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Gente da Gente GIRO Ano 05 Ed.03 Jul Ago Set de 2015

DESTAQUE

A arte

de fazer O papo descontraído com a maior humorista cearense: Valéria Vitoriano

Porto Freire aposta na ressocialização de ex-detentos

Conheça Istambul e o encanto das mil e uma noites


// EDITORIAL

SUMÁRIO

Sumário Editorial Expediente Estilo é uma publicação da Porto Freire Engenharia PRESIDENTE

Jorge Wilson Porto Freire DIRETOR COMERCIAL

Martônio Rodrigues Diretora Técnica

A

irreverência da humorista Valéria Vitoriano, a Rossicléa, dá o tom da entrevista que ela concedeu à Estilo. Capa desta edição, Valéria mostra que a sinceridade e a obstinação são algumas de suas muitas qualidades. Em um discurso sem freios e sem perder a piada, ela disserta sobre carreira, os limites do humor e conta situações hilárias dessa trajetória, como quando, em início de carreira, teve que driblar a insatisfação de um contratante por haver apenas quatro pessoas na plateia do show.

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Rossicléa - A dama do humor cearense que faz o Brasil rir

Felipe Arruda COORDENADORA DE MARKETING

Valdenisia Souza ANALISTA DE MARKETING

Wellington Gomes REDAÇÃO

R&B Comunicação JORNALISTA RESPONSÁVEL

Na Giro, as belas imagens da cidade de Istambul, na Turquia, mostram que os monumentos seculares e edifícios modernos são exemplos de uma cidade que convive com o antigo e o novo. A cidade mais populosa da Europa continua cativando visitantes de todo o mundo, desde os tempos medievais. E por falar em lugares para uma boa viagem, não deixe de conferir a seção À Mesa e se deliciar com os sabores do Moleskine. Badalado gastrobar de Fortaleza, o lugar se diferencia pela proposta de levar ao público experiências gastronômicas de várias partes do mundo. Tudo pensado nos mínimos detalhes.

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Roberta Catrib Diretor Administrativo Financeiro

Destaque

Gente da Gente

Giro

Porto Freire é parceira do projeto social Reconstruir

Istambul mantém culturas europeia e asiática

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Lucílio Lessa PRODUÇÃO E REVISÃO

Rozanne Quezado Valdenisia Souza e Wellington Gomes FOTOS

Jarbas Oliveira e banco de imagens PROJETO GRÁFICO

Raphael Lira DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO

Promosell Comunicação Fale conosco (85) 3299 6600 gestaomkt@portofreire.com.br

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Revista Estilo Porto Freire

A busca pela qualidade a partir dos detalhes é também uma premissa na Porto Freire. É isso que mostra a seção Tijolo por Tijolo, que traz matéria sobre o Setor de Produtividade, criado há cerca de dois anos com a missão de fortalecer uma visão integrada de todas as ações, a fim de otimizar os processos. Integração é o mote da seção Gente da Gente. Ao aderir ao projeto “Reconstruir”, que visa dar uma nova chance a ex-detentos, a Porto Freire dá mais um passo em sua estratégia de ser mais que uma construtora, ser um canteiro de vidas. Inspirador!

À Mesa

Moleskine e a tendência dos gastrobares

32| Cult

Tijolo por Tijolo Escritório de Projetos: busca pela melhoria contínua

Confira os registros da primeira edição Food Park del Sol

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// Destaque

“O HUMOR QUE FAZ RIR é o que interessa” Valéria Vitoriano, a Rossicléa, não tem medo de se mostrar por dentro. Despachada, criativa e extremamente elegante no jeito de ser, a humorista mostra que por trás da irreverência da personagem há uma mulher de interior profundo, atenta às relações e às mudanças. Isso sem perder a espontaneidade e a graça tão características da personagem e dela própria. Para a Estilo, Valéria fala sobre carreira e as formas de fazer humor.

Por Lucílio Lessa Fotos Jarbas Oliveira

Consagrada no meio humorístico brasileiro, Valéria Vitoriano dá vida ao personagem Rossicléa

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// Destaque

Estilo\\ Você já declarou que a Rossicléa é o seu alter ego. O que a Valéria Vitoriano tem da Rossicléa? Valéria Vitoriano\\ A Valéria é uma mulher comum. Filha única, estudou a vida toda em colégio de freiras, festeira, muito sincera, dois filhos do primeiro casamento, casada e muito feliz, amiga e mandona, adora mar e incenso, baiana de alma, cearense graças a Deus. Em comum entre a Valéria e Rossicléa: as duas odeiam ser gordas, mas adoram comer! Autenticidade e força. São guerreiras. Já usei muito a Rossicléa para falar ou fazer o que eu queria. Hoje, falo muito mais como Valéria, tentando domar a Rossicléa. O melhor e o pior caminham juntos. Já ouvi gente falando da Rossicléa do meu lado, sem saber que ela sou eu. Como também já vi gente falando muito mal de colegas e fiquei muito constrangida. Respeito, carinho e solidariedade se encontram em todo lugar, assim como gente mal educada. Resta saber qual vai ser sua resposta diante dela. E\\ Então, você não desvincula uma da outra? VV\\ Não desvinculo a ‘pessoa física’ da ‘pessoa jurídica’ nunca. Sem maquiagem, quando calada, geralmente, passo batido. Mas, não me escondo, não! Às vezes, sou reconhecida nas ruas e o mais gratificante é ver o carinho do público. Eles se mostram íntimos, a gente nota que a personagem faz bem, tem sempre um “a minha mãe é sua fã” (Hahahahahaha). Até porque hoje em dia estou em um novo momento: de renovação de plateia. Os amigos do meu filho de 14 anos estão conhecendo a Rossicléa agora. As crianças menores adoram e os quarentões (que são uma boa parte dessa plateia tão heterogênea) me deixam muito à vontade para fazer uma miscelânea e tentar agradar ao máximo. E\\ É verdade que você se inspirou na Viúva Porcina para compor a personagem? Buscou referências na cultura nordestina? VV\\ A Rossicléa foi sendo construída aos poucos, mas não há como negar a influência de uma Porcina, uma Consuelo Leandro, Zezé Macedo, I Love Lucy, de uma Catifunda, de uma Dercy e de outros grandes monstros e personagens que pude beber da fonte, ainda que apenas vendo pela TV, enquanto pequena. Mas as primeiras atrizes que definiram suas personagens como sendo “empregadas que vieram do interior pra cá”, fomos Karla Karenina e eu: Rossicléa & Meirinha, isso em 1988. O mercado, em expansão, fez com que aparecessem vários outros ‘humoristas’ – muitos deles vislumbrando somente uma forma de ganhar dinheiro – que subiram nos palcos fazendo uma “salada” do que dizíamos em cena, copiando até as gags (piadas) de personagens. Foi um aprendizado grande. E muita decepção. Sei que temos hoje um mercado consolidado, muita gente com talento tentando estabelecer o seu espaço e isso é bom, porque, mesmo com alguns ruins, a cena vai sendo movimentada.

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“Já usei muito a Rossicléa para falar ou fazer o que eu queria. Hoje, falo muito mais como Valéria, tentando domar a Rossicléa”

É preciso tempo e dedicação para a personagem entrar em ação

E\\ E como nasceu a personagem?

E\\ Quando você fez seu primeiro show?

VV\\ A Rossicléa nasceu mesmo foi no comecinho da adolescência, nas festas de família, onde eu preferia ficar na cozinha da casa da minha avó e conversar com as “figuras” que ali trabalhavam, estudando seus trejeitos e registrando histórias maravilhosas do interior do Ceará. Daí até lapidar e construir todo o universo da própria personagem foi um pulo, inclusive porque fiz laboratório nos programas da Rádio AM e com as ligações ao ‘Disque Amizade’. Eu tinha 17 anos, estava acabando o segundo grau e levava as fitas k-7 com as gravações das ligações para o colégio aonde estudava (Imaculada Conceição) e, junto de minhas colegas, ríamos muito de quanta veracidade passava a Rossicléa para os incautos ouvintes e radialistas.

VV\\ Meu primeiro show foi em 14 de agosto de 1988 e a referência que se tinha de humor era muito distante. Era de TV, de Chico Anysio e Renato Aragão - eles já no eixo Rio-São Paulo, vinte, trinta anos antes. Nesse tempo não tinha ninguém fazendo rir em Fortaleza, nem o circuito reservado aos humoristas que existe hoje. Esse mercado foi aberto pela Rossicléa e alguns poucos que começamos no período. O fato de ter só 17 anos e nenhuma técnica foi fundamental para que eu pudesse fazer laboratório, criar e, vendo erros e acertos, construir uma estrada completamente empírica. Era um final de tarde de um domingo onde minha prima (Karla Karenina - Meirinha) e eu desenvolvemos uma ação, junto com outros artistas militantes do Partido Verde, para nosso candidato em um tablado na Praia de Iracema, em Fortaleza. A partir daí a dupla Rossicléa & Meirinha (que durou pouco mais de um ano) começou a receber convites para se apresentar em Centros Acadêmicos das universidades, em restaurantes etc. Em seguida, tiramos o se-

Nos bastidores, o processo de transformação. Sai Valéria, entra Rossicléa

gundo lugar no Festival Brega do Bar Pirata e começamos a fazer shows por lá. Aí veio o convite para mostrar o personagem na televisão e não parei mais. Foi aí que percebi que tinha que ir me desvinculando dos meus próprios textos, com muitas expressões locais – quase um dialeto - para dar uma encorpada e trazer originalidade a Rossicléa. E\\ O escracho é a principal faceta da Rossicléa. Você procura empregar uma crítica social no discurso da personagem? VV\\ “O escracho é a principal faceta da Rossicléa?” Isso é você que está dizendo! (Hahahaha) É uma visão sua! Não acho a Rossicléa escrachada! Acho que uso tintas fortes, mas ela é uma caricatura de muitas pessoas que passam na minha vida, até no meio da rua. Acho que isso o público reconhece, por isso ri. Pensar como a personagem reagiria em uma determinada situação acontece sempre comigo. A Valéria no meio da rua vê uma cena e, instantaneamente, penso no que a Rossicléa diria ou faria. Isso me oxigena muito, me instiga, por-

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// Destaque

bom! Me realizo. Porque, mesmo partindo de um roteiro pré-determinado, a descontração com que os fatos vão se desenrolando e a atmosfera que permeia entre público e personagem faz com que cada show seja único. Quem sobe ao palco vem de peito aberto para criar esse momento novo ou para ‘tirar onda’ com a artista... aí, a gente se esbalda!

que para fazer humor é preciso estar sempre antenada, notícias, mundo, o agora. A vida, com o advento da internet, é frenética e, às vezes, a piada envelhece rápido. Muitas vezes só dá para postar na fanpage. Vem um e copia, outro, outro. Se eu for usar no show à noite vejo o povo olhando torto, todo mundo já ouviu antes. Se você me perguntar qual a principal faceta da Rossicléa, pra mim é o improviso. A interatividade com a plateia, o improviso, sempre foi minha marca. Acho que para fazer humor é preciso encontrar uma forma de conseguir que o público se veja. Isso vai prender sua atenção. Procuro fazer sempre coisas atuais, mas é importante que não passe do ponto. O posicionamento da atriz não é o foco, por isso não falo de política, apesar da personagem ser um ‘elemento político’ e estar expondo, muitas vezes, uma realidade risível, mas completamente tragicômica. As minhas vivências com os shows foram me mostrando o caminho, me dando uma certa forma de fazer. Não chega a ser ‘técnica’, é uma experiência completamente pessoal, pitadas de insights e desafio diante das situações. Adoro improvisar e não sou o tipo de pessoa que desiste de algo só porque é mais difícil. Texto para mim é imprescindível, a gente tem que se situar em cena, mas criar é maravilhoso e o público, quando vê o improviso, delira!

E\\ Quais diferenças você percebe no seu público em relação ao local de origem? VV\\ É muito bom fazer show para qualquer tipo de público e, com o tempo, eu percebi diferenças imensas: o sulista em casa reage mais contido, mas se ele estiver no Nordeste fica mais solto. Fazer shows para a colônia de brasileiros nos Estados Unidos foi sensacional, porque eles têm muita saudade e tudo que remete ao Brasil - ou ao seu Estado - os deixa extremamente felizes, excitados, saudosos e emocionados. No Brasil, fazer show em teatro é muito bom, você normalmente tem toda a atenção da plateia... quando tem plateia! (Hahahaha). Mas já passei por muita coisa! Uma vez, fiz um show para quatro pessoas. Foi em um hotel, eles tinham uma programação para os hóspedes, que deveriam se dirigir ao teatro para ver o show de humor, mas só foram quatro pessoas. Eu esperando o povo e ninguém chegava. Quando vi dois casais chegando, olhando meio de rabo de olho, desconfiados, fui logo dizendo: “é aqui o show, gente, vamos chegando!” E com medo da mulher do hotel ver que tinha pouca gente e cancelar, chamei os quatro e expliquei: “gente, por favor, vamos fazer uma rodinha aqui, ninguém sai, por favor, senão eu não recebo”. Eles riram, quebramos o gelo, mas além de inusitado foi muito tenso: nós cinco sentados, “conversando”, como uma antessala de médico, e a contratante me olhando de longe. Quer saia justa maior que essa?

E\\ De fato, um dos pontos altos do seu show é quando você brinca com a plateia. Qual a maior saia justa que você passou no palco? Já se arrependeu de alguma abordagem?

“Eu brinco com a plateia, mas não forço ninguém. Com esse tempo todo de profissão dá pra saber quem a gente pode mexer”, diz

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VV\\ Eu brinco com a plateia, mas não forço ninguém. Com esse tempo todo de profissão dá pra saber quem a gente pode mexer. Se já houve abordagens que me arrependi? Às vezes, não dá para calcular direito o nível de álcool da pessoa, geralmente em casas de show, mas aí é só seguir adiante porque o próprio público se encarrega de mostrar que a pessoa está “destoando” (hahahaha). Eu sinto um carinho imenso do público, gente querendo subir no palco, às vezes só para dar um abraço, para fazer uma foto, e é claro que me coloco ali junto da pessoa para improvisar, tento arrancar um riso dela, do público, um trejeito, uma resposta, fazer algo que vá divertir sem constranger. E é muito

E\\ Que outras intempéries vocês destacaria?

A irreverência do personagem que faz o Brasil dar gargalhadas e confirma a supremacia cearense na arte de fazer rir

VV\\ Difícil foi nos anos 80 em Fortaleza! A falta de estrutura era tanta que tínhamos que dividir a atenção com o garçom, com o barulho do ônibus virando a esquina e o motorista buzinando, com o bêbado, crian-

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// Destaque

ça, com a barata vindo em nossa direção, a goteira em cima do palco, microfone pifando e dando choque... e ainda tínhamos que fazer rir a qualquer custo. Isso me deu um aprendizado “na marra”. Já fiz show em um teatro que tinha tanta goteira que “choveu” no palco. Já calculei errado o fim do palco e passei direto, caindo, torcendo o pé e todo mundo riu muito achando que era de propósito. Já saí do show direto para uma cirurgia de emergência de vesícula. Trabalhei, na primeira gestação, até os últimos 20 dias, e na segunda gestação até uma semana antes. Imagina! E\\ Qual é o público mais exigente? VV\\ O público cearense é o mais exigente, o que é um privilégio! Eles me viram nascer, me fizeram crescer. Em toda família de cearense tem um que faz rir, a maioria acha que poderia fazer melhor do que aquele que está lá em cima do palco. E sempre são os primeiros a trazer os parentes de outros Estados para nos ver. Acho que o nordestino em geral, para aliviar sua dor, tende a rir da própria desgraça. Mas, a nossa história mostra essa molecagem desde o tempo de Quintino Cunha. O que se pode esperar de um povo que vaia o sol? Que empalha um bode embriagado? Ser humorista em uma terra onde nasceu Tom Cavalcante, Chico Anysio, Renato Aragão, Falcão e Tiririca é receber uma “chancela” Divina. E\\ Que outros nomes e momentos você destacaria? VV\\ Ter contracenado com Dercy Gonçalves, Renato Aragão, ter estado em programas como Globo Repórter, Jô Soares, Hebe, Xuxa, Vídeo Show, Gugu, Raul Gil, Sem Censura, Globo Esporte, Espor-

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“O público cearense éo mais exigente, o que éum privilégio! Eles me viram nascer, me fizeram crescer te Espetacular, Faustão, Luciana Gimenez, Gilberto Barros (Leão), Ratinho... Ter estado no elenco do Programa Show do Tom na TV Record, estar na TV Jangadeiro fazendo o “Só de H”, que caiu nas graças dos cearenses. Ter ultrapassado a marca de um milhão na fanpage da Rossicléa e mais de 6.000 apresentações em 27 anos de personagem - fazendo pelo menos quatro shows por semana na minha própria cidade - e ainda ser convidada para eventos corporativos e teatros pelo Brasil, levando o nome do Ceará durante todo esse tempo. Tudo isso, me faz a mulher mais realizada do mundo.

E\\ Em suas empreitadas televisivas, você mostra talento para as entrevistas, inclusive já declarou que deseja ser jornalista. Ainda é um plano?

Rossicléa já contracenou com grandes nomes do humor, como Renato Aragão e Dercy Gonçalves

VV\\ Ali, como repórter, eu me realizo. Acho comunicação social um luxo. Acho importante ter uma profissão e, na época de vestibular, a única coisa que me interessaria era ser jornalista. Acho lindo, puro e uma responsabilidade enorme o jornalismo bem feito. Eu comecei fazendo humor justamente em um ano em que não consegui passar para faculdade de Comunicação Social, que só tinha na UFC na época. E ainda bem que o humor deu certo. Depois voltei a tentar o vestibular, passei, fiz um semestre, mas já não dava para conciliar com os shows da noite e as muitas viagens. Ou seja: se eu não fosse humorista seria jornalista. Mas, desde 1988 tenho uma empresa de shows e vivo do humor. E desde a primeira vez que subi no palco, vi que era aquilo que eu queria para minha vida. Acho que tive muita sorte, pois a receptividade foi tanta, a Rossicléa passava “tanta verdade”, que fui criando todo um universo para a personagem. Ainda tem muita gente que questiona se Rossicléa é homem

ou mulher e eu acho um barato! As pessoas estão acostumadas a ver homens vestidos de mulher e a Rossicléa tem uma pegada meio over. A cena gay a trata como igual e ela é muito querida por todos porque não faz de conta, ela é igual.    E\\ Sobre o Programa "Só de H", foi uma ideia sua? A junção de tantos talentos gera só risadas ou há espaço para disputa? VV\\ Longa história! Hahahaha. Eu produzo os shows de humor na Lupus Bier, em Fortaleza. E nós, humoristas, temos uma vida diferente: trabalhamos enquanto os outros se divertem. E quando pensamos em nos divertir, todo mundo já foi dormir e o bar já fechou. A maioria de nós cria e vive melhor nas madrugadas, alguns internautas compulsivos, outros insones famintos, mas quando é dia de show o nosso camarim é uma grande festa. Conseguimos um feito maravilhoso: o “Humor de Primeira”, que é o cast da Rossicléa Produções, (composto) de artistas maravilhosos e amigos de verdade. Nossos encontros têm histórias sensacionais de bastidores, muitas delas impublicáveis, risos e noitadas memoráveis. Chegamos horas antes dos

No Palco – A grande dama do humor cearense provoca risos da eclética plateia

“Nós, humoristas, temos uma vida diferente: trabalhamos enquanto os outros se divertem” www.portofreire.com.br

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// Destaque

“A maioria de nós [humoristas] cria e vive melhor nas madrugadas”

shows, mas para irmos embora, no bom ceares, “tem é Zé”! Pois bem, numa dessas noites nos pegamos dizendo: aqui dentro do camarim o show é melhor do que aquele em cima do palco. Como são vários numa noite, quem vai vindo do palco vai ficando. No final, vimos que se passa mais tempo no camarim do que em cena. O “Só de H” foi criado justamente para ser uma extensão deste clima de camarim: mostrar que somos amigos de verdade, que não existe competição, que todo mundo quer ver tudo dando certo, que convivemos muito bem mesmo e nos ajudamos sempre, que rimos uns dos outros e traduzimos isso nas externas, no dinamismo e no “prazer de fazer” de toda a equipe. Para você ter uma ideia, “o martelo (do programa) foi batido” numa corrida à uma hora da manhã, onde estavam o Alex Nogueira e o Sérgio Sampaio, meu marido. No outro dia, nos sentamos para formatar como seria o nosso programa “Só de H”, na TV Jangadeiro. E\\ Valéria, você criou outros personagens para o rádio. Por que não os levou para os palcos? “Se eu não fosse humorista, seria jornalista”, diz Valéria Vitoriano

VV\\ A Rossicléa sempre foi o meu “Didi Mocó”, embora durante um período eu tenha desenvolvido outros personagens de sucesso para a Rádio Cidade, em Fortaleza, tais como Jéssica (a menina que não parava de perguntar), Rita Dockside (a homossexual conquistadora) e Véa da Itaoca (a idosa hipocondríaca). Lá também foi onde trabalhei com o Wellington Muniz (o ‘Ceará’ do Pânico) e me permiti desenvolver outro tipo de linguagem. Mas, penso que não conseguiria sobrepor as demais personagens em cena, por isso ficaram só para o rádio. Usei esses personagens em esquetes no Programa “Só de H”, mas a ideia é criar quadros novos e tirar os quatro apresentadores da nossa zona de conforto. E\\ O que você acha desse novo time de humoristas e programas, tanto na TV quanto na Internet, que vêm surgindo? VV\\ Acho ótimo! Tem muita gente boa chegando por aí e o stand

No Lupus Bier, Rossicléa convida humoristas para dividir o palco e fazer rir a cearenses e turistas

“Acho que o humor cearense é o melhor do mundo”

up “conversa” muito bem com o humor de personagens - é tanto que já tratei de mesclar alguns nos shows que produzo. O humor que faz rir é o que nos interessa. Hoje, o nosso “Humor de Primeira” traz personagens, cantores, clowns, stand up e riso garantido. Tudo 100% cearense. O sucesso é resultado de uma busca incessante de um humor que realmente nos faça rir. Acho que o humor cearense é o melhor do mundo. Defendo o meu! Mas Minas Gerais também tem um humor bem próprio, vários artistas saíram de Minas e tem feito muita coisa na TV. Encontramos humoristas até no Acre, mas, cada um tem suas particularidades e seu público. Agora, como em todo lugar, tem os bons e os ruins. E\\ Uma discussão recorrente nos dias de hoje – em que há uma patrulha em favor do politicamente correto – diz respeito aos limites do humor. Como você enxerga essa questão? VV\\ Só começamos a falar de “politicamente correto” com a chegada das redes sociais, que redimensionaram o “fazer humor”, com todo mundo podendo postar coisas que ache engraçadas. Aí o pessoal do stand-up passou a dar a cara a tapa e trazer

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a originalidade que o mercado precisava. Enquanto uma parte dos humoristas copiava textos e gags de personagens, veio a internet e mostrou o que cada um estava fazendo em algum lugar do Brasil ou do mundo. A questão é que, às vezes, tem gente que passa do ponto, na sua busca incessante de realmente fazer rir. Alguns para chocar, outros para conseguir um diferencial, alguns ‘sem talento’ que usam a internet para pulverizar o seu sucesso fake. Enfim, tem de tudo. O limite é de cada um. Não critico, mas tenho bem definido o que posso fazer e até onde devo ir em cima de um palco. E\\ Que novos projetos você tem em vista? VV\\ Muitos projetos e como são projetos, não posso contar ainda. Hahahahahahaha. Mas sempre peço a Deus para mostrar o caminho. A nossa intuição com a ajuda de Deus é o que nos faz andar para frente. E\\ Por fim, é difícil fazer rir? VV\\ Isso é o tipo da coisa que não se escolhe, se faz. O riso do outro me dá prazer e me faz viver.

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// Gente da Gente

Reconstruindo

vidas Por Lucílio Lessa Fotos Banco de Imagens

Com o intuito de dar uma nova chance a cidadãos que estão cumprindo sua dívida com a sociedade, a Porto Freire dá exemplo de solidariedade.

com uma quase inexistência taxa de absenteísmo. Estamos com situações de alguns que estão crescendo e galgando novas áreas. Um deles, por exemplo, já está se especializando na carpintaria”, destaca o coordenador de Desenvolvimento Humano, Felipe Teixeira.

C

ontribuir na busca por uma sociedade melhor não faz parte só do discurso da Porto Freire, mas de suas ações. Prova disso é a adesão da construtora ao projeto “Reconstruir”, pertencente ao programa “Um novo tempo”, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) em parceria com o Sinduscon (Sindicato das Construtoras), e que busca a ressocialização de presos. “A iniciativa beneficia cumpridores de penas nos regimes semiaberto e aberto ou em livramento condicional e já emprega mais de 35 cumpridores de penas restritivas de liberdade que trabalham em canteiros de obras de 21 construtoras de Fortaleza”, destaca material ilustrativo do Poder Judiciário. Pela iniciativa, a Porto Freire recebeu o Prêmio de Responsabilidade Social. Com expectativa de ampliar o número de contratados, a construtora selecionou quatro ex-detentos: Claudemir Chaves Pereira, Reginaldo Sousa Cunha, Francisco Araújo de Oliveira e José Ricardo da Silva Romão. “São funcionários comprometidos com o trabalho,

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De acordo com Felipe, a adesão ao projeto “Reconstruir” vem ao encontro das políticas e valores praticados pela Porto Freire. “Acreditamos que ao explicitarmos a nossa cultura ou, como chamamos, ‘identidade organizacional’, com missão e valores, estamos dan-

Beneficiados com o ‘Reconstruir’ relatam suas experiências em entrevistas.

do mais um passo ao encontro de um crescimento sustentável pela harmonização dos nossos objetivos humanos, sociais e comerciais observando uma maior coerência entre os princípios, meios e fins das nossas ações”, diz, acrescentando que a ideia é “continuar cumprindo com a nossa missão de utilizar o trabalho como um meio para fazer crescer as coisas e as pessoas, de maneira a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna”. Perguntado sobre o que sentiu quando foi selecionado, Claudemir Chaves falou em liberdade. “Vi ali que ia adquirir os meus direitos novamente, pois eu estava à margem da sociedade. Havia dito à minha família, que sempre me apoiou na minha recuperação, que ia parar de cometer delitos e parei. Me abriram as portas aqui. Respeito a todos e minha meta é esquecer o passado. Vejo novos horizontes e agora sigo o caminho do bem”, conclui.

Prêmio “Responsabilidade Social – Poder Judiciário” Programa Reconstruir, do Tribunal de Justiça e Sinduscon de reinserção social de egressos do sistema penal.

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// Giro

Um péna

Europa e outro na

Ásia

Enquanto acompanha a história de amor entre Onur e Sherazade, na novela Mil e Uma Noites, pela TV Bandeirantes, o telespectador se delicia com as belas imagens da cidade de Istambul, na Turquia. Monumentos seculares e edifícios modernos são exemplos de uma cidade que convive com o antigo e o novo, mesclando as culturas europeia e asiática. A Estilo mostra porque a cidade mais populosa da Europa continua cativando visitantes de todo o mundo desde os tempos medievais.

A Basílica Santa Sofia, hoje museu, durante quase dois séculos foi a maior catedral do mundo

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Por Rozanne Quezado Fotos Banco de Imagens

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// Giro

// O artesanato e as especiarias Rica arquitetura no interior da Basílica Santa Sofia, hoje transformada em museu.

Depois de cumprir o roteiro religioso, é hora de conhecer o mais tradicional centro de compras de Istambul: o Grande Bazar. Um dos maiores e mais antigos mercados cobertos do mundo, que funciona desde 1461.

// O cântico que arrepia

E

ntre a Europa e a Ásia, o Mediterrâneo e o Mar Negro, Istambul é a única cidade do mundo que une dois continentes e duas culturas. É uma cidade antiga e contemporânea ao mesmo tempo. Da época em que esteve sob o domínio dos impérios romanos e otomanos, ostenta monumentos grandiosos, como a Basílica de Santa Sofia e a Mesquita Azul, e uma gastronomia diversificada e saborosa. Da atualidade, a arquitetura moderna dos edifícios espelhados e das pontes gigantescas e uma efervescência cultural e de entretenimento, com importantes centros universitários, restaurantes de bandeira internacional, bares descolados, discotecas e casas de shows. É esse contraste entre o novo e o antigo, entre a cultura europeia e asiática, que torna a cidade fascinante. Para começar a entender esta metrópole de mais de 2000 anos de idade, vamos para o centro histórico de Sultanahmet, a parte mais antiga da cidade e local preferido dos visitantes, tanto para se hospedar, como para passear. Lá estão as principais atrações turísticas.

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O ponto de partida é a Praça Sultanahmet. De onde se pode visualizar os mais significativos monumentos: a Basílica de Santa Sofia e a Mesquita Azul. Separadas pela praça, estas duas imponentes edificações representam a excelência da arquitetura - dizem que, depois delas, o conceito de arquitetura nunca mais foi o mesmo – e contam uma história interessante. A Basílica de Santa Sofia, ou Hagia Sophia (Sagrada Sabedoria), foi construída pelo imperador Justiniano, entre os anos 527 e 537. Enfrentou incêndios, terremotos e saqueadores e por quase mil anos foi considerada a maior catedral do mundo. Com a tomada dos otomanos, no século 15, foi transformada em mesquita e assim permaneceu até 1931. Depois de quatro anos fechada, foi reaberta como museu, em 1935. O seu interior impressiona pela riqueza arquitetônica e os elementos que a compõem, tanto do catolicismo como do islamismo. Mosaicos em estilo bizantino retratando cenas religiosas, afrescos, pilares de mármore maciço que sustentam o edifício e a famosa cúpula de 31 metros de diâmetro.

Foi a grandiosidade desta Basílica que fez o sultão Ahmed I querer construir a sua própria mesquita, com um detalhe: que fosse mais imponente que a Hagia Sophia. Entre 1606 e 1616, do outro lado da praça, foi erguido o maior centro religioso de Istambul: a Mesquita de Sultanahmet, popularmente conhecida como Mesquita Azul, por conta dos famosos azulejos azuis pintados à mão, que cobrem o seu interior. Com seis minaretes, ela pode ser vista de diversos pontos da cidade. Competindo em beleza e magnitude com a basílica, a mesquita impressiona os turistas que a lotam diariamente.

Na foto à esqueda: a Mesquita Azul a partir da Praça Sultanahmed

O local é um enorme labirinto, com cerca de cinco mil lojas, instaladas em mais de 60 ruas, onde se encontram desde artigos tradicionais, como tapetes, objetos de cerâmicas, luminárias, narquilés e joias até os produtos ‘made in China’. Em meio a tantas tentações, o negócio é pechinchar – barganhar faz parte da cultura turca - e conseguir uns descontos para levar as lembrancinhas para família e para os amigos. Entre uma compra e outra, dá para relaxar tomando um chá ou um café turco.

Nas fotos à direita:

Para entrar em seu interior é preciso seguir algumas regras: sem calçados, ombros e pernas cobertos - as mulheres precisam cobrir a cabeça com um véu e não podem usar roupas justas -, e as fotos são permitidas, desde que sem flash. A mesquita fecha nos horários de oração dos muçulmanos (cinco vezes ao dia). Nesse momento, pelos altos falantes das torres, acontece o chamamento dos fiéis para a oração, que parece um cântico e que é repetido por todas as mesquitas (cerca de duas mil), fazendo com que a cidade entre em uma sintonia musical que impressiona e dá arrepios.

O colorido das especiarias e dos tecidos nos mercados de istambul

Não muito longe dali, está o Bazar das Especiarias ou Bazar Egípcio. Mais simples e com cerca de 100 lojas, é mais instigante que o Grande Bazar. As melhores especiarias provenientes de todo o Oriente e da Índia estão lá, enchendo os corredores de aroma e cores. Os mais variados condimentos e frutas secas, como damasco e figo, além de ervas usadas na fabricação dos famosos chás medicinais do Oriente. E ainda se pode provar os típicos doces turcos, a base de pistache, nozes e damasco.

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// Giro

// Não deixe de conferir Além das mesquitas, das compras e das baladas, há muitos lugares para visitar e curtir em Istambul. Dentre os imperdíveis, estão:

Cruzeiro pelo Bósforo – Navegar pelo Estreito de Bósforo, que divide o lado asiático e europeu de Istambul, é um passeio imperdível. Do barco se pode avistar os belos palácios, mesquitas e edificações históricas da cidade.

// Onde ficar

Seja dia ou noite, a vida em Istambul é sempre movimentada

Por muitos séculos Istambul foi chamada de Constantinopla

Palácio Topkapi – Museu, que foi residência dos sultões, com objetos valiosos, como joias do tesouro imperial, armas, carruagens, além de relíquias, como fios da barba de Maomé. O local mais requisitado é o Harém do Palácio, rico ambiente onde o sultão vivia com suas esposas e concubinas.

Istambul tem boa infraestrutura hoteleira, com preços para todos os bolsos. Um exemplo é o 3 estrelas Sapphire, com um café da manhã primoroso e um atendimento excelente. Além de ficar no coração de Sultanahmet, de onde se pode percorrer a pé diversos pontos turísticos. Para quem prefere os agitos de Beyoglu, o Aston Residence é uma boa opção porque fica próximo aos atrativos do bairro.

Do terraço do restaurante Anjelique

// Saiba mais

se pode jantar tendo como cenário o Bósfo-

// A face europeia de Istambul O lado mais europeu da cidade está no bairro de Beyoglu. Formado por imigrantes gregos, espanhóis e armênios, o local é eclético e cheio de vida. Multidões de turistas percorrem a principal avenida, a Istiklal, repleta de lojas de marcas estrangeiras e nacionais, restaurantes, bares, pubs e casas de show. A efervescência do local acontece durante o dia e ganha mais animação à noite, quando os restaurantes e bares e se transformam em locais de baladas.

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Importante corredor comercial entre a Europa e a Ásia, Istambul foi alvo de disputa entre diversos povos no passado

Em mais de dois mil anos, Istambul viveu diferentes etapas de sua construção. Foi tomada por distintos povos e representou um dos mais importantes corredores comerciais entre o mundo europeu e asiático. Dentre os nomes que recebeu, quando esteve sob o domínio de diversos conquistadores, como os romanos, os bizantinos e os otomanos, foi chamada de Bizâncio e, por muitos séculos, de Constantinopla, quando se tornou a maior e mais rica cidade europeia e a capital da Cristandade. O nome Istambul só foi oficialmente adotado em 1930. Dos períodos áureos, a cidade herdou os mais importantes monumentos religiosos e políticos.

ro e a magnífica ponte que separa a Europa da Ásia.

// Onde comer

Cisterna da Basílica – No subsolo da Hagia Sophia está outra imponente obra: o local, que armazenava a água para abastecer o Grande Palácio, é sustentado por 336 magníficas colunas, entre elas, duas apoiadas sobre estátuas gigantescas da cabeça da Medusa.

A gastronomia de Istambul é um passeio à parte. Restaurantes, bares, docerias e casas de chá, com seus cardápios diversificados de iguarias típicas confundem na hora de escolher o que comer ou beber. E os preços são bem acessíveis. Para um lanche, os kebabs e duruns (sanduiches de pão folha) ou o sahlep (uma mistura de leite, raiz de orquídea, açúcar e canela) são opções deliciosas. Para almoçar ou jantar, se está disposto a gastar um pouco, vale a pena conhecer o famoso restaurante Anjelique, às margens do Bósforo.

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// À Mesa

Elementos inusitados compõem os diversos ambientes do Moleskine

Embarque no

Por Lucílio Lessa Fotos Jarbas Oliveira

Moleskine Grande tendência na gastronomia, por conta da

informalidade, os gastrobares vêm se multiplicando dentro e fora do País. Com ambiente sofisticado, o Moleskine Gastrobar, em Fortaleza, se destaca no cenário gastronômico pela atenção aos detalhes e cozinha inspirada em andanças pelo mundo.

“Um lugar para ver e ser visto”. É assim que o Moleskine Gastrobar, conhecido espaço gastronômico de Fortaleza, se refere a um dos vários ambientes da casa, o Bar da Rua. Mas há quem ache que a definição serve para o próprio Moleskine. Com sofás estilizados, mesas e plantas em sua ambientação, o Bar da Rua antecede o salão principal, o Loft, e acaba dando a dica do que está por vir. Tão exuberante quanto convidativo, o Loft é o maior espaço do gastrobar, com 90 lugares e uma decoração industrial chic, inspirado nos lofts londrinos. À esquerda, o bar central mescla modernidade com elementos inusitados, como a parede de “cobogós”. Imediatamente acima, imagens em 3D Mapping de última geração. Já no canto, plataforma para a apresentação de Dj’s, que se revezam.

DJs se resevam na plataforma montada no local

Ao percorrer o salão com os olhos, destaca-se a enorme tela de arte, em grafite à direita, emoldurando um ambiente com mesas bem distribuídas, sofás confortáveis e uma iluminação especial que garante o tom de requinte, mudando de acordo com o volume da música – sistema de som pioneiro na cidade. Uma atmosfera inovadora, perfeita para reunir os amigos e ótimas conversas: é assim que o Moleskine se autodefine. Nada lá é por acaso e grande parte da decoração é assinada por artistas conhecidos. Mas quem pensa tratar-se de um local pretencioso, está enganado.

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// À Mesa

O chef paulista Rafael Iori e o variado cardápio da casa

// Menu diverso

Variados ambientes recebem públicos distintos

“Toda a ideia foi conceituada no ambiente loft do viajante” – Felipe Lima

O Moleskine é fruto de pesquisa em gastrobares de cidades brasileiras e de outros países.

// Espaço do viajante Há duas formas de realmente entender o espírito do Moleskine. Uma delas é, obviamente, frequentando o local – sentindo, de fato, a dinâmica, o cuidado com que tudo é tratado, inclusive os clientes. A outra é batendo um papo com quem bolou todo o conceito do lugar, o empresário Felipe Lima. Aos 30 anos, ele, que também é publicitário e MBA em empreendedorismo, comemora o sucesso do gastrobar, inaugurado há cerca de um ano e meio. Com jeitão elegante, discreto e pinta de quem já frequentou dos mais sofisticados aos mais exóticos locais do mundo, Felipe traduz bem o conceito do lugar: de viajante. A propósito, curiosamente, Moleskine é o tradicional caderninho de viagens. “Toda a ideia foi conceituada no ambiente loft do viajante, alguém que viajou por vários cantos do mundo, ouviu várias músicas, provou de várias gastronomias, vinhos e resolveu abrir a casa dele para receber os clientes”, diz. Para montar o Moleskine, Felipe e seu sócio, Deda Gomes, viajaram bastante, de fato. “Foram quase dois anos. Fomos à Europa,

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Estados Unidos. Pesquisamos ambientes baianos, que têm bons gastrobares, assim como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Entendemos que no mercado só é lembrado quem gera experiência. Nisso, se inclui a experiência visual, a olfativa. O ideal é você viajar em todos os sentidos. Isso é o que a gente quer”, destaca o publicitário. As palavras de Felipe ecoam pelo gastrobar. As referências estão por todo lado. Da tela com o Mapa Mundi indicando a origem da carta de cervejas aos globos estilizados no teto retratando os cinco continentes. A parede grafitada traz várias inspirações de galerias visitadas por ele, no Brasil e no exterior. Já o telão exibe imagens de cidades mundo afora e paisagens exóticas. Toda a arquitetura faz alusão a viagens e têm uma pegada de sustentabilidade, seja pelos itens aproveitados de restos de obras, os sofás cobertos por lona de caminhão, pelas jarras de plástico ou metal e a iluminação led. Ao todo, cerca de duas mil pessoas frequentam o restaurante, por semana. Metade delas, de sexta a domingo.

Uma rica adega oferece diversas opções de vinho

Con consequi quosam eost enda e aio que necerna temolor estrunt eum debis des maio optam eum re con perum quiam adi ad eos ute ne sedi dolendem. Et eturepe rovidunt. Dam ab id moloribuscia.

No Moleskine não é só a decoração e a arquitetura que remetem ao viajante. A riqueza de detalhes das viagens está presente, sobretudo, no menu. Lá, o cardápio é um importante destaque e tem grife do chef paulista Rafael Iori, gastrônomo com vasta experiência nos mercados paulista e cearense, com especialidade na cozinha italiana, mas que expande seu talento trazendo um inovador e intrigante menu. Trocando em miúdos, tudo lá é uma delícia. Há seis meses à frente da cozinha do espaço, Iori substituiu as frituras do cardápio anterior, que era baseado na gastronomia mineira, por uma diversidade gastronômica, fazendo jus à proposta do Moleskine de trabalhar uma culinária universal. “Somos um lugar que tem um encontro de diferentes gastronomias. Nossa ideia é remeter tudo isso em um lugar só. Temos uma pegada contemporânea, mas que não foge ao regionalismo do Ceará. São pratos que remetem à comida mexicana, italiana, francesa etc. Tudo isso misturado com ingredientes bem regionais”, diz o chef. Da gastronomia francesa, Iori aponta o cuidado com a qualidade dos alimentos e a forma de preparar o prato. E ressalta que praticamente não usa conserva. Ao todo, o menu contém 85 opções, entre os petiscos Moleskike, os grelhados e as “comidinhas” (porções individuais de 350g a 380g, ou seja, mini jantares). “A ideia é que você não fique extremamente cheio e possa continuar socializando, tomando seus drinks”, diz Felipe. Ele ressalta que o Moleskine não é um restaurante tradicional, no qual a pessoa pede a entrada, o prato principal, a sobremesa e vai embora. “Queremos quebrar essa regra. Essa é a grande proposta do Moleskine Gastrobar. Há clientes que chegam a ficar 12 horas conosco. Do almoço ao jantar”, diz Felipe.

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No Moleskine, há ambientes para todo tipo de cliente, inclusive o fumante

// Assado especial // Dica do chef

// Quanto custa? Uma noite ideal no Moleskine começa com algum dos famosos petiscos entre eles coxinhas de pato ao tucupi, risoto de filé ao funghi, honey ribs (costelinha defumada suína com mel), caldinho de feijão, ceviche com espuma de coco seguido por uma “comidinha”, como nhoques e ravioli e, por fim, algumas das deliciosas sobremesas: o petit-gateau de Nutela ou de limão siciliano, brownie de ovomaltine e crepe de rosas. Um jantar assim fica em torno de R$ 80 a R$ 100, por pessoa. A bebida é um detalhe a parte. “Temos mais de 300 rótulos de diferentes países e a melhor carta de cerveja de Fortaleza, com 80 rótulos”, destaca o chef Rafael Iori. Ainda sobre o tema, Felipe Lima ressalta que o Moleskine foi pioneiro em ser um bar com drinks evoluídos. “A carta de drinks é bastante intensa. Trouxemos drinks de São Paulo, que fazem muito sucesso, como o Moscow Mule (mistura de vodka, ginger beer e limão). Estamos quebrando esse paradigma de que cearense não gosta de tomar drink, por ser supostamente uma bebida feminina. Temos na faixa de 35 drinks. São nossos carros chefes”, diz. No próprio cardápio, o cliente vê que tipo de bebida combina com cada prato.

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Equipe de profissionais do Moleskine

Perguntado sobre qual seria o prato do momento, o chef Rafael Iori destaca o Tuna Asian (atum selado com purê de manga). Nele, o sabor do atum, carne com proteína mais forte, mas com um gosto sensível, se mistura ao acastanhado do gergelim preto e à doçura da manga. No final, o gosto da pimenta. “São basicamente todos os sabores num prato só: o doce, o salgado e o apimentado. Fica pronto numa faixa de 5 minutos. Nele, você tem ainda o molho de ostra, que dá uma quebrada no adocicado da manga, faz o contraste”, ressalta. Para tomar junto com o Tuna Asian, a vedete é uma cerveja belga. “Como é um prato muito delicado, se a gente jogasse uma cerveja de alta fermentação, ia matar o sabor do peixe. Na composição dessa cerveja tem casca de laranja e coentro. Como já temos coentro no prato, acaba fazendo uma combinação. É uma cerveja clara, leve e combina com o atum, que apesar de delicado, é forte. Tem carne vermelha”, diz o chef.

Outro ponto forte do Moleskine, segundo Iori, são as carnes nobres, que ganham sabor especial por conta da Parrilla Argentina, churrasqueira que permite uma temperatura constante no assamento da carne. “Você assa sem a força da chama. É só na brasa. Então, tem uma forma de assamento por igual, sem alteração de temperatura. Isso conserva a suculência da carne muito mais que uma churrasqueira normal”, explica.

// No andar de cima

O Moleskine dispõe ainda de um sistema diferenciado de almoço, pioneiro na cidade. Definido como almoço Happy Moleskine, com direito a DJ, ele conta com uma peculiaridade: o rodízio de acompanhamento. “Você escolhe o seu grelhado e aí vai passando os carrinhos da Varig, com vários acompanhamentos primes, exclusivos, inclusive a deliciosa farofa Moleskine, imbatível na cidade”, orgulha-se Felipe Lima. Os cerca de 15 acompanhamentos são servidos à vontade, quantas vezes o cliente quiser. O almoço varia de R$ 38 a R$ 63, dependendo do grelhado. Não dá para resistir.

Em seus 600m2 de área, o Moleskine tem dois andares com cinco modernos e descolados ambientes, com capacidade para 200 lugares sentados e 100 lugares para eventos em coquetel. Na parte superior, encontra-se o Roof Top, um espaço a céu aberto com mesas, lounges e vista panorâmica especial para casais, amigos e comemorações. Também é um espaço direcionado para os clientes fumantes, com capacidade para 60 lugares. Já o Espaço Cult é destinado a eventos de arte (exposições e galeria), eventos corporativos e privados. Por fim, a Adega, espaço exclusivo com mesas e seis lugares, para momentos especiais.

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// Tijolo por Tijolo

Escrit贸rio

de Projetos Com o intuito de otimizar o cumprimento das demandas dos diversos setores, a Porto Freire aposta no planejamento de projetos de qualidade. Por Luc铆lio Lessa Fotos Jarbas Oliveira

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// Tijolo por Tijolo

Visão macro O resultado da ação pode ser conferido, por exemplo, nas reuniões semanas de diretoria, quando são apresentadas as estatísticas de prospecção, vendas, procura, dentre outros. Isso facilita as tomadas de decisões a partir de uma visão macro dos processos. Outro destaque outro destaque foi o crescimento do número de indicadores, através do Programa Cliente Multiplicador. Com a missão de deixar a ação mais sistematizada, o setor elaborou um plano com base na divulgação da plataforma, conseguindo ainda mais projeção e transformando o projeto em processo. “Na verdade, já existia um processo, mas o setor de marketing queria um projeto para atender um maior número de clientes. Então passamos a enviar newsletter, uma ficha nova, entre outros”, diz. A mudança de projeto para processo é uma das premissas do Setor de Produtividade. “Digamos que um gestor de área tenha necessidade de um projeto para alguma ação. Neste caso, trata-se de algo que deve ter início, meio e fim. Então, converso, vejo a necessidade. Projeto é diferente de processo, pois este é continuo e surge de um objetivo. Geralmente, os projetos vêm da reunião de marketing ou da diretoria”, explica Camila. Metodologia do Setor de Produtividade “Com o aumento da concorrência e o cenário global se mostrando cada vez mais competitivo, cresce a necessidade de as empresas se tornarem ainda mais organizadas”. A frase da assessora do Setor de Produtividade, Camila Nojoza, ilustra a dinâmica que a Porto Freire estabeleceu para garantir a excelência de suas demandas de trabalho.

Assessora do Setor de Produtividade, Camila Nojoza mostra os bons resultados do Escritório de Projetos

Mais conhecido como Escritório de Projetos, o setor foi criado há cerca de dois anos com a missão de fortalecer uma visão integrada, com plano estratégico em toda a cadeia de valor da organização, sendo responsável por reunir o portfólio de projetos. Segundo o escritor e engenheiro americano, Harold Kerzner, “a estrutura da maioria das empresas é burocrática e lenta e esse modelo não consegue dar uma resposta rápida a um ambiente em constante mutação. Portanto, a estrutura tradicional hierárquica deve ser substituída por uma estrutura de projetos, ou outra estrutura temporária de administração que seja capaz de responder rapidamente às situações criadas dentro e fora das organizações”. É essa a dinâmica já exercida na Porto Freire. Antenada com essa necessidade mundial, Camila, que tem formação em Marketing, MBA em Administração em Negócios e está se especializando em Gerenciamento de Projetos e Processos, afirma que, na construtora, a busca pela melhoria é contínua. “Tudo está aliado ao planejamento estratégico, que é a nossa visão, missão e valores. Os projetos estão sempre associados aos objetivos e a necessidade de ter o escritório é deixar as informações mais organizadas e ágeis (como já disse Kerzner)”, ressalta.

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“Tudo está aliado ao planejamento estratégico, que éa nossa visão, missão e valores” – Camila Nojoza

Camila explica que existe uma metodologia empregada em todos os projetos. “Há uma documentação a partir da literatura da área. Um projeto tem que ter objetivo, título, justificativa, fatores de sucesso, tempo, orçamento, e quem será a pessoa responsável por ele. Então, planejamos, conduzimos e organizamos, a fim de realizar o processo da melhor maneira possível para se chegar ao objetivo. Tudo isso alinhado aos objetivos da organização”, diz. A gestora ressalta, ainda, que a implantação de um setor assim exige tempo para se estabelecer um grau de maturação na empresa. “Chamamos uma consultoria externa para explicar a todos o que é um escritório de projetos. Hoje, os setores abraçam a ideia, já está internalizado”, diz. De acordo com PMBOK, “bíblia” do setor em nível mundial, estão entre as atividades atribuídas ao departamento “controlar recursos compartilhados e coordenados em todos os projetos administrados pelo PMO (Project Management Office, ou escritório de projetos); e identificar e desenvolver metodologia, melhores práticas e normas de gerenciamento de projetos. Destaca-se ainda a prática de centralizar e gerenciar as informações para políticas, procedimentos, modelos e outras documentações compartilhadas do projeto, assim como repositório de informações referentes a riscos, custos e lições aprendidas de projetos; coordenar central de gerenciamento das comunicações entre projetos; e centralizar monitoramento de todos os prazos e orçamentos dos projetos, assim como coordenação dos padrões de qualidade globais do projeto entre o gerente de projeto e qualquer pessoal externo ou interno de qualidade ou organização de normalização”.

Visão macro: Outro destaque foi o crescimento do número de indicadores, através do Programa Cliente Multiplicador.

O ‘Escritório’ identifica e desenvolve metodologia, melhores práticas e normas de gerenciamento de projetos

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// Cult

Primeiro Food Park em ambiente residencial O Food Park del Sol aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de agosto, de 17h às 23h, no Parque Del Sol (Rua Joãozito Arruda, s/n Cidade dos Funcionários). O evento foi aberto ao público e contou com as mais diversas opções gastronômicas e uma multidão de moradores e visitantes de todos os bairros da cidade de Fortaleza, além de muita música boa mixada pelo DJ Gilvan. Confira quem marcou presença no evento:

Fotos Wellington Gomes

Edição

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Revista Estilo - Setembro 2015  

O papo descontraído com a maior humorista cearense: Valéria Vitoriano.

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