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Editorial

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Sumário

Brasil Sul de 16 Simpósio Avicultura faz história em

Chapecó em sua 19ª edição Evento teve participação recorde de público, com 1.5 mil participantes e mais de setenta empresas expositoras na Poultry Fair

na produtividade 08 Avanço avícola X crescimento de mercado Ainda há espaço para crescimento?

buscam certificado 34 Empresas halal para ampliar mercado Autenticação é exigida na exportação por países muçulmanos de acordo com as leis islâmicas

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Eventos

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AviGuia

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As 8 notícias mais lidas no AviSite e Há 10 anos

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Ponto Final O “GALO” subiu no telhado! Por Ariovaldo Zani

Layout da carga e o estresse térmico no transporte de frangos de corte

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Estudo desenvolvido na Esalq observa características de músculo de peito no DNA das aves

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Peptidoglicanos: quais seus efeitos em frangos de corte?

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Citometria de fluxo como ferramenta para avaliação do sistema imune de aves

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Manejo de Ovos Férteis

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Gripe Aviária: retorno do ‘tormento’ das aves migratórias ao Ártico.

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Nicarbazina, escolha de alta eficácia no controle da coccidiose, no verão e no inverno

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Análise de Mercado – CEPEA

Estatísticas e preços 50 51 52 53 54 55 56 57

Produção e mercado em resumo Pintos de corte Produção de carne de frango Exportação de carne de frango Oferta Interna Desempenho do frango vivo Desempenho do ovo Matérias-primas

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Editorial

A avicultura e suinocultura precisam se reinventar Como informou o AviSite no final do último mês, os três principais produtos da produção animal brasileira (boi, suíno e frango vivos) fecham o primeiro quadrimestre de 2018 com perdas que não são apenas mensais: repetem-se em um, dois ou três anos. O que significa que, pelo menos até aqui, enfrenta-se o pior desempenho do último quadriênio (isto, para não ir mais longe). Ainda segundo nossos analistas, não há muito a acrescentar, exceto observar que embora o quadrimestre tenha sido sofrível para os três produtos, o maior sofrimento recaiu (e continua recaindo) sobre os avicultores e suinocultores, pois suas duas principais matérias-primas permanecem em forte e contínua evolução de preços. A ponto de não só superarem mas também deixarem para trás a inflação, atualmente mais moderada. Como essa é uma situação que – tudo indica – veio para ficar, avicultura e suinocultura precisam se reinventar. Falando especificamente sobre a o mercado para a carne de frango, e para entender este cenário acima, vamos a alguns destaques apontados nesta edição por nossos analistas de mercado: - Os dados consolidados da SECEX/MDIC mostram que em março as exportações totais de carne de frango somaram 367,7 mil toneladas, resultado que superou as expectativas iniciais mas que, ainda assim, ficou quase 2% aquém do alcançado um ano atrás, em março de 2017. Em relação ao mês anterior, fevereiro de 2018 (mês mais curto) o aumento foi significativo, de quase 21%. Com tais resultados, o volume acumulado no primeiro trimestre do corrente exercício ficou – pela primeira vez nos últimos três anos – aquém do milhão de toneladas, recuando mais de 5% em relação ao mesmo trimestre de 2017. - A APINCO estimou, para março passado, uma produção de carne de frango próxima de 1,2 milhão de toneladas, resultado que significou aumento anual de 2,24% e o maior volume dos últimos 14 meses. Comparativamente ao mês anterior observou-se aumento nominal próximo de 11%. Mas como março é mês mais longo, o aumento real (isto é, considerada a produção diária) foi inferior a 0,1%. Com a produção mais recente, o total produzido no primeiro trimestre de 2018 ficou próximo dos 3,450 milhões de toneladas, resultado que representou estabilidade em relação ao mesmo período de 2017 (redução inferior a 0,1%) e a retração de 0,6% sobre o mesmo período de 2016. - Produção de pintos de corte: segundo nossos analistas destacam, a produção efetiva do bimestre inicial de 2018 ficou em 520,8 milhões/mês muito perto, portanto, do cenário apontado pela APINCO. Mas como as condições de mercado vêm sofrendo forte deterioração, talvez seja conveniente baixar ainda mais essa média. - Sobre as exportações de carne de frango, os dados consolidados da SECEX/MDIC apontam que em março as exportações totais do produto somaram 367,7 mil toneladas, resultado que ficou quase 2% aquém do alcançado um ano atrás, em março de 2017. Em relação ao mês anterior, fevereiro de 2018 o aumento foi significativo, de quase 21%. Com tais resultados, o volume acumulado no primeiro trimestre do corrente exercício ficou – pela primeira vez nos últimos três anos – aquém do milhão de toneladas, recuando mais de 5% em relação ao mesmo trimestre de 2017. Acompanhe estes e outros destaques na sua Revista do AviSite! Boa leitura!

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Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

ISSN 1983-0017 nº 121 | Ano X | Maio/2018

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

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As 8 notícias mais lidas no AviSite em Abril

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Frango vivo: desempenho em março e no 1º trimestre

Em março o ovo obteve o melhor preço de 2018

Em 1º de março, ao comentar os efeitos das baixas exportações, do fraco consumo interno e, na contramão, do aumento das matérias-primas sobre o mercado do frango, o AviSite observou que estava formada sobre o setor a tempestade perfeita.

Em março o ovo obteve o melhor preço de 2018. Ou, retrocedendo um pouco mais no tempo, a melhor remuneração desde setembro de 2017. E ninguém esperava que fosse diferente, pois, afinal, viviase o período de Quaresma.

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Pintos de corte: volume ainda crescente no 1º bimestre Depois de abrir 2018 com volume superior a 550 milhões de cabeças e um aumento de quase 4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em fevereiro foram produzidos perto de 485 milhões de pintos de corte, decréscimo de quase 2% em comparação a fevereiro de 2017.

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Frango se mantém, mas pode subir de posição na pauta cambial A carne de frango in natura fechou o primeiro trimestre de 2017 mantendo a mesma sétima posição para a qual retrocedeu no encerramento do primeiro bimestre. Permanece, assim, duas posições abaixo da ocupada em idêntico período de 2017.

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Desvalorização da carne de frango frente à carne bovina

2º melhor março da história nos embarques de frango

Dados do Procon-SP indicam que em 2017 o consumidor paulistano pagou pelo frango resfriado valor correspondente a menos de um terço do preço da carne bovina de segunda – mais exatamente, 32,54%.

Em março passado, dados da SECEX/MDIC, o Brasil exportou 350.429 toneladas de carne de frango in natura, resultado que significou aumento de 2,3% sobre março de 2017 e de 21,3% sobre o mês anterior, fevereiro de 2018. Esse foi o segundo melhor março da história das exportações do produto in natura.

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Baixas do frango chegam parcialmente ao varejo O frango vivo completou a décima terceira semana do ano – ou seja, o primeiro trimestre de 2018 – alcançando valor correspondente a 81,5% da cotação registrada na primeira semana do ano, ou seja, valendo 18,5% menos.

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Desempenho externo das carnes em março de 2018 Previstas em, no máximo, 500 mil toneladas, as exportações de março das carnes suína, bovina e de frango in natura superaram as expectativas e ultrapassaram a marca das 520 mil toneladas.

Há 10 anos no AviSite www.avisite.com.br

Campinas, 04/06/2008: Em 5 meses, receita cambial do frango ultrapassa US$2 bi Independentemente do resultado das exportações de carne de frango de maio passado ter sido inflado por “saldos” de abril, a realidade é que a receita cambial do ano já supera a marca dos US$2 bilhões e alcança, em apenas cinco meses, o triplo da receita cambial anual obtida 10 anos atrás (conforme a ABEF, US$752,9 milhões nos 12 meses de 1998). E – note-se – na receita atual ainda não estão computados os industrializados de frango e a carne de frango salgada, só o produto in natura. Ainda há quem não dê maior importância ao frango como gerador de receita cambial. Por isso é oportuno lembrar que a receita até aqui auferida pelo produto in natura corresponde a mais de 60% do que o Brasil obteve com o (mais valorizado do que nunca) petróleo. Ou, praticamente, à metade da receita alcançada com nosso principal item de exportação, o minério de ferro. Isso quer dizer que o produto fechou os cinco primeiros meses de 2008 como o quarto principal produto exportado pelo País, respondendo por 3,13% de toda a receita obtida pelo Brasil com as exportações. E por quase um décimo (9,23%) da receita obtida pelos produtos básicos. Produção Animal Avicultura

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Eventos

2018 Maio 16 e 17

35ª Conferência FACTA WPSA Brasil 2018 O tema do evento é: Avicultura 4.0: REDUÇÃO DE PERDAS, OTIMIZAÇÃO DE PROCESSO E MELHORIA DE PRODUTIVIDADE. A FACTA, alinhada com as necessidades do mercado nacional e internacional, sempre busca produzir e disseminar conhecimento técnico-científico de ponta nas áreas de maior demanda da avicultura, contando com o trabalho e o apoio de profissionais ligados às universidades, empresas e centros de pesquisa nacionais e internacionais. E com este valioso apoio é que a entidade promove a tecnologia e ciência avícola. Local: Campinas, SP Realização: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) Telefone: (19) 3243-6555 E-mail: facta@facta.org.br Site: www.facta.org.br

Junho 21

Avicultor 2018 O maior evento sobre avicultura de Minas Local: Praça Rui Barbosa, 104 Centro Belo Horizonte/MG Realização: Avimig/Sinpamig/Funamig Telefone: (31)3482-6403 E-mail: vimig@avimig.com.br Site: www.avimig.com.br/eventos.php

Julho 13 a 15

Festa do Ovo de Bastos Local: Bastos, SP Realização: Sindicato Rural de Bastos Informações: www.bastos.sp.gov.br/ noticia/925/58-festa-do-ovo 24 a 26

IX Encontro Técnico Unifrango Local: Maringá, PR Realização: Integra/ Sindiavipar Informações: ww.integra.agr.br/encontrotecnico

Setembro 12 a 14

Curso de Atualização em Avicultura de Postura Comercial Local: Unesp - Campus de Jaboticabal Realização: Unesp - Campus de Jaboticabal, SP

Outubro 16 a 18

VIII Clana – Congresso Latino Americano de Nutrição Animal Local: Centro de Eventos Expo D. Pedro – Campinas, SP Realização: CBNA e Amena Site: www.cbna.com.br/site/Noticias/Agenda

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IX Encontro Técnico Avícola espera 800 participantes em Maringá Evento que acontece bienalmente é considerado um dos mais importantes do calendário do setor Programado para o período de 24 a 26 de julho em Maringá (PR), o IX Encontro Técnico Avícola, cujas edições acontecem de dois em dois anos, está entre os mais importantes do calendário industrial avícola no país. A iniciativa é da Integra e do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná). A previsão dos organizadores é que ao menos 800 profissionais ligados ao setor, entre dirigentes e técnicos de empresas industriais, cooperativas, especialistas, produtores e outros interessados, participem da realização no amplo Centro de Eventos Vivaro (antigo Excellence), que já sediou edições anteriores. CONVIDADOS - O conteúdo está praticamente definido, faltando poucos detalhes, com uma grade de apresentações técnicas e debates, sendo que após a abertura oficial, marcada para às 18h do dia 24, haverá palestra sobre “O contexto econômico brasileiro” com o convidado especial, o cineasta, jornalista e escritor Arnaldo Jabor. No encerramento do Encontro, às 16h30 do dia 26, outro convidado especial, o publicitário, radialista e escritor José Luiz Tejon Megido, falará sobre “Os desafios do agronegócio brasileiro”. APRENDER - Considerado uma referência do agro nacional, Tejon Megido se diz “um apaixonado pelo conhecimento”. Para ele, “o que vai levar qualquer ser humano ao futuro é a capacidade que ele tem de aprender”. Nesse contexto, o IX Encontro Técnico Avícola em Maringá constitui oportunidade para uma proveitosa troca de ideias e reciclagem de conhecimentos e informações entre os representantes do setor.


Notícias Curtas Exportação

Exportação de frango em abril: dúvidas nos dados da SECEX

Aguardados como nunca por todos os segmentos ligados direta ou indiretamente ao setor, os dados relativos às exportação de carne de frango ontem divulgados pela SECEX /MDIC deixaram apenas dúvidas. Aparentemente há pertinência no volume exportado, mesmo que este tenha ficado aquém do que havia sido projetado para a totalidade do mês a partir dos embarques efetivados até a terceira semana de abril. Então, estimou-se que o total de produto in natura exportado no mês poderia chegar às 268 mil toneladas. Porém, de acordo com a SECEX /MDIC, o volume efetivo ficou em 252.046 toneladas, resultado que significa redução de 28% e 14% sobre, respectivamente, o mês anterior (350.429 toneladas em março/18) e o mesmo mês do ano passado (293.355 toneladas em abril/17). A interrogação é levantada em relação ao preço médio apontado para o mês: US$2.039,22 por tonelada, valor 33% e 23% superior aos registrados em março passado e

em abril de 2017. Seria ótimo se fosse verdade, mas esse valor foge totalmente aos registrados desde meados de 2014 para cá (quase quatro anos), período em que o produto in natura foi negociado por cerca de US$1.620,91/t, em média. Por sinal, o preço registrado em junho de 2014 foi muito similar ao que é agora apontado: US$2.028,71 por tonelada. Mas esse valor foi alcançado a partir de altas paulatinas iniciadas cinco meses antes. Ou seja: naquela ocasião, como em outras vezes anteriores, a valorização registrada foi obtida gradativamente, nunca se observando saltos repentinos como o atual. O volume caiu, mas como efeito da alta valorização no preço médio, a receita cambial apontada pela SECEX / MDIC aumentou mais de 25% - tanto em relação ao mês anterior como ao mesmo mês de 2017, atingindo valor próximo dos US$514 milhões. Mas fica a dúvida: será que o resultado é correto?

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Entrevista

O Avanço na produtividade avícola X crescimento de mercado Ainda há espaço para crescimento?

potencial da avicultura de corte no Brasil já é reconhecido internacionalmente. Por trás dele há muita ciência, pesquisa e um trabalho muito sério visando o crescimento da produção para acompanhar as possibilidades de mercado, tanto interna quanto externamente. Fomos conversar com Ariel Antônio Mendes, Diretor de Relações Institucionais da ABPA para entender um pouco mais deste processo e analisar o que a indústria ainda vislumbra para o crescimento. Segundo ele: “Hoje exportamos carne de frango para 160 países. São os mercados mais em alta e essa evolução permitiu que nos adequássemos às suas exigências. O Brasil é muito importante nesse processo evolutivo, o que se deve ao fato do país ser o maior exportador de aves do mundo”. Acompanhe na sequência, a entrevista exclusiva de Ariel Antônio Mendes à Revista do AviSite:

Ariel Antônio Mendes, Diretor de Relações Institucionais da ABPA

“Frequentemente o Brasil recebe visitas de mercados importadores para conhecerem nossas tecnologias, linhas de pesquisas e instalações. Toda cadeia produtiva se aprimorou e com ela vieram muitos benefícios”

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Quais os principais critérios que propiciaram o avanço na produtividade de frango na última década? O grande avanço na produtividade de frango na última década se deve a um conjunto de fatores, entre eles podemos destacar a ambiência, ou seja, instalações que fornecem um ambiente controlado, com sistema de ventilação, o que proporciona condições para o desenvolvimento genético dos frangos, baixo nível de estresse térmico e ganho peso. A nutrição das aves também avançou bastante, existe hoje, uma série de aditivos alimentares às rações como enzimas e probióticos que contribuem para a absorção de nutrientes, resistência ao crescimento de organismos patogênicos e melhora no trato intestinal. Com isso, o frango ganha mais peso e tem mais saúde. Para onde caminha a evolução produtiva? Essa evolução em nutrição e em genética vai continuar pelos próximos anos. O melhoramento genético contribui para o rendimento de partes nobres, velocidade de crescimento, eficiência alimentar e para eliminar patologias como peito amadeira-

do e estrias brancas. O processo em si ajuda a produzir uma carne de qualidade, é coerente com o meio ambiente e com o bem-estar animal. Para obter um crescimento que acompanhe o potencial genético da ave, a alimentação deve ser balanceada com nutrientes que atendam totalmente o que o frango precisa para desenvolver seu tecido ósseo, muscular, nervoso e adiposo. Principais linhas de pesquisa para a continuidade do avanço Com a proibição de antibióticos por vários mercados, torna-se necessário descobrir produtos que substituam o uso de antibióticos para melhorar a saúde do trato gastrointestinal das aves. Pesquisar novos aditivos nutricionais contribuirá não somente com o avanço, mas também para que não ocorra nenhuma regressão no controle de doenças, no desempenho metabólico e na saúde do frango. Dados estatísticos dessa evolução? Como era o frango há dez anos e como é hoje. (Peso, tempo até o abate) Nos anos 2000, levava-se em média 43 dias para o frango atingir 2,25kg (peso do abate) e eram neces-

O grande avanço na produtividade de frango na última década se deve a um conjunto de fatores, entre eles podemos destacar a ambiência e nutrição. Inclusive, existe hoje, uma série de aditivos alimentares às rações como enzimas e probióticos que contribuem para a absorção de nutrientes, resistência ao crescimento de organismos patogênicos e melhora no trato intestinal.

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Entrevista

Nos anos 2000, levava-se em média 43 dias para o frango atingir 2,25kg (peso do abate) e eram necessários 1,88 kg de ração para cada 1kg de ganho de peso. Hoje, o frango completa o ciclo de crescimento em 40 dias, atinge cerca de 2,4kg e consome 1,6kg de ração para cada 1kg de ganho de peso. 10

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sários 1,88 kg de ração para cada 1kg de ganho de peso. Hoje, o frango completa o ciclo de crescimento em 40 dias, atinge cerca de 2,4kg e consome 1,6kg de ração para cada 1kg de ganho de peso. Como essa evolução produtiva abriu portas para o mercado externo? Hoje exportamos carne de frango para 160 países. São os mercados mais em alta e essa evolução permitiu que nos adequássemos às suas exigências. O Brasil é muito importante nesse processo evolutivo, o que se deve ao fato do país ser o maior exportador de aves do mundo. Frequentemente o Brasil recebe visitas de mercados importadores para conhecerem nossas tecnologias, linhas

de pesquisas e instalações. Toda cadeia produtiva se aprimorou e com ela vieram muitos benefícios. Ainda existe espaço para melhorar ainda mais? Sim, ainda temos a barreira fisiológica. Ou seja, a fisiologia (sistema cardiorrespiratório) não acompanha o melhoramento genético, se não fosse isso o crescimento do frango até seu abate já seria de 30 dias. Mas, por segurança o ciclo leva 40 dias. Hoje, a tendência é produzir frangos mais pesados para otimizar o custo de produção, portanto, é necessário descobrir meios de melhorar também sua estrutura óssea para que ela possa suportar o ganho de peso sem comprometer a saúde e bem-estar do animal.


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Manejo

Layout da carga e o estresse térmico no transporte de frangos de corte

Esforços tem se concentrado em descobrir formas de se promover uma melhor ventilação no interior e ao longo da carga, em função da configuração das caixas na carroceira do caminhão. Autores: José Antonio Delfino Barbosa Filho1 e Daniel Gurgel Pinheiro2 1 - Professor do Dep. de Eng. Agrícola da Universidade Federal do Ceará Coordenador do NEAMBE – Núcleo de Estudos em Ambiência Agrícola e Bem-estar Animal - zkdelfino@gmail.com 2 – Doutorando em Eng. Agrícola pela Universidade Federal do Ceará - UFC

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á aproximadamente dez anos os pesquisadores da equipe de avicultura do Núcleo de Estudos em Ambiência Agrícola e Bem-estar Animal (NEAMBE) vêm testando mecanismos e técnicas com o objetivo de reduzir as perdas durante o pré-abate de frangos de corte. Neste tempo os estudos apontaram, por exemplo, que o método da pega pelo dorso (método japonês) é o que causa menos danos às aves, que carregar as aves de dentro do galpão até o caminhão em sacolas causa menos estresse aos animais, que caixas de transporte em boas condições são fundamentais para se evitar perdas durante a etapa do carregamento e que molhar a carga pode ser

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uma prática que poderá agravar as condições de estresse térmico durante o transporte. Dentre todas as etapas das operações pré-abate de frangos estudadas pelo grupo, a etapa do transporte sempre teve maior relevância, talvez por ser um campo ainda pouco explorado, ou por apresentar um maior desafio no sentido de acompanhar as viagens em condições reais de comércio, ou ainda por se tratar de uma etapa que praticamente vem sendo executada da mesma maneira há muitos anos. Assim, com relação aos estudos envolvendo o transporte de aves vivas, já foram obtidos resultados importantes tais como, por exemplo, a determi-

nação dos melhores turnos para se realizar as viagens, as regiões de maior concentração de calor (bolsões de calor) ao longo da carga, a melhor densidade de aves por caixa em função do tempo de transporte e etc. Atualmente as pesquisas do NEAMBE têm focado no layout e configuração da carga do caminhão, isso surgiu basicamente da necessidade de se entender melhor como a distribuição e o posicionamento das caixas interfere na circulação do ar no interior da carga. A partir daí, os esforços tem se concentrado em descobrir formas de se promover uma melhor ventilação no interior e ao longo da carga, em função da configuração das caixas na carroceira do caminhão. Para isso tem sido testados mecanismos de modificação do layout da carga para criar corredores de circulação de ar entre as caixas de frango, aproveitando o vento gerado durante o trajeto da viagem da granja até o abatedouro, a fim de evitar perdas (mortes) por estresse térmico. O uso de tecnologia na avicultura de corte é uma realidade atual. A busca de ambientes confortáveis e de formas de manejos mais eficientes que garantam o bem-estar das aves são uma constante, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. O setor avícola cresce e se desenvolve


de maneira acelerada e reduzir perdas e otimizar processos são vitais para a manutenção dos mercados, principalmente o externo. Diante disso o NEAMBE desenvolveu e patenteou dispositivos para modificar o layout da carga com o objetivo de criar “espaços” entre as caixas ao longo dos perfis transversal e longitudinal da mesma. Para o desenvolvimento destes dispositivos foram utilizadas técnicas avançadas de modelagem 3D, simulação computacional e prototipagem rápida (impressão 3D). Os protótipos dos dispositivos de modificação do layout da carga estão sendo testados em túnel de vento (circuito fechado) para validar os modelos virtuais e seguirão, posteriormente, para produção e testes em escala real. Os resultados obtidos até o momento nas simulações virtuais mostraram-se bastante promissores e, com a validação em escala real, tais dispositivos poderão vir a se tornar uma solução eficaz na redução do estresse térmico da carga durante o transporte de frangos de corte. Pensamos que estudos como este contribuirão para a redução das mortes e perdas na qualidade do produto final durante a etapa do transporte, bem como contribuirá para garantir melhores condições de bem-estar aos animais, ajudando assim a consolidar o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne de frango.

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Ciência e Pesquisa

Estudo desenvolvido na Esalq observa características de músculo de peito no DNA das aves O foco do trabalho são as CNVs, sequencias de DNA que podem ocorrer duplicadas ou deletadas em indivíduos de uma população, podendo ser responsável pela variação fenotípica em diversas espécies

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ma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal e Pastagens, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq), aprimora o conhecimento sobre a variabilidade genética da galinha e suas características para músculo de peito. O foco do trabalho, de autoria de Thaís Fernanda Godoy, são as CNVs, sequencias de DNA que podem ocorrer duplicadas ou deletadas em indivíduos de uma população, podendo ser responsável pela variação fenotípica em diversas espécies. Em humanos, CNVs vem sendo significativamente relacionada à diversas tipos de câncer, doença de Crohn, autismo, esquizofrenia, diabetes e obesidade. “Estudos realizados em frangos, além de identificarem estas variantes, também associaram à algumas características, tais como,

fenótipo da crista de ervilha, hiperpigmentação dérmica (coloração preta da pele), plumagem marrom escuro, atraso no desenvolvimento de penas e também à doença de Marek, que tem uma grande importância econômica na avicultura industrial”, conta a pesquisadora. Levando em consideração a importância desta variante no DNA e como ela pode alterar o fenótipo de diferentes espécies, o objetivo do trabalho foi identificar CNVs no genoma da galinha, caracterizar se foram variações herdadas ou novas (de novo CNVs), e associar estatisticamente as CNVs herdadas às características de músculos de peito, por ser um fenótipo muito importante na produção de frango de corte. Entre as CNVs herdadas identificadas na população de frango de corte, três foram significativamente associadas à característica de peso do peito, 24 CNVs

Thais: O foco do trabalho, de autoria de Thaís Fernanda Godoy, são as CNVs, sequencias de DNA que podem ocorrer duplicadas ou deletadas em indivíduos de uma população, podendo ser responsável pela variação fenotípica em diversas espécies.

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à característica de carne de peito e seis à característica de filé de peito. Uma destas CNVs foram significativamente associadas à todas as características analisadas e foi identificada sobreposta a um total de 26 genes codificadores de proteínas, dentre eles o gene MYL1 (Myosin Light Chain 1) que é expresso nas fibras rápidas do músculo esquelético. “O estudo aprimora o conhecimento sobre CNVs no genoma da galinha, especialmente sobre a distribuição das CNV herdadas e das de novo. Além disso, foi o primeiro estudo de associação de CNVs com características do músculo do peito, que é a parte mais importante parte da carcaça em frangos de corte. A melhor compreensão da provável relação entre CNVs e o desenvolvimento do músculo de peito pode futuramente auxiliar no melhoramento genético de frangos de corte”. A tese foi realizada no Programa de Ciência Animal e Pastagens, desenvolvida no Laboratório de Biotecnologia Animal da Esalq, sob a orientação do professor Luiz Lehmann Coutinho, do departamento de Zootecnia. Como objeto de estudo, foram utilizados animais de populações experimentais da Embrapa Suínos e Aves (Concórdia – SC), com colaboração da pesquisadora Mônica Corrêa Ledur. Contou ainda com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e parte da pesquisa foi desenvolvida na Universidade de Wageningen, na Holanda, a partir de aporte da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Na Holanda, Thaís teve orientação dos pesquisadores Martien A.M. Groenen e Richard P.M.A. Crooijmans.


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Evento

Simpósio Brasil Sul de Avicultura faz história em Chapecó em sua 19ª edição Evento teve participação recorde de público, com 1.5 mil participantes e mais de setenta empresas expositoras na Poultry Fair 16

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ealizado no último mês de Abril, o Simpósio Brasil Sul de Avicultura registrou o bom momento para a avicultura de corte. Organizado pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), mesmo em meio às difíceis situações enfrentadas no aspecto econômico e político do país, o evento demonstrou sua força e a avicultura apontou mais uma vez, assim como em 2017, que 2018 será um ano de grandes batalhas, mas com um cenário muito positivo. Os destaques ficaram por conta do excelente nível técnico das palestras, o recorde de público, com cerca de 1.5 mil participantes e a Poultry Fair, que contou com a parceria de mais setenta empresas. O início do evento tratou de um dos temas mais importantes não somente para a avicultura, mas também para qualquer setor produtivo: “Desafios em relação à qualidade de mão de obra frente às novas tecnologias e seus efeitos nos parâmetros produtivos”. Quem abordou o assun-


to foi Francisco Bersch, Médico Veterinário. “Ao ser convidado para falar sobre os desafios da mão de obra frente às novas tecnologias, as primeiras perguntas que me vem à mente são: porque implementar novas tecnologias? É unanimidade que devemos ir a novas tecnologias? E qual é esta tecnologia? Estas perguntas junto ao desafio da implementação deixaram-me inquieto, por isso procurei falar com vários atores desta longa e complexa, mas apaixonante cadeia de produção”, disse. “Procurei falar com todos, ou quase todos, os segmentos que de alguma forma têm um papel determinante neste processo; mais de 40 pessoas foram contatadas. Fui falar desde operários, (operadores que manejam galpões), técnicos em extensão, gerentes agropecuários, proprietários de empresa e fornecedores de equipamento, destacou. “A primeira grande pergunta foi: porque novas tecnologias? Para mim as respostas foram sempre enriquecedoras e obviamente motivadoras por participar desta cadeia, onde os desafios e oportunidades são constantes”, explicou. Bersch apontou que a tecnologia já é uma realidade. “Não tem outro caminho, sua velocidade e implementação serão de acordo com a viabilidade do negócio, projeto a projeto. Ainda há um desconhecimento muito grande da tecnologia, do princípio de funcionamento, do modo de operar, das condições técnicas da inFrancisco Bersch, Médico Veterinário

Lederson Lima, Médico Veterinário

fraestrutura, do projeto ideal por região, e o principal desafio, a mão de obra. Se estamos deficientes de mão de obra no modelo convencional, o desafio é mudar o perfil, criar um novo conceito e outro modelo de produção, com técnico de formação diferente à frente, com conhecimento mais amplo, multifuncional. E a viabilidade para isso, sem dúvida passa por produção em escala, só desta maneira a tecnologia chega mais rapidamente e a competitividade se mantem”, detalhou e completou. “Cabe a todos entender o papel de cada ator, participante desta cadeia, se colocar

no papel do outro para aumentar a velocidade de implementação desta tecnologia”, disse. Na sequência, o enfoque foi “Ambiência e a leis da termodinâmica, com o Médico Veterinário Lederson Lima. Ele destacou que o Brasil é um dos líderes mundiais em produção de proteína animal e a avicultura é a grande responsável. “Temos um diferencial na produção que são os custos competitivos e, principalmente, o status sanitário que mantemos ao longo dos anos. A genética e a nutrição avançam a passos largos em busca de melhores índices zootécnicos, porém o meio onde criamos os animais tem um papel decisivo nos resultados”, explicou. Em sua apresentação, ele explicou que, por meio da ambiência, se analisa as condições de temperatura, umidade relativa do ar, ventilação, luminosidade, exposição a gases, poeiras, níveis de ruídos, etc. do ambiente em que o animal encontra-se inserido. “Fizemos uma reflexão do comportamento do animal em relação a este meio, que a grande maioria dos casos está climatizada, ou seja, com controle de ambiência. As aves são animais homeotérmicos e no seu início de vida precisam de fonte de calor, pois além de não ter o seu sistema termorregulador desenA Revista do AviSite

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Evento

Christine Maziero Castro, Médica Veterinária da BRF

Ricardo Amorim, um dos economistas mais influentes do Brasil. Ele passou uma visão extremamente otimista do atual quadro econômico do país durante a abertura do SBSA 2018.

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A Revista do AviSite

volvido as perdas de calor são grandes em decorrência da relação superfície/peso corporal. Esta relação é muito importante, pois a área de contato com o ar em relação ao peso corporal é muito grande se comparados com a ave adulta”, afirmou. E para fechar as análises técnicas no primeiro dia do Simpósio Brasil de Avicultura, a convidada foi Christine Maziero Castro, Médica Veterinária da BRF. Ela falou sobre o “Manejo da cama aviária e os impactos na produção avícola”. Segundo ela, a cama de frango exerce papel de destaque na avicultura, pois está diretamente relacionada às condições de conforto e bem-estar das aves e consequentemente ao desempenho e qualidade da carcaça. “A cama consiste no material disposto no galpão para evitar o contato direto da ave com o piso, auxiliando a absorção de água, incorporação de fezes, urina e penas, bem como, a redução de oscilações de temperaturas no aviário. Sobre a cama a ave permanece praticamente 100% de sua vida, tendo apenas dois pequenos períodos sem contato com ela, que são o tempo que vai da eclosão no incubatório até a chegada ao aviário e o período do carregamento no aviário até a chegada à plataforma do abatedouro”, disse. “Neste contexto, a cama deve proporcionar o máximo de condições de conforto e bem-estar às aves para garantir toda a expressão do seu potencial genético. Os objetivos do uso da cama aviária são: favorecer a retenção de água e excretas; diluir as excretas, reduzindo o contato das aves com esta fonte de contaminação; isolar as aves, especialmente quando jovens, do frio induzido pelo piso; proteger as aves do contato com uma superfície dura e desconfortável”, detalhou a Médica Veterinária. De acordo com Christine, em praticamente todo seu ciclo de vida as aves estarão em contato direto com a cama. Por isso a escolha do material a ser utilizado para a composição da cama de frango é extremamente importante. “Uma boa escolha da cama também contribui para diminuir a incidência de lesões em regiões como peito, articulações e coxim plantar das aves, devendo possuir, entre suas características, capacidade de absorção e liberação de umidade, isolamento térmico, facilidade de obtenção e baixo custo. O material selecionado para ser utilizado como cama deve apresentar características específicas, tais como: ter boa capacidade higroscópica, ser rico em carbono (celulose e lignina), ter partículas de tamanho médio (material picado ou triturado), ter baixa condutividade térmica, liberar facilmente para o ar a umidade absorvida, ser tratado com mé-


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NOVO APLICATIVO DA NUTRIAD

Lanznaster, Presidente da Coopercentral Aurora, passou um amplo cenário para o mercado de grãos e sua influência no setor de produção de proteína animal.

todo físico (calor) para não servir de veículo de patógenos, ter baixo custo de aquisição e boa disponibilidade na região”, explicou. Concluindo, ela destacou que para que a utilização e reutilização da cama ocorram de maneira eficaz é necessário que sejam levados em consideração uma série de fatores, com destaque ao correto manejo de reuso no intervalo entre lotes e boas taxas de ventilação no decorrer do lote. “O correto manejo da cama aviária é fundamental para diminuir perdas econômicas, aumentar a produtividade e garantir o bem-estar animal. Independente do material escolhido e tratamento utilizado para reuso, as práticas de manejo adotadas devem ser capazes de controlar o nível de umidade, a produção de pó e amônia, exposição a agentes transmissores de doenças, prevenir a proliferação de insetos e reduzir a incidência de problemas locomotores e lesões. Sendo assim, a manutenção e conservação de uma boa qualidade de cama, desde o início do ciclo produtivo, auxilia consideravelmente no comportamento e bem estar dos animais e por consequência nos resultados e performance do lote”, encerrou Christine. Encerrando a noite do primeiro dia do SBSA, foi convidado para uma análise macroeconômica do país Ricardo Amorim, um dos economistas mais influentes do Brasil. Ele passou uma visão extremamente otimista do atual quadro econômico do país durante a abertura do SBSA 2018. "Os próximos anos serão de recuperação pois estamos vivendo um cenário macroeconômico de muitas oportunidades". Ele destacou também a possibilidade e novos nomes surgirem para as eleições deste ano. "Muito provavelmente teremos surpresas. Basta lembrar, como exemplo, que um ano antes de Donald Trump ganhar as eleições nos EUA muitos riam dessa possibilidade. Surpresas podem vir de onde menos se esperam e é grande a chance de alguém de fora da política despontar com força. Essa, inclusive, é uma tendência vivida pelos EUA e também na França, com Emmanuel Macron". Abrindo o segundo dia do evento, Mário Lanznaster, Presidente da Coopercentral Aurora, passou um amplo cenário para o mercado de grãos e sua influência no setor de produção de proteína animal. "As agroindústrias estão

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Evento

“A Tecnologia tem mudado o mundo, e com ela o consumidor também mudou. As marcas estão tendo que repensar como eles se envolver com e de mercado para o consumidor de hoje. Nossa apresentação no Simpósio Brasil Sul de Avicultura forneceu uma visão geral das tendências macro condução dessas mudanças e as implicações para manter a relevância da marca. O seu negócio é rentável hoje. Ele será daqui há cinco anos?” Joe DePippo, especialista em Business e Brands

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tentando comprar o milho mais barato e o produtor quer vendê-lo mais caro, ao preço de exportação. Essa é a nossa realidade atual e temos que nos conscientizar: quem quiser comprar milho terá de pagar um valor mais alto agora". Segundo dados apresentados por Lanznaster, na safra 2017/2018, o planeta cultivou com milho 184,4 milhões de hectares, levemente abaixo da safra anterior. O rendimento médio no mundo é de 5.650 kg/hectare (94,2 sacas). Os principais produtores são Estados Unidos, China e Brasil. A produção global chegará a 1,041 bilhão de toneladas. Os principais exportadores continuam Estados Unidos, Brasil e Argentina. Os principais importadores: União Europeia, México e Japão. “No Brasil, o mercado está relativamente tranquilo quanto ao volume de grão disponível, pois há um estoque de passagem de 20 milhões de toneladas. Os estoques reguladores estão repletos. Não há escassez no mercado mundial. Com 12,1 milhões de hectares cultivados na safrinha e cinco milhões de hectares na safra, a produção nacional total em 2018 ficará entre 92,3 milhões de toneladas (Conab) e 87,1 milhões de toneladas (agência Stone)”, disse. “O rendimento médio situa-se em torno de 5.230 kg/hectare (87,17 sacas). Os produtores, nesse momento, contabilizam preços praticados pelo mercado significativamente majorados nas últimas semanas. Mesmo assim, os produtores retêm os estoques, especulando por novas altas e reivindicam 40 reais a saca. Já está se tornando atrativo para as agroindústrias importar dos mercados mais próximos, como o Paraguai. Embalados na expectativa de aumento de preços, os produtores já estão semeando a safrinha – da qual se espera boa produção e produtividade. Esse milho começa a ser colhido em junho/julho, irrigando o mercado no segundo semestre e afastando qualquer ameaça de falta de produto”, explicou. Ainda segundo ele, ‘parece que tudo conspira para a volatilidade do mercado do milho’. “Na condição de maior importador de milho, Santa

Catarina obtém o cereal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, executando uma operação rodoviária com mais de 100 mil viagens ao ano em percursos de até 2.000 quilômetros, ligando o sul ao centro-oeste brasileiro. Apresenta-se, agora, um esforço de integração transfronteiriça entre Brasil, Argentina e Paraguai que permitirá a compra de milho paraguaio com a implantação do Corredor do Milho. O produto será adquirido nos Departamentos de Itapua e Alto Paraná (Paraguai), passará pelo porto paraguaio de Carlos Antonio Lopez, atravessará o rio Paraná em balsas, entrará em território argentino pelo porto de Sete de Agosto e seguirá até a divisa com o Brasil, sendo internalizado pelo porto seco de Dionísio Cerqueira. Essa é uma solução muito bem-vinda”, disse e concluiu: “Em resumo, os preços dos grãos estão atrativos e em viés de alta para os produtores. Essa posição, contudo, não deve se sustentar em razão do ingresso das novas safras no mercado e da eventual importação – caso seja exacerbada a retenção especulativa que se verifica hodiernamente”. Na apresentação “Uso racional de antimicrobianos e novas alternativas, Marisa Cardoso, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, FAVET – UFRGS, disse que na produção animal, os antimicrobianos são usados com propósito terapêutico, metafilático, profilático e como aditivos zootécnicos melhoradores de desempenho (promotores de crescimento). Nos três primeiros casos, o uso do antimicrobiano visa tratar ou prevenir uma doença bacteriana; os promotores de crescimento visam melhorar a eficiência de ganho de peso e a conversão alimentar. O uso de antimicrobianos como promotores de crescimento é o mais controverso, pois emprega doses sub-terapêuticas, que, por sua vez, propiciariam a seleção de populações bacterianas resistentes aos antimicrobianos. “Na atualidade, um dos temas que tem motivado maior polêmica diz respeito ao uso de antimicrobianos na produção animal como causa da seleção de cepas bacterianas resis-


tentes e sua disseminação, inclusive para humanos”, disse. Segundo ela, a resistência antimicrobiana pode ser classificada como natural ou adquirida. “A resistência natural ocorre quando há ausência de um processo metabólico influenciável pelo antimicrobiano, ou a presença de particularidade na morfologia bacteriana que impede a sua ação. A resistência adquirida é uma propriedade de um dado isolado, que pode ser desenvolvida devido à mutação no DNA ou pela aquisição de um gene de resistência”, afirmou. Ainda segundo a pesquisadora, à partir do surgimento desse isolado resistente, populações bacterianas inicialmente suscetíveis a determinado antimicrobiano podem tornar-se resistentes, geralmente após seleção resultante do uso do princípio ativo. “O foco das discussões é a resistência adquirida e a disseminação dos determinantes genéticos que transformam uma cepa anteriormente suscetível em resistente. A disseminação para humanos de cepas resistentes e dos determinantes genéticos de resistência a antimicrobianos selecionados na produção

Marisa Cardoso, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, FAVET – UFRG

animal ocorreria: diretamente do animal para o humano em contato (trabalhadores rurais, por exemplo); pela cadeia de produção de alimentos (espécies bacterianas patogênicas ou comensais resistentes contaminando alimentos); ou pela liberação de cepas resistentes no ambiente (carreados por dejetos e resíduos da produção animal.

A preocupação com o aumento de resistência a antimicrobianos é mundial e abrange a medicina humana e animal. É consenso que a solução do problema será possível apenas com uma abordagem de Saúde Única (One Health), ou seja, na interface humano-animal-ambiente”, finalizou.

Eficiência alimentar em foco O conceito de eficiência alimentar também esteve em destaque no SBSA, com a palestra do nutricionista Rafael Senz. "Nutrição, manejo, sanidade, instalações e a genética são fatores que compõe a evolução da avicultura. Porém, afirmo que a ambiência é o principal fator nutricional da granja. O produtor precisa ter a máxima atenção em onde estão sendo colocadas as aves e a nutrição. Definir uma boa curva de consumo também é fundamental", definiu o nutricionista. De acordo com Senz: “Temos que sempre buscar a melhor eficiência alimentar possível, mas sempre

com base no melhor custo do frango na plataforma. Do ponto de vista nutricional, sempre se espera que haja uma solução para um problema ou uma possibilidade de melhoria. Muitas vezes se espera que aumentando os níveis nutricionais simplesmente se resolvem os problemas de desempenho. Será que em algumas situações o melhor não é reduzir os níveis? O importante é trabalhar bem a rotina, garantindo a qualidade dos ingredientes e um bom processamento da ração. Não é preciso inventar nada de novo todos os dias para se obter os melhores indicadores. Garanta o básico que o resultado aparece”, disse

Rafael Senz, Nutricionista: Temos que sempre buscar a melhor eficiência alimentar possível, mas sempre com base no melhor custo do frango na plataforma” A Revista do AviSite

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Evento

Novos conceitos e práticas após restrições ao uso de antibióticos. A experiência européia

Niewold: É realmente possível reduzir drasticamente o uso de antibióticos na produção animal

“Em primeiro lugar, na minha opinião, a redução do uso de antibióticos é uma coisa boa. Além das preocupações sobre o aumento da resistência humana, acredito que os antibióticos na forma de promotores de crescimento ou uso terapêutico têm sido frequentemente utilizados para compensar a má gestão e outras práticas abaixo do padrão. O avanço nesta questão é apenas possível se essas questões forem resolvidas em definitivo ao invés de somente serem tratadas de forma paliativas. As tetraciclinas ainda são, de longe, o antibiótico mais popular na UE. Provavelmente não é coincidência que estes últimos também te-

nham um efeito antiinflamatório bem estabelecido). Além disso, a supressão da inflamação pode prevenir surtos de certas doenças como a enterite necrótica, uma vez que a inflamação parece ser uma predisposição fator para a última condição. Para concluir, na minha opinião, é realmente possível reduzir drasticamente o uso de antibióticos na produção animal. Uma transição bem-sucedida para reduzir o uso depende da melhora concomitante na prática geral, incluindo o manejo. Além disso, alternativas aos antibióticos também poderiam contribuir, desde que sejam antiinflamatórias”.

Cobb-Vantress promove palestra sobre novo produto durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Público presente acompanha a palestra de Marcus Briganó, gerente de Serviços e Pesquisa da Cobb para a América do Sul. A Cobb-Vantress, promoveu durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) uma palestra especial a respeito de seu novo produto, o Macho MV. No evento, o gerente de Serviços e Pesquisa da Cobb para a América do Sul, Marcus Briganó, abordou “Pontos críticos no manejo para obter melhores resultados com o frango MV”. O novo produto foi lançado, no Brasil, em março de

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2017, e apresenta excelentes índices de conversão alimentar, ganho de peso e rusticidade. “Compartilhei com os participantes os primeiros comportamentos do Frango Cobb proveniente do Macho MV, assim como métodos e manejos para extrair os máximos resultados desse produto em nível de campo”, afirma Briganó. Durante a palestra, o especialista

esclareceu dúvidas com relação ao potencial da linhagem Cobb. “Mudanças no produto sempre trazem algumas dúvidas. Acredito que a apresentação tenha respondido algumas perguntas de produtores e profissionais, assegurando que nossos clientes estão abastecidos com o melhor produto que está disponível no mercado, fruto de grandes investimentos em tecnologia, desempenho e qualidade”, comentou.


BioCamp promove debate sobre inclusão de probióticos in ovo

Vanessa Barbosa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Jacqueline Boldrin de Paiva, da BioCamp A BioCamp promoveu durante o SBSA um debate sobre o uso de probióticos ainda durante a fase de ovo. O encontro destacou o crescimento desta tendência. Participaram Vanessa Barbosa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Jacqueline Boldrin de Paiva (BioCamp). Uma nutrição eficiente é capaz de promover a imuni-

dade contra salmonelas? Um futuro? Tendência? Segundo Jacqueline, já é uma realidade. “O Brasil está cada vez mais se adequando a esse processo de ‘invasão tecnológica’ durante a incubação, período decisivo para o restante de vida da ave e seu melhor aproveitamento zootécnico”, disse.

De acordo com Vanessa, essa é uma tendência que veio para ficar. “Daqui para frente ganhará cada vez mais espaço uma nutrição precoce, um ponto-chave para a melhoria do frango”, destacou. Para Ivan Lee, Diretor da BioCamp, o uso de probióticos é crescente em nível mundial. “Nós realizamos uma série de pesquisas em parceria com a UFBA. Em dois experimentos, foram analisados 5 mil ovos em cada um, com índice de sucesso enorme, com essa nova tecnologia, o que tem embasado nosso trabalho no campo”, apontou. A BioCamp já trabalha com essa tecnologia, com o Colostrum Bio 21 Líquido, probiótico para aves. Segundo a empresa , ele é uma inovação mundial na aplicação de probióticos in ovo, com maior número de cepas bacterianas dentre os probióticos de flora definida, promovendo a saúde intestinal.

A Metagenômica e as novas ferramentas par a tomada de decisões para a saúde intestinal A microbiota intestinal é composta de bactérias, fungos, protozoários, vírus e etc. As bactérias são os microrganismos predominantes, atingindo densidades da ordem de 1014 células por mililitro de conteúdo luminal. É o que apontou o biólogo Mariano Fernandez Miyakawa durante sua apresentação no SBSA. Segundo ele, a saúde intestinal depende de uma rede altamente complexa de interações entre membros da microbiota, as funções bioquímicas do hospedeiro e os componentes da dieta. Miyakawa destaca que por muitos anos, o diagnóstico de doenças e o monitoramento da saúde intestinal baseou-se principalmente em técnicas de cultura, embora apenas uma fração minoritária dos microrganismos que compõem a microbiota são cultiváveis (0,1-1,0%). “A microbiota do trato intestinal desempenha um papel importante na digestão alimentos, e é importante para o sistema imunológico e a

saúde dos animais. O paradigma do cultivo puro não apenas limitou o que os microbiologistas estudaram, também limitou a maneira como eles pensam sobre os micróbios. Os micróbios foram estudados como entidades soberanas e foram examinados apenas por suas respostas a produtos químicos simples que podem ser adicionados. Sabemos pouco sobre o seu comportamento no contexto do ecossistema gastrointestinal”, disse. Miyakawa destacou ainda que avanços recentes em tecnologias e novas ferramentas de sequenciamento baseadas em técnicas moleculares oferecem metodologias rápidas e robustas para o estudo das comunidades microbianas como um todo. “Estas ferramentas irão melhorar a nossa capacidade de estudar o efeito de componentes da dieta em saúde animal, nutrição e produtividade, contribuinte para a produção sustentável de alimentos”, detalhou.

Mariano Fernandez Miyakawa, biólogo

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Evento

Tratamento térmico das rações em análise durante o SBSA

Antonio Klein, Engenheiro Agrônomo e Administrador de Empresas, durante sua apresentação no SBSA Tratamento térmico é alterar fisicamente a nutrição: transformar a ração farelada em grânulos/pellets. Os principais benefícios desta alteração são: maior facilidade a apreensão, prejudicar menos o aparelho digestivo e respiratório e gerar menos desperdícios por pó.

Esse foi um dos tópicos tratados por Antonio Klein, Engenheiro Agrônomo e Administrador de Empresas, em sua apresentação no SBSA, “Tratamento térmico: impacto do tratamento térmico e dos processos subsequentes sobre nutrientes, a microbiologia e a qualidade física da ração”.

Klein explica que quanto maior a intensidade das variáveis usadas nos tratamentos térmicos melhor será a qualidade dos pellets, maior a chance de reduzir/eliminar microrganismos, mas em contrapartida maior o risco de danificar os nutrientes. “Desta forma, a questão chave é encontrar o equilíbrio no uso das variáveis e assim entre possibilidades de ganho e riscos de perda. Neste sentido, apesar das dúvidas e não termos como provar cientificamente todas as recomendações de forma tácita, nos propomos nesta revisão, com base nos trabalhos científicos, conhecimentos práticos e informações colhidas nas empresas durante as nossas consultorias, passar algumas orientações e referências operacionais para os processos de peletização e de expansão”, explicou. “Um dos maiores desafios da indústria de rações do Brasil, em termos de processamento, são os tratamentos térmicos. A indústria brasileira trata ou maneja de forma bem diferente os tratamentos térmicos e de forma especial a qualidade física das rações, quando comparado com o resto da América Latina e da Europa. Tudo indica que temos, neste quesito, grandes oportunidades e ao mesmo tempo grandes desafios. As oportunidades estão no fato de melhorar e manter a qualidade física das rações até o comedouro das aves”, afirmou Klein.

Salmoneloses – controle e resultados práticos na Europa As infecções por Salmonella entérica são o segundo vírus mais prevalente em doenças humanas na União Europeia, sendo responsável por importantes doenças, perda de produtividade e mortalidade. No mais recente relatório oficial sobre doenças zoonóticas dos seres humanos na União Europeia a partir de 2016, a salmonelose foi relatada com 94.530 casos humanos confirmados (20,4 casos / 100.000 habitantes).

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É o que explicou o pesquisador dinamarquês Mogens Madsen em sua apresentação do SBSA. Segundo ele, Salmonella é difundida em animais selvagens e domésticos e aves comerciais pode ser grandes hospedeiros. “Quando os plantéis são infectados, a Salmonella é geralmente verificada de forma assintomática no trato gastrointestinal das aves e pode consequentemente, ser transferida para carcaças por

contaminação fecal e sua propagação pode ocorrer durante o processamento devido à contaminação cruzada”, disse. “Nesta apresentação, abordamos o conhecimento atual sobre Salmonella, que foi discutido com uma visão particular dos fatores de risco e opções de controle para a indústria avícola, incluindo legislação e práticas relevantes aplicadas na União Europeia”, afirmou.


Inter-relação de desempenho da sanidade e fatores extrínsecos sobre a saúde intestinal “A microbiota intestinal representa a multiplicidade de microorganismos residindo no intestino e é parte integrante de múltiplos processos fisiológicos da ave. A microflora intestinal, juntamente com outros fatores ambientais, como dieta e estresse, podem desempenhar um papel central tanto na imunidade quanto na fisiologia nutricional equilíbrio. A resposta imune e o metabolismo de nutrientes são dois fatores biológicos fundamentais e indispensáveis para manter e preservar a vida. Cada um desses sistemas é capaz de modular a atividade do outro para garantir que a ave seja capaz de coordenar as respostas apropriadas sob quaisquer condições”. Michael Kogut, Microbiologista do USDA

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Evento

Salmoneloses aviárias e saúde pública Infecções humanas por salmonela continuam a representar objeto de preocupação em todo o mundo, sendo um fardo econômico tanto nos países industrializados quanto nos emergentes, em face aos custos associados à vigilância, prevenção e tratamento das infecções. Entre elas, o quadro gastroentérico é a manifestação mais comum em todo o mundo, seguida da febre tifoide e bacteremia. Este foi um dos enfoques da bióloga Dalia dos Prazeres Rodrigues, em sua apresentação “Salmoneloses aviárias e saúde pública” no SBSA. Segundo ela e de acordo com o Escritório Internacional de Epizootias, as aves são capazes de transmitir a doença para o homem e outros animais, bem como contaminarem alimentos por contato direto e indireto, representando um dos mais importantes reservatórios. “Atualmente essas salmonelas são os principais agentes em surtos de doenças transmitidas por alimentos, onde os produtos de origem animal são os maiores responsáveis pela distribuição mundial das salmoneloses, res-

ponsáveis por significantes índices de morbidade e mortalidade, tanto nos países emergentes como desenvolvidos”, disse e completou: “Entre eles a carne de frango, ovos e seus subprodutos são consumidos por todas as classes sociais, portanto considerados veiculadores de numerosos sorovares envolvidos em infecções humanas. A carne de aves tem se convertido em um alimento amplamente consumido mundialmente e em países emergentes, entre eles o Brasil, representa fonte relativamente barata de proteína de boa qualidade, cuja produção em grande escala é mais fácil que a de outros animais empregados como alimento. A contaminação do alimento pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva, inclusive durante seu preparo final pelo consumidor. Embora a indústria tenha introduzido novas formas de controle em todos os estágios da produção, incluindo o rastreamento de patógenos nas diferentes etapas da cadeia produtiva, as estratégias requerem uma abordagem que vai do criador ao consumidor, requisitos

A contaminação do alimento pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva, inclusive durante seu preparo final pelo consumidor

de qualidade, ditados tanto pelo mercado interno de cada país, quanto pelos principais mercados internacionais”.

Similaridade Genética de Escherichia coli patogênica para aves (APEC) com estirpes humanas e a resistência antimicrobiana justificam a preocupação sanitária em relação aos produtos de origem aviária? Estirpes de E. coli virulentas, com perfil de resistência múltipla, são consideradas emergentes em vários países. A monitoria e o controle destas infecções envolvem diretamente a classe veterinária. Segundo a pesquisadora Terezinha Knöbl durante o SBSA, o uso racional de antibióticos será um desafio das novas gerações e a percepção que o consumidor fará destas informações é de extrema importância. “Alguns equívocos de interpretação sobre o modo intensivo de produção de proteí-

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na de origem animal no passado resultaram na rejeição de produtos de origem aviária por parte de consumidores europeus, gerando prejuízos indiretos e incalculáveis em função da queda de consumo de carnes e ovos”, disse. De acordo com Terezinha, novos estudos são necessários para esclarecer o potencial zoonótico da APEC. “O uso de técnicas moleculares como AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphisms), ERIC-PCR (Enterobacterial Repetitive Interge-

nic Consensus PCR), RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e MSLT (Multilocus Sequencing Typing) podem auxiliar na compreensão epidemiológica e nas pesquisas sobre variabilidade clonal”, explicou. Terezinha Knöbl afirma que muitas pesquisas estão sendo desenvolvidas no sentido de produzir vacinas de subunidades, deletadas, atenuadas e recombinantes que sejam consideradas eficazes, mas também seguras. “É provável que em


um futuro próximo os mercados de vacinas e de desinfetantes apresentem novos produtos que auxiliem no controle destas infecções. Também é factível que nos próximos anos aumente o rigor em relação ao uso de medicamentos antimicrobianos nas criações animais. Os profissionais veterinários devem estar preparados para diagnosticar, tratar e prevenir as infecções de aves por APEC, com vistas à produção de um alimento seguro. Ao produtor cabe o desafio de melhorar o manejo, a higiene das instalações e implantar normas de biosseguridade para diminuir os prejuízos econômicos e os riscos sanitários. Um controle global de resistência antimicrobiana envolve a prática de saúde única, com estratégias nas áreas humana, animal e ambiental”, afirmou.

A pesquisadora Terezinha Knöbl durante o SBSA

Rodrigo Santana Toledo, Presidente do Nucleovet, enaltece importância do SBSA para a avicultura

Rodrigo Santana Toledo, Presidente do Nucleovet, entidade organizadora do SBSA

“O Simpósio Brasil Sul é um evento feito por toda a cadeia produtiva. Daí vem o seu sucesso. Estamos sempre procurando inovar e acompanhar o dinamismo da atividade avícola. Ficamos muito felizes pelo reconhecimento do público,

um recorde com mais de mil inscritos”. Quem disse a frase acima foi Rodrigo Santana Toledo, Presidente do Nucleovet, entidade organizadora do SBSA. Para Toledo, o SBSA já é um evento consolidado, sendo realizada em 2018 sua 19ª edição. “O seu diferencial também é a sua comissão organizadora, composta somente por voluntários, profissionais engajados na avicultura e profundamente conhecedores da atividade”, apontou. “Entrei no Nucleovet em 2008, ou seja, dez anos atrás, vindo de Viçosa, em Minas Gerais. Participei da última edição feita ainda no Hotel Lang. Naquela época, de fato, não dava para imaginar a grandeza que se tornaria o SBSA dez anos depois e sua importância para o desenvolvimento da avicultura brasileira. Aproveito para agradecer a todos que estiveram presentes, às empresas parceiras e tenham a certeza que o Nucleovet continuará trabalhando para o desenvolvimento da avicultura e para a melhoria do SBSA”, explicou. A Revista do AviSite

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Evento

Confira algumas imagens do Simpรณsio Brasil Sul de Avicultura

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Ciência e Pesquisa

Peptidoglicanos: quais seus efeitos em frangos de corte?

Peptidoglicanos são os principais componentes de paredes celulares bacterianas Autores: Luiz Felipe Caron1; Breno C.B. Beirão2; Max Ingberman2; Vitor B. Fascina3 1-Universidade Federal do Paraná – UFPR; 2-Imunova Análises Biológicas; 3-DSM Produtos Nutricionais

A

avicultura atual apresentou grandes evoluções nos campos nutricionais, de manejo, sanitário e genéticos que proporcionaram às indústrias apresentarem números de desempenho animal incríveis. Entretanto, para se explorar ao máximo o potencial genético de frangos de corte é necessário atentar-se cada vez mais fatores até

hoje desconhecidos, como por exemplo as interações nutricionais, sanitárias e de manejo sobre a microbiota intestinal e como estas afetam o desempenho de frangos. Durante o processo natural de formação e evolução da microbiota intestinal e em processos de disbacterioses, mudanças de populações e turnover bacterianos provocam naturalmente

Figura 1 – Estrutura dos peptidoglicanos. Estes são grandes polímeros compostos por N-acetilglucosamina (GlcNAc) e ácido N-acetilmurâmico (MurNAc) (representados pelos hexágonos) que estão ligados entre si por peptídeos (representados pelos círculos)

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uma grande quantidade de morte de bactérias e renovação de suas camadas protetoras na geração de novas colônias. Este fenômeno implica na liberação de fragmentos de paredes celulares bacterianos dentre os quais os mais importantes são os lipopolissacarídeos (LPS) de bactérias gram-negativas e os peptidoglicanos (PGNs), majoritariamente em bactérias gram-positivas. De maneira geral, os PGNs de bactérias saprófitas e benéficas do intestino não causam doenças nas aves. Contudo, os fragmentos de PGNs permanecem no intestino dificultando uma melhor resposta em desempenho, por atrapalhar a absorção dos nutrientes. Apesar dos PGNs serem componentes das paredes celulares essenciais para o sobrevivência das bactérias, eles reduzem o desempenho e lucratividade de frangos de corte. O que são peptidoglicanos? Peptidoglicanos são os principais componentes de paredes celulares bacterianas (Pinho et al., 2013). Essas moléculas são polímeros muito extensos, compostos por cadeias dos carboidratos N-acetilglucosamina (GlcNAc) e ácido N-acetilmurâmico (MurNAc). As cadeias são ligadas entre si por pequenas pontes peptídicas, de 4 ou 5 aminoácidos (Figura 1).


Prevalência dos Peptidoglicanos Os PGNs são liberados no trato gastrointestinal (TGI) durante a morte celular e também na geração e multiplicação da população bacteriana, pois aproximadamente 50% da liberação de PGNs advém da replicação bacteriana e, parte desta liberação pode ser reutilizada pela própria célula para seu crescimento. As bactérias Gram-positivas são predominantes no TGI. Em uma avaliação de microbioma intestinal de perus, 77% das bactérias eram gram-positivas, em suínos este percentual foi de 70%. Uma vez que existe este grande percentual de bactérias Gram-positivas no TGI, o conteúdo de PGNs também é predominante e pode ser quantificado nas fezes, onde encontrar-se até 34% de bactérias mortas ricas em PGNs. Sobre a quantidade de PGNs liberados pelas bactérias, alguns estudos in vitro demonstraram que 24 horas de geração (multiplicação) de uma população bacteriana Gram positiva a relação de bactérias vivas e debris celulares é de 1,2 : 1 de com 96 horas esta relação é de 0,45 o que mostra o grande percentual de peptidoglicanos que estarão livres no TGI.

Diferenciação de peptidoglicanos e lipopolissacarídeos A parede das bactérias Gram-negativas é composta por uma fina camada de PGNs coberta por uma membrana externa, que contém um componente denominado de lipopolissacarídeo, já a parede das bactérias Gram-positivas, ao contrário, contém uma espessa camada de PGNs, no qual possuem também em sua constituição moléculas de ácido tecóico ou lipotecóico (Figura 2). Tanto o LPS quanto os ácidos tecóicos e lipotecóicos têm um forte potencial de desencadear distúrbios no TGI, pela ativação do sistema imune e também por seu potencial em induzirem efeitos em outros tecidos. Quando a quantidade de LPS ou de ácidos tecóicos é muito alta, ou quando essas moléculas entram na circulação, a ativação imune que se segue é dramáti-

Figura 2 – Diferenças entre as paredes de bactérias Gram-positivas (acima) e Gram-negativas (abaixo) ca, com vasodilatação excessiva e recrutamento de células imunes em demasia. Os PGNs, por sua vez, são incapazes de induzir repostas imunes tão intensas, mesmo que adentrem a circulação sanguínea. No caso de translocação de PGNs para a circulação sanguínea, pode ocorrer a produção de citocinas como o fator de necrose tumoral-α (TNF-α). As característica endotóxicas dos PGNs ocorrem em combinação com os ácidos tecóicos. Ademais, os PGNs são intensos coestimuladores do LPS aumentando cada vez mais a resposta imune.

deiras, denominados de NOD-1 e NOD-2. Este é o mecanismo que permite que células epiteliais nas mucosas possam demonstrar ao sistema imune a invasão por bactérias. Deste modo, os receptores NOD são capazes de identificar infecções de quaisquer bactérias intracelulares, sejam elas Gram-positivas ou negativas. A ativação dos receptores NOD pelos PGNs tem amplas consequências, que vão além da ativação das células da imunidade inata. Nos locais da mucosa onde há forte ativação de NOD por PGNs, há a indução da formação de sítios linfoides localizados.

Efeitos sobre imunidade

Considerações Finais

Assim como ocorre em relação a outros componentes bacterianos, o sistema imune desenvolveu mecanismos para o reconhecimento dos PGNs, que se dá através dos receptores semelhantes ao Toll-2 (TLR-2, da sigla em inglês) associados às células do sistema imune inato, como os macrófagos e heterófilos. Vários tecidos e células são capazes de reconhecer a invasão intracelular de bactérias por meio de outros receptores que se ligam aos PGNs encontrados no citoplasma das células hospe-

A presença de peptidoglicanos livres em grandes quantidades no lúmen intestinal promovem respostas indesejáveis com o aumento da produção de citocinas que trazem consequências negativas no trato gastrintestinal resultando em menor capacidade de absorção de nutrientes e aumento do turnover celular. Sua redução no conteúdo intestinal se faz importante, pois reduz o custo de manutenção do sistema imune no intestino e o gasto energético na renovação celular contribuindo para a melhor funcionalidade do trato gastrintestinal. A Revista do AviSite

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Saúde Animal

Citometria de fluxo como ferramenta para avaliação do sistema imune de aves Conhecendo o sistema imune pelos seus fenótipos celulares

Autor: Atílio Sersun Calefi, USP

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Os diferentes patógenos, com suas constituições particulares, mobilizam fenótipos específicos de células do sistema imune 32

A Revista do AviSite

uando se fala em saúde animal, a primeira expressão que nos vem à mente é: sistema imune. Este sistema tão discutido na atualidade pode promover o aumento da produtividade, resistência a processos infecciosos, além de contribuir ao bem-estar animal. Tendo em vista o sistema imune, muitos produtos são lançados no mercado e utilizados como imunomoduladores, imunoestimulantes ou imunoprotetores visando a melhora produtiva. No entanto, a comprovação dos efeitos diretos de alguns produtos sobre o sistema imune só pode ser comprovada por meio de estudos que avaliem os efeitos daqueles sobre o sistema imune. De forma geral, o sistema imune é dividido de forma didática em um componente humoral (por ex. anticorpos) ou celular (por ex. linfócitos e macrófagos). Embora esta divisão seja feita para o melhor entendimento dos processos imunes, o sistema imune funciona de forma dinâmica entre seus componentes, e ainda interage com outros sistemas, como por exemplo o sistema nervoso. Essa complexidade do sistema imune também se reflete em nível microscópico. A diversidade de respostas imunes se dá devido às

diferentes características fenotípicas celulares (diferentes receptores e proteínas produzidas pela célula) e as intricadas relações destas subpopulações de leucócitos. Desta forma, na prática, o termo imunossupressão têm se mostrado impreciso, sendo que muitas vezes o que encontramos é a imunomodulação, caracterizada pelo direcionamento na produção de diferentes fenótipos celulares – como exemplo os linfócitos CD4+ ou CD8+ – o que por sua vez favorece o desenvolvimento de alguns processos infecciosos, embora possa proteger contra outros. Como exemplo podemos citar o estresse crônico predispondo a migração da Salmonella em frangos de corte e por outro lado, o estresse agudo (contenção física breve) durante o processo de vacinação se faz importante na melhora da resposta vacinal. Os diferentes patógenos, com suas constituições particulares, mobilizam fenótipos específicos de células do sistema imune. O conhecimento desta dinâmica pode indicar possíveis resistências a processos infecciosos, e ser explorado como vias de atuação de produtos para a produção de vacinas mais eficazes. Estas variações entre os diferentes subtipos de células do sistema imu-


Figura 1: Fluxo do processamento das amostras até a obtenção dos resultados por citometria de fluxo. 1 – coleta e processamento dos tecidos a serem avaliados por citometria de fluxo; 2 – passagem das amostras no equipamento citômetro de fluxo; 3 – aquisição dos eventos presente nas amostras, ou seja, obtenção dos dados brutos sobre marcação dos componentes celulares e característica das células; 4 – transformação dos dados lidos no equipamento em informações acessíveis no computador; 5 – visualização dos dados de aquisição em gráficos; 6 – processamento dos dados brutos e obtenção dos resultados finais.

ne (fenótipos) acontecem em praticamente todos os sistemas orgânicos da ave. Neste ponto, uma pergunta que podem estar se fazendo é: como estudar os diferentes fenótipos de células do sistema imune? Uma das principais técnicas é a citometria de fluxo. Esta técnica possibilita avaliar célula a célula, quais são seus receptores ou proteínas intracelulares. Com a utilização de moléculas fluorescentes, proteínas como CD4 ou CD8 são marcadas e identificadas pelo sistema do equipamento. Esta técnica permite avaliar milhares de células em poucos minutos e temos uma resposta rápi-

da de quais são os fenótipos celulares da amostra avaliada (Figura 1). Diversos tecidos podem ser avaliados, desde sangue, fígado, pulmão, baço, Bursa de Fabricius, timo e até mesmo cérebro. O novo panorama avícola exige respostas precisas dos produtos empregados e necessita que seja elucidado o mecanismo pelo qual o sistema imune mantém a saúde animal e protege a ave contra os desafios infecciosos. Desta forma, técnicas como a citometria de fluxo corroboram para esclarecer e aprofundar os conhecimentos em imunologia na avicultura. A Revista do AviSite

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Mercado internacional

Empresas buscam certificado halal para ampliar mercado

Autenticação é exigida na exportação por países muçulmanos de acordo com as leis islâmicas 34 A Revista do AviSite


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Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne bovina e segundo maior de frangos, além de ser líder na comercialização de carnes Halal, método de corte diferenciado de acordo com as leis islâmicas. Em um mercado que atinge ¼ da população mundial, o consumo destes produtos que exigem o certificado halal cresce diariamente e segundo levantamento realizado pelo instituto americano Pew Research Center, a população de muçulmanos crescerá 73% entre 2010 e 2050. Atualmente, há em torno de 1,8 bilhão de islâmicos. Halal significa lícito, permitido. Ou seja, qualquer alimento, sucos, fármaco, produtos, etc para atender à comunidade muçulmana precisa desta certificação. Não são considerados alimentos halal, carne suína e derivados, qualquer incidência de álcool, animais abatidos de forma imprópria e que desrespeitam as leis religiosas. No caso de carne, há toda uma técnica que deve ser respeitada, para que possa ser consumida. Em frigoríficos, por exemplo, são necessárias algumas condições: o abate deve ser efetuado por um muçulmano; a face do animal deve estar voltada para a Meca; o sangue precisa ser extraído da carcaça para evitar contaminação; deve ser uma morte rápida para evitar sofrimento ao animal, além de uma higienização perfeita. Tanto o processo de abate como o de transporte (do congelamento ao carregamento) são fiscalizados por auditores ou supervisores muçulmanos para certificar sua eficiência e cumprimento das normas. É importante que o abate halal tenha um local próprio e separado para evitar contaminação com outros tipos de carne (suína, por exemplo). As empresas interessadas em exportar seus produtos – carnes, doces, sucos, ração para animais, entre outros - para as comunidades muçulmanas devem procurar uma empresa especializada que emita o certificado halal. O auditor da Cdial Halal, empre-

sa que atua no mercado há mais de 30 anos, sendo a primeira certificadora halal no Brasil, Sheik Juma Momade, esclarece que o processo não é demorado, basta que as empresas estejam em conformidade com todas as normas estabelecidas para exportação halal. “Se as empresas não estiverem de acordo com as normas determinadas, são instruídas a corrigirem os processos. A certificação, na maioria das vezes, é dinâmica. Mas depende muito da disponibilidade da empresa em cumprir as exigências. Assim que a empresa estiver apta, a inspeção é realizada por auditores técnicos e religiosos da Cdial Halal”, ressalta. O sheik enfatiza a importância da fé em todas as áreas da vida. “Não importa a religião, seja cristão, muçulmano ou judeu, tudo o que fizermos, devemos realizar baseado nas leis de Deus” conta. E para entender um pouco mais sobre o tema, a Revista do AviSite foi conversar com exclusividade com Ali Saifi, diretor-executivo da Cdial Halal. Acompanhe na sequência. Para as empresas brasileiras, como tem sido o avanço no mercado halal para a exportação de carne de frango? O avanço do mercado halal se baseia no crescimento da população muçulmana. Atualmente, há em torno de 1,8 bilhão de islâmicos, ou seja, praticamente ¼ da população mundial. De acordo com pesquisas da Pew Research Center´s Forum on Religion & Public Life, se as tendências atuais continuarem crescendo, em 2030, a população mundial atingirá 8,3 bilhões de habitantes. Em 2016, a receita de exportação atingiu quase US$ 2.939 bilhões. São 60 países muçulmanos no mundo. O mercado halal é imenso e com crescimento contínuo. Existem vários países para serem explorados como o da Ásia Islâmica. Atualmente, a Coreia do Sul é a terceira maior economia da Ásia e a décima no mundo. Em 2016, a Coreia foi o quinto maior parceiro comercial do

Cdial Halal É uma certificadora especializada em produtos halal. Auxilia as empresas que queiram exportar seus produtos para as comunidades árabes. É uma das maiores e mais importantes certificadoras halal do mundo. É a única na América Latina que recebeu a certificação ISO 9001:2015 da ABS Quality Evalutions para frigoríficos de aves e bovinos e produtos industrializados halal. Cresceu focada no seu negócio com atividades relacionadas ao abate de frangos, perus, patos e bovinos, incluindo também produtos industrializados. Todo o processo de certificação de produtos segue os critérios islâmicos internacionais – autoridades que controlam o certificado halal dos países - como o Comitê da ESMA – Emirates Authority for Standardization and Metrology; MUI (Majelis Ulama Indonésia); MUIS (Majelis Ugama Islam Singapura); JAKIM (Jabatan Kemajuan Islam Malaysia); Liga Mundial Islâmica da Árabia Saudita.

A Revista do AviSite

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Mercado internacional

Ali Saifi, diretor-executivo da Cdial Halal

“O mercado halal é imenso e com crescimento contínuo”.

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A Revista do AviSite

Brasil. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de frango, soja, açúcar e café, porém só representamos 6% do mercado coreano. O mercado halal na Coreia do Sul tem uma grande potência. O governo está investindo fortemente neste segmento. O gasto muçulmano com a economia halal atingiu US$ 2,1 trilhões em 2016, representando 11,9% das despesas globais. Só o setor de alimentos e bebidas leva os muçulmanos a gastarem US$ 1,24 trilhão, de acordo com o Centro de Desenvolvimento da Economia Islâmica de Dubai (DIEDC). Globalmente, as despesas muçulmanas em alimentos e bebidas devem alcançar as cifras de US $ 1,58 trilhão em 2020. Os Emirados Árabes Unidos importam US$ 20 bilhões de produtos de consumo Halal, segundo a consultoria Farrely & Mitchell (em recente pesquisa), especializada em alimentos e agroindústria. Muitos países que não tem comunidade muçulmana estão exigindo produtos halal, como é o caso do Japão. O país começou a exigir carnes halal exatamente pelo fato de ter qualidade. Os muçulmanos buscam cada vez mais empresas qualificadas com grande potencial de inovação e que sigam rigorosamente as práticas consideradas lícitas pela lei islâmica. Como é o processo de adaptação? Qual é o nível de dificuldade e como é implementado? Não é um processo difícil, mas que deve ser adaptado aos procedimentos exigidos. São necessárias algumas mudanças para atender as leis do abate de acordo com o alcorão (veja abaixo). Deve ser contratada uma certificadora específica para este mercado, como é o caso da certificadora Cdial Halal. A linha de abate, talvez, necessite mudar de direção. O animal deve ser abatido por um muçulmano. Na hora do abate o profissional deve pronunciar o nome de Alláh e a face do animal deve ser voltada para a Meca.


Previsão de muçulmanos no mundo para 2030 Ásia

1,2 bilhão

África

800 milhões

Américas

10 milhões

Europa

58 milhões

Total Aproximado

2,190 bilhões

Os países com maiores projeções de muçulmanos no mundo: Paquistão, Indonésia, Índia, Bangladesh, Nigéria, Egito, irão, Turquia, Afeganistão e Iraque. A faca deve estar bem afiada e atingir de uma única vez os três principais vãos (jugular, traqueia e esôfago) do pescoço em movimento de meia-lua. A morte deve ser rápida para evitar o sofrimento do animal. O sangue deve ser retirado totalmente da carcaça para evitar qualquer contaminação. Após a degola e o escoamento do sangue, a carcaça deve ser lavada e higienizada e toda a água do processo deve ser extraída. Para higienização deste ambiente não pode ser realizado de forma alguma com álcool (produto proibido para os muçulmanos). Todo o processo de abate e de transporte (do congelamento ao carregamento) desta carne são fiscalizados por um auditor ou supervisor da Cdial Halal. Para que não haja contaminação com outros tipos de carne (suíno, por exemplo), é importante que aquele determinado frigorífico seja destinado somente ao abate halal. Números do crescimento deste mercado nos últimos cinco ou dez anos (existe um aumento das empresas que visam a exportação? O Brasil é considerado o maior produtor e exportador mundial de carne bovina e segundo maior de frangos e líder nas vendas de carne

halal, especialmente comercializada para muçulmanos. A comunidade islâmica está presente em todo o mundo, mas há um forte crescimento em toda a África e Europa. O Brasil começará a exporta para Indonésia ainda este ano. O mercado da Indonésia representa um potencial em torno de US$ 80 milhões. Como são vistos os produtos brasileiros com esta cerificação nos países que exigem tal técnica de processamento? Os produtos brasileiros com certificação são bem vistos pelos outros países. E os empresários do Brasil atuantes nesta área têm uma vasta experiência o que facilita todo o processo. O mercado consumidor de produtos halal no mundo conhece a certificadora – Cdial Halal – e sabem que respeitamos todos os procedimentos e regras para exportar para a comunidade muçulmana. As regras são mutáveis – dos países importadores - e o Brasil sempre precisa se adaptar com as exigências de mercado. Mas são situações normais que o mundo dos negócios está acostumado a lidar e o Brasil está preparado para conduzi-las com profissionalismo. Quais são os nossos maiores diferenciais neste mercado quando comparamos a outros países exportadores de carne de frango, por exemplo?

Os maiores diferenciais são: capacidade de produção e de abastecimento. Hoje, no Brasil, existem frigoríficos com linhas de produção específica (exclusiva) halal. Nosso frango é conhecido pela sua qualidade e somos os melhores neste segmento. Quais são os maiores 'entraves' para nós? O Brasil exporta para muitos países. São diferentes mercados que o produto brasileiro está presente. Alguns países têm regras e exigências específicas o que exige um controle diferenciado. Às vezes o produtor quer exportar seu produto para diferentes países e alguns mercados conflitam algumas exigências, o que pode tornar um pouco mais difícil a atuação, mas nada que não possa ser adaptável. Em sua opinião, como uma empresa deve atuar para, acima de tudo, garantir a técnica e manter a idoneidade do produto no exterior? A empresa brasileira – para manter nossa posição de liderança - deve estar à frente das exigências. As leis e as exigências são claras. O que devemos garantir é que nossos procedimentos sejam suficientemente rígidos e controlados acima da expectativa para não criar dúvidas sobre o procedimento e o controle do abate halal. A Revista do AviSite

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Manejo

Manejo de ovos férteis na granja A correta realização dos manejos com os ovos é de fundamental importância para a qualidade dos pintinhos produzidos

Autor: Eduardo Fronza, Consultor Técnico Comercial de Aves na Agroceres Multimix

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avicultura industrial é qualificada pela obtenção do máximo desempenho e rendimento da ave, sendo fundamental para essa escala de produção o processo de incubação artificial. A produção de pintinhos de qualidade estende-se muito além dos limites do incubatório, uma vez que os resultados do processo de incubação são grandemente influenciados pelo tipo de matéria-prima, em questão: o ovo incubável. Sendo assim, a granja de matrizes divide com o incubatório a responsabilidade

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A Revista do AviSite

de produção de pintinhos de qualidade, uma vez que a qualidade do pintinho está diretamente relacionada com a qualidade do ovo incubado. A correta realização dos manejos com os ovos, como: as coletas, higienizações, fumigações, armazenamento na granja e transporte para o incubatório é de fundamental importância sob a qualidade dos pintinhos produzidos. Devemos ter em mente que o ambiente onde o ovo é produzido influencia muito sobre sua qualidade, assim sendo, é preciso que a granja possua

condições adequadas de biosseguridade, que evitem possíveis contaminações dos ovos.

Coleta de ovos Recomenda-se que a coleta de ovos seja realizada em bandejas de plástico, pois são laváveis, de fácil desinfecção e possibilitam a melhor circulação de ar no armazenamento, além da praticidade de manuseio durante o processo de coleta. Recomendações de sete a dez coletas diárias têm sido mais preconizadas, pois quanto maior o número de coletas, melhor será a qualidade do ovo incubável. Os objetivos com essa prática é reduzir o número de ovos trincados e quebrados; reduzir o número de ovos postos na cama, reduzindo assim o tempo de permanência dos ovos em ambiente contaminado. Deve-se realizar a coleta e, conjuntamente, uma pré-classificação desses ovos, descartando os ovos deformados, com casca trincada, casca suja (sangue, fezes de galinha), alteração de casca, tamanho, ovos com gema dupla, entre outros fatores que possam implicar no descarte desses ovos para a incubação. Como o pico de postura dos ovos é no período da manhã, as coletas devem ser concentradas no período das 6 às 12 horas, no mínimo 4 vezes por período.


No período entre 13 a 17 horas, as coletas de ovos devem ser de no mínimo 3 vezes por período.

Manejo de ovos sujos Ovos sujos são provenientes de cama ou de ninho, quando as fêmeas dormem nos ninhos ou quando o intervalo entre as coletas é muito grande. Ao iniciar o trabalho de coleta, os funcionários devem desinfetar as mãos, principalmente se os ovos de cama forem recolhidos anteriormente e sempre após realizar a coleta de ovos de cama, e, da mesma maneira ao longo do dia, durante a realização da coleta de ovos de ninho. Os ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem cuidados especiais na coleta e higiene, começando com a higienização das mãos dos funcionários sempre após realizarem coleta ou ao manipularem esses ovos. Os ovos de cama devem ser coletados antes, e separados dos ovos de ninho, sendo destinados ao descarte conforme legislação vigente. Quando houver necessidade de incubação desses ovos, devem ser higienizados com solução desinfetante a uma temperatura de 34°C, imediatamente após a coleta, mas nunca devem ser limpos com palha de aço para evitar ranhuras e impedir a penetração de bactérias e fungos para o interior do ovo. A coleta, o armazenamento e a incubação dos ovos de cama devem ser sempre separados dos ovos de ninho, pois têm menor eclodibilidade (12% a 15% menores) e explodem facilmente nas incubadoras devido a maior contaminação desses ovos. Medidas de manejo tomadas no início de produção das aves resultam em menores índices de ovos de cama, assim como a realização de várias coletas de ovos de cama durante o dia e o estimulo das aves em procurarem o ninho para realizarem a ovoposição, que resultam em maior número de ovos limpos incubáveis durante a vida produtiva do lote.

Higienização de ovos Apesar de ser produzido por uma ave saudável, o ovo pode se contaminar por fezes, material de ninho, mãos do tratador, água, bandejas, cama, piso, poeira, etc. Muitas bactérias penetram pa-

ra seu interior, devido ao diferencial de temperatura no momento de resfriamento pós-postura, podendo ocorrer a penetração de bactérias em apenas 30 minutos. Dessa maneira, é importante reduzir essa carga microbiana, pois quanto menor for a contaminação, menor será a possibilidade de o embrião morrer devido à contaminação. A primeira higienização deve ser realizada, no máximo, 30 minutos após a postura, tentando assim evitar que os microrganismos atravessem a casca e contaminem a clara e a gema. Vários são os métodos disponíveis para a higienização do ovo, sendo que todos são eficazes quando adequadamente aplicados. Os mais utilizados são: • Higienização seca: fumigação com queima de paraformoldeido, que pode não atender regulamentos locais de segurança do operador; • Higienização úmida: imersão e lavagem em água corrente, tomando cuidado com a umidade dos ovos; • Higienização com gás ozônio: atu-

almente sendo difundida com bons resultados e maior segurança de trabalho. Ainda assim, ovos bem higienizados podem se recontaminar durante um curto armazenamento em salas de ovos sujas ou durante o transporte em veículos com higienização precária. Como medida preventiva da contaminação dos ovos, também devemos realizar a reposição de maravalha, de acordo com a necessidade e a utilização de produto desinfetante nos ninhos quando estes forem convencionais. Com a utilização de ninhos mecânicos, é necessário realizar a limpeza das esteiras, tapetes e desinfecção do ninho periodicamente.

Armazenamento do ovo na granja Após a coleta, devemos preservar a qualidade dos ovos, para tanto, o tempo de permanência dos ovos nos galpões de produção deve ser o menor possível, uma vez que maiores tempos de permanência representam maiores níveis de contaminação desses ovos. A Revista do AviSite

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Manejo

O transporte de ovos para o incubatório deve ser feito diariamente e nos horários mais frescos do dia. Deve-se utilizar um veículo com furgão de transporte térmico, sempre higienizado 40 A Revista do AviSite

O armazenamento desses ovos na sala da granja deve ser o menor tempo possível, deixando-se espaço livre entre as caixas/carrinhos para melhor circulação de ar, sempre em ambiente sob controle de temperatura e umidade, perfeitamente higienizado. A embriogênese que se inicia no corpo da galinha continua enquanto a temperatura interna dos ovos for superior a 26°C, alcançando o “zero” fisiológico abaixo dos 21°C. Dessa maneira, os ovos devem resfriar de forma gradual entre 4 a 6 horas após a postura. Como regra, devemos manter a temperatura da sala de ovos na granja em 20°C durante o período de armazenamento.

Transporte ovos férteis O transporte de ovos para o incubatório deve ser feito - sempre que possível - diariamente e nos horários mais frescos do dia. Deve-se utilizar um veículo com furgão de transporte térmico, o qual precisa ser diariamente higienizado. Também devemos nos atentar ao controle de temperatura desse furgão, que deve ser mantida entre 18 e 20°C, evitando-se assim o início do processo de embriogênese nos ovos.

Flutuação de temperatura durante o armazenamento, transporte e armazenagem no incubatório, reduzem a eclodibilidade devido aumento da mortalidade embrionária precoce e, consequentemente, a qualidade dos pintinhos.

Considerações A manutenção adequada dos ninhos convencionais, principalmente conserto de frestas, retirada de objetos perfurantes/cortantes no interior dos ninhos e consequentemente a manutenção do número ideal de ninhos de acordo com o plantel do galpão, resultam em menor número de ovos contaminados. Outras considerações necessárias a fim de se manter a qualidade dos ovos após a ovoposição, por exemplo, é a grande quantidade de ovos em um único ninho (ninhos convencionais) ou a superlotação de ovos na esteira (ninhos mecanizados), o que faz com que colidam uns contra os outros aumentando a incidência de micro trincas, com efeitos negativos sobre os resultados de incubação e qualidade de pintinhos.


Saúde Animal

Retorno do ‘tormento’ das aves migratórias ao Ártico Membro da Academia Colombiana de Ciências Veterinárias alerta para o risco de contaminação pelo vírus da gripe aviária com o período de retorno das aves migratórias aos seus locais de origem Autor: Oscar Rivera García, Gestor-Fundador - AMEVEA-COLOMBIA Membro da Academia Colombiana de Ciências Veterinárias

A

s milhares de aves migratórias que deixaram o Ártico para outros continentes em busca de alimento durante os meses de setembro, outubro e novembro do ano passado (2017), estão tentando retornar ao Ártico novamente para cumprir a função biológica de postura e reprodução, ciclo que deve ser cumprido nos meses de fevereiro, março e abril (2018) e encontrou uma série de dificuldades, motivo pelo qual, por assim dizer, estão sendo “sequestradas” em muitos países do Continente Europeu e isso se deve à presença da "besta do Oriente",

uma onda fria da Sibéria com temperaturas glaciais de até menos 25 graus Celsius, o que as impediu de cumprir, em uma alta porcentagem, o retorno ao Ártico. Esta situação anómala é devido às alterações climáticas que estão gerando fatos incomuns. Enquanto na Inglaterra, França, Alemanha, Itália e outros países europeus as temperaturas estão “congelando”, o Ártico está experimentando temperaturas acima do normal, fenômeno relacionado aos padrões de circulação atmosférico em grande escala chamado "Evento de aquecimento estra-

tosférico", registado precisamente na estratosfera, cerca de 30 quilômetros acima do pólo norte. Fora às grandes nevascas, enfrentaram ventos fortes, chuva pesada, secas extremas, tempestades tropicais, inúmeros incêndios florestais que as forçou a mudar rotas através de regiões geográficas onde não sobrevoavam, o que significa um alto risco de surtos de gripe aviária em países considerados "livre" desta zoonose, razão pela qual as autoridades de saúde e indústria avícola deve tomar cuidados extras com as medidas de biossegurança. A Revista do AviSite

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Saúde Animal Não esqueçam Sete “regras de ouro”, por assim dizer, devem sempre ser consideradas pelas autoridades de saúde e pelos avicultores: A) Novos surtos de influenza aviária podem ocorrer meses ou anos depois com o mesmo tipo de vírus ou com mutações na mesma área onde os casos ocorreram anteriormente. B) Os vírus de alta patogenicidade produzem 100% de mortalidade, independentemente do número de aves que compõem o lote. C) Falhas nas medidas de biossegurança podem acabar com grandes empresas, com muitos anos de tradição, com perdas econômicas incalculáveis para os quais não existem subsídios governamentais. D) A gripe aviária, além de provocar um verdadeiro desastre econômico em nível comercial, afeta a economia de um país quando rejeitada pelas diferentes nações para as quais exporta seus produtos avícolas. E) Nunca se deve pensar que, se um país é considerado "livre", esse status permanecerá com o argumento de que este é um problema do continente asiático. Atualmente, a Influenza Aviária deve ser considerada como uma zoonose mundial que aumenta a cada ano devido a fatores além do controle humano. F) A gripe aviária tem um significado global não só com as mortalidade elevada, causando alto risco, mas com diferentes subtipos do vírus altamente patogênicos que podem ser transmitidos entre humanos, desencadeando uma pandemia com resultados verdadeiramente catastróficos. G) O controle desta doença só pode ser alcançado através de medidas enérgicas e permanentes de biossegurança, projetadas para evitar a gripe aviária.

Vôos irregulares Há poucas dúvidas de que as mudanças climáticas possam afetar o comportamento, reprodução, sobrevivência, migração e distribuição geográfica das aves; para aumentar as dificuldades, seus vôos são ainda muito irregulares. Tentando ignorar esses obstáculos, milhares de aves morrem congeladas, de

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fome e / ou fadiga ao realizar vôos em diversos e longos caminhos e, por isso, aves estão sendo encontradas em áreas geográficas muito diferentes, onde anteriormente nunca haviam estado antes. O mais chocante desta situação é a infinidade de países euro-asiáticos que têm relatado milhares de aves mortas por gripe aviária nos últimos quatorze meses, tanto comerciais, em um número próximo de 300 milhões, e milhares de aves nativas, selvagem, cativo e migratório pertencente a espécies muito diferentes.

Subtipos de vírus detectados em 2017/2018 H5N1 - H5N2 - H5N3 - H5N5 - H5N6 - H7N3 H5N8- -H7N4-H8N2- H9N2H7N9, chama a atenção para o mais comum é o H5N8, altamente patogênico detectado tanto em aves comerciais: reprodução, galinhas poedeiras, frangos, codornas, avestruzes, com mortalidade elevada em milhões de aves, em vários países como o Afeganistão, Alemanha, Arábia Saudita, Bangladesh, Bulgária, Bélgica, Butão, Camboja, Camarões, República Checa, China, Chipre, Congo, Coreia do Norte e do Sul, Croácia, Dinamarca, Egito, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França; Gana, Holanda, Hong Kong, Hungria, Inglaterra, Índia, Irlanda, Irã, Israel, Itália, Iraque, Japão, Laos, Luxemburgo, Malásia, Myanmar, México, Nepal, Nigéria, Níger, Holanda, Paquistão, Reino Unido, Rússia África do Sul, Suécia, Suíça, China Taipei, Taiwan, Turquia, Togo, Vietnam, Zimbabwe.

Consequências das mudanças climáticas Várias espécies alteraram sua estratégia de migração desde 1990, quando as mudanças climáticas começaram a se agravar. Efeitos adicionais incluem aumento das secas, tempestades tropicais e alteração das estações, invernos mais fortes e verões quentes, com o aumento das ondas de calor. Esses fenômenos extremos são atualmente mais frequentes, duradouros e acentuados. Sefra Ain, uma cidade do deserto na Argélia conhecida como o "Gateway to the Sahara" experimentou uma nevasca, supostamente pela terceira vez em

39 anos. Entre as conseqüências que mais freqüentemente causam ondas de frio nas aves migratórias estão, por um lado, os grandes deslocamentos que devem ser feitos em busca de regiões livres de gelo e, por outro, as grandes mortalidades populacionais. O vento, quando atinge velocidades superiores a 80 km /he pode ser um inimigo de aves e atua como retenção e barreira, fazendo com que elas permaneçam na área onde estão durante horas, até mesmo dias, até que melhore a situação atmosférica que lhes permita realizar em seus vôos migratórios. As aves migratórias que vão dos vários continentes ao Ártico são particularmente vulneráveis a uma onda fria, especialmente com nevascas, por isso se retiram para outras zonas onde costumam encontrar condições mais favoráveis.

Ano novo na China Hoje, a população da China supera 1,355 milhão de pessoas, o que torna o país mais populoso do mundo, a cada ano o Ano Novo chinês é comemorado como uma oportunidade para todos compartilharem sua felicidade com a família e amigos, é marcado por movimentos de pessoas em todo o país para desfrutar de festas, concertos, desfiles, festas e consumo em massa de galinhas e patos para que a venda destas aves é maximizada e adquiridos vivos para serem sacrificados ao nível das famílias ou processado nos pontos de venda.

H5N1-H7N9 em humanos O vírus H5N1 de origem asiática foi detectado pela primeira vez em 1996 em gansos na China; em humanos em 1997 em Hong Kong e, desde então, tem sido comprovado em aves e aves silvestres em mais de 70 países da África, Ásia, Europa e Oriente Médio. Seis países são considerados endêmicos para o vírus H5N1 na forma altamente patogênica da gripe aviária de origem asiática (Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia e Vietnã). A maioria dos casos de infecção humana com vírus A (H5N1) e A (H7N9) tem sido associada ao contato direto ou indireto com aves infectadas, vivas ou mortas.


Casos de infecções humanas com o vírus da linhagem asiática A (H7N9) foram originalmente relatados na China em março de 2013. Até o momento, o número total acumulado de casos de infecções humanas pelo vírus da linhagem asiática H7N9, desde que foi relatado pela primeira vez na China, infectou mais de 1.595 pessoas, causando 316 mortes. A maioria das infecções em humanos por vírus da influenza aviária, incluindo os vírus asiáticos H7N9, representa um potencial pandêmico preocupante. Os vírus da influenza mudam constantemente e é possível que este vírus adquira a capacidade de se espalhar facilmente e de forma sustentável entre as pessoas, desencadeando um surto mundial da doença.

Uma voz de alerta China, Jiangsu: o primeiro caso humano de gripe aviária A (H7N4): país tenta esconder este caso, mas vários portais disseminaram a informação

As autoridades de Hong Kong emitiram um alerta de saúde durante o feriado do Ano Novo chinês depois que a China registrou o primeiro caso de um ser humano infectado com a cepa A (H7N4) da gripe aviária em janeiro, em uma mulher de 68 anos que entrou no hospital em 1 de janeiro depois de ter contato com aves. É o primeiro caso em um humano de gripe aviária A (H7N4) na China, onde em 2013 eles começaram a detectar pessoas infectadas com o vírus A (H7N9), capazes de causar doenças graves aos seres humanos, a maioria dos quais eles visitaram os mercados de aves vivas ou tiveram contato com aves infectadas. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), cepas H7N9, que se tornaram endêmicas na China, e de H5N1 em algumas partes da Ásia e África representam o "risco mais significativo para a saúde pública". Os casos tem despertado alarmes entre as autoridades de saúde em todo

o mundo porque destacam a imprevisibilidade da evolução viral, não só destes subtipos, mas também dos outros detectados em seres humanos.

México registra dois surtos do vírus da influenza aviária H7N3: OIE Em março, o México relatou dois surtos de H7N3 no centro do país, um dos quais atingiu uma granja, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) disse que citou o fato em um relatório do Ministério da Saúde do México. O vírus matou 1.380 aves em uma fazenda no estado de Guanajuato, com 1.900 galinhas vermelhas Rhode Island e galinhas brancas, disse o relatório do secretariado publicado no site da OIE, que tem sede em Paris. As aves que não foram infectadas foram abatidas, acrescentou o documento. O outro surto foi detectado em aves no estado de Querétaro.

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Informativo Técnico-Comercial

Nicarbazina, escolha de alta eficácia no controle da coccidiose, no verão e no inverno Nicarbazina, um anticoccidiano sintético lançado em 1955, ainda é um dos produtos mais eficazes utilizados em frango de corte

Autora: Patrícia Tironi Rocha, Médica Veterinária, MSc. Gerente Técnica de Aves-Phibro Animal Health Corporation.

O

uso de anticoccidianos em produção de frangos de corte é uma das ferramentas empregadas para a manutenção da saúde intestinal, bem-estar animal e desempenho zootécnico. Os anticoccidianos, por evitar a depressão de desempenho e mortalidade causados pela coccidiose, tem papel ímpar no equilíbrio e na saúde intestinal. Nicarbazina, um anticoccidiano sintético lançado em 1955, ainda é um dos produtos mais eficazes utilizados em frango de corte pelos maiores produtores e exportadores de carne de frango de corte em todo o mundo. Além da eficácia, um outro importante motivo do uso permanente em programas anticoccidianos está relacionado à questão da nicarbazina ser o único anticocccidiano químico que não desenvolve resistência ao longo do tempo. Cepas de Eimeria spp. são consideradas sensíveis a determinados anticoccidianos quando há redução de

44 A Revista do AviSite

50% ou mais no escore de lesão de coccidiose comparado com os escores de lesões de grupos infectados com as mesmas cepas e não medicados. Por esta definição, nicarbazina mostra eficácia muito superior no controle da coccidiose, conforme documentado em uma série de trabalhos de acompanhamento nas últimas décadas (Cervantes et al., 2015; Bafundo et al., 2008). A nicarbazina atua nas formas parasitárias que estão nos enterócitos, principalmente na destruição de esquizontes, em especial nos de segunda geração, sugerindo um modo de ação coccidicida. No entanto, também houve descobertas indicando uma ação coccidiostática ou ambas (Chapman, 1993). A mortalidade relacionada ao estresse calórico durante o uso de nicarbazina é bem documentada e pode acontecer quando a mesma é utilizada nas doses de 100 a 125 ppm. Este efeito é mais proeminente à medida em que as aves aumentam o peso corpo-

ral e em aves criadas em altas temperaturas ambientais (McDougald, McQuistion, 1980). Por isso, o uso de nicarbazina nas doses de 100 a 125 ppm é posicionado para o inverno, e nestes períodos de temperaturas ambientais mais amenas tem sido muito eficaz em controlar a coccidiose sem causar mortalidade. Nicarbazina é um anticoccidiano versátil, amplamente recomendado nas fases iniciais dos programas anticoccidianos de verão, principalmente, em associações comerciais com ionóforos e com doses reduzidas, entre 44 a 50 ppm de nicarbazina, dependendo do produto. E principalmente, a Nicarbazina é utilizada nas fases iniciais dos programas de inverno, tanto como único anticoccidiano na formulação, em dosagens máximas de registro, como Nicarmix® 25, dose de 100 a 125 ppm de nicarbazina, quanto em associações comerciais de nicarbazina com ionóforos, com doses reduzidas de Nicarbazina, como Aviax Plus®, dose de 48 ppm de nicarbazina e 18 ppm de semduramicina. Deve-se levar em consideração que os produtos à base de nicarbazina disponíveis comercialmente possuem qualidades distintas, o que impacta na eficácia do controle da coccidiose, visto que, o resultado também está ligado a fatores qualitativos desde a síntese e produção da nicarbazina a ser utilizada. Nicarbazina é formada pela combinação de duas moléculas, a dinitrocarbanilida (DNC) e a dimetilhidroxipirimidina (DHP). Somente DNC tem atividade anticoccidiana, porém seu potencial é aumentado quando é complexada com o DHP (EFSA,2008). Alguns parâmetros de qualidade importantes (veja especificações técnicas na Tabela 1):


• Balanceamento do complexo DNC + DHP: a simples mistura das duas moléculas não aumenta a atividade anticoccidianada do produto final. É necessária a complexação equilibrada das duas moléculas, onde ambas atendem a sua respectiva especificação. • Análise final DNC e DHP: uma mistura não balanceada de DNC e DHP é indicativo de um produto com menor potencial anticoccidiano e com um maior nível de impurezas. A concentração final e a eficácia do complexo são determinadas pela soma das duas moléculas, cujo total deve ser próximo de 100%. • Tamanho de partícula: diretamente ligado à absorção no intestino.

Conclusões Nicarbazina é um anticoccidiano químico versátil, altamente eficaz e com uso nas fases iniciais de programas anticoccidianos de verão e inverno, e sem correlação à seleção de ei-

merias resistentes. A qualidade da nicarbazina, desde sua síntese e produção, é condição primordial para a ação anticoccidiana adequada dos programas e deve ser considerada na escolha de seus fornecedores.

Referências Bibliográficas Bafundo KW, Cervantes H, Mathis G. Sensitivity of Eimeria Field Isolates in the United States: Responses of Nicarbazin-Containing Anticoccidials. 2008 Poultry Science 87:1760–1767 Cervantes H, Bafundo KW, Christenberry S, Ruiz J, Costa M, Mathis G. Nicarbazin sensitivity of Eimeria spp. from commercial chickens in the USA from 2004 to 2014. Poultry

Science 94(E-Supplement 1). Poultry Science Association 104th Annual Meeting Abstracts. 2015 pg. 102 Chapman HD, 1993. Resistance to anticoccidial drugs in fowl. Parasitol Today, 9, 159-162. EFSA (European Food Safety Authority). Cross-contamination of non-target feedingstuffs by nicarbazin authorised for use as a feed additive. Scientific opinion of the Panel on Contaminants in the Food Chain, The EFSA Journal, (2008) 690, 1-34. McDougald L, McQuistion T. 1980. Mortality from heat stress in broiler chickens influenced by anticoccidial drugs. Poult. Sci. 59:2421–2423.

NICARMIX®. Um produto Phibro composto por Nicarbazina, o anticoccidiano químico mais efetivo e utilizado nos últimos 50 anos.

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Análise CEPEA

Exportações reagem em março e alcançam volumes de setembro de 2017 Os embarques totais (in natura e industrializada) somaram 367,68 mil toneladas em março, aumento de 20,8% frente a fevereiro.

Autores: Marcos Debatin Iguma1, Juliana Ferraz1, Luiz Gustavo Tutui1 e Sergio De Zen2 1) Analistas da Equipe de Ovos, Aves e Suínos; 2) Professor Dr. da Esalq e pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea, da Esalq/USP.

MERCADO EXTERNO Após cinco meses de lentidão nos embarques brasileiros, o volume de carne de frango in natura enviada ao exterior se recuperou em março, superando as remessas de fevereiro e voltando aos patamares de setembro de 2017, segundo indicam dados da Secex. A quantidade exportada de carne industrializada também cresceu no período. Os embarques totais (in natura e industrializada) somaram 367,68 mil toneladas em março, aumento de 20,8% frente a fevereiro, mas pequena queda de 1,9% em relação a março de 2017, de acordo com da-

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dos da Secex. De carne in natura, especificamente, foram embarcadas 350,43 mil toneladas em março, 21,3% acima da quantidade de fevereiro e 2,1% a mais que em março/17. Quanto ao volume de carne industrializada, somou 17,25 mil toneladas em março, 11% superior ao de fevereiro/18, mas expressivos 45% inferior ao de março/17. Do total de carne industrializada embarcada, 38,4% (ou 6,62 mil toneladas) foram destinadas à União Europeia, principal comprador desses produtos brasileiros. Em março, o volume de industrializados enviado ao bloco caiu 7,7%

frente a fevereiro e expressivos 54,7% na comparação com março do ano passado. As reduções estiveram atreladas a barreiras não tarifárias impostas pelo bloco, como retaliação às denúncias de contaminação de salmonela em algumas plantas brasileiras. Outro importante parceiro brasileiro que reduziu as compras em março, tanto de carne industrializada quanto de in natura, foi a Arábia Saudita. Recentemente, esse destino da proteína de frango brasileira exigiu novos procedimentos de abate para o produto halal, o que freou as remessas de frango ao país saudita no último mês. De fevereiro para março, os embarques brasileiros ao país diminuíram 22,7%, somando 42,15 mil toneladas. Os maiores parceiros comerciais brasileiros, China, Japão e Hong Kong, reforçaram as compras em março. Assim, do total exportado pelo Brasil em março, 27,4% foram destinados a esses países asiáticos, ou 100,7 mil toneladas, alta de 19,9% sobre o volume de fevereiro, mantendo otimistas as perspectivas de exportações.


MERCADO DOMÉSTICO A recuperação nas exportações não foi suficiente para enxugar a disponibilidade interna a ponto de alterar a tendência de queda nos preços domésticos. Em março, o frango congelado se desvalorizou 3,1% no estado de São Paulo. Os preços do animal vivo e do resfriado registraram os menores patamares desde julho de 2006 (deflacionados pelo IPCA de abril), a R$ 2,31/kg e a R$ 3,18/kg, respectivamente, no estado de São Paulo. Neste início de 2018, apesar da expectativa de melhora nas exportações e no consumo, a avicultura de corte passou por dificuldades na gestão dos custos, em função dos altos preços de insumos para ração animal. Os valores da saca de 60 kg de milho estão em movimento de alta desde meados do ano passado, atingindo média de R$ 41,37/sc (Indicador ESALQ/ BM&FBovespa – Campinas/SP) em março/18.

Recentemente, plantas de abate foram fechadas na região Sul do Brasil para férias coletivas, em função dos embargos para a União Europeia. As empresas paralisadas

buscam reprogramar a produção de cortes e processados, mas a interrupção das operações afeta também a produção de ovos férteis e pintos de corte. A Revista do AviSite

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AviGuia

Evento

V SITEC – Simpósio técnico Nutriad 2018 reuniu especialistas em agronegócio em Foz do Iguaçu

Em sua 5ª edição, o SITEC reuniu 100 profissionais, de 4 continentes, em Foz do Iguaçu (PR). O Sitec é um evento técnico promovido anualmente pela Nutriad Nutrição Animal desde 2013. Em sua 5ª edição, o SITEC reuniu 100 profissionais, de 4 continentes, em Foz do Iguaçu (PR). Entre os assistentes, nutricionistas, veterinários, gerentes, consultores e representantes de instituições de pesquisa. O evento foi dividido em três módulos: palatabilidade, manejo de micotoxinas e saúde intestinal. O simpósio iniciou com a apresentação da empresa Nutriad, recentemente adquirida pela Adisseo. “As duas empresas se completam. O sinergismo entre os produtos é evidente; formamos uma empresa ainda melhor e com maior capacidade de atender as necessidades de nossos clientes” pontua Marcelo Nunes, diretor geral da Nutriad Brasil e América do Sul. O primeiro dia foi marcado por palestras técnicas e sobre o agronegócio mundial, com a presença do Dr. Marcos Fava Neves, anunciando que bons tempos virão: “Voltamos a acelerar! Nos próximos dez anos, as exportações de soja, milho, algodão e carne aumentarão em 28 bilhões de dólares” afirmou. Sua palestra foi seguida pela apresentação do mercado europeu na produção de aves e suínos, por Jeroen De

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Gussem (diretor de marketing da Nutriad) e Juan Eladio (CEFU S.A.), respectivamente. As soluções em palatabilizantes foram apresentadas em duas etapas, por David Vanni Jacob, gerente técnico para o Brasil e América do Sul, e Simon Eskinazi, gerente técnico e de marketing para a linha de palatabilizante. David ilustrou como a seleção genética afeta a produção leiteira da fêmea suína, principalmente sob efeito do estresse térmico; e como o comportamento da fêmea influencia no padrão de consumo dos leitões, seguido por Simon que apresentou os resultados de experimentos com o uso dos produtos. O segundo dia teve como foco o manejo de micotoxinas e seus efeitos na saúde e imunidade dos animais. “Não há níveis seguros se tratando de micotoxinas” afirmou a Dra. Siska Croubles da Universidade Guent, na Bélgica. A seguir, a Prof. Dra. Ana Paula Bracarense falou sobre a interação entre micotoxinas e estresse oxidativo. Após uma breve pausa para o café, o tema foi retomado pela Dra. Radka Borutova com a apresentação do quadro atual de contaminação por micotoxinas, obtido através dos serviços de análise realizados pela Nutriad no Brasil. Ela reforçou os problemas resultantes das micotoxinas e o quanto é importante o gerenciamento de risco. A sessão

matinal foi finalizada por Guilherme Bromfman, diretor de desenvolvimento de negócios e produtos da Nutriad USA, falando sobre a importância do controle de micotoxinas em sistemas de produção sem antibióticos. No último dia de Simpósio, o Prof. Dr. Filip Van Immerseel abordou o tema: Metabólitos Essenciais produzidos pela microbiota intestinal de Frangos de Corte. Segundo o palestrante, a microbiota produz ácidos graxos cruciais para manutenção da saúde intestinal. Neste ambiente o ácido butírico tem papel de destaque. “Essa substância atua não somente na modulação da microbiota, mas também melhorando a imunidade e reduzindo o efeito negativo dos processos inflamatórios”, afirma o Dr Filip. Sua palestra foi seguida pela apresentação do Dr. Haitham Yakout, diretor de vendas técnicas EUA da Nutriad sobre o uso de antibióticos e as novas perspectivas, e enfatizou: “Precisamos voltar as práticas básicas de controle e adotar novas estratégias; deve-se levar em conta que o ambiente e condições de cada galpão influencia na performance dos animais de diferentes maneiras”. Então foi a vez do Dr. Bruno Silva dar continuidade ao assunto: “Os antibióticos foram sempre utilizados para corrigir erros no sistema de produção,


precisamos utilizar mais as alternativas disponíveis para melhorar a saúde intestinal” afirmou. Dr. Tim Goossens, gerente de desenvolvimento de Negócios Performance Digestiva da Nutriad Bélgica, falou sobre as ferramentas que podem ser utilizadas para otimizar a saúde intestinal através do uso de aditivos. Tim finalizou com uma abordagem prática sobre o uso de produtos do portfólio da empresa. Marcelo Nunes, diretor geral América do Sul da Nutriad destacou a importância do evento para a Nutriad e seus parceiros: “Mais uma vez tivemos um evento de alto nível técnico, e atingimos nosso objetivo, de trazer novos conhecimentos e tecnologias. Estamos muito felizes com a aceitabilidade do SITEC e certamente estaremos juntos novamente no próximo ano”. “O V Sitec foi uma excelente oportunidade para aproximarmos ainda mais as

equipes Nutriad/Adisseo, assim como melhor conhecermos clientes e parceiros, que se juntam agora numa única família. O evento foi de alto nível técnico e sem dúvi-

das reforça o objetivo de nossas empresas em colocarmos os clientes no centro de nossas atenções”. Roger Solitão, diretor geral América do Sul da Adisseo.

Lançamento

Cobb-Vantress lança novo produto no mercado argentino Reconhecido pelos excelentes índices de conversão alimentar, o Macho MV, novo produto da Cobb-Vantress, foi lançado em abril, na Argentina. A empresa promoveu o lançamento da ave para clientes e parceiros, nas províncias de Buenos Aires, Entre Rios e Córdoba. O Macho MV é resultado de pesquisas realizadas pela Cobb desde 2010. Nos eventos de lançamento, o gerente de produto da Cobb, Rodrigo Terra, apresentou os resultados obtidos com a ave desde o lançamento, em 2012, nos

Estados Unidos. “O Macho MV foi desenvolvido com a proposta de melhoria dos índices zootécnicos de desempenho, como ganho de peso e conversão alimentar. Ele também se adapta melhor ao meio ambiente em que está inserido, devido à sua rusticidade, o que resulta na redução da taxa de mortalidade”, disse Terra. Os principais pontos de manejo de recria e produção do Macho MV foram abordados pelo gerente do Serviço Técnico da Cobb para a Argentina, César

Encontros para apresentação do Macho MV foram realizados em Buenos Aires, Entre Rios e Córdoba Stoffel. Além disso, o diretor Comercial e de Serviços da Cobb para América do Sul, Bernardo Gallo, apresentou o pacote de serviços que a Cobb oferece aos clientes, com especialistas regionais e do Suporte Técnico Mundial da companhia. “Os produtos Cobb estão presentes em diversos países da América do Sul, inclusive na Argentina. Reconhecemos o potencial desta região e estamos com grandes expectativas quanto aos resultados do Macho MV no país”, disse o gerente de Marketing da Cobb, Cassiano Bevilaqua. A Revista do AviSite

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Estatísticas e Preços

Produção e mercado em resumo Produção de pintos de corte Fevereiro 484,996 Milhões | -1,91%

Produção de carne de frango Março 1.199,919 Mil toneladas | +2,24%

Exportação de carne de frango Março 367,677 mil toneladas | -1,85%

Disponibilidade interna Março 832,242 Mil toneladas | +4,16%

Farelo de Soja Abril R$1.295,00 | +39,10%

Milho Abril R$42,43 | +40,08%

Desempenho do frango vivo Abril R$2,20 | -12,00%

Desempenho do ovo Abril R$67,75 | -25,66%

50

A Revista do AviSite

Cenário é preocupante para produtores de carne de frango e ovos

N

o cenário internacional, segundo previsões do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a China tende a reduzir ainda mais suas importações de carne de frango em 2018. E o principal afetado pode ser o Brasil, que no ano passado, atendeu quase 85% das importações chinesas de carne de frango. Cita, nesse caso, que a causa da redução chinesa seria o escândalo que afetou seu principal fornecedor no ano passado e continua repercutindo em 2018. E como o demais fornecedores não têm condições de atender a demanda chinesa, o volume tem sido cada ano menor.

N

o cenário nacional, empresas voltadas para o mercado internacional com embarques para a Europa e Arábia Saudita têm sofrido neste início de ano: a Europa desabilitando várias empresas brasileiras e o principal país importador de carne de frango, solicitando a descontinuidade do pré-adordoamento antes do abate halal. Com isso, todos os embarques para lá a partir de abril foram suspensos. Se esse imbróglio não se resolver rapidamente e for desfavorável ao Brasil, outros países islâmicos podem seguir a Arábia Saudita. E as perdas e danos serão terríveis para a avicultura de corte. Aliás, terrível é um termo que pode ser utilizado na evolução do custo de produção tanto na área de corte quanto de postura comercial. O crescente aumento das matérias-primas básicas utilizadas na alimentação das aves está tornando a atividade insustentável. Com isso, diante de um cenário externo com vários obstáculos a serem superados e um mercado doméstico que demonstra incapacidade em absorver qualquer oferta adicional, as empresas produtoras tem agido no sentido de ajustar sua produção à real demanda. As dificuldades podem ser verificadas na evolução dos preços recebidos pelo produtor paulista no primeiro quadrimestre deste ano: o frango vivo no mercado paulista sofreu perda anual de, no mínimo, 8,5%, enquanto o abatido no grande atacado, a perda ficou em 16,3%. Já no mercado de ovos comerciais, os ovos tiveram perdas superiores a 16%.


Produção de pintos de corte

Volume ainda crescente no 1º bimestre

D

EVOLUÇÃO MENSAL MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2016/2017

2017/2018

VAR. %

Março

561,478

517,196

-7,89%

Abril

540,962

508,875

-5,93%

Maio

542,145

522,835

-3,56%

Junho

551,131

526,325

-4,50%

Julho

514,831

515,254

0,08%

Agosto

546,836

531,982

-2,72%

Setembro

497,702

497,107

-0,12%

Outubro

510,632

521,308

2,09%

Novembro

525,170

506,821

-3,49%

Dezembro

560,266

534,215

-4,65%

Janeiro

535,647

556,669

3,92%

Fevereiro

494,423

484,996

-1,91%

Em 02 meses

1.030,070

1.041,665

1,13%

Em 12 meses

6.381,222

6.223,584

-2,47%

Fonte dos dados básicos: APINCO – Elaboração e análises: AVISITE

PRODUÇÃO REAL Média diária e volume mensal ajustado para 30 dias Milhões de cabeças

2017

Ago

Set

Nov

Dez

538,7

18,0

Jan

17,3

519,6

Out

17,2

517,0

506,8

Jul

16,9

504,5

Jun

497,1

Mai

514,8

Abr

16,6 17,2 16,6 16,8

498,6

506,0

Mar

17,5

526,3

508,9

Fev

16,6 17,0 16,9

500,5

17,7

529,7

epois de abrir 2018 (janeiro) com volume superior a 550 milhões de cabeças e um aumento de quase 4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, a produção brasileira de pintos de corte sofreu ligeira correção. Em fevereiro foram produzidos perto de 485 milhões de pintos de corte, volume que significou decréscimo de quase 2% em comparação a fevereiro de 2017 e, considerada a produção média diária, implicou em uma queda de 3,5% em relação ao mês anterior, janeiro de 2018. De toda forma prevaleceu, no bimestre janeiro/fevereiro um incremento de pouco mais de 1%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses persiste a redução iniciada em 2017, agora em torno de 2,5%. Para o setor, naturalmente, pouco importa o resultado dos últimos 12 meses, porquanto a maior parte da produção desse período já foi criada e abatida. Ou seja: o que interessa é a produção mais recente e sua evolução. À primeira vista, o incremento de 1,13% é pouco significativo – poderia ser considerado, até, apenas “vegetativo”. Consideradas, porém, as atuais condições de mercado – baixo consumo interno e externo e aumento expressivo dos custos – não há como negar que é elevado. Inclusive porque a produtividade dos pintos alojados continua crescente. Rememora-se, a propósito, que em março passado, ao divulgar três possíveis cenários para a produção de pintos de corte em 2018, a APINCO concluiu que o cenário mais factível é o de uma produção média, mensal, de no máximo 519 milhões de pintos de corte. A produção efetiva do bimestre inicial de 2018 ficou em 520,8 milhões/mês - muito perto, portanto, do cenário apontado pela APINCO. Mas como as condições de mercado vêm sofrendo forte deterioração, talvez seja conveniente baixar ainda mais essa média.

Fev

2018

A Revista do AviSite

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Estatísticas e Preços Produção de carne de frango

Em março, o maior volume em 14 meses

P EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2016/2017

2017/2018

VAR. %

Abril

1.146,531

1.131,198

-

Maio

1.172,248

1.138,828

-

Junho

1.102,260

1.098,920

-

Julho

1.172,162

1.156,782

-

Agosto

1.126,977

1.143,201

-

Setembro

1.073,328

1.096,787

-

Outubro

1.125,320

1.149,016

-

Novembro

1.035,096

1.094,134

-

Dezembro

1.099,989

1.150,632

-

Janeiro

1.211,185

1.166,737

-3,67%

Fevereiro

1.067,817

1.083,073

1,43%

Março

1.173,662

1.199,919

2,24%

Em 03 meses

3.452,664

3.449,728

-0,09%

Em 12 meses

13.506,575

13.609,227

-

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

PRODUÇÃO TRIMESTRAL 2010 a 2018 – 1º trimestre

52

A Revista do AviSite

2015

2016

2017 2018

3.450

3.453

2014

3.295

3.183

3.067

3.261

2011 2012 2013

3.470

2010

3.088

2.838

Mil Toneladas

artindo da produção de pintos de corte e tendo como base novos parâmetros de produtividade dos frangos em criação, a APINCO estimou, para março passado, uma produção de carne de frango próxima de 1,2 milhão de toneladas, resultado que significou aumento anual de 2,24% e o maior volume dos últimos 14 meses. Comparativamente ao mês anterior observou-se aumento nominal próximo de 11%. Mas como março é mês mais longo, o aumento real (isto é, considerada a produção diária) foi inferior a 0,1%. Com a produção mais recente, o total produzido no primeiro trimestre de 2018 ficou próximo dos 3,450 milhões de toneladas, resultado que representou estabilidade em relação ao mesmo período de 2017 (redução inferior a 0,1%) e a retração de 0,6% sobre o mesmo período de 2016. Na prática, porém, o volume produzido deve ter aumentado, pois os índices de produtividade do frango têm apresentado incremento contínuo nos últimos meses. De toda maneira, diante das dificuldades encontradas na comercialização da carne de frango nos mercados interno e externo, as informações correntes indicam que as empresas que atuam na comercialização da carne de frango têm realizado severos cortes na sua produção de pintos visando à uma redução na criação que possibilite o almejado equilíbrio. Assim, a estabilidade proporcionada no primeiro trimestre deve dar lugar a um volume de carne de frango sensivelmente inferior neste segundo trimestre. Além disso, é preciso enfrentar o crescente aumento nas matérias-primas básicas utilizadas na alimentação das aves, milho e farelo de soja, que tem dificultado ainda mais a normal atividade das empresas. Quanto aos volumes acumulados nos últimos 12 meses (abril de 2017 a março de 2018) é sempre oportuno observar que, por ora, não são válidas as comparações com idêntico período anterior, porquanto houve atualização nos parâmetros de produtividade a partir de janeiro de 2017.


Exportação de carne de frango

Embarques do primeiro trimestre é o pior do último triênio

O

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2016/2017

2017/2018

VAR. %

Abril

412,756

317,708

-23,03%

Maio

385,579

344,662

-10,61%

Junho

406,280

362,965

-10,66%

Julho

356,209

375,633

5,45%

Agosto

357,256

407,568

14,08%

Setembro

380,502

380,030

-0,12%

Outubro

308,077

358,809

16,47%

Novembro

321,468

318,132

-1,04%

Dezembro

356,915

313,664

-12,12%

Janeiro

354,971

323,279

-8,93%

Fevereiro

325,372

304,376

-6,45%

Março

374,623

367,677

-1,85%

1.054,966

995,332

-5,65%

4.340,008

4.174,505

-3,81%

Em 03 meses

Em 12 meses

Fonte dos dados básicos: SECEX/MDIC

EXPORTAÇÃO TRIMESTRAL 2010 a 2018 – 1º trimestre

2014

2015

2016

995

1.055

1.024

910

2011 2012 2013

907

2010

901

933

974

Mil Toneladas

848

s dados consolidados da SECEX/MDIC apontam que em março as exportações totais de carne de frango somaram 367,7 mil toneladas, resultado que superou as expectativas iniciais mas que, ainda assim, ficou quase 2% aquém do alcançado um ano atrás, em março de 2017. Em relação ao mês anterior, fevereiro de 2018 (mês mais curto) o aumento foi significativo, de quase 21%. Com tais resultados, o volume acumulado no primeiro trimestre do corrente exercício ficou – pela primeira vez nos últimos três anos – aquém do milhão de toneladas, recuando mais de 5% em relação ao mesmo trimestre de 2017. Não chega a surpreender, mas a constatação é de que entre os 10 principais importadores da carne de frango brasileira já não há nenhum país europeu. O último a sair do rol foi a Holanda, que apenas cinco anos atrás (2013) ocupava a sexta posição. Em contrapartida, a lista dos 10 principais importadores tem um novo ocupante: o México, um ano atrás na vigésima posição e agora no oitavo posto. No primeiro trimestre, o México aumentou suas compras em 78%. O mercado chinês (China + Hong Kong) manteve-se na liderança das importações, com um volume pouco superior a 174 milhões de toneladas, 4% a mais que o registrado no mesmo trimestre de 2017. Isoladamente e como ocorre historicamente (salvo algumas poucas exceções), a Arábia Saudita continua como o principal mercado de destino da carne de frango brasileira, respondendo por cerca de 15% do volume. Esse posicionamento, no entanto, permanece como uma das principais preocupações do setor exportador de carne de frango face à exigência (por ora apenas dos sauditas) de eliminar-se, no abate Halal, o pré-atordoamento das aves por choque elétrico. E se essa questão não for equacionada, as exportações brasileiras podem ser ainda mais afetadas do que atualmente, porque problemas igualmente sérios vêm sendo enfrentados também na União Europeia.

2017 2018

A Revista do AviSite

53


Estatísticas e Preços Disponibilidade Interna de Carne de Frango

Aumento trimestral foi superior aos 2,36% apontados pelo setor

P

Evolução Mensal MIL TONELADAS

MÊS

2016/2017

2017/2018

VAR. %

Abril

733,775

813,490

-

Maio

786,669

794,165

-

Junho

695,980

735,955

-

Julho

815,953

781,149

-

Agosto

769,721

735,633

-

Setembro

692,826

716,757

-

Outubro

817,243

790,206

-

Novembro

713,628

776,002

-

Dezembro

743,074

836,969

-

Janeiro

856,213

843,458

-1,49%

Fevereiro

742,445

778,697

4,88%

Março Em 03 meses

Em 12 meses

799,039

832,242

4,16%

2.397,697

2.454,396

2,36%

9.166,566

9.434,722

-

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

CONSUMO PER CAPITA

42,639

45,328

45,796

46,969

47,760

Consumo médio trimestral projetado para a totalidade do ano 1º Trimestre de 2017 a 1º Trimestre de 2018 Kg Per Capita

1º tri 2017

54 A Revista do AviSite

2º tri 2017

3º tri 2017

4º tri 2017

1º tri 2018

artindo da produção de pintos de corte e com novos parâmetros de produtividade dos frangos em criação, a APINCO estimou que a produção de carne de frango em março tenha atingido cerca de 1,2 milhão de toneladas, resultado que significou aumento anual de 2,24%. As exportações, por sua vez, enfrentaram recuo anual de 1,85%, fazendo com que o volume disponibilizado no mercado interno tenha sofrido aumento anual de 4,16%. Na prática, porém, o volume ofertado deve ter aumentado ainda mais, pois os índices de produtividade do frango têm apresentado incremento contínuo nos últimos meses. E isto considerado, torna o aumento da disponibilidade interna no trimestre inicial do ano muito maior que os 2,36% apontados. A que se considerar ainda o crescimento da oferta interna em meses tradicionalmente de refluxo no consumo, com o período de férias escolares e de grande parte da massa trabalhadora, aliado aos gastos extras de todo início de ano (IPTU, IPVA, Material Escolar). Em outras palavras, pode se dizer que a avicultura “errou a mão”. E a evolução do consumo per capita dos últimos trimestres nos dão a noção exata do aumento registrado: a média registrada no primeiro trimestre de 2018 – correspondente a uma disponibilidade anual de 47,760 kg per capita – superou não só (em 1,68%) o que foi disponibilizado no mesmo trimestre de 2017, como foi 4,29% superior ao apontado para o quarto trimestre do ano passado, tradicionalmente o período de maior consumo de cada exercício. Alguém poderia objetar, neste caso, que isso só ocorreu porque as exportações do 1º trimestre de 2018 apresentaram recuo anual superior a 5%. A realidade, porém, é que, ainda que se exportasse o mesmo volume do trimestre inicial de 2017 (quando foi registrado o segundo melhor resultado trimestral do ano que passou), a disponibilidade interna nos três primeiros meses deste ano estaria acima dos 46,5 kg per capita.


Desempenho do frango vivo em abril e no 1º quadrimestre de 2018

Mercado operou sob extrema fragilidade

J

á faz algum tempo que as variações de preço do frango vivo comercializado no interior de São Paulo deixaram de ser a principal – e, por décadas, única referência das condições de mercado do frango (aqui considerado, também, o abatido). Porque, principalmente, sua produção e oferta perderam relevância frente ao avanço da produção integrada, na qual inexiste o comércio da ave viva. Em abril passado, porém, essa perda de relevância atingiu seu auge. Porque, como mostra o gráfico, a despeito de o preço ter permanecido inalterado durante os 30 dias do mês, o mercado – afetado sobretudo pelo embargo imposto pela União Europeia a um grupo de empresas exportadoras brasileiras – operou sob extrema fragilidade, contradizendo a estabilidade observada. Acentuou-se, assim, o aspecto ficcional da cotação de referência, pois ela permaneceu pelo menos 10% acima dos reais preços praticados no dia a dia do setor, alheia à fraqueza enfrentada pelo produtor. Dessa forma, aceito o valor de referência, o preço alcançado no mês recuou mais de 6% em relação ao mês anterior e outros 12% em relação a abril de 2017. Porém, levando em conta que na maior parte dos negócios efetivados no período e na maior parte do mês o preço efetivamente praticado não foi além dos R$2,00/kg, a redução de março para abril sobe para 15%, enquanto a queda anual se situa em 20%. Mas, voltando ao valor de referência, nominalmente ele atingiu o menor patamar dos últimos 35 meses, ficando acima, somente, dos R$2,17/kg registrados em maio de 2015. Porém, em termos reais (isto é, levando em conta a inflação acumulada mês a mês) retrocedeu aos mesmos baixíssimos níveis enfrentados 12 anos atrás, nos primeiros meses de 2006, também por problemas na exportação (então, em decorrência da expansão, no Hemisfério Norte, de surtos de Influenza Aviária que, equivocadamente noticiados, afugentaram os

consumidores e geraram grandes excedentes de carne de frango – inicialmente, no mercado internacional; na sequência, no mercado interno). Prosseguindo na mesma linha de raciocínio, o quadrimestre inicial do ano foi encerrado com uma média nominal – R$2,40/kg – correspondente ao menor valor alcançado pelo frango nos últimos seis anos. No entanto, em termos reais, novamente, o setor recebeu tanto quanto na crise de 12 anos atrás. É interessante notar, de toda forma, que a perda de preço do frango não é fato novo: em relação ao preço alcançado em dezembro/17 (R$2,70/kg) ele vem sofrendo redução média de 5% ao mês desde janeiro. O que não representa novidade, é ocorrência natural em praticamente toda primeira metade do ano (período de safra das carnes). Apenas a queda é mais severa e – o que é pior – está sendo severamente agravada pela alta dos custos. Nas circunstâncias atuais (perda de parte do mercado externo), só a redução da produção pode ajudar a amainar as perdas enfrentadas. E isso, com certeza, já vem ocorrendo. Mas seus efeitos levam pelo menos 70 dias (quase cinco quinzenas) para começar a chegar ao mercado. Como os problemas explodiram na primeira quinzena de março, as primeiras respostas só devem começar a aparecer na segunda quinzena de maio.

FRANGO VIVO

Evolução de preços na granja, interior paulista – R$/KG Média mensal e variação anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/KG

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

ABR/17

2,50

-6,79%

-7,22%

MAI

2,50

0,00%

0,00%

JUN

2,50

-11,02%

0,00%

JUL

2,50

-15,25%

0,00%

AGO

2,50

-20,91%

0,00%

SET

2,50

-19,29%

0,08%

OUT

2,63

-15,03%

5,28%

NOV

2,70

-12,90%

2,51%

DEZ

2,70

-10,72%

0,00%

JAN/18

2,57

-2,98%

-4,84%

FEV

2,48

-6,02%

-3,63%

MAR

2,36

-12,57%

-4,86%

ABR

2,20

-12,00%

-6,61%

Média anual em 10 anos R$/KG 2009 2010 2011 2012

R$ 1,63 R$ 1,65 R$ 1,92 R$ 2,08

2013

R$ 2,47

2014

R$ 2,42

2015 2016 2017 2018

R$ 2,62 R$ 2,89 R$ 2,58 R$ 2,40

A Revista do AviSite

55


Estatísticas e Preços Desempenho do ovo em abril e no 1º quadrimestre de 2018

Alta oferta influencia retrocesso de preço abitualmente, o preço dos ovos nos primeiros meses do ano só começa a retroceder após o período de Quaresma. Mas na Quaresma de 2018, encerrada em 31 de março, o processo começou bem antes, em meados do mês. E em abril o processo apenas se acentuou. Para começar – e também ao contrário do que ocorre habitualmente – o período de pagamento dos salários (primeira quinzena do mês, quando as vendas se intensificam) passou em brancas nuvens para o setor, pois os preços vigentes, em vez de experimentarem valorização, apenas recuaram - semana após semana, sem interrupção. Diversos fatores podem estar influenciando essa ocorrência. Mas a causa primeira está na alta expansão do alojamento de pintainhas de postura observado em 2017. Ele cresceu quase 14% no ano e seus efeitos (a produção de ovos daí decorrente) ocorre em momento de retração generalizada no consumo.

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

2009

ABR/17

91,13

35,77%

3,04%

MAI

83,31

14,81%

-8,58%

JUN

87,04

1,94%

4,48%

2011

JUL

83,62

-3,72%

-3,93%

2012

AGO

80,33

-4,37%

3,93%

SET

74,48

2,25%

-7,29%

OUT

69,04

0,70%

-7,30%

2014

NOV

66,00

-3,00%

-4,40%

2015

DEZ

64,36

-13,03%

-2,48%

JAN/18

53,92

-12,21%

-16,22%

FEV

71,35

-15,54%

32,31%

2017

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

2018

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

2010

R$ 38,63 R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86

2013

R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43

2016

R$ 77,78 R$ 67,93

Não fosse isso suficiente, também desaba sobre o setor, neste instante, um dos desdobramentos da perda (parcial) do mercado externo da carne de frango. Forçada a reduzir rapidamente sua produção, a avicultura de corte só tem como saída imediata a comercialização dos ovos férteis não incubados. Esse efeito, tudo indica, tende a ser superado no curto prazo, pois vem ocorrendo um maciço descarte de matrizes pesadas, fato indicado pela evolução dos preços no mercado de descartes. Mas ainda que a concorrência futura seja menor, os desafios tendem a permanecer, porquanto a maior parte do aumento no alojamento de pintainhas de postura, no ano passado, esteve concentrada no segundo semestre do ano. Mas, voltando aos preços de abril, eles foram um quarto menores que os registrados um ano atrás, no mesmo mês. Isto, em condições de produção totalmente contrárias, ou seja, com um acréscimo bastante significativo nos custos de produção. E enquanto os custos continuaram aumentando, o preço médio de abril retrocedeu mais de 14% em relação ao mês anterior. Já a média registrada no primeiro quadrimestre de 2018 – R$67,93/caixa para cargas fechadas comercializadas no atacado da cidade de São Paulo – vem correspondendo ao menor valor dos últimos três anos. E embora ainda tenhamos dois quadrimestres à frente, dificilmente essa situação será revertida. Ou seja: para o setor de postura, 2017 vai deixar muita saudade.

56

A Revista do AviSite

Jun

Jul

112,3

Ago

100,4

Mai

99,7

Abr

2018 Média 2001/2017 (17 anos)

101,6

Mar

114,5

117,1 109,4

112,1

120,5

87,1

Fev

101,6

Jan

91,7

69,0

91,8

115,0

Preço relativo em 2018 comparativamente ao período 2001/2017 (17 anos) Média mensal do ano anterior = 100

Set

Out

Nov

110,4

H

Dez


Milho e Soja Milho retrocede 5% em abril O preço do milho registrou retrocesso mensal em abril. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$42,43, valor 5,2% abaixo da média alcançada pelo produto em março, quando ficou em R$44,74. Porém, a disparidade de preço do milho em relação ao ano anterior é altíssima. O valor atual é 40% superior, já que a média de abril de 2017 foi de R$30,29 a saca.

Farelo de soja registra alta anual de quase 40% O farelo de soja (FOB, interior de SP) voltou a registrar nova alta em abril de 2018. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.295/t, valor 1,7% superior ao praticado no mês de março – R$1.273/t. Em comparação com abril de 2017 – quando o preço médio era de R$0,931/t – a cotação atual registra alta de 39,1%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de abril ficou em R$2,20 kg – alcançando índice 6,6% inferior à média de março. Dessa forma, com a maior desvalorização do frango vivo em relação ao milho piorou um pouco mais o poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 321,4 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa 1,7% de perda no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em março, a tonelada do milho “custou” 316 kg de frango vivo. Já a perda anual supera os 37%.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo

Valores de troca – Milho/Ovo

Valores de troca – Farelo/Ovo

O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve forte desvalorização em abril e fechou à média de R$61,75, valor 15,5% inferior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$73,08. Com a grande desvalorização no preço médio dos ovos em relação à verificada no milho, houve sensível queda no poder de compra do avicultor. Em abril foram necessárias 11,5 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em março, foram necessárias 10,2 caixas/t, piorando em quase 11% a capacidade de compra do produtor. No ano, a perda supera os 48%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em abril foram necessárias aproximadamente 21 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou queda mensal de 16,9%, já que, em março, 17,4 caixas de ovos adquiriam uma tonelada de farelo. Em relação a abril de 2017 houve piora de 47,8% no poder de compra, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 10,9 caixas de ovos.

Fonte das informações: www.jox.com.br

A queda na cotação do frango vivo e a alta alcançada no farelo de soja em abril fez com que fossem necessários 588,6 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando piora de 8,4% no poder de compra do avicultor em relação a março, quando 539,4 kg de frango vivo obtiveram uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve piora de 36,7% já que lá, foram necessários 372,4 kg para adquirir o cereal.

A Revista do AviSite

57


Ponto Final

Ariovaldo Zani

é médico veterinário, vice-presidente executivo do Sindirações, diretor do Departamento de Insumos/DEAGRO/FIESP, diretor do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal, professor de MBA Agronegócio – PECEGE/ESALQ/USP e membro do Conselho Consultivo SESI/SENAI.

O

sucesso de qualquer organização com fins lucrativos depende da sustentabilidade do respectivo negócio e da disciplina financeira, ou seja, da moderação, inclusive, nos períodos de prosperidade, já que a percepção de segurança dos agentes financiadores, fornecedores e clientes, é modulada, em boa medida, pelo cumprimento do prazo na entrega das mercadorias e da liquidação das faturas, conforme contrato estabelecido pelos envolvidos. A delicada conjuntura econômica predominante atualmente, faz a cautela sobrepujar qualquer atrevimento, uma vez que o risco de guinada para um cenário mais desfavorável pode comprometer sobremaneira outros elos da cadeia e estabelecer um ciclo vicioso que já inquieta agricultores, criadores, abatedouros, frigoríficos, fornecedores, varejistas, consumidores e até o Governo. O contexto contemporâneo, inclusive, retroalimenta a apreensão dos grandes exportadores brasileiros, por causa do auto impedimento imposto pelo Ministério da Agricultura, por motivos sanitários, ao frango direcionado à União Europeia e pelo embargo dos russos à carne suína, frustrados com a hesitação envolvendo a importação de trigo e pescado. É flagrante reparar também a asfixia financeira dos empreendimentos independentes, abatidos pela anabolizada taxa de juros para financiamento do capital de giro e para investimento nos imprevisíveis desembolsos para cumprimento das “inovações” regulamentares emergentes, dia a dia. Embora o desequilíbrio logístico entre o armazenamento físico do grão e a geografia da demanda é reconhecido, a mais recente elevação do preço do milho vem sendo considerada especulativa, principalmente quando confrontada com o suficiente estoque sazonal disponível. Essa circunstancial majoração, combinada à inconveniente depreciação do valor pago ao animal vivo, compete ainda mais na corrosão da rentabilidade de avicultores e suinocultores. Essa relação, tão desfavorável em meados de abril, exige 80% mais frango para o avicultor paulista comprar a mesma quantidade de milho de um ano atrás. O suinocultor mato-grossense, por sua vez, opera com prejuízo médio de R$ 70,00 por animal de 100kg abatido.

58

A Revista do AviSite

O“GALO” subiu no telhado! Lamentavelmente, esvaiu-se a expectativa de que a persistente gangorra agropecuária (preço do milho ou frango/suíno, lá em cima ou lá embaixo, em alternância à cada estação) contribuísse didaticamente na convergência harmoniosa de boas intenções para mitigação dos efeitos colaterais. Ao contrário, as divergências persistem, pois, criadores não tencionam garantir antecipadamente os preços futuros e agricultores dizem não encontrar estímulo na época do plantio. A reflexão exposta até aqui tenciona exortar as empresas do setor quanto aos riscos e consequências da hipotética, mas, perturbadora possibilidade da recuperação judicial. A medida é legal e, sobretudo, objetiva a superação da crise, permitindo a continuidade da atividade econômica e a preservação dos empregos, muito embora e invariavelmente, tenda a gerar grande insegurança e até suscitar receios, quando suspeita de oportunismo. Evidentemente se o cliente não paga o fornecedor, este fica sem capital para saldar as dívidas com os outros e assim por diante, seguindo o famigerado efeito cascata. Exercitando a memória e relembrando do passado relativamente recente, o ano de 2012 foi caracterizado por um estado de pendência dos devedores com o restante da cadeia, e credores diante de montantes não corrigidos e parcelamentos a perder de vista. A mesma abordagem continua atualizadíssima, pois, a hipotética persistência de fatores concomitantes durante o primeiro semestre (alto custo de produção e operação, preços demasiadamente pressionados e exportações interrompidas) antecipa razoável turbulência e legitima a necessidade de muito mais diálogo entre todos os elos envolvidos. Indubitavelmente o setor já passou por vários ciclos de expansão e retração, mas sempre se valeu da oportunidade para avançar e inovar, e constituiu-se um dos principais pilares econômicos do Brasil. Agora, contudo, vive tensionado diante da fragilidade de alguns empreendimentos mais expostos aos efeitos da recente reorganização econômica e dos outros fatores citados anteriormente. Já passou da hora de envidar conjuntamente os esforços para mitigação de qualquer possibilidade de contágio dos demais elos da cadeia produtiva e de refletir sobre o contexto e a multiplicidade de razões, que há tempo, impactam a coletividade de empreendedores do setor.


A Revista do AviSite

59


Ponto Final

60 A Revista do AviSite

Edição 121 Revista do AviSite  
Edição 121 Revista do AviSite  
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