera serem uma mais-valia e que sabe que deixariam o seu primo orgulhoso das suas atitudes. António José Pacheco

“Há muito preconceito sobre a competição de culturismo. Ser treinador de um atleta de competição em culturismo é muito mais do que ensinar a ganhar músculo. É todo um trabalho que precisa de um vasto conhecimento de desporto, nutrição e anatomia...”

Ferreira, médico de medicina desportiva, ofereceu em tempos a primeira bicicleta a Sérgio Fonseca. Foi a primeira ligação direta ao desporto, um gesto que nunca esquecerá. “Apesar das nossas divergências de opinião que durante muito tempo nos afastaram ele foi aquela pessoa que me introduziu no desporto. Sei bem que o culturismo nos distanciou mas depois de anos afastados ambos admitimos que foi desnecessário. As pazes foram feitas pouco tempo antes de ele nos deixar por causa de um cancro”, conta, emocionado. Antigo diretor do departamento médico do Rio Ave que, para além de médico, tinha uma vertente comunitária e social enorme. “Ele oferecia consultas quando sabia que as pessoas não tinham possibilidade”. Foi recentemente inaugurada uma rua com o seu nome, segundo as palavras de um homem que o admira: “a rua é pequena para a dimensão do ser humano que ele era”. Um percurso que ainda está longe do fim e que tem vindo a construir lindas histórias de dedicação, motivação, superação e de verdadeiros campeões. Avenida Infante Dom Henrique 550 | 4480-670 Vila do Conde dreamgym.pt@gmail.com www.dreamgym.pt

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EUROFUTTON

“DORMIR NUNCA FOI TÃO BOM!” Não deve subestimar a importância de um bom colchão! As oito horas de sono diárias resultam num total de quase 3.000 horas despendidas no conforto da cama por ano. Por isso, neste culminar de 2018, a Portugal em Destaque esteve à conversa com Bruno e Ricardo Serra, responsáveis da Eurofutton, a colchoaria trofense que se encontra na vanguarda da produção nacional!

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Na vanguarda da colchoaria nacional, a Eurofutton é uma empresa familiar situada na Trofa, cidade pertencente ao distrito do Porto. A profunda investigação ergonómica e o desenvolvimento de novas soluções são a maior preocupação da Eurofutton. A intenção é assegurar o bem-estar do cliente com a aplicação de novas técnicas e dos mais requintados materiais. 94 SAÚDE E BEM-ESTAR

Resultado da simbiose entre as palavras ‘euro’ e ‘futton’, o nome próprio da colchoaria portuguesa remete para o enquadramento europeu de uma tradição japonesa que sublinha a importância do sono. Eurofutton é sinónimo de qualidade e refinamento. Trata-se de uma referência ao tipo de colchão utilizado na cultura tradicional japonesa - o ‘futton’, um tipo de colchão que prima pela qualidade do material utilizado na sua confeção, maioritariamente o algodão. Neste sentido, a empresa trofense que se estende por 2500m2 de área fabril distribuída por corte, montagem, confeção, embalagem, expedição, tem como principal missão a conceção de colchões diferenciados e de alta qualidade. Adicionalmente, dispõe de um showroom onde todos os clientes têm a possibilidade de pessoalmente tomarem contacto com a qualidade dos diferentes produtos que fazem parte da sua coleção,


inclusive uma suite à escala real devidamente apetrechada. Bruno Serra e Ricardo Serra são os atuais responsáveis pela Eurofutton. A empresa surge pelas mãos do tio materno dos irmãos Serra, um homem experiente no ramo da colchoaria. O fundador idealizava satisfazer e dar resposta ao mais exigente dos clientes, uma idealização que viria a ser cumprida com o auxílio dos sobrinhos. No ano de 2009, Bruno e Ricardo embarcam na aventura familiar, culminando por tomar as rédeas da empresa em 2011, após o adoecimento do tio. Difíceis períodos de negociação se seguiram. Sem o sócio fundador, os dois irmãos intervêm fortemente na reformulação da empresa, acabando por reconquistar o mercado na viragem de 2014 para 2015, “o nosso ano zero”, garantem. “Tratar o cliente pelo nome próprio!” A dinâmica familiar transpõe a sinergia vivida entre os membros da empresa e influencia, consideravelmente, a relação da Eurofutton com os seus clientes. Atualmente, a empresa apresenta uma vasta gama de colchões e procura “tratar o cliente pelo nome próprio” garantindo, assim, soluções à medida das necessi-

RICARDO E BRUNO SERRA

A alta adaptabilidade dos materiais e das matérias-primas às necessidades específicas de cada cliente é a grande vantagem dos colchões desenvolvidos

dades específicas de cada um. Tendo em consideração que o ser humano passa um terço da vida sobre um colchão, é fundamental ter em atenção os critérios de seleção que deve cogitar no momento da compra. A eleição ponderada de um colchão à medida pode evitar o surgimento de dor nas costas e outros problemas de saúde. A colchoaria da Trofa concebe colchões à medida. São colchões que se adaptam ao biótipo de cada indivíduo. Aliás, a alta adaptabilidade dos materiais e das matérias-primas às necessidades específicas de cada cliente é a grande vantagem dos colchões desenvolvidos. As matérias-primas inovadoras e certificadas são também um ponto fulcral na produção deste produto. Exemplos disso são espuma viscoelástica, grafeno, latex, poliuretanos, entre outros produtos com características excecionais de conforto. SAÚDE E BEM-ESTAR 95


“A tecnologia não está tanto no processo de fabrico. Ao designar ‘qualidade’ referimos matérias-primas de alta qualidade, em espumas e tecidos. Felizmente, em Portugal, o têxtil é uma referência a nível mundial que nos auxilia na conceção de colchões de alta qualidade. A aromaterapia, os acabamentos que promovem a ativação sanguínea, os materiais antibacterianos são especificações que nos auxiliam no sentido de elevar os padrões de qualidade ergonómica dos nossos produtos”, explica Bruno Serra. A necessidade de chegar ao consumidor final - Fallasleep Da necessidade de chegar a um público diferente nasceu, na Eurofutton, a Fallasleep. Desta forma, todos os segmentos de mercado são abrangidos. Com uma postura jovial e diferenciadora têm como principal objetivo simplificar uma compra que, por vezes, se torna complicada pela variedade de opções que o consumidor tem à sua disposição. A Fallasleep faz jus ao seu slogan: “construir sonhos dando descanso às preocupações”. Primeiros passos no mercado internacional A dar os primeiros passos no mercado internacional, a Eurofutton quer chegar ao consumidor final e quebrar o paradigma que coloca o colchão como um bem não-essencial. França, Espanha, Cabo Verde, Inglaterra são alguns dos destinos que já recebem colchões idealizados pela empresa nortenha. A Eurofutton esteve presente na Equip’Hôtel, em Paris, um evento que se realizou de 11 a 15 de novembro e cujo principal objetivo passou por expor novidades e inovações nos setores da hotelaria e restauração. “Somos cautelosos e procuramos evoluir com sustentabilidade” O balanço é positivo. O ano de 2018 fica registado por um aumento de 17 por 96 SAÚDE E BEM-ESTAR

cento no que diz respeito ao crescimento económico da empresa. Um crescimento que se deve à confeção de colchões personalizados que garantem a curvatura natural da coluna, ao mesmo tempo que isolam e aconchegam quem neles se deita. Trata-se de uma garantia de qualidade que só é possível devido à atuação de 15 profissionais altamente qualificados, assegura Ricardo Serra. “O sucesso desta empresa deve-se aos seus colaboradores e ao excelente trabalho que realizam, temos uma equipa solidária e altamente qualificada que nunca nos falhou”. “Continuar a corresponder à expectativa” e “elucidar o público sobre a relevância de um bom colchão” são os principais propósitos da Eurofutton para o futuro.


MUNICÍPIOS

Os municípios portugueses são unidades políticas e orgânicas perfeitamente estruturadas e com responsabilidades atribuídas, nas mais variadas áreas – social, urbanística, organizacional, política, económica – o que coloca os municípios em destaque nesta edição de final de ano da revista Portugal em Destaque. Quando virar a página, ficará a conhecer dois exemplos de autarquias e um de uma Junta de Freguesia que desenvolvem projetos únicos para e com os seus cidadãos. Cada vez mais, é da responsabilidade das autarquias criar e colocar em prática projetos que enalteçam a sua região, promovam o bem-estar social e económico das famílias residentes e, em alguns casos, que atraiam a fixação de população nos lugares. A juntar a isso, os projetos desportivos e socioculturais, bem como as questões urbanísticas inerentes à promoção da qualidade de vida são também da responsabilidade dos municípios. As autarquias nacionais presentes nesta edição levam a sério a missão de trabalhar em prol da população. Conheça os seus exemplos!


MUNICÍPIO DO CADAVAL

PRÓXIMO DA POPULAÇÃO

JOSÉ BERNARDO NUNES

Localizado a norte do distrito de Lisboa, o Município do Cadaval é caracterizado por uma realidade marcadamente rural, onde sobressai o setor da agricultura. Com cerca de 174 km2 e 14 mil habitantes, este concelho assume uma posição de relevo, na produção de vinho e pera rocha, essencial para a dinâmica da economia local e nacional. A cumprir o segundo mandato à frente da Câmara Municipal do Cadaval, José Bernardo Nunes revela em entrevista à Portugal em Destaque, as principais marcas da sua liderança política.

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Natural do Cadaval, José Bernardo Nunes é uma personalidade da terra, tendo feito o seu percurso pessoal e profissional no concelho. Professor de matemática desde 1991, o edil decidiu abraçar a carreira política há mais de duas décadas, como nos contou: “a minha candidatura à presidência sucedeu em 2013, após aceitar um convite, mas já tinha uma vasta experiência neste âmbito, nomeadamente os 12 anos passados na Assembleia Municipal e os seis anos na vice-presidência”. Participante ativo na dinâmica do concelho, José Bernardo Nunes destaca a situação financeira estável do município, que permite uma fácil gestão da câmara. “Falamos de um município marcadamente rural, com pouca população, mas muito bem localizado, num dos eixos rodoviários mais importantes. Estamos perto da capital, logo esta proximidade faz do nosso concelho um sítio agradável para residir, devido à elevada qualidade de vida”, revelou, acrescentando: “embora a taxa de natalidade em relação à taxa de mortalidade esteja com um valor negativo, o nosso

98 MUNICÍPIOS

concelho tem recebido muitos estrangeiros, que se querem fixar perto da capital, usufruindo de uma maior qualidade de vida e preços mais acessíveis”. A agricultura como centro económico A atividade agrícola é uma marca do Cadaval, subdividindo-se pela área do vinho, da pera rocha, a que se junta a atividade florestal. “Somos o principal produtor e exportador de pera rocha na região, a qual representa 40 por cento da produção. Por outro lado, temos grande tradição na produção vinícola. O vinho produzido no concelho chega a diversos países do mundo e já acumula diversos prémios nacionais e internacionais”, sublinhou o autarca. Na doçaria distingue-se o pão-de-ló Ti Piedade, produzido na localidade de Painho. Do ponto de vista turístico, um dos ex-líbris do Cadaval é a serra de Montejunto, área de paisagem protegida e um importante polo de atração turística, onde trilhos e miradouros, assim como a Real Fábrica do Gelo (monumento nacional setecentista) constituem alguns dos pontos de interesse a visitar. “Neste âmbito estamos a requalificar o parque de lazer da vila, assim como a Real Fábrica do Gelo”, revelou o nosso entrevistado. A Festa das Adiafas, que envolve todas as associações do concelho, é um dos principais eventos do Cadaval e celebra o fim das colheitas. Quanto ao Carnaval, este evento começa a afirmar-se como uma data importante para a dinâmica económica do concelho, a que se juntam as tradicionais festas religiosas. Investimento no município Do ponto de vista das obras, o líder executivo revela que salvo raras exceções todos os investimentos são equacionados e avaliados, tentando realizar o máximo, com o mínimo possível. O abrigo para animais é uma das principais obras em curso, de âmbito intermunicipal, entre o concelho do Bombarral e do Cadaval, no valor de 400 mil euros. A estratégia do autarca passa por continuar no caminho desenvolvido no mandato anterior, dando continuidade a um projeto consistente, que procura apresentar respostas às necessidades dos habitantes locais. “Temos investido na rede de saneamento e esgotos. Desde finais dos anos 80, com a abertura dos quadros comunitários de apoio, investimos 9 milhões e 600 mil euros, estando previsto para este novo quadro um valor na ordem de 1 milhão e 200 mil euros. Por outro lado, temos melhorado a estrutura rodoviária do concelho que, nesta última grande intervenção, já ultrapassou 1 milhão e 700 mil euros. Mais recentemente, construímos um pavilhão para receber diferentes tipos de eventos e investimos no parque de máquinas para a recolha do lixo. Aliás, uma das minhas preocupações é a atualização constante do parque automóvel e da maquinaria ao dispor do município”, afirmou. Para breve será inaugurado o novo centro de saúde, resultado do protocolo entre a autarquia e a ARS, assim como a intervenção na escola secundária, que contará com o apoio do Ministério da Educação. Mensagem de Natal “Queria desejar a todos umas festas felizes. Espero que os munícipes do Cadaval estejam satisfeitos com o trabalho desenvolvido, manifestando que estamos sempre com a porta aberta para ouvir o que nos possam ter a dizer, dando nota de potenciais melhorias ou mudanças que sejam necessárias efetuar em prol do concelho. Penso que tem sido um mandato positivo onde procuro manter sempre patente a minha proximidade com a comunidade”, finalizou José Bernardo Nunes.


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MUNICÍPIO DE BOTICAS

GASTRONOMIA E CULTURA ALIADAS EM BOTICAS

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Nos dias 11, 12 e 13 de janeiro irá realizar-se a XXI Feira Gastronómica do Porco, em Boticas, um dos certames mais importantes de Trás-Os-Montes. O que podemos esperar desta edição? A Feira Gastronómica do Porco já se tornou num dos certames gastronómicos mais importantes da região, pelo impacto económico que gera e pelo dinamismo que traz a este território. A cada ano que passa temos vindo a fazer pequenas alterações por forma a corresponder às necessidades e expetativas dos produtores, expositores e dos milhares de visitantes que rumam até Boticas, por esta altura do ano. Mais do que apresentar novidades a cada nova edição, temos sempre bem presente que aquilo que realmente valoriza e distingue a nossa feira das restantes é a qualidade dos produtos expostos não só para venda, mas também para degustação, uma vez que os visitantes têm a possibilidade de provar e comprovar in loco a maravilhosa gastronomia local, em especial os pratos confecionados à base de carne de porco. Mas este evento não se restringe apenas à componente gastronómica, pois também temos em consideração a vertente cultural. Durante três dias, todos os visitantes podem disfrutar de um diversificado programa cultural, composto por muita animação musical e também pela divulgação de algumas das nossas tradições seculares, como é o caso das conhecidas ‘Chegas de Bois’. Estas são apenas algumas das muitas ofertas que o Município de Boticas tem para oferecer a quem nos visita e, apesar do certame estar centralizado na vila, há muito para descobrir um pouco por todo o concelho. Quantos visitantes são esperados em Boticas pela altura da feira? Não conseguimos precisar um número certo de visitantes, mas serão seguramente mais de 70 mil. O Concelho de Boticas recebe milhares de pessoas vindas de vários pontos do país e, pela proximidade geográfica, também da vizinha Galiza (Espanha). 100 MUNICÍPIOS

Em janeiro irá realizar-se a Feira Gastronómica do Porco em Boticas, evento que é a simbiose entre a excelente gastronomia transmontana e cultura. Venha conhecer este concelho, que tem muito para oferecer! Aproveitando a viagem, que outros locais e/ ou atividades podemos recomendar aos visitantes? O concelho de Boticas é conhecido por um vasto património cultural, arqueológico e natural que pode ser visitado, em qualquer altura do ano. O património mais valioso é, sem dúvida, o legado das nossas populações e a herança transmitida de geração em geração, que ainda vai resistindo ao tempo e que é visível mediante o contacto com as nossas gentes. Entre os vários locais a visitar temos, por exemplo, o Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade (BNB) e o Parque Arqueológico do Vale do Terva (PAVT), que refletem o que de melhor a mãe natureza tem para oferecer no seu estado mais puro. São espaços onde o lazer se associa à biodiversidade e ao conhecimento. Aqueles que pretendam vivenciar uma experiência diferente e com a tranquilidade própria deste território podem usufruir de uma estadia nos bungalows existentes no coração do Boticas Parque. Por sua vez, o Centro Europeu de Documentação e Interpretação da Escultura Castreja (CEDIEC), é um espaço onde se encontra e pode visitar uma réplica do ex-líbris do Concelho de Boticas, o Guerreiro Galaico, símbolo representativo dos povos castrejos que estiveram na origem desta região. O Centro de Artes Nadir Afonso é o local dedicado à memória e obra do pintor Nadir Afonso, um homem com raízes em Sapelos, localidade do Concelho de Boticas de onde era natural a sua mãe. Estes são apenas alguns dos locais existentes no Concelho de Boticas e que podem ser visitados não apenas aquando da Feira Gastronómica do Porco, mas durante todo o ano. Qual a importância da realização deste evento para a economia local? Boticas é um concelho rural onde a agricultura e a pecuária ainda são atividades de extrema importância para a rentabilidade de muitas famílias, que veem nestas duas atividades uma forma de vida e isso reflete-se, naturalmente, na economia local. A realização da Feira do Porco permite aos produtores escoar a maioria

dos seus produtos, nomeadamente fumeiro e enchidos, e daí terem algum lucro do trabalho que desenvolvem ao longo de todo o ano. “O Município de Boticas ocupa o quarto lugar do ranking dos Municípios Portugueses do continente no Índice Global de Qualidade de Governação Local”: a que se deve esta distinção? Esta distinção deve-se sobretudo à forma como o executivo camarário tem vindo a trabalhar, de forma sólida, na melhoria da qualidade de vida dos seus munícipes, o que permite fazer de Boticas um Concelho com futuro. Defendemos uma gestão rigorosa e transparente da autarquia, ouvindo a opinião de todos e implementando políticas de proximidade, que nos permitem atuar de acordo com as necessidades e anseios da nossa população. Este reconhecimento permite-nos constatar que estamos a tomar a decisões corretas em benefício do nosso povo e que estamos a trabalhar no caminho e rumo certos. O que podemos esperar de Boticas num futuro próximo? Queremos que Boticas seja, acima de tudo, um lugar onde as pessoas se sintam bem e gostem de viver. Estamos a trabalhar no sentido de desenvolver mais o nosso concelho, de melhorar as condições de vida das nossas populações, de atrair mais e melhor investimento, entre muitas outras coisas, potenciando a criação de emprego e a fixação da nossa população.


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MUNICÍPIO DE FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO

PEQUENO CONCELHO, GRANDES DESAFIOS Paulo Langrouva, presidente da Câmara Municipal de Figueira Castelo Rodrigo, em conversa com a Portugal em Destaque, fala das mudanças significativas dos últimos tempos.

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Faz parte do distrito da Guarda, na Região das Beiras e com cerca de 6.260 habitantes. É um concelho de planalto, com paisagens e património material (edificado e histórico) e imaterial, que se revelam como interessantes motivos turísticos que se querem dar a conhecer. 2018 foi um ano de grandes desafios para este concelho do interior do país. “Nós tivemos a oportunidade de, neste ano, trazer para Castelo Rodrigo um dos eventos marcantes a nível nacional no que toca à comunicação de ciência: o 6º Congresso de Comunicação de Ciência – SciComPT 2018”, explica o presidente. Durante cinco dias, a região recebeu mais de 150 investigadores vindos de todos os cantos do mundo para desenvolverem temas ligados à ciência. O evento já conta com edições passadas que decorreram nas grandes cidades portuguesas (Lisboa e Porto). 2018 foi a primeira edição a realizar-se no interior do país. “É um progresso que estes eventos se realizem no interior do país, pois proporcionam a dinamização destes locais e, ainda por cima, num pequeno concelho como este”. É certamente um ponto de viragem para o conhecimento nacional e internacional. “Há meia dúzia de anos seria impensável receber um evento destes. Foi o transmitir o nosso concelho, as nossas mais-valias para todos os cantos do mundo. Projetar além-fronteiras o território, a gastronomia, a cultura e o património. O feedback, de todos os presentes, foi bastante positivo e achamos que este evento veio abrir as portas do nosso concelho para o mundo”, explica orgulhoso. O presidente encontra-se confiante na imagem que foi transmitida do concelho. Para o futuro prevê que os visitantes voltem e que

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tragam com eles familiares e amigos para dar a conhecer uma das sete maravilhas do mundo, título arrecadado em setembro de 2017. “Sermos eleitos uma das 7 maravilhas de Portugal, na categoria de aldeias autênticas, foi um marco importante e um ponto de viragem na dinâmica turística do concelho e em particular, na aldeia histórica de Castelo Rodrigo”, conta. Preocupa-se ainda em demonstrar que o prémio foi merecido e que veio aumentar o

movimento de turistas da região. “Conseguimos catapultar esta aldeia para uma dimensão que possibilita aumentar o fluxo turístico, as dormidas, a faturação da restauração e criar uma outra oportunidade: dar a conhecer a todos os portugueses, localidades que ainda não eram conhecidas. Despertar a vontade de visitar e explorar as oportunidades do território foi uma das mais-valias”. Para além de admitir que todas estas situações são uma mais-valia para Castelo Rodrigo, são também importantes para todo o distrito da Guarda. Refere que foi, sem dúvida, “um ganho de escala” em que todas as localidades envolventes vão receber turistas, o que vai permitir catapultar todos os territórios para uma nova realidade. Já existem novas dinâmicas sentidas após este evento. “Abriram mais lojas e mais restaurantes que vêm certamente dinamizar a economia local. Os estabelecimentos já existentes tiveram um trabalho acrescido de se prepararem para esta nova fase”, explica. O concelho já recebia cerca de 125 mil visitantes por ano, devido às viagens turísticas de barco do rio Douro, no entanto, já se sente um aumento notório no fluxo. Apesar desta grande preocupação com a expansão do nome do concelho há uma preocupação ainda maior com os seus habitantes: as questões de bem-estar social e de saúde. No início do mandato, Paulo Langrouva implementou o seguro de saúde municipal, direcio-

PAULO LANGROUVA

nando a sua ação para a qualidade de vida dos munícipes. “É um foco essencial e permite aos residentes terem consultas de clínica geral, de especialidade e acesso a meios de diagnóstico de forma gratuita. Este serviço inclui também o transporte para as consultas, sem nenhum pagamento associado”, explica. 2018 foi um ano de acrescentos e melhorias. Para além dos serviços já existentes, implementaram-se também as consultas de odontologia com o objetivo de “conseguirmos mudar os sorrisos dos munícipes”. Um grande investimento que faz todo o sentido. “Uma aposta na prevenção e na saúde como bem essencial”, remata.

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FREGUESIA DE CASTELO MELHOR E ORGAL

VISTA AÉREA DA ALDEIA DE ORGAL

VISTA AÉREA DA ALDEIA DE CASTELO MELHOR

CASTELO MELHOR E ORGAL, ALDEIAS TÍPICAS DE PORTUGAL As gravuras rupestres de Vila Nova de Foz Côa trouxeram às aldeias de Castelo Melhor e Orgal a visibilidade e afluência de que estas nunca pensaram. Uma das portas de entrada no Parque Arqueológico do Vale do Côa situa-se precisamente na aldeia de Castelo Melhor que, ao descer para o Vale do Côa, deslumbra os turistas ao exibir as gravuras rupestres do Paleolítico Superior, seguida da indispensável visita à aldeia de Orgal onde se encontram vestígios de gravuras de Idade do Ferro. Em entrevista à Portugal em Destaque, José Fernandes Paulo, presidente da Junta de Freguesia de Castelo Melhor e Orgal, aponta as vantagens de governar uma aldeia turística sem nunca esquecer o bem estar da população residente.

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Numa conversa descontraída, José Fernandes Paulo, começa por referir que vai fazendo “as obras à medida que chega o financiamento e a população vai necessitando. Para já, precisamos de construir uns lavabos públicos junto à Capela da Nossa Senhora dos Remédios, para servir a população e quem nos visita, principalmente nos dias festivos”. No Arcanjo Gabriel, bem no alto da aldeia, “queremos fazer um espaço para a banda poder atuar na segunda feira de Páscoa, de forma a melhor receber a procissão, sempre acompanhada pelos fregueses. Na realidade, o nosso padroeiro é o Santíssimo Sacramento, ou seja, não existe uma materialização deste santo, logo, adotámos o Arcanjo Gabriel e a Nossa Senhora de Fátima como padroeiros. Em honra deles vamos fazer umas Alminhas, junto ao cruzamento que dá acesso a Castelo Melhor e outras Alminhas com a Nossa Senhora dos Remédios, logo à entrada de Orgal, que é a padroeira dessa aldeia”, esclarece o presidente. A maioria da população das freguesias de Castelo Melhor e Orgal está emigrada em França. “Voltam no verão para passar uns dias com a família mas logo regressam às suas vidas. Efetivamente, temos cerca de 175 pessoas a habitar as duas aldeias que são apoiadas pelo Centro de Dia, que funciona entre as 9 e as 19 horas, para a população poder ir almoçar e conviver uns com os outros, principalmente no inverno”. Há mais de um ano que foi disponibilizado um serviço gratuito de transporte da população para a sede de concelho, apenas na primeira e terceira terça feira de cada mês, dias em que se realiza a feira em Vila Nova de Foz Côa. “Este serviço veio dinamizar e conferir mais autonomia à população, agora podem ir à feira, farmácia, correios, segurança social, bancos, etc, com ida e volta gratuita, foi uma grande vitória 104 MUNICÍPIOS

deste executivo. Este serviço é financiado pelas juntas de freguesia de Almendra e de Castelo Melhor e Orgal” refere, com orgulho, José Fernandes Paulo. Presidente de proximidade, sempre disponível para atender às urgências e necessidades prementes da população refere que “mesmo com o serviço de transporte gratuito duas vezes por mês, pedem-me para lhes trazer as compras mais pesadas e de maior volume, o que faço com muito gosto, não me custa nada”. Quando começou a trabalhar no executivo da Junta de Freguesia, em 2001, como tesoureiro, inteirou-se das necessidades da população e dos meandros da política. “Quando o meu antecessor acabou o mandato decidi que era a altura certa para me candidatar à presidência, em prol da população. Não me considero político, eu gosto de ajudar e de estar em contacto com a população. Como fui tesoureiro da Junta de Freguesia de Castelo Melhor e Orgal a população já me conhecia e contactava muito comigo, foi o passo correto na hora certa”. A iniciar o último de três mandatos, José Fernandes Paulo, refere que tem conseguido quase tudo o que pretende para o conforto e bem estar dos habitantes das aldeias de Castelo Melhor e de Orgal. “Durante os meus mandatos consegui que fosse legalizado o Centro de Dia, construí a Capela MortuáJOSÉ FERNANDES PAULO ria, o Forno Camarário


IGREJA MATRIZ DE CASTELO MELHOR

Os votos de Feliz e Santo Natal saem espontaneamente da voz do presidente da Junta de Freguesia de Castelo Melhor e Orgal, bem como os de Feliz Novo para todos os fregueses e leitores, mas não termina a entrevista sem deixar o convite para que todos visitem as aldeias de Castelo Melhor e Orgal.

CAPELA DE ORGAL

também foi construído e, em breve, inaugurarei o novo cemitério”. As pequenas obras não as enumerou todas, mas é visível o cuidado e a limpeza das ruas e passeios nas duas aldeias. Esta freguesia tem uma estrada nacional que faz a ligação ao país vizinho e “recebemos milhares de visitas anualmente por sermos uma das portas de entrada no Parque Arqueológico do Vale do Côa”. Os operadores turísticos trazem os interessados, nacionais e estrangeiros, para visitarem as gravuras rupestres do Vale do Côa, um importante núcleo de gravuras do Paleolítico Superior e à aldeia de Orgal onde se encontram vestígios de gravuras de Idade do Ferro. José Fernandes Paulo, aproveita essa visibilidade e “todos os anos faço um CD de promoção da Freguesia de Castelo Melhor e Orgal onde fica patente a importância do património que estas duas aldeias têm na história de Portugal, bem como divulgo as paisagens inigualáveis que apenas podem ser observadas do nosso castelo”.

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FREGUESIA DE SÃO MARTINHO DAS CHÃS

“NÓS VIVEMOS PORTA A PORTA COM AS PESSOAS” É na freguesia de São Martinho das Chãs que a Portugal em Destaque se encontra com Maria dos Remédios Teixeira Monteiro, presidente e frequentemente mais conhecida como Remédios.

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Uma freguesia dividida em três localidades: S. Martinho, Gogim e Lumiares . São cerca de 762 os habitantes com que a presidente vai contactando com a intensão de se aproximar da realidade local. É a freguesia com maior produção de maçã do concelho de Armamar e é responsabilidade da Junta de Freguesia manter este pódio ajudando os produtores locais. “Ainda falta muito, mas passo a passo estamos a tentar chegar a todos”, afirma. Conhecida por todos e com conhecimento sobre todos é na relação pessoal com cada um deles que vê a sua missão. “Considero-me uma pessoa presente sempre que posso. Eu não estou à espera que me chamem. Nós aqui na junta não temos horário de funcionamento. O horário vai variando consoante as necessidades existentes na freguesia e na população. Somos todos família. Nós vivemos porta a porta com as pessoas. Este trabalho é para nos dar a facilidade de ajudar quem

precisa”, explica. É no trabalho porta a porta para colmatar as dificuldades que vê o seu objetivo a ser concretizado. “O contacto, cara a cara é mais pessoal e torna tudo mais familiar. Eu já conhecia estas pessoas. Eu para elas, não sou a presidente, sou a amiga, a vizinha. Eu continuo a ser a “Remédios”. Aliás, eu entrei para a junta para fazer mais pelas pessoas para estar mais próximo dos seus problemas e tentar solucionar. Abraçar este projeto foi uma oportunidade”. E assim continua a dar continuidade ao projeto do antigo presidente, atual secretário. É aos poucos que tenta melhorar as condições de vida de todos os fregueses e a vontade de dinamizar mais a freguesia é imensa. “Estamos a fazer o que conseguimos com o que temos. Pequenas obras de arruamentos e de apoio às coletividades e associações”, explica. É nas atividades que vão surgindo ao longo dos anos através das associações e do grupo de jovens que vão apoiando à dinamização regional tentando estar sempre presentes. As crianças e os idosos são duas das principais preocupações. “Tento sempre acompanhar as crianças e os idosos em todas as atividades. Estamos presentes nas festas escolares onde apoiamos com a distribuição de pequenas lembranças e acompanhamos sempre os nossos idosos nos passeios dinamizados pela Câmara Municipal”. Assim, a reabilitação do edifício da escola primária de Lumiares servirá a população e poderá ser utilizada para apoio ao grupo de catequese, reuniões de associações, espaço de lazer para encontros culturais, entre outros fins. 2019 já está a ser planeado. “Nós queremos fazer muitas coisas, mas é preciso que exista possibilidade para as fazer. Queremos dar início à construção da primeira casa mortuária da freguesia que é um dos principais objetivos. Queremos continuar a atividade de arruamentos em zonas agrícolas para permitir a produção da maçã e de outros produtos visto que grande parte da nossa população ainda está a trabalhar no setor agrícola. Queremos reabilitar o polo desportivo porque o piso está debilitado. E para além destas, queremos reforçar o nosso trabalho em todas as áreas de atividade”, explica. Mensagem “O que eu transmito pessoalmente a todas as pessoas e a toda a comunidade, em especial à minha comunidade, é que haja paz, saúde e serenidade para todos. São os ingredientes-chave para estarmos bem com os outros e connosco próprios.

São Martinho das Chãs, 5110-590 Armamar T. +351 254 946 024 E-mail. fre_saomartinhochas@sapo.pt MARIA DOS REMÉDIOS MONTEIRO

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ARTIGO DE OPINIÃO

LUIS MIGUEL CARDOSO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR

ENSINO SUPERIOR: DOS DESAFIOS DA OCDE E DO INTERIOR À FORMAÇÃO PARA A CIDADANIA

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O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance 2018, divulgado em setembro, é um dos documentos que marcam 2018, (re)abrindo a necessidade de refletirmos sobre alguns dos principais desafios que o Ensino Superior enfrenta no nosso País. 40% dos jovens portugueses com 20 anos estão atualmente inscritos no Ensino Superior, dado que nos aproxima da maioria dos países da OCDE, mas que exige uma profunda reflexão sobre as Instituições de Ensino Superior, na medida em que a vertiginosa e complexa transformação social e informacional que atravessamos está a moldar novos perfis de competências e as profissões do futuro. As IES e a tutela devem igualmente analisar o acesso e o ingresso ao Ensino Superior (urge rever, por exemplo, as provas de acesso à Licenciatura em Educação Básica - veja-se o impacto negativo no presente ano nas IES do Interior da aplicação da Portaria N.º 91/2014, que determina a obrigatoriedade da realização de provas de Português e de Matemática, para o ingresso neste curso a que se refere o Decreto-Lei n.º 43/2007, de 22 de fevereiro), nomeadamente o desejável aumento de alunos que chegam pela via profissionalizante, o alargamento do contexto de apoio ao aluno, no âmbito do alojamento, dos Serviços de Ação Social, e das bolsas (Mais Superior), coadjuvando a medida de redução de propinas. É igualmente urgente olhar para a rigidez dos planos de estudo e a orientação tout court para as profissões, obliterando percursos formativos mais flexíveis, que permitam uma maior inclusão de jovens adultos e edificação de perfis de saída mais humanistas, formando diplomados com soft skills, pensamento crítico e domínio de literacias emergentes. Temos, em Portugal, IES de grande qualidade, nos dois subsistemas, pelo que, com base nessa qualidade, é manifestamente legítima a atribuição de doutoramentos pelos Institutos Politécnicos, consubstanciada no enorme pro-

gresso na qualificação do corpo docente e na I&DT que tem sido desenvolvida. Este passo, decisivo e justo, marca o ano de 2018 e a história do Ensino Superior no nosso País. Um segundo documento essencial para a presente reflexão, divulgado em maio, o Relatório Final e Informação Complementar do Movimento pelo Interior (em linha com o Programa Nacional para a Coesão Territorial e a Agenda para o Interior, ambos publicados como anexos à Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2016 de 24 de novembro e o trabalho que tem sido feito pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior, criada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º03/2016 de 14 de janeiro), sugere um conjunto de propostas pertinentes para valorizar o Interior e combater as claras assimetrias e desigualdades em termos de desenvolvimento regional no nosso País: aumentar a atual taxa de 11% para 25% do número de estudantes no ensino superior no “interior”; criar incentivos à atração de recursos humanos qualificados; promover ‘Escolas de Pós-graduação’; requalificar áreas residenciais e de apoio a estudantes deslocados e interna¬cionais e campi sustentáveis; criar ‘Redes regionais de qualificação e especialização digital’; capacitar centros de investigação, ao nível das infraestruturas e recursos hu¬manos; criar ‘Laboratórios Colaborativos para a criação e estímulo ao emprego qua¬lificado’ e apostar em programas transfronteiriços entre Portugal e Espanha. Conjugando estes dois relatórios, podemos assinalar 2018 como um ano profícuo em propostas relevantes e capaz de desencadear uma ação concertada de grande espectro em prol do Ensino Superior, a curto e a médio-longo prazo, a nível nacional e, em particular, para o Interior, aposta que consideramos fundamental para

luis Miguel Cardoso docente do Ensino Superior

a coesão e desenvolvimento do País. Mas Portugal e a Europa não enfrentam apenas os desafios globais despertados pelo relatório da OCDE, nem as assimetrias territoriais. O maior desafio, hoje, é formar excelentes profissionais, mas acima de tudo excelentes cidadãos. Na verdade, na complexa sociedade da alvorada do século XXI, o Ensino Superior deve ser, cada vez mais, para o futuro diplomado, um espaço de consciencialização profunda dos valores essenciais para uma plena vivência da cidadania e da democracia. E esta é e será sempre a mais nobre missão da Educação, como é referido pela OCDE (2018) no relatório The Future of Education and Skills. Education 2030: Education needs to aim to do more than prepare young people for the world of work; it needs to equip students with the skills they need to become active, responsible and engaged citizens.


APOIO ÀS EMPRESAS

Os serviços de contabilidade e fiscalidade, bem como os serviços de consultoria, são cada vez mais essenciais à vida de cada empresa nacional. Um bom serviço de contabilidade e fiscalidade pode facilitar muito o dia-a-dia de uma empresa, que dará sempre passos mais seguros em direção ao sucesso económico e financeiro. Para além disso, os serviços de consultoria estão também muito em voga e não existem muitos projetos que tenham início sem que, previamente, seja realizado um estudo de consultoria sobre a viabilidade daquele negócio. Numa fase mais adiantada da empresa, a consultoria pode ser sempre uma excelente salvaguarda e existem muitas organizações que têm as suas parcerias de consultoria, para garantir que seguem sempre pelo caminho mais adequado. Nas páginas seguintes vai conhecer três exemplos de empresas que centram a sua atividade nestes três serviços: contabilidade, fiscalidade e consultoria e perceber qual a sua importância para a vida das empresas suas clientes.


CASTELOGEST

RECUPERAMOS O PASSADO, CONSTRUIMOS O PRESENTE, PROJETAMOS O FUTURO

A CASTELOGEST é o seu parceiro ideal, pois conta com 21 anos de experiência no caminho da excelência e liderança, com mais de 5 mil frações administradas, uma taxa de fidelização superior a 95 por cento e duas dezenas de colaboradores. Conversámos, uma vez mais, com Manuel Gonçalves, administrador.

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Como surgiu a CASTELOGEST e quais os principais valores pelo qual o seu trabalho se rege? Constituída em 1997, a CASTELOGEST começou com uma modesta carteira de clientes, tendo hoje uma forte e vincada presença no mercado, com uma evolução extraordinariamente positiva, progressiva e regular. A CASTELOGEST rege-se por princípios de ética empresarial, liderança, transparência, rigor orçamental dos condomínios que administra e informação regular da situação das contas, bem como na qualidade dos seus serviços. Com mais de 5 000 clientes/condóminos, tem como principal ‘chave’ do seu sucesso a satisfação e fidelização dos seus clientes. Quais as principais dificuldades que o sector atravessa? O setor atravessa várias dificuldades. A primeira assenta no facto da atividade não estar ainda regulamentada. E isso permite que qualquer um se possa considerar apto para administrar condomínios. E daí haver vários e importantes riscos para os

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Os objetivos da CASTELOGEST são servir o cliente, manter a consolidação da sua posição no mercado e, sobretudo, criar mais-valias para os prédios que administra condóminos. Sobretudo a partir dos anos 90, houve um aumento desmesurado de empresas e candidatos, o que fez que, rapidamente, este sector de actividade caísse em total descrédito, a CASTELOGEST tem sido há vários anos membro dos corpos directivos da APEGAC (Associação Portuguesa das Empresas de Gestão e Administração de Condomínios) que tem lutado pela publicação da legislação que regulamente a atividade de administração de condomínios e na qual uma normas que se sugere é uma coisa tão simples como obrigar à apresentação de uma certidão de dívida ou não dívida, a emitir pelo administrador do condomínio, sempre que uma fracção de um prédio sob o regime de propriedade horizontal é transmitida a terceiro. Desta forma, existindo dívida, ela transmitir-se-ia sempre para o adquirente, como acontece noutros países, como é exemplo a vizinha Espanha.


Porquê optar por uma administração profissional? Cabe ao administrador a gestão jurídica, financeira, de manutenção e segurança, de seguros e administrativa dos condomínios. À administração do condomínio (órgão executivo) compete ainda executar as deliberações da assembleia (órgão deliberativo). O administrador é também o responsável pelo cumprimento da legislação quanto a inspeções obrigatórias. O exercício não profissional da actividade de administração de condomínio não isenta o administrador destas responsabilidades. O recurso da administração do condomínio a uma empresa profissional e, sobretudo, competente e cumpridora, na prática, resultará em poupanças e mais-valias para o condomínio. A CASTELOGEST tem também negociado com várias empresas e actividades parcerias, com o objetivo de conseguir economias importantes para os condóminos dos

eventuais danos que possam ocorrer ao condomínio por atuação negligente ou com dolo da administração, no exercício da sua atividade.

prédios que administra, ao recorrerem a esses serviços. E um fator muito importante: seguro de responsabilidade civil profissional, que a CASTELOGEST subscreveu em 2008, para cobertura de

Quais são os objetivos e projetos de futuro para a Castelogest? Os objetivos da CASTELOGEST são servir o cliente, manter a consolidação da sua posição no mercado e, sobretudo, criar mais-valias para os prédios que administra, através de uma gestão e manutenção eficazes e obter solidez financeira dos condomínios. Quando referimos o princípio de liderança queremos afirmar que um gestor competente gere/administra, um líder inova e desenvolve. Enquanto um gestor competente produz bons resultados, um líder produz bons resultados de forma sustentável, mesmo em contraciclo. A qualidade de um condomínio também depende da excelência do seu Administrador.

MANUEL E JOANA GONÇALVES

Calcada de São Lourenço, no. 3 – Galerias São Lourenço, Escritório 1º A | 9000-061 Funchal Tel 291 761 536 | Fax 291 766 446

Email: castelogest@gmail.com | www.castelogest.pt

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AIMMP

7500 EMPRESAS NA FILEIRA DA MADEIRA A aimmp é a única associação empresarial no sector de âmbito nacional e com uma perspectiva de Fileira, representando todas as indústrias de base florestal, excepto a celulose, papel e a cortiça. Vitor Poças, conversou com a Portugal em Destaque sobre o que aconteceu em 2018 e o que reserva 2019.

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Como surge a Associação das Indústrias da Madeira e Mobiliário de Portugal e com que identidade se tem afirmado no mercado? A 12 de junho de 1957, nascia o Grémio dos Industriais de Serração de Madeira dos Distritos do Porto e de Aveiro com a aprovação dos estatutos, emissão do respetivo alvará e nomeação da Comissão Diretiva. Em 1995, são publicados os novos estatutos e a Associação, depois reconhecida de utilidade pública, passa a denominar-se Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP). Mantendo a sede no Porto e delegações em Lisboa e Leiria. Com que parceiros se tem associado e quais são as ds principais áreas de atuação? A AIMMP está ligada à indústria da Madeira e Mobiliário desde a Floresta à exportação, passado por corte, serragem e embalagem de madeira; painéis e madeira com painéis, carpintaria e afins; móveis e afins; exportação, importação e distribuição de madeira e derivados. O volume de exportações nesta área é 2,5 mil milhões de euros por ano. Os nossos parceiros institucionais são as maiores associações e federações nacionais e internacionais. Que projetos tem vindo a dinamizar e quais os que destacam? Ao abrigo de importantes programas PROGRAMA 2020, temos o INTERWOOD & FURNITURE. O InterWood & Furniture apoia as empresas que pretendam desenvolver estratégias de expansão internacional e diversificação para mercados de elevado potencial, através de um programa estruturado de intervenção. Este programa promove o aumento das exportações nas PME da Madeira e Mobiliário. Esta iniciativa já apoiou mais de 250 empresas em mais de 18 mercados e conta atualmente com incentivos até 50 por cento. A ASSOCIATIVE DESIGN: a marca Associative Design da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal tem, como objetivo, a promoção de produtos Nacionais e, com isto, desafiar designers, indústria e artesãos na busca da inovação aliada ao design e tecnologia. Como marca de excelência, o Associative Design apoia, representa e divulga empresas que partilham uma visão de inovação, levando os seus produtos a novos e entusiasmantes

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2018 foi um ano importante para a concretização de tudo o que projetaram? 2018 foi um ano de concretizações nos projetos de internacionalizações, de grandes feiras de apoio aos nossos associados, por exemplo, a criação dos Parques de Madeira Queimada, apoio à indústria depois dos incêndios. Este ano foi também tempo de comemoração dos 60 anos da AIMMP e de importantes eventos como os seminários internacionais perceptivas e desafios da Indústria da Madeira na Europa, VI Congresso AIMMP, 1º Seminário CNUF e Colóquio CNUF. Que objetivos estão previstos para o ano de 2019? No próximo ano a grande aposta é o desenvolvimento dos projetos e marcas AIMMP bem como a organização da V Edição do PNAM.


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Edição nº 34 - Anuário 2018  

Edição nº 34 - Anuário 2018  

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