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Gente da Gente Ano 09 Ed.01 Jan Fev Mar de 2018

“Sou mais ação” entrega a primeira casa

GIRO

Praga: a beleza medieval do Leste Europeu

DESTAQUE

Drauzio Varella

Médico visita o sertão cearense e fala sobre descaso na saúde pública e a necessidade de médicos mais humanistas.


// EDITORIAL

SUMÁRIO

Sumário Editorial

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Drauzio Varella Famoso médico visitou o sertão do Ceará

E

m sua passagem por Fortaleza, o famoso médico Drauzio Varella conversou com a Estilo, destacando a atuação e os problemas da medicina no Brasil.

Expediente Estilo é uma publicação da Porto Freire Engenharia PRESIDENTE

Jorge Wilson Porto Freire DIRETORA TÉCNICA

Nesta edição, mostramos o primeiro resultado do programa social “Sou mais ação”, criado pela Porto Freire: a entrega da casa do colaborador Igor Rocha. Confira o emocionante depoimento de quem realiza o maior sonho de sua vida. Outro sonho realizado foi a entrega do diploma de 30 colaboradores da Porto Freire pela conclusão do Ensino Médio através do projeto “Educar Aprendendo”. A partir daí, muitos já ampliam seus desejos e miram um futuro com formação universitária.

Destaque

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Tatiana Freire DIRETORIA ADMINISTRATIVA FINANCEIRA

Adriana Freire COORDENADORA DE MARKETING

Valdenisia Souza

Uma cidade com um belo conjunto arquitetônico e onze séculos de história. Assim é Praga, a bela capital da República Tcheca, que a Estilo convida a conhecer e desfrutar de um passeio por este charmoso pedaço da Europa medieval.

Gente da Gente

Giro

Casa nova para Igor

Beleza e originidade de Praga

REDAÇÃO

R&B Comunicação JORNALISTA RESPONSÁVEL

Rozanne Quezado PRODUÇÃO E REVISÃO

Rozanne Quezado Lucílio Lessa Valdenisia Souza FOTOS

Jarbas Oliveira e banco de imagens PROJETO GRÁFICO

A moda minimalista é um dos ingredientes do armário cápsula adotado por descoladas blogueiras e que valoriza a famosa frase “menos é mais”. Usando as redes sociais, elas ensinam a otimizar o guarda-roupa e por a criatividade em dia. Confira como fazer no Bem viver. Também pelas redes socias, o Instagram, a jovem indiana Ropi Kaur ganhou fama como escritora. Ela lançou um livro digital – depois impresso – que virou febre no mundo literário. ‘Outros jeitos de usar a boca’ é uma coletânea de poesias, cujo conteúdo causa enorme impacto no leitor.

À Mesa

Raphael Lira DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO

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24| O franco-cearense Maison Plume

Boa leitura!!

Tijolo por Tijolo

‘Educar Aprendendo’ e os diplomados

Promosell Comunicação Fale conosco (85) 3299 6600 gestaomkt@portofreire.com.br

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Estilo Indica

A poesia e a arte de Ropi Kaur

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// Destaque

O País não pode depender de heróis Caminhando para um milhão de inscritos em seu canal no Youtube e referência na área médica em todo o País, o oncologista Drauzio Varella é um dos médicos mais conhecidos do Brasil. Tanta visibilidade pode ser atribuída, principalmente, à sua contribuição para o Fantástico, programa da Rede Globo, onde trata de maneira direta questões importantes sobre a saúde. A popularidade é o resultado de sua atuação séria e comprometida com a informação. Em visita ao Ceará para a gravação de uma websérie sobre linfoma, com previsão de estreia para abril, ele conversou com a Estilo sobre as desventuras da medicina na atual conjuntura brasileira. Texto Lucílio Lessa Fotos Anna Boga e banco de imagens

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// Destaque

Drauzio Varella esteve no sertão do Ceará gravando para o seu programa.

Ao lado da dra. Paola Tôrres, ele percorreu o árido sertão cearense.

RE - Como o senhor avalia a atuação dos médicos dentro desse cenário? DV - Acho que temos uma discussão em duas vias. A primeira é esse médico trabalhando nessas condições, sem as ferramentas mínimas, mas isso acaba servindo para o lado da desculpa, para não fazer mesmo. Então, é uma prática do empurra para frente. É tudo muito demorado. O mais ridículo é que você retarda muito o diagnóstico de uma doença como o linfoma e, quando ele sai, a doença já está em uma fase avançada, o que implica em tratamentos mais complexos e muito mais caros. Essa falta de organização na manutenção básica leva a um gasto muito maior para os hospitais terciários, onde a doença vai ser tratada com drogas caras, radioterapia, cirurgias.

Revista Estilo - Na sua passagem pelo Ceará, o senhor conferiu de perto a realidade do sertanejo em relação à saúde pública. Quais suas impressões? Drauzio Varella - Essa população vive em condições muito adversas, porque (de um lado) você tem essa seca, que dura tanto tempo, e as pessoas (de outro), que precisam sobreviver de qualquer maneira nessa circunstância. É uma estratégia de sobrevivência, com recursos mínimos e estrutura de saúde muito precária. Se uma doença simples já não é fácil tratar aqui, imagine uma doença complexa como um linfoma, que envolve um diagnóstico, uma biópsia, um exame anatomopatológico, e exames ainda mais especializados para você ver a extensão da doença. Como é que se faz isso quando faltam recursos mínimos? Faz-se um hemograma aqui para ter o resultado dias mais tarde. Temos uma estrutura muito precária e falta uma política de saúde no Brasil que dê amparo a essas populações. O SUS é municipal, mas as prefeituras trocam de secretários de saúde de acordo com as conveniências políticas. Não se consegue dar continuidade aos programas. Todas as conversas que a gente ouviu aqui, diziam: “Eu falei com fulano que conhece um deputado que me encaminhou para não sei onde”. Tudo na base da exceção. Parece que não é um direito do cidadão ter acesso à saúde.  

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RE – A sua visita ao Ceará está relacionada com a gravação de uma websérie sobre linfoma. Nesse contexto, será mostrado o exemplo de obstinação de uma médica de Fortaleza, a onco-hematologista Paola Tôrres. DV - A discussão da série é a seguinte: vou pegar o exemplo da dra. Paola Tôrres, uma médica comprometida com a realidade dessas pessoas, com uma ligação muito forte, inclusive pessoal, pois ela nasceu no sertão. Paola teve uma formação sofisticada, com cursos no exterior, frequenta congressos, possui pós-graduação, pós-doutoramento, e está envolvida na vida das pessoas que chegam no consultório dela, nos hospitais públicos (onde ela atua), com tumores avançados, tendo que fazer tratamentos agressivos. Muitos desses doentes morrem, pois, chegam em fases em que a doença já não tem mais cura. Ela se envolveu nesse processo todo e tentou

estabelecer conexões, criar mecanismos para que os diagnósticos sejam feitos mais precocemente e os doentes cheguem a ela em uma fase mais inicial da doença. Então, o objetivo da série é mostrar que cada pessoa pode fazer a diferença. Quando você pega alguém realmente comprometido, como é o caso dela, consegue ajudar muita gente. Pena que tenhamos poucas pessoas como a dra. Paola. E o país não pode depender de heróis assim. Ele tem que ter uma organização de profissionais em que cada um faça sua parte para o sistema inteiro funcionar. Mas, na situação atual brasileira, com essa desorganização em que a gente se encontra, especialmente nessas cidades aqui no sertão, uma pessoa como a dra. Paola faz a diferença. Acho que ela é uma lição para os médicos sobre como é possível, mesmo trabalhando em condições adversas, conseguir levar saúde para essas populações marginais que ficam abandonadas pelo país inteiro.

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// Destaque

Gravação no Ceará para a websérie será sobre linfoma

RE - A dra. Paola tem uma atuação importante na defesa das práticas integrativas para o tratamento de doenças como o câncer. Como o senhor avalia isso? DV - A medicina é uma coisa só. Isso tem que ser parte do tratamento. A realidade é diferente para uma pessoa que está na classe média alta em Fortaleza e uma pessoa que está no sertão. Essas pessoas que vimos, passam mal à noite e não têm uma farmácia na esquina. Elas vão ter que viajar 30 quilômetros para chegar em uma cidade que possa ter um pouco mais de recurso. Então, a integração da prática médica, da medicina sofisticada, cheia de recursos, com o ambiente em que aquela pessoa vive, é fundamental. É importante olhar o outro, como estão as condições dele. Se ele diz que toma um chá de erva cidreira e se sente melhor, você precisa considerar isso uma parte da medicina. Essa medicina objetiva que trata a doença, mas não olha a pessoa inteira, é a medicina mal praticada. A obrigação é justamente adaptar o tratamento para aquela pessoa. A função do médico não é só dizer o que o paciente tem que fazer. O médico é como um arquiteto. A pessoa fala as necessidades e o arquiteto aponta quais são as soluções. É precisa chegar a uma conclusão conjunta. O paciente precisa participar deste tipo de discussão ativamente. Ele não pode ficar na condição passiva, na qual o médico fala e ele obedece, pois, um dia, ele vai desobedecer. Mas, se ele estiver convencido de que aquela escolha foi a melhor, ele vai ficar muito mais aderente ao tratamento. Melhor, então, para ele e para o médico que a acompanha.

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Para Drauzio, a política de remanejamento de médicos deveria mudar

RE – Como o senhor avalia o crescente número de faculdades de medicina no País? DV - Vejo esse cenário com a maior preocupação. Faltavam médicos no Brasil e aí começaram a abrir novas faculdades. O Brasil tem hoje 305 faculdades de medicina. É o segundo país do mundo em número absoluto de faculdades. Perdemos para a Índia, que tem perto de 400 faculdades e um bilhão e 200 milhões de habitantes. Nós temos mais que os Estados Unidos, que a China. Cerca de 60% dessas faculdades de medicina são particulares. Todas essas que foram abertas mais recentes, são. O custo delas é uma coisa absurda. A mensalidade é de 5 a 16 mil reais. Aí você pega um menino ou uma menina desses - já que agora as mulheres são a maioria -, oriundo ou oriunda de uma família de classe média alta, com gastos de 70 a 80 mil reais por ano. Em seis anos de faculdade a família investiu quase um milhão de reais. Então, essa pessoa se forma e vai querer fazer residência, só que como o número de vagas foi aumentando sem nenhum critério, não há vagas nas residências para tanta gente. Só metade dos que se formam no

Um dos livros mais famosos do médido foi o “Estação Carandiru”

Brasil encontram vagas nas residências. E quem consegue são os melhores alunos, por meio de exames. A partir disso, vivemos, então, um paradoxo. Esses melhores alunos vão fazer mais três anos de residência e às vezes mais dois ou três de especialização. Ao todo, eles vão estudar uns 11, 12 anos. Te pergunto: onde estão os outros? Os outros que não conseguiram vaga na residência, portanto, os alunos mais despreparados, vão trabalhar nas cidades pequenas. Se uma pessoa em uma região dessas sofre um acidente, será atendida por um médico que, provavelmente, não conseguiu fazer residência. Olha o paradoxo, os melhores alunos a gente prepara mais, os piores alunos a gente põe para atender gente doente. É melhor esquecer que um menino ou uma menina (com boa formação) queira se meter em uma cidade de interior, pequena, que não tem cinema, não tem escola boa para os filhos. Isso é uma política demagógica, feita às avessas, que não tem a menor chance de dar certo.

RE - O que poderia ser feito com urgência? DV - O que precisa ser feito é criar uma carreira na saúde, como a gente tem no Judiciário. Por exemplo, você é advogado e quer ser juiz, então, presta-se um concurso. Quer trabalhar em Fortaleza? Vá para o interior primeiro, construir uma carreira. Vá para uma cidade bem pequena, depois uma maiorzinha, uma cidade média, aí você pode chegar em uma cidade grande. Se existe isso para um juiz, para um delegado de polícia, por que para um médico não? Metade dos médicos brasileiros está nas 27 capitais. O restante, 48% dos médicos, têm que atender cerca de cinco mil municípios. Aí, fica essa coisa permanente, essa discussão estéril de dizer que há má distribuição. Não é assim que se resolve o problema.

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// Gente da Gente

Igor Rocha (centro), recebe, na casa nova, o mestre de obras, Jacinto Araújo, e o engenheiro Andson Moreira.

DO SONHO À REALIDADE Colaboradores da Porto Freire têm casas reformadas a partir do projeto “Sou mais ação”, iniciado no ano passado. Trata-se de mais uma iniciativa de compromisso social da construtora.

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// Gente da Gente

Casa de Igor e sua família antes de participar do projeto Sou mais ação.

Os trabalhos começavam a dar uma cara nova à fachada da casa.

que del Sol é doado para reformar residências de funcionários selecionados por critérios como assiduidade e produtividade.

NOVOS SONHOS

A reforma da casa é como um sonho realizado

“Em 2017, foram selecionados cinco colaboradores das obras do Valência, Montblanc, Solaris, Madri, Villas Caldas e Ávila. O valor que estipulamos como orçamento para cada intervenção foi de cinco mil reais. Como o Igor morava em um barraco, decidimos construir a casa inteira em um terreno que ele havia conseguido comprar. Na verdade, o nome dele foi sugerido pelos colegas de trabalho. Foi uma atitude de muita generosidade”, destaca o engenheiro Andson Moreira, responsável pelas obras no empreendimento Portal de Ávila.

E

ra um dia de chuva quando o servente Igor de Araújo Rocha, 21 anos, abriu a porta para nos receber. Cheirando a nova, a sua casa é o destaque da rua onde mora pelo tom amarelo da fachada. Olhando de baixo para cima, chega a ser poético ver a casinha cor de ouro com nuvens sobre o teto. Nada mais apropriado, já que para Igor e sua família, a casa é de fato uma joia. Igor é tímido. Escorado em uma das paredes, buscava atender bem àquela “comitiva”, mas decerto parecia achar, no mínimo, inusitado participar de uma reportagem. Nenhuma expressão em seu rosto sobressaia naquele momento, mas seu olhar dizia uma imensidão. E bastou ser perguntado sobre como se sentia em seu novo lar, para o rapaz de origem humilde e que até pouco tempo morava em um barraco, abrir um sorriso. “Quando você é muito pobre, sonha, mas não imagina que seu sonho vai virar realidade. Agora eu vivo meu sonho acordado”, disse. Sonhar acordado, para Igor, é saber que sua esposa e seu filho recém-nascido estavam, naquela manhã, descansando enquanto a chuva teimava em cair lá fora e ele abria a janela para admirar o verde que brotava na porta de casa. Sonhar acordado é se deparar com a generosidade dos amigos, que indicaram o seu nome para o “Sou mais ação”, projeto idealizado pela Porto Freire Engenharia, e que consiste na reforma de casas de colaboradores das obras da construtora. Através deste programa, parte do material destinado à construção de edifícios no Par-

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Da janela da casa nova, Igor contempla um futuro melhor para a família.

O mestre de obras Jacinto José de Araújo, tio de Igor, ratifica as palavras de Andson. “Eu via a situação dele (Igor) e ficava muito triste. Quando a turma decidiu dar essa oportunidade, foi emocionante. A gente colocou essa casa de pé. Nosso sentimento é de irmandade”, ressalta.

De acordo com Andson Moreira, em 2018 serão selecionados pelo menos outros três colaboradores para o benefício. “Estamos decidindo com a diretoria como ficará a execução dos prazos, já que estamos concluindo as obras do primeiro grupo selecionado. A casa do Igor, que conta com sala, cozinha, quarto e banheiro, ficou pronta em 45 dias. Construímos esta casa pensando na durabilidade”, explica. Ainda sobre o projeto, a analista de Desenvolvimento Humano da Porto Freire, Beatriz Petter, chama atenção para o fato da construtora sempre manter o olhar de cuidado em relação a cada colaborador, buscando as formas de contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional, através da elaboração de uma gama de projetos que atuam nessas duas áreas. “Quando valorizamos o profissional e a pessoa, não só conquistamos resultados, mas contribuímos com o desenvolvimento das pessoas,” ressalta.

INCLUSÃO A declaração da analista se sustenta na política de inclusão social e de capacitação realizada pela Porto Freire. O “Sou mais ação” é um dos vários projetos idealizados em benefício dos funcionários da empresa. O “Educar Aprendendo”, por exemplo, iniciado em 2015, já formou 60 colaboradores nos ensinos fundamental e médio (conferir a matéria “O Poder da Vontade”, também nesta edição). O compromisso social da construtora também encontra vazão no projeto “Reconstruir”. Quem explica é a diretora Adriana Freire. “A proposta é contratar pessoas que estejam cumprindo pena nos regimes semiaberto e aberto, bem como egressos, para trabalharem nos canteiros de obras. Para nós, o retorno dessas pessoas ao mercado de trabalho colabora na sua recuperação”, avalia. A diretora técnica, Tatiana Freire, faz coro. “O papel da Porto Freire neste projeto é receber e empregar essas pessoas, oferecendo condições de trabalho e recebendo a equipe multidisciplinar do TJCE (Tribunal de Justiça do Estado do Ceará) para acompanhamento em suas atividades diárias”, conclui.   

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// Bem viver Na primeira edição de 2018, a Estilo propõe um desafio: adotar o armáriocápsula. O conceito, que há alguns anos vem agitando o mundo da moda, consiste em eleger cerca de 30 peças de roupas e, fazendo composição entre elas, usá-las por três meses. A ideia é aderir à moda minimalista que, utilizando-se de peças neutras e atemporais, nos leva a ser mais criativos e, principalmente, menos

O minimalismo e a elegância do

‘menos émais’

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consumistas. A frase ‘menos é mais’, cunhada pelo arquiteto alemão, naturalizado americano, Mies van der Roche, para definir seus projetos minimalistas, através dos quais veio a se tornar um dos mais importantes nomes da arquitetura moderna do século XX, caiu como uma luva no mundo da moda contemporânea. Ela ganhou vida, principalmente, a partir dos anos 90, quando famosos estilistas passaram a adotar o minimalismo em suas coleções, onde prevaleciam os tons neutros, mais sóbrios e os cortes e caimentos perfeitos, abandonando as extravagâncias, o excesso de cores e de acessórios que dominaram os anos 80. Já por essa época, também de olho no ‘menos é mais’, alguns fashionistas voltaram o olhar para as ruas, registrando o que as pessoas usavam no seu cotidiano. Nascia o ‘street style’ (moda das ruas). Os looks estilosos e práticos, chiques e despojados ao mesmo tempo, ganharam espaço nas revistas especializadas, conquistando gregos e troianos. A moda urbana passou a influenciar, inclusive, os próprios designers e criadores de tendências na hora de apresentar suas coleções.

A moda das ruas influencia os flashionistas

SIMPLIFICAÇÃO Com base nestas tendências, surgiu um novo conceito que promete, principalmente, estimular a criatividade e a compra consciente. É o guarda-roupa cápsula que propõe a otimização do armário, onde prevalece a qualidade sobre a quantidade, com a montagem de peças de roupas que combinem entre si. A partir daí, vem o desafio: escolher entre 30 e 40 peças essenciais do seu armário que serão usadas durante três meses. As demais roupas devem ser guardadas, doadas, vendidas ou jogadas fora. Importante é usar somente as peças escolhidas e evitar, nesse período, qualquer compra por impulso. A ideia não é nova, mas ganhou o mundo por volta de 2014, quando a blogueira americana Caroline Rector (Un-fancy. com) topou o desafio e mostrou, como num diário virtual, os looks que criava todos os dias com as 37 roupas que escolheu para viver os próximos três meses. Ela contou que, por ser uma compradora compulsiva, tinha certeza que iria odiar esse desafio. “Mas, aconteceu que, ao ter menos, eu senti que tinha mais”, revelou. Caroline tomou gosto pelo novo ‘lifestyle’ e a cada três meses troca as roupas por outras 37 versáteis, de acordo com as tendências do momento e a estação. A ideia, segundo ela, é investir em roupas de qualidade, que durem muito tempo e, com isso, evitar a compra de novas peças.

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// Bem viver

Em entrevista, ela contou que a otimização do armário, além de atiçar o seu lado criativo, fazendo com que as combinações das roupas estejam cada vez mais interessantes, contribuiu para que ela se tornasse uma consumidora consciente, comprando somente o que, realmente, necessita. No Brasil, uma das seguidoras dessa tendência é a publicitária mineira Gabi Barbosa. Ela mantém o blog Teoria Criativa, onde dá dicas sobre moda, e um grupo no Facebook chamado ‘Em busca do armário-cápsula’. Sobre o tema, ela esclarece: “O armário-cápsula é um método que busca um maior autoconhecimento e, consequentemente, menos consumismo. Consiste em criar uma base de roupas versáteis e que amamos e complementar com outras peças mais atuais, que combinem com o clima. Como é cápsula, ele é montado para durar um certo período de tempo”.

MONTANDO O ARMÁRIO CÁPSULA O primeiro passo para montar o guarda-roupa cápsula é separar as roupas que têm mais a ver com o seu estilo e que tenham bom acabamento e, sobretudo, qualidade – até porque elas terão que ser usadas muitas vezes durante os três meses. Outro item importante a observar é em relação às cores. Escolha, de preferência, roupas em tons mais neutros, já que será necessário formar vários looks com as mesmas peças, e com menos influência de cores, sobretudo as fortes, mais possibilidades se tem de montar diferentes jogos. Para compor os looks, o melhor a fazer é provar todas as roupas escolhidas – entre 30 a 40, de acordo com as suas necessidades e estilo de vida. Coloque toda a sua criatividade para funcionar ou busque a ajuda de amigas e vá combinando as peças. Para não esquecer na hora de vestir, fotografe cada look e saberá o que usar no dia a dia. Alguns blogs dão dicas que ajudam na hora de escolher as peças que mais se adaptam ao seu estilo de vida, como, por exemplo, dividir em percentuais as roupas que serão destinadas a cada uma de suas atividades - 70% para o trabalho, 20% casual e 10% eventos sociais.

A moda minimalista é adotada por homens e mulheres. Crédito: blog Unfancy

Ao final dos três meses, se você gostou da experiência, é hora de recomeçar o desafio escolhendo outras roupas que formarão o armário-cápsula seguinte. Quem elegeu viver este conceito, a exemplo das blogueiras, diz que é um caminho sem volta, um aprendizado sobre si mesmo e o que se consume.

COMPOSIÇÃO As cores e tons indicados pelos especialistas que ajudam na hora de combinar as roupas, que serão peças chaves para compor diversos looks, priorizando o bom senso e a elegância, são: branco, preto, azul marinho, cinza, marrom e nudes. “Aposte nos tecidos jeans, malha de cores únicas, crepes e sedas. As estampas clássicas bicolores, também entram na cartela de opções, como poá, listras e xadrez, todas com o certo toque de sutileza. A modelagem – nunca menos importante – faz parte do conjunto de fatores que formam o estilo. Portanto, o traço básico, porém com ótimos acabamentos, são excelentes opções. Já os acessórios, dão o toque do gran finale. Escolha bijoux finas, delicadas, sem muito brilho, e claro, com banho único”, ensina o blog Paprikaonline.

Montando o armário capsula

A blogueira Caroline Rector mostra algumas combinações do seu armário cápsula.

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// Giro

Uma das cidades mais bonitas e encantadoras da Europa, Praga

Os encantos da medieval e moderna

Praga

reúne motivos de sobra para ser incluída no seu próximo roteiro de viagem. Além do fascínio que os países do Leste Europeu sempre despertaram pelo mistério de pertencerem, até 1991, à famosa Cortina de Ferro, a capital da República Tcheca tem, entre seus muitos atrativos, um belíssimo conjunto arquitetônico que conta 11 séculos de história, o maior castelo do mundo e suntuosas pontes que cruzam o famoso Rio Moldava. A cidade realiza muitos festivais de música que enchem as ruas de sons e movimentos. Já os apreciadores da ‘loira gelada’ terão a oportunidade de provar a melhor cerveja do mundo.

Texto: Rozanne Quezado Fotos: Roberto Lefkovics

Em onze séculos, Praga construiu um dos mais belos conjuntos arquitetônicos da Europa.


// Giro

Praga é muitas vezes chamada de ‘A cidade dos cem pináculos’

Praça da Cidade Velha com seus belos edificios atrai milhares de turistas

AS CIDADES DE PRAGA Praga é dividida em distritos, dentre eles, o Staré Mesto (Cidade Velha), Malá Strana (Cidade Pequena) e Nové Mesto (Cidade Nova). Cada área tem seus atrativos turísticos e algumas se comunicam através de belas pontes, como a Ponte Carlos, o cartão postal mais famoso da cidade, sobre o Rio Moldava. A intrigante ponte de mais de 600 anos é decorada com 30 estátuas, a maioria em estilo barroco, e tem espaço para exposição de trabalhos de artistas locais, como pintores e músicos.

Preservada durante a II Guerra Mundial, Praga mantém arquitetura original.

P

oucas cidades da Europa conseguiram preservar seu patrimônio arquitetônico durante a II Guerra Mundial como Praga, a capital da República Tcheca. Um acordo, em 1938, entre o presidente do país, Emil Hacha, e Hitler, de não resistência à entrada do governo nazista, evitou que a cidade fosse bombardeada. Assim, são originais os belíssimos e seculares monumentos que fazem de Praga uma das mais lindas cidades europeias.

O centro antigo está na Cidade Velha que fascina o turista pela variedade de estilos arquitetônicos e sua herança medieval, com ruas e passagens que são verdadeiros labirintos. Lá está o Josefov, o histórico bairro judeu, com suas sinagogas e cemitérios milenares.

Enquanto provam a cerveja techa, turistas admiram a a arte nos edifícios.

CAMINHAR E APRECIAR Estar em Praga, caminhar por suas ruas estreitas e de traçado irregular, suas esquinas com cafés cheios de romantismo, cruzar o Rio Moldava pelas magníficas pontes, é uma experiência única. A cidade é um convite a um mergulho no passado. São 11 séculos de história, de um tempo cheio de glamour e guerras, com edificações que mesclam vários estilos, do renascentista ao gótico. Quando passou a fazer parte da União Europeia, Praga recebeu grandes investimentos em infraestrutura turística, como os modernos hotéis e luxuosos restaurantes. No entanto, houve o cuidado de preservar o rico patrimônio arquitetônico, fazendo com que a cidade medieval pudesse conviver harmonicamente com a modernidade.

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Praça Carlos, com suas estátuas barrocas, a mais famosa de Praga

Praga é uma cidade relativamente pequena, por isso, é possível percorrer os principais circuitos turísticos a pé. Aliás, caminhar pelas ruas é tão prazeroso quanto visitar os monumentos e centros culturais da cidade. O único porém é dividir cada metro quadrado com os milhares de turistas que acorrem à cidade em qualquer época do ano. A caminhada pede paradas em um encantador café art nouveau e em algum barzinho onde irá provar a melhor cerveja da sua vida. Os tchecos são os maiores consumidores de cerveja do mundo – ganham até dos alemães – e não é para menos: o preço da bebida é mais barato que o da água mineral. Além das grandes indústrias, o país mantém a cultura da produção artesanal. Para atender a demanda, são produzidos cerca de 20 milhões de litros por ano. Também não deixe de provar o “ceske trdlo”, uma massa de pão enrolada em um cilindro, que vem com alguns sabores, como canela e açúcar. É vendido em barraquinhas pelo meio do caminho.

No coração do bairro está a Praça da Cidade Velha, palco de importantes eventos da história tcheca, rodeada de belíssimas edificações, como a Igreja Nossa Senhora de Tyn, o Palácio do Sino de Pedra e a Prefeitura com o seu famoso Orloj, o relógio astronômico que marca as horas (das 9h às 21h) com o desfile de pequenas estátuas de 12 apóstolos, seguidas por imagens que representam a avareza, a morte, a vaidade e o paganismo. Turistas se aglomeram para conseguir a melhor foto. O relógio ainda registra os movimentos da lua e do sol.

Turistas se aglomeram para fotografar o intrigante relógio astronômico

A Cidade Pequena é uma das áreas mais antigas e se situa aos pés do Castelo de Praga. Palácios e igrejas permeiam suas ruas, além de belos jardins, como o Vrtba, local preferido para as fotos dos recém-casados. O museu mais famoso da área é dedicado ao escritor Franz Kafka. Construída no século XIV, a Cidade Nova mescla edificações centenárias com construções futuristas, como o prédio dançante. Lá também está o Museu Nacional de Praga, um dos mais importantes da Europa, e a Praça Venceslau, que compreende um boulevard com grande espaço onde se realizam eventos musicais e manifestações populares. Ali, os tchecos comemoraram a queda do regime soviético, em 1989. É neste bairro que está o Museu do Comunismo.

A inovação do edifício dançante em harmonia com prédios antigos

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// Giro

O encanto das margens do Rio Modalva que separa os bairros de Praga

CORTINA DE FERRO O Castelo de Praga é o maior do gênero em todo o mundo e pode ser visto de várias partes da cidade.

A República Tcheca e os demais países do leste europeu viveram, após o fim da II Guerra Mundial, 45 anos sob o regime da antiga União Soviética. A expressão ‘Cortina de Ferro’ foi dita pelo primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, em 1946, para denominar a influência do comunismo naquela região e a evidente divisão da Europa: uma capitalista e outra socialista. Era o início da chamada Guerra Fria.

O MAIOR CASTELO DO MUNDO No alto da Colina Hradcany, com deslumbrante vista para a cidade, está o maior castelo do mundo (segundo o livro dos recordes Guinness), cuja construção teve início no século nove. Com mais de 70 hectares, o Castelo de Praga é cercado por muralhas. Por trás dos portões, foi erguida uma pequena cidade. Além do Palácio Real, residência dos reis tchecos, o local é composto de várias edificações, como a Catedral de São Vito, com seu interior repleto de riquezas, como a capela de São Venceslau, cujas paredes são cobertas por 1300 pedras preciosas; as torres Dalibor, antiga prisão, e de Pólvora; a Basílica e o convento de São Jorge; museus, galerias de arte e os jardins do palácio. Outro ponto interessante do castelo é a Rua do Ouro, com as casinhas dos artesãos e dos militares. As edificações mantêm a mesma aparência da época (século XVI) e, em seu interior, o mobiliário revela como viviam os tchecos naqueles tempos. Uma das casas mais procuradas é a que morou o escritor mais famoso do país, Franz Kafka.

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Catedral de São Vito erguida no interior do Castelo de Praga

As casinhas do Rua do Ouro também formam parte do castelo

Praga promove a Revolução de Veludo pela desposição do governo comunista

O prazer de caminhar pelas ruas de Praga à noite

Nesse período, estes países sofreram um isolamento do resto do mundo seja na área política, econômica ou social. Ninguém entrava ou saía da região sem autorização do governo soviético. As belas e, outrora, ricas capitais, como Praga, Varsóvia e Budapeste, viviam sob o manto do mistério. De 1989 a 1991, com o colapso da URSS, a população destes países foi às ruas pedindo a deposição dos governos comunistas. A mais importante manifestação ocorreu em Praga, com a chamada Revolução de Veludo, iniciada por estudantes e que levou multidões em marcha pacífica pela liberdade do país.

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// À Mesa

Oh-là-là O toque da França no Ceará

Com um menu refinado, a Maison Plume tem a proposta de ser um point gringo para todos os gostos.

Krysten Keller, proprietária e chef do Maison Plume

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// À Mesa

Jardim vertical promove clima de aconchego ao restaurante

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primeira sensação quando se entra na Maison Plume é de encantamento. O espaço tem a virtude de atrair o olhar por alguns segundos antes mesmo que se dê o primeiro passo. A representação da natureza é caprichosa. Com um jardim vertical que cobre um lado inteiro e parte do teto do salão térreo, a Maison conecta o verde das plantas à madeira rústica das mesas, dando mais vida ao lugar, que parece um chalé de concreto.

Cadeiras misturam cores que combinam com o toque de natureza do ambiente.

ACERTANDO O PONTO

A luz externa entra de forma abundante pelas paredes de vidro com aço envelhecido. Chama atenção, também, o bar feito de pedra bruta. “Eu gosto muito de minimalismo. Buscamos a essência dos materiais, que emocionam e, por isso, podem ser luxuosos e simples ao mesmo tempo. Ao darmos menos informação visual, quem chega pode se apropriar mais do lugar”, avalia a proprietária e chef do neo-bistrô ou bistrô contemporâneo híbrido, como ela o define, Krysten Keller.

Paredes de vidro permitem a entrada de luz natural

Francesa e filha de mãe brasileira, Krysten quis imprimir uma digital gringa à Maison Plume. Embora verde e madeira sejam os tons da casa, saltam aos olhos o colorido das cadeiras assinadas pelos designers franceses Charles Eames, Katrina Cross e Xavier Pauchard. Muitas delas remetem à infância da proprietária. Ainda no salão térreo, um sofá de oito metros, revestido de azul marinho, dá o toque final de elegância e aconchego à Maison, que conta ainda com uma parte superior em forma de estufa, na qual a luz natural é o destaque. Mesas cercadas por sofás e cadeiras modernas compõem o ambiente superior. Como Krysten diz, “um lugar para se perder no tempo”, e que se torna ainda mais especial à noite, pela atmosfera romântica.

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O bristô é “um lugar para se perder no tempo”, afirma Krysten

Mescla de materiais é destaque no Maison Plume

Especializada em cozinha contemporânea gourmet, a Maison Plume já está no seu sexto cardápio em cerca de um ano e meio de existência. Sobre isso, convém dizer que, embora a proposta seja transportar o cliente para outros países por meio de um menu diferenciado, o bistrô teve que se adaptar às preferências locais. “Minha proposta é ‘Você confia em mim?’ ‘Posso fechar seus olhos e proporcionar uma experiência que você jamais imaginou que teria?’. Mas o Ceará é um desafio. É um mercado muito particular. Você tem que criar alguma coisa de fora que quase seja daqui”, considera Krysten. Ela aponta que o brasileiro consome muito carboidrato, coisa que não combina muito com a Maison Plume, mas deixa claro que apesar de o menu ser saudável, não se trata de um restaurante fit. Perguntada sobre como define a Maison, ela é categórica: “Aqui é um lugar para se desconectar, fazer uma detox. Seja pelo ambiente, pela música (que foca no Indie e Bossa Nova), pela comida, pelos sucos, você se acha de uma forma ou de outra. Desde quem vem com o cachorro, ou com as amigas ou com o namorado. Tem lugar para todo mundo. Se for vegano, tem produto disponível, se for intolerante a alguma coisa, temos opções. Eu quero que essa casa seja de todos” pondera.

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Atum selado em crosta de chia, sobre polenta frita, e compota de manga com gengibre

Tartare de salmão, entrada servida com pepino, ervas, maçã, tapioca e cuscuz marroquino

“Um lugar para se desconectar, fazer uma detox”, diz Krysten

Rouge é preparada com iogurte grego caseiro, farofa doce e crocante de amêndoas

Pratos elaborados pela chef são fortes atrativos do Maison Plume

MENU DIVERSIFICADO O restaurante possui dois tipos de menu: um para o almoço, com sete tipos de entrada, 12 pratos principais e cinco sobremesas, e outro para o jantar, com 16 opções de entradas, 11 pratos principais e quatro sobremesas. O ticket médio, incluindo a sobremesa e bebida, exceto as alcoólicas, gira em torno de R$ 90 por pessoa. As bebidas são variadas e a Maison ainda dispõe de seis drinks de criação própria. Para a Estilo, a entrada escolhida foi um Tartare de salmão. “Nela, o salmão vem acompanhado de pepino e várias ervas, para dar refrescância, além da maçã, que traz acidez. A cebolinha dá um aconchego e a tapioca, a crocância, acompanhados de uma mostarda de Dijon. O cuscuz usado no prato é o marroquino. Ele é rosa, então, garante um contraste visual. O salmão é cru, bem fresco, marinado em todas essas especiarias para dar o sabor ideal”, diz Krysten. O prato principal sugerido foi o Atum selado em crosta de chia, que vem sobre uma polenta frita e uma compota de manga com gengibre e outras especiarias. Fica como uma geleia. O atum vem selado em crosta de chia para trazer crocância. A canela com guacamole traz refrescância para o prato, que conta ainda com um caldo de legumes.  

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Já o drink é o Spaklim. Feito com espumante, por ser mais versátil, ele vem com xarope de framboesa ou outro sabor, como o romã. Pedacinhos da fruta são colocados dentro do tomilho fresco (especiaria famosa pelo seu sabor picante). O galho do tomilho é batido antes com o espumante para refrescar. A sobremesa indicada pela chef foi a Rouge. Feita com iogurte grego caseiro, com farofa doce e crocante de amêndoas ou castanhas de caju. Juntamente a esses itens, morangos frescos fatiados. O gelato trabalhado é o Beirut. Nesse caso, o de amora, que vem na parte de cima da sobremesa, com algumas folhas de tumbergia violeta e dentro jiboia, que se assemelham à menta, vindas do município de Cascavel. Mel orgânico de Crateús dá o toque final.

SAIBA MAIS

O Spaklim é uma bebida feita com espumante, xarope de frutas, como framboesa ou romã

A Maison Plume funciona de quarta a domingo em horários variados. Às quartas, ela só abre para o almoço, das 12 às 15 horas. De quinta a sábado, de 12h às 15h e de 19h às 22h30. Aos domingos, abre exclusivamente para o café Brunch, de 9h às 15h, com 20 opções no menu, entre doces, pães, salgados, geleias e manteigas. O ticket médio do Brunch é R$ 40. Para beber, a sugestão da casa é a Mimosa, coquetel de champagne com suco de laranja. A Maison Plume conta com DJs nas quintas à noite e samba e Bossa Nova ao vivo, às sextas, com Davi Correia.

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// Tijolo com tijolo

A solenidade de entrega do diploma do Ensino Médio aos alunos foi realizada em dezembro último. “O ‘Educar Aprendendo’ já formou outros 30 colaboradores da empresa no Ensino Fundamental. Isso é gratificante. Incentivar o crescimento das pessoas é uma das nossas premissas”, ressalta a diretora técnica da construtora, Tatiana Freire. Da plateia, na entrega dos certificados, a filha de Francisco, Aisherlane, não conseguia disfarçar o orgulho. “Lá em casa somos seis filhos e essa perseverança do nosso pai está motivando quem estava longe dos estudos. Ver ele ali, recebendo aquele diploma, foi emocionante. Ele se esforçou muito, agarrou a oportunidade e agora está cheio de planos”, destaca.

O poder da vontade A Porto Freire, em parceria com o Sesi, formou, em dezembro passado, 30 colaboradores no Ensino Médio através do projeto “Educar Aprendendo”. Nas declarações dos diplomados, o sabor da conquista de quem arriscou sonhar mais alto.

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Francisco, ao lado da filha: diploma e discurso emocionante

A alegria da diplomação

“Somos o que decidirmos ser”. A frase parece um dito popular, mas quem de fato a disse tem nome, sobrenome, e sonhos que até pouco tempo achava inalcançáveis. Francisco Medeiros, 57 anos, é um dos 30 trabalhadores de obras da Porto Freire Engenharia que participam do projeto “Educar Aprendendo”. Parceria da construtora com o Sesi (Serviço Social da indústira), iniciada em 2015, e que consiste na formação dos funcionários que ainda não haviam concluído o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio, o projeto estimulou Francisco a voltar aos estudos. Agora, com diploma na mão, ele traça novos objetivos. “Deu no que deu. Vou continuar e me preparar para o Enem. Quero ser um engenheiro”, empodera-se.

Projeto da Porto Freire formou 30 alunos do Ensino Médio

Colaboradores exibem o diploma e sonham com a universidade

NOVAS TURMAS A conclusão dos cursos iniciais de ensino médio e superior na Porto Freire ratifica a importância da iniciativa. De acordo com o coordenador de Desenvolvimento Humano da construtora, Felipe Teixeira, pode até ter havido desistências durante o processo, mas também houve crescimento na adesão.

INCENTIVO Depois de décadas entre idas e vindas das salas de aula, a servente Maria Luzirene da Silva, 40 anos, colega de classe de Francisco, finalmente, concluiu os estudos. Mesmo sem pode contar com a presença dos cinco filhos e do marido - o autônomo Webster - no momento em que recebeu o diploma, ela estava muito feliz e disse que, de longe, eles torciam por ela e sempre foram seus grandes incentivadores. “Quando cheguei em casa e mostrei as fotos, eles comemoraram muito”, diz ela, que encontra em Webster seu maior incentivador. “A primeira coisa que ele disse é que deveríamos continuar a fazer cursos para crescermos mais. Minha meta é colocar um negócio. Tudo isso que aconteceu me ajudou a tomar essa decisão”, diz ela.

Felipe explica ainda que para 2018 haverá mudanças na dinâmica das atividades do “Educar Aprendendo”. “O Sesi mudou a sistemática educacional desse projeto. As aulas, neste ano, ocorrerão em uma escola na Parangaba e serão realizadas uma vez por semana. Para se matricular, basta levar a documentação e o último comprovante de escolaridade”, explica. Até o ano passado, o curso era ministrado duas vezes por semana, em um galpão com carteiras e lousa instalados na própria obra. Independente do espaço em que as aulas sejam realizadas, o que importa é que o projeto já criou uma conexão com as pessoas por meio dos exemplos de quem arriscou e agora traz resultados. Uma verdadeira viagem de crescimento para aqueles que encontrou a vitória a e para aqueles que têm a capacidade de recomeçar, pois sempre é tempo para se tomar um novo caminho.

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// Estilo Indica

Poesia de cabeceira A poetisa Ropi Kaur tem sido um dos nomes mais comentados no mundo literário. E não é para menos. O seu livro, que chegou ao Brasil no ano passado, tem arrebatado excelentes críticas, virou best-seller na lista do jornal New York Times, onde permaneceu no topo por 40 semanas consecutivas, e já superou a cifra de um milhão de cópias vendidas. O que tem de especial esta coletânea de poesias? A Estilo revela para você por que Kaur, com o seu primeiro livro, virou fenômeno de vendas e referência nas redes sociais.

Ropi Kaur, indiana radicada no Canadá, tem apenas 25 anos e seu nome já é pronunciado em diferentes idiomas como uma celebridade no mundo literário. O seu livro de estreia ‘Outros jeitos de usar a boca’ – no original ‘Milk and Honey’ (Leite e mel) -, uma antologia de poesia, prosa e ilustrações, lançado em 2015, se transformou em fenômeno de vendas, sendo traduzido para diversos países. Chegou ao Brasil no ano passado com a referência de ter estado durante 40 semanas no topo da lista dos best-sellers do jornal New York Times e ter arrebatado mais de um milhão de unidades vendidas. O tamanho do sucesso tem dois aliados: as redes sociais e o tema de suas poesias. O livro é uma coletânea dos textos que Kaur publica no Instagram, onde é seguida atualmente por 1,2 milhão internautas. Suas poesias abordam temas relacionados à sobrevivência da mulher em uma sociedade misógina. Ela já declarou em entrevistas que escreve sobre suas próprias experiências.

Kupi Kaur recita sua poesia

Ela aproveitou essa ferramenta virtual e reuniu algumas poesias em um livro que publicou na plataforma Amazon. O sucesso foi tanto que a editora Andrews McNeel Publishing decidiu lançá-lo. Aí, as vendas estouraram.

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//Estilo Indica

como é tão fácil pra você ser gentil com as pessoas ele perguntou leite e mel pingaram dos meus lábios quando respondi porque as pessoas não foram gentis comigo

‘Outras formas de usar a boca’ expõe dores, traumas e amores que envolvem o universo feminino, independente de idade, cor ou origem. É um livro para se ler em menos de uma hora e ficar refletindo sobre o seu conteúdo por dias e dias. E para ser relido e compartido com amigas e amigos. É um livro de cabeceira. A antologia despertou a atenção de leitores, sobretudo mulheres, de variados países por tratar poeticamente, com delicadeza e objetividade, mas também de maneira crua, as questões envolvendo a violência doméstica, abuso sexual, autoestima, paixão, desencontro e resiliência. Estes sentimentos desfilam em quatro partes do livro: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

SUTIL E COMPLEXO A linguagem de ‘Outros jeitos de usar a boca’, sem o compromisso gramatical de maiúsculas e pontuação – Kaur afirmou que, em homenagem à escrita indiana gurmukhi, seus textos são todos em minúsculas e a única pontuação é o ponto final -, é cheia de significados, ora leves, ora pesados, incômodos. Seja nos poemas de poucas palavras ou aqueles cujos versos ocupam mais de uma página, sente-se a carga de ‘ser mulher’, de conviver com a objetificação do seu corpo e suas consequências danosas. Não é preciso ter passado por situações semelhantes para se identificar com a poesia dela. E aí, reside o sucesso do livro. Ele desnuda esse cotidiano e permite à leitora enxergar-se em cada cena.

ARTE SALVADORA

você fala demais ele sussurra no meu ouvido conheço jeitos melhores de usar essa boca

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As ilustrações do livro que acompanham os versos são da própria escritora. O interesse pelas artes visuais - Ropi Kaur atua ainda como performista e fotógrafa - foi, segundo ela, a saída para superar os traumas sofridos após a mudança da família da Índia para o Canadá, quando tinha quatro anos de idade. Na infância, introvertida e sem saber inglês, ela foi vítima de bullyng na escola e, por ser imigrante, excluída das atividades esportivas. As horas de solidão e tristeza foram preenchidas com arte. “Necessitava me expressar de outra maneira. A escrita, os desenhos, a pintura me ajudaram a me tornar a pessoa que eu queria ser”, disse.

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Revista Estilo - Março 2018  

Drauzio Varella. Médico visita o sertão cearense e fala sobre descaso na saúde pública e a necessidade de médicos mais humanistas.

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