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ANO LXXXVI • N.º 1159 de 29 de Fevereiro de 2012 • 1,00 € • Taxa Paga • Bonfim • Setúbal - Portugal (Autorizado a circular em invólucro de plástico Aut. DE00752012GSCLS/SNC)

Carnaval quente em tempo frio

© João Augusto Aldeia

Sesimbra festejou o Carnaval com as habituais e diversificadas manifestações de cégadas, cavalhadas, bailes e desfiles de rua. Embora com alguma diminuição de visitantes, nenhuma destas manifestações perdeu o habitual brilho: as ruas de Sesimbra encheram-se, quer para os grandes desfiles de escolas de samba e blocos, nas tardes de Domingo e Terça-Feira, quer para a informal animação de rua durante as noites, com grupos de mascarados a circular entre os locais de dança e convívio. Mas não foi só em Sesimbra que se viram pexitos a desfilar: figuras habituais no Bota no Rego, Ana Filipa Alves e Pedro Canana, “trocaram” este ano o Carnaval sesimbrense pelo do Rio de Janeiro, e com tanta felicidade que foram desfilar na Escola vencedora de 2012: a Unidos da Tijuca. A propósito desta aventura na cidade maravilhosa, entrevistámos Ana Filipa Alves. Páginas 4 e 5

Edifícios com História

Aprovada a Mata de Sesimbra (Norte)

O Plano de Pormenor da Mata de Sesimbra (Zona Norte) foi aprovado por maioria, com abstenção do PS e voto contra do BE, numa sessão muito acalorada e onde o nome do principal investidor, Jasem Albaker, foi muio citado.

Acordo do Meco: carta do Raio de Luz usada contra Amadeu Penim O Ministério Público decidiu arquivar o processo de investigações relativo ao denominado Acordo do Meco, por não ter encontrado provas de corrupção. Pormenores das investigações revelam que foi uma simples carta do Centro de Estudos Raio de Luz, pedindo um donativo à empresa Pelicano, que permitiu que Amadeu Penim tivesse sido constituído arguído, conduzindo ao absurdo envolvimento do antigo presidente da Câmara de Sesimbra com outros casos de suspeitas de muito maior gravidade. Página 11

Sesimbrenses espalhados pelo Mundo Dando início a uma série de reportagens sobre esta realidade, entrevistámos dois sesimbrenses que estão actualmente em Angola: Silvestre Carambola, a trabalhar no sector da electricidade e tele-

comunicações, em Luanda, e António Robalo, a desempenhar as funções de mestre de pesca na cidade do Namibe (antiga Moçâmedes).

Edifício Perneco O edifício da rua Amélia Frade, construído com grande dificuldade pela família Perneco, nos anos 20 do século passado, acabaria por acolher a Igreja Evangélica, durante seis décadas. A modesta construção ainda hoje mantém vestígios da sua atribulada edificação. Página 8

© João Augusto Aldeia

Política Local

São numerosos os sesimbrenses que se encontram espalhados pelo mundo, desempenhando as mais diversas profissões, mas sempre mantendo uma estreita ligação com a sua terra natal.

Cor e diversidade

Página 13

Enviada Palinhos naufragou no Espichel

© Miguel Lourenço

A enviada Palinhos afundou-se junto ao Espichel, na madrugada do passado dia 2 de Fevereiro, depois de

ter começado a meter água quando transportava peixe para terra. Vinha a tentar chegar ao porto de Sesimbra,

acompanhada pela traineira Beatriz Paulo, que ajudou ao salvamento da tripulação. Página 10

Já se iniciaram as obras na marginal poente, rua D. Dinis e Largo Infante D. Henrique (Torrinha). Comparticipadas pelos fundos comunitários, estas obras visam sobretudo a requalificação de Sesimbra como destino turístico.


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Editorial

Contactos uteis nBombeiros Voluntários de Sesimbra Piquete de Sesimbra: 21 228 84 50 Piquete da Quinta do Conde: 21 210 61 74 nGNR Sesimbra: 21 228 95 10 Alfarim: 21 268 88 10 Quinta do Conde: 21 210 07 18 nPolícia Marítima 21 228 07 78 nProtecção Civil (CMS) 21 228 05 21 nCentros de Saúde Sesimbra: 21 228 96 00 Santana: 21 268 92 80 Quinta do Conde: 21 211 09 40 nHospital Garcia d’Orta Almada 21 294 02 94 nComissão de Protecção de Crianças e Jovens do Concelho de Sesimbra 21 268 73 45 nPiquete de Águas (CMS) 21 223 23 21 / 93 998 06 24 nEDP (avarias) 800 50 65 06 nSegurança Social (VIA) 808 266 266

nServiço de Finanças de Sesimbra 212 289 300 nNúmero Europeu de Emergência 112 (Grátis) nLinha Nacional de Emergência Social 144 (Grátis) nSaúde 24 808 24 24 24 nIntoxicações - INEM 808 250 143 nAssembleia Municipal 21 228 85 51 nCâmara Municipal de Sesimbra 21 228 85 00 (geral) 800 22 88 50 (reclamações) nJunta de Freguesia do Castelo 21 268 92 10 nJunta de Freguesia de Santiago 21 228 84 10 nJunta de Freguesia da Quinta do Conde 21 210 83 70 nCTT Sesimbra: 21 223 21 69 Santana: 21 268 45 74

nAnulação de cartões SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços) 808 201 251 217 813 080 Caixa Geral de Depósitos 21 842 24 24 707 24 24 24 Santander Totta 707 21 24 24 21 780 73 64 Millennium BCP 707 50 24 24 91 827 24 24 BPI 21 720 77 00 22 607 22 66 Montepio Geral 808 20 26 26 Banif 808 200 200 BES 707 24 73 65 Crédito Agrícola 808 20 60 60 Banco Popular 808 20 16 16 Barclays 707 30 30 30

Farmácias de Serviço

Contra o Acordo Ortográfico Enquanto o Acordo Ortográfico, negociado nos últimos anos pelo Governo português, não for obrigatório, não vejo motivo para que passe a ser adoptado seja por quem for, e O Sesimbrense não o fará, por enquanto. O principal argumento daqueles que negociaram o acordo não foi o da “simplificação” da escrita. Mas existem pessoas que, ignorando o que está por detrás deste “negócio”, acham que se trata disso mesmo, e até acrescentam que se não tivesse havido “simplificação” do Português, ainda estaríamos a escrever “sciência” e “pharmácia”. É curioso que em línguas hoje dominantes no mundo, como o Inglês e o Francês, ainda se escreva “science” e “pharmacie” – porque será? Mas se foi um grande avanço civilizacional, para Portugal, a substituição do “ph” pelo “f”, então porque é que não substituímos também o “ch” pelo “x”, e passamos a escrever “xefe” ou “xamada”? O certo é que este argumento da “simplificação” é bastante perigoso, e não foi em nome dele que foi feito o Acordo da discórdia. O argumento de fundo de quem negociou o Acordo foi outro, foi de natureza económica: entendeu-se que devíamos aproximar a nossa grafia da dos outros países onde se fala Português, e sobretu-

do do Brasil, porque é a versão “brasileira” a que está a ser mais usada no mundo, e isso é muito importante, por exemplo, para a venda de livros. Este objectivo de se atingir uma ortografia unificada, no entanto, não foi conseguido, pois continua a haver palavras em que a grafia se mantém diversa de país para país. Outra complicação criada pelo próprio Acordo Ortográfico é a de passarem a existir grafias alternativas para a mesma palavra, isto é, palavras que se podem escrever de dois diferentes modos. Esta existência de grafias duplas pode mesmo contribuir para o enfraquecimento da tal “unidade linguística” que os defensores do Acordo apregoavam. Considero que algumas propostas do Acordo Ortográfico são aceitáveis, e outras não. Mas a minha principal oposição a esta alteração tem a ver com a confusão instalada, e com o facto da maioria das pessoas pensar que se trata apenas de “simplificar”. Tem a ver, sobretudo, com a pretensa vantagem económica do Acordo, a qual, afinal, continua comprometida pelo facto de se manter diferenciação de grafias entre países. Apenas quando (ou se) o Acordo Ortográfico se tornar obrigatório, é que passaremos a adoptá-lo nos textos aqui publicados. João Augusto Aldeia

Pescas - Janeiro

Melhoria Geral

Com o apoio:

Farmácia Bio-Latina Rua D. Sebastião, Lote 2050 A, Quinta do Conde

Farmácia da Cotovia

Avenida João Paulo II, 52-C, Cotovia

Farmácia de Santana

Estrada Nacional 378, Santana

Farmácia Leão

Avenida da Liberdade, 13, Sesimbra

Farmácia Liz

Estrada Nacional 377, Lote 3, Alfarim

Farmácia Lopes

Rua Cândido dos Reis, 21, Sesimbra

212 109 113 212 681 685 212 688 370 212 288 078 212 688 547 212 233 028

Apesar de ser Janeiro e o Inverno nunca ser famoso nas pescas, este início de ano melhorou em relação ao último mês de dezembro. Quase todas as artes subiram de rendimento. Isto deve-se ao facto de ter havido melhor tempo para pescar e as tempestades e chuvas se terem ausentado da nossa costa. Se por um lado se beneficiou com o mar mais calmo para pescar, por outro lado, perdeu-se, pois o mar remexido e as inundações provenientes das chuvadas que alagam os campos, trazem para os nossos vizinhos rios, Tejo e Sado as “comidas” para alimentação das espécies marinhas. Se

estamos em crise financeira, esta falta de chuva provoca maiores prejuízos dos quais as pescas também se ressentem. Temperaturas adequadas às Estações é sinal de estabilidade de que todos beneficiamos. Assim continuando, em estabilidade, temos maiores dificuldades para todos, em geral, nos “safarmos” deste negativismo que está assolando a EUROPA com reflexão mundial nas populações que na constante irreverência encontram na violência o pior sentimento para solucionar este grave problema da Humanidade. Pedro Filipe


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ONDULAÇÕES

Opinião Eduardo Pereira

Parque de merendas do Castelo - João David

Levem a taça! É sempre com uma certa satisfação que começo a escrever as minhas Ondulações. Agrada-me este “batepapo mensal” com os meus leitores. Embora o meu estado de espírito alterne, umas vezes com “picos” de boa disposição e alegria e, outras vezes com “vales” de poucas alegrias e de grandes preocupações, mesmo assim, procuro reagir. Levanto a cabeça, olho bem à frente e procuro escrever as minhas Ondulações, dando asas ao meu bate-papo. Ultimamente, a minha boa disposição está mais abalada. Quando levanto a cabeça, não consigo esquecer as dificuldades financeiras e económicas que o país tarda em vencer. Não posso deixar de ver as pesadas nuvens do horizonte a trazerem-me novas preocupações, que devo somar às desta crise que não é de hoje, nem de ontem e que se tem vindo a agravar, entre nós, nos últimos quinze anos. A crise de que nos ocupamos é a crise mais grave de todas as crises vividas depois do 25 de Abril e apresenta contornos políticos, financeiros, económicos e sociais. Uma crise que já fez um milhão e duzentos mil desempregados, que aumentou a falta de confiança generalizada dos eleitores nos seus eleitos, dos governados nos seus governantes, dos trabalhadores nos seus empregadores, dos alunos nos seus professores, dos inquilinos nos seus senhorios, dos aforradores nos seus banqueiros, enfim uma crise que não tem permitido a distribuição justa da riqueza produzida. O próximo ano é de eleições autárquicas. Dois anos depois do 25 de Abril, o Governo e os partidos políticos consideraram, e bem, que estavam reunidas as condições de segurança para que se pudessem realizar as primeiras eleições autárquicas livres e democráticas, em Portugal. Os portugueses foram chamados às urnas, pela primeira vez, em 12 de Dezembro de 1976. Depois dessas eleições, já se realizaram mais oitos actos eleitorais em 1979, 1982, 1989, 1993, 1997, 2001, 2005, tendo o último sido realizado em 11 de Outubro de 2009. O próximo irá ser em 2012. Em minha modesta opinião, as eleições autárquicas do próximo ano deviam começar a ser “organizadas” na segunda metade do mês de Setembro deste ano. Escrevi há tempo que a caminhada do eleitor

para o voto não espera pelas campanhas. Quando a campanha arranca já a maioria dos eleitores fizeram a sua escolha e decidiram em quem votar. Os eleitores vão formando a sua opinião ao longo dos quatro anos do mandato anterior, memorizando o bom e o mau do que vão tendo conhecimento, acerca dos partidos e dos políticos. Estou muito preocupado, não só com o agravamento das consequências da crise que nos fustiga, mas também com os efeitos políticos que se irão fazer sentir. Os partidos irão sentir-se pressionados, diria mesmo encurralados, à medida que se for aproximando a data da marcação das eleições autárquicas do próximo ano. Preocupa-me que um aumento da “temperatura política” possa gerar, por razões várias, uma situação de grande turbulência porque, nestas eleições, irá estar quase tudo em jogo – a aceitação ou a recusa da criação de novas freguesias, nacionalmente desejadas por uns e indesejadas por outros; alterações ao número de membros das Juntas de freguesias; redução do número total de autarquias actualmente existentes; alteração de novas fronteiras que possam vir a ser decididas para alguns concelhos; redução do número de vereadores e todas as outras alterações que se imponham pelas alterações previstas. Estes profundos e necessários arranjos, podem vir a ser mal aceites, podem dar lugar a contestações políticas dos militantes dos partidos envolvidos, que poderá ter dimensões imprevisíveis, que poderão ocupar “espaços públicos e ruas”, logo que sejam anunciadas as candidaturas dos partidos e os seus programas, mantendo-se esta pressão até à data da realização das eleições. Estamos, ainda, bastante distantes das eleições autárquicas de 2012, mas não quero deixar de apresentar a minha análise à situação que, desta vez, terá as autarquias – freguesias e concelhos – no centro de tudo. Aliás, procurei, como sempre, tratar este tema por forma a que se torne clara a minha modestíssima contribuição para a pacificação das situações com que me deparo e nunca para a sua desestabilização. Não sou bruxo, mas … enfim, desejo o melhor para todos os sesimbrenses.

O excelente parque de merendas, João David, junto ao Castelo de Sesimbra, foi cobardemente vandalizado. Dos 12 espaços com mesas e bancos, em pedra de cantaria, 8 deles não escaparam à vil destruição, bem como os 2 grelhadores de apoio aos utilizadores. Esta unidade, projectada pelo sempre amável e competente arquitecto Armindo Pombo, já mereceu honrosas referências na revista do jornal Expresso e foi considerado como um dos melhores a nível nacional, não só pela oferta disponível, mas também pelo seu enquadramento junto ao castelo de Sesimbra. A junta de freguesia

lá terá de desembolsar, do seu escasso orçamento, mais uns milhares de euros não programados e não havidos, para repor as condições de utilização, e que poderiam ser canalizados para outras acções. Há e haverá sempre uma gentinha que grita, reclama e barafusta para querer algo para si, mas desconhece o respeito pelo trabalho dos outros, pelo que fizeram sem gritar, sem reclamar e sem barafundar a favor do colectivo. Os “heróis” de tão gloriosa façanha, bem podem orgulhar-se de tal feito e ficar com a taça da nossa indignação. J Diogo


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Carnaval quente em tempo frio Durante todos os dias de Carnaval o tempo manteve-se frio, mas sempre com um sol esplendoroso.

Escolas de Samba voltam à Avenida

Sesimbra festejou o Carnaval com as habituais e diversificadas manifestações de cégadas, cavalhadas, bailes e desfiles de rua. Embora com alguma diminuição de visitantes, nenhuma destas manifestações perdeu o habitual brilho: as ruas de Sesimbra encheram-se, quer para os grandes desfiles de escolas de samba e blocos, nas tardes de Domingo e Terça-Feira, quer para a informal animação de rua durante as noites, com grupos de mascarados a circular entre os locais de dança e convívio: colectividades, bares, e pontos de venda de bebidas instalados na rua. Também se mantiveram as tradições das cégadas e cavalhadas, bem como os desfiles das escolas (na manhã de sexta-feira) e palhaços (na segunda-feira). Na Quinta do Conde realizou-se, no Sábado, o já usual desfile, com a participação da Escola de Samba Batuque do Conde, e de diversas colectividades daquela freguesia.

A circunstância de estar previsto o início das obras na marginal poente de Sesimbra para o dia 22, conduziu a uma solução original para o percurso do grande desfile carnavalesco de Sesimbra: no Domingoo desfile tomou o percurso dos anos anteriores, sempre junto ao mar, desde a Praça da Califórnia até à rua Fernando Marques; na TerçaFeira o desfile teve início ao cimo da avenida da Liberdade

(junto ao cruzamento com a rua João da Luz), seguindo depois para a marginal nascente, até à Praça da Califórnia. Devido a este motivo circunstancial, foi possível “testar” as duas soluções que dividem habitualmente as opiniões dos organizadores e participantes: uns preferindo a marginal, com o argumento de ter o melhor enquadramento visual, e outros a avenida por ter mais espaço para a evolução e desenvolvimento das coreografias. O desfile na avenida da Liberdade teve ainda uma outra consequência: como os prédios criam uma espécie de “caixa de ressonância”, o som dos sambistas “enche” mais, tornando-se de mais agradável audição e maior o volume, mas isso torna também necessária uma maior distância entre os

O Bota no Rego homenageiou Zeca Afonso – muito a propósito dos 25 anos da morte do cantor, compositor e renovador da música popular portuguesa. O Bota dedicou os seus vários quadros e alegorias a vários aspectos da vida do cantor, popularmente conhecido como Zeca. O fado de Coimbra (onde ele se iniciou artisticamente), a Censura e a Pide (que o perseguiram) e os movimentos de contestação, a que a sua música ficou ligada, eram algumas das ideias representadas. Coloridos hippies transportavam cartazes contra a guerra e com a conhecida palavra de ordem “O Povo Unido Jamais Será Vencido”. Camponesas transportavam bandeiras onde se liam os títulos de algumas das suas canções, e a bateria impressionava pela mancha de prisioneiros com fatos às riscas (ainda que, em Portugal, os presos políticos não usassem esse tipo de “farda”). A “noite” da ditadura e os “vampiros” tinham também as suas fantasias. Do Bota também nasceu um dos mais divertidos grupos que percorreram os bailes nocturnos, vestidos de “banhistas”, com os respectivos adereços, incluindo toalhas, que estendiam no chão, numa deliciosa e imaginativa coreografia.

“Quem nunca sonhou viver num mundo Encantado”, foi o desafio proposto pela Unidos de vila Zimbra, que abriam o seu desfile através dum portão guardado por uma ratinha Minnie, conduzindo a um mundo de fantasia onde se destacam símbolos de histórias universais, tais como Alice no País ds Maravilhas, Fadas e Rainhas do baralho de cartas. A bateria estava apropriadamente composta por Chapeleiros Loucos. agrupamentos que desfilam, provocando maior demora na sua progressão.

Sol e frio

Batuque do Conde – a escola de samba da Quinta do Conde abordou o interessante tema das Lendas de Sesimbra: a aparição da Senhora do Cabo, o Senhor das Chagas e o Lobisomem, foram alguns dos temas traduzidos nas fantasias dos desfilantes. O “Cavaleiro Branco” e a lenda “Se Zimbra Quiser…:” também estavam representadas, apesar de se tratarem de “lendas” falsificadas no século XX Esta escola merece um destaque especial pelo facto de se integrar, para além dos desfiles da vila, no corso da Quinta do Conde, no Sábado de Carnaval, onde participam também diversas colectividades daquela Freguesia.

Os dias de Carnaval beneficiaram de um magnífico sol, apesar da temperatura do ar ser baixa. E quando o sol declinava, o frio fazia-se mesmo sentir. Os últimos grupos a desfilar acabaram por sofrer com isto, principalmente os Bigodes da Rato que, na terça-feira, iniciaram a sua participação quase sem luz, e com a temperatura ambiente muito baixa. O problema da duração do desfile deverá ser melhor estudado no futuro, talvez com o seu início mais cedo, e com um maior rigor na hora de partida de cada grupo. Foi muito visível, em qualquer dos desfiles, que muitas pessoas se vão embora, mesmo antes de alguns grupos terem sequer iniciado a sua prestação.

A Tripa (Tripa Cagueira e Tripa Mijona) desfilou sob o tema “Um por todos - Todos por um”, o lema do romance “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, que simboliza a amizade, apoiada na lealdade e na coragem, aparecia simbolizado pelos fatos dos Mosqueteiros deste bloco.

O grupo Dá que Falar desfilou sob o tema “República”, nem sempre claramente traduzido nas fantasias. Neste grupo, a par de muitos pexitos, participam também jovens do concelho de Almada (Alto do Moinho) envolvidos em iniciativas de ocupação dos tempos livres.


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O Trepa no Coqueiro abordou o tema dos Jogos Olímpicos – as diversas modalidades olímpicas inspiraram este grupo, cujas fantasias iam desde o hóquei em patins (com baliza e tudo!) até ao futebol e a esgrima – esta na bateria. Um dos quadros mais inovadores desta escola era o que compunham as ginastas do Grupo Desportivo de Alfarim. Vestidas apenas com os seus usuais fatos desportivos, algumas das jovens ginastas exibiam-se em tapetes que iam sendo sucessivamente colocados à medida que o desfile avançava, para surpresa e agrado do público, que várias vezes lhes bateu palmas. Os deportos em Roma inspiraram várias fantasias, bem como a alegoria do carro desta escola, com o Coliseu de Roma – palco privilegiado de provas desportivas. Um dos aspectos originais do Trepa eram as duas passistas em topless, com o corpo pintado com os símbolos olímpicos. “Assim Somos Nós” foi o terma do bloco Bigodes de Rato, duplamente traduzido em pescadores e varinas.

Os Saltaricos do Castelo – escola de samba já com 29 anos – desenvolveram o tema “Figuras Lendárias”.

Sesimbra no Carnaval carioca Figuras habituais no Bota no Rego, Ana Filipa Alves e Pedro Canana, “trocaram” este ano o Carnaval sesimbrense pelo do Rio de Janeiro, e com tanta felicidade que foram desfilar na Escola vencedora de 2012: a Unidos da Tijuca. Com um tema de homenagem ao compositor nordestino Luíz Gonzaga, autor de canções famosas, tais como Asa Branca, as minuciosas alegorias da Tijuca permitiram-lhe angariar 299,9 pontos dos 300 possíveis – uma impressionante vitória num “campeonato” habitualmente dominado por três grandes agrupamentos: BeijaFlor, Imperatriz e Mangueira. A propósito desta maravilhosa aventura, entrevistámos Ana Filipa Alves Como se dá a vossa ligação com o GRES Unidos da Tijuca? Tudo começou com uma simples troca de lembranças. Numa das nossas viagens de férias, decidimos dar a conhecer o GRES Bota no Rego e o Carnaval de Sesimbra aqui no Rio de Janeiro. Fomos muito bem recebidos! Em 2010, através de nós o Presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, juntamente com o Carnavalesco Paulo Barros, visitara pela primeira vez Sesimbra, e foram recebidos na sede do GRES Bota no Rego. O Pedro também participou?

Sim, claro! Ele foi como diretor de Ala (composta por 120 elementos), fez parte da Harmonia da Escola. Um papel importante e de responsabilidade, na Evolução da Escola de Samba, visto ser quesito fundamental no concurso. Esteve envolvido na organização do desfile, coisa que ele já fazia em Sesimbra. Como foram os ensaios? Muito diferentes do que acontece em Sesimbra? Sim, a rotina é completamente diferente! Em Sesimbra eu era coordenadora da Passistas do GRES Bota no Rego (para quem eu mando um Bj especial),

a responsabilidade era outra, preparava as coreografias, era a primeira a chegar aos ensaios e a última a sair, controlava as presenças e ainda tentava ensinar e transmitir todos os meus conhecimentos. Agora, tenho uma Diretora de Ala, que só organiza, tenho um coreógrafo que planeia os Shows e a mim cabe-me aprender com as outras, o que é muito bom para mim! rsrsrs Pode descrever um pouco como decorreu o desfile? Qual era a sua fantasia? Fui na Ala de Passistas, a fantasia representava um pássaro ‘Assum Preto’, um pássaro do Sertão (O Enredo da Tijuca era em Homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião). O desfile correu muito bem, a fantasia era linda e muito confortável. Pela primeira vez não colei nem uma pedra, só fiz alguns ajustes nas vésperas do desfile. Até estranhei…rsrsrsr Pergunta desnecessária: dançou muito? Claro que sim! Foi uma experiência que marcou a minha vida! É um dia para mais tarde recordar, claro que espero vivenciar muitos mais dias iguais, ou melhores ainda! Na Unidos da Tijuca, havia a perceção de que eram candidatos à vitória? A Unidos da Tijuca hoje em dia é sempre uma forte candidata á vitória. A nível organizativo é das melhores a trabalhar no Rio, uma verdadeira empresa! Tem uma equipe de trabalho composta por pessoas de renome, com currículo Carnavalesco brilhante, tendo como estrela principal o Carnavalesco Paulo Barros, que tem sido um revolucionário a nível estético e artístico no Carnaval. Pelas imagens imagina-se que a comemoração da vitória foi espetacular. Quanto tempo durou? Foi muito bom! A euforia é geral! As pessoas daqui vivem o carnaval intensamente, e é impossível não ser contagiado! Confesso que roí umas unhas durante o apuramento. Após a declaração da nossa

vitória, a festa na Quadra começou, eram aproximadamente 17h, estiveram cerca de 8 mil pessoas lá a comemorar. A festa prolongou-se pela noite dentro. Já devem ter notícias dos desfiles de Sesimbra – qual a opinião? Sinceramente não tive muito tempo para visualizar m u i t o do que foi apresentado este ano. Soube das trocas de percurso, coisa que acho uma asneira enorme! Sou uma apologista da Avenida desde sempre, e não é só por saudades do que era antigamente, mas sim porque é o ÚNICO lugar em Sesimbra com condições plenas para se puder apresentar um bom espetáculo…. Para além das atividades ligadas aos Unidos da Tijuca, ainda sobra tempo para conhecer a cidade? Eu já tinha vindo cá 4 vezes de férias, logo já conhecia muito bem a cidade. Mas claro que há sempre mais alguma coisa para conhecer. Confesso que o tempo tem sido pouco, trabalho, ensaios e agora Shows da Tijuca, tem sido muito difícil! Nem mesmo para fazer praia, coisa que eu adoro! Vai voltar para Portugal? Sinceramente…só Deus sabe! Nós adoramos a cidade, as pes-

soas e esta agitação constante. Claro que as saudades da família, amigos e da nossa linda vila já apertam. Contudo, nós estamos a viver na cidade maravilhosa, e para todas as pessoas que pensam que é perigoso e arriscado fazer o que nós fizemos, ou até mesmo fazer férias cá, desenganem-se, a cidade é linda, cheia de coisas incríveis para visitar e presenciar, e para melhorar mais ainda, cada vez está mais segura! Obrigado Bjs à família e a todos os amigos Saudades vossas...


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Passatempo na área do Turismo

Limpeza da via ATEC distingue sesimbrense pública

A Câmara Municipal de Sesimbra está a promover, até 5 de Março, um passatempo dirigido a todos os operadores turísticos que desenvolvem a sua atividade em Portugal. A participação é feita através do preenchimento de um formulário, que deve ser enviado por correio eletrónico aos operadores selecionados O objectivo é o de dar largas à imaginação e criar uma frase de caráter promocional sobre Sesimbra. Haverá prémios para duas pessoas: estadias e actividades, onde os vencedores poderão desfrutar do que de melhor o concelho tem para oferecer.

A Câmara de Sesimbra lançou campanhas de sensibilização sobre o acondicionamento de resíduos domésticos, resíduos verdes, resultantes de hortas e jardins, e monos domésticos, bem como sobre a recolha de dejectos caninos, outra das problemáticas ambientais que afecta atualmente as zonas urbanas. A campanha apela ao civismo dos donos de cães e sugere modos de atuação e cuidados a ter no espaço público. Para além da informação pública nas publicações municipais, foram colocados autocolantes nos contentores que indicam a forma correta de deposição de cada tipo de resíduo.

Câmara apela a sugestões para uma melhor gestão da iluminação pública A Câmara Municipal de Sesimbra instalou, a título experimental, relógios astronómicos em todos os postos de transformação do concelho, com o objetivo de reduzir o horário de funcionamento da iluminação pública, evitaando que permaneça ligada durante o período diurno. A instalação destes relógios, a par da redução de focos em zonas de menor movimento, e da colocação de lâmpadas de menor consumo nas luminárias, são medidas imprescindíveis para reduzir o elevado esforço financeiro com iluminação pública que, em

2011, representou um encargo de 750 mil euros para a Autarquia. No entanto, apesar desta monitorização, a Câmara reconhece a necessidade de prolongar o tempo de iluminação artificial no período da manhã, principalmente nas zonas urbanas, e fez um apelo aos munícipes para que enviem as suas sugestões para o e-mail: logistica@cmsesimbra.pt para que, “em conjunto, se possa encontrar uma solução que garanta uma poupança energética e a segurança das populações”.

O jovem sesimbrense de 22 anos, Cláudio Filipe Rodrigues Neves, residente em Alfarim, foi condecorado como o melhor mecatrónico automóvel no distrito de Setúbal, pela ATEC - Academia de Formação de Palmela.

Entrou na academia em Outubro de 2007, para frequentar o curso de Mecatrónica automóvel na turma TMA1007. Em 2009 foi selecionado, como um dos melhores mecatrónicos Automóveis, para um estágio de dois meses, na Alemanha, na Volkswagen Nutzfahrzeuge, recebendo formação nas áreas das tecnologias de metalotecnia, electrotecnia e automação, onde fortaleceu os conhecimentos já adquiridos. Em Outubro de 2010, Claúdio finaliza o curso de Mecatrónica automóvel e passado um ano, recebe o diploma sendo condecorado como o melhor da sua especialidade. Em 2011, frequentou o curso de Formação Pedagógica inicial de Formadores em Almada e ficou habilitado a dar formação dentro da área de mecatrónica automóvel.


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Edifícios com história (II)

Edifício Perneco

O modesto edifício da rua Amélia Frade, número 24 e 26, data dos anos 20 do século passado, e a sua edificação constituíu uma pequena odisseia, prolongando-se por uma década. O terreno está mesmo em cima do antigo ribeiro de Entre-Hortas, exigindo dispendiosas fundações. O proprietário, Manuel Rapaz Perneco, não dispunha de muito dinheiro, e o que tinha foi consumido logo com a construção dos alicerces. As maiores dificuldades vieram a verificar-se com os acabamentos. Os obstáculos financeiros da construção ainda hoje são visíveis no edifício: no primeiro andar existem pedras salientes na fachada, preparadas para levar varandins de ferro forjado, mas a solução acabou por ser mais económica: apenas modestos varadins de madeira. O projecto existente na Câmara refere a data de 1926, mas Manuel Pedro Perneco recorda que a construção terá tido início por volta de 1919 ou 1920. A Igreja Evangélica, a cuja mensagem a família Perneco tinha sido sensível – foram dos primeiros aderentes – acabou por dar uma ajuda à

A Igreja Evangélica em Sesimbra

À semelhança do edifício Perneco, a edificação da Igreja Evangélica em Sesimbra também foi trabalhosa. Cartas dos missionários pioneiros, Samuel Matthey e Charles Malthez, revelam que chegaram a Sesimbra num dia de Junho de 1927, de bicicleta, vindos da Caparica, às 10 da noite, tendo pernoitado num quarto alugado. Ali mesmo iniciaram a divulgaração do Evangelho junto da família da casa, bem como de outros pensionistas que lá estavam. No dia seguinte procuraram uma sala para fazer uma reunião com a população, mas encontraram grandes dificuldades. O redactor do jornal da terra – certamente João da Luz – escreveu uma nota de recomendação ao secretário do Administrador do Concelho, que, por sua vez, os remeteu para o Presidente da Câmara, António Gomes Pólvora, mas este, receando as consequências de uma reunião pública deste género, acabou por recusar autorização, permitindo apenas o contacto em casas

“Projecto” entregue à Câmara por Manuel Rapaz Perneco para a edificação na rua Amélia Frade que, nos 75 anos da referida reunião, comemoraram na própria Fortaleza aquele acontecimento. Mas, ainda segundo Pierre Cuche, nem tudo foi fácil na acção desta instituição religiosa na pacata Sesimbra. Logo em 1930, o facto do comandante da Fortaleza, convertido ao abandono do culto de imagens, ter deitado fora a imagem de Nossa Senhora que possuía na Fortaleza, constituíu grande escândalo, determinando a sua transferência para Vila Real de Santo António. O trabalho da Igreja junto da comunidade também deu azo a perseguições por parte de ministros a Igreja Católica, quechegaram, por exemplo, a fazer campanha contra aquela instituição junto dos alunos das escolas primárias. Mas a Igreja Evangélica acabou por se implantar em Sesimbra. Em 1976, acabado de chegar para aqui missionar, Pierre Cuche ficou constrangido com a pequena dimensão da sala da rua Amélia Frade – apenas 33 m2 – muito pequena para as 7 ou 8 dezenas de pessoas que chegavam a lá estar simultaneamente, o que implicava que muitas ficassem nas escadas. Actualmente a Igreja já tem como pastores dois jovens oriundos da própria Igreja: Tiago Afonso e Tiago Aragão.

Fotografia actual do edifício, apresentando fortes sintomas de envelhecimento. construção do edifício, onde depois instalaram a seu centro religioso, ou Igreja, e aí ficaram, desde 1931 até 1999, altura em que passaram para as actuais instalações no edifício “Aldeia do Castelo”, localizado na estrada nacional, junto à gasolineira da GALP. O contrato de arrendamento revela a renda original: 270 escudos, uma fortuna para a época. O resto do edifício foi ocupado com habitação, mas o seu estado actual é de notório envelhecimento.

particulares. Uma nova tentativa deu-se em 1930, desta vez com um inesperado desenvolvimento. Na Fortaleza encontram um comandante interessado nas questões religiosas, mas que se guiava pelo Livro de S. Cipriano. Os missionários ganham o comandante para o Evangelho, e este cede a própria Fortaleza para uma sessão pública, que se realizou com cerca de 300 pescadores. Testemunhos da própria Igreja Evangélica retratam o

momento: «Que atenção, que respeitto, que maravilhosa recepção da mensagem! Os corações são tocados eas mãos estendem-se para receber folhetos e adquirir o Novo Testamento ou os Evangelhos (relato do livro “O poder do Evangelho em Portugal”) O Pastor Pierre Cuche, que nos facultou estas memórias e alguma documentação sobre os primórdios da Igreja Evangélica em Sesimbra, salienta que a Fortaleza ficou a constituir um marco histórico, pelo

Uma das missões da Igreja Evangélica em Sesimbra, dirigida pela senhora Vallon, em 1945.


O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

Fotógrafos de Sesimbra (X)

Roque de Arriaga As fotografias que hoje publicamos são da autoria de Roque de Arriaga, filho de Manuel de Arriaga, grande doutrinário do republicanismo português e primeiro presidente da República Portuguesa (em Sesimbra existe uma rua com o seu nome que, curiosamente, se cruza com a rua D. Afonso Henriques). As imagens reproduzidas pertencem ao Arquivo do Arq.º José Miguel Arriaga Corrêa

Guedes, e foram-nos dadas a conhecer pela historiadora Joana Gaspar de Freitas, autora de várias publicações sobre Manuel de Arriaga. São imagens do levante de uma armação de pesca da costa de Sesimbra – possivelmente, a armação Cova, da empresa Loureiro & Filhos – e mostram com algum detalhe o levantar do copo da armação, acompanhado da batida das águas com remos.

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O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2011

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Enviada “Palinhos” afundou no Espichel

Um novo livro de David Sequerra

A embarcação “Palinhos”, que funcionava como enviada da traineira “Beatriz Paulo”, afundou junto ao Espichel no passado dia 2 de Fevereiro, pelas 5:40 da manhã. Segundo informações de Sérgio Encantado Ribeiro, encarregado da empresa, a enviada tinha ido carregar peixe capturado pela “Beatriz Paulo”, e transportava cinco dornas de peixe, quando começou a meter água, talvez devido a uma ruptura no casco provocada pelo forte vento e ondulação. A tripulação nunca chegou a estar em perigo, pois logo que se aperceberam da entrada de água na embarcação, dirigiram-se para Sesimbra, sempre acompanhados pela traineira. Infelizmente não foi possível a chegada ao porto, dando-se o afundamento nas zona conhecida como “mesas do Espichel”, onde se encontra afundado o cargueiro “River Gurara”. A embarcação sinistrada já tinha desempenhado em Sesimbra as funções de enviada, há algumas décadas, para a traineira “Borrachinho”, do mestre Olímpio Caparica (popularizado por “Salazar de Sesimbra”).

David Sequerra, nosso consócio e amigo, exdirector de “O Sesimbrense”, vai lançar no próximo mês de Março mais um livro que relata experiências vividas em África, ao serviço do Movimento Olímpico Internacional. Tem o sugestivo título de MUKEA que, descodificado, quer dizer “mais umas kuantas estórias africanas”. E são 15, passadas em 10 países, de Marrocos a Moçambique. O lançamento inicial farse-á no Comité Olímpico, do qual David Sequerra foi Secretário-geral mas está prevista idêntica sessão em Sesimbra, reunindo amigos de longa data. Os nossos votos de êxito editorial desse novo “MUKEA”.

Nessa altura tinha o nome de “Creta”. Depois, no início dos anos 90, foi vendida para Sines, e foi já no início deste século que regressou a Sesimbra, adquirida pela empresa Palinhos, para enviada da traineira “Beatriz Paulo”, tendo sido mudado o seu nome para ”Palinhos”.

Obras financiadas pelo QREN invadem a vila Diversas circunstâncias determinaram a concentração de diversas obras municipais financiadas pelo QREN, na vila de Sesimbra. Os edifícios da Casa do Bispo e das antigas Finanças, a rua D. Diniz (na foto ao lado), o largo Infante D. Henrique (Torrinha) e a avenida marginal poente, estão neste momento em obras. Dentro de pouco tempo seguir-se-á o próprio edifício da Fortaleza, bem como diversar ruas a nascente do largo de Bombaldes. Estas obras determinaram alguns condicionamentos de trânsito, nomeadamente o corte da rua Aníbal Esmeriz e da marginal, mas esta deverá voltar a funcionar antes do Verão.

Bombeiros Voluntários de Sesimbra angariam fundos e ajudam o meio ambiente Os Bombeiros Voluntários de Sesimbra, têm vindo a dinamizar, desde o início do ano, campanhas de sensibilização que visam uma mudança comportamental relativamente ao meio ambiente. Acções como recolha de óleo alimentar usado, recolha e recepção de eletrodomésticos velhos ou avariados, recolha de lâmpadas fluorescentes estragadas e recolha de latas de refrigerantes, além de contribuírem para a defesa do meio ambiente, contribuem também para a angariação de fundos em benefício dos BVS. Nelson Macedo, explicou-nos o porquê desta iniciativa: “O projecto surgiu naturalmente. Sendo engenheiro do ambiente, senti a necessidade de disseminar a importância da preservação da natureza, despertar a consciência e contribuir para um ambiente melhor. Devido às dificuldades financeiras que as associações de bombeiros atravessam e colocam em causa a boa prestação de socorro às populações, pensámos juntar o útil ao agradável, disponibilizar estas acções na nossa corporação e conseguir obter fundos através de algumas associações como sendo a Amb 3E ou a Biological” Para colaborar ou esclarecer duvidadas, os Bombeiros Voluntários de Sesimbra, disponibilizam à população, os seguintes contactos telefónicos: 212288540 (Sesimbra) ou 212106174 (Quinta do Conde).

Farda vermelha...espírito verde Os Bombeiros Voluntários de Sesimbra, estão também a iniciar um projecto de Miniprodução de energia fotovoltaica, nas instalações da Quinta do Conde. Com o objectivo de racionalizar a utilização de energia e diminuir o custo da factura electrica, este projecto irá gerar benefícios ambientais, reduzindo as emissões de gases poluentes na atmosfera e diminuir a dependência energética dos combustíveis fósseis. Jovita Lopes


O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

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Assembleia Municipal Acordo do Meco: aprova Mata Norte carta do “Raio de Luz” usada contra Amadeu Penim O ponto mais debatido da Assembleia Municipal do dia 3 de Fevereiro passado foi a dis­ cussão do Plano de Pormenor da Mata de Sesimbra (Zona Norte), cujas características já apresentámos na nossa edição de Setembro último. Tendo uma natureza essencialmente turística, este projecto, que tem como principal promotor o investidor Jasem Albarker, igualmente proprietário do Hotel do Mar, apresenta uma solução mista de unidades hoteleiras e moradias unifa­ miliares, dispondo de uma série de equipamentos turísti­cos, tais como campo de golfe. No período destinado à in­ tervenção do público, falou o geólogo Paulo Caetano, que afirmou fazer essa intervenção “por imperativo de consciência e de cidadania”. Lamentou que o debate público tenha tido apenas “uma dezena de contributos e presenças na sessão pública”, destacando o “conteúdo muito crítico do pa­ recer desfavorável da CCDR”, nomeadamente devido às “cargas construtivas previstas pelo PDM - que continua a autorizar construção turística em zonas que deveriam ser preservadas”. Referindo que “o Plano Municipal do Ambiente continua na gaveta”, acrescen­ tou que o plano da Mata Norte “não corresponde aos modelos actuais de desenvolvimento”, e que até mesmo o Plano Estra­ tégico de Turismo de Sesimbra “subalterniza produtos como o golfe a outros com maior potencial.” Chamando a atenção para o facto de que “os impactos no Ambiente podem não estar de­ vidamente avaliados”, apelou para que Assembleia Municipal não votasse favoravelmente o plano da Mata “sem uma refle­ xão anterior e revisão do PDM”, e em respeito ao “princípio da precaução.” Respondendo a Paulo Cae­ tano, o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, referiu que “a revisão do PDM não está a ser feita à revelia do debate destas zonas [Matas], mas reconhe­ ceu que a participação pública não fora intensa. Já na discussão do plano de pormenor, a principal oposição foi feita por Carlos Macedo, do Bloco de Esquerda. Refe­ rindo que aquela seria “uma das noites mais tristes” dado que “o interesse público não é defendido”, e que se estava a colocar “o interesse privado à frente do público, o que não é uma posição de esquerda.” Referindo-se aos planos das Matas Sul e Norte, disse que “os efeitos destes disparates serão pagos pelos nossos filhos e netos”, e que havia uma “malha de interesses contraditórios” com a intensão de “condicionar o PDM, que de outra forma não poderia supor­ tar uma tal carga construtiva.” Carlos Macedo voltou a in­ sistir no parecer negativo da

CCDR, respondendo Augusto Pólvora que a Câmara tinha posteriormente apresentado os seus argumentos à CCDR e que esta os tinha aceitado. A diferença de opiniões quanto a este assunto levou a acusa­ ções mútuas de não estarem a falar a verdade. Uma posição mais matizada foi apresentada por Manuel José Pereira que, falando em nome do PS, elencou uma série de argumentos que impunham que o PS não pudesse votar contra o plano da Mata Norte, a que acres­ centou outros argumentos que impunham que não pudesse votar a favor: ou seja, ao PS só restaria a abstenção, como de facto se veio a verificar. Desta­ cou também que este plano “só teria pés para andar se tivesse excelência ambiental”, e que havia aspectos não garantidos, como o da disponibilidade de água. Manuel José Pereira consi­ derou haver “algum fundamen­ talismo de um lado e de outro”, e que teria de haver “um ponto intermédio de consenso, com cedências de ambas as partes, para um projecto que pode ser a grande âncora de de­ senvolvimento do Concelho”. Relativamente a este consenso desejado pelo PS, o deputado afirmou que o mesmo fora ne­ gado pelo presidente da Câma­ ra, e considerou que “aprovar hoje é pior do que investir mais uns meses na procura desse consenso.” Respondendo ao PS, o pre­ sidente da Câmara acusou este partido de grandes con­ tradições, pois sempre tinha votado a favor deste plano de pormenor no passado, nome­ adamente quando detinha a maioria na Câmara Municipal. Augusto Pólvora fez um pouco da história deste processo no interior da Autarquia, revelando diversos factos em que ele pró­ prio promovera a melhoria am­ biental do plano em relação a versões anteriores que tinham sido aceites pelo PS. Desafiou também Manuel José Pereira a dizer qual era essa “excelência ambiental” de que o PS ainda estava à espera. O PSD, pela voz de Lobo da Silva, disse rever-se neste projecto, pois “Sesimbra tem todas as condições para ser o ex-libris desta região, e não me admiro se atrás deste promotor vierem outros, para colocar este concelho na rota do turismo.” Referindo-se es­ pecificamente ao promotor Albaker, acrescentou: “Gabo a sua pachorra”. O nome do investidor foi invocado por vá­ rias intervenções, tendo o PS afirmado que era o “maior sím­ bolo do turismo em Sesimbra”, posição que foi igualmente considerada incoerente com a votação anunciada, em inter­ venções da bancada do PCP. O documento acabaria por ser aprovado, com abstenção do PS e voto contra do BE.

O processo de investigação conhecido como “Acordo do Meco”, em que eram arguidos Isaltino de Morais e Amadeu Penim, entre outros, acabou por ser arquivado pelo Minis­ tério Público, sem que tivesse sido feita qualquer acusação. Recorde-se que sobre o principal arguido, Isaltino de Morais, recaía a suspeita de envolvimento num processo de corrupção, relativo ao Acordo de transferência de direitos de construção, originalmente da urbanização da Sociedade Aldeia do Meco, para a zona da Mata de Sesimbra, promovida pela empresa Pelicano. Mas, tal como o nosso jor­ nal noticiou em Novembro de 2010, Amadeu Penim, presidente da Câmara Mu­ nicipal de Sesimbra no período investigado, também foi con­ stituído arguido, por suspeita de que tivesse solicitado às empresas Pelicano e Espart, a concessão de donativos para a associação Raio de Luz, tendo como eventual contrapartida um hipotético favorecimento dos interesses daquela so­ ciedades. Os investigadores referem que estas suspeitas foram criadas por uma carta de José Pedro Xavier, na qualidade de presidente do Raio de Luz, de Março de 2004, em que é solicitada à Pelicano uma contribuição para custear as obras de construção do Centro Sociocultural Raio de Luz; neste ofício, José Pedro Xavier escreve que faz o pedido por indicação do então Presidente

da Câmara, Amadeu Penim. Durante as investigações, José Pedro Xavier viria a reaf­ irmar que esse pedido lhe fora sugerido por Amadeu Penim, enquanto que este negou ter feito tal sugestão, referindo ainda estar incompatibilizado há vários anos com José Pedro Xavier. Também ouvido pelos investigadores quanto a este aspecto, Augusto Pólvora, que sucedeu a Amadeu Penim na Presidência da Câmara, referiu às autoridades, “ser do conhecimento público que não existem relações amistosas” entre Amadeu Penim e José Pedro Xavier. O Raio de Luz acabaria por receber dois subsídios: um de 15 mil euros da Espart, e outro de 8 mil euros da Pelicano, embora esta empresa lhe tenha prometido 25 mil euros. Au­ gusto Pólvora também revelou que José Pedro Xavier lhe pedira para interceder junto da Pelicano, que não tinha entregue a totalidade do donativo prometido, mas presidente da Câmara respondeu-le que seria melhor ser ele contactar a em­ presa. Perante todos estes de­ poimentos, foi decidido arquivar a acusação a Amadeu Penim. O jornal O Sesimbrense falou com ambos, que reafirmaram as posições, contraditórias entre si, que comunicaram aos investigadores. O antigo presidente da Câ­ mara surge assim associado a outros acusados neste pro­ cesso, por factos que, mesmo que fossem verdadeiros, não teriam a gravidade das restan­

tes suspeitas, acabando por ser envolvido numa teia de suspeitas que, mesmo com o arquivamento do processo, acabam por redundar danos da sua imagem.

Suspeitas não confirmadas Suspeitas de maior gravi­ dade recaíam sobre Isaltino Morais, José Lupi Caetano (presidente da AFLOPS – associação de produtores florestais) bem como diversos administradores das empresas Espart e Pelicano. As suspei­ tas recaiam sobre pagamentos de favorecer a aprovação, pelo Governo, do Acordo do Meco. No caso de Isaltino de Mo­ rais, que era alvo de suspei­ tas de ter obtido vantagens patrimoniais em contrapartida do Acordo do Meco, a de­ cisão de arquivamento do processo baseou-se no facto de não ter sido possível iden­ tificar a origem de pagamentos de”valores pouco habituais”, feitos a uma familiar de Isaltino, e por isso não ser possível es­ tabelecer a respectiva ligação à aprovação do Acordo. Lupi Caetano admitiu ter recebido 2 milhões e 246 mil euros pelo apoio a celebração de contratos e preparação do processo de certificação ambiental do projecto da Mata de Sesimbra junto da World Wildlife Fund, mas que não declarou às Finanças, motivo pelo qual poderá agora ser acusado.

A união falhada de duas urbanizações polémicas O denominado Acordo do Meco juntou dois projectos de urbanização turística bastante polémicos: um na Aldeia do Meco, outro na Mata de Sesimbra (Sul). A Sociedade Aldeia do Meco foi promovida por investidores alemães, ainda antes do 25 de Abril (os estatutos foram na altura publicados no jornal O Sesimbrense), e viria a obter parecer favorável da Direcção-Geral de Turismo. Porém, num volte-face proporcionado pela alteração do regime político, em Maio de 1974 a Câmara viria a negar-lhe qualquer viabilidade. Acabou por ser o Tribunal a impor à Câmara a aprovação da operação urbanística. Já no governo de José Sócrates, acabaria por ser inviabilizada com a compra, pelo Estado, de um terreno no interior da urbanização. Após ameaças e pressões dos alemães, e já com Isaltino de Morais como ministro, foi celebrado o Acordo do Meco, entre o ministro, a Câmara de Sesimbra e os promotores, transferindo os direitos de construção do Meco para a Mata de Sesimbra, acumulando com os direitos de construção de que esta já dispunha. Outro aspecto deste processo foi a convicção de algumas pessoas, de que Isaltino de Morais, enquanto ministro, não teria sequer competência para assinar o Acordo do Meco. Esta era a convicção do engenheiro Eduardo Pereira, que participou ao Ministério Público nesse sentido. O próprio Governo, já depois da saída de Isaltino de Morais, formulou opinião idêntica, anulando o documento, após o que os promotores da Mata (as empresas Espart e Pelicano) acabaram por prescindir daqueles direitos. O Ministério Público, contudo, entendeu investigar as suspeitas de que o Acordo teria envolvido actos de corrupção, investigação que acabaria por ser arquivada por falta de provas.

Assembleia Municipal celebra a Arrábida A Igreja de Nossa Senhora do Cabo Espichel acolheu no dia 25 de fevereiro, sábado, às 15 horas, uma sessão temática da Assembleia Municipal de Sesimbra, que teve como tema o Apoio à Candidatura da Ar­ rábida a Património Mundial

da Unesco. A sessão, que reforça a pre­ sença de Sesimbra nesta can­ didatura, conta com a atuação do Grupo Coral de Sesimbra, e com as intervenções de Cris­ tina Coelho e Heitor Pato, da Associação de Municípios da

Região de Setúbal, alusivas aos valores da Arrábida. Esta candidatura tem um significado especial para Ses­ imbra, não apenas porque par­ te do seu território está dentro do Parque Natural da Arrábida, mas também porque a Câmara

Municipal e a Assembleia Mu­ nicipal integram a Comissão de Honra da mesma. O tema foi abordado em 2010, pela Assembleia Mu­ nicipal de Jovens, projeto da Assembleia Municipal de Sesimbra de promoção da

cidadania, criado em 2003, que envolve alunos de vários estabelecimentos de ensino do concelho. A sessão conta com o apoio da Diocese de Setúbal - Paróquia da freguesia do Castelo.


O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

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Foto Fantasia

Um projecto da Liga dos Amigos de Sesimbra

E porque o Carnaval em Sesimbra começa mais cedo, dia 16 de Fevereiro a Liga dos Amigos de Sesimbra realizou uma sessão fotográfica com as crianças mascaradas das escolas da vila, nomeadamente, do ATL da Associação de Pais da Escola EB1/JI de Sesimbra, Pré-Primária da Escola EB1/JI de Sesimbra, ATL da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, Externato Santa Joana (Salas de PréPrimária). A chegada das colaboradoras da Liga dos Amigos de Sesimbra, tam-

bém fantasiadas, fez-se logo cedo, começando pelos mais pequenos do Externato Santa Joana, que por entre fadas e piratas, a palavra de ordem, neste dia, era diversão. De seguida, foi a vez da Pré-Primária da Escola EB1/JI de Sesimbra, de brincar ao carnaval, com duas salas completas de alegria, de crianças e de educadoras mascaradas como manda a tradição. A sessão fotográfica prosseguiu, agora com “modelos fotográficos” mais crescidos, com alguns dos alu-

nos do ATL da Associação de Pais da Escola EB1/JI de Sesimbra, que se aprontaram em mostrar os fatos carnavalescos, pois a melhor fantasia de cada ano seria publicada no Jornal O Sesimbrense. Por fim, seguiram-se as crianças do ATL da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, que por ordem foram fotografadas encarnando o papel das suas máscaras, tais como, cientista, mini mouse, sevilhana, cowboy, entre outros. Um agradecimento especial ao Fo-

tógrafo Carlos Sargedas, aos pais das crianças que autorizaram seus filhos a serem fotografados, às educadoras das diferentes salas e estabelecimentos de ensino onde se realizou a sessão, e aos directores, presidentes e coordenadores dos mesmos que possibilitaram a realização de mais uma iniciativa da Liga dos Amigos de Sesimbra. Em baixo, eleita a melhor fantasia de cada faixa etária.

Adriana Santos

Anna Clara Andrade

Amanda Oliveira

Externato Santa Joana - Estrelinhas

Externato Santa Joana - Golfinhos

EB1 Sesimbra - Pré Primária Sala 2

Beatriz Francisco Externato Santa Joana - Búzios

Tiago Barateiro Externato Santa Joana - Peixes

Miguel Polido EB1 Sesimbra - Pré Primária Sala 1

Miguel Lacerda EB1 Sesimbra - ATL

Carolina Pereira Santa Casa da Misericórdia - ATL

Andreia Coutinho


O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

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Sesimbrenses espalhados pelo Mundo São numerosos os sesimbrenses que se encontram espalhados pelo mundo, desempenhando as mais diversas profissões, mas sempre mantendo uma estreita ligação com a sua terra. Dando início a uma série de reportagens sobre esta realidade, entrevistámos Silvestre Carambola e António Robalo, actualmente em Angola.

SC

ilvestre arambola

Silvestre Carambola aposentou-se do ensino em Março de 2009 – era professor de Educação Visual e Tecnológica, na escola Rodrigues Soromenho – e depois esteve uns meses sem fazer nada. Apesar de ter a ideia de se vir a ocupar com um projecto ligado às artes visuais, aquela “paragem” não foi agradável. Entretanto um seu colega, com quem em tempos tivera uma empresa do ramo da electricidade, telefonou-lhe de Angola a perguntar-lhe se estaria interessado em “dar um salto a Luanda”, e foi assim que acabou contratado para uma empresa de electricidade e telecomunicações. Trata-se de uma empresa de dimensão razoável – mais de 400 trabalhadores, localizada em Luanda, que constrói instalações de telecomunicações, postos de transformação, ramais, substações, linhas eléctricas de alta tensão, etc. Silvestre Carambola é actualmente responsável pelo sector de armazéns. Vem com alguma frequência a Portugal: “Fui em Setembro de 2009. Depois regressei entre Dezembro desse ano e Maio de 2010, e voltei para lá até Dezembro de 2011, mas estou aqui só por alguns dias.” Silvestre Carambola reconhece que o problema dos vistos de trabalho é uma dificuldade, obrigando a frequentes renovações: “Apesar dos dois governos terem tido conversações e contactos, onde se

falou numa abertura, até ao momento continua na mesma, mesmo com Angola a precisar de know how mais capacitado. A autorização é anual, e quando acaba, se ficamos algum tempo à espera e o visto depois não sai, corremos o risco de termos de pagar uma boa quantidade de dinheiro, uma espécie de multa por cada dia em Angola sem visto. A crise também chegou a Angola, e à sua empresa: “Não é por falta de trabalho, mas sim por dificuldades de pagamentos: a empresa tem tido dificuldade em receber, por exemplo, da Angola Telecom, que lhe deve uns milhares. Isto implica que a empresa esteja a pensar fazer corte de pessoal, o que até me pode vir a tocar também”. Luanda é uma cidade com muitas dificuldades: “Sabemos que é a mais cara do mundo e que está em reconstrução: a guerra civil destruiu muita coisa, e até os habitantes estragaram muito do que existia desde o tempo dos portugueses. Recupera-se e constrói-se novo, mas também isso ao fim de pouco tempo pode estar estragado, e não se responsabiliza quem estraga. Há muito esgoto a céu aberto, embora se esteja a tentar modificar. E é uma cidade com muita população, que veio das províncias, residir nos musseques.” Silvestre encontra muitos portugueses nos contactos que faz, pois existem muitas empresas portuguesas no

sector da construção. Mas a maior fatia está nas mãos de empresas chinesas, e no sector das estradas, praticamente são eles que fazem tudo. Silvestre Carambola admite que não faz grande vida de cidade: “Porque às 6 da manhã já estou no trabalho, donde saio por volta das 16:30, e venho então para casa. No caminho faço sempre umas compritas, chego às 18, já de noite. E sair à noite, a mim, não me agrada, por várias razões: tenho poucos conhecimentos lá, a não ser alguns familiares, e também por receio, porque Luanda à noite é perigosa. Nos fins-de-semana faço uma deslocação aqui ou acolá, mas sempre de carro: não se pode andar a pé.” Vai por vezes à praia: “Mas é difícil, no percurso para a praia, para fazer 50 km, levamos às vezes uma hora e meia a duas horas, e isso desmotiva. Há constantes filas de trânsito, que tanto existem à semana como ao fim-de-semana – cheguei a levar 3 horas para fazer 1 km, do meu trabalho ao estaleiro. um percurso de 5 minutos, por vezes leva 45 minutos, e já não é mau. E para o centro da cidade é pior ainda.” O contacto com a família é frequente, e faz-se via internet, mas também com grandes dificuldades, porque a energia está sempre a falhar: “Falha sistematicamente, horas e horas, por vezes dias. Se temos água, falta a energia eléctrica, e não temos net; se temos electricidade, falta a água; mas também pode haver electricidade mas não haver net. As falhas são constantes”.

dois pequenos barcos. Passou a trabalhar como camionista, por conta própria. Mas teve um grande azar, logo ao fim de 6 meses: um motorista que lhe conduzia o camião deixou um contentor mal amarrado, soltou-se por uma grande serra abaixo, resultando em que ficou a dever cerca de 40 mil dólares à empresa dona do contentor, que teve de pagar fazendo fretes para essa mesma firma Entretanto voltou a empregar-se na pesca, na mesma firma onde trabalhara originalmente: “Quanto ao camião, agarrei nele e aluguei-o”. Os barcos que tinha levado, ainda andaram a trabalhar na pesca algum tempo, mas, apesar de haver muito peixe, acabou por desistir: “Tinha três pessoas a trabalhar, mas é muito complicado, sem supervisão directa, quando chegava, nem havia dinheiro nem peixe. O problema são as pessoas, são pobres, pensam só para eles. Numa dada altura até me roubaram um desses barcos.” A embarcação governada por António Robalo usa redes de emalhar, e ele não vê grande diferença com a pesca com a da sua terra, a não ser num aspecto: “Aqui fazia uma semana de mar, e quando não conseguia a quantidade de peixe para pagar as despesas e ganhar algum, tinha que fazer mais dias. Em Angola, abalo à Segunda e regresso ao Sábado, quer apanhe muito ou pouco. Entrego na fábrica. E eles estão satisfeitos com o

peixe que eu trago.” Do peixe recebido pela fábrica, 30 a 40% é para secar: “até a sardinha eles secam”. O outro peixe é colocado em câmaras frigoríficas para ser vendido conforme as necessidades do mercado. António Robalo reconhece que a situação económica da cidade tem evoluído: “Ao principio era um pouco mais complicado, havia muita miséria, mas tem melhorado. A cidade hoje tem vários hotéis, as estradas estão boas. No início, procurava-se um banco e não havia. E hoje há mais segurança – anteriormente havia muitos assaltos.” Mesmo assim, há grandes problemas com a electricidade: “Funciona umas horas, depois fecha, chega a estar uma semana sem funcionar, há muitos cortes, os cabos estão velhos.” Quando a energia falta, António resolve o problema com um gerador: “A gasolina também não é cara.” A água canalizada também tem falhas, e como recurso recorre a um furo. Os tempos livres não são muitos, já que passa a semana no mar: “Ao Sábado, com a descarga do navio, despachome sempre tarde. Saio um pouco, vou até ao café, mas a seguir vou descansar. Não sou pessoa de sair à noite. Quando há futebol, ou vejo em casa, ou vou ter com dois ou três amigos, vamos ver juntos, fazemos uma claquezinha. Se for no Verão, como a praia está logo ali, aproveito, É uma praia espectacular, não tem fim: parece o Rio de Janeiro” Uma aspecto muito positivo, segundo António Robalo, é o facto de já não estar dependente de vistos de trabalho: “Consegui ser reconhecido como residente, tive essa sorte, Deus esteve comigo, deram-me essa possibilidade, pelo investimento que eu fiz. Fui na boa altura. Há pessoas que estão lá há vinte anos e não conseguem, mas eu já não tenho essa preocupação.”

de ultrapassar ao longo das últimas décadas, a denominada pesca artesanal, feita maioritariamente com a arte do aparelho de anzol (ou palangre), continua a ser o grande valor económico de Sesimbra, que

é actualmente o único porto de pesca do País que mantém esta tecnologia centenária, mas adaptada às exigências tecnológicas do nosso tempo, e produtora do peixe de maior qualidade..

AR

ntónio obalo

Há uma década em Angola, António Robalo foi inicialmente trabalhar como mestre de pesca para uma empresa do Namibe (antiga Moçâmedes). Esteve ali durante 4 anos. Regressou depois a Sesimbra por 2 anos, com a ideia de regressar, mas agora para trabalhar por conta própria. No regresso levou um camião, e também

Pesca em Sesimbra Cerco e artesanal dominam em quantidade e valor, respectivamente A pesca descarregada no porto de Sesimbra durante o ano de 2011, segundo os dados da Docapesca, teve um aumento de 38% em quantidade, relativamente ao ano anterior. Em valor, o aumento foi de apenas 8,5 %. Mais uma vez se verificou que a maior quantidade de peixe capturado se traduziu em preços mais baixos, perdendo os pescadores parte da riqueza que ajudaram a criar com os seus investimentos e o seu trabalho. O preço médio, ao longo do ano de 2011, para

todas as espécies, foi de 1,21 €/kg, inferior aos 1,53 €/kg de 2010. Uma das conclusões a retirar destes números, é que o sector da pesca continua muito produtivo em Sesimbra, augurando um bom futuro para este sector, produtor de um alimento de grande qualidade. A outra lição é a de que continua a ser necessário investir em infraestruturas de conservação e em circuitos de comercialização que não deixem baixar o valor do peixe quando ele é capturado

em maior quantidade. No gráfico seguinte pode ver-se a evolução da pesca descarregada em Sesimbra ao longo dos últimos quatro anos, segundo o tipo de pesca: cerco, artesanal, e arrasto. A maior quantidade de peixe que chega ao porto de Sesimbra (65%) deve-se à arte do cerco. Mas, em valor monetário, é a pesca artesanal que fica em primeiro lugar, com 73% do total. O arrasto contribui apenas 6,2% da quantidade, e 7,7% do valor. Apesar das crises que teve


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O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012


O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

Campeonato de Natação de Inverno Realizou-se no passado 1 de Fevereiro, mais uma iniciativa do Campeonato de Natação de Inverno, na piscina do complexo do Grupo Desportivo de Sesimbra. Pela terceira vez, o concelho de Sesimbra foi anfitrião deste evento, organizado pelo Special Olympics Portugal e pela Cercizimbra, que contou com a participação de 67 atletas da Cercizimbra, Cercima, Cercica, Cercitejo, Sporting Club de Portugal (Desporto Adaptado), Cedema, Colégio das Descobertas, APPACDM, Colégio das Descobertas e Liga dos Deficientes Motores. A prova contou também com o apoio de 6 voluntários, da turma do 8º ano PCA da EB 2,3 de Santana, que como juízes de pista, tiveram um papel importante no apuramento dos resultados. Para participar neste evento, os atletas tiveram que ser orientados por um treinador, estar inscritos no Special e frequentar regularmente a actividade de natação. Regina Costa, directora executiva do Special Olympics Portugal, explicou que “existem duas prespectivas essenciais, a motivação e estímulo para a competição e a observação dos atletas para integrarem a selecção nacional.” Numa iniciativa em que cada prova é uma final, apesar dos atletas serem classificados, todos são medalhados, onde “a filosofia, desta prova, é a participação e não os tempos alcançados” conforme afirma Luís Peixoto, técnico de educação especial e reabilitação da Cercizimbra. Jovita Lopes

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Motocross - Miguel Gaboleiro

#172 regressa em força

Miguel Gaboleiro, apontado como um dos principais candidatos ao título na classe MX2, divulgou-nos alguns pormenores da sua carreira no motocross. 2011 revelou-se um ano de azar para o piloto sesimbrense, que, devido a uma lesão no joelho, logo na fase inicial do campeonato, o impossibilitou de competir. Já recuperado, Miguel preparou a época de 2012 com empenho e muita dedicação e é novamente de Kawasaki que vence, a 12 de Fevereiro, o Campeonato Inter-Regiões em Santarém. “Esta foi sem dúvida uma das provas que me deu mais gozo ganhar. Não só porque foi com uma mota que nos deu muito trabalho, também porque era uma prova importante composta pelos pilotos do norte, do centro, do sul, Madeira e Açores, mas principalmente porque tinha estado muito tempo parado e com muita vontade de competir”, afirma Miguel. Para tal é necessário o apoio de patrocinadores, sem dúvida que sem eles não poderia competir, no entanto o piloto assume que a família tem um papel muito importante na competição, quer na logísitica,

quer em termos de apoio emocional. Desde o final de 2009 que Miguel Gaboleiro está integrado na R&R Moto, a única equipa que lhe possibilitou trabalhar as motos como ele gosta, porque “além de serem muito dedicados, despendem muito do seu tempo comigo. O Rogério, a Ana e a sua equipa têm sido uma peça fundamental”, afirma. Quanto aos seus treinos, são diários, se bem que de mota apenas treine uma vez por semana. Além da actividade física exigida, Miguel propõe-se treinar boxe, como complemento de preparação à competição de motocross. No ano transacto, pelo facto de estar parado na prática motorizada, ainda participou em alguns campeonatos de boxe que lhe deram o título de campeão regional e o 3º lugar no campeonato nacional. O gosto por esta modalidade surgiu naturalmente embora o seu pai, três vezes campeão nacional, nunca o tivesse encorajado para a prática do boxe. Na sua opinião o que falta ao motocross para ser mais visível não é a espectacularidade, mas sim pessoas interessadas em dinamizar as corridas e os eventos. Era necessário haver equipas profissionais de motocross,mas para isso também teria que haver muitos patrocinadores… Miguel Gaboleiro, não se consegue dedicar na totalidade ao motocross, no entanto afirma que “neste momento é quase a minha profissão. Eu trabalho mas depois todo o resto do tempo é dedicado à modalidade”. De futuro, o jovem sesim-

brense pretende arranjar mais apoios e dedicar-se a 100% à modalidade. Começou por optar pelo #72, desde a classe de iniciados, por ser o número de César Peixe (o seu ídolo e treinador na altura). Mais tarde, numa deslocação a França, foi-lhe atribuído o #172 e a partir dai é sempre com este número que faz questão de competir. “Se ficar em primeiro faço questão de ficar com o #1, até porque as regras assim o ditam. Caso contrário optarei pelo meu número de sempre!” Ainda este ano, Miguel pretende competir no Campeonato nacional espanhol, mas é no campeonato português que o piloto centra todas as suas atenções, tendo como principal objectivo ser campeão nacional. Jovita Lopes

Miguel entra a ganhar na nova temporada do Nacional Foi em Santarém que Miguel Gaboleiro bateu a concorrência nas corridas MX2 e Elite do Campeonato Regional Centro-Sul/ Rómoto, que coloca em confronto pilotos dos quatro Campeonatos Regionais existentes, Centro-Sul, Norte, Açores e Madeira, classificandose nas provas em primeiro lugar. Os concorrentes das classes Elite, MX1 e MX2 ao “Regional” iniciaram deste modo a sua campanha de 2012, cujo calendário integra cinco jornadas, sendo a próxima já no dia 25 de Março na Póvoa de S. Miguel (Moura) e as seguintes a 22 de Abril na Arruda dos Pisões (Rio Maior), a 13 de Maio em Alcobaça e a 03 de Junho na Raposa (Almeirim).


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O SESIMBRENSE | 29 DE FEVEREIRO DE 2012

O SESIMBRENSE

Espigas da Azoia

Produtos tradicionais de fabrico próprio e artesanato

Na Azoia abriu a “Espigas – loja de pão e produtos regionais”, uma iniciativa de Eugénio e Maria Luís Marcelino, levada a cabo com apoio do programa de Desenvolvimento Rural e da ADREPES. Trata-se do mesmo espaço onde funcionou durante décadas a conhecida ”taberna do Luís do Pedro”, estabelecimento tradicional, misto de taberna e mercearia, e em cujo 1º andar funcionava um salão de baile. O novo estabelecimento, inaugurado na Páscoa de 2011, tem fabrico próprio do pão, em forno de lenha, mas confecciona igualmente broas,

biscoitos, bolos, batata-doce e farinha torrada (um produto muito associado aos pescadores de Sesimbra, mas que também era popular no campo: Maria Luís Marcelino recorda-se que quando a sua mãe cozia o pão, incluía sempre um tachinho com farinha torrada). Para além do fabrico próprio, a nova loja vende ainda produtos locais e de artesanato, tais como os queijos da Azoia, da sua familiar Inês Marcelino. Vende também compotas, mel da Dona Visitação – uma conhecida produtora local de agricultura biológica – e artesanato de André Semblano e telhas da Dona Armanda.

Já se encontra em andamento o Finisterra Film Festival, que terá lugar entre 22 de Maio e 3 de Junho próximos, tendo já assegurado o alargamento das suas manifestações (projecções de filmes, mas também exposições, conferências, etc.) a Setúbal, Palmela e Lisboa – neste último caso através da utilização das docas de Santo Amaro. Toda a informação pode ser consultada na sua página oficial: http://www.ipa.univ.pt/finisterra/ O Festival conta com o apoio do Instituto Português de Estudos Politécnicos (enquanto co-organizador), e também de empresas e entidades locais: Vertente Natural, Sesimbra FM, Sesimbra TV, Jornal de Sesimbra, jornal Sem Mais, e o jornal O Sesimbrense. Entre as empresas apoiantes encontram-se o Gliese Bar e a Turibolsa, para além do Turiforum. Uma das linhas de força do Finisterra é o da sua associação à Candidatura da Arrábida a Património da Humanidade, pela UNESCO, apresentando-se o festival como um dos principais promotores da candidatura, numa parceria com a Associação de Municípios de da Região de Setúbal. O Finisterra também alargou o âmbito do festival a Setúbal e Palmela,

Finisterra em marcha destacando-se a parceria, de promoção recíproca, com a iniciativa “Palmela, Cidade Europeia do Vinho 2012”. Uma das realizações destacadas pela organização é o facto de já ter conseguido, numa primeira fase, a colaboração de todos os hotéis de Sesimbra que contribuíram gratuitamente com quartos para alojamento dos vários convidados que espera receber durante o Festival: “realizadores, jornalistas de cinema e de turismo, nacionais e internacionais, que acompanharão os premiados e certamente promoverão o festival e a região que os convidou”. Também as três autarquias que apoiam o Finisterra - Sesimbra, Palmela e Setúbal – poderão beneficiar duma oportunidade de promoção nacional e além-fronteiras, pois, graças à cedência do Espaço Docas, nas docas de Santo Amaro em Lisboa, as autarquias terão a possibilidade de mostrar produtos, empresas de turismo, restauração e hotelaria, assim como toda a riqueza cultural e natural dos seus municípios: durante 12 dias a Arrábida e o Cabo Espichel estarão representados na capital de Portugal. Segundo a organização, o Finisterra “vai sensibilizar o público para a urgência da preservação da Arrábida e Cabo Espichel” O Júri que apreciará os filmes a concurso terá como presidente Carlos Alberto Henriques, um dos profissionais mais credenciados e prestigiados da televisão e um dos “pais” do 3D em Portugal. Os outros membros serão Concha Pelayo, escritora e jornalista de turismo da Extremadura Espanhola, e os realizadores, Carlos Coelho da Silva, Mário Patrocínio, Elvis Veiguinha, Carlos Alberto Henriques.

O Sesimbrense - Edição 1159 - Fevereiro 2012  

O Sesimbrense - Edição 1159 - Fevereiro 2012