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A Revista do AviSite

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A Revista do AviSite


Editorial Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Avicultura: há 45 anos mostrando seu potencial

ISSN 1983-0017 nº 133 | Ano XI | Dezembro/2020

Recentemente, em um artigo, Ricardo Santin, Presidente da Associação Brasileira de Produção de Proteína Animal (ABPA) destacou que “...há décadas, ouço que o Brasil tem o potencial para alimentar o mundo. É um título de responsabilidade gigantesca. Mas, ao analisar a história e os avanços de determinados setores do agro, vejo que podemos atingir esse objetivo. Prova disso é a internacionalização da avicultura brasileira, que neste ano completa 45 anos. Em 1975, aconteciam os primeiros embarques de carne de frango, com destino a Arábia Saudita e Kuwait. Já no primeiro ano, o volume exportado cresceu seis vezes, passando de 3,5 mil para 20 mil toneladas”. Nesta edição de Dezembro da Revista do AviSite, destacamos os 45 anos do início da abertura do comércio exterior aos produtos avícolas brasileiros. Santin aponta que junto aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, a ABPA investiu na melhoria da qualidade do produto e deu o primeiro passo para abrir novos mercados. Em 2004, já éramos o maior exportador de carne de frango do mundo, fornecendo para 136 países. “Fomos longe. Etamos em 160 países nos cinco continentes e vendemos mais de 4 milhões de toneladas por ano. Décadas de trabalho e investimentos resultaram em uma marca reconhecida e respeitada no mundo. Com trabalho, união e articulação, tenho certeza: o Brasil vai ajudar a alimentar o mundo no século 21!”, encerra Santin. Aqui um agradecimento daqueles que escreveram essa história de sucesso!!!

Sumário

14 A trilha do maior exportador de carne de frango do mundo

06 Lançamento Cobb 08 CNMA e Yami 10 Decisão baseada em... evidências? da microbiota intestinal e 30 Manutenção eficiência produtiva de frangos de corte suplementados com probiótico Bacillus subtilis C-3102

34 ICC aponta que uso de adsorventes

minimiza efeitos na nutrição animal

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia e Paulo Godoy (19) 3241 9292 (19) 98963-6343 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Luciano Senise senise@senise.net Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br Os informes técnico-empresariais publicados nas páginas da Revista do AviSite são de responsabilidade das empresas e dos autores que os assinam. Este conteúdo não reflete a opinião da Mundo Agro Editora.

36 O ano de 2020 para a avicultura

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24 Os avanços da tecnologia na avicultura

Matrizes Pintos de corte Carne de frango Exportação Disponibilidade interna Desempenho do frango vivo Matérias-primas

Final 61 Ponto Mariano Ioco Diretor de Marketing da Sealed Air para América Latina. Como a combinação inteligente de mão de obra e automação vai ajudar a indústria de frango no Brasil?

que aprendemos sobre o uso de Plasma 36 OSpray Dried em frangos? Siil Halal aponta crescimento 40 Entrevista: do mercado halal

42 Balanço Preliminar 2020 A Revista do AviSite

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Eventos

2021 Janeiro 25

Conferência Latino-Americana de Avicultura Local: Georgia World Congress Center - 285 Andrew Young International Blvd NW - Atlanta, Georgia, USA Realização: U.S. Poultry & Egg Association Email: info@ippexpo.org Site: www.ippexpo.org 26 a 28

International Poultry Expo (IPE) - Feira de Atlanta Local: Georgia World Congress Center - 285 Andrew Young International Blvd NW - Atlanta, Georgia, USA Realização: U.S. Poultry & Egg Association Email: info@ippexpo.org Site: www.ippexpo.org Site: www.eurotier.com/en

As 4 notícias mais lidas no AviSite em Novembro

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FAO: preços dos alimentos continuam em alta, mas sem a ajuda das carnes Pela segunda vez neste ano, o Índice FAO de Preços dos Alimentos ultrapassa a marca dos 100 pontos. Mas o resultado alcançado não tem maior significado, pois os preços nem alcançaram aos 101 pontos

Abril

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Custo estratosférico aniquila competitividade do frango De acordo com o levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves, em outubro o custo de produção do frango no estado do Paraná sofreu alta mensal de 14,25% e anual de 44,07%, índices que elevaram esse custo a valores estratosféricos: R$4,25/kg.

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21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura Local: Centro de Cultura e Eventos Plinio Arlindo de Ness – Chapecó, SC Realização: Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas de Santa Catarina (NUCLEOVET) Site: www.nucleovet.com.br

Maio/Junho 30 a 2 de junho

3ª Conbrasul Ovos - Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos Local: Wich Serrano Resort & Convention - Gramado, RS Realização: Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) Programa Ovos/Rio Grande do Sul Site: www.conbrasul.ovosrs.com.br

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Milho se valoriza no Brasil com mercado de rações buscando novos volumes Ontem, a quinta-feira (05) chegou ao final com os preços do milho mais altos no mercado físico brasileiro. Não foram percebidas desvalorizações em nenhuma das praças.

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Influenza Aviária obriga Japão a abater mais de 300 mil frangos Autoridades japonesas começaram a sacrificar mais de 330 mil frangos depois que um surto de gripe aviária altamente patogênica foi confirmado em uma granja de frangos pela primeira vez em quase três anos no país.

Há 10 anos no AviSite www.avisite.com.br

Embarques de carne de frango de 2010 já superam o recorde mantido desde 2008 Campinas, 08/12/2010: Dados preliminares da SECEX/MDIC revelam que, mesmo tendo crescido 19% em relação a idêntico mês do ano passado, os embarques de carne de frango de novembro último recuaram 4% em relação ao mês anterior. Totalizando 319.802 toneladas, corresponderam ao menor volume exportado desde maio de 2010. De toda forma, esse baixo rendimento foi inteiramente compensado com um aumento de 15% (variação anual) no preço do frango inteiro e dos cortes de frango (industrializados obtiveram ganho anual de apenas 0,35%, enquanto o preço da carne de frango salgada recuou 1% em relação a novembro de 2009). Dessa forma, a receita cambial de novembro último aumentou significativos 32,5% (no mês, +2,7% - a despeito de o volume ter recuado 4%).

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Notícias Curtas Produção

FAO: apesar da pandemia, produção mundial de carnes recua apenas meio por cento em 2020 No segundo Food Outlook do corrente exercício, ontem divulgado, a FAO estima que a produção mundial de carnes de 2020 girará em torno dos 337,3 milhões de toneladas, recuando apenas meio por cento em relação a 2019. A nova previsão é menos pessimista que a de junho passado, ocasião em que os desdobramentos da pandemia de Covid-19 levaram a FAO a projetar uma redução próxima de 2%. De toda forma, este será o menor volume alcançado no triênio 2018/2020. Naturalmente, a maior redução continua recaindo sobre a carne suína. Porém, em índice bem menor que em 2019. No ano passado a queda foi estimada em quase 10%. Em 2020 projeta-se que recuará pouco mais de 4%. Mas é previsto, também, ligeiro recuo – de pouco mais de 1% - na produção de carne bovina. Devido – explica a FAO – a quedas na Índia, Austrália e Brasil, o que resultou em suprimentos apertados e, claro, na valorização do produto. Como está sendo prevista estabilidade na pro-

dução de carne ovina (menos de 3% do total mundial), somente a carne avícola (essencialmente, a de frango, pois a FAO individualiza a produção comercial de outras espécies de aves) tende a uma expansão no corrente exercício. No entanto, o índice de incremento previsto, inferior a 1,5%, corresponde apenas à metade do registrado de 2018 para 2019. A ressaltar que a carne avícola se isola como a principal carne produzida no mundo. Em 2018 correspondeu a pouco mais de 37% da produção mundial (no volume total da FAO estão inclusas outras carnes não especificadas na tabela) e, neste ano, sua participação deve ultrapassar os 40% da produção total. Ainda que marginalmente, aumenta, também, a participação da carne bovina – de 20,92% em 2018 para 21,35% em 2020. Assim, cai apenas a participação da carne suína – de 35,33% para 31,22%, uma redução de quase 12% em apenas dois anos.

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Informativo Técnico-Comercial

A evolução da avicultura passa pelo novo CobbMale Maior eficiência em ganho de peso diário, eficiência alimentar e rendimento de carcaça são algumas das características do lançamento da Cobb Autor: Rodrigo Terra

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Cobb, como companhia de pesquisa e melhoramento genético, tem por premissa manter-se competitiva no mercado e investir constantemente em novos produtos, aproveitando de sua variabilidade de material genético para desenvolver novidades que atendam as demandas do mercado consumidor e clientes produtores. Os critérios que a Cobb utiliza para desenvolver seus produtos são voltados à eficiência, o que contribui para o rendimento do cliente e a sustentabilidade do negócio como um todo.

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Nesta equação os fatores que multiplicam a rentabilidade do negócio pendem para as áreas da cadeia de produção que mais se aproximam do ponto final da comercialização, portanto os critérios de eficiência alimentar, no processo de engorda desde o alojamento do pinto até o momento de ir ao processamento é extremamente importante, bem como a saúde do animal, pois conferirá menor taxa de mortalidade e mais animais chegarão ao próximo elo da cadeia: o processamento. Nesta fase a menor taxa de perdas e o maior rendimento de carnes por quilo processado faz muita diferença no resultado final, pelo poder multiplicador na escala do negócio. Equilibrar os elos da cadeia é o desafio constante do desenvolvimento de um produto e seu melhoramento futuro.

A Cobb busca oferecer a melhor opção disponível para o segmento do mercado que atua quando oferece uma nova opção de produto. Ao final a escolha é do cliente que se adaptar a essa nova opção. Estamos prontos para atender o mercado em 100%, se esta for a definição, após o período normal de experimentação.

CobbMale E reduzir custos em todos os processos produtivos é uma das maneiras de ter não só maior rentabilidade na avicultura, como também reduzir o impacto ambiental da produção. Pensando nisso, estudos realizados pela Cobb-Vantress levaram ao lançamento do CobbMale, que deve ser o novo protagonista mundial dos machos de frango. Testado globalmente durante sete anos, ele se mostrou mais eficaz na conversão alimentar e ganho de peso mesmo usando uma ração mais barata, além de rendimento superior na hora de processar as aves nos frigoríficos. Os estudos internacionais demonstraram que entre as principais características, o CobbMale oferece desempenho superior de frangos, tem excelente conversão alimentar e melhor rendimento de carne, além de ser adaptável a vários pesos, ambientes e programas nutricionais. Ele melhora o pacote, do frango ao processamento, atendendo a uma das demandas dos abatedouros, que é a qualidade do empenamento ao abate, apontaram os estudos da Cobb, líder em genética avícola no mundo. Além do empenamento,


uma das vantagens em relação a outras genéticas do mercado é a qualidade de carcaça, que é cerca de meio ponto percentual mais eficiente que outras genéticas. Também se destaca no mercado frango vivo, demonstrando versatilidade. No campo, as principais vantagens são a melhor conversão alimentar e ganho de peso diário. A conversão alimentar pode melhorar em até três pontos. Já o ganho de peso pode ser duas gramas melhor. Os estudos demonstram que pode ser o animal mais eficiente do mercado. O CobbMale tem se mostrado com melhor desempenho zootécnico, mantendo a mesma qualidade metabólica da linhagem anterior. Por ter excelente eficiência alimentar, o produtor pode utilizar rações mais baratas. Isso se transforma em lucro, com melhor conversão alimentar e dieta de baixo custo.

Rendimento de carcaça Nos últimos anos o melhoramento genético das aves foi caminhando na direção do rendimento de carca-

ça. A Cobb foi agregando carne na carcaça. Para se ter uma ideia, um frango demorava até 50 dias para atingir 2 quilos, com uma conversão alimentar ajustada de 2.20. Ou seja: 2,2 quilos de ração para um quilo de carne. Dez anos depois, na mesma idade ele chegava a 2,5 quilos. Hoje chega entre a pesar entre 2,700 e 2,750 quilos com aproximadamente 42 dias. Em outras palavras, a cada ano o frango demora um dia a menos para chegar no mesmo peso. Com o CobbMale temos uma expectativa muito robusta em melhorar a avicultura brasileira e mundial.

Pesquisas atendem outras demandas do mercado A Cobb trabalha na rusticidade dos animais há aproximadamente duas décadas já prevendo a retirada do uso dos antibióticos da produção. Além disso, a demanda ambiental determinou resultados importantes e de impacto no negócio, como menor produção de dejetos,

já que os animais são nutricionalmente mais eficientes. Em relação a bem-estar animal, que pauta cada vez mais as decisões de consumidores e grandes redes varejistas, a Cobb tem um departamento exclusivo. Além de saúde, bem-estar animal foi uma das características agregadas ao processo de melhoramento das aves. A variabilidade genética vai caminhar sempre para um produto melhor. Para atender as demandas do mercado, a Cobb investe fortemente na excelência do mais completo serviço técnico, com uma equipe altamente capacitada, com especialistas regionais e internacionais, que se pautam no objetivo de ajudar o produtor a atingir o máximo do potencial genético das aves. O processo de desenvolvimento nunca acaba. É longo e constante, desde a escolha até as experimentações interna e externas. Trabalho muito meticuloso e bem realizado que nos dá confiança nos passos e resultados que se seguirão. A Revista do AviSite

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Eventos

CNMA e YAMI elevam os debates sobre o futuro do agronegócio Os eventos reuniram 3 mil pessoas do Brasil e do exterior durante a última semana de maneira online

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5º CNMA - Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio e o 2º YAMI - Youth Agribusiness Movement International encerraram as suas edições em Outubro e a Revista do AviSite traz uma análise com o que de mais importante ocorreu no evento que reuniu um total de três mil pessoas de todo o Brasil e exterior. Os eventos, realizados de forma virtual, elevaram os debates sobre o futuro do setor.

Durante o CNMA, 2.300 participantes acompanharam uma série de ações que destacaram a contribuição das mulheres como aceleradoras das inovações que conduzem o agronegócio no Brasil e no mundo. Foram cinco mesas-redondas, apresentações da 2ª edição do #MinhaVozNoAgro, 3º Prêmio Mulheres do Agro Bayer/ABAG, além de homenagens à embaixadora da edição, a agropecuarista Sônia Bonato e aos 10 anos do Núcleo Feminino do Agro (NFA).

Teka Vendramini, presidente da Sociedade Rural Brasileira e o jornalista e escritor, José Luiz Tejon

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O encerramento da edição especial de cinco anos contou com a participação da presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, que deixou uma mensagem para as participantes. “Eu acredito muito na mulher agrícola e depois desses quatro dias com tanto aprendizado nesse congresso maravilhoso, digo que duas coisas farão a diferença para vocês: conhecimento e fazer acontecer. Sugiro que vocês escolham cinco coisas aprendidas para fazerem acontecer. Temos que começar fazendo, não tenham a expectativa de não errar porque não temos compromisso com o certo: nosso compromisso deve ser em dar o nosso melhor”. Luiza completou ressaltando que a epidemia evidenciou a importância da cooperação e que o conceito veio para ficar porque as pessoas perceberam que são do tamanho daquilo que compartilham. “Temos que pensar na desigualdade social, em fazer o SUS funcionar porque ele é o melhor que existe e pensar na educação rural, que é um desafio pessoal meu, de levar escolas de qualidade para o campo. Isso tudo nós fazemos por meio da união, por isso eu convido a todas para entrarem no grupo Mulheres do Brasil, que caminha para ser o maior grupo político apartidário a favor do país porque só a sociedade civil unida é capaz de mudar o Brasil”.


A agropecuarista Carmen Perez; a presidente do NFA, Maria Antonieta Guazelli e o jornalista e escritor, José Luiz Tejon

Edição histórica e de sucesso Para a gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios, Renata Camargo, a edição especial de cinco anos do CNMA deve ser comemorada pelo seu sucesso e resultado positivo. “Apesar do formato online, o CNMA não perdeu a sua essência e isso se deve ao trabalho realizado pela equipe do Transamerica Expo Center durante todo o ano, ao apoio dos nossos patrocinadores e às mulheres, que estiveram engajadas em nos ajudar a promover o evento”. Ela complementou ressaltando que o desafio agora é trazer uma nova edição com ainda mais conteúdos relevantes, edificadores e diversificados para as congressistas. “Esperamos que em 2021 estejamos todas juntas, de forma presencial, mas também pensamos que seria interessante adotar para as próximas edições os dois formatos, para que possamos, novamente, trazer mulheres de outros lugares do mundo, pois o digital nos abre essa possibilidade”. “Debatemos não só a importância da mulher no setor, mas como peça fundamental da engrenagem

da sociedade, nos campos da economia, da pesquisa, da tecnologia, e acelerando os processos de igualdade de gênero. Com certeza demos mais um passo à frente no desenvolvimento e no crescimento do papel da mulher no ambiente dos negócios e das tomadas de decisão”, definiu o gerente Geral do Transamerica Expo Center, Alexandre Marcílio.

YAMI celebra os novos líderes do agro A segunda edição do YAMI Youth Agribusiness Movement International reuniu durante os quatro dias de conteúdo 700 jovens do agronegócio, que participaram do evento em busca de se preparar para os desafios do setor. Ao todo, foram promovidas quatro mesas-redondas que debateram os temas educação e o agro do futuro, evolução digital, a era do empreendedorismo e tendências de consumo e compliance e governança. Para a produtora rural e agroinfluencer Aretuza Negri, idealizadora do perfil “Ela é do Agro”, que esteve presente na mesa-redonda do segundo dia do evento, muito mais do que apontar as tendências, o

evento fez com que o jovem saíssem com uma visão mais ampla em relação a toda cadeia e mais preparado para lidar com as situações que podem se deparar no decorrer da carreira. “Os produtores estão cada vez mais abertos ao uso de novas ferramentas, não só em campo, mas em todos os processos do setor. O YAMI traz esse ‘Novo Agro’, mais tecnológico e mais conectado para perto da nova geração do setor, que tem um papel fundamental na inserção dessas tecnologias em toda a cadeia”, afirmou. Convidada para ser a Embaixadora da 3ª edição do YAMI em 2021, a agroinfluencer destaca a qualidade dos debates para o processo de preparação de um jovem para assumir uma função de gestão no agro. “Estou muito feliz com o convite. Ser a Embaixadora é ter a responsabilidade e o poder de incentivar os jovens a abraçarem esse movimento. É dizer à juventude do setor: ‘solta a sua voz no agro’, pois o mundo, mais do que nunca, precisa ouvir e ver o que os jovens do nosso país estão fazendo por toda a cadeia do agronegócio”, enfatizou. O curador de conteúdo do evento, José Luiz Tejon, encerrou o evento destacando o papel dos jovens como os agentes do futuro do agronegócio brasileiro, os novos líderes que deverão atuar com uma consciência planetária, com visão estratégica das cadeias produtivas e com humanização. “Caberá à nova geração esse papel de integrar a sustentabilidade, o desenvolvimento humano, a cooperação e o progresso do mundo em um sentido muito mais humano do que tivemos até agora”, ressaltou “Temos que trabalhar em prol do crescimento do Brasil e para isso é preciso elevar o PIB do país para garantir novas oportunidades e menos desigualdades. Para atingir esse objetivo será necessário dobrar o tamanho do agronegócio brasileiro nos próximos anos e contamos com a força da juventude para isso”, destacou. A Revista do AviSite

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Produção

Decisão baseada em... evidências? Como estabelecer fatores relevantes para tomada de decisão na produção avícola? A "doença” e o “normal”. O ano de 2020 certamente ficou marcado pela ocorrência de eventos considerados “adversos”, que perturbaram uma rotina até então considerada “normal”, impactando o atual modo de vida e gerando consequências jamais dimensionadas. Autores: Pedro Celso Machado Jr., Médico veterinário e bacharel em Ciências Econômicas pela UFPR, PhD em Agricultural Economics com especialização em estatística pela Oklahoma State University. pedrocm@okstate.edu Breno Castello Branco Beirãoro, Médico veterinário pela UFPR, PhD em Animal Genomics and Disease Resistance pela University of Edinburgh, é professor da UFPR. breno.beirao@ufpr.br

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muito provável que o leitor já tenha se deparado com afirmações semelhantes às da frase anterior. Porém gostaríamos de chamar atenção para duas palavras em especial: “adverso” e “normal”. Sem mergulhar profundamente na etimologia das palavras, o conceito de adversidade resume-se a algo que se apresenta em oposição, em sentido contrário, que traz desgraça, prejuízo ou que provoca infortúnio. Do mesmo modo, algo “normal” traduz-se como algo usual, comum, ou cujo comportamento é considerado aceitável. Dadas as definições, podemos perceber que para caracterizar algo como adverso, é necessário saber o que podemos considerar normal. Isso é válido para qualquer sistema ou cenário a ser analisado, e em nosso caso especial, para o sistema de produção avícola. Assim como um sistema orgânico, o sistema de produção avícola é um conjunto de órgãos ou de tecidos relacionados que desem-

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penham uma função vital específica. Em nosso sistema de produção, temos diferentes elos da cadeia como “órgãos” ou “tecidos” que irão desempenhar nossa função vital de figurar entre os líderes mundiais na produção e exportação de frangos de corte na atualidade – isso envolve desde a produção de grãos e aditivos para alimentação, logística no transporte de grãos, ração, ovos e animais, processamento de grãos e transformação em alimento, produção de reprodutores, matrizes, ovos férteis e pintos de um dia, produção – crescimento – de frangos de corte, abate e processamento de animais terminados – beneficiamento em carcaças, cortes, e produtos industrializados que finalmente chegam às nossas mesas. Essa analogia com um organismo serve também para ilustrar a complexidade da avicultura. Quantas “normalidades” precisam ser definidas dentro de cada elo da cadeia para proporcionar a identificação de

“adversidades” e suas potenciais consequências a cada um dos “órgãos”? Como em um exame clínico, devemos pensar em que tipo de evidências precisamos identificar de forma a nos permitir tomar decisões que, com determinado grau de certeza ou confiança, melhorem a função vital (nesse caso, os resultados financeiros). Tomemos o exemplo da implementação de um protocolo para controle de salmonela dentro de uma integração. Por onde começar? Para responder a essa pergunta, primeiro é necessário definirmos qual o estado atual do nosso sistema. Pensando em salmonela, isso se traduz em “qual é o grau de positividade da minha empresa?”. E também: “que tipos de salmonela temos?”. “Como estão distribuídas no espaço e no tempo?”. E aqui enfatizamos a necessidade de saber onde nos encontramos dentro de uma escala de tempo e espaço, para saber para onde podemos ir após tomarmos alguma


decisão. Para fecharmos o “diagnóstico” da integração quanto à salmonela, é preciso definir os fatores causais, para que possamos removê-los. É preciso definir fatores relevantes que contribuem na entrada, persistência e disseminação da bactéria, e como estes fatores se relacionam com o número de lotes positivos ao longo do tempo dentro desta integração. É mais fácil dizer do que fazer: o que se faz necessário é o cadastro dos integrados com caracterização das propriedades (em relação ao tipo de instalação, biosseguridade, entre outros fatores); georreferenciamento para estabelecimento de potenciais redes de contágio (devido a rotas de transporte e proximidade) e áreas de maior densidade; histórico de desempenho e lotes positivos para cada galpão em produção, histórico de estratégias de manejo (e.g. troca de cama, utilização de melhoradores de desempenho com efeito antimicrobiano, período de vazio

sanitário e métodos de desinfecção), entre outros fatores cujo registro e controle sejam possíveis (se não obrigatórios) e que devem ser periódicos. Feito o diagnóstico, vem a prescrição. Se o paciente tosse porque fuma, que se afaste do cigarro. Contra a salmonela, é preciso saber qual o “normal” em escala local e dentro do sistema para poder minimamente desenhar uma expectativa de resposta e monitorar a efetividade de determinada intervenção. Pode parecer óbvio que determinados problemas não terão uma solução localizada dentro de um sistema, fazendo-se necessária uma ação em diversas frentes para se ter o resultado esperado. No entanto, dadas as restrições de recursos financeiros e de mão-de-obra, é essencial focar em algumas frentes de ação de modo a maximizar o retorno da intervenção. Estas frentes de ação infelizmente não estão descritas em ne-

nhum manual, ou em linguagem coloquial, não há uma fórmula mágica que seja aplicável para todas as empresas ou situações. Aí vemos a necessidade da construção de um sistema de registro próprio para cada entidade produtora, de maneira a poder definir a melhor estratégia de ação dentro da sua realidade.

Produção e sanidade baseadas em evidências Fica evidente que a quantidade de observações que precisam ser transformadas em dados e na sequência, traduzidas em informação já excede a nossa capacidade de visualização dentro de uma planilha comum de processamento de dados. As tabelas dinâmicas tampouco são suficientes para caracterizar efeitos de diferentes fatores ao longo de vastos períodos (meses ou anos). Para contextualizar, uma integração que abate 500.000 aves/dia deve extrair

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Produção

Mas não basta aglomerar dados em uma gaveta, é preciso que sejam úteis, ou seja, que se tornem em informação. Para traduzir essas observações em informação, elas precisam ser corretamente registradas, armazenadas e disponibilizadas para pronta utilização anualmente informações de mais de 6.000 lotes distintos, consequentemente gerando mais de 6.000 novas observações para cada parâmetro avaliado – se o parâmetro for analisado duas vezes por lote, o número de observações dobra, obviamente. Mas não basta aglomerar esses dados todos em uma gaveta, é preciso que sejam úteis, ou seja, que se tornem em informação. Para traduzir essas observações em informação, elas precisam ser corretamente registradas, armazenadas e disponibilizadas para pronta utilização. Estamos falando na necessidade de compilar, processar e resumir quase que instantaneamente um grande volume de informações de maneira a embasar uma decisão a ser tomada. Seguindo com o exemplo de controle de salmonela, em estudo recente demonstramos como dados coletados de forma rotineira, porém de maneira consistente, podem ser utilizados para a elaboração de modelos complexos que venham a embasar a tomada de decisão visando a redução do número de lotes positivos. Demonstramos que fatores con-

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sistentemente controlados pela integração, como tipo de galpão, área do galpão, área total alojada na propriedade e frequência de reutilização de cama, devem ser levados em consideração em programas de controle da bactéria, já que têm um efeito significativo na frequência de lotes positivos. Demonstramos também efeitos significativos do tempo (a influência de lotes anteriores) e da localização (efeito da proximidade) na frequência de lotes positivos, evidenciando ainda mais a necessidade de ponderar estes fatores ao se analisar respostas dentro de um sistema complexo como nosso sistema de produção avícola. (1) Seguindo o exemplo, para combater a salmonela, é preciso um registro minucioso da situação, para que possamos intervir sobre ela. Não podemos controlar as estações do ano ou condições climáticas específicas, mas podemos considerar seu efeito e adotar estratégias para minimizá-las. Não podemos mudar facilmente as edificações de um galpão, mas podemos considerar medidas que minimizem efeitos adversos relacionados a limitações físicas. Por fim, não podemos impor determinados protocolos de manejo (ao menos, não de forma prática e sustentável), mas podemos estabelecer incentivos para facilitar a sua adoção. Conforme enfatizamos, o volume de dados gerados dentro de nosso sistema já excede nossa capacidade de visualização sem a implementação de um método mais elaborado de compilação e análise de dados. Tabelas dinâmicas e gráficos de médias já não nos atendem mais. A utilização de modelos e abordagens estatísticas e econométricas mais sofisticadas, por outro lado, evidencia os dados mais importantes em cada situação. Além disso, o grande volume de informações que utilizamos para estabelecer o nosso “normal” nos permite estabelecer intervalos de confiança para sabermos onde nosso resultado se encontrará se tomarmos alguma decisão hoje. Contudo, só conseguimos fazer este exercício se acessarmos, avaliar-

mos e atualizarmos, a cada decisão, nosso banco de dados, verificando a trajetória de nosso sistema até o momento presente, ponderando os potenciais benefícios das intervenções em vista dos custos relacionados às mesmas. Não só o registro dos dados é necessário – hoje a indústria faz isso muito bem – mas também a reflexão sobre estas experiências (a análise e interpretação dos dados) e a reflexão sobre as consequências de nossos atos (simulação do resultado de determinada intervenção). A análise conjunta da complexidade atual e passada – e não dos fatores individuais isoladamente – é a resposta para nossa pergunta anteriormente formulada: “que tipo de evidências precisamos identificar de forma a nos permitir tomar decisões que, com determinado grau de certeza ou confiança, melhorem (ou ao menos deixem de piorar) a função vital (nesse caso, os resultados financeiros) de nosso sistema um questão?”. A utilização de ferramentas de compilação e análise de dados em tempo real já é uma realidade que precisa ser implementada no nosso sistema de produção. A frase: “Data is the new oil” - dados são o novo petróleo – nunca teve tanto significado. Estamos entre os maiores produtores de frangos de corte no mundo. Isso é sem dúvida um indicativo de que possuímos excelência em nosso sistema de produção. Porém, ainda há muito espaço para melhorarmos. Se aplicarmos o mesmo nível de cuidado e complexidade que utilizamos em nossos sistemas de produção ao nosso sistema de registro, análise e interpretação de dados, certamente teremos um ganho de eficiência. Ou ao menos saberemos o quão eficientes poderemos ser. ______________________ (1) MACHADO JUNIOR, Pedro Celso; CHUNG, Chanjin; HAGERMAN, Amy. Modeling Salmonella Spread in Broiler Production: Identifying Determinants and Control Strategies. Frontiers in Veterinary Science, v. 7, p. 564, 2020. https:// w w w.f r ont ie r si n .or g /a r t i cles/10.3389/fvets.2020.00564/full


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Exportações avícolas | 45 anos

A trilha do maior exportador de carne de frango do mundo Em 2020, Brasil comemora 45 anos do início das exportações avícolas

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lgumas histórias merecem ganhar o registro para a posteridade. A gloriosa trilha da internacionalização da avicultura de corte do Brasil é uma delas, que consta nas páginas da obra “A Saga da Avicultura do Brasil”, produzido pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em parceria com a Apex-Brasil. A seguir estão alguns trechos da obra que contam esta história. “Nos anos 50 o Brasil exportava produtos eminentemente agrícolas, pois existia uma descrença no poder de exportação de manufaturados. As mudanças ocorreram a partir da chegada, em 1964, de Roberto Campos e Octávio Gouvêa de Bulhões às pastas do Planejamento e da Fazenda, no governo Castelo Branco. A partir daí surgem as bases para elevar as exportações e gerar superávits comerciais, sem prejuízo do aumento das importações. A Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex), que tinha entre seus atributos o de financiar o comércio exterior, criou um sistema de incentivo às exportações baseado em um câmbio atualizado – por meio de minidesvalorizações – e créditos fiscais, além de uma linha de incentivos, o Befiex – sistema especial de benefícios deferido pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a

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Programas Especiais de Exportação –, voltada para os setores têxtil, calçadista e automotivo. No período do chamado milagre, entre 1969 e 1973, as exportações cresceram a uma taxa média de 25% ao ano. A avicultura brasileira, a partir da implantação do sistema de integração, começa uma nova etapa e amplia a sua produção, e as empresas Sadia, Perdigão e Seara iniciam investimentos altos em abatedouros. Verificou-se então a oportunidade de chegar ao mercado internacional, e, assim, em 1973 o Brasil passa a exportar o frango inteiro abatido. Em 1975, precisamente no dia 1º de agosto, ocorre o primeiro embarque, para Arábia Saudita e Kuwait. Naquele ano, os embarques foram de 3.500 toneladas do produto. Em 1976 atingiram 20 mil toneladas. Em apenas um ano o volume quase que quadruplicou. As empresas vislumbram um novo horizonte e surge a necessidade de se organizarem para obter uma sinergia em torno dos interesses coletivos dos produtores e exportadores de carne de aves. Foi constituída assim a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF), criada em 1976, com a missão principal de acompanhar os processos de acesso a novos mercados exportadores para carne de frango e

monitorar as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelos países importadores, trabalhando em conjunto com as empresas associadas e interligando-as aos poderes públicos. A nova entidade surgiu a partir dos esforços de nove empresas, visando a dedicar-se ao acesso de novos mercados e ao desenvolvimento das exportações do setor e a trabalhar para garantir a qualidade do frango brasileiro. E também com o compromisso de priorizar os assuntos de interesse do setor com as autoridades governamentais e os organismos internacionais, assim como de promover valores éticos na produção, comercialização e exportação de carne de aves e zelar pela imagem positiva do setor produtor e exportador de carne de aves. Passo a passo o mercado internacional se abre às exportações brasileiras de frango. A ABEF, com o apoio do governo, por intermédio dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e das Relações Exteriores (e, anos depois, pela Apex-Brasil), realizou um trabalho diuturno para abrir novos mercados. A qualidade está em primeiro lugar. A rede mantida pelo governo para garantir essa qualidade é coor-


denada por Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros), com centrais no Pará, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Essas unidades realizam de 30% a 40% dos exames requisitados oficialmente, muitos deles com exclusividade. (...) É criado então, em 1986, no Lanagro Campinas, a unidade de sanidade aviária. O laboratório realiza análises laboratoriais dando suporte ao serviço de defesa sanitária do MAPA. Ali, um grupo de profissionais especializados faz o diagnóstico de doenças aviárias, de notificação obrigatória, além do controle de vacinas de uso na avicultura. A expansão da avicultura prossegue com a qualificação cada vez maior das agroindústrias. As exportações chegam aos cinco continentes, e as agroindústrias atendem os clientes mais exigentes. Exemplo disso é a imposição feita pelos países do Oriente Médio e alguns africanos

de religião muçulmana. Nesses países, os alimentos têm de ser preparados dentro dos preceitos islâmicos da produção Halal. E o Brasil tem uma enorme tradição no processo. As primeiras exportações de carne de frango brasileira para um país de religião muçulmana ocorreram em 1975, com embarques destinados aos Emirados Árabes Unidos, à Arábia Saudita e ao Kuwait. As grandes agroindústrias brasileiras do setor se qualificaram, e hoje o Brasil é o maior exportador de carne de frango produzida a partir do abate Halal. Além de atender aos requisitos apresentados pelas certificadoras, os frigoríficos brasileiros também recebem constantes visitas de comissões sanitárias, religiosas e diplomáticas de vários países muçulmanos. Importante ainda para o comércio internacional são os modais exportadores dos quais podemos citar os portos de Itajaí, em Santa Catarina, o maior porto exportador do

Em 1º de agosto de 1975 que o navio finlandês Aconcágua zarpou do porto de Itajaí, em Santa Catarina, levando para o Oriente Médio as primeiras 650 toneladas de carne de frango do Brasil A Revista do AviSite

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Nos cinco meses restantes daquele ano, a média mensal exportada não ficou muito acima do volume inicial, visto que o total embarcado em 1975 ficou próximo, mas aquém, das 3.500 toneladas (média mensal de 693,8 toneladas entre agosto e dezembro)

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Brasil de frangos congelados, e o de Santos, em São Paulo. Relatos históricos mencionam a importância do Porto de Itajaí desde o século XIX, e os primeiros estudos técnicos datam de 1905, mas só foi considerado porto organizado em 1966 pelo decreto 58.780/66, devido a sua importância comercial e industrial para o Vale do Itajaí e à necessidade de integrá-lo ao sistema portuário nacional. As operações do porto eram alavancadas pelas cargas de madeira, trazidas das regiões Oeste, Meio Oeste e Planalto de Santa Catarina. Porém, no final dos anos 1960, o ritmo de extração da madeira começou a apresentar queda, revertendo a longa tendência de crescimento desde o início do século. Após queda brutal nas exportações de madeira, o Porto de Itajaí teve que se adaptar ao novo padrão de crescimento da economia catarinense. No início dos anos 1970, a grande

indústria catarinense estava se preparando para conquistar e ampliar sua participação no mercado externo. Em âmbito nacional, o país estava engrenando num rápido crescimento econômico coordenado e orientado pelo Estado por meio do planejamento. A partir daí o Porto de Itajaí passou a diversificar suas operações. Começou a operar cargas de açúcar, de produtos congelados e, logo em seguida, os contêineres, que hoje são o carro-chefe da atividade. Merece destaque a movimentação de contêineres, que põe o Complexo Portuário de Itajaí na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas do Porto de Santos. O extraordinário crescimento da movimentação foi registrado pela consultoria britânica Drewry’s, que pôs o Complexo de Itajaí como o segundo porto do planeta em crescimento na movimentação de cargas, tendo como base os resultados do período de janeiro a setembro de 2010.


A criação do Porto de Santos, em 1892, foi um marco para as exportações brasileiras, sendo o primeiro porto do país a ser utilizado no comércio com outras nações, o que o transformou em um dos ícones do desenvolvimento. Com características geográficas especialmente favoráveis à atividade portuária, a baía e o estuário de Santos constituem um excelente porto natural entre as ilhas de São Vicente e Santo Amaro. Com a sua modernização, a partir de 1957, realizada com o incentivo do BNDES, tornou-se cada vez mais competitivo e se consolidou como referência. Na avicultura teve e tem participação primordial no escoa­ mento de nossa produção. Nos últimos anos a expansão do comércio internacional de carne de frango teve o apoio fundamental da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A instituição é uma agência do governo brasileiro vinculada ao

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A Apex-Brasil tem a missão de promover as exportações de produtos e serviços brasileiros, contribuir para a internacionalização das empresas brasileiras e atrair investimentos estrangeiros para o Brasil. A Agência apoia, atualmente, mais de 13 mil empresas, de 80 setores produtivos da economia brasileira que exportam para mais de 200 mercados. A participação do segmento em feiras e eventos internacionais do setor de alimentos para divulgar a qualidade, a sanidade e a sustentabilidade do frango brasileiro sempre contou com a parceria da Apex-Brasil. A primeira oportunidade surgiu em meados dos anos 1990. A partir daí houve a participação anual em eventos nos cinco continentes, sendo que os mais importantes foram: Sial, na França; Anuga, na Alemanha; Gulfood, nos Emirados Árabes; e Foodex, no Japão.

Toda essa especialização contou com a contribuição de uma entidade que surgiu em 1979, a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), cujo objetivo desde o início de sua atuação foi o de ser, além de uma entidade do segmento, também uma promotora do avanço científico da ciência avícola. Essa entidade deu origem, posteriormente, à Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícola (Facta). A entidade incorporou e ampliou as atividades técnicas e científicas de sua idealizadora e se tornou a principal instituição de referência brasileira na divulgação de conhecimentos nas áreas de ciência e tecnologia avícola, representando no Brasil a World’s Poultry Science Association (WPSA). As exportações brasileiras de frango atingiram um nível de excelência, e em 2004 alcançamos o posto de maior exportador de carne de frango do mundo, fornecendo para

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Exportações avícolas | 45 anos não somos melhores que ninguém, mas ninguém é melhor que o Brasil. (Com apoio de informações da Associação Brasileira de Proteína Animal).

Avanço rumo ao futuro promissor

136 países. As exportações naquele ano somaram 2,470 milhões de toneladas, um aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2003. A receita cambial chegou a US$ 2,6 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 44% na mesma comparação. Esse desempenho representou mais um recorde nas exportações do setor, consolidando a posição do Brasil como líder tanto em receita cambial quanto em volumes. O setor de frangos também se consolidou como o segundo maior no ranking da exportação do agronegócio brasileiro, superado apenas pelo complexo carnes. E na pauta geral brasileira sua

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posição ficou em sexto lugar, com uma participação de 2,6%.” E hoje, 45 anos desde o primeiro embarques de carne de frango brasileira com destino à Nações Islâmicas, vemos um setor que lidera o mercado e dita tendências. Somos benchmarking em preservação sanitária, qualidade, estratégia mercadológica e, agora, de enfrentamento à graves crises sanitárias humanas – com a manutenção das exportações e do abastecimento interno. Décadas de investimentos, trabalho e profissionalismo resultaram em uma marca reconhecida e respeitada em todo mundo, seja pelos clientes ou pelos concorrentes. Como costumo dizer:

Frente aos padrões atuais, os embarques então consolidados eram pouco expressivos, já que – por exemplo – o total exportado nos 12 meses de 1980 (perto de 170 mil toneladas) é alcançado, hoje, em menos de 15 dias de embarques. Mas tinham expressividade ímpar, pois representavam a entrada em um mercado até então dominado por americanos e alguns poucos países europeus que não davam chance de penetração para outros concorrentes. Mesmo assim, foi preciso aguardar outras duas décadas até que o Brasil galgasse a posição de grande player nas exportações de carne de frango. E se deslanchou a partir de 1995, nove anos depois (2004) o comércio internacional da carne de frango colocou o País no posto de líder do setor, colocação que mantém de forma imbatível há 16 anos. Notar, pelo gráfico na sequência, que nesses 45 anos as exportações brasileiras sofreram redução mais incisiva em apenas duas ocasiões: em 2006 e no biênio 20017/2018. A primeira foi decorrente de surto de Influenza Aviária em grande parte do Hemisfério Norte, com efeitos devastadores sobre o comércio mundial da carne de frango. A segunda é reflexo dos desdobramentos da “Operação Carne Fraca”. Mas não necessariamente por isso (e nem por conta da atual pandemia de coronavírus), as exportações de carne de frango já não evoluem no mesmo ritmo anterior. No atual quinquênio (e prevendo que os embarques do ano aumentem 4%, chegando aos 4,340 milhões de toneladas) devem se expandir ao menor índice destes nove quinquênios de história. Tudo indica a chegada a um ponto de estabilização a partir do qual os incrementos anuais, mesmo sendo contínuos, serão mínimos.


União, esforço e qualificação marcaram o início das exportações avícolas em 1975, conta Osler Desouzart A Revista do AviSite não poderia encerrar essa matéria especial sem conversar com um dos principais personagens dessa história: Osler Desouzart. Ele é consultor, especialista em mercado internacional e exportações de proteína. Desouzart participou ativamente da abertura do mercado internacional aos produtos da avicultura brasileira. Atualmente, Osler Desouzart é administrador da OD Consulting. Acompanhe na sequência. Revista do AviSite: Qual foi o 'start' das exportações avícolas brasileiras? Quando e como foi identificado o potencial exportador brasileiro? Osler Desouzart: Acho que nos primórdios fomos mais reativos do que proativos, respondendo a demandas de comerciantes, agentes e importadores. Há outros fatores que ajudaram como a melhoria das condições da malha rodoviária na Região Sul, permitindo o escoamento da produção do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, regiões com tradição de produção de pequenos animais. Adendo a ação do governo federal estimulando a exportação, o famoso "exportar é o que importa". O fato de enfrentarmos um período inflacionário fez com que os consumidores dos grandes centros metropolitanos adotassem o frango congelado, já que este mantinha o preço até a próxima entrega, enquanto o produto resfriado tinha aumento a cada uma das duas ou três entregas semanais. Como o que o noroeste gaúcho e o oeste catarinense podiam fazer eram produtos congelados, acabou que essas estruturas de frio favoreceram as

Osler Desouzart. Consultor, especialista em mercado internacional

“Temos que seguir inovando, surpreendendo e fazendo o que os outros não fazem”. A Revista do AviSite

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Exportações avícolas | 45 anos

"Os compradores japoneses eram exigentes e de tolerância zero, que na época afirmei que se passássemos no vestibular para o Japão seríamos capazes de produzir e exportar para qualquer mercado no mundo. E isso efetivamente aconteceu"

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empresas daquelas regiões. Na época eram poucos os mercados para os quais podíamos exportar e isso fez com a empresas exportadoras se unissem no âmbito da ABEF e a atuarem em prol da abertura de novos mercados. Como foi a introdução de novos produtos ou novas apresentações à base de frango no mercado consumidor brasileiro à partir das exportações? Inúmeros foram os produtos que desenvolvidos para a exportação acabaram por representar grandes êxitos no mercado doméstico. Hoje quem não conhece a "coxinha de asa" e vou narrar como isso surgiu. Eu tinha vendido para o Japão um contrato de tebasaki ou 2 joint wing (junto do meio e ponta da asa) e me sobraram umas 45 toneladas de drumettes, como eram então conhecidos. Pedi então ao colega que se ocupava do mercado interno na Perdigão se ele conseguiria me vender os drumettes. Expliquei que o produto era a primeira junta da asa que a conectava a carcaça. Sua resposta foi "hum, hum, deixa-me ver o que posso fazer". Dois dias depois ele me ligou de um cliente perguntando se vender o produto por preço de asa inteira estava bom. Fiquei felicíssimo com a notícia e animado fui buscar novos pedidos de "2joint wings" no Japão e Hong Kong. Dias depois esse colega de diretoria me liga e diz: "o Osler esse tal produto é a coxinha da asa", demonstrando que ela não sabia o que tinha vendido e o cliente não sabia o que tinha comprado. Tentei registrar o nome "coxinha da asa", mas o INPI indeferiu. Passadas uma duas semanas o colega me liga e diz que seu cliente queria mais 50 toneladas de drumettes. Eu disse que não tínhamos e ele explodiu dizendo que me havia tirado de um problema e que eu agradecia colocando em risco sua relação com um dos maiores clientes do varejo brasileiro. Disse-lhe que fosse adiante e tratei de ligar para meus clientes japoneses e de Hong Kong. Os japoneses disseram que não ti-

nham tido êxito com a "2 joint wings", mas que podiam me comprar o tebanaka (middle joint wing ou junta do meio da asa). O cliente de Hong Kong disse que tebasaki ou mesmo tebanaka não eram conhecidos na China, mas que se eu pudesse fazer um bom preço pelos "wing tips" (ponta da asa) ele seguramente podia comprar qualquer quantidade. Vou fazer curta uma longa história. Passados uns seis anos eu estava trabalhando na Sadia e conduzindo o que era chamado de "Projeto Japão", fundamentalmente salas de corte e treinamento do pessoal em cortes para o Japão, que acabou assegurando-nos uma boa presença naquele mercado. Os compradores japoneses eram exigentes e de tolerância zero, que na época afirmei que se passássemos no vestibular para o Japão seríamos capazes de produzir e exportar para qualquer mercado no mundo. E isso efetivamente aconteceu e conquistamos vários mercados graças à nossa flexibilidade de produção. Tal beneficiou enormemente o mercado interno, que hoje representa o terceiro mais importante mercado mundial de carnes de aves, depois dos Estados Unidos e China. Recordo-me que um dia o vice presidente industrial me chamou para mostrar que estavam fazendo mais de 170 cortes de frango e que tal não era possível. Examinamos os produtos mais complexos de fazer e no final se constatou que eles já tinham conquistado um lugar no mercado interno, lançando as bases para o atendimento ao food service. Foi também da exportação que aprendemos a importância de classificar cada peça por peso (sized), a apresentá-las congeladas individualmente (IQF), a cuidar das embalagens primárias e secundárias, a inovar constantemente e sermos orientados por um processo de melhorias contínuas. Tínhamos conquistado a copa do mundo, com a diferença que a da exportação não mais a perdemos, e portanto podíamos apresentar belos


espetáculos quando jogávamos em casa. Como foi a inovação dos equipamentos utilizados no abate (é provável, até, que indústrias estrangeiras tenham desenvolvido equipamentos específicos para atender necessidades criadas pelas exportações brasileiras)? Os equipamentos visavam fundamentalmente reduzir a necessidade de mão-de-obra, difícil de recrutar e mais difícil de manter. Essa era a realidade nos USA, União Europeia e Japão, dificuldade que hoje nos assola terrivelmente. Buscavam oferecer máquinas de cortes básicos, máquinas de 9 cortes estilo KFC , máquinas para desossar peito, máquinas e automação dos processos de classificação por peso e de embalagem. Túneis de congelamento individual e depois os girofreezers em uso até hoje. O processo de evisceração se automatizou, assim como todas as etapas dos processos logísticos. O computador invadiu escritórios, abatedouros e granjas, hoje conectados a centrais que analisam os sons das aves e por câmaras térmicas sua disposição no galpão, graças aos trabalhos da nossa genial Professora Irenilza Naas. Aqui abro um parêntesis para enaltecer o desenvolvimento no Brasil de ciência e tecnologia para agropecuária em condições tropicais. Cerca de 90% do meu faturamento se dá no exterior e ditar conferências nos mais variados tipos de eventos faz parte da minha rotina. Hoje é raro o evento maior que não reúna vários nomes de homens de ciência brasileiros e nas várias empresas de saúde animal, genética e nutrição não é rara presença de vários quadros brasileiros. Qual o papel do associativismo avícola brasileiro (na verdade, a ABPA – cujo sistema de administração está sendo adotado, por exemplo, pela ASGAV – é uma espécie de "cria" da ABEF, que absorveu a ANAB -

"Acho que nos primórdios fomos mais reativos do que proativos, respondendo a demandas de comerciantes, agentes e importadores"

Associação Brasileira dos Abatedouros Avícolas e, mais tarde, deu origem à UBA-ABEF que, absorvendo entidades da suinocultura, criou a ABPA)? Na primeira resposta já enalteci o papel fundamental das associações na abertura de mercados e hoje entidades como a ABPA, ABIEC, e tantas outras cuidam de que as nossas conquistas não sofram solução continuidade. Abrir mercados foi difícil mas mantê-los abertos contra os protecionismos, os tiros no próprio pé como Operação Carne Fraca, contra o desconforto que criamos entre grandes potências mundiais que dominavam os mercados das carnes de frango até meados da década de 90. O Brasil é reconhecido como uma

potência do agronegócio, mas somos uma potência situada num país que não conta internacionalmente e portanto fica fácil bater em nós, pela certeza de que não temos nem a tradição e nem os meios de retaliar. Quais foram, sob o olhar internacional, as vantagens dos produtos avícolas brasileiros? Essa é fácil. Vou listá-las: a. Flexibilidade industrial - os brasileiros produzem o que os clientes querem e não o que têm para oferecer b. Necessidade - há países que exportam porque é um bom negócio. Nós exportamos para sobreviver e para assegurar a sustentabilidade do nosso setor. c. Processo de melhorias contínuas d. Boa ciência e tecnologia sobre agropecuária tropical e. abundâncias de grãos, extensão territorial, disponibilidade de terras e condições climáticas favoráveis f. indústria moderna e em constante aperfeiçoamento, comandada por empresários que são uns masoquistas teimosos com tendências kamikaze g. Competitividade agressiva na exportação e caçar em manada e defender-se em manada em temas institucionais h. O sistema de integração vertical - vários clientes e competidores europeus assinalam este aspecto que muitas vezes passa batido entre nós Ainda há espaço para crescimento? Em que nível? Como contam-se nos dedos de uma mão os mercados que seguem fechados e como não é realístico esperar que possamos aumentar nossa participação de 1/3 nas exportações nacionais, a prioridade é de não se perder o que conquistamos, consolidar cada ganho, mas o crescimento será na mesmo proporção da expansão do mercado internacional. Temos que seguir inovando, surpreendendo e fazendo o que os outros não fazem. A Revista do AviSite

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Especial Tecnologia | Agroceres Multimix e Mundo Agro Editora

Os avanços da tecnologia na Avicultura

Mundo Agro Editora conversou com dois especialistas no tema: os consultores da Agroceres Multimix, Leandro Corrêa e Eduardo André Fronza para fechar a série de reportagens sobre o tema, realizada em 2020

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o longo do ano de 2020, a Agroceres Multimix e a Mundo Agro Editora publicaram uma série de reportagens na Revista do AviSite na qual foram abordados os principais pontos de evolução tecnológica no agronegócio. Para fechar o tema, fomos aprofundar mais as questões em conversas diretamente com os consultores da empresa, Leandro Corrêa e Eduardo André Fronza. Afinal, quais são os pontos que eles consideram os principais que deram um salto tecnológico crucial no agronegócio? Depois de séculos de conhecimentos sobre a produção, necessidade de manejos e bem- estar dos animais, a sofisticação dos equipamentos avícolas criaram um novo salto, trazendo enorme contribuição para o aumento da produtividade e redução dos custos de produção no campo.

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Segundo Leandro Corrêa, a avicultura atual está vivendo a era digital marcada pela IoT (internet das coisas) e caminhando a passos largos em direção ao Big Data (armazenamento de dados em nuvens e uso de câmeras especiais, que após as imagens serem processadas (relacionada) gera imagens que permite melhorar e acompanhar o desenvolvimento das aves através da identificação de falhas ou necessidade de manejo, comportamento das aves (estresse) e/ou análises de excreta (doenças). “O principal objetivo é gerar informações que após serem analisados e aprovadas, irão auxiliar ainda mais os produtores e as máquinas em tomadas de decisão cada vez mais assertivas e/ou darão mais autonomia ao sistema em ações preventivas. Atualmente, diversas empresas estão buscando, por meio dessas inovações tecnológicas, garantir mais praticidade, eficiência, rastreabilidade e sustentabilidade”, apontou.

Segundo Corrêa, com o crescimento da produção, se torna essencial a aquisição de sensores e software para manter a qualidade e gestão de todas as operações inseridas no processo. “Os softwares e aplicativos de gestão disponibilizados têm se tornado indispensáveis para facilitar as tarefas básicas diárias e o gerenciamento dos galpões até mesmo à distância”, destacou. Dessa forma, munidos de informações de qualidade, os produtores são mais assertivos e como consequência obtém reduções de custos (utilização segura de formulações econômicas e redução do uso de medicamentos) e o aumento da produtividade (otimização de mão de obra, redução drástica de mortalidade e aumento da qualidade dos produtos), destacou o consultor da Agroceres Multimix.

Galpões climatizados As tecnologias e técnicas empregadas nesse tipo de galpão se resumem em uma avicultura com con-


trole ambiental e produtivo, no qual todos os fatores podem ser monitorados. Leandro Corrêa ainda aponta que essas instalações utilizam, normalmente, controle artificial de ambiência (temperatura, umidade, velocidade de

vento, intensidade luminosa e gases). A avicultura não fica de fora desse cenário de app e muitos aplicativos têm sido criado para atender as necessidades de aumentar todos os esforços aplicados na criação para uma melhor lucratividade.

De um modo geral, a aplicação da tecnologia na avicultura tem como objetivo a busca por uma maior produtividade, qualidade, lucratividade e também pelos fatores ambientais que estão intimamente relacionadas com as boas práticas de produção e

“A tecnologia Smart, monitora os dados fundamentais (ambiência e produção) em tempo real, faz a gestão de dados e mantém o produtor informado. A adoção de sensores vem sendo adotada com maior intensidade nos galpões, principalmente em razão da conscientização e atuação nas necessidades implícitas (atender as exigências de bem estar animal, melhorar a gestão da produtividade, potencializar o nível de informações (quantitativa e qualitativa) e obter maior segurança e confiabilidade na operação. Além da precisão das informações (leituras e registros de dados), através de sensores e parametrizações os produtores têm acesso remoto a toda variação de ambiência e produtividade (alertas visuais ou sonoros) constantemente em seu computador ou smartphone”. Leandro Corrêa

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Especial Tecnologia | Agroceres Multimix e Mundo Agro Editora

bem-estar animal, os quais são um forte fator de influência.

Benefícios A flexibilidade do produtor/gestor em não precisar alimentar planilhas manualmente ou precisar estar todo tempo no campo observando para decidir o que fazer ou identificar falhas no processo foi um ponto destacado por Corrêa.

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De acordo com ele, a utilização do sistema completo (ambiência e produção), instalação de estação meteorológica, que mede temperatura, umidade do ar e radiação solar, promove o manejo adequado de cortinas para aproveitar o período de temperatura ou ventilação natural apropriada. “Além disso, sensores espalhados pelo galpão medem as condições ambientais e de produção.

Estas informações mais as imagens de câmeras, ajudam a interpretar o que acontece no interior do galpão (comportamento das aves e fluxo de produção)”, apontou Corrêa.

Visão holística (10 anos) Os esforços são para combinar tudo isso com o acompanhamento do desenvolvimento


das aves e respostas produtivas, e criar algoritmos próprio para checar o conforto e condições sanitárias, baseado em imagens e sons dos animais (excreta, comportamento e vocalização). Com a combinação destes dados, a tecnologia Smart busca fazer recomendações nutricionais de acordo com a necessidade das aves, frente aos desafios climáticos enfrentados no interior do galpão. O software

pretende sugerir os níveis, através dos conjuntos de fórmulas imputados, e envia para a fábrica juntamente com a quantidade a ser produzida. Ao mensurar isso relacionando com a necessidade específica das aves e como que observamos as variações galpão a galpão, é possível reduzir em mais 10% o custo com ração. “Com os avanços nessa direção, nós da Agroceres estamos adotando a tecnologia Smart em nossas instalações para contribuir com pesqui-

sas neste âmbito (acurácia e precisão dos equipamentos e informações) e melhorar cada vez mais o suporte técnico junto as necessidades de nossos clientes”, disse Corrêa. Agora, segundo o Consultor da Agroceres Multimix, Eduardo André Fronza, os pontos que ele considera principais que deram um salto tecnológico crucial no agronegócio foram a informação/conhecimento, a automação e a mecanização dos processos produtivos. “Os canais de co-

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Avicultura moderna, conectada, na qual as pessoas e as máquinas estejam integradas, com o trânsito de dados e informações transitando em velocidades inimagináveis, com análises em tempo real daquilo que é mais importante para o processo produtivo.

“A avicultura sempre esteve na vanguarda da inovação e pela busca incessante de melhorias de resultados e rentabilidade da atividade. Dito isto, esta integração entre pessoas, maquinas e informações, devem ser processadas a fim de buscar o melhor desempenho possível da atividade, entrando aí o papel do ser humano como ser racional, a tomar a atitude para o melhor processo produtivo”.

Consultor da Agroceres Multimix, Eduardo André Fronza

A avicultura é uma atividade por si só de natureza muito dinâmica, ciclo de produção dos animais determinado, com um crescente e exigente mercado consumidor, o que é o maior propulsor da manutenção da evolução da atividade, aliado ao controle de custos de produção e rentabilidade da atividade 28

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municação existentes, estão suprindo as necessidades de informações dos produtores rurais, seja através de ferramentas digitais ou ate mesmo , há pouco tempo atrás, via televisão com canais de programações especificas. As empresas fornecedoras de insumos, atualmente, possuem grande importância na disseminação de informações de tecnologia, manejo e mercado dos produtos agropecuários”, disse. A avicultura é uma atividade por si só de natureza muito dinâmica, ciclo de produção dos animais determinado, com um crescente e exigente mercado consumidor, o que é o maior propulsor da manutenção da evolução da atividade, aliado ao controle de custos de produção e rentabilidade da atividade. De acordo com Fronza, estes fatores automaticamente, exigem a crescente expansão de produção bem como de modernização e padronização de produção, deixando para trás os menos eficientes, como em uma seleção natural. “Pesquisa e indústria devem andar juntas, tanto para um crescimento sustentável da atividade quanto para

uma evolução mais rápida. Temos muitos exemplos desta interação a nível de campo, sejam elas em desenvolvimento de aditivos para nutrição ou em automação de processos produtivos a nível de granjas avícolas”, disse. “As instituições de pesquisa precisam estar mais próximas das agroindústrias e empresas ligadas a avicultura para ter condições de desenvolver pesquisas e tecnologias que estejam associadas ao dia a dia e as necessidades da cadeia de produção avícola”, destacou Fronza. Consultor da Agroceres Multimix, Eduardo André Fronza: “O mercado consumidor dos produtos avícolas, está a cada dia mais exigente em termos de qualidade, rastreabilidade, bem estar dos animais, e claro, aos custos de produção e o menor impacto ambiental possível. As tecnologias até então desenvolvidas e implantadas na cadeia avícola contribuíram para a atividade chegar onde está, e certamente ainda será o principal pilar de crescimento da atividade, pautada sempre


na sustentabilidade do negócio como um todo”. Como ficam as relações humanas neste processo? Elas avançam na mesma velocidade? Fronza apontou que as relações humanas irão se fortalecer com estas tecnologias, ate porque serão necessárias mão de obra especializada, o que faz com que as pessoas busquem este aperfeiçoamento profissional e pessoal, evoluindo desta maneira as relações entre elas. “Como exemplo claro dessa situação, basta olharmos o IDH dos municípios que possuem agroindústria e, se possível compararmos este índice antes e depois da implantação desta agroindústria”, disse. Melhoramento genético, bioinformática, pré-produção, agricultura de precisão, equipamentos diversos na produção, comunicação geral e melhorias na logística e transporte na pós-produção são alguns pontos que podemos traçar como pilares desta análise evolutiva. Certamente, são todos pilares para um desenvolvimento de escala de produção, redução de custos, qualidade e sustentabilidade ambiental da atividade, enfim, focados nos interesses dos consumidores desta proteína. Aumento do número de produtores x aumento da demanda por alimentos. Este equilíbrio, sofreu uma alavancagem nos últimos anos, principalmente devido a profissionalização do produtor rural como também o desenvolvimento do produtor como uma empresa rural, o que concedeu um rápido crescimento deste equilíbrio, visto a retenção de novas gerações familiares conduzindo as atividades agropecuárias, e claro a atratividade econômica do agronegócio. É o que explica Eduardo André Fronza. Na primeira matéria divulgada pela Revista do AviSite, em parceria com a Agroceres Multimix, a Dra. Irenilza Nääs, da Unicamp e FACTA, apontou: "O avanço tecnológico, associado à internet das coisas e a uma geração que nasceu com habi-

Melhoramento genético, bioinformática, préprodução, agricultura de precisão, equipamentos diversos na produção, comunicação geral e melhorias na logística e transporte na pósprodução são alguns pontos que podemos traçar como pilares desta análise evolutiva

lidades de compreender o mundo digital com grande facilidade, deverá transformar todas as formas como tomamos decisões hoje." De acordo com Fronza, foram muito bem colocadas as palavras da Dra. Irenilza Nääs. “Estamos convivendo com uma geração que já nasceu com muita habilidade no mundo digital, o que fará com que o desenvolvimento de tecnologias e automações ocorram muito mais rapidamente que quando comparado há algum tempo atrás para ocorrer o mesmo desenvolvimento”, afirmou. “Vejo a avicultura como uma atividade muito dinâmica, o que faz de seus profissionais adotarem um perfil inovador, flexível e criativo, encaminhando a novas tecnologias e adoção das mesmas. A maior dificuldade no que tange a infraestrutura, ainda são os altos custos e as dificuldades em tomar credito financeiro para implantação, que geralmente são investimentos com retorno de médio a longo prazo, mas que são melhorias que impactam no resultado zootécnico e financeiro

de imediato na avicultura, não acompanhando na mesma velocidade de investimentos”, disse. Por ser uma atividade dinâmica, e estar sempre em atualização, a avicultura gerencia uma infinidade de itens de controle, gerando um abundante banco de dados para auxiliar nas tomadas de decisões da atividade. “Atualmente a busca dos dados e a aplicação de sistemas dependem e muito desta nova geração de produtores, que serão mais conectados e dependeram cada vez mais de informações de qualidade para tomada de decisões”, destacou. O produtor está sempre em busca de melhores resultados e baixos custos, desta forma ele está consciente de que necessita de técnicas modernas de produção bem como de analisar os dados de sua produção, buscando assim a melhoria continua. Não obstante, também é consciente que precisa evoluir e investir na atividade, desafios estes que necessitam de apoio financeiro e técnico para a constante evolução da cadeia. Muito já se fez e evoluiu a avicultura nestas últimas décadas, porém pela característica dinâmica da atividade, gerenciamento das atividades e controle de custos, temos muito a desenvolver ainda nestes pilares de tecnologia, nutrição e produção. Já é realidade a avicultura 4.0, com inúmeras informações controladas para a melhor resposta do animal em produtividade. “A nutrição desenvolveu-se muito, e atualmente encara alguns desafios como retirada de promotores de crescimento, alta de custos de matérias primas e desenvolvimento de insumos para atender a nova demanda de mercado por um produto que atenda por completo suprir as necessidades bem como um impacto ambiental cada vez menor. Aliado a este cenário, temos uma população crescente, mais exigente e com melhor acesso a proteínas, o que irá aumentar e muito ainda a produção avícola”, finalizou Fronza. A Revista do AviSite

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Produção

Manutenção da microbiota intestinal e eficiência produtiva de frangos de corte suplementados com probiótico Bacillus subtilis C-3102 O trato digestório das aves contém uma população grande e diversificada de microrganismos caracterizados como bactérias benéficas, entre elas, Lactobacillus sp., e bactérias potencialmente patogênicas, como Escherichia coli e Clostridium perfringens Autores: Gentaro Yasuda - Calpis America Marco Monteiro de Lima - Biogenic Group

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eficiência produtiva de frangos de corte está diretamente relacionada ao status de saúde intestinal e a sua capacidade em absorver nutrientes. Atualmente estes parâmetros são beneficiados pelo alto investimento em tecnologias que minimizem as diversidades ambientais e sanitárias geradas pelo sistema in-

tensivo de produção. Entretanto, estes altos padrões tecnológicos empregados na produção não asseguram que as aves tenham um trato digestório saudável, livre de patógenos, o que, em situações de estresse, podem gerar possível desequilíbrio intestinal, redução da eficiência no aproveitamento dos nutrientes (Ramos et al., 2011) e, consequentemen-

Figura 1: Ocorrência de patógenos em frangos de corte com 7 dias de idade. Fonte: Johnson et al. (2018)

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te, baixo desempenho produtivo. O trato digestório das aves contém uma população grande e diversificada de microrganismos caracterizados como bactérias benéficas, entre elas, Lactobacillus sp., e bactérias potencialmente patogênicas, como Escherichia coli e Clostridium perfringens. A microbiota das aves geralmente mantém um equilíbrio normal e sau-


Figura 2: Colônia de Bacillus subtilis (C-3102), CALSPORIN®. Fonte: Asahi (2020) dável desses dois grupos, o que garante um bom desempenho. No entanto, as pressões do sistema produtivo podem afetar negativamente o equilíbrio da microbiota, aumentando a proporção de bactérias patogênicas, resultando na diminuição do desempenho produtivo devido a inter-

ferência na digestão e absorção dos nutrientes, causados por enterites necrótica e diarreia, por exemplo. Através da Figura 1 podemos observar a relação direta entre populações de bactérias patogênicas à saúde das aves e seu baixo peso corporal. Neste caso, o aumento da quantidade

de bactérias patogênicas levou a um baixo ganho de peso das aves, demonstrando que a contagem de bactérias patogênicas no intestino deve ser mantida a um nível baixo para garantir o desempenho das aves. A manutenção da microbiota intestinal foi realizada, durante anos,

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Produção

pelo uso contínuo e em baixas dosagens de antibióticos nas rações, entretanto, nos últimos anos, com a aceleração da resistência de bactérias entéricas a esses antibióticos, diminuindo seu efeito na produção animal, e constatado que a utilização deste antibióticos poderiam contribuir para o aparecimento de resistências ou de reações de hipersensibilidade em humanos (Gonzales et al., 2012) seu uso vem sendo banido no mundo. Em resposta a proibição do uso de antibióticos, os probióticos foram considerados uma alternativa segura e eficaz na manutenção do desempenho animal, igual ou até mesmo superior aqueles que recebem antibiótico como melhoradores de crescimento na dieta (Geron et al., 2013). Probióticos são suplementos alimentares composto por microrganismos vivos que beneficiam a saúde do hospedeiro por meio do equilíbrio da microbiota intestinal (Fuller, 1989). Três mecanismos de ação são atribuídos aos probióticos: • Supressão de bactérias patogênicas, aumentando o número e a proporção de bactérias benéficas que, por sua vez, produzem bacteriocinas e ácido lático. • Alteração do metabolismo microbiano, através do aumento ou diminuição da atividade enzimática. • Estímulo da imunidade do hospedeiro, através do aumento dos níveis de anticorpos e o aumento da atividade dos macrófagos.

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Entretanto, para que a capacidade de ação de um probiótico seja efetiva, é necessário que ele atenda 4 requisitos básicos: • Ser resistente ao processo térmico (peletização) e ao suco gástrico e intestinal. • O fornecimento da cepa deste probiótico deve ser realizado em quantidades adequadas, ou seja, o que importa é a quantidade de cepa fornecida e não a variedade de cepas presentes no produto. • A cepa deve ser capaz de aumentar não só a população das bactérias benéficas, mas também sua proporção ao longo do intestino. • Seu uso deve ser constante, entretanto, as taxas de inclusão devem se basear no histórico microbiológico da granja. Dentro destes parâmetros o Bacillus subtilis C-3102 (CALSPORIN®) tem lugar de destaque. Desenvolvido desde 1986 e fabricado pela Asahi Biocycle Co. Ltd., o CALSPORIN® é formado por Bacillus subtilis C-3102, cepa única, não geneticamente modificada, selecionada entre centenas de bactérias diferentes pertencentes a amostras do solo do Japão, o que lhe confere uma estrutura física grande e robusta, com alta capacidade de aumento da população e da proporção de bactérias benéficas no sistema digestório das aves (Figura 2). Além disso, o Bacillus subtilis C-3102 é designado como Direct Fed

Microbial (EUA), sendo listado no Generally Recognized as Safe (EUA) e no Qualified Presumption of Safety (UE), o que o garante em qualidade e segurança alimentar necessárias para seu uso na nutrição animal. Desta forma, no que diz respeito ao seu uso na produção de frangos de corte, é observado um efeito consistente na otimização da microbiota intestinal e consequentemente na digestibilidade e desempenho com uso de Bacillus subtilis (C-3102) na dieta. Estas respostas são apresentadas por Jeong e Kim (2014) que ao analisarem amostras do ceco, íleo, intestino grosso e excretas de 816 frangos de corte da linhagem Ross 308, de 1 a 35 dias de vida, observaram efeito positivo na modulação da microbiota intestinal (Tabela 1). Como esperado, o CALSPORIN® não só aumentou a população, mas também a proporção de bactérias benéficas ao longo do intestino o que refletiu diretamente na melhoria da digestibilidade e desempenho das aves (Tabela 2). Neste estudo, a suplementação com CALSPORIN® resultou em redução significativa na emissão de amônia, apesar de não apresentar efeito significativo na digestibilidade do nitrogênio. A redução da amônia pode indicar melhora na composição da microbiota, pois algumas cepas de Lactobacillus sp. são capazes de fixar o nitrogênio. Os efeitos positivos no desempenho também são relatados em estu-


Figura 3: Desempenho de frangos de corte alimentados com CALSPORIN® em combinação com melhorador de desempenho Halquinol. Fonte: Nunes et al. (2012)

dos realizados por Gracia e Garcia (2013), Hooge et al. (2004), Fritts et al. (2000), entre outros. Em relação a associação do Bacillus subtilis C-3102 com melhoradores de desempenho, observamos resultados efetivos na melhoria do desempenho de frangos de corte (Figura 3). Esses resultados corroboram com de Meurer et al. (2010) que ao avaliarem a utilização de Bacillus subtilis C-3102 em rações de frango de corte da linhagem Cobb-500 contendo ou não aditivo melhorador de desempenho, verificaram que a utilização do probiótico isolado ou associado ao melhorador de desempenho, proporcionou melhor conversão alimentar das aves pertencentes ao tratamentos sem ou com antibiótico. Os efeitos positivos comprovados asseguram que o Bacillus subtilis C-3102 (CALSPORIN®) é um probiótico estável e seguro, que contribui para um equilíbrio e estabilização da microbiota intestinal, favorecendo a saúde intestinal, digestibilidade, absorção de nutrientes e, consequentemente, o desempenho dos frangos de corte.

Referências Bibliográficas FRITTS, C. A.; KERSEY, J. H.; MOTL, M. A.; KROGER, E. C.; YAN, F.; SI, J.; JIANG, Q.; CAMPOS, M. M.; WALDROUP, A. L.; WALDROUP, P. W. Bacillus subtilis C-3102 (Calspo-

rin®) Improves Live Performance and Microbiological Status of Broiler Chickens. Journal of Applier Poultry Research, v. 9, n. 2, p. 149-155, 2000. FULLER, R. Probiotics in man and animals. Journal of Oral Microbiology, v. 66, p. 365-378, 1989. GERON, L. J. V; SILVA, H. F.; MACHADO, R. J. T.; GARCIA, J.; MEXIA, A. G.; MOURA, D. C.; RIBEIRO, M. G.; OLIVEIRA, E. B. Aditivos promotores de crescimento (antibióticos, ionóforos, probióticos, prebióticos e própolis) utilizados na alimentação animal. PUBVET, v. 7, n. 14, p. 1304 – 1450, 2013. GONZALES, E.; MELO, H. H. C.; CAFÉ, M. B. Uso de antibióticos promotores de crescimento na alimentação e produção animal. Revista UFG, n. 13, p. 48-53, 2012. GRACIA, M. I.; GARCIA, E. E. The efficacy of the probiotic feed additive CALSPORIN® (Bacillus subtilis C-3102) in broilers: combined analysis of four different studies. Journal of Applied Animal Nutrition, v.1, n. 5, p. 1-5, 2013. HOOGE, D. M.; ISHIMARU, H.; SIMS, M. D. Influence of Dietary Bacillus subtilis C-3102 Spores on Live Performance of Broiler Chickens in Four Controlled Pen Trials. Journal of Applied Poultry Research, v. 13, n. 2, p. 222-228, 2004 JEONG, J. S.; KIM, I. H. Effect of Bacillus subtilis C-3102 spores as a probiotic feed supplement on growth performance, noxious gas emis-

sion, and intestinal microflora in broilers. Poultry Science, v. 93, n.12, p. 3097-3103, 2014. JOHNSON, T. J.; YOUMANS, B. P.; NOLL, S.; CARDONA, C.; EVANS, N. P. ; KARNEZOS, T. P.; NGUNJIRI, J. M.; ABUNDO, M. C.; CHANG-WON, L. A Consistent and Predictable Commercial Broiler Chicken Bacterial Microbiota in Antibiotic-Free Production Displays Strong Correlations with Performance. Applied and Environmental Microbiology, v. 84, 2018. MEURER, R. F. P.; LEAL, P. C.; ROCHA, C.; BUENO, I. J. M.; MAIORKA, A.; DAHLKE, F. Evaluation of the use of probiotics in diets with or without growth promoters for broiler chicks. Revista Brasileira de Zootecnia, v.39, n.12, p.2687-2690, 2010. NUNES, J. O.; BERTECHINI, A. G.; BRITO, J. A G; FASSANI, E. J.; MESQUITA, F. R.; MAKIYAMA, L.; MENEGHETTI, C. Evaluation of the use of probiotic (Bacillus subtilis C-3102) as additive to improve performance in broiler chicken diets. Revista Brasileira de Zootecnia, v.41, n.11, p. 2374-2378, 2012. RAMOS, L. S. N.; LOPES, J. B.; SILVA, Silvana M. M. S.; SILVA, F. E. S. S.; RIBEIRO, M. N. Desempenho e histomorfometria intestinal de frangos de corte de 1 a 21 dias de idade recebendo melhoradores de crescimento. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 40, n. 8, p. 1738-1744, 2011. A Revista do AviSite

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Empresas

ICC aponta que uso de adsorventes minimiza efeitos das micotoxinas na nutrição animal Investimento em novas tecnologias garante produtos mais eficazes no combate à contaminação causada por micotoxinas

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s micotoxinas são um mal inevitável no processo de produção dos alimentos. Esses metabólitos intermediários produzidos por algumas espécies de fungos são altamente tóxicos, promovem a contaminação de grãos, cereais, ingredientes e rações, exigindo atenção redobrada principalmente durante a produção de alimentos para nutrição animal. Isso porque a disseminação das micotoxinas acontece em toda a cadeia alimentar, podendo acarretar na contaminação dos animais e, consequentemente, dos produtos finais para consumo humano, como carnes, ovos e leite. Ou seja: um verdadeiro ciclo vicioso que pode trazer sérios danos para a saúde humana e animal. Embora as concentrações de micotoxinas sejam consideravelmente mi-

nimizadas durante algumas fases do processo de produção alimentar, como na fermentação, peletização e na extrusão, elas são consideradas compostos estáveis e qualquer falha no controle pode levar ao aumento de sua concentração. Considerando que a base das rações animais é composta por grãos e cereais, parte desta produção possui uma contaminação crônica por mais de um tipo de micotoxina, sendo, infelizmente, é algo inevitável, uma vez que as principais espécies de fungos toxicogênicos são disseminados no ambiente. Neste cenário, a utilização de produtos adsorventes de micotoxinas, aliada a um controle sanitário completo, é essencial para que os riscos de contaminação sejam efetivamente reduzidos. Por isso, a ICC Brazil, empresa pioneira na produção de soluções inovadoras para a nutrição animal à base de aditivos de levedura, possui soluções de alta tecnologia para combater as micotoxinas dos mais variados tipos de ração para todas as espécies animais, protegendo a saúde e garantindo mais produtividade. Entre os produtos desenvolvidos pela empresa, está a Linha Fix. Uma linha completa de adsorventes de micotoxinas, estrategicamente desenvolvida para acabar, definitivamente, com qualquer ameaça. São quatro opções diferentes para cada tipo de desafio.

Conheça os adsorventes da Linha Fix produzidos pela ICC Brazil: ZeniFix É constituído por aluminossilicatos (HSCAS), especialmente selecionados pela sua alta eficiência em adsorver micotoxinas polares, como as afla-

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toxinas e T-2. A capacidade de troca de cátions do ZeniFix® é rigorosamente monitorada para garantir a eficiência de adsorção sem capturar vitaminas e minerais. É uma solução indicada para a dieta de todas as espécies animais em diferentes idades e estágios fisiológicos. BetaFix® É um enteroadsorvente altamente eficaz contra micotoxinas polares e não polares, como a aflatoxina, fumonisina e o T-2. Foi elaborado criteriosamente para que seus componentes apresentem um efeito integrado, garantindo a melhor capacidade de adsorção de micotoxinas e, ao mesmo tempo, mantendo a segurança das propriedades nutricionais das rações. StarFix® Especialmente desenvolvido para a manutenção da saúde hepática, por isso é formulado com altíssima concentração de β-glucanas de alta resistência, combinadas com nucleotídeos livres e aluminossilicatos microlaminados que garantem a eficiência contra as micotoxinas zearalenona, aflatoxina e fumonisina. Os nucleotídeos livres agem como suporte à regeneração hepática. StarFix® pode ser aplicado em todas as espécies animais, mas é especialmente indicado nas dietas para suínos, camarões e tilápias. MegaFix® Desenvolvido para ser utilizado em condições de desafios agudos causados por micotoxinas, em especial a zearalenona e o DON, o adsorvente é formulado com probióticos capazes de produzir enzimas que desnaturam as micotoxinas. É a solução tecnológica e natural mais avançada no combate e gerenciamento das principais micotoxinas, sendo especialmente indicado para dietas de matrizes suínas e leitões.


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Informativo Técnico-Comercial

O que aprendemos sobre o uso de Plasma Spray Dried em Frangos? O plasma seco por atomização ou spray dried (SDP) é um ingrediente rico em proteínas funcionais, obtido de sangue coletado durante o processamento de animais destinados ao consumo humano Autor: Gonzalez-Esquerra, R., J. Campbell and J. Polo. APC, Ankeny, IA. USA

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stratégias nutricionais que dão suporte ao sistema imunológico, promovem a integridade e a funcionalidade intestinal, aumentam a tolerância ao estresse e aos desafios por doenças são de grande interesse da indústria avícola. Além disso, a nutrição precoce tem sido reconhecida como uma oportunidade para avançar ainda mais nas práticas nutricionais e melhorar o desempenho geral e o estado de saúde de aves comerciais. Por aproximadamente quatro décadas, foram publicadas muitas informações sobre o uso de Plasma Spray Dried (SDP) em leitões, detalhando benefícios consistentes nas áreas mencionadas, tornando o seu uso uma prática estabelecida na indústria suína moderna. Entretanto, pouca infor-

mação foi desenvolvida sobre o uso de SDP em aves. O interesse atual na possível utilização de plasma em aves, recentemente enfatizou seu potencial uso em frangos de corte, com respeito à modulação do sistema imunológico, ao tipo de benefícios esperados a partir do seu uso comercial e as estratégias para emprego desse ingrediente funcional de forma lucrativa.

O que é o plasma spray dried? O plasma seco por atomização ou spray dried (SDP) é um ingrediente seco, rico em proteínas funcionais, obtido de sangue coletado durante o processamento de animais destinados ao consumo humano. O método de produção envolve a separação dos glóbulos ver-

melhos do plasma, altas temperaturas e pressão, o que resulta em um ingrediente homogêneo e seguro. Contém uma complexa mistura de proteínas, como albumina, globulinas, transferrina, além de fatores de crescimento, peptídeos bioativos e outros componentes nutricionais. Quando circulam no organismo, esses compostos dão suporte a funções biológicas, como as relacionadas ao crescimento, reparo de tecidos, mecanismos de defesa e reprodução (Pérez-Bosque et al., 2016).

Qual o seu modo de ação quando fornecido em dietas de pintinhos? O uso de SDP na alimentação animal tem sido associado a um au-

Figura 1: O SDP aumenta a eficiência da resposta imune de forma sistêmica, promovendo uma maior resistência a doenças gastrointestinais, respiratórias e ósseas. O SDP também auxilia as aves em diversas situações de estresse, tais como, exposição ao calor, a alta densidade, a programas agressivos de vacinações e a instalações deficientes. Isso se deve ao fato de o sistema imune estar associado a outros sistemas fisiológicos.

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mento da eficiência da resposta imune, conforme sugerido por vários experimentos realizados com ratos, camundongos e suínos. Nesses animais, a inflamação induzida pelo estresse ou por desafios com patógenos foi significantemente reduzida pela suplementação com SDP, independente dos locais primários afetados serem os tratos digestório, respiratório ou reprodutivo. Os dados disponíveis sugerem que o SDP apoia o sistema imune de forma eficiente que, do ponto de vista nutricional, é uma resposta de alta demanda de energia e de nutrientes. Assim, o uso do SDP direciona mais nutrientes para o crescimento e produção. A capacidade do plasma reduzir a permeabilidade intestinal, melhorar a captação de nutrientes e a integridade estrutural, em animais saudáveis ou na presença de intestino permeável, foi recentemente investigada em frangos (Beski et al., 2015; Ruff et al. 2020; Polo et al., 2020). Essas respostas provavelmente são mediadas por uma redução na expressão de citocinas pró-inflamatórias e por um aumento na expressão de citocinas anti-inflamatórias, juntamente com um aumento da expressão de defensinas. Dados mostrando uma redução na ativação e infiltração de linfócitos, diminuição do edema e alterações na microbiota intestinal têm sido publicados em mamíferos. Coletivamente, essas alterações sugerem que o SDP tem um efeito de modulação imune e provoca um aumento da restauração da homeostase da mucosa. Efeitos semelhantes foram relatados em outros sistemas mucosos, como o respiratório e o reprodutivo, indicando que os efeitos da alimentação com SDP não se limitam ao trato digestório (Campbell et al., 2019). A alta digestibilidade proteica do SDP também é interessante na alimentação pré-inicial de pintinhos, uma vez que eles têm dificuldade inerente em digerir a proteína da dieta. Fontes como farelo de soja deixam proteínas não absorvidas disponíveis para patógenos se proli-

ferarem no intestino. Parsons et al. (2019) relatam uma digestibilidade ileal média de 95 e 96% para SDP vs 83 e 87% para farelo de soja em frangos com 10 e 21 dias de idade, respectivamente. Polo et al. (2020), relatam maior digestibilidade de matéria seca, de matéria orgânica e de proteína bruta na dieta de frangos com 7 dias de idade suplementados com SDP. Esses efeitos podem ser duradouros, conforme sugerido por Beski et al. (2016a), que relataram maior atividade de sacarase, maltase e fosfatase alcalina em frangos de corte de 24 dias de idade alimentados com 2% de plasma nos primeiros 5 ou 10 dias de vida.

O que esperar da alimentação com SDP na dieta de frangos? O SDP em dietas pré-iniciais de frangos de corte melhora parâmetros economicamente importantes no final do ciclo de produção, como ganho de peso, eficiência alimentar, sobrevivência, em lotes aparentemente saudáveis, em experimentos de campo e em condições experimentais controladas (Belote et al., 2019; Beski et al., 2016a; Cogan et al., 2020; Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a). Da mesma forma, foi relatada maior resistência a doenças e ao estresse em frangos vacinados contra coccidiose (Walters et al., 2019), em frangos submetidos a um desafio natural de Enterite Necrótica (Campbell et al., 2004), em aves desafiadas com Salmonella sofia (Beski et al., 2016b), em frangos de corte com mortalidade muito alta, em que foram isolados Escherichia coli e Streptococcus (Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a), em frangos submetidos a estresse térmico (Ruff et al. 2020), em um lote com histórico de hepatite por corpúsculos de inclusão (Cherian et al., 2019), em frangos submetidos a estresse devido à alta densidade (Campbell et al., 2012) e em perus desafiados com Pasteurella multocida (Campbell et. al., 2004), sugerindo que o efeito do SDP na imunidade é inespecífico e sistêmico.

Dados indicam que o fornecimento do SDP em dietas pré-iniciais de frangos de corte modula o sistema imunológico, melhora a saúde intestinal e a absorção de nutrientes, melhora o desempenho ao abate em lotes saudáveis e aumenta a tolerância a doenças e ao estresse em uma ampla variedade de situações

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Informativo Técnico-Comercial

Figura 2: Dois experimentos em condições de campo testaram o efeito de oferecer um total de 1, 3, 5 ou 6 g de SDP por ave por 4, 7 ou 10 dias na dieta pré-inicial.

Redução em mortalidade é reportada com frequência em frangos alimentados com SDP tanto em situações de desafio quanto em lotes clinicamente sadios, com taxas de mortalidade consideradas aceitáveis, em experimentos em condições comerciais (Belote et al., 2019; Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a) ou em experimentos em aves alojadas em boxes (Cogan et al., 2020; Kozlowski, et al., 2020). Informações que analisam a resposta ao SDP em frangos de corte indicam que os primeiros dias de vida são críticos quando se fornece o SDP em dietas de frangos. Como frangos ingerem uma pequena quantidade de alimento nesse período, o investimento total por ave é relativamente baixo. Trabalhos recentes sugerem que uma ingestão total cumulativa de 3 a 4 g de SDP por frango, nos primeiros dias de vida, captura uma quantidade significativa de valor, tornando essa tecnologia economicamente viável (Beski et al., 2016a; Gonzalez-Esquerra et al., 2019; Cadogan et al., 2020). Isso implicaria no fornecimento de 1 a 2% na primeira dieta, dependendo da duração da fase de alimentação. Por exemplo, dietas inicias de 0 a 7, 0 a 10 ou 0 a 12

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dias de idade podem ter níveis de SDP de 2, 1 ou 1%, respectivamente, o que, devido à ingestão típica observada nessas fases, resulta em uma ingestão cumulativa de cerca de 3 a 4 g de SDP por frango. Em frangos de corte fornecer menos do que 1% não é recomendado, já que as respostas a esse nível de inclusão parecem irregulares. Por outro lado, dietas especiais pré-iniciais utilizadas por menos de 5 dias podem exigir até 3% de adição de SDP. O preço do SDP pode variar entre regiões, normalmente o investimento de 3 a 4 g por frango na dieta é compensado por uma redução (melhoria) de 1 ponto de conversão alimentar (P. ex.: - 0,01), que é o mesmo valor observado para muitos aditivos alimentares utilizados pela indústria avícola. Por outro lado, observa-se melhoras de 2,5 a 5,2 % na conversão total com o uso de SDP apenas nas dietas pré-inicias.

de nutrientes, melhora o desempenho ao abate em lotes saudáveis e aumenta a tolerância a doenças e ao estresse em uma ampla variedade de situações. Além disso, esses benefícios são observados mesmo quando o desafio ocorre em algum momento após o término da utilização do SDP, o que demonstra a importância dos primeiros dias de vida na saúde futura e no desempenho de frangos de corte. Por esses benefícios, o fornecimento 3 a 4 g de SDP por frango é economicamente viável na maior parte das regiões produtoras de frangos do mundo. O plasma spray dried melhora a eficiência do sistema imune de forma sistêmica, portanto: • MELHORA O GANHO DE PESO; • MELHORA A CONVERSÃO ALIMENTAR; • REDUZ A MORTALIDADE; • AUMENTA A TOLERÂNCIA A DOENÇAS E ESTRESSE.

Conclusões

Para mais informações, contatar as equipes de vendas ou de serviço técnico. Acesse www.apcproteins.com ou www.linkedin.com/company/apc-latin-america.

De modo geral, esses dados indicam que o fornecimento do SDP em dietas pré-iniciais de frangos de corte modula o sistema imunológico, melhora a saúde intestinal e a absorção


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Entrevista

SIILHalal aponta crescimento da certificação Halal para o mercado nacional De 2016 até o momento o consumo de produtos Halal aumentou no mercado interno, devido ao aumento de mais de 50% nas vendas de carne de frango certificada

Chaiboun Darwiche, CEO da SIILHalal Certificadora Halal Brasil

“Mesmo antes da fundação da SIILHalal esta era uma das minhas preocupações"

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preocupação com bem-estar da população muçulmana no Brasil sempre esteve presente no radar do empresário Chaiboun Darwiche, CEO da SIILHalal Certificadora Halal Brasi, empresa sediada em Chapecó, interior de Santa Catarina. "Mesmo antes da fundação da SIILHalal esta era uma das minhas preocupações", disse o executivo. De acordo com ele, no passado, encontrar alimentos com selo Halal nas prateleiras dos supermercados não era uma tarefa fácil. "Geralmente produtos com selo Halal encontrados no mercado nacional eram originados de cargas que por algum motivo comercial não pode ser embarcado e era através de indicações entre os consumidores muçulmanos que era

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possível encontrar esses produtos", relata Chaiboun. A Revista do AviSite foi conversar com exclusividade com Darwiche sobre o tema. Acompanhe, na sequência, a entrevista: Qual é hoje o volume consumido no Brasil de produtos Halal? Uma pergunta interessante. Se imaginarmos que um brasileiro consome 42kg consumo per capita ano de carne de frango por exemplo, quando consideramos as famílias que consomem apenas produtos certificados com o selo Halal, acreditamos que este número triplique devido a nossa cultura. Houve um crescimento do consumo? De 2016 até o momento o consumo de produtos Halal aumentou no mer-

cado interno, devido ao aumento de mais de 50% nas vendas de carne de frango certificada. Como o consumidor pode encontrar com mais facilidade? A comunicação entre os muçulmanos, as redes sociais, as sociedades islâmicas presentes no país, as mesquitas espalhadas por todo Brasil e por intermédio de certificadoras como a SIILHalal são ainda os melhores meios para saber e encontrar produtos certificados. Quais são hoje os principais produtos avícolas Halal consumidos no Brasil? Todos os cortes de frangos industrializados, tais como empanados e cozidos, por exemplo, massas que contenham recheio de carne de frango tem bastante adesão.


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Balanรงo preliminar 2020

Cumprindo seu papel

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Como sempre! D

iante de tudo que o mundo enfrentou (vem enfrentando) em 2020, é permitido afirmar que a avicultura brasileira teve desempenho simplesmente exemplar. Se não alcançou todas as metas que se desenhavam desde o final de 2019, foi muito além do que era esperado frente ao quadro de pandemia que envolveu a humanidade. Manteve sua produção e, com isso, atendeu como poucas atividades econômicas a dois de seus papeis básicos:

garantir empregos para uma grande massa de brasileiros e, ao mesmo tempo, propiciar alimentos naturais, nutritivos e de grande competitividade à população do País. Pena, somente, que este último quesito – competitividade – permaneça em risco crescente frente à contínua e crescente alta dos dois insumos básicos do setor, o milho e o farelo de soja. Ainda que outros obstáculos possam surgir, esse será o principal desafio que o setor terá de enfrentar e superar em 2021.

Alojamento de matrizes de corte

53,7 milhões de cabeças // 4%

Produção de pintos de corte

6,7 bilhões de cabeças // 4%

Carne de frango inspecionada

13,6 milhões de toneladas // 1%

Exportação de carne de frango

4,1 milhões de toneladas // (1%)

Disponibilidade de carne de frango 45,1 kg per capita // 1,5%

Preço do frango vivo

10,5% de aumento na média janeiro/ novembro

Custo do farelo de soja

52% de aumento na média janeiro/ novembro

Custo do milho

45% de aumento na média janeiro/ novembro

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Balanço preliminar 2020

O que dizem alguns representantes da avicultura brasileira sobre o ano de 2020? Associação Brasileira de Proteína Animal - ABPA Carne de frango: caminhos para a “superação”. Ricardo Santin, Presidente da ABPA Numa eleição de palavras que ajudem a definir às gerações futuras os sentimentos de 2020, indubitavelmente escolheria “superação”. Falo da perspectiva de cidadão, de ser humano e de membro do setor produtivo que apoia a segurança alimentar de famílias no Brasil e em outros 150 países pelo mundo. Segurança alimentar, aliás, foi a bandeira que impulsionou o trabalho setorial em 2020 - ano pautado pela pandemia. Os esforços setoriais foram imensos, e se deram muito antes do início da crise de fato em nosso território. Quando se falava de quarentena nos grandes centros urbanos, indústrias em todo o país já realizavam afastamento de grupos de risco, distanciamento e outras medidas que foram se aprimorando com o tempo, com base nos protocolos setoriais que desenvolvemos conjuntamente. Meses após o início desta crise, que ainda não tem prazo para acabar, nosso setor mostrou-se estar mais preparado para continuar produzindo. A superação deste ano não se pautou, exclusivamente, pela pandemia.

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Vivemos custos históricos, com elevações especulativas sobre o preço do milho e da soja em patamares sem precedentes. Obviamente, o impacto na produção é algo esperado. O movimento natural poderá trazer a redução da oferta de produtos, especialmente de aves e de ovos, decorrente do descarte de matrizes e poedeiras menos produtivas. Não é viável utilizar grão caro em ave pouco produtiva. Naturalmente, este movimento de queda de produção poderá reduzir a pressão sobre a demanda de grãos. Neste complexo quadro produtivo, outros fatores marcaram o comportamento setorial ao longo do ano, como a oscilação do consumo interno, inicialmente com os impactos negativos da redução de postos de trabalho e, posteriormente influenciado positivamente pelo Coronavoucher. Acresça-se a isto a influência das pressões

cambiais sobre preços internacionais, em um cenário altamente instável. Nosso principal cliente continua a ser o mercado interno. Mas nas exportações, vimos o fortalecimento da China como principal importadora de carne de frango do Brasil, com cerca de 18% das exportações brasileiras de aves. Por outro lado, a retração das vendas para as principais nações islâmicas importadoras - com a suspensão da peregrinação para Meca e os impactos no turismo aos Emirados Árabes Unidos - dá indicativos de retomada no segundo semestre, algo também visto junto aos países da União Europeia e da África do Sul. Apesar de tudo isto, não devemos verificar grandes alterações em 2020 em relação ao volume de exportação de aves. Por outro lado, o consumo interno deverá encerrar o ano em patamares superiores ao registrado em 2019.

Já em 2021, as altas nos custos devem influenciar os volumes de carne de frango produzidos ao longo dos 12 meses do ano. No mercado externo, o comportamento do câmbio e a manutenção da demanda asiática por proteína animal devem seguir como principais indicadores do comportamento do setor produtivo no ano. No mercado interno, a retomada econômica deve favorecer o consumo residencial, assim como as vendas para food service. Em meio às incertezas deste inédito quadro conjuntural com impacto direto a todos os seres humanos, a ação organizada e a união setorial se provou em 2020 como único caminho para a superação, mesmo para um problema de dimensões globais. Este é o espírito que devemos preservar e prosperar no próximo ano.

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Balanço preliminar 2020 Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná - Sindiavipar Irineo da Costa Rodrigues, presidente do Sindiavipar

Novos desafios, muita dedicação e foco na sanidade Estamos chegando ao final de um ano rigorosamente diferente para a avicultura e, claro, para o mundo. Com uma perspectiva tímida de crescimento de 3% a 4% na produção de proteína de frango, e de 3% a 5% nas exportações, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), para a manutenção das atividades do setor os desafios foram diversos. A busca pela abertura de novos mercados, sempre conduzida de maneira espetacular por nossa Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, encontrou, na pandemia, um entrave para avanços. A alta do dólar também impactou neste cenário, tornando nossa proteína mais valorizada, mas, ao mesmo tempo, impacta no grande aumento do preço dos grãos, milho e soja, resultando em custos muito altos de produção. Entretanto, mesmo diante das situações adversas, é importante ressaltarmos que a vitória do setor continua sendo a sanidade. Observamos ao redor do mundo, diversos países acometidos por doenças como influenza aviária, peste suína africana, entre outras. No Brasil, continuamos, tanto no serviço público como na iniciativa privada, com um trabalho relevante para evitar essas ocorrências em nosso território. Para que a avicultura siga em evolução a mudança de paradigmas também precisa acontecer. A modernização e o aperfeiçoamento do Serviço de Inspeção Federal (SIF) são necessários para acompanhar os avanços do setor. Nesse sentido, assim como observamos em outros países, alguns aspectos tratados como itens de inspeção, na realidade

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são controles de qualidade da produção que são, e precisam ser, de responsabilidade das empresas, desonerando assim a cadeia produtiva, desburocratizando processos e, disponibilizando fiscais para a fiscalização, onde ela é imprescindível e indelegável. Essas e outras frentes são discutidas frequentemente pelo Sindiavipar, juntamente com seus associados, e com outros integrantes do setor privado e do governo. Em setembro, assumimos a entidade com a visão de somar esforços e realizar um intercâmbio com outras organizações e com o Poder Público. Ao todo, nove instituições foram visitadas nas três primeiras semanas de atuação da nova diretoria, incluindo uma audiência com o governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Júnior. A avicultura paranaense representa em torno de 40% das exportações brasileiras de carne de frango, e responde por 36% da produção nacional da proteína. Sendo assim, precisamos atuar para ampliar nossa representatividade associativa, deixando-a alinhada a esta performance de extremo destaque. Nossa avicultura ainda é jovem e, com certeza vai crescer, pois é moderna e temos condições especiais no Paraná que nos trazem esse potencial: pequenas propriedades e produção de grãos em quantidade alta e qualidade superior. Para 2021, esperamos uma grande safra de grãos, com o preço da soja e do milho operando mais em baixa, para o segmento avícola ter performance de resultado. Além disso, o setor pode esperar muito trabalho por parte do Sindiavipar. Uma avicultura líder, exige muita dedicação e, isto com certeza, está sendo feito.


Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal - Sindirações Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações e Presidente do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal “Apesar do cenário bastante adverso provocado pela pandemia da COVID-19, é fato que a produção de alimentos para animais resistiu bem ao “evento imprevisível” e assegurou o necessário suprimento da cadeia produtiva e exportadora da proteína animal brasileira. O produtor de frangos de corte demandou 25,6 milhões de toneladas de rações de janeiro a setembro, um avanço de quase 4%, marca alinhada àquela prevista ainda antes da pandemia, ou seja, ancorada na percepção do consumo doméstico crescente e da continuidade da necessidade chinesa por proteína animal que continuaria mirando também a carne de frango. Apesar do cenário futuro apontar razoável recessão econômica com taxa de desemprego às alturas, o auxílio emergencial liberado pelo Governo Federal aos milhões e milhões de afetados, apesar de decrescente, foi preferencialmente gasto na compra de alimentos. Combinado ao fenômeno mencionado, e apesar do estratosférico custo dos principais insumos (milho e farelo de soja, afora os aditivos importados e precificados em dólar), o persistente déficit interno chinês pelas carnes pode manter o ritmo ajustado da cadeia produtiva brasileira, e em consequência ainda assegurar um avanço de 3,5% na produção de rações para frangos de corte durante o ano de 2020. O consumo de ovos foi intensificado, alternativamente às carnes, por conta dos efeitos econômicos gerados pela pandemia, e em consequência, o crescente e contínuo alojamento de poedeiras, apurado em boa parte do ano, contabilizou algo como 5,2 milhões de toneladas de rações, avanço da ordem de 6%, quando comparado aos mesmos nove meses do ano passado. O descarte das aves mais velhas por conta dos excedentes deve ajustar naturalmente a produção à demanda e a previsão é que a produção de rações para galinhas de postura avance 5,5% e contabilize 7,2 milhões de toneladas no corrente ano.

Para 2021, vale ressaltar que nossa competitiva pecuária verde-amarela acerta ao mirar cada vez mais a Ásia, pois percebe que a conjuntura contemporânea vai deslocando seu eixo para um novo ordenamento demográfico e econômico, centrado naquela região (recente estabelecimento da Associação das Nações do Sudeste Asiático/ASEAN), sobretudo por conta da trivial preocupação com a segurança alimentar, porém exponencialmente amplificada a partir da aleatória Covid-19. A invejável dispo-

sição voltada à pavimentação da imagem de um celeiro para abastecimento confiável (reconhecida e fundamentada na SUSTENTABILIDADE/ preservação do meio ambiente, SANIDADE/biosseguridade dos rebanhos e granjas, e SAÚDE do consumidor/rastreabilidade dos produtos) apesar de compulsória, traduz grande vantagem para nossa cadeia produtiva, em consonância com o vindouro pacote de atributos exigidos na pós-crise, principalmente por tantos outros potenciais clientes de interesse.” A Revista do AviSite

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Balanço preliminar 2020 Associação dos Avicultores do Estado do ES - AVES Nélio Hand, Diretor Executivo da Associação da AVES O ano apreensivo trazido a todos os setores de produção também está refletindo na produção de frangos aqui no Espírito Santo. O segmento vem de um período bastante ajustado e agravado pelo momento vivido com os altos custos e riscos com escassez de insumos. Embora se diga que não existam riscos para desabastecimento, não é isso que avicultores estão sentindo na “ponta de cá”. O agravante dos custos altos está na dificuldade de repassá-los na mesma proporção para o valor do produto final, e nessa situação a alternativa será ajustar a oferta à demanda, já que os volumes que normalmente são ofertados ao mercado interno têm sido impactados por sobra de produtos remanescentes das exportações, a exemplo do peito de frango que tem sido um vilão nos preços baixos. Isso também impacta em outros cortes no mix de produção, além de possibilitar uma enxurrada de produtos oriundos de regiões que possuem grandes excessos e que acabam desovando suas mercadorias em estados vizinhos,

marginalizando ainda mais os preços obtidos. Por aqui vemos que os alojamentos já estão sendo reduzidos, tanto a integração quanto o produtor independente já estão revendo e replanejando seus volumes com seus parceiros e integrados, o que afetará também a renda desses que estão ligados diretamente ao campo. As incertezas que ainda pairam em várias áreas deixam todos preocupados, mostrando que se não houver uma atenção maior para toda a cadeia produtora, seja de insumos, mas também, neste momento, para quem produz alimento para o consumidor final, levarão a um desequilíbrio que só poderá ser amenizado se ocorrer um empenho de todos, mas especialmente das autoridades e do governo brasileiro, desde a criação de mecanismos para que se possa promover um melhor equilíbrio no abastecimento até a disposição de recursos para que o avicultor e a indústria possam buscar e realizar estoques e outros meios de precaução.

Associação Paulista de Avicultura Érico Pozzer, Presidente da APA “Passamos por um momento difícil no primeiro semestre, com altos custos. Prevíamos um segundo semestre muito pior do que de fato foi. Problemas causados pela pandemia da Covid-19 exigiu ajustes de mão de obra, com afastamento de funcionários para prevenção aos riscos e, assim, a consequente contratação de funcionários. Foram contratados entre 10% a 12% a mais de funcionários pelas empresas avícolas paulistas. Os custos de produção causados pelo aumento das exportações de milho e soja tamém impactaram o segmento. Este impacto continuará a ser sentido pelo menos até o primeiro trimestre de 2021. Um fator que amenizou a situação da avicultura em São Paulo foi o aumento das exportações de carne

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suína e bovina, gerando aumento nos custos do mercado interno e ampliando o consumo da carne de frango, como a proteína mais barata. Estamos prevendo registrar o aumento de consumo em torno de 10% (de 43/44 kg per capita em 2019 para 50 kg per capita, em uma análise preliminar). A avicultura paulista tem um poder de ajustes às dificuldades e devido ao seu profissionalismo tem uma força muito grande. Continuaremos firmes em nosso propósito de produzir um alimento de qualidade, com capacidade elevada de produção e na busca de ajustes de mercado, principalmente na relação oferta x demanda, que , de fato, é o que define as regras do mercado”.


Associação de Avicultores de Minas Gerais - Avimig Antônio Carlos Vasconcelos Costa – Presidente da Avimig Balanço parcial do mercado avícola mineiro de corte e postura em 2020 O ano de 2020 está sendo muito diferente daquele esperado pelo setor, afetado por uma pandemia que abalou todo o cenário econômico mundial, trazendo muitas incertezas e prejuízos para todos os setores. A avicultura mineira de corte e postura mesmo com todas essas adversidades têm mostrado sua força num cenário onde ocorreram muitas perdas econômicas devido à pandemia. No setor da avicultura de corte, num primeiro momento, houve uma queda no volume de abates por causa das medidas adotadas para evitar eventuais contaminações nas unida-

des. Este cenário foi impactado pela alta dos insumos, principalmente grãos, fazendo que o custo de produção ficasse bem acima do valor esperado pelos produtores. O número de aves alojadas no estado, até setembro de 2020, foram de 341.934.000 e produção de 854.835 toneladas de carne de frango. A Avimig desempenhando seu papel associativista, continua acompanhando os desdobramentos dessa pandemia, orientando seus associados para que mantenham as medidas e ações necessárias para minimizar o avanço do vírus e acreditando que em 2021 será um ano de recuperação do setor, com aumento nas exportações e valorização das proteínas de frango e ovos.

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Balanço preliminar 2020 Associação Gaúcha de Avicultura - ASGAV Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do RS - Sipargs José Eduardo dos Santos - Presidente Executivo Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul

Avicultura RS 2020, cenários, desafios e perspectivas para 2021 Avaliação ano de 2020 para Avicultura RS, desafios, mercado de aves natalinas e perspectivas para 2021 A Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul e suas entidades membros, Asgav e Sipargs, avaliam o ano de 2020 como um ano atípico e desafiador por situações de extremo impacto, como pandemia, duas estiagens no estado, distúrbios no mercado de grãos ocasionados por preços elevadíssimos e oscilações no mercado interno e externo de carne de aves, ovos e derivados. A pandemia da covid19, redefiniu o plano de ações do setor e trouxe desafios, dificuldades, redirecionamento de investimentos e alterações de mercado. Investimentos nas adequações das indústrias para adoção dos protocolos de saúde e segurança, somente no RS em 5 meses de pandemia chegaram à aproximadamente R$ 50.000.000,00. O setor priorizou e deu máxima atenção para preservar e proteger a saúde de seus colaboradores. O compromisso e responsabilidade de manter a pro-

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dução de alimentos de fácil acesso a população, mesmo em tempos difíceis, foram e estão mantidos.

Mercado Aves Natalinas 2020 A produção destas aves no RS para atender mercado local, outros estados e exportação deverá ficar em aproximadamente 80 mil toneladas/ano (aves natalinas e perus). Somente perus, no ano são produzidos cerca de 3,6 milhões de cabeças o que gera um volume de aproximadamente 35 mil toneladas. O RS é o maior exportador de Peru do Brasil. Os preços médios das aves natalinas na indústria neste ano devem ficar em média R$ 9,95 o Kg. A carne de peru deverá ficar em média R$ 17,00 o Kg. (estimativas). Estes preços registraram aumento médio de 16% em relação ao ano

anterior com base no elevado custo de produção e as dificuldades que o setor está enfrentando neste ano. O faturamento previsto será de aproximadamente R$ 1,1 bilhão com a venda destas aves, em torno de 22% superior ao ano anterior.

Frango de Corte O abate de frangos de corte da avicultura do RS em 2020 deverá ficar na faixa 825,4 milhões de aves abatidas, registrando um tímido crescimento de 0,68% em relação a 2019.

Exportações Carne de Frango As exportações de carne de aves do RS deverão fechar 2020 na casa de 671 mil toneladas exportadas, 15% superior aos volumes exportados em 2019. Em 2019 o setor registrou um volume exportado de

579 mil toneladas que gerou um faturamento aproximado de US$875 milhões. Para 2020, com uma gradativa recuperação das perdas registradas no ano passado, o faturamento com exportações poderá ficar em torno de US$ 920 milhões um aumento estimado de 5 % nas receitas com exportações de carne de frango. O faturamento total do setor avícola gaúcho é estimado em R$ 16 bilhões/ano.

Consumo O consumo de carne de frango está estimado em 43 kg hab/ano, média brasileira. Participação dos estados nas exportações nacionais avícolas de carne de frango em 2019, mapa abaixo. O quadro de participação nas exportações nacionais para 2020 deve se manter no mesmo patamar de 2019.

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Balanço preliminar 2020

Avicultura do RS, perspectivas para 2021 O setor avícola do RS continua em plena expansão no estado, novos empreendimentos surgiram e outros estão por vir. A avicultura gaúcha vem há décadas empreendendo e investindo no Estado, no entanto, a fragilidade na produção de milho que registra déficit anual na casa de 1,5 a 2 milhões de toneladas ano, retarda o desenvolvimento mais dinâmico do setor. O distúrbio na cotação de milho e soja, que é consequência de diversos fatores negativos detectados em 2020, como 2 estiagens, pandemia e retração na oferta de grãos, devem mudar o comportamento do setor em relação a plataforma de produção no que se refere a custos e equilíbrio comercial. As compras futuras deverão se intensificar, a pressão por

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mecanismos de flexibilização de importação de grãos também será pauta permanente dos setores de proteína animal. As culturas alternativas de inverno como por exemplo o trigo, triticale e sorgo para ração animal, deverão receber atenção especial e serão objeto de discussão para viabilização de projetos na área.

Um projeto de retomada de ações de implantação de vias ferroviárias da região centro oeste para o sul do país foi desenvolvido e deverá ser apresentado aos Governos federal e estadual para viabilizar melhor logística de abastecimento de grãos para região sul do Brasil. A avicultura do RS é a 3a maior produtora de carne de frango, 3ª

maior exportadora de carne de frango, está entre as dez maiores produtoras de ovos do Brasil e a 1ª maior exportadora de ovos do país. O setor tem peso considerável na balança comercial do estado e do país, a carne de frango está em segundo lugar na pauta geral de exportações do RS. No que se refere a sanidade, os investimentos e adoção de medidas de biosseguridade, precisam ter atenção permanente para garantia de manutenção do status sanitário do setor avícola gaúcho e brasileiro. Por fim, as estruturas de comissões e staff da organização avícola do RS e suas respectivas entidades, continuarão trabalhando intensamente nos temas atinentes a cada área do setor e seguindo plano de atividades interagindo com as câmaras equivalentes na ABPA com objetivo único de dar suporte, andamento nos pleitos, projetos e busca de soluções para as dificuldades e desafios que recaem sob o setor produtivo.

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Balanço preliminar 2020

Alojamento de matrizes de corte evoluiu à razão de 1% ao ano na corrente década

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s dados são preliminares, provenientes de informações de mercado e complementados com projeções para os meses finais deste ano. Mas ainda que o alojamento de matrizes de corte de 2020 tenha superado o que foi projetado, dificilmente o incremento anual em uma década terá sido superior a 1% ao ano. Um desempenho que contrasta com o de décadas passadas, quando a expansão do setor chegava a registrar níveis superiores a 6%-7% ao ano. Tudo índica que o maior incremento deste ano ficará restrito ao primeiro semestre, período em que se registrou uma variação (dados preliminares) de mais de 10% sobre o mesmo semestre de 2019. Neste caso, não porque houvesse significativa expansão no semestre e, sim, porque o alojamento dos primeiros seis meses de 2019 retrocedeu ao menor nível em seis anos.

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Mas o que também sugere que o volume do segundo semestre possa ser inferior ao do primeiro é o fato de, no início do período, ter sido observada alguma redução nos alojamentos mensais. E isto, combinado com o fato de que no mesmo período do ano passado já foi registrado incremento superior a 13%, permite projetar para estes últimos seis meses de 2020 redução semestral próxima de 4% e, inversamente, um alojamento anual 4% superior ao do ano passado. Este último índice é, também, o indicador da variação na capacidade de produção do setor em 2021. Ou seja: sinaliza a possibilidade de se atingir adequadamente o aumento de demanda previsto para o próximo exercício, ao mesmo tempo em que permite rápidas correções de rota (por exemplo, redução da produção) se isto se fizer necessário.


Pintos de corte: produção anual deve aumentar entre 4% e 5% e alcançar novo recorde

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té a data de fechamento desta edição não haviam sido divulgados os dados de produção de pintos de corte do bimestre outubro/novembro, enquanto a produção de dezembro se encontrava em andamento. Mas isso não impede que se faça uma projeção do que possa estar sendo produzido no corrente exercício, para tanto recorrendo a uma retrospectiva do desempenho do setor. Nos primeiros 19 anos deste século (ou seja, entre 2001 e 2019) a produção brasileira de pintos de corte distribuiu-se ao longo do ano segundo os percentuais apontados no gráfico. Assim, na média do período, completou os primeiros nove meses do ano respondendo por 74,27% do total anual, ficando a maior parcela trimestral – 25,73% - para os três meses finais do exercício (linha azul no gráfico). Claro, isso não pode ser aplicado integralmente à produção de 2020. Mas considerando que os volumes registrados, salvo justificáveis exceções, vêm sendo muito similares aos observados na curva histórica e supondo-se, por decorrência, que o volume produzido entre janeiro e setembro tenha correspondido àqueles 74,27% do total, tem-se, para o último trimestre do exercício a produção apontada pela linha pontilhada em vermelho. Ou seja: em outubro ao redor de 600 milhões de pintos de corte; em novembro, pouco mais de 550

milhões; e em dezembro, algo em torno dos 590 milhões de cabeças. É um exercício apenas e, por isso, os resultados finais podem não condizer com os projetados. Notar, de toda forma, que até aqui a produção efetiva vem acompanhando muito de perto as médias dos últimos 19 anos e, portanto, é muito difícil que se fuja a esse comportamento no corrente trimestre. Notar, a propósito, que a “fuga” mais significativa da curva média ocorreu em maio – não por culpa do setor produtivo, mas por imposição da semi-paralisação do mercado ocasionada pelo isolamento social. A recuperação, no entanto, foi rápida, tendo como elemento impulsionador a maior competitividade da carne de frango frente às carnes concorrentes. Aceitas as presentes projeções, o volume total de pintos de corte de 2020 irá girar em torno dos 6,760 bilhões de cabeças, resultado que representará aumento de 4,5% sobre 2019 e que romperá um recorde (6,506 bilhões de cabeças) imbatível desde 2015. O mais provável, no entanto, é que esse volume seja superado, pois, nas presentes projeções, o volume projetado para o último trimestre de 2020 é praticamente o mesmo registrado no semestre anterior, o terceiro do corrente exercício. E, como mostra a experiência, os volumes registrados nos últimos três meses de cada exercício geralmente correspondem ao recorde trimestral do ano.

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Balanço preliminar 2020

Afetada pelos desdobramentos da Covid-19, produção de carne de frango fica aquém do potencial instalado

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ntes mesmo da chegada do novo ano as perspectivas eram as melhores possíveis. Afinal, em 2019, depois de quatro anos consecutivos de semiestagnação, o setor aumentou o alojamento de matrizes de corte. Com isso, entrou em 2020 registrando um potencial de produção pelo menos 4% superior ao do ano anterior – rapidamente ampliável se o mercado exigisse. Efetivamente, o ano foi iniciado em ritmo intenso, atingindo-se já em março a maior produção mensal de carne de frango de todos os tempos. Ou, considerando-se apenas o produto inspecionado (dados trimestrais do IBGE), mais de 530 milhões de cabeças, volume 13% superior ao alcançado um ano antes, em março de 2019. Mas, a essa altura, os efeitos da Covid-19 já impunham retração da produção. E o recorde de março só foi atingido porque os frangos abatidos no mês vinham sendo criados desde meados de janeiro. Restava voltar atrás, algo que na indústria do frango demanda tempo, pois o processo de produção se inicia mais de 60 dias antes. Daí o recuo no segundo trimestre ter sido gradativo até atingir-se, em junho, um dos menores volumes do último quinquênio. Considerado o volume produzido em março e levando em conta que na ocasião o potencial de produção do setor vinha aumentando, pode-se afirmar que entre abril e junho o setor

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deixou de produzir em torno de 500 mil toneladas de carne de frango. Mas não só. Devido ao verdadeiro estado de pânico que se abateu sobre toda a economia a partir do instante em que foi iniciado o isolamento social, o setor – sem uma visão mais clara do futuro – passou a descartar, antecipadamente, significativo volume de reprodutoras. Daí, posteriormente, mesmo com a retomada da demanda, não se ter atingido o volume alcançado em março. Em outras palavras, se o potencial originalmente instalado possibilitava ampliar a produção em 4%-5%, sob os efeitos da pandemia ele foi reduzido a menos da metade. Neste final de ano, com certeza, esse potencial se encontra parcial ou totalmente recuperado. Mesmo assim, persiste grande indefinição quanto ao que está sendo produzido neste quarto trimestre. Na projeção efetuada para o período (vide tabela), a Revista do AviSite tomou como referência o volume produzido no primeiro trimestre do ano (o maior de 2020), apenas considerando que o atual trimestre tem 92 dias, ou seja, um dia a mais que o primeiro trimestre. Porém, deve se esperar produção maior que a projetada, pois, em, geral, é no quarto trimestre de cada exercício que se concentra a maior produção de carne de frango do ano. Ainda assim, o incremento em relação a 2019 não deve ir muito além de 1%.


Afetadas pelos desdobramentos externos da Covid-19, exportações de carne de frango encerram 2020 em semiestabilidade sobre 2019

A

ntes mesmo da virada do ano, eram as melhores possíveis as expectativas em relação às exportações de carne de frango de 2020 – ainda que, na segunda metade de 2019, tivessem enfrentado ligeiro retrocesso. E, na verdade, os resultados iniciais do ano superaram o que era esperado – no primeiro bimestre, aumento de 13% no volume embarcado – sinalizando que, mantido o comportamento médio do ano anterior, os embarques do primeiro semestre logo estariam superando as 400 mil toneladas mensais. Mas então o mundo descobriu estar enfrentando uma pandemia. E praticamente tudo se imobilizou. Inclusive a logística de movimentação de cargas e transporte. Mas, ainda assim, a primeira metade do ano foi encerrada com um incremento de pouco mais de 1%. E como, em maio, os números registrados pela SECEX/ME demonstravam boa recuperação, esperava-se que daí em diante o processo retornasse ao ritmo anterior, o que não ocorreu. Porque, efeito ainda da primeira onda da Covid-19, o mundo – já não tão imobilizado – continuou girando lentamente, com efeitos sobre o consumo doméstico dos países importadores, seu turismo e até mesmo suas grandes festas religiosas.

O resultado é que o ano deve ser encerrado com um volume praticamente igual ao de 2019, com ligeiras variações para cima ou para baixo – algo cuja certeza só virá em janeiro próximo, quando forem divulgados os resultados finais do corrente exercício. Mas o que mais pesou sobre o resultado das exportações foi o preço médio alcançado pela carne de frango no decorrer do período. Uma ocorrência, aliás, que não data de 2020, começou quase dois anos atrás, mas se acentuou neste ano. Poder-se-ia retrucar, neste caso, que o preço registrado é o prevalente no mercado internacional. Mas – é forçoso mencionar – o Brasil, como maior exportador mundial de carne de frango, é o principal formador dos preços internacionais do produto. Naturalmente, esse desempenho vem sendo influenciado não apenas por uma oferta que excede (devido, sobretudo, à Covid-19) as atuais demandas do mercado internacional, mas também pela desvalorização da moeda brasileira. Resulta, claro, em menor receita cambial mas, pelo menos, permite aos exportadores cobrirem os altos custos de produção registrados em 2020.

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Balanço preliminar 2020

Apesar dos obstáculos e desafios enfrentados, disponibilidade interna per capita de carne de frango está sendo maior que a de 2019

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ma vez que os únicos dados concretos oficiais sobre o abate e a produção mensal de carne de frango se restringem aos levantamentos periódicos do IBGE, compensa demonstrar a partir deles a provável evolução da disponibilidade interna de carne de frango, pois, ainda que incluam, apenas, o produto inspecionado, proporcionam um retrato muito aproximado do andamento do setor no exercício. Neste caso, para chegar à disponibilidade interna total, foram adotados os volumes de produção divulgados trimestralmente pelo IBGE e, deles, deduzidas as exportações (100% inspecionadas) levantadas, mensalmente, pela SECEX/ME. A evolução da população, por sua vez, tem por base os dados do IBGE relativos a 1º de julho de 2019 e de 2020, sobre os quais se aplicou uma evolução média de 0,06 % ao mês (variação anual de 0,75%). Como era de esperar, no primeiro semestre do ano (ou, mais especificamente, no segundo trimestre) a disponibilidade per capita aparente recuou em relação a idênticos períodos de 2019. Não porque o setor tivesse reduzido voluntariamente a produção, mas porque a paralisação econômica e social

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provocada pela Covid-19 impôs incisivos cortes ao setor. Então, deixou-se de produzir pelo menos 500 mil toneladas de carne de frango, volume que teria propiciado uma disponibilidade per capita maior que a do ano anterior. Felizmente, a adoção de medidas de preservação do sistema produtivo e a própria retomada do mercado possibilitou corrigir esse problema e, tudo indica, o segundo semestre deve ser encerrado com uma disponibilidade interna per capita entre 4% a 5% maior que a dos mesmos seis meses de 2019, alcançando um índice de evolução que coincide com o aumento do potencial instalado. Mesmo assim, em função do forte recuo enfrentado no segundo trimestre do ano, a disponibilidade per capita aparente de 2020 deve aumentar em uma proporção significativamente menor, sendo quase improvável que supere os 2%. Parece pouco. Mas, frente aos desafios e obstáculos do ano, fica demonstrado que, mais uma vez, a avicultura brasileira cumpriu com plena eficiência seu papel social, ofertando à população brasileira uma proteína animal competitiva frente às demais carnes.


Desempenho do frango vivo em 2020

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mbora faltem, ainda, alguns dias para o encerramento do ano, já se tem perfeita ideia de como será encerrado, em termos de preço alcançado pelo frango vivo, este conturbado 2020: com o melhor preço nominal e real da história moderna do setor. Até, praticamente, meados do ano, possivelmente ninguém tinha a mais leve ideia de que isso pudesse ocorrer. Profundamente afetado pelos efeitos da pandemia, o setor viu o primeiro semestre encerrar-se com um preço médio – R$3,19/kg – mais de 2% inferior à média do mesmo semestre de 2019. Mas ainda em junho surgiam os primeiros indícios de uma próxima reversão de mercado. Desde então e até novembro, a remuneração seguiu numa espiral ascendente, nada indicando que dezembro corrente possa ser muito diferente. Contribuíram para a retomada do mercado a flexibilização do isolamento social, a retomada (ainda que lenta) das atividades econômicas e a competitividade da carne de frango frente às demais carnes. Porém, há indícios de que o melhor desempenho no segundo semestre esteja sendo favorecido, também, pela “limpeza” compulsória efetuada no plantel reprodutor na fase mais crítica do isolamento social. Ou seja: a segunda metade do ano foi iniciada com um potencial de produção mais condizente com as novas condições do mercado, o que redundou em maior equilíbrio entre oferta e procura. Outro fator que merece ser avaliado é a possibilidade de a

produção independente – a que dita o preço do frango vivo – ter-se reduzido em relação a períodos anteriores. Esta, aliás, é uma tendência natural da atividade à medida que avança o sistema integrado. Mas em 2020 esse processo pode ter sido acelerado pelos altos custos das rações e suas principais matérias-primas. Essa tese, por sinal, ganha força ao se analisar a evolução do preço do frango no decorrer de 2020 em relação à sua curva sazonal (preços médios dos últimos 25 anos, ou seja, entre 1995 e 2019). Pois na fase mais crítica do ano (primeiro semestre), os preços registrados acompanharam com diferenças mínimas o comportamento sazonal. Já no segundo semestre, enquanto a curva sazonal evolui a uma média pouco superior a 2,5% ao mês, a de 2020 registra o dobro desse índice. E como, durante a maior parte do semestre, o mercado de aves vivas permaneceu relativamente firme, fica claro que a oferta esteve muito mais ajustada à demanda que em 2019. Em termos práticos, isso significa que o frango vivo completou os 11 primeiros meses de 2020 com um valor médio 10% superior à média de 2019, quando – pela curva sazonal – esse índice não passaria de 6%. Mas esse aparente ganho não tem o menor significado frente aos custos enfrentados pelo setor. Aliás, deflacionado o preço médio de 2019 pelo IPCA de outubro, constata-se que o ganho anual cai para apenas 8%.

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Balanço preliminar 2020

Custos das matérias-primas colocam em xeque a competitividade da carne de frango frente às demais carnes

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nteriormente a 2020, o pior momento enfrentado pela avicultura em relação ao abastecimento de sua principal matéria-prima, o milho, foi registrado em 2016, devido à quebra de safra do grão. Na época, os preços do milho atingiram valores então considerados estratosféricos. A ponto de forçarem o setor a reduzir a produção, medida que redundou (segundo semestre de 2016) em recuperação dos preços do frango e, com ela a retomada do poder aquisitivo do produtor. Em decorrência dessa retomada, no final de 2016 o avicultor conseguiu adquirir, com o mesmo volume anterior de frangos vivos, 60% a mais de milho que no mês de maio Mesmo assim, na média daquele exercício, o poder de compra do produtor recuou 25% em relação ao ano anterior. Pois 2020 vem sendo pior. Porque, na média dos 11 primeiros meses deste ano de safra recorde do grão, o volume de milho adquirível pelo frango vivo vem sendo ainda menor que o de quatro anos atrás. Em novembro passado, por exemplo, uma tonelada de frango vivo adquiriu não mais que 3,316 toneladas de milho, quase 30% a menos que em novembro de 2016 – a despeito da forte valorização obtida pelo frango vivo neste último novembro. E não se diga que essa perda de poder aquisitivo só ocorre em relação a anos específicos. Nos nove primeiros anos desta década (isto é: aí inclusos os altos preços de 2016), uma tonelada de frango vivo possibilitou adquirir, em média, 4,560 toneladas de

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milho. Já em 2020 esse volume não vai além das 3,628 toneladas, ou seja, é 20% menor. Isoladamente, o desempenho do milho já corresponde a um problemão. Mas ele não está sozinho na escalada de preços: vem sendo acompanhado – e de forma mais contundente – pelo farelo de soja. Exemplificando, enquanto o milho alcançou, em novembro passado, valor quase 65% superior ao do final de 2019, o farelo de soja registrou alta de, aproximadamente, 105%, mais do que dobrando de preço. Independentemente das vindouras safras de milho e de soja, isso - tudo indica - veio para ficar. E representa o maior desafio a ser enfrentado pelo setor produtor de frangos, porque retira a competividade que sempre marcou o alimento frente às demais carnes. Do ponto de vista econômico, porém, esse desafio pode apresentar diferentes graus de implicação, conforme a característica de pelo menos três diferentes agentes do setor: as empresas com ações em bolsa, as cooperativas agropecuárias e os demais componentes da atividade. As primeiras, na maioria ou na totalidade exportadoras, vêm obtendo lucros e, portanto, têm caixa para bancar os altos custos das duas matérias-primas. As cooperativas, também na maioria, produzem o próprio milho e a própria soja e, portanto, têm o produto “dentro de casa”. E os demais?


Ponto Final

Mariano Iocco, Diretor de Marketing da Sealed Air para América Latina. A Sealed Air é líder em embalagens e soluções de proteção

Como a combinação inteligente de mão de obra e automação vai ajudar a indústria de frango no Brasil? A automação não apenas torna a força de trabalho mais eficiente, mas também é fundamental para melhorar as condições de trabalho

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ano de 2020 tem sido marcado pela busca constante por superação dos desafios que chegaram com a pandemia. No caso da indústria de proteínas, temos acompanhado de perto as iniciativas dos frigoríficos para manter a produção em alta frente a necessidade de reforçar a segurança dos operadores e dos produtos. Afinal, existe uma grande demanda para o mercado interno e para exportação. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de carne de frango no Brasil em 2019 foi de 13,2 milhões de toneladas. Deste volume, 68% foram para o consumo dos brasileiros. Os 32% restantes foram as 4,2 milhões de toneladas exportadas. Com esse número, o Brasil passou os Estados Unidos e passou a ser o maior exportador de frango, segundo o relatório anual lançado em maio pela associação. Ainda segundo a ABPA, a produção brasileira de carne de frango deverá crescer cerca de 5% em 2020, e a estimativa para as exportações é que haja uma alta de cerca de 2%, mesmo diante do cenário de pandemia.

Não temos dúvida, o potencial é grande. Mas os desafios do momento também são: a necessidade do distanciamento na operação, o reforço dos protocolos de segurança e o apoio emocional aos operadores. Isso tudo traz ainda um olhar mais cuidadoso para os processos de automação na indústria, que vem percebendo cada vez mais a relevância da combinação de mão de obra com tecnologia para atingir mais eficiência operacional. A automação não apenas torna a força de trabalho mais eficiente, mas também é fundamental para melhorar as condições de trabalho, eliminando tarefas repetidas e potencial de contaminação cruzada. Sem dúvida, é a chave para reduzir ainda mais as taxas de incidência de lesões e doenças no setor. Vemos que é uma ganha-ganha para a força de trabalho, melhorando a produtividade e reduzindo a rotatividade de funcionários. Além disso, a automação permite o uso de materiais mais finos e, consequentemente, reduz o consumo de plástico, reduzindo a pegada de carbono. Administrar a mão de obra é um gargalo para a avicultura não só no Brasil. No mercado norte-americano, por exemplo, grandes players cogitam a ampliação do uso robôs nas plantas, tendo em vista a escassez de recursos humanos e a preocupação com a saúde dos colaboradores. Neste quesito, a automação abre caminho para capacitar a força de trabalho a fim de direcioná-la para processos que, de fato, precisam do trabalho humano. As indústrias estão passando por um processo disruptivo, que exige trabalhadores mais qualificados, com mais facilidade para interpretar, calcular e inovar. Com os olhos no futuro, é hora de buscar soluções duradouras que ajudem o momento presente e que ampliem as possibilidades para os anos seguintes. A automação não apenas fornecerá uma solução multifacetada para o desafio do trabalho, mas também aumentará a lucratividade e permitirá que a indústria continue atendendo a demanda cada vez maior hoje e amanhã. A Revista do AviSite

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ASGAV & SIPARGS ALTERAM SISTEMA DE GESTÃO DAS ENTIDADES

A Associação Gaúcha de Avicultura inovou mais uma vez e criou o “Asgav Express”, um projeto com conteúdo dinâmico e contínuo de divulgação de ações do setor. De julho a setembro, dados relevantes foram selecionados em pequenas “doses” diárias de textos disparados para manter o público estratégico atualizado. Associados, entidades, governos, colaboradores, imprensa, universidades e órgãos oficiais passaram a receber esse conteúdo exclusivo sobre a avicultura gaúcha no Estado, no Brasil e no exterior, estabelecendo uma conexão entre as diferentes frentes. O combate ao novo coronavírus, realidade que se impôs sobre a nossa rotina e as nossas vidas, ganhou destaque pela ótica dos frigoríficos, que desde o início da pandemia adotaram e aprimoraram os protocolos de saúde e prevenção, com ajustes e adequações implementados periodicamente nas indústrias avícolas. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil e o maior exportador de ovos. A produção de aves está presente em cerca de 250 munícipios gaúchos. No Estado, estão em operação 30 frigoríficos avícolas de pequeno, médio e grande porte. O setor gera em torno de 40 mil empregos diretos e aproximadamente 500 mil C O Z I N H A I atividades T A L I Aindiretas, N A que produzem divisas e recursos para municípios e Estado. Em torno de 7.500 famílias trabalham no sistema integrado de produção de frangos de corte.

GARMUGIA

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No território gaúcho, produz-se, em média, 1,6 milhões de toneladas de carne de frango por ano, dos quais 45% deste volume é destinado ao mercado externo e 55% para abastecer o mercado interno. Por ano, são abatidos 820 milhões de aves, uma média de 68 milhões ao mês. O brasileiro tem mudado seu hábito de consumo de carnes, passando de um país preponderantemente consumidor de carne bovina para consumidor da carne de frango. A qualidade, imagem de produto saudável e preços acessíveis auxiliaram a conquista dessa posição. O investimento do setor avícola gaúcho em ações de enfrentamento à pandemia foi de quase R$ 50 milhões em Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para saúde e segurança dos colaboradores nas indústrias avícolas, adaptações dos ambientes e transporte dos colaboradores.

Foi elaborado um manual com orientações que contempla:

Todas essas medidas foram adotadas pelos profissionais das linhas de produção, equipes de apoio e administrativos, motoristas e terceirizados. Para saber mais sobre os Teasers ASGAV EXPRESS, acesse: www.asgav.com.br/_arquivos/Teasers_ASGAV_Express.pdf

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Data: 23/11/2020

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Revista do AviSite - Edição 133  

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