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OBRIGADO. Obrigado Ronaldinho e Dr. Nilton Petrone por mostrar ao Brasil e ao mundo do que a Fisioterapia nacional é capaz. É claro que a Fisioterapia de boa qualidade não se resume apenas em Dr. Nilton Petrone, neste exato momento, enquanto você lê este editorial, milhares de colegas tão competentes quanto o Dr. Nilton, fazem trabalhos maravilhosos, lindos, que também mostram para os parentes de seus pacientes e à população o mesmo que o Dr. Nilton mostrou. Pela questão da mídia que envolve o paciente do colega Dr. Nilton o trabalho dele ficou mais em evidência, mas isso não significa que ele seja o único, como ele mesmo afirma em sua entrevista. Então meu obrigado não é só para o Ronaldinho e ao Dr. Nilton Petrone, mas à todos vocês, profissionais competentes que através de seus trabalhos feito com profissionalismo mostram a cada dia o que é a Fisioterapia e me fazem sentir orgulho, encher o peito e responder em voz alta toda vez que me perguntam qual é a minha profissão. Sou Fisioterapeuta! Dr. Oston de Lacerda Mendes Editor Valeu Ronaldo! Valeu Dr. Nilton Petrone! A Fisioterapia é mais Pentacampeã do que nunca. Bom,  eu não poderia “rabiscar” uma vírgula sequer, antes de “extravasar” a felicidade de quem vê sua profissão tendo o reconhecimento que merece. Após 1 (uma) edição a frente deste novo cargo, gostaria de agradecer pelos vários e-mails recebidos, isso já é um resultado desta nova fase de trabalho que estamos implantando, partindo da INTERAÇÃO cada vez maior entre a edição e nossos leitores. Um exemplo disso foi à repercussão da entrevista da Dra. Maura Seleme, onde recebemos vários comentários à cerca do assunto abordado e estaremos publicando as outras vertentes de trabalho e opiniões, tudo isso visando à imparcialidade e transparência desta que é a primeira e maior Revista de Fisioterapia do Brasil. É isso aí, queremos criar debates, sugestões, críticas (sem perder o bom humor é claro), pois é assim que faremos a VERDADEIRA produção CIENTÍFICA através da PARTICIPAÇÃO DE TODOS. Dr. Fabiano Moreira da Silva Diretor de Edição

04 - Agenda. 06 - Cartas. 08 - Entrevista Carlos Azeredo. 10 - Entrevista Nilton Petrone. 13 - Ponto de vista: A Importância da Objetividade na Clínica Fisioterapêutica. 14 - Pilates, A Receita de Longevidade de Teresa Camarão. 16 - Eficácia da Hidroterapia no Tratamento Conservador da Hérnia de Disco Lombar. 22 - Abordagem Fisioterapêutica da Osteogênese Imperfeita. 24 - Atualização em Fixador Externo de Ilizarov: Aspectos Clínicos e Fisioterapêuticos.

Diretor e Editor Dr. Oston Mendes Diretora Comercial Luciene Lopes Diretor de Edição Dr. Fabiano Moreira da Silva Diretora de Correspondentes Karine Garcia Santos Assistente de Redação Diogo Santos Gerente de Produção Márcio Amaral Jornalista Responsável Rafael Vieira Rodrigues Assessoria Jurídica Dr. Walter Lambert de Brito Como Assinar: A Revista Fisio&terapia é uma publicação bimestral e somente é vendida por assinatura. As assinaturas podem ser feitas pelos telefones ou pelo Site onde você pode imprimir seu boleto bancário. Telefones: (21) 2249-8190 / (21)2294-9385 www.fisioon.com.br revista@fisioon.com.br Fale com a Redação: Comentários, sugestões, escreva para Revista Fisio&terapia. R. José Linhares, 134 - Leblon Rio de Janeiro - RJ Cep: 22430-220 A Revista Fisio&terapia não se responsabiliza por cartas e artigos assinados. Programação Visual e Web Desing. Uq programação visual marcio@fisioon.com.br


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DESC DATA CURSO CIDADE UF. TELEFONES AGOSTO Em Ago Mcconnell Taping - Bandagem Funcional São Paulo SP (43) 325-7656 / 0800 437008 Em Ago 1º Encontro de Fisioterapia da UNIGRANRIO D. de Caxias RJ (21) 9986-4072 15 a 19 Mobilização Neural Rio de Janeiro RJ (21) 2543-8434 5% 16 a 18 Mulligan Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9836-7331 17 e 18 Curso de Escoliose Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 17 e 18 Fisio. Respiratória no Leito e no Ambulatório Niterói RJ (21) 2610-2626 17 e 18 Curso de Especialização em Acupuntura Curitiba PR (41) 225-6670 17 e 18 Pós-Graduação em Fisio. Neurofuncional / UGF Porto Alegre RS 0800 7720149 18 a 23 Curso de Osteopatia (1ª Turma) Belo Horizonte MG (31) 3227-1662 / 3227-1172 20 a 23 3ª Semana Acadêmica de Fisioterapia da UEPA Belém PA (91) 9986-6258 / 9603-9337 22 a 25 Mobilização Neural / Módulos A e B Curitiba PR (11) 4231-3709 23 a 25 6º Curso de Formação de Cons. em Ergonomia São Paulo SP (11) 3034-3279 23 a 25 Curso de Terapia Manual e Postural / Módulo II Fortaleza CE (85) 242-9444 23 a 25 Trigger Points “Terapia Manual Integrada” Curitiba PR (41) 225-6670 24 e 25 Pós-Graduação em Fisioterapia Desportiva / UGF Belo Horizonte MG 0800 7720149 10% 24 e 25 Bola Suíça Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9909-9461 24 e 25 3ª Turma de Biomecânica / Módulo I (88h) Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 24 e 25 Fisio. Respiratória no Leito e no Ambulatório Niterói RJ (21) 2610-2626 10% 24 e 25 Fisioterapia Dermato Funcional Dra. Elaine Guirro Campinas SP (19) 3273-4550 / 9138-7711 28 a 31 Jornada de Fisio. em Pneumologia da UCSAL Salvador BA (71) 9971-4804 29 e 30 5º Congresso Brasileiro de Ergonomia São Paulo SP (11) 5589-1489 29 a 01 Radiologia - Apoio Instituto Philippe Souchard Salvador BA (71) 331-8905 / 331-6272 30 a 01 Dermato Funcional Dra. Elaine Guirro Brasília DF (61) 340-2344 / 347-5457 10% 30 a 01 Drenagem Linfática Corporal Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9909-9461 31 Fisioterapia Respiratória no Leito e no Ambulatório Niterói 31 Neurociências Tratamento de Lesões do S.N Rio de Janeiro RJ (21) 2562-6150 / 2590-4891 31 Eletrotermoterapia Aplicada a Fisioterapia Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 31 Lesões, Fraturas e Traumatismos de MMII Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 31 e 01 Pós-Graduação em Fisio. Neurofuncional / UGF Recife PE 0800 7720149 31 e 01 Pós-Grad. em Fisio. Traumato-Ortopédica / UGF Juiz de Fora MG 0800 7720149 31 e 01 Pós-Grad. em Fisioterapia Neurofuncional / UGF Juiz de Fora MG 0800 7720149 31 e 01 Terapia Manual e Cinesioterapia Niterói RJ (21) 2610-2626 31 e 01 3ª Mostra de Fisioterapia do Vale do Aço Ipatinga MG (31) 3826-5766 / 9126-7126 31 e 01 Curso de Pilates com Profª Elaine de Marcondes Rio de Janeiro RJ (21) 2537-5017 / 2527-5510 SETEMBRO Em Set. Eurofisio (Cursos, Visitas e Palestras) Londrina PR (43) 324-9000 Em Set. Internacional de Formação do Método Cyriax Londrina PR (43) 324-9000 Em Set. Internacional de Terapia Manual Kabat São Paulo SP (43) 325-7656 / 0800 437008 01 e 15 Eletrotermoterapia Aplicada a Fisioteapia Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 01 e 15 Lesões, Fraturas e Traumatismos de MMII Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 02 a 06 4ª JOFIC - Jornada de Fisioterapia do CESUMAR Maringá PR (44) 227-6360 r. 136 04 Palestra: Plantas Contra Dores Neuromusculares Rio de Janeiro RJ (21) 2205-1570 06 e 07 ABC da Fisioterapia Respiratória Rio de Janeiro RJ (21) 2208-5568 / 9844-0970 06 a 08 3ª Jornada para Calouros de Fisio. do Bennett Rio de Janeiro RJ (21) 2422-2041 / 9866-5915 09 a 13 5º Simpósio de Fisioterapia da UMC Mogi das C. SP (11) 4699-1345 12 e 13 A Revolução no Mercado de Trabalho da Fisio. Salvador BA (71) 341-4100 / 9988-9017 Esp. 12 a 16 Técnicas do Sistema Músculo-Esquelético Rio de Janeiro RJ (21) 2570-8920 / 2285-4564 12 a 17 As Cadeias Musculares do Tronco / Módulo I Belo Horizonte MG (31) 3226-4836 / 9958-4479 10% 13 a 15 Curso de Endermoterapia Rio de Janeiro RJ (21) 3273-2210 14 Terapia Manual e Cinesioterapia nas Lesões Niterói RJ (21) 2610-2626 14 e 15 Fisioterapia Obstétrica com Dra. Ivone Brauns Rio de Janeiro RJ (21) 2422-2041 / 9866-5915 5% 14 e 15 Curso de Watsu Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9909-9461 14 e 15 Atuação Fisioterápica em UTI Niterói RJ (21) 2610-2626 14 e 15 Biomecânica / Módulo II Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 14 e 15 Pós-Grad. em Fisioterapia Desportiva / UGF São Paulo SP (11) 3271-0289 14 e 15 Pós-Grad. em Fisio. Traumato-Ortopédica / UGF São Paulo SP (11) 3271-0289


DESC DATA CURSO CIDADE UF. TELEFONES 20% 17 a 19 3ª Jornada de Fisioterapia da UNINCOR Três Corações MG (35) 9102-9890 19 a 22 Estabilização Segmentar Vertebral I Rio de Janeiro RJ (21) 2543-8434  20 a 22 Cervical “Abordagem Neuro-Músculo-Esquelética” Campinas 10% 21 e 22 Manipulação Terapêutica do Paciente com Dor São Paulo SP (11) 6996-2645 / 6952-2035 21 e 22 Fisioterapia em UTI Niterói RJ (21) 2610-2626 21 e 22 Fisio. em Pacientes Infantis Portadores de PC. Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 21 e 22 Bases Neurofuncionais para Fisioterapia Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 23 a 27 1ª Semana Acadêmica de Fisioterapia - IPA Porto Alegre RS (51) 9981-7210 / 9153-9640 25 a 28 3º CONNEFI (Congresso Norte-Nordeste de Fisio.) Belém 25 a 28 3ª Jornada Gaúcha de Fisioterapia - IPA Porto Alegre RS (51) 9981-7210 / 9153-9640 10% 26 a 29 Maitland - 1º Módulo Coluna Cervical e Torácica Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9909-9461 26 a 29 Tuina “Massagem Chinesa” Curitiba PR (41) 225-6670 27 a 29 Formação de Cons. em Erg. CNROSSI São Paulo SP (11) 3034-3279 27 a 29 Anatomia Clínica Rio de Janeiro RJ (21) 2570-8920 / 2285-4564 28 e 29 3ª Turma de Biomecânica (88h) / Módulo III Rio de Janeiro RJ (21) 3084-5799 / 9388-4101 10% 28 e 29 Manipulação Terapêutica do Paciente Neurológico São Paulo SP (11) 6996-2645 / 6952-2035 28 e 29 Atuação Fisioterápica em UTI Niterói RJ (21) 2610-2626 OUTUBRO Em Out. Hidroterapia: Método Bad Ragaz São Paulo SP (43) 325-7656 / 0800 437008 Em Out. Hidroterapia nas Algias - Peggy Schoedinger São Paulo SP (43) 325-7656 / 0800 437008 Em Out. Hidroterapia: Método Halliwick Peggy Schoedinger São Paulo Em Out. RPG - Philippe Souchard Brasília DF (61) 340-2344 / 347-5457 03 a 06 Mobilização Neural / Módulos A e B Campinas SP (19) 3213-6822 10% 04 a 06 Fisioterapia no Pré e Pós de Cirurgias Plásticas Nova Friburgo RJ (22) 2523-8863 / 9909-9461 05 e 06 Atuação Fisioterápica em UTI Niterói RJ (21) 2610-2626 r. 239 05 e 06 Fisioterapia Dermato-Funcional e Estética Niterói RJ (21) 2610-2626 r. 239 06 a 13 2ª Semana do Fisioterapeuta Belo Horizonte MG (31) 9141-7791 10% 09 a 13 33º ENAF Poços de C. MG (35) 3222-2344 RJ 10 a 14 Conceito Maitland / Módulo I Rio de Janeiro RJ (21) 2543-8434 


“Filé”, o Fisioterapeuta do craque PENTACAMPEÃO, Ronaldo “fenômeno”, visitou Ipatinga e inaugurou o laboratório da UNIVAÇO. Como parte do cronograma de 2002, o curso de Fisioterapia da UNIVAÇO, hoje administrado pela CESVALE, encerrou o 1º semestre letivo inaugurando seu laboratório, que será utilizado pelos alunos nas aulas práticas de cinesiologia, patocinesiologia, cinesioterapia, recursos terapêuticos manuais, fundamentos da fisioterapia e fisioterapia geral. Além de cumprir com mais esta meta aos alunos, a inauguração contou com a presença do Fisioterapeuta, Dr. Nilton Petrone (Filé), atualmente da Inter de Milão (Itália) e uns dos principais responsáveis pela recuperação do craque Ronaldo (fato esse declarado pelo jogador logo após a conquista do Penta ainda no gramado). Como forma de reconhecimento a seu trabalho em prol da Fisioterapia, o laboratório leva seu nome, salienta o coordenador do curso e Delegado Regional do CREFITO 4, Dr. Fabiano Moreira. “Foi graças a perseverança e coragem do Nilton que a Fisioterapia ganhou destaque na mídia de aproximadamente 8 anos para cá, na proporção que ela merece, e quando apresentei seu nome aos alunos, a aprovação foi absoluta”. Tive a oportunidade de trabalhar com o “Filé” no Flamengo e Fluminense e sei o quanto sua humildade foi decisiva para seu sucesso, e isso que sempre procuramos frisar com nossos alunos, o exemplo de dedicação e simplicidade para se obter o sucesso. Só para relembrar, enquanto muitos afirmavam que o Ronaldo não voltaria a jogar, e que se isso acontecesse, nunca mais ele seria o mesmo, aí esta o resultado da copa mostrando o contrário. Graças ao trabalho do Nilton, hoje temos grande parte da conquista do Penta campeonato graças aos pés do

artilheiro Ronaldo. Para nossa faculdade foi motivo de orgulho receber um profissional da envergadura dele pela 1ª vez em nossa região e nos ceder seu nome para nosso laboratório. Indagado sobre a região, Nilton Petrone elogiou a cidade e afirmou que Ipatinga é um exemplo de cidade para se viver, principalmente pela hospitalidade do povo, da imprensa e a organização da cidade.

Um pequeno alerta aos fisioterapeutas. Campos Eletromagnéticos provenientes do Equipamento Terapêutico de Dia-termia. Uma revisão bibliográfica dos perigos e precauções. Os resumos que embasam o presente trabalho apresentam os riscos a que estão submetidos os fisioterapeutas que trabalham com os equipamentos de diatermia por ondas curtas. Muitos dos efeitos a que estão submetidos, ainda hoje, são objetos de estudo e pesquisa, o que nos possibilita antever significativas mudanças no médio e longo prazo, em relação ao uso destes equipamentos, no que tange a seguridade dos profissionais envolvidos com seu uso. GRIFFIN, James E, e Kerselis. Terence C., observam que os profissionais ao utilizarem o recurso terapêutico do ondas curtas, deve a pelo menos a cada 05 (cinco) minutos de aplicação, reavaliar a sintonia pré-estabelecida. Esta orientação é decorrente da alteração da impedância da pele em função do aumento da temperatura local. Por outro lado, é sabido que o paciente não consegue permanecer totalmente imóvel em igual período, o que para um tratamento eficaz obriga o profissional a ter que refazer a sintonia em períodos menores dos que os pré-estabelecidos por GRIFFIN, et alli.

Da permanência dos profissionais junto aos equipamentos de ondas curtas decorre o trabalho de Colin J. Martin e colaboradores que enfatizam os efeitos prejudiciais que os campos eletromagnéticos causam aos profissionais da saúde. Ainda dentro desta linha de pesquisa, HAMBURGER et alli demonstram a existência de uma ligação entre as cardiopatias, notadamente a cardiopatia isquêmica decorrente da elevada exposição dos profissionais aos campos eletromagnéticos do ondas curtas. Também valiosa , é a contribuição dada por KALLEN et alli que comunicaram uma incidência de morte ou de malformações acima do normal em bebês nascidos de mães envolvidas na operação de aparelhos de ondas curtas. Baseado nestas informações que a IBRAMED foi a campo, pesquisou e desenvolveu e lançou o Thermopulse Automatic, onde a presença do profissional é totalmente dispensada da área de aplicação. O principio operacional envolvido no Thermopulse Automatic é o de entender o paciente como integrante do circuito e a toda e qualquer alteração no circuito, em especial por movimentação do paciente, o Thermopulse Automatic refaz a leitura do circuito buscando sempre a condição de ideal previamente programada pelo fisioterapeuta. Objetivando prover de seguridade, nossos amigos, colaboradores e clientes, a IBRAMED antecipa aos concorrentes ofertando aos profissionais um equipamento que dentro do estado da arte atual satisfaça ao quesito de segurança pessoal. Para maiores detalhes entre em contato com a rede de distribuição ou pessoalmente com a: IBRAMED Telefax: (19) 3807-9633 e-mail: ibramed@ibramed.com.br www.ibramed.com.br


SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA SEXTA REGIÃO CREFITO - 6 Av. Rogaciano Leite, 432 - CEP: 60.810-000 Fortaleza/Ceará - Fone: (85) 241-1456 Fax. (85) 241-0600 e-mail: crefito6@secrel.com.br

OFICIO CREFITO-6/GAPRE/ Nº 240/2002 Fortaleza, 29 de julho de 2002 Prezado Editor: O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Sexta Região, CREFITO-6, Autarquia Federal com Jurisdição nos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas e Roraima, por sua Presidente, abaixo assinada, vem à presença de V.Sª., expor e requerer o seguinte: I – Tomamos ciência de nota publicada às folhas 07 da Revista Fisio&terapia, ano VI, Nº 32, abril/maio de 2002, responsabilidade de um grupo de fisioterapeutas do Estado do Amazonas, em que acusa o CREFITO-6 de omissão, ao não tomarmos nenhuma providência para coibir um concurso público para a contratação temporária de “auxiliares de fisioterapia”, por parte da Secretaria de Estado de Administração-SEAD; II – Referida nota, além de injuriosa a esta entidade autárquica, não condiz com a verdade, haja vista que recebemos denúncia via e-mail, do Dr. Rauirys Alencar de Oliveira, da Delegacia do CREFITO-6 no Estado do Amazonas, em 15 de outubro de 2001 (DOC Nº 01), e no dia seguinte, 16/10/2001, enviamos ofício de notificação ao Secretário de Estado Coordenador da Administração, Recursos Humanos e Previdência do Estado do Amazonas, Dr. Lourenço dos Santos Pereira Braga, (DOC Nº 02), para que o mesmo retificasse o edital publicado, excluindo a categoria dos “auxiliares de fisioterapia”, por não se constituir em profissão regulamentada Por Lei, e portanto ilegal, sob pena de incorrer em contravenção penal por favorecimento ao exercício ilegal da profissão de fisioterapeuta, além de ato de improbidade administrativa; III – Este Conselho em nenhum momento foi omisso, e sim, tomou as providências imediatas notificando a autoridade administrativa responsável pela emissão da ilegalidade cometida, cumprindo assim com a nossa competência legal de “fiscalizar o exercício profissional na área de sua jurisdição representando, inclusive, às autoridades competentes, sobre os fatos que apurar e cuja solução ou repressão não seja de sua alçada” (art.7º, III, da Lei Nº 6.316/75);

Atenciosamente

Dra. Bernadete de Lourdes Alencar Gadelha Presidente


Entrevista Dr. Carlos Azeredo Nesta edição, entrevistamos, a pedido dos leitores, a maior referência em Fisioterapia Respiratória, Dr. Carlos Alberto Caetano Azeredo. Carioca nascido em 04 de maio de 1951, desquitado, pai de 3 filhos, Rodrigo com 20 anos que cursa direito na UFRJ, Karina com 17 anos que ele espera que faça fisioterapia e Ana Carolina com 15 anos que segundo ele, dança ballet como ninguém e pretende fazer arquitetura. Quando e onde você se formou? Me formei e colei grau no dia 18 de dezembro de 1973 pela escola de reabilitação do Rio de Janeiro - antiga ABBR, portanto em dezembro estarei fazendo 29 anos de profissão – com certeza uma vida ou simplesmente uma longa jornada. Por que você escolheu a fisioterapia como profissão? Sinceramente escolhi a fisioterapia por acaso. Sei lá, acho que tinha que ser. Acho que tinha que ser este o meu caminho, o meu destino. Talvez a única coisa certa que eu tenha feito na vida sem arrependimento. Com certeza faria tudo outra vez. Quando você escolheu a fisioterapia respiratória como seu carro chefe, ainda quando acadêmico ou depois de formado? Escolhi a fisioterapia respiratória logo depois da graduação – 1974 - porque eu era muito ligado em pacientes com lesão medular e muitos deles vinham a falecer de problemas respiratórios. A vinte e nove anos atrás pouco se podia fazer por eles a não ser tapotagem e nebulização com soro fisiológico e fluimucil. Tive a oportunidade de em 1974 ir aos Estados Unidos onde pude pela primeira vez entrar em contato com os terapeutas

respiratórios do hospital Rancho Los Amigos - Los Angeles e com certeza quando voltei ao Brasil tive a oportunidade de colocar muita coisa nova em prática. Por incrível que pareça acho que fui o primeiro fisioterapeuta brasileiro a entrar em contato com a aplicação de peep subaquática em pacientes sob ventilação mecânica. Hoje você é conhecido como um profissional de referência na fisioterapia respiratória, seus cursos que acontecem uma vez por ano em janeiro são lotados com aprovação de 100% dos participantes. Na sua opinião, qual o motivo de tanto sucesso? Quanto aos meus cursos conhecidos como – Curso Nacional de Fisioterapia Respiratória são talvez a melhor coisa que eu costumo fazer. Me dedico a eles com bastante profundidade e clareza. Procuro a cada curso renovar e estar sempre atualizado. O curso é bastante mágico, pois o principal objetivo que eu procuro inserir neles é o da mensagem otimista de que a fisioterapia respiratória é especial. Em fevereiro de 2003 estarei realizando o XX curso – portanto completando 20 anos de sucesso. Você também é conhecido por ser um profissional polêmico no sentido de não abaixar a cabeça e defender suas opiniões mesmo que para isso tenha que se indispor com outros profissionais ou até mesmo sair do local do trabalho, isso é verdade? Quanto a ser polêmico no sentido de não abaixar a cabeça etc, esse assunto é o mais delicado dessa entrevista porque não quero que o leitor interprete errado o que irei expor. Tenho dentro de mim um lado ideológico bastante forte – foi tudo que me

Por: Dr. Oston Mendes motivou a chegar aonde cheguei. É uma simples questão de acreditar naquilo que se aprende com dificuldade e sabemos fazer. Particularmente eu acredito demais na fisioterapia, sou alucinado nessa crença, e evidentemente na capacidade e na qualificação do fisioterapeuta. Apesar de achar que grandes mudanças vêm sendo realizadas no âmbito da equipe multiprofissional, ainda acho, e esta é uma opinião minha, particular, e respondo por ela, que o médico em uma boa parte dos que exercem a medicina em âmbito hospitalar é um profissional arrogante, senhor da verdade, um Deus absoluto que pensa reinar absoluto no hospital. Acho na questão multidisciplinar que muitos processos que são difundidos principalmente pelas sociedades médicas na verdade não passam de utopia e são falsos. Acabam sendo ações corporativistas que só beneficiam os médicos. Pareço polemico e não gostar de médicos, mais no fundo não é nada disso. Sou coerente e respeito os médicos especiais, pois procuro sempre o bom senso e o diálogo com eles mais em nenhum momento abro e abrirei mão dos meus direitos que são respaldados pelo código de ética da minha profissão. O paciente também é meu. Atualmente, onde você trabalha e quais os seus projetos? Atualmente estou com o coração, o corpo e a alma envolvida com a família Veiga de Almeida. Tenho certeza que a nossa Universidade está em uma fase maravilhosa de crescimento, criatividade e competitividade. Nosso curso de fisioterapia coordenado pela colega e amiga desde os tempos que cursamos juntos a fisioterapia na ABBR professora Ione Moezia de Lima está em plena evolução para se tornar o melhor


curso aqui no Rio de Janeiro. Na Universidade Veiga de Almeida eu estou coordenando a Clínica de Fisioterapia a qual pretendo transformar ainda este ano em um centro de referência internacional na área de fisioterapia respiratória pela qualidade e excelência dos nossos projetos e realizações. Coordeno uma equipe maravilhosa de fisioterapeutas novos super competentes com a ajuda de duas colegas e amigas indispensáveis para o sucesso de qualquer grande projeto (Dra. Maria Cecilia Pinho e Dra. Dayse Lucid Brasileiro). Na Clínica da Veiga consegui realizar um velho projeto com a criação do CDD - Centro de Disfunção Diafragmática, que na realidade é um centro para atendimento a pacientes dependentes de ventilador mecânico e com desmame difícil interagindo com o setor de fisioterapia respiratória da clínica coordenado pela Dra. Alessandra Queiroz. Aproveito a oportunidade para convidar o leitor para acessar o nosso site – www.cddrj.com.br para ter acesso ao que estamos realizando concretamente. Estou também coordenando os pós- graduações em fisioterapia respiratória da Universidade Veiga de Almeida, merecendo destaque para o pós de Fisioterapia em Ventilação Mecânica que começa em setembro e que é um antigo sonho meu. Continuo atendendo os meus pacientes sempre que convidado no Rio de Janeiro e em outros estados. Coordeno também a empresa Advance Respiratory Home Care através da qual presto serviço em doentes domiciliares em regime de home care. Estou lançando dois novos livros pela Manole – o principal é A Ventilação Mecânica para Fisioterapeutas o outro é um projeto para a universidade, retratando a nossa referencia em fisioterapia respiratória. Outro dia, eu ouvi você falar em aposentadoria, você estava brincando ou isso é sério?

Quanto à aposentadoria, confesso que ando bastante cansado. A agenda de compromissos hoje é muito grande, o peso das responsabilidades acadêmica e profissional é bastante desgastante. Tudo nesse país passou batido para a minha geração – frustrações, decepções e a constante difícil luta para sobrevivermos com alguma dignidade. Acho que já fiz muito pela profissão. Fiz tudo serenamente e com vontade de ver as coisas irem a frente. Hoje tenho certeza que escrevi boa parte desta historia. Fui leal ao meu ideal, fui leal com os colegas, fui polêmico com a classe médica mas tenho certeza que ajudei e muito a trazer a fisioterapia respiratória a ponto de ser reconhecida como uma

ainda para realizar. Tenho que continuar dando a clínica da universidade a maior atenção possível, pois nela estará a base da concretização de tudo. É só questão de tempo e vocês verão. Em todas as entrevistas que eu faço, eu termino pedindo uma mensagem para os leitores da Revista, que mensagem você tem para dar? Aos assinantes, gostaria de parabenizar pela escolha da Fisio&terapia e dizer que a luta será constante, os altos e baixos sempre acontecerão assim como os desencontros e os reencontros. Para aqueles que acreditarem a fisioterapia será sempre a resposta para novas oportunidades. Será sempre a porta aberta para novas conquistas em todos os campos. Para aqueles que acreditam em sonhos a fisioterapia foi feita para pessoas especiais e que sonham acordados, em pé, deitado em qualquer posição e em qualquer lugar. Só peço se possível que sejam simples, humildes, racionais, éticos e não desafiem o centro de gravidade – cabeça sempre erguida, olhando para frente. Tenham auto estima, acreditem no potencial. Transformem cada vez mais a fisioterapia pela razão e pelo amor. Que Deus ilumine a todos e quanto a mim que ele me dê forças para continuar sendo o idealista que sempre fui, o amigo e fiel defensor.

das melhores do mundo e para os médicos especiais ela é parceira essencial. Agora quero reconstruir e resgatar coisas que por força do meu ímpeto e muitas ações passionais deixei talvez de curtir no tempo certo. Quero mais é que os colegas jovens sigam suas trajetórias com liberdade, respeito ético, sejam leais para com a fisioterapia e para com os fisioterapeutas. Estou com 51 anos e quero de alguma forma continuar a contribuir com aquilo que estiver ao meu alcance para a fisioterapia. Pessoalmente tenho grandes projetos


Entrevista Dr. Nilton Petrone Nós já o entrevistamos em edições anteriores, mas não poderíamos deixar de entrevistá-lo mais uma vez. Com vocês, Dr. Nilton “Filé” Petrone. Fisio&terapia - Quando você decidiu estudar Fisioterapia? Nilton Petrone - Eu estudei fisioterapia em uma época que praticamente ninguém conhecia fisioterapia, isso foi em 79. Na verdade eu não iria fazer fisioterapia, minha família queria que eu estudasse Direito, fosse um advogado, aquela coisa! Um dia uma amiga me ligou e me disse para ir com ela fazer matrícula para o vestibular de fisioterapia e eu nem sabia o que era isso, mesmo assim eu fui, e lá chegando eu visitei o anatômico, os laboratórios li um pouco sobre a profissão e na hora eu comecei a me identificar com a profissão, houve uma ligação. Logo no início eu já fazia estágio no primeiro período, o que todo mundo diz que não deve, e de lá pra cá foi muito estudo, muito trabalho para pagar a faculdade, mas estou aqui, sobrevivi. Fisio&terapia - Onde surgiu esse apelido, Filé? Nilton Petrone - Isso foi quando eu estava tratando do Romário, eu era bem mais magro do que sou agora, e ele me chamava de Filé de borboleta, daí surgiu o apelido. Fisio&terapia - Por que a escolha da Fisioterapia em jogadores, você já foi jogador de futebol? Nilton Petrone - Bem, eu sou carioca do bairro Maracanã, pertinho do estádio do Maracanã, talvez venha daí a ligação com o futebol. Já joguei futebol de salão, mas nunca tive idéia de trabalhar na área desportiva. Tudo começou assim: eu me formei e comecei a trabalhar com

neurologia, estimulação precoce, e fui estagiário por muito tempo do Dr. Samarão Brandão. Trabalhei no Instituto de Reabilitação Motora, e a minha área mesmo, no primeiro momento, foi a neurologia. Passei por todas as áreas da fisioterapia: Respiratória fiz com Dr. Carlos Azeredo e C.T.I fiz com Dr. Antônio Pereira lá no Hospital de Bonsucesso. A Fisioterapia Desportiva veio depois.

Por: Dr. Oston Mendes

aquele disse me disse, vai não vai, mas após o inicio do tratamento em alguns dias o Romário já estava andando e em uma semana depois o Romário já estava bem melhor. Resumindo, o Romário ficou bom em trinta dias! Se jogou ou não jogou é outra questão. Foi então que a polêmica que essa história causou, que acabou gerando estas manchetes, e provando que o Fisioterapeuta é um membro indispensável na equipe, com a Fisio&terapia - Como foi que você co- sua responsabilidade técnica, científica nheceu o Romário e se transformou em e autonomia para aquele ato que é de “O Milagre em Forma de Gente” ou “São exclusividade dele. Filé Santo Milagreiro” como apareceu nos jornais e revistas da época? Fisio&terapia - E como é que você coNilton Petrone - Um dia na Clínica um nheceu o Ronaldo? empresário que era meu paciente chegou Nilton Petrone - Conheci o Ronaldo em e disse: “Doutor, tem um amigo meu que 96 através do Romário. O Ronaldinho tá quebrado, mas eu tenho certeza que tinha feito uma raspagem na tíbia, e ligou você vai dar jeito nele”, eu nem sabia de para o Romário perguntando sobre meu quem se tratava. À tarde, o telefone toca trabalho. Ele tinha 18 anos. Ainda estava e o Maurício, um professor de Educação no PSV, fez um trabalho comigo, e se Física e Preparador Físico do Vasco, recuperou bem e depois foi considerado pessoa em quem o Romário tinha extre- o melhor jogador do mundo. ma confiança, pelo telefone me disse: “Olha Nilton, eu trabalho no Vasco, e Fisio&terapia - Você não ficou com tô com esse pepino na mão (a respeito medo de tanta responsabilidade? da contusão do jogador Romário), queria Nilton Petrone - Não. Eu sabia o que sentar com você e discutir o caso”. Foi estava fazendo, se eu tivesse alguma dúaí que eu comecei a tratar do Romário. vida não faria, se você não tem condições Eu pedi que me mandassem os exames, de assumir um tratamento não assuma. e fui ver o que era! Já haviam dito para Se você acha que não vai conseguir dar ele que não havia mais condição para conta do recado não faça! É melhor você a recuperação até a data prevista para não fazer do que fazer errado. Quando Copa, que era de 60 dias, no caso dele, isso acontece você não só se prejudica só seria possível voltar a jogar com, no como prejudica à todos. mínimo, uns 4 ou 5 meses. Ele teve lesão de sindesmose e ruptura dos 3 feixes do Fisio&terapia - Nessa fase do Ronaldiligamento Deltóide, ainda fratura e lu- nho no PSV, ele teve um ganho de massa xação, e como não houve o tratamento muscular muito grande, não correto no início, o caso se complicou houve erro na condução das atividades ainda mais. Depois de examinar bem o físicas? caso eu disse: “Eu compro a briga! Co- Nilton Petrone - O ganho de massa musloco você bom em 30 dias!” Aí então foi cular foi proporcional ao treinamento


que estava fazendo, agora eu acho que ele precisaria fazer um trabalho preventivo Fisio&terapia - Existe uma proximidade e ele sabia disso. maior com o Ronaldinho que com os outros atletas? Fisio&terapia - Então ele fez? Nilton Petrone - Trabalho com todos Nilton Petrone - Não sei, porque depois de igual forma, mas não podemos negar disso eu fiquei quase 03 anos sem ver que em 02 anos e meio, eu praticamente o Ronaldinho e só fui ter notícias dele ficava todos os dias com ele para lá e para depois na Copa do Mundo de 98 que ele cá e ficamos amigos, deixou de ser apenas começou a sentir dor no joelho, com a uma relação terapeuta-paciente. Eu dei tendinite e me chamou na Itália porque muito apoio moral como amigo e recebi lá não davam solução e eu fui fazer o também esse mesmo apoio em meus motrabalho com ele, você até teve lá nesta mentos difíceis. Eu perdi um filho nesta época, e realmente a dor cedeu e ele época e ele me deu muita força quando voltou a jogar, participou de parte do eu precisei. campeonato italiano, no meio disso tudo a Inter me contratou e eu continuei como Fisio&terapia - O que seu filho tinha? fisioterapeuta dele e da Inter. Depois veio Nilton Petrone - DMP - Distrofia Musa seleção Brasileira também. cular Progressiva! Fisio&terapia - Você informa sempre aos seus pacientes dos trabalhos que devem ser feitos? Nilton Petrone - Claro! Eu explico tudo. Meu paciente sai informado do que acontece no tratamento. “Estou aplicando este tratamento por esse e esse motivo”, assim quando ele estiver em outro lugar e perguntarem para ele o porque daquele tratamento, ele sabe direito quem é fisioterapeuta e quem não é. Fisio&terapia - Você ainda trabalha na Inter? Nilton Petrone - Sim, o contrato é de 3 anos. Inicialmente eu tinha um contrato só de consultoria, passou depois a ser um contrato permanente em função da necessidade que o Clube viu da minha aproximação do Ronaldo e dos outros jogadores.

diferentes das utilizadas por nós... Qual é o segredo? Nilton Petrone – Não faço nada de especial, apenas vejo a fisioterapia de uma forma diferente. Para mim a fisioterapia não é só uma Ciência, ela é mais do que uma Ciência ela é uma arte e eu vivo intensamente essa relação com o meu paciente, se eu sentir que ele não está envolvido com essa magia, tenho certeza que nenhum fisioterapeuta irá conseguir tratá-lo. Então quando eu trato alguém eu o trato de corpo e de alma e aí eu passo motivação, força de vontade, garra e recebo também essa energia positiva que eu acredito. Eu sou apaixonado pela Fisioterapia. Provavelmente existam no Brasil e no Mundo fisioterapeutas muito mais competentes e talvez alguns com muito mais conhecimento do que eu, Fisio&terapia - Você disse que ficou 2 mas certamente poucos com o amor que anos e meio tratando dele praticamente eu quero transferir. todos os dias, o dia inteiro. O que você acha de fisioterapeutas que tratam seus Fisio&terapia - Sobre a Dedicatória, pacientes em cerca de 40 minutos por como você recebeu? Você estava assisdia, 3 vezes por semana? tindo ao jogo? Nilton Petrone - O conceito de Fisio- Nilton Petrone - Claro que estava terapia nos próximos anos vai mudar. A assistindo ao jogo, mas não esperava a filosofia da prática fisioterápica vai ter dedicatória. No primeiro gol, eu comecei que mudar! Nós não podemos mais ter a chorar, é mágico, é o resultado de muito seções de Fisioterapia trabalho, muita coisa passou na minha cabeça na hora, só de falar já passam uns de 40 minutos, dado ao arsenal terapêu- fleches, é realmente mágico, e depois o tico que o Fisioterapeuta possui, e com pentacampeonato e a dedicatória, reala importância que a cinesioterapia tem mente fecharam com chave de ouro todo para o Fisioterapeuta, é impossível você este trabalho de anos. fazer um bom trabalho em menos de 40 Aproveitando a oportunidade, eu queria minutos por seção. dizer que esta dedicatória para o Brasil Fisio&terapia - Filé qual é o seu segredo e ao mundo, levou mais uma vez a para conseguir recuperar seus pacientes Fisioterapia para a mídia, mas nós não em pouco tempo? Você usa técnicas devemos esquecer o lado político da


profissão, de nada adianta crescer tanto no lado científico e profissional e não termos nosso representante, nosso colega fisioterapeuta na Câmara Federal. Por isso meu candidato em São Paulo é o Dr. Zenildo Gomes da Costa. Um fisioterapeuta que contará com o seu voto para levar as nossas reivindicações ao Congresso Nacional. Acredito que com um representante nosso nas decisões finais em Brasília teremos o crescimento ainda maior da nossa profissão. Será um avanço fundamental em nossa categoria. Tenho certeza que o Dr. Zenildo não irá nos decepcionar, ele é um profissional combativo que já ganhou muitas causas e na qualidade de Deputado Federal

será a voz do profissional da saúde no Congresso. Recomende esse Candidato para seus parentes, amigos e colegas de profissão. Eu já autorizei o Dr. Zenildo a usar o meu apoio e a minha imagem em sua campanha eleitoral em São Paulo. Ele é o meu candidato! Fisio&terapia - Como sempre, eu peço uma mensagem para os nossos leitores. Nilton Petrone - Vou repetir a mesma mensagem que já deixei uma vez em outra entrevista, que é... a Deusa da oportunidade é uma mulher muito bonita, tem um lindo tufo de cabelo na frente e é careca atrás. Se você deixar ela passar, você nunca mais pega! En-

tão na hora que ela aparecer pra você, segura, pois ela não vai lhe dar outra oportunidade nunca mais. Não existe sorte! Existe domínio do conhecimento. Fisioterapia é uma ciência, tome cuidado, tenha respeito, lembrem-se que do outro lado poderia estar seu pai ou sua mãe. É isso.


Ponto de vista: A Importância da Objetividade na Clínica Fisioterapêutica Por: Nos últimos anos, estamos presenciando e vivendo uma etapa de grande expansão da fisioterapia, como é do conhecimento de todos os acadêmicos e profissionais desta área. Tal expansão se dá das mais diversas formas e nos mais diversos setores: através da maior divulgação da profissão na mídia, do “boom” de cursos universitários sendo criados ao longo de todo o país e da maior credibilidade dada a nós, fisioterapeutas e estudantes de fisioterapia em prática clínica, tanto dentro da equipe de saúde como pelos nossos próprios pacientes. Essas aquisições trazem obviamente aspectos positivos e animadores, entretanto isso não significa que não devem ao mesmo tempo voltar a nossa atenção e nos fazer repensar questões importantes da prática profissional fisioterapêutica, como a definição de um papel sólido e concreto da fisioterapia dentro da nossa sociedade. O que significa isso em termos práticos? Nada mais, nada menos que demonstrar o valor que nossas técnicas e fundamentos teóricos possuem, evidenciando assim o quão essencial o fisioterapeuta é dentro dos contextos atuais de saúde pública e privada. Em palavras mais simples e diretas, devemos provar que a fisioterapia funciona. Provar... a que esta palavra nos remete, ou ao menos, deveria nos remitir? Ao empirismo, a objetivos e resultados de tratamento meramente subjetivos? É claro que não. A palavra etimologicamente já nos aponta para uma necessidade de metodologia científica, de instrumentos quantitativos em preferência aos qualitativos, aponta para a objetividade que um profissional de saúde deve ter na sua semiologia e na definição e avaliação de suas metas terapêuticas. O que vemos em termos práticos é, porém, diferente deste ideal. Acostumamonos, provavelmente pelo grande contingente de pacientes a serem tratados ou por termos uma formação em saúde baseada quase que totalmente num modelo curador, a visarmos apenas a melhora ou a reabilitação de nossos pacientes sem mensurá-la. O que temos para registrar em relação ao progresso de nossos pacientes: escalas, testes, valores quantitativos que facilmente referem a um consenso ou relatos extremamente dependentes e variáveis de acordo com a opinião pessoal? Facilmente nos contentamos com resultados do tipo “minha dor cedeu um pouco” ou “este músculo encontra-se menos hipertônico”. Ora, em ambos os casos é muito difícil

sabermos o grau real de progresso feito pelo paciente, visto que fatores pessoais tornamse altamente influentes na interpretação de tais resultados. Tomemos o segundo relato, por exemplo: o tônus palpado e percebido por um fisioterapeuta é extremamente variável de acordo com sua técnica de avaliação: qual ADM foi testada? Qual a velocidade do estiramento aplicado ao músculo? Há certos graus de ADM em que o tônus parece ceder ou aumentar ou o mesmo permanece contínuo em todo o movimento? Todas essas informações são omitidas num relato subjetivo, mas poderiam ser facilmente ditas através de um número, se todos nós fisioterapeutas estivéssemos habituados e familiarizados com uma escala em comum para avaliação da tonicidade, como por exemplo a escala de Ashworth. Vejamos agora o primeiro relato: a dor, mesmo sendo um sintoma ao invés de um sinal, ou seja, algo que por essência já é qualitativo, pode e deve ser avaliada de forma concreta, através do uso da VAS (Visual Analogue Scale, extremamente utilizada em artigos e livros internacionais) ou escala semelhante, onde o paciente aponta o grau de sua dor e esse é quantificado em um “score”. (Magee, 1992). Dessa maneira, torna-se bem mais fácil avaliar a eficácia de determinada abordagem terapêutica, através de indicativos como o tempo necessário para melhora da dor, a intensidade dessa melhora vista através do “score”, etc. Deve ficar claro aqui que não defendo uma internacionalização de nossas formas de avaliação, tão pouco uma visão exclusivamente materialista da relação entre pacientes e fisioterapeutas. Enfatizo apenas a necessidade de padronizarmos nossos modos de avaliação, para que os mesmos sejam confiáveis e válidos. Novas escalas, a serem desenvolvidas por fisioterapeutas brasileiros, são até mesmo mais indicadas por serem mais representativas da nossa população geral, e seriam uma grande aquisição para nossa clínica, principalmente se atitudes fossem tomadas para difundir a sua utilização. Também uma visão objetiva dos sinais e sintomas de um paciente não implica uma visão menos humanitária. É evidente que a opinião do paciente é mais do que fundamental em qualquer forma de tratamento que visa o seu bem-estar, e a mesma nunca deve ser ignorada ou subestimada pelo profissional da saúde, assim como os aspectos não materiais que ela expressa

Marcelo von Sperling de Souza

e que estão presentes em qualquer relação terapeuta-paciente (fatores psicogênicos, afetivos, comportamentais, empatia ou antipatia, etc). O que devemos temer é que nossas idéias próprias ou abordagem pessoal interfiram nos resultados clínicos, de forma a gerar conflitos ou interpretações errôneas, onde o prejudicado principal é claramente o paciente. E o que devemos ter em mente é que só através da validação científica de nossos meios de avaliação e tratamento conseguiremos determinar o real lugar da fisioterapia – um lugar que exige e garante o nosso reconhecimento profissional, o respeito de nossos valores éticos e deontológicos e a definição da clientela a ser beneficiada pela nossa terapêutica. Em síntese, pode-se dizer que para atingirmos o grau de excelência profissional por nós tão almejado e para evitarmos a degradação e banalização do profissional de fisioterapia tão temida pela eminente ameaça de saturação do mercado de trabalho, se faz necessária essa reflexão sobre a necessidade de sermos, de certa forma, materialistas. Isso não exige que sejamos profissionais céticos, que se fecham no conhecimento e na abordagem exclusivamente material e objetiva, deixando de lado os aspectos subjetivos de seus pacientes. Exige que sejamos, sim, profissionais cientes do seu compromisso de fazer da fisioterapia uma real ciência da saúde, um conjunto de conhecimentos sólidos e comprovados, abolindo de vez o caráter de terapia meramente experimental ou secundária às demais profissões e seus respectivos conhecimentos. Referências COMTE-SPONVILLE, A., FERRY, L. A sabedoria dos modernos: dez questões para o nosso tempo (textos: as conseqüências do materialismo; quatro objeções ao materialismo). tradução Eduardo Brandão; M. Fontes, 1999. FELTRIM, M. I. Z., PARREIRA, V. F. Fisioterapia Respiratória - Consenso de Lyon. São Paulo, 2001. MAGEE, D. J. Orthopedic Physical Assessment. Saunders, 1987. UMPHRED, D. A. Fisioterapia Neurológica. Manole, 1994. Coffito. http://www.coffito.org.br Data de acesso: 20/05/2002


PILATES – A Receita de Longevidade de Por: Vera Alves da Silva Quando Joseph Pilates escreveu seu livro, Your Health, na década de 20, ele fez a seguinte colocação: “Estes exercícios são o que as pessoas vão querer e precisar no novo milênio.” E, é exatamente o que está acontecendo, o método Pilates está se difundindo cada vez mais pelo mundo afora. No Brasil, virou uma verdadeira febre, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Teresa Camarão, rolfista desde 1986, foi uma das precursoras do método Pilates no Rio de Janeiro. Hoje, tem estúdios na Barra, Leblon (I, II e III), Gávea (I e II), Copacabana, Centro e Niterói. No site: www.studioteresacamarao.com.br é possível encontrar informações sobre o método, cursos de formação para professores e aparelhos. Fisio&terapia - O que é o Método Pilates? Teresa Camarão - É um método único de alongamento e fortalecimento muscular sem riscos de lesões a quem o pratica. Foi desenvolvido pelo alemão Joseph H. Pilates há cerca de 90 anos. O método foi utilizado com sucesso na recuperação de soldados durante a lª Guerra Mundial. Ele desenvolveu exercícios utilizando cordas, roldanas e molas que adaptava à cama do hospital. A sua idéia era trabalhar a resistência de músculos específicos. Em 1926, montou um estúdio em Nova Iorque e atraiu a

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atenção do mundo da dança. O método passou a ser usado por bailarinos como Martha Graham e George Balanchine, que não só praticavam o método como o recomendavam. Hoje, estrelas internacionais como Madonna e Sharon Stone são adeptas do Pilates. F&T - Como foi a sua formação em Pilates? T.C. - Foi em duas escolas, que estão entre as quatro maiores no mundo: Physicalmind Institute (EUA) e Polestar Education (EUA). Com isso, tenho tido a possibilidade de formar outros profissionais, colocando também a minha experiência de 16 anos com terapia corporal. Em um ano e meio já devo ter formado cerca de uma centena de professores. Inclusive, nos meus estúdios a grande maioria dos profissionais são fisioterapeutas. Dei prioridade para os fisioterapeutas porque eu acho que eles têm uma preocupação postural, como sempre tive. E por ser um trabalho que se presta à reabilitação. Na verdade, no início, e por um longo tempo, o método foi usado por Pilates na prevenção de lesões e na reabilitação de bailarinos. F&T- Como funciona o Pilates? T.C. - No Pilates você trabalha o corpo dentro de uma visão holística – como um todo. Você não faz exercícios localizados. A cada aula, o corpo todo é trabalhado. Além de fazer a conexão corpo/ mente. O Pilates requer concentração.

Trabalha com a respiração, a postura, a flexibilidade e o controle muscular que proporciona a força física. A medida em que a pessoa vai fazendo os exercícios, vai se conectando cada vez mais consigo mesmo, com seu corpo. Não se faz Pilates conversando com os outros alunos. Os aparelhos funcionam com molas, que assistem e resistem ao mesmo tempo. É preciso se concentrar para usufruir os benefícios do Pilates F&T- Quais são os benefícios? T.C. - O método Pilates oferece um programa de exercícios que reequilibra o corpo, melhora a postura, acaba com as dores musculares, previne lesões, aumenta a disposição e fortalece os músculos, além de proporcionar bem-estar físico e mental. Um corpo em harmonia tem melhor postura, respiração, flexibilidade, coordenação. A pessoa ganha maior disposição, aumenta seu poder de concentração, fica mais relaxada e tranqüila. F&T- Quantos exercícios existem? T.C. - São cerca de 500 exercícios praticados nos aparelhos criados por Pilates como o Reformer, Cadillac, Wunder Chair, Ladder Barrel, etc, com resultados em pouco tempo. Em dois a três meses as mudanças são visíveis: corpo modelado e musculatura definida. Em cada movimento do Pilates você tonifica e alonga seus músculos. Além disso, no Pilates buscamos a excelência


Giropilates Aparelho Criado por Teresa Camarão do movimento. É muito mais importante a qualidade do movimento, do que a quantidade. F&T- Quem pode praticar o Pilates? T.C - Os aparelhos possibilitam que tanto uma pessoa de 15 anos quanto uma de 60/80 anos façam os exercícios. O aparelho é ajustado à capacidade de cada pessoa. Inclusive, o Pilates aumenta a auto-estima das pessoas idosas, que vêm que são capazes de recuperar movimentos que consideravam perdidos. F&T- Como é uma aula de Pilates? T.C - Os alunos se exercitam nos aparelhos. Como são no máximo 4 alunos

por professor, é possível dar atenção individual, fazer um trabalho bem personalizado. Conhecer cada um e saber dos seus limites e metas a serem alcançadas. Eu não acredito em Pilates com 10, 15 pessoas porque não é esse o objetivo do trabalho. As aulas têm uma hora de duração, com uma seqüência de exercícios por aparelho. E, é importante ressaltar que todos os aparelhos trabalham o corpo todo. F&T- Em quanto tempo os resultados aparecem? T.C - Joseph Pilates dizia: “vocês se sentirão melhores em 10 aulas, parecerão melhores em 20 e terão um corpo novo em 30 aulas”. O resultado é rápido mesmo. Com apenas dez aulas já dá para sentir a diferença. F&T- Por que você resolveu fabricar os aparelhos de Pilates? T.C. - Ao fazer meu primeiro curso de Pilates esbarrei num empecilho. Os aparelhos eram absurdamente caros e difíceis de importar. Comecei a pesquisar e resolvi que iria fazê-los. Para mim é muito gratificante ter uma fábrica para abastecer não só os meus estúdios. Con-

segui viabilizar que um número maior de estúdios sejam montados, beneficiando um número muito maior de pessoas. Criei até o Giropilates (mesmo nome da fábrica de Teresa Camarão) que está fazendo um sucesso enorme com os fisioterapeutas. Funciona com elásticos e roldanas. Faz a grande maioria dos exercícios de Pilates e ocupa menos espaço. F&T- O Pilates virou uma mania nacional. Você acredita que é um modismo? T.C. - Não, porque o próprio Pilates previu que isso aconteceria há quase 1 século. Pilates é saúde com movimento. E saúde é o que o homem busca a sua vida toda. A partir do momento em que se nasce, estamos morrendo a cada dia. Precisamos ter consciência disso para melhorar o estado físico geral. Principalmente, hoje, com o aumento da expectativa de vida e a possibilidade de mais pessoas chegarem aos cem anos. Você tem que viver cem anos bem. E, o Pilates é uma das receitas para a longevidade.

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Eficácia da Hidroterapia no Tratamento Conservador da Hérnia de Disco Lombar

Por: Vanessa Cordeiro

Introdução No Brasil, as doenças músculoesqueléticas, com predomínio das doenças da coluna, são a primeira causa de pagamento de auxílio-doença e a terceira causa de aposentadoria por invalidez (FERNANDES, 2000). As lesões caracterizadas por dor na coluna lombar têm adquirido relevante importância nas últimas décadas por afetar uma parcela importante da população economicamente ativa. Entre estas enfermidades, está a hérnia de disco lombar. Essa patologia, pelas disfunções, invalidez e aspectos socioeconômicos que a acompanham, tem sido tema de inúmeros estudos epidemiológicos entre os trabalhadores (GARCIA, 1996). Observou-se que 30 a 40 % da população assintomática adulta apresentam hérnia de disco lombar (ORTIZ, 2000). Estudos epidemiológicos relatam que 80% da população mundial sofrerão de dores na coluna algum dia de suas vidas (DEYO, 1983; KOES, 1991). Disco Intervertebral O disco intervertebral está disposto em quatro camadas concêntricas. A mais externa é composta por uma densa lâmina de colágeno, a intermediária é uma camada fibrocartilaginosa; uma zona de transição e o núcleo pulposo. As lâminas são mais finas e menos numerosas atrás do que na frente ou lateralmente (HUMPHREYS, 1999).

Por ser avascular, o disco conta com determinados mecanismos para a manutenção de sua nutrição. Alterações intermitentes na postura e na posição do corpo alteram a pressão interna do disco, causando uma ação de bombeamento de água que transporta nutrientes para dentro e remove produtos metabólicos. A manutenção do corpo em uma posição estática por um certo período de tempo diminui esta ação de bombeamento e afeta a integridade do disco intervertebral (HALL, 2000). Ao se aplicar uma carga constante num disco vertebral, ocorre a diminuição da espessura do disco, sugerindo um processo de desidratação proporcional ao volume do núcleo. Ao se retirar a carga, o disco recupera a espessura inicial, e essa recuperação da espessura inicial exige um certo tempo. Quando ocorrem cargas e descargas num período curto de tempo, o disco não tem tempo de recuperar-se. Também se as cargas e descargas se repetem de modo muito prolongado, o disco não recupera sua espessura inicial, independente do tempo esperado. Este é o fenômeno do envelhecimento. Nos esforços de compressão axial, o núcleo suporta 75% da carga e o anulo 25% (KAPANDJI, 2000). Biomecânica da Coluna Lombar A acentuação da curva lombar é conhecida como lordose. Ela resulta

tipicamente de um desequilíbrio entre o fortalecimento dos músculos lombares e o enfraquecimento dos músculos abdominais. A inclinação anterior da pelve freqüentemente acompanha a lordose e contribui ainda mais para o estiramento dos músculos abdominais. Esta condição é a causa mais comum de lombalgia postural (HALL, 2000). Segundo KAPANDJI, 2000, o grau de curvatura da coluna lombar depende também dos músculos dos membros inferiores ligados à pelve. O músculo psoas, flexor da coluna lombar sobre a pelve, acentua a lordose lombar quando contraído. A correção da anteversão pélvica é obtida pela ação dos extensores do quadril: isquiotibiais e glúteo máximo, que levam a báscula da pelve para trás e restabelece a verticalidade sacral diminuindo a lordose lombar. A ação dos músculos da parede abdominal é efetuada por intermédio de dois braços de alavancas: o inferior, constituído pela distância promontopúbica, e o superior constituído pela distância dorso-xifóide. Daí vem o papel mais importante na correção da hiperlordose lombar, sendo suficiente contrair glúteo máximo e reto abdominal para endireitar a lordose lombar. A partir desse momento, a ação de extensão dos músculos das goteiras lombares pode obter a tração para trás das primeiras vértebras lombares (KA-


PANDJI, 2000). É importante lembrar que na lordose há sobrecarga na parte posterior do disco intervertebral, justamente onde há maior fragilidade em relação às fibras do anel, por serem menos resistentes posteriormente, favorecendo a ruptura e herniação do material nuclear. A fixação do centro tendíneo leva a uma ação do diafragma sobre a coluna lombar, permitindo um tensionamento dos espinhais para exercerem uma póstero-flexão a partir de uma flexão anterior. A inserção dos pilares sobre os disco intervertebrais permite atrair o núcleo para frente levando assim a um pinçamento vertebral posterior necessário à póstero-flexão (SOUCHARD, 1980). O diafragma tende sempre a adotar uma posição de inspiração devido a sua relação antagônica com os abdominais e massa visceral. Como conseqüência têm-se uma hiperpressão abdominal e hiperlordose lombar que exagera a horizontalização do sacro e tende a criar problemas ao nível L5-S1 e a nível sacro-ilíaco (SOUCHARD, 1980). Hérnia de Disco Lombar A hérnia de disco consiste na propulsão de parte do núcleo pulposo através do anel fibroso, envolvendo tipicamente um disco que demonstre sinais de degeneração prévia. O surgimento se dá mais freqüentemente entre os 35 e 40 anos. As causas são variadas: trauma, estresse, genética (KISNER, 1992). Entretanto, as disfunções posturais são as mais freqüentes. A má postura adquirida pela maioria da população nas atividades de vida diária é responsável pelo aumento

da pressão intradiscal e conseqüente degeneração do mesmo. A hérnia é mais comum entre as vértebras L4-L5 e L5-S1. Ortiz aponta o levantamento de peso como 31,4% das causas, 10 % para a realização de esportes e 2,7 % para quedas (ORTIZ, 2000). Segundo KAPANDJI, 2000, a partir dos 25 anos as fibras do anel fibroso começam a desenvolver degenerações. As difusões anteriores são raras devido ao reforço pelo ligamento longitudinal anterior. Já as posteriores são bem freqüentes, principalmente no sentido póstero-lateral. Dessa forma, ao sofrer a pressão axial e entrar em esmagamento, uma porção do núcleo pulposo difundese, quer para frente, quer para trás, podendo alcançar a borda posterior do disco e aparecer sobre o ligamento vertebral comum posterior, e permanecer bloqueada pelo ligamento, ou entrar em conflito com alguma raiz nervosa. Sintomas O primeiro sintoma da hérnia de disco lombar é uma dor aguda, em queimação e em pontada, que irradia para a parte lateral ou posterior da perna até abaixo do joelho (HUMPHREYS, 1999). As manifestações de dor, com ou sem irradiação para o dermátomo correspondente, acompanhada de sinal de Lasegue e Tensão do Ciático positivos, comprometimento de reflexos, diminuição de força a alterações de sensibilidade estão presentes, mas são variáveis de caso a caso (HENNEMANN, 1994). A dor varia também com a mudança de posição. A posição de decúbito lateral

associada à flexão de quadril alivia a dor ciática de L5-S1. A pressão no disco intervertebral aumenta na posição sentada e inclinada, e diminui na posição de pé ou deitada, explicando porque a maioria dos pacientes sente alívio na postura ereta ou deitada (HUMPHREYS, 1999). No entanto, alguns pacientes sentem alívio na posição em pé ou sentado e piora em decúbito (HENNEMANN, 1994). Tratamento A opção pelo tratamento conservador ganhou ênfase com o estudo de WEBER (1983). SAAL descreve em 1996 a história natural da hérnia de disco tratada sem cirurgia. Ele conclui que a hérnia de disco lombar tem um prognóstico favorável para a maioria dos pacientes, principalmente naqueles submetidos a um programa de atividade física. Não existem dados relativos a tratamentos como manipulação, repouso, eletroestimulação transcutânea em pacientes com hérnia de disco lombar. Entretanto, exercícios terapêuticos, como alongamento e treinamento de força da musculatura da coluna, têm produzido resultados interessantes devido ao retorno da capacidade funcional ser mais rápido do que nos pacientes sedentários. A inatividade, apesar de grande efeito na redução da dor, leva ao descondicionamento, perda de minerais, transtornos sócioeconômicos e perda da motivação. Reabsorção Um tópico relevante a respeito das hérnias de disco é a reabsorção do disco. Na história natural da hérnia de disco


há indicativos da ocorrência do processo de reabsorção que se segue ao processo inflamatório inicial (HENNEMANN, 1994). SAAL, 1990, realizou um estudo analisando tomografias computadorizadas de pacientes antes e após tratamento conservador, com tempo em média de 25 meses entre um e outro. O tipo de tratamento não foi citado no artigo. O que se verificou foi que, dos 11 pacientes analisados, todos obtiveram redução do disco herniado. É interessante ressaltar que as maiores hérnias obtiveram os melhores resultados. Os mecanismos que levam a essa reabsorção não estão esclarecidos, entretanto alguns autores apresentam algumas hipóteses. No mesmo estudo citado acima, SAAL sugere que quando o material nuclear é exposto ao compartimento vascular do espaço epidural e é separado do compartimento nutricional do disco, o processo de reabsorção começa. O fato de haver um fragmento separado do disco inibe a produção dos proteoglicídeos hidrofílicos no disco, levando à dessecação. Além disso, células no espaço epidural, que são estimuladas pela resposta inflamatória, favorecem a fagocitose do material nuclear. Isto talvez explique porque as maiores exposições são reabsorvidas mais rápido. Hidroterapia A água possui algumas propriedades físicas importantes que contribuem com os benefícios da aplicação terapêutica. São elas: Densidade É a relação entre massa e volume de uma substância (SKINNER, 1985). Gravidade específica ou densidade relativa. É a relação entre a densidade da substância e a densidade da água. A massa corporal magra possui densidade de 1,1 enquanto que a gorda possui densidade de 0,90 (RUOTI, 2000; SKINNER, 1985). Pressão hidrostática (Lei de Pascal) A lei de Pascal afirma que a pressão do líquido é exercida igualmente sobre todas as áreas da superfície de um corpo imerso em repouso. A pressão aumenta com a profundidade e com a densidade (RUOTI, 2000). Flutuação (princípio de Arquimedes) Afirma que há uma força oposta à gravidade atuando sobre o objeto. Quando um corpo está completa ou parcialmente imerso em um líquido em

repouso, ele sofre um empuxo para cima igual ao peso do líquido deslocado. A força origina-se de que a pressão de um líquido aumenta com a profundidade. Corpos com densidade relativa maior que 1 afundará e os com menor que 1 flutuará pois o peso do objeto é menor do que o peso do corpo deslocado. Assim, o corpo humano desloca um volume de água que pesa ligeiramente mais do que o corpo, forçando o corpo para cima por uma força igual ao volume de água deslocado. Se a densidade da substância for igual a 1, ela flutuará logo abaixo da superfície da água. Com imersão até o processo xifóide, o corpo humano é descarregado em torno de 75% do peso corporal, com imersão até a cicatriz umbilical, em torno de 50% (RUOTI, 2000; SKINNER, 1985). Um dos benefícios mais importantes da reabilitação aquática é a intervenção precoce, visto que na fase aguda da patologia os exercícios em terra não são toleráveis por aumentar as cargas compressivas na coluna. Na água, essas forças são bem reduzidas, favorecendo um programa de reabilitação mais intenso e precoce sem prejudicar a coluna. O repouso já está contra-indicado devido à atrofia e fraqueza muscular. Com o calor da água, há redução do espasmo muscular e da dor (ciclo espasmo/dor) pelo maior aporte de sangue e oxigênio para os tecidos lesados, e proporciona aos pacientes o preparo necessário para os exercícios em terra (KOLIAN, 1999). KOLIAN, 1999, propõe que o primeiro fator a ser considerado no tratamento hidroterápico é a redução da dor e espasmo e a estabilização dos movimentos padrões, onde é ensinado ao paciente como manter a coluna em posição neutra nas posições funcionais, como ao se levantar, ao transferir-se, ao se ajoelhar. Essa posição neutra é definida como a posição que garante maior estabilidade e menor estresse para a coluna. O próximo passo seria o fortalecimento do tronco proximal para desenvolvimento da postura a facilitar função. Desde que o paciente esteja hábil para manter a coluna neutra (através do fortalecimento dos abdominais), o paciente deverá realizar uma série de exercícios de estabilização com o objetivo de criar um feedback no centro de controle motor para manter sempre esta estabilização. A modificação dos estilos de nado para a reabilitação aquática também é

válida. Os objetivos são eliminar movimentação do tronco, reforçar o controle lombar, encorajar propulsão dos quadris, joelhos e tornozelos, desenvolver estabilidade do pescoço e cabeça e estabilizar o controle e força dos membros superiores (KOLIAN, 1999). Foi realizado um estudo por MCILVEEN, 1998, randomizando-se paciente com lombalgia e lombociatalgia para tratamento hidroterápico em grupo experimental e controle. O diagnóstico mais freqüente foi degeneração do disco intervertebral e condições degenerativas da coluna. Após 4 semanas, com sessões de 60 minutos 2 vezes por semana, os pacientes do grupo experimental apresentaram melhora significativa da capacidade funcional. Os pacientes do grupo controle apresentaram uma deterioração da funcionalidade. As outras variáveis como dor, grau de flexão e extensão lombar, reflexos neurológicos e sinal de Lasegue não apresentaram resultados estatisticamente válidos, entretanto a maioria dos pacientes beneficiados estava no grupo experimental. LANGRIDGE, 1988, concluiu que, dos 27 pacientes do tratamento hidroterápico, 96% relatou aumento da qualidade de vida e 67% diminuição dos custos com médicos. Após 6 meses de tratamento, 85% relatou alívio da dor. SMIT, 1991, submeteu 19 pacientes com lombalgia crônica a tratamento hidroterápico, desses, 14 relataram diminuição da dor e 16 aumento da mobilidade tóraco-lombar. A tração é um dos tratamentos mais citados pelos autores. O paciente deve ser posicionado de modo a provocar separação de um segmento da coluna vertebral. Essa separação possibilita o fluxo de líquido e melhora a nutrição do disco intervertebral. O estiramento dos tecidos em torno da raiz nervosa possibilita o fluxo circulatório livre, melhorando a nutrição para o nervo e remove metabólicos e exsudatos produzidos por inflamação de baixo grau (GUIMARÃES, 1998). A auto-tração é realizada numa mesa especial, dividida em 2 partes que podem ser movidas pelo fisioterapeuta. Com o paciente deitado na mesa, a pelve é presa por uma cinta fixada no fim da mesa. O tratamento começa com o paciente na posição mais confortável: supino, prono ou decúbito lateral. O paciente, então, puxa vigorosamente na barra


da mesa acima de sua cabeça por um período de 3 a 6 segundos, tracionando assim a coluna lombar. Depois de descansar por 1 minuto, o paciente repete o procedimento por 30 a 60 minutos. Enquanto o paciente produz a força de tração, o fisioterapeuta move uma parte da mesa na direção do posicionamento menos doloroso (TESIO, 1993). A tração passiva pode ser realizada na mesma mesa da autotração. Com o paciente em supino, as coxas são fletidas em 45o suportadas por um travesseiro cilíndrico abaixo dos joelhos. A tração é ajustada manualmente e mantida por uma corrente conectada nos pés da mesa. O ângulo vertical do peso é mantido entre 30 e 60º, tentando corrigir a lordose. O peso utilizado é de 35% do peso do paciente. Uma força oposta é obtida através de um colete torácico fixo à cabeceira da mesa (TESIO, 1993). ONEL, 1989, descreve os seguintes efeitos da tração: retificar a lordose lombar acompanhada pela distração dos corpos vertebrais e aumento da altura do disco, alongamento da musculatura lombar e ligamentos, alargamento do forame intervertebral e espaços das articulações apofisárias. Esses efeitos causam uma diminuição na pressão intradiscal e provavelmente criam uma pressão negativa intradiscal que puxa o disco herniado de volta. No estudo realizado por Onel, 30 pacientes foram submetidos à tração lombar de 45 Kg por volta de 40 minutos durante um mês. O estudo não traz referência quanto à freqüência da tração, apenas que, após a vigésima sessão, os pacientes foram reavaliados. Dos 9 pacientes com hérnia lombar pósterolateral, 3 apresentaram aumento do espaço discal, alargamento dos forames neurais, regressão do material herniado, tecido adiposo epidural tornou-se proeminente e ligamento amarelo mais fino; 1 apresentou separação das articulações zigoapofisárias e regressão do material herniado; 1 obteve somente separação da articulação zigoapofisária; 2 obtiveram mudanças no espaço discal ou articulações e regressão do material herniado; em 2 pacientes, nada mudou. Então em 66% houve regressão da substância herniada. Kolian, 1999, descreve que a tração produz relaxamento, reduzindo a pressão e irritação da raiz nervosa, e a água aquecida auxilia na redução do espasmo muscular. DEYO, 1983, também relata a diminuição da protusão do disco em pacientes

com hérnia de disco submetidas à tração observada por exames de raio-X. Sugere a aplicação de 25% do peso total do corpo para superar a inércia e resistência do corpo reinclinado e promover a distração da coluna. Já GILLSTRÖM, 1985, não registrou nenhuma diferença em tomografias computadorizadas e mielografias de pacientes com hérnia lombar submetidos à tração. TESIO, 1993, realizou um estudo comparando a tração passiva e autotração e confirmou que a auto-tração é um método conservador efetivo na hérnia de disco lombar. Foi observado diminuição da dor e disfunção, e normalização dos sinais neurológicos. LARSSON, 1980, cita um estudo realizado por Lind em 1974, onde 20 pacientes com hérnia de disco foram tratados com auto-tração antes da cirurgia, e ao final do tratamento 15 deles não precisaram mais ser operados. Além da diminuição da dor, a redução dos sinais neurológicos foi verificada. Discussão É de consenso que as intervenções cirúrgicas só devem ser realizadas após a tentativa do tratamento conservador. HENNEMANN, 1994, coloca que 80 a 90% dos casos de hérnia de disco lombar apresentam resultados satisfatórios com intervenção conservadora. Entretanto, a intervenção cirúrgica torna-se necessária quando há síndrome da cauda eqüina, comprometimento neurológico importante e progressivo, dor incapacitante e falha no tratamento conservador após seis semanas. Há muita controvérsia entre os diversos autores em relação ao tratamento conservador da hérnia de disco lombar. Vários métodos têm sido propostos, como: repouso, uso de coletes, manipulação, tração, exercícios terapêuticos, estimulação elétrica transcutânea, uso de calor, ultra-som, reeducação postural. Entretanto, faltam evidências científicas do melhor método de escolha. A reeducação postural, que é essencial para o paciente com hérnia de disco lombar, visto que a disfunção músculoesquelética é fator de risco para desenvolvimento de patologia discal, não foi proposto pela grande maioria dos artigos revisados. HENNEMANN, 1994, CASAROTTO, 1995 e WEBER, 1983 citam a importância da escola de postura (Back School), onde os déficits

posturais devem ser corrigidos, como o encurtamento de isquiotibiais, do psoas, a fraqueza dos abdominais e extensores lombares que favorecem a lordose. Além disso, habilita-se o paciente a cuidar da sua coluna, através do conhecimento dos fatores geradores de dor e o que fazer para prevení-lo. O tratamento na hidroterapia é baseado no princípio de Arquimedes e na correção da lordose. A flutuação auxilia no aumento dos espaços intervertebrais. O paciente é orientado a permanecer em retroversão pélvica, retificando a lordose lombar, ajudando no aumento dos espaços entre as vértebras e alívio da compressão radicular. Orienta-se também a retificação da lordose cervical, mantendo a coluna alinhada. Os exercícios de reeducação postural agem alongando a musculatura paravertebral de toda coluna e são realizados em concordância com a respiração. A reeducação postural permite o relaxamento do diafragma, ao mesmo tempo pela subida do centro tendíneo na expiração e pelo estiramento de suas inserções lombares devido à correção da lordose (SOUCHARD, 1980). A respiração correta produz um equilíbrio na musculatura lombar e abdominal devido a suas inserções nas vértebras tóraco-lombares e de sustentação de vísceras, por isso verifica-se a importância da reeducação respiratória proporcionando uma facilitação na recolocação das estruturas músculoesqueléticas de forma a se obter uma estabilidade postural na região lombar. Há uma tendência positiva em relação à prática de exercícios. O repouso, de acordo com DEYO, 1986, deve ser recomendado por, no máximo, dois dias. MALMIVAARA, 1995, escreveu que a atividade tolerada contínua é mais benéfica que o repouso no leito. DEYO, numa revisão bibliográfica realizada em 1983, relatou que os três tipos de exercícios mais recomendados são: hiperextensão para alongar musculatura paravertebral, mobilizações em geral para aumentar graus de movimentos e contrações isométricas para musculatura abdominal e lombar, para estabilizar a coluna. MCILVEEN não encontrou resultados satisfatórios em relação à melhora da dor e mobilidade da coluna e déficit neurológico nos pacientes submetidos à hidroterapia. Entretanto, o mesmo acredita que o tempo de tratamento a


que a amostra foi submetida foi curto (2 vezes por semana por 1 mês). O tempo de tratamento proposto pela literatura com exercícios terapêuticos normalmente é de no mínimo 3 meses, 3 vezes por semana, e na hidroterapia não seria diferente. Em relação a tração lombar, o método de aplicação não está bem definido. Falta consenso quanto ao posicionamento do paciente e ao peso aplicado. Somente a preferência da auto-tração em relação à tração passiva parece estar bem solucionada. Não foram encontrados relatos sobre a tração subaquática. O trabalho é realizado de forma empírica, baseado nos relatos positivos de que a tração em terra possui efeitos mecânicos na anatomia e biomecânica, e possivelmente reduz o tamanho do disco herniado. Na piscina, a tração vertical pode ser usada fixando-se pesos na cintura ou nos tornozelos, produzindo uma força oposta à da flutuação. É possível também a utilização de um colete flutuante, que colocado sobre o tórax, auxiliará a força de flutuação. Conclusão Da leitura dos diversos autores podese concluir que o tratamento conservador da hérnia de disco lombar necessita de mais evidências científicas. Vários tratamentos são propostos, dentre eles a hidroterapia, tratamento considerado mais adequado para a hérnia de disco pois as propriedades físicas da água, principalmente a flutuação, possuem repercussões positivas em relação à hérnia proporcionando alívio da dor, melhora da postura e mobilidade, normalização dos sinais neurológicos e da qualidade de vida. Percebe-se a importância da postura na prevenção da hérnia de disco. As orientações de posicionamento funcional para as atividades de vida diária são essenciais para evitar as recidivas. Assim como um diabético necessita de insulina diariamente, o paciente com hérnia de disco lombar, ou qualquer outra patologia da coluna, deve cuidar da sua coluna diariamente.

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Abordagem Fisioterapêutica da Osteogênese Imperfeita. Por: Danúbia da Cunha de Sá

Resumo A Osteogênese Imperfeita (OI) é uma patologia que afeta todos os tecidos derivados do mesênquima e se caracteriza por distintos graus de fragilidade ós-sea. (SCHNITMAN, 1968). Muitos autores classificaram a OI, de acordo com graus ou tipos de comprometimento e idade de surgimento de alterações significativas. Até hoje muitos estudos vêm sendo desenvolvidos com objetivo de entender melhor os desenvolvimentos da patologia, afim de tratá-la de forma mais eficaz, objetivando, também, uma melhor qualidade de vida ao portador de OI. Neste contexto, faz-se necessária a atuação do profissional de fisioterapia, avaliando o estágio de cada paciente e elaborando um plano de tratamento que atenda às necessidades de cada indivíduo (portador de OI). Introdução Segundo se sabe, a Osteogênese Imperfeita é uma patologia que existe desde a mais remota antiguidade. Achados datam uma múmia egípcia, portadora de O.I. do ano 1000 a.C. Eckmann (um cirurgião militar), em 1788, fez a primeira descrição científica elaborando uma tese sobre osteomalácia congênita ( AZEVEDO,2000 ).Posteriormente, Lobstein, em 1833, escreveu vários descendentes de uma mesma família com uma grave forma congênita de fragilidade óssea, denominando-a de osteopsatirose. Sillence e Danks em 1979 delinearam quatro tipos geneticamente distintos de OI, dois com traço autossômico dominante e dois com traços autossômicos distintos (TACHDJIAN, 1995).Esta classifi-cação se converteu em referência obrigatória para os espe-

cialistas. Assim a OI é classificada, sim-plificadamente, como sendo de origem genética e, portanto, hereditária do tecido conectivo, caracteriza-se pela fragilidade óssea e pelo comprome-timento de outros tecidos do tipo conectivo, mais ou menos freqüente. Podemos encontrá-la na forma gravíssima, que causa a morte do bebê, ainda dentro do útero materno. Há também, formas muitas leves, que se manifestam tardiamente, com uma pequena diminuição da resistência óssea. Porém o maior contingente dos portadores de O.I. está situado entre estes dois extremos. Em geral são crianças de constituição física pe-quena, com cabeça volumosa, in-teligência normal ou superior a normal, vivazes e capazes de adaptar-se bem às suas limitações. Manifestações clínicas As manifestações clínicas variam de acordo com o grau de comprometimento. Porém as mais freqüentes serão descritas abaixo. -Estatura reduzida podendo levar ao nanismo, com 60-70 cm; -Cifose ou escoliose, levando a complicações cardiopulmonares, com prognóstico negativo já na idade infantil; -Membros superiores encurtados e encurvados; -Membros inferiores com deformidades graves -Dentinogênese imperfeita -Fraturas freqüentes; -Hipotonia muscular; -Excessiva mobilidade articular; -Frouxidão ligamentar; -Dor crônica ou aguda, podendo estar associada às múltiplas fraturas, colapsos vertebrais, deformidades articulares, osteoartrose, contraturas, deformidade ou mau alinhamento dos membros e

recorrentes dores abdo-minais. -Esclerótica azul -Pele delicada -Rosto de forma triangular -Possível surdez por volta dos 20 ou 30 anos Atuação da fisioterapia OI A atuação da fisioterapia no tra-tamento da OI é ampla e deve se adequar ao quadro em que o paciente se encontra. São muitos os recursos que podem ser utilizados isoladamente ou combinados, cabendo assim, ao fisioterapeuta eleger o melhor recurso de acordo com a avaliação individual realizada. Objetivos da Fisioterapia: -Orientar e incentivar o contato dos pais com a criança; -Promover a deambulação; -Prevenir e tratar contraturas posicionais e deformidades; -Aliviar o quadro álgico; -Fortalecer a musculatura; -Promover e manter as AVDs; -Avaliar constantemente o paciente; -Promover independência, con-fiança e estabilidade ao paciente, durante execução dos movimentos; -Prevenir fraturas. A fragilidade óssea, assim como os problemas osteomusculares do lactente com OI, articulações frouxas, fraturas constantes e músculos fracos farão com que a intervenção fisioterápica se faça necessária. O ideal seria a participação do fisioterapeuta desde os primeiros dias de vida, para orientar aos pais quanto ao manuseio e posicionamento da criança e a melhor maneira de aumentar ao máximo seus movimentos ativos. A criança com OI apresenta um atraso de aproximadamente um ano ou mais para ficarem em PO, se com-paradas a


crianças saudáveis na mesma idade. De acordo com estudos rea-lizados, o uso de órteses nesta popu-lação demonstrou um avanço na performance destas crianças. O tratamento fisioterapêutico nesta fase será direcionado para ensinar a mobilidade, habilidades nos cuidados pessoais, incentivar o controle da cabeça e do tronco para facilitar o ato de sentar-se no espaço, e para a facilitação do apoio precoce (RATLLIFE, 2000). Assim que a criança mostrar interesse em pegar objetos, o fisioterapeuta deve aproveitar a fase, estimulando o fortalecimento de membros superiores da criança. Quando em decúbito lateral ou dorsal e quando sentada em apoio deve faze-la alcançar e pegar objeto ou brinquedo, desta forma estimulando, também, a exploração do campo visual e melhorando a noção de espaço. A hidroterapia pode ser utilizada à partir dos seis meses de idade, se a criança não apresentar problemas cardio - respiratórios. Após 2 anos de idade, a criança normalmente cooperará o suficiente para iniciar um programa formal de exercícios na piscina com progressão de exercícios resistidos, orientados pelo fisioterapeuta(BINDER,1984). Os pacientes devem evitar forçar seus exercícios até a sensação dolorosa quando realizarem exercícios de amplitude de movimento na água e não devem sentir dor após a sessão de hidroterapia (RUOTI, 2000). O treinamento da marcha é feito na maioria das vezes, de formas não convencionais, tais como pontas dos pés. Será permitido à criança mover-se da forma como preferir e por quanto tempo quiser, desde que as atividades forta-leçam o tronco e os membros e não desenvolvam deformidades. O uso de órteses se faz necessário, em muitos casos. As deformidades da coluna vertebral, inclusive cifose e escoliose, progridem durante a adolescência e a cirurgia pode ser necessária. O fisioterapeuta pode trabalhar o fortalecimento antes do procedimento cirúrgico ou a reabilitação no pósoperatório. Para a criança com OI é

importante movimentar-se o mais rápido possível depois de qualquer cirurgia ou fratura, diminuindo o tempo de restrição ao leito. O desuso aumen-ta a desmineralização óssea e a osteoporose, ocasionando risco maior de fratura (RATLLIFE, 2000). Durante a vida do portador de OI, o fisioterapeuta deve elaborar um tratamento de acordo com as necessi-dades do paciente relacionando-as com os cuidados e limitações que ele apresenta, devido à patologia. Algumas sugestões de tratamento: -Relaxamento local e geral -Alongamento -Exercícios Isotônicos -Exercícios isométricos Tratamento da dor Para as pessoas com OI a dor associada às múltiplas fraturas pode levar a um desnecessário sofrimento e, quando não tratadas, podem resultar numa condição crônica. Como as dores podem impedir a capacidade de levar uma vida produtiva, a dor deve ser tratada com recursos clínicos e fisioterapêuticos. No contexto fisioterapêutico, existem inúmeros recursos para aliviar a dor, dentre eles, recursos hipo e hiper-termoterápicos, TENS, acupuntura, acupressura, massagens,etc. Os exer-cícios também são meios de aliviar o quadro álgico, já que estes aumentam o nível de endorfinas (analgésicos naturais produzidos pelo cérebro no corpo). Conclusão A prática de exercícios e mobi-lizações pode ser efetiva no fortale-cimento muscular, aumentando as estaminas, evitando que haja maiores deformidades, mantendo o arco de movimento o mais perto do padrão de normalidade, dando assim, uma melhor qualidade de vida ao paciente. Como os exercícios físicos aumentam as endorfinas, as dores podem diminuir. O atendimento fisioterápico em crianças deve iniciar tão cedo quanto possível. Podem ser trabalhados posicionamentos adequados, postura e exercícios que fortaleçam a muscula-tura sem alterar os ossos. Estas ativi-dades

vão desde uma mobilização passiva, ativa-assistida, ativa livre, ativa resistida, até exercícios mais complexos devidamente monitorados. A hidroterapia é uma das melhores técnicas de exercícios para suave-mente aumentar a tonicidade mus-cular e reduzir o quadro álgico, dentre outras finalidades. Vale a pena ressaltar que todo cuidado deve ser mantido durante a realização de qualquer manobra escolhida pelo fisioterapeuta, respei-tando as limitações de cada paciente e adequando a postura nas condutas realizadas de acordo com uma avalia-ção prévia e contínua do caso. Bibliografia: A Z E V E D O , D . J . & B A R R O S O , P. M . & BARROSO,C.M. Osteogênese Imperfeita. 1998 BINDER,H, et al. Osteogenisis Imperfecta: Rehabilitation Approach wich Infants and Young Childrem. 1984 KISNER, C. & COLBY, L.A. Exercícios Terapêuticos. 1998 R A T L I F E , K . T. Fisioterap i a C l í n i c a Pe d i á t r i c a : G u i a p a r a a Equipe de Fisioterapeutas. 2000 R U O T, R . G . & M O R R I S , D . M . & COLE , A.J. Reabilitação Aquática. 2000 TACHDJIAN,M.O . Ortopedia Pediá-trica. 1995 WESTEIN,S.L & BUCKWALTER,J. A. Ortopedia de TureK:Pricípios e sua Aplicação.2000 SCHNITMAN,S. Osteopatias Metabólicas- Comcepcion Moderna de la rarefacción osea sistemica – Editorial Stilcograf-Buenos Aires. 1968 Dissertação de mestrado da Dra. Chong Ae Kin C E C I L . Tr a tado de Medicina Interna- 1997 LENZI,L.VEGETTI E. e ZINGALES,M. Osteogênese Imper-feita Profilo di uma malatia,- Itália, Fausto Sardini Editore.

Autora Danúbia da Cunha de Sá


Atualização em Fixador Externo de Ilizarov: Aspectos Clínicos e Fisioterapêuticos

Resumo O fixador externo de Ilizarov foi desenvolvido em 1951 no Centro Ortopédico de Kurgan, Rússia, pelo Prof. Gavrill Ilizarov e só chegou aos países ocidentais em 1981, através do trabalho de ortopedistas italianos. Este fixador apresenta melhores condições de atuação nas patologias traumato-ortopédicas, pois permite remo-delamento, alongamento, correção de fraturas e deformidades ósseas. O quadro póscirúrgico dos pacientes portadores deste fixador é carac-terizado por limitação articular e da contração muscular, problemas circu-latórios, distúrbios na marcha (quando utilizado nos membros inferiores) e má aceitação psicológica do paciente. A fisioterapia aplicada nesses pacientes atua, portanto, como aliada no trata-mento, reintegrando a capacidade funcional do paciente. Introdução Os fixadores externos têm sido usados para o tratamento de patologias osteoarticulares desde 1853. Inici-almente eram utilizados para comple-mentar outros sistemas de reparo das fraturas como as placas, os parafusos e as hastes intramedulares. O fixador externo de Ilizarov foi desenvolvido em 1951 no Centro Orto-pédico de Kurgan, na Rússia, pelo Prof. Gavrill Ilizarov e só chegou aos países do ocidente em 1981, através do trabalho realizado pelos ortopedistas italianos. Este fixador permite que se realize compressão, distração, decalagem e transporte ósseo, além de remodelamento e o alongamento ósseo, possibilitando a correção de fraturas e deformidades ósseas, tratamento de infecções e até mesmo a substituição do emprego de próteses ou enxerto ósseo nas ressecções tumorais (MOTA, 2000). É o mais complexo dos fixadores e apresenta as melhores condições de atuação em todas

as possibilidades clínicas. O método idealizado por Ilizarov, graças ao seu caráter essencialmente incruento, permite cura ambulatorial de pacientes com afecções complexas, já tratadas sem sucesso com métodos tradicionais, obtendo resultados únicos, sem analogia na prática mundial. Não se trata de um fixador externo apenas, mas sim de um aparelho desenvolvido e concebido em função de uma metodologia peculiar. A fisioterapia aplicada nos paci-entes portadores desse tipo de fixador externo atua como um grande coa-djuvante no tratamento desses pacien-tes, objetivando a manutenção dos seus sistemas orgânicos, a reeducação e a recuperação das suas funções motoras. Sendo assim, o objetivo desse estudo é suprir a escassa bibliografia, proporcionando conhecimentos úteis e atualizados aos profissionais e aca-dêmicos de fisioterapia, bem como elucidar a real importância do trata-mento fisioterapêutico em pacientes portadores de Ilizarov dentro de um enfoque multidisciplinar. Considerações sobre o método de Ilizarov O fixador externo de Ilizarov é um tipo especial de fixador, de forma circular, composto por elementos principais e elementos secundários. Os primeiros são caracterizados por solidarizar o esqueleto e seus fragmentos ósseos (fios transósseos com ou sem oliva de apoio, anéis, semianéis, arcos, parafusos fixa-fio e tendifio, morsetos), enquanto que os últimos são peças padronizadas neces-sárias à conexão de várias partes do aparelho: hastes rosqueadas, hastes elescópicas, placas de conexão retas, curvas e tortas, bandeirinhas, arruelas, bússolas, parafusos e porcas. Ainda fazem parte dos elementos secundários, os diversos tipos de chaves anguladas e re-

Por: Ana Paula Souza da Silva Jaqueline Souza da Silva Nelson Higino de Oliveira Ulisses Alves Rosa

tas, o tensor de fios tradicional ou dinamométrico. Após a colocação dos fios e pinos que estão presos ao osso, é conectado por meio de porcas e parafusos o fixador externo. É importante destacar que o procedimento de colocação dos fios e pinos é percutâneo, pouco invasivo (sem dissecção cirúrgica), lesando menos as partes moles e ósseas. A técnica de osteossíntese transóssea segundo Ilizarov, aliás, é uma das mais empregadas atualmente. Consiste na corticotomia da zona metafisária dos ossos com preservação do periósteo, de modo recriar con-dições fisiológicas do crescimento, acelerando a formação do calo ósseo e a consolidação, através de micromo-vimentos unicamente axiais. Baseia-se na plasticidade dos tecidos e na lei de tensão-estresse, ou seja, tração teci-dual, gradual e constante que gera estresse, estimula o crescimento e regeneração dos tecidos, o que aumen-ta a função proliferativa e biossintética do osso (MOTA, 2000). A fixação rígida diminui a resposta perióstica e acelera a ossificação medular. Em conseqüência, ocorre menor formação do calo ósseo, princi-palmente no córtex mais rígido, próximo ao fixador. Além do alongamento ósseo, a distensão gradual e contínua da borda cicatricial da corticotomia, produz tensão em partes moles, que acarreta fenômenos de histogênese em nervos, vasos, músculos e tecido conjuntivo. Para que a consolidação se processe, então, sem formação de calo peri-óstico, a redução cuidadosa da fratura é essencial. A distração também pode ser utilizada na fixação de fraturas articulares cominutivas. O princípio é de que a distração promove a redução da fratura através da moldagem dos fragmentos fraturados pela tração exercida pelos tecidos moles. Este mesmo princípio pode ser utilizado nas fraturas distais do rádio em pacientes jovens. Ressalta-se apenas que a colocação


da fixação externa em crianças pode ser realizada, desde que se tenha o extremo cuidado de jamais transfixar a cartilagem de crescimento, o que iria comprometer o crescimento ósseo. O aparelho de Ilizarov foi idealizado com as finalidades de promover a manutenção das funções de sus-tentação e locomoção do membro lesado, inclusive a mobilização precoce do paciente; contenção de fraturas e alongamentos ósseos (ossos longos). Ele possibilita carga precoce na extre-midade atingida, promovendo assim, uma solicitação fisiológica ao nível dos fragmentos ósseos. Os fixadores externos de Iliravov têm, inclusive, a sua principal indicação nas lesões em que há uma grande perda de substância de pele e de osso, sendo também solicitado para: alongamento do membro (nos casos de agenesias ósseas, displasias fibrosas, seqüelas traumáticas ou infecciosas e acrondroplasias); tratamento imediato das fraturas complexas dos membros, abertas ou fechadas, no momento em que os outros meios de osteossíntesse não sejam utilizáveis; fraturas severas, associadas à perda óssea, à lesão de partes moles, à lesão neuro-vascular, ou a queimaduras; fraturas com cominução extensa; fraturas múltiplas, pélvicas, expostas; estabilização de osteotomias; pseudoartrose congênita ou adquirida, séptica ou não, de resta-belecimento difícil; desvios axiais ou rotacionais e deformidades dos ossos longos (pós-infecciosa, pós-traumática ou congênita). Em alongamentos ósseos, a regulagem no aparelho (leia-se alongamento e correção óssea) iniciará entre o 7º e 14º dia pós-cirurgia. Ele é feito meca-nicamente (manualmente) girando ¼ de volta as porcas sextavadas do aparelho por quatro vezes ao dia. A taxa de distração é de 1 mm/dia em adultos – que é fracionada em 4 vezes ao dia (0,25 mm/dia), com intervalos regulares de 6 em 6 horas – e de até 1,25 mm/dia em crianças. O alongamento pode atingir um total de 16 a 18 cm. Tal alongamento por si só não é doloroso, pois é feito através do ajuste diário das porcas sextavadas do aparelho. Todavia, com o decorrer do processo algumas pessoas podem sentir estiramentos musculares ou desen-volver contraturas articulares, já que o alongamento que está ocorrendo na parte óssea é acompa-

nhado pelas partes moles. A fisioterapia, associada aos relaxantes musculares e aos anal-gésicos, controlam perfeitamente esse problema. A retirada do aparato de Ilizarov dá-se quando ocorre a involução do edema, corticalização e calcificação do tecido regenerado (verificado através de radiografias) e desaparecimento da dor à movimentação. Vantagens do Método ·A principal vantagem é o acesso às partes moles; ·Aplicação possível com lesões da pele e de partes moles; ·Indicação polivalente devido à versatilidade do aparelho e montagens variadas; ·Ausência de gesto traumatizante ao nível do foco de fratura ou da corticotomia; ·Respeito à vascularização óssea e aos elementos vásculo-nervosos; ·Controle contínuo da osteogênese; ·Colocação em carga imediata e manutenção das funções articulares; ·Tratamento ambulatorial: geralmente o período de internação do paciente é reduzido; Desvantagens do Método ·É necessária a colaboração ativa do paciente na evolução do tratamento, pois a difícil aceitação psicológica do fixador pelo paciente, pode ser um grande inconveniente; ·Limitação da vida social e de trabalho do paciente em virtude da forma e do peso considerável do aparelho; ·Problemas locais como dores cutâneas e musculares na passagem dos fios, edemas, dor (em virtude de uma infecção superficial nos pinos e fios); ·Dificuldades na contração muscular devido à picadelas dos fios; ·Problemas ligados à técnica cirúrgica ou do material: insuficiência de distração ou compressão; desalinha-mento do eixo; corticotomia insu-ficiente; ruptura dos fios; Possiveis Complicações ·Edema do membro em tratamento; ·Inflamação dos orifícios do fio, que é reconhecida pelo eritema, des-conforto local e infiltração ao redor do pino ou do fio. Entretanto, ela difi-cilmente torna-se um problema, e raramente evolui para infecção profun-da, a menos que um

fragmento ósseo solto seja transfixado, ou que a trans-fixação vigorosa dos pinos ou fios resulte em seqüestro ósseo. Às vezes um pino pode necessitar de recolocação; ·Possibilidade de complicações vasculares (latejamento, flebite, fístulas arterio-venosas) e nervosas; ·Complicações infecciosas (fístulas e osteítes) e tróficas (amiotrofia e algodistrofia); ·Fratura secundária ou desni-velamento do eixo secundário; ·Pseudoartrose; ·Prejuízo neurológico periférico; ·Rigidez articular temporária, que é quase inevitável pela passagem dos fios através da musculatura; ·Limitação de movimentos; ·Déficit de força muscular; ·Sub-luxação articular. Pós-Operatório ·Iniciar o tratamento fisioterápico. Mobilizar as articulações adjacentes e fazer programação de fortalecimento muscular; ·Observar a área próxima aos pinos ou fios procurando sinais de infecção ou soltura. Recolocar os pinos ou fios em outro ponto, se necessário; ·Semanalmente fazer a toalete em todos os pontos de inserção e saída dos pinos ou fios; ·Infecção no trajeto dos pinos ou fios sem afrouxamento associado à infecção profunda, geralmente pode ser tratada com medidas locais e antibióticos; ·A duração da fixação externa freqüentemente é determinada pela extensão da lesão dos tecidos moles; Conduta Fisioterapêutica Hipócrates foi o primeiro a firmar que o exercício dá firmeza ao corpo, ao passo que a inatividade leva a deterioração. Através da história médica primitiva muitos médicos advogaram que a atividade e o movimento são ferramentas úteis na preservação do bem estar físico e mental (BELL & HALAR, 1994). Isso justifica a necessidade da fisioterapia na reabilitação do paciente portador de fixador externo de Ilizarov. Um dos principais propósitos do processo de reabilitação é ajudar os pacientes a atingir o mais elevado nível de independência funcional possível, dentro dos limites de suas incapacidades específicas (NORKIN, 1993).


A programação de tratamento fisioterápico geralmente se inicia imediatamente após a colocação do fixador externo, devendo ser realizada uma avaliação inicial das condições gerais do paciente, dos grupos mus-culares envolvidos, do arco de movi-mento das articulações adjacentes, da sensibilidade protopática e das condições locais do sítio da fratura. Através desta avaliação o fisio-terapeuta terá condições de estabelecer os objetivos gerais e específicos do tratamento fisioterápico. As principais finalidades da fisioterapia são: ·Manter a imagem psico-socialsensorial e motora do paciente; ·Promover a recuperação muscular, tendinosa e articular; ·Melhorar a circulação arteriovenosa e linfática; ·Promover o relaxamento com movimentos rítmicos e dinâmicos; ·Melhorar a coordenação; ·Aumentar o tônus, trofismos muscular e amplitude de movimento; ·Combater algias e edemas; A reabilitação do paciente pode ser dividida em quatro fases. A primeira fase é o período do pós-operatório imediato. A fisioterapia se inicia no 2º dia após a cirurgia. Nesta fase o fisioterapeuta ensina a posição correta que seu membro deve assumir no leito, podendo fazer uso de talas para a correção da posição. A movimentação ou mobilização ativa das articulações adjacentes deve ser encorajada no pós-operatório imediato, tão logo seja confortável para o paciente, o que costuma ocorrer, em média, em torno de 24 a 48 horas da cirurgia. Este procedimento não só diminui a rigidez articular pós-operatória, como também facilita a nutrição da cartilagem articular. Na segunda fase (fase de distração) o tratamento fisioterapêutico objetiva manutenção da mobilidade articular. Para evitar a progressiva perda de mobilidade é essencial tentar manter o máximo possível o movimento articular, evitando o movimento de contraturas. Há preocupação também de prevenir a atrofia muscular da musculatura adjacente com exercícios de força durante o alongamento. A fase de consolidação óssea ou fase três é o período da formação do

calo ósseo. Durante o alongamento o objetivo da reabilitação será evitar a perda de mobilidade articular, fraqueza muscular e dor. Esta é a fase da reeducação muscular. Após a remoção do fixador externo (fase quatro) ainda há o risco de fratura óssea no local do regenerado e onde os pinos estavam perfurando o osso. Por isso os pacientes devem ser imobilizados por aparelho gessado ou órteses durante 1 mês. A base de todo o tratamento é a cinesioterapia, composta por exercícios passivos, ativos (livres e assistidos), isométricos, exercícios proprioceptivos (excitando as terminações nervosas, afim de obter de maneira reflexa as contrações musculares com finalidade de proteção ou aprendizagem do movimento), alongamentos e treino de marcha (quando o fixador externo de Ilizarov é utilizado nos membros inferiores). No alongamento ativo de membros um dos objetivos da cinesio-terapia é o de manter o alongamento dos tecidos moles (músculos, fáscias, tendões, aponeuroses) paralelo ao alongamento ósseo. Ao se movimentar o segmento corporal estabilizado pelo fixador externo, seja durante a avaliação seja no decorrer do tratamento, deve-se evitar, o tanto quanto possível, mani-pular o fixador externo, usando este como “alça” ou suporte para mobilizar ou elevar o segmento submetido à fixação externa, mas sim mobilizar ou elevar o segmento apoiando-o pela sua extremidade livre. O tratamento fisioterapêutico faz uso, ainda, de recursos massoterapêu-ticos, elétricos e crioterápicos, observando-se suas indicações e contraindicações, além das alterações fisiológicas ocorridas com tais técnicas. A hidroterapia também pode ser utilizada nas fases tardias do tra-tamento, pois aumenta o grau de mobilidade articular e evita o excesso de carga pelo fenômeno da flutuação. Os exercícios terapêuticos aquáticos devem ser feitos em piscinas tratadas para evitar a infecção dos pinos. Os efeitos positivos dos exercícios terapêuticos aplicados no tratamento de pacientes portadores de fixador externo de Ilizarov incluem prevenção de disfunções, assim como desen-volvimento,

melhora, restauração ou manutenção da normalidade de: Força, resistência à fadiga, mobilidade e flexibilidade, relaxamento, coordenação e habilidades funcionais. Cocnciderações Finais A seleção do fixador externo de Ilizarov para o tratamento de inúmeras patologias e disfunções traumato-ortopédicos têm se mostrado eficaz, assim como a atuação fisioterapêutica em tais pacientes apresentou-se imprescindível para a melhora do quadro pós-cirúrgico do paciente portador desse fixador, que é caracte-rizado por limitação da contração muscular e articular, problemas cir-culatórios, de marcha (quando uti-lizado nos membros inferiores) e má aceitação psicológica do paciente. O doente, aliás, deve ter consciência que o seu tratamento não se resume unicamente à colocação do aparelho. O fisioterapeuta adquire, portanto, a indiscutível função de reintegrar a capacidade funcional desse paciente, a fim de restabelecer sua condição biopsico-social. Referências Bibliográficas BELL, K. R. & HALAR, E. M. Relação da reabilitação com a inatividade. In: Kottke, F. .J.; Lehmann, J.F. Tratado de medicina física e reabilitação de Krusen. 4ª edição. São Paulo, Manole, 1994. BORGES, Jorge. Reabilitação para alongamentos de membros e cirurgia de reconstrução. Disponível em http://www.car. med.br/reabilitacao.asp. Acesso em 28 de janeiro de 2002. HOPPENFELD, S. Propedêutica ortopédica: coluna e extremidades. São Paulo, Atheneu, 1996, p. 140 – 148. INTERVENÇÃO fisioterápica em pacientes submetidos ao Aparelho Fixador Externo de Ilizarov. Revista Fisioterapia em Movimento. Paraná, vol. VII, nº 01, p. 18 – 33, 1994. MOTA, W. S. Atuação fisioterápica em pacientes submetidos a alongamento ósseo de membro inferior pelo método de Ilizarov. Revista Fisio & Terapia. Rio de Janeiro, Ano IV, n° 23 , p. 20-22, 2000. NORKIN, C. Análise da marcha. In: O’SULLIVAN, S. B. & SCHMITZ, T. J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2ª edição. São Paulo, Manole, 1993. TEIXEIRA, E. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 2ª edição. Belém, Grapel, 2000, p. 32 – 36. THOMSON, A.; SKINNER, A.; PIERCY, J. Fisioterapia de Tidy. São Paulo, Livraria Editora Santos, 1994, p. 9 – 18.


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