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ÍNDICE

VAGOS PAG 42

RÉGUA PAG 71

FUNDÃO

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EDITORIAL UMA NOVA ESTAÇÃO O verão já lá vai. Despedimo-nos recentemente da estação mais apetecida e querida do ano, não só por representar a época de férias, por excelência, mas porque o sol e o calor que lhe são característicos tornam-nos sempre mais felizes. Já de baterias recarregadas, é a vez de recebermos o outono. A paisagem muda, e consigo os tons, os aromas e o próprio dia a dia, com as rotinas sem as quais já não sabemos viver. O que não muda, independentemente da estação do ano, felizmente, é a perseverança e a vontade de vencer dos nossos empresários. Muitos deles empreendedores, trazem à economia portuguesa novas formas de negócios e projetos inovadores reconhecidos nacional e internacionalmente, fazendo jus ao seu empenho e dedicação. Muitos outros, mantêm ativos os negócios familiares, mais tradicionais, fazendo questão de manter vivas as memórias dos seus antepassados. Não podemos descurar também as autarquias e juntas de freguesia que têm um papel fundamental no aparecimento e desenvolvimento das empresas nacionais, através de apoios e incentivos à criação de emprego e internacionalização das mesmas. Nesta edição tornamos a percorrer o país, desde o Alto Minho, até Torres Vedras, com uma passagem inesquecível por Vila Real, ou não fosse este ‘Um Reino Maravilhoso’, como o apelidou Miguel Torga. A direção editorial Diana Silva FICHA TÉCNICA | PROPRIEDADE: FRASES CÉLEBRES, LDA | DIRETOR: FERNANDO R. SILVA DIREÇÃO EDITORIAL: DIANA SILVA (REDACAO@PORTUGALEMDESTAQUE.PT) | CORPO REDATORIAL: BÁRBARA POUZADA, LAURA AZEVEDO JOSÉ MIGUEL LOPES, SÍLVIA PINTO CORREIA | DIREÇÃO GRÁFICA: TIAGO RODRIGUES | SECRETARIADO: PAULA ASSUNÇÃO (GERAL@ PORTUGALEMDESTAQUE.PT) | DEP. COMERCIAL: JOSÉ ALBERTO, JOSÉ MACHADO, JOSÉ VARELA, LUÍS BRANCO, MANUELA NOGUEIRA, MARIA JOSÉ MOREIRA, MARÍLIA FREIRE, PEDRO DUARTE (COMERCIAL@PORTUGALEMDESTAQUE.PT) | REDAÇÃO E PUBLICIDADE: RUA ENGº ADELINO AMARO DA COSTA Nº15, 6ºANDAR, SALA 6.1 4400-134 – MAFAMUDE / +351 223 263 024 | DISTRIBUIÇÃO: DISTRIBUIÇÃO GRATUITA COM O JORNAL EXPRESSO / DEC. REGULAMENTAR 8-99/9-6 ARTIGO 12 N.ID | NÚMERO DE REGISTO NA ERC: 126615 | PERIODICIDADE: MENSAL | EDIÇÃO DE NOVEMBRO ESTATUTO EDITORIAL: A Portugal em Destaque é uma edição mensal que se dedica à publicação de artigos que demonstram a realidade do país | A Portugal em Destaque é uma edição independente, sem qualquer dependência de natureza política, ideológica e económica | A Portugal em Destaque define as suas prioridades informativas por critérios de interesse às empresas nacionais, de relevância e de utilidade da informação | A Portugal em Destaque rege-se por critérios de rigor, isenção, honestidade e idoneidade | A Portugal em Destaque faz distinção entre os seus artigos de opinião, identificando claramente os mesmos e estes não podem confundir-se com a matéria informativa.


VALONGO E GONDOMAR Gondomar é um nome e uma terra com ressonâncias históricas. Vários achados revelam as velhas raízes da vivência humana neste local desde a pré-história. A exploração das minas de ouro nas regiões próximas e a posição estratégica do “Crasto” comprovam a permanência dos Romanos nestas terras. Entre outras versões, a denominação “Gondomar” é atribuída ao rei visigodo “Gundemaro” que, em 610, teria aqui fundado um Couto. Gondomar, é, igualmente, terra de tradições agrícolas, onde, ainda, alguns lavradores praticam a chamada agricultura tradicional, que se traduz numa forma de trabalhar a terra que se vai transmitindo de geração em geração, ao longo dos séculos. Se analisarmos a tradição agrícola, podemos encontrar, ainda, casas de lavoura, que se mantiveram inalteradas ao longo dos tempos, como é o caso da Casa de S. Miguel, situada na freguesia de Gondomar (S. Cosme). Ainda na área do Património Rural, podemos observar, em todas as freguesias, os chamados “Espigueiros”, pequenas construções em madeira e granito, destinadas a armazenarem em boas condições as espigas de milho, para futura utilização. 4 | PORTUGAL EM DESTAQUE


O CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL SANTO ANDRÉ DE SOBRADO RENASCEU! Nova Direção, nova imagem, nova estratégia, estas são as novidades referentes ao Centro Social e Paroquial Santo André de Sobrado e que se encontram evidenciadas nesta nossa edição da Portugal em Destaque. Foi junto da nova direção do Centro, presidido pelo Padre Vicente Nunes, que nos inteiramos sobre as mudanças recentes na instituição e agora damos-lhe conta da nova postura e capacidade de resposta desta organização de caráter social.

EQUIPA O Centro Social e Paroquial Santo André de Sobrado, situado na freguesia de Sobrado, concelho de Valongo, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), cujas respostas sociais incidem no apoio a idosos, nas valências de Centro de Dia e do Serviço de Apoio Domiciliário e, ainda, no apoio à Infância, através das valências de Creche e Educação pré-escolar. Sendo atualmente a única Instituição da sua área de influência geográfica, o Centro Social Paroquial de Santo André de Sobrado continua a ser uma resposta de referência na comunidade, sobretudo para a população sénior. Tem um quadro de pessoal composto por 20 colaboradores, distribuídos pelos seguintes cargos: diretora pedagógica e diretora técnica (que acumulam com as funções de educadora de infância e assistente social), educadoras de infância, animadora sociocultural, auxiliares de ação educativa, ajudantes de ação direta, cozinheira e ajudantes de cozinha e auxiliares de serviços gerais. Antes de iniciarmos esta nossa incursão sobre a Instituição, o seu Presidente e Pároco desta comunidade, o Padre Vicente Nunes, quis deixar uma palavra de apreço para os seus colaboradores, ”uma vez que sem o seu esforço, profissionalismo, dedicação e zelo não era possível desenvolver ao longo destes anos, todo o trabalho realizado e a concretização de todas ações e projetos em prol dos idosos e das crianças. Também não podemos deixar de referir, a dedicação e sensibilidade dos membros dos corpos sociais que nos 6 | PORTUGAL EM DESTAQUE

acompanharam ao longo dos anos, em total voluntariado e amor ao próximo. Tal como não podemos deixar de reconhecer o empenho e dedicação dos voluntários que trabalham connosco e que são parte integrante da instituição. E apelamos a outros para que se juntam aos que cá estão, sobretudo o voluntariado empresarial. Dou como por exemplo, no que concerne à construção civil, a necessidade de termos alguém que nos ajude nos trabalhos de requalificação do parque infantil. Nenhuma empresa é pequena demais quando se trata de ajudar a comunidade. Também, a nível do voluntariado individual e especializado, necessitamos de um enfermeiro que venha ver os nossos utentes, especialmente os idosos, fazendo aqueles testes rotineiros, como por exemplo o teste de glicémia, medição da tensão arterial. Como também é importante haver uma sinergia das várias forças vivas da comunidade que são um importante fator de coesão social da comunidade”, salienta. Nos últimos anos a direção da instituição esteve entregue às Conferências Vicentinas e a verdade é que, conjuntamente com o devir da crise que o país atravessou, e para a qual não se vê ainda uma saída, deparando-se com grandes alterações de circunstâncias de ordem económica e social, também a instituição não passou incólume, confrontando-se com problemas de sustentabilidade financeira. Foi aí que o Padre Vicente Nunes, decidiu renovar a equipa diretiva encarregue pela gestão e administração da instituição. Juntaram-se então ao Padre Vicente: António


ROSA SANTOS, VALDEMAR MACHADO, PADRE VICENTE NUNES DA SILVA, ANTÓNIO PEDRO E JORGE CUNHA Pedro (vice-presidente), Valdemar Machado (tesoureiro), Jorge Cunha (secretário) e Rosa Santos (membro da antiga direção e vogal da atual): “Em dezembro fui convidado pelo Padre Vicente para integrar a nova direção do Centro e fui incumbido de juntar uma equipa. Foi assim que cheguei a esta equipa que tem funcionado e trabalhado muito bem”, começou por nos explicar o vice-presidente do Centro Social e Paroquial Santo André de Sobrado, António Pedro. Mudança de paradigma A nova equipa diretiva pretende efetuar mudanças estruturais e aplicar uma nova estratégia: “Queremos estruturar a instituição em si, dando-lhe uma estrutura mais airosa e mais comunitária porque ela encontrava-se muito centrada sobre si mesma. A própria porta não se encontra virada para a estrada, mas sim para trás do edifício, ou seja, é preciso colocar o centro a trabalhar para fora. Assim, chamamos outras pessoas, não tão ligadas à igreja por forma a dinamizarmos o projeto”, explicou o Padre Vicente durante a entrevista. Valdemar Machado continuou: “Começámos por tentar perceber qual o erro principal deste Centro e, em dois meses, detetámos gastos desnecessários e intervimos aí. Isto vive da nossa gestão e do que nos dão, que não é muito. Isto é mérito de uma equipa. Nesta fase inicial, temos despendido muitas horas e energias para definir novas atitudes e novas linhas estratégicas de atuação. Nós temos sido uma direção muito presente”, clarifica. Acrescenta o secretário, Jorge Cunha que, desde que tomaram posse em meados de fevereiro, a atual direção tem vindo a concertar todos os esforços, no sentido de mudar o paradigma da instituição, através de uma gestão eficiente que passa por planear, organizar, dirigir e controlar, funções essenciais a qualquer empresa, quer seja lucrativa, quer seja uma organização sem fins lucrativos, sobretudo nos tempos que correm onde o principal desafio deste tipo de instituições é o da sua sustentabilidade financeira. “Começámos a dar os primeiros passos que fizeram a diferença e se traduziram em ganhos para a instituição, como por exemplo na compra de um balcão frigorífico para refrigerar os legumes e as frutas, na redefinição do logotipo institucional nas viaturas da instituição, na instalação de estores nas valências da infância. Uma das medidas

que adotamos logo que tomamos posse foi mudar o grafismo e o logótipo para mudar a imagem do Centro e, simultaneamente, permitisse à comunidade identificar-se com a instituição. Já conseguimos cumprir todos os nossos compromissos ao nível dos pagamentos no final do mês”, disse a direção. Valências e serviços Segundo os nossos entrevistados, os valores que regem a ação da equipa são os mesmos da antiga direção, ou seja, servir os outros, tanto os mais novos como os mais velhos, nunca esquecendo os valores da Igreja: “Para além da ajuda social tencionamos que esta seja uma obra da Igreja e que os valores que a Igreja defende não deixem de passar por esta ação. Daí ser necessária a ligação com a paróquia”, defendeu o Padre Vicente. Para isso, contam com uma oferta de serviços assente nas respostas sociais de Creche e Educação Pré-Escolar, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, ao abrigo dos acordos de cooperação com o Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social do Porto, para além de outros protocolos de cooperação com outras instituições: “Esta instituição foi criada desde a sua génese para a comunidade, somos uma IPSS com diversas valências e temos, ainda, a componente da atividade de apoio à família (CAF) em parceria com o Agrupamento de Escolas de Valongo. Este projeto consiste numa parceria em que o Agrupamento de Escolas nos cede as salas e nós cedemos recursos humanos e materiais para essas aulas de apoio. Este é um projeto que se sustenta a si próprio, mais que não seja pelo retorno social que temos. Posso acrescentar, ainda, que existe uma parceria com o Banco

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Alimentar contra a Fome, em que a instituição efetua a distribuição de cabazes alimentares a famílias carenciadas através do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados (FEAC). Trata-se de um projeto que presta apoio a mais de 70 famílias. A instituição tem também neste âmbito um protocolo de parceria com a Câmara Municipal de Valongo, a União das Freguesias de Campo e Sobrado e as Vicentinas de Sobrado, sob a designação de Plataforma Solidária, projeto destinado ao apoio socioeconómico das famílias que se encontram em situação de exclusão e de pobreza. Temos que continuar a estar presentes sobretudo nestes tempos difíceis, melhorando os serviços prestados porque a nível de atividades estamos muito completos”, garantiu o secretário, Jorge Cunha. O “sonho” da construção de um Lar de Idosos A nova direção também acalenta o sonho de construir uma estrutura residencial para idosos. Segundo o tesoureiro: “A construção de um Lar é muito precisa. Está tudo projetado, mas daí até à prática vai uma diferença muito grande. Vontade todos nós temos, mas faltam-nos os meios”, confidenciou. Ao mesmo tempo, Jorge Cunha alertou para a importância de uma gestão controlada nesta fase de sustentabilidade do Centro: “Temos que dar um passo de cada vez, dando conta dos obstáculos à sua concretização. Apesar de haver terreno circundante para acolher este projeto, temos consciência que sozinhos não conseguimos. A nível paroquial,sinto que ainda temos que fazer um trabalho de sensibilização e pedagogia, no sentido de as pessoas perceberem que a instituição pertence à paróquia e não é uma extensão da Segurança Social, como as pessoas nos olham muitas vezes. De fato, e desde a sua abertura, a instituição tem trabalhado numa dialética permanente com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas temos que ser nós próprios a trilhar o caminho com a comunidade local, que é o nosso campo de atuação, porque tal como as empresas não crescem sozinhas, elas são feitas por pessoas, nós também somos uma organização de pessoas e para as pessoas. Este é o nosso propósito”! Importância para a comunidade A par da maior parte dos concelhos nacionais, também Valongo, e principalmente a freguesia de Sobrado sofrem com a população maioritariamente envelhecida: “A população idosa, rural, muito ligada à terra, prefere usufruir do serviço de apoio domiciliário. A institucionalização é quase a última medida a ser escolhida. Nós estamos com 70 utentes que estão ao abrigo dos acordos de celebração, mas, neste momento, a nossa ação já chega quase aos 90 utentes, isto é, já estamos a dar resposta extra acordo, sem qualquer receber qualquer comparticipação da segurança social. Há neste momento um pedido de alargamento e nós vamos crescer até ao final do ano. A solicitação tem sido muito grande. Estamos a falar de idosos sem grande retaguarda familiar e aqui o papel social do Centro é muito relevante, por isso a nossa prioridade é dar resposta. Por exemplo, a nossa ambição, no imediato, é termos uma carrinha devidamente equipada para que a instituição possa prestar esse serviço de uma forma mais eficiente”, afirmou ainda o secretário, que foi acompanhado pelo seu colega de direção, o tesoureiro Valdemar Machado: “Estamos a falar de uma freguesia muito envelhecida, a população jovem está ausente. As empresas têm sido deslocalizadas do concelho e os jovens vão atrás. As poucas empresas que aqui estão, estão mais por amor à terra. Sentimos que estamos abandonados. Assim como este Centro que se encontrava virado para dentro, o próprio concelho também”, acrescentou. Com os cinco membros da direção deste Centro Social e Paroquial, presentes à mesa durante a entrevista, a revista Portugal em Destaque não podia perder a oportunidade de ouvir, em primeira mão, quais os principais desafios desta recente direção: 8 | PORTUGAL EM DESTAQUE


“Este foi um desafio novo para mim, estamos aqui há seis meses e foi muito complicado devido, principalmente, à parte financeira”, começou por dizer o tesoureiro. “O desafio é local e totalmente diferente dos desafios que tive até agora. Antes de trabalhar neste Centro Social, trabalhei nas Santas Casas da Misericórdia de Lisboa e do Porto e os constrangimentos de ordem financeira não eram uma realidade como são aqui. Todos os dias são um desafio. Estar cá e acompanhar a gestão deste Centro é um desafio muito grande, mas também muito gratificante”, desabafou o secretário. “Eu julguei que era algo mais simples mas isto revelou-se um grande desafio. Para nós gerirmos esta instituição é necessário muita dedicação e muito trabalho. Nós tivemos uma altura em que reuníamos todos os dias. Já fizemos aqui algumas obras, temos muita obra ainda por fazer e temos que melhorar a imagem do Centro lá fora. Temos um projeto, queremos trabalhar e cumprir este desafio enorme que nos foi proposto”, acrescentou o vice-presidente. “O início não foi fácil, não havia ponta por onde pegar. Têm aparecido muitos idosos necessitados”, admitiu Rosa Santos. O Padre Vicente também explicou como é conciliar a orientação da paróquia com a orientação do Centro Social: “Ser pároco e presidente deste Centro Social e Paroquial não é muito difícil porque ninguém pode exigir de mim que eu saiba tudo e faça tudo, é impossível e, por isso, há essa compreensão e a restante direção encarrega-se de cumprir as funções que eu não consigo desempenhar. O mais difícil é a estrutura legal que comporta isto. Para um pároco lidar com funcionários diretamente é muito complicado, sobretudo quando se trata de paroquianos, porque quando é necessário fazer ajustes eu sou presidente e tenho que decidir, mas por outro lado também sou pároco e, por isso, essas decisões eu deixo para os restantes membros do executivo”, completou. Apelo à Comunidade “A melhor coisa que temos a fazer é dar pequenos passos, traçando objetivos que sejam concretizáveis, prestando contas à comunidade e esta pouco e pouco vai começando a lutar, porque vê que as coisas estão a mudar”, é a frase que motiva a equipa que se encontra na direção do Centro Social e Paroquial Santo André de Sobrado. Mas, para que haja evolução, melhoramentos e uma maior e melhor capacidade de resposta, os nossos entrevistados lançaram apelos à comunidade: “A nossa mensagem é que abracem a nossa causa. Esperamos, porque sabemos que estão connosco, a ajuda de todos. Queremos ter também o apoio dos grandes parceiros institucionais, nomeadamente a Autarquia e a Junta de Freguesia. São parceiros que queremos que comunguem da nossa causa”, começou por dizer Jorge Cunha. “O meu apelo vai para a nossa comunidade porque as pessoas não nos conhecem, não sabem o que fazemos e quero convidá-las a vir cá, temos as portas abertas para nos virem visitar”, acrescentou António Pedro. “Queremos que olhem para isto como uma causa social, porque isto não é para nós, é para todos!”, concluiu Valdemar Machado. Ficou então a certeza de que Sobrado pode continuar a contar com o Centro Social e Paroquial Santo André e que este conta, também, com o apoio da comunidade para continuar a prestar o melhor apoio social à população, terminando assim o Padre Vicente por afirmar, pois que a sua função não se entende se não numa atitude de serviço e cada vez melhor serviço, e isto sem qualquer espécie de proselitismo ou exclusivismo. Sem mérito algum da nossa parte, estamos a fazer que o Reino de Deus cresça onde às vezes nem se espera. “É o que queremos!“.

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UMA EDUCAÇÃO PARA A VIDA COM 100 ANOS DE HISTÓRIA O Colégio de Ermesinde, como escola católica e diocesana é detentor de uma identidade própria que assenta a sua missão nas orientações e desafios pastorais da Igreja. Sendo uma referência no ensino local. A Portugal em Destaque conversou com a direção do Colégio.

COLÉGIO DE ERMESINDE

Começamos esta entrevista por lhe pedir que nos conte um pouco da história do Colégio. São mais de 100 de história, certo? Sim, mais de 100 anos. A nossa história data dos princípios do século XVIII, quando se dá a primeira referência à ‘Quinta da Mão Poderosa’, em S. Lourenço de Asmes, hoje Ermesinde. Esta pertencia a Francisco da Silva Guimarães, negociante do Porto. Em 1745, o negociante e a sua mulher fazem doação da propriedade aos Eremitas Descalços de St.º Agostinho para fundarem uma igreja e convento ou hospício com a denominação de N.ª S.ª do Bom Despacho da Mão Poderosa. A doação fora impugnada por parte do senhorio direto, Francisco Aranha Ferreira, pelo que foi preciso recorrer a D. João V, de quem doadores e religiosos alcançaram a necessária provisão em 19 de abril de 1747. Não esqueceram os religiosos o favor do Rei, mandado colocar na frontaria da Igreja e noutros locais do Convento a águia bicéfala e as armas imperiais da casa da Áustria. Nascia assim o convento sob a proteção real e, a 12 de outubro de 1749 era lançada a primeira pedra. Durante o cerco do Porto (1832-33) o Convento foi ocupado pelo exército Realista e foi seu Hospital de Sangue. D. Miguel esteve aí várias vezes. Em 1832 é referida a visita de D. Miguel ao ‘Hospital da Formiga’ num comunicado do Quartel General, em Águas Santas. Sucederam-se várias transformações e em 1912, por despacho do 10 | PORTUGAL EM DESTAQUE

então Presidente da República, Manuel de Arriaga, é deferida a petição de José Joaquim Ribeiro Teles e Pe. Manuel Moreira Reimão de criar “um instituto particular de ensino secundário em Ermesinde, sob a denominação de Colégio de Ermezinde”. Mais tarde, José Joaquim Ribeiro Teles faz testamento dos seus bens onde declara que “instituo meu único e universal herdeiro de todo o remanescente da minha herança o Exmo. Senhor D. António de Castro Meireles, Bispo do Porto. É meu desejo (...) que minha propriedade do convento da Formiga seja utilizada em qualquer Seminário ou Colégio, sob a dependência do Exmo. Senhor D. António Meireles, a fim destes bens poderem assim prestar alguma utilidade à Igreja Católica (…)”. A partir de 1948 o Colégio passa, assim, a ser propriedade da Diocese do Porto. A entidade Titular é o Seminário Maior de Nª. Sª. da Conceição, da Diocese do Porto. Os seus diretores são nomeados pelo Bispo da Diocese, seus mandatários e representantes nesta Comunidade Educativa. Ciência e Disciplina, Liberdade e Responsabilidade são os princípios orientadores expressos na divisa do colégio. Considera que estes são a base para o desenvolvimento e sucesso de qualquer discente? Mais de um século após a redação destas palavras expressas na


divisa do colégio, fieis aos valores da sua fundação, nelas (ainda) se espelha a identidade presente desta casa e os seus princípios basilares e fundamentos orientadores de toda a sua ação. O Colégio de Ermesinde, enquanto instituição de ensino católica, oferece um modelo educativo baseado numa visão Cristã do Homem e do Mundo, proporcionando uma formação científica, exigente e que procuramos que seja sempre de excelência, mas também, personalizada e integral, num clima de Liberdade e Responsabilidade. É nossa missão dotar os alunos com uma multiplicidade de competências que vão além dos conhecimentos científico-técnicos. Com efeito, aposta-se numa formação que estimule a criatividade, a imaginação, bem como a capacidade de assumir responsabilidades, de amar o mundo, de ser compassivo e de cultivar a justiça. Assim, procuramos o crescimento harmonioso dos nossos alunos, conducente a uma participação consciente e responsável na sociedade, colocando o seu saber ao serviço do bem comum, englobando a interiorização dos princípios de cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e a sua capacidade de socialização. Toda a nossa prática educativa é, portanto, orientada de acordo com os quatro pilares basilares: Ciência e Disciplina, Liberdade e Responsabilidade. São, na nossa visão, princípios fundamentais no desenvolvimento e sucesso dos nossos discentes. Em termos de oferta curricular, quais as áreas, ciclos e cursos que integram o vosso projeto educativo? A oferta curricular do Colégio de Ermesinde estende-se desde o Ensino Pré-Escolar (3 anos) até ao Ensino Secundário (12º ano), orientando a formação intelectual ministrada pelas matrizes curriculares definidas pela tutela e, paralelamente, proporcionando aos seus alunos uma articulação de saberes e técnicas, disciplina e competências. O propósito de formação intelectual e integral procura estimular em cada aluno a construção de um caminho em direção à excelência. O gosto pela natureza, a curiosidade pela ciência e a observação e espírito crítico são cultivados, desde cedo, nos nossos alunos através de projetos desenvolvidos transversalmente às atividades escolares. O Atelier de Ciência do Jardim de Infância ou participação na iniciativa ‘Eco-Escolas’, que envolveu toda a comunidade educativa em torno da construção de uma escola mais ecológica, são um espelho do que acabo de referir. Assim, ainda que inspirados em mais de cem anos de tradição de ensino, procuramos a renovação e inovação constantes, no sentido de oferecer uma pedagogia cativante e progressiva. A abertura do Ensino Secundário, inicialmente nas áreas de Ciências e Tecnologias, Línguas e Humanidades e Ciências Socioeconómicas, que se alargou este ano às Artes Visuais, espelha esta tentativa constante de dar resposta às exigências que nos são colocadas. Procuramos, fundamentalmente, que os nossos alunos adquiram um conjunto de conhecimentos científicos, técnicos, humanísticos, linguísticos, artísticos e desportivos, numa base cristã, possibilitando-lhes uma formação completa e multidisciplinar, que lhes desperte o interesse por questões sociais da atualidade e os eduque para a Fé, potenciando o seu crescimento intelectual.

horário letivo. Possuem parcerias com várias entidades de referência, como a Universidade Católica ou a Universidade de Cambridge. Em que medida esta ligação é uma mais valia para o futuro dos alunos caso pretendam ingressar na universidade? Os alunos do ensino secundário participaram na XXV Semana Aberta dinamizada pela Universidade Católica, bem como nas XI Olimpíadas de Biotecnologia. Este tipo de participação é uma mais valia que permite o contacto com investigadores de referência e com centros de investigação privilegiados. Relativamente à parceria com Cambridge, o colégio é, desde 2013, um centro de preparação para os exames certificados por essa instituição de renome internacional. Para o sucesso de qualquer instituição é crucial uma equipa disciplinada e unida. Qual o balanço que faz do trabalho desenvolvido por esta direção e equipa ao longo dos anos? O sucesso mede-se pelo número de alunos que se tornam protagonistas da sua aprendizagem e do seu desenvolvimento pessoal na aquisição de competências. É necessária a qualidade, o conhecimento científico, pedagógico de uma equipa de professores competente, dedicada e animada. Esta é a realidade presente e com este mesmo espirito enfrentamos o futuro. Dar resposta educativa aos nossos alunos que vivem e crescem num contexto de incerteza e volatilidade é um desafio, não apenas da Direção, mas compromisso que apenas se pode enfrentar com a mobilização de toda a comunidade educativa. Quais os projetos de futuro para o Colégio de Ermesinde, bem como para a o setor da Educação em geral? No Colégio de Ermesinde estamos muito conscientes do compromisso que temos com os jovens que o frequentam atualmente mas com os jovens desta geração. Está a ser posta em marcha uma resposta adaptada aos tempos que estamos a viver implementando novas experiências que facilitem uma aprendizagem mais ativa e significativa. Configurar uma escola que desenvolva um modelo educativo que garanta o desenvolvimento da nossa missão e seja capaz de adaptar-se, a partir da sua identidade católica, aos sinais dos tempos é o nosso grande desígnio.

Desde dança, música, artes marciais a línguas ou desportos coletivos/individuais, entre outras, são muitas as atividades extracurriculares que disponibilizam. Julga que estas são indispensáveis para o enriquecimento do processo formativo dos alunos? Para além da componente curricular de cada ciclo de ensino, proporcionamos aos nossos alunos diversas atividades extracurriculares, que vão ao encontro dos seus gostos e expectativas individuais, contribuindo para o enriquecimento do seu processo formativo. Projetamos a Educação para além das aulas e do PORTUGAL EM DESTAQUE | 11


“A RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA É UMA PARCERIA IMPRESCINDÍVEL” A Cliduca é um centro terapêutico especializado em pedopsiquiatria, psicologia, terapia da fala e terapia ocupacional, que presta apoio sobretudo a crianças e jovens com necessidades educativas específicas, de forma integrada com a família, a escola e o contexto em que estão inseridos.

CLIDUCA

MANUEL PINTO E OLÍVIA PINTO Com 17 anos de existência no mercado, é constituída por uma equipa multidisciplinar composta por psicólogos, professores ou educadores especializados, terapeutas da fala e terapeutas ocupacionais, contando ainda com o apoio médico na especialidade de pedopsiquiatria, que orienta e avalia o apoio a prestar. Com o intuito de perceber quais as ofertas disponíveis, a Portugal em Destaque esteve à conversa com Olívia Pinto, diretora pedagógica, e com Manuel Pinto, responsável pela gerência da clínica. Manuel Pinto começa por contar que o projeto surge como resposta às carências de crianças e jovens com necessidades educativas específicas. A esposa, Olívia Pinto, instruiu-se na área da educação especial e resolveram por isso abraçar um novo desafio que é hoje a Cliduca. Ao longo dos anos, tem sido trilhado um longo caminho com confiança, sendo a coesão, a estabilidade da equipa e o trabalho reconhecido, os principais suportes para continuar a enfrentar desafios. Com uma equipa pluridisciplinar de profissionais especializados nas valências existentes, atuam com responsabilidade clínica e articulam com os diferentes contextos significativos de vida, nomeadamente as famílias e as escolas. “São os médicos e os professores que recomendam os nossos ser-

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viços aos pais. Fazemos questão que os nossos técnicos façam os relatórios e regulamentos na hora certa, a partir de rastreios gratuitos, permitindo a cada encarregado de educação saber se o seu filho tem ou não necessidade de recorrer aos nossos serviços”, explicam defendendo que “a relação família e escola é uma parceria imprescindível”. Periodicamente, realizam ações de formação direcionadas a pais ou professores, bem como a profissionais de saúde, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de todos os profissionais que diariamente se deparam com problemas comportamentais, alterações no desenvolvimento linguístico, comunicativo ou motor, bem como ações de sensibilização acerca de temáticas específicas como autismo e bullying. Segundo Olívia Pinto, “estas práticas estavam a fazer falta aos pais e às escolas. Tentamos trazer figuras ilustres dentro da área para dar a respetiva palestra, o que acaba por ser uma mais valia.” Num futuro próximo, o objetivo da Cliduca passa por continuar a acompanhar as novas tendências e exigências do mercado, primando pela eficácia da relação existente entre a qualidade de atendimento e a diversidade de respostas possíveis. Nos planos do casal, fica o desejo de deixar o negócio sob a alçada da filha. “A curto médio prazo vai ser ela a assumir a gestão do negócio”, admitem, fazendo um balanço muito positivo do negócio familiar que em tempos iniciaram. “Começámos do zero e hoje já temos dois escritórios, um em Gondomar e outro em Valongo. A Cliduca hoje emprega 38 colaboradores e tem vindo a crescer uma média de 30 por cento por ano. Estamos muito satisfeitos com os resultados”, concluem.


A ARTE DE FORMAR PESSOAS Uma Academia de estudo em que se ensina muito mais que matéria. Assim é o Cabecinhas Pensadoras, situada em Ermesinde que para além de apoio ao estudo e explicações individuais, proporciona aos seus alunos o acompanhamento emocional e várias atividades essenciais ao seu desenvolvimento. CABECINHAS PENSADORAS

FLORBELA FERREIRA DA SILVA Florbela Ferreira da Silva nunca pensou em trabalhar na área da educação. Formada na área de gestão e das ciências jurídico-administrativas, a proprietária do centro de estudos não ponderou esta possibilidade até ficar desempregada aos 37 anos e ter que procurar novas soluções. O Cabecinhas Pensadoras surgiu desta forma com o objetivo de proporcionar uma variedade de serviços: apoio escolar, explicações individuais e em grupos, preparação para exames, transporte escolar e organização de atividades extra-curriculares. “Temos acompanhamento diário desde o 1º ano até ao 11º. Do 12º em diante temos explicações individuais, sendo que as mesmas se necessário podem também ser dadas a outros anos. Somos talvez o único centro de estudos, na área de Ermesinde, que tem esta vertente especializada de acompanhamento aos 10º e 11º anos, sobretudo na área das ciências”, explica Florbela Ferreira da Silva. Para além deste acompanhamento curricular, a academia procura incentivar a todos os níveis os seus alunos. “Nós não somos uma academia de estudo em que eles vêm e estudam e estão aqui a ser massacrados. O nosso lema é “ensinar a pensar para melhor aprender. Antes de ensinarmos a matéria, ensinamos a respirar e a pensar no que vão fazer”.

EQUIPA Ensino – uma área fraturante Florbela Ferreira da Silva refere que alguns alunos que recebe chegam à academia com muitas lacunas em termos curriculares. “Já tivemos crianças que não sabiam ler ou fazer uma conta”, refere, e que agora estão no quadro de honra da escola. Uma situação que a responsável acredita estar muito ligada ao atual estado do ensino em Portugal, em que o papel de professor e as metas curriculares estão em transformação. “As exigências curriculares são maiores, mas isso é uma questão de adaptação. Penso que os professores deveriam ser mais respeitados do que são. Os próprios pais deviam parar e pensar na educação que estão a transmitir aos filhos”. Para a responsável, esta situação leva a que os docentes demorem muito mais tempo a conseguir controlar uma turma ou a obter atenção de um aluno, o que leva a um decréscimo da qualidade de ensino. Uma questão que para Florbela Ferreira da Silva deve começar a ser alterada pelos pais. “As crianças têm muito mais liberdade, têm a liberdade de a partir dos 7 ou 8 anos opinar. E isso é uma ilusão, as crianças não têm essa maturidade. Sobretudo agora, que têm tudo mais facilitado”. Uma segunda família Para a proprietária da academia, a equipa, os alunos e familiares constituem uma segunda família. Por isso mesmo, admite que nunca se desliga do trabalho. Um ponto de honra é manter inalterada, ano após ano, a sua equipa de trabalho. “Acima de tudo somos amigos deles, somos outra família dos alunos e dos pais, temos connosco alunos há 7 anos, que já trouxeram os irmãos mais novos. O explicar matéria é importante, mas tentar educá-los, não no sentido de sociedade, mas perante uma realidade concreta que é a escola, é outra das nossas funções. Muitas vezes, temos que os ensinar a comportar em ambiente escolar e ajudar a gerir conflitos. É isso que nos diferencia. Somos pais, mães, professores, somos um bocadinho de tudo”, explica. Um fator que em grande medida explica a taxa de sucesso escolar da academia, que este ano atingiu os 100 por cento. Para além de manter os atuais resultados dos seus alunos, Florbela Ferreira da Silva pretende ainda apostar futuramente num espaço próprio para o Cabecinhas Pensadoras, onde possa investir em ainda mais actividades e criar um ambiente mais acolhedor.

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COZINHA TRADICIONAL EM VALONGO Foi a forte amizade nascida entre Maria Manuela Oliveira e Cristina Viana que deu o mote para o nascimento do restaurante Engenho do Sobrado, em Valongo. Com uma forte aposta na cozinha tradicional, com especialidades como o bacalhau e o leitão assado, a casa aposta na qualidade e no bom atendimento como imagem de marca.

RESTAURANTE ENGENHO DO SOBRADO

MARIA MANUELA OLIVEIRA E CRISTINA VIANA Foi em 2011 que Maria Manuela Oliveira e Cristina Viana abriram o Engenho do Sobrado, restaurante de fama já instituída em Valongo. O nascimento do espaço resultou da combinação de dois factores: a vontade criar um negócio próprio e a grande amizade que logo uniu as duas sócias. “Nós trabalhávamos por contra de outrem e quisemos criar uma coisa nossa. Conhecemo-nos no trabalho. A nossa amizade foi tipo amor à primeira vista”. Uma relação que desde cedo deu provas de funcionar tão bem na esfera profissional como na privada. “Às vezes temos as nossas diferenças, opiniões diferentes, mas ultrapassamos. E a trabalhar temos a mesma sintonia, já nos percebemos as duas sem precisar de falar”, referem as proprietárias. O espaço, agora com cinco anos, sofreu várias remodelações, sendo que a generalidade dos lucros foi utilizado para reformar e expandir o Engenho do Sobrado e providenciar melhores condições aos clientes. Neste momento o restaurante apresenta uma sala com capacidade para uma média de 70 pessoas e disponibiliza vários serviços: refeições, take away, serviço para grupos e ainda lanches e petiscos variados durante as tardes.

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Especialidades tradicionais A ementa do Engenho do Sobrado é composta essencialmente por comida típica portuguesa, sendo que o bacalhau, confecionado de diversas formas, e o leitão assado em forno a lenha são duas das estrelas do menu. Cristina e Manuela preocupam-se em manter uma ementa variada e em responder ao máximo aos desejos dos clientes. “Temos sempre quatro pratos diários: dois de carne, um de peixe e um de bacalhau, sempre. O único dia em que temos pratos fixos é à quarta-feira, em que servimos cozido à portuguesa, à quinta-feira o arroz de pato, que já está muito famoso, e à sexta-feira o arroz de cabidela e o arroz de frango. São os pratos fixos que não podemos deixar de ter. O resto dos pratos são todos variáveis, não repetimos”, explicam. A qualidade dos produtos que utilizam e o cuidado na confeção dos pratos são essenciais para as duas proprietárias, que se preocupam em ter sempre comida feita na hora, utilizar óleos e ingredientes da melhor qualidade e em fazer todos os assados que servem em forno a lenha. Para além do menu de diárias e à carta, o Engenho do Sobrado oferece ainda uma lista considerável de petiscos tipicamente portugueses, bastante popular sobretudo durante a tarde. “Aqui mantemos os petiscos tradicionais, que é o que tem mais saída. Temos sempre uma grande variedade: orelha e polvo com molho verde, asas de frango, pataniscas, bolinhos e rissóis, bucho estufado, chispe cozido, amêijoa, moelas, entre outros”, contam as duas sócias. Cinco anos de sucesso Desde que abriram as portas da sua casa, Maria Manuela Oliveira e Cristina Viana passaram por longas horas de trabalho


e muitas preocupações. Um caminho difícil, mas que valeu a pena. O Engenho do Sobrado serve hoje uma média de 130 refeições e nunca teve uma reclamação por falta de qualidade ou mau atendimento. “Estes cinco anos foram uma vitória. Uma vitória que não é só nossa. É de todos os que cá trabalham, somos uma equipa. É todo um conjunto que funciona, a cozinha de onde sai a comida, que é essencial para a casa, e o atendimento que tem que ser educado e agradável”, referem. Este espírito de equipa é essencial para as proprietárias, que procuram escolher com cuidado as pessoas que formam a equipa do restaurante. “No fundo, queremos pessoas que encarem o trabalho como nós. Para trabalhar neste ramo é preciso ter gosto e muita capacidade de improviso, sobretudo na cozinha”, explicam.

Novas apostas futuras Apesar do sucesso e estabilidade já conseguidas, as nossas interlocutoras pretendem continuar a investir na expansão e melhoria do Engenho do Sobrado. Uma vontade que tem sido constante ao longo deste cinco anos, em que já realizaram várias obras de melhoria ao espaço. “Valeu a pena todo o trabalho que tivemos, são muitas horas a trabalhar, mas vemos resultados. Claro que quando temos algum dinheiro de lado voltamos a fazer obras, a melhorar. Tudo o que ganhamos nestes cinco anos é para investir”. Os dois projetos essenciais que têm agora é o de expandir o espaço de refeições, com a criação de uma nova sala, e apostar em dinamizar os jantares, único horário que não tem ainda a mesma afluência no restaurante. “Neste momento queremos aumentar o espaço, abrir uma nova sala nesta área que é aberta e aumentar a cozinha. E queremos dinamizar e atrair mais público para o jantar”. Esta aposta passa essencialmente por manter o conceito que o restaurante tem, apostando simultaneamente em atrair outros públicos. “Vamos manter a mesma oferta em termos de diárias, de petiscos e com as mesmas especialidades. Mas queremos criar um espaço com um ambiente mais reservado para outras ocasiões”, explicam.

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A ARTE DO CABELO POR PROFISSIONAIS Liliana Vieira, desde cedo, sentiu que o seu futuro passava pelo hair styling. Decidida a enveredar por esta área, apostou, ao longo dos anos, na sua formação e há seis anos abriu um espaço em nome próprio. Conversámos com Liliana Vieira no seu salão, em Valongo.

permitido dar o meu toque pessoal aos trabalhos, e isso não me satisfazia”. Foi por isso, que em 2010, Liliana Vieira decidiu abrir o seu espaço em nome próprio. “Além de sentir que estava na hora de ter o meu espaço, queria poder fazer os trabalhos com o meu cunho pessoal, poder extravasar nos trabalhos e sabia que só o poderia fazer assim, atuando em nome próprio”, refere. A formação, essa, é constante, mas o segredo passa, indubitavelmente, pela criatividade e elo gosto pela profissão. “Se não formos criativos, o nosso trabalho morre e não fidelizamos os clientes. E se não formos felizes no que fazemos, o trabalho também não será bem executado, pelo que acredito que essa é a fórmula do sucesso: formação, criatividade e gosto pela profissão”, diz, com orgulho, Liliana Vieira. Sem esquecer a sua equipa, a nossa interlocutora faz questão de frisar que os serviços de barbearia são da responsabilidade de Regina Nazareth e os de estética e make up são realizados por Nádia Silva.

LILIANA HAIR STYLING

LILIANA VIEIRA Desde muito nova que gostou da área do cabeleireiro. Entusiasmava-a saber como se faziam os penteados que via, como se cortava o cabelo e até como se mudava de visual apenas com uma mudança no cabelo. Por isso mesmo, e ainda adolescente, no seu período de férias escolares preferia trabalhar nos salões da sua zona de residência ao invés de estar com os amigos. “Houve uma altura na minha vida que senti que era mesmo isto que eu queria, pelo que tinha que começar a apostar na minha formação”. E assim foi”. Ainda hoje, Liliana Vieira faz muitas formações para ir evoluindo profissionalmente. Questionada sobre a sua carreira profissional, a nossa interlocutora faz-nos saber que trabalhou em vários sítios, “mas nunca senti que podia ser verdadeiramente eu, profissionalmente falando. O meu trabalho limitava-se ao que me mandavam fazer, não me era

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Serviço de noivas excecional Um dos serviços que têm tido mais procura no Liliana Vieira Hair Styling é o serviço de noivas. A nossa interlocutora afirma que “este é o espaço ideal para noivas e noivos que procuram um atendimento personalizado e inovador”. Neste campo específico, a nossa interlocutora destaca os trabalhos de cabelo, “desde coloração, corte, madeixas e penteados), maquilhagem, várias massagens de relaxamento, limpeza de pele, pédicure, manicure, unhas de gel, gelinho e verniz gel”. No fundo, “tudo o que os noivos precisarem para o seu grande dia, nós estamos aptos a prestar”. De realçar que todos os penteados e maquilhagem de noiva têm uma prova antes do grande dia, “de modo a que possamos garantir que tudo fica perfeito e ir de encontro às suas expectativas”. A nossa interlocutora refere que, regra geral, esta prova coincide com uma prova do vestido, “pois assim a noiva consegue perceber se o penteado e a maquilhagem escolhidas se adequa ao vestido, além de que proporciona uma perceção total do look do grande dia, o que considero ser muito importante e uma mais valia do nosso serviço”. Já no grande dia, Liliana Vieira faz questão de fazer o penteado na casa do cliente. Evolução do setor Questionada sobre a evolução do setor, Liliana Vieira afirma que “há muitos anos atrás, os profissionais não estavam bem cientes das suas capacidades, assim como os próprios clientes. Atualmente, o cliente exige e o profissional tem que ser capaz de corresponder às suas expectativas. Isso foi bom para o setor, pois obrigou a que todos evoluíssemos e isso é sempre uma mais valia”, finaliza


MAIA A cidade da Maia é considerada como um importante centro cultural do distrito do Porto sendo de realçar variadas atividades ligadas ao teatro, à música, às artes plásticas e às tradições locais como as festas religiosas que se realizam ao longo do ano. Também o Jardim Zoológico, o único do Norte devidamente organizado, é ponto de encontro para muitos visitantes. Anualmente, a cidade recebe no Fórum da Maia o Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia e a exposição mundial da World Press Photo. Em 1998 foi fundado o Conservatório de Música da Maia, situado na freguesia de Santa Maria de Avioso (atualmente freguesia do Castêlo da Maia). A Torre do Lidador, popularmente conhecido como “O Isqueiro da BIC”, devido à sua forma, é um edifício com 95 m de altura situado no centro da cidade e um ex-líbris da região. Foi mandado construir pelo Dr. José Vieira de Carvalho e alberga exclusivamente serviços municipais. É o edifício mais alto da grande área metropolitana do Porto. É também na cidade da Maia que se situa o Aeroporto do Porto. Este moderno aeroporto tem testemunhado um grande aumento de passageiros e voos, estando também os seus destinos a aumentar cada vez mais, principalmente a nível europeu graças às várias companhias low cost e restantes companhias. Também no setor da educação, a oferta é variada, tendo o Instituto Superior da Maia (ISMAI), principal destaque. Porém, foi a existência de uma linha do Metro do Porto com ligação à cidade que deu efetivamente uma outra dinâmica ao poder local e empresarial da Maia, tendo várias empresas de renome se sedidado nos vários polos industriais espalhados na região. Vários são os motivos de visita a esta cidade e por isso, “Sorria, está na Maia”.

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A DAR ENERGIA À INDÚSTRIA PORTUGUESA Com mais de uma década de experiência, a Sinerfluído é responsável pela instalação energética de várias empresas, bem como por dar consultadoria na área e apoio pós-venda. Fundada por Pedro Cardoso e António Queirós, a empresa iniciou a sua atividade com as instalações de gás, mas depressa desenvolveu a sua área de intervenção. Atualmente, faz da proximidade ao cliente e da flexibilidade a sua principal bandeira, lema que lhe valeu o título de PME Líder em 2015.

SINERFLUÍDO

Foi a expansão da rede de gás natural em Portugal que levou ao aparecimento da Sinerfluído, empresa nascida em 2004 e situada na Maia. Criada inicialmente para trabalhar nas áreas das instalações de gás, a empresa acabou por evoluir para a prestação de outros serviços a nível da instalação industrial e da consultadoria, como nos explica Pedro Cardoso, que constitui, a par com António Queirós, a dupla de sócios responsáveis por esta casa. Com formação em engenharia, os dois responsáveis conheceram-se quando trabalharam para a mesma empresa, já ligada a esta área. Foi o fecho do seu antigo local de trabalho que levou à criação da Sinerfluído. “Nós nascemos porque o mercado do gás natural estava em franca expansão. As indústrias tinham na altura como energia primária o propano e nafta e o gás estava a entrar e a conseguir impor-se pelo preço e pela facilidade de manutenção. E como era o início da atividade havia alguns incentivos ao negócio aqui no norte”, explica Pedro Cardoso. E se de início a Sinerfluído estava focada na área da instalação das infraestruturas para gás natural, o desenvolvimento da estratégia da empresa levou a abertura a outras áreas de trabalho. Com as mudanças sofridas na distribuição de fundos comunitários para expansão da rede de gás natural, António Queirós e Pedro Cardoso perceberam que a melhor forma de garantir sucesso e continuidade para o seu negócio seria expandir o número de serviços prestados. “Neste momento a nossa área é o total das utilities das fábricas. A título de exemplo, um dos últimos trabalhos que fizemos, instalamos tudo, desde, recuperação de energia térmica, gás natural, ar comprimido, vapor, condensado, fluidos lubrificantes. Acho que o facto de termos conseguido vingar nestes 13 anos deve-se a termos dado o salto do gás para outras áreas e concorrer noutros níveis, deu-nos abrangência”. Uma rede de clientes nacional Com um total de 12 colaboradores fixos e vários em regime de subempreitada, a aposta na qualificação da mão-de-obra é con18 | PORTUGAL EM DESTAQUE

ANTÓNIO QUEIRÓS siderada essencial para o sucesso da Sinerfluído. A empresa, que começou a sua ação a norte, foi já responsável por projetos em todo o território nacional, alguns dos quais com especial relevância no mercado, como nos conta um dos seus responsáveis. “Trabalhamos em todo o território nacional, vamos agora iniciar uma obra em Peniche. A título de exemplo, participamos no processo inicial de instalação do gás natural na Madeira. Executamos/instalamos, a rede de distribuição de gás natural, vents, estações de regulação dos motores da central da Vitória, responsável pelo produção de 60 a 70 por cento da energia elétrica da Madeira”. Diferenciação face a concorrência Inserido num mercado bastante competitivo, a Sinerfluído aposta na qualidade dos seus serviços, na flexibilização dos horários de trabalho e na experiência e conhecimento da sua mão-de-obra como armas de diferenciação. Para além disto, os responsáveis da empresa acreditam que a relação construída com os clientes é uma marca diferenciadora fundamental, sobretudo numa área onde existe bastante enfâse na chamada publicidade boca-a-boca. “O que nos distingue, em grande medida, foi que ao longo destes anos criamos laços com os nossos clientes. Os clientes gostam do nosso trabalho, sempre tivemos a preocupação assumir junto destes as responsabilidades inerentes a esta relação de confiança e parceria. Quando existe algum constrangimento ao bom funcionamento de uma maquina, de um sector, de uma unidade fabril, mesmo que este não tenha qualquer ligação com a nossa prestação, não saímos do


E PEDRO CARDOSO local sem que se restabeleça o normal funcionamento da unidade, mesmo que inclua trabalhos pela noite dentro e/ou ao fim de semana. Este tipo de experiências fortalece as boas relações que possuímos com os nossos clientes, estes sabe que podem contar connosco. É frequente os nossos clientes nos solicitarem auxílio técnico, mesmo em áreas que não são as que normalmente prestamos trabalhos para eles”, sublinhando a boa imagem que tem da Sinerfluido. A internacionalização como futuro Com uma reputação e um leque de clientes já estabelecidos em Portugal, António Queirós e Pedro Cardoso planeiam agora desenvolver a internacionalização da Sinerfluído. Um plano estratégico que já deu os primeiros passos. “A internacionalização é um dos nossos planos, neste momento para França, mas também já pensamos em Moçambique. Achamos que estamos num ponto de maturação que nos permite dar esse passo, de aumentar e de internacionalizar o negócio”. Esses primeiros passos referidos por Pedro Cardoso já foram dados, nomeadamente com a concretização de alguns projetos em terras gaulesas. “no passado efetuamos alguns trabalhos em França através de um cliente internacional, a quem prestamos serviços no Algarve, e como gostou do nosso trabalho, convidando-nos para colaborar com ele. Agora estamos por coincidência a trabalhar com uma multinacional, que fruto de trabalhos nas novas unidades portuguesas, também nos abriu a possibilidade de efetuar instalações nos vários países de sua intervenção, tendo sido já concretizado este ano, uma unidade em França”, finaliza. PORTUGAL EM DESTAQUE | 19


A EXCELÊNCIA, A QUALIDADE E A EFICÁCIA DE UM PARCEIRO EPSON Enquanto serviço oficial da Epson, a Ofysars proporciona serviços de reparação e manutenção de material informático com a qualidade, o sentido de responsabilidade e a proximidade que fazem a diferença.

OFYSARS

ANABELA BORGES

Fundada em 2003 em Vila Nova da Telha, concelho da Maia, a Ofysars – Assistência Técnica em Informática, Lda. encontra-se, tal como o nome sugere, vocacionada para os serviços de manutenção de equipamentos de impressão, multimédia e P.O.S, entre outros. Porém, mais do que isso – e tal como introduz a gerente, Anabela Borges – a empresa corresponde a “um serviço oficial da marca Epson”. Significa isto que a Ofysars detém a capacidade, os serviços e o know-how necessários para proceder à reparação de “todo o tipo de equipamentos da marca (por exemplo: impressoras, scanners, P.O.S., plotters e videoprojetores) dentro e fora da garantia”. Sediada atualmente em Gueifães, a empresa encontra-se equipada com instalações recentes que beneficiam de bons e fáceis acessos, aspeto que resultou de uma opção e pesquisa estratégicas, com o intuito único de facilitar o serviço e proporcionar o maior conforto aos seus clientes. Estes, por seu turno, espal-

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ham-se de norte a sul do país: “Hoje em dia, o consumidor tem a preocupação de procurar os vários serviços e pesquisar qual o valor que possa ser mais aceitável para a reparação”, explica a gerente, numa referência ao facto de também pessoas e empresas situadas no sul do país optarem pelos serviços da Ofysars. Um serviço de confiança Com capacidade para atender, simultaneamente, às necessidades de clientes particulares e de empresas, a Ofysars beneficia de uma ligação umbilical com a marca Epson que se traduz numa mais-valia que não pode ser subestimada. “Hoje em dia, cada vez mais pessoas se aventuram a fazer reparações, mas nós temos a experiência e o conhecimento na área”, argumenta Anabela Borges. De facto, apenas as “formações Epson” patrocinadas pela companhia japonesa aos seus parceiros oficiais permitem um tão elevado rácio de eficácia. Ressalve-se, no entanto, que a Ofysars detém também a capacidade para proceder a reparações de equipamentos de outras marcas, em serviço pós-garantia. Composta por seis colaboradores, a empresa conta com uma equipa “pequena mas dinâmica” que efetua também serviços “on-site”. “Quando os clientes não querem transportar as suas máquinas, nós podemos fazer a reparação no local, cobrando o valor da deslocação”, explicita a porta-voz. Neste âmbito, a Ofysars estabeleceu uma parceria direta com agrupamentos de escolas públicos propagados por diversas partes do país, encarregando-se da recolha, manutenção e entrega dos videoprojetores que hoje se assumem como incontornáveis ferramentas no ensino. Concluído um percurso que ascendeu já aos treze anos de atividade, a Ofysars assume-se hoje como um autêntico sinónimo para valores como a “experiência”, a “qualidade” ou a “eficácia”, sendo, inclusivamente, detentora da certificação do sistema de gestão de qualidade ISO 9001. Não se admire, posto isto, que o futuro da empresa da Maia se afigure firme, seguro e – acima de tudo – sustentável.


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“ VALORES DE SOBREVIVÊNCIA” A Portugal em Destaque destacou o concelho da Maia para mais uma edição e durante a sua andança por este Município encontrou uma empresa que executa obras para a EDP através de uma parceria com a empresa Painhas e que pela mesma EDP é também qualificada exibindo assim a sua imagem e a sua marca junto desta e de outras entidades no mercado onde atua. FAIXA VERTICAL

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Avelino Soares, administrador da empresa Faixa Vertical há sete anos, foi quem nos recebeu e iniciou a sua conversa por nos referir “que o seu currículo conta já com 25 anos de experiencia no sector elétrico”. Explica também que a Faixa Vertical “nasceu em 2009 a partir do profundo conhecimento aliado à vasta experiência de todos os seus colaboradores na área de Instalações Elétricas, Construção Civil e Obras Públicas”. E que desde o início da sua atividade que a Faixa Vertical “pretende ser uma empresa de referência no mercado onde atua, destacando-se através do desempenho de uma equipa de profissionais qualificados e motivados, orientados para a satisfação do cliente, com garantia de qualidade nos serviços prestados e capacidade de resposta em tempo útil aos desafios que lhe são lançados”. Localizada no concelho da Maia, a Faixa Vertical possui uma posição central nesta zona com boas acessibilidades, pois segundo Avelino Soares “em dois minutos conseguimos estar em qualquer grande via e chegar a qualquer parte do país, o que nos permite atuar em várias áreas de negócio no setor da Energia Elétrica e Telecomunicações em toda a zona geográfica de Portugal Continental”. O nosso interlocutor explica ainda que “a Faixa Vertical, inicialmente reconhecida é também uma empresa qualificada desde março deste ano por Classe de Obra pela EDP Distribuição para a realização de Linhas Subterrâneas de Média Tensão, Postos de Secionamento e de Transformação, Baixa Tensão, Contagens em Baixa e Média Tensão, requisito essencial para o desenvolvimento integral das atividades nas redes de distribuição da EDP”, salienta com orgulho o nosso entrevistado Avelino Soares. É que desde 2011 que a Faixa Vertical detém uma parceria com a empresa Painhas com a qual desenvolve grande parte do seu trabalho para a EDP, na Área Operacional do Porto, sendo mesmo “um dos seus principais parceiros nas redes de Média e Baixa Tensão nesta belíssima cidade”. Contudo, face à conjuntura económica do nosso país, a forte concorrência que cada vez mais existe dentro deste setor e face aos “valores de sobrevivência” praticados nestas empreitadas, o principal objetivo desta empresa, para os próximos anos, é a sua internacionalização, nomeadamente, na América Latina, estando neste momento a liderar um projeto em consórcio com outras empresas no sentido de poder desenvolver trabalhos nesse continente, permitindo assim, a continuidade da projeção da sua marca e da sua imagem para mercados internacionais, “não esquecendo, contudo, as nossas origens”.


QUALIDADE MADE IN PORTUGAL Os irmãos Carlos Duarte e Ana Duarte dão cartas no mundo das pet shops. A sua empresa, Smart Pet, fabrica e distribui a marca LuBen (junção dos nomes Lurdes e Benjamin, em homenagem aos pais). Apostam na qualidade dos produtos para animais e na produção portuguesa.

SMART PET

CARLOS DUARTE E ANA DUARTE Carlos Duarte não tem formação na área animal, mas tem o gosto. Numa súbita iniciativa de empreendedorismo decidiu abandonar a informática e abrir uma petshop, em 2006, em Guimarães, juntamente com outra pessoa. A ideia resultou e vendeu bastantes produtos, um dos quais lhe chamou à atenção: camas para cães. “Todas as pessoas que gostam e tratam bem os animais querem dar-lhes tanto conforto como elas próprias têm, muitas vezes até mais! São muito criteriosas na escolha”. Carlos Duarte também notou que a maior parte das etiquetas eram ’made in China’. Ora, “sendo nós um país de tanto têxtil, tendo eu família ligada ao têxtil, porque não tentar produzir alguma coisa?”, questionou-se. As condições económicas levaram ao afastamento da petshop e, depois de refletir que seria interessante ter o seu próprio negócio, criou a LuBen, corria o ano de 2011. A irmã, Ana Duarte, juntou-se ao projeto pouco depois.

Desde então que têm vindo a “crescer devagarinho, sustentadamente” e a aumentar o seu portfólio “todos os anos de forma significativa”. Só este ano duplicaram a oferta e obtiveram uma boa resposta. Os têxteis que usam “são de alta qualidade” e têm controlo absoluto na matéria-prima, tudo é escolhido a dedo, desde as estampagens do tecido aos acabamentos. “Os nossos produtos garantidamente são feitos aqui, no nosso armazém”, declarou Carlos Duarte, e são dedicados a pet shops, lojas especializadas. Esta qualidade é toda made in Portugal: “tentamos ao máximo que as nossas matérias-primas sejam produzidas aqui e, preferencialmente, que sejam produzidas na região. Por um lado para fomentar a região e, por outro, porque desta forma conseguimos ter matéria-prima tão boa, ou melhor, do que a que vem do exterior. Os nossos preços são muito atrativos e competitivos. Concentramo-nos na qualidade, que vende todos os dias. Este paradigma do made in Portugal não ser tão apelativo como os produtos que vêm de fora já mudou”, apesar de ser um fenómeno recente. Outro motivo será o facto de a empresa Smart Pet se encarregar da distribuição total, para garantir que o produto chegava “a 100 por cento” às lojas. “Controlamos verticalmente desde o fornecedor ao cliente”, explicou o sócio-gerente. Quando deram início ao negócio, testaram o produto em “meia dúzia de lojas”, que os orientaram indiretamente na produção, nomeadamente nas peças com mais ou menos saída. Atualmente, tanto procuram clientes como são procurados. De tal forma está a correr bem, que até já exportam quase metade do que produzem. Têm bastante concorrência, a maior parte vinda de fora de Portugal, mas já conquistaram o seu lugar no mercado e estão bem posicionados. Os irmãos Duarte repararam que “as lojas estão agradavelmente surpreendidas com o produto português”. As mentalidades mudam e as pessoas estão “muito mais” atentas aos seus animais. “No nosso país, eu acredito que somos equilibrados nesse sentido”, expôs Carlos Duarte, o único problema será “as dificuldades económicas, porque o público quer qualidade, mas não a consegue pagar, e opta pelo produto mais barato”. As ambições futuras passam por alargar o mais possível o leque de oferta de produtos made in Portugal. Querem “estar presentes em todo o país e no estrangeiro e ser uma referência na área pet”. O seu objetivo primário é a qualidade e serem reconhecidos por isso.

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44 ANOS DE DEDICAÇÃO E TRABALHO Gozando de um consolidado estatuto nacional, a J.Campos,Lda proporciona aos seus clientes uma vasta gama de equipamentos a gás para hotelaria e seus acessórios. Por trás desta firma de sucesso está o seu fundador, seus filhos e uma equipa de competentes colaboradores.

J.CAMPOS LDA

contributo de todos faz a diferença. Mas a origem da J.Campos, Lda., remete-nos a um período bastante anterior. De facto, hoje seria difícil de acreditar que tudo começou “na mala do carro” quando o então jovem empresário decidiu enveredar por esta atividade que ainda hoje exerce. Já em 2001, a J.Campos,Lda expandiu-se também para a Maia, adquirindo as instalações onde, atualmente, se procede ao fabrico dos diversos componentes e acessórios que cimentam o estatuto e a qualidade impar da firma.

Com uma loja/armazém no Porto, uma unidade industrial na Maia e um leque de clientes que se propaga por todo o pais Acores e Madeira incluídos, a J.Campos, Lda. é uma empresa que começou há 44 anos com o empenho e esforço do fundador e depois com seus filhos. Centrada no fabrico e comercialização de variadas componentes associadas ao sector de gás e da hotelaria, esta será uma das poucas firmas nacionais a poder orgulhar-se de ter assistido, desde 1972 e anoa após ano, ao crescimento ininterrupto da sua faturação. Este é um facto que prossegue hoje: “a firma apresentou sempre um crescimento solido e sustentado” refere o nosso interlocutor. Sendo que conta também com o empenho e dedicação de todos os que com eles colaboram, alguns deles com décadas de serviço que “ficam para a vida” vendo o seu trabalho reconhecido cada dia. “Temos uma enorme confiança em todos os que connosco trabalham”, Sustenta o nosso entrevistado, pois só o 24 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Uma referência no mercado O leque de produtos que a J.Campos, vende é o mais variado neste género em todo o pais, que vão desde trempes em ferro e em inox, fogões industriais, equipamentos inox para hotelaria, fogareiros, candeeiros, maçaricos, aquecedores, redutores e material para instalação de gás. Neste âmbito, importa referir que a J. Campos,Lda é a única fábrica portuguesa a fazer redutores para fogões a gás. Mas o prestígio que a empresa goza no mercado não se explica apenas pela diversidade ou pela qualidade dos seus bens. “Temos um produto muito procurado pela sua robustez e eficácia”, reforça o empresário. Existe, ainda uma garantia que a firma pode assegurar: a urgência com que é capaz de responder às necessidades e expectativas de todos quanto os solicitam. De Portugal para o Mundo Em solo nacional, a J.Campos,Lda conta com uma carteira aproximada de 3000 clientes. A esses, no entanto, somam-se


alguns compradores fora de fronteiras: Espanha, Jamaica, El Salvador Guiana Francesa, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guine Bissau, para citar apenas alguns. Sumarizando o percurso de uma vida, a J.Campos,Lda é hoje um raro exemplo de sustentabilidade, sucesso, harmonia e bom trabalho. É expectável que a empresa prossiga o seu trajeto de crescimento, e responsabilidade. E, deste modo, saberemos que – mesmo depois de todo o seu crescimento- a J.Campos continuará a ser o que sempre foi: o esforço e a coragem de uma equipa séria e imbatível. Daí a convicção do Clã Campos de que o desenvolvimento é para continuar.

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108 ANOS DE TRABALHO E HISTÓRIA NO SETOR AUTOMÓVEL Assumindo uma vastíssima gama de serviços dentro do setor da reparação automóvel, a Jalcar é mais do que uma empresa centenária. Trata-se, acima de tudo, de um legado, passado de geração em geração.

ACÁCIO LEITE JALCAR MOTORSPORT

RUI ACÁCIO LEITE E DIOGO ACÁCIO LEITE Falar da Jalcar implica fazer alusão a uma impressionante e incomparável história que chegou já aos 108 anos de longevidade. Atravessando quatro gerações de dinamismo, inovação, mudança e adaptação, esta é uma empresa que começou em 1908, pela mão de António Acácio Leite. Foi nesse ano que o fundador do que começou por ser uma pequena serralharia lançou as sementes daquela que virá a ser a empresa familiar portuguesa mais antiga (ligada ao setor automóvel). 26 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Se, nos seus primeiros tempos de atividade, António Acácio Leite já fazia serviços de serralharia voltados para o mercado automóvel, a especial ligação para com este setor foi-se intensificando, à medida que o sucessor – Jeremias Acácio Leite – optou por se dedicar à reparação de veículos, aquando da década de 1920. Eventualmente, a firma reconfigurou-se como uma empresa de metalomecânica dedicada ao setor automóvel, que incluía uma oficina para reparação de veículos nas suas instalações.


É neste contexto que Diogo Acácio Leite (terceira geração), ainda criança, se recorda “de andar pela fábrica, ao longo dos anos 1950”. Entretanto, na década seguinte, tornou-se evidente a vertente inovadora da futura Jalcar: “o primeiro e único motor a Diesel completamente fabricado em Portugal foi feito por nós”, orgulha-se o nosso entrevistado. “Estávamos muito à frente da época”, argumenta, lembrando que a Acácio Leite, Lda. era das “únicas empresas de metalomecânica dedicada à área automóvel”. A certa altura, todavia, a empresa abandonou esta vertente, para se dedicar em exclusivo aos serviços de reparação e reconstrução automóvel, naquele que hoje subsiste como o verdadeiro ADN da Jalcar. O avançar das décadas presenciou, no entanto, a forma como certos nichos de mercado – como os automóveis de competição ou o mercado dos veículos clássicos – se tornaram cada vez mais fortes nesta história. Três serviços Volvidos 108 anos, podemos resumir a atividade da Jalcar em três componentes: os serviços gerais de revisão e manutenção (onde se incluem, entre outras, as ações de mecânica geral, chaparia, pintura, iluminação e eletricidade), a divisão Motorsport (através da qual a empresa proporciona serviços de assistência e aluguer a provas desportivas de automóveis) e os serviços dedicados ao restauro de veículos clássicos. Este último, em termos gerais, “não é um negócio fácil”, afirma o atual gerente, Rui Acácio Leite (quarta geração). “A maioria dos mecânicos modernos não está apto a trabalhar com este tipo de automóvel, o que faz com que nós sejamos cada vez mais reconhecidos como especialistas desse mercado” a nível nacional, prossegue o porta-voz. Tratando-se de algo que exige um particular nível de rigor, know-how e experiência, não admira que entre os clientes deste tipo de serviço se encontre também algum público espanhol. De facto, “hoje em dia sente-se muita dificuldade em conseguir peças para este tipo de carros, e nós fabricámo-las”, assegura Rui Acácio Leite. Tudo porque “não havendo solução, nós encontramo-la”, pois “não desistimos dos carros”. Já no que respeita ao setor dos automóveis de competição (o

qual se estende desde as provas de montanha, circuitos, offroad, de rali ao todo-terreno, passando pelo karting), a Jalcar encarrega-se não apenas da manutenção ou transformação dos respetivos carros, mas também de um outro serviço, “para o qual ainda vai existindo algum mercado”: o aluguer dos veículos para competições. 108 anos de excelência Nunca tendo perdido o seu estatuto de empresa familiar, a Jalcar constitui hoje um inegável exemplo de referência na sua área de atividade. Mas, se o facto de a firma ter chegado aos 108 anos de existência não constituir, por si só, prova suficiente desse mesmo aspeto, importa salientar que esta é uma empresa que faz de valores como a qualidade, o compromisso, o acompanhamento e a proximidade para com o cliente valores incontornáveis. Contando atualmente com uma equipa que partilha todo o trabalho entre si, é com “uma alegria especial” que a Jalcar encara o momento presente, não negligenciando, porém, as incógnitas que o porvir reserva. Para o futuro, Rui Acácio Leite “espera mais alguns anos de sucesso”, embora preferindo “viver um dia de cada vez”. De facto, “projetos, pensamentos e sonhos temos alguns, mas sabemos que as coisas estão sempre a mudar”, reflete o nosso interlocutor. O que jamais se alterará, contudo, será o prestígio, a honra e a qualidade de uma casa que, no seu dia a dia, faz tudo para marcar a diferença. Até porque sempre foi assim. Hoje, como há 108 anos (e três gerações) atrás.

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“SOMOS O CLUBE UNESCO DA MAIA” Com seis anos de existência, esta associação tem desenvolvido um papel muito importante na defesa da paz e da cultura na cidade da Maia. A sua dedicação à investigação resultou em trabalhos notáveis que envolveram o concelho e os mais jovens. Raúl Teixeira e Silva e Lourdes Graça Silva foram os impulsionadores.

CLUBE UNESCO DA MAIA RAÚL TEIXEIRA E SILVA

“Tivemos uma origem”: assim se iniciou a nossa conversa com Raúl Teixeira e Silva, a sua esposa Lourdes Graça Silva e Laura Maria Mora, engenheira, que representam o Clube UNESCO da Maia, cujo nascimento respeitou a estrutura usual. Inicialmente, foi criada a Associação Maiata para a Cultura da Paz – CUMA, através da escritura pública celebrada no dia 10 de fevereiro de 2010, cujo estatuto já tinha sido previamente acordado com a Comissão Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Em 15 de abril do mesmo ano foi assinado o protocolo entre a CUMA e a Comissão Nacional da UNESCO no Salão Nobre da Câmara Municipal da Maia, que daria origem ao Clube UNESCO da Maia. O Clube conta atualmente com 70 associados. Os Órgãos da associação zelam pelo regulamento interno. Esta associação tem colaborado muito com o Clube UNESCO do Porto e outros a nível nacional. “Somos sócios fundadores da Federação Portuguesa de Associações, Clubes e Centros UNESCO e temos um ótimo relacionamento com a comissão nacional da UNESCO, sediada em Lisboa”, explicaram-nos. Graças à generosa quantidade de académicos associados, as ações deste clube acabam por ser muito baseadas em planos bem definidos. De tal forma que no fim de cada ano apresentam e enviam para a UNESCO o plano de atividades e o orçamento para o ano seguinte. Questionado acerca dos requisitos para se ser associado, Raúl 28 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Teixeira e Silva, Presidente da Direção, explicou que “há uma reunião entre sócios e avaliamos a pessoa como futuro associado”. A avaliação em nada se relaciona com a ideologia política e “privilegiamos muito os jovens”. Qualquer um dos sócios pode propor a entrada de um novo membro, mas também é possível que a iniciativa provenha do próprio indivíduo. A admissão de uma pessoa como sócio tem em conta os padrões morais e éticos de cada um. O presidente da direção declarou que a UNESCO sempre teve um “referente que ainda hoje” considera fundamental: ‘se a guerra nasce no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devemos construir a paz’, e ‘a paz constrói-se, este é o nosso lema, através da educação, da ciência e da cultura, e hoje, acrescentamos, da comunicação’. “Não é um clube elitista e não pretendemos ser um clube popular, é um meio termo”, afirmou Raúl Teixeira e Silva, embora confesse que têm um “conteúdo muito firme de professores universitários, advogados, médicos, juízes, engenheiros, industriais, entre outros”. Os associados contribuem com uma joia de entrada e com uma quota anual. O Clube rege o seu quotidiano nas três áreas de trabalho seguintes: informação, formação e ação. Entre as atividades que organizam podemos encontrar conferências, palestras, seminários e visitas de estudo. Dedicam-se com frequência à investigação do património imaterial na Maia. “Até fizemos um seminário, de um dia inteiro, sobre o património imaterial português” presente a


APARTADO 1476 4470-909 MAIA AV. VISCONDE DE BARREIROS - PARQUE DAS FONTES CLUBEUNESCODAMAIA.CUMA@GMAIL.COM TLM: 96 60 49 162

nível nacional e internacional. “Foi uma ação espetacular no hotel da Maia, que da nossa parte teve um investimento de cerca de mil euros”. A prova viva do resultado dos trabalhos são os livros publicados sobre os moinhos da Maia, trabalho coordenado por Lourdes Graça Silva. A própria descreveu estes como “um trabalho de investigação, não de enciclopédia”, fomos para o campo de galochas. Foi amplamente divulgado e acompanhado por 41 pessoas. “Envolvemos o concelho”. Juntamente com a Camara Municipal da Maia, o Clube organizou conferências e visitas de estudo para levar as crianças das escolas que aderem à iniciativa de ir ver os moinhos. Os moinhos foram postos de novo a funcionar, para grande delicia dos mais pequenos, que no fim da visita recebem um saquinho com o grão e a farinha moinha, para terem conhecimento de todo o processo de moagem. Os nossos três entrevistados fazem questão de realçar que a Maia foi uma das localidades onde se fez a industrialização da moagem, ou seja, o processo deixou de ser movido a água para passar a ser movido por motores a gasóleo. Se a cidade da Maia “não dinamiza a investigação”, o Clube UNESCO faz tudo para alterar essa situação. “Temos cinco jovens na investigação e uma candidatura para fazer estágio porque somos uma entidade credibilizada. Esses dois jovens estão a fazer um trabalho notável e muito importante. A faculdade de letras recomendou-nos

e nós abrimos as portas todas, encaminhamo-los e eles de facto fizeram a tese de mestrado com 20 valores”, revelaram-nos os nossos entrevistados. Procederam também ao levantamento do que denominam “os notáveis da Maia, “pessoas que de alguma forma tiveram um papel de relevo no contexto e desenvolvimento da cidade”, o que resultou em conferências “com elevado nível de qualidade”. No próximo aniversário do Clube preveem fazer uma publicação sobre esse assunto para maior divulgação. Outro tema que também trabalham é “o papel da mulher maiata dentro do contexto da sua cidade e a Maia dentro do contexto de uma cidade que confina com a segunda maior cidade do país, a cidade do Porto”. Nomeadamente aquelas que desempenhavam ocupações como, por exemplo, “as lavadeiras, as pinheireiras, as leiteiras, as hortaliceiras, as padeiras, as galinheiras”, etc. Todos os projetos passados, presentes e futuros são realizados sem “o apoio monetário de ninguém, o que uns encaram como fraqueza mas nós consideramos a nossa grande força. A única preocupação que temos é não sair daquilo que é a UNESCO. Não dependemos rigorosamente de mais ninguém”.

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EMPREENDEDORISMO CULMINA EM EMPRESA DE SUCESSO Sediada em Nogueira da Maia, na cidade da Maia, a Rui Azevedo Lda surgiu em 2011, direcionada para soluções de acabamentos e tampografia. Em entrevista à Revista Portugal em Destaque, o seu fundador, Rui Azevedo, fala-nos sobre o crescimento da sua empresa ao longo dos anos, na qual partilha a administração com a sua esposa, Manuela Ferreira, e sobre o seu percurso até se tornar um empresário de sucesso nas áreas em que atua, quer a nível nacional, quer internacional.

RUI AZEVEDO LDA

MANUELA FERREIRA E RUI AZEVEDO

Dedicação e muito trabalho são as palavras de ordem Rui Azevedo começou a trabalhar desde novo no ramo da construção civil, “apesar de querer ser muito mecânico”, começa por nos explicar. Na altura o seu tio, Joaquim de Oliveira Azevedo, “um grande empreiteiro e empresário da Maia”, que chegou a ter mais de 600 homens a trabalhar consigo, propôs-lhe mudar de emprego e trabalhar na sua empresa como motorista, mas facilmente aos 17 anos, Rui Azevedo Silva já tinha subido de cargo, passando a encarregado. “Tinha habilidade para fazer várias coisas e começaram a ser-me legadas mais funções, muito naturalmente”, revela Rui Azevedo. Anos mais tarde e com a ambição de alcançar novos horizontes a nível profissional, o jovem empreendedor decide inserir-se na área da metalomecânica e começa a laborar numa fábrica de tampografia. Essa fábrica apostou, na altura, na Fórmula 1. “Eu fui o primeiro a decorar os carros de lá”, diz, orgulhoso. Por norma, conta, faziam-se 15 carros por hora e admite: “no primeiro dia respeitei esse número, mas nos seguintes já fazia 100”. O culminar de vários anos de experiência 30 | PORTUGAL EM DESTAQUE

A empresa Rui Azevedo, Lda, nasceu em 2011, através do know-how de todos os trabalhos que foi fazendo ao longo da sua vida e surgiu do desejo de criar o seu próprio negócio. Esta empresa tem como principais serviços a tampografia, que é a impressão em vários tipos de superfícies, e assim a decoração de um objeto ou produto. A serigrafia, o outro principal serviço da empresa, é utilizada na impressão de gravuras, em vários tipos de materiais, tais como o plástico, o tecido ou o vidro, por exemplo. Outros serviços disponibilizados aos clientes são a impressão digital e o lazer. Assim, Rui Azevedo começou a ficar conhecida pelo reconhecimento dos clientes com os quais foi trabalhando, bem como das várias marcas de renome com as quais trabalha atualmente. Sendo esta a visão do nosso interlocutor e, deste modo, da empresa, o objetivo passava assim por continuarem a ser uma referência tanto a nível nacional como internacional e que os seus serviços sejam reconhecidos sempre pela qualidade dos serviços prestados. Com a criação desta empresa, Rui Azevedo começou por ganhar um grande apreço por poder trabalhar neste ramo, “tenho muito gosto em trabalhar nesta área, na qual me sinto hoje realizado”, comenta. A sua missão passa por querer manter a sua empresa como líder de mercado de soluções e acabamento em tampografia e serigrafia para todo o tipo de peças, procurando exceder sempre as expectativas dos clientes, através da qualidade, da competência e prosperidade da equipa que constitui a empresa, na qual incorporam atualmente 16 pessoas.


Novas áreas de mercado Na opinião de Rui Azevedo, “como esta fábrica, só existe mais uma em Portugal”, pois são as únicas que não utilizam intermediários para realizarem o seu trabalho. “Sou um habilidoso, tenho algo que mais ninguém tem”, admite. Hoje, fornece diretamente para a Land Rover, Mercedes, Jaguar, BMW, entre outras empresas Todavia, trabalha em parceria em a Steel Unik, que se localiza igualmente na Maia e da qual também é proprietário, “tem tido um crescimento gradual, de ano para ano e de dia para dia e possui há escassos meses de instalações próprias”, exclama. Perspetivas de crescimento contínuo “Os meus objetivos estão quase cumpridos”, esclarece, mas é perentório em afirmar o seu desejo em que o seu filho mais velho, Rúben Azevedo, ficasse à frente do negócio. “Ele é muito parecido comigo, é um trabalhador e percebe muito de negócios apenas com 22 anos. Gostaria imenso que desse continuidade ao meu trabalho, com o mesmo esforço e dedicação” O empresário sempre trabalhou muito durante toda a sua vida, para poder proporcionar tudo e do melhor à sua família, deu o seu corpo e alma ao trabalho e nunca desistiu. Hoje tem uma empresa em grande ascensão e de grande sucesso e as perspetivas passam por crescer, de forma sustentada, como sempre a Rui Azevedo se distinguiu.

Travessa do Rio 96 | 4475-268 Nogueira - Maia

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O CRESCIMENTO DO GRUPO SBF A Portugal em Destaque passou mais uma edição na Maia, onde conversou com Paulo Bessa, António Bessa e Isabela Bessa, administradores do grupo SBF, ao qual pertencem as empresas Serralharia Silva Bessa, Conservias e SD Zink, falando-nos dos objetivos propostos para este grupo.

SD ZINK

ISABELA BESSA, ANTÓNIO BESSA E PAULO BESSA Em entrevista, os nossos interlocutores revelam que tudo iniciou em 1993 com a criação da empresa Serralharia Silva Bessa, sediada em S. Mamede Infesta, e vocacionada para a construção civil. Com o crescimento da mesma e a alteração de atividade, passando esta a ser na área da sinalização e a sua modernização de equipamentos, tiveram a necessidade de criar uma nova empresa, a Conservias, sendo a sua atividade a montagem da sinalização. O seu crescimento obrigou que o grupo alargasse as suas instalações abrindo uma filial na Maia, onde inaugura uma nova atividade na área de tratamentos de materiais, a SD Zink. Contaram-nos igualmente que estão filiados na Maia há cinco anos e explicou o porquê de se encontrarem nesta zona da ci-

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dade. “Aqui temos tudo, temos uma autoestrada ao lado, que nos leva a todo o lado e os acessos aqui são fantásticos”. Indicam ainda que a SD Zink presta o serviço de zincagem à empresa-mãe, a Serralharia Silva Bessa e também aos clientes de fora. O tratamento é um dos processos mais eficientes e económicos que se utiliza para proteger peças de aço dos estragos atmosféricos. Estas três empresas foram criadas todas dentro do mesmo setor de trabalho, mas cada qual com a sua área de enfoque. “Separamos o que era de serralharia, de zincagem e de montagem”, afirmam, para deste modo conseguirem verificar o trabalho de cada uma das empresas com maior eficácia e para que cada uma faça frente à sua concorrência. A missão deste grupo passa por manter-se no mercado e crescer sustentavelmente, trabalhando tanto a nível nacional como internacional, direta ou indiretamente com vários clientes. “Temos clientes que trabalham com países da América do Sul, Venezuela e outros na Europa, com a Alemanha, França, entre outros”. Existem também algumas empresas nacionais com quem trabalham indiretamente, como a Continental ou a Efacec. No que concerne ao recrutamento, o Grupo SBF, não o realiza externamente, visto não necessitar de pessoas com experiencia a trabalhar na área. Pede apenas aos seus funcionários que sejam assíduos, que tenham gosto e vontade de trabalhar e que sejam de confiança, deixando a formação dos mais novos para os mais experientes, encarregando-os dessa tarefa. Paulo Bessa termina esta entrevista com um pensamento positivo dizendo que os principais objetivos para o futuro passam pelo crescimento do grupo, com muitos sucessos, tanto a nacional como internacional. “Relativamente aos setores abrangidos pelo nosso grupo, a sinalização é uma atividade que terá sempre trabalho, pois as estradas terão sempre manutenção”, e no que diz respeito à área dos tratamentos, crê que poderá vir a ter muito futuro, pois neste momento é algo pouco conhecido e existem poucas empresas a executar este serviço. “Com os requisitos próprios, é uma atividade do futuro, pois cada vez mais existe uma necessidade por parte da metalomecânica, de fazer peças zincadas”, defende.


MATOSINHOS Matosinhos uma cidade em constante mudança e ascensão, que acredita na qualidade de vida dos cidadãos e nas novas iniciativas e aspirações que desenvolvem o concelho. É uma cidade que visa manter a qualidade, através da requalificação do que já existe, do planeamento e do rigor. Aposta num turismo cultural maioritariamente, pela gastronomia, a arquitetura contemporânea, e o mar. A gastronomia pode dizer-se que é a âncora. O Peixe, o marisco, e algumas receitas de carne do Matosinhos interior são sem dúvida os pontos de maior interesse neste sector. Na arquitetura, o enfoque principal é no internacionalmente conhecido Álvaro Siza Vieira, cujos laços com este concelho são fortíssimos pelas obras da sua juventude: a Casa de Chá da Boa Nova e a Piscina das Marés. Também na arquitectura recentemente criada, e também com grande afluência por porte dos turista é o Terminal de Cruzeiros- APDL. Na cultura destacamos duas pessoas também muito conhecidas a nível nacional, Florbela Espanca, poetisa portuguesa, e Álvaro Lapa, um dos grandes nomes da pintura portuguesa contemporânea. Relativamente ao turismo marítimo, Matosinhos, é conhecido pela sua ampla marginal, onde os patins em linha, os skates, as bicicletas ou até mesmo levar o cão à rua são sempre os pretextos utilizados para um passeio à beira mar. Um outro motivo muito forte para visitar Matosinhos, é o facto que desde Maio deste ano, este concelho passou a ter o título da Capital da Cultura do Eixo Atlântico de 2016, onde apresenta um vasto programa cultural e de inovações.


UMA DAS MELHORES EMPRESAS PARA TRABALHAR Sofia Paranhos é um dos rostos que comanda a equipa da Re/max Matosinhos. AF_Jornal_210x297.pdf 1 27/10/2016 11:08:33

RE/MAX MATOSINHOS

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Como surgiu a Re/max Matosinhos? A Re/max Matosinhos surgiu há 15 anos fruto da confiança depositada na marca Remax que nessa altura estava a dar os primeiros passos em Portugal, mas que, já contava com mais de 25 anos no resto do mundo. Que valores defendem e com que espírito de missão tem sido levado este projeto? Os nossos valores mais importantes são a honestidade e o trabalho árduo com a missão que criar valor para os nossos clientes, associados, fornecedores, parceiros e sociedade em geral. Existimos para oferecer um serviço de excelência aos nossos clientes, com as melhores e mais inovadoras soluções de marketing. Somos a empresa líder de mercado, com um serviço de excelência! A primeira escolha dos clientes, atuando com padrões de excelência, com uma equipa forte, motivada, flexível e capaz de fazer acontecer. Como vê a evolução do mercado imobiliário na cidade de Matosinhos? 36 | PORTUGAL EM DESTAQUE

A evolução do mercado imobiliário em Matosinhos será nos próximos anos de grande crescimento uma vez que a procura que se faz sentir, sobretudo nas freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, irá ter como resposta um aumento na construção bem como nos valores praticados. Estamos otimistas em relação ao futuro imobiliário da cidade uma vez que se trata de uma cidade com uma localização privilegiada com caraterísticas muito favoráveis para crescer. Nomeadamente por ser uma cidade costeira com um grande porto de mar a 15 minutos do aeroporto Francisco Sá Carneiro e que faz fronteira com o Parque da Cidade do Porto. De que forma a Re/max se tem ajustado ao mercado e, atualmente, com que mercados trabalha, qual a tendência? A Re/max, enquanto empresa líder de mercado, importou a sua forma de trabalhar de mercados mais desenvolvidos nesta área como sejam os EUA e Canadá. Esta ‘nova’ forma de trabalhar tem provado ser vencedora, sendo a prova disso a cada vez maior quota de mercado que tem conquistado. A tendência será para no futuro outras empresas virem a adotar esta forma


vido pelo turismo (fenómeno voos low cost), pela facilidade de acesso ao crédito, pelas baixas taxas de juro, pela fuga ao risco bancário, pelos golden visa. Este crescimento que se tem verificado nos centros históricos ainda está longe de ter chegado ao fim uma vez que o nosso país ainda apresenta valores metro quadrado muito inferiores ao que se pratica na grande maioria das cidades europeias. O crescimento nos centros históricos terá nos próximos anos um contágio à periferia que ainda é muito ténue. Vemos, desta forma, o mercado imobiliário como algo apetecível no seu todo. O que distingue esta Re/max das outras agências imobiliárias? A Re/max Matosinhos tem como lema ‘a melhoria continua’. Nessa melhoria engloba-se o serviço que é prestado aos clientes proprietários e compradores, bem como aos nossos clientes internos – os consultores. Consideramos que um serviço de excelência aos consultores, com formação contínua, coaching, reconhecimento, acompanhamento, traduz-se sempre numa melhoria e num serviço de excelência ao cliente final. Temos como principio: se queres um cliente final feliz faz com que os clientes internos (consultores) sejam felizes. Como tem sido o percurso da Re/max Matosinhos e no futuro: que projetos têm e o que esperam? A Re/max Matosinhos iniciou a sua atividade há 15 anos, tendo tido um percurso sólido e estável. Em 2014 optamos por iniciar um processo de expansão, com a criação do Grupo Imobiliário denominado ‘Grupo Dragão’. Numa primeira fase, abrimos uma Re/max no Porto – Remax Vintage (hoje, agência nº 1 do norte de Portugal). Este ano abrimos a Re/max Rapid em Vila Nova de Gaia, sendo o grupo das três agências líder do mercado imobiliário do grande Porto. Atualmente o nosso foco é disponibilizar o nosso serviço de qualidade não só em Matosinhos mas sim no grande Porto. A nossa expansão tem sido muito bem-sucedida, contanto à data com uma equipa de cerca de 150 pessoas no grupo. Estamos empenhados em crescer e melhorar dia após dia. SOFIA PARANHOS

de trabalhar. A Re/max trabalha o mercado imobiliário de uma forma universal. Para a Re/max cada cliente é de importância máxima desenvolvendo planos de marketing adaptados a cada situação. O nosso foco é ajudar o maior número possível de pessoas a conseguirem realizar os seus objetivos imobiliários, superando as suas expectativas. Elementos da equipa e recrutamento & formação: de que forma são feitos, qual a importância e que facilidades e dificuldades sente no recrutamento? Visto se tratar de um negócio de pessoas para pessoas, procuramos trabalhar com os melhores! A área de recrutamento e formação é para nós vital. A nossa aposta num recrutamento de qualidade, é para nós palavra de ordem. Como vê o setor imobiliário, neste momento, em Portugal? Neste momento, o setor imobiliário em Portugal apresenta grandes oportunidades, prevendo que até 2020 continue a ter uma evolução positiva. 2015 e 2016 foram em Portugal anos de grande crescimento essencialmente nos centros históricos promoPORTUGAL EM DESTAQUE | 37


UM LUGAR PARA SER FELIZ Criar um lugar onde todos podem encontrar bem-estar, é a missão do espaço de artes e terapias Shambhala, localizado na cidade de Matosinhos. Idealizado pela terapeuta Esmeralda Pereira, e concretizado com o apoio de Ana Matos, também terapeuta, este projeto, que abriu portas em abril deste ano, tem dinamizado diversas atividades e levado ao público a oportunidade de melhorar a sua qualidade de vida. E são muitas as atividades disponíveis.

SHAMBHALA

ESMERALDA PEREIRA, ANA RIBEIRO E ANA MATOS Dentro das terapias individuais, Esmeralda Pereira é quem assume as consultas de reflexologia, auriculoterapia e reiki. Por sua vez, Ana Matos está a cargo da terapia multidimensional, reiki, drenagem linfática por ionização e é ainda consultora autorizada da Swissnahrin, empresa suiça de suplementos de nutrição e cosmética natural. O espaço conta para além das terapias integrativas, da realização frequente de workshops, palestras, cursos, meditações e OM Chanting. Os próximos cursos a decorrer dedicam-se a formar profissionais na área da Reflexologia Integrada, da Auriculote-

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rapia, do Reiki, Reiki animal, e TRF - Transmissão do Retorno à Fonte. Zen Balance, a modalidade criada e desenvolvida por Kajal Ratanji, e Hatha Yoga com Cristina Garrido são atividades semanais. Nas duas modalidades a primeira aula é sempre gratuita. Todos podem trabalhar neste espaço De acordo com a filosofia do Shambhala todas as pessoas que tenham algo a acrescentar a este conjunto de atividades têm as portas abertas para prestarem os seus serviços. Ana Ribeiro é um desses exemplos. Ao participar numa palestra realizada neste local pelo terapeuta Denis Alves Viatico e sabendo dessa oportunidade ofereceu os seus conhecimentos, sendo agora uma das terapeutas de sucesso nesta casa. Enfermeira e com mestrado em saúde mental e psiquiatria, Ana Ribeiro é quem assume as consultas de psicoterapia holística, terapia regressiva, hipnoterapia e terapia quântica multidimensional. Dinamiza ainda palestras de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Assim como ela, qualquer pessoa que tenha algo a acrescentar a este projeto pode entrar em contacto com as responsáveis pelo espaço. Tal como nos refere Ana Matos, “por vivermos no planeta terra, vivemos no sistema da dualidade. E é através do conflito que ganhamos o impulso para mudar”. A importância do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal impõe-se na necessidade de gerir emoções e assim compreender a natureza de muitas situações que surgem na vida de qualquer pessoa. Assim, é nas situações adversas que o ser humano reconhece a força interior de que é munido, sendo o papel dos terapeutas nestas situações de vital importância para o acompanhamento adequado a cada pessoa. Shambhala significa em sânscrito “um lugar de paz, felicidade, tranquilidade”. As portas estão abertas para todas as pessoas inclusive para quem não tem hora marcada. De acordo com Esmeralda Pereira, “por vezes uma conversa é o suficiente para alguém se sentir melhor”. Continuar a ser um lugar onde as pessoas se sintam acolhidas como se estivessem em casa, trazendo o melhor que elas têm e fazê-las partilhar a sua riqueza interior é o alento das responsáveis por este projeto. É assim que neste ambiente de alegria e partilha se cumpre a missão de ser feliz e ajudar os outros a encontrar a melhor forma de também o serem. Serviços Consultas e terapias individuais Workshops Cursos Palestras Meditações Yoga Zen Balance OM Chanting by Bhakti Marga

Próximas atividades 19 de novembro: Curso de TRF - Transmissão de Retorno à Fonte, Nível I e II 26 de novembro: Curso Profissional de Auriculoterapia 3 de dezembro: Curso Profissional de Reflexologia 11 de dezembro: Curso Reiki Animal, Nível I


“É NECESSÁRIO POTENCIALIZAR MATOSINHOS!” Proprietário de três restaurantes conceituados no concelho de Matosinhos, Pedro Enguião é um filho da terra e um visionário por excelência. À conversa com a revista Portugal em Destaque, mencionou as suas preocupações, problemas e as potencialidades da sua terra-natal. RESTAURANTE BARCO VELHO

PEDRO ENGUIÃO Pedro Enguião, natural de Matosinhos e descendente de uma família de pescadores, sempre se interessou pelo bem-estar da população da sua cidade. Proprietário de “A Recoleta”, “Tubarão” e “Barco Negro”, três estabelecimentos de restauração pautados pela qualidade, afirma-se como uma pessoa criativa, idealista e com um forte sentido de iniciativa para dinamizar Matosinhos. Na sua ótica, Matosinhos tem um potencial enorme que não está a ser realmente bem aproveitado. É possível crescer, evoluir e destruir barreiras que impedem o crescimento de uma cidade que tanto se destaca gastronomicamente no nosso país. “Se todos estivermos unidos no mesmo sentido, podemos mover o barco a um bom porto. Ultimamente isso não tem acontecido”, referindo-se a um certo despojamento por parte da população e das entidades municipais. Atualmente, a canalização do comércio e do fluxo comercial e turístico tem, na maioria das vezes, como destino assegurado a cidade do Porto, sendo este um facto que preocupa Pedro Enguião. Na sua visão de empreendedor, Matosinhos tem todas as capacidades para possuir uma representação no terminal e transportes lúdicos para potencializar a cidade através do turismo, referindo que, através destes simples métodos, a restauração seria uma das áreas privilegiadas, fazendo com que os turistas conseguissem apreciar bons pratos típicos dos mais de quatrocentos restaurantes situados nesta cidade à beira mar plantada. Com o objetivo de rejuvenescer a cidade, Pedro Enguião encontra-se disponível para dar sugestões rentáveis para o crescimento económico e turístico da sua cidade. “Temos uma extensão 40 | PORTUGAL EM DESTAQUE

de praias enorme e possuímos um concelho com um vasto território. Matosinhos tem tudo para dar certo. Logicamente, os apoios municipais são necessários para evoluirmos. A presença de investimento nesta cidade é crucial para o seu desenvolvimento”, realça o empresário. Como principais sugestões de reaproveitamento e de inovação para potencializar Matosinhos, Pedro Enguião referiu a existência de um elétrico, por ser um transporte tradicional e que atrai turistas, a má localização do metro na zona Brito Capelo e o aumento da oferta hoteleira na sua cidade. Na sua opinião, a inexistência de hotéis bem apetrechados e de primeira linha prejudica o avanço desta cidade balnear. “Creio que para a grandiosidade da cidade de Matosinhos, faltam unidades hoteleiras de categoria elevada e hotéis de requinte. Cidades semelhantes à nossa como a Figueira da Foz, Nazaré e Póvoa de Varzim possuem este tipo de gamas hoteleiras bem atrativas, e desta forma têm conseguido dinamizar e evoluir as suas cidades.” A oferta hoteleira, na perceção de Pedro Enguião, é uma medida óbvia para um crescimento sustentável da sua cidade. Contudo, menciona também que é urgente a existência de espaços para incubação de empresas, espaços culturais e lúdicos e locais para comércio de artesanato local, onde se possam promover e comercializar produtos originários da cidade de Matosinhos. Por conseguinte, Pedro Enguião afirma que trabalhar de alma e coração em prol de um objetivo é o segredo do sucesso. O seu é mostrar ao mundo as valências da cidade de Matosinhos.


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VAGOS É no distrito de Aveiro, no Baixo Vouga, que encontramos a vila de Vagos, um município com o coração na ria e a alma no mar. Este é um concelho onde as assimetrias que o caracterizam o tornam único e rico em património cultural, gastronómico e natural. Onde o olhar se perde entre a já conhecida triologia desta terra: Sol, Mar e Ria, a beleza natural são uma forte componente de Vagos e conta com exemplos como a extensa floresta da Mata das Dunas rica em flora e fauna, a região do Gândara onde podemos apreciar as Casas Gandaresas que preservam a ruralidade do concelho ou o Rio Boco que se mistura com a Ria de Aveiro tornando a paisagem sublime. Se por um lado temos as características naturais, por outro temos o património cultural que também faz as delícias de quem por lá passa. O concelho de Vagos está repleto de locais que merecem ser visitados como o Santuário de Nossa senhora de Vagos, a Capela do Espírito Santo, a Capela da Misericórdia, a Igreja Matriz ou a Casa Museu – Casa de Gandaresa. A gastronomia, essa, é rica em sabores e aromas e está, diretamente, ligada ao Mar com a Caldeira de Peixe e as típicas Fritadas e peixe, ligada à Ria com o marisco e a Caldeirada de Enguias, e ligada à Terra com o Assado de Coelho, a Chanfana de Carneiro ou as Papas de Abóbora. Em tempos de descanso ou diversão podemos contar com a praia da Vagueira e a praia do Areão galardoadas e classificadas quer pela boa qualidade da água quer pela acessibilidade, e ainda com parques quer de lazer quer aquáticos. Venha conhecer Vagos connosco.

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“GERADORES DE RIQUEZA E POSTOS DE TRABALHO” A Portugal em Destaque chegou a Vagos, um concelho em franco desenvolvimento, e vai dar a conhecer um pouco dos vastos projetos realizados. CÂMARA MUNICIPAL DE VAGOS

rada como “algo passageiro”, de serviço público prestado à comunidade, e que os seus principais objetivos são participar sempre ativamente na desenvoltura da região e estar sempre próximo da população. Começou a sua vida política em 2001 e logo no ano seguinte foi eleito deputado municipal. De 2005 a 2009 foi porta-voz do grupo municipal do seu partido político e de 2009 a 2013 foi vereador. Desde 2013 que ocupa o cargo de presidente da Câmara Municipal de Vagos. Por pertencer ao PSD nunca sentiu mudanças no tratamento recebido pelo Governo, “há quase um ano que temos no governo uma cor diferente da nossa e não sinto mudanças prejudiciais para o município”, diz Silvério Regalado. Comenta ainda que é normal que por vezes as decisões tomadas pelo Governo não estejam de acordo com a vontade dos municípios, mas acredita que seja algo transversal a todos os partidos.

SILVÉRIO REGALADO O percurso do presidente Silvério Regalado, autarca desde 2001, licenciou-se em gestão e veio para a política através da influência que sempre teve em casa, dada pelo seu pai, “que sempre esteve ligado à política local”, comenta. Dessa forma, candidatou-se à presidência da Câmara Municipal de Vagos porque, na sua opinião, “a forma como nos dedicamos à causa pública advém da formação que recebemos”. Apesar de neste momento se dedicar a tempo inteiro à política e à gestão do Município, defende que esta atividade deve ser enca44 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Concelho empreendedor O concelho de Vagos tem duas vilas, Soza e Vagos, com foral manuelino, cujos 500 anos foram comemorados no ano passado. Desta forma, conseguimos perceber a história que este território tem, sempre esteve muito ligado à agricultura, “que sempre foi a sua atividade principal”, comenta. Há cerca de 25 anos atrás, com as transformações implementadas na agricultura, Vagos teve de apostar noutros setores de atividade, nomeadamente a indústria, que nos últimos anos cresceu consideravelmente, “criámos uma nova zona industrial, criámos o Parque Empresarial de Soza, “que criou mais de 1.500 postos de trabalho”, refere, como consequência dos investimentos internacionais. ”Temos uma série de investimentos que são relevantes para o concelho, para a região e para o país”, afirma. Na zona industrial de Vagos, estão também representadas várias empresas que, nas palavras de Silvério Regalado, “são a âncora desta zona industrial”, como é o caso da ‘Grestel’ que exporta 95 por cento da sua produção, que emprega cerca de 150 pessoas e uma das suas grandes características é a manufatura. Uma curiosidade sobre esta zona industrial é que aqui está sedeada a única empresa que produz as chávenas para a Nespresso, a ‘Costa Verde’. Um setor muito especial situado nesta zona é o da panificação, onde se encontram algumas empresas de referência, como é o caso da ‘Martinpan’ e da ‘Ferneto’.


O papel do Executivo O edifício onde se situa atualmente a Câmara Municipal é fruto da recuperação de uma antiga escola secundária. O antigo edifício, o Palácio Visconde de Valdemouros, continua a ser um local emblemático, cuja recuperação e requalificação estão projetadas para breve. Esta Câmara Municipal, como todas as outras existentes no país, disponibiliza à população todos os serviços que esta precisa. Contudo, “o licenciamento de obras particulares e os apoios dados às empresas, de modo a que criem mais postos de trabalho” é um dos principais focos do presidente. Segundo o mesmo, “quero dar alguma prioridade aos processos que são instruídos e que são geradores de riqueza e de emprego”. Noutra vertente, também disponibilizam um serviço de apoio à agricultura, que consiste “num serviço de aconselhamento para quem quiser investir na área da agricultura, que vai desde um apoio mais técnico até a um apoio relativamente aos fundos comunitários”, explica. Vagos é umas regiões nacionais que dá maior valor à agricultura e, por isso, existe uma forte ligação com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, uma vez que este concelho possui características únicas ao nível da precocidade dos solos. “São solos que permitem que as culturas venham mais cedo do que na generalidade dos solos, pelo que que existe competitividade entre regiões”, esclarece. Recentemente foi lançado o projeto ‘Bolsa de Terras’ que visa estabelecer uma boa relação entre os proprietários das terras e os investidores. Surpreendentemente, hoje assiste-se a um fenómeno interessante: uma geração mais jovem quer dedicar-se à agricultura, e dividem-se em dois grupos: os que querem trabalhar na agricultura como principal fonte de rendimento; e os que veem na agricultura uma forma de rendimento adicional. “É uma questão muito interessante, que nós temos presenciado e apoiado”, refere o nosso interlocutor. Vagos, além de apoiar a agricultura, também apoia o turismo e a Praia da Vagueira tem sido um dos pontos de referência para o aumento de estrangeiros nesta região, muito fruto dos três projetos de surfhouse, que estão a investir no turismo de surf, que está em grande expansão no mercado nacional. De acordo com o presidente, a Câmara Municipal possui imensas parcerias em diversas áreas, como é exemplo o Núcleo Empresarial de Vagos. Outra parceria que têm é com a Universi-

dade de Aveiro, que desenvolveu um plano estratégico para o município, para os próximos 20 anos. Esta entidade também está a desenvolver a revisão da carta educativa. Uma das questões mais importantes para Silvério Regalado é a parceria com as pessoas, pois “nenhuma região se desenvolve de forma isolada, com os políticos a remar para um lado e a população para o outro, estas coisas só se conseguem se trabalharmos em conjunto e em diálogo permanente”. A Câmara soube, desde sempre, gerir o dinheiro que o Estado lhe atribui, pois “nós sabemos com aquilo que contamos e sabemos que devemos saber gerir apenas com aquilo que temos. Em 2010 tínhamos uma divida de 20 milhões de euros. Hoje já conseguimos reduzir essa divida em oito milhões de euros, porque soubemos tomar as opções e decisões necessárias”. Relativamente às freguesias, têm um acordo de delegação de competências. Na opinião do presidente “a proximidade é uma forma de melhorar a boa gestão”. Para o futuro, a Câmara Municipal de Vagos tem como propósito continuar a dinamizar a criação de riqueza e continuar a garantir a criação de condições para a fixação de mais empresas. Pretende continuar a valorizar e dar enfoque à indústria, ao comércio e ao turismo, que “têm sido geradores de riquezas e postos de trabalho”, que é fundamental para que o concelho cresça, para a fixação de pessoas e para que consiga prestar melhores serviços à população.

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ATRAIR INVESTIMENTO PARA VAGOS O Núcleo Empresarial de Vagos - NEVA é uma associação empresarial que pretende promover e desenvolver a colaboração entre associados em ordem ao desenvolvimento económico, social, técnico e cultural do concelho de Vagos, dirigindo-se às empresas de todos os setores de actividade. NEVA - NÚCLEO EMPRESARIAL DE VAGOS

VÍTOR SANTOS

Criado há 23 anos, o NEVA é uma associação empresarial de caráter multissetorial e de âmbito regional, tendo como principal desiderato promover e desenvolver a colaboração entre associados, no sentido de promover o desenvolvimento económico, tecnológico e científico dos seus membros. Assumindo a missão da criação de riqueza regional, o NEVA tem contribuído para o reforço do volume de investimento empresarial. Por outro lado, esta associação empresarial tem sabido alargar o seu âmbito de atuação, disponibilizando vários serviços preconizados pelos departamentos económico-financeiro, de re46 | PORTUGAL EM DESTAQUE

crutamento e formação profissional e de informação, estando ao serviço de empresários e investidores, contribuindo igualmente para a qualidade dos recursos humanos necessários às empresas da região. “O NEVA tem assumido um papel de extrema importância na organização da vida económica do concelho e da região”, revela o presidente, Vítor Santos, o líder desta estrutura que reflete uma gestão moderna, flexível e adequada às necessidades de cada momento. “Estamos a trabalhar para contribuir para a afirmação da nossa associação empresarial e, principalmente para afirmar


Vagos como polo de desenvolvimento e de empreendedorismo”, destaca, sublinhando o intuito da associação ter uma estratégia de acordo com os desafios presentes, mas sobretudo a pensar nos desafios do futuro próximo. Assim sendo, um dos principais desideratos assumidos pelo NEVA é atrair investimentos para o concelho de Vagos, uma vez que fazendo parte da empresa que gere o parque empresarial, a Mais Vagos, pretende juntamente com o Município captar investimento nacional e internacional para o concelho. Em traços gerais, Vagos até há bem pouco tempo era um concelho marcadamente rural, no entanto “a evolução industrial tem sido exponencial nos últimos cinco anos. O nosso intuito é promover o desenvolvimento industrial, porque este trará uma nova realidade, nomeadamente o desenvolvimento cultural e social, bem como o aumento populacional”, afirma, acreditando que, assim, o concelho alcançará um crescimento sustentado. Na opinião de Vítor Santos, o parque empresarial de Vagos tem

como grande “fator publicitário” os empresários que lá estão instalados, o seu feedback positivo consegue transmitir uma boa imagem, o que constitui uma vantagem. Mas as vantagens do parque empresarial não se esgotam por aqui, importa ainda referir a localização privilegiada e nevrálgica, boas acessibilidades, proximidade ao porto de Aveiro, bem como aos centros de conhecimento das universidades de Aveiro, Porto e Coimbra, o que permite a captação de recursos qualificados para as empresas que ali se instalem. Vítor Santos salienta ainda que, a breve trecho, Vagos terá também uma área industrial que terá a capacidade para albergar projetos das mais diversas índoles, contando para tal com um conjunto de espaços modulares num total de 50 a 70 hectares, por isso o presidente considera que o futuro do concelho de Vagos promete ser risonho, contando sempre com o contributo do NEVA.

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RIABLADES: DE VAGOS PARA O MUNDO Com mais de mil colaboradores, a RiaBlades é uma das principais referências da Região de Aveiro, afirmando-se como um ex-libris e um projeto empresarial marcante para Vagos, sendo o maior empregador do concelho. Esta jovem empresa demonstra diariamente as suas preocupações na ambiência sociocultural onde se insere, por isso contribui ativamente para a dinamização económica e social do concelho e da região.

RIABLADES

PAULO SILVA Fundada em 2009, a unidade do grupo alemão Senvion era inicialmente para ser instalada na área do porto de Aveiro, mas a administração acabou por escolher o Parque Empresarial de Soza, em Vagos, ainda que tenha sido necessário construir de raiz todas as infraestruturas necessárias. “Este parque existia apenas no papel, pelo que a ligação elétrica, de gás e água, bem como os acessos à unidade fabril foram totalmente suportados pela própria RiaBlades”, relembra o diretor Paulo Silva, salientando que a sua conceção de parque empresarial espelha uma localização com todas as infraestruturas necessárias ao crescimento e desenvolvimento das empresas, mas também um conjunto de valên-

cias sociais que promovam a qualidade de vida dos seus colaboradores, ou seja, “equipamentos que possam ser partilhados, no sentido de diminuir os custos operacionais das empresas ali instaladas e trazer benefícios sociais aos trabalhadores da região”, salienta Paulo Silva. A instalação da RiaBlades no Parque Empresarial de Soza contribuiu de forma indelével para o desenvolvimento deste polo industrial que estava “um pouco esquecido”, tendo sido igualmente determinante para a captação de novos investimentos e instalação de outras empresas no concelho de Vagos. Importa ainda referir o envolvimento que a empresa se orgulha de manter com a comunidade, apoiando um conjunto de iniciativas promovidas pelas diversas entidades do concelho. Com uma filosofia muito peculiar, a estratégia da RiaBlades tem como pilares a Segurança, a Qualidade e a Produção/ Rentabilidade. Tendo iniciado o seu percurso com apenas 34 colaboradores, hoje a RiaBlades é um empregador de topo na região, emprega 1146 pessoas, proporcionando-lhes as melhores condições de trabalho, mas também um conjunto de valências como restaurante, posto médico e ginástica laboral. Com uma liderança assente em valores de motivação, proximidade e respeito pela opinião de todos, Paulo Silva fomenta a participação dos seus colaboradores, através de uma caixa de sugestões, para juntamente com administração poderem promover a melhoria contínua da empresa e das condições de trabalho. Um caso de sucesso Esta unidade fabril que, ficou totalmente concluída em 2011, “foi desenhada para en-

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tregar 400 MW referentes à fase B do concurso internacional para instalação de energia eólica em Portugal. Inicialmente eram apenas as pás eólicas de 45 metros, mas como fui contratado em janeiro, adquirimos o terreno em julho e começámos a construção em agosto/setembro de 2009, apercebi-me que havia potencial para o fabrico de outras peças, por isso foram efetuados ajustes ao projeto que permitissem o fabrico de pás eólicas de maior dimensão, com o mesmo custo”, sublinha o diretor da RiaBlades. Em 2013, a empresa atingiu um marco importante ao arrancar com dois projetos ousados e ambiciosos, o fabrico da pá eólica de 60 e 56 metros, para o mercado de exportação. “Focámo-nos na exportação com o objetivo de ser a melhor empresa com os melhores indicadores de higiene e segurança e de qualidade. E na verdade, no seio do grupo, conseguimos atingir a liderança em todas estas vertentes”. Neste momento, estão a ser encetados todos os esforços “para a produção do protótipo da pá da nova geração, em Portugal, com 68

metros de comprimento, destinada a regiões com regime de ventos fracos”, explicou Paulo Silva. De acordo com o diretor, a RiaBlades tem cinco modelos a serem fabricados na mesma unidade, “um feito que se deve à motivação das pessoas, adaptação das ferramentas às necessidades das pessoas e a um excelente departamento de Engenharia”. Em jeito de balanço, referiu que a RiaBlades passou de um volume de negócios de 48 milhões de euros em 2014 para 120 milhões em 2016. É a única fábrica do mundo a produzir diariamente cinco modelos de pás eólicas para turbinas de 2 e 3 MW, e em dois anos, a produção aumentou exponencialmente, na sua maioria para exportação. Quanto à meta dos 400 MW já conseguiu entregar cerca de 200, o que constitui um sucesso. “Tenho muito orgulho neste percurso e neste objetivo conquistado”, consubstancia, prevendo em 2018/2019 alcançar a meta dos 400 MW.

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NA VANGUARDA DA TECNOLOGIA A situação geográfica da região de Aveiro, no contexto do país e da Península Ibérica, e as excelentes acessibilidades em termos de transporte rodoviário, ferroviário e marítimo, conferem ao distrito uma capacidade ímpar para albergar atividades empresariais, nomeadamente as de vocação exportadora, tendo sido decisivas na estratégia da expansão do Grupo PLAFESA. As relações comerciais do Grupo com Portugal provêm de longa data e este foi o impulso necessário para a vontade de conquistar novos mercados, especialmente em África e nos países da América latina. Assim ’nasceu’ a PLAFESA Portugal em finais de 2011.

PLAFESA

Tendo como objetivo oferecer produtos de alta qualidade, dá resposta imediata às necessidades dos clientes, com a confiança que lhe confere a experiência e o reconhecido prestígio no setor. A inovação é palavra de ordem na PLAFESA, apostando em novos produtos, tais como aços de alto limite elástico e acabamento superficial melhorado, de forma a apresentar uma gama variada com novas soluções aos seus clientes, indo ao encontro das transformações e exigências do mercado. A PLAFESA comercializa chapa de aço carbono nas suas diferentes qualidades, fornecendo-a em bobine, formato e banda. Dentro destas qualidades destacam-se laminados a quente, laminados a frio, decapados, eletrozincados, galvanizados e materiais com recobrimentos orgânicos. Proporciona soluções integrais em produtos siderúrgicos planos para os mais variados setores, como sejam automóvel, energético, industrial, construção civil, construção naval, laser, entre outros. Tecnicamente dispõe de um laboratório próprio, capaz de realizar os mais variados testes e ensaios, nomeadamente mecânicos e químicos. 50 | PORTUGAL EM DESTAQUE

O aço é fornecido pelas siderurgias mais importantes do mundo, sendo submetido a uma rigorosa inspeção no momento da chegada às instalações da PLAFESA, viabilizando o cumprimento dos mais exigentes requisitos de qualidade solicitados pelo mercado. O processo de produção totalmente integrado, bem como a sua capacidade de armazenamento, possibilita que a PLAFESA esteja estrategicamente posicionada para cumprir com os mais ‘apertados’ prazos de entrega solicitados pelos clientes. A experiência e profissionalismo da equipa multidisciplinar da PLAFESA permitem dispor de uma ampla variedade de tipos de aço de forma a atender às necessidades imediatas do cliente, assim como aos requisitos mais exigentes, em termos de eficiência, qualidade e custo. Com um processo industrial bastante automatizado, emprega cerca de 80 pessoas, grande parte das quais altamente qualificadas. A PLAFESA é certificada pelas normas ISO 9001, ISO 14001 e, mais recentemente, pela ISO/TS 16949. Para além de estar na cadeia de valor de grandes empresas industriais nacionais, a maioria delas exportadoras, as transações para mercados externos, cifram-se na ordem dos 50 por cento, aspirando atingir 60 por cento nos próximos três anos. Neste contexto, importa referir ainda que a PLAFESA contribuiu ativamente para o aumento de tráfego do porto de Aveiro e Leixões, em termos de mercadorias. A PLAFESA distingue-se pela inovação, por isso mesmo, estabeleceu um conjunto de parcerias, nomeadamente com as universidades de Aveiro e Coimbra, ao nível das experiências de desenvolvimento, tendo sempre como desígnio marcar a diferença face a um mercado cada vez mais global, exigente e competitivo.


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ATENDIMENTO DE PROXIMIDADE A Farmácia Henriques Pereira está situada em pleno centro da localidade de Calvão há cerca de 50 anos. Sob a direção técnica de Ana Maria Ferreira, desde 1995, o estabelecimento procura responder às preocupações e necessidades da população. Em entrevista à responsável, damos a conhecer as valências e serviços da Farmácia Henriques Pereira. FARMÁCIA HENRIQUES PEREIRA

FUNCIONÁRIAS E ANA MARIA FERREIRA Composta por uma equipa especializada de cinco elementos, a Farmácia de Calvão, como é conhecida entre os seus utentes, presta “um serviço de grande proximidade à população”, começa por destacar Ana Maria Ferreira, diretora técnica, licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra. Sobre a história da farmácia a interlocutora revela que esta existe “há cerca de 50 anos. Em 1995, decidi enveredar por um projeto próprio. Depois de trabalhar em Cascais, como sou natural do centro do país, regressei à região em busca de melhor qualidade de vida. Na altura, os novos alvarás eram escassos e então surgiu a oportunidade de adquirir o da Farmácia Henriques Pereira”. Para além do atendimento normal, o estabelecimento oferece diversos serviços como controlo do “colesterol, diabetes, ácido úrico, ou tensão arterial. Realizamos também alguns rastreios de três em três meses, que têm sempre muita adesão. Fazemos ainda distribuição unitária de medicamentos, duas manhãs por semana, num lar de idosos com o qual temos parceria. Como trabalhamos no âmbito do serviço de disponibilidade a farmácia está de portas abertas de segunda a sexta das 9

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às 20 horas, ao sábado das 9 às 19 horas e ao domingo de manhã”, esclarece Ana Maria Ferreira. No momento da reportagem foi percetível o grande movimento com a entrada e saída constante de utentes, bem como, o cuidado por parte da equipa em prestar um atendimento personalizado e próximo, neste sentido, a entrevistada explica que a “localização é um privilégio, já que usufruímos de uma grande proximidade com o concelho de Mira; estamos no limite do distrito de Aveiro”. Questionada sobre os principais desafios ao longo de 21 anos de atividade, a diretora técnica explica que “a crise afetou-nos, assim como a muitos colegas, foi uma situação repentina, extensível a vários setores de atividade. Considero que resistimos devido à boa gestão que sempre foi levada a cabo e também por, na altura, não existir qualquer compromisso financeiro. Neste período, sacrificámos um posto de trabalho que, entretanto, foi retomado”, ressalva a entrevistada, que acrescenta a importância do papel desempenhado pela “Associação Nacional de Farmácias que tem tido um papel importante na adaptação de grande parte destas microempresas, que são as farmácias, a novos desafios”. No que diz respeito ao futuro, Ana Maria Ferreira revela que “continua a ser por Calvão; tentamos acompanhar e seguir as novas tendências introduzidas pelas novas tecnologias. A receita eletrónica tem ainda alguns constrangimentos, mas é um sistema fantástico que beneficia todos, mesmo o próprio Serviço Nacional de Saúde, universal a toda a população”. Quanto à saúde dos utentes e aos cuidados a ter, a entrevistada considera que “a medicina preventiva é a chave para o futuro, mesmo em termos de custos, quando comparada com a curativa. Prevenindo doenças como a diabetes tipo II, por exemplo, que tantos custos acarreta ao Estado, as pessoas começam a ter consciência da sua responsabilidade na alimentação saudável que pode prevenir doenças – portanto, a prevenção é a chave”, finaliza Ana Maria Ferreira.


UMA CASA DE AFETOS O Centro Social Paroquial de Calvão assume a missão de contribuir para a promoção integral de todos os paroquianos, coadjuvando os serviços públicos competentes, bem como as instituições particulares, num espírito de solidariedade humana, cristã e social. CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DO CALVÃO

PADRE JOSÉ ARNALDO Sendo uma obra católica, no exercício das suas atividades, terá sempre presente o conceito cristão da pessoa humana e o respeito pela sua dignidade. Por isso continua a trabalhar no sentido do aperfeiçoamento cultural, espiritual e moral de todos os paroquianos, mantendo sempre um espírito de convivência e solidariedade social, tendente à valorização integral dos indivíduos e respetivas famílias. É um serviço da paróquia, como comunidade cristã, devendo assim, proporcionar o respeito pela liberdade de consciência e formação cristã aos seus utentes. O Centro Social Paroquial de Calvão nasceu em 1996 e enquadra as valências de creche, ATL, centro de dia e apoio domiciliário, desenvolvendo o seu trabalho em prol da comunidade. O Padre José Arnaldo é o diretor da instituição e num périplo pelas suas memórias, em entrevista à revista Portugal em Destaque, conta-nos a génese da instituição e o seu desenvolvimento. A completar cinco décadas de vida dedicada a Deus, o Padre José Arnaldo está na Paróquia de Calvão desde 1984, altura em que um grupo de pessoas movidas pela forte vontade da população, depois de analisarem

a situação sócio-religiosa da freguesia, chegaram à conclusão que Calvão necessitava de um centro de apoio para as famílias. Assim, a 27 de março de 1986 foi criado, em suporte jurídico, o Centro Social Paroquial de Calvão. “Este sonho da população foi materializado e a construção começou muito rapidamente devido à cedência de casa e terreno circundante de um casal da freguesia, Joaquim Quintino Brites e Maria da Luz Pereira, que disponibilizou uma parte dos seus bens em prol da obra”, refere. De acordo com o Padre José Arnaldo as instituições de solidariedade social, como o Centro Social Paroquial de Calvão, detêm “um papel insubstituível e fundamental no trabalho social nas comunidades, no apoio às famílias e aos indivíduos, e de indubitável importância no combate à pobreza e à exclusão social”. Através das respostas sociais que desenvolve, com espírito solidário e humanista dos seus 47 funcionários e dos seus diversos voluntários, o Centro Social coloca os seus recursos ao serviço dos que mais necessitam, promovendo os seus direitos, a qualidade de vida, a inclusão e a cidadania de indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social e/ou económica. Quanto às valências dedicadas às crianças, o Padre José Arnaldo revela que é impreterível que os pais se sintam confiantes no local onde deixam os seus filhos. Por isso, todas as valências asseguram não só o bem-estar, como também proporcionam atividades lúdico-pedagógicas importantes para o desenvolvimento global das crianças. Atualmente, a instituição tem 42 crianças na creche e 60 no ATL. Importa ainda referir que a instituição fornece as refeições das crianças das escolas primárias da freguesia, garantindo o seu transporte através de um autocarro próprio. “As valências dedicadas à terceira idade têm como desiderato a melhoria das suas capacidades de comunicação e de relação com os outros, aumentar a qualidade de vida dos idosos, incentivando-os a manterem-se ativos, bem como a prestação de cuidados personalizados no domicílio”, esclarece o Padre José Arnaldo, sublinhando que no centro de dia estão 30 utentes e o apoio domiciliário é prestado a 50 idosos. Face às dificuldades vividas nos dias de hoje, o Padre José Arnaldo lamenta que a instituição não tenha conseguido levar por diante o projeto já aprovado de uma estrutura residencial para idosos, “uma resposta social cada vez mais necessária”. O Centro Social Paroquial de Calvão pretende continuar a ser uma instituição com uma tradição de intervenção social inestimável, protagonista no presente e “uma casa de afetos” para todos, conclui o Padre José Arnaldo.

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CRESCER EM GRAÇA E SABEDORIA O Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação é um testemunho do reconhecimento assumido pela Igreja Católica de que a educação surge como um pilar essencial à humanidade na construção das ideias da paz, da liberdade e da justiça social. Assumindo o papel da escola como decisivo para transmitir aos jovens uma conceção do Mundo, do Homem e da História, o Colégio visa contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa, respeitando as convicções e as tradições de cada um e procurando preparar os formandos para que estes desenvolvam pensamentos autónomos e críticos e para que formulem os seus próprios juízos de valor.

COLÉGIO NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO

PADRE QUERUBIM SILVA

Numa tentativa de perceber as dinâmicas que gravitam em redor do Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação, a Portugal em Destaque foi ao encontro do Padre Querubim Silva, diretor pedagógico, que em entrevista deu a conhecer a génese da instituição e as premissas pelas quais esta se rege. Situado na aldeia de Calvão, concelho de Vagos, o Colégio Diocesano abriu as suas portas em 1934, por iniciativa do então pároco de Calvão, Padre António Baptista, contando, para a sua 54 | PORTUGAL EM DESTAQUE

construção, com a colaboração da população através de trabalho braçal e com a oferta de materiais, no sentido de fazer face aos índices de pobreza e analfabetismo. Numa fase inicial, o Colégio era uma casa de formação com dupla vertente: por um lado, “os que quisessem seguir a carreira do sacerdócio, faziam aqui os primeiros estudos e seguiam para Salamanca; por outro lado, a formação de rapazes para o desenvolvimento de atividades laborais ligadas à agricultura que ajudassem a transformar as condições de vida da comunidade”, afirma o Padre Querubim Silva, ressalvando que na paróquia havia valências de formação dedicadas às mulheres. Este edifício, depois de 1939, ficou ao abandono, ainda por concluir, uma vez que o Padre Baptista foi mudado para a paróquia de S. Caetano, na Diocese de Coimbra. Já em 1960, o edifício foi recuperado, concluído e o Bispo de Aveiro, D. Domingos da Apresentação Fernandes, inaugurou o Seminário de Nossa Senhora da Apresentação, que funcionou de 1961 até 1985 como tal, com alunos internos. Durante essa fase, a partir de certa altura, o processo pedagógico assentava nos princípios da telescola; e como nesta área não havia nenhum estabelecimento que proporcionasse estudos para além do 1º ciclo, o Colégio Diocesano abriu-se à comunidade e a alunos externos. “O Seminário, em 1975, abriu as suas portas à frequência de alunos e alunas em regime de externato, juntamente com seminaristas, tendo como diretor o Padre João Mónica”, revela. Até que, em 1985, o Colégio iniciou a sua atividade com o estatuto atual, ou seja, escola com contrato de associação com o Ministério da Educação. “A instituição foi crescendo de forma sustentada até às 58 turmas e como a intenção do Padre João Mónica sempre foi colocar o Colégio ao serviço da população, procurou disponibilizar, para além da oferta formativa regular, cursos profissionais, cursos de educação formação, cursos de especialização tecnológica e complementos de formação para acesso ao ensino universitário”, salienta o Padre Querubim Silva. A partir de 2002, a instituição começou a viver algumas dificuldades, face ao decréscimo da população e aos problemas de concessão de contratualização de turmas financiadas pelo Estado, altura em que se gerou o movimento OPTE, que tinha por


objetivo defender a liberdade de escolha de educação por parte das famílias. Em 2009, o Padre Querubim Silva é nomeado por decreto do Bispo de Aveiro para suceder a João Mónica, como diretor pedagógico do Colégio de Calvão, percebendo o conjunto de complexidades vivenciadas que se agravaram em 2010. “Em outubro de 2010, o Governo decidiu estabelecer um quantitativo fixo por turma, com um valor muito inferior ao anteriormente praticado, ou seja, o Colégio de Calvão perdeu 32 por cento do financiamento, tendo-lhe sido igualmente restringido o recrutamento de alunos”, esclarece o diretor, sublinhando que iniciou funções com 39 turmas com contrato de associação, estando constituídas, atualmente, 32 turmas, mas apenas 29 financiadas, em virtude do despacho normativo (DN 1-H/2016) que estabeleceu o limite geográfico para o recrutamento de alunos. Esta situação, obviamente, criou uma problemática, que apenas se resolve com a generosidade do pessoal e dos pais, bem como com a colaboração da Câmara Municipal, tomando a responsabilidade de adotar equipamentos do Colégio como equipamentos de interesse para a comunidade. “Neste momento, temos 32 turmas de ensino regular, uma turma de ensino vocacional do 3º ciclo, uma turma de ensino vocacional de secundário e cursos profissionais de restaurante/bar, contabilidade e instalações elétricas em continuidade”, refere, aludindo a que esta oferta formativa tem vindo a diminuir em virtude das políticas de educação aplicadas. “Esta situação cria constrangimentos óbvios, mas não nos impede de lutar para continuar a servir o melhor possível a nossa população; e por isso mesmo os próprios professores decidiram criar formas de solidariedade para não termos que despedir ninguém, até porque o fecho do Colégio Diocesano seria uma catástrofe social”, diz, reiterando o importante e inexcedível papel da instituição junto da comunidade. Em conversa com o Padre Querubim Silva, constatamos que o Colégio Diocesano de

Nossa Senhora, de futuro, pretende continuar o seu inestimável trabalho na promoção da formação integral da pessoa, alicerçada em valores humanos e cristãos; na resposta às necessidades educativas de todos os alunos; no desenvolvimento da qualidade dos processos de ensino/aprendizagem; na melhoria dos resultados escolares; no fomento da participação cívica e cooperação; e no fortalecimento da relação do Colégio com o meio envolvente. “Queremos ser uma escola inclusiva onde se aprende a aprender, com qualidade científica e pedagógica, mas queremos ir mais longe, queremos capacitar as pessoas para o mundo de trabalho, mas sobretudo formar homens e mulheres, para que estes aprendam a ser e a viver”, reflete. Embora possa vir a cessar funções num futuro próximo, por limite de idade, se o Bispo da Diocese assim o entender, mostra-se disponível para continuar a colaborar com a instituição, prestando todo o apoio à direção. A terminar, o Padre Querubim Silva deixa uma mensagem de esperança e plena de significado: “Queres programar para um ano, semeia trigo; queres programar para dez anos, planta árvores; queres planear para toda a vida, forma pessoas. Com pessoas bem formadas o mundo será melhor”.

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UMA PARCERIA NA FORMAÇÃO E SEGURANÇA NO TRABALHO Segmaz e Forinova juntam forças no setor da formação e segurança no trabalho a fim de prestar o serviço de maior qualidade e mais completo do mercado. Teresa Real, da Segmaz, e Sandra Julião, da Forinova, deram a conhecer os seus projetos à Portugal em Destaque e descreveram a sua parceria. FORINOVA | SEGMAZ

O modelo de negócio do Segmaz assenta na prestação do melhor serviço no setor “Desde a fundação que pretendemos ter uma postura diferente dos restantes competidores, alertando os clientes para a importância das condições de trabalho. Queremos que o cliente conheça com quem está a trabalhar e reconheça-nos. A relação com o cliente vai além da documentação necessária e da exigência legal. O serviço de excelência faz com que, por vezes, não sejamos competitivos no preço, mas abraçamos sempre os desafios mais complexos, como o setor da construção ou produção industrial”. O projeto Forinova e a parecia atual, segundo Sandra Julião “A Forinova nasceu em 2007 é uma empresa de formação e consultoria e a parceria com a Segmaz foi reforçada com as alterações legais no setor. Esta parceria surge através um encontro de empresários e veio colmatar exigências de clientes nossos que, além da formação, procuravam serviços na área da higiene e segurança no trabalho. Assim, juntámos recursos, divulgamos as duas empresas e existe uma partilha de recursos humanos”. Uma sintonia no modelo de negócio “Encontramos nas empresas problemas e resistências semelhantes à da Segmaz e procuramos registar uma postura idêntica: destaque pela qualidade superior, e não pelo preço baixo. Em particular, para as microempresas com risco reduzido, temos disponível um curso que habilita um trabalhador a assegurar os serviços de higiene e segurança no trabalho, dispensando serviços externos e reduzindo custos. No global, procuramos fazer com que as formações sejam mais do que apenas o cumprimento da legislação e que influenciam a mentalidade e o conhecimento das pessoas”.

SANDRA JULIÃO E TERESA REAL O projeto Segmaz e a parceria com a Forinova, segundo Teresa Real “O projeto nasceu em 2003, com uma sociedade que acabou por dar corpo à empresa. Eu entrei na empresa em 2004. A partir de 2015, reduzimos o número de sócios para dois. Somos uma empresa especializada em higiene e segurança no trabalho, com foco na indústria, coordenação de segurança na construção civil, higiene alimentar, controlo de pragas, entre outros. A parceira com a Forinova existe desde 2013, e surge primeiro na formação. A sua solidez tem vindo a crescer, tal como as áreas certificadas, aumentando o número de serviços disponíveis”.

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A cultura de segurança no trabalho em Portugal “Em Portugal subsiste uma resistência à mudança e não existe uma cultura de segurança no trabalho. Somos um povo de ‘desenrasca’, até ao dia que o acidente acontece. No ano passado, lançámos um concurso de fotografia sobre insegurança no trabalho. Surgiram-nos todo o tipo de fotografias, que ilustram a falta de cultura de segurança no trabalho. E guardamos todas para que as pessoas e as empresas fiquem alertadas para o problema. Mesmo assim, há quem reconheça a necessidade de corrigir, mas, como não dá jeito, não o fazem. É um desafio diário”. As duas empresas olham para o futuro e para o estrangeiro “Existe neste momento o desafio da internacionalização e a procura de formação não financiada pelo Estado. Mas o principal objetivo mantém-se: ter formações de excelência que façam a diferença e fomentar uma cultura de segurança no local de trabalho”.


UMA VIAGEM DE SABORES Inserida numa belíssima envolvente paisagística e com uma localização privilegiada junto de um braço da Ria de Aveiro (Rio Boco), o Cais do Moliço leva à mesa a cozinha tradicional portuguesa, servida com elevado requinte, proporcionando aos seus clientes um cardápio, recheado de paladares, aromas e cores, capaz de satisfazer as suas mais elevadas exigências.

CAIS DO MOLIÇO

e os buffets representam um encontro entre a tradição gastronómica e o desafio de novos ingredientes e aromas. O Cais do Moliço esconde um verdadeiro desfile de sabores, dos quais destacamos a chanfana, a vitela, o pernil, o coelho e pernas de frango no buffet. “Vamos ter cerca de 30 entradas, entre massas coloridas, salgados e saladas frias, porque queremos inovar, dando cor e alegria à mesa”, sublinha, lembrando que as novas propostas gastronómicas incluem a barriga de leitão com puré de batata-doce, o folhado de bacalhau e o pato com laranja, pratos que podem ser bem acompanhados por néctares de qualidade. “Brevemente, teremos o lançamento de hambúrgueres caseiros para atingir um alvo mais jovem onde podem desfrutar de um hambúrguer fora de horas, depois de uma excelente refeição”. Há apenas cinco meses na gerência do Cais do Moliço, Ana Pereira tem muitas ideias e projetos a concretizar para “dar alma” a este espaço. “No exterior, queremos reabilitar alguns espaços, relvar, plantar e replantar, colocando novas flores e cores. No interior, a ideia passa pela colocação de poemas em vinil nas paredes, esculturas, acolher exposições de pintura temporárias para dar alma às paredes que agora stão um pouco despidas”, afirma, sublinhando a dinâmica de eventos que pretende criar, nomeadamente com os seniores, mas também direcionado com ao público em geral como o teatro, o fado, as cancan, o stand up comedy e o cabaret. Por isso, não perca esta oportunidade, visite o concelho de Vagos e conheça o Cais do Moliço!

ANA PEREIRA E RAPHAEL DOUGLAS Bem-vindos ao Cais do Moliço, um restaurante situado no concelho de Vagos que oferece o que de melhor e mais saboroso tem a cozinha tradicional portuguesa, apresentada com modernidade e requinte, proporcionando-lhe uma viagem de sensações e de sabores únicos, combinados com uma belíssima envolvente paisagística e com uma localização privilegiada. Com uma arquitetura original e inesperada, o Cais do Moliço está divido em três pisos, ou seja, três espaços diferentes que, Ana Pereira, proprietária do restaurante, pretende potenciar ao máximo. “A arquitetura do edifício permite-nos criar três ambientes diferentes: restaurante, salão de festas e eventos e um bar/dancetaria”, revela a nossa anfitriã, sublinhando que pretende colmatar a lacuna existente em Vagos em termos de animação noturna. O espaço de festas e eventos vai acolher casamentos, batizados, mas também os buffets dançantes e os fins de semana temáticos, que são já uma marca desta nova gerência, entres eles, o Dia das Bruxas, Dia da Mulher, Dia dos Namorados, mas também a Festa do Bacalhau, Festa da Sardinha, Festa da Castanha, Festa das Sainhas, Noite da Picanha e a Feijoada à Brasileira. “Queremos criar eventos diferentes e motivos de interesse que vão ao encontro de um público diversificado”, refere Ana Pereira. Espaço gastronómico por excelência, ideal para se deixar arrebatar pelas suas especialidades, cuja anfitriã Ana Pereira, nos recebe com grande simpatia e com um olhar atento a cada detalhe, para que cada refeição se torne num momento ímpar e inolvidável. O jovem chef do Cais do Moliço, Raphael Douglas, assume a liderança da cozinha, respeitando os valores ancestrais, tanto na técnica, como na excelência e frescura dos alimentos. Os menus PORTUGAL EM DESTAQUE | 57


SANTA MARIA DA FEIRA, S. JOÃO DA MADEIRA E OLIVEIRA DE AZEMÉIS Estas são as cidades que lhe apresentamos de seguida. São João da Madeira, detentora da marca “Capital do Calçado”, é também conhecida como a Cidade do Trabalho, denominação que a orgulha enquanto cidade, tendo já um lugar de destaque no mapa empresarial português. Aqui encontramos uma grande diversidade empresarial com produtos de grande qualidade e uma indústria exportadora que leva o que de melhor se faz em Portugal aos quatro cantos do mundo. A cidade de Santa Maria da Feira, na margem Sul do Rio Douro, garante a proximidade com os grandes centros urbanos do Porto, Aveiro e Coimbra pela localização estratégica que detém. Destaca-se pela forte componente histórica do seu passado milenar e, não desprezando as suas origens rurais, tem sofrido um forte desenvolvimento no setor terciário. Ao mesmo tempo apresenta um crescimento acentuado a nível empresarial e dizemos, com certeza, que aqui a indústria fervilha e cresce a olhos vistos. Por último, apresentamos-lhe a cidade de Oliveira de Azeméis que, também, se distingue pela relevância do seu tecido empresarial com uma forte projeção nacional e internacional. Aqui a indústria recai, predominantemente, sob o calçado, a metalurgia e a metalomecânica. Além da componente industrial que caracteriza estas três cidades, todas elas têm sofrido um crescimento cada vez mais nítido a nível cultural, turístico e social, tonando-as cada vez mais atrativas aos olhos de quem as visita e quer visitar. 58 | PORTUGAL EM DESTAQUE


A PENSAR NAS PESSOAS A União das Freguesias de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz, do Município de Oliveira de Azeméis, com uma área de 32,76 km e com cerca de 7.200 habitantes, contém muito da riqueza histórica e da beleza natural da região. UNIÃO DAS FREGUESIAS DE PINHEIRO DA BEMPOSTA, TRAVANCA E PALMAZ

ARMINDO NUNES Armindo Nunes, presidente da União das Freguesias e anterior presidente da então freguesia de Pinheiro da Bemposta, tem uma longa história de envolvimento com a comunidade, desde que aos 17 anos se tornou secretário da Banda de Música de Pinheiro da Bemposta, uma instituição com 135 anos de idade, que continua em plena actividade, com uma banda filarmónica com mais de 70 músicos, uma banda juvenil e uma escola de música com mais de 100 alunos. Com uma população muito envelhecida, o presidente diz que “os presidentes de Junta têm a principal função de estarem atentos ao aspeto social das freguesias”. Armindo Nunes dá como exemplo recente a abertura da Unidade de Saúde Familiar (USF) ‘Entre Margens’, que serve a população das três freguesias da União e que obrigou a que a Junta abdicasse do seu Salão Nobre e de alguns dos seus gabinetes, para que a obra seguisse em frente, uma decisão que não hesitou em tomar. Este esforço conduziu à abertura da USF a 12 de outubro, com

a presença do Secretário de Estrado da Saúde, Fernando Araújo, que disse sobre Armindo Nunes, aquando da inauguração, que “sem a sua colaboração não teria sido possível transformar a Extensão de Saúde na actual Unidade de Saúde Familiar”. Este foco na parte social não é de agora. O presidente da Junta, enquanto cidadão e como autarca, empenhou-se ativamente na criação do Centro Social Paroquial e deu um contributo decisivo para se conseguir, no âmbito do PARES-Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais, construir um Lar de Idosos, trazendo para a freguesia um investimento de mais de dois milhões de euros. O Centro Social, de que Armindo Nunes é vice-presidente da direcção, com as respostas sociais de Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário e Lar de Idosos, é um espaço airoso, funcional, com um ambiente saudável, amigo, que presta apoio a cerca de 100 idosos, diariamente. E apoia desde sempre o amplo movimento associativo que existe na União das Freguesias, que muito contribui para a coesão social, para o desenvolvimento desportivo, cultural e recreativo da população. Armindo Nunes afirma que a proximidade e o envolvimento com a comunidade, no seu todo, desde a infância até à terceira idade, passando pela Escola, é a mais nobre função do presidente de Junta, não é o alcatrão ou o cimento. Essas são tarefas que dependem só de dinheiro e que uma qualquer empresa faz melhor do que os autarcas. Os presidentes de Junta têm no contacto próximo com as pessoas, ouvindo-as e ajudando-as a resolver os seus problemas, um papel insubstituível. Ainda no aspeto social, e apesar dos limites orçamentais e das competências de uma Junta de Freguesia, e indo tantas vezes além, o Executivo participa ativamente na melhoria das condições das nossas escolas, comparticipando na aquisição de quadros interativos, beneficiando os edifícios e equipamentos com pequenas obras, sempre disponível para resolver as necessidades que surgem. O grande potencial turístico da União das Freguesias, está desaproveitado, na opinião de Armindo Nunes. Destaca a riqueza do património arquitetónico da Zona Histórica da Bemposta e as margens do Rio Caima. Tem a consciência de que não são projetos que a Junta de Freguesia possa, só por ela, levar por diante. Conta com a indispensável participação da Câmara Municipal para que, logo que se proporcionem as condições necessárias, estes projetos estratégicos para as freguesias e para o município possam ser concretizados. Em termos de infra-estruturas, a água e o saneamento são as carências mais gritantes da União das Freguesias. A freguesia do Pinheiro da Bemposta tem rede de água na sua maior parte, mas as freguesias de Travanca e Palmaz têm apenas pequenos aglomerados cobertos. Saneamento não há em nenhuma das freguesias da União. A Junta de Freguesia mantém um serviço de recolha de esgotos, a preços acessíveis, para minorar esta grave carência. E esta é, na opinião de Armindo Nunes, a maior omissão estratégica dos diversos Executivos que têm governado a Câmara Municipal. No aspeto pessoal, Armindo Nunes destaca o seu trabalho social como “o mais gratificante”. Diz-se feliz por ter ajudado a “enriquecer a comunidade em termos humanos, do berço à 3ª. idade”. O futuro político ainda não faz parte das suas preocupações.

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UMA TERRA DE HISTÓRIA E PATRIMÓNIO Em entrevista à Portugal em Destaque, o presidente Jorge Paiva faz-nos uma apresentação da freguesia de Fajões, território que foi elevado a vila em 1995 e que goza de um incomparável património histórico e cultural.

JUNTA DE FREGUESIA DE FAJÕES

JORGE PAIVA

Inserida no concelho de Oliveira de Azeméis, Fajões é “uma terra com alguns séculos de existência, muito embora com a presença de vestígios de há cerca de seis mil anos”, introduz o atual presidente da Junta de Freguesia, Jorge Paiva. Contando com cerca de 3200 habitantes, propagados por uma área total de 8.12 quilómetros quadrados, este corresponde a um território de caráter semi-rural, que se orgulha de uma taxa de desemprego “de valor residual”. Um dos aspetos que ajuda a explicar tal fenómeno prende-se com a diversidade e riqueza do tecido empresarial existente na freguesia. Os setores de atividade oscilam, efetivamente, da tubaria para a construção civil e obras públicas, à indústria de moldes para componentes automóveis. Também dignos de nota 60 | PORTUGAL EM DESTAQUE

para a economia local são, todavia, setores como o calçado, o fabrico de louça artesanal, a extração de inertes ou a indústria de plásticos. Claro está que uma heterogeneidade como esta não se constata por mero acaso, mas antes pelo esforço que o presidente da Junta de Freguesia sempre assumiu na tentativa de dinamizar e assegurar o desenvolvimento da vila. De facto, “tenho todo o gosto e apoio incondicionalmente toda e qualquer indústria que se queira implantar” no território. Um vasto património Apesar de, “em termos culturais e artísticos não termos um património muito remoto”, existem na freguesia “algumas construções de cariz agrícola”, nomeadamente no Lugar de S. Mamede e no Lugar de Passos. Estes correspondem a “dois dos espaços mais antigos da vila, que preservam um pouco da sua história”, prossegue o nosso interlocutor. Falar de património quando o tema é Fajões implica, forçosamente, uma referência aos “cerca de 20 moinhos construídos e instalados à face do rio Antuã”, merece destaque o Dólmen da Mourisca, que reflete o povoado de então. Preservar estes artefactos da história local e “colocá-los à disposição das comunidades escolares” corresponde a uma das grandes prioridades do atual executivo, continuando Jorge Paiva a pugnar – junto de instituições como a Câmara Municipal ou a associação de desenvolvimento regional ADRITEM – por um projeto que possibilite o levantamento do estado de conservação destas mesmas construções. Lamentando a dificuldade na obtenção de apoios financeiros, o nosso interlocutor garante, no entanto, que “quem porfia sempre alcança”. Já no que respeita ao património religioso, destaca-se a Igreja Matriz, uma “construção imponente, com cerca de 150 anos, que se abre a todo o vale da freguesia e proporciona uma paisagem muito bonita”. Também de visita obrigatória são, no entanto, construções tais como a Capela do Côto (“uma construção ímpar em granito”), ou as Capelas de Nossa Senhora da Lapa e de Nossa Senhora da Saúde, entre outras. Esta última encontra-se situada na Quinta de Fajões, “um espaço adaptado para a gastronomia e digno de ser visitado, onde se realizam diversos eventos e festas”. Vocação turística Se falássemos de Fajões sem referir, todavia, o Monte de São Marcos ficaríamos com um retrato incompleto da vila. Situada a “476 metros de altitude”, no cimo da montanha, encontramos a Capela de São Marcos e um dos grandes orgulhos da freguesia. A partir do Monte de São Marcos – e sempre que o clima assim o permita – “podemos ver, a olho nu, a refinaria de Leça da Palmeira, a Costa Nova (desde Aveiro quase até Mira) ou a ponte da Varela, na Torreira”, enumera Jorge Paiva. Já com o auxílio de binóculos, “podemos atingir o alto do Monte de Santa Luzia”, em Viana


do Castelo. “Ao longo dos anos, temos vindo a criar condições para que este espaço se mantenha vivo diariamente”, assegura o nosso entrevistado, dando como exemplo o gradual reforço de iluminação e a construção de infraestruturas como bancos e mesas, também relevante é o auditório que foi construído há cerca de 20 anos e que permite, não só o apoio de um bar como permite a realização de eventos culturais. A este respeito, o presidente da Junta de Freguesia lamenta que “num passado não muito distante, quem me antecedeu teve a oportunidade de trabalhar o Monte de São Marcos e não o fez”.

fazer através da parceria com a INDAQUA, para que esta realidade seja finalmente verdade. Já em contexto de conclusão, o porta-voz deixa “uma mensagem de esperança para a freguesia”, esperando que os seus habitantes possam vir a encontrar, no futuro próximo, “uma qualidade de vida ainda melhor” e a possibilidade de “empregos estáveis”. Acima de tudo, “penso que, neste mandato, contribui para pacificar a freguesia, tentei resolver os problemas e colocar Fajões num patamar de reconhecimento”, antes de terminar com um último apelo: o de “que, todos juntos, nos façamos ao caminho”.

Projetos futuros Acima de tudo, o nosso interlocutor assume-se como um homem determinado em “estancar os problemas” identificados pela Junta de Freguesia. Não admira, nesse âmbito, que o atual executivo encontre em causas como a reabilitação e potencialização de todo o património um grande ponto de honra. A título de exemplo, “pretendemos criar mais espaços de lazer e reforçar a iluminação do Monte de São Marcos, dinamizando o morro para fins turísticos”. Outro projeto em cima de mesa passa pela requalificação das margens do Rio Antuã, obra que “dará muita mais beleza a esse espaço”, caracterizado pela limpidez das suas águas. De resto, e orgulhando-se de vitórias como a renovação dos estabelecimentos de ensino presentes na freguesia, Jorge Paiva identifica na “limpeza e manutenção das ruas” um dos aspetos mais importantes para o bem-estar de Fajões, nunca se poupando a esforços para o continuado alcance deste objetivo. Gostava diz o nosso interlocutor, de ver a freguesia dotada a curto prazo do abastecimento de água e saneamento ao domicílio, pois não entende como é possível em pleno século XXI, Fajões, não ter estes dois importantes meios de defesa do ambiente. Parece-nos importante referir todo o esforço que a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, quer

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UMA TERRA DE GENTE DINÂMICA Cesar, que se destaca por ser uma das freguesias mais industrializadas do concelho de Oliveira de Azeméis, foi elevada a vila em maio de 1993. Hoje, 23 anos depois, desenvolvimento continua a ser a palavra de ordem e, em entrevista à Portugal em Destaque, Augusto Moreira da Silva, presidente da Junta de Freguesia, fala-nos sobre isso mesmo.

JUNTA DE FREGUESIA DE CESAR

crescimento da terra que ainda hoje se verifica; a segunda, entre 1930 e 1935, com a fundação da Sociedade Eléctrica e a instalação do 1º telefone público que deram um avanço significativo no progresso de Cesar; e a terceira, a época mais importante, a partir de 1943 com o início da Era Industrial. É neste período pós-guerra que começa a grande viragem para a vila que, até então era predominantemente agrícola e vê, a partir deste momento, a implementação da indústria em diversas áreas mas, essencialmente, na louça metálica. A par da fixação das empresas e consequente crescimento, surgem também os serviços e as sociedades comerciais que, ao longo de todos estes anos, foram evoluindo e fomentam a economia da vila. Este crescimento possibilitou a conquista e a criação de novas infraestruturas e equipamentos que vieram colmatar as necessidades sentidas pela população. Cesar, que há muito tempo abandonou as suas características de meio rural e se afirmou, verdadeiramente, como um centro semiurbano, que aposta fortemente na expansão tecnológica e industrial, mas sem nunca esquecer o seu passado ligado à terra, à agricultura.

AUGUSTO MOREIRA DA SILVA

Ao longo da sua já longa história, Cesar conheceu três épocas importantes de desenvolvimento: a primeira, no final século XIX, quando muitos dos cesarenses que emigraram para o Brasil, voltaram e fizeram investimentos, dando um grande contributo no 62 | PORTUGAL EM DESTAQUE


Tem uma área aproximada de 6.5km2 e é como um eixo central, sendo um ponto de irradiação de um conjunto de acessibilidades que a põem em contacto rápido com outros centros, estando a 30 km de distância do Porto e a 40 km de Aveiro. Porém, falar na freguesia de Cesar é falar, também, em associativismo. A dinâmica associativa em diversas áreas, que vão desde a cultura à ação social, da etnografia ao lazer, da atividade física ao desporto e do ensino da música, colocam Cesar numa das vilas mais empreendedoras do concelho e região, neste setor de atividade. No que diz respeito ao património, há muito a visitar na vila de Cesar. A Igreja Matriz, construída entre 1802 e 1810, a Capela da Nossa Senhora da Esperança e Santa Apolónia, a Capela da Nossa Senhora da Graça de 1635, restaurada em 1908 e de onde se pode desfrutar de uma das mais bonitas vistas sob a vila, as onze alminhas espalhadas pela freguesia e os quatro cruzeiros são alguns dos exemplos. Mas não podemos esquecer a gastronomia tradicional e variada que faz as delícias de quem por lá passa e as festividades que atraem gentes da terra e de fora como as Festas Grandes de Cesar no primeiro fim de semana de julho, as festas em honra de santa Apolónia e Nossa Senhora da Esperança na terceira semana de maio e a Feira dos Dezoito na Praça da Liberdade, uma feira mensal de tradição secular nascida em 1835. Fazendo um balanço positivo desde que assumiu o cargo em 2013, Augusto Moreira da Silva pretende continuar a trabalhar para o bem da comunidade com “expectativas altas e muita vontade de fazer”. O programa ambicioso que traçou no início deste projeto na Junta de Freguesia é a longo prazo e as prioridades

estão definidas. Em jeito de conclusão, o presidente deixa uma mensagem aos cesarenses: “Deixo uma mensagem de esperança e compromisso de que faremos tudo para resolver as necessidades e problemas da nossa comunidade”.

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CALÇADO FAZ HISTÓRIA NA ANTIGA OLIVA S. João da Madeira sempre ocupou um lugar de destaque no mapa empresarial português, com exportações para todo o mundo, com particular importância na área do calçado. Depois do Museu da Chapelaria, inaugurado em 2005 na antiga Empresa Industrial de Chapelaria, a Câmara sanjoanense prepara-se agora para homenagear um dos setores com mais história no concelho e ainda hoje de grande impacto económico e social. A Portugal em Destaque esteve à conversa com o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Ricardo Oliveira Figueiredo, que nos falou sobre a importância deste novo equipamento que será inaugurado neste dia 5 de novembro no edifício da Torre da Oliva.

CÂMARA MUNICIPAL DE S. JOÃO DA MADEIRA

RICARDO OLIVEIRA FIGUEIREDO A Torre da Oliva, edifício que albergou a parte administrativa da empresa metalúrgica de S. João da Madeira, foi requalificada, por dentro e por fora, para receber o Welcome Center de um inovador programa de turismo industrial desenvolvido pelo Município - já em funcionamento - e o Museu do Calçado, que agora é inaugurado. Este espaço está configurado de forma a revelar aos visitantes aspetos ligados a essa atividade, como o processo de fabrico, as máquinas envolvidas, as histórias dos trabalhadores, os sapatos e as suas facetas. “Será um museu virado para o futuro com respeito pelo passado, que acompanha a evolução do design do calçado até aos nossos dias. Queremos que seja um museu vivo e que ao mesmo tempo seja uma janela para o futuro do design do calçado”, afirma o presidente da autarquia sanjoanense, salientando que “esta aposta na cultura é fundamental para valo64 | PORTUGAL EM DESTAQUE

rizar os cidadãos e para criar uma sociedade mais coesa e com mais qualidade de vida”. Ricardo Oliveira Figueiredo conta ainda que toda a parte museológica foi construída durante este ano, com base numa investigação que decorre há cerca de seis meses, e garante que esta aposta será uma fonte importante de riqueza para os sanjoanenses. “O objetivo é mostrar que a indústria do calçado tem futuro em S. João da Madeira e poderá gerar boas profissões para jovens do concelho. É esta a merecida homenagem que pretendemos prestar a este setor que tem sido tão importante em termos de balança comercial para o nosso país”. O presidente salientou ainda a importância desta data, relembrando que “a criação deste museu é um desejo antigo de todos os sanjoanenses. Temos o Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado, o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal e temos agora um museu dedicado ao calçado em portugal, estrategicamente localizado no nosso território. É um marco muito importante para o setor e para todos os portugueses”, conclui. A inauguração contará com o apoio da APICCAPS, Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, e com a presença de ilustres nomes nas áreas do empreendedorismo e inovação, nomeadamente o Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, o estilista Miguel Vieira a co-inaugurar o museu, e ainda o criador Luis Onofre, com a apresentação de uma exposição temporária. S. João da Madeira passa assim a contar com mais um relevante equipamento cultural, localizado numa zona da cidade que é já um dos maiores polos culturais da região, onde se pode visitar também o Museu da Chapelaria, o Welcome Center do Turismo Industrial e o Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory. A abertura do Museu do Calçado está integrada nas comemorações do 90.º aniversário da criação do Município de S. João da Madeira, que se iniciaram em outubro e se prolongam por um ano.


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IMOBILIÁRIA DE PESSOAS PARA PESSOAS

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Vivemos na ditadura dos padrões: a busca pela perfeição é cada vez mais uma imposição. Todos os dias nos entram vida adentro soluções de rejuvenescimento e de anti envelhecimento que mais não fazem a não ser criar elites ou rótulos. AF_Jornal_210x297.pdf 1 27/10/2016 11:08:33

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Focados em contrariar este paradigma e assumindo-nos, cada vez mais, como uma imobiliária de pessoas para pessoas, gostávamos de recrutar para a nossa equipa de comerciais, profissionais com idade igual ou superior a 50 anos contando que a sua experiência, maturidade e atitude possam representar uma grande mais-valia neste setor. É importante que os desafios profissionais se renovem como forma de redefinir novas metas e objetivos mantendo desperta a motivação. 66 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Deste modo, não é nossa verdade que a idade determine a capacidade de trabalho individual, pelo contrário, acreditamos que pode apurar competências e formas de estar que marcam a diferença quando se lida com pessoas. Mais, neste momento, 30% da nossa rede de agentes tem mais de 46 anos e produz 34,5% da faturação, ou seja, das comissões conseguidas com as transações de imóveis. Além disso, os profissionais com mais de 50 anos foram também a maior fatia no total de novos agentes contratados em 2015 já que das 1100 pessoas que entraram na empresa durante o ano passado, 600 tinham mais de 50 anos. De salientar ainda que a maioria das pessoas, devido ao sucesso que alcançaram, continuam a singrar na marca. Contratamos profissionais que pretendemos que façam parte da equipa por muito tempo e que se tornem parte da família Remax Champion. Assim, alargamos o leque de oportunidades a todas as pessoas que estejam à procura de realização profissional e de uma carreira de sucesso no imobiliário contando com uma marca Líder de Mercado e o apoio de uma equipa de profissionais capazes. Juntem-se a nós! CV para: apaixao@remax.pt; Tlf: 914 392 645


INSTITUIÇÃO DE REFERÊNCIA NO SERVIÇO À COMUNIDADE O Centro Social Padre José Coelho nasceu da visão do pároco que lhe dá o nome e de um grupo de cidadãos dedicados que quiseram criar um centro de apoio à população mais carenciada. Hoje em dia, com valências criadas na área da infância, apoio à terceira idade e Serviço Social, o centro constitui um pilar fundamental para Fiães e freguesias limítrofes.

CENTRO SOCIAL PADRE JOSÉ COELHO

JOSÉ HENRIQUES RIBEIRO

Fundado oficialmente em 1981, com a assinatura da sua escritura pública, o Centro Social Padre José Coelho teve desde início o objetivo de melhorar e servir a comunidade de Fiães e restante concelho de Santa Maria da Feira. Desde este momento, até à abertura em 1990, a instituição multiplicou a sua ação junto das camadas mais carenciadas da população. José Henriques Ribeiro, presidente do centro e Sandra Manuel, diretora técnica, falaram-nos um pouco sobre as principais atividades da entidade que dirigem. Quando em 1990 foi realizada a abertura de portas do espaço físico da organização, o único serviço era o centro de dia. Uma realidade que depressa se alterou. “Depois do Centro de Dia veio o apoio domiciliário e o Serviço de Atendimento e Acom68 | PORTUGAL EM DESTAQUE

panhamento Social. Em 2013 abrimos duas valências de apoio a crianças. A creche e pré-escolar”, refere Sandra Manuel. Um crescimento sempre baseado na qualidade do serviço prestado. “Eu digo isto muitas vezes – a creche tem lugar para 66 crianças e não tem mais porque há vagas”, refere o presidente da instituição. Neste momento, a IPSS conta com cerca de 50 funcionários, sendo política da casa a manutenção de vínculos laborais estáveis e a motivação dos trabalhadores. “Todos quantos trabalham nesta casa têm que sentir que ela também é parte das suas vidas. Só esta motivação pode assegurar um serviço com mais qualidade”, afirma José Henriques Ribeiro.


Valência e utentes Neste momento, o centro social Padre José Coelho apresenta cinco valências fundamentais: centro de dia, Serviço de apoio domiciliário, creche, pré-escolar e Serviço de Atendimento e Acompanhamento social. Uma oferta que alcança mais de 200 utentes. Como referiu Sandra Manuel: “Temos 35 utentes em centro de dia, 60 em apoio domiciliário, 66 na creche e 63 no pré-escolar. Em serviço social temos neste momento 203 famílias com acompanhamento aqui em Fiães e em rendimento social de inserção temos 30.” Para além destes serviços, a instituição é ainda responsável pela realização das refeições para todas as suas valências e para todas as escolas de primeiro ciclo e prés públicas da freguesia. “Em 2016 nós servimos, entre almoços e jantares, até Setembro, 58 860 refeições. Isto para além de pequenos-almoços e lanches, que não estão aqui incluídos”, acrescentou o presidente do centro. Desenvolvimento contínuo O centro está neste momento numa fase de expansão, com a realização de obras de ampliação. Estas alterações devem-se à necessidade de criar melhores infraestruturas para as nossas valências que irão originar melhor qualidade no dia-a-dia dos nossos utentes além de que também nos vai ser possível rentabilizar os recursos humanos, como explicaram Sandra Manuel e José Henriques Ribeiro. Este tipo de melhorias deve-se, em grande medida, ao cuidado que os responsáveis da instituição colocam na gestão do orçamento. “Temos que ter em atenção que é importante perspetivar o lado económico e financeiro, por muito que queiramos valorizar o social. Temos que ter sempre uma saúde financeira para suportar o lado social. Temos que ter esta ginástica: umas valências têm que sustentar as outras. E temos que apostar acima de tudo na qualidade”, referiu José Henriques Ribeiro. Uma ginástica necessária, já que embora comporte muitas vezes estruturas tão complexas como as de algumas empresas, as IPSS não têm as mesmas fontes de rendimento. “Um centro social nunca consegue ter grandes fontes rendimentos. As comparticipações dos utentes e as da segurança social não permitem grandes voos”, sintetiza Sandra Manuel. Envelhecimento e carência económica Os problemas mais urgentes em termos sociais na freguesia de Fiães são em muito semelhantes com a restante realidade portuguesa, como podemos observar nas palavras dos representantes do centro social. O crescente envelhecimento da população e o agravamento da situação financeira e económica levantam novos desafios na altura de encontrar soluções para ajudar os mais carenciados. Para a diretora técnica do centro social, esta realidade é mais latente no caso da procura ao centro de dia e ao apoio domiciliário. “Para o centro de dia procuram-nos cada vez mais idosos com idade avançada e mais dependentes fisicamente o que antigamente era característica de utentes de lar. Só que hoje em dia, com o estado da economia, não se pensa tanto em ir para lar porque é dispendioso para a família. Isto também nos leva a necessitar de infraestruturas para idosos

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mais debilitados, porque é a procura de hoje em dia. Já em termos de apoio domiciliário a população é a mesma, mas há mais carência económica o que se reflete em mensalidades mais baixas”. Projetos futuros Para o futuro, os responsáveis do centro social Padre José Coelho pretendem continuar a desenvolver o trabalho até agora efetuado e aumentar ainda mais o seu raio de apoio à população. Objetivos que passam essencialmente por estabelecer ainda mais o nome da instituição como referência em Regional, com a

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melhoria do seu espaço físico com criação da valência ainda em falta, o lar de terceira idade. “Somos a instituição de Fiães. Esperamos ser uma referência a nível de concelho. E queremos por isso ter instalações que possam proporcionar bem-estar aos nossos idosos e crianças. Temos uma equipa competente e estamos a dotar o Centro Social de instalações modelares”, refere Sandra Manuel. A construção do novo edifício vai passar de 1 milhão de euros. Neste âmbito, vamos apelar às indústrias, comércio e população em geral, para que haja comparticipações que nos ajudem a terminar a obra.


RÉGUA E LAMEGO Situado em pleno distrito de Viseu, e na margem sul do rio Douro, Lamego é um município constituído por uma área total de 165,39 km2, abrangendo uma população de 26.961 habitantes (de acordo com dados de 2011). Reconhecida pelo seu carácter histórico e monumental, Lamego é uma cidade que encontra em áreas como os serviços, o comércio e o setor agrícola algumas das bases mais fortes e sustentáveis da sua economia. Localizado imediatamente a norte desse concelho, e já inserido no distrito de Vila Real, encontramos o município de Peso da Régua. Este, de dimensão mais pequena, propaga-se por uma área total de 94,86 km2, somando uma população de 17.131 habitantes (de novo, segundo os valores de 2011). Pelo território que as suas oito freguesias abrangem, este é um município que se destaca pelo valor da sua paisagem, o sossego do seu ambiente, e o paladar dos seus sabores. Um aspeto que, de facto, une estes dois territórios prende-se com o peso social, económico e até histórico que a atividade vitivinícola neles ocupa. Ambos os concelhos correspondem, de resto, a dois elementos daquela que é reconhecida como a Região Vinhateira do Alto Douro – classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. Fatores como este têm permitido também que os concelhos de Peso da Régua e Lamego tenho visto crescer, de uma forma gradual, o seu número de turistas e mérito internacional. Acima de tudo, estas são duas cidades que quem visita não esquece.

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DEVOÇÃO, DEDICAÇÃO E DESLUMBRE No concelho de Peso da Régua encontra-se uma freguesia cuja dedicação dos habitantes à mesma chega a ser incomum: Loureiro, cujas vistas do Douro são (ainda mais) deslumbrantes.

JUNTA DE FREGUESIA DE LOUREIRO

ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA O atual Presidente da Junta de Freguesia de Loureiro, em Peso da Régua, está no seu primeiro mandato, mas luta pela sua freguesia em cargos políticos próximos desde há 20 anos, juntamente com o Secretário, José Mário Sousa, e o Tesoureiro, José Joaquim Costa. António José Ferreira, o referido Presidente, esclareceu-nos que Loureiro tem 5,12 km² de área e cerca de 1200 habitantes, que se dedicam principalmente à agricultura, à construção civil e ao comércio, entre outras atividades de menor expressão. Tal como na maioria das pequenas freguesias rurais, a população desloca-se para as grandes cidades para exercer alguma ocupação. Em Loureiro, as maiores forças empregadoras são a própria Junta e o Centro Social e Paroquial S. Pedro de Loureiro. Segundo crê António José Ferreira, Peso da Régua tem apenas dois infantários, e o Presidente pode afirmar com orgulho que um deles está localizado na sua freguesia. São à volta de 25 crianças frequentadoras do infantário, as quais pertencem às várias freguesias mais próximas e têm transporte gratuito, realizado numa carrinha recém-adquirida da Junta. De facto, não é qualquer freguesia que se possa gabar de possuir “a maquinaria” que Loureiro tem, e daí também terem sido 72 | PORTUGAL EM DESTAQUE

eficazes e rápidos na resolução das “intempéries” causadas pelas chuvas e mau tempo deste inverno, que destruiu estradas. “Neste momento, está tudo concertado” e foi graças ao “pessoal da junta”, revelou o Presidente. Questionado acerca das instituições existentes, António José Ferreira referiu que podemos encontrar os Escuteiros, o Clube dos Amigos do Todo Terreno das Pedras Santanas e a recentemente formada Associação Fim do Mundo, ligada ao desporto motorizado e à cultura. Denotar, ainda, o Rancho Folclórico de Loureiro, que “não para e levam o nome da freguesia a todo o lado”. Os produtos característicos da região são, necessariamente, as vinhas e as várias quintas produtoras de vinho, embora poucas sejam aquelas que têm produção própria. De tal forma que a nível agrícola a região regista algum crescimento. Loureiro tira também algum aproveitamento do turismo, que, no entanto, poderia ser mais rentabilizado. O miradouro de Santo António, com a sua vista de tirar a respiração, é “paragem obrigatória”. Dentro do espaço deste mandato, o Presidente e a sua equipa já conseguiram atingir certos objetivos a que se propunham, nomeadamente estender a rede de saneamento a mais habitações e se a mais casas não chegou foi porque os meios, de responsabilidade autárquica, não chegaram. Apesar disso, já se criou uma rede de gás natural que abastece muitos lares. António José Ferreira ainda não sabe se um segundo mandato estará na ordem do dia, devido à natureza exigente do cargo, mas sabe com toda a certeza que ainda tem projetos por cumprir. Confessou-nos que entre eles está a reconversão do miradouro de Santo António, que precisa de ser elevado, e ainda que não irá de forma nenhuma abandonar o cargo sem construir um miradouro na capela de São Gonçalo. Esta vontade férrea nasce da sua devoção a Justo Heitor, um santo cujo percurso passava exatamente por São Gonçalo. “Era para começar a construção este ano”, afirmou o Presidente, “mas as intempéries não me deixaram”. No verão, com a chegada dos emigrantes filhos da terra, realizam-se as festas: uma pequena em honra de Santo António, uma festa com tendência religiosa em finais de junho, pelo S. Pedro, padroeiro da freguesia, e em finais de Agosto as do Justo Heitor, santo devoto.


CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL S. PEDRO DE LOUREIRO Aprovado em Diário da República, corria o ano de 1992, o Centro Social e Paroquial S. Pedro de Loureiro tem por missão prestar cuidados a idosos com necessidades a nível económico, habitacional, e muitas vezes sem qualquer retaguarda familiar. Assume um papel determinante na integridade física e psíquica dos seus utentes, pretendendo assim manter o máximo de qualidade de vida possível no seu próprio domicílio, evitando ou adiando ao máximo a sua institucionalização. Contam-se 35 utentes no serviço de apoio domiciliário, única valência do Centro até à data. Entre os serviços incluídos estão a higiene habitacional e pessoal, tratamento de roupas, fornecimento de refeições, prestação de serviços no exterior, cedência de ajudas técnicas, acompanhamento médico e até pequenas reparações no domicílio.

O Centro regista um aumento constante de pedidos de apoio ao domicílio, ou não estivessem localizados numa zona marcada por um crescente envelhecimento. Num futuro próximo esta instituição irá contar com mais uma valência, já que se encontra em construção um lar, Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, que irá albergar 19 utentes em seis quartos duplos e sete individuais. Para já, não tem data prevista de abertura, uma vez que não têm qualquer apoio financeiro por parte do governo, contanto a instituição com a preciosa colaboração do Município do Peso da Régua e da Freguesia de Loureiro e assim a obra vai avançando devagarinho e conforme as possibilidades, além da boa vontade de algumas pessoas que contribuem com pequenos donativos, às quais o Centro Social agradece encarecidamente. Este projeto abrir-lhes-á muitas portas, inclusive a reformulação do SAD e, posteriormente, a criação de um Centro de Dia.

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A MAIS VALIA PARA A POPULAÇÃO Poiares, como povoação, é antiquíssima, ignorando-se, contudo, a data da sua fundação. Canelas foi vila e sede de concelho até 31 de Dezembro de 1853. O estatuto de freguesia foi-lhe atribuído no ano de 1976. Falamos com Heitor Varandas Ribeiro, presidente da União de Freguesias de Poiares e Canelas sobre este paraíso do Peso da Régua. UNIÃO DE FREGUESIAS DE POIARES E CANELAS

ceitas de orçamento somente as transferências efetuadas pelo Poder Central e pela autarquia do Peso da Régua, e abrangendo uma área geográfica de aproximadamente 1/3 do total de todo o concelho, sentimo-nos limitados à execução das tarefas básicas de manutenção e conservação de estradas e caminhos rurais. Quais as principais atividades económicas da freguesia? A Freguesia de Poiares e Canelas tem no Colégio Salesiano de Poiares a sua principal atividade económica contando também com o Centro Social e Paroquial D. Manuel Vieira de matos e o Centro Social Nª Srª das Candeias, três polos de empregabilidade e serviço de excelência que é prestado á população. A par destas instituições encontramos na construção, na vinha e no comércio do vinho o principal ganha-pão de muitos que aqui vivem. De que forma analisa a atualidade socioeconómica da freguesia? Qual a faixa etária predominante? Quais as principais necessidades da população? Com uma população extremamente envelhecida e sobretudo numa Freguesia do interior encontro, no acesso à saúde, o maior obstáculo devido à mobilidade reduzida, aos meios de transporte escaços que possuímos e aos acessos sinuosos que todos os dias temos que percorrer. Como descreve a relação existente com a Câmara Municipal? Mantendo dia após dia estreitas relações com o Município do Peso da Régua e comunicando-lhes todas as nossas necessidades, sentimos que a vontade demonstrada é a de que tudo tem sido feito para que os acessos sejam melhorados e que as atividades económicas e os locais de visita se tornem mais acessíveis e convidativos.

HEITOR VARANDAS RIBEIRO

Porque se candidatou à presidência da União de Freguesias de Poiares e Canelas? Qual o balanço que faz do trabalho realizado até agora? No seguimento de um projeto delineado no mandato anterior, decidi candidatar-me à Presidência da nova Freguesia consciente que poderia ser uma mais-valia para toda a população tendo em conta toda a experiência adquirida no decorrer da minha vida tanto a nível pessoal como profissional. Tendo como re-

Quais os locais a visitar e pessoas a destacar? Já que falamos naqueles que queremos que nos visitem podemos salientar como lugares de interesse Cultural as Igrejas Matrizes de S. Miguel de Poiares e de Nossa Srª das Candeias de Canelas, a Estação Arqueológica do Alto da Fonte do Milho, Vila romana fortificada com vestígios de ocupação entre o séc. 1 e o Baixo-Império, o Solar Casa Grande, casa brasonada do séc. XIII, o Miradouro do Monte Raso, possui uma das mais magnificas vistas sobre o Rio Douro, entre outros. As figuras que podemos destacar, entre outras, são o General Silveira (Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, 1º Conde de Amarante, nasceu em Canelas a 1 de Setembro de 1763, faleceu em Vila Real a 27 de Maio de 1821) e Antão Fernandes de Carvalho (nasceu em Vila Seca de Poiares, 27 de maio de 1871 – 13 de Agosto de 1948) um dos fundadores da Casa do Douro.

União de Freguesias de Poiares e Canelas Rua Delminda Pinto Ribeiro Nº96, 5050-347 Poiares PRG, Tel.: 254 906 284 Rua do Terreiro Nº72, 5050-434 Canelas PRG, Tel.: 254 907 172 E-mail: fregpoiarescanelas@sapo.pt 74 | PORTUGAL EM DESTAQUE


TERRA COM HISTÓRIA E EM CONSTANTE EVOLUÇÃO Situada na região demarcada do Douro, no concelho do Peso da Régua, Vilarinho dos Freires localiza-se numa encosta de terras férteis em vinha e oliveira, com traços marcadamente rurais. Em entrevista à Revista Portugal em Destaque, Sérgio Correia, presidente da junta de freguesia, fala-nos sobre os projetos desenvolvidos ao longo do seu mandato, sobre os propostas delineadas para o futuro e sobre a revolução que implementou assim que assumiu funções. JUNTA DE FREGUESIA DE VILARINHO DOS FREIRES

SÉRGIO CORREIA

“Vilarinho dos Freires é uma freguesia muito antiga, em que o lugar da Presegueda constitui a sua parte mais antiga. Um conjunto de casas senhoriais e brasonadas, que apesar de estarem um pouco degradadas, muito por culpa dos proprietários, a Câmara Municipal do Peso da Régua, surpreendeu-nos com as áreas de reabilitação urbana, em que o lugar da Presegueda foi um dos contemplados. São benefícios para quem depois quiser investir nas habitações porque é realmente um sítio com uma vista espetacular”, começa por nos contar Sérgio Correia. Quando questionado sobre os pontos de interesse e de destaque

na freguesia, é perentório em enumerar vários locais de paragem obrigatória para quem visita a região. A Igreja Matriz erguida em homenagem a Nossa Senhora das Neves, padroeira da freguesia, a Capela Quinta da Ponte, a Casa Grande e a Casa da Carranca e a Quinta do Vallado e mais recentemente, a casa do Romezal, direcionadas para o enoturismo, são alguns dos exemplos. “Em termos de localização, considero que estamos numa posição privilegiada. Estamos a 8km do Peso da Régua, a cerca de 15km de Vila Real e muito perto dos acessos à auto estrada, o que nos permite uma maior facilidade de mobilidade da que existia antigamente, a cidades como Amarante, Lamego ou Viseu”, destaca o autarca. A freguesia possui cerca de 9km2 e em termos de habitantes cerca de 1800 votantes, sendo que parte está fora do país. Com uma população maioritariamente envelhecida, esta constítui uma das maiores preocupações deste executivo, que tem como objetivo fixar as pessoas na freguesia e são muitos os projetos que tem desenvolvido nesse sentido. “Temos um projeto, ligado diretamente às tecnologias de comunicação, sendo que existe um edifício no centro da freguesia que queremos reabilitar para assim criar um espaço Internet e dotar de melhores condições das que já existem na sede de freguesia e quem sabe deslocar a mesma, posteriormente, para esse edifício. Queremos estar o mais próximo possível da população e essa pode ser uma boa solução para prestar ainda melhor os serviços que disponibilizamos, como os cursos que existem atualmente”. Relativamente às motivações que levaram Sérgio Correia a candidatar-se à presidência da Junta de Freguesia de Vilarinho dos Freires, este afirma que “foi como um grito de revolta pelo trabalho que o anterior executivo estava a desenvolver. Não era político, mas a verdade é que as pessoas confiaram nas minhas ideias e no que poderíamos vir a desenvolver. Quando chegamos à junta, esta necessitava de muita coisa, não havia material para trabalhar e uma das nossas principais medidas foi torná-la autonóma, modernizando a freguesia”, afirma, satisfeito. Para além disso, foi construído também um parque de estacionamento na rua principal da freguesia, algumas obras de recuperação de ruas e estradas, como encaminhamento de água e limpeza de manutenção nas várias aldeias. Assim, os projetos para os próximos anos mostram-se promissores e estão já delineados. “O futuro passa pela ampliação do cemitério da freguesia, conseguimos que os donos nos doassem os terrenos, o que para nós foi uma vitória e a construção de um polo desportivo, que é necessário para a classe mais jovem da freguesia, que passará pela ajuda da câmara municipal. Gostaríamos de abrir também um lar, apesar de uma IPSS estar a atuar na freguesia. São projetos ambiciosos mas, que esperamos ver concluídos rapidamente”, conclui o autarca.

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O SERVIÇO HUMANO COMO PREOCUPAÇÃO PRIMORDIAL A Portugal em Destaque voltou à Régua e visitou Moura Morta e Vinhós, uma das suas freguesias de destaque. UNIÃO DE FREGUESIAS DE MOURA MORTA E VINHÓS

ANTÓNIO GUEDES Os destinos da freguesia estão a cargo de António Guedes, que é já presidente há 26 anos. Tendo a sua atividade profissional como bancário, desempenha a função de Chefe de Gabinete do presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua há 11 anos. A união das freguesias de Moura Morta e Vinhós é fruto de uma lei do anterior Governo “que achou que iria poupar dinheiro ao juntar as freguesias”. Mas, na opinião de António Guedes, a divisão e junção das freguesias deveria ter sido realizada de maneira diferente. “Eu não discordo que pudesse haver uma rentabilização das freguesias, mas acho que deveria ter começado pelos concelhos”, comenta o próprio, “não faz sentido estar a mexer nas freguesias sem mexer nos concelhos”. Nestas freguesias os principais focos de rendimento estão na agricultura e na construção civil. A agricultura é a ocupação de 95 por cento da população, com mais incidência na vinha. Esta é, maioritariamente, promovida e desenvolvida através de fundos comunitários, que permitem a reconstrução das vinhas, que utilizam maioritariamente um método tradicional, e com estas ajudas podem começar a utilizar-se métodos mecânicos. De tal modo, as pessoas conseguem desenvolver novos métodos de produção em massa, solucionando a escassez de mão-de-obra na região. Outro fenómeno que acontece na região é o da emigração, pois nota-se cada vez mais pessoas que emigram para as

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campanhas sazonais. Um dos grandes problemas de Moura Morta e Vinhós é a sua localização, pois situa-se perto da serra do Marão, pelo que não possui tão boas características como os terrenos situados ao lado do rio Douro. “Por isso não existem investidores de grandes marcas ou de grandes quintas que queiram investir na nossa zona”, explica o nosso interlocutor. Questionado sobre o turismo, o presidente refere que “o único turismo que acontece na nossa região está relacionado com caminhadas pedestres, em frente à serra, através de caminhos mais rústicos”. Desde sempre são mencionados projetos que visam o melhoramento destes caminhos, para que assim haja melhores condições de realização dessas caminhadas. Outro projeto para atrair mais turistas à região passa por um aproveitamento dos moinhos que existem junto ao rio, de modo a colocá-los em funcionamento. Para tal são precisos apoios, “que nos últimos tempos têm sido difíceis de conseguir”, comenta, “senão fossem os subsídios disponibilizados pela Câmara às freguesias, muitos dos nossos projetos ficavam na gaveta. Acreditamos que conseguiremos recuperar os caminhos e os moinhos desta forma, assim como melhorar estradas, limpar a freguesia, entre outras tarefas e projetos” A missão do seu Executivo passa por disponibilizar um serviço de acompanhamento das pessoas, aconselhamento e encaminhamento. “O serviço humano tem de ser a nossa principal preocupação”, manifesta António Guedes. Moura Morta teve até há pouco tempo um rancho folclórico que, “neste momento encontra-se desativado, devido à falta de jovens na freguesia”, assim como “a natalidade, que continua em decréscimo”. Atualmente, contam apenas com os escuteiros. Relativamente a Vinhós não tem nenhuma atividade ou associação no ativo. No que concerne às festas da localidade, “vão-se realizando algumas, mas cada vez mais com menor adesão por parte dos populares”. 99 por cento das pessoas, neste caso, dos jovens, que saem da freguesia para tirar um curso superior, não regressam, devido a inexistência de atividade na região. “Cada vez mais é inexistente a diversidade” explica, pelo que é difícil conseguir desenvolver a região, mas para António Guedes, enquanto for presidente, irá tentar fazer todos os possíveis para conseguir promover a sua freguesia e região.


O MELHOR DO VALE DO DOURO Foi há três anos que Galafura e Covelinhas se uniram para formar uma nova união de freguesias. Foi na mesma altura que Eduardo Ermida assumiu a presidência das freguesias e aceitou o desafio de dirigir o destino conjunto das duas terras. Melhorar as acessibilidades e levar avante a criação de um centro de convívio para os idosos são, no momento, as prioridades do seu mandato. UNIÃO DE FREGUESIAS DE GALAFURA E COVELINHOS

EDUARDO ERMIDA

JOSÉ MARTINS

RUI MARTINS

Galafura e Covelinhas são duas localidades situadas no Peso da Régua, em pleno vale do Douro. A região, conhecida pela sua inesquecível beleza natural, é rica em tradições e cultura popular. É na união de freguesias que se situa o miradouro de São Leonardo, um dos pontos mais atrativos da Régua e conhecido por ter sido o preferido do escritor Miguel Torga. Eduardo Ermida, presidente da união de freguesias de Galafura e de Covelinhas, e José Martins, secretário da autarquia, falaram com a nossa revista sobre o estado do seu mandato. “Embora em outros sítios a reorganização tenha criado problemas, aqui nós sempre nos demos bem e temos feito um bom trabalho juntos”, refere o presidente da autarquia. Eduardo Ermida aceitou há três anos o desafio de assumir a presidência, numa altura em que era necessário substituir o anterior presidente. “Eu não nasci em Galafura, vim para aqui com 11 anos com o meu pai e passei aqui toda a minha mocidade. Costuma-se dizer que onde nos damos bem é que é a nossa terra. Estou há três anos como presidente. O meu maior interesse é fazer alguma coisa pela terra”. Nas palavras do responsável, um dos principais problemas de Galafura e Covelinhas é a desertificação, que afeta em grande medida as regiões mais rurais do país. “Temos muitas pessoas que imigram, cada vez mais a população fica mais idosa. Ainda temos bastantes crianças, mas já não é nada do que era há anos atrás”, explica. Festas e tradição popular A região do Vale do Douro é rica em tradições e cultura popular e Galafura e Covelinhas não são exceção. As duas localidades são ricas em lendas, uma das quais contada pelos responsáveis da autarquia. “As Lendas da D. Mirra são muito típicas

aqui da Galafura. A lenda diz que ela era uma cobra encantada que vivia ali junto à capela. Dizia-se que se um jovem fosse lá de noite e pusesse lá uma toalha ela depois aparecia. Mas não a podiam temer, tinham que lhe dar um beijo para ela se transformar”, explicam. Para além disso, as festas populares da região são muito importantes. Em Galafura, além da festa do padroeiro, S. Vicente, em 22 de Janeiro, as festas de Verão são um dos momentos altos, como nos explica José Martins. “As festas de Verão, como lhes chamamos, são em Agosto, em geral no penúltimo fim-de-semana. Sábado e domingo são os dias mais fortes”. Já em Covelinhas, a festa de Verão em honra de Santa Comba (padroeira) e Nossa Senhora da Soledade, ocorre no segundo fim-de-semana de agosto. É de recordar que à entrada de Covelinhas, existe uma capela em honra do Senhor da Boa Passagem, a quem recorriam os militares que iam para o Ultramar e os barcos que transportavam lenha e vinho para a Régua, como forma de proteção do seu trabalho. Projetos essenciais Para os responsáveis da autarquia, a prioridade é melhorar a qualidade de vida para as pessoas da terra. Para o efeito, Eduardo Ermida aposta na melhoria das estradas e das acessibilidades da região. “A nossa prioridade no mandato era melhorar a estrada em Covelinhas. Aqui na freguesia temos tratado dos caminhos rurais, que são quase todos ainda em terra batida, o que torna os acessos às propriedades complicados”. Para além desta vontade de melhorar as acessibilidades, os responsáveis da autarquia pretendem também criar mais ocupações para os idosos da freguesia. “Estamos a tentar, juntamente com uma associação cultural social e desportiva, encontrar atividades para os idosos. Queríamos fazer um centro de convívio, nas instalações das escolas antigas, em que tivessem atividades para que possam conviver e estar ocupados”, referiu Eduardo Ermida.

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UMA FREGUESIA POR DESCOBRIR Com mais de 700 eleitores, a Junta de Freguesia de Fontelas, no concelho de Peso da Régua, é um exemplo de iniciativa de contribuição para o desenvolvimento da região e, ao mesmo tempo, do emprego.

JUNTA DE FREGUESIA DE FONTELAS

JOSÉ MARIA PEREIRA José Maria Pereira está no primeiro mandato como Presidente da Junta de Freguesia de Fontelas. Desde 2013 que já conseguiu concretizar alguns projetos, nomeadamente pavimentar algumas ruas, inclusive a avenida até à Igreja, colocar iluminação na mesma, alargar o cemitério e requalificar a Casa do Povo. Porém, uma iniciativa em particular que se destaca: o curso de calceteiros que decorreu no ano anterior, promovido pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Vila Real. Consistia num curso com diversas disciplinas e uma forte componente prática, que foi aplicada no pavimentar das ruas de Fontelas. “Estavam no terreno duas vezes por semana e fizeram um trabalho excelente”, revelou José Maria Pereira. Desta forma, os alunos, com o sexto ano, obtêm o nono ano neste projeto que promove o emprego e desenvolve a região. De tal forma foi bem-sucedido neste empreendimento, que o Presidente está, atualmente, a tentar promover outro curso, desta vez de pedreiros. O problema é “arranjar formandos”, expôs o

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Presidente, uma vez que ter o sexto ano é um requerimento necessário para a frequência do curso e a maior parte dos possíveis alunos ter apenas o quarto ano. “Vou arranjar maneira”, declarou José Maria Pereira, cuja freguesia precisa com alguma urgência de arranjar os muros à beira da estrada, por onde passam turistas com frequência. Contrariamente a estas iniciativas, encontra-se a potencialidade inaproveitada que são as Termas de Caldas de Moledo, fechadas desde há cerca de cinco anos. Quando esta entidade passou a cargo da Porto Norte decidiu-se não existirem condições para o funcionamento das termas, levando ao seu encerramento. “Foram postos de trabalho que fecharam e utentes da região e de fora” que foram obrigados a escolher outro local para a prática termal, declarou o Presidente da Junta, que ressalvou ainda a importância de que as Termas fossem reabertas: “Caldas de Moledo vivia dessas termas, perdeu-se gente” e não só, “chegou a ter hotel, casino, farmácia”. De facto, a população trabalhadora está maioritariamente empregada na cidade da Régua, Vila Real, ou noutros pontos pelo país fora e até no estrangeiro, apesar de não ser das freguesias que mais emigrantes tem. Vive-se despovoamento e envelhecimento populacional nesta região, como em muitas outras do país, cujos jovens saem para estudar e não voltam. A seu favor, Fontelas tem várias casas brasonadas aproveitadas para o turismo rural e também quintas produtoras de vinhos, que providenciam um rendimento extra à população na altura das vindimas. José Maria Pereira não garante que se vá recandidatar nas próximas eleições autárquicas, mas tem projetos aos quais pretende dar continuidade: “Temos alguns acessos que ainda não estão concluídos e habitações em saneamento, algo que no século XIX já não se justifica. Além disso, tenho um projeto um pouco ambicioso para o centro comunitário, que é a Casa da Quinta do Carvalho, estou em negociações para a transformar num Lar”, algo que Fontelas precisa, “e eu sei que os donos, que já faleceram, tinham pretensão que a casa fosse para bem da freguesia. Pode ser que a situação financeira melhore, porque é uma luta todos os dias”. Igualmente em cima da mesa estão as festas ao padroeiro São Miguel, que tornaram-se a realizar na freguesia desde que o nosso interlocutor assumiu o Executivo da Junta de Freguesia, fazendo renascer uma tradição antiga.


SONHAR É O DOM DA VIDA Carlos Manuel, proprietário do Restaurante O Sonho, decidiu dar a conhecer à Portugal em Destaque, como tudo começou no percurso da sua vida em busca do sonho.

RESTAURANTE O SONHO

CARLOS MANUEL SILVA, MARIA AUGUSTA E PEDRO SILVA Tudo começou aos sete anos de idade, quando se apaixonou pela restauração,. Primeiro na pastelaria dos pais, na altura “a chatear mais do que a trabalhar”, comenta, até que uns anos mais tarde surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a Régua para um restaurante de quatro estrelas. “Era um restaurante que marcava a diferença aqui na região, e onde mais viciado eu fiquei, em querer abrir o meu negócio”, explica. Cinco anos passados veio para Lamego para explorar um bar, e mais tarde teve a proposta de abrir um snack-bar. Abriram com a especialidade da francesinha com ovo, “porque em Lamego não existia ninguém ainda que a fizesse. A receita do molho foi, inclusivamente aperfeiçoada pela minha mulher”. Além da francesinha, aqui também é muito típico o cabrito assado no forno e, nesta época, costumam fazer lombo recheado com castanhas. Sempre quis seguir as pisadas do pai, que teve a pastelaria durante 40 anos com clientes desde o primeiro dia. “Eu começo a ter essa sorte também”, pois diz que ao ter esta casa já há quase 24 anos consegue que há três gerações, as pessoas continuem a ir

ao seu restaurante, “dá-me prazer a continuar vê-los aqui, a serem meus clientes”. São oito pessoas a trabalhar, apesar de serem apenas seis funcionários. Carlos Manuel faz sempre as entrevistas de recrutamento, e privilegia que a pessoa seja simpática e trabalhadora, do que à formação, pois “nós vamos ensinando”. Atualmente está à espera que o seu filho termine o seu curso em gestão hoteleira, para se juntar ao negócio de família. “Eu sinto que os meus filhos querem envergar por esta profissão”, expõe. Esta casa apenas tem sete anos, aberta neste local desde 2009, como restaurante e o que os projetou para o mercado foram as francesinhas com ovo e batata frita. “Fomos nós que a iniciamos em Lamego”, esclarece, e também alguns petiscos como o pica pau e o bitoque à moda tradicional da região. Em termos publicitários nunca fez muito, sempre apostou no “passa a palavra entre clientes”, só recentemente fez um outdoor para lembrar a sua existência. Para Carlos Manuel a imagem que transmitem e que os clientes transmitem é um princípio fundamental, assim como os funcionários saberem receber bem as pessoas, e apresentar um bom serviço e boa comida, “são pontos cruciais para uma casa funcionar direito”, esclarece. A missão é “abrir diariamente, atender bem e receber bem os clientes”, transmitindo sempre a mesma imagem de conforto, que é “aquilo que somos e aquilo que seremos”, implementa. Um dos objetivos para o futuro passa por mudar a imagem do estabelecimento. O nome do restaurante veio do facto de este espaço ser mesmo um sonho para o proprietário. “Eu vim do zero e quando iniciei a minha carreira na pastelaria dos meus pais, gostei tanto, que nunca desisti até ter o meu próprio negócio”, conta Carlos Manuel emocionado. “Demorei 20 anos a chegar onde estou hoje, mas valeu a pena o esforço. Sonhar é dom da vida, só desse modo nos focamos nos nossos objetivos”. Como António Gedeão, professor e poeta português disse, “Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança”. Este estabelecimento rege-se nestas palavras, pois Carlos Manuel sonhou em ter o seu negócio e conseguiu com muito esforço e trabalho.

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SABORES E AROMAS DE EXCELÊNCIA A Wine Douro Valley surge em 2006 e tem ganho o seu espaço no mercado nacional. Conheça um pouco melhor este projeto. WDV WINE DOURO VALLEY LDA

Quando, e como, se iniciou este projeto? O projeto de produção e engarrafamento dos vinhos tem o seu inicio em 2006. A família sempre foi produtora de uva e desde 2006 iniciou-se a vinificação e engarrafamento próprios. Qual a ligação da empresa a este local: Loureiro? Deve-se ao fato que a Quinta Capela se situar em Loureiro. Existe outra propriedade em Fontelas: Quinta de Estremadouro. Quais os tipos de vinho que produzem? Branco tinto e Rose Têm duas marcas próprias, Vale de Escadas e MorValley, correto? Porquê a aposta em marcas próprias? A empresa WDV lda, metade do seu volume de engarrafamento dedica-se a enchimento de marcas de cliente que se encontram na grande insígnias da distribuição ( Pingo doce e Continente ). Qual o vosso público-alvo? O consumidor tipo da empresa wdv lda é todo aquele pretende consumir vinho de forma regular, pois temos uma excelente relação preço qualidade desde a gama de entrada até aos vinhos premium. Como é que o cliente normalmente tem conhecimento da vossa existência? Conhecem os nossos vinhos pela presença muito forte que temos na distribuição moderna, e apartir daí decidem apostar nas nossas marcas mais premium e tem sido um enorme sucesso 80 | PORTUGAL EM DESTAQUE


Estão a desenvolver uma iniciativa inovadora, refiro-me à rolha plastificada. O que nos pode contar acerca disso? O ano de de 2017 iremos fazer uma forte aposta na exportação e os vinhos com rolha screw cap são muito importantes na nossa oferta pois temos clientes a exigir esse tipo de produto. Quais são os projetos que têm reservados para o futuro? Novembro 2016: Vale de escadas bag in box tinto 2015 douro doc Vale de Escadas bag in box branco 2016 douro doc MorValley Tourga Nacional 2015 Março 2017 MorValley 2016 Rosé Sparkling Junho 2017 MorValley Port wine 10 years OLd Como é que se distinguem da concorrência? Somos muito fortes na nossa relação preço-qualidade. Qual é a missão e/ou visão da empresa? Criar marca e consolida-la. Queremos que os nossos cliente escolham os nossos vinhos pela garantia de qualidade.

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SABORES DE SUCESSO Nesta edição da Portugal em Destaque, fomos a Lamego e descobrimos uma Taberna que faz as delícias de quem por lá passa. TABERNA DO PORFÍRIO

JOSÉ VICENTE

José Vicente começou a sua carreira na restauração aos 14 anos, passando por várias unidades hoteleiras até que decidiu onde esteve cinco anos, até que decidiu estabelecer-se por conta própria. “Comecei por abrir um café, mas não era o tipo de negócio que eu pretendia”, comenta. Em 2006 surge uma parceria com a Quinta do Terreiro, que se manteve até aos dias de hoje, e onde é possível realizar diversos eventos como casamentos e batizados. “O espaço é muito bonito e convida as pessoas a estarem no exterior da quinta, principalmente no verão”, esclarece. Em 2012, reconhecidas as suas capacidades, foi proposto a José Vicente, ficar com a exploração da Taberna do Porfirío, pertença dos famosos Fumeiros Porfirios. Esta estava dedicada à venda de Fumeiro e preparação de pequenos petiscos. Pouco a pouco e a pedido dos seus clientes, foram

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acrescentando novos pratos, devido à necessidade do cliente, “pelo que começamos a trabalhar como restaurante”. O produto que começou por ter mais saída foram os petiscos, que deram asas aos petiscos de fumeiro, as travessas de presunto e as pataniscas de presunto, “que foi uma novidade que teve bastante saída”, assim como a travessa à moda da taberna, “que é um dos nossos ex libris, sobretudo para os estrangeiros que gostam de provar o que mais vendemos”, exclama. Esta travessa é recomendada para quatro pessoas mínimo e não só como aperitivo mas também como acompanhamento. Existem também quatro a cinco pratos muito requisitados tanto nos peixes como o bacalhau com broa e o polvo à lagareiro, “que foi recentemente introduzido e têm sido bem aceite”, como nas carnes como o cabrito, “que só é feito ou aos domingos ou por encomenda”, diariamente têm os nacos de vitela, “que é o prato topo”, a posta de vitela, a grelhada mista, “que é um prato recomendado para quem não quer apenas provar vitela, mas sim um pouco de todas as carnes”, e os secretos de porco, “que tem sido também muito requisitado”. Este ano foi introduzido tanto para aperitivo como para o lanche, a paleta dos sabores, composto por várias fatias de pão, pasta de manteiga e alho, presunto, salpicão, bacon ou queijo, “das melhores introduções, pois temos tido muito sucesso”. Para o gerente, os funcionários têm de apresentar principalmente simpatia,

como também dar atenção aos clientes e estarem sempre disponíveis para com o mesmo, “o nosso principal objetivo é que o cliente saía daqui satisfeito, porque dessa forma sabemos que por norma volta”. O disparo da procura deste restaurante, por parte dos turistas, foi facto de estarem referenciados desde 2014, numa revista francesa, Rotard, que funciona através de um questionário feito aos clientes, que na opinião de José Vicente “foi uma excelente forma de publicidade para o espaço”. A missão cada vez mais é conseguir ultrapassar obstáculos, continuar a produzir e a confecionar, tentando inovar, “trabalhar para o sucesso”. Como tal os objetivos futuros que a Taberna tem estabelecidos, e que José Vicente tenta cumprir, é o aumento das vendas, tentando atingir o auge e manter sempre o auge da casa, e desse modo, o aumento de trabalho, faz com que haja mais mão-de-obra e assim mais postos de trabalho.


QUALIDADE E TRADIÇÃO Criada em 1966, por Álvaro Guedes Pereira, a Pastelaria da Sé sempre foi conhecida pela afamada Bôla de Lamego. Ao longo de 50 anos de dedicação, tem mantido a tradição e qualidade dos produtos bem como uma preocupação constante de satisfação do cliente.

PASTELARIA DA SÉ

ANABELA E GUILHERMINA PEREIRA “A Bôla de Lamego é um verdadeiro símbolo de qualidade e tradição”. As palavras são de Anabela e Guilhermina Pereira, proprietárias da Pastelaria da Sé, e filhas de Álvaro e Maria da Conceição, fundadores deste recanto de sabores. Aberta desde 1966, a Casa das Bôlas, como é mais conhecida, resultou do sonho desse casal de empreendedores, que assim fez nascer um dos verdadeiros ex-libris da cidade de Lamego. “A receita da tradicional Bôla de Lamego tem passado de geração em geração e tornou o concelho famoso. A bôla de Lamego é conhecida e famosa por todo o país, bem como a Pastelaria da Sé, essencialmente pelo produto, qualidade e pela tradição”. A história começou num pequeno espaço junto à Sé de Lamego, no entanto há 10 anos, com a chegada de Anabela e Guilhermina Pereira à gestão da empresa, nasceu o novo espaço no coração da cidade. Daqui saem dezenas de bôlas por dia. Tendo como base uma criteriosa seleção dos ingredientes, associam-se a uma massa fofa e levemente folhada diversos recheios, desde o presunto (ex-líbris da gastronomia local), fiambre, frango, vinha d`alhos, ou salpicão. Falta enumerar os recheios “marítimos” que cons-

tam da ementa, pois na Casa das Bôlas também pode provar a bola de bacalhau e de sardinha. Anabela Pereira salienta um dos objetivos prementes é a certificação do produto Bôla de Lamego. “Estamos a colaborar em parceria com as organizações competentes para certificar a verdadeira Bôla de Lamego”, afirma, sublinhando que o objetivo primordial é sempre a qualidade e a garantia que o cliente consome um produto genuíno. A Bôla de Lamego é protagonista, mas aqui também se homenageiam os doces conventuais, seguindo os valores e as receitas ancestrais que Maria da Conceição recolheu dos mais antigos. Por isso, numa visita à Pastelaria da Sé, não deixe de provar também os lusitanos, os sidónios, os morgadinhos e os icónicos peixinhos de chila. Pouco conventual, mas nem por isso menos deliciosas, poucos são os que resistem a uma bolinha de Berlim, de receita familiar e gulosamente recheadas com creme pasteleiro artesanal. Com 50 anos de história e tradição e muitos clientes fidelizados, a Casa das Bôlas prepara-se para um novo desafio. “Vamos abrir um novo espaço na cidade do Porto, numa localização de excelência, em frente à Casa da Música, que permitirá uma maior proximidade aos nossos clientes”, revela Guilhermina Pereira, sublinhando que se trata de um projeto ambicioso, mas que tem os ingredientes certos para ser um verdadeiro sucesso.

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A ARTE DE BEM RECEBER Nesta edição da Portugal em Destaque, fomos ao Peso da Régua e descobrimos uma casa que prima pela arte de bem receber. Saiba mais pela voz de Bruno Costa.

VARANDAS DA FEIRA

com uma suíte, quarto duplo, casa de banho e um open space (sala e cozinha). Tanto os quartos, como a casa dispõe de comodidades como ar condicionado, wi-fi gratuito, TV e serviço de pequeno-almoço. A casa permite avistar a magnifica paisagem dos socalcos durienses e oferece experiências únicas, desde um mergulho na piscina exterior, a um piquenique no jardim, uma visita aos animais da quinta, ou a degustação de comida caseira e tradicional no Solar, mediante reserva. Os nossos clientes podem desfrutar de passeios a pé pela aldeia, ou agendar um passeio de jipe a locais de interesse e beleza natural inigualável. Como caracteriza os clientes do Varandas da Feira? Quem são? De onde são? O que procuram? As pessoas que nos visitam são maioritariamente casais, de diferentes idades e partes do mundo que viajam de carro, percorrendo pontos de interesse um pouco por todo o país. Adoram o nosso alojamento por ser um local singular, calmo e relaxante, fora da cidade, mas ao mesmo tempo bem localizado para explorar o vale do Douro. Apreciam a simpatia, a beleza do local e a boa gastronomia.

Como e quando surgiu o empreendimento turístico Varandas da Feira? Como surgiu a ideia? Construído no século XVIII, o “Solar Casa Grande” é uma habitação familiar, que se distingue pela sua antiguidade e valor arquitetónico e que se encontra a funcionar como alojamento local o ano inteiro. Qual o conceito? Quantos quartos? Quais os serviços oferecidos? O empreendimento era um sonho antigo do nosso pai, que comprou a propriedade e tratou da renovação da casa e outros espaços com todo o cuidado e dedicação. A família mudou-se para cá e a ideia foi sendo adiada até ao dia em que nós os quatro (duas filhas do proprietário e os respetivos namorados) resolvemos formar uma sociedade e dedicarmos algum tempo a este projeto. O solar oferece dois quartos duplos, com cama de casal e casas de banho privativas, integrados na casa principal. A mesma propriedade dispõe da Casa do Caseiro, uma casa independente,

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Encontra-se em funcionamento o ano inteiro? Este tipo de alojamento pressupõe uma proximidade muito maior entre os hóspedes e os seus anfitriões, o que lhes possibilita uma maior envolvência no nosso modo de vida, a partilha de experiências e um conhecimento mais profundo do local que visitam, tornando-se uma experiência muito mais enriquecedora. Quais as principais vantagens deste tipo de alojamentos comparativamente aos hotéis, por exemplo? A nossa sugestão passa pela visita a miradouros, como por exemplo o S. Leonardo de Galafura, locais de interesse cultural como a estação arqueológica do Alto da Fonte do Milho, o museu do Douro e a cidade de Lamego, a visita a quintas vitivinícolas e passeios de barco e comboio pela região. Qual o balanço que faz deste investimento? Como perspetiva o futuro? Uma vez que grande parte do investimento já tinha sido feito pelo nosso pai, foi fácil recuperar a parte investida pela nossa empresa, sendo que o turismo se tem vindo a revelar uma experiência muito positiva a vários níveis. Como perspetiva futura pretendemos expandir o empreendimento de forma a poder receber um maior número de visitantes.


www.CasaNSCarmo.com geral@CasaNSCarmo.com

Rua Dr. José Mesquita 203 Fontelas – Peso da Régua T. +351 254090968 / +351 932642512 - 6 Quartos - 3 Villas - Parque privativo - Wi-Fi - Espaço para Reuniões de Empresas - Tours Bicicleta ou Viatura com guia

Um espaço acolhedor que combina o passado com o presente


CRIAR MOMENTOS DE QUALIDADE Roberto, Ricardo, Rudolfo e Rafael são quatro irmãos que deram as mãos para dar corpo a um sonho que começou com os avós, passando pelos pais, mas que o tempo nunca permitiu concretizar. Unidos abraçaram o projeto e criaram a R4 Douro Family, uma empresa produtora de vinhos que possui 150 hectares de vinhas, espalhados por seis quintas na Região do Douro.

R4 DOURO FAMILY

RAFAEL MIRANDA Criada em 2010, a R4 Douro Family é um projeto de quatro irmãos que aprenderam a amar a terra, dedicando-se de corpo e alma à concretização de um sonho que passou de geração. Tudo começou com a Quinta de São Tiago, mas atualmente são seis as quintas que a empresa detém: Quinta da Portela, Quinta de Sequeirós, Quinta de Além Tanha, Quinta do Farfão e Quinta de Travassos. “Em 2010, juntamente com a nossa enóloga, Joana Maçanita, começámos esta aventura de produção de vinhos, começámos com cinco vinhos e hoje temos 13 vinhos, porque fomos criando coisas únicas, especiais, limitadas fruto das várias experiências”, revela Rafael Miranda, sublinhando o entusiasmo e o gosto da enóloga em arriscar e criar coisas novas. “Se olharmos aos últimos cinco anos, selecionámos castas que poucos gostam e muitos não acreditavam e com as experiências que vamos fazendo em ambiente de adega conseguimos alcançar coisas extraordinárias”. Rafael Miranda recorda que este projeto pretende criar valor, marcar a posição da empresa e, acima de tudo, marcar a posição do Douro no mercado como uma região de vinhos de excelente qualidade. Rafael Miranda lembra ainda que a R4 Douro Family não é apenas constituída pelos irmãos, mas sim uma equipa coesa, composta por 20 pessoas, que rema toda para o mesmo lado – o sucesso do projeto.

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No percurso da empresa, primeiro surgiu o Mãos, com três tintos e dois brancos. Em 2012, “alargámos à gama Irmãos, porque fazia sentido tentarmos ter estas duas marcas associadas ligadas à história e espírito familiar”, revela Rafael Miranda, sublinhando que este é um projeto pleno de paixão, dedicação e emoção, porque “para além de produtores de vinho, somos criadores de momentos”. Do rol de produtos, a R4 Douro Family tem ainda um segmento de Mãos Monocastas, com um Códega do Larinho, um Tinta Roriz e um Moscatel Galego, bem como o Mãos Signature que foi lançado no ano passado. “São vinhos que caracterizam o perfil de cada irmão, ou seja cada irmão tem associado a ele uma casta portuguesa que pode ou não ser do Douro e a ideia foi mostrar Portugal para além do Douro. O primeiro Encruzado do Douro é o Mãos Signature Roberto Miranda, o Mãos Signature Rodolfo é o Cercial da Bairrada plantado no Douro, o Mãos Signature Rafael tenta mostrar castas diferentes e o Mãos Signature Ricardo ainda está em fase de experiências”, disse estimando que seja lançado no mercado ainda este ano. A seguir surgem os topos de gama Mãos Reserva Branco e Mãos Reserva Tinto. “Teremos novidades, porque também queremos homenagear os pais e os avós”, revela, salientando que só colocam no mercado os vinhos de gama quando eles merecem, porque querem qualidade acima de tudo. “Começámos com 10 mil garrafas em 2010 e volvidos quatro anos estamos com 70 mil garrafas com um preço médio de venda acima da média”, diz, destacando que hoje em dia, 60 por cento da produção destina-se ao mercado nacional e 40 ao mercado de exportação. Em Portugal, podemos encontrar estes néctares de qualidade um pouco por todo o país, “nas melhores montras, porque perseguimos o segmento da qualidade”. O futuro passa pelo crescimento e consolidação das marcas no mercado e por um projeto de enoturismo, para que os visitantes tenham uma experiência global que lhes permita conhecer todo o circuito desde a uva até à garrafa.


VILA REAL Destacamos agora Vila Real, terra transmontana, terra pra lá do Marão onde já não mandam só os que pra lá estão. Isto porque Vila Real encontra-se aberta ao resto do país, ao mundo, inovadora e dinamizadora em todas as atividades que promove. Quem por lá passa, deseja lá voltar, quem nunca lá foi, deseja lá ir. E é por isso, e por muito mais, que lhe apresentamos em seguida um conjunto de entidades, empresas e instituições desta cidade que tanto tem para contar. Terra de estudantes, não esqueçamos os estudantes, representados nas nossas páginas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Pois são os estudantes, com os seus cânticos que entoam pela cidade, agora no início do ano letivo, que muito dão vida a Vila Real. Mas, começamos pela Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia e, depois, seguimos pelas empresas que em Vila Real fazem a economia rolar, ao ritmo das corridas WTCC lá realizadas. Fique pra ver a francesinha, a posta à Maronesa, o Palácio de Mateus, os vinhos e tanto, tanto mais, nas páginas que se seguem, que se enchem de motivos, razões e “desculpas” para em breve seguir com destino ao “Reino Maravilhoso”. Mostramos-lhe as paisagens, a arquitetura, os monumentos e a gastronomia que tanto caracterizam Vila Real. Mostramos-lhe os vila-realenses. Mostramos-lhe tudo e não lhe escondemos nada!

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O MELHOR DE VILA REAL Em Vila Real, passámos por uma cooperativa que nos explica de que forma é produzida a Carne Maronesa e de que forma as novas regras implementadas pelo Governo prejudicam os agricultores.

COOPERATIVA AGRÍCOLA DE VILA REAL

JOAQUIM COSTA E MARÍLIA OLHERO A entrevista começa por contar que a cooperativa surge em 1966, direcionada para a parte frutícola, mais concretamente para a concentração de maçãs. “Quando surgiram estas denominações de origem protegida (DOPs), tinham que ser dadas a uma entidade que já estivesse presente, então escolheram a Cooperativa Agrícola de Vila Real. Durante uns anos, a cooperativa não assumiu esta parte comercial, mas começou a fazê-la em 1999, altura em que eu entrei. A partir daí, começámos a desenvolver este projeto”, admite, sendo a carne maronesa, atualmente, responsável por mais 80 por cento da faturação da Cooperativa. A Carne Maronesa é uma Denominação de Origem Protegida, que foi criada por regulamento, em 1994, sendo Vila Real o centro da sua zona de produção, abrangem três distritos, nomeada-

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mente o de Vila Real, Porto e Braga. “Na prática, é o distrito de Vila Real e os concelhos à volta”, afirma Joaquim Costa que, quando questionado sobre o modo de produção das carnes, afirmou que “as vacas maronesas são exploradas num modo de produção amigo do ambiente”, e que os seus locais de produção se concentram em Vila Real, Ribeira de Pena, Mondim de Basto e Vila Pouca de Aguiar. “Abrange todo o nosso distrito, exceto na parte vinhateira e a venda dos produtos é feita a nível nacional, maioritariamente para restaurantes da nossa região e no nosso posto de venda, ao público na Cooperativa”. Marília Olhero e Joaquim Costa contaram-nos um pouco da história sobre as escolhas feitas nas suas vidas e o porquê de terem vindo parar a este setor de trabalho. Marília, filha de agricultores, formou-se em engenharia zootécnica, e foi por causa da profissão que os pais levavam, que decidiu seguir esta área. Joaquim Costa, também filho de agricultores, apostou em trabalhar em part-time como agricultor e como criador de vacas maronesas, sendo neste momento considerado um dos maiores produtores que esta cooperativa possui. A escolha desta profissão adveio ao facto de querer ajudar a defender a raça e a preservá-la. O objetivo passa por apostar no desenvolvimento da região, preservando a raça e “apoiando ao máximo os nossos criadores”, admite Marília Olhero, lamentando o facto da região se estar a tornar ‘deserta’. Joaquim Costa, que lida diretamente com os agricultores, garante que os produtores têm que continuar a trabalhar de forma unida. “Esta é uma atividade feita por gosto e por militância”, defende. Sobre a evolução do setor agrícola em Portugal, ambos defendem que o futuro não se avizinha muito promissor. “Vejo-o com muitas reticências, nomeadamente por causa das burocracias que nos estão a impor neste momento. Um agricultor tem que ser um empresário, tem que passar uma fatura, se vende um animal por ano tem que estar coletado. O facto de terem um prazo para comunicar às finanças a venda de um animal acaba por ser uma dor de cabeça para a maioria dos agricultores, que depois terão de consultar um contabilista, gastando mais dinheiro sem necessidade nenhuma. E as pessoas, nomeadamente as mais idosas, estão a abandonar a agricultura porque não se conseguem adaptar às novas regras”. Como forma de finalizar, Joaquim Costa insiste que é preciso preservar e tentar aumentar a raça que faz de Vila Real uma cidade rica em agricultura, garantindo a todos os produtores mais rendimento. Tanto Marília Olhero como Joaquim Costa concordam que a melhor solução para ajudar os agricultores e deste modo ajudar o sector da agricultura seria pôr as burocracias de lado, “simplificar o setor”, comenta Marília Olhero, para que os agricultores não tenham vontade de desistir pelo excesso de burocracias.


PROVAR A VERDADEIRA CARNE MARONESA Estando a Portugal em Destaque a realizar um trabalho em Trás-osMontes, mais propriamente na cidade de Vila Real, não poderíamos deixar de falar da carne Maronesa, tão típica desta região. Foi durante um almoço, no Restaurante O Costa, que comprovámos o sabor único desta vitela e a qualidade dos serviços prestados por este restaurante. RESTAURANTE GRILL O COSTA

JOAQUIM COSTA “Esta é, provavelmente, a melhor carne do Mundo”. É desta forma bem-disposta que Joaquim Costa, proprietário do Restaurante Grill O Costa define a carne de vitela Maronesa DOP, da qual é representante oficial há mais de 15 anos. Inaugurado em 1994, o Restaurante Costa nasceu com o objetivo de levar aos seus clientes os melhores produtos de Trás-

os-Montes e Alto Douro. “Estive ligado ao apoio à produção agrícola regional durante mais de 30 anos. Com a reforma da função pública nasceu a ideia de transformá-los, acrescentando valor e fazendo-os chegar à mesa”, explicou. A ligação ao Agrupamento de Produtores de Carne Maronesa foi estabelecida na edição de 1999 do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém, a partir do qual passou a ser fornecido em regime de exclusividade. Desde essa altura representa não só a vitela Maronesa mas a gastronomia transmontana em inúmeras feiras gastronómicas e agrícolas, que se realizam de norte a sul do país e mesmo no estrangeiro. “É uma carne de excelente qualidade e quando é bem preparada garante não só grelhados incomparáveis mas também outros pratos cozinhados, como a caldeira e o chambão assado no forno”, sublinhou Joaquim Costa lembrando que os animais são ainda hoje criados nas aldeias das serras do Marão e Alvão e segundo os métodos ancestrais, o que garante a manutenção das características da carne Maronesa. O entusiasmo do empresário em relação a esta carne levou-o mesmo a apostar na sua utilização para o lançamento de uma alheira com marca própria, a “Alheira do Costa”. “Faço questão de utilizar não só a vitela Maronesa na sua confeção mas também carnes de porco selecionadas, azeite virgem extra transmontano e pão regional”, garantiu. Localizado em Vila Real, o espaço do “Costa” tem 120 lugares divididos por três salas, onde os clientes podem encontrar não só pratos de vitela mas também outras iguarias transmontas, das quais se destacam, por exemplo, os filetes de polvo com arroz malandrinho ou as mãozinhas de vitela Maronesa com grão-de-bico. A paixão pela cozinha e a experiência de vida em Moçambique levaram ainda Joaquim Costa a apostar nos pratos de maris-

co, com destaque para o Caril de Gambas, que hoje é apreciado por muitos, “mesmo aqueles que diziam não gostar de caril”. Sempre atento à necessidade dos seus clientes, e por forma a cativar cada vez mais pessoas, O Costa procede à introdução de novos produtos, campanhas e promoções regularmente: “Por exemplo, nas próximas duas semanas quem vier cá jantar vai ter uma surpresa, vai receber um mimo. Essas coisas marcam as pessoas”, explicou. Confiante no futuro da região, Joaquim Costa ‘veste a camisola’ do concelho e de Trás-os-Montes e garante que a entrada em funcionamento do Túnel do Marão veio dar um novo ânimo a um território que antes estava muito isolado. Em reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido ao nível da promoção da gastronomia transmontana, em especial da vitela Maronesa DOP, o Restaurante Grill O Costa recebeu, em julho de 2012, a Medalha de Prata de Mérito Municipal atribuída pela Câmara de Vila Real.

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HÁ MAIS DE 90 ANOS A SERVIR VILA REAL! Num separador dedicado ao concelho de Vila Real torna-se imprescindível a presença da muito conceituada Pastelaria Gomes. Com 91 anos de existência conta já com quatro espaços abertos ao público, todos na cidade de Vila Real, e é pelas palavras do atual administrador, Cid Gomes, que agora lhe apresentamos a pastelaria transmontana mais conhecida do país e do mundo.

PASTELARIA GOMES

Formado em Economia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o nosso entrevistado seguiu as pisadas do pai ao assumir a gerência deste negócio familiar e recordou, em conversa com a Portugal em Destaque, o início desta tão conceituada casa: “Foi fundada pelos meus avós que vieram aqui iniciar o seu projeto de vida, profissional e pessoal. Esta era a cidade com mais potencial na região e foi essa a razão pela qual eles decidiram instalar-se aqui”, começou por revelar. Dono de um espírito crítico inconfundível, Cid Gomes caracterizou o trabalho realizado pelo seu pai (ainda no ativo na gestão da empresa): “O meu pai foi o único filho que ficou ligado ao negócio e fez um trabalho magnífico porque transportou a empresa através da sua geração, com muito potencial”, confidenciou, explicando a importância que a identidade da Pastelaria Gomes assume para a família e para a cidade de Vila Real: “A empresa metamorfoseou-se através do tempo. Começou por ser a Casa Gomes, uma mercearia fina na qual se fazia toda a culinária regional, na altura de origem conventual. Depois do 25 de abril, por exemplo, esta casa foi uma casa de distribuição de leite, que pela escassez era uma necessidade básica. Nos anos 90 foram abertos outros pontos de venda, dedicados à pastelaria e cafetaria, no que resultou em mais três casas espalhadas pela cidade. A Pastelaria Gomes faz parte da cultura de Vila Real e eu penso que o covilhete é o segundo produto mais conhecido da cidade, logo a seguir ao Palácio de Mateus, rótulo do vinho Mateus Rosé”. O covilhete e os pastéis toucinho-do-céu formam a dupla ex-libris da casa, mas a estes juntam-se também a bola de carne e o folar que são igualmente bem criticados. Questionado sobre o segredo que está por detrás do sabor destes pastéis, o nosso entrevistado explicou: “O nosso rei de vendas é o covilhete, que é uma empada à qual foi dado o nome da forma em que é feito. A receita original da empada que dá origem ao covilhete não se consegue situar no tempo nem no espaço porque existia este tipo de produto um pouco por todo o lado, na Península Ibérica e na Europa. A minha avó recriou a empada e teve a plena e perfeita consciência daquilo que é o papel de cada geração uma vez que soube que tinha que incrementar qualquer coisa. Quando me dizem que têm a receita original do covilhete eu pergunto, de que geração? Porque cada 90 | PORTUGAL EM DESTAQUE

geração recriou a sua”, disse o economista que aproveitou para acrescentar: “O conceito de uma receita tradicional é uma fórmula culinária que passa de geração em geração num contínuo interminável e em que cada geração faz incrementos, resultantes do seu espírito crítico e das suas limitações”. Já no que concerne ao segredo da casa, reconhecida um pouco por todo o mundo, Cid Gomes foi perentório: “O segredo está no trabalho e na honestidade. Gostamos de trabalhar o mais honestamente possível. Na cafetaria e para as torradas só usamos manteiga e só usamos leite de saco, pasteurizado. Fazemos o receituário com a modernidade que é possível, isto é, aquilo que a Pastelaria Gomes compra é exatamente o que toda a gente tem nas suas despensas. Damos o melhor de nós próprios para que as pessoas sintam que o nosso produto é realmente diferente”, garantiu o gerente da Pastelaria Gomes. O futuro prevê-se risonho mas ainda não se encontra definido uma vez que a principal preocupação do administrador da Pastelaria Gomes é a atualidade e, talvez por isso, esteja afastada a possibilidade de alargamento do negócio a outras zonas do país: “Não quero ter uma visão mercantilista, o covilhete da Pastelaria Gomes é definido como um produto de Vila Real. Experienciar o covilhete é experimentar Vila Real e o próprio conceito dá-nos a resposta, o covilhete é de Vila Real e se for vendido no Porto já não é igual. A


globalização tira características originais aos produtos”, concluiu. Ainda em entrevista, Cid Gomes contou à Portugal em Destaque que toda a equipa da Pastelaria Gomes, que afirma ter herdado dos seus antepassados, foi formada na própria pastelaria e que um dos segredos está na capacidade de se admitir: “Isto não está bom, faça-se outra vez”. As exigências atuais do mercado assim obrigam: “Todos os dias o espírito crítico dos clientes cresce e isso obriga-nos a ser tanto pró-ativos como reativos. A exigência atual dos clientes também molda a Pastelaria Gomes e temos que saber

acompanhar estas exigências e a metamorfose do espírito crítico dos nossos clientes”. “Tradição, Cultura e Vila Real” foram as palavras utilizadas por Cid Gomes para descrever a Pastelaria Gomes, situada na cidade que constitui, nas palavras do nosso interlocutor: “Um ótimo berçário de pessoas. É um sítio fantástico para se crescer, longe da violência urbana complicadíssima que existe nas grandes cidades”, finalizou o representante da tradicional e conceituada Pastelaria Gomes, o local onde o covilhete é o principal anfitrião.

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ESCOLHA AQUI O SEU AUTOMÓVEL Z. Sousa & Camilo, Lda., é o nome da empresa que a Portugal em Destaque visitou no seu trabalho realizado no concelho de Vila Real. Representante das marcas Citroen e Mazda, esta entidade tem a sua sede em Vila Real (na zona industrial de Constantim) e uma concessão com instalações integradas, também, em Bragança. Por forma a conhecermos um pouco mais sobre esta empresa do ramo automóvel, estivemos à conversa com Emanuel José Camilo, sócio-gerente, que nos explicou a história da empresa bem como os próximos desígnios a cumprir.

Z. SOUSA & CAMILO, LDA

A génese da Z. Sousa & Camilo, Lda. remonta a 1968 com a fundação de uma pequena unidade de negócios no setor automóvel em Vila Real, tendo mantido desde essa data uma relação estreita com a marca Citroen que foi, aliás, a sua primeira e única marca representada até 2010, ano em que começou a comercializar também automóveis Mazda. A empresa, de cariz marcadamente familiar, baseia a sua gestão e estratégia de desenvolvimento na vasta experiência e conhecimento do setor automóvel nacional do seu fundador, António Camilo e, desde a década de 90, com contributo dos seus filhos Emanuel Camilo e António José Camilo altura em que terminaram a sua formação académica superior. Uma gestão eficiente baseada numa racionalidade económica e de mercado assente em valores de responsabilidade sociais e ambientais, com consciência plena da importância da empresa no pequeno mercado em que se insere, foram as caraterísticas apanágio da gestão do seu fundador António Camilo e oportunamente seguidas pelos seus filhos na orientação dos desígnios da empresa. A Z. Sousa & Camilo, Lda. é também uma importante referência no mercado dos automóveis usados, uma vez que sempre apostou nesse negócio oferecendo usados multimarca de elevada qualidade com garantia, capitalizando assim, uma experiência e um know how acumulado de

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ANTÓNIO CAMILO

EMANUEL JOSÉ CAMILO

quase cinco décadas. A 20 de julho do corrente ano o Município de Vila Real, nas comemorações do 91º aniversário da elevação de Vila Real à condição de cidade, atribuiu à Z. Sousa & Camilo, Lda. a Medalha de Ouro de Mérito Municipal como reconhecimento do seu contributo económico e social na região.

juvenescido e com muita evolução, quer na qualidade de construção, quer nas experiências de condução proporcionadas a clientes que experimentem uma viatura da marca”, aclarou. A gerência não deixa de fazer uma referência de agradecimento aos profissionais que constituem a organização. Foi com eles que a empresa construiu a sua história e é com eles que pretende construir o futuro. Contando com uma equipa constituída por 31 elementos, Emanuel Camilo garantiu que 48 anos de experiência no ramo automóvel, persistência, empenho e muita dedicação constituem os ingredientes diferenciadores da sua empresa bem como o segredo do seu sucesso. E, para o futuro, pretende: “Lutar pela perenidade do nosso negócio nos mesmos moldes que tem sido feito até aqui, priorizando a qualidade de serviço, a confiança e transparência”, finalizou.

A Mazda também em Bragança Sendo concessionário, atualmente, apenas da marca Citroen, as instalações localizadas em Bragança irão, ainda este ano, representar, também, a Mazda. As expetativas são positivas e os motivos são inúmeros: “Já temos uma concessão em Bragança, vamos é relançar a marca Mazda, de que já somos concessionários em Vila Real. As expetativas são muito boas porque a Mazda está com uma merecida progressão no mercado fruto de um produto muito re-


COVILHÃ E FUNDÃO No distrito de Castelo Branco encontramos estas duas cidades que pela sua localização são detentoras de uma paisagem única e sublime. Por um lado temos a Covilhã, localizada no coração da Serra da Estrela a 700 metros de altitude e voltada a Nascente, que se enquadra perfeitamente num incrível cenário montanhoso de cortar a respiração e que é o seu principal atributo. A Universidade a par da indústria dos lacticínios, ajudam a moldar o seu perfil histórico e social que nos mostra uma forte epressão na tradição industrial ao mesmo tempo que soube acompanhar a modernidade dos sinais do tempo. Há hoje, mais do que nunca, a necessidade de lançar um novo olhar sobre a cidade com a recuperação do património industrial da arquitetura da cidade. Por outro temos o Fundão, a terra das cerejas, em plena Cova da Beira onde encontramos um concelho ativo que aposta no turismo e recebe os seus visitantes de braços abertos. Sendo a cereja a jóia maior da coroa, é nos meses de maio a junho que a cidade ganha novas cores e contornos, levando milhares de pessoas a visitarem a sua paisagem pintada de vermelho, mas não é a única razão que nos leva lá. A gastronomia, as caminhadas pelas serras, as aldeias históricas e as festas da terra mostram o outro lado desta cidade que ainda tem tanto por descobrir e que tem desenvolvido esforços no sentido de atrair cada vez mais pessoas, melhorando o seu turismo e apostando na promoção das coisas da terra.

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EXCELÊNCIA NA ÁREA DOS LUBRIFICANTES Fundada em 1984 por dois sócios, a Maia & Marques dedica-se à comercialização e distribuição de lubrificantes, máquinas e ferramentas para as mais variadas indústrias. Com sede no Fundão, a empresa prima pela qualidade dos seus produtos e serviços e pelo uso das mais prestigiadas marcas existentes no mercado. Em entrevista à Portugal em Destaque, Ricardo Maia, gestor financeiro e filho de um dos fundadores da empresa, dá-nos a conhecer os projetos desenvolvidos ao longo dos anos, bem como algumas perspetivas de investimento para o setor.

MAIA & MARQUES

0 ANOS DEDICADOS ISSIONAL, SEMPRE COM AS RES MARCAS DO MERCADO

OS NA ZONA INDUSTRIAL DO FUNDÃO

Como é que surge a Maia & Marques e que tipo de serviços prestam atualmente? A sociedade foi constituída em 1984 e começou por prestar serviços na área da serralharia mecânica, serviços esses que ainda hoje prestamos. Por motivos de saúde, o meu pai viu-se “obrigado” a dedicar-se exclusivamente à parte das vendas. Começou por abrir uma loja relativamente pequena, dedicada à comercialização de produtos que íam de encontro às necessidades existentes na área da serralharia. A empresa foi evoluindo e ao longo dos anos, fruto do desenvolvimento económico do país, foi aumentando a sua área de exposição e de vendas. A empresa sempre trabalhou em parceria com a ESSO Portuguesa, hoje a maior companhia petrolífera do mundo, ExxonMobil. A política da companhia levou-nos a explorar novas áreas geográficas, deixando de abranger exclusivamente o distrito de Castelo Branco, para passar a abranger distritos como Guarda, Santarém, Portalegre, Évora e parte de Beja. Hoje atuamos em várias áreas de negócio relacionadas com os lubrificantes, sendo este o nosso core-business, desde a área automóvel à construção civil e obras públicas, bem como à agricultura e transportes. Como é que a vossa empresa se posiciona no mercado e de que forma é que tem contribuído para o desenvolvimento econó94 | PORTUGAL EM DESTAQUE

mico da região? A nossa aposta sempre foi comercializar produtos de qualidade, desde os lubrificantes às máquinas e ferramentas. Comercializamos sempre marcas que o mercado reconhece. Se em tempos detivemos alguns produtos para bricolage e consumo, hoje em dia estamos completamente dedicados ao setor profissional. Estar em sintonia com as necessidades do mercado e dos nossos clientes sempre foi uma das nossas principais preocupações. Ao nível do contributo, tentamos ser uma empresa sustentável. Temos 16 pessoas a trabalhar connosco, o que significa que temos contribuído de algum modo para o desenvolvimento da economia local. Quais os maiores desafios que este setor enfrenta atualmente? No nosso caso em concreto, o grande desafio está diretamente relacionado com a necessidade que os automóveis terão, ou não, no futuro, no que diz respeito ao uso dos lubrificantes. As outras indústrias como a transformadora, obras públicas e exploração mineira, irão muito provavelmente continuar a consumir lubrificantes, mas a indústria automóvel é uma área que nos preocupa. Com o avanço da tecnologia, a médio prazo o consumo de lubrificantes para este setor estará condenado. É nesse sentido que temos discutido as estratégias a adotar para tentar contornar esta previsível diminuição de faturação neste setor. Como perspetivam o futuro? Queremos continuar a crescer. Hoje já estamos presentes em vários distritos e queremos consolidar e aumentar a presença nesses locais. Queremos continuar a ganhar quota de mercado no comércio de lubrificantes nas regiões onde estamos presentes. Nas outras áreas de negócio queremos que o mercado nos reconheça a especialização que estamos a realizar no comércio de soluções para a indústria, sempre com as melhores marcas do mercado.

30 ANOS DEDICADOS AO PROFISSIONAL, SEMPRE COM AS MELHORES MARCAS DO MERCADO

VISITA-NOS NA ZONA INDUSTRIAL DO FUNDÃO


“UMA CAIXA QUE SE SITUA ENTRE AS MELHORES DO PAÍS” Enquanto outras instituições vivem inúmeras dificuldades, o CA está a constituir-se cada vez mais como o banco de refúgio dos portugueses, pela proximidade e confiança depositadas ao longo dos anos. Na presença de Hélder Fernando de Oliveira e Carlos Lopes, membros da administração, a Portugal em Destaque esteve à conversa com o Presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Região do Fundão e Sabugal, Marques Francisco, que nos deu a conhecer a sua perspectiva sobre a crise que o sector bancário atravessa e as estratégias que têm vindo a ser utilizadas para manter uma boa gestão da instituição.

CRÉDITO AGRÍCOLA

dita. Qual é a sua opinião sobre esta fase que o sector bancário atravessa? Esta Caixa Agrícola em geral nunca se meteu em grandes aventuras, a gestão sempre foi muito conservadora e regemo-nos muito pelo princípio da boa distribuição do risco. Esta turbulência da banca deve-se essencialmente a uma excessiva exposição ao sector imobiliário, que nunca foi uma das nossas grandes apostas. Nunca nos expusemos muito ao crédito de habitação, ao contrário dos outros bancos. Atravessamos assim a crise com esforço e dificuldades mas sem pôr em causa a saúde financeira desta casa. Por onde passa o futuro da Caixa De Crédito Agrícola Mútuo Da Região Do Fundão E Sabugal? Essencialmente por aquilo que temos vindo a desenvolver, estando atentos ao mercado e a todos os sectores de atividade. Nesta fase é preciso ter alguns cuidados na análise do risco. A banca não atravessa bons momentos mas estas situações por outro lado podem significar um “abrir de portas” para novas oportunidades e vamos aproveitando da melhor forma possível, com a conquista de novos clientes e na fidelização daqueles que o são. Gostaria de deixar alguma mensagem a todos os associados e clientes? Que podem continuar a contar connosco assim como nós contamos com eles. A Caixa estará sempre ao lado dos seus clientes e dos seus investimentos.

Quantos balcões têm atualmente? Neste momento temos nove balcões distribuídos pelos concelhos de Fundão; Covilhã; Belmonte; Sabugal; Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo. A Caixa mantém uma relação de proximidade muito grande com todos os seus clientes e associados. Como é que avalia o papel da Caixa na região? A confiança e a proximidade que existem entre a instituição e as pessoas é fundamental. Somos conhecedores da pessoa e do negócio e esta relação de proximidade diferencia-nos da restante banca. Conseguimos assim prestar um melhor serviço aos nossos clientes, estando com eles nos bons e nos maus momentos. Para além da agricultura, o resto da carteira de crédito está exposto a mais algum sector em particular? Apesar da agricultura ser uma fileira importante para a instituição, hoje as áreas de negócio estendem-se a todos os sectores. Atualmente é já considerável o volume de negócios que temos em entidades que nada têm a ver com o sector agrícola. Com os recursos disponíveis, temos tentado abranger um leque de atividades distintas que existem na região e é desta forma que queremos continuar a trabalhar. A Banca Portuguesa está a atravessar uma turbulência inauPORTUGAL EM DESTAQUE | 95


PATRIMÓNIO HISTÓRICO E ÍMPAR NUM LOCAL BELO E PACÍFICO Considerada como uma das aldeias históricas do nosso país, a Business Portugal foi conhecer a freguesia de Sortelha, concelho de Sabugal. A Presidente da Junta de Freguesia Fernanda Esteves deu-nos as boas-vindas e partilhou connosco a realidade de uma das mais belas e antigas povoações do nosso País, cuja paisagem pouco se alterou nos últimos 500 anos.

JUNTA DE FREGUESIA DE SORTELHA

trabalho, não só de mim, mas também dos colegas da autarquia. Temos feito o nosso trabalho sempre de acordo com as prioridades dos habitantes. Devido à demografia e ao extenso património histórico, existe uma exigência constante de manutenção de muitas áreas, lugares e caminhos, não sendo fácil atender a tudo, mesmo com o esforço e empenho da autarquia. Como é viver em Sortelha. Sendo um local pacífico, é bom viver em Sortelha, mas falta investimento que ajude a fixar mais população. O património histórico é vasto e de fácil visita por quem é ou simplesmente passa pela freguesia. Sortelha tem uma enorme tradição e história, mas também tem uma fantástica gastronomia e é local privilegiado para organização de eventos.

Uma breve apresentação da freguesia É uma freguesia do concelho de Sabugal, classificada como Aldeia histórica de Portugal, sendo constituída pela sede de freguesia e cinco anexas (Azenha, Caldeirinhas, Dirão-da-Rua, Quarta Feira e Ribeira da Nave). A população tem vindo a diminuir devido ao seu envelhecimento e alguma emigração. Infelizmente são poucos os jovens que se fixam na freguesia, mas ainda restam alguns. A Presidente Fernanda Esteves também se debruça sobre o seu segundo mandato e a sua motivação Fui secretária da Junta de Freguesia no mandato anterior a 2009, ano em que começou o meu primeiro mandato como presidente de junta. Embora filha de emigrantes, regressámos quanto tinha 5 anos e a família fixou-se cá, terra da minha mãe. É uma responsabilidade que assumo com gosto, mas que exige entrega e muito 96 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Pegando nesse ponto, explorámos a temática dos eventos na freguesia Embora sejamos uma freguesia pequena, contamos com cinco associações locais que estimulam a atividade da freguesia ao longo do ano: caminhadas, reviver tradições como a Ceifa e Malha à moda antiga, a matança tradicional do porco, magusto tradicional, os jogos tradicionais, festival de folclore de Sortelha, mostra de doces e compotas, recriações teatrais (históricas, lendas, bíblicas) entre outras… As festas religiosas fazem também parte das nossas vivências e tradições, a festa de Santo Antão (na segunda feira de pascoela) e outras festas no mês de Agosto são provas disto mesmo. Temos também a Feira Medieval “Muralhas com História” em Setembro, organização da Câmara Municipal de Sabugal e Associação das Aldeias Históricas de Portugal, evento este que contou este ano com a 6ª edição, tendo-se revelado um acontecimento com enorme sucesso quer a nível de animação medieval como também na afluência de participantes e visitantes. A população envolve-se bastante e adere aos eventos e iniciativas da autarquia (Junta de Freguesia e Município do Sabugal) e das Associações. Com um potencial turístico relevante, a freguesia conta com


vários pontos históricos de visita obrigatórios. Quem passa por Sortelha não pode deixar de visitar o interior das muralhas e o Castelo, o ‘ex libris’ da freguesia. Além disso existem as sepulturas romanas e o Pelourinho, bem como o património das diversas Casas Senhorias. Também são várias as igrejas/capelas antigas construídas na freguesia, como a Igreja Matriz e Igreja de Santa Rita que se encontra em ruínas. Além disso, a paisagem à nossa volta é magnífica. Deste ponto mais alto conseguimos ver as cidades da Covilhã, Castelo Branco, Fundão e Guarda, bem como a Serra da Estrela, ou Cáceres, Espanha. Temos património histórico e belo dentro e fora das muralhas. Fernanda Esteves destaca a atracção do investimento e de população jovem como as principais dificuldades. É fundamental atrair mais apoios e investimentos para que a população se rejuvenesça. Sortelha é um nome e um lugar divulgado, mas é definitivamente necessário colocá-la no mapa. Retive uma frase de alguém que visitou a freguesia que dizia “é uma pena Sortelha não estar mais perto do litoral’. Julgo que é uma frase que é sintomática e sublinha as dificuldades que a região sente nestes campos. A Presidente da Junta olha para o futuro com o foco sobre esse mesmo potencial. Qualquer freguesia gostaria de ter mais meios para conseguir fazer mais. Temos o problema da falta de investimento na freguesia. Existem muitas casas, na zona histórica, que estão abandonadas, muitas sem proprietário conhecido, onde até há interesse em investir para restaurar e fomentar mais o turismo rural, o comércio, o artesanato e a restauração. Fernandes Esteves aproveita também esta oportunidade para estender um convite a todos que ainda não visitaram Sortelha. Sortelha é das aldeias mais bonitas de Portugal, reconhecida por inúmeras publicações, sites ou blogs sobre a temática. Quem sabe até do mundo. Temos um património singular, bem como uma magia e uma energia única, que nos esforçamos por manter e agradar a todos os habitantes e visitantes. PORTUGAL EM DESTAQUE | 97


ESPECIALISTA EM PNEUS E MANUTENÇÃO AUTOMÓVEL Fundada em 1976, a Covipneus é uma empresa que se especializou no comércio de pneus, oferecendo um vasto leque de serviços complementares, englobados na área de assistência e manutenção de viaturas. Com quatro décadas de história, dispõe de uma equipa de profissionais qualificados e equipamento com tecnologia de ponta para responder às necessidades mais exigentes dos seus clientes. Em entrevista à Portugal em Destaque, Jorge Faia, Carlos Leitão e José Maria Santos, os três atuais proprietários da marca, falam-nos das ofertas disponíveis, das dificuldades sentidas nesta área e ainda de perspetivas futuras. COVIPNEUS

A empresa instalou-se na Covilhã em 1976, dedicando-se exclusivamente ao comércio a retalho de pneus novos e recauchutados, e respetiva assistência técnica, onde permaneceu até 1986, altura em que foi criada uma filial no Fundão. Em 1996 encerrou-se a loja da Covilhã e transferiu-se a sede para o Fundão. Em 2001, estendeu-se para a Guarda e recentemente chegou a Castelo Branco, com cerca de 50 colaboradores, é considerada uma empresa de referência no setor em toda a Beira Interior. Há 40 anos atrás, o negócio da Covipneus era simplesmente o dos pneus, hoje fruto da evolução do mercado e das necessidades do cliente, a Covipneus diversificou os seus serviços ligados diretamente ao automóvel. Passou a incluir a mecânica rápida, e neste momento já se faz tudo o que é mecânica mais aprofundada. O objetivo é prestar ao cliente toda a comodidade possível, facultando o máximo de serviços num só lugar. 98 | PORTUGAL EM DESTAQUE

Em termos de mecânica automóvel, a Covipneus, nos seus três postos, põe ao dispor do cliente serviços tais como revisões periódicas, reparação dos órgãos de suspensão, substituição de correias de distribuição e recentemente reparação de motores, substituição de baterias, serviços de travagem, serviço de faróis e reciclagem e carregamento de ar condicionado. Estes serviços de manutenção estão confinados ao automóvel porque foi aqui que se especializaram, mas quando falamos de pneus, a abrangência da sua atividade consegue ser ainda maior. É que para além dos ligeiros e comerciais, a Covipneus comercializa também para veículos pesados de passageiros ou mercadorias, para os transportes industriais e agrícolas. Nas três casas dispõem também de uma área destinada à venda de componentes e acessórios para os automóveis. Pelo 12º ano consecutivo a Covipneus é acreditada com o ‘Certificado de Qualidade Michelin’. “Com o passar dos anos fomo-nos especializando, existe um série de parâmetros a cumprir todos os anos e os níveis de exigência são cada vez mais elevados. Acaba por ser um percurso engraçado porque sem darmos conta, ao fazer sempre as coisas bem, estamos a caminhar no sentido mais correto para nós”, referem os empresários. Hoje, a Covipneus, além da parceria que tem com o grupo Michelin, trabalha igualmente em estreita colaboração com outros grandes grupos de pneus, nomeadamente com os grupos Continental, Goodyear e Bridgestone. Segundo os entrevistados, “estas parcerias são fundamentais porque desta forma conseguimos oferecer um serviço mais completo a todos os clientes. Estas marcas têm desde o produto premium ao produto budget”. A empresa sempre acompanhou a modernização tecnológica em todos os seus departamentos e serviços, respondendo desta forma às


exigências do mercado, focalizando toda a sua atividade para a plena satisfação das necessidades dos seus clientes. “Tentamos ter sempre equipamentos de vanguarda. A rapidez e eficiência no atendimento são fatores que valorizamos muito”, confessam os empresários, lamentando a deflação de preços visível no setor a nível nacional. “Há cada vez mais operadores no mercado mas temos que aprender a lidar com isso e a distinguirmo-nos pela qualidade dos nossos serviços”. Ao nível das formações, são as próprias marcas que se encarregam de as dinamizar. “Os nossos colaboradores têm formações constantes e mesmo quando não são as marcas a oferecer, recorremos habitualmente a outras entidades para ter formações a vários níveis, como é o caso dos alinhamentos, da mecânica, enfim todas elas são bem-vindas. Queremos com isto incutir nos nossos colaboradores dinamismo e sobretudo qualidade no serviço e é assim que temos evoluído no bom sentido”, acrescentam. Futuramente, o objetivo da Covipneus passa por manter-se ”ativa” no mercado em que atua. “Para já estamos focados na consolidação do negócio. Este ano abrimos uma nova filial, em Castelo Branco, e é difícil conciliar tudo”, concluem os empresários, assegurando que o compromisso será de atrair novos clientes e fidelizar os atuais.

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PELA EXCELÊNCIA NOS CUIDADOS DOS ANIMAIS Nascida em 2002 na Covilhã, a clínica MyVetCare é especializada nos cuidados para animais de companhia. Mónica Andrade, diretora do espaço e médica veterinária, falou à nossa revista sobre os principais serviços da clínica e sobre o estado atual dos cuidados de saúde dos animais.

MY VETCARE

MÓNICA ANDRADE (DIR.) E FUNCIONÁRIA Foi há sensivelmente 14 anos que Mónica Andrade deixou para trás Lisboa e se mudou para a Covilhã, por questões profissionais. Médica veterinária licenciada em Lisboa, com vários anos de experiência e especialização nos cuidados de animais de pequeno porte, Mónica Andrade iniciou a clínica MyVetCare após identificar este espaço nicho de mercado na Covilhã, como nos conta a própria. “Optámos por montar uma clínica porque achamos que a Covilhã, em termos de mercado, tinha um potencial futuro na área da veterinária. Daí para cá temos vindo a crescer e em 2009 mudamos de instalações para um local maior”. A opção pela veterinária e pela especialização no tratamento de animais de companhia foi, nas palavras da própria, tomada por vocação e por gosto. “Escolhi esta área porque sempre gostei muito de animais, é uma paixão desde pequena. A opção pelo tratamento dos pequenos animais aconteceu por esta ser uma das minhas áreas preferidas e porque acho que cada vez mais nos temos que especializar para nos dedicarmos a 100 por cento”, de tal forma que fez um estágio em Madrid, em medicina de animais exóticos e uma pós-graduação em medicina de urgência em animais de companhia. Foi desse gosto que fundou a MyVetCare, clínica que conta com quatro pessoas na equipa e que se encontra de portas abertas para dar o apoio necessário à população da cidade.

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Cuidados e acompanhamento A clínica encontra-se equipada para prestar os cuidados necessários a nível de atendimento geral de animais de companhia. Para além disto, Mónica Andrade e a sua equipa ajudam também a direcionar os casos mais complexos. “Fazemos a parte de clínica geral, consultas de especialidade quando preciso, exames como raio-X e ecografias e também a parte cirúrgica. Dentro do leque geral prestamos todos os serviços. Quando é preciso alguma coisa mais específica, que exige uma especialidade concreta, encaminhamos para centros de referência como Porto e Lisboa”, explica a responsável. Para além deste trabalho de atendimento, a clínica dá apoio também em casos de animais em situações de risco, através de uma parceria com a associação Instinto. Contente com o trabalho desenvolvido, a nossa interlocutora faz um balanço positivo do percurso da clínica e da evolução do setor veterinário. “Acho que é um setor em crescimento, apesar das crises e de outras desculpas que possam existir. Existem períodos de altos e baixos durante um ano, mas acho que de uma maneira geral tem-se vindo a ver um aumento da preocupação com o bem-estar do animal e consegue-se fazer alguma prevenção. Já é possível sensibilizar as pessoas para outro tipo de situações, o que há 10 anos atrás não era feito, era só mesmo o mínimo indispensável”, refere. Cuidados indispensáveis A generalidade dos animais tratados na MyVetCare tem, nas palavras da sua diretora, os cuidados básicos assegurados. Mónica Andrade considera que já existe uma maior preocupação dos donos dos animais em assegurar os cuidados de vacinação e de profilaxia, sendo raros os casos de negligência. A clínica enumera alguns cuidados básicos que devem ser mantidos pelos tutores de animais de companhia para assegurar uma vida saudável ao


seu amigo. “Deve-se fazer uma visita anual ao veterinário, para vacinação ou para check-up geral e fazer a desparasitação interna pelo menos duas vezes por ano, obrigatoriamente. Depois temos a parte dos parasitas externos, que convém ter cuidado e fazer essa prevenção, mesmo que não seja um animal que vá à rua. A leishmaniose é uma doença muito endémica para o qual procuramos alertar os nossos clientes”. Esta mudança de mentalidades na sociedade portuguesa, no que toca aos animais, está a ser acompanhada também por uma mudança legislativa, que apesar de valorizada, não acontece ainda com a rapidez e exatidão necessária, na opinião da diretora da MyVetCare. “Acho que ainda há muito a fazer. A lei até pode funcionar e temos tido aqui casos, em conjunto com a associação, em que chegamos a vias de facto, mas demora ainda muito tempo”. Projetos de expansão No futuro, Mónica Andrade gostaria de abrir outro espaço, que proporcionasse serviços de acompanhamento e treino para animais de companhia, área que considera estar ainda descurada na zona. “Eu gostava de conseguir um espaço para fazer um hotel canil. Um espaço físico com outro tipo de serviços, nomeadamente com treino de cães, já que cada vez há mais problemas comportamentais nos animais”, explica. Questões comportamentais essas que são criadas, na opinião da médica veterinária, pelo ritmo de vida atual e pelo tratamento que as pessoas muitas vezes dão aos seus animais. “O que gera estes comportamentos é que as pessoas não podem tratar os animais como pessoas, por muito que gostem deles. E depois um animal que passe muito tempo sozinho, das 8:00 da manhã as 8:00 da noite, é óbvio que tem que ter um comportamento desviado. E as pessoas às vezes não sabem lidar com isso”, finaliza.

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“O CENTRO HÍPICO É UMA FAMÍLIA” Fundado em 1996, o Picadeiro Tavares não só tem uma longa tradição mas também a experiência de muitos anos ligados ao mundo equestre. Localizado nas Quintas de S. José, próximo da aldeia de Joanes, no Fundão, a escola abrange as várias vertentes de trabalho, ensino e obstáculos, sendo também destinada à vertente social e ao lazer, proporcionando grandes momentos de convívio e bem-estar a todos os seus alunos. A Portugal em Destaque esteve à conversa com José Ramos, proprietário do Picadeiro Tavares, que nos deu a conhecer as ofertas disponíveis e as perspetivas para o futuro do seu negócio.

PICADEIRO TAVARES

JOSÉ RAMOS Com formação da Federação Equestre Portuguesa e com uma grande aptidão para esta arte, o entrevistado resolve abrir a primeira escola em 1996, com o objetivo de responder às necessidades existentes na região. Ao longo dos anos, foram passando por vários locais, nomeadamente Alcains, Aldeia de Joanes, Castelo Novo, Zebras e Donas, ocupando atualmente lugar nas Quintas de S. José. Segundo o empresário, este local reúne agora todas as condições para a prática do hipismo. “Aqui temos melhores condições para os alunos e para os cavalos”, admite. Atualmente, a escola possui 24 cavalos usados nas aulas de equitação, e conta já com cerca de 52 alunos inscritos. A mensalidade inclui cerca de sete aulas e tem um custo de 80 euros, contudo, José Ramos faz questão de salientar que “todos os alunos são bem-vindos independentemente do seu poder financeiro. Se alguém chegar aqui com dificuldades financeiras, faço questão de os ter cá na mesma. O centro hípico é uma família e acho que toda a gente devia montar a cavalo.” A dedicação e empenho daquele que é o 102 | PORTUGAL EM DESTAQUE

único professor da escola equestre, visam formar praticantes do hipismo, a arte de montar a cavalo, que compreende várias práticas desportivas que envolvam o animal. Satisfeito com os resultados obtidos, José Ramos tem formado praticantes com vista à participação em competições olímpicas, e orgulha-se de ter conseguido fazer deste picadeiro “um pólo da federação”, salientando que “todos os picadeiros têm que estar federados, e como o meu já estava federado há algum tempo, resolvi desafiar a federação a dar formação de grau I e grau II. O primeiro curso de grau I já se realizou este ano e, brevemente, irá decorrer o segundo”. Quando questionado sobre a idade ideal para começar a montar a cavalo, o empresário explica que o aprendiz deverá ter uma idade compreendida entre os cinco e os seis anos, admitindo que “esta prática pode ser iniciada em praticamente qualquer idade”. Despoletado pela paixão que tem pelos cavalos, José Ramos dedica-se ainda à criação de cavalos de Puro Sangue Lusitano, conhecidos pelas diversas características físicas, como uma “garupa forte e arredondada” ou “espáduas compridas, oblíquas e bem musculadas”, bem como à criação de cavalos de desporto, nomeadamente as raças Kwpn e Hanavariano. Num futuro próximo, o objetivo do entrevistado passa por continuar a crescer de forma sustentada, assegurando que a aposta na formação dos seus alunos será para manter. “Crio sempre objetivos de ano para ano. Para o próximo ano, quero levar alguns dos meus alunos ao campeonato nacional. São quatro dias de prova e já tenho a confirmação e o apoio de alguns encarregados de educação”. Em jeito de despedida, José Ramos deixa uma mensagem para os mais aventureiros. “Venham fazer-nos uma visita e venham ver todo o profissionalismo com que diariamente trabalhamos”, conclui.


HÁ MAIS DE 40 ANOS A VENDER QUALIDADE Foi no ano de 1974 que surgiu a Fundaço, empresa do setor do comércio e indústria de ferro e aço, pela mão do fundador Aurélio Neves Gaspar. Hoje é Marco Aurélio, filho, o dinamizador da empresa.

FUNDAÇO

essencialmente, para a construção, serralharias e remodelações de casas. Sendo, na sua génese, um armazém de ferro, o produto é siderúrgico e vai desde tubos, chapas, redes até ao cimento. “Ter uma empresa no Fundão dá mais trabalho”, admite Marco Aurélio, “uma vez que há menos pessoas e, por isso, menos consumo”, obrigando a uma duplicação dos esforços no sentido de competir com as grandes empresas que se apoderam do mercado. O segredo passa por tornar-se competitivo e prestar sempre um serviço de qualidade. A Fundaço trabalha com empresas de renome que operam a nível nacional e, por isso, não está cingida à zona do Fundão, conseguindo expandir o seu mercado. No que diz respeito à internacionalização da empresa, existem alguns clientes em Espanha, mas o mercado externo é um mercado que requer uma atenção maior por ser mais competitivo. Sendo PME Líder, Marco Aurélio garante que é mérito da estratégia de crescimento e competitividade seguida pela empresa desde sempre e sente-se orgulhoso pelo estatuto alcançado. O futuro passa, agora, por consolidar o trabalho que tem sido feito ao longo destes 42 anos de existência, com alguns projetos para o mercado externo. “Penso que estaremos cá por muito tempo a honrar o nome desta casa”, termina.

MARCO AURÉLIO Criada no ano da Revolução dos Cravos, a Fundaço tem tido um crescimento consolidado ao longo dos tempos. Marco Aurélio era ainda um estudante de Marketing na Universidade da Beira Interior quando entrou para a empresa em 2007, tornando-se gerente cinco anos depois e, desde então, o “percurso tem sido positivo”. A atuar no setor do ferro e do aço que está, diretamente, ligado ao setor da construção, a Fundaço sofreu uma forte quebra. Porém, “apesar das diversas dificuldades que enfrentamos, fruto das alterações dramáticas sentidas pelo setor onde estamos inseridos”, declara o empresário, “dei continuidade ao trabalho feito, anteriormente, pelo meu pai e temos conseguido ultrapassar este período da melhor maneira”. Otimista por natureza, Marco Aurélio acredita no crescimento do setor da construção e afirma que “os investimento são cada vez mais nítidos”, sendo sinónimo de trabalho para a Fundaço. No entanto, as razões das dificuldades que a empresa atravessa vão além da mera crise na construção. Se a nível nacional tem existido uma melhoria, para o empresário, “há uma grande falta de consumo particular na região da Beira Interior”, consequência de uma desertificação cada vez mais evidente provocada pelos jovens da terra que saem “à procura de oportunidades no Litoral”. Desta forma, a falta de fixação das pessoas que já não constroem as suas casas na região, leva a que empresas como a Fundaço tenham menos trabalho e vendam menos material. Com uma equipa de 17 funcionários, a Fundaço vende material, PORTUGAL EM DESTAQUE | 103


“DAMOS FORMA AOS SEUS SONHOS” Fundada em 1992, a Macambi surgiu de uma fusão entre duas pequenas empresas da região da Beira Interior. Com uma nova sociedade e uma visão mais alargada de negócio, a empresa foi evoluindo e hoje, quase 25 anos depois, o crescimento está à vista.

MACAMBI

LUÍS MORGADINHO “A Macambi teve o seu início com a junção de duas empresas de pequena dimensão onde trabalhavam seis pessoas”, começa por explicar um dos sócios, Luís Morgadinho, “que construíram o edifício e, rapidamente, iniciaram o seu trabalho”. A entrada do empresário na Macambi acontece no ano de 1996, dando continuidade ao trabalho até então realizado e contribuindo para o aumento da empresa que passou de 15 para 34 funcionários devidamente qualificados. Atuando no setor da madeira e do mobiliário, a empresa conta com um vasto leque de produtos que vão desde cozinhas, casas de banho, portas, roupeiros e escadarias até ao mobiliário mais diversificado, como as salas. “No entanto, estamos mais direccionados para as mobílias de cozinha”, afirma o empresário, “que montamos e equipamos com eletrodomésticos”, sendo este um serviço feito à medida de cada cliente, uma vez que a missão da Macambi é servir as suas necessidades específicas, analisando as solicitações e encontrando as melhores soluções. Com a constante evolução do mercado, a empresa está sempre “um passo à frente daquilo que é necessário”, apostando, desde o seu início, em equipamentos e maquinaria atualizados e modernos de forma a ganhar capacidade e a responder aos pedidos com eficácia. A visão da empresa passa, essencialmente, por proporcionar o uso intuitivo e rápido dos móveis e, por isso, a aposta recai na funcionalidade, na beleza do design, na nobreza e qua104 | PORTUGAL EM DESTAQUE

lidade dos materiais utilizados e no rigor dos seus acabamentos, permitindo o usufruto de espaços mais agradáveis. Porém, este setor sofreu algumas alterações com a quebra da construção que se fez sentir nos últimos anos. Desta forma, “só tínhamos uma de duas soluções”, conta, “ou despedir metade dos nossos funcionários ou partir na busca de novos mercados”, e foi isso que a Macambi fez. Desde essa altura que o empresário vive entre Portugal e França, o principal mercado externo com o qual trabalha regularmente. Com a crescente atuação neste mercado, a Macambi construiu uma empresa em Paris que serve de apoio aos seus clientes e permite uma maior garantia e segurança. Apesar da internacionalização ter sido o caminho, a empresa não esquece o mercado nacional e trabalha, maioritariamente, na zona centro, fazendo alguns trabalhos pontuais na zona de Lisboa e do Algarve, sendo que a grande percentagem de clientes é particular. A busca de novos mercados passa pela presença em feiras, como a Foire Paris, a maior feira no que diz respeito à construção e remodelação e que leva pessoas de todo o mundo, permitindo chegar a um maior número de potenciais clientes. As novidades dos materiais são conhecidas de duas formas: nas feiras e pelos fornecedores que vão levando os materiais novos à empresa, fazendo com que o investimento na maquinaria seja cada vez maior, uma vez que os novos materiais necessitam de outro tipo de tratamento que os antigos equipamentos não conseguem dar. Como PME Líder, Luís Morgadinho garante que este reconhecimento é fruto de um trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos anos e que, apesar das dificuldades, a Macambi tem conseguido encontrar o equilíbrio necessário entre as sinergias, o que a leva a atingir esse estatuto. O futuro passa, agora, por alargar os horizontes da empresa numa aposta contínua no mercado externo. “Estamos a ter um crescimento sustentável e é neste caminho que pretendemos continuar”, termina.


GUARDA Assumindo-se como a capital do distrito em que está inserido, Guarda é um município com cerca de 712 km2 de extensão, englobando uma população total de 42.541 habitantes (segundo dados de 2011). Fazendo fronteira com os concelhos de Pinhel, Almeida, Sabugal, Belmonte, Covilhã, Manteigas, Gouveia e Celorico da Beira, Guarda assume-se facilmente como um dos concelhos com maior dimensão em todo o país, servindo enquanto particular foco de dinamismo económico, histórico e social no contexto da região beirã em que se inscreve. Composta por um total de 43 freguesias, Guarda é amplamente conhecida como a cidade dos cinco F’s. Através de uma visita pelo município, torna-se efetivamente evidente o porquê de uma designação tão nobre. Afinal, essas correspondem às iniciais de Forte (numa alusão às construções em granito e ao sistema defensivo que no passado aqui foi montado), Farta (tendo em conta a fertilidade dos seus solos e cursos de água), Fria (atendendo ao clima de montanha e ao seu particular inverno), Fiel (pela genuinidade e bom espírito da sua população) e Formosa (a julgar pelo encanto dos monumentos, praças, ruas e espaços verdes). Podendo gabar-se de possuir um dos mais importantes e históricos patrimónios do passado de Portugal, Guarda encontra em vultos como a Torre de Menagem ou a Sé Catedral dois dos seus maiores ícones, enquanto cidade e testemunha da nossa portugalidade. Mas, paralelamente à singular riqueza do património e das suas gentes, esta é uma cidade que nos presenteia também com um contacto único com a natureza e a qualidade do ar. Porque, mais do que qualquer outro, este é também o ar de um Portugal especial, composto de muita história, enquanto e magia.

A TRADIÇÃO DO QUEIJO DE QUALIDADE A Queijaria Clemente começou a fabricar os primeiros produtos em 1999. Volvidos quase 20 anos de atividade, a aposta no queijo de ovelha amanteigado, curado e de requeijão tem-se revelado um sucesso, fruto de muito trabalho e dedicação. Visitámos as instalações da queijaria e, em entrevista, aos proprietários Joaquim Clemente e Elisabete Clemente, damos a conhecer um dos melhores produtos da região. QUEIJARIA CLEMENTE Fabricados de forma tradicional, os queijos Clemente são já uma referência. Quando em 1999 começaram a produzir os primeiros queijos, os proprietários logo perceberam que as instalações de 350 m2 eram escassas. “Oito anos depois foi necessário proceder a um projeto de amplição para 1300 m2, que é a dimensão atual”, explica o responsável Joaquim Clemente. Ao longo dos anos, o

crescimento da queijaria foi feito de forma sustentada, sendo PME Líder, nos últimos cinco anos. Atualmente, Elisabete Clemente revela que “já esgotámos a capacidade de produção. Temos melhorado a qualidade do queijo, através de melhores processos de fabrico e da seleção de leite de qualidade”. Os queijos e requeijão Clemente podem ser adquiridos diretamente nas instalações, lojas de artesanato e pequenos supermercados da região. Questionados sobre o balanço de atividade, desde a abertura de portas em 1999, os entrevistados dizem que é “bastante positivo, tendo superado as expectativas. Futuramente, gostaríamos até de aumentar as instalações de forma a darmos resposta às solicitações, aumentado a capacidade de produção”, finalizam Joaquim Clemente e Elisabete Clemente. Quinta dos Carregais | 6360-323 Celorico da Beira Tlf. e fax: 271 741 531 E-mail: queijariaclemete@mail.telepac.pt


AS ASSOCIAÇÕES SÃO A VOZ DAS EMPRESAS O NERGA tem ao longo dos últimos 30 anos desempenhado um papel importante no apoio às empresas da região da Guarda. Atualmente, é uma das associações mais representativas contando com cerca de 250 associados. Em entrevista ao presidente António Pedro Tavares, percebemos quais são os principais desafios dos empresários da região. NÚCLEO EMPRESARIAL DA REGIÃO DA GUARDA

ANTÓNIO PEDRO TAVARES António Pedro Tavares tem liderado na última década os destinos do núcleo empresarial e inicia a entrevista frisando que “o nosso papel fundamental é primeiro apoiar os nossos associados e posteriormente as restantes empresas da região, através da prestação de serviços capaz de responder aos desafios de uma economia à escala global, onde a informação e o conhecimento são instrumentos essenciais para o sucesso empresarial. A formação dos ativos das empresas e dos próprios empresários, a informação e consultoria, o apoio técnico em áreas chaves das empresas, o serviço de assessoria

jurídica e a mediação são algumas das competências que esta Associação Empresarial disponibiliza aos seus associados e não só. Pautamo-nos por seguir uma ética rigorosa, o que nos permite ser a voz dos nossos associados”, destaca. Questionado sobre as mais-valias de ser membro do NERGA, o responsável explica que “é vantajoso ao nível da representatividade, do apoio na formação e adesão a projetos comunitários”. No que toca ao último quadro comunitário Portugal 2020, o interlocutor esclarece que é um programa “muito mais rígido, quando comparado com os anteriores”. O presidente do NERGA lamenta o facto do programa Portugal 2020 “não ter sido delineado para a tipologia de empresas que existe na região. Até ao presente, do total das candidaturas aprovadas na região Centro, apenas 4.15 por cento pertence a nossa Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela, no concelho da Guarda houve apenas quatro projetos aprovados com valores superiores à 20.000 euros, números que demonstram as dificuldades sentidas pelas empresas do interior em candidatarem-se ao novo quadro comunitário de apoio. O papel do NERGA foi inicialmente informar sobre as novas regras, em que a questão dos prémios é completamente diferente dos quadros anteriores. Depois coube-nos aconselhar os promotores, apoiar as empresas na elaboração dos projetos e fazer o respetivo acompanhamento. Ao abrigo do Portugal 2020, o NERGA já tem várias candidaturas aprovadas, em áreas como a internacionalização, a inovação e o empreendedorismo, num importante contributo para o desenvolvimento da região e maior competitividade das empresas. Todos os projetos que o NERGA levou a cabo foram delineados por nós. No que diz respeito à fase de execução, podemos requisitar o apoio de empresas de consultadoria, mas a ideia e o projeto é concebido por nós”. Neste âmbito, é pretensão do NERGA continuar com esta estratégia, “elencando os projetos futuros nos atuais”, destaca. Apesar dos constrangimentos e das fragilidades inerentes ao setor empresarial, “conseguimos ulrapassar as contrariedades, a nossa postura correta, a nossa dinâmica, a nossa estratégia tem-nos permitido ter uma posição que julgo ser ímpar, uma vez que, as associações têm de ser a voz das empresas”, esclarece o interlocutor. No que diz respeito aos projetos de futuro, “de frisar que atualmente trabalhamos em rede com outras associações empresariais, nomeadamente de Viseu, Vila Real, Bragança e Castelo Branco. A título de exemplo, temos uma iniciativa que visa potenciar o sucesso da internacionalização das PME´s da região, através de um melhor conhecimento sobre os mercados e o estímulo a cooperação interempresarial”. Este projeto de internacionalização ‘inovador’ permitirá trazer consultores e prescritores internacionais para conhecer a nossa oferta e o potencial exportador das empresas destas regiões. ”Caso a empresa tenha perfil nós apoiamos, isto é importante, porque, por vezes, há empresas que não estão preparadas para exportar para determinado mercado”, explica António Pedro Tavares. Para além das parcerias empresariais, o NERGA vai mais longe e “aposta também na promoção e dinamização do território através do incentivo à divulgação dos produtos típicos da região como o vinho e o azeite”, finaliza o entrevistado.

JUNTO

PELO

FUTURO

www.centroexportarmais.pt Parque Industrial da Guarda, lote 37 - 6300 –625 Guarda| Telef:271205420 | nerga@nerga.pt | www.nerga.pt

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UM CONCEITO GOURMET RURAL Já lhe chamaram uma das melhores mesas Beirãs. Só por esta referência, sabemos que estamos perante um espaço de visita obrigatória. Falamos da Casa da Esquila, situada no Casteleiro, muito próximo da Serra da Estrela e junto a uma das mais bonitas Aldeias Históricas de Portugal, a Sortelha. O mentor deste projeto é Rui Cerveira. Com raízes na zona e desde sempre ligado à restauração, sentiu, em final de 2012, ser chegada a hora de dar o seu contributo à região.

RESTAURANTE CASA DA ESQUILA

Falar da Casa da Esquila é falar de um espaço privilegiado de gastronomia. Baseada num novo conceito, o gourmet rural, a oferta deste restaurante é, em primazia, potenciada pelos fantásticos recursos naturais de que a região dispõe, “como são exemplo as carnes de excelente qualidade” que, aliados à tradição e cultura gastronómica da região, o tornam num local único. Para tal, contribui igualmente a experiência dos profissionais que trabalham e gerem esta casa. Rui Cerveira refere que a Casa da Esquila foi criada sob o propósito de “criar um produto de qualidade na região do Interior, mas de uma forma diferente de tudo o que já se faz no Casteleiro. Temos imensas casas de gastronomia tradicional na região, mas nenhuma que se diferencie da forma que a Casa da Esquila o faz, com esta aposta na gastronomia gourmet rural. Queremos marcar pela qualidade mas, sobretudo, pela diferença”. Um gourmet rural E essa diferença está, sobretudo na criação do conceito de gourmet rural. Mas, afinal, no que consiste o mesmo? “O conceito de gourmet rural está ligado à ideia de apresentar o melhor do mundo rural à mesa, de uma forma gourmet, seja pela apresentação, pela sua excelência, pelo que há de melhor”. Rui Cerveira refere que este 108 | PORTUGAL EM DESTAQUE

conceito também só é possível por “termos o privilégio de estarmos neste lado mais rural do país, onde existem produtos que nos permitem colocar este conceito em prática, nomeadamente os enchidos, os queijos, as carnes, e também porque como são produzidos aqui, os seus preços não estão inflacionados como acontece nos grandes centros urbanos”. E porque a inovação é sinónimo deste espaço, já nasceram aqui alguns produtos que utilizam o que de mais característico existe na região, como a Bomboca de Cereja, que se tem revelado um verdadeiro sucesso. Ou não fossem as bombocas como as cerejas… há sempre lugar para mais uma! Um espaço, dois conceitos Pensado, desde sempre, para marcar a diferença, a Casa da Esquila apresenta duas salas distintas, onde cada uma acolhe um conceito diferente de restauração. O nosso interlocutor elucida-nos que o espaço conta com duas salas. Uma delas, denominada de sala gourmet, conta com produtos de excelência, “onde servimos menus de degustação de cinco a sete pratos. Tudo o que de melhor existe na região, fazemos questão que seja servido neste espaço”. Rui Cerveira confessa que, no início do projeto, houve algum receio, uma vez que os menus de degustação não são


prática comum nesta região. Contudo, “o conceito foi muito bem aceite e tem sido um sucesso”. A outra sala, mais simples, acolhe uma gama de produtos mais económica e acessível, com menus diários e menus buffet, “com uma distinta relação qualidade/preço, pois é nosso propósito que todos possam provar os produtos regionais, independentemente da sua carteira”. Ideal para eventos Esta equipa acredita que a mesa é o local ideal para juntar família e amigos. Partilhar um momento de alegria, uma celebração, ou até mesmo uma simples refeição entre bons amigos, deve ser celebrado de forma especial. Assim, aqui poderá organizar a sua boda de casamento, o batizado dos seus filhos, a sua festa de ani-

versário, ou assinalar alguma data especial. Desde o primeiro ano que a Casa da Esquila celebra a Passagem de Ano com pompa e circunstância. Aliás, a única data em que não pode visitar este espaço é na Véspera da Noite de Natal. Mas regressando ao Ano Novo, Rui Cerveira revela-nos que é criado um espaço lounge para que as pessoas possam conviver e conversar, assim como uma pista de dança, “e torna-se uma noite muito agradável, e diferente, como a ocasião o exige”. Se ainda não decidiu onde receber 2017, saiba que ainda existem lugares disponíveis na Casa da Esquila, que recebe uma lotação máxima de 200 pessoas na noite mais longa do ano.

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AS MELHORES SOLUÇÕES DO MERCADO Surge em 2012, a empresa Traçoinox, com uma vasta oferta de equipamento hoteleiro, mobiliário de escritório e escolar, equipamento e mobiliário geriátrico, equipamento para espaços comerciais e climatização. Em entrevista ao responsável Vítor Almeida, damos a conhecer o posicionamento da Traçoinox e a oferta de serviços. TRAÇOINOX EQUIPAMENTOS E CLIMATIZAÇÃO LDA

Surge em 2012, a empresa Traçoinox, com uma vasta oferta de equipamento hoteleiro, mobiliário de escritório e escolar, equipamento e mobiliário geriátrico, equipamento para espaços comerciais e climatização. Em entrevista ao responsável Vítor Almeida, damos a conhecer o posicionamento da Traçoinox e a oferta de serviços. A empresa está de portas abertas em plena cidade da Guarda, mas os serviços que presta destinam-se a todo o país. Fundada a 20 de março de 2012, a Traçoinox é composta por profissionais com largos anos de experiência no setor, como explica Vítor Almeida. “Trabalhei durante 23 anos nesta área, numa outra empresa do ramo, sempre como comercial. No dia em que entrei em layoff entrei na sociedade da Traçoinox. Na altura, sabia já minimamente, com que clientes e fornecedores poderia contar. A empresa nasceu e tem-se desenvolvido através de capitais próprios, num crescimento 110 | PORTUGAL EM DESTAQUE

sustentado onde todos os passos são bem medidos”. Questionado sobre a evolução e estratégia de desenvolvimento, o entrevistado revela que “no primeiro ano de abertura terminámos com valores interessantes. 2013 já foi um ano bastante bom, onde a faturação ultrapassou as expectativas e até à data a tendência mantém-se. Felizmente, os objetivos traçados têm-se vindo a cumprir”. A Traçoinox apresenta uma vasta gama de produtos que “no fundo, temos equipamento para qualquer tipo de atividade”, destaca o responsável. Com o intuito de ser uma referência no setor onde o foco no cliente e nas suas necessidades são preocupações constantes, a empresa liderada por Vítor Almeida estabeleceu parcerias com marcas reconhecidas pela qualidade dos produtos, como exemplifica o interlocutor. “Trabalhamos com as melhores marcas do ramo, somos representantes Miele a nível doméstico e industrial, e trabalhamos com marcas prestigiadas como a Zanussi,


Electrolux, Robot Coupé, Sammic, Grupo Purever, entre outras. Na área da climatização somos instaladores autorizados da marca Mitsubishi e Fujitsu”. A empresa opera em todo o país, com principal enfoque “no distrito da Guarda, Viseu e Castelo Branco, embora tenhamos uma forte presença noutros distritos. Participamos em feiras do setor, temos uma cozinha ‘show cooking’ onde disponibilizamos os nossos equipamentos às autarquias, escolas de hotelaria e instituições da região para desenvolvimento de atividades gastronómicas”, explica o responsável. Questionado sobre o que distingue a Traçoinox, Vítor Almeida revela que “temos uma equipa fantástica, somos empresa certificada pela norma NP EN ISO 9001, e pela ET.SAC.01:2015 na assistência, manutenção e instalação de equipamentos com gases fluorados. Evidente que para se ter um bom resultado e atingir o que se propõe, a cada ano, temos de ter um

compromisso muito grande com todas as partes interessadas, que são vistos como um companheiro ao longo da vida. Neste momento, temos uma equipa de dez elementos e pretendemos sempre ser eficientes, desde o layout, orçamentação até ao fornecimento, instalação e conclusão da obra”. Sobre as expectativas e projetos de futuro, o entrevistado explica que “espero que a conjuntura melhore a nível nacional e que os apoios comunitários venham alavancar a economia deste país e criar investimento. Existem projetos que não estão a avançar por estarem à espera de abertura e aprovação de candidaturas. Caso tal não aconteça, queremos no mínimo manter o volume de negócios dos anos antecedentes e o forte posicionamento no mercado”, finaliza o entrevistado.

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QUINTA DE SANTO ANTÓNIO A Quinta de Santo António é especialista na realização de sonhos. Dispõe de uma excelente infraestrutura e fornece o que há melhor para fazer com que o seu casamento seja um grande sucesso. Situado na cidade da Guarda, no largo da fumagueira em pleno contacto directo com a natureza. Num ambiente sóbrio e recatado, intimamente ligado à natureza e com condições únicas de conforto, esta quinta para casamentos dispõe de um salão com capacidade para 700 pessoas. Após o mentor do projecto ter realizado um percurso profissional ligado ao sector dos eventos, surgiu à cerca de 10 Anos o espaço QUINTA DE SANTO ANTÓNIO. Inserida na belíssima região do Parque Natural da Serra da Estrela, oferece-lhe ambiente aprazível, trás um novo conceito, da combinação das tradições à fusão pelos mais diversos tipos de gastronomia. Tem a finalidade de proporcionar-lhe o mais alto grau de felicidade, deixando esse momento ainda mais inesquecível. Procuramos diariamente, dispor de serviços para qualquer tipo de evento. A personalização será sempre uma das nossas apostas. Disponibiliza um espaço exterior totalmente encantador, proporcionando a experiência de se casar com os pés na verde relva e respirar todo o ar fresco que o ambiente possui. Com cerca de meia centena de noivos anualmente, procuramos aumentar a qualidade, consulte o nosso atendimento personailzado, estamos cada vez mais presentes no mundo digital, alem do nosso site, poderá encontrar-nos em diversos meios de divulgação do sector dos casamentos Conta com uma equipa formada por profissionais totalmente capacitados. Decoração Animação Fotografia Aluguer do espaço e material para cerimónia Copo-de-água Bolo de noiva Buffet

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Portugal em Destaque - Edição 13  
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