2021 - Notícias - Março/Abril

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Março - Abril / 2021 - Ano LXVI nº 499

A morte é superada pela Ressurreição. Frei Adimar Colaço, ofm


SUMÁRIO

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MENSAGENS -Mensagem do Ministro Provincial por ocasião da Páscoa - Mensagem do Ministro Geral por ocasião da Páscoa

VIDA FRATERNA - Últimas do I Definitório 2021-2023 - Posse de Frei Jonaldo Adelino na Paróquia de São Miguel - Posse de Frei Macelo Freiras na Paróquia de Nossa Senhora das Dores - Transferência do Frei Segismundo Feitosa Gomes - Encontros Vocacionais Virtuais - Vida no Noviciado Comum - Os frades e a subsistência das casas - Frades são Imunizados contra covid19 - Encontro dos Guardiães e Vigários das Casas - Visita do Bispo Auxiliar de Olinda e Recife à Fraternidade Santo Antônio do Recife - Falecimento do Frei Adimar Colaço - Falecimento do Frei Casimiro Pereira IGREJA E ORDEM

26 - Carta do Ministro Geral sobre um Ano da

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Pandemia - Mensagem da Ordem para o mês do Ramadã - Fraternidade pela Paz em Nagazaki - Carta dos Bispos do Brasil ao Povo de Deus ARTIGO - São José na Missão da Vida Religiosa Contemplativa


PALAVRA DO PROVINCIAL

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aros confrades da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, O Senhor vos dê a Paz!

É Páscoa, Jesus Ressuscitou! Ele vive entre nós, em nossas fraternidades, dando-nos forças para vivenciarmos a dinâmica da sua Páscoa com fé, amor e perseverança. Páscoa é libertação da morte para a vida, do egoísmo para a partilha, da desunião para a amizade, da fome para a fartura, da doença para uma vida saudável, de uma comunidade morta e desligada para uma comunidade cheia de vida e comprometida com o seu carisma, com a Igreja e com o Evangelho de Jesus no mundo. A Ressureição de Cristo mostra que a Vida manifestada n’Ele é mais forte do que a morte. Ela é presente em cada gesto de solidariedade, compreensão, dedicação, amor, doação, perdão e compaixão que ajuda o mundo a se tornar melhor e inundado de justiça e paz. É pela força do ressuscitado que, apesar do temor provocado pela Covid19, continuamos fazendo opção pela vida, em especial daqueles que mais sofrem. Como Frades Menores na grande porção do Nordeste brasileiro para onde fomos enviados, o convite do Ressuscitado para formarmos uma geração nova, uma comunidade nova baseada naquela dos discípulos de Jesus, continua atual. Porque cremos num Deus vivo, somos chamados a inaugurar uma nova vida no mundo pela pertença a Ordem e a Igreja, fiéis ao Evangelho de Jesus. Mergulhados no evangélico carisma de Francisco de Assis e assumindo com amor e dedicação nosso compromisso fraterno-missionário estaremos vivendo a Páscoa do Senhor. Cordiais Saudações de Feliz Páscoa para todos os confrades das nossas fraternidades. Recife, 01 de abril de 2021

Frei João Amilton dos Santos, OFM Ministro Provincial


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FREI JONALDO ADELINO É EMPOSSADO NA PARÓQUIA DE SÃO MIGUEL EM IPOJUCA

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o dia 17 de março de 2021, em Celebração Eucarística restrita à participação dos fiéis como prevenção ao contágio provocado pela pandemia da Covid19, Dom Antônio Fernando Saburido, OSB, Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, empossou Frei Francisco Fernando da Silva como Vigário Paroquial e Frei Jonaldo Adelino de Souza como Pároco da Paróquia São Miguel, em Ipojuca/PE. A Celebração Eucarística que transcorreu de modo simples e tranquilo, contou apenas com uma pequena representação dos paroquianos da cidade de Ipojuca e das comunidades da Paróquia. Estavam presentes alguns confrades da fraternidade Santo Antônio do Recife e o Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Santo Antônio de Camela, Ipojuca/PE. No Rito de Posse, as Provisões Canônicas foram lidas e Frei Jo-

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naldo Adelino fez o juramento devido diante dos Evangelhos. A este, o Arcebispo entregou a chave da Igreja e na homilia aconselhou que Frei Jonaldo seja um bom pastor para aquela porção do povo de Deus. Aproximando-se do final missa, algumas palavras de acolhida foram proferidas por um representante da comunidade paroquial. Frei Jonaldo também fez o seu agradecimento. E por fim, foi realizada a leitura da Ata de Posse e, após a benção do Arcebispo, todos foram enviados a evangelizar. Que Deus abençoe o Ministério do Frei Jonaldo e da comunidade religiosa que o ajudará na sua missão à frente da Paróquia São Miguel.

Comunicação Provincial


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FREI MACELO FREITAS É EMPOSSADO NA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS DORES EM FORTALEZA

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Comunidade do bairro Farias Brito em Fortaleza, no Ceará, acolheu no dia 7 de março, o novo Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, Frei Macelo Freitas, e o novo guardião da Fraternidade local, Frei Walter Schreiber, na condição de Vigário Paroquial. Estando em meio a pandemia da Covid19 e seguindo os decretos dos governos municipal e estadual, a Celebração de posse e acolhimento aconteceu de forma restrita, contando apenas com a presença de coroinhas e leigos que contribuíram com a liturgia e a comunicação, bem como algumas religiosas e frades que compõem a comunidade franciscana. A celebração foi presidida por Dom Valdemir Vicente, bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza. Durante a celebração, foi realizada a leitura das provisões concedidas por Dom José Antônio, Arcebispo de Fortaleza/CE, aos frades e foi feita a profissão de fé e o juramento de fidelidade. Celebrando o terceiro domingo da Quaresma e se baseando na liturgia dominical, Dom Valdemir destacou a palavra Cuidado. O bispo afirmou que pela observância da vontade de Deus é que poderemos chegar à sua Páscoa. Outro

ponto lembrado na homilia foi o convite para tornarmos a Igreja um espaço da oração, do silêncio e do encontro com Deus. Dirigindo ao Frei Macelo, Dom Valdemir disse que assumir uma Paróquia é abraçar o compromisso e a responsabilidade de guiar a comunidade da melhor maneira possível. Frei Macelo, por sua vez, nos agradecimentos disse que espera “um trabalho coletivo, como uma verdadeira comunidade unida e caridosa”. A paroquiana Lindefrânia Aguiar partilhou que este é um momento de reavivar a fé e a caminhada, e de acolher e se deixar acolher pela nova fraternidade adentrando juntos nas novas realidades e na nova missão. Frei Walter e Frei Macelo já residiram em Fortaleza e voltam agora para continuar a missão outrora iniciada nesta comunidade. Além do serviço junto a Paróquia, a fraternidade franciscana presente nessa localidade desempenha um trabalho no acompanhamento da formação dos frades que estão cursando a Teologia. Que o Senhor Deus os conduza sempre mais ao bom serviço.

FONTE: Pascom/ Paróquia de Nossa Senhora das Dores. MAR - ABR / 2021 NOTÍCIAS

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FREI SEGISMUNDO É TRANSFERIDO PARA A FRATERNIDADE SÃO FRANCISCO DE CAMPINA GRANDE/PB

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rei Segismundo Feitosa Gomes, 82 anos, é, certamente, um frade muito querido por onde passa, seja pelo povo, seja pelos confrades das fraternidades. Vitimado, no passado, por mais de um acidente vascular cerebral (AVC), Frei Segismundo ficou sequelado apenas no físico, o que o tornou dependente de cadeira de rodas, mas em nada atingiu sua boa memória, que é invejável, não obstante a longa idade de vida. “Frei Sigis”, como é acostumado a ser chamado, trabalhou vários anos em algumas frentes de missão na Província, um destaque especial se dá no tempo que passou na Secretaria da Província e nas Comunicações, marcadas pela organização e pelo zelo no trato dos materiais e arquivos. Assíduo nas orações e liturgias da Igreja, Frei Sigis esbanja disciplina e entusiasmo com a vida religiosa franciscana. Quando foi acometido com o AVC, Frei Sigis residia em Canindé/CE, onde, após o período de acompanhamento médico foi transferido para Fortaleza/CE, onde morou por

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alguns anos. Após o Capítulo Provincial de 2018, recebeu a transferência para o Convento Santo Antônio do Recife, onde ficou aproximadamente três anos. No entanto, considerando as condições de dependência de cuidados especiais e locais mais arejados e apropriados às suas necessidades, o Capítulo de 2021 resolveu transferi-lo para o Convento de São Francisco de Campina Grande/PB. Depois de toda preparação, no dia 06 de abril, o Ministro Provincial, na companhia do guardião do Recife, Frei José Edilson, e Frei César Lindemberg, prontamente se incumbiram de levar Frei Sigis à sua nova fraternidade que, por sua vez, o acolheu com alegria. Aí, Frei Sigis terá a companhia dos confrades e, em especial, do Frei Petrônio Cardoso, que também é portador de necessidades especiais e poderá recordar inúmeros momentos dos tempos do passado.

Desejamos ao Frei Sigis muita saúde e uma vida longa de oração e fidelidade ao carisma de Francisco. Secretaria Provincial


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ENCONTROS VOCACIONAIS VIRTUAIS NA PROVÍNCIA

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esde o início da Pandemia da Covid19, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil tem se desdobrado para realizar os encontros vocacionais de forma que a preservação da saúde dos jovens e dos frades sejam mantidas. Uma forma encontrada foi a realização de encontros vocacionais provinciais de modo remoto, que tem favorecido o encontro dos aspirantes de todo território Provincial e o estudo de um tema comum. No último dia 20 de março de 2021, após um recesso, deu-se o retorno dos encontros nesse formato e o tema escolhido para reflexão foi o da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 (CFE): “Fraternidade e Diálogo: compromisso de Amor”. Este encontro contou com a assessoria de Frei Faustino dos Santos, OFM, e a Reverenda Lílian Conceição da Silva, IEAB (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil). O encontro serviu para instigar os presentes, vocacionados e promotores vocacionais a alargarem e aprofundarem a problemática do tema da CFE que tem surtido resistências por parte de grupos na Igreja e fora dela. A partir das provocações, os presentes puderam somar conhecimentos

tirando dúvidas e levantando reflexões. Já no dia dia 17 de abril foi realizado o segundo encontro vocacional a nível provincial. Também de forma remota, o tema abordado foi “Vocação: um caminho de autoconhecimento e realização”. A orientação do encontro ficou por conta da Ir. Lucileide Cavalcante Silva, MRCJ. À luz deste tema, os jovens foram conduzidos a uma reflexão que visa buscar respostas para o chamado que Deus faz a cada um. Irmã Lucileide reforçou que a vida, que é dom de Deus, é orientada segundo as atitudes de cada um e depende da força de vontade na busca do mistério que é a vocação específica de cada um.

Rendemos louvores a Deus, pois estes encontros têm se tornado cada vez mais positivos e ajudam a manter o vínculo, a proximidade, e a esperança de que em breve tudo vai melhorar e juntos conseguiremos dar continuidade à nossa missão de animadores vocacionais de modo presencial. FONTE: OFM Santo Antônio

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NOVICIADO: TEMPO DE PROJETAR A VIDA, SEGUINDO OS PASSOS DE CLARA E FRANCISCO

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“Não tenhas medo de sonhar coisas grandes! ” (Papa Francisco) Podemos dizer que os meses de março e abril foram propícios, antes de tudo, para voltarmos nossos olhares para a Vida em inúmeras dimensões: como dom de Deus, como chamado, como graça e como motivo de celebração. Queremos aqui compartilhar com os leitores um pouco daquilo que o Senhor nos proporcionou vivenciar: aniversários, semana santa, ermitagem, Solenidade de São José, avaliação fraterna, formações, aniversário de Vida Religiosa de Frei Hermano Schwartbeck e nove meses de início do Noviciado comum. Com alegria, nos dias 02 e 12 de março celebramos, em fraternidade, o dom da vida dos nossos irmãos noviços frei Mateus e frei Jansen, respectivamente. Foi momento oportuno de render graças a Deus pela presença marcante destes nossos confrades entre nós. Após a devida preparação espiritual no tempo quaresmal, iniciamos o mês de abril com a celebração do Tríduo Pascal, onde os noviços deram assistência tanto à fraternidade local, quanto ao Mosteiro de Santa Clara, em Campina Grande/PB. Foram dias fortes marcados pela oração, recolhimento, silêncio e de comunhão com Deus, com os irmãos, com a Igreja e com tudo o que a sociedade tem vivido, culminando com o Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor. O mistério celebrado nos recorda que devemos renovar sempre a esperança, mesmo diante da situação pandêmica que vivemos, de tantos sinais de morte, impulsionando-nos a optar pela vida. Em união com toda a Igreja, celebrando este ano dedicado a São José, nossa comunidade franciscana celebrou juntamente com o povo de Deus o novenário a ele dedicado. Momento propício para renovarmos nossa fé e devoção ao Patrono da Igreja Universal. Por conta do decreto do Governo do Estado da Paraíba que restringiu a participação dos fieis nos cultos religiosos para evitar a proliferação da Covid19, o novenário precisou ser concluído sem a presença dos devotos, contando apenas com a transmissão das missas pelas redes sociais do convento. No dia 23 de março, realizamos uma Avaliação Fraterna, algo comum para a etapa formativa do Noviciado, sendo um momento marcado pela oração, caridade e sensibilidade. Percebemos o quanto foi proveitoso para o nosso crescimento enquanto Noviciado Comum. Esse momento favoreceu-nos a percepção das nossas qualidades e daquilo que precisamos melhorar. Seguindo a perspectiva formativa, entre os dias 29 e 30 março, tivemos a graça de participar de uma preparação para assistentes espirituais da OFS e JUFRA, guiados pelo Frei Wellington Buarque. Na ocasião, também pudemos conversar por vídeo-chamada com o assistente-geral dos Frades Menores para a Ordem Terceira Franciscana, Frei


Pedro Zitta, OFM. No mês de março também foram iniciadas as formações da Regra, Cartas e Testamento de nossa mãe Santa Clara, conduzidas pelas Irmãs Clarissas do Mosteiro de Campina Grande/PB, como oportunidade rica de conhecer melhor a Forma de Vida das Irmãs Pobres, servindo para solidificar a pertença ao carisma franciscano, bem como estreitar os laços fraternos. Entre os dias 12 a 18 de abril, aconteceu a segunda Ermitagem do Noviciado, que teve como motivação a elaboração do Projeto Pessoal de Vida. A mesma realizou-se na Ala São Francisco, do convento de Ipuarana, assessorada por Frei Ronaldo César, Vice-mestre do Noviciado. Esta foi marcada pela experiência do RECORDAR, primeiramente as nossas famílias, os nossos chamados vocacionais, as motivações que nos levaram a sair de nossa comunidade de origem e os nossos sonhos, sonhados junto com Deus, que nos animam e fortalecem na caminhada. Em caráter formativo, participamos, junto aos postulantes que estão em Triunfo/PE, de uma live com o Frei Joanan Marques, onde foi apresentado um conspecto histórico da Missão Franciscana Tiryió a partir da perspectiva indígena, fruto de sua dissertação de mestrado em História. Em espírito fraterno, nossa fraternidade da Porciúncula assistiu a live promovida pela Pastoral Vocacional da Província Franciscana de Nossa Senhora da Assunção, que teve a condução do Frei Gilberto Magno, das Irmãs Anjas e de demais membros da referida Província. Achamos uma iniciativa muito ousada, criativa e dinâmica, despertando e animando os jovens a abraçar o seguimento de Cristo na Vida Religiosa Franciscana. Encerrando o mês de abril, rendemos graças a Deus pela vida doada, pelo testemunho fraterno e contemplativo de nosso confrade Frei Hermano Schwartbeck, que celebrou no dia 28 cinquenta e oito anos de Vida Religiosa Franciscana Consagrada. Sua presença muito nos anima e nos inspira na caminhada, por isso somos gratos por tê-lo em nossa convivência. Por fim, concluímos recordando a celebração dos nove meses de início do Noviciado, tempo este, como lembrou Frei Sergio Moura, Mestre dos Noviços, que compreende uma gestação, o que nos impulsiona a abraçar ainda mais o que é próprio da Vida Religiosa e, mais particularmente, do que consiste o Carisma Franciscano.

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Frei Igor Bibi dos Santos, OFM Frei Bruno Henrique Barros, OFM

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OS IRMÃOS TRABALHEM FIEL E DEVOTAMENTE: OS FRADES E AS ALTERNATIVAS DE SUBSISTÊNCIA

“Os irmãos aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente, de maneira que afugentando o ócio, inimigo da alma, não extingam o espírito(cf. 1Ts 5,19) da santa oração e devoção, ao qual devem servir todas as coisas temporais. Como remuneração pelo trabalho, recebam, para si e seus irmãos, o que for necessário ao corpo, exceto dinheiro ou pecúnia, e isso com humildade, como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza. (RB 5,1-4).

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no mundo que fazemos a experiência com Deus. Impensável qualquer experiência que não seja nele. Atualmente, a humanidade está chagada pela Covid-19 e, nesse contexto, somos levados a enfrentar os desafios que da pandemia decorrem, como quem faz a experiência do Cristo crucificado. Estar crucificado para o mundo é estar presente nele, com todas as suas mazelas, dores e sofrimentos, mas continuar nutrindo a esperança de conseguirmos aqui, a realização das promessas futuras de paz e justiça. Mas, até que consigamos isso, somos atravessados pela experiência da morte, provocada pela pobreza, injustiça social e o descaso dos governantes. Somos levados a refletir as dores da paixão, assim como bem fez o seráfico são Francisco de Assis. Ele, tal como Jesus, não abraçou a humanidade de forma parcial ou superficial, mas foi ao mais profundo, fez-se intimo do homem e da mulher e neles desvelou a face de um Cristo pobre, nu, chagado e crucificado. A imagem da paixão de Cristo que é refletida em cada sofrimento humano nos resgata à encarnação da nossa própria vida. Quem de nós saberia que, em dado contexto de pandemia, a dor do outro também se tornaria a nossa própria dor? E quando nos falta razões que justifiquem as muitas perguntas que se levantam, buscamos respostas na nossa própria vivencia e experiência com Jesus sofredor, reflexo da humanidade sofrida que foi salva pela graça divina. Em tudo isso somos motivamos a resgatar o sentido da nossa vocação de irmãos e irmãs menores. Redescobrimo-nos como os pequenos do Evangelho e encontramos as razões que nos fazem merecer esse adjetivo. Ao nos fazer pequenos, assumindo a condição de pobres entre os pobres, tal como Francisco de Assis se fez, a exemplo do Verbo de

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Deus encarnado, redescobrimos a doçura evangélica num contexto amargo e cruel. A pandemia, e com ela o desafio de nos tornamos autênticos frades menores, nos força o testemunho. Tal como os mais pobres que abruptamente perderam o pouco que possuíam e por isso entram numa corrida sobre-humana para conseguir o pouco para subsistir, algumas fraternidades franciscanas foram vendo o pão de cada dia se tornar um sacrifício cotidiano. E, nesse sentido, elas também foram obrigadas a se moldar para um novo normal, mais condizente com a vida do povo sofrido. Nosso alimento sempre provido pelas mãos dos mais pobres nos condiciona a uma fome semelhante, pois se falta o pão para o pobre faltará também para o franciscano que o recebe. Isso nos iguala profundamente, nos assimila diretamente ao mistério pascal que é a celebração da fraternidade, da partilha equitativa entre os irmãos e irmãs. Dentre as tantas mudanças e transformações que esse gesto de partilhar possa sugerir, pomos em evidência a dimensão do trabalho. Tal como o ser humano que produz a renda com ardoroso suor, muitos frades e fraternidades são levados ao ponto de partida que sugere o Evangelho de Jesus. Muitas casas da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, na busca por corresponder a estes sinais dos tempos, vêm somando forças ao povo de Deus por meio de seu trabalho e mútua doação para com aqueles que necessitam. A solidariedade fraterna tem levado aos primórdios do carisma franciscano, onde as fraternidades primitivas tinham de trabalhar para angariar o seu sustento. De modo simples e como os simples, os frades franciscanos têm encontrado maneiras de trabalho a fim de sustentar a vida fraterna e a manutenção das casas. Maior inspiração para essas atitudes não poderia partir se não do Evangelho de Jesus que, traduzido


em forma de Regra de Vida para os frades, inspira a um novo modo de viver: “Os irmãos, aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente”. Este fragmento reflete em nós uma profunda sensibilidade vocacional e laboral, ou seja, quando nos dispomos ao serviço, para a perseverança nele, a fidelidade se faz critério. Trabalhar em santo propósito nos aproxima e nos devota à vida que abraçamos. A Regra franciscana também admoesta: “[…] de maneira que, afugentando o ócio, inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual devem servir todas as coisas temporais”. Enquanto o trabalho é relacionado com a graça, o ócio se associa a acomodação, cansaço, inimigo do homem. O ócio provoca o fechamento em si mesmo e pode afugentar a graça do trabalho. Além disso, em tudo o que for feito, tenha-se presente a oração e a devoção que recorda que não somos superiores nem melhores que ninguém porque fazemos alguma coisa, mas sim humildes servos do Senhor. A Regra ainda afirma que “como remuneração pelo trabalho, recebam, para si e seus irmãos, o que for necessário ao corpo, exceto dinheiro ou pecúnia”. A compreensão de remuneração automaticamente nos desloca ao sentido do dinheiro. Desde a época de Francisco até hoje, prestígio e privilégio na maioria das vezes está associado ao ter. A economia de Francisco ressignifica em nós o sentido da moeda, ela não transforma a fraternidade em um covil comercial, mas infere uma economia sustentável, sensível à casa comum e aberta à igualdade social e equidade financeira. Como testemunho concreto à luz da necessidade de trabalhar para subsistir a vida em meio às crises, algumas fraternidades se reinventaram. A fraternidade de Salvador/BA, por exemplo, vem dando passos nessa direção. Os frades desta fraternida-

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de, na busca por atender as demandas financeiras, têm desenvolvido produtos artesanais, o “Sabor franciscano”, com a produção de biscoitos, geleias, chocolates e artesanatos variados. Essa movimentação tem dando um rosto novo para a fraternidade e tem também envolvido as pessoas que frequentam este convento. Também os frades da fraternidade de Lagoa Seca/PB têm se reinventado e, com os frutos produzidos nas hortas do convento, se deslocam para Campina Grande onde, após as missas, vendem os legumes frescos na porta da Igreja conventual de São Francisco. Como essas, outras iniciativas e alternativas têm movimento o dia-a-dia dos frades na busca por suprir as demandas imprevistas que apareceram na pandemia. É louvável ver os irmãos trabalhando. Para alguns, pode até ser causa de espanto. Mas o fato é que esta experiência tem os aproximado cada vez mais uns dos outros na execução das tarefas, mas também tem levado os frades a uma experiência de proximidade à vida real das pessoas que os amparam e ajudam diuturnamente. O autêntico frade franciscano é aquele que trabalha sem medir esforços, que arregaça as mangas do hábito da pobreza“[…] e isso com humildade, como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza”. Essa atitude eleva o espírito para o sentido virtuoso da vocação. É vida que renova e revigora, é sinal de ressurreição para o tempo presente. Se no inicio falamos da morte como algo familiar aos nossos ouvidos, agora falamos da vida que ressuscita e que não fica tão somente na escuta, mas desce às profundezas do nosso coração. Frei Felipe Ferreira de Almeida Cruz, OFM

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FRADES DA PROVÍNCIA CONTINUAM SENDO IMUNIZADOS CONTRA A COVID19

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ão obstante o lento processo de imunização da população contra a Covid19, temos nos alegrado porque aos poucos a vacina tem sido uma realidade de esperança para todos nós. Amigos, familiares e confrades têm sido imunizados contra esse vírus letal, graças ao avanço da ciência e a luta de alguns organismos por tornar a vacina uma realidade possível. Nesse cenário, ao passo que os grupos prioritários vão avançando, alguns dos nossos confrades vão sendo assistidos de acordo com as categorias que cada um deles se enquadra. Seguimos esperançosos que essa realidade pandêmica passe o quanto antes e que cada um de nós tenha o acesso à vacina, já que ela é um direito de todos. Vacina Sim! Vacina para todos!

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ENCONTRO PROVINCIAL DOS GUARDIÃES E VIGÁRIOS DAS FRATERNIDADES

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o último dia 19 de abril aconteceu o primeiro encontro dos frades Guardiães e Vigários das Casas da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Este encontro aconteceu de modo remoto por conta da pandemia da Covid19 e contou com a presença de aproximadamente 23 frades. O encontro iniciou às 8h30 sob a orientação de Frei Sérgio Moura Rodrigues, OFM (Vigário Provincial e Moderador Provincial para a Formação Permanente) que acolheu os participantes e conduziu o momento de oração inicial. Neste momento inicial, Frei João Amilton dos Santos, OFM (Ministro Provincial) transmitiu aos confrades sua mensagem de acolhimento. Dai em diante seguiram-se a reflexão e partilha da caminhada do serviço da formação permanente. O encontro foi dividido em três momentos. No primeiro, houve a partilha das realidade das casas. Foi um momento importante onde cada guardião e vigário colocou para os demais como as fraternidades estão caminhando neste início de triênio. Apresentaram os sinais de dificuldades e de esperança e os meios por

meio dos quais é possível superar os desafios. No segundo momento, houve a apresentação de alguns serviços da Província. O Ecônomo, o Secretário Provincial e o Secretário de Animação Vocacional, partilharam como são desenvolvidos os trabalhos neste serviços específicos e como as fraternidades podem contribuir para o melhor desenvolvimento em vista da melhor e mais proveitosa dinâmica provincial. No terceiro momento, houve uma formação à luz do Manual para os Guardiães, Documento emitido pela Ordem dos Frades Menores. Este documento foi apresentado por Frei Walter Schreiber, OFM (Definidor Provincial, Guardião do Convento Nossa Senhora das Dores - Fortaleza/CE, Secretário para a Formação e os Estudos e Mestre dos Frades de Profissão Temporária). O encontro foi encerrado com algumas admoestações do Moderador da Formação Permanente, avaliação, agradecimentos e a bênção do Ministro Provincial, sinal da unidade dos irmãos. Frei Artur Medeiros Frei Sérgio Moura Rodrigues

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BISPO AUXILIAR DE OLINDA E RECIFE VISITA A FRATERNIDADE SANTO ANTÔNIO DO RECIFE

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a tarde do dia 21 de abril de 2021, os frades franciscanos da Fraternidade do Convento Santo Antônio, residentes na Rua do Imperador, Recife/PE, receberam a visita do Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Limacêdo Antônio, bispo referencial para as Pastorais Sociais do Regional NE2 da CNBB, e o Padre Alexsandro Corazza (Padre Sandro), Vigário Episcopal para a Vida Religiosa Consagrada da Arquidiocese de Olinda e Recife. A visita teve por finalidade a convivência fraterna e a partilha sobre a caminhada religiosa e pastoral, especialmente junto às pessoas em situação de rua instaladas na calçada do Convento Santo Antônio. Também estava prevista uma visita às pessoas que se encontram em situação de rua. Na ocasião, duas agentes do Projeto Social Além do Pão, Ana Carolina Oliveira Neves e Zilma Alves de Amorim, estiveram presentes. Reunidos na antiga sala do capítulo do Convento, o guardião da fraternidade, Frei José Edilson Maurício acolheu a todos e expressou a alegria pela presença dos visitantes. Dom Limacêdo, com entusiasmo e familiaridade, partilhou sobre sua trajetória vocacional e, com palavras oportunas, apresentou o motivo da sua visita, bem como do Vigário Episcopal. Daí em diante, livremente, alguns frades expressaram o modo como enxergam a realidade da população em situação de rua e partilharam as ações de apoio e incentivo ao acompanhamento dessa população. Por desenvolverem mais proximamente um trabalho com essas pessoas, as agentes do Projeto Social contribuíram na partilha apresentando


os desafios e as esperanças no acompanhamento dessas pessoas, ação que desenvolvem há alguns anos. Somando à reflexão, Dom Limacêdo partilhou a importância de estar próximo dos pobres para fazer o exercício da caridade. Nas palavras dele: “a caridade é o que dá credibilidade à Igreja” e, para o exercício desta, os religiosos devem ser importantes elos e referências na Arquidiocese. Referendando-se à doação de alimentos que diuturnamente são distribuídos aos pobres nas ruas, reconheceu-se que no acompanhamento dos pobres três pilares devem ser considerados: assistência, promoção e autonomia. Esses três pilares devem estar bem alinhandos. Enfatizou ainda que é importante trabalhar no resgate dos sonhos das pessoas e o primeiro passo para isso é motivar para que elas se reconheçam como seres humanos. Concluída a partilha, Dom Limacêdo presidiu a Eucaristia e diante do altar foi celebrada a razão da vida religiosa e da esperança do mundo. Como última ação do encontro, alguns frades, o bispo auxiliar e o vigário episcopal foram à rua do Imperador a fim de se encontrarem e conversarem com as pessoas que lá estavam. A visita demorou aproximadamente uma hora e possibilitou o contato com diferentes testemunhos e histórias de vida. Sem deixar passar despercebido o compromisso para além desse momento, algumas sugestões brotaram das partilhas: o incentivo à continuidade das ações que já são desenvolvidas, bem como a inspiração para iniciar outros projetos de promoção e autonomia das pessoas que se encontram nas ruas. Foi um encontro oportuno e estimulante para fortalecimento do vínculo entre os frades e a Arquidiocese e também para a continuidade e desenvolvimento de trabalhos e acompanhamento das pessoas em situação de rua. Gratidão ao Dom Limacedo, Padre Sandro, Ana Carolina e Zilma Alves pela presença e disposição para parceria. Paz e Bem.

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Frei Faustino dos Santos, OFM

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PÁSCOA DO FREI ADIMAR COLAÇO

Disciplina, Responsabilidade e Sinceridade de vida

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rei Adimar Colaço, filho de Maria Moreira Colaço e José Sombra Colaço, nasceu aos 20 de setembro de 1938 em Beberibe, Arquidiocese de Fortaleza, estado do Ceará. Em 1952 entrou na Escola Apostólica de Canindé e em 1954 no Colégio Seráfico Santo Antônio. Em 1960 foi admitido ao Noviciado franciscano no Convento Santo Antônio de Sirinhaém/PE. De 1961 a 1963 fez os estudos filosóficos no Instituto Franciscano de Olinda. De 1963 a 1967 fez os estudos teológicos no Instituto Franciscano de Salvador. Frei Adimar emitiu os votos solenes na Ordem dos Frades Menores no dia 02 de agosto de 1964, foi ordenado diácono no dia 18 de dezembro de 1965 e presbítero no dia 23 de julho de 1966. Daí em diante, contribuiu na missão em diferentes realidades e serviços, ora como guardião, ora como vigário da casa, ora como pároco, ora vigário paroquial, e ora como missionário em Salvador/BA, Canindé/CE, João Pessoa/PB, Maceió/AL, Candeias/BA, e São Cristóvão/SE. Em 2014, Frei Adimar passou a residir em Fortaleza/CE. Sempre muito disciplinado, presente na vida fraterna e na vida de oração, responsável

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nos serviços sacramentais e sincero nas palavras, essa era uma marca que levava consigo e que o diferenciava. Nos últimos anos, foi vítima de um câncer na próstata e apresentava cansaços regulares. Tendo sido agravado o seu quadro respiratório em plena pandemia da COVID19, foi internado e no hospital contraiu o vírus complicando ainda mais o seu quadro clínico. Frei Adimar veio a óbito no dia 23 de março de 2021, às 10 horas e 40 minutos. Devido ao risco de infecção, Frei Adimar não foi velado. Seu corpo foi sepultamento no cemitério São Miguel em Canindé/CE. Dados gerais da vida do Frei Adimar: Data de falecimento: 23.03.2021 Sobrenome: Colaço Nome de Batismo: Adimar Lugar de Nascimento: Beberibe/CE Lugar do falecimento: Fortaleza/CE Idade: 82 anos Anos de vida religiosa: 60 Anos de Sacerdócio: 54 Secretaria Provincial


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PÁSCOA DO FREI CASIMIRO PEREIRA Vida dedicada à missão e a catequese

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rei Casimiro Pereira, filho de Adélia Pereira e Faustino Pereira, nasceu aos 20 de janeiro de 1933 em Santo Amaro da Purificação, Arquidiocese de São Salvador, Estado da Bahia. Em 1959 foi admitido ao Noviciado franciscano no Convento Santo Antônio de Ipuarana-PB. Fez sua primeira profissão religiosa em 19 de março de 1964. Inicialmente Frei Casimiro era frade de vocação laical, sendo assim exerceu os ofícios de: porteiro e alfaiate em 1964 e 1965 em Sirinhaém/PE; alfaiate em 1966 em Salvador/BA; alfaiate e auxiliar do juvenato de 1971 a 1973 em Pesqueira/PE; em 1973 hospedeiro e animador da celebração litúrgica em Fortaleza/CE; em 1974 foi catequista e animador do serviço de liturgia em Campina Grande/PB. Somente tardiamente Frei Casimiro pôde estudar e se preparar em vista do ministério ordenado. Entre os anos de 1977 e 1983 fez os estudos filosóficos e teológicos em Salvador e posteriormente em Recife, no ITER. Frei Casimiro emitiu os votos solenes na Ordem dos Frades Menores no dia 16 de abril de 1967, sendo ordenado diácono no dia 09 de julho de 1983 e presbítero no dia 15 de janeiro de 1984. Após a ordenação, dedicou-se por 11 anos, de 1985 a 1994 à equipe missionária provincial. Nos anos seguintes exerceu outros servi-

ços na Província Franciscana de Santo Antônio: guardião de Ipuarana em 1994, Vigário e cooperador paroquial em 1997 em Ipojuca/ PE, e residiu nas fraternidade de Canindé de 2000 a 2006; em Triunfo/PE de 2006 a 2008; em Pesqueira/PE de 2009 a 2012; em Penedo/AL em 2012; e por fim, em Salvador/BA de 2012 a 2021. Em Salvador, Frei Casimiro continuou sua missão junto aos confrades que lá residem. Durante anos lutou contra um câncer de próstata, que aos poucos foi se espalhando pelo organismo, entrando em estado de metástase. No último dia 04 de março, foi internado, vindo a óbito no dia 31 de março de 2021 por volta das 13h, sendo sepultado no dia 01 de abril em Salvador/BA. Dados gerais da vida do Frei Casimiro:

Data do falecimento: 31.03.2021 Sobrenome: Pereira Nome Religioso: Casimiro Nome de Batismo: Sebastião Lugar de Nascimento: Santo Amaro da Purificação/BA Lugar do falecimento: Salvador/BA Idade: 88 anos Anos de vida religiosa: 62 Anos de Sacerdócio: 37 Secretaria Provincial

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UM ANO APÓS A DECLARAÇÃO DA COVID-19 COMO PANDEMIA GLOBAL (11 DE MARÇO DE 2021)

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eus queridos irmãos, Que o Senhor lhes dê paz.

A data de 11 de março de 2021 marcará um ano desde que a Organização Mundial da Saúde declarou a Sars2-Covid-19 como uma pandemia global. Naquela data, havia 118.000 infectados verificados, 4.291 mortes verificadas de Covid-19 e 114 países relataram a presença do vírus. Até 26 de fevereiro de 2021, houve cerca de 112 milhões de infectados confirmados e quase 2.500.000 mortes de Covid-19, com 192 países diretamente afetados pela pandemia. O que também está claro é o impacto desproporcional que a Covid-19 tem sobre nossos irmãos e irmãs pobres e sobre as nações mais pobres do mundo. Não creio que seja exagerado dizer que todos nós na Ordem conhecemos alguém que foi infectado, e talvez alguém que morreu. É difícil verificar com exatidão quantos de nossos queridos frades morreram em consequência das complicações da Covid-19, mas os números são significativos. As fraternidades foram colocadas em quarentena, alguns irmãos foram isolados no hospital ou nas enfermarias da Província ou da Custódia ou em outros centros de acolhimento; os familiares se infectaram e, lamentavelmente, alguns morreram. Um número significativo de “sobreviventes” da Covid-19 está calculando os efeitos a longo prazo, como exaustão, dificuldades respiratórias, anomalias cardíacas e outras dificuldades para as quais agora estão sob cuidados médicos. Não se pode nem imaginar o impacto psicossocial da pandemia devido ao medo do contágio, do isolamento social e do desencadeamento

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de outras condições de saúde mental de longa duração. Não só afetam os desconhecidos, mas também a nós. A pandemia da Covid-19 está reescrevendo a história do mundo e, mais importante, a história de cada uma de nossas vidas, da vida da Ordem e da Igreja. Não conhecemos o peso total dos “danos” colaterais que podem advir da pandemia, mas já percebemos o aumento dos desafios que afetam todos os aspectos de nossas vidas, nossas instituições e nossa presença evangelizadora no mundo atual. Rogo para que cada um de vocês tenha tido tempo para refletir sobre o impacto da pandemia em sua vida, na dos outros irmãos da fraternidade, em seu trabalho pastoral e missionário, e na vida daqueles a quem fomos chamados para servir. Ao se aproximar o dia 11 de março de 2021, o primeiro ano desde a declaração oficial da pandemia de Sars2-Covid-19, convido a todos vocês, meus queridos irmãos, a unirmos à Fraternidade universal da Ordem para um tempo de oração, jejum e esmola. Esses três “caminhos” encontram o seu precedente nas Sagradas Escrituras e oferecem a oportunidade, a quem os abraça, de entrar num espírito de conversão da mente, do coração e da ação (cf. Joel 1,14 ss). Em anexo a esta carta estão duas orações que foram compostas em resposta à pandemia. São orações em que se pede a Deus que ouça o clamor do povo de Deus e venha em nosso auxílio. No espírito de jejum proposto pelos Profetas (cf. Is 58,67) e por Jesus (cf. Mt 6,16-18), o foco está centrado claramente em uma mudança radical de coração e mente, e se vincula também a atos que contribuem para a libertação do povo de Deus, unindo nossos esforços em


um grande ato de solidariedade, algo tão necessário em nosso mundo, antes e como consequência da pandemia da Covid. Este é o foco da mensagem do Papa Francisco na “Fratelli Tutti” ao falar da necessidade de que o mundo inteiro se converta radicalmente (Fratelli Tutti 32, 55). Por fim, peço-lhes que reservem algum tempo para conversar uns com os outros e expressar como a pandemia da Covid afetou sua vida pessoal, seu envolvimento com a fraternidade, seus compromissos missionários e outros desafios que enfrentam. Seria muito conveniente que as fraternidades locais celebrem juntos a Eucaristia neste dia de oração. O momento de diálogo poderia ter lugar em um capítulo especial da fraternidade ou durante o tempo da homilia da Eucaristia. Espero de coração que nos unamos como uma única fraternidade universal nesta ocasião, o primeiro ano desde que a Covid foi declarada uma pandemia. Invocamos Maria, Mãe da Ordem Seráfica, e a todos os santos da Ordem para que intercedam diante de Deus em nosso nome e por toda a humanidade. Que o dom da nossa fraternidade seja uma fonte de apoio e encorajamento constantes, enquanto enfrentamos juntos um futuro incerto. Que possamos refletir o amor e a misericórdia de Deus, que está sempre presente conosco, especialmente nos momentos mais difíceis, convidando-nos a nos levantar e a erguer a cabeça, para ver que não estamos sozinhos (cf. Lc. 21,28). Oremos por todos os que continuam sofrendo as consequências físicas diretas da Covid-19. Oremos também por todos aqueles que são afetados social, espiritual e economicamente. E recordemos de todos os nossos irmãos e irmãs que já passaram desta vida e agora desfrutam da plenitude da vida na eternidade.

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Roma, 1º de março de 2021 Fraternalmente em Cristo e São Francisco,

Frei Michael A. Perry, OFM Ministro General e Servo MAR - ABR / 2021 NOTÍCIAS

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MENSAGEM DA ORDEM DOS FRADES MENORES PARA O MÊS DO RAMADÃ DE 2021

os nossos irmãos e irmãs muçulmanos em todo o mundo: As-salaamu ‘alaykum! Que a paz esteja com você! Em nome da Comissão Especial para o Diálogo com o Islã da Ordem dos Frades Menores, é com grande prazer, mais uma vez, estender nossas saudações ao iniciar o mês sagrado do Ramadã. Mais de um ano se passou desde o início da pandemia COVID-19. As perdas pessoais e dificuldades que todos nós suportamos foram dolorosas e profundas e podem continuar, mas confiamos em Deus ( Allāh swt ) que nos garante: “o futuro será melhor do que o passado” ( al-Ḍuḥā 93.4), e : “Verdadeiramente, com dificuldades há conforto” ( al-Sharḥ 94,5). No ano passado, para muitos de vocês, o Ramadã foi observado principalmente em suas casas, além de parentes e amigos. Embora as vacinas estejam agora cada vez mais disponíveis, medidas de saúde pública e distanciamento social podem continuar a limitar seu s uhur e iftar comunais – e limitar a oportunidade para muitos de nós na família franciscana de quebrar o jejum com você, como temos feito tantas vezes em o passado. Na verdade, será um dia feliz em que poderemos celebrar livre e plenamente nossas estações sagradas novamente. É realmente um sinal de Deus, o Mais Compassivo (a l-Raḥmān ), o Mais Misericordioso ( al-Raḥīm ), o Mais Sábio ( al-Ḥakīm ) e o Mais Munificente (a l-Karīm ), que a celebração O período do Ramadã este ano cai novamente em um momento em que os cristãos estão celebrando

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a época da Páscoa e quando tantas pessoas de fé ao redor do mundo – judeus, hindus, sikhs, budistas, jainistas e bahá’ís – também celebram dias sagrados. Ao dar graças e louvar a Deus pela revelação do Alcorão Sagrado, toda a humanidade, ao que parece, estará louvando e adorando a Deus, cada um de sua maneira única. Infelizmente, porém, mesmo nesta época de pandemia, quando precisamos nos voltar uns para os outros com cuidado e compaixão, alguns estão cada vez mais se voltando uns contra os outros devido às diferenças de religião, etnia, raça, identidade nacional e ideologia política. Mesmo pessoas que compartilham uma identidade nacional comum estão se voltando contra seus compatriotas com ódio e violência. Este é realmente um pecado contra o plano de Deus para Sua criação. Como Deus ( Allāh swt ) nos diz no Sagrado Alcorão: “Nós os criamos de um homem e uma mulher, e os transformamos em nações e tribos para que vocês possam se conhecer. O mais nobre entre vocês é aquele que está mais ciente de Deus.” (al-Ḥujarāt 49.13 ). Foi nesse espírito de fraternidade e irmandade universal que, em outubro de 2020, o Papa Francisco publicou Fratelli Tutti, sua encíclica sobre a fraternidade e a amizade social. Este texto foi inspirado por seu encontro com o Grande Imam de al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, em Abu Dhabi em 2019, e o Documento sobre a Fraternidade Humana que eles publicaram juntos. Em sua encíclica, o Papa Francisco mencionou novamente o encontro de São Francisco com o Sultão al-Malik al-Kamil em 1219 como um exemplo de fraternidade universal que transcen-


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de diferenças de “origem, nacionalidade, cor ou religião”. Referindo-se a todo o bem das pessoas de fé como “crentes”, ele observou: Nós, crentes, devemos encontrar ocasiões para falar uns com os outros e agir juntos para o bem comum e a promoção dos pobres … Nós, crentes, somos desafiados a voltar às nossas fontes, a fim de nos concentrarmos no que é essencial: a adoração a Deus e o amor para o nosso próximo, para que alguns de nossos ensinamentos, fora do contexto, acabem alimentando formas de desprezo, ódio, xenofobia ou negação dos outros (281-2). Foi com esse mesmo espírito que o Papa Francisco viajou recentemente à nação do Iraque para se encontrar com líderes políticos e religiosos, encorajando todas as pessoas a “olharem além de nossas diferenças e se verem como membros da mesma família humana”, e “a falar. uns com os outros, da nossa identidade mais profunda de irmãos do único Deus e Criador ”(Discurso de 5 de março de 2021). Nas planícies de Ur, de onde o Patriarca e o Profeta Abraão (que a paz esteja com ele!) Iniciou sua jornada de fé, o Papa Francisco se reuniu com os representantes das diferentes comunidades religiosas – sunitas, xiitas, católicas, ortodoxas e outras – em reconhecimento do caminho de fé que todos partilhamos, embora percorramos caminhos diferentes. Assim como Abraão deixou muito para responder ao chamado de Deus, também somos chamados a “deixar para trás aqueles laços e apegos que, mantendo-nos encerrados em nossos próprios grupos, nos impedem de acolher o amor ilimitado de Deus e de ver os outros como nossos irmãos e irmãs. . Precisamos ir além de nós mesmos, porque precisa-

mos uns dos outros ”(Reunião inter-religiosa, 6 de março de 2021). O Ramadã é um tempo em que nós, na família católico-franciscana, sentimos especialmente nossos laços de fé com vocês, nossos irmãos e irmãs muçulmanos, unidos por nossas práticas comuns de oração, jejum e caridade, expressas por uma refeição compartilhada com os outros. Somos lembrados de um hadith relatado por ‘Abdullah ibn Amr que é particularmente significativo em nossos dias: Um homem perguntou ao Profeta: ‘Qual Islã é o melhor?’ O Mensageiro de Deus, que a paz e as bênçãos estejam com ele, disse: ‘Para alimentar os famintos e saudar com paz aqueles que você conhece e aqueles que você não conhece. ‘( Ṣaḥīḥ al-Bukhārī 28) Durante este mês, este tempo sagrado compartilhado de diferentes maneiras por tantos crentes fiéis, vamos nos unir pelos laços de fraternidade e irmandade como filhos e filhas de Abraão, e vamos novamente decidir ser instrumentos da Paz que é Deus – um l-Salām. Desejamos a você um mais abençoado Ramadã. Ramadan Mubarak! Ramadan Kareem! Br. Michael D. Calabria, OFM, Assistente Especial para o Diálogo com o Islã Membros da Comissão para o Diálogo com o Islã: Br. Manuel Corullón, OFM fr. Ferdinand Mercado, OFM fr. Jamil Albert, OFM 13 de abril de 2021 (1442 AH) MAR - ABR / 2021 NOTÍCIAS

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ORDEM CRIA A FRATERNIDADE FRANCISCANA INTERNACIONAL PELA PAZ EM NAGASAKI

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Projeto Nagasaki é uma Fraternidade Franciscana Internacional pela Paz, cujo conceito básico é difundir e promover a paz duradoura na cidade de Nagasaki e no mundo. Foi pensado pela primeira vez pelo ex-Ministro Geral José Rodríguez Carballo, OFM, quando visitou Nagasaki durante a reunião da Conferência do Leste Asiático (EAC) no Japão em setembro de 2010. Sua curta estadia e experiência no lugar o inspiraram a sonhar com uma Fraternidade internacional de irmãos em Nagasaki que seria uma declaração viva de paz e reconciliação. Posteriormente, sugeriu à Província Franciscana do Japão que sediasse a Fraternidade internacional proposta para esse fim. Nagasaki foi escolhida para a nova missão da Ordem porque aqui, em 1945, foi lançada a bomba atômica, na qual morreram centenas de milhares de pessoas, incluindo crianças inocentes. Este desastre nuclear semeou grande devastação, profunda dor e ódio. Além disso, Nagasaki testemunhou forte perseguição e martírio nos primeiros séculos (séculos 16 a 19), onde os cristãos selaram sua fidelidade a Cristo sacrificando suas vidas, como os 26 mártires do Japão (1597), entre os quais estavam os primeiros missionários franciscanos, São Pedro Batista e companheiros, e todos os que os seguiram depois. A Província Franciscana dos Santos Mártires

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do Japão, depois de anos de profundo discernimento, finalmente aceitou acolher a Fraternidade internacional proposta. E para começar com esta nova fraternidade internacional, sugeriu-se pedir a colaboração da Conferência do Leste Asiático (EAC), dos Frades Menores. Posteriormente, em 2018, dois irmãos, Frei Francis Furusato, frade da Província do Japão, e Frei Antônio Kim, frade da Província da Coréia do Sul, que vivia no Japão, foram oficialmente designados para a nova missão, o Projeto Nagasaki. Dois irmãos se uniram ao Projeto Nagasaki em 2020. Frei Berardo Yang, frade da Custódia da China, e Frei Alberto Marfil, frade da Província das Filipinas. Os irmãos estão atualmente inseridos na Fraternidade de Nagasaki. Os outros três irmãos da Fraternidade administram uma paróquia e o jardim de infância. A vida comum na Fraternidade dos irmãos é a base e a chave do projeto. Viver como uma Fraternidade contemplativa em missão evangelizadora. Eles apoiam a campanha pela abolição das armas nucleares por meio da presença de sua comunidade franciscana em Nagasaki. Os irmãos colaboram com o escritório de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) do Leste Asiático em suas atividades pela Paz e com outras agências que têm o mesmo propósito. No momento, os irmãos estão na fase inicial de organização (deles próprios e de suas atividades). Eles usam o japonês e o inglês como


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língua comum. Os últimos irmãos, mesmo depois de meses de estudos formais de Nihongo (língua japonesa) na Escola de Línguas Estrangeiras de Tóquio, continuam tendo suas aulas particulares de Nihongo com um irmão japonês em Nagasaki para aprimorar seus conhecimentos do idioma. Eles se reúnem três vezes por semana para ler, refletir e compartilhar os Escritos de São Francisco, uma forma de se construir como uma Fraternidade de paz. Posteriormente, os irmãos estudarão juntos a história dos “cristãos ocultos” e seu descobrimento no Japão, o enfoque missionário dos primeiros franciscanos no Japão – sucesso e fracasso – e as experiências das vítimas sobreviventes da bomba atômica na segunda Guerra Mundial.

cimento e os efeitos do bombardeio atômico em suas vidas; colaborar e participar ao modo franciscano na campanha antinuclear. Criou-se uma conta no Facebook “Franciscanos de Nagasaki” para comunicar a missão do Projeto Nagasaki. ♦ Acolher os irmãos interessados ​​no Projeto Nagasaki para que o visitem e permaneçam por períodos curtos de três a seis meses, seja como experiência formativa ou como ano sabático. ♦ Acolher e orientar os peregrinos, locais e estrangeiros, no seguimento dos passos missionários de São Pedro Batista e companheiros de Kyoto, Osaka a Nagasaki; bem como visitar os diferentes santuários e lugares dos primeiros cristãos escondidos em Nagasaki. No âmbito da paróquia de São Pedro Batista, onde Algumas iniciativas possíveis da Fraternidade: vive a Fraternidade de Nagasaki, existe uma ♦ Compartilhar com outras pessoas, leigos, re- casa simples para peregrinos com capacidade ligiosos e sacerdotes, a vida, os escritos e as de cinco a sete pessoas. orações de São Francisco de Assis, homem e instrumento de paz, por meio de palestras, re- Precisamos de mais irmãos para garantir o tiros e encontros. sucesso do projeto. A Fraternidade do Projeto ♦ Desenvolver um pequeno instituto de es- Nagasaki acolhe irmãos de todas as regiões do piritualidade franciscana, voltado para a paz, mundo. Quem estiver interessado no projeto o diálogo e a reconciliação. Aprenda com São para ser membro deve permanecer por um Pedro Batista e seus companheiros sobre sua período mínimo de seis anos. Venha e junte-se experiência missionária, abordagem e estraté- ao Projeto Nagasaki! gias de evangelização no Japão do século XVI. ♦ Apelo à paz: compartilhar as experiências Fonte: OFM das pessoas que sofreram o trágico aconte-

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Movidos pela esperança que brota do Evangelho, nós, Bispos do Brasil, reunidos, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 12 a 16 de abril de 2021, neste grave momento, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro. Expressamos a nossa oração e a nossa solidariedade aos enfermos, às famílias que perderam seus entes queridos e a todos os que mais sofrem as consequências da Covid-19. Na certeza da Ressurreição, trazemos em nossas preces, particularmente, os falecidos. Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa profunda gratidão aos profissionais de saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia. O Brasil experimenta o aprofundamento de uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia, que nos desafia, expondo a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. Embora todos sofram com a pandemia, suas consequências são mais devastadoras na vida dos pobres e fragilizados. Essa realidade de sofrimento deve encontrar eco no coração dos discípulos de Cristo[1]. Tudo o que promove ou ameaça a vida diz respeito à nossa missão de cristãos. Sempre que assumimos posicionamentos em questões sociais, econômicas e políticas, nós o fazemos por exigência do Evangelho. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada[2]. Louvamos o testemunho de nossas comunidades na incansável e anônima busca por amenizar as consequências da pandemia. Muitos irmãos e irmãs, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, movidos pelo autêntico espírito cristão, expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Com o Papa Francisco, afirmamos que “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”[3]. As iniciativas comuni-

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tárias de partilha e solidariedade devem ser sempre mais incentivadas. É Tempo de Cuidar! Somos pastores e nossa missão é cuidar. Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade. Por isso, nesse momento, precisamos continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecemos agradecidos que nossas famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento. Na sociedade civil, os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado”[4]. Isso exige competência e lucidez. São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito. É necessária atenção à ciência, incentivar o uso de máscara, o distanciamento social e garantir a vacinação para todos, o mais breve possível. O auxílio emergencial, digno e pelo tempo que for necessário, é imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia[5], com especial atenção aos pobres e desempregados. É preciso assegurar maiores investimentos em saúde pública e a devida assistência aos enfermos, preservando e fortalecendo o Sistema Único de Saúde – SUS. São inadmissíveis as tentativas sistemáticas de desmonte da estrutura de proteção social no país. Rejeitamos energicamente qualquer iniciativa que intente desobrigar os governantes da aplicação do mínimo constitucional do orçamento na saúde e na educação. A educação, fragilizada há anos pela ausência de um eficiente projeto educativo nacional, sofre ainda mais no contexto da pandemia, com sérias consequências


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para o futuro do país. Além de eficazes políticas públicas de Estado, é fundamental o engajamento no Pacto Educativo Global, proposto pelo Papa Francisco[6]. Preocupa-nos também o grave problema das múltiplas formas de violência disseminada na sociedade, favorecida pelo fácil acesso às armas. A desinformação e o discurso de ódio, principalmente nas redes sociais, geram uma agressividade sem limites. Constatamos, com pesar, o uso da religião como instrumento de disputa política, justificando a violência e gerando confusão entres os fiéis e na sociedade. Merece atenção constante o cuidado com a casa comum, submetida à lógica voraz da “exploração e degradação”[7]. É urgente compreender que um bioma preservado cumpre sua função produtiva de manutenção e geração da vida no planeta, respeitando-se o justo equilíbrio entre produção e preservação. A desertificação da terra nasce da desertificação do coração humano. Acreditamos que “a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, orientá-la e colocá-la ao serviço de outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”[8]. É cada vez mais necessário superar a desigualdade social no país. Para tanto, devemos promover a melhor política[9], que não se submete aos interesses econômicos, e seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, que implica não só a aproximação entre grupos sociais distantes, mas também a busca de um renovado encontro com os setores mais pobres e vulneráveis[10]. Fazemos um forte apelo à unidade da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justi-

ça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”[11] Com a fé em Cristo Ressuscitado, fonte de nossa esperança, invocamos a benção de Deus sobre o povo brasileiro, pela intercessão de São José e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Brasília, 16 de abril de 2021. Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte – MG Presidente da CNBB Dom Jaime Spengler, OFM Arcebispo de Porto Alegre – RS 1º Vice-Presidente Dom Mário Antônio da Silva Bispo de Roraima – RR 2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ Secretário-Geral da CNBB

[1] cf. Gaudium et Spes, 1. [2] cf. CNBB, Mensagem ao Povo de Deus, 2018. [3] Papa Francisco, Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres, 2020. [4] Constituição Federal, art. 196. [5] cf. CNBB, OAB, C.Arn´s, ABI, ABC e SBPC, O povo não pode pagar com a própria vida,10 de março de 2021. [6] cf. Papa Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo Global, 12 de setembro 2019. [7] Papa Francisco, Laudato Si´, 145. [8] Papa Francisco, Laudato Si´, 112. [9] Papa Francisco, Fratelli Tutti, Cap. V. [10] cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 233. [11] Papa Francisco, Mensagem 58ª. AG CNBB.

FONTE: CNBB MAR - ABR / 2021 NOTÍCIAS

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SÃO JOSÉ NA MISSÃO DA VIDA RELIGIOSA CONTEMPLATIVA

Igreja é convidada a celebrar o “Ano de São José”, convocado e proclamado pelo Papa Francisco, através da carta Apostólica Patris corde – Com o coração de Pai. Por ocasião do 150º Aniversário da declaração de São José como Padroeiro universal da Igreja. A carta Apostólica Patris corde, tem como objetivo “aumentar o amor por esse grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo” (p.24). Pio IX confiou a Igreja, à especial proteção do Santo Patriarca São José, “a Igreja, depois da Virgem Santíssima, esposa dele, teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Bem-Aventurado José e no meio das angústias, de preferência foi a ele que recorreu”. (São João Paulo II, Redemptoris Custos, n. 23). E logo, expõe o Papa Leão XIII: “O Bem-Aventurado José deve ser considerado especial Patrono da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua proteção e do seu patrocínio, provém principalmente do fato de ele ser esposo de Maria e pai legal de Jesus”. São José, humilde carpinteiro de Nazaré, foi escolhido por Deus para uma missão especial e sublime que é a de ser “Guardião do Redentor” e de Maria. A Igreja reconhece na figura de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, modelo e exemplo para a vocação matrimonial, celibatária e a virgindade consagrada, para toda a comunidade cristã. Mas quais são as virtudes que São José tem para ensinar na missão da vida religiosa contemplativa? Nos Evangelhos pouco se relata sobre São José, mas talvez o pou-

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co que se fale foi o suficiente para reconhecer este grande santo, justo, prudente e fiel na missão que o Senhor na sua providência designou para ele. Escolhendo viver o primado da vida interior, São José realizou sua missão escondida na contemplação do “Verbo de Deus que se fez carne” (Cf. Jo 1, 14), nada antepôs ao amor de Jesus e Maria. Aqui, gostaria de mencionar o nosso Seráfico Pai São Francisco, que escolheu viver na simplicidade evangélica, se fez pobre e humilde, levando-o a ser querido e conhecido por todo o povo de Deus. A religiosa que habita no silêncio do claustro é também chamada a nada antepor ao amor de Deus. Ela constantemente O busca, nas Sagradas Escrituras, na Eucaristia, na sua doação e na fraternidade. Assim como a Virgem Maria que “guardava e meditava todas as coisas em seu coração” (LC 2,19). São José também teve que guardar todos esses fatos, em seu coração. Ele é o pai adotivo do Verbo Encarnado, Filho do Altíssimo e Maria, Mãe de Deus. É no coração, “sede” do encontro com Deus, que decantamos os fatos da vida no caminho de Deus. São José viveu sua missão no silêncio sem alardes. No seu trabalho havia um clima de silêncio e recolhimento. Como é necessário o silêncio especialmente na vida da religiosa de vida contemplativa, pois somente no silêncio é que se escuta a voz de Deus que fala no coração. (Os 2,16). “A opção pelo Absoluto e Deus é envolvida por um constante clima de silêncio e de contemplação”. Sendo da estirpe de Davi, São José pertencia ao povo eleito, cuja herança é o Senhor. Depois que o anjo lhe apareceu em sonho, São José assumiu sua paternidade com total abandono aos desígnios de Deus, como


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um verdadeiro pai, solícito aos cuidados de Jesus e Maria. Por meio do anjo, Deus lhe deu a incumbência de dar um nome a seu filho, “tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele salvará o teu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). “Os consagrados constituem uma porção eleita do povo de Deus. Sustentar e conservar a fidelidade à sua chamada divina constitui o compromisso fundamental” (Papa Bento XVI). São José pôde contemplar em seus braços o mistério da Encarnação, ele “coopera no grande mistério da Redenção, quando chega à plenitude dos tempos” (São João Crisóstomo). “A sua paternidade expressou-se concretamente”, ou seja, São José fez da sua vida uma generosa oferta, “um sacrifício ao mistério da Redenção”. A religiosa de vida contemplativa pela sua vida de oração é chamada a contemplar no dia-a-dia o mistério de Cristo, na sua Encarnação, Morte e Ressurreição. E nesta contemplação é chamada a ter os mesmos sentimentos de Cristo, com isso irradiam o amor de Cristo, anunciando uma Grande alegria através das orações e das súplicas permanentes pela a humanidade. São José foi o grande Santo privilegiado por Deus para ser o pai da Sagrada Família de Nazaré. Nesta família, ele encontrou o Divino, um Deus que se fez pequeno. São José cumpriu sua missão, com serena alegria de poder ter em seus braços Jesus de Nazaré e ao seu lado a Virgem Maria. A religiosa de vida contemplativa, chamada por Deus a entrar no mosteiro, encontra e “procura aí um oásis espiritual onde aprende a viver como verdadeiro discípulo de Jesus em serena e perseverante comunhão fraterna, acolhendo também eventuais hóspedes como o próprio Jesus” (Bento XVI). Irmã Maria Cecília OIC. Mosteiro da Imaculada Conceição e São José de Fortaleza-CE.

MAR - ABR / 2021 NOTÍCIAS

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