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Ano II - nยบ 8 - Abril/Maio 98

#08 - Abril/Maio 98

Entrevista com Dr. Nilton Petrone

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INFORMAÇÃO INDISPENSÁVEL A Revista Fisio&terapia o manterá sempre bem informado e atualizado sobre as últimas novidades em fisioterapia, não só no Brasil, como em todas as partes do mundo. Ela trás em suas páginas as mais novas descobertas, pesquisas e técnicas sobre fisioterapia e os títulos dos últimos lançamentos publicados. Também a cada edição tem um perfil com profissionais que se destacam e uma prática agenda que contém data de cursos e eventos que serão realizados e oferecem descontos aos assinantes da Revista. Mantenha-se sempre por dentro. Leia!

Assinaturas podem ser feitas pelo telefone (021) 294-9385 ou mandando um cheque nominal à Revista Fisio&terapia em carta registrada para: R. José Linhares, 134 - Leblon - Rio de Janeiro- CEP: 22430-220. Valor da assinatura é R$30,00 (assinatura anual, 6 edições) Maiores informações ligue (021) 528-0000 cód 231753 ou 231754 deixando seu nome e telefone. #8

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Editorial EDITOR Oston de Lacerda Mendes DIRETORES Oston de Lacerda Mendes João Marcelo Gigliotti Cláudio Veríssimo JORNALISTA RESPONSÁVEL Marcos Antônio Alves nº M.T.B. 6063 DRT-MG ASSESSORIA JURÍDICA Dr. Walter Lambert de Brito PROVEDOR DE ACESSO Internexus PERIODICIDADE Bimestral CORRESPONDENTES Adelzir Malheiros B. Haidar - Maranhão Adriana Vieira de M. Estevão - UNESA Ana Patrícia de Souza Santos - SEFLU André Gally - UNIT (Tiradentes) Carlos Emílio LAdeira - Flórida USA Cristiane Pereira Deistier - UNIGRANRIO Danielly S. Araujo - FAFISC Darlan Lauricio Matte - UNICRUZ Fabiano Bartmann - ULBRA Fabiano Moreira da Silva - UGF Inês Braga - Portugal Jailton Martins Alves - UFPE Jeison Saturnino de Oliveira - UNIG Juliano Tibola - UDESC Kátia Mara Tavares - UNIFENAS Letícia Gomes de Barros - ECMAL Luciano Barbosa Campos - UCDB Luiz Felipe Círio Paes - UFRJ Marcelo de C. Filgueiras - UNIFOR Marcos Rolim dos Santos - EBMSP Reinaldo Monteiro Marques - USC Ricardo Goes Aguiar - UCSAL Silvana Antonietto - Campinas Sônia R. Coimbra - UNESA (Friburgo) Vanessa Gouvea Freitas - UNIT (Uberlândia) Vânia M. R. Monaldi - UNIVERSO (S. Gonçalo) Vinicius gangana de Oliveira - UNIBAN

ENTRE EM CONTATO: (021) 294-9385 (021) 528-0000 cód 231753 ou 231754 E-Mail: oston@inx.com.br Home page: www.inx.com.br/fisio&terapia Não nos responsabilizamos pelas opiniões, conceitos e sugestões emitidas em artigos assinados

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Vários foram os pedidos para que entrevistássemos o Dr. Nilton Petrone, e imagino que ainda há vários profissionais e assuntos que devem interessar a todos nós Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais e Acadêmicos. Estamos prontos para correr atrás de qualquer matéria, queremos trazer notícias lá do Nordeste para colegas do Sul passando pelo Sudeste e por todos espalhados pelo Brasil. Mande sua sugestão, quem são os profissionais que você gostaria de conhecer melhor, quais as matérias que gostaria de saber mais a respeito, quais as curiosidades da fisioterapia que você sabe. Escreva para gente, precisamos desta troca de informações. Aproveitando, quero convidar a todos para o Bate-papo da Revista que fica na Internet, estamos lá todos os dias e já podemos começar a trocar estas informações, além de também ser uma ótima oportunidade para você nos convidar para o churrasco de calouro de sua turma e depois para a festa de formatura, a gente gosta muito e vai mesmo! Aí Sandro Amorim (Besteira), fizemos está edição toda, cada página, com a alegria, descontração, irreverência e porra louquice que só você tinha. Está foi pra você, onde você estiver, Valeu Best, fica a saudade. Oston de Lacerda Mendes

Agradecimentos Gostaríamos de agradecer ao Sérgio e Nelson Waissiman da Internexus pelos vários sábados perdidos ao computador atualizando a Home Page da Fisio&terapia. Ao Fabiano Bartmann e Robson Cavalheiro Pinto pelo apoio na ULBRA (Porto Alegre). Aos Monitores da UNESA Franklin Soares e Wagner Gonçalves. Aos Professores Wilson Chagas de Araújo, Marcos Vinícius M. Pinto, Henrique Baumgarth e a Cristiane Pereira Deistier nossa mais nova correspondente (UNIGRANRIO) Ao Sobral, Guilherminho e o pai dele que esqueci o nome, há ao Murilo e o Presidente. A Laura H. B. Miranda. Ao pessoal da Photo 310 (259-4593) que revela nossas fotos. E mais uma vez ao Miguelzinho, desta vez pelo Zip Drive de última hora. A todos, valeu galéra! Obs: Na matéria do Sr. Cléo, edição passada, ele em nenhum momento pediu para que colocássemos a sigla Dr. antes de seu nome.


Agenda DATA ABRIL 17 a 19 18 a 26 24 a 01 24 e 25 24 a 26 24 a 26 24 a 26 25 e 26 25 e 26 25 e 26 27 e 30 28 a 02 29 a 02 29 a 02 30 a 02 30 a 02 30 a 02 30 a 02 30 a 02 30 a 03 MAIO Em maio 01 a 03 06 a 10 07 a 09 07 a 10 08 a 10 08 a 10 09 e 10 09 a 24 11 a 15 14 a 17 15 a 17 15 a 17 15 a 24 16 e 17 22 a 24 22 a 24 23 a 24 27 a 30 30 a 31 JUNHO junho 01 a 22 04 a 17 06 e 07 11 a 14 11 a 14 13 e 14 13 a 21 19 e 20 20 a 27 23 a 26 2º Sem JULHO 10 a 12 11 a 24 17 a 19 18 a 31 23 a 26 24 a 26

LOCAL

EVENTO

INFORMAÇÕES

Rio de Janeiro Rio de Janeiro Porto Alegre Paraná Piracicaba Piracicaba Blumenal Assu Rio de Janeiro Rio de Janeiro Brasília Rio de Janeiro Poços de Caldas Poços de Caldas Poços de Caldas Poços de Caldas Poços de Caldas Poços de Caldas Poços de Caldas Belo Horizonte

Terapia Manual II Módulo Fisiologia Respiratória 1º Ano do Curso de Formação em Osteopatia 5ª Jornada de Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica de Curitiba Curso de Terapia Manual I e II Miofacial Release, Energia Muscular, Terapia Manual... I Interfisio Catarinense IV Encontro de Integração Regional de Fisioterapia do RN Curso de Eletroterapia com Dr. Nivaldo Parizotto Fisioterapia no Trabalho I Semana de Fisioterapia PRT Positional Release Therapy Cinesioterapia nas Lesões por Traumas Cumulativos Piscina Terapêutica Fisioterapia Esportiva Hidroterapia em Coluna Vertebral Aplicação de Crioterapia e Laserterapia nas Lesões Massagem Terapêutica Fisioterapia Respiratória 1ª etapa Curso de Fisioterapia Manual

(021) 275-2595 ou ibrafa@highway.com.br (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008 (051) 338-4496 ou fisiot@pro.via-rs.com.br (041) 332-9181 / 243-2128 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (047) 321-0200 ou smania@nutecnet.com.br silvestre@digi.com.br (021) 295-6811 / 542-8312 (021) 610-2626 / 610-2859 (061) 911-6706 (021) 493-2130 / 493-5455 (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (035) 222-2344 ou enaf@fepesmig.br (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321

São Pedro Londrina Goias Salvador Londrina Pres. Prudente Rio de Janeiro Niterói Batatais Belo Horizonte Londrina Goiânia Niterói São Paulo Rio de Janeiro São Pedro Fortaleza Joinville Niterói

Curso Internacional ISO STRECHING Miofascial Release, Energia Muscular, Terapia Manual... 1º Congresso Goiano de Fisioterapia III Jornada Científica de Estudantes 1ª Etapa do Curso de Fisioterpia Manual Miofascial Release, Energia Muscular, Terapia Manual... Curso sobre Terapia Manual Tratamento Fisioterapêutico nas Úlceras de Decúbito Fisioterapia Pediátrica “Uma nova visão terapêutica” 13ª Jornada Científica das Faculdades Claretianas Ciclo de Extensão de Fisioterapia e Terapia Ocupacional Fisioterapia nas Lesões por Esforço Repetitivo I Curso Internacional de Atualização em Dor Fisioterapia na Gestação Tratamento Fisioterapêutico nas Úlceras de Decúbito 1ª Jornada Científica de Fisioterapia em Traumato Curso Internacional de Reabilitação do Joelho Tratamento Fisioterapêutico nas Úlceras de Decúbito Jornada Catarinense de Fisioterapia Hidrocinesioterapia, bases, métodos e áreas de atuação

(019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (062) 285-6031 andrea@cdi.com.br (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (051) 338-4496 (021) 275-2595 ou ibrafa@highway.com.br (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008 (016) 761-4777 (031) 441-9076 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (062) 285-5130 / 281-1344 (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008 (021) 275-2595 ou ibrafa@highway.com.br (021) 289 - 8044 / 9996-5432 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (021) 275-2595 ou ibrafa@highway.com.br (047) 433-4527 (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008

Blumenal Rio de Janeiro Rio de Janeiro Rio de Janeiro Porto Alegre Porto Alegre Piracicaba Rio de Janeiro Bagé Londrina Natal Rio de Janeiro

Curso de Hidroterapia Fisioterapia Respiratória em Cirurgia do Tórax Interpretação Radiológica do Tórax Atuação Fisioterápica em Traumato Ortopedia Congresso Gaúcho de Fisioterapia Fisioterapia Manual Recursos Eletro-Térmicos Crioterapia IV Seminário Gaúcho de Fisioterapia em Traumato Ort. Curso Internacional de Formação em Téc. Manuais... IV encontro Nordestino dos Estudantes de Fisioterapia RTA. Reequilíbrio Tóraco-Abdominal

(047) 321-0200 ou smania@nutecnet.com.br (021) 291-3131 (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008 (021) 610-2626 / 610-2859 (051) 338-4496 ou fisiot@pro.via-rs.com.br (051) 338-4496 ou fisiot@pro.via-rs.com.br (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (021) 610-2626 R-229 / 719-1201 / 9981-7008 (053) 242-8244 R-273 (043) 322-4754 (084) 231-2701 ou gracorj@sintec.rn.gov.br (021) 392-3348 / 547-1488

Porto Alegre Rio de Janeiro Piracicaba Porto Alegre Londrina

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(051) 338-4496 (021) 392-3348 / 547-1488 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 (051) 222-4198 / 346-4336 (019) 422-1066 / 422-1771 / 433-2321 #8

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DATA AGOSTO 01 a 09 03 a 10 08 a 09 14 e 15 16 a 21 16 a 20 21 a 23 28 e 29 SETEMBROO Setembro Set/Out 01 a 31 10 a 13 12 e 13 OUTUBRO 01 a 04 05 a 08 08 a 11 08 a 11 17 a 25 12 22 a 25 24 a 30 NOVO 06 a 08 21 a 29 28 e 29 Dezembro Dezembro

LOCAL

EVENTO

Rio de Janeiro Londrina Rio de Janeiro São Paulo Porto Alegre Fortaleza Rio de Janeiro Poços de Caldas

Princiapis Lesões Traumáticas da Articulações 1ª Etapa do Curso de Formação em Téc. Manuais Atuação Fisioterápica em Traumato Ortopedia 1º Simpósio da UMSP 1º Ano do Curso de Formação em Osteopatia IX Simpósio Internacional de Fisioterapia Respiratória LER Atualização em Joelho

Nince - França Rio de Janeiro Rio de Janeiro Porto Alegre Niterói Rio de Janeiro

1ª Etapa do Curso de Fisioterapia Manual Curso de Fundamento e Aplicação do Método Kabat Método Kabat Fisioterapia Manual Interpretação de exames laboratoriais Principais patologias do Joelho

Pres. Prudente Águas de Lindóia Blumenal Curitiba Rio de Janeiro Fóz do Iguaçu Piracicaba Porto Alegre

1ª Etapa do curso de Fisioterapia Manual III congresso Internacional de Reabilitação Motora III Semana Acadêmica de Fisioterapia da FURB 1ª Etapa do Curso de Fisioterapia Manual Lesões Musculares 1º Congresso Paranaense de Eletrotermofototerapia e Laser 1ª Etapa do Curso de Fisioterapia Manual 1º Ano do Curso de Formação em Osteopatia

Porto Alegre Rio de Janeiro Rio de Janeiro

Eletroanalgesia e Téc. Manuais de Alívio da Dor Atuação Fisioterápica nas Paralisias Faciais Atuação Fisioterápica em Traumato Ortopedia Curso Internacional de Formação em Téc. Manuais Curso Maitland

Piracicaba

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Curso Internacional de Reabilitação do Joelho Dias 22, 23 e 24 de maio de 1998 no Hotel Fazenda Fonte Colina Verde em São Pedro, SP Palestra e Atelier`s com os fisioterapeutas

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D r . Nilton Pe

Entrevista com o Fisioterapeuta que m Por Michel Lacerda & AndrÊ Gonçalves

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e trone. “Filé”

mais se destacou em todos os tempos

Magro, baixo, barbudo e de gestos bruscos, Nilton Petrone Vilardi Júnior é a antítese do Super Herói. Menos para Romário. O sucesso no caso Romário serviu, acima de tudo, para quebrar um preconceito sobre a validade da fisioterapia nos clubes brasileiros. 9

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FISIO&TERAPIA ENTREVISTA

NILTON PETRONE

O Mais Polêmico e respeitado Fisioterapeuta do Brasil Dr. Nilton Petrone, concedeu no dia 2 de Abril de 1998 essa entrevista para a Revista Fisio&terapia. Com humildade e bom humor Petrone revela sua paixão pela fisioterapia a cada linha, conta como foi sua vida acadêmica , fala sobre seu trabalho (e que lhe rendeu um livro) com a fisioterapia associada a veterinária, recuperando cavalos de corrida, conta como anda a fisioterapia nos principais países do mundo e revela as novas mudanças que estão sendo feitas na Universidade Estácio de Sá onde hoje Petrone está a frente coordenando o curso e que com certeza irá revolucionar o ensino da fisioterapia no Brasil. Nessa entrevista Petrone deixa claro porque hoje ele já faz parte da História da Fisioterapia no Brasil e no mundo. Com vocês Nilton Petrone, o Fisioterapeuta.

Isso tudo foi até 1985. Em 1985 a Universidade Castelo Branco estava montando o seu Curso de Fisioterapia, e me chamou para fazer parte do corpo docente, em 1986 eu elaborei um projeto para a Clínica Universitária, e como a Castelo era predominantemente composta de atletas que faziam a Faculdade de Educação Física, eu tive então a idéia de montar um serviço para o atendimento do atleta. Em 1987 eu era Chefe do Departamento, Coordenador do Curso e Diretor da Clínica Escola. Nessa época então, que começou o “PROJETO DE RECUPERAÇÃO ACELERADO PARA DESPORTISTA.” Nesta época já frequentavam a Clínica o Carlos Alberto Santos, que agora está no Japão, o

FISIO&TERAPIA - Por que a escolha da Fisioterapia Desportiva? Você é formado também em Educação Física, ou já foi jogador de futebol? PETRONE - Não, não sou formado em educação física. Já joguei futebol de salão, mas nunca tive idéia de trabalhar na área desportiva. Tudo começou assim: Eu me formei e comecei a trabalhar com neuro, estimulação precoce, e fui estagiário por muito tempo do

Berg, o Gonçalves, Gotardo... Quase todos do futebol. FISIO&TERAPIA - A divulgação do projeto foi feito boca-a-boca? PETRONE - Sempre boca-a-boca o melhor marketing que existe é o boca-a-boca. FISIO&TERAPIA - E como começou aquela famosa briga com um Ortopedista? PETRONE - Não vale apena falar sobre este

Tadeu Nicoletti, no sul Fernando de Melo Prati, no Recife tem o Claudio Delgado, Nivaldo Baldo, Ademir Rodrigues, Alexandre Bachur e muitos outros que vem surgindo a cada dia, agora têm um grupo forte na área desportiva. FISIO&TERAPIA - Como foi que você se transformou de prof. Nilton Petrone para “O Milagre em forma de gente” ou “São Filé, o Santo Milagreiro” como apareceu nos jornais e revistas de todo o Brasil? PETRONE - Um dia na Clínica um empresário que era meu paciente chegou e disse: “Doutor, tem um amigo meu que tá quebrado, tá todo mundo dizendo que ele não vai mais voltar, mas eu tenho certeza que você vai dar jeito nele” Eu nem sabia do que se tratava. Bom isso foi de manhã. Quando chega a tarde o telefone toca e era o Maurício, que hoje trabalha aqui comigo, ele é professor de Educação Física e na época era Preparador Físico do Vasco, pessoa em quem o Romário tinha extrema confiança, e pelo telefone ele me disse: “Olha Nilton, eu trabalho no Vasco, e tô com esse pepino na mão ( a respeito da contusão do jogador Romário), queria sentar com você e discutir o caso”. Mas nesse dia tinha reunião no Conselho e eu estava na primeira chapa como Conselheiro Efetivo, então pedi para ele ir lá no Conselho e que lá nós conversaríamos. Chegando lá, ele me explicou o caso e eu disse para ele o seguinte:

Dr. Samarão Brandão. Trabalhei no Instituto de Reabilitação Motora, e a minha área mesmo, no primeiro momento, foi a neurologia. Passei por todas as áreas da fisioterapia: Respiratória eu fiz com Carlos Azeredo C.T.I eu fiz com Antônio Pereira, lá no Hospital de Bonsucesso. Comecei a trabalhar com um neurologista atendendo alguns pacientes deles internados em hospitais e outros em sua clínica onde se oferecia serviços de estimulação precoce onde mais tarde eu assumi a chefia.

assunto, vamos falar de gente que tem expressão, de nomes como Guilherme Ventura, Luiz Antônio Vieira, Neylor Lasmar, José Luis Runco, Michel Simoní, Gilberto Camanho, Rene Abdalla, Moisés Cohen, Marcos Amatuzzi, Rondineli e Pedro Ivo, paulo Couto e Romeu Krause, estes sim são profissionais de alto padrão. FISIO&TERAPIA - E quais são os fisioterapeutas que hoje tem este alto padrão? PETRONE - Afonso Shiguemi Salgado,

“O problema basicamente é o seguinte, você tem que por um sentido neurofisiológico no processo. É traumático? É, mas você não pode fugir de todo o processo neurofisiológico que acontece em função dos receptores existentes no tecido. Qualquer tecido tem receptor, e cada receptor vai ter uma função específica na reabilitação. A reabilitação, ou a recuperação funcional, se dá de dentro pra fora e de fora pra dentro. Fora pra dentro quando você faz um estímulo exteroceptivo e de dentro pra #8

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fora quando o estímulo é proprioceptivo, e esse caminho se cruza”. O cara olhou pra minha cara, coçou a cabeça e perguntou como é que se faria isso, eu então lhe expliquei o método. Ele riu e foi embora. Deve Ter pensado: “Esse cara é maluco!” Quando foi meia-noite o Romário me ligou: “Professor? (naquela época ele ma chamava de professor, agora é Filé) como é que tá a minha situação?” Eu então pedi que me mandasse os exames, e fui ver o que era! Já haviam dito para ele que não havia mais condição para a recuperação até a data prevista pra Copa, que era de 60 dias, no caso dele, só seria possível voltar a jogar com, no mínimo, uns 4 ou 5 meses. Ele teve lesão de sindesmose e ruptura dos 3 feixes do ligamento Deltóide, ainda fratura e luxação, e como não houve o tratamento correto no início, o caso se complicou ainda mais. Depois de examinar bem o caso eu disse: “Eu compro a briga! Coloco você bom em 30 dias!” Aí então foi aquela confusão, a Castelo não me liberava, e quando cheguei em Amesterdam eu já havia perdido 2 dias, 3 porque no dia 17 eu ainda tive que ir discutir com os médicos a respeito do que eu iria fazer. Era uma equipe que o PSV havia convocado. Só tinha médico, e lá na Holanda o fisioterapeuta através da Comunidade Econômica Européia “CEE” ainda estava legislando para torna-lo nível superior. Como eu não sabia falar uma palavra em inglês, tiveram que chamar um tradutor e quando eu comecei a explicar, acharam que meu tratamento não iria dar certo, na hora eu pensei: O pior que pode me acontecer é eu arrumar as minhas coisas e ir embora, Foi quando o Romário falou “A minha esperança é o cara, eu quero ele aqui e pronto!” No quarto dia começamos o tratamento, e logo de cara o médico falou: - ele não pode ficar de pé. - Eu digo que pode! - O parafuso vai quebrar. Não pode! Então pedi um cálculo da densidade do corpo do Romário, da estrutura óssea, da forma como ele pisa, da análise da marcha, da análise da corrida e aí então vamos ver se dá ou não dá! O médico olhou pra minha cara e viu que comigo a coisa é diferente. Quatro dias depois o Romário já estava andando. Uma semana depois quando o Romário já estava bem melhor, eu recebi um telefonema da Alemanha, depois outro da Bélgica, como eu estava trancado no hospital oito, nove, dez horas por dia acordando, comendo e dormindo tratando do Romário eu não fazia a menor idéia do que estava acontecendo no mundo, e aí recebi mais um telefonema da França, era a imprensa mundial querendo saber o que se passava. O respeito que eles tiveram comigo e a forma como eles me tratavam lá fora foi espantosa. -Por favor será que o senhor teria um tempo

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para falar comigo? Resumindo, o Romário ficou bom em trinta dias! Se jogou ou não jogou é outra questão. O importante foi que a polêmica que essa história causou, acabou provando que o Fi-

sioterapeuta é um membro indispensável na equipe, com a sua responsabilidade técnica científica e autonomia para aquele ato que é de exclusividade dele. Os caras ficavam loucos com o meu prognóstico, queriam saber como é que eu chegava aquela conclusão. Eles diziam 15 dias e eu dizia 7, os caras diziam 7 e eu 3, eles não entendiam como eu chegava aquele prognóstico, e eu dizia: Olha isso aqui é tudo lógico, primeiro a gente conhece a pessoa depois todo o processo fisiológico de resposta, conhece o protocolo que tá sendo usado e então se vê a resposta que o protocolo dá. Nesse ano então foi uma confusão danada, um vai pra lá vem pra cá... FISIO&TERAPIA - Você não ficou com medo de tanta responsabilidade? PETRONE - Não. Eu sabia o que estava fazendo, se eu tivesse alguma dúvida não faria, se você não tem condições de assumir um tratamento não assuma. Se você acha que não vai conseguir dar conta do recado não faça! Porque é melhor você não fazer do que fazer errado, porque quando isso acontece você não só se queima mas queima todo mundo junto, toda a Fisioterapia. FISIO&TERAPIA - Em que países você trabalhou como fisoterapeuta? PETRONE - Ná Europa eu já rodei tudo Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Espanha... eu conheci alguns dos maiores centros de fisioterapia do mundo. FISIO&TERAPIA - E como é tratado o profissional fisioterapeuta lá? É parecido com o Brasil? PETRONE - Eles tem problemas, mas é diferente, lá o fisioterapeuta às 5 horas da tarde termina o expediente e se chegar um paciente, ele não atende, literalmente não atende! Lá eles trabalham 6 horas, ganham um salário para um padrão de vida bom e tem a vida dele, com horário de lazer, hora pra estudar, tudo programado, não é como agente aqui, que o cara bate na porta e você atende, e se trabalha dez, onze horas por dia de Domingo a Domingo, isso não entra na cabeça dos europeus. FISIO&TERAPIA - E esse lance do fisio-

terapeuta brasileiro indo trabalhar fora do Brasil? Você concorda que o fisioterapeuta do Brasil é o melhor do mundo? PETRONE - Eu acho que o melhor fisioterapeuta do mundo é o nosso mesmo, sem dúvida é o brasileiro, pela versatilidade. O brasileiro ainda não tem o domínio científico grande, mas tem a capacidade de improvisação grande, e isso pra mim é o que o faz melhor, se a gente conseguir unir isso tudo com o conhecimento científico, nós iremos dominar o mercado mundial em muito pouco tempo. FISIO&TERAPIA - O que falta para esse conhecimento científico? PETRONE - Já falei pra vocês e vou continuar falando, nada daqui a algum tempo vai ser feito fora da universidade. Nada! Nos Estados Unidos todos os projetos são feitos dentro da universidade, isso em qualquer lugar do mundo. Eu aqui na Universidade Estácio de Sá estou providenciando isso, nós estamos buscando ser o centro de referência, nos tornarmos um centro de referência, um pólo de troca de informações, num nível não para o Brasil, ou Mercosul, mas para invadir a Europa e Estados Unidos. O projeto tem essa idéia a busca pelo ponto de referência. FISIO&TERAPIA - Você mudou também todo o currículo da UNESA, porque? PETRONE - Essa história do currículo é engraçada, deu uma confusão danada. É o seguinte, eu não acredito, e isso já é um questionamento mundial, em nenhum curso de nível superior de 6 anos, isso é impossível se falando de mercado de trabalho. Ninguém vai passar 6 anos na faculdade, 2 anos pra se especializar, mais 2 ou 3 anos pra fazer um mestrado e mais 2 ou 3 anos pra um doutorado, isso representa quase 15 anos da vida de uma pessoa. Você não pode esperar 15 anos para começar a ganhar dinheiro. O cara que entra na faculdade com 20 anos, com 36, que é a minha idade, ele vai ganhar dinheiro, isso é inviável. O cara tem que entrar na graduação e sair do doutorado num prazo máximo de 8 anos. É isso que a gente vai tentar aqui na UNESA. Isso é, 4 anos de graduação, mais 2 anos de especialização entrando no mestrado direto, e aí ele ainda tem mais um ano pra levantar a tese de mestrado e outro ano pra de doutorado. 8 anos! Aí sim, o cara entra na faculdade com 20 e sai com 28 doutor, isso abre um espaço mercadológico, uma expansão imensa. FISIO&TERAPIA - E como você vai fazer isso? PETRONE - Eu reforcei o básico, é a faculdade de Fisioterapia com maior carga horária de matérias básicas, que é pro professor de traumatologia, por exemplo, não perder tempo de aula dele, parando a aula pra explicar pro aluno, fisiologia ou outras matérias que não é a dele. Eu quero que ele ensine tratamento fisioterápico na Clínica. A UNESA hoje tem a


maior carga horária no básico, são 280 horas de anatomia, o que equivale a um curso de Pós-graduação, eu fiz o cálculo com o curso de medicina e é a mesma carga. Fisiologia 150 horas, 240 de cinesiologia, 240 de cinesioterapia, 60 de biofísica, bioquímica e histologia enquanto outras dão 30 horas. Nós ampliamos o básico e lá em cima é que direcionaremos. FISIO&TERAPIA - O que os alunos acham destas mudanças? PETRONE - Eu acho que as pessoas que estão chegando pra fazer o curso, não estão identificadas com a profissão, tem muita gente que queria fazer medicina, e tá ná fisioterapia, há uma distorção grave! Eu agora cheguei a instituir o branco, tinha aluno indo pra faculdade de bermuda e chinelo de dedo, tem que haver uma disciplina! Você não tem que fazer peripécias saindo da faculdade, tem que fazer o básico, aquilo que é a rotina do dia a dia, e depois, se você se interessar em alguma coisa corre atrás, pesquisa e extensão é fora da graduação e a UNESA esta caminhando pra isso. FISIO&TERAPIA - A Universidade está lhe dando condições para este projeto, quais foram os investimentos? PETRONE - Criamos 3 grandes laboratórios, com manequins para a anatomia, porque essa coisa de cadáveres já está em extinção em todo o mundo, não se usa mais cadáveres na Europa e Estados Unidos, dificilmente você disseca um cadáver lá. Ou eles fazem peças plastinadas que é a própria peça do cadáver, mas com uma maior durabilidade ou então usam as peças plastificadas que é a que nós estamos trazendo para a UNESA, inclusive depois que eu comprei para a fisioterapia a medicina pediu para comprar para eles também e a UNESA é a primeira no Brasil a telas. Montamos 3 grandes laboratórios que são o de ergoespirometria, no Campus Bispo compramos uma casa que vai ser o Centro da Cardio-respiratória, onde nós temos entrada de oxigênio e ar comprimido para os alunos aprenderem a manipular um respirador artificial, trouxemos manequins lá de fora para o aluno aprender como entubar, como posicionar em um trauma agudo, ou em uma fratura com luxação. E também um outro equipamento que retrata as 4 bulhas cardíacas e seus sons pulmonares, e então o aluno vai chegar lá e o professor vai perguntar, que som é esse? Esse é um Estetor-subcreptante, é um Estetor-creptante, bolhoso... O aluno vai discriminar, para quando for atender o paciente ele já estar sabendo o que está acontecendo. Criamos o Laboratório da Marcha que parecido com o nosso só tem na Faculdade de Santa Catarina, mas está posicionado para atender a Educação Física e não a Fisioterapia. Estamos montando o Laboratório da Analise Muscular, com equipamento isocinético, que

virá acoplado a plataforma de equilíbrio mais eletro-miografia, e no periodo que vem eu vou ao Estados Unidos comprar o equipamento de Biofeedback, para montarmos um laboratório de Biofeedback aqui dentro. A UNESA no Rio de Janeiro, fez um grande investimento e saiu na frente. Eu quero dizer que independente do curso ser noturno ou diurno, a formação profissional requer identidade. Eu me formei num curso noturno na Frasce, e como eu era pobre, só tinha um jeito, eu estudava de noite, trabalhava de madrugada, fazia estágio de manhã. Saía da faculdade às 11:30 da noite e entregava jornal até às 4:00 da manhã dormia até as 9:00 e ia para o estágio, e assim foram 4 anos da minha vida! Sobrevivi! Eu não sou melhor que ninguém, porém tem que haver identidade, tem que estar apaixonado, tem que gostar, e se mesmo assim você não conseguir ser um Nilton Petrone, você vai ser você mesmo,

porque o Nilton Petrone está aqui de passagem. Quando os laboratórios estiverem implantados vocês não imaginam o vulto que isso vai tomar! No Rio de Janeiro não tem a aparelhagem, onde é que as pessoas vão fazer os testes? Na UNESA! FISIO&TERAPIA - E no futuro como vai ser a fisioterapia no Brasil? PETRONE - Escuta o que eu vou te falar! Não haverá mais lugar para o medíocre na Fisioterapia! Só sobrevive no mercado nesses próximos 5 anos quem tiver competência, se não tiver meu irmão, não sobrevive mais, o paciente não aguenta mais esse negócio de fazer 160 seções de Fisioterapia e não sentir nada, pensa “isso não serve pra nada”, o cara já tá cansado, porém agora ele já acordou, e já sabe que tem alguma coisa no mercado que é diferente! E então os outros fisioterapeutas terão que surgir para criar um novo diferencial! O nível da Fisioterapia vai só aumentar, não tem outro caminho, é só pra cima e quem ficar meu irmão, ficou! Ficou porque não quis ir, não buscou, ficou porque quis! FISIO&TERAPIA - Você acha que o Fisioterapeuta no futuro irá prescrever medicamentos que por ele poderiam ser utilizados? PETRONE - Eu acho o seguinte: Qual é a base da Fisioterapia? É elaborar seu tratamento através dos aspectos físicos, a água, a eletricidade, a cinésioterapia um tratamento natural! São profissionais da área da saúde mas com características muito diferentes. O médico avalia a clínica do paciente e determina o tratamento medicamentoso ou

cirúrgico. O Fisioterapeuta avalia o aspecto dinâmico, físico-funcional. Se o cara souber que ao invés de tomar um antinflamatório, ele utilizar o gelo de maneira correta, que serve como um potente analgésico além de ser antinflamatório, o paciente naturalmente deixa de ser alvo apenas de tratamento mendicamentoso deixando de forma natural, com que o próprio organismo encontre um meio da situação inflamatório se recuperar. Agora, nem sempre o que é mais rápido é o caminho mais eficiente, se você explicar para o paciente as vantagens e efeitos, certamente eles vão optar pelo tratamento convencional. FISIO&TERAPIA - Você informa sempre os seus pacientes? PETRONE - Claro! Eu explico tudo. Meu paciente sai informado do que acontece no tratamento. “Estou aplicando este tratamento por esse e esse motivo”, assim quando ele estiver em outro lugar e perguntarem para ele o porque daquele tratamento, ele sabe direito quem é Fisioterapeuta e quem não é. FISIO&TERAPIA - Você já trabalhou com a Fisioterapia associada a Veterinária, e este estudo acabou rendendo um livro com o médico veterinário Dr. Alceu Cardoso, fale sobre este livro e esta experiência! PETRONE - Esse livro vai ser publicado agora, se não for este ano vai ser em 1999. É um livro voltado para Fisioterapia no equino, eu dedico os méritos ao Alceu, que era um cara que batia lá no Flamengo em 95 dizendo: Pô cara, eu preciso falar com você. Eu dizia: Não me enche o saco! E ele: Eu trabalho com cavalo, adoro fisioterapia, já faço alguma coisa mas queria que você me explicasse, o que devo usar e junto veremos qual a diferença do tratamento fisioterápico no homem e no cavalo. Aí então eu fui auxiliando o Alceu, dando estrutura fisioterápica para o estudo dele, e ele ia desenvolvendo, “o tens só responde assim..., olha na lombalgia do cavalo ele responde melhor com...”, e então fomos descobrindo os Pontos Gatilho, os Triger Points que nós usamos, ele encontrava no cavalo, como alongar o cavalo, como trabalhar dentro da piscina com o cavalo, e foi show de bola! FISIO&TERAPIA - Que outra área da Fisioterapia você acha que crescerá no futuro? PETRONE - Eu acho que a Fisioterapia agora está atrás da busca de identidade. Fisioterapia é a ciência que trata e previne as disfunções cinéticas dos seres vivos. A nível celular nós temos movimento. Não tem ciência mais abrangente do que a Fisioterapia, mas o problema é a desunião! Eu vou contar uma coisa pra vocês. Eu tive um professor, que hoje está na Universidade de Nova York, eu tinha orgulho de ser aluno dele. Orgulho! Eu tenho orgulho do cara! #8

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Hoje o Filé aparece no jornal e tem gente que fala: Babaca! Grandes merda! Não tem integração, sabe, não existe mais essa coisa! A minha vitória é por isso, é a vitória daquelas pessoas que me ensinaram, a ter respeito, ter amor pela Fisioterapia, paixão. FISIO&TERAPIA - Você se sente realizado? PETRONE - Não, ainda não, e vou te dizer porque! Financeiramente eu ainda não ganhei nada. FISIO&TERAPIA - Ué? Mais o Filé não é milhonário? PETRONE - Por incrível que pareça não. Todo mundo acha isso. Acho que é por que apareço no jornal. Mas teve uma matéria, aquela do Ronaldinho, no dia em que fui capa do O GLOBO, em que o reporte fala isso: “Filé já ganhou de tudo, menos dinheiro”, lembra disso? É não ganhei mesmo, mas isso não é o importante, porque o dia em que eu te falar “Eu estou realizado” eu acabei! Parei , aí eu sentei no trono, cheguei no topo. Eu só estou começando a minha subida agora, o que eu estou tentando fazer, é que minha subida tenha uma base, um corrimão se possível, que é pra subir bacana, e tem que ser uma subida larga também, que é pra eu não subir sozinho. FISIO&TERAPIA - A Clínica Fisiobarra vai

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mudar de nome? PETRONE - Bom, ela agora vai se chamar Clínica Dr. Nilton Petrone Fisiobarra, e vai ter também a Clínica Fisiobispo e Fisiofriburgo. FISIO&TERAPIA - Você já trabalhou no Crefito2 qual o cargo e como você avalia a

atuação dos Crefitos e do Coffito? PETRONE - Eu acho que o Crefito2 com a gestão da Dra. Regina Figueiroa conseguiu uma tremenda vitória, que foi comprar a nova sede. É inegável a vitória do grupo que está lá agora com a Regina, inegável! Eles estão no último mandato, e a Regina mesmo falou, eles estão só consolidando o que eles conseguiram, e então vão entregar o Conselho para novas lideranças. Só que a gente não tem novas lideranças, precisamos de novos líderes, gente nova pra poder assumir não só o Crefito, mas o Coffito e a ABF. FISIO&TERAPIA - Você gostaria de mandar alguma mensagem para os nossos leitores?

PETRONE - O que eu queria dizer é... que a Deusa da oportunidade é uma mulher muito bonita, tem um lindo tufo de cabelo na frente e é careca atrás. Se você deixar ela passar, você nunca mais pega! Então na hora que ela aparecer pra você, segura, pois ela não vai lhe dar outra oportunidade nunca mais. E a oportunidade não é pra um, é pra todos! Então fiquem alerta para no melhor momento pega-la. Não existe sorte! Existe domínio do conhecimento. Está escrito “bata e a porta se abrirá”. Você sabe o que é Marketing? É conquistar e manter clientes! Você sabe o que é Fisioterapia? “muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos” Fisioterapia é uma ciência, tomem cuidado, tenham respeito, lembre-se que do outro lado, poderia estar seu pai ou sua mãe. É isso.


Introdução Num determinado processo de reabilitação no Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital Central do Exército assisti a um paciente portador de paraplegia, e que tentava há algum tempo a utilização de uma órtese de propulsão recíproca (ARGO), mas que encontrava algumas dificuldades no seu processo de ortetização. Na escolha da propedêutica fisioterápica decidi pela Eletroestimulação Funcional (FES) por haver em seus fundamentos referência à reabilitação de paraplégicos, na tentativa de corrigir as discrepância terapêuticas que por hora haviam dificultado o processo de ortetização. A decisão foi totalmente experimental por não haver referências profissionais na associação da eletroterapia ortésica (FES) com uma órtese de reciprocidade (ARGO). FES ( Eletroestimulação Funcional ) A Eletroestimulação Funcional (FES) é uma forma de eletroterapia capaz de produzir contrações musculares com objetivos funcionais. As contrações evocadas são obtidas a partir de vários pulsos elétricos de pequena duração aplicados sob freqüência controlada. Estes trens de pulsos ou envelopes de pulsos elétricos diferem das formas clássicas de eletroestimulação, onde são empregados pulsos únicos com tempo de duração variável, pois com os trens de pulsos podem ser obtidas contrações em condições mais fisiológicas, sem riscos de queimaduras ou desconforto produzido pela exposição mais longa à eletricidade. O método é conhecido internacionalmente pela sigla FES, que é a abreviatura da sua denominação na língua inglesa, Functional Electrical Stimulation. Características do trem de pulsos usado na técnica FES: F = freqüência dos pulsos; T = duração individual de cada pulso; S = sustentação ou duração do trem de pulso; R = intervalo entre os trens de pulso

são; estimulação de dorsiflexores de tornozelo para evitar equinismo; estimulação de grandes glúteos visando reduzir posicionamento em flexão de quadril ( comum em paraplégicos por longos períodos em cadeiras de rodas). Além disso pode ser adotada a técnica de (inibição funcional) nos pacientes com quadros de espasticidade onde são estimulados os antagonistas para que haja relaxamento da musculatura espástica.

caminhar de novo com os membros inferiores em extensão, com auxílio de muletas canadense ou de andador. Permite também o ato de sentar e levantar acionando manualmente uma trava. Para sentar basta o paciente fletir anteriormente o tronco (quadril) destravando os joelhos, que possuem uma articulação pneumática que atua como amortecedor, e para levantar, o sistema pneumático do erguer o corpo e a estender os joelhos.

2) Transferência da posição sentado para em pé Com os eletrodos posicionados nos quadríceps, e acionados simultaneamente, o paciente, com auxílio dos membros superiores apoiados nas barras paralelas passa da posição sentado para posição de pé.

TERAPÊUTICA Iniciamos o trabalho (23/09/97) realizando a estimulação em quadríceps (fig.2), grandes glúteos, e dorsiflexores segundo os fundamentos do FES para os casos de paraplegia, promovendo movimento ativo livre. Além disso realizamos também estimulação em isquios tibiais (fig.3) visando a “inibição funcional”, pois o paciente também apresentava espasticidade em quadríceps . Associado à mobilização dos membros inferiores com a estimulação funcional foi realizado alongamento, mobilização passiva das articulações e treinamento de ortostatismo na Mesa Ortostática

3) Treinamento da postura Ortostática Após atingir eficiência na passagem da posição sentado para a Ortostática o paciente começa a treinar a permanência nesta posição (parâmetro gira em torno de 10 à 15 minutos), podendo realizar treinamento de equilíbrio permanecendo em pé sem o apoio dos membros superiores. 4) Treinamento da deambulação A deambulação é feita estimulando o quadríceps de maneira que haja extensão completa de pernas e o paciente permaneça na posição Ortostática. Com os joelhos estabilizados pela estimulação com eletrodos e os tornozelos podendo estar estabilizados através de calçados tipo tênis com cano alto, o paciente realiza movimentos de báscula de bacia alternadamente e consegue o deslocamento espacial com apoio das barras paralelas, andador ou muletas. ARGO (Advanced Reciprocating Gait Orthosis) É uma órtese modular para marchar recíproca projetada para aqueles que sofreram um dano neurológico ou neuromuscular, resultando na perda do controle primário da região inferior do tronco e das pernas (fig. 1), e propícia a oportunidade de

Posteriormente intensificamos a estimulação promovendo movimentos resistidos principalmente em quadrícipes (fig.4) e dorsiflexores, com o objetivo de aumentar a estabilidade em joelhos e minimizar o equinismo.

(freqüência); A e D = tempo de ascensão e descida na forma do trem de pulso. O programa de reabilitação em pacientes com lesão medular é dividido em quatro fases: 1) Recondicionamento Muscular É realizado estimulação de quadríceps visando recondicionamento para a função de estabilizador do joelho na posição de exten#8

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Conclusão

Após concluída a fase de recondicionamento deu-se início ao treinamento da passagem da posição sentada para em pé (fig.5),

onde o paciente apresentou alguma dificuldade, pois no momento da passagem, notamos que ele ao levantar, projetava o peso do corpo para a perna direita devido a encurtamento de membro inferior esquerdo, e além disso ainda escorregava em virtude da qualidade do piso e da própria diferença no comprimento dos membros inferiores. Improvisamos então uma palmilha para minimizar a discrepância e colocamos pesos caneleira para evitar a “patinação” (fig.6). Simultânea, realizamos o treinamento da postura ortoestática, após a passagem da posição

do paciente, pois o mesmo no início do tratamento adquiriu seu próprio aparelho de FES, através do Exército, e realizou o trabalho de recondicionamento em sua residência, simultaneamente com o que foi realizado no ambulatório. A partir daí iniciamos então a fase de ortetização com o ARGO, e o trabalho começou com treinamento de sentar e levantar, equilíbrio nas barras Paralelas sem o apoio das mãos, e simultaneamente com a marcha recíproca. Após a readaptação do paciente à órtese iniciamos trabalho com andador dentro das barras paralelas e posteriormente fora delas. (fig.10). Chegou então a fase da marcha com muletas, e o paciente mostrou grande dificuldade em virtude de ter sofrido queda de própria altura quando treinava com muletas em outra instituição de reabilitação. Decidimos adotar a marcha com muletas dentro das barras paralelas até que ele superasse o “trauma” e conseguisse a deambulação fora delas (fig.11) A duração do tratamento desde a fase do recondicionamento muscular (coadjuvado pelo paciente em sua residência com seu próprio aparelho)

sentado, dando ênfase ao treinamento de equilíbrio onde o paciente era orientado para, ora retirar uma das mãos da barra paralela, ora retirar as duas (fig.7). Apartir daí iniciamos o treinamento da deambulação, onde primeiramente o fizemos com apoio das barras paralelas (fig.8) e posteriormente com o andador, que inicialmente foi colocado dentro das barras paralelas no intuito de passar confiança ao paciente (fig.9). Como o paciente apresentou uma diferença no comprimento de membros inferiores, foi necessário a improvisação de uma palmilha feita com uma sandália do tipo “Havaiana” que solucionou parcialmente a discrepância (29/10/97) Ao final de novembro/97 o paciente apresentou ganho de trofismo em membros inferiores, melhora da espasticidade, do equilíbrio, e da coordenação da marcha com o FES, e tal resultado foi eficazmente alcançado com significativa ajuda

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passando pelos treinamentos específicos (ortostatismo, marcha, etc.) até a fase de treinamento das AVDs com o ARGO, utilizando muletas, levou meses (frequências de três sessões semanais no ambulatório). Atualmente o paciente encontra-se em fase de adestramento para utilização eficaz do ARGO nas AVDs, praticando e aperfeiçoando a marcha, assim como subindo e descendo rampas e degraus. (fig.12)

A utilização do FES como recurso pré ortésico em relação ao ARGO, neste caso, mostrou-se extremamente útil. Pois permitiu que o paciente ao reutilizar o ARGO, já estivesse familiarizado com as etapas do tratamento e ciente das dificuldades e de como vencê-las, além de estar com um aparato mioarticular que possibilitasse um melhor desempenho nas fases da ortetização. Entretando, o trabalho aqui apresentado ainda não nos dá parâmetros para conclusões sólidas a respeito da associação eficiente e/ou necessária da Eletroestimulação Funcional como um recurso pré ortésico em relação ao ARGO, mas nos mostra que o campo para as pesquisas é amplo e necessário para que possamos oferecer ao lesado medular o melhor, dentro da nossa realidade fisioterápica. Agradecimentos Ao paciente que concordou em submeter-se ao trabalho de pesquisa mostrando confiança na capacidade daqueles que estvam lhe assistindo, e que autorizou a retratação das imagens que foram mostradas. Às acadêmicas de fisioterapia Claudia Regina da Rocha Aguiar (SEFLU), Daiane Ferreira da Andrade (SEFLU), e Sheron Paula Sampaio Lima (UGF) que participaram do processo de reabilitação, até nos momentos em que estive ausente. Ao Major Médico João Sérgio Ignácio Hora, Chefe do Serviço de Medicina Física e Reabilitação, que autorizou a realização do trabalho de pesquisa.

Fabio dos Santos Borges Fisioterapeuta do Hospital Central do Exército (021) 566-6182 Professor de Fisioterapia Geral da Sociedade Educacional Fluminense e da Universidade de Nova Iguaçu.


Aspectos Psicológicos do Paciente Amputado

Dentre os inúmeros problemas que o fisioterapeuta lida em sua rotina diária podemos destacar o atendimento a um grupo especial de pacientes, os pacientes que sofreram amputações de membros. A palavra amputação faz relação histórica com mutilação, limitação, decepação de membros, assim como também as substituições destes membros pelos mais variados artifícios. Se observarmos as causas podemos destacar décadas atrás as vítimas de guerra, hoje há citações (Cavalcanti – 1994, Boccolini – 1990) Inúmeras causas como as doenças arteriais oclusivas crônicas e diabetes câncer e outras neoplasias malígnas, traumas (Vítimas de trânsito e acidentes de trabalho). Algumas destas cirurgias ocorrem de maneira emergencial, sem que o paciente tenha sido preparado para o fato e o ato cirúrgico, como se percebe nas vítimas de trânsito, e de maneira repentina defronta-se com a ausência de membros. Noble citado por Cavalcanti (1994) diz que o mecanismo de defesa mais utilizado é o de negação. Cavalcanti (1994) e Angerami-Camon (1994) Boccolini (1990) citam a dificuldade de sono, anorexia e irritabilidade, sentimentos de vergonha, autopiedade e desespero, crises de choro, isolamento social receio quanto as reações da família, preocupações com as sua atividades de vida diária, a capacidade de realização profissional e garantia no emprego. Bella citado por Sampol diz que para o potencial de sucesso na reabilitação do paciente amputado deve, o tratamento fisioterápico, ocorrer o mais precocemente possível, assinalando ainda, que do atraso no atendimento no tratamento fisioterápico podem advir complicações secundárias, contraturas musculares, debilitação geral e estado psicológico deprimido. Observa-se no paciente amputado, condições emocionais que o fisioterapeuta defronta no lidar com o paciente para o retorno às atividades de vida diária, como por exemplo, a depressão, a tristeza, a melancolia, as perspectivas de vida laborativa e emocional, aspectos intra e interrelacional, dor fantasma. Neste contexto de reorganização para as atividades de vida diária (AVDs) o fisioterapeuta não lida só com o mundo do aspecto técnicoprofissional, mas amplia-se para um profissional que proporcionará um resgate da cidadania, enveredando pela existência do ser, a relação eu-eu, eu-mundo, e melhor a qualidade de vida. Umas das fases mais importantes se inicia após a alta hospitalar com a inserção do conceito de prótese e de volta às atividades de vida rotineiras. Sampol, cita que para o treinamento ambulatorial o paciente vem de cadeira e estão deprimidos, reticentes, olhar triste e além do treinamento de andar de muletas que proporcionará maior independência, o fisioterapeuta e paciente andarão juntos no processo de saúde emocionalfísica-social. Diogo (1992) cita aspectos emocionais o atendimento do paciente idoso submetidos à amputação, observando que com a mudança da

pirâmide populacional, hoje as perspectivas de vida é maior do que anos atrás. Os idosos apresentam problemas de isolamento, auto estima, depressão, e a preocupação em se tornarem dependentes, dificuldades de possíveis ocorrências de novos acidentes ao usar transportes públicos. Ter independência e segurança na fase protética. Cavalcanti (1994) cita: “A doença e a amputação de partes do corpo confrontam o homem com suas forças destrutivas, trazendo à tona idéias de morte, desintegração, impotência, culpa e punição. A abordagem médico-psicológica no pré-operatório vem de encontro da necessidade de ser atendido, compreendido, estimulado e, principalmente, de oferecer com quem se possa compartilhar a esperança de reparação e integração.” O homem é uma pessoa com uma história pertinente a um contexto familiar, cultural e social que dá significado ao seu discurso e saúde é enfocada a partir do referencial relacional e o fisioterapeuta lida a cada sessão com o “aqui e o agora”, estando estes numa relação terapêutica estabelecendo uma nova relação de vida e criando um vínculo ímpar com enfoque fenomenológicoexistencial. Durante o período de janeiro/96 a junho /97 foi feito um levantamento das amputações executadas na Fundação Hospitalar do Distrito Federal, nestes 18 meses, as amputações mais frequentes foram as de membro inferior, destacando as amputações de perna e as amputações de coxa, com menor frequencia as amputações de membro superior. O significado de amputar um membro, tem conotações únicas para cada pessoa, para cada história médica (acidente de trabalho, acidente de trânsito, neoplasias malignas, diabetes, ...). Percebem-se alterações emocionais em se tratando de qual membro é amputado e a aceitação da prótese na relação vivencial com o mundo das relações. Neste atendimento o Fisioterapeuta tem também a função de educador de uma nova ordem, desde o aspecto pré-cirúrgico e pós-cirúrgico, a incorporar o desenvolvimento do ser humano como um todo, não só o aspecto físico, num projeto de resgate da cidadania, a noção de direitos e deveres, liberdade e igualdade. Portanto lidará com aspectos técnicos inerentes ao ato profissional, mas abre-se em um leque onde a responsabilidade não significa treinamento, mas ações como educador, ações políticas, ações psicoterápicas, que neste amálgama está o homem amputado (de membro superior, membro inferior , partes de membros, ocorrendo o fato com planejamento prévio ou não) com sentimentos, projeções de futuro, medos, raiva, agressividade, fantasias, perturbações afetivas, apatia, sentimento de perda e luto, empobrecimento do afeto que são importantes, como diz Angerani-Camon (19931994) para o fazer diante da dinâmica da existência, a dimensão da vida, a perspectiva existencial, a busca da compreensão do homem. O fazer psicologia em clínica fisiote-

Dr. Gilson de Assis Pinheiro rápica tem o significado de estruturação rapport visando refazer do caminho com o homem, onde o fisioterapeuta lidará com sentimentos anteriormente enunciados numa relação de encontro, como lembra Cardella (1994) com amor, confiança, segurança, respeito, empatia., independência, compreensão, compreender a “patologia do mundo”, de modo que possa proporcionar convivência saudável e produtiva, contribuindo para o crescimento do ser humano em bases ético-humanisticas, valorizando o “Ser”, e o trabalho do profissional reabilita o homem, reabilita o homem também em sua amputação emocional resgatando possibilidades e potencialidades com amor profissional. Levando em consideração todos estes aspectos, o tratamento de pessoas amputadas exige por parte do fisioterapeuta considerações de todos os seus problemas físicos, emocionais e educacionais. O profissional da reabilitação tem o papel muito importante no tratamento, não só pela proximidade paciente-profissional, mas que, neste tratamento, ele é o instrumento de reabilitação e devolução da funcionalidade e deve estar preparado para auxiliar o paciente a superar os aspectos psicológicos que envolvem a amputação. Resumo: Este artigo aborda aspectos psicológicos que envolvem o paciente amputado. É dado importância à dinâmica relacional entre fisioterapeutapaciente dentro de uma ótica fenomenológicaexistencial onde no “aqui e agora” o fisioterapeuta lida com questões emocionais para o sucesso do tratamento, visando melhor qualidade de vida e o resgate da cidadania tendo não apenas atividades técnicas com confiança, amor, respeito proporcionando melhoria na convivência, eu-eu, eu-outro e eu-mundo. 1- 2- 3- 4- 5- 6- 7-

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ANGERANI-CAMON, V.A, Psicoterapia existencial ed Pioneira SP-SP 1993 ANGERINE-CAMON, V.A, ct cols Psicologia hospitalar teórica e prática ed Pioneira SP-SP 1994 BOCCOLINI, F Reabilitação de amputados 1 a ed ed Robe SP-SP 1990 CARDELA, B.H.P. O amor na relação terapêutica uma visão gestática Summus editorial SP-SP 1994 CAVALCANTI, M.C.T, Adaptação psicossocial à amputação de membros J. Bras. Psiq. 43(2) 71-74, 1994 CAVALCANTI, M.C.T, Aspectos emocionais no pré operatório em amputação de membros J. Bras Psiq. 43(3) 159-161,1994 DIOGO, M.J.D, & CAMPEDELLI, M.C O idoso submetido à amputação de membros inferiores e as alterações nas atividades de vida diária. Ver Paul Enf 11(20 92-99 mai-ago, 1992 SAMPOL A.V. Tratamento fisioterápi-

co no amputado de membro inferior no período ambulatorial Revista Fisio&terapia.

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PREVINIR Uma decisão Inteligente

“Prevenção. [Do lat. tardio praeventione.] S. f. 1. Ato ou efeito de prevenir (-se) - Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa .”; entretanto, poderíamos afirmar que é, antes de mais nada, uma decisão inteligente. “Prevenir é melhor que remediar”, já dizia minha avó. Em verdade eu nunca consegui descobrir de onde veio esse ditado, mas já assimilei sua essência. As intervenções preventivas são sempre mais fáceis que as corretivas. Costumamos dizer que é mais fácil reconstruir algo, que remendar o que já está feito, isto porque ao refazermos tomamos as devidas precauções, o que significa a adoção de medidas preventivas durante a reconstrução. Não faz muito tempo, todo aquele que falava em prevenção era chato, burocrata, ou ainda, incompetente para resolver os problemas que surgissem. Durante muitos anos trabalhei com manutenção de equipamentos elétricos e nesta atividade havia a turma da elite, ou melhor: “os matadores” de problemas. Conhecidos como ótimos profissionais, sempre solicitados a intervir em outras unidades, na verdade não passávamos de redutores do caos, porém já dentro de um caos maior, pois o problema já havia ocorrido. Nesses casos, os custos eram pequenos, se comparados aos custos que comecei a contabilizar quando passei a trabalhar com a Fisioterapia. Trabalhar com a “máquina” humana é infinitamente mais complicado e caro. Nessa situação “os matadores” de problemas continuam a ser fundamentais, entretanto as implicações são mais complexas. é bom ver a evolução das técnicas de desmame, de desbloqueio articular, de correção postural, de controle da dor, de redução de edemas e processos inflamatórios e tantas outras, entretanto, por mais rápidos e precisos que sejamos é impossível evitar a dor dos pais pelos seus filhos lesionados, ou dos filhos pelos seus pais doentes. Como quantificar a influência da ansiedade pelo resultado do tratamento. Tem ato mais difícil que fornecer prognóstico? E quando o sucesso não chega, ou chega parcialmente, sabe O GRANDE CURADOR o porquê, e somos obrigados a aceitar nossa incapacidade de “matar” o problema! É por demais difícil informar a uma mãe que o joelho do seu filho não tem “conserto”! Tende a impossibilidade dizer a uma família que sua matriarca, ou seu patriarca, não mais andará! Até porque as universidades não ensinam isso. Com o surgimento da AIDS, a importância das ações preventivas ficaram mais claras, pelo seu grau de mortalidade, apesar destas ações nunca terem estado em segundo plano no acidente vascular encefálico, no infarto do miocardio, na entorse de tornozelo, na lombalgia, no enfizema pulmonar, na distensão muscular, etc. Prevencionistas de carteirinha, os Odontólogos já nos ensinaram a escovação básica, tão simples, tão fácil, tão importante e tão eficiente; do mesmo modo que “as gotinhas da Vácina Sabin” fazem milagres. Realmente são “ações matadoras” de problemas futuros. Prevenção, em síntese, é composta de ações simples e fáceis de serem executadas, como mostraram os exemplos anteriores, porém não devemos entender as coisas simples como menores, visto que uma das equações mais importantes da física é simples (E=mC2) e na química seria impossível sobreviver sem uma de suas moléculas mais simples (H2O). A questão maior esta em descobrir os pontos de intervenção, seus momentos adequados. A partir de então podemos dizer que prevenir é menos desgastante e doloroso, mais barato e eficiente. Prevenção esta diretamente atrelada á informações e esta última, por sua vez, esta ligada á formação, portanto para que possamos desenvolver ações preventivas precisamos conhecer bem a etiologia, a fisiopatologia e os sinais e sintomas. É preciso observar, estar atento para identificar as áreas de ganho, saber encontrar os grupos de risco, adequar a linguagem há do público alvo, entender os aspectos sócio-culturais envolvidos, captar o grau de entendimento dos seus clientes - sim, dizemos clientes, porque até o resultado sonoro é melhor e toda vez que falamos em paciente vem a lembrança alguém doente, que não é objeto da nossa intervenção, pois não queremos deixar a doença chegar, queremos intervir antes, evitando o sofrimento, mesmo que a cura seja garantida pelo tratamento – não é facil chegar a prevenção. Cabe reafirmar que não vai nessa opinião nenhum tipo de desvalorização a ação curativa, não seria justo ou mesmo cabível. O desejo maior é estimular a visão preventiva que nos é intrínseca, reduzindo o sofrimento e a dor daqueles que tanto precisam dos nossos conhecimentos.

Luís Guilherme Barbosa é fisioterapeuta, ergonomista da PETROBRÁS, professor da UGF, UNIG e FRASCE, mestrando da COPPE/UFRJ e sócio-diretor da ERGOPREVE. 17

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O grande desenvolvimento tecnológico ocorrido nas últimas décadas no campo da medicina, mais especificamente na obstetrícia e neonatologia-perinatologia, tem diminuído consideravelmente a mortalidade de bebês que até então teriam mínimas chances de sobrevivência. Porém, se por um lado, estes avanços possibilitaram a sobrevida de um número cada vez maior de crianças nascidas sob condições adversas, por outro, aumentou a taxa de morbidade e produziu uma nova população de pacientes - os bebês de alto-risco (BAR). Apesar dos inúmeros fatores etiológicos capazes de caracterizar bebês como de alto-risco, o ponto em comum entre todos eles (bebês) é a probabilidade maior do que a população em geral, de virem a apresentar distúrbios no seu desenvolvimento neuropsicomotor. Alguns estudos concluíram que cerca de até 30% destas crianças apresentam desvios no seu desenvolvimento, desde os mais leves, até às seqüelas neurológicas mais graves, incluindo-se aí a paralisia cerebral (PC). Parece claro que, apesar dos maiores conhecimentos da medicina atual, a possibilidade de prevenção primária dos distúrbios do desenvolvimento, ou seja, a supressão dos possíveis fatores capazes de lesar ou malformar o sistema nervoso central (SNC) em formação, é ainda uma distante conquista (até pela grande variedade dos fatores considerados de risco). Entretanto, um outro tipo de prevenção - a prevenção secundária - definida como medidas que envolvem o reconhecimento e eliminação dos precursores das doenças (ou esforços para identificar e reverter doenças em estágios iniciais) pode ser uma eficiente arma no combate às disfunções produzidas por danos ao sistema nervoso (SN) ainda imaturo do ponto de vista anatômico-funcional. Assim, prevenir os distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor envolve, na verdade, a prevenção dos seus sinais clínicos definitivos, através da identificação dos seus sinais iniciais, e não a profilaxia da lesão encefálica, propriamente dita. O dano existe e nada mais pode ser feito para modificá-lo. Porém, os seus efeitos podem e devem ser evitados o máximo possível. Este conceito de prevenção dos distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor só tornou-se possível após a compreensão de seus mecanismos fisiopatológicos. De acordo com Samarão Brandão, tais desvios do desenvolvimento caracterizam-se pela anormalização progressiva do desenvolvimento das várias funções do SN. Partindo-se desta definição, conclui-se que a criança apresentará, desde o início de sua vida, sinais de anormalização progressiva do seu desenvolvimento. Isto quer dizer que, nas primeiras semanas, as anormalidades poderão ainda não estar definitivamente instaladas, mas estarão perfeitamente detectáveis para o profissional experiente. Principalmente no que diz respeito à motricidade, já que esta é a função que mais rápido se desenvolve no primeiro ano de vida. Portanto, para que se possa fazer a prevenção dos distúrbios do desenvolvimento, é necessário que os sinais clínicos iniciais (“precursores” das anormalidades) sejam reconhecidos e, se possível,

revertidos precocemente, seguindo-se a orientação do que se define como prevenção secundária, anteriormente citada. Para tanto, é necessário que os BAR sejam encaminhados, logo que suas condições clínicas o permitam, aos profissionais de saúde envolvidos com o acompanhamento, diagnóstico e tratamento precoce dos distúrbios do desenvolvimento funcional do SN, e que tais profissionais tenham conhecimento minucioso e experiência na seqüência de desenvolvimento normal do ser humano e suas possíveis variações. Estas são condições imprescindíveis, sem as quais o diagnóstico precoce não é possível. As consultas devem ser regulares, com intervalo máximo de um mês entre as mesmas, de forma que a seqüência do desenvolvimento do bebê seja acompanhada etapa a etapa. É muito importante a compreensão de que não são os marcos do desenvolvimento que interessarão para a realização do diagnóstico precoce, mas sim o cumprimento (qualitativo e quantitativo) da seqüência de cada etapa do desenvolvimento. Se tomarmos como exemplo a postura sentada, o que interessará ao profissional que acompanha o bebê não será a aquisição postural, propriamente, no sentido quantitativo (sentar ou não sentar), mas a forma como esta conduta é adquirida passo a passo, culminando com a realização da mesma dentro dos padrões normais. Em outras palavras, uma criança com distúrbios no desenvolvimento motor, como por exemplo a paralisia cerebral, poderá até aprender a sentar, porém de forma inadequada, com precárias reações de retificação e equilíbrio, e sem fazer uso dos pontos de apoio normais para a postura. Cabe ao profissional saber identificar estas situações antes que o bebê aprenda a se sentar de forma anormal. Caso contrário, os sinais não mais serão considerados precoces, e serão, inclusive, de fácil visualização por qualquer pessoa leiga. O mesmo raciocínio é válido também para a aquisição das coordenações sensório-motoras e para o desenvolvimento como um todo (inteligência, afetividade, linguagem, etc.). Se quisermos ampliar ainda mais os benefícios do acompanhamento sistemático dos BAR, podemos ainda citar a influência que este atendimento pode exercer na formação do vínculo entre os pais e estes bebês, já que a experiência de risco provoca, com muita freqüência, ruptura da relação inicial pais-filhos, podendo comprometer o desenvolvimento afetivo da criança. Uma vez detectado o desvio do desenvolvimento, como por exemplo, a persistência de reflexos primitivos além do tempo esperado, hiper ou hipotonia, fixação de alguns segmentos do corpo em determinadas posturas, mãos que não se abrem, falta de aquisição das coordenações sensório-motoras dos membros, enfim, alterações que indiquem impossibilidade do bebê em desenvolver suas funções motoras, apenas pelos estímulos normais do dia-a-dia, indica-se o tratamento precoce, de modo a aumentarem as solicitações do meio ambiente, colherem-se respostas motoras o mais próximas possíveis da normalidade e evitar o aprendizado de movimentos e/ou posturas anormais. Este tratamento deve ser executado por #8

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profissionais experientes no desenvolvimento normal. O mais importante é que se siga a seqüência normal do desenvolvimento, respeitando-se a maturidade neurológica da criança, e que o bebê tenha a oportunidade de responder aos estímulos com boa qualidade de movimentos, para que possa aprender a movimentar-se e posturar-se adequadamente, sem a interferência das possíveis anormalidades tônicas. É como se, deste modo, ensinássemos ao bebê o controle progressivo dos seus movimentos e posturas, eliminando ou minimizando exatamente sua dificuldade principal: aprender a movimentar-se e posturar-se corretamente, dentro dos padrões normais. Deve-se ter em mente que o desenvolvimento motor é intimamente associado ao desenvolvimento das outras funções do SN, como a inteligência, afetividade, linguagem (compreensão e emissão), percepções sensoriais, etc., e que estas estão quase sempre também comprometidas, principalmente na criança portadora de paralisia cerebral, necessitando também de tratamento especializado. Por isto a necessidade de uma abordagem interdisciplinar. A importância em iniciar o tratamento antes que as anormalidades motoras estejam definitivamente estabelecidas, e de se conseguirem padrões de postura e movimentos corretos durante o mesmo, sustenta-se na noção de plasticidade do SN, a qual tem, nesta fase da vida, sua maior atividade. Ao proporcionarmos estímulos com os quais o bebê, pelas suas dificuldades, não teria acesso espontâneo no seu dia-a-dia, provocamos, indiretamente, uma excitação neuronal em nível de córtex cerebral e outras estruturas do SN, que resultará no crescimento qualitativo e quantitativo das conexões nervosas. Desta forma, os comandos motores para as áreas estimuladas tornam-se mais numerosos e as sinapses correspondentes mais estáveis, o que é expresso clinicamente pela aquisição progressiva de movimentos e posturas normais ou próximos ao normal. É preciso reconhecer que a identificação dos primeiros desvios do desenvolvimento neuropsicomotor requer muito conhecimento teórico e muita experiência do examinador. Os sinais precoces dos desvios do desenvolvimento podem, muitas vezes, trazer dúvidas quanto à sua real “gravidade”. Entretanto, deixar de acompanhar o bebê e/ou indicar o tratamento precoce pela dúvida quanto ao diagnóstico definitivo, pode representar uma sentença de deficiência para a criança, caso esta seja realmente portadora de distúrbio importante, principalmente a paralisia cerebral. Ainda que nunca se tenha a confirmação sobre o diagnóstico definitivo, pela melhora apresentada pelo paciente com o tratamento precocemente instituído, vale a pena, do ponto de vista médico e social, que a criança seja tratada, tão logo se identifiquem sinais de anormalização no seu desenvolvimento. Com relação à paralisia cerebral, é preciso romper as resistências quanto ao seu diagnóstico precoce, o qual se modificou sobremaneira nos últimos 20 anos. O conceito de PC que supervaloriza o quadro clínico definitivo, levando em consideração as alterações tônicas e os movimentos e posturas anormais já adquiridos, deve ser substituído pela compreensão de que estas condutas motoras anormais são adquiridas progressivamente e que, portanto, é possível identificarem-se seus sinais iniciais, já nas primeiras semanas ou meses de vida. Desta forma, estaremos modernizando e modificando o referencial para o diagnóstico da PC, focalizando, principalmente, o fato de que as anormalidades motoras são conseqüência da anormalização progressiva do desenvolvimento funcional da motricidade, o que significa dizer que os seus sinais clínicos definitivos não são de aparecimento abrupto, mas adquiridos ao longo do tempo, de forma gradual. Considerando-se este fato e somando-se a isto o conhecimento da seqüência do desenvolvimento motor normal (para que se tenha a normalidade como ponto de referência), é indiscutível a possibilidade do diagnóstico precoce da PC, ou seja, antes que o quadro clínico “florido”, descrito na literatura, esteja presente. Identificar a dificuldade do bebê em dar prosseguimento ao seu desenvolvimento motor normal, antes que este esteja definitivamente anormalizado, ainda é a melhor forma de prevenção da PC, até o presente momento. Todos estes conhecimentos obrigam-nos a um compromisso com os BAR. Temos o dever de proporcionar-lhes a oportunidade de evitarem ou minimizarem suas possíveis deficiências. Este é um direito seu, o qual não podemos negar. Diante do exposto, torna-se clara a necessidade de que os BAR sejam

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encaminhados por médicos, de preferencia desde o período neonatal, a profissionais médicos e não médicos (equipe interdisciplinar especializada em desenvolvimento composta por medico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo e fonoaudiologo) experientes no desenvolvimento neuropsicomotor e seus desvios..... Somente com o acompanhamento clinico ininterrupto destes bebes, poder-se-ão identificar precocemente os que apresentam distúrbios no seu desenvolvimento, tornando possível a prevenção de varias deficiências, inclusive as mais graves, como a PC. Autora do artigo: Debora Shcolnik - Médica do Desenvolvimento CREMERJ 52-49315-6 Tel: (021) 266-2812 Teletrim: 546-1636 cód. 530-5105 E-mail: binha@marlin.com.br - Especializada no Método Evolutivo Neuropsicomotor (Método Samarão Brandão). - Especializada em Neurologia do Desenvolvimento pela Academia Alemã de Reabilitação do Desenvolvimento (“Kinderzentrum”), Munique, Alemanha. - Coordenadora do Setor de Atendimento Precoce do Instituto Brasileiro de Reeducação Motora (IBRM). - Coordenadora técnica e professora do curso: “Diagnóstico Precoce do Bebê pelo Método Evolutivo Neuropsicomotor (Método “Samarão Brandão”), ministrado anualmente no Rio de Janeiro. - Revisora técnica do livro “Bases do Tratamento por Estimulação Precoce da Paralisia Cerebral (ou dismotria cerebral ontogenética)”, autoria de Juércio Samarão Brandão, Editora Memnon, São Paulo, 1992. - Tradutora para o português do livro “Diagnóstico Funcional do Desenvolvimento pelo Método Munich”, autoria do Prof. Dr. Theodor Hellbrügge (Diretor Médico da Academia Alemã de Reabilitação do Desenvolvimento - “Kinderzentrum” - e criador do Método Munich de diagnóstico precoce), no prelo.

Referências Bibliográficas:

1) Amiel-Tison, C.; Grenier, A. La Surveillance Neurologique Au Cours de la Premier Annee de la Vie. Masson, Paris, 1985. 2) Annunciato, N. F. O Processo Plástico do Sistema Nervoso. Temas sobre desenvolvimento, Memnon, n. 17, p. 4 -12, São Paulo, 1994. 3) Behrman, R. E.; Webb, K. H. Nelson Textbook of Pediatrics Pocket Companion. W. B. Saunders, p. 36 - 47; 103 - 122, USA, 1993. 4) Brandão, J. S. Desenvolvimento Psicomotor da Mão. Enelivros, Rio de Janeiro, 1984. 5) Brandão, J. S. Bases do Tratamento por Estimulação Precoce da Paralisia Cerebral ( ou dismotria cerebral ontogenética). Memnon, São Paulo. 6) Mancini, M. C.; Paixão, M. L.; Gontijo, A. P. B.; Ferreira, A. P. A. Perfil do Desenvolvimento Neuromotor do Bebê de Alto Risco no Primeiro Ano de Vida. Temas sobre Desenvolvimento, Memnon, n. 8, p. 3 - 8, São Paulo, 1992. 7) Ramos, J. L. A . Repercussões Neonatais das Enfermidades Maternas. Manual de Perinatologia. Sociedade Brasileira de Pediatria, Comitê de Perinatologia, p. 57-74, 1990. 8) Rego, J. D. Assistência aos Pais de Recém-Nascidos Doentes e/ou Malformados. Manual de Perinatologia. Sociedade Brasileira de Pediatria, Comitê de Perinatologia, p. 103-111, 1990. 9) Schwartzman, J. S. Diagnóstico Precoce dos Distúrbios do Desenvolvimento Motor. Temas Sobre Desenvolvimento, Memnon, n. 2, p. 3-9, São Paulo, 1991. 10) Schwartzman, J. S. Paralisia Cerebral. Temas sobre desenvolvimento, Memnon, n. 6, p.3 - 5, São Paulo, 1992. 11) Schwartzman, J. S. Paralisia Cerebral. Temas sobre desenvolvimento, Memnon, n.13, São Paulo, 1993. 12) Taeusch, H. W.; Yogman, M. W. Follow-up Management of the HighRisk Infant, Little, Brown and Company, 1st edition, USA, 1987. 13) Trindade, C. E. P. Cuidados Gerais com o Recém-Nascido de Baixo Peso. Manual de Perinatologia. Sociedade Brasileira de Pediatria, Comitê de Perinatologia, p.47 - 56, 1990.


Fisioterapia

Dr. Celestino Pedro Rezende Neto

nas varizes e micro varizes Introdução Devido as suas complicações invalidantes , a enfermidade varicosa, está ocupando um lugar muito importante e preocupante nos problemas de saúde pública; o terreno das afecções venosas, parece ser eficaz quando se adota medidas profiláticas e terapêuticas acertadas , possibilitando a um grande número de pessoas a retornarem a uma vida dentro de um padrão de normalidade. Anatomia Circulação venosa de membros inferiores. A circulação venosa compreende em dois sistemas: superficial e profundo; esses dois sistemas se comunicam através das veias perfurantes (atravessam aponeurose alcançando camadas mais profundas). Normalmente o sistema venoso supeficial drena 1/10. Fisiologia da circulação venosa A função principal das veias dos membros inferiores, é a de proporcionar o retorno sanguíneo para o coração e acessoriamente constitui um reservatório que possibilita a adaptação das condições circulatórias gerais. Os mecanismos homeostáticos do retorno sanguíneo O retorno sanguíneo da periferia para o coração está inibido por diferentes fatores entre os quais o principal é a ação da gravidade, mínima em decúbito, e a maior em posição ortoestática e imóvel e tanto maior quanto mais próxima está a extremidade do membro. A bomba muscular da panturrilha É o motor mais potente do retorno venoso, através da compressão exercida sobre as veias profundas das pernas. Mais ainda durante seu relaxamento muscular, a baixíssima pressão faz seu sistema venoso profundo aspirar o sangue do sistema venoso superficial. Coxim venoso plantar: o homem caminha sobre esponja que é exprimida a cada passo, o achatamento da sola venosa plantar constitui um dos macanismos capazes de imprimir um impulso inicial ao refluxo sanguíneo do pé.

A função das valvas venosas As valvas ou válvulas venosas impõem a circulação do sangue um sentido determinado: a da extremidade para raiz, e superfície para a profundidade. Etiologia e Fisiologia Definição: as varizes estão constituídas por uma dilatação permanente das veias, a qual se agrega uma alteração da parede ( parede das veias superficiais dos MMII). Etiologia: A mal formação congênita, debilidade constitucional das paredes das veias, comunicações venovenulares ou arteriovenosas. Fatores secundários: uma trombose profunda, reconhecida ou latente. Finalmente: fístula arteriovenosas; angiomas venosas (separados ou associados aos profundos). Mal formação venosa profunda ( Síndrome de Klippel-Trenaunay ou Parkes-Werber). Fisiopatologia: a insuficiência valvular produz uma circulação anárquica à contracorrente e, à nível dos cajados da safena interna e extrema ou das veias perfurantes, o sangue venoso reflui da profundidade para a superfície; desta forma, encontra-se constituídas as lesões dos tecidos subcutâneos que progressivamente produzem hipodermatites, aderência a derme, capilarite superficiais, lesões cutâneas e úlceras. Estudo Clínico Pesadez (fadiga), distensões dolorosas, que sobrevêm da longa posição ereta. Exacerbamento por ação calórica (profissionais: vendedores, cirurgiões dentista, fisioterapeutas, barman, médicos, professores e etc). Cãibras noturnas; Parestisias; Dores relâmpagos.

podermites aguda ou subaguda, ou aparecimento de uma úlcera dolorosa. Classificação: Varizes essenciais, são sistematizadas ( insuficiência ostial associada ou não a uma insuficiência a traumas subjacentes). Varizes secundárias; A uma trombose profunda; A um traumatismo. Varizes gravídicas; São varizes sistemáticas, tronculares e do tipo “cabeça de medusa” de microvarizes em paquetes localizados. Varizes angioplásticas: angiomas varicosos que revestem o aspecto de dilatação venosa localizadas. Síndrome de Klippel e Tranaunay ou de Parkes – Weber que associam varizes, angiomas varicosas ou vasculares. Varizes por fístula arteriovenosa. Conduta Fisioterápica: Realizado triagem dos pacientes, será indicada conduta de acordo com o quadro em apreço: paciente alérgicos, pacientes com hipersensibilidade a dor; pacientes que necessitam do trabalho interdiciplinar. Fisioterapia Preventiva: Na enfermidade varicosa até alguns aos atrás a fisioterapia era citada nas literaturas médicas com certa restrição, entretanto, estas ultrapassou a simples ionização salicilada, compressoterapias com o Aparelho de Jobst ou com o “Sincardon” e refrigeração associada a compressão, para medidas preventivas radicais com orientação e educação de impacto; bem como a laserterapia e terapia e terapias de última geração como a laserterapia e terapia utra-sônica (aparelho recentes 3mhz) e cinesioterapia associada com massoterapia usando-se gel de heparina sódica.

Considerações estáticas: Mulheres jovens: a moléstia é pouco intensa, deve-se avaliar a necessidade pessoal de cada uma paciente.

Programação Fisioterápica: MID-LASER- ( Assirneto de Gálio) considerando um laser de média intensidade. Comprimento de onda produzido depende de cada material. Esses são usados comumente por causa de sua profundidade de penetração.

Complicação: Hemorragias por rotura de var i z e s ; Tr o m b o s e s s u p e r f í c i a i s ; H i -

Efeitos do laser: Aumenta a síntese de colágeno (útil para reparo tecidual). #8

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Aumenta a permeabilidade de membranas celulares com maior eficiência da bomba de sódio. Aumenta os níveis de prostaglandinas (causa um aumento na ATP celular, que é útil para mitigação da dor) os efeitos disseminam-se de uma célula para outra e , por isso, para os tecidos circundantes. Existe um esperançoso campo de trabalho em todas as afecções crônicas degenerativas que poderão ver-se melhoradas ou retardadas em sua evolução, pelo efeito trófico positivo da radiação laser. Finalmente, destacamos que definitivo não existe efeito separado e sim todos, analgésicos, antinflamatório e trófico, atuam conjutamente sobre a zona tratada. Dosimetria do Laser: Em relação ao efeito desejado: 2 à 4 J/cm2 .......... antiálgico; 1 à 3 J/cm2 .......... antinflamatório e circulatório; 3 à 6 J/cm2 .......... regenerativo.

Cinesioterapia Passiva de articulações Tibio-társsicas e também ativa livre em posição de Tredelemburg. Massoterapia Com heparina sódica em posição de Tredelemburg, deslizamento superficial e profunda, visado drenagem linfática e venosa. Recursos de prevenção de rotina

Tempo de aplicação:

passar o tempo de 25 minutos, pois o paciente pode apresentar náuseas e vômitos). Ultra-Som – É uma produção de ondas mecânicas longitudinais acima da variação audível (20kHz). Utilizamos o gerador de 3 Mhz , produzidas por distorção de um cristal de quartzo por uma corrente alternada de alta frequência (efeito piozoelétrico invertido). Dosimetria do Ultra-Som: 0,8 w/cm @dosagem imediata. Tempo de aplicação: 10 minutos para cada membro inferior Técnica pulsátil. Meio acoplante; heparina sódica gel

De 5 à 25 minutos (não deve ultra-

gorduras e diminuir o consumo de carnes vermelhas. Conclusão: O tratamento fisioterápico nas varizes e micro varizes é mais um componente do arsenal terapêutico e preventivo, não é a solução única, nem substitui técnicas terapêuticas já existentes.

Dr. Celestino Pedro R. Neto Mestrado em Ed. Física UGF. Pós Graduado em Metodologia do Ensino Superior pela UNIGRANRIO. Membro Titular Efetivo da SBA (Sociedade Brasileira de Anatomia) Professor de Fisioterapia UGF

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