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Editorial

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Sumário

das novas 16 Lançamento Tabelas Brasileiras de

Lar projeta a 40 Cooperativa redução do uso de antibióticos

Nutrição Animal Equipe da UFV e de outras instituições divulgam os valores dos nutrientes exigidos pelas aves e suínos

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Eubióticos: solução para uma produção avícola sem o uso de antibióticos?

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Cobertura Conferência Facta

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Anpario entra no mercado brasileiro Informes Técnico-Comercial Fluxo Eletrônica: Insensibilização de aves utilizando ondas complexas para atendimento do Regulamento CE 1099/2009

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Idexx: Os Dez Princípios da Interpretação Sorológica

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Ceva: Benefícios e desempenho ao campo e abate com tecnologias vacinais de controle de doenças respiratórias

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ICC: Parede celular de levedura: a solução natural contra a Salmonella

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Cinergis: Levedura integral hidrolisada de Tórula

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Yes: Alimentado as bactérias benéficas

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Boehringer Ingelheim: Patrícia Schwarz assume a Direção da Unidade de Aves

Poly Sell: Parceria com Vitafort Vetanco completa 30 anos, com solidez no mercado do agronegócio

promotores de crescimento Eliminação completa destes medicamentos é um longo caminho a ser percorrido, mas deve acontecer

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Eventos

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Notícias Curtas Importadores do Catar reafirmam confiança no setor de proteína animal do Brasil

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AviGuia Cobb-Vantress treina integrados da Frango Bello

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Ponto Final Conferência FACTA 2017 supera expectativa de público Por Rodrigo Garófallo Garcia

As 8 notícias mais lidas no AviSite e Há 10 anos

Estatísticas e preços 58 59 60 61 62 63 64 65

Produção e mercado em resumo Pintos de corte Produção de carne de frango Exportação de carne de frango Oferta Interna Desempenho do frango vivo em maio Desempenho do ovo em maio Matérias-primas

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Editorial

Lançamento das novas Tabelas Brasileiras de Nutrição Animal

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

A Edição de Junho da Revista do AviSite traz como destaque o lançamento das novas Tabelas Brasileiras de Nutrição Animal. Os valores dos nutrientes exigidos pelas aves foram estabelecidos através da realização de experimentos dose-resposta, executados pela equipe da Universidade Federal de Viçosa e por outras instituições de pesquisa associadas. Para frangos de corte, inicialmente, foram catalogados todos os experimentos dose-resposta com lisina e determinou-se a ingestão diária de lisina digestível. Posteriormente, foi calculada a lisina para mantença, o que permitiu obter a quantidade de lisina digestível/ kg de ganho de peso em diferentes fases de crescimento. Para estas determinações foram utilizados dados (semanais e do período total) de cada experimento dose-resposta com diferentes níveis de lisina. Nas Tabelas Brasileiras, o capítulo de composição de alimentos contou com resultados de milhares de análises laboratoriais e de ensaios biológicos, de digestibilidade e de metabolismo, de alimentos, produzidos no Brasil. A determinação dos níveis de exigências nutricionais envolveu a realização de dezenas de testes biológicos com frangos de corte, poedeiras, suínos e codornas nas diversas fases da criação, potenciais genéticos e sob variadas condições de ambiente e de temperatura. Em outro tema de destaque, esta edição traz também um projeto piloto desenvolvido pela Cooperativa Lar para reduzir o uso de antibióticos promotores de crescimento. Sediada em Medianeira, oeste do Paraná, a Lar abateu, em 2016, 100 milhões de cabeças de frango. Para 2017, eles esperam um incremento de mais de 25% no abate. O projeto está sendo desenvolvido por Dirceu Zotti, Gerente da Divisão de Integração Pecuária, que a Cooperativa Lar. Em uma entrevista, Dirceu Zotti deixa claro que a eliminação completa destes medicamentos é um longo caminho a ser percorrido, mas deve acontecer. “O antibiótico terá sempre o seu lugar com usos pontuais”. Zotti conta que o uso de probióticos, acidificantes e óleos essenciais e outros pro-

ISSN 1983-0017 nº 113 | Ano V | Junho/2017

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Érica Barros (MTB 49.030) Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin comercial@avisite.com.br Assistente de Marketing Simone Barbosa Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação Caroline Esmi financeiro@avisite.com.br

dutos alternativos, que substituíram em parte os promotores de crescimento, surpreendeu a equipe técnica pelos bons resultados. “Fizemos testes iniciais e tivemos ótimos resultados, ou seja, avançamos em resultados zootécnicos e tivemos uma redução de custos consideráveis”, afirma o profissional. Além do uso de produtos alternativos, as condições de manejo também foram melhoradas para dar sustentação à redução de antibióticos. E ainda, uma cobertura especial da Conferência Facta, realizada no último mês, em Campinas, Informes Técnicos de nossos parceiros, os números, as estatísticas e os principais dados da avicultura e muito mais!

Os informes técnicoempresariais publicados nas páginas da Revista do AviSite são de responsabilidade das empresas e dos autores que os assinam. Este conteúdo não reflete a opinião da Mundo Agro Editora.

Boa leitura!

Errata Foi publicada uma nota sobre a participação da Phibro no Simpósio Brasil Sul, na página 26. A declaração é de Daniel Vidiri.

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LANÇAMENTO

AVICULTOR, FIQUE SEMPRE ATUALIZADO CONTEÚDO TÉCNICO DE QUALIDADE VOCÊ SÓ ENCONTRA NO AGNEWS

Há alguns anos nos comprometemos em oferecer conteúdo técnico de qualidade, gratuito, visando o crescimento do produtor e o desenvolvimento do agronegócio nacional. Hoje, damos mais um passo neste sentido: lançamos o app AgNews. Informação para o seu dia-a-dia para melhorar seus resultados, na palma de suas mãos. Só quem é muito mais que nutrição pode honrar este compromisso. Com o AgNews Aves, você fica atualizado sobre os mais importantes assuntos: Produtividade Nutrição Genética Rentabilidade Manejo Mão de Obra Notícias Gestão Dicas O App do avicultor bem informado. Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição. Baixe agora em agnews.agroceresmultimix.com.br

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Eventos

2017 Junho

3ª edição Simpósio OvoSite: Desafios na Produção e Comercialização de Ovos

Local: Wish Serrano Resort e Convention, Gramado, RS Realização: Asgav e Ovos RS E-mail: conbrasul@asgav.com.br Informações: www.asgav.com.br

Local: Anhembi Parque, São Paulo, Auditório 9 Realização: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e OvoSite Contato: (11) 3095-3120 E-mail: siavs@abpa-br.org Informações: www.avisite.com.br/Simposio-OvoSite-SIAV-EMailMkt. html

Conbrasul - 1ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos

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4ª Favesu - Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba Local: Venda Nova do Imigrante, ES Realização: AVES e ASES E-mail: comercial@favesu.com.br Informações: www.favesu.com.br 29

Avicultor 2017 Local: Rua Pitangui, 1904, Sagrada Família, Belo Horizonte, MG Realização: Avimig (Associação dos Avicultores de Minas Gerais) Contato: (31) 3482-6403 E-mail: avimig@avimig.com.br Informações: www.avimig.com.br/avicultor

Julho 04 e 05

Curso FACTA sobre Abate e Processamento de Aves Local: Maringá, PR Realização: FACTA - Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas Telefone: 19 3243-6555 E-mail: facta@facta.org.br Site: www.facta.org.br 13 a 16

Festa do Ovo de Bastos Local: Recinto de Exposições Kisuke Watanabe, Bastos, SP Realização: Sindicato Rural e Prefeitura de Bastos Contato: (14) 3478-9800 Informações: www.bastos.sp.gov.br

Agosto 8 a 10

13ª TecnoCarne - Feira Internacional de Tecnologia para a Indústria da Proteína Animal Local: São Paulo Expo, SP Realização: Informa Exhibitions Informações: www.tecnocarne.com.br/pt 29 a 31

SIAVS - Salão Internacional da Avicultura e Suinocultura 2017 Local: Anhembi Parque, São Paulo, SP Realização: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Telefone: (11) 3095-3120 E-mail: siavs@abpa-br.org Informações: www.siavs.org.br

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Setembro 13 e 14

I Encontro Técnico em Avicultura O I Encontro Técnico em Avicultura é uma idealização do Grupo de Estudos em Tecnologias Avícolas da UFPB, Campus II – Areia-PB. O objetivo do evento é promover a integração entre estudantes dos cursos de ciências agrárias, produtores, pesquisadores e profissionais da área para discutir e atualizar os principais aspectos técnicos da avicultura moderna. Local: Areia, PB Realização: Grupo de Estudos em Tecnologias Avícolas Departamento de Zootecnia Universidade Federal da Paraíba/Centro de Ciências Agrárias E-mail: geta.ufpb@outlook.com.br 19

XII Encontro de Avicultura Mercolab Local: Cascavel, PR Realização: Mercolab Informações: www.mercolab.com.br 26 a 29

XXV Congresso Latinoamericano de Avicultura Local: Guadalajara, México Informações: www.avicultura2017mx.com

Outubro 20 e 21

III Simpósio de Bem-Estar e Comportamento Animal (SiBem) Local: Descalvado, SP Realização: Universidade Brasil Informações: www.universidadebrasil.edu.br

Novembro 9 e 10

V Workshop Sindiavipar Local: Foz do Iguaçu, PR E-mail: aviculturapr@sindiavipar.com.br Informações: www.sindiavipar.com.br


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Painel do aLeitor Fale com gente /avisite.portaldaavicultura

Fale com a redação, peça números antigos, faça sua assinatura e anuncie na Revista do AviSite. Entre em contato pelo telefone 19-3241-9292, de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h30.

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As 8 notícias mais lidas no AviSite em Maio

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Com queda na exportação, aumentou oferta interna de frango As projeções da APINCO baseadas na produção de pintos de corte indicam que a produção de carne de frango fechou abril passado com uma redução de 3,70%, índice que, em relação ao mesmo mês de 2016, subiu para 4,70% a menos.

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Carne de frango: o menor VBP dos últimos cinco anos O MAPA estimou que o valor bruto da produção (VBP) da carne de frango em 2017 será pouco superior a R$48 bilhões. Este resultado sugere não só uma queda de 11,5% em relação a 2016, mas também o menor VBP dos últimos cinco anos.

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Matrizes de corte: alojamento brasileiro nos últimos 16 anos Em 2016 foram alojadas no País pouco mais de 50,5 milhões de matrizes de corte, volume quase meio por cento inferior ao registrado em 2015. Depois de sofrer fortes reduções, o alojamento se manteve relativamente estável.

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O preço médio do frango exportado em uma década Em 2016 a carne de frango exportada pelo Brasil atingiu, em dólar, seu segundo menor valor em uma década. Alcançando, no ano, valor médio de US$1.568,93 por tonelada embarcada, ficou acima, apenas, dos US$1.503,34/t de 2007. Mesmo assim, por pequena margem: +4,36%.

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Carne de frango: tendências de produção no atual semestre

Milho: para o frango, a melhor relação de preços em 16 meses

Em março passado o alojamento de pintos de corte atingiu seu menor nível. E como parte desse alojamento correspondeu a aves abatidas em maio corrente, é lógico concluir-se que no mês ocorre a menor oferta de carne de frango deste ano. Em junho não deve ser muito diferente.

Em abril, a relação de preços entre frango vivo e milho foi de 1 para 4,937 (1:4,937).Ou, exemplificando, uma tonelada de frango vivo permitiu adquirir 4,937 toneladas de milho (bases: interior de São Paulo).

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Frango: lucratividade atual não repõe perdas acumuladas

Operação da PF: efeitos na exportação brasileira de carnes

Com a explosão dos preços das matérias-primas, o ano de 2016 já começou com uma remuneração aquém do custo registrado, situação que só foi revertida a partir de agosto e que teve seu melhor momento em novembro (preço de R$3,08/kg – valor 13% superior ao custo de R$2,72/kg).

No fechamento do primeiro trimestre, entre as quatro principais carnes exportadas pelo País – de frango, bovina, suína e de peru – apenas a carne bovina vinha apresentando resultados negativos em relação ao mesmo período de 2016, tanto em volume como em receita.

Há 10 anos no AviSite www.avisite.com.br

Na exportação de frango, Brasil está 25% à frente dos EUA Campinas, 21/12/2007: Depois de reduzida a menos de 15% em 2006, a diferença entre as exportações de carne de frango brasileiras e norte-americanas voltaram a aumentar em 2007: entre janeiro e outubro, os embarques efetuados pelo Brasil estavam quase 25% acima dos realizados pelos EUA, média que tende a permanecer no final de 2007. No decorrer deste ano, em apenas duas ocasiões os embarques dos dois países ficaram muito próximos: em junho, quando as exportações dos EUA aumentaram quase 30% em relação ao mês anterior, enquanto as do Brasil sofriam um refluxo de mais de 5%; e em setembro, quando a greve dos fiscais federais agropecuários ocasionou queda de 20% nos embarques brasileiros. Projetadas para a totalidade do ano a partir do que foi embarcado até outubro, as exportações de EUA e Brasil chegarão a 2,586 e 3,225 milhões de toneladas, respectivamente, mantendo-se diferença de 24,74% a favor do Brasil.

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Produção Animal Avicultura


Notícias Curtas

Exportação

Importadores do Catar reafirmam confiança no setor de proteína animal do Brasil O presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra foi informado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) que importadores do Catar pretendem incrementar as compras de proteína animal do Brasil. A manifestação foi feita por representantes da Qatar Meat Production, em encontro ocorrido na Embaixada do Brasil em Doha. Com capacidade de produção superior a três mil toneladas anuais, a empresa é a única indústria de processamento de carne do país islâmico, com produtos como shawarma, nuggets, salsichas, kebabs e outros. A empresa, que importa proteína animal brasileira por meio de intermediários internacionais, deve iniciar a importação direta de produtos como frango congelado, peru e outros produtos. Conforme informado pelo MRE ao presidente da ABPA, os representantes da indústria importadora catariana ressaltaram total confiança na qualidade das proteínas importadas do Brasil. “Eles nunca cogitaram mudar os planos sobre os negócios com o setor brasileiro, com o objetivo de incrementar as importações. Este depoimento é um atestado da confiança internacional na competência e na qualidade de nossos produtos”, exalta Turra.

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Notícias Curtas

Exportação

CNA e Apex-Brasil renovam acordo para fortalecer o Agro O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, e o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), embaixador Roberto Jaguaribe, assinaram no final de maio a renovação do Acordo de Cooperação Técnica entre as entidades. Em seu discurso, o presidente da CNA lembrou que o trabalho da entidade junto à Apex-Brasil já vem de muitos anos, porém foi preciso “estreitar ainda mais” os laços desde que o “agro tornou-se o grande protagonista da balança comercial brasileira”. João Martins citou a parceria da CNA com a Apex-Brasil na Rede Agropecuária de Comércio Exterior (InterAgro), projeto pioneiro que tem os objetivos de capacitar e sensibilizar os produtores rurais para a importância e o funcionamento do mercado internacional.

O presidente da CNA reafirmou a intenção de consolidar o InterAgro, disseminando-o em todos os Estados, e ressaltou a importância da interação com as Federações estaduais, “peças-chave para o sucesso dessa iniciativa”. No momento em que são negociados acordos comerciais importantes, disse Martins, os escritórios da Apex-Brasil são “braços parceiros capazes de identificar barreiras, promover produtos e gerar conhecimento sobre os consumidores na ponta”. Para o presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, a parceria com a CNA serve para estabelecer uma linha de frente de ações múltiplas e ajudar a agricultura brasileira a se posicionar cada vez mais no mercado internacional. “Precisamos aumentar a capacidade de exportação do nosso país e superar as barreiras técnicas e tarifárias que travam o acesso ao comércio exterior”, afirmou Jaguaribe.

Aumento nas vendas

Grupo Pão de Açúcar começa a mudar modelo comercial O Grupo Pão de Açúcar (GPA) dá um primeiro passo num modelo de operação que pode mudar, no longo prazo, a forma como a varejista negocia com a indústria. O movimento ocorre num período de acirrada disputa por mercado, especialmente entre redes do GPA e do Carrefour. A companhia anunciou o lançamento de um aplicativo para as redes Extra e Pão de Açúcar, que permite à indústria apresentar ofertas diretamente aos consumidores, sem interferência da loja. O mercado brasileiro é o primeiro em que o controlador do GPA, o grupo francês Casino, testa a iniciativa. Um total de 25 indústrias começa, no próximo mês, a acionar um site no qual selecionará quais produtos quer ofertar e para qual perfil de clientes. Será possível ao fabricante escolher, por exemplo, a região ou a cidade do país que pretende atingir para determinada promoção e buscar quais clientes compram com frequência lançamentos ou ofertas. O sistema informa, então, o público que deve ser atingido pela ação, o investimento feito na oferta e a expectativa de venda com a operação. Jorge Faiçal, diretor de gestão de categoria e marketing do GPA Alimentar, disse que a intenção é trazer tráfego para lojas, ampliando o volume vendido e ganhando escala. “A pretensão não é aumentar rentabilidade, mesmo que isso tenda a acontecer com volumes maiores. A ideia é aumentar o ‘share of wallet’ [participação das vendas do grupo nas vendas mensais das famílias]. Calculamos que uma família média tem gasto mensal de R$ 1 mil nos supermercados e visita sete lojas no mês. Nosso ‘share’ é de R$ 200. Queremos aumentar isso”, diz.

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Entrevista

Eubióticos: solução para uma produção avícola sem o uso de antibióticos?

O

s chamados Eubióticos (em linhas gerais compostos por ácidos orgânicos, probióticos, prebióticos, compostos de óleos essenciais e compostos de Zn e Cu) possuem efeitos antimicrobianos, com capacidade de influenciar e, em parte, modificar a composição e concentração total da microbiota intestinal. Este conceito ganha cada vez mais força frente à necessidade de redução de antibióticos na produção animal. Diante deste cenário, a Revista do AviSite foi conversar com Vitor Barbosa Fascina, Gerente Regional de Produto – Eubióticos – Brasil e Cone Sul da DSM. Acompanhe, na sequência, a entrevista completa. Revista do AviSite: Vários aditivos - aqui denominados Eubióticos - são capazes de afetar a composição ou a atividade da microbiota intestinal. Como os produtores devem avaliar a melhor eficácia de cada produto, segundo sua demanda? Vitor Barbosa Fascina: A avaliação da eficácia dos eubióticos pelos produtores nem sempre é uma tarefa fácil. Há vários fatores na produção em larga escala que influenciam na resposta animal. Dentre eles, se destacam as diferentes microrregiões de produção de uma integração avícola com suas particularidades ambientais, sanitárias (desafios sanitários e

programas vacinais) e de manejo. De modo geral, o que se espera com o uso dos eubióticos é que eles proporcionem os mesmos resultados de desempenho que os AMDs. Atualmente, a parceria entre indústria e comunidade científica tem proporcionado avaliações cada vez mais detalhadas e que resultam em informações importantes para a implantação de um programa de uso de eubióticos em larga escala. Dentre as avaliações para demonstrar os efeitos dos eubióticos, pode-se destacar as análises de microbioma intestinal, importante ferramenta no entendimento como os eubióticos auxiliam na modulação das populações de bactérias benéficas e/ou patógenas presentes no trato gastrintestinal das aves. Esta análise, correlacionada as análises tradicionais como de desempenho zootécnico, rendimentos de carcaça e corte, análises imunológicas e enzimáticas (enzimas pancreáticas e do sistema antioxidante), resultam em subsídios para que os produtores escolham o melhor eubiótico e/ou a associação de aditivos para o uso em larga escala. Existe hoje um trabalho feito na formação dos profissionais para lidar com essa demanda? Atualmente, os profissionais ligados à saúde e nutrição animal têm buscado cada vez mais o aperfeiçoa-

Vitor Barbosa Fascina, Gerente Regional de Produto – Eubióticos – Brasil e Cone Sul da DSM: “O Brasil segue o mesmo caminho que a União Europeia (UE), adaptando-se para atender todos os mercados consumidores. Hoje, estima-se que 15% da produção brasileira de frangos são produzidas no conceito “AGP free” (livre de AMDs) para o atendimento de mercados mais exigentes”

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mento de como produzir frangos livres de AMDs. As transferências de informações com os profissionais dos países pioneiros nesta estratégia juntamente com pesquisas científicas suportadas pelas indústrias produtoras de eubióticos auxiliam no entendimento de quais as melhores estratégias e de como devem ser utilizadas para o sucesso deste tipo de produção. Um pré-requisito para a eliminação dos antibióticos da produção animal é a melhora das condições de manejo das aves. Como deve ser o manejo ideal, sob o seu ponto de vista sanitário? Na realidade, o manejo para este tipo de produção é muito similar ao do sistema tradicional. O diferencial é a intensidade do controle e cumprimento a todas as normas das boas práticas de produção. Dentre alguns fatores para o sucesso desta nova estrutura de produção, podemos elencar alguns pontos importantes. 1) Biosseguridade: o sucesso de toda a produção inicia-se com os cumprimentos dos processos de biosseguridade, como o vazio sanitário entre os lotes de no mínimo 14 dias para que haja uma adequada limpreza e desinfeção dos galpões e equipamentos utilizados na produção de aves; adequado controle de pragas (roedores e insetos como os cascudinhos - Alphitobius diaperinus); controle de veículos e pessoas; compartimentalização das microrregiões produtoras para

que trabalhem nos sistema all in – all out, ou seja trabalhar com regiões com idades das aves muito próximas, evitando o aumento de desafios sanitários. 2) Manejo de cama: neste tipo de produção, a troca de cama a cada lote se faz importante, entretanto, por dificuldade de disponibilidade de matéria-prima, a estratégia de reutilização de cama em até 6 ciclos de produção é uma alternativa viável desde que haja processo de fermentação de cama adequados e que a mesma não esteja contaminada com patógenos de interesse à saúde pública. 3) Alojamento de pintos de um dia com qualidade: para isto, é fundamental que as matrizes possuam os mais rigorosos controles sanitários e nutricionais, uma vez que o desenvolvimento embrionário dependerá da quantidade de nutrientes depositados pela matriz nos ovos, em destaque os nutrientes que proporcionam melhora no desenvolvimento intestinal, imunológico e do sistema antioxidante, dentre eles, a vitamina E e D, ácidos graxos e carotenoides. 4) Cuidados com ambiência: evitar variações de temperatura fora da zona de conforto da ave em cada idade, manter a qualidade do ar com redução dos gases nocivos ao trato respiratório das aves e reduzir a densidade populacional (aves/m²) resultam na melhoria do bem-estar animal e permitem que as aves expressem todo seu potencial genético. 5) Adequado programa nutricional: muito além dos ajustes de níveis nutricionais com formulações com quantidades exatas de nutrientes para o total uso

da ave, o uso de ingredientes de boa qualidade com alta digestibilidade sem a presença de fatores antinutricionais são imprescindíveis neste tipo de produção. O uso de ingredientes proteicos de origem vegetal com baixa digestibilidade, além serem fontes de substratos para bactérias patogênicas no trato gastrintestinal (TGI), também agridem as vilosidades do intestino, proporcionando uma porta de entrada para desenvolvimento de patógenos. Também o uso de produtos de origem animal são fatores complicadores, uma vez que há grande variabilidade na qualidade nutricional, maior probabilidade de presença de patógenos, além de

Dentre as avaliações para demonstrar os efeitos dos eubióticos, pode-se destacar as análises de microbioma intestinal, importante ferramenta no entendimento como os eubióticos auxiliam na modulação das populações de bactérias benéficas e/ou patógenas presentes no trato gastrintestinal das aves A Revista do AviSite

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Entrevista

Por quanto tempo a produção animal continuará dependendo do uso terapêutico de antibióticos? Qual é o nível considerado racional? “Na realidade, a produção animal não se desvinculará do uso terapêutico de antibióticos, pois um dos cinco pilares da lei de bem-estar animal é a liberdade sanitária que consiste no fato que os animais estejam livres de injúrias e doenças e, neste caso, quando um lote de frangos apresentar sinais clínicos de alguma enfermidade, este deverá ser medicado seguindo as prescrições de um médico veterinário, respeitando as recomendações corretas de uso do terapêutico, bem como seu período de carência para posterior abate e no histórico deste lote haverá a informação que as aves em questão foram medicadas devido a uma enfermidade. Portanto, pode-se afirmar que o nível considerado racional é aquele que, ao mesmo tempo que garante o bem-estar animal, respeita as orientações do fabricante, tais como dose, período de carência etc., assim, como respeita as legislações vigentes em cada país”. Vitor Barbosa Fascina, Gerente Regional de Produto – Eubióticos – Brasil e Cone Sul da DSM

Para o sucesso desta nova estrutura produtiva, podemos elencar alguns pontos importantes como a utilização de pintos de um dia de idade de alta qualidade, biosseguridade, cuidados com ambiência, uso de ingredientes de boa digestibilidade nas rações, modulação da microbiota intestinal e ambiental, uso de eubióticos e adequados programas de vacinação

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conterem compostos indesejáveis para o bom funcionamento do TGI como a presença de aminas biogênicas e ácidos graxos oxidados. 6) Modulação da microbiota intestinal: todos os pontos anteriormente mencionados auxiliam para que a ave possa apresentar uma microbiota intestinal equilibrada e benéfica para seu desenvolvimento. No entanto, o uso de eubióticos (probióticos, óleos essenciais, prebióticos e ácidos orgânicos), além das enzimas exógenas, garantem que a modulação da microbiota seja benéfico à ave. O uso de fitase, carboidrases e protease garantem a melhoria da digestibilidade dos nutrientes da dieta e reduzem o fatores antinutricionais na digesta, enquanto os probióticos proporcionam o adequado crescimento de bactérias ácido láticas e além de atuarem na exclusão competitiva de patógenos. Já os óleos essenciais estimulam a produção de enzimas endógenas digestivas e auxiliam na modulação da microbiota, bem como os ácidos orgânicos, colaborando na modulação atuando diretamente na inibição do crescimento de bactérias patogênicas. A estabilidade e atividade antimicrobiana dos Eubióticos

são demonstradas por estudos avançados de pesquisa. Até que ponto este conceito ganha força na avicultura brasileira? E quando o avaliamos no cenário externo, como na Europa? O conceito do uso de eubióticos como ferramenta para modulação da microbiota intestinal já é uma realidade no Brasil, pois o conceito de prevenção do desenvolvimento de patógenos está bem fundamentado em todas as áreas da cadeia, uma vez que mais de 70% do mercado brasileiro de avicultura já utiliza algum tipo de aditivo nutricional eubiótico associado ou não aos AMDs. Os demais países exportadores estão se adaptando para atender esta exigência de mercado e sabem que os eubióticos são as ferramentas para solucionar este ponto e garantir o atendimento destes mercado cada vez mais exigente. Na Europa, a produção de frangos encontra-se 100% livre de AMDs e a estratégia é o uso dos eubióticos associados a melhorias das práticas de manejo e, atualmente, a frequência de uso de antibioticoterapias tem diminuído anualmente, como é o caso da Dinamarca, primeiro país a banir o uso dos AMDs mundialmente.


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Novidade

Novas tabelas brasileiras de nutrição animal Valores dos nutrientes exigidos pelas aves foram estabelecidos através da realização de experimentos dose-resposta, executado na UFV e em outras instituições de pesquisa associados Autores: Felipe Santos Dalólio1, Luiz Fernando Teixeira Albino2, Horacio Santiago Rostagno2, Fernando de Castro Tavernari3 (1) Estudante de pós-Graduação/UFV; (2) Professor do Departamento de Zootecnia/UFV; (3) Pesquisador EMBRAPA Suínos e Aves/ Concordia, SC

Introdução O Brasil é um dos maiores produtores de aves e de suínos do mundo. O nível geral da tecnologia aplicada à indústria de aves e de suínos do País é dos mais elevados, particularmente no que se refere à indústria de rações. Neste sentido, as Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos, cuja primeira edição foi em 1983, vem sendo utilizadas por nutricionistas na formulação de rações de precisão, mais econômicas e de menor impacto ambiental. Em março de 2017 foi publicada a 4a Edição das Tabelas Brasileiras para

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Aves e Suínos, em 03 idiomas (Português, Espanhol e Inglês). Resultado de experimentação e de pesquisa desenvolvidos no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e de outras instituições, contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio no Brasil e, consequentemente, otimização da cadeia produtiva de suínos e aves. Nas Tabelas Brasileiras, o capítulo de composição de alimentos contou com resultados de milhares de análises laboratoriais e de ensaios biológicos, de digestibilidade e de metabolismo, de alimentos, produzidos no Brasil. A determinação dos níveis de exigências nutricionais envolveu a realização de dezenas de testes biológicos com frangos de corte, poedeiras, suínos e codornas nas diversas fases da criação, potenciais genéticos e sob variadas condições de ambiente e de temperatura. Os dados obtidos foram testados sob rigorosas condições experimentais, envolvendo a observação de lotes de tamanho comercial. Rações de mínimo custo foram calculadas, utilizando valores nutricionais dos alimentos determinados na UFV, associados com os

níveis de exigências nutricionais estabelecidos, e comparadas com rações calculadas com base em tabelas internacionais (NRC, INRA, FEDNA, etc) e de estudos publicados em revistas de relevância científica indexadas no mundo todo. Nesse artigo, serão brevemente relatadas as principais inovações apresentadas na 4a Edição das Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos de 2017.

Composição de alimentos As análises químicas foram realizadas, principalmente, nos Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia e de Análises Químicas do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa. Para as análises de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), fibra bruta (FB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), energia bruta (EB) e matéria mineral (MM) foram adotadas metodologias descritas no livro Métodos para Análise de Alimentos - INCT - Ciência Animal. O conteúdo de aminoácidos totais dos alimentos foi determinado em vários laboratorios utili-


zando cromatografia liquida de alto desempenho (HPLC). O conteúdo dos ácidos graxos dos mais importantes óleos e gorduras usados nas rações de aves e suínos foi determinado por cromatografia, estes valores estão apresentados na referida Tabela. Com relação à proteína bruta, foi decidido continuar utilizando o fator de 6,25 de conversão do N para proteína devido ao uso generalizado deste valor pelos laboratórios de nutrição em geral. Para determinar os valores de aminoácidos digestíveis estandardizados (verdadeiros) dos alimentos para aves foram utilizadas duas metodologias, o método de alimentação precisa de Sibbald utilizando galos cecectomizados e o método de coleta ileal com frangos de corte (21 a 28 dias). A estimativa de excreção endógena foi realizada com galos cectomizados em jejum (Sibbald) e com frangos de corte mediante o fornecimento de uma dieta isenta de proteína (coleta ileal). No caso de suínos, na maioria dos alimentos foram usados animais em crescimento, com cânula ileal reentrante, e somente em poucos alimentos usados suínos com anastomose íleo retal. A excreção dos aminoácidos endógenos foi estimada usando uma dieta isenta de proteína.

O coeficiente de digestibilidade estandardizada da proteína para aves e suínos foi estimado a partir da relação entre os aminoácidos digestíveis estandardizados e os aminoácidos totais dos alimentos. Os critérios de divisão das categorias do milho e do farelo de soja foram realizados levando em consideração o desvio padrão (DP) considerando ± 1 DP do total de amostras analisadas, classificando-as de acordo com o teor dos principais nutrientes (proteína bruta, fibra bruta, extrato etéreo e cinzas). No Brasil, a maioria dos moinhos produz apenas um subproduto na industrialização do trigo, que seria uma mistura dos alimentos e de digesta, que, de outra maneira, não poderiam ser realizadas na UFV. Nos ingredientes de origem vegetal, alem do fósforo total, foi determinado o conteúdo de fósforo na forma de fitato. Para isso, houve a colaboração da empresa AB Vista que gentilmente forneceu resultados de análises de fósforo e de fitato de ingredientes brasileiros. O conteúdo de fósforo não fítico (PTotal – PFítico) dos produtos de origem vegetal foi considerado igual ao fósforo disponível, ou seja, com 100% de disponibilidade.

O fósforo disponível dos produtos de origem animal foi calculado a partir do fósforo total, considerando-se com 100% de disponibilidade, exceto para as farinhas de carne e ossos, que as pesquisas mostraram ser somente 90% disponível. São também citados valores de fósforo digestível estandardizado (em edições anteriores chamado de verdadeiro) dos alimentos determinados com frangos de corte e suínos nas fases de crescimento e terminação. O conteúdo de fósforo digestível aparente dos alimentos citados na literatura foi convertido para estandardizado. A determinação da energia metabolizável (EM) dos alimentos, com aves, foi realizada utilizando-se, na maioria das vezes, o método de coleta total das excretas. Entretanto, a EM de vários alimentos foram determinadas usando o óxido crômico ou cinza insolúvel em ácido (CIA) como indicador fecal. Os valores de EM Aves dos alimentos são valores corrigidos por retenção de nitrogênio determinados com frangos de corte de diferentes idades. Pesquisas executadas na UFV para avaliar a influência da idade da ave nos valores energéticos dos alimentos permitiram concluir que, galinhas ou aves adultas em geral, obtêm maiores valo-

Opinião do Nutricionista

Fernando Tavernari Embrapa Suínos e Aves

Energia é prioridade; quando líquida pode melhorar o custo benefício das fórmulas

O Departamento de Zootecnia da UFV tem se destacado nessa área pelos vários anos dedicados ao desenvolvimento de trabalhos de experimentação e de pesquisas com objetivo de gerar dados para o aprimoramento das Tabelas Brasileiras. Muitos alunos de pós-graduação realizaram suas dissertações de mestrado e teses de doutorado para a elaboração deste trabalho. A qualidade dos dados gerados e a adoção de tecnologia de alto nível torna as Tabelas Brasileiras reconhecida no Brasil e no mundo. Na sua opinião quais são as exigências nutricionais de aves e suínos que representam prioridade atualmente? Energia sempre representa prioridade, pela maior participação no custo final da ração. A possibilidade de utilização de energia liquida nas formulações é algo que poderá melhorar o custo benefício das fórmulas. As relações entre os aminoácidos devem ser constantemente atualizadas e impactam fortemente o desempenho animal. As pesquisas com minerais e vitaminas requerem ensaios mais elaborados e precisam ser mais trabalhados. Conceitos de digestibilidade e disponibilidade em cálcio e fósforo tendem a ser foco de pesquisas na atualidade. É importante ressaltar que a avaliação dos alimentos tem que acompanhar as pesquisas com exigências, sendo assim necessário a avaliação dos alimentos por fase de criação para um melhor balanceamento das dietas. A Revista do AviSite

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Novidade Opinião do Nutricionista

Lúcio Francelino Araújo USP

Desenvolvimento genético dos animais torna necessárias as atualizações

O lançamento das novas Tabelas Brasileiras de Aves e Suínos representa um marco na área de nutrição de monogástricos. Grande parte das pesquisas desenvolvidas em nosso país usam como parâmetro, as recomendações destas Tabelas. Para quem acompanha o trabalho que os pesquisadores de Viçosa desenvolveram nos últimos anos, sabe que as atualizações são necessárias em virtude do desenvolvimento genético dos animais, das exigências relacionadas ao bem-estar dos animais, das melhorias nas técnicas de manejo, dos desafios sanitários, os quais estão intrinsicamente relacionados com as exigências nutricionais dos animais. A escola de Viçosa merece destaque pelo seu trabalho nessa área? Não há dúvidas sobre isto. Existem poucos grupos de pesquisadores que trabalham de forma tão coesa para atingirem um objetivo comum. E quem ganha com isso é a indústria avícola e suinícola, brasileira e mundial. Na sua opinião quais são as exigências nutricionais de aves e suínos que representam prioridade atualmente? Há muitos anos temos dado ênfase à nutrição protéica. Temos redescoberto nos últimos anos, a importância das vitaminas e minerais no desenvolvimento dos animais e procurando determinar não somente suas exigências, mas também as melhores fontes a serem utilizadas em uma dieta. Acredito que devemos repensar a respeito das necessidades energéticas dos animais, já que representa um referencial para estabelecermos as exigências dos nutrientes de uma dieta.

res de EM de alimentos de origem vegetal em relação aos valores com frangos de corte.. Foi possível obter dois valores de EM para as aves, sendo mostrados nas tabelas referente a cada alimento, o valor de EM, para aves em geral (EM Aves) e outro para galinhas, ou aves adultas. Nesta edição são apresentados os valores de energia líquida dos alimentos para aves. Eles foram calculados utilizando o conteúdo de EM determinado aplicando os coeficientes da eficiência da utilização da EM para energia líquida estimados por Carré et al.,(2014), sendo de 76% (-24%) e 80% (-20%) para a proteína digestível e amido digestível, considerado como extrato não nitrogenado digestível, respectivamente. No caso do extrato etéreo digestível foi decidido usar o valor da eficiência de 90% (-10%) citado por De Groote (1974) que é similar à eficiência de suínos (Noblet et al., 1994). Os valores de energia digestível (ED) e de metabolizável (EM) dos alimentos, para suínos, foram determinados usando-se gaiolas de metabolismo e o método da coleta total de fezes e

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A Revista do AviSite

óxido férrico como marcador fecal. Foram utilizados suínos em crescimento de diferentes pesos, entre 20 e 75 kg de peso vivo. Os valores de EM dos alimentos são valores corrigidos por retenção de nitrogênio. A energia líquida dos alimentos para suínos foi obtida mediante o uso da equação desenvolvida na França pelo Dr. J. Noblet que leva em consideração a EM e o conteúdo de proteína, extrato etereo, amido e fibra dos ingredientes. Nas Tabelas Brasileiras de 2017 são mostrados dois valores de ED (ED Suínos e ED Porcas) e de EM (EM Suínos e EM Porcas). A correção foi realizada somente nos alimentos de origem vegetal utilizando os dados de Matéria Orgânica Não Digerida (Matéria Orgânica – Matéria Orgânica Digerida). Vários ensaios de digestibilidade foram executados com suínos nas fases de crescimento e de terminação avaliando alimentos com o objetivo de determinar os coeficientes de digestibilidade do EE, FB, FDN e FDA. O coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica para suínos foi calculado pela relação entre a energia digestível e a energia bruta dos alimentos. Dados da

literatura foram utilizados para estimar os coeficientes de digestibilidade do extrato etéreo e do extrato não nitrogenado dos alimentos para aves. Para facilitar o uso de alimentos alternativos são apresentados os níveis práticos normalmente usados nas rações e os níveis máximos de inclusão que não afetam negativamente o desempenho animal. A composição dos ingredientes pode variar o que afeta diretamente o conteúdo de energia. Para facilitar a realização de ajustes nos valores energéticos dos alimentos, de acordo com a variação da composição, foram desenvolvidas equações para estimar EM e a energia líquida dos ingredientes para aves e a ED, a EM e a energia líquida para suínos e porcas. Para estimar o conteúdo dos aminoácidos dos alimentos milho, sorgo e da soja (grão e farelo), foram obtidas equações que permitem calcular a soma de todos os aminoácidos essenciais de cada ingrediente. As equações são úteis para facilitar a realização de ajustes nos valores dos aminoácidos, de acordo com a variação do conteúdo de proteína do alimento.


Mediante o conhecimento dos valores de energia bruta e a digestiblidade de cada aminoácido foi possível calcular a energia metabolizável estandardizada (EMEn) considerando para aves a conversão do nitrogênio em ácido úrico de 50% com exceção da arginina em ureia. A EMEn para suínos foi calculada pela conversão de 35% do nitrogênio para ureia. A energia líquida dos aminoácidos foi calculada partindo do pressuposto que a eficiência de utilização dos aminoácidos é de 70% para deposição proteica e 30% para processos de deaminação e catabolismo. Para aves e suínos, a eficiência de utilização da EMEn foi de 85% (70 x 85 / 100 = 0,595) para deposição proteica e 60% (30 x 60 / 100 = 0,18) para aminoácido deaminado e catabolizado. Portanto, a energia líquida corresponde a EL = EMEn x 0,595 + EMEn x 0,18. O conteúdo e a biodisponibilidade do fósforo de diferentes fosfatos brasileiros estão descritos na 4a Edição das Tabelas Brasileiras. A determinação da biodisponibilidade do fósforo dos fosfatos foi realizada de forma comparativa com uma fonte padrão, o fosfato bicálcico, ao qual foi atribuído o coeficiente de disponibilidade de 100%, por isso, alguns fosfatos apresentam conteúdo de fósforo disponível maior que 100%. A adição de fitase exógena nas rações de aves e suínos, para melhorar o aproveitamento do fósforo fítico, tem sido comum desde a década de 90 e as pesquisas comprovam os benefícios da suplementação desta enzima. Para estimar a quantidade de fósforo que pode ser disponibilizado para frangos de corte quando a enzima fitase é utilizada, foram feitos estudos de meta-análise. No caso de suínos em crescimento, para estimar a equivalência em P das fitases foram utilizados principalmente os dados publicados por Yi et al., 1996, Jendza et al., 2006, Jones et al., 2010 e Taylor et al., 2016. Nestas tabelas são apresentados valores de equivalência em P disponível e digestível em função do nível de fitase 3 e fitase 6 expressos como proporção (0,5; 1; 1,5; 2 e 3) para frangos de corte e suínos na fase de crescimento. É im-

portante ressaltar que as unidades de fitase podem variar de acordo com a metodologia utilizada para determinar a atividade da enzima, sendo recomendado que o nutricionista aplique as correções correspondentes para cada fitase utilizada. Na 4a Edição das Tabelas Brasileiras, o valor 1 equivale ao nível de fitase normalmente usado na ração, que de uma maneira geral corresponde a 500 FTU/kg. O conteúdo de polissacarídeos não amiláceos de alguns alimentos foi determinado pela empresa ABVista, conforme metodologia descrita por Englyst et al. (1994). Estes valores estão expressos na matéria natural.

Para frangos de corte, inicialmente foram catalogadas todos os experimentos doseresposta com lisina e determinou-se a ingestão diária de lisina digestível. Posteriormente, foi calculada a lisina para mantença, o que permitiu obter a quantidade de lisina digestível/ kg de ganho de peso em diferentes fases de crescimento. Para estas determinações foram utilizados dados (semanais e do período total) de cada experimento doseresposta com diferentes níveis de lisina A Revista do AviSite

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Novidade Opinião do Nutricionista

José Henrique Stringhini UFG

4ª edição das Tabelas Brasileiras é um marco na nutrição de aves e suínos no Brasil e no Mundo

Essas tabelas são resultado de um projeto continuado de praticamente 40 anos na Universidade Federal de Viçosa. No momento, vislumbramos a quarta edição das tabelas, mas que já vem sido produzidas desde o início dos anos 1980 nessa universidade. Hoje, em qualquer evento nacional e internacional que participemos, as tabelas brasileiras para aves e suínos são sempre destacadas como fonte de consulta obrigatória por pesquisadores de renome mundial, o que ressalta o sólido e respeitado trabalho efetuado pela UFV. Porque houve necessidade desse ajuste? A constante evolução do melhoramento genético das aves e suínos e o dinamismo da atividade produtiva e empresarial das duas cadeias produtivas exigem que essas atualizações sejam realizadas. As exigências nutricionais devem ser sempre atualizadas para buscar a melhor resposta produtiva dos animais. Além disso, atualizar a fonte de pesquisa dos alimentos é também essencial, pois assim como os animais, as plantas estão em intenso processo de evolução genética, o que afeta os grãos e compostos derivados do seu processamento e que são utilizados para a alimentação animal. Na sua opinião quais são as exigências nutricionais de aves e suínos que representam prioridade atualmente? Não é possível se determinar se um nutriente ou a energia é mais importante que os outros. Os estudos com metabolismo animal se desenvolvem cada vez mais rápido e também nos fornecem ferramentas analíticas que nos permitem acessar temas que antes executávamos com muita dificuldade. O dinamismo da ciência básica nos permite também aprofundar os métodos de análise em nutrição, de forma mais precisa e ampla. Os novos aditivos alimentares adicionados às dietas de aves e suínos também se tornaram mais eficientes. Gostaria de destacar que o papel das enzimas modificou bastante a compreensão sobre os estudos com nutrientes digestíveis em aves e suínos. Probióticos, prebióticos e suas combinações, ácidos orgânicos e aditivos fitogênicos ganharam muito destaque no processo de desenvolvimento da nutrição, afetando a integridade da mucosa intestinal e a composição do microbioma desses órgãos. Portanto, entendo que o lançamento da 4ª edição das tabelas brasileiras de composição e valor nutritivo dos alimentos e exigências nutricionais para aves e suínos passa a ser um marco na nutrição de aves e suínos no Brasil e no Mundo.

Exigências Nutricionais Para o nutricionista poder calcular as exigências de aves de uma forma dinâmica, foram utilizados modelos que permitem ajustar a necessidade diária de acordo com o desempenho animal. Os valores foram expressos em kcal ou g / dia (kcal ou g para Mantença + kcal ou g para produção). Os dados utilizados foram recolhidos a partir de pesquisas e manuais de diferentes linhas genéticas. Posteriormente foi utilizada a equação de Gompertz para estimar o desempenho diário das aves, sendo obtidas equações das necessidades diárias de energia metabolizável (ME) para frangos de corte, aves de reposição, postura, matrizes e codornas. Os valores dos nutrientes exigidos pelas aves foram estabelecidos através da realização de experimentos dose-

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-resposta, executado na UFV e em outras instituições de pesquisa associados com observações sobre o comportamento dos lotes comerciais, em várias regiões do Brasil. A lisina ileal digestível estandardizada foi usada como referência e aplicado o conceito de proteína ideal para determinar as necessidades nutricionais dos outros aminoácidos. Para frangos de corte, inicialmente foram catalogadas todos os experimentos dose-resposta com lisina e determinou-se a ingestão diária de lisina digestível. Posteriormente, foi calculada a lisina para mantença, o que permitiu obter a quantidade de lisina digestível/ kg de ganho de peso em diferentes fases de crescimento. Para estas determinações foram utilizados dados (semanais e do período total) de cada experimento dose-resposta com diferentes níveis de lisina.

As equações obtidas foram utilizadas para estimar a exigência de lisina digestível estandardizada para frangos de corte, machos e fêmeas, de acordo com o seu desempenho. No caso de aves de reposição de ovos brancos e castanhos, a influência das penas foi considerada separadamente. Na fase de postura, para obter a equação de lisina para poedeiras e matrizes pesadas foram consideradas a mantença, ganho e massa de ovos. O uso de equações para estimar a quantidade diária de lisina digestível estandardizada permite a flexibilização das exigências, pois desta forma, não há somente uma exigência, mas várias, de acordo com o desempenho e o consumo das aves. Nesta edição foram incluídas recomendações de pesquisas recentes na UFV onde foram avaliadas as relações nitrogênio essencial (Ne) e de nitrogê-


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Novidade Para frangos de corte, inicialmente foram catalogadas todos os experimentos dose-resposta com lisina e determinou-se a ingestão diária de lisina digestível. Posteriormente, foi calculada a lisina para mantença, o que permitiu obter a quantidade de lisina digestível/ kg de ganho de peso em diferentes fases de crescimento. Para estas determinações foram utilizados dados (semanais e do período total) de cada experimento dose-resposta com diferentes níveis de lisina

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nio total (N Total) para frangos de corte e para galinhas poedeiras. À medida que a proteína bruta é reduzida na formulação de dietas, o nitrogênio não essencial (NNE) pode tornar-se fator limitante nas rações, com reflexos diretos no desempenho. Com isso, a definição de uma ótima relação Ne:Ntotal e Ne:NNE em dietas com nível de proteína baixo pode ser importante para um ótimo desempenho e melhor eficiência protéica. As exigências nutricionais dos suínos estão na dependência de vários fatores, como raça, linhagem, sexo, heterose, estágio de desenvolvimento do animal, consumo de ração, nível energético da ração, disponibilidade de nutrientes, temperatura ambiente, umidade do ar, e estado sanitário do animal, além de outros. Somente os principais nutrientes são mencionados. Os demais devem ser considerados como supridos em níveis satisfatórios, desde que ministrados em quantidades equivalentes às dos suplementos minerais e vitamínicos mencionados nesta publicação. Os níveis de nutrientes exigidos pelos suínos foram estabelecidos mediante a realização de uma série de experimentos dose-resposta, conduzidos na UFV e em outras instituições de pesquisa, associados a observações sobre o comportamento de rebanhos comerciais, em várias regiões do Brasil. Todas as recomendações nutricionais são para rebanhos de alto potencial genético com índices produtivos regular-médio e médio-superior. Para que o nutricionista possa calcular as exigências nutricionais dos suínos de uma forma dinâmica foi preciso aplicar modelos que permitam ajustar a exigência diária de acordo com o desempenho dos animais, por isso, foram coletados dados de experimentos e de manuais das diferentes linhagens genéticas e posteriormente utilizada a equação de Gompertz para estimar o desempenho diário dos suínos. Vitaminas e minerais suplementados em UI ou m / kg de ração, tiveram poucas mudanças nas últimas décadas. Tendo em vista a melhoria constante de conversão alimentar dos animais, o consumo desses nutrientes por kg de peso ganho foi reduzido ao longo do tempo. Isso chama a atenção para a ne-

cessidade de adaptar os níveis de suplementação para que as aves possam expressar todo o seu potencial genético. Com o avanço no conhecimento sobre fontes “orgânicas” de minerais e da disponibilidade de novos suplementos para os animais, o nutricionista animal tem a possibilidade de optar pela utilização de fontes de micro minerais “inorgânicos” ou “orgânicos”. Para isso, uma série de experimentos foram conduzidos na UFV, com o objetivo de melhorar o conhecimento sobre os níveis ideais nas dietas de aves. A informação, gerada pelos dados publicados em várias revistas científicas, permitiu atualizar as recomendações de suplementação de fontes orgânicas e inorgânicas. Para maior precisão na suplementação destes nutrientes, os níveis foram expressos principalmente com base na quantidade (IU ou mg) kg de ganho de massa ou de ovo. Posteriormente, ao usar estes dados foi possível calcular a quantidade diária a ser adicionada e também recomendar níveis de suplementação em IU ou mg/ kg de dieta.

Qual é a importância desta atualização para o segmento de nutrição de aves e suínos no Brasil? Porque houve necessidade desse ajuste? O avanço na seleção genética é continuo, a todo instante são selecionados e disponibilizados animais com alto potencial de produção. O mesmo avanço deve ocorrer com a nutrição, para que os animais expressem o melhor desempenho (ganho de peso, conversão alimentar, rendimento de carcaça, produção de ovos). Somado ao fato das exigências nutricionais serem atualizadas para atender o perfil de animais produzidos, a nutrição avança em conhecimento, surgindo novos conceitos que devem ser aplicados para reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos gerados pela avicultura e suinocultura. A atualização e a utilização de valores nutricionais dos alimentos e de requerimentos nutricionais dos animais permitem ao nutricionista formular rações de precisão.


Informe Técnico-Comercial

Parede celular de levedura: eficácia natural em substituição ao antibiótico Autores: Melina Bonato e Liliana Longo Borges (P&D, ICC Brazil)

O

s consumidores estão cada vez mais sensibilizados para os benefícios de uma alimentação saudável, o que torna indispensável a busca por soluções que visam a manutenção da saúde pública e segurança alimentar. Com a proibição do uso de diversos antibióticos como promotores de crescimento, a avicultura está sendo desafiada a buscar alternativas que envolvam o controle de patógenos, a saúde animal e o desempenho, para resultar em um produto final de qualidade (segurança alimentar) e lucrativo para todos envolvidos na cadeia de produção.

O impacto dos antibióticos na microbiota do intestino tem sido mais recentemente investigado e pesquisadores mostraram que, além de alterar a composição da microbiota, os antibióticos também afetam a expressão gênica, a atividade proteica e o metabolismo geral da microbiota intestinal. As alterações microbianas causadas por antibióticos, além de aumentar o risco imediato de infecção, também podem afetar a homeostase imunológica básica em longo prazo. O uso de antibióticos como promotores de crescimento também “es-

conde“ os potenciais desafios que os animais podem enfrentar, como problemas sanitários (limpeza e desinfecção, qualidade de água, etc); problemas com plano de vacinação (aplicação, períodos, dosagem, etc); nutrição (ingredientes de má qualidade ou variação desta, micotoxinas, desbalanço nutricional, entre outros); redução da imunidade passiva (anticorpos maternos); manejo, entre outros fatores. Assim, um rigoroso plano sanitário, dentre os demais planos, é indispensável. O uso de vacinas e aditivos alimentares pode ajudar no controle de patógenos,

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Informe Técnico-Comercial Figura 1. Diferença entre as paredes celulares de levedura *Fonte: ICC Brazil.

saúde intestinal, melhora de status imune, desempenho, e biossegurança do produto final. A parede celular de levedura (Saccharomyces cerevisiae) purificada se destaca não somente por sua alta eficiência, mas também por ser uma solução economicamente viável. Um dos principais pontos que determinam a efetividade de uma parede de levedura é a razão β-Glucanas e MOS. Quanto mais elevada a concentração de β-Glucanas, menor será a degradação da parede celular no trato gastrintestinal, ou seja, melhor será sua eficácia como “fibra funcional”. A parede celular de levedura purificada possui uma razão BG:MOS próxima à 2:1, enquanto as obtidas de fermentação primária tem uma razão 1:1. Esta diferença é nítida quando observamos através das fotomicrografias a alta concentração de β-Glucanos (Figura 1) conferindo ao produto uma parede celular mais densa e mais forte que a perede celular de fermentação primária. As β-glucanas são conhecidas como moduladoras ou estimulantes do sistema imunológico, pois quando entram em contato com os fagócitos, que reconhecem as ligações β-1,3 e 1,6, os estimulam a produzir certas citocinas que iniciam uma reação em cadeia para induzir uma imuno-modulação e melhora da capacida-

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de de resposta do sistema imune inato. Esse tipo de resposta é especialmente importante em animais em crescimento inicial, fases reprodutivas, períodos de estresse e desafios ambientais ao atuar como um agente profilático, elevar a resistência animal e diminuir danos subsequentes (como redução no desempenho e altas taxas de mortalidade). A produção animal intensiva é um ambiente extremamente desafiador; assim, o fortalecimento do sistema imunológico pode ser um dos pontos chaves para uma maior produtividade. Já o MOS, conhecido por sua capacidade de aglutinação de patógenos (que possuem fimbria tipo 1) como, por exemplo, diversas cepas gram-negativas (Salmonella e E. coli). O MOS oferece um sítio de ligação para patógenos para evitar a colonização do epitélio intestinal e essas bactérias aglutinadas serão excretadas juntamente com a parte indigestível da fibra. Melhorar e modular o sistema imunológico inato e também reduzir a carga de patógenos pode ser uma das estratégias para combater a contaminação, diminuir a mortalidade e aumentar a produtividade. Embora a produção animal seja um ambiente altamente desafiador, os produtores são o primeiro elo da cadeia produtiva e devem preocupar-

-se com a saúde pública, levando a segurança alimentar da “fazenda à mesa”. A parede celular de levedura purificada além de ser um aditivo natural, comprovou ser uma solução viável para melhorar a saúde intestinal e a segurança alimentar em baixas dosagens, resultando em um excelente custo/benefício.

Referências FRANZOSA, E. A. et al. Sequencing and beyond: integrating molecular ‘omics’ for microbial community profiling. Nature Reviews Microbiology. V. 13, p.360–372. 2015. doi: 10.1038/nrmicro3451. FRANCINO, M. P. Early development of the gut microbiota and imune health. Pathogens. V. 3, p.769–790, 2014. doi: 10.3390/ pathogens3030769. FRANCINO, M. P. Antibiotics and the Human Gut Microbiome: Dysbioses and Accumulation of Resistances. Frontiers in Microbiology. V. 6, Article 1543, 2016. doi: 10.3389/fmicb.2015.01543 MAIA, A. P. A. and DINIZ, L. L. Segurança Alimentar e sistemas de gestão de qualidade na cadeia produtiva de frangos de corte. Revista Eletronica Nutritime, v.6, n.4, p.991-1000, 2009. Perez-Cobas, A. E. et al. Gut microbiota disturbance during antibiotic therapy: a multi-omic approach. Gut. V. 62, p.1591–1601. 2012. doi: 10.1136/gutjnl-2012- 303184. Petravić-Tominac, V. et al. Biological effects of yeast β-glucans. Agriculturae Conspectus Scientificus, n. 75, v. 4, 2010. Roura et al., Prevention of immunologic stress contributes to the growth-permitting ability of dietary antibiotics in chicks. The Journal of Nutrition, 122:2383-2390, 1992.


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Evento

Conferência Facta transparece preocupação com atual momento da avicultura “Não é mole! Agora que estávamos voltando à normalidade”, diz Francisco Turra

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os bastidores, os casos de irregularidades envolvendo questões políticas cometidos e assumidos pela JBS, umas das maiores empresas de alimentos do mundo, assustaram e preocuparam o setor avícola. Falando na cerimônia de abertura da Conferência Facta, que aconteceu entre os dias 23 e 25 de maio em Campinas, SP, Francisco Turra, Presidente da ABPA, deixou transparecer o sentimento geral. Mas apesar da frase usada em destaque na abertura do título acima, Turra é um otimista e não deixa de acreditar e defender, com razão, as

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necessidades da avicultura. Mas pediu a ajuda da Facta: “Nos auxiliem a disseminar o grau de responsabilidade que temos com o mundo”. Ele falou pouco sobre a Operação Carne Fraca: “Fizemos a defesa do nosso setor com verdade e transparência, desfazendo as injustiças de uma operação que é a princípio boa. A lição que fica é: Não podemos errar 1%, porque somos globais”. Turra tem certeza que o momento é transitório e o sucesso da avicultura brasileira é perene. Alguém duvida? Acompanhe na sequência mais destaques da Conferência Facta.

Em tempo: Nesta edição do evento, a Revista do AviSite completou 10 anos de existência. Foi na Conferência Facta de 2007 que o seu primeiro exemplar foi distribuído


Workshop sobre manejo de frango Aproveitando a reunião de acadêmicos, estudantes e participantes da agroindústria, o evento aproveitou a oportunidade de apresentar novidades no segmento de manejo dentro do Workshop sobre o mesmo tema que abriu a Conferência Facta. Lederson de Lima, representando a GSI Agromarau, apresentou novo comedouro que permite que a ração desça de forma uniforme, além de um novo sistema de pesagem da ração. O profissional também destacou a necessidade do uso consciente da água na avicultura. Lederson também alertou sobre o uso da placa evaporativa, que precisa ser melhor avaliado, já que há momentos de umidade no ambiente externo. Andrey Citadin, da Plasson, adiantou que a empresa vai apresentar lançamentos durante o SIAVS (que acontece de 29 a 31 de agosto). Segundo ele, os equipamentos que servem a avicultura precisam evoluir junto com o frango.

Lederson de Lima

Andrey Citadin

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Evento

Workshop sobre controle de doenças respiratórias em frangos de corte

Ceva e MSD reunidas com suas equipes. As duas empresas patrocinaram o Workshop Em mais um seminário específico, que gera oportunidade e mais tempo para apresentar diferentes aspectos de um problema e depois debatê-lo, os profissionais Josiane Tavares de Abreu

(do Laboratório CDMA), Lucas Colvero (da MSD), Jorge Chacón (da Ceva) e José Di Fábio (do JF Laboratório) se revezaram para falar sobre um dos temas que mais preocupam a avicultura.

A importância de um bom diagnóstico não deixou de ser lembrada e também a opção pela aplicação de vacinas ainda no incubatório, que é o melhor a ser feito.

Prêmio Facta Acostumados a homenagear, reconhecer e premiar, os membros da Facta elegeram Marcos Macari o profissional do ano. O currículo e contribuições à avicultura do escolhido são extensos. Ex-reitor da Unesp, Macari foi também Presidente da Facta entre 2013 e 2014. Professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, campus de Jaboticabal, há 40 anos, o novo dirigente atua há 20 anos em fisiologia de aves, e possui uma vasta experiência na área acadêmica. Junto à Facta, o acadêmico escreveu, organizou e editorou cinco títulos: Água na Avicultura; Manejo de Matrizes; Produção de Frangos de Corte e Manejo da Incubação e Doença das Aves, esse último em parceria com o professor ngelo Berchieri Júnior. Falando ao receber a premiação, Macari afirmou que sente que cumpriu seu dever com a formação profissional. A homenagem é merecida.

Marcos Macari é importante autor de livros e capítulos da biblioteca avícola

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Inácio Kroetz, Diretor Presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do PR), contou que a avicultura paranaense está 100% georreferenciada fazendo juz ao título de vitrine da avicultura brasileira

Marília Rangel, Secretária-geral do International Poultry Council (IPC): A avicultura precisa falar mais com o consumidor, que nem sempre sabe o que realmente quer

Flavio Longo, do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Btech, falou sobre a qualidade da matéria-prima na saúde intestinal. Segundo ele, a gestão de risco dos contaminantes deve ser realizada de forma ampla e integrada, em todas as fases do processo de produção

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Evento

Prêmio Lamas Um dos momentos mais esperados da Conferência Facta, o Prêmio José Maria Lamas da Silva foi entregue no final do último dia do evento. Confira abaixo a relação dos prêmios principais em quatro categorias. Nas próximas edições da Revista do AviSite, nossos leitores vão poder acompanhar a reprodução destes trabalhos, que levam ao campo o conhecimento produzido pela Universidade.

Sanidade

Nutrição

Efeito de tratamentos de cama aviária sobre a infectividade de vírus e bactérias EMBRAPA Autores: Daiane Voss-Rech, Iara Maria Trevisol, Liana Brentano, Virginia Santiago Silva, Raquel Rebelatto, Sonia A Botton, Clarissa Silveira Luiz Vaz

Coeficientes de digestibilidade ileal de aminoácidos de rações fareladas e peletizadas para frangos de corte determinados com diferentes indicadores EMBRAPA Autores: Fernando C Tavernari, Lenilson F Roza, Diego Surek, Carina Sordi, Poliana P Rigo, Cristiele L Contreira, Anildo Cunha Junior

Produção

Outras áreas

Pegada de carbono da produção de frangos de corte UNICAMP Autores: Nilsa Duarte Silva Lima, Irenilza Alencar Nääs, Rodrigo Garofalo Garcia

30 A Revista do AviSite

Latency to lie e gait score em frangos de corte UNESP Autores: Ianê Correia Lima Almeida, Ibiara Correia Lima Almeida Paz, Grace Alessandra Araujo Baldo, Bruno Gilli, Jose Roberto Sartori, Edivaldo Antonio Garcia, Jessica Cruvinel


A Revista do AviSite

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Informe Técnico-Comercial

Insensibilização de aves utilizando ondas complexas para atendimento do Regulamento CE 1099/2009 Autores: Micheli Zanetti1, Geandro Henrique Surdi2, Adriane Marangoni3, Tomas Stella Bolzan4, Lenoir Carminatti5 (1) Departamento de Engenharia Química e Alimentos, UNOCHAPECO. Av. Senador Atílio Fontana, 591 E, CEP: 89809-000, Caixa postal: 1141 Chapecó, SC – Brazil. E-mail: eng.miche@unochapeco.edu.br (2) Departamento de Engenharia Química e Alimentos, UNOCHAPECO. SC – Brazil. E-mail: ghs@unochapeco.edu.br (3) Departamento de Biologia, UNOCHAPECO. Chapecó, SC – Brazil. E-mail: Adriane.Marangoni@brf-br.com (4) Departamento técnico, Fluxo Eletrônica Industrial. Chapeco, SC – Brazil. E-mail: desenvolvimento@fluxo.ind.br (5) Departamento técnico, Fluxo Eletrônica Industrial. Chapeco, SC – Brazil. E-mail: carminatti@fluxo.ind.br

Introdução O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais da carne de frango e a Europa é um dos grandes consumidores, importando mais de 10% da produção brasileira de frangos (BELUSSO; HESPANHOL, 2010). O bem-estar animal teve início no século XX com a publicação do Relatório Brambell na Grã- Bretanha. A partir daí intensificou-se pesquisas envolvendo a cadeia produtiva. Para Luna (2008) o avanço da ciência do bem-estar animal aguçou o senso crítico da necessidade de prevenção e tratamento da dor em animais, adicionado ao olhar atento do consumidor, às boas práticas de produção e a

preservação ambiental. Desta forma, o bem-estar animal agrega valor ao produto e pode favorecer a produtividade. A garantia do bem estar-animal passou então a ser exigência das legislações bem como do consumidor. Em 2009 o Conselho Europeu editou o Regulamento 1099/2009 que prevê determinados parâmetros para atordoamento elétrico de aves em cubas de imersão. Para melhorar a qualidade de carne, atingir níveis altos de insensibilização e atender os parâmetros exigidos pelo Regulamento, uma série de parâmetros precisam ser monitorados, dentre eles a forma de onda elétrica. Para sanar problemas ocasiona-

Através das coletas foi possível observar que a corrente complexa (TESTE 2) quando aplicada aos mesmos parâmetros elétricos e comparada com a corrente continua pulsada (TESTE 1), reduziu a presença de hematomas grau III no peito em 64,24% 32

A Revista do AviSite

dos pelos modelos de ondas atuais, desenvolveu-se a complexa (Onda XWControl) para utilização em linhas de abates industriais.

Materiais e métodos Foram realizados testes na linha de produção de uma agroindústria, em cuba de imersão elétrica, utilizando insensibilizadores Fluxo UFX7 e Galinha Eletrônica Fluxo. Para cada parâmetro elétrico de insensibilização foi analisada a eficiência da insensibilização e a qualidade de carne. O objetivo foi avaliar o impacto do uso de dois diferentes tipos de onda na qualidade de carcaças de frangos, para isso foram avaliados os parâmetros: TESTE 1 (corrente contínua pulsada, 100 mA/ave, 105 V, 200 Hz) e TESTE 2 (XWControl, 100 mA/ave, 117 V, 200 Hz). Coletas com 18000 peças de cada parte (peito e filé) foram realizadas. Para determinar o impacto na qualidade da carcaça, foi avaliada a presença de hematomas, observando as partes do frango: peito e filezinho coletados. Os hematomas foram classificados por tamanho, segundo a Figura 1, sendo grau 1 peças sem hema-


tomas, grau 2 com hematomas entre 0 e 2 cm e grau 3 com hematomas maiores que 2 cm.

Resultados e discussões Avaliação da qualidade de carne Através das coletas foi possível observar que a corrente complexa (TESTE 2) quando aplicada aos mesmos parâmetros elétricos e comparada com a corrente continua pulsada (TESTE 1), reduziu a presença de hematomas grau III no peito em 64,24%, e o hematoma grau II em 17,99%. Para o filé os ganhos foram maiores, redução de 57,03% no grau III e 32,30% no grau II. Esta redução de hematomas traz ganhos significativos para a empresa, pois peças com hematomas precisam ser refiladas para a remoção do excesso de sangue. Ambos os testes realizados (teste 1 e teste 2), conseguiram índices de insensibilização das aves acima de 99%, atendendo o estabelecido na legislação. Em se tratando do atendimento da legislação em vigor (CE 1099/2009), a onda complexa se apresenta como uma alternativa viável, solucionando problemas enfrentados atualmente pelos frigoríficos que é a dificuldade de atendimento da legislação vigente, sem perdas significativas no processo. Cabe salientar a necessidade de novos testes, trabalhando com a variação de outros parâmetros de operação e modulação da onda. Conclusões A Corrente Complexa (XWControl), é uma alternativa viável para o atendimento da legislação em vigor (CE 1099/2009), atendendo os padrões estabelecidos de aves bem insensibilizadas e reduzindo os danos causados a carne, sendo uma solução aos problemas de qualidade de carne enfrentados atualmente nos frigoríficos que aplicam os parâmetros elétricos sugeridos pela CE 1099/2009.

Literatura científica BELUSSO, DIANE; HESPANHOL, ANTÔNIO NIVALDO. A evolução da avicultura industrial brasileira e seus efeitos territoriais.

Figura 1 - Padrão de avaliação da presença de hematomas nas peças peito e filezinhos de frango. Fonte: Autores, 2016

Revista Percurso – NEMO, v. 2, n. 1 , p. 2551, 2010. COUNCIL REGULATION (EC) N. 1099/2009 of 24 September 2009 on the protection of animals at the time of killing. Official Journal of the European Union, p. 1-30, 2009. KISSEL, CASSIANA; SOARES L. ADRIANA; OBA, ALEXANDRE; SHIMOKOMAKI, MASSAMI. Electrical Water Bath Stunning of Broilers: Effects on Breast Meat Quality. The Journal of Poultry Science. v. 52, n. 1, p. 74-80, 2015. KOKNAROGLU, HAYATI; AKUNAL, TURGAY. Animal welfare: An animal science approach. Meat Science, 95 (4), 821-827, 2013. LIMA, H. J. D.. Abate e Processamento

de Frango de Corte. PUBVET, V.2, N.21, 2008. LUNA, S.P.L. Dor, senciência e bem estar em animais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOÉTICA E BEM ESTAR ANIMAL, 2008, RECIFE. PE. Anais... Recife: Conselho Federal de Medicina Veterinária, 2008. p.27-30. LUDTKE, CHARLI B.; CIOCCA, JOSÉ R. P; DANDIN, TATIANE; BARBALHO, PATRICIA C.; VILELA, JULIANA A. Abate Humanitário de Aves. WSPA, 2010. WOTTON, STEVE SB; ZHANG, XIAOFAN; MCKINSTRY, JUSTIN JL; VELARDE, ANTONIO; KNOWLES, TOBY G. The effect of the required current/frequency combinations (EC 1099/2009) on the 2 incidence of cardiac arrest in broilers stunned and slaughtered for the halal market. PeerJ PrePrints, 2014. A Revista do AviSite

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Reportagem Empresarial

Instalações da Anpario, na Inglaterra

Anpario entra no mercado brasileiro e promove uma nutrição mais natural para produção avícola Com sede na Inglaterra, empresa disponibiliza ao mercado produtos para promover a saúde gastrointestinal

A

Anpario é um nome relativamente novo na indústria, mas formou-se da combinação de três empresas de aditivos nutricionais para alimento balanceado no Reino Unido, com histórias que remontam a 1936. Com sede na cidade de Nottinghamshire, a Anpario fabrica e comercializa aditivos alimentares naturais de alto desempenho, projetados

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para proteger e apoiar a saúde dos animais domésticos em todo o mundo, agregando valor para os produtores de animais. Segundo Reginaldo Sergio Teixeira Filho, Gerente de Vendas Brasil, o desenvolvimento da Anpario tem seu foco na saúde intestinal e na utilização deste conhecimento para melhorar o desempenho animal e produzir lucro. A saúde intestinal é atualmen-

te reconhecida como um fator primordial que orienta a saúde, o bem-estar e o desempenho animal. Ainda de acordo com Teixeira Filho, o entendimento da Anpario sobre o controle de contaminação microbiana e fermentação formou-se durante o desenvolvimento e a aplicação de aditivos de silagem. “Durante os últimos 30 anos, a Anpario tem aplicado seus conhecimentos ao con-


trole de contaminação microbiana de matérias-primas e rações de aves, especialmente em relação à Salmonela”, disse e completa: “Desde então, o foco da produção Livre de Antibióticos - a eliminação de antibióticos e de outros medicamentos para promoção de crescimento, utilizados em diversas partes do mundo – ao mesmo tempo em que se tenta aumentar a produção de carne para a crescente população global, é o principal impulsionador de nossos aditivos naturais para ração”. David Dinhani Jr., Diretor Comercial para America Latina, aponta que a Anpario oferece uma ampla gama de produtos que visa promover a saúde gastrointestinal.

Segundo a empresa, há um desejo, principalmente dos consumidores de proteína animal, difundido de reduzir os agentes enteropatogênicos em animais de produção Atualmente, aditivos naturais que substituam os antibióticos promotores de crescimento tradicionais não são mais chamados de alternativos, mas são, sem dúvida alguma, uma realidade sólida. É o que explica Dinhani Jr.: “Em algumas partes do mundo, existem exigências que visam a redução da utilização de terapia antimicrobiana, o que faz com que o interesse em nossos produtos cresça ainda mais. Além disso, ainda há um desejo, principalmente dos consumidores de proteína animal, difundido de reduzir os agentes enteropatogênicos em animais de produção e, ao mesmo tempo, uma relutância na continuação da utilização de alguns compostos antimicrobianos (ex. formaldeído). Todos esses fatores estão se associando para acelerar a demanda por produtos da Anpario.

David Dinhani Jr., Diretor Comercial para America Latina:

“Nossos aditivos de ácidos orgânicos, Salkil e pHorce, fitogênicos, Orego-Stim, e também adsorvente de micotoxinas, Neutox e Ultrabond, possuem eficácia comprovada no aprimoramento da qualidade da ração, da saúde intestinal e, portanto, do desempenho”

Reginaldo Sergio Teixeira Filho, Gerente Vendas Brasil

“Nossos produtos são desenhados especificamente para modulação da saúde intestinal visando desempenho. Um diferencial característico para os produtos Salkil e Phorce é a especificidade da tecnologia utilizada em seu veículo, com liberação extremamente adequada para proporcionar ótimo efeito no desempenho animal quando substitui os promotores antibióticos tradicionais”

Mercado brasileiro

por Reginaldo Sergio Teixeira Filho “O porte de nossa empresa nos coloca em uma posição dominante para trabalhar de forma direta com nossos clientes e ouvir a opinião destes. Tentamos trabalhar em estreita cooperação com nossos clientes e fornecer soluções aos seus desafios e às suas necessidades. Possuímos uma presença global, escritórios e subsidiárias em partes importantes do mundo, sendo que nossas equipes regionais especializadas possuem um entendimento profundo de seus mercados e clientes. Além disso, a Anpario não faz parte de um grupo agrícola complexo, e se encontra inteiramente focada em aditivos nutricionais especializados, o que significa que estamos aptos a escutar as necessidades do cliente e respondê-las de forma independente. A Anpario tem como foco principal de atuação os mercados dos EUA, China e Brasil. Especificamente no Brasil estamos desenvolvendo uma rede de vendas para atender os produtores, respaldado por suporte técnico de alto nível afim de atuar sobre as demandas dos nossos clientes levando o que há de mais novo no mundo. A ideia é sempre um crescimento sustentável pautado pela excelência dos produtos”

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Informe Técnico-Comercial

Os Dez Princípios da Interpretação Sorológica 1ª parte – Sorologia: a ciência fundamental no diagnóstico e vigilância sanitária em avicultura

P

ara apoiar produtores e veterinários a IDEXX inicia nesta edição a série “Os Dez Princípios da Interpretação Sorológica”. Eles foram concebidos a partir da experiência de nossos técnicos e cientistas em mais trinta anos de atuação na vanguarda da sanidade avícola e fornecem orientações sobre as mais importantes variáveis e fatores para desenvolvimento e aperfeiçoamento dos programas de monitoramento da sanidade.

PRINCÍPIO 1

Use um método sorológico de qualidade e confiabilidade superiores Entre as diversas formas de monitoria e diagnóstico, o método imunoenzimático ELISA destaca-se pela sua alta sensibilidade, repetibilidade e especificidade aliadas à economia e facilidade de execução, gerando resultados de alta credibilidade. Os testes IDEXX ELISA permitem processar centenas ou milhares de amostras sorológicas em um único dia ou semana para detectar e medir os anticorpos contra uma ampla gama de agentes patogênicos aviários, proporcionando uma excelente relação custo-benefício.

Método imunoenzimático (ELISA): mais rápido, sensível, específico e econômico

PRINCÍPIO 2

Crie e organize um banco de dados interno Com a consolidação da indústria avícola, a propagação das operações a campo em diferentes áreas geográficas e o dinamismo do sistema de produção, é fundamental estabelecer um sistema para que os profissionais de avicultura possam analisar tendências e identificar problemas agudos de maneira rápida e objetiva. Por isso, um profissional em sanidade avícola jamais pode confiar em títulos de anticorpos de referência ou guias baseados em generalidades, já que esses guias podem ter sido criados em regiões muito diferentes daquela em tratamento. A produção de anticorpos esperada pode variar muito conforme as exposições de campo, sistema de produção, programas de vacinação, etc. DICA: Para criar um padrão de avaliação com acuracidade superior e economia de tempo, recomendamos o uso de um sistema automático que gere dados capazes de serem armazenados e manipulados eletronicamente. O software xChek Plus combinado com a sensibilidade e especificidade dos testes IDEXX ELISA fornecem a mais poderosa e eficaz ferramenta para levantamento e interpretação de dados sorológicos disponíveis na atualidade.

Sob nenhuma circunstância um profissional de sanidade avícola deve-se basear exclusivamente em referências de títulos de anticorpos gerados por regiões, sistemas de produção ou programas de vacinação que possam ser diferentes dos dados atuais da empresa.

NA PRÓXIMA EDIÇÃO

Não perca a segunda parte da série “Os Dez Princípios da Interpretação Sorológica” com o tema “BASELINE: o item essencial para analisar objetivamente os dados sorológicos” Para saber mais sobre como utilizar as ferramentas IDEXX em seu programa de sanidade, fale com nossa equipe técnica: Mariane Soares: 011 94258-0382 ; Mônica Brehmer 11 97683-3973

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Informe Técnico-Comercial

Benefícios e desempenho ao campo e abate com tecnologias vacinais de controle de doenças respiratórias Autores: MV, Msc, MBA, Green Belt, Marco Aurélio Lopes, Gerente de Linha de Produtos da Ceva Saúde Animal, MV MSc PhD Jorge Chacón, Gerente Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal

A

o redor do mundo, as doenças respiratórias são sinaladas como as de maior impacto sanitário e zootécnico para a avicultura industrial e não industrial. Dentre elas destacam a Influenza aviária, bronquite infecciosa, doença de Newcastle (ND), micoplasmoses e laringotraqueíte. Dentre eles, a doença de Newcastle merece destaque pelo alto potencial de causar grandes prejuízos à avicultura em todo mundo. Para países exportadores de carne de frango como o Brasil, a não circulação de vírus da doença de Newcastle é importante para a manutenção do sta-

tus sanitário do país frente aos mercados consumidores ao redor do mundo. Atualmente entre as tecnologias para a prevenção da doença de Newcastle em frangos de corte temos: Vacinas atenuadas vivas e Vacinas Vetorizadas as quais usam como vetor o vírus HVT da Doença de Marek. Nas vacinas vetorizadas em HVT não há o vírus vivo da doença de Newcastle, desta forma não existe circulação viral no ambiente nem reações pós-vacinais. Ao mesmo tempo, estas vacinas conferem proteção contra as doenças ND e de Marek. As vacinas vectorizadas estimu-

Dados de condenação dos lotes vacinados com Vectormune ND® demostraram índices de condenação ao abatedouro significativamente mais uniformes

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Informe Técnico-Comercial

lam o sistema imune sem agredir o tecido respiratório, como acontece com após replicação do vírus vivo vacinal de ND. O sistema imune estimulado vai impedir a infecção, replicação e posterior excreção do vírus de campo. Desta forma, a carga viral circulando no aviário será reduzida. A geração de proteção contra ND mantendo a integridade do trato respiratório, livre de vírus, mesmo que vacinal, permitirá um melhor desempenho à campo, assim como no abatedouro. A Ceva Saúde Animal, através do programa GPS (Global Protection Service), realiza monitorias de lotes de frangos de corte ao redor de todo Brasil. Através da avaliação de milhares de amostras, coletadas em 17 estados brasileiros, realizou a análise destes dados, que podem ser acompanhados abaixo:

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A Revista do AviSite

Os dados de condenação dos lotes vacinados com a vacina de ND vetorizada em HVT, Vectormune ND®, demostraram índices de condenação ao abatedouro significativamente mais uniforme, comparando com os índices encontrados em lotes vacinados com vacinas vivas de ND, ou em lotes não vacinados. Com isso, podemos ter maior previsibilidade dos resultados no abatedouro, e consequentemente maior segurança na produção.

tirada de antibióticos ao longo dos processos produtivos. Assim, tecnologias mais modernas que auxiliem na prevenção das enfermidades que contribuam para a redução da necessidade de utilização de antimicrobianos, que além de atender a esta crescente demanda dos mercados consumidores, contribui de forma significativa para redução de custos de produção. Abaixo, um exemplo de comparativo de custos por medicação em lotes vacinados com vacina vetorizada

Custos com medicação (abate aos 42 dias de idade) por lote (20,000 frangos) R$

Sem vacinação

Com Vectormune® ND

Diferença

1194,00

718,00

-40%

A eliminação da circulação de vírus do campo (vacinais ou selvagens) obtido com a utilização de vacina vetorizadas de Newcastle, HVT-NDV, também pode trazer ganhos de desempenho, com melhorias em conversão alimentar, e redução da mortalidade dos lotes.

e não vacinados contra ND: Estes resultados podem ser explicados pela imunidade celular e humoral gerada pela vacina vetorizada ND em vetor HVT. Sendo uma imunidade celular, como demonstrado no trabalho realizado por Rauw et al, em 2015, de forma precoce, diversos efei-

Os lotes vacinados com Vectormune ND®, demostraram em comparativo de iguais condições de criação, resultado de 20 g em conversão alimentar, e redução da mortalidade das aves. Outro ponto muito importante a ser avaliado, e a crescente pressão nas produções de proteína animal da re-

tos positivos podem ser percebidos nas aves. Assim, a imunização com vacina HVT-ND para a prevenção de doenças respiratórias, e controle na circulação de vírus vivo nos aviários, tem demonstrado ser uma importante ferramenta de melhoria de performance das aves e redução dos custos de produção.


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No Paraná

Em 2016, a Cooperativa Lar abateu 100 milhões de cabeças de frango. Para 2017, eles esperam um incremento de mais de 25% no abate

Cooperativa Lar tem projeto piloto para reduzir o uso de antibióticos promotores de crescimento Probióticos, acidificantes e óleos essenciais, além de melhores condições de manejo apoiam iniciativa

É

pelas mãos de Dirceu Zotti, Gerente da Divisão de Integração Pecuária, que a Cooperativa Lar comanda um projeto piloto para redução e posterior eliminação dos antibióticos promotores de crescimento. Sediada em Medianeira, oeste do Paraná, a Lar abateu, em 2016, 100 milhões de cabeças de frango. Para 2017, eles esperam um incremento de mais de 25% no abate.

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Há 23 anos na cooperativa, Zotti conta que o uso de probióticos, acidificantes e óleos essenciais e outros produtos alternativos, que substituíram em parte os promotores de crescimento, surpreendeu a equipe técnica pelos bons resultados. “Fizemos testes iniciais e tivemos ótimos resultados, ou seja, avançamos em resultados zootécnicos e tivemos uma redução de custos consideráveis”, afirma o profissional. Além do uso de produ-

tos alternativos, as condições de manejo também foram melhoradas para dar sustentação à redução de antibióticos. Dirceu Zotti deixa claro que a eliminação completa destes medicamentos é um longo caminho a ser percorrido, mas deve acontecer. Apesar disso, ele frisa: “O antibiótico terá sempre o seu lugar com usos pontuais”. Leia na sequência a íntegra da entrevista com Dirceu Zotti.


A Cooperativa Lar tem um histórico de se utilizar de novidades? A Cooperativa Lar está sempre inovando em todas as áreas, buscando a sustentabilidade em tudo que faz, procura estar atenta as novas demandas de mercados exigentes e ou nichos de mercado que estão surgindo. Porque a Cooperativa decidiu investir em um projeto piloto para redução e posterior eliminação dos antibióticos promotores de crescimento? Por entender que a LAR tem uma equipe técnica preparada, e produtores de frango com estruturas adequadas e excelentes condições sanitárias, que contribuirão muito para que esse projeto alcance o sucesso esperado. Por outro lado visamos a redução de custos do frango vivo e estamos alinhando a cadeia produtiva às novas tendências. Como está a aceitação dos integrados a esta nova ideia? Como toda nova ideia no início sempre há os resistentes, porém depois de um ano e meio de trabalho, temos todos os produtores e técnicos totalmente convencidos de que é possível sempre fazer melhor.

Dirceu Zotti: Há 23 anos na Lar, o Gerente da Divisão de Integração Pecuária participa do projeto para retirada parcial de antibióticos promotores de crescimento

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No Paraná

Além do uso de produtos alternativos, as condições de manejo também foram melhoradas para dar sustentação à redução de antibióticos

Eliminação completa ainda é um longo caminho a ser percorrido, porém em determinadas condições e situações isso irá ocorrer sim, mas o antibiótico terá sempre o seu lugar com usos pontuais 42

A Revista do AviSite

Como funciona esse projeto? Quais são seus resultados iniciais? De quem foi a iniciativa? Há cerca de um ano e meio tivemos a ideia de buscar a redução dos antibióticos que se usavam naquela época. Fizemos testes iniciais e tivemos ótimos resultados, ou seja avançamos em resultados zootécnicos e tivemos uma redução de custos consideráveis. A partir daí percebemos que tínhamos condições de fazer algo diferente. Quais tipos de produtos estão sendo usados para substituir os antibióticos? O trabalho todo é feito com muito critério, nada funciona isoladamente. Melhoramos nossos manejos, nossa ambiência, qualidade da água e forma de assistência. Estamos lançando mão de produtos alternativos de forma muito tranquila e consciente dando tempo para as pessoas se adaptarem. Enfim, temos muitas formas de fazer melhor e a menores custos. Precisamos estar sempre vencendo paradigmas anteriores. Houve melhora no desempenho zootécnico dos frangos criados com redução de antibióticos? Nossos resultados zootécnicos com esta iniciativa aliada a várias outras ações no campo nos proporcionaram um incremento de 10 pontos no IEP. Quanto aos cortes de frango resultantes destes ajustes no campo, os mesmos já estão disponíveis há um ano e meio a todos os clientes da Lar, tanto no mercado nacional como internacional. Quais são suas expectativas daqui para a frente? Imaginamos que a eliminação completa ainda é um longo caminho a ser percorrido, porém em determinadas condições e situações isso irá ocorrer sim, mas o antibiótico terá sempre o seu lugar com usos pontuais. Como ficam os custos de produção? Eles devem ser alterados? O uso racional irá diminuir este custo, e a caminhada neste sentido irá nos mostrar o que deveremos estar fazendo. Precisamos sempre ser sustentáveis. A Cooperativa Lar deve passar a oferecer uma linha de produtos diferenciada sem antibióticos ou isso será parte de sua produção regular? Ainda não estamos tão avançados, mas com certeza teremos uma linha de produtos que irá atender esta demanda, especialmente em nichos de mercados internacionais, os quais já estão buscando por esse tipo de produto. Na sua opinião, como deve ficar a configuração das indústrias fabricantes e comerciantes de antibióticos promotores de crescimento?


“Fizemos testes iniciais e tivemos ótimos resultados, ou seja, avançamos em resultados zootécnicos e tivemos uma redução de custos consideráveis”

Toda empresa criativa e sustentável sempre encontrará uma forma de lidar com a adversidade, porém quem não se adaptar e continuar a remar contra a maré poderá ter sérios problemas. Quantas cabeças de frango a Lar abateu em 2017? Quantos integrados na área avícola a empresa possui? No ano de 2016, foram cerca de 100 milhões de cabeças, neste ano teremos um incremento de mais de 25% no abate. Atualmente temos 600 avicultores integrados, cujo número terá incremento no decorrer de 2017. Os aviários envolvidos neste projeto estão sediados no Paraná? Sim, todos na região de atuação da LAR, que é o oeste do Paraná. Podemos dizer que este projeto é um compromisso da Cooperativa Lar com o consumidor brasileiro? Sim, este é um compromisso que a Cooperativa tem com seu cliente consumidor, porém sempre sendo sustentável. A Lar sempre coloca produtos de qualidade na mesa do consumidor final. A Cooperativa Lar tem planos de expansão futuros? Que novidades devem vir pela frente? O que a avicultura pode esperar? Além do incremento de abate no decorrer de 2017 de 25%, entra em operação a duplicação da produção da unidade industrial de empanados e linguiça de frango da LAR, ambas com foco na comercialização no mercado nacional.

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Informe Técnico-Comercial

Parede celular de levedura: A solução natural contra a Salmonella Autores: Liliana Longo Borges e Melina Bonato (P&D, ICC Brazil)

N

os últimos anos o conceito de Food Safety tem se tornado cada vez mais evidente na produção de alimentos principalmente quando está relacionado com a exportação de produtos de origem animal, sendo um grande desafio às indústrias para garantir a segurança dos alimentos. Estabelecer um elo entre a boa qualidade, o valor nutricional e a segurança dos alimentos é uma tarefa que tem exigido muitas pesquisas por parte das indústrias para assegurar a saúde pública. O Brasil é considerado um dos maiores produtores mundiais de carnes, exportando para diversos países e também é um dos seus maiores consumidores, o que demonstra a eficácia das normas sanitárias que agem desde o campo até o produto final. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões, ou quase 1 em cada 10 pessoas no mundo, adoecem depois de consumir alimentos contaminados. Destas, 420 mil pessoas morrem, incluindo 125 mil crianças com idade inferior a 5 anos. No Brasil de 2007 a junho de 2016, 90,5% dos casos de doenças transmitidas por alimentos foram provocados por bactérias, sendo que os sorotipos mais encontrados foram a Salmonella spp (7,5%), seguida por Escherichia coli (7,2%) e Staphylococcus aureus (5,8%). É pertinente ressaltar que o número real de casos pode ser superior, uma vez que os sintomas podem ser mal diagnosticados e a identificação do agente etiológico nem sempre é possível.

44 A Revista do AviSite

A Salmonella é uma das causas primárias de intoxicações alimentares no mundo, sendo considerado um relevante problema de saúde pública e os surtos geralmente estão associados com o consumo de carnes ou ovos contaminados. Assim sendo, oferecer alimentos livres de Salmonella aos consumidores finais é um dos grandes objetivos da indústria de produção de alimentos. Normas sanitárias do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) de controle e monitoria de Salmonella, como a Instrução Nomativa nº20 revisada e atualizada em outubro de 2016, aumenta a pressão sobre fiscalização pelos órgãos responsáveis nos estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus, onde esta abrange desde a produção no campo aos frigoríficos, com objetivo de reduzir a prevalência desse agente e

estabelecer um nível adequado de proteção ao consumidor. A normativa exige os testes laboratoriais que comprovem a presença ou não Salmonella spp., Salmonella Enteritidis; Salmonella Typhimurium; Salmonella Gallinarum; Salmonella Pullorum, dentre outras. Estas ações são de extrema importância para o mercado de produtos de origem animal, pois envolvem todos os elos da cadeia produtiva assegurando um produto final de qualidade. Com o uso de dietas antibiotic free e a redução do uso de AGP é imprescindível um rigoroso plano sanitário, pois a transmissão pode se dar pela ração, ambiente ou ainda vertical (da matriz para o frango/poedeira), por isso o manejo inadequado ajudará nesta transmissão. Existem no mercado alternativas para controle de Salmonella, como as vacinas vivas atenu-

Tabela 1. Resumo dos resultados do estudo de Hofacre et al. (2017) sobre a redução da contaminação de Salmonella Enteritidis1 em aves de postura alimentadas com parede celular de levedura2 Dias após desafio 7 14

Órgão Ovário Presença SE

Controle

PCL

Reduções

41,7%

33,3%

-20%

MPN/g3

101

100

-90%

Presença SE

4,2%

2,1%

-50%

Presença SE

97,9%

93,8%

-4,2%

MPN/g3,4

103 b

102 a

-90%

Presença SE

53,2%

47,9%

-10%

Ceco 7 14

1INFECCÇÃO POR SALMONELLA ENTERITIDIS ÀS 16 SEMANAS DE IDADE DAS AVES (VIA ORAL, 3.0 X 109 UFC/AVE DE SE RESISTENTE AO ÁCIDO NALIDÍXICO). 2 PCL: PAREDE CELULAR DE LEVEDURA SUPLEMENTADA DESDE AS 10 SEMANAS DE IDADE À 0,5 KG/TON. 3MPN - NÚMERO MAIS PROVÁVEL (G DO ÓRGÃO). 4MÉDIAS SEGUIDAS DE LETRAS DIFERENTES NA MESMA LINHA, DIFEREM ENTRE SI PELO TESTE MANN-WHITNEY (P<0,05).


adas (que no geral atuam sobre a Salmonella Gallinuram e Salmonella Typhimurium, tendo atuação também sobre a Salmonella Enteritidis), produtos que atuam sobre a ração como antimicrobianos bactericidas (normalmente compostos de ácidos orgânicos), e produtos que atuem no organismo animal. Dentre estes últimos, podemos citar uma grande gama de probióticos, ácidos orgânicos, extratos vegetais, prebióticos, etc que atuam diretamente sobre a Salmonella ou indiretamente, modulando a microbiota e a resposta do sistema imune, melhorando a integridade intestinal, etc. A parede celular de levedura Saccharomyces cerevisiae (PCL) é uma das soluções que pode ajudar no programa de controle contra Salmonella, uma vez que é uma solução natural que ajuda na redução da contaminação e prevenção do problema. Empresas vêm investindo em pesquisas científicas de soluções e desenvolvimento de produtos à base de leveduras, acreditando que a segurança dos alimentos se inicia a partir dos produtos utilizados no campo, como os que compõem as dietas animais. Fundamentado neste conceito, a PCL se sobressai aos demais produtos por ser composto de densa parede celular de Saccharomyces cerevisiae com altas concentrações de β-Glucanas e MOS, resultando em um aditivo com garantia de resultados e ótimo custo/ benefício. A suplementação com PCL assegura que as aves mantenham o equilíbrio da microbiota intestinal e melhorem as respostas do sistema imune, resultando e diminuição da contaminação e da transmissão das bactérias patogênicas à outros órgãos do corpo. No es-

tudo publicado por Hofacre et al. (2017), podemos observar que poedeiras comerciais contaminadas por Salmonella Enteritis (SE) em alta dosagem e suplementadas com PCL (0,5 kg/ton) tiveram uma redução da colonização intestinal e ovariana de SE quando comparadas ao grupo controle (aos 7 e 14 dias após o desafio) (Tabela 1). O estudo conduzido por Korver et al. (2015, University of Alberta, Canadá - dados não publicados), testou in vitro (com conteúdo do ceco de galos saudáveis) a capacidade da PCL (0,5 kg/ton) de inibição da SE após 24 e 48 horas da inoculação. Os resultados mostram que a PCL foi capaz de inibir 99,99% da SE após 48 horas quando comparado ao grupo controle. A redução da colonização no ceco é um fator crítico em relação à segurança dos alimentos, pois consequentemente diminuirá a contaminação fecal na superfície dos ovos. Após a postura destes, o arrefecimento é iniciado e as bactérias na superfície do ovo penetram através dos poros da casca, isto é, quanto menor a contaminação da superfície com SE, menor será a contaminação no interior do ovo. Em frangos de corte, um estudo foi publicado por Ferreira et al. (2014) com pintinhos de 3 dias de idade infectados com Salmonella Heidelberg (SH). Os resultados mostraram a eficácia na redução da presença da SH nos grupos suplementados com PCL (0,5 kg/ton até 35 dias e posterior aumento da dose, 2 kg/ton, na dieta de terminação). A SH resultou em alta prevalência na cama durante todo o período avaliado (100%), porém houve uma redução de 50% na contaminação por SH no papo e 12,5% no ceco, quando comparado ao grupo controle

Tabela 2. Resumo dos resultados do estudo de Ferreira et al. (2014) sobre a redução da contaminação de Salmonella Hieldeberg1 em frangos de corte alimentados com PCL2 Re-isolamento3

Controle

PCL4

Redução

3

Cama

91,7%

91,7%

----

3

Ceco

43%

38%

12,5%

Papo3

51%

24%

52,6%

1Infeccção por Salmonella Hieldeberg aos 3 dias de idade (via oral, 3x105 UFC/ave de SH). 2PCL: parede celular de levedura de 11 a 35 dias de idade à 0,5 kg/ton e de 36 a 42 dias à 2 kg/ton). 3Re-isolamento semanal da SH na cama, papo e caco. 4Médias dos re-isolamentos semanais por presença nas amostras coletas.

contaminado (Tabela 2). Esta redução na contaminação por SH no papo e ceco é importante para evitar contaminação da carcaça nos abatedouros, já que estes órgãos podem se romper durante o processo. Embora a produção intensiva de aves seja um ambiente altamente desafiador, os produtores são o primeiro elo da cadeia produtiva e devem comprometer-se com a saúde pública, tornando a segurança dos alimentos um conceito relacionado com o controle e não com o combate. Assim, a preocupação com a qualidade dos ingredientes e dos aditivos utilizados na ração animal é uma tendência global e irreversível, considerando que o consumidor final está se tornando mais ciente da relação entre “nutrição e saúde”. A parede celular de levedura além de ser um aditivo natural, comprovou ser uma solução viável para melhorar a saúde intestinal e a segurança alimentar em baixas dosagens, resultando em um excelente custo/benefício.

Referências

Almeida, R. Food Safety Brazil. Surtos por Salmonella: dados estatísticos, sintomas e prevenção. 2015. Disponível em: http://foodsafetybrazil. org/surtos-por-salmonella-dados-estatisticos-sintomas-e-prevencoes/#ixzz4cOfqbQi2 Diário Oficial da União. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária, Instrução Normativa No 20, De 21 de Outubro de 2016. Seção 1. Pág.13. 2016. Ferreira, A.J.P, et al. Uso da associação de levedura e fonte de nucleotídeos na redução da colonização entérica por Salmonella Hiedelberg em frangos. Em: Conferência FACTA 2014 de Ciência e Tecnologia Avícolas, Atibaia. Proceedings…. 2014. Hofacre, C., et al. Use of a yeast cell wall product in commercial layer feed to reduce S.E. colonization. Proccedings of 66th Western Poultry Disease Conference, March 2017, Sacramento, CA, p. 76-78, 2017. Korver,D. et al. Effect of dietary prebiotics on intestinal microbial profiles of laying hens, University of Alberta, Canadá, 2015 (dados não publicados). Lobos, F. Conselho Regional de Medicina Veterinária de Alagoas. Mapa publica novas regras para controle e monitoria da Salmonella. 2016. Disponível em: http://www.crmv-al.org.br/ site/mostraconteudo.aspx?c=388 Ministério da Saúde. Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos no Brasil. 2016. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/ images/pdf/2016/junho/08/Apresenta----o-Surtos-DTA-2016.pdf World Health Organization – WHO. Media Centre, News release. WHO’s first ever global estimates of foodborne diseases find children under 5 account for almost one third of deaths. 2015. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2015/foodborne-disease-estimates/en/

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Informe Técnico-Comercial

Levedura integral hidrolisada de Tórula A Cinergis Agronegócios lança levedura de Tórula com 52 a 55% de proteína, produto inédito no mercado brasileiro para fabricantes de rações

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Cinergis Agronegócios lança a levedura integral hidrolisada de Tórula, produzida pelo fungo Candida utilis através de sua fermentação primária. Com uma matriz nutricional bem definida, esta levedura possibilita níveis elevados de energia metabolizável e de digestibilidade. A oferta deste produto no Brasil, como ingrediente para a fabricação de rações especiais, é feita pela Cinergis após quase 2 anos de testes em granja de frango de corte, pertencente ao grupo.

“Fizemos testes em mais de 6 milhões de frangos de corte nas granjas da GaMa Avicultura, no Maranhão, com resultados surpreendentes. Eles comprovam que a Tórula é o MAIS INTERESSANTE INGREDIENTE, em custo/benefício, para as novas tendências de alimentação animal: ingredientes saudáveis com nutrientes que melhoram a performance, a saúde intestinal e previne as principais doenças incidentes nos plantéis” Gabriel Jorge Neto, médico veterinário CEO da Cinergis Agronegócios Antes totalmente exportada para a Europa e Japão para utilização em alimentação humana (food grade), a levedura de Tórula estará disponível para o mercado brasileiro também através das pré-misturas inteligentes que a empresa lançará no mercado

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brasileiro a partir de maio de 2017, mês em que a fábrica será inaugurada na cidade de Jaguariúna, interior de São Paulo. Essas pré-misturas inteligentes objetivam a máxima performance sem o uso de antibióticos e serão fornecidas para a fabricação de rações de peixes carnívoros, tilápias, camarões, leitões, cães e gatos, fases iniciais de matrizes e frangos, bovinos de leite nas fases iniciais, transição e lactação, bovinos de corte na desmama e estação de monta e equinos nas fases iniciais, desmama, lactação e esporte. A levedura de Tórula possui de 52 a 55% de proteína bruta com alta quantidade e qualidade de ingredientes valiosos de fortes efeitos epigenéticos. Fornece os seguintes nutrientes especiais:

6% de ácido aspártico 8% de ácido glutâmico 9,5% de 1,3 e 1,6 betaglucanas 12% de mananoóligosacarídeos (MOS) 14% de ingredientes de efeito UMAMI (flavorizantes) 12% de nucleotídeos

Nutrientes especiais da tórula Nucleotídeos A levedura de Tórula da Cinergis é a mesma que o Brasil exporta para o Japão na forma de RNA (ácido desoxirribonucleico) e de onde se extrai nucleotídeos para alimentação de crianças lactentes, para alimentação parenteral de pessoas em UTI e para cosméticos (antirrugas, pois os nucleotídeos são excelentes aceleradores da multiplicação e regeneração celular). Nossa Tórula contém 12% de nucleotídeos (originados do RNA) que otimizam as funções das células T e das células natural killer, melhoram as funções imunes nas barreiras da mucosa intestinal, favorecem o desenvolvimento e reparação do trato gastrointestinal e são melhoradoras da multiplicação celular (M. IZABEL HANNAS 2010). Ácido aspártico Nossa levedura contém 6% de ácido aspártico, aminoácido flavorizante com efeito UMAMI, que estimula a produção fisiológica de hormônio do crescimento e testosterona, aumenta a formação do tecido muscular e é imunoestimulante. Ácido glutâmico Nossa levedura de Tórula contém 8% de ácido glutâmico e seu sub-produto (glutamina) que são fontes de energia para as células de multiplicação rápida, como os enterócitos e células reprodutivas. Eles estimulam a proliferação da mucosa intestinal (WU et al 2011) e o aumento saudável das vilosidades (enterócitos), di-


minuem a colonização de bactérias negativas (BARTELL e BATAL 2007) e a permeabilidade da mucosa intestinal a bactérias patogênicas (XIAO et al 2012). A glutamina acelera a recuperação da mucosa intestinal após inflamação (SUKHOTNIK et al 2009) com efeito acelerador da atividade mitótica no cólon e fornece o nitrogênio necessário para a síntese de ácidos nucleicos no organismo, permitindo respostas imediatas às necessidades proliferativas das células (LOBLEY et al 2001). O ácido glutâmico também fornece energia para células imunológicas como linfócitos, macrófagos e neutrófilos (WU et al 2011). É um excelente flavorizante para rações de gatos, cães e leitões. 1,3 e 1,6 betaglucanas 1,3 e 1,6 betaglucanas são potentes imunoestimulantes e adsorvem diversas toxinas no muco intestinal (www.betaglucan.org). Sua ação é muito dependente do tamanho da partícula da glucana, já que os macrófagos têm diâmetro de 10 a 21 mícron. Nossa levedura de Tórula tem 9,5 a 10% de 1,3 e 1,6 betaglucanas micro particuladas para uma ação imunoestimulante elevada. Para programas preventivos, para Salmonellas em avicultura e adjuvantes para a mancha branca dos camarões, temos diversas soluções que podem trazer excelente custo/benefício para sua empresa. MOS (mananooligosacarídeos) Micro particulados e bioativos, a levedura integral hidrolisada de Tórula Cinergis contém ao redor de 12% de MOS de alto poder aglutinante de bactérias com fímbrias do tipo um (Salmonellas, Esclerichia coli patogênica, Vibrio, etc) ajudando na melhoria de viabilidade nas larvas de camarões, na prevenção de enterites em leitões e na prevenção de Salmonellas em avicultura. O MOS originário da Tórula também tem efeito bifidogênico, alimentando as bactérias láticas que produzem, de modo saudável e fisiológico, ácidos graxos de cadeia curta e média no intestino.

Utilização de levedura integral de tórula em rações: Suinocultura: usar preferencialmente 1 a 3% nas fases iniciais como flavorizante e fonte de ácido glutâmico e ácido aspártico (ingredientes com efeito UMAMI), e para adjuvante no controle de diarreias devido ao conteúdo de nucleotídeos (multiplicador celular e recuperação dos enterócitos), 1,3 e 1,6 betaglucanas (imunoestimulação e adsorção de toxinas nos alimentos) e MOS (aglutinação de bactérias com fímbrias do tipo 1, como a Esclerichia coli patogênica). Para os cachaços em reprodução na dosagem de 1% para melhorar fertilidade, principalmente nos animais em coleta de sêmen. Avicultura: o uso da levedura integral de Tórula em alimentação animal do Brasil está acontecendo por causa da intensa pesquisa que o médico veterinário Gabriel Jorge Neto, CEO da Cinergis, fez para encontrar o prebiótico ideal para a substituição dos antibióticos promotores de crescimento em frangos de corte e para viabilizar o uso de vacinas para coccidiose na produção de carne de frango sem antibióticos anticoccidianos. Enquanto construía a fábrica de probióticos da GHENVET, em Paulínia, que hoje conta com 29 excelentes cepas probióticas para aves e suínos e a fábrica da Cinergis, em Jaguariúna, para produzir as pré-misturas inteligentes, ambas sendo inauguradas em maio de 2017, ele pesquisou o uso de levedura integral hidrolisada de Tórula com resultados impressionantes, considerando uma ferramenta forte para diminuição de contaminação de salmonelas (monitoramento por swab de arrasto/propés) em frangos e matrizes, quando associado com Lactulose, FOS, GOS, cepas de bactérias bifidogênicas e Clostridium butyricum.

As recomendações para frangos de corte são: Pré-incial: os melhores resultados para custo/benefício foram com 12 quilos por tonelada. Na inicial,

com 5 a 6 quilos por tonelada. Nas demais fases, em combinação com prebióticos bifidogênicos e probióticos com diferentes quantidades conforme as misturas de produtos e os percentuais de positividade para swab de arrasto (propés) de Salmonellas. Para matrizes leves, semipesadas e pesadas e frangas de reposição, na fase inicial usar desde o primeiro dia na dosagem de 10 a 12 quilos por tonelada para melhorar a recuperação dos enterócitos após a vacinação contra coccidiose pelo alto conteúdo de ácido glutâmico (SAKAMOTO et al 2014). Nas fases de crescimento e produção, consultar nossa equipe de médicos veterinários pois há diversos programas que dependerão dos objetivos de controle de salmonelas. Para galos usar 1 a 2% principalmente nas fases reprodutivas para melhoria da saúde intestinal e mais fertilidade. Para poedeiras a recomendação de uso é para as fases de cria e recria, podendo ter custo/benefício favorável nas primeiras 10 semanas no início da postura, dependendo dos custos dos outros ingredientes. Para programas de retirada de antibióticos (em aves e suínos) e anticoccidianos (em avicultura) temos diversas formulações inteligentes que associam a levedura integral hidrolisada de Tórula com prebióticos e probióticos. A Revista do AviSite

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Informe Técnico-Comercial

Alimentado as bactérias benéficas Autores: Carlos Ronchi, Gerente Técnico e Marketing Global da Yes, e Juliana Bueno, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Yes

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principal objetivo da produção animal é fornecer alimento nutritivo, saudável e seguro ao consumidor. Uma exploração pecuária deve oferecer condições adequadas ao bem-estar animal e sempre respeitar o meio ambiente. Atualmente a biotecnologia disponibiliza ferramentas que proporcionam uma exploração mais econômica e sustentável, melhorando o desempenho animal e beneficiando o consumidor. O grande desafio atual é a substituição por completo dos antibióticos promotores de crescimento (APC), uma vez que o uso contínuo dessas substâncias provoca resistência microbiana, podendo esta ser transferida para as bactérias presentes no sistema gastro-intestinal (SGI) de humano abrindo margem à um grande problema de saúde pública. Perante este impasse, em 2006 a União Europeia baniu a utilização dos APC´s na criação animal, bem como a comercialização de produtos contendo resíduos destes compostos. Em janeiro de 2017, nos Estados Unidos tomou-se a mesma decisão. Surgiu então, uma demanda crescente e voraz por alternativas efetivas que substituam os APC´s garantindo bons índices de produtividade, segurança alimentar e custos competitivos. Os alimentos funcionais preenchem esta lacuna. São considerados alimentos e/ou ingredientes funcionais aqueles que, vão mais além do que apenas nutrir, promovem a saúde por meio de mecanismos não previstos pela nutrição convencional. Muitos ingredientes funcionais são comercializados como aditivos alimentares, tanto para a alimentação humana, como para a alimentação animal. Nesse contexto destacam-se os prebiótico, os probióticos e os simbióticos

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os quais são considerados moduladores de microbiota intestinal, pois são capazes de aumentar a população de micro-organismos benéficos presentes no SGI, como os Lactobacilos e as Bifidobactérias, em detrimento dos microrganismos causadores de doenças como Clostridium, Salmonella, E.coli, Campylobacter, entre outras, desempenhando assim um papel decisivo na manutenção da saúde do “hospedeiro”, que é o organismo que hospeda esses micro-organismos. Vivemos uma nova fronteira na alimentação animal e humana. A fronteira de alimentar e multiplicar as bactérias benéficas intestinais (Efeito Bifidogênico). Os oligossacarídeos são definidos estritamente como sendo carboidratos que contêm entre 2 e 10 monossacarídeos, covalentemente ligados através de ligações glicosídicas (MEHRA e KELLY, 2006). Os oligossacarídeos (fruto-oligossacarídeo, galacto-oligossacarideo, xilo-oligossacarideo, Inulina, etc) são fibras solúveis que tendem a ser fermentadas na porção distal do intestino, majoritariamente pelas populações de Lactobacillus e Bifidobacterias. Estudos científicos demostram que com a utilização em doses adequadas de FOS e GOS a população de Lactobacillus e Bifidobacteiras podem ser multiplicadas em centenas de vezes. Por isso o seu efeito bifidogênico. Os Lactobacillus e Bifidobacterias são produtores de bacteriocinas (antibióticos naturais) e de ácido láctico, ácido butírico, propionatos e acetatos. O aumento da população de bactérias benéficas proporciona o aumento das bacteriocinas e ácidos graxos de cadeia curta e média. As bacteriocinas e a acidificação do bolo fecal, provocam importante redução das populações de bactérias nocivas (principalmente Salmonellas e E. coli) e consequente excreção nas ca-

mas dos aviariários, afirma Carlos Ronchi, Gerente Técnico e Marketing Global da YesSinergy. Blends de Prebióticos são eficientes no controle das Salmonellas. Afirmamos isso depois de testá-lo e comprová-lo”, declara Antônio José Piantino Ferreira, Professor Associado do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Além disso, a acidificação adequada do conteúdo intestinal favorece significativamente a ação de algumas enzimas e a absorção de nutrientes, especialmente minerais e vitaminas. Outro mecanismo, cientificamente comprovado, mostra que a microbiota é capaz de trocar sinais celulares de caráter regulatórios com o hospedeiro, estimulando o sistema de defesa, no qual o epitélio e o muco intestinal bem como as bactérias residentes nesse ambiente provêm o primeiro mecanismo de defesa. Portanto uma alternativa eficaz aos APC`s são os oligossacarídeos, que ao multiplicar a população de bactérias benéficas promovem o aumento da concentração de ácidos graxos de cadeia curta e média. Com isso, temos melhor equilíbrio da microbiota, preservação do epitélio intestinal, secreção equilibrada de mucina e melhor resposta imunologia. A utilização destes aditivos funcionais e consequentemente a isenção de Antibióticos Promotores de Crescimento, é uma solução inovadora e sustentável para a cadeia produtiva de alimentos, que simbolizam “SIM” o sucesso do agronegócio.


Informe Técnico-Comercial

Parceria Poly Sell & Vitafort

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Poly Sell mais uma vez reitera o seu compromisso em trazer inovações para a avicultura e suinocultura brasileira. Em 10 de Maio de 2017 firmamos um contrato de distribuição exclusiva com a Vitafort, uma das melhores fabricantes de probióticos no nosso mercado, para a linha de produtos POTENBAC ®. Devido à movimentação mundial de reavaliação sobre a segurança de uso de melhoradores de desempenho e antimicrobianos terapêuticos, vínhamos já há algum tempo em busca de soluções inovadoras em biosseguridade. Vimos na proposta tecnicamente diferenciada da Vitafort uma oportunidade de abraçar e levar ao mercado novos conceitos.

Parceria é uma oportunidade de sair na frente e levar aos nossos clientes uma solução diferenciada, uma vez que os simbióticos enzimáticos, desenvolvidos pela Vitafort, levam o probiótico a outro patamar de respostas no intestino

Solução inovadora em biosseguridade

Essa parceria é uma grande oportunidade de sair na frente e levar aos nossos clientes uma solução diferenciada, uma vez que os simbióticos enzimáticos, desenvolvidos pela Vitafort, levam o probiótico a outro patamar de respostas no intestino dos animais. A formulação dos produtos é composta por microrganismos diferenciados e com funções específicas para os desafios do nosso setor; e carregam consigo condições muito mais favoráveis ao seu desenvolvimento e atuação benéfica no trato digestivo. Esse cenário ideal para a sua ação traz resultados superiores em relação aos outros produtos já conhecidos, tanto no uso via água de bebida como através da ração. Os resultados obtidos até então com a linha POTENBAC ® são extremamente promissores, o que tem motivado bastante à diretoria e a equipe de vendas da Poly Sell. Nós sempre priorizamos por lançar produtos diferenciados, baseados nos trabalhos técnicos e com forte assistência a campo, através dos consultores especializados e qualificados. Essa filosofia tem como resultado uma oferta de soluções sustentáveis, seguras e economicamente viáveis, proporcionando uma parceria duradoura e financeiramente saudável para nós, bem como aos nossos clientes. Informações sobre a empresa: www.polysell.com.br. A Revista do AviSite

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Reportagem Empresarial

Sede da Vetanco, na cidade argentina de General Rodriguez.

Vetanco completa 30 anos, com solidez no mercado do agronegócio Empresa foi fundada na Argentina e chegou ao Brasil em 2001

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Vetanco, laboratório multinacional dedicado à produção de especialidades para a sanidade e o melhoramento da produção animal, completa em 2017, três décadas de sua fundação. Segundo a história da empresa, a Vetanco nasceu para atender o mercado de suinocultura e avicultura. Mas hoje, a expertise da empresa se estendeu para outras espécies, como bovinos, pets e peixes. Uma boa interpretação das tendências interna-

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cionais favoreceu o sucesso da empresa e tem dado o suporte para sua consolidação no setor. Além de permitir à Vetanco se antecipar as necessidades dos produtores. Atualmente, a empresa exporta para 40 países. Da iniciativa de dois jovens estudantes universitários do curso de Engenharia Agrícola na Argentina, Jorge Winokur e Horácio Mancini, nasceu a ‘semente’ da empresa. A Vetanco surgiu em um momento onde havia um constante crescimento e pro-


fissionalização da avicultura argentina. Winokur, Presidente da Vetanco, explica que a empresa, desde o primeiro dia, alinhou as suas estratégias - científica, industrial e comercial - como uma organização ‘viva’, com internacionalização dos seus projetos, respeito pelo conceito de “um mundo, uma saúde”, com o slogan “produtos seguros, confiáveis e controlados”, o que significa que uma solução com custo eficaz não deve comprometer a qualidade do alimento final. “Hoje, o nosso slogan é Produtos seguros para Alimentos Seguros: tem o mesmo conceito, porém expressa uma vez mais a importância do consumidor final”, explica. A empresa tem mais de 200 produtos destinados a diversas espécies animais, classificados como, antimicrobianos, anti-parasitários, anti-micotoxinas, anti-inflamatórios e analgésicos, probióticos, prebióticos, inseticidas e produtos para sanidade ambiental, além de diversos aditivos para alimentação animal.

A equipe “É fundamental a participação dos colaboradores da empresa em seu sucesso. A Vetanco vive do envolvimento criativo de seus funcionários. Altamente estimulado, é um grupo que compartilha o sentimento de “pertencer”, pronto para liderar novos projetos - tecnológicos ou comerciais. Queremos continuar a ser uma organização fértil na qual as pessoas querem vir com ‘fome’ de desafios para realizar seus sonhos e projetos”, Jorge Winokur, Presidente da Vetanco.

A chegada ao Brasil A receptividade da chegada da Vetanco ao Brasil, em 2001, foi excelente e teve por objetivo entender, discutir e adotar melhorias tecnológicas. “Se as contribuições científicas e técnicas resultarem em maior produtividade e maior qualidade, o profissional brasileiro não hesita. Portanto, somos gratos ao agronegócio brasileiro, mas ainda mais aos colaboradores da Vetanco Brasil, que são nosso elo perfeito, pelo empenho e profissionalismo, para nossas conquistas”, explica Jorge Winokur. Segundo Horário Mancini, Vice-Presidente da Vetanco, esta foi uma excelente oportunidade, aproveitada pela empresa e que se tornou um marco em sua história. “A prefeitura de Chapecó nos ofereceu excelentes vantagens para nossa instalação na cidade, e diante da proximidade do polo produtivo avícola e suinícola, foi estratégica a nossa localização no oeste catarinense”, explicou. Mancini conta que à época, a empresa chegou ao Brasil sob os cuidados de Javier Kuttel (que permaneceu na Vetanco até o final de 2015, como Diretor Técnico e Comercial) e Cláudio Kracker (que atuou como Diretor Administrativo até 2014). “Nossa maior dificuldade era a obtenção dos Registros no Ministério da Agricultura, mas aos poucos conseguimos. Hoje, traba-

Winokur: “O sentimento principal de completar 30 anos é a satisfação com nossas realizações e, também, a possibilidade de visualizar a próxima década. Num contexto econômico complexo, ser reconhecida como uma organização muito bem estruturada para multiplicar projetos e recursos humanos em todo o mundo e empenhada em liderar a inovação nos próximos 30 anos, é muito gratificante. Os maiores desafios foram o salto da América Latina para o mundo, buscando mercados em outros continentes, temos a abertura para interpretar outras culturas e a flexibilidade dos nossos profissionais para a tomada de decisões. A Vetanco tem que ser um player global e permanecer como uma empresa saudável e crescente, e manter seus colaboradores com fome de ‘pertencer’, criar e crescer dentro da empresa. Como projetos futuros pretendemos: aumentar nossa participação em mercados importantes - como Argentina, Brasil, México, Colômbia, etc. - aumentar a nossa presença técnica e comercial com mais pessoas, estabelecer um trabalho no Sudeste Asiático, além de começar a fazer negócios nos EUA e na Europa, este um projeto que já começou”.

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Reportagem Empresarial

Mancini, Vice-Presidente da Vetanco: “Quando iniciamos o trabalho para o lançamento da Vetanco, trinta anos atrás, não imaginava chegar onde chegamos. A realidade vivida hoje pela empresa é muito maior do que sonhamos. Acredito que seja um ‘pequeno milagre’. O sentimento é de sucesso. Atualmente 40 países recebem nossos produtos e acima de tudo, geramos trabalho e oferecemos excelente qualidade de vida à nossa equipe”

lhamos sob o enfoque de disponibilizar o máximo em serviços aos clientes e avançarmos sempre o nível das pesquisas para o desenvolvimento dos melhores produtos aos nossos clientes”, disse Mancini. “É preciso destacar que nossa estratégia no Brasil delimita nossa estratégia global, dada a importância do mercado brasileiro para a Vetanco, com alto nível de exigência. Na busca da máxima qualificação, o Brasil é nosso carro-chefe, nosso horizonte de atuação”, afirmou. “Somente desta forma conseguimos estabelecer algo além de ‘trabalho’ junto aos nossos clientes. Trabalho sob a visão de parceria, sólida e construída sob bases de confiança, principalmente para passar pelas ‘águas turbulentas’, que muitas vezes inundam o agronegócio”, destacou.

BV Science A Vetanco realizou um joint venture com a Dr. Bata Co. para criar a BV Science. O acordo foi assinado em 2014,

“O uso da mais alta tecnologia fornece novas ferramentas e produtos que garantem não só produtividade, mas alimentos com melhor qualidade e com maior segurança. Há uma única ‘saúde’. O que é saudável para os animais deve traduzir-se em melhor saúde para as pessoas”, Jorge Winokur. 52

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Sede da Vetanco na cidade de Chapecó, SC porém a parceria de desenvolvimento já existe há quase uma década. “A finalidade é aumentar nosso portfólio de produtos e alcançar mais mercados, com melhor qualificação técnica”, explicou Jorge Winokur. “Inicialmente nossos portfólios - Vetanco e Dr Bata Co. - estão focados na produção livre de antibióticos. Nosso objetivo maior é a segmentação dos merca-

dos na Europa e nos EUA, inicialmente”, detalhou. Já são 3 anos de trabalho e parceria e existem tecnologias de comunicação que permitem a participação de diferentes laboratórios, de forma simples e coordenada. Alguns projetos estão sob a liderança dos pesquisadores da Vetanco, e outros dos cientistas da Dr. Bata Co. Jorge Winokur, Presidente da Ve-

tanco, conclui: “Estamos trabalhando para construir uma cultura corporativa aberta, multinacional, que atenda às necessidades de pesquisa e desenvolvimento em nível global, permitindo a expressão criativa e colaborativa de todos os funcionários que desejam fazer parte do nosso futuro, respeitando o slogan: “Produtos seguros para alimentos seguros”. A Revista do AviSite

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AviGuia Manejo durante o inverno

Cobb-Vantress treina integrados da Frango Bello

Encontros reuniram mais de 150 pessoas em unidades da empresa no Paraná e no Mato Grosso do Sul

A Cobb-Vantress reuniu mais de 150 pessoas em dois treinamentos sobre “Manejo de Inverno”, realizados para integrados e equipe técnica da empresa Frango Bello. O primeiro ciclo de palestras ocorreu nos dias 9 e 10 de maio, nas cidades paranaenses de Altônia, Toledo e Marechal Cândido Rondon. Já o segundo ciclo aconteceu nos dias 11 e 12 de maio, em Iguatemi, Itaquiraí e Ivinhema, no Mato Grosso do Sul. Os encontros foram organizados com o objetivo de reforçar os padrões de manejo que a Frango Bello utiliza em seus aviários e orientar os integrados sobre pontos fundamentais a serem executados durante o inverno, garantindo bons resultados para a empresa. De acordo com o assistente técnico da Cobb, Otávio Conde, o manejo eficaz durante esta época do ano contribui para que a ave tenha um bom peso durante a primeira semana de vida. “Isso é fundamental para que ela apresente resultados no futuro, como peso de abate adequado e baixa conversão alimentar, evitando ainda a presença de problemas metabólicos”, disse. “Entre as orientações estão, por exemplo, a temperatura da cama no alojamento, que deve ser de 33ºC, e a qualidade do ar, com uma ventilação mínima correta”, acrescenta. Os temas abordados durante os treinamentos foram a importância da vedação dos aviários, a preparação correta da área de alojamento, tecnologias para aquecimento dos aviários, foco no manejo dos primeiros 14 dias, a correta temperatura da cama no momento do alojamento e o impacto no resultado final do lote.

Contra Bronquite Infecciosa

Cevac IBras é lançada em Pernambuco A Ceva Saúde Animal reuniu em maio profissionais da indústria avícola para apresentar a Cevac IBras, a primeira vacina viva contra a Bronquite variante brasileira (BR). O evento aconteceu na cidade de Gravatá, em Pernambuco. “Estamos muito felizes em apresentar a Cevac IBras para esse público seleto. Com certeza esse lançamento irá transformar o setor avícola do nosso país”, disse o Gerente de Marketing da Unidade Aves da Ceva, Marco Aurélio Lopes, na abertura do evento.

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A Bronquite Infecciosa variante BR é o grupo mais prevalente e epidemiologicamente mais importante no Brasil, sendo detectado em mais dos 70% dos casos de doença no país. “Após 8 anos de pesquisas hoje apresentamos ao mercado a Cevac IBras, uma nova vacina, desenvolvida com a cepa BR e criada para atender o mercado brasileiro. Esse produto irá trazer grandes benefícios frente ao desafio da Bronquite Infecciosa, que é considerada a segunda doença de maior impacto econômico da avicultura mundial” declarou o Gerente de Serviços Veterinários da Ceva, Jorge Chacón.


Nova contratação

Roberto Montanhini Neto assume Diretoria Comercial da Safeeds A Safeeds anunciou Roberto Montanhini Neto como novo Diretor de Planejamento Comercial. O executivo tem mais de 15 anos de experiência no mercado nacional e internacional, sempre voltados para o desenvolvimento de projetos em nutrição animal. Nos últimos anos, esteve sediado na França como gerente global de pesquisa e desenvolvimento técnico em multinacional produtora de aditivos. “Essa experiência internacional me proporcionou um privilegiado conhecimento de oportunidades de mercado, assim como de práticas de gestão, as quais podem ser chave ao plano de desenvolvimento estratégico da Safeeds”, explica o novo Diretor. “Aceitei esse novo desafio na Safeeds com a responsabilidade de que o trabalho feito até hoje pela empresa tenha continuidade e que se multiplique, com a possibilidade de expansão dos horizontes técnicos da produção animal brasileira, na qual eu acredito, tenho orgulho e, sobretudo, que todos fazemos parte”, acrescenta. Roberto chega à Safeeds para reforçar a área comercial e técnica da empresa, apoiando as decisões focadas tanto nas necessidades individuais de seus clientes em curto prazo, quanto criando uma visão de desenvolvimento estratégico em longo prazo, buscando antever tendências do mercado e implementar tecnologias, que serão a base do futuro da produção animal.

Montanhini: em seu currículo, o médico veterinário com mestrado e doutorado em ciências veterinárias tem importantes passagens por grandes integrações, premixeiras e multinacionais A Revista do AviSite

55


Reportagem Empresarial

Boehringer Ingelheim Saúde Animal inaugura nova fase no Brasil, agora no setor avícola Patrícia Schwarz assume a Direção da Unidade de Aves da Boehringer Ingelheim com planejamento de crescimento e avanço no mercado brasileiro

A

Boehringer Ingelheim Saúde Animal, segunda maior empresa do segmento em âmbito global, sendo uma das mais tradicionais, está iniciando uma nova fase no mercado brasileiro. Após a aquisição dos ativos da Merial, dentro de uma estratégia que está se consolidando rapidamente, pois o fato ocorreu há menos de um ano, a empresa está colocando em prática todo o seu planejamento para o setor avícola. A contratação da Médica Veterinária Patrícia Schwarz para assumir a Direção da Unidade de Aves - posto de liderança para o segmento - faz parte deste planejamento. A Revista do Avi-

Site foi conversar com Patrícia para saber um pouco mais sobre os seus planos para a atuação da Boehringer Ingelheim na avicultura e também para traçar um perfil da profissional, que assume um grande desafio à frente de uma das maiores corporações em atuação no setor avícola. O lema da Boehringer Ingelheim, “Valor através da inovação”, será a grande missão de Patrícia à frente da avicultura na empresa. Segundo ela explica, a aquisição dos ativos da Merial representa uma grande oportunidade de a empresa voltar à avicultura. “Este é um setor extremamente técnico e altamente qualificado. Por isso é que a

O lema da Boehringer Ingelheim, “Valor através da inovação”, será a grande missão de Patrícia à frente da avicultura na empresa

Dia a dia “Adoro a prática esportiva. É algo ‘viciante’ em minha vida! Adoro pedalar, corro quando possível e sou fascinada por saltar de paraquedas. Meu dia fica incompleto se não me exercito. É um encontro comigo mesma. Com a nossa vida corrida, faço o que dá! Se é possível correr, corro, se só é possível me exercitar no hotel, me exercito. Mas nunca fico parada. E, profissionalmente, o que me move é o desafio. Não consigo trabalhar se eu não tenho um grande objetivo pela frente e agora, mais uma vez, começo em um grande desafio”

56

A Revista do AviSite


empresa se encaixa perfeitamente na avicultura, tanto é que em vários países do mundo ela possui grande participação no segmento, com foco técnico e no conhecimento. É uma identificação total. Novo para a Boehringer Ingelheim no Brasil, porém, com larga experiência no mundo”, destacou. Nesta nova fase, ela explica que a Boehringer Ingelheim fará uma revisão na forma de relacionamento com os clientes. “Vamos ajustar de forma muito clara nossos produtos e serviços a cada cliente, de forma singular, com inovação por parte de nossa equipe, revendo conceitos para extrair o melhor de cada um para atender às necessidades dos clientes, dentro de cada especificidade”, detalha Patrícia. Patrícia detalha que a equipe da Unidade de Aves da Boehringer Ingelheim foi montada com alto nível técnico visando o objetivo de atender amplamente o mercado.

Nesta nova fase, a Boehringer Ingelheim fará uma revisão na forma de relacionamento com os clientes. A empresa irá ajustar seu produtos e serviços, de forma singular, dentro de cada especificidade

Desafios “Meu grande desafio à frente da Unidade de Aves da Boehringer Ingelheim é fazer com que toda a equipe caminhe com um único objetivo. Temos excelentes produtos, com altíssima qualidade e agora é fazer com que a equipe caminhe forte rumo ao desenvolvimento do mercado avícola para a Boehringer Ingelheim”

Proposta de Valor “Agregar valor aos nossos produtos também com uma excelente qualificação técnica. Toda a nossa equipe é composta por Médicos Veterinários capazes de adaptar os nossos produtos à demanda específica de cada cliente”

Quebrando barreiras “Vamos quebrar barreiras de espaço! Não haverá área na qual a equipe da Unidade de Aves da Boehringer Ingelheim não possa estar presente, unida em pró do mercado avícola”

Mapa e a questão da prevenção “Continuar firmes com nosso relacionamento no Ministério da Agricultura. Existe um projeto maior visando a garantia da sanidade do plantel avícola e estamos inseridos nele. Vamos continuar sendo um elo forte da cadeia produtiva, garantindo a máxima segurança ao plantel avícola através de algo muito forte chamado “Prevenção”. Esta será a palavra que moverá os projetos do Mapa e também, garantindo nossa atuação no mercado brasileiro” A Revista do AviSite

57

Quem é Patrícia Schwarz, nova Diretora da Unidade de Negócios de Aves da Boehringer Ingelheim • Médica Veterinária • Atuava como gestora de Assuntos Regulatórios desde 2014 • Assume a direção da Unidade de Negócios de Aves, com a responsabilidade de comandar uma área vital para os negócios da Boehringer Ingelheim Saúde Animal • Graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) • Mestrado em Saúde Pública e Doutorado em Epidemiologia • Casada com Guilherme, mãe da Carolina (4 anos), Eduardo (16) e também possui um enteado, o Bernardo (19)


Estatísticas e Preços

Produção e mercado em resumo Produção de pintos de corte Março/2017 517,196 Milhões | -7,89%

Produção de carne de frango* Abril/2017 1.092,666 Mil toneladas | -4,70%

Exportação de carne de frango Abril/2017 317,708 mil toneladas | -23,03%

Disponibilidade interna* Abril/2017 774,958 Mil toneladas | 5,61%

Farelo de Soja Maio/2017 R$976,00 | -24,40%

Milho Maio/2017 R$29,66 | -44,93%

Desempenho do frango vivo Maio/2017 R$2,50 | 0,00%

Desempenho do ovo Maio/2017 R$83,31 | +14,81%

*Os números referem-se ao potencial de produção de carne de frango e ao potencial de disponibilidade interna. Todas as porcentagens são variações anuais.

58

A Revista do AviSite

Avicultura terá suprimento recorde de milho no ano

N

o cenário internacional, as exportações de carne de frango dos EUA seguem em franca recuperação. Nem mesmo os surtos relacionados a Influenza Aviária registrados no país foram suficientes para frear o crescimento verificado. Com isso, o índice de aumento do primeiro trimestre já alcançou 8,8%, enquanto em doze meses, ficou levemente abaixo dos 8,2%. Contribui para isso o crescimento superior a 15% nos embarques do primeiro trimestre para os 10 maiores importadores do produto. Pela ordem: México, Cuba, Angola, Taiwan, Canadá, Hong Kong, África do Sul, Guatemala, Cazaquistão e Filipinas. Sete deles também são atendidos pelo Brasil. Entre eles, a África do Sul e Hong Kong que também estão entre os 10 maiores importadores do produto brasileiro.

N

o cenário nacional, relatório anual divulgado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revela que, em 2016, foram alojadas no País pouco mais de 50,5 milhões de matrizes de corte, volume quase meio por cento inferior ao registrado em 2015. A CONAB estima que o suprimento da corrente safra de milho atingirá o maior nível da história, superando pela primeira vez a marca dos 100 milhões de toneladas, reflexo do excepcional aumento da produção. Com isso, a avicultura de corte e postura terão matéria-prima abundante no decorrer do ano. O levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves corrobora essa informação a partir da queda no custo de produção do frango determinado, principalmente, pela retração no custo da alimentação, quase um quarto menor que o de um ano antes. A queda anual no custo do frango alcançou 18% em abril, representando o menor valor dos últimos 20 meses. O destaque negativo do mês foram os baixos embarques de carne de frango, reflexo da Operação Carne Fraca. A queda em relação a abril do ano passado foi de 23%. No primeiro quadrimestre, o recuo atingiu 4,4%.


Produção de pintos de corte

Em março, recuo anual próximo de 8%

D

e acordo com levantamento da APINCO, em março passado foram produzidos no Brasil pouco mais de 517 milhões de pintos de corte, quase 8% menos que um ano antes, em março de 2016, mês em que se registrou a maior produção do ano que passou e o terceiro maior volume da história do setor. Considerado o volume médio diário – indicador mais eficiente que o total nominal mensal - a produção de março foi a menor dos últimos cinco meses, tendo recuado 5,5% em relação ao volume diário do mês anterior, fevereiro de 2017. Com este último resultado, o total acumulado no primeiro trimestre de 2017 vai pouco além do 1,5 bilhão de pintos de corte, representando redução de 6,8% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Foi a menor produção de pintos de corte dos últimos 11 trimestres. Acompanhamento histórico dos últimos sete anos (2010 a 2016) indica que no primeiro trimestre se produz o equivalente a 24,45% do total anual. Se esse índice for atingido, o setor poderá produzir o equivalente a 6,328 bilhões de pintos de corte em 2017, volume quase 2% abaixo do alcançado no ano passado. Por ora, o volume acumulado em doze meses – abril de 2016 a março de 2017 – se encontra em 6,337 bilhões de pintos e representa 4,1% de redução sobre o mesmo período imediatamente anterior. Os índices negativos verificados no trimestre, no volume acumulado dos últimos doze meses e projeção para o corrente ano, demonstram as dificuldades verificadas na comercialização do produto final carne de frango - no mercado interno, que absorve mais de dois terços do volume produzido. A forte crise nacional continua afetando a vida dos brasileiros que, aliado ao alto nível de desemprego, diminui continuamente o poder de consumo. Com isso, as empresas são forçadas a ajustar os volumes produzidos à real necessidade do mercado, ocasionando a redução no insumo básico, o pinto de corte.

EVOLUÇÃO MENSAL MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2015/2016

2016/2017

VAR. %

Abril

527,185

540,962

2,61%

Maio

535,525

542,145

1,24%

Junho

552,167

551,131

-0,19%

Julho

573,266

514,831

-10,19%

Agosto

551,897

546,836

-0,92%

Setembro

555,216

497,702

-10,36%

Outubro

581,602

510,632

-12,20%

Novembro

497,604

525,170

5,54%

Dezembro

572,410

560,266

-2,12%

Janeiro

560,408

535,647

-4,42%

Fevereiro

538,403

494,423

-8,17%

Março

561,478

517,196

-7,89%

Em 03 meses

1.660,289

1.547,266

-6,81%

Em 12 meses

6.607,161

6.336,941

-4,09%

Fonte dos dados básicos: APINCO – Elaboração e análises: AVISITE

Produção trimestral 1º Trim de 2014 a 1º Trim 2017 Bilhão de cabeças

1.700 1.600 1.500 1.400 1.300 1.200 1.100 1.000 I

II

III IV

2014

I

II

III IV

2015

I

II

III IV

2016

I

II

III IV

2017 A Revista do AviSite

59


Estatísticas e Preços Produção de carne de frango

Primeiro quadrimestre tem redução de 4%

A

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2015/2016

2016/2017

VAR. %

Maio

1.134,876

1.172,248

3,29%

Junho

1.078,608

1.102,260

2,19%

Julho

1.142,342

1.172,162

2,61%

Agosto

1.192,926

1.126,977

-5,53%

Setembro

1.140,389

1.073,328

-5,88%

Outubro

1.188,835

1.125,320

-5,34%

Novembro

1.164,188

1.035,096

-11,09%

Dezembro

1.122,573

1.099,989

-2,01%

Janeiro

1.156,035

1.170,310

1,23%

Fevereiro

1.116,196

1.032,492

-7,50%

Março

1.197,361

1.134,631

-5,24%

Abril

1.146,531

1.092,666

-4,70%

Em 04 meses

4.616,123

4.430,099

-4,03%

Em 12 meses

13.780,859

13.337,479

-3,22%

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

PRODUÇÃO QUADRIMESTRAL

III

60 A Revista do AviSite

II

II

2016

III

4,430

I

4,334

III

2015

4,574

4,549

4,382

I

4,616

II

2014

4,616

I

4,286

4,206

4,454

1º Quadrimestre de 2014 a 1º Quadrimestre de 2017 Mil toneladas

I

2017

s projeções da APINCO baseadas na produção de pintos de corte indicam que, já influenciadas pelo menor alojamento de pintos do mês anterior, a produção de carne de frango – que havia registrado aumento de quase 10% de fevereiro para março – fechou abril passado com uma redução de 3,70%. Em relação ao mesmo mês de 2016, o índice de redução foi maior ainda, 4,70% a menos. É o terceiro mês consecutivo de redução em relação ao mesmo período do ano passado e mostra o esforço do setor em ajustar o volume produtivo às reais necessidades do mercado consumidor. Com isso, os primeiros quatro meses do ano foi encerrado com volume pouco superior a 4,430 milhões de toneladas, equivalendo a redução de 4% sobre o mesmo quadrimestre do ano passado. Em relação ao quadrimestre anterior, o último do ano passado, houve crescimento de 2,2%. Entretanto o índice positivo é porque lá, houve forte redução no volume produzido (6,1% de queda em relação ao mesmo período do ano anterior) onde, normalmente, se produz o maior volume do ano. Aliás, foi o menor volume produzido no terceiro quadrimestre do último triênio. Esperava-se que o forte ajuste realizado na base produtiva proporcionasse maior equilíbrio ao mercado interno. Porém, as condições de mercado mostraram que a crise instalada continuou afetando fortemente o consumo interno no início deste ano, não existindo condições de retomar a produção. Dados dos últimos sete anos indicam que o volume produzido no primeiro quadrimestre representa 32,72% do total anual. Se esse índice médio for alcançado, o volume produzido em 2017 pode chegar a 13,540 milhões de toneladas, o que representaria crescimento anual de 0,1%. Por ora, nos últimos doze meses – maio de 2016 a abril de 2017 – o volume produzido atinge 13,337 milhões de toneladas e equivale a 3,2% de redução sobre o mesmo período imediatamente anterior.


Exportação de carne de frango

Embarques sofrem forte redução

O

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2015/2016

2016/2017

VAR. %

Maio

322,186

385,579

19,68%

Junho

389,311

406,280

4,36%

Julho

440,476

356,209

-19,13%

Agosto

375,247

357,256

-4,79%

Setembro

360,974

380,502

5,41%

Outubro

324,109

308,077

-4,95%

Novembro

379,685

321,468

-15,33%

Dezembro

392,701

356,915

-9,11%

Janeiro

311,004

354,971

14,14%

Fevereiro

314,567

325,372

3,43%

Março

398,019

374,623

-5,88%

Abril

412,756

317,708

-23,03%

1.436,346

1.372,674

-4,43%

4.421,035

4.244,960

-3,98%

Em 04 meses

Em 12 meses

Fonte dos dados básicos: SECEX/MDIC

EXPORTAÇÃO QUADRIMESTRAL

1.373

1.505

1.436

3ºQ 2016

1ºQ 2017

1.240

1.367

1ºQ 2014

1.457

1.390

1.346

1.527

1º Quadrimestre de 2014 a 1º quadrimestre de 2017 Volume em mil toneladas

1.259

episódio Carne Fraca deflagrada no país pela polícia federal no início da segunda quinzena de março trouxe graves consequências para as exportações brasileiras. Em março, a influência ainda pôde ser considerada mínima, mas, em abril, houve forte retração nos embarques. No mês, foram exportados o equivalente a 317,7 mil toneladas, volume 15,2% abaixo dos embarques do mês anterior, março. Em relação a abril do ano passado, a queda superou os 23%. De toda forma, é importante salientar que lá, o setor embarcou volume recorde ainda não superado. Neste ano, os embarques do primeiro trimestre apresentaram 3% de crescimento e as expectativas eram de embarques crescentes nos meses subsequentes a partir da difícil situação vivida por outros países exportadores às voltas com casos de Influenza Aviária em seus territórios, afetando suas vendas. Tudo mudou a partir da citada operação da polícia federal. Agora, o volume acumulado no primeiro quadrimestre atinge 1,373 milhão de toneladas e representa 4,4% de redução sobre o mesmo período do ano passado. É o segundo menor volume exportado dos últimos seis quadrimestres. Levantamento baseado nos últimos sete anos indica que o volume embarcado no primeiro quadrimestre representa 31,66% dos embarques anuais. Se esse índice for atingido, o volume anual pode chegar a 4,337 milhões de toneladas, equivalendo a aumento de 0,6%. Intenso trabalho realizado pelo governo, entidades representativas e empresas do setor, minimizaram os estragos causados. Entretanto, muitas barreiras ainda precisam ser derrubadas. Assim, a recuperação dos embarques e a tendência levantada supondo a possibilidade do volume exportado ser superior ao ano passado podem ser consideradas otimistas no curto prazo. Nos últimos doze meses – maio de 2016 a abril de 2017 – o volume embarcado alcançou 4,245 milhões e se encontra 4% abaixo do volume exportado nos doze meses imediatamente anteriores.

2ºQ 2014

3ºQ 2014

1ºQ 2015

2ºQ 2015

3ºQ 2015

1ºQ 2016

2ºQ 2016

A Revista do AviSite

61


Estatísticas e Preços Disponibilidade Interna de Carne de Frango

Oferta do primeiro quadrimestre é a menor do triênio

P

Evolução Mensal MIL TONELADAS

2015/2016

2016/2017

VAR. %

Maio

MÊS

812,689

786,669

-3,20%

Junho

689,297

695,980

0,97%

Julho

701,866

815,953

16,25%

Agosto

817,678

769,721

-5,87%

Setembro

779,415

692,826

-11,11%

Outubro

864,726

817,243

-5,49%

Novembro

784,503

713,628

-9,03%

Dezembro

729,872

743,074

1,81%

Janeiro

845,031

815,339

-3,51%

Fevereiro

801,629

707,120

-11,79%

Março

799,342

760,008

-4,92%

Abril

733,775

774,958

5,61%

3.179,777

3.057,425

-3,85%

9.359,823

9.092,519

-2,86%

Em 04 meses

Em 12 meses

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

OFERTA QUADRIMESTRAL

Primeiro Quadrimestre

62

A Revista do AviSite

2017

3.057

3.180 2016

2015

2.947 2014

2013

2.878

2.952 2012

2011

2010

2.706

2.908

3.141

Volume disponibilizado no primeiro quadrimestre 2010 a 2017 Mil toneladas

elas projeções da APINCO, a produção de carne de frango apontada para abril ficou próximo de 1,093 milhão de toneladas, significando redução de 3,7% e de 4,7% sobre, respectivamente, o mês anterior e o mesmo mês do ano passado. Nas exportações foram sentidas as consequências da operação realizada pela polícia federal denominada Carne Fraca e que, por falhas na divulgação das informações, colocou toda a avicultura de corte em risco. Desde sua deflagração – 17 de março – intensos trabalhos foram realizados para esclarecer os fatos relacionados à avicultura, aos países importadores do produto. Mesmo revertendo em pouco tempo a maioria do estrago causado, sequelas e perdas vão permanecendo. Com isso, em abril, os embarques do produto foram os menores dos primeiros quatro meses de 2017, atingindo pouco menos de 318 mil toneladas e representando redução de 15,2% e 23% em relação ao mês anterior e ao mesmo período do ano passado, respectivamente. Dessa forma, ficaram no mercado interno volume próximo de 775 mil toneladas, equivalendo a aumentos de 2% sobre o mês anterior e de 5,6% sobre abril do ano passado, influenciado pela forte queda verificada nas exportações. Encerrado o primeiro quadrimestre o total disponibilizado de 3,057 milhões de toneladas equivale a 3,85% e 2,7% de redução sobre o mesmo período de 2016 e 2015, respectivamente. Projetado para o corrente ano, o acumulado indica a possibilidade de ofertar cerca de 9,172 milhões de toneladas, cerca de 0,5% abaixo do disponibilizado no ano passado. As condições do mercado interno fortemente afetado pela prolongada crise, sugere que são grandes as chances de retração. Por ora, o volume disponibilizado nos últimos doze meses – maio de 2016 a abril de 2017 – indica redução de 2,86% sobre o período imediatamente anterior.


Desempenho do frango vivo em maio e no ano de 2017

Mercado apresenta estabilidade nas cotações despeito dos três “vendavais” que se abateram sobre o País e, mais especificamente, sobre a produção animal nos últimos três meses, a cotação do frango vivo comercializado no interior paulista permaneceu, desde o último dia de março, imutável e, à primeira vista, alheia às variações ocorridas no mercado nesse período. Primeiro, foram os desdobramentos da Operação Carne Fraca, divulgada em 17 de março. Depois, já na virada de março para abril, a notícia de que o Supremo Tribunal Federal reverteu decisão anterior, tornando constitucional a cobrança do Funrural. Por fim, já em maio (outra vez, dia 17), o acordo de delação premiada da JBS – um ato essencialmente político, mas com profunda interferência econômica em todos os segmentos da produção animal brasileira. E o frango vivo? Passou por tudo isso carregando os mesmos R$2,50/kg adquiridos em 31 de março. O que significa que em 31 de maio completou 62 dias corridos (ou 50 dias de negócios) sem qualquer alteração no preço praticado, exceto naquelas ofertas “spot”, negociadas por valores inferiores. Esse aparente alheamento ao dia a dia do mercado reforça a tese de perda da importância da ave viva independente no mercado paulista de frangos. O que não significa que a cotação vigente fuja à realidade do mercado: ela, simplesmente, está menos sujeita às variações diárias – sobretudo porque a maior parte do produto negociado tem suas entregas previamente programadas.

Por sinal, uma prova de que o frango vivo paulista continua – apesar da longa estabilidade – acompanhando o mercado “real” é observada na comparação com o produto de Minas Gerais, onde o mercado é bem mais dependente do frango vivo. Em maio, a média mineira ficou em R$2,45/kg, apenas 5 centavos (2%) abaixo da média paulista. E, nos cinco primeiros meses do ano, São Paulo registra média de R$2,60/kg, enquanto em Minas ela chega a R$2,68/kg, 3% a mais. Do ponto de vista sazonal – isto é, dos períodos de safra e entressafra das carnes – os preços de maio, inclusive do frango vivo, deveriam corresponder à pior média do ano, registrando, a partir daí, novas valorizações. Mas as injunções políticas e econômicas mantêm o panorama nublado. Por isso, só resta esperar os acontecimentos do mês de encerramento do primeiro semestre de 2017. Um ano que, como os três anteriores, parece já estar perdido.

FRANGO VIVO

Evolução de preços na granja, interior paulista – R$/KG Média mensal e variação anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/KG

Média anual em 10 anos R$/KG

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL -6,79%

13,57%

12,38%

JUL

2,95

11,32%

5,00%

AGO

3,16

17,08%

7,16%

2011

SET

3,10

7,94%

-1,93%

2012

OUT

3,10

3,93%

0,00%

NOV

3,10

0,00%

0,00%

DEZ

3,02

-1,04%

JAN/17

2,65

FEV

R$ 1,65

2010

R$ 1,92 R$ 2,08

2013

R$ 2,47

-2,45%

2014

R$ 2,42

-4,19%

-12,43%

2015

2,63

-0,81%

-0,50%

MAR

2,69

-3,77%

2,26%

ABR

2,50

-6,79%

-7,22%

MAI

2,50

0,00%

0,00%

Mai

Jul

113,5

107,1

102,3

Jun

Ago

R$ 2,60

2017

2017 Média 1995/2016 (22 anos)

117,5

Abr

R$ 2,89

2016

116,0

Mar

R$ 2,62

116,8

86,6

93,7

86,6

95,7

R$ 1,63

15,21%

2,81

93,3

100,3

2009

2,50

JUN

105,9 91,3

102,8 91,4

Fev

R$ 1,63

MAI/16

Preço relativo em 2017 comparativamente à média de 22 anos (1995/2016) Média mensal do ano anterior = 100

Jan

2008

Set

Out

Nov

119,6

A

Dez

A Revista do AviSite

63


Estatísticas e Preços Desempenho do ovo em maio e no ano de 2017

Preços em maio ficaram perto de 15% acima do registrado há um ano

A

pós ter atingido, em abril, seu maior valor nominal de todos os tempos, em maio o ovo não conseguiu manter aquele nível ou, mesmo, o dos meses anteriores. Ao contrário, registrou no período a menor média de preços do quadrimestre fevereiro-maio. No mês, os melhores momentos do ovo foram observados nas semanas pré e pós Dia das Mães. Mas sem que se atingissem os valores alcançados em abril, especialmente nos dias que antecederam a Páscoa, ocasião em que muitos negócios realizados no atacado paulistano chegaram a superar os R$100,00/caixa. Aparentemente, o produto sofreu os efeitos da famosa delação premiada de 17 de maio que, de uma forma ou outra, afetou todos os produtos de origem animal. E, neste caso, o que se viu com maior intensidade foi a retração do consumo, situação que levou à sobreoferta. Sem, porém, que se retrocedesse aos níveis dramáticos observados em

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO MÊS

NO ANO

R$ 43,62

2008

MAI/16

72,56

8,10%

32,22%

JUN

85,38

17,67%

45,21%

JUL

86,85

1,71%

46,19%

2010

AGO

84,00

-3,28%

39,64%

2011

2009

SET

72,84

-13,29%

32,63%

OUT

68,56

-5,88%

11,13%

NOV

68,04

-0,76%

4,55%

2013

DEZ

74,00

8,76%

11,93%

2014

R$ 38,63 R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11

2012

JAN/17

61,42

-17,00%

-3,91%

FEV

84,48

37,54%

8,84%

MAR

88,44

4,69%

7,31%

2016

ABR

91,13

3,04%

35,77%

2017

MAI

83,31

-8,58%

14,81%

R$ 57,86 R$ 52,70 R$ 59,47

2015

R$ 75,43 R$ 81,52

janeiro, mês em que foi registrado o menor valor nominal em quase um ano e meio. A realidade é que, mesmo tendo retrocedido mais de 8,5% em relação ao mês anterior, os preços registrados em maio ficaram perto de 15% acima do que foi registrado em maio de 2016. E, na média dos cinco primeiros meses, alcançam valor médio – R$81,52/caixa, se consideradas cargas fechadas do ovo branco extra negociadas no atacado da cidade de São Paulo – 8% acima da média registrada nos 12 meses de 2016 (R$75,43/caixa). A registrar, ainda, que a despeito do bom desempenho no decorrer de 2017, o ovo vem apresentando comportamento que se insere totalmente naquele observado em sua curva sazonal de preços. Ou seja: pela curva sazonal (média dos últimos 16 anos) deveria alcançar, em maio, valor 9,3% superior ao preço médio do ano anterior. O resultado efetivo acusa preço 10,6% superior à média de 2016, quer dizer, 1,3 ponto percentual acima do esperado. E já que a curva sazonal vem sendo seguida muito de perto, resta torcer para que esse comportamento se mantenha também no decorrer de junho corrente. É que, normalmente, após as baixas de maio (segundo menor preço do primeiro semestre, acima apenas dos preços de janeiro), o ovo volta a experimentar valorização. No ano passado, por exemplo, junho foi fechado com ganho de quase 18% em relação a maio. Que isso se repita agora, em junho de 2017.

100,2

101,2

111,3

114,7

101,7

Mai

112,6

Abr

117,2

110,03 109,3

121,07 111,5

120,7 117,50

112,23

Mar

2017 Média 2001/2016 (16 anos)

Set

Out

Nov

81,6

92,5

115,2

Preço relativo em 2017 comparativamente ao período 2001/2016 (16 anos) Média mensal do ano anterior = 100

Jan

Fev

64 A Revista do AviSite

Jun

Jul

Ago

Dez


Milho e Soja Pelo terceiro mês consecutivo, preço do milho registra queda

Após dez meses em queda, farelo de soja registra nova alta

O preço do milho registrou nova queda no mês de maio. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$29,66, valor 2,08% abaixo da média alcançada pelo produto em abril, quando ficou em R$30,29. A disparidade de preço do milho em relação ao ano anterior continua alta. O valor atual é 44,9% menor, já que a média de maio de 2016 foi de R$53,86 a saca.

O farelo de soja (FOB, interior de SP) reverteu em maio sua trajetória de queda, registrada desde o segundo semestre de 2016. O produto foi comercializado ao preço médio de R$976/t, valor 4,83% superior ao praticado no mês de abril – R$931/t. Em comparação com maio de 2016 – quando o preço médio era de R$1.291/t – a cotação atual registra queda de 24,4%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo O frango vivo (interior de SP) fechou o mês de maio cotado novamente a R$2,50/kg. A queda no valor do milho contribuiu para aumentar um pouco mais o poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 197,7 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa um aumento de 2,1% no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em março, a tonelada do milho “custou” 201,9 kg de frango vivo.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo A manutenção no preço do frango vivo em relação ao aumento no valor do farelo de soja no mês de maio fez com que fossem necessários 390,4 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando queda de 4,6% no poder de compra do avicultor em relação a abril, quando 372,4 kg de frango vivo obtiveram uma tonelada do produto.

Valores de troca – Farelo/Ovo O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), registrou em maio a média de R$77,31, valor 9,2% abaixo do alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado a R$85,13. Com esta queda, houve perda no poder de compra do avicultor. Em maio foram necessárias 6,4 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em abril, foram necessárias 5,9 caixas/t, queda de 7,3% na capacidade de compra do produtor.

Preçomédio médioMilho Milho Preço

maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio

53,00 53,00 51,00 51,00 49,00 49,00 47,00 47,00 45,00 45,00 43,00 43,00 41,00 41,00 39,00 39,00 37,00 37,00 35,00 35,00 33,00 33,00 31,00 31,00 29,00 29,00 27,00 27,00

R$/sacade de60kg, 60kg,interior interiorde deSP SP R$/saca

2016 2016

MédiaMaio Maio Média Mínimo Mínimo 27,50 R$ R$27,50 R$ R$

29,66 29,66

2017 2017

Máximo Máximo 32,00 R$ R$ 32,00

Fonte das informações: www.jox.com.br

De acordo com os preços médios dos produtos, em maio foram necessárias aproximadamente 12,6 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou queda de 13,4%, já que, em abril, 10,9 caixas de ovos adquiriam uma tonelada de farelo. Em relação a maio de 2016 houve aumento de 53,6% no poder de compra, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 19,4 caixas de ovos.

Preçomédio médioFarelo Farelode desoja soja Preço R$/toneladaFOB, FOB,interior interiorde deSP SP R$/tonelada

1600 1600 1500 1500 1400 1400 1300 1300 1200 1200 1100 1100 1000 1000 950 950 900 900 850 850 800 800 750 750

maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio

Valores de troca – Milho/Ovo

2016 2016

Mínimo Mínimo 920,00 R$ R$ 920,00

Média Maio Maio Média R$ R$

976,00 976,00

2017 2017

Máximo Máximo 1060,00 R$ R$ 1060,00 A Revista do AviSite

65


Ponto Final

Conferência FACTA 2017 supera expectativa de público Prof. Dr. Rodrigo Garófallo Garcia é Diretor de Eventos da FACTA (Fundação Apinco de Ciências e Tecnologia Avícolas) e Professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados)

A

34ª Conferência FACTA, um dos principais eventos técnicos da avicultura, reuniu profissionais, acadêmicos e estudantes durante os dias 23, 24 e 25 de maio, em Campinas (SP). O encontro abordou temas como manejo, nutrição, saúde e produção de aves, além de discussões sobre a produção orgânica, avicultura de baixa emissão de carbono e controle de enteropatógenos de origem avícola para saúde pública, que geraram diversos questionamentos e debates de alto nível. Mais uma vez o público demonstrou-se extremamente satisfeito com a qualidade do evento e com a organização impecável. A FACTA busca dar aos participantes da Conferência e de todos seus eventos, atenção personalizada, criando um ambiente agradável e propício para o pleno aproveitamento. A produção avícola brasileira tem apresentado uma evolução bastante positiva nos últimos 30 anos. Embora já tenhamos atingido números bastante significativos, em termos mundiais inclusive, as demandas se alteram e os mercados ficam cada vez mais exigentes. Temos constante preocupação com temas como o desafio do bem-estar animal e a pauta agora é a avicultura de baixa emissão de carbono e mais limpa. As temáticas propostas pela FACTA buscam sempre responder às demandas nacionais e internacionais. A Conferência FACTA 2017 foi marcada por excelentes palestras, com temas muito atuais e que aproximam a tecnologia e a ciência da produção. São assuntos necessários, como o bem-estar

66 A Revista do AviSite

animal e a questão dos orgânicos, por exemplo. Buscamos sempre aproximar a sociedade civil dessa área técnica. De acordo com a opinião do público presente, a Conferência foi uma grata surpresa este ano, pela excelente organização e o nível das palestras, todas de excelente qualidade, com temas de relevância para o setor de forma geral e também pela participação do público, o que mostra a importância do crescimento técnico do evento para atrair pessoas da área. A FACTA empenha-se em preparar o profissional técnico para os constantes desafios que a avicultura enfrenta. Para isso, a principal ferramenta utilizada é a disseminação da informação e tecnologia de ponta. Mesmo com todo esse contexto de dificuldade que o país passa, a Conferência FACTA 2017 recebeu cerca de 460 participantes, o que demonstra que realmente houve uma aceitação muito boa. Durante todo o evento foi possível notas as salas sempre cheias e com os participantes muito interessados. O Prêmio Lamas 2017, promovido pela FACTA com o objetivo de fomentar a pesquisa acadêmica e laboratorial, premiou os trabalhos inscritos nas categorias Nutrição, Sanidade, Produção/ Incubação e Outras Áreas (Fisiologia, Processamento, Comercialização, Industrialização etc.). Neste ano tivemos 96 trabalhos recebidos para esse notável prêmio de pesquisa. A novidade para a edição 2017 do Prêmio Lamas foi a criação de um selo de certificação que poderá ser utilizado pelos autores e coautores até a Conferência FACTA 2018.


A Revista do AviSite

67


Ponto Final

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68 A Revista do AviSite

Edição 113 Revista do AviSite  
Edição 113 Revista do AviSite  
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