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Quinta-feira • 11 fevereiro 2021 • 1.00€

PESSOAS

Rui Sacramento conta os segredos por trás da criação do PCP Portimão P4-5

Uma pandemia que afeta todos Testemunhos de quatro portimonenses sobre o que mudou nas suas vidas com a covid-19. Esperança é o sentimento comum. P2-3

Quinzenário • Ano 1 • Nº17 Diretor: Rui Pires Santos

Portimonense já realizou mais de 1900 testes Equipa de futebol profissional já se habituou à realidade da testagem constante. Contudo, os receios permanecem. P8-9

Vacinação de Isilda Gomes abre ‘guerra política’ e oposição exige demissão. Autarca escuda-se no voluntariado e na imposição do CHUA, que a colocou na lista.

A vacina mais polémica do ano ECONOMIA

SOCIEDADE

Empresários começam Laranja é grande a receber apoios destaque no mercado municipais P6 da cidade P15

PSD acusa-a de ter traído os portimonenses. BE diz que presidente da autarquia não tem condições para continuar. CDS-PP afirma que houve “tratamento de favor”.

P4-5

BOMBEIROS

SOLIDARIEDADE

Câmara reforça ajuda aos 'Soldados da Paz' P15

Lar Bom Samaritano apela a fundos para novo toldo P16

Lar de Idosos de Portimão também na controvérsia. Utentes da Santa Casa da Misericórdia de Alvor já foram vacinados.

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ATUALIDADE Gestão de sentimentos é o grande desafio

Covid-19 tem colocado esperança à ‘prova’ O Portimão Jornal foi ouvir algumas pessoas da sociedade no concelho para perceber de que forma estão a lidar com a situação atual e o que esperam do futuro. Ana Sofia Varela

A

pandemia provocada pela covid-19 afeta toda a população em diferentes dimensões, seja pessoal, económico ou cultural. Após um primeiro confina-

mento em março de 2020, o país volta a estar em casa, medida que entrou em vigor a 15 de janeiro devido aos elevados números a nível nacional, quer de pessoas infetadas, quer internadas, sobretudo nos cuidados intensivos, e de óbitos.

Com um país que fechou ‘portas’ de novo, Portimão continua a registar ainda diversos casos de cidadãos infetados com o novo coronavírus, tendo no dia 6 de fevereiro 322 casos nos últimos 14 dias, dos quais apenas 214 estão ativos. Estes números deixam ain-

da o concelho em risco muito elevado, ainda para mais numa altura de recolher obrigatório. Este é um dever que tem vindo a despertar emoções fortes, muitas vezes difíceis de gerir e de enfrentar. O Portimão Jornal foi ouvir

um ‘lado mais pessoal’ da experiência de alguns cidadãos portimonenses, sobre a forma como têm encarado a pandemia, o medo que cada um sente e qual a esperança que depositam no futuro.

DISCURSO DIRETO

Álvaro Bila • Presidente da Junta de Freguesia de Portimão

Maria Lurdes Oliveira • Assistente de dentista

Mónica Lourenço • Administrativa

Ana Sofia Jorge • Presidente do Clube de Instrução e Recreio Mexilhoeirense

O que a covid-19 mudou na sua vida? A mim, como a todos nós, alterou significativamente as rotinas. Desde o uso da máscara ao cuidado que se impõe connosco e com os outros, passando pelo receio de que, devido à minha exposição pública, possa contagiar os que me são próximos.

O que a covid-19 mudou na sua vida? Mudou tudo. Desde o deixar de estar com a família e amigos, até ao deixar de trabalhar.

O que a covid-19 mudou na sua vida? Alterou a minha liberdade, pois não posso fazer o que fazia. Uma das coisas que mais gosto é cozinhar para os amigos em casa e agora é impensável, para o bem de todos.

O que o covid mudou na sua vida? Como presidente do Clube de Instrução e Recreio Mexilhoeirense, a covid-19 veio dificultar bastante toda a gestão do clube. Fez com que fossem cancelados todos os eventos desportivos e culturais que tínhamos planeado para este ano, bem como as nossas festas e eventos públicos, como é o caso das ‘Artes e Sabores da nossa Terra’, a ‘Corrida de Rolamentos’, os habituais bailes nas várias datas festivas, jantares comemorativos, entre outros. Neste momento de segundo confinamento geral, o CIRM não parou as atividades, tanto desportivas como culturais, mantendo-as em regime virtual, através de recursos online (plataforma Zoom, salas virtuais do facebook), e mantendo todos os horários das atividades em vigor, dando continuidade ao trabalho que cada atividade estava a desenvolver antes. Neste momento, o clube só se mantém de pé graças ao apoio e financiamento que a Câmara Municipal de Portimão nos está a dar e graças ao contributo dos pais, atletas e alunos que têm continuado a pagar, seja total ou parcialmente, o que ajuda no pagamento dos nossos técnicos e professores. Como técnica de ginástica, e para quem me conhece, sou um pouco dependente do trabalho, gosto muito daquilo que faço. Neste momento, o único trabalho possível com as minhas ginastas é o método online, ao qual tivemos que nos adaptar de novo,

Qual foi o momento mais duro? A nível pessoal foi ter de me despedir do meu pai com tantas restrições. Já a nível profissional é o momento atual devido ao grande aumento dos pedidos de cariz social que me chegam todos os dias. Sente medo? Medo não, mas sinto receio de não conseguir, num futuro próximo, continuar a dar resposta a todos os pedidos de ajuda que chegam até mim. Tem esperança no futuro? Claro que sim! Todos temos de ter esperança de que juntos iremos conseguir ultrapassar este momento difícil que nos tocou viver. Qual é a primeira coisa que fará quando a pandemia estiver ultrapassada? Acampar com a família e amigos!!!!

Qual foi o momento mais duro? O Natal de 2020. Sente medo? Tenho medo de contrair o vírus e ficar isolada. Tem esperança no futuro? Sim. Temos que ter fé, confiar que vamos ultrapassar este momento e que vamos voltar à normalidade. Qual é a primeira coisa que fará quando a pandemia estiver ultrapassada? Vou visitar a minha família para poder abraçá-los novamente.

Qual foi o momento mais duro? O momento mais duro foi no primeiro confinamento. A 10 de março fui submetida a uma cirurgia e fiquei hospitalizada quatro dias. Tive complicações. Ao mesmo tempo, recebia telefonemas da ‘Saúde 24’ para que o meu filho fizesse quarentena, pois um professor tinha testado positivo e havia uma série de cuidados que tinha de ter. Vi-me hospitalizada sem ter condições para fazer nada do me diziam. Saber que o meu filho estava sozinho em casa foi doloroso para mim como mãe. Sente medo? Tenho momentos em que, devido à ansiedade, vem o medo, mas tento agarrar-me à fé que me fortalece. Tem esperança no futuro? Tenho sempre esperança no futuro. É uma fase menos boa, que está a custar a passar, mas iremos ultrapassá-la. Qual é a primeira coisa que fará quando a pandemia estiver ultrapassada? Uma viagem será o que vou fazer quando passar a pandemia.


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ATUALIDADE mudando o que tínhamos planeado para o regime presencial, reinventando formas diferentes de trabalhar no online, de forma a que pudéssemos continuar a chegar a todas as atletas e a tornar o menos negativo possível o impacto do covid-19 nas nossas atletas. Qual foi o momento mais duro? Enquanto treinadora, o momento mais duro durante esta pandemia foi, sem dúvida, o primeiro confinamento, porque não sabíamos o que nos esperava. Não foi fácil termos que deixar de parte tudo o que já tínhamos agendado e planeado, todas as provas competitivas, organizadas ou não por nós, os saraus gímnicos, as nossas galas na época de natal, etc. E começar a dar aulas pela primeira vez através do método digital foi uma grande mudança e adaptação que tive que atravessar. Conseguir manter as minhas ginastas motivadas através de quadradinhos não é de todo uma tarefa difícil e todo o trabalho teve que ser redobrado e adaptado. Este segundo confinamento já não foi tão duro no sentido em que todos já estávamos minimamente preparados se tivéssemos

que regressar a este método de ensino, e apesar de ninguém querer que isto acontecesse de novo, acabou por não ser tão marcante em termos de mudança porque já estávamos habituados a este meio. Como presidente do CIRM, o que mais tem sido difícil é conseguir manter o clube de pé sem receitas, e continuar a pagar as contas fixas que têm que ser pagas, mantendo os funcionários e técnicos connosco. Sente medo? Neste momento, já estamos um pouco mais preparados e acredito que, se cada um continuar a cumprir as regras de higienização, manter as distâncias de segurança e reduzir ao máximo os ajuntamentos, vamos conseguir todos juntos combater e ultrapassar esta pandemia. Tem esperança no futuro? Tenho sempre esperança pelo futuro, e que aos poucos, as coisas voltem a ser como antes, tendo a perfeita noção que ainda vá demorar algum tempo até que tudo esteja ultrapassado. Como presidente do CIRM, temo pela continuidade do mesmo se continuarmos com o nosso estabele-

cimento fechado, porque, como já referi, apenas temos recebido o apoio da Câmara de Portimão para conseguir manter o clube de pé, bem como parte das mensalidades das nossas atividades. Qual é a primeira coisa que fará quando a pandemia estiver ultrapassada? Quando a pandemia estiver ultrapassada e, se conseguirmos em condições normais, pretendemos realizar todos os nossos eventos, tanto desportivos como culturais, voltando a ter o nosso público presente a apoiar as nossas atividades e a ver o clube crescer e a ultrapassar todas as dificuldades.

Serviço terá de se adaptar a normas europeias

Autoridade dos Transportes dá parecer positivo a ‘Vai Vem’ A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes emitiu um parecer prévio vinculativo positivo em relação ao concurso público para a contratualização da rede de transportes públicos no concelho de Portimão. Assim, o ‘Vai Vem’, contrato que já estava em vigor, será adaptado às regras da União Europeia. A entidade refere, em nota emitida no dia 1 de fevereiro, que este procedimento é um passo “relevante na implementação dos imperativos legais, tanto nacionais como europeus”, que pretende criar um “melhor enquadramento dos serviços públicos de transportes, tendente a uma mobilidade inclusiva, eficiente e sustentável”. A Autoridade garante que acompanhará a execução contratual para assegurar que as normas legais, recomendações e determinações serão aplicadas.

‘Pergunte ao seu Bibliotecário’

Biblioteca Municipal mantém serviço de apoio aos leitores A Biblioteca Manuel Teixeira Gomes retomou o serviço de apoio ‘Pergunte ao seu Bibliotecário’, que tinha sido criado durante o primeiro confinamento, em março de 2020. Assim, o objetivo é auxiliar os leitores, oferecendo-lhes informação selecionada e de qualidade. Os interessados apenas necessitam enviar um email para a Biblioteca Municipal (biblioteca.portimao@cm-portimao.pt). Apesar de encerrados, é possível ainda contactar o espaço para obter informações sobre empréstimos e devoluções, através do mesmo email ou por telefone (282 480 476). PUB


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SOCIEDADE

ANA SOFIA VARELA

Centro de Apoio a Idosos também criticado

Vacinação de Isilda Gomes abre ‘guerra política’

PS está solidário para com a socialista, mas a oposição defende a uma só voz que não tem condições para continuar no cargo. Autarca escuda-se no voluntariado e na imposição do CHUA, que a colocou na lista. Ana Sofia Varela

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stalou o verniz no meio político portimonense, como não acontecia há algum tempo. A vacinação contra a covid-19 de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal, enquanto voluntária do Hospital de Campanha, instalado no Portimão Arena, ganhou proporções nacionais e gerou um coro de indignação que, durante a última semana, conquistou espaço com comunicados políticos, notícias e diversas posições nas redes sociais. Se a concelhia do PS já mostrou solidariedade para com a socialista, a oposição local ganhou força para exigir a demissão da presidente da Câmara Municipal. No cerne da questão está o facto de Isilda Gomes ter recebido a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 8 de janeiro, dois dias antes da abertura do Hospital de Campanha.

A autarca estava inscrita como voluntária no espaço para mediar as visitas virtuais entre os internados e as suas famílias. E estava nessa lista, validada pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), como suplente. Tendo havido duas pessoas que ficaram impossibilitadas de tomar a primeira dose por questões de saúde, a autarca foi chamada, seguindo a ordem da listagem. Entretanto, a segunda dose foi administrada a 29 de janeiro e, dias depois, a situação veio a público, gerando as mais diversas reações. Carta aos militantes Numa carta aos militantes do Partido Socialista, a que o Portimão Jornal teve acesso, Isilda Gomes admite que foi vacinada no âmbito do projeto ‘Visitas Virtuais’ implementado no ‘CHUA Arena’. “Não pedi para ser vacinada, não roubei vacinas e nem fui va-

Bombeiros Voluntários vacinados esta semana 66 operacionais do quadro dos Bombeiros Voluntários de Portimão devem ser vacinados esta semana, sendo que apenas faltava o agendamento da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Esta ação decorrerá, conforme explicou fonte da ARS ao Portimão Jornal, no âmbito da primeira fase do programa nacional de vacinação, sendo que o calendário é ajustado face à disponibilidade de recursos. No caso dos Bombeiros foram identificados 66 operacionais pertencentes ao quadro ativo e ao quadro de comando da corporação, tendo por base a avaliação do risco de contágio, tendo em conta a exposição e cumprindo os critérios de prioridade. Existe, assim, disponibilidade imediata para vacinar 50 por cento do efetivo da estrutura operacional.

Isilda garante que estava incluída na lista como suplente e que foi vacinada à vista de todos cinada às escondidas. Isso seria ir contra o que mais prezo, os valores que me norteiam, a rigidez de carácter e a entrega à causa pública e à transparência de atitudes e comportamentos. Fui sim incluída numa lista de suplentes a vacinar, junto com outros operacionais não pertencentes aos grupos prioritários então em vigor, mas escalonados para a operacionalidade do 'CHUA Arena'”, refere. A autarca explica que, quando o Hospital de Campanha foi ativado, acompanhou o trabalho de preparação das equipas médicas e de enfermagem, técnicos e auxiliares. Com a chegada dos primeiros doentes preocupou-se com o isolamento dos pacientes e famílias, tendo proposto esse projeto. Uma ideia que foi bem aceite. “Na sexta-feira, ao final do dia, [8 de janeiro] recebo um telefonema do hospital a informar que ninguém poderia entrar no Arena sem ser vacinado e que eu estava na lista de suplentes. Todos os efetivos já tinham tomado a vacina, pelo que, para executar o projeto, teria igualmente de o fazer”, conta. Tomou a vacina com outros profissionais envolvidos, porque a intenção do projeto seria ir contactar com os doentes para servir de elo entre estes e os seus familiares. No domingo seguinte, “a senhora Enfermeira Chefe infor-

mou-me que, para estar junto dos doentes, teria de usar dois pares de luvas, o que impedia a marcação das chamadas, mas que já tinham encontrado uma solução: um elemento da equipa transportaria o tablet junto do doente, e eu, num espaço imediatamente ao lado, munida de outro tablet, estabeleceria as ligações e colocava o doente a interagir com os familiares. Assim, diariamente é-me entregue em papel, pelas administrativas, a listagem dos doentes previamente validada pela equipa, com os contactos dos familiares, e que serve de documento de trabalho para a realização das videochamadas”, descreve. São duas horas diárias para realizar cerca de 40 chamadas neste projeto. Apesar de muitos defenderem que a autarca poderia fazê-lo a partir de outra localização, Isilda Gomes explica aos socialistas que o facto de existir informação confidencial, esses dados não podem “sair do domínio do CHUA”, além de que, “durante as chamadas, são trocadas informações clínicas entre o elemento da equipa e as famílias, que é igualmente reservada”, conclui. Refere ainda que são inúmeras as mensagens recebidas, sendo que esta ponte é, por vezes, a última mensagem que conseguiram trocar, porque há quem não resista à infeção.

Utentes da Misericórdia de Alvor já foram vacinados Apesar da polémica estalar noutros locais do concelho, também na Santa Casa da Misericórdia de Alvor já foram vacinados utentes e funcionários. O provedor Mário de Freitas também recebeu uma dose da vacina, por ser trabalhador ativo no espaço e todos os dias contactar com os utentes e funcionários. O mesmo aconteceu com dois elementos que não estavam na lista inicial e só aconteceram porque, houve duas pessoas incluídas na lista, que à data da vacinação não puderam receber a dose estipulada. Duas situações que geraram dúvidas e que levaram a que a enfermeira e médico responsáveis optassem por não administrar a vacina. Para não desperdiçar essas doses, foram vacinados outros dois elementos com presença ativa no espaço. O facto é que até essa semana não havia qualquer indicação de como as instituições deviam agir em relação às sobras de doses, sendo que cada caso é um caso. Lar de Idosos de Portimão também na polémica O primeiro caso de vacinação a diversos elementos não prioritários no concelho até foi o do Centro de Apoio a Idosos de Portimão, ainda que, mais tarde, as notícias


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SOCIEDADE REAÇÕES DA OPOSIÇÃO

PSD acusa Isilda de ter traído os portimonenses Após ter sido conhecido que a presidente da Câmara Municipal tinha sido vacinada, a concelhia social-democrata realizou uma reunião alargada, no dia 2, para analisar a situação e pedir para que Isilda Gomes reflita sobre a continuidade no cargo que desempenha. Apelidam de erro o facto da “maior responsável política do município” ter tomado a vacina antes de profissionais da saúde ativos na primeira linha de combate à doença, incluindo no Are-

na de Portimão”. Aliás, argumentam que a toma da primeira dose, dois dias antes de abrir o Hospital de Campanha, não confere imunidade imediata e que, apesar do voluntariado ser meritório, no caso em concreto das visitas virtuais, este poderia ter sido realizado em qualquer outro local com acesso à internet e com recurso a um tablet. Os sociais-democratas não entendem como foi possível a autarca ter sido vacinada com as duas doses quando ainda havia, a

1 de fevereiro, data em que se tornou pública a vacinação de Isilda Gomes, outros profissionais da Proteção Civil, bombeiros, médicos internos e estudantes, a trabalhar no Hospital de Campanha, aos quais não tinha sido administrada a vacina. O PSD critica ainda a falta de um pedido de desculpas público da parte da autarca, entende que houve falta de “moralidade e transparência na decisão”, bem como uma traição aos portimonenses e uma “enorme injusti-

ça” para os que estão na linha da frente do combate à covid. Por esta razão, a estrutura liderada por Carlos Gouveia Martins, defende que a autarca deve refletir sobre se tem condições para continuar no cargo de liderança. A distrital do PSD também se indignou quanto a esta situação, afirmando que o “cumprimento escrupuloso da ordem de prioridades para que haja confiança dos cidadãos”. É também esta estrutura política que levanta a questão

de a vacinação a Isilda Gomes ter sido realizada com a “concordância de Ana Castro, presidente do Conselho de Administração do CHUA”, nora da autarca, “nomeada pelo governo PS” para o cargo. Em comunicado o Centro Hospitalar justifica que o Conselho de Administração determinou vacinar todos os colaboradores do ‘CHUA Arena’, antes da abertura, tendo a autarca sido incluída na lista por ser voluntária com intervenção diária no espaço.

BE diz que autarca não tem condições para continuar como presidente João Vasconcelos, vereador da Câmara Municipal eleito pelo Bloco de Esquerda, salienta que a presidente da Câmara Municipal não tem condições para continuar no cargo, pelo facto de ter violado os critérios do Plano de Vacinação contra a covid. O bloquista fez saber ainda

que considera que Isilda Gomes tem de “assumir as responsabilidades e consequências políticas dos seus atos”, devendo as autoridades competentes apurar os factos. Recorda ainda que os critérios para a primeira fase de vacinação são claros, devendo apenas ser administradas as doses a profissio-

beiros, maiores de 50 anos com patologias graves e, agora maiores de 80 anos. “A presidente da Câmara de Portimão considera que por prestar um serviço de voluntariado através de um computador, no Hospital de Campanha instalado no Pavilhão Arena”, lhe foi con-

ferido “o direito de passar à frente de muitos outros utentes que estão à espera da vacina na lista das prioridades. Mas os critérios do plano de vacinação não contemplam o voluntariado”, conclui, acrescentando que os “responsáveis políticos devem dar o exemplo aos cidadãos”.

“Ficou claro para a opinião pública do concelho que Isilda Varges Gomes, não tendo qualquer contacto de risco com doentes de covid-19, no âmbito do seu trabalho de voluntariado, beneficiou ilegal e ilegitimamente de um benefício público”, situação

que “fere de morte a sua credibilidade pública e política”, considera. Também é claro, para o eleito, que a autarca não tem condições para continuar a exercer o cargo de presidente da Câmara, que devia apresentar um pedido de desculpas aos portimonenses e deve-

ria renunciar ao cargo. Os eleitos locais do CDS-PP/ Portimão aguardam por essa tomada de posição, “sob pena de terem que apresentar na Assembleia Municipal uma moção de censura contra Isilda Varges Gomes”, conclui.

necessidades das autoridades de saúde. “Seria uma profunda injustiça não realçar o papel determinante e inexcedível que a  camarada Isilda Gomes tem assumido neste combate, não se rogando a esforços para garantir que os portimonenses tenham sido poupados a esta  enfermidade.  Respostas como as Máscaras Comunitárias, Portimão Dá-Lhe a Mão, Fundo  de Emergência Social, Cartão Solidário, Portimão Dá a Mão à Economia Local  e Hospital de

Campanha de Portimão têm o seu cunho e não teriam sido possíveis sem o seu grande empenho e responsabilidade”, enumera o PS local.  Foi, aliás, este sentido de missão e a sua experiência pessoal, que levaram a  que o programa das ‘Visitas Virtuais’ tenha sido implementado no CHUA  Arena, e Isilda Gomes tenha integrado, na sua plenitude, a equipa que iniciou funções neste equipamento municipal ao serviço da saúde”, termina a estrutura política.

nais de saúde em contacto direto com doentes, funcionários de lares e instituições similares que também contactam diretamente com os utentes, pessoas internadas em unidades de cuidados continuados e profissionais destes espaços, elementos das forças armadas, de segurança e serviços críticos, bom-

José Caçorino afirma que vacinação foi “tratamento de favor” O vereador José Caçorino, representante do movimento Servir Portimão e do CDS-PP, afirma que os contextos invocados para a vacinação de Isilda Gomes são “um exemplo grave e inaceitável de um tratamento de favor”, pois beneficiou a “última pessoa que

poderia e deveria ser vacinada”. É que, para o vereador, o exercício de cargos como o que está em causa deve ter por base o cumprimento de deveres éticos, cívico e legais, o que é incompatível, a seu ver, com a obtenção de benefícios.

PS solidário rejeita 'caça às bruxas' Apesar de toda a polémica instalada, o Partido Socialista sai em defesa da autarca afirmando que esta “não pediu para ser vacinada, tendo-o sido quando a equipa que iniciou funções no CHUA Arena Portimão o foi”. Sublinham ainda que “não se escondeu”, tendo sido vacinada “à vista de elementos dessa equipa”. Condenam o julgamento popular em praça pública, sem conhecimento dos factos e lamentam a ‘caça às bruxas’ para colher dividendos eleitorais, sendo que

“nos países civilizados as pessoas são julgadas pelos seus atos nos locais apropriados e pelas instituições certas”. O PS admite ser inaceitável e inadmissível o uso indevido de vacinas e, por isso, vê com agrado “a informação de que o Ministério Público e a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde  estariam já em processos de averiguações sobre este tipo de situações”. “E sejamos claros: se existem dúvidas, que se averigue”, reforça. Quando isso acontecer, o PS de

Portimão, diz que “como já por diversas vezes fez, saberá interpretar as consequências políticas do resultado desses processos de averiguação e tomará as decisões que melhor servirem a  comunidade”.  Ainda assim, em comunicado, destacam todo o trabalho dos portimonenses em prol do combate à pandemia, bem como todas as iniciativas que foram tomadas pela autarquia liderada por Isilda Gomes para minimizar os impactos negativos, para prevenir o contágio e para dar resposta às

relacionadas com a presidente da Câmara quase tenham feito esquecer o assunto. Logo de imediato, a polémica motivou posições, quer do CDS-PP, quer do Bloco de Esquerda, pois foi denunciado o facto de terem sido vacinadas pessoas, na instituição, que não contactam com os utentes e que não respeitam os critérios da primeira fase de vacinação. Foram

colocados na lista entregue à ARS e validados pela entidade de saúde, numa base de confiança de que as instituições seguem os critérios estipulados no plano. Em causa estão também elementos do Partido Socialista portimonense, o que levou a que este assunto entrasse na esfera da política. “Entre as pessoas vacinadas encontram-se Ana Fazenda,

secretária da Assembleia Geral, e Figueiredo Santos, presidente da direção do Centro e líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Portimão”, situa o BE. Já o CDS-PP afirma que este é um exemplo “muito grave e inaceitável de utilização abusiva de recursos públicos e escassos”, neste caso, uma vacina que apenas tinha chegado a 30 mil pessoas.

Paulo Ferreira apoia Isilda Paulo Ferreira, presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica, manifestou apoio à autarca portimonense. “Já trabalhei por diversas vezes com Isilda Gomes e quero enaltecer o seu empenho no combate à pandemia". Recorda a doação dos 350 mil euros que a Câmara tinha destinado à prova de Fórmula 1 de Powerboat em 2020. Essa verba foi canalizada para "a compra de ventiladores para o CHUA, tendo sido a primeira Câmara a tomar esta iniciativa”.


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SOCIEDADE ANA SOFIA VARELA

Houve 700 candidaturas ao Fundo Municipal de Apoio Empresarial

Ajudas prometidas a empresários vão começar a chegar

A autarquia está a analisar todos os processos que deram entrada para proceder aos respetivos pagamentos. LAURA AUGUSTO | CM PORTIMÃO

Já foram aprovadas 49 candidaturas Jorge Eusébio

O

Fundo Municipal de Apoio Empresarial, recentemente implementado pela Câmara de Portimão, recebeu um total de 700 candidaturas. Este programa tem como objetivo a prestação de um apoio financeiro aos empresários liberais e empresas do concelho que, devido à situação pandémica, tenham, no último ano, sofrido quebras substanciais de faturação. Ao que apurámos, até ao fecho desta edição, os serviços camarários tinham analisado 52 candidaturas, tendo 49 sido aprovadas e três reprovadas por não cumprirem os critérios definidos. Até então tinham sido emitidos dez pagamentos, um processo que deverá ser acelerado ao longo das próximas semanas, de forma a que, o mais rapidamente possível, as verbas prometidas cheguem aos bolsos dos empresários. A maioria dos processos até

agora analisados reporta-se a entidades prestadoras de serviços (33), seguindo-se o setor da restauração e bebidas (12) e o comércio a retalho (7). Este fundo é composto por uma verba de um milhão de euros e tem como destinatários empresas do concelho que em 2019 tenham tido uma faturação não superior a 150 mil euros e profissionais liberais que, nesse ano, faturaram até 60 mil euros. Em ambos os casos, para ter direito a aceder a este programa, é condição essencial que, no ano passado, tenham tido quebras superiores a 40% na faturação. Caso estas condições estejam cumpridas e tenham concorrido ao Fundo Municipal de Apoio Empresarial podem esperar receber, a curto prazo, um apoio financeiro no valor de dois mil euros. Portimão à Mesa entregou mais de duas mil refeições Outro instrumento de apoio lançado pela autarquia, nos últimos

tempos, é o Portimão à Mesa. Trata-se de um serviço de entregas de comida ao domicílio inteiramente gratuito para restaurantes e pastelarias. Os clientes também estão isentos de qualquer pagamento relacionado com o ato da entrega. Para o efeito, a autarquia portimonense estabeleceu uma parceria com a empresa algarvia Comidas.pt que criou uma plataforma (https://ptmamesa.pt/ estabelecimentos/) na qual os estabelecimentos de restauração e similares do concelho podem inscrever-se. Os cidadãos que queiram encomendar refeições também podem utilizar este instrumento para o efeito. Basta que acedam a ele, escolham um dos estabelecimentos registados, indiquem que petiscos pretendem saborear, bem como a forma de pagamento (que pode ser feita online ou no ato da entrega), sendo cinco euros o valor mínimo permitido para cada encomenda. O serviço de entregas ao domicílio funciona todos os dias da semana, das 12h00 às 15h00 e das 18h30 às 22h30. Até ao fim de semana passado já tinham sido entregues um total de 2320 refeições no concelho. A maioria (1963) teve, naturalmente, como clientes cidadãos residentes na freguesia de Portimão. Mas, ao contrário de serviços similares assegurados por outras entidades, este também abrange as freguesias de Alvor, onde houve 222 entregas, e Mexilhoeira Grande (135 refeições distribuídas). Nesta altura, este programa conta com 11 agentes de distribuição, mas, face ao aumento da procura, está a ser desenvolvido um reforço a este nível, com o recrutamento de mais elementos. Até 29 de janeiro estavam inscritos na plataforma mais de quatro dezenas de estabelecimentos de restauração, prevendo a autarquia que, a muito curto prazo, esse número venha a duplicar.

Encerramento levou atividade para o online

Museu divulga iniciativas e memórias em ambiente virtual O Museu de Portimão tem divulgado diversas ações, oficinas e memórias do Arquivo Municipal no site (www.museudeportimao. pt) e no facebook do equipamento cultural, que, entretanto, encerrou portas devido ao confinamento. No entanto, todos os dias são partilhados novos conteúdos, sendo que os cidadãos podem visualizar exposições online, as oficinas educativas, informações no âmbito da arqueologia e restauro, ou realizar uma visita online. É exemplo a rubrica que leva o cinema a casa em que, todas as quintas-feiras, é divulgado um filme ou curta-metragem produzida no Museu ou relacionada com as temáticas daquele espaço. É ainda disponibilizado o catálogo do centro de documentação.

Entrega será feita por taxistas

Câmara de Portimão lança ‘Operação Dia dos Namorados’ O próximo Dia dos Namorados, no domingo, 14 de fevereiro, será passado em confinamento, por isso, a Câmara Municipal lançou a ‘Operação Dia dos Namorados’ para incentivar a compra online no comércio local. Haverá um ‘Táxi do Amor’ que circulará pelo concelho para entregar prendas às caras-metades de quem recorrer a este serviço. Também a carrinha da campanha ‘Portimão Fique em Casa’, nesse dia, transmitirá mensagens românticas, enquanto a plataforma PTMàMESA terá menus especiais. Os interessados podem obter mais informações no site da autarquia.

Reposição de concertos online

Teatro Municipal prepara programação Os equipamentos culturais, como o Teatro Municipal de Portimão, estão encerrados devido à implementação do novo confinamento. No entanto, há já programação que está a ser preparada e que deverá anunciada em breve no site (https://teatromunicipaldeportimao. pt). Estão previstos eventos como o festival ‘Entrelaçados’, ‘Dias de Percussão’ e o Festival de Artes Performativas ‘Ventania’. Entretanto, no facebook do Teatro estão a ser retransmitidos os concertos online no âmbito da iniciativa ‘Tempo onlive’, que decorreram em junho e julho de 2020.

Empate em Paços de Ferreira

Portimonense soma ponto precioso O Portimonense conquistou um importante ponto ao empatar a zero na deslocação a Paços de Ferreira, a 9 de fevereiro, em encontro da 18º jornada da I Liga. Apresentando nas últimas rondas um melhor nível exibicional, o clube perdeu na jornada anterior em Braga, por 2-1, depois de ter saído para o intervalo em vantagem. O golo do triunfo dos minhotos surgiu numa grande penalidade contestada por Paulo Sérgio, que falou num 'penálti soft', vincando que nem todos os contactos na área justificam a marcação do castigo máximo. Também Theodoro Fonseca, veio a terreiro dar conta da sua frustração, ameaçando “parar de investir e, quem sabe, deixar o futebol português”.


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Portimão Jornal • 11 FEV 2021 • Nº17

REPORTAGEM A ‘intromissão’ da covid no dia a dia da equipa principal de futebol do Portimonense

Testes semanais dão segurança mas o receio é uma constante Até ao final da semana passada tinham sido feitos cerca de dois mil exames, divididos por dezenas de baterias. O treinador Paulo Sérgio e o guarda-redes Ricardo Ferreira falam desta realidade. FOTOS: PORTIMONENSE SAD

Hélio Nascimento

NÚMEROS

E

⇨ 1980

stá quase a fazer um ano que a vida de todos sofreu alterações radicais, devido à pandemia que, infelizmente, ainda continua presente no quotidiano. O desporto, em geral, e o futebol, em particular, têm também sofrido com o vírus, que afeta todas as competições e o planeamento à volta delas, seja em termos coletivos ou pessoais, e, neste caso, sobretudo porque se ‘estende’ para lá do local de trabalho. Aqui, bem à nossa porta, o Portimonense trava uma batalha paralela à dos jogos que disputa na I Liga, quiçá com uma maior responsabilidade, porque é a vida do ser humano que está em causa. O Portimão Jornal ouviu Paulo Sérgio, o treinador da equipa principal, Ricardo Ferreira, um dos guarda-redes do plantel, e o dr. Frank Mederos, o clínico do clube. As sensações balançam entre uma razoável segurança, porque os testes são semanais, e o receio que acompanha cada jogo e cada deslocação, face aos inerentes contactos que surgem na atividade. A zaragatoa, de resto, já é tratada por ‘tu’… “Desde a quarentena de abril e maio que fazemos os testes. Primeiro, duas vezes por semana,

O número de testes, divididos em 33 baterias, realizados pelos jogadores da equipa principal do Portimonense e demais elementos da SAD, incluindo o pessoal do Estádio

⇨ 60

Os indivíduos testados em cada uma das baterias de exames, que foram também sujeitos a duas baterias de testes antigénios, num total de 90 testes antigénios

⇨3

Os jogadores da turma principal que testaram positivo, casos do japonês Koki Anzai, do franco-marroquino Moufi e do brasileiro Samuel, em alturas distintas e sem provocar contágios no plantel

Os jogadores partem para os jogos com relativa tranquilidade, face à vigilância de que são alvo sido inexcedíveis e todo o cuidado é pouco”, confessa Paulo Sérgio, que tem sido algo crítico em relação a algumas medidas tomadas a nível do país. “Já disse e volto a dizer: é preciso testar e testar. Dentro de casa, num uni-

“Quando se geram dúvidas, o teste é logo repetido, porque tanto a administração da SAD como o nosso departamento médico têm sido inexcedíveis” Paulo Sérgio 72 e 48 horas antes dos jogos, e, agora, todas as semanas. Quando se geram dúvidas ou se suspeita de algum contacto, o teste é logo repetido, mesmo sem ser obrigatório, porque neste aspeto tanto a administração da SAD como o nosso departamento médico têm

verso de quatro pessoas, se uma está infetada todas as outras vão logo ser testadas. Do micro para o macro, é isto que devia ter sido feito em Portugal inteiro. Trazia gastos para o Estado, é verdade, mas poupava-se nesta segunda fase. Acho que não se investiu na

altura”, sublinha o treinador dos alvinegros. “É como se testasse para todos lá em casa” “Já perdi a conta aos testes realizados”, exclama Ricardo Ferreira, o guarda-redes do Portimonense, também ele pronto a abordar o tema para o Portimão Jornal, comentando o tal processo que data do ano passado, quando, no reatamento do campeonato, todo o plantel começou a ser testado à covid com bastante frequência, de resto um procedimento obrigatório nas competições de futebol. Ricardo considera que fazer os testes “dá uma segurança maior”, sobretudo no seu caso, que, no regresso a casa, após os treinos e jogos, tem esposa e dois filhos à sua espera. “É como se testasse para todos lá em casa. Nós não saímos, excetuando para as obrigatórias compras de bens essenciais, o que fazemos sempre com proteção, o que não invalida, porém, que exista um certo receio”, ga-

rante, aludindo “às coisas em que se pega e em que se toca, já que não há uma certeza em relação a eventuais focos de infeção”. No lar, claro, a segurança é palavra de ordem, com a devida preocupação para com os filhos, ainda crianças. E depois dos jogos, ou seja, quando estão em ação duas equipas e respetivos ‘staffs’ e os contactos são inevitáveis? Que sensação experimenta? “Por um lado, sabemos que toda a gente envolvida foi testada. Nesse sentido, todos temos proteção e estamos acautelados, mesmo num jogo, em que a distância não se verifica”, considera Ricardo Ferreira. Apesar disso, “ficamos sempre à espera do teste seguinte, e, então sim, a tranquilidade é maior”. Os profissionais de futebol “percebem que é este o mundo em que agora nos movimentamos”, diz o guardião, de 31 anos, que é o atleta com mais anos consecutivos de clube, onde cumpre a oitava temporada. Paulo Sérgio tem praticamen-

te a mesma opinião. “O receio está lá sempre, visto que é um jogo de futebol. Somos todos testados, e, no nosso caso, quando viajamos para o Norte, a escolha não varia muito, pois ficamos nos mesmos hotéis, em Penafiel ou no Porto, hotéis que agora estão praticamente vazios. Não há contactos neste particular, mas, repito, o perigo e o receio existem sempre”, salienta o técnico. Depois dos jogos é natural que se instalem novas dúvidas, em virtude da proximidade com todos os intervenientes na competição, “mas o nosso departamento médico está constantemente em alerta”. “Há um mundo de gente à nossa volta” A equipa principal do Portimonense teve apenas três casos de covid (Anzai, Moufi e Samuel), espalhados no tempo, não se tendo verificado qualquer cadeia infeciosa, ao contrário dos sub-23, cujo grupo, ainda no ano passado, registou vários casos positivos,


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REPORTAGEM entre jogadores e ‘staff’. Porém, como se sabe, a equipa de sub-23

de e acidentes que também são graves e temos os cuidados inten-

“O nosso medo é o medo dos outros. Temos é de nos defender e compreender que nunca se pode facilitar, fazendo o que está correto” Ricardo Ferreira tem o seu quartel general instalado na zona do Autódromo, onde decorrem os treinos, pelo que os contactos com os elementos da turma principal são raríssimos. “Não tem havido sustos de maior”, admite Paulo Sérgio, embora sem se esquecer do verificado com os sub-23. “Tudo tem corrido muito razoavelmente entre os meus jogadores, mas é necessário bastante cuidado, inclusive porque, para além dos jogadores e técnicos, há um mundo de gente à nossa volta, que vai do restante ‘staff’ ao pessoal da rouparia e do campo. Acho que no mínimo são testadas 60 pessoas de cada vez, o que é deveras dispendioso”, acrescenta. Na sequência destas ideias, e em termos anímicos, como reage uma equipa a uma situação deste tipo, sabendo-se, como é do conhecimento público, que vários têm sido os jogadores de diversas equipas a testarem positivo e a ficarem por isso impedidos de dar o seu contributo… “Diretamente, pode mexer, mas sucede o mesmo com todas as outras equipas. Os efeitos são para todos. E há áreas mais afetadas”, reconhece Ricardo, referindo-se a restaurantes e outro tipo de atividades que têm sido obrigados a fechar portas. “O nosso medo é o medo dos outros. Temos é de nos defender e compreender que nunca se pode facilitar, fazendo o que está correto. Às vezes, penso que para lá do covid há problemas de saú-

sivos dos hospitais a abarrotar. O receio é uma realidade incontornável, mas, paralelamente, é

preciso pensar positivo e acreditar que tudo isto vai passar, oxalá com o regresso do bom tempo”, frisa o guarda-redes, passando uma mensagem de confiança. Paulo Sérgio, por seu turno, gostava de ver a população mais controlada, apesar de constatar que “os testes são caríssimos”. Na circunstância, sublinha, “uma família com menos recursos não tem hipóteses de fazer os seus exames”, pelo que “o Estado devia intervir junto dos laboratórios para que os testes fossem mais baratos e todas as pessoas tivessem iguais oportunidades de testar”.

Frank Mederos: “Os jogadores são compreensivos” O dr. Frank Menendez Mederos, natural de Cuba, é o responsável pelo departamento médico do Portimonense, e, nesta qualidade, tem acompanhado e supervisionado todo o processo de testes relacionados com a covid. Cordial e atencioso, respondeu a algumas questões colocadas pelo Portimão Jornal. Como se processam agora os testes? Nesta época os testes são realizados 48 horas antes dos jogos. São realizados a todos os elementos do plantel e ‘staff’ técnico, e, também, a todos os restantes trabalhadores da SAD e do Estádio. E depois, os resultados demoram quanto tempo a serem conhecidos? Os resultados demoram habitualmente 24-36 horas a serem divulgados. Quando os jogos são fora de Portimão, o procedimento é o mesmo? O procedimento é o mesmo para todos os jogos, seja em casa ou fora, como foi instituído pela Liga Portugal.

João Batista, responsável da comunicação, também é testado

É sempre o mesmo laboratório a fazer os testes? O “nosso laboratório” é sempre o mesmo: o Germano de Sousa, de Évora, que tem os seus postos de colheitas em Faro e Portimão. Os técnicos do instituto são os encarregados de realizar os testes. E aproveito para deixar o nosso maior agradecimento ao pessoal do laboratório pelo seu profissionalismo e disponibilidade. Como é que o doutor analisa a reação dos jogadores a esta maratona de testes semanais? Os jogadores são compreensivos, têm assumido bem esta situação. Sabem e percebem que estamos todos juntos na luta contra este vírus. Em termos anímicos, sobretudo para aqueles que têm filhos, a “sombra” da covid pode ter efeitos prejudiciais no rendimento dos atletas? Sim, psicologicamente deve influir, e não só pelos filhos, também há outros familiares que, pela idade, formam parte de grupos de risco. Mas até agora, nesse sentido, tudo tem corrido bem. Os atletas e todos os demais estão a dar o máximo. Qual a melhor maneira de lidar com este assunto tão aborrecido? A melhor maneira é cumprir as medidas de proteção. Agora iniciou-se a vacinação. Temos que ter fé.

O guarda-redes Ricardo Ferreira já perdeu a conta aos testes feitos PUB

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PESSOAS

Militante do PCP foi vereador ao longo de 14 anos

Histórias e peripécias da vida de Rui Sacramento davam um filme Organizou a estrutura local do PCP na clandestinidade, fugiu ‘a salto’ para França para não ser preso, regressou após o 25 de Abril e foi autarca durante 14 anos. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

O antigo autarca à porta da sede de Portimão do seu partido de sempre Jorge Eusébio

O

primeiro contacto formal que Rui Sacramento teve com o Partido Comunista Português (PCP) deu-se no longínquo ano de 1962. Recorda-se que o encontro que teve com o elemento que exercia as funções de ‘controleiro’ deu-se de forma muito discreta, “debaixo de umas árvores que existiam a seguir à Ponte Velha que liga Portimão ao Parchal”. Dessa ‘reunião’ com um homem cujo verdadeiro nome desconhecia resultou o convite para que assumisse, com apenas 17 anos, a responsabilidade de reorganizar o comité local daquela força política em Portimão. Na altura, vivia-se em pleno Estado Novo e todos os contactos e movimentações tinham que ser feitos no máximo secretismo. Por questões de segurança, todos os elementos do partido usavam pseudónimos e estavam organizados em células de três elementos, para evitar que se algum fosse apanhado pela polícia política, a PIDE, houvesse o risco de consigo arrastar muitos outros camaradas. Os contactos eram feitos em horas e locais pré-determinados

ou numa ou outra casa que consideravam segura. Estranha forma de ‘distribuição’ de jornais O órgão de informação do partido era – e continua a ser – o jornal ‘Avante!’, que tinha uma curiosa forma de ‘distribuição’ em Portimão. Rui Sacramento lembra que “era escondido por detrás de um grande espelho que existia na casa de banho do mais popular café da cidade, a Casa Inglesa”. Quando o queriam ler, os comunistas locais deslocavam-se aí, agarravam nele, levavam-no para casa e depois voltavam a deixá-lo no mesmo local. Aquele revelou-se um esconderijo seguro, pois “apesar de por ali passarem muitos elementos da PIDE, nunca o descobriram”. Por vezes, Rui Sacramento e os seus camaradas, para tentarem passar a mensagem aos não militantes, iam de noite para a Praia da Rocha e deixavam folhetos nos toldos que, ao chegar, de manhã, as pessoas liam, antes da polícia ser alertada e confiscar o material. Uma das suas prioridades foi “organizar a malta das 21 fábricas conserveiras que, nesse tempo, existiam só nas zonas de Porti-

mão e Lagoa, de forma a lutarem pelos seus direitos e por melhores condições de vida”. Outra atividade económica importante era a das pescas. Na altura, “no concelho havia cerca de meia centena de traineiras, cada uma delas com uns 22 homens, portanto era muita gente que, de forma direta e indireta, vivia do setor”. Os pescadores organizaram uma greve que, a partir de Portimão, acabou por alastrar a outras cidades algarvias como

de estar a fazer uma manifestação”. A tensão era grande e para lá foram destacados militares da GNR a cavalo que com a sua presença tentavam intimidar os pescadores. Também por ali se viam elementos que se sabia serem informadores da PIDE, mas tudo acabou sem problemas de maior. Vigiado pela PIDE Apesar de todos os cuidados que colocava na sua ação clandestina,

O jornal ‘Avante!’ tinha uma curiosa forma de ‘distribuição’: era escondido por detrás de um grande espelho que existia na casa de banho do mais popular café da cidade, a Casa Inglesa Lagos, Olhão e Vila Real de Santo António. Em vez de irem ao mar, ficaram na zona do Largo do Dique, “a andar de um lado para o outro, em grupos de apenas dois ou três, para que não os pudessem acusar

a partir de certa altura, Rui Sacramento sentiu que a polícia política o vigiava e o cerco se apertava, pelo que era uma questão de tempo até ser preso. Antes que isso acontecesse, juntamente com mais três camaradas, acabou, em

1964, por fugir para França. A primeira etapa da viagem teve início na estação de Estômbar, onde apanharam o comboio com destino ao norte do país. Saíram no Porto e daí seguiram viagem para Miranda do Douro, onde atravessaram a fronteira para Espanha, a ‘salto’, como então se dizia. Pelo caminho apanharam um grande frio e inclusivamente neve, o que os levou a ter de procurar refúgio numa casa de cantoneiro, que não estava ocupada, onde fizeram uma fogueira para se aquecer. Uma vez fora de Portugal, dirigiram-se para a cidade mais próxima, Zamora, novamente de comboio seguiram viagem, agora para San Sebastián, no país Basco, que se situava bem perto da fronteira que separa a Espanha da França. Aí, ficou a trabalhar ao longo de dois meses, durante a semana, enquanto que os domingos eram ocupados a fazer operações de reconhecimento da fronteira, para tentar descobrir qual a melhor forma de a cruzar. A solução acabou por lhe ser dada por um habitante local. Seguindo o seu conselho, uma manhã, com um saco às costas e uma pequena capa plástica que, ao longe, parecia ser um passaporte, meteu-se no meio de um grupo de trabalhadores que viviam do lado espanhol, mas que trabalhavam em França. Como faziam diariamente o percurso, não eram alvo de grande controlo por parte dos guardas, pelo que conseguiu chegar ao seu destino sem ser abordado. Na lista dos mais procurados Aí chegado, as coisas foram relativamente fáceis, pois “ao fim de três dias arranjei logo emprego e fui tratar dos papéis para ficar legalizado”. Como falava francês, integrou-se sem grandes problemas num país que estava habituado a receber portugueses, muitos deles refugiados políticos. Ao longo de 10 anos trabalhou, como controlador técnico, nas fábricas da Renault, onde,


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PESSOAS JORGE EUSÉBIO

para não variar, organizou células do Partido Comunista. Tornou-se, igualmente, membro muito ativo da comunidade portuguesa que aí trabalhava, tendo fundado uma associação. Mas, mesmo a milhares de quilómetros do país, sentia que a polícia política o vigiava. Essa convicção foi-lhe reforçada pelo facto de um dia “ter surpreendido um indivíduo a mexer na minha secretária. A desculpa que deu é que andava à procura de cigarros, quando eu nem sequer fumava”. Mais tarde soube que fazia parte de uma lista dos 50 opositores políticos no exterior que eram os mais procurados pela PIDE. Ao lado da sua fotografia estavam as de personalidades bem conhecidas, como Manuel Alegre, Piteira Santos e Camilo Mortágua Ao longo dessa década de exílio arriscou vir a Portugal uma vez. Lembra que “entrei pela Mina de São Domingos, na zona de Mértola, montado num cavalo, atrás de um homem que andava no contrabando e que, por isso, conhecia as melhores formas de não ser apanhado pela GNR”. Granada atirada contra a sede do partido Regressou de vez a Portimão uns dias depois da Revolução, a 28 de abril de 1974. Da direção nacional do PCP recebeu a missão de reorganizar o partido em praticamente todo o barlavento, com exceção de Lagoa. Uma das suas prioridades era encontrar um espaço onde os comunistas, agora de forma legal, pudessem reunir-se. A escolha recaiu num imóvel situado na Travessa do Capote, que, ainda hoje, continua a ser a sede local do PCP. A primeira sessão de esclarecimento do partido no concelho, recorda, “decorreu na Mexilhoeira Grande, numa sala que estava a abarrotar”. Os tempos que se seguiram à mudança de regime foram muito ‘quentes’. Em diversos pontos do país, os comícios de uns partidos eram, por vezes, invadidos por elementos de outras áreas ideológicas, havia frequentes escaramuças, violência e até bombas foram colocadas. Em Portimão, diz Rui Sacramento, não houve problemas de maior, com exceção de “uma granada que um dia explodiu na parte de fora da nossa sede”. No interior “estavam alguns camaradas, mas, felizmente, nenhum ficou ferido”. No âmbito das funções que tinha no PCP, participou na organização das comissões administrativas concelhias, que funcionaram até à tomada de posse

dos autarcas eleitos nas eleições locais de 1976, tendo integrado a da Câmara de Portimão. Uma das outras vertentes em que se envolveu foi a sindical, que também passava por uma fase de reorganização, com a substituição de elementos conotados com o

de seis anos. Isso implicava que os eleitos do PS preparassem e discutissem consigo os orçamentos, neles incorporando algumas das suas propostas, de forma a garantir que seriam aprovados. Quanto a todos os outros assuntos e votações,

Ao longo de uma década de exílio arriscou vir a Portugal uma vez. Entrou montado num cavalo, atrás de um homem do contrabando que conhecia as melhores formas de não ser apanhado pela GNR antigo regime por “trabalhadores de confiança do movimento operário”. Por essa altura, surgiu o movimento das comissões de moradores que, “só em Portimão eram cerca de quatro dezenas”. A liberdade recém-adquirida levou a que a população se juntasse para pressionar o poder político a resolver os muitos problemas existentes. Enquanto membro da Comissão Administrativa da Câmara de Portimão, Rui Sacramento sabia que os serviços municipalizados “tinham 30 mil contos no banco, o que, para a altura, era bastante dinheiro, ao mesmo tempo que havia muita gente que não tinha acesso a energia eléctrica, água canalizada e acessos minimamente dignos”. A luta continua Em 1990 voltou a fazer parte do executivo municipal, como vereador, após ser eleito nas eleições ocorridas em dezembro do ano anterior. Nas eleições seguintes (dezembro de 1993) manteria esse lugar. E pelo facto do PS não ter maioria absoluta e querer gerir a autarquia com alguma estabilidade, foram-lhe atribuídas funções a meio tempo, ao longo

não havia grandes acordos, o que levava a que Rui Sacramento “votasse a favor quando entendia que as propostas eram positivas para o concelho e contra quando isso não acontecia”. Depois de um interregno nas eleições de 2001, voltou a ser candidato pela CDU em 2005, exercendo mais um mandato como vereador. Olhando para trás, Rui Sacramento faz um balanço muito positivo da ação que ele e o seu partido desenvolveram ao longo de todos estes anos. Isto porque, garante o antigo autarca, o PCP esteve na primeira linha das lutas e reivindicações pela construção de equipamentos extremamente importantes para a população do concelho e da região, como o Hospital do Barlavento, o Porto do Arade, o Centro de Saúde ou o Museu de Portimão. Agora, aos 76 anos de idade, já não pensa em voltar às lides autárquicas porque “isso agora compete aos mais novos”. No entanto continua a fazer parte da concelhia local do PCP e a dar o seu contributo na “luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores e dos micro e pequenos empresários”.

Empreendedor da StartUp distinguido

Pedro Glória vencedor do ‘Green Up’ O algarvio Pedro Glória venceu o primeiro prémio do programa nacional ‘Green Up’ com o projeto SWRS, na semana passada. Natural de Lagos, o empreendedor tem estado a desenvolver uma forma de reutilizar águas cinzentas para descargas sanitárias, poupando cerca de 30 por cento de água potável sem necessidade de obras, na StartUp Portimão. O projeto, que está em fase de produção do protótipo para testes, foi o grande vencedor do programa nacional desenvolvido pela Territórios Criativos e pelo Turismo de Portugal, cuja final se realizou online, a partir de Coruche, a 27 de janeiro. Pedro Glória foi o escolhido entre sete finalistas, tendo ganho um prémio de quatro mil euros.

Aulas decorrem online até dia 28

Atividade presencial do AGRP suspensas A Associação de Ginástica Rítmica de Portimão manterá as atividades presenciais suspensas até 28 de fevereiro, sendo reavaliada a decisão no dia anterior. “Manter-se-ão as aulas online de acordo com o horário divulgado, com as adaptações” que forem introduzidas com “o reinício das atividades letivas”, refere a Direção. PUB

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282 070 772 Avenida São João de Deus, lote1, loja 1 - Portimão Junto ao Mercado Municipal de Portimão Rui Sacramento continua a fazer parte da concelhia local do PCP


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RAIO-X A foto

ANA SOFIA VARELA

FUNDO DE APOIO MUNICIPAL

O dinheiro do Fundo de Apoio Municipal está a começar a chegar aos empresários do concelho que se candidataram e que reúnem condições para o efeito. Até ao fecho desta edição, 52 candidaturas, das 700 apresentadas, já tinham sido analisadas. Trata-se de um programa lançado pela Câmara, que vem dar uma ajuda aos empresários do concelho que sem receitas ou com uma faturação bem inferior à habitual vivem uma situação muito complicada.

PEDRO MOREIRA O futsal do Portimonense prossegue em alta, entre os grandes da modalidade, e o treinador Pedro Moreira continua a acertar nas escolhas que faz – como se prova pelos reforços do recente mercado de transferências – e no modo como prepara a equipa. Desta feita foram duas vitórias consecutivas, ambas fora de casa (D. Sanjoanense e Candoso), a confirmar a qualidade dos alvinegros, que subiram ao sexto lugar da classificação.

ESTRADA A PRECISAR DE OBRAS • O piso da antiga Estrada Nacional 125 está, há muito, a precisar de uma intervenção. São muitos os troços em péssimo estado de conservação nesta via de comunicação que vai da zona da Penina até à entrada na V6. Vão-se acumulando as queixas de milhares de pessoas que aí residem e muitos automobilistas que a utilizam, mas até agora o projeto de requalificação ainda não avançou.

A frase Antes do 25 de Abril, o jornal 'O Avante!' era escondido por detrás de um grande espelho que existia na casa de banho do mais popular café da cidade, a Casa Inglesa”. Rui Sacramento

VACINAÇÃO A polémica em torno da vacinação da covid-19 atingiu em força o concelho de Portimão. Isilda Gomes tem sido o alvo principal de contestação por ter sido vacinada por ser voluntária no hospital de campanha instalado no Portimão Arena, no âmbito do projeto Visitas Virtuais. A maioria dos partidos da oposição diz que se está perante um tratamento de favor e já pedem a sua demissão. Na resposta, o PS alega que se está perante uma prática medieval de caça às bruxas, para colher dividendos eleitorais.

FARMÁCIAS COM SERVIÇO NOTURNO FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 • Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 • SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa • EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/

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OPINIÃO

Habitação - compra e venda que tal seja concedido, todos os documentos estejam em rigor e, por vezes, ainda são necessários documentos complementares. Tiago Silva Solicitador

Comprar ou vender casa nem sempre é tão simples quanto seria desejável e, muitas vezes, surgem situações com alguma complexidade técnica que não são de fácil resolução para o cidadão sem o conhecimento adequado. Cada caso é diferente, não havendo simplesmente uma solução genérica a que se possa recorrer, por isso todas as situações devem ser analisadas com o rigor profissional necessário. Na perspetiva do comprador, é fundamental verificar a regularidade de todos os detalhes: legitimidade dos intervenientes, documentos do imóvel (certidões, licenças, certificados e outros), normas aplicáveis e tudo o mais que possa importar, pois uma aquisição sem os cuidados necessários poderá resultar em prejuízos muito avultados. Quando ocorre a necessidade de o comprador contrair um empréstimo bancário, aumenta ainda mais a complexidade da verificação a efetuar, uma vez que a instituição à qual se requer o empréstimo exige que, para

É também importante prevenir o comprador, desde o início, para os encargos inerentes à compra do imóvel para além do preço, designadamente as importâncias com registos, emolumentos, impostos, honorários, comissões, entre outros. Já o vendedor, por regra, tem a tarefa mais aligeirada, mas cuja importância não deve ser desconsiderada. Maioritariamente, o destaque da preocupação dele, caso os documentos da propriedade estejam regularizados e não existam outros motivos que obstem à venda, será as mais-valias (tributação do lucro obtido - declarado no IRS do ano da venda). Assim, é essencial determinar as situações em que é possível reinvestir, total ou parcialmente, e quais os formalismos a observar para concretizar esse reinvestimento, e ainda que o reinvestimento não seja aplicável ao caso, é importante compreender como determinar o valor que será apurado para efeitos de mais-valias e quais os encargos e despesas que poderão ser considerados para esse efeito.

Frequentemente, quer por interesse / necessidade do comprador ou do vendedor, ou mesmo de ambos, não é possível a celebração do negócio no momento em que verbalmente acordam os termos essenciais

negócio não dispensa nem substitui a assistência jurídica que a situação mereça e que poderá ser prestada pelo Solicitador. O acompanhamento poderá ser prestado

Cada caso é diferente por isso todas as situações devem ser analisadas com o rigor profissional necessário deste. Desde logo, o Solicitador poderá auxiliar os intervenientes na celebração de um vínculo entre eles – o contrato promessa. Este contrato deverá ser cuidadosamente preparado, atendendo ao interesse das partes e às normas que lhes são aplicáveis. Ocasionalmente, os intervenientes por si ou até mesmo assistidos por profissionais de outras áreas (sem qualificação adequada), arriscam, inadvertidamente, a preparação de minutas de contratos promessa que não cumprem, com o rigor necessário, a forma e a finalidade dele. A coexistência de outros profissionais que o possam assistir noutros propósitos conexos com o

quer por representação (por procuração), quer pelo acompanhamento do todo o processo negocial, despreocupando o cliente da responsabilidade documental envolvente. Portanto, seja comprador ou vendedor, saiba que poderá contar com o Solicitador para o auxiliar, minimizando riscos desnecessários e obtendo um aconselhamento assertivo para a sua situação específica. *Artigo publicado ao abrigo da parceria entre o Portimão Jornal e a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO Delegação Regional do Algarve

A DECO INFORMA… As novas adesões à moratória pública podem ser feitas até 31 de março, podendo as famílias portuguesas beneficiar dos efeitos desta medida por um período máximo de nove meses. O objetivo é adiar o pagamento de capital e juros ou, em alternativa, apenas do capital, devendo manter-se, em ambas as opções, o regular cumprimento das despesas associadas a eventuais seguros. A moratória, no entanto, apenas admite a suspensão de pagamento de prestações referentes a crédito habitação hipotecário

“Novo período de adesão à moratória pública - Quais as condições?” e o crédito contraído para objetivos de educação ou formação profissional, pelo que quem, por exemplo, tiver créditos ao consumo que não sejam para estes fins, crédito pessoal ou cartões de crédito, fica sem possibilidade de aceder à medida especial de suspensão de encargos com juros e capital. A esta nova suspensão de encargos com juros e capital podem ainda aderir os consumidores que relativamente às operações de crédito em causa beneficiem ou tenham beneficiado da anterior moratória

desde que por de período de aplicação inferior ao agora máximo estabelecido. Ou seja, para estes clientes bancários pode verificar-se alguma limitação temporal, pois, no total, o número de meses de suspensão não pode ultrapassar o prazo de 9 meses. Segundo o Decreto-Lei que estabelece este mecanismo excecional, e que entrou em vigor no passado dia 1 de janeiro, a moratória bancária “constitui um instrumento da maior importância no atual contexto, ao permitir que as famílias e empre-

sas possam gerir adequadamente as suas responsabilidades de crédito, salvaguardando aspetos fundamentais como a habitação ou o funcionamento da economia.”. Por essa razão, entende a DECO que este regime, que mantém em vigor até ao final de setembro de 2021, deve ver este prazo alargado ou, pelo menos, contemplar soluções que visem preparar os portugueses para o seu término, como por exemplo a adoção de um sistema em que, nessa altura, os clientes comecem a pagar apenas os juros dos empréstimos. PUB

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ÚLTIMAS CM PORTIMÃO

Mensagem será entregue aos destinatários pela autarquia

Junta é mediadora de ‘agradecimentos’ com novo projeto Pandemia despertou o espírito de solidariedade no último ano, por isso a intenção é que haja espaço para reconhecimento. ANA SOFIA VARELA

Citrino vendido a preço especial

Laranja é destaque no Mercado até dia 13 O Mercado Municipal da Avenida São João de Deus, em Portimão, promove até ao próximo sábado, 13 de fevereiro, a ‘Semana da Laranja’. Os clientes podem, assim, comprar este citrino a um preço especial. Sob o lema ‘Laranja algarvia - não há fruta mais sadia’, a iniciativa decorre numa altura em que o país atravessa uma crise pandémica sem precedentes, onde ganham também relevância as propriedades benéficas ligadas ao consumo deste produto típico do Algarve. Além da venda de laranjas nas bancas aderentes, a ação inclui propostas culinárias online, através de ‘showcookings’ fotográficos produzidos pela Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão, e de sugestões de ementas com este fruto, elaboradas pela nutricionista Patrícia Cabral. Os interessados podem acompanhar o evento online através do facebook do Mercado Municipal de Portimão. CM PORTIMÃO

Autarquia volta a inovar em altura de confinamento Ana Sofia Varela

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lguém já o ajudou nem que tenha sido com um simples gesto desde que a pandemia se instalou no país, em março de 2020? O novo projeto da Junta de Freguesia de Portimão, chama-se #queroAgradecer e permite agora que qualquer interessado possa fazer chegar a essa pessoa ou entidade uma pequena mensagem de agradecimento, em jeito de reconhecimento pelo auxílio prestado. A iniciativa foi implementada a 1 de fevereiro e nos primeiros dias já havia duas solicitações, avançou Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia, ao Portimão Jornal.

O autarca explica que a ideia é original e que surgiu para incentivar este sentimento, até porque há algumas pessoas que sentem vergonha de o fazer de forma direta. Assim, a Junta encarregar-se-á de o fazer em nome dos interessados. Tanto que, segundo afirma, basta contactar ou enviar a mensagem pretendida que haverá a garantia de que esta chegará ao destinatário. Isto porque, a pandemia provocada pela covid-19 mudou o mundo e a forma como as pessoas vivem, devido à importância do ‘isolamento social’. A autarquia considera que é nos momentos difíceis que as pessoas descobrem quem são os verdadeiros amigos e quem, de facto, se importa com o

próximo. Por isso, apela a quem tem um vizinho, amigo ou conhecido e que queira agradecer algum apoio prestado, a que pegue “em papel e caneta, grave um vídeo ou faça uma mensagem”, envie para a Junta de Freguesia de Portimão, através de WhatsApp (935 095 738), facebook (facebook.com/ jfportimao) ou email (queroagradecer@jf-portimao.pt), que esta será entregue ao visado. A participação não tem qualquer custo, podendo ser solicitada por um particular, mas também por uma empresa ou entidade. A intenção é mostrar a importância de um ‘agradecimento de coração’ numa época em que há tanta privação e preocupação com o futuro.

Soldados da paz vão receber um milhão de euros

Câmara Municipal reforça apoio financeiro aos Bombeiros A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão recebeu um reforço da verba municipal, através de um protocolo de cooperação com a Câmara Municipal, que enquadra as despesas de funcionamento para 2021 no âmbito da proteção civil.

O valor ultrapassa o milhão de euros e fará face às necessidades dos soldados da paz. Esta medida foi aprovada por unanimidade na reunião da autarquia, a 3 de fevereiro, permitindo estabilizar o envelope financeiro em 825 mil euros, a que acrescem cerca de 200

mil euros anuais. O investimento será aplicado no âmbito do plano de reequipamento da Proteção Civil Municipal, no que toca a meios e recursos para os bombeiros, bem como à formação especializada dos operacionais.

Agendamento deve ser realizado com antecedência

CLAIM aberto com marcação prévia O Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) de Portimão continua a realizar atendimento presencial, mas apenas mediante marcação prévia. O espaço funciona às quintas e sextas-feiras, junto à Câmara Municipal, podendo o agendamento ser realizado por telefone (282 248 538) ou por email (claim.portimao@cm-portimao.pt).

Equipamento cultural é exemplo de influência

Editora inglesa destaca Museu de Portimão em livro O Museu de Portimão foi um dos equipamentos culturais escolhido para constar no livro ‘Revisiting Museums of Influence’, da editora inglesa Routledge Area Studies, como um exemplo de influência sobre outros espaços desta tipologia. A publicação ‘Revisitando Museus de Influência’ destaca as 50 mais relevantes infraestruturas culturais que, nos últimos 40 anos, entre 1979 e 2019, se têm candidatado aos Prémios 'Museu Europeu do Ano' (EMYA) e 'Museu Conselho da Europa', organizados pelo 'European Museum Forum' (EMF) e pelo Conselho da Europa. O livro demonstra que a excelência pode ser encontrada em museus, qualquer que seja o tema, a escala ou a fonte de financiamento”, descreve a Routledge, sublinhando que os perfis estabelecidos nesta edição tendem a captar a imensa capacidade de cada museu para responder às necessidades da sociedade em mudança. A obra é considerada “essencial para estudantes e profissionais” desta área.


A FECHAR

Quinta-feira • 11 fevereiro 2021

D.R.

Vários espaços em Alvor e Portimão

Novas caixas-ninho protegem aves no concelho Associação Vita Nativa está a promover o projeto com diferentes entidades públicas e privadas. D.R.

Estruturas pretendem proteger aves em contexto urbano Ana Sofia Varela

D

iversas caixas-ninho para nidificação de aves em contexto urbano estão a ser instaladas no concelho, sobretudo nas freguesias de Portimão e Alvor. O projeto promovido pela Associação Vita Nativa tem contado com parcerias de entidades públicas e privadas e, apesar de se ter iniciado em dezembro, está a ser alargado durante este mês. Além de 22 caixas, que se juntam às 16 colocadas no final de

2020, foram agora disponibilizados novos locais para a instalação destas estruturas de diferentes tamanhos, consoante as espécies que vão alojar. Ao longo de pelo menos duas épocas de nidificação, estes ninhos artificiais serão acompanhados, sendo verificada a ocupação e, caso haja necessidade, serão reparados e limpos. A primeira caixa-ninho instalada no âmbito da parceria com a Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP)

foi colocada a 8 de janeiro, num dos depósitos da entidade pública, em Chão das Donas. Esta caixa destina-se ao falcão-peregrino (falco peregrinus), conhecido por ser o animal mais rápido do mundo. Alimenta-se de aves de médias dimensões e tem vindo a conquistar as cidades, sendo conhecida a reprodução desta espécie nalguns pontos urbanos do país. Serão colocados outros dois nos depósitos da Bemposta e do Alto do Pacheco para peneireiros-vulgares (falco tinnunculus), que apesar de serem associados aos meios agrícolas, existem, cada vez mais, nos meios urbanos. O objetivo desta iniciativa do projeto ‘Alojamento Local para Aves’ é ajudar as populações de aves nas cidades, mas também sensibilizar para o benefício destas espécies para o território. Neste âmbito, também o Morgado do Reguengo Resort, do grupo NAU, instalou 13 caixas-ninho que servirão de abrigo, tanto para pequenas espécies de aves, como para aves de rapina de média dimensão. Encontram-se localizadas, quase na totalidade, dentro ou nas imediações dos dois campos de golfe do resort, Morgado Golf Course e Álamos Golf Course, permitindo que a prática da modalidade coexista em harmonia com o ecossistema natural.

Lar Bom Samaritano angaria fundos para substituir toldo danificado O vento destruiu um toldo que servia de resguardo ao parque onde as crianças do Lar Bom Samaritano brincavam, por isso, a instituição lançou uma angariação de fundos online para a substituição da estrutura. A campanha está a decorrer e apesar de já terem conseguido a doação de cerca de mil euros, ainda faltam três mil para atingir a meta. O toldo já era velho e ficou inutilizado com o vento, o que impede que as crianças continuem a brincar naquele espaço. No site da angariação (https://gofund.me/f7a81aa8), João Carlos Gomes, vice-presidente da Direção do Lar, refere que a instituição vive de verbas limitadas e que não conseguem cabimentar esta intervenção, apelando, desta forma, à solidariedade da população e empresas. A IPSS acolhe crianças entre os 5 e os 12 anos, que vivem em situação de risco ou perigo, e que são sinalizadas pelas entidades competentes. Trabalha com as famílias para que estas possam ser reintegradas nos agregados familiares ou, caso não seja possível, consigam ter um percurso de vida diferente.

Autarquia disponibiliza linha de apoio psicológico A Câmara Municipal de Portimão, através da linha ‘Proteção 24’, tem um espaço de apoio psicológico às famílias e às pessoas isoladas. Com a privação provocada pelo confinamento obrigatório, derivado da pandemia da covid-19, cada vez mais pessoas, em isolamento e em teletrabalho, têm de lidar com uma nova realidade e gerir emoções. Caso sintam necessidade de auxílio psicológico, podem contactar a linha telefónica (808 282 112).

Futsal do PSC recolhe bens alimentares Sob o lema ‘Ajudar quem mais precisa’, o Futsal do Portimonense Sporting Clube está a realizar uma angariação de bens alimentares. Os interessados em participar podem deixar os alimentos no Pavilhão Desportivo da Boavista, situado junto à Estrada do Alto da Raminha, em Portimão, entre segunda e sexta-feira, das 9h00 às 18h00. Os responsáveis garantem ainda que serão os jogadores desta secção do clube a entregar os bens às famílias carenciadas e às associações que necessitam de ajuda. PUB

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Portimão Jornal nº 17 | 11.02.2021  

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