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Gente da Gente Ano 11 Ed. 02 Out Nov Dez 2018

Sâmia e Zélia: história na Porto Freire

DESTAQUE

Jorge Porto Freire Chega aos 70 anos exercendo o empreendedorismo e a responsabilidade social na vida e na empresa que criou há 34 anos.

GIRO

Amsterdam: tolerância aliada à beleza


// EDITORIAL

Editorial A

os 70 anos, o fundador da Porto Freire Engenharia, Jorge Porto Freire, dá lição de humanismo e mostra como, na prática, segue o mesmo ideal da juventude quando acreditava que, mais que sucesso profissional, o que engradece o homem é exercitar a fraternidade e o compromisso com o bem social.

Expediente Estilo é uma publicação da Porto Freire Engenharia

A Porto Freire inova mais uma vez e passa a operar com a moderna tecnologia BIM, que traz mais agilidade e precisão na execução da obra. O método está sendo aplicado na construção no empreendimento Villa Gaudí.

PRESIDENTE

Jorge Wilson Porto Freire DIRETORA TÉCNICA

Tatiana Freire DIRETORIA ADMINISTRATIVA FINANCEIRA

Precisa realizar alguma atividade física, mas não gosta de academia e se sente inseguro nos espaços públicos? A solução pode estar nos estúdios de Pilates, técnica cujos benefícios vão do aumento da força e da flexibilidade até o alívio de dores causadas pela má postura.

Adriana Freire COORDENADORA DE MARKETING

Valdenisia Souza REDAÇÃO

R&B Comunicação

A capital holandesa tem a beleza característica das cidades europeias, mas se distingue destas pelo seu clima de liberdade que a torna a cidade mais tolerante e evoluída do mundo. Canais, parques, flores e muitas bicicletas deixam Amsterdam ainda mais encantadora.

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Rozanne Quezado PRODUÇÃO E REVISÃO

Rozanne Quezado Lucílio Lessa Valdenisia Souza FOTOS

Jarbas Oliveira e banco de imagens

A Estilo sai um pouco da rota dos restaurantes tradicionais da cidade e dá uma passadinha no Mercado São Sebastião, com seus recantos tradicionais para quem busca saborear a autêntica culinária nordestina a preços e sabores bem convidativos. No Gente da Gente, conheça a história de convivência, dedicação e gratidão, de quase duas décadas, entre a Porto Freire, Sâmia Magalhães e Zélia Almeida.

PROJETO GRÁFICO

Raphael Lira DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO

Promosell Comunicação Fale conosco (85) 3299 6600 gestaomkt@portofreire.com.br

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Revista Estilo Porto Freire

A Netflix oferece uma gama de filmes e séries com excelentes roteiros. Dentre eles, indicamos “Merlí”, uma produção espanhola sobre um professor polêmico que, de forma divertida, usa a filosofia para ensinar seus alunos a lidar com as próprias experiências e torná-las positivas.


SUMÁRIO

Sumário 04|

Destaque Jorge Porto Freire Humanista e empreendedor

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10| Gente da Gente

Giro

Afetos e histórias cruzadas

Amsterdam, flores e canais

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26| À Mesa

Almoce no Mercado São Sebastião

34|

Tijolo por Tijolo Tecnologia BIM na construção

Estilo Indica

A filosofia audaciosa de Merlí

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// Destaque

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A CABEÇA NÃO ENVELHECE Aos 70 anos, recém completados em novembro, o proprietário da Porto Freire Engenharia, Jorge Porto Freire, é um humanista. Com a atenção voltada a questões existenciais, ele fala a Estilo sobre como prioriza o crescimento humano de quem está ao seu redor e qual o reflexo dessa filosofia na empresa. No último ano, ele passou o bastão dos negócios para as filhas Adriana e Tatiana, mas continua atuando em benefício da construtora. Perguntado sobre como é completar sete décadas de vida, ele fala de suas realizações e dispara: “Não temos o mesmo vigor físico, mas a cabeça não envelhece”.

Texto: : Lucílio Lessa • Fotos: Jarbas Oliveira

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// Destaque

"Enxergamos nosso espírito quando olhamos as obras que fizemos"

Aos 70 anos, ele diz que, às vezes, ainda se ver atuando como um menino.

Revista Estilo - Como é completar 70 anos? Jorge Porto Freire - As pessoas diziam, e eu não acreditava, que a cabeça não envelhece. Quando era mais novo, achava que quando tivesse 70 anos estaria velho. O mundo mudou, a saúde de uma forma geral mudou. Crescemos em tecnologia. Hoje, a gente tem mais saúde do que no passado, mas, de vez em quando, faço besteira porque acho que sou um menino. Não temos o mesmo vigor físico, mas a cabeça não envelhece. RE - Quando o senhor olha para trás, o que mais lhe chama atenção? JPF - Quando olhamos para trás, encontramos o que permaneceu. Pela biografia das pessoas conhecemos, o espírito delas, o que as faz e o que elas fizeram da vida, qual mensagem elas deixaram. Enxergamos nosso espírito quando olhamos as obras que fizemos e as coisas que nos identificamos. Geralmente, as coisas mais importantes estão lá no início, na infância. Aos sete, dez anos é que começamos a entender o mundo e nos identificamos com determinadas coisas. Eu sempre fui fascinado com essa capacidade do homem criar,

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"Toda atividade humana deve ser para o benefício do próximo."

Há mais de 30 anos, a Porto Freire segue com a missão de transformar a realidade dos clientes.

imaginar, programar e, de repente, transformar algo em realidade, em benefício para as pessoas. Desde criança, sempre fui entusiasmado com isso. Naquela época, diferentemente de hoje, precisávamos fazer os brinquedos para brincar, aprendíamos a fazer carrinho, pipa e até radiola. É uma experiência muito rica. Ter disciplina é o que nos faz aprender as principais coisas da vida. Essa capacidade e esses valores me fascinam. E eu tenho desde muito tempo a crença de que todo ser humano é especial e se diferencia um do outro, que a gente pode, por meio dessa vocação, identificar e ter esse crescimento pessoal. Sempre acreditei nisso de que a gente pode aprender, pode se posicionar no mundo e se fazer melhor, se construir. Segui na vida estudando, sonhando em fazer isso dentro da minha vocação. E a engenharia sempre esteve nos meus sonhos. RE - Foi com esse espírito que construiu a Porto Freire? JPF - Toda atividade humana deve ser para o benefício do próximo. Isso me fascina. Você não vai desenvolver sua vida em cima de potenciais que Deus lhe deu apenas para se satisfazer individualmente. Ao ajudar o próximo, você também se constrói. É pelo trabalho que a gente se aperfeiçoa, desenvolve virtudes e tem efici-

ência no que faz. Pensei a Porto Freire nesse sentido, sonhava com isso, formar uma equipe em que cada pessoa tivesse o seu potencial, produzindo e ao mesmo tempo se construindo. O meu objetivo sempre foi trabalhar, fazer com que as coisas evoluíssem e as pessoas crescessem dentro do trabalho. Isso é o que mais me motiva, mais do que construir. Construir é importante, porque é o produto, mas esse produto metafísico, o da construção de pessoas e o crescimento delas, é emocionante. RE - Com essa lógica, o senhor tem ao seu lado funcionários que o acompanham há décadas e agora fez sua sucessão por meio de duas filhas. Seria uma consequência? JPF - Sim. Dos filhos e de todas as pessoas que já passaram na Porto Freire, têm os que são herdeiros das ideias e da nossa existência. A família é muito importante

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// Destaque

Passar o bastão é uma satisfação presente, de ver a vida continuar”.

Jorge Porto Freire relembra episódios felizes da infância que marcaram sua vida.

como referencial. É nela que a gente aprende as primeiras coisas em termos de convivência e isso é muito importante para mim. Tenho uma família com sete filhos, sendo cinco mulheres e dois homens. E as mulheres trazem muito essa questão do emocional, do sentimento. Essa coisa de passar o bastão é uma satisfação presente, de ver a vida continuar, renascer, das ideias serem aprimoradas pelos filhos e pelos seguidores para fazerem um mundo melhor, com base no que a gente fez até então, mas que precisa ser melhorado. RE - O senhor é uma pessoa muito ligada ao campo filosófico. Qual a sua busca? JPF - Sabedoria. As experiências que a gente tem quando criança nos fazem refletir sobre a vida e as coisas. Lembro de querer muito do Papai Noel uma bicicleta. Aquilo era tão desejado. Ter uma bicicleta era uma coisa magnífica. E o que realmente eu queria? Voar com ela. Nos primeiros dias, a bicicleta era alada e eu achava que estava no céu. Depois, a emoção sobre aquilo foi diminuindo e eu só a queria para me levar de um lugar para outro. Fiquei refletindo sobre isso. A conclusão é que há momentos de felicidade que são permanentes na vida, emoções que ficam para sempre. E essa experiência me conduz para ir em busca do que é verdade.

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Em 34 anos de existência, a Porto Freire construiu mais de oito mil imóveis

RE - Essa busca pelo crescimento é o mais importante? JPF - O mais importante é ver as pessoas tocando o processo junto com a gente. Entender esse outro lado, não só o do crescimento material, mas o do crescimento das pessoas, da sociedade. A gente tem esse objetivo. Eu sempre valorizei e, inclusive, tem na nossa missão, essa colaboração com as pessoas. É isso que a gente deve continuar fazendo, porque as organizações têm um papel muito importante na evolução da sociedade. Não se pode esperar só pelo governo. Ele é um espelho do que somos. O coletivo é produto desses vícios e virtudes individuais que a gente tem, dos nossos direitos advindos desse coletivo. Temos que fazer a nossa parte para ter uma sociedade melhor. Tanto para ser um ser humano melhor, como um cidadão melhor, uma sociedade mais organizada, mais justa, mais fraterna. RE - Tudo isso tem um reflexo direto no cliente, correto? JPF - Sim, com toda certeza. Muitas pessoas foram beneficiadas, tanto os nossos colaboradores quanto os nossos clientes. Por exemplo, nos programas de construção a preço de custo, em que as pessoas tinham que se disciplinar, se motivar, ter vontade de fazer, envolver a família. Isso tudo é inovação. Então, os clientes da Porto Freire viram isso, participaram dessa ação que vai para as pessoas, para a sociedade. São mais de 8 mil unidades construídas, muitas pessoas beneficiadas. É um orgulho sermos uma referência dentro do mercado. Muita gente não acreditava nisso. É possível fazer uma empresa crescer e ao mesmo tempo ela ser uma escola para a vida, ser justa, honesta com o povo, com as pessoas que se relacionam com a gente. Isso é uma coisa rara dentro do meio comercial dos negócios, mas é uma tendência que está se intensificando. Há 34 anos já entendíamos isso. Acredito que os resultados financeiros são importantes, mas, não são o fim em si. Essa coisa de você só fazer crescer as coisas por si só não traz felicidade, realização humana. Por outro lado, se você não tiver lucro, não tiver resultado, não pode financiar tudo isso. Tudo na vida é equilíbrio.

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// Gente da Gente

Histórias Duas das mais antigas funcionárias da Porto Freire Engenharia falam sobre como as suas biografias estão ligadas à empresa. Relatos de quem tem a dimensão do que significa dedicação e gratidão.

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// Gente da Gente

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âmia Magalhães e Zélia Almeida são funcionárias da Porto Freire Engenharia há quase 20 anos. A primeira tem 19 anos dedicados à construtora. A segunda, 17. Biografias que se confundem de tal jeito com a da empresa, que as etapas mais importantes da vida de ambas foram compartilhadas com os colegas, ou melhor, amigos, na sala de trabalho, no cafezinho, no bate papo após o expediente. Naqueles momentos que se dimensiona quando acontecem, mas que se recorda com os olhos marejados e o coração preenchido de afeto. Gerente financeira da Porto Freire, Sâmia é dessas pessoas que parecem já terem nascidas prontas. Segura e de fala mansa, passou, como ela mesma diz, metade da vida trabalhando na construtora, período em que realizou sonhos, como constituir família. “Aqui eu me formei, me casei. A Porto Freire viu a chegada das minhas duas filhas. No meu casamento, quase toda a empresa estava presente. Vi no olhar de cada um a felicidade por estar ali comigo”, diz. O começo foi como estagiária, no setor de Contas a pagar. Acadêmica de contabilidade, Sâmia se entusiasmava em estar no mesmo ambiente de trabalho de pessoas que ela admirava pela capacidade, postura e representavam o que ela almejava ser. “Eu via a teoria na faculdade e estava então começando a ver a prática, surpresa em estar ali. Foi minha primeira experiência profissional. Hoje estou à frente do setor. Fui crescendo dentro da empresa. Foram muitos os desafios”, ressalta. Filha de servidores públicos, Sâmia relembra que o cenário empresarial foi uma empolgante novidade. “Fiquei muito impressionada com o ambiente corporativo. Eu era muito curiosa e essa minha curiosidade me fez entender as ações, o porquê de como as coisas funcionavam”, avalia.

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A biografia delas se confunde com a da empresa Há quase 20 anos, Sâmia e Zélia dividem a vida com a Porto Freire.


RECONHECIMENTO E GRATIDÃO Formada em administração de empresas, Zélia Almeida, a financista, trabalha no mesmo setor da amiga Sâmia e começou na empresa com um trabalho pontual de 15 dias. “Lembro que ao final de 15 dias veio o pedido de mais 15 e se passaram quase duas décadas. Só tenho a agradecer à empresa por todos esses anos, por ter tido a oportunidade de trabalhar em um lugar de ambiente tão bom, com pessoas tão maravilhosas”, comemora. Como está na construtora desde muito cedo, Zélia ainda se impressiona com os anos que já se passaram e muda o tom ao falar dos amigos que se foram. “Ao mesmo tempo que temos a alegria de conviver com amigos que estão conosco durante toda essa trajetória, também perdemos pessoas muito queridas, que faleceram, mas continuam em nossos corações”, diz, emocionada. Sobre os bons momentos vividos, ela pontua a festa de 30 anos da Porto Freire, comemorada em 2014, como um momento inesquecível. “Foi a coroação de uma história e, ao mesmo tempo, uma renovação. O que me faz mais feliz nesses 17 anos de Porto Freire, é saber que tudo isso é real e faz muito sentido para nós. Não é apenas um local de trabalho, é um espaço importante na história das nossas vidas. Aqui, nós nos cons-

Ao lado de outros colaboradores, elas formam a equipe que tem a cara da empresa.

truímos não só como profissionais, mas como seres humanos, pela troca que tivemos com as pessoas e pelo dia a dia em procurarmos fazer sempre o melhor”, considera. Sâmia faz coro com a amiga. Para ela, que é “agradecida aos mestres e líderes que conheceu na empresa”, o maior aprendizado é não poupar ninguém do conhecimento. “Todo acadêmico que vem trabalhar comigo não é poupado de aprender. É importante as pessoas terem acesso ao conhecimento. Aprendi em todos os processos que participei na Porto Freire, fosse nas capacitações técnicas ou nas de desenvolvimento humano, na troca de informações, nos erros e acertos, pois assim é a vida”, resume. Ao posarem para as fotos e concederem a entrevista para essa seção, Sâmia e Zélia sabem que representam um time, pessoas que se dedicam ao trabalho e reconhecem a importância da gratidão. Parecia até passar um filme na cabeça das duas, de tanto que as histórias se complementavam: enquanto uma falava, a outra se reconhecia em cada evento mencionado.

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// Bem viver

Equilíbrio muscular & mental Feito com aparelhos, bolas ou no chão, o Pilates vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Os benefícios, que vão desde a melhora da postura, redução da tensão muscular ao alívio de dores crônicas, fazem desta técnica uma ótima opção para aqueles que necessitam realizar atividades físicas, mas não são muito fãs de academias. Conheça um pouco sobre esta forma de misturar força e flexibilidade, proporcionando conscientização corporal e coordenação motora.

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O Pilates é indicado para crianças, jovens, idosos e até gestantes.

“Pilates desenvolve um corpo uniforme, corrige posturas erradas, restaura a vitalidade física, vigora a mente e eleva o espírito”, declarou o seu criador, o alemão Joseph Pilates. Ele superou as enfermidades da infância (asma, raquitismo e febre reumática) estudando e praticando técnicas de respiração e atividades físicas, baseadas, principalmente, na medicina oriental. Criou daí o método que leva o seu sobrenome: Pilates. A técnica, inicialmente, foi chamada de ‘contrologia’ por trabalhar o controle da mente sobre os músculos. “A mente guia o corpo”, costumava afirmar o seu idealizador. Isto porque os seis fundamentos do Pilates são controle, concentração, fluidez, precisão, respiração e centralização (fortalecimento do centro de forças: músculos da coluna, quadril, glúteos e abdômen).

“Baseado nestes princípios, a técnica tem como objetivo aumentar a força, a flexibilidade e a capacidade de concentração”, explica Emmanuel Lucieri, educador físico e proprietário do estúdio Club Palermo Pilates. Para tanto, segundo ele, a aula de Pilates sempre se inicia com “uma entrada de calor, seguido do trabalho principal (muscular), para concluir com movimentos de flexibilidade e relaxamento”. Para a fisioterapeuta e professora de Pilates, Sâmia Cavalcante, a técnica pode ser praticada por qualquer pessoa, uma vez que os exercícios são adaptados para a necessidade de cada aluno. É bastante recomendável para pessoas da terceira idade por seus benefícios para as articulações e prevenção de osteoporose, além dos riscos baixos de lesões, já que os exercícios são feitos sem impacto. Para obter bons resultados, é importante praticar o Pilates, pelos menos, duas vezes por semana. “Os benefícios, como melhora na qualidade do sono, sensação de bem-estar, diminuição das dores e aumento da tonicidade, podem ser sentidos a partir da décima aula”, diz Sâmia. Porém, adverte a profissional, a técnica não emagrece. “A queima calórica das aulas é baixa, mas, a técnica pode contribuir na redução de medidas já que, com a prática, há uma melhora na tonicidade muscular. O ideal é combinar o Pilates com alguma atividade aeróbica, como corrida ou caminhada”, observa.

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// Bem viver

BENEFÍCIOS DO PILATES • Trabalha a percepção do corpo e da mente • Reduz o estresse e alivia as tensões • Melhora a postura • Desenvolve força muscular, principalmente no abdômen • Aumenta a coordenação e o equilíbrio • Melhora a mobilidade e a agilidade • Ajuda na prevenção e tratamento de lesões • Alivia dores crônicas • Pode ser praticado por pessoas de qualquer idade • Melhora a qualidade do sonho • Aumenta a resistência física e mental

CORPO, MENTE E ESPÍRITO O Pilates muitas vezes é confundido com o Yoga. Ainda que ofereçam benefícios que se assemelhem, já que a busca vai além da saúde física, atingindo o equilíbrio mental e espiritual, são duas modalidades com vertentes diferentes. De um modo geral, enquanto o Yoga trabalha mais a mente e o espírito, o Pilates é uma terapia mais voltada para o corpo. “No Pilates, os exercícios estão dirigidos para fortalecer o corpo, enquanto no Yoga se enfoca em conseguir o relaxamento e a paz mental”, afirma Emmanuel Lucieri. Sâmia Cavalcante (fotos) afirma que outra diferença entre as duas práticas diz respeito aos métodos. “O Pilates necessita de aparelhos específicos, embora possa ser praticado também no solo, e o Yoga utiliza apenas o próprio corpo como resistência”, explica. Ela diz ainda que mesmo na respiração, técnica importante para as duas modalidades, há diferença em sua aplicação. “No Yoga, inspiração e expiração ocorrem pelo nariz, já no Pilates, inspira-se pelo nariz e expira-se pela boca”, ressalta. Mas, não podemos esquecer que este último é fruto do aprendizado de Joseph Pilates que vem essencialmente das práticas orientais, com grande influência do Hatha Yoga, que tem o corpo como referência.

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RECURSO TERAPÊUTICO Os bons resultados do Pilates têm despertado a atenção de pesquisadores que buscam conhecer as suas possíveis indicações terapêuticas. As descobertas são animadoras: em alguns países, como Itália e Singapura, a técnica tem se mostrado eficaz em tratamentos de dor lombar e fibromialgia (síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos). Já nos Estados Unidos, alguns hospitais estão incluindo a prática de Pilates dentro de suas unidades como forma de tratar alguns casos de dor, inclusive em pacientes que tiveram câncer, além de auxiliar na reabilitação de portadores de doenças neurológicas.

“Poucos movimentos bem feitos, realizados de forma correta e equilibrada, valem por muitas horas de ginástica” – Joseph Pilates

SAIBA MAIS Preso durante a Primeira Guerra Mundial, Joseph Pilates aplicou a sua técnica nos colegas do campo de concentração ajudando na sobrevivência de muitos. Em 1926, já instalado nos Estados Unidos, abriu o primeiro estúdio de Pilates. Nos anos 60, a técnica se popularizou, saindo nas fronteiras americanas e ganhou o mundo. Mas, a fama veio mesmo a partir do início dos anos 1990, quando artistas, como Sharon Stone, Madonna e Jodie Foster, declararam ser adeptas da técnica. Joseph Pilates faleceu em 1967, aos 83 anos, depois de inalar muita fumaça durante um incêndio em seu estúdio, ainda cheio de vigor e energia.

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// Giro


Canais, bicicletas e arte Assim é Amsterdam. Uma cidade cheia de vida, cores, flores, águas, pedaladas e de mente aberta. Uma impressionante arquitetura, preciosos museus e lugares que te convidam a experiências inusitadas, como os coffee shops e o bairro da luz vermelha. O que há nestes locais? A Estilo mostra com detalhes porque a capital holandesa é considerada um oásis da tolerância. Texto: Rozanne Quezado • Fotos: Roberto Lefkovics


// Giro

A

msterdam é muito mais que uma das belas cidades europeias. A liberdade de expressão e a tolerância, principais pilares que formaram a sociedade holandesa, são bandeiras que seguem erguidas desde meados do século XVI, quando o país, na contramão de uma Europa conservadora e absolutista, passou a oferecer liberdade política, econômica, de pensamento e de religião, atraindo refugiados de várias partes do continente, entre eles, intelectuais, cientistas e artistas, como o filósofo francês René Descartes e o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei. De 1584 a 1702, o Reino dos Países Baixos (nome oficial do país) viveu o seu apogeu desenvolvimentista, conhecido como o Século de Ouro, que o transformou na nação mais rica do mundo. Desse período, o principal legado foi mantido: a Holanda figura, até hoje, como um dos países de mente mais aberta do planeta. Prova disso é que, há algum tempo, o país já superou tabus que seguem sendo motivos de polêmicas e calorosas discussões em muitos países desenvolvidos, como casamento entre homossexuais, consumo de maconha e legalização da prostituição. E Amsterdam é o maior exemplo desta liberdade que se respira pelo país.

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Bicicletas e flores fazem parte da paisagem de Amsterdam.


É intenso o tráfego de bicicletas por toda a cidade.

PEDALANDO E NAVEGANDO A mobilidade é outro tema que demonstra a tolerância da cidade. Enquanto muitas metrópoles convivem com o caos no trânsito e um total desrespeito aos transportes alternativos ao carro, como a bicicleta, em Amsterdam o ciclista é o ‘dono do pedaço’. Os números sobre as bikes impressionam: há cerca de um milhão de bicicletas (quatro vezes o número de carros) para 830 mil habitantes; das viagens dentro da cidade, 38% são realizadas de bikes, 36% de transporte público, 22% de carro e 4% a pé. Há tantas bicicletas, que hoje a disputa é por estacionamento das ‘magrelas’. Para o turista, pedalar é uma das melhores formas de conhecer e se aventurar pela cidade. Há mais de 400 km de ciclovias, com semáforos especiais e a cidade é plana e compacta. O preço do aluguel da bike, no entanto, não é dos mais baratos: em torno de R$ 50,00 a diária e R$ 16,00 a hora.

Passear de barco ou tomar um café à margem de belos canais.

Outra maneira interessante de explorar a cidade é navegar pelos canais que a cortam de ponta a ponta. Chamada de “Veneza do Norte” por estar cercada pelas águas, Amsterdam tem 165 canais e 1.281 pontes. Os passeios de barcos oferecem cenários variados e inesquecíveis da bela capital holandesa. Há muitas opções de cruzeiros, inclusive noturno, com guia turístico, serviços de bordo e alguns funcionam no sistema ‘hop-on, hop-off’, que permite ao passageiro, com um único ticket, desembarcar em diversos pontos turísticos e retomar o transporte depois para continuar o trajeto. Os canais e as pontes de Amsterdam também podem ser apreciados fora das águas, ou seja, fazendo caminhadas pela cidade. Um passeio que não pode faltar na sua lista.

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// Giro

SOB A CORTINA DE FUMAÇA O turista desavisado que entrar em um coffee shop no centro de Amsterdam para tomar aquele cafezinho pode se surpreender com o local: muita fumaça e produtos um tanto exóticos nas prateleiras. O café ali é servido, mas, o carro chefe do cardápio são os produtos à base de cannabis, como os cigarros reefers (de cannabis pura), joints (mistura de cannabis e tabaco) e o space cakes (bolos de cannabis). Os produtos só podem ser consumidos no próprio local. Os coffee shops têm licença da prefeitura para vender cannabis, haxixe e cogumelos, depois que o governo, por volta dos anos 70, adotou leis mais brandas de tolerância às drogas leves. Já em relação às drogas pesadas, como cocaína, LSD e heroína, a venda e consumo são expressamente proibidos e reprimidos no país.

Os coffee shops de Amsterdam são importantes pontes turísticos.

Há algumas regras para o funcionamento dos coffee shops, como a proibição de menores de 18 anos no local, não podem funcionar perto de escolas e o limite de vendas é de até cinco gramas por pessoa. Visitantes famosos tornaram alguns desses cafés mais atrativos, como o DrampKring, que serviu de locação para o filme “Doze homens e um segredo”. O local atrai a atenção dos turistas que, mesmo querendo tomar apenas um cafezinho, não resistem à curiosidade de conhecer os famosos coffee shops de Amsterdam. Mas, por pressão de parte da população e de países vizinhos, muitos desses locais estão sendo fechados. Dos 350 existentes há mais de 20 anos, hoje são 167. Enquanto os mais conservadores comemoram o fato, os mais liberais argumentam que o encerramento das portas dos coffee shops pode aumentar a força dos traficantes.

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Decoração pitoresca de coffee shop.

Cena de ‘Doze homens e um segredo’ no DrampKring.


As vitrines da Luz Vermelha são grandes atrativos do bairro.

A LUZ É VERMELHA Situado no coração de Amsterdam, o Red Light District (Bairro da Luz Vermelha) é mais um fator que contribui para a imagem tolerante e progressiva da cidade. No ano 2000, o trabalho das profissionais do sexo foi regulamentado com a criação do projeto My Red Light – lembrando que a prostituição nunca foi considerada crime no país, desde que exercida voluntariamente e por maiores de idade. Com boates, sex shops, cinemas eróticos, o Museu do Sexo e o Museu da Prostituição, o bairro é um concorrido ponto turístico de Amsterdam. De dia ou de noite, turistas se aglomeram nas ruas para ver as garotas nas vitrines com roupas provocativas, sob luzes vermelhas. Para atravessar a porta de vidro, é preciso pagar, adiantado, cerca de R$ 200 por 20 minutos. Aí, a cortina se fecha.

Museu da Prostituição é outro ponto que atrai curiosos.

No local, em meio a estes equipamentos, se destaca a Igreja Oude Kerk, o edifício mais antigo da cidade, fundada em 1213, também muito visitada. Para o governo holandês, a legalização da prostituição visa evitar que a mulher seja vítima do tráfico de pessoas, hoje um sério problema enfrentado por muitos países. Calcula-se que 6500 pessoas (mulheres, homens e travestis) trabalhem como profissionais do sexo na cidade. Para ter direito a exercer a atividade, elas precisam obter licença junto à prefeitura e cumprir com as obrigações legais como qualquer outro negócio.

Turistas de todo o mundo acorrem ao Bairro da Luz Vermelha.

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Museu Van Gogh, interior do Rijksmuseum e Museu Stedelijk

CIDADE DOS MUSEUS De Rembrandt a Van Gogh, Amsterdam respira arte. São mais de 50 museus que conferem à cidade o título de um dos mais importantes centros europeus de cultura e história. Como não é possível visitar todos, sugerimos alguns que não podem ficar fora do seu roteiro. É importante comprar os ingressos com antecedência, por internet, porque as filas nos museus são quilométricas. Na Praça do Museu estão três grandes equipamentos. Pela importância da sua obra e pelo interesse que a sua história desperta mesmo em que não é amante das artes, o Museu Van Gogh é o mais visitado do país. Ali estão as mais belas obras produzidas por aquele cuja genialidade só foi reconhecida após a sua morte. No local, além de mais de 200 pinturas e cerca de 500 desenhos e esboços do artista, estão as inúmeras cartas trocadas entre Van Gogh e o seu irmão Theo. Não é permitido fotografar no seu interior. A poucos metros, está outro ícone da arte holandesa, o imponente Rijksmuseum. É o maior e mais importante museu da Holanda, com um acervo de mais de um milhão de objetos (entre pinturas, desenhos, esculturas, móveis e roupas), datados a partir do início da Idade Média e Renascentista até o século 20. Ali estão as galerias dedicadas aos grandes mestres da pintura holandesa, como Rembrandt, Vermeer e Frans Hals. Já no museu de arte contemporânea Stedelijk destacam-se, entre os principais atrativos, as exposições temporárias de grandes artistas, como Matisse, Kandinsky, Chagall, Gauguin e Pollock.

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John Lewis Marhsall.

O famoso Rijksmuseum, a réplica do quarto de Anne Frank e a fachada do prédio.

O DIÁRIO DE ANNE FRANK Símbolo dos horrores da Segunda Guerra Mundial, a Casa de Anne Frank é um dos museus mais procurados pelos turistas. O local abrigou duas famílias judias que fugiam da perseguição dos nazistas. Nesta casa, durante os quase dois anos em que ficou escondida, a garota de 13 anos escreveu um diário, comentando o dia a dia naquele esconderijo e os seus anseios e temores. O lugar foi descoberto pelos nazistas e os seus habitantes enviados aos campos de concentração. Somente o pai de Anne, Otto Frank, sobreviveu ao holocausto e, posteriormente, publicou o diário da filha, que comoveu o mundo e serviu como registro de um dos episódios mais tristes da história da humanidade. A casa foi mantida como à época em que os Frank estavam lá. Além de móveis, objetos pessoais e roupas, há fotos e trechos do diário de Anne. As janelas são fechadas e cobertas para manter o clima de clausura em que viviam as famílias.

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// À Mesa

Um retrato do Nordeste Situado no Centro da Capital cearense, o Mercado São Sebastião é uma amostra do potencial nordestino. Com uma culinária peculiar, o lugar é referência e ponto turístico, pela autenticidade e singularidade do que oferece. A Estilo convida você a fazer um mergulho nos sabores desse cartão postal do Estado do Ceará.

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// À Mesa

Todos os dias, centenas de pessoas almoçam no local

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Mercado São Sebastião é um retrato potente da cultura nordestina. Conhecido como point dos que precisam de uma boa “sustância” depois da farra, visto que é comum ser visitado de manhã cedinho pela juventude cearense, o lugar carrega a energia do interior, seja pelos cheiros, pela forma como as mesas são arrumadas, pela diversidade de gente que circula de lá para cá, das 5 horas da manhã às 5 da tarde. Um espaço democrático e que nos convida a ficar à vontade e “curiar” os cerca de 300 estabelecimentos espalhados em dois grandes pavimentos. Destes, 30 só de gastronomia. “É só comida light, para quem está de dieta”, brinca o comerciante Antônio Souza, proprietário do restaurante São Francisco. “Trabalhamos com comida regional. Temos buchada, carneiro guisado, sarapatel, sarrabulho, bife acebolado, mão de vaca, panelada, galinha a cabidela, peixe frito e peixe cozido, só para começar”, resume ele, apontando parte do menu comum à maioria dos estabelecimentos. Há 12 anos no São Sebastião, Antônio relata que o lugar também é muito frequentado por turistas brasileiros e até estrangeiros. Perguntado sobre qual seria o prato mais pedido, ele fica na dúvida, mas escolhe a buchada como a campeã. Feita do aparelho digestivo do caprino, a buchada leva temperos como alho, pimenta e cebola. “Primeiro ela é toda escaldada e as vísceras cortadas em pedaços pequenos. Pega-se o bucho, faz-se trouxas e enche com tempero natural. A nossa buchada é a tradicional, sem sangue, diferente da de Recife”, destaca.

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PREPARO O cozimento é parte fundamental do processo, já que o tempo de preparo é diferente de outros pratos, como a panelada. “Todos são cozidos, cada cozimento exige um tempo na panela de pressão. A buchada pega pressão em 20 minutos, já a panelada de 25 a 30 minutos. Outra diferença é que a buchada é de carneiro e a panelada é de boi, mas são os mesmos órgãos”, explica. O modo de fazer a panelada, uma das comidas mais típicas do Nordeste, é praticamente igual ao prato anterior. “A gente lava os órgãos, então, já vem tudo limpinho e escaldado, lavamos de novo e depois botamos os temperos. Leva cebola, pimentão, cheiro verde, pimenta, alho, folha de louro e o resto é segredo. Aí vai para a panela, é quando colocamos cerca de 400ml de água e fica no fogo por 30 minutos. Depois é só comer”, diz. Outro ingrediente do tempero é o cominho, especiaria utilizada desde o Egito Antigo e que possui propriedades medicinais. Qualquer prato no local custa R$ 13.


REI DA LÍNGUA Figura tarimbada do Mercado São Sebastião, Francisco Antônio Serafim já nem atende tanto pelo nome de batismo. Conhecido como Nem, ele é o Rei da Língua. Há 25 anos atuando no local, Nem sabe fazer seu marketing, inclusive, possui diversas participações em concursos de culinária, já tendo ganho o concurso Comida de Boteco. “Esse ano ficamos em terceiro lugar, mas, ano que vem, a gente leva esse bicampeonato. Todo ano estamos no topo”, diz, com um orgulho e simplicidade, que nem de longe lembram arrogância. Carro chefe da casa, a língua bovina também necessita de um preparo minucioso, uma alquimia. “A gente já compra a língua pelada, porque existe esse processo de pelar. Então, coloco na panela de pressão por uns 25 minutos. Aí vai o tempero da casa: alho, sal, óleo e o colorau, para dar uma corzinha. Assim que ela começa a ferver, a gente retira a língua, fatia e faz o molho, que é o nosso diferencial. Fica tipo molho madeira. Tem um pouco de vinho, molho inglês, bota um azeite diferenciado, além do tomate e cebola, para deixar o prato com uma consistência boa e agradável no paladar do cliente”, explica Nem. Também muito pedida no Rei da Língua, a galinha caipira é outro sucesso. “A nossa galinha caipira é a tradicional, legítima. Pode ser feita no molho, que as pessoas chamam de molho pardo, um segredo feito com 21 ingredientes. Então, é uma galinha diferenciada, contém ingredientes que a gente compra aqui mesmo no mercado, como cheiro verde, cebola, pimentão. Essa galinha demora 20 minutos na panela de pressão”, diz. Se a escolha for pela galinha à cabidela, ou seja, com sangue, a diferença é que ela passa 25 minutos na pressão. “Depois de pronta, a gente tira um pouco do caldo e faz um pirão de farinha de mandioca. A galinha é servida com o pirão e arroz branco”, ressalta o Rei da Língua. Qualquer prato individual no local custa R$ 15. Se for o executivo, para duas pessoas, R$ 25.

O Nem restaurante ganhou o prêmio Comida de Boteco.

Antônio: turistas estrangeiros também apreciam a iguaria nordestina.

A língua ao molho é o carro chefe do restaurante do Nem.

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Os temperos usados na culinária são adquiridos no local.

Os pratos típicos do Nordeste, como a buchada, prenominam no cardápio.

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TUDO NO LOCAL A maioria dos produtos que compõem os pratos ofertados nos restaurantes do Mercado São Sebastião é comprado no próprio local. Lá tem dos açougues às tendas de frutas e verduras, com produtos variados e da estação, passando pelos que vendem os mais diversos temperos que compõem os ingredientes usados na culinária. Além de atender aos donos dos restaurantes, os comerciantes recebem compradores da região e outras partes da cidade e turistas.

Diversos molhos de pimenta à disposição do cliente.

Que o diga o Reginaldo Farias, proprietário da Loja de Espirros. “Aqui na loja você encontra temperos, condimentos, produtos naturais, chás. São mais de 200 itens diferentes. Tem chá de erva doce, erva cidreira e boldo, por exemplo. A variedade é grande. E uma diversidade de pimentas, condimentos, molhos e mel, como o de cana, o de abelha, usados na culinária, e o de caju, mais medicinal. É comum as pessoas virem almoçar e depois passarem aqui para comprar os produtos”, diz. Outra que vive às voltas com a pluralidade de pessoas que frequentam o Mercado é Simone Lopes, proprietária da Everton Polpas e Frutas, uma das dezenas de lojas de frutas e verduras do lugar. Ressalte-se que muitos estabelecimentos fornecem produtos para comerciantes de fora. Os itens são trazidos de vários locais. “A maioria da folhagem é da Serra de Tianguá. Batata, essas coisas, vêm de São Paulo. Frutas vem do interior do estado. Nosso público vem comprar as frutas e verduras e depois passa para comer nos restaurantes daqui, devido a correria do dia a dia”, diz, comemorando o fato de estar na sua terceira loja.

Simone oferece frutas e verduras da estação.

A galinha caipira é um dos pratos mais pedidos.

O comentário de Simone revela a importância do Mercado São Sebastião. Um lugar de público cativo e que garante a sobrevivência de pessoas batalhadoras, que têm no universo nordestino o seu ganha pão. O Mercado São Sebastião é a tradução do povo do Nordeste, do sertão, que precisa apenas de oportunidade para mostrar seu brilho, sua força. Um lugar que não é simplesmente para ser visitado, mas vivido.

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// Tijolo por tijolo

O BIM está sendo aplicada no Villa Gaudí.

Tecnologia e sustentabilidade como base Com o intuito de otimizar os processos durante a construção de uma obra, a Porto Freire agora opera com a tecnologia BIM (Building Information Modeling). O diferencial: velocidade. Para se ter uma ideia, a economia de tempo para a execução de uma obra, a partir do BIM, é de 50%. O primeiro empreendimento a receber a nova tecnologia é o Villa Gaudí. Na prática, nenhuma obra é igual. No entanto, todas têm algo em comum: a mobilização extensa de profissionais, materiais, serviços e providências para que sua execução ocorra da forma mais eficiente possível. Ao longo da sua história, a Porto Freire Engenharia sempre esteve preocupada com a execução de suas obras e, para isso, aplica o que há de mais moderno disponível no mercado. É o caso do empreendimento Villa Gaudí. Nele, hoje é aplicada a tecnologia BIM, em português Modelagem de Informações da Construção, uma metodologia usada de forma recente no Brasil, que se propõe a oferecer uma junção de várias ferramentas que permitem a execução da obra virtualmente. Com o BIM, é possível criar digitalmente modelos virtuais precisos de uma construção, um suporte ao projeto ao longo de suas fases, permitindo otimizar

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a análise e o controle da obra em comparação com os processos manuais. “Construímos a obra fazendo uso de vários softwares, o que é muito bom, pois isso permite a compatibilização entre os vários projetos. Como em uma obra há vários projetistas trabalhando separadamente, é possível haver algumas divergências entre eles, e o BIM permite que se una tudo para se compatibilizar as searas. Um dos maiores benefícios é que evita o retrabalho e interferências entre os projetos elétrico, hidrossanitário e estrutural”, destaca o engenheiro civil e analista de planejamento e orçamento da Porto Freire, Lucas dos Santos Souza. A economia de tempo para a execução da obra a partir do BIM é de 50%, pois é possível antecipar as etapas previstas.


FUNCIONAMENTO O início de uma obra começa com a apresentação do projeto por parte de um arquiteto. O profissional envia o conceito principal e passa para os engenheiros envolvidos. Há, por exemplo, um engenheiro que vai calcular como vai ser a estrutura de concreto, outro que calcula como serão as instalações e um arquiteto que faz a parte de paisagismo e designer de interiores. “Ocorre que esse projeto vai sofrendo alterações ao longo da sua concepção, e pode ser que essas mudanças não cheguem ao mesmo tempo para todos os envolvidos. Quando juntamos isso no BIM, conseguimos ver todos os passos dados por cada profissional para a consolidação da obra. Caso um profissional discorde do outro, é possível efetuar a mudança de forma mais rápida e de modo que todos saibam. Podemos ver o prédio ‘acontecendo’, de modo que também se pode sugerir mudanças na estrutura”, explica Lucas. Antes do BIM, a Porto Freire conseguia a mesma compatibilização, mas a estrutura veio para otimizar os processos. Segundo Lucas dos Santos, “a obra é um organismo vivo. Ao tempo em que eu tenho um arquiteto que está desenvolvendo um projeto de arquitetura em um modo mais detalhado, tenho um engenheiro de estrutura que está fazendo o cálculo dele. É comum ocorrerem várias alterações ao longo do processo”. Ainda de acordo com o engenheiro, a ideia é que daqui para frente todos os empreendimentos da Porto Freire sejam modelados pela metodologia BIM. “Ele tanto permite projetos, como orçamentos mais eficientes, mais diretos e que vão ajudar a planejar a execução daquele prédio. Consequentemente, a produção da obra será muito mais enxuta, muito mais alinhada”, salienta.

Engenheiros Lucas Souza e Leon Mascarenhas.

INOVAÇÃO A Porto Freire está, constantemente, inovando para otimizar a execução das suas obras, contratando projetos que agreguem novas tecnologias e garantam uma melhor utilização dos recursos naturais. Dentro desse contexto, a novidade é o emprego de uma nova estaca de execução na obra. Trata-se da estaca hélice contínua, que possui 50% menos ferro que a tradicional usada, a estaca raiz. “Fizemos um estudo de solo para esse empreendimento. Nos deparamos com uma situação em que na região ainda não havia sido utilizada essa metodologia. Embora seja parecido com o sistema anterior, essa nova estaca permite uma velocidade maior de execução, além do que a obra fica mais limpa, com muito menos resíduos”, explica o responsável pelo empreendimento Villa Gaudí, Leon Mascarenhas. Segundo o profissional, para a utilização desse método, o principal fator é o do tipo de solo. “Inicialmente, ele não havia sido empregado em nenhum outro empreendimento. Pelos estudos, o solo que se tinha não permitia. Mas, agora outros empreendimentos da região estão copiando, pois já fizemos, testamos e confirmamos que nossa mudança de tecnologia foi eficaz”, avalia. Para esse direcionamento, a construtora opera com base no Selo Verde, que a orienta a buscar novos equipamentos e novas tecnologias, a fim de que se consiga eficiência, por exemplo, do sistema de iluminação, reuso de recursos naturais, entre outros. “Isso tem um impacto ambiental, pois será utilizado menos ferro, menos água, menos areia, menos brita, ou seja, um ganho para todo o meio ambiente”, conclui Leon Mascarenhas.

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// Estilo Indica

MORAND O NA FILOSOFIA Com diálogos bem construídos, a série espanhola Merlí, apresentada pela Netflix, conquistou multidões e se transformou num estrondoso sucesso em todo o mundo. O roteiro traz um professor nada convencional que busca desmistificar a filosofia e estimular o espírito crítico dos seus alunos, tendo como pano de fundo os dramas vividos pelos adolescentes, como drogas, sexualidade, bullying e conflitos familiares.


Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida? As perguntas básicas que fazemos desde os primórdios da humanidade encontram eco nos desafios da filosofia e dão o mote para a primeira aula do professor Merlí Bergeron, numa escola pública de ensino médio, em Barcelona. Com métodos imprevisíveis e pouco ortodoxos, ele cativa seus alunos ao apresentar uma filosofia apaixonante e divertida, que vai ajudá-los a ver o mundo sob um prisma mais crítico e confiante. Esta é apenas a introdução de uma das mais instigantes séries lançadas pela Netflix, que conquistou milhões de telespectadores ao redor do mundo, sobretudo na América Latina: Merlí. Produzida pela espanhola TV3, a televisão autônoma da Catalunha, o seriado remete aos clássicos do cinema, como ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ e ‘Ao Mestre com Carinho’, ao transformar a sala de aula em um espaço onde os dramas comuns da adolescência são questionados, debatidos e enfrentados, como as drogas, conflitos familiares, sexualidade, bullying e gravidez. Só que, nesta série, o fio condutor é a filosofia.

alunos e professores formam o círculo da trama

E é associando os ensinamentos filosóficos ao cotidiano de cada um que o professor anima a classe, fazendo os alunos refletirem sobre suas vidas, seu futuro, suas atitudes e suas consequências. Ele desenvolve uma relação estreita com os estudantes, quase familiar, desperta ciúmes nos colegas professores e entra em conflito com alguns pais dos alunos. Para cada aula, é apresentado um filósofo ou uma escola filosófica, cujas histórias têm impacto nos problemas vivenciados no dia a dia dos jovens.

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//Estilo Indica

Ambiguidade O enredo começa com um homem de meia idade, sem atrativos físicos e perdido – desempregado, ele é despejado do seu apartamento por não pagar o aluguel e vai viver com a mãe, ao mesmo tempo em que terá que assumir a guarda do filho adolescente. Consegue uma vaga de professor substituto no Instituto Àngel Guimerà. A cada episódio, facetas de sua personalidade vão se revelando: inteligente, perspicaz na defesa dos seus valores, um professor arredio aos padrões conservadores da escola, mas preocupado com a vida dos seus alunos e, ao mesmo tempo, um homem de poucos escrúpulos na busca por seus objetivos, manipulador, que parece querer, acima de tudo, alimentar o seu próprio ego. Esse contraditório, no entanto, não o impede de conquistar todos ao seu redor e, claro, o telespectador.

Jovens atores interpretaram os estudantes do ensino médio

SAIBA MAIS A série Merlí está disponível na plataforma Netflix. São três temporadas, sendo as duas primeiras com 13 episódios e a última com 14.

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Encantamento Não foram apenas os jovens que se apaixonaram por Merlí. Os adultos se renderam à série. Foi o caso do ex-ministro da Educação, Renato Janini, professor de Ética e Filosofia da Universidade de São Paulo e autor do livro “A pátria educadora em colapso”. Encantado com o personagem homônimo, ele criou uma página no Facebook intitulada “Merlí e a filosofia no ensino médio” e proferiu dois cursos, na Casa do Saber, em São Paulo, sobre algumas tramas apresentadas na série. Numa entrevista, ao sugerir que todo professor de filosofia deveria ver a série, Janini cita a forma brilhante como Merlí resolve questões delicadas, como por exemplo: para discutir sobre a chegada da professora transexual na escola, ele recorre à filósofa Judith Butler, e para falar de valores, ele usa Nietzsche. “Isso deixa marcas fabulosas e, aos poucos, a filosofia se torna o carro-chefe da escola”, ressalta.

Guia do Merlí Os ensinamentos do professor Merlí saem da telinha e chegam às livrarias. Lançado em junho passado pela Faro Editorial, o livro “A filosofia de Merlí”, de Héctor Lozano, criador da série, e Rebecca Beltrán, é uma espécie de manual interativo que ajuda o leitor a conhecer melhor a si mesmo. O livro abre cada capítulo dedicado a um filósofo, de Sócrates, Platão e Epicuro, a Focault, Nietszche e Kant.

O ator Francesc Orella interpretou o professor Merlí

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Revista Estilo - Dezembro 2018  

Chega aos 70 anos exercendo o empreendedorismo e a responsabilidade social na vida e na empresa que criou há 34 anos.

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