2022 - Notícias - Julho/Agosto

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NOTÍCIAS ProvínciaFranciscanadeSantoAntôniodoBrasil Julho - Agosto / 2022 - Ano LXVII nº 508


Editorial

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Mensagens Mensagem do Ministro Geral para a Festa de Santa Clara Mensagem do Ministro Geral para a Festade Santa Beatriz da Silva Vida Fraterna

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SUMÁRIO

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Frades da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil se reúnem em Lagoa Seca para primeiro Retiro Provincial 2022 Fraternidades da Bahia realizam Encontro de Casas Vizinhas Formação Jovens aspirantes são admitidos à etapa do Postulantado da Província Onze frades de Profissão temporária renovam Conselhos Evangélicos Frei Faustino dos Santos volta ao Brasil após um período de sete meses nos EUA Partilha do Frei Lorrane sobre a marcha franciscana e renovação dos seus votos no México

17 Frei Elivânio Luiz e Frei João Pedro fazem seus votos perpétuos impelidos pelo desejo de se revestirem do homem novo

21 Província Santo Antônio realiza o V Congresso de Formação e Estudos 30 Vocação Missão Paróquia de São Francisco de Assis em Campina Grande celebra 70 anos de ereção

31 32 Convento São Boaventura de Triunfo celebra seu Padroeiro 32 Nossa Senhora dos Anjos é celebrada em Penedo Francisco nos ensina a viver a sabedoria do Evangelho" é o 34 "São tema da Festa de São Francisco das Chagas de Canindé de 2022 35 Alto da Conceição em Mossoró celebra a festa dedicada a Imaculada 36 Encontro de Párocos e Leigos acontece em Canindé no Ceará 38 Santuário de Canindé celebra os 600 anos da Coroa franciscana Romualdo: O Martírio de João Batista é um sinal de conversão 39 Frei para todo nós histórico dos 365 anos da Província a serviço da Ordem e da 40 Esboço Igreja no Brasil

42 Formação Permanente

Família Franciscana Maria Francisca da Santíssima Trindade celebra 25 anos de 45 Irmã Profissão Religiosa 47 XXXIX Capítulo Eletivo Nacional da Ordem Franciscana Secular Patrimônio 49 Juntos pelo Parque das Religiões 51 Obras Sacras roubadas, voltam ao Convento de Santo Antônio em Recife

Igreja e Ordem Decreto do papa que autoriza irmãos de vocação laical serem superiores é uma volta as origens do movimento Franciscano

52 53 Conferência franciscana Brasil e cone sul se reúnem em Assunção, no Paraguai 54 “Cuidemos da Amazônia”, pede Cardeal Leonardo Steiner o caderno que reúne reflexões, discursões e compromisso 55 Conheça com a política


EDITORIAL

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aríssimos Confrades e Leitores,

Com alegria apresentamos o nosso novo número da Revista bimestral NOTÍCIAS. Essa nossa Revista que tem buscado cada vez mais ficar com o rosto da nossa Província, está em sintonia com os nossos outros veículos de comunicaçação tais como nossas redes sociais e canais de conteúdo, como o nosso website. Queremos que esse material sirva como uma fonte de informação e compilação das principais atividades e feitos em cada bimestre no território da Província. O Notícias é, sem dúvida, um trabalho minucioso e de dedicação, mas todo esse esforço é feito para que os confrades e interessados possam ter um material agradável e acessível. Nesse número que compreende os meses de Julho e Agosto de 2022, a edição nº 508 está repleta de informações e matérias. Podemos dizer que são os meses onde mais atividades são desenvolvidas em âmbito provinical: encontros, retiro, profissões, renovações, festas etc. Poderíamos fazer vários destaques sobre as notícias desse bimestre, mas deixamos que cada um passei pela nossa revista e faça um processo de descoberta e deliciamento, seja na leitura da Profissão Solene dos Freis Elivânio Luiz e João Pedro, seja na festa de Santa Clara, ou ainda em outros importantes eventos que marcaram a vida da Província como o V Congresso de Formação ou o Retiro Provincial. Agradecemos a disposição para leitura e apreciação do trabalho da Equipe Provincial de Comunicação em parceria com todas as Pascoms dos Conventos e Paróquias por nos ajudar a tornar esse material possível. Boa Leitura! Equipe de Comunicação Provincial


Mensagens

CARTA DO MINISTRO GERAL ÀS IRMÃS POBRES POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DA MÃE SANTA CLARA 2022

GRATAS HOJE PELO DOM DA VOSSA VOCAÇÃO! Caras Irmãs, o Senhor vos dê paz! A solenidade da mãe Santa Clara retorna neste ano marcada, não apenas pela pandemia, mas também pela guerra na Ucrânia e por outras formas de conflito, de tensão social e de crise climática e econômica em tantos países do mundo, onde vós, irmãs pobres, e nós frades estamos presentes e vivemos a nossa vocação e eleição. Por isso, também neste ano, somos interpelados a perguntarnos novamente qual é o centro da nossa vocação e como esse pode irradiar luz e esperança neste tempo difícil. Em vista disso, fiz voltar à memória, por meio de uma leitura orante, o Testamento de Santa Clara, e quero colher convosco algumas passagens que, a meu ver, ajudam-nos a dizer uma palavra importante na busca por um ponto de síntese, capaz de proporcionar-nos uma unificação dos muitos elementos constitutivos da vocação e eleição recebida. Parece-me que este ponto pode sintetizar-se assim: “ter cuidado”, viver, portanto, com vigilância e atenção ao dom recebido, deixá-lo crescer para o bem da Igreja, peregrina entre os seres humanos. No Testamento, Clara dá-nos algumas palavras para esse “ter cuidado”. «Entre outros benefícios que temos recebido e ainda receberemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia (cf. 2 Cor 1, 3) e pelos quais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida. ». (TestC 2-3)

Clara expressa ao Pai, por intermédio de Francisco, a gratidão por sua vocação, que acolhe com as suas irmãs como um dom que vem do alto. Pergunto-me convosco o quanto esta consciência acerca do dom recebido e que deve ser restituído ao Pai, mediante uma vida de misericórdia e de alegria, esteja viva em nós. Nas diferentes realidades em que vivemos, naquelas que têm o dom de vocações e naquelas que não o têm, nas situações mais tranquilas e naquelas mais tensas a nível social, onde as repercussões de uma mudança cultural de mentalidade atingem-nos, estamos conscientes que respondemos a um dom recebido, que não nos damos, mas que acolhemos e que somos chamados a acolher e a restituir na gratidão e na alegria? É esta disponibilidade que nos abre o caminho para que a nossa vocação permaneça viva e fecunda hoje.

«Depois que o Altíssimo Pai celestial, por sua misericórdia e graça, dignou-se iluminar meu coração para fazer penitência segundo o exemplo e ensino de nosso bem-aventurado pai Francisco (...), como o Senhor nos concedera pela luz da sua graça através da vida admirável e do ensinamento dele». (TestC 24;26) Clara fala de uma “iluminação do coração”, que recebeu do Pai, e de uma “inspiração” que nela amadureceu mediante o exemplo e a palavra do pai São Francisco: esses dois elementos, essenciais em cada vocação, devem ser custodiados durante toda a vida. Vocação é dom, mas não simplesmente dado, uma vez por todas, mas que cresce por meio de um cuidado constante. Daí necessitarmos expor-nos continuamente à presença e à

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Mensagens palavra do Senhor para receber esta iluminação do coração, sob cuja luz podemos reconhecer a verdade da vida a que somos chamados, a inspiração que a move. Ter cuidado quer dizer custodiar a presença e a voz do Espírito do Senhor em nós, permanecer atentos aos caminhos que temos de percorrer para viver hoje, de modo dinâmico, a nossa vocação. Aprendamos a cuidar da luz e da inspiração que o Senhor não cessa de semear abundantemente entre nós. Não reduzamos o carisma e a vocação a uma série de regras a serem observadas ou a uma mudança contínua de modalidades e expressões, porque o cuidado pede fidelidade, atenção, crescimento em profundidade, nutrimento das raízes.

«Depois, escreveu para nós uma forma de vida, principalmente para que perseverássemos sempre na santa pobreza (...), para que depois de sua morte não nos desviássemos dela de modo algum, como o Filho de Deus, enquanto viveu neste mundo, não quis jamais afastar-se da santa pobreza ». (TestC 33-34 ) Nesta passagem do Testamento, Clara reúne o coração da sua vocação no «seguir a vida e a pobreza de nosso altíssimo Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe santíssima» (RSC VI,7), e Francisco foi claro ao indicar este caminho aos irmãos e às irmãs. Na linguagem de Francisco e de Clara, isso significa, sabemo-lo bem, seguir o movimento da encarnação, na qual o Filho de Deus humilhou-se, e o movimento da Paixão, aquele do amor que se inclina para lavar os pés. Esta pobreza do Filho de Deus toma forma na escolha de uma vida que renuncia às garantias de rendas e seguranças mundanas, para manter-se como peregrinas e forasteiras mesmo no reduzido espaço de um mosteiro. Um caminho radical de expropriação, nos passos d’Aquele que escolheu viver sem nada de próprio, renunciando a ser até mesmo como Deus, para entregar-se totalmente e com confiança ao amor do Pai. Ter cuidado dessa pobreza, no movimento profundo do amor, pode levar a escolhas muito fortes, capazes de deixar garantias e seguranças. Parece-me que isso signifique redescobrir ainda o trabalho como fonte de sustento, compartilhar a vida de muitos que não têm garantias – e não por escolha deles –, rever a relação com tudo o que nos dá garantia, principalmente o dinheiro. Esta é a alternativa evangélica às muitas garantias que com frequência buscamos. Clara foi uma mulher livre, não teve medo de confiar, de ficar mesmo sem pão, a fim de experimentar a providência e o cuidado que o Senhor tinha por ela e por suas irmãs. Recebemos este cuidado e, por isso, podemos aprender a cuidar também da nossa vocação. Essa tarefa do cuidado cabe também a nós, vossos irmãos, e vós nos recordais disso. Clara confia esta custódia à Igreja, a Francisco e aos seus sucessores. Ela sabe que sozinha, que as irmãs sozinhas não podem custodiar um dom assim tão grande. E, ao mesmo tempo, nós, vossos irmãos, não podemos fazê-lo sozinhos, porque necessitamos de uma pertença maior que é aquela à Igreja, Povo de Deus, e também à nossa família toda inteira. Considero, por isso, o quanto seja JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Mensagens importante para a custódia da vossa vocação e pobreza a pertença à Ordem, a comunhão com as outras irmãs por meio da federação e também através da Ordem compreendida em sua inteireza. Ninguém se salva sozinho, somos interconectados, como a Laudato sii do Papa Francisco diz-nos de modo muito claro, e tudo isso é nomeado de custódia e de cuidado pelo dom mais precioso que temos, aquele da nossa vocação e eleição. Este cuidado do dom da nossa vocação refere-se não somente a nós hoje, como diz Clara, inclui também as irmãs que virão. A vocação é um dom que recebemos não somente para nós, durante os poucos anos que nos são dados, nem somente para este ou aquele mosteiro. É um dom que nos precedeu e que viverá mesmo depois de nós e não está vinculado às paredes de um edifício ou a uma comunidade, mas sim à forma de vida. Nos dias de hoje, em que muitos mosteiros têm de fechar suas portas, muitas vezes após séculos: tenhamos confiança! Confiemos no Pai das misericórdias que se mantém fiel. O dom da vocação está vivo, e também todo o bem realizado pela comunidade perma-necerá mesmo depois que essa deixe de existir e viverá com e nas outras irmãs. Basta pensar nos mosteiros que são abertos e florescem em muitos países do mundo: a nossa vocação está viva! Quanta liberdade nos é doada nessa abertura do coração, o quanto ensina-nos a viver sem nada de próprio e a restituir ao Pai tudo que temos recebido!

«E amando-vos umas às outras com a caridade de Cristo, demonstrai por fora, por meio das boas obras, o amor que tendes dentro, para que, provocadas por esse exemplo, as Irmãs cresçam sempre no amor de Deus e na mútua caridade». (TestC 59-60)

Clara indica às irmãs a via do amor e do cuidado recíproco como a estrada apropriada para custodiar-se o dom da vocação e eleição. Vós viveis, caras irmãs, uma realidade muito forte e concreta de fraternidade. Compartilhais tudo durante uma vida inteira, aprendeis a conhecer-vos e a participar da vida, da busca e do cotidiano de cada uma das irmãs. A esse respeito, vós tendes muito a ensinar-nos! Este amor fraterno tem de ser custodiado, porque a sua raiz é teologal e não se reduz a uma humana simpatia ou afinidade. Este amor é feito de gestos concretos, de cuidado e de custódia cotidiana e, hoje, de modo especial, solicita de nós a atenção à vivência humana, afetiva e espiritual de cada uma das irmãs. Estamos muito mais conscientes hoje acerca da complexidade que compõe o ser humano e, por isso, sabemos que somos chamados a cuidar de toda a pessoa, na sua integridade. Isso aplica-se ao tempo da formação inicial e, especialmente, ao longo de todo o caminho que cada irmã vive, nas diferentes idades da vida, e que afeta o caminho de cada mosteiro. Chegando à conclusão do que desejei dizer-vos este ano, retomo as palavras de Clara, que rematam o Testamento e que compõem-se enquanto uma oração e uma admoestação. Na oração, confiamos, com Clara, tudo ao Pai do Nosso Senhor Jesus, mediante a Virgem Maria, forma da vida das Irmãs Pobres, com o olhar voltado para Francisco, que continua a custodiar a vossa vocação. Nessa gratidão, Clara admoesta-nos a crescer e a perseverar no bem, a permanecer, portanto, abertos e atuantes na resposta à nossa vocação. Sabemos bem que toda vida e, portanto, também a vida segundo o Espírito e de nossa vocação, se não cresce, paralisa e morre. O cuidado que aprendemos a cultivar um em relação ao outro proporciona justamente que todos respondamos com vitalidade, de acordo com a vontade de Deus, ao bem mais precioso que recebemos, aquele da nossa vocação e eleição. E manter-se nesse caminho, julgo ser o modo mais verdadeiro para atravessar este tempo difícil, onde tudo parece entrar em colapso e exterminar o futuro. Clara convida-nos, em vez disso, a olhar em frente, a não parar. Na medida em que crescemos nesta esperança, tornamo-nos fermento no mundo, que necessita dessa esperança mais do que nunca. Com esta oração e a bênção da própria Santa Clara, deixo-vos e desejo que vivais a festa dela de modo luminoso e intenso, contando com sua poderosa intercessão, junto do Pai, pela Igreja,

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Mensagens pelo mundo, pela paz, por nossa família que tanto necessita ser confirmada e crescer no dom da sua vocação.

«Por isso, dobro os joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Ef 3, 14) para que, pela intercessão dos méritos de sua Mãe, a gloriosa Virgem Santa Maria, de nosso bem-aventurado pai Francisco e de todos os santos, o Senhor que deu o bom começo dê o crescimento (cf. 1Cor 3, 6.7) e também a perseverança até o fim. Amém. » (TestC 77-78). Confirmo-vos a minha proximidade e cuidado de irmão, com a minha afetuosa saudação e com a bênção de São Francisco Frei Massimo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

CARTA DO MINISTRO GERAL ÀS IRMÃS DA ORDEM DA IMACULADA CONCEIÇÃO NA SOLENIDADE DE SANTA BEATRIZ DA SILVA 2022

«SERVIR A DEUS E À SANTA MARIA NO MISTÉRIO DA SUA CONCEIÇÃO» Caras Irmãs Concepcionistas, o Senhor dê-vos paz! Dirijo-me a vós com profundo respeito e afeto por ocasião da festa litúrgica de Santa Beatriz da Silva, iniciadora e fundadora de vossa forma de vida na Igreja.Refleti pessoalmente a partir de uma frase que incorpora o carisma que recebestes na Igreja por meio de vossa mãe e as irmãs que o viveram: «servir a Deus e à Santa Maria no mistério da sua Conceição »; comento-a com as minhas palavras que, espero, venham ao encontro da vossa particular sensibilidade carismática, dom para a nossa Família Franciscana e para toda a Igreja. Com a expressão “servir a Deus” abrange-se toda a espiritualidade batismal do cristão. É no batismo, com efeito, que passamos da escravidão do pecado para o serviço do Deus Altíssimo, que nos torna capazes de crer, esperar e amar. A vossa vocação de Concepcionistas não é singularmente uma chamada à gratuidade, à liberdade do serviço de amor ao Pai das misericórdias? A Imaculada não é, porventura, fruto da liberdade soberana de Deus na teologia franciscana, de modo especial para o Beato Duns Scotus? Essa vocação acompanha-nos no caminho dos amigos, e não dos servos, como diz Jesus (Cfr. Jo 15,15), e isto vale também para vós. Em uma vida gradualmente simplificada, por que libertada de tantas coisas supérfluas, e dedicada ao essencial, vós experimentais a alegria da relação de filhas do Pai Celeste, que vos tornou livres para amar, sem fronteiras. Este é o caminho para crescer no serviço de Deus, livre e amoroso. O ritmo da oração, do trabalho, da vida fraterna, da formação e estudo, da relação com o mundo externo, nas maneiras simples que conheceis: tudo ajuda-vos a amadurecer a liberdade do serviço de Deus. Como podemos unir o serviço a Deus e aquele à Santa Maria, como diz Santa Beatriz? Creio que com essa expressão queira manifestar a proximidade totalmente única de Maria ao Senhor, enJUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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quanto pura obra de Sua graça. Servir ao Senhor e à Santa Maria conduz-nos ao coração da vocação cristã e faz-nos crescer na relação com o Senhor mediante a oração, na liberdade de amar graças à caridade fraterna, à obediência, à pobreza e à castidade vivida alegremente: Maria está presente no interior da nossa vida cristã e comunga com essas dimensões, de acordo com sua resposta, que é plenamente transparente pelo dom da graça que desde sempre revestiu a sua existência. Servir a Deus e à Santa Maria na sua Conceição: uma vez que é precisamente no mistério da sua vida de «cheia de graça» (Lc 1,28) que encontramos o núcleo da vida cristã e religiosa, que vós abraçastes livremente. De que modo a Imaculada Conceição ilumina tudo isso?Parece-me que em um modo tríplice: - Receber o dom da vocação enquanto um dom que nos precede e nos acompanha; - Viver o Batismo, plenitude da graça, na forma de vida vocacional; - Fazer nossos os sentimentos de Maria, como caminho de conformação ao Senhor. Retomo cada um desses pontos. A Virgem Maria foi revestida, por pura graça, da presença do Senhor, e isso a fez totalmente dedicada a Ele, imersa n’Ele e, por isso, transparente da própria beleza de Deus, da qual é reflexo. Esta realidade não é um privilégio individual de Maria, antes faz-nos contemplá-la como «Virgem feita Igreja» (SVM, 1): Maria é a única criatura em que a obra do Cristo Senhor cumpriu-se em plenitude e, por isso, Ela é já o que a Igreja é chamada a tornar-se. N’Ela vemos o nosso destino, consumado e, portanto, possível. O imenso dom feito a Maria foi em vista da maternidade divina e, portanto, referido a cada um de nós, chamados a tornar-nos filhos no Filho, o Verbo feito carne no seio da Bendita entre todas as mulheres. Maria recebeu junto com o dom da vida aquele da vocação, n’Ela admiravelmente unidos. Toda voltada para Deus, acolheu a chamada para viver a sua vida como vocação à santidade, recebida como dom e acolhida como caminho contínuo de fé e de amor. Servir a Deus e à Santa Maria na sua Conceição significa para nós, então, e, de modo particular, para vós, irmãs caríssimas, viver toda a nossa vida como vocação. Esta não é obra de nossas mãos, antes a recebemos como um dom, a fim de transformar a nossa vida, conformando-a aos sentimentos de Cristo Jesus, que podemos reconhecer de modo único em Maria. Crescer na resposta constante ao dom da vocação, ao longo de todas as diferentes idades da vida, significa servir a Deus da vocação, ao longo de todas as diferentes idades da vida, significa servir a Deus na liberdade dos filhos, movidos pelo Espírito, que plasmou em Maria a resposta plena a esse dom. Esta resposta ao dom da vocação é fruto e expressão da força do Batismo em nós. Graças ao banho batismal tornamo-nos «em amor santos e imaculadosa seus olhos» (Ef 1,4). A nossa vocação


Mensagens está enraizada no Batismo: somos cristãs e cristãos e esta é a nossa primeira e fundamental consagração. Viver a novidade batismal significa para São Francisco que «sobre todos aqueles e aquelas que fizerem tais coisas e perseverarem até ao fim, pousará o Espírito do Senhor (cfr. Is 11,2), e Ele fará neles habitação e um lugar de repouso (cfr. Jo 14, 23); e serão filhos do Pai celestial (cfr. Mt 5, 45), cujas obras realizam. E são esposos, irmãos e mães (cfr. Mt 12, 50) de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma fiel se une pelo Espírito Santo a Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus (Mt 12, 50); somos mães, quando o trazemos em nosso coração e nosso corpo (cfr. 1Cor 6, 20) através do amor e da consciência pura e sincera; damo-lo à luz por santa operação que deve brilhar (cfr. Mt 5, 16) com exemplo para os outros ». (2 Carta aos Fiéis, 48-53). Nessas palavras, encontramos o caminho para viver o nosso Batismo como consagrados no seguimento de Jesus. A Virgem Imaculada está presente no interior da vida cristã e acompanha-nos nesses passos. Parece-me que isso signifique para vós, de modo particular, irmãs caríssimas, experimentar esta presença de Maria e dela tornar-se sinal na Igreja mediante a vossa vida contemplativa. Eis-nos, então, no terceiro ponto: a vossa vida como um assimilar os sentimentos de Maria, enquanto caminho para a conformação ao Senhor Jesus. Proponho-vos mais três passos: - Santa Maria acolheu a Palavra de Deus em toda a sua realidade de mulher e de fiel, e isso tem muito a dizer à vossa particular forma de vida. A vida contemplativa, com efeito, nutre-se precisamente dessa escuta atenta, que dá qualidade à oração litúrgica e pessoal, bem como a toda a vida segundo o Espírito. Escuta do Senhor, escuta sincera de si mesmo, escuta dos outros e do gemido da criação: precisamos verdadeiramente crescer nisso tudo, sobretudo no momento atual em que toda a Igreja acolheu a chamada a um caminho sinodal de escuta recíproca, a fim de testemunhar o Evangelho nesta mudança de época. - Santa Maria escuta a voz do Senhor com toda a sua personalidade de mulher, sabe colocar-se questões e, levando tudo isso a bom termo, pronuncia seu Sim incondicional. Mergulhar nos seus sentimentos, impulsionavos a responder, como mulheres, ao dom da fé e da vocação, cuidando integralmente da dimensão humana, espiritual e carismática. - Santa Maria, em suma, segue os passos do Seu Filho, é Sua primeira discípula, até junto à Cruz. Ela viveu sua fé permanecendo sempre a caminho, atravessando as decisões que lhe eram exigidas pouco a pouco. Fortalecida pela santidade de Deus, viveu em plenitude os sentimentos humanos e mostra-nos como seja possível manter-se firmemente nas pegadas de Seu Filho com toda a nossa humanidade. Servir a Deus e à Santa Maria no mistério de sua Conceição inaugura, então, tantas perspectivas, certamente mais amplas e ricas do que aquelas que pude brevemente evocar. É a vossa vida cotidiana, enquanto resposta, durante séculos, a esse dom carismático na Igreja, que expressa, do melhor modo possível, tanta riqueza. Com esses sentimentos, desejo-vos, de todo o coração, uma feliz celebração da memória anual de vossa Mãe Santa Beatriz da Silva. Na medida em que mantendes vivo o dom da sua e vossa vocação na Igreja, peregrina no mundo, procurais acolhê-lo e respondê-lo sempre de novo com todo o entusiasmo de vossa vida. Que a Bênção de São Francisco possa sustentar-vos nessa resposta e fazer-vos sentir a proximidade fraterna de nós, vossos irmãos. Sou muito agradecido aos freis, que vos assistem e acompanham, e a todas vós pela disponibilidade em caminhar conosco no dom evangélico da vocação. Saúdo-vos de sincero coração como irmão vosso, e acompanho-vos com cuidado em minha oração, pedindo-vos, ao mesmo tempo, a caridade de recordarem-se de rezar pelo meu serviço e pela Ordem. Frei Massimo Fusarelli, ofm Ministro Geral JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Vida Fraterna

Vocação

FRADES DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL SE REÚNEM EM LAGOA SECA PARA PRIMEIRO RETIRO PROVINCIAL 2022

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Convento de Santo Antônio de Ipuarana, em Lagoa Seca/PB, recebeu de 18 a 23 de julho cerca de cinquenta frades provenientes de diversas fraternidades da Província Santo Antônio com o propósito de viver o seu Retiro Anual. Esse momento foi de vital importância para um reencontro com a Graça de Deus que fala a nós no silêncio e no recolhimento.

Foram dias de reflexões profundas, de fraternidade, de partilhas da vida e da caminhada, de celebrações fortes e marcantes. Não conseguiríamos resumir o quão frutuoso foi esse encontro espiritual para os seus participantes, mas podemos ter uma noção do quão propício foi parar neste momento diante das tantas ações cotidianas que são assumidas pelos frades. O Retiro Provincial deste ano teve como tema norteador “Eucaristia: Misericórdia tão amável, Amor tão misericordioso”. Foi assessorado por Frei Inácio Delazzari, OFM, da Província São Francisco de Assis, do Rio Grande do Sul. Muitos assuntos foram abordados e iluminaram as reflexões nos dias de retiro. No primeiro dia, Frei Dellazari introduziu o tema fazendo os participantes compreenderem o valor da Eucaristia em todos os aspectos da vida. É preciso, portanto, aprofundar a compreensão numa perspectiva ampla pois a Eucaristia é banquete que reúne para uma vida nova, para a fraternidade e minoridade de um Deus que sempre mais se entrega aos seus irmãos num gesto genuíno.

O segundo dia foi convidativo para, assim como o Apóstolo Filipe (Jo 14, 8), querer conhecer o Pai grandioso anunciado por Jesus e que a Vida Religiosa também deve anunciar, como homens e mulheres apaixonados, encantados por Deus, mergulhados em sua grandeza e seu mistério. Ao conhecer esse Deus grandioso, em contramão àquilo que é mais compreensível para os olhos humanos, Ele se deixa encontrar presente na singeleza de uma família pobre, sendo filho de uma virgem e um carpinteiro, envolto em faixas e posto numa manjedoura que lhe serviu de berço. Instigados pelo assessor, Frei Inácio Delazzari, viu-se que conhecemos Deus a partir da humanidade, dos gestos pequenos, mas, significativos de Cristo, a imagem do Deus Invisível. No terceiro dia de Retiro motivou-se pela refleção da graça do olhar contemplativo que permite enxergar a Eucaristia e toda a criação com um olhar diferente. Frei Inácio Dellazari recordou a letra de uma bonita canção do cancioneiro católico latino-americano que canta “Dizei-me como ser pão, como

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Igreja e Ordem

Vida Fraterna

ser alimento, que sacia por dentro, que traz a paz, que cura a injustiça, que cria liberdade”. Esse canto ajuda a compreender que também nós devemos ser pão para os nossos irmãos, para a Igreja do Senhor que sofre, que passa fome. Isso é Boa Nova de Deus para nós que estamos num país marcado pela desigualdade que leva a mais de 33 milhões de famílias para uma situação de miséria, que mata a vida de tantas minorias e de defensores da vida. Que essa reflexão nos ajude a perguntar ao Senhor como ser pão nessa realidade.

As reflexões do quarto dia do Retiro Provincial teve como ponto de partida o Amor. Esse Amor que anima a construção do Reino de Deus; que acompanhou e instruiu o Povo durante a passagem pelo deserto no Antigo Testamento e que se plenificou pela humanidade de Jesus Cristo que não veio para abolir a Lei e os Profetas, mas que veio trazer pleno cumprimento, qualificação, o seu jeito novo de ser, de agir, de ensinar, de estar próximo. Instigados pelo assessor Frei Inácio Delazzari, viu-se que esse mesmo Amor plenificado por Jesus Cristo destruiu regimentos antigos como a Lei de Talião que estabelecia uma rigorosa reciprocidade doentia de “olho por olho, dente por dente”, substituindo-a pelo ensinamento de dizimar o ódio, a agressão e a violência com o amor, o acolhimento e a paz. O ponto ápice deste dia foi a oportunidade de repetir o gesto de Francisco de adorar o Senhor na Eucaristia e recordar sua presença nos irmãos e irmãs marginalizados que muitas vezes acorrem às nossas casas à procura de um acolhimento, de ser amado como filhos de Deus. O penúltimo dia do Retiro foi um convite a olhar para a misericórdia de Deus. O caminho que se seguiu ajudou os presentes a compreender a grandeza de Deus que também se expressa na santa humildade que lhe faz encarnar no seio da Virgem e ser luz para o mundo. Ele mesmo quis perpetuar essa presença e se deu por meio da Eucaristia. Esse é um profundo e perene gesto de amor. Todas essas formas que Deus encontra para estar sempre com o seu povo é manifestação de um amor que não se condiciona e por não se condicionar, faz-se misericórdia. Tivemos a oportunidade anda deste dia celebrarmos a Misericórdia de Deus a partir de momento penitencial. O tema da Minoridade norteou o último dia de Retiro e viu-se que este assunto ainda tem muito a ensinar. Como recorda São Francisco, nada é nosso, além de nossos pecados e vícios. Portanto, não podemos nos apoderar de títulos, poder, dinheiro ou prestígio diante dos outros. Tudo passa. Deve-se haver ainda o cuidado para também não utilizarmos do próprio Evangelho de Cristo como nosso, servindo apenas para um trampolim, um meio de promoção, de vanglória. Como homens e mulheres chamados a ser portadores dessa Boa Nova, assumimos a postura de ir na contramão da atual “cultura do simulacro”: nossas atitudes devem apenas tornar conhecido Aquele que age em nós. Se assim o fizermos, seremos fiéis ao querer de Deus. Por Frei José Hélio e Frei Bruno Henrique | Fotos: Frei José Hélio JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Vida Fraterna

FRATERNIDADES DA BAHIA REALIZAM ENCONTRO DE CASAS VIZINHAS

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Fraternidade Franciscana da Igreja de São Francisco acolheu entre os dias 8 e 9 de agosto o encontro de casas vizinhas. Esse momento de irmãos marca a vida da fraternidade provincial que busca se reunir localmente afim de proporcionar um encontro fraterno, espiritual e formativo.

O encontro contou a presença das fraternidades de São Francisco do Conde, Campo Formoso e Salvador, todas localizadas no estado da Bahia. O tema da reflexão foi "A sinodalidade no carisma franciscano e a sua contribuição para uma Igreja sinodal e em saída". Assessorou o encontro a Irmã Joice que compõe a fraternidade das Irmãs Terciárias em Candeias/BA. A mesma destacou a necessidade de se caminhar juntos, tendo em vista que o Senhor caminha conosco desde o início dos tempos. O mesmo Senhor nos coloca diante de um amor Trindade que enquanto fraternidade perfeita nos assimila ao espírito sinodal de ser comunidade. Depois de uma ávida reflexão de palavras breves e simples pôde-se, num simples jantar-recreio, celebrar a vida. No segundo dia do encontro foi possível apresentar as vivências sinodais como sinais vitais nas fraternidades, colocando em comum a fraternal comunhão do Deus Trindade que muito ama na plena sintonia de Pai, Filho e Espírito Santo.

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Formação

JOVENS ASPIRANTES SÃO ADMITIDOS À ETAPA DO POSTULANTADO NA PROVÍNCIA

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elebrando o tríduo em honra de São Boaventura, os aspirantes franciscanos chegaram de vários lugares do Nordeste para ingressarem no Postulantado, no Convento São Boaventura, em Triunfo/PE. Vindos dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, estes jovens, após os encontros vocacionais e acompanhamento com profissionais de psicologia, deram mais um passo na caminhada vocacional. Eles começaram a chegar em Triunfo nos dias 11 e 12 de julho, mas o Rito da Admição se deu apenas no dia 14. Os jovens que foram inscritos no Postulantado foram: Luzinaldo Vital dos Santos de Alagoa Nova/PB; Josivan Ferreira de Arruda de São Miguel Santa Cruz do Capibaribe/PE; Moisés Dias da Silva de Barreira/CE; Teones Ferreira da Silva de Junqueiro/AL; Assis dos Santos Pereira de Itiúba/BA; Lucas Gabriel Rodrigues Ferreira de Mossoró/RN; Agleison do Nascimento Silva de Calçado/PE; António Victor dos Santos Soares de Candeias/BA Everton Rodrigues Lima da Silva de Portalegre/RN; e Renilson de Oliveira da Hora de Coaraci/BA A Celebração de Admissão contou com as presenças do Ministro Provincial, Frei João Amilton dos Santos, Frei José Gilton Rezende, Guardião do Convento, Frei Hilton Francisco da Cruz Botelho, Vigário da Casa, Frei Paulo Araújo dos Santos, Mestre do Postulantado, Frei Rogério Lopes da Costa, Ecônomo Provincial, Frei César Lindemberg Serafim, Promotor Provincial para o Serviço de Animação Vocacional e Secretaria de Justiça, Paz e Integridade da Criação, além das presenças de alguns Promotores Vocacionais da Província. O Postulantado é uma etapa fundamental que prepara e encaminha os jovens ao Noviciado. Esta etapa formativa introdutória tem a duração de um ano e meio, e tem como objetivo fortalecer os jovens que aspiram seguir Jesus Cristo à luz de São Francisco de Assis e da sua Ordem. Desta forma, o postulante confirma a sua determinação de converter-se através de uma progressiva passagem da vida secular para a forma de vida franciscana (RFF 179). Consciente dos passos realizados, cabe ao postulante verificar sua decisão de seguir Jesus Cristo segundo a forma de vida de São Francisco (RFF 181), a partir do crescimento humano, do desenvolvimento da maturidade pessoal e social, do relacionamento pessoal com Nosso Senhor Jesus Cristo e a vontade de consagrar-se a Deus e doar-se aos irmãos e irmãs abraçando o Cristo pobre e crucificado. Os jovens admitidos se juntaram a outros 10 que já haviam começado a caminhada há um ano atrás, mas que se prepara para no próximo ano ingressar no Noviciado.

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ONZE FRADES DE PROFISSÃO TEMPORÁRIA RENOVAM OS CONSELHOS EVANGÉLICOS

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pós dias participando do Retiro Anual realizado no Convento Santo Antônio de Ipuarana, Lagoa Seca/PB e já na expectativa da realização do V Congresso de Formação e Estudos da Província Santo Antônio do Brasil, onze frades de profissão temporária renovaram os Conselhos Evangélicos de Obediência, Castidade e Sem Nada de Próprio na tarde deste sábado, dia 23 de julho de 2022, em missa presidida pelo Ministro Provincial, Frei João Amilton. Concelebraram o Frei Sergio Moura, Vigário Provincial e Mestre dos Noviços, Frei Inácio Delazzari, pregador do retiro, além dos mestres dos professandos: Frei Pedro Junior e Frei Walter Schreiber. Terminada a homilia proferida pelo Frei Inácio, deu-se início ao Rito de Renovação que aconteceu de forma bem franciscana. Os professos temporários renovaram o compromisso dos seus votos até o dia 02 de agosto de 2023, conforme consta as diretrizes canônicas. Após este momento, sucederam-se a assinatura da Ata e as felicitações por parte dos frades presentes. Foram estes os frades que renovaram os votos por mais um ano: Provenientes da Fraternidade Nossa Senhora das Dores, Fortaleza/CE: 1. 2.

Frei Genilson Silva dos Santos Frei José Hélio Vieira da Silva

Provenientes da Fraternidade São Francisco, Salvador/BA: 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.

Frei Clebson de Carvalho Cruz Frei Luiz Antonio de Souza Oliveira Frei Clodoaldo de Jesus Frei Felipe Ferreira de Almeida Cruz Frei Igor Bibi dos Santos Frei Bruno Henrique Barros da Silva Frei José Airton da Silva Junior Frei Mateus Jansen de Brito Frei José Carlos Araújo da Silva.

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FREI FAUSTINO DOS SANTOS VOLTA AO BRASIL APÓS UM PERÍODO DE SETE MESES NOS EUA

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om o propósito de fazer uma imersão na lingua inglesa, Frei Faustino dos Santos, que atua nos serviços da Secretaria e da Comunicação Provincial, passou um tempo de sete meses na capital do Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos da América. Durante sua estadia na Fraternidade do Santuário Santo Antônio (Saint Anthony Shrine) de Boston, que pertence à Província do Santíssimo Nome de Jesus (Holy Name Province), Frei Faustino teve a oportunidade de conhecer um pouco da cultura, língua, compreensão da missão cristã e franciscana numa terra diferente. Quando perguntado se notou diferenças entre as culturas do Nordeste do Brasil e a cultura dessa área dos EUA, Frei Faustino disse: "A comparação é inevitável. Se você me pergunta do ponto de vista da religiosidade e do fervor, existe uma drástica diferença. Os períodos da Semana Santa, Páscoa, e o dia de Santo Antônio foram os momentos que mais senti falta do Brasil. Embora com a empolgação típica deles, que não nos cabe qualquer juízo de valor, senti muita falta do calor e movimentação brasileiras". Em se tratando do propósito da viagem, Frei Faustino estudou os semestres da Primavera e do Verão no CELOP, Center for English Language & Orientation Programs, vinculado a Universidade de Boston (Boston University). Aí, fazendo o curso intensivo, ele teve a chance de fazer uma experiência internacional com pessoas de diferentes partes do mundo, especialmente provenientes da Ásia e das Américas Central e do Sul. Do ponto de vista da Fraternidade de Boston, os frades foram muito acolhedores e solícitos desde a chegada do Frei Faustino que passou um período de sete meses até quando, em meados de agosto, voltou ao Brasil à sua fraternidade de origem. Esse foi um passo necessário no seu processo de aprendizado e preparação.

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PARTILHA DO FREI LORRANE SOBRE A MARCHA FRANCISCANA E RENOVAÇÃO DOS SEUS VOTOS NO MÉXICO

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mês de julho sempre foi marcante para mim, pela alegria do reencontro que experimento desde 2017 como Fraternidade Provincial. É o mês que realizamos encontros de frades professos temporários, frades irmãos, o retiro espiritual e por fim a renovação dos votos religiosos. Este ano vivi uma experiência diferente. O encontro foi com irmãos de outro País, de outra Província e de outra Cultura. Mesmo sendo diferente, foi um tempo vivido pela alegria do encontro e vou lhes contar um pouco dessa experiência. Depois de 6 meses vivendo no México, bem mais acostumado com seu ritmo e jeito próprio, pude reencontrar os irmãos professos temporários para alguns dias de retiro. Aconteceu de 25 a 30 de julho em uma comunidade de Tenosique, chamada “Estapilla”. É um povoado que para ter acesso é preciso atravessar um rio em canoa e sem acesso a sinal de telefone e internet. Éramos 19 frades, vindos de diversos lugares do sudeste mexicano. Nos hospedamos em uma escola de crianças, dormimos em colchonetes, celebrávamos os momentos orantes na capela da comunidade e com vários fiéis. Os próprios moradores faziam as comidas e partilhavam conosco e foi um momento ímpar, diferente dos retiros que fiz até hoje. O retiro foi conduzido pelo Frei Alfredo Andalón, OFM, sobre a temática da Sinodalidade, Vida Fraterna e o Cuidado da Criação. Durante as exposições dos temas, compartilhávamos nossas experiências e pude mostrar um pouco da nossa vivencia espiritual no Brasil e contribuir com a reflexão. Particularmente, pude ter a oportunidade de interiorizar melhor a minha vida e caminhada e rezar pelos os que me pediram orações. Estar desconectado do “mundo social” por mais de uma semana foi bastante enriquecedor e me ajudou a me conectar mais com Deus. A Província São Felipe de Jesus tem a tradição de realizar um Marcha Franciscana nos dias 01 e 02 de agosto, por ocasião da celebração do Perdão de Assis. Cada ano é realizada em uma fraternidade diferente, e este ano a fraternidade de Tenosique foi a escolhida. A temática para esta edição foi os 800 anos da composição do Cântico das Criaturas que será celebrado em 2025. Várias atividades foram realizadas nesse dia em uma chácara ecológica mantida pelos frades. Pessoas vindas de vários lugares do território da Província foram chegando e sendo acolhidas na mística ecológica. Por ser uma região com bastante presença de povos originários, rituais e orações próprias da cultura foram incrementadas durante esses dias. Chegaram em torno de 700 pessoas. Dormimos nesta chácara, compartilhamos a comida, celebramos a Hora Santa Eucarística, fizemos um ritual de reconciliação com a Mãe Terra e caminhamos por 12km até o Centro de Convenções da cidade para celebrar assim o Perdão de Assis e encerramento da Marcha Franciscana. Foi nessa celebração que, depois de uma semana em retiro, renovei os votos religiosos junto com os 18 frades professos temporais. Foi presidida pelo Ministro Provincial Frei Gabriel Romero e concelebrada por outros frades vindos de outras fraternidades. Foi um momento muito emocionante, recordei dos momentos de renovação de outros anos e uma memória de tudo o que vivi até aqui. Também é marcante saber que sou bem acolhido no meio de outros frades que sabem que sou de outra instituição, mas que me acolhem como que eu fizesse parte dessa fraternidade provincial. Por fim deixo aqui o meu agradecimento à Província Franciscana de Santo Antônio por acreditar em minha vocação e permitir que eu pudesse dar mais um passo. Ao mesmo tempo agradeço às Província Franciscana São Felipe de Jesus por me acolher tão bem aqui em terras mexicanas. A experiência que estou vivendo aqui, está me moldando para que eu seja um homem novo. Por Frei Lorrane Clementino, OFM | Foto: Província Franciscana San Felipe de Jesús

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FREI ELIVÂNIO LUIZ E FREI JOÃO PEDRO FAZEM SEUS VOTOS PERPÉTUOS IMPELIDOS PELO DESEJO DE SE REVESTIREM DO HOMEM NOVO

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Igreja do conhecido Convento de Ipuarana, dedicada a Santo Antônio, já testemunhou muitos momentos importantes que diz respeito a história desta Província Franciscana. Foram tantas decisões importantes, eleições de novos governos, profissões, renovações e ordenações, e na manhã deste dia 31 de julho foi mais uma vez um espaço de um momento especial, com a Profissão solene de Frei João Pedro e Frei Elivânio Luiz. O lugar de tantos "sins", tocou no desejo mais profundo de dois jovens de doarem por inteiro as suas vidas vivendo sem nada de próprio, castidade e obediência segundo a regra proposta por Francisco aprovada pelo Papa Inocêncio III.

Os termômetros marcavam mais uma manhã fria em Lagoa Seca com 22º, mas dentro da Igreja conventual se podia perceber um clima mais aquecido pela a alegria dos presentes e os corações inflamados de todos que participavam da celebração e testemunhavam o sim perpétuo dos religiosos. A liturgia proposta, seguindo 18º Domingo do Tempo Comum foi um verdadeiro convite para todos, para que seguindo o exemplo dos que professaram definitivamente, pudessem também deixar de lado aquilo que é velho e que impede de aspirar as coisas celestes e assim se tornar rico diante de Deus.

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Formação

A nossa vida religiosa não é algo somente para o futuro, com possibilidades de grandezas, mas para o que já vivemos hoje, em nossa missão no dia a dia” Durante a Homilia, Frei João Amilton apresentou as mensagens da liturgia daquele domingo. Começando pela primeira leitura, o Ministro provincial lembrou que Eclesiastes nos faz refletir sobre o acumulo das riquezas afirmando que isso é vaidade das vaidades. Na segunda leitura, retirada da Carta de São Paulo aos Colossenses, o frade lembrou que os discípulos e discipulas de Jesus devem buscar as coisas do alto, ou seja, os valores do Reino que Jesus pregou e viveu aqui na terra. A partir da mensagem de São Paulo, Frei João Amilton lembrou aos professos e a comunidade presente que “Nós precisamos nos despojar do homem e velhos e nos revestirmos do homem novo. O Homem novo é aquele que faz parte da nova criação trazida por Jesus ressuscitado. A nossa vida religiosa não é algo somente para o futuro, com possibilidades de grandezas, mas para o que já vivemos hoje, em nossa missão no dia a dia.” Sobre o Evangelho, o Provincial falou que as palavras escritas por Lucas nos apresentam através do anúncio de Jesus que a vida não se resume

à abundância de bens, pois os apegos exagerados atrapalham a dinâmica de nossa missão no dia a dia. E continuou: “É um chamado de atenção para todos nós, sobre a ganância, a confiança que pomos nas riquezas e os apegos as coisas materiais. Vivemos em uma cultura moralista que estimula a corrida gananciosa, que nos leva a deixar tudo para traz, em especial os pobres. Na lógica do Evangelho, rico é a pessoa generosa que junta tesouros para Deus, pobre é quem se fecha a solidariedade e a fraternidade verdadeira”, concluiu assim a Homilia.

O Rito da Profissão A celebração em si compreende inúmeros aspectos marcantes que salientam a grandiosidade do momento vivido. Dentre estes, podemos destacar aquilo que integra o Rito da Profissão: a apresentação dos candidatos e interrogação das suas intenções, confirmação por parte do Ministro Provincial, seguida da Ladainha de Todos os Santos que, com os professandos prostrados no chão, pedia a intercessão dos santos e santas de Deus pelos dois que se preparavam para o momento seguinte: a profissão dos votos. Depois da Profissão de Fé, Frei Elivânio e Frei João Pedro mostraram as interrogações feitas pelo Ministro Provincial o desejo de se colocarem inteiramente ao serviço do Senhor e àquilo que é próprio do carisma franciscano seguindo os passos de Francisco de Assis. Demonstrando de forma convicta este desejo, os frades se prostraram no chão. Junto ao canto da Ladainha de todos os Santos a assembleia os acompanhou pedindo a proteção e a benção daqueles que estão junto de Deus para virem em auxilio deles na vivência deste santo propósito.

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Formação Após a prece litânica, Frei Elivânio e Frei João Pedro prometeram com votos públicos observar por toda a vida os votos de castidade, obediência e nada de próprio e abraçar a Regra da Ordem dos Frades menores através da leitura da fórmula da Profissão escrita pelo próprio punho com as mãos apoiadas nas mãos de Frei João Amilton. Com a voz embargada, mas ao mesmo tempo firme e decidida, os dois frades receberam a promessa de que “se isso observarem, receberão a vida eterna”. Depois da leitura das fórmulas, o Provincial fez uma prece sobre os professos, para que possam ser fiéis e perseverantes na vida segundo o Evangelho inaugurada por São Francisco e Clara de Assis. Em seguida, os frades foram abraçados e acolhidos pela fraternidade a qual prometeram se entregar-se de todo o coração.

“Só queremos dizer uma coisa, cantar aquilo que cantaremos por toda vida, as Misericórdia do Senhor”. Frei Elivânio Luiz

Após o rito da Comunhão, Frei Elivânio iniciou os seus agradecimentos cantando as Misericórdias do Senhor que os chamou desde o ventre materno para tão singular vocação. O frade em suas palavras apresentou sua gratidão aos formadores que os acompanharam durante todas as etapas, ao Governo Provincial e a tantos religiosos e amigos que se uniram a este dia especial.

Frei Sérgio Moura, Vigário Provincial, dirigiu uma palavra aos presentes demonstrando a Alegria da Fraternidade pelo sim e a perseverança de Frei Elivânio e Frei João Pedro. Embalado pelo sentimento de gratidão, o frade também agradeceu as famílias dos religiosos pela entrega de seus filhos e aos irmãos que chegaram para celebrar este momento de festa. Percebemos o quão importante são esses momentos vividos em fraternidade. A alegria pelo sim destes dois irmãos aquece os nossos corações, nos faz recordar da atualidade do carisma franciscano que, mesmo após oitocentos anos, atrai jovens para seguir esse ideal e ainda nos une num misto de emoções que transbordava nos rostos de todos os presentes. A benção ao final da celebração ganhou um significado ainda mais especial, selando tudo o que foi vivido nesta manhã. O abraço de Francisco no Leproso que está presente de forma implícita no trecho escolhido pelos frades como lema para esta profissão: "como estava em pecado, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me conduziu para o meio deles e fiz misericórdia com eles" se uniu ao novo abraço que aqueles irmãos deram hoje com um sim decidido à Vida Consagrada. Por Comunicação Provincial e Frei Bruno Henrique

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PROVÍNCIA DE SANTO ANTÔNIO REALIZA O V CONGRESSO DE FORMAÇÃO E ESTUDOS

Primeiro Dia

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om o propósito de “Re-pensar a formação para uma vida renovada, uma fé apaixonada e uma missão encarnada”, deu-se início no dia 25 de julho, no Convento Santo Antônio de Ipuarana, Lagoa Seca/PB, o V Congresso de Formação e Estudos da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Contando com a participação de frades provenientes de inúmeras fraternidades, além de convidados especiais como algumas irmãs clarissas, o Frei Miguel Kleinhans, da Província Franciscana de Nossa Senhora da Assunção (Maranhão e Piauí), e o Padre Francisco Antônio Franceleudo, Reitor do Seminário e da Universidade Católica de Fortaleza, este encontro teve como intuito fazer ecoar as inquietações dos formandos em relação às etapas formativas no seu panorama atual, e pensar em propostas que contribuam para um maior crescimento de toda a situação. O encontro iniciou com a Celebração Eucarística presidida pelo Frei João Amilton, Ministro Provincial, que motivou os presentes para tornar Cristo reconhecido em suas atitudes e na simplicidade. Após o café da manhã, tomou a palavra o Frei Walter Schreiber, atual Secretário de Formação e Estudos da Província Santo Antônio, que ressaltou a importância de estar acontecendo este encontro. Ao ser aberto a oportunidade de fala aos que estavam presentes, suscitaram afirmações marcantes que mostram perspectivas positivas de tudo aquilo que será apresentado, debatido, refletido. Dentre as falas, está a do Frei José Hélio que enaltecia a necessidade da “escuta” que deixa de lado preconcepções estabelecidas para permitir-se questionar diante das partilhas.

Pela manhã ainda destacou-se a retrospectiva no âmbito formativo da Província realizada pelo Frei Marconi Lins, ex-Ministro Provincial e atual Guardião da Fraternidade de Aracaju, a partir dos fatores que incidiram e determinaram nosso percurso formativo: seja eles as interpelações eclesiais, seja a resposta que devemos dar diante da sociedade ou da conjuntura política de cada época. À tarde, o Padre Francisco Antônio Franceleudo proferiu uma palestra com a temática sobre a “Formação para a Vida Consagrada: um olhar psicoantropológico perante a conjuntura atual. Crises, desafios, perspectivas.” que buscou levar à reflexão de como anda a formação atual, não só na Vida Religiosa Consagrada, mas também na dimensão dos seminários diocesanos. Ele, que já trabalha na formação dos seminaristas da Arquidiocese de Fortaleza a dezesseis anos, trouxe alguns elementos importantes para serem levados em consideração, como as interpelações pandêmica e pós-pandêmica e os desafios hipermodernos, por exemplo o acolhimento de homoafetivos nas casas formativas. Foi uma reflexão muito questionadora, pois não foge de realidades vividas muitas vezes.

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Uma oportunidade para buscar responder os desafios da formação"

Padre Francileudo é Reitor do Seminário e da Faculdade Católica da Arquidiocese de Fortaleza, trazendo no currículo doutorado em Psicologia e uma vasta experiência na área da formação, tendo inclusive materiais disponíveis sobre o tema. Em entrevista ao nosso site, o assessor partilhou que acredita que a partir do tema que é proposto para este Congresso, faz se necessário um processo de reconstrução da estrutura humana daquele que já estão na Ordem, como também da parte daqueles que estão na formação permanente. Dos irmãos faz se necessário uma renovação de mentalidade, de postura e de modos de condução

do processo formativo nas fases iniciais. O padre lembrou que se esse processo não for assumido, haverá um distanciamento da exigências próprias da conjuntura atual e passará a apresentar processos institucionais que não respondem as demandas existenciais dos formandos na formação inicial e daqueles que já estão a um tempo. Entre os temas refletidos por Padre Francileudo estão os desafios em meio a hipermodernidade e as redes sociais. O padre aponta que entre tantos desafios encontrados hoje, o maior deles está em lhe dar com estruturas humanas completamente frágeis e que não tiveram suporte emocional adequado na estrutura familiar, o que segundo o mesmo, acaba acarretando e comprometendo a estrutura das pessoas, da condução da missão e das responsabilidades da vida consagrada. "Se não houver uma descoberta destas dificuldades nas estruturas humanas, dificilmente poderá se contar com ajuda de um irmão na instituição e também na missão eclesial." chamou atenção o assessor. Padre Francileudo ressaltou ainda nesta conversa sobre a importância deste Congresso de Formação e Estudos: "Sair das verdades prontas, das estruturas estabelecidas e daquela crença de que o que esta e com ele permanecer. Penso que um Congresso desse esta gerando reflexão e possibilitando uma parada para tomada de consciência de si, dos desafios que são próprios do processo de formação do nosso tempo e da tomada pessoal de consciência do seu processo de formação e fundamentalmente deixar de estar procurando no processo culpados, mas encontrando soluções para aquilo que se apresentado como desafios como crise ou como sofrimento," Ao ser interrogado sobre a formação franciscana que busca trabalhar o individuo como um todo na busca de um protagonismo, o padre frisou que este modelo é um passo importante para que o sujeito na formação seja de fato sujeito do processo. "O frade precisa buscar, querer, tomar consciência de suas limitações, tomar consciência do que precisa ser melhorado para que assim ele mesmo construa o seu caminho contribuindo de forma mais madura, focado naquilo que o franciscanismo, o evangelho e a pessoa de Jesus se torne centro." lembrou o padre. O Congresso também contou com a participação de Frei Marconi Lins de Araújo OFM e de outros membros da Família Franciscana que contribuem com reflexões para o enriquecimento da discursão da formação e dos estudo de nossa Província.


Segundo Dia UM OLHAR APROFUNDADO PARA NOSSA REALIDADE EXISTENCIAL

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celebração Eucarística marcou o início do dia e das nossas atividades. Diante do altar do Senhor pudemos depositar todos os nossos anseios e sonhos do coração para uma realidade nova. Ao longo de todo o dia contamos com uma continuação, agora de maneira aprofundada, da participação do Pe. Francileudo que destacava a necessidade de um olhar para a realidade de uma maneira honesta e completa, sem ter medo de enfrentar as questões. O primeiro elemento que o padre destacou é aquele que diz respeito ao perfil dos candidatos à vida religiosa. É preciso encontrar as motivações que levam o jovem a querer abraçar a vida religiosa para orientar essas motivações sempre em direção ao Evangelho. Para tanto, faz-se necessário compreender a realidade social dos jovens que nos procuram, observar as estruturas que vão sendo moldadas a partir dessa realidade e tentar oferecer caminhos que favoreçam uma formação para o discipulado e para a missão. Formar para configurar a pessoa a Jesus Cristo, não sendo assim, a vida religiosa perde o seu norte. O padre nos recordava da importância de “fazer a experiência do sentido. Se você não está bem, é preciso se perguntar pelo sentido. Sem o sentido, é melhor sair da vida religiosa”. Muitas questões humanas precisam ser observadas para que um caminho de assemelhamento ao Cristo seja possível. É preciso romper com a lógica da relação de consumo que acaba por perpassar a experiência religiosa, logica estrutural de nossa sociedade que acaba por moldar também o sentido existencial e as relações. Nessa realidade de consumo existe a tendencia do isolamento em grupos, o “tempo das tribos”. “As redes sociais se tornaram um dos nós do processo de formação à vida sacerdotal e consagrada que se deve ter presente para poder desatá-lo”, olhar para ele. Não é impedindo o uso das redes ou de aparelhos eletrônicos que se resolve o problema. Aqui o assessor recordou do perigo do surgimento de “gurus” da formação religiosa que surgem nas redes e que ajudam a deformar aqueles que se deixam levar. Tendo dito isto, o assessor nos recordava da importância de uma equipe de formação madura, com capacidade de olhar para esta realidade sem preconceitos e sem olhar de condenação. O padre dedicou boa parte da tarde para nos ajudar a construir um perfil psicológico do formador que pode ajudar os jovens que chegam para abraçar a nossa vida.


Formação

Terceiro Dia DEBRUÇAR-SE NO FORMANDO COMO UM TESOURO QUE PRECISA DE CUIDADO ESPECIAL

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terceiro dia do V Congresso de Formação e Estudos, como está sendo previsto, iniciou com a Celebração Eucarística, na qual, iluminados pela liturgia do dia, refletimos sobre a preciosidade do tesouro escondido que compreende também, assim como a Boa Nova anunciada por Cristo, a Vida Religiosa Consagrada dentro da Igreja. Esse tesouro é uma riqueza incomensurável que deve ser olhada com carinho, com delicadeza, com todo um zelo. Assim também percebemos, como fruto das reflexões que nos são colocadas, os jovens que nela ingressam, pois devem receber uma atenção toda especial, uma formação humanizada e personificada, que não coloca estes mesmos jovens em formas pré-estabelecidas, mas que os compreende na sua totalidade (naquilo que trazem como dons e dificuldades, suas emoções, sua história de vida etc). Diante desta perspectiva, o padre Franceleudo, que vem assessorando o encontro, apresentou diversas atitudes necessárias para uma pessoa que assume a formação que favorecem uma construção humana-afetiva-espiritual, tanto do formador, quanto do formando. Dentre essas atitudes, a empatia, a segurança de si mesmo, do não julgamento, da perseverança e do cuidado com as vidas que estão ao seu entorno tornam-se cruciais para uma convivência sadia e um amadurecimento na caminhada formativa. Olhando de forma mais atenta à figura do formador, que muitas vezes é confundida como um alguém que impõe seu próprio querer, foram também apresentadas pedagogias que um bom formador precisa oferecer como amor, ternura, valores que condigam com o carisma abraçado, liberdade, diálogo, dentre tantas outras. Nesta perspectiva, ainda foram oferecidos critérios para uma melhor avaliação de toda uma conjuntura. Seguindo a programação, pela tarde o Frei Gilmar Nascimento apresentou aos presentes um panorama acerca da relação entre a formação e a missão e tudo o quanto implica nisso. Salientou a dimensão missionária que é intrinsicamente relacionada ao carisma franciscano, assim como a minoridade que impulsiona os frades a assumirem realidades em situações periféricas, tal qual São Francisco de Assis assumiu. Concluindo sua fala apresentando algumas sugestões práticas para a fidelidade a esse projeto de vida inicial, abordou sobre o projeto da experiência fraterno-missionária que os frades de profissão temporária em nossa província fazem entre uma graduação e outra. Percebeu-se a importância dessa dimensão missionária na perspectiva formativa, pois contribui para que o formando não perca essa dimensão tão bem-quista para a Ordem dos Frades Menores. Por fim, aproveitando a presença do Frei Fernando Ferrario que pertence à Província São Francisco Solano – Argentina e que está no serviço de secretário de formação e estudos da Conferência Brasil e Cone-Sul, o escutamos refletir as perspectivas atuais que envolvem a formação a partir do resultado do último Capítulo Geral e de encontros que aconteceram desde então. Dentre a sua fala, ele reforçou a necessidade de uma coerência, de uma continuidade e progressividade no caminho formativo. Ouvindo-o, vimos que as tantas interpelações que inquietam os formandos em nossa província já inquietam também os membros do Governo Geral, mostrando, desta forma, uma sensibilidade às etapas que preparam frades para viverem fielmente o Evangelho, como forma de vida que querem abraçar. JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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CLARISSAS E FRADES DE OUTRAS PROVÍNCIAS PARTICIPAM DO V CONGRESSO DE FORMAÇÃO E ESTUDOS Entre os convidados para participação no Congresso de Formação estiveram as Irmãs Clarissas, que provindas do Convento Santa Clara de Campina Grande PB, entre o convívio fraterno e plenárias colaboram com sua presença e partilhas dos trabalhos na formação. Para Ir. Francisca que juntamente com Ir. Clarisse participam do Congresso, é uma alegria poder participar deste momento que é histórico, único e especial por proporcionar esta união entre as Ordens para um maior crescimento através do conhecimento. "Não tenho palavras para descrever este momento tão especial e comunhão com a primeira Ordem através de nossas convivências e para

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partilhas de nossas realidades Franciscana CFMB (Brasil) e formativas" partilha a religiosa Cone Sul (Argentina, Chile, Paque é Mestra de Noviças. raguay), Córdoba, Argentina, foi um dos assessores do ConFrei Miguel Kleinhans, gresso de Formação e durante OFM em entrevista ao nosso sua fala apresentou uma visão site o frade falou que espera da Ordem sobre a formação e com este Congresso, estreitar visão da Ordem sobre a formaainda mais os laços e o entendi- ção e os estudos destacando e mento entre as duas Províncias fazendo recordar o que é próa respeito da Formação inicial prio da identidade franciscano, e permanente e ressaltou ainda recordando que Francisco antes a importância de enriquecer o de tudo viveu de forma prática conhecimento com as assesso- tudo aquilo que o Altíssimo e asrias presentes. Além de Frei Mi- sim o projeto Franciscano deve guel, Frei Pacheco Ramos que se sustentar hoje, vivendo e só é Ministro Provincial da Provín- depois institucionalizando, para cia do Maranhão e Piauí deve não se correr o risco de matar a também participar do Encontro. experiência. "A nossa formação deve recuperar a dimensão práFrei Fernando Ferrario, tica." frisou o frade. OFM, Delegado para Formação e Estudos da Conferência


Quarto Dia

Formação

PELO INÍCIO DAS DISCUSSÕES

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dia de hoje foi marcado pelo início das discussões em torno dos caminhos que deverão ser abraçados para cada etapa de formação. As reflexões que precederam esse momento muito ajudaram e prepararam a fraternidade provincial a desenvolver uma série de sugestões que ajudem a aprimorar nosso serviço na formação.

O dia foi intensamente dedicado a elaboração de propostas para a etapa do Acompanhamento Vocacional do candidato à vida franciscana, passou pela experiência do Postulantado e foi até o Noviciado. As demais etapas serão observadas posteriormente. A dinâmica desta etapa do Congresso consiste em primeiro ouvir uma breve exposição acerca da realidade atual de cada etapa a fim de que se possa, a partir daí, fazer surgir novas possibilidades. Depois dessa exposição breve, os membros do Congresso se dividiram em cinco grupos que puderam trabalhar de maneira mais específica as propostas para cada etapa de formação acima mencionada. Esses grupos elaboraram propostas que podem aprimorar o serviço de formação. A seguir, as propostas foram socializadas para todo o Congresso e os membros puderam colocar alguma questão complementar ou até mesmo algum anseio que surgiu a partir da partilha das propostas. Todos têm voz. Frades, postulantes e noviços. Esse é um ponto de extrema importância porque o olhar que se lança para as questões conta com essa riqueza geracional. O que se tem visto até então diz respeito a um caminho de renovação importante em torno da realidade de formação. A disposição de ferramentas que favoreçam o crescimento do formador em termos de capacidade de acompanhamento personalizado e humanizado é um ponto de vital importância. Até aqui as propostas estão sendo elaboradas e a reflexão aprofundada. Acompanhemos esses passos com confiança na graça de Deus que permanece conosco e ilumina os nossos caminhos. Que a graça Dele nos acompanhe nesse importante momento de graça e de renovação.

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Formação

Quinto Dia A REALIDADE FORMATIVA ATUAL

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rosseguindo a dinâmica do dia anterior, na qual os participantes do V Congresso de Formação e Estudos da Província se debruçaram sobre as perspectivas da Animação Vocacional, Postulantado e Noviciado, continuou-se hoje as reflexões em grupo a partir das inúmeras propostas enviadas por várias fraternidades no que tangem as etapas da profissão temporária e da formação permanente.

De início, como resposta às inquietações dos frades professos simples, foi apresentada uma carta que expunha as percepções deles em relação à realidade formativa atual, principalmente nas casas em que moram, nas coisas que precisam ser ajustadas e nas que se percebem como positivas. Esta carta foi dirigida ao Congresso e foi entregue ao Governo Provincial, tendo sido resultado de um encontro de partilhas de vida e da própria caminhada vocacional destes frades jovens, realizado no último dia dezoito do mês corrente. Na dinâmica do dia foi-se reforçada também a importância do cuidado com os frades que já professaram solenemente e que assumem tantos serviços nas fraternidades da Província. Viu-se que eles também precisam ser escutados, ter um acompanhamento personificado para manterem acesa a chama vocacional que os impulsionou logo na formação inicial. Essa é a perspectiva desse congresso: repensar todo o processo formativo, desde a sua gênese na animação vocacional até a fase em que o frade fica idoso, para uma renovação de nossa vida, da vivência daqueles valores que nos são essenciais para o carisma abraçado por nós, tendo sempre em vista uma fé apaixonada, encantada pelos traços deixados por Deus que desencadeiam até numa perspectiva missionária mais encarnada, mais próxima, mais humana.

Sexto Dia DIA DE VOTAÇÃO MARCADO DE EMOÇÃO

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Durante todos os dias de Congresso pudemos lançar um olhar verdadeiramente aprofundado para a nossa realidade social, o lugar que estamos. É a partir dessa realidade que Francisco ainda faz suscitar vocações para a Ordem, para o carisma. Essa realidade cheia de desafios e marcada por grandes desigualdades e ofuscamento do norte, nos impele a dar uma resposta mais amorosa e acolhedora como frades menores e formadores de jovens que abraçam o nosso carisma.

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Formação O olhar para a realidade foi um olhar que abarcou também a nossa realidade porque nos fez perceber que estamos profundamente inseridos numa realidade, num tempo específico marcado por uma crise de época. Estando nós inseridos nessa realidade, fomos impelidos a olhar e repensar a nossa missão na formação a partir dela e do carisma que trazemos como grande legado presenteado pelo nosso pai Francisco e mãe Clara. Esse foi o percurso que desejamos fazer e acreditamos, com esperança, que fizemos. A manhã deste sábado foi marcada pela votação das propostas elaboradas nos últimos dois dias pelos grupos de trabalhos. As novas propostas desejam renovar a nossa formação. “Como Ordem e como vida religiosa atravessamos muitos desafios, mas não podemos ficar com saudade da glória de tempos passados e lamentando os tempos atuais. Também não podemos ficar de braços cruzados esperando que Deus atue. Deus atua, mas em e através de nós. Irmãos, em tempos de hipermodernidade é possível viver o Evangelho, o tempo presente oferece muitas possibilidades de renovação, devemos ser frades do século XXI”. Essas palavras nos foram dirigidas na celebração eucarística que concluiu nosso congresso pelo Frei Fernando, representante do Secretariado de Formação e Estudos da Conferência. Agora as propostas serão encaminhadas para outras instancias e brevemente confirmadas pelo Capitulo Provincial. O postulante Abraão nos presenteou, ao final do congresso, com um belo poema que nasceu do intenso olhar para as nossas reflexões e decisões ao longo desses dias de congresso. Transcrevemos ele aqui para que a arte ganhe espaço, que ela nos recorde a intuição de Francisco de Assis, nos aponte um caminho leve e nos faça reconhecer Francisco como um jovem com olhar apurado e afetivo. Que é capaz de sentir-com, amar até as lágrimas. E formação precisa disso porque é tarefa de amor. Ando procurando Francisco para perguntar Qual o segredo, o segredo para amar Certamente não está nas sandálias Ou no bonito do bem falar Oh me conta Francisco aonde é que está Também não está nas paredes Ou nos prédios que sobre mim está Oh me conta Francisco qual o segredo, o segredo para amar Procurei em alguns livros E nada de encontrar Oh que tarefa difícil Por isso me conta Francisco aonde é que está Der repente escuto uma voz É Francisco a falar Dizendo oh querido menino Buscando descobrir sozinho Nunca vai encontrar Chama os teus irmãos Para nessa tarefa ajudar Porque é caminhando junto Repensando em conjunto Que a gente consegue acertar É por isso que é no caminho Dando a mão pro vizinho Que a gente vai chegar lá Por Frei José Hélio, Frei Bruno Henrique e Comunicação Provincial

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Vocação VOCACIONADOS DO REGIONAL CEARÁ SE ENCONTRAM EM TORNO DE SANTA CLARA PARA REFLETIREM SOBRE O CHAMADO De 12 a 14 de agosto foi realizado no convento de Nossa Senhora das Dores o encontro vocacional do regional Ceará com o tema Minha vocação, meu chamado, minha história. Na sexta-feira a noite (12) se deu o acolhimento dos vocacionados Caio Renan, Yago Rodrigues e Ismael Lima. Na manhã de sábado (13), a abertura do encontro foi organizada pelos próprios aspirantes com um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento sob a guia e as meditações de Santa Clara. Ao anoitecer do sábado os aspirantes se juntaram a Frei Marcondes Uchoa e alguns irmãos da OFS e foram até o centro da cidade de Fortaleza distribuir sopa para pessoas em situação de rua. Esse momento foi marcado por um instante de oração. Por: Vocacionados Regional Ceará

GRUPO VOCACIONAL DE SALVADOR SE ENCONTRA PARA REFLETIR SOBRE SANTA CLARA Aconteceu nos dias 19 a 21 de agosto o Encontro Vocacional de forma presencial na Igreja Conventual de São Francisco, Pelourinho, Salvador/BA. O Encontro iniciou na sexta-feira, na parte da tarde, onde aconteceu a acolhida dos vocacionados. No sábado, ao iniciar o dia, os vocacionados juntamente com os frades, realizaram uma visita ao primeiro mosteiro das Irmãs Clarissas Urbanistas do Brasil, lugar onde está sepultada a Madre Vitória da Encarnação, já falecida, que tem fama de santidade. Na parte da tarde, ainda no sábado, o grupo vocacional participou de uma formação sobre Santa Clara de modo on-line com a Irmã Mirtes da Sagrada Face de Jesus. No domingo, participaram da Santa Missa na Capela do Colégio Assunção que foi seguido de um encontro de caráter celebrativo, promovido pelo Serviço de Animação Vocacional do Regional Salvador da CRB. Por: Vocacionados Regional da Bahia

ENCONTRO VOCACIONAL NA PARAÍBA: O CHAMADO VOCACIONAL NA HISTÓRIA HUMANA

Aconteceu no último final de semana do mês de agosto, entre os dias 26 e 28, o encontro vocacional da com os aspirantes da Paraíba. Nesta oportunidade, os jovens que chegaram na sexta à noite, advindos de vários lugares da Paraíba, puderam viver momentos fraternos e de oração. O encontro teve início com músicas e orações onde os aspirantes pediram as luzes do Espírito Santo para discernir o chamado vocacional. Por meio do material formativo que foi colocado pelo animador vocacional os aspirantes aprenderam que o chamado nasce em cada realidade humana, quer no meio urbano, quer no meio rural. Deus chama a todos para ser comunidade, ser unidade na diversidade e amar aos irmãos. Durante os dias do encontro foi possível contar com a participação de Frei Hermano José que falou sobre o chamado ao longo da história salvífica. Por: Vocacionados Regional da Paraíba

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PARÓQUIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS EM CAMPINA GRANDE CELEBRA 70 ANOS DE EREÇÃO

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ai Francisco e reconstrói a minha Igreja. Esse foi o tema que foi celebrado durante longos dias, enquanto os fiéis esperavam ansiosos pela entrega da primeira fase da restauração da Paróquia de São Francisco de Assis, em Campina Grande, para assim celebrar os seus 70 anos de existência.

Foi exatamente em 29 de Junho de 1952 que a Paróquia de São Francisco de Assis foi fundada, contando com o apoio de Frei Flaviano e Dom Anselmo, homens que tornaram esta casa um segundo lar para tantos que nela buscavam acolhimento. Por isso se torna tão importante fazer esta memória, para que vejamos quantos frutos surgiram desta caminhada, sempre lembrando todos aqueles que nos precederam. Recordemos com carinho todos os párocos que por esta casa passaram: como Frei Pio, Frei Arnaldo Motta, Frei Petrônio, Frei Dagoberto, Frei Lauro, Frei Urbano, Frei Jurandir, Frei Hermano Wiggenhorn, Frei José Teixeira, Frei Pedro Júnior e assim como o atual pároco, Frei Juscelino, com a sua atual fraternidade: Frei Hermano, Frei Sigismundo, Frei Almeida e Frei Zezinho, que assim como todos os outros, são responsáveis por tudo que a Paróquia de São Francisco representa nestes anos de caminhada. As duas últimas grandes reformas da Paróquia aconteceram entre 1980 e 1982 e contaram com a Inauguração da Fachada da Igreja, que foi comemorada no 8° Centenário do Nascimento de São Francisco de Assis, onde foi celebrada por Dom Luiz, Frei Loiola e Frei Dagoberto. Assim por diante, a Igreja não teria passado por nenhuma outra restauração de grande porte, tendo em vista toda a sua estrutura. Até que no final de maio deste ano foi lançada a campanha de restauração seguindo, então, por dois meses em reforma, até a atual data. A comemoração começou no dia 14/07, com a abertura do Tríduo Celebrativo, onde pela primeira vez a Igreja foi aberta ao povo após a restauração. O pároco, Frei Juscelino, em procissão, adentrou com os fiéis pela nave central da Igreja abençoando todo o espaço. Seguiram então os dias do tríduo tendo sempre as pastorais e comunidades como convidados. Até que no dia 17/07, no último domingo, foi celebrada com alegria a grande Solenidade de Entrega, que foi o ápice para todos. A celebração foi vivida com muito amor e devoção; a cada prece feita, a cara oração rezada, a cada lágrima de emoção e a cada sorriso agradecido. A restauração da Igreja não representou apenas uma atualização do templo, mas um novo capítulo que está sendo escrito na memória desta casa e nos corações de cada um que por aqui passam. Foram meses incansáveis de trabalho, de doações, de busca, movimentando todas as pastorais, movimentos, e comunidades, para que pudessem juntos, alcançar o ideal proposto. Por Isabelle Bessa (PASCOM SÃO FRANCISCO DE ASSIS)

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CONVENTO SÃO BOAVENTURA DE TRIUNFO CELEBRA SEU PADROEIRO

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Fraternidade de São Boaventura de Triunfo/PE celebrou a Festa de seu Padroeiro. Nos dias que pereceram o dia do Santo de Bagnorégio/Itália (15 de julho) a Fraternidade conventual fez um Tríduo preparatório.

Baseados nos escritos de Boaventura, cada dia contou com um pregador diferente. Na primeira noite, o Frei Hilton Botelho foi o responsável; na segunda noite foi a vez do Ministro Provincial Frei João Amilton dos Santo, e na terceira noite a reflexão ficou por conta do Frei José Airton. O dia da Festa, por sua vez, teve Frei Paulo Araújo como presidente e pregador. Segundo o Postulante Samuel Santana, a reflexão do Frei Paulo foi marcante porque ele enfatizou que "uma velhinha pode amar mais a Deus com a caridade do que um grande teólogo sem caridade" e que "Deus se encontra no simples e em cada pessoa se encontra uma face de Deus". Acrescentou que "apesar de São Boaventura de ser considerado um homem de grande intelecto, ele não abandonou, nem esqueceu de ser pequeno, de viver a simplicidade", ademais "a beleza não se encontra na inteligência, mas no simples e no amor que retribuímos ao próximo, e São Boaventura demonstrou isso em sua vida e ação". Embora com uma participação singular e sem outras atividades como quermesses e outros, a celebração de São Boaventura se configurou como um momento muito proveitoso de aprendizado. Destaque é dado para a celebração de admissão dos Postulantes na manhã do dia 14 de julho que, podemos dizer, foi um dos pontos altos da memória boaventuriana já que se trata de um sinal de esperança para a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil e, consequentemente, da Ordem dos Frades Menores. Por Comunicação Provincial / Fraternidade São Boaventura

NOSSA SENHORA DOS ANJOS É CELEBRADA EM PENEDO, RENOVANDO O AMOR A UMA DEVOÇÃO MARIANA HISTÓRICA NA CIDADE

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Convento dedicado à Nossa Senhora dos Anjos, datado do século XVI e que fica localizado em Penedo/Alagoas, celebrou no dia 2 de agosto a Festa da sua Padroeira. Através de um Tríduo, que deu início no dia 30 de julho e foi concluído na terça feira (02/08), os fiéis puderam renovar diante da Padroeira da Ordem Franciscana o seu amor a esta devoção que já tem vários anos no município. A programação de cada noite contava com a recitação do Santo Terço às 18h30, seguido da Celebração da Eucaristia que reuniu a participação de grupos e movimentos das paróquias da cidade. Logo após a celebração religiosa, os fiéis podiam ainda participar da parte social com barraquinhas e momentos fraternos no pátio do Convento.

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O tema escolhido para celebração deste ano foi: "Nossa Senhora dos Anjos, mãe do divino Amor, ensina-nos a amar mais". Dom Valdemir Ferreira, bispo da Diocese de Penedo, também participação no tríduo. Em sua homilia, elencou vários títulos a Virgem Maria e convidou os fiéis a pedir a Maria que ela rogue por nós pecadores, para que possamos amar cada vez mais e melhor para assim construirmos o Reino de Deus. "É assim que rezamos diante da Rainha dos Anjos: Ajuda-nos com nossos pecados, que nos afasta da face do Criador e nos rouba o entusiasmo de chamá-la de Mãe. Maria mostra-nos Jesus e nos guia-nos a Ele, ensina-nos a aprender a ama-lo e fazer a vontade de Deus livremente por amor. É agora que precisamos e na hora de nossa morte, Amém." finalizou o bispo elevando junto com os devotos uma prece. O dia 2 foi de movimento na Igreja Conventual. Durante toda manhã a Igreja recebeu os fiéis para orações pessoais e confissões. Logo cedo, às 6h, foi celebrada como de costume a Missa votiva a Santo Antônio abrindo a programação do dia. A Missa de encerramento dos Festejos foi presidida por Frei José Edilson Maurício, guardião do Convento de Santo Antônio em Recife/PE, e concelebrada por outros frades que compõe a fraternidade local e provincial. Durante a homilia, Frei Edilson que é natural da cidade, interrogou os presentes a partir do tema do festejo se de fato estamos amando. “Na escola de Maria precisamos aprender a amar. Não há lugar para indiferença. Maria nos apresenta seu divino Filho, o amor encarnado.” Lembrou o frade. O frade franciscano lembrou ainda que o Convento Nossa Senhora dos Anjos é um espaço privilegiado para a Misericórdia. "Essa casa sempre foi vista por nossa Província e pelo povo penedense como a casa do perdão. Todos aqui devemos ter o sentimento de sermos perdoados por Deus. Nós nos encontramos nesta casa que se enquadra a Porciúncula de Santa Maria do Anjos. Ela não está distante de nós, pois aqui nós também recebemos a Santa indulgencia, para sim aprendermos mais a amar", frisou o religioso. Após a celebração, uma procissão com o andor de Nossa Senhora dos Anjos seguiu por algumas ruas da cidade levando alegria e a presença da Mãe para perto do povo e fazendo recordar a sua presença materna desde o início da cidade chamada de Vila do Penedo do Rio São Francisco. Por Comunicação Provincial | Foto: Convento Nossa Senhora dos Anjos

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"SÃO FRANCISCO NOS ENSINA A VIVER A SABEDORIA DO EVANGELHO" É O TEMA DA FESTA DE SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS DE CANINDÉ DE 2022

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stamos a menos de dois meses para a Festa de São Francisco das Chagas 2022 que acontecerá em Canindé no Ceará de 6 a 16 de outubro. Após dois anos no Formato Virtual, a Festa volta a acontecer de forma presencial e desde já anima os corações dos Romeiros que vêm de vários lugares do Brasil para recorrer ao Santo de Assis graças e bençãos para suas vidas.

Como de costume, na Festa do Perdão de Assis a Organização dos Festejos lança o Cartaz, o canto temático e o tema da Festa de cada ano. O Hino composto por Júnior Cunha, traz na sua letra a mensagem central dos Festejos deste ano que é um convite para uma vivência prática do Evangelho por cada fiel, assim como fez Francisco. O canto apresenta também a necessidade de uma Igreja em saída, que testemunha com a vida e prega a Paz e o Bem como fez o Santo de Assis. Por Comunicação Provincial

Rogerio Sales, que junto com uma equipe preparou a confecção da Arte do Cartaz da Festa deste ano, ressaltou que a ideia era apresentar alguns elementos próprios da espiritualidade Franciscana e de forma especial aquela que está presente na cidade do interior do Ceará, como por exemplo a Cruz de São Damião, a Basílica e a romaria. O mesmo ressalta que, a arte foi pensada numa composição que mostrasse, São Francisco e aquilo que tocou em sua experiencia de vida. É possível ver no cartaz o Santo Evangelho, o Crucifixo de São Damião e o povo. Rogério lembra ainda que um ponto inspirador para a produção foi o tema da Campanha da Fraternidade deste ano que nos convidava a Educar com amor. Sobre as cores usadas, Rogério fala que o Cartaz traz como cor forte o azul, que traz um sentido de harmonia, a mesma harmonia que Francisco tinha para com toda a Criação. As imagens apresentadas na arte são acompanhadas de um tom de amarelo mais forte que dá um destaque às mesmas. As figuras encontradas no centro, deixam bem claro a devoção franciscana em Canindé, como é o caso da Imagem de São Francisco que é encontrada no Altar-mor do Santuário, o povo que caminha em Romaria como marca dos romeiros e ainda a Basílica-Santuário de São Francisco das Chagas. “A confecção de uma arte, em especial a do nosso Padroeiro sempre pede uma inspiração. São Francisco com certeza é uma fonte de inspiração para todos nós. Depois do processo de escuta e de estudo com a equipe sobre o tema que o que nos oferece como material e em seguida iniciamos a parte de composição gráfica. Tudo isso começa a ser pensado já no inicio do ano até chegar em

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Missão um resultado que aproxime o povo dos Festejos” Frisou Rogério Sales. O lançamento do material que conta ainda com blusas e cartazes aconteceu durante a missa das 9h na Quadra da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, celebrada pelo Reitor do Santuário, Frei Gilmar Nascimento e teve outros detalhes partilhados em um programa apresentado pela TV Santuário São Francisco das Chagas finalizando a programação deste dia festivo. Por Comunicação Provincial | Foto: Santuário de Canindé

ALTO DA CONCEIÇÃO EM MOSSORÓ CELEBRA A FESTA DEDICADA A IMACULADA

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o mês de agosto, nos dias que antecede a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, o Alto da Conceição, em Mossoró/RN entra em um clima ainda mais festivo ao celebrar a sua padroeira. A cidade potiguar repleta de tantas devoções, neste período se veste de azul e branco para suplicar a intercessão da Virgem Maria sob o título da Imaculada Conceição. A Festa deste ano tem como tema “Virgem Imaculada, fortaleça nossa fé para buscarmos a verdadeira fonte que é Jesus”. Segundo Frei Alleanderson Brito, pároco, a programação de todos estes dias contou com Missas ao meio dia, novenário a noite com a participação de frades e padres diocesanos refletindo diversos subtemas sendo assim momentos oportunos de crescimento na fé e na devoção à Virgem Maria. Os festejos deste ano se estenderam ainda aos momentos de atrações musicais, sorteios e uma corrida que movimentou a cidade envolvendo fé e saúde. A abertura dos festejos contou com uma vasta programação que começou às 18h30 com a procissão saindo da capela dedicada a Santa Clara em direção a Matriz. A padroeira da comunidade seguiu em cortejo juntamente com a Imagem de Nossa Senhora pelas ruas e foi possível testemunhar a presença de um número significativo de fiéis confirmando a devoção a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Ao chegar na Igreja Matriz, houve o hasteamento das bandeiras e, em seguida, a celebração da Santa Missa presidida pelo pároco, Frei Alleanderson, e concelebrada pelo guardião da fraternidade, Frei Francisco de Assis e o Padre Ivonzeliton Leite. Frei Agostinho, membro da fraternidade local, também participou da celebração. Durante a homilia feita a partir dos textos bíblicos próprios da Solenidade de Santa Clara, o padre convidado lembrou que o papel de todo cristão é permanecer firme na Videira Verdadeira, Jesus Cristo, como o fizera sua mãe, a Virgem Maria. Cremos que os frutos de tal testemunho de fé não serão em vão, os frutos não tardarão a se multiplicar na comunidade. O programa de Encerramento dos Festejos foi repleto de atividades. Desde as primeiras horas da manhã o povo potiguar lotou a Igreja paroquial para participar da programação festiva. Às 6h, Frei Jonaldo Adelino presidiu a primeira celebração e às 9h o JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Missão frade menor Capuchinho Frei Franklin. Ambos frades são filhos da Paróquia do Alto da Conceição. A última celebração do dia aconteceu às 16h ao lado da Igreja dedicada ao título mariano, e foi presidida por Dom Mariano Manzana, bispo da Diocese de Mossoró. Durante a homilia, o bispo lembrou do trabalho dos Franciscanos na Paróquia e a Virgem Imaculada como a imagem daquela que antecipa aquilo que acontecerá com todos. Logo após a última celebração, uma procissão saiu pelas ruas da Paróquia sendo saudada e acompanhada com alegria pelos fiéis em peregrinação e por aqueles que ficaram em suas residências. Ao chegar na Igreja Matriz, os fiéis fizeram a experiência central dos festejos deste ano, ao caminhar com Maria, saber que ela leva a buscar cada vez mais a fonte que é Jesus. Após a Exposição e bênção do Santíssimo, as bandeiras foram descidas, fechando a programação religiosa da Festa. Por Comunicação Provincial | Foto: Pascom Paróquia Imaculada Conceição

ENCONTRO DE PÁROCOS E LEIGOS ACONTECE EM CANINDÉ NO CEARÁ

Já faz parte do calendário Provincial a vivência de um encontro que reúna Párocos e leigos provindos dos diversos estados onde a Provincia assume atividades paroquiais. São 12 paróquias em todo o território provincial que se estende do Ceará até à Bahia, sendo espaços propícios para a Evangelização e propagação do carisma franciscano. No sertão, no interior e em capitais, os desafios e as alegrias da missão são partilhadas entre os participantes, gerando fraternidade entre aqueles que junto com os frades desenvolvem algum tipo de trabalho a serviço do povo de Deus. A programação do Encontro que aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de agosto em Canindé no Ceará, teve por objetivo refletir sobre a missão das paróquias a partir dos documentos da Ordem, do plano pastoral franciscano e, por fim, favorecer o convívio e momentos de partilha entre os participantes. Frei João Amilton dos Santos, Ministro Provincial, participou do encontro e, em suas palavras de acolhimento, lembrou que "o amor é a base para assumirmos nossos compromissos como Sal da terra e Luz do Mundo em nossas realidades paroquiais. Peçamos a Jesus a graça de praticar o amor, construindo assim fraternidade e minoridade em nossas Paróquias", pediu o frade.

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Missão Frei Amilton lembrou ainda que "a missão que assumimos não é propriedade nossa, é obra de Deus assim como entendeu São Francisco e só tendo essa consciência podemos de fato ver os frutos acontecendo em nossa missão". O documento da Ordem intitulado "Enviados a Evangelizar em fraternidade e minoridade na Paróquia", lançado em 2009, foi uma das pautas para reflexão deste encontro. O texto tem o objetivo de oferecer ajuda à fraternidade universal, sobretudo às fraternidades presentes e operantes nas paróquias, para realizar uma forma particular de evangelização segundo os valores do carisma franciscano com ênfase na fraternidade e na minoridade. Frei Gilmar Nascimento, Secretário de Evangelização e Missão, lembrou que "quando frequentamos nossas paróquias, vemos que os trabalhos realizados em cada realidade trazem um diferencial que favorece o carisma. Uma vez sendo semeada pelos frades, crescem na vida comunitária". Entre as partilhas durante o encontro, os leigos apresentaram tanto os desafios das Paróquias Franciscanas quanto as possíveis para renovação dos trabalhos paroquiais. Entre os temas que foram apresentados como importantes nos últimos anos estão os trabalhos pastorais e paroquiais nas mídias sociais. A programação do encontro também buscou refletir, repensar e traçar propostas acerca do Plano Pastoral Paroquial Franciscano. Ao final do encontro, após terem sido feitas as ressonâncias em grupos e terem sido discutidos os pontos apresentados no texto, a ideia será tornar concreto tais elementos em cada realidade paroquial. Por Comunicação Provincial | Foto: Organização do Encontro

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SANTUÁRIO DE CANINDÉ CELEBRA OS 600 ANOS DA COROA FRANCISCANA

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á se tornou tradição a oração e meditação da Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora na programação semanal do Santuário de Canindé/Ceará. Todas as quintas-feiras os fiéis se reúnem na Basílica de São Francisco das Chagas para contemplar a vida da Virgem Maria seguindo uma tradição dos primeiros séculos do Franciscanismo e que já perdura por 600 anos.

No dia 22, dia em que a Igreja faz memória de Nossa Senhora Rainha, o Santuário preparou uma programação especial com a meditação do também conhecido Rosário Franciscano na Basílica menor, dedicada a São Francisco das Chagas. Frei Francisco Rogério juntamente com a Família Franciscana local conduziram o momento celebrativo. Cada devoto presente foi convidado a recitar uma Ave Maria e depositar uma rosa aos pés da Imagem da Imaculada Conceição que em sua base tem a imagem de quatro frades franciscanos que sustentam a "Virgem feita Igreja". Frei Francisco Rogério recordou que celebrar esta data no dia de Nossa Senhora Rainha é coroar com flores a Virgem Maria com cada oração recitada. Na ocasião, houve uma singela coroação e foi lançado um Livro devocional que traz a História desta tradição, bem como a forma de meditar e rezar a Coroa Franciscana, músicas, trechos bíblicos e outras reflexões. Toda a venda será investido nos trabalhos missionários da Província. Conheça mais sobre esta história A COROA FRANCISCANA, é uma pérola preciosa que faz parte da vivencia evangélica iniciada com São Francisco de Assis e Santa Clara de Assis. Não foi elaborada por eles, mas foi gestada no caminho por eles iniciado. Conforme afirma o autor Gerônimo Gasques na página 30 do livro MARIA A MÃE DO POVO: “O irmão Luke Wadding, historiador franciscano, marca como data de começo dessa devoção o ano de 1422, no qual ingressou na ordem um jovem muito piedoso que sabia demostrar sua devoção à Virgem Maria, oferecendo uma coroa de rosas frescas para colocar sobre uma estátua da Santíssima Virgem”. Em razão dos compromissos do noviciado, o jovem noviço não podia fazer a coroa de rosas como costumava fazer desde pequeno, motivo que o levou a pensar em abandonar a ordem seráfica. Nossa Senhora numa visão veio consolá-lo pedindo-lhe que em vez de coroa de rosas, rezasse uma coroa de oração.

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Missão Para cada rosa oferecida, rezar-se-ia uma Ave Maria. Assim surgiu essa devoção entre a família franciscana. Conforme antiga tradição, Maria viveu 72 anos aqui na terra, e em memória de cada ano recita-se uma ave Maria. Esse é um aspecto singularmente significativo no formato da coroa franciscana. São Bernardino de Sena (1380-1444) é um dos grandes propagadores dessa devoção e costumava levar a COROA pendurada no cordão de seu habito. Essa prática de oração permanece viva até os dias atuais entre os filhos e filhas do itinerário espiritual iniciado por São Francisco e Santa Clara de Assis. Por Comunicação Provincial | Foto: Wilker Vasconcelos

FREI ROMUALDO: O MARTÍRIO DE JOÃO BATISTA É UM SINAL DE CONVERSÃO PARA TODO NÓS

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ão João Batista tem um lugar especial dentro do Calendário Litúrgico quando da celebração do seu nascimento no dia 24 de junho e o seu Martírio no dia 29 de agosto. Essas duas festividades acontecem por conta da vida deste santo que tem uma participação muito importante na história da salvação, além do parentesco com Jesus. Filho de Zacarias e Isabel, em alguns Evangelhos fala-se de sua presença junto à Missão de Jesus, como por exemplo o Batismo no Jordão. Mesmo com um caráter de Memória, a celebração do Martírio de São João Batista ganha um tom festivos na Igreja, em especial nas Paróquias e comunidades dedicadas ao Santo precursor do Senhor. Em nosso território Provincial, paricularmente no Município de Igreja Nova em Alagoas, este dia é celebrado festivamente na Paróquia São João Batista onde os frades estão presentes desde cerca de 1908. A preparação para a vivência deste dia especial começou no dia 26 com a celebração de um tríduo com missa, às 19h na Igreja Matriz. Na homilia da Missa Solene, Frei Romualdo Bezerra fez memória de toda trajetória da vida de João, desde o seu tão esperado nascimento, passando por sua pregação do Jordão com suas palavras de anúncio e denúncia, o contato com Jesus, até o seu martírio. "João sempre convidou à conversão, por isso incomoda as autoridades. Ele é um grande exemplo de homem que desde o início viveu de penitência e oração para testemunhar o Messias e deu o seu testemunho derramando o seu sangue para a glória de Deus" lembrou o frade franciscano. Ao final, pediu para que João Batista inspire a todos os fiéis ao desejo de conversão e de uma vida que anuncia o Mestre Jesus.

Por Comunicação Provincial | Foto: PASCOM Paróquia São João Batista

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ESBOÇO HISTÓRICO DOS 365 ANOS DA PROVÍNCIA A SERVIÇO DA ORDEM E DA IGREJA NO BRASIL

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s franciscanos pisam pela primeira vez na Terra da Santa Cruz em 1500. Frei Francisco Gonzaga, no Capítulo Provincial da Província de Santo Antônio de Portugal, cria a Custódia de Santo Antônio do Brasil aos 13 de março de 1584. Aos 12 de abril de 1585, os franciscanos chegaram a Olinda e no dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, numa procissão solene acompanhada pela população, autoridades civis e eclesiásticas, se estabelecem no terreno que fora doado por Dona Maria da Rosa no qual se edificaria o Convento São Francisco com a igreja conventual sob o orago de Nossa Senhora das Neves. A expansão ao longo da costa atlântica aconteceu progressivamente à medida que as principais vilas do Brasil pediam que os franciscanos fundassem conventos em suas capitanias. As missões e os conventos, sob a tutela do Padroado Régio, ocuparam as principais atividades franciscanas. Aos 18 de abril de 1647, o Papa Inocêncio X conferiu à Custódia de Santo Antônio do Brasil autonomia, separando-a da Província de Santo Antônio de Portugal e, aos 24 de agosto de 1657, o Papa Alexandre VII, a elevou à categoria de Província. Até a época da ocupação holandesa em Pernambuco (1630-1654), a Casa Provincial era em Olinda. No primeiro Capítulo Provincial da Província de Santo Antônio do Brasil, aos 5 de novembro de 1659, foi criada a Custódia da Imaculada Conceição do Brasil, com sede na Casa do Rio de Janeiro. Esta Custódia reuniu os nove conventos fundados entre São Paulo e o Espírito Santo. Em 1675, tal Custódia foi elevada a Província da Imaculada Conceição do Brasil. A Província de Santo Antônio do Brasil contava então com os conventos de Olinda (1585), Salvador (1587), Igarassu (1588), Paraíba (1589), Ipojuca e Recife (1606), São Francisco do Conde (1629), Sirinhaém (1639), Paraguaçu (1669), Cairu (1650), São Cristóvão Sergipe Del-Rei (1657), Penedo e Alagoas (1660), e o Hospício da Boa Viagem (Salvador 1710). Durante o século XVIII, vários conventos mantiveram gratuitamente as aulas de gramática para meninos pobres, até que o Governo colonial, em 1785, substituiu os mestres franciscanos por professores leigos. As casas de estudos filosóficos e teológicos eram as de Olinda, Recife, Salvador e, temporariamente, Paraíba. Os Noviciados funcionavam em Igarassu/ PE e Paraguaçu/BA para as vocações brasileiras e portuguesas. Os Frades Menores se distinguiram também como missionários volantes; eles exerciam o sacerdócio durante os longos peditórios (esmolers) Sertão afora, percorrendo do Ceará ao Piauí, realizando desobrigas e recrutando os fiéis à Ordem Terceira da Penitência. Em todos os conventos, as fraternidades terciárias animavam a divulgavam a vida franciscana. Os franciscanos da Custódia se guiavam pelos Estatutos e regulamentos missionários aprovados pela Província de Santo Antônio de Portugal. No Capítulo Provincial de 1659, decretou-se a elaboração dos Estatutos Provinciais e, em 1683, publicou-se os primeiros Estatutos nesta Província. Em 1709, com a finalidade de renovar os Estatutos, a Província de Santo Antônio do Brasil publicou seus novos Estatutos Provinciais que correspondessem às mudanças operadas nesta Província e no Brasil. Ainda em 1659, o Papa Inocêncio XI transferiu a Casa Provincial de Olinda para Salvador e, em 1691, por ocasião do Capítulo Provincial celebrado na Bahia, esta Casa se torna oficialmente a Casa Provincial até 1941, quando a Cúria Geral Franciscana, em Roma, aprova a transferência da Casa Provincial de Salvador para Recife.

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Missão Durante o tempo do Padroado Régio, esta Província, por um decreto régio, estabeleceu que não houvesse mais de 200 frades na Província. Não obstante, os superiores ultrapassaram este número, de maneira que no ano de 1739 havia já 420 frades (361 Irmãos Clérigos e 99 Irmãos de Vocação Laical). Outro decreto régio de 25 de maio de 1740 proibiu receber noviços até que o número de frades fosse reduzido a 400. No entanto, em 1764, esta Província contava com 470 membros. Em 30 de janeiro de 1764, sob a responsabilidade do marquês de Pombal, um decreto régio proibiu a admissão de noviços durante 14 anos. Proibidos de receber noviços, a secularização de muitos frades e a morte dos idosos, a derrocada no número de frades foi inevitável. Em 1801, havia apenas 158 frades, e em virtude de novas concessões, o número, pôde ser aumentado em 1845 até 227 religiosos. Neste mesmo ano, um decreto de Dom Pedro II proibia a admissão de noviços nas duas Províncias, a de Santo Antônio e a da Imaculada Conceição. O governo do Império, por decreto de 19 de maio de 1855, informava que ambas as Províncias estavam proibidas admitir noviços. Por decreto da Congregação dos Bispos e Religiosos, de 27 de março de 1886, os sobreviventes das Ordens foram sujeitos à autoridade dos Bispos. Em 1886, o último o Ministro Provincial da Província de santo Antônio do Brasil, Frei Antônio de São Camilo de Lelis Carvalho, havia insistido junto ao Ministro Geral da Ordem, em Roma, que as Províncias franciscanas do Brasil fossem restauradas por frades da europeus. Atendido os pedidos deste provincial, aos 12 de dezembro de 1889, a missão de Restaurar a vida franciscana no Brasil ficou a encargo da Província Saxônica da Santa Cruz. Aos 27 de dezembro de 1892, os frades alemães chegaram ao Convento São Francisco de Salvador (Bahia), tendo sido realizada, a 2 de março de 1893, a Congregação Capitular dos antigos e novos frades, quando ficou decretada e iniciada a Restauração da Província da Província de Santo Antônio do Brasil. Finalmente, aos 14 de setembro de 1901, o Vigário Geral da Ordem, Frei Davi Fleming, publicou o decreto pelo qual a Província de Santo Antônio do Brasil restaurasse as suas 14 casas e outras cinco foram entregues aos seus respectivos estados (Paraíba, Igarassu, Alagoas, Paraguaçu e Boa Viagem). Outras Casas foram fundadas, a saber: Pesqueira (1902), Igreja Nova (1905), João Pessoa (São Pedro, 1911), outra na mesma cidade (Rosário 1920), Canindé (1922), Fortaleza (1929), Aracaju (1934) Itajuipe (1935), Campo Formoso (1938), Mossoró (1941), Campina Grande (1944), Maceió (1964) e João Pessoa (Cruz das Armas - 1967). Acrescentaram-se, além das Casas acima mencionadas, o Colégio de Bardel (Alemanha) em 1921, o Colégio Seráfico de Ipuarana, em 1940 e as escolas apostólicas de Tianguá (1940) e de Triunfo (1944). No ano de 1951 fundou-se a Residência de Santo Antônio, em Brotas (Salvador), ao lado da Casa de Retiro de São Francisco, construída e dirigida pela província de santo Antônio do Brasil. No ano de 1960, obtida a aprovação da Cúria Romana e com o consentimento da Província da Saxônia, foi fundada em Mettingen (Alemanha) uma Casa com a finalidade de abrir uma Escola Vocacional para vocações adultas adultos. Em 1951, precedida a convenção entre a nossa Província e a Província da Saxônia, um decreto da Cúria Geral desmembrou do território da Província de Santo Antônio do Brasil dos Estados do Piauí e do Maranhão, confiando-os à Província da Saxônia, que ali fundaram a Custódia de Nossa Senhora da Assunção. De 1907 até 1956 a Província de Santo Antônio do Brasil administrou a Prelazia de Santarém (Estado do Pará) e neste tempo ela fundou seis Casas, a saber: Santarém, (1907), Óbidos (1909), Monte Alegre (1910), Alenquer (1930), o Ginásio Dom Amando (Santarém- 1944), entregue à outra administração religiosa em 1951, e Oriximiná (1948). Também nossa Missão entre os índios Mundurucu, no rio Cururu, fundada em 1911, foi entregue ao Comissário de Santarém em 1961, continuando ali dois Missionários nossos. Frei Plácido e Frei Edmundo, na catequese daquela tribo, tendo a Província iniciada outra Missão entre os Tirió em 1960, na Prelazia de Óbidos, elevada à residência a 28 de dezembro de 1964. Desde então, a Província de Santo Antônio do Brasil continuou a sua missão no Brasil ensaiando novas formas de vida e evangelização na Ordem e na Igreja num mundo em movimento acelerado.mando o seu sangue para a glória de Deus." lembrou o frade franciscano. Ao final pediu para que João inspire a todos os fiéis e o desejo de conversão e de uma vida que anuncia o Mestre Jesus. Por Frei Marcos Almeida, OFM

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Formação Permanente

A SANTA UNIDADE VIVIDA POR SANTA CLARA NOS CONVIDA A REFLEXÃO EM MEIO A UM PROCESSO DE SINODALIDADE

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o dia 11 de agosto a Igreja celebra Santa Clara de Assis, fundadora da Segunda Ordem Franciscana e Virgem. Dentre tantas características que nos chama atenção desta Plantinha de São Francisco, uma ganha espaço e se torna propício para o momento eclesial onde vivemos marcado pela sinodalidade, estamos falando da observância e do desejo profundo de viver a santa unidade.

Em Clara de Assis resplandecia a unidade porque antes de tudo ela viveu a busca incessante de estar unida ao Esposo Celeste num caminho de intimidade e de total consagração de si mesma. A relação de Clara com Cristo é tornada visível no transbordamento de uma caridade encarnada na relação com suas Irmãs, com Francisco e seus irmãos, com a Igreja, com toda a humanidade e com toda a criação. Através de um contínuo “olhar, considerar e contemplar” ela encontra, escuta e discerne em fraternidade sobre o caminho de fé que possibilita ver a presença e a ação de Deus no decurso da própria história e de toda a história humana. Pela vida e pelas palavras, Clara ensina-nos o inestimável dom da unidade, reflexo da Comunhão da Trindade, caminho de corresponsabilidade no amor, onde todos são vistos como participantes de uma única e mesma dignidade. Na produção deste artigo, contamos com trechos retirados do Livro Espiritualidade de Santa Clara da Ir. Maria Victoria Triviño, OSC e do artigo: Chiara D"Assisi: Donna Sinodale-Fr. Fábio Cesar Gomes, da Revista Comunhão e Comunicação nº 59. Queremos abaixo detalhar alguns desejos de unidade que Clara trazia para com tudo que estava ao seu redor, na certeza de assumir o nosso desejo de também caminhar com ela. O caminhar de Clara com Jesus Desde cedo, ainda na casa paterna, Clara deixou-se guiar pelo desejo ardente de unir toda a sua vida à vida de Cristo Pobre e Crucificado. À medida que crescia e amadurecia nas sendas da oração no seguimento de Jesus, mais se desdobrava em caridade operosa para com os pobres. Fazia-se presente junto deles através das frequentes doações que lhes enviava para alívio de sua indigência. Pertencendo a alta nobreza de Assis, seu coração não era insensível àqueles que nada tinham, ao contrário, os necessitados tomavam parte da abundância de sua casa. Mergulhar na vida de Deus significou para Clara participar também da vida do pobre. Seguia Cristo sem divisão: os preferidos de Jesus eram também os seus. Seguindo o exemplo de Clara, somos convidados a seguir Jesus caminhando junto com os que nada tem. A deixar o coração sensível para perceber o Cristo que clama, a testemunhar a presença fraterna que se faz dom a partilhar com os que mais precisam. Clara, mulher que caminha com Francisco “Se Cristo é o Caminho no qual e com o qual Clara quer caminhar, segundo o que ela nos diz em seu Testamento, foi Francisco a o “mostrar e ensinar com a palavra e o exemplo” (TestC5). Por isso, se Cristo é o Caminho, Francisco foi sempre para Clara a seta, a indicação segura que sempre apontava em direção a Cristo. E isto, desde o início de sua experiência espiritual, quando, segundo a Legenda, aquele Francisco, do qual Clara talvez havia assistido o despojamento diante do Bispo de Assis, “infundiu em seus ouvidos a doce relação esponsal com Cristo” (LegC5,5). Desde o início, portanto, Clara caminhou com Francisco, permanecendo sempre ao seu lado com a presença da sua oração.”

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Família Franciscana Aprendemos com Clara a seguir com docilidade a Voz do Senhor que nos orienta e nos fala através das mediações que o Senhor coloca em nosso caminho de fé. Clara que caminha com suas Irmãs “São numerosas as passagens das Fontes Clarianas que testemunham o quanto Clara, para além das graças concedidas a ela por Deus, e o título de Abadessa que lhe foi conferido, não se sente jamais acima de suas Irmãs de São Damião, condividindo com elas as fadigas e as alegrias do caminho comum no seguimento de Cristo Pobre e Crucificado. Na verdade, Clara não pensa no seu papel de Abadessa em termos de poder sobre suas Irmãs, mas de serviço e de exemplo (cf. TestC 53,61), determinando que a Abadessa convoque, ao menos uma vez por semana todas as Irmãs ao Capítulo (cf. RsC 4,15), ocasião privilegiada onde as Irmãs possam regular o ritmo do próprio caminho.” Clara confia na corresponsabilidade das Irmãs para a vivência e o cuidado do Carisma. Tal corresponsabilidade marca a vida das Irmãs pela unidade de espírito, mútua caridade e altíssima pobreza. Como Igreja, todos somos chamados a aprender também a corresponsabilidade, oferecendo um testemunho de comunhão e unidade. Clara, uma mulher que caminha com a Igreja Conhecemos todas as dificuldades que Clara enfrentou para aprovar a sua Regra, especialmente as dificuldades de uma hierarquia eclesiástica que, apesar de a amar e a admirar, tinha grandes dificuldades de compreender a natureza específica de seu carisma. Mas em Clara não vemos jamais uma palavra de condenação ou de falta de respeito pela Igreja. Não encontramos jamais um movimento de ruptura, porque, para ela, caminhar com Cristo, isto é, observar “para sempre a santa pobreza e humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe e o Evangelho", é possível somente quando se caminha com a Igreja. Uma Igreja que é, ao mesmo tempo aquela triunfante que Clara contempla na sua glória mas também aquela militante marcada de fragilidade e de incoerência humana, que ela não quer que as suas Irmãs ofendam jamais, permanecendo sempre fiéis no caminho de Cristo (cf. TestC 74-75). Com Clara aprendemos a caminhar em comunhão com a Igreja, em obediência e docilidade filial ao Santo Padre, que para Clara era o doce Cristo na terra. Clara uma mulher que caminha com a humanidade Para Clara, o horizonte de comunhão sempre se alarga. Ela não quer somente caminhar com Francisco, com as suas Irmãs e com a Igreja, mas também caminhar com toda a humanidade, pela qual Cristo se fez Caminho e pela qual viveu, morreu e ressuscitou. Por isto, no claustro de São Damião, Clara deixava entrar todos os dramas e as alegrias da humanidade, tanto que muitas pessoas acorriam a São Damião para pedir a sua benção e a sua oração, como sabemos dos vários testemunhos de curas narradas em seu Processo de Canonização. Como se diz no seu Testamento, Clara desejava que as Irmãs, transformadas no espelho-Cristo, fossem “um exemplo e um espelho para aqueles que vivem no mundo”. No coração de Clara havia espaço para todos, com ela aprendemos a alargar os espaços do coração para acolhermos nossos irmãos e irmãs para além de quaisquer diferenças, neles contemplamos o próprio Cristo, em suas dores e esperanças. Clara, uma mulher que caminha com toda a criação No tempo de Francisco e Clara não se falava de Ecologia, que é uma palavra moderna, mas eles já viviam o que ela significa, isto é, a admiração e o respeito por todo ser da criação e o conhecimento de que tudo está interligado. (...) Clara viveu uma estreita relação com a natureza que a circundava em São Damião, habitando ali com sobriedade, trabalhando com as próprias mãos, lavando os pés das suas irmãs e louvando sempre a Deus por todas as suas criaturas, como aconJUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Formação Permanente selhava às irmãs que enviava a servir fora do mosteiro, segundo nos diz a 14ª testemunha de seu Processo de Canonização, exortando “que quando vissem as árvores belas, floridas e frondosas, deviam louvar a Deus, e do mesmo modo quando vissem os homens e as outras criaturas, louvassem sempre a Deus por cada coisa e em todas as coisas.” Clara nos ensina a cuidar da criação, que para ela é reflexo do amor criador de Deus. Nela se manifesta o cuidado e o respeito para com todas as criaturas A convocação do Papa Francisco para este processo sinodal que segue até 2023 é uma constante busca pela unidade, unidade esta que diferente da uniformidade quer unir todos os irmãos com suas diferenças e individualidades no mesmo espaço eclesial, favorecendo a cultura do encontro, a escuta e ainda os processos de discernimentos existentes. Este processo que tem sido tão caro para Francisco e que foi para Clara deve guiar a vida eclesial, voltando cada vez mais para suas origens onde os cristãos viviam em comum-unidade. A Santa Unidade é o aroma da Forma de Vida inaugurada em São Damião. Clara, por palavras e muito mais pela vida, convoca suas Irmãs para uma relação comunitária como participação na Comunhão de amor da Trindade. Tanto nas expressões de caridade como nos momentos de decisão, nos quais Clara reuni todas as irmãs para um caminho de discernimento para o bem comum. A Regra redigida por Clara apresenta os meios necessários para se garantir uma convivência de igualdade. Na Comunidade de Clara se esquecia as diferenças da origem social de cada uma, havia busca por autêntica e comum dignidade, como participantes de uma mesma vida, missão e destino. Aprendemos de Clara a conservar o espírito de Santa Unidade vivendo os passos que a Igreja hoje nos propõe: encontrar, escutar e discernir. Esta forma de caminhar juntos é o que edifica e constrói o Reino de Deus. Por Irmãs Clarissas de Canindé e Comunicação Provincial

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Família Franciscana

IRMÃ MARIA FRANCISCA DA SANTÍSSIMA TRINDADE CELEBRA 25 ANOS DE PROFISSÃO RELIGIOSA

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mês de agosto é dedicado às vocações e no terceiro domingo lembramos a Vocação a Vida Religiosa Consagrada. No Mosteiro das Irmãs Clarissas em Canindé este mês ganhou um espaço especial com a celebração da Vocação da Irmã Francisca da Santíssima Trindade que este ano comemora seus 25 anos de Profissão Religiosa.

Ir. Trindade é natural de Currais Novos-RN, recebeu no batismo o nome de Francisca das Chagas da Silva. Ingressou no Mosteiro Santa Clara de Campina Grande na Paraíba no ano de 1992. Na vestição monástica, recebeu o nome de Ir. Maria Francisca da Santíssima Trindade. Foi escolhida para estar entre as Fundadoras do Mosteiro do Santíssimo Sacramento em Canindé-CE, chegou ao novo Mosteiro ainda noviça e professou os Primeiros Votos no dia 03 de agosto de 1997. No dia 20 de agosto de 2020, a religiosa fez a profissão de forma definitiva seus Votos de Obediência, Sem Próprio, Castidade e Clausura, segundo a Regra deixada por Santa Clara de Assis. O Jubileu de Prata da religiosa aconteceu no dia 21 de agosto com uma celebração em ação de graças no Mosteiro às 8h. Os Familiares presentes, amigos e outros religiosos puderam testemunhar pela riqueza do simbolismo dos ritos litúrgicos a renovação dos votos e se unir ao sentimento de gratidão elevado por Ir. Maria Francisca da Santíssima Trindade.

Frei Almeida que presidiu a celebração destacou em sua Homilia a relação profunda com a Solenidade daquele domingo, a Assunção de Nossa Senhora, e o quanto esta data, orna a Festa Jubilar. “A opção da Ir. Trindade pela vida religiosa consagrada é uma antecipação deste subir ao céu.” E continuou, “A vida Religiosa Consagrada ainda não é o Reino de Deus em sua plenitude, mas é um Sinal deste Reino de Deus em nosso meio”. A celebração seguiu com o momento da Renovação da Profissão, benção e entrega das insígnias que simbolizam o sentido esponsalício da Consagração Religiosa e os rito comun á celebração Eucarística. Ao final, durante a leitura de uma mensagem, sua sobrinha destacou a beleza da vida da religiosa e o quanto isso alegra o coração de todos os familiares e lembrou ainda que os religioso recebem três grande privilégios: "A onipotência sem poder, a embriaguez sem vinho a vida sem morte como sempre falou São Francisco.”

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Ir. Maria Trindade: “Mesmo achando algo estranho, sempre senti algo diferente no meu coração quando entrava no Mosteiro” Preparamos algumas perguntas para que Ir. Maria Francisca da Santíssima Trindade pudesse falar mais sobre estes 25 anos de Profissão Religiosa. Embalada pelas poucas palavras mais com vigor e convicção, a religiosa destacou aquilo que é próprio do carisma franciscano: o desejo de se integrar inteiramente a sua fraternidade. “Foi algo que nasceu no mais profundo do coração e foi crescendo a partir de quando comecei entender o que Deus tinha para mim.” Destaca Ir Trindade ao ser indagada sobre o início de sua caminhada vocacional. A clarissa também fala que antes da entrada do Mosteiro participou de alguns grupos franciscanos, de discernimento vocacional, mas que quando entrava no Mosteiro sentia algo diferente no coração. “Fui duas vezes no Mosteiro de Campina Grande e não demorei muito para entrar. Com ajuda de Madre Cecilia que foi uma grande incentivadora de minha vocação, logo pude iniciar um processo com as Clarissas, o que me deixou muito feliz”, frisa a religiosa. Perguntamos à Irmã Trindade sobre o seu Jubileu e o que essa data significa: “Eu pensava que Jubileu era celebrar a velhice, mas ao contrário é lembrar uma longa caminhada já trilhada repleta de desafios. Mas esse momento pra mim tem sido algo diferente, nunca pensei que seria tudo isso que sinto hoje e acredito que deve ser bem vivido.” E mesmo com um receio de olhar para frente, a Ir. Clarissa destaca que seu grande sonho é ver cada vez mais, com mais jovens e irmãs querendo vive a forma de vida deixada por Santa Clara e querendo viver a santidade. Ir. Trindade também destacou o que mais lhe encantava no carisma de Santa Clara em meio a tantas características: “O que mais me encantava e o que mais achava importante na vida de Santa Clara era a Fraternidade. O Silêncio, a vida de oração, a contemplação só conseguiremos viver se antes formos fraternas”. Pedindo para deixar uma mensagem pras jovens que desejam ouvir o chamado de Deus, Ir. Trindade foi incisiva: “Não tenha medo, se você se sentir chamada. Os desafios vão nos acompanhar em tudo, o grande diferencial vai ser a nossa perseverança diante deles.” Por Comunicação Provincial | Foto: Mosteiro do Santíssimo Sacramento

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Família Franciscana

XXXIX CAPÍTULO ELETIVO NACIONAL DA ORDEM FRANCISCANA SECULAR

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cada três anos, os membros da Ordem Franciscana Secular, reunida em Assembleia ou em Capítulo Eletivo elege o Ministro e o Conselho segundo as normas previstas nas Constituições e nos Estatutos que lhe são próprios. Assim está descrito no artigo 49 das Constituições da OFS e, dessa forma, os franciscanos seculares buscam se organizar e animar a vida fraterna a nível nacional, mas também a partir de cada lugar onde estão presentes. Neste ano de 2022, dos dias 18 a 21 de agosto, a Fraternidade Nacional da OFS se reuniu na Pousada Convento da Conceição em Olinda/PE para celebração de mais um Capítulo eletivo. Baseados no tema "Franciscanas e Franciscanos Seculares: Espelhos de Cristo como Profetas da Esperança" e o lema "Testemunhar Jesus crucificado, solidarizando-nos com as dores do povo", os participantes do encontro refletiram sobre o caminho trilhados e os planos a seguir. Entre os participantes convocados para o capítulo estavam os ministros e vice ministros regionais, assistentes espirituais e ainda convidados e observadores. Além dos momentos próprios da Eleição, a programação contou ainda com momentos formativos, oficinas, convívios fraternos e de orações.

O início do processo eletivo deu início ainda no sábado (20) após a Deposição dos Cargos, e foi conduzido pelo Ministro Geral, Tibor Kauser. Maria José Coelho foi reeleita como Ministra Nacional da OFS e Marco Antônio Rodriguez reeleito como Vice Ministro da fraternidade Nacional. Emanuelson Matias assume o serviço de Secretário do Conselho Nacional, Felipe Paiva Guedes reeleito como Tesoureiro, Bernadete Pereira foi escolhida como Coordenadora Nacional de Formação e Lourival Godinho como Assessor Jurídico. Outra eleição realizada foi em relação aos coordenadores de áreas: Área Norte: Ailda Roberta Ouriques de Oliveira Gouveia, área Nordeste A: Iramar de Souza Franco, área Nordeste B: Helmir José Soares da Silva, área Centro-Oeste: Darilene Pereira da Silva, área Sudeste: Dirlene Loyola e área Sul: Célia Pletz JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Família Franciscana Um dos momentos mais significativos do Capítulo foi uma Carta nomeada de Pacto de Olinda onde as capitulares puderam assinar junto ao lugar onde se encontra o corpo de Dom Helder Câmara, se comprometendo com alguns temas tais como a opção preferencial pelos pobres, o cuidado da Criação, a Economia de Francisco e Clara, a busca de ser uma Igreja Profética etc.

"O Canto de Maria deve ser o projeto para esta Fraternidade Nacional" A Missa de posse do novo Conselho e de Encerramento do Capítulo aconteceu no domingo (21) na Igreja do Convento onde aconteceu o encontro e foi presidida por Frei Tomás Ginga Panzo, OFMCap. Durante sua homilia, lembrando o Cântico de Maria o frade capuchinho ressaltou que este canto deve ser o projeto para a fraternidade Nacional do Brasil para este triênio. "Agradecer diante de tudo, reconhecer as próprias limitações, mas sobretudo colocar-se a disposição da vontade do Senhor", frisou o celebrante. "Estimemos nossas fraternidades e façamos dela um local para viver a reconciliação e a Misericórdia", pediu o celebrante que também compõe o CIOFS (Conselho Internacional da Ordem Franciscana Secular). No final de sua reflexão, o frade pediu ainda para "não deixais morrer o carisma Franciscano nestas terras brasileiras. O futuro de nosso carisma também está em vossas mãos". Após a Homilia, seguiu-se com o rito de posse do novo Conselho. Tibor Kauser, Ministro geral convidou os irmãos eleitos que logo prometeram servir os irmãos da Fraternidade Nacional da Ordem Franciscana Secular. O Ministro confirmou o novo Conselho e convidou a todos a saudarem os irmãos num gesto de fraternidade.

Por: Comunicação Provincial | Foto: Ordem Franciscana Secular

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Patrimônio

JUNTOS PELO PARQUE DAS RELIGIÕES

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o dia 10 de agosto de 2022, franciscanos e jesuítas vão se unir a educadores de Pernambuco para a construção do Parque das Religiões. É um projeto que vem sendo sonhado e trabalhado há mais de uma década, mas que ganha grande impulso com o acordo que será firmado no Convento de São Francisco de Olinda, em cujo sítio será justamente construído o museu Parque das Religiões. Na presença de animadores culturais da região, assinarão o documento o padre Pedro Rubens S.J., reitor da UNICAP; o frei João Amilton, provincial dos franciscanos; e Sérgio Ferreira e Pedro Pereira Cavalcante Filho, pelo Instituto Museu Parque das Religiões. E um baobá, árvore sagrada do Povo de Santo, será plantada como marco inicial dessa iniciativa, ao mesmo tempo ecológica e ecumênica. Em verdade, inspirados pela encíclica “Laudato Si” (Louvado Sejas) do Papa Francisco e pelo “Documento do Sínodo para a Amazônia“, franciscanos e jesuítas têm se unido para empreender reflexões e ações voltadas à luta pela justiça socioambiental, contra toda forma de exploração e desigualdade socioeconômica, contra toda expressão de racismo e em defesa da democracia, entendendo que essa causa da ecologia integral é também a maior motivação para o ecumenismo e macroecumenismo, para o diálogo entre as religiões e convicções. Há 800 anos, São Francisco questionou a estratégia das cruzadas católicas e buscou dialogar com o Sultão muçulmano Al-Malik. Há 400 anos, na China, Matteo Ricci e os jesuítas começaram um diálogo intercultural e inter-religioso buscando colaborar com tudo o que leva a humanidade “para frente e para cima”. Tais experiências motivaram a abertura desses religiosos para o estudo científico das tradições de fé e para a meditação mística sobre os dados das ciências, levando-os a acolherem e promoverem o mais amplo ecumenismo entre os grupos espirituais e filosóficos que defendem a justiça e a compaixão, o mais sincero diálogo com as pessoas que amam a vida e a liberdade. Por isso, especialmente os franciscanos e os jesuítas abraçaram um movimento internacional, “Laudato Si Revolution”, que se reveste de grande simbolismo por aproximar os carismas e as forças dos dois grandes santos fundadores, Francisco e Inácio, que se refletem na imagem do Papa Francisco, personificando os dois enquanto jesuíta que escolheu o nome de Francisco. Essa união propõe uma “revolução” que incorpora profunda mudança de paradigma no relacionamento com a Terra, nossa “casa comum”, convidando as religiões para a promoção da fraternidade contra as injustiças e a favor do cuidado com o meio ambiente.

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Patrimônio Entrando nessa ciranda ecológica e ecumênica, os franciscanos de Olinda resolveram abrir o sítio do seu Convento, o mais antigo do Brasil e que abriga a primeira biblioteca pública do estado, para acolher o Parque das Religiões: projeto de educadores da sociedade civil que vem sendo desenvolvido com suporte dos estudos de religião cultivados pelos jesuítas na Universidade Católica de Pernambuco, assessorado desde o início pelo seu Observatório das Religiões. Em pleno coração do Sítio Histórico, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, com apoio do poder público e financiamento de empresas parceiras, vai surgir, então, um jardim para meditação sobre a mística que se desenvolve entre e além das tradições religiosas, para contemplação e envolvimento com a natureza, em torno de uma secular fonte de água e com vista para o mar verde da “Marim dos Caetés”. Aí serão construídos, também, em harmonia com o ambiente natural e histórico, um anfiteatro e um conjunto de tendas com apoio em tecnologias de interação, procurando educar para a interpretação das linguagens simbólicas e o diálogo entre as religiões e destas com as ciências, desenhando assim um museu dinâmico para acolher jovens que desejem conhecer o desenvolvimento das religiões, seus personagens divinos e palavras inspiradoras, os espaços, calendários e rituais sagrados, as visões da vida para além desta, a vivência comunitária e ética nas tradições, seus conflitos, sincretismos e diálogos místicos e culturais. Em meio aos sinos misteriosos de Olinda, o Parque das Religiões de Pernambuco começa a surgir como equipamento cultural e pedagógico para mostrar que um outro mundo, de diálogo para a paz com justiça, é desejável e é possível. A missão do Parque das Religiões é desenvolver aprendizagens críticas e transdisciplinares sobre as experiências espirituais da humanidade, constituindo um ponto importante de atração turística para Pernambuco, um sítio de educação humanista para o mundo. O museu quer estimular a busca de significados mais profundos para esse patrimônio cultural da humanidade que são as espiritualidades, tanto religiosas como também não ou pós-religiosas. Será um polo de fascinação, um farol diferente em Olinda: em meio ao crescimento de fundamentalismos político-religiosos muito intolerantes no Brasil, vai acender a luz da educação científica sobre a religiosidade. E, juntos, somos todos convidados a trilhar o caminho do Papa Francisco na “Laudato Si” (n.244): “Na expectativa da vida eterna, unimo-nos para tomar a nosso cargo esta casa que nos foi confiada, sabendo que aquilo de bom que há nela será assumido na festa do Céu. Juntamente com todas as criaturas, caminhamos nesta terra à procura de Deus, porque, ‘se o mundo tem um princípio e foi criado, procura quem o criou, procura quem lhe deu início, aquele que é o seu Criador’. Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança”. Por: Gestores do Parque das Religiões

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Patrimônio

OBRAS SACRAS ROUBADAS, VOLTAM AO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO EM RECIFE

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uem entra no Convento Santo Antônio, na Rua do Imperador no Recife antigo, se encanta com a beleza da Igreja do período Colonial repleta de simbolismos e de detalhes. As imagens de estilo barroco, chamam atenção e são logo procuradas por quem busca fazer suas preces e elevar suas orações aos santos. Em novembro de 2009, um caso chamou atenção após o desaparecimento de 11 peças do referido Convento. Depois de 13 anos, a Polícia Federal devolveu os objetos furtados ao Convento. A devolução do material datados entre os séculos XVII e XVIII, aconteceu no dia 16 de agosto, pela 36ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco (JFPE). Entre os objetos estão duas imagens de Santo Antônio e uma estátua de Nossa Senhora do Rosário, além de castiçais, escultura de madeira, e livros litúrgicos em outros idiomas. Muito destes materiais são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Frei José Edilson Maurício dos Santos, OFM, Guardião do Convento do Recife e Frei Roberto Soares, OFM, responsável pelo Serviço de Patrimônio Histórico da Província de Santo Antônio do Brasil, acolheram com alegria o retorno dos objetos que além de tudo, contam a história devocional de um dos primeiros Conventos dedicados ao Santo Franciscano no Brasil. Por: Comunicação Provincial | Foto: Divulgação/Justiça Federal

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Igreja e Ordem

DECRETO DO PAPA QUE AUTORIZA IRMÃOS DE VOCAÇÃO LAICAL SEREM SUPERIORES É UMA VOLTA AS ORIGENS DO MOVIMENTO FRANCISCANO

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Agência de notícia especializada em cobrir o dia a dia do Vaticano, Rome Reports, apresentou no último dia 21 de agosto o resultado de uma entrevista feita com Dom José Rodríguez Carballo, ex-Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores de 2003 a 2013 e atualmente Secretário Geral da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, sobre o rescrito do cânon 588, §2, do Código de Direito Canônico, que dá a este Dicastério a faculdade de autorizar o ofício de Superior Gerais para irmãos não clérigos. A discussão sobre o desejo de restabelecer o sentido original da fraternidade na Ordem franciscana já cruza alguns anos e também é pauta nos Capítulos e reuniões de outros Institutos de Vida Religiosa. Um sinal de esperança brotou no decreto publicado no dia 18 de maio deste ano, quando o Papa Francisco respondeu ao pedido de maior igualdade entre membros ordenados e não ordenados de instituições religiosas. Na matéria intitulada “Por que o Vaticano decidiu aderir ao pedido da família franciscana?”, Dom José Rodrígues ressalta que “isso vem acontecendo há muitos anos. O assunto foi retomado em comunhão com os capuchinhos e conventuais na época de Bento XVI e foi solicitado que nossas ordens fossem declaradas institutos mistos porque a ordem dos Frades Menores nasceu como uma fraternidade e não como um instituto clerical.” A partir de agora, nos Institutos de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica Clerical, quando um religioso leigo ou leigo consagrado for eleito, o seguinte processo será seguido: a nomeação de um superior local dependerá do Superior Geral com o consenso de seu Conselho e não precisará da aprovação do dicastério dos religiosos. A aprovação nessa instância só será possível quando da eleição de um Ministro Geral. O Secretário Geral do Dicastério afirma também que “esta é uma novidade importante porque até agora os principais superiores tinham que ser clérigos […].” Tal mudança afeta inclusive o estilo de vida consagrada feminina nas quais, muitas delas precisam de um ministro ordenado para ser superior do instituto.

Frei Massimo Fusarelli: “Benéfico para a natureza fraterna de toda a Igreja” O mesmo site de notícias fez uma entrevista sobre o mesmo tema no último dia 12 de agosto com o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Massimo Fusarelli. O frade menor afirma que “o Papa Francisco respondeu ao desejo e pedido explícito de vários institutos religiosos, que era o de restaurar o carácter carismático à vida religiosa. Portanto, os irmãos clericais, nós padres, e os irmãos não clericais, os leigos, temos os mesmos direitos e deveres. A nossa Ordem, tal como outras, teve durante séculos irmãos sacerdotes e irmãos não-ordenados a viver e trabalhar juntos, sem distinção."

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Igreja e Ordem O Ministro Geral também recordou que no início da Ordem dos Frades Menores, não havia distinção entre os irmãos clérigos e os irmãos leigos. "Tivemos São Francisco. Ele não era padre. Mesmo o general depois dele, Irmão Elias. Nascemos como famílias onde, em primeiro lugar, somos todos irmãos, professando a mesma regra e é isso que nos une e que nos permite fazer tudo em fraternidade. Mas todos nós, incluindo algumas outras instituições, queríamos encontrar a característica original da vida religiosa que é uma grande parte do que somos. Este rescrito não altera o Direito Canónico, mas, em casos individuais, permite que membros não ordenados sejam nomeados como superiores locais ou superiores maiores da sua ordem religiosa". Frei Massimo lembra ainda que esse rescrito "ajudará a reconhecer melhor que somos realmente uma fraternidade de iguais e que temos um título comum. E o que nos une é, para nós Franciscanos, por exemplo, a profissão da regra franciscana. Este texto atrás de mim é o que nos une. Isso faz de nós Frades Menores e religiosos. Alguns de nós são chamados a servir a Igreja e o povo de Deus como sacerdotes, mas outros não. No entanto, o que nos une é o fato de sermos irmãos." O frade afirmou ainda que "Reconhecer que existe igualdade entre irmãos religiosos não é apenas benéfico para a vida religiosa, mas para a natureza fraterna de toda a Igreja". Por: Comunicação Provincial e Rome Reports| Foto: Rome Reports

CONFERÊNCIA FRANCISCANA BRASIL E CONE SUL SE REÚNEM EM ASSUNÇÃO, NO PARAGUAI

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lugar escolhido para a reunião dos membros da Conferência Franciscana Brasil e Cone Sul fala muito da Missão dos frades presentes no Brasil, Argentina, Chile e Paraguai. Frei Luís de Bolaños, que dá nome a casa de Retiro localizada em Lambaré no Paraguai, foi um pioneiro na evangelização dos guaranis no Paraguai, traduziu uma versão do catecismo para língua guarani e dedicou sua vida pela evangelização dos mesmos. O ardor missionário presente na vida deste religioso interpelou as pautas e os assuntos presentes durante os dias de reunião que aconteceram de 24 a 27 de agosto. Além dos 12 Ministros Custodiais e Provinciais provindos das entidades que compõe a Conferência, Frei César Külkamp, OFM, Definidor Geral, participou dos dias de encontro juntamnete com a participação virtual do Ministro Geral Frei Massimo Fusarelli que de uma forma espontânea ouviu e respondeu as perguntas feitas pelos frades presentes, motivando-os a refletir sobre os desafios e as realidades da Ordem e interpelando-os a tornar ainda mais presente em todos os lugares o carisma franciscano. JUL - AGO / 2022 NOTÍCIAS

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Igreja e Ordem Segundo o site da Província Franciscana da Assunção da Santíssima Virgem do Rio da Prata, entre os temas discutidos estavam a Formação e Estudos - tendo como ponto de partida as sugestões feitas pelos Secretários de Formação e Estudos em março de 2022 em reunião em São Paulo (o mesmo foi feito com os demais secretários e escritórios) -, Evangelização e Missão, JPIC e Economia. Temas relacionados à marcha da UCLAF (União das Conferências Franciscanas latino-americanas), cuja próxima Assembleia está agendada em São Paulo, Brasil, entre os dias 23 e 28 de janeiro de 2023, também foram discutidos. E ainda um tema que ocupou um maior tempo devido à sua importância foi sobre a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis, para o qual houve uma exposição do chefe dessa área na Ordem, Frei Albert Smuky, OFM. Por fim, foram aprovados os acordos que abrangem as atividades para os anos de 2023 e 2024 e serão publicados pela Secretaria da Conferência oportunamente. O Encontro também foi marcado pela convivência e acabou se tornando uma oportunidade para conhecer melhor e experimentar a presença e a influência do Carisma Franciscano nas terras paraguaias com visitas a lugares especiais como a Catedral Basílica de Nossa Senhora dos Milagres, Caacupé e ainda momentos fraternos com cantorias e apresentação da cultura local. Por: Comunicação Provincial e ofm.org.ar | Foto: Conferência Franciscana do Brasil e ConeSul

“CUIDEMOS DA AMAZÔNIA”, PEDE CARDEAL LEONARDO STEINER

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ssa foi uma exortação feita pelo neo-cardeal Leonardo Ulrich Steiner, por ocasião do anúncio da sua nomeação como Cardeal, durante o IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, em junho deste ano: “Que cuidemos da nossa Amazônia, cuidemos da nossa Casa Comum, não deixemos que a destruam. A nossa Casa é o lugar da nossa vida, é o lugar do nosso encontro, é o lugar das nossas famílias, o lugar da nossa sociedade e da Igreja. Que especialmente saibamos cuidar dos povos, saibamos respeitar as culturas e os povos originários e que como Igreja possamos ser uma presença cheia de esperança”. Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia e membro da Diretoria da REPAM-Brasil, foi criado cardeal na tarde do dia 27 de agosto juntamente com o arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa e outros 18 novos. O mais jovem cardeal é um missionário da Consolata, Dom Giorgio Marengo, com apenas 48 anos de idade. Denominado pelo povo brasileiro desde a notícia da nomeação como Cardeal da Amazônia, Dom Leonardo se diz muito feliz com a alegria do povo amazonense com a sua nomeação e falou da atenção do Papa para com a Amazônia: “O nosso povo é muito afetuoso, tudo é mais familiar, é mais aconchegante e mostram o afeto e o carinho que o Papa tem pela nossa região e pelas nossas Igrejas que estão na Amazônia e isso me dá muita satisfação e alegria por, também, ver que o Papa está ligado à nossa Igreja. No tempo da pandemia ele já havia me ligado e com este gesto da nomeação, ele mostra o quanto está próximo de nós que vivemos na Amazônia”. Por: repam.org.br | Foto: Alberto PIZZOLI/AFP

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Igreja e Ordem

CONHEÇA O CADERNO QUE REÚNE REFLEXÕES, DISCURSÕES E COMPROMISSO COM A POLÍTICA

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stamos há menos de um mês do primeiro turno das Eleições Nacionais 2022. No próximo dia 2 de outubro os mais de 156 milhões de brasileiros poderão se dirigir até as urnas para escolha de deputados federais e estaduais, governadores, senadores e presidente. A partir do dia 26 de agosto as propagandas eleitorais gratuitas começam a ser veiculadas no rádio e na TV. Na hora de acompanhar as propostas dos candidatos e fazer o discernimento em quem se irá votar, é precisar ter uma consciência e fazer uma reflexão acerca do objetivo comum.

Uma dica de material para fazer bem esse processo é a Cartilha preparada por uma rede de organizações, Comissões Episcopais Pastorais para o Laicato e para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, serviços, pastorais sociais e organismos da Igreja, Rede Brasileira de Fé e Política, com o apoio da CNBB e que faz um convite para um maior Encantamento pelo Política. Este processo de Encantamento está muito próximo daquilo que o Papa Francisco tem insistido nas suas reflexões. Em sua recente carta Encíclica "Fratelli, Tutti", o santo padre dedica um capítulo intitulado de A Política Melhor com 43 parágrafos repletos de reflexões sobre uma política voltada para o serviço do bem comum. O Papa reafirma e convida a todos mais uma vez a revalorizar a política, que "é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum" (Fratelli Tutti, 180). O pontífice recebeu por meio de Dom José Valdeci Mendes dos Santos, bispo de Brejo/MA, um exemplar e destacou que deu para perceber a alegria no rosto do Papa em ver a Igreja do Brasil se preocupando com esta reflexão. A Cartilha foi lançada em Maio deste ano e na mensagem de apresentação do material, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte/MG e Presidente da CNBB, afirma que este caderno "é mais uma possibilidade formativa enquanto contribuição importante no âmbito da educação política cidadã, pela verdade na política, reunindo densas lições de nosso amado Papa Francisco, para inspirar estudos, reflexões e atitudes que tenham no horizonte este propósito: ajudar cada pessoa a se reconhecer importante, essencial, na edificação de um mundo com as feições do Reino de Deus, todos à procura dele em plenitude". A publicação que é destinada especialmente às pessoas atuantes nas comunidades e paróquias, tais como animadoras e animadores de celebrações, catequistas, ministras e ministros da Palavra, participantes de grupos e movimentos, e agentes de pastoral em geral, está organizada em cinco capítulos que trazem uma reflexão acerca da universalidade do Amor Cristão, a amizade social e a ética na política, as grandes causas do Evangelho, o cuidado da Casa Comum, e por último, 2022 – Eleições e Democracia. A Cartilha faz parte de um Projeto nomeado Encantar a Política – Eleições 2022 e também conta com um hostsite (www.cnlb.org.br) que oferece, entre outros materiais tais como pequenos vídeos, cards para as redes sociais, podcasts, artigos e declarações. Por: Comunicação Provincial | Foto: Cartilha Encantar a Política

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Serviço Provincial de Comunicação Arte: Erick Ramon Diagramação: Roberto Alves Revisão: Frei Faustino dos Santos, OFM Frei Artur Bruno S. Medeiros, OFM Frei Marcos Antônio de Almeida, OFM Expedição: Secretaria Provincial Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Rua Imperador, 206, Recife - PE. CEP: 50010 - 240 - Tel: (81) 3424-4556 www.ofmsantoantonio.org / E-mail: ofmnordeste@gmail.com