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ISSN 1678-0817

ÍNDICE.

Pág. 04 Agenda de Eventos. Pág. 06 Sessão Cartas. Pág. 10 Avaliação do Edema em Puérperas no Pós Parto Imediato. Pág. 12 A Interferência da Bandagem Funcional Torácica Sobre as Curvaturas Fisiológicas da Coluna Vertebral Torácica e Lombar por Meio da Fotometria. Pág. 16 Entrevista com Dr. Euclides Poubel. Pág. 20 Software Fisio Office Edição 2005. Pág. 27 A Influência dos Esteróides Androgênicos Anabolizantes (EAA) no Tecido Conjuntivo Modelado Denso (Tendão): Uma Revisão Bibliográfica. Pág. 30 Como Tratar Incontinência Urinária Após Prostatectomia Radical. Pág. 33 Dor Crônica – Aspectos Anátomo-Clínicos – Revisão Geral. Pág. 38 Estudo Clínico de Complicação Pós-Colocação de Prótese Mamária de Silicone.

EXPEDIENTE. Diretor Editor: Dr. Oston de Lacerda Mendes Diretora Comercial: Luciene Lopes Diretor da Redação São Paulo: Dr. Antônio Carlos Trubiani Diretor da Redação Rio de Janeiro: Diogo Trajano Diretor de Edição: Dr. Fabiano Moreira Distribuição e Logística: Dr. João Marcelo Gigliotti Colunista: Dra. Edna Cristina Jornalista Responsável: Marcos Antônio Alves Assessoria Jurídica: Dr. Gustavo Lana Ferreira Redação - Assinaturas: Endereço da Redação:

Rua José Linhares, 134 - Leblon Rio de Janeiro - RJ - CEP 22430-220 www.fisioon.com.br revista@fisioon.com.br A Revista Fisio&terapia não se responsabiliza por cartas e artigos assinados. Fotos capa e entrevista: Elisiario Emanuel do Couto ERRATA Na Edição nº45 (Jun/Jul 2004) na página 6 onde está escrito “Professora Ângela Cristina Ferreira da Silva docente e ex-coordenadora do Curso de Fisioterapia da Universidade de Santa Catarina” leia-se; “Professora Ângela Cristina Ferreira da Silva docente e ex-coordenadora do Curso de Fisioterapia da Universidade de Santa Cruz do Sul”

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AGENDA.

DESC. 5% 10% 5% 10% 10% 10% 5 a 15% 5% 10% 5% 10% 10% 5 a 15% 5 a 15% DESC.

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DATA CURSO CIDADE UF. TELEFONES SETEMBRO 26 Formação em Método Pilates - Turma B Rio de Janeiro RJ (21) 2294-8201 27 Curso de Eletroterapia na Redução de Gordura Localizada/Celulite / BIOSET Rio Claro SP (19) 3534-3693 / 3524-8119 27 Curso de RMA Belém PA (91) 242-7071 / 230-1774 29 XII Simpósio Internacional de Fisioterapia Respiratória e V Congresso Brasileiro Ouro Preto MG (31) 3273-1121 OUTUBRO Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU São Paulo SP (11) 3277-6962 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Rio de Janeiro RJ (21) 2533-1320 / 2205-9433 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Salvador BA (71) 331-8905 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Fortaleza CE (85) 252-4090 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Porto Alegre RS (51) 3222-2066 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Belo Horizonte MG (31) 3222-4750 Outubro Curso de Especialização Profissional em Acupuntura / SOHAKU Vitória ES (27) 3311-4771 Outubro Curso de Formação de Consultor em Ergonomia - Mód. I Belém PA (91) 242-7071 / 230-1774 Outubro Estágio Semestral de Fisioterapia Hospitalar São Paulo SP (11) 5084-7100 01 a 03 Maitland Periférico / Dr. Sérgio Marinzeck São B. do C. SP (19) 3213-6822 02 II Simpósio em Fisioterapia Esportiva Araras SP (19) 9740-0906 02 I Curso Teórico & Prático de Reabilitação Neurofuncional nas Lesões Medulares Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 02 e 03 Rehab Pilates - Supervisão Educativa - II Etapa Rio de Janeiro RJ (71) 261-8000 02 e 03 Curso de Correção Postural sobre a Bola Suíça - CSBM Rio de Janeiro RJ (19) 3422-1066 02 e 03 19º Curso de Pilates na Conduta Cinesioterápica - Mód. I Rio de Janeiro RJ (21) 2531-9096 / 8143-5722 02 e 03 RMA - Reprogramação Músculo-Articular (Terapia do Esparadrapo) - 3º Mód. Itajaí SC (47) 349-1363 02 e 03 I Curso de Meios e Recursos Terapêuticos do TTO. do Sist. Músculo Esquelético Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 07 a 09 XI ENFIL - XI Encontro Nacional de Fisioterapia da Zona Leste / UNICID Tatuapé SP (11) 2178-1240 08 Curso de Quiropraxia Porto Alegre RS (51) 3019-3373 09 Curso de Atualização em Eletroterapia Rio Claro SP (19) 3534-3693 / 3524-8119 09 Educação Postural “Técnica de Reabilitação através de Manipulação da Coluna” São Paulo SP (11) 3214-1833 / 3021-5187 09 e 10 Rehab Pilates  - Curso Básico - Etapa R2 Goiânia GO (71) 261-800 09 e 10 19º Curso de Pilates na Conduta Cinesioterápica - Mód. II Rio de Janeiro RJ (21) 2531-9096 / 8143-5722 09 a 12 XXXVII ENAF Poços de Caldas MG (35) 3222-2344 10 a 16 Reeducação Uroginecológica São Paulo SP 0800-7712666 11 a 16 Fisioterapia Esportiva - Mód. II São Paulo SP 0800-7712666 14 a 17 Curso Estabilização Segmentar Vertebral.(E.S.V.) Rio de Janeiro RJ (21) 2543-0549 / 2246-4773 15 e 16 V Jornada Potiguar de Fisioterapia - Tema: “Geriatria: O Tempo em Nossas Mãos” Natal RN (84) 206-6143 / 9408-5068 15 a 17 Estabilização Segmentar Salvador BA (19) 3213-6822 15 a 18 Formação na Clínica Psicomotriz e nas Dificuldades de Aprendizagem Salvador BA (19) 3272-2520 15 a 23 Atualização em Recursos Fisioterapêuticos para Recém-Nascido de Alto Risco São Paulo SP (11) 3897-3812 / 3897-3806 16 “Curso de Qualificação na Técnica de Shiatsu” - IBRACHI São Paulo SP (11) 3214-1833 / 3021-5187 16 “Curso de Reabilitação na Técnica Auriculoacupuntura” - IBRACHI São Paulo SP (11) 3214-1833 / 3021-5187 16 e 17 Liberação Tecidual Funcional em Fibroses e Aderências na Cirurgia Plástica Rio de Janeiro RJ (21) 2255-7635 / 9984-4195 16 e 17 Atualização em Eletroterapia de Baixa Freqüência / Profº Nivaldo Parizoto Rio de Janeiro RJ (21) 9407-2302 / 9804-0806 16 e 17 Estabilização Segmentar - Coluna Lombar, Pelve e Quadril / Sérgio Marinzeck Salvador BA (71) 271-0151 / 9984-7996 16 e 17 Extensão Universitária em Cinesiopatologia São Paulo SP (11) 3663-5696 16 e 17 Rehab Pilates  - Supervisão Educativa - I Etapa Salvador BA (71) 261-8000 16 e 17 V Congresso Internacional de Reeducação Postural Global – RPG Roma Itália (33) 5.6269-6318 16 e 17 II Curso de Terapia Intensiva (UTI) - Teórico&Prático Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 16 e 17 VI Turma de Biomecânica: 7º Mód. – Tornozelo e Pé Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 16 e 17 VII Turma de Biomecânica: 2º Mód. – Cotovelo, Antebraço, Punho e Mão Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 16 e 23 Biomecânica Mód. IV / AFR Niterói RJ (21) 2109-2626 - R. 239 / 245 16 e 23 Semiologia Cardiorespiratória / AFR Niterói RJ (21) 2109-2626 - R. 239 / 245 17 e 24 Ventilação Mecânica Aplicada em UTI - Adulto - Pediátrico - Neonatal - AFR Niterói RJ (21) 2109-2626 - R. 239 / 245 18 a 21 IV CONNEFI - Congresso Norte/Nordeste de Fisioterapia São Luis MA (98) 246-2823 / 9972-4424 20 a 23 IX Jornada Catarinense de Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica Joinville SC (47) 425-2359 / 425-8914 21 a 24 Método Mckenzie de Diagnóstico e Terapia Solução Avançada de Problemas Belo Horizonte MG (31) 3222-5215 21 a 24 Respire a Prática da Fisioterapia / Profº Dr. Carlos Azeredo Natal RN (84) 3091-0911 21 a 24 Curso Internacional de Mulligan São Paulo SP (11) 3875-4357 / 9925-2600 22 e 23 Abordagens do Linfoedema em Pacientes Mastectomizados – Mód. II Rio de Janeiro RJ (21) 2255-7635 / 9984-4195 22 a 24 Abordagens do Linfedema em Pacientes Mastectomizados / CACIA RUSENHACK Rio de Janeiro RJ (21) 2255-7635 / 9984-4195 22, 23 e 24 Formação de Consultor em Ergonomia e Método CNROSSI de Prevenção São Paulo SP (11) 3034-3279 22 a 29 RPG / RPM Reeducação Postural Global RJ - Mod.II Rio de Janeiro RJ (21) 2484-2966 23 Drenagem Linfática São Paulo SP (11) 3663-5696 23 Extensão Universitária em Cinesiopatologia São Paulo SP (11) 3663-5696 23 As Bases da Neurologia Moderna para a Reabilitação São Paulo SP (11) 3714-0968 / 9686-9867 23 e 24 Curso de Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva / Profª Márcia Cristina Dias Rio de Janeiro RJ (21) 9407-2302 / 9804-0806 DATA CURSO CIDADE UF. TELEFONES


AGENDA.

5% 5% 10% 3% 3% 3% 3% 06 e 07

OUTUBRO 23 e 24 Rehab Pilates - Supervisão Educativa - III Etapa Belo Horizonte MG (71) 261-8000 23 e 24 Rehab Pilates  - Supervisão Educativa - III Etapa São Paulo SP (71) 261-8000 23 e 24 Curso de ATM - Flor de Lótus Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 2523-9372 23 e 24 I Curso Teórico & Prático de Reabilitação Neurofuncional nas Lesões Medulares Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 23 e 24 II Curso de Terapia Intensiva (UTI) - Teórico&Prático Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 25 Curso de Eletroterapia na Reafirmação e Harmonia Corporal / BIOSET Rio Claro SP (19) 3534-3693 / 3524-8119 25 RPG - Instituto Philippe Souchard São Paulo SP (11) 5044-9605 / 5044-0675 27 a 30 II Congresso Internacional de Fisioterapia Manual Recife PE (85) 242-9444 / 257-6040 29, 30 e 31 Drenagem Linfática Facial e Corporal - Mód. I / CACIA RUSENHACK Rio de Janeiro RJ (21) 2255-7635 / 9984-4195 29, 30 e 31 Hidroterapia Internacional - Halliwick - J. Lambeck São Paulo SP (21) 2287-8413 / 2522-8841 30 e 31 Curso de ATM - Flor de Lótus Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 2523-9372 NOVEMBRO Novembro Curso de Formação de Consultor em Ergonomia - Mód. I Belém PA (91) 242-7071 / 230-1774 Novembro Curso - Estabilização Vertebral Dinâmica. (E.V.D.). Rio de Janeiro RJ (21) 2543-0549 / 2246-4773 Novembro Curso Internacional de RPG - Sistema Australiano São Paulo SP 802 43 70 08 / (43) 3325-7656 Novembro Curso Internacional de RPG - Sistema Australiano Rio de Janeiro RJ 802 43 70 08 / (43) 3325-7656 01 e 03 Hidroterapia Internacional - Bad Ragaz - J. Lambeck São Paulo SP (21) 2287-8413 / 2522-8841 02 Hidroterapia Internacional - Halliwick - J. Lambeck São Paulo SP (21) 2287-8413 / 2522-8841 04 e 05 Hidroterapia Internacional - Hidro na Algia Lombar - J. Lambeck Rio de Janeiro RJ (21) 2287-8413 / 2522-8841 04 a 06 SONAFE - I Congresso da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva Guarujá SP (11) 3887-3237 04 a 07 Curso I - Conceito Mulligan (Básico) Rio de Janeiro RJ (21) 2557-95559765-8985 05 e 06 II Simpósio de Fisioterapia Aplicada à Saúde da Mulher - UNICID São Paulo SP (11) 6653-8218 / 9960-8449 05 a 07 Mobilização Neural (Mód.s A e C) Porto Alegre RS (19) 3213-6822 05 a 12 Pilates sob a ótica das Cadeias Musculares Rio de Janeiro RJ (21) 2268-6997 / 2288-8131 06 Curso de Pré e Pós Operatório de Cirurgias Plásticas / BIOSET Rio Claro SP (19) 3534-3693 / 3524-8119 06 Educação Postural “Técnica de Reabilitação através de Manipulação da Coluna” São Paulo SP (11) 3214-1833 / 3021-5187 06 Continuação do II Curso de Terapia Intensiva (UTI) - Teórico&Prático Rio de Janeiro RJ (21) 3413-7009 / 2576-4828 06 e 07 I Curso de Fisioterapêuticas Manuais em DTM e Algias do Sistema N. P. São Paulo SP (11) 4232-2308 / Fisioterapia nas Desordens Temporomandibulares / Profª Glória Maria Moraes V. Rosa Rio de Janeiro RJ (21) 9407-2302 / 9804-0806

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CARTAS. MERCADO EXTERIOR.

HOMENAGEM à Suely Marques.

A KW Eletrônica tem fornecido equipamentos médicos para o mercado internacional há vários anos. Porém, esse comércio tem sido realizado de maneira pouco agressiva.

No último dia 30 de junho partiu nossa querida mestra Dra. Suely Marques, uma mulher que conduziu sua vida com nobreza e retidão. Escreveu várias páginas da história da Fisioterapia no Rio de Janeiro, principalmente os primeiros capítulos, os mais desafiadores e árduos. Pioneira, não apenas travou uma luta pessoal pelos fisioterapeutas, mas acima de tudo na defesa da Fisioterapia como ciência e na preparação deste grupo para dominá-la. Admirável sua paixão pela profissão, fez dela sua filosofia de vida, pois teve a oportunidade em participar como terapeuta e paciente. Ensinou-me muito esta formidável mestra, com o qual tive a boa sorte em trabalhar por alguns anos, mantendo um relacionamento (mesmo após sua saída da ABBR) como profissional e, em um segundo momento como paciente. Sinto-me aliviada por ter exposto pessoalmente por diversas vezes minha gratidão a sua participação em minha formação profissional. Aprendi com Suely a filosofar e atentar para a beleza do exercício da fisioterapia. Aprendi que nossas mãos não apenas tocam estruturas anatômicas, que movimentos de nossos corpos são emprestados a outros corpos quase inertes em decorrência de doenças incapacitantes. Enfim, aprendi a poesia que permeia e emolduram nossa profissão. Nos momentos de sua supervisão e orientação técnica eu observava atentamente o desejo em transmitir sua experiência e conhecimento e que seu aluno realmente assimilasse. Esta é uma atitude nobre e digna na relação professor / aluno. O verdadeiro mestre é aquele que deseja que seu discípulo o supere e o conduz para esta realização. Parta em paz querida mestra, nós Fisioterapeutas prometemos dar continuidade ao seu trabalho, herdar sua paixão pela fisioterapia e acima de tudo honrar este perfil profissional que você ajudou a delinear e esculpir ao longo destes anos. Muitíssimo obrigado

Para o ano de 2004, dentro de seu planejamento estratégico, a KW definiu como meta a ampliação de sua atuação no mercado externo. Após analisar as necessidades e expectativas desse mercado e através de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e certificações técnicas, a KW modernizou sua linha de produtos para oferecer os melhores equipamentos eletromédicos também para esse novo mercado. Após esses preparativos, é com muito orgulho que informamos a todos os nossos amigos e clientes que a KW tem plenas condições de uma atuação sem fronteiras no mercado externo e apresenta-se como a mais nova opção em equipamentos eletromédicos para profissionais da Fisioterapia Mundial. Como parte deste processo, a KW iniciou suas viagens e apresentações internacionais e, em agosto, participou de uma das maiores feiras médicas do mundo, a FIME -”FLÓRIDA INTERNATIONAL MEDICAL EXPO”, realizada em MIAMI-EUA, quando apresentou aos profissionais de todo o mundo a qualidade do produto brasileiro. Finalmente, queremos agradecer a todos os nossos clientes e amigos que nos motivam diariamente a ultrapassar nossos limites e buscar novos desafios. Cordialmente Mário Leme KW Eletrônica

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Esta é minha homenagem pessoal, com certeza muitos possuem o mesmo sentimento. Tania Maria Alvarez. taniamariaalvarez@yahoo.com.br DÚVIDA. Olá! Meu nome é Cibele, sou fisioterapeuta e tenho algumas dúvidas e gostaria de saber se podem me ajudar. Aí vão: O que é fluage? Para acelerar a fluage usamos exercício isométrico, excêntrico ou isotônico excêntrico? O que é coeficiente de elasticidade? O que é reflexo miotático inverso? Cibele cibelepin@ig.com.br RESPOSTA. - É uma técnica de alongamento muscular. - Isométrico excêntrico. - É a capacidade de um músculo se distender e retornar a seu estado normal. - Chamam assim o estímulo dado no músculo antagônico quando a pessoa está em estado de alongamento amplo e contração isométrica excêntrica. - Serve para inibir o músculo que está sendo alongado. - Maiores informações leia Sven Solvborg ou mesmo RPG ou Kissner. Prof. Henrique Alves RESPOSTA II. O termo fluage, provavelmente dentro do contexto que está colocado, se refere a uma propriedade reológica de materiais que quando se aplica uma força constante, se observa uma deformação que permanece ao longo do tempo, até se estabilizar. Alguns materiais metálicos e ligas metálicas tem a manifestação desta propriedade e também alguns polímeros.


CARTAS. No caso da fisioterapia, o que acredito que a colega quer saber é sobre o que acontece com o polímero mais encontrado no ser humano, o colágeno. O colágeno tem um comportamento viscoelástico e em determinadas condições viscoplástico. Ao ensais mecânico, o colágeno pode se alongar até cerca de 3 a 6 % (dependendo do tipo de composição e alinhamento das fibras) do seu comprimento normal e depois disso passa a ter um comportamento plástico, ou seja, se alonga e não volta ao seu comprimento anterior. Pode acontecer lesões (rupturas de fibras) e por isso o organismo age colocando células capazes de recuperar estes materiais deteriorados (fibroclastos) e refaz o tecido da região por fibroplasia (fibroblastos). O coeficiente de elasticidade é o valor com o qual ele consegue se “esticar” sem rupturas. Há o módulo de Young que é o valor característico relacionado com o coeficiente de elasticidade. Para acentuar a fluage, a colega deve proporcionar uma força constante, e isso significa alongar (exercício excêntrico) e manter pelo tempo maior possível, até a estabilização da propriedade. Como saber este valor? Por isso é importantíssimo se fazer estudos experimentais no laboratório, para se fixar condições nas quais se possa checar a melhor resposta mecânica, como neste caso, e determinar o melhor tempo de alongamento e exercício. Atualmente, para o músculo e tecido conjuntivo ( tendão) parece que cerca de 30 segundos para cada momento e algumas séries destes exercícios são considerados eficazes para um bom alongamento e portanto uma boa fluage. Quanto ao reflexo miotático inverso, é um mecanismo de proteção do músculo quando há uma contração de grande força e um grande recrutamento muscular. O reflexo miotático ou reflexo de alongamento, qualquer alongamento muscular que implique o estiramento das fibras intra-fusais origina uma estimulação das fibras sensitivas I e II, que vão excitar os

motoneurônios alfa produzindo a contração muscular dos agonistas e uma inibição dos antagonistas (mecanismo de inibição recíproca). O “reflexo miotático inverso”, originado nas informações do OTG também realiza o processo de inibição recíproca facilitando o relaxamento do músculo. Creio que com isso tenha respondido todas as questões levantadas. Nivaldo Parizotto CREFITO 3 - 1400F Professor do Departamento de Fisioterapia da UFSCar. NÃO AO ATO EDUCATIVO FÍSICO. Todos temos sofrido e acompanhado a tramitação do PL do ATO MÉDICO. Agora, pegando carona, surge uma nova injustiça. O Conselho Federal de Educação Física - CONFEF - baixou Resolução (073/04) dizendo que “A Ginástica Laboral é ATO PRIVATIVO do Educador Físico”. A alegação é que o termo ginástica é de uso exclusivo do Educador Físico. Mas vejamos sua definição, ironicamente retirada de um site de Educadores Físicos: “Os Campos de Atuação da Ginástica 1.Ginásticas de Condicionamento Físico: englobam todas as modalidades que têm por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo normal e/ou do atleta. 2.Ginásticas de Competição: reúnem todas as modalidades competitivas. 3.Ginásticas Fisioterápicas: responsáveis pela utilização do exercício físico na prevenção ou tratamento de doenças. 4.Ginásticas de Conscientização Corporal: reúnem as Novas propostas de abordagem do corpo, também conhecidas por Técnicas alternativas ou Ginásticas Suaves (Souza, 1992), e que foram introduzidas no Brasil a partir da década de 70, tendo como pioneira a Anti-Ginástica. A grande maioria destes trabalhos tiveram origem na busca da solução de problemas físicos e posturais. 5.Ginásticas de Demonstração: é rep-

resentante deste grupo a Ginástica Geral, cuja principal característica é a não-competitividade, tendo como função principal a interação social isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social”. Inteiro teor em : www.ginasticaolimpica.hpg.ig.com.br/ historia.html Portanto, fica esclarecido que o conceito tem sido manipulado, na intenção de reserva de mercado, gerando prejuízos a nossa classe profissional e, sobretudo ao trabalhador brasileiro.” Sem contar que os objetivos por eles preconizados são de prevenção de doenças ocupacionais. Ora, eles nem têm aulas de patologia, como podem prevenir DORTs? Nós fisioterapeutas temos as disciplinas de Exercícios Terapêuticos e Fisioterapia Preventiva, conhecemos vícios posturais e fisiopatologia, além de sermos o maior percentual profissional cursando as Pós-Graduações em Ergonomia dos cursos recomendados e reconhecidos pela ABERGO - Associação Brasileira de Ergonomia. Sem contar nas pós-graduações em Fisioterapia do Trabalho reconhecidas pelo COFFITO. A SOBRAFIT- Sociedade Brasileira de Fisioterapia do Trabalho, que representa boa parte dos profissionais que exercem dentro de empresas, tem encaminhado denúncias e solicitado providências ao COFFITO, além de ter redigido a Resolução 259/04 - Fisioterapia do Trabalho (aprovada em tempo recorde). Há empresas que não esperarão e entrarão com Habeas Corpus para garantir o exercício, além de Ações Civis Públicas, Mandados de Segurança e Ações de Reparação. Se você está passando por este problema, enquanto a solução maior não vem, vá ao site do COFFITO e imprima a Resolução 259/04, que nos ampara para este exercício. Acorda povo! Vamos lutar pelos nossos direitos! Prof. Henrique Alves Pres. em Exercício da SOBRAFIT www.fisioterapiadotrabalho.com.br www.sobrafit.com.br

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CARTAS. LANÇAMENTOS. Veja estes lançamentos imperdiveis. Ofericimento:

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São dois lançamentos imperdiveis e estão disponiveis na Livraria Lopes Mendes. Veja a seguir uma entrevista com o Dr. Marcos Gava onde ele fala um pouco sobre seu livro. Revista Fisio&Terapia: Em que ano o senhor se graduou e como ingressou na carreira acadêmica? Vinicius Gava: Eu me graduei em 1988, pela Unicid, e já em 1991, foi convidada pela Dra. Sônia Manso (Coordenadora do curso na época), para ministrar aulas na disciplina de Fisioterapia Respiratória, área que eu atuava, no Hospital Samaritano e no Hospital Dante Pazzaneze em São Paulo. F&T: Como ingressou na área de gestão acadêmica? VG: Depois de oito anos como docente, foi convidado pelo Dr. Sérgio Mingrone, a estruturar o curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Metodista 8

de São Paulo, e também assumir a coordenação do curso. Em 2000, foi indicado pela Reitoria da Metodista para assumir o cargo de Diretor da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia. F&T: Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre o ensino de Fisioterapia? VG: Ao iniciar minha carreira docente, busquei o aperfeiçoamento, através de um programa de mestrado. No inicio, procurei mestrados ligados a minha área de atuação que é a Fisioterapia Respiratória, porém, foi na área de educação que desenvolvi minha pesquisa. Este livro na verdade é fruto da minha dissertação de mestrado, que tinha como área de concentração a gestão acadêmica e a formação profissional. Minha dissertação discorreu sobre uma visão de “homem” para a Fisioterapia e como a Interdisciplinaridade poderia contribuir para uma gestão acadêmica colegiada. Após me titular Mestre, pensei que muito do texto da dissertação, poderia ser trabalhado e transformado em um livro, que contribuísse nas disciplinas de “Fundamentos e História da Fisioterapia”, “Ética e Deotologia” e “Administração em Fisioterapia”. F&T: Qual a contribuição que seu livro pode trazer aos Fisioterapeutas? VG: Todos aqueles que ministram aulas de Fisioterapia sabem da dificuldade de trabalhar textos nas disciplinas já citadas. Depois do Livro: “Fisioterapia no Brasil”, do Dr. Rebelato e do Dr. Botomé, que, aliás, é um marco bibliográfico da Fisioterapia no País, pouco se escreveu sobre este tema. Acredito que muito mais que um livro texto de algumas disciplinas, o livro traz subsídios para uma reflexão do papel do fisioterapeuta e principalmente o papel daqueles que estão na liderança de cursos de fisioterapia e na gestão de serviços. Espero que este trabalho provoque nossos colegas a discutir, a refletir e a pensar no futuro da nossa profissão e no ensino da Fisioterapia, ainda mais nestes novos tempos que estamos vivenciando, com uma renovação muito esperada pela classe, nos nossos órgãos representativos.

F&T: O senhor poderia fazer um breve relato do livro? VG: Penso que o texto da contra capa pode fazer isso: O livro “Fisioterapia: História, Reflexões e Perspectivas” apresenta uma análise reflexiva da Fisioterapia e principalmente do ensino de Fisioterapia nas últimas décadas no Brasil. Esta análise é realizada a partir da vivência do autor com a Fisioterapia e o Ensino Superior, e também da sua experiência na criação e estruturação do curso de Fisioterapia da Universidade Metodista de São Paulo. Neste trabalho, são abordados temas como a história da Fisioterapia no País e a análise da legislação, os avanços na área do ensino da profissão, o impacto da LDB de 1996, além de uma sugestão de concepção de homem para a Fisioterapia, que permeia todo o texto. Ao final, um relato da construção de um curso de Graduação em Fisioterapia baseado na pessoa humana e na gestão interdisciplinar colegiada. A obra pretende embasar a reflexão e a discussão de acadêmicos de Fisioterapia, Fisioterapeutas, Profes-sores e gestores acadêmicos e de serviços de Fisioterapia. Marcus Vinicius Gava é Fisioterapeuta, Especialista pelo curso de latu-sensu em Ensino Superior pela UNICID, Especialista pelo curso de latu-sensu em Fisioterapia Respiratória pela UNICID, Mestre em Educação pela UNCID, Professor da disciplina de Fisioterapia Pneumológica da Universidade Metodista de São Paulo, Supervisor de Estágio em Fisioterapia Respiratória da Universidade Metodista de São Paulo, Coordenador do Curso de Graduação de Fisioterapia da Universidade Metodista de São Paulo e Diretor da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da Universidade Metodista de São Paulo.


CARTAS. VIDA.

O segundo lançamento oferecido pela Livraria Lopes Mendes é - Manobras de Fisioterapia Respiratória na UTI. A assistência do paciente criticamente enfermo necessita de uma incessante revisão e atualização dos conhecimentos específicos necessários ao cuidado do mesmo. A assistência ventilatória mecânica vem, ao longo dos anos sendo cada vez mais aperfeiçoada, com o objetivo não só de salvar mas, também, de preservar tais pacientes. O Livro foi escrito com o intuito de apresentar e discutir os “novos / antigos” recursos disponíveis ao tratamento fisioterápico na UTI. Alguns capítulos deste foram baseados em relatos prévios da AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) e SOBRAFIR (Sociedade Brasileira de Fisioterapia Respiratória). Autores: Carlos Alberto Caetano Azeredo e Rachel Maria da Silva Bezerra.

O Centro de Estudo e Qualidade de Vida agora tem parceria com o Centro Internacional de Reabilitação Nilton Petrone R9 (www.npetroner9.com.br) No dia 29 de julho o diretor do Centro de Estudos e Qualidade de Vida, Dr. Fernando Prati recebido pelo Dr. Nilton Petrone esteve visitando o Centro Internacional de Reabilitação Nilton Petrone R9. Como é do conhecimento de todos o Dr. Petrone é destaque na Fisioterapia internacional por ter feito trabalhos de grande mérito com atletas das mais diversas modalidades, destacando Romário e Ronaldinho. Na oportunidade o Dr. Fernando Prati conheceu as espetaculares instalações do Centro Internacional e já marcou os primeiros cursos em parceria: TMO - Terapia Miofuncional em Ortopedia FNP - Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva Fisioterapia Cardiorespiratório (Ênfase em Reabilitação Cardíaca) Terapia Aquática Os alunos do VIDA qua fizerem os cursos desta parceria poderão conforme programa a ser estabelecido, fazer estágios programados nas mais diversas modalidades sendo supervisionados pelo Dr. Petrone e sua equipe. Em breve o VIDA estará lançando a programação dos cursos. Hoje o Centro de Estudos e Qualidade de Vida tem agendado parcerias diversas destacando: INSTITUTO BRASILEIRO DE QUIROPRAXIA. INSTITUTO BRASILEIRO DE ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO DE PORTO ALEGRE - IBRAMPA. UNIVERSIDADE DE CÓRDOBA - ESPANHA. INSTITUTO DE ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO DE BEIJIM - CHINA. CENTRO INTERNACIONAL DE REABILITAÇÃO NILTON PETRONE R9. CENTRO DE ESTUDOS E QUALIDADE DE VIDA.

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EDEMA EM PUÉRPERAS NO PÓS PARTO IMEDIATO. AVA L I A Ç Ã O D O E D E M A E M PUÉRPERAS NO PÓS PARTO IMEDIATO Resumo Edema significa inchaço das partes do corpo. É classificado em graus de acordo com a região acometida e sua extensão. Estima-se que a maioria das gestantes apresenta edema. Ele pode se estender até o período pós-parto, sendo que em alguns casos ele surge apenas neste período. O presente trabalho tem por objetivo uma avaliação do edema em puérperas no pós-parto imediato de acordo com o tipo de parto descartando o fato de serem multíparas ou nulíparas. Os dados foram obtidos através de palpação e toque para verificar a temperatura e inspeção visual para observar tumefação ou vermelhidão nos locais mais comuns de aparecimento de edema,. Dados estes colhidos nos prontuários disponíveis no setor 01 do Hospital Nossa Senhora Conceição, Tubarão, SC. Mediante o que foi observado, os resultados encontrados foram: a maioria das puérperas submetida a parto cesariana teve grande índice de grau de edema +/4, enquanto a maioria das puérperas submetidas a parto normal não apresentou edema. Palavras-chave: edema, pós-parto, gestação. Introdução Dentre as alterações ocorridas durante a gestação podemos citar a amenorréia, ganho de peso, intumescimento das mamas, a frouxidão ligamentar, hiperpigmentação da pele, alterações respiratórias, digestivas, psicológicas e alterações circulatórias como edema [2]. De acordo com informação veiculada em ABC DA SAÚDE (2001), o volume de líquidos corporais representa 60 a 70% do peso de uma pessoa jovem e magra. Nos obesos e idosos, o volume é menor: 50 a 60%. Os líquidos estão 10

distribuídos em 40% dentro das células e 20% fora das células. Dos 20% que estão fora das células, 5% correm nos vasos e 15% no interstício. É comum dizer que edema é resultado do desequilíbrio verificado entre o aporte de liquido retirado dos capilares sangüíneos pela filtragem e drenagem dos líquidos. O estado de equilíbrio, ou seja, o estado fisiológico, é atingido quando as veias de drenagem são suficientes para evacuar o liquido trazido pela filtragem. Ocorre uma constante renovação do líquido intersticial na qual as células do corpo podem retirar os elementos necessários para seu metabolismo. Se não houver interrupção, não ocorrerá edema. Quando o aporte de liquido filtrado se torna mais importante e o sistema de drenagem não aumenta em conseqüência disso, ocorre um desequilíbrio entre a drenagem e a evacuação. Os tecidos se enchem de liquido, a pressão intratecidual aumenta e a pele se distende. O tecido incha e ocorre o edema [5]. Há quatro causas principais de edema: aumento da permeabilidade capilar, queda da pressão osmótica das proteínas plasmáticas, aumento da pressão nas vênulas e capilares e obstrução do fluxo linfático [6]. Grande parte, senão a maioria, das grávidas apresenta e queixa-se de edema, notadamente nos membros inferiores. As mãos também são local de queixas, manifestadas pela “dificuldade de fechar a mão” . Há três causas de edema gestacional, que são: compressão venosa, alterações hormonais e hipoproteinemia. O edema gravitacional geralmente está limitado aos tornozelos e decorre do aumento de pressão nos capilares de MMII, devido um aumento do tamanho do útero o que provoca consequentemente a compressão extrínseca da veia cava inferior [7,8]. Em relação à ação hormonal, os mesmos mediam uma maior retenção de água [3]. E a hipoproteinemia leva uma diminuição da pressão oncótica

do plasma que, por sua vez, causa um aumento na pressão e no volume do liquido intercelular, e, finalmente, um aumento do fluxo linfático. A absorção pelos capilares venosos está diminuída, de modo que haverá um acímulo grande de líquido no interstício, resultando no edema [9]. Devido a isso, o edema pode persistir vários dias e mesmo semanas após o parto até que inverta a retenção de líquidos na gravidez, mesmo com uma diurese maciça após o parto [1]. Diante dessas evidências, esse estudo teve como objetivo verificar a presença de edema pós-parto, correlacionando com parto normal e cesária, primíparas e multíparas. Materiais e Métodos O estudo teve aprovação da Direção Geral do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Tubarão – SC. a amostra investigada foi constituída por 37 mulheres no puerpério imediato, excluindo o fato de serem primíparas ou multíparas. Os instrumentos para a coleta de dados foram informações obtidas através dos prontuários disponíveis no setor 01 do HNSC. O instrumento para a avaliação do edema no puerpério foi a Escala de Classificação de Edema do Ministério da Saúde(+/4 - edema em perna; ++/4 – edema de MMII; +++/4 – edema de MMII e MMSS; ++++/4 – edema generalizado) . As aquisições dos dados foram obtidas através da inspeção e palpação pela avaliação fisioterapêutica realizadas pelas estagiárias do curso de Fisioterapia – UNISUL, sob orientação das supervisoras do estágio de Ginecologia e Obstetrícia. Os dados obtidos foram submetidos à estatística simples. Resultados O total de puérperas avaliadas foi de


37, sendo que dessas 22 (59,45%) realizaram partos de cesariana, 15 (40,54%) realizaram partos normais. A idade média das mulheres no puerpério foi de 25,18 anos. Na anamnese, foi observado que todas as 37 participantes da amostra realizaram acompanhamento pré-natal contínuo. Observou-se também que 16 (43,24%) das puérperas avaliadas eram primíparas, sendo que 12 (75%) apresentaram edema e 4 (25%) não apresentaram qualquer grau deste. Já 21 (56,75 %) das puérperas eram multíparas apresentando-se com edema 9 (42,85%) e ausência de edema 12 (57,15%).

Figura 1 – Distribuição das puérperas por paridade. Durante o exame físico foi constatado que dentre as 37 puérperas pertencentes à amostra, 16 (43,24%) não apresentavam edema, e 21 (56,75%) apresentavam edema variando conforme o grau (+/4 à ++++/4).

Figura 2 – Presença de edema nas puérperas. Conforme a classificação do Ministério da Saúde, o edema pode ser classificado conforme a área do corpo acometida. Para melhor compreensão dos resultados dividimos as puérperas avaliadas

pelo grau de edema apresentado. Figura 3 – Distribuição do edema.

gestantes com presença de edema no pós-parto imediato. A relação com o tipo de parto também faz diferença. Foi com muita dificuldade que encontramos literatura para um embasamento teórico sobre o assunto em questão. Deixamos como sugestão que novos estudos sejam realizados para uma maior literatura disponível sobre o assunto. Referências

Discussão Através deste estudo pudemos observar que mesmo após o parto o edema pode permanecer, mas em menor proporção. Observamos que a maioria das puérperas avaliada possuía o edema +/4, que relaciona o edema principalmente em tornozelos. O edema gravitacional está limitado aos tornozelos e decorre do aumento da pressão dos capilares dos MMII, quando cessa a pressão na veia cava inferior pelo útero gravídico, o edema cede, como habitualmente ocorre no puerpério. Não tem qualquer conotação com acúmulo de sódio e de água e está destituído de importância clínica [7]. Com base nisto, observamos e acreditamos que o edema apresentado pela maioria das puérperas avaliadas decorre destes problemas, sendo provavelmente resolvidos após alguns dias de puerpério. O tratamento do edema das extremidades inferior é, em grande parte preventivo e sintomático, uma vez que nada se pode fazer em relação aos hormônios da gravidez [10]. O edema generalizado, é visto em 25 a 30% das gestantes, e geralmente é acompanhado de proteinúria e hipertensão configurando um estado patológico especifico da gravidez, a toxemia hipertensiva. Para tanto, se este estado permanecer durante o puerpério deve ser investigado sua causa e permanência para poder direcionar o tratamento.Com isso a fisioterapia encontra-se restrições ao seu tratamento curativo [7]. Conclusão Concluímos há uma alta incidência de

1 POLDEN, M; MANTLE, J. Fisioterapia em ginecologia e obstetrícia. São Paulo: Santos, 2000. 2 BARBOSA, C. A. et al. Fisioterapia preventiva na saúde da mulher: um enfoque para o período gestacional. Fisioterapia. 3 SOUZA, E. L. B. L. Fisioterapia aplicada à obstetrícia e aspectos de neonatologia: uma visão multidisciplinar. 2 ed. Belo Horizonte: Health, 2000. 4 ABC DA saúde 2001. disponível em : http://abcdasaude.com.br/artigo. php?169. acesso em: 04 abril 2004. 5 LEDUC, A.; LEDUC, O. Drenagem linfática: teoria e pratica. 2 ed. São Paulo: Manole, 2000. 6 MCCULLOCK, J. Doença vascular periférica. In: O’SULLIVAN, S. B.; SCHMITZ, T. J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2 ed. São Paulo: Manole, 1993. 7 REZENDE, J.; MONTENEGRO, C. A. B. Obstetrícia fundamental. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1984. 8 BERNASKO, J.; ALVAREZ, M. Insuficiência renal aguda no paciente de unidade de terapia intensiva obstétrica. In: FOLEY, M. R.; STRONG, T. H. Terapia intensiva obstétrica: um manual prático. São Paulo: Manole, 1999. 9 MARX, A. G.; CAMARGO, M. C. Fisioterapia no edema linfático. São Paulo: Panamed Artes Gráficas, 1984. 10 BENSON, R. Manual de obstetrícia e ginecologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1981. Autores: Alana Hoffman; Bruna Rafaeli Cardoso; Carolina Zabot; Cláudia Werner Colaço; Francine Tomaz; Gisele Gesser; Supervisão: Daysi Jung da Silva; Melissa Medeiros Braz;

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BANDAGEM FUNCIONAL E FOTOMETRIA. A INTERFERÊNCIA DA BANDAGEM FUNCIONAL TORÁCICA SOBRE AS CURVATURAS FISIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL TORÁCICA E LOMBAR POR MEIO DA FOTOMETRIA Resumo A pesquisa apresenta a variação dos ângulos da coluna vertebral torácica e lombar, produzida pela aplicação de Bandagens Funcional Torácica (BFT), que compara as situações antes e depois da aplicação da BFT. O instrumento de análise da postura se deu pelo uso da Fotometria com a coleta da foto feita pela câmera Kodak Easy Share® CX4200, que evidenciou a variação angular, através de estudo focado em 16 (dezesseis) mulheres, entre 18 e 48 anos de idade, sem filhos em idades de amamentação, e funcionárias da administração de uma Universidade particular, com índice de massa corpórea (IMC) normal, e com um grupo controle nas mesmas variâncias. O critério de mensuração das medidas foi feito através do software CorelDraw 10 que permitiu quantificar as alterações posturais que a BFT proporcionou. Verificou-se que houve diferença estatisticamente significante entre o pré e pós-bandagem para a curvatura da coluna vertebral lombar, aumentando a acentuação de sua curvatura, porém quando comparado ao grupo controle essa diferença não foi de relevância. Conclui-se que o uso da BFT não tem influência na cifose torácica e lordose lombarl. Palavras-chave: Bandagem Funcional Torácica. Postura. Coluna Vertebral. Fotometria. Introdução A postura correta do ser humano consiste no alinhamento dos eixos corporais de todas as articulações, com os segmentos corporais, alinhados verticalmente, onde quanto mais próximo 12

do centro de todos os eixos articulares está o alinhamento postural, menos será o estresse gravitacional aplicado aos componentes do tecidos moles do sistema de apoio (PALMER & EPLER, 2000). O uso de bandagens funcionais para o tronco tem sido utilizados com objetivos de relacionar-se a propriocepção, oferecendo estímulos a postura, confirmando que a bandagem influencia o alinhamento postural. (AGUIAR, 2002). A analise quantificada da postura é de extrema importância para determinar parâmetros de normalidade e determinar as variações que venham a ocorrer de acordo com a conduta empregada no indivíduo. A quantificação da postura permite uma avaliação precisa das variações angulares que a postura do indivíduo passa a exercer de acordo com o estímulo que lhe é empregado, possibilitando acompanhamento preciso durante a evolução de possíveis tratamentos de reabilitação e avaliação de trabalhos de prevenção. A utilização da fotometria para avaliação da postura do ser humano tem se mostrado um método eficaz e fidedigno nas mensurações das alterações posturais, produzindo uma detecção mais adequada dos desvios posturais, possibilitando uma análise qualitativa e quantitativa, minimizando a incidência de erros de interpretação. (COSTA et al, 2004). Métodos para quantificar a postura são discutidos na literatura com intuito de oferecer dados ao examinador e monitorar a evolução da postura com a conduta terapêutica. O programas de imagens CorewDraw mostrou-se eficaz na mensuração dos dados, oferecendo uma ferramenta que fornece dados quantitativos capazes de reproduzir em números os dados avaliados. (PORTO et al, 2002). Revisão Bibliográfica Bandagens KAZEMI (1997), define bandagem funcional, como uma técnica que tem

por objetivo modificar a mecânica dos segmentos alterados e/ou não rígidos, proporcionando repouso às estruturas danificadas, reforçando os aspectos com alterações estruturais e/ou fisiológicas, melhorando a funcionalidade dos segmentos, recuperando assim, a função deficitária sem anular outras mecânicas naturais vinculadas aos segmentos tratados com as bandagens. SACILOTTO (2004), submeteu a técnica de Bandagem Funcional Circular para o tronco em 08 voluntários do sexo masculino com objetivo de analisar a interferência desta na rotação do tronco. Eles foram submetidos a técnica durante 48 horas, sendo feito uma análise fotométrica a fim de mensurar as alterações ocasionadas, concluindo-se que a bandagem interfere no alinhamento postural, mantendo-se por 48 horas após a retirada da bandagem. Mecanismos Neurais de Propriocepção ALCANTRA et al (2000), apud SACILOTTO et al (2004) afirma que, quando as bandagens são tencionadas, por um movimento articular qualquer, deve ser produzida uma mensagem neural aferente ao sistema nervoso central, inibindo, parcialmente o movimento. O fenômeno caracteriza-se por ser neuromuscular, e segue o princípio fisiológico do feedback, afirmando que as bandagens conscientizam o indivíduo nas atividades do cotidiano, evitando más posturas durante a realização de suas atividades, onde quando em contato com a pele estimula os receptores do tato e pressão, aumentando a relação entre esses sistemas e sua eficácia a partir da integração dos mecanismos vestibulares, cognitivos e proprioceptivos somados aos estímulos de contato e tração da técnica de bandagem. Postura A presença de curvaturas na coluna vertebral é necessária para aumentar sua resistência aos esforços de compressão axial. A ação dos músculos posteriores da coluna vertebral é essencial para extensão e manutenção da postura ereta


da coluna vertebral. Tomando o sacro como ponto fixo, as musculaturas paravertebrais tracionam a coluna lombar e torácica, acentuando a curvatura da região lombar, constituindo o arco da coluna lombar, não podendo afirmar que eles a retifiquem, o que na verdade essas musculaturas acentuam a curvatura lombar a fim da manutenção do equilíbrio corporal. (KAPANDJI, 2000) As angulações dessas curvaturas ainda não são bem definidas na literatura, onde a avaliação do aumento ou retificação dessas curvaturas tem como parâmetro uma acentuação ou uma retificação a partir de uma referencia padrão pela vista lateral, determinada no alinhamento corporal pela linha de gravidade (representada por uma linha vertical passada através do centro de gravidade do corpo), onde essa linha vertical em pessoas com uma excelente postura aproxima-se desse critério, onde quanto mais próximo do centro de todos os eixos articulares esta o alinhamento postural de uma pessoa, menos será o estresse gravitacional aplicados aos componentes de tecidos do sistema de apoio. (PALMER & EPLER, 2000). Fotometria WATSON (1998), relata que a avaliação postural do indivíduo deve estar integrada à técnica depurada de fotografia orientada antropometricamente para produzir uma detecção mais adequada dos desvios posturais, dando maior precisão na avaliação. Tal esforço científico visa minimizar a incidência de erros de interpretação sobre estes desvios posturais, embasando melhor a especificidade da conduta terapêutica. COSTA et al, (2004) propôs uma avaliação da postura por computador onde afirma ser uma metodologia de baixo custo para avaliação da postura, possibilitando uma análise qualitativa e quantitativa, bem como monitoramento do indivíduo pelas imagens. O autor determinou pontos antropométricos como referência para a medição, utilizando software para o tratamento das imagens colhidas. Padronizou as tomadas de fotos por câmera digital, estabelecendo índices em valores angulares para as regiões do corpo, concluindo ser uma técnica eficiente na quantificação e monitoração da postura. OBJETIVOS Este estudo tem por objetivos apresentar a variação dos ângulos da coluna

vertebral torácica, produzidos pela ação da Bandagem Funcional Torácica (BFT), sob um focamento pré e pós intervenção da BFT.

(Figura 1) Figura 1 – Aplicação da Bandagem Funcional

METODOLOGIA AMOSTRAGEM Foram selecionadas 32 voluntárias na presente pesquisa com idade situada entre os 18 e os 48 anos de idade, trabalhando como agentes administrativos, sem filhos em idade de amamentação, com escolaridade secundária completa, e índice de massa corpórea normal, divididas em 02 grupos de 16 cada, onde um foi submetido a intervenção da BFT e o outro foi acompanhado em igual tempo. (TABELA 1)

Tabela 1 Características Antropométricas da Amostra: Idade, Altura, Peso, Índice de Massa Corporal (IMC) em cada grupo. Metodologia para aplicação da Bandagem Funcional Torácica As bandagens são do tipo esparadrapo impermeável da empresa 3M do Brasil Ltda, marca Nexcare®., medindo 5 cm de largura. A técnica de colocação para o material da Bandagem Funcional Torácica obedeceu os seguintes critérios: a) limpou-se a pele com papel toalha, secando a umidade residual do suor do corpo; b) Mediu-se a curvatura torácica, pelo verso do esparadrapo, determinando o comprimento do mesmo; c) Solicitou-se a voluntária a manutenção da postura ereta, corrigindo os desvios cifóticos, com o comando verbal “endireite a coluna”; d) Fez-se a aplicação da BFT, sem que houvesse tração das superfícies da pele, aderindo-a em toda a extensão, onde os processos espinhosos das vértebras demarcaram o centro da aplicação da bandagem, oferecendo uma margem de 2,5 cm para a região para-vertebral, abrangendo as musculaturas extensoras da coluna vertebral.

Torácica (BFT) sobre os processos espinhosos abrangendo as musculaturas para-vertebrais Procedimento Terapêutico com a Bandagem Funcional Torácica As voluntárias permaneceram com a BFT por 02 horas a cada aplicação, onde foram aplicadas em todos os dias úteis da semana (de 2a à 6a), intervalando as 48 (quarenta e oito) horas do final de semana, totalizando 12 aplicações. As aplicações foram realizadas no posto de trabalho das voluntárias, onde o pesquisador foi monitorando o tempo de aplicação, instruindo-as a manter sua rotina de trabalho. Procedimento para posicionamento do voluntário As voluntárias foram posicionadas em vista perfil esquerdo, a 14 cm atrás do simetrógrafo de fio, a 70 cm da parede, posicionadas sobre a base de apoio, com as costas desnudas, de sutiã e cabelos presos, com Marcadores Perpendiculares no ápice das curvaturas torácica, lombar e sacral aderidos a pele com fita cola dupla face de fácil remoção. (Figura 2)

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Figura 2 – Posicionamento padrão para tomada de fotos vista perfil esquerdo com Marcadores Perpendiculares Método de análise das curvaturas O procedimento computadorizado sobre a foto do sujeito de pesquisa foi importada do arquivo de origem (câmera), para o software Corel Draw 10. A analise de Cobb Modificada, visa medir a angulação das curvaturas torácica e lombar, medindo a intercessão entre as curvaturas torácica e cervical, torácica e lombar e lombar e sacral, através das vértebras que iniciam as curvaturas, traçando uma angulação na interseção das retas realizadas a partir de marcadores perpendiculares, determinando o grau das curvaturas.

Figura 5 – Técnica de mensuração dos ângulos pelo método de Cobb modificado das curvaturas Torácica e Lombar. RESULTADOS Comparação entre o pré e o pós-aplicação da BFT O grupo tratado demonstrou, pelo método de Cobb modificado, que a média das medidas para a avaliação da região torácica pré-aplicação da BFT, mostrou valores angulares de 31,90º+10,83. Na avaliação pós-aplicação da BFT, esse grupo demonstrou média angular de 34,94º+10,36, demonstrando uma variação de 3,04º entre o pré e pós aplicação da BFT, verificando uma manutenção da cifose torácica. Para a região lombar pelo método de Cobb modificado, o grupo tratado demonstrou uma média 29,79º+11,47 para o período pré-aplicação da BFT. Na avaliação pós-aplicação, o grupo apresentou uma média de 39,46º+12,10, apresentando uma variação de 9,67º entre o pré e pós aplicação da BFT, constatando uma acentuação da lordose lombar, onde no grupo controle não houve diferenças estatisticamente significante no período de pré e pós aplicação 14

TABELA 2- Comparação entre a pré e pós aplicação da BFT Quando comparado as diferenças encontradas no grupo controle e comparando as diferenças do grupo tratado, a diferença encontrada na coluna lombar não foram estatisticamente significante. (TABELA 3) TABELA 3- Comparação entre as diferenças do grupo controle e grupo tratado

DISCUSSÃO A curvatura lombar apresentou uma variação na angulação de forma que fosse acentuada a lordose lombar, com diferença significativa pelo método de Cobb modificado quando comparada ao próprio grupo tratado (p=0,0198), porém quando comparado ao grupo controle essa diferença não relevante (p=0,0521). Esta variação estatística de maior interferência na coluna lombar está de acordo com HALL, (2000) que afirma que uma mudança na curvatura vertebral resultará em uma redistribuição dos estresses normais de cisalhamento das vértebras, onde a musculatura extensora sofre uma tensão compensatória e com isso a curvatura lombar sofrerá essa acentuação da curvatura pela tração muscular, onde a BFT atua diretamente nas musculaturas extensoras do tronco. A análise dos resultados demonstrou que a BFT não ofereceu diferença estatisticamente significante nas curvaturas torácica e lombar entre o grupo tratado e o grupo controle. Quanto a variação de resultados, quando comparado com o próprio grupo tratado ter uma diferença estatisticamente significante e quando comparado ao grupo controle não apresentar essa diferença, podemos citar HALL & BRODY (2000) que define um elo entre a postura e os tecidos neuromusculoesqueléticos e ainda com os sistemas orgânicos, onde o equilíbrio entre essas estruturas influencia diretamente a postura do indivíduo, ocorrendo variações de postura

sempre que ocorrer alterações desse equilíbrio. Assim sendo, sugere-se que a diferença entre os grupos não seguiu a ordem de significância, tendo ocorrido devido a desequilíbrios de natureza orgânica, física ou até mesmo psíquica que todos os seres humanos passam em seu cotidiano modificando assim sua postura. CONCLUSÃO O presente artigo conclui que a Bandagem Funcional Torácica (BFT) altera a curvatura da região lombar quando comparado com o próprio sujeito de pesquisa, porém quando comparado com outro grupo que não fez uso de BFT, não apresentou diferenças estatisticamente significantes tanto para a curvatura torácica quanto na curvatura lombar, sugerindo novos estudos quanto a aplicabilidade bandagem. BIBLIOGRAFIA AGUIAR, R.G.; CARNEVALI, T.B.; SACILOTTO, M.C. B., FORNASARI, C.A. Estudo dos Efeitos da Técnica Bandagem Funcional para o Tronco no Alinhamento da Postura Lombar. 9º Congresso de Inciação Cientifica da UNIMEP. Anais. São Paulo, 2004. COSTA, M.C.; TASHIRO, T., DUTRA, R. F. (2004). Protocolo “LESEFE” de Avaliação da Postura por Computador. Disponível em http://www.upe.br/ corporis 1/artigo 7.html. Acesso em: 05 mar.2004. KAPANDJI, A.I., Fisiologia Articular; 5ed, São Paulo, Panamericana, 2000. KAZEMI, A. Modificacion de la biomecânica através de los vendajes funcionales, Guadalajara, Espana, Marban Livros, 1997. PALMER, LYNN M., EPLER, MARCIA E., Fundamentos das técnicas de avaliação músculo esquelética, 2ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, (2000). PORTO, V.C., SALVADOR, M.C.G., CONTI, P.C.R., Avaliação da posição condilar em desdentados totais, através de planigrafias da ATM, Revista Fac. Odontol. Bauru; 10(2):81-87, abr.-jun. SACILOTTO, M.C.B., AGUIAR R.G., CARNEVALLI, T.B., FORNASARI, C.A. A interferência da Técnica de Bandagem Funcional Circular na Rotação do Tronco 9º CONGRESSO DE INCIAÇÃO CIENTIFICA DA UNIMEP. Anais. São Paulo, 2004. AUTORES Dr. Marcelo Duarte Dr. Carlos Alberto Fornasari


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ENTREVISTA COM Dr. EUCLIDES POUBEL. Fisio&terapia. Quais as metas da nova diretoria? Dr. Euclides Poubel. O desenvolvimento de políticas estratégicas envolvendo órgãos e entidades representativas das categorias, visando o enfrentamento das questões que vão desde a luta pelo reconhecimento das profissões, compreendendo a importância da atuação dos profissionais o desenvolvimento de uma mentalidade social voltada ao efetivo exercício da cidadania, até mesmo passando pela luta por melhores condições de trabalho e remuneração digna. Atuaremos também no sentido de ampliar e solidificar o acesso as informações. Participação Ativa no processo Político de abertura e desenvolvimento de novos cursos de graduação. Incentivo à produção científica. Elaboração de estratégia participativa para revisão das especialidades existentes e na criação de novas. F&T. Como foi a primeira reunião da nova diretoria? EP. Extremamente prazerosa. Os profissionais precisam conhecer o nosso grupo e perceber os ideais e a disposição demonstrada na primeira reunião. Foi emocionante

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participar deste momento histórico, em que os Conselheiros expressaram publicamente a sua intenção de trabalhar arduamente por dias melhores nas nossas profissões. A competência de cada um é inquestionável, mas o que assistimos nesta primeira reunião foi mais do que demonstração de profissionalismo, foi pura paixão e expectativa em contribuir com o este processo histórico de mudanças. F&T. Como fica sua situação no CREFITO-9 a qual é presidente? EP. Por questões morais e de interesses que podem ser conflitantes entre o Federal e o Regional, eu renunciei ao cargos de Presidente e Conselheiro do CREFITO-9. Confesso que o fiz com muita tristeza, pois participei de todo o seu processo de criação e instalação, mas também feliz, em deixar a minha contribuição nesta imensa região envolvendo o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e o Acre, e ter conquistado grandes amigos que permaneceram nos cargos.

O que o senhor acha disso, tendo em vista a grande responsabilidade dos cargos. EP. Esta questão é muito importante. O presidente não recebe salário, o cargo é honorífico. A lei proíbe que o conselheiro tenha qualquer vínculo de emprego com a autarquia. O grande volume de trabalho necessitaria de dedicação quase exclusiva, no entanto a socialização das ações é uma proposta concreta do nosso colegiado. Não podemos permitir que tudo passe exclusivamente pelo presidente do COFFITO. Assim, a nossa proposta é a de desenvolvermos uma política de efetivo funcionamento das comissões existentes e de novas que serão criadas. Precisamos estimular, por todos os meios, conforme determina a lei que criou os conselhos, a participação efetiva dos sindicatos e demais entidades que possuem a legitimidade de atuarem na assistência aos profissionais. Este é o meu sonho, envolver todos os órgãos e entidades classistas em um movimento orquestrado, visando a melhoria das condições profissionais das nossas categorias.

F&T. Esclareça para nossos leitores, Presidente de CREFITOS E COFFITO tem salário?

F&T. Você não acha que o fato de não haver um salário, poderia induzir a corrupção ou má administração?


EP. A corrupção está mais relacionada ao caráter e a índole de cada indivíduo. Não acredito que simplesmente remunerar o conselheiro impediria a corrupção. F&T. Como são os critérios de diárias que os membros recebem? É verdade que a antiga gestão tinha diárias totalmente irregulares? EP. O COFFITO possui formas legais de ajuda de custo e diárias de deslocamento que se prestam a pagar as despesas que o conselheiro do órgão, tanto federal quanto regional, contrai ao se dispor ao exercício de seu cargo, como transporte, alimentação, hospedagem, etc. Em relação a antiga gestão, a forma com que dispunham de diárias, e outras questões, os atuais conselheiros determinaram que fosse realizada uma competente auditoria e os resultados serão disponibilizados no site do COFFITO, em uma área restrita aos profissionais que se cadastrarem. F&T. O senhor pretende se mudar para Brasília? EP. Não. A minha vida profissional e familiar se dá em Cuiabá. O cargo de Presidente do COFFITO é passageiro e não exige residência em Brasília. F&T. Em que situação o senhor pegou o COFFITO? EP. Somente os funcionários nos recepcionaram, não houve nenhum tipo de transição. Só por este fato daria para os senhores perceberem as dificuldades

encontradas. O plenário decidiu iniciar imediatamente uma auditoria administrava/judicial/financeira, que informasse as reais condições do órgão. Assim, constatou-se vários problemas administrativos, que vão do descontrole nas compras até as licitações. O COFFITO foi deixado em déficit orçamentário. Precisávamos demarcar a antiga administração da nossa. Pois no dia 18 de junho, quando assumimos, O COFFITO já havia gasto 106% do previsto para o ano de 2004. Em situação normal no mês de junho o percentual de gasto giraria em 48%, em média. F&T. Como foi a trajetória de mais de 2 anos até conseguir vencer as eleições? EP. Difícil, mas muito gratificante. Aprendemos e amadurecemos muito. Todas as dificuldades que enfrentamos fizeram com que um clima de muita expectativa fosse gerado. Recebo mensagens de otimismo e esperança por mudanças de todo o Brasil. Colegas que não acreditavam mais no COFFITO me ligam se disponibilizando para ajudar no que puderem. Os acadêmicos estão vibrando pelas possibilidades de participação inédita nos projetos de interesse político e acadêmico. Queremos administrar muito bem este momento, no sentido de envolver a todos nas políticas de avanço e desenvolvimento participativo frente os problemas crônicos que são sucessivamente apontados. F&T. Como foram as “brigas” judiciais durante estes dois anos? EP.

As brigas judiciais não foram iniciadas nem programadas pelo nosso grupo, nós atuamos no sentido único de conseguir a realização das Eleições no COFFITO. E se não tivéssemos agido com extrema dedicação e eficiência, provavelmente ainda não teríamos concluído este processo eleitoral, que ficará na história, documentado, como um período obscuro e digno de repúdio por tudo que fizeram em prol de se manterem no poder, em detrimento da democracia e da vontade coletiva. F&T. E os recursos para isso, de onde saíram? EP. De nossa própria chapa, que com muita dificuldade se cotizou e ajudou. F&T. E os membros da nova diretoria, com foram escolhidos? Qual o perfil? EP. Por afinidade, competência, conhecimento e experiência em áreas especificas. Também por uma política de contemplar o grupo político que sempre nos apoiou. F&T. E a criação dos 3 novos CREFITOS, o que o senhor acha disso. Foi uma manobra eleitoreira da antiga gestão. O senhor vai anular tais atos? EP. Os CREFITOS foram criados, isto é fato. Não vamos anular este ato. Todos os profissionais que residem em regiões que ainda não exista regional desejam possuir representação presente em seus estados. A forma com que estamos enfrentando esta criação, fora de parâmetros aceitáveis, pelo atropelo

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conturbado e extravagante, estabelecemos diretrizes administrativas de controle do órgão. Iniciamos um processo de valorização da participação dos CREFITOS no COFFITO e para isso foi editada uma resolução.

Nova Diretoria em sua primeira reunião. fotos Elisiario E. do Couto e intenções obscuras, é de extremo profissionalismo e pensando nos profissionais. Não podemos admitir nenhum prejuízo para o colega que não tem nada com a política eleitoreira estabelecida pelos ex-dirigentes do órgão. O que aconteceu na última semana da gestão passada foi ridículo, ele doaram um milhão e cem mil reais aos novos CREFITOS, dando causa ao déficit no COFFITO. Problema este que está sendo muito bem tratado pelo nosso grupo e advogados. Que ninguém, nunca mais, ouse fazer isso novamente com a fisioterapia e a terapia ocupacional. F&T. Quais os trabalhos já realizados pela nova diretoria? EP. Pacificação no Sistema COFFITO e CREFITOS, no momento inicial muito 18

F&T. Muito se protestou em todo país pelo fato do COFFITO, não ter estado presente na assembléia onde a PL 25/2002 passou na CCJ. Porque isso Aconteceu? EP. O fato é que no dia da votação na CCJ o COFFITO estava representado sim. O assessor parlamentar, que acompanhava o Projeto de Lei desde o seu ingresso no Senado, estava presente, assim como o representante da comissão de instalação do CREFITO10 e outros representantes de CREFITOs, que em última análise fazem parte do Sistema. O CREFITO-3 foi o único órgão que encaminhou um ofício solicitando informações sobre este fato e recebeu respostas efetivas. Tudo que se assistiu através da internet se deu por questões políticas, fruto do descontentamento pela nossa expressiva vitória. Basta verificar quando e onde foram postadas ou disponibilizadas as primeiras mensagens a respeito. Na nossa Administração, nos articulamos com os demais conselhos federais e deflagramos a primeira campanha organizada e articulada contra o dito projeto de lei do “ato médico”, que ainda vem sendo chamado assim por questões estratégicas, contrário ao que as entidades médicas tentaram alterar, pois esta expressão já cansou os Senhores Senadores. Este projeto de lei é um verdadeiro absurdo. Iniciou errado e continua oferecendo possibilidade de prejuízo social, mas já diferente da versão original que intentava colocar o profissional médico como detentor de controle divino na saúde. O movimento social que surgiu vem contribuindo para que todos os profissionais e acadêmicos da área da saúde passem a valorizar os aspectos sociais também em suas vidas profissionais, e não só os científicos.

F&T. O que o senhor acha do COFFITO manter duas sedes? Pretende desativar a de SP? EP. Não encontrei, até este momento, nenhuma razão lógica para o COFFITO possuir duas sedes, na realidade três, pois em Brasília o órgão possui mais uma sala em desuso há pelo menos cinco anos. A vontade dos Conselheiros é de se manter apenas a sede de Brasília, pois esta é a necessidade e a lógica. Precisamos mesmo é de concretizar o projeto que sonhamos durante anos, trabalhar e enfrentar efetivamente as questões que nos afligem e não vem sendo contempladas com políticas profissionais participativas e co-responsáveis, foi para isso que lutamos tanto e sensibilizamos os colegas do país inteiro. F&T. Tem algum agradecimento especial para fazer? EP. Sim, a Deus que nos proporcionou esta grande oportunidade de atuação. A minha esposa. Aos Presidentes de CREFITOs que acreditaram nas nossas propostas, e a todo o meu grupo que soube se manter unido, tranqüilo e confiante durante todo este nebuloso período. Novo Colegiado. Conselheiros Efetivos Dr. Alexandre Doval da Costa Dra. Ana Cristhina de Oliveira Brasil Dra. Creuza Maria Costa Lázaro Dra. Francisca Rêgo Oliveira de Araújo Dr. Ivan Pinto Varela Dr. Luiz Bertassoni Neto Dr. José Euclides Poubel e Silva Dra. Schirley Aparecida Manhães Dra. Vida Belfort Mattos Conselheiros Suplentes Dr. Benonias Rodrigues Torres Dra. Danielle dos Santos Cutrim Garros Dr. Fabiano Moreira da Silva Dr. Fernando Pierrette Ferrari Dr. Jader Sebastião Raimundo Dr. Jorge Tamaki Dr. Leandro Moreira da Rocha Dra. Maria Lívia Carvalho Garbi Holsbach Dra. Natine Splinder Amarante


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INFORMÁTICA. Software Fisio Office Edição 2005 O software Fisio Office é um software para gerenciamento completo de consultórios e clínicas de fisioterapia. Está no mercado há 6 anos e lança agora em Setembro sua mais nova edição. Com o Fisio Office – Edição 2005 o usuário poderá administrar completamente seu consultório ou clínica de forma bastante prática, rápida e segura. Um Software direcionado ao profissional que busca o que há de mais avançado e completo em um software para gerenciamento. Inclui inovadoras e exclusivas ferramentas que auxiliam e simplificam o dia a dia do profissional, auxiliando ao máximo na organização das suas informações clínicas de forma mais detalhada e completa. A Edição 2005 foi criada para uso em ambiente Windows 98SE/2000, Millenium e XP, o que proporciona a melhor utilização do ambiente de 32 bits. Com esta tecnologia você obtém maior rapidez de trabalho e uma interface gráfica mais prática.

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Um moderno e rápido banco de dados proporciona segurança e muita rapidez no acesso aos seus dados. O trabalho em rede também se torna ideal com esta tecnologia para compartilhamento das informações em vários computadores interligados.

O Fisio Office 2005 é completo em todas as áreas da fisioterapia. Você verá que nosso software se diferencia também no suporte ao usuário. Sugestões são sempre bem-vindas. Melhorias mensais estão disponíveis gratuitamente para todos os usuários de forma simples e rápida pela Internet. O Fisio Office progrediu muito nestes últimos 6 anos principalmente em função destas sugestões dos usuários, que percebem no dia a dia a necessidade de novas funções ou modificações das atuais para tornar o seu trabalho cada

vez mais fácil. Descreveremos abaixo um resumo das principais funções e ferramentas presentes no software Fisio Office – Edição 2005. Maiores informações estão disponíveis em nosso site na Internet: www.fisiooffice.com.br ou através da nossa central de atendimento. Tela Principal A tela principal do Fisio Office possui em sua porção superior os menus para acesso a todas as funções presentes no software. Logo abaixo existe uma barra de botões com ícones que podem ser configurados pelo próprio usuário para acesso às funções mais utilizadas. Ao localizar um cliente o software irá apresentar na tela principal um resumo de seu cadastro e os planos de tratamento/guias já cadastrados. O detalhamento do plano de tratamento mais recente será visualizado. Ele inclui o relatório dos procedimentos presentes neste plano de tratamento/guia e seus respectivos posicionamentos. Através de ferramentas auxiliares o


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TELA PRINCIPAL

AGENDA

CAPTURA, ARMAZENAMENTO E EDIÇÃO DE IMAGENS

usuário pode facilmente incluir ou alterar procedimentos no plano de tratamento/ guia do paciente. A listagem de procedimentos identifica o total de procedimentos autorizados ou marcados para realização bem como o total já finalizado.

tela principal do Fisio Office. Um controle eficiente de clientes para retorno e agendamentos periódicos também pode ser utilizado. Ferramentas adicionais permitem exportar a agenda de cada fisioterapeuta para a Internet para visualização por pacientes ou pelo próprio profissional em qualquer computador conectado à Internet. Além da Agenda Semanal e Diária o usuário encontra uma agenda telefônica completa de contatos: Pessoais, Indicadores, Profissionais, Laboratórios de Exames, Fornecedores e Pacientes.

Além da galeria de imagens o Fisio Office possui também a galeria de imagens da clínica e documentos.

CAPTURA, ARMAZENAMENTO E EDIÇÃO DE IMAGENS O Fisio Office possui um módulo específico para armazenamento de imagens. Cada paciente cadastrado possui sua própria galeria de imagens onde podem ser arquivadas inúmeras imagens sobre evolução da sua patologia/tratamento. Para cada imagem armazenada o usuário pode ampliar, reduzir, alterar e descreve-la. A captura das imagens pode ser feita com scanner, câmeras digitais ou qualquer outro equipamento de captura de imagens.

INÚMERAS FERRAMENTAS Diversas ferramentas integradas permitem gerenciar ainda melhor seu consultório ou clínica. O usuário encontra, entre outros: ·Editor de Textos Integrado ·Controle completo de Estoque e Movimentação ·Código Internacional de Doenças ·Emissão de Etiquetas para Mala Direta ·Carteirinhas do Consultório ·Painel de Avisos ·Controle de Solicitação e entrega de

Para cada plano de tratamento é possível definir a sua respectiva previsão de honorários (orçamento). Nesta tela o usuário pode definir como serão pagos os procedimentos, sejam particulares ou de convenio. Após a aprovação os valores referentes àquele plano de tratamento/guia estarão disponíveis na conta corrente do fisioterapeuta (contas a receber) bem como na conta corrente do cliente. AGENDA Para cada fisioterapeuta cadastrado é possível configurar seus próprios horários de atendimento com intervalos e bloqueios distintos. Cores e ícones distintos podem identificar diferentes tipos de atendimentos. O usuário pode visualizar a agenda diária de compromissos também na

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FICHAS CLÍNICAS PARA VÁRIAS ESPECIALIADES Diversas fichas clínicas foram incluídas no Fisio Office – Edição 2005 para detalhamento da patologia e da evolução do tratamento. Entre elas o usuário vai encontrar: Ficha Clínica de Avaliação, Ficha Clínica Respiratória, Ficha Clínica Neurológica e Ficha Clínica Ortopédica e RPG.


FICHAS CLÍNICAS PARA VÁRIAS ESPECIALIADES

FICHAS CLÍNICAS PARA VÁRIAS ESPECIALIADES

Exames ·Integração com Equipamentos KW

·Integração com Palm (em desenvolvimento)

CONTROLE FINANCEIRO COMPLETO O controle financeiro da clínica ou consultório é completo através de inúmeras telas auxiliares, entre elas: ·Previsão de Honorários ·Controle de Emissão de Recibos ·Emissão de Notas Promissórias ·Preenchimento de Cheque e Darf ·Conta Corrente do Paciente ·Conta Corrente do Fisioterapeuta (contas a receber / recebidas) ·Fluxo de Caixa ·Produtividade do Fisioterapeuta

GRANDES DIFERENCIAIS Além de possui uma excelente tecnologia de desenvolvimento e inovadoras funções que tornam o seu dia a dia mais prático e organizado oferecemos grandes diferenciais aos nossos clientes: ·Suporte Permanente e Gratuito ·Revisões Mensais disponíveis para todos os usuários pela Internet ·Intercâmbio de idéias e sugestões entre o cliente e a empresa Torne seu dia a dia mais prático e mais completo adquirindo hoje mesmo o seu Software dos melhores profissionais!

INTEGRAÇÃO COM A WEB A versão 2005 do Fisio Office possui recursos adicionais que permitem integrar os recursos do software com a Internet. Entre eles: ·Envio de Agenda para visualização na Internet ·Envio de Mensagens SMS para celulares ·Envio de e-mail para pacientes, fornecedores, etc..

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Central de Atendimento Rh! Software – Excelência em Software (11) 4652–6732 / ( 11 ) 4652–6047 http://www.fisiooffice.com.br

CONTROLE FINANCEIRO

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A INFLUÊNCIA DOS ESTERÓIDES. A INFLUÊNCIA DOS ESTERÓIDES ANDROGÊNICOS ANABOLIZANTES (EAA) NO TECIDO CONJUNTIVO MODELADO DENSO (TENDÃO): UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA RESUMO Os esteróides anabólicos andrógenos (EAA) têm sido usados nas últimas décadas, por atletas, no intuito de melhorar a performance de força. Acredita-se que esses compostos derivados da testosterona promovam o aumento da massa muscular, quando utilizados em associação com o exercício físico. Apesar disso, é de consenso na literatura os efeitos colaterais que os EAA podem produzir no organismo, como alterações hepáticas, disfunção do sistema reprodutor, prejuízo no sistema cardiovascular, aumento da agressividade, e suscetibilidade à lesão no tecido conjuntivo. Essa maior probabilidade de ocorrência de lesão parece estar relacionada às alterações na ultra-estrutura das fibras de colágeno do tendão promovidas pelos EAA. A maioria dos artigos confirma essa idéia, entretanto, até o momento, não existe um consenso entre os pesquisadores a respeito desses efeitos deletérios dos EEA na morfologia das fibras de colágeno. Com isso, o presente estudo teve como objetivo, reunir dados na literatura científica que mostrassem a correlação entre o uso dos EAA e a ocorrência de displasia das fibras de colágeno em tendões. Palavras-chave: esteróides anabólicos androgênicos (EAA), tendão, colágeno, lesão. INTRODUÇÃO Os esteróides anabolizantes andrógenos (EAA) são comumente utilizados por atletas com o intuito de aumentar a performances nas atividades esportivas.[1,2,3,4] Esses derivados sintéticos de testosterona visam maximizar a promoção do crescimento muscular (efeitos anabólicos) bem como estimular

o desenvolvimento das características sexuais masculinas primárias (efeitos androgênicos). [5] Acredita-se que o uso de EAA promova o aumento da performance atlética por interferir nos valores de força e massa musculares.[3] Apesar disso, é de consenso na literatura os efeitos colaterais que os EAA podem produzir, como alterações hepáticas, disfunção do sistema reprodutor, prejuízo no sistema cardiovascular, efeitos virilizantes, aumento da agressividade e susceptibilidade à lesão no tecido conjuntivo.[1,2,3,6] A maioria dos estudos aponta que, no tecido conjuntivo modelado denso (tendão), os EAA atuam sobre as fibras colágeno alterando sua arquitetura e tornando-os menos resistentes às trações musculares.[4] O risco de lesão no tendão torna-se aumentado à medida que se incrementa a massa muscular, gerando aumento da força, sem que haja proporcional desenvolvimento da capacidade dos tendões de resistirem a esta força de tração aumentada.[2] Assim, o objetivo desta revisão foi analisar criticamente os estudos que investigaram a influência dos esteróides anabolizantes andrógenos (EAA) no tecido conjuntivo modelado denso (tendão). METODOLOGIA Para a realização deste trabalho foi utilizada a base de dados Medline. A busca foi feita através das seguintes palavras-chave: esteróides anabólicos androgênicos (EAA), tendão, colágeno, lesão. O levantamento bibliográfico também foi realizado através de livros e dissertações de mestrados relacionados ao assunto. O período de publicação do material analisado variou de 1975 a 2000. RESULTADOS Tecido conjuntivo modelado tenso (tendão) O tendão é um tipo de tecido conjuntivo cuja estrutura é cilíndrica e alongada apresentando-se interposto aos mús-

culos e ossos, transmitindo a força muscular para o osso.[6,7] Os tendões saudáveis apresentam cor branca [8], sendo formados por um feixe viscoelástico de fibras colágenas arranjadas paralelamente na direção da aplicação da força do músculo resistindo às tensões mecânicas. O tendão é predominantemente um tecido extracelular e apresenta uma baixa demanda metabólica, quando comparado a outros tecidos, possuindo, portanto, um baixo suprimento sangüíneo.[9] O colágeno constitui aproximadamente 90% do total de proteínas dos tendões ou 65% a 75% da massa seca tendinosa. Todas as moléculas são longas, consistindo em uma linha rígida de uma tríplice hélice de cadeias polipeptídicas chamadas cadeias-alfa.[10] Em tendões, o colágeno tipo I predomina e tem predileção por formar fibras paralelas, porém, as fibras também se organizam horizontal e transversalmente, formando espirais e dobradiças ao longo de seus cursos. O tipo I de colágeno tem alta força de tensão com limitada elasticidade, sendo, por conseguinte, adequado à transmissão de forças.[8] O componente elástico dos tendões é conferido por fibras de elastina em um total aproximado de 2% da massa seca.[11] Os Esteróides Anabolizantes Endógenos (EAA) Previamente à explanação sobre os EAA produzidos em laboratórios, consideramos pertinente abordar sucintamente alguns aspectos relativos à testosterona por conta da sua intrínseca relação com os EAA. Em função da sua natureza química, a testosterona é classificada como hormônio esteróide, em razão de requerer o colesterol como precursor para a sua síntese bioquímica, semelhante aos demais hormônios esteróides.[12] A testosterona tem como principal local para síntese os testículos, que se faz em células especializadas do estroma, as células de Leydig, por meio da via

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bioquímica que utiliza o colesterol.[13] A determinação e a manutenção das características sexuais masculinas primárias e secundárias ocorrem pela ação da testosterona sobre os vários órgãos por meio de efeitos fisiológicos globais. Como citado anteriormente, os EAA são derivados sintéticos da testosterona e caracterizam-se por alterações da estrutura bioquímica desta molécula, conservando as mesmas propriedades fisiológicas do hormônio endógeno. Entretanto, a diferença se dá tanto nos processos de degradação até metabólitos ativos e inativos na corrente sanguínea, fígado e tecidos-alvo, como na natureza da afinidade ao receptor andrógeno no citosol.[14] Alguns EAA apresentam diferenças em seus potenciais para produzir efeitos androgênicos (masculinizantes) ou anabólicos (construção tecidual). No entanto, apensar de um determinado grupo de EAA vir demonstrando um efeito anabólico mais pronunciado em relação ao efeito androgênico, os pesquisadores da área têm relatado que não existe um EAA com ações puramente anabólicas, em que haja total supressão da ação androgênica. [15,16,17] Por esta razão, em 1975, KOCHAKIAN[18] postulou que a designação mais adequada, seria esteróides anabólicos androgênicos (EAA), ao invés de esteróides anabólicos, a qual era amplamente veiculada anteriormente. Os EAA e o tendão Pouco se sabe sobre os efeitos dos EAA no tecido conjuntivo. Altas doses de EAA por um período de 3 semanas de tratamento, parecem causar decréscimos na atividade do prolil 4-hidroxilase e na concentração da hidroxiprolina, sugerindo que poderiam ter efeitos adversos na biossíntese do colágeno no tendão.[3]. De acordo com MILLES et al, 1992, a administração de EAA por longo período diminui a elasticidade e a capacidade de absorção de energia, reduzindo, portanto, a força tensiva dos tendões.[4] MICHNA & STANG-VOSS, em 1983,[19] sugeriram que esteróides anabólicos androgênicos poderiam predispor à ruptura de tendão. WOOD et al., em 1988,[20] também encontraram indícios de que o tratamento com EAA poderia predispor os tendões a lesões por gerarem mudanças biomecânicas 28

nestes tecidos. VISURI & LINDHOLM, em 1994,[21] reportaram o caso de um jovem fisiculturista que, após ingerir altas doses de EAA durante 6 anos, sofreu avulsão distal bilateral do tendão do músculo bíceps braquial. As mudanças nas propriedades biomecânicas do tendão parecem ser secundárias às alterações ultraestruturais ou bioquímicas. Estas alterações podem incluir mudanças no tipo de colágeno produzido, interações entre as fibras como ligações cruzadas, ambiente extracelular (nutrição, suporte e outros fatores) e organização macroestrutural dos grupos de fibras.[5] Embora dados experimentais sugiram que os EAA alterem as propriedades biomecânicas do tendão, um estudo realizado por EVANS et al. (1998)[22] mostrou que não houve diferenças na ultra-estrutura das fibras de colágeno após a exposição aos EAA. A severidade da displasia das fibras de colágeno ocorre em proporção direta à duração da administração de EAA. [23] e os efeitos deletérios no tendão parecem ser reversíveis com a retirada da droga.[5] Associado a essa maior fragilidade dos tendões, um dos efeitos mais comumente relacionados ao uso dos EAA por atletas é o aumento da força muscular. MICHNA (1986)[23] e HATFIELD (1986),[2] relataram que com o uso de EAA, a força e volume musculares aumentam com maior rapidez do que os tecidos tendinosos e conjuntivos adjacentes. Acredita-se que isso ocorra em razão do pobre suprimento sanguíneo do tecido conjuntivo modelado denso se comparado ao muscular. Com o aumento excessivo de força no músculo, o esforço extremo freqüentemente causa ruptura do tendão. Apesar disso, um bom número de autores considera os dados existentes até o momento insuficientes para confirmar tal hipótese. A maioria dos estudos demonstra que tratamentos com EAA produzem alterações na arquitetura da fibra de colágeno em tendões por aumentar o número de fibras displásicas.[3] Essa alteração promove mudanças morfológicas na rigidez do tendão, alterando sua resistência à ruptura e também a biomecânica normal das extremidades, ou seja, a força tensiva do tendão é diminuída, possivelmente no ponto de

falha do tecido.[6] Entretanto, em 1998, um estudo realizado por EVANS et al.,[22] concluiu, por meio de microscopia eletrônica, que não houve alterações na ultra-estrutura das fibras de colágeno capazes de produzir lesões nos tendões em jovens usuários de EAA. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na maior parte dos estudos encontrados na literatura, pode-se constatar que os EAA promovem alterações ultraestruturais, bioquímicas e biomecânicas nos tendões, tais quais a alteração na biossíntese das fibras de colágeno (displasia), a diminuição da resistência à carga tensiva bem como a diminuição da capacidade de absorção de energia. Vários trabalhos evidenciam a ocorrência de rupturas de tendão em usuários de EAA. O presente trabalho salientou três possíveis hipóteses para se definir o principal agente atuante nesta ocorrência: 1) as alterações ultra-estruturais nas fibras de colágeno do tendão por ação direta dos EAA neste tecido; 2) o aumento de força muscular não acompanhado de equivalente acréscimo na resistência tensiva do tendão; 3) e, por fim, a ação combinada desses dois fatores. Em virtude da discordância encontrada na literatura vigente, mais estudos que correlacionem a utilização de EAA com a ocorrência de alterações ultra-estruturais nas fibras de colágeno do tecido conjuntivo modelado denso (tendões) fazem-se necessários. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.MOURA, N A. Esteróides anabólicos androgênicos e esportes: uma breve revisão. Revista de Ciência do Esporte. 1984; v..6: p. 101-109. 2.HATFIELD, F C. Esteróides anabólicos: 1ª Parte. Sprint. 1986; v.4: p. 246256. 3.KARPAKKA, J A; PESOLA, M K; TAKALA, T E. The effect of anabolic steroids on collagen synthesis in rat skeletal muscle and tendon. The American Journal of Sports Medicine. 1992;v.20: p. 262-265. 4.MILES, J W; GRANA, W A; ENGLE, D; MIN, K; CHITWOOD, J. The effects of anabolic steroids on the biomechanical and histologycal properties of rat tendon. The Journal of Bone and Joint Surgery. 1992; v.74: p. 414-422. 5.INHOFE, P D; GRANA, W A; ENGLE, D; MIN, K; TOMAZEK, J. The effect of anabolic steroids on rat tendon. The


American Journal of Sports Medicine. 1995; v.23: p.227-232. 6.LASETER, J T; RUSSEL, JA. Anabolic steroid – induce tendon pathology: a review of literature. Medice and Science in Sports and Exercise. 1991; v.23: p.1-3. 7.JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica, 8 ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan; 1995. p.88-90. 8.JÓSZA, L; KANNUS, P. Effects of training, immobilization and remobilization on tendons. Scand Journal Science Medice Sports. 1997; p.67-71. 9.HAMILL, J; KNUTZEN, KM. Bases Biomecânicas do Movimento Humano, 1 ed. São Paulo: 1999. p. 77-78. 10.KARPAKKA, JA, VIRTANEN, P; VAANANEN K. Collagen synthesis in rat skeletal muscle during immobilization and remobilization. Journal Applied Physiology. 1991; v.70: p. 1775-1780. 11.JÓZSA, L; LEHTO, M; KANNUS, P; KVIST, M; REFFY, A; VIENO, T; JARVINEN, M; ELEK, E. Fibroconectin and laminin in Aquilles tendon. Acta Orthop Scand. 1989; v.60: p. 469-471. 12.PIRES, C M R. Estudo dos efeitos da administração de esteróides anabólicos androgênicos e do exercício físico sobre o diâmetro das fibras musculares esqueléticas de ratos jovens. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2000. 13.WILSON, J D; GRIFFEN, J E. Disorders of the testes and male reproduc-

tive tract. In: WILSON, J D.; FOSTER, DW. Textbook of Endocrinology. WB Saunders Co; Philadelphia. 1985; p.259, 1985. 14.WU, F C W. Endocrine aspects of anabolic steroids. Clinical Chemistry. 1997; v.43: p. 1289-1292. 15.BAGATELL, C J; BREMNER, W J. Androgens in men: uses and abuses. Drug Therapy. 1996; v.334: p. 707714. 16.KOCKAKIAN, C D. Anabolic androgenic steroids: a historical perspective and definition. In: YESALIS, C E. Anabolic Sterois in Sport anda Exercise, Human Knetics publishers. 1993; p.3. 17.LaBREE, M. A review of anabolic steroids: uses and effects. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness. 1991; v.31: p. 618-626. 18.KOCKAKIAN, C D. Definition of androgens and protein and anabolic steroids. Pharmacology and Therapeutics B. 1975; v.1: p.149-177. 19.MICHNA, H; STANG-VOSS, C. The predisposition to tendon rupture after doping with anabolic steroids. International Journal of Sports Medicine. 1983; v.4: p. 54. 20.WOOD, T O; COOKE, P H; GOODSHIP, A E.. The effect of exercise and anabolic steroids on the mechanical properties and crimp morphology of the rat tendon. The American Journal of Sports Medicine. 1988; v.16: p. 153-158.

21.VISURI, T; LINDHOLM, H. Bilateral distal biceps tendon avulsions with use of anabolic steroids. Medice and Science in Sports and Exercise. 1988; v.26: p.941-944. 22.EVANS, N A; BOWREY, D J; NEWMAN, G R. Ultrastructural analysis of ruptured tendon from anabolic steroids users. Injury. 1998; v.29: p. 769-773. 23.MICHNA, H. Organization of collagen fibrils in tendon: induced by anabolic steroids: a morphometric and stereologic analysis. Virchows Arch. 1986; v.52: p. 87-89. AUTORES Paulo Sérgio Bossini* Fábio Jorge Renovato França** Eduardo Esperança Canetti Filho** Ana Cláudia Muniz Renno*** * Fisioterapeuta estagiário do Laboratório de Eletrotermofototerapia da Universidade Federal de São Carlos. ** Fisioterapeutas graduados pela Universidade Federal de São Carlos. *** Doutoranda do Programa de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos.

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INCONTINÊNCIA URINÁRIA APÓS PROSTECTOMIA. COMO TRATAR INCONTINÊNCIA URINÁRIA APÓS PROSTATECTOMIA RADICAL. A prostatectomia radical (PTR) é procedimento tecnicamente desafiador, no qual pequenas diferenças na técnica cirúrgica podem apresentar enorme impacto sobre os resultados. A redução de sua morbidade nos permite indicar esta como forma ideal de tratamento para doença localizada, determinando o mínimo de efeitos colaterais possíveis e excelente controle oncológico. Desde que o antígeno prostático específico (PSA) foi estabelecido como marcador tumoral para detecção precoce do carcinoma da próstata (CAP), aumento importante na incidência desta doença foi verificado. Outra conseqüência da determinação do PSA consiste no fato de que a maioria dos tumores da próstata atualmente diagnosticados se encontram na fase de doença localizada e, assim sendo, são passíveis de tratamento curativo pela PTR. Assunto de pesquisa de extrema importância em relação a esta doença, ainda em desenvolvimento, é a definição de parâmetros – no período pré-operatório – que possam determinar o potencial de malignidade do tumor. Enquanto pesquisas não permitem definir, com segurança, este potencial, o diagnóstico precoce e o tratamento cirúrgico associado ao mínimo de complicações permanecem como objetivos principais. O diagnóstico precoce é de suma importância. Este se faz através do exame dígito-retal da próstata e a determinação do valor do PSA sérico, no mínimo anualmente, em homens com mais de 40 anos de idade. Eventualmente a ultra-sonografia transretal pode ser empregada também com este fim. A avaliação da possibilidade de reduzir complicações deste procedimento curativo (PTR) não pode, de modo algum, comprometer seu princípio número um: o controle oncológico do CAP. Os aspectos fundamentais para o controle do câncer associado à preservação da continência e potência são os cuidados com o plexo venoso retropúbico e a dissecção apical. Aqui será apenas considerada a complicação mais temida da PTR: a incontinência urinária (IU). INCONTINÊNCIA URINÁRIA A IU após PTR apresenta incidência de 2 até 32%. A maioria dos estudos apresenta taxas de cerca de 30

10%. Ela tem efeito deletério significativo sobre a qualidade de vida. Sabe-se que, após a retirada do catéter transuretral, ela é muito freqüente e pode regredir de modo importante e espontâneo num período de até 6 meses após a cirurgia. Melhora pouco significativa pode ser observada, no entanto, até 12 meses depois. Uma das dificuldades associadas ao tema é a definição de IU. Enquanto que muitos consideram continência como a falta absoluta de absorventes, outros aceitam o uso de um absorvente/dia. A IU após PTR pode ser atribuída, basicamente, à incompetência do esfíncter, porém a instabilidade do detrussor, a obstrução ao fluxo ou a combinação destes fatores também podem favorecer sua ocorrência. Urgência miccional é diagnosticada em 67% dos casos de IU após PTR. Estatisticamente, a incidência de IU pode ser associada aos seguintes fatores: 1- Idade. Fator importante, porém não comprovado em todos os estudos. Pacientes com menos de 70 anos apresentam incidência de IU de 5%, enquanto que com mais de 70 anos a taxa aumenta para 13%. 2- Experiência do cirurgião. Parece evidente que o cirurgião mais experiente tenha menos complicações. Pode haver relação entre a estenose da anastomose e o desenvolvimento de IU. Muitos estudos, no entanto, não comprovam esta associação. O mesmo se verifica para a preservação dos feixes neuro-vasculares (FNV). História prévia de ressecção transuretral ou radioterapia pélvica podem facilitar o desenvolvimento de IU. Os principais pré-requisitos para manutenção da continência são a integridade do músculo esfíncter externo e o comprimento da uretra funcional. Ainda persiste o dilema não resolvido da manutenção da uretra intrapélvica mais longa poder determinar margens apicais positivas, localização mais freqüente deste fator prognóstico negativo. O esfíncter estriado não é um simples músculo anular periuretral dentro do diafragma pélvico, mas sim estrutura complexa com fibras circundando o ápice da próstata. Quanto mais estas fibras sejam preservadas, maior a probabilidade de recuperar a continência após a PTR. A preservação do plexo pélvico e das

fibras autonômicas para o esfíncter estriado também contribui para o controle da continência pós-operatória. Cuidados especiais devem ser observados com a técnica da anastomose vésico-uretral. Estudos demonstram vantagem para o direto envolvimento do tecido muscular do esfíncter estriado na sutura da anastomose. Embora não exista correlação significativa entre potência e continência, é geralmente aceito que fatores anatômicos – mais que a preservação de nervos autônomos – tenham grande impacto no aumento do controle urinário após PTR. Em algumas situações de pequeno coto uretral, pélvis estreita ou profunda, ou ainda hemorragia venosa persistente, a anastomose vésico-uretral indireta (Vest technique, [Igel et al., 1988]) pode ser uma alternativa. Alguns cirurgiões preferem a eversão da uretra para o interior da pélvis através de compressão direta sobre o períneo. Outras tentativas têm sido descritas para a manutenção da continência. Elas incluem a preservação do colo vesical (pouca importância), reconstrução de colo vesical (substitui sua preservação) e uretropexia anterior. Alguns recomendam a preservação dos ligamentos retropúbicos, o que manteria o suporte anterior da uretra. Em estudo controlado, a continência foi readquirida mais rapidamente no grupo em que esta técnica foi empregada. Importantes são os cuidados com a técnica, pois os resultados de vários métodos conservadores de tratamento da IU, no período pós-operatório, permanecem incertos. TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA Ao se verificar IU após PTR, o paciente deve ser orientado a evitar o consumo de cafeína, líquidos em grande quantidade e bebidas alcoólicas. O diagnóstico por exclusão de possível estenose de colo vesical deve ser realizado. Exercícios esfincterianos durante a micção, medicamentos como alfa-agonistas, anticolinérgicos e antidepressivos (imipramina) podem ser recomendados, de acordo com a condição clínica. A fisioterapia é hoje, do ponto de vista de recuperação da continência e da possibilidade de evitar procedimentos invasivos, o método de escolha. Pode ser empregado em vários diferentes momentos após a prostatectomia radical, porém deve ser lembrado que o seu início não deve ultrapassar os 6 meses


após a cirurgia. Parece bem evidente que a utilização de exercícios do assoalho pélvico auxiliam os pacientes a recuperar a continência urinária. Wille e cols. (2003), da Universidade de Marburg, na Alemanha, demonstraram entretanto, em estudo prospectivo e randomizado com 139 pacientes, que o emprego adicional de estimulação elétrica e biofeedback não permitiram melhorar os resultados do tratamento. A análise de estudos randomizados e sem randomização, publicados recentemente, apresentam as seguintes informações: 1. Treinamento da musculatura do assoalho pélvico versus não tratamento ativo. A comparação entre pacientes submetidos à fisioterapia de assoalho com outros sem tratamento (grupo controle) demonstra que ambos os grupos apresentam melhora clínica, especialmente no primeiro mês após a prostatectomia. O resultados dos estudos sugerem um benefício no grupo submetido ao tratamento, mesmo sem haver diferença estatística, principalmente nos primeiros meses após a cirurgia. 2. Fisioterapia do assoalho pélvico + “biofeedback” versus não tratamento. O grupo submetido ao tratamento recupera a continência num período de tempo mais curto, com diminuição dos episódios de incontinência, freqüência e de quantidade de urina perdida, porém sem diferença estatística. 3. Fisioterapia do assoalho + estimulação elétrica retal versus não tratamento. Não foram detectadas diferenças entre os grupos, seja no número de homens continentes ou no teste de forro. 4. Fisioterapia de assoalho + retal estimulação + “biofeedback” versus não tratamento. Teste de forro foi similar entre os grupos; nenhuma outra vantagem foi descrita. 5. Fisioterapia de assoalho + estimulação retal versus fisioterapia de assoalho. Houve progressiva melhora nos 3 primeiros meses de reabilitação, mesmo sem haver diferença estatística. As limitações dos estudos são amostras pequenas, randomização incompleta, contaminação das amostras, ausência de definição do melhor período de tratamento. Os estudos deveriam ser restritos a homens com perda urinária persistente ou comparando tratamento precoce com tratamentos mais prolongados e seletivos. O tratamento descrito é pesquisador dependente. Os estudos demonstram melhora na IU nos homens independente de estarem no grupo controle ou não. Após um período de rápida melhora, a continência pode melhorar até mesmo após os 3 primeiros meses. Assim, apenas 15-20% permanece incontinente após 6-12 meses.

Devido à recuperação espontânea da continência ocorrer particularmente nos 3 primeiros meses, aconselha-se a manutenção de reabilitação tardia intensiva para tratamento da incontinência urinária persistente. Contudo, esta parece ser mais efetiva nos primeiros 4 meses após a cirurgia. O tratamento comportamental, de reabilitação e o farmacológico estão assim recomendados. As pesquisas devem, no entanto, ser ampliadas. Conclui-se que no período pós-operatório, a abordagem suportiva e educativa é recomendada para reduzir o grau e a duração da IU. Em nossa experiência, vários pacientes submetidos ao tratamento fisioterápico apresentaram melhora significativamente mais rápida, o que determina um aumento da qualidade de vida. Quanto ao seu início, habitualmente o temos empregado após 60 dias de cirurgia, no sentido de evitar um aumento da reação inflamatória na região operatória, a qual se encontra – neste período – em fase importante da cicatrização. Entretanto, não se deve esperar mais do que 6 meses após a cirurgia para indicá-lo. OUTROS TRATAMENTOS Para os pacientes com IU leve e persistente (acima de 6 meses após a cirurgia), o uso de injeções de colágeno / teflon pode ser indicado, porém não deve ser utilizado em homens que receberam radioterapia e / ou apresentem estenose de colo vesical. Em casos mais severos de IU persistente estão indicadas as correções cirúrgicas com a técnica de sling masculino e o implante de esfíncter artificial. Resultados recentemente apresentados, com o emprego da técnica de sling masculino, têm sido animadores. Acredita-se que esta técnica possa representar um papel importante para o tratamento desta afecção. Em situações de insucesso desta – ou até mesmo como indicação primária – o esfíncter artificial permanece como alternativa de tratamento, com resultados satisfatórios, porém associado a custos elevados. CONCLUSÕES As complicações após PTR têm sido reduzidas de modo significativo durante os últimos 15 anos. Baseado em estudos anatômicos, a técnica cirúrgica vem sendo desenvolvida continuamente e

tem contribuído para melhores resultados de continência e potência. Todavia, eliminação radical de todo tecido tumoral continua a ser o objetivo principal da PTR. O aspecto básico do controle do câncer, como para o controle da continência, é a técnica de abordagem do plexo dorsal e a dissecção apical / póstero-lateral. Com a técnica atual se tornou possível curar a maioria dos homens com doença localizada e melhorar sua qualidade de vida após a cirurgia. A fisioterapia, à semelhança da técnica, também tem contribuído de modo significativo para a melhoria da qualidade destes pacientes. Leitura recomendada

1 Bendhack ML. Prostatectomia radical retropúbica: Análise crítica das manobras para preservação da continência e da função erétil. Em: Guia Prático de Urologia 2003. Ed. Wroclawski E, Bendhack DA, Damião R, Ortiz V. P. 469 – 473. Editora Segmento; Rio de Janeiro, 2 Bendhack ML, Miller S, Ackermann R. Surgical therapy of locally confined prostate carcinoma. Schweiz. Rundsch. Med. Prax. Nov 12; 86 (46): p. 1819-1824, 1997. 3 Catalona WJ, Carvalhal GF, Mager DE, Smith DE. Potency, continence and complication rates in 1,870 consecutive radical retropubic prostatectomies. J Urol.;162:433-438; 1999. 4 Ebert T, Bendhack ML. Prostatakarzinom - Diagnostik, hormonelle Therapie, Radiotherapie, Chemotherapie. Urologe A, 36: 570-577, 1997. 5 Galeri S, Sottini C. Physiotherapy of pelvic floor for incontinence. Arch Ital Urol Androl. 2001 Sep;73(3):143-6. 6 Jarow JP. Puboprostatic ligament sparing radical retropubic prostatectomy. Semin Urol Oncol. 2000 Feb; 18(1):28-32. 7 Walsh PC, Retik AB, Vaughan Jr ED, Wein, AJ. Campbell’s Urology. Oitava edição, Philadelphia, 8 Wille S, Sobottka A, Heidenreich A, Hofmann R. Pelvic floor exercises, electrical stimulation and biofeedback after radical prostatectomy: results of a prospective randomized trial. J Urol. 2003 Aug;170(2 Pt 1):490-3. 9 Wirth M. Prostatakarzinom - Therapie des lokal begrenzten Prostatakarzinoms. Em: Rübben H (editor). Uro-Onkologie. Springer-Verlag Berlin Heidelberg New York, p. 233 – 267, 2001.

AUTOR: DR. MARCELO L. BENDHACK Títulos do autor: Uro-Oncologia Hospital Nossa Sra. das Graças (HNSG) - Curitiba - PR Doutor em Uro-Oncologia – Universidade de Düsseldorf - Alemanha Mestre e Doutor em Clínica Cirúrgica - UFPR

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DOR CRÔNICA. parte 1 DOR CRÔNICA – ASPECTOS ANÁTOMO-CLÍNICOS – REVISÃO GERAL RESUMO PALAVRAS CHAVES (DOR CRÔNICA – EPIDEMIOLOGIA – TERMINOLOGIA – REVISÃO) O objetivo deste trabalho é revisar os fundamentos básicos do estudo da dor para uma melhor compreensão e entendimento das síndromes dolorosas que freqüentemente aparecem em clínicas e hospitais na nossa rotina assistencial e enfatizar o papel do fisioterapeuta e da equipe multidisciplinar na assistência ao doente com dor crônica. Serão revisados trabalhos em revistas científicas e livros com conteúdo fundamentado em pesquisas científicas controladas e meta-analíticas seguindo os princípios da medicina baseada em evidência e que são pertinentes à data do tema a ser redigido. A dor é um dos maiores flagelos, fator incapacitante e de maior custo ao serviço de saúde no Brasil e no mundo. O custo da dor no Brasil e no mundo cresce vertiginosamente levando em consideração alguns fatores de risco como a falta de informação disponível sobre o assunto para a sociedade, a má formação de profissionais de saúde em dor e as especialidades das áreas médicas que acabam por optarem por medidas pertinentes a esta ou aquela área e desviam muitas vezes o foco do tratamento da dor gerando maior sofrimento ao doente. A dor é a principal razão das consultas médicas nos Estados Unidos e sua expressão não está sempre necessariamente relacionada a qualquer tipo de lesão tecidual direta ou alteração perceptível a exames laboratoriais e de imagem o que dificulta o diagnóstico e exige conhecimento técnico-científico dos profissionais para lidarem com estas situações. A dor aguda é uma condição extremamente necessária para o funcionamento do organismo, possui a função biológica de alertar o indivíduo de que potencial-

mente os tecidos corporais estão sendo lesados, exerce uma função protetora e proporciona informações relacionadas a localização e intensidade dos estímulos nocivos. A dor aguda gera respostas de defesas temporárias no organismo, reações de luta e fuga momentâneas que não se mantém após o cessamento do estímulo. No geral, a fisiopatologia e a sintomatologia das condições dolorosas agudas são bem entendidas, o diagnóstico não é difícil, e, com algumas exceções, procedimentos médicos ou cirúrgicos efetivos são administrados. A dor crônica, a qual iremos discuti-la mais profundamente, em contrapartida é o processo de memorização do fenômeno agudo. Tal fenômeno não possui função biológica nenhuma e, portanto, deve ser evitada e suprimida todas as suas manifestações através de tratamentos, profilaxia e conscientização da população em geral. Nos últimos anos a IASP (International Association for Study of Pain) se destacou na divulgação de informações e estudos relacionados à dor e definiu alguns termos que os profissionais de saúde envolvidos no tratamento da dor devem estar cientes para que haja um melhor entendimento das síndromes álgicas, da comunicação entre os profissionais envolvidos e na melhoria da qualidade dos atendimentos prestados para a população em geral. Quando a dor se torna o foco do tratamento, além da remoção da causa patológica, o sofrimento é diminuído significantemente. REVISÃO DA LITERATURA – DOR CRÔNICA VICTOR CICONE LIGGIERI O objetivo deste trabalho é revisar os fundamentos básicos do estudo da dor para uma melhor compreensão e entendimento das síndromes dolorosas que freqüentemente aparecem em clínicas e hospitais na nossa rotina assistencial e enfatizar o papel do fisioterapeuta e da equipe multidisciplinar na assistência ao doente com dor crônica.

Este trabalho será dividido em quatro etapas divididas da seguinte maneira: 1- Epidemiologia, Evolução Histórica dos conhecimentos e Terminologia aplicada. 2- Anátomo-Fisiologia, Fisiopatologia da dor crônica e Síndromes Álgicas 3- Avaliação Multidisciplinar e Fisioterapêutica 4- Tratamento Multidisciplinar e Fisioterapêutico A dor é um dos maiores flagelos, fator incapacitante e de maior custo ao serviço de saúde no Brasil e no mundo. O custo da dor no Brasil e no mundo cresce vertiginosamente devido a uma série de fatores: a falta de informação disponível sobre o assunto para a sociedade, a má formação de profissionais de saúde em dor e as especialidades das áreas médicas que acabam por optarem por medidas pertinentes a esta ou aquela área e desviam muitas vezes o foco do tratamento da dor gerando maior sofrimento ao doente. A dor é a principal razão das consultas médicas nos Estados Unidos e sua expressão não está sempre necessariamente relacionada a qualquer tipo de lesão tecidual direta ou alteração perceptível a exames laboratoriais e de imagem o que dificulta o diagnóstico e exige conhecimento técnico-científico dos profissionais para lidarem com estas situações. A dor aguda é uma condição extremamente necessária para o funcionamento do organismo, possui a função biológica de alertar o indivíduo de que potencialmente os tecidos corporais estão sendo lesados, exerce uma função protetora e proporciona informações relacionadas a localização e intensidade dos estímulos nocivos. A dor aguda gera respostas de defesas temporárias no organismo, reações de luta e fuga momentâneas que não se mantém após o cessamento do estímulo. No geral, a fisiopatologia e a sintomatologia das condições dolorosas agudas são bem entendidas, o diagnóstico não é difícil, e, com algumas

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exceções, procedimentos médicos ou cirúrgicos eficazes são administrados. Em contrapartida, a dor crônica, a qual iremos discutir mais profundamente, é o processo de memorização do fenômeno agudo. Tal fenômeno não possui função biológica nenhuma e, portanto deve ser evitada e suprimida todas as suas manifestações através de tratamentos, profilaxia e conscientização da população em geral. Nos últimos anos a IASP (International Association for Study of Pain) se destacou na divulgação de informações e estudos relacionados à dor e definiu alguns termos que os profissionais de saúde envolvidos no tratamento da dor devem estar cientes para que haja um melhor entendimento das síndromes álgicas, da comunicação entre os profissionais envolvidos e na melhora na qualidade dos atendimentos prestados para a população em geral. A IASP define dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesão tecidual real ou potencial ou descrita em termo de tal lesão. Essa definição demonstra a subjetividade da manifestação dolorosa e por apresentar um caráter subjetivo sofre influências culturais, sociais, emocionais, físicas, religiosas e outras que variam de indivíduo para indivíduo de acordo com seus aspectos sensitivo-discriminativo, afetivo-emocional, cognitivo-avaliativo que interagem entre si na percepção e nas reações decorrentes do quadro. Tal característica é de importância fundamental para as metodologias de avaliação e tratamento do quadro álgico, o que será discutido com mais detalhes nas próximas edições. Iremos discutir a relevância e a incidência das síndromes dolorosas perante a população em geral, conhecer a evolução histórica dos conhecimentos sobre dor, assim como a terminologia aplicada ao estudo e clínica de dor segundo a IASP. EPIDEMIOLOGIA Aproximadamente 80 milhões de pessoas nos EUA sofrem de alguma síndrome dolorosa em um determinado momento da vida, sendo que, 60 milhões dessas pessoas sofrem pelo menos uma incapacidade parcial acarretando um custo para o sistema de saúde norte-americana de 60 bilhões de dólares. Estudos epidemiológicos e econômicos relativos ao quadro brasileiro anda não estão tão bem 34

estruturados, estima-se que 70% dos brasileiros apresentam dor lombar em algum momento de suas vidas. Existe dor indefinida músculo-esquelética e cefaléia em 85% da população e muitas vezes com uma relação de nexo-causal inexistente entre as estruturas afetadas pela condição dolorosa. A dor é uma das razões mais freqüentes das consultas médicas. No Brasil e em outros países 10 a 50% dos indivíduos procuram clínicas gerais devido à dor. Além das afecções do aparelho locomotor, cuja a incidência é de 40% dos indivíduos em algum momento de suas vidas, existem também grande incidência de disfunções têmporo-mandibulares (DTM), LER, DORT, Fibromialgia, Síndrome Dolorosas Miofasciais, Osteoartrite, Osteoartrose, dores oncológicas, neuropatias, traumatismos, dores vasculares, dores centrais, cefaléias, dores orofaciais e viscerais. Existe maior prevalência de cefaléias em mulheres do que em homens por múltiplos fatores. Apesar desses dados, estimativas confiáveis da magnitude do problema em paises sub-desenvolvidos não estão disponíveis, mas o problema deve ser maior porque os cuidados sanitários globais não são tão desenvolvidos como nos Estados Unidos. TERMINOLOGIA A ausência de definições aceitáveis para o estudo da dor foi motivo de atraso no desenvolvimento de pesquisas e no comprometimento da assistência ao doente com dor. É de fundamental importância a adoção dos termos mencionados pelos profissionais envolvidos no tratamento de dor para uma melhor comunicação entre os profissionais de saúde e para a melhora da qualidade dos serviços prestados a sociedade. - Hiperalgesia: Aumento da resposta à um estimulo doloroso. - Alodínea: Quando há dor provocada por um estímulo que não provocaria dor. - Analgesia: Ausência de dor a um estímulo que normalmente seria doloroso. - Anestesia dolorosa: Dor em uma área ou região anestesiada. - Disestesia: Sensação anormal desagradável, seja esta espontânea ou evocada. - Hiperestesia: Aumento da sensibilidade, seja esta dolorosa ou não (Incluí hiperalgesia e alodínea).

- Hiperpatia: Reação anormal dolorosa a um estímulo, especialmente um estímulo repetitivo, e também por um limiar aumentado. - Causalgia: Síndrome de dor em queimação contínua com a presença de alodínea e hiperpatia normalmente após uma lesão traumática, associada a alterações autonômicas e tróficas. - Dor Central: dor originada ou causada por uma lesão no SNC. - Dor por desaferentação: Dor causada por ausência da aferência sensorial para o SNC, como ocorre na avulsão do plexo braquial ou outros tipos de lesão nervosa periférica ou patologia do SNC. - Hipoalgesia: Diminuição da percepção da dor a um estimulo doloroso. - Hipoestesia: Diminuição da percepção da sensibilidade. - Hiperestesia: Aumento da percepção da sensibilidade. - Parestesia: Sensação anormal seja espontânea ou evocada. - Neuralgia: Dor na distribuição de um nervo ou nervos. - Neurite: Inflamação de um nervo ou nervos. - Neuropatia: Distúrbio da função ou alteração patológica em um nervo, vários nervos difusas e bilaterais (polineuropatias). - Limiar de dor: a menor experiência dolorosa que o indivíduo pode perceber. - Nível de Tolerância à dor: O maior nível de dor que o indivíduo pode tolerar. - Radiculopatia: Distúrbio da função ou mudança patológica em uma ou mais raiz nervosa. - Ponto Gatilho: Área ou região hipersensível no músculo ou tecido conectivo, normalmente associado com a síndrome dolorosa miofascial. Reconhecer essas características da dor nos pacientes se faz extremamente necessária em qualquer que seja a patologia de base mesmo se essa não seja bem definida. O entendimento dessas características torna o quadro clínico do paciente mais bem definido e as estratégias de tratamento mais específicas para o paciente. BREVE HISTÓRICO SOBRE A DOR Desde os primórdios da humanidade a dor, seja ela na forma aguda ou crônica, sempre acompanhou o homem. Diferentes povos com diferentes crenças e culturas simbolizavam e simbolizam a experiência dolorosa a sua maneira


fazendo com que a dor seja sentida de maneira variada entre eles e entre os indivíduos. O estudo da dor sempre esteve presente, porém, limitado ao conhecimento de cada época e baseado nas evoluções culturais, sociais, religiosas e governamentais que comandavam as sociedades e as relações humanas. Dentro desse contexto o tratamento do sofrimento dos que padeciam com dor por muito tempo foi realizado de forma empírica e sem nenhuma base científica o que acarretou em uma crença atávica de que a dor é algo que se deve conviver e que seu tratamento não depende somente dos recursos disponíveis para controlá-la. PRÉ-HISTÓRIA Na pré-história a concepção de dor para o homem neolítico era que a dor seria causada por uma força externa e que penetraria no corpo através de uma força verdadeira. A compreensão da dor como sendo de causa interna não existia. Havia o mito de que flechas ou fluídos mágicos dos espíritos penetrariam no corpo e causariam dor e esta, movimentos e alarme para o corpo. Segundo tal concepção o tratamento para a dor baseava-se na expulsão dos demônios ou remoção do objeto causal. Os Xamãs, feiticeiros e curandeiros eram indivíduos que apresentavam o poder de eliminar os maus espíritos do povo e estes se utilizavam de massagens, tratamento de água fria ou calor do sol, ulteriormente, calor do fogo e compressão das partes do corpo, provavelmente onde situavam-se estruturas nervosas e vasculares. Trepanações foram utilizadas na Idade Média e pelas tribos celtas assim como nos Mares do Sul e na África Equatorial com a finalidade de libertar os espíritos ou demônios. Os Astecas e os Maias apoiavam suas mãos sobre os formigueiros para aliviar a dor artrítica. Os aborígines australianos imaginavam que tratariam a doença e a dor dos seres humanos para objetos, portanto aqueciam pedras e aplicavam-nas sobre os pontos dolorosos. ANTIGUIDADE Mais tarde na Mesopotâmia, provavelmente onde surgiu a primeira civilização em 3500 a.C., acreditava-se que a dor seria um modo de punição. Considerava-se que as doenças resultariam da interferência dos deuses ou dos demônios no ser humano e que a cura poderia ser proporcionada por orações, exorcismos

e sacrifícios oferecidos aos deuses. No Egito antigo foi proposto que o coração seria o centro das sensações (sensorium commune) pois, de acordo com o papiro de Eder escrito cerca de 1500 a.C, acreditava-se que havia no corpo uma grande rede de vasos chamada de Metu, que veicularia a respiração da vida e as sensações ao coração. Tal crença também era compartilhada pelos hindus. No papiro de Eder havia a apresentação da farmacopéia egípcia, que continha recomendações sobre rituais, uso de papoula, hisciamina, escopolamina, e de meios físicos. Entre os meios físicos, utilizava-se de exercícios, calor, frio e massagem. A eletroterapia proporcionada por choques gerados de peixes elétricos, como o peixe torpedo do rio Nilo, era empregada para tratamento das neuralgias, da cefaléia e de outras condições dolorosas. Cirurgias, como a trefinação ou a trepanação do crânio eram também indicadas para aliviar cefaléias. Segundo os Indianos os pecados cometidos pela mãe e pelo pai poderiam causar doenças na prole. Buddha (623 a 543 a .C) atribuiu a universalidade da dor à frustração do desejo. A simbolização da dor na cosmologia e na antropologia chinesa é bastante rica, os indivíduos apresentariam duas energias que competiriam e estariam em equilíbrio entre si, o Yin e o Yang que governariam a energia vital, o Chi, que circularia em todas as partes do corpo através de uma rede de doze canais ou meridianos, conectados a todos os órgãos ou vísceras internas. A deficiência ou excesso da atividade ou da circulação de Chi causaria o desbalanço das duas forças, resultando na ocorrência das doenças e da dor. A terapia pela acupuntura teria a propriedade de corrigir o desbalanço e restaurar o fluxo de energia para eliminar a doença e a dor e alcançar o que os chineses definem como saúde. Na Grécia arcaica havia dúvida se a dor era sentida no coração ou no cérebro. Alguns textos gregos afirmavam que a dor era inabordável e intratável. Hipócrates em seus textos (430 a 380 a .C) valorizava a experiência dolorosa como sintoma pertencente ao quadro geral do doente. A dúvida foi levada por muitos anos e a teoria que o coração era o centro das sensações foi muito defendida por Aristóteles e perdurou

até a Idade Média quando seus conceitos passaram a ser questionados e o cérebro passou a ser considerado o centro das sensações. Na antiguidade Galeno (131 – 200 d.C) se destacou por produzir estudos do SNC e demonstrou que a dor poderia ser um sinal de destruição ou comprometimento de uma região específica do corpo. IDADE MÉDIA Na Idade Média (Era da Superstição) o conceito de dor como expressão de punição pelos pecados foi também provavelmente compartilhado pela civilização judaica. O crescimento do cristianismo na Europa Ocidental durante a Idade Média influenciou a medicina e o entendimento da dor, os cristãos viam a dor como forma de retribuição divina ou como sinal do indivíduo ter sido escolhido e assim, poder ser recompensado, crença essa que estimulava a adoção de atitudes de indiferença à dor, práticas monofásicas de mortificar a carne e de encorajamento para a ordenação, especialmente com flagelos. Confiava-se assim muito mais na cura pela fé que pelos medicamentos. Este panorama manteve-se até a eclosão das primeiras universidades, que ocorreu na Europa, durante os últimos séculos da Idade Média. No Renascimento, apesar dos avanços dos estudos de anatomia, fisiologia, física e química não houve melhora imediata quanto à compreensão do tratamento da dor. SÉCULO XVII Durante o século XVII René Descartes (1596-1650) foi um dos filósofos mais influentes do período pós-renascentista. Representou a transição entre os pensamentos filosóficos do passado e os que fundamentaram o pensamento após o inicio do século XVII. Em seu Discourse on Method, de 1637, generalizou o método matemático e desenvolveu a visão mecanicista do mundo. Combinou intuição com dedução dos fenômenos do mundo. Perpetuou o escolasticismo e as tendências especulativas tradicionais do passado. Opôs-se à teleologia de Aristóteles. Para Descartes, todos os objetos naturais seriam maquinas e seguiriam os princípios mecanicistas. Influenciou a teoria dualista mentecorpo quando imaginava que a verdade existiria através do corpo e dos objetos, porém o pensamento era proveniente do espírito e este seria separado do corpo, penso logo existo.

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Descartes distinguiu a dor dos fenômenos que a acompanhavam porque a alma reconheceria a fraqueza do corpo e a incapacidade de resistir aos ferimentos que o afetam. Avanços na área de anatomia e fisiologia foram realizados, porém a compreensão dos fenômenos dolorosos ainda estava restrita e as intervenções de tratamento não sofreram grandes modificações. Discutia-se a especialização das fibras do sistema nervoso e a sua capacidade em carrear informações. SÉCULO XIX Durante o século XIX muitos estudos anatômicos, fisiológicos e histológicos culminaram na formação de duas teorias clássicas de dor. A teoria da especificidade e a teoria do padrão de estímulos. Como descrito por Descartes, Avicena e Galeno quatro séculos atrás, a teoria da especificidade demonstrava que a dor era uma sensação específica com seu próprio componente sensorial independente de outras modalidades sensoriais como o toque ou temperatura, essa teoria era cientificamente embasada por estudos experimentais realizados por Von Frey e outros estudiosos entre 1894 e 1896, que tinham como objetivo localizar diferentes modalidades de sensibilidades no sistema nervoso central. A teoria do padrão de estímulos foi idealizada por Aristótoles, proposta primariamente por Darwin, porém só ganhou adeptos no século XIX. Em 1874 Goldsheider, propôs que todos os estímulos sensoriais eram capazes de produzir dor se alcançasse uma intensidade suficiente que excedesse o nível crítico do limiar de excitação dos receptores que normalmente são excitados por estímulos táteis térmicos ou se condições patológicas acontecessem fazendo com que houvesse somação central dos impulsos produzidos por estímulos não nocivos. Segundo ele, não existiam fibras específicas responsáveis pela veiculação de informações nociceptivas, mas vias especiais que eram ativadas preferencialmente na dependência da intensidade do estímulo, localização dos receptores e maneira desses receptores reagirem. Após a apresentação dos trabalhos de Goldsheider, que teorizava que os estímulos táteis intensos poderiam ativar vias dolorosas específicas na medula espinhal, é que a teoria do padrão de estímulos passou a ser mais aceita. 36

As duas teorias apesar de serem muito apoiadas por fisiologistas e alguns psicólogos, se opunham aos conceitos de Aristóteles de haver um componente afetivo para a dor, tal teoria era muito apoiada por filósofos e psicólogos. Devido à disparidade entre as duas teorias, em 1895, Strong, presidente da Associação de Psicologia Americana, propôs um componente sensorial e afetivo, recebendo apoio de Sherrington. Portanto, no final do século XIX, havia três conceitos conflitantes definidos por fisiologistas ou por psicólogos a respeito da dor: a teoria da especificidade, a teoria da intensidade e a teoria da afetividade. Durante esse período houve avanço da farmacologia para o tratamento da dor e vários meios físicos foram desenvolvidos incluindo a fototerapia, a eletroterapia, a hidroterapia, a termoterapia e a mecanoterapia. Esses tratamentos, combinados com técnicas preexistentes, tornaram os meios físicos muito importantes para o tratamento da dor. A corrente elétrica induzida artificialmente por Faraday (1791- 1867) passou a ser empregada na década de 1850, graças à construção de máquinas eletromagnéticas para estimular regiões do corpo, do que resultou a introdução da eletroterapia, que passou a ser utilizada no tratamento de várias condições. De 1860 a 1880 observou-se que a eletroterapia considerável número de dores, especialmente as neurálgicas. Grande número de livros e manuais de eletroterapia foram escritos em vários países ao mesmo tempo em que, foram desenvolvidos aparelhos portáteis e instrumentos especiais para várias aplicações. No fim do século XIX correntes de alta freqüência passaram também a ser empregadas no tratamento da dor. Entretanto, a galvanização era dolorosa, os aparelhos utilizados eram de difícil manejo, a corrente tinha intensidade inconstante e era rapidamente consumida e não produzia os resultados esperados, de modo que sua indicação tornou-se progressivamente menos freqüente. No século XX até 1960, as pesquisas sobre dor eram relativamente negligenciadas pelas entidades científicas. Somente alguns cientistas básicos e clínicos demonstravam algum tipo de interesse nesse campo. Muitos desses trabalhos eram realizados em animais e dedicavam-se à investigação dos

mecanismos e da fisiopatologia da dor aguda, pois não havia modelos apropriados para estudar a dor neuropática e a dor crônica. Em 1920 Henry Head, neurologista alemão, propôs a existência de um centro de dor talâmico influenciado por estudos que demonstravam que lesões corticais raramente aboliam a sensação dor e pelo contrário, muitas vezes a tornaram pior, sugerindo uma função inibitória controladora do córtex sobre o centro talâmico. Entretanto o papel do córtex nunca foi bem definido. Na década de 40, outra teoria que relacionava a percepção da dor e a reação frente essa dor propunha que a percepção da dor era algo que compunha mecanismos de recepção e condução nervosos básicos e primitivos. A reação à dor envolvia processos cognitivos complexos que eram influenciados por experiências prévias, cultura e fatores psicológicos que alterariam o limiar de dor. Na década de 1950, Sinclair e Wedel apoiaram a teoria do padrão de estímulos afirmando que todas as terminações de fibras eram iguais e que a dor era deflagrada pela estimulação intensa de receptores não específicos. Tal proposta ignorava as evidências fisiológicas de alta especialização das fibras e receptores. Em 1943, Livingston propôs a teoria na qual o estímulo doloroso resultava de uma lesão nervosa e/ou tecidual que ativaria fibras que projetavam a centros neuronais na medula espinhal criando atividade anormal em alguns neurônios locais que acabavam por bombardear as células de transmissão (T), que projetavam aos centros superiores relacionados com a percepção. Também dizia que havia ativação de células na medula espinhal (corno lateral e anterior), gerador de respostas autonômicas e motoras reflexas como espasmo muscular gerando um processo de círculo vicioso, somado a ansiedade e medo o que alimentaria o processo. De acordo com a teoria da interação sensorial proposta por Noordenbos em 1959 e originalmente conceituada por Goldsheider, há dois sistemas envolvendo a transmissão da dor. O primeiro era um conjunto de fibras amielínicas finas de velocidade lenta e o segundo, um conjunto de fibras mielínicas grossas de rápida condução. As fibras amielínicas se projetavam no corno posterior da medula e a somação


de aferência através delas levariam a informação para o cérebro produzindo dor, já as mielinizadas inibiriam a transmissão das fibras mielínicas evitando fenômeno de somatização de impulsos, tal teroria serviu de base para a teoria das comportas posteriormente proposta por Melzack e Wall em 1965. Esses autores reavaliaram a teoria da especificidade e da intensidade. Consideraram a especialização fisiológica, a somação central, o padrão de estímulos, modulação dos potenciais e a influência dos fatores psicológicos na expressão de dor, já que nenhum desses fatores sozinhos poderia explicar o fenômeno doloroso. Propuseram que a inibição pré-sináptica na medula espinhal decorreria da colisão entre potenciais dos aferentes primários e potenciais atindrômicos negativos presentes na raiz dorsal originados na substância gelatinosa do corno posterior da medula espinhal. A ativação das fibras de grossos calibres gerariam potenciais inibitórios sobre as células de transmissão T no corno posterior, entretanto, sabe-se que as fibras AG e C também possuem tal capacidade o que demonstra a ausência de correspondência anatômica, eletrofisiológica, neuroquímica e de achados clínicos que suportem a teoria como primariamente demonstrada. Entretanto, teve o mérito de inaugurar um conceito apropriado para justificar a sensibilidade que é o da interação sensorial, segundo o qual, as diferentes modalidades e qualidades sensoriais interagem entre si, modificando-se quanto à sua expressão. Os mesmos autores e outros propuseram outras interações fisiológicas e fisiopatológicas assim como a teoria da neuromatriz que será discutida na próxima edição e que culminaram na explicação da intervenção terapêutica multidisciplinar que os pacientes com dor crônica devem ser submetidos e da importância da realização de novos estudos meta-analiticos e controlados que visem minimizar o sofrimento da dor e não apenas seus componentes em separados como a nocicepção. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1, Figueiró, JAB; Teixeira, MJ, Rocha, RO, Marcon RM. Epidemiologia da dor. In: Dor Epidemiologia, fisiopatologia, avaliação, síndromes dolorosas e

tratamento. São Paulo: Ed. Moreira JR; 2001. pg 1-5. 2, Teixeira MJ, Marcon RM, Rocha RO, Figueiró JB. Epidemiologia clínica da dor. RevMed 1999; 78: 36- 54. 3, Teixeira, MJ, Okada M. Dor- Evolução histórica dos conhecimentos. In: Dor Contexto interdisciplinar. Curitiba: Ed. Maio; 2003. 15- 51. 4, Teixeira, MJ, Okada M. Dor- Epidemiologia Geral da dor. In: Dor Contexto interdisciplinar. Curitiba: Ed. Maio; 2003. 54 -66. Dor 5, Teixeira, MJ, Okada M. Dor- Epidemiologia das cefaléias. In: Contexto interdisciplinar. Curitiba: Ed. Maio; 2003. 68 –74. 6, Bingefors K, Epidemiology, comorbidity, and impact on health-related quality of life of self-reported headache and musculoskeletal pain - a gender perspective. Eur J Pain. 2004, p. 43550. 7, Bonica, JJ. History of pain concepts and therapies. In: Loeser JD. Bonica’s management of pain. Philadelphia: Willians & Wilkins; 2001. 3-168, Rey R. History of Pain. Paris: Éditions La Decouverte, 1993, p409. 9, ELMER, DRN, BOCKLEMAN, A. Pain in ancient times: healthcare professional version. Harvard: Harvard University Press. 10, Teixeira MJ; Pimenta CAM. Epidemiologia da dor. In: Dor: Conceitos Gerais. São Paulo: Ed Limay;1994. 57-61. 11, Meyer, D.J. Neurobiologia da dor. In: Andrew J. Robinson. Eletrofisiologia Clínica. Porto Alegre: Ed.Artmed; 2002.195-249. 12, Descartes, R. Quarta Parte. In: Discurso do Método, Regras para a Direção do Espírito. São Paulo: Ed. Martin Claret; 2004. 41-46. 13, Autiero, The interpretation of pain: the point of view of catholic theology. Acta neurochirurgica, 1987, p123-126. 14, Levinson, N.P, Pain and suffering: views of Jewish theology. Acta Neurochirurgica, 1987, p.129-131. AUTOR

GOSTARIA DE DESTACAR A IMPORTÂNCIA DESSA PUBLICAÇÃO PARA A FISIOTERAPIA ASSIM COMO PRA OUTRAS ÁREAS DA SAÚDE. A DOR REALMENTE NÃO É OBJETO DE ESTUDO DURANTE OS ANOS DE GRADUAÇÃO E POR ISSO NÃO É VALORIZADA E TRATADA DE FORMA ADEQUADA PELOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. A DOR É A PRINCIPAL RAZÃO POR CONSULTAS MÉDICAS EM TODO O PAÍS E QUANTOS DE NÓS NUNCA SENTIMOS ALGUM TIPO DE DOR? SERÁ QUE REALMENTE É NORMAL SENTIR DOR APÓS UMA CERTA IDADE? SERÁ QUE ELA AINDA NÃO É CONSIDERADA POR MUITOS UMA FORMA DE PUNIÇÃO OU APROXIMAÇÃO COM DEUS? ALGUMAS CRENÇAS E PENSAMENTOS SOBRE A DOR AINDA EXISTEM EM NOSSA SOCIEDADE, MUITAS VEZES PODENDO A DOR SER ABOLIDA OU DIMINUIDA ATRAVÉS DE PROCEDIMENTOS SIMPLES E BARATOS. ALGUNS ORGÃOS NÃO GONERNAMENTAIS E INSTIUIÇÕES VEM TRABALHANDO PARA A MELHORA DA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM DOR. ALGUNS HOSPITAIS JÁ POSSUEM CENTROS ESPECIALIZADOS EM DOR COM PROFISSIONAIS PREPARADOS PARA ATUAR NA ÁREA, PORÉM, AINDA SÃO POUCOS COMPARADOS COM A MAGNITUDE DO PROBLEMA NO PAÍS. FALTAM ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS E TÉCNICOS NO BRASIL E A INICIATIVA EM COBRIR ESSSA AUSÊNCIA DEPENDE DOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NA SAÚDE. GOSTARIA DE RESSALTAR QUE ESTE ARTIGO ACONTECERÁ EM ETAPAS PARA QUE OS LEITORES NÃO DEIXEM DE ACOMPANHAR A EVOLUÇÃO DO TEMA E SE CONSCIENTIZEM IMPORTÂNCIA DO TEMA. VICTOR CICONE LIGGIERI

Dr. Victor Cicone Liggieri Fisioterapeuta Responsável pelo processo de educação em dor aos pacientes da clínica CMPDOR. Tradutor e Intérprete COMENTÁRIO DO AUTOR

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COMPLICAÇÃO EM PRÓTESE MAMÁRIA DE SILICONE.

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CASUÍSTICA Paciente VLS, 45 anos, foi submetida ao procedimento cirúrgico de implante mamário texturizado, em 2001, retornou ao médico com queixa de dores na mama esquerda e endurecimento. Após exames de imagem e avaliação clínica, chegou-se a hipótese diagnostica de trauma, embora a paciente negasse. A equipe optou em retirar o implante, pois havia suspeitava da presença de seroma tardio (loja de transudato). No intra-operatório, a suspeita do trauma foi confirmada, pois havia presença de sangue no local e pouco seroma com tecido fibrótico. A equipe optou por substituir os implantes mamários, com a finalidade de correção da complicação. A paciente recebeu alta hospitalar, com orientação medicamentosa, mas sem acompanhamento imediato fisioterápico. A paciente no 3ºPO (terceiro dia pósoperatório) evoluiu para edema +++ (edema intenso segundo Godet), foi orientada a repousar e retornar no 7º PO, nesta avaliação a equipe orientou a paciente fazer auto massagem na mama para diminuir o edema , pois o edema havia estacionado. No 15º PO a equipe observou a deformação da mama esquerda, e na palpação à presença de fibrose na mesma região com deslocamento do implante para região axilar esquerda. Diante do ocorrido a equipe sugeriu o serviço de fisioterapia. Após minuciosa avaliação fisioterapêutica, inspeção, palpação e termográfica de contato, foi confirmada a presença de fibrose,

sendo que ela estava em um estágio reversível, a proteína fibrosa não havia sofrido maiores conformações, sendo indicado procedimento diário de eletrotermoterapia e massagem do tecido conjuntivo, associada a curativos para correção e posicionamento do implante mamário esquerdo. PROCEDIMENTO Utilizamos a corrente galvânica, associada à solução ionizável de Thiamucase e chá verde, a 2mA (miliampere) durante 7 min. (minutos) com polaridade negativa. Em seguida, aplicação gel fibrolítico manipulado, com ultra-som de 3MZ(megahertz) na intensidade de 0,5w/cm2, no modo de onda pulsada durante 5 min seguida do modo de onda contínuo durante 7 min. Com objetivo de descompactar a pele aderida, realizamos a massagem do tecido conjuntivo manualmente e pressão negativa com ventosas. O tratamento fisioterápico foi realizado diariamente durante 5 dias. RESULTADO Foi eliminada a fibrose e o implante foi reposicionado na sua cavidade correta sem a necessidade de traumatizar a pele. Este trabalho contribuir com a cirurgia plástica á evitar expor a paciente a um novo procedimento operatório. AUTORA Dra. Vilma Natividade Silva.

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INTRODUÇÃO: Na atualidade, o padrão de beleza imposto é voltado para um corpo estruturalmente bem formado e belo, assim existe uma crescente utilização de materiais sintéticos com este propósito. A colocação de implantes mamários ocupa um lugar de destaque nos dias atuais. Mulheres com pouca mama, ou submetidas á mastectomias utilizam os implantes com objetivo de substituir os tecidos moles com a finalidade de se enquadrar nos padrões de beleza e saúde. Por ser um procedimento relativamente simples não podemos esquecer que é um ato cirúrgico e, portanto requer um a boa avaliação e um bom planejamento clínico cirúrgico. Este procedimento cirúrgico será realizado somente por cirurgiões habilitados e os implantes deverão ter boa procedência, a fim de evitar respostas indesejáveis do organismo como, aderências, cápsula fibrosa retrátil, infecção, contratura capsulares e outras. O procedimento cirúrgico é um trauma que leva a rompimentos de capilares, causando deposito proteínas ativas no interstício, levando a formação do edema e a conformação das proteínas. Através de nossa experiência clinica, identificamos a importância do tratamento fisioterápico o mais precoce possível, para devolver a homeostasia (equilíbrio interno do organismo, segundo Claud Bernad). Sabemos que esta homeostasia é alterada através do aumento das pressões coloidosmótica e hidrostática, alterando a pressão linfática, fazendo que a somatória do edema mais a ativação das proteínas fibrosas no interstício tendo como resultado aderência e a fibrose, podendo deslocar a prótese mamária e deixá-la inestética. Assim a fibrose é o resultado de um processo de cicatrização tardio, po-

dendo ser evitado no pós-operatório imediato. A fibrose não ocorre somente na colocação da prótese mamária, ocorre em todos os processos de cicatrização, sendo que a fibrose será reversível ou não segundo o diagnóstico precoce, da profundidade do retalho cirúrgico e da saúde do paciente.

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Estudo clínico de complicação póscolocação de prótese mamária de silicone.


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Edição 46  
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