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Gente da Gente Ano 06 Ed.04 Out Nov Dez de 2016

UniParque: melhorias para o Parque del Sol

DESTAQUE

Sérvulo Esmeraldo Das grandes esculturas à delicadeza das joias, o consagrado artista plástico, prestes a completar 88 anos, enche de orgulho o Ceará.

GIRO

A riqueza da arte nas cidades espanholas


// EDITORIAL

Editorial

C

Expediente Estilo é uma publicação da Porto Freire Engenharia PRESIDENTE

Jorge Wilson Porto Freire DIRETORA TÉCNICA

Roberta Catrib DIRETOR ADMINISTRATIVO FINANCEIRO

Felipe Arruda COORDENADORA DE MARKETING

om um trabalho que venceu as barreiras do Ceará e ganhou projeção internacional, o cratense Sérvulo Esmeraldo brinda esta edição com uma entrevista onde fala sobre as lembranças de sua infância, que foram fontes de aprendizado e inspiração para a sua criação. Ele comenta sobre a sua amizade com o artista suíço Jean Pierre Chabloz e a exposição “A Linha, a Luz, o Crato”, no ano em que completa 88 anos. Conheça as ações da nova diretoria da Associação dos Moradores do Parque del Sol (UniParque) que promete ampliar o diálogo com os moradores e promover melhorias no local, sobretudo nas áreas de segurança e lazer. Para quem aprecia a arte nas suas mais variadas formas, a Espanha é o lugar ideal para se visitar. Pensando nisso, a Estilo oferece um roteiro cultural por três das mais belas cidades espanholas: Madri, Barcelona e Sevilha. Um giro de encher os olhos e alimentar a alma.

Valdenisia Souza REDAÇÃO

R&B Comunicação JORNALISTA RESPONSÁVEL

Rozanne Quezado PRODUÇÃO E REVISÃO

Rozanne Quezado Lucílio Lessa Valdenisia Souza FOTOS

Jarbas Oliveira e banco de imagens

A rede que embala os sonhos dos nordestinos virou objeto de pesquisa na Suíça e ganha, cada vez mais, status nos projetos de arquitetos e designers de interiores. Confira algumas dicas sobre como usar este artefato para dormir, descansar ou, simplemente, decorar a sua casa. O projeto Educar Aprendendo, que a Porto Freire oferece aos funcionários nos canteiros de obras, formou a primeira turma este ano. Confira o depoimento emocionado de quem voltou a estudar e sentiu a alegria de retomar o aprendizado deixado para trás ainda na infância.

COLABORAÇÃO

Crisley Cavalcante Guilherme Paiva PROJETO GRÁFICO

Raphael Lira DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO

Promosell Comunicação Fale conosco (85) 3299 6600 gestaomkt@portofreire.com.br

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Revista Estilo Porto Freire

A dica cultural desta edição é o novo trabalho da cantora e compositora Céu. O álbum Tropix, o quarto de sua carreira, é aclamado pela crítica e já rendeu prêmios a artista, hoje considerada uma das mais talentosas cantoras brasileiras.


SUMÁRIO

Sumário 04|

Destaque Sérvulo Esmeraldo Lembranç as da infância e projetos para 2017.

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12| Gente da Gente

Giro

UniParque: melhorias para o Parque del Sol

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32| À Mesa

Temperos internacionais no Ceará

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Conheça o melhor da arte na Espanha

Tijolo por Tijolo

Educar Aprendendo forma primeira turma

Estilo Indica

Céu surpreende com o novo disco, Tropix

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// Destaque

Ap pre do 4

Revista Estilo Porto Freire


Sérvulo Esmeraldo:

pedra eciosa Crato Aos 87 anos, o escultor, gravador, ilustrador e pintor Sérvulo Esmeraldo, consagrou-se como um dos maiores artistas plásticos do país e da história cearense. Após um ano movimentado, incluindo exposição e homenagens recebidas, Sérvulo se prepara para nova maratona de trabalhos, em 2017, como a exposição no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo e, em menor formato, em quatro capitais brasileiras, incluindo Fortaleza. Fotos Jarbas Oliveira

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// Destaque

O artista em sua oficina, de onde saem os belos projetos que, ao longo de 60 anos, o consagraram no Brasil e no exterior.

“Senta aqui, deixa eu te mostrar uma coisa.” O convite foi feito por Sérvulo Esmeraldo quando chegamos em sua casa, na tarde quente de novembro. Ele tinha em mãos o catálogo de sua última exposição “A Linha, A Luz, O Crato”, que ocorreu de 10 de setembro a 31 de outubro, nos jardins da Universidade Regional do Cariri (Urca) e na Encosta do Seminário, em Crato, sua terra natal. Folheia o livro e se detêm na bela foto em página dupla da casa de engenho Bebida Nova.

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Revista Estilo - Qual a importância dessa casa para o senhor? [Casa de engenho Bebida Nova, no Crato] Sérvulo Esmeraldo - Essa é a famosa Bebida Nova, o engenho da família onde eu praticamente nasci. Cheguei lá com poucos meses de vida e passei a infância e a adolescência. Tem um grande apego emocional. O sótão da casa, nessas duas janelas, foi o meu primeiro ateliê. Eu ficava horas trabalhando lá, criando os projetos. Da janela dava pra ver a Chapada do Araripe, que foi muito determinante como inspiração. A propriedade está numa situação muito privilegiada, porque está bem no alto e de lá a gente via até o horto de Juazeiro do Norte, bem antes da estátua do Padre Cícero. Também da janela, veio a inspiração para fazer joias.

Livro-catálogo da exposição “A Luz, a Linha, o Crato”.

RE - De onde veio a inspiração para criar joias? SE- [A companheira e curadora de suas exposições, Dodora Guimarães, mostra, com orgulho, o belo conjunto de joias que exibe no pescoço, orelha e braço: obras de Sérvulo]

Dodora mostra o catálogo sobre a exposição de Sérvulo na Suíça, que aconteceu de 29 de novembro a 16 de dezembro. A publicação apresenta joias dos mais variados materiais: metal, madeira, acrílico e pedra RE - Houve um período de dedicação exclusiva à produção das joias? SE - Não. A produção de joias sempre acompanhou as minhas demais produções, nunca foi algo separado. O que existe é uma lógica de produção: entre uma exposição e outra, é produzida uma coleção de joias, que segue muito a linha do que estou fazendo com as esculturas.

Registros do traço do artista cratense

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// Destaque

As formas geométricas caracterizam parte de suas obras

RE - Das suas obras em Fortaleza, qual é a favorita?

RE - Alguns registros pontuam a sua relação com o artista suíço Jean Pierre Chabloz [desenhista, pintor e critico de arte] e como ele influenciou no seu estilo. Como isso ocorreu? SE - Eu ouvi outro dia, que teria estudado com o Chabloz. Não, isso nunca aconteceu. O Chabloz foi um dos primeiros artistas que conheci no Crato, em uma feira na região. Ele veio para o Ceará na época da guerra, como cartazista, e se encantou pelo Nordeste. Anos depois, acontece o reencontro aqui em Fortaleza. Chabloz era suíço e tinha uma vasta cultura, seja na área da pintura, seja na área da música, da astrologia, da numerologia. Era um cara muito curioso. A gente se reencontrou na SCAP (Sociedade Cearense de Artes Plásticas).

SE - O monumento Interceptor Oceânico (monumento ao saneamento básico), na Avenida Beira Mar, a maior. É a que mais me interessa pelo fato de ter sido a minha primeira obra em uma dimensão tão grande. Também porque é uma escultura que é uma obra de engenharia. A forma como ela se sustenta é um desafio e ela foi toda calculada por mim. Foi uma obra toda feita com resíduos do interceptor oceânico. Aquele é um monumento comemorativo de inauguração do interceptor oceânico de Fortaleza. Aquela escultura mexe muito com a cabeça das pessoas. Naquela época, mexia muito mais. As pessoas se interessavam até mesmo para contestar. Foi uma obra que entrou em rodas de discussão. Eu gostava muito dessas polêmicas.

RE - Essa relação influenciou o seu trabalho? SE - Foi através do Chabloz que fiz a primeira exposição na Suíça, em 1971. Ele conhecia o galerista e nos apresentou, fez essa ponte. Do ponto de vista das artes plásticas, a influência dele não foi algo determinante nas minhas obras. Foi mais um encontro entre dois personagens, duas pessoas com interesses em comuns.

RE- As suas obras têm um estilo bem específico. Quais as suas fontes de inspiração? PE - Todo o meu trabalho é fundamentado na geometria, na linha. Sempre fui muito tocado pelos novos meios, pelas novas tecnologias, com um pensamento mais ligado à ciência. Minha obra tem essa característica. A escultura, por exemplo, faço o projeto e qualquer um pode executar, porque é uma estrutura que vai ser construída, soldada. Não é algo que vai ser esculpido ou moldado. Existe uma fórmula, um cálculo. Formulações das ciências exatas.

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RE - A união de vocês (Sérvulo e Dodora) é muito inspiradora. Como foi esse encontro? SE - União é pouco [dá um toque de leve no ombro da esposa]. Estamos juntos desde 1980. São 36 anos. Dodora: Aconteceu que eu que conquistei o Sérvulo. O conheci porque admirava o seu trabalho e fiquei interessada. Telefonei e marcamos. Começou assim. Mais recentemente, ele me aprontou uma surpresa. No réveillon de 2011 para 2012 estávamos jantando nessa mesma mesa. De repente, ele vira para mim e me pede em casamento. Me pegou de surpresa totalmente! Eu não esperava de jeito nenhum. Foi emocionante.

Os anos de estudo e trabalho na França marcaram o seu estilo de produção artística


Dodora Guimarães, guardiã das memórias do artista cratense

No Reveillon de 2011, Sérvulo pediu Dodora em casamento, depois de mais de 30 anos de vida juntos. “Foi emocionante”, diz a curadora. Ti conse nim

quiam essin commo lorerae voloriae. Dodora exibe as joias produzidas pelo artista

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// Destaque

Em 2017, o artista fará grande exposição no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo 10

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RE - Com tantos projetos, o ano de 2016 foi movimentado para o senhor. O que esperar daqui para frente? SE - Esse ano foi bem atípico. Teve a exposição do Crato, uma exposição individual grande em Belo Horizonte, uma pequena mostra histórica em Londres. Houve a exposição na Suíça e, para a nossa surpresa, fui eleito o artista. Esse prêmio nos concede a realização de uma grande exposição que vai acontecer em julho de 2017, no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo. Depois dessa exposição, é feito um compacto que itinera por quatro capitais e Brasília. Fortaleza está incluída no roteiro.


Em seu atelier, em Fortaleza, Sérvulo transforma objetos de metal, cobre ou madeira em magníficas obras de arte

Obras de Sérvulo Esmeraldo dão brilho à cidade de Fortaleza

Luz e espaço são ingredientes que compõem a obra do artista cearense

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// Gente da Gente

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Um por todos, todos por um Com nova diretoria empossada há poucos meses, a UniParque dá início a uma série de ações em benefício do Parque del Sol. Na pauta, segurança, infraestrutura, esporte e lazer.

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// Gente da Gente

‘No plano estratégico de melhorias idealizado pela Associação de Moradores do Parque del Sol (UniParque), fundada há quatro anos, chama a atenção a pluralidade de ações estudadas minuciosamente pela nova diretoria. Composto por seis integrantes e há seis meses à frente da entidade, o novo corpo de diretores demonstra enxergar a associação não só como um meio para facilitar a comunicação e o intercâmbio de informações, mas como um instrumento decisivo para a garantia do bem-estar dos moradores do Parque.  Quem fala pela Uniparque para as páginas da Estilo é o seu presidente, Hary Varela Andrade. Aos 38 anos, o especialista em condomínios parece ter tomado para si a responsabilidade de encabeçar essa nova fase, tamanha a eloquência com que disserta sobre as dificuldades e os projetos para o local. “Já fizemos um plano diretor para estartar tudo o que é necessário para a nossa região”, informa. Os planos são ousados, mas pensados de forma que a possibilidade logística se mostra a todo momento como fio condutor e condição obrigatória para a tomada de cada decisão, apesar de não faltarem obstáculos. “Queremos deixar claro que a Uniparque não tem a pretensão de puxar as responsabilidades do Estado”, pondera o presidente. As responsabilidades estatais envolvem as  áreas de infraestrutura e segurança, embora a associação se coloque como ponte para que melhorias sejam realizadas.  “Temos dificuldades, sobretudo na área de segurança, porque não podemos fazer aquilo que temos vontade. Seria muito interessante se pudéssemos, por exemplo, colocar uma empresa armada. O pagamento não seria problema, pois o Parque é constituído por aproximadamente oito mil moradores. Então ratearíamos, só que não é possível. O Parque del Sol hoje é uma área pública, embora a Porto Freire tenha feito a adoção de uma parte da praça. Por isso, não podemos contratar uma segurança armada. E escutamos sempre a mesma conversa de que o Estado hoje não está preparado, que não há contingente para colocar uma base fixa aqui, mas estamos nos articulando junto ao legislativo”, avisa Hary.  

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PROJETOS PARA O FUTURO Apesar disso, na reflexão da diretoria da Uniparque, o momento atual é de articulação, tanto em relação aos órgãos públicos quanto a iniciativa privada. Sobre a questão da segurança, uma saída emergencial é que, junto ao poder público e à empresa de segurança que age dentro dos condomínios, estão sendo pensadas barreiras, lombadas, além da integração das portarias com a mesma frequência de rádio, bem como a criação do projeto Amigos da Polícia, que consiste em disponibilizar infraestrutura de apoio ao trabalho dos policiais que circulam pela área. “Estamos montando também um treinamento para os porteiros e moradores, a fim de que tenham uma visão mais ligada à área de segurança. Queremos integrar todas essas ações para conseguir conscientizar as pessoas de que podemos viver de forma melhor”, pondera.  Ainda sobre parcerias, o presidente da associação aponta uma já firmada com uma empresa que atua no Parque del Sol, no intuito realizar um trabalho de atividade gratuita de física matinal para idosos, três vezes por semana, com início em dezembro. “Os condomínios associados já podem se cadastrar e participar dessas atividades. Também queremos fazer campeonatos de basquete e futsal entre os condôminos, e um grande mutirão de consciência ambiental. Para isso, estamos procurando  ajuda de empresas da região”, diz.  

Ao lado, Hary Varela Andrade e Ernane Lima Maia – presidente e diretor da UniParque - e Gabriela Girão, moradora do Parque del Sol. Acima, área de lazer do empreendimento.

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// Gente da Gente

As mudanças ocorrerão em curto prazo, assegura o diretor Ernane Lima Maia

SUSTEN TABILI DADE À reboque da pauta de consciência ambiental, Hary anuncia uma parceria com a Companhia Energética do Ceará para a instalação de um posto da Ecoelce, no qual qualquer pessoa pode se cadastrar munida da conta de energia e passar a levar os resíduos pré-separados por tipo até o ponto de coleta. Lá, os resíduos serão pesados e o valor em bônus creditado automaticamente na conta de energia do cliente.  “Assim, os condomínios vão poder trabalhar a sustentabilidade de forma mais prática. Creio que até final do ano estejamos construindo o ponto.  A Porto Freire vai custear o posto de coleta e já autorizou a construção”, ressalta. O presidente da UniParque informa ainda que já oficiou o horto municipal sobre o desejo de receber doação de plantas.   A ideia da UniParque é realizar estratégias diversas e de forma ordenada ligadas à conscientização ambiental. Um projeto piloto, já colocado em prática, consiste na instalação de equipamentos em algumas portarias para a distribuição de saquinhos de coleta de fezes de animais em passeio. “Temos todos esses pontos agregados à nossa gestão e que serão melhorados, mas queremos deixar claro para as pessoas que isso depende da participação de todos. A principal característica da UniParque é a gestão participativa. Qualquer pessoa que queira ajudar a melhorar a nossa região é muito bem vinda ”, frisa Hary. 

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MAIS AÇÕES Para além dessas atividades, estão nos planos da UniParque a criação de uma ciclofaixa, espaço para corrida, quadra de vôlei de praia, “cachorródromo”, academia ao ar livre, espaço para crianças, além de outras melhorias na infraestrutura comum aos condôminos, como as calçadas. “Já estamos com o projeto nas mãos do prefeito (Roberto Claudio). A arquiteta da prefeitura já está conversando conosco para a implantação de melhorias. Prometeram que isso vai ser feito a curto prazo”, destaca o diretor de infraestrutura da UniParque, Ernane Lima Maia.


Presidente Hary Varela destaca o apoio da Porto Freire.

EXPECTATIVA A diretoria da UniParque ressalta que não há destinação de verba por parte dos parceiros para o caixa da associação. Assim, todas as parcerias ocorrem com ações diretas para o Parque, sob a prospecção e supervisão da entidade. “Hoje, a sociedade  vive uma situação complicada na área social: a corrupção. A UniParque se propõe a fazer um contraponto a isso, mostrando que é possível fazer um trabalho social sem o envolvimento de ações escusas. Temos parceria privada, mas não recebemos nenhum real dessas empresas. Nossa única renda vem exclusivamente dos associados. As parcerias existem para trazer benefícios diretos, logísticos”, explica. Os associados da UniParque colaboram com um valor de R$ 5,00 ao mês, por apartamento.  Sobre o apoio recebido pela Porto Freire Engenharia, Hary é enfático: “a Porto Freire me surpreendeu. Tive uma reunião logo após assumir a presidência e eles foram extremamente acessíveis a uma conversa com a UniParque. No Amigos da Polícia, por exemplo, a construtora se comprometeu em reformar as duas guaritas da entrada, além de  banheiros, local para refeições e wi-fi”, diz. 

SAIBA MAIS Para quem quer se cadastrar ou saber mais sobre a UniParque, basta consultar o síndico do seu prédio, uma vez que as datas de reuniões e informações em geral são passadas a eles, que podem divulgar aos condôminos. A associação também disponibiliza para contato o e-mail uniparquedelsol@gmail. com. “A nova gestão da UniParque nos trouxe uma grande expectativa de melhorias. Esse plano diretor teve a participação dos condôminos. Os prédios estão se associando aos poucos e a UniParque está ganhando força. Vamos em frente!”, ressalta a moradora Gabriela Girão Formiga.

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// Bem viver

A rede relaxa, ajuda a dormir e ainda decora COSTUME HERDADO DOS ÍNDIOS, O USO DA REDE DE BALANÇO VEM GANHANDO CADA VEZ MAIS ESPAÇOS NO BRASIL E FORA DELE. ENQUANTO PESQUISADORES SUÍÇOS ANUNCIAM QUE DORMIR NA REDE PROMOVE UM SONO COM MAIS QUALIDADE, ARQUITETOS E DESIGNERS DE INTERIORES INTRODUZEM A PEÇA COMO OBJETO DE DECORAÇÃO NOS MAIS VARIADOS AMBIENTES DA CASA.

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Variados modelos e cores das redes permitem dar um upgrade na decoração da casa.

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// Bem viver

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esquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, descobriram o que os nordestinos já sabem desde sempre: deitar numa rede, além de descansar o corpo, relaxa a mente e ajuda a pegar no sono mais rápido. Baseado em monitoramento do cérebro de voluntários, os estudos foram adiante e mostraram que o balanço suave da rede proporciona um sono de mais qualidade, leva mais rapidamente a um estágio mais profundo e melhora o upgrade da memória. Se antes, bastava ver uma rede armada e já dava vontade de deitar, imagina agora amparado em uma pesquisa que, em outras palavras, é um convite a dormir de rede para ser mais feliz. Os insones agradecem a dica. Mas, a rede não foi alçada somente ao patamar de indutor do bom sono. Ela também ganhou status nos projetos de arquitetos e designers de interiores, passando a compor a decoração de ambientes que vão da sala ao escritório, deixando de ser usada somente na varanda ou nas casas de praia.

A rede integra os projetos de decoração de arquitetos e designers de interiores.

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Na varanda ou na sala, a rede é o espaço que convida ao relaxamento

Harmonia com os ambientes A decoradora Ana Mirtes Saldanha, grande fã da rede como artefato de decoração, explica que a varanda há muito deixou ser o único local onde ela pode ser utilizada. “Hoje é possível introduzir a rede na decoração de qualquer ambiente da casa, na sala, no escritório (home office) e no quarto”, afirma. Mas, ela chama a atenção para alguns detalhes na hora de usá-la em determinados locais, principalmente na sala. Diz que, assim como qualquer objeto de decoração, ela precisa estar em harmonia com o conjunto do ambiente. Não basta armar uma rede ao lado do sofá e achar que a sala está perfeita. “A rede remete ao descanso, ao conforto, ao aconchego. Por isso, a primeira providência é usá-la em um lugar que não haja muito trânsito de pessoas – porque a ideia é que ela fique sempre armada, tornando-se, assim, um convite permanente ao relaxamento”, ressalta.

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// Bem viver

A orientação seguinte é harmonizar com os demais elementos que compõem a decoração. “Hoje, temos uma infinidade de opções de rede, tanto em relação ao tecido, ao formato, quanto às cores. Então, não será difícil conciliá-la com o ambiente onde ela estará presente. Se há muitas cores na sala, por exemplo, a rede pode ser de uma cor neutra, tipo algodão cru. Por outro lado, se o ambiente é clean e você quer dar um ‘tchan’, pode usar uma cor forte, como o vermelho fechado, ou estampada, procurando aquelas cores que harmonizem com o ambiente”, explica Mirtes, acrescentando que, para a varanda, não há muitas restrições: “qualquer rede é sempre bem vinda – desde que sempre limpa e em bom estado de conservação, é claro”. Para os apartamentos sem varanda, a especialista recomenda que a rede possa estar próxima à janela. “Poder contemplar o céu e sentir o vento vindo da janela, faz o descanso na rede mais confortável e proveitoso. Se puder ouvir uma música suave, o cenário estará completo”, afirma.

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A rede precisa estar em harmonia com as cores do ambiente

Ganchos firmes Outro item importante na hora de instalar a rede é a segurança. “São dois aspectos que precisamos observar: a qualidade do tecido da rede e, principalmente,olocalondeelaseráinstalada”,enfatizaAnaMirtes.Elaapostanasredesconfeccionadascomtecidodealgodãoquesãomaisresistentes.Esseitem é importante para quem tem criança em casa que, muitas vezes, salta na rede, faz estripulias típicas da idade. A atenção deve ser redobrada quanto aos armadores (ganchos), que podem ser instalados tanto em paredes opostas quanto em paredes vizinhas, sempre observando uma distância em torno de três metros entre eles e estejam a cerca de dois metros de altura. “A principal preocupação em relação à instalação é quanto à fixação dos ganchos na parede. A segurança da rede, principalmente, para as crianças, está na forma como os ganchos foram instalados na parede. Por isso, recomendo sempre a contratação de um profissional para este fim”, esclarece Mirtes.


É importante verificar em que tipo de parede os ganchos serão instalados. As de cimento e tijolo maciço são as indicadas por serem mais resistentes. O gancho para alvenaria de bloco deve ser chumbado para permitir uma boa fixação e garantir que a rede não vai cair com o peso das pessoas que a usam e o balanço diário. Em relação à altura da rede, a especialista diz que vai muito do gosto de cada um. “Há pessoas que adoram uma rede baixinha, que possa tocar o chão com os pés. Mas, de um modo geral, o ideal é que a rede tenha, pelo menos, 40 cm de distância do piso”, avalia.

//SAIBA MAIS As redes não podem ser lavadas de qualquer jeito. Para evitar danos, sobretudo aos punhos (cordões) e às varandas, é aconselhável não utilizar a máquina de lavar. Mas, se não houver outro jeito, a dica é antes de colocar na lavadora, dobrar a rede com as franjas para dentro e amarrar os punhos, que também ficam dentro da rede, para evitar que embarace. É importante usar sabão neutro (sabão de coco) para preservar o tecido, principalmente em redes artesanais. Já existem as chamadas ‘redes de casal’, que vêm em tamanho extragrande, em torno de 1,70 metros de largura, e dá para acolher confortavelmente duas pessoas. Um balanço a dois, sob a luz da lua, deve ser ainda mais interessante.

Para manter a boa aparência, a rede precisa de cuidados específicos

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// Giro

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Casa MilĂĄ (La Pedrera), intrigante obra do arquiteto Antoni GaudĂ­


Nos passos da pela

arte

Espanha A Espanha, cujas cidades inspiram os empreendimentos do Parque del Sol, da Porto Freire, é conhecida por suas touradas, pelo flamenco e por sua rica gastronomia. A dica da Estilo, no entanto, propõe uma viagem para apreciar as obras dos grandes mestres da arte espanhola, bem como a influência da cultura árabe, percorrendo um roteiro que inclui desde os famosos museus de Madri até a intrigante arquitetura de Barcelona e Sevilha.

Por Rozanne Quezado Fotos Roberto Lefkovics

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// Giro

D

iego Velásquez, Francisco de Goya, Joan Miró e Pablo Picasso, para citar alguns dos mais expressivos nomes da arte espanhola, juntam-se a conceituados artistas internacionais nas galerias dos museus de Madri, a bela capital da Espanha. Muito além das touradas, da paella e da dança flamenca, estes mestres dos pincéis retratam a essência da alma espanhola, nas diversas fases da manifestação artística: do renascimento (El Greco), passando pelo surrealismo (Miró), ao cubismo (Picasso). Estar em Madri é acercar-se destas lendas da pintura. Há museus para todos os gostos na cidade. Imperdível são os três maiores que, pela localização formando um triângulo perfeito, passaram a ser chamados de Triângulo de Ouro da Arte: os museus do Prado, Thyssen-Bornemisza e Reina Sofia. Com uma rica coleção de obras de grandes artistas espanhóis e de outras nacionalidades, como os italianos Caravaggio, Botticelli, Rafael e Ticiano, o Museu do Prado, inaugurado em 1819, é o maior da Espanha e um dos mais importantes do mundo. É preciso algumas horas para percorrer as imensas galerias que abrigam mais de 17 mil obras, entre pinturas, esculturas e documentos históricos. Algumas são imprescindíveis, como a sala 12, dedicada às obras de Velásquez, com destaque para a sua pintura mais famosa “As meninas”. Um detalhe: a entrada é gratuita das 18 às 20 horas (de segunda a sábado) e das 17 às 19 horas (domingo e feriados).

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O Museu do Prado está entre os mais importantes do gênero no mundo


A Guernica é a obra mais emblemática do artista espanhol Pablo Picasso.

A GUERNICA DE PICASSO O segundo da tríade é o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia. A coleção permanente exibe as mais célebres obras de artistas espanhóis, como Pablo Picasso, Salvador Dalí e Joan Miró. É lá que se encontra, em grande painel, a mais famosa obra de Picasso: Guernica, que retrata os horrores das bombas alemãs sobre a aldeia homônima durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937. Durante a Segunda Guerra Mundial, o quadro foi levado para Nova York e somente retornou em 1981, seguindo ordem de Picasso: a Espanha o teria de volta quando se tornasse um país

democrático - o que só ocorreu após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975. Menos conhecido que os anteriores, mas igualmente fabuloso, o Museu Thyssen-Bornemisza possui um belíssimo acervo de 700 obras do século XIII aos anos 1980. A coleção, que pertencia à família húngara Thyssen-Bornemisza e foi adquirida pelo governo espanhol, em 1993, inclui obras de gênios do impressionismo, como Monet, Renoir, Van Gogh e Degas, e da arte moderna, entre eles, Kandinsky, Mondrian e Pollock.

CURIOSIDADES Na época em que vivia em Paris, quando a capital francesa estava ocupada pelos nazistas, Pablo Picasso foi abordado por um oficial alemão que lhe mostrou uma reprodução do seu quadro Gernica e perguntou se ele havia feito aquilo. Picasso respondeu: “Não, foram vocês!”. Em Barcelona não deixe de visitar o Museu Picasso, com mais de quatro mil obras deste grande artista, envolvendo pinturas, esculturas e desenhos. O acervo revela vários momentos da vida de Picasso, como as fases Azul e Rosa. A obra mais cara da história dos leilões de arte é o quadro “Mulheres de Argel”, de Picasso. Ele foi vendido por 179,36 milhões de dólares (equivalente a R$537 milhões), em 2015, em Nova York.

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// Giro

interior da Basílica Sagrada Família idealizada por Antoni Gaudí

A GENIALIDADE DE GAUDÍ Um dos maiores símbolos da arte catalã e o ponto turístico mais visitado de Barcelona é a Basílica da Sagrada Família. Obra do genial arquiteto Antoni Gaudí, o templo não se explica em palavras: é preciso estar lá para sentir a grandiosidade deste intrigante trabalho. Em qualquer época do ano, o local está sempre repleto de turistas que enfrentam filas quilométricas para apreciar aquela magnífica obra inacabada. A construção da Sagrada Família começou em 1882. Gaudí dedicou a sua vida à obra, principalmente os últimos 15 anos. Ao morrer, em 1926, deixou concluídas a cripta (onde está sepultado o seu corpo) e a fachada da Natividade. A obra continua sendo construída – foi interrompida de 1937 a 1944, por causa da Guerra Civil Espanhola – e a previsão é que esteja pronta em 2026, por ocasião do centenário da morte de Gaudí. A igreja terá 18 torres, a maior com 172,5 metros de altura. Além da Sagrada Família, Gaudí, que dá nome ao mais novo empreendimento da Porto Freire, projetou obras igualmente inusitadas e que viraram símbolos do modernismo catalão. As mais conhecidas ficam na Avenida de Grácia, a mais luxuosa de Barcelona: Casa Batlló e Casa Milá (La Pedrera) – declaradas Patrimônio Mundial da Unesco. A exemplo da Sagrada Família, são duas obras magníficas que desafiam o conceito convencional da arquitetura. Verdadeiras obras de arte ao ar livre.

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Somente em 2026 – 144 anos após o início da construção – a Sagrada Família será inaugurada.


Casa Batlló, obra de Antoni Gaudí, representa o modernismo catalão.

A Sagrada Família vista do alto e detalhes das colunas no interior da basílica.

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// Giro

A RIQUEZA DO LEGADO ÁRABE Em Sevilha, capital da Andaluzia, encontra-se uma das mais belas heranças dos mouros que, por quase oito séculos – de 714 a 1483 -, dominaram grande parte da Espanha. Assim como em Granada e Córdoba, duas grandes cidades da região, as edificações medievais impressionam pela riqueza arquitetônica. Na Praça do Triunfo está o mais fabuloso registro da presença árabe na cidade. Formando um complexo estão a La Giralda, a emblemática torre de 104 metros de altura, que, com a tomada da cidade pelos cristãos, se transformou em campanário da majestosa catedral, e o Real Alcázar, um palácio que mescla a arte árabe-cristã, com pátios, vivendas, salões e imensos jardins, com grandes palmeiras, fontes e espelhos d’água, onde se respira ar fresco e quietude. O palácio foi ampliado após a tomada da cidade pelos cristãos. Preservando parte da arquitetura árabe, foram construídos salões com influências gótica, barroca e renascentista.

O Real Alcázar foi cenário de alguns filmes, como o Game of Thrones, e é palco de importantes concertos artísticos. História da colonização Na Praça do Triunfo está outra edificação de grande valor histórico: o Arquivo Geral das Índias, guardião dos registros das viagens envolvendo o descobrimento das Américas e a administração das colônias. Sevilha era o porto exclusivo para o comércio entre a Europa e o novo continente. Em 8 km de estantes estão guardados 43 mil documentos, com 80 milhões de páginas e 8 mil mapas e desenhos, que contam a história da colonização. Outro ponto turístico que não pode deixar de ser visitado é a Praça de Espanha. Um complexo erguido dentro do Parque Maria Luisa para sediar a Exposição Ibero-americana, em 1929. Neste fascinante lugar, composto de edifícios, canal, pontes e passeios há uma mescla de elementos arquitetônicos como mudéjar (mouro), renascença e art déco.

Da esquerda para a direita: Jardins do Real Alcazar, arquitetura árabe nos salões do palácio e lateral da Catedral , ao fundo se vê a torre La Giralda.

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Praça de Espanha mescla elementos arquitetônicos como mudéjar (mouro), renascença e art déco.

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// À Mesa

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O sabor do mundo no Ceará No Le Cousinier é possível experimentar diversos sabores da culinária internacional, com uma dose obrigatória dos sabores cearenses. Uma deliciosa mistura para todos os gostos.

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ma pitada do tempero cearense, mesclado com condimentos franceses, passando pelo marroquino, caribenho, inglês e até jamaicano, sem esquecer o gostinho local. Essa diversidade de sabores é o que oferece há 11 meses o restaurante Le Cousinier (O cozinheiro, em francês).

Chef Juarez Santana tem formação no Le Cordon Blue

Após quase 15 anos vivendo entre Inglaterra e França, o chef Juarez Santana resolveu apimentar a culinária cearense com um menu diverso, de muitos sabores e opções da culinária internacional. De quebra, regado às raízes da culinária regional. O cearense, natural de Fortaleza, é formado pela histórica escola de culinária francesa Le Cordon Bleu. Pelo mundo aprendeu a lidar com iguarias diversificadas e paladares exigentes. Quando morava em Londres, por exemplo, todos os meses era chamado para liderar o menu das festas que um excêntrico magnata francês oferecia aos seus amigos em um castelo.

SABORES DISTINTOS As experiências internacionais deram-lhe know hall para, de volta ao Ceará, mesclar sabores tão distintos. Há três anos, fundou o bistrô chamado Le Roche que, dois anos depois, viria a ser o atual Le Cousinier. Quem frequenta o restaurante aprecia um ambiente requintado e discreto ao mesmo tempo, e pode provar iguarias como o risoto de frutos do mar, que vem servido com molho especial da casa, parecido com o da moqueca, sem glúten, nem lactose. Para os adeptos do tempero caribenho, por exemplo, é possível provar um dos pratos mais pedidos, o Magret de canard (pato temperado) com pimenta. À base de especiarias da região do continente americano, o prato leva ainda gengibre, cebolinha, coentro,

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mel e é servido com cenouras inglesas, chamadas cenouras glaceadas, que são levemente mais adocicadas que as brasileiras. Outra opção, tipicamente francesa sob a forte influência cearense, é o pirê de mandioquinha, servido com um molho especial regado a vinho tinto francês. Aos adeptos dos doces, o carro chefe da casa é a sobremesa de doce de leite com sorvete de queijo, uma espécie de petit gateau cearense. “Tentamos oferecer um produto seguindo uma linha de conforto para que o cliente possa vir almoçar ou jantar e sair se sentindo bem. Buscamos oferecer uma boa comida, sem apelar para o extremo do criativo, mas fazendo algo moderno e clássico”, explicou o chef.


Pratos elaborados compĂľem o cardĂĄpio da casa

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A madeira predomina na decoração do restaurante

NATURAL A decoração é outro atrativo do restaurante

No Le Cousinier, os pães são preparados de forma especial, assados no forno à lenha e com uma pegada saudável, sem glúten e à base de fermento natural. Sempre que possível, o restaurante trabalha com produtos orgânicos, fornecidos por pequenos produtores locais, respeitando a sustentabilidade e incentivando o pequeno negócio.  Além da arte na preparação dos pratos, o cuidado com os alimentos é uma regra. “Não compramos nada congelado, tudo é utilizável, desde a espinha do peixe à cabeça, nada se perde, tudo se reaproveita na busca por oferecer uma comida sustentável e saborosa”, diz Juarez.

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CARDÁPIO VEGETARIANO Para os vegetarianos não faltam opções. Basta pedir ao chef e o prato é feito na hora. Com um cardápio sucinto contendo 12 pratos principais, oito acompanhamentos e dez entradas, o restaurante oferece um mix de produtos para atender todos os paladares. No total, pode oferecer até 50 tipos de pratos diferentes para o público ‘natural’. A dica para os não adeptos de carnes e afins é o risoto de parmesão com cogumelos da Serra de Guaramiranga. As demais pedidas variam entre cuscuz marroquino, arroz negro, massas diversas, entre outras artes que só vendo para crer. “Nós nos preocupamos muito com o trabalho em si, com os profissionais que estamos formando, com o respeito que eles devem ter com cada ingrediente que chega às suas mãos, desde um tomate a uma lagosta. Nos preocupamos em oferecer uma comida primorosa, que o cliente conheça e ache saborosa”, afirma Juarez Santana. Para finalizar, o creme brulee, sobremesa tipicamente francesa que parece o pudim cearense, é outra pedida interessante. Feita com creme de leite, ovos, açúcar e baunilha, contém uma crosta de açúcar que, queimado por um maçarico, derrete e vira uma verdadeira obra prima para os olhos e paladar. Delicioso e de encher os olhos, assim como é o Le Cousinier. 

O toque pessoal do chef na preparação dos pratos.

LE COUSINIER Local: Rua Antenor Rocha Alexandre, 650. Fortaleza Horário: 11h30 às 15h00 e 18h à meia noite. Funciona de terça a sábado (almoço e jantar) e domingo (apenas almoço). Contato: (85) 3025-5239

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reco meรงo O desafio do

Concluindo suas primeiras turmas, o projeto Educar Aprendendo se revela como um instrumento de retomada para quem havia desistido da escola e, sobretudo, para a autoestima de trabalhadores da Porto Freire.

Eles venceram o desafio do retorno aos bancos escolares

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rancisco de Lima era só um garoto quando descobriu uma vida bem mais dura que as dificuldades comuns à infância. Vindo de família humilde e sem presença paterna, teve na experiência sofrida da mãe em uma fábrica de castanha, o anúncio de um futuro de batalha para ele e para os outros cinco irmãos. Sem escolha, estrutura financeira e familiar, ainda menino começou a trabalhar, ficando marcado na alma e na memória um recado. “Meu filho, vou pagar uma aula particular para você com o pouco que eu tenho, para que aprenda a ler e escrever uma carta para mim quando for para longe. É tudo o que eu posso te dar. O resto fica por sua conta”.  E a conta foi alta para Francisco. O garoto inteligente abriu mão dos estudos para encarar o trabalho duro, fazendo frete, trabalhando em feira. Vez por outra lembrava com saudade da vida de estudante, que ano após ano ficava mais longe, mas que não morria na memória. Apesar das intempéries da vida, hoje, aos 56 anos, casado e pai de seis filhos, Francisco continua com sonhos tão altos e desafiadores quanto os prédios que ajuda a construir na Porto Freire Engenharia, graças a um projeto que vem resignificando há um ano a vida de trabalhadores das obras da construtora, o Educar Aprendendo, que acaba de concluir sua primeira turma.

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Incentivos Ao perceber que a grande maioria dos colaboradores de obras não possuía a escolaridade básica, o ensino fundamental e o médio, a Porto Freire criou o projeto em parceria com o Sesi (Serviço Social da Indústria). A princípio, as aulas ocorriam em uma escola nos arredores do Parque del Sol, mas, desde março deste ano, são realizadas no salão organizado em uma das obras do local. “Essa foi uma solicitação dos próprios estudantes. Eles acham que sendo dentro do Parque del Sol, outros trabalhadores podem aderir. Começamos com 30 alunos em turmas de nível básico e fundamental, mas, infelizmente, alguns desistiram. Formamos nove na primeira turma e daqui a pouco outros nove na segunda. Turmas novas vão começar em janeiro. Nossa ideia é que eles concluam o ensino médio aqui e, quem sabe, façamos até aulas de ensino superior”, destaca o coordenador de Desenvolvimento Humano da Porto Freire, Felipe Teixeira.  

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Não é fácil. Depois de um dia de trabalho, sentar e começar uma jornada de estudos requer uma determinação que só ganha sustentação no entusiasmo e no apoio de professores e amigos. É o caso do Gilvan de Sá, 30 anos, três deles na Porto Freire. “Tenho um pouco de dificuldade para escrever umas letrinhas. Às vezes, me dá preguiça, já pensei em desistir. Mas meu amigo ‘véi’ aqui (abraça Francisco) chegou e me disse: ‘Rapaz, não desista. Você está jogando fora uma oportunidade’. Então, pensei, voltei a palavra atrás e disse: ‘Rapaz, por causa dessa força, vou voltar”, diz Gilvan, sob o olhar marejado do amigo.

“Aqui, todos nos tratamos com igualdade. Quem sabe mais, ajuda quem sabe menos. Se eu sei algo que alguém não sabe, esse alguém também sabe alguma coisa que pode passar para mim. O Gilvan, por exemplo, é muito bom em matemática, sem esquecer que as professoras ‘são 10 anos’”, diz Francisco, acrescentando que às vezes, estudar se torna cansativo. “Mas, é gratificante. Quanto mais a gente aprende, mais portas vão se abrindo. Não só em relação ao trabalho, mas na vida mesmo, no dia a dia. Às vezes, a gente tem dúvida em uma ou outra palavra e estudando vai aprendendo. Cada dia que eu vou à aula, aprendo uma coisa nova. Então, quero multiplicar isso, chamar outras pessoas para participar. Passei a ver o mundo de outra forma. Eu entendo meus amigos, já tive essa visão (de que não valeria a pena), mas ao entrar a gente muda, passa a enxergar as coisas de outro patamar”, avalia.   


Volta ao passado

Momentos marcantes No rastro das conquistas, um episódio não sai na cabeça do estudante, que considera o momento mais emocionante de todo esse caminho de volta aos estudos. Certo dia, Francisco chegou em casa com o certificado de conclusão do curso em mãos e o entregou ao filho, Diego. “Cheguei para ele e disse assim: ‘olha aí, meu filho, quem me entregou foi o dono da Porto Freire (Jorge Porto Freire) ’. Aí ele disse: ‘Pai, você é o meu orgulho! O exemplo que o senhor está dando é o meu maior presente’. Quando ele disse aquilo para mim, fiquei muito emocionado”, lembra Francisco, que apesar dos anos longe da escola, sempre foi atento aos estudos dos filhos, a ponto de Diego, por exemplo, ter uma bolsa em um colégio particular por conta do seu esforço e determinação familiar.  A entrega do diploma foi o ápice também para o Gilvan. “Eu fui o derradeiro a subir. Sou meio encabulado. Nunca tinha visto o dono da Porto Freire, mas ouvia falar muito, estava curioso. Na hora, a gente sente muita coisa, vontade de chorar (risos). Mas a gente se aguenta ali. Minha esposa e meu filho ficaram muito orgulhosos. Meu filho até disse ‘Olha aí, as notas do papai, tudo boa!!!’. Aí eu disse: ‘Se Deus quiser, vão melhorar mais ainda’”. 

Francisco, Gilvan e Antônio celebram a vitória

Antonio Airton da Silva Lima, 46 anos, há cinco anos na Porto Freire, escuta atentamente as palavras dos colegas de trabalho, a quem considera família. “Lembro o dia em que cheguei aqui, era 6 de fevereiro”, diz. Sorridente e com aquele jeito determinado de quem vai à luta sem se lamentar das dificuldades, ele fala do dia a dia difícil com a altivez e até diria o pragmatismo dos fortes. A falta de trabalho onde reside com a mulher e o casal de filhos - Caridade, 75 km de Fortaleza -, o obriga a se ausentar de casa de segunda a sexta-feira para o trabalho na capital, dividindo o aluguel com outros trabalhadores em uma casinha próximo ao local de trabalho. “É difícil, mas a gente tem que fazer isso porque lá não tem serviço”, explica.  Sobre a experiência no Educar aprendendo, Antonio é enfático. “Não tive a oportunidade de estudar. Parei na segunda série, morava na zona rural e a professora da escola que eu estudava desistiu de dar aula porque o prefeito não pagava o salário dela. Doía ver amigos indo para a escola e eu ter que sair para trabalhar, com 12 anos. Lembro muito deles saindo de bicicleta para a aula. Então, quando surgiu essa oportunidade, resolvi encarar”, relata. Perguntado sobre as dificuldades do processo, Antonio revela que “nos primeiros dias foi difícil, são 32 anos longe da escola. Mas agora (nas férias) já estou sentindo falta e esperando que recomece logo. Outro dia eu me peguei olhando para o meu apontador. Na minha época, era muito difícil, todo mundo usava gilete. Me sinto voltando ao passado”, diz, com um tom de nostalgia. Nesse momento, Francisco fala para o amigo. “Não está tarde, podemos chegar lá. Não sei onde, mas vamos”, conclui.

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A irreverência eletrônica de Céu NADANDO CONTRA A MARÉ DA PRODUTIVIDADE COMERCIAL E PRA LÁ DE DUVIDOSA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NAS ÚLTIMAS DÉCADAS, UNS POUCOS ARTISTAS SEGUEM FAZENDO UM TRABALHO DE QUALIDADE E ANIMAM OS OUVIDOS MAIS EXIGENTES. A CANTORA CÉU É UM DELES. EM SEU QUARTO ÁLBUM, TROPIX, LANÇADO ESTE ANO, SUPERA OS JÁ BEM FEITOS DISCOS ANTERIORES E COMPROVA POR QUE É ACLAMADA PELA CRÍTICA COMO UMAS DAS MAIORES CANTORAS BRASILEIRAS DA ATUALIDADE.

A voz suave e com timbre encorpado, sobretudo nas canções românticas, segue igual. Mas, a batida do disco Tropix, o quarto trabalho da cantora e compositora Céu, está mais eclética. Sons eletrônicos, mais pulsantes, flertam com o disco music. Canções como A Nave Vai e Rapsódias Brasilis convidam a bailar. Esta última, ressalta-se, mostra o lado mais engajado politicamente da artista ao retratar a situação de uma empregada negra que cuida da criança branca e é repreendida pelos patrões por envolver-se com problemas da família. Numa entrevista ao blog Nexo, Céu justifica o ecletismo do novo disco: “em Tropix

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consegui trazer um pouquinho de um outro universo que nunca tinha trazido tanto e acho que isso se sintetizou em forma de beats, batidas quebradas, sintetizadores”. Mas, para tranquilidade dos fãs que a acompanham desde o primeiro disco, lançado em 2005, com influências mais latinas, ela diz que o álbum é uma continuidade dos trabalhos anteriores e destaca a inspiração que permeia o disco: “Na maior parte disso, você vê claramente a influência do Baden [Powell], tem uma coisa do Martinho [da Vila] também, ‘Perfume do Invisível’ [primeira faixa e single do álbum Tropix] parece um pouco as coisas antigas do Erasmo[Carlos]”.


SAIBA MAIS Desde o lançamento do primeiro disco, Céu já recebeu diversos prêmios, inclusive o Grammy Latino 2016. Participou dos principais festivais mundiais, como North Sea Jazz, Montreal Jazz Festival, Coachella, Rock in rio e JVC Jazz.

Faixas: • Perfume do invisível • Arrastar-te-ei • Amor pixelado • Varanda Suspensa • Etílica/Interlúdio (Part. Especial Tulipa Ruiz)

• A menina e o monstro • Minhas Bics • Chico Buarque Song • Sangria • Camadas • A nave vai • Rapsódia brasilis

Power trio A nova sonoridade de Tropix leva a assinatura do baterista Pupillo, do Nação Zumbi do baixista Lucas Martins e do tecladista francês Hervé Salters, do grupo de funk eletrônico General Eletriks. Céu é autora de dez das 12 canções do álbum, que ela considera que tem mais o seu jeito e revela um amadurecimento, sobretudo, como compositora. Dentre as principais faixas, estão Perfume Invisível, Sangria e Varanda Suspensa. O novo disco, a exemplo dos outros três, já é sucesso de crítica e de público: tanto no Brasil quanto no exterior (Europa e Estados Unidos) os shows apresentados pela cantora têm casa lotada. Em março passado, Tropix foi o disco estrangeiro mais baixado do iTunes nos Estados Unidos.

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