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Este suplemento faz parte integrante da edição de setembro 2015 do jornal Raiano. Não pode ser vendido separadamente.

IDANHENSES PELO MUNDO Longe da vista, mas perto do coração EDITORIAL É a pensar em quem partiu, mas guarda Idanha no peito, que nasce o boletim Idanhenses pelo Mundo. Tem a ambição de ir ao encontro dos Idanhenses que por motivos diversos, profissionais ou pessoais, tiveram que procurar outros destinos para desenvolver o seu projeto de vida. É com Eles que queremos comunicar, reforçar laços e abrir janelas de oportunidades. Lançamos este desafio, com a convicção que a distância – por maior que seja – não diminui o afeto pelas nossas terras, antes amplia a saudade. Por isso, inauguramos aqui um novo canal de comunicação entre os Idanhenses e a terra que os viu nascer. Queremos conhecer as suas expectativas, encorajar a partilha de conhecimento, acolher os seus preciosos contributos e ideias. Estaremos sempre disponíveis para ajudar a identificar oportunidades de vida e negócio no concelho de Idanha-a-Nova. O programa Idanhenses pelo Mundo, em particular, faz duas propostas. Numa primeira vertente, convida os Idanhenses da diáspora a aderir a uma rede mundial de Embaixadores de Campo, isto é,

QUEREMOS FALAR CONSIGO

um grupo de pessoas com a missão de representar o concelho de Idanha-a-Nova nos países de residência. A outra dá a conhecer aos aposentados, e a quem planeia a aposentação, as vantagens de viver a reforma em Idanha.

No âmbito da estratégia Recomeçar, o Município de Idanha-a-Nova está a estabelecer um canal de comunicação com os Idanhenses da diáspora.

São esses, resumidamente, os objetivos fundamentais do programa que dá nome a este boletim. Insere-se numa estratégia mais alargada, intitulada Recomeçar em Idanha-a-Nova, e implementada pela Câmara Municipal. Visa a melhoria das condições de vida da população de Idanha-a-Nova e atrair mais famílias e investimento para o concelho.

Estamos a reunir contactos de Idanhenses pelo Mundo com o intuito de reforçar os laços que nos ligam uns aos outros e, acima de tudo, ao nosso concelho de Idanha-aNova.

O jornal Raiano, pela inigualável proximidade aos Idanhenses, é o veículo ideal para iniciarmos este diálogo. É um desafio que levamos aos quatro cantos do mundo, esperando que seja do interesse e do agrado de todos.

Neste verão estivemos presentes em diversas festas e romarias, onde Idanhenses a residir nas mais diversas latitudes aceitaram o nosso desafio. O objetivo é construir uma rede mundial de Embaixadores de Campo, composta por pessoas que têm a missão de representar o concelho de Idanha-a-Nova nos países de residência. Vamos construir juntos o futuro de Idanha?

Armindo Jacinto

Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Escreva-nos para o email: recomecar@cm-idanhanova.pt Ou contacte-nos através do telefone: (+351) 277 200 570 (Programa Recomeçar)


Idanhenses pelo Mundo / p.2

ENTREVISTA Joaquim Laranjo Teve uma longa e bem-sucedida carreira profissional em França, na área dos desportos hípicos. Foram mais de 40 anos que culminaram em 2011 com a condecoração com a Ordem de Mérito Agrícola pelo governo francês. Com a reforma, Joaquim Laranjo, 64 anos, regressou a Oledo onde foi eleito presidente da Junta de Freguesia. É natural de Oledo, mas viveu mais de 40 anos em França. Pode falar um pouco sobre essa vivência? Emigrei para França com os meus pais em 1964, teria eu 13 anos. Estudei na escola francesa, mais tarde numa escola profissional. Trabalhei ano e meio numa primeira empresa e depois fui chamado para outra onde estive mais de 40 anos, a France Galope, empresa que gere as corridas de cavalo em França. Estive lá até terminar a minha carreira profissional, em 2011. Por que emigraram os seus pais? Emigraram à procura de melhores condições de vida, tal como muitas outras pessoas desta região. Manteve o contacto com Portugal? Sim. Todos os anos vínhamos a Portugal, pelo menos nas férias. Houve anos em que vinha a Oledo seis ou sete vezes, uma vez que conseguia conciliar essas visitas com o meu serviço. Há cerca de 20 anos comecei a pensar em regressar definitivamente na altura da reforma. O que o levou a regressar a Portugal? A nostalgia talvez, e as raízes puxam sempre. Os meus pais, que também regressaram a Portugal quando se reformaram, já tinham uma certa idade e queríamos estar ao pé deles. Agora estamos noutra fase. É a vez dos meus filhos e netos nos virem visitar a Oledo. Que desafios lhe criou a mudança? Foi fácil. Comecei a prepará-la bastante tempo antes. Construímos uma vivenda em Oledo, já no ano 2000, portanto tínhamos condições para aqui morarmos definitivamente.

E quando regressou candidatou-se à Junta de Freguesia. Não vim com a ideia de estar no posto onde estou. Tinha sido convidado já várias vezes para me candidatar à presidência da Junta de Freguesia de Oledo, mas por causa do meu trabalho em França não podia aceitar. Ainda assim, fazia questão de vir cá sempre votar, nas legislativas e nas autárquicas. Quando regressei definitivamente, aceitei o desafio. O que o levou a isso? Servir a minha freguesia, mas não é fácil. As nossas aldeias são pequenas, com poucos meios financeiros. Oledo tinha pouco movimento. Quero dinamizar esta aldeia. O verão é uma época do ano em que muitos emigrantes voltam à sua terra. Que perspetiva têm sobre um dia regressarem definitivamente? Desde que voltei, em 2011, já assisti ao regresso de várias outras famílias a Oledo. Dizem que já há algum movimento nesta aldeia e no concelho de Idanha em geral, por isso já vale a pena morar aqui. Ainda é pouco, gostaríamos todos que houvesse mais.

“É dando vida às aldeias que chamamos as pessoas”

São essas questões que os emigrantes valorizam? Sim, e eu conheço essas realidades, até porque fazia parte de associações portuguesas em França. Ouvi, muitas vezes, as pessoas queixarem-se que a sua aldeia não tem vida e estão habituadas a outro tipo de movimento. É dando conforto e vida às aldeias que conseguimos chamar as pessoas. Referindo-me apenas a Oledo, há muito emigrantes que gostariam de vir para cá. E como olham os emigrantes para a questão da saúde? Ainda há pessoas que pensam que a saúde em Portugal é igual ao antigamente, mas acho que o problema não é esse. Em termos de serviços de saúde não estamos mal servidos.

Que benefícios pessoais lhe trouxe a mudança? Tinha a vida bem orientada em França, mas as raízes puxaram-me para cá. Tinha o sonho de acabar aqui os meus dias. Financeiramente não ganhei nada, mas em termos de qualidade de vida sim. Tinha uma vida de muito stress. Aqui tenho qualidade de vida e natureza. Que conselho daria aos idanhenses que estejam a considerar regressar? No caso dos reformados, aconselho a virem. No nosso concelho ainda se vive até aos cem anos. Mas aconselho também a nossa Câmara Municipal a pensar bem no acolhimento dessas pessoas. Trabalharam a vida toda e quando chegam à reforma precisam de lazer, animação e bom acolhimento. No ano passado, mediou a celebração de um protocolo entre o Município de Idanha-a-Nova e a Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, que visa promover as empresas do concelho junto do mercado francês. É um exemplo do contributo que pode ser dado por idanhenses que vivem fora? Sem dúvida. Há muitos idanhenses que vivem em França e mantêm uma ligação ao concelho. É importante reforçar esses laços. Temos de ajudar os produtores do concelho a encontrar distribuidores que permitam colocar os seus produtos noutros países. E, ao mesmo tempo, levar os franceses e outros estrangeiros a conhecer o que há no concelho, desde os produtos e paisagens às habitações que podem ser recuperadas.

Joaquim Laranjo Emigrante Natural de Oledo


Idanhenses pelo Mundo / p.3

CULTURA RAIANA TEATRO ALÉM-FRONTEIRAS Ajidanha leva espetáculo premiado ao Brasil No mês de setembro, a companhia de teatro Ajidanha vai andar “à deriva” por terras de Vera Cruz. A primeira digressão da Ajidanha ao Brasil está confirmada e promete ser um marco na vida do grupo de teatro de Idanha-a-Nova. Entre os dias 15 e 25 de setembro, a Ajidanha irá apresentar o aclamado espetáculo “À Deriva”, caracterizado pela comédia, a sátira e o nonsense, em cinco palcos diferentes. São dez dias a percorrer terras brasileiras com passagem por localidades do estado do Paraná (Coronel Vivida, Pato Branco e Mangueirinha), Santa Catarina (São Lourenço do Oeste) e estado de São Paulo (Iracemápolis). Esta itinerância é organizada pela Companhia Teatral Procênio, de Limeira - São Paulo, que convidou e irá receber o grupo idanhense.

Estreada em maio de 2013, a peça “À Deriva” tem arrecadado prémios nacionais e internacionais. Foi a grande vencedora do Festival Internacional de Teatro CALE-se (melhor espetáculo, melhor encenação, melhor cenografia e melhor sonoplastia) e galardoada no Certame Iberoamericano de Teatro “Ciudad de Trujillo” (melhor ator secundário e 2º melhor espetáculo).

Dois homens e uma mulher em alto mar “À Deriva” parte de uma adaptação livre do texto teatral “Em Alto Mar”, de Slawomir Mrozek. Conta a história de dois homens e uma mulher perdidos em alto mar, após o que se julga ter sido uma catástrofe natural. Tem encenação de José Carlos Garcia e Nádia Santos e interpretação de Ana Grilo, Bruno Esteves e Rui Pinheiro.

Agora é a vez do público brasileiro andar “à deriva” com a Ajidanha, num ano marcado ainda pela primeira apresentação da peça na Madeira e pelo regresso aos palcos espanhóis, onde tem sido muito bem recebida.

“OPUS” Nova peça da Ajidanha A nova peça da Ajidanha, “OPUS”, já está na estrada e promete arrancar aplausos e gargalhadas um pouco por todo o país e além-fronteiras. Estreou em julho último, em Idanha-a-Nova, com casa cheia. Mais uma vez, a companhia de teatro voltou a surpreender o público com humor inspirado e sátira acutilante. Com tudo para ser um sucesso, “OPUS” conta com encenação de José Carlos Garcia e é interpretado pelos atores Bruno Esteves e Rui Pinheiro. SINOPSE Aborrecido, num determinado momento da Minha eternidade, comecei a criação de todo o universo. A Minha obra era uma sublime representação do espaço, com o domínio marcado dos conceitos básicos da natureza. Mas como em todas as obras, há sempre um elemento imperfeito. Esta peça fala Dele, das suas dúvidas e angústias, na companhia de quem fez Dele, quem Ele é.

Ao serviço da cultura A Ajidanha – Associação de Juventude de Idanha-a-Nova surgiu, em 1998, na sequência do então grupo de teatro GET-IN (Grupo Experimental de Idanha-aNova), que era composto por alunos da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova. É criada com uma missão centrada na produção teatral, mas alargada a outras atividades culturais. A face mais visível da Ajidanha tem sido o grupo de teatro, batizado de AJITAR – Grupo da Associação de Juventude de Idanha-a-Nova de Teatro Amador da Raia. Desde a encenação de “Médico à Força”, de Molière, em 1997, até à estreia de “OPUS”, em 2015, são mais de duas dezenas as produções desta companhia apresentadas em Portugal e Espanha. Para mais informações poderá consultar as páginas www.ajidanha.com, www.ajidanha.blogspot.com ou www.facebook.com/associacaodejuventu de.ajidanha


Idanhenses pelo Mundo / p.4

ECONOMIA Turismo em Espaço Rural oferece conforto e emoções Idanha-a-Nova afirma-se cada vez mais como um destino turístico de excelência. Diferenciado, autêntico e de qualidade tem convidado turistas de todo o mundo a descobrir e vivenciar um território que se destaca pela sua genuinidade. Talvez por isso, são cada vez mais os empreendimentos de turismo no concelho. Se há 20 anos contavam-se apenas 10 unidades de turismo, hoje são 43 distribuídas pelas diferentes freguesias. São, no total, mais de 1100 camas. O turismo em espaço rural, em particular, tem merecido um forte investimento de vários promotores. É já muito significativo o leque de unidades altamente qualificadas que oferecem momentos de conforto e requinte em plena natureza. Quinta da Pedra Grande, em Monsanto. Casa dos Xarês, no Rosmaninhal. Polderas, em Medelim. Casa das Naves, em Alcafozes. São quatro exemplos apenas de unidades de turismo em espaço rural que abriram portas nos últimos meses. Mas, por todo o concelho de Idanha-a-Nova, os turistas podem contar com alojamento de qualidade. É um sector em franco crescimento, complementado por uma ampla oferta de animação turística, histórico-cultural, gastronómica e desportiva. As unidades de turismo são hoje um ativo que movimenta a economia do território. Oferecem oportunidades a novos empreendedores e condições de excelência a turistas e visitantes. Sempre com o sabor único da vida no campo.

SAÚDE E BEM-ESTAR

AGENDA

Idanha-a-Nova prepara novidades na Saúde

Conferência sobre Tuberculose em Caça Maior Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova) 1 de outubro (14h00)

A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova está a preparar novos projetos na área da Saúde e da Ação Social. A Unidade Móvel de Saúde e o Cartão da Rede Nacional de Saúde são investimentos que vão criar uma saúde de maior proximidade. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das populações, sobretudo as mais idosas, redobrar a atenção com a saúde e contribuir para um concelho cada vez mais atrativo para viver e visitar. Os portadores do Cartão de Saúde poderão beneficiar de assistência médica ao domicílio, bem como de cuidados de enfermagem. A possibilidade de usufruir de serviços de saúde em Espanha, em particular valências e especialidades pouco acessíveis, é outras das vantagens.

"Gargalhadas 2015" Restaurante-Bar "O Espanhol" (Idanha-a-Nova) 3 de outubro 7º Festival do Casqueiro Idanha-a-Velha 10 e 11 de outubro XI Maratona BTT “Trilhos da Raia” Concelho de Idanha-a-Nova 11 de outubro 6º Festival de Vinhos e Licores S. Miguel de Acha 14 e 15 de novembro IV Fora do Lugar Festival Internacional de Músicas Antigas 27 de novembro a 12 de dezembro “Alentejo, Alentejo” de Sérgio Tréfaut Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova) 7 de dezembro (21h30) Festival de Teatro da Ajidanha Idanha-a-Nova 12 a 20 de dezembro 3º Músicas e Tradições de Natal Oledo 19 e 20 de dezembro

Idanhenses pelo Mundo  
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É a pensar em quem partiu, mas guarda Idanha no peito, que nasce o boletim Idanhenses pelo Mundo. Tem a ambição de ir ao encontro dos Idanhe...

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