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Editorial O mercado avícola de postura e seus ajustes O mercado segue em busca de melhores condições de comercialização na base de produção e, ao mesmo tempo, na outra ponta, o mercado varejista ainda aguarda que a revitalização do consumo efetivamente se concretize. Enquanto isso, analistas da Mundo Agro fizeram um alerta na abertura do mês de setembro: em agosto o preço médio recebido pelo produtor de ovos na comercialização da caixa de ovos brancos sofreu perda de 2,6% no mês e obteve índice positivo de apenas 0,6% em doze meses. A saca de milho, por sua vez, obteve alta de 13,4% em relação a julho e expressivos 54,7% em relação a agosto do ano passado. Com os expressivos aumentos alcançados na comercialização da matéria-prima utilizada na alimentação das aves e os baixos valores recebidos na venda de ovos, a relação de troca entre os produtos foi significativamente desfavorável aos avicultores. É a pior relação desde janeiro do ano passado. Em agosto os avicultores necessitaram de 14,7 caixas de ovos para adquirir a tonelada da matéria-prima, 2 caixas a mais que no mês anterior, indicando redução mensal de 14,1% no poder de compra. Em doze meses a perda no poder de compra atinge 35%, equivalendo a uma necessidade adicional de 5 caixas de ovos. Já na comparação com a média histórica de agosto dos últimos 10 anos, a perda na capacidade de aquisição de milho atinge quase 32%. Por ora, os preços praticados por ambos os produtos neste início de setembro apontam que a relação de troca pode superar as 15 caixas por tonelada, permanecendo bem desfavorável aos produtores de ovos.

Sumário 12 20 26 28 30 32 34 38

12 Especial Ambiência em avicultura de postura Inovações da zootecnia de precisão Radiação solar como indicador do conforto térmico Tecnologias, soluções e a ciência do processo

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Inovações da Zootecnia de Precisão na Avicultura de Postura Radiação solar como indicador para tomada de decisão do conforto térmico na avicultura de postura Big Dutchman - Os novos horizontes que os sistemas de climatização avançados nos mostram Munters - Ambiência aplicada na avicultura de postura Plasson - Ambiência em Postura Comercial Marketing impulsiona as vendas das empresas de proteína animal Antimicrobianos devem ser utilizados de forma racional nas granjas Imunocomplexo natural, a novíssima geração de vacinas contra Gumboro Tifo aviária: importância na avicultura e formas de prevenção Probióticos e seus efeitos na postura comercial Desempenho do ovo em agosto e nos dois primeiros quadrimestres de 2020 Matérias - Primas Ponto Final Entre oportunidades e desafios, o ovo ganha espaço Marília Rangel e Gustavo Perdoncini (MSD Saúde Animal)

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Publicação Bimestral nº 59 | Ano VI Setembro/2020

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia e Paulo Godoy (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Luciano Senise senise@senise.net Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

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Eventos

2020 Outubro 06 a 09

Alimentaria Foodtech Barcelona, Espanha - Gran Via Venue www.alimentariafoodtech.com/en/ 06 a 08

Conferência Científica Latino-Americana 2020 da Poultry Science Association (PSA) Local: Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil Realização: Poultry Science Association (PSA) Site: poultryscience.org/ Latin-American-Scientific-Conference

Novembro 04 e 05

As 4 notícias mais lidas no OvoSite em Agosto

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Produtores de ovos obtém expressiva valorização no primeiro dia de agosto O primeiro dia de negócios de agosto se deu num ambiente favorecido pelas expectativas positivas em relação à proximidade do recebimento dos salários da grande massa trabalhadora e das comemorações do dia dos pais.

Canadian Poultry Expo Countdown 2020 Stratford, Ontario https://poultryxpo.ca/ 17 a 20

EuroTier Local: Hanover/Alemanha Telefone: 49 69 24788 -263 E-mail: C.Iser@DLG.org Site: www.eurotier.com/en

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Ovo x Milho: avicultor sofre perda de 16% na capacidade de aquisição da matéria-prima Em julho o preço médio recebido pela caixa de ovos brancos sofreu perda mensal de 8%, mas obteve índice positivo de 12,2% em doze meses. A saca de milho, por sua vez, obteve alta de 4,5% em relação a junho e expressivos 33,1% em relação a julho do ano passado.

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Mercado avícola de postura passa a receber o Informativo Semanal OvoSite O OvoSite lançou no dia 07 de Agosto, o seu Informativo Semanal. Um novo canal de comunicação com o setor de postura. O mundo corporativo, o mercado, os preços e as principais informações, com a rapidez que o setor avícola de postura exige, e a praticidade do mundo digital.

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Participação das Pintainhas para produção de ovos brancos tem forte queda no primeiro semestre No primeiro semestre o produtor de ovos aumentou em quase 15% seu alojamento de pintainhas indicando estar otimista com um bom andamento no consumo de ovos no mercado interno.

Há 05 anos no OvoSite www.avisite.com.br

Mercado de ovos tem boas expectativas para setembro Campinas, 02/09/2015 - Segundo a Jox Assessoria Agropecuária, o mercado de ovos inicia setembro com disponibilidade que excede a capacidade de absorção do consumidor. Mesmo porque - embora promoções sejam efetivadas - o consumidor se encontra descapitalizado. Assim, resta aguardar a entrada da grande massa salarial no início da próxima semana esperando uma eventual reação no consumo. Em setembro do ano passado – 2014 - o mercado de ovos sofreu abrupta retração nos preços que teve início em meados de agosto. Lá, iniciou o mês com o preço médio da caixa de ovos no atacado paulista valendo R$43,00 e encerrou em R$38,00, obtendo um preço médio pouco superior a R$40,00, equivalendo a 31% de redução em relação a setembro de 2013. Neste ano (2015), o mês de setembro se inicia com cotações melhores, embora a situação do mercado não seja tão favorável. Mas a expectativa é um comportamento melhor do que no ano passado. Diante de um cenário de consumo restritivo, de perda no poder aquisitivo, aliado a uma crescente taxa de desemprego, os ovos continuam sendo excelente fonte de proteínas para suprir as necessidades da população. E tudo por um baixo valor de aquisição.

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Notícias Curtas Mercado

Adicional expressivo dos ovos vermelhos em relação aos brancos desapareceu no decorrer de agosto O mercado de ovos vermelhos sempre obteve um incremento adicional em relação ao valor recebido na comercialização da caixa de ovos brancos. Entretanto, o preço médio recebido por ambos os produtos no primeiro dia de negócios em cada mês indica um adicional expressivo dos ovos vermelhos no decorrer deste ano. Em janeiro, por exemplo, o adicional era de apenas R$6,00, valor que foi evoluindo gradativamente até atingir seu ápice em abril quando houve um incremento de R$21,50 em relação à caixa de ovos brancos. No segundo quadrimestre essa diferença foi perdendo consistência, mas ainda assim permaneceu bom distanciamento. No entanto, esse incremento extra praticamente desapareceu no decorrer de agosto, pois o preço médio atual de ambos os produtos indica que essa diferença caiu significativamente e, agora, está levemente acima do recebido no início de janeiro. E isso indica, com certeza, que os excedentes de ovos no mercado acabaram afetando com ainda maior contundência a comercialização dos ovos vermelhos.

Mercado

Países importadores de ovos comerciais até julho de 2020 Como em julho os embarques de ovos comerciais atingiram o segundo menor volume desde que as informações mensais passaram a ser disponibilizadas, a alteração em relação ao rol dos dez maiores países importadores de ovos comerciais in natura (com casca) sofreu alteração mínima no acumulado de junho para julho. A distribuição por países do volume de ovos comerciais exportados indica que Emirados, Hong Kong e Chile

são responsáveis por 80% dessas aquisições externas. O grupo dos 10 maiores tem representatividade de 96% sobre o total, ficando os restantes 42 países responsáveis pelos restantes 4%. Nesse mesmo período do ano passado os Emirados adquiriram 88% do volume comercializado externamente, neste ano reduziu sua representatividade para menos de 65%, significando uma redução anual de volume na casa dos 78%.

Diante de um plantel produtivo notadamente crescente, do excessivo volume de ovos produzidos internamente, de um consumidor incapaz de absorver todo o volume colocado no mercado e de um custo de produção que torna o valor recebido extremamente oneroso para os produtores de ovos, é preciso buscar mais efetivamente o mercado externo e suas possibilidades, mesmo nesse período pandêmico com seus obstáculos. Revista do Ovo

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Notícias Curtas Eventos e Cursos

AVES e Coopeavi promovem Concursos de Qualidade de Ovos O Dia Mundial do Ovo, no próximo dia 09 de outubro, será comemorado de um jeito diferente e inédito no Espírito Santo. Em mais um ano, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) e a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) se unirão para promover o 4º Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba e o 6º Concurso de Qualidade de Ovos Coopeavi. Mantendo o objetivo de mostrar a qualidade dos ovos do Espírito Santo e estimular a busca constante por melhorias no sistema produtivo, a edição deste ano respeitará todas às orientações de prevenção ao Coronavírus (Covid-19), com as duas organizações realizando os dois concursos sem a presença de público, com transmissão ao vivo e direto da sede da Coopeavi, no município de Santa Maria de Jetibá. Toda a estrutura será montada de uma forma que proporcione o distanciamento social. As pessoas envolvidas usarão equipamentos de proteção individual, e as análises dos ovos serão feitas de forma individual. Ambos os concursos acontecerão das 8 às 13 horas, e o anúncio dos vencedores será feito pela comissão orga-

nizadora no mesmo dia, após a finalização e compilação dos resultados. Outra novidade está no número de integrantes da comissão julgadora, que neste ano foi reduzido para o total de cinco pessoas. Para os avicultores que estão interessados em participar dos dois concursos e que atendem os requisitos, as inscrições estão abertas (confira o detalhamento mais abaixo) e os mesmos já podem baixar os regulamentos dos concursos no site da AVES - www.associacoes.org.br.

Inscrições Para o 4º Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba, em cada categoria (ovos brancos e ovos vermelhos) será aceita uma inscrição por associado da AVES e por número de Serviço de Inspeção e marca atribuída, não podendo haver repetições. Uma marca não pode ter mais de um número de Serviço de Inspeção inscrito e vice-versa. O associado poderá se inscrever nas duas categorias (ovos brancos e ovos vermelhos) e as inscrições para o Concurso Capixaba serão realizadas até o dia 09 de setembro. Já para o 6º Concurso de Qualidade de Ovos Coopeavi, só será aceita

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uma inscrição por cooperado da Coopeavi que se enquadre nas regras do concurso. As inscrições para o Concurso Coopeavi serão feitas no ato de entrega das amostras, que acontecerá no dia 08 de outubro.

Etapas dos concursos

lidade externa da casca dos ovos. Serão descontados da pontuação os ovos que tiverem desuniformidade de tamanho, sujeira, defeito de textura e de formato e desigualdade na coloração da casca. A terceira e última etapa será de avaliação visual interna dos ovos.

Nela, os jurados verificarão a qualidade interna (clara e gema) de cinco ovos de cada amostra. Os parâmetros avaliados serão: mancha de sangue, resíduos de tecido do oviduto, uniformidade de cor da gema, consistência da clara externa e descentralização da gema.

A primeira etapa de avaliação será na máquina digital Egg Tester. Neste momento, será feita a aferição dos parâmetros quantitativos de qualidade em cinco ovos de cada amostra entregue pelos avicultores participantes. Serão

Mantendo o objetivo de mostrar a qualidade dos ovos do Espírito Santo e estimular a busca constante por melhorias no sistema produtivo, a edição deste ano respeitará todas às orientações de prevenção ao Coronavírus analisadas a espessura e resistência da casca e a Unidade Haugh. As cinco amostras que alcançarem a melhor pontuação seguirão para a 2ª etapa e as demais serão desclassificadas. Na segunda etapa, será feita a avaliação visual da qualidade externa dos ovos, na qual os jurados farão uma avaliação individual minuciosa da quaRevista do Ovo

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Notícias Curtas Ciência e Pesquisa

Manejo de dejetos por compostagem na avicultura de postura

Angélica Santana Camargos, pesquisadora no Centro de Pesquisas da Agroceres Multimix

Há alguns anos a produção de ovos tem se mostrado uma atividade de alta eficiência econômica, através dos vários recursos inovadores que vêm surgindo, como: instalações automatizadas, genética e rações de alto padrão. Estas são algumas ferramentas que estão proporcionando benefícios em termo de ganho de homogeneidade dos lotes, padronização na produção, com maior aproveitamento de ovos. É o que explica Angélica Santana Camargos, pesquisadora no Centro de Pesquisas da Agroceres Multimix. Ela afirma que, com o contínuo crescimento da cadeia a atividade deve buscar as práticas de produção que atendam à ética e respeito ao bem-estar animal. “Deve ser dado destaque aos impactos dos novos sistemas de produção sobre o meio ambiente. À medida que vão aumentando o uso de instalações automatizadas é cada vez mais importante desenvolver técnicas de manejo que possibilitem um impacto ambiental mínimo”, afirmou Angélica. “A unidade de produção deve seguir toda legislação ambiental vigente e o destino correto dos resíduos do sistema de criação de aves é fundamental para a manutenção da condição sanitária adequada dos plantéis”, detalhou. Segundo ela, para evitar a contaminação do solo e dos lençóis d’água nas propriedades é necessária a construção de tratamento dos dejetos produzidos, no qual o resultado obtido pode ser aproveitado na própria granja. É importante que o responsável tenha conhecimento da legislação brasileira, no que diz respeito ao registro e uso no solo: a IN 25/2009 do MAPA e a Resolução do Conselho Nacional de Meio ambiente CONAMA 452/2009. Alguns nutrientes, como o nitrogênio presente na

composição das excretas, despejados diretamente no solo podem aumentar a acidez e causar problemas de contaminação. “Para a escolha do tratamento adequado na propriedade é necessário realizar o levantamento de algumas informações, como: número de animais alojados, peso médio dos animais, idade, dieta, número de dias em que os animais estão recebendo determinada dieta ou manejo, forma de retirada dos dejetos e sistema de instalação”, afirmou. “Nos sistemas automatizados as excretas das aves são depositadas em esteiras ou mantas coletoras, localizadas entre os andares das gaiolas. Os resíduos sólidos mais úmidos possuem em torno de 70 % de umidade e o manejo do dejeto deve ser realizado no máximo a cada dois dias. No sistema convencional as instalações permitem que os dejetos permaneçam por mais tempo, em torno de 2 meses, com 28% de umidade dos dejetos, em que, posteriormente, são retirados de forma manual ou com maquinários específicos”, afirmou Angélica Camargos. Ela ainda explicou que os dejetos das poedeiras apresentam um grande valor biológico e do ponto de vista de nutrientes (N, P, K). É considerado bastante regular, se comparado a outras criações, devido padrão de alimentação que as aves recebem, podendo ser utilizado e proporcionando inúmeras vantagens. “Um dos métodos eficientes que pode ser utilizado pelo produtor para a reciclagem orgânica, com o objetivo de utilização no solo, é o sistema de compostagem, que pode ser definido como sendo a decomposição biológica realizada por microrganismos autóctones num ambiente úmido, aquecido e aeróbio, com produção de dióxido de carbono, água e minerais, tendo como resultado o composto orgânico.

Continua >>>

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Notícias Curtas A composteira industrial é uma das melhores técnicas disponíveis para tratar os resíduos sólidos de uma granja de ovos. Pode ser executada em construção de alvenaria de concreto, montada em leiras, disse Angélica. Adicionando materiais de baixa umidade e ricos em carbono (com objetivo de aumentar a relação C/N), que forneçam a matéria orgânica e a energia para a compostagem (serragem, palha e ou cascas) , os dejetos tornam-se materiais nitrogenados que aceleram o processo de compostagem. “Alguns trabalhos demostraram que a matéria orgânica é capaz de neutralizar várias toxinas e imobilizar metais pesados”, destacou. Outro fator apontado por ela como fundamental para o bom desempenho do processo é o revolvimento, recomentado durante os 45 dias iniciais à compostagem. Nele a temperatura alcançará os maiores valores (fase denominada termofílica) e logo após essa etapa será essencial que a ela seja controlada

Há alguns anos a produção de ovos tem se mostrado uma atividade de alta eficiência econômica, através dos vários recursos inovadores que vêm surgindo

Alguns nutrientes, como o nitrogênio presente na composição das excretas, despejados diretamente no solo podem aumentar a acidez e causar problemas de contaminação

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entre 35 e 60 ◦C. Outro ponto importante é a aeração, que tem a função de garantir o fornecimento de oxigênio para todas as leiras, através do revolvimento que pode ser através de maquinário. Angélica destaca ainda que o composto estará pronto para o uso cerca de 120 – 150 dias após o início das operações, quando apresentar as seguintes características: coloração escura, cheiro de bolor e consistência amanteigada quando molhado e esfregado nas mãos. O produto deverá ter, no máximo, 25-30 % de umidade; pH superior a 6,0 e a relação carbono / nitrogênio (C/N) na faixa de 10/1 a 15/1. Angélica Santana Camargos, pesquisadora no Centro de Pesquisas da Agroceres Multimix explicou que o conjunto de procedimentos para implementação do processo garante que uma porcentagem de nutrientes retornará para o solo de forma orgânica e mineral. “As práticas de manejo adequadas, que garantam a preservação do meio ambiente, devem ser requisitos básicos nos sistemas atuais de produção. Trata-se de uma forma de colocar o fator sustentabilidade em prática, usufruindo os recursos naturais sem comprometer as gerações futuras”, disse.


Empresas

Canais digitais ganham força na Katayama Alimentos Atenta à conjuntura atual e às tendências tecnológicas, em que os meios digitais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, a Katayama Alimentos - uma das maiores indústrias avícolas do país - aposta na produção de conteúdo virtual de qualidade relacionado ao tema “OVO”, a fim de se aproximar dos vários públicos com quem se relaciona e construir uma forte conexão de fidelidade e confiança. Desde o ano passado, a indústria tem investido fortemente na comunicação via site, redes sociais (Facebook, Instagram e YouTube) e webséries. “Entendemos que o universo digital é a ferramenta mais eficaz e a que mais nos aproxima dos nossos consumidores, parceiros de negócios e demais stakeholders”, afirma Regina Romanini, Gestora de Marketing da Katayama Alimentos.

O novo site A nova página eletrônica da Katayama Alimentos (www.katayamaa-

limentos.com.br), que acaba de entrar no ar, foi reestruturada a fim de reunir, numa única plataforma, todas as informações referentes à indústria avícola, de forma rápida e acessível. “As modificações permitiram um layout mais amigável e, sobretudo, integrado aos temas envolvidos na cadeia de valor do ovo”, relata Regina. “Também reorganizamos os assuntos para facilitar a navegação, ou seja, buscamos um mapa de site descomplicado”. Segundo a Agência Desigual e Manada Filmes, responsável pelo novo projeto, a versão anterior do website já utilizava tecnologias modernas e que foram atualizadas, trazendo ainda mais eficiência de navegação. Houve também a preocupação em otimizar o SEO (Searching Engine Optimization), facilitando as buscas orgânicas pelos assuntos tratados. Além disso, houve duas inclusões importantes na página: Àqueles que se cadastram para assinar o serviço de notícias - Newslet-

ter - , ganham acesso a um e-book com as principais receitas publicadas no Canal Ovo de Novo da Katayama Alimentos, no YouTube, além de dicas e informações sobre o universo do ovo. Outra novidade é o plantão “Fale com a Nutri”: canal exclusivo para o internauta tirar suas dúvidas sobre nutrição e os benefícios dos ovos, diretamente com a consultora técnica da Katayama Alimentos, Dra. Milena Cornacini, Nutricionista Clínica, Esportiva e Ortomolecular, Mestre e Doutora em Nutrição. O novo site foi projetado para atender todas as interfaces exigidas pelos dispositivos móveis, como tablets e smartphones, e se interconectar com todas as plataformas digitais. “Costumamos dizer que ele é a porta de entrada do usuário para o mundo Katayama Alimentos, e a partir dele, apresentam-se diversos canais digitais onde a marca se manifesta com conteúdo relevante”, complementa Regina.

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Especial Ambiência

Inovações da Zootecnia de Precisão na Avicultura de Postura

As aves de postura são sensíveis às variáveis ambientais, e consequentemente ao estresse térmico comumente observado em regiões com clima tropical, como grande parte do território brasileiro, são responsáveis por causar efeitos diretos no comportamento, na saúde e no bem-estar das aves, principalmente em galpões sem controle ou parcialmente controlados Autores: Bruno Emanoel Teixeira¹, Evandro Menezes de Oliveira², João Victor do Nascimento Mós¹, Sheila Tavares Nascimento¹ (1) Faculdade de ciências agrárias e veterinárias (FAV) da Universidade de Brasília (UnB). (2) Programa de pós-graduação em Zootecnia (PPZ) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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avicul A zootecnia de precisão é uma ferramenta capaz de otimizar a produção animal, pois facilita o manejo diário com a aplicação de tecnologias e utilização de softwares específicos que contribuem para aprimorar a pecuária moderna, cada vez mais direcionada em atender o bem estar animal, dos trabalhadores e de auxiliar na sustentabilidade de todo o sistema de produção [1]. Os principais conceitos discutidos atualmente na Zootecnia de Precisão são a tecnologia da informação, Internet das Coisas (Internet of Things - IoT), Big Data (processamento e análise de grandes bancos de dados), Inteligência Artificial (IA), Computação de Alto Desempenho (High Performance Computing - HPC) e serviços de armazenamento de dados em nuvem. Essas ferramentas utilizam da-

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dos reais, das respostas dos animais (fisiológicas e comportamentais), que como sistemas biodinâmicos, são fundamentais para incrementar a precisão dos programas de gerenciamento das granjas por serem considerados como biosensores [2], juntamente com as variáveis do ambiente, que ao se interligarem através de modelagens matemáticas podem ser utilizadas para o monitoramento e controle do ambiente de forma precisa, além de fornecer informações em tempo real e contínua aos produtores; consequentemente, podem ser utilizados para diversas finalidades como por exemplo, para um maior controle da saúde dos animais nos galpões ou a pasto e na avaliação do estado de Bem-estar desses animais. Na avicultura de postura, por meio de imagens, é possível avaliar o conforto térmico das aves através do monitoramento de alguns com-

portamentos, como maior ingestão de água pela contabilização do número de visitas e uso dos bebedouros [3]. Na produção de aves de postura tanto em sistema convencional (gaiolas) com galpões de produção automatizados, quanto em sistemas como free-range e cage-free, é comum o número de animais por área ser elevado, e por isso torna-se fundamental o monitoramento contínuo (24 horas) sobre a ambiência, saúde, nutrição e principalmente o manejo para obtenção de melhores índices zootécnicos [2]. Por isso, o desenvolvimento e a aplicação de ferramentas da Zootecnia de Precisão tornam-se cada vez mais comuns e necessárias entre os produtores por sua eficácia e no apoio à tomada de decisão, refletindo desta forma no bem estar das aves, na segurança alimentar, na rastreabilidade dos alimentos


produzidos, além de auxiliar a sustentabilidade das granjas. Baseado nessas informações, o objetivo deste trabalho é descrever ferramentas de Zootecnia de Precisão que foram desenvolvidas por diferentes centros de pesquisa ao redor do mundo, com potencial e promissora aplicabilidade na avicultura de postura.

1. Animais como Biosensores A implantação e aplicação de ferramentas tecnológicas nos sistemas de produção animal difere da aplicação em outros sistemas, como na Agricultura de Precisão (uso de tecnologias para maior incremento na produção vegetal, por exemplo: pela análise da saúde das plantas e adubação de áreas em quantidades mais precisas, levando economia no uso e gasto de insu-

mos) e na própria cadeia de entrega de produtos agrícolas e compras de forma online, apoiando na logística [4]. Por serem seres sencientes (possuem consciência sobre si mesmos e sobre o ambiente ao redor, capazes de experimentar graus de felicidade, dor e tristeza) [5], fornecem respostas biodinâmicas (a partir de seus processos biológicos), de variáveis de desempenho, fisiológicas e comportamentais continuamente, o que torna o monitoramento desses animais como a pesagem das aves, a coleta de ovos e a manutenção da temperatura adequada nos galpões, sem a aplicação de tecnologias, como da Zootecnia de Precisão, uma tarefa árdua. O monitoramento de forma automática e automatizada dos animais e do microambiente feito por sensores fornece múltiplos dados

Figura 1. Esquema geral exemplificando os componentes-chave da Zootecnia de Precisão por meio de monitoramento dos processos biológicos e suas respostas, gerando modelos que servem como previsão aos produtores (Adaptado de Wathes et al., 2008).

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Especial Ambiência

em curtos intervalos de tempo e cria sólidas bases de dados, e a análise e interpretação desses dados tornam-se informações úteis e precisas aos produtores, como exemplificado na Figura 1: para o controle de uma faixa de temperatura adequada dentro do aviário nos horários mais quentes do dia, pode-se coletar variáveis do microclima como a temperatura do ar (Tar, °C), umidade relativa (UR, %), radiação solar (RS, W m-2) e de um processo biológico, como a temperatura superficial das aves, que gera respostas biodinâmicas: na produção de ovos e também comportamentos relacionados ao estresse térmico como exemplo uma maior ingestão de água,; o que torna os animais os próprios biosensores que fornecem mais precisamente os dados e informações fundamentais para que por meio de um sistema de controle online, medidas para adequação do ambiente térmico possam ser tomadas da forma correta [6].

As vocalizações pelas aves de postura são um exemplo de resposta biodinâmica, que pode servir como um indicador do consumo de ração e de múltiplos estresses entre eles o térmico 14

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2. Zootecnia de precisão na ambiência As aves de postura são sensíveis às variáveis ambientais, e consequentemente ao estresse térmico comumente observado em regiões com clima tropical, como grande parte do território brasileiro, são responsáveis por causar efeitos diretos no comportamento, na saúde e no bem-estar das aves, principalmente em galpões sem controle ou parcialmente controlados. As variáveis meteorológicas impactam o consumo de ração e consequentemente refletem em perdas de produtividade, como o tamanho e a qualidade dos ovos [7]. Devido a esses fatores, torna-se essencial a implementação de ferramentas para o controle dos fatores ambientais, que evitem a flutuação térmi-

ca durante o dia e favoreçam melhores condições de conforto térmico para as aves. • Variáveis meteorológicas: a temperatura do ar, umidade relativa do ar, velocidade do vento, radiação solar, luminosidade e concentração de gases (como o dióxido de carbono e amônia). • Variáveis dos animais: os índices zootécnicos (desempenho: consumo de ração, produção e qualidade dos ovos), comportamentais associados com as variáveis fisiológicas, sendo estes os melhores biosensores, que contribuem com a identificação mais precisa das condições ambientais críticas aos animais e da qualidade ambiental. A seguir serão apresentadas algumas tecnologias e ferramentas de Zootecnia de Precisão com aplicabilidade na avicultura de postura. 2.1. Interpretação e análise de banco de dados (Machine learning e IoT) As vocalizações pelas aves de postura são um exemplo de resposta biodinâmica, que pode servir como um indicador do consumo de ração e de múltiplos estresses entre eles o térmico. Essas vocalização podem ser coletada por meio de microfones de baixo-custo, cujos dados servem para “alimentar” a base de dados para o método de “Machine learning”, que significa o “aprendizado da máquina”, ou seja, processos da Inteligência Artificial (IA) ou “agente computacional capaz de interagir com o ambiente em um esquema básico de entrada, processo e saída; a entrada é caracterizada pelos dados brutos (Tar, UR, índice de temperatura e umidade - ITU, vocalização, etc.); o processo, como a manipulação e interpretação; e a saída, correspon-


Tecnologia

Meio de Atuação

Efeitos no manejo

Microfone

Análise de som

Previsão automática do consumo de ração em tempo real

Turquia [17]

RFID (Identificação por Radiofrequência) e câmeras

Análise de comportamento

Tempo e número de oviposição, comportamentos agonísticos e formação de ninhos

EUA e China [18]

Acelerômetro tridimensional

Análise de comportamento

Previsão de adequação ambiental, evitando lesões nos animais, medindo a intensidade do salto, aterrissagem e tempo de repouso em sistemas cage-free

Canadá [19]

Amostragem de gases

Análise do ambiente

Diagnóstico prévio de coccidiose aviária pela avaliação de compostos orgânicos voláteis (VOCs) no aviário

Itália [20]

Análise de som

Detecção e prognóstico de doenças respiratórias pelo som dos espirros pelas aves

Bélgica [21]

Câmera 3D Kinect

Análise de imagem

Estimativa do peso das aves de forma não invasiva e de baixo custo

Dinamarca [22]

Multi-sensores para coletas de dados do ambiente

Análise do ambiente

Acompanhamento online do ambiente (Tar, UR, gases como Amônia, luminosidade e índice de conforto térmico pelo conceito de IoT

Brasil [10]

Microfone

País

Tabela 1 - Principais tecnologias utilizadas na zootecnia de precisão com os respectivos meios de atuação, efeitos gerados na criação e no manejo e o país onde estão sendo desenvolvidos e aplicados.

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Especial Ambiência

No Brasil, um protótipo de baixo custo foi desenvolvido, que monitora a ambiência em aviários, embasados no conceito de Internet das Coisas 16

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de a atribuição de significado aos dados que geram interação com o meio”. Este método se baseia em algoritmos que reconhecem padrões e aprendem a classificá-los e associá-los a um determinado valor ou classe, que nos fornece respostas como, por exemplo, se o animal está em estresse ou não [8,9]. Por isso, Universidades da China e da Bélgica se uniram para propor uma ferramenta inovadora que correlaciona a vocalização de aves de postura com o conforto térmico das aves (pelo índice de temperatura e umidade, ITU). Neste caso, a ferramenta distingue as frequências que estão relacionados a algum estresse do animal naquele momento. Com a classificação da frequência e duração das vocalizações das aves, a tecnologia bioacústica se torna uma promissora ferramenta de monitoramento e previsão que atua de forma contínua, automática, não invasiva e eficaz para mensurar o conforto térmico das aves [9]. No Brasil, um protótipo de baixo custo foi desenvolvido, que monitora a ambiência em aviários, embasados no conceito de Internet das Coisas (IoT), pelo uso da internet, de redes de comunicação e tecnologia da informação, e também fornecem rápida transmissão desses dados em tempo real a plataformas móveis de comunicação como os smartphones e computadores por meio de aplicativos com layout de fácil uso das informações e visualização [10 ]. A manipulação destes dados se faz por meio de uma rede de sensores sem fio que permitem conexão por meio da IoT (Internet of Things) e redes sem fio (wireless), o que facilita a aplicação e o gerenciamento das tecnologias na produção [11].

2.2. Posicionamento das aves no galpão e monitoramento do ambiente (tecnologia eYeNamic®) O “eYeNamic®” é um sistema de processamento e análise de imagens disponível comercialmente por uma empresa holandesa (FANCOM B.V.TM), que monitora e avalia o posicionamento das aves dentro do galpão [12], relaciona adequadamente o ambiente que leva em consideração além da temperatura e umidade, a velocidade do vento e a radiação solar, que são outros parâmetros também importantes à sensação térmica. A técnica é fundamentada no animal como biosensor, pelo constante monitoramento acerca da distribuição das aves no galpão, e apoia a tomada de decisões, com notificação imediata; o mesmo também pode ser utilizada na análise associando-se dados de comportamento dos animais com a temperatura e umidade relativa do ar [13], por exemplo, para o controle climático e ativação dos sistemas de ventilação no momento correto, o que consequentemente acarreta em significativa economia no gasto de energia. 2.3. O potencial da Robótica e Inteligência Artificial no controle do ambiente Por meio da Inteligência Artificial (IA) e da robótica, robôs como o “ChickenBoy”, que são mantidos suspensos no teto dos aviários e operados por múltiplos sensores, são capazes de supervisionar a saúde, bem-estar e qualidade do ar, desenvolvidos pela empresa espanhola FAROMATICS®. Em Beijing na China, também foram desenvolvidos robôs que utilizam imagens térmicas para avaliar a temperatura superficial das aves, determinando anormalidades e sendo pos-


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Especial Ambiência

sível a notificação prévia para os manejadores [14]. Em relação ao controle ambiental, foram elaborados robôs capazes de realizar sanitização eficaz e rápida nos galpões, que leva a uma diminuição do uso de antibióticos e da presença do manejador nos aviários, muitas vezes com condições insalubres ao ser humano [15]. Em sistemas cage-free (livres de gaiolas) a postura de ovos no chão é um problema comumente observado, e por isso, a partir de um projeto conjunto entre um centro de pesquisa e a universidade de Wageningen na Holanda foi desenvolvido o “PoultryBot”, um robô autônomo móvel para tarefas como a coleta sem danos desses ovos postos no chão [16].

3. Zootecnia de precisão no monitoramento do desempenho e saúde das aves O Monitoramento acerca do consumo de água e ração, do peso das aves e ter um maior controle sobre a prevenção de doenças é uma das principais formas de gestão do plantel quanto a produção, os gastos e as tomadas de decisões. Algumas maneiras de se acompanhar a ingestão de água e consumo de ração de formas mais precisas vêm sendo estudadas e desenvolvidas (Tabela 1). Assim como também para o acompanhamento da saúde das aves, que é fator determinante na produtividade.

4. Vantagens e Desvantagens da utilização da Zootecnia de Precisão O período de incerteza até o retorno do capital investido na compra de sensores e ferramentas, alia-

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do aos custos para implementação de todos os equipamentos, serviços e a desconfiança na eficácia da tecnologia aplicada nos sistemas de produção e seu armazenamento (acúmulo) de dados, acaba por levar certas resistências na adoção de tecnologias da Zootecnia de Precisão pelos produtores. Contudo existem equipamentos de baixo-custo e que não demandam uma mão de obra altamente qualificada, por exemplo; sensores de temperatura e humidade (HOBO®) e da concentração de gases. Contudo, os gastos para a adoção dessas tecnologias são capazes de: diminuir ou anular os custos relacionados a compra de medicamentos e antibióticos; diminuir ou otimizar o uso da mão-de-obra e o manejo em geral; aumentar o atendimento à demanda do mercado em tempo adequado; conciliar a procura por produtos que atendam requisitos de preservação ambiental, como redução de gases poluentes e no manejo adequado dos dejetos animais. Que com os resultados de sua aplicação e o bom gerenciamento eletrônico dos dados, surgem melhorias em questões como rastreabilidade, transparência ao consumidor, o Bem-estar e saúde dos animais. Assim os seus produtos com a certificação adequada obtêm maior qualidade e consequentemente valor agregado [6, 23]. Conforme a adesão destas tecnologias aumenta, a acessibilidade e viabilidades das mesmas se tornam ainda maiores. Com isso, a Zootecnia de Precisão também tem como objetivo tornar o uso da tecnologia mais acessível, para ser adotada desde o pequeno ao grande produtor. Existe ainda uma percepção errônea por parte de alguns produto-

res e granjeiros que a implantação de sistemas automatizados “não se pagam” ou que sistemas alternativos como o free-range não permitem o uso de tecnologias, mas temos que levar em conta que esses investimentos devem ser considerados a longo prazo; a existência de ferramentas de baixo-custo que podem ser aplicadas a qualquer sistema; e a tendência que atende grande parte das exigências do consumidor e dos animais, em relação ao seu Bem-estar, já que em todos tipos de sistema os animais são suscetíveis a fatores como doenças e o estresse térmico [7].

4. Implicações Futuras: A modernização da produção avícola com o emprego de novas tecnologias e a implantação das ferramentas da Zootecnia de Precisão mostram-se promissoras e continuarão sendo desenvolvidas de modo a preencher as lacunas que ainda existem, pela integração multidisciplinar de profissionais de diferentes áreas e a união das pesquisas entre o meio acadêmico e empresarial. No entanto, estas ferramentas não substituem os olhos, ouvidos e as mãos dos produtores, mas fazem com que se tornem ainda mais eficazes junto a sua supervisão e gerenciamento, ligando cada vez mais os animais e os processos de produção de forma contínua, eficiente e precisa, cada vez menos invasiva o que melhora o bem estar das aves. E todos os resultados aqui apontados, oriundos dessas ferramentas, são frutos de pesquisas que por investimentos públicos ou privados, desenvolveram e desenvolvem continuamente novas formas de se aprimorar e tornar mais sustentável a produção animal.


UM CICLO COMPLETO DE PROTEÇÃO.

Além de imunizar as aves contra Gumboro, impedindo a infecção por cepas de campo, a aplicação da Vaxxon IBD imc em lotes sucessivos promove a disseminação da cepa vacinal, reduzindo a pressão de infecção do ambiente. Com formulação exclusiva, a Vaxxon IBD imc é a proposta do Biovet Vaxxinova para garantia de um ciclo completo de proteção no controle da doença de Gumboro.

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Especial Ambiência

Radiação solar como indicador para tomada de decisão do conforto térmico na avicultura de postura A sensação de desconforto térmico é maior ou é percebida muito mais rapidamente quando há a entrada de radiação solar nos galpões de criação, principalmente os de laterais totalmente abertas, como é o caso dos galpões em sistemas convencionais Autores: Evandro Menezes de Oliveira1, João Victor do Nascimento Mós2, Bruno Emanoel Teixeira2, Tatiana Carlesso dos Santos1, Sheila Tavares Nascimento2 (1) Departamento de Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá, Paraná, 87020-900 (2) Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, Distrito Federal, 70910–970

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avicultura possui uma demanda para atender princípios de bem-estar animal que a sociedade impõe sobre o mercado e este consequentemente sobre o produtor rural. Desta forma, modificações na cadeia produtiva da avicultura de postura levaram a implementação de sistemas de produção em que as aves são criadas livres de gaiolas, com acesso a área externa do galpão (Free range) ou sem acesso (Cage-free), mas com a preocupação maior em permitir a expressão de comportamentos inatos à espécie e, também, o seu bem-estar[2]. Porém, no Brasil, o principal sistema

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de produção ainda é o sistema convencional, em que as aves são alojadas em gaiolas suspensas. Entretanto, independente do sistema de criação adotado, os fatores ambientais possuem grande influência sobre as aves. Normalmente, observa-se que, na grande maioria das propriedades, a mensuração de valores da umidade relativa (UR, %) e temperatura do ar (Tar, ºC) são os fatores meteorológicos utilizados para avaliar o conforto térmico das aves de postura. Porém, a utilização somente dessas duas variáveis (UR e Tar) para o manejo de cortinas, o acionamento de sistemas de ventilação

e o resfriamento do ambiente leva a uma tomada de decisão negligente ou tardia quando se trata de locais de clima tropical, como é o caso da maioria das regiões do Brasil. Por isso, faz-se necessária a inclusão, também, da radiação solar sobre os galpões, que é observada a partir do cálculo de índices que consideram a interferência do sol. A carga térmica radiante (CTR, W m-2) é um índice que reflete a sensação térmica do animal, para isso, considera-se toda a radiação emitida pelo sol que atinge a superfície terrestre por meio de ondas eletromagnéticas. Em trabalho anterior, com aves em sistema Free


Figura 1. Parâmetros observados como problemática nos sistemas de galpões convencionais ou automatizados da avicultura de postura no Brasil range, observamos que as aves não utilizam os piquetes para não permanecem expostas à radiação nos horários mais quentes do dia, geralmente entre 11h e 16h [5], e que nesses horários elas buscaram algum recurso de sombreamento para se proteger da radiação solar, que pode ser artificial pelo uso de materiais telados como sombrite ou natural, proporcionado pela sombra de árvores. A sensação de desconforto térmico é maior ou é percebida muito mais rapidamente quando há a entrada de radiação solar nos galpões de criação, principalmente os de laterais totalmente abertas, como é o caso dos galpões em sistemas convencionais. Essa condição se agrava quando as aves permanecem alojadas em sistemas de gaiolas, onde a possibilidade de alteração de comportamento para buscar sombra é limitada ou que permita a abertura das asas ou outro comportamento relacionado às tentativas de termorregulação, ocasionado pela densidade de aves por gaiola, que torna o

espaço reduzido. Para otimizar a produtividade, os sistemas mais modernos possuem a estrutura do posicionamento das gaiolas em formato vertical, que permite alta densidade de alojamento de aves por gaiola, e a altura dos andares chegam a ser bem próximas do teto, o que é prejudicial, pois a ave está mais próxima da carga de radiação que foi absorvida e fica retida a depender do tipo de telhado.

A radiação solar e os galpões de produção Os galpões de criação com as laterais abertas são facilmente encontrados na avicultura de postura, projetados para alojamento de alta densidade de animais por área. Este fato gera a grande quantidade de excrementos e a radiação solar é utilizada como uma ferramenta para secar os dejetos e evitar o acúmulo de concentração de gases tóxicos aos animais, como a amônia (NH3). Porém, a entrada de radiação solar dentro do galpão atinge as aves por meio da radiação refletida (Figura 1).

A sensação de desconforto térmico é melhor percebida quando há a entrada de radiação solar nos galpões de criação Revista do Ovo

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Especial Ambiência

Figura 2. Médias anuais dos parâmetros meteorológicos de temperatura do ar (Tar, ºC), umidade relativa do ar (UR, %) e da velocidade do ar (Vv, m s-1) incidente nos dois principais municípios produtores de ovos do Brasil, municípios de Bastos – SP e Santa Maria de Jetibá – ES. (Adaptado INMET, 2019)

A radiação solar é um efetivo mecanismo de ganho de calor e isso ocorre pelo mecanismo de transferência calor por radiação de ondas curtas 22

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Consequentemente, para a avaliação de conforto térmico das aves de postura, não é interessante utilizarmos apenas a temperatura do ar (ºC), porque a carga térmica radiante é consideravelmente maior quando há incidência solar no galpão. Dessa forma a radiação solar é um efetivo mecanismo de ganho de calor e isso ocorre pelo mecanismo de transferência calor por radiação de ondas curtas, que são as ondas eletromagnéticas provenientes do sol. O tipo de radiação refletida é uma das formas de radiação que atinge a superfície terrestre e entra nos galpões quando as cortinas estão abertas [4]. Por isso, índices de conforto térmico como o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) e o índice de Temperatura do Globo e Umidade (ITGU), que são comumente utilizados para determinar o conforto térmico de animais, não são interessantes nesses casos, pois só levam em consideração as variáveis de Tar (ºC) e UR (%). Esses índices não caracterizam o ambiente como um todo e fatores importantes como a radia-

ção solar são negligenciados [3]. Portanto, neste artigo iremos discutir sobre os fatores meteorológicos, principalmente como a radiação solar afeta a produção nos galpões de aves de postura, sobretudo, em sistemas convencionais e automatizados que são os predominantes no Brasil.

Metodologia Para isso, analisamos os dados meteorológicos de temperatura do ar (Tar, ºC), umidade relativa do ar (UR, %), velocidade do ar (Vv, m s-1) e da radiação solar (Rad, W m-2) incidente nas duas principais regiões produtoras de ovos no Brasil durante o ano de 2019 [6]. Os galpões de criação de poedeiras dos municípios de Bastos, SP e Santa Maria de Jetibá (próximo a Vitória, ES), ambos pertencentes a região Sudeste do Brasil, encontram-se em uma tendência/transição à substituição de sistemas convencionais por automatizados para a produção de ovos. A média anual dos dados meteorológicos da temperatura do ar (26 à


31ºC) e velocidade do vento (5 à 5,2 m s-1) apresentaram valores muito próximos nos dois locais. Porém, a umidade relativa do ar foi maior para o município de Santa Maria de Jetibá – ES (77%) enquanto que para Bastos – SP observou-se média inferior a 50% (39%), e a radiação solar observamos o oposto, sendo uma maior incidência em Bastos com 791 W m-2 em comparação a Santa Maria de Jetibá, com 294 W m-2 (Figura 2). Portanto é interessante avaliar a distribuição da radiação solar para todos os meses do ano nas duas localidades. Em trabalhos anteriores desenvolvidos pelo nosso grupo, relatamos que o máximo da radiação solar que atinge o Brasil, geralmente, ocorre às 15h. Então, para a obtenção da radiação solar máxima padronizamos a coleta de dados apenas desse horário para os 12 meses do ano de 2019 (Figura 3). A radiação solar média em Bastos é de aproximadamente 489 W m-2, valor superior comparado com o município de Santa Maria de Jetibá durante o ano inteiro. Os maiores índices de radiação solar, para ambas localidades, correspondem

com a estação do verão, entre os meses de outubro e março, e que portanto, deve ser associado às médias de temperatura e umidade relativa do ar para o planejamento adequado de alternativas de ambiência nas instalações. Observa-se que na região Sudeste do Brasil as condições meteorológicas são muito diferentes entre estados e municípios, principalmente em relação a radiação solar. Por isso, é importante mencionar que geralmente as recomendações para o Brasil seguem as mesmas recomendações, isto é, sugerindo-se a utilização de técnicas como construção do galpão no sentido leste-oeste, a pintura do telhado com tinta branca na parte externa e dentro do galpão a instalação de ventiladores e aspersores. Entretanto, a partir da demonstração desses resultados é possível inferir que não há uma única recomendação de ambiência e climatização para a mesma região do país, sendo necessária a avaliação de cada situação, por um profissional capacitado, com experiência em ambiência e conforto térmico, para detectar esses parâmetros que têm impacto direto na produção de

É interessante avaliar a distribuição da radiação solar em todos os meses do ano

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Especial Ambiência

Figura 3. Distribuição da incidência de radiação solar ao longo dos 12 meses do ano de 2019, nos dois principais municípios produtores de ovos do Brasil, municípios de Bastos – SP e Santa Maria de Jetibá – ES. (Adaptado INMET, 2019)

ovos e, a partir disso, recomendar alternativas de ambiência adequadas a cada realidade, e que por sua vez, auxiliarão no conforto e bem estar dos animais, com reflexos no desempenho zootécnico das aves.

Impacto sobre as aves de postura Ao receber essa carga de calor do ambiente, a ave reduz o calor produzido via metabolismo, ou seja, diminui a ingestão de ração e, consequentemente, a energia que seria convertida na produção de ovos será utilizada para a manutenção do equilíbrio térmico corporal. Quando estão em desconforto, a primeira alteração das aves é o seu comportamento. Os principais observados são: abrir as asas, eriçar as penas, esticar as pernas e tomar banho de areia, para melhorar a eficiência de transferência de calor por mecanismos sensíveis, sem gasto de energia por meio da condução, convecção e radiação de ondas longas. Porém, em sistemas convencionais as aves estão alojadas em gaiolas e

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esse tipo de estratégia não é possível de ser realizada. Consequentemente, as aves precisam ativar mecanismos latentes ou evaporativos, como é o caso da ofegação. Com isso, há a liberação de 550 kcal para a evaporação de 1g de água para o ambiente [8] o que causa grande desvio de energia para esse processo, mas que deveria ser utilizada para a produção de ovos, e que portanto está sendo diariamente desviada para a termorregulação do corpo [1]. As aves de postura quando sofrem por estresse térmico prolongado aumentam a frequência respiratória/ofegação, o que por períodos prolongados pode levar a uma diminuição da concentração de dióxido de carbono no sangue e de bicarbonato, composto essencial para a formação do carbonato de cálcio; desta forma, há uma diminuição da calcificação da casca dos ovos [9]. O resultado é o aumento de ovos com casca fina e perdas econômicas por produção de ovos invendáveis e aumento de descarte, trazendo prejuízo ao produtor. Esse efeito na pro-

dução muitas vezes não é percebido como um problema proveniente do ambiente e a recomendação para sua correção ocorre de forma errônea, com mudança na dieta das aves, com o aumento de cálcio na ração.

Considerações finais A associação entre a umidade relativa com a temperatura do ar, que comumente são utilizadas como variáveis para considerar o conforto térmico de aves, com a utilização de índices que se baseiam somente na temperatura e umidade relativa do ar, não são suficientes para avaliar o conforto térmico das aves de postura, principalmente em sistemas de criação com os galpões que possuem as laterais totalmente abertas (convencionais) ou somente com manejo/ acionamento de cortinas. Assim como no exemplo para Bastos – SP e Santa Maria de Jetibá – ES, não podemos considerar uma única tomada de decisão quanto a alternativas de climatização e ambiência das instalações visando a me-


lhoria do conforto térmico das aves, pois devemos considerar outros fatores como a radiação solar. Portanto, as recomendações precisam ser específicas para cada localidade pela atuação de profissionais especializados, levando em consideração as condições de cada galpão e região em relação às variáveis meteorológicas.

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leira de Zoociências 19(2): 204-226. 3. DaSilva, R. G. (2008). Transporte de calor e de massa. p. 101126. In: Biofísica ambiental. Os animais e seu ambiente. ed. Jaboticabal: Funep. 4. DaSilva, R. G., Maia, S. C. (2013). Exchange between animals and environment: mammals and birds. p.107-114. In: Principles of animal biometeorology. first ed. Springer. London. 5. De Oliveira, E. M.; Mos, J. V. N.; Oliveira, G. S.; Souza, A. A. R.; Nascimento, S. T.; Santos, T. C.; Santos, V. M. Como a radiação solar pode impactar o conforto térmico de poedeiras em sistema de produção free-range. Avinews Brasil, Campinas, P. 1 - 17, 13 Maio 2020. 6. INMET 2020, Instituto Nacional de Meteorologia. Disponível

em: <https://tempo.inmet.gov.br/ TabelaEstacoes/A001>. Acesso em: 05 de agosto de 2020. 7. Mellor, D. J., & Beausoleil, N. J. (2015). Extending the ‘Five Domains’ model for animal welfare assessment to incorporate positive welfare states. Anim. Welf, 24(3), 241. 8. Nascimento, S. T., Maia, A. S. C., Gebremedhin, K. G. and Nascimento, C. C. N., 2017. Metabolic heat production and evaporation of poultry. Poultry Science 0 :1-8. 9. Borge S.A., Maiorka A., Silva A.V.F. Fisiologia do estresse calórico e a utilização de eletrólitos em frangos de corte. Cienc. Rural, 33 (2003), pp. 975-981.

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Especial Ambiência | Big Dutchman

Os novos horizontes que os sistemas de climatização avançados nos mostram O crescente mercado de ovos no Brasil traz a oportunidade para produtores aumentarem a quantidade de aves para suprir a demanda Autor: Luiz Cavagnoli Gerente de Engenharia, Big Dutchman

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omo manejar números cada vez maiores de aves? Tecnologia. Sistemas de climatização para produção animal já tem seus resultados na melhora do desempenho comprovados há um bom tempo e agora, com o avanço no desenvolvimento do controle, temos a possibilidade de sistemas com alojamento de 200 e até 250 mil aves em um único aviário. Para instalações deste porte, algumas soluções devem ser empregadas, são elas: -Gaiolas que permitam um adensamento maior aves/m² de galpão -Sistema de climatização inteligente -Sistemas de gestão em tempo real -Sistema avançado de segurança Nesse contexto, sistemas de gaiolas verticais, permitem que um grande número de aves possa ser alojado por m² de galpão construído. Hoje temos a

Aviário com 208.000 aves no Centro Oeste do Brasil.

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possibilidade de instalações com até 12 andares de gaiolas, com segurança e respeitando o bem-estar do animal, com isso chegamos a alojar até 125aves/m² de galpão construído, reduzindo consideravelmente o custo investido por ave alojada no sistema.

Esta densidade de animais, gera a necessidade de uma ventilação muito grande para remover o calor gerado pelas aves e também um controle de temperatura adequado para dar o conforto para que as aves atinjam a melhor produtividade.


Controlador com tela touch screen e visual gráfico do aviário

Até pouco tempo atrás, o mercado só disponibilizava controladores que acionavam equipamentos quando a temperatura já estava acima do limite. Criavam-se tabelas de temperatura para o acionamento dos exaustores e do cooling e a cada aumento de 0,2-0,5°C um novo grupo de ventilação era acionado. Todo o sistema só entraria em operação quando a temperatura já estivesse 5 ou 6°C acima da desejada. Hoje, controladores com sistema PID (processamento rápido e preciso para controle de temperatura e umidade) permitem que os equipamentos de climatização já entrem em operação calculando a tendência de oscilação de

Sistema de backup com tela touch screen e leitor biométrico

temperatura dos próximos segundos. Controladores mais modernos já levam em conta a sensação térmica do animal e ajustam os níveis de ventilação para que permaneça sempre dentro da zona de conforto térmico. Estes controladores ainda contam com sensores de CO2 (dióxido de carbono) e NH3 (amônia) que monitoram a quantidade de gases nestes ambientes e aumentam o nível de ventilação para que as aves continuem confortáveis e saudáveis. A evolução dos controladores também nos traz uma interface muito mais amigável do que pouco tempo atrás. Temos hoje disponíveis no mer-

cado controladores com tela touch screen tão sensível quanto a de um celular e também com imagens intuitivas que ajudam a saber o que estamos vendo ou alterando. Dentro do mundo conectado que vivemos, com a alta produção em um único ambiente, mais duas variáveis são de extrema importância para esse tipo de instalação. A gestão em tempo real permite que da tela de um celular ou computador você possa acessar os dados ou fazer qualquer alteração de parâmetros necessário para saber o que está acontecendo dentro do seu aviário e também corrigir algum fator que possa estar impactando no resultado. Por último e tão importante quanto, deve-se ter um sistema de segurança sofisticado para garantir a funcionalidade de todo o sistema. Assim como o controlador, os sistemas de segurança disponíveis também evoluíram muito. Enquanto instalações mais antigas contam com termostatos para manter a ventilação, os mais modernos têm verdadeiros computadores que monitoram sua granja e enviam notificação quando algo não está conforme o programado. O próprio sistema de backup envia mensagens de texto, e-mails, faz chamada telefônica para várias pessoas até que alguém vá até o aviário para solucionar o problema. Por se tratar de um sistema de segurança, utiliza identificação biométrica para garantir que somente pessoas autorizadas possam operá-lo. Com a necessidade de ser cada vez mais eficiente, temos que aproveitar cada vez mais o espaço e diminuir o custo por ave alojada. Isso só se torna possível com tecnologia de ponta atuando em várias partes do sistema. Produtores que querem se diferenciar, precisam optar por um sistema robusto e com alta tecnologia empregada. Para que isso se torne uma realidade deve ter uma atenção especial nestes quatro itens. Revista do Ovo

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Especial Ambiência | Munters

Ambiência aplicada na avicultura de postura

O controle da climatização na avicultura é uma demanda crescente, que ocorre por inúmeras razões Autor: Marcel Hoffmann Médico Veterinário, Munters

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ambiência é uma ciência que engloba vários aspectos. Neste artigo, iremos abordar a climatização, que é apenas uma das vertentes do tema, mas de suma importância. O controle da climatização na avicultura é uma demanda crescente, que ocorre por inúmeras razões. Dentre elas, há uma melhora significativa nas condições de bem-estar animal, na qualidade dos ovos produzidos e na rentabilidade do negócio. O bem-estar animal foi definido por Hurnik (1992) com sendo “o estado de harmonia entre o animal e seu ambiente, caracterizado por condições físicas e fisiológicas ótimas e alta qualidade de vida dos animais”. Para conseguir isso, é inevitável que a temperatura e sensação térmica onde as aves estão sendo mantidas sejam controladas, para estarem dentro dos limites fisiológicos ideais para cada linhagem. O controle do ambiente por meio da climatização possibilita que seja evitado o estresse dos animais, de forma bastante objetiva e constante, independente da época do ano e da região geográfica onde eles estejam acomodados. Promover um ambiente apropriado com a climatização gera imediatamente, a melhora na qualidade dos ovos produzidos. Uma das primeiras consequências notadas em um ambiente com temperaturas elevadas, por exem-

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plo, é a redução da ingestão de alimentos pelas aves, o que, naturalmente, gera também uma significativa redução no tamanho dos ovos, na qualidade da casca e até mesmo na quantidade de ovos produzidos pelas aves. Outro fator muitas vezes ignorado, mas que também tem grande impacto econômico, é o aumento da capacidade de alojamento de animais em uma única estrutura. Com a climatização, algumas limitações podem ser revistas, possibilitando melhor aproveitamento do espaço físico da propriedade, diluindo custos de implantação dos projetos pela possibilidade de um maior número de animais por área. Esse incremento induz, ainda, à otimização da mão de obra e a um maior controle sobre a produção. Visando, portanto, à majoração da lucratividade do negócio, os produtores devem estar sempre atentos à climatização correta dos aviários de postura comercial. Maiores lucros são rapidamente notados mediante a melhora da qualidade dos ovos, melhores índices de produção e a possibilidade de realizar projetos em regiões anteriormente inviáveis. Sem a climatização, alguns locais próximos ao mercado consumidor de maior demanda poderiam estar inadequados à atividade avícola de postura. Mas, com o auxílio da climatização, auferem-se meios para se manter a produção otimizada durante

todo o ano, mesmo em regiões onde o clima natural não seria o ideal. Dada essa explanação inicial, vale a pena ressaltar, porém, que a climatização não é uma tarefa simples. Ela deve ser calculada tecnicamente para atender às necessidades de cada projeto. Não existe “receita de bolo” para fazer um bom projeto, pois diversos fatores devem ser levados em consideração, ao projetar um sistema de climatização que atenda a todas as demandas do produtor. Dentre os itens que serão avaliados por um técnico ou especialista da área, estão as diferentes formas de troca de calor possíveis (condução, convecção, radiação e evaporação), a capacidade de troca das aves em cada faixa de temperatura e umidade, a sensação térmica adequada para cada linhagem de ave e a disponibilidade de recursos (como água, energia elétrica e recursos financeiros). Deve-se, ainda, levar em conta as relações e interações entre os vários equipamentos que serão utilizados para a solução, bem como as características individuais de cada equipamento que é utilizado pelo produtor. Os avanços na ciência sobre as necessidades dos animais expandem-se a cada dia. E o refinamento desses estudos decorre da constante evolução tecnológica direcionada às diversas áreas do agronegócio. Mais especificamente, focando na ambiência animal, tais


avanços permitem ao produtor deter um maior domínio de sua produção, com melhor sensoriamento, melhor análise de dados e maior agilidade na avaliação dos resultados obtidos. Desta forma, otimizam-se as relações entre ações e reações. Para fazer a escolha correta dos equipamentos é de suma importância avaliar questões como desempenho, consumo de recursos e espaço físico disponível para instalação e manutenção. Na lista de produtos essenciais estão os seguintes: • Exaustores: responsáveis pela retirada de ar e o controle das correntes de ar dentro da instalação. • Equipamentos para entrada de ar, sendo separados em: • Inlets: para a entrada de ar em momentos tipicamente frios, sem velocidade. • Painéis de Resfriamento Evaporativo: solução para redução da temperatura e umidificação do ar. • Controladores: responsáveis pelo sensoriamento e automação de uso dos demais equipamentos. Os produtos supracitados avançaram muito nos últimos tempos, pois são resultantes de grandes avanços tecnológicos que vêm ocorrendo nos ramos de climatização e ambiência. Neste ínterim, merece destaque, por exemplo, o exaustor “WM54F com Munters-Drive”, equipamento de projeto arrojado, que conta com diferentes materiais empregados, visando maior desempenho e adaptabilidade aos diferentes climas. Seu desenho facilita o transporte e instalação do equipamento, apesar de sua

robustez. Mas o destaque fica para seu inovador motor eletrônico, que permite um controle mais refinado do fluxo de ar pelo galpão, de modo a atingir condições de temperatura e qualidade do ar desejáveis com maior precisão e rapidez. Benéfico para as aves e também para o produtor, pois permite economia significativa nos custos de produção, redução no consumo de energia e menor necessidade de manutenção. O uso do resfriamento evaporativo, que já se tornou regra nos projetos climatizados nesta área de aplicação, também conta com algumas novidades. Por mais que se trate de uma tecnologia antiga e já muito difundida, a utilização de novos equipamentos, mais eficientes e modernos, aliados a um projeto cuidadoso para adequação do tamanho do sistema para cada galpão, garantem mais economia energética e uma melhora no sistema de distribuição de água, indispensável para um adequado funcionamento do sistema. Os novos equipamentos para execução do projeto de resfriamento evaporativo oferecem manutenção mais fácil, maior eficiência e manejo mais moderno. Os controladores são um dos capítulos mais recentes nessa evolução, os quais, certamente levaram a uma expressiva revolução da climatização. Hoje pode-se contar com verdadeiras centrais inteligentes, que monitoram o ambiente, concentram informações sobre a produção, tomam decisões inteligentes sobre quais equipamentos devem ser utilizados e quando. Ademais, essas centrais podem funcionar como um

hub, que leva a informação para a nuvem e disponibiliza, através da internet, a informação de forma segura para o produtor em qualquer lugar do mundo. Tudo isso, evidentemente, ajuda o produtor a manter um controle acurado e instantâneo da sua produção, agilizando a tomada de decisões. Merecem destaque, ainda, alguns novos softwares de gestão, a exemplo do AMINO, da empresa Mtech. Softwares como este são capazes de conciliar a informação da gestão, com os dados da Climatização, trazendo assim, mais um grande reforço para os negócios. A possibilidade de se controlar os dados através da web, facilita a análise e o controle de vários parâmetros, propiciando tomadas de decisões mais inteligentes. Inúmeros avanços tecnológicos já estão disponíveis no mercado. Todavia, é importante que o produtor rural procure meios para aprofundar o conhecimento sobre esse tema e esteja atento às tendências tecnológicas do setor. Pois as opções são diversas, mas compreender quais delas se adequam melhor às suas necessidades é de suma importância para se atingir resultados de excelência. O emprego de um adequado sistema de climatização, projetado em conformidade com critérios técnicos e utilização correta dos equipamentos e tecnologias já disponíveis, são o melhor caminho para aumentar o sucesso do empreendimento. Marcel Weiss Hoffmann Médico Veterinário Vendedor técnico Munters do Brasil https://www.youtube.com/ watch?v=bP2D6uz_dfE&list=PL70364 895C282A1BB&index=20 https://www.youtube.com/watch?v=5 tsRJQYJOTY&list=PL70364895C282A 1BB&index=32 https://www.youtube.com/watch?v=C WN0lkklNtM&list=PL70364895C282 A1BB&index=43 Revista do Ovo

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Especial Ambiência | Plasson

Ambiência em Postura Comercial

A ambiência na postura comercial vem despertando maior interesse entre os produtores Autora: Gabriela Pereira Gerente de Negócios Plasson

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s aves de produção exigem do meio que habitam, condições precisas de ambiente, tais como umidade: temperatura, luminosidade e qualidade de ar. Estes fatores, se em desequilíbrio, comprometem as funções vitais e/ou fisiológicas dos animais, que para manutenção do equilíbrio o sistema demanda nutrientes que deveriam ser direcionados à produtividade total. A ambiência na postura comercial vem despertando maior interesse entre os produtores, não somente focada em redução de mortalidade em períodos quentes, como em um passado recente, mas também focada no aumento dos índices zootécnicos, otimização de área, melhoria na conversão alimentar e consequente redução do custo de produção. Para alcançar estes objetivos, é preciso lançar mão de alguns preconceitos, como, “aves em produção somente precisam de ventilação de verão, porque não morrem de frio” ou “ em recria não é necessário climatização, somente na produção”, os projetos devem ser individualmente estudados e desenhados para região específica onde será implementado e assim determinado a tipologia do projeto, para maximização dos resultados, visando o custo x benefício. Entre os diversos parâmetros para definição de um bom projeto de climatização, o estudo climático histórico da

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região, pelo menos dos últimos 5 anos, onde o projeto será concebido é de suma importância, é necessário conhecer a amplitude térmica, temperaturas máximas e mínimas e não menos importante o comportamento da umidade relativa. Em posse dos históricos climatológicos iniciamos os projetos, com as premissas básicas de cada fase, recria (0 – 120 dias) e produção, levando em consideração a ventilação necessária. Consideramos, que um bom aviário climatizado possui, ventilação mínima, utilizada sempre que a temperatura estiver abaixo da temperatura desejada, ventilação de transição, sempre

Ventilação mínima

Ventilação de transição

Ventilação de túnel

que a temperatura estiver igual ou até 2°C acima da temperatura desejada e por fim a ventilação túnel, quando a temperatura estiver 2° acima da temperatura desejada. A Ventilação mínima tem como função renovação de ar, remover os gases e manter controlado os parâmetros entre temperatura e umidade com o mínimo volume de ar para cada fase da vida das aves. A Ventilação de transição tem como função a introdução de maior volume de ar, sem gerar alta velocidade. A Ventilação de túnel tem como função moderar os efeitos causados pela alta temperatura, gera velocidade de ar e promove redução da sensação térmica das aves. Equipamentos utilizados para ventilação são Inlets, Painéis evaporativos e exaustores, comandados por um bom e seguro controlador de ambiência. O dimensionamento correto garante a bom equilíbrio do sistema, bem como a eficiência dos equipamentos garante um bom custo de produção. Mais especificamente os exaustores, é importante saber quanto de ar ele move com cada watt de potencia utilizado, sendo este o fator mais importante para a escolha do equipamento, mais do que o volume de ar e preço, comumente utilizados para determinar o investimento. Estudar a eficiência energética de um exaustor pode reduzir o custo de energia elétrica e com isso reduzir o custo de produção. Um bom sistema de climatização favorece aves mais uniformes em recria e com ganho de peso muitas vezes superiores às tabelas genéticas, melhor conformação de carcaça, garantindo a subida para o pico de produção em conformidade com o esperado pela genética, e ainda mais importante, persistência de postura, com melhor qualidade de casca. Sem falarmos na redução de mortalidade, onde podemos chegar a índices excelentes de 4 – 6% com 120 semanas. Revista do Ovo

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Comunicação

Marketing impulsiona as vendas das empresas de proteína animal Conheça a importância de um eficiente processo de comunicação para a ampliação das vendas

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Rodrigo Capella é diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio. Com atuação em agronegócio desde 2004, Capella é palestrante e autor de diversos livros e artigos, publicados no Brasil e no exterior. Também é editor e fundador do site Marketing no Agronegócio: www. marketingnoagronegocio.com.br

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Revista do Ovo

marketing no segmento de proteína animal, em sua totalidade, é composto por etapas cruciais. Como peças de uma engrenagem ágil e dinâmica, estas fases estão sincronizadas e uma depende da outra, seja para a concretização fundamental de objetivos, seja para um processo sólido e natural de vendas. Com nuances, é claro, as atividades realizadas dentro deste processo tendem, na maioria das vezes, a reverberar em um marketing de alto impacto, beneficiando todo um processo composto por empresas de proteína animal, sociedade, associações, cooperativas, entre outros players. Neste sentido, as etapas que fortalecem as ações podem ser chamadas de visibilidade, credibilidade, interesse e desejo, constituindo a interessante fórmula V.C.I.D, que não é imutável, mas que pode, em âmbito geral, fornecer um entendimento consistente e preponderante das iniciativas que tem como base o marketing. Tais estágios são representados no gráfico a seguir, levando em conta o tempo estimado para a concretização de cada um deles. A finalização de cada etapa, no entanto,

depende de variáveis diversas, como compacto objetivo comunicacional, planejamento consistente e determinação clara das personas a serem impactadas, entre outros pontos que conferem suporte. A etapa sinalizada com o V, de Visibilidade, remete ao início de todo o processo de marketing, incidindo, por conta desta relevância, pontos decisivos, como missão coorporativa, valores fundamentais de atuação no segmento e causas defendidas publicamente pela empresa de proteína animal. Doravante, tais alicerces são divulgados de forma indireta, principalmente neste primeiro momento. Faz-se aqui, então, a consideração de que visibilidade remete diretamente a exposição, concretizada, por exemplo, por meio de dicas e orientações rápidas com foco em ajudar o público-alvo em seus procedimentos diários. Desta forma, surge como alternativa eficaz a utilização de metodologia que concentre na exposição de informação diversa que potencialize técnicas e práticas (90% do total difundido) e também diferenciais de produtos (10% complementar). Já o C, ilustrado no gráfico, contempla a Credibilidade das ações de


marketing. Tal atributo pode ser obtido com o compartilhamento de documentos abrangentes e elucidativos, como cartilhas que ajudam, com o completo passo a passo, o público-alvo em sua frequente tomada de decisão. Dentro deste contexto, percebe-se a afinidade entre credibilidade e reputação, não obstante, então, recomendou-se no estágio inicial V a definição precisa de uma causa pública. A fase seguinte I, representada pelo Interesse, está totalmente conectada com a vontade em adquirir um produto. Conteúdos diferenciados e associados aos benefícios de determinadas soluções ganham força se estiverem dentro de contextos propícios, como cases aprofundados que tenham a participação de clientes estratégicos. Por fim, a etapa D é o desejo puro na concretização de uma venda natural (V.N). Se bem conduzidas todas as etapas, este estágio

será, na maior parte das vezes, alcançado naturalmente. Desejo esse que poderá ser ampliado e transformado em fator de vendas, quando há um cliente que, naturalmente, faz a divulgação de um serviço, produto ou solução que o ajudou a resolver problemas reais. Fica claro aqui que há uma conexão irrestrita de todas as etapas com um processo sólido de comercialização, conforme vemos a seguir na pirâmide ilustrativa. Neste cenário, cabe reforçar que não se pode assegurar quanto tempo cada etapa irá perdurar, mas é pertinente, sim, colocá-las em uma linha do tempo, com base em período estimado, conforme sinalizado no gráfico Etapas do Marketing versus Período Estimado, aqui já exposto. Este fluxo estruturado nos remete a uma clara concretização de que o marketing, quando bem executado, é uma atividade impulsionadora das práticas comerciais de uma empresa de proteína animal. Afinal, sem o marketing, não seria possível sedimentar importantes atributos como exposição precisa e reputação sólida, além de despertar vontade e, por fim, a venda natural propriamente dita. Revista do Ovo

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Saúde Animal

Antimicrobianos devem ser utilizados de forma racional nas granjas Muitas vezes, os antimicrobianos são utilizados para corrigir problemas de manejo como um ‘fator de segurança’ Ana Caselles, gerente técnica regional da Sanphar Saúde Animal

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s antimicrobianos têm uma história positiva de combate aos agentes patogênicos que afetam aves e suínos. Entretanto, o uso indiscriminado dessas substâncias pode mais prejudicar do que auxiliar, fazendo com que as bactérias criem resistência à sua ação. “Muitas vezes, os antimicrobianos são utilizados para corrigir problemas de manejo como um ‘fator de segurança’. Por isso, é importante ter sempre o acompanhamento de um médico veteriná-

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rio para a utilização de maneira consciente, escolhendo da forma mais adequada os tratamentos e respeitando o tempo que devem ser realizados. Tudo isso levando em conta as necessidades reais para combater os micro organismos. Afinal, eles são os responsáveis técnicos e, como tal, contribuem para disseminar a informação correta e segura”, alerta Ana Caselles, gerente técnica regional da Sanphar Saúde Animal. A resistência aos antimicrobianos não é o único problema que o

uso inadequado dos medicamentos pode causar. O excesso pode ter efeitos tóxicos nos animais, comprometendo sua saúde e bem-estar, podendo leva-los à morte. Esses exageros podem, ainda, comprometer a saúde humana, visto que podem haver resíduos de molécula na carne que será consumida caso, assim como as doses, os períodos de carência não forem seguidos. Ana Caselles explica que o uso racional dos antimicrobianos não configura, exatamente, em diminuição do seu uso, mas em utilização adequada. Ela ressalta o importante papel dos veterinários, profissionais responsáveis que lideram as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento nos animais. E isso passa, necessariamente, por medidas de biosseguridade. “A vacinação e o manejo sanitário correto da granja também são essenciais. Além desses cuidados, quando houver necessidade os veterinários devem receitar antimicrobianos que combatam os agentes infecciosos específicos, seja com administração via água de bebida, ração ou injetável”. A gerente técnica da Sanphar América Latina explica que os antimicrobianos mais adequados para a saúde animal são aqueles que eliminam o agente infeccioso e que, para ter essa informação, são necessários alguns procedimentos, como o isolamento da bactéria, re-


alizar antibiograma e, assim, avaliar a resistência ao antibiótico. Ana Caselles reforça que, para que os antimicrobianos continuem eficazes no tratamento dos animais, é preciso que tais medicamentos sejam utilizados de maneira adequada conforme as orientações dos veterinários, assim como as indicações de uso dos fabricantes. “A Sanphar tem o compromisso com os clientes e com a produção animal fornecendo não apenas antimicrobianos seguros e de alta qualidade, mas também informações de uso correto dos medicamentos, treinamento e educação sanitária para clientes e distribuidores, de modo que tenham ciência e responsabilidade na administração correta das moléculas”, conclui Ana Caselles.

Acompanhe na sequência uma entrevista exclusiva com Ana Caselles. Como você avalia a identificação ainda existente do uso de antimicrobianos como um fator de segurança sanitária? Se falarmos de identificação de uso de antimicrobianos, acredito que para fazer o bom uso de antimicrobiano, é preciso primeiro descobrir qual o agente que queremos combater. Isso é feito com coleta de material bem feita, levada para um laboratório, isolamento desse agente, para depois ser realizado um antibiograma para saber quais moléculas são realmente sensíveis ao agente que queremos combater. Depois disso, pode-se iniciar um tratamento adequado contra aquele agente patógeno que eu quero combater. Porém, nem sempre o veterinário responsável técnico tem tempo hábil para isso e prescrever o tratamento ideal, já que algumas vezes estamos correndo contra alguma perda produtiva, perda de ganhos zootécnicos ou até mesmo em mortalidade dos lotes, então, às vezes, temos que recorrer a um antimicrobiano que, por base

em literatura, orientação técnica e experiências anteriores, seja sensível ao agente que eu quero combater. Como deve ser a utilização do produto de maneira consciente, escolhendo da forma mais adequada os tratamentos? E como são especificados estes tratamentos? O mais importante de tudo é primeiro saber qual agente quero combater, identificar esse agente e depois fazer um antibiograma, para saber exatamente se aquele tratamento que eu escolhi fazer é sensível com aquele agente que eu quero combater. Se for uma molécula, por exemplo, que já tiver uma certa resistência, eu vou fazer o tratamento, vou utilizar o produto e ele não será eficaz. Às vezes o produtor ou o veterinário acredita que se aumentar a dose, o problema será resolvido, e só isso muitas vezes não é suficiente. Então, um exame complementar ao antibiograma é importante na hora de lançar mão de um tratamento, é fazer o MIC, que é a concentração mínima inibitória para aquele agente e como eu deve ser o comportamento, a fármacocinética daquele medicamento no animal para eu entender como deve ser o tratamento que devo fazer. Outro ponto importante também é seguir as instruções e recomendações do fabricante de acordo com o registro do produto. Eu preciso seguir as dosagens recomendadas de miligrama por quilo de peso vivo, tamanho do plantel, de acordo com o consumo desses animais e também respeitar tanto o tempo de tratamento quanto o período de carência. O tempo de tratamento é importante porque se eu parar com o tratamento assim que eu perceber uma melhora clínica desses animais, eu posso contribuir para uma resistência futura dessa molécula frente a esse agente, o que não é interessante. Então é preciso obedecer o tempo de tratamento orientado pelo fabricante no rótulo do produto. Também é importante

que o produto seja bem corretamente misturado à água ou ração para garantir que todos animais façam a ingestão das doses desejadas. Outro ponto também importante é justamente obedecer o período de carência para que essa carne não tenha resíduo daquela molécula e comprometa a qualidade do produto final no cliente. Como é feita a utilização de antimicrobianos com respeito ao tempo que devem ser utilizados e qual é o prejuízo quando estas especificações não são verificadas? É importante verificar esses pontos em rótulo com a indicação do fabricante porque todo fabricante coloca essa informação na embalagem dos produtos. Além de verificadas, essas informações devem ser seguidas, porque o período de tratamento não pode ser inferior ao indicado, a dose também não pode ser diminuída. Algumas pessoas podem falar que o uso racional de antibióticos é o uso reduzido de antibióticos. Isso pode ser mal interpretado e poder ser utilizada uma dosagem inferior à indicada pelo fabricante, o que vai prejudicar o tratamento dessa doença e a resposta à sensibilidade ao agente que vamos combater, e também provocar possíveis resistências contra essa molécula. A resistência aos antimicrobianos ainda é um problema na indústria de produção de proteína animal? Sim. O que acontece é que , como era feito antigamente, às vezes, por querer ter uma resposta mais rápida, é lançada a mão de um antimicrobiano com base na literatura, por exemplo, e que no passado ele era sensível, mas atualmente esse antimicrobiano não funciona mais, não é mais tão eficaz contra aquele agente, e isso acaba sendo um problema porque eu estou retardando a eficácia desse produto e, consequentemente, vai ter resposta indesejada tanto zootécnica, quanto a mortalidade desses animais. Então o problema vai se agraRevista do Ovo

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Saúde Animal var, eu vou perder tempo. Dessa maneira, é melhor eu lançar mão de fazer um estudo de antibiograma frente aos agentes que aparecem com frequência na minha propriedade para que eu possa, no momento de um desafio ou de uma infecção bacteriana, poder utilizar a molécula que melhor funciona contra aquele agente. Vacinação x manejo sanitário x papel do médico veterinário. Como você avalia a base desse tripé dentro do sistema produtivo? Esse tripé é importantíssimo para a saúde dos planteis e tem que ser muito bem harmonizado. A vacinação é uma excelente ferramenta preventiva para a saúde dos lotes, mas não é a única. Então, um programa de vacinação deve ser bem fundamentado, em estipulado, com a ajuda do veterinário, entendendo bem quais são os desafios daquele lote, ou daquela região, para implantar e também revisar o programa de vacinação quando necessário. Um programa de vacinação não deve ser engessado e nem deve ser o mesmo por muito tempo. Ele deve ser revisado e se tiver algum ponto que deva ser mudado, deve ser feito de forma imediata para que o manejo sanitário desse plantel também tenha um bom resultado. O médico veterinário procura sempre buscar a doença nos lotes e acaba esquecendo de problemas de manejo, que são muito comuns e acabam refletindo em problemas de desafios sanitários. Então é importante o papel do médico veterinário de observar todo esse tripé que se institui, ponderar e reavaliar em momentos oportunos quando ele deve ser alterado. Dentro desse manejo sanitário, é importante que o médico veterinário responsável por aquele plantel conheça os desafios presentes naquela granja, porque no momento em que surgir um novo desafio, um novo agente para aquela granja, ele possa tomar ações imediatas ou em curto espaço de tempo para

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que não tenha uma consequência mais grave que impacte em desempenho zootécnico, mortalidade e perdas econômicas para a propriedade. Então, o papel do veterinário é super importante para harmonizar todo esse tripé e garantir a saúde e bem-estar dos animais, além do produto final. Dentro dessa questão, como é feito o trabalho da Sanphar dentro do compromisso com seus clientes e com a produção animal? A Sanphar é uma empresa de saúde animal com soluções em biosseguridade, em antibióticos, em vacinas autógenas, antiparasitários e aditivos nutricionais. Nós temos, através de nossos produtos, soluções para esses problemas que podem vir a ocorrer nessas granjas, como trabalhar numa questão de prevenção e também no tratamento. Essas duas vertentes são um desafio interessante porque, se o produtor está com um desafio que já está instalado, nós podemos ajudar no tratamento, mas isso não nos impede de também lançar mão de alternativas preventivas para amenizar esse problema e melhorar a condição da granja. Mas, trabalhar na forma preventiva é sempre uma condição melhor. Tem a linha de biosseguridade e as vacinas autógenas para contribuir e auxiliar a saúde dos planteis. Isso sem falar do nosso serviço técnico, através também das vacinas autógenas, assim como na linha de fármacos, os treinamentos que fazemos com os clientes para orientar a melhor forma de utilização dos produtos, não só deles em si, mas do manejo sanitário em geral, para garantir que os produtos sejam utilizados da melhor forma, mas que esses animais possam ter garantia de saúde e de bem-estar, além da produtividade e evitar perdas econômicas. Como é hoje a atuação da Sanphar nas granjas, não apenas quando avaliamos o fornecimento de antimicrobianos seguros e de qualidade, mas também informações de

uso correto dos medicamentos, treinamento e educação sanitária? A Sanphar é uma empresa de saúde animal e nós temos uma responsabilidade no que é treinar os veterinários, que são as pessoas que optam por utilizar uma ou outra molécula e que a prescreve, mas também das pessoas que estão manipulando essa molécula no final, aqueles que estão fazendo contato e uso do produto e fornecendo ao animal na prática. A gente tem uma preocupação de desde a fabricação dos produtos, quanto a entrega, quanto poder orientar o ciente quanto à melhor molécula para o problema que ele está passando, ajudando na escolha da melhor solução, e também fazer treinamento, não só com o veterinário, mas com a equipe que vai utilizar esses produtos para poder utilizar da melhor forma e garantir que esse produto que estamos fornecendo ao cliente vá sim ser consumido por esses animais, seja por água de bebida ou na forma de ração, no premix, mas que, o mais importante, garanta que aquela dosagem recomendada vá ser consumida pelos animais e que vá ter o efeito esperado para a melhoria da condição de saúde dos animais. É importante tanto esse trabalho de treinamento para que possa ser como uma educação sanitária continuada nas granjas para que as pessoas façam bom uso dos produtos, não só pensando na utilização adequada, mas também para a segurança delas e que esses produtos sejam bem utilizados, e não sejam usados em maior quantidade por desinformação, e as pessoas possam achar que se colocar um pouquinho mais fará mais efeito. Então é importante do porquê e do como utilizar cada produto esteja muito claro não só para o veterinário que escolhe a molécula, mas para a pessoa que vá utilizar o produto lá no final, já que nem sempre o veterinário tem tempo hábil para acompanhar todo o processo até a utilização do produto.


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Saúde Animal

Imunocomplexo natural, a novíssima geração de vacinas contra Gumboro Apesar de existirem diversos fatores que influenciam o desempenho das aves, a proteção adequada, permite que todo seu potencial genético seja explorado e isto acaba se refletindo nos bons resultados zootécnicos

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uando o assunto é Doença de Gumboro, o tema é sempre atual, pois, sem dúvidas, uma das mais importantes e prevalentes na avicultura brasileira, responsável por grandes perdas na indústria avícola mundial. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez na década de 60, até os dias de hoje, a Doença de Gumboro, é um dos principais motivos de pesquisas relacionadas a prevenção e controle de doenças

das aves, em especial as vacinas, que buscam sempre uma maior eficiência na proteção contra o vírus da doença de Gumboro (IBDV), de modo a preservar a tecido linfoide da bursa, estimular a imunidade ativa e minimizar os efeitos dos anticorpos maternos visto que estes acabam por inativar as vacinas vivas convencionais. Mesmo após tantos anos, pesquisadores continuam investindo recursos técnicos e econômicos pa-

Autora: Eva Hunka – Med. Vet., MSc Medicina Veterinária Preventiva, Gerente de Negócios Biológicos da Phibro Saúde Animal

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Revista do Ovo

ra sua prevenção e controle. Isso porque o vírus acomete um importante órgão linfoide primário, a Bolsa de Fabricius, e sua infecção compromete a resposta imune mediada pelos linfócitos B e produção de anticorpos. Após infectadas pelo IBDV, as aves tendem a desenvolver algum grau de Imunossupressão que pode ser temporário ou permanente, devido a disfunção da resposta imune, levando ao aumento da suscetibilidade a doenças. A redução na capacidade imunológica pode ser leve, sem quaisquer problemas adjuntos de maior suscetibilidade a doenças, mas também estas aves podem responder de forma deficiente às vacinações contra outros agentes infecciosos e ficam mais susceptíveis a outras doenças, principalmente as de alta morbidade, comum a alguns vírus respiratórios, como Bronquite Infecciosa, por exemplo, que costuma vir acompanhada por infecções secundária como a E. coli. Isso se reflete nos resultados zootécnicos que resultam em perdas econômicas. Dentre as causas de imunossupressão, podemos encontrar as infecciosas e as não infecciosas, que podem resultar no mesmo quadro clínico. Encontrar a causa real,


portanto, é muito importante para a ação corretiva e/ou preventiva. O mecanismo que leva à imunossupressão acontece tanto por dano direto ao sistema imunológico, como é o caso da Doença de Gumboro, ou indiretamente pela exposição a longo prazo a estressores imunossupressores ou ambos. Por ser uma doença viral imunossupressora clássica, a Doença de Gumboro (IBD) pode servir para ilustrar os complexos mecanismos envolvidos na doença em aves jovens. Em pintos de um dia, a Bursa de Fabricius (BF) é de grande importância como fonte de linfócitos B. Estes linfócitos são necessários para produzir imunoglobulinas IgM, IgA e IgY. Se a Bursa está comprometida, como acontece na IBD, linfócitos B imaturos são atacados pelo vírus, resultando em sua destruição e deixando a ave mais susceptível a patógenos virais e bacterianos. Se as células B estiverem completamente esgotadas, a ave não será capaz de gerar adequadamente uma resposta de anticorpos a um novo patógeno, incluindo cepas vacinais e, nesse caso, a situação se deteriorará para um estado semelhante à imunodeficiência. O IBDV não ataca células B diferenciadas e, portanto, não impede respostas imunológicas em andamento. Embora a principal afinidade do vírus da Doença de Gumboro

seja por células B, as células T citotóxicas (CD4 + e CD8 +) aparecem na bursa após a infecção e também são atacadas. Além disso, o Timo está completamente esvaziado de células T e inicia a regeneração nas aves sobreviventes nos primeiros 7 dias após uma infecção muito virulenta do vírus da Doença de Gumboro (vvIBDV). As células T secretam várias citocinas envolvidas no mecanismo imunológico (IL1, IL6, IL8, IL18 e Cox2 pró-inflamatória). Células T e macrófagos são atacados pelo vírus da IBD e diminuem em números durante a doença. Em poucos dias pós infecção por uma cepa muito virulenta, todo o sistema imune de uma ave jovem pode entrar em colapso. Nesses casos, estas podem ficar doentes devido a bactérias oportunistas e saprófitas, que normalmente são inofensivas para frangos saudáveis. Em aves sensíveis, o vvIBDV irá causar alta mortalidade direta e suprimir a capacidade da ave de desenvolver uma boa imunidade após a vacinação, tornando-os mais suscetíveis a infecções secundárias e maior mortalidade. A imunidade passiva tem um papel primordial na proteção das infecções precoces pelo IBDV nos primeiros dias da ave. Por isso o cuidado com o programa vacinal das matrizes vai nos assegurar um bom nível de anticorpos maternos

Por ser uma doença viral imunossupressora clássica, a Doença de Gumboro (IBD) pode servir para ilustrar os complexos mecanismos envolvidos na doença em aves jovens

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Saúde Animal

Os novos equipamentos de vacinação nos permitem um maior controle de todo processo vacinal injetável na granja 40 Revista do Ovo

ao nascimento. Neste ponto, é bom lembrar que estes cuidados vão além da escolha da vacina, e estão muito relacionados à qualidade da aplicação, visto que a vacinação nestas aves é totalmente dependente do fator humano e passível a erros importantes como subdosagem, erros do local da aplicação e até mesmo vacinação feita a partir de frascos vazios, e tem como consequência uma imunidade baixa e desuniformidade nos títulos de anticorpos que serão transferidos para a progênie. Atualmente, com o uso da “internet das coisas” e explorando os conceitos da Avicultura 4.0, os novos equipamentos de vacinação, nos permitem um maior controle de todo processo vacinal injetável na granja, em tempo real, ou mesmo na tomada de decisões mais estratégicas baseada na coleta personalizada de dados. Voltando à imunidade passiva, esta pode interferir no desenvolvimento da imunidade ativa, já que devemos vacinar as aves jovens levando em consideração os diferentes fatores para determinar o melhor momento da aplicação. Estes fatores são: Quantidade e velocidade de queda dos níveis de anticorpos, uniformidade do lote, desafio de campo, via de administração e tipo de vacina. Este tipo de proteção é muito importante nas enfermidades de Gumboro, NewCastle, Reovirus e Anemia Infecciosa. Quando falamos em combate à Doença de Gumboro, o melhor caminho é a prevenção por meio da vacinação aliado a um programa de

biossegurança robusto. As empresas têm um objetivo claro de tornar os programas de vacinação cada vez mais simples, porém têm o desafio de mantê-los eficientes e seguros, mesmo quando acontecem apenas no incubatório, com uma única dose. No caso de proteção contra o IBDV, precisamos lembrar que não se tratar apenas evitar a forma clínica da doença, mas também precisamos atentar contra o quadro de imunossupressão que pode vir da forma subclínica da doença, ou mesmo de algumas cepas vacinais. A escolha da cepa adequado para cada desafio, que seja forte o suficiente para combater as cepas muito virulentas e segura a ponto de não afetar o sistema imune da ave, é primordial para o sucesso do programa vacinal. Programas com vacinas vivas, além de conferir uma resposta imune mais completa, pois se trata de um vírus integro e com diferentes proteínas capazes de estimular o sistema imunológico da ave, ainda tem um importante papel na colonização / vacinação do ambiente, o que reduz significativamente a carga viral da cepa de campo. A Phibro trouxe para o Brasil a MB-1, primeira vacina viva, capaz de formar um imunocomplexo natural com os anticorpos maternos e que pode ser utilizada com segurança em frangos de corte, matrizes e poedeiras comerciais, com uma única dose no incubatório. A MB-1 é uma vacina de vírus livre que se adaptada à cinética dos anticorpos maternos e que atua de


Figura 1. Soroconversão para IBD – ELISA (IDEXX) (Adaptado de Ashash, et al; 2019)

maneira diferenciada em cada indivíduo, esta característica diminui a janela de vulnerabilidade imunológica, pois se utiliza dos anticorpos maternos para formar os imunocomplexos naturalmente, e com isso temos uma proteção precoce, e uma soro conversão até 4 dias antes das vacinas de imunocomplexo artificiais. (Ashash, et al, 2019) O imunocomplexo natural, formado com a MB-1, se adapta naturalmente ao nível de anticorpos maternos, e por isso, o equilíbrio entre antígeno e anticorpo é perfeito, pois não existe anticorpo “artificial” provocando um desbalanço na relação entre eles. Além disto, esta cepa, está classificada no grupo molecular 11 (G11) que possui uma alta invasividade e capacidade de disseminação lateral, e seu uso estratégico na granja, promove uma renovação na população viral do ambiente, ajudando a controlar o alto desafio de campo. Este mecanismo diferenciado, além da resposta sorológica precoce, também permite a chegada mais rápida do

vírus vacinal à Bolsa de Fabricius. Estudos mostram que aos 28 dias de idade, a vacina de imunocomplexo natural (vírus livre) foi identificada em 100 % das amostras, seguido de identificações positivas em uma porcentagem igual (100 %) até 40 dias de idade. Enquanto que a cepa da vacina imunocomplexo “artificial” foi identificada aos 28 dias de idade em apenas 33% das amostras, e, a partir dos 32 dias em 100 % delas, porém no 40º dia, este número caiu para 83,33% . (Ashash, et al; 2019) Tabela 1. Presença do vírus vacinal na Bursa - PCR em amostras de Bursa - % de positivos para cada tipo de vacina (Adaptado de Ashash, et al; 2019) O mesmo comportamento foi observado na sorologia onde o grupo que recebeu a vacina de imuncomplexo natural (vírus livre), teve uma soroconversão 4 dias antes, quando comparado à vacina de imuncomplexo “artificial (Figura 1). Apesar de existirem diversos fatores que influenciam o desempenho

das aves, a proteção adequada, permite que todo seu potencial genético seja explorado e isto acaba se refletindo nos bons resultados zootécnicos. Embora este não deva ser um argumento para a escolha do programa vacinal, os índices zootécnicos são bons parâmetros para avaliar se o programa vacinal está adequado para a realidade da sua integração. Um programa vacinal deve sempre ser uma decisão estratégica, baseada nos desafios e condições epidemiológicas de cada granja. A MB-1 é uma vacina viva de vírus livre, que forma imunocomplexo natural, que se adaptada a cinética dos anticorpos maternos é uma solução única, com um mecanismo de ação diferenciado, que promove uma imunidade precoce e colonização rápida da Bursa de Fabricius com a praticidade da aplicação ainda no incubatório. Bibliografia consultada Ashash, U. et al., In Ovo and Day of Hatch Application of a Live Infectious Bursal Disease Virus Vaccine to Commercial Broilers. AVIAN DISEASES 63:713–720, 2019 Revista do Ovo

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Saúde Animal

Tifo aviário: importância na avicultura e formas de prevenção Para a postura comercial esse agente representa grandes prejuízos econômicos, com altas taxas de morbidade e mortalidade Autores: Gustavo Schaefer, Gerente Técnico Avicultura do Laboratório Biovet Jeniffer Ferreira Godinho Pimenta, Assistente Técnica de postura do Biovet Vaxxinova

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Salmonella enterica subs enterica, sorovar Gallinarum biovar Gallinarum (SG) é o agente do tifo aviário. As galinhas são os hospedeiros naturais do agente etiológico do tifo aviário. A primeira descrição desta enfermidade ocorreu na Inglaterra, no final do século XIX, e desde então tem sido identificada nas mais diversas regiões que possuem produção avícola ao redor do mundo. No Brasil tem sido diagnosticada em áreas de exploração de aves de postura comercial, mas também pode ocorrer em aves reprodutoras (para corte e postura). Para a postura comercial esse agente representa grandes prejuízos econômicos, com altas taxas de morbidade e mortalidade. Embora seja mais comumente descrito em aves adultas, o tifo aviário pode acometer aves de qualquer idade. Quando a enfermidade acomete aves jovens, se confunde com a pulorose, sendo diferenciado somente após o isolamento e identificação do agente. Segundo a literatura especializada, a transmissão de SG pode ocorrer por diversas vias, incluindo a via vertical, a qual parece-nos pouco provável, e a transmissão horizontal, com o contato entre ave sa-

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Revista do Ovo

dia, ave doente e ave morta na granja são fatores que favorecem a disseminação do tifo aviário. A carcaça de aves que morreram acometidas pela Tifo aviário, se tornam um dos principais disseminadores da bactéria para o ambiente. As manifestações clínicas, geralmente, são observadas nas aves em fase de produção. As aves ficam quietas, prostradas, deitam-se, não comem, apresentam diarreia amarelo-esverdeada a esverdeada, observa-se queda de postura e em poucos dias podem chegar ao óbito. O curso da doença é de 5-7 dias, mas pode ser mais longo, no qual o quadro de mortalidade começa baixo e vai aumentando significantemente com aumento da excreção da bactéria no ambiente. Por ser uma enfermidade com características de septicemia e toxemia, na necropsia das aves com tifo aviário observa-se congestão dos órgãos internos e anemia provocada pela destruição de hemácias pelo sistema retículo-endotelial. Nos quadros agudos, as alterações mais comumente encontradas são o aumento do fígado e baço. Muitas vezes ocorre a mudança de coloração para tons esverdeados, amarelo-esverdeado a bronzeado, com presença de pontos necróticos (esbranqui-

çados) e hemorrágicos. Nos casos em que o curso da enfermidade é mais longo pode se observar hidropericardio e a presença de processos inflamatórios formando nódulos esbranquiçados, semelhantes aos descritos na pulorose, em coração, baço, pulmões, moela, pâncreas, duodeno e cecos. O diagnóstico do tifo aviário é feito com base nos achados clínico, anátomo-patológicos e exames laboratoriais. Assim como S. Pullorum (SP), não possui flagelo, ambas são indistinguíveis na sorologia básica para identificação do sorotipo (O: 1,9,12). Os resultados são passíveis de confusão com aves infectadas por SP ou por outra salmonela que possua antígenos em comum, como aquelas do grupo D. O diagnóstico definitivo compreende o isolamento e a identificação do agente. Uma vez que a enfermidade é mais comum em aves adultas, e que a mortalidade pode persistir por períodos prolongados, é preciso tomar cuidado no tratamento com antibióticos contra o tifo aviário. É necessário levar em consideração que a SG persiste em aves tratadas que não apresentam sintomatologia e pode acabar por prolongar o estado de portador da enfermidade e não


eliminar a bactéria do ambiente. A biosseguridade é um grande aliado da prevenção e do controle de um surto do tifo aviário. Os programas direcionados à prevenção utilizam ferramentas de segregação, limpeza, higienização e desinfecção dos fômites como um pilar reforçado do manejo. Adicionados ao controle de entrada de veículos e pessoas na propriedade, monitoramento integrado de pragas, direcionamento correto das excretas e camas para locais de tratamento como composteiras e esterqueiras, criações de idades únicas ou próximas dentro dos galpões e o treinamento dos colaboradores para as medidas higiênico sanitárias da granja. As principais práticas de biosseguridade baseiam-se nos princípios de menor disseminação possível da bactéria dentro do ambiente, sendo alguns: 1. Restrição de entrada e mudanças de fluxo de acesso dos galpões. Orienta-se entrar primeiro nos lotes saudáveis e posteriormente nos locais acometidos pelo tifo aviário; 2. Implementação de medidas que reforcem a desinfecção do indivíduo na entrada e saída de um galpão acometido pela enfermidade. Como colocação de barreiras sani-

tárias reforçadas com álcool gel e desinfetantes para mãos e utilização de desinfetantes para as solas dos sapatos; 3. Em galpões californianos, é fundamental não ter acúmulo de água no esterco que se encontra abaixo da gaiola. Realizar manejos como correção de bebedouros que vazam e revolvimento com material seco sob as excretas auxiliam na menor umidade e baixo índice de proliferação de moscas; 4. Nas granjas com galpões piramidais suspensos, evitar o acesso as excretas dos animais e em seguida entrar em contato com as aves; 5. Nos galpões verticais, realizar a coleta de esterco com maior frequência; 6. Caso sejam aves soltas, retirar pontos úmidos de cama e segregar as aves apáticas; 7. Em qualquer sistema de produção, é de extrema importância retirar com maior frequência as aves mortas do galpão, de preferência o maior número de vezes possível no dia. Isso evita a disseminação da bactéria no ambiente e para as demais aves. 8. O uso de baldes com tampas ou sacos plásticos auxiliam a vedar as carcaças até sua retirada do galpão.

A biosseguridade é um grande aliado da prevenção e do controle de um surto do tifo aviário

Figura 1. Sobrevivência de aves vacinadas com bacterina de Salmonella Gallinarum e não vacinadas, após o desafio por cepa patogênica de SG (Khatun et al., 2012)

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Saúde Animal

O uso de vacinas vivas compostas da estirpe rugosa da SG 9R já é uma prática mundialmente utilizada dentro da avicultura de postura comercial 44 Revista do Ovo

9. Realização de um bom manejo integrado de pragas. Moscas e ratos são vetores da Salmonella e podem disseminar a contaminação dos galpões que contenham o desafio sanitário; 10. Análises dos índices zootécnicos, necropsia da mortalidade, exames laboratoriais e monitoramento dos parâmetros de consumo de água e ração auxiliam na identificação e atuação corretiva com maior precisão nos lotes acometidos pelo tifo aviário. Uma ferramenta biológica favorável ao controle do tifo aviário é a vacinação, fazendo o uso de vacinas vivas e as inativadas (bacterinas). A proteção vacinal contra Salmonella é caracterizada pela redução da carga bacteriana nas fezes ou nos órgãos (tais como: baço, fígado e ceco), rapidamente após a infecção pelo patógeno. Quando a imunidade conferida pela vacinação é eficiente, ocorre o controle da multiplicação bacteriana no organismo animal, sistemicamente, de forma que os animais não demonstrem sinais clínicos relacionados à infecção, bem como, reduzem a eliminação e disseminação do patógeno para o ambiente, pelas fezes ou carcaças de animais mortos. A proteção vacinal desencadeada contra estes microrganismos depende de diferentes mecanismos da resposta imune mediada por células (resposta imune celular) e de anticorpos (resposta imune humoral). O uso de vacinas vivas compostas da estirpe rugosa da SG 9R já é uma prática mundialmente utilizada dentro da avicultura de postura comercial. Por sua vez, o uso concomitante de uma vacina inativada traz o benefício de proporcionar uma imunidade eficaz e prolongada, conferindo imunidade as aves para o controle da enfermidade do tifo aviário. O sistema imune das aves frente a uma vacina inativada irá estimular a resposta imune adaptativa que é caracterizada por três atributos básicos: reconhecimento, especificidade e memória. Nesse sentido, as bactérias inativa-

das são identificadas pelo sistema imune como organismos exógenos e irão ser mediadas pelos linfócitos auxiliares, que ao se ligarem aos linfócitos B estimulam a sua diferenciação em plasmócitos secretores de anticorpos, desencadeando uma resposta imune humoral. Esse processo leva de cinco a 14 dias para acontecer. Porém, em exposição subsequente, há ativação dos linfócitos B de memória, e a resposta imune secundária de anticorpos IgG atinge o pico de produção em torno de três dias. A primeira dose apenas sensibiliza o organismo; enquanto a segunda e/ou terceira desenvolvem uma resposta imune adaptativa mais rápida e efetiva, com alto título de anticorpos e ativação de linfócitos T. O diferencial de uma vacina inativada no organismo juntamente com seu adjuvante é uma estimulação de resposta imune mista, com envolvimento tanto da resposta humoral quanto celular e propiciar que os antígenos que seriam rapidamente degradados, consigam permanecer dentro do organismo por muito mais tempo, favorecendo ao manejo de vacinação das aves na idade de recria e garantindo uma proteção prolongada e rápida frente ao desafio na fase de produção. Bacterinas contra Salmonella Gallinarum demonstraram alta eficácia no controle da mortalidade causada pelo quadro do tifo aviário em trabalhos publicados já na década de 80, em que a administração de uma bacterina contra SG obteve 100% de proteção em aves desafiadas com SG, desde que estas fossem aplicadas com adjuvantes oleosos (Bouzoubaa et al. 1987). Em estudos mais recente, Won et al. (2016) avaliaram um preparo vacinal, contendo LPS de Salmonella Gallinarum em um experimento mais longo, e relatam que a melhor proteção foi obtida com duas doses da vacinação via intramuscular. Khatun et al. (2012) avaliaram a eficácia de uma vacina inativada de Salmonella Gallinarum em que as aves foram vacinadas com 8 sema-


nas de vida e receberam a dose booster com 12 semanas de vida. Após duas semanas (14 semanas de vida) cada ave recebeu um alto desafio da cepa patogênica de Salmonella Gallinarum, no entanto os autores relatam proteção em 100% das aves vacinadas, enquanto apenas 10% das aves não vacinadas sobreviveram em 5 dias após o desafio (Figura 1). Todas as aves vacinadas demonstraram soroconversão e foram positivas sorologicamente com anticorpos anti-SG aos 10, 12, 14 e 16 semanas de vida. Os anticorpos são ferramentas de grande relevância na proteção a longo prazo, principalmente no contexto de aves de vida longa, uma vez que os linfócitos B de memória, são viáveis por longos períodos na vida da ave. A proteção contra a ocorrência de tifo aviário em aves de vida longa, protegendo principalmente na fase produção, pode ser comprovada com o uso concomitante de vacinas vivas e inativadas. É importante que as aves te-

nham seu sistema imunológico preparado na fase de recria, e caso o plantel seja desafiado por uma alta pressão de infecção na fase de produção, elas possam responder de forma imediata, anulando os impactos negativos que o Tifo Aviário possa ocasionar no plantel. Referências Bibliográficas 1- Berchieri Júnior, a.; Freitas Neto, o. C salmoneloses aviárias. In: Berchieri júnior, A. et al. (Ed.). Doenças das aves. 3 ed. Campinas: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas. p. 491-518, 2020. 2- Bouzoubaa, K.; Nagaraja, K. V.; Newman, J. A.; Pomeroy, B. S. Use of membrane proteins from Salmonella Gallinarum for prevention of fowl typhoid infection in chickens. Avian Diseases, v. 31, n. 4, p. 699-704, 1987. 3- Chagas et al. Vacinas e suas reações adversas: Revisão (v.13) p.114, Pubvet, 2019. 4- López-Macías, C., Cunningham, A., eds. How Salmonella In-

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Ciência e Nutrição

Probióticos e seus efeitos na postura comercial A ave precisa do trato gastrointestinal saudável e a microbiota equilibrada, fatores que influenciam diretamente na saúde intestinal e bem estar da ave Autor: Rogério Frozza, Gerente Técnico Nacional - CHR Hansen

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avicultura é um setor vital para produção nacional e mundial de alimentos. Além da geração de empregos em massa, fornece alimento para o Brasil e o mundo. A exemplo disso está a postura comercial, que aumentou a produção em 3,9% no primeiro trimestre do ano corrente em relação ao primeiro trimestre do ano passado, de acordo com os dados preliminares divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020). A tendência de aumento na produção segue a demanda do consumidor que finalizou o ano de 2019 com consumo per capita de 230 ovos, 8,4% maior em relação ao 2018 (ABPA, 2020). Para atender a demanda do mercado consumidor é necessário produzir mais e com qualidade, e para que isto ocorra

precisamos que a ave de postura esteja bem estruturada, com uniformidade, receba uma dieta balanceada, tenha capacidade de ingestão e transformação desse alimento, que ocorre em um trato digestivo relativamente curto e com trânsito rápido, podendo resultar em digestão e absorção incompleta dos nutrientes (Fathi et al., 2018). Fatores de manejo, danos a mucosa intestinal e imunossupressão causada pelo estresse também podem contribuir para infecções no trato reprodutivo e gastrointestinal, alteração da microbiota e aumento da suscetibilidade a patógenos (Upadhaya et al., 2019). Neste contexto, fundamentalmente a ave precisa do trato gastrointestinal saudável e a microbiota equilibrada, fatores que influenciam diretamente na saúde intestinal e bem estar da ave (Bos-

Figura 1: Modo de ação dos bacilos no trato gastrointestinal da ave

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tvironnois and Lundberg, 2018). Desta forma os probióticos – “micro-organismos vivos capazes de promover a saúde quando administrados em quantidade adequada” (Zoumpopoulou et al., 2018) produzem alguns benefícios como alteração da microbiota intestinal por competição de nutrientes e locais de adesão, melhoria da função da barreira mucosa por indução na produção de muco (expressão de genes de mucina), modulação na resposta imune e produção de enzimas úteis (Kotzampassi and Giamarellos-Bourboulis, 2012; Hill et al., 2014; Zoumpopoulou et al., 2018; Judkins et al., 2020). A figura 1 ilustra o modo de ação dos bacilos na microbiota A dinâmica que precisa ser compreendida é que a saúde intestinal consiste no equilíbrio da microbiota entre as bactérias potencialmente benéficas e as


Tabela 1: Indicadores de bem estar avaliados Médias seguidas por letras diferentes na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05). Controle = aves brancas, alimentadas com dietas sem probiótico e com antibiótico; Tratamento = aves brancas, alimentadas com 400g/t de probiótico GALLIPRO® MS e sem antibiótico. CV (%) = Coeficiente de variação

Tabela 2: Índices produtivos avaliados Médias seguidas por letras diferentes na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05). Controle = aves brancas, alimentadas com dietas sem probiótico e com antibiótico; Tratamento = aves brancas, alimentadas com 400g/t de probiótico GALLIPRO® MS e sem antibiótico. CV (%) = Coeficiente de variação bactérias potencialmente patogênicas, logo, a suplementação de “bactérias boas” pode promover este equilíbrio (Pickard et al., 2017; Thursby and Juge, 2017) e a ave irá responder com melhora na digestibilidade da dieta, consequentemente melhor eficácia alimentar, re-

dução de riscos de enterites e aumento na produção e na qualidade de ovos (Agazzi, 2015; Zoumpopoulou et al., 2018, Upadhaya et al., 2019). Outro benefício atribuído ao uso de probióticos é a produção de serotonina. De acordo com a (Almeida, 2020) 90%

da serotonina, o hormônio da felicidade, é produzido no intestino, logo a relação direta com a microbiota. Em estudo realizado na Unesp de Botucatu, (Almeida, 2020) administrou probiótico constituído de bactérias do gênero Bacillus, sendo Bacillus subtilis (DSM17299) e Ba-

Não patogênico Resistente ao processamento e estocagem Ácido & bile tolerante Aderir ao epitélio ou mucosa Persistir no trato gastrointestinal Produzir componentes capazes de inibir patógenos Modular a resposta imune Alterar a atividade da microbiota Adaptado de (Patterson and Burkholder, 2003; Pandey et al., 2015). Tabela 3: Características ideais dos probiótico Revista do Ovo

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Ciência e Nutrição

Figura 2: Viabilidade do Bacillus subtilis antes e após a peletização cillus licheniformis (DSM 5749) e observou redução no comportamento agonístico, indicador de bem estar, que avalia a irritação das aves, arranque de penas, brigas e escondidas no fundo da gaiola, apresentados na tabela 1, e melhora nos indicadores de produtividade como redução das trincas e produção de ovos em galinhas com 71 semanas, conforme tabela 2. Promover a colonização precoce do trato gastrintestinal e a manutenção com bactérias probióticas estabelecerá uma microbiota saudável e aumentará a resistência à colonização por bactérias

patogênicas, (Zoumpopoulou et al., 2018; Judkins et al., 2020; Kogut et al., 2020). Contudo, para obter o máximo benefício dos micro-organismos probióticos, algumas características descritas na tabela 3 devem ser considerados na hora da sua escolha. Para melhor entendimento sobre a escolha do probiótico, a espécie Bacillus subtilis possui mais de 1000 cepas sequenciadas com diferenças genéticas de aproximadamente 20%, além de características morfológicas, bioquímicas e comportamentais distintas. Com isso, compreendemos a necessidade de crité-

Figura 3: Presença de bacilos viáveis em diferentes momentos

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rio no momento de selecionar um probiótico (Koedijk and Bostvironnois, 2017). A segurança em relação ao uso das cepas probióticas também é um ponto a ser observado. Cada cepa é cuidadosamente selecionada, seguindo diferentes critérios para cada espécie animal (Zoumpopoulou et al., 2018) e resultados obtidos em estudos de eficácia in vivo e in vitro. A estabilidade do probiótico também é fundamental para os resultados, haja visto que são bactérias vivas submetidas a processos de peletização, en-


tram em contato com acidificantes para ração ou até mesmo formaldeído e precisam sair ilesas para promover as mudanças benéficas no trato gastrointestinal. Muitos probióticos conhecidos são sensíveis e incapazes de sobreviver, principalmente, ao tratamento térmico das rações. Os Bacillus são manipulados na forma de esporos, consequentemente muito resistentes a extremos de pH e temperatura (Nicholson, 2002; Jeong and Kim, 2014). Não apenas resistentes, como também capazes de colonizar o trato gastrointestinal de forma transitória, com poder de germinação e interação com a microbiota para produzir efeitos benéficos (Cartman et al., 2008; Latorre et al., 2014). A figura 2 relaciona a viabilidade do Bacillus subtilis submetidos diferentes temperaturas de peletização. A mensuração de bacilos é outro ponto importante e deve ser checado a partir da Prova de Recuperação de Bacilos (PRB). Esta prova permite confirmar se quantidade de bacilos descrita em rótulo está de acordo com o que realmente consta no produto e também auxilia na identificação de falhas nos processos de mistura da fábrica. O plano amostral deve incluir amostras de ração colhidas no silo e comedouro e amostras de cama e fezes, conforme a figura 3. Desde modo, o sucesso ou o fracasso do programa de uso de probióticos, seja para retirada de promotores, redução do uso de antibióticos ou até mesmo para a melhoria continua nos resultados, está relacionado, principalmente a escolha da cepa correta para a necessidade de cada granja em quantidades e períodos adequados.

REFERÊNCIAS ABPA: Associação Brasileira de Proteína Animal. (Acesso em 15 de agosto de 2020) Disponível em < https:// abpa-br.org/abpa-lanca-relatorio-anual-2020/ Agazzi, A. 2015. The Beneficial Role of Probiotics in Monogastric Animal Nutrition and Health. J. Dairy, Vet. Anim. Res. 2:116–132. Almeida, I. C. L. 2020. Bem-Estar & Produtividade.Boletim Técnico. Ed.1, 2020. Bostvironnois, C., and R. Lundberg. 2018. Microbiome stability : the

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Estatísticas

Desempenho do ovo em agosto e nos dois primeiros quadrimestres de 2020

M

esmo tendo obtido ligeira valorização nos dois últimos dias de negócios do mês, o ovo fechou agosto de 2020 – quando foram alcançados exatos dois terços dos 366 dias deste ano bissexto – com valor real inferior aos registrados no mesmo 31 de agosto de 2016, 2017 e 2019. Não só isso, porém. Pois os preços médios obtidos em agosto retrocederam pelo quarto mês consecutivo e embora apresentando queda de apenas 2,39% sobre o mês anterior, recuaram ao segundo menor valor de 2020, ficando acima, somente, dos baixos preços alcançados no mês de janeiro. Pior, porém, é constatar que a média atual, contraposta ao que foi registrado em agosto de 2019, apresenta variação positiva de não mais que meio por cento. E o ruim, neste caso, não é ter ficado aquém da inflação acumulada nos últimos 12 meses e, sim, tremendamente abaixo dos custos de produção, encarecidos sobretudo por milho e farelo de soja, cujos preços, em agosto último, registraram evolução anual superior a 50%. Aguarda-se, como já foi anunciado, que se estabeleça a isenção (mesmo temporária) do imposto de importação

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dessas duas matérias-primas. Porque a situação do produtor se tornou insustentável. Comparando, um ano atrás, com o valor alcançado na venda (granja) de 50 caixas de ovos do tipo extra branco (volume correspondente a um poder de compra muito próximo ao da tonelada de frango vivo), o produtor adquiria 5,2 toneladas de milho ou 2,7 toneladas de farelo de soja. Pois neste agosto sua capacidade de aquisição recuou mais de um terço. E para adquirir as mesmas quantidades de matérias-primas de um ano atrás, o produtor precisou de um volume de ovos mais de 50% maior. Não é por menos, pois, que o setor declara estar sendo forçado a reduzir a produção. Porque embora o preço médio destes oito primeiros meses de 2020 esteja mais de 25% acima do registrado no mesmo período de 2019, os custos evoluíram muitíssimo além. Aliás, o que propiciou esse ganho foi o desempenho nos primeiros momentos da quarentena pelo Covid-19. Ou seja: se houve algum ganho neste ano, ele ficou restrito, praticamente, ao primeiro quadrimestre de 2020.


Milho registra segundo maior valor do ano

Farelo de soja alcança novo recorde

O preço do milho registrou significativo aumento de preço em agosto. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$59,45, atingindo a segunda maior cotação já verificada no setor, equivalendo a valorização mensal de 13,4%. Na comparação anual o índice positivo alcançou expressivos 54,7%. Isso porque em agosto do ano passado o preço praticado foi de R$38,43 a saca.

A cotação do farelo de soja (FOB, interior de SP) registrou aumento pelo sexto mês consecutivo culminando com novo recorde em agosto. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.898/t, valor 6,1% superior ao praticado no mês de julho quando atingiu R$1.789/t. Em comparação com agosto de 2019 – quando o preço médio era de R$1,210/t – a cotação atual registra aumento significativo de quase 57%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de agosto, ficou em R$3,90 kg, equivalendo a aumentos de 3,7% sobre julho último e 18,2% sobre agosto do ano passado. Assim, com a significativa valorização do milho em relação ao frango vivo, houve piora acentuada no poder de compra do avicultor. No mês, foram necessários 254,1 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa perda de 8,6% no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em julho, a tonelada do milho “custou” 232,3 kg de frango vivo. Já em relação a agosto do ano passado, a piora no poder de compra atingiu 23,6%, pois, lá, foram necessários apenas 194,1 kg de frango vivo para adquirir a tonelada da matéria-prima.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo Com a forte valorização alcançada na cotação do farelo de soja em relação ao verificado na comercialização do frango vivo houve perdas no poder de compra do avicultor. Em agosto foram necessários 486,7 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando piora de 2,2% no poder de compra do avicultor em relação a julho quando 475,8 kg de frango vivo foram necessários para obter a tonelada do produto. Na comparação em doze meses o índice de perda atingiu quase 25%, pois, lá, foram necessários 366,7 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Farelo/Ovo Valores de troca – Milho/Ovo O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), fechou em R$67,27 e ficou levemente acima do alcançado no ano passado. Entretanto, sofreu queda de 2,6% na comparação com o mês anterior, quando o produto foi negociado por R$69,04. Assim, o aumento expressivo no milho também impactou negativamente o poder de compra do produtor de ovos. Enquanto em agosto foram necessárias 14,73 caixas de ovos para adquirir a tonelada do cereal, em julho foram somente 12,65 caixas/t, uma queda de 14,1% na capacidade mensal de compra do produtor. Em doze meses a perda no poder de compra atingiu relevantes 35%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em agosto foram necessárias, aproximadamente, 28,2 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura comercial em relação ao farelo registrou perda mensal de 8,2%, pois em julho foram necessárias 25,9 caixas de ovos para adquirir a tonelada do cereal. Em relação a agosto do ano passado a perda no poder de compra atingiu quase 36%, pois naquele período a tonelada do grão custou apenas 18,1 caixas de ovos. 10 caixas de ovos a menos.

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Ponto PontoFinal Final

Entre oportunidades e desafios, o ovo ganha espaço Marília Rangel Campos - Gerente de Relações Institucionais e Acesso a Mercados Gustavo Perdoncini Coordenador de Contas Chave de Postura Comercial MSD Saúde Animal

A

s pessoas em todo o mundo já vinham passando por grandes transformações, incorporando novas tecnologias, buscando mais transparência e identificação com seus valores nas atividades do dia a dia; mesmo assim, a pandemia do novo coronavírus acelerou as mudanças e trouxe novos desafios – e oportunidades – para todos os setores da economia. Não é diferente para a avicultura de postura. As medidas de distanciamento social levaram a uma corrida aos supermercados, tornando o ovo uma das proteínas mais buscadas, o que trouxe picos de preços do produto nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil logo no início da pandemia. Em outros países, como o Peru, onde quase 50% da população não possui geladeira, o ovo passou a ser uma alternativa importante de fonte de proteína, pois com as restrições de idas ao mercado os peruanos se viram obrigados a fazer compras em maior quantidade e menor frequência. Em meio a essa situação totalmente inédita na história moderna, o Brasil deverá registrar seu recorde de produção e consumo de ovos, podendo chegar à marca de 250 ovos por ano, por pessoa. Sem dúvida, é um marco importante para a indústria e para toda cadeia, mas que também traz a

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Em meio a essa situação totalmente inédita na história moderna, o Brasil deverá registrar seu recorde de produção e consumo de ovos, podendo chegar à marca de 250 ovos por ano, por pessoa responsabilidade e o senso de urgência em avançar em temas que garantam a sustentabilidade da atividade no longo prazo. A importância da manutenção da sanidade e o papel da prevenção de doenças, num cenário de crescente preocupação com a resistência a antimicrobianos, é um desses temas. A adoção de políticas de uso responsável de antimicrobianos, com base em análise de risco, respeitando as melhores práticas de produção, é chave para que possamos não só garantir alimento seguro e saudável, como também para salvaguardar ferramentas essenciais para o tratamento de doenças. Outro aspecto que ganha ainda mais relevância é o bem-estar animal. O consumidor está cada vez mais preocupado com a origem dos produtos que consome e com a transparência das empresas. Nesse sentido, precisamos continuar a fazer aquilo que pregamos e investir, cada vez mais, em ferramentas que permitam monitorar e rastrear a produção, garantindo, assim, que a informação fornecida na embalagem corresponda à realidade. Qualificar processos, proporcionar melhora contínua na produção responsável, investir em inovação, melhorar a rastreabilidade e a transparência podem ser, também, chaves para o acesso a novos mercados. De acordo com o Observatório de Complexidade Econômica, em 2018 o comércio de ovos em casca e ovo processado foi de US$ 4.3 bilhões de dólares, com crescimento de mais de 12% na comparação com o ano anterior. Nesse cenário, o Brasil representa pouco mais de 1,5% do share da exportação; mas, com os investimentos feitos nos últimos anos por diversas empresas do setor e com a compreensão da importância das demandas dos consumidores, há um caminho possível e promissor pela frente para a avicultura de postura. Nesse contexto, o setor deve intensificar sua comunicação a respeito dos aspectos que cativam os consumidores, mantendo-se sempre atento às suas preocupações, expandindo o portfólio de produtos e lembrando que o ovo é um bom alimento a qualquer hora do dia, para qualquer idade e em todas as ocasiões.


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Edição 59 - Revista do Ovo  

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